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O SAGRADO E AS RELIGIÕES A religião, desde os tempos iniciais do mundo, ou seja, do convívio humano está voltado para a religião, algo em que os humanos poderiam cultuar. Um Deus, um superior, uma forma de ser maior que ele próprio. Muitas situações e consequências fora se ramificando e existindo através desta imensa vontade do ser humano. Hoje, com todas as religiões já existentes, ramificadas, destrinchadas, com toda essa gama de fé, tradições e culturas, podemos explicar que a religião trata-se de um conjunto de sistemas culturais e de crenças, além de visões de mundo, que estabelece os símbolos que relacionam humanidade com espiritualidade. Muitas religiões têm narrativas, símbolos, tradições e histórias sagradas que se destinam a dar sentido à vida ou explicar a sua origem e do universo. As religiões tendem a derivar a moralidade, a ética, as leis religiosas ou um estilo de vida preferido de suas ideias sobre o cosmos e a natureza humana. No começo, era o nada. Então alguém resolveu contar a origem de tudo. E assim nasceu a tentativa do homem de explicar a origem do Universo. As civilizações mais antigas já tinham essa questão existencial. E as religiões, preocupadas em dar respostas a seus fiéis, não poderiam deixar de formular suas respostas. “Como surgiu tudo? Como é a origem do planeta, das coisas, do homem? Essas são as primeiras p perguntas que o homem faz a si mesmo. Sejam indígenas, africanas, orientais, grandes ou pequenas, novas ou antigas, todas as religiões terão respostas para isso” A palavra religião é muitas vezes usada como sinônimo de fé ou sistema de crenças, mas a religião difere da crença privada na medida em que tem um aspecto público. A maioria das religiões tem comportamentos organizados, incluindo hierarquias clericais, uma definição do que constitui a adesão ou filiação, congregações de leigos, reuniões regulares ou serviços para fins de veneração ou adoração de uma divindade ou para a oração, lugares (naturais ou arquitetônicos) e/ou escrituras sagradas para seus praticantes. A prática de uma religião pode também incluir sermões, comemoração das atividades, sacrifícios, festivais, festas, transe, iniciações, serviços funerários, serviços matrimoniais, meditação, música, arte, dança, ou outros aspectos religiosos da cultura humana. Ao longo da história, a fé e a prática da religião têm sido uma parte importante da sociedade, preocupando-se em oferecer uma explicação ao desconhecido. Hoje, o cristianismo, o islamismo, o judaísmo, o hinduísmo e o budismo são as cinco principais religiões, embora existam muitas outras profissões de fé. Muitas outras apareceram e desapareceram ao longo do tempo. Todavia, as diferentes religiões não emergiram do nada, mas em algum momento da história o ser humano começou a ter e estruturar esses tipos de crenças. De onde vem essa necessidade de vida espiritual? É difícil determinar em que ponto da evolução humana começaram a surgir as crenças religiosas, não sendo possível definir com certeza quando surgiram as primeiras religiões organizadas, uma vez que a origem remonta à pré-história (não havendo registros escritos sobre isso). O que podemos afirmar é que existem fortes indícios evidenciando que a religião é ainda mais antiga que o próprio Homo Sapiens. As primeiras crenças de tipo religioso são anteriores à expansão de nossa espécie. Concretamente sabemos que nossos parentes neandertais já realizavam enterros rituais, algo que mostra a existência de um sentido da morte e uma preocupação com o que acontece depois dela. Nos restos de assentamentos de algumas tribos ou clãs parece que eles observavam algum tipo de culto a certos animais, como aos ursos. Outro aspecto a destacar é a consideração do que possibilita o surgimento do pensamento religioso. Neste sentido, é preciso ter uma série de capacidades mentais básicas: é necessária uma certa capacidade de abstração, a existência de uma teoria da mente (que permite ao sujeito perceber que os outros têm a sua própria perspectiva, objetivos e vontades distintas das que ele próprio tem), a detecção de agentes causais e a capacidade de fazer associações complexas. Considera-se que a fé pode ter surgido ou como uma adaptação vantajosa que se manteve por seleção natural (uma vez que permite a criação e a coesão grupal, o que facilita a sobrevivência e a