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By @kakashi_copiador
Aula 05 - Prof.ª
Alessandra Lopes
CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do
Trabalhador) Conhecimentos Específicos
- Eixo Temático 3 - Sociologia e
Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024
(Pós-Edital)Autor:
Alessandra Lopes, Celso Natale,
Thayse Duarte Varela Dantas
Cesar
31 de Janeiro de 2024
https://t.me/kakashi_copiador
 
 
 
 1 
117 
 
SUMÁRIO 
Apresentação ................................................................................................................................................... 2 
O Curso ............................................................................................................................................................. 3 
Cronograma de Aulas ..................................................................................................................................... 4 
1. INTRODUÇÃO: A SOCIOLOGIA DO TRABALHO ....................................................................................... 5 
1.1 Sociologia como uma Ciência da Sociedade .............................................................................. 5 
1.2 A Sociologia no contexto da Revolução Industrial .......................................................................... 7 
2. O objeto de estudos da Sociologia do Trabalho ............................................................................. 10 
2.1 O Conceito de Trabalho .................................................................................................................... 11 
2.2 Trabalho para Marx, Weber e Durkheim ........................................................................................ 12 
3. O trabalho como uma categoria do pensamento sociológico ......................................................... 18 
3.1. Breves conceitos: ............................................................................................................................... 20 
3.2 Perda da centralidade do trabalho como categoria explicativa ................................................. 20 
4. O trabalho humano e sua evolução histórica ................................................................................... 25 
4.1 - O trabalho nas Sociedades Coletivistas ....................................................................................... 26 
4.2 - O trabalho nas Antiguidades Clássica e Medieval ..................................................................... 28 
4.3 - O trabalho na Sociedade Moderna ............................................................................................... 32 
4.4 O trabalho na Sociedade Capitalista ............................................................................................... 36 
5. O trabalho no pensamento clássico ................................................................................................... 39 
5.1 Divisão do trabalho e distribuição de tarefas. ........................................................................... 40 
5.2 Divisão social do trabalho: Émile Durkheim ............................................................................... 42 
Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar
Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes
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5.2.1 Divisão Social e Conflito ............................................................................................................. 49 
6. Divisão sociossexual e racial do trabalho .......................................................................................... 51 
6.1 Divisão sociossexual do trabalho ..................................................................................................... 51 
6.1.1 Opressão e exploração ............................................................................................................... 53 
6.1.2 Economia do Cuidado ................................................................................................................ 54 
6.1.3 Gênero, Raça e Classe ................................................................................................................ 55 
6.2 Divisão racial do trabalho .................................................................................................................. 57 
6.2.1 Florestan Fernandes (1920-1995) ............................................................................................. 58 
7. Resumos .................................................................................................................................................. 60 
8. LISTA DE QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS ............................................................................................. 64 
9. GABARITO ................................................................................................................................................ 80 
10. LISTA DE QUESTÕES COM COMENTÁRIOS ......................................................................................... 81 
CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................................................. 117 
 
 
APRESENTAÇÃO 
Estou muito feliz por você iniciar nosso curso de Sociologia do Trabalho para a prova 
do Concurso Nacional Unificado 2024. 
Bem, antes de tudo, peço licença para me apresentar. Sou Bacharel em Ciências 
Sociais pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, Licenciada em Sociologia 
pela mesma universidade, Mestra em Ciência Política também pela mesma 
Universidade e na UNICAMP iniciei meu doutorado no campo dos estudos sobre 
justiça de transição, políticas de memória e direito internacional. Por essa trajetória 
na Ciência Política, sou especialista em regimes políticos transicionais e direitos 
humanos. Mais recentemente, ingressei no curso de bacharelado em História na 
Universidade de São Paulo. Em 2018, fui aprovada para o cargo de Consultor 
Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar
Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes
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Legislativa da área de Direitos Humanos, Minorias, Cidadania e Sociedade da Câmara Legislativa do Distrito 
Federal (CLDF). 
Desde 2004, dou aulas de História, Ciências Sociais e Humanidades em cursos preparatórios para 
vestibulares, ENEM e concursos. Entre 2018 e 2019, iniciei minha jornada aqui no Estratégia, dou aula no 
Estratégia Concursos, Vestibulares e Militares. Sou especialista em desenvolvimento de materiais 
preparatórios. 
Posso afirmar, com segurança, que já contribui para a aprovação de muitos alunos nas mais variadas e 
concorridas instituições do Brasil. Seja bem-vindo e bem-vinda ao nosso time :) 
Dito isso, espero que você esteja seguro e segura para iniciar esta jornada importante que irá contribuir para 
a conquista de pontos fundamentais para a sua aprovação. 
Aproveite para me seguir nas redes sociais, há muitos conteúdos iscas e orientações focadas e cotidianas 
que podem reforçar seus conhecimentos. 
Grande abraço, 
Bons estudos! 
Profe Alê Lopes 
 
O CURSO 
Para começar este curso, vamos, primeiro, conhecer o inimigo, ou seja, a prova que você irá enfrentar: a 
Cesgranrio. 
Trata-se de uma banca que tem uma multiplicidade de estilos de cobrança: pode ser bem direta, cobrando 
autores e conceitos clássicos ou cobrar situações-problema para as quais deveremos explicar, mobilizando 
um ou mais conhecimento. 
Diante disso, nosso curso foi montado de maneira a permitir que você entenda a linguagem própria da 
Sociologiado Trabalho, os conceitos centrais, os principais autores e os principais tópicos dentro de cada 
item do Edital, além de diversas reflexões sociológicas que faremos ao longo das aulas. 
Ao final de cada aula haverá um capítulo de resumo dos principais tópicos tratados ao longo da aula. 
Quanto ao treinamento por meio das questões, teremos questões da Banca, adaptações de algumas bancas 
úteis pedagogicamente, bem como, várias inéditas e no padrão múltiplo da Banca. Aproveitem todos os 
comentários, pois foram feitos com dedicação e carinho! 
Ademais, tenho certeza de que você, que almeja ser servidor público, em alguma medida, está familiarizado 
com esse campo do conhecimento. Aproveite seu conhecimento "de mundo". Apenas tenha cuidado com 
suas preferências individuais, separe-as e não as tome como verdade para resolver as questões. Para efeitos 
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de concurso, apreenda o conceito, coloque o X no lugar certo, use tanto quanto útil for nas discursivas, seja 
aprovado e muito feliz :). 
Outra observação preliminar: este é um curso focado em concurso, logo, se diferencia dos temas mais 
acalorados do mundo acadêmico e/ou político-partidário. Importante frisar isso para alinharmos nossas 
expectativas, correto?! Manteremos o foco nesse objetivo!! 
Estarei à disposição em todos os canais do Estratégia Concursos e nos meus pessoais para que vocês possam 
dirimir suas dúvidas sempre que precisarem. 
Pra cima!!! :) 
CRONOGRAMA DE AULAS 
Aula Tópico do Edital 
 
 
Aula 05 
1 A Sociologia do trabalho e seu objeto de estudo: 1.1 O trabalho como uma 
categoria do pensamento sociológico. 1.2 O Conceito de Trabalho. 3.1 O 
trabalho no pensamento clássico (Parte 1). 1.6 Divisão do trabalho e 
distribuição de tarefas. 3.3 Divisão social do trabalho. 3.4 Divisão 
sociossexual e racial do trabalho 1.7 Processo de trabalho e organização de 
trabalho. 1.8 O trabalho humano e sua evolução histórica: trabalho 
escravizado, trabalho feudal em servidão, trabalho livre desprotegido. 
Aula 06 2 Fases históricas iniciais da industrialização: 2.1 Artesanato, manufatura, 
maquinofatura e mecanização da produção. 2.2 A Revolução Industrial e o 
capitalismo industrial. 2.4.1 O movimento operário. 
Aula 07 3 O trabalho como categoria estruturante na sociedade capitalista: 3.1 O 
trabalho no pensamento clássico (Parte 2). 1.4 Exploração e alienação. 3.2 
A teoria do valor-trabalho. 1.3 Trabalho: ação, necessidade e coerção. 1.5 
Trabalho e progresso técnico. 2.3 Modelos de gestão e organização do 
trabalho: taylorismo, fordismo, toyotismo. 
Aula 08 2.4 A organização dos trabalhadores e trabalhadoras: 2.4.1 O movimento 
operário. 2.4.2 Sindicalização e militantismo. 2.4.3 A ação sindical e sua 
tipologia. 2.4.4 A evolução do sindicalismo diante das transformações do 
mundo do trabalho. 2.4.5 Greves e conflitos trabalhistas. 
Aula 09 2.5 A crise atual da sociedade do trabalho: 2.5.1 O processo de globalização, 
seus efeitos sociais e as novas cadeias produtivas. 2.3 Modelos de gestão e 
organização do trabalho: plataformas digitais e seus impactos no 
trabalhador e na sociedade. 2.5.2 O proletariado de serviços, as plataformas 
digitais, a inteligência artificial e o ciberproletariado. 2.5.3 A necessidade de 
novas competências, qualificações e as funções em extinção. 2.5.4 
Flexibilização, informalidade, terceirização e precarização das condições de 
trabalho. 
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1. INTRODUÇÃO: A SOCIOLOGIA DO TRABALHO 
A Sociologia do Trabalho, como subárea da Sociologia dedicada ao estudo das 
relações sociais no contexto laboral, requer uma compreensão prévia da posição 
da Sociologia no campo científico, ou seja, sua origem e de sua ligação essencial com 
o tema do "trabalho". Para adentrarmos nas especificidades da Sociologia do 
Trabalho e abordarmos os temas exigidos no edital, é crucial capturar o sentido mais 
abrangente da disciplina Sociologia. 
Portanto, antes de nos aprofundarmos na análise específica do "mundo do trabalho", é fundamental 
estabelecer uma compreensão sólida do âmbito sociológico como um todo. Não será nada aprofundado, 
apenas uma noção para você se situar. Então, vamos que vamos! 
1.1 Sociologia como uma Ciência da Sociedade 
Primeiramente: como nasce uma Ciência? Para iniciarmos os estudos das Ciências Sociais essa é uma 
pergunta importante para nosso Curso. 
Quando estudamos o período da formação, da consolidação e da propagação das 
ideias renascentistas e Iluministas (séculos XVII e XVIII), por exemplo, vemos que as 
Ciências ligadas ao conhecimento da natureza - como Química, Física e Biologia- foram 
resultado de experimentos e de observações que passaram a questionar explicações 
religiosas para o mundo, entre outras visões consideradas dogmáticas. 
 
Nessa linha, podemos dizer que a crítica científica nasce a partir de um questionamento a uma realidade 
dada e, muitas vezes, estabelecida como senso comum. Em muitos sentidos, as Ciências nasceram da 
tensão, na vida social, entre conservar o mundo tal como ele era ou revolucioná-lo. Por isso que: 
O emprego sistemático da razão, do livre exame da realidade – traço que caracteriza os 
pensadores do século XVII, os chamados racionalistas -, representou um grande avanço 
para libertar o conhecimento do controle teológico, da tradição, da “revelação” e, 
consequentemente, para a formulação de uma nova atitude intelectual diante dos 
fenômenos da natureza e da cultura.1 
 
1 MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia? São Paulo: Editora Brasiliense. u, p. 18. 
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Pense, por exemplo, no debate resgatado por Copérnico (1473-1543) e Galileu (1564-1642) sobre a teoria 
da Terra esférica, durante a Renascença. Digo resgatado porque a filosofia da antiguidade grega, ou seja, em 
um tempo antes de Cristo, já levantava a hipótese de que a Terra seria redonda e não plana. 
O questionamento provocado tanto pelo conhecimento da teoria da esfericidade da Terra, quanto pela 
teoria heliocêntrica2, além de questionar dogmas, passou das ideias à prática, quando as grandes navegações 
marítimas (séculos XV e XVI) começaram a conquistar o mundo e confirmaram que, de fato, a Terra é 
redonda. 
Assim, podemos inferir que as ideias em um determinado período histórico e os eventos 
da época estão interligados, gerando um movimento que se retroalimenta por meio de 
novas ideias e contextos. 
No caso da Sociologia, seu surgimento está intrinsecamente ligado às transformações 
sociais na Europa dos séculos XVIII e XIX. 
Mas profe, quais eram essas transformações, que contexto é esse? 
Queridos e queridas, a Sociologia surgiu no contexto das transformações ocorridas na sociedade europeia 
do século XVIII e, especialmente, do século XIX. Isso porque foi nesse momento que ideias e contextos 
começaram a alterar a forma de perceber e analisar a realidade. 
Nesse sentido, podemos pontuar 2 fatores: 
 
 
2 Durante muito tempo, entre a Idade Média e o Renascimento, questionou-se: é o Sol que gira ao redor da Terra ou 
é aTerra que gira ao redor do Sol? Essa pergunta já foi motivo de grandes disputas, condenações e mortes na 
fogueira. O heliocentrismo afirma que é a Terra que gira ao redor do Sol. Nesse sentido, uma visão que confrontou 
dogmas religiosos que alegavam o contrário. 
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Dentre os fatores históricos que levaram ao estudo da sociedade enquanto Ciência, a partir do século XIX, 
destaco: 
 a crescente complexidade das relações sociais após a Revolução Industrial; 
 novas relações econômicas, socias e culturais estabelecidas entre diferentes civilizações. 
 
1.2 A Sociologia no contexto da Revolução 
Industrial 
Os homens e as mulheres desse período se 
depararam com novas formas de organização da vida 
em sociedade. 
Repare, caro e cara aluna, que surgiram grandes 
cidades industriais e centros urbanos. 
A Europa passou por um rápido crescimento 
demográfico. 
Nessas aglomerações humanas não havia estrutura 
habitacional suficiente, não havia saneamento 
básico que comportasse tantas pessoas, não havia 
sistema de saúde que atendesse os doentes, em 
suma, as condições de vida eram precárias e caóticas. 
 
Com isso, diversos problemas sociais apareceram: suicídios; vícios, como alcoolismo; aumento da 
criminalidade; violência contra crianças e mulheres; doenças, como a cólera; etc. É claro que a 
miséria não foi uma produção do capitalismo. Mas a escala desses problemas saltava aos olhos do 
mais distraído observador social e as velhas respostas não geravam soluções, porque, afinal, os 
motivos dos problemas eram distintos. 
 Guarde, também, os seguintes traços da sociedade industrial observados pelos homens no 
começo do século XIX: 
a) A indústria se baseia na organização cientifica do trabalho. Em vez de organizar segundo o 
costume, a produção passou a ser ordenada baseada no rendimento máximo; 
b) A indústria e a organização racional do trabalho favoreceram o desenvolvimento 
prodigiosamente dos recursos; 
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c) A produção industrial levou à concentração dos trabalhadores nas cidades, fábricas e nas 
periferias das cidades. Ou seja, o surgimento de um novo fenômeno social: as massas 
operárias; 
d) Novos conflitos sociais aparecem, com destaque para a oposição latente entre empregados 
e empregadores, ou entre proletários e capitalistas; 
e) Contraste entre ampla riqueza criada pela industrialização e a pobreza em abundância, ou 
seja, desigualdades sociais; 
f) O sistema econômico passou a ser caracterizado pela liberdade nas trocas de mercadoria, 
pela busca de melhores lucros por parte dos empresários e comerciantes. Juntamente, o 
Estado redefiniu seu papel, pois o grau de intervenção estatal nos negócios econômicos 
diminui, comparando-se como no Antigo Regime. 
Além disso, o contraste entre o avanço tecnológico, de um lado, e miséria, do outro, produzia 
intensos debates no meio acadêmico e intelectual. Algumas perguntas investigativas passaram, 
então, a serem feitas por pensadores: 
➢ quais seriam as possíveis explicações racionais para fenômenos como o grande 
deslocamento de massas do campo para as cidades? 
➢ como entender os processos de mobilidade social? 
➢ Como resolver todas as mazelas do povo? 
 
Em linhas gerais, o importante desse processo de grandes transformações no 
pensamento e na vida material das sociedades é você “sacar” que as primeiras 
elaborações consideradas sociológicas expressavam uma preocupação sobre os 
efeitos do capitalismo na ordem social. E aqui entra a centralidade do tema 
trabalho. Isso porque, 
 
“o fato novo que chama a atenção de todos os observadores da sociedade, no princípio do século 
XIX, é a indústria”3. 
 
Assim, diversos pensadores, cada qual com sua perspectiva e elaboração, discordavam em muitos 
aspectos, mas concordavam que as novas condições de vida, após os processos da “dupla 
revolução”, passaram a produzir fenômenos sociais inteiramente novos. Por isso, é possível 
 
3 Idem, p. 79. 
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considerar os estudos da sociedade entre os séculos XVIII e XIX como uma resposta intelectual às 
novas situações colocadas pós-Revoluções4. 
O pesquisador e sociólogo Carlos Benedito Martins, assim resume o momento histórico mais 
“macro” do aparecimento da Sociologia: 
O seu surgimento ocorre num contexto histórico específico, que coincide com os 
derradeiros momentos da desagregação da sociedade feudal e da consolidação da 
civilização capitalista. A sua criação não é obra de um único filósofo ou cientista, mas 
representa o resultado da elaboração de um conjunto de pensadores que se 
empenharam em compreender as novas situações de existência que estavam em 
curso.5 (grifos nossos) 
Diante do debate apresentado, podemos concluir que, no contexto da “dupla revolução”, a ordem social, ou 
a sociedade, ou as relações sociais, enfim, a vida em coletividade, passou a ser o OBJETO DE ESTUDO das 
Ciências Humanas. Nesse sentido, as relações social de trabalho ganharam relevo. 
Repare que a Revolução Industrial foi determinante para que os pensadores sociais "virassem a chave" e 
passassem a melhor compreender os fenômenos da produção da riqueza e dos modos de vida. Desse modo, 
o trabalho aparece como uma categoria fundamental para ser compreendida. 
Não por menos, o Edital do CNU contém o seguinte conteúdo: "Fases históricas iniciais da industrialização: 
2.1 Artesanato, manufatura, maquinofatura e mecanização da produção. 2.2 A Revolução Industrial e o 
capitalismo industrial", assuntos de nossa próxima Aula. 
Nesta aula, vamos estudar os tópicos teóricos e históricos, como segue: 
1 A Sociologia do trabalho e seu objeto de estudo: 1.1 O trabalho como uma categoria do pensamento 
sociológico. 1.2 O Conceito de Trabalho. 3.1 O trabalho no pensamento clássico (Parte 1). 1.6 Divisão do 
trabalho e distribuição de tarefas. 3.3 Divisão social do trabalho. 3.4 Divisão sociossexual e racial do trabalho 
1.7 Processo de trabalho e organização de trabalho. 1.8 O trabalho humano e sua evolução histórica: trabalho 
escravizado, trabalho feudal em servidão, trabalho livre desprotegido. 
 
 
4 MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia? São Paulo: Editora Brasiliense. 2010, p. 16. 
5 MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia? São Paulo: Editora Brasiliense. 2010, pp. 10-11. 
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2. O OBJETO DE ESTUDOS DA SOCIOLOGIA DO 
TRABALHO 
Esta Seção, a Seção 3.0 e a 4.0 cobrem os pontos 1.1 O trabalho como categoria do pensamento 
sociológico e o 1.8 dos seu Edital - O trabalho humano e sua evolução histórica: trabalho 
escravizado,trabalho feudal em servidão, trabalho livre desprotegido. 
Considerando que o mundo do trabalho6 é apenas uma das dimensões de um amplo espectro de 
transformações radicais que afeta nossas vidas, podemos identificar o objeto de estudo da Sociologia do 
Trabalho nas relações sociais no contexto laboral, investigando as interações entre os indivíduos, grupos e 
instituições no ambiente de trabalho. 
A Sociologia do Trabalho dedica-se a compreender as dinâmicas sociais, estruturas de 
poder, desigualdades e transformações que ocorrem no mundo do trabalho. 
Assim, a especificidade do ramo da Sociologia do Trabalho reside no seu enfoque particular na 
compreensão da organização e evolução do mundo do trabalho na sociedade. Com efeito, a Sociologia do 
Trabalho dedica-se a investigar as relações de trabalho e a analisar as implicações sociais decorrentes dessas 
relações. 
Podemos sistematizar os aspectos-chave da especificidade da Sociologia do Trabalho da seguinte maneira: 
 Organização e Evolução do Mundo do Trabalho: analisa como as estruturas organizacionais se 
formam e evoluem ao longo do tempo. Investigação das mudanças nas práticas de trabalho, 
tecnologias e formas de emprego. 
 
 Relações de Trabalho: enfoca as interações entre empregadores e empregados, bem como as 
dinâmicas de poder presentes no ambiente de trabalho. Considera as negociações, conflitos e formas 
de cooperação dentro das relações laborais. 
 
 Implicações Sociais do Trabalho: examina como as relações de trabalho impactam não apenas os 
indivíduos, mas as comunidades e a sociedade como um todo. Avaliação das consequências sociais 
das mudanças nas condições de emprego, desigualdades laborais e práticas de gestão. 
 
 Desigualdades e Dinâmicas Sociais: investigação das desigualdades relacionadas a gênero, raça, 
classe social e outros fatores, no contexto do ambiente de trabalho. Compreensão das dinâmicas 
sociais que moldam as oportunidades e desafios enfrentados pelos trabalhadores. 
 
 
6 Utilizo a expressão “mundo do trabalho” porque ela é bastante referenciada dentre os sociólogos 
especialistas no tem, como o professor Ricardo Antunes, da Unicamp, e Ruy Braga, da USP. 
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 Movimentos Trabalhistas e Ativismo: estudo dos sindicatos, movimentos trabalhistas e iniciativas de 
ativismo que buscam melhorar as condições laborais e promover direitos dos trabalhadores. 
 
Ao se concentrar nessas áreas, a Sociologia do Trabalho fornece uma visão aprofundada das complexidades 
do ambiente laboral, contribuindo para a compreensão mais ampla das dinâmicas sociais e econômicas em 
uma sociedade. Essa abordagem específica destaca a importância de analisar as relações de trabalho como 
um componente vital da estrutura social. 
A título de exemplificação e já localizando a discussão na Realidade Brasileira, a 
"Sociologia do Trabalho e o seu objeto de estudo se configuraram, historicamente, muito vinculados 
às realidades sociais, políticas e econômicas de cada país[1]. No caso Brasil, a Sociologia do 
Trabalho se deparou com as peculiaridades de uma nação que teve mão de obra escrava 
até fins do século XIX, de uma economia dependente, de industrialização tardia e de uma 
frágil estruturação do mercado de trabalho"7. (grifo nosso) 
 
2.1 O Conceito de Trabalho 
Mas, afinal, o que é trabalho? Parece fácil, afinal, todo mundo aqui está lutando por um "trabalho". Mas, 
para efeitos de prova, vamos teorizar um pouquinho. 
O papel do trabalho na compreensão do indivíduo na vida nos remete a pensadores que "fundaram o 
pensamento social. Mesmo antes do estabelecimento da sociologia como disciplina, pensadores já 
destacavam o trabalho como um elemento central e de grande importância. Entre esses pensadores, Hegel 
se destaca como um dos mais influentes. 
Hegel, em seu sistema filosófico, desenvolveu uma visão abrangente do trabalho, enxergando-o como um 
componente essencial para a análise do homem em relação à natureza e à formação da consciência. Em 
sua abordagem, o trabalho não apenas é considerado a fonte de riqueza e de civilização, mas é percebido 
como um processo de exteriorização dialética do sujeito. 
O filósofo sustentava a tese de que o trabalho atua como um elemento mediador na relação entre o homem 
e a natureza, oferecendo suporte para a formação da consciência. Em outras palavras, é por meio do 
trabalho que o homem decodifica a natureza, utilizando-a de maneira instrumental e libertando-se da tirania 
imposta por aquela. 
 
7 BRIDI, Maria Aparecida. BRAGA, Ruy. SANTANA, Marco Aurélio. Sociologia do Trabalho no Brasil hoje: 
balanço e perspectivas. Revista Brasileira de Sociologia, vol. 6, núm. 12, pp. 42-64, 2018. 
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Essa concepção fundamentou o sistema de necessidades de Hegel, no qual o trabalho é pensado como 
elemento de mediação entre as necessidades subjetivas e as necessidades do outro. Os produtos do trabalho 
desempenham o papel de mediadores entre esses dois polos, uma vez que as necessidades do outro 
assumem um status de necessidade pessoal. A satisfação de uma necessidade subjetiva torna-se possível na 
medida em que o trabalho adquire uma dimensão social, ou seja, geral. 
Embora reconhecendo a complexidade abstrata do sistema filosófico de Hegel, é inegável sua importância 
para a compreensão do trabalho na formação do pensamento social e, em especial, no pensamento 
sociológico, como veremos a seguir. Sua abordagem permitiu analisar o trabalho em relação a dois polos 
distintos: como exteriorização do sujeito e como interiorização do social. 
Na tradição sociológica que se seguiu, o trabalho manteve-se como uma categoria central. Autores como 
Karl Marx, Max Weber e Émile Durkheim, na construção de suas teorias, reafirmaram a centralidade do 
trabalho na análise da vida social. 
 
Assim, o trabalho não é apenas um componente econômico, mas uma força que molda as relações 
sociais, a estrutura da sociedade e a própria identidade do indivíduo. Mais abaixo, veremos esta 
diferenciação no debate dos sociólogos com Adam Smith. 
 
2.2 Trabalho para Marx, Weber e Durkheim 
A sociologia clássica e suas ramificações consagraram o trabalho como um elemento fundamental para a 
compreensão das sociedades. Hegel, ao apresentar uma visão filosófica profunda sobre o trabalho, deixou 
um legado que influenciou significativamente a sociologia, contribuindo para a formação de uma perspectiva 
rica e abrangente sobre a importância do trabalho na vida social. 
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Karl Marx (1818-1883) herdou a tradição hegeliana e isso fez com que construísse conceitos e análises 
baseados no trabalho: classes sociais, luta de classes, capital, trabalho, força de trabalho, exploração 
capitalista, entre outros. Mas, além disso, Marx consolidou na tradição sociológica a noção de trabalho como 
a "eterna necessidade natural da vida social", ou seja, meio pelo qual o homem como ser social conseguiu 
se impor sobre a natureza, transformando-a enquanto mudava a si mesmo. Por meiodo trabalho ocorre 
uma dupla transformação, visto que o ser social que trabalha atua sobre a natureza e desenvolve as 
potências nela escondida ao mesmo tempo em que ele mesmo se autotransforma. 
Guarde esta noção, pois ela será importante para os estudos sobre alienação do trabalho em aula futura. 
Por ora, é importante destacar que vem de Karl Marx a compreensão de que a posição do trabalhador no 
processo produtivo é o princípio organizador da estrutura social; de que a dinâmica do desenvolvimento é 
pautada pelos conflitos gerados em torno da exploração no plano das relações de trabalho, e de que a 
racionalidade capitalista industrial é a responsável pela continuidade do desenvolvimento das forças 
produtivas . 
"trabalho é tanto o processo quanto o produto de trabalho produtivo. Quando um carpinteiro fabrica 
uma estante e a vende, o que está sendo vendido é trabalho, o valor do qual está contido na 
estante. Nesse sentido, o conceito de trabalho descreve não apenas uma atividade, mas uma 
relação especial entre o indivíduo, o trabalho e os frutos desse trabalho" 
 
 
Outro sociólogo fundamental cuja concepção de trabalho que devemos ter em mente é Max Weber (1864-
1920). Ele analisou a concepção moderna de trabalho. 
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Weber destacou, em particular, a influência da ascese protestante (ética protestante) e outras visões de 
mundo, tanto intra quanto extramundanas, na configuração do trabalho como uma vocação . Este conceito 
transformou não apenas a mentalidade individual, mas também as estruturas sociais, especialmente no 
contexto do surgimento da burguesia. 
A ética protestante, de acordo com Weber, desempenhou um papel crucial ao converter o burguês em um 
homem de negócios racional. Essa visão de mundo não apenas justificava, mas também promovia a 
dedicação ao trabalho como uma expressão do destino designado por Deus para a vida das pessoas. Os 
trabalhadores, por sua vez, eram incentivados a adotar uma abordagem sóbria, consciente e comprometida 
com o trabalho, considerando-o como parte essencial do plano divino. 
A análise de Weber vai além ao evidenciar o papel do trabalho na composição da racionalidade capitalista. 
Ele ressalta como a racionalidade estratégica do cálculo capitalista tornou-se a força motriz predominante 
na racionalização da sociedade. Nesse contexto, o trabalho é desvinculado de critérios tradicionais de 
referência doméstica e de satisfação pessoal do indivíduo, passando a ser orientado por uma lógica 
calculista e pragmática. 
Ao explorar essas dinâmicas, Weber contribuiu significativamente para a compreensão da transformação do 
significado e do papel do trabalho na sociedade moderna. Sua análise ressalta não apenas os aspectos 
econômicos, mas também os aspectos culturais e religiosos que moldaram a visão de mundo e a ética do 
trabalho, desempenhando um papel crucial no aprimoramento do capitalismo e na configuração do 
panorama societário contemporâneo. 
 
Émile Durkheim (1858-1917), pioneiro da sociologia francesa e considerado um dos pais fundadores da 
Sociologia, ofereceu uma significativa contribuição para a sociologia do trabalho, enfocando a atividade 
laboral como essencial para compreender a estrutura social. Ele enfatizou a importância da divisão social do 
trabalho na formação da sociedade industrial moderna. Assim, para Durkheim era o processo de interação 
do indivíduo na sociedade. Ainda nesta aula, veremos de forma mais aprofundada as contribuições deste 
pensador (Seção 5). 
Assim, para o pensador francês, o trabalho não era apenas como uma prática individual, mas uma atividade 
social abrangente, abarcando a produção e a troca de bens e serviços. Ele também defendeu que a atividade 
laboral é uma fonte de realização pessoal e contribuição para a sociedade, conferindo significado à vida e 
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moldando a identidade social. Assim, Durkheim ressaltou o trabalho como elemento fundamental na 
coesão social. 
 
