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Disciplina de Parasitologia 
Curso de Medicina 
2016 
Profa. Dra. Juliana Quero Reimão 
Aula 18/02/16: Leishmanioses 
Generalidades 
• Doença infecciosa, de manifestação cutânea ou visceral, causada por 
parasitas do gênero Leishmania 
• Cerca de 20 espécies de importância médica 
 
• Parasita heteroxênico eurixeno 
• Exige dois hospedeiros 
• Um vertebrado e um inseto 
• Variedade de hospedeiros vertebrados 
• Animais silvestres e cão 
• Transmissão 
• Picada da fêmea de flebotomíneos 
 
O que é Leishmaniose? 
A leishmaniose é uma doença crônica, de 
manifestação cutânea ou visceral (pode-se 
falar de leishmanioses, no plural), 
causada 
porprotozoários flagelados do gênero Leis
hmania, da família dos Trypanosomatidae. 
O calazar (leishmaniose visceral)1 e 
a úlcera de Bauru (leishmaniose 
tegumentar americana)2 são formas da 
doença. 
É uma zoonose comum ao cão e 
ao homem.3 É transmitida ao homem pela 
picada de mosquitos flebotomíneos, que 
compreendem o 
gênero Lutzomyia (chamados de 
"mosquito palha" ou birigui) 
e Phlebotomus. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_cr%C3%B4nica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cut%C3%A2neo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Protozo%C3%A1rios
http://pt.wikipedia.org/wiki/Flagelados
http://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%AAnero_(biologia)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Leishmania
http://pt.wikipedia.org/wiki/Leishmania
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fam%C3%ADlia_(biologia)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Trypanosomatidae
http://pt.wikipedia.org/wiki/Leishmaniose
http://pt.wikipedia.org/wiki/Leishmaniose
http://pt.wikipedia.org/wiki/Zoonose
http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Homem
http://pt.wikipedia.org/wiki/Leishmaniose
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mosquito
http://pt.wikipedia.org/wiki/Phlebotominae
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lutzomyia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Birigui
http://pt.wikipedia.org/wiki/Phlebotomus
Manifestações clínicas 
leishmaniose 
tegumentar 
leishmaniose 
visceral 
leishmaniose 
cutânea 
leishmaniose 
difusa 
leishmaniose 
mucosa 
leishmaniose 
visceral 
Distribuição mundial 
• Doença tropical negligenciada 
• Presente em 98 países 
12 milhões de pessoas infectadas 
2 milhões de novos casos/ano 
• 90% Bangladesh, Brasil, Índia, Nepal, Sudão 
 
Distribuição mundial - LC 
http://gamapserver.who.int/mapLibrary/ 
1,5 milhões 
casos/ano 
Distribuição mundial - LV 
http://gamapserver.who.int/mapLibrary/ 
500 mil casos/ano 
Nas Américas: Brasil 90% 
Espécies de importância médica 
 Forma 
clínica 
Agente etiológico 
Velho Mundo 
Cutânea Leishmania aethiopica; Leishmania major; Leishmania tropica 
Difusa Leishmania aethiopica 
Visceral Leishmania donovani; Leishmania infantum 
Novo Mundo 
Cutânea 
Leishmania amazonensis; Leishmania braziliensis; Leishmania 
guyanensis; Leishmania lainsoni; Leishmania mexicana; 
Leishmania naiffi; Leishmania panamensis; Leishmania peruviana; 
Leishmania shawi; Leishmania venezuelensis 
Difusa Leishmania amazonensis; Leishmania mexicana; Leishmania pifanoi 
Mucosa Leishmania braziliensis 
Visceral Leishmania infantum 
Manifestações clínicas 
• Leishmaniose cutânea 
• Úlcera típica 
• Localizada em áreas expostas 
• Formato arredondado, bordas bem delimitadas e 
elevadas 
• Base eritematosa, infiltrada e de consistência firme 
• Fundo avermelhado e com granulacões grosseiras 
• Infecção bacteriana associada 
• Tendem a cura espontânea 
• Espécies: 
• L. major e T. tropica (Velho Mundo) 
• L. braziliensis, L. amazonensis e L. guyanensis 
(Américas) 
Nomes populares: 
“Úlcera de Bauru” 
“Botão do Oriente” 
Manifestações clínicas 
• Leishmaniose difusa 
• Disseminação das lesões cutâneas 
• Lesões não ulceradas 
• Evolução crônica e lenta 
• Imunidade celular deficiente e baixa produção de anticorpos 
• Para outras infecções: resposta imune normal 
• Muitos parasitos na lesão 
• Baixa resposta ao tratamento 
• Espécie: L. amazonensis 
Manifestações clínicas 
• Leishmaniose mucosa 
• Primária: ocorre eventualmente pela picada do vetor na mucosa ou 
semimucosa de lábios e genitais 
• Secundária: Metástase por via hematogênica, para as mucosas da 
nasofaringe 
• Resposta celular anti-Leishmania exacerbada 
• Escassez de parasitos 
• Espécie: L. braziliensis 
Manifestações clínicas 
• Leishmaniose mucosa 
• Destruição do septo nasal 
• Perfuração do palato e faringe 
• Comprometimento da fala e deglutição 
• Desnutrição 
• Insuficiência respiratória por edema de glote 
 