reprodução) ou como um subproduto do surgimento de habilidades cognitivas como as mencionadas anteriormente. Outro aspecto a se notar é o fato de as religiões frequentemente incluírem diferentes tipos de crenças, surgindo, seguramente, alguns tipos delas antes que outras. O animismo, a crença na existência de uma força vital ou alma em todos os animais, plantas ou mesmo acidentes geológicos e fenômenos naturais, possuindo estes uma vontade própria, é o tipo mais difundido e antigo de crença religiosa. Este tipo serve como base para o desenvolvimento posterior da crença no sobrenatural ou no místico. Logo depois dela se situa a crença no além ou na vida após a morte, que é considerada como um dos aspectos mais comuns e antigos das religiões. Para isso é necessário o conceito de alma ou algo que existe além da morte, justamente sendo necessário que o animismo existisse anteriormente. Depois disso pode se desenvolver a ideia de um especialista que gere as normas que permitam um acesso ou um contato com o além. Daí surgiria o xamã e, mais tarde, a instituição clerical. Esta figura se tornaria um especialista na comunicação e gestão do fato religioso. Também daí pode surgir a crença no culto aos antepassados. Finalmente, a crença nos deuses é algo que pode ser derivado da crença em entidades superiores que podem nos olhar e afetar nossas vidas, mas que parecem surgir de um reflexo do modo como uma sociedade ou tribo se organiza. Quem e como somos e onde estamos é o resultado do avanço da história. Qualquer fenômeno é um fenômeno humano que se tornou o que é. E isso também acontece com a religião. Religião é um conjunto de crenças e filosofias que são seguidas, formando diferentes pensamentos. Cada religião tem suas diferenças quanto a alguns aspectos, porém a grande maioria se assemelha em acreditar em algo ou alguém do plano superior e na vida após a morte. Entre a grande quantidade de religiões existentes hoje no mundo, existem aquelas que se sobressaem e conseguem conquistar muitos fiéis. São: Cristianismo: É a maior religião do mundo, com cerca de 2.106.962.000 de seguidores. É monoteísta e se baseia na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré. Islamismo: Possui aproximadamente 1.283.424.000 fiéis, é a segunda religião mais praticada no mundo. Além disso, é também um sistema que monitora a política, a economia e a vida social. Hinduísmo: Com cerca de 851.291.000 fiéis, é a terceira maior religião e a mais velha do mundo. A religião se baseia em textos como os Vedas, os Puranas, o Mahabharata e o Ramayama. Budismo: Com aproximadamente 375.440.000 fiéis, ocupa o quinto lugar. É uma religião e uma filosofia que se espelham na vida de Buda. Este não deixou nada escrito, porém seus discípulos escreveram acerca de suas realizações e ensinamentos para que seus posteriores fiéis pudessem conhecê-lo. Pesquisa Datafolha publicada nesta segunda-feira (13) pelo jornal "Folha de S.Paulo" aponta que 50% dos brasileiros são católicos, 31%, evangélicos, e 10% não têm religião. Ainda de acordo com o levantamento, as mulheres representam 58% dos evangélicos e são 51% entre os católicos. A pesquisa foi feita nos dias 5 e 6 de dezembro do ano passado, com 2.948 entrevistados em 176 municípios de todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Religião dos brasileiros · Católica: 50% · Evangélica: 31% · Não tem religião: 10% · Espírita: 3% · Umbanda, candomblé ou outras religiões afro-brasileiras: 2% · Outra: 2% · Ateu: 1% · Judaica: 0,3% Religião por sexo Católicos: · Mulher: 51% · Homem: 49% Evangélicos: · Mulher: 58% · Homem: 42% Religião por cor Católicos: · Parda: 41% · Branca:36% · Preta: 14% · Amarela: 2% · Indígena: 2% · Outras: 4% Evangélicos: · Parda: 43% · Branca: 30% · Preta: 16% · Amarela: 3% · Indígena: 2% · Outras: 5% Religião por idade Católicos: · 16 a 24 anos: 13% · 25 a 34 anos: 17% · 35 a 44 anos: 18% · 45 a 59 anos: 26% · 60 anos ou mais: 25% Evangélicos: · 16 a 24 anos: 19% · 25 a 34 anos: 21% · 35 a 44 anos: 22% · 45 a 59 anos: 23% · 60 anos ou mais: 16% Religião por escolaridade Católicos · Fundamental: 38% · Médio: 42% · Superior: 20% Evangélicos · Fundamental: 35% · Médio: 49% · Superior: 15% Renda Católicos · Até 2 salários mínimos: 46% · De 2 a 3 salários mínimos: 21% · De 3 a 5 salários mínimos: 17% · de 5 a 10 salários mínimos: 9% · Mais de 10 salários mínimos: 2% Evangélicos · Até 2 