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By @kakashi_copiador Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital)Autor: Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar 31 de Janeiro de 2024 https://t.me/kakashi_copiador 1 117 SUMÁRIO Apresentação ................................................................................................................................................... 2 O Curso ............................................................................................................................................................. 3 Cronograma de Aulas ..................................................................................................................................... 4 1. INTRODUÇÃO: A SOCIOLOGIA DO TRABALHO ....................................................................................... 5 1.1 Sociologia como uma Ciência da Sociedade .............................................................................. 5 1.2 A Sociologia no contexto da Revolução Industrial .......................................................................... 7 2. O objeto de estudos da Sociologia do Trabalho ............................................................................. 10 2.1 O Conceito de Trabalho .................................................................................................................... 11 2.2 Trabalho para Marx, Weber e Durkheim ........................................................................................ 12 3. O trabalho como uma categoria do pensamento sociológico ......................................................... 18 3.1. Breves conceitos: ............................................................................................................................... 20 3.2 Perda da centralidade do trabalho como categoria explicativa ................................................. 20 4. O trabalho humano e sua evolução histórica ................................................................................... 25 4.1 - O trabalho nas Sociedades Coletivistas ....................................................................................... 26 4.2 - O trabalho nas Antiguidades Clássica e Medieval ..................................................................... 28 4.3 - O trabalho na Sociedade Moderna ............................................................................................... 32 4.4 O trabalho na Sociedade Capitalista ............................................................................................... 36 5. O trabalho no pensamento clássico ................................................................................................... 39 5.1 Divisão do trabalho e distribuição de tarefas. ........................................................................... 40 5.2 Divisão social do trabalho: Émile Durkheim ............................................................................... 42 Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 2 117 5.2.1 Divisão Social e Conflito ............................................................................................................. 49 6. Divisão sociossexual e racial do trabalho .......................................................................................... 51 6.1 Divisão sociossexual do trabalho ..................................................................................................... 51 6.1.1 Opressão e exploração ............................................................................................................... 53 6.1.2 Economia do Cuidado ................................................................................................................ 54 6.1.3 Gênero, Raça e Classe ................................................................................................................ 55 6.2 Divisão racial do trabalho .................................................................................................................. 57 6.2.1 Florestan Fernandes (1920-1995) ............................................................................................. 58 7. Resumos .................................................................................................................................................. 60 8. LISTA DE QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS ............................................................................................. 64 9. GABARITO ................................................................................................................................................ 80 10. LISTA DE QUESTÕES COM COMENTÁRIOS ......................................................................................... 81 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................................................. 117 APRESENTAÇÃO Estou muito feliz por você iniciar nosso curso de Sociologia do Trabalho para a prova do Concurso Nacional Unificado 2024. Bem, antes de tudo, peço licença para me apresentar. Sou Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, Licenciada em Sociologia pela mesma universidade, Mestra em Ciência Política também pela mesma Universidade e na UNICAMP iniciei meu doutorado no campo dos estudos sobre justiça de transição, políticas de memória e direito internacional. Por essa trajetória na Ciência Política, sou especialista em regimes políticos transicionais e direitos humanos. Mais recentemente, ingressei no curso de bacharelado em História na Universidade de São Paulo. Em 2018, fui aprovada para o cargo de Consultor Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 3 117 Legislativa da área de Direitos Humanos, Minorias, Cidadania e Sociedade da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Desde 2004, dou aulas de História, Ciências Sociais e Humanidades em cursos preparatórios para vestibulares, ENEM e concursos. Entre 2018 e 2019, iniciei minha jornada aqui no Estratégia, dou aula no Estratégia Concursos, Vestibulares e Militares. Sou especialista em desenvolvimento de materiais preparatórios. Posso afirmar, com segurança, que já contribui para a aprovação de muitos alunos nas mais variadas e concorridas instituições do Brasil. Seja bem-vindo e bem-vinda ao nosso time :) Dito isso, espero que você esteja seguro e segura para iniciar esta jornada importante que irá contribuir para a conquista de pontos fundamentais para a sua aprovação. Aproveite para me seguir nas redes sociais, há muitos conteúdos iscas e orientações focadas e cotidianas que podem reforçar seus conhecimentos. Grande abraço, Bons estudos! Profe Alê Lopes O CURSO Para começar este curso, vamos, primeiro, conhecer o inimigo, ou seja, a prova que você irá enfrentar: a Cesgranrio. Trata-se de uma banca que tem uma multiplicidade de estilos de cobrança: pode ser bem direta, cobrando autores e conceitos clássicos ou cobrar situações-problema para as quais deveremos explicar, mobilizando um ou mais conhecimento. Diante disso, nosso curso foi montado de maneira a permitir que você entenda a linguagem própria da Sociologiado Trabalho, os conceitos centrais, os principais autores e os principais tópicos dentro de cada item do Edital, além de diversas reflexões sociológicas que faremos ao longo das aulas. Ao final de cada aula haverá um capítulo de resumo dos principais tópicos tratados ao longo da aula. Quanto ao treinamento por meio das questões, teremos questões da Banca, adaptações de algumas bancas úteis pedagogicamente, bem como, várias inéditas e no padrão múltiplo da Banca. Aproveitem todos os comentários, pois foram feitos com dedicação e carinho! Ademais, tenho certeza de que você, que almeja ser servidor público, em alguma medida, está familiarizado com esse campo do conhecimento. Aproveite seu conhecimento "de mundo". Apenas tenha cuidado com suas preferências individuais, separe-as e não as tome como verdade para resolver as questões. Para efeitos Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 4 117 de concurso, apreenda o conceito, coloque o X no lugar certo, use tanto quanto útil for nas discursivas, seja aprovado e muito feliz :). Outra observação preliminar: este é um curso focado em concurso, logo, se diferencia dos temas mais acalorados do mundo acadêmico e/ou político-partidário. Importante frisar isso para alinharmos nossas expectativas, correto?! Manteremos o foco nesse objetivo!! Estarei à disposição em todos os canais do Estratégia Concursos e nos meus pessoais para que vocês possam dirimir suas dúvidas sempre que precisarem. Pra cima!!! :) CRONOGRAMA DE AULAS Aula Tópico do Edital Aula 05 1 A Sociologia do trabalho e seu objeto de estudo: 1.1 O trabalho como uma categoria do pensamento sociológico. 