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PROBLEMA 1 - O VALOR DA INFORMAÇÃO OBJETIVO 1: DEFINIR AS FASES DO TRABALHO DE PARTO · Período Prodrômico: É o período caracterizado pela descida do fundo uterino. · Situada nas proximidades do apêndice xifoide, a cúpula do útero gravídico baixa de 2 a 4cm, aumentando a amplitude da ventilação pulmonar, que até esse momento era dificultada pela compressão diafragmática. · Durante esse período, há a adaptação do corpo materno, ocasionada pelo estiramento das articulações da cintura pélvica e aumento no volume das secreções das glândulas cervicais. · Após 30 semanas de gestação, a atividade do miométrio cresce gradativamente, até que por volta da 36ª semana, as contrações de Braxton-Hicks se tornam cada vez mais fortes e coordenadas. · Contrações de Braxton Hicks: A partir da 6ª semana de gestação a gestante pode começar a sentir contrações de treinamento, também conhecidas como contrações de Braxton Hicks. Essas contrações não possuem uma data certa para serem notadas, porém é muito comum que seja por volta da 28ª semana. Elas são contrações irregulares, geralmente indolores e não se intensificam com o passar do tempo. · É nesse período também que há o início do amolecimento do colo uterino, associado ao apagamento do mesmo. · As últimas horas da gestação humana caracteriza-se pelas contrações uterinas fortes e dolorosas, que levam à dilatação cervical, provocando a descida do feto através do canal de parto. · As alterações bioquímicas que ocorrem no útero e no colo uterino se dão por estímulos endócrinos e parácrinos, vindo tanto da mãe quanto do feto. · FASES DA PARTURIÇÃO: a parturição pode ser dividida em quatro fases de acordo com o estágio de transição fisiológica que o miométrio e o colo uterino sofrem. Essas fases da parturição não devem ser confundidas com os estágios clínicos do trabalho de parto, uma vez que esses estágios constituem a terceira fase da parturição. · FASE 01 DA PARTURIÇÃO - INATIVIDADE UTERINA E AMOLECIMENTO CERVICAL: · a · FASE 02 DA PARTURIÇÃO - PREPARAÇÃO PARA O TRABALHO DE PARTO: · a · FASE 03 DA PARTURIÇÃO - TRABALHO DE PARTO: · trata-se do trabalho de parto ativo. Geralmente, divide-se em três estágios clínicos, que podem ser resumidos da seguinte forma: · O primeiro estágio, ou estágio do apagamento e da dilatação cervical, começa com as contrações uterinas espaçadas, com frequência, intensidade e duração suficientes para causar o apagamento uterino. Esse estágio termina quando o colo uterino está totalmente apagado e dilatado (10cm), permitindo a passagem da cabeça do feto a termo. · O segundo estágio, ou estágio da expulsão fetal, inicia-se quando a dilatação está completa e termina com o nascimento do feto. · O terceiro estágio, ou estágio da separação e da expulsão da placenta, começa imediatamente após o nascimento do feto e termina com a liberação da placenta. Processo inflamatório e início do parto: O aumento nos fatores inflamatórios, tais como COX-2 e interleucina - 8 se constituem em eventos iniciais para a progressão do parto ativo · -PRIMEIRO ESTÁGIO DO TRABALHO DE PARTO - SINAIS CLÍNICOS INICIAIS DO TRABALHO DE PARTO: · apesar do trabalho de parto em algumas mulheres começar repentinamente, a maioria dos casos se dá a partir da liberação de uma pequena quantidade de muco sanguinolento, que corresponde à eliminação do tampão mucoso que preenchia o canal cervical. · Processo inflamatório e início do parto: O aumento nos fatores inflamatórios, tais como COX-2 e interleucina - 8 se constituem em eventos iniciais para a progressão do parto ativo. · O parto é inicia · SEGUNDO ESTÁGIO DO TRABALHO DE PARTO - DESCIDA FETAL: · · TERCEIRO ESTÁGIO DO TRABALHO DE PARTO - ELIMINAÇÃO DA PLACENTA E DAS MEMBRANAS: · · QUARTO ESTÁGIO (PERÍODO DE GREENBERG): inicia-se imediatamente