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H ISTÓ RIA D A A RTE E D O D ESIG N História da arte e do design K LS KLS Ariadne Castilho Catanzaro História da arte e do design Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Catanzaro, Ariadne Castilho ISBN 978-85-8482-532-5 1. Arte - História. 2. História do design. I. Título. CDD 700.9 Catanzaro. – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. 268 p. C357h História da arte e do design / Ariadne Castilho © 2017 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. Presidente Rodrigo Galindo Vice-Presidente Acadêmico de Graduação Mário Ghio Júnior Conselho Acadêmico Alberto S. Santana Ana Lucia Jankovic Barduchi Camila Cardoso Rotella Cristiane Lisandra Danna Danielly Nunes Andrade Noé Emanuel Santana Grasiele Aparecida Lourenço Lidiane Cristina Vivaldini Olo Paulo Heraldo Costa do Valle Thatiane Cristina dos Santos de Carvalho Ribeiro Revisão Técnica Reinaldo Barros Cicone Editoração Adilson Braga Fontes André Augusto de Andrade Ramos Cristiane Lisandra Danna Diogo Ribeiro Garcia Emanuel Santana Erick Silva Griep Lidiane Cristina Vivaldini Olo 2017 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/ Sumário Unidade 1 | Conceitos de arte e design Seção 1.1 - Arte: conceito e história Seção 1.2 - Natureza, atribuições e aplicações do design Seção 1.3 - Compreendendo o estudo do design e o mercado de trabalho Seção 1.4 - Introdução à evolução histórica do design: aspectos sociais Unidade 2 | História da arte da Pré-História, Antiguidade e Idade Média Seção 2.1 - A arte e suas origens Seção 2.2 - Estética na antiguidade: arte mesopotâmica, arte egípcia Seção 2.3 - Estética na antiguidade: arte grega, arte romana Seção 2.4 - Idade Média: arte românica, arte gótica 63 65 77 93 111 Unidade 3 | História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Seção 3.1 - O século XV e o Renascimento Seção 3.2 - O século XVII e a arte barroca Seção 3.3 - A arte no século XIX Seção 3.4 - Transição entre os séculos XIX e XX 133 135 151 167 181 Unidade 4 | A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Seção 4.1 - Arte e estética no mundo moderno Seção 4.2 - O vanguardismo europeu e a Bauhaus Seção 4.3 - Desafios do design no mundo pós-moderno Seção 4.4 - Arte, estética e novos paradigmas 203 205 223 235 247 7 9 21 35 49 Palavras do autor Caro aluno, seja bem-vindo. Este material foi elaborado com o intuito de abordar importantes fatos da história da arte e do design, a partir de sua origem, sua definição e sua natureza. No mercado de trabalho, quem conhece a história, está sempre um passo à frente. Neste material apresentaremos as características de diferentes momentos históricos, dando início a uma reflexão sobre o papel do designer na sociedade contemporânea. O conteúdo deste material lhe ajudará a atender às necessidades sociais e de mercado, colocando-o consciente de questões culturais e históricas, que farão diferença em seu contínuo processo de atualização, aperfeiçoamento e evolução profissional. O autoestudo é indispensável para que você conheça diferentes campos do design e para que encontre suas potencialidades e suas identificações. O conteúdo elaborado tem o objetivo de desenvolver em você um perfil reflexivo, criativo e técnico, com habilidade para observar problemas e soluções projetuais através de conhecimento histórico da arte e do design. Desta forma você estará mais preparado para atuar como um profissional mais crítico, consciente de seus valores éticos dentro da sua atuação profissional. Conheça melhor este livro: na Unidade 1, estudaremos o conceito e a função da Arte e compreenderemos o papel social do artista, além de entrar em contato com as considerações básicas para o Design: principais definições e exposições da origem do design, suas aplicações, seus aspectos evolucionistas, áreas de atuação, atribuições e aplicações do design. Na Unidade 2 vamos conhecer a arte pré-histórica, arte na Antiguidade e arte medieval. A Unidade 3 deste material lhe apresentará a história da arte da Idade Moderna ao início da Contemporânea, trazendo temas como Renascimento, arte barroca, Impressionismo e Pós-Impressionismo. Ainda nesta unidade, acompanharemos a transição entre o século XIX e o século XX, ou seja, as mudanças na arte e no design e o advento da produção em massa: o papel do design neste contexto – Arts e Crafts e Art Nouveau. A história da arte e do design no século XX será contemplada na Unidade 4, a partir do estudo dos principais movimentos artísticos da primeira metade do século XX e as consequências do novo tempo: design na era da informação e na revolução dos meios de comunicação; design e globalização e as novas formas do fazer artístico – Arte Conceitual e Instalação. Prezado aluno, você está convidado a percorrer um caminho de descobertas e reflexões. Seja bem-vindo a este universo introdutório do design. O que o espera é um futuro profissional promissor. Boa caminhada e conte conosco! Unidade 1 Conceitos de arte e design Caro aluno, conhecer a história do design e seus elementos introdutórios é importante para desenvolvermos a reflexão acerca do design no mercado de trabalho e em nossa sociedade. Esta unidade curricular, composta por 4 seções, irá abordar o universo da história da arte e das definições de design. Iniciaremos este trajeto a partir da Seção 1.1, na qual serão contemplados os conceitos de arte e estética, o que se estuda em história da arte, como a história da arte se divide, a função da arte e o papel social do artista. Na Seção 1.2 conheceremos a natureza do design, ou seja, o que é design e quais são as nomenclaturas das ramificações desta área profissional, por exemplo: design de produto; design gráfico; design visual; design de interação; design de moda; design de ambientes e design de interiores e suas atribuições e aplicações no mercado de trabalho. Iremos compreender o papel do designer, assim como as características das atribuições projetuais. Estudaremos, ainda, na Seção 1.3, a multidisciplinaridade relacionada ao design, as áreas de atuação, atribuições e aplicações do design. Na Seção 1.4 apresentaremos uma introdução à evolução histórica do design e aos aspectos sociais: a industrialização e a organização industrial. Estudaremos como acontece a expansão do design neste contexto. O principal objetivo desta unidade de ensino é capacitá-lo para compreender a importância da arte em um contexto social, proporcionando familiaridade com a relação da arte com os principais acontecimentos históricos, além da compreensão do mercado de trabalho do profissional de design, desenvolvendo um olhar crítico e reflexivo a respeito da profissão. Iremos desenvolver o conhecimento das definições e das evoluções de arte e design, além das características gerais dos movimentos artísticos na história e as abrangências do design. Convite ao estudo U1 8 Conceitos de arte e design Para isso conheceremos a sua primeira Situação Geradora de Aprendizagem: Vamos fazer uma viagem à Inglaterra? O objetivo da nossa viagem é conhecer o Geffrye Museum, um museu que conta a história da decoração de escritórios e de casas no Reino Unido desde a era vitoriana (meados do século XIX, período do reinado da rainha Vitória, de 1837 a 1901) até os dias atuais. Você irá acompanhar um grupo de designers brasileiros que pretendem se especializarem design de interiores. Preparado? Então vamos em frente que a viagem é longa. Inicie seu trajeto a partir das seguintes reflexões: o que é arte? Qual é a relação que a arte tem com o design? Por que é essencial que um profissional de design conheça a história da arte? U1 9Conceitos de arte e design Seção 1.1 Arte: conceito e história Prezado aluno, você sabia que a Inglaterra foi o primeiro país a se industrializar? E que a Revolução Industrial teve um papel fundamental para a profissão do designer?Por este motivo, um grupo de designers brasileiros irá ampliar suas pesquisas em uma viagem ao Velho Mundo, e o destino principal é o Geffrye Museum, para um grande estudo sobre o processo estético evolutivo do mobiliário e objetos de decoração, através de uma viagem cronológica pela forma que os britânicos elaboraram o interior de suas casas e seus escritórios. Você está incluído neste grupo de designers e, a partir deste tour, irá estender seu conhecimento e se desenvolver ainda mais profissionalmente. O primeiro fator a se compreender é a relação que a história da arte tem com a história do design. A partir do entendimento dos conceitos de arte e estética, o profissional de design estará mais preparado para o mercado de trabalho, contando com um grande repertório de fontes e referências. Os objetivos de aprendizagem desta seção são: - A compreensão da importância da arte em um contexto social; - Proporcionar familiaridade com análises sobre a relação da arte com os principais acontecimentos e transformações sociais desde a pré-história; - Motivar a realização de pesquisas sobre movimentos artísticos ao longo da história das civilizações; - Compreensão artística, crítica e comparada, tendo em vista as suas futuras produções artísticas e seus trabalhos de pesquisa. Para isso, na primeira seção do seu Livro Didático, você terá acesso a uma reflexão sobre o conceito e o papel da arte e a relação que ela tem com as principais transformações socioculturais. Diálogo aberto U1 10 Conceitos de arte e design Vamos nos preparar para nossa viagem a partir das seguintes questões: O que é arte e quais são suas principais manifestações? O que é estética? É possível compreender a arte como forma de expressão da realidade e, por isso, como forma de compreender o passado? Dentro deste contexto, qual é o papel do artista? Ao ler o conteúdo desta seção você encontrará o trajeto que o levará às respostas destas perguntas, entre outras reflexões, para as quais será convidado durante a leitura. Bom trabalho! Você já parou para pensar o que é arte? Vamos refletir juntos: o que você considera arte? Podemos usar como exemplos uma série de manifestações artísticas, como: pintura, escultura, desenho, música, dança, teatro, cinema, instalações, grafite, entre outros. Observe as obras abaixo. O que você consegue encontrar em comum entre elas? 1. 2. Figura 1.1 –Vênus de Brassempouy. Pequena cabeça de mulher em marfim trabalhado com instrumento de pedra lascada, alturade3cm, proveniente de Brassempouy, Landes;Museu das Antiguidades Nacionais, Saint Germain-em-Laye. Fonte:<https://upload.wikimedia.org/ wikipedia/commons/7/72/Venus_of_ Brassempouy.png>. Acesso em: 3 out. 2015. Não pode faltar Exemplificando Figura 1.2 – Salvador Dalí, A persistência da memória, 1931. Óleo sobre tela. 24cm x 33cm. MOMA, Nova York. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/ wikipedia/en/d/dd/The_Persistence_of_ Memory.jpg >.Acesso em 6 ago. 2016 U1 11Conceitos de arte e design Figura 1.4 – Keith Haring, Untitled (Dance), 1987. Fonte: <http://www.artwallpaper.eu/Keith-Haring/01/ Keith-Haring-Wallpaper-16801050.jpg>. Acesso em: 6 ago. 2016. Figura 1.3 – Arte performática de Chris Burden. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/ en/0/0e/Chris-Burden%2C-Through-the-Night-Softly. jpg>. Acesso em 6 ago. 2016 Você sabe o que é estética? É uma área da filosofia que estuda o belo, ou seja, tudo o que desperta emoção estética através da contemplação, e o sentimento que ele suscita nos homens. É uma palavra que tem sua origem no grego: aesthesis, que significa “conhecimento sensorial; sensibilidade”. Vamos passear pela história. A arte registra os testemunhos visuais de povos que viveram há muitos e muitos anos na Terra. Os primeiros registros artísticos são objetos utilitários, desenhos e pinturas em cavernas, construções e pequenas estatuetas. Fonte: <https://goo.gl/FhAbaX>. Acesso em: 6 ago. 2016. Figura 1.5 | Vênus de Willendorf, 25.000 a.C. Escultura; Museu de História Natural, Viena Assimile Como você pode perceber, todas estas obras são manifestações artísticas referentes a diversos períodos da história. Temos aqui exemplos que variam de arte realizada na antiguidade, como a Vênus de Brassempouy, datada entre 16.000 a.C. e 10.000 a.C. até a arte do importante grafiteiro americano Keith Haring (1958-1990), cujas obras refletem uma cultura nova-iorquina da década de 1990. Estas manifestações artísticas estão diretamente ligadas às transformações pelas quais cada período histórico passou, ou seja, estudar a história da arte é também estudar a história do mundo, já que a arte é um reflexo, ou uma forma de expressar os acontecimentos sociais e as consequências culturais das mudanças que a sociedade enfrenta. U1 12 Conceitos de arte e design Através destes registros, é possível compreender como viveram povos antigos, já que a arte traduz sinais, formas e cores que correspondem a pensamentos e acontecimentos de determinadas épocas. Para estudar a história da arte é importante que investiguemos etapas da história, fatos marcantes e os principais momentos de transformações. Esta linha do tempo mostra as principais divisões da história e a ocorrência das manifestações artísticas ao longo do tempo. PRÉ-HISTÓRIA • De 35.000 a.C. ao surgimento da escrita • Arte pré- histórica: arte rupestre HISTÓRIA MEDIEVAL • De 476 d.C. até 1453, queda do Império Romano do Oriente • Arte românica, arte gótica HISTÓRIA ANTIGA • 4.000 a.C., surgimento da escrita, até ano 476 d.C., queda do Império Romano do Ocidente (Roma) • Arte mesopotâmica; egípcia, grega e romana HISTÓRIA MODERNA • De 1453 até a Revolução Francesa, em 1789 • Renascimento • Maneirismo • Arte Barroca • Rococó HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA • Romantismo • Neoclassicismo • Impressionismo • Invenção da fotografia • Pós-Impressionistas • Fauvismo • Expressionismo • Cubismo • Dadaísmo • Surrealismo • Expressionismo Abstrat Fonte: elaborada pela autora. Reflita Assimile “Anos, séculos, milênios: dentro do período denominado Mundo Antigo, o ano 0 corresponde ao divisor de águas entre o mundo pagão e o mundo cristão; os anos precedentes ao nascimento de Jesus são indicados por um número acompanhado da sigla a.C., ao passo que aqueles sucessivos são indicados simplesmente pelo número. Os anos de 0 a 99 estão compreendidos no século I; os de 100 a 199, no século II; e assim por diante.” (PRETTE, 2008, p. 114) U1 13Conceitos de arte e design Iniciaremos nossos estudos nos mais antigos registros que os arqueólogos trouxeram para o nosso conhecimento: imagens de desenhos em cavernas ou objetos de necessidade básica do homem pré-histórico. Imagina-se que estes registros expressam crenças comuns ou que possuam uma espécie de significado mágico. Os egípcios acreditavam na vida após a morte e por isso erguiam imensos túmulos e templos funerários, que representam os monumentos mais expressivos e importantes da arte egípcia (FARTHING, 2011, p. 8). Fonte: <https://goo.gl/grh9pk>. Acesso em: 6 ago. 2016. Figura 1.6 | As pirâmides Miquerinos (c. 2575 a.C.), Quéfren (c. 2600 a.C.), Quéops (c. 2650 a.C.), Gizé Os gregos contemplam o racionalismo, a beleza, o homem e a democracia. Seus templos são simétricos, com imensas colunas. Na arte de cerâmica, os vasos gregos são famosos por causa do equilíbrio e da harmonia entre cores e ornamentos.U1 14 Conceitos de arte e design Fonte: <https://goo.gl/14Zlnr>. Acesso em: 6 ago. 2016 Figura 1.7 | Zeus de Artemísio, atribuído ao escultor Cálamis, segundo quartel do século V a.C., bronze, altura: 2,09 m; Museu Arqueológico Nacional, Atenas No século VI d.C., a arte passa por um longo período servindo à religião. A arte bizantina dava aos artistas um papel de executor, ou seja, um “funcionário” capaz de confeccionar mosaicos que, além de ornamentar paredes, tinham o principal objetivo de instruir os fiéis, recontando mitos religiosos. A atenção da arte também estava focada na arquitetura de igrejas, com a construção de espaços grandes e muito decorados. A Idade Média tem início no ano de 476, com o fim do Império Romano, e a arte desta época valoriza a religião cristã em todos os aspectos da vida medieval. É o surgimento da arte românica. Poucas pessoas sabiam ler e a Igreja Católica utilizou pinturas e esculturas para relatar histórias da Bíblia e disseminar os princípios religiosos. Fonte: <https://goo.gl/kydbDf>. Acesso em: 6 ago. 2016. Figura 1.8 | Sacra di San Michele, mosteiro românico nas proximidades de Turim U1 15Conceitos de arte e design Ainda na Idade Média, a arte gótica apresenta mudanças que conduzem a uma renovação, sobretudo na arquitetura de grandes edifícios que expressam grandiosidade, voltados sempre a um Deus superior. Na prática percebemos que toda a estética desta época projeta-se na direção do céu. Entre 1300 e 1650 deu-se o período do Renascimento, ou Renascença, com muitos progressos na arte, na literatura e na ciência, com a valorização do homem e da natureza, e não mais do divino e sobrenatural. Você certamente conhece algumas obras renascentistas, como O nascimento de Vênus, de Botticelli, o teto da Capela Sistina, do artista Michelangelo, ou a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, dona do sorriso mais enigmático da história da arte (GOMBRICH, 2008, p. 307). Fonte: <https://goo.gl/GQOaS3>. Acesso em: 6 ago. 2016 Figura 1.9 | O nascimento de Vênus (c. 1485), Sandro Botticelli; Florença No século XVII, originou-se na Itália a arte barroca, quando predominam as emoções, pois trata-se de um período de conflitos religiosos, e o Barroco representa o objetivo da Igreja Católica de impressionar o observador através de efeitos decorativos, ornamentos exagerados, incríveis contrastes e efeitos de luz e sombra. Nos séculos XVII e XIX, a arte voltou-se mais para a corte, com os artistas debruçando-se em retratos das famílias reais para mostrar suas glórias e notoriedade. Com o crescimento da sociedade burguesa, as obras de arte passaram a representar status e, assim, os ricos comerciantes encomendavam retratos aos artistas em voga como forma de ostentar sua riqueza e seu prestígio. FARTHING, Stephen. Tudo sobre arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2011. Este livro é um guia dos movimentos mais importantes de todos os tempos, pois abrange todos os gêneros artísticos, da pintura e esculturas tradicionais à arte contemporânea. Pesquise mais U1 16 Conceitos de arte e design Com a chegada do século XIX e as principais mudanças sociais e transformações tecnológicas, os pintores passaram a ter acesso a novos tipos de tintas, que possibilitavam o trabalho ao ar livre e não somente em estúdios. Novas cores e tonalidades também surgiram e os estilos artísticos expandiram e se diversificaram. Com a ascensão do imperialismo, os artistas passaram a viajar mais, o que trouxe elementos e paisagens exóticas às telas. O século XX chega com um turbilhão de transformações e a arte atinge o auge do experimentalismo. As grandes guerras também influenciaram os caminhos da arte, e alguns artistas criaram manifestações que questionavam o seu sentido e o significado. O Dadaísmo teve seu momento de maior atividade em Paris entre 1919 e 1922, durante e após a Primeira Guerra Mundial, à medida que jovens artistas se agrupavam com o objetivo de expressar seu desprezo pelo conflito. Para eles, os horrores da guerra atestavam a hipocrisia de todos os valores estabelecidos. O “mito” do artista foi problematizado por Andy Warhol, que provocou a sociedade ao exaltar o objeto cotidiano, como, por exemplo, uma lata de sopa de tomate (PRETTE, 2008, p. 349). Como você pode perceber, a relação do homem com a arte é antiga e ela faz parte do processo histórico. O artista teve desde o princípio um papel social importante, por vezes, de transformador, e outras, de narrador da história. Não há apenas uma definição para arte, assim como não há um único sentido para ela. A arte está ligada ao “fazer”, “expressar-se”, “manifestar-se”. A arte sensibiliza, modifica o olhar, a escuta, as reflexões. A arte questiona, embeleza, também choca e abala. Não há apenas um caminho a ser percorrido para estudar e fazer arte, porém é um trajeto encantador. Agora é a sua vez de refletir sobre o que você considera arte. Ao ler o conteúdo desta seção, o que você pode afirmar acerca do conceito de arte? Nossas malas já estão prontas e estamos ansiosos pela visita ao Geffrye Museum. Vamos à resolução das reflexões propostas no início desta seção. Este material abordou conceitos de arte e estética, nos trazendo um pouco dos importantes movimentos artísticos que tiveram grande importância no processo civilizatório. A história da arte conta também a história geral, apontando acontecimentos significantes e apresentando grandes mudanças sociopolíticas que influenciaram a Faça você mesmo Sem medo de errar U1 17Conceitos de arte e design arte e a estética, consequentemente o design, de cada época. Alguns exemplos foram expostos, como as pequenas estatuetas femininas da antiguidade, as pirâmides do Egito, as esculturas perfeitas da civilização grega, as incríveis catedrais medievais, o progresso artístico do Renascimento, até chegarmos às ruas de Nova York, nos grafites do século XX. De diferentes maneiras, a arte sempre se manifesta, demonstrando os elementos, valores e protestos de cada época. Então, a que conclusão chegamos sobre o que é arte e quais são suas principais manifestações? O que é estética? É possível compreender a arte como forma de expressão da realidade e, por isso, como forma de compreender o passado? Dentro deste contexto, qual é o papel do artista? A arte faz parte da evolução histórica. O artista sempre teve uma representação importante, por vezes transformadora e em outras cumprindo o papel de narrador da história. A arte não tem apenas uma definição e nem um único sentido. A arte é o ato de “fazer”, “expressar-se”, “manifestar-se”. Manifestações como dança, teatro, pintura, performances, escultura, fotografia, desenho e grafite podem ser consideradas arte, entre outras mais recentes, como web art, bodyart, instalações, videoarte, videoinstalação, soundart, etc. O artista acaba por exercer também um papel importante de historiador, fornecendo informações essenciais a respeito do contexto histórico de sua época. A arte registra os testemunhos visuais de povos que viveram há muitos e muitos anos na Terra. Os primeiros registros artísticos são objetos utilitários, desenhos e pinturas em cavernas, construções e pequenas estatuetas. Através desses registros é possível compreender como viveram povos antigos, já que a arte traduz sinais, formas e cores que correspondem a pensamentos e acontecimentos de determinadas épocas. Para estudar a História da Arte é importante que investiguemos etapas da história, fatos marcantes e os principais momentos de transformações. Arte e design no Brasil Descrição da situação-problema Você foi convidado a fazer parte de uma equipe de designers que irá realizar uma série de visitas técnicas a galerias, museus, ateliês e escritórios de design em diferentes estados do Brasil. A partir dessas visitas, você e sua equipe farão relatórios Atenção Avançando na prática U1 18 Conceitos de arte e design com informações precisas sobre o que pode ser encontrado e contemplado nesseslocais. Os relatórios serão publicados em um livro intitulado Arte e design no Brasil, dirigido a estudantes e profissionais da área. A sua primeira visita será na cidade de São Paulo ao Museu da Casa Brasileira, uma instituição que se dedica às questões da morada brasileira com um olhar voltado à arquitetura e ao design de interiores. Vocês terão uma reunião para organizar esta primeira visita. Sua responsabilidade foi esboçar perguntas a serem feitas ao setor de curadoria do Museu a respeito da importância do estudo da história da arte para profissionais de design de interiores e arquitetos. Para começar, convide os curadores do Museu a falarem a respeito dos conceitos de arte e estética. A relação do homem com a arte é antiga e ela faz parte do processo histórico. O artista teve desde o princípio um papel social importante, por vezes, de transformador, e em outras, de narrador da história. Não há apenas uma definição para arte, assim como não há um único sentido para ela. A arte está ligada ao “fazer”, “expressar-se”, “manifestar-se”. Resolução da situação-problema Possíveis temas que podem estar presentes nas perguntas: - Arte como manifestações artísticas: Podemos considerar arte como uma série de diferentes manifestações artísticas: pintura, escultura, desenho, música, dança, teatro, cinema, instalações, grafite, entre outros. Essas manifestações estão diretamente ligadas às transformações pelas quais cada período histórico passou, ou seja, estudar a história da arte é também estudar a história do mundo, já que a arte é um reflexo, ou uma forma de expressar os acontecimentos sociais e as consequências culturais das mudanças que a sociedade enfrenta. - Estética: Existe uma área de estudo da filosofia, cujo objeto de pesquisa é o belo. Este estudo consiste em observar tudo o que desperta emoção através da contemplação, ou seja, o sentimento que o belo, ou a beleza, suscita nos homens. Esta área filosófica está voltada para a reflexão a respeito de beleza sensível e do fenômeno artístico. Além disso, este estudo também se refere à filosofia da arte ou, ainda, ao estudo do que é belo nas manifestações artísticas e naturais. Sua origem vem da língua grega e está relacionada a uma palavra que indica a teoria do conhecimento sensível, da sensibilidade. Leia o trecho a seguir: Lembre-se U1 19Conceitos de arte e design Para o desenvolvimento de uma autonomia em seus estudos, sugerimos que pesquise mais a respeito dos principais pontos desta seção: O que é arte? Oque é estética? Para ampliar seu conhecimento, sugerimos o seguinte artigo: LEÃO, Heloisa Helena da Fonseca C. A arte, o homem e o habitar como um construir o mundo. Cognitivo-Estudos: revista Eletrônica de Filosofia da PUC, São Paulo, v. 2. n. 2, jul./dez. 2005. Disponível em:<http://www. pucsp.br/pragmatismo/dowloads/22cog_est_v2n2_t09_leao_heloisa_ helena.pdf>. Acesso em: 2 ago. 2016. 1. No século XXI a arte vai se tornando cada vez mais popular. Museus e galerias recebem um grande número de visitantes, não em exposição dos grandes mestres, mas também de artistas contemporâneos com obras polêmicas. A contemplação cada vez maior da arte está levando multidões com frequência a instalações incríveis, formando longas filas e horas de espera, pelo prazer da degustação da arte. O que é arte? a) Não há apenas uma definição para arte. Está ligada a “fazer”, “expressar-se”, “manifestar-se”, sensibilizar, modificar o olhar, a escuta e as reflexões. b) É somente o que é realizado por um artista sem o intuito de comércio, através de manifestações culturais. Faça você mesmo Faça valer a pena "Ao longo dos tempos, a filosofia sempre se interrogou a respeito da essência do belo, o tópico central deste estudo. Segundo Platão, o belo se identifica com o bom, e toda a beleza idealista tem como origem essa noção platônica. No caso de Aristóteles, esta beleza tem como base dois princípios realistas: a teoria da imitação e a catarse. Na contemporaneidade, é importante destacar duas tendências: a ontológica-metafísica, que muda radicalmente a categoria do belo, e a substitui pela vertente do verdadeiro ou do verídico; e a tendência histórico-sociológica, que contempla a obra de arte como um documento e como uma manifestação do trabalho do homem, analisada no seu próprio âmbito sócio-histórico". (Adaptado de: <http://www. significados.com.br>. Acesso em: 6 ago. 2016) U1 20 Conceitos de arte e design c) São eventos culturais que reúnem várias manifestações artísticas como dança, teatro, pintura e música. d) É a possibilidade de executar um projeto artístico e ser reconhecido como artista. e) É uma área de estudo da filosofia que estuda o belo e a emoção que este causa no homem que o contempla. 2. “A partir do simbolismo, passando pelo dada e pelo surrealismo, até chegar à arte conceitual, os artistas declaram que a verdadeira função da arte não era retratar a realidade, mas representar os mundos internos da emoção, dos estados de espírito e da sensibilidade.” (DEMPSEY, 2003, [s.p.]). Quais das seguintes manifestações são consideradas manifestações artísticas? a) Ciência, entretenimento e estudo de idiomas. b) Dança, literatura e ciência. c) Teatro, matemática, esportes e pintura. d) Dança, teatro, pintura, desenho e grafite. e) Ciência, esporte e matemática. 3. Veja este trecho do seu Livro Didático: "Com a chegada do século XIX e as principais mudanças sociais e transformações tecnológicas, os pintores passaram a ter acesso a novos tipos de tintas, que possibilitavam o trabalho ao ar livre, e não somente em estúdios. Novas cores e tonalidades também surgiram, e os estilos artísticos expandiram e se diversificaram. Com a ascensão do imperialismo, os artistas passaram a viajar mais, o que trouxe elementos e paisagens exóticas às telas". Qual é a relação entre a arte e as transformações socioculturais e políticas? a) Nenhuma. A arte não possui responsabilidade relacionada à política, sociedade ou religião. b) A arte teve apenas relação com estas transformações na Idade Média, em que estava ligada diretamente à igreja. c) A arte copia a vida e as transformações sociais. d) A arte é um reflexo, ou uma forma de expressar os acontecimentos sociais e as consequências culturais das mudanças que a sociedade enfrenta. e) Apenas na pré-história esta relação era possível, porém parou de existir depois que o homem inventou a escrita. U1 21Conceitos de arte e design Seção 1.2 Natureza, atribuições e aplicações do design Nesta seção você vai conhecer a natureza do design e as diferentes aplicações no mercado de trabalho. Através do conhecimento adquirido nesta seção, você irá realizar sua primeira tarefa em sua viagem à Inglaterra. Cada um dos designers de sua equipe ficou responsável pelo relatório de uma ramificação específica do design. Você ficou responsável por design de interiores. Com base em sua visita ao Geffrye Museum, você deverá criar uma apresentação sobre a importância do estudo da história do design para a profissão do designer de interiores. Você deverá pensar a respeito desta profissão e nos elementos que esta viagem agregará aos seus estudos e à sua formação. Vamos às questões de reflexão: O que um designer de interiores faz e o que este profissional precisa estudar? Em que consiste esta profissão e qual seu papel? Analise a importância de um projeto e com quais profissionais ele estará sempre em contato. Qual é a diferença entre um designer de interiores e um designer de ambientes? Fonte: <https://goo.gl/svzMUH>. Acesso em: 25 maio 2016. Figura 1.10 | Geffrye Museum, Londres Diálogo aberto U1 22 Conceitos de arte e design Olhe à sua volta. Repare nos objetos que você utiliza em seu cotidiano. Desde a sua escova de dente até seu celular. Os móveis e os utensílios da cozinha. Cada um destes objetos foi planejado por um designer, profissional que tem a função de deixar as coisas mais funcionais, estilosas, chamativas,ergonômicas, modernas ou retrô. Vamos juntos refletir a respeito da definição da palavra DESIGN. O termo vem do inglês, porém sua origem é do latim: designare, que significa: desenvolver, conceber. Com o progresso da industrialização é que este termo passou a ser utilizado com um sentido mais voltado a planejar, projetar, ordenar, configurar e estruturar. Trata-se portanto de uma atividade que gera projetos, no sentido objetivo de planos, esboços ou modelos. Diferentemente de outras atividades ditas projetuais como a arquitetura e a engenharia, o design costuma projetar determinados tipos de artefatos móveis. (CARDOSO, 2008, p. 20) Muito bem. Agora, olhe novamente ao seu redor, reparando nos objetos do seu cotidiano. Pense então nas prateleiras dos supermercados. Vamos lembrar do setor de escovas de dente. O que faz uma escova ser mais interessante do que a outra? A maneira que ela foi desenhada, planejada, projetada e produzida. E o modelo do seu celular? Certamente foi planejado para ser moderno, bonito e funcional ao mesmo tempo. A capa do seu livro favorito? Já reparou nela? Veja as cores escolhidas. A tipografia (as letras) do título, a qualidade do papel. Quem pensou em tudo isso? O profissional do design, conhecido como designer. Design, então, é uma atividade que gera projetos que serão fabricados por outros profissionais, ou seja, pela indústria. Para exercer esta atividade, o designer precisa ser um profissional que, sintonizado à realidade, está consciente de questões sociais, culturais e ambientais. Entre os principais estudos do designer estão os seguintes pontos: estética, forma, cor, função, inovação e praticidade. Ele tem a habilidade de projetar esteticamente produtos ou peças gráficas com embasamento conceitual, com o objetivo de satisfazer as necessidades dos usuários dos produtos. Designs – assim como os designers – têm uma enorme influência. De mobiliário a tecidos, de contendores a câmeras, Não pode faltar Reflita U1 23Conceitos de arte e design de artigos de vidro a dispositivos, todos os objetos fabricados pelo homem foram projetados por alguém e afetam diretamente o usuário. Mas o que faz um design formidável? Será possível concordar em certos critérios? Muita gente tem opiniões firmes sobre a aparência que tem o bom design, como funciona e que materiais devem ser usados em sua fabricação. Existem tantas avaliações e conclusões quanto peças de design. (HODGE, 2015, p. 7) Um designer deve estar sempre atualizado. Este profissional observa problemas e apresenta soluções projetuais embasadas nas demandas sociais. Para isso, o designer está constantemente em busca de novas possibilidades e novos recursos. Há muitas possibilidades de atuação profissional para o designer, como trabalhar com composição de imagens e de textos para a indústria gráfica e a indústria de comunicação visual, além de agências de publicidade e produtoras de conteúdo digital. O designer pode também optar por projetos de objetos e dos meios para produção destes objetos, através de uma extensa pesquisa de técnicas e materiais necessários, levando em consideração as possibilidades do mercado. Adiante estudaremos com mais detalhes o mercado de trabalho do designer, porém, agora é necessário que você entenda que este é um mercado amplo e em ascensão, com possibilidades de atuação na indústria, no comércio ou em prestações de serviços. O design é uma parte importante da sociedade porque ele delineia os modos como vivemos e trabalhamos. O nosso entendimento sobre se um projeto realmente funciona é afetado por muitos fatores tais como cultura, formação, entorno, percepções, idade, nacionalidade e raça, assim como nosso conhecimento dos elementos envolvidos na realização de uma peça de design esteticamente funcional. Algumas peças alcançam importância cultural ao longo do tempo, enquanto outras podem ser enfraquecidas por mudanças de cenário ou situações políticas. (HODGE, 2015, p. 8) Há diversas ramificações do design. Vamos ver algumas características de cada uma delas: Design de produto: também conhecido por design industrial ou projeto de produto, trabalha com a criação e produção de objetos específicos para bens de consumo. O design de produto teve seu início com a industrialização. Antes da Revolução Industrial, os produtos eram projetados e produzidos, um a um, por artesãos. Cada objeto era único, e muitas vezes personalizado, quando confeccionado para famílias U1 24 Conceitos de arte e design ricas e importantes. Com a Revolução Industrial (final do século XVIII), a atividade do artesão foi substituída por máquinas, trazendo assim uma revolução estética às produções e confecções de produtos de bens de consumo. Estes passaram a ser mais baratos e produzidos em menos tempo, buscando assim atingir a população, que também crescia rapidamente. Com a produção em série, surge então o designer, que substitui o papel do artesão, pois temos a partir de então um contexto de sociedade de massa e, consequentemente, concorrência entre os produtos (lembra da prateleira de escovas de dente do supermercado?), que busca através do design diferenciado chamar a atenção do consumidor. O design de produto se refere diretamente ao advento da industrialização e da demanda da produção em série. Os produtos são planejados e projetados para serem produzidos em grande escala. Estamos falando de produtos para utilização humana, fabricados com diversos tipos de materiais, suportes tridimensionais (representação de objetos em perspectiva, ou seja, não é uma representação em superfície plana, como um produto gráfico, por exemplo) e ergonomia. Figura 1.11 | Cafeteira Moka Express Fonte: <https://goo.gl/VEUi1c>. Acesso em: 6 ago. 2016 Você sabe quando este estiloso modelo de cafeteira foi projetado e fabricado? A Cafeteira Moka Express foi fabricada pelo engenheiro Alfonso Bialetti em 1930, a partir de um projeto do também engenheiro Luigi de Ponti. Até então o alumínio, material utilizado na cafeteira, tinha baixo custo e era raramente empregado para utensílios domésticos. A Cafeteira Moka Express teve a importante função de mudar o hábito das pessoas que, a partir daí, passaram a fazer café expresso em suas residências. Figura 1.12 | iPhone Fonte: <https://goo.gl/afvff 8>. Acesso em: 2 ago. 2016. Você sabia que... O primeiro iPhone foi lançado em 2007, como uma tecnologia completamente inovadora? Celular com tela gigante, sem teclado, estrutura metálica cromada e manuseio intuitivo. Assim a Apple introduzia a tecnologia touchscreen através de um projeto do designer chefe da empresa, Jonathan Ive. Exemplificando U1 25Conceitos de arte e design Design gráfico: esta ramificação do design trabalha com a área de conhecimento relacionada com a estética de elementos textuais e não textuais que compõem peças gráficas destinadas à reprodução, com o objetivo comunicativo, sempre baseadas em um conceito. O design gráfico projeta cartazes, páginas de revistas, capas de livros, capas de CDs, folhetos, ou seja, peças gráficas que têm como principal suporte o papel e, como processo de produção, a impressão. Esta prática profissional é na verdade um conjunto de elementos visuais, ordenados esteticamente para comunicar uma ideia. Nessas peças, todos os elementos têm a mesma importância, por exemplo, a tipografia (caracteres tipográficos, ou seja, a estética das letras) é tão significativa quanto as imagens, sejam elas desenhos ou fotografias. Figura 1.14 | Capa da revista Época Fonte: <http://goo.gl/jtcTLm>. Acesso em: 2 ago. 2016. Quais prioridades um designer gráfico deve ter? No caso desta capa de revista, o designer optou por uma estética focada em tipografia a fim de chamar a atenção para a matéria principal da edição. A tipografia diz respeito à forma, ao uso e à composição das letras. Estas transmitem pensamentos, alertas e esperanças em mensagens escritas. Nesta capa há opções de diferentes tipografiasnas mensagens, que certamente atraemainda mais a atenção do leitor. Fonte: elaborada pela autora. Figura 1.13 | Design gráfico O design gráfico ordena elementos visuais com o fim de informar algo, vender um produto ou uma ideia, enfim, como já citado, o design gráfico sempre terá como finalidade a reprodução de peças gráficas para a comunicação, em suporte bidimensional (superfície plana) (VILLAS-BOAS, 2007, p. 31). Vamos dar uma olhada nas seguintes peças gráficas: DESIGN GRÁFICO FOTOGRAFIA GRAFISMOS ILUSTRAÇÃO CRIAÇÃO DIAGRAMAÇÃO COMBINAÇÃO DE ELEMENTOS VISUAIS NUMA PERSPECTIVA PROJETUAL COM FINS EXPRESSIVOS PARA REPRODUÇÃO ORDENAÇÃO TIPOGRÁFICA Exemplificando U1 26 Conceitos de arte e design Figura 1.15 | Campanha publicitária Benetton Fonte: <http://goo.gl/2sRYxS>. Acesso em: 26 out. 2016. A marca de roupa Benetton tornou-se famosa, principalmente nos anos de 1990, pela publicidade irreverente. A companhia optou por uma estratégia de comunicação na qual grandes polêmicas como o racismo, a discriminação sexual ou a violência doméstica, e não as roupas, assumem o papel principal. As imagens inspiravam refl exões sobre importantes temas sociais. O design gráfico é uma subárea da programação visual, que por sua vez é uma habilidade tradicional do desenho industrial. Vejamos algumas segmentações da programação visual: • Design de identidade: logotipo, marca, cartões de visita, rótulos de embalagens, letreiros, símbolos etc. • Design editorial: projetos gráficos para publicações como catálogos, livros, revistas, jornais. • Design de sinalização (corporativa): sistemas sinalizadores internos de empresas. • Design promocional: peças promocionais como folhetos, cartazes, informativos e fôlderes. • Design hipermídia: vinhetas e menus animados. VILLAS-BOAS, André. O que é (e o que nunca foi) design gráfico. Rio de Janeiro: 2AB, 2007. Design de moda: cria vestuário e acessórios. Além de desenhar roupas, bolsas, sapatos e joias, o designer de moda está sempre pesquisando tendências e estilos, ao mesmo tempo analisando o comportamento e os hábitos de seus consumidores para, desta forma, desenvolver coleções adequadas a este comportamento. Trabalha também com desenhos de estampas. O designer de moda também pode prestar assessoria de moda para celebridades da indústria cultural, socialites ou políticos (atuado como personal stylist), além de poder definir a disposição de produtos de vitrines de grandes lojas e desenvolver novos tecidos (design têxtil). Há ainda mercado de trabalho para produção de desfiles ou editorais de moda. Entre as habilidades que este profissional deve desenvolver estão desenho técnico de moda, percepção visual, modelagem, estilização, confecção, fotografia, técnicas ilustrativas e produção, além de conhecimento sobre história da arte, do design e da moda, comunicação visual, harmonia de cores, criação de modelos com aplicação de harmonias e materiais de processos têxteis como texturas de tecidos e estampas. Pesquise mais U1 27Conceitos de arte e design AZEVEDO, Wilton. O que é design. São Paulo: Brasiliense, 2006. (Coleção Primeiros Passos). Design de interiores: consiste em utilizar técnicas visuais para a composição e decoração de espaços internos, que podem ser escritórios, cômodos de casas, restaurantes, áreas de atendimento, escolas, lojas, órgãos públicos, hotéis etc. O designer de interiores tem a função de elaborar o espaço coerentemente, a partir de normas técnicas de ergonomia, acústica e luminotécnica, combinando estética, conforto e funcionalidade. A partir do conceito do projeto, este profissional vai definir os materiais de revestimento e acabamento, iluminação, cores utilizadas e a distribuição do mobiliário e dos objetos. O trabalho é realizado sempre em contato com arquitetos, marceneiros, pedreiros, eletricistas e pintores. Entre os conhecimentos que o designer de interiores deve ter estão: história da arte, do design, do mobiliário e da arquitetura, cor e composição, habilidade desenvolvida em desenho de projetos de interiores, técnicas de desenho perspectivo, materiais e técnicas de construção, materiais e texturas de mobiliário, técnicas de iluminação e programação visual. Fonte: <https://goo.gl/cuaCxP>. Acesso em: 2 ago. 2016. Figura 1.16 | Interior do Geffrye Museum, Londres Design de ambientes: o profissional desta área tem funções bem parecidas com o designer de interiores, porém, o designer de ambientes elabora projetos não somente de ambientes internos, e pode atuar também em paisagismo e iluminação Pesquise mais U1 28 Conceitos de arte e design de áreas externas, e isso pode incluir projetos de concepções de jardins, parques, clubes, praças etc. O designer de ambientes possui as seguintes habilidades e conhecimentos: história da arte, do design, do mobiliário e da arquitetura, expressão gráfica, comunicação, semiótica, ergonomia, criação, percepção, representação técnica, prática projetual, técnicas de desenho perspectivo, materiais e técnicas de construção, materiais e texturas de mobiliário, técnicas de iluminação, programação visual, botânica e paisagismo. Você sabe o que é paisagismo? É a elaboração de jardins e praças, através de técnicas apuradas com foco em criação de áreas paisagísticas. O paisagista alia recursos artesanais à percepção estética, com elementos de botânica e ecologia, equilibrando formatos e cores. Parque Brigadeiro Eduardo Gomes - Projeto do Paisagista Burle Marx na cidade do Rio de Janeiro Fonte: <https://goo.gl/TgOXIm>. Acesso em: 6 ago. 2016. Figura 1.17 | Parque Brigadeiro Eduardo Gomes Assimile Exemplificando U1 29Conceitos de arte e design Design de interação: área do design especializada em artefatos interativos, como jogos eletrônicos, softwares, intranets, dispositivos móveis, entre outros, visando desenvolver projetos que melhorem a relação entre o homem e a máquina em experiências interativas. Este profissional trabalhará sempre em conjunto com designers gráficos ou de produto, embasado em pesquisas específicas sobre as reais necessidades dos consumidores através dos mais recentes avanços da tecnologia, com o objetivo de ampliar cada vez mais a capacidade e a complexidade de dispositivos digitais. O designer de interação pode trabalhar em agências digitais de comunicação, escritórios de design digital, em setores de comunicação de grandes empresas ou mesmo como autônomo, ampliando técnicas de pesquisa com usuários, projetando estrutura de interface digital, criando fluxo de navegação, projetando interação e consumo do conteúdo, validando a acessibilidade da interface e testando a usabilidade do produto. O design, em sua ampla possibilidade de atuação, pode ser bem-sucedido a partir de um entendimento, por parte dos designers, dos materiais e processos e de uma visão clara de como e por quem o produto será utilizado. Os designers inovadores, muitas vezes, se desenvolvem a partir de prevalecentes influências sociais, culturais ou políticas, como movimentos de arte, novas tecnologias e até mesmo guerras (HODGE, 2015, p. 13). Assim, este profissional deve estar em constante evolução, sempre atualizado e aberto ao desenvolvimento de novas habilidades e competências. Faça uma pesquisa e selecione as obras mais interessantes que encontrar em design de produto, gráfico, de moda, de interiores, de ambientes e de interação. Não esqueça de contextualizar a peça/obra anotando o nome do designer, o ano de criação e as características estéticas aplicadas. Solução projetual: tem o objetivo de elaborar um projeto para atingir a solução de um problema. Para a criação de uma solução projetual é necessário adotar um método, que consiste em uma série de operações, dispostas em uma ordem lógica. No caso de design, o método projetual (que inclui muita pesquisa) é essencial para se chegar à solução. Agora que você já conheceu o Geffrye Museum e já percebeu a importância dos designers de interiores,vamos às principais reflexões sobre esta profissão. Faça você mesmo Vocabulário Sem medo de errar U1 30 Conceitos de arte e design O designer de interiores utiliza técnicas visuais para a composição e decoração de espaços internos, como cômodos residenciais, escritórios, estabelecimentos comerciais – restaurantes, áreas de atendimento, hotéis, lojas, instituições como escolas, órgãos públicos entre outros. Este profissional tem a função de elaborar o espaço coerentemente, utilizando normas técnicas de ergonomia, acústica e luminotécnica, combinando elementos importantes como conforto, funcionalidade e beleza. O projeto é o ponto de partida do trabalho de um designer de interiores. É com base no projeto que este profissional vai definir os materiais de revestimento e acabamento, iluminação, cores utilizadas, bem como a distribuição do mobiliário e dos objetos. O designer de interiores trabalha em conjunto com outros profissionais: arquitetos, marceneiros, pedreiros, eletricistas e pintores. É importante que este profissional esteja sempre atualizado e nunca cesse seus estudos. Entre seus conhecimentos, é essencial que o designer de interiores domine: história da arte, do design, do mobiliário e da arquitetura, cor e composição. Deverá também desenvolver habilidade em desenho de projetos de interiores, técnicas de desenho perspectivo e conhecer materiais e técnicas de construção, materiais e texturas de mobiliário, técnicas de iluminação e programação visual. Apesar da grande semelhança na função, o designer de ambientes elabora projetos não somente de ambientes internos, podendo atuar também em paisagismo e iluminação de áreas externas, e isso pode incluir projetos de concepções de jardins, parques, clubes, praças etc. O designer de ambientes possui as seguintes habilidades e conhecimentos: história da arte, do design, do mobiliário e da arquitetura, expressão gráfica, comunicação, semiótica, ergonomia, criação, percepção, representação técnica, prática projetual, técnicas de desenho perspectivo, materiais e técnicas de construção, materiais e texturas de mobiliário, técnicas de iluminação, programação visual, botânica e paisagismo. Você se lembra do que é paisagismo? É a elaboração de jardins e praças, através de técnicas apuradas com foco em criação de áreas paisagísticas. O paisagista alia recursos artesanais à percepção estética, com elementos de botânica e ecologia, equilibrando formatos e cores. Atenção U1 31Conceitos de arte e design Il Bello Interiores Descrição da situação-problema A Il Bello Interiores é uma loja de móveis que está no mercado brasileiro há mais de 30 anos. Entre os produtos mais vendidos estão sofás, poltronas, pufes, mesas de centro, estantes, prateleiras e racks. A loja fabrica seu próprio produto e possui uma equipe de designers que aposta no estilo tradicional de móveis coloniais. Com o surgimento de outras lojas desse segmento e consequentemente com o aumento da concorrência, a Il Bello Interiores vem enfrentando uma queda significativa em suas vendas. O diretor de marketing já investiu em nova publicidade, mas a campanha não surtiu efeito. A equipe administrativa está querendo inovar em sua imagem e seus produtos. Fonte: <https://goo.gl/F2ZmmC>. Acesso em: 6 ago. 2016. Figura 1.18 | Como misturar estilos na decoração O design surgiu com a industrialização, quando era necessária a realização de um leque maior de fabricação, distribuição e diversificação de bens de consumo. A urbanização moderna causou a ampliação das grandes metrópoles, com a concentração cada vez maior da população em busca de oportunidades de trabalho. Avançando na prática Lembre-se U1 32 Conceitos de arte e design Resolução da situação-problema Com base nas informações contidas neste Livro Didático, pense a respeito das seguintes questões, para elaborar um projeto visando à solução de problemas da Il Bello Interiores: Qual é o profissional que deve ser chamado? De que ponto ele deve partir? Como este profissional deve iniciar seu projeto? Uma equipe de designers gráficos e de interiores deverá ser contratada. A primeira etapa envolve uma ampla pesquisa sobre os hábitos do público-alvo e, a partir daí, é feito o mapeamento das lojas de decoração que são as principais concorrentes. Esse mapeamento em mercado global servirá como um importante exercício de análise, para o qual serão organizados os estéticos e conceituais, essenciais para um trabalho consistente. Com base em toda essa pesquisa será elaborada uma nova identidade visual para a Il Bello, através de investigação e pesquisa de campo. Para a elaboração deste projeto, será criado um briefing, destacando os principais desafios: reinventar a loja e sua logomarca, rejuvenescendo o estabelecimento e aumentando a atratividade, para, desta maneira, destacar-se da concorrência. A partir destas diretrizes serão criadas algumas propostas que ficarão a cargo do diretor de marketing da Il Bello decidir, através de uma identificação. O projeto da equipe de designers vai englobar toda a identidade visual, a composição e decoração da loja. Você lembra qual é a função do design e algumas de suas ramificações? E quanto ao designer, quais são as oportunidades no mercado de trabalho, suas atribuições e aplicações? Que tal fazer uma resenha com essas anotações e alguns exemplos? Faça você mesmo U1 33Conceitos de arte e design 1. Design é uma atividade que gera projetos que serão fabricados por outros profissionais, ou seja, pela indústria. Assinale o que é CORRETO em relação à profissão do designer segundo o Livro Didático: a) Deve saber desenhar e ter experiência com artes plásticas. b) Deve estar sintonizado à realidade e consciente de questões culturais, sociais e ambientais. c) Precisa mais de criatividade do que de um conceito para projetar produtos ou peças gráficas. d) Deve observar problemas e apresentar soluções projetuais embasadas no seu próprio gosto. e) Deve saber vários idiomas, pois viaja para muitos congressos internacionais. 