 
Faça a questão abaixo para treinar e aprender 
CETREDE - 2019 - Sociólogo (Pref Juazeiro do N) 
De acordo com a Ontologia do ser social, os seres humanos distinguem-
se do conjunto da Natureza por terem um modo de ser particular. O 
que funda o ser social é o (a) 
 
A) linguagem. 
B) política. 
C) trabalho. 
D) desigualdade. 
E) luta de classes. 
Comentários: 
Karl Marx
O trabalho é fonte de 
riqueza 
O trabalho é fonte de 
exploração e alienação
O trabalho pode ser 
fonte de “morte”
Émile Durkheim
A divisão social do 
trabalho gera 
solidariedade orgânica
Supõe-se que os 
homens são diferentes 
e interdependentes
Coesão social
Max Weber
Ação social orientada por 
um objetivo racional: obter 
lucros e, ao mesmo tempo, 
o sinal da salvação divina.
Cada sociedade tem uma 
forma específica de 
compreender e organizar o 
trabalho.
Trabalho é cultural
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A Ontologia do ser social refere-se ao estudo filosófico da natureza do ser social, buscando 
compreender as características essenciais que distinguem os seres humanos do restante da 
natureza e isso é, segundo a tradição hegeliana, herdada por Marx, trabalho. O trabalho é 
considerado o fundamento ontológico do ser social, uma vez que a atividade laboral 
desempenha um papel central na organização da vida humana e na formação da sociedade 
Portanto, gabarito é alternativa C. 
 Vamos analisar as outras opções e justificar por que não se trata da ontologia do ser social: 
A) Linguagem: A linguagem desempenha um papel crucial na vida social e é uma característica 
distintiva dos seres humanos. No entanto, do ponto de vista da ontologia do ser social, a 
linguagem é mais uma manifestação ou dimensão da existência humana do que o fundamento 
ontológico em si. A ontologia busca princípios mais fundamentais que expliquem a natureza 
essencial do ser social, e o uso da linguagem é uma expressão dessa natureza, mas não o seu 
fundamento. 
B) Política: A política é uma dimensão importante da vida social, mas não é o fundamento 
ontológico do ser social. A política refere-se à organização e gestão da sociedade. 
D) Desigualdade: A desigualdade social é uma característica que pode emergir no contexto da 
sociedade, mas não é o fundamento ontológico do ser social. 
E) Luta de classes: A luta de classes é um conceito associado à teoria sociológica desenvolvida 
por Karl Marx. Embora seja relevante para compreender dinâmicas sociais, não constitui o 
fundamento ontológico do ser social. 
Gabarito: C 
 
 
György Lukács, um filósofo e teórico marxista húngaro, abordou o conceito de trabalho 
como a ontologia social em sua obra "História e Consciência de Classe". 
 
Trabalho em Lukács: 
Para Lukács, o trabalho é central na ontologia social, representando a atividade humana 
que transforma a natureza e, ao mesmo tempo, transforma os próprios indivíduos. Ele 
destaca a dimensão ontológica do trabalho, argumentando que é por meio do trabalho 
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que os seres humanos se relacionam ativamente com o mundo e constroem sua própria 
humanidade. O trabalho é visto como a mediação entre os seres humanos e a natureza, 
sendo a atividade pela qual a consciência e a objetividade se encontram. 
Lukács enfatiza que o trabalho é uma atividade prática e teleológica, ou seja, orientada 
para objetivos. É por meio do trabalho que os seres humanos projetam seus objetivos, 
moldam a realidade de acordo com suas necessidades e, assim, constroem sua própria 
existência social. Portanto, para o pensador húngaro, o trabalho desempenha um papel 
fundamental na ontologia social, sendo a atividade que conecta os seres humanos à sua 
própria humanidade. 
 
Harry Braverman: 
Autor de "Trabalho e Capital Monopolista", Braverman analisa a desumanização do 
trabalho nas sociedades capitalistas. Ele destaca como a gestão científica e a tecnologia 
impactam negativamente a experiência dos trabalhadores. 
 
Antonio Gramsci: 
Gramsci introduz o conceito de hegemonia, explorando como as ideias e valores 
associados ao trabalho são difundidos na sociedade. Ele examina como a classe 
dominante mantém sua influência cultural. 
 
 
 
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3. O TRABALHO COMO UMA CATEGORIA DO PENSAMENTO 
SOCIOLÓGICO 
Podemos afirmar que o trabalho é uma categoria do pensamento sociológico porque, ao longo do 
desenvolvimento da sociologia como disciplina acadêmica, o trabalho emergiu como um fenômeno central 
para a compreensão das dinâmicas sociais, econômicas e culturais. 
Portanto, na medida em que a sociedade ocidental, transformada pela revolução industrial e pelo 
capitalismo, se desenvolveu e fez do trabalho sua principal mercadoria e o mecanismo de geração 
de valor e de alavanca para o processo de acumulação capitalista, o trabalho se impôs como 
categoria central e fundamental para o entendimento dessa sociedade.8 
Assim, se trabalho "constrói" - ou estrutura a sociedade, então, ele é categoria explicativa das relações 
sociais. Logo, uma categoria central para a Sociologia. 
Se considerarmos as respostas fornecidas entre o final do século XVIII e o final da I Guerra Mundial 
às questões relativas aos princípios organizativos da dinâmica das estruturas sociais, certamente 
chegaremos à conclusão de que ao trabalho foi atribuída uma posição-chave na teoria 
sociológica. O modelo de uma sociedade burguesa gananciosa, preocupada com o trabalho, 
movida por sua racionalidade e abalada pelos conflitos trabalhistas constitui - não obstante suas 
diferentes abordagens metodológicas e conclusões teóricas - o ponto focal das contribuições 
teóricas de Marx, Weber e Durkheim.9 
 
 
 A sociologia, enquanto ciência que busca compreender a sociedade e suas estruturas, 
dedica uma atenção significativa ao estudo do trabalho por várias razões: 
 
8 CARDOSO, Luís Antonio. A categoria trabalho no capitalismo contemporâneo. Revista Tempo Social, 
2011, pp. 265-295. 
9 OFFE, Claus. TRABALHO: a categoria-chave da sociologia? 
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Centralidade na Vida Social: o trabalho é uma atividade humana fundamental que desempenha um papel 
central na organização da vida social. Ele influencia não apenas a subsistência econômica, mas também a 
estruturação das relações sociais, identidades individuais e coletivas, e as dinâmicas de poder. 
Impacto nas Relações Sociais: a forma como o trabalho é organizado e distribuído afeta diretamente as 
relações sociais. A divisão do trabalho, por exemplo, cria padrões de interdependência entre diferentes 
grupos e indivíduos, moldando a estrutura social e as hierarquias existentes. 
Reflexos nas Desigualdades Sociais: o acesso ao trabalho, os tipos de empregos disponíveis e as condições 
laborais têm implicações diretas nas desigualdades sociais. A sociologia explora como as estruturas sociais 
influenciam a distribuição desigual do trabalho e suas consequências para grupos específicos na sociedade. 
Transformações Econômicas e Sociais: o trabalho é sensível às mudanças econômicas e sociais, e seu estudo 
permite compreender as transformações ao longo do tempo. Desde a Revolução Industrial até as formas 
contemporâneas de emprego, a Sociologia analisa como essas mudanças afetam as relações sociais, a 
identidade e as instituições. 
Construção de Identidade: o tipo de trabalho que uma pessoa realiza muitas vezes contribui para a 
construção de sua identidade. A sociologia explora como as ocupações e as experiências laborais moldam a 
autopercepção e a forma como os outros percebem os indivíduos na sociedade. 
Relação com Outras Instituições Sociais: O trabalho está interligado com outras instituições sociais, como a 
família, a educação e o governo. A sociologia investiga como essas instituições influenciam e são 
influenciadas pelo mundo do trabalho. 
 
Portanto, ao reconhecer o trabalho como uma categoria do pensamento sociológico, estamos 
reconhecendo sua relevância para a compreensão das estruturas e dinâmicas sociais. O trabalho 
não é apenas uma atividade econômica; é um fenômeno social complexo que permeia todas as 
camadas da sociedade, influenciando e sendo influenciado por uma variedade de fatores sociais, 
culturais e históricos. Essa abordagem sociológica proporciona uma compreensão mais profunda 
das relações humanas e das estruturas sociais que moldam a vida em sociedade. 
O debate sobre a centralidade do trabalho como categoria sociológica é vasto. Para efeitos de prova, vou 
deixar uma listinha de autores e conceitos. Muitos deles veremos ao longo do nosso curso de maneira mais 
aprofundada. 
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3.1. Breves conceitos: 
 Divisão do Trabalho: A teoria da divisão do trabalho, de Adam Smith a Durkheim, destaca como a 
especialização e a distribuição de tarefas contribuem para a eficiência econômica e a coesão social, 
mas também podem gerar desigualdades. Mais baixo, ainda nesta aula, há um desenvolvimento mais 
aprofundado desta discussão. 
 Alienação: A alienação, conforme proposta por Marx, refere-se à perda de controle e significado no 
trabalho. A crítica se estende às condições de trabalho capitalistas que podem desumanizar os 
trabalhadores (aprofundaremos este conceito na Aula sobre Karl Marx). 
 Trabalho Imaterial e Pós-Fordismo: Autores contemporâneos, como Maurizio Lazzarato e Antonio 
Negri, exploram o trabalho imaterial na era digital, destacando como as formas de trabalho evoluíram 
além da produção industrial tradicional. 
 Feminismo e Trabalho: Autoras como Silvia Federici e Heidi Hartmann criticam a divisão sexual do 
trabalho, destacando como as mulheres enfrentam desigualdades no mercado de trabalho e em suas 
responsabilidades domésticas. 
 Globalização e Trabalho Precário: A globalização trouxe mudanças nas formasde trabalho, incluindo 
o aumento do trabalho precário. Autores como Guy Standing analisam as consequências sociais e 
econômicas dessas mudanças. 
3.2 Perda da centralidade do trabalho como 
categoria explicativa 
Nos últimos anos, tem havido discussões teóricas sobre a perda da centralidade do trabalho como categoria 
explicativa do mundo. Essa reflexão está intimamente ligada a mudanças sociais, econômicas e tecnológicas 
que afetaram as relações laborais e as formas de organização social. Alguns autores relacionam essas 
mudanças a uma crise estrutural do capitalismo. 
A crise estrutural do capitalismo, seguida pelas crises do Estado, da regulação econômica e do tradicional 
sistema taylorista/fordista, bem como o surgimento de um novo setor produtivo baseado em tecnologias da 
informação, automação microeletrônica e economia de serviços, levam esses autores a argumentar que esse 
momento histórico, a partir dos anos de 1960, está associado a uma crise da racionalidade capitalista e, 
por consequência, da concepção de uma sociedade do trabalho. 
 Vejamos alguns autores dentro desse debate sobre a crise da racionalidade do capitalismo e a perda da 
centralidade da categoria trabalho como explicativa ada vida social 
Jürgen Habermas: 
Habermas argumenta que o valor trabalho tornou-se obsoleto, sendo substituído pela ciência como força 
produtiva principal. Ele propõe uma nova distinção entre trabalho e interação, destacando a emergência de 
uma "racionalidade comunicativa". Em seu livro "Teoria da ação comunicativa", o autor reinterpreta a 
racionalização weberiana, introduzindo a "racionalidade comunicativa" como categoria fundamental. Ele 
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sugere que o sistema capitalista, ao instrumentalizar o mundo da vida, não consegue colonizá-lo totalmente. 
Nesse contexto, a esfera comunicacional, centrada na intersubjetividade e interação, assume importância 
central, deslocando a centralidade do trabalho na sociedade pós-industrial. O autor busca mostrar que há 
um deslocamento de centralidade das categorias sociais "clássicas", substituindo a esfera do trabalho pela 
esfera comunicacional como o novo núcleo da utopia na sociedade contemporânea. 
André Gorz: 
André Gorz, em seu livro "Adeus ao proletariado," argumenta que a classe operária está desaparecendo 
devido à crise no sistema europeu de produção e à automação. Ele introduz a ideia da "não-classe-de-não-
trabalhadores," composta por pessoas excluídas do mercado formal de trabalho. Essa mudança resulta em 
uma dualização do mercado de trabalho, com um centro de trabalhadores em tempo integral e uma periferia 
de trabalhadores parciais e desempregados. Gorz propõe o "adeus ao proletariado" como resposta à 
revolução microeletrônica, destacando a perda da força de integração social do trabalho. Ele sugere a 
redistribuição do trabalho socialmente necessário, com a redução do tempo de trabalho e sua distribuição 
equitativa. Isso permitiria que as pessoas encontrassem significado na totalidade da vida, além do trabalho, 
e criassem uma sociedade dual com racionalidades distintas: uma econômica e outra não econômica. 
Claus Offe: 
Influenciado por Habermas, em eu livro Trabalho & Sociedade, Offe analisa evidências empíricas, destacando 
três argumentos: a crise da sociedade do trabalho, a capacidade decrescente de absorver mão de obra e a 
diferenciação interna dos trabalhadores assalariados. Ele argumenta que a sociedade do trabalho do século 
XX está em crise, perdendo o trabalho assalariado como fator de integração social. Offe observa a 
transformação do trabalho devido ao declínio do setor industrial, crescimento do setor de serviços, 
desemprego e expansão do emprego parcial. Ele destaca a perda da ética do trabalho e a ampliação do 
tempo livre como tendências. Offe propõe que a sociologia deve buscar novas categorias além do trabalho, 
explorando questões como étnica, gênero e ecologia. Ele enfatiza a necessidade de construir o pensamento 
social sobre a base comunicacional da nova racionalidade do sistema, que se apoia no espaço vital, modo de 
vida e cotidiano da sociedade contemporânea. 
Robert Kurz: 
Robert Kurz, em seu livro, O colapso da modernização, desenvolve a tese do colapso da modernização e 
da crise do trabalho abstrato10. Ele argumenta que a modernização, baseada na forma de mercadoria das 
relações sociais, está em um processo de crise qualitativamente diferente das crises cíclicas, apontando para 
um possível colapso. Kurz acredita que a crise do sistema mundial de produção vai além da sociedade 
industrial, do mercado e do Estado, transcendendo a sociedade do trabalho. Com base no avanço 
tecnológico, especialmente após a crise do fordismo na década de 1970 e o desenvolvimento das novas 
 
10 Trabalho abstrato é um conceito desenvolvido por Marx para explicar que, no processo de produção 
de mercadorias, há o trabalho concreto – que é o trabalho produtor da utilidade de mercadoria, 
representando o valor de uso da mercadoria – e o trabalho abstrato – que é o trabalho depositado na 
produção das mercadorias para a geração do valor de troca, ou seja, impulsionar a reprodução do capital, 
pois é um trabalho que o trabalhador que fez a mercadoria não o tem mais (é algo abstrato). 
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tecnologias de informação e comunicação, microeletrônica e automatização, o autor vislumbra a crise do 
trabalho abstrato (o responsável, na visão marxista, pela reprodução do capital). 
Segundo Kurz, a intensificação da racionalidade técnica leva o sistema capitalista a perder sua capacidade de 
explorar o trabalho, resultando na construção paradoxal de sua própria destruição. 
Ele também destaca a lógica destrutiva da ciência, inaugurando uma "era das trevas" em que o horror não 
é mais a superexploração do trabalho, mas a ausência dessa exploração para muitos. 
Kurz propõe que, nesse cenário de decadência social, moral e econômica, o surgimento do terceiro setor 
pode oferecer uma possibilidade de superação da racionalidade econômica vigente, dando origem a uma 
nova racionalidade de reprodução social baseada na solidariedade. Ele relaciona a crise do trabalho 
abstrato ao papel do Estado e do mercado, argumentando que ambos se tornam irrelevantes quando a forma 
de reprodução social da modernidade perde completamente a capacidade de integração. 
Por fim, Kurz sugere que a luta pela superação da crise deve ser liderada por um movimento social 
consciente, capaz de derrubar os aparatos estabelecidos, e destaca o papel das ciências sociais na elevação 
da consciência crítica da sociedade. 
 
 
(Professora Alê Lopes/inédita/CNU-2024) 
Deste ponto de vista, encontra-se ampla evidência para a conclusão de que o trabalho - e a 
posição dos trabalhadores no processo de produção - não é tratado como o mais importante 
princípio organizador das estruturas sociais, de que a dinâmica do desenvolvimento social não 
é concebida como nascendo dos conflitos a respeito de quem controla o empreendimento 
industrial; e de que a otimização das relações entre meios e fins técnico-organizacionais ou 
econômicos não é considerada a forma de racionalidade que prenuncia um desenvolvimento 
social posterior. 
 OFFE. Claus. TRABALHO: a categoria-chave da sociologia? 
Claus Offe propõe a tese da perdada centralidade do trabalho como categoria sociológica 
fundamental para a compreensão da vida social. De acordo com Offe, a sociedade do trabalho 
do século XX está em crise porque 
a) está em uma fase de crescimento econômico contínuo. 
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b) mantém a mesma organização e divisão desde o século XVIII. 
c) a crise na sociedade do trabalho é temporária e será superada em breve. 
d) é resultado de uma falta de investimento em tecnologias. 
e) há uma perda da capacidade de absorção da força de trabalho, uma diminuição da qualidade 
subjetiva do trabalho e uma diferenciação interna no mercado de trabalho. 
 
Comentários 
a) Incorreta. Os argumentos de Claus Offe indicam, na verdade, uma crise na sociedade do 
trabalho, destacando a diminuição da capacidade de absorção da força de trabalho, entre 
outros fatores. 
b) Incorreta. Offe destaca uma transformação na sociedade do trabalho, marcada por 
mudanças nas estruturas de emprego, declínio de ocupações no setor secundário, desemprego 
estrutural e avanço da racionalidade técnica. 
c) Incorreta. Offe não sugere que a crise na sociedade do trabalho seja temporária; pelo 
contrário, ele argumenta que há uma perda fundamental na centralidade do trabalho como 
categoria sociológica. 
d) Incorreta. Offe não atribui a crise da sociedade do trabalho à falta de investimento em 
tecnologias; ele destaca fatores como a diminuição da capacidade de absorção da força de 
trabalho e a perda da qualidade subjetiva do trabalho. 
e) Correta. Esta alternativa reflete os principais argumentos de Claus Offe, resumindo as 
mudanças observadas na sociedade do trabalho, incluindo a crise na capacidade de absorção 
da força de trabalho e a perda da centralidade do trabalho. 
 
Gabarito: E 
 
 
Além dos teóricos críticos clássicos dos anos de 1970, temos outros autores e teses mais recentes que valem 
ser sistematizadas para efeitos de prova. 
 Algumas dessas discussões incluem: 
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1. Sociedade Pós-Industrial e Pós-Trabalho: 
Discussão: Autores como Daniel Bell e Alain Touraine argumentam que as sociedades contemporâneas estão 
se movendo para além da ênfase no trabalho industrial tradicional. Eles destacam a crescente importância 
de setores de serviços e o aumento do trabalho imaterial, sugerindo que a centralidade do trabalho industrial 
está diminuindo. 
2. Sociedade do Conhecimento e Trabalho Imaterial: 
Discussão: Autores contemporâneos, como Manuel Castells, exploram a ascensão da sociedade do 
conhecimento, onde o valor econômico é cada vez mais derivado da produção e circulação de informações. 
Nesse contexto, o trabalho imaterial, como o trabalho intelectual e criativo, ganha proeminência, desafiando 
as concepções tradicionais de trabalho. 
3. Automação e Desemprego Tecnológico: 
Discussão: A automação e a inteligência artificial têm levantado questões sobre o impacto futuro do trabalho. 
Autores como Jeremy Rifkin argumentam que a automação pode resultar em uma diminuição significativa 
da necessidade de trabalho humano, desafiando a centralidade do trabalho como fonte primária de 
identidade e sentido na sociedade. 
4. Economia da Gig e Precarização: 
Discussão: A ascensão da economia de gig e formas precárias de emprego levanta questões sobre a 
estabilidade e segurança no trabalho. Autores como Guy Standing, em seu conceito de "precariado", 
exploram as implicações sociais dessas mudanças, sugerindo uma transformação nas relações de trabalho e 
nas estruturas sociais tradicionais. 
5. Críticas Feministas à Centralidade do Trabalho: 
Discussão: O feminismo, especialmente a corrente feminista pós-moderna, critica a centralidade do trabalho 
na teoria tradicional, argumentando que muitas vezes essa abordagem negligencia as experiências das 
mulheres, suas contribuições não remuneradas e a complexidade das interseções entre gênero e trabalho. 
6. Desafios à Identidade pelo Trabalho: 
Discussão: Autores como Richard Sennett e Zygmunt Bauman abordam como as mudanças na natureza do 
trabalho afetam a construção de identidade. A instabilidade no emprego e a natureza fragmentada do 
trabalho contemporâneo desafiam a concepção tradicional de trabalho como fonte primária de identidade 
social. 
7. Ecologia e Redefinição do Valor: 
Discussão: Autores ecologistas, como André Gorz, argumentam que a obsessão pela produção e consumo 
incessantes, relacionada à centralidade do trabalho, é insustentável e deve ser repensada em face dos 
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desafios ambientais. Eles propõem uma redução do tempo de trabalho como parte de uma redefinição mais 
ampla de valores. 
Essas discussões teóricas refletem uma conscientização crescente sobre a necessidade de 
repensar a centralidade do trabalho em meio a transformações sociais, econômicas e culturais 
significativas. A diversificação das formas de emprego, a automação, a economia da gig e as 
questões ambientais são alguns dos fatores que têm levado os teóricos a considerar novas 
maneiras de compreender as dinâmicas sociais contemporâneas. 
Seja como forma, ao mesmo tempo que o “trabalho” é uma categoria central para analisar 
sociedades, ele tem sido objeto de críticas e reflexos, pois autores têm vislumbrados alternativas. 
É importante ter noção desta ponderação para não sermos surpreendidos na hora da prova. 
Agora, para fixarmos a importância da categoria “trabalho”, vamos estudar a perspectiva histórica 
sobre trabalho, na próxima Seção. 
 
4. O trabalho humano e sua evolução histórica 
O valor moral e o sentido que a sociedade atribui ao trabalho diferenciou-se ao longo do tempo histórico. 
Para Max Weber, por exemplo, para cada tipo de trabalho temos uma concepção sobre ele, ou seja, uma 
ética que dá sentido ao trabalho empregado em determinadas formas de organização social. 
Na sociedade Ocidental atual, atribuímos um valor positivo e progressista ao trabalho. Desde pequeninhas, 
as crianças respondem as perguntas dos adultos: "e aí, o que você vai ser quando crescer?" Ai que lindinho, 
quer ser bombeiro, enfermeira, cantora, médico, jornalista, patinadora, advogada, auditor fiscal do 
trabalho.... e por aí vai. Até que você chega na adolescência, ensino médio e vem nova pergunta: e aí vai 
prestar vestibular para quê? Então, espera-se que alguns tenham superado aqueles sonhos de 
criança...esperam algo que seja “economicamente sustentável”, socialmente reconhecido, empregável, 
aceito no mercado, dentre N motivos. 
Mas o que você quer dizer com isso, Profe? 
Quero dizer que na sociedade em que vivemos o trabalho 
é aceito e desejado. 
As pessoas são preparadas para ocuparem seus lugares no 
“mundo do trabalho”. 
O desemprego é considerado um problema social e, 
incessantemente, buscam-se soluções para combatê-lo. 
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É verdade que existem outros tantos problemas, como o trabalho infantil, as diferenças de oportunidades a 
partir da raça, classe, cor ou nacionalidade das pessoas. Teremos a oportunidade de estudar isso no nosso 
curso. 
Simbolicamente, para você, deve ser mais fácil entender o que estamos inferindo. Mas 
será que sempre foi assim? 
✓ Será que o trabalho sempre foi visto como uma forma de acessar uma melhor condição de 
vida? 
✓ Será que o trabalho infantil sempre foi considerado um problema? 
✓ Será que o ócio e a desocupação sempre foram combatidos pelas sociedades? 
✓ Será que a desigualdade salarial determinada pelo sexo sempre foi criticada? 
Assim, precisamos desenhar um panorama pelos momentos históricos mais significativos a fim de entender 
os sentidos que cada sociedade atribui à atividade laboral. Esse recurso é fundamental para você exercer 
comparações com as relações de trabalho no capitalismo, assunto que será cobrado na prova, certamente. 
Vamos lá? 
4.1 - O trabalho nas Sociedades Coletivistas 
A organização da produção nas Sociedades Coletivistas pode ser considerada de baixa complexidade se 
comparada com o que conhecemos em nossos dias. 
Conceitos como “acumulação”, “lucro”, “investimento”, passam longe dessas sociedades. Ou seja, não há 
um paralelo entre o que a História Europeia (desde Antiguidade Clássica, Era Medieval, até os dias atuais) 
vivenciou como trabalho e o que foi vivenciado. 
Nas "Sociedades Coletivistas" - ou coletivistas -, não existia uma hierarquia ou separação 
do trabalho por classes sociais, mas apenas uma simples divisão de tarefas por sexo e 
idade. 
 
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As tarefas são realizadas por equipamentos/instrumentos considerados pelos padrões atuais como simples 
e rudimentares. Claro, reforço que essa perspectiva é segundo os padrões da modernidade, pois para o 
tempo e contexto dessas sociedades os instrumentos atendiam às exigências sociais em que as pessoas 
viviam. 
A atividade laboral era concentrada em: caça, pesca, pequena agricultura, extrativismo vegetal, 
metalurgia rudimentar. 
Contudo, se do ponto de vista do trabalho em si, pode-se considerar pouco complexa a interação entre 
homem e natureza, do ponto de vista subjetivo dessas sociedades são muito complexas, com suas crenças e 
mitos. Não por menos que aprendemos com Émile Durkheim que a coesão social é gerada de forma 
mecânica pelos costumes, crenças e mitos. 
Sobre essa Sociedades, o antropólogo norte-americano Marshall Sahlins as denomina de “sociedades da 
abundância” ou “sociedades do lazer”, pois seus membros tinham suas necessidades materiais disponíveis 
em abundância (na natureza) e trabalhavam poucas horas por dia, apenas o necessário para a subsistência. 
 
Veja que interessante, um exemplo da atualidade, que nos ajuda a aplicar alguns conceitos 
aprendidos até aqui: 
Os indíginas Yanomami, da Amazônia, em geral, dedicam-se pouco mais de 3 horas por dia às 
atividades de trabalho em si, consideradas como produção. Já os Kung, do deserto do Kalahari, 
na África, dedicam-se por volta de 4 horas por dia. 
E por que isso profe? 
Veja, são especulações, mas é certo que os membros das Sociedades Coletivistas, se 
relacionam de forma diferente com a natureza, com o meio em que vivem, comparando-
se com o nosso estilo de vida predador da natureza. A terra, para essas sociedade que 
destoam do padrão europeu ocidental, está recheada de significação simbólica, ou seja, 
possui valor cultural. Se agregarmos uma concepção marxista nesta especulação, diríamos 
que nas "Sociedades Coletivistas" homem e natureza não estão separados, não houve a 
alienação do trabalho, o estranhamento entre as duas partes, há uma conexão. Pegou a 
reflexão sociológica? Ainda estudaremos o conceito de alienação do trabalho, mas guarde 
isso. 
Outra especulação é a que nos apresenta o antropólogo francês Pierre Clastres. Para ele as 
"Sociedade Coletivistas" possuem um determinado tipo de relações de trabalho que não 
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são baseadas na necessidade de acumulação de bens ou alimentos, os quais estão sempre 
à disposição na natureza. Diante de sua forma de relacionamento com o meio em que 
vivem, não é correto dizer que nelas há um mundo do trabalho, tal como se concebe 
modernamente. 
Aqui, o trabalho moderno não tem um valor preponderante. Isso porque, a ideia de 
“mundo do trabalho” está intimamente relacionada a sociedades que se desenvolveram e 
se estruturaram por conta do trabalho, nas quais essa categoria, TRABALHO, possui valor 
preponderante por ter alterado/transformado o meio em que se vive. 
Pegou a referência? 
 
4.2 - O trabalho nas Antiguidades Clássica e 
Medieval 
 
As imagens remetem a tipos, ou formas, de trabalho diferentes em momentos históricos distintos. Na 
antiguidade clássica, como na Roma Antiga, o regime escravista organizava a forma de produção de riquezas 
e as demais esferas da vida social. Já no período medieval, as relações feudais, com destaque para o trabalho 
servil empregado na terra, determinavam as relações entre as classes, ou melhor, os estamentos (senhores, 
cavaleiros, servos e cleros). 
 Podemos sistematizar dois tipos de relações de trabalho nas Antiguidades Clássica e 
Medieval: 
 Modo de produção escravista: 
A vida cotidiana é sustentada por aqueles que estão submetido à escravidão. Apesar de ser a característica 
principal das sociedades que se fundamentavam no regime escravista, como a grega e a romana, o trabalho 
escravo existiu até o final do século XIX. Somente após as lutas abolicionistas é que essa condição passou a 
ser rejeitada pela humanidade. É claro, há exceções, pois, hoje em dia, fala-se em trabalho em condições 
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análogas/semelhantes ao trabalho escravo. Contudo, discutiremos esse assunto mais contemporâneo no 
momento certo. 
 
Nas sociedades em que predominou o modo de produção escravista os escravos eram, em geral, prisioneiros 
de guerra. Já os trabalhadores livres, em menor proporção, dedicavam-se ao artesanato e ao campesinato. 
Essas duas categorias de trabalhadores também estavam subordinadas às classes proprietárias. Vale lembrar 
que, em Atenas (Antiguidade Clássica Grega), os cidadãos não trabalhavam e, para que essa condição 
existisse, os escravos eram peça chave no sistema grego. Para que os cidadãos tivessem tempo para se 
dedicar às atividades da Polis, o trabalho escravo era essencial. Por sua vez, o trabalho era considerado algo 
menor, ruim. O que os cidadãos atenienses valorizavam, por exemplo, era o tempo livre para pensar e 
filosofar. 
 
O trabalho no mundo greco-romano 
Em Atenas, na época clássica, quando poetas cômicos qualificavam um homem por seu 
ofício (Eucrates, o comerciante de estopa; Lisicles, o comerciante de carneiros), naõ era 
precisamente para honrá-los; só é homem por inteiro quem vive no ócio. Segundo Platão, 
uma cidade benfeitaseria aquela na qual os cidadãos fossem alimentados pelo trabalho 
rural de seus escravos e deixassem os ofícios para a gentalha: a vida “virtuosa”, de um 
homem de qualidade, deve ser “ociosa” (...). Para Aristóteles, escravos, camponeses e 
negociantes não poderiam ter uma vida feliz, quer dizer, ao mesmo tempo próspera e cheia 
de nobreza: podem-no somente aqueles que têm os meios de organizar a própria 
existência e fixar para si mesmos um objetivo ideal. Apenas esses homens ociosos 
correspondem moralmente ao ideal humano e merecem ser cidadãos por inteiro. “A 
perfeição do cidadão não qualifica o homem livre, mas só aquele que é isento das tarefas 
necessárias das quais se incumbem servos, artesãos e operários não especializados; estes 
últimos não serão cidadãos, se a constituição conceder os cargos públicos à virtude 
levando-se uma vida de operário ou de trabalhador braçal”. Aristóteles não quer dizer que 
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um pobre não tenha meios ou oportunidades de praticar certas virtudes, mas, sim, que a 
pobreza é um defeito, uma espécie de vício. 
(VEYNE, Paul. O Império Romano. In:____.(org). Do Império Romano ao ano mil. São Paulo: 
Companhia das Letras. 1989. P. 124-125) 
 Modo de produção feudal. 
Seu embrião remonta às relações servis do fim do Império Romano, tanto porque a população passou a se 
concentrar no campo, quanto porque o regime do colonato entrou em declínio. Além disso, a atividade 
comercial entrou em declínio e o fim das guerras diminuiu o trabalho por escravidão. 
 