após a dequitação, sendo essa hora, então, a primeira hora do puerpério e não um quarto período clínico do pós parto. · É nesse período em que ocorrem a estabilização dos sinais vitais maternos e a homeostasia uterina. · Nesse momento pode ocorrer hemorragia · A homeostasia pós-parto depende da contração do utero e é regulada por 4 mecanismos · MIOTAMPONAGEM: Os vasos sanguineos são comprimidos pela musculatura uterina - ligaduras vivas de Pinard · TROMBOTAMPONAGEM: mecanismo de coagulação sanguinea que preenchem toda a cavidade uterina, produzindo o tamponamento das arteriolas e veias abertas pelo descolamento placentario · INDIFERENÇA MIOUTERINA: Fases de contração e relaxamento · CONTRAÇÃO UTERINA FIXA: O utero atinge o tonus elevado e passa a se manter contraido formando o globo de segurança de Pinard · FASE 04 DA PARTURIÇÃO - PUERPÉRIO: imediatamente após o parto, o útero mantém-se contraído, o que comprime diretamente os vasos uterinos calibrosos, provocando uma trombose em seu interior, o que evita a hemorragia. Esse processo é auxiliado pelos uterotônicos (fármacos utilizados para provocar a contração uterina, impedindo a hemorragia). A involução uterina e o reparo do colo do útero recuperam essas estruturas, retornando-as para o estado pré-concepcional, o que protege o trato reprodutivo contra microorganismos. Há o reinício da ovulação entre 4-6 semanas após o parto, mas esse processo depende da duração da amamentação e da anovulação e amenorreia induzidas pela lactação e mediadas pela prolactina. OBJETIVO 2: EXPLICAR FISIOLOGICAMENTE O PARTO E SUAS FASES · O trabalho de parto consiste em uma série de contrações rítmicas, involuntárias ou clinicamente induzidas do útero que resultam em apagamento (afinamento e encurtamento) e dilatação do colo do útero. · · · · · · OBJETIVO 3: DIFERENCIAR OS TIPOS DE PARTO (RECOMENDAÇÕES) E APRESENTAR OS FATORES DE RISCOS · · A Organização Mundial da Saúde (OMS) define parto normal como: · O nascimento tem um início espontâneo e é de baixo risco no começo do trabalho de parto e permanece assim durante todo o trabalho de parto e o parto. · O lactente nasce espontaneamente na posição cefálica entre 37 e 42 semanas da gestação. · Após o nascimento, mãe e lactente estão em boas condições. · Quando se fala em parto natural, além de a via de parto ser a vaginal, quer se enfatizar que o bebê nasce sem intervenções médicas, como anestesia, analgésicos ou substâncias para acelerar as contrações. · PARTO NORMAL: · VANTAGENS: · As contrações uterinas e a passagem pelo canal vaginal preparam o bebê para a vida extrauterina; · Fácil recuperação para a mãe; · O Aleitamento Materno se é estabelecido facilmente; · As complicações são menores, pois a mãe possui menos hemorragia, menos infecções, menos complicações relacionadas a cirurgias como, por exemplo, trombose e infecções, menos uso de medicações, menos uso de antibióticos; · O bebê tem o seu tempo respeitado, pois a única prova de que o bebê está pronto para nascer é o trabalho de parto; · Sem restrições para a mãe se movimentar; · Contato do bebê com as bactérias e os micro-organismos existentes no canal vaginal estimula o sistema imunológico do recém-nascido evitando, assim, o desenvolvimento de doenças futuras para o bebê como, por exemplo, asma, obesidade e doenças autoimunes; · Menor incidência de desconforto respiratório para o bebê, uma vez que a passagem pelo canal vaginal possibilita a compressão do tórax do bebê expelindo os líquidos dos pulmões mais facilmente; · Puerpério menos complicado e mais prazeroso; · Útero regressa ao tamanho normal mais rapidamente; · Fortalecimento do vínculo entre mãe e filho(a); · O bebê será mais ativo e responsivo ao nascer; · DESVANTAGENS: · Dor para algumas mulheres; · Algumas mulheres possuem um trabalho de parto bastante prolongado; · A