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Disciplina de Parasitologia Curso de Medicina 2016 Profa. Dra. Juliana Quero Reimão Aula 18/02/16: Leishmanioses Generalidades • Doença infecciosa, de manifestação cutânea ou visceral, causada por parasitas do gênero Leishmania • Cerca de 20 espécies de importância médica • Parasita heteroxênico eurixeno • Exige dois hospedeiros • Um vertebrado e um inseto • Variedade de hospedeiros vertebrados • Animais silvestres e cão • Transmissão • Picada da fêmea de flebotomíneos O que é Leishmaniose? A leishmaniose é uma doença crônica, de manifestação cutânea ou visceral (pode-se falar de leishmanioses, no plural), causada porprotozoários flagelados do gênero Leis hmania, da família dos Trypanosomatidae. O calazar (leishmaniose visceral)1 e a úlcera de Bauru (leishmaniose tegumentar americana)2 são formas da doença. É uma zoonose comum ao cão e ao homem.3 É transmitida ao homem pela picada de mosquitos flebotomíneos, que compreendem o gênero Lutzomyia (chamados de "mosquito palha" ou birigui) e Phlebotomus. http://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_cr%C3%B4nica http://pt.wikipedia.org/wiki/Cut%C3%A2neo http://pt.wikipedia.org/wiki/Protozo%C3%A1rios http://pt.wikipedia.org/wiki/Flagelados http://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%AAnero_(biologia) http://pt.wikipedia.org/wiki/Leishmania http://pt.wikipedia.org/wiki/Leishmania http://pt.wikipedia.org/wiki/Fam%C3%ADlia_(biologia) http://pt.wikipedia.org/wiki/Trypanosomatidae http://pt.wikipedia.org/wiki/Leishmaniose http://pt.wikipedia.org/wiki/Leishmaniose http://pt.wikipedia.org/wiki/Zoonose http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Homem http://pt.wikipedia.org/wiki/Leishmaniose http://pt.wikipedia.org/wiki/Mosquito http://pt.wikipedia.org/wiki/Phlebotominae http://pt.wikipedia.org/wiki/Lutzomyia http://pt.wikipedia.org/wiki/Birigui http://pt.wikipedia.org/wiki/Phlebotomus Manifestações clínicas leishmaniose tegumentar leishmaniose visceral leishmaniose cutânea leishmaniose difusa leishmaniose mucosa leishmaniose visceral Distribuição mundial • Doença tropical negligenciada • Presente em 98 países 12 milhões de pessoas infectadas 2 milhões de novos casos/ano • 90% Bangladesh, Brasil, Índia, Nepal, Sudão Distribuição mundial - LC http://gamapserver.who.int/mapLibrary/ 1,5 milhões casos/ano Distribuição mundial - LV http://gamapserver.who.int/mapLibrary/ 500 mil casos/ano Nas Américas: Brasil 90% Espécies de importância médica Forma clínica Agente etiológico Velho Mundo Cutânea Leishmania aethiopica; Leishmania major; Leishmania tropica Difusa Leishmania aethiopica Visceral Leishmania donovani; Leishmania infantum Novo Mundo Cutânea Leishmania amazonensis; Leishmania braziliensis; Leishmania guyanensis; Leishmania lainsoni; Leishmania mexicana; Leishmania naiffi; Leishmania panamensis; Leishmania peruviana; Leishmania shawi; Leishmania venezuelensis Difusa Leishmania amazonensis; Leishmania mexicana; Leishmania pifanoi Mucosa Leishmania braziliensis Visceral Leishmania infantum Manifestações clínicas • Leishmaniose cutânea • Úlcera típica • Localizada em áreas expostas • Formato arredondado, bordas bem delimitadas e elevadas • Base eritematosa, infiltrada e de consistência firme • Fundo avermelhado e com granulacões grosseiras • Infecção bacteriana associada • Tendem a cura espontânea • Espécies: • L. major e T. tropica (Velho Mundo) • L. braziliensis, L. amazonensis e L. guyanensis (Américas) Nomes populares: “Úlcera de Bauru” “Botão do Oriente” Manifestações clínicas • Leishmaniose difusa • Disseminação das lesões cutâneas • Lesões não ulceradas • Evolução crônica e lenta • Imunidade celular deficiente e baixa produção de anticorpos • Para outras infecções: resposta imune normal • Muitos parasitos na lesão • Baixa resposta ao tratamento • Espécie: L. amazonensis Manifestações clínicas • Leishmaniose mucosa • Primária: ocorre eventualmente pela picada do vetor na mucosa ou semimucosa de lábios e genitais • Secundária: Metástase por via hematogênica, para as mucosas da nasofaringe • Resposta celular anti-Leishmania exacerbada • Escassez de parasitos • Espécie: L. braziliensis Manifestações clínicas • Leishmaniose mucosa • Destruição do septo nasal • Perfuração do palato e faringe • Comprometimento da fala e deglutição • Desnutrição • Insuficiência respiratória por edema de glote Nomes populares: “nariz de anta” “nariz de tapir” Fisiopatogenia – Leishmaniose tegumentar Manifestações clínicas • Leishmaniose visceral • Acomete principalmente baço e fígado • Hepatomegalia e esplenomegalia • Febre, emagrecimento, palidez • Anemia, leucopenia, plaquetopenia, hiperglobulinemia • Leva a óbito quando não tratada • Espécies: • L. donovani e L. infantum (Velho Mundo) • L. infantum = L. chagasi (Américas) Nome popular: “Calazar” “Febre dundun” Fisopatogenia – Leishmaniose visceral • Inoculação de parasitos • Inflamação local (picada) • Cura (imunidade) ou disseminação • Multiplicação • Células de Kupffer (fígado) • Células do SFM (baço, medula óssea e linfonodos) • Quadro clínico • Hepato-esplenomegalia • Hiperplasia e hipertrofia do sistema macrofágico • Substituição das estruturas normais • Resultado: anemia, leucopenia e plaquetopenia • Caquexia e morte Rey, 4ª Ed., 2011. Macrófagos contendo amastigotas de L. infantum. Imprinting de baço Evolução - LV Período inicial Período de Estado Período final SVS/MS Manifestações clínicas Período Inicial Período de Estado Período Final Evolução clínica Febre + + + Emagrecimento - ++ +++ Palidez + ++ +++ Hepatomegalia + ++ +++ Esplenomegalia + ++ +++ Hemorragias - + +++ Exames laboratoriais complementares Anemia + ++ +++ Leucopenia - + +++ Plaquetopenia - + +++ Hiperglobulinemia - +++ +++ - ausente + leve ++ moderada +++ intensa Leishmanioses • Variação dos quadros clínicos • Espécie de Leishmania • Susceptibilidade do vetor • Susceptibilidade do hospedeiro Ultraestrutura • Ordem Kinetoplastida • Mitocôndria • Única, longa e ramificada • Cinetoplasto • Região rica em DNA (kDNA) • Próximo a ele parte um flagelo Golgi Acidocalcissomo Citóstoma Bolso flagelar Axonema Microtúbulos subpeliculares Glicossomo Reservossomo Núcleo Cinetoplasto Vacúolo contrátil Nucléolo Mitocôndria Vargas-Parada. Nature Education, 2010. • Os tripanossomatídeos são protozoários que contém no seu citoplasma uma estrutura característica, o cinetoplasto, ligado a sua longa mitocôndria. • O cinetoplasto contém um DNA especial, o kDNA. • Próximo a ele parte um flagelo. Formas de vida • Amastigota • Flagelo não ultrapassa os limites da célula • 2-3 μm • Reprodução por divisão binária • Encontrada no hospedeiro mamífero • Forma intracelular (células do SFM) • Podem apresentar formas distintas que ocorrem de acordo com o meio em que se encontrem. • Nos