Nomes populares: 
“nariz de anta” 
“nariz de tapir” 
Fisiopatogenia – Leishmaniose tegumentar 
Manifestações clínicas 
• Leishmaniose visceral 
• Acomete principalmente baço e fígado 
• Hepatomegalia e esplenomegalia 
• Febre, emagrecimento, palidez 
• Anemia, leucopenia, plaquetopenia, 
hiperglobulinemia 
• Leva a óbito quando não tratada 
 
• Espécies: 
• L. donovani e L. infantum (Velho Mundo) 
• L. infantum = L. chagasi (Américas) 
Nome popular: 
“Calazar” 
“Febre dundun” 
Fisopatogenia – Leishmaniose visceral 
• Inoculação de parasitos 
• Inflamação local (picada) 
• Cura (imunidade) ou disseminação 
• Multiplicação 
• Células de Kupffer (fígado) 
• Células do SFM (baço, medula óssea e linfonodos) 
• Quadro clínico 
• Hepato-esplenomegalia 
• Hiperplasia e hipertrofia do sistema macrofágico 
• Substituição das estruturas normais 
• Resultado: anemia, leucopenia e plaquetopenia 
• Caquexia e morte 
 
 
Rey, 4ª Ed., 2011. 
Macrófagos contendo 
amastigotas de L. infantum. 
Imprinting de baço 
Evolução - LV 
Período inicial 
Período de Estado 
Período final 
SVS/MS 
Manifestações 
clínicas 
Período 
Inicial 
Período de 
Estado 
Período 
Final 
Evolução clínica 
Febre + + + 
Emagrecimento - ++ +++ 
Palidez + ++ +++ 
Hepatomegalia + ++ +++ 
Esplenomegalia + ++ +++ 
Hemorragias - + +++ 
Exames laboratoriais complementares 
Anemia + ++ +++ 
Leucopenia - + +++ 
Plaquetopenia - + +++ 
Hiperglobulinemia - +++ +++ 
- ausente 
+ leve 
++ moderada 
+++ intensa 
Leishmanioses 
• Variação dos quadros clínicos 
• Espécie de Leishmania 
• Susceptibilidade do vetor 
• Susceptibilidade do hospedeiro 
 
 
Ultraestrutura 
• Ordem Kinetoplastida 
 
• Mitocôndria 
• Única, longa e ramificada 
 
• Cinetoplasto 
• Região rica em DNA (kDNA) 
• Próximo a ele parte um 
flagelo 
Golgi 
Acidocalcissomo 
Citóstoma 
Bolso flagelar 
Axonema 
Microtúbulos 
subpeliculares 
Glicossomo 
Reservossomo 
Núcleo 
Cinetoplasto 
Vacúolo contrátil 
Nucléolo 
Mitocôndria 
Vargas-Parada. Nature Education, 2010. 
• Os tripanossomatídeos são protozoários 
que contém no seu citoplasma uma 
estrutura característica, o cinetoplasto, 
ligado a sua longa mitocôndria. 
• O cinetoplasto contém um DNA especial, o 
kDNA. 
• Próximo a ele parte um flagelo. 
Formas de vida 
• Amastigota 
• Flagelo não ultrapassa os limites da célula 
• 2-3 μm 
• Reprodução por divisão binária 
• Encontrada no hospedeiro mamífero 
• Forma intracelular (células do SFM) 
 
 
 
• Podem apresentar formas distintas que 
ocorrem de acordo com o meio em que 
se encontrem. 
• Nos amastigotas, o flagelo não 
ultrapassa os limites da célula, ficando 
contido em um espaço, o bolso flagelar. 
• Nos promastigotas, parte da 
extremidade anterior. 
 