epidural para que a mãe não sinta dor pode dificultar a realização da força de expulsão, podendo ser necessário o uso do fórceps ou ventosa; · Ruptura do útero durante o trabalho de parto, caso a mulher se tenha submetido a cirurgias anteriormente; · Desencadeamento de: · Incontinência urinária e fecal; · Distopias genitais; · Lacerações perineais importantes. · PARTO CESARIANO: ·VANTAGENS: · Salvar a vida da mãe e do bebê quando realizada por necessidade de uma cesária; · Possibilidade de escolher e marcar previamente a data exata para o nascimento do bebê; · Impede o nascimento pós-termo, isto é, com mais de 42 semanas de gestação, o que implica um maior risco para o bebê; · Elimina qualquer tipo de complicações associadas ao parto vaginal, como por exemplo, os traumas ósseos (fratura da clavícula, crânio e úmero); · Ajuda a reduzir o stress materno durante o parto, uma vez que a mulher encontra-se num ambiente mais controlado, onde tudo ocorre de forma planeada; · Diminui, a longo prazo, o risco de prolapso uterino ou da bexiga e incontinência urinária da mãe; · Cirurgia rápida/prática (dura menos de 2 horas); · Possibilidade de realizar na mesma cirurgia a laqueadura tubária; · Parto realizado sem dor e sofrimento para a mãe; · DESVANTAGENS: · Risco de, pelo menos, 3x mais chance de morte para a mãe e para o bebê quando realizada sem necessidade real; · Dores e desconfortos após o nascimento, já que é uma cirurgia; · Lentidão na recuperação da mãe em relação ao parto normal; · Dificuldade da mãe em realizar movimentos e de se colocar em pé; · Dores no local da cicatriz durante as primeiras semanas após o parto; · A mãe pode achar mais complicado ou desconfortável amamentar o seu bebê; · Maior risco de depressão pós-parto; · Maior probabilidade de ter problemas respiratórios no pós-parto imediato; · A cada cesariana realizada, a mulher tem um maior risco de implantação anormal da placenta; · Maiores chances de: · Hemorragia; · Infecções; · Trombose; · Riscos relacionados à anestesia (náuseas, vômitos e dores). · INDICAÇÕES PARA CESÁREA: · São vários os fatores que podem indicar a necessidade de um parto por meio de cesárea, tais como apresentações anômalas, doença materna sexualmente transmissível como a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) e alguns casos de papiloma vírus humano (HPV), síndromes hemorrágicas do terceiro trimestre da gravidez (descola- mento prematuro da placenta, placenta prévia, rotura ute- rina), indicações clínicas maternas (diabetes, hipertensão arterial e síndrome HELLP), entre outros, que venham a complicar o bom andamento do parto, parto cesárea de repetição (iteratividade), sofrimento fetal agudo, distócias funcionais etc. · Projeto de lei 768/21 -Garante a gestante o direito de optar pela realização de parto por cesariana, no Sistema Único de Saúde – SUS, bem como a utilização de analgesia, mesmo quando escolhido o parto normal, desde que observada à indicação médica para o caso. OBJETIVO 4: APRESENTAR A CONDUTA CORRETA DO MÉDICO E RELACIONAR COM A DENÚNCIA REALIZADA PELA PACIENTE DO CASO · Lei nº 17.205, de 19 de julho de 2017 · Art. 34. Considera-se violência obstétrica todo ato praticado pelo médico, pela equipe do hospital, por um familiar ou acompanhante que ofenda, de forma verbal ou física, as mulheres gestantes, em trabalho de parto ou, ainda, no período puerpério. · Art. 35. Para efeitos do disposto neste Capítulo considerar-se-á ofensa verbal ou física, dente outras, as seguintes condutas: · I – tratar a gestante ou parturiente de forma agressiva, não empática, grosseira, zombeteira, ou de qualquer outra forma que a faça se sentir mal pelo tratamento recebido; · II – fazer graça ou recriminar a parturiente por qualquer comportamento como gritar, chorar, ter medo, vergonha ou dúvidas; · III – fazer graça