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AUTOMAÇÃO E
PROVISIONAMENTO DE
SERVIÇOS EM NUVEM
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Fernanda Rosa da Silva
Londrina 
Editora e Distribuidora Educacional S.A. 
2020
AUTOMAÇÃO E PROVISIONAMENTO DE 
SERVIÇOS EM NUVEM
1ª edição
3
2020
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br
Homepage: http://www.kroton.com.br/
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Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada
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Henrique Salustiano Silva
Revisor
Luis Vinicius Antunes Palma
Editorial
Alessandra Cristina Fahl
Beatriz Meloni Montefusco
Gilvânia Honório dos Santos
Mariana de Campos Barroso
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)__________________________________________________________________________________________ 
Silva, Fernanda Rosa da
S586a Automação e provisionamento de serviços em nuvem/
Fernanda Rosa da Silva, – Londrina: Editora e Distribuidora
 Educacional S.A. 2020.
 44 p.
 ISBN 978-65-5903-061-3
1. Automação. 2. Serviços. 3. Nuvem. I. Título.
 
CDD 004.678
____________________________________________________________________________________________
Raquel Torres - CRB: 6/2786
© 2020 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, 
eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de 
sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, 
por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A.
4
SUMÁRIO
Provedores e a orquestração de recursos ___________________________ 05
Gerenciamento de recursos orquestrados na nuvem _______________ 20
Disponibilidade e tolerância em Cloud Computing __________________ 35
Monitoramento de serviços na nuvem ______________________________ 48
AUTOMAÇÃO E PROVISIONAMENTO DE SERVIÇOS EM 
NUVEM
5
Provedores e a orquestração de 
recursos
Autoria: Fernanda Rosa da Silva
Leitura crítica: Luis Vinicius Antunes Palma
Objetivos
• Definir o gerenciamento da infraestrutura da nuvem 
e como os recursos podem ser provisionados para 
atender às necessidades da nuvem.
• Explorar como os recursos são organizados e 
coordenados pelos provedores na nuvem e como é 
possível gerenciá-los de forma automatizada. 
• Descrever como a orquestração de fluxo de trabalho 
pode ser realizada entre vários provedores. 
6
1. Gerenciamento da infraestrutura na nuvem
Mesmo com todos os benefícios que a nuvem oferece, sua infraestrutura 
requer o gerenciamento adequado das soluções. Para isso, é comum 
que a organização aloque um profissional experiente para essa função, 
atuando no processo de gestão e organização do ambiente e execução 
de todas as rotinas. O gerenciamento da infraestrutura de nuvem 
de forma geral é de responsabilidade dos administradores, que têm 
controle sobre tudo que é operado na nuvem, desde os usuários que 
realizam acesso aos recursos até os próprios recursos, que podem 
ser definidos como dados, aplicações, serviços e qualquer informação 
armazenada na nuvem.
Para que o gerenciamento do ambiente como um todo seja realizado 
de maneira correta, é necessário que ferramentas adequadas 
sejam utilizadas, entregando todos os requisitos necessários para 
que o funcionamento das aplicações na nuvem seja possível. Essas 
ferramentas costumam ser largamente utilizadas para implantação 
de recursos, rastreamento de uso, integração de dados e até mesmo 
recuperação de desastres, fornecendo, além disso, um controle 
financeiro e administrativo completo.
Na prática, o gerenciamento da infraestrutura de nuvem auxilia na 
manutenção, gestão, implementação dos serviços e correção de 
problemas. Essas ações, de acordo com Barsotti ([s.d.].), propiciam 
alcançar resultados eficientes, atingir a confiança da organização 
e aplicar o processo de governança de TI da melhor forma. Alguns 
exemplos de fornecedores que oferecem ferramentas que permitem o 
gerenciamento da infraestrutura da nuvem são: Red Hat e Solarwinds.
Na maioria das vezes, o software de gerenciamento é implementado 
em ambiente de nuvem já existente, como uma máquina virtual (VM), 
que contém uma estrutura completa, com sistema e banco de dados, 
7
e realiza a comunicação por meio de interfaces de programação de 
aplicações (APIs) para conectar o banco de dados e os recursos virtuais 
que sustentam a nuvem. Esse gerenciamento é realizado por meio da 
coleta de informações relevantes sobre o desempenho da infraestrutura 
virtual e o processamento de dados e do envio regular de relatórios aos 
administradores para que os dados e a performance da nuvem sejam 
analisados, sendo possível retransmitir comandos para a nuvem com os 
ajustes necessários (REDHAT, [s.d.]). Assim, o gerenciamento de nuvem 
utiliza uma combinação de softwares e tecnologias para gerenciar os 
ambientes, sendo algumas das ferramentas oferecidas de forma nativa 
por parte de provedores da nuvem pública, projetadas para fornecer 
funcionalidade consistente em vários provedores.
O gerenciamento da infraestrutura na nuvem é definido pelas seguintes 
tarefas para que o ambiente seja mantido em conformidade:
• Administração e suporte aos sistemas
Por meio da plataforma da nuvem, é possível gerenciar de forma 
unificada todos os recursos, como instalação de sistemas e pacotes, 
atualização de pacotes, aplicação de correções, agendamento de 
manutenção e gerenciamento de usuários em relação ao uso de 
softwares. Esse tipo de gerenciamento proporciona maior agilidade para 
que as demandas internas sejam atendidas, agregando flexibilidade 
ao ambiente corporativo e flexibilizando o acesso de informações a 
partir de qualquer lugar que tenha acesso à internet. Os processos 
de manutenção na nuvem podem ser automatizados e aplicados 
simultaneamente em todo o sistema.
• Monitoramento de recursos
Assim como todas as redes de computadores, a nuvem é um ambiente 
que pode apresentar falhas e estar suscetível a problemas, sejam 
eles humanos ou operacionais, e é o gerenciamento da nuvem que 
8
permite que processos operacionais, recursos de rede e acessos 
sejam monitorados, além do gerenciamento de incidentes. De acordo 
com Malheiros (2019), os provedores monitoram os recursos a fim de 
contabilizar de forma minuciosa as requisições e o tempo de alocação 
por parte dos clientes.
• Banco de dados, recursos de rede e ambiente web
O gerenciamento em cloud também pode ser utilizado para definir 
regras de controle de acesso, tanto para os recursos de rede quanto 
para o banco de dados ou ambiente web criado por meio da nuvem, 
mantendo-se, assim, o sigilo de informações. Além dessas rotinas, 
com o gerenciamento da infraestrutura da nuvem, é possível definir e 
disponibilizar recursos de rede, como VPN, e recursos de segurança, 
como Firewall (MOREIRA; MACÊDO; MACHADO, 2011).
• Virtualização
A técnica de virtualização também é muito utilizada para o 
gerenciamento de infraestrutura, permitindo o isolamento de serviços 
hospedados em máquinas virtuais com maior segurança. De acordo 
com Moreira, Macêdo e Machado (2011), com a virtualização, é possível 
otimizar o uso de recursos de hardware.
1.1 A arquitetura e os recursos de infraestrutura da 
nuvem
A arquitetura de referência da computação em nuvem do Instituto 
Nacional de Padrões de Tecnologia (NIST) define como cinco os 
principais atores da nuvem: consumidor, provedor, auditor, agente e 
operadora da nuvem. Todos os atores definem indivíduos ou grupose 
seus principais papéis em relação à infraestrutura da nuvem, de acordo 
com IBGP ([s.d.]), e estão presentes nos processos e nas tarefas que 
envolvem a operação da nuvem.
9
Sobre os demais papéis estabelecidos, vejamos a figura a seguir.
Figura 1 – Autores da nuvem e suas funções no provisionamento de 
recursos
Fonte: adaptada de IBGP ([s.d.]).
Considerando a responsabilidade do provedor, as modalidades 
de serviço oferecidas (IaaS, PaaS e SaaS) alteram os aspectos e as 
responsabilidades entre os provedores e o escopo de infraestrutura 
oferecido, como controle, segurança e configuração de recursos.
O gerenciamento de infraestrutura é realizado de forma diferente 
para cada uma das modalidades oferecidas na nuvem. Enquanto 
aplicativos em SaaS usam aplicativos sobre demanda e seus serviços 
possam ser medidos em termos de tempo de uso, largura de banda 
da rede e quantidade/duração de dados armazenada; em PaaS, os 
consumidores empregam ferramentas e recursos e os executam 
conforme fornecido pelo provedor, com o principal objetivo de 
10
desenvolver, testar e implementar aplicativos, sendo cobrados pelo 
número de consumidores, pelos recursos e pela duração de uso 
da plataforma. Já em IaaS, os consumidores são provisionadores 
dos seus próprios recursos e podem acessar máquinas virtuais, 
componentes de infraestrutura de rede e recursos fundamentais de 
computação, implementando seus serviços e sendo cobrados pela 
quantidade de recursos consumidos.
O gerenciamento realizado por todos os envolvidos na infraestrutura 
de nuvem é de forma sincronizada, permitindo que os serviços sejam 
provisionados de forma elástica e rápida. Porém, podem ser mais 
eficientes com o uso de técnicas como automação e orquestração dos 
serviços.
2. Provedores e a automação de serviços na 
nuvem
A computação em nuvem é conhecida por oferecer e hospedar serviços 
de larga escala, representados de forma dinâmica e escalável, com 
suporte a uma infinita oscilação de carga de trabalho. A adoção da 
nuvem vem crescendo por parte de empresas que buscam maior 
capacidade computacional e um menor esforço para manter seus 
serviços. Com isso, surgiu a possibilidade de automatizar tarefas na 
nuvem por parte de diversos provedores, facilitando o uso.
Apesar de oferecer os serviços sob demanda, a realidade que 
acompanha esse benefício oferecido pela nuvem mostra que, apesar da 
facilidade oferecida, os recursos precisam ser manualmente adequados, 
testados e monitorados pela organização, responsável por realizar o 
gerenciamento necessário para a sua demanda, o que pode representar 
algum esforço manual.
11
Dessa forma, a maioria dos gerentes estão optando por adotar a 
automação em nuvem, e, com isso, os datacenters passam a ser 
geridos com a utilização de softwares locais ao mesmo tempo 
que utilizam os serviços da nuvem. Sendo assim, os sistemas de 
automação, quando implementados, trazem às empresas a solução 
para auxiliar no controle e na manutenção dos dados de forma 
imediata, controlando eficientemente os recursos de processamento, 
rede e armazenamento.
O processo de automação garante a agilidade nas tarefas do trabalho, 
de acordo com Foxfly (2015). Assim, tarefas complexas e extensas que 
levavam um longo tempo para serem concluídas podem ser aceleradas 
em um tempo mínimo, sendo personalizadas pela empresa de acordo 
com suas necessidades.