amastigotas, o flagelo não ultrapassa os limites da célula, ficando contido em um espaço, o bolso flagelar. • Nos promastigotas, parte da extremidade anterior. Localização: Pro: tubo digestivo dos insetos Ama: nas células do hospedeiro vertebrado, especialmente macrófagos e células musculares Pro: dimensões variadas doi: 10.1128/AAC.49.8.3274-3280.2005 núcleo cinetoplasto flagelo Macrófagos infectados com Leishmania sp. Formas de vida • Promastigota • Flagelo parte da extremidade anterior • 10-40 1,5-3 μm • Reprodução por divisão binária • Encontrada no tubo digestivo dos insetos Extremidade posterior Extremidade anterior Teixeira et al. PLoS Negl Trop Dis, 2012. Ciclo de vida 1. Repasto sanguíneo (fêmeas de flebotomíneos) 2.Ingestão de macrófagos infectados com amastigotas 3. Transformação em promastigotas procíclicos 4. Divisões sucessivas no inseto 5. Transformação em promastigotas metacíclicos 6. Repasto sanguíneo 7. Fagocitose (células do SFM)- vacúolo parasitóforo 8. Transformação em amastigotas 9. Divisões sucessivas 10. Rompimento celular 11. Infecção de novas células 12. Repasto sanguíneo 1) Hospedeiros vertebrados são infectados quando formas promastigotas metacíclicas são inoculadas pelas fêmeas dos insetos vetores, durante o repasto sanguíneo 2) Internalização de Leishmania - Endocitose mediada por receptores na superfície do macrófago -Formação do vacúolo parasitófoto (fagolisossomo) 3) Transformação em amastigotas 4) Sucessivas multiplicações 5) Ruptura -Apoptose e morte celular -Liberação de amastigotas -Serão internalizadas por outros macrófagos Teixeira et al. PLoS Negl Trop Dis, 2012. • Estágios no hospedeiro mamífero Vetores • LC • Lu. whitmani • Lu. wellcomei • Lu. pessoai • Lu. intermedia • Lu. umbratilis • Lu. flaviscutellata • LV • Lu. longipalpis • Lu. evansi • Lu. cruzi Principais espécies envolvidas na transmissão no Brasil • Fêmeas de flebotomíneos • Nome popular: “mosquito palha” • Gêneros: Phlebotomus (Velho Mundo) e Lutzomyia (Novo Mundo) • Classificação taxonômica • Classe Insecta • Ordem Diptera • Família Psychodidae • Subfamília Phlebotominae • Gênero Lutzomyia Biologia dos flebótomos • Ciclo de vida • Inclui quatro fases da vida • Ovo, larva , pupa e adulto • Homometábolos (metamorfose completa) • Oviposição • Solo úmido e matéria orgânica • Bosques e florestas • Matas secundárias • Plantações • Alimentação • Alimentam-se de seiva • Fêmeas são hematófagas • Maturação dos ovos • Transmissão Rey, 4ª Ed., 2011. Reservatórios • LC • Variedade de mamíferos • Roedores, edentados (tatu, tamanduá, preguiça), marsupiais (gambá), canídeos, equinos e primatas • LV • No ambiente silvestre: • Raposas (Dusicyon vetulus e Cerdocyon thous) • Marsupiais (Didelphis albiventris) • Na área urbana: • Cão (Canis familiaris) • Nunca descrita em aves e anfíbios • Em répteis (lagartos) são agrupadas em outro gênero (Sauroleishmania) Reservatório doméstico • Leishmaniose cutânea canina • Úlcera cutânea única, eventualmente múltipla • Orelhas, focinho ou bolsa escrotal • Leishmaniose visceral canina • Emagrecimento e apatia, ceratoconjuntivite, lesões na face e orelha, onicogrifose SVS/MS Características epidemiológicos • Zoonose • Transmissão silvestres • Características de ambientes rurais • Área de desmatamento ou extrativismo • Atualmente em expansão para áreas urbanas • Encontra-se em franca expansão Região Nordeste Áreas de