ou recriminar a mulher por qualquer característica ou ato físico como, por exemplo, obesidade, pelos, estrias, evacuação e outros; · IV – não ouvir as queixas e dúvidas da mulher internada e em trabalho de parto; · V – tratar a mulher de forma inferior, dando-lhe comandos e nomes infantilizados e diminutivos, tratando-a como incapaz; · VI – fazer a gestante ou parturiente acreditar que precisa de uma cesariana quando esta não se faz necessária, utilizando de riscos imaginários ou hipotéticos não comprovados e sem a devida explicação dos riscos que alcançam ela e o bebê; · VII – recusar atendimento de parto, haja vista este ser uma emergência médica; · VIII – promover a transferência da internação da gestante ou parturiente sem a análise e a confirmação prévia de haver vaga e garantia de atendimento, bem como tempo suficiente para que esta chegue ao local; · IX – impedir que a mulher seja acompanhada por alguém de sua preferência durante todo o trabalho de parto; · X – impedir a mulher de se comunicar com o “mundo exterior”, tirando-lhe a liberdade de telefonar, fazer uso de aparelho celular, caminhar até a sala de espera, conversar com familiares e com seu acompanhante; · XI – submeter a mulher a procedimentos dolorosos, desnecessários ou humilhantes, como lavagem intestinal, raspagem de pelos pubianos, posição ginecológica com portas abertas, exame de toque por mais de um profissional; · XII – deixar de aplicar anestesia na parturiente quando esta assim o requerer; · XIII – proceder a episiotomia quando esta não é realmente imprescindível; · XIV – manter algemadas as detentas em trabalho de parto; · XV – fazer qualquer procedimento sem, previamente, pedir permissão ou explicar, com palavras simples, a necessidade do que está sendo oferecido ou recomendado; · XVI – após o trabalho de parto, demorar injustificadamente para acomodar a mulher no quarto; · XVII – submeter a mulher e/ou o bebê a procedimentos feitos exclusivamente para treinar estudantes; · XVIII – submeter o bebê saudável a aspiração de rotina, injeções ou procedimentos na primeira hora de vida, sem que antes tenha sido colocado em contato pele a pele com a mãe e de ter tido a chance de mamar; · XIX – retirar da mulher, depois do parto, o direito de ter o bebê ao seu lado no Alojamento Conjunto e de amamentar em livre demanda, salvo se um deles, ou ambos necessitarem de cuidados especiais; · XX – não informar a mulher, com mais de 25 (vinte e cinco) anos ou com mais de 2 (dois) filhos sobre seu direito à realização de ligadura nas trompas gratuitamente nos hospitais públicos e conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS); · XXI – tratar o pai do bebê como visita e obstar seu livre acesso para acompanhar a parturiente e o bebê a qualquer hora do dia. · COMO REALIZAR A DENÚNCIA: · Há uma série de órgãos responsáveis por apurar os casos de violência obstétrica. A denúncia pode ser feita no próprio hospital, clínica ou maternidade em que a vítima foi atendida; é possível também ligar para o disque 180, disque 136 ou para 08007019656 da Agência Nacional de Saúde Suplementar para reclamar sobre o atendimento do plano de saúde. · Ainda é possível acionar o Conselho Regional de Medicina ou o Conselho Regional de Enfermagem e até a Defensoria Pública ou Advogado particular em caso de ação judicial de reparação por danos morais e/ou materiais. · E, para apurar a existência de algum crime, como lesão corporal ou homicídio, por exemplo, a vítima deve procurar a polícia ou o Ministério Público. Nesse caso o Ministério Público estadual irá atuar para responsabilizar possíveis infratores e zelar para que outras mulheres não venham a sofrer o mesmo tipo de violência. · image5.jpg image6.png image12.jpg image11.jpg image3.jpg image2.jpg image8.png image7.png image10.png image1.png image4.png image9.png