2. Design é uma área que inclui várias categorias de atividades profissionais. Fotografia, grafismo, ilustração, criação, ordenação tipográfica e diagramação são elementos visuais de qual ramificação: a) Design de interiores. b) Design de moda. c) Design gráfico. d) Design de interação. e) Design de ambientes. 3. O que faz um designer de interação? a) Utiliza técnicas visuais para a composição de espaços internos. b) Elabora jardins e praças, através de técnicas apuradas. c) Desenha roupas, bolsas, sapatos e joias. d) Trabalha com a criação de objetos para bens de consumo. e) Desenvolve projetos como jogos eletrônicos e dispositivos móveis. Faça valer a pena U1 34 Conceitos de arte e design U1 35Conceitos de arte e design Seção 1.3 Compreendendo o estudo do design e o mercado de trabalho Vamos dar continuidade à nossa jornada pela história da arte e do design. Nesta seção, iremos investigar com mais detalhes o mercado de trabalho para estes profissionais, as oportunidades e as possibilidades. Esta seção apresentará alguns destes caminhos. Para iniciar esta etapa, voltamos a falar sobre a sua viagem à Inglaterra e ao Geffrye Museum. A apresentação que você realizou sobre o profissional de design de interiores foi um grande sucesso. Sua equipe ficou satisfeita com o resultado, já o indicaram para dar uma palestra aos alunos do primeiro ano do curso de Desenho Industrial de uma faculdade da sua cidade, durante a Semana de Arquitetura e Design, evento anual que a instituição promove. Os organizadores pediram para que você fale sobre o mercado de trabalho para os designers, especificamente sobre a importância de uma formação acadêmica nesta área. Para isso você precisa compreender muito bem as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Design, a partir das resoluções do Ministério da Educação e Cultura – MEC, órgão máximo que regulamenta a educaçãono Brasil. Você já ouviu falar delas? Sabe por que existem estas diretrizes e a importância delas para sua formação? Sabe quais são as definições lá contidas que impactam o conteúdo e a formação geral dos alunos deste curso? Com certeza você já sabe a importância de conhecê-las e de pesquisar o campo de atuação do profissional do design, compreendendo as possibilidades reais em um mercado de trabalho; desenvolver a capacidade de reconhecer e compreender a relação entre o estudo do design e as práticas profissionais. Parece bem interessante! Vamos encontrar neste Livro Didático todas as informações de que precisamos para a elaboração de uma palestra bem instigante. Diálogo aberto U1 36 Conceitos de arte e design "[Se] as pessoas ficam mais seguras, mais confortáveis, mais ansiosas por comprar, mais eficientes, ou apenas mais felizes, o designer foi bem-sucedido.” Henry Dreyfuss (apud HODGE, 2015, p. 168). Uma profissão em que é possível inovar um produto, projetar uma embalagem de geleia com um moderno dispositivo para abrir e fechar, desenhar uma logomarca, elaborar um figurino para um desfile de moda, criar um novo modelo de carro, desenvolver aplicativos interessantes, interfaces para games ou sites funcionais... fale a verdade, que profissão interessante, não é? Trabalhar com design demanda diversos tipos de conhecimento e, por isso, um curso de design sempre vai lidar com artefatos materiais e semióticos para que os designers consigam chegar a resultados de atividades projetuais. Como vimos na seção anterior, a profissão de design abrange várias áreas de atuação e diversas nomenclaturas e atividades: design gráfico, design de interiores, design de produto, design de moda, design de interação e outras que veremos nesta seção, como webdesign, design de embalagens,design automobilístico etc. As práticas profissionais de cada uma dessas áreas são específicas, e isso faz com que cada ramificação do design siga caminhos diferentes. Vamos conversar um pouco sobre o mercado de trabalho e os estudos necessários para cada um destes caminhos. Fonte: <https://goo.gl/34TkDQ>. Acesso em: 28 maio 2016. Figura 1.19 | Telefone modelo 302, elaborado por Henry Dreyfuss, 1937 Os designers utilizam técnicas para a criação e desenvolvimento de projetos gráficos, concepção artística de novos produtos ou em comunicação visual. O profissional pode optar por trabalhar no ramo gráfico ou industrial. Não pode faltar Assimile U1 37Conceitos de arte e design Há muitas possibilidades para atuação profissional. Os designers gráficos vão atuar na criação de logotipos, desenvolver a comunicação visual de cartazes, panfletos, anúncios, outdoors etc. e podem trabalhar como autônomos, abrindo seus próprios escritórios. Também podem trabalhar em editoras, agências de comunicação, agências de publicidade como diretores de arte, na imprensa com projetos gráficos de revistas e jornais, birôs de computação gráfica, escritórios de produção visual etc. Estes profissionais lidam com tipografia, colunas, cores, ilustrações e outros elementos visuais citados na seção anterior. Para aqueles que se interessam por web design e design de interação, com o aumento do uso da internet, de tablets e smartphones, há uma grande demanda por profissionais desta área para a elaboração de sites, páginas na internet, desenvolvimento de games, softwares e aplicativos. No ramo da animação, aplica-se também a profissão do designer à elaboração de projetos de animação 2D e 3D para cinema e publicidade, assim como desenvolvimento de design de personagens. Em se tratando de programação visual, o designer também pode produzir vinhetas para TV ou peças publicitárias. O ensino a distância também vem crescendo mais a cada ano, e web designers encontram excelentes oportunidades neste ramo, atuando na execução de softwares e finalização de projetos gráficos para agências de mídia digital. Outra característica interessante do design é que consiste em uma profissão que pode ser realizada a distância. A internet possibilita que o designer esteja se dedicando à criação artística e ao desenvolvimento do projeto em qualquer lugar, e não necessariamente em uma empresa ou um escritório físico. Em relação ao design de produtos, pode-se trabalhar na criação, fabricação e no aprimoramento de objetos, móveis e utensílios em geral, seguindo critérios específicos de estética e funcionalidade. Também faz parte deste trabalho a pesquisa de novos materiais, tendências e tecnologias de fabricação. O designer de produto também pode se responsabilizar pelo design de embalagem e, para isso, o que será levado em conta serão possíveis problemas de estética tridimensional e ergonomia, porém o rótulo da embalagem, que é um produto gráfico, será responsabilidade do designer gráfico. Para os designers de interiores ou de ambientes, os maiores empregadores são as lojas de móveis planejados ou escritórios de arquitetura e paisagismo. Design gráfico se refere à área de conhecimento e à prática profissional específicas relativas ao ordenamento estético- formal de elementos textuais e não textuais que compõem peças gráficas destinadas à reprodução com objetivo expressamente comunicativo. (VILLAS-BOAS, 2007, p. 27) U1 38 Conceitos de arte e design Há também o trabalho do designer de produto em criações artísticas para a indústria da moda e de joia, elaborando peças e acessórios ou desenvolvendo coleções para grandes empresas. Este profissional encontrará boas oportunidades em multinacionais dos ramos alimentício e têxtil, e indústrias automobilística e moveleira, para citar alguns exemplos. Como você descreveria esta cadeira? Perceba que ela é uma cadeira de balanço, sem pés, moldada por injeção, formada a partir de uma única peça de plástico, simbolizando o otimismo, a cor e as linhas reduzidas dos anos de 1960 (HODGE, 2015, p. 67). Cadeira “S” (1960), do designer Verner Panton. É também chamada de cadeira de empilhar, ou cadeira Panton. O designer fez a cadeira original com poliéster de fibra de vidro reforçado fundido em um molde, que era então polido, ferrado e pintado. Embora a cadeira tenha sido concebida na década de 1950, sua produção em massa só se tornou possível em 1967, em colaboração com a Vitra, quando foram usados plásticos produzidos industrialmente. Esse desenvolvimento possibilitou uma redução significativa dos custos (HODGE, 2015, p. 67). Fonte: <https://goo.gl/OWIMgI>. Acesso em: 6 ago. 2016. Figura 1.20 | Cadeira “S” (1960), do designer Verner Panton Exemplificando U1 39Conceitos de arte e design O designer também pode optar por uma carreira acadêmica e ser professor universitário ou pesquisador. Um designer ainda tem a opção de atuar no setor público desenvolvendo projetos de sinalização ou campanhas publicitárias de prestação de serviços para a população. Que tipos de peças gráficas um designer pode desenvolver atuando no setor público? Veja abaixo algumas das sinalizações e campanhas de conscientização voltadas à população: Logomarca dos Direitos Humanos Fonte: <https://goo.gl/VCP6Eg>. Acesso em: 6 ago. 2016. Fonte:<http://goo.gl/qb43hp>. Acesso em: 28 maio 2016. Figura 1.21 | Direitos Humanos Figura 1.22 | Imagens combate à dengue Exemplificando U1 40 Conceitos de arte e design Como você pode perceber, há diversos segmentos em que um designer pode trabalhar. É importante que o aluno conheça os caminhos que pode seguir para direcionar também sua formação. Fazer um curso superior certamente é um diferencial no mercado de trabalho. Segundo informações do blog do Enem, com base em pesquisas realizadas pelo IBGE, aqueles que possuem graduação completa chegam a ganhar 144% a mais do que aqueles que pararam os estudos no Ensino Médio. Por isso, estar cursando a faculdade certamente já o deixa em vantagem no mercado de trabalho. E você sabia que em poucos países o design gráfico é um curso de nível superior? Em outros países geralmenteé oferecido como um curso técnico ou de especialização (VILLAS-BOAS, 2007, p. 49). Os cursos de design costumam ter currículos bem generalistas, pois o aluno estuda disciplinas relacionadas a todas estas áreas. Elementos importantes que serão estudados no curso (tanto em design gráfico como em design de produto) são os seguintes: Você sabe o que são as Diretrizes Curriculares? São normas que os cursos de graduação devem seguir ao oferecer um determinado curso. São concebidas e discutidas no órgão máximo que regulamenta a educação no Brasil, o Ministério da Educação e Cultura – MEC. Você sabe o que é estudado em um curso de design? Os conteúdos são divididos em três categorias, são eles básicos, específicos e teórico-práticos. Nestes conteúdos Concluir curso superior rende 144% a mais do que parar no Ensino Médio. Blog do Enem. Disponível em: <http://blogdoenem.com.br/curso- superior-rende-mais-ensino-medio/>. Acesso em: 22 jun. 2016. Fonte: elaborada pela autora. Figura 1.23 | Design gráfico desenho técnico CURSO DE DESIGN marketinginformática protótipos ilustração estética modelagem 3D fotografia processos gráficos ergonomia Pesquise mais U1 41Conceitos de arte e design há elementos como história do design, métodos de projeto, produções artísticas etc., ou seja, o curso abrange tudo o que é necessário para que o estudante tenha uma formação completa e se sinta seguro em um mercado de trabalho competitivo e desafiador. Para entendermos melhor a formação universitária de design, vamos compreendê-la a partir de suas resoluções. Além do conteúdo a ser consolidado durante o curso, elas irão apontar as competências e habilidades que os alunos devem desenvolver durante o aprendizado, ou seja, as capacidades, as visões e os conhecimentos que devem ser aprimorados. A seguir você terá acesso às Diretrizes na íntegra e, certamente, se identificará com elas: De acordo com a Resolução CNE/CES nº 5, de 8 de março de 2004, que aprova as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Design (disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rces05_04.pdf>. Acesso em: 2 ago. 2016) as exigências curriculares para este curso são as seguintes: I – conteúdos básicos: estudo da história e das teorias do design em seus contextos sociológicos, antropológicos, psicológicos e artísticos, abrangendo métodos e técnicas de projetos, meios de representação, comunicação e informação, estudos das relações usuário/objeto/meio ambiente, estudos de materiais, processos, gestão e outras relações com a produção e o mercado; II – conteúdos específicos: estudos que envolvam produções artísticas, produção industrial, comunicação visual, interface, modas, vestuários, interiores, paisagismos, design e outras produções artísticas que revelem adequada utilização de espaços e correspondam a níveis de satisfação pessoal; III – conteúdos teórico-práticos: domínios que integram a abordagem teórica e a prática profissional, além de peculiares desempenhos no estágio curricular supervisionado, inclusive com a execução de atividades complementares específicas, compatíveis com o perfil desejado do formando. E você sabe quais são as competências e habilidades que devem ser desenvolvidas nos estudantes de design de acordo com a mesma Resolução? Entre elas estão o desenvolvimento da capacidade criativa em relação a inovações, interação com especialistas de áreas diversas e equipes interdisciplinares, domínio das etapas variadas de um projeto, além do conhecimento do setor produtivo das muitas áreas específicas do design. Entre estas capacidades e habilidades a serem trabalhadas durante a formação, estão a visão histórica e a perspectiva, o que torna o conteúdo desta seção ainda mais importante. Veja abaixo o texto na íntegra: U1 42 Conceitos de arte e design Art. 4°: I – capacidade criativa para propor soluções inovadoras, utilizando o domínio de técnicas e de processos de criação; II – capacidade para o domínio de linguagem própria expressando conceitos e soluções em seus projetos, de acordo com as diversas técnicas de expressão e reprodução visual; III – capacidade de interagir com especialistas de outras áreas de modo a utilizar conhecimentos diversos e atuar em equipes interdisciplinares na elaboração e execução de pesquisas e projetos; IV – visão sistêmica de projeto, manifestando capacidade de conceituá-lo a partir da combinação adequada de diversos componentes materiais e imateriais, processos de fabricação, aspectos econômicos, psicológicos e sociológicos do produto; V – domínio das diferentes etapas do desenvolvimento de um projeto, a saber: definição de objetivos, técnicas de coleta e de tratamento de dados, geração e avaliação de alternativas, configuração de solução e comunicação de resultados; VI – conhecimento do setor produtivo de sua especialização, revelando sólida visão setorial, relacionada ao mercado, materiais, processos produtivos e tecnologias, abrangendo mobiliário, confecção, calçados, joias, cerâmicas, embalagens, artefatos de qualquer natureza, traços culturais da sociedade, softwares e outras manifestações regionais; VII – domínio de gerência de produção, incluindo qualidade, produtividade, arranjo físico de fábrica, estoques, custos e investimentos, além da administração de recursos humanos para a produção; VIII – visão histórica e prospectiva, centrada nos aspectos socioeconômicos e culturais, revelando consciência das implicações econômicas, sociais, antropológicas, ambientais, estéticas e éticas de sua atividade. Quanto ao perfil do formando, a Resolução descreve, no Art. 3°: U1 43Conceitos de arte e design O curso de graduação deve ensejar, como perfil desejado do formando, capacitação para a apropriação do pensamento reflexivo e da sensibilidade artística, para que o designer seja apto a produzir projetos que envolvam sistemas de informações visuais, artísticas, estéticas culturais e tecnológicas, observando o ajustamento histórico, os traços culturais e de desenvolvimento das comunidades, bem como as características dos usuários e de seu contexto socioeconômico e cultural. Lembre-se sempre de que você é o grande responsável pelo sucesso da sua formação e, consequentemente, da sua atuação no mercado de trabalho. Agora que você já conhece bem cada uma das áreas de atuação profissional e as exigências do Ministério da Educação e Cultura para o seu curso, fica mais fácil saber por onde caminhar e que características desenvolver durante os estudos. Quais são as competências e habilidades a serem desenvolvidas por estudantes de design que mais se aplicam ao mercado de trabalho, a partir do seu ponto de vista? Realize uma pesquisa sobre o mercado de trabalho para o designer e aponte os locais mais interessantes nos quais este profissional pode trabalhar (a partir da sua opinião) e quais são as atividades que ele desenvolve nestes locais. Justifique suas respostas. Ergonomia: desenvolvimento das condições de trabalho humano, por meio de métodos da tecnologia e do desenho industrial com o objetivo de otimizar e aplicar técnicas de adaptação de forma eficiente visando o bem-estar e, consequentemente, o aumento da produtividade. Semiótica: teoria geral das representações, que leva em conta os signos e seus significados. Ciência que estuda como estes mecanismos de significação se processam natural e culturalmente. A semiótica expande sua pesquisa para qualquer sistema de signos – artes visuais, música, fotografia, cinema, moda, gestos, religião, entre outros. Reflita Lembre-se Vocabulário U1 44 Conceitos de arte e design Parabéns! Na seção anterior, você fez um excelente trabalho na apresentação da profissão do designer de interiores a partir de tudo que você aprendeu em sua visita ao Geffrye Museum, na Inglaterra. Sua repercussão no mercado foi muito boa e você foi convidado a falar com alunos do curso de Desenho Industrial no evento cultural anualde uma faculdade. Vamos pensar no que será interessante falar: você pode começar com uma demonstração do passo a passo realizado para a elaboração de uma identidade visual, por exemplo. Desta forma, você mostrará aos futuros designers como se produz uma solução projetual. É essencial que apresente as possibilidades de atuação profissional às quais você teve acesso nesta seção. E, finalmente, não deixe de falar dos pontos mais importantes das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Design – apresente a estes alunos comentários sobre as Diretrizes a partir das resoluções do MEC. Leia com atenção e faça suas anotações e observações. Fale sobre o mercado de trabalho para os designers, especificamente sobre a importância de uma formação acadêmica nesta área. Exiba aos estudantes quais serão os conteúdos básicos, específicos e teórico-práticos que eles terão durante o curso. Sobre as habilidades e competências a serem desenvolvidas pelos alunos durante o curso, vamos juntos refletir sobre uma delas. Em sua palestra, você deverá ressaltar estas habilidades e dar exemplos práticos sobre como elas podem ajudar na atuação do profissional no mercado de trabalho. Por exemplo, “capacidade criativa para propor soluções inovadoras, utilizando o domínio de técnicas e de processos de criação”. Em que situação profissional esta competência será importante? Um exemplo é uma empresa/marca em crise, precisando inovar sua imagem. Vamos imaginar uma empresa de cosméticos, por exemplo. Um designer de produtos é contratado para projetar novas embalagens. Um designer gráfico pode ser chamado para inovar a logomarca e os rótulos dos produtos. Um designer de interiores poderá dar novos ares às lojas. Estes profissionais deverão criar soluções projetuais que tragam a inovação que o cliente busca, a partir de um estudo detalhado de todos os elementos que compõem a marca e seu produto. Certamente eles vão se encantar ainda mais com essa profissão! Todo projeto de design conta um uma metodologia projetual. O que significa isso? A metodologia é uma ferramenta que serve para orientar e Sem medo de errar Atenção U1 45Conceitos de arte e design organizar o trabalho e, assim, estimular a criatividade. A sua apresentação também deverá seguir uma metodologia projetual no processo de preparação, lembre-se disso. Por que design? Descrição da situação-problema Você é um professor universitário do curso de Design. Anualmente a instituição de ensino na qual você ministra aulas recebe grupos de alunos de ensino médio para conhecer alguns dos cursos oferecidos pela instituição. Uma estudante deste grupo, de 16 anos de idade, ainda está em dúvida sobre qual caminho seguir, apesar de estar inclinada a escolher o curso de Design. A questão é que ela não compreende muito bem as possibilidades de atuação no mercado de trabalho e nem as ramificações desta área, além de não saber se o mercado de trabalho oferece muitas oportunidades. O coordenador do curso pede a você para que receba a estudante e lhe apresente cada uma das áreas de atuação dessa profissão. Resolução da situação-problema É importante conversar com a estudante e fazer um levantamento de interesses. Você pode preparar, para expor a essa aluna, uma planilha com cada uma das áreas e suas oportunidades no mercado de trabalho e apresentar também os conteúdos a serem estudados durante o curso, bem como as capacidades e habilidades a serem desenvolvidas durante a formação. Design gráfico: criação de logotipos, desenvolvimento de comunicação visual como cartazes, panfletos, anúncios, outdoors etc. A profissão de design abrange várias áreas de atuação e diversas nomenclaturas e atividades: design gráfico, design de interiores, design de produto, design de moda, design de interação e outras que vimos nesta seção como web design, design de embalagens, design automobilístico etc. As práticas profissionais de cada uma dessas áreas são específicas e isso faz com que cada ramificação do design siga caminhos diferentes. Avançando na prática Lembre-se U1 46 Conceitos de arte e design Design de interiores/ambientes: elaboração de projetos de ambientes e atuação em paisagismo. Design de produto: criação e produção de objetos específicos para bens de consumo voltados à indústria. Design de embalagens: responsável pela criação da embalagem resolvendo problemas de estática tridimensional e ergonomia. Design de moda: cria vestuário e acessórios. Design de interação e web design: elaboração de sites, páginas na internet, desenvolvimento de games, softwares e aplicativos. Design automobilístico: criação de modelos de automóveis. Destaque os conteúdos trabalhados em um curso de Design e o perfil desejado do formando, segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Design. 1. Elaboração de sites, páginas na internet, desenvolvimento de games, softwares e aplicativos. No ramo da animação, aplica-se também a profissão do designer à elaboração de projetos de animação 2D e 3D para cinema e publicidade, assim como desenvolvimento de design de personagens. São atividades profissionais relacionadas a que área de atuação? a) Design de embalagens. b) Design de produtos audiovisuais. c) Design de internet. d) Web design e design de interação. e) Design gráfico. 2. Em uma carreira acadêmica, quais são as possíveis atuações de um designer: a) Criações artísticas para a indústria da moda e de joia. b) Produção de vinhetas para TV ou peças publicitárias. c) Professor universitário ou pesquisador. Faça você mesmo Faça valer a pena U1 47Conceitos de arte e design d) Elaboração de projetos de sinalização ou campanhas publicitárias de prestação de serviços para a população. e) Projetos de animação 2D e 3D. 3. Assinale a opção correta sobre os elementos estudados nos cursos de design: a) Ilustração, literatura e tipografia. b) Ergonomia, nefrologia e marketing. c) Informática, algoritmos e ergonomia. d) Protótipos, modelagem 3D e ilustração. e) Protótipos, análise sintática e ilustração. U1 48 Conceitos de arte e design U1 49Conceitos de arte e design Seção 1.4 Introdução à evolução histórica do design: aspectos sociais Nesta seção teremos acesso à introdução da história do design, abordando a industrialização e a organização industrial. Viajaremos pelos séculos XVIII e XIX para compreendermos melhor o novo cenário urbano. Você irá conhecer os conceitos introdutórios e a história do design e também será capaz de alcançar os objetivos de compreender a condição humana como principal agente transformador do mundo, identificar as grandes mudanças ocorridas durante a Revolução Industrial, bem como entender o novo cenário social, cultural e as novas condições de trabalho, relacionando os fatos e percebendo que as transformações da sociedade não foram naturais ou espontâneas, mas determinadas por uma série de fatores anteriores. Sua viagem à Inglaterra é providencial para compreender o processo da industrialização, já que este foi o primeiro país a se industrializar. Estamos na reta final de sua viagem, e você aproveitará esta oportunidade para elaborar um artigo sobre a história da industrialização e a importância deste processo para a profissão do designer. A Agência Entre Aspas entrou em contato com você solicitando este artigo. Essa agência é responsável por conteúdos para revistas corporativas, jornais, fôlderes, livros, anuários e até mesmo cases de empresas. A agência presta serviço para editoras como Abril, Nacional de Telecomunicações, Europa, Escala, entre outras. A intenção é enviar seu artigo para revistas direcionadas a designers profissionais, estudantes e pessoas interessadas no tema. Por isso, vamos começar a elaborar o artigo. O título, nós já temos: A evolução histórica do design: industrialização e organização industrial. Para uma melhor associação dos elementos importantes deste artigo, vamos refletir sobre questõescomo: O que foi a Revolução Industrial? O que significa processo de Diálogo aberto U1 50 Conceitos de arte e design racionalização do trabalho? Qual invenção pode ser considerada fundamental para o início da Revolução Industrial? Esta seção o ajudará a abordar essas questões e a investigar este período tão transformador da história do design. Boa leitura! Iniciaremos esta seção com um exercício de observação. O que lhe parece simplesmente uma cadeira antiga guarda detalhes importantes sobre a história da industrialização. Consequentemente, da história do design também. Essa cadeira virou moda no final do século XIX e no início do século XX, 2 milhões delas foram produzidas e vendidas, e não somente porque alguém criou seu design arrojado, mas, sobretudo, porque a tecnologia da época permitiu que a madeira fosse curvada num processo que utilizava vapor e pressão, permitindo a fabricação das cadeiras em grande escala. Por isso ela virou moda! Não é interessante olhar o mundo à nossa volta a partir deste ponto de vista? O ponto de vista tecnológico que permite a criação de novos designs e novas técnicas de fabricação. E foi assim, neste turbilhão de novidades, que a sociedade viveu a transição do século XVIII para o século XIX, período histórico conhecido como a primeira fase da Revolução Industrial. Foi um período de mudanças que começaram na Europa, especificamente na Inglaterra, entre os séculos XVIII e XIX. Imagine que até o final do século XVIII grande parte da população da Europa morava no campo e produzia artesanalmente o que consumia. Com a divisão do trabalho, a manufatura e a maquinofatura – equipamentos movidos pela força humana, hidráulica etc. – e, em seguida, com a inovação tecnológica das máquinas a vapor, as grandes fábricas aos poucos foram substituindo as pequenas oficinas. Foram exatamente essas mudanças que contribuíram para o surgimento do designer, profissional responsável Fonte: <https://goo.gl/FNvnoE>. Acesso em: 2 ago. 2016. Figura 1.24 | Cadeira Thonet Não pode faltar U1 51Conceitos de arte e design pela elaboração de projetos para a produção em escala crescente. Já não eram necessários vários artesãos habilitados e, sim, um profissional que gerava o projeto e muitos operários que executavam as etapas do trabalho, operando as novas máquinas. Tudo supervisionado por um gerente. Como se pode perceber, a Revolução Industrial trouxe consigo uma nova estratégia de organização do trabalho. A divisão das tarefas, conhecida também como processo de racionalização do trabalho, implicava economia de tempo e aumento da produção, posto que inaugura a especialização em que cada operário era responsável por uma etapa da produção, diferentemente do artesão que dominava o processo como um todo. O cercamento do campo e a expulsão dos camponeses geraram a mão de obra necessária ao aumento da produção, fazendo com que migrassem para os centros urbanos, em busca de emprego nas fábricas. Desta forma, a população das cidades aumentou e a demanda pela produção de bens de consumo também. Os operários, nesta fase da Revolução Industrial, eram submetidos a péssimas condições de trabalho com jornadas que variavam entre 14 e 16 horas por dia e baixa remuneração. Foi um período de exploração e miséria para a nascente classe trabalhadora. As fábricas daquele período não raramente utilizavam mão de obra infantil, com jornada que chegava a 10 horas diárias. Todavia, a par desse processo de exploração, a industrialização fez aumentar consideravelmente a oferta de bens de consumo, criando modas e tendências e, ao lado do surgimento da classe trabalhadora (proletariado), houve a formação de uma elite industrial, conhecida como classe burguesa ou burguesia. Fonte: <https://goo.gl/VEjG36>. Acesso em: 2 ago. 2016. Figura 1.25 | Crianças tinham jornada de trabalho de até 10 horas diárias Hoje em dia, praticamente todos vivem nesse sistema, em que quase tudo o que se consome é produzido por indústrias, e é justamente o longo processo da transição global do sistema anterior para o atual que se entende por industrialização. (CARDOSO, 2008, p. 26) A impressão mecânica dos tecidos valorizava a atuação do designer, profissional responsável pelo projeto estético, que anteriormente trabalhava de maneira artesanal, uma valorização crescente à medida que o processo industrial evoluía. O desenho, U1 52 Conceitos de arte e design a partir dessas transformações, adquiriu uma finalidade industrial, em outras palavras, transformou-se em design, ou desenho industrial, evoluindo em pesquisa sobre ergonomia e usabilidade para atingir e satisfazer as crescentes necessidades da sociedade de consumo. As roupas femininas, fabricadas artesanalmente entre 1700 e início de 1800, eram pesadas, com anáguas, babados, bordados e corselete. Com a Revolução Industrial, as roupas se tornam mais leves e mais simples, como se vê nas Figuras 1.26 e 1.27. Fonte: <https://goo.gl/zU41VF>. Acesso em: 6 ago. 2016 Figura 1.26 | Moda em 1890 Voltemos agora ao exemplo da cadeira: inegavelmente adequação ergonômica e usabilidade do produto são itens importantes, contudo, não são suficientes. É importante a possibilidade que o projeto oferece para uma produção industrial em série, buscando sempre um sucesso comercial decorrente de grande aceitação pelos consumidores, o que implica estratégias mercadológicas perspicazes e muita publicidade. Está vendo como uma coisa leva à outra? Então vamos conhecer melhor a história da cadeira apresentada nesta seção. Ela foi projetada por Michel Thonet, alemão, filho de artesão. Ele era um marceneiro autônomo que se popularizou pela utilização de uma técnica de curvar madeira com Figura 1.27 | Moda em 1890 Fonte: <https://goo.gl/kikAUT>. Acesso em: 6 ago. 2016. U1 53Conceitos de arte e design calor e umidade através de vapor e pressão. Em função dessas habilidades Thonet foi contratado como profissional pelo príncipe austríaco Klemens Wenzel Von Metternich, produzindo móveis para os palácios de Viena. Adquiriu fama na indústria moveleira da Europa tornando-se referência estética deste período. Em 1859 desenvolveu um inovador processo de fabricação em série da cadeira que vimos no início desta seção (HODGE, 2015, p. 58). A nova organização do trabalho, baseada em divisão de tarefas, resultou em significativa redução de custos de produção. Outra inovação do gênio Thonet foi a publicidade dos seus produtos através de catálogos, como este que vemos abaixo, que incluía variados tipos de cadeiras, mesas, poltronas, cadeiras de balanço, cantoneiras etc. Podemos considerar um pioneirismo respeitável, uma revolução à parte na indústria moveleira (CARDOSO, 2008, p. 41). Nunca mais olharemos aquela cadeira da mesma maneira, concorda? Outro exemplo de evolução no design foi a produção de máquinas de costura de uso doméstico. A partir de meados do século XIX a indústria Wheeler & Wilson investiu na produção destes produtos com inovação surpreendente, fabricando máquinas leves e bem-acabadas, com aplicações de decorações pintadas à mão, o que as tornava sedutoras ao público consumidor feminino. Uma inovação sem par para a época (CARDOSO, 2008, p. 40). Outra empresa, a Singer, entrou no mercado como forte concorrente, ganhando o público com uma produção em grande escala no início do século XX, agregando às conquistas estéticas um sistema de vendas a prestação. Fonte: <https://goo.gl/E78aTS>. Acesso em: 2 ago. 2016. Figura 1.28 | Móveis Thonet U1 54 Conceitos de arte e design Fonte: <https://goo.gl/t3uY1c>. Acesso em: 6 ago. 2016. Fonte: <https://goo.gl/jemikk>. Acesso em: 6 ago. 2016. Figura 1.29 | Máquina de costura produzida no final de 1878 Figura 1.30 | Modelo da Singer de 1922 Se pensarmos bem, a máquina de costura de uso doméstico abria uma brecha de possibilidades para se quebrar um pouco o padrão imposto pelo vestuário industrializado, pois, com ela, as donas de casa podiam fazer pequenasmodificações (hoje, chamadas de “customização”) em suas roupas. Exemplificando Reflita U1 55Conceitos de arte e design A passagem do século XIX para o século XX foi um período em que novas tecnologias se integraram ao processo produtivo e, à medida que isso acontecia, o processo industrial como um todo se tornou mais leve e ágil, aumentando significativamente a produção, fruto de aumento da demanda por produtos, resultante da melhoria nas condições de vida da população e crescimento das cidades (FORTY, 2013, p. 78). O fenômeno urbano trouxe consigo uma importante mudança nos meios de transporte. No século XIX a primeira linha de metrô já começava a ser construída em Londres, sendo inaugurada em 1863 a primeira linha que ligava a estação Paddington à Farringdon Street. O acesso à eletricidade possibilitou o advento dos bondes e, posteriormente, vieram os primeiros modelos de ônibus como meio de transporte coletivo. É no século XX que nasce a indústria automobilística e ganha forte impulso, não só tecnológico como também em formas de gestão administrativa em que Henri Ford foi um dos pioneiros ao inaugurar a linha de montagem. A urbanização traz consigo um incremento na cultura. Assim, entre as mercadorias que tiveram o consumo expandido estão os impressos de diversas espécies, como livros e jornais, pois na vida urbana, principalmente, a população se alfabetizou. A indústria agora mais técnica exigia uma qualidade cada vez maior da força de trabalho. O significativo aumento do parque gráfico abriu um espaço considerável para o designer gráfico, particularmente na fabricação de cartazes, embalagens, catálogos e revistas. Estes últimos também contavam com ilustrações e com o surgimento de técnicas aperfeiçoadas de impressão de imagens como a litografia e a gravura em metal sobre chapas de aço, que possibilitavam a impressão de imagens para uso comercial e industrial, em grande escala e baixo custo. Sim, uma revolução também na indústria gráfica. Como as condições de trabalho também melhoraram no início do século XX, os trabalhadores conquistaram maior tempo livre para usufruir com a família, nascendo assim o conceito de lazer. Com isso surge a demanda por teatro, parques, praças e, consequentemente, profissionais que projetem estes ambientes e suas decorações. Vamos pensar que no final do século XIX, com todas essas inovações tecnológicas, os meios de comunicação também estavam avançando. As primeiras experiências com a fotografia aconteceram por volta de 1830, marcando o início de um momento de profunda transformação no registro das imagens. Porém, o impacto da fotografia não foi tão grande sobre o design num primeiro momento, pois o processo de revelação era lento, difícil e de alto custo, e não servia para a produção e veiculação comercial das imagens. Por isso, a princípio, a fotografia era mais uma curiosidade e novidade tecnológica do que um potente elemento do design gráfico, como é nos dias de hoje. Ela assume este papel depois de 1880, com novas técnicas de revelação, que deixaram a fotografia mais acessível, mas mesmo assim a fotografia aplicada em U1 56 Conceitos de arte e design matérias de jornais ainda era algo raro. Foi somente no século XX que a fotografia passou a ser utilizada em jornais e revistas (CARDOSO, 2008, p. 59). A partir de agora, temos a certeza de que ficará cada vez mais fácil para você observar o mundo ao seu redor e reparar, com um olhar crítico e curioso, cada objeto que você utiliza. Desde sua caneta, até o assento do metrô. Não se esqueça, há sempre um designer responsável por cada objeto e há sempre um projeto com pesquisas específicas. Desta forma é importante ressaltar que por trás de cada detalhe do seu cotidiano há um enorme mercado de trabalho à sua espera. MORAES, Dijon de. Limites do design. São Paulo: Studio Nobel, 1999. O autor fala sobre avanços tecnológicos e científicos da Revolução Industrial, através de uma retrospectiva histórica do desenvolvimento do design. Na segunda parte do livro, o autor foca questões que falam sobre design de centro e design de periferia e, na terceira e última parte, Dijon fala a respeito do ensino de design no Brasil. Escolha um objeto de consumo qualquer. Pode ser uma destas sugestões: um carro, uma peça de mobília, um alimento industrializado (fermento em pó, leite condensado, cereais matinais), um artigo de higiene pessoal (shampoo, sabonete, escova de cabelo, escola de dente, pasta de dente) ou um aparato tecnológico (telefone, computador, câmera fotográfica, aparelho de som, televisão). Faça uma pesquisa detalhada da história do design deste objeto. Em que ano ele surgiu? Em que país? Quem foi o designer responsável pelo primeiro modelo? Quais foram as formas que este objeto já teve? Ele sofreu mudanças em seu tamanho? Com o tempo, foi ficando menor ou maior? Faça anotações sobre sua pesquisa. Reúna imagens, compare-as e escreva sobre a evolução histórica deste objeto e suas principais curiosidades. Vamos enfrentar nosso desafio: elaborar um artigo para a Agência Entre Aspas, que será encaminhado para revistas direcionadas a designers profissionais, estudantes e pessoas interessadas no tema. Retomaremos pontos essenciais para a elaboração do artigo “A evolução histórica Pesquise mais Faça você mesmo Sem medo de errar U1 57Conceitos de arte e design do design: industrialização e organização industrial”. A Revolução Industrial foi um período de mudanças iniciadas na Europa, especificamente na Inglaterra, entre os séculos XVIII e XIX. Imagine que até o final do século XVIII grande parte da população europeia morava no campo e produzia artesanalmente o que consumia. Com a divisão do trabalho, manufatura e maquinofatura – equipamentos movidos pela força humana, hidráulica etc. – e, em seguida, com a inovação tecnológica das máquinas a vapor, as grandes fábricas aos poucos foram substituindo as pequenas oficinas. Foram exatamente essas mudanças que contribuíram para o surgimento do designer, profissional responsável pela elaboração de projetos para produção em escala crescente. A Revolução Industrial trouxe consigo uma nova estratégia de organização do trabalho. A divisão das tarefas, conhecida também como processo de racionalização do trabalho, implicava economia de tempo e aumento da produção, uma vez que inaugura a especialização em que cada operário era responsável por uma etapa da produção, diferentemente do artesão que dominava o processo como um todo. A nova organização do trabalho, baseada em divisão de tarefas, resultou em significativa redução de custos de produção. O surgimento da máquina a vapor foi o principal combustível da Revolução Industrial, e o fator que mais contribuiu para o surgimento do designer, profissional responsável pela elaboração de projetos para produção em escala crescente. Já não eram necessários vários artesãos habilitados, mas, sim, um profissional que gerava o projeto e muitos operários que executavam as etapas do trabalho, operando as novas máquinas. Tudo supervisionado por um gerente. Você está percebendo que com estas incríveis mudanças também surge uma grande demanda por diversas ramificações de trabalho para os designers? Designer automobilístico, designer gráfico, designer de embalagem, designer de moda, para citar alguns. Curadoria de arte e design Descrição da situação-problema Parabéns! Você acaba de ser convidado para fazer a curadoria de uma exposição sobre a história do design. Vamos aplicar seu conhecimento dos aspectos históricos do design na montagem deste evento. Avançando na prática Atenção U1 58 Conceitos de arte e design Para isso, você deverá pensar no processo de organização, cuidado e montagem de uma exposição artística, formada por um conjunto de objetos de bens de consumo que foram evoluindo ao longo do tempo. O seu desafio é identificar e explicar a linha de evolução estética e de funcionalidade de produtos de bem de consumo.Portanto, é necessário que você tenha com clareza o seguinte conteúdo: a industrialização e seus efeitos; as características do design nos séculos XVIII e XIX, a partir do novo cenário urbano. Resolução da situação-problema Primeiramente você deverá conhecer os objetos que estão disponíveis para a exposição. E também fazer a intermediação com os donos desses objetos e os responsáveis pelo local da exposição. Seu papel é pensar em como esses objetos serão dispostos, pois o objetivo desta exposição é de cunho educacional, para que as pessoas compreendam o importante papel do designer. Você será o profissional responsável pela concepção, montagem e supervisão desta exposição, além de executar e revisar o catálogo dela. Um bom exercício para esta curadoria será visitar museus e galerias de arte, observar a disposição das obras, o tipo de texto escrito nos catálogos e a forma de divulgação das exposições. As constantes mudanças socioculturais promovem uma grande demanda por diversas ramificações de trabalho para os designers: designers gráficos, designers de embalagem, designers de ambientes etc. Que tal pesquisar mais sobre curadoria de exposições? Disponível em: <http://casadosaber.com.br/sp/cursos/artes/curadoria-e- arte-contemporanea-em-s-o-paulo.html>. Acesso em: 26 jun. 2016. Lembre-se Faça você mesmo U1 59Conceitos de arte e design 1. Qual foi a principal mudança que contribuiu para o surgimento do designer? a) A invenção das jornadas de trabalho de 14 horas diárias. b) A invenção das locomotivas e dos bondes. c) A divisão do trabalho, a manufatura e a maquinofatura. d) A exploração e miséria da nascente classe trabalhadora. e) A imigração italiana e seus hábitos e costumes. 