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Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Unidade 1
Aspectos teóricos e sistêmicos dos crimes ambientais
Aula 1
Meio ambiente
Introdução da unidade
Objetivos da Unidade
Ao �nal desta Unidade, você será capaz de:
examinar os princípios que regem o Direito ambiental;
discutir o Direito comparado;
demonstrar os aspectos orgânicos e sistêmicos inerentes ao meio ambiente;
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Nesta unidade, você será apresentado ao mundo das investigações e perícias criminais no
âmbito dos crimes ambientais, principalmente no que tange a seus aspectos orgânicos e
sistêmicos.
Na primeira aula desta unidade, iniciaremos nossos estudos com o exame dos conceitos 
relativos ao Meio Ambiente, abordando as espécies de meio ambiente e os princípios que
permeiam o tema.
A segunda aula desta unidade é reservada ao estudo dos aspectos históricos que permeiam o
direito ambiental, onde analisaremos a evolução histórica dessa importante disciplina, traçando
um paralelo com seu tratamento no direito comparado, abordando os aspectos relevantes
relativos ao desenvolvimento do protecionismo ambiental no decorrer dos anos.
Na terceira aula desta primeira unidade, faremos uma análise concatenada dos crimes
ambientais no Brasil, abordando os conceitos e elementos do ato criminoso, bem como as bases
normativas aplicáveis ao caso concreto e as consequências advindas desses atos.
Assim, convidamos você a se aprofundar no tema, ampliando seus conhecimentos relativos ao
assunto.
Introdução da aula
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Qual é o foco da aula?
Nesta aula, vamos iniciar nossos estudos tomando por base os conceitos que regem o Direito
Ambiental
Objetivos gerais de aprendizagem
Ao �nal desta aula, você será capaz de:
de�nir o que é Direito ambiental;
esclarecer as classi�cações do meio ambiente;
demonstrar os princípios que regem o Direito ambiental.
Situação-problema
Nesta aula, vamos dar os primeiros passos em direção às investigações e à perícia criminal em
matéria ambiental, assim, é indispensável entendermos os conceitos iniciais que permeiam a
matéria.
Vamos iniciar nossos estudos tomando por base os conceitos que regem o Direito Ambiental,
fazendo uma análise aprofundada acerca das espécies de meio ambiente existentes.
De absoluta relevância para a matéria, abordaremos os princípios gerais relativos ao direito
ambiental e sua aplicabilidade prática, posto que, mesmo ante a inexistência de um consenso
doutrinário a esse respeito, todos são importantes para o desenvolvimento do meio ambiente e
do direito ambiental como um todo.
Após o estudo de todo o material, imagine a situação hipotética na qual você, na condição de
magistrado, recebe um processo para sentença. Nele, consta um pedido do Ministério Público,
por meio de Ação Civil Pública, no qual postula a suspensão dos efeitos de normas municipais
que impõem aos munícipes o pagamento de imposto de melhoria em razão da expansão urbana.
No polo passivo está a Fazenda Municipal e os empreendedores responsáveis pelo impacto
ambiental.
Fundamente a decisão, de forma concisa, trazendo o princípio que atende o caso.
Videoaula: Abertura
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Videoaula: Abertura.
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Direito ambiental
Ao tratarmos de Direito Ambiental, é importante destacar que esta é uma ciência jurídica voltada
a disciplinar os atos humanos que causam ou têm potencial de causar impactos no meio
ambiente. 
O objetivo primordial do Direito Ambiental é a efetiva defesa e preservação do meio ambiente, a
�m de mantê-lo em padrões de qualidade aceitáveis, tanto para as gerações presentes quanto
para as futuras.
Assim, é possível destacar que o Direito Ambiental tem por escopo regular as relações entre as
pessoas, os governos, as empresas e o próprio meio ambiente, conciliando os interesses de
todos com a manutenção do bem-estar e das condições ambientais.
Ao tratar do direito à integridade do meio ambiente, o próprio Supremo Tribunal Federal foi
didático no julgamento do MS 22.164-0 SP (STF, 1995):
O direito à integridade do meio ambiente – típico direito de terceira geração –
constitui prerrogativa jurídica de titularidade coletiva, re�etindo, dentro do processo
de a�rmação dos direitos humanos, a expressão signi�cativa de um poder atribuído,
não ao indivíduo identi�cado em sua singularidade, mas, num sentido
verdadeiramente mais abrangente, à própria coletividade social.
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
A importância do Direito Ambiental reside na necessidade de combater os efeitos nocivos da
degradação do meio ambiente, tendo a Constituição Federal, em seu art. 23, VI e VII, atribuído
como competência comum da União, Estados, Distrito Federal e Municípios “proteger o meio
ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas” e, ainda, “preservar as �orestas, a
fauna e a �ora”.
Sob a ótica da Lei Federal nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, a qual trata da Política Nacional do
Meio Ambiente, o conceito de meio ambiente está especi�cado em seu art. 3º, que de�ne como
“o conjunto de condições, leis, in�uências e interações de ordem física, química e biológica, que
permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”
Com base em tal premissa, o autor José Afonso da Silva (2007, p. 20) conceitua o meio ambiente
como:
a interação do conjunto de elementos naturais arti�ciais e culturais que propiciem o
desenvolvimento equilibrado da vida em todas as suas formas. A integração busca
assumir uma concepção unitária do ambiente, compreensiva dos recursos naturais e
culturais.
Diante dessas assertivas, é fácil a conclusão de que o meio ambiente é formado não apenas por
seres vivos, mas contempla um espectro muito mais amplo, englobando todos os elementos que
permitem a existência da vida como conhecemos, incluindo a vida humana, vegetal e animal.
Com isso, é possível a�rmar que a preservação do meio ambiente é de suma importância para a
continuidade da própria vida, demonstrando, dessa forma, a importância da presente matéria,
principalmente no que tange aos meios que o Estado dispõe para investigar e punir as ações
lesivas ao meio ambiente.
Espécies de meio ambiente
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Ao tratarmos de direito ambiental e do meio ambiente propriamente dito, é indispensável
compreender as classi�cações do meio ambiente, visando a correta interpretação dos conceitos
estudados.
No direito alemão, adota-se o conceito mais restritivo de meio ambiente, que engloba apenas os
elementos naturalistas, ou seja, fauna, �ora, solo, água, excluindo-se elementos “humanos ou
sociais”. Isso é o que se extrai da Lei Fundamental Alemã, em seu art. 20a, que dispõe sobre a
proteção dos recursos naturais e animais.
A doutrina brasileira, ao abordar o assunto, não exclui os elementos humanos e sociais,
classi�cando o meio ambiente em: natural, cultural, arti�cial e do trabalho.
O chamado “meio ambiente natural” é justamente aquele apresentado no modelo estrito, ou seja,
formado pela fauna, �ora, recursos hídricos, solo, etc. 
O “meio ambiente cultural”, por sua vez, engloba todo o patrimônio artístico-cultural, folclore,
cultura popular, obras de arte, etc. Assim, é possível a�rmar que o meio ambiente cultural
contempla o patrimônio material e imaterial, como muito bem explana o autor Fabiano Melo
(2017, p. 40):
Considera-se patrimônio cultural material aqueles bens móveis e imóveis relevantes
no processo cultural, como imóveis tombados, obras de artes etc. Já o patrimônio
cultural imaterial é constituído pelos saberes, lugares, celebrações e formas de
expressão. Como exemplos, as festas religiosas (Círiode Nazaré em Belém-PA, Festa
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
do Divino Espírito Santo em Paraty-RJ e em Pirenópolis-GO), as danças (frevo, samba
de roda do Recôncavo baiano, as manifestações do samba carioca), as
manifestações folclóricas (Bumba meu Boi), os saberes na elaboração de algumas
comidas (queijo minas, acarajé etc.).
O “meio ambiente arti�cial”, como a própria expressão indica, é aquele formado por meio de
intervenção humana, ou seja, o espaço urbano propriamente dito, como os parques,
equipamentos públicos, redes de esgoto, praças, sistema de iluminação pública, etc. É
importante ter atenção ao tratar das edi�cações, até porque, na hipótese de estarmos diante de
um imóvel tombado em razão de seu valor cultural, tratar-se-á de meio ambiente cultural e não
arti�cial, sobrepondo-se seu valor à sua forma.
O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 725.257, de relatoria do
Ministro José Delgado, em voto prolatado em 2007, foi didático: 
Com a Constituição Federal de 1988, passou-se a entender também que o meio
ambiente divide-se em físico ou natural, cultural, arti�cial e do trabalho. Meio
ambiente físico ou natural é constituído pela �ora, fauna, solo, água, atmosfera etc.,
incluindo os ecossistemas (art. 225, §1º, I, VII). Meio ambiente cultural constitui-se
pelo patrimônio cultural, artístico, arqueológico, paisagístico, manifestações culturais,
populares, etc. (art. 215, §1º e §2º). Meio ambiente arti�cial é o conjunto de
edi�cações particulares ou públicas, principalmente urbanas (art.182, art.21,XX e
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Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
art.5º, XXIII), e meio ambiente do trabalho é o conjunto de condições existentes no
local de trabalho relativos à qualidade de vida do trabalhador (art.7º, XXXIII e art.200).
Assim, é possível concluir que, no que tange à classi�cação do meio ambiente, o Brasil acolheu o
conceito amplo em detrimento do restritivo adotado pelo sistema alemão, visando dar proteção
não apenas aos aspectos físicos, mas levando em conta também os aspectos humanos e
culturais.
Princípios que regem o Direito Ambiental
Os princípios que regem o Direito Ambiental não são tratados de maneira uniforme pela doutrina,
posto que não há um consenso formado entre os autores, sendo considerados princípios
diversos por cada um deles.
Ao tratar do assunto, Ingo Wolfgang Sarlet (2020) enumera, como princípios do Direito Ambiental
o princípio da dignidade da pessoa humana; o princípio da dignidade animal e da natureza; o
princípio da integridade ecológica; o princípio da solidariedade; o princípio da responsabilidade
em face das presentes e futuras gerações; o princípio do poluidor-pagador; o princípio do
desenvolvimento sustentável; o princípio da função ambiental; o princípio da participação
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
pública; o princípio da prevenção; o princípio da precaução; o princípio da cooperação e o
princípio da não discriminação.
O autor Paulo de Bessa Antunes (2020), por sua vez, lista como princípios do Direito Ambiental: o
princípio da dignidade da pessoa Humana; o princípio do desenvolvimento; o princípio
democrático; o princípio da precaução; o princípio da prevenção; o princípio do equilíbrio; o
princípio da capacidade de suporte; o princípio da responsabilidade e o princípio do poluidor-
pagador.
Ante a pluralidade de princípios e a grande divergência doutrinária sobre o assunto, vamos tratar
apenas daqueles que consideramos mais relevantes, devendo o assunto ser aprofundado em
estudo individual.
Ao abordarmos o princípio da dignidade da pessoa humana e seu alcance no Direito Ambiental, é
indispensável ressaltar que o bem-estar do ser humano é enfoque primordial do Direito
Ambiental, posto que a própria preservação ambiental visa dar melhores condições de vida às
pessoas; sob essa ótica, o princípio da dignidade da pessoa humana guarda estrita relação com
o Direito Ambiental, ao passo que a própria “Declaração de Estocolmo sobre Meio Ambiente
Humano” (1972) é clara ao dispor que:
O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao desfrute de
condições de vida adequadas em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita
levar uma vida digna e gozar de bem-estar, tendo a solene obrigação de proteger e
melhorar o meio ambiente para as gerações presentes e futuras.
No que concerne aos princípios da precaução e prevenção, referem-se à necessidade de evitar
riscos ao meio ambiente, por meio de ações que visem a preservação ambiental e a mitigação de
riscos, no intuito de preservar o meio ambiente propriamente dito.
Assim, o princípio da precaução tem por objetivo impedir o risco de perigo abstrato, ou seja,
quando mesmo diante de insu�ciência de certeza cientí�ca, o fato pode causar danos, estando,
portanto, com maior proximidade ao início do fato do que ao dano propriamente dito.
Por sua vez, o princípio da prevenção tem como objetivo primordial evitar um risco concreto, ou
seja, embasado em dados cientí�cos, há a comprovação de que determinada atividade causará,
invariavelmente, danos ambientais. Assim, a prevenção busca mitigar ou mesmo evitar a
ocorrência desse dano.
De absoluta relevância para o presente estudo, está o princípio do poluidor-pagador, segundo o
qual os custos ambientais devem ser arcados pelo empreendedor e afastados da coletividade.
Possui caráter econômico e preventivo/repressivo, ao passo que tem por objetivo evitar a
ocorrência de danos ambientais e, caso ocorram, garantir sua reparação.
É importante lembrar que há diversos outros princípios que permeiam os processos ambientais
além dos aqui citados, sendo aconselhável uma análise acurada de todos, principalmente no que
tange ao caráter protetivo e à necessidade de conciliar e equilibrar o desenvolvimento urbano e a
proteção ambiental.
_______
 Assimile
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
O Meio Ambiente do Trabalho é um conceito relativamente novo, cujo objeto de estudo e
conceito vêm sendo delimitados, porém cabe frisar que a garantia de um meio ambiente de
trabalho saudável possui status constitucional, tendo sua proteção delineada no art. 7º, XXII, da
Constituição Federal.
_______
 Re�ita
A respeito do tema estudado, cabe a re�exão acerca da proteção constitucional trazida pelo art.
225, analisando sobre quais espécies de meio ambiente ela se entende.
_______
 Exempli�cando
Em se tratando do meio ambiente cultural, algumas manifestações artísticas ganharam
expressividade ante a proteção conquistada junto à Organização das Nações Unidas para a
Educação, Ciência e Cultura – UNESCO, como no caso do Frevo, considerado expressão artística
do carnaval pernambucano, que foi reconhecido na 7ª Sessão do Comitê Intergovernamental
para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, como Patrimônio Cultural Imaterial da
Humanidade.
_______
Os conceitos abordados nesta disciplina tem por objetivo auxiliar você no processo de
assimilação e introdução à matéria de investigação e perícia criminal relativa aos crimes
ambientais, demonstrando, inicialmente, os principais conceitos e aspectos que permeiam o
tema em estudo.
Conclusão
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Foi apresentada, no início do material, a situação hipotética em que você, na condição de
magistrado, recebe um processo para sentença. 
Nesse processo, consta um requerimento do Ministério Público, por meio de Ação Civil Pública,
que postula a suspensão dos efeitos de normas municipais que impõem aos munícipes o
pagamento de imposto de melhoria em razão da expansão urbana. No polo passivo está a
Fazenda Municipal e os empreendedores responsáveis pelo impacto ambiental.
Com base na premissa apresentada, deve ser apresentado o princípio que melhor atende ao
caso.
É esperado que você fundamente sua resposta apontando que o princípio do poluidor pagador
impõe o pagamento dos custosdos abalos ambientais aos empreendedores que estão
desenvolvendo seus projetos de expansão urbana, afastando a coletividade de tal
responsabilidade, dado o seu caráter econômico, preventivo e repressivo.
Videoaula: Resolução da SP
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Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
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Videoaula sobre a resolução da SP.
Aula 2
Aspectos históricos
Introdução da aula
Qual é o foco da aula?
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Nesta aula, abordaremos aspectos históricos que permeiam o direito ambiental, onde
analisaremos a evolução histórica do Direito Ambiental.
Objetivos gerais de aprendizagem
Ao �nal desta aula, você será capaz de:
listar os conceitos sobre a evolução histórica;
demonstrar o Direito comparado;
categorizar os aspectos relevantes do Direito Ambiental.
Situação-problema
Estudante, reservamos esta aula para o estudo dos aspectos históricos que permeiam o direito
ambiental, na qual analisaremos a evolução histórica dessa importante disciplina, desde os
primórdios do descobrimento, quando imperava a exploração desregrada de recursos, até a
realização do Congresso Internacional sobre o Meio Ambiente, realizado em 1972, e o advento da
Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, em 1981, que marcaram o início dos esforços pelo
protecionismo ambiental, analisando ainda o desenvolvimento das políticas protecionistas
posteriores.
Traçaremos ainda um paralelo com o tratamento do meio ambiente dentro do espectro do direito
comparado, abordando ainda os aspectos relevantes relativos ao tema.
Imagine a situação hipotética na qual, diante do vasto e respeitado conhecimento sobre o tema,
você foi convidado para representar o País na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças
Climáticas - COP26. Chegando lá, o representante da França faz fortes acusações sobre a
despreocupação do Brasil com o Meio Ambiente e ações para abalos climáticos. Com direito de
resposta, apresente argumento sustentável a �m de justi�car, por direito comparado, a
preocupação com a matéria.
Videoaula: Abertura
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Videoaula: Abertura.
Evolução histórica
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Ao tratarmos de perícias e investigações relativas a crimes ambientais é indispensável
compreender a evolução e desenvolvimento histórico que permeiam o tema, até porque, quando
comparado a outros direitos, o protecionismo ambiental é relativamente recente, tendo o país
atravessado uma longa fase de exploração desregrada de seus recursos, desde o
descobrimento, no ano de 1500, sendo que as noções relativas à efetiva necessidade de
proteção ambiental e as consequências da exploração desregrada só vieram à tona
recentemente.
O autor Marcelo Abelha Rodrigues (2021, p. 31), ao tratar do desenvolvimento histórico do Direito
Ambiental, é didático ao ponderar que, mesmo havendo resquícios de medidas de proteção
ambiental desde a antiguidade, os objetivos eram mediatos e antropocêntricos, servindo apenas
de combustível para o egoísmo do homem, in verbis:
Porquanto os bens ambientais (água, fauna, �ora, ar, etc.) já tenham sido objeto de
proteção jurídico normativa desde a antiguidade, importa dizer que, salvo em casos
isolados, o que se via era uma tutela mediata do meio ambiente, tendo em vista que o
entorno e seus componentes eram tutelados apenas na medida em que se
relacionavam às preocupações egoísticas do próprio ser humano.
Assim, é possível a�rmar que essa primeira fase do protecionismo ambiental tinha por escopo
apenas a proteção econômica do meio ambiente, visto como pertencente ao indivíduo e não à
coletividade.
Essa a�rmativa pode ser facilmente conferida no revogado Código Civil de 1916, onde, ao tratar
dos direitos de vizinhança, é possível conferir que a tutela dos bens ambientais possui caráter
autônomo, tratados como propriedade, sob a ótica exclusiva de seu valor patrimonial.
Cabe pontuar que, mesmo a visão econômica do meio ambiente, já poderia ser traduzida como
uma preocupação ou mesmo uma percepção do legislador de que esses bens naturais não eram
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
in�nitos.
Já na década de 1960, algumas legislações de caráter ambiental foram promulgadas, como a Lei
nº 4.771/65 e a Lei nº 5.197/67, denominadas, respectivamente, Código Florestal e Código de
Caça.
É importante destacar que os citados diplomas, apesar do caráter protecionista, não tinham por
objetivo tutelar o meio ambiente de forma autônoma, tendo por efetivo objeto a proteção da
saúde do homem, ou seja, o escopo era a proteção do meio ambiente para, assim, proteger ao
próprio indivíduo.
 Até o início da década de 1970, imperava o pensamento de que o meio ambiente era um poço
inexaurível de recursos naturais, porém o advento de catástrofes ambientais, como as secas,
inversão térmica e demais efeitos decorrentes do efeito estufa, levaram a uma conscientização
global de que a exploração dos recursos naturais, da forma como vinha sendo realizada, traduzir-
se-ia em verdadeiro problema para a manutenção das condições ideais de vida.
No intuito de criar regras para a exploração ambiental e visando a efetiva proteção e até mesmo
renovação dos recursos naturais, em meados de 1972, convocou-se, em Estocolmo, a
Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano, tendo participado 113 países, a
qual teve como desdobramento a produção da Declaração sobre Ambiente Humano, também
chamada Declaração de Estocolmo, de�nindo 26 princípios de caráter protecionista ambiental.
Assim, já na década de 1980, deu-se início efetivamente ao que, hoje, conhecemos como direito
ambiental, tutelando-se não mais os interesses do homem, mas a proteção autônoma do próprio
meio ambiente.
Com base em tal mudança de paradigma, em 31 de agosto de 1981, foi promulgada a Lei nº
6.938/81, dispondo acerca da Política Nacional do Meio Ambiente, traduzindo-se como
verdadeiro marco da evolução histórica do protecionismo ambiental, sendo a normativa que
efetivamente passou a tratar do meio ambiente de modo autônomo, extirpando, dessa forma, o
tratamento antropocêntrico, ao de�nir, em seu art. 3º I, que o meio ambiente é “o conjunto de
condições, leis, in�uências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga
e rege a vida em todas as suas formas” (BRASIL, 1981).
Direito comparado
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Não é só no Brasil que a percepção quanto à importância da proteção ambiental ganhou
notoriedade.
Após a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano, de 1972, a degradação
ambiental foi apresentada como um problema global, ao qual deveriam ser depreendidos
esforços internacionais para sua efetiva preservação.
Enquanto a Constituição Federal Brasileira possui um conceito amplo de protecionismo ao
de�nir, em seu artigo 225 que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público
e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”
(BRASIL, 1988), a legislação francesa, por exemplo, em sua Carta do Meio Ambiente, é
pontualmente rasa ao tratar do protecionismo ambiental, em seu art. 1º, garantindo apenas o
direito de cada um de viver em um meio ambiente equilibrado e saudável.
Em se tratando da União Europeia como um todo, o Tratado Sobre o Funcionamento da União
Europeia reserva seu título XX, do art. 191 a 193, ao meio ambiente, onde dispõe acerca dos
objetivos da União noque tange à preservação, proteção e melhoria de qualidade do meio
ambiente.
Cabe enfatizar que, sob a ótica do protecionismo ambiental, a União Europeia possui algumas
das normas ambientais mais exigentes, tomando por base dados técnicos e cientí�cos,
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
objetivando manter o equilíbrio entre o efetivo protecionismo e o desenvolvimento econômico-
social da União.
Já na América do Sul, a Argentina, assim como o Brasil, passou por um processo evolutivo de
sua legislação e da própria consciência ambiental após a Conferência de Estocolmo, passando a
abordar o tema com maior seriedade, após a reforma constitucional de 1994, quando passou a
institucionalizar o protecionismo ambiental por meio de informações técnicas e da educação
ambiental.
A Ley General del Ambiente, promulgada em Buenos Aires, aos 6 de novembro de 2002,
estabeleceu os objetivos da política ambiental argentina, impondo, logo em seu segundo artigo,
que a política ambiental do país tem por objetivo a preservação, conservação, recuperação e
melhoramento da qualidade dos recursos ambientais, tanto naturais como culturais, e a
realização de atividades antrópicas.
Assim, é possível notar que o próprio conceito de meio ambiente, no âmbito da política nacional
argentina, é mais amplo, englobando, assim como no Brasil, o meio ambiente cultural.
Em se tratando das políticas ambientais dos Estados Unidos da América, sua estrutura é
complexa, sendo formada principalmente por leis federais e estaduais, julgados da common law
e regulações expedidas por agências federais.
Compulsando as legislações norte-americanas, é possível destacar algumas de maior
importância para o Direito Ambiental, em especial o NEPA, ou National Environmental Policy Act,
que é o responsável por estabelecer os objetivos da política nacional e que determina que as
agências federais realizem avaliações de impacto ambiental. 
Outro relevante instrumento de proteção ambiental norte-americano é o Clean Air Act, que tem
por objetivo exigir controles de qualidade do ar, para combater, dessa forma, a emissão de
poluentes nos Estados Unidos e para mitigar a ocorrência de chuvas ácidas em regiões
poluentes.
Assim, no que tange à análise comparada da legislação ambiental, é possível notar que, após a
década de 1970 e a conscientização ambiental a nível global, conquistada após a convenção de
Estocolmo, não apenas o Brasil, mas todos os países passaram a exercer esforços para a
proteção do meio ambiente.
Não é diferente com a preocupação climática, pois estamos na 25ª Conferência das Nações
Unidas sobre mudanças Climáticas - COP25, discutindo, inclusive, sobre o Protocolo de Quioto e
o Acordo de Paris, onde várias Nações dispuseram sobre direito comparado. 
Aspectos relevantes do Direito Ambiental
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Ao tratarmos dos aspectos relevantes do Direito Ambiental, sob a ótica de seu desenvolvimento
histórico, cabe destacar que a própria normativa ambiental desenvolveu-se tomando por base as
preocupações internacionais, expostas na Convenção de Estocolmo, que demonstraram ser
indispensáveis para o desenvolvimento da premissa protecionista, alcançar o efetivo equilíbrio
entre a proteção ambiental e a evolução econômica e social.