 
 
 
 
Nesse sentido, a formação social do feudalismo está baseada na estrutura estamental com duas 
classes elementares para as relações de trabalho: senhores e servos. Estes camponeses eram 
quem, de fato, trabalhavam na terra para gerar certa riqueza. 
Veja que interessante, uma espécie de hibridismo: os servos não eram escravos, mas também não eram 
totalmente livres, pois estavam presos à terra e ao Senhor por meio das obrigações e taxas feudais. 
Na ordem feudal, ainda sob o enfoque do TRABALHO, pode-se dizer que o clero e os senhores feudais 
viviam do trabalho alheio. A terra era o principal meio de produção, mas os trabalhadores (os servos) não 
tinham direito à posse. 
Como vemos nas aulas de História, a mentalidade feudal era muito influenciada pela Igreja Católica e esta 
instituição pregava que a divisão desigual da sociedade fazia parte da ordem divina criada por Deus, por 
isso, deveria ser aceita por todos, sob pena de castigos divinos terríveis. 
Veja abaixo um texto de um clérigo, Eadmer de Canterbury (ou Cantuária), do século XI, que define bem a 
visão da época acerca do trabalho: 
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A razão de ser dos carneiros é fornecer leite e lã, a dos bois é lavrar a terra; e a dos cães é 
proteger os carneiros e os bois dos ataques dos lobos. Se cada uma destas espécies de 
animais cumprir a sua missão, Deus protegê-la-á. Deste modo, fez ordens, que instituiu em 
vista das diversas missões a realizar neste mundo. Instituiu uns – os clérigos e os monges – 
para que rezassem pelos outros e, cheios de doçura, como as ovelhas, sobre eles 
derramasem o leite da pregação e com a lã dos bons exemplos lhes inspirassem um ardente 
amor à Deus. Instituiu os camponeses para que eles – como fazem os bois, com seu 
trabalho – assegurassem a sua própria subsistência e a dos outros. A outros, por fim – os 
guerreiros -, instituiu-os para que mostrassem a força na medida do necessário e para que 
defendessem dos inimigos, semelhantes a lobos, os que oram e os que cultiva a terra11. 
(grifos nossos) 
Perceberam o sentido que era atribuído ao trabalho e quem deveria, exclusivamente, trabalhar? 
 
 
 
 
 
 
 
11 Eadmer de Cantebury. Apud. COTRIM, Gilberto. História Global. Brasil e Geral. São Paulo: Ed. Saraiva, 
2012, p. 179. 
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4.3 - O trabalho na Sociedade Moderna 
Com a crise da ordem feudal, a partir do século XIII, o centro econômico, político, social e cultural da 
Europa começa a se deslocar para as concentrações urbanas, nas cidades. A burguesia (a comercial num 
primeiro momento) ascende como classe social importante economicamente ao mesmo tempo em que os 
Estados Nacionais começam a se formar e a se fortalecer, a partir do século XIV. Nesse contexto também 
ocorrem as grandes navegações e a conquista colonial. Isso significou a formação de uma nova ordem 
econômica: O Mercantilismo! 
 
Agora, preste atenção: Apesar da centralidade do trabalho para organizar a vida em 
sociedade, até então, como vimos, o trabalho em si não era valorizado. Aqueles que 
trabalhavam eram de status socialmente inferior. Mesmo nos Burgos (as cidades durante a 
Idade Média), os artesãos livres eram vistos como inferiores e pagavam tributos aos reis e 
aos senhores. Os privilégios eram da nobreza e do clero. A lógica continuava a mesma da 
era medieval: trabalhar era coisa de gente inferior! 
Contudo, a emergência do mercantilismo e as transformações sociais e políticas iniciaram um longo 
processo de mudanças na estrutura e no sentido do trabalho na sociedade. 
 Podemos pensar em 3 grandes impulsionadores dessa transformação: 
 
 
Trabalho
Reformas 
Religiosas
Renascimento
Cultural
Renascimento 
Comercial e 
Urbano
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O Renascimento foi um Movimento Cultural que marcou as 
mudanças socioculturais europeias rumo à Modernidade. Esse 
movimento criou a base conceitual e de valores que permitiram a 
ascensão do pensamento racional e do método científico, nos 
séculos XVI e XVII. A base filosófica desse movimento, o 
humanismo, propunha uma revisitação e a retomada da cultura 
greco-romana e de seus ideais de exaltação do homem e de seus 
atributos naturais, quais sejam: a razão e a liberdade. Assim, nesse 
contexto intelectual, a lógica sobre o trabalho se relacional com o 
humanismo e o racionalismo. Assim, concepção de que o trabalho 
é humano porque é racional. A ideia de maestria, a perfeição do 
artesão – o mestre ao dominar o ofício, liga-se à perfeição 
racional do homem! 
Agora, some a essa concepção filosófica as reais transformações 
que ocorriam na realidade, ou seja, o renascimento comercial e 
urbano sobretudo no que se refere o surgimento e intensificação 
das manufaturas, bem como as corporações de ofício. 
 
O artesão e os pequenos produtores trabalhavam dentro de suas próprias casas, em geral, 
nas cidades. Seu trabalho se caracteriza então como uma atividade doméstica e familiar, 
eram donos do seu tempo e de suas ferramentas. 
Em algumas situações alguns poderiam ser donos de oficinas e empregar os aprendizes. 
Lembra-se desse conteúdo lá do seu tempo de escola? Eram trabalhadores livres, porémsem qualquer tipo de proteção social. 
Quanto mais livres e independentes eram as cidades, mais o comércio e o artesanato prosperavam. Diante 
desse cenário, novas instituições surgiam. 
 As principais foram: 
 
• Associação de mercadores. Tinham objetivo de garantir o monopólio do comércio 
local, tabelar preços, regular a atividade mercantil.
Guildas
• Associação de artesãos, donos das oficinas . Tinham o objetivo de controlar a 
produção e a qualidade dos produtos fabricados nas oficinas locais. 
• Eram organizadas por especialidade (ofício). Ex. sapateiro, ferramenteiro, jornaleiro.
• Funcionavam como escolas para os APRENDIZES.
Corporações de Ofício
O Sapateiro, de Thomas Hill, quadro de 1885 
 
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As Corporações de Ofício eram comandadas pelos mestres-artesãos, 
em geral, os donos das oficinas. 
Eles empregavam pessoas que aprendiam um ofício em troca de 
trabalho nas oficinas. Também, recebiam alojamento, alimentação e 
vestuário. Os aprendizes poderiam se tornar oficiais e, a depender de 
autorização da Corporação de Ofício, poderiam se tornar mestres de 
ofício e ter sua própria oficina. Essa aprendizagem tinha 2 graduações: 
aprendiz e oficial. 
Dentro do ofício livre também havia relações de exploração, pois o mestre da corporação de 
ofício controlava os aprendizes e demais trabalhadores. Mesmo assim, já podemos imaginar 
relações de trabalho livres, cuja atividade se começou a atribuir um valor moral e social positivo. 
 
 Por fim, a Reforma Protestante produziu um embate de ideias religiosas com natureza e 
impacto no mundo econômico e na moral da sociedade. 
Vamos recordar um pouco esses embates religiosos para perceber como eles contribuíram para 
a mudança na concepção de trabalho? 
A Igreja Católica se chocou com os interesses comerciais da burguesia ascendente. Isso porque os 
negócios da burguesia comercial dependiam de uma expansão que muitas vezes contrariava a 
mentalidade religiosa. É só pensar no debate se a Terra era redonda ou plana, discussão que 
influenciava as saídas para o mar e as rotas marítimas. (por sinal, uma discussão que toma as 
redes sociais nos dias atuais, né ) Os católicos também se posicionavam contrários à usura 
(empréstimos de dinheiro à juros), elemento determinante para as práticas comerciais da época. 
Assim, rompendo com o "pensamento econômico e religioso" da Igreja Católica, surgiu o 
luteranismo com o monge Martinho Luthero. 
 Mas no que se refere ao nosso tema de interesse, istó é, às concepções sobre trabalho ao longo do tempo, 
foi na França que se desenvolveu uma teoria que reformava a visão sobre trabalho. João Calvino 
desenvolveu a Teoria da Predestinação. 
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Veja o esquema teórico do argumento 
calvinista: 
✓ Para Calvino, o homem estava predestinado 
a ser salvo ou a ser condenado a danação 
eterna. Os predestinados eram os 
escolhidos de Deus. A partir dessa teoria, o 
trabalho intenso e a riqueza proveniente 
dele eram interpretados como sinais da 
salvação. 
 
✓ Como não se sabia quem eram os salvos e 
os condenados, havia que se buscar e 
testar constantemente os sinais da 
salvação. 
 
✓ Veja que o trabalho passa a sofrer uma alternação de sentido na medida em que deixava ser coisa de 
“gente inferior” para ser meio de salvação. 
 
Tal entendimento contribui para uma “ética protestante” ou “ética ascética”. O modo de vida 
ascético consistia em viver constantemente uma vida metódica, racionalizada e de sacrifícios; 
rejeitar prazeres, e se dedicar a tudo o que de alguma forma agradasse a Deus. Essa era a forma 
como calvinistas entendiam que poderiam testar a própria salvação e o trabalho seria o meio 
para compreender seu lugar e papel no mundo material e espiritual. 
 
Diante desses argumentos, você notou o que estava acontecendo com os sentidos do trabalho no 
mundo moderno? 
Veja, a forma com que a sociedade enxergava o trabalho foi mudando: se antes trabalhar era uma 
atividade menor, mal vista, o trabalho vai se transformando em uma atividade que “dignifica” o 
homem. Trabalho vai passando a ter valor social. 
Ética 
ascética 
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As religiões protestantes passaram a conceber o trabalho como algo importante para a 
sociedade. Sobre isso, é conhecido o estudo de Max Weber sobre a ética protestante como 
a mais adequada para os objetivos das relações capitalistas de produção. 
Em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1904), Weber levanta dados 
quantitativos e descobre que a maioria dos homens de negócio na Alemanha eram 
protestantes, ou seja, ele percebeu uma característica entre a posição econômica das 
pessoas e as suas religiões. Para além disso, regiões com predominância protestante como 
Alemanha e Inglaterra, tinham a economia mercantil mais desenvolvida. 
 Por qual razão, Weber se pergunta. 
Para explicar essa relação entre economia e religião, Weber define o que seria o “espírito” 
do capitalismo. Esse espírito seriam ideias e hábitos que favorecem uma busca racional 
individualista de ganho econômico. De um lado, o capitalismo com um sistema que leva as 
pessoas a maximizarem suas ações para buscarem dinheiro, lucro, do outro, a profissão é 
vista como um dever. Pronto: o trabalho racionaliza a vida em sociedade. 
Ainda voltaremos em Weber com mais fôlego. Retomemos a marcha histórica. 
4.4 O trabalho na Sociedade Capitalista 
A partir do advento da Revolução Industrial e do desenvolvimento do capitalismo, as relações de trabalho 
passaram a ser caracterizadas pela lógica do sistema capitalista. Isso significa que o trabalho passou a ser 
predominantemente LIVRE ASSALARIADO. 
Do ponto do surgimento das classes trabalhadoras, vejamos os sujeitos que mudaram de condição social 
entre o fim do período medieval, passando pelo mercantilismo e até a ascensão do capitalismo: 
 
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Mas como foi isso, Alê? Como se chegou ao trabalho assalariado? 
 
Boa pergunta, o desenvolvimento e complexificação das formas produtivas tem como sentido geral a perda 
do controle do artesão sobre o espaço produtivo, as ferramentas e a matéria-prima. Veja o esquema: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Essa alienação (separação) ocorreu por meio de dois processos da forma de organização do 
trabalho: 
 
1- Cooperação simples (oficina): Era a que ocorria entre o Mestre e o Aprendiz, como descrito 
acima. 
 
2- Cooperação avançada (ou manufatura): o trabalhador continuava a ser uma artesão, mas perdia 
a noção de todas as etapas do processo produtivo. É aqui que ocorre a consolidação do trabalho 
coletivo, ou seja, o produto final é resultado da atividadeespecializada de muitos trabalhadores. 
É aqui também que aparece o salário. Aqui é o proprietário que define todos os elementos da 
produção: tempo de trabalho, ferramentas, local de trabalho, comportamento esperado, regras 
de convivência, entre outros. 
 
Separação entre moradia 
e local de trabalho
1-
Impossibilidade de acesso 
às novas ferramentas de 
trabalho, que foram se 
tornando cada vez mais 
complexas e caras
2-
Perda de acesso às 
matérias-primas, que 
passaram a ser 
controladas por 
gruposeconomicamente 
mais poderosos
3-
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Assim, o salário poderia ser pago pelo tempo de trabalho ou pela quantidade de produção 
executada em um período. 
No que diz respeito às classes dominantes, os grandes comerciantes e os burgueses, principalmente a partir 
da acumulação de capital ao longo do mercantilismo, passaram a investir em novas formas de produzir 
mercadorias. Esses investimentos contaram com o avanço tecnológico. Foi assim que chegamos à 
maquinofatura conhecida como Revolução Industrial, em que o espaço do trabalho passou a ser a fábrica. 
 
Veja o que Karl Marx escreve sobre a importância da burguesia e do seu ímpeto inovador: 
 
A burguesia não pode existir sem revolucionar continuamente os instrumentos de produção e, por 
conseguinte, as relações de produção, portanto todo o conjunto das relações sociais. A conservação 
inalterada do antigo modo de produção era, ao contrário, a primeira condição de existência de 
todas as classes industriais anteriores. O contínuo revolucionamento da produção, o abalo 
constante de todas as condições sociais, a incerteza e a agitação eternas distinguem a época 
burguesa de todas as precedentes (MARX; ENGELS, 1996, p. 69). (grifos nossos) 
 
Em História geral da economia, livro publicado em 1923, Max Weber afirma que as mudanças ocorridas no 
processo produtivo, como as longas jornadas de trabalho nas fábricas inglesas, foram necessárias para que 
o capitalismo existisse. 
 
Semelhante a uma compreensão de Marx e Engels sobre o capitalismo (apenas em alguns pontos), 
Weber constata que, apesar de livre, o trabalhador, na prática, foi forçado a condições de 
trabalho precárias para não morrer de fome, ou seja, trabalho livre desprotegido. Assim, 
precisamos ficar atentos às contradições que acompanham a implantação do trabalho livre 
assalariado na sociedade capitalista. 
 
 
 
Vejamos nas palavras do Sociólogo alemão Max Weber: 
 
O recrutamento de trabalhadores para a nova forma de produção, tal como se encontra 
desenvolvida na Inglaterra, desde o século XVIII, à base da reunião de todos os meios produtivos 
em mãos do empresário, realizou-se através de meios coercivos bastante violentos, 
particularmente de caráter indireto. Entre eles, figuram antes de tudo, a “lei de pobres” e a “lei 
de aprendizes”, da rainha Elizabeth. Tais regulações se fizeram necessárias, dado o grande 
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número de “desocupados” que existia no país, gente que a revolução agrária transformara em 
deserdados. A expulsão dos pequenos agricultores e a transformação das terras de lavoura em 
campos de pastagem (...) determinaram que o número de trabalhadores necessário na lavoura se 
tornasse cada vez menor, dando lugar a que, na cidade, houvesse um excedente de população, 
que se viu submetido a trabalho coercitivo. Quem não se apresentava voluntariamente era 
conduzido às oficinas públicas dirigidas com severa disciplina. Quem, sem permissão do 
mestre-artífice, ou empresário, abandonasse seu posto de trabalho, era tratado como vagabundo; 
nenhum desocupado recebia ajuda senão mediante seu ingresso nas oficinas coletivas. Com este 
procedimento, recrutaram-se os primeiros operários para a fábrica. Um serviço penoso somava-se 
a esta disciplina de trabalho. Mas o “poder” da classe abastada era absoluto; apoiava-se na 
administração, por meio de juízes de paz, que, na falta de uma lei apropriada, distribuíam justiça 
de acordo com um amontoado de instruções particulares, segundo um arbítrio próprio. Até à 
segunda metade do século XIX, dispuseram de mão de obra como bem entendiam. (grifos 
nosso) 
(WEBER, Max. História geral da economia. São Paulo: Mestre Jou. 1968. p 273-274) 
 
5. O TRABALHO NO PENSAMENTO CLÁSSICO 
 
Nos cursos de Sociologia e Ciências Sociais, quando se fala em "pensamentos 
clássico", o direcionamento é para os autores Émile Durkheim (1858-1917), Max 
Weber (1864-1920) e Karl Marx (1818-1883), como você já deve ter percebido, 
de tanto que eu os já mencionei nesta aula. São os três autores que aparecem 
no "topo" das referências. Da mesma forma, as bancas de concursos, e com a 
Cesgranrio não é diferente, referenciam estes autores e, por isso, precisamos ter uma boa noção das 
contribuições deles no que diz respeito ao "trabalho" como categoria sociológica. 
Agora, isto é assim porque estes três pensadores, cada qual à sua maneira, preocuparam-se com os 
problemas sociais que emergiram na sociedade moderna. Por exemplo, enquanto Marx direcionou sua 
atenção para o capitalismo e Durkheim para a industrialização e os fenômenos sociais em seu entorno, 
Weber focou na compreensão dos efeitos da racionalização do mundo moderno. 
Para tanto, vamos partir dos tópicos que o próprio Edital do concurso traz, pois é uma boa pista daquilo que 
poderá ser cobrado na prova. No ponto 2.2 e em algumas outras Seções, fizemos uma passagem rápida pelos 
três autores clássicos, mas pela importância, vamos aprofundar conforme os tópicos do edital. 
Nesta aula veremos Émile Durkheim e, em aula futura, Weber e Marx, ok! 
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5.1 Divisão do trabalho e distribuição de tarefas. 
 
De uma forma mais objetiva, "divisão do trabalho é a amplitude de tarefas que são realizadas em um sistema 
social"12 ou, conforme Anthony Giddens, estabelecendo uma definição mais prática, a divisão do trabalho 
é, 
Separação das tarefas e ocupações do trabalho em um processo de produção que cria uma 
abrangente interdependência econômica13. 
A divisão do trabalho tem sido há muito tempo um conceito sociológico importante porque é por meio dela 
que a vida social realmente ocorre e a ela todos os indivíduos estão ligados. 
Note, então, que a ideia de "abrangente interdependência" é relevante e justifica o trabalho como categoria 
estruturante da sociedade. 
A concepção da divisão do trabalho, como fundamental para a compreensão dos processos sociais e 
econômicos, ganhou destaque nas análises pioneiras de Adam Smith (1723-1790), notadamente em sua 
obra "Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações", mais conhecido como "A 
Riqueza das Nações" (1776). 
No livro, Smith descreve a divisão do trabalho em uma fábrica de alfinetes e nos três primeiros capítulos do 
Livro I consta o exame das causas e consequências do fenômeno social da divisão do trabalho. 
Conforme Adam Smith, uma pessoa que trabalhasse sozinha poderia fabricar 20 alfinetes por dia, mas 
desmembrando a tarefa em diversas atividadessimples, a produção coletiva atingiria 4 mil alfinetes por dia. 
Dessa forma, nota-se, do ponto de vista do processo produtivo e econômico, o benefício da divisão do 
trabalho. 
 
12 JOHNSON, Allan G. Dicionário de Sociologia. Rio de Janeiro: Ed. Zahar. 1997, p. 77. 
13 GIDDENS, Anthony. SUTTON, Philip W. Conceitos essenciais da Sociologia. São Paulo: Ed. Unesp, 2ª 
ed. 2015, p. 122. 
Divisão Social do 
Trabalho
Vida 
Social
Vida 
Social
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Uma das preocupações que Adam Smith demonstra em sua obra abarca o fato de a industrialização, aos 
poucos, ter abolido a maioria dos ofícios tradicionais e criado outros produzindo as mesmas mercadorias 
(alfinete, por exemplo), mas com muito mais rapidez, eficiência e custos menores, usando máquinas e a 
divisão ampliada do trabalho. 
Neste contexto, para Smith, a divisão do trabalho é um método pelo qual cada indivíduo se especializa em 
uma fase específica do processo produtivo. Em seu estudo, cada indivíduo desempenharia três funções 
primordiais, as quais contribuem para o aumento da produção de bens e a melhoria da qualidade dos 
produtos: 
1. Em primeiro lugar, a divisão do trabalho aprimora a habilidade de cada operário, conferindo-lhe 
destreza em uma tarefa específica; 
 
2. Em seguida, há economia de tempo, otimizando a eficiência do processo produtivo; 
 
3. Por fim, por meio da divisão do trabalho, indivíduos inventam máquinas que, ao facilitarem e 
encurtarem o trabalho, estas máquinas possibilitam que um único indivíduo execute as tarefas 
anteriormente realizadas por vários operários. 
Notavelmente, a divisão do trabalho, segundo Smith, é um efeito e não a causa das relações de 
troca. O mercado, na visão do autor, é o determinante e o limitador desse fenômeno. Além disso, 
a acumulação de capital é considerada uma condição necessária para a efetiva implementação 
da divisão do trabalho e o trabalho em si é um elemento de produção da riqueza. 
Deste ponto, cumpre destacar que, diante dessa divisão do trabalho industrial, os trabalhadores - em geral: 
 aprendiam somente uma parte do processo de produção; 
 especializavam-se em determinadas tarefas, diferenciando-se dos ofícios tradicionais típicos de 
sociedades tradicionais 
Por sua vez, dentre os sociólogos clássicos, foi Émile Durkheim (1858-1917), quem retomou e sistematizou 
o pensamento sociológico sobre a divisão do trabalho. 
Porém, para Durkheim, a divisão industrial do trabalho conduziu a mudanças 
fundamentais no tipo de solidariedade social que une a sociedade, impactando, 
portanto, no elemento da coesão social. De forma categórica, nas palavras de 
Giddens, para Durkheim, "a divisão do trabalho não era apenas um fenômeno 
econômico, mas uma transformação da sociedade como um todo"14. Por isso, passa-
se a utilizar o conceito de divisão social do trabalho, mais amplo que apenas divisão 
do trabalho. 
 
14 Idem, ibidem. 
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5.2 Divisão social do trabalho: Émile Durkheim 
A divisão social do trabalho é analisada por Durkheim a partir da comparação da especificidade das 
sociedades industriais em relação às outras sociedades, em particular, as mais tradicionais. O sociólogo 
francês demonstra que a crescente especialização do trabalho promovida pela industrialização trouxe uma 
forma de solidariedade no funcionamento da sociedade, e não uma situação conflitiva como vista pelo 
marxismo, de modo que este fenômeno novo passou a contribuir para a coesão social. 
A tese principal de Durkheim é a de que a especialização crescente do trabalho se desenvolve à 
medida que aumenta o grau e a intensidade das interações entre indivíduos, sendo o progresso 
da divisão do trabalho proporcional ao da densidade moral das sociedade15. 
Ao analisar empiricamente a evolução das sociedades com foco na divisão social do trabalho, Durkheim 
elabora uma morfologia social16. Estabelece, então, a existência de dois tipos de sociedade: 
1-) em um tipo, há uma solidariedade mecânica entre os homens, fruto da divisão social 
do trabalho contida na sociedade pré-capitalista. Nela os indivíduos se identificam e se 
relacionam por meio da família, da tradição, da religião. A coletividade exerce uma forte 
coerção social para manter a sociedade harmônica e em funcionamento. É tudo muito 
mecânico, automático, independentemente da forma de organização do trabalho. Nas 
sociedades de caçadores-coletores, por exemplo, as divisões do trabalho eram/são 
relativamente simples, uma vez que não é muito grande o número de tarefas a serem 
feitas. 
2-) já na sociedade em que prevalece a solidariedade orgânica, própria das sociedades 
capitalistas, os indivíduos são interdependentes em razão da divisão social e industrial do 
trabalho. Aqui a coesão social é muito mais em razão das relações do trabalho na indústria 
e no comércio do que por conta dos costumes, por exemplo. Então, as instituições como a 
família e a religião já não exerceriam a mesma função. 
 
 
15 TELLES, Sarah Silva. NETO, Fernando Lima. Émile Durkheim (1858-1917). In: Os Sociólogos: de 
Auguste Comte a Gilles Lipovetsky. Rio de Janeiro: Ed. Vozes. 2018, p. 76. 
16 Morfologia é o estudo da forma. 
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Considerando a relevância do trabalho na sociedade industrial capitalista, vamos conferir o que nos diz 
Durkheim sobre a Solidariedade Orgânica. 
 
Enquanto a precedente [a solidariedade mecânica] implica que os indivíduos se 
assemelham, esta [ a solidariedade orgânica] supõe que eles diferem uns dos outros. A 
primeira só é possível na medida em que a personalidade individual é absorvida na 
personalidade coletiva; a segunda só é possível se cada um tiver uma esfera de ação 
própria, por conseguinte, uma personalidade. É necessário, pois, que a consciência coletiva 
deixe descoberta uma parte da consciência individual, para que nela se estabeleçam essas 
funções especiais que ela não pode regulamentar; e quanto mais essa região é extensa, 
mais forte é a coesão que resulta dessa solidariedade. De fato, de um lado, cada um 
depende tanto mais estreitamente da sociedade quanto mais dividido for o trabalho nela 
e, de outro, a atividade de cada um é tanto mais pessoal quanto mais for especializada. 
Sem dúvida, por mais circunscrita que seja, ela nunca é completamente original; mesmo 
no exercício de nossa profissão, conformamo-nos a usos, a práticas que são comuns a nós 
e a toda a nossa corporação. Mas, mesmo nesse caso, o jugo que sofremos é muito menos 
pesado do que quando a sociedade inteira pesa sobre nós, e ele proporciona muito mais 
espaço para o livre jogo de nossa iniciativa. Aqui, pois, a individualidade do todo aumenta 
ao mesmo tempo que a das partes; a sociedade torna-se mais capaz de se mover em 
conjunto, ao mesmo tempo em que cada um de seus elementos tem mais movimento 
próprios. Essa solidariedade se assemelha à que observamos entre os animais superiores. 
De fato, cada órgão aí tem sua fisionomia especial, sua autonomia, e, contudo, a unidade 
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do organismo é tanto maior quanto mais acentuada essa individuação das partes. Devido 
a essa analogia, propomos chamar de orgânica a solidariedade devida à divisão do trabalho. 
(DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes. 1999. P 
108-109) 
Repare que a especialização dos indivíduos em determinadas funções sociais dá a ideia de organicidade, tal 
como a interdependência entre os órgãos do corpo humano: um não funciona sem o outro. Vamos ler outra 
passagem do autor, 
Ao separar completamente o patrão e o empregado, a grande indústria modificou as 
relações de trabalho e apartou os membros das famílias, antes que os interesses em 
conflito conseguissem estabelecer um novo equilíbrio. Se a função da divisão do trabalho 
falha, a anomia e o perigo da desintegração ameaça todo o corpo social e quando o 
indivíduo, absorvido por sua tarefa se isola em sua atividade especial, já não percebe os 
colaboradores que trabalham ao seu lado e na mesma obra, nem sequer tem ideia dessa 
obra comum17. 
Com efeito, as diferenças na divisão social do trabalho afetam de forma profunda aquilo que mantêm coesas 
as sociedades. 
Com divisões do trabalho simples, a coesão social baseia-se principalmente nas semelhanças das pessoas 
entre si e no fato de terem um estilo de vida comum. Com as divisões do trabalho complexas, porém, a 
coesão social tem por fundamento a interdependência que resulta da especialização. 
Agora, enquanto muitos contemporâneos da época de Durkheim (vide Ferdinand Tönnies mais abaixo) 
temiam a destruição da solidariedade social e o estímulo ao individualismo com uma sociedade mais 
conflituosa, inclusive com colapsos morais, Durkheim desenvolveu uma visão mais otimista. Para ele, a 
especialização de funções viria a fortalecer a solidariedade social nas comunidades maiores, de modo que, 
cada vez mais, o isolamento dos indivíduos seria menor. 
 
Dessa forma, à luz do pensamento durkheimiano, a rigor, a divisão social do trabalho em 
sociedades caracterizadas pela solidariedade orgânica tende a /ao: 
 
17 DURKHEIM, E. A Divisão Social do Trabalho. Apud QUINTEIRO, T.; BARBOSA, M. L. O.; OLIVEIRA, M. 
G. M. Toque de Clássicos. vol 1. Durkheim, Marx e Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007. p. 91. 
 