leishmaniose visceral Região Centro-Oeste Floresta amazônica (extrativismo de borracha) Leishmaniose tegumentar no Brasil SVS/MS L. braziliensis L. lainsoni L. naiffi L. shawi L. guyanensis L. amazonensis L. lindenberg Leishmaniose tegumentar no Brasil • Incidência (últimos 10 anos) • Média de 26 mil casos/ano • 13 casos/100 mil habitantes N º c a s o s ano Sinan/SVS/MS - atualizado em 16/02/16. Leishmaniose visceral no Brasil SVS/MS Urbanização e expansão 1983-1988 1989-1994 1995-2000 2001-2006 Leishmaniose visceral no Brasil • Incidência (últimos 10 anos) • Média de 4 mil casos/ano • 1,89 casos/100 mil habitantes • Letalidade média de 8% Sinan/SVS/MS - atualizado em 16/02/16. http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.ex e?idb2010/d0205.def N º c a s o s ano Leishmaniose visceral em SP • Situação epidemiológica • A expansão da LV apresentou um eixo de disseminação • Sentido noroeste para sudeste • Rodovia Marechal Rondon e gasoduto Bolívia-Brasil • Detecção de Lu. longipalpis em zona urbana em 1997 • Detecção da LV canina em 1998 • Primeiros casos surgiram em Araçatuba em 1999 • Desde então, a doença vem-se expandindo pelos municípios de SP • 1.919 casos e 169 óbitos, até 2011 • 73 municípios RESULTADOS : Foram detectados 73 municípios com transmissão da doença. As primeiras ocorrências deram-se em áreas com maiores temperaturas e menores pluviosidades, mas sua disseminação também ocorreu em áreas menos quentes e mais úmidas. A expansão da leishmaniose visceral americana em humanos apresentou um eixo principal de disseminação no sentido noroeste para sudeste, acompanhando a rodovia Marechal Rondon e o gasoduto Bolívia- Brasil, e um eixo secundário, na direção norte-sul, acompanhando a malha rodoviária. As taxas de incidência, segundo regiões de saúde, apresentaram um pico seguido de queda, com exceção da região de São José do Rio Preto. Observou-se maior concentração de municípios com altas taxas de incidência e mortalidade nas regiões de saúde de Araçatuba, Presidente Prudente e Marília. CONCLUSÕES : Possíveis fatores determinantes da expansão da doença incluíram a rodovia Marechal Rondon e a construção do gasoduto Bolívia-Brasil. Fatores climáticos pareceram não ter papel determinante nessa expansão. O uso de técnicas de análise espacial permitiu identificar municípios com possível subnotificação de casos e óbitos e indicar municípios prioritários para o desenvolvimento de ações de vigilância e controle. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102013000400691 Diagnóstico Humano • Clínico-epidemiológico e laboratorial • Sintomas + história de residência em área endêmica • Diagnóstico diferencial • LT: Tuberculose cutânea, hanseníase, úlceras e neoplasias • LV: malária, toxoplasmose, brucelose, tuberculose, esquistossomose • Confirmação: exames laboratoriais • Parasitológico • Imunológico • Molecular (PCR) Canino • Sorologia • 3 testes de princípios diferentes Diagnóstico Exames parasitológicos Exames imunológicos (Pesquisa de amastigotas) LV: Análise de material obtido de punção, aspirado de medula óssea ou biópsia de fígado ou baço LV: Sorologia LT: Análise de material obtido de raspagem da borda da lesão, imprinting feito com fragmento da biópsia ou histopatologia LT: Reação de Montenegro (Pesquisa de anticorpos) Diagnóstico Punção de medula Biópsia de pele Inóculo em hamster (LV) Inóculo em camundongo (LC) Cultura