Utilizando a função de automação em nuvem, é possível monitorar os 
recursos constantemente, controlando se o consumo está de acordo 
com a demanda e remanejando ou movimentando aplicações entre os 
provedores de serviço para automatizar custos. No entanto, Perry (2019) 
afirma que a automação da nuvem não está embutida em seus serviços, 
e, por isso, é necessário o uso de ferramentas específicas.
O termo DCaaS (Datacenter como um Serviço), também tem sido um 
conceito difundido na computação em nuvem, sendo datacenters virtuais 
oferecidos pelos provedores de nuvem.
2.1 Casos de uso da automação na nuvem
A automação em nuvem é útil a uma diversidade de cenários, sendo 
utilizada por organizações para atender aos fluxos de trabalho de 
desenvolvimento. Assim, temos:
• Infraestrutura como código (IaC)
12
É um conjunto de práticas que usam “código” (em vez de comandos 
manuais) para manusear recursos, provisionar e configurar máquinas 
e redes (virtuais), além de executarem tarefas específicas na nuvem, 
como instalação de pacotes, configuração do ambiente para receber 
uma aplicação, entre outras. A infraestrutura gerenciada por esse 
código inclui recursos físicos variados, como equipamentos (bare metal), 
máquinas virtuais, contêineres e redes definidas por software. Antes de 
entrar em produção, esse tipo de recurso deve, no entanto, ser criado, 
testado e armazenado adequadamente para que possa ser controlado 
de maneira eficiente (AMARAL, 2018).
No paradigma IaC, a infraestrutura de TI é definida por meio de 
arquivos de configuração previamente configurados, que são iniciados 
automaticamente de acordo com a especificação e devem ser mantidos 
no controle de versão, bem como gerenciados, testados e evoluídos, 
tal qual o código-fonte. Com esse objetivo, a automação da nuvem 
agregada ao uso de IaC e torna os processos mais ágeis, já que tanto 
nas nuvens públicas como privadas é possível que qualquer sistema, 
independentemente de sua complexidade, seja controlado em todos os 
seus aspectos.
• Gerenciamento de carga de trabalho
A estratégia mais eficiente para tratar uma carga de trabalho, de 
acordo com Perry (2019), é o dimensionamento automático, recurso da 
automação de nuvem que, além de possibilitar o controle de custos, 
também permite rastrear o que está sendo executado, adaptando o 
ambiente à demanda atual. Ademais, reduz os recursos quando eles não 
estiverem sendo utilizados ou aumenta a capacidade do sistema quando 
necessário, equilibrando a utilização de acordo com os requisitos 
operacionais.
• Desenvolvimento e teste de aplicativos
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Em um ambiente de desenvolvimento de forma geral, as aplicações são 
implementadas e entregues de forma contínua, atribuindo práticas, 
como desenvolvimento ágil (conjunto de comportamentos, processos, 
práticas e ferramentas utilizados para a criação de produtos); uma 
rotina de testes muitas vezes exaustiva; homologação de softwares; 
entre outras etapas, que muitas vezes exigem ambientes provisionados 
automaticamente. Para isso, a automação em nuvem tem sido 
uma das principais formas de suprir essa necessidade, gerando 
ambientes precisos de desenvolvimento. Malheiros (2019) aponta 
que o ambiente de nuvem é bastante utilizado para desenvolvimento, 
testes e implantação (deploy) de ferramentas, devido aos mecanismos 
sofisticados que oferece.
• Nuvem híbrida
Os ambientes híbridos contêm uma maior complexidade quando 
comparados com as nuvens pública e privada e exigem que os sistemas 
estejam integrados. Com o uso de automação em nuvem, é possível 
sincronizar ativos entre os datacenters locais e recursos da nuvem, 
facilitando processos críticos, como recuperação de desastres.
Outras possibilidades de uso da automação em nuvem são ilustradas na 
Figura 2:
Figura 2 – Utilização de automação na nuvem
Fonte: elaborada pela autora.
A automação em nuvem pode contribuir de forma decisiva para 
automatizar a TI de uma organização e ser utilizada ainda em conjunto 
com a orquestração (fluxo de atividades entre diversos fornecedores) 
para trazer ainda mais benefícios ao ambiente.
14
3. A orquestração do fluxo de trabalho entre 
provedores
A primeira ideia que se tem sobre a nuvem é a possibilidade oferecida 
por ela de disponibilizar recursos computacionais virtualmente 
ilimitados. Porém, na prática, o provedor de nuvem aplica algumas 
limitações para a utilização de cada usuário a fim de que seja possível 
atender à grande demanda de utilização do ambiente.
Para superar os limites da nuvem, por mais que de uma maneira geral 
eles não estejam explícitos, as organizaçõessão capazes de construir 
aplicações que combinem recursos fornecidos por diversos provedores 
de nuvem, utilizem recursos oferecidos por diversos provedores e que 
passem a ser combinados entre si. Como resultado, é possível arquitetar 
uma infraestrutura diversificada para a nuvem, para a arquitetura ou 
para a localização geográfica.
Com a orquestração, é possível gerenciar a infraestrutura em nuvem, 
permitindo que os recursos necessários sejam fornecidos, como:
• Comparar valores entre nuvens orquestradas antes de alocar um 
recurso.
• Lançar recursos computacionais automatizados, facilitando as 
tarefas do administrador.
• Definir arquitetura de projetos e gerenciamento eficaz de recursos 
de rede, diminuindo os custos e a subutilização de recursos.
• Criar, modificar e apagar recursos e fluxos de trabalho, assim 
como orquestrar e gerenciar cargas de trabalho.
• Outras funções incluem coletar e atender a solicitações de 
usuários, além de controlar mudanças, gestão de custos e 
proteção de dados.
15
Acredita-se que o grande objetivo da maioria das organizações é 
viabilizar a infraestrutura de TI em termos de custo e, sobretudo, de 
uma forma que consiga suportar a missão da empresa, garantindo 
confiabilidade e segurança na entrega dos serviços. Existem processos 
que tornam o gerenciamento de infraestrutura na nuvem mais simples, 
como automação e orquestração de serviços.
Outro ponto importante é o fato de a maioria dos provedores de nuvem 
terem foco em negócios específicos e nem sempre disporem de todas as 
ferramentas necessárias para uma mesma organização. Dessa forma, a 
combinação de recursos também é bem-vinda.
As características citadas nos parágrafos anteriores definem a 
orquestração de ambientes em nuvem, que permite o uso de diversos 
produtos de diversos provedores ao mesmo tempo, confeccionando uma 
única solução que pode ser gerenciada de forma centralizada em uma 
única estrutura. No entanto, ela vai além da automação, pois permite que 
as tarefas sejam agendadas e sigam uma ordem cronológica de acordo 
com o objetivo do processo, integrando diversas ferramentas e garantindo 
o funcionamento correto do sistema, principalmente quando existem 
dependências técnicas ao decorrer de todo o processo.
Para que fique mais claro, imaginemos que um aplicativo hospedado 
pelo Provedor 1 precisa consultar um banco de dados hospedado pelo 
Provedor 2. Com a orquestração, isso se torna possível, garantindo que 
os dois serviços se comuniquem remotamente por meio da internet, 
aplicando dimensionamento automático e regras de permissões e 
segurança adequadas.
A orquestração na nuvem é um processo complexo, que envolve, de 
acordo com Venugopal (2016), a automatização da organização, a 
coordenação e o gerenciamento de sistemas complexos de computação, 
serviços e componentes de aplicações, como middlewares, acelerando a 
entrega de serviços em menos tempo.
16
Em ambientes complexos, a integração de sistemas é necessária para 
conectar múltiplos sistemas ou componentes, que são essenciais para 
a realização de provisionamento e gerenciamento de serviços, sendo 
esta a função da orquestração. Damasceno (2015) afirma que, mesmo 
que algumas tarefas ainda tenham que ser executadas de forma 
manual pelos administradores de nuvem, provedores de serviços estão 
buscando automatizar essas funções o máximo possível.
A orquestração é definida em três aspectos:
• Orquestração de recursos: os recursos (serviços e aplicações) são 
alocados por meio da orquestração.
• Orquestração de serviços: os serviços são alocados em servidores 
ou no ambiente de nuvem com o uso da orquestração.
• Orquestração de carga de trabalho: as cargas de trabalho (ou seja, 
demandas tratadas na nuvem) são compartilhadas pelos recursos 
alocados.
3.1 Mecanismos de orquestração
São diversos os mecanismos e técnicas disponíveis para aplicar a 
orquestração na nuvem. Essas tecnologias devem ser selecionadas de 
acordo com as particularidades e necessidades de cada organização. 
Vejamos algumas de acordo com Venugopal (2016):
• Chef e Puppet
O Chef é uma plataforma que trata da automação, sendo capaz de 
transformar infraestruturas complexas em código, criando soluções 
completas, como servidores e serviços de rede; e implementando a 
orquestração na nuvem para não somente automatizar a configuração 
e a implementação, mas também para gerenciar todos os aplicativos de 
rede, sistemas operacionais e correções/soluções de problemas.
17
O Puppet é uma ferramenta de estrutura semelhante ao Chef, sendo 
utilizada geralmente em nível do middleware (software intermediário que 
fornece serviços para aplicativos além daqueles disponibilizados pelo 
sistema operacional), como para a instalação de banco de dados.
Para comparar as duas ferramentas citadas, indicaremos as diferenças 
de uso entre elas e suas principais características de acordo com 
Venugopal (2016):
• O Puppet é uma ferramenta mais indicada para administradores 
do sistema, que precisam especificar configurações, como 
dependências de aplicações, e a relação entre elas; enquanto o 
Chef é mais adequado para desenvolvedores, que geram códigos 
para a implementação.
• O Chef utiliza um instalador desenvolvido por terceiros, o que 
facilita a instalação, enquanto o Puppet é caracterizado por uma 
configuração inicial mais complexa.
• Quando uma automação em nível de sistema operacional é 
necessária, o Chef é mais utilizado, mas, para implementações 
que envolvem servidores e soluções de problemas em camadas 
abaixo do sistema, o Puppet pode ser a melhor escolha, pois é o 
ideal para processos de automação de nível intermediário, como 
instalação de banco de dados.
• O uso do Puppet exige menos experiência em programação, já o 
Chef é mais voltado para equipes de operação especializadas.
• Docker
Refere-se à plataforma de código aberta que fornece contêineres 
para que tanto desenvolvedores quanto administradores de sistema 
possam desenvolver, implementar e executar aplicativos distribuídos, 
entregando softwares de maneira rápida. Além disso, a ferramenta 
contribui também para a velocidade no envio do código.
18
• Kubernetes
Refere-se a uma plataforma Open Source que oferece recursos de 
orquestração e gerenciamento para implantar contêineres. Ela 
automatiza as operações e elimina boa parte dos processos manuais 
que são necessários para implantar e escalar as aplicações em 
contêineres, formados por diversos hosts que maximizam o poder de 
processamento e execução de aplicações.