A respeito do tema, o ambientalista Antonio Herman de Vasconcellos e Benjamin (2011, p. 45) é
didático ao expor sua linha de pensamento:
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Retrospectivamente e em favor da clareza didática, podemos identi�car três
momentos (mais modelos do que propriamente períodos) históricos na evolução
legislativo-ambiental brasileira. Não se trata de fases históricas cristalinas, apartadas,
delimitadas e mutuamente excludentes. Temos, em verdade, valorações ético-
jurídicas do ambiente que, embora perceptivelmente diferenciadas na forma de
entender e tratar a degradação ambiental e a própria natureza, são, no plano temporal,
indissociáveis, já que funcionam por combinação e sobreposição parcial, em vez de
substituição pura e simples. A interpenetração é sua marca, deparando-nos com
modelos legais que convivem, lado a lado — o que não dizer harmonicamente —, não
obstante suas diversas �liações históricas ou �losó�cas, o que, em certa medida,
amplia a complexidade da interpretação e implementação dos textos normativos em
vigor.
Outro aspecto relevante em relação ao Direito Ambiental, diz respeito à natureza jurídica do meio
ambiente. O art. 225 da Magna Carta, cláusula pétrea (de caráter imutável pelo Poder
Constituinte Reformador), defende um meio ambiente como bem de uso comum do povo,
indivisível e de dever absoluto do Estado.
Essa característica de direito difuso e até mesmo ubíquo (dada a ausência de fronteiras ou
limites de seu alcance), apenas ganhou espaço com o advento da Política Nacional do Meio
Ambiente, promulgada por meio da Lei Federal nº 6.938/81 e da própria Constituição Federal de
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
1988, até porque, como mencionado, até então, a legislação nacional tratava o meio ambiente
sob a ótica antropocentrista, não lhe conferindo caráter autônomo.
De grande relevância para entender a evolução histórica do Direito Ambiental em âmbito
nacional, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento
(CNUMAD) – Rio 92, realizada em junho de 1992, deu origem à Declaração dos Princípios sobre
Meio Ambiente e Desenvolvimento, que consagrou a proteção ao meio ambiente como interesse
não apenas desta como das futuras gerações e, ainda, reconheceu a responsabilidade dos
países industrializados como os principais causadores dos danos já ocorridos ao meio ambiente,
servindo de verdadeiro corolário lógico do que foi criado em Estocolmo, na década de 1970.
_______
 Assimile
Ao tratarmos da evolução histórica do protecionismo ambiental, cabe destacar que, apesar da
parca legislação anterior à década de 1960, a Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de
1946, em seu art. 175 fazia menção a tal garantia, expondo que: “as obras, monumentos e
documentos de valor histórico e artístico, bem como os monumentos naturais, as paisagens e os
locais dotados de particular beleza �cam sob a proteção do Poder Público”.
A respeito do tema, cabe apontar, ainda, que a Constituição de 1967 manteve essa característica,
dispondo de igual forma em seu art. 8º, XVII e parágrafo único do art. 172.
_______
 Re�ita
Em se tratando da evolução histórica do Direito Ambiental e do próprio caráter protecionista
adotado pela legislação brasileira, re�ita: até que ponto o protecionismo ambiental deve ser
levado quando comparado às necessidades de desenvolvimento econômico e social? Como
devemos sopesar as necessidades da sociedade e do meio ambiente?
_______
 Exempli�cando
A importância de compreender o desenvolvimento das políticas e pensamentos ambientais
reside, principalmente, na possibilidade de aplicação e, até mesmo, na evolução dos conceitos
estudados por parte das gerações futuras. Os conceitos abordados demonstram que a
aplicabilidade prática do protecionismo ambiental decorre da necessidade de que as pessoas se
tornem mais conscientes sobre a importância da sustentabilidade.
_______
Com base nos conteúdos apresentados, é possível entender, mesmo sem esgotar a matéria, a
forma com que o Direito Ambiental e a própria consciência protecionista evoluíram e se
desenvolveram do decorrer dos anos, principalmente ante a elaboração de políticas públicas
voltadas à defesa ambiental e à efetiva noção de que o meio ambiente deve ser tratado de forma
autônoma, não como um mero elemento econômico.
Conclusão
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Foi apresentada anteriormente a situação hipotética em que, na Conferência das Nações Unidas
sobre mudanças Climáticas COP26, você, na condição de palestrante, foi questionado pelo
representante da França, que fez fortesacusações sobre a despreocupação do Brasil com o
Meio Ambiente e ações para abalos climáticos, devendo, portanto, apresentar argumento
sustentável a �m de justi�car, por direito comparado, a preocupação com a matéria, embasando-
se no conteúdo estudado.
É esperado que o estudante sustente que a Constituição Federal Brasileira possui um conceito
amplo de protecionismo ao de�nir, em seu artigo 225 (BRASIL, 1988), que “Todos têm direito ao
meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e
preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Justamente o oposto ocorre na legislação
francesa, vez que, em sua Carta do Meio Ambiente é pontualmente rasa ao tratar do
protecionismo ambiental em seu art. 1º, garantindo apenas o direito de cada um de viver em um
meio ambiente equilibrado e saudável.
Videoaula: Resolução da SP
Disciplina
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Crimes Ambientais e Digitais
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Videoaula sobre a Resolução da SP.
Aula 3
Crimes Ambientais no Brasil
Introdução da aula
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Qual é o foco da aula?
Nesta aula, vamos analisar a correta aplicação dos conceitos integrantes do tema, permitindo
maior amplitude nos conhecimentos relativos às raízes dos crimes ambientais no Brasil.
Objetivos gerais de aprendizagem
Ao �nal desta aula, você será capaz de:
analisar os aspectos orgânicos e sistêmicos inerentes ao meio ambiente;
associar as bases normativas;
utilizar os conhecimentos para avaliar consequências de crimes ambientais.
Situação-problema
Estudante, nesta aula, abordaremos os aspectos sistêmicos e teóricos relativos aos crimes
ambientais no Brasil, tratando de seus conceitos e elementos, em especial, das principais
de�nições necessárias ao correto entendimento do tema.
Trataremos, ainda, das bases normativas do Direito Ambiental no Brasil, posto que há uma vasta
gama de legislação esparsa a respeito do tema, a depender do microbem tutelado, como, por
exemplo, o Código Florestal Brasileiro (Lei nº 12.651/12); Lei de Crimes Ambientais (Lei nº
9.605/98); Lei de Fauna (Lei nº 5.197/67); Política Nacional de Recursos Hídricos  (Lei nº
9.433/97); Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Lei nº 9.985/2000); Lei
das Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental (Lei nº 6.902/81) e Política Agrícola (Lei
nº 8.171/91).
A �m de complementar a disciplina, estudaremos as consequências dos crimes ambientais no
Brasil relativas à própria degradação ambiental, bem como as consequências para os praticantes
dos atos poluidores.
Imagine a situação hipotética em que a Sra. Sissi, famosa caçadora de felinos, vai visitar o
núcleo engordador, lugar de proteção da fauna e �ora, localizado na Serra da Cantareira, em São
Paulo. Chegando lá, juntamente com seu marido, o Sr. Rodrigo, instigados pelo seus instintos
primitivos, decidem caçar, o que é proibido. Imediatamente, encontram uma jaguatirica,
momento que desferem disparos de arma de fogo, matando o animal. Porém, não contavam com
um protetor que lá estava (Sr. Moreira), que chamou a polícia ambiental, sendo presos em
�agrante delito. 
Você é a autoridade policial de plantão e precisa de�nir a situação, enquadrando-a como macro
ou micro bem e tipi�cando a conduta.
Videoaula: Abertura
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Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
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De�nição de meio ambiente
A �m de compreender corretamente as bases relativas ao Direito Ambiental Brasileiro, é
indispensável a compreensão de alguns conceitos importantes para a disciplina.
A de�nição de meio ambiente é descrita no artigo 3º da Lei de Política Nacional do Meio
Ambiente, que o conceitua como “o conjunto de condições, leis, in�uências e interações de
ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Em se tratando da de�nição de meio ambiente no âmbito do direito brasileiro, é importante
conceituarmos a divisão existente entre macrobem ambiental e microbem ambiental.
Por macrobem ambiental entendemos o meio ambiente como um todo, ou seja, a de�nição dada
pelo art. 3º da Lei de Política Nacional do Meio Ambiente em espécie, considerando a harmonia e
o equilíbrio ecológico entre todos os seus elementos.
Por sua vez, ao tratarmos do microbem ambiental, estamos diante do tratamento individualizado
de cada um dos elementos que o compõem, como água, solo, �ora, fauna, atmosfera, etc. Assim,
a proteção dos microbens ambientais, ante o seu caráter individualizado, possui caráter estrito,
havendo até mesmo legislações especí�cas para cada um deles, como a Lei 9.433, de 8 de
janeiro de 1997, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos e a Lei 8.171, de 17 de
janeiro de 1991, que dispõe sobre a política agrícola.
Outro relevante conceito a ser abordado na presente disciplina é o “poluidor”, até mesmo em
decorrência do princípio do poluidor-pagador. 
A Lei Federal nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, conceitua poluidor, em seu art. 3º, IV, como “a
pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por
atividade causadora de degradação ambiental”, ou seja, o poluidor é aquele que pratica direta ou
indiretamente ato que altere negativamente as características do meio ambiente.
Ao tratar do conceito de poluidor, Celso Antônio Pacheco Fiorillo (2020, p. 52-53) é didático ao
enfatizar a amplitude dos atos praticados:
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Diante desses conceitos, percebe-se que haverá poluição com a degradação da
qualidade ambiental, ou seja, com a ocorrência de qualquer alteração adversa das
características do meio ambiente. Todavia, mister que se preencha o conceito de
qualidade ambiental. Seu conteúdo é dado pelo inciso que cuida de de�nir poluição,
quando elenca todos os bens que são tutelados sob o rótulo de qualidade ambiental.
São eles: a saúde, a segurança, o bem estar da população, as condições normais das
atividades sociais e econômicas, a preservação da biota (fauna e �ora), a
manutenção das condições estéticas (paisagem) e sanitárias do próprio meio
ambiente, a existência e o respeito aos padrões ambientais estabelecidos.
Diante dos conceitos e elementos apresentados, será possível a melhor compreensão do
universo abordado na matéria, partindo, dessa forma, para compreender os objetivos a serem
alcançados nas investigações e perícias que visem apurar crimes ambientais.
Bases normativas
O Direito Ambiental brasileiro é regido por disposições expressas da Constituição Federal e,
ainda, por diversas legislações esparsas que compreendem o universo dos já estudados
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
microbens ambientais.
A Constituição Federal, em seu art. 225, é enfática ao garantir que “Todos têm direito ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade
de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e futuras gerações”, assegurando, dessa forma, a efetividade do direito ao incumbir o
Poder Público de uma série de atribuições voltadas à preservação e proteção ambiental.
Ainda sob a ótica constitucional, o inciso VI do art. 170 da Magna Carta lista a defesa do meio
ambiente como um princípio a ser observado pela própria ordem econômica, garantindo,inclusive, “tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de
seus processos de elaboração e prestação”.
Cabe ressaltar, ainda, que o art. 129, III da Constituição Federal atribuiu como função do
Ministério Público a promoção de ações civis públicas como instrumento para, dentre outros, a
proteção do meio ambiente, traduzindo-se, assim, em verdadeira ferramenta à disposição do
órgão ministerial para a defesa ambiental.
Em termos de legislação infraconstitucional, a Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, é a de caráter
mais amplo, ao passo que estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente seus �ns e
mecanismos de formulação e aplicação, apresentando os principais objetivos da normativa,
inclusive no que tange à racionalização do uso do solo; planejamento e �scalização do uso de
recursos ambientais; proteção de ecossistemas; recuperação de áreas degradadas, controle de
atividades poluidoras; proteção de áreas ameaçadas e, até mesmo, o acompanhamento do
estado da qualidade ambiental, conforme disposições expressas em seu art. 2º.
A Lei 6.938/91 é de absoluta relevância em qualquer disciplina que envolva a matéria ambiental,
estabelecendo instrumentos indispensáveis à consecução de seus objetivos, como a avaliação
de impactos ambientais, prevista no art. 9º, III do mencionado códex, e também na Resolução nº
237 do CONAMA.
Dentre as principais leis brasileiras relativas à matéria ambiental, temos a já citada Política
Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/91) e, ainda, o Código Florestal Brasileiro (Lei nº
12.651/12); Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98); Lei de Fauna (Lei nº 5.197/67); Política
Nacional de Recursos Hídricos  (Lei nº 9.433/97); Sistema Nacional de Unidades de Conservação
da Natureza (Lei nº 9.985/2000); Lei das Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental
(Lei nº 6.902/81) e Política Agrícola (Lei nº 8.171/91).
Dentre as normativas citadas, o Código Florestal Brasileiro trata, efetivamente, de normas gerais
concernentes à preservação da vegetação, áreas de Preservação Permanente e de Reserva
Legal. A importância da normativa reside ainda nas de�nições constantes de seu art. 3º, que
conceituam Amazônia Legal; Áreas de Preservação Permanente; Reserva Legal; área rural
consolidada; pequena propriedade rural, dentre outras expressões indispensáveis para estudo do
Direito Ambiental.
A Lei de Crimes Ambientais, por sua vez, é voltada às sanções penais e administrativas derivadas
de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, tratando desde a gradação das penalidades,
suas agravantes e atenuantes, até a tipi�cação dos crimes propriamente ditos.
A Lei de Fauna reserva-se exclusivamente à proteção da fauna enquanto microbem do Direito
Ambiental, tipi�cando os delitos contra os animais, inclusive no que concerne à caça e
exportação, além de tratar da caça legal e do registro de clubes amadoristas.
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Os recursos hídricos no âmbito nacional são tratados pela mencionada Lei 9.433/97, que cria a
Política Nacional de Recursos Hídricos, cujo objetivo primordial é descrito em seu art. 2º
(BRASIL, 1997): “assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água,
em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos”, além de promover o uso racional
dos recursos hídricos e a promoção à captação.
A �m de regulamentar o art. 225 da Constituição Federal, foi instituído o Sistema Nacional de
Unidades de Conservação da Natureza, por meio da Lei 9.985/2000, estabelecendo, dessa forma,
critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação, de�nidas
no art. 1º do citado códex (BRASIL, 2000) 
espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com
características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com
objetivos de conservação e limites de�nidos, sob regime especial de administração,
ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção.
No que tange às disposições da Lei Federal nº 6.902/81, sua importância reside na possibilidade
de criação de estações ecológicas, dando providências quanto ao tratamento a ser conferido
nessas estações, inclusive sobre práticas vedadas no perímetro.
Por �m, a Lei 8.171, que dispõe sobre a política agrícola nacional, �xa os fundamentos, objetivos,
competências e estabelece instrumentos da política agrícola, relativamente às atividades
agropecuárias, agroindustriais e de planejamento das atividades pesqueira e �orestal.
Consequências de crimes ambientais
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Ao tratarmos dos crimes ambientais no Brasil, não podemos deixar de abordar as consequências
que essa espécie de delito gera, em especial no que concerne ao impacto ambiental.
No estudo relativo aos impactos ambientais, cabe, por primeiro, frisar que nem todos os
impactos são negativos, havendo impactos positivos decorrentes da intervenção humana na
reconstrução do meio ambiente e, até mesmo, nas ações tomadas para sua efetiva preservação.
Paulo de Bessa Antunes (2020, p. 385-386), ao tratar do mencionado binômio dos impactos
ambientais, é objetivo ao tratar da contribuição humana como ferramenta de impactos positivos:
Impacto é choque, modi�cação brusca causada por força exterior que tenha colidido
com um objeto. Sinteticamente: o impacto ambiental é uma modi�cação brusca
causada no meio ambiente. O EIA somente examina os impactos ambientais
antrópicos. A análise, contudo, poderá incluir a contribuição humana para a
ocorrência de impactos ambientais naturais, como ocorre com a atual discussão
sobre mudanças climáticas globais.
[...]
O impacto ambiental pode ser (i) positivo e (ii) negativo. Normalmente, o direito
ambiental está mais voltado para o impacto ambiental negativo, pois é ele que será
capaz de gerar o dano ambiental e, consequentemente, a responsabilidade. O EIA
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
deve indicar todos os impactos ambientais, positivos e negativos, como forma de
propiciar ao administrador os instrumentos necessários para a correta avaliação do
empreendimento.
Em se tratando de crimes ambientais, o enfoque é voltado aos impactos negativos advindos das
ações que prejudicam e degradam o meio ambiente.
Cabe frisar que, ao tratarmos de consequências, os crimes ambientais possuem o que podemos
chamar de “responsabilidade ambiental tripla”, ao passo que a própria Constituição Federal, em
seu art. 225, §3º, impõe que as condutas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores a
sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos
causados, ou seja, gerando consequências na esfera civil, penal e administrativa.
Na esfera penal, as consequências são relativas à aplicação das sanções descritas para o delito
tipi�cado, enquanto, na esfera cível, a consequência mais comum diz respeito à aplicação de
multas. Por �m, as consequências na esfera civil são aquelas concernentes à efetiva reparação
do dano ambiental, possuindo, dessa forma, caráter objetivo, ou seja, basta a ocorrência do dano
e a existência de nexo causal para sua incidência.
_______
 Assimile
O princípio do poluidor-pagador impõe que os custos ambientais devem ser arcados pelo
empreendedor e afastados da coletividade. Possui caráter econômico e preventivo/repressivo,
ao passo que tem por objetivo evitar a ocorrência de danos ambientais e, caso ocorram, garantir
sua reparação.
_______
 Re�ita
Com base nas premissas apresentadas, é possível realizar a seguinte re�exão:
O aumento da ocorrência de crimes ambientais no Brasil pode ser decorrente das punições
brandas previstas em legislações mais antigas?
_______
 Exempli�cando
Um claro exemplo de dano ambiental com impactos negativos para todo o ecossistema é o
vazamento de petróleo. O petróleo, devido à sua viscosidade, bloqueia a luz solar, impedindo,
dessa forma, a fotossíntese do �toplâncton. 
O �toplâncton é o alimento dozooplâncton que, por sua vez, serve de alimento para diversos
organismos maiores, ou seja, o efeito do vazamento de petróleo afeta não apenas um, mas toda
a cadeia alimentar marinha, por vezes, de modo irreversível, razão pela qual é indispensável a
adoção de medidas que mitiguem os danos ambientais causados.
_______
As premissas estudadas na presente aula tem por objetivo servir de prelúdio ao estudo das
investigações e perícias relativas aos crimes ambientais, sendo que os conceitos, princípios e
bases normativas estudados são indispensáveis para o aprofundamento na matéria proposta.
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Conclusão
No início da aula, foi apresentada a situação hipotética em que dois caçadores matam um felino
dentro de uma área de proteção, tendo sido surpreendidos por um protetor que chamou a polícia
que, por sua vez, con�rmou o �agrante.
Colocado no papel de autoridade policial, é esperado que o estudante aponte que se trata de
caça isolada, apontando a violação ao microbem. Cabe apontar a proteção constitucional do art.
225. 
O estudante deve complementar sua resposta, apontando que a lei da fauna, Lei n°5.197/67, em
seu art. 2°, aponta a proibição da caça pro�ssional e, no art. 27, da mesma lei, pune com pena de
reclusão de 2 a 5 anos a violação do referido dispositivo do art.2°. 
Por �m, a Lei n° 9605/98, no seu art. 29, traz a caça de animais silvestres, cominando pena de
detenção de 6 meses a 1 ano, mais multa.
Videoaula: Resolução da SP
Disciplina
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Videoaula sobre a Resolução da SP.
Referências
ANTUNES, P. de B. Direito Ambiental. São Paulo: Atlas, 2020.
ANTUNES, P. de B. Os princípios da precaução e da prevenção no direito ambiental. Enciclopédia
jurídica da PUC-SP. Celso Fernandes Campilongo, Alvaro de Azevedo Gonzaga e André Luiz Freire
(coords.). Tomo: Direitos Difusos e Coletivos. Nelson Nery Jr., Georges Abboud, André Luiz Freire
(coord. de tomo). 1. ed. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2017.
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Disponível em: https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/330/edicao-1/os-principios-da-
precaucao-e-da-prevencao-no-direito-ambiental. Acesso em: 10 mar. 2022. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. REsp nº 725257 / MG (2005/0022690-5). Rel. José
Delgado. Julgado em: 14/05/2007.
Deutscher Bundestag: Grundgesetz. Lei Fundamental Alemã. Disponível em: https://www.btg-
bestellservice.de/pdf/80208000.pdf. Acesso em: 10 mar. 2022.
SARLET, I. W. Curso de Direito Ambiental. Rio de Janeiro: Forense, 2020.
SILVA, J. A. da. Direito ambiental constitucional. São Paulo: Malheiros, 2007.
SOUZA, M. C. Meio ambiente. Enciclopédia jurídica da PUC-SP. Celso Fernandes Campilongo,
Alvaro de Azevedo Gonzaga e André Luiz Freire (coords.). Tomo: Direito Penal. Christiano Jorge
Santos (coord. de tomo). 1. ed. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2017.
Disponível em: https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/422/edicao-1/meio-ambiente.
Acesso em: 10 mar. 2022.
BENJAMIN, A. H. V. Introdução ao direito ambiental brasileiro. São Paulo: Revista dos Tribunais,
2011.
COMITÊ FACILITADOR DA SOCIEDADE CIVIL CATARINENSE. Declaração Final da Conferência das
Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável - RIO+20. O Futuro que Queremos. Disponível
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COMIT%C3%8A-Pronto1.pdf. Acesso em: 10 mar. 2022.
ONU. Organização das Nações Unidas. Declaração de Estocolmo sobre o ambiente humano -
1972. Disponível em: www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Meio-Ambiente/declaracao-de-
estocolmo-sobre-o-ambiente-humano.html. Acesso em: 10 mar. 2022.
RODRIGUES, M. A.. Direito Ambiental Esquematizado. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2021.
ANTUNES, P. de B. Direito Ambiental. 21. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2020.
FARIAS, T. Q. Princípios gerais do direito ambiental. Âmbito Jurídico [online]. 2 dez. 2006.
Disponível em: https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-ambiental/principios-gerais-do-
direito-ambiental/.  Acesso em 10 mar. 2022.
FIORILLO, C. A. P. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. São Paulo: Saraiva Educação.
,
Unidade 2
Investigação e perícia ambiental
Aula 1
Fiscalização ambiental
Introdução da unidade
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Objetivos da Unidade
Ao �nal desta Unidade, você será capaz de:
diferenciar os métodos de trabalho do IBAMA;
associar as previsões legais relativas à perícia;
comparar as nuances relativas à perícia ambiental.
Nesta unidade, você, estudante, será apresentado(a) ao mundo das investigações e perícias
criminais no âmbito dos crimes ambientais, a �m de tratar das investigações e perícias na
prática, incluindo o papel da �scalização, a atividade pericial e os aspectos técnicos envolvidos.
Na primeira aula desta unidade, iniciaremos nossos estudos com o exame do efetivo papel da
�scalização ambiental e como sua atuação é realizada no âmbito federal e estadual, pontuando,
de forma didática, as atribuições do Agente de Fiscalização.
A segunda aula desta unidade é reservada ao estudo dos aspectos conceituais e legais da
perícia ambiental. Nela analisaremos a atividade pericial, as previsões legais relativas à perícia
ambiental e o papel do perito ambiental no âmbito das investigações.
Na terceira aula desta segunda unidade, faremos uma análise concatenada dos aspectos
técnicos que envolvem o trabalho da perícia ambiental, inclusive no que tange aos laudos
periciais e a utilização da prova pericial no processo civil.
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Assim, convido você a se aprofundar no tema, ampliando seus conhecimentos relativos ao
assunto.
Introdução da aula
Qual é o foco da aula?
Nesta aula, vamos aplicar e interpretar os conceitos e princípios relativos aos instrumentos
investigativos, possibilitando o correto entendimento quanto ao papel dos órgãos estatais na
investigação criminal em matéria ambiental.
Objetivos gerais de aprendizagem
Ao �nal desta aula, você será capaz de:
identi�car o método de trabalho do IBAMA;
classi�car as formas de �scalização ambiental;
diferenciar os tipos de agentes �scalizadores.
Situação-problema
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Nesta aula, vamos estudar a prática das investigações e perícias criminais em matéria ambiental
tomando por base a atuação dos órgãos de �scalização e de seus agentes.
De absoluta relevância para a matéria, iniciaremos a aula analisando o efetivo papel do Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) enquanto autarquia
federal, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, voltada ao exercício do poder de Polícia
Ambiental.
Ainda nesta aula, abordaremos o papel da �scalização ambiental em âmbito estadual, pontuando
as diferenças de atuação nessa esfera, bem como explanando o papel dos órgãos pertencentes
ao Estado.
Por �m, abordaremos uma �gura de grande protagonismo no procedimento de �scalização, que
é o Agente de Fiscalização, o qual, dotado de poder de polícia inerente ao seu cargo, materializa
a �scalização ambiental, instaurando os autos de infração ou procedimentos administrativos
necessários à apuração do fato ou imposição de sanção
Após o estudo de todo o material, imagine a situação hipotética na qual você, estudante, está no
meio da fase oral do concurso para o cargo de Analista Ambiental do IBAMA, quando o
examinador lhe interrompe, questionando o seguinte: Prezado Doutor, vi que o senhor domina a
matéria, mas gostaria de saber se a �scalização ambiental, como atividade estatal, encontra
limites constitucionais. Nestemomento, engolindo seco e disfarçando bem o nervosismo, cabe
ao candidato oportunizar a resposta, ganhando tempo su�ciente para que não venham outras
dúvidas do examinador. 
Assim, elabore uma apresentação segura, a �m de dar por satisfeito o questionamento.
Videoaula: Abertura
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Fiscalização ambiental pelo IBAMA
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) é uma
autarquia federal, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, criada por meio da Lei Federal nº
7.735, de 22 de fevereiro de 1989.
Nos termos do mencionado codex, a �nalidade do IBAMA é, efetivamente, exercer o poder de
polícia ambiental, executar ações das políticas nacionais relativas ao licenciamento ambiental,
ao controle da qualidade ambiental, à autorização de uso dos recursos naturais e a �scalização,
monitoramento e controle ambiental.
Ao tratarmos especi�camente da �scalização ambiental enquanto atribuição do IBAMA,
podemos de�ni-la como o efetivo exercício de poder de polícia decorrente da legislação
ambiental, consistindo, desta forma, na materialização da atribuição estatal de �scalizar os atos
ou condutas praticadas por potenciais poluidores e por aqueles que se utilizam dos recursos
naturais, garantindo assim a preservação ambiental ou mesmo a mitigação de eventuais danos
ambientais.
O objetivo da �scalização ambiental é, por meio de sua atuação preventiva ou repressiva, induzir
a alteração do comportamento social por meio da coerção, materializada na aplicação de
sanções previstas na legislação. 
São características da �scalização executada pelo IBAMA a discricionariedade,
autoexecutoriedade e a coercibilidade. A discricionariedade está atrelada à ideia de liberdade na
atuação do órgão �scalizador, ao passo que deve vigorar, sob a ótica da conveniência e
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
oportunidade, a graduação das sanções. A autoexecutoriedade, por sua vez, versa sobre a efetiva
possibilidade de imposição, e forma direta, de medidas ou sanções relativas ao poder de polícia
administrativa, cujo objetivo é a repressão da atividade lesiva ao meio ambiente. Por �m, a
coercibilidade trata especi�camente da imposição de sanções com o intuito de coagir o
praticante do ato a não reincidir em sua prática ou, até mesmo, servir de exemplo para que
outros não venham a praticar tais condutas.
O art. 70 da Lei Federal nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais), atribui,
dentre outras, ao IBAMA a competência para lavrar autos de infração na esfera federal e ainda
para a instauração de processos administrativos de apuração de infração.
Como a execução das atribuições do IBAMA dizem respeito à esfera federal, insta consignar que
a Lei Complementar nº 140/11, visando esclarecer quaisquer dúvidas a respeito do tema, de�niu,
de forma didática, as competências de cada ente na proteção ambiental, tratando da esfera
federal especi�camente no artigo 7º.
Ao tratar do poder �scalizatório do IBAMA, talvez o mais importante instrumento para
consecução de seus objetivos seja o Processo Administrativo Sancionador, voltado a
responsabilização administrativa ambiental em face de eventuais atos danosos ao meio
ambiente.
Ao tratar do exercício da �scalização por parte do IBAMA, o autor Paulo de Bessa Antunes (2020,
p. 140) é didático ao dispor acerca de seus objetivos:
A �scalização efetivada pelo Ibama é regida pelas normas contidas no Regulamento
Interno da Fiscalização (RIF) do Ibama aprovado pela Portaria nº 24 de 16 de agosto
de 2016, com nova redação dada pela Portaria nº 3.326, de 12 de setembro de 2019.
O objetivo principal da atividade �scalizatória é a prevenção da prática de ilícitos
administrativos ambientais, “induzindo o comportamento social de conformidade
com a legislação ambiental pela aplicação de sanções administrativas e das medidas
judiciais cabíveis” (artigo 3º), cabendo-lhe, ainda, a apuração administrativa dos atos
infracionais.
A �scalização ambiental, assim como qualquer atividade estatal, possui limites constitucionais
que devem ser respeitados, ou seja, o IBAMA, no efetivo exercício de suas atribuições, deve
pautar suas ações nos limites do respeito aos direitos e às garantias fundamentais, dando plena
observância aos princípios da legalidade, publicidade e impessoalidade, bem como respeitando
a privacidade de domicílio.
Fiscalização ambiental no estado
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
No âmbito dos estados, as atribuições gerais relativas à proteção ambiental estão descritas no
art. 8º da Lei Complementar nº 140/11, sendo especi�cado no inciso XIII que, dentre as
competências, compete ao Estado “exercer o controle e �scalizar as atividades e os
empreendimentos cuja atribuição para licenciar ou autorizar, ambientalmente, for cometida aos
Estados”.
A título exempli�cativo, no âmbito do Estado de São Paulo, há diversos órgãos responsáveis pela
�scalização ambiental, como: Centro de Vigilância Sanitária (CVS-SP); Agência Reguladora de
Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (ARSESP); Agência Paulista de Tecnologia dos
Agronegócios (APTA-SP); Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB);
Coordenadoria de Licenciamento Ambiental de Recursos Naturais do Estado de São Paulo
(CPRN-SP); Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais (CBRN); entre muitos outros,
cada qual responsável por um microbem ambiental.
A �m de abordar o tema relativo à �scalização no Estado de São Paulo, é indispensável nos
aprofundarmos especi�camente no papel da CETESB, principalmente por ser a responsável pelo
licenciamento e �scalização de atividades potencialmente lesivas ao meio ambiente, como as
geradoras de poluição, tendo por escopo a preservação e/ou recuperação da qualidade do ar, da
água e do solo.
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Ainda no que concerne ao Estado de São Paulo, a Lei nº 14.626, de 29 de novembro de 2011, em
seu Anexo I, apresenta o rol de atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos
ambientais, de�nindo o grau de “potencial poluidor” (Pp) de cada uma das atividades, criando
ainda a Taxa Ambiental Estadual, objetivando a otimização da �scalização ambiental.
Ao tratarmos da �scalização ambiental no âmbito do Estado de São Paulo, é indispensável
abordarmos o Decreto Estadual nº 64.456, de 10 de setembro de 2019, que “dispõe sobre o
procedimento para apuração de infrações ambientais e imposição de sanções, no âmbito do
Sistema Estadual de Administração da Qualidade Ambiental, Proteção, Controle e
Desenvolvimento do Meio Ambiente e Uso Adequado dos Recursos Naturais (SEAQUA)”. O
referido Decreto apresenta as nuances relativas ao processo administrativo de apuração de
infrações ambientais, especi�cando seus requisitos, prazos e princípios, inclusive que concerne a
efetiva necessidade de observação do contraditório e ampla defesa no âmbito administrativo
ambiental.
Agente de �scalização
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Ao tratarmos do processo de �scalização ambiental, uma �gura de grande protagonismo no
procedimento é o Agente de Fiscalização que, dotado de poder de polícia inerente ao seu cargo,
materializa a �scalização ambiental, instaurando os autos de infração ou procedimentos
administrativos necessários à apuração do fato ou imposição de sanção.
A Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), em seu art. 70, de�ne quem são os responsáveis pela
lavratura do auto de infração ou processo administrativo, assim dispondo: 
Art. 70. Considera-se infração administrativa ambiental toda ação ou omissão que
viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperaçãodo meio
ambiente.
§1º São autoridades competentes para lavrar auto de infração ambiental e instaurar
processo administrativo os funcionários de órgãos ambientais integrantes do
Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA, designados para as atividades de
�scalização, bem como os agentes das Capitanias dos Portos, do Ministério da
Marinha. (BRASIL, 1998)
Em se tratando da �scalização realizada pelo IBAMA, a Portaria nº 24, de 16 de agosto de 2016,
aprova o regulamento interno da �scalização justamente com o intuito de uniformizar e dar
segurança jurídica ao exercício de poder de polícia administrativo do órgão, a�rmando ainda, em
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
seu art. 5º, que “a �scalização ambiental emprega a dissuasão como a principal forma de
promover a mudança de comportamento social e prevenir a prática de ilícitos ambientais”,
conceituando que, por dissuasão, entende-se a mudança esperada no comportamento do
indivíduo pelo medo de ser punido.
O exercício da �scalização ambiental é efetivado pelo servidor designado pelo Presidente do
IBAMA por meio de portaria, nos termos do art. 8º da Portaria 24/16, o qual deve ser analista
ambiental ou técnico ambiental do quadro efetivo do órgão e cumprir os requisitos elencados no
art. 10 da mesma portaria, sendo assim designado como Agente Ambiental Federal (AAF).
Aos Agentes Ambientais Federais compete, dentre outras funções, a elaboração de relatório de
�scalização, que deve conter, nos termos do art. 14 da Instrução Normativa Conjunta
MMA/IBAMA/ICMBIO nº 1, de 12 de abril de 2021:
I - a descrição das circunstâncias que levaram à constatação da infração ambiental e
à identi�cação da autoria,
II - o nexo de causalidade entre a situação infracional apurada e a conduta do infrator
identi�cado, comissiva ou omissiva;
III - o registro dos meios de prova, evidências materiais, documentais ou
testemunhais coletadas, aptos à demonstração das elementares do tipo infracional
cometido e à dosimetria da sanção;
IV - os critérios e a dosimetria utilizados para a �xação da multa;
V - a identi�cação clara e objetiva do dano ambiental;
VI - as circunstâncias agravantes e atenuantes; e
VII - todos e quaisquer outros elementos considerados relevantes para a
caracterização da responsabilidade administrativa. (BRASIL, 2021)
Ao constatar a ocorrência de uma infração ambiental, o Agente Ambiental Federal deve lavrar o
auto de infração, indicando a imposição de sanções, que podem ser de advertência, multa,
apreensão, destruição, suspensão de venda ou fabricação, embargo ou demolição de obra,
suspensão de atividades ou restritiva de direitos.
Assim, enquanto protagonista do processo de �scalização ambiental, o agente de �scalização é
indispensável ao efetivo cumprimento das políticas protecionistas, posto que é responsável pela
atuação na linha de frente da defesa do meio ambiente, independente do microbem afetado.
_______
 Assimile
A portaria nº 24, de 16 de agosto de 2016, traz uma série de requisitos para designação do
servidor como Agente Ambiental Federal, a saber (BRASIL, 2016):
Art. 10. Para a designação do servidor para a função de AAF, deverão ser atendidos os seguintes
requisitos: 
I - ser analista ambiental ou técnico ambiental do quadro efetivo do Ibama;
II - ter concluído curso de �scalização ambiental com aproveitamento de, no mínimo, 70%
(setenta por cento); 
III - ter aptidão física apropriada para o exercício da função; 
IV- apresentar atestado de saúde para o exercício da função; 
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V- não ter sentença condenatória transitada em julgado em processo criminal por conduta
incompatível com a função de AAF; 
VI - não ter sido condenado em processo administrativo
disciplinar por conduta incompatível com a função de AAF; 
VII - não apresentar conduta ou atividade con�itante, pretérita ou presente, ou contrária ao
disposto neste RIF, ao interesse institucional ou às demais regras de conduta no serviço público; 
VIII - estar lotado, ou em exercício, em unidade que tenha competência de realizar �scalização
ambiental; e 
IX - ter disponibilidade e condições para participar de atividades externas e viagens a serviço.
_______
 Re�ita
Diante do quando estudado até agora, é possível traçar um paralelo entre a pluralidade de órgãos
e distribuição de atribuições com a maior e�cácia da proteção ambiental ou você acredita que
essa divisão de funções di�culta o trabalho de �scalização? 
_______
 Exempli�cando
O IBAMA não atua somente na �scalização ambiental, mas também na efetiva proteção
ambiental por meio de operações especí�cas, como a Operação Mata do Mamão 2021, que teve
início em 19 de julho de 2021, com a participação do Instituto Chico Mendes da Conservação da
Biodiversidade (ICMBio) e da Fundação Nacional do Índio (Funai), em que 142 pessoas, entre
servidores e brigadistas, atuaram para controlar e extinguir os incêndios �orestais dentro e no
entorno da Mata do Mamão, localizada no sudoeste do estado do Tocantins (TO).
_______
Ante ao conteúdo estudado, é possível notar a importância do trabalho �scalizatório para a
consecução das políticas ambientais, principalmente diante da efetiva necessidade de buscar
um meio ambiente saudável e ampliar a proteção conferida ao macrobem ambiental. 
Conclusão
Disciplina
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Foi apresentada a situação hipotética na qual, você, estudante, em uma banca de concurso, é
questionado sobre os limites constitucionais da �scalização ambiental enquanto atividade
estatal.
Primeiro, cabe a você demonstrar conhecimento sobre o tema. Mencione que a �scalização pelo
IBAMA é regida pelo Regulamento Interno da Fiscalização - Portaria nº 24/16 (com nova redação
dada pela Portaria nº 3.326/19). Relate que o objetivo principal da atividade �scalizatória é a
prevenção da prática de ilícitos administrativos ambientais, para incutir no comportamento social
a conformidade com a legislação ambiental.
Dada todas essas razões, além de seus fundamentos no art. 225 da CRFB, importe em a�rmar
que a �scalização ambiental, assim como qualquer atividade estatal, possui limites
constitucionais que devem ser respeitados, ou seja, o IBAMA, no efetivo exercício de suas
atribuições deve pautar suas ações nos limites do respeito aos direitos e às garantias
fundamentais, dando plena observância aos princípios da legalidade, publicidade e
impessoalidade, bem como respeitando a privacidade de domicílio. 
Videoaula: Resolução da SP
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Videoaula sobre Resolução da SP.
Aula 2
Aspectos Conceituais e Legais da Perícia Ambiental
Introdução da aula
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Crimes Ambientais e Digitais
Qual é o foco da aula?
Nesta aula, abordaremos a atividade pericial propriamente dita e a importância da realização de
perícias em matéria ambiental.
Objetivos gerais de aprendizagem
Ao �nal desta aula, você será capaz de:
associar as principais atividades periciais;
classi�car as previsões legais relativas à perícia;
comparar as atuações dos peritos.
Situação-problema
Estudante, nesta aula abordaremos a atividade pericial propriamente dita e a importância da
realização de perícias em matéria ambiental para a efetiva elucidação e quanti�cação de danos
ao meio ambiente.
Estudaremos ainda as previsões legais concernentes à perícia ambiental, passando pelas
legislações esparsas que tratam sobre o assunto, seja no Código de Processo Penal, Lei de
Crimes Ambientais ou mesmo no Código de Processo Civil, possibilitando, assim, a realização de
uma análise concatenada dos objetivos do trabalho pericial enquanto ferramenta voltada à
investigação criminal ambiental
Por �m, abordaremoso efetivo papel do perito não apenas na investigação, mas nos processos
que envolvam matéria ambiental como um todo, elucidando que suas atribuições não são
unicamente voltadas para apontar a materialidade de um determinado fato, mas, principalmente,
quanti�car seu alcance e o prejuízo causado, demonstrando ainda que a sua atuação é
diretamente ligada com o exercício do contraditório e da ampla defesa.
Seguindo tais premissas, imagine uma situação hipotética em que você é chamado para
defender os interesses de um cliente que responde por crime ambiental. Sabe-se que o perito
esteve no local, cumprindo a regra do art. 6º do CPP, entretanto, sugeriu ao dano o importe de
R$100.000,00 (cem mil reais) para �ns de instrumento balizador da multa ambiental. Ocorre que
não apresentou justi�cativa da sua aferição. Em peça de recurso, apresente a defesa que
comporta ao caso em tela. 
Videoaula: Abertura
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Videoaula: Abertura.
A atividade pericial
Em matéria ambiental, a perícia é o procedimento cuja �nalidade é avaliar eventuais danos ao
meio ambiente e todos os seus microbens, investigando e detectando causas de um
acontecimento ou de uma situação potencialmente nociva, objetivando, por meio de uma análise
estritamente técnica, solucionar os fatos ocorridos e emitindo o competente laudo.
A perícia ambiental traduz-se em verdadeiro instrumento investigativo, desempenhando papel
crucial nas demandas ambientais perante a Justiça, principalmente ao tratarmos de crimes
ambientais.
Sob o aspecto histórico, na Inglaterra dos anos 70 foram criadas as primeiras auditorias e
perícias, cuja �nalidade era instrutiva e preventiva. Já no Brasil, foi apenas com o advento da Lei
Federal nº 9.605/98 que houve uma maior ampliação em sua aplicabilidade.
A atividade pericial ambiental tem por escopo não apenas identi�car o eventual fato danoso, mas
também sua extensão e consequências.
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Crimes Ambientais e Digitais
O perito ambiental pode ter formação em diversas áreas, dentre elas, Ciências biológicas;
Engenharia Ambiental; Oceanogra�a; Agronomia; Ecologia e etc., a depender das necessidades
expostas no caso concreto.
O autor Fabiano Melo Gonçalves de Oliveira (2017, p. 506), ao tratar da atividade pericial, é
didático no que tange a �nalidade do trabalho:
Se o crime ambiental deixar vestígios, tornar-se-á imprescindível o exame pericial
para constatação da materialidade delitiva necessária à justa causa da ação penal. O
exame pericial também é necessário para outras questões relevantes, por exemplo,
para aferição da extensão do ano ambiental que servirá de baliza para dosagem da
pena ou até para o reconhecimento de uma agravante ou quali�cadora de pena. 
A Lei Federal nº 9.605/98 deu tamanha importância ao trabalho pericial, que trouxe a previsão,
em seu art. 19, de que, sempre que possível, quando da realização de perícia para constatação
de eventual dano ambiental, deve haver a demonstração do efetivo prejuízo causado pelo ato,
auxiliando, desta forma, a �xação de �ança (se o caso) e o cálculo da multa aplicável.
Assim como em todo trabalho pericial, a atividade pericial em matéria ambiental tem por escopo
auxiliar o magistrado, posto que não é exigido que este possua conhecimento técnico em todas
as ciências exatas e humanas, portanto, sempre que necessária uma opinião técnica a respeito
de determinado assunto, imperiosa a realização de perícia.
Em termos técnicos, a NBR 14653-1:2001 (2001, p. 5), editada pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas, ao tratar da “Avaliação de Bens” conceitua perícia como “atividade técnica
realizada por pro�ssional com quali�cação especí�ca, para averiguar e esclarecer fatos, veri�car
o estado de um bem, apurar as causas que motivaram determinado evento, avaliar bens, seus
custos, frutos ou direitos”.
Ante às premissas estudadas, pode-se concluir que o trabalho pericial sob a ótica da
investigação ambiental é imprescindível ao sucesso não apenas de uma determinada
investigação, mas para a própria consecução das políticas protecionistas ambientais e para o
bom andamento dos feitos judiciais, principalmente no que tange a efetiva mensuração do dano
visando a �xação de multas.
Previsões legais relativas à perícia ambiental
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Crimes Ambientais e Digitais
Em matéria ambiental, a legislação brasileira é tida como vasta e abrangente, servindo, inclusive,
de modelo para outros países. A positivação da preservação ambiental acabou por fomentar os
mecanismos judiciais voltados ao protecionismo ambiental, desde os direitos relativos à efetiva
indenização pela prática de condutas lesivas ao meio ambiente, como aqueles cujo escopo é a
efetiva prevenção de danos, assim, a própria atuação das partes em juízo passou a ser objeto de
maior atenção.
Em se tratando das perícias em matéria penal, o Código de Processo Penal dá tamanha
importância à realização do procedimento que, logo em seu art. 6º (BRASIL, 1941) impõe que a
autoridade policial, logo que tiver conhecimento da infração, deve “dirigir-se ao local,
providenciando para que não se alterem o estado e a conservação das coisas até a chegada dos
peritos criminais”, apreendendo os objetos que tiverem relação com o fato apenas após a efetiva
liberação pelo perito.
A respeito do tema, cabe lembrar que o próprio art. 19 da Lei Federal nº 9.605/98 é cristalino ao
de�nir que a perícia voltada à constatação do dano ambiental, sempre que possível, deverá �xar
o montante do prejuízo causado, objetivando, desta forma, o cálculo de eventual multa a ser
aplicada ou até mesmo a �xação de �ança.
O mesmo artigo mencionado, em seu parágrafo único, faz apontamentos acerca da possibilidade
do empréstimo de prova, frisando que, caso a perícia ambiental tenha sido produzida em um
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inquérito civil ou mesmo no juízo cível, poderá ser aproveitada na esfera penal, desde que,
obviamente, seja respeitado o contraditório e a ampla defesa.
A Lei Federal nº 7.347, de 24 de julho de 1985, disciplina a Ação Civil Pública de responsabilidade
por danos causados, dentre outros, ao meio ambiente. Nessa seara, o art. 9º de referido códex
prevê que o Ministério Público, no uso de suas atribuições, poderá requisitar, caso entenda
necessário, perícias ou exames técnicos.
A própria complexidade do meio ambiente, englobando todos os seus microbens ambientais, é
tanta que, por vezes, um único perito não é su�ciente para apuração de eventuais danos, até
porque, o equilíbrio ecológico exige análises multidisciplinares, tendo o próprio Superior Tribunal
de Justiça se manifestado a respeito:
PROCESSUAL CIVIL. (...) PERÍCIA. DANO AMBIENTAL. DIREITO DO SUPOSTO
POLUIDOR. PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. (...) 5. A
prova pericial é necessária sempre que a prova do fato depender de conhecimento
técnico, o que se revela aplicável na seara ambiental ante a complexidade do bioma e
da e�cácia poluente dos produtos decorrentes do engenho humano. 6. Recurso
especial provido para determinar a devolução dos autos à origem com a anulação de
todos os atos decisórios a partir do indeferimento da prova pericial” (STJ, Resp
1.060.753/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Pub. 14-12-2009).
A este respeito, mesmo se tratando da perícia voltada à investigação de crimes ambientais,
compete aqui citar a previsão expressa do art. 475 do Código de Processo Civil, o qual é didático
ao prever que “tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de conhecimento
especializado, o juiz poderá nomear mais de um perito, e a parte, indicar mais de um assistente
técnico”.
Com isso, temos que as previsões legais relativas à perícia ambientalsão esparsas, merecendo
menções de diversos dispositivos, até porque, a complexidade da matéria não permite a efetiva
consolidação das informações em um único instrumento, devendo o pro�ssional que atue na
área manter-se sempre atualizado com as notas técnicas, legislações e matérias pertinentes ao
assunto.
O papel do perito
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Crimes Ambientais e Digitais
A perícia ambiental é uma importante ferramenta para elucidação de crimes ambientais e
aferição da efetiva extensão de um dano causado, possibilitando a quanti�cação do prejuízo e a
�xação de multas ou �anças.
Cândido Dinamarco (2001, p. 584) elucida de forma clara o conceito de perícia, entrelaçando seu
conceito com a atribuição do próprio perito, a saber:
Perícia é o exame feito em pessoas ou coisas, por pro�ssional portador de
conhecimentos técnicos e com a �nalidade de obter informações capazes de
esclarecer dúvidas quanto a fatos. Daí chamar-se perícia, em alusão à quali�cação e
aptidão do sujeito a quem tais exames são con�ados. Tal é uma prova real, porque
incide sobre fontes passivas, as quais �guram como mero objeto de exame sem
participar das atividades de extração de informes.
O autor Josimar Ribeiro de Almeida (2009, p. 34), ao tratar do perito ambiental e da importância
da prova produzida, é didático ao apontar que ela objetiva:
Con�rmar, cienti�camente, a ocorrência do dano e a apuração de sua real extensão
ambiental. Ela é fundamental para que o juiz tenha convicção no julgamento da
procedência do pedido do autor e possa determinar, se for o caso, a cessação da
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atividade ou conduta lesiva, a reconstituição do bem lesado, ou, se impossível, a
reconstituição, a indenização em dinheiro equivalente ao prejuízo constatado, a ser
revertida a um fundo para a recuperação dos bens lesados.
Assim, o papel do perito não é limitado pela mera aferição da existência ou não do dano
ambiental, mas, principalmente, pela sua extensão, possibilidade de reconstituição, necessidade
de indenização ou mesmo se houve a cessação da conduta lesiva.
Cabe apontar que o papel do perito não é apenas o de apontar que determinado sujeito cometeu
o dano ambiental, mas também de demonstrar a não ocorrência deste. O princípio da precaução,
em direito ambiental, acaba por pressupor que compete a quem praticou o ato danoso
demonstrar que não o causou de fato, neste sentido, o próprio Superior Tribunal de Justiça,
quando do julgamento do Recurso Especial nº 1060753/ SP de relatoria da Ministra Eliana
Calmon, a�rmou que “é direito subjetivo do suposto infrator a realização de perícia para
comprovar a ine�cácia poluente de sua conduta”.
Sob esse aspecto, o mesmo Tribunal editou a Súmula 618 no ano de 2018 impondo que “a
inversão do ônus da prova aplica-se às ações de degradação ambiental”. Dessa forma, ante às
premissas estudadas, é possível aferir que o papel do perito em matéria ambiental vai muito
além do mero reconhecimento do dano, mas está intrinsecamente ligado à análise de sua
extensão e da existência ou não de responsabilidade por parte do agente que causou o suposto
fato danoso, servindo o perito, verdadeiramente, como verdadeiro auxiliar na busca da verdade.
_______
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Crimes Ambientais e Digitais
 Assimile
Ao tratarmos do Teor da Súmula 618, apontamos que a inversão do ônus da prova aplica-se às
ações de degradação ambiental, cabendo relembrar que tal inversão decorre principalmente do
chamado “Princípio da Precaução”, o qual podemos assimilar como o inverso do “in dubio pro
reo”, posto que, diferente do primeiro, caso haja incerteza em uma situação de dano ambiental, o
meio ambiente tem em seu favor o benefício da dúvida, ou seja, compete à empresa
supostamente poluidora demonstrar que sua atividade não é lesiva ao meio ambiente e não o
contrário.
_______
 Re�ita
A respeito dos temas abordados, cabe aos estudantes re�etirem sobre a estrita relação entre o in
dubio pro reo e o princípio da precaução, apontando se a precaução ambiental não confronta o
mandamento constitucional da presunção de inocência.
_______
 Exempli�cando
No conteúdo estudado apontamos que o trabalho pericial ambiental é multidisciplinar, a
depender do efetivo tecnicismo necessário à instrução processual, sob este aspecto cabe
apontar que a situação concreta pode exigir, por exemplo, perito ambiental com conhecimento
em: Análise de solo; química orgânica; oceanogra�a; descartes de resíduos; agronomia, ecologia,
dentre diversas outras áreas técnicas. Isso se dá devido à complexidade do equilíbrio ecológico
e da pluralidade de microbens ambientais.
_______
Com isso, ante às premissas apresentadas, é possível entender a importância do trabalho
pericial em matéria ambiental, não apenas para a formação do livre convencimento do
magistrado, mas como verdadeira ferramenta voltada ao exercício do contraditório e ainda, como
materialização dos próprios fundamentos investigativos ambientais, dando verdadeira ênfase ao
protecionismo esperado na sociedade moderna.
Conclusão
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Foi apresentada uma situação hipotética em que você, estudante, foi chamado para defender os
interesses de um cliente que responde por crime ambiental, e o perito que esteve no local,
cumprindo a regra do art. 6º do CPP, entretanto, sugeriu ao dano o importe de R$100.000,00
(cem mil reais) para �ns de instrumento balizador da multa ambiental. Ocorre que não
apresentou justi�cativa da sua aferição. Em peça de recurso, apresente a defesa que comporta
ao caso em tela.
Como resposta, em matéria de defesa, o(a) advogado(a), no que tange à perícia, nos termos do
art. 6º do Código de Processo Penal, cabe apontar a imposição à autoridade policial, logo que
tiver conhecimento da infração, o dever de “dirigir-se ao local, providenciando para que não se
alterem o estado e a conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais”, apreendendo
os objetos que tiverem relação com o fato apenas após a efetiva liberação pelo perito. 
Nesse sentido, deve ainda mencionar que o art. 19 da Lei Federal nº 9.605/98 – referente à
perícia voltada para a constatação do dano ambiental, sempre que possível, deverá �xar o
montante do prejuízo causado para o cálculo de eventual multa a ser aplicada ou até mesmo a
�xação de �ança. Se não houve aferição no caso apresentado, não possui o Estado elemento
balizador para o arbitramento da multa sem a extensão do dano. A Lei Federal nº 7.347/85
disciplina a Ação Civil Pública de responsabilidade por danos causados, dentre outros, ao meio
ambiente. O seu art. 9º prevê que o Ministério Público poderá requisitar perícias ou exames
técnicos. 
Disciplina
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E como não há motivação do ato administrativo, porque eivado de vício quanto a sua forma,
ilegal seria a aplicação de multa sem embasamento técnico pericial, para �ns de reparação
ambiental.
Videoaula: Resolução da SP
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Videoaula sobre a resolução da SP.
Aula 3
Aspectos técnicos da perícia ambiental
Introdução da aula
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Qual é o foco da aula?
Nesta aula, faremos uma análise concatenada dos procedimentos técnicos adotados em
perícias ambientais.
Objetivos gerais de aprendizagem
Ao �nal desta aula, você será capaz de:
identi�car os instrumentos investigativos;
categorizar as nuances relativas à perícia ambiental:
explicar a perícia ambiental e seus re�exos no direito.
Situação-problema
Nesta aula, faremos uma análise concatenada dos procedimentos técnicos adotados em
perícias ambientais, demonstrando que a pluralidade de área envolvidas, a depender docaso
concreto, afeta diretamente o procedimento a ser aplicado, frisando ainda a existência de
procedimentos básicos que auxiliam no trabalho do perito independente da área de
conhecimento. Abordaremos ainda as nuances relativas ao laudo pericial e quais as
formalidades que devem ser observadas em sua elaboração. Neste ponto, o objetivo será
demonstrar a importância da organização das informações e da efetiva emissão de parecer
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conclusivo, possibilitando ao magistrado ou mesmo aos investigadores, compreender de forma
didática a matéria técnica analisada.
Faremos ainda um breve estudo acerca da prova pericial no âmbito do processo civil,
demonstrando as similaridades entre procedimentos e como as normativas impostas pelo
Código de Processo Civil têm aplicabilidade, mesmo que de forma geral, aos procedimentos a
serem adotadas na realização de uma perícia.
Ante a tais premissas, imagine a situação hipotética em que Rodrigo Sartory, um simples
lavrador, foi multado por utilizar fertilizante proibido em sua chácara em Atibaia, onde atua pela
agricultura familiar de cogumelos. Em decorrência da infração ambiental (fundamentada em
perícia) e dos autos criminais, você, um advogado(a) renomado(a), é instado a promover a
defesa dos interesses de Rodrigo. Analisando os autos, veri�cou que do laudo pericial não
constava a resposta dos quesitos, além de utilizar vernáculo extremamente técnico que lhe
di�culta a compreensão do tema. 
Com base nos argumentos expostos, elabore uma resposta técnica a �m de questionar a
validade pericial. 
Videoaula: Abertura
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Procedimentos técnicos
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O trabalho pericial ambiental é multidisciplinar, a depender do efetivo tecnicismo necessário à
instrução processual, assim, os procedimentos técnicos relativos à realização da perícia
dependem principalmente do microbem ambiental efetivamente afetado.
Independente da área técnica necessária, podemos listar como procedimentos básicos à
realização da perícia o levantamento preliminar, a vistoria do local e a elaboração de laudo
pericial.
O levantamento preliminar a ser realizado pelo perito engloba a separação e análise da
legislação ambiental especí�ca e necessária no caso concreto. Por exemplo, se estivermos
diante de uma situação que envolva uso de agrotóxicos, é necessária a análise da Lei Federal nº
7.802/89; se estivermos diante de um fato que afete recursos hídricos, é imprescindível a análise
da Lei Federal nº 9.433/97.
Ainda na fase de levantamento preliminar, o perito responsável deve separar as normas técnicas
pertinentes ao caso, os parâmetros ambientais a serem seguidos e todo o material pertinente
que possibilite a veri�cação dos fatos, preparando ainda �chas de campo voltadas a auxiliar
eventuais vistorias in loco.
Na segunda fase do procedimento pericial, o perito responsável realiza a vistoria do local,
devendo proceder a localização, descrição e caracterização do entorno, possibilitando assim, a
correta instrução do laudo a ser elaborado.
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Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Em sua veri�cação in loco, a depender das circunstâncias e da concretude dos fatos, o perito
deve levantar informações relativas aos horários em que as atividades são desenvolvidas; à
quantidade de pessoas envolvidas; à estimativa de pessoas afetadas pelo fato danoso; à coleta
de amostras; à realização de registros fotográ�cos e à elaboração de croquis (quando
necessário).
Após a realização dos trabalhos preliminares e veri�cações físicas, o perito deve elaborar laudo
pericial, identi�cando os fatos, fazendo explanações acerca do histórico do caso, pontuando a
vistoria realizada e todos os aspectos apurados, emitindo, desta forma, parecer conclusivo,
contendo toda a descrição técnica realizada com base nos dados coletados.
Como explanado anteriormente, a perícia ambiental envolve uma pluralidade de áreas técnicas,
assim, a depender da ciência envolvida, os procedimentos técnicos sofrem relevantes
alterações. Visando instruir o procedimento de elaboração de quesitos aos peritos, a Diretoria
Técnico-Cientí�ca da Polícia Federal elaborou o “Manual de Orientação de Quesitos de Perícia
Criminal”, no qual divide os quesitos relativos ao meio ambiente em diversas áreas, a depender
da especialidade.
Ante os quesitos apresentados, o próprio procedimento técnico pode sofrer alterações. O
mencionado manual divide os quesitos por tema, a saber: “Exame de Animal”; “Sanidade Animal”;
“Exame de Meio Ambiente”; “Análise de Procedimento Administrativo Ambiental”; “Cavidade
Natural Subterrânea”; “Constatação de Reparação de Dano Ambiental; “Corpo d’Água”; “Dano à
Fauna”; “Dano à Flora”; “Dano ao Solo”; “Desmatamento”; “Extração Mineral”; “Intervenção em
Área Protegida”; “Poluição”; “Sítio Paleontológico”; “Uso do Solo”; “Valoração de Dano”;
“Criadouros e Mantenedores de Animais”; “Manejo Florestal”; “Indústria Madeireira” e
“Silvicultura”, dentre muitos outros especí�cos relativos à caça, pesca, extração mineral, vegetal e
até mesmo a balões.
Assim, são apresentados desde os procedimentos básicos a serem observados em todas as
perícias relativos à efetiva organização do perito responsável e apresentação de laudo, até as
grandes variações nos procedimentos técnicos a serem realizados, os quais dependem dos
quesitos apresentados e da especialização técnica necessária à efetiva apuração dos fatos.
Laudo técnico pericial
Disciplina
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Crimes Ambientais e Digitais
Ao tratarmos do Laudo Técnico Pericial, é imprescindível começarmos nosso estudo pelo Código
de Processo Civil que, em seu art. 473, de�ne o conteúdo indispensável que deve constar do
referido documento técnico:
Art. 473. O laudo pericial deverá conter:
I - a exposição do objeto da perícia;
II - a análise técnica ou cientí�ca realizada pelo perito;
III - a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser
predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se
originou;
IV - resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e
pelo órgão do Ministério Público.
Cabe ressaltar que o perito, ao elaborar o laudo técnico, deve apresentar sua fundamentação em
linguagem simples, demonstrando o que o levou a alcançar a conclusão apresentada. Tal
disposição é de extrema relevância, posto que, caso o laudo seja apresentado em linguajar
exclusivamente técnico, sem a simplicidade esperada, não será possível ao magistrado, que não
é dotado do conhecimento técnico necessário, utilizar-se do documento para formação de seu
convencimento.
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Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
A legislação brasileira ao tratar do conteúdo mínimo dos laudos periciais, listou apenas a
exposição do objeto, análise técnica, indicação de método e reposta aos quesitos realizados,
porém, na prática, o laudo é comumente estruturado em 13 tópicos, sendo eles: Ementa;
Introdução; Objetivo; Metodologia; Caracterização Ambiental; Fundamentação Técnico-Pericial
dos Fatos; Caracterização dos Impactos Ambientais; Medidas Mitigadoras; Conclusão; Resposta
aos Quesitos; Anexos; Referências Bibliográ�cas e Encerramento.
Assim, um laudo pericial corretamente estruturado é imprescindível ao desenvolvimento de uma
investigação ou mesmo para a instrução de um processo judicial, posto que por meio dele será
possível a obtenção do necessário apoio técnico cientí�co que permita a delimitação e
quanti�cação do dano ambiental ou mesmo a realização de apontamentos quanto a
materialidade e autoria do fato, além de demonstrar a possibilidade ou não de recuperação do
microbem ambiental afetado.
Cabe ressaltarainda a importância da instrução do laudo com material fotográ�co sempre que
necessário, posto que, por vezes, os registros fotográ�cos do local e dos danos eventualmente
causados são o único contrato real do magistrado com a área afetada, permitindo oferecer maior
amplitude ao conhecimento relativo aos atos praticados.
Visando auxiliar os pro�ssionais na elaboração dos laudos periciais, o Instituto Estadual do
Ambiente, que integra a Administração Pública Estadual indireta do Estado do Rio de Janeiro, por
exemplo, editou a IT-0029-1, com instruções para elaboração de laudo pericial, dispondo acerca
da formatação estrutural do laudo, incluindo a necessidade de sua divisão em capítulos e
de�nindo os capítulos mínimos do texto, semelhantes aos já citados.
Gize-se que os laudos produzidos pelo perito comportam grande responsabilidade. A este
respeito, o autor Elpídio Donizetti (2020, p. 394) é didático:
O perito, a seu turno, é um auxiliar de atuação eventual, que assiste o juiz quando a
prova de fato depender de conhecimento técnico ou cientí�co (art. 156). Para atuar
como perito, os pro�ssionais devem estar previamente inscritos em cadastro mantido
pelo tribunal ao qual o juiz estiver vinculado (art. 156, § 2º). Além disso, os peritos
devem ser submetidos a avaliações periódicas, as quais subsidiarão a manutenção
do cadastro. Será ele civilmente responsável pelas informações inverídicas que por
dolo ou culpa forem prestadas, sujeitando-se, também, à sanção penal pelo crime de
falsa perícia (art. 342 do CP), além de �car inabilitado a prestar outras perícias pelo
prazo de dois anos a cinco anos.
Desta forma, pode-se concluir que o laudo pericial se traduz em instrumento de suma
importância para a instrução processual e investigativa.
Prova pericial no processo civil
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Não é apenas nos crimes ambientais que a prova pericial em matéria ambiental possui grande
relevância. No âmbito do processo civil, a produção de material probatório oriundo de pericias é,
por muitas vezes, indispensável ao esclarecimento de fatos que demandem conhecimento
técnico.
Diferente do Código de Processo Penal, o Código de Processo Civil possui diversas disposições
acerca da produção de prova pericial, reservando a seção X de seu capítulo XII exclusivamente
para esta �nalidade.
O autor Luiz Guilherme Marinoni (2020, p. 274), ao tratar da prova pericial no âmbito do processo
civil, é didático:
A prova pericial é admissível quando se necessite demonstrar no processo algum
fato que dependa de conhecimento especial que não seja próprio ao “juiz médio”, ou
melhor, que esteja além dos conhecimentos que podem ser exigidos do homem e do
juiz de cultura média. Não importa que o magistrado que está tratando da causa, em
virtude de capacitação técnica individual e especí�ca (porque é, por exemplo,
formado em engenharia civil), tenha conhecimento para analisar a situação
controvertida. Se a capacitação requerida por essa situação não estiver dentro dos
parâmetros daquilo que se pode esperar de um juiz, não há como se dispensar a
prova pericial [...]
É importante ressaltar que o perito não traz fatos ao magistrado, mas sim, sua opinião técnica
relativa à determinada situação, sendo esta a principal diferença entre uma prova pericial e uma
prova testemunhal no processo civil. Enquanto a primeira possui o condão técnico, a segunda se
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presta a apresentar a versão de determinada pessoa dos fatos narrados na instrução processual,
independentemente de seu conhecimento cientí�co.
Sob a ótica do processo civil, a perícia pode ser realizada na forma de exame, vistoria ou
avaliação, sendo comumente diferenciados os vocábulos pelo objeto ou pela �nalidade da
perícia realizada, ou seja, em se tratando de bens imóveis, a expressão mais comum é “vistoria”,
enquanto aos bens móveis, reserva-se a expressão “exame”, por �m, quando pretende-se o
estabelecimento do valor de determinada coisa, utiliza-se “avaliação” ou “arbitramento”.
Em se tratando da apresentação de quesitos, apesar de as partes envolvidas terem direito à
apresentação dos quesitos que considerarem pertinentes, incumbe ao juiz, conforme previsão
expressa do art. 470, indeferir quesitos impertinentes e ainda formular os que entender
necessários, ampliando, desta forma, a possibilidade de o magistrado elucidar os fatos que
necessitar.
Ante a tais apontamentos, pode-se observar que a estreita relação entre as premissas relativas à
perícia no âmbito criminal e aquelas utilizadas no processo civil é indispensável ao bom
exercício da prática pericial, enquanto instrumento de assessoramento ao próprio judiciário, a
observação de todas as disposições relativas à matéria.
_______
 Assimile
Os procedimentos técnicos a serem realizados durante a instrução de uma perícia merecem
grande atenção, posto que a pluralidade de microbens ambientais torna di�cultosa a delimitação
de um procedimento único, sendo possível apontar apenas os procedimentos básicos comuns a
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todas as áreas, devendo cada pro�ssional atentar aos critérios e procedimentos relativos ao seu
ramo de atuação.
_______
 Re�ita
Tomando por base as premissas apresentadas, cabe a re�exão acerca da natureza do laudo
pericial e das responsabilidades do perito. Tendo em vista a margem para expressão de opinião,
é possível ao perito, de conhecimento dos fatos, após análise técnica, emitir opinião de caráter
pessoal?
_______
 Exempli�cando
O “Manual de Orientação de Quesitos de Perícia Criminal”, como abordado, apresenta uma série
de exemplos de quesitos especí�cos, a depender da situação concreta. Por exemplo, ao tratar de
extração mineral, sugere alguns questionamentos: 
1. Houve ou está havendo extração de minérios na área? Em caso positivo, quais?
2.  A atividade de extração mineral no local submetido a exame atende às normas de
mineração brasileira? De que forma?
O mencionado manual aponta ainda quesitos que não devem ser realizados, justi�cando a
impertinência:
1. A atividade concorre para causar danos na propriedade alheia?
Justi�cativa: Seria necessária uma avaliação documental em cartório para responder a esse
quesito, o que compete à equipe de investigação. Além disso, a denominação de dano é algo
subjetivo e não relacionada à perícia criminal em si. A autoridade requisitante precisa
encaminhar documentação cartorial referente à propriedade e ao proprietário em questão e de
seus arredores. Uma alternativa de quesito seria: “De acordo com os documentos apresentados
previamente, o local questionado causou danos na propriedade alheia? ou “A atividade atingiu
área fora da poligonal requerida? Os danos ambientais decorrentes da atividade de extração
mineral atingiram áreas do entorno?”
Assim, o Manual de Quesitos da Polícia Federal traduz-se em uma ferramenta e�caz no auxílio à
elaboração dos quesitos pertinentes relativos a cada um dos temas ambientais.
_______
Diante do material estudado, pode-se concluir acerca da importância do trabalho pericial e como
este é relevante em sua contribuição para o livre convencimento do magistrado, sendo ainda
indispensável à elaboração de laudo completo e organizado que possibilidade a aferição da
conclusão técnica apresentada por parte daqueles que não detém o conhecimento cientí�co
necessário ao entendimento da situação concreta.
Conclusão
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No início da aula, foi apresentada a situação em que um lavrador foi multado por utilizar
fertilizante proibido em sua chácara, onde atua pela agricultura familiar de cogumelos. 
Em decorrência da infração ambiental (fundamentada em perícia) e dos autos criminais, você, na
qualidade de advogado(a), foi instado a promover a defesa dos interesses do lavrador e,
analisando os autos, veri�cou que do laudo pericial não constava a resposta dos quesitos,além
de utilizar vernáculo extremamente técnico que lhe di�culta a compreensão do tema. 
Assim, foi solicitado que, com base nos argumentos expostos, seja elaborada resposta técnica a
�m de questionar a validade pericial 
Em resposta, cabe ao advogado(a) apontar que é imprescindível, nos termos do art. 473 do
Código de Processo Civil, constar do laudo técnico a resposta dos quesitos, dentre outras
exigências, senão vejamos:
Art. 473. O laudo pericial deverá conter:
I - a exposição do objeto da perícia;
II - a análise técnica ou cientí�ca realizada pelo perito;
III - a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser
predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se
originou;
IV - resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e
pelo órgão do Ministério Público.
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Poderá ainda ressaltar que o perito, quando da elaboração do laudo técnico, deveria apresentar
sua fundamentação em linguagem simples, demonstrando o que o levou a alcançar a conclusão
apresentada. Tal disposição é de extrema relevância, posto que, caso o laudo seja apresentado
em linguajar exclusivamente técnico, sem a simplicidade esperada, não será possível ao
magistrado, que não é dotado do conhecimento técnico necessário, utilizar-se do documento
para formação de seu convencimento.
Videoaula: Resolução da SP
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Videoaula sobre a resolução da SP.
Referências
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
ANTUNES, P. B. Direito Ambiental. 21. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2020.
BRASIL. Lei n. 9.605, de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas
derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Diário
O�cial da União, Brasília, DF, 13 fev. 1998. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm. Acesso em: 11 mar. 2022.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis. Portaria n. 24, de 16 de agosto de 2016. Diário O�cial da União, Brasília, DF,
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https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/23514630/do1-
2016-08-22-portaria-n-24-de-16-de-agosto-de-2016-23514366. Acesso em: 11 mar. 2022.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Instrução Normativa Conjunta MMA/IBAMA/ICMBIO n. 1,
de 12 de abril de 2021. Regulamenta o processo administrativo federal para apuração de
infrações administrativas por condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Diário O�cial da
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IBAMA. O que é �scalização ambiental. Disponível em: http://www.ibama.gov.br/�scalizacao-
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ALMEIDA, J. R. Perícia Ambiental Judicial e Securitária. Rio de Janeiro: Thex, 2009.
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14653-1: Avaliação de bens Parte
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BRASIL. Decreto-Lei n. 3.689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Diário O�cial
da União, Rio de Janeiro, 31 dez. 1941. Disponível em:
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DIAS, P. S. A Perícia Ambiental como Instrumento Processual para a Legitimidade das Decisões
Judiciais. Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - Ano 9, Edição nº 16 Vol. 01
Dezembro/2018. Disponível em: https://ipog.edu.br/wp-content/uploads/2020/12/priscila-silva-
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DINAMARCO, C. R. Instituições de Direito Processual Civil. São Paulo, Malheiros, 2001.
OLIVEIRA, F. M. G. Direito ambiental. São Paulo: Forense, 2017.
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BRUGIOLO, P. O perito e a prova pericial no Novo Código de Processo Civil. Revista Especialize
On-line IPOG. Goiânia - Ano 8, Edição nº 14 Vol. 01 dezembro/2017. Disponível em:
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DONIZETTI, E. Curso Didático de Direito Processual Civil. São Paulo: Atlas, 2020.
MARINONI, L. G. Manual de Processo Civil. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2020.
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Unidade 3
Aspectos teóricos e sistêmicos dos crimes digitais
Aula 1
Dos crimes cibernéticos
Introdução da unidade
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Objetivos da Unidade
Ao �nal desta Unidade, você será capaz de:
identi�car a classi�cação dos crimes cibernéticos;
ilustrar o processo do marco civil da internet;
demonstrar o tratamento dos dados pessoais de crianças.
Estudante, nesta unidade convidamos você a se aprofundar nos estudos relativos aos aspectos
teóricos e sistêmicos dos crimes digitais.
O objetivo desta unidade será iniciar a abordagem relativa aos delitos cibernéticos e os efeitos
gerados tanto no mundo virtual como no real. Até por isso, a primeira aula abordará, a
classi�cação dessa espécie de crime, separando-os em puros e impuros, a depender,
especi�camente do bem juridicamente tutelado afetado pela conduta delitiva.
Ainda nesta primeira unidade, serão tratados os aspectos primordiais relativos ao conceito de
cada espécie de ataque cibernético, sejam com uso de spywares; sniffers; trojans, ramsomwares
ou vírus em geral. Também serão analisados os conceitos e as teorias que envolvem o tempo e
local do crime e como cada uma dessas teorias tem aplicabilidade no direito brasileiro e,
principalmente, nos delitos cibernéticos.
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
A segunda aula desta unidade abordará a evolução histórica dos crimes cibernéticos, apontando
os principais aspectos relativos à promulgação da Lei Federal nº 12.965, de 23 de abril de 2014,
denominada de “Marco Civil da Internet”, na qual são estabelecidos princípios, garantias, direitos
e deveres para o uso da Internet em todo território nacional. Além disso, trataremos das
alterações promovidas no Código Penal por meio da Lei nº 12.737, de 30 de novembro de 2012,
dispondo sobre a tipi�cação criminal de delitos informáticos e o histórico relativo à edição dos
mencionados dispositivos.
Visando complementar a análise histórica concernente ao desenvolvimento do tratamento
jurídico dado aos delitos cibernéticos, abordaremos a “Convenção Europeia sobre crimes
Cibernéticos”, criada em 2001 na Hungria, e o interesse do Brasil na adesão ao referido texto.
A terceira aula desta unidade é reservada à proteção de dados no âmbito do direito cibernético,
na qual serão abordados os principais aspectos relativos à Lei Federal nº 13.709, de 14 de
agosto de 2018, denominada de Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Trataremos
ainda do controle efetivo de informações e do tratamento dado, no âmbito do direito cibernético,
aos dados pessoais de crianças.
O objetivo desta unidade é apresentar os conceitos iniciais que permitam entender os principais
aspectos que permeiam a investigação e a perícia criminalrelativa aos crimes virtuais,
possibilitando a você, estudante, entender as expressões e os conceitos abordados e o
tratamento jurídico dado a cada um deles.
Introdução da aula
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Crimes Ambientais e Digitais
Qual é o foco da aula?
Nesta aula, vamos reconhecer as nuances relativas aos crimes cibernéticos, sua evolução e
como a proteção de dados é tratada no Brasil.
Objetivos gerais de aprendizagem
Ao �nal desta aula, você será capaz de:
de�nir a classi�cação dos crimes cibernéticos;
esclarecer conceitos sobre softwares criminosos;
demonstrar tempo e local dos crimes.
Situação-problema
Estudante, no intuito de iniciar nosso nado nas águas profundas da investigação e perícia dos
crimes digitais, abordaremos nesta aula os principais conceitos iniciais relativos ao tema,
enfatizando, primeiramente, os conceitos e as classi�cações dos delitos cibernéticos e a
importância dessa classi�cação na apuração dos fatos.
O objetivo desta aula será, inicialmente, demonstrar a diferença entre os crimes cibernéticos
puros e impuros e o tratamento que deve ser dado a cada um deles, a depender do bem afetado.
Analisaremos ainda os principais aspectos e nuances relativos aos softwares maliciosos e como
cada um deles é utilizado pelos criminosos, pontuando dessa forma os ataques mais comuns
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Crimes Ambientais e Digitais
que são realizados, sejam com uso de spywares; sniffers; trojans, ramsomwares ou vírus em
geral.
De igual importância e adentrando na matéria jurídica propriamente dita, abordaremos o local e o
tempo do crime nos delitos digitais, demonstrando as divergências de entendimento existentes
para as teorias relativas ao tema no direito processual penal e como se dá sua efetiva
aplicabilidade no âmbito dos crimes cibernéticos.
Com base em tais premissas, imagine a situação hipotética em que você é o promotor que
denunciou Chico Curioso pela prática do art. 154-A do Código penal, em razão da representação
do ofendido dentro do prazo decadencial. Chico foi acusado de ter invadido dispositivo
informático na tentativa de descobrir segredos e fotos íntimas de Catifunda, famosa atriz. Em
defesa, foi apresentado que, embora tenha invadido o computador sem autorização, não chegou
a repassar o conteúdo obtido, razão pela qual tutelava a absolvição ou supletivamente a forma
tentada do delito. Você, agora instado a se manifestar sobre a alegação do advogado, tem a
oportunidade de fazer valer a justiça que o caso reclama. Apresente seus argumentos.
Videoaula: Abertura
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Videoaula: Abertura.
Classi�cação dos crimes cibernéticos
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No intuito de estudar os aspectos sistêmicos e teóricos relativos aos crimes cibernéticos, é
indispensável abordar, inicialmente, seu conceito e classi�cação.
Independente da atividade ilícita perpetrada, quando praticada por meio de dispositivos
eletrônicos, na internet, a denominamos de crime cibernético, assim, podemos de�nir o crime
cibernético como o ato ilícito que tem como alvo ou ferramenta um computador ou uma rede de
computadores. 
O promotor de justiça Eduardo Rossini (2004, p. 110), ao se debruçar sobre o assunto, é didático
em sua conceituação:
O conceito de “delito informático” poderia ser talhado como aquela conduta típica e
ilícita, constitutiva de crime ou contravenção, dolosa ou culposa, comissiva ou
omissiva, praticada por pessoa física ou jurídica, com o uso da informática em
ambiente de rede ou fora dele, e que ofenda, direta ou indiretamente, a segurança
informática, que tem por elementos a integridade, a disponibilidade a
con�dencialidade.
No mundo moderno, a tecnologia amplia a liberdade das pessoas, o alcance das comunicações
e até mesmo a igualdade, porém, de modo diverso, essa ampliação dos meios de comunicação
acaba por reduzir a capacidade individual de distinção daqueles que se relacionam no mundo
virtual, ou seja, dá uma falsa sensação de segurança e impulsiona o anonimato, o que, por
muitas vezes, torna o ambiente virtual propício ao cometimento de delitos.
Em se tratando de crimes cibernéticos, a doutrina em geral os classi�ca como próprios ou
impróprios, a depender do objeto do delito.
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Nos crimes cibernéticos próprios (ou puros), o agente que comete o delito utiliza um
equipamento eletrônico (computador, smartphone ou similar) para efetivar um ataque a um
sistema, rede, site ou outro meio eletrônico, objetivando assim, obter, destruir ou alterar dados
ilicitamente, violando informações. 
O art. 154-A (BRASIL, 1940) traz claro exemplo de crime cibernético puro, tipi�cando a conduta
de “Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante
violação indevida de mecanismo de segurança e com o �m de obter, adulterar ou destruir dados
ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar
vulnerabilidades para obter vantagem ilícita”. Trata-se de crime formal que não exige resultado
naturalístico para sua consumação, basta a mera invasão ou instalação.
Por sua vez, ao tratarmos de crimes cibernéticos impuros, estamos diante de um delito cujo
computador ou equipamento eletrônico similar é mera ferramenta de produção de resultado, cujo
intuito é ofender um bem juridicamente tutelado, ou seja, utiliza-se do meio eletrônico para
causar efeitos no mundo físico.
Sob o enfoque do alcance, é indispensável a distinção entre as diferentes classi�cações de
delitos cibernéticos, até porque, a depender da espécie de delito, diferente será a forma de
investigação, de perícia e até mesmo de processamento. 
Assim, caso estejamos diante de um delito cibernético puro, ou seja, que gera seus efeitos no
âmbito virtual, a técnica investigativa adotada será uma, enquanto em situações que envolvam
delitos cibernéticos impuros, ou seja, que a e�cácia do delito gere seus efeitos no mundo real, a
abordagem será completamente outra.
Softwares criminosos
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Ao tratarmos da investigação e perícia no âmbito dos crimes cibernéticos, é importante
entendermos o conceito relativo aos softwares criminosos que podem ser utilizados para a
prática de delitos.
Softwares são um determinado conjunto de instruções previamente programadas que são
interpretadas por um equipamento eletrônico (computador, smartphone) que tem por intuito
executar determinada tarefa. A �m de explicar de modo menos técnico, temos que software são
os “programas de computador”, a parte lógica da máquina, cujo objetivo é fornecer as instruções
necessárias à parte física.
Na abordagem de softwares criminosos, é indispensável tratarmos dos chamados “spywares”,
que são programas que têm por �nalidade o monitoramento e a coleta indevida de dados de um
determinado equipamento eletrônico, encaminhando-os, sem ciência da vítima, para outro
dispositivo.
Os spywares, devido a sua forma de funcionamento, por vezes coletam dados comuns, os quais
a vítima sequer teria razões para esconder, mas seu objetivo criminoso é a coleta de dados
sensíveis e sigilosos, podendo, desta forma, coletar senhas, chaves de acesso, numeração de
cartões bancários e até mesmo monitorar o que é digitado.
Os spywares podem ser divididos em Adware, Keylogger, Scareware e Screenlogger. Talvez o
menos nocivo dos citados, o adware, tem a �nalidade de monitorar as pesquisas e os acessos
realizados pelo usuário, detectando suas preferências, geralmente sem seu consentimento, para
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assim realizar a exibição direcionada de conteúdo publicitário. Cabe apontar que atualmente os
adwares vem sendo utilizadosde forma legal e com consentimento por softwares livres que
necessitam de patrocínio.
Já o keylogger, como o próprio nome indica, é utilizado para monitorar as teclas efetivamente
digitadas em um computador, gravando essas informações em um arquivo de texto que
posteriormente é enviado para o criminoso, sem ciência da vítima.
O Scareware, por sua vez, é voltado a criar medo no usuário, induzindo-o a acessar determinado
endereço eletrônico, é o caso, por exemplo, de mensagens na internet avisando que seu
computador está infectado e impondo que deve clicar em determinado link para se ver livre da
infecção. 
Por �m, outro spyware de grande potencial nocivo é o chamado Screenlogger, o qual pode ser
de�nido como uma evolução do Keylogger, porque grava não apenas o que está sendo digitado,
mas até mesmo a posição do mouse na tela, sendo aplicado de modo malicioso para capturar
senhas digitadas em teclados digitais, como os comumente utilizados por instituições
�nanceiras.
Parecido com o spyware, o “sniffer” captura pacotes de dados na própria rede, os quais são
analisados individualmente à procura de informações sensíveis ou con�denciais, podem afetar
redes W-iFi, computadores especí�cos ou mesmo redes domésticas e públicas.
Não menos importante, o vírus de computador é uma espécie de software ou até mesmo de
código malicioso que tem por objetivo atacar dados e documentos, corrompendo-os, ou até
mesmo alterando a forma de funcionamento do equipamento, causando desde o
compartilhamento indevido de dados, até o envio de e-mails sem autorização do usuário.
Temos ainda os cavalos de Troia que, disfarçados de programas legítimos, infectam o computar
e servem de porta para invasão de criminosos que podem assumir o controle total da máquina.
Criação relativamente recente, o “Ramsomware” é outra espécie de software malicioso, cujo
objetivo é o bloqueio total da vítima aos arquivos armazenados no computador ou dispositivo
similar, sendo tal espécie de ataque comumente acompanhado de pedido de resgate pelos
arquivos bloqueados.
Diante disso, podemos apontar que a gama de softwares maliciosos existentes é in�ndável e,
assim como a própria tecnologia, os ataques vêm se modernizando de maneira expressivamente
célere, o que faz com que as autoridades necessitem, cada vez mais, de tecnologias e
pro�ssionais capazes de auxiliar no combate e na investigação dos delitos cometidos no mundo
cibernético.
Tempo e local do crime
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Um relevante aspecto a ser abordado no estudo dos crimes cibernéticos diz respeito ao tempo e
local do crime. Ao tratarmos do tempo do crime, há três teorias aplicáveis: Teoria da Atividade;
Teoria do Resultado e Teoria Mista.
Pela Teoria da Atividade, considera-se que o delito foi praticado no exato momento da ação
delitiva (ou omissão), este é exatamente o contexto adotado pelo Código Penal Brasileiro,
de�nido em seu art. 4º (BRASIL, 1940): “Considera-se praticado o crime no momento da ação ou
omissão, ainda que outro seja o momento do resultado”.
De modo diverso, a chamada Teoria do Resultado defende que, com a �nalidade de apurar o
tempo do crime, leva-se em consideração não o momento da ação delitiva, mas sim o momento
em que o delito gerou resultado. Cabe frisar que essa teoria não é aplicada no direito brasileiro,
salvo para determinar o termo inicial de prescrição, conforme previsão expressa no art. 111, I do
Código Penal.
A última das teorias relativas ao tempo do crime é chamada Teoria Mista, que aceita tanto o
momento da ação ou omissão quanto o do resultado para aferição do tempo de crime, criando,
desta forma, uma duplicidade temporal para o delito.
Abordando o local do crime, temos igualmente a aplicação das três teorias anteriormente
citadas, sendo que para a Teoria da Atividade, o local do crime é onde efetivamente foi praticada
a conduta ilícita. Na Teoria do Resultado, o local do crime é onde ocorreu a consumação da
conduta delitiva e, por �m, na teoria mista, utilizamos como parâmetro tanto o local do ato
quanto da consumação. 
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
A �xação do local do crime, mesmo em crimes cibernéticos, é de suma importância, até porque,
apenas com a delimitação do local onde de fato ocorreu a prática delitiva é que será possível
aferir a possibilidade ou não de aplicação da lei brasileira, principalmente diante de crimes que
ultrapassam os limites territoriais.
Sobre esse aspecto, a autora Ivette Senise Ferreira (2001, p. 212/213) é didática ao tratar da
interterritorialidade inerente aos delitos cibernéticos:
A mobilidade dos dados nos sistemas de informática, que facilita largamente que os
delitos sejam cometidos à distância, usando-se um computador num determinado
país e ocorrendo os resultados em outro, bem como os atentados às redes de
telecomunicações internacionais, que atravessam vários países, o uso indevido de
programas importados, a necessidade de proteção dos exportados, tudo isso
provocou a internalização da questão, que deve ser discutida pelos diversos países
para a harmonização das normas penais aplicáveis e de outras medidas de caráter
extrapenal.
Dessa forma, caso estejamos diante de um delito em que a conduta delitiva tenha sido
executada em diversos locais, devemos levar em conta, para �ns de delimitação do local do
crime, onde foram realizados os últimos atos executórios em caso de tentativa e o local onde o
se deu o último ato de execução criminal para o delito consumado, seguindo assim a regra do
art. 70 do Código de Processo Penal.
_______
 Assimile
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Ao tratarmos de crimes cibernéticos, apresentamos diversos softwares maliciosos que podem
atingir um equipamento, porém, cabe lembrar que os ataques podem não ocorrer de forma
individualizada, ou seja, utilizando apenas uma espécie de software. Este tipo de ataque é
chamado de “Blended Threats”, tratando-se assim de um conjunto de ameaças que infecta um
equipamento, combinando vários tipos de arquivos infectados.
_______
 Re�ita
Diante dos assuntos abordados, é possível re�etir se a legislação penal brasileira é adequada ao
combate de crimes cibernéticos ou se os legisladores brasileiros deveriam se aprofundar na
matéria a �m de aperfeiçoar e atualizar a legislação, visando desta forma, acompanhar a rápida
evolução tecnológica.
_______
 Exempli�cando
Os ataques por Ransomware, visando o sequestro de dados da vítima, têm se tornado populares
atualmente. Para evitar essa espécie de ataque cibernético, é aconselhável tomar sempre
cuidado com arquivos ou links recebidos por e-mail, mantendo seu computador ou dispositivo
similar sempre atualizado e com software antivírus instalado, além de não deixar de realizar
backup constante de seus arquivos.
_______
Com base nos estudos promovidos, é possível concluir que os delitos cibernéticos estão em
constante evolução, sendo indispensável não apenas que os legisladores estejam atualizados
sobre as nuances relativas aos novos tipos penais, mas também que os responsáveis pelas
investigações e perícias tenham em mente a imperiosa necessidade de manter o pleno
desenvolvimento de novas ferramentas e técnicas aptas a acompanhar a evolução desses
delitos.
Conclusão
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Foi apresentada a situação hipotética em que você, estudante, na qualidade de promotor(a),
denunciou determinada pessoa pela prática do art.154-A do Código penal, em razão da
representação do ofendido dentro do prazo decadencial. O sujeito foi acusado de ter invadido
dispositivo informático na tentativa de descobrir segredos e fotos íntimas da vítima. Em defesa,
foi apresentado que, embora tenha invadido o computador sem autorização, o criminoso não
chegou a repassar o conteúdo obtido, razão pela qual tutelava a absolvição ou supletivamente a
forma tentada do delito. Portanto, na qualidade de promotor(a) do caso, você deveapresentar
seus argumentos.      
É esperado que você aponte que o art. 154-A (BRASIL, 1940) traz claro exemplo de crime
cibernético puro, tipi�cando a conduta de “Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou
não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o
�m de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do
titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita”. Trata-se de crime
formal que não exige resultado naturalístico para sua consumação. Basta uma mera invasão ou
instalação. O fato de não ter repassado o conteúdo obtido é mero exaurimento que importa
apenas na majoração ou não da pena. Assim, a matéria apontada em defesa não deve ser
acolhida por ausência de previsão legal, dispondo exatamente de forma diferente.
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
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Videoaula sobre a Resolução da SP.
Aula 2
Evolução histórica dos crimes
Introdução da aula
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Qual é o foco da aula?
Nesta aula, abordaremos a evolução histórica dos crimes cibernéticos e do desenvolvimento
relativo ao tratamento legislativo dado aos crimes informáticos e ao próprio uso da rede mundial
de computadores.
Objetivos gerais de aprendizagem
Ao �nal desta aula, você será capaz de:
listar o processo do marco civil da internet;
demonstrar conceitos sobre a Lei do crime cibernético;
categorizar o objetivo principal da convenção europeia.
Situação-problema
Estudante, nesta aula abordaremos a evolução histórica dos crimes cibernéticos e do
desenvolvimento relativo ao tratamento legislativo dado aos crimes informáticos e ao próprio
uso da rede mundial de computadores.
Primeiro, analisaremos o histórico relativo à elaboração do Marco Civil da Internet e o projeto que
o antecedeu, a famigerada “Lei Azeredo”, pontuando especi�camente as intenções diferentes do
legislador para cada um dos projetos estudados. Abordaremos ainda as nuances da Lei Federal
nº 12.737/12, conhecida como “Lei Carolina Dieckmann”, e os aspectos que levaram à sua
promulgação, visando à tipi�cação de diversas condutas relacionadas ao mundo virtual.
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Outro aspecto relevante que será estudado diz respeito à Convenção Europeia sobre Crimes
Cibernéticos, no qual abordaremos os esforços dos países-membros em sua elaboração e
promulgação, bem como a recente iniciativa do Brasil em aprovar os termos ali dispostos
visando aderir ao tratado.
Assim, com base nas premissas apresentadas, imagine a situação hipotética em que Rodrigo
Mendes, um senhor de 78 anos, viúvo, solitário, detentor de algumas posses, carente e em busca
de uma nova companheira, decide criar um per�l na rede social “Tinder”. Escolheu sua melhor
foto de terno de veludo, cor berinjela. De início, sem muito sucesso, não angariou muitas
curtidas, até que Juan, se passando por “Sirley Cucaraccia”, uma fogosa paraguaia, iniciou
contato com ele. O per�l desta Sirley era de uma pessoa moderna, aparentando seus 22 anos e
que amava relacionar-se com pessoas maduras. 
Assim, iniciaram contatos por meios eletrônicos. Esperançoso para conhecê-la, não percebeu as
más intenções de Juan que, aproveitando-se da vulnerabilidade do Sr. Rodrigo, cometeu furto
mediante fraude, implantando um programa no computador para rastrear as senhas e os dados
bancários do idoso. Você é o delegado(a) de polícia que ouviu a vítima, buscando amparo.
Apresente a melhor solução que comporta o caso.
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Marco civil da internet
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
O rápido avanço e desenvolvimento das relações virtuais advindas da amplitude da internet
rapidamente se tornaram um polo gerador de problemas, principalmente em virtude da ausência
de efetivo controle sobre as ações realizadas on-line.
Com o avanço dessas tecnologias, inclusive no que concerne ao seu alcance, concluiu-se pela
necessidade de regulação do ambiente virtual, até porque, notou-se que os atos ali perpetrados
geram efeitos não apenas no mundo digital, mas também no mundo real, de modo direto ou por
re�exos.
Em 24 de fevereiro de 1999, o então deputado Luiz Piauhylino apresentou o Projeto de Lei nº
84/1999, o qual dispunha “sobre os crimes cometidos na área de informática”. Referido projeto
sofreu severa resistência social, ao passo que chegou a ser apelidado de “AI-5 Digital”, por criar
uma espécie de ambiente controlado e vigiado, gerando medo na população e ferindo garantias
constitucionais.
As críticas à “Lei Azeredo” geraram até mesmo um abaixo-assinado, com mais de 350 mil
assinaturas de populares que repudiaram as ideias materializadas pelo Projeto de Lei
apresentado, o que culminou na rejeição de diversos pontos do material e no veto parcial (e
quase integral) do quantum proposto.
Já no ano de 2009, o tema voltou à pauta, dessa vez sob o manto do Ministério da Justiça que,
com a participação direta da sociedade civil e ouvindo as áreas técnicas envolvidas, debateu o
tema por 2 anos, apresentando assim, o Projeto de Lei nº 2.126/2011 em 24 de agosto de 2011.
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
A tramitação do referido projeto durou cerca de 3 anos, tendo sido realizadas 7 audiências
públicas, tendo sido, en�m, transformado na Lei Ordinária nº 12.965/2014, o chamado “Marco
Civil da Internet”.
Acompanhando o avanço evolutivo das redes, a Lei nº 12.965/2014 estabeleceu “princípios,
garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil”, servindo de espécie de
“Constituição da Internet”, ao de�nir as bases para o próprio desenvolvimento legislativo sobre o
tema, além do uso livre e seguro da rede.
Debruçando-se sobre o tema, o autor Carlos Affonso Souza (2016, p. 16) é didático ao tratar do
conceito de “internet livre” e sua relação com a regulamentação realizada pelo Marco Civil:
[...] o Marco Civil da Internet apresenta um novo cenário no qual o conceito de
“Internet livre” está ligado não à ausência de leis, mas sim à existência de leis que
possam garantir e preservar as liberdades que são usufruídas por todos justamente
por causa da tecnologia e mais especi�camente pelo desenvolvimento da Internet.
A Lei nº 12.965/2014, enquanto instrumento voltado a disciplinar o uso da internet no Brasil,
dispõe logo em seu art. 2º acerca do condão protecionista à liberdade de expressão, sendo
enfática ao garantir no ambiente virtual, por exemplo, a pluralidade e diversidade; os direitos
humanos e a livre iniciativa.
Diversas matérias constantes da lei analisada deixaram abertura para regulamentação via
decreto, como é o caso da apuração das infrações listadas no art. 11 do referido códex. Da
mesma forma, preocupou-se com o crime praticado contra idosos (vide inciso II, § 4C do art.155
do Código Penal).
Assim, em 11 de maio de 2016, foi promulgado o Decreto nº 8.771, regulamentando a Lei nº
12.965/2014, especi�camente para “tratar das hipóteses admitidas de discriminação de pacotes
de dados na internet e de degradação de tráfego, indicar procedimentos para guarda e proteção
de dados por provedores de conexão e de aplicações, apontar medidas de transparência na
requisição de dados cadastrais pela administração pública e estabelecer parâmetros para
�scalização e apuração de infrações”.
O estudo do Marco Civil da Internet é de absoluta relevância para o desenvolvimento da matéria,
inclusive no quetange às investigações e perícias criminais, posto que, em que pese o caráter
civil da legislação, a proteção de dados e os princípios a serem observados no mundo virtual
vêm descritos minuciosamente na referida legislação, a qual deve servir de verdadeiro balizador
para as condutas a serem adotadas em qualquer esfera.
Lei nº 12.737/12 – Lei dos Crimes Cibernéticos
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Ao tratarmos dos dados históricos relativos à evolução legislativa e dos crimes cibernéticos no
Brasil, é indispensável abordarmos de forma concatenada a promulgação da Lei Federal nº
12.737/12, a Lei dos Crimes Cibernéticos, também conhecida como “Lei Carolina Dieckmann”.
A mencionada lei recebeu o nome da atriz Carolina Dieckmann devido à comoção causada, em
meados de 2011, quando um criminoso invadiu o computador pessoal da atriz e subtraiu,
reproduziu e divulgou aproximadamente 36 fotos íntimas armazenadas no dispositivo, tendo
exigido um pagamento de R$ 10 mil para não publicar o material.
Assim, tomando por base o vazio legislativo e a comoção social ocorrida à época, o então
Deputado Federal Paulo Teixeira apresentou o Projeto de Lei nº 35/2012, dispondo sobre a
tipi�cação criminal de delitos informáticos.
Quando da apresentação do Projeto de Lei nº 35/2012, das justi�cativas para sua elaboração
constaram críticas ao Projeto de Lei nº 84/1999 do deputado Luiz Piauhylino, frisando que o
referido projeto de lei traria propostas de criminalização abertas e desproporcionais, que
acabariam por tipi�car condutas corriqueiras e praticadas no dia a dia da internet.
Ainda nas justi�cativas apresentadas, foi apontado que o Projeto de Lei nº 35/2012 observou os
direitos e as garantias dos cidadãos nos termos do Marco Civil da Internet (ainda um projeto à
época), rea�rmando que um projeto que verse sobre matéria penal não deve preceder o
estabelecimento de direito e garantias.
A tramitação do Projeto de Lei nº 35/2012 foi célere, tendo sido transformado, ainda em
novembro do mesmo ano, na Lei Federal nº 12.737/2012, dispondo sobre a tipi�cação criminal
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Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
de delitos informáticos, acrescendo, desta forma, os artigos 154-A e 154-B ao Código Penal
Brasileiro.