Exames parasitológicos Cultivo in vitro e inóculo in vivo Usados quando se pretende realizar a identificação da espécie por técnicas moleculares, bioquímicas ou imunológicas Limitação: Longo tempo Diagnóstico • Intradermoreação de Montenegro • Reação de hipersensibilidade tardia aos Ag de Leishmania • Formas promastigotas mortas de L. braziliensis • 0,1-0,2 mL do Ag e faz-se a leitura no 3º dia • Positividade: pápula eritematosa ≥ 5mm • Sensibilidade = 80 a 100% • Pode ser negativa na LT difusa e LV Exames imunológicos Diagnóstico laboratorial • Visam demostrar a presença de anticorpos específicos no soro • Métodos mais usados • Reação de imunofluorescência indireta (RIFI) • Disponível na rede • Teste imunoenzimático (ELISA) • Teste de aglutinação A sorologia (pela imunofluorescência, hemaglutinação ou pelo método de ELISA) é eficiente para demonstrar a presença de anticorpos específicos no soro. Imunofluorescência: Permite a visualização de antígenos nos tecidos ou em suspensões celulares utilizando corantes fluorescentes. www.sucen.sp.gov.br Exames imunológicos Testes sorológicos ELISA Teste de aglutinação RIFI Exames inespecíficos - LV • Na leishmaniose visceral • São importantes devido às alterações que ocorrem nas células sanguíneas e no metabolismo de proteínas • Hemograma • Pode evidenciar pancitopenia • Diminuição do número de todos os elementos figuradosdo sangue (hemácias, leucócitos e plaquetas) • Dosagem de proteínas • Há forte inversão da relação albumina/globulina (valores normais: albumina 60%; globulinas 40%) Profilaxia e controle • Dirigidas ao homem • Notificação dos casos • Proteção individual (repelentes e mosquiteiros) • Educação/conscientização da população • Dirigidas ao inseto vetor • Levantamento, investigação e monitoramento • Aplicação de inseticidas • Saneamento ambiental (limpeza urbana, eliminação de fonte de resíduos sólidos) • Dirigidas à população canina • Controle da população canina errante • Proteção dos cães (coleira inseticida e mosquiteiros) • Eutanásia de cães soropositivos (recomendação do Ministério da Saúde) Rey, 4ª Ed., 2011. Infectividade para os flebotomíneos persiste mesmo após a melhora clínica do cão infectado Tratamento 1º linha • 1) Glucantime ou Pentostam • 2) Fungizone ou Ambisome • 3) Pentamidina Teste clínico • Miltefosina • Paromomicina • Sitamaquina • Outras formulações de AmB 1º linha • 1) Glucantime ou Pentostam • 2) Pentamidina • 3) Fungizone Teste clínico • Paromomicina tópica • Miltefosina • Sitamaquina • Azóis (cetoconazol, fluconazol e itraconazol) LV • Fármacos mais eficazes e que atendam aos padrões atuais de segurança – Prioridade para o controle da leishmaniose L C OMS, 2011. Antimoniais Latin: stibium; semi-metal (grupo 15, número atômico 51). http://en.wikipedia.org/wiki/Latin_language Antimoniais • Antimônio trivalente (SbIII) • Tártaro emético • Emético = Medicamento usado para provocar o vômito • Conhecido desde a Idade Média • “Antimonyall Cupps”, “calices vomitorii” • Copos eméticos: vinho (24 horas) • Populares na Europa durante os séculos 17 e 18 Antimoniais SbIII • Tripanossomíase Africana • Plimmer e Thompson (1905) • LC • Gaspar Viana (Brasil, 1912) • LV • Rogers (Índia, 1915) SbV • Brahmachari (Índia, 1920) Gaspar de Oliveira Viana Belém do Pará - 1885/1914 Instituto Oswaldo Cruz - RJ • Uma molécula de meglumina coordenadas por um átomo de Sb Haldar, Sen & Roy, Molecular Biology International, 2011. Antimoniato de meglumina Estibogluconato de sódio Meglumina (amino-açúcar) Estrutura química Antimoniais Pentavalentes • 1ª escolha no tratamento da leishmaniose • LV e LC na maior parte do mundo • 100 anos – 1913/2013 • Estibogluconato de sódio • Pentostam (GlaxoSmithKline) • disponível nos Estados Unidos e Reino Unido • Antimoniato de meglumina • Glucantime (Aventis) • disponível no Brasil, França e Itália Glucantime® • Recomendações para o tratamento (Brasil) • 20 mg de SbV/kg/dia • Limite de 3 ampolas/dia • Uso parenteral • Via intravenosa • Via intramuscular • Infusão lenta • 20 a 40 dias consecutivos • Requer hospitalização e acompanhamento clínico • Requer exames complementares para detecção de intoxicação • Hemograma, uréia/creatinina, TGO/TGP e ecocardiograma Ativos contra amastigotas intracelulares Pouco ativos contra promastigotas M: conversão do SbV em SbIII (mais ativos e mais tóxicos) Ativação do sistema imune (no homem) Não indicado para co-infectados HIV/leishmaniose Mecanismo de ação Mecanismo de ação • Forma complexos com tióis • Tripanotiona redutase • ~ glutationa redutase • Antioxidante • Encontradas exclusivamente nos tripanossomatídeos (= alvo) • Estresse oxidativo Resistência ao Sbv • Bihar (Índia) • Resistência primária generalizada ‒ 1/3 responde ao tratamento ‒ 1ª escolha: AmB e miltefosina • L. donovani • Antroponose • (sem reservatórios animais) • Uso indevido da droga: ‒ Subdoses ‒ Interrupção do tratamento Anfotericina B • Antifúngico • Isolado à partir de Streptomyces nodosus (1953) • Usado desde 1960 no tratamento da leishmaniose • 2ª escolha (resposta insatisfatória ao SbV) • Duas apresentações: • Desoxicolato de AmB (Fungizone®) • AmB lipossomal (Ambisome®) Desoxicolato de AmB • Dose • 1mg/kg/dia em dias alternados • Total: 3 g • Limite máximo de 50 mg/dia • Ex: pessoa de 60 kg = 60 mg/dia (máx. = 50 mg/dia) 60 dias de tratamento total = 120 dias (alternados) • Administração • Via endovenosa - infusão lenta (4 a 6 horas) • Efeitos colaterais durante a infusão: • Febre, tremores, mialgias, flebite (inflamação da parede das veias, que permite a aderência de plaquetas), cianose e hipotensão • Requer hospitalização e acompanhamento médico • Potássio, uréia e creatinina Recomendações CCD: tratamento da LV no Estado de SP Efeitos colaterais • Artralgias (dor articular) • Mialgias (dor muscular) • Inapetência (falta de apetite) • Náuseas, vômitos • Plenitude gástrica • Epigastralgia (dor no estômago) • Pirose (queimação) • Dor abdominal • Dor no local da aplicação • Febre • Arritmia cardíaca grave • Hepatotoxicidade • Nefrotoxicidade • Pancreatite AmB lipossomal (AmBisome®) • AmB encapsulada • Lipossomos (< 100 nm) • Fosfatidilcolina e colesterol • Dupla camada • AmB lipofílica • Vantagens • Biocompatibilidade • Liberação controlada • Menor nefrotoxicidade • Tratamento de menor duração • Eventos adversos • Raros. Quando observados são: • Febre, cefaléia, náuseas, vômitos, tremores, calafrio e dor lombar Núcleo Lipossomo Fusão liberação fagocitose AmB lipossomal (AmBisome®) • Indicações • Crianças < 10 anos • Adultos > 50 anos • Co-infecção HIV/LV • Transplantados • Imunossuprimidos • Recidiva ou falha com SbV • Gestantes • Insuficiência renal, hepática, doenças cardiovasculares • Esquema terapêutico • 5 mg/kg/dia • Duração: 5 dias • Infusão venosa Recomendações CCD: tratamento da