2. Qual é a definição de designer? a) Profissional responsável pela elaboração de projetos para produção em escala crescente. b) Profissional que produz artesanalmente o que consome. c) Profissional que executa as etapas do trabalho, operando as novas máquinas. d) Profissional que domina todo o processo de fabricação de um produto. e) Profissional que abandonou o campo e migrou para os centros urbanos, em busca de emprego nas fábricas. 3. Quais eram as condições de trabalho dos operários na primeira fase da Revolução Industrial? a) Moravam no campo e plantavam o que consumiam com a ajuda das crianças. b) Eram submetidos a jornadas que variavam entre 14 e 16 horas por dia e baixa remuneração. c) Iam para o trabalho de carro, nos primeiros modelos criados por Henri Ford. d) Passavam os fins de semanas com suas famílias, visitando parques e teatros. e) Elaboravam projetos e supervisionavam todo o processo de fabricação em série. Faça valer a pena U1 60 Conceitos de arte e design U1 61Conceitos de arte e design Referências Arte Pré-histórica: pinturas rupestres. Youtube, 29 nov. 2009. Disponível em: <https:// www.youtube.com/watch?v=cZg3Ty2xmSI>. Acesso em: 6 jun. 2016. AZEVEDO, Wilton. O que é design. São Paulo: Brasiliense, 2006. BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução nº 5, de 8 de março de 2004. Aprova as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Design e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 15 mar. 2004. Seção 1, p. 24. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/ cne/arquivos/pdf/rces05_04.pdf>. Acesso em: 27 jul. 2015. CARDOSO, Rafael. Uma introdução à história do design. São Paulo: Blucher, 2008. Como está atualmente o mercado de design de interiores? Arquitec, 1 maio 2012. Disponível em: <http://www.arquitec.com.br/como-esta-atualmente-o-mercado-de- design-deinteriores/>. Acesso em: 6 jun. 2016. 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Unidade 2 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Seja bem-vindo à segunda unidade de ensino do seu Livro Didático. Vamos trilhar um caminho muito interessante, para conhecermos as definições e evoluções de arte e do design, além das características gerais dos movimentos artísticos na história e as abrangências do design. Convidamos você, aluno, a conhecer o universo da artee da estética. Nesta unidade serão abordadas as origens da história da arte, o que se estuda em história da arte, como a história da arte se divide, a função da arte e o papel social do artista. Na Seção 2.1 focaremos o nosso estudo na arte da Pré-História: arte rupestre; Lascaux; Altamira; e na arte pré-histórica brasileira. As Seções 2.2 e 2.3 são dedicadas à arte na Antiguidade: arte mesopotâmica, arte egípcia, arte grega e arte romana. A última seção desta unidade abordará temas como Idade Média, e conheceremos as artes românica e gótica. Vamos combinar os conteúdos teóricos com a situação geradora de aprendizagem, envolvendo o mercado de design de interiores no Brasil, que segue em constante crescimento. Desde que a decoração deixou de ser relacionada apenas à estética e passou a ter um papel fundamental para a otimização de espaços físicos em casas ou escritórios, o profissional desta área tem encontrado uma grande abrangência de atividades em seu setor. Você foi convidado a fazer parte da diretoria da ABD – Associação Brasileira de Designers de Interiores e tem a responsabilidade de agregar apoiadores à associação. Com este objetivo, iremos fazer uma visita a alguns importantes eventos que incluem exposições, cursos, workshops, lançamentos, fóruns e palestras. Convite ao estudo U2 64 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Encontraremos nestes eventos diversas tendências da área, e focaremos nosso olhar nas influências da história da arte na estética do design de interiores. Passeando por estes eventos, vamos identificar elementos artísticos, oriundos de movimentos importantes, que mudaram a história da arte e da estética para sempre. U2 65História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Seção 2.1 A arte e suas origens O primeiro evento que conheceremos nesta unidade será o DMAIS Design, que acontece anualmente em Minas Gerais, na cidade de Belo Horizonte, e consiste em dezenas de eventos sobre decoração e design, abordando também arquitetura, arte e moda. Estaremos presentes neste evento em busca de artigos cuja principal estética tenha elementos artísticos oriundos de algum movimento importante para a história da arte, e vamos iniciar nosso tour procurando características que remetam à arte rupestre, ou seja, os primeiros registros de arte dos quais a civilização tem conhecimento. Para isso, a primeira coisa que precisamos saber é: o que é arte rupestre? E de que se trata esta arte? A que se referem estes nomes: Altamira e Lascaux? O que são petróglifos? Quais instrumentos e materiais o homem pré-histórico utilizava para produzir o que chamamos de arte? A partir da leitura do item Não Pode Faltar e de todo o material de apoio sugerido pelo seu professor e também na webaula, você estará pronto para fazer sua primeira visita a um dos mais importantes eventos de design do país, e iniciará suas pesquisas neste setor em constante crescimento e evolução no Brasil. Boa sorte e bom trabalho. Um começo extraordinário Você sabe quais foram os primeiros registros de arte da humanidade? Nós geralmente desconhecemos o início da arte, e pouco sabemos sobre o sentido que ela tinha para o homem pré-histórico. A arte rupestre, produzida em pedras ou no interior das cavernas, criada provavelmente por caçadores da Idade da Pedra, é o primeiro registro do qual temos conhecimento. Trata-se de uma prática que os povos antigos nutriam pintando e entalhando rochas ou mesmo empilhando pedras com o objetivo de formar grandes desenhos no chão (FARTHING, 2011, p. 16). Diálogo aberto Não pode faltar U2 66 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Outro registro de arte pré-histórica são as pequenas estatuetas femininas, feitas a partir de pedra lascada. Objetos de uso cotidiano também são considerados peças de arte pré-histórica, e nós o convidamos a aprofundar-se neste universo sedutor, misterioso e fascinante. Preparado? Para compreendermos a arte na pré-história é importante assimilarmos os diferentes períodos e suas características: Paleolítico: época em que o homem morava em cavernas e disputava sua moradia com animais selvagens. O homem dependia completamente das condições climáticas e, por isso, tinha uma forma de vida nômade, ou seja, não podia ter uma habitação fixa, já que em determinadas épocas do ano, em virtude do clima, ele tinha que se mudar à procura de animais que lhe serviam como alimento. A caça era sua principal forma de alimentação e sobrevivência, além da pesca e a coleta de frutas ou raízes. Neolítico: período em que as mudanças climáticas na Europa possibilitaram que o homem não precisasse mais do nomadismo. Com a extinção de espécies de grandes animais, que representavam uma forte ameaça, o homem passou a viver das primeiras formas de agricultura, o que favorecia a vida sedentária, ou seja, em moradia fixa – primeiramente as cabanas e, em seguida, as aldeias. Fonte: elaborada pela autora. Figura 2.1 | Linha do tempo Linha do tempo da Pré-História Paleolítico Caça e Coleta Arco e Flecha Nomadismo Domínio do Fogo Pintura Rupestre Neolítico Agricultura Pastoreio Sedentarização Cerâmica Tecidos 12000 a.C. Estabilização Climática Idade dos Metais Metalurgia Agricultura Intensiva Escambos Cidades Barco à Vela 5000 a.C. Invenção da Metalurgia Assimile U2 67História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Começaremos então pelo Paleolítico: a vida do homem pré-histórico era extremamente difícil, em um ambiente hostil e ameaçador. Não é fácil interpretar o pensamento de alguém que viveu há tantos anos, mas existem muitos estudos que podem nos sinalizar o significado que estas pinturas podem ter (PRETTE, 2008, p. 118). Um exemplo muito rico são as paredes de cavernas do norte da Espanha e sudoeste da França, onde foram encontradas pinturas de uma imponência particular. São elas Altamira (Espanha) e Lascaux (França). Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8b/9_Bisonte_Magdaleniense_pol%C3%ADcromo. jpg/1024px-9_Bisonte_Magdaleniense_pol%C3%ADcromo.jpg>. Acesso em: 3 out. 2015. Figura 2.2 | Bisão, 12000 a.C. Pintura em caverna; Altamira, Espanha Na caverna de Altamira há representações de bisões, mamutes, renas, animais de caça. Essas imagens foram pintadas com terras coloridas, carvão e gordura animal, e estão localizadas em áreas quase inacessíveis da caverna, que provavelmente não serviam como locais de permanência. Os arqueólogos também identificaram marcas de flechas sobre as imagens, o que nos sinaliza que essas pinturas podiam ter dois significados: serviam como treinos e ensinamentos sobre técnicas de caça e também como uma espécie de culto mágico que evocava forças sobrenaturais que ajudavam o homem a dominar seu espaço e vencer as feras inimigas que hostilizavam a sobrevivência humana. Reflita “A explicação mais provável para essas pinturas rupestres ainda é a de que se trata das mais antigas relíquias de crença universal no poder produzido pelas imagens; dito em outras palavras, parece que esses caçadores primitivos imaginavam que, se fizessem uma imagem da sua presa – e até a espicaçassem com suas lanças e machados de pedra –, os animais verdadeiros também sucumbiriam ao seu poder.” (GOMBRICH, 2008, p. 42) U2 68 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Agora, vamos refletir juntos: será que todos os homens pré-históricos possuíam habilidade com a pintura? Não precisamos voltar 40 mil anos para respondermos a esta pergunta. Olhe ao seu redor. Quantos dos seus amigos possuem esta habilidade? Fonte: <https://goo.gl/PU6c1w>. Acesso em: 26 jul. 2016. Figura 2.3 | Pintura em caverna, 14000 a.C. Lascaux, França Na gruta de Lascaux, na França, há pinturas datadas de 14000 a.C. que representam cavalos e bovídeos. Para essas pinturaso homem pré-histórico utilizava terras coloridas: pigmentos provenientes de minerais, vegetais e sangue, produzindo diversas cores. Nos desenhos destas cavernas não há representações humanas, apenas cenas relacionadas às caças, porém há também registro de esculturas na pré-história, e estas sim possuem interpretações do corpo humano (BAUMGART, 2007, p. 6). Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/89/Venus_de_Lespugue_%28replica%29.jpg/600px- Venus_de_Lespugue_%28replica%29.jpg>. Acesso em: 7 jul. 2016. Figura 2.4 | Vênus de Lespugue, 25000 a.C. Escultura em marfim de mamute; Museu do Homem, Paris Várias estatuetas femininas foram encontradas e todas elas datam do período Paleolítico. Os arqueólogos as denominaram de Vênus. Vamos conhecer algumas delas! Uma das mais célebres é a escultura em rocha com cerca de 10,5 cm de altura U2 69História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média de uma figura feminina nua, que foi encontrada na Áustria e ficou conhecida como Vênus de Willendorf. A pequena escultura tem sua datação entre 25000 e 20000 a.C. e sua interpretação está relacionada à magia da fertilidade, principalmente pelo fato de os seios, o ventre e o sexo estarem realçados na escultura. Outra importante estatueta é a Vênus de Brassempouy, pequena cabeça de mulher, esculpida em marfim trabalhado com instrumento de pedra lascada, com altura de 3 cm, datada em torno de 21000 a.C., proveniente de Brassempouy, Landes. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/ commons/thumb/b/b8/Vestonicka_venuse_edit. jpg/320px-Vestonicka_venuse_edit.jpg>. Acesso em: 7 jul. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/ commons/thumb/5/50/Venus-de-Laussel-vue- generale.jpg/435px-Venus-de-Laussel-vue-generale. jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 2.5 | Vênus de Dolní Věstonice, 29000-25000 a.C. Estatueta de terracota; Museu da Morávia, Brno Figura 2.6 | Vênus de Laussel, 27000- 18000 a.C. Figura feminina obesa, talhada em bloco de pedra calcária dura, 46 cm de altura. Representa uma mulher de perfil, segurando um chifre de bisão; Museu da Aquitânia, Bordeaux Já no período Neolítico, o homem vivia de maneira sedentária e cultivava as primeiras formas de agricultura, a vida das comunidades e as suas técnicas de manufatura mudaram. Os instrumentos passaram a ser polidos. U2 70 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/61/LakeTaupo-RockCarvings.jpg>. Acesso em: 26 jul. 2016. Figura 2.7 | Enorme gravura rupestre no Lago Taupo; Nova Zelândia. Nas imagens rupestres da população neolítica também representam-se homens estilizados e não mais somente animais e natureza. A Austrália é rica em arte rupestre. Na Ilha de Murujuga, perto do arquipélago de Dampier, na Austrália Ocidental, está localizado o maior complexo de entalhes na pedra do mundo, datados de 28000 a.C. Essas imagens representam formas geométricas, além de desenhos realistas de cerimônias aborígines e animais como baleias, cangurus e tigres-da-tasmânia. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/20/MtnSheepPetroglyph.jpg/440px- MtnSheepPetroglyph.jpg>. Acesso em: 19 jun. 2016. Figura 2.8 | Arte rupestre. Petróglifos (entalhes na pedra); Utah, Estados Unidos Exemplificando Exemplificando U2 71História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média O Brasil também tem muitos sítios arqueológicos onde podemos encontrar arte rupestre. As regiões com grande quantidade destes registros são: Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Minas Gerais, Mato Grosso e Santa Catarina. Os temas da arte rupestre brasileira são praticamente os mesmos: caça, fertilidade, cotidiano. Niède Guidon é uma personalidade importante da arqueologia nacional. A arqueóloga brasileira, com ascendência francesa, descobriu o esqueleto mais antigo do Brasil – uma mulher que viveu há 9.800 anos. Niède também encontrou mais de 800 sítios pré-históricos, 426 são cavernas com pinturas rupestres, no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, que é o único parque latino-americano incluído na lista da Unesco como patrimônio histórico mundial. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/98/Arte_rupestre_no_Piau%C3%AD.JPG/800px-Arte_ rupestre_no_Piau%C3%AD.JPG>. Acesso em: 27 jul. 2016. Fonte: <https://goo.gl/vwSYbU>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 2.9 | Arte rupestre; Parque Nacional da Serra da Capivara, Piauí Figura 2.10 | Arte rupestre; Parque Nacional da Serra da Capivara, Piauí U2 72 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Fonte: <https://goo.gl/eigMWd>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 2.11 | Arte rupestre; Parque Nacional da Serra da Capivara, Piauí O que podemos concluir é que, desde a Pré-História, a atividade artística servia à comunicação e à interpretação do mundo e aos rituais. O primeiro legado da humanidade foram as pinturas e as esculturas. A partir da arte, e de ferramentas simples e utensílios domésticos, iniciamos a história da humanidade. Veremos na sequência desta seção que as expressões de arte sempre existiram, talvez como necessidade de sobrevivência, talvez como ornamentação de objetos diários, talvez como puro deleite, porém, não há história da humanidade sem história da arte. FEIST, Hildegard. Arte rupestre. São Paulo: Editora Moderna, 2010. O livro trata das imagens desenhadas, pintadas ou gravadas que, na Pré- -História, os homens elaboraram em pedras, muitas delas em cavernas. Estes desenhos sobreviveram ao tempo. Agora que você compreende melhor o início da história da arte, vamos aplicar este conhecimento à sua visita ao DMAIS Design, em Belo Horizonte. A data do evento se aproxima, e você deve estar ansioso para assistir às muitas palestras, exposições e lançamentos que o DMAIS Design, promete. Vamos à procura de elementos estéticos que remetam à arte rupestre. Mas, você já respondeu às questões levantadas no início desta seção? Então vamos às respostas. Pesquise mais Sem medo de errar U2 73História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Lembre-se de que a arte rupestre, como são chamadas as representações artísticas pré-históricas produzidas em pedras ou no interior das cavernas, criados provavelmente por caçadores da Idade da Pedra, é o primeiro registro do qual temos conhecimento. A arte rupestre se refere a uma prática nutrida por povos pré-históricos que pintavam e entalhavam rochas e empilhavam pedras que formavam grandes desenhos no chão. Outro registro de arte pré-histórica são as pequenas estatuetas femininas, feitas a partir de pedra lascada, destacando alguns traços do corpo feminino. É importante salientar as regiões da Europa onde foram encontradas manifestações deste tipo de arte, como as cavernas da Espanha e França. O homem pré-histórico utilizava terras coloridas para confeccionar sua tinta e, entre os principais tons, destacavam-se o ocre, marrom, amarelo e vermelho, além da utilização de gordura animal e carvão. Para pintar, eles usavam os dedos ou pincéis feitos com pelos de animais. Não podemos deixar de mencionar a arte rupestre em nosso país. O Brasil também tem muitos sítios arqueológicos onde podemos encontrar esse tipo de arte. As regiões com grande quantidade destes registros são: Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Minas Gerais, Mato Grosso e Santa Catarina. Os temas da arte rupestre brasileira são praticamente os mesmos: caça, fertilidade, cotidiano. Arte pré-histórica é aquela produzida antes do aparecimento da escrita. Portanto, são alguns dos registros materiais mais importantes, se não forem os mais relevantes, para conhecermos o pensamento e o modo de vida deste distante período. Não há muitas certezas nos estudos sobre estas civilizações, poréma explicação mais provável para a arte rupestre é que se trata da crença universal no poder produzido pelas imagens, ou seja, os caçadores primitivos imaginavam que, se produzissem uma imagem da sua caça, os animais verdadeiros também sucumbiriam ao seu poder. Bienal Brasileira de Design Descrição da situação-problema A Bienal Brasileira de Design é um grande evento que expõe o que há de mais importante na produção nacional, estimulando a percepção de seu público em relação à presença do design no cotidiano e favorecendo a atividade em todo o país. Avançando na prática Atenção U2 74 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Você é um profissional que trabalha em um grande escritório de design e vai participar de um fórum de discussão na próxima Bienal Brasileira de Design, representando seu escritório. O tema do fórum é “A arte pré-histórica” e você está encarregado de expor os principais aspectos da arte rupestre, além de apresentar alguns modelos de produtos que utilizaram esta estética. O Brasil também tem muitos sítios arqueológicos onde podemos encontrar arte rupestre em grande quantidade no Rio Grande do Norte, na Paraíba, no Piauí, em Minas Gerais, Mato Grosso e Santa Catarina. Muitos desses Estados utilizam a estética da arte rupestre para produzir e comercializar artigos como louças, semijoias, almofadas, vasos, tapetes, roupas etc. Você deverá preparar uma apresentação expondo o significado de arte rupestre e mostrando muitas opções de produtos elaborados a partir deste conhecimento estético e histórico. Arte rupestre, como são chamadas as representações artísticas pré- históricas produzidas em pedras ou no interior das cavernas, é o primeiro registro do qual temos conhecimento. Trata--se de uma prática que os povos antigos nutriam pintando e entalhando rochas ou mesmo empilhando pedras com o objetivo de formar grandes desenhos no chão. Resolução da situação-problema Monte um esquema que pode ajudá-lo: - Reúna as informações e o conhecimento que adquiriu até o momento sobre arte rupestre. - Estenda sua pesquisa acerca dos produtos comercializados que possuem esta referência estética. Alguns links serão úteis para que você encontre mais informações e as organize: Arte rupestre de Monte Alegre inspira coleção de joias. Disponível em: <http:// turismoparaense.blogspot.com.br/2013/05/arte-rupestre-de-monte-alegre-inspira. html>. Acesso em: 19 jun. 2016. Homens das cavernas recebem homenagem: designer apaixonada por arte rupestre lança livro. Disponível em: <http://casavogue.globo.com/LazerCultura/ Lembre-se U2 75História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Livros/noticia/2014/09/homens-das-cavernas-recebem-homenagem.html>. Acesso em: 19 jun. 2016. Conheça algumas camisetas com estampas de arte rupestre. Disponível em: <http://www.cafepress.com/+cave-drawing+t-shirts>. Acesso em: 19 jun. 2016. A casa dos Flintstones. Disponível em: <http://revistacasaejardim.globo.com/ Revista/Common/0,,EMI322364-16938,00-A+CASA+DOS+FLINTSTONES.html>. Acesso em: 19 jun. 2016. Que tal colocar a mão na massa? Desenhe um objeto de design de interiores que possua a estética da arte rupestre. Pode ser um tapete, um abajur, um móvel, uma cortina, ou seja, o que a sua criatividade escolher. Não se esqueça de ampliar as suas pesquisas antes de começar a elaborar seu projeto. Pense em quem seria seu público-alvo e quais materiais seriam necessários para a fabricação desse produto. 1. Desenhos produzidos em pedras ou no interior das cavernas, criados provavelmente por caçadores da Idade da Pedra. Trata-se de uma prática que os povos antigos nutriam pintando e entalhando rochas ou mesmo empilhando pedras com o objetivo de formar grandes desenhos no chão. A que estamos nos referindo? a) Arte gótica. b) Arte rupestre. c) Arte na Idade Média. d) Arte primitiva. e) Arte na Antiguidade. Faça você mesmo Faça valer a pena U2 76 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média 2. O que é Paleolítico? a) Desenhos produzidos em pedras ou no interior das cavernas. b) Pequenas estatuetas femininas. c) Período em que as mudanças climáticas na Europa possibilitaram a vida sedentária. d) Um sítio arqueológico localizado na Espanha. e) Época em que o homem morava em cavernas e disputava sua moradia com animais selvagens. 3. Segundo estudos de arqueólogos, quais eram as prováveis funções das pinturas nas paredes e no teto das cavernas? a) Serviam como treinos e ensinamentos sobre técnicas de caça, assim como uma espécie de culto mágico. b) Serviam para ensinar as próximas gerações a cozinhar e colher frutos e raízes. c) Serviam para rituais de culto à fertilidade e aos padrões de beleza feminina. d) Serviam para espantar os inimigos de comunidades vizinhas. e) Serviam como ensinamentos bíblicos aos que não sabiam ler. U2 77História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Seção 2.2 Estética na antiguidade: arte mesopotâmica, arte egípcia Caro aluno, chegamos à Seção 2.2 do seu Livro Didático. Você está preparado para seu próximo desafio? Vamos seguir visitando feiras e eventos de design e direcionaremos nosso olhar ao conteúdo desta seção. O evento desta semana é o Expo Rio Móbile, que acontece anualmente na cidade do Rio de Janeiro, reunindo profissionais da indústria moveleira e designers de interiores e ambientes, com o propósito de apresentar tendências da área facilitando as possíveis relações comerciais. É um evento muito importante para profissionais do setor e você não pode deixar de participar. Ao chegar, você encontrará um importante designer de interiores, que ministrará uma oficina sobre tendências em decoração e materiais. Este profissional sugere estética de arte egípcia e mesopotâmica para luminárias, estofados, almofadas, tapetes e objetos, como estatuetas ou quadros. A proposta deste designer parece bem interessante, e você irá conversar com ele sobre suas principais referências. Para isso, vamos nos concentrar no conteúdo apresentado até aqui, para que você esteja preparado para sua visita ao evento, bem como apto para a oficina de tendências em decoração e materiais. O que será que você precisará saber sobre o Egito e sobre a Mesopotâmia? Quais serão as manifestações artísticas, seus principais símbolos e o significado da arte destes locais tão fascinantes? Vamos pontuar alguns elementos significativos: - Quais eram as crenças do povo egípcio; Diálogo aberto U2 78 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média - Qual é o significado das pirâmides; - Como eram contemplados os corpos dos faraós depois de sua morte; - Quem eram os sumérios; - Por que a Mesopotâmia foi extremamente importante como base para a civilização ocidental. Nossos objetivos com este trabalho serão: compreender as civilizações egípcia e mesopotâmica; incrementar o repertório quanto ao significado da arte egípcia e mesopotâmica e desenvolver a capacidade de aplicar o conhecimento adquirido em projetos do mercado de trabalho. Vamos em frente! O primeiro passo para seu entendimento destas questões está logo a seguir. Mesopotâmia Aqui começamos a jornada da Seção 2.2. Você já ouviu falar nos sumérios? Eles ocupavam a Mesopotâmia, região de vale entre os rios Tigre e Eufrates, em 4000 a.C., e representavam um povo habilidoso e agrário, que foi capaz de constituir uma sociedade urbana próspera, comandada por reis, fundamentada num sistema teocrático. Esta civilização foi extremamente relevante como base para a civilização ocidental, pois foi a pioneira de vários fatores importantes: criou a primeira cidade- -estado, Uruk, governada pelo rei Gilgamesh; a primeira religião estruturada numa hierarquia de deuses, homens e rituais; foi precursora também na primeira língua escrita conhecida – a cuneiforme; foiresponsável pelos primeiros sistemas de irrigação para o cultivo de grãos; também inventou os primeiros veículos sobre rodas – eram carroças de madeira e couro que tinham um tronco como roda e eram puxadas por onagros, uma espécie de cavalo – e esses veículos eram utilizados para o transporte de bens e de exércitos. As redes comerciais dos sumérios alcançavam a África, a Ásia e a Europa. A religião era muito importante nesta civilização, portanto a arte e arquitetura sumérias expressavam crenças e rituais religiosos. Toda cidade suméria possuía um grande templo com formato de torre, construído com tijolo e argila. Seus templos não possuíam colunas e suas paredes eram grandes, com o objetivo de proporcionar uma forte sustentação. Suas construções tinham formas ovaladas, quadradas ou redondas. Os templos também tinham um aspecto de fortaleza, que mostrava que os sumérios eram uma civilização preparada para guerras e batalhas (PRETTE, 2008, p. 137). Não pode faltar U2 79História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/93/Ancient_ziggurat_at_Ali_Air_Base_Iraq_2005. jpg/800px-Ancient_ziggurat_at_Ali_Air_Base_Iraq_2005.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 2.12 | Zigurate de Ur, Iraque Os palácios eram decorados com relevos e pintados com cores vivas. Os poderosos reis dedicavam-se à caça de leões. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/24/Human_headed_winged_bull_profile.jpg/800px- Human_headed_winged_bull_profile.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 2.13 | Touro alado com cabeça de homem, conhecido como shedu, calcário, século VIII a.C.; Museu do Louvre, Paris Embora a arte da Mesopotâmia não tivesse como propósito a decoração de túmulos, também tinha que garantir que a imagem de homens poderosos se U2 80 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média mantivesse viva, porém de maneira diferente dos egípcios (GOMBRICH, 2008, p. 70). Os reis mesopotâmios encomendavam monumentos para celebrar suas vitórias na guerra. Egito Antigo Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/18/All_Gizah_Pyramids-2.jpg/800px-All_Gizah_ Pyramids-2.jpg>. Acesso em: 11 out. 2015. Figura 2.14 | As pirâmides Miquerinos (c. 2575 a.C.), Quéfren (c. 2600 a.C.) e Quéops (c. 2650 a.C.); Gizé Quando pensamos em Egito, qual é a primeira coisa que vem à cabeça? Pirâmides! E você sabe qual é o significado destas antiquíssimas relíquias da arquitetura humana? Sabe quando foram construídas? A história do Egito Antigo contém informações preciosas para entendermos como vivia esta civilização: em que acreditava, o que julgava belo e como utilizava a arte para unir e ordenar fenômenos cósmicos e terrenos. Aos artistas egípcios era concedida a responsabilidade de comunicar doutrinas espirituais e suas obras exerciam uma função religiosa. As riquezas da arte do Egito Antigo sobreviveram por cerca de 5 mil anos. Você já pensou na importância que os rios Nilo, Tigre e Eufrates têm na história da civilização? Reflita “As primeiras grandes civilizações floresceram quase contemporaneamente nas áreas por onde correm os grandes rios, o Nilo, no Egito, o Tigre e o Eufrates, na Mesopotâmia. As cheias sazonais desses grandes cursos d’água depositam argila rica em U2 81História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média A cultura egípcia se desenvolveu no decorrer do quarto milênio a.C. O surgimento da escrita foi o fato principal que separou o período da Pré-História da Antiguidade. Nesta seção estudaremos a Antiguidade Oriental, da qual fazem parte as civilizações do Egito e da Mesopotâmia. Na linha do tempo a seguir você compreenderá as divisões do Império Egípcio: Antigo Império, Médio Império e Novo Império. No período entre os anos de 2649 a.C. e 1070 a.C., no Antigo Egito, 18 dinastias chegaram ao poder. Como resultado, uma grande produção de esculturas, pinturas, arquitetura, joalheria e cerâmica nos guia neste estudo. O conhecimento que temos da civilização egípcia está baseado nos templos, no conteúdo dos túmulos, nas oferendas colocadas junto aos mortos e nas representações em relevos e pinturas de túmulos dos nobres. Figura 2.15 | Linha do tempo Fonte: adaptada de <http://images.slideplayer.com.br/3/399985/slides/slide_8.jpg>. Acesso em: 11 out. 2016. Assimile Antigo Império 2750 - 2140 a.C. Médio Império 1955 - 1785 a.C. Novo Império 1550 - 1070 Invasões dos Assírios, persas e macedônios Domínio Romano 2.500 a.C. 2.000 a.C. 1.500 a.C. 1.000 a.C. 500 a.C. Ano 1 Tutancâmon: 1333-1323 a.C. Aquenaton (Amenófis IV): 1353-1335 a.C. Amósis: 1550-1525 a.C. Amenemá III: 1844-1797 a.C. Quéops: 2696-2673 a.C. Quéfren: 2665-2609 a.C. Miquerinos: 2520-2472 a.C. substâncias minerais e orgânicas (limo), tornando fértil a terra. Nessas regiões se desenvolveram sociedades agrárias, ligadas aos ciclos de semeadura e colheita, governadas por um poder central absoluto. Somente um estado monárquico podia custear o grande esforço tecnológico e econômico do controle das águas e da planificação dos trabalhados agrícolas. No Egito, esse poder estava nas mãos do faraó.” (PRETTE, 2008, p. 124) U2 82 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Vamos pensar juntos. Anote tudo o que lhe vem à mente quando você pensa em Egito Antigo. Agora dê uma olhada no texto abaixo. Você tinha conhecimento dessas informações? O Egito é a terra das pirâmides e são elas que nos revelam toda a história. As pirâmides, na verdade, são gigantescos morros tumulares, construídos por milhares de escravos ou trabalhadores, durante anos. Estes homens cortavam pedras e as arrastavam até o local da construção. Todo o esforço é justificado pelo significado desses túmulos: os faraós eram considerados seres divinos e, quando morriam, juntavam-se aos deuses. As pirâmides, voltadas ao céu, serviam para ajudá-los no caminho pós-morte. Os egípcios acreditavam que o corpo deveria ser preservado, para que a alma pudesse continuar vivendo e, por este motivo, impediam a decomposição do cadáver através de um aperfeiçoado método de embalsamar e enfaixar o corpo em tiras de pano. A pirâmide era erguida para acomodar o corpo do rei, fechado em um sarcófago e disposto na câmara sepulcral, junto de suas riquezas, objetos que o falecido utilizava em vida e até mesmo seus escravos. Em volta da câmara funerária, encantamentos e fórmulas mágicas eram escritos para auxiliá-lo em sua jornada para o outro mundo (GOMBRICH, 2008, p. 55). As pirâmides do complexo funerário de Gizé foram construídas pelos reis do Antigo Império. A pirâmide maior, de Quéops, é prestigiada como uma das sete maravilhas do mundo antigo. Fonte: <https://goo.gl/ZpuZs0>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 2.16 | Esfinge e Pirâmide de Gizé, c. 2613-2363 a.C.; Cairo, Egito Exemplificando U2 83História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Uma imagem do rei também deveria ser preservada para ele viver eternamente, e, por isso, os egípcios esculpiam em granito a cabeça do rei e esta era depositada também nos túmulos reais. Dessa maneira a imagem do rei continuaria sempre viva. Entre as artes visuais, a estátua tinha um caráter sagrado, com o objetivo de materializar a divindade. Os egípcios do Império Antigo eram aficionados por esculturas (PRETTE, 2008, p. 124). As esculturas não eram feitas exatamente a partir da imagem do faraó, mas sim a partir de um padrão geral de representação humana pautada na abstração e simplificação das formas. A única exceção a essa regra se deu na dinastia do faraó Aquenáton. Como citado anteriormente, houve um momento da história em que os escravos eram sacrificados para acompanharem seu rei na sepultura, para que este chegasseao outro mundo com seus serviçais. Mais tarde, os escravos foram substituídos por imagens: eram pintadas figuras de servos nos túmulos egípcios, para que o rei não partisse sozinho. A passagem do faraó para a vida após a morte é retratada nas tumbas, em pinturas e relevos nas paredes. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/ commons/e/e0/Djoser_a.gif>. Acesso em: 27 jul. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/ commons/d/d5/Khafre_statue.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 2.17 | Rei Djoser (reinou de c. 2630-2611 a.C.). Escultura em tamanho natural, pedra calcária com acabamento em policromia Figura 2.18 | Detalhe da escultura do Faraó Quéfren (diorito, altura total: 1,68 m); Museu Egípcio, Cairo U2 84 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Fonte: <https://goo.gl/sqhJ44>. Acesso em: 28 jul. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7c/La_tombe_de_Horemheb_%28KV.57%29_%28Vall%C3%A 9e_des_Rois_Th%C3%A8bes_ouest%29_-2.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016. Figura 2.19 | Tumba de Horemheb, Vale dos Reis, Egito Figura 2.20 | Detalhe da tumba de Horemheb na qual as cores ainda estão preservadas; Vale dos Reis, Egito Repare bem nas imagens das pinturas acima. Vamos observar a estética utilizada nos desenhos dos artistas egípcios: a cabeça era desenhada sempre de perfil, porém, veja bem como eles representam os olhos – é como se estivéssemos vendo os olhos de frente. O tronco e os braços também estão de frente. Os braços e as pernas estão sempre em movimento, porém os pés estão de lado. Parece estranho se compararmos aos desenhos contemporâneos, mas esta estética era vigente na época, e os artistas egípcios deviam seguir regras que permitiam que eles incluíssem tudo que fosse importante na imagem humana, ou seja, todas as partes do corpo deveriam estar bem representadas na figura, para que cumprissem a função principal de levar ou receber oferendas e concluir a jornada do faraó da vida após a morte. U2 85História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/be/HouseAltar-AkhenatenNefertitiAndThreeOfTheirDau ghters.png/757px-HouseAltar-AkhenatenNefertitiAndThreeOfTheirDaughters.png>. Acesso em: 28 jul. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/28/Abu_Simbel%2C_Ramesses_Temple%2C_ front%2C_Egypt%2C_Oct_2004.jpg/800px-Abu_Simbel%2C_Ramesses_Temple%2C_front%2C_Egypt%2C_Oct_2004. jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016. Figura 2.21 | Akhnaton e Nefertiti com seus filhos, c. 1345 a.C. Relevo em altar de pedra calcária, 32,5 cm x 39 cm; Museu Egípcio, Staatliche Museem, Berlim Figura 2.22 | Templo de Ramsés II, em Abu Simbel Os templos dos deuses egípcios também são uma maravilha à parte. Antigamente as estruturas eram pintadas em cores vivas. Os complexos tinham estrutura para festas e procissões. O mais interessante a ser destacado na arte egípcia é que esta era uma arte praticamente toda voltada aos deuses e espíritos, ou seja, que devia ser apreciada apenas pela alma do morto. O objetivo não era causar apreciação ou deleite, e sua função era manter viva a alma do faraó (PRETTE, 2008, p. 128). U2 86 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média EZQUERRA, Sabatino. Como reconhecer a arte mesopotâmica. São Paulo: Martins Fontes, 1985. Leia o livro e conheça esta interessante civilização, seus principais hábitos e costumes representados pela arte e também entre em contato com aspectos de seus templos, esculturas e relevos, bem como seus principais significados. Escolha um dos três impérios egípcios e pesquise a fundo sua história, seus faraós, suas crenças e sua arte. Preparado para a vista ao Expo Rio Móbile? Você terá o privilégio de conversar com um importante profissional de design que está apresentando as próximas tendências em design de interiores. O que ele sugere são estampas e materiais que remetam às antigas civilizações egípcias e mesopotâmicas. Parece bem interessante, porém um designer deve sempre conhecer muito bem suas referências, para que seu trabalho seja consistente o suficiente para fazer parte de um mercado de trabalho tão rico e competitivo. Preparado para o desafio? Então vamos aos elementos significativos dessas ricas civilizações da antiguidade. Como você viu nesta seção, o Egito é a terra das pirâmides que, na verdade, são gigantescos morros tumulares construídos por milhares de escravos ou trabalhadores durante anos. Estes homens cortavam pedras e as arrastavam até o local da construção. Todo este esforço é justificado pelo significado dos túmulos: os faraós eram considerados seres divinos e, quando morriam, juntavam-se aos deuses. Os egípcios preservavam o corpo após a morte, pois acreditavam que a alma continuaria vivendo, e impediam a decomposição do cadáver através de um aperfeiçoado método de embalsamar e enfaixar o corpo em tiras de pano. E quem foram os sumérios? Por que essa civilização foi tão importante? Os sumérios eram os habitantes da Mesopotâmia em 4000 a.C. Representavam um povo agrário, que construiu com muita habilidade uma sociedade urbana comandada por reis. Possuíam a primeira cidade-estado; a primeira religião estruturada numa Pesquise mais Faça você mesmo Sem medo de errar U2 87História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média A história do Egito Antigo apresenta informações preciosas para entendermos como vivia essa civilização: em que acreditava e como utilizava a arte para unir e ordenar fenômenos cósmicos e terrenos. Aos artistas egípcios era concedida a responsabilidade de comunicar doutrinas espirituais, e suas obras exerciam uma função religiosa. As riquezas da arte do Egito Antigo sobreviveram mais de três milênios e são elas que declaram os valores de uma civilização que tinha a arte como principal ferramenta para a prosperidade de seu povo. Egito Antigo, moda atual Descrição da situação-problema Você foi convidado a compor um cenário para um desfile de moda que terá como principal referência o Egito Antigo. Você já se reuniu com sua equipe e tiveram ótimas ideias. O desfile tem tudo para ser um sucesso. Você já fez uma planilha com as principais características estéticas que deverão ser expostas no cenário, em termos de cores, texturas, materiais e iluminação. Agora é a hora de compor um texto para o encarte do desfile. Os designers de moda responsáveis pelas roupas já elaboraram seus textos. Você deverá fazer o mesmo em relação ao cenário. Vamos desenvolver um pequeno texto que informe ao público em geral os símbolos escolhidos para decorar este evento? hierarquia de deuses, homens e rituais; foram precursores na primeira língua escrita conhecida; foram responsáveis pelos primeiros sistemas de irrigação para o cultivo de grãos e criaram os primeiros veículos sobre rodas. Atenção Avançando na prática U2 88 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Fonte: <http://i.istockimg.com/file_thumbview_approve/54818154/6/stock-photo-54818154-beautiful-woman.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016. Fonte: <http://i.istockimg.com/file_thumbview_approve/24292848/6/stock-photo-24292848-a-woman-in-a-black- dress-and-a-nefertiti-style-headdress.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016. Figura 2.23 | Moda: acessórios egípcios Figura 2.24 | Moda: estilo Egito Antigo U2 89História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Para mais informações, acesse o link e veja informações interessantes para este desafio sobre Moda e Egito Antigo. Disponível em: <http://lumorazzi.blogspot.com. br/2013/01/moda-historia-e-evolucao-antiguidade.html>. Acesso em: 24 jun. 2016. Resolução da situação-problema Como vimos nesta seção, a estética dos desenhos dos artistas egípcios mantinha a cabeça desenhadasempre de perfil, e os olhos representados como se os víssemos de frente. Quanto ao tronco e aos braços, eram também representados de frente. Repare bem: os braços e as pernas estão em movimento, mas os pés estão de lado. Não é a mesma estética dos desenhos de hoje e, por isso, nos parecem tão estranhos. Acredita-se que os artistas egípcios seguissem regras para incluir tudo que fosse importante na figura humana, ou seja, todas as partes do corpo deveriam estar bem representadas na imagem, para que cumprissem a função principal de levar ou receber oferendas e concluir a jornada do faraó da vida após a morte. Estas rígidas normas de representação do corpo humano na produção bidimensional egípcia recebe o nome de Lei da Frontalidade. Agora, use a sua criatividade para misturar estes elementos com o mundo atual da moda. Temos certeza de que você acabou de ter ideias bem promissoras. Conforme foi visto neste Livro Didático, no período entre os anos de 2649 a.C. e 1070 a.C., no Antigo Egito, 18 dinastias chegaram ao poder. Como resultado, uma grande produção de esculturas, pinturas, arquitetura, joalheria e cerâmica nos guia neste estudo. O conhecimento que temos da civilização egípcia está baseado nos templos, no conteúdo dos túmulos, nas oferendas colocadas junto aos mortos e nas representações em relevos e pinturas de túmulos dos nobres. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/43/Pharaoh.svg/320px-Pharaoh.svg.png>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 2.25 | Estética egípcia Lembre-se U2 90 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Faça uma pesquisa e descubra quais indústrias já utilizaram em seus produtos a estética da arte egípcia: roupas, objetos decorativos, utensílios domésticos, material de escritório e papelaria, sapatos etc. Anote os produtos e analise o resultado. Ficou bom? A ideia foi bem aproveitada? A arte utilizada possui um conceito claro? 1. Qual a relação que a civilização egípcia tinha com o Rio Nilo? a) As enchentes do rio causavam grandes estragos, e os egípcios faziam oferendas aos deuses, pedindo que o período de enchentes acabasse. b) Os egípcios realizavam grandes rituais de funerais na beira do rio e jogavam no Nilo os corpos dos reis e de outros nobres. c) Não há registros de nenhuma relação entre o povo egípcio e o Rio Nilo, pois pouco se sabe sobre esta civilização, a não ser de seus rituais religiosos. d) As mulheres utilizavam o rio para fazer oferendas à representantes da Igreja Católica. e) As cheias sazonais depositam argila rica em substâncias minerais e orgânicas (limo), tornando fértil a terra e, por isso, o Egito desenvolveu uma sociedade agrária nesta região. 