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AULA 3 
PROTEÇÃO E GOVERNANÇA 
DE DADOS 
Prof. Daniel Freitas 
2 
TEMA 1 – ENTENDENDO O COMPLIANCE 
“Como o mundo pareceria seguro, confortável, aconchegante e cordial se 
fossem os monstros, e apenas eles, os responsáveis pelos feitos monstruosos” 
(Bauman, 2014, p. 32). 
A década de 1950 é considerada por Ziliotto e Castro (2019) como a “era 
do compliance”, quando, nos Estados Unidos, inicialmente no setor bancário, 
começaram a ser implementadas exigências legais e formais apoiando a criação 
de procedimentos internos nas empresas privadas, aptas a pautar a atuação de 
acordo com a legislação e regulamentos vigentes. 
Josephson (2014) especifica que a atuação quanto à imposição de regras 
éticas para as empresas, no campo internacional, veio à tona em 1977, com a 
criação do Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), nos Estados Unidos, sendo 
fortalecida em face de diversos escândalos de corrupção locais entre os anos de 
1980 e 1990. Assim, passa a ter visibilidade e alcance o termo de língua inglesa 
compliance, que pode ser traduzido como conformidade, observância, obediência, 
submissão, entre outras acepções possíveis. 
A expressão passou a ser de uso comum na atualidade, seja na forma 
estrangeira ou pelo sentido “integridade”, como registrado na Lei n. 12.846/20131 
(Brasil, 2013). Para Ribeiro e Diniz (2015, p. 87), compliance é uma “expressão 
que se volta para ferramentas de concretização da missão, da visão e dos valores 
de uma empresa”. Já para Candeloro, Rizzo e Pinho (2012, p. 30), compliance é 
um “conjunto de regras, padrões, procedimentos éticos e legais, que, uma vez 
definido e implantado, será a linha mestra que orientará o comportamento da 
instituição no mercado em que atua, bem como a atitude dos seus funcionários”. 
Bertoccelli (2019) esclarece que a expressão encontra-se além de um 
simples cumprimento de regras formais, sendo mais ampla e sistêmica, adotada 
como “um instrumento de mitigação de riscos, preservação dos valores éticos e 
de sustentabilidade corporativa, preservando a continuidade do negócio e o 
interesse dos stakeholders”2 (p. 39). 
1Dispõe sobre a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos 
contra a administração pública, nacional ou estrangeira, e dá outras providências. Art. 7º. Serão 
levados em consideração na aplicação das sanções: (...) VIII - a existência de mecanismos e 
procedimentos internos de integridade, auditoria e incentivo à denúncia de irregularidades e a 
aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa jurídica; (Brasil, 2013, grifo 
nosso). 
2Stakeholders, em uma tradução literal, são as partes interessadas. 
 
 
3 
Em suma, trata-se, pois, de um conjunto de regras e modelos que envolve 
procedimentos éticos suficientes para orientar o comportamento de indivíduos e 
empresas no ambiente em que se inserem, seja local ou internacional. Envolve 
ainda sujeitos e relações desenvolvidas em seu respectivo ramo de atuação, com 
preocupações transcendentes, como no aspecto de marca, nome e do respeito 
para com a própria sociedade. 
O compliance integra um sistema complexo e organizado de 
procedimentos de controle de riscos e preservação de valores intangíveis que 
deve ser coerente com, pelo menos, três aspectos: 
 a estrutura societária existente; 
 o compromisso efetivo da liderança; 
 a estratégia da empresa. 
Assim, sua adoção resulta na criação de um ambiente de segurança 
jurídica e confiança indispensável para a melhoria na tomada de decisões. 
Segundo a Associação Brasileira de Bancos Internacionais, em cartilha a 
respeito do tema, o compliance tem a missão institucional de: 
Assegurar, em conjunto com as demais áreas, a adequação, 
fortalecimento e o funcionamento do Sistema de Controles Internos da 
Instituição, procurando mitigar os Riscos de acordo com a complexidade 
de seus negócios, bem como disseminar a cultura de controles para 
assegurar o cumprimento de leis e regulamentos existentes. Além de 
atuar na orientação e conscientização à prevenção de atividades e 
condutas que possam ocasionar riscos à imagem da instituição. (ABBI, 
2009) 
É importante lembrar que não se pode restringir um sistema de práticas 
tão amplo a um mero “fazer cumprir” a legislação existente, pois isso já é inerente 
aos ambientes privado e público. Contudo, a prática deve acarretar uma 
significativa mudança de mentalidade e das preocupações no sentido de que 
mesmo que nenhuma lei ou regulamento estejam sendo descumpridos, ações 
capazes de trazer impactos negativos para as partes interessadas podem gerar 
risco à reputação e imagem da organização, consubstanciando propaganda 
contrária e colocando em risco a própria atividade da empresa. 
Os programas de integração e conformidade não se limitam a enunciar 
condutas empresariais ou organizacionais, mas também conformidades no Direito 
ambiental, concorrencial, do consumidor, no campo da bioética, das normas 
regulamentares e administrativas, do Direito laboral e outras áreas que interessem 
às atividades desenvolvidas pela empresa. 
 