salários mínimos: 48% · De 2 a 3 salários mínimos: 21% · De 3 a 5 salários mínimos: 17% · de 5 a 10 salários mínimos: 7% · Mais de 10 salários mínimos: 2% Região do país Católicos · Sudeste: 45% · Sul: 53% · Nordeste: 59% · Centro-Oeste: 49% · Norte: 50% Evangélicos · Sudeste: 32% · Sul: 30% · Nordeste: 27% · Centro-Oeste: 33% · Norte: 39% Algumas manifestações religiosas pelo Brasil; Agora que você já conhece as principais religiões do Brasil, vamos apresentar, a seguir, quais são as festividades religiosas mais comemoradas no país, suas características, onde ocorrem e a quais grupos religiosos pertencem; Festa de Iemanjá, Salvador (BA) Tudo começou com pescadores do Rio Vermelho, em Salvador, que resolveram fazer oferendas a Iemanjá pedindo mais peixe na rede e mares tranquilos. Isso foi em 1923, e hoje a festa é uma das mais belas demonstrações da cultura afro-brasileira no Brasil. A Festa de Iemanjá é realizada em Salvador, na Bahia, no dia 02 de fevereiro, reunindo todos os anos milhares de participantes. Na ocasião, desde as horas iniciais do dia (por volta das 5 horas da madrugada) os religiosos que são adeptos das religiões afro-brasileiras dançam e cantam chamando por Iemanjá para a festa que ocorre em frente à “casa de Iemanjá”, próximo ao lago de Sant’Ana. Durante a homenagem para o orixá, oferendas feitas em barcos são levadas para alto-mar, especialmente no bairro Rio Vermelho, na orla marítima de Salvador, às 16 horas do mesmo dia. Os rituais começam ainda na madrugada anterior e, às 5 horas, os balaios (cestos) de oferendas começam a ser transportados da Praia dos Pescadores para as embarcações que as levam para o mar às 16 horas do mesmo dia. Na areia, barraquinhas de comidas típicas, samba de roda, afoxé e capoeira. Dia 02 de fevereiro é a data alusiva ao acontecimento. Festa do Padre Cícero, Juazeiro do Norte (CE) Em Juazeiro do Norte, a 600 quilômetros de Juazeiro, todo dia é dia de Padim Ciço. O Padre Cícero Romão, canonizado em 1973, está em todas – da enorme estátua na praça central da cidade às miniaturas das lojinhas de suvenires, passando pela marca de rapadura. O aniversário de sua morte, lembrada no dia 20 de julho, para a cidade desde 1934. É uma das maiores romarias do Nordeste, sem falar em missas, novenas, peregrinações aos lugares ligados ao religioso e uma impressionante feira de artesanato e artigos religiosos relacionados ao santo. Dia 20 de julho é a data alusiva ao acontecimento. Festa do Bonfim, Salvador (BA) A Festa do Bonfim, também conhecida como Lavagem do Bonfim, ocorre na segunda quinta-feira, depois do Dia de Reis em Salvador, na Bahia. Essa festividade é considerada com um dos melhores exemplos de sincretismo religioso no país, pois reúne o catolicismo e as religiões africanas. A Lavagem do Bonfim tem início com um belo cortejo que sai da Igreja da Conceição da Praia e é liderado pelas baianas até a Igreja do Bonfim (datada de 1754), localizada a aproximadamente 8 quilômetros do ponto de partida. Atrás das baianas, há o bloco dos Filhos de Gandhi e, logo após, o restante dos participantes. A cor usada durante a comemoração é o branco, em homenagem a Oxalá, no catolicismo o Senhor do Bonfim. A lavagem das escadarias da igreja é simbólica e feita com vassouras e a água de cheiro trazida pelas baianas. Por fim, os participantes da festa dão 3 voltas ao redor da igreja, realizam 3 pedidos e devem amarrar uma fitinha do Senhor do Bonfim no portão da igreja. Obs.: O Brasil é um país com forte presença de religiões e que conta com diversos grupos religiosos relevantes, razão pela qual as festividades religiosas são celebradas com frequência em diferentes ocasiões. Muitas pessoas planejam viagens com o intuito principal de participar de uma festividade religiosa, afinal, as manifestações com intuito religioso ocorrem por todo o país e costumam arrastar milhares de fiéis. Religião no Brasil Antes de 1891, o catolicismo era a religião oficial do Brasil (herança da colonização portuguesa), mas, desde a Constituição Republicana, o estado laico foi instituído em toda a nação, o que quer dizer que o estado não pode favorecer ou proibir as atividades das religiões. O Brasil é um país miscigenado e esse fator influencia, inclusive, na divisão religiosa local, que conta, por exemplo, tanto com religiões cristãs quanto com ritos de matriz africana ou indígena. Dessa maneira, como o Brasil