Localização: 
Pro: tubo digestivo dos insetos 
Ama: nas células do hospedeiro 
vertebrado, especialmente macrófagos e 
células musculares 
 
Pro: dimensões variadas 
doi: 10.1128/AAC.49.8.3274-3280.2005 
núcleo 
cinetoplasto 
flagelo 
Macrófagos infectados com 
Leishmania sp. 
Formas de vida 
• Promastigota 
• Flagelo parte da extremidade anterior 
• 10-40  1,5-3 μm 
• Reprodução por divisão binária 
• Encontrada no tubo digestivo dos insetos 
 
 
Extremidade 
posterior 
Extremidade 
anterior 
Teixeira et al. PLoS Negl Trop Dis, 2012. 
Ciclo de vida 
1. Repasto sanguíneo (fêmeas de 
flebotomíneos) 
2.Ingestão de macrófagos infectados 
com amastigotas 
3. Transformação em promastigotas 
procíclicos 
4. Divisões sucessivas no inseto 
5. Transformação em promastigotas 
metacíclicos 
6. Repasto sanguíneo 
7. Fagocitose (células do SFM)- vacúolo 
parasitóforo 
8. Transformação em amastigotas 
9. Divisões sucessivas 
10. Rompimento celular 
11. Infecção de novas células 
12. Repasto sanguíneo 
1) Hospedeiros vertebrados são 
infectados quando formas 
promastigotas metacíclicas são 
inoculadas pelas fêmeas dos insetos 
vetores, durante o repasto sanguíneo 
2) Internalização de Leishmania 
- Endocitose mediada por receptores na 
superfície do macrófago 
-Formação do vacúolo parasitófoto 
(fagolisossomo) 
3) Transformação em amastigotas 
 
4) Sucessivas multiplicações 
 
5) Ruptura 
-Apoptose e morte celular 
-Liberação de amastigotas 
-Serão internalizadas por outros macrófagos 
 
Teixeira et al. PLoS Negl Trop Dis, 2012. 
• Estágios no hospedeiro mamífero 
Vetores 
• LC 
• Lu. whitmani 
• Lu. wellcomei 
• Lu. pessoai 
• Lu. intermedia 
• Lu. umbratilis 
• Lu. flaviscutellata 
• LV 
• Lu. longipalpis 
• Lu. evansi 
• Lu. cruzi 
Principais espécies envolvidas 
na transmissão no Brasil 
• Fêmeas de flebotomíneos 
• Nome popular: “mosquito palha” 
• Gêneros: Phlebotomus (Velho Mundo) e Lutzomyia (Novo Mundo) 
 
• Classificação taxonômica 
• Classe Insecta 
• Ordem Diptera 
• Família Psychodidae 
• Subfamília Phlebotominae 
• Gênero Lutzomyia 
Biologia dos flebótomos 
• Ciclo de vida 
• Inclui quatro fases da vida 
• Ovo, larva , pupa e adulto 
• Homometábolos (metamorfose completa) 
• Oviposição 
• Solo úmido e matéria orgânica 
• Bosques e florestas 
• Matas secundárias 
• Plantações 
• Alimentação 
• Alimentam-se de seiva 
• Fêmeas são hematófagas 
• Maturação dos ovos 
• Transmissão Rey, 4ª Ed., 2011. 
Reservatórios 
• LC 
• Variedade de mamíferos 
• Roedores, edentados (tatu, tamanduá, preguiça), 
marsupiais (gambá), canídeos, equinos e primatas 
• LV 
• No ambiente silvestre: 
• Raposas (Dusicyon vetulus e Cerdocyon thous) 
• Marsupiais (Didelphis albiventris) 
• Na área urbana: 
• Cão (Canis familiaris) 
 
• Nunca descrita em aves e anfíbios 
• Em répteis (lagartos) são agrupadas em outro gênero 
(Sauroleishmania) 
 