1.2 O Conceito de Trabalho. 3.1 O trabalho no pensamento clássico (Parte 1). 1.6 Divisão do trabalho e distribuição de tarefas. 3.3 Divisão social do trabalho. 3.4 Divisão sociossexual e racial do trabalho 1.7 Processo de trabalho e organização de trabalho. 1.8 O trabalho humano e sua evolução histórica: trabalho escravizado, trabalho feudal em servidão, trabalho livre desprotegido. Aula 06 2 Fases históricas iniciais da industrialização: 2.1 Artesanato, manufatura, maquinofatura e mecanização da produção. 2.2 A Revolução Industrial e o capitalismo industrial. 2.4.1 O movimento operário. Aula 07 3 O trabalho como categoria estruturante na sociedade capitalista: 3.1 O trabalho no pensamento clássico (Parte 2). 1.4 Exploração e alienação. 3.2 A teoria do valor-trabalho. 1.3 Trabalho: ação, necessidade e coerção. 1.5 Trabalho e progresso técnico. 2.3 Modelos de gestão e organização do trabalho: taylorismo, fordismo, toyotismo. Aula 08 2.4 A organização dos trabalhadores e trabalhadoras: 2.4.1 O movimento operário. 2.4.2 Sindicalização e militantismo. 2.4.3 A ação sindical e sua tipologia. 2.4.4 A evolução do sindicalismo diante das transformações do mundo do trabalho. 2.4.5 Greves e conflitos trabalhistas. Aula 09 2.5 A crise atual da sociedade do trabalho: 2.5.1 O processo de globalização, seus efeitos sociais e as novas cadeias produtivas. 2.3 Modelos de gestão e organização do trabalho: plataformas digitais e seus impactos no trabalhador e na sociedade. 2.5.2 O proletariado de serviços, as plataformas digitais, a inteligência artificial e o ciberproletariado. 2.5.3 A necessidade de novas competências, qualificações e as funções em extinção. 2.5.4 Flexibilização, informalidade, terceirização e precarização das condições de trabalho. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 5 117 1. INTRODUÇÃO: A SOCIOLOGIA DO TRABALHO A Sociologia do Trabalho, como subárea da Sociologia dedicada ao estudo das relações sociais no contexto laboral, requer uma compreensão prévia da posição da Sociologia no campo científico, ou seja, sua origem e de sua ligação essencial com o tema do "trabalho". Para adentrarmos nas especificidades da Sociologia do Trabalho e abordarmos os temas exigidos no edital, é crucial capturar o sentido mais abrangente da disciplina Sociologia. Portanto, antes de nos aprofundarmos na análise específica do "mundo do trabalho", é fundamental estabelecer uma compreensão sólida do âmbito sociológico como um todo. Não será nada aprofundado, apenas uma noção para você se situar. Então, vamos que vamos! 1.1 Sociologia como uma Ciência da Sociedade Primeiramente: como nasce uma Ciência? Para iniciarmos os estudos das Ciências Sociais essa é uma pergunta importante para nosso Curso. Quando estudamos o período da formação, da consolidação e da propagação das ideias renascentistas e Iluministas (séculos XVII e XVIII), por exemplo, vemos que as Ciências ligadas ao conhecimento da natureza - como Química, Física e Biologia- foram resultado de experimentos e de observações que passaram a questionar explicações religiosas para o mundo, entre outras visões consideradas dogmáticas. Nessa linha, podemos dizer que a crítica científica nasce a partir de um questionamento a uma realidade dada e, muitas vezes, estabelecida como senso comum. Em muitos sentidos, as Ciências nasceram da tensão, na vida social, entre conservar o mundo tal como ele era ou revolucioná-lo. Por isso que: O emprego sistemático da razão, do livre exame da realidade – traço que caracteriza os pensadores do século XVII, os chamados racionalistas -, representou um grande avanço para libertar o conhecimento do controle teológico, da tradição, da “revelação” e, consequentemente, para a formulação de uma nova atitude intelectual diante dos fenômenos da natureza e da cultura.1 1 MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia? São Paulo: Editora Brasiliense. u, p. 18. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 6 117 Pense, por exemplo, no debate resgatado por Copérnico (1473-1543) e Galileu (1564-1642) sobre a teoria da Terra esférica, durante a Renascença. Digo resgatado porque a filosofia da antiguidade grega, ou seja, em um tempo antes de Cristo, já levantava a hipótese de que a Terra seria redonda e não plana. O questionamento provocado tanto pelo conhecimento da teoria da esfericidade da Terra, quanto pela teoria heliocêntrica2, além de questionar dogmas, passou das ideias à prática, quando as grandes navegações marítimas (séculos XV e XVI) começaram a conquistar o mundo e confirmaram que, de fato, a Terra é redonda. Assim, podemos inferir que as ideias em um determinado período histórico e os eventos da época estão interligados, gerando um movimento que se retroalimenta por meio de novas ideias e contextos. No caso da Sociologia, seu surgimento está intrinsecamente ligado às transformações sociais na Europa dos séculos XVIII e XIX. Mas profe, quais eram essas transformações, que contexto é esse? Queridos e queridas, a Sociologia surgiu no contexto das transformações ocorridas na sociedade europeia do século XVIII e, especialmente, do século XIX. Isso porque foi nesse momento que ideias e contextos começaram a alterar a forma de perceber e analisar a realidade. Nesse sentido, podemos pontuar 2 fatores: 2 Durante muito tempo, entre a Idade Média e o Renascimento, questionou-se: é o Sol que gira ao redor da Terra ou é aTerra que gira ao redor do Sol? Essa pergunta já foi motivo de grandes disputas, condenações e mortes na fogueira. O heliocentrismo afirma que é a Terra que gira ao redor do Sol. Nesse sentido, uma visão que confrontou dogmas religiosos que alegavam o contrário. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 7 117 Dentre os fatores históricos que levaram ao estudo da sociedade enquanto Ciência, a partir do século XIX, destaco: a crescente complexidade das relações sociais após a Revolução Industrial; novas relações econômicas, socias e culturais estabelecidas entre diferentes civilizações. 1.2 A Sociologia no contexto da Revolução Industrial Os homens e as mulheres desse período se depararam com novas formas de organização da vida em sociedade. Repare, caro e cara aluna, que surgiram grandes cidades industriais e centros urbanos. A Europa passou por um rápido crescimento demográfico. Nessas aglomerações humanas não havia estrutura habitacional suficiente, não havia saneamento básico que comportasse tantas pessoas, não havia sistema de saúde que atendesse os doentes, em suma, as condições de vida eram precárias e caóticas. Com isso, diversos problemas sociais apareceram: suicídios; vícios, como alcoolismo; aumento da criminalidade; violência contra crianças e mulheres; doenças, como a cólera; etc. É claro que a miséria não foi uma produção do capitalismo. Mas a escala desses problemas saltava aos olhos do mais distraído observador social e as velhas respostas não geravam soluções, porque, afinal, os motivos dos problemas eram distintos. Guarde, também, os seguintes traços da sociedade industrial observados pelos homens no começo do século XIX: a) A indústria se baseia na organização cientifica do trabalho. Em vez de organizar segundo o costume, a produção passou a ser ordenada baseada no rendimento máximo; b) A indústria e a organização racional do trabalho favoreceram o desenvolvimento prodigiosamente dos recursos; B a ir ro I n g lê s, n o i n íc io d a R ev o lu çã o I n d u st ri a l/ Sh u tt er st o ck Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 8 117 c) A produção industrial levou à concentração dos trabalhadores nas cidades, fábricas e nas periferias das cidades. Ou seja, o surgimento de um novo fenômeno social: as massas operárias; d) Novos conflitos sociais aparecem, com destaque para a oposição latente entre empregados e empregadores, ou entre proletários e capitalistas; e) Contraste entre ampla riqueza criada pela industrialização e a pobreza em abundância, ou seja, desigualdades sociais; f) O sistema econômico passou