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(Inédita/profe. Alê Lopes) 
Ao separar completamente o patrão e o empregado, a grande indústria modificou as relações 
de trabalho e apartou os membros das famílias, antes que os interesses em conflito 
conseguissem estabelecer um novo equilíbrio. Se a função da divisão do trabalho falha, a 
anomia e o perigo da desintegração ameaça todo o corpo social e quando o indivíduo, 
absorvido por sua tarefa se isola em sua atividade especial, já não percebe os colaboradores 
que trabalham ao seu lado e na mesma obra, nem sequer tem ideia dessa obra comum . 
DURKHEIM, E. A Divisão Social do Trabalho. Apud QUINTEIRO, T.; BARBOSA, M. L. O.; OLIVEIRA, 
M. G. M. Toque de Clássicos. vol. 1. Durkheim, Marx e Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 
2007. p. 91. 
A partir do trecho acima, qual é a principal função da divisão social do trabalho para Émile 
Durkheim? 
a) revolucionar a sociedade. 
b) viabilizar a solidariedade mecânica. 
c) desenvolver a economia. 
d) manter a coesão social. 
e) exercer coerção física e dominação sobre os indivíduos. 
Comentários 
Em As regras do método sociológico, Durkheim, inspirado nas Ciências Naturais, compreende 
que as sociedades evoluíram da forma mais simples a forma mais complexa (sociedade 
industrial), tal como os organismos evoluem. Veja o que ele sintetiza sobre a França: 
equilíbrio melhor entre diferenças individuais; 
objetivos coletivos. 
gerar vínculos fortes de interdependência mútuo;
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Desde suas origens, passou a França por formas de civilização muito diferentes: começou por 
ser agrícola, passou em seguida pelo artesanato e pelo pequeno comércio, depois pela 
manufatura e, finalmente, chegou à grande indústria.18 
Com efeito, ao analisar empiricamente a evolução das sociedades, o pensador francês elabora 
uma morfologia social19. Estabelece, então, a existência de dois tipos de sociedade: 
1-) em um tipo, há uma solidariedade mecânica entre os homens, fruto da divisão social do 
trabalho contida na sociedade pré-capitalista. Nela os indivíduos se identificam e se relacionam 
por meio da família, da tradição, da religião. A coletividade exerce uma forte coerção social 
para manter a sociedade harmônica e em funcionamento. É tudo muito mecânico, automático, 
independentemente da forma de organização do trabalho. 
2-) já na sociedade em que prevalece a solidariedade orgânica, própria das sociedades 
capitalistas, os indivíduos são interdependentes em razão da divisão social e industrial do 
trabalho. Aqui a coesão social é muito mais em razão das relações do trabalho na indústria e 
no comércio do que por conta dos costumes, por exemplo. Então as instituições como a família 
e a religião já não exerceriam a mesma função. 
A especialização dos indivíduos em determinadas funções sociais dá a ideia de organicidade, 
tal como a interdependência entre os órgãos do corpo humano: um não funciona sem o outro. 
Assim, a divisão social permite a coesão. Não por menos, no trecho do enunciado, Durkheim 
argumenta que se a divisão social do trabalho falha, há uma tendência à desintegração. 
a) errado, pois a visão revolucionária não condiz com o pensamento durkheimiano e com o 
pensamento mais geral do positivismo. Os positivistas entendem as revoluções como quebra 
da ordem e harmonia social. Para Durkheim, uma revolução poderia ser considerada como uma 
patologia social, um problema de funcionamento. 
b) errado, pois nas sociedades em que predomina a solidariedade mecânica a forma de coesão 
é feita por meio das crenças, costumes e religião. 
c) errado, não há essa relação. 
e) errado, pois o fato social e não a divisão social do trabalho é que, de forma coercitiva, atual 
sobre os indivíduos. A divisão social do trabalho não é um fato social. 
Gabarito: D 
_______________________________________ 
(Inédita/profe. Alê Lopes) 
Émile Durkheim diferenciou sociedades por meio da divisão social do trabalho, sendo que, a 
partir do funcionamento e relação entre as partes que compõem a sociedade o francês 
 
18 DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Ed. Nacional. 1963, p. 82. 
19 Morfologia é o estudo da forma. 
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estabeleceu dois tipos de solidariedade para entender o elemento da coesão social. Nesse 
sentido, está correto o que se afirma em 
a) a solidariedade mecânica é encontrada em sociedades industriais,já que reflete os processos 
tecnológicos. 
b) a solidariedade orgânica é encontrada em sociedades menos avançadas, pois expressão foi 
pensada para aproximar homem e natureza. 
c) a solidariedade mecânica faz com que os indivíduos se distanciem da consciência social 
coletiva. 
d) a solidariedade orgânica é encontrada em sociedades mais complexas e requer diferentes 
formas de integração social. 
Comentários 
Durkheim utiliza o conceito de “solidariedade” para entender a maior ou menor coesão social 
conforme o tipo de sociedade, com destaque para as industrializadas. Isso porque, a vida social 
depende da solidariedade – grau e forma de relação entre os homens – em uma sociedade. 
Esta solidariedade é diferente em sociedades mais simples e nas mais complexas 
(industrializadas). Além de notar, então, diferenças na consciência coletiva de cada uma dessas 
sociedades, Durkheim procura entender com elas estão organizadas. 
a) errado, porque é a solidariedade orgânica que é encontrada em sociedades industrializadas. 
b) errado, porque é a solidariedade mecânica que é encontrada em sociedades menos 
avançadas. 
c) falso, pois em sociedades com predomínio da solidariedade mecânica – uma sociedade 
religiosa, por exemplo – o indivíduo está integrado ao pensamento coletivo, sendo parte e ao 
mesmo tempo reprodutor. Como as relações sociais se dão em função dessa consciência 
coletiva, já que não há processos mais complexos de integração social, a proximidade entre o 
que os indivíduos pensam e aquilo que é expresso coletivamente geral uma identidade maior, 
levando à coesão social. Aqui, os desejos do indivíduo são os desejos da coletividade e vice e 
versa. 
d) é o nosso gabarito. Conforme o capitalismo avançou o sistema social passou a exigir maior 
especialização nas relações de trabalho. Com isso, a interação e coesão entre as pessoas passou 
a depender das funções desempenhadas por cada um. De acordo com Raymond Aron, esse 
processo leva à individualização dos membros dessa sociedade, os quais assumem funções 
específicas dentro dessa divisão do trabalho social. Cada pessoa é uma peça de uma grande 
engrenagem. Comparando com a consciência nas sociedades de solidariedade mecânica, aqui 
a consciência coletiva tem seu poder de influência reduzido. 
Gabarito: C 
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 Émile Durkheim também identificou as possíveis anomalias que poderiam surgir no 
fenômeno social da divisão social do trabalho. Em sua análise, Durkheim delineia três formas 
anormais da divisão do trabalho. Olha só: 
1. Divisão do Trabalho Anômica: 
Durkheim conceituou a divisão do trabalho anômica como a desregulação do mercado e das relações sociais. 
Essa forma anormal emerge em períodos de crise econômica e social, quando as normas e os valores que 
orientam a sociedade se tornam instáveis. Durante tais crises, a falta de coordenação entre as atividades 
produtivas pode resultar em desordem, desemprego e desequilíbrio social. A compreensão desta forma 
anômala permite uma análise profunda das interações entre a economia e a estrutura social, destacando a 
importância da regulação normativa. Trata-se de "verdadeiras rupturas parciais da solidariedade orgânica". 
2. Divisão do Trabalho por constrangimento: 
Outra forma identificada por Durkheim é a divisão do trabalho por constrangimento ou forçada, 
caracterizada por uma repartição injusta e desigual dos indivíduos entre as diversas funções laborais. Este 
fenômeno, ao acentuar disparidades sociais, pode levar à alienação e ao descontentamento, minando a 
coesão social. Sob essa ótica, Durkheim nos instiga a considerar não apenas a eficiência econômica, mas 
também a equidade e a justiça social como componentes fundamentais da saúde do corpo social. 
3. Divisão do Trabalho "Burocrática": 
Durkheim também observou uma forma específica de anomalia na divisão do trabalho, que ele rotula como 
"burocrática". Nesse cenário, há uma superabundância de agentes, mas paradoxalmente uma baixa 
produtividade. Entender a relação entre a quantidade de agentes envolvidos em processos laborais e a 
eficácia da produção fornece insights sobre os desafios enfrentados por estruturas organizacionais 
complexas. 
De uma forma geral, perceba que, em Durkheim, a divisão do trabalho gera não apenas a 
especialização e eficiência coletiva, como em Adam Smith, mas também a solidariedade, isto é, 
uma organização que coordena as funções e liga os indivíduos uns aos outros. Por isso, falamos 
em divisão social do trabalho. Ainda: para o sociólogo francês, os princípios da divisão do trabalho 
são mais morais do que econômicos, pois são os fatores que unem os indivíduos em uma 
sociedade, já que geram um sentimento de solidariedade entre aqueles que realizam as mesmas 
funções. 
 
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No mesmo sentido que Durkheim, podemos lembrar de Ferdinand Tönnies (1855-1936) 
para o qual nas sociedades de maior escala, ou seja, nas sociedades modernas e industriais, 
a divisão do trabalho e a mobilidade da força de trabalho erodiram os laços tradicionais, 
criando um novo tipo de coesão. Para o autor, a lógica do capitalismo e da competição 
levou à predominância das meras associações entre os indivíduos na sociedade industrial 
a partir de uma "vontade racional" direcionada a agir para um fim específico. Ele atribui 
sentido negativo a esta mudança porque havia se perdido o espírito de vida em 
comunidade. Para o autor a "vontade racional" seria um tipo de vontade encontrada nas 
grandes organizações e empresas na sociedade moderna, onde há a divisão do trabalho. 
 
5.2.1 Divisão Social e Conflito 
Sob outra perspectiva, a divisão do trabalho pode ser estudada para compreender as desigualdades sociais, 
em particular, conforme a abordagem marxista. Apesar de o pensamento marxista ser objeto de aula futura, 
cumpre destacar que, do ponto de vista marxista, o capitalismo utiliza da divisão social do trabalho 
complexa para melhor controlar os trabalhadores dentro de um processo de exploração do trabalho com 
vistas a ampliar margens de lucro e otimizar a reprodução do capital. 
Acrescenta-se que, para Marx, a divisão social do trabalho é uma condição necessária para a produção de 
mercadorias, pois, sem atos de trabalho mutuamente independentes, executados isoladamente uns dos 
outros, não haveria mercadorias para troca no mercado. 
Para o autor alemão, a divisão social do trabalho vige em todas as sociedades conhecidas até aqui e baseia-
se, originalmente, nas diferenças da fisiologia humana (como sexo), mas que são hierarquizadas e utilizadas, 
a depender das relações sociais que predominam em cada formação social particular, para privilegiar 
interesses dominantes. 
Tendo isso em mente, na sequência, vamos abordar os dois tópicos do edital ligados à divisão sexual e racial 
que influenciam na estrutura do trabalho. 
 
 
 A sociedade industrial capitalista atinge um enorme nível de complexidade 
 Ocorre uma “divisão social do trabalho” 
 Isso pode ser gerador de conflito social e/ou de coesão social 
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6. DIVISÃO SOCIOSSEXUAL E RACIAL DO TRABALHO 
O que é divisão sociossexual e racial do trabalho? É uma divisão social do trabalho cujos critérios estão 
ligados à gênero e raça. Quando realizamos uma análise que parte das relações de gênero e raça 
compreendemos as desigualdades específicas que se combinam e promovem desvantagens múltiplas para 
mulheres e, em especial, para mulheres negras. 
"Partimos da ideia de que a divisão sociossexual e racial estrutura as esferas produtivas e reprodutivas (duas 
dimensões fundamentais do ser social) sendo, em grande medida, determinante para a situação desigual 
entre os indivíduos já que subalternizou as mulheres em todo o processo histórico "20. 
6.1 Divisão sociossexual do trabalho 
 
O poster acima reflete a discussão presente nos estudos de Sociologia do Trabalho acerca da divisão sexual 
do trabalho. A definição de divisão sexual do trabalho pode ser estabelecida pelo que Danièle Kergoat 
desenvolve21. 
 
20 DIVISÃO SOCIOSSEXUAL E RACIAL DO TRABALHO NO CENÁRIO DE EPIDEMIA DO COVID-19: considerações a partir de 
Heleieth Saffioti Claudia Mazzei Nogueira*Rachel Gouveia Passos*. Caderno CrH, Salvador, v. 33, p. 1-9 
 
21 NOGUEIRA, Claudia Mazzei. Divisão sociossexual do trabalho: a esfera da produção e da reprodução. 
In: Revista CULT. Edição 282, maio/2022. 
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Segundo a autora, as situações de homens e mulheres não são produto de um destino biológico, mas sim 
construções sociais, pois homens e mulheres são mais do que indivíduos biologicamente distintos. Eles 
pertencem a dois grupos engajados em uma relação social específica: relações sexuais sociais. Como todas 
as relações sociais, elas também têm uma base material, dada pelo trabalho, e são explícitas na divisão 
social do trabalho entre os sexos, ou seja, a divisão sexual do trabalho. 
Pode-se dizer que a divisão sexual do trabalho refere-se a uma 
diferenciação entre papéis destinados a homens e mulheres e está 
presente em todas as sociedades humanas conhecidas até aqui. As 
formas dessa divisão sexual do trabalho são extremamente variadas, bem 
como são variadas tanto a extensão como a rigidez da separação entre os 
afazeres considerados apropriados aos homens e aqueles atribuídos às 
mulheres. 
 
• Divisão social do trabalho entre os sexos: divisão sexual do trabalho 
• Refere-se a uma diferenciação entre papéis destinados a homens e mulheres e está presente 
em todas as sociedades humanas conhecidas até aqui. 
• É o critério mais simples para divisão social do trabalho. 
• São formas de divisão social do trabalho “pré capitalistas”. 
 
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6.1.1 Opressão e exploração 
Tanto a dona-de-casa, que deve trazer a residência segundo o gosto do marido, quanto a 
trabalhadora assalariada, que acumula duas jornadas de trabalho, são objetos da exploração do 
homem, no plano da família. Na qualidade de trabalhadora discriminada, obrigada a aceitar 
menores salários, a mulher é, no plano mais geral da sociedade, alvo da exploração do empresário 
capitalista. Desta sorte, fica patente a dupla dimensão do patriarcado: a dominação e a exploração 
(Saffioti, 1987, p. 51). 
 
O texto acima Helena Saffioti nos lembra que existe uma relação entre opressão e exploração que se 
combinam no sentido de produzir e reforçar a desigualdade entre os gêneros. O patriarcalismo histórico nos 
ajuda a compreender esse processo. 
 Vejamos: 
 O Papel do Patriarcalismo Histórico: 
Saffioti argumenta que o patriarcalismo histórico é um sistema estrutural que tem raízes profundas na 
história e que molda as relações sociais e econômicas entre homens e mulheres. Esse sistema perpetua a 
dominação masculina, consolidando-se ao longo do tempo e influenciando as instituições sociais, políticas e 
econômicas. O patriarcalismo histórico fornece uma base para entender como as estruturas de poder foram 
historicamente moldadas para favorecer os interesses masculinos. 
 Opressão como Faceta do Patriarcalismo: 
No contexto do patriarcalismo, a opressão das mulheres emerge como uma faceta fundamental desse 
sistema. A opressão opera em várias dimensões, desde a limitação do acesso das mulheres à educação e 
oportunidades até a imposição de normas de gênero restritivas. O controle sobre a sexualidade e a 
autonomia das mulheres, muitas vezes evidenciado pela violência de gênero, é uma expressão clara da 
opressão que permeia o patriarcalismo histórico. 
 Exploração Econômica: 
A exploração econômica das mulheres, por sua vez, está intricadamente ligada ao patriarcalismo. O sistema 
patriarcal historicamente relegou as mulheres ao papel de cuidadoras, limitando seu acesso a 
oportunidades econômicas e mantendo-as em posições subalternas. A exploração econômica é evidente 
na segregação ocupacional, na disparidade salarial e na falta de representação das mulheres em cargos de 
liderança. 
No mundo do trabalho, a exploração econômica das mulheres está centrada na extração de trabalho não 
remunerado e mal remunerado, muitas vezes associado ao trabalho doméstico e de cuidado. A disparidade 
salarial de gênero é uma expressão evidente dessa exploração, quando as mulheres frequentemente 
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recebem menos do que os homens por trabalho equivalente. Além disso, as mulheres são frequentemente 
concentradas em setores de baixos salários e têm menor representação em posições de liderança e em 
campos profissionais mais valorizados. 
 Entrelaçamento de Opressão e Exploração: 
O fenômeno descrito por Saffioti destaca como a opressão e a exploração não são fenômenos isolados, 
mas sim interligados e reforçados pelo patriarcalismo histórico. A estrutura social e econômica moldada 
por esse sistema cria condições propícias para a perpetuação das desigualdades de gênero em várias esferas 
da vida, da esfera privada à pública. 
Assim, podemos afirmar que a opressão e a exploração das mulheres são interligadas e se 
reforçam mutuamente. 
Por exemplo, o patriarcado, como sistema de poder que favorece os homens, desempenha um papel 
significativo na criação de estruturas que perpetuam a exploração econômica das mulheres. O controle sobre 
recursos, oportunidades e decisões, muitas vezes nas mãos de homens, contribui para a exploração das 
mulheres no ambiente de trabalho e além. 
A opressão e a exploração das mulheres também se manifestam de maneiras interseccionais, onde mulheres 
de diferentes origens enfrentam formas únicas e interconectadas de discriminação. 
Mulheres negras,indígenas, LGBTQ+ e de classes sociais menos privilegiadas podem 
experimentar formas mais intensificadas de opressão e exploração, evidenciando a 
complexidade dessas dinâmicas. 
6.1.2 Economia do Cuidado 
A "economia do cuidado" é um conceito que se refere ao trabalho não remunerado relacionado ao cuidado 
de indivíduos, incluindo crianças, idosos, membros da família e pessoas com necessidades especiais. Este 
tipo de trabalho é essencial para a reprodução social e econômica, pois envolve atividades que sustentam e 
mantêm a vida, permitindo o funcionamento adequado da sociedade. 
 Algumas características importantes desse conceito incluem: 
 Natureza Não Remunerada: 
O trabalho na economia do cuidado é frequentemente realizado de maneira não remunerada, o que significa 
que não é reconhecido ou compensado financeiramente no sistema econômico convencional. Isso inclui 
atividades como cuidados com crianças, preparação de alimentos, assistência a idosos, entre outras 
responsabilidades relacionadas ao bem-estar das pessoas. 
 Gênero e Divisão Sexual do Trabalho: 
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A economia do cuidado está intrinsecamente ligada à divisão sexual do trabalho, uma vez que as 
responsabilidades de cuidado são frequentemente atribuídas às mulheres. Isso contribui para a perpetuação 
de estereótipos de gênero, reforçando a ideia de que as mulheres têm uma afinidade natural para o cuidado 
e a responsabilidade doméstica. 
 Impacto na Participação no Mercado de Trabalho: 
A carga desproporcional de trabalho na economia do cuidado pode limitar as oportunidades de participação 
das mulheres no mercado de trabalho remunerado. Isso ocorre devido à pressão de conciliar as 
responsabilidades de cuidado não remunerado com as demandas de um emprego formal. 
 Contribuição para a Reprodução Social: 
O trabalho na economia do cuidado é fundamental para a reprodução social, pois garante que as novas 
gerações sejam cuidadas, educadas e preparadas para a vida. O cuidado de idosos também desempenha um 
papel crucial na preservação e transmissão de conhecimentos, tradições e valores. 
 Desafios e Reconhecimento: 
A falta de reconhecimento e valorização do trabalho na economia do cuidado pode levar a uma série de 
desafios, incluindo a desvalorização do trabalho das mulheres, a sobrecarga de responsabilidades e a 
limitação das oportunidades de desenvolvimento profissional. 
 Necessidade de Políticas de Apoio: 
A implementação de políticas que visam apoiar a economia do cuidado é crucial. Isso pode incluir políticas 
de licença parental, serviços de cuidados acessíveis e flexibilidade no trabalho, visando redistribuir a carga 
de cuidados de forma mais equitativa entre os gêneros e facilitar a participação das mulheres no mercado 
de trabalho. 
6.1.3 Gênero, Raça e Classe 
Como a sociedade está marcada para além da divisão em dois grupos - homens e mulheres -, pois há outras 
dimensões, como raça, etnia, comunidades LGBTQIA+s, questões geracionais, etc, a categoria da divisão 
sociossexual do trabalho tem se mostrado mais adequada, pois abarca relações sociais de gênero, 
entendidas como relações desiguais, hierarquizadas e contraditórias, seja pela exploração da relação 
capital/trabalho, seja pela dominação masculina sobre a feminina, seja pelo preconceito de raça/etnia ou 
pela sexualidade. 
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Essa divisão, portanto, expressa a articulação fundamental entre produção e reprodução, permitindo 
abordar as dimensões objetivas e subjetivas, individuais e coletivas existentes tanto na esfera do trabalho 
assalariado como na esfera do trabalho reprodutivo22. 
A sociedade capitalista se utiliza dessa dinâmica de diferenciação com o intuito de hierarquizar as 
atividades e assim ampliar a exploração/opressão entre homens e mulheres e entre mulheres brancas e 
mulheres negras, enfim, das diversidades que compõem a sociedade. Compreender como a divisão sexual 
do trabalho se intersecciona com outras formas de opressão, como raça, classe social, orientação sexual e 
identidade de gênero é fundamental para compreender os impactos para a mulher trabalhadora. Essa 
abordagem reconhece que as experiências das mulheres são moldadas por múltiplos aspectos de suas 
identidades. 
Nota-se: 
Gênero e raça contribuem para aumentar a desigualdade salarial dentro do mercado de trabalho. 
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022, as mulheres 
recebem 20,2% menos que os homens e a hora de trabalho de uma pessoa negra vale 40,2% a 
menos do que a de uma branca. Ao se comparar a remuneração de mulheres negras com 
profissionais brancos, a diferença fica em 46%. Outra pesquisa aponta que a desigualdade salarial 
também está relacionada aos cargos que os grupos minorizados ocupam. 
 (MOVIMENTO MULHER 360, 2023) 
 
Neste contexto, o tópico do Edital tem relevância, e até sentido sociológico, porque as relações 
sociais no Brasil foram constituídas e assentadas na exploração e desigualdade de classe e nas 
opressões de gênero e raça/etnia. 
Adiciona-se que a divisão sociossexual e racial estrutura as esferas produtivas e reprodutivas sendo, em 
grande medida, determinante para a situação desigual entre os indivíduos já que subalternizou as mulheres 
em todo o processo histórico23. 
 
 
22 Idem, ibidem. 
23 NOGUEIRA, Claudia Mazzei. PASSOS, Rachel Gouveia. A divisão sociossexual e racial do trabalho no 
cenário de epidemia do covid-19: considerações a partir de heleieth saffioti. DOSSIÊ, Cad. CRH 
33, 2020 Disponível em: https://doi.org/10.9771/ccrh.v33i0.36118 
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 Interseccionalidade 
A interseccionalidade é um conceito que foi cunhado por Kimberlé Crenshaw, uma 
professora de direito norte-americana, para descrever o processo social de como 
diferentes formas de discriminação e opressão interagem e se sobrepõem, criando 
experiências únicas e complexas para pessoas que pertencem a múltiplos grupos 
marginalizados. 
O conceito destaca a importância de considerar não apenas uma única dimensão de 
identidade (como gênero, raça, classe social, orientação sexual), mas sim a interação 
entre essas diversas dimensões. 
Assim, o conceito de interseccionalidade deve ser usado para reconhecer que as pessoas 
podem enfrentar diferentes formas de discriminação e desvantagem com base em uma 
combinação de fatores, e que essas experiências não podem ser totalmente 
compreendidas isoladamente. Por exemplo, uma mulher negra pode enfrentar desafios 
únicos que não são totalmente capturados ao se analisar separadamente as questões de 
gênero e raça. 
 
6.2 Divisão racial do trabalho 
A divisão racial do trabalho refere-se à maneira como as oportunidades de emprego, 
salários e posições dentro da força de trabalho são distribuídas com base na raça ou 
etnia das pessoas. Essa divisão pode manifestar-se de várias formas e é muitas vezes 
associada a questões de discriminaçãoe desigualdade racial. É importante observar 
que as experiências variam significativamente entre diferentes regiões e contextos, 
mas há padrões globais que evidenciam desigualdades persistentes. 
Por sua vez, a divisão racial do trabalho no capitalismo se relaciona com o racismo estrutural no mercado 
de trabalho assalariado. 
 
O racismo estrutural é um conceito que descreve um sistema em que a discriminação racial é 
incorporada nas instituições, práticas e normas sociais de uma sociedade. Diferentemente do 
racismo individual, que se baseia em atitudes preconceituosas de pessoas específicas, o racismo 
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estrutural é enraizado em políticas, práticas e estruturas que perpetuam a desigualdade racial de 
maneira sistemática. 
O racismo estrutural não requer intenções racistas conscientes; ele se manifesta por meio de 
disparidades raciais em áreas como habitação, educação, saúde, justiça criminal e emprego. É um 
fenômeno que afeta grupos racialmente minoritários, negando-lhes oportunidades equitativas, 
recursos e direitos. 
O racismo estrutural e a divisão racial do trabalho estão interconectados, sendo manifestações de um 
sistema mais amplo de desigualdade baseada na raça. Veja, se o racismo estrutural refere-se às maneiras 
pelas quais as instituições, políticas e práticas sociais perpetuam e reproduzem desigualdades com base na 
raça ao longo do tempo, a divisão racial do trabalho é uma expressão específica desse fenômeno no âmbito 
do mercado de trabalho. 
No caso do Brasil, o racismo estrutural no emergente mercado de trabalho assalariado brasileiro, ainda no 
início do século XX, determinou a constituição da divisão racial do trabalho, que se desenvolveu mediando 
a exclusão dessa população dos postos de trabalho formais, assim como também alocou essa população no 
desemprego e na desocupação, e aquelas(es) que eram inseridas(os) no mercado de trabalho assalariado 
ocupavam postos de trabalho de subsistência, precarizados, subalternizados, com baixa ou nenhuma 
remuneração. 
Quem contribuiu de maneira relevante para esse debate e compreensão foi o sociólogo Florestan Fernandes 
- cânone da sociologia brasileira. Vejamos brevemente como seu esquema teórico contribui para 
compreensão da desigualdade racial no mercado de trabalho. 
6.2.1 Florestan Fernandes (1920-1995) 
Florestan Fernandes nasceu em São Paulo em 1920. De origem 
popular, ingressou na Universidade de São Paulo (USP) em 1941, 
obtendo o mestrado e o doutorado na Escola Livre de Sociologia 
e Política (ESP), em 1945 e em 1946, a livre-docência em 1953 na 
USP e tornando-se titular da cadeira de Sociologia I da mesma 
Universidade em 1964. Cassado pelo AI-5 em 1969, passa a 
lecionar nos EUA e no Canadá. É um dos mais respeitados 
sociólogos do país, tanto nacional quanto internacionalmente, 
considerado o fundador da sociologia crítica no Brasil. Foi eleito 
deputado federal pelo PT-SP em 1986 e 1990. Faleceu em São 
Paulo em 1995. Tem uma extensa produção intelectual. Quero destacar A organização social dos 
tupinambá (1949), A integração do negro na sociedade de classes (1964). 
Florestan debruçou de maneira sistemática, crítica e com muito rigor teórico e metodológico sobre a 
realidade brasileira. Suas mais importantes reflexões foram sobre o capitalismo dependente, o papel do 
intelectual, relações sociais e, sobretudo, as relações raciais. 
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No que se refere à economia, o autor agrega a questão da escravidão às análises. Assim, 
seguindo a linha de Caio Prado Jr. Sobre o sentido da economia colonial, ele combina a discussão 
sobre o papel da escravidão. Ele afirma que as estruturas de dominação do período da colonização 
foram preservadas no processo de modernização capitalista no Brasil. Por isso, foi uma 
“modernização conservadora”. 
 
Existe um momento crucial para observarmos isso que é a mudança de regime do trabalho 
escravo para o trabalho livre. 
Diz Florestan: 
A desagregação do regime escravocrata e senhorial se operou, no Brasil, sem que se cercasse a 
destituição dos antigos agentes de trabalho escravo de assistência e garantias que os protegessem 
na transição para o sistema de trabalho livre. Os senhores foram eximidos da responsabilidade pela 
manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou qualquer outra instituição 
assumisse encargos especiais, que tivessem por objetivo prepará-los para o novo regime de 
organização da vida e do trabalho. Florestan Fernandes. A integração do negro na sociedade de 
classes. 
 
Portanto, meus queridos e queridas, a escravidão, segundo Florestan, a 
desigualdade social, no Brasil tem relação direta com o modo como o negro 
foi incorporado na sociedade de classes no pós abolição. Produz-se uma 
desigualdade social baseada na cor da pele. 
 
Assim, a relação entre raça e classe se projeta como fenômeno social e tem repercussão em toda organização 
social da sociedade brasileira. Ele não usa esse termo, mas hoje em dia, damos o nome de racismo estrutural 
a esse fenômeno. Percebeu? 
 
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Agora eu vou te perguntar, lindeza: o que você acha que o Florestan pensava sobre a noção de 
“democracia racial”? 
Florestan afirma categoricamente que a noção de democracia racial serviu para disseminar a ideia de que 
não há diferenças entre negros e brancos porque viveriam pacificamente. Além disso, as oportunidades 
estariam abertas a todos. Como isso não é verdade, segundo os estudos que ele faz no seu livro A integração 
do negro na sociedade de classes, o conceito seria uma ideologia e, no senso-comum, um verdadeiro mito. 
Assim, o mito acabou por consolidar a ideia de que a pobreza do negro é fruto da sua própria incapacidade 
de superar as dificuldades sociais, como o desemprego, a falta de escolaridade e a pobreza. 
Nas palavras do sociólogo “uspiano” 
Não existe democracia racial efetiva(no Brasil), onde o intercâmbio entre os indivíduos pertencentes 
a “raças” distintas começa e termina no plano da tolerância convencionalizada. Esta pode satisfazer 
às exigências de “bom-tom”, de um discutível “espírito cristão” e da necessidade prática de “manter 
cada um em seu lugar”. Contudo, ela não aproxima realmente os homens senão na base da mera 
coexistência no mesmo espaço social e, onde isso chega a acontecer, da convivência restritiva, 
regulada por um código que consagra a desigualdade, disfarçando-a acima dos princípios da ordem 
social democrática. 
(Florestan Fernandes. Cor e mobilidade social em Florianópolis.) 
7. RESUMOS 
Definição da Sociologia do Trabalho: 
 Enfoque na compreensão das relações sociais no contexto laboral. 
 Importância da Sociologia do Trabalho como disciplina para análise das transformações na produção 
de riqueza e modos de vida. 
Tópicos para Estudo Futuro na Sociologia do Trabalho: 
 O trabalho como categoria do pensamento sociológico. 
 O conceito de trabalho. 
 Divisão do trabalho e distribuição de tarefas. 
 Divisão social, sociossexual e racialdo trabalho. 
 Processo de trabalho e organização do trabalho. 
 Evolução histórica do trabalho humano: escravizado, feudal em servidão, livre desprotegido. 
Conceito de Trabalho: 
 Papel do Trabalho na Compreensão do Indivíduo: Vínculo essencial na vida do indivíduo, destacado 
por pensadores que influenciaram o pensamento social. 
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 Influência de Hegel: Hegel como pensador central, considerando o trabalho como componente 
essencial na relação homem-natureza e na formação da consciência. Visão do trabalho como fonte 
de riqueza, civilização e processo de exteriorização dialética do sujeito. 
 Mediação do Trabalho: Trabalho como mediador na relação entre o homem e a natureza, 
possibilitando a formação da consciência; Decodificação da natureza e libertação do homem da 
tirania imposta pela natureza por meio do trabalho. 
 Sistema de Necessidades de Hegel. Trabalho como elemento de mediação entre necessidades 
subjetivas e necessidades do outro. Produtos do trabalho atuam como mediadores entre esses polos, 
permitindo a satisfação de necessidades subjetivas. 
 Importância para o Pensamento Social e Sociológico: Fundamentação do sistema filosófico de Hegel 
contribui para a compreensão do trabalho na formação do pensamento social; Trabalho analisado 
como exteriorização do sujeito e interiorização do social. 
Marx, Weber e Durkheim reafirmam a centralidade do trabalho em suas 
teorias. 
Trabalho não apenas como componente econômico, mas como força moldadora das relações sociais, da 
estrutura da sociedade e da identidade individual. 
Trabalho para Marx, Weber e Durkheim: 
 Karl Marx: 
 Construção de conceitos e análises baseados no trabalho, como classes sociais, luta de classes, 
capital, exploração capitalista, alienação, força de trabalho, meios de produção. 
 Noção de trabalho como a "eterna necessidade natural da vida social". 
 Trabalhador no processo produtivo como princípio organizador da estrutura social. 
 Conflitos gerados em torno da exploração nas relações de trabalho. 
 Dinâmica do desenvolvimento pautada por conflitos no plano das relações de trabalho. 
 Trabalho como processo e produto do trabalho produtivo. 
 
 Max Weber: 
 Concepção Moderna de Trabalho 
 Análise da influência da ascese protestante na configuração do trabalho como vocação. 
 Transformações nas mentalidades individuais e estruturas sociais, especialmente com o surgimento 
da burguesia. 
 Papel crucial na transformação do burguês em um homem de negócios racional. 
 Dedicação ao trabalho como expressão do destino divino. 
 Desvinculação do trabalho de critérios tradicionais, orientando-se por uma lógica calculista e 
pragmática. 
 Contribuição para a compreensão da transformação do significado e do papel do trabalho na 
sociedade moderna. 
 
 Émile Durkheim: 
 Divisão Social do Trabalho. 
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 Contribuição para a sociologia do trabalho enfocando a atividade laboral como essencial para 
compreender a estrutura social. 
 Importância da divisão social do trabalho na formação da sociedade industrial moderna. 
 Atividade Laboral como Social. 
 Trabalho não apenas como prática individual, mas como uma atividade social abrangente envolvendo 
produção e troca de bens e serviços. 
 Trabalho como fonte de realização pessoal, contribuição para a sociedade, conferindo significado à 
vida e moldando a identidade social. 
 Coesão Social. 
 Ênfase no trabalho como elemento fundamental na coesão social, conferindo sentido à vida e 
integrando os indivíduos na sociedade. 
O Trabalho como uma Categoria do Pensamento Sociológico: 
Centralidade na Vida Social: 
 Influência na subsistência econômica e na estruturação das relações sociais. 
 Papel central na organização da vida social e nas dinâmicas de poder. 
Impacto nas Relações Sociais: 
 Organização e distribuição do trabalho afetam diretamente as relações sociais. 
 Divisão do trabalho cria padrões de interdependência, moldando hierarquias sociais. 
Reflexos nas Desigualdades Sociais: 
 Acesso ao trabalho, tipos de empregos e condições laborais influenciam desigualdades sociais. 
 Exploração das estruturas sociais que contribuem para a distribuição desigual do trabalho. 
Transformações Econômicas e Sociais: 
 Sensibilidade do trabalho às mudanças econômicas e sociais ao longo do tempo. 
 Análise das transformações desde a Revolução Industrial até formas contemporâneas de emprego. 
Construção de Identidade: 
 O tipo de trabalho contribui para a construção da identidade individual. 
 Exploração de como as ocupações e experiências laborais moldam a autopercepção e a percepção 
social. 
Relação com Outras Instituições Sociais: 
 Interligação do trabalho com outras instituições sociais como família, educação e governo. 
 Investigações sobre como essas instituições influenciam e são influenciadas pelo mundo do trabalho. 
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Autores e Conceitos Relevantes: 
 Karl Marx: Trabalho como "eterna necessidade natural da vida social", centralidade nas relações de 
produção. 
 Max Weber: Análise da racionalização do trabalho, influência da ascese protestante. 
 Émile Durkheim: Ênfase na divisão social do trabalho e seu papel na coesão social. 
 Adam Smith: Teoria do valor-trabalho, contribuição para a economia política. 
 Harry Braverman: Crítica à alienação no trabalho e desumanização nas estruturas capitalistas. 
 André Gorz: Reflexão sobre o trabalho na sociedade pós-industrial e o papel da automação. 
 Pierre Bourdieu: Conceito de "capital cultural" e sua influência nas oportunidades de trabalho. 
 Erving Goffman: Análise das representações dramatúrgicas no ambiente de trabalho. 
Conceito de Divisão Sexual do Trabalho: 
 Não é determinada por um destino biológico, mas é uma construção social. 
 Homens e mulheres estão engajados em relações sexuais sociais, fundamentadas no trabalho. 
 Variedade na Divisão Sexual do Trabalho: 
 Presente em todas as sociedades humanas conhecidas. 
 Diversidade nas formas e rigidez da separação entre afazeres considerados apropriados a homens e 
mulheres. 
Divisão Sociossexual do Trabalho: 
 Considera outras dimensões além de gênero, como raça, etnia, comunidades LGBTQIA+, questões 
geracionais, etc. 
 Aborda relações sociais de gênero como desiguais, hierarquizadas e contraditórias. 
 Articulação Fundamental entre Produção e Reprodução: Expressa a conexão entre produção e 
reprodução na sociedade. 
 Aborda dimensões objetivas e subjetivas, individuais e coletivas, no trabalho assalariado e 
reprodutivo. 
 Dinâmica de diferenciação utilizada para hierarquizar atividades e ampliar exploração/opressão. 
 Contribui para desigualdades salariais entre gêneros e raças/etnias no mercado de trabalho. 
Divisão Racial do Trabalho: 
 Distribuição desigual de empregos, salários e posições com base na raça ou etnia. 
 Associada a discriminação e desigualdade racial. 
 Racismo Estrutural: Discriminação racial incorporadaem instituições e práticas sociais. 
 Manifestações do racismo estrutural no mercado de trabalho. 
 No Brasil, o racismo estrutural influencia a divisão racial do trabalho. 
 População negra enfrenta exclusão, desemprego e baixa remuneração. 
 Contribuição de Florestan Fernandes: Sociólogo brasileiro que integrou a análise da escravidão na 
compreensão das relações raciais. Relação direta entre escravidão e desigualdade pós-abolição. 
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 Democracia Racial como Mito: Encobre desigualdades, promovendo a ideia errônea de igualdade de 
oportunidades. Crítica à Ideia de "Democracia Racial": 
 "Democracia racial" não promove igualdade real, apenas coexistência superficial. 
 Florestan destaca a falta de efetiva aproximação entre raças. 
 
8. LISTA DE QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS 
1. (CESGRANRIO - 2009 - Professor de Educação Básica (SEDUC TO)/Sociologia) 
Em regimes escravocratas havia um determinado tipo de domínio e de sujeição: de um lado, o 
senhor, e de outro, o escravo. O ser humano escravizado era considerado como propriedade, 
um misto de animal com ferramenta. Os senhores se beneficiavam ao explorar uma massa de 
escravos que não possuíam direitos. No seio daquelas sociedades, aos senhores eram 
destinados todos os bens produzidos e as garantias de determinado padrão de vida, enquanto 
aos escravos restava a imposição de suas condições precárias e humilhantes de existência. 
Essas características do modo de produção escravista dizem respeito, basicamente, 
a) aos instrumentos de produção. 
b) aos meios de produção. 
c) às relações de produção. 
d) às forças produtivas. 
e) à matéria-prima. 
 
2. (ESAF/ 2010/ Auditor Fiscal do Trabalho) 
Atualmente estão se impondo outras formas de vida, não para o conjunto da população, mas 
sim para uma parte considerável dela. Trata-se de formas de vida similares às conhecidas pelas 
mulheres nos últimos decênios. Essas formas de vida estão feitas de trabalho a tempo parcial, 
contratos temporários, trabalhos não retribuídos e voluntários 
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(Beck, Ulrich. Un nuevo mundo feliz. La precariedad del trabajo en la era de la globalización. 
Barcelona: Ediciones Paidós Ibérica, S. A., 2000, p. 102). 
Embasado nos pressupostos teóricos do texto, assinale a opção correta. 
a) Constata-se, em todo o mundo, que o aumento das formas de emprego inseguras e precárias 
é maior entre as mulheres que entre os homens. 
b) O contexto cultural e a importância do trabalho informal na Europa e na América do Sul 
podem ser considerados semelhantes. 
c) As formas de flexibilização do trabalho, no contexto da desregulação das relações laborais, 
aumentam o poder negociador dos sindicatos. 
d) No Brasil, o trabalho assalariado estável e formal constitui a experiência histórica da maioria 
da população. 
e) Na conjuntura do mercado mundial, o crescimento econômico atualiza a ideia do pleno 
emprego e a consigna em empregos permanentes. 
 
3. (ESAF/2003/Auditor Fiscal do Trabalho) 
 A partir do conteúdo do texto abaixo considerar a incoerência de uma das opções que dele se 
deduz 
 A divisão sexual do trabalho é a separação e distribuição das atividades de produção e 
reprodução social de acordo com o sexo dos indivíduos. É uma das formas mais simples e, 
também, mais recorrentes de divisão social do trabalho. Qualquer sociedade tem definidas, 
com mais ou menos rigidez e exclusividade, esferas de atividades que comportam trabalhos e 
tarefas considerados apropriados para um ou outro sexo. 
(Holzmann da Silva, 1999) 
a) A esfera feminina situa-se no âmbito doméstico privado, da produção de valores de uso para 
o consumo do grupo familiar, da reprodução da espécie e do cuidado das crianças, dos velhos 
e dos incapazes. 
b) As atividades de produção social e de direção da sociedade, desempenhadas no espaço 
público, são atribuições masculinas. 
c) A distinção entre trabalho de homens e de mulheres expressa atributos e capacidades inatas 
aos indivíduos, diferentes em homens e em mulheres. 
d) Os estereótipos de ser homem e de ser mulher sustentam e legitimam a divisão sexual do 
trabalho. 
e) As mulheres são mais vulneráveis à repressão da organização do processo de trabalho 
taylorista. 
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4. (ESAF/1998/Auditor Fiscal do Trabalho) 
 A reflexão abaixo permite vários desdobramentos sobre a "divisão sexual do trabalho". Uma 
das apresentadas é falsa; assinale-a. 
"A divisão sexual do trabalho, um fato persistente na história humana, foi muitas vezes tratado 
como um fenômeno invariável no tempo. Contrariando esta tendência, abordagens mais 
amplas passaram a sublinhar o caráter específico da subordinação por sexo entendido como 
assimetria nas relações de gênero. Desse modo pretendiam salientar o caráter socialmente 
constituído destas diferenças, enfatizando as dimensões sociais e culturais da subordinação." 
(Bandeira, 1997) 
a) Do ponto de vista internacional, historicamente as políticas sociais foram dirigidas a fixar a 
mão-de-obra feminina no âmbito familiar, reforçando desta forma a menor presença da mulher 
no mercado de trabalho, devido à divisão sexual do trabalho. 
b) A assertiva segundo a qual no Brasil o "trabalho tem um sexo" mostra o quanto a legislação 
trabalhista tem dificuldade em incorporar a especificidade de gênero na questão da equidade. 
c) Mesmo nas camadas de renda mais desfavorecidas, o trabalho feminino é submetido a uma 
maior precarização, pois nestas a mulher é vista com ressalvas pelos empregadores devido à 
sua própria condição de mulher. 
d) Do pondo de vista histórico, o processo de diferenciação entre os sexos, em termos de 
relações de hierarquia e subordinação, aprofundam-se com as complexidades crescentes da 
sociedade capitalista, com sua especialização e com o aumento da produtividade. 
e) A generalização de uma divisão do trabalho sexualmente ordenada estaria baseada no 
controle exercido sobre o trabalho da mulher e dos filhos, construído como base no poder 
masculino. 
 
5. (FGV - 2023 - SEDUC-TO - Professor da Educação Básica - Professor Regente - Sociologia) 
A categoria trabalho foi pensada por diversos autores 
(I) como valor; (II) como racionalidade capitalista; ou (III) como elemento de interação do 
indivíduo na sociedade em suas dimensões tanto corporativa como de integração social. 
Adaptado de BNCC Ensino Médio, p 556, in: http://basenacionalcomum.mec.gov.br 
O trecho se refere, de I a III, às concepções de trabalho de 
(A) Adam Smith – David Ricardo – Vilfredo Pareto. 
(B) Karl Marx - Max Weber - Émile Durkheim. 
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(C) David Ricardo – Jeremy Bentham – Karl Marx. 
(D) Thomas Malthus – John Rawls – Max Weber.(E) Max Weber – John Stuart Mill – David Ricardo. 
 
6. (CETREDE - 2019 - Sociólogo (Pref Juazeiro do N) 
I. O mundo moderno é resultado de um processo de diferenciação social, em que o ponto de 
partida da evolução social seriam as sociedades regidas pela solidariedade mecânica e seu 
ponto de chegada, as sociedades caracterizadas pela solidariedade orgânica. 
II. O que distingue cada um dos momentos da evolução da sociedade são os mecanismos que 
geram a solidariedade social: a consciência coletiva e a divisão do trabalho social. 
III. A solidariedade mecânica e a solidariedade orgânica são diferentes estratégias de 
integração dos indivíduos nos grupos ou nas instituições sociais. 
IV. Na solidariedade orgânica, a regulação moral das condutas sociais decorre das normas 
contidas na consciência coletiva. 
V. Na solidariedade mecânica, a moralidade social emana da própria divisão do trabalho, na 
medida em que ele valoriza a contribuição de cada indivíduo no processo de cooperação social. 
Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS. 
a) I – II – III. 
b) II – III – IV. 
c) I – II – III – V. 
d) I – III – IV. 
e) I – II – III – IV – V. 
 
7. (Com. Org. (IFSP)/2015/Sociologia) 
Acerca da relação entre divisão do trabalho e produtividade do trabalho para Adam Smith é 
correto afirmar que: 
I. a produtividade do trabalhador aumenta se ele puder se dedicar a um número pequeno de 
operações. 
II. quanto menor for o número de operações executadas por cada trabalhador, menor será o 
tempo perdido a passagem de uma operação a outra. 
III. a aptidão e talento dos homens para determinadas operações é uma característica natural 
de cada um. 
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IV. é importante que os homens desenvolvam o maior número de aptidões possíveis, se 
tornando assim trabalhadores polivalentes. 
Está(ão) correta(s) apena(s) a(s) alternativa(s): 
a) I e IV. 
b) I e III. 
c) II e III. 
d) IV. 
e) I e II. 
 
8. (Com. Org. (IFSP)/2015/Sociologia) 
O livro A Riqueza das Nações, de Adam Smith, escrito em 1776, no contexto da Primeira 
Revolução Industrial, desenvolve uma análise do surgimento do capitalismo industrial e foi 
considerado o primeiro estudo científico do capitalismo, dando origem a uma escola do 
pensamento econômico, conhecida como Escola Clássica. Adam Smith tinha como 
preocupação saber qual era a causa da riqueza da nação, de grupos e de pessoas individuais. 
Entre estas, qual alternativa responde à sua pergunta? 
a) Para Adam Smith o principal fator era o trabalho produtivo especializado, porque ele diminui 
os tempos ociosos, evitando que o trabalhador perca tempo, mudando de atividade, aumenta 
a destreza do trabalhador e incentiva a sua capacidade inventiva. 
b) O economista inglês foi responsável pela transferência do centro de análise do âmbito do 
comércio para o da produção, sustentando que somente a terra, ou a natureza é capaz de 
realmente produzir algo novo (só a terra multiplica um grão de trigo em muitos outros grãos), 
portanto, a terra é a única fonte de riqueza. 
c) Adam Smith defendia a ideia de que o Estado deveria incrementar o bem-estar nacional, 
mesmo que em detrimento de seus vizinhos e colônias, pois, a riqueza da nação era constituída, 
essencialmente, pela moeda, o Estado deveria desenvolver mecanismos para obtê-la. 
d) O principal fator capaz de promover a riqueza da nação era a balança comercial favorável, 
na medida em que as importações de um país fossem menores do que suas exportações 
haveria uma entrada líquida de moedas, aumentando o seu volume e, consequentemente, a 
riqueza da nação. 
e) Adam Smith defendia a tese de que o investimento em tecnologia seria o fator principal para 
o acúmulo de riqueza, na medida em que ela possibilita o aumento da produtividade numa 
jornada de trabalho menor e, gradativamente, substitui a força humana de trabalho pela 
máquina. 
 
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9. (Inédita/Profe. Alê Lopes) 
A disparidade salarial entre homens e mulheres é mostrada em uma pesquisa realizada pelo 
Banco Nacional de Empregos (BNE) em seu sistema de vagas. A maior diferença salarial pode 
ser verificada em 20 funções, que têm índices superiores à taxa de 20% – pesquisa da 
consultoria IDados, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, mostra 
que as mulheres ganham em média 20,5% a menos que os homens no Brasil. Essa diferença 
segue em patamar elevado mesmo quando se compara trabalhadores do mesmo perfil de 
escolaridade e idade e na mesma categoria de ocupação. De acordo com o BNE, a maior 
diferença se encontra na área de tecnologia: para desenvolvedor front-end, a variação entre 
os salários em favor dos homens foi de 63,2%. Nessa lista há cargos de liderança, como gerentes 
e supervisores, e também funções como auxiliares e analistas. De acordo com o BNE, "isso 
demonstra que a desigualdade afeta as mulheres em todos os níveis hierárquicos e em diversos 
segmentos, dada a variedade de áreas listadas" 
(G1. Abr/2022) 
A pesquisa realizada evidencia 
a) um contexto de equiparação de gênero. 
b) o aumento do desemprego. 
c) a crescente desigualdade e concentração de renda. 
d) a desconfiança em relação a dados do mercado de trabalho. 
e) um cenário de subjugação de gênero no mercado de trabalho. 
 
10. (Inédita/Profe. Alê Lopes) 
“Útil é um liquidificador, útil é uma enceradeira, um aspirador de pó é útil, um carro, uma 
máquina de lavar roupa... A Vida não. A vida é fruição, é um maravilhamento, é uma benção de 
estar existindo no meio de uma multidão de seres que não só os nós, os humanos. Talvez o 
equívoco, o erro da história foi a gente ter se descolado da vida em geral e criado uma abstração 
de nós, seres humanos. 
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. Trecho da palestra no encerramento do Clube do Livro sobre 
literatura indígena. Sesc Vila mariana, São Paulo, 2022. 
O texto acima revela o processo de 
a)coisificação do ser humano 
b)alienação da natureza 
c) separação do homem do seu habitat natural, a selva. 
d)mecanização da vida 
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e)a especialização do processo produtivo 
 
11. (Inédita/profe. Alê Lopes) 
A sociologia surgiu, na primeira metade do século XIX, sob o impacto da Revolução Industrial e 
da Revolução Francesa. As transformações econômicas, políticas e culturais suscitadas por 
esses acontecimentos criaram a impressão generalizada de que a Europa vivia o alvorecer de 
uma nova sociedade. 
MUSSI, Ricardo. Apontamentos sobre o nascimento da sociologia. Blog Boitempo, 23/11/2012. 
Sobre o surgimento da Sociologia está correta a seguinte afirmação: 
a) A Sociologia surgiu como uma resposta à crise social e política do século XVIII, buscando 
compreender a sociedade de forma científica. 
b) A Sociologia é resultado dos estudos sobre o modo de produção desenvolvido no Canadá, a 
partir de uma perspectiva revolucionária do positivismo, mesclado com teorias do Estado de 
Bem-estar Social. 
c) A ideia de desenvolvimento pela revolução social foi defendida pelo Absolutismo,que 
influenciou o Positivismo. 
d) Os limites e as contradições do progresso para a liberdade humana foram apontados pelo 
Iluminismo e aceitos pelo Positivismo. 
e) Somente no século XXI é que podemos falar em surgimento, de fato, da Sociologia. 
 
12. (Inédita/Profe. Alê Lopes) 
 
(BERTAZZI, Galvão. “Vida Besta”. Folha de São Paulo, 13/09/2023. Disponível em: < https://cartum.folha.uol.com.br>. 
Acessado em 13/09/2023) 
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A tirinha acima traz diversas críticas sociais. Uma delas pode ser associada à ideia da vida 
urbana como uma vida extremamente complexa que, nas palavras de Émile Durkheim, tornaria 
a sociabilidade contemporânea uma sociabilidade pautada pela 
a) solidariedade mecânica. 
b) submissão ao fato social. 
c) opção pelo suicídio. 
d) solidariedade orgânica. 
e) solidariedade sociológica. 
 
13. (Inédita/Profe. Alê Lopes) 
A Rede Mulheres Produtoras do Pajeú nasceu em 2005, quando a Casa Mulher do Nordeste, 
organização feminista do sertão pernambucano fundada na década de 1980, convidou algumas 
mulheres produtoras para o Festival de Economia Popular e Solidária do Pajeú. A educadora 
social Elizabete Ferreira foi uma delas. Está na associação desde o início e é parte integrante do 
grupo Guerreiras Pernambucanas, que trabalha com agricultura e a produção de sabonetes 
líquidos de aroeira. A ideia principal era a de criar uma rede de apoio e de formação política e 
agroecológica para poder diminuir o isolamento entre mulheres do sertão, além de ser um 
movimento que olha com mais atenção para questões de gênero na região, principalmente 
para casos de violência doméstica. Assim, a Rede se estabelece com base em três pilares: 
agroecologia, feminismo e economia solidária. 
(UOL. Feministas do sertão: quintais de agricultoras viram armas de transformação. 
06/04/2021. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-
noticias/2021/04/06/feministas-do-sertao-quintais-de-agricultoras-viram-armas-de-
transformacao.htm. Acesso em: 08/04/2021) 
De acordo com o texto, a ação do movimento em questão 
a) forma lideranças para disputar cargos eletivos em municípios rurais. 
b) formaliza mulheres no mercado de trabalho e as transforma em operárias. 
c) objetiva aumentar o ganho de escala lucrativo por meio do trabalho doméstico. 
d) utiliza os quintais produtivos como uma estratégia de empoderamento feminino. 
 
14. (FGV 2019) 
Atualmente, a economia sob demanda está alterando de maneira fundamental nossa relação 
com o trabalho e com o tecido social no qual ela está inserida. Mais empregadores estão 
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usando a “nuvem humana” para as coisas serem feitas. As atividades profissionais são 
separadas em atribuições e projetos distintos; em seguida, elas são lançadas em uma nuvem 
virtual de potenciais trabalhadores, localizados em qualquer lugar do mundo. 
Klaus Schwab. A quarta revolução industrial. São Paulo: Edipro, 2016. 
Sobre as relações de trabalho na economia sob demanda, assinale a afirmativa incorreta. 
 a) Os prestadores de serviço não são mais empregados no sentido tradicional, mas 
trabalhadores independentes que realizam tarefas específicas. 
 b) Os trabalhadores independentes realizam suas tarefas em casa, o que permite a 
administração do próprio tempo, menor estresse e maior controle da cadeia produtiva. 
 c) Uma parte da força de trabalho, para gerar renda, pode ser, ao mesmo tempo, motorista da 
Uber, locador da Airbnb e executar outras pequenas tarefas. 
 d) Os trabalhadores que se deslocam de tarefa em tarefa não usufruem dos direitos 
trabalhistas, dos ganhos das negociações coletivas e da segurança no trabalho. 
 e) Os trabalhadores autônomos vivenciam novas relações de trabalho, em que os contratantes 
estão desvinculados da obrigação de pagar salário mínimo e benefícios sociais. 
 
15. (VUNESP/2018) 
“A desagregação do regime escravocrata e senhorial ocorreu, no Brasil, sem que se oferecesse 
aos antigos agentes do trabalho escravo assistência e garantias que os protegessem na 
transição para o sistema de trabalho livre. Os senhores foram eximidos da responsabilidade 
pela manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou qualquer outra 
instituição assumissem encargos especiais, que tivessem por objeto prepará-los para o novo 
regime de organização da vida e do trabalho.” 
(Florestan Fernandes. A integração do negro na sociedade de classes. Volume 1, São Paulo: 
Editora Globo, 2008, p. 29. Adaptado) 
Segundo o texto, o processo de abolição da escravatura no Brasil 
a) negou aos libertos o auxílio necessário para que se adaptassem às novas condições sociais. 
b) ofereceu recursos institucionais para proteger e amparar os libertos na nova estrutura social. 
c) impôs aos antigos senhores a obrigação de oferecer boas condições de vida aos libertos. 
d) concedeu aos ex-escravos formação profissional para atenderem o mercado de trabalho. 
e) proporcionou condições para que os antigos escravos fossem inseridos facilmente na 
sociedade. 
 
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16. (VUNESP/2018) 
No mundo capitalista, a produção de bens e serviços que atende às necessidades da sociedade 
foi um marco significativo na organização das relações sociais de hoje. O processo produtivo é 
composto por três elementos principais, que, quando associados, permitem a funcionalidade 
do sistema capitalista de produção. Sobre esses elementos, é INCORRETO afirmar que 
a) o trabalho é uma atividade essencial, desenvolvida pelo ser humano, que transforma a 
energia física e mental em força de trabalho, capaz de atuar sobre a natureza para produzir 
excedentes. 
b) o trabalho qualificado é realizado com certo grau de aprendizagem, devendo ser adquirido 
em espaços sistematizados pela sociedade e em áreas específicas de atuação. 
c) os seres humanos utilizam a matéria-prima para adquirirem os bens e serviços necessários à 
manutenção da natureza e seus elementos constitutivos. 
d) os recursos naturais são importantes para o processo produtivo, mas é um elemento 
relativo, pois eles variam de acordo com a concepção cultural de cada sociedade. 
e) as máquinas e os equipamentos são não só instrumentos de produção, mas também meios 
materiais utilizados pelo homem para realizar o trabalho e produzir os bens e serviços 
necessários à vida humana. 
 
17. (NC UFPR (FUNPAR) - 2021) 
Considere a seguinte passagem: 
No final do século XIX e início do século XX, inúmeras leis de “proteção” à mulher passaram a 
proibir o trabalho feminino em ocupações consideradas mais pesadas ou perigosas, já que isso 
havia trazido problemas de ordem “moral” resultantes do fato de as mulheres terem mais 
mobilidade fora do espaço da casa. Na França, uma lei de 1892 proibia as mulheres de exercer 
o trabalho noturno. No Brasil, a mesma proibição foi expressa em um decreto de 1932. Embora 
muitas dessas leis visassem à “proteção” das mulheres, exploradas pela indústria – assim como 
ocorria com as crianças –, acabaram por confiná-las aos cuidadosdomésticos e a trabalhos 
realizados em casa, sub-remunerados. Durante o século XX, as duas guerras mundiais voltaram 
a impulsionar a presença das mulheres nas indústrias, pois, nesses momentos, os esforços 
produtivos eram necessários. No entanto, com o fim do período de guerras, novamente se 
reivindicou o retorno das mulheres à casa. O modelo de família almejado pela sociedade 
industrial e fordista do pós-guerra centrou-se, então, no “homem provedor e na mulher 
cuidadora”. 
(SILVA, Afrânio et al. (orgs.). Sociologia em movimento. São Paulo: Moderna, 2016. p. 338.) 
Sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho, assinale a alternativa correta. 
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 A) A inserção das mulheres no mercado de trabalho global significou a superação das 
desigualdades de gênero pela conquista do poder financeiro. 
B) A divisão de trabalho fundamentada nos sexos levou as mulheres para fora do espaço 
doméstico contribuindo para a superação do patriarcado. 
C) O desenvolvimento do capitalismo aboliu a distinção entre as atividades que têm lugar no 
espaço da família considerado “reprodutivo”, e no espaço público, considerado “produtivo”. 
D) A existência de uma dupla jornada (no trabalho e em casa), por vezes tripla (no trabalho, em 
casa e na universidade), é um dos motivos para a proibição do trabalho das mulheres. 
E) A proibição do trabalho noturno para as mulheres reforçou um efeito perverso da divisão 
sexual do trabalho. 
 
18. (FADESP - 2020 - Técnico de Nível Superior (UEPA)/Ciências Sociais 
A vida privada interfere na vida pública e é fator de restrição às mulheres. A divisão sexual do 
trabalho impõe às mulheres maiores obrigações na vida privada do que aos homens. É correto 
afirmar que 
A isso ocorre porque a dualidade entre público e privado é problematizada nas teorias da 
democracia. 
B a persistência desses padrões destoam dos valores igualitários perseguidos pelas feministas. 
C é preciso desnaturalizar esses padrões, que implicam desvantagens para as mulheres. 
D a legislação e o cotidiano da vida brasileira são os fatores responsáveis por esses padrões. 
 
19. (QUADRIX - 2017 - Professor Substituto Temporário (SEDF)/Sociologia) 
A expressão “divisão social do trabalho” tem sido usada no sentido cunhado por Karl Marx e 
também referendada por autores como Braverman e Marglin para designar a especialização 
das atividades presentes em todas as sociedades complexas, independentemente de os 
produtos do trabalho circularem como mercadoria ou não. Designa a divisão do trabalho social 
em atividades produtivas, isto é, ramos de atividades necessárias para a reprodução da vida. 
Marx, em O Capital, afirma que a divisão social do trabalho diz respeito ao caráter específico 
do trabalho humano. Um animal faz coisas de acordo com o padrão e a necessidade da espécie 
a que pertence. Enquanto a aranha é capaz de tecer e o urso de pescar, um indivíduo da espécie 
humana pode ser, simultaneamente, tecelão, pescador, construtor e mil outras coisas 
combinadas. Essa capacidade de produzir diferentes coisas e até de inventar padrões diferentes 
dos animais não pode ser exercida individualmente, mas a espécie como um todo acha possível 
fazer isso, em parte pela divisão do trabalho. 
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Internet: <www.sites.epsjv.fiocruz.br> (com adaptações). 
Com base no texto e nas diferentes dimensões do trabalho, julgue o item a seguir. 
A divisão social do trabalho apresenta e já apresentou, ao longo da história, diferentes critérios 
para a sua realização, entre eles as diferenças sexuais. 
 
C ) Certo 
E ) Errado 
 
20. (VUNESP/2015) 
Analise a tabela a seguir. 
 
A desigualdade de gênero relaciona-se com a estratificação social 
 
A) pelo crescimento do número de mulheres ativas no mercado de trabalho, que levou ao 
rebaixamento geral dos salários dos trabalhadores. 
B) pela ampliação da escolarização das mulheres que reduziu as disparidades salariais entre os 
empregos femininos e masculinos. 
C) pela manutenção da desvantagem da inserção produtiva das mulheres quanto ao nível de 
remuneração mesmo quando possuem o mesmo nível de escolaridade dos homens. 
D) pela ausência de legislação que garanta salário igual para trabalho igual. 
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E) pela ampliação dos salários masculinos em virtude da redução da presença feminina no 
mercado de trabalho. 
 
21. (FCC/2012 - Professor Sociologia) 
 Anthony Giddens, em seu livro Sociologia, refere-se à “segregação ocupacional dos gêneros” 
como explicação para o fato de homens e mulheres. 
A) serem alocados em atividades de acordo com a sua capacidade profissional. 
B) estarem concentrados em tipos diferentes de empregos de acordo com a compreensão do 
que seja a atividade adequada para cada sexo. 
C) ocuparem distintas profissões de acordo com as oportunidades oferecidas pelo mercado de 
trabalho. 
D) apresentarem poucas ou nenhuma diferenças significativas quanto às possibilidades de 
emprego, salário e posição na ocupação. 
 
22. (FCC/2012 - Professor Sociologia) 
Dados do IBGE mostram que, em 2009, no Brasil, as mulheres gastavam, em média, 22,0 horas 
semanais em atividades domésticas, enquanto a média entre os homens foi de 9,5 horas. Esses 
dados permitem a reflexão sobre a 
A) divisão sexual do trabalho na sociedade brasileira. 
B) separação entre trabalho produtivo e trabalho doméstico. 
C) importância do trabalho doméstico. 
D) tendência natural das mulheres para o trabalho doméstico. 
 
23. (CEBRASPE/2004 - Técnico (TERRACAP)/Especialista/Sociólogo) 
Estudos e pesquisas acerca da estrutura e das tendências de desenvolvimento das sociedades 
ocidentais altamente industrializadas mostram, de modo cada vez mais frequente, sua 
caracterização como sociedade de serviços. 
 A respeito desse tema, julgue o item subsequentes 
Uma das conseqüências da generalização do trabalho em serviços é a feminilização do mercado 
de trabalho nas cidades, que resultou na equalização dos níveis salariais de homens e mulheres. 
 
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C ) Certo 
E ) Errado 
 
24. (Com. Org. IFTO/2016/Professor Sociologia) 
Assinale a alternativa que não corresponde a uma característica do trabalho nas sociedades 
tribais. 
A) O trabalho proporciona o acúmulo de excedentes que originarão as distinções de classe. 
B) Produzem para viver para prover às festas e presentear sempre na medida do que é 
necessário. 
C) O trabalho está vinculado às demais atividades sociais como as relações de parentesco, 
religião, educação. 
D) O trabalho não está separado em uma área definida e autônoma. 
E) Caso alguma mudança diminua o tempo necessário para a obtenção dos meios de 
sobrevivência essetempo não será usado para mais produção. 
 
25. (VUNESP/2023 – Professor/Sociologia) 
 O capitalismo envolve a insulação do econômico em relação ao político contra a tela de fundo 
do trabalho e mercados de produtos competitivos. A vigilância, por sua vez, é fundamental a 
todos os tipos de organização associados à ascensão da modernidade, em particular o estado-
nação, que se entrelaça historicamente com o capitalismo em seu desenvolvimento mútuo. Da 
mesma forma, há vínculos substantivos íntimos entre as operações de vigilância dos estados-
nação e a natureza alterada do poder militar no período moderno. 
Assinale a alternativa que melhor descreve a relação mencionada no trecho fornecido. 
A) A vigilância é exclusiva dos estados-nação e não está relacionada ao desenvolvimento do 
capitalismo. 
B) O desenvolvimento do capitalismo e dos estados- -nação está intrinsecamente ligado, assim 
como a vigilância é uma característica essencial de ambos. 
C) O capitalismo e o poder militar estão separados e não têm influência um sobre o outro. 
D) A insulação do econômico em relação ao político é uma característica exclusiva dos 
mercados de produtos competitivos. 
E) O desenvolvimento econômico acima das relações políticas é uma característica exclusiva 
dos mercados de produtos competitivos. 
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26. (QUADRIX - 2017 - Professor/Sociologia) 
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, desviamo-nos dele. A cobiça 
envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito 
marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da produção veloz, 
mas nos sentimos enclausurados dentro dela. 
A máquina, que produz em grande escala, tem provocado a escassez. Nossos conhecimentos 
fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. 
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. 
Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteligência, precisamos 
de afeição e doçura! 
Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido. 
Charles Chaplin. Internet: <www.klepsidra.net> (com adaptações). 
Considerando o texto como motivação inicial, julgue o item a seguir. 
A produção de alimentos em larga escala, por causa do uso do maquinário, garante aos seres 
humanos a produção e distribuição dos alimentos de forma igualitária. 
C) Certo 
E) Errado 
 
27. (UNEB - 2012 - Analista de Processos Sociais (CERB)/Sociologia) 
Entre os diversos processos históricos que contribuíram para o nascimento da sociedade 
moderna capitalista, dois se destacam como os mais importantes no que tange às suas 
influências nos primórdios da sociologia. Esses são: 
A) A Revolução Industrial e a Revolução Francesa 
B) O Renascimento e a Expansão Comercial marítima 
C) A Revolução Americana e os movimentos de descolonização da América 
D) A Guerra dos Sete Anos e a Revolução Puritana inglesa 
E) A Comuna de Paris e a Revolução Russa. 
 
28. (CEBRASPE (CESPE) - 2011 - Professor (SEDUC AM)/Sociologia) 
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Com relação ao contexto histórico do surgimento da sociologia, julgue o item a seguir. 
Com o fim do sistema feudal, a mão de obra camponesa migrou para o ambiente de trabalho 
industrial. 
C) Certo 
E) Errado 
 
29. Instituto Consulplan - 2023 - Analista do Executivo (SEGER ES)/Ciências Sociais 
 Somos assim levados a considerar a divisão do trabalho sob um novo aspecto. Neste caso, 
com efeito, os serviços econômicos que ela proporciona são de menor monta ao lado do efeito 
moral que produz, e sua verdadeira função é criar entre duas ou mais pessoas um sentimento 
de solidariedade. 
(DURKHEIM, 2010, p. 63.) 
Considerando a divisão do trabalho e sua relação com a solidariedade proposta por Émile 
Durkheim, analise as afirmativas a seguir. 
I. A solidariedade não pode jamais existir entre outrem e nós a não ser que a imagem desse 
outrem se una a nossa. Mas quando a união resulta da semelhança de duas imagens, ela 
consiste em uma aglutinação. 
II. As grandes sociedades políticas só podem se manter em equilíbrio graças à especialização 
de tarefas que a divisão do trabalho é a fonte, senão a única, pelo menos a principal da 
solidariedade social 
III. Quanto mais solidários sejam os membros de uma sociedade, mais eles mantêm relações 
diversas, sejam uns com outros, sejam com o grupo tomado coletivamente. Porque se os seus 
contatos fossem raros, eles não dependeriam uns dos outros se não de maneira frágil e 
intermitente. 
IV. O estudo da solidariedade pertence à sociologia. É um fato social que só pode conhecer por 
meio de seus efeitos sociais. Se tantos moralistas e psicólogos puderam tratar a questão sem 
seguir esse método é porque eles contornaram a dificuldade. 
Está correto o que se afirma em 
A I, II, III e IV. 
B I e II, apenas. 
C II e III, apenas. 
D III e IV, apenas. 
E I, II e IV, apenas. 
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30. CETAP - 2023 - Técnico em Gestão de Meio Ambiente (SEMAS PA)/Ciências Sociais 
 A Função da Divisão do Trabalho em Emile Durkheim tem como pressuposto que: 
A nas sociedades modernas, em que predomina uma solidariedade orgânica, a Divisão do 
trabalho tem a função de manter o equilíbrio da sociedade, diante das diferenças existentes na 
mesma. 
B a solidariedade mecânica contribui para a função social do trabalho como objetivo de 
aproximar os diferentes. 
C nas sociedades Modernas, prevalece uma consciência moral em relação aos indivíduos e aos 
fatos sociais. 
D a função da divisão do trabalho é apenas de organizar as sociedades tradicionais. 
E a divisão do trabalho é algo específico do mundo econômico, que foi estruturado 
conceitualmente por Emile Durkheim, tendo como principal característica a 
multifuncionalidade do trabalhador. 
 
9. GABARITO 
1. C 
2. A 
3. C 
4. A 
5. B 
6. A 
7. E 
8. A 
9. E 
10. A 
11. A 
12. D 
13. D 
14. B 
15. A 
16. C 
17. E 
18. C 
19. CERTO 
20. C 
21. B 
22. A 
23. ERRADO 
24. A 
25. B 
26. ERRADO 
27. A 
28. CERTO 
29. A 
30. A 
 
 
 
 
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10. LISTA DE QUESTÕES COM COMENTÁRIOS 
1. (CESGRANRIO - 2009 - Professor de Educação Básica (SEDUC TO)/Sociologia) 
Em regimes escravocratas havia um determinado tipo de domínio e de sujeição: de um lado, o 
senhor, e de outro, o escravo. O ser humano escravizado era considerado como propriedade, 
um misto de animal com ferramenta. Os senhores se beneficiavam ao explorar uma massa de 
escravos que não possuíam direitos. No seio daquelas sociedades, aos senhores eram 
destinados todos os bens produzidos e as garantias de determinado padrão de vida, enquanto 
aos escravos restava a imposição de suas condiçõesprecárias e humilhantes de existência. 
Essas características do modo de produção escravista dizem respeito, basicamente, 
c) aos instrumentos de produção. 
d) aos meios de produção. 
c) às relações de produção. 
d) às forças produtivas. 
e) à matéria-prima. 
Comentários 
O texto aborda as características do modo de produção escravista, destacando a relação de domínio entre 
senhores e escravos, bem como a exploração desigual dos recursos produzidos. 
Vejamos cada alternativa: 
a) Incorreta porque os instrumentos de produção se referem a ferramentas e equipamentos utilizados no 
processo produtivo, enquanto o texto destaca as relações sociais de dominação no modo escravista. 
b) Incorreta porque os meios de produção compreendem recursos materiais, como terra e máquinas, não 
abordando diretamente a relação social entre senhores e escravos descrita no texto. 
c) Correta porque as relações de produção referem-se à organização social e às interações entre classes, o 
que é central para entender o modo de produção escravista conforme descrito no texto. 
d) Incorreta porque as forças produtivas incluem fatores como tecnologia e conhecimento, mas não 
capturam diretamente as relações sociais específicas do sistema escravista. 
e) Incorreta porque a matéria-prima refere-se aos recursos naturais utilizados na produção, não abordando 
a relação de domínio entre senhores e escravos destacada no texto. 
Gabarito: C 
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2. (ESAF/ 2010/ Auditor Fiscal do Trabalho) 
Atualmente estão se impondo outras formas de vida, não para o conjunto da população, mas 
sim para uma parte considerável dela. Trata-se de formas de vida similares às conhecidas pelas 
mulheres nos últimos decênios. Essas formas de vida estão feitas de trabalho a tempo parcial, 
contratos temporários, trabalhos não retribuídos e voluntários 
(Beck, Ulrich. Un nuevo mundo feliz. La precariedad del trabajo en la era de la globalización. 
Barcelona: Ediciones Paidós Ibérica, S. A., 2000, p. 102). 
Embasado nos pressupostos teóricos do texto, assinale a opção correta. 
a) Constata-se, em todo o mundo, que o aumento das formas de emprego inseguras e precárias 
é maior entre as mulheres que entre os homens. 
b) O contexto cultural e a importância do trabalho informal na Europa e na América do Sul 
podem ser considerados semelhantes. 
c) As formas de flexibilização do trabalho, no contexto da desregulação das relações laborais, 
aumentam o poder negociador dos sindicatos. 
d) No Brasil, o trabalho assalariado estável e formal constitui a experiência histórica da maioria 
da população. 
e) Na conjuntura do mercado mundial, o crescimento econômico atualiza a ideia do pleno 
emprego e a consigna em empregos permanentes. 
Comentários 
a) Correta porque se alinha à realidade observada em muitos contextos sociais, respaldada por teorias e 
estudos sobre a discriminação de gênero no ambiente de trabalho. Historicamente, as mulheres têm 
enfrentado barreiras e desigualdades no mercado de trabalho, refletidas em diversas formas de 
discriminação, como salários mais baixos em comparação com homens que desempenham funções 
equivalentes, acesso limitado a oportunidades de promoção e maior propensão a ocuparem posições de 
trabalho precárias e temporárias. 
A teoria feminista na sociologia destaca como as estruturas sociais perpetuam desigualdades de gênero, 
impactando as escolhas de carreira, as condições de trabalho e as oportunidades de ascensão profissional 
das mulheres. A discriminação de gênero, muitas vezes sutil e sistêmica, contribui para a prevalência de 
formas de emprego inseguras e precárias entre as mulheres. A flexibilização do trabalho, nesse contexto, 
pode ser uma estratégia que perpetua a desigualdade de gênero, oferecendo menos estabilidade e 
segurança às trabalhadoras. 
b) Incorreta porque o contexto cultural e a importância do trabalho informal são construtos complexos, 
influenciados por fatores históricos, políticos e sociais únicos a cada região. Generalizar a semelhança entre 
a Europa e a América do Sul sem considerar essas nuances é uma simplificação excessiva. 
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c) Incorreta porque a desregulação das relações laborais e as formas de flexibilização do trabalho nem 
sempre resultam no aumento do poder negociador dos sindicatos. Em muitos casos, essas mudanças podem 
enfraquecer a posição dos trabalhadores, diminuindo a capacidade de negociação sindical. 
d) Incorreta porque a experiência histórica do trabalho assalariado estável e formal não é universal, e no 
contexto brasileiro, há uma diversidade de formas de emprego ao longo do tempo. Generalizar que a 
estabilidade e a formalidade foram predominantes ignora nuances históricas e sociais. 
e) Incorreta porque a ideia de pleno emprego e empregos permanentes na conjuntura do mercado mundial 
enfrenta desafios diante da crescente globalização e automação. A natureza dinâmica e volátil do mercado 
de trabalho contemporâneo desafia a concepção tradicional de empregos permanentes para todos. 
Gabarito: A 
3. (ESAF/2003/Auditor Fiscal do Trabalho) 
 A partir do conteúdo do texto abaixo considerar a incoerência de uma das opções que dele se 
deduz 
 A divisão sexual do trabalho é a separação e distribuição das atividades de produção e 
reprodução social de acordo com o sexo dos indivíduos. É uma das formas mais simples e, 
também, mais recorrentes de divisão social do trabalho. Qualquer sociedade tem definidas, 
com mais ou menos rigidez e exclusividade, esferas de atividades que comportam trabalhos e 
tarefas considerados apropriados para um ou outro sexo. 
(Holzmann da Silva, 1999) 
a) A esfera feminina situa-se no âmbito doméstico privado, da produção de valores de uso para 
o consumo do grupo familiar, da reprodução da espécie e do cuidado das crianças, dos velhos 
e dos incapazes. 
b) As atividades de produção social e de direção da sociedade, desempenhadas no espaço 
público, são atribuições masculinas. 
c) A distinção entre trabalho de homens e de mulheres expressa atributos e capacidades inatas 
aos indivíduos, diferentes em homens e em mulheres. 
d) Os estereótipos de ser homem e de ser mulher sustentam e legitimam a divisão sexual do 
trabalho. 
e) As mulheres são mais vulneráveis à repressão da organização do processo de trabalho 
taylorista. 
Comentários 
O texto discute a divisão sexual do trabalho, destacando a separação e distribuição das atividades de 
produção e reprodução social de acordo com o sexo dos indivíduos. No comando, podemos afirmar que o 
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que está incoerente é o que está errado segundo o próprio texto. Isso torna a questão péssima. Mas vamos 
treinar no "ambiente desconfortável da questão". 
Segundo a teoria social da divisão sexual do trabalho, sabemos que apesar de ser uma divisão simples não 
é definida por o que cada sexo é de maneira natural, mas sim pela expectativa social sobre os gêneros. Ou 
seja, a sociedade cria estereótipos do que é ser homem ou mulher na sociedade e a partir disso fazuma 
divisão social que historicamente associou à mulher a esfera da reprodução (esfera provada) e ao homem 
a esfera da produção (esfera pública). 
Considerando a teoria, a única alternativa correta é a D Os estereótipos de ser homem e de ser mulher 
sustentam e legitimam a divisão sexual do trabalho. Todas as demais alternativas estão incorretas. 
Já, se nos limitados à leitura do texto, em alguma medida, todas são incoerentes em relação ao texto teremos 
o seguinte: 
a) Incorreta porque o texto não sugere que a esfera feminina se situa exclusivamente no âmbito doméstico 
privado. Ele menciona que existem esferas de atividades definidas para cada sexo, mas não limita a esfera 
feminina apenas ao espaço doméstico. (mas sabemos que isso existe na realidade histórica) 
b) Incorreta porque o texto não afirma que as atividades de produção social e de direção da sociedade são 
exclusivamente atribuições masculinas. Ele destaca que há esferas de atividades definidas para cada sexo, 
mas não limita as atividades de direção da sociedade apenas aos homens. (mas sabemos que isso existe na 
realidade histórica). 
c) Incorreta porque o texto não sustenta a ideia de que as diferenças na divisão sexual do trabalho são 
baseadas em atributos e capacidades inatas. Pelo contrário, ele destaca a influência da sociedade na 
definição das esferas de atividades para cada sexo. Assim, a divisão sexual do trabalho é um fenômeno social 
e não biológico. 
d) Incorreta porque o texto não discute diretamente os estereótipos de ser homem ou mulher como 
sustentação ou legitimação da divisão sexual do trabalho. (mas sabemos que isso existe na realidade 
histórica). 
e) Incorreta porque o texto não aborda especificamente a vulnerabilidade das mulheres à repressão da 
organização do processo de trabalho taylorista. 
A banca deu item C como gabarito. Minha interpretação: 
O aluno tinha que entender que o argumento central do texto que está afirmando existir uma regra social 
básica para a divisão do trabalho. Isso ao longo do tempo associou o trabalho feminino e masculino a 
determinados funções e espaços trabalho feminino-reprodução-privado e masculino-produção-público. 
Logo a única alternativa que traz alguma noção sobre aspecto biológico e inato é alternativa C, ao afirmar 
distinção entre trabalho de homens e de mulheres expressa atributos e capacidades inatas aos indivíduos. 
Gabarito: C 
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4. (ESAF/1998/Auditor Fiscal do Trabalho) 
 A reflexão abaixo permite vários desdobramentos sobre a "divisão sexual do trabalho". Uma 
das apresentadas é falsa; assinale-a. 
"A divisão sexual do trabalho, um fato persistente na história humana, foi muitas vezes tratado 
como um fenômeno invariável no tempo. Contrariando esta tendência, abordagens mais 
amplas passaram a sublinhar o caráter específico da subordinação por sexo entendido como 
assimetria nas relações de gênero. Desse modo pretendiam salientar o caráter socialmente 
constituído destas diferenças, enfatizando as dimensões sociais e culturais da subordinação." 
(Bandeira, 1997) 
a) Do ponto de vista internacional, historicamente as políticas sociais foram dirigidas a fixar a 
mão-de-obra feminina no âmbito familiar, reforçando desta forma a menor presença da mulher 
no mercado de trabalho, devido à divisão sexual do trabalho. 
b) A assertiva segundo a qual no Brasil o "trabalho tem um sexo" mostra o quanto a legislação 
trabalhista tem dificuldade em incorporar a especificidade de gênero na questão da equidade. 
c) Mesmo nas camadas de renda mais desfavorecidas, o trabalho feminino é submetido a uma 
maior precarização, pois nestas a mulher é vista com ressalvas pelos empregadores devido à 
sua própria condição de mulher. 
d) Do pondo de vista histórico, o processo de diferenciação entre os sexos, em termos de 
relações de hierarquia e subordinação, aprofundam-se com as complexidades crescentes da 
sociedade capitalista, com sua especialização e com o aumento da produtividade. 
e) A generalização de uma divisão do trabalho sexualmente ordenada estaria baseada no 
controle exercido sobre o trabalho da mulher e dos filhos, construído como base no poder 
masculino. 
Comentários 
O texto discute a divisão sexual do trabalho, enfatizando a necessidade de compreendê-la como um 
fenômeno socialmente construído. 
a) Gabarito. Incorreta porque a afirmação de que as políticas sociais historicamente foram dirigidas para fixar 
a mão-de-obra feminina no âmbito familiar não reflete a compreensão atual da divisão sexual do trabalho e 
nem das políticas de combate à discriminação de gênero. Lembremos algumas: 
 Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW): 
Adotada em 1979, a CEDAW é um tratado internacional que estabelece os direitos das mulheres e 
define a discriminação contra as mulheres. Muitos países ratificaram este tratado, comprometendo-
se a tomar medidas para eliminar a discriminação de gênero. 
 Plataforma de Ação de Pequim: Resultante da Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres em 
1995, esta plataforma aborda questões críticas relacionadas aos direitos das mulheres, incluindo 
empoderamento econômico, acesso à educação e participação igualitária em todas as esferas da vida. 
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 Convenção sobre Trabalho Decente para as Trabalhadoras e os Trabalhadores Domésticos 
(Convenção 189): Embora seja uma iniciativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a OIT 
faz parte do Sistema das Nações Unidas. Esta convenção destaca os direitos das trabalhadoras 
domésticas, reconhecendo a necessidade de proteção contra a discriminação e o tratamento injusto. 
b) Correta porque a assertiva sobre a dificuldade da legislação trabalhista brasileira em incorporar a 
especificidade de gênero na questão da equidade está alinhada com as teorias de gênero, que destacam os 
desafios em garantir a igualdade no ambiente de trabalho. A legislação frequentemente enfrenta obstáculos 
na incorporação de medidas efetivas para combater a discriminação de gênero. Vamos pensar na questão 
da licença maternidade e paternidade. Embora o Brasil tenha políticas de licença maternidade, a licença 
paternidade é muito menor que a da mulher e relativamente curta em comparação com alguns países. Isso 
pode refletir desafios em reconhecer e incentivar uma distribuição mais equitativa das responsabilidades 
parentais entre homens e mulheres e uma estigmatização sobre o trabalho da mulher. 
c) Correta porque a submissão do trabalho feminino a uma maior precarização, mesmo em camadas de renda 
mais desfavorecidas, reflete a realidade observada. Teorias econômicas, como a teoria do capital humano, 
destacam como estereótipos de gênero afetam as oportunidades de emprego e as condições de trabalho, 
resultando na precarização do trabalho feminino. Apesar de mal escrita, é uma questão que trouxe a relação 
entre gênero e classe na combinação de dupla desvantagens. 
d) Correta porque a ideia de que o processo de diferenciação entre os sexos aprofunda-se com as 
complexidades crescentes da sociedade capitalista está em linha com análises sociológicas que exploram as 
interações entre o sistema capitalista e as relações de gênero. A especialização e aumento da produtividade 
frequentemente acentuam as disparidades de gênero no mercado de trabalho. Um bom exemplo,é o setor 
de tecnologia, ocupado majoritariamente por pessoas dos sexo masculino. Estamos falando de desigualdade 
de gênero na área tecnológica. 
e) Correta porque a generalização de uma divisão do trabalho sexualmente ordenada baseada no controle 
exercido sobre o trabalho da mulher e dos filhos está em conformidade com teorias de gênero que destacam 
como as estruturas patriarcais perpetuam a subordinação das mulheres. A ideia de controle sobre o trabalho 
feminino remonta às análises feministas sobre o poder e a exploração de gênero. 
Gabarito: A 
5. (FGV - 2023 - SEDUC-TO - Professor da Educação Básica - Professor Regente - Sociologia) 
A categoria trabalho foi pensada por diversos autores 
(I) como valor; (II) como racionalidade capitalista; ou (III) como elemento de interação do 
indivíduo na sociedade em suas dimensões tanto corporativa como de integração social. 
Adaptado de BNCC Ensino Médio, p 556, in: http://basenacionalcomum.mec.gov.br 
O trecho se refere, de I a III, às concepções de trabalho de 
(A) Adam Smith – David Ricardo – Vilfredo Pareto. 
(B) Karl Marx - Max Weber - Émile Durkheim. 
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(C) David Ricardo – Jeremy Bentham – Karl Marx. 
(D) Thomas Malthus – John Rawls – Max Weber. 
(E) Max Weber – John Stuart Mill – David Ricardo. 
Comentários 
A questão aborda as concepções de trabalho de três autores clássicos da sociologia: Karl Marx, Max Weber 
e Émile Durkheim. 
(A) Incorreta: 
- Para Adam Smith o trabalho era fonte de riqueza. 
- Para Davi Ricardo o trabalho era fonte de lucro. 
- Para Vilfredo Pareto o trabalho é um meio de integração social, pois é por meio dele que os indivíduos se 
relacionam uns com os outros e se integram à sociedade. 
(B) Karl Marx - Max Weber - Émile Durkheim 
Karl Marx abordou o trabalho como valor, na medida em que ele é a fonte de toda a riqueza. Para Marx, o 
trabalho é a atividade fundamental do homem, pois é por meio dele que o homem transforma a natureza e 
cria a sua própria existência. O trabalho é também uma fonte de exploração, pois o trabalhador é 
expropriado do valor de seu trabalho pelo capitalista. 
Max Weber abordou o trabalho como racionalidade capitalista, na medida em que ele é baseado na 
eficiência e na lógica. Para Weber, o capitalismo é um sistema racional, que se baseia na eficiência e na busca 
do lucro. O trabalho é um elemento fundamental do capitalismo, pois é por meio dele que o capital é 
acumulado. 
Émile Durkheim abordou o trabalho como elemento de interação do indivíduo na sociedade, na medida em 
que ele é um meio de integração social. Para Durkheim, o trabalho é uma das principais formas de interação 
social, pois é por meio dele que os indivíduos se relacionam uns com os outros e se integram à sociedade. 
(C) David Ricardo – Jeremy Bentham – Karl Marx 
- David Ricardo não abordou o trabalho como valor, mas sim como fonte de lucro. 
- Jeremy Bentham não abordou o trabalho como racionalidade capitalista, mas sim como uma atividade que 
deve ser maximizada. 
- Karl Marx abordou o trabalho como elemento de interação do indivíduo na sociedade, na medida em que 
ele é um meio de exploração. 
(D) Thomas Malthus – John Rawls – Max Weber 
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- Thomas Malthus não abordou o trabalho como valor, mas sim como um fator que limita o crescimento 
populacional. 
- John Rawls não abordou o trabalho como racionalidade capitalista, mas sim como um meio de justiça social. 
- Max Weber abordou o trabalho como racionalidade capitalista, mas não como um elemento de interação 
do indivíduo na sociedade. 
(E) Max Weber – John Stuart Mill – David Ricardo 
- Max Weber não abordou o trabalho como valor, mas sim como racionalidade capitalista. 
- John Stuart Mill não abordou o trabalho como racionalidade capitalista, mas sim como uma atividade que 
deve ser livre e responsável. 
- David Ricardo não abordou o trabalho como elemento de interação do indivíduo na sociedade, mas sim 
como uma fonte de lucro. 
Gabarito: B. 
6. (CETREDE - 2019 - Sociólogo (Pref Juazeiro do N) 
I. O mundo moderno é resultado de um processo de diferenciação social, em que o ponto de 
partida da evolução social seriam as sociedades regidas pela solidariedade mecânica e seu 
ponto de chegada, as sociedades caracterizadas pela solidariedade orgânica. 
II. O que distingue cada um dos momentos da evolução da sociedade são os mecanismos que 
geram a solidariedade social: a consciência coletiva e a divisão do trabalho social. 
III. A solidariedade mecânica e a solidariedade orgânica são diferentes estratégias de 
integração dos indivíduos nos grupos ou nas instituições sociais. 
IV. Na solidariedade orgânica, a regulação moral das condutas sociais decorre das normas 
contidas na consciência coletiva. 
V. Na solidariedade mecânica, a moralidade social emana da própria divisão do trabalho, na 
medida em que ele valoriza a contribuição de cada indivíduo no processo de cooperação social. 
Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS. 
a) I – II – III. 
b) II – III – IV. 
c) I – II – III – V. 
d) I – III – IV. 
e) I – II – III – IV – V. 
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Comentários 
Vamos comentar os itens para chegar ao gabarito. 
I - note que a afirmação mobiliza os conceitos da perspectiva de Émile Durkheim. Dessa forma, conforme os 
conceitos de divisão social do trabalho, solidariedade mecânica e solidariedade orgânica, a afirmação está 
correta. 
II - a afirmação reflete a perspectiva durkheimiana de que a transição entre diferentes estágios de 
desenvolvimento social é marcada por mudanças nos mecanismos que geram a solidariedade social, 
passando da consciência coletiva predominante em sociedades tradicionais para a divisão do trabalho social 
predominante em sociedades modernas. 
Segundo Durkheim, a solidariedade social é a força que mantém os indivíduos unidos em uma sociedade. Ele 
identifica dois tipos principais de solidariedade, cada um associado a diferentes estágios de desenvolvimento 
social: 
Consciência Coletiva: 
Nas sociedades tradicionais e pré-modernas, a solidariedade é mantida principalmente pela consciência 
coletiva. A consciência coletiva representa as crenças, valores, normas e símbolos compartilhados por 
membros de uma sociedade. A coesão social nessas sociedades é baseada na semelhança e na 
homogeneidade cultural, onde os indivíduos têm um conjunto comum de crenças e práticas. 
Divisão do Trabalho Social: 
À medida que as sociedades evoluem, Durkheim argumenta que a solidariedade se transforma de uma base 
de consciência coletiva para uma base na divisão do trabalho social. Nas sociedades modernas e 
industrializadas, a interdependência econômica e funcional entre os indivíduos torna-se mais proeminente. 
A solidariedade agora é sustentada pela especialização ocupacional e pela interação complexa entre 
diferentes funções sociais. 
III - Correto, também segundo a perspectiva de Durkheim. Veja: 
Solidariedade Mecânica: 
Refere-se à forma de integração social predominante em sociedadestradicionais e pré-modernas. Nesses 
contextos, a coesão social é baseada na semelhança e na homogeneidade cultural. Os indivíduos 
compartilham crenças, valores e normas comuns, resultando em uma consciência coletiva forte. A 
solidariedade mecânica é observada em sociedades onde a divisão do trabalho é mínima, e os membros têm 
papéis sociais semelhantes. 
Solidariedade Orgânica: 
Por outro lado, a solidariedade orgânica é característica das sociedades modernas e industrializadas. Essa 
forma de integração social é baseada na interdependência funcional e na especialização ocupacional. À 
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medida que as sociedades evoluem, a divisão do trabalho torna-se mais complexa, e os indivíduos dependem 
uns dos outros para a realização de tarefas específicas. A solidariedade orgânica resulta da interconexão e 
complementaridade das funções sociais especializadas. 
Portanto, a distinção entre solidariedade mecânica e orgânica está enraizada na natureza das relações sociais 
e nos mecanismos que mantêm a coesão em diferentes tipos de sociedades ao longo do desenvolvimento 
social. Essa concepção é fundamental para a compreensão da teoria sociológica de Durkheim sobre a 
evolução das formas de solidariedade nas sociedades. 
IV - falso, pois isso é uma característica da solidariedade mecânica. 
V - falso, pois isso é uma característica da solidariedade orgânica. 
Gabarito: A 
7. (Com. Org. (IFSP)/2015/Sociologia) 
Acerca da relação entre divisão do trabalho e produtividade do trabalho para Adam Smith é 
correto afirmar que: 
I. a produtividade do trabalhador aumenta se ele puder se dedicar a um número pequeno de 
operações. 
II. quanto menor for o número de operações executadas por cada trabalhador, menor será o 
tempo perdido a passagem de uma operação a outra. 
III. a aptidão e talento dos homens para determinadas operações é uma característica natural 
de cada um. 
IV. é importante que os homens desenvolvam o maior número de aptidões possíveis, se 
tornando assim trabalhadores polivalentes. 
Está(ão) correta(s) apena(s) a(s) alternativa(s): 
a) I e IV. 
b) I e III. 
c) II e III. 
d) IV. 
e) I e II. 
Comentários 
I - correto, pois, segundo os estudos de Adam Smith na fábrica de alfinetes, a especialização das atividades 
do trabalhador aumentaria a produtividade. 
II - correto, pois a eficiência e produtividade aumentariam conforme o processo de especialização. 
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III - errado, pois a divisão do trabalho poderia condicionar a tarefa dos indivíduos a partir de característica 
própria dos seres humanas que é a racionalidade e a ação comunicativa, ambas permeadas pela liberdade 
do ser. 
IV - Falsa afirmação. Adam Smith enfatizava a especialização e a divisão do trabalho como meios de aumentar 
a eficiência. Ele não abordava a importância de os trabalhadores desenvolverem o maior número possível 
de aptidões, mas sim de se especializarem em tarefas específicas. 
Gabarito: E 
8. (Com. Org. (IFSP)/2015/Sociologia) 
O livro A Riqueza das Nações, de Adam Smith, escrito em 1776, no contexto da Primeira 
Revolução Industrial, desenvolve uma análise do surgimento do capitalismo industrial e foi 
considerado o primeiro estudo científico do capitalismo, dando origem a uma escola do 
pensamento econômico, conhecida como Escola Clássica. Adam Smith tinha como 
preocupação saber qual era a causa da riqueza da nação, de grupos e de pessoas individuais. 
Entre estas, qual alternativa responde à sua pergunta? 
a) Para Adam Smith o principal fator era o trabalho produtivo especializado, porque ele diminui 
os tempos ociosos, evitando que o trabalhador perca tempo, mudando de atividade, aumenta 
a destreza do trabalhador e incentiva a sua capacidade inventiva. 
b) O economista inglês foi responsável pela transferência do centro de análise do âmbito do 
comércio para o da produção, sustentando que somente a terra, ou a natureza é capaz de 
realmente produzir algo novo (só a terra multiplica um grão de trigo em muitos outros grãos), 
portanto, a terra é a única fonte de riqueza. 
c) Adam Smith defendia a ideia de que o Estado deveria incrementar o bem-estar nacional, 
mesmo que em detrimento de seus vizinhos e colônias, pois, a riqueza da nação era constituída, 
essencialmente, pela moeda, o Estado deveria desenvolver mecanismos para obtê-la. 
d) O principal fator capaz de promover a riqueza da nação era a balança comercial favorável, 
na medida em que as importações de um país fossem menores do que suas exportações 
haveria uma entrada líquida de moedas, aumentando o seu volume e, consequentemente, a 
riqueza da nação. 
e) Adam Smith defendia a tese de que o investimento em tecnologia seria o fator principal para 
o acúmulo de riqueza, na medida em que ela possibilita o aumento da produtividade numa 
jornada de trabalho menor e, gradativamente, substitui a força humana de trabalho pela 
máquina. 
Comentários 
A) Correto, pois, conforme a teoria da divisão do trabalho de Adam Smith, que considera o trabalho 
produtivo especializado como um fator crucial para o aumento da eficiência e, consequentemente, para a 
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geração de riqueza, a especialização do trabalho, de acordo com Smith, reduz os tempos ociosos, aprimora 
as habilidades dos trabalhadores e estimula a inovação. 
B) Errado. Embora Adam Smith reconheça a importância da produção e da terra na criação de riqueza, sua 
ênfase está na divisão do trabalho e no trabalho produtivo especializado como principais motores do 
crescimento econômico. Não limita a fonte de riqueza apenas à terra. 
C) Errado. Adam Smith não advogava por políticas que sacrificassem vizinhos ou colônias em prol do bem-
estar nacional. Sua visão estava mais alinhada a políticas que promovessem a liberdade econômica e a não 
interferência do Estado nos mercados. Além disso, Smith não limitou a riqueza da nação à moeda. 
D) Errado. Embora Adam Smith reconheça a importância da balança comercial, ele não a considera o único 
fator determinante da riqueza da nação. Sua ênfase está na produção, na divisão do trabalho e na 
especialização. 
E) Falsa afirmação. Embora Smith reconhecesse a importância da tecnologia, sua principal ênfase estava na 
divisão do trabalho como fator crucial para a eficiência produtiva e a criação de riqueza. 
Gabarito: A 
9. (Inédita/Profe. Alê Lopes) 
A disparidade salarial entre homens e mulheres é mostrada em uma pesquisa realizada pelo 
Banco Nacional de Empregos (BNE) em seu sistema de vagas. A maior diferença salarial pode 
ser verificada em 20 funções, que têm índices superiores à taxa de 20% – pesquisa da 
consultoria IDados, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, mostra 
que as mulheres ganham em média 20,5% a menos que os homens no Brasil. Essa diferença 
segue em patamar elevado mesmo quando se compara trabalhadores do mesmo perfil de 
escolaridade e idade e na mesma categoria de ocupação. De acordo com o BNE, a maior 
diferença se encontra na área de tecnologia: para desenvolvedorfront-end, a variação entre 
os salários em favor dos homens foi de 63,2%. Nessa lista há cargos de liderança, como gerentes 
e supervisores, e também funções como auxiliares e analistas. De acordo com o BNE, "isso 
demonstra que a desigualdade afeta as mulheres em todos os níveis hierárquicos e em diversos 
segmentos, dada a variedade de áreas listadas" 
(G1. Abr/2022) 
A pesquisa realizada evidencia 
a) um contexto de equiparação de gênero. 
b) o aumento do desemprego. 
c) a crescente desigualdade e concentração de renda. 
d) a desconfiança em relação a dados do mercado de trabalho. 
e) um cenário de subjugação de gênero no mercado de trabalho. 
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Comentários 
a) errado, pois os dados apresentados indicam um contexto de desigualdade de gênero. As mulheres 
recebem salários menores e possuem menos espaços que homens em cargos de liderança. 
b) falso, pois só pelos dados apresentados no texto do enunciado não é possível chegar a essa conclusão. 
c) falso, pois o texto aborda, sim, desigualdades, porém, as que se referem à maior ou menor inserção das 
mulheres no mercado de trabalho, segundo as variáveis salário e hierarquia dos postos de liderança. 
d) falso, pois a pesquisa é feita justamente para desvendar a realidade do mercado de trabalho, com o 
objetivo de gerar dados mais confiáveis. 
e) correto, pois há uma contexto estrutural em que mulheres ganham menos e têm menos acesso a postos 
de liderança, o que reafirma a sociedade machista em que vivemos. 
Gabarito: E 
10. (Inédita/Profe. Alê Lopes) 
“Útil é um liquidificador, útil é uma enceradeira, um aspirador de pó é útil, um carro, uma 
máquina de lavar roupa... A Vida não. A vida é fruição, é um maravilhamento, é uma benção de 
estar existindo no meio de uma multidão de seres que não só os nós, os humanos. Talvez o 
equívoco, o erro da história foi a gente ter se descolado da vida em geral e criado uma abstração 
de nós, seres humanos. 
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. Trecho da palestra no encerramento do Clube do Livro sobre 
literatura indígena. Sesc Vila mariana, São Paulo, 2022. 
O texto acima revela o processo de 
a)coisificação do ser humano 
b)alienação da natureza 
c) separação do homem do seu habitat natural, a selva. 
d)mecanização da vida 
e)a especialização do processo produtivo 
Comentários 
O texto faz uma clara distinção entre as mercadorias e a vida humana. As mercadorias são úteis na medida 
em que resolvem e facilitam tarefas – ajuda a lavar roupa ou triturar comidas. Já a vida é essencialmente 
natural : o homem e todo o meio ambiente. Essa é a relação essencial que dá sentido à vida: essa capacidade 
de que os seres humanos têm de se conectar com a natureza. 
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Mas o texto fala que, assim como criamos coisas, criamos também uma outra ideia do que somos, uma 
abstração diferente da nossa essência. Esse processo de nos aproximarmos de coisas, ao atribuirmos 
utilidade à vida e às pessoas é um processo de transformar o ser humano em coisa, em mercadoria. Assim, 
temos o processo de coisificação do ser humano. Gabarito letra A. 
Vejamos os erros das demais: 
a) Gabarito, conforme comentário anterior. 
b) Errado. A alienação é do homem em relação à natureza e não da natureza. 
c) Errado. A selva não é todo habitat natural do homem. Além disso, o habitat muda, essa não é a 
questão. O problema posto é a relação do homem com as coisas e consigo mesmo. 
d) Errado. É a coisificação da vida que, não necessariamente, é fruto da mecanização. 
e) Errado. Não é sobre esse tema o texto. 
Gabarito: A 
11. (Inédita/profe. Alê Lopes) 
A sociologia surgiu, na primeira metade do século XIX, sob o impacto da Revolução Industrial e 
da Revolução Francesa. As transformações econômicas, políticas e culturais suscitadas por 
esses acontecimentos criaram a impressão generalizada de que a Europa vivia o alvorecer de 
uma nova sociedade. 
MUSSI, Ricardo. Apontamentos sobre o nascimento da sociologia. Blog Boitempo, 23/11/2012. 
Sobre o surgimento da Sociologia está correta a seguinte afirmação: 
a) A Sociologia surgiu como uma resposta à crise social e política do século XVIII, buscando 
compreender a sociedade de forma científica. 
b) A Sociologia é resultado dos estudos sobre o modo de produção desenvolvido no Canadá, a 
partir de uma perspectiva revolucionária do positivismo, mesclado com teorias do Estado de 
Bem-estar Social. 
c) A ideia de desenvolvimento pela revolução social foi defendida pelo Absolutismo, que 
influenciou o Positivismo. 
d) Os limites e as contradições do progresso para a liberdade humana foram apontados pelo 
Iluminismo e aceitos pelo Positivismo. 
e) Somente no século XXI é que podemos falar em surgimento, de fato, da Sociologia. 
Comentários 
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==63fc==
 
 
 
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a) A alternativa é a resposta correta. A Sociologia surgiu como uma disciplina acadêmica no século XIX, como 
uma resposta à crise social e política do século XVIII, buscando compreender a sociedade de forma científica. 
O surgimento da Sociologia teve como principais influências o Iluminismo e o Positivismo, que buscavam 
uma compreensão objetiva da sociedade e das relações sociais. 
b) falso, o pensador sociológico que estuda o modo de produção asiático é Karl Marx. Sabemos que o 
marxismo, embora remonte temporalmente ao surgimento da sociologia, não é a vertente que fundou a 
sociologia enquanto Ciência, mas sim o positivismo. Além disso, a relação é inversa: foram os estudos sobre 
o modo de produção asiático que contribuíram para o aprimoramento da sociologia, na medida em que Marx 
é anterior à consolidação da sociologia. 
c) falso, pois o correto seria Iluminismo, pois o pensamento Iluminista caracterizou-se, entre outros aspectos, 
pela defesa da razão como “meio”, sendo que a partir da racionalidade seria possível explicar os diferentes 
fenômenos da realidade, com vistas ao progresso da sociedade. Essas ideias foram compartilhadas pelo 
Positivismo, corrente formadora da Sociologia. Com efeito, ressalta-se que a ideia de Revolução aqui pode 
ter dois sentidos: um, direcionado a mudanças sociais mais profundas, no sentido da Revolução Francesa; 
outro, a partir da concepção filosófico-positivista, isto é, como revolução de pensamento e de mudanças 
gradualmente evolutivas na sociedade, ou seja, revolução no sentido de evolução. 
d) falso. Incorreta, pois o Positivismo surgiu no contexto do século XIX, período durante o qual a crença no 
progresso era hegemônica no pensamento social. Desse modo, o Positivismo adotou a noção positiva de 
progresso como um dos centros normativos de seu pensamento. Nesse sentido, o progresso seria elemento 
de harmonização da ordem social. 
e) falso, pois é no século XIX, já com a consolidação do sistema capitalista na Europa, que se encontra a 
herança intelectual mais próxima da Sociologia como ciência específica. 
Gabarito: A 
12. (Inédita/Profe. Alê Lopes) 
 
(BERTAZZI, Galvão. “Vida Besta”. Folha de São Paulo, 13/09/2023. Disponívelem: < https://cartum.folha.uol.com.br>. 
Acessado em 13/09/2023) 
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A tirinha acima traz diversas críticas sociais. Uma delas pode ser associada à ideia da vida 
urbana como uma vida extremamente complexa que, nas palavras de Émile Durkheim, tornaria 
a sociabilidade contemporânea uma sociabilidade pautada pela 
a) solidariedade mecânica. 
b) submissão ao fato social. 
c) opção pelo suicídio. 
d) solidariedade orgânica. 
e) solidariedade sociológica. 
Comentários 
A sociologia, desde suas origens, buscou entender as dinâmicas e transformações da vida em sociedade. 
Émile Durkheim, um de seus pioneiros, desenvolveu conceitos fundamentais para analisar a coesão e 
integração social em diferentes contextos históricos e sociais. A menção à "Vida Besta" na tirinha sugere um 
olhar crítico sobre a vida urbana contemporânea, refletindo sobre como os indivíduos se relacionam e se 
integram em ambientes caracterizados por sua complexidade e dinâmica acelerada. 
a) Incorreto. Este tipo de solidariedade é característico de sociedades mais simples e tradicionais, onde há 
uma forte coesão baseada em semelhanças e compartilhamento de valores e crenças comuns entre os 
membros. Em um contexto urbano e complexo, essa solidariedade é menos provável, tornando esta opção 
menos adequada para a interpretação da tirinha. 
b) Incorreto. O "fato social" é um conceito central na obra de Durkheim, referindo-se a maneiras coletivas 
de pensar, sentir e agir que são externas ao indivíduo e exercem uma pressão sobre ele. Embora a vida na 
cidade possa ser vista sob a lente da submissão aos fatos sociais, esta alternativa não aborda diretamente a 
natureza da solidariedade ou coesão social. 
c) Incorreto. Durkheim escreveu extensivamente sobre o suicídio, examinando suas causas sociais e como 
certos fatores, como a falta de integração ou regulamentação, poderiam aumentar sua incidência. No 
entanto, relacionar diretamente a vida urbana à "opção pelo suicídio" é uma leitura reducionista e não 
aborda diretamente a natureza da coesão ou solidariedade social. 
d) Correto. Esta é a solidariedade típica de sociedades complexas, como as urbanas, onde a interdependência 
entre as partes (assim como os órgãos de um corpo) é o que mantém a coesão social. Em tais sociedades, a 
diferenciação e a especialização são fundamentais, e os indivíduos se integram não por semelhanças, mas 
por suas diferenças complementares. Esta alternativa parece ser a mais alinhada com a crítica apresentada 
na tirinha. 
e) Incorreto. Durkheim não utilizou o termo "solidariedade sociológica" em sua obra. Parece ser uma 
tentativa de confundir ou distrair o leitor com uma terminologia que soa técnica, mas não tem relevância 
direta para a questão. 
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Dada a descrição da tirinha e o contexto da vida urbana contemporânea, a opção "d) solidariedade orgânica" 
parece ser a mais adequada para descrever a natureza da sociabilidade em ambientes urbanos complexos 
conforme interpretado através das lentes de Émile Durkheim. 
Gabarito: D 
13. (Inédita/Profe. Alê Lopes) 
A Rede Mulheres Produtoras do Pajeú nasceu em 2005, quando a Casa Mulher do Nordeste, 
organização feminista do sertão pernambucano fundada na década de 1980, convidou algumas 
mulheres produtoras para o Festival de Economia Popular e Solidária do Pajeú. A educadora 
social Elizabete Ferreira foi uma delas. Está na associação desde o início e é parte integrante do 
grupo Guerreiras Pernambucanas, que trabalha com agricultura e a produção de sabonetes 
líquidos de aroeira. A ideia principal era a de criar uma rede de apoio e de formação política e 
agroecológica para poder diminuir o isolamento entre mulheres do sertão, além de ser um 
movimento que olha com mais atenção para questões de gênero na região, principalmente 
para casos de violência doméstica. Assim, a Rede se estabelece com base em três pilares: 
agroecologia, feminismo e economia solidária. 
(UOL. Feministas do sertão: quintais de agricultoras viram armas de transformação. 
06/04/2021. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-
noticias/2021/04/06/feministas-do-sertao-quintais-de-agricultoras-viram-armas-de-
transformacao.htm. Acesso em: 08/04/2021) 
De acordo com o texto, a ação do movimento em questão 
a) forma lideranças para disputar cargos eletivos em municípios rurais. 
b) formaliza mulheres no mercado de trabalho e as transforma em operárias. 
c) objetiva aumentar o ganho de escala lucrativo por meio do trabalho doméstico. 
d) utiliza os quintais produtivos como uma estratégia de empoderamento feminino. 
Comentários 
a) falso, pois, por mais que o movimento acabe fortalecendo a liderança feminina na sociedade, por meio do 
nome desse movimento social, fica claro que não se trata de um objetivo focado na política institucional. 
Pelo contrário, o movimento busca gerar renda e diminuir situações de violência sobre as mulheres a partir 
de ações no âmbito da sociedade civil. 
b) errado, não se trata de uma relação de emprego em que, de um lado, há patrões e, do outro, 
trabalhadoras. Veja que o pilar da economia solidária remete a um tipo de organização entre cooperados 
(cooperativas). 
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c) falso, pois os pilares do movimento fortalecem a geração de riqueza para as próprias mulheres, para o 
coletivo de uma forma geral, sem que haja a figura de um patrão exercendo uma relação de exploração do 
trabalho. 
d) correto. Veja que interessante essa estratégia do movimento, utilizar algo privado, um espaço que, para 
muitas mulheres, é um refúgio contra as distintas opressões da sociedade machista. O refúgio do lar, quando 
livre de opressão masculina e da violência doméstica pode desenvolver um potencial nas mulheres e, neste 
caso, contribuir para a geração de renda e qualidade de vida. 
Gabarito: D 
14. (FGV 2019) 
Atualmente, a economia sob demanda está alterando de maneira fundamental nossa relação 
com o trabalho e com o tecido social no qual ela está inserida. Mais empregadores estão 
usando a “nuvem humana” para as coisas serem feitas. As atividades profissionais são 
separadas em atribuições e projetos distintos; em seguida, elas são lançadas em uma nuvem 
virtual de potenciais trabalhadores, localizados em qualquer lugar do mundo. 
Klaus Schwab. A quarta revolução industrial. São Paulo: Edipro, 2016. 
Sobre as relações de trabalho na economia sob demanda, assinale a afirmativa incorreta. 
 a) Os prestadores de serviço não são mais empregados no sentido tradicional, mas 
trabalhadores independentes que realizam tarefas específicas. 
 b) Os trabalhadores independentes realizam suas tarefas em casa, o que permite a 
administração do próprio tempo, menor estresse e maior controle da cadeia produtiva. 
 c) Uma parte da força de trabalho, para gerar renda, pode ser, ao mesmo tempo, motorista da 
Uber, locador da Airbnb e executar outras pequenas tarefas. 
 d) Os trabalhadores que se deslocam de tarefa em tarefa não usufruem dos direitos 
trabalhistas, dos ganhosdas negociações coletivas e da segurança no trabalho. 
 e) Os trabalhadores autônomos vivenciam novas relações de trabalho, em que os contratantes 
estão desvinculados da obrigação de pagar salário mínimo e benefícios sociais. 
Comentários 
Esta questão é boa porque reflete as mais atuais relações de trabalho. Dela podemos refletir sobre como 
trabalho mudou em tempos de pandemia, questão que, a propósito, tem grandes chances de cair na prova. 
O enunciado cobra a alternativa errada. 
A - está certo, pois o tipo de trabalhador autônomo passou a ter as relações de trabalho mediada por 
aplicativos. Já tínhamos uma tendência de a informalização do trabalho crescer sobre a carteira assinada, de 
modo que, no Brasil, essa tendência se potencializou nos últimos anos. 
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B - o final da afirmação está errado, pois o home office não significa, necessariamente, a diminuição do 
estresse. Já havia uma polemica entre os especialistas antes da pandemia, após o isolamento social, muitos 
especialistas têm afirmado que o trabalho em casa tem levado à exaustão24. 
C - certa colocação. Ela expressa a situação de muitas pessoas que desenvolvem diversas atividades de 
trabalho para aumentar a renda. Também tem sido comum as pessoas com trabalho formal, aproveitarem 
seus deslocamentos para trabalhar com aplicativos de transporte, tanto no trajeto de ida para o trabalho, 
quanto no de volta. 
D - correto. 
E - correto. 
Gabarito: B 
15. (VUNESP/2018) 
“A desagregação do regime escravocrata e senhorial ocorreu, no Brasil, sem que se oferecesse 
aos antigos agentes do trabalho escravo assistência e garantias que os protegessem na 
transição para o sistema de trabalho livre. Os senhores foram eximidos da responsabilidade 
pela manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou qualquer outra 
instituição assumissem encargos especiais, que tivessem por objeto prepará-los para o novo 
regime de organização da vida e do trabalho.” 
(Florestan Fernandes. A integração do negro na sociedade de classes. Volume 1, São Paulo: 
Editora Globo, 2008, p. 29. Adaptado) 
Segundo o texto, o processo de abolição da escravatura no Brasil 
a) negou aos libertos o auxílio necessário para que se adaptassem às novas condições sociais. 
b) ofereceu recursos institucionais para proteger e amparar os libertos na nova estrutura social. 
c) impôs aos antigos senhores a obrigação de oferecer boas condições de vida aos libertos. 
d) concedeu aos ex-escravos formação profissional para atenderem o mercado de trabalho. 
e) proporcionou condições para que os antigos escravos fossem inseridos facilmente na 
sociedade. 
Comentários 
 
24 Home office na pandemia pode levar profissionais à exaustão. Folha de São Paulo. 4/abr/2020. Disponível em: 
https://www1.folha.uol.com.br/sobretudo/carreiras/2020/04/home-office-na-pandemia-pode-levar-profissionais-a-
exaustao.shtml. Acesso em: 25/04/2020. 
 
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O texto base dessa questão é bem objetivo. Por isso, ao ler as alternativas, temos facilidade de encontrar 
aspectos que correspondem à crítica de Florestan Fernandes e aspectos que a contradizem. Fica muito claro 
no excerto do enunciado que o sociólogo brasileiro perfaz o processo de abolição da escravatura no Brasil 
denunciando sua fragilidade, principalmente no que se refere ao amparo (ou a falta dele) oferecido aos 
negros libertos pelas instituições da época. 
Nesse sentido, a única alternativa concernente ao pensamento de Florestan é a A. O Estado não ofereceu 
recursos institucionais para amparar os negros, não responsabilizou os escravizadores pela compensação 
dos prejuízos causados aos negros escravizados, não atendeu às exigências de formação profissional dos ex-
escravos e, por isso, não facilitou a inserção dos negros em sua nova condição de vida. Ao contrário disso 
tudo, e de acordo com o que alude o texto-base da questão e com o que menciona a alternativa A, o Estado 
brasileiro “negou aos libertos auxílio necessário para que eles se adaptassem às novas condições sociais”. 
Gabarito: A 
16. (VUNESP/2018) 
No mundo capitalista, a produção de bens e serviços que atende às necessidades da sociedade 
foi um marco significativo na organização das relações sociais de hoje. O processo produtivo é 
composto por três elementos principais, que, quando associados, permitem a funcionalidade 
do sistema capitalista de produção. Sobre esses elementos, é INCORRETO afirmar que 
a) o trabalho é uma atividade essencial, desenvolvida pelo ser humano, que transforma a 
energia física e mental em força de trabalho, capaz de atuar sobre a natureza para produzir 
excedentes. 
b) o trabalho qualificado é realizado com certo grau de aprendizagem, devendo ser adquirido 
em espaços sistematizados pela sociedade e em áreas específicas de atuação. 
c) os seres humanos utilizam a matéria-prima para adquirirem os bens e serviços necessários à 
manutenção da natureza e seus elementos constitutivos. 
d) os recursos naturais são importantes para o processo produtivo, mas é um elemento 
relativo, pois eles variam de acordo com a concepção cultural de cada sociedade. 
e) as máquinas e os equipamentos são não só instrumentos de produção, mas também meios 
materiais utilizados pelo homem para realizar o trabalho e produzir os bens e serviços 
necessários à vida humana. 
Comentários 
Embora o enunciado não faça menção à Teoria Marxista, é sob sua orientação que a questão é formulada. O 
candidato precisa compreender isso enquanto lê as alternativas, para que elas pareçam mais claras. 
Conceber o modo de vida e de produção capitalista leva em consideração (I) o trabalho como seu elemento 
central, (II) a necessidade de extração de excedentes produtivos na natureza, (III) a exigência de qualificação 
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técnica e intelectual para a atuação em setores avançados de produção, (IV) a adequação de cada sociedade 
aos limites de insumos para a produção e (V) o papel dos meios de produção para a garantia de subsistência. 
Todos esses pontos podem ser encontrados como componentes das alternativas A, B, D e E. Por isso, elas 
não estão incorretas, elas correspondem à descrição marxista do modo de produção capitalista. 
Já a alternativa C apresenta inconsistência ao dizer que, no modo de produção capitalista, a extração de 
recursos da natureza não afeta seu equilíbrio e mantem ordenados seus elementos constitutivos. É CORRETO 
afirmar que essa alternativa é incorreta, porque o que se vê no capitalismo é a ação humana degradando a 
natureza. 
Gabarito: C 
17. (NC UFPR (FUNPAR) - 2021) 
Considere a seguinte passagem: 
No final do século XIX e início do século XX, inúmeras leis de “proteção” à mulher passaram a 
proibir o trabalho feminino em ocupações consideradas mais pesadas ou perigosas, já que isso 
havia trazido problemas de ordem “moral” resultantes do fato de as mulheres terem mais 
mobilidade fora do espaço da casa. Na França, uma lei de 1892 proibia as mulheres de exercer 
o trabalhonoturno. No Brasil, a mesma proibição foi expressa em um decreto de 1932. Embora 
muitas dessas leis visassem à “proteção” das mulheres, exploradas pela indústria – assim como 
ocorria com as crianças –, acabaram por confiná-las aos cuidados domésticos e a trabalhos 
realizados em casa, sub-remunerados. Durante o século XX, as duas guerras mundiais voltaram 
a impulsionar a presença das mulheres nas indústrias, pois, nesses momentos, os esforços 
produtivos eram necessários. No entanto, com o fim do período de guerras, novamente se 
reivindicou o retorno das mulheres à casa. O modelo de família almejado pela sociedade 
industrial e fordista do pós-guerra centrou-se, então, no “homem provedor e na mulher 
cuidadora”. 
(SILVA, Afrânio et al. (orgs.). Sociologia em movimento. São Paulo: Moderna, 2016. p. 338.) 
Sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho, assinale a alternativa correta. 
 A) A inserção das mulheres no mercado de trabalho global significou a superação das 
desigualdades de gênero pela conquista do poder financeiro. 
B) A divisão de trabalho fundamentada nos sexos levou as mulheres para fora do espaço 
doméstico contribuindo para a superação do patriarcado. 
C) O desenvolvimento do capitalismo aboliu a distinção entre as atividades que têm lugar no 
espaço da família considerado “reprodutivo”, e no espaço público, considerado “produtivo”. 
D) A existência de uma dupla jornada (no trabalho e em casa), por vezes tripla (no trabalho, em 
casa e na universidade), é um dos motivos para a proibição do trabalho das mulheres. 
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E) A proibição do trabalho noturno para as mulheres reforçou um efeito perverso da divisão 
sexual do trabalho. 
Comentários 
A questão trata da participação das mulheres no mercado de trabalho, com foco na divisão sexual do 
trabalho e nos efeitos das leis de proteção à mulher. O texto de apoio apresenta um panorama histórico, 
destacando que, no final do século XIX e início do século XX, houve um movimento de proibição do trabalho 
feminino em ocupações consideradas pesadas ou perigosas. Essas leis, embora visassem à proteção das 
mulheres, acabaram por confiná-las aos cuidados domésticos e a trabalhos realizados em casa, sub-
remunerados. 
(A) Incorreta. A inserção das mulheres no mercado de trabalho global não significou a superação das 
desigualdades de gênero pela conquista do poder financeiro. Mesmo que as mulheres tenham conquistado 
maior participação no mercado de trabalho, elas ainda recebem salários menores que os homens, ocupam 
cargos de menor prestígio e sofrem com a discriminação. 
(B) Incorreta. A divisão de trabalho fundamentada nos sexos, que atribui às mulheres o cuidado com os filhos 
e a casa, contribui para a manutenção do patriarcado. Ao confinar as mulheres ao espaço doméstico, essa 
divisão de trabalho impede que elas ocupem posições de poder e de decisão na sociedade. 
(C) Incorreta. O desenvolvimento do capitalismo não aboliu a distinção entre as atividades que têm lugar no 
espaço da família considerado “reprodutivo”, e no espaço público, considerado “produtivo”. As mulheres 
continuam a ser responsáveis pelo trabalho reprodutivo, mesmo que trabalhem fora de casa. 
(D) Incorreta. A existência de uma dupla jornada (no trabalho e em casa), por vezes tripla (no trabalho, em 
casa e na universidade), não é um dos motivos para a proibição do trabalho das mulheres. Pelo contrário, a 
proibição do trabalho das mulheres é um dos fatores que contribui para a sobrecarga das mulheres, que 
precisam conciliar o trabalho remunerado com o trabalho doméstico não remunerado. 
(E) Correta. A proibição do trabalho noturno para as mulheres reforçou um efeito perverso da divisão sexual 
do trabalho. Ao restringir as oportunidades de trabalho das mulheres, essa proibição contribuiu para confiná-
las ao espaço doméstico e reforçar a ideia de que as mulheres são menos capazes que os homens para o 
trabalho produtivo. 
Gabarito: E 
18. (FADESP - 2020 - Técnico de Nível Superior (UEPA)/Ciências Sociais 
A vida privada interfere na vida pública e é fator de restrição às mulheres. A divisão sexual do 
trabalho impõe às mulheres maiores obrigações na vida privada do que aos homens. É correto 
afirmar que 
A) isso ocorre porque a dualidade entre público e privado é problematizada nas teorias da 
democracia. 
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B) a persistência desses padrões destoam dos valores igualitários perseguidos pelas feministas. 
C) é preciso desnaturalizar esses padrões, que implicam desvantagens para as mulheres. 
D) a legislação e o cotidiano da vida brasileira são os fatores responsáveis por esses padrões. 
Comentários 
A questão trata da relação entre a vida privada e a vida pública, com foco na divisão sexual do trabalho e nas 
desigualdades de gênero. O texto de apoio afirma que a vida privada interfere na vida pública e é fator de 
restrição às mulheres, pois a divisão sexual do trabalho impõe às mulheres maiores obrigações na vida 
privada do que aos homens. 
(A) Incorreta. A dualidade entre público e privado é um conceito sociológico que, embora tenha sido 
problematizado por algumas teorias da democracia, ainda é um importante elemento da organização social. 
A divisão sexual do trabalho, por sua vez, é um fenômeno histórico e cultural, que não está diretamente 
relacionado à dualidade entre público e privado. 
(B) Incorreta. A persistência dos padrões de divisão sexual do trabalho é o motivo pelo qual existe uma luta 
do feminismo, que busca a igualdade de oportunidades e de direitos para homens e mulheres. Esses padrões 
contribuem para a manutenção das desigualdades de gênero, pois limitam as possibilidades de atuação das 
mulheres na vida pública. 
(C) Correta. É preciso desnaturalizar os padrões de divisão sexual do trabalho, pois eles implicam 
desvantagens para as mulheres. Esses padrões são construídos socialmente e, portanto, podem ser 
alterados. A desnaturalização desses padrões implica, entre outras coisas, a conscientização da sociedade 
sobre a importância da igualdade de gênero e a adoção de políticas públicas que promovam a equidade entre 
homens e mulheres. 
(D) Incorreta. A legislação e o cotidiano da vida brasileira são fatores que contribuem para a manutenção 
dos padrões de divisão sexual do trabalho, mas não são os únicos fatores responsáveis. Esses padrões são 
também resultado de fatores culturais e históricos. 
Gabarito: C 
19. (QUADRIX - 2017 - Professor Substituto Temporário (SEDF)/Sociologia) 
A expressão “divisão social do trabalho” tem sido usada no sentido cunhado por Karl Marx e 
também referendada por autores como Braverman e Marglin para designar a especialização 
das atividades presentes em todas as sociedades complexas, independentemente de os 
produtos do trabalho circularem como mercadoria ou não. Designa a divisão do trabalho social 
em atividades produtivas, isto é, ramos de atividades necessárias para a reprodução da vida. 
Marx, em O Capital, afirma que a divisão social do trabalho diz respeito ao caráter específico 
do trabalho humano. Um animal faz coisas de acordo com o padrão e a necessidade da espécie 
a que pertence. Enquanto a aranha é capaz de tecer e o urso de pescar, um indivíduo da espécie 
humana pode ser, simultaneamente, tecelão, pescador, construtor e mil outras coisas 
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combinadas. Essa capacidade de produzir diferentes coisas e até de inventar padrões diferentes 
dos animais não pode ser exercida individualmente, mas a espécie como um todo acha possível 
fazer isso, em parte pela divisão do trabalho. 
Internet: <www.sites.epsjv.fiocruz.br> (com adaptações). 
Com base no texto e nas diferentes dimensões do trabalho, julgue o item a seguir. 
A divisão social do trabalho apresenta e já apresentou, ao longo da história, diferentes critérios 
para a sua realização, entre eles as diferenças sexuais. 
 
C ) Certo 
E ) Errado 
Comentários 
A questão trata da divisão social do trabalho, com foco nas diferentes dimensões do trabalho e nos critérios 
que podem ser utilizados para a sua realização. O texto de apoio apresenta uma definição de divisão social 
do trabalho, destacando que essa divisão é característica das sociedades complexas e que pode ser baseada 
em diferentes critérios, incluindo as diferenças sexuais. 
A afirmativa de que a divisão social do trabalho apresenta e já apresentou, ao longo da história, diferentes 
critérios para a sua realização, entre eles as diferenças sexuais. Essa afirmação está certa. O texto de apoio 
afirma que a divisão social do trabalho pode ser baseada em diferentes critérios, incluindo as diferenças 
sexuais. Essa divisão é baseada na ideia de que homens e mulheres são diferentes e, portanto, devem 
desempenhar papéis diferentes na sociedade. Essa divisão sexual do trabalho é uma característica de muitas 
sociedades, inclusive da sociedade brasileira. 
Por exemplo, na sociedade brasileira, as mulheres tradicionalmente são responsáveis pelo trabalho 
reprodutivo, como o cuidado com os filhos e a casa, enquanto os homens são responsáveis pelo trabalho 
produtivo, como o trabalho remunerado. Essa divisão sexual do trabalho contribui para a manutenção das 
desigualdades de gênero, pois limita as possibilidades de atuação das mulheres na sociedade. 
Gabarito: Certo 
20. (VUNESP/2015) 
Analise a tabela a seguir. 
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A desigualdade de gênero relaciona-se com a estratificação social 
 
A) pelo crescimento do número de mulheres ativas no mercado de trabalho, que levou ao 
rebaixamento geral dos salários dos trabalhadores. 
B) pela ampliação da escolarização das mulheres que reduziu as disparidades salariais entre os 
empregos femininos e masculinos. 
C) pela manutenção da desvantagem da inserção produtiva das mulheres quanto ao nível de 
remuneração mesmo quando possuem o mesmo nível de escolaridade dos homens. 
D) pela ausência de legislação que garanta salário igual para trabalho igual. 
E) pela ampliação dos salários masculinos em virtude da redução da presença feminina no 
mercado de trabalho. 
Comentários 
A questão trata da desigualdade de gênero e sua relação com a estratificação social. A tabela 
apresentada na questão mostra que, apesar do crescimento da participação das mulheres no mercado de 
trabalho, elas ainda recebem salários menores que os homens, mesmo quando possuem o mesmo nível de 
escolaridade. 
(A) Incorreta. O crescimento do número de mulheres ativas no mercado de trabalho não 
necessariamente leva ao rebaixamento geral dos salários dos trabalhadores. O que ocorre é que, em geral, 
as mulheres ocupam posições de menor remuneração, o que contribui para a manutenção das desigualdades 
salariais. 
(B) Incorreta. A ampliação da escolarização das mulheres contribui para a redução das disparidades 
salariais entre os empregos femininos e masculinos, mas não é suficiente para eliminá-las. 
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(C) Correta. A manutenção da desvantagem da inserção produtiva das mulheres quanto ao nível de 
remuneração, mesmo quando possuem a mesma escolaridade dos homens, é um dos principais indicadores 
da desigualdade de gênero na estratificação social. 
(D) Incorreta. A ausência de legislação que garanta salário igual para trabalho igual é um fator que 
contribui para a desigualdade de gênero, mas não é o único. 
(E) Incorreta. A redução da presença feminina no mercado de trabalho não necessariamente leva à 
ampliação dos salários masculinos. O que ocorre é que, em geral, as mulheres ocupam posições de menor 
remuneração, o que contribui para a manutenção das desigualdades salariais. 
Gabarito: C 
21. (FCC/2012 - Professor Sociologia) 
 Anthony Giddens, em seu livro Sociologia, refere-se à “segregação ocupacional dos gêneros” 
como explicação para o fato de homens e mulheres. 
A) serem alocados em atividades de acordo com a sua capacidade profissional. 
B) estarem concentrados em tipos diferentes de empregos de acordo com a compreensão do 
que seja a atividade adequada para cada sexo. 
C) ocuparem distintas profissões de acordo com as oportunidades oferecidas pelo mercado de 
trabalho. 
D) apresentarem poucas ou nenhuma diferenças significativas quanto às possibilidades de 
emprego, salário e posição na ocupação. 
Comentários 
A questão trata da segregação ocupacional dos gêneros, um fenômeno que consiste na concentração de 
homens e mulheres em tipos diferentes de empregos. 
(A) Incorreta. A capacidade profissional é construída socialmente e é influenciada por fatores culturais, 
históricos e econômicos. A segregação ocupacional dos gêneros, por sua vez, é um fenômeno social que 
reflete as normas e valores de uma determinada sociedade. Portanto, a afirmação de que os homens e as 
mulheres são alocados em atividades de acordo com a sua capacidade profissional não é suficiente para 
explicar a segregação ocupacional dos gêneros. 
(B) Correta. Esta é a definição de segregação ocupacional dos gêneros apresentada por Anthony Giddens. A 
segregação ocupacional dos gêneros ocorre porque homens e mulheres são socialmente designados para 
papéis diferentes na sociedade. Esses papéis são baseados em ideias sobre o que é apropriado para homens 
e mulheres, e essas ideias são refletidas nas oportunidades de emprego disponíveis para homens e mulheres. 
(C) Incorreta. As oportunidades de emprego disponíveis para homens e mulheres são limitadas pelas normas 
e valores sociais sobre os papéis de gênero. Portanto, a afirmação de que os homens e as mulheres ocupam 
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distintas profissões de acordo com as oportunidades oferecidas pelo mercado de trabalho não é suficiente 
para explicar a segregação ocupacional dos gêneros. 
(D) Incorreta. Os homens e as mulheres ainda apresentam diferenças significativas quanto às possibilidades 
de emprego, salário e posição na ocupação. A segregação ocupacional dos gêneros é um dos principais 
fatores que contribuem para essas desigualdades. 
Gabarito: B 
22. (FCC/2012 - Professor Sociologia) 
Dados do IBGE mostram que, em 2009, no Brasil, asmulheres gastavam, em média, 22,0 horas 
semanais em atividades domésticas, enquanto a média entre os homens foi de 9,5 horas. Esses 
dados permitem a reflexão sobre a 
A) divisão sexual do trabalho na sociedade brasileira. 
B) separação entre trabalho produtivo e trabalho doméstico. 
C) importância do trabalho doméstico. 
D) tendência natural das mulheres para o trabalho doméstico. 
Comentários 
A divisão sexual do trabalho é um fenômeno social que se caracteriza pela atribuição de tarefas diferentes 
ou responsabilidades diferentes a homens ou mulheres pelo único motivo de seu sexo biológico. Essa divisão 
pode ser observada em diversas esferas da sociedade, incluindo o trabalho, a família e a política. 
(A) Correta. Os dados apresentados mostram que as mulheres gastam, em média, o dobro de tempo que os 
homens em atividades domésticas. Essa diferença é significativa e indica que existe uma divisão sexual do 
trabalho na sociedade brasileira, na qual as mulheres são responsáveis, majoritariamente, pelas tarefas 
domésticas - além dos próprios trabalhos remunerados. 
(B) Incorreta. A separação entre trabalho produtivo e trabalho doméstico é uma outra questão importante 
a ser considerada, até porque as mulheres acumulam trabalho produtivo, feito fora de casa com o trabalho 
de casa. O homem também pode acumular, mas mesmo assim, as mulheres trabalham mais - esse é o ponto 
central da questão. 
(C) Incorreta. Os dados mostram apenas que as mulheres gastam mais tempo em atividades domésticas do 
que os homens, sem qualquer destaque à importância dessas atividades. 
(D) Incorreta. Os dados mostram apenas que as mulheres gastam mais tempo em atividades domésticas do 
que os homens, sem especificar se essa diferença é resultado de uma tendência natural ou de fatores sociais. 
Afirmar que existe uma "tendência natural" das mulheres ao trabalho doméstico é um erro, pois nenhum 
método sociológico parte do princípio da naturalização das questões sociais. O papel da mulher no que se 
refere ao trabalho doméstico é uma construção social e não natural. 
Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar
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Gabarito: A 
23. (CEBRASPE/2004 - Técnico (TERRACAP)/Especialista/Sociólogo) 
Estudos e pesquisas acerca da estrutura e das tendências de desenvolvimento das sociedades 
ocidentais altamente industrializadas mostram, de modo cada vez mais frequente, sua 
caracterização como sociedade de serviços. 
 A respeito desse tema, julgue o item subsequentes 
Uma das conseqüências da generalização do trabalho em serviços é a feminilização do mercado 
de trabalho nas cidades, que resultou na equalização dos níveis salariais de homens e mulheres. 
 
C ) Certo 
E ) Errado 
Comentários 
A questão trata da feminilização do mercado de trabalho nas sociedades ocidentais altamente 
industrializadas, com foco nas suas consequências. A questão afirma que uma das consequências da 
feminilização do mercado de trabalho nas cidades é a equalização dos níveis salariais de homens e mulheres. 
Essa afirmação está errada. 
A feminilização do mercado de trabalho é um fenômeno que ocorre quando as mulheres passam a ocupar 
um número crescente de empregos. Esse fenômeno é resultado de diversos fatores, como a mudança nos 
papéis sociais das mulheres, o aumento da escolaridade feminina e a necessidade de as mulheres 
trabalharem para complementar a renda familiar. A equalização dos níveis salariais de homens e mulheres é 
uma meta que ainda não foi alcançada na maioria das sociedades ocidentais. Mesmo em setores onde as 
mulheres são maioria, como o setor de serviços, elas ainda recebem salários menores que os homens. 
Os principais fatores que contribuem para a desigualdade salarial entre homens e mulheres são: a 
segregação ocupacional dos gêneros, que leva as mulheres a ocuparem profissões de menor remuneração; 
a discriminação salarial, que leva as empresas a pagar salários menores às mulheres, mesmo quando elas 
ocupam o mesmo cargo que os homens; a falta de políticas públicas que promovam a igualdade salarial. 
Portanto, a afirmativa está errada, pois afirma que a feminilização do mercado de trabalho nas cidades 
resultou na equalização dos níveis salariais de homens e mulheres. Essa afirmação não é sustentada pelos 
dados empíricos. 
Gabarito: Errado 
24. (Com. Org. IFTO/2016/Professor Sociologia) 
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Assinale a alternativa que não corresponde a uma característica do trabalho nas sociedades 
tribais. 
A) O trabalho proporciona o acúmulo de excedentes que originarão as distinções de classe. 
B) Produzem para viver para prover às festas e presentear sempre na medida do que é 
necessário. 
C) O trabalho está vinculado às demais atividades sociais como as relações de parentesco, 
religião, educação. 
D) O trabalho não está separado em uma área definida e autônoma. 
E) Caso alguma mudança diminua o tempo necessário para a obtenção dos meios de 
sobrevivência esse tempo não será usado para mais produção. 
Comentários 
Segundo as teorias sociológicas do trabalho, as sociedades tribais são sociedades de subsistência, ou seja, 
produzem o necessário para sua própria sobrevivência. O trabalho, nessas sociedades, é uma atividade 
coletiva, realizada por todos os membros da comunidade, de acordo com suas habilidades e capacidades. O 
trabalho não é visto como uma atividade separada das demais atividades sociais, mas está intimamente 
ligado a elas. 
A) Incorreta. Nas sociedades tribais, o trabalho não proporciona o acúmulo de excedentes que originarão as 
distinções de classe. Essas sociedades geralmente são caracterizadas por uma economia de subsistência, 
onde a produção é voltada para o atendimento das necessidades imediatas, sem a formação de excedentes 
significativos. 
B) Correta. Nas sociedades tribais, a produção é voltada para a vida, para prover às festas e presentear 
sempre na medida do que é necessário. Não há uma produção excedente significativa. 
C) Correta. O trabalho nas sociedades tribais está vinculado às demais atividades sociais como as relações de 
parentesco, religião, educação. Não há uma separação rígida entre o trabalho e outras esferas da vida social. 
D) Correta. Nas sociedades tribais, o trabalho não está separado em uma área definida e autônoma. Ele está 
integrado a outras atividades da vida social. 
E) Correta. Se alguma mudança diminui o tempo necessário para a obtenção dos meios de sobrevivência, 
esse tempo não será usado para mais produção. Isso está alinhado com a lógica de economia de subsistência 
das sociedades tribais. 
Gabarito: A 
25. (VUNESP/2023 – Professor/Sociologia) 
Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar
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 O capitalismo envolve a insulação do econômico em relação ao político contra a tela de fundo 
do trabalho e mercados de produtos competitivos. A vigilância, por sua vez, é fundamental a 
todos os tipos de organização associados à ascensão da modernidade, em particular o estado-
nação, que se entrelaça historicamente com o capitalismo em seu desenvolvimento mútuo. Da 
mesma forma, há vínculos substantivos íntimos entreas operações de vigilância dos estados-
nação e a natureza alterada do poder militar no período moderno. 
Assinale a alternativa que melhor descreve a relação mencionada no trecho fornecido. 
A) A vigilância é exclusiva dos estados-nação e não está relacionada ao desenvolvimento do 
capitalismo. 
B) O desenvolvimento do capitalismo e dos estados- -nação está intrinsecamente ligado, assim 
como a vigilância é uma característica essencial de ambos. 
C) O capitalismo e o poder militar estão separados e não têm influência um sobre o outro. 
D) A insulação do econômico em relação ao político é uma característica exclusiva dos 
mercados de produtos competitivos. 
E) O desenvolvimento econômico acima das relações políticas é uma característica exclusiva 
dos mercados de produtos competitivos. 
Comentários 
O trecho fornecido aborda a relação entre capitalismo, vigilância e estados-nação. O texto afirma que o 
capitalismo envolve a insulação do econômico em relação ao político, enquanto a vigilância é fundamental 
a todos os tipos de organização associados à ascensão da modernidade, em particular o estado-nação. Além 
disso, o texto aponta que há vínculos substantivos íntimos entre as operações de vigilância dos estados-
nação e a natureza alterada do poder militar no período moderno. 
(A) Errada. A vigilância não é exclusiva dos estados-nação. Ela pode ser exercida por outras organizações, 
como empresas privadas, organizações religiosas ou mesmo indivíduos. Além disso, o texto afirma que a 
vigilância é uma característica essencial do capitalismo. O texto afirma que a vigilância é fundamental a todos 
os tipos de organização associados à ascensão da modernidade, em particular o estado-nação. Isso significa 
que a vigilância não é exclusiva dos estados-nação, mas também está presente em outras organizações 
modernas. Além disso, o texto afirma que o capitalismo envolve a insulação do econômico em relação ao 
político, mas que a vigilância é uma característica essencial de ambos. Isso significa que a vigilância é uma 
característica essencial do capitalismo, mesmo que não seja exclusiva dos estados-nação. 
(B) Correta. O desenvolvimento do capitalismo e dos estados-nação está intrinsecamente ligado, assim como 
a vigilância é uma característica essencial de ambos. O texto afirma que o capitalismo e o estado-nação se 
entrelaçam historicamente em seu desenvolvimento mútuo. Isso significa que ambos os sistemas estão 
intimamente ligados e influenciam-se mutuamente. Além disso, o texto afirma que a vigilância é 
fundamental a ambos os sistemas. 
(C) Errada. O capitalismo e o poder militar estão separados, mas têm influência um sobre o outro. O texto 
afirma que há vínculos substantivos íntimos entre as operações de vigilância dos estados-nação e a natureza 
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alterada do poder militar no período moderno. Isso significa que o capitalismo e o poder militar estão 
interligados e influenciam-se mutuamente. 
(D) Errada. A insulação do econômico em relação ao político não é uma característica exclusiva dos mercados 
de produtos competitivos. O texto afirma que o capitalismo envolve a insulação do econômico em relação 
ao político. No entanto, essa característica não é exclusiva dos mercados de produtos competitivos. Ela 
também pode ser encontrada em outros tipos de sistemas capitalistas, como os sistemas de economia mista. 
(E) Errada. O desenvolvimento econômico acima das relações políticas não é uma característica exclusiva dos 
mercados de produtos competitivos. O texto afirma que o capitalismo envolve a insulação do econômico em 
relação ao político. No entanto, essa característica não significa que o desenvolvimento econômico esteja 
acima das relações políticas. Na verdade, o texto afirma que o desenvolvimento do capitalismo e dos 
estados-nação está intrinsecamente ligado. Isso significa que o desenvolvimento econômico e as relações 
políticas estão intimamente interligados. 
Gabarito: B 
26. (QUADRIX - 2017 - Professor/Sociologia) 
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, desviamo-nos dele. A cobiça 
envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito 
marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da produção veloz, 
mas nos sentimos enclausurados dentro dela. 
A máquina, que produz em grande escala, tem provocado a escassez. Nossos conhecimentos 
fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. 
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. 
Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteligência, precisamos 
de afeição e doçura! 
Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido. 
Charles Chaplin. Internet: <www.klepsidra.net> (com adaptações). 
Considerando o texto como motivação inicial, julgue o item a seguir. 
A produção de alimentos em larga escala, por causa do uso do maquinário, garante aos seres 
humanos a produção e distribuição dos alimentos de forma igualitária. 
C) Certo 
E) Errado 
Comentários 
O texto de Charles Chaplin aborda a relação entre a produção industrial, o capitalismo e a humanidade. O 
autor critica a cobiça e a falta de humanidade que, segundo ele, são características da sociedade industrial. 
Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar
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A questão afirma que a produção de alimentos em larga escala, por causa do uso do maquinário, garante 
aos seres humanos a produção e distribuição dos alimentos de forma igualitária. Essa afirmativa é errada. O 
texto de Chaplin afirma que a produção industrial, ao contrário de garantir a igualdade, provoca a escassez 
e a miséria. Isso ocorre porque a produção industrial é organizada de forma capitalista, o que significa que 
ela é direcionada para o lucro, e não para o bem-estar da população. Além disso, o uso do maquinário na 
produção industrial tende a concentrar a riqueza nas mãos de poucos, o que também contribui para a 
desigualdade. 
Gabarito: Errado 
27. (UNEB - 2012 - Analista de Processos Sociais (CERB)/Sociologia) 
Entre os diversos processos históricos que contribuíram para o nascimento da sociedade 
moderna capitalista, dois se destacam como os mais importantes no que tange às suas 
influências nos primórdios da sociologia. Esses são: 
A) A Revolução Industrial e a Revolução Francesa 
B) O Renascimento e a Expansão Comercial marítima 
C) A Revolução Americana e os movimentos de descolonização da América 
D) A Guerra dos Sete Anos e a Revolução Puritana inglesa 
E) A Comuna de Paris e a Revolução Russa. 
Comentários 
O surgimento da sociologia como disciplina científica está intimamente relacionado às transformações 
sociais, econômicas e políticas ocorridas no século XIX. Nesse contexto, dois processos históricos se destacam 
como os mais importantes: a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. 
(A) Correta. A Revolução Industrial e a Revolução Francesa foram dois processos históricos que marcaram o 
início da sociedade moderna capitalista. A Revolução Industrial, com o surgimento da indústria e da 
urbanização, provocou profundas mudanças sociais, econômicas e culturais. A Revolução Francesa, com a 
queda do absolutismo e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, estabeleceu os princípios da 
democracia e da igualdade. 
Essas mudanças e transformações motivaram o surgimento da sociologia, uma disciplina quese dedica ao 
estudo da sociedade. Os primeiros sociólogos, como Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber, foram 
influenciados pelas transformações sociais e políticas ocorridas no século XIX. 
A Revolução Industrial e a Revolução Francesa foram dois processos históricos que provocaram profundas 
mudanças sociais, econômicas e culturais. Essas mudanças motivaram o surgimento da sociologia, uma 
disciplina que se dedica ao estudo da sociedade. 
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(B) Errada. O Renascimento e a Expansão Comercial marítima foram processos históricos que ocorreram no 
século XV e XVI. Eles não tiveram a mesma influência que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa no 
surgimento da sociologia. 
Enquanto o Renascimento foi um movimento cultural que valorizou a razão e a ciência, a Expansão Comercial 
marítima levou ao contato com novas culturas e ao surgimento de novas formas de pensamento. No entanto, 
esses processos não provocaram as mesmas transformações sociais e políticas que a Revolução Industrial e 
a Revolução Francesa. 
(C) Errada. A Revolução Americana e os movimentos de descolonização da América ocorreram no século 
XVIII e XIX. Eles foram importantes processos políticos que contribuíram para o surgimento dos Estados-
Nação. No entanto, eles não tiveram a mesma influência que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa 
no surgimento da sociologia. 
A Revolução Americana foi um processo de independência que levou à formação dos Estados Unidos. Os 
movimentos de descolonização da América levaram à formação de novos países na América Latina e no 
Caribe. Esses processos contribuíram para o surgimento de novas formas de organização social e política, 
mas não provocaram as mesmas transformações sociais e culturais que a Revolução Industrial e a Revolução 
Francesa. 
(D) Errada. A Guerra dos Sete Anos e a Revolução Puritana inglesa ocorreram no século XVIII. Eles foram 
importantes processos políticos que contribuíram para a formação do Estado-Nação. No entanto, eles não 
tiveram a mesma influência que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa no surgimento da sociologia. 
A Guerra dos Sete Anos foi um conflito militar que envolveu a França, a Inglaterra e outras potências 
europeias. A Revolução Puritana inglesa foi um processo político que levou à formação da República Inglesa. 
Esses processos contribuíram para o fortalecimento do Estado-Nação, mas não provocaram as mesmas 
transformações sociais e culturais que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. 
(E) Errada. A Comuna de Paris e a Revolução Russa ocorreram no século XIX e XX. Elas foram importantes 
processos políticos que contribuíram para a formação dos Estados socialistas. No entanto, elas não tiveram 
a mesma influência que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa no surgimento da sociologia. 
A Comuna de Paris foi um processo político que levou à formação de uma república socialista na cidade de 
Paris. A Revolução Russa foi um processo político que levou à formação da União Soviética. Esses processos 
contribuíram para o surgimento de novos modelos de organização social e política, mas não provocaram as 
mesmas transformações sociais e culturais que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. 
Gabarito: A 
28. (CEBRASPE (CESPE) - 2011 - Professor (SEDUC AM)/Sociologia) 
Com relação ao contexto histórico do surgimento da sociologia, julgue o item a seguir. 
Com o fim do sistema feudal, a mão de obra camponesa migrou para o ambiente de trabalho 
industrial. 
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C) Certo 
E) Errado 
Comentários 
O item está certo. O fim do sistema feudal, que ocorreu no século XVIII, levou à desintegração da sociedade 
rural e à migração da mão de obra camponesa para as cidades. Essa migração foi motivada por diversos 
fatores, como a expropriação das terras dos camponeses, a crescente mecanização da agricultura e a 
ascensão do capitalismo. 
O sistema feudal era baseado na servidão, uma forma de trabalho compulsório em que os camponeses eram 
obrigados a trabalhar nas terras de seus senhores feudais. Com o fim do sistema feudal, os camponeses 
foram libertados da servidão e tornaram-se livres para se deslocarem. 
No entanto, a maioria dos camponeses não possuía terras próprias e, por isso, precisavam encontrar outras 
formas de sustento. A ascensão do capitalismo e a crescente mecanização da agricultura levaram à 
diminuição da demanda por mão de obra rural. Isso, por sua vez, incentivou a migração da mão de obra 
camponesa para as cidades, onde havia oportunidades de trabalho nas indústrias. 
A migração da mão de obra camponesa para as cidades foi um processo complexo que teve um impacto 
significativo na sociedade. Ela contribuiu para o crescimento das cidades, a formação da classe trabalhadora 
e o surgimento de novos problemas sociais, como a pobreza e a desigualdade. 
Portanto, o item está correto ao afirmar que, com o fim do sistema feudal, a mão de obra camponesa migrou 
para o ambiente de trabalho industrial - entendida como processo que se inicia com as próprias manufaturas 
e as cidades na passagem da Era medieval para a Era Moderna. 
Gabarito: Certo 
29. Instituto Consulplan - 2023 - Analista do Executivo (SEGER ES)/Ciências Sociais 
 Somos assim levados a considerar a divisão do trabalho sob um novo aspecto. Neste caso, 
com efeito, os serviços econômicos que ela proporciona são de menor monta ao lado do efeito 
moral que produz, e sua verdadeira função é criar entre duas ou mais pessoas um sentimento 
de solidariedade. 
(DURKHEIM, 2010, p. 63.) 
Considerando a divisão do trabalho e sua relação com a solidariedade proposta por Émile 
Durkheim, analise as afirmativas a seguir. 
I. A solidariedade não pode jamais existir entre outrem e nós a não ser que a imagem desse 
outrem se una a nossa. Mas quando a união resulta da semelhança de duas imagens, ela 
consiste em uma aglutinação. 
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II. As grandes sociedades políticas só podem se manter em equilíbrio graças à especialização 
de tarefas que a divisão do trabalho é a fonte, senão a única, pelo menos a principal da 
solidariedade social 
III. Quanto mais solidários sejam os membros de uma sociedade, mais eles mantêm relações 
diversas, sejam uns com outros, sejam com o grupo tomado coletivamente. Porque se os seus 
contatos fossem raros, eles não dependeriam uns dos outros se não de maneira frágil e 
intermitente. 
IV. O estudo da solidariedade pertence à sociologia. É um fato social que só pode conhecer por 
meio de seus efeitos sociais. Se tantos moralistas e psicólogos puderam tratar a questão sem 
seguir esse método é porque eles contornaram a dificuldade. 
Está correto o que se afirma em 
A) I, II, III e IV. 
B) I e II, apenas. 
C) II e III, apenas. 
D) III e IV, apenas. 
E) I, II e IV, apenas. 
Comentários 
A questão aborda a relação entre a divisão do trabalho e a solidariedade social, de acordo com a teoria de 
Émile Durkheim. 
I. Essa afirmativa está correta. Durkheim afirma que a solidariedade social é baseadana interdependência 
entre os indivíduos. Essa interdependência pode ser baseada na semelhança, ou seja, na identificação dos 
indivíduos com os valores e normas da sociedade. Nesse caso, a solidariedade é do tipo mecânico. 
II. Essa afirmativa também está correta. Durkheim afirma que a divisão do trabalho é a principal fonte da 
solidariedade social nas sociedades complexas. Isso ocorre porque a divisão do trabalho leva à 
interdependência entre os indivíduos, que precisam cooperar para atender às necessidades da sociedade. 
III. Essa afirmativa também está correta. Durkheim afirma que a solidariedade social é fortalecida pela 
diversidade de relações sociais. Isso ocorre porque a diversidade de relações leva os indivíduos a conhecerem 
melhor as necessidades uns dos outros, o que aumenta a sua interdependência. 
IV. Essa afirmativa também está correta. Durkheim afirma que a solidariedade social é um fato social, ou 
seja, um fenômeno que ocorre na sociedade e que é independente das vontades individuais. Por isso, o 
estudo da solidariedade deve ser feito pela sociologia, que é a ciência que estuda os fatos sociais 
Gabarito: A 
 
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30. CETAP - 2023 - Técnico em Gestão de Meio Ambiente (SEMAS PA)/Ciências Sociais 
 A Função da Divisão do Trabalho em Emile Durkheim tem como pressuposto que: 
A) nas sociedades modernas, em que predomina uma solidariedade orgânica, a Divisão do 
trabalho tem a função de manter o equilíbrio da sociedade, diante das diferenças existentes na 
mesma. 
B) a solidariedade mecânica contribui para a função social do trabalho como objetivo de 
aproximar os diferentes. 
C) nas sociedades Modernas, prevalece uma consciência moral em relação aos indivíduos e aos 
fatos sociais. 
D) a função da divisão do trabalho é apenas de organizar as sociedades tradicionais. 
E) a divisão do trabalho é algo específico do mundo econômico, que foi estruturado 
conceitualmente por Emile Durkheim, tendo como principal característica a 
multifuncionalidade do trabalhador. 
Comentários 
A questão aborda a função da divisão do trabalho nas sociedades modernas, segundo a teoria de Émile 
Durkheim. 
A. Essa alternativa está correta. Durkheim afirma que a divisão do trabalho é a principal fonte da 
solidariedade orgânica, que é o tipo de solidariedade social predominante nas sociedades modernas. A 
solidariedade orgânica é baseada na interdependência entre os indivíduos, que precisam cooperar para 
atender às necessidades da sociedade. 
B. Essa alternativa está errada. Durkheim afirma que a solidariedade mecânica é o tipo de solidariedade 
social predominante nas sociedades tradicionais, que são caracterizadas pela semelhança entre os 
indivíduos. A solidariedade mecânica é baseada na identificação dos indivíduos com os valores e normas da 
sociedade. 
C. Essa alternativa está errada. Durkheim afirma que as sociedades modernas são caracterizadas pela divisão 
do trabalho, que leva à especialização das funções sociais. Essa especialização, por sua vez, leva à 
fragmentação da consciência moral, que torna os indivíduos menos conscientes dos valores e normas da 
sociedade. 
D. Essa alternativa está errada. Durkheim afirma que a divisão do trabalho é uma característica das 
sociedades modernas, mas também ocorre em sociedades tradicionais, embora em menor grau. 
E. Essa alternativa está errada. Durkheim afirma que a divisão do trabalho é uma característica de todas as 
esferas da vida social, não apenas do mundo econômico. Além disso, a divisão do trabalho não tem como 
principal característica a multifuncionalidade do trabalhador, mas a especialização das funções sociais. 
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Gabarito: A 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Querida e querido, chegamos ao fim da nossa primeira aula. 
E se você chegou até aqui parabéns, você está no caminho certo para conquistar seus 
sonhos. Guerreiro não para no meio da missão! 
Na próxima aula teremos uma aula histórica, prepare-se :) 
Faça todos os exercícios. E se aparecerem dúvidas, vá ao Fórum de Dúvidas. 
Nos vemos na próxima aula! 
Um beijo, um abraço apertado e um suspiro dobrado, de amor sem 
fim! 
bons estudos!! 
Alê Lopes 
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