 
Reservatório doméstico 
• Leishmaniose cutânea canina 
• Úlcera cutânea única, eventualmente 
múltipla 
• Orelhas, focinho ou bolsa escrotal 
• Leishmaniose visceral canina 
• Emagrecimento e apatia, ceratoconjuntivite, 
lesões na face e orelha, onicogrifose 
 
 
SVS/MS 
Características epidemiológicos 
• Zoonose 
• Transmissão silvestres 
• Características de ambientes rurais 
• Área de desmatamento ou 
extrativismo 
• Atualmente em expansão para 
áreas urbanas 
• Encontra-se em franca expansão 
 
 
Região Nordeste 
Áreas de leishmaniose visceral 
Região Centro-Oeste Floresta amazônica (extrativismo de borracha) 
Leishmaniose tegumentar no Brasil 
SVS/MS 
L. braziliensis 
L. lainsoni 
L. naiffi 
L. shawi 
L. guyanensis 
L. amazonensis 
L. lindenberg 
 
Leishmaniose tegumentar no Brasil 
• Incidência (últimos 10 anos) 
• Média de 26 mil casos/ano 
• 13 casos/100 mil habitantes 
N
º 
c
a
s
o
s
 
ano 
Sinan/SVS/MS - atualizado em 16/02/16. 
Leishmaniose visceral no Brasil 
SVS/MS 
Urbanização e expansão 
1983-1988 1989-1994 1995-2000 2001-2006 
Leishmaniose visceral no Brasil 
• Incidência (últimos 10 anos) 
• Média de 4 mil casos/ano 
• 1,89 casos/100 mil habitantes 
• Letalidade média de 8% 
Sinan/SVS/MS - atualizado em 16/02/16. 
http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.ex
e?idb2010/d0205.def 
N
º 
c
a
s
o
s
 
ano 
Leishmaniose visceral em SP 
• Situação epidemiológica 
• A expansão da LV apresentou um eixo de disseminação 
• Sentido noroeste para sudeste 
• Rodovia Marechal Rondon e gasoduto Bolívia-Brasil 
 
• Detecção de Lu. longipalpis em zona urbana em 1997 
• Detecção da LV canina em 1998 
• Primeiros casos surgiram em Araçatuba em 1999 
 
• Desde então, a doença vem-se expandindo pelos municípios de SP 
• 1.919 casos e 169 óbitos, até 2011 
• 73 municípios 
RESULTADOS 
: Foram detectados 73 municípios com 
transmissão da doença. As primeiras 
ocorrências deram-se em áreas com 
maiores temperaturas e menores 
pluviosidades, mas sua disseminação 
também ocorreu em áreas menos quentes 
e mais úmidas. A expansão da 
leishmaniose visceral americana em 
humanos apresentou um eixo principal de 
disseminação no sentido noroeste para 
sudeste, acompanhando a rodovia 
Marechal Rondon e o gasoduto Bolívia-
Brasil, e um eixo secundário, na direção 
norte-sul, acompanhando a malha 
rodoviária. As taxas de incidência, 
segundo regiões de saúde, apresentaram 
um pico seguido de queda, com exceção 
da região de São José do Rio Preto. 
Observou-se maior concentração de 
municípios com altas taxas de incidência e 
mortalidade nas regiões de saúde de 
Araçatuba, Presidente Prudente e Marília. 
CONCLUSÕES 
: Possíveis fatores determinantes da 
expansão da doença incluíram a rodovia 
Marechal Rondon e a construção do 
gasoduto Bolívia-Brasil. Fatores climáticos 
pareceram não ter papel determinante 
nessa expansão. O uso de técnicas de 
análise espacial permitiu identificar 
municípios com possível subnotificação de 
casos e óbitos e indicar municípios 
prioritários para o desenvolvimento de 
ações de vigilância e controle. 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89102013000400691 
Diagnóstico 
Humano 
• Clínico-epidemiológico e laboratorial 
• Sintomas + história de residência em área endêmica 
• Diagnóstico diferencial 
• LT: Tuberculose cutânea, hanseníase, úlceras e neoplasias 
• LV: malária, toxoplasmose, brucelose, tuberculose, esquistossomose 
• Confirmação: exames laboratoriais 
• Parasitológico 
• Imunológico 
• Molecular (PCR) 
Canino 
• Sorologia 
• 3 testes de princípios diferentes 
Diagnóstico 
Exames parasitológicos 
Exames imunológicos 
(Pesquisa de amastigotas) 
LV: Análise de material obtido de 
punção, aspirado de medula óssea 
ou biópsia de fígado ou baço 
LV: Sorologia 
LT: Análise de material obtido de 
raspagem da borda da lesão, 
imprinting feito com fragmento da 
biópsia ou histopatologia 
LT: Reação de Montenegro (Pesquisa de anticorpos) 
Diagnóstico 
Punção de medula Biópsia de pele 
Inóculo em hamster 
(LV) 
Inóculo em camundongo 
(LC) 
Cultura 
Exames parasitológicos 
Cultivo in vitro e 
inóculo in vivo 
Usados quando se pretende realizar a 
identificação da espécie por técnicas moleculares, 
bioquímicas ou imunológicas 
Limitação: Longo tempo 
Diagnóstico 
• Intradermoreação de Montenegro 
• Reação de hipersensibilidade tardia aos Ag de Leishmania 
• Formas promastigotas mortas de L. braziliensis 
• 0,1-0,2 mL do Ag e faz-se a leitura no 3º dia 
• Positividade: pápula eritematosa ≥ 5mm 
• Sensibilidade = 80 a 100% 
• Pode ser negativa na LT difusa e LV 
Exames imunológicos 
Diagnóstico laboratorial 
• Visam demostrar a presença de anticorpos 
específicos no soro 
 
• Métodos mais usados 
• Reação de imunofluorescência indireta (RIFI) 
• Disponível na rede 
• Teste imunoenzimático (ELISA) 
• Teste de aglutinação 
 
 
A sorologia (pela 
imunofluorescência, 
hemaglutinação ou pelo método 
de ELISA) é eficiente para 
demonstrar a presença de 
anticorpos específicos no soro. 
 
Imunofluorescência: Permite a 
visualização de antígenos nos 
tecidos ou em suspensões 
celulares utilizando 
corantes fluorescentes. 
 
www.sucen.sp.gov.br 
Exames imunológicos 
Testes sorológicos 
ELISA 
Teste de aglutinação 
RIFI 
Exames inespecíficos - LV 
• Na leishmaniose visceral 
• São importantes devido às alterações que ocorrem nas células 
sanguíneas e no metabolismo de proteínas 
 
• Hemograma 
• Pode evidenciar pancitopenia 
• Diminuição do número de todos os elementos figuradosdo sangue 
(hemácias, leucócitos e plaquetas) 
 
• Dosagem de proteínas 
• Há forte inversão da relação albumina/globulina 
(valores normais: albumina 60%; globulinas 40%) 
Profilaxia e controle 
• Dirigidas ao homem 
• Notificação dos casos 
• Proteção individual (repelentes e mosquiteiros) 
• Educação/conscientização da população 
 
• Dirigidas ao inseto vetor 
• Levantamento, investigação e monitoramento 
• Aplicação de inseticidas 
• Saneamento ambiental (limpeza urbana, eliminação 
de fonte de resíduos sólidos) 
 
• Dirigidas à população canina 
• Controle da população canina errante 
• Proteção dos cães (coleira inseticida e mosquiteiros) 
• Eutanásia de cães soropositivos 
(recomendação do Ministério da Saúde) 
 
 
Rey, 4ª Ed., 2011. 
Infectividade para os 
flebotomíneos persiste 
mesmo após a melhora 
clínica do cão infectado 
Tratamento 
1º linha 
• 1) Glucantime ou Pentostam 
• 2) Fungizone ou Ambisome 
• 3) Pentamidina 
Teste clínico 
• Miltefosina 
• Paromomicina 
• Sitamaquina 
• Outras formulações de AmB 
1º linha 
• 1) Glucantime ou Pentostam 
• 2) Pentamidina 
• 3) Fungizone 
Teste clínico 
• Paromomicina tópica 
• Miltefosina 
• Sitamaquina 
• Azóis (cetoconazol, fluconazol e itraconazol) 
LV
 
• Fármacos mais eficazes e que atendam aos padrões atuais de segurança 
– Prioridade para o controle da leishmaniose 
 
 
L
C
 
OMS, 2011. 
Antimoniais 
Latin: stibium; semi-metal (grupo 15, número atômico 51). 
http://en.wikipedia.org/wiki/Latin_language
Antimoniais 
• Antimônio trivalente (SbIII) 
 
• Tártaro emético 
• Emético = Medicamento usado para provocar o vômito 
 
• Conhecido desde a Idade Média 
• “Antimonyall Cupps”, “calices vomitorii” 
• Copos eméticos: vinho (24 horas) 
• Populares na Europa durante os séculos 17 e 18 
 
 
Antimoniais 
SbIII 
 
• Tripanossomíase Africana 
• Plimmer e Thompson (1905) 
• LC 
• Gaspar Viana (Brasil, 1912) 
• LV 
• Rogers (Índia, 1915) 
 
SbV 
 
• Brahmachari (Índia, 1920) 
 
 
 
Gaspar de Oliveira Viana 
Belém do Pará - 1885/1914 
Instituto Oswaldo Cruz - RJ 
• Uma molécula de meglumina coordenadas por um átomo de Sb 
Haldar, Sen & Roy, Molecular Biology International, 2011. 
Antimoniato de meglumina Estibogluconato de sódio 
Meglumina 
(amino-açúcar) 
Estrutura química 
Antimoniais Pentavalentes 
• 1ª escolha no tratamento da leishmaniose 
• LV e LC na maior parte do mundo 
• 100 anos – 1913/2013 
 
• Estibogluconato de sódio 
• Pentostam (GlaxoSmithKline) 
• disponível nos Estados Unidos e Reino Unido 
 
 
• Antimoniato de meglumina 
• Glucantime (Aventis) 
• disponível no Brasil, França e Itália 
 
 
Glucantime® 
• Recomendações para o tratamento (Brasil) 
 
• 20 mg de SbV/kg/dia 
• Limite de 3 ampolas/dia 
• Uso parenteral 
• Via intravenosa 
• Via intramuscular 
• Infusão lenta 
• 20 a 40 dias consecutivos 
• Requer hospitalização e acompanhamento clínico 
• Requer exames complementares para detecção de intoxicação 
• Hemograma, uréia/creatinina, TGO/TGP e ecocardiograma 
 
Ativos contra amastigotas intracelulares 
 
Pouco ativos contra promastigotas 
 
 
 
M: conversão do SbV em SbIII 
(mais ativos e mais tóxicos) 
 
Ativação do sistema imune 
(no homem) 
 
Não indicado para co-infectados 
HIV/leishmaniose 
 
Mecanismo de ação 
Mecanismo de ação 
• Forma complexos com 
tióis 
• Tripanotiona redutase 
• ~ glutationa redutase 
• Antioxidante 
• Encontradas exclusivamente nos 
tripanossomatídeos (= alvo) 
• Estresse oxidativo 
 
Resistência ao Sbv 
• Bihar (Índia) 
• Resistência primária generalizada 
‒  1/3 responde ao tratamento 
‒ 1ª escolha: AmB e miltefosina 
• L. donovani 
• Antroponose 
• (sem reservatórios animais) 
• Uso indevido da droga: 
‒ Subdoses 
‒ Interrupção do tratamento 
 
Anfotericina B 
• Antifúngico 
• Isolado à partir de Streptomyces nodosus (1953) 
• Usado desde 1960 no tratamento da leishmaniose 
• 2ª escolha (resposta insatisfatória ao SbV) 
 
• Duas apresentações: 
• Desoxicolato de AmB (Fungizone®) 
• AmB lipossomal (Ambisome®) 
 
Desoxicolato de AmB 
• Dose 
• 1mg/kg/dia em dias alternados 
• Total: 3 g 
• Limite máximo de 50 mg/dia 
• Ex: pessoa de 60 kg = 60 mg/dia (máx. = 50 mg/dia)  60 dias de 
tratamento  total = 120 dias (alternados) 
 
• Administração 
• Via endovenosa - infusão lenta (4 a 6 horas) 
• Efeitos colaterais durante a infusão: 
• Febre, tremores, mialgias, flebite (inflamação da parede das veias, que 
permite a aderência de plaquetas), cianose e hipotensão 
• Requer hospitalização e acompanhamento médico 
• Potássio, uréia e creatinina 
 
Recomendações CCD: tratamento da LV no Estado de SP 
Efeitos colaterais 
 
• Artralgias (dor articular) 
• Mialgias (dor muscular) 
• Inapetência (falta de apetite) 
• Náuseas, vômitos 
• Plenitude gástrica 
• Epigastralgia (dor no estômago) 
• Pirose (queimação) 
• Dor abdominal 
• Dor no local da aplicação 
• Febre 
• Arritmia cardíaca grave 
• Hepatotoxicidade 
• Nefrotoxicidade 
• Pancreatite 
AmB lipossomal (AmBisome®) 
• AmB encapsulada 
• Lipossomos (< 100 nm) 
• Fosfatidilcolina e colesterol 
• Dupla camada 
• AmB  lipofílica 
• Vantagens 
• Biocompatibilidade 
• Liberação controlada 
• Menor nefrotoxicidade 
• Tratamento de menor duração 
• Eventos adversos 
• Raros. Quando observados são: 
• Febre, cefaléia, náuseas, vômitos, tremores, calafrio e dor lombar 
 
 
Núcleo 
Lipossomo 
Fusão 
liberação 
fagocitose 
AmB lipossomal (AmBisome®) 
• Indicações 
• Crianças < 10 anos 
• Adultos > 50 anos 
• Co-infecção HIV/LV 
• Transplantados 
• Imunossuprimidos 
• Recidiva ou falha com SbV 
• Gestantes 
• Insuficiência renal, hepática, doenças cardiovasculares 
• Esquema terapêutico 
• 5 mg/kg/dia 
• Duração: 5 dias 
• Infusão venosa 
Recomendações CCD: tratamento da LV no Estado de SP 
Limitação: 
Custo elevado 
Mecanismo de ação 
• AmB interage 
hidrofobicamente com o 
ergosterol, formando 
poros na membrana 
 
 
• Potássio e outras 
pequenas moléculas são 
perdidas através do poro, 
causando morte celular. 
 
 
Pentamidina 
• Usos 
• Pneumonia por Pneumocystis jivovecii 
• Tripanossomíase africana (T. gambiense) 
• Indicada para infecções por L. guyanensis = melhores resultados que o SbV 
 
• Não é amplamente utilizada 
• Eficácia inferior ao SbV e AmB 
• Efeitos colaterais maiores 
• anorexia, astenia, náusea, dor abdominal, hipoglicemia, taquicardia e outras 
arritmias, insuficiência renal e pancreatite que pode levar a diabetes mellitus 
 
• Esquema terapêutico 
• 4 mg/kg/dia, a cada 2 dias, até completar 2g 
• Intramuscular 
• Requer exame semanal de glicose 
 
 
Miltefosina 
• Hexadecilfosfocolina 
• Análogo de fosfocolina 
• Composto anti-inflamatório e antitumoral 
• Descoberta como agente anti-Leishmania em 1987 
• ORAL! 
• Aprovada para o tratamento da leishmaniose: 
• Alemanha, Nepal, Bangladesh, Índia, Paquistão, Argentina, Bolívia, 
Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, México, Honduras e Guatemala 
• Diferenças de sensibilidade 
• < L. braziliensis, L. guyanensis, L. mexicana 
• > L. donovani 
• Eficácia no Brasil: Não estabelecida 
 
Miltefosina 
• Esquema terapêutico 
• 2,5 mg/kg/dia por 28 dias 
 
• Vantagens 
• Uso oral 
• Baixa toxicidade 
• Reações gastrointestinais 
• Nefrotoxicidade ou hepatotoxicidade (1%) 
 
• Desvantagens 
• Teratogênico 
• Contraindicado para crianças menores de 2 anos e gestantes 
• Seleção de resistência in vitro 
 
Dúvidas? 
1. Quais sintomas apresentados pelo paciente levariam a 
suspeita de leishmaniose visceral? 
 
2. Qual exame levou ao correto diagnóstico? Quais outros 
exames poderiam ser realizados para o diagnóstico de 
leishmaniose visceral? 
 
3. Quais seriam os possíveis modos de transmissão da infecção 
para esse paciente? 
 
4. Que medidas profiláticas devem ser tomadas para evitar 
novos casosem Volta Redonda/RJ? 
 
 
 
 
doi: 10.1590/S0036-46652014000300015 
Figura 1 Figura 2 
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