a ser caracterizado pela liberdade nas trocas de mercadoria, pela busca de melhores lucros por parte dos empresários e comerciantes. Juntamente, o Estado redefiniu seu papel, pois o grau de intervenção estatal nos negócios econômicos diminui, comparando-se como no Antigo Regime. Além disso, o contraste entre o avanço tecnológico, de um lado, e miséria, do outro, produzia intensos debates no meio acadêmico e intelectual. Algumas perguntas investigativas passaram, então, a serem feitas por pensadores: ➢ quais seriam as possíveis explicações racionais para fenômenos como o grande deslocamento de massas do campo para as cidades? ➢ como entender os processos de mobilidade social? ➢ Como resolver todas as mazelas do povo? Em linhas gerais, o importante desse processo de grandes transformações no pensamento e na vida material das sociedades é você “sacar” que as primeiras elaborações consideradas sociológicas expressavam uma preocupação sobre os efeitos do capitalismo na ordem social. E aqui entra a centralidade do tema trabalho. Isso porque, “o fato novo que chama a atenção de todos os observadores da sociedade, no princípio do século XIX, é a indústria”3. Assim, diversos pensadores, cada qual com sua perspectiva e elaboração, discordavam em muitos aspectos, mas concordavam que as novas condições de vida, após os processos da “dupla revolução”, passaram a produzir fenômenos sociais inteiramente novos. Por isso, é possível 3 Idem, p. 79. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 9 117 considerar os estudos da sociedade entre os séculos XVIII e XIX como uma resposta intelectual às novas situações colocadas pós-Revoluções4. O pesquisador e sociólogo Carlos Benedito Martins, assim resume o momento histórico mais “macro” do aparecimento da Sociologia: O seu surgimento ocorre num contexto histórico específico, que coincide com os derradeiros momentos da desagregação da sociedade feudal e da consolidação da civilização capitalista. A sua criação não é obra de um único filósofo ou cientista, mas representa o resultado da elaboração de um conjunto de pensadores que se empenharam em compreender as novas situações de existência que estavam em curso.5 (grifos nossos) Diante do debate apresentado, podemos concluir que, no contexto da “dupla revolução”, a ordem social, ou a sociedade, ou as relações sociais, enfim, a vida em coletividade, passou a ser o OBJETO DE ESTUDO das Ciências Humanas. Nesse sentido, as relações social de trabalho ganharam relevo. Repare que a Revolução Industrial foi determinante para que os pensadores sociais "virassem a chave" e passassem a melhor compreender os fenômenos da produção da riqueza e dos modos de vida. Desse modo, o trabalho aparece como uma categoria fundamental para ser compreendida. Não por menos, o Edital do CNU contém o seguinte conteúdo: "Fases históricas iniciais da industrialização: 2.1 Artesanato, manufatura, maquinofatura e mecanização da produção. 2.2 A Revolução Industrial e o capitalismo industrial", assuntos de nossa próxima Aula. Nesta aula, vamos estudar os tópicos teóricos e históricos, como segue: 1 A Sociologia do trabalho e seu objeto de estudo: 1.1 O trabalho como uma categoria do pensamento sociológico. 1.2 O Conceito de Trabalho. 3.1 O trabalho no pensamento clássico (Parte 1). 1.6 Divisão do trabalho e distribuição de tarefas. 3.3 Divisão social do trabalho. 3.4 Divisão sociossexual e racial do trabalho 1.7 Processo de trabalho e organização de trabalho. 1.8 O trabalho humano e sua evolução histórica: trabalho escravizado, trabalho feudal em servidão, trabalho livre desprotegido. 4 MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia? São Paulo: Editora Brasiliense. 2010, p. 16. 5 MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia? São Paulo: Editora Brasiliense. 2010, pp. 10-11. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 10 117 2. O OBJETO DE ESTUDOS DA SOCIOLOGIA DO TRABALHO Esta Seção, a Seção 3.0 e a 4.0 cobrem os pontos 1.1 O trabalho como categoria do pensamento sociológico e o 1.8 dos seu Edital - O trabalho humano e sua evolução histórica: trabalho escravizado,trabalho feudal em servidão, trabalho livre desprotegido. Considerando que o mundo do trabalho6 é apenas uma das dimensões de um amplo espectro de transformações radicais que afeta nossas vidas, podemos identificar o objeto de estudo da Sociologia do Trabalho nas relações sociais no contexto laboral, investigando as interações entre os indivíduos, grupos e instituições no ambiente de trabalho. A Sociologia do Trabalho dedica-se a compreender as dinâmicas sociais, estruturas de poder, desigualdades e transformações que ocorrem no mundo do trabalho. Assim, a especificidade do ramo da Sociologia do Trabalho reside no seu enfoque particular na compreensão da organização e evolução do mundo do trabalho na sociedade. Com efeito, a Sociologia do Trabalho dedica-se a investigar as relações de trabalho e a analisar as implicações sociais decorrentes dessas relações. Podemos sistematizar os aspectos-chave da especificidade da Sociologia do Trabalho da seguinte maneira: Organização e Evolução do Mundo do Trabalho: analisa como as estruturas organizacionais se formam e evoluem ao longo do tempo. Investigação das mudanças nas práticas de trabalho, tecnologias e formas de emprego. Relações de Trabalho: enfoca as interações entre empregadores e empregados, bem como as dinâmicas de poder presentes no ambiente de trabalho. Considera as negociações, conflitos e formas de cooperação dentro das relações laborais. Implicações Sociais do Trabalho: examina como as relações de trabalho impactam não apenas os indivíduos, mas as comunidades e a sociedade como um todo. Avaliação das consequências sociais das mudanças nas condições de emprego, desigualdades laborais e práticas de gestão. Desigualdades e Dinâmicas Sociais: investigação das desigualdades relacionadas a gênero, raça, classe social e outros fatores, no contexto do ambiente de trabalho. Compreensão das dinâmicas sociais que moldam as oportunidades e desafios enfrentados pelos trabalhadores. 6 Utilizo a expressão “mundo do trabalho” porque ela é bastante referenciada dentre os sociólogos especialistas no tem, como o professor Ricardo Antunes, da Unicamp, e Ruy Braga, da USP. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 11 117 Movimentos Trabalhistas e Ativismo: estudo dos sindicatos, movimentos trabalhistas e iniciativas de ativismo que buscam melhorar as condições laborais e promover direitos dos trabalhadores. Ao se concentrar nessas áreas, a Sociologia do Trabalho fornece uma visão aprofundada das complexidades do ambiente laboral, contribuindo para a compreensão mais ampla das dinâmicas sociais e econômicas em uma sociedade. Essa abordagem específica destaca a importância de analisar as relações de trabalho como um componente vital da estrutura social. A título de exemplificação e já localizando a discussão na Realidade Brasileira, a "Sociologia do Trabalho e o seu objeto de estudo se configuraram, historicamente, muito vinculados às realidades sociais, políticas e econômicas de cada país[1]. No caso Brasil, a Sociologia do Trabalho se deparou com as peculiaridades de uma nação que teve mão de obra escrava até fins do século XIX, de uma economia dependente, de industrialização tardia e de uma frágil estruturação do mercado de trabalho"7. (grifo nosso) 2.1 O Conceito de Trabalho Mas, afinal, o que é trabalho? Parece fácil, afinal, todo mundo aqui está lutando por um "trabalho". Mas, para efeitos de prova, vamos teorizar um pouquinho. O papel do trabalho na compreensão do indivíduo na vida nos remete a pensadores que "fundaram o pensamento social. Mesmo antes do estabelecimento da sociologia como disciplina, pensadores já destacavam o trabalho como um elemento central e de grande importância. Entre esses pensadores, Hegel se destaca como um dos mais influentes. Hegel, em seu sistema filosófico, desenvolveu uma visão abrangente do trabalho, enxergando-o como um componente essencial para a análise do homem em relação à natureza e à formação da consciência. Em sua abordagem, o trabalho não apenas é considerado a fonte de riqueza e de civilização, mas é percebido como um processo de exteriorização dialética do sujeito. O filósofo sustentava a tese de que o trabalho atua como um elemento mediador na relação entre o homem e a natureza, oferecendo suporte para a formação da consciência. Em outras palavras, é por meio do trabalho que o homem decodifica a natureza, utilizando-a de maneira instrumental e libertando-se da tirania imposta por aquela. 7 BRIDI, Maria Aparecida. BRAGA, Ruy. SANTANA, Marco Aurélio. Sociologia do Trabalho no Brasil hoje: balanço e perspectivas. Revista Brasileira de Sociologia, vol. 6, núm. 12, pp. 42-64, 2018. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 12 117 Essa concepção fundamentou o sistema de necessidades de Hegel, no qual o trabalho é pensado como elemento de mediação entre as necessidades subjetivas e as necessidades do outro. Os produtos do trabalho desempenham o papel de mediadores entre esses dois polos, uma vez que as necessidades do outro assumem um status de necessidade pessoal. A satisfação de uma necessidade subjetiva torna-se possível na medida em que o trabalho adquire uma dimensão social, ou seja, geral. Embora reconhecendo a complexidade abstrata do sistema filosófico de Hegel, é inegável sua importância para a compreensão do trabalho na formação do pensamento social e, em especial, no pensamento sociológico, como veremos a seguir. Sua abordagem permitiu analisar o trabalho em relação a dois polos distintos: como exteriorização do sujeito e como interiorização do social. Na tradição sociológica que se seguiu, o trabalho manteve-se como uma categoria central. Autores como Karl Marx, Max Weber e Émile Durkheim, na construção de suas teorias, reafirmaram a centralidade do trabalho na análise da vida social. Assim, o trabalho não é apenas um componente econômico, mas uma força que molda as relações sociais, a estrutura da sociedade e a própria identidade do indivíduo. Mais abaixo, veremos esta diferenciação no debate dos sociólogos com Adam Smith. 2.2 Trabalho para Marx, Weber e Durkheim A sociologia clássica e suas ramificações consagraram o trabalho como um elemento fundamental para a compreensão das sociedades. Hegel, ao apresentar uma visão filosófica profunda sobre o trabalho, deixou um legado que influenciou significativamente a sociologia, contribuindo para a formação de uma perspectiva rica e abrangente sobre a importância do trabalho na vida social. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 13 117 Karl Marx (1818-1883) herdou a tradição hegeliana e isso fez com que construísse conceitos e análises baseados no trabalho: classes sociais, luta de classes, capital, trabalho, força de trabalho, exploração capitalista, entre outros. Mas, além disso, Marx consolidou na tradição sociológica a noção de trabalho como a "eterna necessidade natural da vida social", ou seja, meio pelo qual o homem como ser social conseguiu se impor sobre a natureza, transformando-a enquanto mudava a si mesmo. Por meiodo trabalho ocorre uma dupla transformação, visto que o ser social que trabalha atua sobre a natureza e desenvolve as potências nela escondida ao mesmo tempo em que ele mesmo se autotransforma. Guarde esta noção, pois ela será importante para os estudos sobre alienação do trabalho em aula futura. Por ora, é importante destacar que vem de Karl Marx a compreensão de que a posição do trabalhador no processo produtivo é o princípio organizador da estrutura social; de que a dinâmica do desenvolvimento é pautada pelos conflitos gerados em torno da exploração no plano das relações de trabalho, e de que a racionalidade capitalista industrial é a responsável pela continuidade do desenvolvimento das forças produtivas . "trabalho é tanto o processo quanto o produto de trabalho produtivo. Quando um carpinteiro fabrica uma estante e a vende, o que está sendo vendido é trabalho, o valor do qual está contido na estante. Nesse sentido, o conceito de trabalho descreve não apenas uma atividade, mas uma relação especial entre o indivíduo, o trabalho e os frutos desse trabalho" Outro sociólogo fundamental cuja concepção de trabalho que devemos ter em mente é Max Weber (1864- 1920). Ele analisou a concepção moderna de trabalho. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 14 117 Weber destacou, em particular, a influência da ascese protestante (ética protestante) e outras visões de mundo, tanto intra quanto extramundanas, na configuração do trabalho como uma vocação . Este conceito transformou não apenas a mentalidade individual, mas também as estruturas sociais, especialmente no contexto do surgimento da burguesia. A ética protestante, de acordo com Weber, desempenhou um papel crucial ao converter o burguês em um homem de negócios racional. Essa visão de mundo não apenas justificava, mas também promovia a dedicação ao trabalho como uma expressão do destino designado por Deus para a vida das pessoas. Os trabalhadores, por sua vez, eram incentivados a adotar uma abordagem sóbria, consciente e comprometida com o trabalho, considerando-o como parte essencial do plano divino. A análise de Weber vai além ao evidenciar o papel do trabalho na composição da racionalidade capitalista. Ele ressalta como a racionalidade estratégica do cálculo capitalista tornou-se a força motriz predominante na racionalização da sociedade. Nesse contexto, o trabalho é desvinculado de critérios tradicionais de referência doméstica e de satisfação pessoal do indivíduo, passando a ser orientado por uma lógica calculista e pragmática. Ao explorar essas dinâmicas, Weber contribuiu significativamente para a compreensão da transformação do significado e do papel do trabalho na sociedade moderna. Sua análise ressalta não apenas os aspectos econômicos, mas também os aspectos culturais e religiosos que moldaram a visão de mundo e a ética do trabalho, desempenhando um papel crucial no aprimoramento do capitalismo e na configuração do panorama societário contemporâneo. Émile Durkheim (1858-1917), pioneiro da sociologia francesa e considerado um dos pais fundadores da Sociologia, ofereceu uma significativa contribuição para a sociologia do trabalho, enfocando a atividade laboral como essencial para compreender a estrutura social. Ele enfatizou a importância da divisão social do trabalho na formação da sociedade industrial moderna. Assim, para Durkheim era o processo de interação do indivíduo na sociedade. Ainda nesta aula, veremos de forma mais aprofundada as contribuições deste pensador (Seção 5). Assim, para o pensador francês, o trabalho não era apenas como uma prática individual, mas uma atividade social abrangente, abarcando a produção e a troca de bens e serviços. Ele também defendeu que a atividade laboral é uma fonte de realização pessoal e contribuição para a sociedade, conferindo significado à vida e Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 15 117 moldando a identidade social. Assim, Durkheim ressaltou o trabalho como elemento fundamental na coesão social. Faça a questão abaixo para treinar e aprender CETREDE - 2019 - Sociólogo (Pref Juazeiro do N) De acordo com a Ontologia do ser social, os seres humanos distinguem- se do conjunto da Natureza por terem um modo de ser particular. O que funda o ser social é o (a) A) linguagem. B) política. C) trabalho. D) desigualdade. E) luta de classes. Comentários: Karl Marx O trabalho é fonte de riqueza O trabalho é fonte de exploração e alienação O trabalho pode ser fonte de “morte” Émile Durkheim A divisão social do trabalho gera solidariedade orgânica Supõe-se que os homens são diferentes e interdependentes Coesão social Max Weber Ação social orientada por um objetivo racional: obter lucros e, ao mesmo tempo, o sinal da salvação divina. Cada sociedade tem uma forma específica de compreender e organizar o trabalho. Trabalho é cultural Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 16 117 A Ontologia do ser social refere-se ao estudo filosófico da natureza do ser social, buscando compreender as características essenciais que distinguem os seres humanos do restante da natureza e isso é, segundo a tradição hegeliana, herdada por Marx, trabalho. O trabalho é considerado o fundamento ontológico do ser social, uma vez que a atividade laboral desempenha um papel central na organização da vida humana e na formação da sociedade Portanto, gabarito é alternativa C. Vamos analisar as outras opções e justificar por que não se trata da ontologia do ser social: A) Linguagem: A linguagem desempenha um papel crucial na vida social e é uma característica distintiva dos seres humanos. No entanto, do ponto de vista da ontologia do ser social, a linguagem é mais uma manifestação ou dimensão da existência humana do que o fundamento ontológico em si. A ontologia busca princípios mais fundamentais que expliquem a natureza essencial do ser social, e o uso da linguagem é uma expressão dessa natureza, mas não o seu fundamento. B) Política: A política é uma dimensão importante da vida social, mas não é o fundamento ontológico do ser social. A política refere-se à organização e gestão da sociedade. D) Desigualdade: A desigualdade social é uma característica que pode emergir no contexto da sociedade, mas não é o fundamento ontológico do ser social. E) Luta de classes: A luta de classes é um conceito associado à teoria sociológica desenvolvida por Karl Marx. Embora seja relevante para compreender dinâmicas sociais, não constitui o fundamento ontológico do ser social. Gabarito: C György Lukács, um filósofo e teórico marxista húngaro, abordou o conceito de trabalho como a ontologia social em sua obra "História e Consciência de Classe". Trabalho em Lukács: Para Lukács, o trabalho é central na ontologia social, representando a atividade humana que transforma a natureza e, ao mesmo tempo, transforma os próprios indivíduos. Ele destaca a dimensão ontológica do trabalho, argumentando que é por meio do trabalho Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ªAlessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 17 117 que os seres humanos se relacionam ativamente com o mundo e constroem sua própria humanidade. O trabalho é visto como a mediação entre os seres humanos e a natureza, sendo a atividade pela qual a consciência e a objetividade se encontram. Lukács enfatiza que o trabalho é uma atividade prática e teleológica, ou seja, orientada para objetivos. É por meio do trabalho que os seres humanos projetam seus objetivos, moldam a realidade de acordo com suas necessidades e, assim, constroem sua própria existência social. Portanto, para o pensador húngaro, o trabalho desempenha um papel fundamental na ontologia social, sendo a atividade que conecta os seres humanos à sua própria humanidade. Harry Braverman: Autor de "Trabalho e Capital Monopolista", Braverman analisa a desumanização do trabalho nas sociedades capitalistas. Ele destaca como a gestão científica e a tecnologia impactam negativamente a experiência dos trabalhadores. Antonio Gramsci: Gramsci introduz o conceito de hegemonia, explorando como as ideias e valores associados ao trabalho são difundidos na sociedade. Ele examina como a classe dominante mantém sua influência cultural. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 18 117 3. O TRABALHO COMO UMA CATEGORIA DO PENSAMENTO SOCIOLÓGICO Podemos afirmar que o trabalho é uma categoria do pensamento sociológico porque, ao longo do desenvolvimento da sociologia como disciplina acadêmica, o trabalho emergiu como um fenômeno central para a compreensão das dinâmicas sociais, econômicas e culturais. Portanto, na medida em que a sociedade ocidental, transformada pela revolução industrial e pelo capitalismo, se desenvolveu e fez do trabalho sua principal mercadoria e o mecanismo de geração de valor e de alavanca para o processo de acumulação capitalista, o trabalho se impôs como categoria central e fundamental para o entendimento dessa sociedade.8 Assim, se trabalho "constrói" - ou estrutura a sociedade, então, ele é categoria explicativa das relações sociais. Logo, uma categoria central para a Sociologia. Se considerarmos as respostas fornecidas entre o final do século XVIII e o final da I Guerra Mundial às questões relativas aos princípios organizativos da dinâmica das estruturas sociais, certamente chegaremos à conclusão de que ao trabalho foi atribuída uma posição-chave na teoria sociológica. O modelo de uma sociedade burguesa gananciosa, preocupada com o trabalho, movida por sua racionalidade e abalada pelos conflitos trabalhistas constitui - não obstante suas diferentes abordagens metodológicas e conclusões teóricas - o ponto focal das contribuições teóricas de Marx, Weber e Durkheim.9 A sociologia, enquanto ciência que busca compreender a sociedade e suas estruturas, dedica uma atenção significativa ao estudo do trabalho por várias razões: 8 CARDOSO, Luís Antonio. A categoria trabalho no capitalismo contemporâneo. Revista Tempo Social, 2011, pp. 265-295. 9 OFFE, Claus. TRABALHO: a categoria-chave da sociologia? Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 19 117 Centralidade na Vida Social: o trabalho é uma atividade humana fundamental que desempenha um papel central na organização da vida social. Ele influencia não apenas a subsistência econômica, mas também a estruturação das relações sociais, identidades individuais e coletivas, e as dinâmicas de poder. Impacto nas Relações Sociais: a forma como o trabalho é organizado e distribuído afeta diretamente as relações sociais. A divisão do trabalho, por exemplo, cria padrões de interdependência entre diferentes grupos e indivíduos, moldando a estrutura social e as hierarquias existentes. Reflexos nas Desigualdades Sociais: o acesso ao trabalho, os tipos de empregos disponíveis e as condições laborais têm implicações diretas nas desigualdades sociais. A sociologia explora como as estruturas sociais influenciam a distribuição desigual do trabalho e suas consequências para grupos específicos na sociedade. Transformações Econômicas e Sociais: o trabalho é sensível às mudanças econômicas e sociais, e seu estudo permite compreender as transformações ao longo do tempo. Desde a Revolução Industrial até as formas contemporâneas de emprego, a Sociologia analisa como essas mudanças afetam as relações sociais, a identidade e as instituições. Construção de Identidade: o tipo de trabalho que uma pessoa realiza muitas vezes contribui para a construção de sua identidade. A sociologia explora como as ocupações e as experiências laborais moldam a autopercepção e a forma como os outros percebem os indivíduos na sociedade. Relação com Outras Instituições Sociais: O trabalho está interligado com outras instituições sociais, como a família, a educação e o governo. A sociologia investiga como essas instituições influenciam e são influenciadas pelo mundo do trabalho. Portanto, ao reconhecer o trabalho como uma categoria do pensamento sociológico, estamos reconhecendo sua relevância para a compreensão das estruturas e dinâmicas sociais. O trabalho não é apenas uma atividade econômica; é um fenômeno social complexo que permeia todas as camadas da sociedade, influenciando e sendo influenciado por uma variedade de fatores sociais, culturais e históricos. Essa abordagem sociológica proporciona uma compreensão mais profunda das relações humanas e das estruturas sociais que moldam a vida em sociedade. O debate sobre a centralidade do trabalho como categoria sociológica é vasto. Para efeitos de prova, vou deixar uma listinha de autores e conceitos. Muitos deles veremos ao longo do nosso curso de maneira mais aprofundada. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 20 117 3.1. Breves conceitos: Divisão do Trabalho: A teoria da divisão do trabalho, de Adam Smith a Durkheim, destaca como a especialização e a distribuição de tarefas contribuem para a eficiência econômica e a coesão social, mas também podem gerar desigualdades. Mais baixo, ainda nesta aula, há um desenvolvimento mais aprofundado desta discussão. Alienação: A alienação, conforme proposta por Marx, refere-se à perda de controle e significado no trabalho. A crítica se estende às condições de trabalho capitalistas que podem desumanizar os trabalhadores (aprofundaremos este conceito na Aula sobre Karl Marx). Trabalho Imaterial e Pós-Fordismo: Autores contemporâneos, como Maurizio Lazzarato e Antonio Negri, exploram o trabalho imaterial na era digital, destacando como as formas de trabalho evoluíram além da produção industrial tradicional. Feminismo e Trabalho: Autoras como Silvia Federici e Heidi Hartmann criticam a divisão sexual do trabalho, destacando como as mulheres enfrentam desigualdades no mercado de trabalho e em suas responsabilidades domésticas. Globalização e Trabalho Precário: A globalização trouxe mudanças nas formasde trabalho, incluindo o aumento do trabalho precário. Autores como Guy Standing analisam as consequências sociais e econômicas dessas mudanças. 3.2 Perda da centralidade do trabalho como categoria explicativa Nos últimos anos, tem havido discussões teóricas sobre a perda da centralidade do trabalho como categoria explicativa do mundo. Essa reflexão está intimamente ligada a mudanças sociais, econômicas e tecnológicas que afetaram as relações laborais e as formas de organização social. Alguns autores relacionam essas mudanças a uma crise estrutural do capitalismo. A crise estrutural do capitalismo, seguida pelas crises do Estado, da regulação econômica e do tradicional sistema taylorista/fordista, bem como o surgimento de um novo setor produtivo baseado em tecnologias da informação, automação microeletrônica e economia de serviços, levam esses autores a argumentar que esse momento histórico, a partir dos anos de 1960, está associado a uma crise da racionalidade capitalista e, por consequência, da concepção de uma sociedade do trabalho. Vejamos alguns autores dentro desse debate sobre a crise da racionalidade do capitalismo e a perda da centralidade da categoria trabalho como explicativa ada vida social Jürgen Habermas: Habermas argumenta que o valor trabalho tornou-se obsoleto, sendo substituído pela ciência como força produtiva principal. Ele propõe uma nova distinção entre trabalho e interação, destacando a emergência de uma "racionalidade comunicativa". Em seu livro "Teoria da ação comunicativa", o autor reinterpreta a racionalização weberiana, introduzindo a "racionalidade comunicativa" como categoria fundamental. Ele Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 21 117 sugere que o sistema capitalista, ao instrumentalizar o mundo da vida, não consegue colonizá-lo totalmente. Nesse contexto, a esfera comunicacional, centrada na intersubjetividade e interação, assume importância central, deslocando a centralidade do trabalho na sociedade pós-industrial. O autor busca mostrar que há um deslocamento de centralidade das categorias sociais "clássicas", substituindo a esfera do trabalho pela esfera comunicacional como o novo núcleo da utopia na sociedade contemporânea. André Gorz: André Gorz, em seu livro "Adeus ao proletariado," argumenta que a classe operária está desaparecendo devido à crise no sistema europeu de produção e à automação. Ele introduz a ideia da "não-classe-de-não- trabalhadores," composta por pessoas excluídas do mercado formal de trabalho. Essa mudança resulta em uma dualização do mercado de trabalho, com um centro de trabalhadores em tempo integral e uma periferia de trabalhadores parciais e desempregados. Gorz propõe o "adeus ao proletariado" como resposta à revolução microeletrônica, destacando a perda da força de integração social do trabalho. Ele sugere a redistribuição do trabalho socialmente necessário, com a redução do tempo de trabalho e sua distribuição equitativa. Isso permitiria que as pessoas encontrassem significado na totalidade da vida, além do trabalho, e criassem uma sociedade dual com racionalidades distintas: uma econômica e outra não econômica. Claus Offe: Influenciado por Habermas, em eu livro Trabalho & Sociedade, Offe analisa evidências empíricas, destacando três argumentos: a crise da sociedade do trabalho, a capacidade decrescente de absorver mão de obra e a diferenciação interna dos trabalhadores assalariados. Ele argumenta que a sociedade do trabalho do século XX está em crise, perdendo o trabalho assalariado como fator de integração social. Offe observa a transformação do trabalho devido ao declínio do setor industrial, crescimento do setor de serviços, desemprego e expansão do emprego parcial. Ele destaca a perda da ética do trabalho e a ampliação do tempo livre como tendências. Offe propõe que a sociologia deve buscar novas categorias além do trabalho, explorando questões como étnica, gênero e ecologia. Ele enfatiza a necessidade de construir o pensamento social sobre a base comunicacional da nova racionalidade do sistema, que se apoia no espaço vital, modo de vida e cotidiano da sociedade contemporânea. Robert Kurz: Robert Kurz, em seu livro, O colapso da modernização, desenvolve a tese do colapso da modernização e da crise do trabalho abstrato10. Ele argumenta que a modernização, baseada na forma de mercadoria das relações sociais, está em um processo de crise qualitativamente diferente das crises cíclicas, apontando para um possível colapso. Kurz acredita que a crise do sistema mundial de produção vai além da sociedade industrial, do mercado e do Estado, transcendendo a sociedade do trabalho. Com base no avanço tecnológico, especialmente após a crise do fordismo na década de 1970 e o desenvolvimento das novas 10 Trabalho abstrato é um conceito desenvolvido por Marx para explicar que, no processo de produção de mercadorias, há o trabalho concreto – que é o trabalho produtor da utilidade de mercadoria, representando o valor de uso da mercadoria – e o trabalho abstrato – que é o trabalho depositado na produção das mercadorias para a geração do valor de troca, ou seja, impulsionar a reprodução do capital, pois é um trabalho que o trabalhador que fez a mercadoria não o tem mais (é algo abstrato). Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 22 117 tecnologias de informação e comunicação, microeletrônica e automatização, o autor vislumbra a crise do trabalho abstrato (o responsável, na visão marxista, pela reprodução do capital). Segundo Kurz, a intensificação da racionalidade técnica leva o sistema capitalista a perder sua capacidade de explorar o trabalho, resultando na construção paradoxal de sua própria destruição. Ele também destaca a lógica destrutiva da ciência, inaugurando uma "era das trevas" em que o horror não é mais a superexploração do trabalho, mas a ausência dessa exploração para muitos. Kurz propõe que, nesse cenário de decadência social, moral e econômica, o surgimento do terceiro setor pode oferecer uma possibilidade de superação da racionalidade econômica vigente, dando origem a uma nova racionalidade de reprodução social baseada na solidariedade. Ele relaciona a crise do trabalho abstrato ao papel do Estado e do mercado, argumentando que ambos se tornam irrelevantes quando a forma de reprodução social da modernidade perde completamente a capacidade de integração. Por fim, Kurz sugere que a luta pela superação da crise deve ser liderada por um movimento social consciente, capaz de derrubar os aparatos estabelecidos, e destaca o papel das ciências sociais na elevação da consciência crítica da sociedade. (Professora Alê Lopes/inédita/CNU-2024) Deste ponto de vista, encontra-se ampla evidência para a conclusão de que o trabalho - e a posição dos trabalhadores no processo de produção - não é tratado como o mais importante princípio organizador das estruturas sociais, de que a dinâmica do desenvolvimento social não é concebida como nascendo dos conflitos a respeito de quem controla o empreendimento industrial; e de que a otimização das relações entre meios e fins técnico-organizacionais ou econômicos não é considerada a forma de racionalidade que prenuncia um desenvolvimento social posterior. OFFE. Claus. TRABALHO: a categoria-chave da sociologia? Claus Offe propõe a tese da perdada centralidade do trabalho como categoria sociológica fundamental para a compreensão da vida social. De acordo com Offe, a sociedade do trabalho do século XX está em crise porque a) está em uma fase de crescimento econômico contínuo. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 23 117 b) mantém a mesma organização e divisão desde o século XVIII. c) a crise na sociedade do trabalho é temporária e será superada em breve. d) é resultado de uma falta de investimento em tecnologias. e) há uma perda da capacidade de absorção da força de trabalho, uma diminuição da qualidade subjetiva do trabalho e uma diferenciação interna no mercado de trabalho. Comentários a) Incorreta. Os argumentos de Claus Offe indicam, na verdade, uma crise na sociedade do trabalho, destacando a diminuição da capacidade de absorção da força de trabalho, entre outros fatores. b) Incorreta. Offe destaca uma transformação na sociedade do trabalho, marcada por mudanças nas estruturas de emprego, declínio de ocupações no setor secundário, desemprego estrutural e avanço da racionalidade técnica. c) Incorreta. Offe não sugere que a crise na sociedade do trabalho seja temporária; pelo contrário, ele argumenta que há uma perda fundamental na centralidade do trabalho como categoria sociológica. d) Incorreta. Offe não atribui a crise da sociedade do trabalho à falta de investimento em tecnologias; ele destaca fatores como a diminuição da capacidade de absorção da força de trabalho e a perda da qualidade subjetiva do trabalho. e) Correta. Esta alternativa reflete os principais argumentos de Claus Offe, resumindo as mudanças observadas na sociedade do trabalho, incluindo a crise na capacidade de absorção da força de trabalho e a perda da centralidade do trabalho. Gabarito: E Além dos teóricos críticos clássicos dos anos de 1970, temos outros autores e teses mais recentes que valem ser sistematizadas para efeitos de prova. Algumas dessas discussões incluem: Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 24 117 1. Sociedade Pós-Industrial e Pós-Trabalho: Discussão: Autores como Daniel Bell e Alain Touraine argumentam que as sociedades contemporâneas estão se movendo para além da ênfase no trabalho industrial tradicional. Eles destacam a crescente importância de setores de serviços e o aumento do trabalho imaterial, sugerindo que a centralidade do trabalho industrial está diminuindo. 2. Sociedade do Conhecimento e Trabalho Imaterial: Discussão: Autores contemporâneos, como Manuel Castells, exploram a ascensão da sociedade do conhecimento, onde o valor econômico é cada vez mais derivado da produção e circulação de informações. Nesse contexto, o trabalho imaterial, como o trabalho intelectual e criativo, ganha proeminência, desafiando as concepções tradicionais de trabalho. 3. Automação e Desemprego Tecnológico: Discussão: A automação e a inteligência artificial têm levantado questões sobre o impacto futuro do trabalho. Autores como Jeremy Rifkin argumentam que a automação pode resultar em uma diminuição significativa da necessidade de trabalho humano, desafiando a centralidade do trabalho como fonte primária de identidade e sentido na sociedade. 4. Economia da Gig e Precarização: Discussão: A ascensão da economia de gig e formas precárias de emprego levanta questões sobre a estabilidade e segurança no trabalho. Autores como Guy Standing, em seu conceito de "precariado", exploram as implicações sociais dessas mudanças, sugerindo uma transformação nas relações de trabalho e nas estruturas sociais tradicionais. 5. Críticas Feministas à Centralidade do Trabalho: Discussão: O feminismo, especialmente a corrente feminista pós-moderna, critica a centralidade do trabalho na teoria tradicional, argumentando que muitas vezes essa abordagem negligencia as experiências das mulheres, suas contribuições não remuneradas e a complexidade das interseções entre gênero e trabalho. 6. Desafios à Identidade pelo Trabalho: Discussão: Autores como Richard Sennett e Zygmunt Bauman abordam como as mudanças na natureza do trabalho afetam a construção de identidade. A instabilidade no emprego e a natureza fragmentada do trabalho contemporâneo desafiam a concepção tradicional de trabalho como fonte primária de identidade social. 7. Ecologia e Redefinição do Valor: Discussão: Autores ecologistas, como André Gorz, argumentam que a obsessão pela produção e consumo incessantes, relacionada à centralidade do trabalho, é insustentável e deve ser repensada em face dos Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 25 117 desafios ambientais. Eles propõem uma redução do tempo de trabalho como parte de uma redefinição mais ampla de valores. Essas discussões teóricas refletem uma conscientização crescente sobre a necessidade de repensar a centralidade do trabalho em meio a transformações sociais, econômicas e culturais significativas. A diversificação das formas de emprego, a automação, a economia da gig e as questões ambientais são alguns dos fatores que têm levado os teóricos a considerar novas maneiras de compreender as dinâmicas sociais contemporâneas. Seja como forma, ao mesmo tempo que o “trabalho” é uma categoria central para analisar sociedades, ele tem sido objeto de críticas e reflexos, pois autores têm vislumbrados alternativas. É importante ter noção desta ponderação para não sermos surpreendidos na hora da prova. Agora, para fixarmos a importância da categoria “trabalho”, vamos estudar a perspectiva histórica sobre trabalho, na próxima Seção. 4. O trabalho humano e sua evolução histórica O valor moral e o sentido que a sociedade atribui ao trabalho diferenciou-se ao longo do tempo histórico. Para Max Weber, por exemplo, para cada tipo de trabalho temos uma concepção sobre ele, ou seja, uma ética que dá sentido ao trabalho empregado em determinadas formas de organização social. Na sociedade Ocidental atual, atribuímos um valor positivo e progressista ao trabalho. Desde pequeninhas, as crianças respondem as perguntas dos adultos: "e aí, o que você vai ser quando crescer?" Ai que lindinho, quer ser bombeiro, enfermeira, cantora, médico, jornalista, patinadora, advogada, auditor fiscal do trabalho.... e por aí vai. Até que você chega na adolescência, ensino médio e vem nova pergunta: e aí vai prestar vestibular para quê? Então, espera-se que alguns tenham superado aqueles sonhos de criança...esperam algo que seja “economicamente sustentável”, socialmente reconhecido, empregável, aceito no mercado, dentre N motivos. Mas o que você quer dizer com isso, Profe? Quero dizer que na sociedade em que vivemos o trabalho é aceito e desejado. As pessoas são preparadas para ocuparem seus lugares no “mundo do trabalho”. O desemprego é considerado um problema social e, incessantemente, buscam-se soluções para combatê-lo. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho- 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 26 117 É verdade que existem outros tantos problemas, como o trabalho infantil, as diferenças de oportunidades a partir da raça, classe, cor ou nacionalidade das pessoas. Teremos a oportunidade de estudar isso no nosso curso. Simbolicamente, para você, deve ser mais fácil entender o que estamos inferindo. Mas será que sempre foi assim? ✓ Será que o trabalho sempre foi visto como uma forma de acessar uma melhor condição de vida? ✓ Será que o trabalho infantil sempre foi considerado um problema? ✓ Será que o ócio e a desocupação sempre foram combatidos pelas sociedades? ✓ Será que a desigualdade salarial determinada pelo sexo sempre foi criticada? Assim, precisamos desenhar um panorama pelos momentos históricos mais significativos a fim de entender os sentidos que cada sociedade atribui à atividade laboral. Esse recurso é fundamental para você exercer comparações com as relações de trabalho no capitalismo, assunto que será cobrado na prova, certamente. Vamos lá? 4.1 - O trabalho nas Sociedades Coletivistas A organização da produção nas Sociedades Coletivistas pode ser considerada de baixa complexidade se comparada com o que conhecemos em nossos dias. Conceitos como “acumulação”, “lucro”, “investimento”, passam longe dessas sociedades. Ou seja, não há um paralelo entre o que a História Europeia (desde Antiguidade Clássica, Era Medieval, até os dias atuais) vivenciou como trabalho e o que foi vivenciado. Nas "Sociedades Coletivistas" - ou coletivistas -, não existia uma hierarquia ou separação do trabalho por classes sociais, mas apenas uma simples divisão de tarefas por sexo e idade. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 27 117 As tarefas são realizadas por equipamentos/instrumentos considerados pelos padrões atuais como simples e rudimentares. Claro, reforço que essa perspectiva é segundo os padrões da modernidade, pois para o tempo e contexto dessas sociedades os instrumentos atendiam às exigências sociais em que as pessoas viviam. A atividade laboral era concentrada em: caça, pesca, pequena agricultura, extrativismo vegetal, metalurgia rudimentar. Contudo, se do ponto de vista do trabalho em si, pode-se considerar pouco complexa a interação entre homem e natureza, do ponto de vista subjetivo dessas sociedades são muito complexas, com suas crenças e mitos. Não por menos que aprendemos com Émile Durkheim que a coesão social é gerada de forma mecânica pelos costumes, crenças e mitos. Sobre essa Sociedades, o antropólogo norte-americano Marshall Sahlins as denomina de “sociedades da abundância” ou “sociedades do lazer”, pois seus membros tinham suas necessidades materiais disponíveis em abundância (na natureza) e trabalhavam poucas horas por dia, apenas o necessário para a subsistência. Veja que interessante, um exemplo da atualidade, que nos ajuda a aplicar alguns conceitos aprendidos até aqui: Os indíginas Yanomami, da