é um país religiosamente diverso, as festividades religiosas ocorrem com frequência, uma vez que cada uma das religiões possui datas festivas específicas. De acordo com o último censo demográfico realizado em 2010, pelo IBGE, foi observada a seguinte composição religiosa no Brasil: 64,6% da população se declara católicos; 22,2% declaram-se protestantes; 8,0% não tem religião (como ateus, agnósticos ou deístas); 2,0% declaram-se espíritas; 0,3% seguem as religiões afro-brasileiras (como o candomblé e a umbanda); 1,6% são seguidores das demais religiões, como judaísmo, budismo, islamismo e esoterismo. Algumas manifestações religiosas pela África; Durante o processo de colonização do Brasil, notamos que a utilização dos africanos como mão de obra escrava estabeleceu um amplo leque de novidades em nosso cenário religioso. Ao chegarem aqui, os escravos de várias regiões da África traziam consigo várias crenças que se modificaram no espaço colonial. De forma geral, o contato entre nações africanas diferentes empreendeu a troca e a difusão de muitos divindades. Mediante essa situação, a Igreja Católica se colocava em um delicado dilema ao representar a religião oficial do espaço colonial. Em algumas situações, os clérigos tentavam reprimir as manifestações religiosas dos escravos e lhes impor o paradigma cristão. Em outras situações, preferiam fazer vista grossa aos cantos, batuques, danças e rezas ocorridas nas senzalas. Diversas vezes, os negros organizavam propositalmente suas manifestações em dias-santos ou durante outras festividades católicas. Do ponto de vista dos representantes da elite colonial, a liberação das crenças religiosas africanas era interpretada positivamente. Ao manterem suas tradições religiosas, muitas nações africanas alimentavam as antigas rivalidades contra outros grupos de negros atingidos pela escravidão. Com a preservação desta hostilidade, a organização de fugas e levantes nas fazendas poderia diminuir sensivelmente. Aparentemente, a participação dos negros nas manifestações de origem católica poderia representar a conversão religiosa dessas populações e a perda de sua identidade. Contudo, muitos escravos, mesmo se reconhecendo como cristãos, não abandonaram a fé nos orixás, voduns e inquices oriundos de sua terra natal. Ao longo do tempo, a coexistência das crendices abriu campo para que novas experiências religiosas – dotadas de elementos africanos, cristãos e indígenas – fossem estruturadas no Brasil. É a partir dessa situação que podemos compreender porque vários santos católicos equivalem a determinadas divindades de origem africana. Além disso, podemos compreender como vários dos deuses africanos percorrem religiões distintas. Na atualidade,não é muito difícil conhecer alguém que professe uma determinada religião, mas que se simpatize ou também frequente outras. Dessa forma, observamos que o desenvolvimento da cultura religiosa brasileira foi evidentemente marcado por uma série de negociações, trocas e incorporações. Nesse sentido, ao mesmo tempo em que podemos ver a presença de equivalências e proximidades entre os cultos africanos e as outras religiões estabelecidas no Brasil, também temos uma série de particularidades que definem várias diferenças. Por fim, o sincretismo religioso acabou articulando uma experiência cultural própria. Não cabe dizer que o contato entre elas acabou designando um processo de aviltamento de religiões que aqui apareceram. Tanto do ponto de vista religioso, quanto em outros aspectos da nossa vida cotidiana, é possível observar que o diálogo entre os saberes abre espaço para diversas inovações. Por esta razão, é impossível acreditar que qualquer religião teria sido injustamente aviltada ou corrompida. Dança africana Os africanos trouxeram para a América Latina seu jeito único de dançar, com intensos movimentos de quadris, ombros e pernas. Assim, a salsa e a rumba surgiram em Cuba, na combinação da sensualidade africana com a enérgica música espanhola. Já o tango evoluiu a partir do Candomblé, junto às danças europeias. As primeiras rodas de samba apareceram no Rio de Janeiro, na fusão de elementos do batuque africano com a polca e o maxixe. Nos Estados Unidos, o sapateado, lindy hop, charleston, funk, disco e até as danças mais atuais como hip hop e break-dancing também contaram com a vibração da África. A capoeira é uma das expressões da cultura