 
4 
A exigência de boa-fé nas relações, de respeito à dignidade da pessoa 
humana, da moralidade em si (administrativa ou geral), e de outras posturas das 
relações cotidianas é questão que por si só já deveria evocar o respeito e 
responsabilidade do empresário e gestor no tocante às melhores práticas. 
Contudo, a normatização e a criação de códigos de condutas e práticas ajudam a 
trazer maior conscientização aos players de mercado e ao próprio Estado. 
As regras de conformidade decorrem de um ambiente em que os Estados 
Unidos encontravam-se imersos em reiterados escândalos de corrupção, como 
os casos Watergate (1974), Lochheed Martin Aircraft Corporation (1975), Defense 
Industry-Pentagon (1985), entre outros. A situação maculava a reputação norte-
americana, colocando em risco a confiança estrangeira na integridade financeira 
de suas empresas, bem como na eficiência de seus mecanismos de combate à 
corrupção, fiscalização e no próprio mercado de capitais, o que levou os Estados 
Unidos a fortalecer suas regras éticas e de compliance. 
Em suma, observa-se que a criação dos programas de conformidade e 
integridade, desde o seu nascedouro, está diretamente relacionada a uma 
tentativa profissional e ética de evitar práticas de corrupção nas empresas. Sendo 
assim, a dicotomia entre compliance público e privado merece considerações 
especiais, como ora em estudo. 
Apresentados, ainda que de forma célere, o conceito e a abrangência da 
ferramenta compliance, observa-se que a existência de orientação constitucional 
para manutenção, promoção e proteção de valores morais e éticos elevados 
enseja maior conscientização e envolvimento da sociedade acerca do tema, com 
a implementação efetiva do public compliance. 
TEMA 2 – ORIGENS MORAIS E ÉTICAS 
Como as práticas de integridade são albergadas pelas reflexões 
filosóficas da ética (dever ser) e da moral (ser)? Ainda que o sujeito não tenha 
qualquer estudo acadêmico, nem saiba o mais raso significado das palavras ética 
e moral, invariavelmente tais compreensões influenciam o pensamento, as 
atitudes e visão de mundo (cosmovisão) de todos e de cada indivíduo. 
A influência é tal que atinge diretamente a vida pessoal do ser humano, 
no campo familiar, nas relações afetivas, sociais e artísticas, e também no 
ambiente profissional escolhido, sem que sequer a própria pessoa saiba ou tenha 
tal reflexão. 
 
 
5 
O termo ética deriva do grego ethos, que histórica e etimologicamente 
apresenta duas grafias: êthos, que se referia ao local onde se guardava animais, 
passando posteriormente para a ideia da habitação do ser (Heidegger); e éthos, 
que alude a comportamento, costumes, hábitos, caráter, modo de ser de alguém. 
Moral tem origem distinta, vem do latim mos (plural mores), mas também 
se refere a costumes, normas e leis. Percebe-se,portanto, desde logo, um ponto 
de encontro entre os dois conceitos ao tratarem daquilo que pertence ao campo 
dos costumes, das regras e dos hábitos das pessoas. 
Contudo, uma análise mais aprofundada demonstra algumas distinções 
entre os conceitos. De maneira simplista, qualquer dicionário da língua portuguesa 
pode trazer diferentes acepções para cada um dos termos, sendo elas até mesmo 
mais precisas e contemporâneas: 
Ética: Segmento da filosofia que se dedica à análise das razões que 
ocasionam, alteram ou orientam a maneira de agir do ser humano, 
geralmente tendo em conta seus valores morais. [Por Extensão] Reunião 
das normas de valor moral presentes numa pessoa, sociedade ou grupo 
social: ética parlamentar; ética médica. Sinônimo de moral. 
Moral: Preceitos e regras que, estabelecidos e admitidos por uma 
sociedade, regulam o comportamento de quem dela faz parte. Leis da 
honestidade e do pudor; moralidade. [Informal] Qualidade do que se 
impõe, influência ou exerce certa soberania em relação a: não tinha 
moral para falar do adversário. [Filosofia] Parte da filosofia que trata dos 
costumes, dos deveres e do modo de proceder dos homens nas relações 
com seus semelhantes. Que está de acordo com os bons costumes; que 
explica, disciplina, ensina. Em conformidade com o considerado ético, 
legal, correto. Que é próprio para favorecer os bons costumes. Refere-
se às regras de conduta, ao âmbito do espírito humano. Que significa 
um comportamento delimitado por regras fixadas por um grupo social 
específico (Dicio, 2019). 
O dicionário online menciona que moral é um sinônimo para ética, 
contudo, não diz o contrário, que ética seja sinônimo de moral. Portanto, no dia a 
dia, é evidente a confusão entre os termos, ao tratarem de preceitos e valores 
inerentes ao ser humano. 
A ideia de “moral” carrega em si uma percepção mais ampla do que 
“ética”, chegando até mesmo, na teoria, a abrangê-la (como círculos 
concêntricos). Inclusive, no popular, a moral é individual de cada ser humano (haja 
vista o dito: “cada um tem sua moral”). 
A cultura (também um conceito complexo, que não é objeto desta aula) 
carrega em si a moral adotando-a como a valoração acerca do que é bom ou mau, 
permitido ou proibido, correto e adequado, desejado ou não. Entretanto, 
considerando a diversidade de seres humanos em determinada cultura, as 
escolhas morais acabam por se chocar, merecendo serem balizadas e orientadas. 
 