2. Em que está baseado o conhecimento que temos sobre a civilização egípcia? a) Apenas em relatos escritos em livros históricos, pois na Antiguidade a linguagem escrita já havia sido inventada. b) O conhecimento está baseado principalmente no desenvolvimento agrário que a região possui. c) Na produção de esculturas, pinturas, arquitetura, joalheria e cerâmica datadas deste período da Antiguidade. d) Em relatos que foram passados oralmente de geração para geração. e) Em filmes de Hollywood, que retratam com perfeição esta época da Antiguidade. Faça você mesmo Faça valer a pena U2 91História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média 3. Quando a cultura egípcia se desenvolveu? a) 25.000 anos a.C. b) 4.000 anos a.C. c) 400 anos d.C. d) No século II. e) Durante a Idade Média. U2 92 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média U2 93História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Seção 2.3 Estética na antiguidade: arte grega, arte romana Estamos na Idade Antiga, porém, desta vez, nossa viagem será à Grécia e a Roma, entre deuses, templos, esculturas incríveis, blocos de mármore ou peças de bronze. Essa viagem lhe servirá como base para seu próximo desafio profissional, em mais uma visita técnica a um grande evento de design. Nesta seção você desenvolverá seu conhecimento sobre as civilizações grega e romana e suas principais manifestações artísticas, seus significados e seu desenvolvimento ao longo dos anos. Portanto, iremos visitar um dos mais importantes e maiores festivais de Design de Interiores e Decoração da cidade de São Paulo, o Design Weekend, que acontece anualmente, em que universidades, fabricantes e artistas expõem novas tendências em design, arquitetura, urbanismo, tecnologia e inclusão social. Sua responsabilidade é gravar e editar um vídeo para ser exibido no evento, com o objetivo deestreitar a relação entre o estudo de design e de história da arte, assim seu olhar estará direcionado às influências da arte antiga no estudo e na prática da atividade do design. O vídeo também será exibido em um canal do Youtube voltado a designers e estudantes de design e arquitetura. Nesta seção você encontrará um conteúdo rico, que vai inspirá-lo a preparar esse vídeo. É importante que você mostre como a arte da Antiguidade é surpreendente e esplêndida. Durante sua leitura, escolha pontos que julgar importantes, faça anotações, observações e selecione tópicos que mereçam uma pesquisa mais rica em detalhes, para ilustrar seu vídeo. Afinal, com certeza o público vai querer saber para que os gregos utilizavam a arte e qual a importância da arquitetura romana. Você sabe explicar isso? Leia com atenção a Seção 2.3 e organize os pontos principais a serem apresentados em seu vídeo. Vamos em frente? Diálogo aberto U2 94 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Arte grega, equilíbrio e harmonia e a contínua busca da perfeição Os gregos se destacam na história da arte, pois sua manifestação artística testemunha a grandeza dessa civilização. Estudando a arte grega temos acesso à origem da democracia e da cultura ocidental. O desenvolvimento da arte grega, de 750 a.C. até o surgimento dos romanos, nos conta a história de uma sociedade que valorizava o homem, a inteligência humana, os Jogos Olímpicos, a beleza e a razão. Essa civilização utilizava a arte para ornamentar os templos e edifícios públicos, solenizar vitórias em batalhas, homenagear heróis e atletas e glorificar deuses. Linha do tempo: Grécia Antiga Vamos entender primeiro as diferentes etapas desta história, para podermos compreender melhor as características e o processo de desenvolvimento da arte grega: Figura 2.26 | Linha do tempo: Grécia Antiga Os primórdios da civilização grega, após o declínio de Micenas, não foram muito gloriosos. Por volta do ano 1000 a.C., povos que falavam diversos dialetos gregos viviam ao redor do mar Egeu. Entre eles, os principais eram os dórios, que habitavam sobretudo a Grécia continental, e os jônios, que povoavam muitas das ilhas e parte da costa oeste da Ásia Menor. Reuniam-se em pequenas comunidades, distantes umas das outras, muitas das quais se converteram finalmente em póleis (“cidades-estados”, como são frequentemente – ainda que de forma imprecisa – chamadas; singular: polis). (WOODFORD, 1982, p. 4) Palácios Pequenos Povoados "Pólis" GRÉCIA HELÊNICAGRÉCIA MICÊNICA Civilização Minoica Civilização Micênica Civilização Homérica Civilização Arcaica Civilização Clássica 1.600 a.C. 1.400 a.C. 1.200 a.C. 1.000 a.C. 800 a.C. 500 a.C. 323 a.C. Não pode faltar Fonte: Woodford (1982). U2 95História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Aos poucos estas comunidades começaram a prosperar, e em meados do século VIII a.C. a população já havia aumentado significativamente e as pólis ampliaram seu comércio, entrando assim em contato com outras culturas. Neste período a arte grega estava voltada a obras poéticas e teatrais, porém artesãos já tinham a habilidade de produzir grandes e belos monumentosfunerários de cerâmica. As trocas comerciais entre a Grécia e o Egito atraíram a atenção dos gregos para a arte egípcia, da qual tiraram suas primeiras referências para esculturas. O período arcaico (meados do século VII – cerca de 650 a.C. – até a primeira metade do século V – 490 a 479 a.C.) é a fase em que os gregos começam então a desenvolver técnicas estimulados pela arte egípcia. Observe as primeiras estátuas produzidas pelos gregos, o Koûros masculino: jovem nu de pé. Este tipo de escultura evidencia a influência egípcia sobretudo na postura, no estilo linear e nas proporções (FARTHING, 2011, p. 48). Estas esculturas eram feitas em grandes blocos de mármore, técnica também egípcia. Você deve imaginar que esculpir uma figura humana em um bloco de pedra não seja uma tarefa muito simples. Os gregos adotaram o método egípcio de desenhar a figura que desejavam esculpir em três faces no bloco de pedra (frontal e perfil) e então iniciavam o trabalho de esculpir até atingirem o resultado desejado. Repare na posição do Koûros: figura ereta, posição rigorosamente frontal, com o peso igualmente distribuído sobre as duas pernas. “Um koûros podia ser a representação de um deus, servir como um belo objeto destinado como oferenda a um deus ou ser a representação in memoriam de um homem, sendo por vezes colocado sobre seu túmulo” (WOODFORD, 1982, p. 9). Fonte: <https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Category:Kouroi&uselang=pt-br#/media/ File:Kouros_of_Naucratis.jpg>. Acesso em: 26 jul. 2016. Figura 2.27 | Koûros Assimile U2 96 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Porém, diferentemente dos egípcios, os gregos desenvolveram o estilo de suas esculturas em busca de mais realismo, atingindo finalmente a perfeição de suas estátuas, padrão artístico insuperável até os dias de hoje. Já no período clássico (500 a 330 a.C.), através de muitas tentativas, o imenso desafio técnico consistia em dar vida às estátuas. Nos primeiros decênios do século V, os gregos desenvolveram técnicas refinadas de fusão de bronze, que era um material mais resistente à ruptura e, dessa maneira, uma grande variedade de poses foram possíveis. Observe a imagem de Zeus de Artemísio e compare à imagem do koûros: é impressionante constatar o desenvolvimento da técnica e a busca pela representação de emoção, movimento, ritmo e ação no corpo das estátuas. As estátuas de bronze eram mais leves do que as de mármore, o que permitia que elas fossem mais facilmente transportadas. Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_Arqueol%C3%B3gico_Nacional_de_Atenas#/media/File:Netuno19b.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016. Figura 2.28 | Zeus de Artemísio, atribuído ao escultor Cálamis, segundo quartel do século V a.C., bronze, altura: 2,09 m; Museu Arqueológico Nacional, Atenas A figura masculina e o corpo do atleta: O escultor Míron é o autor de uma das mais famosas obras da Antiguidade: a escultura do atleta que faz o giro sobre si mesmo para lançar o disco. A obra original era feita de bronze e foi produzida no auge do período clássico grego. Infelizmente Reflita “Na sua maior parte, as obras eram esculturas masculinas, porque na Grécia predominava o ideal esportivo. Os campeões conquistavam o direito de erguer na cidade uma estátua com seu nome para deixar às gerações futuras a memória das suas vitórias. Os escultores concentravam seus estudos no corpo atlético.” (PRETTE, 2008, p. 150) U2 97História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média a escultura original se perdeu, mas sobreviveram as cópias que os romanos fizeram em mármore. “Aqui, Míron captura o estado de momentânea imobilidade do atleta. A definição grega para esse momento é 'rhytmos' e se refere a uma ação de graciosa harmonia e equilíbrio” (FARTHING, 2011, p. 55). Essa estátua foi considerada tão ilustre anos depois, que no fim do século IV a.C. os romanos ordenaram a execução de cópias dessa obra, destinadas a grupos de abastados colecionadores, porém as réplicas eram confeccionadas em mármore, porque era um material mais barato. Graças a essas cópias temos hoje ideia da grandiosidade das obras originais. Muitas esculturas de bronze se perderam. O bronze foi um material que se tornou escasso durante a Idade Média, então acredita-se que estátuas gregas podem ter sido derretidas para reutilização da matéria-prima. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/97/SFEC_BritMus_Roman_021-2.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016. Figura 2.29 | Discóbolo, de Míron, cópia romana do original do século V a.C., mármore, altura: 1,24 m; Museu Nacional Romano Certamente as estátuas originais eram muito mais impressionantes. As estátuas feitas de mármore, por exemplo, eram pintadas, inclusive as pupilas dos olhos, assim, no lugar que vemos hoje um olhar inexpressivo havia cores e expressão, fazendo com que as estátuas parecessem vivas, porém as tintas desapareceram com o passar do tempo. Resta-nos observar e adorar o que delas restou, pois nos dá pistas importantes acerca de sua aparência original. Policleto foi também um importante artista grego muito admirado. Fez várias estátuas em bronze e escreveu um livro, infelizmente perdido, sobre as técnicas e os princípios que utilizava em suas obras. A perfeita harmonia alcançada em suas esculturas foi apreciada por todas as eras seguintes. Como você descreveria a escultura a seguir? Exemplificando U2 98 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média A flexão da perna esquerda, a cabeça reclinada, os braços dobrados são aspectos que criam a impressão de movimento, ao mesmo tempo que indicam tranquilidade e leveza. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4f/Diadoumenos-Atenas.jpg/800px- Diadoumenos-Atenas.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016. Figura 2.30 | Diadúmeno, Policleto, século V a.C.; Museu Arqueológico Nacional de Atenas As imagens de deuses também era um tema de extrema importância para a arte. Os gregos atribuíam a eles formas e sentimentos humanos. Os poetas eram responsáveis por definirem suas personalidades, enquanto aos escultores ficava a responsabilidade de modelar sua imagem material, destinadas aos seus extraordinários templos, como objetos de adoração (PRETTE, 2011, p. 152). Observe alguns dos deuses retratados nas esculturas: Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b7/Sommer%2C_Giorgio_%281834-1914%29_-_n._1515_-_ Museo_di_Napoli.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016. Figura 2.31 | Afrodite de Cápua, cópia romana, meados do século IV a.C., altura: 2,10 m; Museu Arqueológico Nacional de Nápoles U2 99História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média O período Helenístico (338 a 30 a.C.) contou com as conquistas de Alexandre, o Grande e a consequente expansão da cultura grega. “Do terceiro ao primeiro século antes de nossa era a cultura helenística foi admirada e imitada desde as fronteiras Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9c/MG-Paris-Aphrodite_of_Milos.jpg/800px-MG-Paris- Aphrodite_of_Milos.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Belvedere_Apollo_Pio-Clementino_Inv1015. jpg/800px-Belvedere_Apollo_Pio-Clementino_Inv1015.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016 Figura 2.32 | Vênus de Milo, descoberta em 1820 na ilha de Milo, 200 a.C., altura: 2,02 m; Museu do Louvre, Paris Figura 2.33 | Apolo de Belvedere, cópia romana a partir de um original grego em bronze, século IV a.C., altura: 2,24 m; Museo Pio Clementino, Vaticano U2 100 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média ocidentais da Índia até as vertentes meridionais dos Alpes” (WOODFORD, 1982, p. 2). Nesta época a arte valorizava a experiência do homem e o conhecimento da realidade. Assim, as esculturas passam a expor novos temas a partir desta fase, com imagens maisreais ou naturalistas, com aspectos da vida humana como, por exemplo, a feiura, a fraqueza e a velhice, criando estátuas que representavam tipos humanos mais convincentes. Uma das obras mais impressionantes deste período é o grupo escultural de Laocoonte, atribuído à escola de Rodes, século I a.C. O tema representado na escultura é Laocoonte, filho de Príamo e sacerdote de Apolo, que foi condenado por Atena a ser esganado por duas grandes serpentes. É incrível observar a tensão física das figuras esculpidas, e no desespero de suas feições, os corpos contorcidos e a ideia de esforço transmitida pelos braços em luta (GOMBRICH, 2001, p. 111). Parece que conseguimos ouvir a respiração deste bloco de mármore, tamanho realismo impresso. Fonte: <https://goo.gl/xGQvr9> Acesso em: 26 jul. 2016. Figura 2.34 | Laocoonte e seus filhos, Hagesandro, Atenodoro e Polidoro de Rodes. 175-50 a.C. Mármore. Altura: 2,42 m. Museo Pio Clementino, Vaticano Há também uma instituição cultural de grande importância na Grécia Antiga, que simbolizava principalmente a expressão da sociedade. Você sabe qual é? O teatro. Arquitetonicamente era dividido em três partes distintas: a Exemplificando U2 101História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média A arquitetura grega também consiste em um espetáculo à parte. Os templos eram espaços reservados para o culto de seus deuses e deusas, simbolizados por gigantescas esculturas, acomodando uma congregação de fiéis, porém, poucas pessoas realmente entravam nos templos. Os rituais religiosos eram realizados na parte de fora, em um altar colocado diante de uma de suas fachadas. Os templos gregos eram pintados com cores vivas. orquestra – espaço circular onde eram representadas as danças, pelo coro e pelos artistas; o semicírculo da arquibancada, onde ficava o público, e o palco. Havia espaço para milhares de espectadores. Toda cidade grega importante tinha seu teatro. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0f/Epidaurus_Theater.jpg/1280px- Epidaurus_Theater.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016. Figura 2.35 | Teatro de Epidauro, ainda bem conservado, possuía uma acústica perfeita Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ a7/Hephaistos.temple.AC.01.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016. Fonte: <http://www.formacco.com.br/fmanager/formacco/partenon.jpg>. Acesso em: 25 out. 2015. Figura 2.36 | Templo de Hefestos, em Atenas. Figuras 2.38 | Partenon, Grécia Figuras 2.37 | Terceiro quartel do seculo V a.C Fonte:<https://upload.wikimedia.org/wikipedia/ commons/3/3c/Templo_de_Hefesto_Atenas9.JPG>. Acesso em: 25 out. 2016. U2 102 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Escultor de extrema importância na Grécia, Fídias foi responsável pela decoração escultural do Partenon. Seu projeto exaltava o prestígio da Grécia e a superioridade física e cultural da Grécia perante os bárbaros (PRETTE, 2008, p. 166). Além dos gregos, a arte romana também tinha influência nos etruscos, porém, os romanos tiveram um papel muito importante com uma originalidade genial na arquitetura, além da pintura, do mosaico e da escultura. A gigantesca arena, conhecida como Coliseu, é uma típica construção romana que ainda suscita muita admiração. O arquiteto responsável pelo Coliseu utilizou alguns dos estilos de construção usados nos templos gregos. O Coliseu possui uma estrutura utilitária, com três ordens de arcos sobrepostos, que sustentam os assentos do anfiteatro interior. A característica mais marcante da arquitetura romana é a utilização de arcos. A Grécia tornou-se província do Império Romano na Batalha de Corinto em 146 a.C. e, a partir de então, a península grega ficou sob o domínio de Roma, porém a cultura grega exercia forte influência sobre a romana. Os romanos admiravam a literatura e arte da Grécia, que passaram a servir de exemplo e de modelo à arte romana. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d8/Colosseum_in_Rome- April_2007-1-_copie_2B.jpg/1280px-Colosseum_in_Rome-April_2007-1-_copie_2B.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016. Figura 2.39 | O Coliseu, Roma. 80 d.C Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/fe/Pont_Du_Gard.JPG/1024px-Pont_Du_Gard.JPG>. Acesso em: 26 jul. 2016. Figura 2.40 | Aqueduto Assimile U2 103História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Esta estrutura, multiplicada por muitas dezenas de quilômetros, formou os aquedutos que levam a água das nascentes apenínicas através de tubulações de terracota e de chumbo às cidades romanas. O arco e o pilar de reforço, sobre o qual se apoia, estão na base dos edifícios colossais, como os mercados, os anfiteatros, as pontes, e de todas as grandiosas construções que constituem o mais original testemunho da arquitetura romana. (PRETTE, 2008, p. 174) Os romanos tornaram-se grandes especialistas na arte da construção. Um ótimo exemplo de sua arquitetura é o Panteão, um templo dedicado a todos os deuses, utilizado como local de culto até ser convertido em igreja na era cristã. Não há janelas, porém, o recinto recebe luz através de uma abertura circular no teto. Embora os romanos se baseassem na arte grega para a elaboração de estátuas, davam mais destaque aos detalhes realísticos, como contornos e dobras da pele. Na estátua equestre de Marco Aurélio (Figura 2.42), temos um excelente exemplo do retrato imperial feito pelos romanos. Essa magnífica escultura sobreviveu à Idade Média, em que várias estátuas como esta eram derretidas e, muitas vezes, transformadas em moedas. Nesta imagem, o imperador está retratado no auge do seu poder. A mão direita erguida simbolizava uma saudação, um gesto de pacificação e de benevolência. A escultura de Marco Aurélio é considerada a mais célebre estátua da Antiguidade e foi feita para celebrar o triunfo do imperador sobre os sármatas e sobre os germanos (PRETTE, 2008, p. 185). Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8f/Pantheon_wider_centered.jpg/700px-Pantheon_ wider_centered.jpg>. Acesso em: 27 out. 2015. Figura 2.41 | Interior do Panteão, Roma, 130 d.C. U2 104 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cf/Statua_equestre_di_Marco_Aurelio%2C_176_dc._02. JPG/800px-Statua_equestre_di_Marco_Aurelio%2C_176_dc._02.JPG>. Acesso em: 28 jul. 2016. Figura 2.42 | Marco Aurélio, 164-166 d.C. Artista desconhecido. Bronze dourado. 3,50 m de altura; Museus Capitolinos, Roma Escultura, pintura em cerâmica, teatro, arquitetura, poesia, mitologia. Os gregos e romanos são responsáveis por pilares significantes da História da Arte. Os fortes registros sobreviventes dessas culturas nos mostram o berço da civilização ocidental, nossos antepassados, responsáveis pela vida democrática que gozamos nos dias de hoje. WOODFORD, Susan. História da arte da Universidade de Cambridge: Grécia e Roma. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982. Um livro completo que aborda especificamente sobre a Grécia: estátuas livres, templos gregos e sua decoração, pintura e cerâmica pintada, período helenístico: inovação e renovação. Escolha uma área da arte grega que lhe interesse mais: poesia, arquitetura, teatro, escultura ou pintura. Faça uma pesquisa detalhada e monte um documento explicativo, com imagens e informações importantes, para futuras pesquisas. A arte grega e a arte romana são realmente um universo à parte na História da Arte, por onde poderíamos transitar durante muito tempo. É um tema muito interessante, sobretudo se apresentado de maneira clara, ressaltando o que há de mais fascinante. Pesquise mais Faça você mesmo Sem medo de errar U2 105História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média As civilizações grega e romana mudarama história do mundo, e somos todos filhos herdeiros dessas civilizações. Para a elaboração do vídeo pelo qual você será responsável no evento Design Weekend, é importante que você tenha conhecimento sobre os seguintes tópicos: Para que os gregos utilizavam a arte? Ornamentar os templos e edifícios públicos, solenizar vitórias em batalhas, homenagear heróis e atletas e glorificar deuses. A arte grega se desenvolveu significativamente ao longo dos anos. Observe essa evolução a partir das estaturas de koûros até as fascinantes esculturas do período helenístico. Você pode utilizar como exemplo uma análise de características das duas estátuas a seguir: a) b) A respeito da arte romana, é importante que você saiba argumentar a respeito do importante papel que ela tem para o desenvolvimento da arquitetura. Exemplo claro e magnífico é a gigantesca arena, conhecida como Coliseu: típica construção romana, que ainda suscita muita admiração. Nessa construção foram utilizados alguns elementos em comum aos templos gregos. O Coliseu possui uma estrutura utilitária, com três ordens de arcos sobrepostos, que sustentam os assentos do anfiteatro interior. A característica mais marcante da arquitetura romana é a utilização de arcos. Também são famosos pelo esmero de suas esculturas. Use sua imaginação para, ao final desta unidade, criar uma maneira de envolver os visitantes do evento Design Weekend com a arte grega e a arte romana, este universo singular e tão impressionante. Temos certeza de que o Design Weekend será um sucesso e seu vídeo visto por centenas de profissionais de design e arquitetura. Bom trabalho! Estudando a arte grega temos acesso à origem da democracia e da cultura ocidental. O desenvolvimento da arte grega, de 750 a.C. até o surgimento Atenção Fonte: <https://classconnection.s3.amazonaws. com/1540/flashcards/655960/jpg/kouros2a.jpg>. Acesso em: 26 jul. 2016. Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/ Category:Laocoon_group#/media/File:0_Laocoon_Group_-_ Museo_Pro_Clementino_(Vatican).jpg>.Acesso em: 26 jul. 2016. U2 106 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média dos romanos, nos conta a história de uma sociedade que valorizava o homem, a inteligência humana, os Jogos Olímpicos, a beleza e a razão. Escultura, pintura em cerâmica, teatro, arquitetura, poesia, mitologia. Os gregos são responsáveis por pilares significantes da História da Arte. Os fortes registros sobreviventes dessa cultura nos mostram como foi o início da civilização ocidental, nossos antepassados, responsáveis pela vida democrática que gozamos nos dias de hoje. Arte grega e os Jogos Olímpicos Descrição da situação-problema Nesta seção do seu livro didático você conheceu e analisou o deslumbrante Discóbolo, do artista Míron. Trata-se de um atleta lançador de discos, uma estátua anatomicamente perfeita que transmite uma sensação de movimento. O jovem atleta é um dos muitos heróis olímpicos representados na arte grega. Você sabe qual a importância do esporte para esta civilização? Faça uma pesquisa detalhada sobre a origem dos Jogos Olímpicos e de seu significado. Anote as informações mais importantes. Compreenda o papel dos atletas para esta sociedade e amplie sua pesquisa para as obras de arte que retratem atletas em movimento. Qual é o papel dessas obras? Qual sua função? Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/97/SFEC_BritMus_Roman_021-2.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016. Lembre-se Avançando na prática U2 107História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média A figura masculina e o corpo do atleta: “Na sua maior parte, as obras eram esculturas masculinas, porque na Grécia predominava o ideal esportivo. Os campeões conquistavam o direito de erguer na cidade uma estátua com seu nome para deixar às gerações futuras a memória das suas vitórias. Os escultores concentravam seus estudos no corpo atlético.” (PRETTE, 2008, p. 150) Resolução da situação-problema Os Jogos Olímpicos têm este nome porque as competições eram organizadas em Olímpia. As primeiras referências escritas que mencionam uma competição são datadas de 776 a.C., os jogos eram realizados em honra ao deus grego Zeus e reuniam atletas de toda a Grécia, os quais competiam por fama, riqueza e glória. Para mais informações, sugerimos algumas fontes de pesquisa: Olímpia e os Jogos Olímpicos. Disponível em: <http://seguindopassoshistoria. blogspot.com.br/2012/08/olimpia-e-os-jogos-olimpicos.html>. Acesso em: 27 jun. 2016. A verdade Olímpica: como surgiram os jogos na Grécia Antiga. Disponível em: <http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/verdade-olimpica-como- surgiram-jogos-grecia-antiga-435358.shtml>. Acesso em: 27 jun. 2016. A nudez do guerreiro grego. Disponível em: <http://www.uc.pt/fluc/eclassicos/ publicacoes/ficheiros/humanitas63/11_NSR.pdf>. Acesso em: 27 jun. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a9/Greek_vase_with_runners_at_the_panathenaic_ games_530_bC.jpg/1024px-Greek_vase_with_runners_at_the_panathenaic_games_530_bC.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2016. Figura 2.43 | Pintura em um vaso que representa atletas correndo Lembre-se U2 108 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média A partir desta pesquisa, escolha a sua obra de arte favorita e descubra quem a elaborou e em que época. Observe também quando foi encontrada e em que museu está exposta nos dias de hoje. 1. Quais são as manifestações artísticas gregas às quais temos acesso nos dias de hoje? a) Nenhuma manifestação original ou intacta. Há apenas fragmentos de poemas, algumas ruínas de templos e cópias de esculturas. b) Infelizmente não há nenhuma escultura original. Temos acesso a cópias que os romanos fizeram. c) Há muitas esculturas e cerâmicas originais espalhadas por museus do mundo todo, além de teatros conservados e ruínas de templos. d) Esculturas em mármore e pirâmides que ainda se encontram intactas. e) Infelizmente a arte grega foi totalmente saqueada pelos persas e pelos romanos e, dessa maneira, só restam registros escritos e desenhos de como eram suas manifestações artísticas. 2. O que foi o período helenístico? a) Período dos primórdios da civilização grega, após o declínio de Micenas. Não foram anos muito gloriosos. b) Período em que os dórios habitavam sobretudo a Grécia continental, e os jônios povoavam muitas das ilhas e parte da costa oeste da Ásia Menor. c) Período de 500 a 330 a.C., quando os gregos desenvolveram técnicas refinadas de fusão de bronze, que era um material mais resistente à ruptura e, desse modo, uma grande variedade de poses foi possível. d) Período de 338 a 30 a.C., que contou com as conquistas de Alexandre, o Grande e a consequente expansão da cultura grega. Momento em que a arte grega era admirada e imitada desde as fronteiras ocidentais da Índia até as vertentes meridionais dos Alpes. e) Ano de 146 a.C., quando a Grécia tornou-se província do Império Romano na Batalha de Corinto e, a partir de então, a península grega ficou sob o domínio de Roma. Faça você mesmo Faça valer a pena U2 109História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média 3. Como é dividida a história da Grécia Antiga? a) Período Medieval, Período Grego Moderno e Período Greco-Romano. b) Período das Influências Egípcias, Período do desenvolvimento da arte grega arcaica e Período de influências gregas. c) Período da Guerra de Troia, civilização clássica e civilização greco-romana. d) Grécia Micênica, Grécia Helênica e Grécia Helenística. e) Civilização Arcaica, Medieval, Clássica e Homérica. U2 110 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média U2 111História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Seção 2.4 Idade Média: arte românica, arte gótica Chegamosà Seção 2.4 deste Livro Didático e vamos encerrar esta unidade com a nossa última visita a um grande acontecimento de design. Desta vez iremos conhecer o N Design, considerado o maior evento de estudantes de Design do Brasil. Esta edição acontecerá em João Pessoa, na Paraíba. O evento é direcionado para as áreas de design gráfico, produto, games, web, moda, economia criativa e interiores. O objetivo principal é a capacitação e a troca de experiências, e conta sempre com uma vasta programação, incluindo workshops, palestras, desfiles de moda e até mesmo intervenções urbanas. Suas malas já estão prontas para essa viagem? Então vamos nos preparar para ela! A produção artística de cada época representa as mudanças vividas na história da civilização, exercendo um papel significante neste contexto. Nesta seção vamos conhecer a arte românica, estilo que estava presente na arquitetura, em esculturas, tapeçarias, afrescos, vitrais, bordados, crucifixos, castiçais e cálices. Ainda na Idade Média surge o estilo gótico – sucedendo o românico – como uma ideia revolucionária, na França, e consistia em uma nova técnica, que transformou drasticamente a arquitetura de monumentos gigantescos e surpreendentes. São catedrais e monastérios dignos de profunda admiração. Sua visita ao N Design tem como principal objetivo coordenar um encontro cultural sobre a arte no período medieval. A recepção dos convidados e a coordenação do fórum de discussões serão sua responsabilidade. Você se lembra de como era a vida na Idade Média? Depois do final do período clássico, com as invasões dos povos chamados bárbaros, a Europa entra numa nova fase. As cidades perdem força, assim como o comércio. O feudalismo, de base rural, é marcado por uma economia não monetária, autossuficiente, com produção artesanal voltada ao próprio consumo ou poucas Diálogo aberto U2 112 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média trocas, e não visando à venda. Predominava a fé e não a razão e, logo, havia grande poderio da Igreja Católica. A produção artística representa o pensamento e a forma de viver de cada época. Como será que esta realidade influenciava a arte românica, estilo que estava presente na arquitetura, nas esculturas, na elaboração de afrescos e vitrais, na produção de tapeçarias, crucifixos, castiçais e cálices? Como você explicaria – ou provocaria discussões com o grupo visitante – o estilo gótico? Quais são as principais características desta arquitetura? O que você diria para eles sobre a relação entre a arte e a Igreja Católica? Como conseguimos identificar esta proximidade nas características artísticas dos principais estilos da Idade Média: românico e gótico? Como podemos descrever a arte românica e por que tem esse nome, possui alguma relação com a arte romana? Você já reparou nas catedrais góticas? Já percebeu como são imponentes? Em que aspectos elas são diferentes das construções do período anterior? Está pronto para receber seus convidados? Vamos juntos em busca dessas informações para que você possa tornar este evento o mais interessante possível. A arte românica Idade das Trevas, como é chamado o período que veio depois da queda do Império Romano do Ocidente, por ter sido uma fase de muitas guerras, invasões e migrações, pouca preocupação com o conhecimento, valorização da crença e da fé e não da ciência. A produção de arte também representa essas grandes mudanças e, como temos visto até aqui, exerce um papel de extrema importância nessas transformações. Vamos conhecer a arte românica: o estilo de arte e arquitetura vigente entre os séculos XI e XIII, na Europa. Esse estilo está relacionado ao poder da Igreja Católica, e boa parte da produção artística saía dos grandes centros de saber: os mosteiros. Além da arquitetura, a produção artística românica consistia em estátuas, tapeçarias, afrescos, vitrais, bordados, crucifixos, castiçais e cálices, que eram utilizados para a decoração das igrejas, ou como objetos usados nas cerimônias religiosas. Os artistas desta época tinham o objetivo de transmitir aos fiéis a mensagem da história sagrada. A pintura e a escultura tinham a mesma função para os analfabetos que a escrita tinha para os letrados (GOMBRICH, 2008, p. 167). Não pode faltar U2 113História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Vamos pensar sobre como era o contexto histórico em que surge a arte românica: com a queda do Império Romano, a Igreja Católica provocou um momento de grande expansão do cristianismo pela Europa. Depois de enfrentar muitas inquietações, invasões bárbaras, o medo do fim do milênio e o consequente fim do mundo (com a chegada do ano 1000), ataques vindos dos árabes e problemas de diversas ordens, a Europa enfim alcançou um momento de estabilidade. Com a irradiação da Igreja Católica, a Europa passou a viver com uma nova exaltação de esperança. A arte é um elemento de propagação da religião nesse período e, até então, as manifestações artísticas continham estilos diferentes. A arte românica criou uma unificação nesses estilos. Nesta época também foram construídos imensos castelos, porém, com as guerras, estes acabaram sendo parcial ou totalmente destruídos, ao contrário das igrejas, que eram poupadas, já que a arte religiosa é sempre cuidada com mais zelo e mais respeito. O poder estava nas mãos do Papa, e não de um único rei, centralizando na Igreja todo o controle. Como consequência, houve um grande número de construções de novas igrejas e mosteiros, bem maiores e imponentes do que construções anteriores, sugerindo através da arquitetura uma forte religiosidade. O conceito da arquitetura românica foi indicado pela estrutura dessas construções. Baseavam-se na planta da basílica romana, com nave, abside e corredores, apesar de ter sido adicionado um transepto atravessando a nave, além de uma área que permitia que os fiéis caminhassem pelos santuários e visitassem as pequenas capelas laterais. (FARTHING, 2011, p. 108) Você sabe o que é transepto? Como é a estrutura de uma catedral românica? Exemplificando Assimile “Uma nave central que levava a um abside ou coro, e duas ou quatro naves colaterais. Às vezes esse plano simples era enriquecido por um certo número de adições. Alguns arquitetos gostavam da ideia de construir igrejas na forma de uma cruz, e para isso acrescentavam uma galeria transversal entre o coro e a nave, à qual se deu o nome de transepto.” (GOMBRICH, 2008, p. 173) U2 114 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Os bispos firmavam o poder da Igreja através das construções de imensas e poderosas igrejas e mosteiros. Para entendermos melhor o papel das igrejas para os povos daquela época, devemos olhar pelo seguinte ângulo: elas representavam a construção mais imponente da cidade (geralmente o único edifício feito de pedra da região, contrastava drasticamente com casas pobres e humildes), e eram um local de ponto de referência para peregrinos que vinham de longe. Todos os habitantes se encontravam nos cultos aos domingos. Certamente toda a comunidade se interessava e se envolvia na construção das igrejas, que levavam anos, e eram um fator de grande representação em suas vidas. Imagine só a transformação que a construção causava na cidade, com a extração de pedras, transporte, andaimes, trabalhadores que vinham de longe. Tudo isso mexia com a vida de todos os moradores (GOMBRICH, 2008, p. 171). As principais características das igrejas românicas são fachadas esculturais, utilização da abóbada de aresta (usada anteriormente pelos romanos) sustentada por pilares, arcos arredondados e maciços pés-direitos, dando uma sensação da robustez compacta de uma fortaleza. Na parte interna não há muitas decorações, há poucas janelas e, consequentemente, pouca iluminação. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/94/Celles_JPG00.jpg/800px-Celles_JPG00.jpg>.Acesso em: 26 jul. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6d/Xhignesse_JPG02.jpg/800px-Xhignesse_JPG02. jpg>. Acesso em: 26 jul. 2016. Figura 2.44 | Igreja Saint Hadelin, Bélgica Figura 2.45 | Igreja St. Médard, Bélgica U2 115História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média As novas igrejas e mosteiros construídos nesta época tinham o objetivo de receber muitos fiéis durante as peregrinações e, por esse motivo, tinham dimensões apreciáveis. Os muros das construções são extremamente sólidos, utilizando pedra como matéria-prima para a sustentação das pesadas abóbadas. É nesta época, na França, que ressurgem as esculturas monumentais de pedra, pois haviam desaparecido quase que completamente desde o século V. Através da arquitetura românica, houve um retorno das esculturas, entre os anos de 1050 e 1100, ainda com motivos religiosos ou vinculadas à arquitetura, “enfeitando” fachadas, portais, narrando eventos bíblicos. “Tudo o que pertencia à igreja tinha sua função definida e expressava uma ideia precisa, relacionada com os ensinamentos da igreja.” (GOMBRICH, 2008, p. 176). Considerada um dos pontos de arte românica mais importantes da Europa, e também um Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, a Catedral de Módena apresenta painéis externos esculpidos por Wiligelmo. Na parte interior encontra-se outro exemplo de escultura românica: o pontile, obra de um mestre da cidade de Campione d’Italia. É nessa catedral que fica a cripta, na qual se encontram os restos de São Geminiano, santo patrono de Módena. A escultura em alto-relevo do interior da catedral é mais detalhada do que a de Wiligelmo, na parte externa, porém, exprime a mesma e forte religiosidade (PRETTE, 2008, p. 201). Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Duomo_(Modena)#/media/File:Modena_duomo.jpg>. Acesso em: 26 jul. 2016. Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Duomo_di_Modena_-_interno.jpg?uselang=pt-br>. Acesso em: 26 jul. 2016. Figura 2.46 | Catedral de Módena, iniciada em 1099, arquitetura românica de tipo Emiliano: beiras em diferentes níveis, galeria de arcos, portal sustentado por duas colunas Figura 2.47 | Interior da Catedral de Módena U2 116 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Um centro importante da primeira escultura românica foi a Abadia de Moissac, ao norte de Toulouse. Os detalhes das esculturas externas da abadia demonstram um esmero na arte da escultura. Podemos ver imagens humanas e de animais esculpidas com muita precisão. As cenas esculpidas ilustram o Profeta, a Anunciação, a Visitação e a Adoração dos Magos, entre outras cenas da infância de Cristo (JANSON, 1993, p. 411). As formas são rígidas, sólidas e pesadas, carentes de leveza, mas é inegável o quanto estas esculturas são capazes de expressar. Fonte: <https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Romanesque_architecture&uselang=pt-br>. Acesso em: 26 jul. 2016. Fonte: <https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=Romanesque_architecture&uselang=pt-br#/media/ File:PisaDuomoSunset20020322.JPG>. Acesso em: 26 jul. 2016. Figura 2.48 | Detalhe da coluna de Strzelno, Polônia Figura 2.49 | Campo dos Milagres, em Pisa Cada região italiana desenvolveu seu próprio estilo românico diferenciando alguns detalhes importantes. O estilo de Pisa, onde fica a famosa torre italiana, possui uma importante representante: a Catedral de Pisa, fundada em 1064, elaborada pelos arquitetos Buschetto e Rainaldo. A catedral é conhecida por sua grandiosidade e pelos dois importantes monumentos que a adornam: a Torre e o Batistério. Há uma influência oriental que pode ser notada em motivos muçulmanos na decoração interna, na altura dos pilares e na luminosidade difusa (PRETTE, 2008, p. 203). U2 117História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média “O estilo românico irrompeu por toda Europa Ocidental quase ao mesmo tempo; consiste numa ampla variedade de estilos regionais, com numerosos pontos comuns, mas sem uma fonte central” (JANSON, 1993, p. 390). Entre as principais heranças acolhidas pelo estilo românico estão: a arte bárbara, elementos romanos tardios, paleocristãos, bizantinos, influências islâmicas e céltico-germânicas. O estilo gótico O estilo românico, porém, viveu pouco. No século XII uma ideia revolucionária surge na França: uma nova técnica que modificava a arquitetura das grandes catedrais. É o nascimento do estilo gótico. A arquitetura gótica nos apresenta monumentos gigantescos e surpreendentes. Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Cath%C3%A9drale_Notre-Dame_de_Paris#/media/File:Notredame_Paris. JPG>. Acesso em: 26 jul. 2016. Figura 2.50 | Catedral de Notre-Dame de Paris, 1163-1250 As catedrais eram o maior símbolo da fé cristã e do poder da Igreja Católica sobre as forças das trevas e, por isso, elas deviam ser mais altas do que qualquer outro edifício da cidade. As enormes alturas, que chegavam a ser vertiginosas, obrigando o observador a olhar para cima ao contemplar uma igreja, é uma das mais marcantes características da arquitetura gótica. No interior, multiplicaram-se as naves, cobertas de abóbadas ogivais de arestas e grandes janelas. Podemos perceber harmonia entre beleza e imponência. As grandes janelas permitem a entrada da “luz divina”, que inunda o local. Os arquitetos do Norte tiveram que abrir grandes janelas, para que a luz escassa do exterior penetrasse nas naves, clareando-as. O novo sistema construtivo permitia aliviar os muros, substituindo as janelas por janelões, aos quais foram aplicados vitrais policromos, que difundiam no interior da igreja sugestivos feixes de luz colorida. (PRETTE, 2008, p. 215) Reflita U2 118 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Sainte-Chapelle#/media/File:Paris-SainteChapelle-Interieur.jpg>. Acesso em: 26 jul. 2016. Figura 2.51 | Sainte-Chapelle, Paris, 1248 – Janelões com grandes vitrais policromos Os vitrais são um elemento fundamental na arquitetura gótica. A janela não é feita com grandes vidraças, ao invés disso, centenas de pequenos pedaços de vidro colorido unidos por tiras de chumbo, realizando assim um mosaico, ou uma espécie de quebra- -cabeça. Os vitrais consistiam em um trabalho muito especial e meticuloso, além da especial dificuldade que os artistas enfrentavam em cobrir superfícies tão amplas. “A tarefa requeria um planejamento metódico dos projetos, para o qual não havia precedentes na tradição da pintura românica.” (JANSON, 1993, p. 483). A arquitetura gótica foi certamente muito marcante, porém o estilo também se expandiu para a escultura e para a pintura. Na escultura podemos afirmar que, em comparação com a arte românica, cujas figuras são sólidas, a escultura gótica parece que dá vida às suas figuras, com fortes expressões em seus olhares e mais fluidez nos tecidos de suas roupas. Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Cath%C3%A9drale_Notre-Dame_de_Paris#/media/File:ND_portail_central_ gauche.jpg>. Acesso em: 26 jul. 2016. Figura 2.52 | Esculturas na Catedral de Notre-Dame de Paris U2 119História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Naumburg_Cathedral?uselang=pt-br#/media/File:Naumburg-Uta. JPG>. Acesso em: 26 jul. 2016. Figura 2.53 | Detalhe da escultura de Ekkehart e Uta, de 1260. Da série de 12 esculturas de seus fundadores no coro da catedral de Naumburg, estão consideradas entre as mais importantes da arte gótica na Alemanha Sobre a pintura gótica podemos afirmar que esta atingiu seu apogeu entre 1300 e 1350 na Itália Central; ao norte dos Alpes, no começo de 1400. A partir do século XIII, passa a ser mais utilizada a pintura mural, ou painéis em madeira pintada doque os mosaicos das igrejas. Os altares começam a ser pintados com figuras dramáticas de Cristo crucificado entre a Virgem e São João. Giotto di Bondone (Colle di Vespignano, 1266 – Florença, 1337) é considerado o inovador da pintura italiana. Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Giotto_di_Bondone_009.jpg>. Acesso em: 26 jul. 2016. Figura 2.54 | A Lamentação de Cristo, Giotto di Bondone, 1305 O painel A Lamentação de Cristo faz parte do conjunto de afrescos sobre a salvação de Cristo pintados por Giotto no interior da Capela de Scrovegni, ou Capela Arena, em Pádua. “Essa narrativa simplificada permite ao espectador se ater ao momento mais intenso do drama. Os rostos das imagens realistas são naturais e repletos de vida, ao passo que a angústia dos anjos é mais teatral e caótica” (FARTHING, 2011, p. 120). Os italianos inovaram as pinturas deste período através de novas técnicas da harmonia entre luz e sombra que inundam as cenas bíblicas, e foi esta originalidade que trouxe notoriedade para a pintura, em contraste com todo o prestígio da arquitetura gótica. U2 120 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Na arquitetura, você sabe quais são as principais diferenças entre o estilo românico e o estilo gótico? Fonte: Adaptado de <http://contandoohistoria.blogspot.com.br/2012/06/arte-romanica-e-arte-gotica. html>. Acesso em: 2 jul. 2016. ROMÂNICO GÓTICO Ênfase Horizontal Vertical Elevação Altura modesta Altíssima Planta Múltiplas unidades Espaço unificado inteiro Traço principal Arco redondo Arco pontudo Sistema de suporte Pilastras, paredes Contratores externos Engenharia Abóbadas em cilindros e de arestas Abóbadas com arestas e traves Ambiente exterior Simples, severo Ricamente decorado Ambiente interior Escuro, solene Leve, claro Abóbada: aduela que ocupa o ponto central e proporciona firmeza e equilíbrio a um arco. Abside: recinto semicircular ou poligonal, de teto abobadado, em geral situado na extremidade de uma construção. Nas igrejas cristãs, normalmente é o local em que fica o altar-mor. Afresco: pintura feita diretamente sobre o revestimento ainda úmido da parede ou teto. Batistério: local em que são realizados os batismos. Fonte: BECKETT, Wendy. A história da pintura. São Paulo: Editora Ática, 1997. ROCHAEL, Denise. Entre o céu e o inferno: Arte na Idade Média. São Paulo: Editora Cortez, 2014. Em um livro com linguagem simples, Rochael comenta a arte medieval, que se estendeu por mais de dez séculos, desde a criação imaterial de uma profusão de símbolos na formação da Roma cristã, no século V, até a construção vertical e desmaterializada das catedrais góticas, quando, então, foi surpreendida pela transformação revolucionária do pensamento renascentista. Assimile Vocabulário Pesquise mais U2 121História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Você leu o conteúdo desta seção no tópico Não Pode Faltar e seguiu as dicas de leitura extra e pesquisa que sugerimos? Então está pronto para resolver a situação-problema (SP) desta seção. Com a leitura dos conceitos apresentados neste material, você está preparado para ser um bom mediador no encontro cultural que acontecerá juntamente com a programação do N Design, um dos mais importantes eventos direcionados a estudantes de Design do Brasil. Quando o fórum começar, faça uma introdução geral lembrando como era a vida no período medieval e como as pessoas viviam, convide os participantes a agregarem à discussão o que eles sabem a respeito. A arte românica é o estilo de arte e arquitetura vigente entre os séculos XI e XIII, na Europa, e está diretamente relacionada ao poder da Igreja Católica, já que boa parte da produção artística saía dos grandes centros de saber: os mosteiros. O principal objetivo dos artistas desta época era transmitir aos fiéis a mensagem da história sagrada, e quando nos referimos a artistas estamos falando da arquitetura, da produção das esculturas e da pintura. Era com essas manifestações artísticas que os fiéis não alfabetizados tinham acesso a grandes temas bíblicos. O poder estava nas mãos do Papa. Por esse motivo o número de grandiosas construções de novas igrejas e mosteiros cresceu significantemente nesta época. As construções eram bem maiores do que as anteriores, sugerindo a forte religiosidade através da arquitetura. A igreja representava a construção mais imponente da cidade (geralmente o único edifício feito de pedra da região, que contrastava com casas pobres e humildes), e era um ponto de referência para peregrinos que vinham de longe. Quanto às suas características, as igrejas românicas possuem fachadas esculturais, utilização da abóbada de aresta (utilizada anteriormente pelos romanos, e por causa desta influência o nome românico) sustentada por pilares, arcos arredondados e maciços pés-direitos. A parte interna não exibe muitas decorações. Há poucas janelas, por isso a iluminação escassa. O estilo gótico tinha a mesma função de representar o poder da Igreja através da arte. O estilo gótico, porém, é posterior ao estilo românico, e suas principais características na arquitetura são: verticalismo, alturas imensas, abóbadas de arcos cruzados, torres, agulhas, paredes finas, grandes janelas com vitrais coloridos, estrutura pontiaguda. Ambiente decorado com arte narrativa e iluminado. Apesar dos estilos românico e gótico estarem presentes em outras manifestações artísticas, foi na arquitetura que eles se desenvolveram profundamente, mudando para sempre as construções de igrejas e mosteiros, conforme vemos nas figuras a seguir: Sem medo de errar U2 122 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/ed/Catedral_de_Col%C3%B4nia_-_lateral_ (6266766371).jpg/1131px-Catedral_de_Col%C3%B4nia_-_lateral_(6266766371).jpg>.Acesso em: 26 jul. 2016. Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Abteilkirche_Murbach2_(modificat).jpg?uselang=pt-br>. Acesso em: 26 jul. 2016. Figura 2.55 | Catedral de Colônia, Alemanha, estilo gótico Figura 2.56 | Igreja Beneditina de Murbach, Alsácia, estilo românico Relendo o item Não Pode Faltar você também encontrará outras informações importantes. Aproveite e incremente as suas reflexões e observações a serem inseridas no fórum de discussões. Você se lembra do que vimos sobre a pintura gótica? Atingiu seu apogeu entre 1300 e 1350 na Itália Central; ao norte dos Alpes, no início de 1400. A partir do século XIII, passa a ser mais utilizada a pintura mural, ou painéis em madeira pintada, do que os mosaicos das igrejas. Os altares começam Atenção U2 123História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média a ser pintados com figuras dramáticas de Cristo crucificado entre a Virgem e São João. Giotto di Bondone (Colle di Vespignano, 1266 – Florença, 1337) é considerado o inovador da pintura italiana. Um centro importante da primeira escultura românica foi a Abadia de Moissac, ao norte de Toulouse. Os detalhes das esculturas externas da abadia demonstram um esmero na arte da escultura. Podemos ver imagens humanas e de animais esculpidas com muita precisão. Arte românica e arte gótica no Brasil Descrição da situação-problema Você sabia que é possível encontrar exemplos de arquitetura gótica e românica no Brasil? Uma agência de turismo o chamou com o objetivo de realizar consultoria para um curso de história da arte que eles querem montar. A ideia é elaborar um roteiro para que os turistas visitem igrejas com estilo gótico e estilo românico no Brasil, ou mesmo igrejas que contenham algumas das características marcantes de cada época. Estamos nos referindo à arquitetura desenvolvida principalmente na Europa, entre os séculos XI e XII. Pode ser que vocêencontre no Brasil exemplos de construções tardias, porém que contenham as características mais marcantes de cada estilo, ou que tenham elementos de referência de cada estilo. Elas poderão ser incluídas no roteiro. A arquitetura gótica é muito conhecida, pois exerceu certamente um papel muito marcante, mas não podemos esquecer que o estilo gótico também estava presente em esculturas e pinturas. Você se lembra quais são as características da escultura gótica? Podemos afirmar que, em comparação com a arte românica, cujas figuras são sólidas, a escultura gótica parece que dá vida às suas figuras, com fortes expressões em seus olhares e mais fluidez nos tecidos de suas roupas. Lembre-se Avançando na prática Lembre-se U2 124 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Resolução da situação-problema Faça uma pesquisa e descubra quais são as igrejas que podem ser incluídas neste roteiro. Não se esqueça de citar a localização e o ano de sua construção. Para enriquecer sua pesquisa: Arquitetura gótica no Brasil e Portugal. Disponível em: <http://arteoasis.blogspot. com.br/2011/05/arquitetura-gotica-no-brasil-e-portugal.html>. Acesso em: 3 jul. 2016. Arte gótica. Disponível em: <http://pointdaarte.webnode.com.br/news/a-historia-da- arte-gotica/>. Acesso em: 3 jul. 2016. Por qual dos dois estilos apresentados você se interessa mais? Românico ou gótico? Escolha um e realize uma pesquisa mais elaborada. Escreva um texto, cite exemplos, utilize imagens para ilustrar. Não esqueça de mencionar artistas importantes de cada estilo, seja na escultura ou na pintura. Você pode fazer um blog sobre história da arte e elaborar, a partir dessa pesquisa, sua primeira postagem e dividir com outros usuários informações importantes e interessantes sobre arte na Idade Média. 1. O período que veio depois da queda do Império Romano representou um momento histórico de muitas guerras, invasões e migrações, pouco conhecimento e principalmente um período de transição entre o fim do mundo antigo e o surgimento de uma nova forma de vida e novas crenças. A produção de arte também representa essas grandes mudanças e, como temos visto até aqui, exerce um papel de extrema importância nessas transformações. Como foi chamado este período? a) Pré-História. b) Idade Antiga. c) Idade das Trevas. d) Período Paleolítico. e) Idade Moderna. Faça você mesmo Faça valer a pena U2 125História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média 2. O que é arte românica? a) O estilo de arte e arquitetura vigente entre os séculos XI e XIII, na Europa. b) O estilo de pintura e escultura que os romanos desenvolveram durante o Império Romano. c) A influência que os romanos exerceram sobre a arte grega, nos séculos XI e XII. d) A arquitetura de castelos e igrejas, com alturas vertiginosas, torres, agulhas e arcos. e) Arquitetura utilizada em aquedutos e anfiteatros, com grandes arcos e pilares. 3. Qual era o objetivo dos artistas da época da Idade Média? a) Pintar paredes de cavernas, com ensinamentos para seus descendentes. b) Pintar a parte interna das pirâmides, com mensagens destinadas aos faraós na vida após a morte. c) Transmitir aos fiéis a mensagem da história sagrada através da pintura e da escultura. d) Fazer retratos de burgueses e aristocratas, já que não havia a tecnologia da fotografia. e) Registrar paisagens naturais e paisagens urbanas, para mostrar às futuras gerações como era o mundo na Idade Média. U2 126 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média U2 127História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média Referências ARAUJO, Gabriely. Arquitetura medieval: estilo gótico e romântico. Estudo prático, 26 nov. 2013. Disponível em: <http://www.estudopratico.com.br/arquitetura-medieval- estilo-gotico-e-romantico/>. Acesso em: 2 jul. 2016. Arquitetura na Idade Média. Arquiteto fala..., 11 dez. 2011. Disponível em: <http:// arquitetofala.blogspot.com.br/2011/12/idade-media-e-arquitetura-ocidental.html>. Acesso em: 2 jul. 2016. Arte gótica. Point da Arte, 27 set. 2011. Disponível em: <http://pointdaarte.webnode. com.br/news/a-historia-daarte-gotica/>. Acesso em: 3 jul. 2016. Arte rupestre. Youtube, 10 abr. 2015. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=BfbG1Aq20xA>.Acesso em: 2 jul. 2016. A casa dos Flintstones. Casa e jardim, 25 set. 2015. 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História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média 131 U2 História da arte da Pré-História, antiguidade e Idade Média WOODFORD, Susan. História da arte da Universidade de Cambridge: Grécia e Roma. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982. Unidade 3 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Seja bem-vindo à terceira unidade deste material. Estamos estudando História da Arte e do Design, e você já leu a respeito da arte na Antiguidade, conhecendo a Mesopotâmia, o Egito Antigo, a Grécia Antiga e Roma e, na Idade Média, arte românica e estilo gótico. Esta unidade lhe apresentará os seguintes tópicos: Renascença (que marca a transição da Idade Média para a Idade Moderna), Arte Barroca, Impressionismo e Pós-Impressionismo e a transição entre o século XIX e o século XX: as mudanças na arte e no design. Vamos analisar o advento da produção em massa e o papel do design neste contexto. Com isso, estudaremos Arts and Crafts e Art Nouveau.Ao final desta unidade você será capaz de reconhecer as características de todas essas manifestações artísticas, além dos principais artistas de cada período. Estudaremos grandes transformações na história da civilização humana e, consequentemente, na maneira de fazer, interpretar e contemplar arte. Para compreender a importância do aprendizado destes tópicos, imagine que você foi contratado pela Escola Brasileira de Design e Artes Criativas, que oferece cursos técnicos e livres, nas áreas de artes, audiovisual, design e computação gráfica. Além de cursos, a Escola Brasileira de Design e Artes Criativas também promove encontros, eventos culturais e possui uma grande área destinada a importantes exposições, abertas e gratuitas ao público. Você terá uma série de desafios a serem enfrentados e o conteúdo desta unidade o auxiliará em todos eles. Vamos iniciar nosso trabalho refletindo sobre algumas questões da história da arte: o que foi o Renascimento e onde ocorreu? Você sabe o que é Arte Barroca e quem são os principais artistas representantes desta importante manifestação artística? E quem são Convite ao estudo U3 134 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea os precursores da arte moderna, responsáveis por movimentos como Impressionismo e Pós-Impressionismo? Estes e outros fatos interessantes o esperam nas próximas páginas. Vamos, juntos, buscar respostas para essas questões. U3 135História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Seção 3.1 O século XV e o Renascimento O Renascimento, também conhecido como Renascença, é muito explorado nos cursos ministradosno seu novo local de trabalho, a Escola Brasileira de Design e Artes Criativas. Nesta seção, sairemos do período medieval para adentrarmos na Idade Moderna, que vem acompanhada de muita beleza em suas manifestações artísticas. Com o conhecimento que você irá adquirir nas páginas seguintes, seu próximo trabalho na Escola Brasileira de Design e Artes Criativas ficará mais fácil. Você foi selecionado para elaborar o conteúdo sobre Renascimento para o aplicativo desenvolvido pela escola, que tem como objetivo disponibilizar textos de qualidade e imagens em alta resolução para seus alunos. O tema a ser desenvolvido é: Grandes Mestres Renascentistas, e você deverá estar a par do assunto para poder participar da primeira reunião sobre a elaboração deste conteúdo. Com este estudo você irá desenvolver sua capacidade de pesquisa e de análise de obras de arte. Para organizar as informações acerca do tema, você deve refletir sobre as seguintes questões: O que marca o período do Renascimento? Qual é a base da arte renascentista? Qual o objetivo da arte neste período? E os artistas, quais são os principais nomes do Renascimento? Quais são suas obras mais importantes? A partir da leitura realizada nesta seção, você estará preparado para atuar na Escola Brasileira de Design e Artes Criativas, compartilhando seu conhecimento com os estudantes da escola. Boa leitura! Diálogo aberto U3 136 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Nesta seção, nossa viagem será para os séculos XIV e XVII. Vamos conhecer o Renascimento, que foi o período cultural que se desenvolveu a partir da Itália. Você certamente conhece uma série de obras artísticas desse período, quando surgiram muitos artistas que admiramos até os dias de hoje. O Renascimento italiano pode ser reconhecido em pinturas, esculturas e na arquitetura. O Renascimento, ou Renascença, marca a transição da Idade Média para a Idade Moderna. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f2/Sandro_Botticelli_046.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 3.1 | O nascimento de Vênus (1485), Sandro Botticelli; Galleria degli Uffizi, Florença Vamos entender o contexto histórico do surgimento da Renascença. A Europa do século XIV enfrentou uma epidemia, conhecida como a peste negra, que exterminou a maior parte da população, além de grandes mudanças econômicas, intelectuais, culturais, políticas e artísticas, crises, fome, guerras e revoltas de camponeses, que foram capazes de restabelecer as estruturas sociais. O antigo sistema feudal caiu e todas essas transformações deram espaço a um novo período histórico, favorecendo o surgimento de um modelo econômico comercial e consequentemente o advento da burguesia mercantil, que representava uma nova classe social, exercendo uma importante função para a política e para a arte, através de grandes incentivos fiscais que proporcionavam vida longa à carreira de muitos artistas. Não pode faltar Assimile U3 137História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea A arte Renascentista tinha como alguns de seus principais objetivos a superação da Antiguidade Clássica, o que levava à pesquisa, à experimentação, à especulação e à inovação. Era uma época em que os ideais da Antiguidade clássica estavam sendo restaurados através de uma nova concepção criativa e humanista. Isso na prática representa uma valorização maior das obras de arte e, dessa maneira, o artista ganha um novo papel social, ocupando um lugar de respeito e admiração, não sendo mais um escravo, artesão ou mero prestador de serviço, como em outras épocas. Florença é o berço do Renascimento no século XV, tendo a política da família Médici como grande responsável pelo financiamento da arte deste período (PRETTE, 2008, p. 228). A arte renascentista tinha como base a análise de ruínas romanas e a recuperação de textos clássicos. Neste período o mundo presenciou uma importante ruptura com a manifestação artística da Idade Média – o românico e o gótico – inovando a maneira de fazer arte e os temas representados, a partir de um movimento cultural chamado Humanismo, que surgiu em Florença, no século XIV, que se manifestou no uso de mecanismos reflexivos de análise do mundo, baseados em explicações racionais, dando prioridade ao homem e às realizações humanas, sem rejeitar o conhecimento teológico (FARTHING, 2011, p. 150). A cultura humanista alterou substancialmente a pintura, a escultura e a arquitetura na Itália, resgatando a história e a mitologia romanas como principais temas. Trouxe também consequências fundamentais, como o desenvolvimento da técnica da perspectiva artificial, ou seja, um sistema de representação que reproduz os ambientes e as personagens de uma pintura de maneira proporcional. Vamos conhecer alguns artistas importantes deste período: Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/67/Santa_Maria_del_Fiore.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 3.2 | Santa Maria de del Fiore, Florença. Cúpula projetada por Brunelleschi U3 138 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Filippo Brunelleschi (1377-1446), ourives, arquiteto e pesquisador. Projetou a cúpula da Catedral de Florença, entre 1417 e 1420, a partir de um sistema de nervuras, ao estilo gótico, com perfil em ponta reforçado com ligaduras horizontais. Criou uma nova linguagem arquitetônica, a partir de estudos que realizou quando foi com seu amigo Donatello, também artista, para Roma, com o objetivo de aprofundar seu conhecimento em arquitetura romana antiga. A obra de Brunelleschi, que tem suas maiores obras-primas em edificações para o culto religioso, caracteriza-se por um novo modo de construir o espaço no interior do edifício. Uma sucessão de espaços bem definidos pelas arcadas clássicas de arcos plenos e em pedra escura cria um efeito perspectivo ordenado e claro nas igrejas florentinas de São Lourenço e do Santo Espírito. Na estrutura global dessas construções se alternam paredes lisas e brancas e colunas elegantes, esguias e em pedra cinzenta. As colunas são clássicas, com capitéis coríntios, e o teto é decorado com caixotões como os edifícios clássicos romanos. Nenhuma decoração pictórica perturba a clareza geométrica das construções de Brunelleschi. (PRETTE, 2008, p. 238) Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/df/Einblick_LH_San_Lorenzo_Florenz.jpg/800px- Einblick_LH_San_Lorenzo_Florenz.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 3.3 | Interior da Basílica de São Lourenço (1419). Brunelleschi; Florença U3 139História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Donatello di Niccoló (1386-1466), renomado escultor, com um talento extraordinário. Agregava às suas esculturas expressões dramáticas que surpreendiam a todos. Ele se interessou pela estatuária greco-romana e ampliou os estudos em anatomia humana, o que reforçava os conceitos humanistas aplicados à arte. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/c5/Donatello_San_Jorge_05.JPG/400px-Donatello_ San_Jorge_05.JPG>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 3.4 | São Jorge (1416) esculpido por Donatello; Museo Nazionale del Bargello, Florença Masaccio (1401-1428) foi um grande mestre da pintura, criando uma nova linguagem pictórica. Afastou-se do estilo gótico e desenvolveu uma nova linguagem de formas modeladas de claro-escuro (PRETTE, 2008, p. 231). Suas obras de arte racionalizam a representação por meio da perspectiva. Seus trabalhos mais significativos são: afrescos da Capela Brancacci, na Igreja do Carmo de Florença, com diversas cenas da vida de São Pedro e A Santíssima Trindade, para a Igreja de Santa Maria Novella, afresco funerário, para ser contemplado de baixo, imitando uma capela. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d2/Masaccio%2C_trinit%C3%A0.jpg/320px-Masaccio%2C_ trinit%C3%A0.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 3.5 | A Santíssima Trindade (1426-28). Masaccio; Igreja de Santa MariaNovella, Florença U3 140 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Michelangelo Buonarroti (1475-1564), também um nome muito importante do Renascimento, com admiráveis trabalhos como escultor, pintor e arquiteto, mas foi na escultura que Michelangelo ganhou sua primeira notoriedade, sendo Pietà e Davi algumas das obras mais magníficas de todos os tempos. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d5/David_von_Michelangelo.jpg/320px-David_von_ Michelangelo.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1f/Michelangelo%27s_Pieta_5450_cropncleaned_edit. jpg/572px-Michelangelo%27s_Pieta_5450_cropncleaned_edit.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 3.6 | Davi de Michelangelo (1501-04); Galleria dell'Accademia, Florença Figura 3.7 | Pietà de Michelangelo (1498); Basílica de São Pedro, Vaticano U3 141História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/30/%27Adam%27s_Creation_Sistine_Chapel_ ceiling%27_by_Michelangelo_JBU33cut.jpg/1280px-%27Adam%27s_Creation_Sistine_Chapel_ceiling%27_by_ Michelangelo_JBU33cut.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 3.8 | Detalhe do teto da Capela Sistina: A criação de Adão (1508-12) de Michelangelo; Vaticano Michelangelo se considerava muito mais um escultor do que um pintor, e foi com certa resistência que aceitou o pedido do Papa Júlio II (nascido Giuliano della Rovere) para decorar o teto da Capela Sistina, onde, pela tradição, os cardeais se reúnem para eleger um novo pontífice. O artista rejeitou as ideias do Vaticano no que dizia respeito ao tema e se encarregou de substituir a decoração existente, de um céu simples cheio de estrelas, por uma composição mais arquitetônica, na qual a Criação Divina e a Queda do Homem foram reencenadas. Pilastras pintadas se estendem de um lado a outro do teto, criando nove painéis nos quais as principais cenas do Livro do Gênesis foram retratadas. Uma divisão harmônica do teto em grandes pinturas horizontais e cenas adjacentes menores, cercadas por ignudi (jovens nus) ressaltam as quatro imagens principais dispostas em ordem cronológica: A Separação da luz e das trevas, A criação de Adão, O pecado original e a expulsão do Jardim do Éden e O dilúvio. (FARTHING, 2011, p. 178) Esta é certamente considerada a obra principal de Michelangelo como pintor. A imagem da criação de Adão é uma das mais famosas da história da arte. Deus Pai, com um severo rosto de barba branca que denota sua autoridade, cercado por anjos. Adão, fisicamente perfeito, recebe do dedo indicador de Deus uma espécie de carga elétrica que lhe dá vida. Podemos notar obediência e encantamento no olhar de Adão para Deus (CUMMING, 1995, p. 31). U3 142 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Em quanto tempo você acha que Michelangelo pintou o teto da Capela Sistina? O enorme empreendimento, que conta com mais de 300 personagens, foi concluído em quatro anos, com início em 1508 e término em 1512. O Juízo Final foi pintado alguns anos mais tarde, tendo início em 1535 e término em 1541. Sandro Botticelli (1446-1510), pintor de importância significativa. Entre suas obras mais importantes está O nascimento de Vênus (1485). O quadro possui 172,5 cm x 278,5 cm, e causou revolução em sua época, já que foi a primeira pintura renascentista com tema mitológico. Vênus, ao centro do quadro, está rodeada por Zéfiro, o Vento Oeste, pela Ninfa Clóris (raptada por Zéfiro) e uma Hora que a acompanha, cujo manto representa a primavera. Vênus é uma das deusas mais importantes da Antiguidade. Os gregos a chamavam de Afrodite. Ela é a deusa da beleza e do amor humano. Botticelli representou-a com um ideal de beleza clássica muito admirado no início da Renascença. O quadro foi uma encomenda feita por um membro da rica e poderosa família Médici. “A história do nascimento de Vênus era símbolo de mistério através do qual a mensagem divina da beleza veio ao mundo. Pode-se imaginar que Botticelli se dedicou ao trabalho com reverência, a fim de representar esse mito de um modo condigno” (GOMBRICH, 2008, p. 264). Botticelli foi um pintor culto, apaixonado pela mitologia e pela filosofia e, certamente, um dos mais importantes nomes da arte da Renascença. Ticiano Vecellio (1485?-1576) foi considerado o maior pintor da escola veneziana. Viveu em Veneza, na época uma das mais poderosas cidades da Itália, durante toda sua vida, encontrando na intensa luz e na cor dos canais da cidade inspiração para suas magníficas pinturas. Ticiano foi um pintor muito bem-sucedido, recebendo encomendas do Papa, de reis da França e da Espanha. O célebre quadro Baco e Ariadne (1522-23) faz parte de uma série de obras com temas mitológicos encomendadas por Alfonso d’Este, duque de Ferrara, para decorar sua casa de campo. A pintura retrata o momento em que a princesa grega Ariadne, logo após ter sido abandonada na ilha de Naxos pelo seu amante Teseu, encontra Baco, o deus do vinho, e os dois se apaixonam à primeira vista. Baco é representado como um jovem bem nutrido, que traz em sua cabeça uma coroa de folhas de louro e de parreira. Seus olhos, com uma expressão intensa e ardente, encaram sua futura esposa. Inicialmente assustada com o aparecimento de Baco, o rosto da princesa exterioriza uma combinação de medo e interesse (FARTHING, 2011, p. 170). Esta obra-prima é uma das primeiras de Ticiano, que se tornou o artista mais famoso da Europa na época da Renascença. Exemplificando U3 143História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6f/Tiziano%2C_bacco_e_arianna_01.jpg/661px- Tiziano%2C_bacco_e_arianna_01.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 3.9 | Ticiano; Baco e Ariadne (1522- 23). Óleo sobre tela; National Gallery, Londres Repare bem na Figura 3.9. Há muitos elementos a serem notados na pintura. - A assinatura de Ticiano aparece, em latim, num vaso de bronze que está em cima de um tecido amarelo no chão. “TICIANVS F(ecit)”, o que significa: Feito por Ticiano. Ticiano foi um dos primeiros pintores a assinar seus quadros. - Observe o encontro dos olhares dos protagonistas: há uma linha invisível que vai do rosto de Ariadne ao rosto de Baco, intensificando o momento (CUMMING, 1995, p. 36). Leonardo da Vinci (1452-1519), nome obrigatório a ser estudado em história da arte, o artista não poderia ficar de fora de sua exposição virtual. Um dos maiores representantes da essência humanista da Renascença, Leonardo da Vinci é um nome muito importante em praticamente todos os campos do saber. Em suas pinturas, dá uma atenção especial ao completo estudo da anatomia e à caracterização fisionômica em relação às expressões de ânimo e sentimento de seus personagens. Entre suas obras mais importantes estão A última ceia (1495-8), no refeitório do convento de Santa Maria delle Grazie, em Milão, e a Mona Lisa (c. 1503-19), também conhecida como A Gioconda. Esta deve ser a pintura mais famosa do mundo, e pode ser vista no Museu do Louvre, em Paris. O quadro, com dimensões de 77 x 53 cm, está protegido por um forte vidro resistente a tiros. Não é para menos. A Mona Lisa foi considerada Reflita U3 144 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea a obra que trouxe uma nova dimensão de realismo e veracidade à arte da pintura (CUMMING, 1995, p. 27). Um típico retrato renascentista, A Gioconda tem composição equilibrada e a protagonista exibe um olhar sereno e um sorriso misterioso. Leonardo da Vinci era um talentoso pintor de mãos. Repare que as mãos cruzadas de Mona Lisa estão placidamente pousadas sobre seu colo, num sinal de decoro da época. Em regras de bom comportamento, uma mulher devia manter sua mão direita sempre sobre a esquerda, na altura da cintura, imóvel ou andando (FARTHING, 2011, p. 177). A imortal Mona Lisa até hoje é uma grande inspiraçãopara poemas, canções, esculturas e inúmeros anúncios comerciais. “O que mais impressiona é o sorriso que nasce nos olhos mais do que na boca. [...] Quem olha se sente olhado” (PRETTE, 2008, p. 242). Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/ec/Mona_Lisa%2C_by_Leonardo_da_Vinci%2C_from_ C2RMF_retouched.jpg/235px-Mona_Lisa%2C_by_Leonardo_da_Vinci%2C_from_C2RMF_retouched.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 3.10 | Leonardo da Vinci, Mona Lisa (c. 1503-19), óleo sobre madeira; Museu do Louvre, Paris Este livro é um marco no desenvolvimento da teoria estética moderna. O autor explica a evolução dos estilos artísticos através de análises de grandes obras. WOLFFLIN, Heinrich. Conceitos fundamentais da história da arte. São Paulo: Martins Fontes, 2015. Pesquise mais U3 145História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Vimos até aqui alguns dos mais importantes mestres da Renascença, porém há muitos outros, de grande importância e magníficas obras. Escolha uma área que mais lhe agrade: escultura, arquitetura ou pintura, e realize uma pesquisa sobre outros artistas significativos desta época fazendo anotações sobre suas características, obras de arte e seu papel no período renascentista. O Renascimento, também conhecido como Renascença, foi o período cultural que se desenvolveu na Itália a partir a partir do século XIV e pode ser reconhecido em pinturas, esculturas e na arquitetura. Ele marca a transição do fim da Idade Média para o surgimento da Idade Moderna e, por esse motivo, a inovação era um de seus principais objetivos, além de especulação e experimentação. Estamos nos referindo a uma época em que os ideais da Antiguidade clássica estavam sendo restaurados, através de uma nova concepção criativa e humanista. A arte da Renascença tinha como base a Antiguidade Clássica e a recuperação de textos clássicos. Neste período houve uma importante ruptura com as manifestações artísticas da Idade Média, que estudamos na Seção 2.1, o românico e o gótico, inovando a maneira de fazer arte e os temas representados a partir de um movimento cultural chamado Humanismo, que surgiu em Florença, no século XIV. O movimento humanista se manifestou através do uso de mecanismos reflexivos de análise do mundo, baseados em explicações racionais, priorizando assim o homem e as realizações humanas, sem, claro, rejeitar o conhecimento teológico. Alguns dos principais artistas renascentistas, e suas grandes obras, são: - Arquiteto: Filippo Brunelleschi (1377-1446), responsável pela igreja de São Lourenço (1419) e pela cúpula da Catedral de Florença (1417-20). - Escultor: Donatello di Niccoló (1386-1466), escultor de São Jorge (1416). - Pintor: Masaccio (1401-1428), responsável pela obra A Santíssima Trindade (1420- 25). - Pintor e escultor: Michelangelo Buonarroti (1476-1564), responsável pelo teto da Capela Sistina, Vaticano (1508-12), e pela escultura de Davi (1501-04). - Pintor: Sandro Botticelli (1444-1510), pintou O nascimento de Vênus (1485). - Pintor: Ticiano Vecellio (1485-1576), pintou Baco e Ariadne (1522-23). Faça você mesmo Sem medo de errar U3 146 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea - Pintor: Leonardo da Vinci (1452-1519), pintou a Mona Lisa (c. 1503-19). O Renascimento marca um período de grandes transformações. Foi a transição da Idade Média para a Idade Moderna. A arte representa essa mudança através da inovação e da experimentação dos artistas em suas estupendas obras-primas, reconhecidas e contempladas até os dias de hoje nos mais importantes museus do mundo. Florença é o berço do Renascimento no século XV, tendo a política da família Médici como grande responsável pelo financiamento da arte deste período. Veneza também se destacou nesta época com Ticiano, seu nome mais importante. Analisando obras de arte Descrição da situação-problema Você foi convidado a trabalhar durante uma semana no Museu de Arte de São Paulo – MASP e, juntamente com sua equipe (um grupo de 4 integrantes), você irá passar uma semana contemplando e analisando obras de arte renascentistas. O museu conta com obras de Rafael (Rafaello Sanzio), como Ressurreição de Cristo (1499-1502); São Jerônimo penitente no deserto (1448-51), de Andrea Mantegna; Ecce Homo ou Pilatos apresenta Cristo à multidão (1518-94), de Tintoretto; Virgem com o Menino e São João Batista criança (1490-1500), de Sandro Botticelli, e São Sebastião na coluna (1500-10), de Pietro Perugino. Em conjunto com sua equipe, escolha uma obra, faça uma pesquisa sobre a pintura e o artista. A sua análise será publicada no site do MASP, ficando disponível a todos os interessados por arte renascentista. O Renascimento, ou Renascença, foi um período no qual houve o resgate da glória do Império Romano e, por esse motivo, a cultura voltou-se à Atenção Lembre-se Avançando na prática Lembre-se U3 147História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea estética utilizada pelas civilizações grega e romana. Os artistas passaram a usar os temas da mitologia greco-romana nas esculturas e pinturas. A primeira pintura renascentista com tema mitológico foi O nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, em 1485. Resolução da situação-problema Observe as obras do MASP citadas e escolha a que mais lhe interessa: Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/24/Perugino_-_ssebastiao03.jpg/401px-Perugino_-_ ssebastiao03.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/45/Sandro_botticelli_-_virgem_com_o_ menino_e_s%C3%A3o_jo%C3%A3o_batista_crian%C3%A7a_04.jpg/400px-Sandro_botticelli_-_virgem_com_o_ menino_e_s%C3%A3o_jo%C3%A3o_batista_crian%C3%A7a_04.jpg >. Acesso em: 12 set. 2016. Figura 3.11 | São Sebastião na coluna, de Pietro Perugino Figura 3.12 | Virgem com o Menino e São João Batista criança (1490-1500), de Sandro Botticelli U3 148 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/32/Raffaello_Sanzio_Auferstehung_Christi_Sao_Paulo. jpg/491px-Raffaello_Sanzio_Auferstehung_Christi_Sao_Paulo.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2b/Andrea_Mantegna_Hieronymus.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0a/Tintoretto_-_ecce_homo_masp.JPG>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 3.13 | Ressurreição de Cristo, de Rafael Figura 3.14 | São Jerônimo penitente no deserto, de Andrea Mantegna Figura 3.15 | Ecce Homo ou Pilatos apresenta Cristo à multidão, de Tintoretto U3 149História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea A partir da pesquisa realizada, escolha a obra que mais lhe agrada e escreva um texto, de uma a duas páginas, com uma análise pessoal da pintura ou escultura escolhida. Você pode falar sobre a sua própria sensação ao contemplar a obra e quais elementos mais lhe chamam a atenção. 1. O Renascimento é conhecido por ser uma época de renovação de antigas ideias. Iniciou na Itália, porém, logo se expandiu para outros países da Europa. Foi também um período em que surgiram excelentes artistas, como Leonardo da Vinci e Michelangelo, e importantes escritores, como Shakespeare, na literatura. A Igreja Católica já não tinha mais o mesmo poder sobre a vida cultural, que sofreu influência de estudiosos da Antiguidade greco-romana, chamados de humanistas. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/25/Sandro_Botticelli_-_La_Primavera_-_Google_ Art_Project.jpg/1024px-Sandro_Botticelli_-_La_Primavera_-_Google_Art_Project.jpg>. Acesso em: 27 jul. 2016. Figura 3.16 | Botticelli, Primavera (1478); Galleria degli Uffizi, Florença É correto afirmar que: a) O Renascimento, ou Renascença, marca a transição do fim da Idade Média para o surgimento da Idade Moderna. b) O Renascimento é influenciado pela cultura do período da Pedra Lascada. c) Lascaux é umaimportante catedral renascentista, localizada na França. d) As catedrais renascentistas são obras gigantescas e monumentais, de Faça você mesmo Faça valer a pena U3 150 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea 2. Observe as afirmações abaixo: I. O Renascimento, ou Renascença, marca a transição do fim da Idade Média para o surgimento da Idade Moderna. II. O Renascimento italiano pode ser reconhecido em pinturas, esculturas e na arquitetura. III. O Renascimento italiano é uma manifestação artística medieval. Podemos dizer que: a) As afirmações I, II e III são verdadeiras. b) Apenas a afirmação I é verdadeira. c) Apenas a afirmação II é verdadeira. d) As afirmações I e II são verdadeiras. e) As afirmações I e III são verdadeiras. 3. Eram objetivos da arte renascentista: a) Devoção à Igreja Católica através de peregrinações e visitas a grandes catedrais. b) Experimentação, especulação e inovação. c) Construção de catedrais góticas e românicas. d) Resgate do estilo e dos mitos da arte rupestre. e) Educação religiosa através da arte, em altas catedrais de estilo gótico. grandes janelas com vitrais coloridos. e) O Renascimento é o período cultural que se desenvolveu na Itália a partir do ano de 1700. U3 151História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Seção 3.2 O século XVII e a arte barroca A história da arte é contada a partir da sucessão de vários estilos artísticos. Já estudamos a Idade Média e os estilos presentes na arquitetura, pintura e escultura. São eles: o estilo românico, com seus arcos perfeitos, e o estilo gótico, com enormes catedrais e o arco ogival. Vimos que o estilo gótico foi substituído por uma fase muito peculiar da história da arte: a Renascença, que começou na Itália no início do século XV e se propagou a vários outros países da Europa. Compreendemos o pensamento humanista e conhecemos os principais artistas renascentistas. Você sabe o que vem depois? O estilo que sucedeu a Renascença é conhecido como Barroco. Você vai precisar deste conhecimento na Escola Brasileira de Design e Artes Criativas, que receberá um importante historiador, especialista em período barroco, o qual fará uma palestra aos alunos e professores e analisará uma obra de arte barroca. Você, juntamente com sua equipe, também faz parte da organização e produção desse evento e também irá escrever alguns textos analíticos sobre arquitetura, escultura e pintura desse período. Seu trabalho será exposto durante a programação. Para se preparar melhor, você deverá refletir sobre as seguintes questões: O que significou a Contrarreforma da Igreja Católica? Qual foi o papel da arte nesse movimento? Quem são os principais artistas barrocos? Qual a diferença deste estilo em relação aos anteriores? A leitura do item Não Pode Faltar vai ajudá-lo a responder essas e outras questões. Com isso você irá compreender a evolução da história da arte e o contexto histórico ocidental a partir de 1600, desenvolvendo a capacidade de reconhecer os principais artistas da arte barroca. Para isso bastar concentrar-se na leitura do seu Livro Didático. Bons estudos! Diálogo aberto U3 152 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Europa, século XVII. Um período de grandes transformações na política, nas ciências e na religião. O cristianismo ocidental foi dividido entre a Igreja Católica e a Protestante, o que fez com que a Igreja Católica refletisse sobre novas estratégias para a recuperação dos seus fiéis, por meio da ênfase da divulgação dos ideais religiosos e por meio de imagens que despertariam a renovação do entusiasmo de devoção. Mas o Barroco foi mais do que um estilo ligado à religião Católica, repercutindo em outras formas de arte e em regiões dominadas pelo protestantismo, como apontam Janson e Janson (1996, p. 250): "(...) o novo estilo difundiu-se tão rapidamente pelo Norte protestante que devemos ter cuidado de não enfatizar em excesso o seu aspecto de Contrarreforma". O estilo Barroco colocou a Itália em uma posição de destaque como centro de difusão artística. A Europa estava vivendo um período de mudança de mentalidade. Verdades até então conservadas pela Igreja Católica, que defendia que a Terra era o centro do universo, passaram a ser questionadas pela ciência, com Kepler e Galileu. Os estudos astronômicos expandiram e a ideia do Sistema Solar aproximou-se de estudos filosóficos, que discutiam a insignificância do homem neste contexto. O Ocidente vivia sem dúvida um momento de questionamentos e mudanças no pensamento. A arte também sofreu transformações, pois como vimos em todas as seções deste Livro Didático, ela reflete (ou mesmo representa) as mudanças sociais vividas em cada período histórico. Neste contexto surge o Barroco, que denomina as manifestações na arte, na arquitetura e na música, sendo posterior à Renascença. Roma era a capital do mundo católico e por isso virou referência na produção e disseminação da linguagem barroca. São características desse estilo as decorações intensas, ornamentações abundantes, emprego considerável de luzes e sombras. É um estilo difícil de esclarecer, devido à diversidade de conjunturas religiosas, políticas, sociais e culturais de cada local onde se desenvolveu. Sua aplicação pretendia ser grandiosa e fascinante aos sentidos. Observe a Figura 3.17 referente ao interior da igreja do mosteiro de Melk. Há nuvens por toda parte, com anjos tocando música e gesticulando na bem-aventurança do Paraíso. Alguns pousaram no púlpito, tudo parece mover-se e dançar, e a arquitetura que cerca o suntuoso altar parece oscilar ao ritmo dos cânticos jubilosos. Nada é “natural” ou “normal” em semelhante igreja... nem pretendia ser. A intenção é fazer-nos antegozar a glória do Paraíso. Talvez não seja essa a ideia que o homem comum faz do Paraíso, mas quando está envolvida por tudo aquilo, qualquer pessoa sentir-se-á feliz, pondo de lado todas as interrogações. (GOMBRICH, 2008, p. 452) Não pode faltar U3 153História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5f/Stift_Melk_church_dsc01494.jpg/800px-Stift_Melk_ church_dsc01494.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016. Figura 3.17 | Jakob Prandtauer, AntonioBeduzzi & Josef Munggenast. Interior da igreja do mosteiro de Melk, 1738 O estilo Barroco teve início na Itália, com um processo de condensação de novas ideias para construção de edifícios e decorações, e logo se espalhou por vários países europeus. Quando observamos o interior de igrejas barrocas, o que sentimos é o deslumbramento causado pela pompa de ouro, estuque e pedras preciosas, “deliberadamente usados para suscitar uma visão de glória celestial, e de uma forma muito mais completa do que nas catedrais medievais” (GOMBRICH, 2008, p. 436). A Igreja Católica passou a utilizar a arte de maneira diferente da que costumava fazer através dos estilos românicos e góticos, ensinando a doutrina aos iletrados. No período da arte barroca, a Igreja usava a arte para converter também os intelectuais e, para isso, grandes arquitetos, escultores e pintores receberam importantes encomendas para trazer às igrejas o sentimento de esplendor e glória. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/ad/Religion_Overthrowing_Heresy_and_Hatred_ Legros.jpg/800px-Religion_Overthrowing_Heresy_and_Hatred_Legros.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016. Figura 3.18 | Pierre Legros: A Religião derrotando a Heresia e o Ódio; Igreja de Jesus, Roma U3 154 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Importante artista Barroco, o italiano Gian Lorenzo Bernini (1598-1680) atuou como arquiteto, escultor e cenógrafo, realizando obras muito importantes como a escultura O êxtase de Santa Teresa (1645-52), o baldaquino sobre a tumba de São Pedro e a Cátedra de Pedro no Vaticano, símbolos significantes da Contrarreforma. Fonte: <https://cdn.getyourguide.com/img/tour_img-388447-70.jpg>.Acesso em: 13 ago. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e0/Bernini_-_Santa_Teresa_em_extase.jpg/800px- Bernini_-_Santa_Teresa_em_extase.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016. Figura 3.19 | Gian Lorenzo Bernini, Baldaquino sobre a tumba de São Pedro, 1624-33;Basílica de São Pedro, Vaticano Figura 3.20 | Gian Lorenzo Bernini, O êxtase de Santa Teresa, 1645-52. Altar para a capela Cornaro, dedicado à santa espanhola Teresa. Mármore, 3,50m de altura; igreja Santa Maria della Vittoria, Roma A arte barroca transformou-se em uma competente forma de propaganda religiosa, ilustrando o preceito elaborado no Concílio de Trento (1545-1563), que enfatizou a divulgação dos ideais religiosos através de imagens. O concílio foi convocado pelo U3 155História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Papa Paulo III e é chamado de “Concílio da Contrarreforma” com o objetivo de reafirmar o poder da Igreja Católica e a autoridade do Papa como representante de Deus na Terra. Essa mensagem deveria ser transmitida na representação de narrativas bíblicas e com obras que podiam despertar devoção e adoração religiosa (FARTHING, 2011, p. 213). A pintura barroca italiana conta com uma grande diversidade de técnicas, estilos e funções e, dessa maneira, é difícil definir suas características. Na Itália, a pintura religiosa ganha grande importância, pois evidencia o poder divino, porém, nesta mesma época, desenvolve-se o que chamamos de pintura de gênero, que retratava cenas da vida diária. Outro estilo que teve um lugar muito significativo foi a natureza-morta: uma representação de objetos inanimados das mais variadas espécies, como frutas, flores, jarros, copos, instrumentos musicais etc. Era um gênero muito procurado pelos burgueses. Muitas vezes as naturezas-mortas de flores ou frutos são alegorias: não denotam simplesmente objetos comuns, mas têm também um significado conceitual. As mesas postas, as imagens de alimentos, o canto da cozinha, são temas que colocam em evidência inconsciente temor das carestias, frequentes naquele século, e a exibição de bens materiais. (PRETTE, 2008, p. 270) Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5e/Michelangelo_Caravaggio_019.jpg/800px- Michelangelo_Caravaggio_019.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016. Figura 3.21 | Caravaggio, Cesta de frutas, 1600. Óleo sobre tela, 31 cm x 47 cm; Pinacoteca Ambrosiana, Milão U3 156 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cb/Willem_Kalf_001.jpg/800px-Willem_Kalf_001.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016. Figura 3.22 | WillenKalf, Natureza-morta, 1666; Museu do Louvre, Paris Figura 3.23 | Exemplo de pintura de gênero: Diego Velázquez, O aguadeiro de Sevilha, 1619-20. Óleo sobre tela, 10,6 cm x 81 cm; Wellington Museum, Apsley House, Londres Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2a/El_aguador_de_Sevilla%2C_por_Diego_ Vel%C3%A1zquez.jpg/444px-El_aguador_de_Sevilla%2C_por_Diego_Vel%C3%A1zquez.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016. No século XVI também houve a consolidação das monarquias absolutas e a arte também teve a função de atestar esse poder. Por esse motivo encontramos também muitas pinturas de retratos desta época. U3 157História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Michelangelo Merisi (1571-1610), conhecido pelo nome de sua cidade natal, Caravaggio, é um importante artista do período barroco. Desenvolveu um estilo naturalista que rompeu com o estilo tradicional de pintura conhecido e respeitado até então. A princípio suas obras não foram bem aceitas, pois se acreditava que ele queria apenas chocar o público. Seu estilo foi considerado inadequado porque representava temas sacros a partir do real, sem ornamentação. Caravaggio pintava pessoas comuns. Seu “naturalismo” dizia respeito à sua intenção de copiar fielmente a natureza, quer a considerasse feia ou bela (GOMBRICH, 2008, p. 393). Seus personagens eram sempre inspirados em figuras humanas, ou seja, eram santos que viviam na Terra e passavam por dramas humanos. O pintor se consagrou como o mais influente de Roma e foi contratado para pintar várias igrejas na cidade. “A linguagem expressiva da pintura de Caravaggio se baseia fundamentalmente no contraste luz-sombra. A luz não é solar, mas inventada” (PRETTE, 2008, p. 264). A técnica que Caravaggio utiliza, que faz seus personagens surgirem da escuridão, ficou conhecida como “tenebrismo”. O quadro A ceia em Emaús retrata Jesus abençoando dois discípulos depois da Ressurreição. Repare na iluminação da cena e o ar dramático que ela traz. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0f/Michelangelo_Caravaggio_011.jpg>. Acesso em: 29 nov. 2015. Figura 3.24 | Caravaggio, A ceia em Emaús, 1601. Óleo sobre tela, 141 cm x 196 cm; National Gallery, Londres Assimile Exemplificando U3 158 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea “A refeição noturna oferece um pretexto óbvio para mostrar uma sala que está imersa na escuridão da qual os personagens surgem graças às várias luzes individualmente direcionadas. Considerando a sombra sobre a cabeça de Cristo e o assento do homem à esquerda, uma fonte de luz parece ser baixa, como um fogo ou lanterna. Essa fonte, contudo, é complementada por uma mais alta e forte, que ilumina toda a toalha e realça os solidéus, rostos, mãos e mangas dos participantes, numa sugestão sutil do caráter divino do acontecimento, relembrando a comum identificação de Deus como uma luz brilhante vinda do céu” (FARTHING, 2011, p. 217). Outro nome muito importante deste período é o pintor espanhol Diego Velázquez (1599-1660), que retratou como poucos a vida da realeza. Como cortesão de grande sucesso, Velázquez precisou observar e manipular grandeza/realismo e intimidade/afastamento no ambiente intenso e artificial de uma poderosa corte real (CUMMING, 1996, p. 56). Você certamente conhece um dos seus quadros mais famosos, As meninas, ambientado no Palácio Alcázar, em Sevilha, que tem no centro do quadro a infanta Margarita Teresa, de 5 anos de idade, acompanhada de duas damas de honra e duas anãs da corte. O rei Felipe IV e sua rainha Mariana aparecem refletidos em um grande espelho no fundo da sala. Emoldurado pelo marco da porta no fundo sala, está Don José Nieto Velázquez, camareiro da rainha e, no canto esquerdo da tela, vemos Diego Velázquez pintando uma grande tela. O quadro que retrata uma cena espontânea parece mais um registro fotográfico de uma tarde comum na corte espanhola. Fonte: <https://goo.gl/IBQscQ>. Acesso em: 13 ago. 2016. Figura 3.25 | Diego Velázquez, As meninas, 1656. Óleo sobre tela, 3,20 m x 2,76 m; Museu do Prado, Madri U3 159História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Compreendendo a pintura: “Em estilo típico do Barroco, o artista cria uma convincente ilusão de espaço com seu jogo de luz e sombra. Velázquez dirige a luz da janela especificamente para o rosto e o vestido da infanta. Examinadas de perto, suas pinceladas são visíveis e deixam claro que o artista acrescentou textura e luminosidade pela adição e subtração de camadas de tinta” (FARTHING, 2011, p. 221). Como se lê uma obra de arte? Adaptamos um texto do livro Para entender a arte, de Maria Carla Prette, que poderá auxiliá-lo na observação de uma obra de arte. Ao olhar uma obra de arte é preciso alinhar as informações reunidas numa ficha que contenha: Se estivermos analisando uma pintura, vamos observar quais são suas características técnicas, como pintura a óleo, têmpera etc. Em caso de esculturas: mármore, madeira etc. Uma obra de arte pode pertencer a gêneros diferentes: arte sacra ou arte profana; temas mitológicos, históricos, alegóricos; retrato, paisagem, natureza-morta etc. Depois de observar esses dados, vamos a uma leitura descritiva do conteúdo. A leitura denotativa nos diz o que está representadona obra, o que vemos na imagem. Em seguida, vamos à leitura interpretativa, ou leitura conotativa, que representa a fase mais complexa, pois interpreta uma obra de arte a partir da compreensão da mensagem e a função que lhe foi atribuída pelo artista, ou seja, o que ele queira comunicar. Para isso, examine o contexto religioso, histórico e cultural em que a obra foi produzida. Observe a maneira que o artista utiliza cores, espaços e linhas. No caso de esculturas, formas modeladas (plásticas) e, em arquitetura, formas arquitetônicas (PRETTE, 2008, p. 12). * o autor (nome, sobrenome, data e lugar de nascimento e de morte) * o título * a datação (o ano em que a obra foi realizada) * as dimensões * a localização * a técnica utilizada * o gênero. Reflita Exemplificando U3 160 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea O Barroco no Brasil O Barroco apresentou-se tardiamente no Brasil, onde desenvolveu aspectos específicos, tanto em esculturas de santos como na arquitetura de igrejas. Podemos encontrar exemplos de arte barroca em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia. O primeiro ciclo da arte barroca no Brasil vai de 1700 a 1730 e é conhecido como “período nacional português”, com influências barrocas principalmente em Salvador e Recife. As igrejas viraram edifícios opulentos e faustosos, com madeira esculpida em alto e em baixo-relevo. Os retábulos – painéis que ficam atrás do altar – apresentam grandes colunas torcidas e decoração exuberante. De 1730 a 1760, as estátuas integram- -se à madeira dos retábulos e passam a utilizar mais pinturas de grandes dimensões, causando ilusão de ótica, que geralmente recobrem o teto da igreja. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d3/StFranciscoChurch3-CCBY.jpg/800px- StFranciscoChurch3-CCBY.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016. Figura 3.26 | Igreja de São Francisco de Assis (1703); Salvador-BA O Barroco no Brasil pode ser encontrado na cidade de Salvador, que contém diversos monumentos representando o estilo. A imponente igreja do convento de São Francisco de Assis se destaca entre os mais significativos templos barrocos no Brasil. Neste livro de ilustrações requintadas, o autor Mozart Alberto Bonazzida Costa apresenta um dos Pesquise mais U3 161História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea mais importantes exemplares do Barroco no Brasil, analisando os aspectos históricos, estéticos e simbólicos. COSTA, Mozart Alberto Bonazzida. A talha ornamental barrocana Igreja Conventual Franciscana de Salvador. São Paulo: Edusp, 2010. Observe imagens de igrejas barrocas no Brasil e faça anotações sobre todos os aspectos visuais que você vê. Seguem alguns nomes para guiar sua pesquisa: Capela Dourada (1695), em Recife; Igreja de São Francisco de Assis (1703) e Nossa Senhora da Conceição da Praia (1758), em Salvador; Capela de Nossa Senhora do Ó (1719), em Sabará; Nossa Senhora do Pilar (1734) e Nossa Senhora do Rosário (1750), em Ouro Preto. Você já deve estar com tudo organizado para receber o palestrante do evento e para escrever seu texto analisando uma obra de arte barroca. A partir de todo este material que leu e dos links que visitou, você já sabe que o estilo barroco colocou a Itália em uma posição de destaque como centro de difusão artística. A Europa vivia um momento de grandes transformações na política, nas ciências e na religião. A arte também passou por uma grande mudança, pois ela está relacionada com as mudanças sociais vividas em cada período histórico. Além das sugestões apresentadas no Exemplificando, para realizar sua tarefa você teve que relembrar que a Contrarreforma, ou Reforma Católica, foi o movimento que surgiu na Igreja Católica como uma resposta à Reforma Protestante iniciada com Lutero, a partir de 1517. A Reforma Protestante fez com que a Igreja Católica perdesse o poder religioso, econômico e político e sua influência na região da Alemanha, Inglaterra, França, Boêmia, Hungria e dos Países Baixos. Por esse motivo a Igreja Católica reconheceu a necessidade de reagir. O Papa Paulo III convocou o “Concílio da Contrarreforma”, em que foi enfatizada a divulgação dos ideais religiosos através de imagens, reafirmando assim o poder da Igreja e a autoridade do Papa como representante de Deus na Terra. Essa mensagem deveria ser transmitida na representação de narrativas bíblicas e com obras que podiam despertar devoção e adoração religiosa, embora a arte Barroca tenha sido muito maior que isso, como já vimos acima. As principais características da arte barroca são decorações intensas, ornamentações abundantes, aplicação considerável de luzes e sombras. Faça você mesmo Sem medo de errar U3 162 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Os artistas barrocos apresentados nesta seção foram: Gian Lorenzo Bernini (1598- 1680), que atuou como arquiteto, escultor e cenógrafo, realizando obras muito importantes; Caravaggio (1571-1610), que desenvolveu um estilo naturalista rompendo com o modelo tradicional de pintura, e o pintor espanhol Diego Velázquez (1599-1660), que retratou como poucos a vida na corte. O estilo barroco foi um processo de condensação de novas ideias para a construção de edifícios e decorações. Ao contemplar o interior de uma igreja barroca, o que sentimos é deslumbramento. Neste período, a Igreja utilizava a arte para converter também os intelectuais e, para isso, grandes arquitetos, escultores e pintores receberam importantes encomendas para trazer aos templos cristãos o sentimento de esplendor e glória. No Brasil também há inúmeros exemplos desse gênero, porém o Barroco apresentou-se tardiamente por aqui e desenvolveu aspectos específicos, tanto em esculturas de santos como na arquitetura de igrejas. O primeiro ciclo da arte barroca no Brasil vai de 1700 a 1730 e é conhecido como “período nacional português”, com influências barrocas principalmente em Salvador e Recife. Mas encontramos exemplos dessa arte também em Minas Gerais e Rio de Janeiro. Caravaggio e a arte barroca Descrição da situação-problema Uma importante agência de notícias está lançando uma série de blogs, de assuntos segmentados, e convidando diferentes autores e escritores a fazerem parte postando textos e análises interessantes. O blog “Aqui Tem Arte” será o segmento responsável por arte, cultura e design, e o primeiro post será relacionado à História da Arte Barroca. A agência pediu para você escrever o primeiro post, homenageando o grande mestre desse período, Caravaggio. É importante que você aborde aspectos da vida pessoal do pintor e comente algumas de suas obras mais relevantes. Lembre-se Atenção Avançando na prática U3 163História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Caravaggio pintava pessoas comuns. Seu “naturalismo” dizia respeito à sua intenção de copiar fielmente a natureza, quer a considerasse feia ou bela (GOMBRICH, 2008, p. 393). Seus personagens eram sempre inspirados em figuras humanas, ou seja, eram santos que viviam na Terra e passavam por dramas humanos. O pintor se consagrou como o mais influente de Roma e foi contratado para pintar várias igrejas da cidade. Resolução da situação-problema Você conheceu o grande mestre da arte barroca. Estudou algumas de suas obras e percebeu que a linguagem expressiva de seu trabalho está baseada essencialmente no contraste entre a luz e a sombra. A luz é inventada, ou seja, não se trata da representação de uma luz solar. O pintor utilizava esse contraste para fazer com que seus personagens surgissem da escuridão, e essa técnica é conhecida como “tenebrismo”. Seu nome de batismo era Michelangelo Merisi (1571-1610), mas ficou conhecido pelo nome de sua cidade natal: Caravaggio. Talvez ele seja um dos mais importantes artistas do período barroco por ter desenvolvido um estilo naturalista que rompeu com o estilo tradicional de pintura conhecido e respeitado até então. Suas obras não forambem aceitas no início, pois suas inovações chocaram o público e, por isso, sua maneira de pintar foi considerada inadequada. Para reforçar sua pesquisa, indicamos algumas fontes que podem ajudá-lo, além do conteúdo deste livro didático: • Luzes e sombras, na vida e na obra. Disponível em: <http://mestres.folha.com.br/ pintores/12/>. Acesso em: 18 jul. 2016. • Caravaggio – O genial rebelde do Barroco. Disponível em: <http://lounge. obviousmag.org/apagando_o_horizonte_com_uma_esponja/2012/05/caravaggio-o- genial-rebelde-do-barroco.html>. Acesso em: 18 jul. 2016. Escolha as obras de Caravaggio que mais o impressionam e escreva sobre elas, abordando os aspectos estéticos, a sensação que essas pinturas transmitem e seu contexto histórico, baseado em suas pesquisas. Lembre-se Faça você mesmo U3 164 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea 1. “Há nuvens por toda parte, com anjos tocando música e gesticulando na bem-aventurança do Paraíso. Alguns pousaram no púlpito, tudo parece mover-se e dançar, e a arquitetura que cerca o suntuoso altar parece oscilar ao ritmo dos cânticos jubilosos. Nada é “natural” ou “normal” em semelhante igreja... nem pretendia ser” (GOMBRICH, 2008, p. 452). O texto é referente ao interior da igreja do mosteiro de Melk, construção barroca. Sobre a Contrarreforma, é correto afirmar que: a) O estilo barroco teve início na Alemanha, com um processo de condensação de novas ideias para construção de edifícios e decorações, e logo se espalhou por vários países europeus. b) Quando observamos o interior de igrejas barrocas, o que sentimos é o deslumbramento causado pela pompa de ouro, estuque e pedras preciosas. c) A Igreja Protestante passou a utilizar a música, a literatura e a arquitetura para ensinar a doutrina aos iletrados. d) Arquitetos, escultores e pintores enfrentaram uma grande crise, pois pararam de receber importantes encomendas da Igreja. e) Na França ressurgem as esculturas monumentais de pedra, pois haviam desaparecido quase completamente desde o século V. 2. O que foi a Contrarreforma da Igreja Católica? a) No século XVI as igrejas encontravam-se em péssimo estado de conservação e, por esse motivo, foi necessária uma grande reforma das principais catedrais romanas. b) Contrarreforma é o nome dado ao movimento artístico que precede o estilo barroco. c) Contrarreforma é uma linha de construção de novas igrejas e mosteiros, que contavam com imensos edifícios, feitos de pedra, e com grandes vitrais coloridos. d) O cristianismo ocidental foi dividido entre a Igreja Católica e a Igreja Protestante, o que fez com que a Igreja Católica repensasse novas estratégias para a recuperação dos seus fiéis. e) Um novo estilo artístico que copiava as características da arte grega e da arte romana nas principais esculturas de santos da Igreja Católica. Faça valer a pena U3 165História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea 3. Observe a imagem e escolha a alternativa correta: a) As princesas, de Caravaggio, óleo sobre tela, 1609. b) As crianças, de Ticiano, óleo sobre tela, 1600. c) As meninas, de Diego Velázquez, óleo sobre tela, 1656. d) A vida na corte, de Don José Nieto Velázquez, óleo sobre tela, 1638. e) Corte espanhola, de Antonio Canova, óleo sobre tela, 1670. U3 166 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea U3 167História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Seção 3.3 A arte no século XIX Estamos na Seção 3.3. Você está preparado para seu desafio na Escola Brasileira de Design e Artes Criativas? Vamos relembrar um pouco do que já estudamos neste Livro Didático: além da arte desenvolvida na Antiguidade, você compreendeu como ela se manifestou durante a Idade Média, através da arte românica e da arte gótica. Desenvolveu também a capacidade de reconhecer e analisar estas características apresentadas principalmente em esculturas e na arquitetura. Passamos pela Renascença e conhecemos seus principais artistas e suas obras impressionantes. Em seguida, partimos para os estudos acerca da arte barroca: suas manifestações na pintura, na escultura e na arquitetura, exercendo um papel protagonista na Contrarreforma da Igreja Católica. Chegamos ao século XIX e vamos conhecer os movimentos que antecedem a arte moderna. A Escola Brasileira de Design e Artes Criativas está organizando um campeonato de games e aplicativos, que serão desenvolvidos por seus alunos, e você foi convidado a ajudar nesta produção, criando um game, para celulares, que tenha como público- -alvo jovens estudantes de artes. O jogo terá como finalidade a consolidação do conhecimento de História da Arte. A ideia é que os games e aplicativos desenvolvidos para o evento sirvam como incentivo aos estudos. Você é o responsável pelo game que tem como tema o Impressionismo. A primeira reunião a respeito da sua elaboração será na próxima semana e, para estar organizado para esse encontro, nossa sugestão é que você sistematize as seguintes reflexões: A princípio, como o Impressionismo foi recebido pelo público e pela crítica? Por quê? Em que diferem as pinturas impressionistas dos estilos anteriores? Diálogo aberto U3 168 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea As informações necessárias para suas reflexões serão encontradas a seguir, no item Não Pode Faltar. Preparado? Desafio lançado! O Impressionismo foi um movimento artístico que revolucionou intensamente a pintura e deu um novo rumo à arte do final do século XIX e início do século XX. Foi uma grande ruptura na estética à qual o público e a crítica estavam adaptados. Vamos compreender primeiramente o contexto social do século XIX. A Revolução Industrial foi um período de grandes transformações que aconteceram inicialmente na Europa, especificamente na Inglaterra, entre os séculos XVIII e XIX. Até o final do século XVIII muitos cidadãos europeus ainda viviam no campo e fabricavam artesanalmente o que consumiam. Imagine a mudança que o mundo viveu a partir da Revolução Industrial. Você acha que a arte também sofreu alterações a partir dessa grande transformação social? De que maneira os novos artistas podem revolucionar o modo de olhar a arte desta nova sociedade? A Revolução Industrial trouxe inovações tecnológicas, como as máquinas a vapor, com a habilidade da produção em série e, dessa maneira, as pequenas oficinas foram substituídas pelas grandes fábricas. Em busca de trabalho, o camponês deixou o campo e migrou para os centros urbanos. Com o crescimento das fábricas, a população das cidades se multiplicou e a necessidade de produção de bens de consumo também, gerando a partir daí modas e tendências. Com o surgimento do proletariado, ou seja, da classe trabalhadora, constituiu-se uma elite industrial, conhecida como burguesia, que passou a ser uma importante clientela consumidora de arte. As mudanças industriais e a rápida urbanização atingiram diretamente a arquitetura. A grande quantidade de construções realizadas no século XIX passou a levar em conta cada vez menos a beleza e o estilo. O mundo estava enfrentando novamente uma grande transformação. A arte não poderia permanecer estática, e os artistas começaram novas pesquisas em relação à luz e cor, e diferentes maneiras de se manifestar. Não pode faltar Reflita Assimile U3 169História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Édouard Manet (1832-1883) herdou do Realismo (movimento artístico anterior ao Impressionismo) a retratação de cenas do cotidiano e de pessoas "comuns", que não pertenciam às camadas mais abastadas da sociedade. Foi um dos primeiros pintores revolucionários do século XIX, que apresentou a necessidade de repensar a natureza como a vemos e novas formas de representar homens ou objetos, provocando uma revolução na interpretação de cores. Manet e seus seguidores descobriram que “se olharmos a natureza ao ar livre, não vemos objetos individuais, cada um comsua cor própria, mas uma brilhante mistura de matizes que se combinam em nossos olhos ou, melhor dizendo, em nossa mente” (GOMBRICH, 2008, p. 514). Ou seja, ao refletir a luz do sol, os objetos passam a ter tonalidades diferentes. Desse modo, o pintor saiu do ateliê e foi pintar cenas ao ar livre. Um dos maiores entusiastas dessa ideia foi Claude Monet (1840-1926) e, para isso, foi necessária a evolução de novas técnicas de pintura. A pesquisa de Monet estava relacionada às mudanças que as luzes da natureza sofrem quando, por exemplo, um vento altera o reflexo na água, ou uma nuvem cobre o sol. Monet observava cuidadosamente os contornos e as sombras a cada alteração de luz. Foi em uma exposição em Paris, em 1874, no estúdio de um fotógrafo, que as pessoas tiveram pela primeira vez contato com uma obra impressionista. Tratava-se de uma exposição coletiva. O público e a crítica não reagiram bem imediatamente ao novo estilo de arte, pois ainda estavam acostumados aos princípios acadêmicos da pintura. Havia uma tela de Monet intitulada Impressão, nascer do sol, que mostrava um porto visto através de névoas matinais. Um dos críticos presentes na mostra ridicularizou o grupo de pintores, apelidando-os de “impressionistas”. A crítica foi muito dura com esses artistas, afirmando que eles besuntavam na tela algumas manchas de tinta e chamavam de arte. Técnicas adquiridas pelos impressionistas, como misturar cores diretamente na tela, e não mais nas paletas, para que o observador da obra as combinasse no momento da contemplação e também os temas das pinturas, irritavam os críticos. Todas as características da pintura impressionista eram revolucionárias: o registro de diferentes tonalidades, mostrando que as cores da natureza se modificam continuamente, dependendo da incidência da luz do sol; as figuras que não possuem contornos evidentes: a linha passou a ser uma abstração para representar imagens; as sombras não eram mais escuras ou pretas, como os antigos pintores faziam: no Impressionismo passaram a ser coloridas; os contrastes entre luz e sombra passaram a ser obtidos de acordo com a lei das cores complementares, ou seja, cores complementares quando estão próximas umas das outras causam uma impressão de luz e sombra mais naturalista do que o contraste entre claro e escuro que foi valorizado na arte barroca. Tudo isso fazia com que as telas impressionistas fossem mais fáceis de serem admiradas a distância. Provavelmente o primeiro público que contemplou as obras impressionistas, as olhou muito de perto, e não entendeu o conjunto de pinceladas “ao acaso”, o que o fez acreditar que aqueles pintores só podiam estar loucos (GOMBRICH, U3 170 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea 2008, p. 522). O Impressionismo foi enfim aceito pelo público e pela crítica posteriormente, e considerado, até hoje, um movimento notável e inovador. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/ec/Claude_Monet%2C_The_Gare_St-Lazare%2C_1877. jpg/800px-Claude_Monet%2C_The_Gare_St-Lazare%2C_1877.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016. Figura 3.27 | Claude Monet, Estação de St-Lazare, 1877. Óleo sobre tela, 75,5 cm x 104 cm; Museu d'Orsay, Paris Claude Monet foi um assíduo pesquisador da luz e de seus efeitos nas telas. Pintou várias paisagens em diferentes momentos, com o objetivo de estudar as mutações e as variações da luminosidade e dos reflexos coloridos. No quadro Estação de St- Lazare vemos uma impressão real de uma cena da vida cotidiana e percebemos a preocupação de Monet com o efeito da luz em relação ao telhado de vidro, o vapor evidente que se mistura às nuvens, equilibrando muito bem os tons claros e escuros. Pierre Auguste Renoir (1841-1919) também é um nome muito importante do Impressionismo. Pintor de grande prestígio, tornou-se popular e teve reconhecimento da crítica ainda em vida. Suas obras manifestam a agitação do cotidiano na Paris do fim do século XIX. Com formas genuínas e sem conotação de erotismo, Renoir pintou o corpo feminino e tinha preferência por nus ao ar livre, personagens do dia a dia, retratos e naturezas-mortas. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8d/Pierre-Auguste_Renoir_-_Luncheon_of_the_ Boating_Party_-_Google_Art_Project.jpg/300px-Pierre-Auguste_Renoir_-_Luncheon_of_the_Boating_Party_-_Google_ Art_Project.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016. Figura 3.28 | Pierre Auguste Renoir, Almoço dos remadores, 1881; 129 cm x 173 cm; óleo sobre tela; Coleção Phillips, Washington, DC U3 171História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Na tela Almoço dos remadores observamos um grupo de jovens amigos desfrutando uma agradável tarde. Num pequeno espaço entre o toldo e os arbustos, vemos alguns barcos à vela no rio. O restaurante era famoso por ser inclusive um ponto de encontro de remadores. Percebemos uma atmosfera alegre e descontraída. O quadro é a captação de um momento espontâneo tal qual uma fotografia. Renoir era também um ilustre pintor de naturezas-mortas, e os restos na mesa são, em si, um extraordinário exemplo (CUMMING, 1996, p. 88). Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a7/Edgar_Germain_Hilaire_Degas_021.jpg/800px- Edgar_Germain_Hilaire_Degas_021.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016. Figura 3.29 | Edgar Degas, A aula de dança, 1873-75; 85 cm x 75 cm; óleo sobre tela. Museu D'Orsay, Paris Edgar Degas (1834-1917), famoso por pintar bailarinas, valorizava o desenho, além das cores. Foi pintor de poucas paisagens e cenas ao ar livre, sendo que seus ambientes favoritos são interiores e a luz é artificial. Manteve-se um pouco distanciado dos impressionistas, embora simpatizasse com seus propósitos. Degas era excepcionalmente bom em captar em suas telas um instante da vida cotidiana, representando um simples movimento de um corpo ou da expressão de um rosto. “Em seus retratos procurava realçar a impressão de espaço e de formas sólidas, vistos dos ângulos mais inesperados” (GOMBRICH, 2008, p. 526). O que você vê ao observar a tela A aula de dança? Segundo análise de Cumming (1998, p. 86), vemos fortes linhas verticais espalhadas pelo quadro: as colunas de mármore escuro que adornam o salão e conduzem nosso olhar para o fundo da sala, onde uma moça, sobre uma plataforma, arruma sua gargantilha. Degas utiliza, sobretudo, tons terra, porém moderniza esse esquema cromático com toques de cores vivas, sobretudo na faixa da cintura das bailarinas. Exemplificando U3 172 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea O pintor assinou seu nome com uma precisão típica da sua arte, em um regador verde no canto inferior esquerdo da tela. Você deve estar se perguntando por que há um regador em uma aula de dança. O objeto era usado para molhar o assoalho – quando ficava empoeirado – deixando-o perigoso para as bailarinas, que poderiam escorregar. Perceba a forte composição diagonal, marcada pelas linhas nítidas das tábuas do piso, que atrai nosso olhar para o fundo do quadro. Vemos, no centro, Jules Perrot, famoso bailarino, com sua parceira Maria Taglioni, que foi na juventude uma estrela do balé de Paris. Parece que ele está falando com a dançarina emoldurada pelo batente da porta. O professor é o eixo central da pintura. No fundo da sala há um grupo de bailarinas que conversam, acompanhadas provavelmente por suas mães. Nesta época a dança não era uma atividade respeitada. Não sabemos se as mães estão ali para proteger a moral das filhas ou para garantir que elas recebam um bom papel no espetáculo. O movimento impressionista revolucionou a arte e influenciou muitos outros artistas que surgiram posteriormente. Um deles é Paul Cézanne (1839-1906), considerado pós-impressionista. Era filho de um comerciante rico, o que lhe proporcionou uma vida diferente da vida de outros artistas da mesma época que morreram pobres antes de terem seu trabalho reconhecido. Porém, sua condição social foi de certa formauma barreira em sua carreira, já que seu pai queria que Cézanne se formasse em Direito. Com o apoio de sua mãe, foi estudar arte na Escola de Desenho de Aix-en- Provence em 1856. Com objeção do pai, Cézanne mudou para a Suíça em 1861 para dar continuidade aos estudos de pintura, onde conheceu Claude Monet. Apesar da influência do Impressionismo, Cézanne desenvolve outras técnicas de pintura, analisando a geometria subjacente às cenas que pinta. Conheça outros artistas impressionistas e pós-impressionistas e veja algumas de suas obras. O site a seguir conta com textos e imagens que auxiliam na compreensão do que é arte. Disponível em: <http://www. historiadasartes.com/>. Acesso em: 11 nov. 2015. Pesquise mais U3 173História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d2/Paul_C%C3%A9zanne_107.jpg/1024px- Paul_C%C3%A9zanne_107.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016. Figura 3.30 | Paul Cézanne, O Monte Santa Vitória com pinheiro, c. 1887; óleo sobre tela; 675 cm x 92 cm; Courtauld Gallery, Londres Observe a Figura 3.30. Como você vê a luz, a profundidade e a representação desta paisagem? Repare nas pinceladas do pintor. O que você consegue constatar? Veja a análise de E. H. Gombrich, no livro História da arte: Outro gênio da pintura pós-impressionista é o holandês Vincent van Gogh (1853- 1890). Van Gogh era um pintor autodidata extraordinário que possuía acessos de loucura e forte instabilidade emocional, que o faziam ser internado em um hospital psiquiátrico. Porém, Van Gogh tinha intervalos de lucidez, durante os quais continuava pintando. Sua carreira não durou mais do que dez anos, pois o pintor pôs fim à sua vida em 1890, aos 37 anos de idade. Suas obras ganharam fama, popularidade e muita admiração. Muitas delas você já conhece, como Os girassóis, O quarto em Arles ou mesmo seus autorretratos. Exemplificando “A paisagem como O Monte Santa Vitória, no sul da França, está banhada em luz e, no entanto, é firme e sólida. Apresenta um padrão lúcido e, ao mesmo tempo, dá-nos a impressão de grande profundidade e distância. Há uma sensação de ordem e repouso no modo como Cézanne marcou a horizontal do viaduto, a estrada no centro e as verticais da casa em primeiro plano, mas em nenhuma parte sentimos tratar-se de uma ordem imposta por Cézanne à natureza. Suas pinceladas estão dispostas de modo a coincidirem com as principais linhas do desenho e a reforçarem a sensação de harmonia natural” (GOMBRICH, 2008, p. 540). U3 174 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Em 1886 Van Gogh foi a Paris e conheceu o Impressionismo. Ficou maravilhado com o uso das pinceladas e com os efeitos de luminosidade e passou, então, a utilizar tons mais brilhantes e contrastes mais fortes de cor e a pintar temas cotidianos. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b6/Gogh4.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016 Figura 3.31 | Vincent van Gogh, O terraço do café à noite, 1888; óleo sobre tela; 81 x 65,5 cm; RijksmuseumKröller-Müller, Otterlo, Holanda Van Gogh pintou O terraço do café à noite quando vivia em Arles, na Provença – região no sul da França, época em que o artista trabalha intensamente, desenvolvendo e praticando novas técnicas. Neste quadro o pintor queria representar a escuridão de maneira natural, sem utilizar tinta preta, apenas tons de azul, violeta e verde (FARTHING, 2011, p. 337). Paul Gauguin (1848-1903) foi um grande amigo de Van Gogh e os dois inclusive viveram juntos por um tempo em Arles. Num acesso de loucura, porém, Van Gogh agrediu Gauguin, que foi embora para Paris. Dois anos mais tarde Gauguin se mudou para o Taiti e, a partir daí, a temática de seus quadros passa a ser mais exótica, esforçando-se para harmonizar a arte primitiva aos retratos que fazia dos taitianos. Simplificou contornos e passou a utilizar cores mais fortes. “Cézanne, Van Gogh e Gauguin foram três homens desesperadamente solitários; eles trabalharam com escassa esperança de ser algum dia compreendidos” (GOMBRICH, 2008, p. 551). U3 175História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/dc/Arearea%2C_by_Paul_Gauguin.jpg/757px- Arearea%2C_by_Paul_Gauguin.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016 Figura 3.32 | Paul Gauguin, Arearea, 1892; óleo sobre tela; 73 x 94 cm; Museu d'Orsay, Paris No livro indicado a autora analisa a arte de países ocidentais e a arte brasileira, estudando diferentes períodos da arte moderna, situando as manifestações artísticas e os importantes acontecimentos sociais de cada época. CANTON, Katia. Retrato da arte moderna: uma história no Brasil e no mundo ocidental. São Paulo: Martins Fontes, 2002. Vamos trabalhar o olhar? “Van Gogh pintava com força emocional muito grande, muitas vezes condensando as formas retratadas, abusando de cores e pinceladas, imprimindo às imagens um impulso de expressão que poderia tornar um tema aparentemente singelo em uma cena cheia de tensões” (CANTON, 2002, p. 32). Escolha uma obra de Van Gogh e escreva um texto sobre a emoção que a tela apresenta. Agora que você possui o conhecimento necessário para sua próxima produção na Escola Brasileira de Design e Artes Criativas, vamos articular as informações necessárias para a elaboração do material que você levará à reunião. Pesquise mais Faça você mesmo Sem medo de errar U3 176 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Como vimos anteriormente, o Impressionismo foi um movimento artístico que inovou profundamente a pintura, trazendo um sentido diferente à arte do final do século XIX e início do século XX. A princípio, o público e a crítica não reagiram bem imediatamente ao novo estilo de arte, por tratar-se de uma grande ruptura com os princípios acadêmicos aos quais estavam adaptados. A crítica foi muito rígida com os artistas impressionistas, argumentando que eles lambuzavam a tela com borrões de tinta e chamavam de arte. Os quadros impressionistas eram completamente diversos dos estilos anteriores, pois os artistas utilizavam temas e técnicas distintas, como misturar cores diretamente na tela, e não mais nas paletas, para que o observador da obra combinasse as cores no momento da contemplação, além de outras diferenças: o registro das tonalidades, exibindo variações em referência à incidência da luz do sol; as figuras que não possuem contornos evidentes; as sombras que não eram mais escuras ou pretas e os contrastes entre luz e sombra. Pós-impressionistas: o movimento impressionista revolucionou a arte e influenciou muitos outros artistas que surgiram posteriormente. Paul Cézanne, Paul Gauguin e Vincent van Gogh fizeram parte do Pós- Impressionismo, formando uma nova geração que ampliou as pesquisas de cor, luz e forma geradas pelos impressionistas. Mudanças e inovações: o final do século XIX é um momento de profundas e intensas transformações. A Revolução Industrial trouxe mudanças tecnológicas, como as máquinas a vapor, com a habilidade da fabricação em série e, dessa maneira, as pequenas oficinas foram substituídas pelas grandes fábricas. O camponês deixou o campo e migrou para os centros urbanos. A produção cresceu significativamente e como consequência a população das cidades se multiplicou, trazendo a necessidade de fabricação de bens de consumo, gerando a partir daí modas e tendências. Com o surgimento da classe trabalhadora, constituiu-se uma elite, chamada de burguesia industrial, importante clientela consumidora de arte. As mudanças industriais e a rápida urbanização atingiram diretamente a arquitetura. A grande quantidade de construções realizadas no século XIX passou a levar em conta cada vez menos a beleza e o estilo. Pesquise mais sobre o seu movimento favorito. Disponível em: <http:// www.historiadasartes.com/>. Acesso em: 11 jan. 2015. Atenção Lembre-se U3 177História da arte: da Idade Moderna ao início da ContemporâneaAnalisando uma obra impressionista Descrição da situação-problema Como você viu anteriormente, Pierre-Auguste Renoir foi um pintor popular que contou, ainda em vida, com o reconhecimento da crítica e do público. Seus quadros manifestam a agitação da vida em Paris do fim do século XIX. Renoir tinha preferência por personagens do cotidiano, retratos e naturezas-mortas. Vamos observar uma de suas obras mais célebres e realizar um exercício de análise. Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre-Auguste_Renoir#/media/File:Pierre-Auguste_Renoir_158.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016. Figura 3.33 | Renoir, Ao piano, 1892; Museu d’Orsay, Paris Resolução da situação-problema Alguns pontos devem guiar o nosso olhar ao realizar uma análise: - Que sensação a imagem transmite: movimento ou estática? - Como Renoir retrata as meninas do quadro? Descreva detalhes: * Como estão vestidas? * Qual a idade aproximada? * Onde elas estão? (descreva as características do local) * Para onde está dirigido o olhar de cada uma? Observe o quadro como um todo. Avançando na prática U3 178 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea - Quais cores são utilizadas? Renoir trabalha com contrastes? - Como são feitas as pinceladas de Renoir? - De acordo com a luz e as cores da obra, você saberia dizer se é dia ou noite? - Qual é a impressão/sensação que esta pintura lhe transmite? Fonte: adaptado de Canton (2002, p. 24). Renoir (1841-1919) foi, juntamente com Monet, um dos criadores do movimento impressionista. Em 1878 parou de participar das exposições coletivas e passou a expor seus trabalhos em salões tradicionais. Renoir é um grande pesquisador de tons e combinações de cores. A partir dos materiais indicados nesta seção, pesquise mais obras de Renoir. Escolha a que mais lhe chama atenção e desenvolva um olhar crítico e detalhado. Você sabe explicar por que a pintura o inspira ou ressalta sua atenção? Convide os colegas de sala a participarem desta discussão. 1. Observe as obras abaixo e escolha a alternativa correta quanto aos pintores: a) I. Claude Monet, II. Paul Gauguin, III. Van Gogh, IV. Paul Cézanne. b) I. Paul Gauguin, II. Van Gogh, III. Paul Cézanne, IV. Edgar Degas. c) I. Edgar Degas, II. Paul Cézanne, III. Claude Monet, IV. Van Gogh. d) I. Claude Monet, II. Van Gogh, III. Van Gogh, IV. Paul Gauguin. e) I. Van Gogh, II. Paul Cézanne, III. Van Gogh, IV. Claude Monet. I. II. III. IV. Lembre-se Faça você mesmo Faça valer a pena U3 179História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea 2. São características da arte impressionista: I. O registro de diferentes tonalidades, mostrando que as cores da natureza se modificam continuamente, dependendo da incidência da luz do sol. II. As figuras não possuem contornos evidentes: a linha passou a ser uma abstração para representar imagens; as sombras não eram mais escuras ou pretas, como os antigos pintores faziam, no Impressionismo passaram a ser coloridas. III. Os contrastes entre luz e sombra passaram a ser obtidos de acordo com a lei das cores complementares, ou seja, quando cores complementares estão próximas umas das outras causam uma impressão de luz e sombra mais naturalista do que o contraste entre claro e escuro que foi valorizado na arte barroca. Quais afirmações são verdadeiras? a) Apenas a afirmação I está correta. b) Apenas as afirmações I e III estão corretas. c) As afirmações I, II e III estão corretas. d) Apenas a afirmação III está correta. e) Apenas a afirmação II está correta. 3. Sobre o Impressionismo: quando e onde surgiu? a) 1910, em Paris. b) 1874, em Paris. c) 1810, em Arles. d) 1812, na Holanda. e) 1896, na Alemanha. U3 180 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea U3 181História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Seção 3.4 Transição entre os séculos XIX e XX Prezado aluno, chegamos à Seção 3.4 do Livro Didático. Seus desafios profissionais na Escola Brasileira de Design e Artes Criativas têm sido bem interessantes. Vamos ao último desafio desta unidade. Desta vez você realizará um trabalho em conjunto com os alunos do curso de Design de Embalagens. O projeto envolverá uma pesquisa para a elaboração de embalagens com estética Art Nouveau. É um exercício que os alunos irão desenvolver e você será o orientador. A atividade resultará em uma exposição dos rótulos e embalagens criados pelos estudantes. A estética Art Nouveau é rica em elementos femininos, com imagens que remetem às belas curvas do corpo da mulher. O conceito da criação dos rótulos e embalagens deverá resgatar esses elementos, dando margem à feminilidade. A sua primeira tarefa nesse trabalho é pesquisar sobre a manifestação artística Art Nouveau e, através da leitura de textos, encontrar argumentos que reforcem o uso dessa estética em embalagens. Vamos então às primeiras reflexões: Você sabe como surgiu e o que foi o Art Nouveau? Quais são as suas principais características? Qual é a relação entre o Art Nouveau e o Arts and Crafts? De que maneira o Art Nouveau se manifestou? Ao final desta seção, você terá todas estas respostas e estará preparado para orientar os alunos do curso de Design de Embalagens. Nossa caminhada pela história da arte e do design chega à transição dos séculos XIX e XX. Para encerrar a Unidade 3, vamos focar nossos estudos nas grandes mudanças Diálogo aberto Não pode faltar U3 182 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea que acompanharam o conceito e a produção de arte, e no crescimento do design enquanto mercado de trabalho. Como pudemos observar, a industrialização trouxe profundas transformações nos hábitos de consumo da sociedade: fartura de mercadorias baratas que traziam uma sensação de progresso e conforto, porém, no século XIX, na Inglaterra, um grande debate sobre o excesso dessas mercadorias e o seu real significado para a sociedade teve início. A modificação nos meios de fabricação tinha como público-alvo os trabalhadores assalariados, principais consumidores de objetos de custo mais baixo. Na década de 1830 discutia-se a qualidade da mão de obra e de todo o processo de fabricação desses bens de consumo. A Inglaterra temia perder valor das mercadorias na exportação em virtude da má qualidade dos seus produtos. O “bom gosto” também foi questionado e, partir dessa hesitação, surgiram as primeiras propostas de se fazer do design um agente de transformação, ou seja, a possibilidade do designer influenciar e reformar o gosto da sociedade consumidora. Assim passa-se a discutir sobre a moralidade e a imoralidade estética. A decoração excessiva (enfeites) passou a ser condenada, ou seja, considerada imoral ou indecorosa. A degradação do meio ambiente causada pelas novas indústrias também era reprovada, portanto a estética que levasse em consideração as questões ambientais era acertadamente moral. Neste contexto de insatisfação com os processos de fabricação de produtos de consumo, surgem os movimentos de reforma como Arts and Crafts – Artes e Ofícios –, que é um questionamento sobre método de produção salientando uma forma contrária à máquina. O movimento surgiu com ideias de John Ruskin (1819-1900) e Augustus W. N. Pugin (1812-1852). A participação deles, que eram críticos de arte e medievalistas, foi essencial para a solidificação da sustentação conceitual do movimento. John Ruskin tinha o objetivo de relacionar reforma social ao esteticismo, pretendendo combinar aspectos da vida cotidiana com a arte. O movimento argumentava que a manufatura criativa deveria ser uma opção para a resistência à utilização excessiva das máquinas e da fabricação em escala crescente. A intenção era valorizar o traço do designer, que na época exercia o papel de artista. O pintor de tecidos padronizados, papéis de parede, escritor de poesia e ficção William Morris (1834-1896) foi a mais importante liderança dessa manifestação. William Morris, um dos fundadoresdo movimento socialista na Inglaterra, defendia a ideia de que os operários se tornassem artistas, agregando qualidade na mão de obra das indústrias. Surgiram então várias oficinas na Inglaterra com o objetivo de projetar e produzir artefatos de maneira mais artesanal ou semi-industrial. Assimile U3 183História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Os integrantes do movimento buscavam promover maior integração entre projeto e execução, relação mais igualitária e democrática entre os trabalhadores envolvidos na produção e manutenção dos padrões elevados em termos de qualidade de materiais e de acabamento, ideais estes que podem ser resumidos pela palavra inglesa craftsmanship, a qual expressa simultaneamente as ideias de um alto grau de acabamento artesanal e de um profundo conhecimento do ofício. (CARDOSO, 2008, p. 82) No ano de 1888 houve uma exposição em Londres, a Arts and Crafts Exhibition Society, que contava com artigos de mobília, tapeçaria e estofados. Os trabalhos de vários artistas que aderiram ao Arts and Crafts foram reunidos. Nessa mostra estavam presentes artistas como Morris, o ilustrador e pintor Walter Crane (1845-1915), os designers e arquitetos Charles Robert Ashbee (1863-1942) e Charles F. Annesley Voysey (1857-1941), e o arquiteto William Richard Lethaby (1857-1931). Morris foi o designer mais influente do século XIX, sendo o grande responsável pela mudança da maneira que as pessoas decoravam suas casas. Além de móveis, a Morris & Co. fabricava vitrais, murais, azulejos, artigos de metal e vidro, têxteis, papéis de parede, tapetes, bordados e tapeçarias. Peças feitas à mão, que utilizavam processos anteriores aos da Revolução Industrial. Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Morris_%26_Co.#/media/File:Morris_Evenlode_printed_textile.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016. Figura 3.34 | Tecido elaborado por William Morris, 1883 Exemplificando U3 184 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea A filosofia central do movimento era a alta qualidade artesanal dos produtos, porém isso os deixava caros, apresar da intenção de Morris de oferecer ambientes e objetos altamente estéticos para toda a população. O Arts and Crafts se estendeu a países como Alemanha e Estados Unidos, mesmo não sendo acessível a todos, e se caracterizou como um dos movimentos mais importantes para a história do design. Walter Crane exerceu grande influência no design gráfico e na ilustração. Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Walter_Crane#/media/File:Walter-crane-little-red-riding-hood- meets-the-wolf-in-the-woods.jpg>. Acesso em: 14 ago. 2016. Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Walter_Crane#/media/File:Midas_gold2.jpg>. Acesso em: 14 ago. 2016. Figura 3.35 | Chapeuzinho Vermelho Figura 3.36 | A wonder-book for girls and boys, 1893 Exemplificando U3 185História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea A manifestação artística Arts and Crafts inspirou outro movimento, o Art Nouveau, que possuía uma ideologia diferente. Surgiu em 1883 e se espalhou pela Europa e Estados Unidos até a Primeira Guerra Mundial, com a necessidade de exaltar a natureza e a vida bucólica, que aos poucos desapareciam em consequência da industrialização. O Art Nouveau utilizou a combinação de materiais contemporâneos, como vidro e ferro, e integrou a arte com a lógica industrial, remetendo a caules, folhas, flores, troncos e insetos, com desenhos ornamentais. O estilo individual do artesão é ressaltado nesse movimento, o que o deixa com uma filosofia mais artesanal e com a intenção de criar uma arte totalmente moderna, sem estilos históricos, com ênfase na linha – ondulante, figurativa, abstrata ou geométrica – trabalhada com simplicidade, delicadeza e ousadia. O movimento defendia a unidade nas artes, valorizando o artesão sem ignorar o papel essencial da máquina na fabricação, que já estava refinada e podia executar projetos com precisão, mas a sensibilidade dos artistas para elaborar e finalizar a execução ainda era essencial. Designer de interiores e mobiliário Art Nouveau: Hector Guimard Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Hector_Guimard?uselang=pt-br#/media/ File:Buffet,_Hector_Guimard,_Paris,_1899-1900,_cherry,_brass,_glass_-_Br%C3%B6han_Museum,_ Berlin_-_DSC03965.JPG>. Acesso em: 14 ago. 2016. Figura 3.37 | Buffet, Hector Guimard, 1899 Exemplificando U3 186 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Hector_Guimard?uselang=pt-br#/media/ File:Hector_guimard,_divano_da_fumoir,_dalla_sala_da_biliardo_della_casa_del_farmacista_albert_ roy_a_g%C3%A9vrils,_1897-98.JPG>. Acesso em: 14 ago. 2016. Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Hector_Guimard?uselang=pt-br#/media/ File:Hector_guimard,_porta_a_due_ante,_dal_negizio_Coutolleau_ad_angers,_1897.JPG>. Acesso em: 14 ago. 2016. Figura 3.38 | Banco de fumar, Hector Guimard, 1897;Museu d'Orsay, Paris Figura 3.39 | Porta, Hector Guimard, 1897; Museu d'Orsay, Paris U3 187História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea O Art Nouveau tinha como inspiração o exótico, como a arte e a decoração japonesa. Suas manifestações mais bem-sucedidas se deram na confecção de objetos, na arquitetura e nas artes gráficas, e tornou-se um estilo de lucro, pois sua produção era cara e por esse motivo excluía o popular. O movimento teve caráter peculiarmente urbano, pois se difundiu onde a indústria já estava mais desenvolvida caindo no gosto da burguesia moderna, entusiasta do progresso industrial. A estrutura do estilo é, portanto, baseada em curvas e nas suas diversidades, que emergem dos cantos e estendem-se por toda a área disponível. Tem uma preferência por tons frios, pálidos e transparentes e comunicam as mesmas características da época que está por vir: agilidade, liberdade, juventude e otimismo, através de detalhes delicados que chamam a atenção. A divulgação do movimento se deu basicamente por intermédio de revistas, bem como pelas exposições mundiais e espetáculos. Você consegue imaginar por que o Art Nouveau tem uma preferência por formas sinuosas que remetem a flores, folhas e galhos? O teor naturalista é uma das características centrais do movimento, que por se declinar a ter qualquer elo com o passado se volta para formas orgânicas e sensuais, as quais revelam o florescimento não ligado ao homem. Louis Comfort Tiffany ficou conhecido por seu trabalho com vitrais, luminárias com mosaicos de vidro e joalheria. Também fez decoração de interiores e foi o autor da nova decoração dos salões da Casa Branca, em Washington. A partir de 1916 dedicou-se especialmente à joalheria, fundando uma empresa com seu nome, até hoje famosa. Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Art_Nouveau#/media/File:Table_lamp_by_Louis_Comfort_ Tiffany,_De_Young_Museum.JPG>. Acesso em: 13 ago. 2016. Figura 3.40 | Luminária de Louis Comfort Tiffany, 1905, bronze e vidro; de Young Museum, São Francisco Reflita Exemplificando U3 188 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/66/WLA_nyhistorical_Tiffany_Studios.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2016. Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Art_Nouveau#/media/File:Louis_comfort_tiffany,_lampada_da_ tavolo_pomb_lily,_1900-10_ca..JPG>. Acesso em: 14 ago. 2016. Figura 3.41 | Abajur Tiffany Figura 3.42 | Abajur Tiffany, 1900-10–By I, Sailko, CC BY-SA 3.0 U3 189História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea A arquitetura e o mobiliário se configuravam como objetos de desejo das massas, mas sendo reservados apenas aos que possuíam poder aquisitivo para comprá-los. Isso fez com que o Art Nouveau e tudo inspirado nele se tornasse moda, assim, todo objeto possível de ser consumido pelas massas era rapidamente adquirido. Arquitetura Art Nouveau Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Art_nouveau#/media/File:Fachada_Casa_Estudio_V%C3%ADctor_Horta.jpg>. Acesso em: 14 ago. 2016. Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Art_Nouveau#/media/File:Traubensaal.jpg>. Acesso em: 14 ago. 2016. Figura 3.43 | Casa Estúdio (atual Museu Victor Horta), Victor Horta; Bruxelas Figura 3.44 | Interior da Paris Universal Exhibition, elaborado por Bruno Möhring em 1900 Exemplificando U3 190 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Art_Nouveau#/media/File:Immeuble_rue_ de_l%27%C3%A9glise_d%C3%A9tail_Porte.jpg>. Acesso em: 14 ago. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/06/Le_Vesinet_villa_Berthe_La_Hublotiere_ Hector_Guimard.jpg?uselang=pt-br>. Acesso em: 14 ago. 2016. Figura 3.45 | Entrada de um edifício em Paris, projetada pelo arquiteto Alfred Wagon em 1905 Figura 3.46 | Villa Berthe, projetada por Hector Guimard, 1896. Monumento histórico; França U3 191História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Art_nouveau#/media/File:La_station_art_nouveau_de_la_porte_ Dauphine_(Hector_Guimard).jpg>. Acesso em: 4 ago. 2016. Figura 3.47 | Entrada de estação de metrô em Paris, projetada por Hector Guimard em 1900 Hector Guimard projetou várias entradas/saídas de metrô em Paris (Métropolitain), utilizando exclusivamente o ferro e o vidro com o objetivo do acesso ao transporte com leveza, através de linhas sinuosas, contrastando com detalhes salientes e ossudos. Ilustrações, cartazes, revistas e folhetos em estilo Art Nouveau também estavam em alta, com um nível gráfico de grande qualidade. Alphonse Mucha A obra de Alphonse Mucha foi extensamente distribuída e vendida. O artista produziu cartazes para teatro, folhetos, propagandas publicitárias (cigarros, bicicletas, cerveja, espetáculos etc.). Até hoje, seu estilo gráfico e modelos publicitários influenciam artistas e propagandas. Exemplificando U3 192 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Alfons_Mucha#/media/File:Alfons_Mucha_-_1896_-_ Biscuits_Lef%C3%A8vre-Utile.jpg>. Acesso em: 14 ago. 2016. Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Alfons_Mucha#/media/File:Alfons_Mucha_-_1897_-_ Bi%C3%A8res_de_la_Meuse.jpg>. Acesso em: 14 ago. 2016. Figura 3.48 | Alphonse Mucha, Biscuits Lefèvre-Utile, 1896 Figura3.49 | Alphonse Mucha, Bières de la Meuse, 1897 U3 193História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Os principais artistas do movimento foram Hector Guimard (1867-1942), arquiteto e desenhista industrial francês; o arquiteto belga Victor Horta (1861-1947); o ilustrador tcheco Alphonse Mucha (1860-1939); Louis Comfort Tiffany (1848-1933), artista, designer de interiores e empresário norte-americano, e o pintor simbolista austríaco Gustav Klimt (1862-1918). Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/af/Tassel_House_stairway.JPG/1024px-Tassel_House_ stairway.JPG>. Acesso em: 2 ago. 2016. Figura 3.50 | Interior da Casa Tassel, Victor Horta, 1892-93; Bruxelas Este livro faz um panorama da história da arte moderna, começando no Impressionismo, num percurso de 150 anos, abordando artes plásticas, arquitetura, fotografia, mobiliário e web art. DEMPSEY, Amy. Estilos, escolas e movimentos. São Paulo: Cosac Naify, 2003. Escolha um dos artistas apresentados nesta seção e realize uma pesquisa detalhada sobre sua vida e suas obras. Monte um portfólio sobre ele e anote suas observações a respeito do que foi revelado em sua pesquisa. Agora que você já conhece bem o Art Nouveau e suas características, vamos sistematizar seu conhecimento de forma com que você já inicie seu trabalho de orientação aos alunos do curso de Design de Embalagens, para que eles elaborem Pesquise mais Faça você mesmo Sem medo de errar U3 194 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea rótulos e embalagens com base no estilo estudado hoje nesta seção. No século XIX surge o Arts and Crafts, ou Artes e Ofícios, que simbolizou um movimento de reforma, cuja abordagem salienta o método de produção de uma maneira contrária à máquina, durante o auge da Revolução Industrial. Essa manifestação artística inspirou o Art Nouveau, que possuía uma ideologia diferente. Surgiu em 1883 e se espalhou pela Europa e Estados Unidos até a Primeira Guerra Mundial. Através de suas características estéticas, exaltava a natureza e a vida bucólica, que estavam desaparecendo em consequência da industrialização. O Art Nouveau utilizou a combinação dos novos materiais modernos, como vidro, ferro e cimento, integrando a arte à lógica industrial, remetendo para caules, folhas, flores, troncos e insetos, com desenhos ornamentais. O estilo individual do artesão foi ressaltado com o Art Nouveau, por meio de sua ideologia artesanal e com a intenção de criar uma arte totalmente inovadora, sem estilos históricos, com ênfase na linha – ondulante, figurativa, abstrata ou geométrica – trabalhada com simplicidade, delicadeza e ousadia. O movimento protegia a ideia da unidade nas artes, valorizando o artesão sem ignorar o papel essencial da máquina na fabricação, que já estava refinada e podia executar projetos com precisão, mas a sensibilidade dos artistas para elaborar e finalizar a execução ainda era essencial. Arts and Crafts na TV Descrição da situação-problema A equipe de produção de um programa de TV entrou em contato com você para uma matéria sobre Arts and Crafts. Eles irão criar um programa com formato de documentário e estão buscando materiais e entrevistados. Você será uma das fontes para o documentário, fornecendo importantes informações. Veja as perguntas que a produção pediu para você responder: • O que significa Arts and Crafts? • Qual era o contexto histórico quando esse movimento surgiu? • Em que consiste esse movimento? • Quais são os principais e mais importantes artistas desse movimento? • Cite algumas realizações (obras/produtos) desse movimento. Avançando na prática U3 195História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Em 1888, trabalhos de vários adeptos do movimento são reunidos na Arts and Crafts Exhibition Society, uma exposição realizada em Londres com tapeçaria, estofados e mobiliário. Estavam presentes nessa mostra William Morris; Walter Crane, ilustrador e pintor; Charles Robert Ashbee, arquiteto e designer; Charles F. Annesley Voysey, também arquiteto e designer; o arquiteto e estudioso de técnicas medievais de construção William Richard Lethaby (1857-1931), entre outros. Resolução da situação-problema Arts and Crafts significa Artes e Ofícios e foi uma manifestação artística, estética e social que surgiu na Inglaterra durante o século XIX. Esse movimento defendia o artesanato criativo como uma alternativa à utilização excessiva das máquinas e à fabricação em escala crescente. Releia o conteúdo desta seção e encontre informações precisas que respondam às questões levantadas pela equipe de produção. Escolha, a partir deste material e das sugestões de leituras e vídeos contidas na webaula, os seus produtos favoritos. O que mais lhe chama atenção? As peças de Charles Robert Ashbee, o mobiliário de Morris and Co.? O célebre design gráfico de Walter Crane? Reforce sua pesquisa e prepare-se para as gravações. O arquiteto e designer Charles Robert Ashbee possui um trabalho bem extenso. Pesquise mais sobre sua obra. Alguns links que poderão ajudá-lo: Arts&Crafts – Enciclopédia Itaú Cultural. Disponível em: <http:// enciclopedia.itaucultural.org.br/termo4986/arts-and-crafts>. Acesso em: 24 jul. 2016. Arts&Crafts Museum. Disponível em: <http://www.artsandcraftsmuseum. org.uk/>. Acesso em: 24 jul. 2016. Lembre-se Faça você mesmo U3 196 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea 1. O que foi o movimento Arts and Crafts (Artes e Ofícios)? a) Conjunto de elementos de uma obra de arte ou peça artística que apelam aos sentidos (cor) ou despertam sensações (formae movimento). b) Manifestação artística, estética e social que surgiu na Inglaterra, no século XIX, que protege a ideia do artesanato criativo como resistência à utilização excessiva das máquinas e à fabricação em escala crescente. c) Técnica de organizar espaços e criar ambientes para abrigar os diversos tipos de atividades humanas, visando também determinada intenção plástica. d) Estilo decorativo de artes aplicadas, design e arquitetura caracterizado pelo uso de geometria de formas simétricas. e) Pioneirismo inglês, invenções de máquinas, passagem da manufatura para a industrialização com as principais invenções técnicas. 2. O movimento Arts and Crafts inspirou outro movimento que possuía uma filosofia um pouco distinta. Surgiu em 1883 e se espalhou pela Europa e Estados Unidos até a Primeira Guerra Mundial. Esse movimento utilizou a combinação dos novos materiais do mundo moderno, como vidro, ferro e cimento, integrando a arte com a lógica industrial, remetendo a caules, folhas, flores, troncos e insetos, com desenhos ornamentais. De que movimento estamos falando? a) Art Nouveau. b) Art Pop. c) Arts & Crafts. d) Art Déco. e) Dadaísmo. Faça valer a pena Fonte: <https://goo.gl/vkCbXJ>. Acesso em: 23 nov. 2016. U3 197História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea 3. Figura 3.51 | Colher de prata criada por C. R. Ashbee, 1901 Charles Robert Ashbee nasceu em 1863 em Isleworth, era filho do empresário e bibliófilo Henry Spencer Ashbee. Sua mãe judia foi sufragista e suas irmãs eram progressistas também. Ashbee foi um arquiteto famoso de sua época, também responsável por design de interiores, mobiliário e objetos de decoração. Podemos afirmar que o objeto da Figura 3.51 é resultante de que movimento? a) Art Nouveau. b) Arts & Crafts. c) Art Déco. d) Revolução Industrial. e) Advertising Art. Fonte: <https://goo.gl/waZG6z>. Acesso em: 14 ago. 2016. U3 198 História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea U3 199História da arte: da Idade Moderna ao início da Contemporânea Referências A história de Leonardo Da Vinci. Youtube: canal conhecendo a história. 6 ago. 2015. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Q2X7kqrbNBU>. Acesso em: 18 set. 2016. ARAUJO, G. Arquitetura medieval: estilo gótico e romântico. Estudo prático, 26 nov 2013. Disponível em: <http://www.estudopratico.com.br/arquitetura-medieval-estilo- gotico-e-romantico/>. Acesso em: 9 nov. 2015. Arquitetura na Idade Média. Arquiteto fala..., 11 dez. 2011. Disponível em: <http:// arquitetofala.blogspot.com.br/2011/12/idade-media-e-arquitetura-ocidental.html>. Acesso em: 2 jul. 2016. Arte barroca. Arte barroca. 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Impressionismo: 230 anos de luz. Ciência e Cultura, São Paulo, v. 56, n. 3, jul./set. 2004. Disponível em: <http://cienciaecultura.bvs.br/scielo. php?pid=S0009-67252004000300027&script=sci_arttext>. Acesso em: 10 nov. 2015. Unidade 4 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Chegamos à última unidade deste material. Passamos pela Pré-História, pela Antiguidade, Idade Média e Idade Moderna. Conhecemos a arte rupestre, arte grega, egípcia e romana, além do Renascimento e arte barroca. Acompanhamos a trajetória da história do design durante a Revolução Industrial e entramos em contato com os movimentos precursores da arte moderna para enfim chegarmos ao século XX. E que turbilhão é este século, cheio de transformações nos meios de comunicação, nos meios de transporte, na política, no trabalho e, consequentemente, na forma de socialização. Você deve estar imaginando o quanto a arte mudou neste período. Muito! A arte refletiu todas essas transformações velozes e intensas. Os movimentos artísticos vão representar as conjunturas sociais e se manifestar, contra ou a favor. Você irá compreender como foi possível se expressar, escandalizando ou ditando novos conceitos de belo. A arte, como sempre, tem um papel fundamental no século XX. Convidamos você a compreender este papel e a tirar suas conclusões, escolhendo qual movimento lhe causa maior interesse e curiosidade. Para isso, utilizaremos como pano de fundo uma visita técnica ao Museum of Modern Art – MoMA, em Nova York. O museu oferece cursos, exposições, coleções, acervo em biblioteca e seminários para todos que possuam interesse especial pela arte. Sua visita técnica ao MoMA será cercada de grandes desafios, e para que você esteja preparado para todos eles o importante é que leia com atenção todo o conteúdo fornecido neste material. Convite ao estudo U4 204 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Para isso vamos refletir sobre as seguintes questões: qual é o papel da arte no século XX? Quais foram as manifestações artísticas que, na sua opinião, foram mais representativas em termos de inovação? Qual foi o impacto que a arte teve sobre a sociedade? Quais questionamentos ela incitou? Esta unidade trará respostas para essas perguntas e outros fatos interessantes que enriquecerão seu futuro profissional. Desejamos a você um bom trabalho! U4 205A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Seção 4.1 Arte e estética no mundo moderno O século XX é um século de inúmeras transformações. A ciência deu um salto essencial neste período. A tecnologia avançou como nunca havia acontecido anteriormente. Em cem anos, o mundo não é mais o mesmo. Guerras e conflitos alteraram drasticamente a vida das pessoas. Os meios de transporte mudaram a maneira de os indivíduos se locomoverem, os meios de comunicação transmitiam as mensagens com uma velocidade jamais imaginada antes. A medicina avançou. A eletricidade chegou. O rádio e o cinema passaram a entreter a população. E a arte acompanhou as mudanças. Movimentos como Fauvismo, Expressionismo, Cubismo, Abstracionismo e Dadaísmo mostraram que a arte também ditou tendências e expressou indignação pelos conflitos, desconstruiu conceitos, restaurou caminhos e elaborou um novo rumo da história da arte e das civilizações. O que você sabe sobre esses movimentos de vanguarda do início do século XX? Vamos pensar sobre sua visita técnica ao MoMA. Seu currículo foi escolhido entre outros estudantes e, agora, no segundo momento do processo de seleção para a visitação, a equipe do MoMA solicitou que você escreva um texto sobre o que é Arte Moderna, para ser publicado no site do museu, juntamente com textos de outros estudantes de diferentes países. Com a finalidade de prepará-lo para esse trabalho, convidamos você a pensar nas seguintes questões: quais são as características dos movimentos Fauvismo, Expressionismo e Cubismo? Quais são os principais artistas da arte abstrata e dadaísta? Qual era o principal objetivo do Dadaísmo? Como a Primeira Guerra Mundial influenciou a arte? Vamos ajudá-lo nesse desafio, assim, é importante que leia o item Não Pode Faltar, no qual você encontrará as respostas para essas reflexões, além de exemplos interessantes e informações essenciais para a compreensão da arte moderna. Diálogo aberto U4 206 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade O século XX foi um período difícil e complexo para a história das civilizações, marcado por grandes invenções, guerras e revoluções. No campo das artes não seria diferente: muitas correntes artísticas inovaram o conceito de arte. Novos manifestos, propostos por movimentos artísticos de vanguarda, traziam modernas e pictóricas formas que correspondiam e refletiam a nova realidade: um mundo em constante e veloz transformação. A Europa viveu, logo no início do século, a Primeira Guerra Mundial, que influenciou a pintura, a arquitetura, a música, a dança, a literatura etc. Houve um avanço vertiginoso na tecnologia, trazendo inúmeras transformações para o cenário urbano. A rápida evolução dos meios de comunicação auxiliava a informação e as tendências a serem mais facilmente propagadas. Essa grande difusão favoreceu o crescimento das atividades artísticas bem como o desenvolvimento de técnicas de produção e, consequentemente, o consumo de produtos artísticos. A fotografia foi aceita como forma de arte, fotógrafos americanos e europeus criaram sociedades para divulgar e expor suas fotos. A grande novidade no campo do entretenimento foi a invenção do cinema, que reunia espectadores nos porões de cafés franceses para a exibição de filmes de curta duração. Nos meios de transporte destacavam-se as ferrovias, os navios a vapor, a linha de produção desenvolvida por Henry Ford, os diversos modelos de automóveis que passaram a fazer parte das paisagens urbanas. A chegada da eletricidade e a consequente mudança na vida doméstica e no trabalho nas grandes fábricas completavam o momento. O século XX é um turbilhão. O mundo das artes não poderia estagnar, e mais uma vez representará toda a transformação social vivida neste período. “Quer se chamassem cubistas, futuristas, expressionistas, metafísicos, surrealistas, os artistas dessa geração queriam mudar tudo” (PRETTE, 2008, p. 308). Se a Primeira Guerra Mundial influencioutodas as áreas do campo artístico, na Segunda Guerra Mundial, período dos regimes totalitários, a arte se colocou a serviço dos regimes políticos. A arte do século XX tem caráter experimental, com a criação de uma linguagem artística seguida da outra, com propósitos diferentes, renovando a estética e dando novos rumos ao sentido do belo, e novos caminhos para a história da arte. “A arte não aceita mais esquemas ou limitações e a comunicação artística pode abranger campos infinitos, acompanhando Desde o fim do século XIX uma verdadeira fonte de inovação criativa autônoma vinha se acumulando nos setores populares e de diversão de algumas grandes cidades. Estava longe de exaurida, e a revolução nas comunicações levou seus produtos muito além de seus ambientes originais. (HOBSBAWM, 1995, p. 196) Não pode faltar U4 207A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade as modalidades de expressão mais variadas” (PRETTE, 2008, p. 309). Vamos compreender os caminhos percorridos pelos artistas no início deste século agitado. Nossa jornada começa em 1905. Em Paris, um grupo de jovens pintores expõe suas telas no Salão de Outono, em um espaço chamado Grand Palais. Os salões eram grandes exposições que geralmente reuniam vários artistas. Essa exposição de 1905 apresentou a primeira das manifestações de vanguarda do século XX, que perturbou o mundo das artes. O grupo causou escândalo com suas inovações: pinceladas espontâneas e violentas, um colorido forte e selvagem que não correspondia à realidade; liberdade, ousadia e autonomia que os artistas tiveram ao transformar cenas reais; uso exclusivo de cores puras, tintas utilizadas diretamente da bisnaga, manchas largas e abandono de contornos. O público e a crítica não estavam preparados para tanto! Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/73/Danseuse_jaune%2C_M%C3%A8rodack-Jeanneau. JPG/320px-Danseuse_jaune%2C_M%C3%A8rodack-Jeanneau.JPG>. Acesso em: 1º ago. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/c/c3/Andr%C3%A9_Derain%2C_1905%2C_Le_s%C3%A9chage_des_ voiles_%28The_Drying_Sails%29%2C_oil_on_canvas%2C_82_x_101_cm%2C_Pushkin_Museum%2C_Moscow._Exhibited_ at_the_1905_Salon_d%27Automne.jpg>. Acesso em: 1º ago. 2016. Figura 4.1 | La danseuse jaune, Alexis Mérodack-Jeanneau, 1912; Musée des Beaux-Arts d'Angers Figura 4.2 | Le séchage des voiles, André Derain, 1905, óleo sobre tela U4 208 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade O grupo ficou conhecido como Fauvista (fovista, em português). O nome veio de um parecer negativo feito pelo crítico Louis Vauxcelles: eram como fauves (feras/bestas – em francês, pela violência de suas pinceladas). Passado o choque do primeiro momento, a obra dos fauvistas foi reconhecida como profundamente inovadora. Os principais artistas do grupo são Henri Matisse (1869-1954), André Derain (1880-1954) e Maurice de Vlaminck (1876-1958). O movimento dos fauvistas definiu-se como uma afiliação livre de artistas, amigos e estudiosos que partilhavam seus conceitos sobre arte. Matisse, o mais velho e o mais bem-sucedido, em breve tornou-se conhecido como “rei das feras” com sua paleta vibrante e o emprego emancipado e subjetivo da cor. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/thumb/f/fb/Matisse-Woman-with-a-Hat.jpg/800px-Matisse-Woman- with-a-Hat.jpg>. Acesso em: 1º ago. 2016. Figura 4.3 | Mulher com chapéu, Henri Matisse, 1905, óleo sobre tela, coleção particular Observe o quadro Mulher com chapéu (Figura 4.3). O que mais lhe chama atenção? Repare que as cores utilizadas nessa pintura são cores reais, ou seja, a representação que Matisse faz da mulher não é fiel à realidade, ou naturalista, como era, por exemplo, a obra de Caravaggio, que vimos anteriormente. “O retrato dessa mulher com seu grande chapéu é repleto de cores que se misturam no rosto, na roupa, no chapéu e no fundo da tela. São verdes, vermelhos, amarelos, azuis, pretos e brancos aplicados por toda parte” (CANTON, 2002, p. 41). Exemplificando U4 209A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Em 1907 os fauvistas começaram a seguir caminhos diferentes, porém Henri Matisse continuou a desenvolver as possibilidades sugeridas pelo movimento durante muitos anos, sendo o uso de cores uma característica marcante em sua obra. Enquanto isso, na Alemanha, artistas sintonizados com os fauvistas e influenciados por eles fundam um movimento chamado A Ponte (Die Brücke). Esses artistas são Ernst Ludwig Kirchner (1880-1938), Erich Heckel (1883-1970), Karl Schmidt-Rottluff (1884-1976) e Fritz Bleyl (1880-1966). O grupo desenvolvia arte através de pinturas, desenhos, gravuras e esculturas. Tinham em comum o desejo de expressar-se verdadeiramente e, portanto, foram chamados de Expressionistas. Os austríacos Oskar Kokoschka (1886-1980) e Egon Schiele (1890-1918), além de outros artistas, também são considerados expressionistas. O Fauvismo foi o primeiro e um dos mais breves movimentos de vanguarda, que dá início à arte moderna do século XX. Teve seu apogeu entre 1905 e 1907. Representou uma inovação na arte e, por isso, causou estranhamento à primeira vista. Suas principais características são: pinceladas vigorosas, falta de nuance e uso estridente e não naturalista das cores (FARTHING, 2011, p. 370). A Ponte tenta recriar a realidade buscando a essência das coisas por trás de sua aparência. Assim como nos simbolistas e nos fauvistas, os artistas expressionistas não precisavam mais escolher cores de acordo com a realidade, mas podiam refazê-las dando às imagens novos significados. É como se a arte quisesse transformar a realidade e não mais segui-la simplesmente. (CANTON, 2002, p. 43) Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/70/Egon_Schiele_-_M%C3%A4dchenakt_mit_ verschr%C3%A4nkten_Armen_-_1910.jpeg/74px-Egon_Schiele_-_M%C3%A4dchenakt_mit_verschr%C3%A4nkten_ Armen_-_1910.jpeg>. Acesso em: 1º ago. 2016. Figura 4.4 | Jovem nua de braços cruzados, Egon Schiele, 1910, aquarela Assimile U4 210 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Observe o quadro Jovem nua de braços cruzados (Figura 4.4). Como você descreveria esta imagem? Quais são os sentimentos que a pintura apresenta? Expressionismo é um termo aplicado às artes visuais, ao teatro, ao cinema e à literatura do início do século XX. Para a história da arte, é um movimento que tem como característica o uso simbólico e emotivo das cores e das linhas. Ao contrário do Impressionismo, que registrava a impressão do mundo, o artista expressionista representava seu próprio temperamento sobre sua visão do mundo. O Expressionismo estava mais ligado a uma postura ideológica do que a elementos estéticos, apresentando um olhar mais sombrio da humanidade do que os franceses fauvistas. O norueguês Edvard Munch (1863-1944) foi uma influência importante para os expressionistas, a partir do preceito de que “arte deveria expressar a perturbação íntima diante de um mundo em que reinam a incompreensão e a negligência” (DEMPSEY, 2008, p. 71). O Expressionismo também transformou Berlim em um centro importante da vanguarda internacional nos anos que precederam a Primeira Guerra Mundial. Foi um dos movimentos que mais se propagou pelo mundo. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/8/8c/%27Bride_of_the_Wind%27%2C_oil_on_canvas_painting_by_ Oskar_Kokoschka%2C_a_self-portrait_expressing_his_unrequited_love_for_Alma_Mahler_%28widow_of_composer_ Gustav_Mahler%29%2C_1913.jpg>. Acesso em: 1º ago. 2016. Figura 4.5 | A noiva do vento (A tempestade), Oskar Kokoschka, 1913-14, óleo sobre tela O grupo A Ponte durou apenas dois anos, desfazendo-se em 1911. Cada um de seus integrantes seguiu uma direção diferente. Surgiu então, também na Alemanha, outro grupo importante: o Cavaleiro Azul (Der Blaue Reiter), que tinha como objetivo libertar-se da realidade. O Cavaleiro Azul era o nome de uma revista publicada porWassily Kandinsky e Exemplificando “A maestria que se nota no desenho de Schiele expressa vigorosamente o desespero, a paixão, a solidão e o erotismo. A crua sexualidade das figuras femininas o tornou um artista controvertido e muitos de seus desenhos foram confiscados ou queimados” (DEMPSEY, 2008, p. 70). U4 211A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/98/EineK%C3%BCnstlergemeinschaft.jpg>. Acesso em: 1 ago. 2016. Figura 4.6 | Um grupo de artistas, Erich Heckel, 1926-27, óleo sobre tela Os expressionistas criaram uma arte que confrontou o espectador com uma visão mais direta e pessoal de seu estado de espírito. Seus elementos essenciais eram: distorção linear, reavaliação do conceito de beleza artística, simplificação radical de detalhes e cores intensas (FARTHING, 2011, p. 378). Enquanto os fauvistas e os expressionistas buscavam a libertação através da cor, os cubistas empenhavam-se em uma nova construção para a forma. O Cubismo foi provavelmente o mais famoso dos movimentos de vanguarda do século XX, tendo Pablo Picasso (1881-1973) e Georges Braque (1882-1963) como os pais desse movimento, cujas principais características são: múltiplas perspectivas, a partir de diferentes planos, conduzindo o olhar a diversas áreas da pintura, criando ao mesmo tempo um sentido de profundidade. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/7/76/579px-Les_Demoiselles_d%27Avignon.jpg>. Acesso em: 1 ago. 2016. Figura 4.7 | Les demoiselles d’Avignon, Pablo Picasso, 1907, óleo sobre tela, 243 cm x 233 cm; MoMA, Nova York Franz Marc, entre 1912 e 1913, com artigos de vários artistas. O título foi retirado de uma série de pinturas realizadas pelo próprio Kandinsky, que adorava mitos, contos e fábulas. Em suas pinturas a imagem do cavaleiro ligava-se a São Jorge, montado em seu cavalo, e, de forma geral, à imagem da batalha. A cor azul, para Kandinsky, é a cor da calma, cor celeste por natureza. (CANTON, 2002, p. 43) U4 212 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade O Cubismo atribui à arte uma mudança no ponto de vista da representação da forma desejada e põe em evidência as muitas faces que compõem o mesmo objeto. Pela primeira vez na história da arte, a pintura não representa mais a aparência exterior da realidade e passa a inventar formas e cores autônomas. A partir dos vários possíveis pontos de vista, a obra cubista proporciona ao espectador uma visão completa, global e simultânea. O quadro Les demoiselles d’Avignon (As senhoritas de Avignon), de Pablo Picasso – muito marcante para a história da arte – teve grande importância, pois chocou os espectadores não pelo tema (prostitutas em um bordel espanhol) e, sim, pelo estilo, que antecipava uma fragmentação comum às artes do século XX. Essa obra dá início ao Cubismo. Era uma tela apresentando cinco mulheres nuas, exibindo corpos com seus contornos simplificados, geometrizados. Nela, dois rostos de mulheres olham para frente, um está de perfil, pintado em uma cor mais escura, e outros dois estão fragmentados, distorcidos, reduzidos a formas geométricas que lembram máscaras africanas. O fundo também parece um tapete de fundos e cores ‘quebrados’. (CANTON, 2002, p. 47) A relação entre Pablo Picasso e Georges Braque era tão intensa que um colaborava significativamente com a pintura do outro, de maneira que é difícil distinguir a autoria das obras. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/thumb/e/e0/Georges_Braque%2C_1911-12%2C_Man_with_a_Guitar_%2 8Figure%2C_L%E2%80%99homme_%C3%A0_la_guitare%29%2C_oil_on_canvas%2C_116.2_x_80.9_cm_%2845.75_x_31.9_ in%29%2C_Museum_of_Modern_Art%2C_New_York.jpg/800px-thumbnail.jpg>. Acesso em: 1º ago. 2016. Figura 4.8 | Homem com violão, Georges Braque, 1911-12, óleo sobre tela, 116 cm x 81 cm; MoMA, Nova York U4 213A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade A tela Homem com violão é um exemplo de Cubismo Analítico, cuja aparência do objeto retratado é representada com uma série de superfícies planas interconectadas, geralmente pintada com uma paleta de cores tênues (FARTHING, 2012, p. 394). Pablo Picasso é uma ilustre personalidade do século XX. Criativo e complexo, o artista se expressou de maneiras diferentes durante sua vida. Afastou-se do Cubismo e explorou novas direções de pesquisa. A pintura Guernica é talvez uma das mais célebres de todos os tempos. Vemos formas fragmentadas representando o bombardeamento aéreo que devastou a pequena cidade espanhola de Guernica, durante a Guerra Civil (1936-1939), às vésperas da Segunda Guerra Mundial. A obra mostra o tormento de uma mãe, com seu filho morto, um cavalo simbolizando o sofrimento dos animais e fragmentos de corpos de soldados (PRETTE, 2008, p. 317). Outra personalidade significativa é o russo Wassily Kandinsky (1866-1944), um dos nomes mais relevantes da pintura moderna. Foi o pioneiro da arte abstrata, com profundas contribuições teóricas sobre a arte pictórica. Kandinsky idealizou a pintura abstrata inspirado por conceitos metafísicos a respeito do triunfo do espírito sobre a matéria, tal como descrevia em seu primeiro texto teórico sobre a cor e a forma: Do espiritual na arte. Influenciado pelos horrores da Primeira Guerra Mundial, seus grandes trabalhos retrataram motivos apocalípticos. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6f/Mural_del_Gernika.jpg>. Acesso em: 1 ago. 2016. Figura 4.9 | Guernica, Pablo Picasso, 1937, óleo sobre tela, 3,45 m x 7,70 m; Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madri A arte abstrata não tem como objetivo imitar a realidade. O objeto real é excluído da representação. Não há imagem de natureza ou vida, e sim sensações e percepções. A arte abstrata liberta o artista da realidade a qual estamos acostumados nos apresentando formas irregulares ou geométricas, planos coloridos, linhas e pontos. Reflita U4 214 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d2/Vasily_Kandinsky_-_All_Saints.jpg>. Acesso em: 1 ago. 2016. Fonte: <http://uploads0.wikiart.org/images/wassily-kandinsky/in-blue-1925.jpg>. Acesso em: 1 ago. 2016. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/fa/Fontaine_Duchamp.jpg>. Acesso em: 1 ago. 2016. Figura 4.10 | All Saints Day I, Wassily Kandinsky, 1911, óleo sobre tela, 50 cm x 64 cm; Städtische Galerie im Lenbachhaus, Munique Figura 4.11 | No azul, Wassily Kandinsky, 1925, óleo sobre cartão, 80 cm x 110 cm; Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, Düsseldorf Figura 4.12 | Fonte, Marcel Duchamp, 1917 (réplica, 1963) U4 215A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade E esse urinol invertido de porcelana, você sabe a importância que ele tem para a história da arte? Essa peça “levou o mundo da arte a se posicionar sobre sua tão propalada largueza de visão, ao mesmo tempo em que fazia um comentário instigante sobre o peso que uma assinatura tem na avaliação de uma obra de arte” (DEMPSEY, 2008, p. 114). A atitude de Marcel Duchamp (1887-1968) chocou muita gente. Em 1917, por exemplo, ele mandou sua obra Fonte para um salão de arte de Nova York, mas que foi impedida de participar da mostra. Três anos depois, enviou para uma exposição em Paris uma réplica da Mona Lisa com um bigode comprido. O artista escandalizou, lançando mão do conceito de arte e dando um novo rumo à arte moderna e suas provocações. Surge o Dadaísmo ou Movimento Dadá, um fenômeno internacional e multidisciplinar. Teve seu período de maior atividade em Paris, durante e após a Primeira Guerra Mundial (1919 e 1922). Cada vez mais jovens artistas se agrupavam com o objetivo de expressar sua aversão pelo conflito. Eles queriam, por meio da arte, mostrar que os horrores da guerra estavam comprovando a ruína e a hipocrisia dos valores vigentes. Tinham o intuito de utilizar a arte para destruir sistemas baseadosna razão e na lógica, dando lugar a valores baseados na anarquia, no primitivo e no irracional. Explorando métodos cínicos, os dadaístas atacavam violentamente as tradições consagradas na arte, na filosofia e na literatura, através de suas obras inusitadas. Para os dadaístas, não adiantava mais pensar ou buscar coerência nas coisas, pois o ser humano tinha perdido a razão. A fim de fugir do raciocínio, eles criaram o automatismo psíquico. Trata-se de uma maneira de criação automática, rápida, que só usa o instinto e a ação subconsciente e, assim, não dá espaço para a razão (DEMPSEY, 2008, p. 115). Duchamp desenvolveu a arte conceitual, ou seja, o artista precisava basicamente de um conceito ou uma ideia e não mais do talento manual para pinturas ou esculturas. O importante era que esses conceitos questionassem a arte, o mundo, as guerras, o que precisasse ser questionado. O Dadaísmo surgiu na Suíça, cidade de Zurique. O nome do movimento, Dadá, também parecia tão absurdo e provocativo quanto suas obras. Uns dizem que foi escolhido quando Hugo Ball abriu uma enciclopédia em uma página qualquer e achou o verbete ‘dadá’, que em francês significa cavalinho de madeira. Outros afirmam que ‘dadá’ se refere ao barulhinho de balbuciar feito pelos bebês, ou ainda, à expressão afirmativa que se usa na Romênia, país natal de Tzara. (CANTON, 2002, p. 74) U4 216 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade O Dadaísmo não busca coerência, já que eles julgam que a partir da guerra o homem perde a razão, a lógica e o raciocínio. O movimento foi perdendo a força com o fim da Primeira Guerra Mundial, mas teve uma importância indiscutível, abrindo caminho para discussões relevantes a respeito de pilares sensíveis da sociedade, além de transfigurar, de maneira significativa e essencial, os rumos da história da arte moderna e também da Arte Contemporânea. É importante compreender todo o contexto histórico e a conjuntura sociopolítica do século XX para poder entender a produção artística denominada como arte moderna. HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. Por qual dos movimentos citados nesta seção você mais se interessa? Escolha a manifestação artística que achou mais intrigante e aumente sua pesquisa através dos livros e links sugeridos por seu professor e na webaula desta seção. Vamos às informações importantes que o auxiliarão na produção do texto sobre arte moderna que faz parte do processo de seleção da visita técnica ao MoMA. Reflita: você viu neste material que o Fauvismo foi o primeiro movimento de vanguarda do século XX. Surgiu na França e as características apresentadas pelos fauvistas, para grande susto do público e da crítica foram: pinceladas espontâneas e violentas; um colorido forte e selvagem que não correspondia à realidade; a liberdade, ousadia e autonomia que os artistas tiveram ao transformar cenas reais; uso exclusivo de cores puras; tintas utilizadas diretamente da bisnaga; manchas largas e abandono de contornos. E quanto ao Expressionismo? Você se lembra o que ele apresentou ao espectador? Trata-se de um movimento que tem como característica o uso simbólico e emotivo das cores e das linhas. Estava mais ligado a uma postura ideológica do que a elementos estéticos, apresentando um olhar mais sombrio da humanidade do que os franceses fauvistas. Os expressionistas acreditavam que a arte deveria expressar a perturbação íntima diante de um mundo em que reinam a incompreensão e a negligência. Pesquise mais Faça você mesmo Sem medo de errar U4 217A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Quanto ao Cubismo, foi provavelmente o mais famoso dos movimentos de vanguarda do século XX. Pablo Picasso e Georges Braque foram os pais do movimento cubista, que possui como características: múltiplas perspectivas, a partir de diferentes planos, conduzindo o olhar a diferentes áreas da pintura, criando ao mesmo tempo um sentido de profundidade. O Cubismo atribui à arte uma mudança no ponto de vista da representação da forma desejada e põe em evidência as muitas faces que compõem o mesmo objeto. Pela primeira vez na história da arte, a pintura não representa mais a aparência exterior da realidade e passa a inventar formas e cores autônomas. A partir dos vários possíveis pontos de vista, a obra cubista proporciona ao espectador uma visão completa, global e simultânea. O russo Wassily Kandinsky foi o criador da arte abstrata e, certamente, um dos nomes mais relevantes da pintura moderna. Kandinsky idealizou a pintura abstrata inspirado por conceitos metafísicos a respeito do triunfo do espírito sobre a matéria, tal como descrevia em seu primeiro texto teórico sobre a cor e a forma. Muitos artistas de diversos movimentos expressaram-se horrorizados com a Primeira Guerra Mundial. Os dadaístas foram um deles. Cada vez mais jovens artistas se agrupavam com o objetivo de expressar sua aversão pelo conflito. Eles queriam, por meio da arte, mostrar que os horrores da guerra estavam comprovando a ruína e a hipocrisia dos valores vigentes. Tinham o intuito de utilizar a arte para destruir sistemas baseados na razão e na lógica, dando lugar a valores baseados na anarquia, no primitivo e no irracional. Explorando métodos cínicos, os dadaístas atacavam violentamente as tradições consagradas na arte, na filosofia e na literatura, através de suas obras inusitadas. Você compreendeu melhor as manifestações artísticas do início do século XX? Temos certeza de que agora você está bem mais preparado e seguro para escrever aquele texto que lhe foi pedido. Preocupados em se renovar através de experiências de vanguarda, os artistas foram se libertando do realismo, como impressões, geometrizações, fragmentações, abstrações e ideias de movimento, mas ainda não tinham se libertado da manufatura, da necessidade de fazer uma pintura ou objeto para expressar determinada ideia. O importante a partir deste momento é adaptar-se à ideia de criar conceitos que questionem a sociedade e seus valores. Atenção U4 218 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade A rápida evolução dos meios de comunicação fazia com que a informação e as tendências fossem mais facilmente propagadas. Essa grande difusão favoreceu o crescimento das atividades artísticas e o desenvolvimento de técnicas de produção e, consequentemente, o consumo de produtos artísticos. A fotografia foi aceita como forma de arte, e fotógrafos americanos e europeus criaram sociedades para divulgar e expor suas fotos. A grande novidade no campo do entretenimento foi a invenção do cinema, que reunia espectadores nos porões de cafés franceses para a exibição de filmes com curta duração. Nos meios de transporte foram as ferrovias, os navios a vapor, a linha de produção desenvolvida por Henry Ford, os diversos modelos de automóveis que passaram a fazer parte das paisagens urbanas. A chegada da eletricidade e a consequente mudança na vida doméstica e no trabalho nas grandes fábricas. O século XX é um turbilhão (HOBSBAWM, 1995). Dadaísmo Fonte: <http://uploads3.wikiart.org/images/hannah-hoch/strauss-1965.jpg>. Acesso em: 3 ago. 2016. Figura 4.13 | Strauss, Hannah Höch, 1965, fotomontagem dadaísta Descrição da situação-problema Vamos colocar em prática o que aprendemos nesta seção, compreendendo acerca do surgimento da arte moderna: os primeiros movimentos de vanguarda, os principais artistas, as primeiras rupturas, as mais importantes obras do início do século XX. Lembre-se Avançando na prática U4 219A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Observe a fotomontagem Strauss, da artista dadaísta Hannah Höch (1889-1978), realizada em 1965 (Figura 4.13). Você se lembra de que o Dadaísmo tinha como principal objetivo a desconstrução da arte vigente? Vamos realizar esta atividade em duas etapas. Ao olhar a arte de Hannah Höch, escrevauma análise da mesma. Lembre-se de detalhar o que você vê e qual é a impressão que a figura lhe transmite. O que você acha que ela representa? Marcel Duchamp realmente mudou o rumo da arte moderna que, a partir de então, poderia ser pesquisada como a arte dos ‘objetos encontrados’ ou ‘objetos achados’. Para fazer arte já não era necessário partir do zero, criando algo do nada. A manufatura poderia ser substituída pelo conceito. Para conhecer mais sobre o movimento dadaísta, assista ao vídeo: Cabaret Voltaire, o lar do Dadaísmo – Movimento artístico foi reação à Primeira Guerra Mundial. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=0aZP9jfwKJ0>. Acesso em: 20 dez. 2015. Resolução da situação-problema Vamos executar uma obra a partir dos preceitos dadaístas? Faremos uma colagem! Lembre-se de que para Duchamp a arte tinha que partir de uma ideia, ou um conceito. Escolha uma ideia intrigante. Pode ser uma frase ou uma pergunta, como: o que você faria se o mundo fosse acabar em 24 horas? Ou Qual é o segredo da longevidade? Nas artes visuais os dadaístas aplicaram técnicas não tradicionais: a colagem com papel reciclado e a colagem feita com vários materiais; a fotomontagem e o ready- made. Ready-made é o nome que o próprio Duchamp inventou para designar os objetos encontrados ao acaso e dos quais os artistas deveriam se apropriar para criar arte. Nesse ato de ousadia, Duchamp mudou o modo de encarar a arte. A forma de fazer pintura com o uso de colagens foi apropriada pelo Dadaísmo, que utilizava a técnica para questionar o conceito de arte. A colagem de Hannah Höch traz retratos de seus amigos e de pessoas famosas. Höch foi uma importante ativista dadaísta na Alemanha e considerada uma das precursoras da fotomontagem. Pegue revistas, tesoura, cola e papel. Selecione imagens e monte sua colagem. Lembre-se U4 220 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Marcel Duchamp estava sempre surpreendendo, porém, para chegar a essa ideia ele reuniu conhecimento por meio de leituras, reflexões e pesquisas a respeito dos caminhos que a arte do século XX tinha tomado. Preocupados em revolucionar através de experiências de vanguarda que vão do Impressionismo ao Cubismo, os artistas se libertaram do realismo, como impressões, geometrizações, fragmentações, abstrações e ideias de movimento, mas não haviam conseguido se libertar da manufatura, ou seja, da necessidade de fazer uma pintura ou objeto para expressar uma ideia. Duchamp surgiu então com o conceito de ready-made e, a partir daí, a ideia ou conceito poderia ser transmitida com um objeto que já existia. Olhe ao seu redor. O que é considerado arte nos dias de hoje? E qual é a sua opinião a respeito dos artistas atuais? Se fosse questionar o conceito de arte na atualidade, como você faria? Utilizaria um ready-made? Uma colagem? Escreveria um texto? Escolha a sua maneira e reflita sobre o conceito de arte no século XXI. 1. Movimento artístico de vanguarda do século XX que apresentou uma exposição em Paris, em 1905, e perturbou o mundo das artes através de um colorido forte e selvagem que não correspondia à realidade. a) Fauvismo. b) Impressionismo. c) Pós-Impressionismo. d) Expressionismo. e) Dadaísmo. 2. Manifestação artística que não tem como objetivo imitar a realidade. O objeto real é excluído da representação. Não há imagem de natureza ou vida e, sim, sensações e percepções. a) Arte abstrata. b) Arte dadá. c) Arte expressionista. d) Arte cubista. e) Arte fauvista. Faça você mesmo Faça valer a pena U4 221A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade 3. Na Alemanha, artistas sintonizados e influenciados pelos fauvistas fundam um movimento chamado Die Brücke (A Ponte). Estes artistas são Ernst Ludwig Kirchner (1880-1938), Erich Heckel (1883-1970), Karl Schmidt-Rottluff (1884-1976) e Fritz Bleyl (1880-1966). De que movimento fazem parte estes artistas? a) Impressionismo. b) Dadaísmo. c) Pop Arte. d) Expressionismo. e) Surrealismo. U4 222 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade U4 223A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Seção 4.2 O vanguardismo europeu e a Bauhaus Estamos em Nova York cumprindo com sua visita técnica a um dos mais importantes museus de arte moderna do mundo, o MoMA. O museu está atualmente apresentando uma grande exposição sobre a Bauhaus, com inúmeros objetos criados por alunos desta tão importante escola de design. Você terá a oportunidade de ver de perto peças da história da arte e do design que marcaram uma época muito significativa. Na Seção 4.2 você irá conhecer com detalhes a Bauhaus e compreender sua importância. Seu desafio nesta semana será, com base na exposição do MOMA e do conteúdo desta seção, redigir um texto para o site do museu, explicando o que foi a Bauhaus e por que os turistas que vão até Nova York não podem deixar de visitar o MoMA e prestigiar esta incrível exposição. Por onde começar? Pela pesquisa, sempre. Ao ler o item Não Pode Faltar, procure responder a estas questões: por que se afirma que a Bauhaus é muito significativa para a história do design e da arquitetura? Quais são as principais características dos produtos elaborados e fabricados na Bauhaus? Vamos iniciar esta seção a partir da observação da Figura 4.14. Olhe bem para este vaso. Fonte: <http://migre.me/vma9c>. Acesso em: 7 ago. 2016. Figura 4.14 | Vaso de cristal Art Déco; Seraing (Belgium), Val Saint Lambert crystal manufacture show-room Diálogo aberto Não pode faltar U4 224 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Vamos descrevê-lo: o vaso é obra da fábrica de cristais belga Val Saint Lambert, fundada em 1826, em Seraing. É certamente uma peça extravagante, harmoniosa e brilhante. O que mais vemos? Apesar do objeto não ser quadrado ou retangular, ele possui linhas geométricas como ornamentos. Essa é uma genuína peça Art Déco, o movimento sucessor do Art Nouveau. Foi entre os anos 1920 e 1930 que esse estilo floresceu e esteve presente em todas as formas de design trazendo consigo uma demonstração do mundo moderno. O termo deriva da língua francesa e vem da expressão Arts Décoratifs. Constitui numa escola de natureza internacional com características marcantes para a decoração, a moda, a arquitetura, as artes plásticas, a indústria gráfica e o desenho industrial. A primeira exposição aconteceu em 1925, em Paris, intitulada Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas. Ao contrário do Art Nouveau, o Art Déco é caracterizado por menos ornamentos, suas linhas são mais geométricas do que sinuosas ou florais, é menos orgânico e mais mecânico. Ambos eram considerados expressões da modernidade e foram amplamente aceitos como estilos decorativos. Enquanto o Art Nouveau tinha um ar autoral, ou seja, era importante saber quem tinha projetado cada peça, o Art Déco está mais ligado ao surgimento do Modernismo, ou seja, era vastamente consumido nas grandes metrópoles e sobretudo divulgado pelo cinema de Hollywood. O então diretor de arte da MGM, Cedric Gibbons, esteve na Exposição em 1925 em Paris e voltou para os Estados Unidos com grande influência Art Déco na criação da cenografia elaborada por ele, em filmes como Our dancing daughters (Garotas modernas), de 1928, e The kiss (O beijo), de 1929, com as atrizes Joan Crawford e Greta Garbo, respectivamente. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/thumb/c/c9/Our_Dancing_Daughters_lobby_card.jpg/800px-Our_ Dancing_Daughters_lobby_card.jpg>. Acesso em: 7 ago. 2016. Figura 4.15 | Cartaz do filme Our dancing daughters A década de 1920 fervilhava culturalmente e o Art Déco teve suas influências em vários movimentos de vanguarda, como o Cubismo, o Reflita U4 225A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Construtivismo e o Futurismo, além de referências estéticas das artes hindu, asteca, egípcia, orientale árabe. O estilo também se influenciou a partir dos exóticos cenários e figurinos do ballet russo de Diaguileve, que estava em alta na época. É interessante pensarmos na popularização dos estilos Art Nouveau e Art Déco principalmente como ciclos de moda do século XX. A passagem do século XIX para o século XX trouxe uma significativa importância para a moda, principalmente em se tratando da busca de um estilo moderno. A partir do século XIX, temos a aparência como o principal indicador de identidade de grupos e status social, ou seja, a moda sugere ou até mesmo afirma a identificação de cada um através de corte de cabelo, estilo da roupa, tecido e decoração da casa. Passa a existir o desafio de manter claras as distinções dentro de uma cultura urbana em que as identidades são fluidas e o acesso aos meios para forjar as aparências é condicionado apenas pelo poder aquisitivo (CARDOSO, 2008). A moda tem como um importante combustível o advento da produção em massa, que passa a abarcar cada vez mais pessoas e estender-se mais rapidamente, através da produção em larga escala de produtos padronizados e a consequente liberação desses bens para o consumo a preços baixos. No começo, o movimento artístico Art Déco estava direcionado à alta burguesia, pois utilizava matérias-primas mais caras e mais valiosas, como marfim, porém, se popularizou nos Estados Unidos a partir de 1934, quando houve a Exposição Art Déco no Metropolitan Museum de Nova York. O estilo então passa a ser produzido industrialmente utilizando materiais suscetíveis à reprodução em massa. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/97/The_Octopus_Gown_-_Photoplay%2C_September_1921. jpg?uselang=pt-br>. Acesso em: 7 ago. 2016. Figura 4.16 | Octopus gown (Vestido “Polvo”), desenhado por Clare West, em 1921, com estética Art Déco U4 226 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade A sociedade queria se esquecer do trauma da Primeira Guerra Mundial, divertindo-se e olhando para o futuro. Nada mais propício que a moda de um novo estilo que traz a modernidade para o cotidiano. Assim, a chegada do Art Déco às camadas populares fez com que o estilo se fizesse marcante em utensílios de uso doméstico, no design de interiores, nas propagandas, na moda e em todos os segmentos de consumo. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2a/Fashions_at_Nyngan_Picnic_races_-_Nyngan%2C_NSW% 2C_%28between_1927-1930%29_-_by_unknown_photographer_%282968453258%29.jpg?uselang=pt-br>. Acesso em: 7 ago. 2016. Figura 4.17 | Moda entre 1927 e 1930 O costureiro francês Paul Poiret (1879 - 1944) foi uma figura bem significativa da época. Ele ficou impressionado quando conheceu o Art Déco e utilizou as características em suas criações de moda, tornando-se também um essencial representante do estilo. Fonte: <http://i.istockimg.com/file_thumbview_approve/29643224/6/stock-photo-29643224-spiral-staircase.jpg>. Acesso em: 7 ago. 2016. Figura 4.18 | Escada Art Déco U4 227A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Na arquitetura, os grandes representantes do Art Déco são os arranha-céus americanos. Um clássico exemplo disso é o Edifício Chrysler (1926-30), em Nova York, elaborado pelo arquiteto William van Alen (1883-1954). Fonte: <http://i.istockimg.com/file_thumbview_approve/53828568/6/stock-photo-53828568-chrysler-building-new-york- city.jpg>. Acesso em: 7 ago. 2016 Figura 4.19 | Edifício Chrysler, Nova York Falando em design, arte e arquitetura do início do século XX, é imprescindível que estudemos a Bauhaus, escola sediada na Alemanha, fundada em 1919 sob a direção do arquiteto Walter Gropius (1883-1969) que qualificava os alunos na teoria e prática das artes, dando-lhes a possibilidade de elaborar produtos que fossem ao mesmo tempo artísticos e comerciais, com estudos de novas técnicas, novos materiais e novas formas para aplicação em arquitetura, decoração e objetos utilitários. A ideia era uma comunidade em que professores e alunos morassem e trabalhassem juntos. O significado de Bauhaus é casa para construir, crescer, nutrir. O livro indicado apresenta, através de fotografias e depoimentos, a maneira como a arquitetura dos monumentos da cidade podem ser vistas e apropriadas por artistas que atuam na defesa do patrimônio histórico. BARRETO, Amanda. Art Déco: depoimentos e imagens. Goiânia: R&F Editora, 2007. Pesquise mais U4 228 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade A intenção da Bauhaus era graduar designers, artistas e arquitetos mais responsáveis socialmente. Lá os estudantes tinham cursos de marcenaria, tecelagem, cerâmica, pintura, artes gráficas e fotografia, acompanhados de estudos teóricos sobre a percepção e a cor com a finalidade de libertar a criatividade dos alunos. Assim nasceu o moderno desenho industrial. "Criemos uma nova guilda de artesãos, sem as distinções de classe que erguem uma barreira de arrogância entre o artista e o artesão", declarou o arquiteto germânico Walter Adolf Gropius, quando inaugurou a Bauhaus, em 1919. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6c/Peter_keler%2C_culla%2C_1922%2C_01. JPG/1024px-Peter_keler%2C_culla%2C_1922%2C_01.JPG>. Acesso em: 7 ago. 2016. Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Wassily_Chair?uselang=pt-br#/media/ File:Bauhaus_Chair_Breuer.png>. Acesso em: 7 ago. 2016. Fonte 4.20 | Berço da Escola Bauhaus, projetado pelo aluno Peter Keler, em 1922, com formas geométricas bastante simples Figura 4.21 | Cadeira Wassily – Leve e fácil de montar, feita com couro e tubos de aço, criada em 1925 pelo arquiteto e designer húngaro Marcel Breuer, aluno e depois professor responsável pela oficina de móveis da Bauhaus. O nome da cadeira é uma homenagem a seu amigo Wassily Kandinsky Assimile Exemplificando U4 229A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/Marcel_Breuer#/media/File:Breuer-FREISCHWINGER.JPG>. Acesso em: 7 ago. 2016. Figura 4.22 | Cadeira feita com aço tubular – Também desenhada por Marcel Breuer, esta cadeira leve e funcional foi feita com aço tubular. Foi a primeira vez que extensões de tubos de aço cromado de aparência industrial eram utilizadas em objetos de decoração e por isso foi uma criação tão original Gropius agregou um grupo excepcional de artistas-professores para a nova escola. “É nosso dever recrutar personalidades famosas e poderosas sempre que possível, mesmo que ainda não as compreendamos inteiramente”, declarou ele. Para citar dois exemplos, Wassily Kandinsky e Paul Klee lecionaram na Bauhaus. A Bauhaus passou por três fases bem distintas: o período inicial, com a direção de Gropius; a segunda fase, comandada pelo arquiteto suíço Hannes Meyer (1889- 1954), em que a Bauhaus assumiu-se como uma escola de formação de arquitetos e desenhistas industriais. Foram criados novos cursos, incluindo planejamento urbano e fotografia. Sob a direção de Meyer a Bauhaus tornou-se um sucesso comercial, com a fabricação de luminárias criadas na oficina de artefatos de metal orientada por Marianne Brandt (1893-1983), a industrialização de papel de parede criado nas oficinas de murais e oficinas de tecelagem, mobiliário e cartazes publicitários. Por questões políticas a Bauhaus foi transferida para a cidade socialista de Dassau em 1925. Em 1930, Meyer, que tinha uma orientação marxista, viu-se forçado a se afastar e foi substituído pelo arquiteto Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969). Rohe se preocupou em distanciar a escola da política, porém com a vitória do Partido Nacional-Socialista nas eleições locais, a Bauhaus foi acusada em 1931 de ser uma escola excessivamente cosmopolita, e não suficientemente nacionalista. Em 1932 ela se mudou para Berlim, numa tentativa de salvá-la, porém foi fechada pelos nazistas em 1933. A Bauhaus também foi um sucesso comercial com a produção de cartazes publicitários. Faça uma pesquisasobre a estética desses cartazes Faça você mesmo U4 230 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade e monte uma pasta com imagens e análises estéticas desses produtos gráficos. Sugerimos a leitura do artigo indicado. Bauhaus. Disponível em: <http://historiaeteoriadodesign.blogspot.com. br/2009/04/staatliches-bauhaus-literalmente-casa.html>. Acesso em: 28 ago. 2016. Modernismo: movimentos artísticos (Cubismo, Construtivismo, Futurismo, entre outros) que surgiram no fim do século XIX e início do século XX, os quais pretendiam desconstruir os sistemas estéticos da arte tradicional. Paul Klee (1879-1940): poeta e pintor suíço naturalizado alemão. O seu estilo, foi influenciado por diversas tendências artísticas, incluindo o Expressionismo, Cubismo e Surrealismo. Serguei Diaguilev (1872-1929): empresário artístico russo e fundador do Ballet Russes, famosa companhia de dança muito em voga na década de 1920. Marianne Brandt (1893-1983): pintora e designer, nascida na Alemanha. Com grande atuação na Bauhaus, conhecida pela criação de objetos utilitários domésticos como chaleiras, serviços de chá e candeeiros. Tornou- -se diretora adjunta e mestre assistente da Oficina de Metais da escola. A Bauhaus foi uma escola sediada na Alemanha, fundada em 1919 sob a direção do arquiteto Walter Gropius, que qualificava os alunos na teoria e prática das artes, dando- -lhes a possibilidade de elaborar produtos que fossem ao mesmo tempo artísticos e comerciais, com estudos de novas técnicas, novos materiais e novas formas para aplicação em arquitetura, decoração e objetos utilitários. A ideia era uma comunidade em que professores e alunos morassem e trabalhassem juntos. O significado de Bauhaus é casa para construir, crescer, nutrir. A intenção da famosa escola alemã era graduar designers, artistas e arquitetos com o intuito de torná-los mais responsáveis socialmente. Os estudantes tinham cursos de marcenaria, tecelagem, cerâmica, pintura, artes gráficas e fotografia, acompanhados de estudos teóricos sobre a percepção e a cor com a finalidade de libertar a criatividade dos alunos. Assim nasceu o moderno desenho industrial. Vocabulário Sem medo de errar U4 231A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Entre suas principais características estão: a interligação com outras artes, como a escultura, a tecelagem, a pintura, a cerâmica, marcenaria e a metalurgia; a arquitetura e o urbanismo têm uma relação próxima. Há um corte com o passado, pois são abolidas as formas naturais, contando também com a utilização de novos materiais como madeira, aço e vidro. Oficina de metal da Bauhaus Descrição da situação-problema Estamos na Alemanha, em 1928. Você é um aluno da Bauhaus e está tendo aulas na oficina de artefatos de metal. Você deverá desenvolver um projeto para um utensílio doméstico, a partir das características da escola. Seu trabalho será realizado com mais dois integrantes, assim, realize sua primeira reunião levantando as seguintes informações: - Quais são as características dos produtos elaborados na Bauhaus? - Qual utensílio vocês irão desenvolver? - Quem será seu público-alvo? Na Bauhaus os estudantes tinham cursos de marcenaria, tecelagem, cerâmica, pintura, artes gráficas e fotografia, acompanhados de estudos teóricos sobre a percepção e a cor. A Bauhaus tinha o objetivo de qualificar os alunos na teoria e prática das artes. Para isso, a escola fornecia a oportunidade de os alunos elaborarem produtos que fossem ao mesmo tempo artísticos e comerciais, utilizando novas técnicas, novos materiais e novas formas para aplicação em arquitetura, decoração e objetos utilitários. Atenção Avançando na prática Lembre-se U4 232 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Resolução da situação-problema Entre as principais características dos produtos fabricados na Bauhaus, está a interligação com outras artes. Isso será importante em seu projeto. Você pode combinar a elaboração de um utensílio doméstico com escultura, tecelagem, pintura, cerâmica ou marcenaria. Você conhece os produtos fabricados na Bauhaus? Amplie sua pesquisa, para que estas informações possam inspirá-lo ainda mais. Bauhaus Graphic Design. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=trCp5rurnTI&index=20&list=PL9JqZRkikD3qld9OfiRds5_ sZCjPDRy6>. Acesso em: 7 ago. 2016. COVERT, Adrian. 8 lindos produtos da Bauhaus: a mais influente escola de design. Disponível em: <http://gizmodo.uol.com.br/8-lindos-produtos- da-bauhaus-a-mais-influente-escola-de-design/>. Acesso em: 7 ago. 2016. 1. Quais são as principais características do estilo Art Déco? a) Linhas retas, poucas curvas, ornamentos florais com referências à natureza. b) Muitos ornamentos, geralmente nas cores dourado e vermelho. c) Curvas sinuosas decorando mosaicos em vitrais da alta burguesia. d) Linhas geométricas e influências das artes egípcia, hindu e oriental, além de movimentos modernistas. e) Funcionalidade, simplicidade e racionalidade em produtos fabricados manual e artesanalmente. 2. Quando e com qual objetivo a Escola Bauhaus foi fundada? a) Em 1919, para graduar designers, artistas e arquitetos mais responsáveis socialmente. Lá os estudantes tinham cursos de marcenaria, tecelagem, cerâmica, pintura, artes gráficas e fotografia, acompanhados de estudos teóricos sobre a percepção e a cor. b) Em 1925, para criar um design caracterizado por muitos ornamentos, e processos manuais e artesanais de fabricação de objetos. Faça você mesmo Faça valer a pena U4 233A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade c) Em 1900, para construir cenários e figurinos para o cinema hollywoodiano. d) Em 1915, na Alemanha, com o intuito de ser uma expressão da modernidade, amplamente aceita como estilos decorativos nas artes, na arquitetura e no design. e) Em 1918, para esquecer do trauma da Primeira Guerra Mundial, divertindo-se e olhando para o futuro. 3. O estilo Art Déco floresceu na Europa na década de: a) 1910. b) 1920. c) 1940. d) 1950. e) 1890. U4 234 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade U4 235A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Seção 4.3 Desafios do design no mundo pós-moderno Daremos continuidade nas atividades às quais você vem se dedicando em Nova York, durante sua visita técnica ao MoMA. Enquanto você passeia pela cidade, descobre que está havendo, em uma galeria de arte moderna, uma exposição de cartazes de propagandas políticas e ideológicas. Você se interessa pelo tema e resolve visitar a exposição. Vamos aproveitar esta ocasião e juntar informações suficientes para você utilizar na sua volta ao Brasil. Que tal participar de um encontro anual que acontece na cidade de São Paulo sobre a Propaganda Política e Suas Peculiaridades? Você pode trazer a este evento dados acerca da propaganda política internacional no período entre guerras. Para isso você deverá concentrar-se no conteúdo desta seção, refletindo primeiramente sobre estas questões: em que situação estava a indústria durante os anos de 1920? Quanto aos meios de comunicação, qual foi a maior conquista dessa década? Como era a indústria automobilística nessa década? O que foi a Grande Depressão? Por que o design gráfico do período entre guerras focou significativamente a propaganda ideológica? Entre 1914 e 1918, o mundo enfrentou a Primeira Guerra Mundial, que representou uma época de horror, medo e destruição com a perda de muitos cidadãos nos campos de batalha e fora deles, e a ruína da economia. Quando a guerra terminou, o Ocidente enfrentou uma fase de recuperação de graves danos provocados por essa catástrofe, e o resgate da felicidade e da prosperidade. Diálogo aberto Não pode faltar U4 236 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade A década de 1920 foi uma época muito rica, em que se viveu intensamente, e ficou conhecida como “osloucos anos 20”, famosos por um consumo desenfreado, aumento da população urbana e uma indústria que produzia cada vez mais em virtude da melhoria do nível de vida e, consequentemente, maior poder de compra. A indústria enfrentava uma fase de transformações rápidas e significativas, o que exigiu do design uma intensificação evidente, em todas as áreas. Novos materiais e novas tecnologias também surgiram nesse cenário, como o plástico e o alumínio, que tiveram seu uso disseminado na indústria. Era uma década com uma nova esperança, um entusiasmo pela novidade, pelo moderno e pelo futuro. Foi a era em que as pessoas passaram a ter energia elétrica em casa, e esse fato certamente significou a integração dos trabalhadores e operários à modernidade. Com a recente tecnologia, surgem novos bens de consumo e diversas demandas da indústria. Nos meios de comunicação, a novidade sem precedentes esteve nas primeiras transmissões de rádio. Em 1922 nasce a BBC na Grã-Bretanha. No Brasil, em 1923, surge a primeira estação, a Radio Sociedade do Rio de Janeiro. Em 1924, nos EUA, já havia mais de 600 estações de rádio. A indústria de aparelhos receptores torna-se mais importante do que a indústria automobilística e passa a ser considerada a mais popular (o ferro elétrico fica em segundo lugar). Já vimos neste Livro Didático alguns acontecimentos importantes. Os movimentos Arts & Crafts e Art Nouveau que encerram o século XIX e iniciaram o século XX, o surgimento da Bauhaus em 1919 e o Art Déco, estilo que predominou em todas as áreas do design na década de 1920. Os aparelhos de rádio foram os primeiros aparatos domésticos comprados em massa na Inglaterra, e representaram o primeiro equipamento elétrico a ter um design futurista. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5f/Girl_listening_to_radio.gif>. Acesso em: 21 ago. 2016. Figura 4.23 | Rádio Assimile Exemplificando U4 237A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Um importante acontecimento desta época foi a emancipação feminina. Em muitos países a mulher lutava pelo direito ao voto. Nos EUA, no começo da década, já havia uma média de 8 milhões de mulheres no mercado de trabalho. Em 1924, o Texas elegeu a primeira mulher a ocupar o cargo de governadora no país. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/thumb/3/30/Coco_Chanel%2C_1920.jpg/1024px-Coco_Chanel%2C_1920. jpg>. Acesso em: 21 ago. 2016. Figura 4.24 | Coco Chanel em 1920 Essa emancipação também se refletiu na moda. As vestimentas femininas mudaram, adequando-se à liberdade. Figura superimportante da época, a estilista Gabrielle “Coco” Chanel (1883-1971) libertou as mulheres do espartilho apertado e das saias cheias de babados que as impediam de movimentar-se com agilidade e conforto, introduzindo à moda tecidos leves como o jérsei e a malha fina. Em 1926, Chanel lançou o “Pretinho Básico” (Little Black Dress – LBD), com divulgação na revista Vogue. Antes disso, moças não usavam preto, e as senhoras usavam quando estavam de luto. As mulheres de vanguarda vestiam-se com calças compridas, peças consideradas até então unicamente masculinas, influência que também podemos atribuir a Coco Chanel, que como você pode perceber marcou forte presença no design de moda da década de 1920, com grande responsabilidade por mudanças significativas de valores, paradigmas e comportamento. A indústria da alta-costura contribuiu muito para o surgimento de outra importante área de atuação para os designers, através de revistas ilustradas especializadas. U4 238 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/ commons/9/90/Gabrielle_Chanel_en_ marini%C3%A8re.jpg>. Acesso em: 21 ago. 2016. Fonte: <http://media.istockphoto.com/photos/ chanel-no-5-perfume-picture-id459394861>. Acesso em: 21 ago. 2016. Figura 4.25 | Coco Chanel Figura 4.26 | Perfume Chanel Nº 5 A estilista também lançou seu perfume em 1921 – Chanel Nº 5. Ela própria desenhou o frasco, que contrastava com o design dos perfumes da época, totalmente ornamentais, enquanto o Chanel Nº 5 tinha uma forma retangular, simples e discreta. O perfume era produzido em série e, com essas características, foi um importante produto do Modernismo. Enquanto isso a economia dos EUA prosperava, o país evoluía e se tornava uma superpotência. A Primeira Guerra Mundial acarretou grandes vantagens a esta nação, dobrando assim sua atividade industrial com extraordinário crescimento da propensão produtiva voltada à fabricação de bens de consumo. Os americanos exportavam sua produção em grandes quantidades, sobretudo para os países da Europa, já que esses estavam ocupados com a restauração de suas próprias indústrias e cidades, precisando manter suas importações. No auge dessa prosperidade, em 1927, a Ford e a General Motors introduziram opções de estilos e de cores nos automóveis que produziam, tornando-se um grande sucesso de vendas. Essa expansão do consumismo americano terminou no final da década, quando as nações europeias já estavam com suas economias praticamente reconstruídas, diminuindo assim a necessidade de importação de bens industrializados e agrícolas dos EUA. Em virtude da diminuição das exportações, as indústrias tiveram um acúmulo de mercadorias em seus estoques, as vendas caíram drasticamente e dessa maneira as ações das grandes empresas americanas ficaram desvalorizadas, isso ocorreu em poucos dias, e um grande número de estabelecimentos e corporações foram à falência, levando assim a uma alta taxa de desemprego no país. Foi a quebra da bolsa de Nova York, em 1929, período conhecido como Grande Depressão. U4 239A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade A década de 1930 foi um período de recuperação econômica e reinvenção do design, para alavancar as vendas, o desejo de consumo e o consequente resgate econômico. No período entre as duas guerras mundiais, ficaram evidentes grandes oposições ideológicas. Com essas hostilidades e possibilidades intensas de conflitos, uma das áreas mais relevantes para a atuação do designer passa a ser a propaganda política, com uma grande produção de cartazes, sobretudo em países como a Alemanha, os Estados Unidos e a União Soviética, com a intenção de propagação do nacionalismo. Esse período estabeleceu uma importância especial ao design gráfico, pois diagramas, ilustrações e legendas transmitiam informações e instruções, convocando cidadãos a participarem dos esforços de guerra. O poder da propaganda política se estendeu para bem além de 1945, é claro, em decorrência da perpetuação das rivalidades ideológicas entre os Estados Unidos e a União Soviética na chamada Guerra Fria (CARDOSO, 2011, p. 156). Ou seja, o campo do design gráfico voltado à propaganda política ainda teve muito espaço no século XX. E vale ressaltar que a Segunda Guerra Mundial foi incontestavelmente crucial para o progresso do design, levando em consideração os avanços tecnológicos desenvolvidos durante o conflito. Esta é uma boa leitura para resgatar a história da Grande Depressão, os motivos, a repercussão e também investigar os dispositivos econômicos que estiveram presentes nessa fase difícil que o capitalismo enfrentou. GAZIER, Bernard. A crise de 1929. [S.l.]: L&PM Editores, 2009. (Coleção L&PM Pocket). Os Estados Unidos se tornaram os principais fornecedores de equipamentos eletrônicos e outros produtos fabricados na época, conquistando assim uma evolução importante em seu parque industrial, e solicitando sempre o ofício dos designers, que como podemos perceber, em tempos de guerra ou de paz, têm sempre um papel importante diante dos acontecimentos históricos significativos. O desenvolvimento do design está sempre atrelado ao crescimento da sociedade em que está inserido. O design se apoia nos principais acontecimentos históricos, nas transformações sociais e políticas de cada época. Se ele não se baseasse nessasmudanças, não haveria evolução, o design seria sempre o mesmo, sem progressos ou avanços na Pesquise mais Reflita U4 240 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade funcionalidade e na estética dos produtos. Ao estudarmos a história do design, percebemos que ele é reflexo das diferenças entre as gerações e também é uma forma de expressão das mudanças de crenças e valores da sociedade. O período pós-guerra conheceu uma fase de liberdade social, e o design acompanhou essa tendência. A partir de 1945, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos expandiram através da mídia o American Way of Life, com o intuito de deixar clara a diferença entre as sociedades capitalistas e socialistas. O American Way of Life nada mais é do que a demonstração da cultura e do estilo de vida americano que afirmava que qualquer indivíduo é capaz de melhorar sua qualidade de vida através de determinação e trabalho. E certamente quando falamos em qualidade de vida, estamos nos referindo ao poder de compra. Havia uma grande produção no parque industrial americano e era necessário criar uma demanda para todos esses produtos, e estimular o consumidor a trocar aparelhos antigos, como fogões, rádios, geladeiras e até mesmo automóveis, por novos. O American Way of Life cria o hábito de consumo não associado à necessidade e sim ao conceito de obsolescência estilística (ou seja, troca-se um produto por um mais novo e mais bonito). Os Estados Unidos se transformam no símbolo da maior sociedade consumista, em que a prosperidade depende de um consumo sempre progressivo, o que gera uma produção de itens descartáveis ou de curta duração (produtos fabricados para funcionar por um tempo reduzido), pois quanto mais se descarta, mais há a possibilidade de manufatura e de venda. Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/74/Apple2.jpg>. Acesso em: 21 ago. 2016. Figura 4.27 | Computador doméstico Apple II Assimile Reflita U4 241A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade O século XX trouxe, com a revolução tecnológica, produtos muito importantes para o cotidiano como: discos de vinil, televisão, fitas cassete, rádios portáteis, relógios digitais, calculadoras de bolso, câmeras de fotografia e de vídeo etc. A pós- -modernidade apresenta um dos aspectos mais significativos dessas inovações: o processo de miniaturização e portabilidade desses aparatos eletrônicos. Foi na década de 1990 que o processo começou a ganhar força e impulso, e transformou-se num período de rápido desenvolvimento tecnológico, com a popularização e o progresso de equipamentos inventados na década anterior. A maneira com que nos comunicamos muda a partir da massificação de telefones celulares e, assim, a sociedade experimenta a comunicação instantânea. O videocassete é logo substituído pelo DVD. Videogames se aperfeiçoam e, com a popularização dos PCs, cresce também a demanda de jogos para computadores. A internet nos possibilita o download de filmes e músicas, e os canais de televisão passam a disponibilizar conteúdo na web. Câmeras ficam menores e mais fáceis de manusear. A partir de 1990 o mundo encara uma avalanche de possibilidades tecnológicas, em constante avanço, que transforma completamente a vida cotidiana. Outro fator também muito significativo, tanto para a revolução dos meios de comunicação quanto para a economia mundial e aspectos culturais diversos, foi a globalização que trouxe o barateamento dos meios de transporte e de comunicação, a dinâmica do capitalismo que permitiu maiores mercados para os países desenvolvidos, a nova forma dos países interagirem, aproximarem pessoas e culturas. Com a desagregação do bloco soviético e as mudanças políticas econômicas nas nações de regimes socialistas, a globalização se generalizou e se intensificou através do desenvolvimento extensivo e intensivo do capitalismo pelo mundo, havendo uma nova divisão do trabalho internacional, bem como a flexibilização dos processos produtivos, e o desenvolvimento da tecnologia proporcionou a possibilidade de máquinas mais eficientes substituírem o trabalho humano. Com a globalização, o mercado ficou mais desafiador para o designer, que deve criar uma identidade em seu produto para se diferenciar. Porém, o desafio não está relacionado apenas à estética do produto criado e, sim, ao acesso a este produto. Com a globalização, o produto importado é tão barato e acessível quanto o fabricado nacionalmente, então o designer tem que encontrar formas de atrair a atenção do consumidor ou, então, percorrer uma trajetória no mercado internacional e exportar sua criação. U4 242 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Passeando por Nova York você resolveu conhecer uma nova galeria, que estava oferecendo em sua programação uma exposição sobre propaganda política e ideológica. Você então decidiu utilizar essas informações com o objetivo de preparar-se para participar de um encontro anual na cidade de São Paulo sobre As Propagandas Políticas e Suas Peculiaridades. Vamos primeiramente às informações necessárias para esta tarefa. Entre 1914 e 1918, o mundo enfrentou a Primeira Guerra Mundial, que representou uma época de horror, medo e destruição, com a perda de muitos cidadãos nos campos de batalha e fora deles, e a ruína da economia. Quando a guerra terminou, o Ocidente enfrentou uma fase de recuperação de graves danos provocados pela grande guerra, e de resgate da felicidade e da prosperidade. Na década de 1920, a indústria enfrentava uma fase de transformações rápidas e significativas, o que exigiu do design uma intensificação evidente, em todas as áreas. Era uma década com uma nova esperança, um entusiasmo pela novidade, pelo moderno e pelo futuro. Foi a era em que as pessoas passaram a ter energia elétrica em suas casas, e esse fato certamente significou a integração dos trabalhadores e operários à modernidade. Com a nova tecnologia, surgem diversos bens de consumo e muitas demandas da indústria. Nos meios de comunicação, a novidade sem precedentes foram as primeiras transmissões de rádio. Em 1922 nasce a BBC na Grã-Bretanha. No Brasil, em 1923, surge a primeira estação, a Radio Sociedade do Rio de Janeiro. Em 1924, nos EUA, já havia mais de 600 estações de rádio. A indústria de aparelhos receptores torna-se mais importante do que a indústria automobilística e passa a ser considerada a mais popular (o ferro elétrico fica em segundo lugar). Os aparelhos de rádio foram os primeiros aparatos domésticos comprados em massa na Inglaterra, e representaram o primeiro equipamento elétrico a ter um design futurista. No início da década de 1920 a economia dos EUA prosperava, o país evoluía e se tornava uma superpotência. A Primeira Guerra Mundial acarretou grandes vantagens a esta nação, dobrando assim sua atividade industrial com extraordinário crescimento da propensão produtiva voltada à fabricação de bens de consumo. Os americanos exportavam sua produção em grandes quantidades, sobretudo para os países da Europa, já que esses estavam ocupados com a restauração de suas próprias indústrias e cidades, precisando manter suas importações. No auge dessa prosperidade, em 1927, a Ford e a General Motors introduziram opções de estilos e de cores nos automóveis que produziam, e foram um grande sucesso de vendas. A expansão do consumismo americano terminou no final da Sem medo de errar U4 243A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade década, quando as nações europeias já estavam com suas economias praticamente reconstruídas, diminuindo assim a necessidade de importação de bens industrializados e agrícolas dos EUA. Em virtude da diminuição das exportações, as indústrias tiveram um acúmulo de mercadorias em seus estoques, as vendas caíram drasticamente e, dessa maneira, as ações das grandes empresas americanas ficaram desvalorizadas. Isso ocorreu em poucos dias, e um grande número de estabelecimentose corporações foram à falência, levando assim a uma alta taxa de desemprego no país. Esta foi a Grande Depressão, ou seja, a quebra da bolsa de valores que aconteceu em 1929, na cidade de Nova York. No período entre as duas guerras mundiais, ficaram evidentes grandes oposições ideológicas. Com essas hostilidades e possibilidades intensas de conflitos, uma das áreas mais importantes para a atuação do designer passa a ser a propaganda política, com uma grande produção de cartazes, sobretudo em países como a Alemanha, os Estados Unidos e a União Soviética, com a intenção de propagação do nacionalismo. Esse período estabeleceu uma importância especial ao design gráfico, pois diagramas, ilustrações e legendas transmitiam informações e instruções, convocando cidadãos a participarem dos esforços de guerra. A importância da propaganda política se estendeu para bem além de 1945, é claro, em decorrência da perpetuação das rivalidades ideológicas entre os Estados Unidos e a União Soviética na chamada Guerra Fria (CARDOSO, 2011, p. 156). Desfile: Revista Vogue Descrição da situação-problema Estamos em Paris e a Vogue está promovendo um desfile de moda para homenagear as peças de roupa e acessórios mais importantes da história da revista. Entre as peças exibidas, estará o “pretinho básico”, de Coco Chanel. Você é o designer gráfico escolhido para criar a divulgação desse desfile e decidiu utilizar a famosa estilista como referência estética do convite. Para isso você deverá realizar uma pesquisa completa sobre o papel dessa importante personalidade da costura francesa. Concentre-se nas informações sobre a década de 1920. Qual era o contexto social desse período e qual a importância de Coco Chanel – uma artista ousada e irreverente? Atenção Avançando na prática U4 244 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade A década de 1920 foi uma época muito rica, na qual se viveu intensamente, e ficou conhecida como “os loucos anos 20”, famosos por um consumo desenfreado, aumento da população urbana e uma indústria que produzia cada vez mais em virtude da melhoria do nível de vida e, consequentemente, maior poder de compra. Resolução da situação-problema A emancipação feminina representou um importante acontecimento de 1920. Foi um momento em que, em muitos países, as mulheres lutavam pelo direito ao voto. O mercado de trabalho também sofreu alterações. Nos EUA, por exemplo, no começo da década já havia uma média de 8 milhões de mulheres atuando profissionalmente. Em 1924 o Texas elegeu a primeira mulher a ocupar o cargo de governadora no país. Na moda não poderia ter sido diferente já que as vestimentas femininas mudaram, adequando-se à liberdade. A estilista Coco Chanel tem um papel fundamental, pois libertou as mulheres do espartilho apertado e das saias cheias de babados que as impediam de movimentar-se com agilidade e conforto, introduzindo à moda tecidos leves como o jérsei e a malha fina. Outra influência que também podemos atribuir à estilista francesa é a utilização de calças compridas, peças consideradas até então unicamente masculinas. Pesquise a arte gráfica dessa época. Observe cartazes publicitários, capas de revistas e livros, rótulos de embalagens etc. Anote suas observações sobre os elementos visuais mais marcantes. Verifique as formas, os ornamentos, as ilustrações, a tipografia. Cheque se eram utilizados desenhos ou fotografias. Cores e tons mais usados. 1. Quais foram as características marcantes da década de 1920? a) Uma época de horror, medo e destruição, com a perda de muitos cidadãos nos campos de batalha e fora deles, e a ruína da economia. b) Uma época em que era necessário levar médicos dos centros urbanos para atuarem nos vilarejos. Lembre-se Faça você mesmo Faça valer a pena U4 245A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade c) Uma época famosa pelo consumo desenfreado, aumento da população urbana e por uma indústria que produzia cada vez mais em virtude da melhoria do nível de vida. d) Uma época de pouca fabricação de novos produtos e poucas formas de entretenimento. e) Uma época em que os operários saíam do campo para trabalhar nas novas indústrias dos centros urbanos. 2. Quais foram os novos materiais que tiveram seu uso disseminado na indústria e no design de produtos na década de 1920? a) A madeira e o vidro. b) O vidro e o ferro. c) O plástico e o alumínio. d) O cimento e a madeira. e) O couro e a prata. 3. Estilista que libertou as mulheres do espartilho apertado e das saias cheias de babados, que as impediam de movimentar-se com agilidade e conforto, introduzindo à moda tecidos leves como o jérsei e a malha fina. a) Coco Chanel. b) Christian Dior. c) Giorgio Armani. d) Alexander McQueen. e) Donatella Versace. U4 246 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade U4 247A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Seção 4.4 Arte, estética e novos paradigmas Estamos chegando ao fim deste Livro Didático e, nesta seção, iremos abordar importantes movimentos artísticos desenvolvidos no século XX e início do século XXI. A arte e o design estarão sempre em constante mudança, acompanhando os principais acontecimentos históricos, como você pôde perceber ao longo deste material. Durante o século XX o mundo viveu mudanças substanciais, que repercutiram na arte e em todas as áreas da vida. Os artistas deste período presenciaram e acompanharam essas transformações, renunciando aos padrões anteriores e dando novos rumos à forma de fazer e contemplar arte. A partir desse século, a arte não possui mais uma função de assimilação do belo, com a elaboração de formas perfeitas. A arte moderna terá um papel de questionamento, posicionamento e inovação diante de mudanças profundas. Voltando ao cenário profissional desta unidade, sua viagem a Nova York lhe possibilitou conhecer de perto importantes movimentos artísticos e, nesta seção, seu desafio será o seguinte: o MoMA possui um aplicativo voltado a estudantes de artes, e você terá o privilégio de conhecer a equipe que produz o conteúdo desse aplicativo, bem como estagiar neste departamento durante um mês. Seguindo o exemplo da equipe e com base no conteúdo desta seção, você deverá iniciar sua pesquisa a partir dos seguintes questionamentos: o que foi o movimento surrealista? Qual é a relação do movimento com a teoria psicanalítica de Freud? Quais são as características do Surrealismo? O que foi o movimento Realismo Social? Qual era o objetivo dessa manifestação artística? O que é Expressionismo Abstrato? Sabe citar alguns artistas desse movimento? Qual era o objetivo da Pop Art? Quais são as características desse movimento? Bem-vindo à Seção 4.4. O item Não Pode Faltar lhe trará respostas para essas perguntas, apresentando pontos muito interessantes sobre a arte moderna e sua capacidade contestadora. Boa leitura. Diálogo aberto U4 248 A trajetória da história da arte e do design na pós-modernidade Durante o século XX o mundo viveu mudanças substanciais, que repercutiram na arte e em todas as áreas da vida. Os artistas deste período presenciaram e acompanharam essas transformações, renunciando aos padrões anteriores e dando novos rumos à forma de fazer e contemplar arte. No campo do design, também percebemos que é necessário que o designer esteja sempre atualizado para ser capaz de acompanhar grandes mudanças, projetando e idealizando produtos com base nos conceitos de usabilidade, interação e interface. O século XX representou um período de profundas transformações na arte. Vamos conhecer a seguir algumas manifestações artísticas que mudaram o rumo da maneira como pensamos e admiramos arte: O Surrealismo, movimento para o qual migraram alguns artistas dadaístas, também menosprezava os limites da razão, apresentando uma nova maneira de compor arte: a utilização dos canais do subconsciente. Os surrealistas tinham a teoria psicanalítica,