Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original
Profª Angélica Guilherme APRESENTAÇÃO: VARIAÇÃO LINGUÍSTICA, LEITURA E ESCRITA NA SALA DE AULA PRECONCEITO LINGUÍSTICO NA ESCOLA:CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS O POBREMA É MEU! NUM JÁ FALEI QUE NUM QUERU NINGUÉM METENO O NARIZ NA MINHA VIDA. CADA UM VEVE SUA VIDA! Variação linguística PRECONCEITO LINGUÍSTICO É o uso da língua na escola que evidencia mais claramente as diferenças entre grupos sociais e que gera discriminações e fracasso O ensino de língua portuguesa prioriza apenas a forma padrão, O preconceito linguístico nos diversos ambientes escolares A língua carrega variações condicionadas por inúmeros fatores, como: faixa etária, gênero, situação socioeconômica, grau de escolarização, dentre outros. Escola, livros, dicionários e a gramática normativa na modalidade escrita- formal são categorizados como a maneira adequada que as pessoas devem adotar no dia a dia. [...] o aluno vem com sua modalidade linguística. Uma língua que só tem uma modalidade é uma língua morta. O ideal é que o aluno seja poliglota na própria língua, que ele aprenda o maior número de realidades da sua língua e até a língua padrão porque senão vai cometer vários erros de tradução na própria língua. BECHARA, 2002. O problema do preconceito disseminado na sociedade em relação às falas dialetais deve ser enfrentado, na escola, como parte do objetivo educacional mais amplo de educação para o respeito à diferença. PESQUISA COMO SE DIZ UM MULHERÃO”? 70-60 PITEL 50-40 BROTINHO 30-20 GATA 20-15 GOSTOSA o preconceito linguístico advém do ensino tradicional, prescritivo e excludente da gramática normativa. MÍDIA É urgente manter a consciência da diversidade linguística existente Prosperidade na sociedade cultural. Houve compreensão? • É LINGUA PORTUGUESA! 1) Conscientizar-se de que todo falante nativo de uma língua é um usuário competente dessa língua, por isso ele SABE essa língua. 2) aceitar a ideia de que não existe erro de português. Existem diferenças de uso ou alternativas de uso em relação à regra única proposta pela gramática normativa. 3) Não confundir erro de português (que, afinal, não existe),com simples erro de ortografia. 4) Reconhecer que tudo o que a gramática tradicional chama de erro é, na verdade, um fenômeno que tem uma explicação científica perfeitamente demonstrável 5) Conscientizar-se de que toda língua muda e varia. O que hoje é visto como “certo”, já foi “erro” no passado. O que hoje é considerado “erro” pode vir a ser perfeitamente aceito como “certo” no futuro da língua. 6) Dar-se conta de que a língua portuguesa não vai nem bem nem mal. 7) Respeitar a variedade linguística de toda e qualquer pessoa, pois isso equivale a respeitar a integridade física e espiritual dessa pessoa como ser humano, porque 8) a língua permeia tudo, ela nos constitui enquanto seres humanos. Nós somos a língua que falamos. Assim 9) uma vez que a língua está em tudo e tudo está na língua, o professor de português é professor de TUDO. 10) Ensinar bem é ensinar para o bem. Ensinar para o bem significa respeitar o conhecimento intuitivo do aluno, valorizar o que ele já sabe do mundo, da vida, reconhecer na língua que ele fala a sua própria identidade como ser humano (BAGNO,2007, p. 166-168) Há duas línguas no Brasil: uma que se escreve (e que recebe o nome de “português”); e outra que se fala (e que é tão desprezada que nem tem nome). E é esta última que é a língua materna dos brasileiros; a outra (“o português”) tem de ser aprendida na escola, e a maior parte da população nunca chega a dominá-la adequadamente. (Perini, 2001). Segundo Bagno, 2001, p.36, “menosprezar, rebaixar, ridicularizar a língua ou a variedade da língua empregada por um ser humano equivale a menosprezá-lo, rebaixá-lo enquanto ser humano”. Quem mais sofre com isso são aqueles que provêm das classes menos favorecidas economicamente, são eles que sentem na pele a ridicularização, sentem-se estranhos em sua própria língua, cheio de dúvidas e incertezas, distantes na norma considerada correta. Por isso, a maioria dos estudantes chega ao final do Ensino Médio sem conseguir transferir suas ideias para a folha da redação, há uma preocupação tão grande em empregar regras gramaticais, em “escrever certo”, que o pensamento não consegue concretizar-se no papel. [...] Membro da Academia Brasileira de Letras, [Evanildo] Bechara completou 80 anos na semana passada e está colhendo os merecidos tributos.[...] Homem de fala calma e ponderada, Bechara é ainda assim muito incisivo na crítica ao estado do ensino de português no Brasil. Por influência de certas teorias equivocadas da sociolingüística, a educação brasileira, afirma Bechara, estaria se deixando levar por uma exaltação impensada da língua espontânea ou ''popular''. ''Os sociolingüistas acreditam que ensinar a língua-padrão é uma forma de preconceito social. É um erro. O domínio do padrão é parte essencial da competência linguística do falante'', diz Bechara. Autores vinculados a essa vertente, é claro, têm suas restrições a Bechara - mas o respeitam. [...] o linguista Marcos Bagno, da Universidade de Brasília, autor de Preconceito Linguístico, considera que a filiação de Bechara à Academia por si só já demonstraria sua vinculação a ''um ideário conservador e elitista'' - mas Bagno também diz que Bechara é ''o mais importante gramático brasileiro vivo''. Na segunda parte, está certo. Evanildo Bechara em entrevista oferecida a revista Veja pontuou: Ninguém de bom-senso discorda de que a expressão popular tem validade como forma de comunicação. Só que é preciso que se reconheça que a língua culta reúne infinitamente mais qualidades e valores. Ela é a única que consegue produzir e traduzir os pensamentos que circulam no mundo da filosofia, da literatura, das artes e das ciências. A linguagem popular a que alguns colegas meus se referem, por sua vez, não apresenta vocabulário nem tampouco estatura gramatical que permitam desenvolver ideias de maior complexidade (grifo nosso) – tão caras a uma sociedade que almeja evoluir.