Assim, as atualizações passam a ser controladas e automatizadas 
por meio de recursos de armazenamento. Além disso, as aplicações 
hospedadas na nuvem têm seu estado monitorado, para que sua 
integridade possa ser verificada sempre que precisem ser executadas.
Outro recurso que se tornou útil nos processos de automação e 
orquestração na nuvem foi a arquitetura de microsserviços, que garante 
a utilização dos sistemas distribuídos. Com isso, a construção de 
aplicações monolíticas precisou ser abandonada, de acordo com Fowler 
(2017), dando espaço à arquitetura de microsserviços, que resolve 
problemas de latência e velocidade na nuvem no uso de multicloud 
(múltiplas nuvens de diversos fornecedores interligadas). Ademais 
soluciona problemas de escalabilidade para a arquitetura e traz maior 
eficiência para o uso dos serviços.
Ainda existe uma certa confusão entre os conceitos de automação 
e orquestração, mas, como podemos notar, a complexidade da 
orquestração é maior por envolver multicloud (uso de uma coleção de 
serviços de computação e armazenamento em nuvem em uma única 
arquitetura heterogênea), enquanto a automação geralmente está 
focada em uma única tarefa. Além disso, a orquestração tem funções 
diretamente relacionadas com o gerenciamento de serviços, como pós-
implementação, gerenciamento de recursos de alta disponibilidade, 
processos críticos que refletem na recuperação de falhas, ajuste de 
escala, entre outros.
19
ReferênciasBibliográficas
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https://www.adtsys.com.br/tudo-sobre-orquestracao-e-cloud-computing/. Acesso 
em: 23 jul. 2020.
AMARAL, A. O que é a infraestrutura como código?. 2018. Disponível em: https://
blog.tivit.com/o-que-e-infraestrutura-como-codigo. Acesso em: 05 .nov. 2020.
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usar? [s.d.]. Disponível em: https://www.inmetrics.com.br/gerenciamento-de-
infraestrutura-na-nuvem-o-que-e-e-por-que-usar/. Acesso em: 22 jul. 2020.
DAMASCENO, J. C. Ucloud: uma abordagem para implementação de nuvem privada 
para a administração pública federal. Tese (Doutorado em Ciência da Computação) 
– Centro de Informática, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2015. 
Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/17341/1/jcd-phd_
thesis_final-entrega-biblioteca.pdf. Acesso em: 05 .nov. 2020.
FOWLER, S. J. Microsserviços prontos para a produção. São Paulo: Novatec, 2017.
FOXFLY. Quais as principais vantagens da automação em nuvem. 2015. 
Disponível em: http://foxfly.com.br/quais-as-principais-vantagens-da-automacao-
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IBGP. Arquitetura de referência do NIST. 201-[s.d.]. Disponível em: https://forum.
ibgp.net.br/arquitetura-de-referencia-do-nist/. Acesso em: 05. nov. 2020.
MALHEIROS, N. C. Computação em nuvem. Londrina: Editora e Distribuidora 
Educacional S.A., 2019.
MOREIRA, L.; MACÊDO, F.; MACHADO, C. Gerenciamento de dados na nuvem. 
2011. Disponível em: http://200.17.137.109:8081/novobsi/Members/josino/
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Acesso em: 25 jul. 2020.
PERRY, Y. Automação de computação em nuvem. 2019. Disponível em: https://
cloud.netapp.com/blog/cloud-automation-why-where-and-how-cvo-blg#H1_1. 
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REDHAT. O que é o gerenciamento da nuvem. [s.d.]. Disponível em: https://www.
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VENUGOPAL, S. Tecnologias de orquestração em Computação em nuvem. 
2016. Disponível em: https://developer.ibm.com/br/articles/cl-cloud-orchestration-
technologies-trs/. Acesso em: 22 jul. 2020.
20
Gerenciamento de recursos 
orquestrados na nuvem
Autoria: Fernanda Rosa da Silva
Leitura crítica: Luis Vinicius Antunes Palma
Objetivos
• Definir a arquitetura de projetos com base nas 
funcionalidades da nuvem e em suas características. 
• Descrever como ocorre o gerenciamento de acessos 
e serviços na nuvem. 
• Analisar práticas para plataformas de orquestração e 
recursos de rede.
21
1. Arquitetura de projetos em nuvem
A arquitetura de nuvem trouxe diversas possibilidades, porém gerenciar 
o ambiente continua sendo uma tarefa importante. Diferenciar as 
funções e responsabilidades atribuídas a um ambiente de nuvem, 
controlar seus acessos e aplicar boas práticas para que os serviços 
funcionem de maneira sincronizada devem ser algumas das prioridades 
de um administrador, garantindo a confiabilidade e a continuidade do 
negócio na nuvem.
Os projetos na nuvem, assim como os projetos implementados na 
infraestrutura local, são divididos em três fases: desenvolvimento, 
homologação e produção de aplicações e sistemas, possibilitando que 
o uso do ambiente seja realizado de maneira adequada, definindo os 
objetivos ligados ao ambiente e mantendo a funcionalidade de uma 
aplicação durante todo o seu ciclo de desenvolvimento, validação e 
até mesmo quando ela já estiver em constante utilização. Vejamos como 
esses processos ocorrem em um projeto de nuvem (Figura 1):
Figura 1 – Ambientes em nuvem
Fonte: elaborada pela autora.
22
Desenvolvimento
O ambiente de desenvolvimento é onde os desenvolvedores trabalham 
em uma aplicação que será refletida no ambiente de produção, quando 
estiver finalizada e disponibilizada para o acesso aos usuários. Nele, 
todas as funcionalidades são criadas para uma determinada aplicação, 
considerando todas as características que devem integrar sua estrutura.
Além disso, pontos de falha são identificados, testados e corrigidos, 
aplicando-se a solução necessária e garantindo que, ao ser 
implementada no ambiente de produção, a aplicação seja capaz de 
se recuperar caso essas falhas ocorram. De forma geral, ambientes 
como PaaS e IaaS são utilizados nessa etapa, por oferecerem o suporte 
necessário para criar aplicações e programas.
O processo de desenvolvimento envolve testes e atualizações de 
software, os quais são importantes para garantir a funcionalidade das 
novas aplicações, que precisam ser analisadas em diversos aspectos, 
antes que possam ser disponibilizadas no ambiente de produção. Fowler 
(2017) garante que, quando esses testes são realizados diretamente na 
estrutura da nuvem, o processo traz melhores respostas, otimizando 
os resultados e permitindo que o ambiente e as configurações sejam 
customizados conforme necessário.
A nuvem permite que recursos como balanceamento de carga, 
escalabilidade, performance e integração sejam empregados em 
conjunto com as aplicações, sem comprometer a integridade do 
ambiente e proporcionando diversos benefícios, como baixo custo e 
provisionamento de recursos sob demanda.
Diversas são as ferramentas disponíveis para testes em cloud 
computing, proporcionando um tempo de configuração menor, quando 
comparado a um ambiente de testes em infraestrutura local. Afinal, os 
recursos são projetos previamente e não há necessidade de atualizar 
23
e instalar instrumentos complexos ou mitigar problemas relacionados 
ao hardware em si para cada ambiente. Além disso, as ferramentas 
podem ser facilmente integradas em uma única solução, tornando 
visível a economia financeira. Em seguida, quando o desenvolvimento 
do software é finalizado, ele é transferido para o ambiente de 
homologação.
Homologação
Após a fase de desenvolvimento, a aplicação candidata é migrada para 
o ambiente de homologação com a finalidade de ser testada e validada. 
Camarão (2016) aponta que levar o ambiente de desenvolvimento para 
um ambiente de homologação na nuvem fornece agilidade e outros 
benefícios para as empresas, o que permite que, em um ambiente 
isolado, testes efetivos envolvendo a capacidade da aplicação e sua 
funcionalidade em atividades reais para as quais será atribuída possam 
ser realizados.
A homologação, de acordo com IPM (2018), caracteriza a validação 
dos dados migrados e é onde ocorre o reconhecimento oficial de que 
o processo foi desenvolvido corretamente. Nessa etapa, o cliente ou 
algum usuário selecionado passa a ter acesso à aplicação, acompanhado 
de um responsável técnico para avaliar os serviços. Geralmente os 
dados que a migração deve suportar são migrados para sua base, 
simulando um ambiente de produção para que os testes sejam os mais 
fidedignos possíveis.
Implementar ambiente de testes e homologação em nuvem, segundo 
Camarão (2016), permite ainda a criação de templates para agilizar 
e automatizar tarefas específicas na etapa de testes. Além disso, o 
ambiente pode ser desativado após os testes para que custos não sejam 
gerados desnecessariamente, sendo religados quando outro processo 
de homologação for necessário.
24
Quando necessárias, as alterações são realizadas no ambiente 
de desenvolvimento e replicadas novamente para o ambiente de 
homologação. Após a verificação de que tudo está em conformidade no 
ambiente de homologação, a aplicação é transferida para o ambiente de 
produção, quando será de fato utilizada pela organização.
Produção
De acordo com Fowler (2017), uma aplicação ou um serviço pronto 
para produção é aquele que oferece confiança e disponibilidade, 
comportando-se de forma razoável e oferecendo o desempenho 
necessário para que a operação do ambiente seja possível. Um ambiente 
de produção na nuvem deve se comportar de forma razoável, com baixo 
tempo de inatividade, sendo denominado de downtime.
No entanto, para saber se o ambiente está pronto, é necessário reconhecertodos os requisitos do serviço, entendendo se ele é capaz de cumprir 
o objetivo necessário para atender ao tráfego de produção da melhor 
maneira, tornando as aplicações na nuvem confiáveis. Fowler (2017) afirma 
que os princípios para todo microsserviço, aplicação ou sistema distribuído 
devem estar bem claros e que uma padronização deve existir para que tudo 
faça sentido. Para isso, ele aponta os requisitos que devem ser levados em 
consideração em um ambiente produtivo:
1. Escalabilidade e confiabilidade.
2. Tolerância a falhas, prontidão para catástrofes e desempenho.
3. Monitoramento e documentação adequada.
A produção é o último estágio de uma aplicação, que sobreviveu ao ciclo 
de desenvolvimento, passou pelas fases de testes e correções necessárias 
(homologação) e finalmente foi publicada. Para isso, nesse ponto, todo e 
qualquer erro já deve ter sido descoberto, mitigado e resolvido.
Um serviço pronto para a produção deve estar preparado para enfrentar 
possíveis imprevistos que possam surgir mesmo depois que esteja em 
produção.
25
• Primeiramente, em relação à tolerância a falhas, um sistema não 
deve contar com um ponto único de falha, mas deve envolver 
equipamentos redundantes, principalmente na camada de rede e 
física.
• É importante que um sistema de monitoramento seja 
implementado e permita que falhas sejam detectadas e reparadas 
de forma automática. Por isso, padronizar o tratamento de 
incidentes e interrupções dentro da equipe que está realizando o 
desenvolvimento do serviço melhora o processo em produção.
• A organização pode manter uma equipe dedicada que seja 
responsável por responder a qualquer solicitação ligada à 
infraestrutura, aos serviços e aos microsserviços (quando 
estiverem distribuídos).
Atualmente, a cultura DevOps está sendo disseminada rapidamente 
na nuvem, sendo implementada com o intuito de integrar todos os 
ambientes. A operação desse método baseia-se na integração da equipe 
de desenvolvimento e da equipe de operações, que passam a atuar 
como uma só. Em alguns casos, podem tornar-se uma única equipe, que 
funciona durante todo o ciclo de vida do software (desenvolvimento, 
teste e implantação), trazendo maior facilidade ao processo.
2. Gerenciamento de acessos e serviços na 
nuvem
Quando uma aplicação está sendo efetivamente utilizada na nuvem, 
é importante controlar os acessos realizados aos serviços, ainda mais 
quando dados críticos são armazenados no ambiente. Assim como na 
infraestrutura local, é necessário que o gerenciamento aos serviços seja 
mantido, protegendo da melhor maneira possível todas as informações 
e dados hospedados.
26
Garantir a privacidade dos serviços na nuvem envolve o gerenciamento 
de acessos e mecanismos de proteção que possam minimizar a 
liberação ampla de recursos, ainda mais quando isso é feito de forma 
desnecessária. Para garantir que cada usuário mantenha os acessos 
considerando a conformidade da nuvem, é necessário o gerenciamento 
de identidades em um ambiente de nuvem para promover a privacidade 
dos dados de cada usuário. A seguir veremos como funciona o IDaaS, 
serviço utilizado para gerenciar acesso aos serviços na nuvem.
2.1 IDaaS (Identity as a Service)
A identidade como serviço, de acordo com Santos (2019), é um recurso 
utilizado para resolver problemas de identificação dos usuários, 
mantendo a autenticação e a integridade dos recursos internos da 
nuvem em relação aos acessos e ao monitoramento de identidades. Os 
componentes de IDaaS estão ilustrados na Figura 2:
Figura 2 – Componentes de IDaaS
Fonte: adaptada de Data Flair ([s.d.]).
27
• Segurança: recursos que auxiliam na recuperação de informações, 
como biometria e acesso digital.
• Log on único e federação: combinação de senhas, gerenciamento 
de autenticação segura para serviços de terceiros na nuvem.
• Análise e inteligência: relata o uso de privilégios de acesso.
• Governança, risco e conformidade: suportam a modificação dos 
recursos de automação e inteligência de um sistema de IDaaS.
São utilizadas Ferramentas específicas para realizar o monitoramento 
e garantir a conformidade dos serviços, para que eles possam ser 
gerenciados adequadamente. O gerenciamento e a conformidade (GRC) 
são tratados como parte do serviço e refletem na maneira com que as 
organizações podem adotar tais ferramentas.
O gerenciamento de identidade é um fator crítico, pois, quando não é 
realizado de forma correta, pode se tornar uma ameaça para qualquer 
organização, já que inclui fatores diretamente ligados à segurança, 
como autenticação, autorização e qualquer requisito de auditoria. Já o 
gerenciamento de acessos pode ser considerado, nas palavras de Santos 
(2019), um recurso para permitir que os usuários possam utilizar os 
serviços disponíveis na nuvem, incluindo dados e qualquer outro ativo 
de TI que corresponda à arquitetura da nuvem (de forma lógica), assim 
como ocorre em uma infraestrutura tradicional.
Quando há o gerenciamento correto de acessos, ele auxilia na 
proteção e na confidencialidade dos dados, garantindo sejam 
mantidos de forma íntegra e estejam disponíveis em tempo integral. 
Isso assegura que os usuários autorizados apenas sejam capazes de 
acessar os recursos correspondentes à sua permissão. Além disso, o 
nível de acesso pode ser estabelecido: acesso, modificação, criação de 
recursos, entre outros.
28
O gerenciamento de acessos atribui e implementa políticas de 
segurança da informação, chamadas de gerenciamento de direitos ou 
gerenciamento de identidade, as quais promovem a classificação dos 
usuários de acordo com o ambiente que pode ser acessado por ele na 
nuvem. Por isso, geralmente os usuários têm esses direitos atribuídos 
com base em sua área de atuação, seu setor ou sua função, sendo 
fracionados em grupos. Essa atribuição garante que as informações 
sensíveis sejam sempre reservadas e protegidas de acessos não 
autorizados.
Nesse caso, todos os acessos concedidos na nuvem possuem uma 
identificação única para cada usuário e compreendem uma permissão 
específica para ele, determinando a quais informações e serviços ele 
terá acesso. O processo compreende a verificação de identidade e de 
diretrizes que definem o direito de acesso atribuído à determinada 
conta, incluindo a concessão de acessos e serviços autorizados.
Esses acessos podem ser registrados, rastreados e revogados sempre 
que necessário. Geralmente essas ações são tomadas, quando a função 
ou o status de um funcionário é alterado dentro de uma organização.
3. Modelos de orquestração e implementação 
na nuvem
A orquestração e a implementação de serviços distribuídos na nuvem 
envolvem o gerenciamento de Microsserviços, utilizados para dividir 
as aplicações em componentes menores, unindo-os em contêineres 
virtuais capazes de serem movidos ou duplicados para lidar com 
cargas de trabalho pesadas. De forma geral, esses modelos são 
oferecidos por meio de infraestrutura pré-criada de ambientes de 
execução, praticamente prontas para receber os recursos, de acordo 
com Fowler (2017).
29
Figura 3 – Aplicações orquestradas na nuvem
Fonte: elaborada pela autora.
Esses serviços podem ser desenvolvidos de forma independente, mas 
necessitam de alguns cuidados, incluindo boas práticas de operação, 
que envolvem a segurança e o endereçamento dos serviços para manter 
sua funcionalidade de forma adequada quando a distribuição dos 
serviços é adotada. A arquitetura de microsserviços e a orquestração de 
serviços na nuvem ainda se diferem de um ambiente tradicional, quando 
comparamos seus mecanismos de segurança. Nessa arquitetura, a 
superfície de ameaças e possíveis ataques é minimizada, permitindo 
uma maior segmentação dos componentes de aplicação.
Pelo fato de as aplicações estarem segmentadas, o monitoramento se 
torna um pouco mais complexo, com o uso de ferramentas tradicionais 
de segurança, e por isso existem alguns conceitos que permitem 
configurar o ambiente e garantir maior proteção dos dados, de acordo 
comSynnex Westcon ([s.d.]):
• Segurança na orquestração de nuvem
Cada instância de serviço ainda é o terminal de uma rede exclusiva 
(o tipo de nó de uma rede de comunicação independente). Embora 
30
a superfície de ataque do aplicativo não esteja mais concentrada no 
servidor isolado, ela aumenta com a expansão do serviço, porque mais 
portas são abertas e APIs são expostas, o que torna a autenticação um 
problema de distribuição.
É fácil implantar novos serviços e instâncias dinâmicas de serviços, mas, 
se o administrador não conhecer as regras que regem sua interação, 
complicará a definição de políticas de segurança. Além disso, o aumento 
de serviços no datacenter ou na nuvem significa que mais transações 
estão exigindo interação entre serviços constantemente.
Ao falar sobre orquestração em nuvem, é compreensível que essa 
operação envolva uma infraestrutura híbrida. De acordo com RedHat 
([s.d.]), a segurança em um ambiente de nuvem híbrida define os 
requisitos de proteção para dados, aplicativos e infraestrutura 
associados à arquitetura de TI, que possui um certo grau de 
portabilidade em vários ambientes, incluindo o gerenciamento 
de desempenho, orquestração e carga de trabalho de TI em uma 
combinação de pelo menos uma nuvem pública ou privada.
As nuvens híbridas oferecem oportunidades para reduzir a possível 
exposição de dados e são essenciais quando se considera um ambiente 
orquestrado. O uso desse modelo de nuvem permite excluir dados 
críticos ou confidenciais da nuvem pública e ainda usar o ambiente em 
nuvem para obter dados sem trazer os mesmos riscos relacionados. 
Por isso, as empresas que adotam nuvens híbridas podem escolher 
onde armazenar dados e cargas de trabalho com base em requisitos de 
conformidade, auditoria, política ou segurança.
Embora os vários ambientes que compõem a nuvem híbrida sejam 
entidades únicas e independentes, a migração entre eles é feita por 
contêineres, os quais transferem recursos e cargas de trabalho ou 
APIs (interfaces de programação de aplicativos) criptografadas. Essa 
arquitetura independente está interconectada, permitindo que as 
31
empresas executem cargas de trabalho críticas em nuvens privadas 
e cargas de trabalho menos sensíveis em público. Essa combinação 
pode minimizar o vazamento de dados e permitir que as empresas 
personalizem um portfólio flexível de produtos de TI. Além disso, a 
orquestração em nuvem permite executar muitas tarefas importantes, 
incluindo provisionamento, implantação de servidores, gerenciamento 
de armazenamento e redes, gerenciamento de identidades e privilégios 
e criação de cargas de trabalho.
Os hackers geralmente realizam ataques de orquestração para roubar 
informações de log in da conta ou chaves de criptografia privadas. 
Assim, uma vez que tenham o acesso à nuvem, passam a criar cargas 
de trabalho adicionais (ou remover cargas importantes), adquirindo 
privilégio para roubar o máximo de informações e causar danos em 
grande escala (NADEAU, 2019).
Para uma boa prática contra ataques de orquestração, é necessário 
manter o monitoramento adequado do sistema para procurar padrões 
de contas e comportamentos anormais no ambiente de nuvem que 
possam indicar vulnerabilidades. No entanto, se os privilégios para essa 
função estiverem configurados incorretamente, um invasor poderá 
executar várias tarefas por meio da função, o que inclui acessar dados 
ou criar contas.
Nadeau (2019) aponta algumas práticas e técnicas que podem ser 
consideradas para manter a segurança de ambientes orquestrados pré-
criados na nuvem:
Ferramentas – As ferramentas de segurança implantadas em um 
ambiente em nuvem devem ser inerentes a ele e capazes de proteger 
aplicativos da Web e cargas de trabalho alocadas no ambiente.
Arquitetura – É necessário definir a arquitetura com base nos 
benefícios de segurança e gerenciamento fornecidos pela nuvem, em 
32
vez de usar a mesma arquitetura usada nos datacenters tradicionais. 
Ademais, o ideal, em vez de ter que corrigir vulnerabilidades na 
implantação na nuvem, é evitá-las, além de automatizar a implantação 
de correções necessárias, a fim de obter um nível de controle sobre a 
infraestrutura.
Ponto de conexão – É necessário determinar o ponto em que a 
implantação na nuvem está interconectada com um datacenter 
tradicional, pois esse ponto de conexão muitas vezes pode ser uma 
fonte de problemas, já que as implantações de nuvem híbrida tendem a 
enfrentar a maioria dos incidentes de segurança.
Endereçamento IP
A inspeção de tráfego de rede também é importante nesses ambientes. 
A implementação de um ambiente de computação em nuvem requer 
coordenação e orquestração, por isso esse tipo de teste traz uma série 
de desafios. Por exemplo, o verdadeiro teste de recuperação de desastre 
exigirá isolamento do ambiente e dos caminhos de conexão – o que 
significa que os endereços IP de produção não podem estar ativos em 
dois locais ao mesmo tempo – em datacenters e soluções elásticas na 
nuvem.
Portanto, descobrir como bloquear um segundo conjunto de endereços 
IP em um ambiente de produção permite que os testes sejam 
abrangentes sem contaminar as atividades de produção. É por esse 
motivo que o gerenciamento e o isolamento do endereço IP são mais 
importantes do que nunca na nuvem, já que, quando a internet se torna 
parte do processamento de produção e ambiente de teste flexível, 
poderá trazer grandes riscos.
Na orquestração em nuvem, os contêineres (modelo de virtualização 
utilizado na nuvem, em nível de sistema operacional, para implementar 
aplicativos distribuídos) podem ser movidos em questão de segundos. 
33
Por isso, o endereçamento IP, utilizado em modo dinâmico, passa a ser 
inviável na nuvem.
Os contêineres aumentam o nível de confusão nos sistemas e na 
infraestrutura, porque podem ser dinamicamente orquestrados em 
todos os serviços ou na nuvem. Por isso, a configuração de segurança 
no aplicativo externo ainda é um problema, uma vez que a origem do 
tráfego não pode ser identificada devido ao endereçamento IP se tornar 
invisível externamente.
Em um ambiente orquestrado, o endereço IP não é persistente, 
porque sempre que um aplicativo é expandido ou reduzido, ou 
quando um erro é encontrado e precisa ser reiniciado, seu endereço 
IP desaparece e precisa ser reatribuído. Por essa razão, ferramentas 
específicas permitem o gerenciamento de IP virtual, para que qualquer 
tráfego endereçado a ele seja roteado para o conjunto de recursos 
correspondente. Portanto, mesmo que o serviço seja alterado, o 
endereço IP permanecerá estático.
Gerenciar o ambiente, o acesso e os recursos na nuvem é uma tarefa 
importante para o sucesso dos aplicativos na infraestrutura da nuvem. 
Portanto, manter o controle dos serviços e adaptar-se às questões de 
segurança e gerenciamento do ambiente são essenciais para integrar 
qualquer software, garantindo que ele siga os padrões do modelo na 
nuvem, o que agrega valor ao negócio.
Referências Bibliográficas
CAMARÃO, R. Usar a nuvem para seu ambiente de testes e homologação. 2016. 
Disponível em: http://www.4core.com.br/usar-a-nuvem-para-seu-ambiente-de-
testes-e-homologacao. Acesso em: 31 jul. 2020.
DATA FLAIR. Identity as a Service (IDaaS): Working & Benefits of Single Sign-On 
(SSO). [s.d.]. Disponível em: https://data-flair.training/blogs/identity-as-a-service-
idaas/. Acesso em: 5 nov. 2020.
34
FOWLER, S. J. Microsserviços prontos para a produção. São Paulo: Novatec, 2017.
IPM. Passo-a-passo como funciona a implantação do sistema em nuvem. 2018. 
Disponível em: https://www.ipm.com.br/blog/passo-a-passo-como-funciona-a-
implantacao-do-sistema-em-nuvem. Acesso em: 31 jul. 2020.
NADEAU, M. Como garantir segurança na nuvem. 2019. Disponível em: https://
cio.com.br/como-garantir-seguranca-na-nuvem-especialistas-mostram-caminho-
das-pedras. Acesso em: 31 jul. 2020.
REDHAT. O que é segurança em nuvem híbrida? [s.d.]. Disponível em: https://
www.redhat.com/pt-br/topics/security/what-is-hybrid-cloud-security.Acesso em: 31 
jul. 2020.
SANTOS, T. Gerenciamento de Serviços em Nuvem. São Paulo: Senac, 2019.
SYNNEX WESTCON. Segurança em arquiteturas de microsserviços. [s.d.]. 
Disponível em: https://blogbrasil.westcon.com/seguranca-em-arquiteturas-de-
microsservicos. Acesso em: 31 jul. 2020.
35
Disponibilidade e tolerância em 
Cloud Computing
Autoria: Fernanda Rosa da Silva
Leitura crítica: Luis Vinicius Antunes Palma
Objetivos
• Identificar as características de um datacenter e suas 
camadas, entendendo o gerenciamento dos recursos 
e a tolerância a falhas oferecida no ambiente da 
nuvem.
• Identificar a criação de instâncias na computação 
em nuvem e a elasticidade fornecidas para as 
cargas de trabalho tratadas na nuvem com o uso de 
virtualização.
• Reconhecer os conceitos de clusterização e 
balanceamento e os recursos utilizados para aplicar 
as técnicas na nuvem.
36
1. Características de um datacenter na nuvem
Atualmente, a computação em nuvem utiliza diversos recursos para 
atingir os níveis ideais de elasticidade e disponibilidade na nuvem. Seu 
componente central em qualquer organização é o datacenter, no qual 
todos os serviços estão hospedados e são gerenciados por meio da 
nuvem de forma centralizada.
Todos os equipamentos armazenados no datacenter são conectados 
com o mundo externo por meio da rede de telecomunicações e servem 
à carga de TI, definida por todas as instalações, à largura de banda 
necessária e ao sistema de telecomunicações.
Dessa forma, Veras (2012) classifica os datacenters em dois grupos:
 A. Datacenters empresariais (eDC): construídos dentro da própria 
organização que os utiliza.
 B. Datacenters de internet (iDC): responsáveis por disponibilizar os 
serviços de nuvem para terceiros.
No modelo de nuvem, a função do datacenter é alcançar o nível apropriado 
de serviço para cada uma das aplicações hospedadas, com base na 
criticidade de cada uma delas, melhorando a capacidade e a eficiência 
das aplicações. Os recursos na nuvem são provisionados de forma mais 
flexível, de acordo com Veras (2012), por meio dos componentes do 
datacenter, que devem atender à eficácia e às necessidades do negócio, 
reduzindo os custos e permitindo o gerenciamento de forma centralizada. 
Além disso, o datacenter deve prover:
• Desempenho.
• Disponibilidade.
• Escalabilidade.
37
• Segurança.
• Gerenciabilidade.
Esses padrões devem ser utilizados para provisionamento e 
dimensionamento dos diversos dispositivos que compõem o datacenter, 
além de definirem a qualidade dos serviços a serem fornecidos por meio 
das aplicações.
A computação em nuvem fornece diversas ferramentas que garantem 
a otimização de recursos na nuvem, gerando alta disponibilidade 
e possibilitando a eliminação de todos os pontos de falha. Ao criar 
redundância em processos e equipamentos, é possível fazer com que, 
caso um servidor venha a falhar por qualquer motivo, o outro servidor 
continue em execução.
Essas alterações podem ser feitas de forma imediata (failover) e 
os usuários nem perceberão as alterações, devido à agilidade de 
sincronização entre os equipamentos envolvidos. No entanto, esses 
serviços também devem ser projetados para funcionar de forma 
integrada, e geralmente integralizam as instâncias por meio da 
virtualização, para que possam ser gerenciadas no ambiente da nuvem.
Figura 1 – Datacenter virtualizado na nuvem
Fonte: adaptada de Veras (2012, p. 200).
38
1.1 Camadas de um datacenter
Um datacenter pode ser dividido em quatro camadas (tiers), que servem 
para avaliar efetivamente seu desempenho. Elas são criadas pelo Uptime 
Institute a partir das exigências de negócios para a disponibilidade de um 
sistema (UPTIME INSTITUTE, [s.d.]).
Tier 1: Básico
Neste modelo, não há redundância em nível físico ou lógico da 
infraestrutura de TI. Uma falha elétrica pode causar interrupção parcial 
ou total na operação da infraestrutura. O datacenter geralmente possui 
um ponto central único de falha, pois nenhum equipamento de rede, 
como roteador e switch, é redundante.
Tier 2: Componentes Redundantes
Os equipamentos de telecomunicações, os equipamentos de 
telecomunicações da operadora e os equipamentos de rede que 
envolvem a infraestrutura LAN devem conter módulos de alimentação 
redundantes. Geralmente os cabos são de cobre ou fibra ótica, mas, 
mesmo assim, qualquer ponto de falha nos sistemas de refrigeração e 
energia pode ocasionar falha em todos os componentes.
Tier 3: Manutenção sem Paradas
Neste modelo, pelo menos dois provedores/operadoras de 
telecomunicação estão envoltos, com cabeamento para garantir a 
conectividade do ambiente, sendo pelo menos duas salas mantidas 
para hospedar os equipamentos, as quais devem estar devidamente 
protegidas contra incêndios, com o uso de sistemas de energia e ar 
condicionado independente. Além disso, recursos redundantes devem 
ser mantidos como fibra e os dispositivos críticos como storages 
(armazenamento), devendo estar redundantes.
39
Tier 4: Tolerante a Falhas
Todo cabeamento, dispositivo e caminho são redundantes, contendo 
duas alimentações de energia pelo menos, comunicação automatizada 
até os dispositivos de backup, zonas de proteção de incêndio e 
capacidade de resfriamento com contingência. Falhas não irão acometer 
o ambiente.
Além das especificações citadas para o datacenter mantido pelo 
provedor de nuvem, em ambiente similar ao tradicional, porém com o 
objetivo de fornecer todas as características da nuvem, ainda existe a 
possibilidade de adquirir a opção de Datacenter como Serviço (DCaaS). 
Essa solução fornece instalações e infraestrutura para datacenters 
físicos fora dos clientes, os quais podem alugar servidores, redes, 
armazenamento e outros recursos de computação dos provedores de 
DCaaS, tendo maior controle sobre os recursos, em comparação com o 
que ocorre em modelos convencionais, como SaaS, PaaS e IaaS.
Nessa solução, é possível manter o acesso aos recursos que são 
complementados por outras ofertas, como Backup as a service (BaaS), 
Disaster Recovery as a Service (DRaaS), viabilizando a continuidade do 
negócio por meio de planos de contingência, e Security as a Service (SaaS), 
para proteger o datacenter contra ameaças e focos de vulnerabilidade.
2. Virtualização, instâncias na nuvem e suas 
características
Os serviços de computação em nuvem criam redundância em diferentes 
camadas operacionais. Esse recurso pode ser aplicado, de acordo 
com Veras (2012), na camada de hardware, envolvendo dois sistemas 
de energia e duas formas diferentes de resfriamento para garantir a 
operação normal sob quaisquer condições, ou em relação à contratação, 
40
assegurando a comunicação entre o datacenter e o ponto de coleta 
de tráfego. Além disso, servidores também trabalham em conjunto, 
evitando a indisponibilidade dos sistemas hospedados por eles e 
mantendo a operação da infraestrutura.
Além de todas essas possibilidades, a virtualização permite o alcance 
da alta disponibilidade aplicada na camada de IaaS para a organização, 
enquanto o balanceador gerencia a carga e direciona os aplicativos 
para o servidor ativo. Isso facilita a manutenção dos serviços por meio 
das instâncias virtuais, otimizando o tempo de ajustes e configurações, 
sem que para isso o servidor precise ser interrompido. A otimização 
oferecida pela virtualização inclui ainda todos os recursos da 
infraestrutura de TI, como servidores, storages e dispositivos de rede, 
englobando todos os recursos da Infraestrutura de TI em um ambiente 
virtual e compartilhado.
Vamos analisar os principais recursos contidos em um datacenter virtual:
• Recursos de processamento e memória, incluindo servidores e 
clusters virtuais que permitem criar conjuntos de servidores, o que 
possibilita agregar recursos de forma dinâmica.
• Recursos de Storage, utilizados para armazenamento de dados e 
informações.
• Recursos de conectividade.
• Recursos virtuais de memória e processamento sob demanda.
• Algumas vantagens são atribuídas aogerenciamento de instâncias 
virtuais em vez de servidores físicos:
• Os recursos de processamento e memória incluídos em servidores 
e clusters podem ser particionados e divididos por meio de pools de 
recursos.
41
• O administrador é capaz de definir suas próprias políticas de 
sistemas e ter maior flexibilidade.
Um datacenter virtualizado é definido por Veras (2012) como um 
conjunto de tecnologias (computing pods) que funcionam como qualquer 
outro, considerando um sistema de energia e refrigeração projetado 
para otimizar o uso dos recursos, além de fornecer uma plataforma 
simplificada de gerenciamento e provisionamento.
A virtualização aplicada para as instâncias na nuvem tem como 
principal objetivo particionar um servidor físico em vários servidores 
lógicos. Assim, os servidores podem ser o resultado de um conjunto 
de servidores combinados, sendo cada um responsável por oferecer 
redundância aos recursos essenciais de rede, armazenamento e 
processamento. Vejamos como isso é possível (Figura 2):
Figura 2 – Servidores e instâncias virtualizadas na nuvem
Fonte: adaptada de Veras (2012, p. 164).
Na arquitetura tradicional, o servidor executa um sistema operacional 
exclusivo, e, além disso, uma infraestrutura local é formada por 
dispositivos físicos de entrada e saída conectados ao servidor. Já na 
42
virtualização, essa arquitetura é modificada, e invalida o conceito 
inicial de que um servidor físico é um único, podendo atualmente ser 
segmentado em diversos (servidores virtuais). Ademais, é possível que 
imagens baseadas em sistemas operacionais possam ser movimentadas 
entre diversos servidores de acordo com a necessidade da infraestrutura 
de TI, trazendo mobilidade à instância.
3. Clusterização e balanceamento na nuvem
A demanda por alta disponibilidade decorre da confiança da organização 
em sistemas de automação e computadorizados, e essa necessidade 
requer disponibilidade em tempo integral e tarefas baseadas no uso 
da tecnologia. Em ambientes de nuvem, é possível selecionar zonas 
de disponibilidade, localizadas em diversas regiões, para garantir 
maior segurança sob os dados. Assim, caso um dos pontos falhe, a 
possibilidade de que a outra zona selecionada ainda esteja íntegra é 
maior, já que estão localizadas em diferentes datacenters.
A AWS da Amazon, por exemplo, implementa zonas de disponibilidade, 
em que a rede apresenta uma baixa latência entre as instâncias, 
facilitando a construção entre processos de alta disponibilidade. Dessa 
forma, os recursos são protegidos quando existe um ponto de falha, o 
que possibilita que um alto nível de proteção seja alcançado em relação 
a qualquer desastre que possa intervir na operação do ambiente. De 
acordo com Critchley (2014), se o sistema puder se recuperar de uma 
falha sem perder dados dentro de um tempo razoável (dependendo da 
criticidade do ambiente), será considerado como altamente disponível.
No início dos mainframes, o uso de sistemas operacionais era limitado 
aos seus fabricantes, e eles dependiam de softwares específicos para 
que pudessem ser executados. Porém, com o desenvolvimento e o 
crescimento das redes de computadores, essa restrição foi rompida, 
43
aproximando-se cada vez mais e evoluindo também para as soluções 
na nuvem. Dessa forma, assim como a virtualização é capaz de resolver 
problemas relacionados à subutilização de recursos em servidores 
físicos, a clusterização age de forma reversa, revertendo problemas 
referente à falta de recursos (VERAS, 2012).
Um cluster por trás da nuvem funciona da mesma maneira que em 
uma infraestrutura local e pode ser aplicado tanto a nível de sistema 
operacional como de hardware (envolvendo os dispositivos gerenciados 
pelo datacenter), sendo esse recurso aplicado antes da camada de 
virtualização e gerenciamento da nuvem. Vejamos a Figura 3:
Figura 3 – Clusters na computação em nuvem
Fonte: elaborada pela autora.
Um cluster serve para incrementar o desempenho ou a disponibilidade 
de um servidor e pode ser classificado da seguinte forma:
44
• Clusters de alta disponibilidade (High Availability – HA): atribuem 
redundância com capacidade de failover automático (atribui as 
funções a outro servidor, quando um falhar).
• Clusters de balanceamento de carga (Load Balancing – LB): tem foco 
em adicionar capacidade à carga de trabalho gerada, na qual os 
servidores trabalham simultaneamente, balanceando as atividades 
e dando vazão às demandas da rede (Workload).
• Clusters de alta performance (HPC e HTC): tratam do desempenho 
aprimorado do aplicativo.
• Clusters em Grid: endereçam o melhor dos dois mundos, 
combinando recursos de alta disponibilidade e alto desempenho.
Os tipos de clusters diferem-se em:
• Clusters de alta disponibilidade: apresentam maior demora no 
processamento de dados, pois seus dados são frequentemente 
atualizados para que sejam capazes de substituir um ao outro, 
quando necessário. Dessa forma, os nós (servidores) que 
compõem o cluster monitoram um ao outro ajustando todas as 
informações, quando necessário. São comumente utilizados por 
serviços de armazenamento, impressão e banco de dados.
• Clusters de balanceamento: funcionam de forma independente, 
sendo utilizados para balancear uma carga de trabalho entre 
dois ou mais servidores e evitando que apenas um fique 
sobrecarregado. Geralmente funcionam em estado de leitura de 
dados, como servidores web e VPNs; servidores FTP, firewalls e 
servidores proxy também costumam usar o cluster do tipo Load 
Balancing.
Um exemplo de LB, citado por Veras (2013), é o Elastic Load Balancing, 
da Amazon, utilizado em conjunto com instâncias criadas no EC2, na 
plataforma do provedor, melhorando a capacidade de tolerância a falhas 
45
e fornecendo capacidade de carga em resposta à entrada de serviços. 
Além disso, essa solução detecta de forma automática problemas 
que possam ocorrer nas instâncias, transferindo o tráfego para nós 
saudáveis e mantendo a continuidade do negócio.
• Clusters de alto desempenho: adequar o cluster de alto 
desempenho pode ser um desafio, porque, para chegar ao 
resultado esperado, é necessário combinar supercomputadores ou 
vários clusters.
• Clusters em Grid: o grid é uma evolução do conceito de datacenter 
na nuvem, definindo um aglomerado de clusters conectados 
pela rede e geralmente considerando a conexão de recursos 
geograficamente distantes. Veras (2012) afirma que esse tipo de 
recurso garante maior desempenho e processamento, com custo 
mais baixo e utilizando um supercomputador de grande potência. 
Esse tipo de cluster geralmente é utilizado para tarefas específicas 
e após defeitos, apenas desfazendo a relação entre os clusters 
estabelecidos com o uso de software específico.
Um exemplo de Grid é um ambiente em que duas empresas localizadas 
em países/ regiões em fusos horários diferentes combinam seus 
servidores. Nesse caso, cada um utiliza os recursos em períodos em 
que estão ociosos. Dessa forma, os horários de pico entre as duas 
organizações ocorrem em períodos diferentes, e, assim, os recursos 
podem dar vazão a toda a demanda de forma alternada, ocasionando 
uma redução de custos para ambas as partes.
Um exemplo de provedor que oferece serviços com essas características 
é a Microsoft, com o Windows Azure. A plataforma roda atualmente 
em seis datacenters diferentes espalhados geograficamente. Assim, 
o desenvolvedor/ usuário escolhe onde irá rodar sua aplicação e se 
precisa ou não utilizar a contingência mantida por mais datacenters, 
considerando a criticidade do seu negócio.
46
Em sua plataforma, a Microsoft oferece um recurso denominado 
Windows Azure Traffic Manager, distribuindo essas aplicações com 
melhor desempenho, alta disponibilidade ou balanceamento de carga. A 
Figura 4 ilustra sua estrutura:
Figura 4 – Traffic Manager Microsoft
Fonte: adaptada de Veras (2012, p. 201).
Para o gerenciamento dessa plataforma, a Microsoft oferece outra 
ferramenta, denominada System Center Virtual Machine Manager.Ela é formada por uma camada crítica de gerenciamento que permite 
um controle centralizado dos recursos, o que oferece uma plataforma 
unificada e uma infraestrutura virtualizada entre várias plataformas 
criadas, incluindo hosts, sistemas operacionais e banco de dados.
O modelo de serviço de computação em nuvem permite que os usuários 
sejam capazes de optar por testar qualquer aplicativo em diferentes 
configurações e instâncias virtuais, selecionando o cluster que melhor 
atenda às necessidades do aplicativo. No modelo de infraestrutura como 
serviço (IaaS), por exemplo, é possível selecionar recursos como núcleos 
47
de processamento, que muitas vezes estão atrelados a clusters criados 
no datacenter do provedor.
Referências Bibliográficas
CRITCHLEY, T. High availability IT services. Flórida: CRC Press, 2014.
UPTIME INSTITUTE. Sistema Tier de classificação. [s.d.]. Disponível em: https://
pt.uptimeinstitute.com/tiers. Acesso em: 7 ago. 2020.
VERAS, M. Arquitetura em nuvem. Amazon Web Services (AWS). Rio de Janeiro: 
Brasport, 2013.
VERAS, M. Cloud Computing: nova arquitetura de TI. Rio de Janeiro: Brasport, 2012.
48
Monitoramento de serviços na 
nuvem
Autoria: Fernanda Rosa da Silva
Leitura crítica: Luis Vinicius Antunes Palma
Objetivos
• Descrever sobre a importância do monitoramento 
de serviços e quais serviços devem ser monitorados 
para manter a operação da nuvem corretamente.
• Apontar as ferramentas de monitoramento 
utilizadas para controle e administração dos serviços 
em nuvem, do desempenho e do nível de serviço.
• Discorrer sobre os benefícios resultantes da adoção 
de boas práticas e técnicas para monitoramento dos 
serviços na nuvem.
49
1. Monitoramento de serviços na nuvem
Desde o surgimento da computação, uma simples falha no computador 
central já era capaz de causar total indisponibilidade e paralisar toda 
a operação de uma organização. Hoje, o mesmo poderia ocorrer 
na nuvem se um único ponto de operação fosse mantido e não 
fosse corretamente monitorado. A nuvem é um modelo de serviços 
centralizado mantido por um conjunto de recursos computacionais, por 
isso é necessário manter o controle de todos eles, por mais complexo 
que isso se torne.
Ao realizar a transição de serviços e as aplicações para a nuvem, 
de acordo com Costa et al. (2019), a responsabilidade atrelada à 
organização/provedor depende do modelo contratado, o que leva a 
uma mudança sobre como serão conduzidos o monitoramento e o 
acompanhamento de logs de segurança e a análise de informações 
sobre aplicativos, serviços, dados e usuários na nuvem.
Quando uma máquina virtual se torna indisponível na nuvem por 
algum problema de configuração, gargalo de recursos ou problemas 
relacionados ao sistema operacional, uma série de recursos passa a 
ser interrompida. Por isso, geralmente agrupamentos são criados para 
garantir a alta disponibilidade.
De qualquer forma, os serviços na nuvem devem ser constantemente 
monitorados para que se possa agir de forma proativa, quando algum 
recurso precisar de atenção. Problemas de rede também podem trazer 
grandes problemas para o ambiente, afetando a conexão com a nuvem.
Uma solução de monitoramento de rede adequada pode realizar todas 
essas tarefas por meio de um sistema central. Além disso, pode alertar 
imediatamente os administradores de TI em caso de falha de sua 
própria infraestrutura de TI local e interferência, quando se mantém 
50
uma nuvem privada, ou alertar sobre os serviços hospedados em uma 
nuvem pública, por meio do dashboard disponibilizado pelo próprio 
provedor de nuvem.
No entanto, monitorar a infraestrutura de computação em nuvem 
não se limita apenas a analisar ferramentas básicas de rede e verificar 
problemas simples do dia a dia da empresa. Os métodos de inspeção 
atuais fornecem uma abordagem mais ampla, permitindo o uso de 
ferramentas capazes de analisar e resolver problemas de redes, 
aplicações, fluxo de dados e verificar problemas e causas que podem 
acarretar diversos problemas e falhas na camada de virtualização e do 
sistema operacional.
Com o apoio das informações fornecidas pelas ferramentas 
centralizadas na nuvem, é possível tomar decisões em momentos 
críticos e estratégicos, visualizando a estrutura da nuvem e o ciclo de 
vida das operações e ajudando, assim, continuamente a tomar melhores 
decisões.
Outro ponto que deve ser considerado é a segurança. Esse fator 
depende diretamente do monitoramento para que brechas de 
vulnerabilidade e ameaças sejam detectadas, evitando que ocorram 
ataques cibernéticos e roubo de informações por meio de mecanismos 
desenvolvidos para corromper os serviços e as aplicações mantidos na 
nuvem, o que pode trazer grandes prejuízos e perda de informações.
Em relação ao monitoramento, Chaves (2010) aponta diversos motivos 
para que ele seja realizado em um ambiente de nuvem:
a. Garantir que as máquinas virtuais entreguem a capacidade 
estipulada pelos ANS (Acordo de Nível de Serviço).
b. Coletar dados para contabilizar se a cobrança está sendo realizada 
de acordo com o que é oferecido.
51
Além disso, o autor também reforça que o monitoramento deve ser 
realizado em dois níveis:
a. Medições em nível da infraestrutura para níveis de memória e 
largura de banda, por exemplo.
b. Indicadores diretamente ligados ao desempenho das aplicações, 
definidos para monitorar, por exemplo, o número de usuários 
conectados na nuvem.
Além disso, as ferramentas na nuvem também são utilizadas para 
monitorar o comportamento de funcionários e usuários na Intranet 
ou Internet e como eles conduzem o uso dos recursos dentro do 
ambiente da nuvem.
Na modalidade SaaS, as atualizações, as manutenções e todo o processo 
de monitoramento são de responsabilidade do provedor de serviços, o 
que isenta a organização dessa responsabilidade, não necessitando que 
seja investido tempo no gerenciamento dos recursos de infraestrutura. 
Porém, em PaaS e IaaS, a atenção deve ser redobrada.
Existem diversos recursos essenciais que devem ser considerados para o 
monitoramento de um ambiente em nuvem (Figura 1):
Figura 1 – Monitoramento de recursos na nuvem
Fonte: elaborada pela autora.
52
• Infraestrutura de rede e hardware
A infraestrutura de rede é responsável por todos os recursos essenciais 
na comunicação com a nuvem, sendo necessária para que qualquer 
operação seja possível. Todos os componentes hospedados em um 
datacenter precisam ser bem gerenciados para manter os serviços 
disponíveis, e esse controle apenas é possível com o monitoramento do 
ambiente.
Definir quais processos devem ser executados para contornar 
problemas técnicos e as ferramentas para o monitoramento de links de 
internet, switches e roteadores são tarefas necessárias, ainda mais no 
modelo IaaS, em que a organização retém o controle total dos recursos 
hospedados desde a camada de virtualização.
• Software
Antes de qualquer coisa, o monitoramento dos sistemas operacionais 
deve ser considerado um item crítico, quando ambiente é IaaS. O 
monitoramento nesse nível é muito importante para verificar a 
disponibilidade dos serviços, realizar qualquer otimização, quando 
necessário, e acompanhar o tempo de resposta e informações, como 
versões instaladas e updates.
Já os softwares são aplicativos usados para atender geralmente 
a funcionários e clientes e podem ter a funcionalidade de tratar 
demandas tanto internas como externas, de grande importância para 
a organização. Além de verificar todas as soluções utilizadas no dia 
a dia, normalmente existe uma equipe de suporte para solucionar 
problemas e esclarecer dúvidas dos usuários. O monitoramento evita 
que problemas em softwares fiquem muito tempo sem solução.
53
• Banco de dados
Bancos de dados são os repositórios que mais armazenam informações 
em massa, e, por esse motivo, precisam ser constantemente 
monitorados. Qualquer indisponibilidade em um sistema de banco 
de dados pode ocasionar grandes prejuízos financeiros. Utilizando 
ferramentascorretas, é possível, no entanto, acompanhar processos, 
monitorar o estado do banco e garantir a funcionalidade dos recursos 
de backup.
• Segurança
A segurança da informação, na verdade, contornou todos os 
departamentos descritos nesta lista, mas esse ponto se refere à 
indisponibilidade, ao corrompimento de dados ou até mesmo a 
informações inverídicas, tendo como consequência riscos financeiros, 
caso ocorra um incidente de segurança. Por isso, é importante 
monitorar acessos indevidos, controlar acessos de usuários e analisar 
logs de contas sempre que necessário.
Tanto os recursos computacionais como recursos de segurança e todos 
os fatores que envolvem a forma como os serviços em nuvem são 
gerenciados devem ser monitorados para que possam ser medidos 
e controlados. Alguns conceitos devem ser compreendidos acerca do 
monitoramento na nuvem, como veremos na próxima seção.
2. Conceitos básicos sobre gerenciamento e 
monitoramento de serviços
Quando se fala em nuvem privada, o controle por parte da organização 
se torna mais efetivo, mas, em nuvens públicas, muitas vezes o provedor 
precisa ser acionado em alguns casos. De acordo com Santos (2019), 
o GNS (Gerenciamento de Nível de Serviço) deve ser utilizado para 
medição desses serviços, pois é com o uso dessa ferramenta que se 
torna possível o processo de ligação entre o provedor e o cliente.
54
Esse método de gerenciamento tem o objetivo de acompanhar a gestão 
de qualidade de serviço (QoS) com o uso de indicadores de desempenho 
(Key Performance Indicator – KPI). Sendo assim, por meio da interação 
dos indicadores, é possível identificar se o desempenho real está de 
acordo com as expectativas predefinidas para determinar se ações são 
ou não necessárias em relação à qualidade de determinado serviço 
na infraestrutura de TI. Com o suporte do GNS, é possível identificar 
problemas de desempenho, criando alertas e minimizando, dessa forma, 
o risco relacionado ao tempo de inatividade de um sistema.
Sempre que os níveis de serviço precisarem ser monitorados, devem ser 
considerados parâmetros claros para que essa medição seja possível, 
incluindo: segurança, continuidade de operações e qualidade de serviço 
que atendam às necessidades individuais. É necessário especificar 
métricas de medição e monitoramento para que os serviços possam ser 
controlados, estabelecendo quais seriam as consequências causadas por 
descumprimento dos níveis estabelecidos.
As organizações devem, por meio do monitoramento, rastrear as taxas 
de uso/consumo para garantir que as tarifas cobradas pelo provedor 
estejam de acordo com a forma como os serviços estão sendo efetivamente 
prestados e não excedam os valores disponíveis em orçamento pré-
estabelecidos quando o contrato foi estabelecido. Para isso, podem 
ser desenvolvidas ferramentas de monitoramento de desempenho e 
medição de consumo para capturar de forma precisa todas as informações 
importantes que permitam que esse controle seja possível, de forma 
independente dos sistemas de provedores, garantindo que o conhecimento 
sobre esses indicadores não se perca de nenhuma maneira.
O monitoramento também é útil para que a organização monitore 
necessidades ligadas ao uso da nuvem e a possibilidade de migrar 
seus serviços para outro escopo fornecido, quando necessário. Por 
exemplo, passar a utilizar PaaS em vez de SaaS, à medida que o mercado 
amadurece essa ideia e aperfeiçoa a forma como essas ferramentas 
55
são oferecidas, mantendo um foco mais direto no que se busca, com 
mais confiança no provedor. Além disso, as tecnologias disponibilizadas 
pelo(s) provedor(es), como Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial 
(AI) e sua evolução, também devem ser consideradas.
Frameworks como ITIL são comumente utilizados para manter o 
monitoramento do nível de serviço em conformidade com o que a 
organização busca para os seus serviços, apontando melhores práticas 
por meio da conformidade dos serviços. Akabane (2012 apud SANTOS, 
2019) classifica ITIL como um conjunto de práticas capazes de conduzir 
as seguintes tarefas:
• Identificar cada serviço e seus requisitos.
• Definir, construir e gerenciar o catálogo de serviços.
• Negociar os acordos de nível de serviços entre as partes 
envolvidas.
• Identificar requisitos vigentes para contratos e serviços.
• Monitorar e gerenciar os serviços e seus respectivos SLAs.
• Propor ações de melhoria para processos e serviços.
• Fornecer informações úteis para o gerenciamento da qualidade de 
serviços.
Santos (2019) destaca também a ISO 20000 (ISO, 2018), que utiliza as 
informações e o conhecimento como base para planejar e monitorar 
os serviços. Essa norma aborda a forma como as políticas do 
gerenciamento de TI são adotadas pelo provedor de nuvem para que 
seja possível melhorar, manter e monitorar os serviços eficientemente 
baseados em ITIL e suas fases, como o design, a transição, a entrega e a 
melhoria dos serviços de TI.
Para complementar o que é citado por Santos (2019), podemos 
considerar o que apontam Fernandes e Abreu (2012). Segundo eles, a 
56
ISO 20000 (ISO, 2018) sugere a aplicação de um ciclo de PDCA (plan-do-
check-act), que pode ser implementado pelos provedores para garantir 
todos os processos de acompanhamento para um serviço de TI na 
nuvem, conforme etapas ilustradas na Figura 2:
Figura 2 – Sistema de gerenciamento de processos e serviços de TI
Fonte: elaborada pela autora.
• Planejar (plan): define o planejamento do gerenciamento do serviço.
• Fazer (do): implementação do desenho, transição, entrega e 
melhoria dos serviços.
• Checar (check): monitoramento, medição e checagem dos serviços.
• Agir (act): implementar ações que visam à melhoria contínua dos 
serviços.
Todas as etapas do monitoramento e da operação em nuvem devem 
ser seguidas para garantir que a operação flua corretamente. Assim, 
nenhuma ação deve ser implementada sem que o monitoramento e a 
análise correta dos serviços sejam realizados. Para esse fim, diversas 
ferramentas estão disponíveis para a nuvem, além de serviços como 
MaaS (monitoramento como serviço), oferecidos pelos próprios 
57
provedores de nuvem, que definem o provisionamento terceirizado de 
segurança para plataformas de negócio que utilizam a internet como 
base para seus serviços.
3. Ferramentas de monitoramento na nuvem
O monitoramento da nuvem é uma tarefa de grande importância tanto 
para os provedores como para os clientes, por permitir o controle 
do hardware e do software que estão sendo utilizados por meio dos 
serviços disponibilizados na nuvem.
Antes de iniciar o monitoramento dos serviços, é necessário definir quais 
indicadores são realmente relevantes no ambiente de nuvem, evitando 
a complexidade desnecessária e filtrando somente por itens que 
realmente sejam importantes para manter a funcionalidade dos serviços 
na nuvem. Tanure (2019) sugere as seguintes etapas para um processo 
de definição dos indicadores de monitoramento:
Figura 3 – Indicadores de avaliação de desempenho e requisitos 
da nuvem
Fonte: adaptada de Tanure (2020).
58
Além disso, as informações sobre o desempenho e os indicadores sobre 
o comportamento da plataforma, das aplicações e dos serviços podem 
ser monitoramentos por meio de diversas ferramentas na nuvem, que 
são diferenciadas pelo seu foco e seus objetivos. Monitores como Data 
Dog, Logic Monitor, AppDynamics e Ganglia podem ser aplicados com essa 
funcionalidade.
DataDog: utilizado não somente para monitorar os serviços na nuvem, 
mas para escalar serviços, monitorar aplicações de alto desempenho e 
avaliar o uso dos serviços. Esse monitor atualmente é utilizado de forma 
integrada em diversas plataformas, como Amazon, Auto Scaling, Apache 
e BitBucket. É uma ferramenta open-source e passa por constantes 
melhorias pela comunidade, mantendo uma interface que permite a 
visualização dos dados de diversas formas.
Logic Monitor: utilizado para monitorar ambientes SaaS de código 
fechado. Chaves (2012) cita algumasempresas que utilizam essa 
ferramenta, como Adidas, Siemens e Sophos. Seu foco é prover 
monitoramento para plataformas em camadas, agregando fácil controle 
de acesso, segurança e possibilidade de realizar o acesso às informações 
monitoradas obtidas com total confiabilidade.
AppDynamics: é um software criado e mantido pela Cisco que tem como 
principal funcionalidade monitorar aplicações de alto desempenho, por 
meio de componentes configuráveis dentro de sua estrutura: controller, 
MySQL database, events service, além de outros disponíveis somente 
para sistemas Linux e Windows Server. Suas principais características 
são flexibilidade e dinamismo, que permitem a coleta de dados em 
tempo real, emitindo alertas que podem ser enviados aos usuários, 
especificando problemas e falhas por meio de filtros configurados para 
cada ambiente.
59
Ganglia: promete um monitoramento distribuído para o uso em 
computação de alta performance e tolerância a falhas, incluindo 
sistemas de cluster e grids.
A utilização de ferramentas de monitoramento garante controle de 
ativos, aumentando a visibilidade e o controle das operações executadas 
por meio deles. Quando uma organização migra seus serviços para a 
nuvem, de alguma forma a visibilidade sobre os seus ativos diminui, pois 
a responsabilidade mesmo que parcial sob essas atividades é transferida 
para o provedor de nuvem, ainda que o nível de responsabilidade 
dependa do modelo de serviço em nuvem adquirido e de sua relação 
com o monitoramento em nível de logs e segurança mantida pela 
organização.
No entanto, as organizações devem estar preocupadas em realizar o 
monitoramento e a análise de informações sobre aplicativos, serviços, 
dados e usuários na nuvem, e, para isso, é necessário criar uma 
estratégia adequada, ainda mais quando são mantidos ambientes 
híbridos, migrados parcialmente para a nuvem, mas que ainda são 
compostos por infraestrutura local, já que garantir o desempenho 
e a alta disponibilidade, com um custo acessível para diferentes 
infraestruturas, torna-se mais complexo.
A automação é responsável por facilitar o monitoramento no ambiente 
da nuvem, tendo um papel fundamental para qualquer estratégia de 
monitoramento, principalmente nesse modelo de ambiente, o que 
melhora a coleta dos dados e reduz problemas de desempenho e 
indisponibilidade.
De acordo com Chaves (2012), nuvens públicas e privadas tratam 
diferentes tipos de dados. Por isso, o monitoramento se torna 
mais difícil quando se trata de identificar problemas e dimensionar 
dinamicamente os recursos utilizados pelas infraestruturas. Assim, uma 
60
boa prática é agregar um subconjunto de dados de monitoramento de 
cada uma das plataformas em uma única camada de gerenciamento.
Existem diversos frameworks que foram idealizados para permitir o 
monitoramento correto dos serviços em nuvem, e alguns deles, de 
acordo com Chaves (2012), são o Grid Monitoring Architecture (GMA) ou 
arquitetura de monitoramento em grade, o PRTG e o Nagios:
• Grid Monitoring Architecture (GMA)
A arquitetura do GMA é definida por três componentes:
• Serviço de diretório: especifica as mensagens que os produtores e 
os consumidores resolvem aceitar para controlar e monitorar os 
recursos e a comunicação entre eles.
• Produtores: responsáveis por tornar os dados de desempenho 
disponíveis.
• Consumidores: recebem os dados de desempenho 
disponibilizados por meio dos provedores.
Nessa arquitetura, a comunicação entre os componentes envolvidos 
ocorre por meio de mensagens especificas: publish/subscribe, os 
interessados se inscrevem para receber mensagens especificas; query/
response, os interessados solicitam as informações em um esquema 
de pergunta/resposta; e notificação, maneira como o produtor envia 
informações para os consumidores.
• PRTG
Focado no monitoramento de serviços em infraestrutura local, 
também teve a ferramenta adaptada para monitoramento na nuvem, 
utilizando sensores que permitem monitorar protocolos, como o HTTP 
e diversos serviços na nuvem, possibilitando a análise da acessibilidade 
61
dos serviços e o desempenho em nuvens localizadas em diversos 
continentes, com tempos de resposta determinados para qualquer parte 
do mundo.
O PRTG permite monitoramento para tecnologias VMware e Microsoft 
OneDrive, exibindo espaço de armazenamento, indicadores de uso e 
sinais de escassez que podem e corrigidos. Ele ainda disponibiliza um 
sensor de nuvem para monitorar tempos de PING e seus serviços. Além 
disso, fornece suporte para Google Analytics, Amazon CloudWatch, 
Dropbox e diversos serviços da Amazon, aplicando sensores para 
monitorar os desempenhos.
• NAGIOS
O Nagios é um framework de código aberto utilizado para 
monitoramento com o intuito de identificar falhas no sistema da nuvem. 
Ele fornece diversas funcionalidades, como:
a. Monitoramento dos componentes de infraestrutura, aplicações, 
serviços, sistemas operacionais e componentes de rede.
b. Monitoramento de todos os processos de maneira centralizada, 
visando ao controle das operações do negócio.
c. Organização e planejamento de atualizações na infraestrutura de 
forma proativa.
Os aspectos do monitoramento na nuvem e as características das 
ferramentas de monitoramento devem ser destacados na computação 
em nuvem, visando ao controle adequado da nuvem e à conformidade 
dos processos mantidos pelo provedor.
Considerando todas as atividades gerencias da nuvem, o 
monitoramento desempenha um papel muito importante e fundamental 
para o acompanhamento desses sistemas, servindo como base para o 
planejamento e a implantação de melhorias do ambiente. Acompanhar 
62
as mudanças deve ser uma tarefa constante, para impulsionar as 
tecnologias e evoluir no modelo de nuvem, implementado, estendendo 
os recursos ou regredindo, se necessário, para manter a conformidade 
entre a nuvem e os negócios.
Referências Bibliográficas
CHAVES, S. A. Arquitetura e sistema de monitoramento para computação 
em nuvem privada. Dissertação (Mestrado em Ciência da Computação) – 
Universidade Federal De Santa Catarina, Florianópolis, 2010. Disponível em: 
https://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/123456789/93827/287315.
pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 17 ago. 2020.
COSTA, B. et al. Desmistificando a Adoção de Serviços em Nuvem 
Governamental. Brasília: IBGP, 2019.
FERNANDES, A. A.; ABREU, V. F. Implantando a Governança de TI: da estratégia à 
gestão dos processos e serviços. Rio de Janeiro: Brasport, 2012.
ISO. ISO 20000. 2018. Disponível em: https://www.iso.org/obp/ui/#iso:std:iso-
iec:20000:-1:en. Acesso em 05.nov.2020.
SANTOS, T. Gerenciamento de Serviços em Nuvem. São Paulo: Senac, 2019.
TANURE, R. Como monitorar a infraestrutura em nuvem AWS. 2019. Disponível 
em: http://emaster.clou/blog/como-monitorar-a-infraestrutura-em-nuvem-aws. 
Acesso em: 17 ago. 2020. 
BONS ESTUDOS!

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