O art. 154-A do Código Penal passou a tipi�car a conduta de “Invasão de dispositivo informático”,
cominando a pena de 3 meses a 1 ano, além de multa, ao indivíduo que, mediante violação de
mecanismo de segurança, invadir dispositivo informático alheio com a �nalidade de obtenção,
adulteração ou destruição de dados ou informações, ou para quem instale vulnerabilidades para
obter vantagem ilícita.
A mencionada lei preocupou-se ainda em tipi�car as condutas relativas a “Interrupção ou
perturbação de serviço telegrá�co, telefônico, informático, telemático ou de informação de
utilidade pública”, e ainda incluir no art. 298 do Código Penal um parágrafo único, equiparando a
documento particular, para �ns do disposto no caput do dispositivo, o cartão de crédito e débito.
Analisando o teor das alterações trazidas pela Lei Federal nº 12.737/2012, o Centro de Apoio
Operacional e Criminal do Ministério Público do Estado de São Paulo emitiu Nota Técnica
pontuado as alterações promovidas e sua real e�cácia, frisando que, embora a referida lei
traduza-se em verdadeiro avanço legislativo, contém inúmeras de�ciências e confrontos com o
sistema penal e processual penal, ao passo que não contemplou, por exemplo, a invasão de
sistemas, restringindo o objeto material a “dispositivo informático”, mas sem conceituar
precisamente do que se trata.
O Centro de Apoio Operacional e Criminal do Ministério Público do Estado de São Paulo aponta
ainda que as penas cominadas pela referida legislação são ín�mas quando comparados com o
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Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
potencial lesivo das condutas, especi�cando que um ataque de denegação de serviço, por
exemplo, tem potencial de causar riscos à vida de uma determinada população inteira.
Ante às premissas apresentadas, temos que a Lei Federal nº 12.737/2012 seja um verdadeiro
avanço na proteção do ciberespaço, servindo de ponto inicial para a tipi�cação de condutas
lesivas e de proteção ao usuário da rede mundial de computadores, porém, carece ainda de
maior desenvolvimento, posto que a velocidade da evolução dos serviços de informática pede,
claramente, igual desenvolvimento legislativo, propiciando assim, maior proteção a todos os
usuários.
Convenção europeia sobre crimes cibernéticos
No âmbito internacional, um relevante passo para o combate de crimes virtuais foi dado em 23
de setembro de 2001, quando, na sessão inaugural da Convenção sobre Cibercrimes (ETS 185),
realizada na Hungria, cerca de 30 países aderiram ao tratado de prevenção e combate aos
crimes praticados na Internet.
Sob a ótica histórica, com o rápido avanço dos meios de comunicação e da própria internet, o
“European Committee on Crime Problems - CDPC” por meio da deliberação 103/211196, no �nal
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Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
do ano de 1996, decidiu pela necessidade de criação de um comitê especializado em assuntos
relacionados aos crimes virtuais.
Após a referida deliberação, foi constituído o “Committee of Experts on Crime in Cyberspace -
PC-CY”, que iniciou seus trabalhos em abril de 1997, focando os esforços na criação da
Convenção sobre Cibercrimes.
Após cerca de 10 sessões e 15 assembleias, em abril de 2000 foi publicada a versão preliminar
do projeto, sendo objeto de negociações e consultas por parte dos países participantes, tendo
sido aprovado e aberto para assinatura na 50ª sessão plenária do CDPC.
O objetivo principal da Convenção foi a efetiva harmonização da legislação penal aos crimes
cometidos no ambiente virtual e a de�nição dos poderes necessários para investigação das
infrações cometidas com o uso de sistema informático e os procedimentos relativos às provas
eventualmente colhidas.
A referida convenção é constituída de quatro capítulos, sendo o primeiro deles denominado
“de�nitions”, reservado à explanação acerca das terminologias adotadas no documento,
conceituando, desta forma, as expressões “sistema informático”, “dados informáticos”,
“fornecedor de serviço” e “dados de trafego”. O segundo capítulo da convenção, denominado
“Measures to be taken at the national level” versa sobre as medidas a serem adotadas à nível
nacional, pontuando as iniciativas legislativas que os signatários devem tomar com relação a
cada espécie de delito. Dessa forma, o documento divide esse capítulo em seções para tratar
individualmente do direito material, direito processual e competência.
Ao tratar do direito material, a convenção aponta as condutas que devem ser tipi�cadas pelos
signatários, como o acesso ilegítimo a sistema informático, interceptação ilegítima de dados,
interferência em dados e sistemas, falsidade ou burla informática, pornogra�a infantil por meio
de sistema informático e violações de direito de autor. 
A mencionada convenção trata ainda da necessidade de conservação e dos procedimentos
relativos à busca e apreensão de dados informáticos armazenados.
De absoluta relevância, em seu art. 22, a Convenção aborda os aspectos referentes a
competência para investigação e processamento das infrações, criando ainda no capítulo
seguinte, importantes disposições acerca da cooperação internacional para elucidação de
cibercrimes e punição de seus responsáveis, tratando, inclusive, de aspectos relativos à
extradição de criminosos.
Já no território nacional, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, apresentou
em 17 de junho de 2021, o Projeto de Decreto Legislativo nº 255/2021, o qual aprova o texto da
Convenção sobre o Crime Cibernético, visando, desta forma, facilitar a cooperação internacional
no combate a delitos cometidos por cibercriminosos.
A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça de Cidadania em 18 de agosto
de 2021e continua em tramitação na Câmara dos Deputados.
_______
 Assimile
É importante ressaltar que a promulgação do Marco Civil da Internet trouxe diversas mudanças
que impactaram diretamente no comportamento dos usuários e das empresas na rede mundial
de computadores, em especial no que tange a proteção aos registros, aos dados pessoais e às
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
comunicações privadas, e principalmente na de�nição do acesso à internet como essencial ao
exercício da cidadania, conforme disposição do próprio art. 7º da Lei Federal nº 12.965/14.
_______
 Re�ita
Tomando por base a evolução legislativa estudada, é importante re�etirmos acerca do
exponencial aumento do controle das atividades na rede, sopesando se o desenvolvimento e até
mesmo a evolução legislativa moderna não confronta diretamente a liberdade de expressão
protegida constitucionalmente e reproduzida como garantia pelo art. 8º do Marco Civil da
Internet.
_______
 Exempli�cando
O desenvolvimento de novas ferramentas legislativas para o combate à cibercrimes permanece
em constante evolução. É o caso, por exemplo, da recém-aprovada Lei nº 14.155, de 27 de maio
de 2021, que promoveu alterações no Código Penal para tornar mais graves os crimes de
violação de dispositivo informático, furto e estelionato cometidos de forma eletrônica ou pela
internet.
_______
Com a apresentação e o estudo das premissas apresentadas, é possível ter um panorama geral
da evolução legislativa relativa aos crimes virtuais, em especial das alterações constantes que a
normativa vem sofrendo, inclusive no que tange a possibilidade de adesão à Convenção Europeia
relativa ao tema, o que ampliará ainda mais a gama legislativa voltada à efetiva proteção dos
usuários.
Conclusão
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Foi apresentada a situação hipotética em que um idoso foi enganado, por meio de um per�l falso
em rede social, sendo assim, vítima de furto mediante fraude concretizada pela implantação de
um programa no computador para rastrear senhas e dados bancários.
Na condição de delegado(a) de polícia que ouviu a vítima, compete a você apresentar a melhor
solução que comporta o caso.
Em resposta, cabe ao estudante, enquanto �gura de delegado do caso, lembrar do furto mediante
fraude cometido contra idoso em decorrência da implantação de programa no computador da
vítima. Se o crime é cometido por meio eletrônico, a pena recai no §4B do art.155 do Código
Penal (de 4 a 8 anos), entretanto, se praticado contra idoso (ou vulnerável) a relevância é
considerada mais gravosa, aumentando de 1/3 ao dobro da pena (vide inciso II, §4C do art.155
do CP). Essa preocupação se deu em decorrência da Lei nº 14.155/2021 que tornou mais graves
os crimes de violação de dispositivo informático. Pode ainda demonstrar que, no furto
quali�cado, a fraude é apenas um meio para que o agente chegue à subtração do bem, enquanto
que, no estelionato, a posse do bem é retirada e não existe subtração.
Videoaula: Resolução da SP
Disciplina
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Aula 3
Proteção de dados
Introdução da aula
Qual é o foco da aula?
Nesta aula, abordaremos as principais nuances e os aspectos relativos à Lei Federal nº
13.709/18.
Objetivos gerais de aprendizagem
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Ao �nal desta aula, você será capaz de:
identi�car os principais conceitos do LGPD;
classi�car o controle da informação;
diferenciar o tratamento dos dados pessoais de crianças.
Situação-problema
Olá estudante, nesta aula abordaremos as principais nuances e os aspectos relativos à Lei
Federal nº 13.709/18, também chamada de “Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)”,
promulgada em 14 de agosto de 2018, mas que teve seu período de vacatio legis de 24 meses.
Primeiramente, analisaremos o contexto histórico relativo à criação da norma, pontuando as
especi�cidades e semelhanças com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e com o
Pacto de San José de Costa Rica, enfatizando os principais objetivos do legislador na edição da
norma e como isso afeta o tratamento de dados nos dias atuais.
Depois, abordaremos o chamado “controle da informação”, em que será explanado acerca do
poder gerado pela detenção de informação e como o mau-uso de dados pode causar severos e
irreversíveis danos. Ainda no mesmo assunto, estudaremos como o controle de informações
efetivo e usada da maneira correta traduz-se em verdadeira e e�caz ferramenta auxiliar em
investigações. Por �m, será tratado de assunto relativamente sensível e importante, concernente
ao tratamento diferenciado que deve ser dado aos dados de crianças e adolescentes, e como a
Lei Geral de Proteção de Dados afetou a forma como esses dados eram tratados até então.
Ante a tais premissas, imagine a situação hipotética que, diante da facilidade de acesso aos
sítios eletrônicos, certa empresa de marketing gerou a exposição de dados de uma criança para
interesse público, porém sem o consentimento dos pais. Assim, você como promotor do caso foi
procurado pelos genitores a �m de protocolar uma representação para adoção das medidas
protetivas mais efetivas. Dessa forma, apresente os argumentos (matéria de fundo) necessários
para busca da tutela jurisdicional.
Videoaula: Abertura
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Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Lei Geral de Proteção de Dados
Em 14 de agosto de 2018 foi promulgada a Lei Federal nº 13.709, denominada “Lei Geral de
Proteção de Dados Pessoais (LGPD)”, a qual tem por �nalidade o desenvolvimento de um cenário
de maior segurança jurídica, objetivando a padronização normativa com vistas à promoção da
proteção isonômica dos dados dos cidadãos.
No contexto histórico normativo, a proteção de dados tem previsão genérica na própria
Declaração Universal de Direitos Humanos, que, em seu 12º artigo, é cristalina ao apontar que
ninguém terá sua vida privada violada, sendo tal disposição reproduzida no art. 11 do pacto de
San José da Costa Rica.
Ao tratar da Lei Geral de Proteção de Dados, a autora Patrícia Peck Pinheiro (2018, p. 11)
apresenta uma explanação didática acerca dos objetivos e conteúdo contidos no texto legal, in
verbis:
A Lei nº 13.709/2018 é um novo marco legal brasileiro de grande impacto, tanto para
as instituições privadas como para as públicas, por tratar da proteção dos dados
pessoais dos indivíduos em qualquer relação que envolva o tratamento de
informações classi�cadas como dados pessoais, por qualquer meio, seja por pessoa
natural, seja por pessoa jurídica. É uma regulamentação que traz princípios, direitos e
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obrigações relacionados ao uso de um dos ativos mais valiosos da sociedade digital,
que são as bases de dados relacionados às pessoas.
Dentre os principais conceitos apresentados pela Lei nº 13.709/18, talvez os mais relevantes
sejam os de dado pessoal, dado pessoal sensível, dado anonimizado, titular de dados pessoais e
tratamento de dados pessoais, todos listados no art. 5º do mencionado códex.
Sob a ótica da Lei Geral de Proteção de Dados, o dado pessoal é aquele que apresenta
informações relativas à pessoa identi�cada ou identi�cável, seja de forma direta ou não, como
endereços, placas de automóvel, documentos pessoais, telefone e quaisquer outros dados que
possibilitem a identi�cação de uma pessoa.
O dado pessoal sensível, por sua vez, é relacionado às característicasda personalidade da
pessoa, como a convicção religiosa, orientação sexual, origem étnica, opinião política, dentre
inúmeros outros.
Já o dado anonimizado, descrito no inciso III do art. 5º da Lei nº 13.709/18, é aquele “relativo a
titular que não possa ser identi�cado, considerando a utilização de meios técnicos razoáveis e
disponíveis na ocasião de seu tratamento”, ou seja, não há vinculação do dado a uma pessoa
determinada ou determinável, sendo, por essa razão, importante ferramenta para o
desenvolvimento de inteligências arti�ciais e análise comportamental.
A Lei Geral de Proteção de Dados conceitua ainda o titular de dados pessoais, a�rmando que
este pode ser qualquer pessoa, identi�cada ou identi�cável, independentemente do local de
residência ou nacionalidade, o que demonstra o caráter internacionalizado na norma jurídica
analisada. 
Não menos importante, a lei conceitua ainda o tratamento de dados pessoais, apontando-o
como “toda operação realizada com dados pessoais, como as que se referem a coleta, produção,
recepção, classi�cação, utilização, acesso, reprodução, transmissão, distribuição,
processamento, arquivamento, armazenamento, eliminação, avaliação ou controle da
informação, modi�cação, comunicação, transferência, difusão ou extração”, sendo este um
conceito indispensável ao estudo da matéria, posto que demonstra a efetiva amplitude
pretendida com a normativa.
Analisando o teor da Lei Geral de Proteção de Dados, é possível notar que seu cerne é o
consentimento, ao passo que é dada grande importância à permissão do usuário para
tratamento de dados pessoais.
Para �ns de ampliar os estudos concernentes à investigação e perícia relativa a crimes digitais
(ou cibercrimes), imperioso nos aprofundarmos nas legislações correlatas, a �m de compreender
as intenções do legislador e quais são, efetivamente, os bens juridicamente tutelados. Por essa
razão, impende salientar que o objetivo primordial da Lei Geral de Proteção de Dados é
justamente �xar os parâmetros e as garantias para o tratamento de dados na rede mundial de
computadores, possibilitando assim a criação de um ambiente seguro para todos os usuários.
Controle da informação
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O rápido avanço e desenvolvimento de novas tecnologias aliado à expansão quase que em
tempo real dos meios de comunicação traz à tona sérias discussões acerca do binômio do
controle e acesso à informação, principalmente no que tange à proteção de dados e a segurança
da informação.
Os avanços tecnológicos criaram uma espécie de dependência por parte de toda a população.
Desde os serviços bancários, acompanhamento de notícias e até mesmo prontuários médicos,
hoje tudo tem envolvimento direto do meio tecnológico.
A privacidade e a proteção de dados ganharam novo enfoque com o advento da já mencionado
Lei Geral de Proteção de Dados e sua busca pelo respeito à privacidade e inviolabilidade das
informações dos indivíduos.
Sob a premissa do surgimento da chamada “sociedade digital”, onde a tecnologia está
diretamente envolvida nas relações cotidianas de cada cidadão, o controle da informação traduz-
se em verdadeira ferramenta investigativa se utilizada pela �nalidade que se propõe.
Em se tratando de informações públicas, estamos diante de elemento de difícil conceituação,
porém, alguns autores como Carmem Lúcia Batista (2010, p. 40), de�nem de forma especí�ca, a
saber:
[...] informação pública é um bem público, tangível ou intangível, com forma de
expressão grá�ca, sonora e/ou iconográ�ca, que consiste num patrimônio cultural de
uso comum da sociedade e de propriedade das entidades/instituições públicas da
administração centralizada, das autarquias e das fundações públicas. A informação
pública pode ser produzida pela administração pública ou, simplesmente, estar em
poder dela, sem o status de sigilo para que esteja disponível ao interesse
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público/coletivo da sociedade. Quando acessível à sociedade, a informação pública
tem o poder de afetar elementos do ambiente, recon�gurando a estrutura social.
Desde os primórdios, o controle da informação tem ligação direta com o exercício do poder, ao
passo que tal atributo era tido como essencial para governar, controlando-se a distribuição e o
acesso às informações delicadas e divulgando outras que não afetassem a administração.
Nos tempos atuais, chegada a era digital, o acesso à informação tem sido exponencialmente
maior, di�cultando o controle irrestrito e o mau-uso de tal atributo. Sob esse aspecto, as
informações individuais têm ganhado um novo manto de proteção, até porque, a exposição
indiscriminada de dados sensíveis é cada vez maior com o advento e a expansão das redes
sociais.
É justamente focado na proteção de informações sensíveis que a Lei Geral de Proteção de Dados
Pessoais ganha novo protagonismo, cabendo lembrar que, do ponto de vista do controle de
informação, o referido códex não é aplicado ao tratamento de dados pessoais realizado pelos
�ns exclusivos de segurança pública, defesa nacional, segurança do Estado e atividades de
investigação e repressão de infrações penais, nos termos do art. 4º, III da Lei Federal nº
13.709/18.
Tratamento dos dados pessoais de crianças
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Assunto delicado e com capacidade de gerar os mais extensos debates, o tratamento dos dados
pessoais de crianças deve ser analisado com cautela e sempre com viés protecionista.
Sob a ótica da Lei Geral de Proteção de Dados, o tratamento de dados pessoais é conceituado
como “toda operação realizada com dados pessoais, como as que se referem a coleta, produção,
recepção, classi�cação, utilização, acesso, reprodução, transmissão, distribuição,
processamento, arquivamento, armazenamento, eliminação, avaliação ou controle da
informação, modi�cação, comunicação, transferência, difusão ou extração”, conforme previsão
expressa do art. 5º, X da Lei Federal nº 13.709/18.
A respeito do tema, é importante ressaltar que o tratamento de dados de crianças e
adolescentes deve sempre ser realizado visando a manutenção de seus interesses e com o
consentimento especí�co dos pais ou do responsável legal.
Aspecto relevante quanto ao tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes diz
respeito à obrigatoriedade do aceite parental para sua realização. Porém, tal obrigatoriedade
apenas é imposta para as atividades que tomem por base o consentimento do titular dos dados.
Dessa forma, caso estejamos diante de um tratamento de dados voltado ao cumprimento de
uma obrigação jurídica ou para o exercício de funções de interesse público, dispensa-se tal
formalidade.
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Ao apontar que o tratamento de dados da criança deve ser realizado com vistas à manutenção
do melhor interesse do menor, estamos diante de um princípio basilar da própria política
protecionista adotada no Brasil.
A este respeito, a Convenção sobre Direitos da Criança, promulgada pelo Decreto nº 99.710, de
21 de novembro de 1990, já apresentava, de forma sucinta, referido princípio em seu art. 3º, ao
impor que “todas as ações relativas às crianças, levadas a efeito por instituições públicas ou
privadas de bem-estar social, tribunais, autoridades administrativas ou órgãos legislativos,
devem considerar, primordialmente, o interesse maior da criança”.
De igual forma, o Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu art. 100, IV, foi didático ao
expressar a necessidade de preservação do interesse superior da criança e do adolescente,
principalmente a �m de dar amplo cumprimento à garantia contida na Magna Carta, em seu art.
227.
Assim, é possível concluir que os avanços legislativos voltados à proteção de dados, não foram
omissos com relação à proteção das crianças e dos adolescentes, até porque, o rápido avanço
das tecnologias, com o aumento do acesso aos meios informáticos, impõe a necessidade de
proteçãocada vez maior aos mais vulneráveis, assim, a Lei Geral de Proteção de Dados surgiu
como meio de fortalecer as premissas já existentes, servindo de ferramenta hábil à promoção da
proteção ao melhor interesse das crianças e dos adolescentes.
_______
 Assimile
Cabe frisar que a Lei Geral de Proteção de Dados teve sua promulgação em 14 de agosto de
2018, porém, foi criado um período triplo de vacatio legis, incluído no art. 65 do referido códex.
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Dessa forma, os arts. 55-A, 55-B, 55-C, 55-D, 55-E, 55-F, 55-G, 55-H, 55-I, 55-J, 55-K, 55-L, 58-A e
58-B passaram a vigor em 28 de dezembro de 2018; os arts. 52, 53 e 54 em 1º de agosto de 2021
e, por �m, os demais passaram a vigorar 24 meses após a publicação da mencionada lei.
_______
 Re�ita
Ante às premissas apresentadas, é preciso re�etir se os instrumentos voltados à proteção de
dados atualmente têm se mostrado de fato e�cazes quando comparados ao aumento
exponencial de cibercrimes, ponderando, assim, se as ferramentas legislativas estão
acompanhando a evolução tecnológica ou se são necessárias medidas mais drásticas do ponto
de vista protecionista para evitar a propagação de crimes virtuais.
_______
 Exempli�cando
No que tange ao tratamento de dados de crianças e adolescentes, em que pese a necessidade
de consentimento, devemos frisar que há ressalvas quanto a possibilidade de utilização dos
dados sem o mencionado permissivo. Sob essa ótica, caso seja necessário contatar os pais ou,
por exemplo, seja imperioso para a proteção do menor, os dados podem ser utilizados uma única
vez e sem qualquer espécie de armazenamento, não podendo, contudo, serem repassados a
terceiros, conforme previsão expressa do §3º do art. 14 da LGPD.
_______
Ante às premissas apresentadas, podemos notar que a proteção de dados vem ganhando
espaço no campo legislativo devido ao rápido avanço dos meios tecnológicos, mitigando, desta
forma, a propagação ainda maior de crimes virtuais.
Conclusão
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Foi apresentada a situação hipotética em que uma empresa de marketing gerou a exposição de
dados de determinada criança para interesse público sem o consentimento dos pais. Na
condição de promotor, procurado pelos genitores, a �m de protocolar uma representação para
adoção das medidas protetivas mais efetivas, você deve apresentar os argumentos (matéria de
fundo) necessários para busca da tutela jurisdicional.
Como matéria de fundo, ou seja, o direito material a ser alegado para instruir a manifestação
ministerial, deve-se alegar, sob a ótica da Lei Geral de Proteção de Dados, o conceito de
“tratamento de dados pessoais” como sendo “toda operação realizada com dados pessoais,
como as que se referem a coleta, produção, recepção, classi�cação, utilização, acesso,
reprodução, transmissão, distribuição, processamento, arquivamento, armazenamento,
eliminação, avaliação ou controle da informação, modi�cação, comunicação, transferência,
difusão ou extração”, conforme previsão expressa do art. 5º, X da Lei Federal nº 13.709/18. 
O Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu art. 100, IV, foi didático ao expressar
necessidade de preservação do interesse superior da criança e adolescente, principalmente a �m
de dar amplo cumprimento à garantia contida na Magna Carta, em seu art. 227.
O aspecto relevante diz respeito à obrigatoriedade do aceite parental para sua realização (o que
de fato não operou neste caso). Mas observe que a obrigatoriedade apenas é imposta para as
atividades que tomam por base o consentimento do titular dos dados, entretanto, caso
estejamos diante de um tratamento de dados voltado ao cumprimento de uma obrigação jurídica
ou para o exercício de funções de interesse público, dispensa-se tal formalidade.
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Na atualidade, com a grande facilidade de acesso a sítios eletrônicos, o risco de exposição de
dados pessoais de crianças aumentou exponencialmente, impondo a imperiosa necessidade de
se adotar medidas protetivas mais efetivas, mas, havendo fundado interesse público, importará
em exceção à regra.
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Videoaula sobre a Resolução da SP.
Referências
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Crimes Ambientais e Digitais
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em:
http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/documentacao_e_divulgacao/doc_biblioteca/bibli_se
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df Acesso em: 15 mar. 2022. 
______. Lei Nº 12.737, de 30 de novembro de 2012. Brasília, 1940. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12737.htm Acesso em: 15 mar.
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_______. Lei Nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Brasil, 2018. Disponível em:
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ROSSINI, A. E. S. Informática, telemática e direito penal. São Paulo: Memorial jurídica, 2004.
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Crimes Ambientais e Digitais
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SOUZA, C. A.; LEMOS, R. Marco civil da internet: construção e aplicação. Juiz de Fora: Editar
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______. DECRETO No 99.710, DE 21 DE NOVEMBRO DE 1990. Disponível em:
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______. LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990. Disponível em:
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DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA E TRANSPORTES. Cartilha Lei Geral de
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SERPRO. A LGPD em um Giro. Disponível em:
https://www.serpro.gov.br/lgpd/menu/arquivos/infogra�co-lgpd-em-um-giro. Acesso em: 15 mar.
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PINHEIRO, P. P. Proteção de dados pessoais: comentários à Lei nº 13.709/2018 (LGPD). São
Paulo: Saraiva Educação, 2018.
,
Unidade 4
Investigação forense digital
DisciplinaInvestigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Aula 1
Investigação forense digital
Introdução da unidade
Objetivos da Unidade
Ao �nal desta Unidade, você será capaz de:
identi�car as etapas de análise da perícia em dispositivos móveis;
ilustrar como funciona o momento de extração de evidências;
demonstrar o direito penal e a investigação criminal.
Estudante, nesta unidade estudaremos o processo investigativo e pericial relacionado aos crimes
digitais e sua aplicabilidade prática.
Na primeira aula, abordaremos as particularidades da perícia forense computacional e os
procedimentos operacionais à ela aplicáveis, inclusive no que tange a realização de exames
forenses em mídias de armazenamento e a veri�cação de viabilidade da perícia. Estudaremos
ainda a perícia digital em dispositivos móveis e as nuances relativa à coleta de dados física e
lógica, pontuando a diferença entre os dois procedimentos e a vantagem alcançada por meio da
utilização correta desses institutos, abordando ainda, sob a ótica jurídica, os aspectos inerentes
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Crimes Ambientais e Digitais
ao sopesamento entre a necessidade de acesso aos dados e o protecionismo constitucional.
Ainda nesta aula, analisaremos, do ponto de vista técnico, os principais procedimentos utilizados
para coleta de dados em dispositivos eletrônicos, como o espelhamento e a imagem, pontuando
as distinções e vantagens de cada um dos procedimentos.
A segunda aula desta unidade é reservada aos procedimentos forenses em espécie, sendo
especi�cadas as etapas de coleta, extração e análise para posterior apresentação de todos os
dados obtidos. 
Na etapa de coleta, nos aprofundaremos nos procedimentos especí�cos voltados à veri�cação e
coleta de dados em fontes que contenham relação com o delito, identi�cação dos equipamentos
a serem periciados e quais procedimentos devem ser adotados visando a preservação dos
dados. Após a coleta dos dados e efetuadas as cópias, inicia-se a etapa de extração, na qual é
realizada uma verdadeira “peneira” para separar as informações irrelevantes daquelas que
efetivamente serão úteis à investigação.
A terceira etapa dos procedimentos forenses é voltada à análise de dados, em que é realizado o
exame apenas dos dados considerados relevantes e essenciais à instrução das investigações,
assim, os dados identi�cados e recuperados na extração serão analisados um a um,
pontualmente, a �m de certi�car a utilidade destes para, en�m, serem apresentados no laudo
produzido pelo perito.
A terceira aula desta unidade tratará assuntos relevantes e controversos que envolvem a
disciplina, como os aspectos jurídicos que permeiam os ataques por Ransomware, cada vez
mais comuns nos dias de hoje, e como o sequestro de dados é tratado no direito penal.
Abordaremos ainda os aspectos que permeiam a prova ilícita e o tratamento que lhe é conferido
pelo processo penal e jurisprudência e a relação da investigação criminal com o Direito Penal do
Inimigo, fazendo apontamentos sobre como a Lei Federal nº 12.850, de 02 de agosto de 2013,
afetou a persecução penal e as técnicas investigativas.
Introdução da aula
Disciplina
Investigação e Perícia Criminal:
Crimes Ambientais e Digitais
Qual é o foco da aula?
Nesta aula, abordaremos as particularidades da perícia forense computacional e os
procedimentos operacionais à ela aplicáveis.
Objetivos gerais de aprendizagem
Ao �nal desta aula, você será capaz de:
descrever o processo da perícia forense criminal;
demonstrar as etapas de análise da perícia em dispositivos móveis;
ilustrar os métodos para a técnica de coleta.
Situação-problema
Nesta aula nos aprofundaremos nos aspectos técnicos relativos à investigação forense digital e
seus re�exos no âmbito do direito processual penal. Abordaremos a perícia forense
computacional, apresentando seus principais conceitos e nuances, inclusive no que concerne
aos Procedimentos Operacionais Padrão para a perícia computacional (POP nº 3.1), elaborados
pelo próprio Ministério da Justiça e cujo objetivo é orientar peritos e investigadores nas ações
relativas à coleta, extração e análise de dados, padronizando os procedimentos adotados.
Ainda nesta aula, estudaremos os aspectos relativos à perícia digital em dispositivos móveis,
enfatizando como a evolução dos meios de comunicação força os pro�ssionais e órgãos a um
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Crimes Ambientais e Digitais
constante desenvolvimento de suas ferramentas, para acompanhar os próprios criminosos e a
tecnologia em geral. Abordaremos ainda as nuances técnicas relativas à coleta de dados,
pontuando os principais aspectos relativos ao tema, inclusive as técnicas de espelhamento e
imagem e como elas auxiliam na captura e preservação dos dados para posterior análise.
Tomando por base as premissas estudadas, imagine a situação hipotética em que Castro, um
policial militar, após uma busca pessoal em determinado suspeito, pegou seu celular sem
autorização e veri�cou, pelo aplicativo de “whatsapp”, fundada suspeita de que o averiguado
(chamado Carlos) mantinha uma moto objeto de furto em sua residência. Sob essa premissa,
adentrou na sua casa e logrou êxito na recuperação do bem. Chamado para advogar em defesa
de Carlos, apresente o conteúdo material que melhor aborda o tema.
Videoaula: Abertura
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Videoaula: Abertura.
Perícia forense computacional
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Todo delito deixa vestígios e os crimes realizados no ambiente virtual ou por meio de dispositivo
eletrônico não é diferente. Ao nos aprofundarmos nos estudos relativos à investigação e perícia
nos crimes digitais, é indispensável compreender como funcionam os procedimentos técnicos e
quais as etapas necessárias à efetiva coleta e utilização de uma prova.
Com a efetiva preservação do local do crime por parte da autoridade policial e a adoção de
medidas que visam a obtenção primária de informações, é iniciado o trabalho pericial imediato,
ou seja, aquele realizado no próprio local dos fatos.
A depender do tipo de delito, o trabalho pericial é indispensável à elucidação dos fatos. 
O perito criminal, ao chegar no local, deve colher informações com a equipe de investigação,
possibilitando assim a formação de uma linha investigativa e identi�cação dos elementos a
serem colhidos.
Apesar de não ser de observação obrigatória, a Secretaria Nacional de Segurança Pública
expediu no ano de 2013 o chamado Procedimento Operacional Padrão – POP (SNS, 2013)
relativo à Perícia Criminal. Esse material, disponível no endereço eletrônico do Ministério da
Justiça, de�ne os procedimentos a serem adotados para a maior parte dos procedimentos
periciais relacionados a balística forense, genética forense, informática forense, local do crime,
medicina legal, papiloscopia e química forense.
A chamada “POP nº 3.1 – Informática Forense” tem por objetivo orientar peritos da área de
informática quanto aos exames que tenham por objeto dados gravados em mídia de
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armazenamento computacional, visando assim sua padronização. 
O POP relativo às perícias de informática forense (SNS, 2013) exempli�ca o exame a ser
realizado e suas �nalidades de forma didática, enfatizando a necessidade de duplicação de
dados e recuperação de informações apagadas para posterior processamento, a�rmando que,
tais procedimentos possibilitam uma melhor instrução da própria investigação, pontuado como
objetivo:
Esclarecer se um determinado arquivo foi enviado ou recebido pelo usuário do
computador examinado. 
Determinar quando o computador foi utilizado pela última vez. 
Determinar quais arquivos foram acessados pelo usuário mais recentemente. 
Para este tipo de exame, o laudo oferece umconjunto de respostas igualmente
objetivo e delimitado, o que o tornará um elemento valioso dentro do conjunto
probatório à disposição da justiça. E, para que possa ser explorado todo o
potencial deste tipo de exame, é necessária uma boa interação entre a equipe
de investigação e a equipe de peritos antes do envio da solicitação de perícia,
de modo que os quesitos possam ser bem elaborados. A falta de informações
que delimitem claramente o trabalho a ser realizado implica em aumento
considerável no tempo de atendimento da solicitação de perícia, visto que leva à
necessidade de exame de um universo maior de arquivos e dados.
Ao tratarmos de perícias forenses computacionais, é importante destacar que apenas pessoal
treinado deve tentar manipular os dados obtidos, evitando, desta forma, que haja corrompimento
de quaisquer elementos, seja por falhas na própria manipulação ou por ferramentas de
segurança previamente instaladas no equipamento.
Perícias forenses na área de informática podem ser realizadas em quaisquer dispositivos
eletrônicos, como smartphones, computadores notebooks, tablets ou outros que venham a
substituí-los, sendo imperioso frisar que o mais comum é que a perícia a ser realizada tenha por
objeto a análise efetiva do armazenamento interno desses dispositivos, apurando se foram
utilizados como ferramenta para a prática de determinado delito.
A �m de organizar melhor a cadeia de evidências, os peritos ou investigadores responsáveis
dividem os procedimentos em três fases, denominadas “coleta”; “extração” e “análise”, voltadas
especi�camente para a recolha de dados, extração de dados úteis e análise do conteúdo
coletado, separando as informações que podem ser úteis à investigação criminal.
Perícia digital em dispositivos móveis
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Os avanços cada vez mais rápidos dos meios de comunicação e das tecnologias digitais gerou a
necessidade de desenvolvimento cada vez maior por parte dos peritos e investigadores, a �m de
possibilitar o acompanhamento proporcional da evolução relativa aos cibercrimes.
Um aspecto de grande relevância nos dias atuais diz respeito à perícia em dispositivos móveis,
ou seja, tecnologias digitais voltadas ao acesso à internet e que permitam a mobilidade de seu
usuário, como no caso dos smartphones e tablets.
Ao tratarmos da coleta de dados em dispositivos móveis, deve-se ter em conta que o processo
pode ser físico ou lógico, tendo o primeiro clara vantagem sobre o segundo, ao passo que na
coleta lógica, são copiados apenas os dados visíveis pelo usuário do sistema, enquanto na
aquisição física, é possível alcançar dados excluídos e ocultos.
A respeito do tema, Pedro Monteiro da Silva Eleutério (2010, p. 62) exempli�ca de forma didática
como funcionam as camadas de dados:
Um disco rígido, por exemplo, pode ser comparado a um planeta de dados, [...]. Assim como a
estrutura interna de um planeta como a Terra, os dados contidos em um disco rígido podem ser
divididos em camadas. Desse modo, a exploração das camadas torna-se mais difícil à medida
que se quer conhecer as partes mais profundas. Os usuários comuns de computadores
conseguem enxergar apenas a parte super�cial do planeta – são chamados de arquivos visíveis,
que podem ser visualizados com o uso de softwares como o Windows Explorer.
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A coleta de dados tem por objetivo possibilitar a correta instrução pericial, ferramenta primordial
para garantir o sucesso de uma investigação, possibilitando, assim, a formação de uma cadeia
de evidências robusta e apta a demonstrar a materialidade e/ou autoria fática.
Sob a ótica jurídica, é preciso ter ciência da distinção entre os tipos de dados obtidos e como se
deu sua coleta, principalmente a �m de evitar, por exemplo, a obtenção de uma prova ilícita. 
A este respeito, cabe lembrar que o próprio Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o Habeas
Corpus nº 66368 (STJ, 2006, p. 2) de relatoria do Ministro Gilson Dipp, esclareceu que a
veri�cação, por parte da autoridade policial, de chamadas registradas em aparelho celular
apreendido não con�gura quebra de sigilo telefônico, a�rmando ainda que: 
é dever da autoridade policial apreender os objetos que tiverem relação com o fato, o
que, no presente caso, signi�cava saber se os dados constantes da agenda dos
aparelhos celulares teriam alguma relação com a ocorrência investigada.
Neste exato sentido, o Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do Ministro Gilmar Mendes, ao
julgar o Habeas Corpus nº 91.867 (STF, 2012, p. 10), foi didático ao apontar que “a proteção
constitucional é da comunicação de dados e não dos dados”.
Ambas as jurisprudências foram superadas, posto que prolatadas há mais de 10 anos. O
entendimento mais recente a respeito do tema, pode ser observado, por exemplo, no Habeas
Corpus nº 168.052 (STF, 2020, p. 1) cuja ementa transcrevemos:
Habeas corpus. 2. Acesso a aparelho celular por policiais sem autorização judicial.
Veri�cação de conversas em aplicativo WhatsApp. Sigilo das comunicações e da
proteção de dados. Direito fundamental à intimidade e à vida privada. Superação da
jurisprudência �rmada no HC 91.867/PA. Relevante modi�cação das circunstâncias
fáticas e jurídicas. Mutação constitucional. Necessidade de autorização judicial. 3.
Violação ao domicílio do réu após apreensão ilegal do celular. 4. Alegação de
fornecimento voluntário do acesso ao aparelho telefônico. 5. Necessidade de se
estabelecer garantias para a efetivação do direito à não autoincriminação. 6. Ordem
concedida para declarar a ilicitude das provas ilícitas e de todas dela derivadas.
Assim, temos que para o sucesso de uma investigação que envolva o uso de dispositivos móveis
é imprescindível a coleta e preservação de dados, porém, é indispensável que a autoridade
policial observe estritamente os mandamentos constitucionais a respeito do tema,
principalmente no que tange ao sigilo das comunicações e à proteção da intimidade, posto que o
entendimento mais recente sobre o tema protege não apenas a comunicação de dados, mas os
próprios dados armazenados nos aparelhos, sendo que sua obtenção sem a devida autorização
judicial, fatalmente culminará na nulidade das provas obtidas.
Técnicas para coleta
Disciplina
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Conforme estudado, para o sucesso de uma investigação que envolva dados armazenados em
dispositivos eletrônicos, é indispensável sua manipulação por pro�ssional técnico e a correta
preservação e inalterabilidade dos dados. Dessa forma, é imperioso conhecermos algumas das
técnicas para coleta de dados comumente utilizadas por peritos.
Cabe apontar que, visando à preservação dos dados, a análise é realizada sobre cópia do
material, por esta razão os peritos utilizam-se de ferramentas de espelhamento ou imagem,
criando uma cópia �el dos dados coletados.
A técnica de espelhamento, como a própria nomenclatura indica, cria uma cópia exata dos dados
presentes em um dispositivo de armazenamento em outro dispositivo, ou seja, extrai-se, por
exemplo, os dados de um smartphone, destinando-os para outro com capacidade igual ou
superior.
A técnica de imagem, em seu turno, cria uma “imagem” dos dados copiados, ou seja, um arquivo
com todas as informações obtidas, que pode ser montada em outro dispositivo, possuindo clara
vantagem sobre a primeira técnica, posto que não há necessidade de um equipamento dedicado
apenas para o tratamento desses dados.
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A �m de auxiliar ainda mais a agilidade do trabalho pericial, há ainda os duplicadores, que são
equipamentos eletrônicos voltados à realização de cópias simultâneas de um dispositivo de
armazenamento, o que dispensa, inclusive o uso de computadores, posto que por meio deste
equipamento é possível a cópia de dados diretamente para um novo disco de armazenamento.
A coleta de dados pode ser post-mortem ou em tempo real.Ao tratarmos da coleta de dados
post-mortem, estamos diante de informações já gravadas em um sistema de armazenamento, as
quais não serão perdidas no caso, por exemplo, de interrupção do fornecimento de energia. A
coleta de dados em tempo real, por sua vez, é utilizada para extração de dados tidos como
voláteis, ou seja, dados temporários ou que trafegam pela rede de computadores, os quais, na
hipótese de interrupção do fornecimento de energia ou da própria transmissão, serão perdidos.
É importante lembrar que a coleta de dados é apenas uma das três etapas da perícia
computacional, que são coleta, extração e análise, e que, após realizada, culmina na
apresentação, por meio de laudo técnico pericial, das informações apuradas.
_______
 Assimile
É importante frisarmos a imperiosa necessidade de proteger a integridade e inalterabilidade dos
dados coletados em uma perícia computacional. Caso sejam corrompidos ou alterados, a prova
poderá ser inutilizada ou mesmo anulada.
_______
 Re�ita
Ante aos apontamentos realizados, cabe a re�exão acerca do sopesamento entre a necessidade
de coleta de dados e a proteção à privacidade. Tomando por base essa premissa, é possível
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formar uma linha de raciocínio apta a defender a inviolabilidade da comunicação e da
privacidade sob a ótica do in dubio pro reo? 
_______
 Exempli�cando
A importância do trabalho pericial reside na possibilidade de indicar a correta tipi�cação do fato
delituoso. É o caso, por exemplo, de apurar se dados obtidos ilicitamente por meio de
equipamento eletrônico foram utilizados para a prática de delitos no mundo real ou se o ato
limitou-se à captura dos dados sem sua utilização.
_______
Com o que foi apresentado, é possível veri�car que o trabalho pericial em equipamentos
informáticos é complexo e exige amplo conhecimento por parte do pro�ssional que, dotado das
ferramentas necessárias, contribui de forma exemplar nas investigações criminais relativas aos
crimes virtuais.
Videoaula: Resolução da SP
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Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
para assistir mesmo sem conexão à internet.
Videoaula sobre a Resolução da SP.
Conclusão
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Foi apresentada a situação hipotética em que Castro, um policial militar, após uma busca
pessoal em determinado suspeito, pegou seu celular sem autorização e veri�cou, pelo aplicativo
de “whatsapp”, fundada suspeita de que o averiguado (chamado Carlos) mantinha uma moto
objeto de furto em sua residência. Sob essa premissa, adentrou na sua casa e logrou êxito na
recuperação do bem. Na condição de advogado, você, estudante, deve apresentar argumentos
para a defesa de Carlos.
Cabe a você, enquanto advogado, sustentar o atual posicionamento do Supremo Tribunal Federal
no Habeas Corpus nº 168.052 (STF, 2020), cuja ementa transcrevemos: 
Habeas corpus. 2. Acesso a aparelho celular por policiais sem autorização judicial.
Veri�cação de conversas em aplicativo WhatsApp. Sigilo das comunicações e da
proteção de dados. Direito fundamental à intimidade e à vida privada. Superação da
jurisprudência �rmada no HC 91.867/PA. Relevante modi�cação das circunstâncias
fáticas e jurídicas. Mutação constitucional. Necessidade de autorização judicial. 3.
Violação ao domicílio do réu após apreensão ilegal do celular. 4. Alegação de
fornecimento voluntário do acesso ao aparelho telefônico. 5. Necessidade de se
estabelecer garantias para a efetivação do direito à não autoincriminação. 6. Ordem
concedida para declarar a ilicitude das provas ilícitas e de todas dela derivadas.
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Deverá ainda sustentar que, para o sucesso de uma investigação que envolva o uso de
dispositivos móveis, é imprescindível a coleta e preservação de dados, porém, é indispensável
que a autoridade policial observe estritamente os mandamentos constitucionais a respeito do
tema, principalmente no que tange ao sigilo das comunicações e à proteção da intimidade, posto
que o entendimento mais recente sobre o tema protege não apenas a comunicação de dados,
mas os próprios dados armazenados nos aparelhos, sendo que sua obtenção sem a devida
autorização judicial, fatalmente culminará na nulidade das provas obtidas – o que de fato
ocorreu no caso prático.
Aula 2
Procedimentos forenses
Introdução da aula
Qual é o foco da aula?
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Nesta aula, abordaremos os procedimentos forenses relacionados à perícia computacional.
Objetivos gerais de aprendizagem
Ao �nal desta aula, você será capaz de:
listar as etapas de coleta;
demonstrar como funciona o momento de extração de evidências;
categorizar análise e apresentação de dados.
Situação-problema
Estudante, nesta aula abordaremos os procedimentos forenses relacionados à perícia
computacional.
Ao tratarmos de crimes realizados no ambiente virtual ou que utilizem como ferramenta de
execução equipamentos eletrônicos, a realização de perícia computacional é uma arma e�caz na
formação da cadeia de evidências.
A perícia computacional geralmente é dividida em três etapas, as quais denominamos  coleta,
extração e análise, as quais servem justamente para preparar as informações que constarão do
laudo pericial.
Na etapa de coleta, o pro�ssional deve avaliar quais são, especi�camente, os equipamentos que
podem conter informações úteis à investigação, apreendendo-os e fazendo uma cópia de todos
os dados para utilização nas próximas etapas.
A etapa de extração é quando efetivamente separa-se o grande volume de dados coletados
daqueles que têm o condão de servir de peça informativa. Após a coleta o volume de dados é
gigantesco, por isso a extração acaba sendo a etapa mais trabalhosa do processo.
Na etapa de análise, os dados já coletados e extraídos são analisados um a um, a �m de
responder os quesitos formulados e demonstrar o nexo causal entre as informações e o delito,
elaborando-se, assim, o competente laudo pericial.
Com base nessas premissas, imagine a situação hipotética em que provas foram obtidas no
curso do processo criminal e apresentadas dentro dele por meio de ato duvidoso (invasão de
conversas expostas por meio de aplicativo de “whatsapp”), que demonstravam a parcialidade do
juiz e promotor do caso de seu cliente, Sr. Sinfrônio Bailarino (famoso galanteador, com várias
passagens policiais por posse sexual mediante fraude). Registra-se que até mesmo o juiz da
causa já teve um relacionamento amoroso com o acusado, sem contar que até excomungado da
igreja já havia sido por suas famosas exposições concupiscentes na cidade de Fortaleza. As
conversas apontaram que o membro ministerial e o magistrado combinaram os atos
processuais a �m de condenar Sinfrônio, o pecador. Você, como advogado de defesa, precisa
apresentar um conteúdo jurídico sobre a necessidade pericial para buscar a nulidade que o caso
reclama. 
Videoaula: Abertura
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Crimes Ambientais e Digitais
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Etapa de coleta
Ao tratarmos dos procedimentos forenses relativos à perícia em equipamentos eletrônicos,
comumente o serviço é dividido em três etapas, denominadas de “coleta”, “extração” e “análise”,
voltadas à execução da perícia e formalização do necessário laudo pericial.
Na primeira das etapas, a chamada “coleta”, é feita a colheita de todos os equipamentos que
podem conter informações, dados ou quaisquer espécies de evidências que possam ser uteis à
elucidação de determinado delito. Em se tratando de crimes virtuais, colhe-se computadores,
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Crimes Ambientais e Digitais
celulares, tablets, notebooks e outros eletrônicos que possam armazenar informações. Nesta e
em todas as etapas, o pro�ssional deve realizar os procedimentos visando à preservação e
inalterabilidade dos dados coletados.
A autora Patrícia Peck Pinheiro (2009, p. 172), ao tratar de evidências eletrônicas, lista cinco
regras a serem observadas, as quais servem de base para todas as etapas em uma perícia:
As cinco regras para a evidência eletrônica são: a admissibilidade, ou seja, ter
condições de ser usada no processo; autenticidade, ser certa e de relevância para o
caso; a completude, pois esta não poderá causar ou levar a suspeitas alternativas; a
con�abilidade, não devem existir dúvidas sobre sua veracidade e autenticidade; e a
credibilidade, que é a clareza, o fácil entendimento e interpretação.
Comumente a coleta é dividida em fases que visam auxiliar e organizar melhor o trabalho
pericial, são as fases de identi�cação, aquisição, preservação e veri�cação. 
Na fase de identi�cação da etapa de coleta, o pro�ssional, dotado da expertise necessária,
identi�ca os equipamentos ou periféricos que podem armazenar dados e tenham relação com o
delito, sejam computadores, câmeras, dispositivos móveis, pendrives, cartões de memória, ou
quaisquer outros que contenham informações digitais. É indispensável que os pro�ssionais
estejam constantemente atualizados, posto que sempre haverá o surgimento de novos
equipamentos para identi�cação.
Na fase de aquisição da etapa de coleta, realizada após a efetiva identi�cação das fontes de
dados, o pro�ssional procede a efetiva apreensão dos equipamentos, preocupando-se,
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obviamente, com a preservação destes, garantindo a integridade das informações. Nessa etapa,
é indispensável a constatação quanto à volatilidade dos dados, posto que a depender de onde
efetivamente os dados estiverem armazenados, pode haver perda de informações com o
desligamento do aparelho ou desconexão de uma rede.
Nas fases de preservação e inalterabilidade, que compõem a etapa de coleta, é realizada cópia
do material coletado visando, desta forma, à preservação e inalterabilidade do material, sendo o
original lacrado e acondicionado em local seguro.
É imperioso que, na etapa de coleta, o perito veri�que o material coletado a �m de priorizar as
fontes de maior relevância, obtendo ganho de tempo na análise do material, posto que é possível
dar maior atenção às fontes que efetivamente vão conter informações relacionadas aos fatos,
deixando em segundo plano aquelas que possuem pouca chance de ter dados úteis.
Etapa de extração
A segunda etapa da perícia computacional é a chamada extração, caracterizada como a fase em
que os pro�ssionais recuperam as informações gravadas nas cópias dos dispositivos de
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armazenamento, extraindo os dados úteis para o exame a ser realizado, a �m de instruir a
investigação ou perícia.
Cabe ressaltar que quando se inicia a etapa de extração, o volume de dados comumente é muito
grande, posto que durante a etapa de coleta, apreende-se material bruto, ou seja, todos os
arquivos e dados constantes do disco de armazenamento, podendo constar, inclusive arquivos
ocultos ou mesmo corrompidos. Assim, nesta etapa, o pro�ssional responsável deve identi�car,
dentro do material bruto apreendido, os arquivos úteis à investigação, além de revelar quaisquer
dados ocultos e recuperar (quanto possível) os corrompidos – essa é a �nalidade primordial
dessa importante etapa.
Alguns autores nomeiam a extração como “fase de exame”, e sob essa ótica, Farmer e Venema,
em sua obra denominada “Forensic Discovery” (2007, p. 41), são didáticos em sua de�nição
dessa fase, a colocando, inclusive, como a mais complexa e trabalhosa de todo o trabalho
pericial:
O ato de extrair, localizar e �ltrar somente as informações que possam contribuir, de
forma positiva, em uma investigação ocorre na segunda etapa, denominada “exame
de evidências”. Considera-se esta, a etapa mais trabalhosa do processo de
investigação criminal, principalmente pela quantidade de diferentes tipos de arquivos
existentes (áudio, vídeo, imagem, arquivos criptografados, compactados, etc.) que
facilitam o uso de esteganogra�a, o que exige que o perito esteja ainda mais atento e
apto a identi�car e recuperar esses dados.
Há de se ressaltar ainda, que muitos arquivos podem estar protegidos por criptogra�a,
di�cultando o acesso ao seu conteúdo. Assim, é na etapa de extração que os pro�ssionais
devem adotar medidas voltadas a quebrar as proteções existentes nos arquivos protegidos.
Cabe lembrar que todos os procedimentos adotados devem ser feitos na cópia duplicada, seja
por espelhamento ou imagem, a �m de preservar a integridade e inalterabilidade do dispositivo
original.
Um computador possui arquivos dos mais diversos tipos, que precisam ser minuciosamente
analisados, tomando por base a sua funcionalidade. Quando se tem ciência do delito que está
sendo apurado, a investigação se torna mais fácil, posto que é possível a utilização de palavras-
chave comumente utilizadas no crime.
Os autores Fermer e Venema (2007, p. 6) são enfáticos ao abordar a necessidade de
planejamento do processo de extração:
Cuidado e planejamento devem ser utilizados ao coletar informações de um sistema
em execução. Isolar o computador – de outros usuários e da rede – é o primeiro
passo. E, devido ao fato de alguns tipos de dados terem menor propensão do que
outros à corrupção por uma coleta de dados é uma boa ideia capturar as informações
de acordo com o ciclo de vida esperado.
Assim, é de se notar que esta etapa da perícia computacional é uma das mais trabalhosas, até
porque, é onde efetivamente se separa o conteúdo massivo coletado daquele que será utilizada
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na análise investigativa.
Etapa de análise e apresentação
Não menos complexa, a etapa de análise na perícia computacional é aquela em que cada arquivo
é veri�cado de forma individual. Nesta etapa, o perito preocupa-se em relacionar os dados
coletados e extraídos com os fatos investigados, ou seja, a evidência com o delito. Essa relação
pretendida por meio da perícia deve ser formada com base nos quesitos formulados pelo
magistrado ou por autoridade solicitante, assim, devido ao grande volume de informações, é
indispensável que os referidos quesitos sejam claros.
Quando do encerramento da fase investigativa, o responsável pela investigação deve se certi�car
de montar uma cadeia solida de evidências, consistente em todo o material probatório adquirido
por meio das diligências realizadas e a certi�cação de que o material foi organizado de maneira
coerente e ordenada.
Sob este aspecto, a formação da cadeia de evidências é um dos pontos mais relevantes do
processo investigativo, posto que se o conteúdo probatório colhido não for su�ciente a
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demonstração da materialidade e autoria do fato delitivo, fatalmente estaremos diante da
absolvição de alguém que provavelmente deveria ser condenado.
A respeito da formação da cadeia de evidências, a necessidade de sua correta ordenação e seus
objetivos, Guaracy Mingardi (2006, p. 75) é enfático: 
Outra realidade da cadeia de evidências diz respeito a condução do inquérito como
um todo. Que é que necessário dar uma sequência lógica a ele, não partir o elo de
raciocínio. Mostrando que existe um começo, meio e um �m da investigação, e que
os passos da mesma estão concatenados.
(...)
Assim, a construção da rede de evidências deve: a. Mostrar que houve o crime b.
Como foi praticado c. Que o acusado tinha motivos para cometê-lo d. Que ele era
detentor dos meios para cometê-lo e. Que ele teve a oportunidade para cometê-lo.
No curso de uma investigação criminal, o que se espera é que os agentes envolvidos pratiquem
todosos atos necessários e legalmente previstos para apurar a existência de materialidade e a
autoria delitiva, colhendo provas por meios lícitos e atuando de forma e�caz na elucidação dos
fatos, a �m de possibilitar a formação de uma cadeia de evidências organizada e hábil a
demonstrar a verdade, culminando assim, na condenação do infrator ou mesmo na absolvição de
alguém que foi injustamente acusado, exercendo a justiça em sua melhor forma.
Sob essa ótica, é indispensável que as informações, após a conclusão da coleta, extração e
análise, sejam apresentadas de forma didática e organizada. Visando padronizá-las, o Ministério
da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, editou o Procedimento
Operacional Padrão (POP) relativo à perícia criminal, no qual sugere que o laudo pericial seja
apresentado com estrutura básica formada por, no mínimo, preâmbulo, histórico, objetivo,
material, exame, considerações Técnico-Periciais, Conclusão/Resposta aos Quesitos e Anexos.
Com isso, resta a importância da correta estruturação do laudo pericial quando da etapa de
apresentação das informações coletadas e extraídas em uma perícia computacional, a �m de
auxiliar as investigações relacionadas a crimes virtuais ou que tenham sido perpetrados pelo uso
de um equipamento eletrônico.
_______
 Assimile
Na etapa de coleta, é possível utilizar-se do procedimento denominado “espelhamento” ou
“imagem”. No espelhamento é criada uma cópia exata do conteúdo de um dispositivo eletrônico
em outro (por exemplo, de um smartphone para outro). Ao utilizarmos a técnica imagem, é
criado um arquivo contendo todos os dados coletados que podem ser transferidos para qualquer
outro dispositivo, tendo assim, clara vantagem sobre a primeira técnica, posto que dispensa o
uso de um aparelho dedicado e garante de forma mais e�caz a preservação das informações.
_______
 Re�ita
Com base nas informações estudadas, podemos realizar uma rápida re�exão acerca do rápido
avanço tecnológico e da expansão, cada vez maior, dos dispositivos de armazenamento de
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dados, e imaginar se o aumento do número de dados armazenados eventualmente não
inviabilizará a realização de perícias.
_______
 Exempli�cando
Ao abordar a etapa de extração, foi apontado que é possível a utilização de palavras-chave na
busca por dados relevantes. Quanto a este apontamento, é importante exempli�car que tais
palavras devem ser de�nidas com base no delito eventualmente praticado, pessoas ou lugares
envolvidos, podendo inclusive, tratar-se de busca voltada a identi�car fotos, áudios, vídeos ou o
que mais seja necessário para auxiliar no processo investigativo.
_______
Postas e colocadas tais considerações, resta demonstrar a importância de observação de todas
as fases da perícia forense computacional, permitindo a preservação e inalterabilidade das
informações coletadas, o que possibilitará a formação de uma cadeia de evidências robusta o
su�ciente para garantir o sucesso da investigação.
Conclusão
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Crimes Ambientais e Digitais
Foi apresentada uma situação hipotética em que no curso de um processo criminal, provas
foram obtidas por ato duvidoso consistente em invasão de conversas de aplicativo de
mensagem, demonstrando a parcialidade de um magistrado ante a sua relação com o promotor
do caso. As conversas apontaram que o membro ministerial e o magistrado combinaram os atos
processuais a �m de condenar Sinfrônio, o pecador. Você, como advogado(a) de defesa, precisa
apresentar um conteúdo jurídico sobre a necessidade pericial para buscar a nulidade que o caso
reclama.
Ao tratarmos dos procedimentos forenses relativos à perícia em equipamentos eletrônicos, o
serviço é dividido em três etapas, denominadas “coleta”, “extração” e “análise”, voltadas à
execução da perícia e formalização do necessário laudo pericial. 
Na primeira das etapas, a chamada “coleta”, é feita a colheita de todos os equipamentos que
possam conter informações, dados ou quaisquer espécies de evidências que possam ser uteis à
elucidação de determinado delito. Em se tratando de crimes virtuais, colhe-se computadores,
celulares, tablets, notebooks e outros eletrônicos que possam armazenar informações. Nessa e
em todas as etapas, o pro�ssional deve realizar os procedimentos visando à preservação e
inalterabilidade dos dados coletado. Ao tratar de evidências eletrônicas, Pinheiro (2009, p. 172)
lista cinco regras a serem observadas, as quais servem de base para todas as etapas em uma
perícia:
As cinco regras para a evidência eletrônica são: a admissibilidade, ou seja, ter
condições de ser usada no processo; autenticidade, ser certa e de relevância para o
caso; a completude, pois esta não poderá causar ou levar a suspeitas alternativas; a
con�abilidade, não devem existir dúvidas sobre sua veracidade e autenticidade; e a
credibilidade, que é a clareza, o fácil entendimento e interpretação.
Como visto, as provas precisam ser admitidas para absolver ou anular os atos processuais,
comprovar parcialidade, dentre outros, apesar de não estarem em condições de serem utilizadas
para prejudicar as autoridades elencadas no caso. 
Videoaula: Resolução da SP
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Videoaula sobre a Resolução da SP.
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Aula 3
Aspectos relevantes
Introdução da aula
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Qual é o foco da aula?
Nesta aula, abordaremos os aspectos relevantes e controversos da investigação forense digital. 
Objetivos gerais de aprendizagem
Ao �nal desta aula, você será capaz de:
descrever os ataques por ransomware;
demonstrar o conceito de prova ilícita;
analisar o direito penal e a investigação criminal.
Situação-problema
Estudante, nesta aula abordaremos os aspectos relevantes e controversos da investigação
forense digital. Estudaremos, inicialmente, o tratamento jurídico conferido aos ataques por
Ransomware e como o bloqueio de dados é tratado na esfera jurídica brasileira, pontuando
inclusive o diferencial existente na hipótese de exigências de cunho �nanceiro para liberação das
informações bloqueadas.
Assunto eivado de controvérsias e polêmicas, abordaremos a prova ilícita e sua
inadmissibilidade no âmbito do processo penal, explanando as bases da teoria chamada de
“fruits of the poisonous tree" e como as provas derivadas daquela ilicitamente obtida são
infectadas pelo vício da original.
Trataremos ainda da teoria do Direito Penal do Inimigo, desenvolvida por Günther Jakobs e como
as técnicas invasivas de investigação, efetivadas nos limiares constitucionais, podem ser
efetivas, apesar das controvérsias que as permeiam.
Com base nessas premissas, imagine a situação hipotética em que você é o perito do caso de
um crime digital em que, por meio de um software, houve o bloqueio, por criptogra�a, do acesso
aos arquivos e ao sistema operacional do equipamento infectado periciado. Foi visto que o
software não possui capacidade de replicação. De posse das informações colhidas, identi�que
fundamentadamente o método para que este seja utilizado nos autos. 
Videoaula: Abertura
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Ataques por Ransomware e seus aspectos jurídicos
Os crimes digitais vêm ganhando cada vez mais enfoque pela mídia especializada justamente
por causa da velocidade com que essa espécie de ataque vem evoluindo e ganhando novos
métodos.
Um desses métodos é o chamado Ransomware, que nada maisé do que um software malicioso
que bloqueia o acesso aos arquivos e/ou ao próprio sistema operacional do equipamento
infectado por meio do uso de criptogra�a.
Diferente dos vírus de computador, o Ransomware não possui capacidade de replicação,
podendo ser de�nido como um código malicioso que explora as fraquezas na segurança do alvo
e bloqueia seu acesso no intuito de utilizar-se de extorsão para liberação das informações
bloqueadas.
Liska e Gallo (2017, p. 22) explicam a fase de infecção do equipamento-alvo de forma didática:
Em um ataque com alvo especí�co, as técnicas para instalar, ofuscar, compactar o
código e explorar falhas podem ser mais nefastas na tentativa de maximizar o
resgate (ransom). O ransomware pode usar essa instalação inicial para se espalhar
lentamente pela rede afetada, instalando-se em vários sistemas e abrindo
compartilhamentos de arquivos que, por sua vez, serão simultaneamente
criptografados quando instruções forem enviadas na próxima fase.
Após esse procedimento, o malware desabilita os sistemas de defesa, como antivírus e �rewall,
buscando informações relevantes entre os dados da vítima para garantir ao cibercriminoso que o
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ataque será bem-sucedido.
Já com as informações da vítima, o cibercriminoso bloqueia o acesso às informações, exigindo
um resgate para sua liberação e, caso o resgate não seja pago, o criminoso destrói os arquivos
bloqueados.
Sob a ótica jurídica, os ataques por Ransomware estão tipi�cados no art. 154-A do Código Penal,
mais especi�camente na parte �nal do texto legislativo, o qual se enquadra no mesmo delito
quem “instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita”. Porém, cabe apontar que o objetivo
do ataque por Ransomware é a prática de extorsão, assim, caso a intenção do ataque seja de
fato extorquir a vítima, o crime de invasão de dispositivo informático restará absorvido, é o que
aponta, por exemplo, Marcelo Crespo (2015), em recente artigo publicado:
A prática do ransomware é, portanto, con�gurada como crime de extorsão, ainda que
o resgate/valor não seja pago, já que se trata de crime formal (independe de
resultado, o que se nota pela redação típica). Entendemos que no caso da difusão do
vírus para propiciar o bloqueio dos dados, a tipi�cação do §1º do art. 154-A do
Código Penal restaria absorvida pela consunção. 
Assim, o tratamento jurídico dado aos ataques por Ransomware dependem especi�camente se o
delito limita-se à conduta prevista no art. 154-A do Código Penal, ou seja, a invasão do
dispositivo móvel ou, se de fato há a intenção de extorsão por parte do cibercriminoso, hipótese
na qual a conduta menos gravosa seria absorvida pela mais gravosa.
A prova ilícita
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A prova no Direito Processual Penal são todos os elementos colhidos durante as investigações e
o processamento que objetivam demonstrar e comprovar a materialidade e autoria de uma
determinada conduta delitiva.
Ao de�nir o conceito de prova, Nucci (2011, p. 15) é didático:
No plano jurídico, cuida-se, particularmente, da demonstração evidente da veracidade
ou autenticidade de algo. Vincula-se, por óbvio, à ação de provar, cujo objetivo é tornar
claro e nítido ao juiz a realidade de um fato, de um acontecimento ou de um episódio.
A prova vincula-se à verdade e à certeza, que se ligam à realidade, todas voltadas,
entretanto, à convicção de seres humanos.
Com isso, a �m de elucidar um fato criminoso e determinar sua autoria, é indispensável a
existência de farto lastro probatório, apto a demonstrar a verdade dos fatos. Porém, é importante
lembrar que há certos limites que devem ser respeitados para a obtenção de provas, conforme
de�nição do art. 157 do Código de Processo Penal que dispõe acerca da inadmissibilidade das
provas ilicitamente obtidas, impondo ainda a necessidade delas serem desentranhadas dos
autos processuais.
A vedação à prova ilícita é tão severa que o parágrafo primeiro do art. 157 impõe que as provas
derivadas de uma outra obtida ilicitamente também são inadmissíveis. A inadmissibilidade da
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prova ilícita não decorre apenas do códex processual, mas também de expresso mandamento
constitucional imposto pelo art. 5º, LVI.
Este claro repúdio à prova ilícita decorre da chamada "fruits of the poisonous tree" ou Teoria dos
Frutos da Árvore Envenenada, a qual aponta que se uma prova ilícita deu origem a outra, mesmo
que licitamente obtida, está maculada pelo vício da primeira, devendo, portanto, ser igualmente
inadmitida.
Ao se debruçar sobre as limitações ao direito de prova, Eduardo Cambi (2006, p. 37-38) faz
explanações acerca da necessidade de preservação dos valores fundamentais:
O direito à prova está sujeito às restrições que decorrem da necessidade que o
ordenamento jurídico tem de tutelar outros valores e interesses igualmente dignos de
proteção. O direito à prova não é absoluto, comportando limitações jurídicas (que se
dão pelo crivo do juízo de admissibilidade, cuja �nalidade é a proteção de outros
valores fundamentais) e lógicas (por intermédio dos juízos de relevância e de
pertinência, que almejam proporcionar a economia e a celeridade processuais,
evitando a perda de tempo e a confusão no raciocínio do juiz).
Cabe ressaltar que a vedação à utilização de prova ilicitamente obtida não é absoluta, posto que
esta é admitida pelos tribunais quando o intuito é de bene�ciar o réu, em estrita observância ao
princípio do in dubio pro reo, justamente sob o fundamento de que o mandamento constitucional
inserto no art. 5º, LVI tem condão de proteger o cidadão e não o inverso. Dessa forma, em que
pese o repudio à prova ilicitamente obtida, é importante frisar que sua recusa não é absoluta.
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Em se tratando de delitos consumados no ambiente virtual ou que tenham sido realizados por
meio de equipamento eletrônico, é indispensável que o perito responsável e os investigadores
atentem à necessidade de autorização judicial e preservem os elementos coletados, posto que a
inalterabilidade do conteúdo analisado é essencial à aceitabilidade da prova.
Direito penal do inimigo e a investigação criminal
O jurista alemão Günther Jakobs, na década de 1980, criou o conceito chamado de
“Feindstrafrecht”, o Direito Penal do Inimigo, tomando por base os ensinamentos trazidos desde
o Direito Romano e as metodologias criadas pelo sociólogo Niklas Luhmann.
A Teoria do Direito Penal do Inimigo defende que os criminosos são divididos em duas classes:
os “criminosos tradicionais”, aos quais é imperiosa a aplicação do Direito Penal Tradicional, e os
“autores de crimes graves”, cujos atos são atentatórios à própria estrutura social, como os
terroristas, criminosos sexuais, membros do crime organizado e autores de outros crimes
graves. Para a Teoria do Direito Penal do Inimigo, esse segundo grupo deve ser rotulado como
“inimigo da sociedade”, razão pela qual, sequer devem ser tratados com as benesses do Direito
tradicional, ante sua insu�ciência em reprimir suas condutas criminosas.
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Günther Jakobs elabora a Teoria do Direito Penal do Inimigo com a premissa de que o sujeito
delinquente, por consequência do caráter de suas ações, é inimigo do Estado, não podendo ser
considerado um cidadão, título que deveria ser reservado apenas aos que não se desviam da
vida em sociedade.
Neste sentido, Jakobs (2008, p. 26) aponta que Johann Gottlieb Fichte possui entendimento
similar:
Quem abandona o contrato cidadão em um ponto em que no contrato se contava
com sua prudência, seja de modo voluntário ou por imprevisão, em sentido estrito
perde todos os seus direitos como cidadão e ser humano, e passa a um estado de
ausência completa de direitos.
A doutrina dominante aponta a existência de três pilares que de�nem a Teoriado Direito Penal do
Inimigo, sendo eles a antecipação da punibilidade, a desproporcionalidade das penas e a
relativização das garantias penais.
É importante frisar que, na prática, a aplicabilidade da Teoria do Direito Penal do Inimigo enfrenta
forte resistência constitucional, posto que algumas medidas adotadas sob o pretexto de proteger
a ordem e a soberania, por vezes, possuem caráter totalitário e gravemente interventivo, como no
caso da antecipação da punibilidade do sujeito, em que aquele considerado como inimigo da
ordem pública enfrenta a punição não apenas pelo ato por ele perpetrado, mas também pelo
risco que oferece à sociedade.
Sob a ótica das investigações criminais, em especial aquelas relativas a delitos realizados em
ambiente virtual, o Direito Penal do Inimigo está mais atrelado ao método investigativo de
detonação, principalmente em razão de seus métodos investigativos invasivos, como os
constantes da Lei Federal nº 12.850, de 2 de agosto de 2013, que trata da investigação de
organizações criminosas, a qual prevê:
Art. 3º Em qualquer fase da persecução penal, serão permitidos, sem prejuízo de
outros já previstos em lei, os seguintes meios de obtenção da prova:
I - colaboração premiada;
II - captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos;
III - ação controlada;
IV - acesso a registros de ligações telefônicas e telemáticas, a dados cadastrais
constantes de bancos de dados públicos ou privados e a informações eleitorais ou
comerciais;
V - interceptação de comunicações telefônicas e telemáticas, nos termos da
legislação especí�ca;
VI - afastamento dos sigilos �nanceiro, bancário e �scal, nos termos da legislação
especí�ca;
VII - in�ltração, por policiais, em atividade de investigação, na forma do art. 11;
VIII - cooperação entre instituições e órgãos federais, distritais, estaduais e
municipais na busca de provas e informações de interesse da investigação ou da
instrução criminal.
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Mesmo diante do caráter invasivo do método da detonação e sua estrita relação com o Direito
Penal do Inimigo, sua utilização, por vezes, é a única ferramenta viável para a elucidar crimes
complexos em que seus agentes possuem muitos recursos, assim, a �exibilização de garantias
acaba se tornando uma arma de e�cácia garantida contra a criminalidade, devendo ser utilizada
com respeito aos limites constitucionais.
_______
 Assimile
É importante lembrar que o princípio da isonomia permite o tratamento desigual para aqueles
que se encontram em posições desiguais, porém, essa medida visa igualar aqueles que não
possuem as mesmas condições e não como no caso do tratamento conferido pelo Direito Penal
do Inimigo, que visa dar tratamento diverso ao criminoso em razão de sua periculosidade.
_______
 Re�ita
Com base nas premissas apresentadas, acerca dos efeitos positivos da utilização do Direito
Penal do Inimigo em uma investigação, em uma situação que envolva, por exemplo, a segurança
nacional, a relativização das garantias constitucionais não seria vantajosa? A relativização já
existente não macula as bases protecionistas da própria constituição?
_______
 Exempli�cando
Em um determinado caso, de difícil solução, um dos investigadores procedeu à interceptação
telefônica do celular do principal suspeito do crime, no qual foi gravada informações que este
passou ao seu amigo, descrevendo com detalhes o que encaixaria perfeitamente com o ocorrido.
Entretanto, tal prova não foi aceita, uma vez que a mencionada receptação não possuía
autorização judicial, tendo ocorrido a mesma situação com as evidências dela derivadas.
_______
Esses são alguns dos temas relevantes e controversos que permeiam as investigações criminais,
em especial as relacionadas a delitos virtuais. Com base nas premissas apresentadas é possível
compreender como o desenvolvimento cada mais célere dos meios de comunicação é passível
de gerar riscos aos cidadãos e, por isso, é indispensável que as autoridades se atualizem no
mesmo ritmo, a �m de criar um ambiente seguro para todos os usuários.
Conclusão
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Foi apresentada uma situação hipotética em que, na condição de perito, lhe é requisitada a
análise de um equipamento bloqueado que, por meio de um software, teve seus dados e seu
sistema bloqueados. Depois de apurar que o software possui capacidade de replicação, foi
proposto que você identi�que o método para que seja utilizado nos autos.
Os crimes digitais vêm ganhando cada vez mais enfoque pela mídia especializada, tal atenção se
dá em decorrência justamente da velocidade com que essa espécie de ataque vem evoluindo e
ganhando novos métodos. Cabe aqui o perito desenvolver o raciocínio com base no material
apresentado. 
Sabemos que o Ransomware, é um software malicioso que bloqueia o acesso aos arquivos e/ou
ao próprio sistema operacional do equipamento infectado por meio do uso de criptogra�a.
Diferente dos vírus de computador, o Ransomware não possui capacidade de replicação,
podendo ser de�nido como um código malicioso que explora as fraquezas na segurança do alvo
e bloqueia seu acesso no intuito de utilizar-se de extorsão para liberação das informações
bloqueadas. Diante dessa diferenciação, é bem possível a�rmar o método utilizado. Para dar
maior guarida, pode ainda a�rmar o que os autores Liska e Gallo (2017, p. 22) explicam sobre a
infecção do equipamento-alvo:
Em um ataque com alvo especí�co, as técnicas para instalar, ofuscar, compactar o
código e explorar falhas podem ser mais nefastas na tentativa de maximizar o
resgate (ransom). O ransomware pode usar essa instalação inicial para se espalhar
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lentamente pela rede afetada, instalando-se em vários sistemas e abrindo
compartilhamentos de arquivos que, por sua vez, serão simultaneamente
criptografados quando as instruções forem enviadas na próxima fase.
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Referências
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