afro-brasileira que mais merece destaque, unindo artes marciais com ginga, dança e música. Foi criada pelos negros na época do Brasil Colonial permanecendo viva até hoje e é reconhecida por todo o mundo. Nela, são encenados golpes e movimentos acompanhados pela música dos capoeiristas. Eles ficam na roda batendo palma no ritmo do berimbau e cantando enquanto outros dois jogam a capoeira com muita energia. Música africana Os pulsantes sons da África influenciaram muito a música popular brasileira. Os batuques, que no continente fazem parte de cerimônias religiosas e festividades, deram origem ao maxixe, maracatu, samba, choro e à aclamada bossa nova. Junto ao berimbau da capoeira, também há outros instrumentos brasileiros com raiz africana. A maioria é de percussão, como o tambor, atabaque, cuíca, afoxé, agogô, maracas, marimba e alguns tipos de flauta. A música cubana foi premiada com a influência africana no surgimento da rumba, e em Trinidad e Tobago o calypso ganhou vida. O blues veio da África para os Estados Unidos e era tocado pelas mãos dos trabalhadores das plantações de algodão do sul. Eles também entoavam seus fortes cantos durante o trabalho. Nos juke joints — bares nas estradas administrados por africanos — era possível ouvir e dançar o blues regado a jogos e bebidas. Após a Guerra Civil, eles passaram a divulgar o ritmo em outras partes do território americano. Com o tempo, o blues tornou-se a principal fonte de inspiração para vários dos clássicos gêneros musicais americanos: jazz, soul, disco, country e rock and roll. Com a temática da crítica social, o reggae e o hip hop, incluindo o rap, também passaram por influências dos ritmos africanos. A cultura africana deve ser observada sempre no plural, haja vista sua existência milenar e sua vasta diversidade. Cumpre lembrar que a África não é um país. A arqueologia aponta a África como o território habitado há mais tempo no planeta. Isso resultou na profusão de idiomas com mais de mil línguas, religiões, regimes políticos, condições materiais de habitação e atividades econômicas. Atualmente, o continente africano ocupa um quinto da Terra, com mais de 50 países e quase 1 bilhão de habitantes. Etnocentrismo, eurocentrismo e culturas africanas É fato conhecido que a história africana foi escrita e contada pelos colonizadores europeus. Os viajantes, missionários e dirigentes coloniais foram os responsáveis pelos primeiros relatos acerca da cultura dos povos africanos. Assim, além de serem capturados para alimentarem a escravidão colonial, estes povos foram usurpados em todos os seus direitos, incluindo o de contar a própria história. O “Etnocentrismo” e o “Eurocentrismo” nas ciências europeias durante o século XIX são os responsáveis pela concepção das culturas africanas. Nesse viés, elas são consideradas manifestações primitivas ou bárbaras, típicas dos primeiros estágios da civilização. Hoje, com as independências dos países africanos, há um esforço de recuperação das tradições culturais africanas, bem como a constituição de uma historiografia local. Os povos africanos podem ser nômades e vagarem pelo deserto ou se fixarem em território para construir grandes impérios. Também podem ser formados por pequenas tribos ou grandes reinos, onde o chefe político e o sumo sacerdote podem ser a mesma pessoa. Seja governado por clãs de linhagem ou por classes sociais específicas, estes povos irão constituir grandes patrimônios materiais e imateriais presentes até os dias de hoje. Estes bens refletem a história e o meio ambiente em que se originaram. Por isso, representam aspectos das florestas tropicais, desertos, montanhas, etc. Cada povo africano tem suas origens mitológicas para explicar suas origens. Estas religiões tradicionais possuem, via de regra, um panteão e estão voltadas ao culto dos antepassados e das divindades da natureza. A forma mais conhecida destas religiões envolve o culto aos Orixás (divindades de origem Ioruba ou Nagô) e englobam uma ampla variedade de crenças e ritos. Por outro lado, a vida material e espiritual nas religiões africanas, tendem a indistinção entre o sagrado e o profano. Estas dimensões são concebidas como indissociáveis e inseparáveis. Michael Vinnicios Aragão Ferreira Geografia Licenciatura RU:2007364 image1.jpeg image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.png image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg