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1.INTRODUÇÃO
 Neste presente trabalho, falaremos sobre tipificação do crime de casamento fraudulento, nos termos do artigo 238º do Código Penal Angolano. Porém, esta temática carece de um estudo profundo pelo que este crime corresponde a um novo tipo legal, ou seja, é uma inovação trazida pelo novo código. Vale realçar que este tipo legal não estava tipificado no antigo código penal de 1886. Assim sendo, cumpre-nos a difícil tarefa de abordarmos com muita seriedade o presente tema.
2. O CASAMENTO E A PROTECÇÃO JURÍDICA.
 O casamento e uma instituição histórica que contem os valores culturais, sociais, religiosas e jurídicas. Desde sempre mereceu uma defesa do Direito e do Estado. O Estado propicia uma ampla protecção ao casamento como uma das formas de constituição da família, que é o núcleo fundamental da organização da sociedade.
 O Estado angolano adoptou o sistema monogâmico de casório, vedando assim, a bigamia (art.20 código de Família) e qualquer outro crime correspondente. Qualquer meio diferente do ordenamento jurídico, o sujeito estará lesando o Estado e consequentemente o interesse do seu consorte ou companheiro.
 Hoje, o matrimónio é tido como negócio jurídico, pelo qual duas pessoas se vinculam com a finalidade de comunhão de afectos e a própria realização pessoal.
 Não se pode usar o casamento como meio fraudulento para lesar o Estado, muito menos a sociedade, desse modo, o legislador criou parâmetros e limites para proteger o casamento. Assim sendo, o casamento, tendo em conta a sua fundamental tarefa na constituição e preservação da família, mereceu não somente uma protecção constitucional (art.35ª CRA) e do Direito da Família (art. 20ª código da família), mas também do Direito Penal, nos termos do artigo 238ª e seguintes do código Penal. 
 Em respeito ao princípio da intervenção mínima, segundo qual o Direito Penal só deve preocupar-se com os bens jurídicos mais importantes da sociedade, o direito penal foi obrigado a tutelar o casamento, como sendo este um bem jurídico fundamental para a sociedade.
2.1 PROTECÇÃO DO CASAMENTO NO ÂMBITO DO DIREITO PENAL.
 Como fizemos referência anteriormente, em respeito ao princípio da intervenção mínima do Direito Penal, o casamento com um elemento fundamental na constituição da família tem merecido uma tutela especial do Direito Penal Angolano desde a sua génese, o código Penal revogado de 1886, no seu art. 401 e ss estava tipificado o crime de adultério, que prévia uma cominação legal de dois a oito anos àquele que cometesse tal crime. 
 Contudo, com a entrada em vigor do novo código penal, de 2020, o legislador entendeu descriminalizar o adultério, por entender que é um bem jurídico mais versado para o Direito da Família, do que propriamente dito do Direito Penal, atendendo o princípio da intervenção mínima e subsidiariedade do Direito Penal. Porém, neste novo código o legislador voltou a dar uma tutela especial ao casamento, quando no seu artigo 238ª tipifica o casamento fraudulento como crime.
3. DOS CRIMES CONTRA FAMILIA.
 No Título II, Capítulo I do código Penal Angolano que trata especialmente dos crimes contra o Casamento, Estado Civil e a Filiação, está tipificado no seu artigo 238ª o crime de casamento fraudulento. Este crime é conceituado pela doutrina como sendo o facto ilícito em a pessoa celebra o matrimónio duas vezes. No entanto, é importante frisar que o casamento a que o tipo legal faz referência é o casamento civil e a união de facto, nos termos do art. 20ª do Código de Família.
3.1.CLASSIFICAÇÃO DO CRIME DE CASAMENTO FRAUDULENTO.
 A doutrina apresenta-nos uma enorme classificação dos crimes, desde comum, Específico, mão-própria, formais, materiais, de dano e etc… Porém, quanto ao sujeito activo, e tendo feito uma ampla pesquisa, concluímos que o crime de casamento fraudulento é um crime específico, ou seja, aqueles que só podem ser praticados por agente que a lei atribui certa qualidade.
 Ora, este crime pode confundir-se com o crime de mão-própria, porém a nós é mais coerente afirmar que o crime de casamento fraudulento não corresponde a um crime de mão-própria porque este não admite a co-autoria, no entanto, o número 1do art. 238, admite a co-autoria quando preceitua que “ quem contrair casamento com uma pessoa, sabendo que esta é casada incorre no mesmo crime (casamento fraudulento). 
Autoria e co-autoria e cumplicidade:
1- Autoria é quando o agente assume a execução do facto por mãos próprias, em termos de preencher na sua pessoa a totalidade dos elementos objectivos e subjectivos do crime, nos termos do art. 24 do código penal;
2- Co-autoria implica que os agentes tomem parte directa na execução do facto por acordo ou conjuntamente com outro, nos termos do art. 24 al. c) do código penal;
3- Cumplicidade corresponde a uma colaboração no facto do autor e, por conseguinte a sua punibilidade pressupõe a existência de um facto principal doloso cometido pelo autor, nos termos do art. 25ª Código penal.
 A co-autoria no crime de casamento fraudulento é expresso no número 1 do art.238, quando preceitua que “ quem contrair casamento com uma pessoa, sabendo que este é casado, incorre no crime de casamento fraudulento”, este preceito indica claramente a co-autoria neste tipo legal, assim sendo, solidifica ainda mais a ideia de se tratar de um crime específico próprio.
 Vale ainda referir que quanto a acção o crime de casamento fraudulento é classificado como um crime por acção, aqueles que o agente age com vista a preencher um tipo legal correspondente.
4.ALCANCE PRÁTICO DO ARTIGO 238ª DO CÓDIGO PENAL ANGOLANO.
Em respeito ao princípio da tipicidade coadjuvado com o princípio da legalidade, nos termos do art.1 no seu número 1 do código penal angolano, buscaremos trazer o alcance práctico da norma supracitada e as normas afins. 
 Não pretendemos com esta reflexão desvirtuar os bons valores de uma sociedade, nem tão pouco incentivar os cidadãos a terem muitas relações amorosas, mas sim, ilustrar que no código penal revogado, de 1886, estava tipificado o crime de adultério no seu art. 401. Contundo, com a entrada em vigor do novo código penal, de 2020, o legislador entendeu descriminalizar o adultério, por entender, conforme aludimos anteriormente, que se trata de um bem jurídico mais versado para o Direito da Família do que propriamente do Direito Penal, atendendo ao princípio da intervenção mínima do Direito Penal.
 Assim sendo, o legislador admite que um cidadão, seja ele do sexo masculino ou feminino, possa ter a liberdade de se casar e manter simultaneamente, uma relação afectiva com outra pessoa, desde que não se case pela segunda vez, enquanto não dissolver o primeiro casamento, sob pena de incorrer no crime previsto no art. 238ª do código penal, sobre casamento fraudulento que estabelece o seguinte: “ Quem, sendo casado contrair novo casamento ou quem contrair casamento com uma pessoa, sabendo que ela é casada, é punido com pena de prisão de 6 a 2 anos ou com multa de 60 a 240 dias.”
Vejamos que a única proibição que o legislador impõe é a de contrair um novo casamento se a pessoa em causa já for casada. Em momento algum proíbe a pessoa casa de ter uma segunda relação amorosa, caso já tenha contraído um primeiro casamento.
Em relação a este tipo penal, o legislador decidiu estender a responsabilidade penal ao conservador ou ao responsável da conservatória civil que realiza e autoriza a celebração do casamento, caso tenha conhecimento que umas das partes já tenham contraído algum casamento, de acordo com o número 2 do art.238ª do código penal. Contudo, se o cidadão decidir manter uma segunda relação amorosa não deve reconhecer a união de facto por mútuo acordo, sob pena de incorrer no mesmo crime, por entender que o valor deste reconhecimento é semelhante ao do casamento, em respeito ao consagrado no número 3 do art. 238ª código penal.
Se somente uma pessoa tiver conhecimento que tem algum impedimentopara se casar desde que não seja um casamento não dissolvido, tal como laços de consanguinidade ou união de facto reconhecida por mútuo acordo induzir ao outro contraente a erro para que se consiga celebrar o casamento, estará esta pessoa a incorrer no crime de “ Indução em erro sobre impedimento”, previsto e punido pelo art. 239ª do código penal.
Para o efeito, deverá o lesado, no caso, a pessoa que foi enganada ou induzida no erro, intentar o procedimento criminal por via de apresentação de uma queixa junto dos órgãos de polícia ou judiciários, nos termos do número 2 do art. 239ª do código penal.
Se a pessoa que tem alguns impedimentos para se casar não induzir a erro essencial o outro contraente, mas ocultar a sua qualidade ou tal impedimento, para que consiga casar-se com a pessoa amada, estará a incorrer na práctica do crime previsto e punido pelo código penal no seu art. 240ª Sobre conhecimento e ocultação de impedimento.
De igual modo, nestas circunstâncias, o lesado ou a pessoa que tomou conhecimento que verdade sobre o impedimento lhe foi ocultada, caso desejar procedimento criminal deverá apresentar queixa junto dos órgãos judiciais ou policiais, por se tratar de crime semi-público, nos termos do art. 240 no seu número 2.
5. O CASAMENTO FRAUDULENTO EM ANGOLA.
 Como aludimos anteriormente, o casamento fraudulento corresponde a um tipo legal previsto no novo código penal angolano. Assim sendo, este tipo legal consubstancia-se numa inovação para o ordenamento jurídico. No contexto angolano esse crime não é regular, pelo que, tendo feito um profundo estudo sobre o assunto, através de consultas jurídicas, etc…infelizmente não conseguimos dados suficientes. Tendo constatado que em cede do tribunal, a nível das comarcas da província de Cabinda, não terem ocorridos processos sobre o respectivo crime.
 Não se pode utilizar o casamento como meio fraudulento para lesar o estado, muito menos a sociedade, desse modo, o legislador criou parâmetros e limitações para proteger o matrimónio.
Eis os artigos e explicações que protegem o casamento, começando pelo primeiro crime:
Art. 238º - Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:
Pena - reclusão, 6 meses até 2 anos ou com multa de 60 a 240 dias.
§ 1º - Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada, conhecendo essa circunstância, é punido com a mesma pena
- Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro por motivo que não a bigamia, considera-se inexistente o crime.
 Da leitura do dispositivo, extraímos que as pessoas já casadas não podem casar, em face da vedação legal da bigamia. Esta é o estado de quem contrai novo casamento, já sendo casado sem antes ter-se divorciado.
 O casamento religioso em regra, não gera o crime de bigamia, somente aquele matrimónio com efeitos civis e a união de facto por mútuo acordo, nos termos do art. 119º do Código de família.
 Percebemos que o parágrafo primeiro fala em co-autoria do crime, aquela pessoa sendo solteira, viúva, divorciada que contrai casamento sabendo que o outro é casado, incorre automaticamente nesse crime.
 Porém, a anulação do casamento quando transitado em julgado gera a atipicidade da conduta, vem expressamente que qualquer forma de anulação do primeiro casamento, não sendo bigamia, considera-se extinto o crime. Diga-se de passagem, que, somente ocorre com a sentença transitada em julgado. Esse impedimento na vida das pessoas, só desaparece com a dissolução do casamento anterior, pois o que o código veda é a pessoa casada, contrair novas núpcias com outro consorte.
 De modo que, uma vez reconhecida à invalidade, automaticamente estará reconhecida a validade do segundo casório, sem problema nenhum, estar-se-ão livres para alcançarem a realização pessoal desejada pelos cônjuges e objectivo do matrimónio.
 O segundo crime acontece com ocultação de impedimento que não seja casamento anterior (bigamia), vamos ver:
Art. 239º Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior.
Pena- detenção, até 18 meses ou com multa de até 180 dias.
 Acção penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.
 O ato de contrair casamento transmite por ambas as partes, declaração de aceitação mútua, comprometimento entre marido e mulher, respeito, longe de mentiras, fingimento ou outro artifício, tudo isso para o desenvolvimento dos mesmos e a realização pessoal de cada um, de todo modo, é uma união vinculada, carece desses requisitos e merece ser protegida pelas normas constitucionais.
 Esse dispositivo é mais uma espécie de crime contra o casamento, artigo 240º, neste, o cônjuge oculta impedimento ao outro consorte, ludibriando-o, esconde a boa-fama, sua honra, um crime que cometeu no passado, um defeito físico irremediável, coisas assim que se tornam insuportáveis e impedem que o casamento prossiga no seu estado normal.
 Assim, ninguém pode ser enganado para que se case com outra pessoa. Esse vício de vontade, além de permitir a anulação (art. 65º do CC), ou mesmo conduzir à sua nulidade em algumas situações.
O bem jurídico protegido é a regular formação da família.
 A acção penal será de iniciativa privada personalíssima, pois conforme determina o nº2 do art. 239º CP, depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentado senão depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.
Art. 240º. Contrair casamento, conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta.
Pena-detenção, de um ano a 3 anos ou com multa de 120 a 360 dias
 Há quem diga que o maior interessado é o Estado, vem resguardar o interesse público, com sua função proibitiva, pois aqui existe um conhecimento prévio, pode ser só um cônjuge ou os dois sabiam do impedimento e mesmo assim casaram, lesando interesse da sociedade em benefício próprio.
 Os impedimentos matrimoniais são de ordem pública, proibição absoluta no qual o ordenamento não admite sanação e implica em nulidade do casamento, que não produzirá nenhuma eficácia.
 É Sábio afirmar que, a acção penal é pública incondicionada, pois se dá pelo fato de haver a possibilidade de ambos os nubentes estarem em conluio ou possibilidade de lesar interesses que o Estado é o único responsável pela protecção desses direitos.
 O próximo tipo penal incrimina aquele que se faz passar de autoridade pública competente para celebrar matrimónios.
Art. 241º. Atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento:
Pena-detenção, de um a três anos, se o fato não constitui crime mais grave.
 Ninguém pode fingir que é juiz de paz, padre ou dizer que tem autoridade, o que se quer é protecção da ordem das coisas, regulando à formação da família, pois não se pode uma pessoa se dizer competente e celebrar um ou vários casamentos ilegalmente.
CONCLUSÃO
 Tendo feito um estudo profundo do tema em causa, concluímos unanimemente que o crime previsto e punido, nos termos do art. 238º do Código Penal Angolano, nomeadamente o crime e casamento fraudulento, constitui uma inovação para o contexto jurídico-penal angolano tendo em conta carácter recente no nosso ordenamento jurídico angolano. Concluímos ainda que este tipo legal constitui uma protecção jurídico-penal do casamento, sendo este uma das formas de constituição da família, nos termos do art. 20º do código de família.
 Vale ainda realçar que a moldura penal correspondente para esse tipo de crime vai de 6 meses a 2 anos de prisão ou com multa de 60 dias a 240, nos termos do art. 238 nº1 do CPA. Ora, quanto a sua classificação a doutrina tem divergido, pois uns entendem que este é um crime de mão-própria pelo facto de só puder ser praticado pelo próprio autor, outros, porém, entendem tratar de um crime específico próprio por admitira co-autoria, nos termos do nº1 do art. 238 do CPA.
 Assim sendo, acreditamos que é necessário um estudo mais profundo, tendo em conta a exiguidade de doutrina relativamente a este assunto.
Conteúdo
1.INTRODUÇÃO	1
2. O CASAMENTO E A PROTECÇÃO JURÍDICA.	2
2.1 PROTECÇÃO DO CASAMENTO NO ÂMBITO DO DIREITO PENAL.	2
3. DOS CRIMES CONTRA FAMILIA.	3
3.1.CLASSIFICAÇÃO DO CRIME DE CASAMENTO FRAUDULENTO	3
4.ALCANCE PRÁTICO DO ARTIGO 238ª DO CÓDIGO PENAL ANGOLANO.	4
5. O CASAMENTO FRAUDULENTO EM ANGOLA	5
CONCLUSÃO	6

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