 
6 
Para uns, não é moral o uso público de certas roupas, mas, para outros, 
pode ser; para alguns é moral a ampla aceitação de diferentes arranjos familiares, 
para outros, apenas um modelo tradicional representa o que é moral. 
A definição precisa do que será adotado na prática (no dever ser) é dada 
inicialmente pela ética e, depois, de forma mais ampla, positivada (escrita) pelo 
Direito. 
Pedro (2014, p. 483) conclui que: 
O facto de não partilharmos de uma sinonímia conceitual de base entre 
ética e moral não nos permite considerar a sua distinção como se de 
uma separação hermética de conceitos se tratasse, dado que tanto a 
ética necessita da moral como a moral da ética: aquela, de sentido 
normativo, porque constitui matéria-prima de reflexão crítica e de 
fundamentação da moral, e esta porque necessita do carácter 
profundamente interrogante e comunicativo daquela condição da sua 
evolução. Na verdade, o que tal significa, em nosso entender, é que 
possuem funções diferentes, mas interdependentes em que uma não 
pode existir sem a outra. 
A discussão é ampla e complexa, e mereceria uma aula inteira a respeito 
do tema, contudo, vemos em qualquer sociedade que muitas vezes algo tido como 
moral não é ético, ou algo tido como ético não é moral para alguém. Observamos 
que temas escolhidos pelo Direito, como regra e norma, não passam pelo crivo 
da moral de certos indivíduos, e outros temas carregados de valores morais não 
são albergados, nem tampouco protegidos pelo Direito. 
Em resumo, adota-se a compreensão de ética sob dois enfoques 
primordiais: primeiro, entendendo-se que a ética é a reflexão sobre os valores 
morais e do Direito (quais condutas são morais, quais merecem a proteção do 
Direito, quais não)3, em segundo lugar, ética como parte do Direito que cuida de 
determinadas normas morais de uma certa categoria ou ramo social (éticas 
profissionais, políticas, sociais, laborais etc.). 
Assim, diante desse contexto, vemos a ética como uma ferramenta e uma 
reflexão interior, sendo reconhecido em nossa sociedade que ético é aquilo que 
alguém “pode, deve e quer”, em detrimento do que não se pode (escolha), ou não 
se quer (desejo), ou não se deve (proibição). 
Por isso, no que interessa ao presente estudo, a ética traz valores morais 
adotados pela sociedade como um todo (não só brasileira), no sentido de manter 
a integridade como valor supremo, e a conformidade com as normas existentes. 
 
3Para uma discussão aprofundada sobre o tema, recomenda-se a obra: FERREIRA NETO, Arthur 
Maria. Metaética e a fundamentação do direito. Porto Alegre: Elegantia Juris, 2015. 
 
 
7 
Também traz valores positivados, escritos na norma, para que todas as pessoas 
envolvidas assumam esses valores interiores observados pela moral. 
Portanto, o compliance pode ser estudado e observado sob duas 
perspectivas, instrumental e éthos. O compliance instrumental é uma ferramenta, 
um meio adotado para atingir um fim, qual seja, a adoção de práticas que vedem 
atos de corrupção. Além disso, atos que não estejam em conformidade com os 
valores éticos adotados por determinada entidade e pela sociedade como um 
todo, o que evidentemente abrange a proteção de dados mantidos e trocados com 
outras entidades. Já o compliance ethos trata dos valores inerentes de cada ser 
humano, os quais, independentemente da cultura ou da implantação das 
ferramentas, cada indivíduo deve abrigar em seu espírito. 
Cortina (2009), sobre o tema da internalização da ética (ethos) esclarece: 
Como ferramenta de gestão, deve formar parte do “núcleo duro” da 
empresa, da sua gestão básica, não ser “algo a mais”, não ser uma 
espécie de esmola adicional, que convive tranquilamente com baixos 
salários, má qualidade de produtos, empregos precários, exploração e 
violação dos direitos básicos. A boa reputação se conquista com boas 
práticas e não com um marketing social que funciona como maquiagem 
de um rosto pouco apresentável. 
E convém lembrar que tudo o que deve ser parte do núcleo duro da 
empresa afeta seu ethos, seu caráter, não é uma aquisição pontual que 
vale por um tempo, mas sim deve se transformar no caráter interno da 
empresa. Disso justamente trata boa parte da ética, do caráter que é 
preciso assumir dia a dia, que dura não apenas um instante, mas sim a 
médio e longo prazo. A responsabilidade social tem que formar parte 
indispensável da vida empresarial, porque há de incorporar-se a sua 
essência, transformando-a internamente (Cortina, 2009, p. 113). 
Desde a década de 1990, especialmente, fala-se em ética empresarial e 
responsabilidade social (dela decorrente). Novamente, as práticas de 
integridade e combate à corrupção privada encaixam-se perfeitamente na 
necessidade de mudança do pensamento dos empresários e do mercado, 
alterando-se a busca do lucro a “qualquer custo” para o crescimento sustentável. 
Em síntese, o que interessa ao estudo aprofundado em questão é a 
implantação de valores éticos de integridade e moralidade em determinada 
entidade, a partir do enfoque dos valores interiores de cada indivíduo. 
TEMA 3 – DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS ACERCA DO TEMA 
Em busca de fundamentos normativos para o compliance, depois de 
analisarmos a perspectiva filosófica, é importante a análise do tema a partir do 
campo jurídico. Assim, é inevitável o estudo colocado pela ótica da Constituição, 
 
 
8 
pois é o fundamento de todas as normas nacionais (o denominado ordenamentojurídico pátrio), e de onde extraímos aspectos essenciais para a implantação de 
práticas de integridade tanto na administração pública quanto privada. 
Inicialmente, lembremos dos fundamentos da República Federativa do 
Brasil, que trazem a sustentação para o Estado Democrático de Direito, logo no 
art. 1o do texto constitucional, merecendo destaque o elemento vetor na atuação 
do indivíduo, a saber, a “dignidade da pessoa humana” (Brasil, 1988). Tal 
princípio é elementar ao ordenamento jurídico brasileiro, mesmo se 
considerarmos o complexo normativo de Direito Internacional. 
A tutela vem prevista no primeiro artigo da Declaração Universal de 
Direitos Humanos, da ONU, de 1948, ao mencionar que “todas as pessoas 
nascem livres e iguais em dignidade e direitos” (Nações Unidas, 2019). A 
expressão possui profundo valor social, em especial, no período após a Segunda 
Guerra Mundial, ao ressaltar a importância do ser humano acima das legislações 
e sem distinções entre si. 
No Brasil, a expressão demonstra sua importância quando é mencionada 
no art. 170 como um dos princípios a serem buscados pela ordem econômica, ao 
tratar da existência “digna”. Ora, a existência desse princípio basilar do 
ordenamento nacional afeta diretamente as estruturas que se pensam para o 
ambiente econômico, o que implica a necessidade de o gestor público observar 
sua incidência nos atos administrativos e no próprio interesse das instituições 
públicas. Órgãos, autarquias, empresas públicas, fundações, empresas privadas 
que atuam em nome da administração pública, colaboradores... todos devem ter 
a “dignidade” do ser humano como foco da sua atividade e interesse. 
A dignidade não surgiu em tempos recentes, e nem sempre esteve 
associada a um direito fundamental ou humano. Na Roma Antiga, a ideia era que 
tal direito se circunscrevia a quem possuísse determinadas ocupações e posições 
políticas. Apenas na modernidade é que o tema passou a vincular-se a um “valor” 
inerente a todas as pessoas (Frias; Lopes, 2015). Assim, a dignidade passa de 
status individual, posição social e integridade moral para uma propriedade de todo 
ser humano, que pode se movimentar e autogerir com liberdade. 
Um exemplo é a clara mudança de posição da dignidade entre as 
constituições brasileiras. Em 1824, a dignidade é mencionada apenas à nação, 
ao imperador e à sua esposa; na primeira Constituição, sequer o termo aparece; 
e, na atual, ganha total relevo como elemento fundamental da República. 
 
 
9 
Outro dispositivo essencial que alimenta as políticas de integridade é a 
enunciação dos objetivos fundamentais da República, em especial, a construção 
de uma sociedade justa e solidária (art. 3º, I, da CR). A ideia de solidariedade e 
visão do coletivo demonstra o movimento do Estado em direção ao coletivo. Além 
disso, demonstra a compreensão de que a conduta de um gestor afeta toda a 
comunidade, não apenas uma parcela da sociedade (inclusive essa ideia afeta 
positivamente a compreensão de direitos humanos e a extraterritorialidade das 
empresas no recente escopo de business and human rights). 
Assim, a solidariedade e a justiça social impõem a reflexão da necessária 
coabitação em um mesmo espaço e ecossistema, o qual deve ser preservado 
para as gerações presentes e futuras. Sendo assim, a destruição por valores 
egóicos e imoralidades afeta diretamente a possibilidade futura de convivência e 
sobrevivência da própria raça humana. 
Segundo Köllig, Massau e Daros (2016, p. 265), 
A solidariedade intergeracional participa incisivamente da terceira 
dimensão dos direitos fundamentais. Ela não se aplica apenas ao direito 
ambiental, mas tende a ser aplicada em todas as esferas do Direito, 
quando necessário e possível. Dimensão decorrente de direito e de 
responsabilidade ultrapassa a esfera do interesse individual ou de uma 
determinada coletividade para atingir a sociedade nacional e, também, 
internacional. 
O caminho da integridade nas relações públicas também encontra guarida 
nos princípios adotados pelo Brasil nas relações internacionais, em especial na 
cooperação entre os povos para progresso da humanidade (art. 4º, IX, da CR). Os 
tratados oriundos das organizações internacionais – ONU, OEA, OCDE –, no tema 
da corrupção, têm recebido ampla adesão do Brasil, na melhor das intenções 
diplomáticas de promoção interna das práticas éticas e morais, e, obviamente, de 
melhorar a imagem do país perante o mercado e a economia internacional. 
Poder-se-ia discorrer aqui sobre diversas outras garantias constitucionais 
nucleares, tais como: a liberdade e a igualdade do caput, do art. 5º, diretamente 
entrelaçadas com a dignidade e a solidariedade; a proteção da propriedade, 
enunciada no mesmo dispositivo, que impõe a utilização dos bens por sua devida 
finalidade social, e não como instrumento de manobras individualistas (art. 5º, XXII 
e XXIII, da CR); e a defesa do consumidor, inciso XXXII, do mesmo artigo 
(compliance do consumidor); mas aqui se busca apenas uma luz acerca da notória 
existência de inúmeros fundamentos constitucionais para adoção de políticas de 
integridade e conformidade. 
 
 
10 
Não obstante, é evidente que um dos principais fundamentos da adoção de 
práticas protetivas à administração pública vem fundado nos princípios do art. 37 
da Constituição, ao tratar da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da 
publicidade e da eficiência. Outra não é a intenção do legislador constituinte senão 
determinar a forma de atuação da administração. 
Embora esta não seja uma aula de Direito administrativo, é de se observar 
ao menos alguns traços dos princípios mencionados: 
1) Legalidade: a administração deve fazer o que vem determinado na 
legislação – a vontade popular expressa por seus representantes. Assim, o 
atendimento deve ser a partir daquilo que já está positivado nas normas. 
Também está associado à finalidade, pois os atos administrativos devem 
visar a defesa do interesse público expresso nas normas. 
2) Impessoalidade: estabelece um dever de imparcialidade no trato com o 
interesse público, impedindo discriminações, privilégios, dispensados a 
particulares ou aos próprios gestores. Tal princípio impõe o fim do 
clientelismo (atendimento em troca de favores), do patrimonialismo estatal 
(trato da coisa pública pelo gestor, como se fosse sua particularidade) e do 
regime compadrio e da promoção pessoal. 
3) Moralidade: sem dúvida, é o ponto central para fundamentar as práticas 
de integridade na administração pública. Diferentemente da moralidade 
comum (mais ampla e diversificada), a moralidade administrativa abrange 
padrões de probidade, ética, boa-fé, decoro, lealdade e honestidade, 
incorporados pela boa administração. Sua defesa vem por meio de práticas 
de compliance, da ação popular, da ação civil pública contra improbidade 
administrativa, do controle interno e externo (em geral por Tribunal de 
Contas), e da atuação das comissões parlamentares de inquérito. 
4) Publicidade: reflexo da transparência e da necessária participação popular 
nos atos administrativos, é um traço essencial em processos de 
conformidade. O sigilo e atos secretos são exceção na atividade pública. 
Como a publicidade exterioriza a vontade da administração, tornando atos 
exigíveis e outorgando-lhes efeitos, é evidente que tal princípio fundamenta 
as práticas anticorrupção, de segurança e proteção das informações na 
medida em que possam ser divulgadas. 
5) Eficiência: faz a transposição da administração pública burocrática para a 
gerencial, trazendo elementos de aprimoramento em sua estrutura 
 
 
11 
(inclusive alguns “importados” do direito privado e das ciências da 
administração), para que o serviço público tenha condições mínimas de 
atender às pretensões da sociedade. Traz, em si, aspectos importantes: 
economicidade, redução do desperdício, qualidade, rapidez, produtividade 
e rendimento funcionalcomo componentes de uma gestão mais eficaz. 
Há ainda outros princípios implícitos, como a supremacia do interesse 
público e a indisponibilidade do interesse público (tidos por Mello (2009) como 
supraprincípios do qual derivam os demais), ensejando que os interesses 
coletivos são mais (ou única e exclusivamente) importantes, em face dos 
individuais, e não podem ser desprezados ao mero talante do gestor. 
Também importantes, os princípios da responsabilidade tratam da 
responsabilização estatal em face dos atos por si praticados (§6º, do art. 37 da 
Constituição); da responsividade, que impõe à administração o dever de reagir 
adequadamente às demandas da sociedade; e da segurança jurídica, evitando 
mudanças de posicionamentos dos gestores capazes de afetar prejudicialmente 
a sociedade. 
A obrigatoriedade das licitações – campo rotineiro das fraudes – também 
é um fundamento constitucional protetivo das práticas de integridade, em conjunto 
com o princípio da participação do usuário na administração pública. Previsto 
no §3º, do art. 37, estimula a utilização de sugestões, ouvidorias, ambientes de 
denúncias de práticas irregulares e outras inúmeras formas de intervenção 
positiva do particular na gestão pública. 
Em síntese, é imprescindível a noção do gestor público acerca da 
relevância do tema dentro da carta magna brasileira, para, assim, ter a devida 
compreensão da amplitude de suas funções e da inafastabilidade da adoção de 
amplas medidas de proteção aos princípios do direito e, consequentemente, da 
própria sociedade. 
TEMA 4 – COMPLIANCE PÚBLICO 
A Constituição de 1988, em harmonia com os valores mais elevados de 
proteção às instituições públicas e à dignidade da pessoa humana, erigiu como 
regra intocável para a administração pública, direta e indireta, em todos os 
Poderes da União, estados, Distrito Federal e municípios, o respeito a diversos 
princípios, como acima referido (art. 37, da Constituição). 
 
 
12 
Ora, as práticas corruptivas, bem como outras condutas ditas menores, 
como inadequações administrativas e decisões sem suficiente razoabilidade, 
seguem sendo perpetradas dia após dia na administração pública. Por outro lado, 
as grandes empresas participantes de certames já vêm respeitando normas de 
integridade e compliance. Então, por qual razão a esfera pública não adotaria 
práticas no mesmo sentido? Ainda mais em um ambiente em que se almejam 
práticas protetivas aos dados e informações, nos termos da legislação nacional e 
internacional vigente. 
Tal postura vem ao encontro dos princípios constitucionais, especialmente 
da moralidade e da eficiência, que protegem o Estado de práticas isoladas, fora 
dos padrões que devem ser adotados pelos entes públicos. Sem receio de parecer 
repetitivo, a eficiência, princípio inserido pela Emenda Constitucional n. 19, de 
1998, positivou a exigência de que os atos de gestão pública sejam eivados de 
finalidade e motivação voltada para excelência e efetividade do Estado, numa 
visão administrativa contemporânea voltada aos resultados e à denominada 
governança corporativa. 
A modernização do Estado brasileiro é tema recorrente na literatura técnica 
e científica. Assim, Souza (2017, p. 30) sistematizou três classificações para a 
força motora da mudança estatal: 
A modernização se desdobra em três grandes tipos, todos com impacto 
sobre o papel do Estado: (a) social, na qual o Estado é pressionado pela 
sociedade a promover mudanças, ou seja, um processo que se 
desenvolve no sentido sociedade-Estado; (b) social via Estado, na qual 
as pressões para reformar a sociedade provêm do próprio Estado, ou 
seja, um processo que se desenvolve no sentido Estado-sociedade; e 
(c) do Estado, na qual o foco é a eficiência e sua expressão mais 
conhecida é a institucionalização da organização burocrática nos moldes 
preconizados por Weber, ou seja, um processo que se desenvolve no 
sentido Estado-Estado. 
Trata-se, pois, da ordem para a administração pública atuar com 
organização racional dos meios e recursos humanos utilizados pelo Estado, 
objetivando uma prestação de serviços públicos e a realização de suas atividades 
precípuas com maior qualidade em proteção da própria sociedade. 
Para o Ministro do Supremo Tribunal Federal e jurista Gilmar Mendes: 
A atividade da Administração Pública deve ter em mira a obrigação de 
ser eficiente. Trata-se de um alerta, de uma advertência e de uma 
imposição do constituinte derivado, que busca um Estado avançado, 
cuja atuação prime pela correção e pela competência. 
(...) pode-se concluir que o constituinte reformador, ao inserir o princípio 
da eficiência no texto constitucional, teve como grande preocupação o 
desempenho da Administração Pública. Por essa razão, sem descurar 
 
 
13 
do interesse público, da atuação formal e legal do administrador, o 
constituinte derivado pretendeu enfatizar a busca pela obtenção de 
resultados melhores, visando ao atendimento não apenas da 
necessidade de controle dos processos pelos quais atua a 
Administração, mas também da elaboração de mecanismos de controle 
dos resultados obtidos (Mendes; Branco, 2017, p. 901-903). 
Instrumentos que defendem tais princípios, como a ação popular (art. 5º, 
LXXIII, da Constituição), a Lei de Improbidade Administrativa (Lei n. 8429/92), a 
Lei de Responsabilidade Fiscal (LC n. 101/2000), entre outros, mantêm o papel 
de sustentar e apoiar as práticas mais nobres que devem nortear a postura da alta 
administração pública em todos os atos que desempenham. 
Assim, a partir da percepção deste singelo contexto, percebe-se que a 
edição de textos legais para imposição à administração pública no tocante a 
práticas de compliance e integridade traduz-se em garantia e tutela para o estrito 
atendimento dos ditames constitucionais. Em outras palavras, é dizer que a 
adoção das mais modernas práticas de lisura, transparência e boa-fé por parte 
dos entes públicos é medida imprescindível e inafastável que atende e corrobora 
para um Estado mais eficiente e protetor de práticas éticas, morais e sustentáveis. 
A legalidade estrita não é suficiente para regular, ou balizar, a 
administração pública, por isso existem outros diversos princípios (como acima 
descritos) e regras hermenêuticas (de interpretação), para atuação eficiente do 
agente público, seja servidor ou autoridade política. A ideia que se pretende 
implementar na administração pública é a noção de “responsividade estatal” e 
atuação profissional4, portanto, mais e mais se faz necessária uma postura firme 
e ética com relação à integridade e conformidade dos valores que o Estado deve 
veicular. 
Conformidade não é apenas a relação com legislação ou moralidade, mas 
postura, missão, valores, prevenção de riscos, comprometimento, enfrentamento, 
cultura, sustentabilidade, envolvimento e diversos outros elementos que 
compõem um vasto programa de integridade. 
É evidente que a administração demanda leis para consecução de seus 
objetivos, contudo, deve agir pela juridicidade e aplicação dos princípios 
constitucionais como justificativa das atividades desempenhadas em benefício da 
coletividade. 
 
4Nesse sentido, ensina Castro (2016, p. 109): “sob a ótica da evolução de um modelo de Estado 
Gerencial, é importante destacar que há que se revelar uma necessária postura responsável do 
Estado (noção de responsividade), em que não apenas importa o atingimento do fim, mas uma 
conjugação entre a eficiência estatal e o melhor resultado possível, com a total assunção das 
responsabilidades do Estado na condução dessa solução”. 
 
 
14 
Mesmo previstas em diversos textos legislativos, muitas práticas não são 
adotadas, nem tampouco monitoradas por partes dos agentes públicos, a fim de 
que outros instrumentos, de maior credibilidade e eficácia, sejam adotados para 
proteção e blindagem do Estado, ensejando uma nova mentalidadedentro da 
administração pública. Para garantir a sustentabilidade em todos os seus 
escopos, é claramente necessário que mercado, sociedade e Estado 
desenvolvam um compromisso aberto e franco, com mecanismos aptos a trazer 
a devida segurança social e virtual. 
É evidente que a postura do agente público não é restrita à adoção de 
práticas de integridade em exclusivo combate à corrupção (âmbito do Direito 
penal). Entretanto, é a compreensão holística e ampla da prática administrativa 
que se apresentará capaz de atrair uma mudança radical de postura em todas as 
partes envolvidas (stakeholders), seja no campo das relações de mercado, 
privadas, ambientais, transnacionais, na proteção de dados, na esfera pública, 
entre servidores, políticos, empresas licitantes e um sem número de afetados 
direta ou indiretamente nas condutas de governo. 
Por fim, é importante apresentar os principais elementos de um programa 
de compliance. Ainda que outros autores tragam distinções entre os programas, 
bem como guidelines administrativas (como aquelas elaboradas pela CGU e pelo 
CADE) também o façam, podem ser elencados os seguintes itens como 
essenciais em um futuro documento elaborado: 
1) atuação direta e apoio incondicional da alta direção do órgão; 
2) nomeação de um responsável pelo programa; 
3) adequação às atividades desempenhadas pelo órgão; 
4) criação das regras e procedimentos; 
5) comunicação interna das normas; 
6) treinamento institucional; 
7) estabelecimento de canais de denúncias, sistema de premiação e medidas 
disciplinares; 
8) monitoramento e indicadores de desempenho; 
9) extensão da aplicação a fornecedores e prestadores de serviços. 
Tais itens aplicam-se tanto no ambiente de programas privados como no 
público. Cada item mereceria detida análise, porém, infelizmente, não há espaço 
neste ponto da caminhada. 
 
 
15 
Assim, diante de um contexto reformista e de combate às práticas ilícitas e 
irregulares, tanto o governo federal quanto os estados vêm buscando a edição de 
leis fundamentadas nos citados princípios constitucionais, com a finalidade de 
elevar o padrão das condutas administrativas, assumindo que o compliance não 
é um custo, mas um investimento profundo em mapeamento e prevenção de 
riscos em prol da coletividade. 
TEMA 5 – COMPLIANCE PRIVADO 
A aplicação das práticas de integridade no ambiente privado é anterior ao 
public compliance e tem sua origem na atividade bancária. Alguns autores 
atribuem o início da prática de compliance a medidas de conformidade adotadas 
na indústria farmacêutica e de alimentos norte-americana, do início do século XX, 
em proteção ao consumidor (ConvergePoint, 2019). Outros indicam a criação da 
Securities and Exchange Comission, órgão equivalente à Comissão de Valores 
Mobiliários (CVM) no Brasil, na década de 1960, como precursora dos controles 
realizados por compliance officers (Sfalsin, 2018). 
De qualquer forma, os próprios norte-americanos reconhecem três eventos 
históricos como primordiais para o início das práticas de integridade: 
1) A promulgação do FCPA – Foreign Corrupt Practices Act, em 1977, lei 
anticorrupção estrangeira norte-americana que orientava a necessidade de 
implementação de livros de registro e sistemas de controles nas empresas 
com relações internacionais. 
2) Os escândalos da indústria de defesa e do Pentágono, na década de 1980, 
que levaram grupos de grandes companhias a se reunirem e 
voluntariamente estabelecerem princípios e práticas empresariais éticas. 
3) A edição de um manual de orientações (Federal Sentencing Guidelines), 
em 1991, que incentivava a implantação de programas de compliance 
como forma de redução de penas em processos contra grandes empresas. 
No Brasil, o envolvimento com o tema do compliance era oriundo de 
empresas estrangeiras com sede no país, sendo que exigências de integridade 
eram requeridas da “matriz” para suas sedes em solo nacional, sem que, para 
tanto, houvesse um movimento empresarial ou do governo nesse sentido. 
Apenas em 1998 o Banco Central do Brasil expediu a Resolução n. 2554, 
que cotejava importantes aspectos de controles internos, semelhante ao 
 
 
16 
compliance, para bancos e instituições financeiras. O art. 4º, da citada Resolução, 
orientava: 
Art. 4º Incumbe à diretoria da instituição, além das responsabilidades 
enumeradas no art. 1º, parágrafo 2º, a promoção de elevados padrões 
éticos e de integridade e de uma cultura organizacional que demonstre 
e enfatize, a todos os funcionários, a importância dos controles internos 
e o papel de cada um no processo (BCB, 1998). 
A Resolução foi editada como fruto de um acordo firmado em Basileia, na 
Suíça, em 1997, que lançara princípios para uma supervisão bancária eficaz (25 
princípios), que deveriam ser aplicados pelos integrantes do acordo, como o 
Brasil. A partir das experiências do setor financeiro, outras áreas, especialmente 
aquelas que mantinham relações com o mercado estrangeiro, também passaram 
a adotar procedimentos focados em análise de riscos, prevenção e controles para 
as empresas. 
Uma mensagem interessante da Controladoria-Geral da União (CGU), 
sobre a promoção da integridade nas empresas, inserida em cartilha com o título 
“A responsabilidade social das empresas no combate à corrupção”, elaborada 
com um Grupo de Trabalho do Pacto Empresarial pela Integridade, esclarece: 
Promover a integridade nas empresas, no entanto, não se resume a 
combater atos de corrupção que, porventura, venham a acontecer. É 
preciso sobretudo construir valores de integridade de forma sustentável, 
o que pressupõe o desenvolvimento de um conjunto de regras e 
instituições que definam padrões éticos e comportamentais. Os valores 
éticos devem ser, portanto, um dos pilares da construção de um sistema 
de integridade empresarial. E não basta estarem presentes em todas as 
estratégias e atitudes dos funcionários da empresa. Devem também ser 
repassados aos fornecedores e clientes (CGU, 2009). 
Foi apenas com a edição da Lei Anticorrupção (12846/2013), que 
textualmente adotava as práticas de integridade como atenuante das pesadas 
penas pelos crimes que capitulava, que a cultura da implantação do compliance 
tornou-se a tônica das empresas privadas no Brasil. 
 
 
 
17 
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