LV no Estado de SP Limitação: Custo elevado Mecanismo de ação • AmB interage hidrofobicamente com o ergosterol, formando poros na membrana • Potássio e outras pequenas moléculas são perdidas através do poro, causando morte celular. Pentamidina • Usos • Pneumonia por Pneumocystis jivovecii • Tripanossomíase africana (T. gambiense) • Indicada para infecções por L. guyanensis = melhores resultados que o SbV • Não é amplamente utilizada • Eficácia inferior ao SbV e AmB • Efeitos colaterais maiores • anorexia, astenia, náusea, dor abdominal, hipoglicemia, taquicardia e outras arritmias, insuficiência renal e pancreatite que pode levar a diabetes mellitus • Esquema terapêutico • 4 mg/kg/dia, a cada 2 dias, até completar 2g • Intramuscular • Requer exame semanal de glicose Miltefosina • Hexadecilfosfocolina • Análogo de fosfocolina • Composto anti-inflamatório e antitumoral • Descoberta como agente anti-Leishmania em 1987 • ORAL! • Aprovada para o tratamento da leishmaniose: • Alemanha, Nepal, Bangladesh, Índia, Paquistão, Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, México, Honduras e Guatemala • Diferenças de sensibilidade • < L. braziliensis, L. guyanensis, L. mexicana • > L. donovani • Eficácia no Brasil: Não estabelecida Miltefosina • Esquema terapêutico • 2,5 mg/kg/dia por 28 dias • Vantagens • Uso oral • Baixa toxicidade • Reações gastrointestinais • Nefrotoxicidade ou hepatotoxicidade (1%) • Desvantagens • Teratogênico • Contraindicado para crianças menores de 2 anos e gestantes • Seleção de resistência in vitro Dúvidas? 1. Quais sintomas apresentados pelo paciente levariam a suspeita de leishmaniose visceral? 2. Qual exame levou ao correto diagnóstico? Quais outros exames poderiam ser realizados para o diagnóstico de leishmaniose visceral? 3. Quais seriam os possíveis modos de transmissão da infecção para esse paciente? 4. Que medidas profiláticas devem ser tomadas para evitar novos casosem Volta Redonda/RJ? doi: 10.1590/S0036-46652014000300015 Figura 1 Figura 2 Vídeos relacionados • Ciclo da Leishmania no mamífero • http://www.youtube.com/watch?v=AUUYsYNl-AY • Ciclo de vida da Leishmania no inseto vetor • http://www.youtube.com/watch?v=kRRlapcxDFs • Interação da forma amastigota de Leishmania com macrófagos • http://www.youtube.com/watch?v=COK2zBcitCE&feature=c4- overview&list=UUx2xLIbUHBBYUmSslzGszuQ • Interação da forma promastigota de Leishmania com macrófagos • http://www.youtube.com/watch?v=L9SNM5W6THk&list=UUx2xLIbUHBBYUmSslzGszuQ • Estrutura da forma promastigota de Leishmania • http://www.youtube.com/watch?v=wlpdEWPCvv4&list=UUx2xLIbUHBBYUmSslzGszuQ • Estrutura da forma amastigota de Leishmania • http://www.youtube.com/watch?v=xM9jUV9DhtI&list=UUx2xLIbUHBBYUmSslzGszuQ http://www.youtube.com/watch?v=AUUYsYNl-AY http://www.youtube.com/watch?v=AUUYsYNl-AY http://www.youtube.com/watch?v=AUUYsYNl-AY http://www.youtube.com/watch?v=kRRlapcxDFs http://www.youtube.com/watch?v=COK2zBcitCE&feature=c4-overview&list=UUx2xLIbUHBBYUmSslzGszuQ http://www.youtube.com/watch?v=COK2zBcitCE&feature=c4-overview&list=UUx2xLIbUHBBYUmSslzGszuQ http://www.youtube.com/watch?v=COK2zBcitCE&feature=c4-overview&list=UUx2xLIbUHBBYUmSslzGszuQ http://www.youtube.com/watch?v=L9SNM5W6THk&list=UUx2xLIbUHBBYUmSslzGszuQ http://www.youtube.com/watch?v=wlpdEWPCvv4&list=UUx2xLIbUHBBYUmSslzGszuQ http://www.youtube.com/watch?v=xM9jUV9DhtI&list=UUx2xLIbUHBBYUmSslzGszuQ