Amazônia, em geral, dedicam-se pouco mais de 3 horas por dia às atividades de trabalho em si, consideradas como produção. Já os Kung, do deserto do Kalahari, na África, dedicam-se por volta de 4 horas por dia. E por que isso profe? Veja, são especulações, mas é certo que os membros das Sociedades Coletivistas, se relacionam de forma diferente com a natureza, com o meio em que vivem, comparando- se com o nosso estilo de vida predador da natureza. A terra, para essas sociedade que destoam do padrão europeu ocidental, está recheada de significação simbólica, ou seja, possui valor cultural. Se agregarmos uma concepção marxista nesta especulação, diríamos que nas "Sociedades Coletivistas" homem e natureza não estão separados, não houve a alienação do trabalho, o estranhamento entre as duas partes, há uma conexão. Pegou a reflexão sociológica? Ainda estudaremos o conceito de alienação do trabalho, mas guarde isso. Outra especulação é a que nos apresenta o antropólogo francês Pierre Clastres. Para ele as "Sociedade Coletivistas" possuem um determinado tipo de relações de trabalho que não Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 28 117 são baseadas na necessidade de acumulação de bens ou alimentos, os quais estão sempre à disposição na natureza. Diante de sua forma de relacionamento com o meio em que vivem, não é correto dizer que nelas há um mundo do trabalho, tal como se concebe modernamente. Aqui, o trabalho moderno não tem um valor preponderante. Isso porque, a ideia de “mundo do trabalho” está intimamente relacionada a sociedades que se desenvolveram e se estruturaram por conta do trabalho, nas quais essa categoria, TRABALHO, possui valor preponderante por ter alterado/transformado o meio em que se vive. Pegou a referência? 4.2 - O trabalho nas Antiguidades Clássica e Medieval As imagens remetem a tipos, ou formas, de trabalho diferentes em momentos históricos distintos. Na antiguidade clássica, como na Roma Antiga, o regime escravista organizava a forma de produção de riquezas e as demais esferas da vida social. Já no período medieval, as relações feudais, com destaque para o trabalho servil empregado na terra, determinavam as relações entre as classes, ou melhor, os estamentos (senhores, cavaleiros, servos e cleros). Podemos sistematizar dois tipos de relações de trabalho nas Antiguidades Clássica e Medieval: Modo de produção escravista: A vida cotidiana é sustentada por aqueles que estão submetido à escravidão. Apesar de ser a característica principal das sociedades que se fundamentavam no regime escravista, como a grega e a romana, o trabalho escravo existiu até o final do século XIX. Somente após as lutas abolicionistas é que essa condição passou a ser rejeitada pela humanidade. É claro, há exceções, pois, hoje em dia, fala-se em trabalho em condições Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 29 117 análogas/semelhantes ao trabalho escravo. Contudo, discutiremos esse assunto mais contemporâneo no momento certo. Nas sociedades em que predominou o modo de produção escravista os escravos eram, em geral, prisioneiros de guerra. Já os trabalhadores livres, em menor proporção, dedicavam-se ao artesanato e ao campesinato. Essas duas categorias de trabalhadores também estavam subordinadas às classes proprietárias. Vale lembrar que, em Atenas (Antiguidade Clássica Grega), os cidadãos não trabalhavam e, para que essa condição existisse, os escravos eram peça chave no sistema grego. Para que os cidadãos tivessem tempo para se dedicar às atividades da Polis, o trabalho escravo era essencial. Por sua vez, o trabalho era considerado algo menor, ruim. O que os cidadãos atenienses valorizavam, por exemplo, era o tempo livre para pensar e filosofar. O trabalho no mundo greco-romano Em Atenas, na época clássica, quando poetas cômicos qualificavam um homem por seu ofício (Eucrates, o comerciante de estopa; Lisicles, o comerciante de carneiros), naõ era precisamente para honrá-los; só é homem por inteiro quem vive no ócio. Segundo Platão, uma cidade benfeitaseria aquela na qual os cidadãos fossem alimentados pelo trabalho rural de seus escravos e deixassem os ofícios para a gentalha: a vida “virtuosa”, de um homem de qualidade, deve ser “ociosa” (...). Para Aristóteles, escravos, camponeses e negociantes não poderiam ter uma vida feliz, quer dizer, ao mesmo tempo próspera e cheia de nobreza: podem-no somente aqueles que têm os meios de organizar a própria existência e fixar para si mesmos um objetivo ideal. Apenas esses homens ociosos correspondem moralmente ao ideal humano e merecem ser cidadãos por inteiro. “A perfeição do cidadão não qualifica o homem livre, mas só aquele que é isento das tarefas necessárias das quais se incumbem servos, artesãos e operários não especializados; estes últimos não serão cidadãos, se a constituição conceder os cargos públicos à virtude levando-se uma vida de operário ou de trabalhador braçal”. Aristóteles não quer dizer que Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 30 117 um pobre não tenha meios ou oportunidades de praticar certas virtudes, mas, sim, que a pobreza é um defeito, uma espécie de vício. (VEYNE, Paul. O Império Romano. In:____.(org). Do Império Romano ao ano mil. São Paulo: Companhia das Letras. 1989. P. 124-125) Modo de produção feudal. Seu embrião remonta às relações servis do fim do Império Romano, tanto porque a população passou a se concentrar no campo, quanto porque o regime do colonato entrou em declínio. Além disso, a atividade comercial entrou em declínio e o fim das guerras diminuiu o trabalho por escravidão. Nesse sentido, a formação social do feudalismo está baseada na estrutura estamental com duas classes elementares para as relações de trabalho: senhores e servos. Estes camponeses eram quem, de fato, trabalhavam na terra para gerar certa riqueza. Veja que interessante, uma espécie de hibridismo: os servos não eram escravos, mas também não eram totalmente livres, pois estavam presos à terra e ao Senhor por meio das obrigações e taxas feudais. Na ordem feudal, ainda sob o enfoque do TRABALHO, pode-se dizer que o clero e os senhores feudais viviam do trabalho alheio. A terra era o principal meio de produção, mas os trabalhadores (os servos) não tinham direito à posse. Como vemos nas aulas de História, a mentalidade feudal era muito influenciada pela Igreja Católica e esta instituição pregava que a divisão desigual da sociedade fazia parte da ordem divina criada por Deus, por isso, deveria ser aceita por todos, sob pena de castigos divinos terríveis. Veja abaixo um texto de um clérigo, Eadmer de Canterbury (ou Cantuária), do século XI, que define bem a visão da época acerca do trabalho: Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 31 117 A razão de ser dos carneiros é fornecer leite e lã, a dos bois é lavrar a terra; e a dos cães é proteger os carneiros e os bois dos ataques dos lobos. Se cada uma destas espécies de animais cumprir a sua missão, Deus protegê-la-á. Deste modo, fez ordens, que instituiu em vista das diversas missões a realizar neste mundo. Instituiu uns – os clérigos e os monges – para que rezassem pelos outros e, cheios de doçura, como as ovelhas, sobre eles derramasem o leite da pregação e com a lã dos bons exemplos lhes inspirassem um ardente amor à Deus. Instituiu os camponeses para que eles – como fazem os bois, com seu trabalho – assegurassem a sua própria subsistência e a dos outros. A outros, por fim – os guerreiros -, instituiu-os para que mostrassem a força na medida do necessário e para que defendessem dos inimigos, semelhantes a lobos, os que oram e os que cultiva a terra11. (grifos nossos) Perceberam o sentido que era atribuído ao trabalho e quem deveria, exclusivamente, trabalhar? 11 Eadmer de Cantebury. Apud. COTRIM, Gilberto. História Global. Brasil e Geral. São Paulo: Ed. Saraiva, 2012, p. 179. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 32 117 4.3 - O trabalho na Sociedade Moderna Com a crise da ordem feudal, a partir do século XIII, o centro econômico, político, social e cultural da Europa começa a se deslocar para as concentrações urbanas, nas cidades. A burguesia (a comercial num primeiro momento) ascende como classe social importante economicamente ao mesmo tempo em que os Estados Nacionais começam a se formar e a se fortalecer, a partir do século XIV. Nesse contexto também ocorrem as grandes navegações e a conquista colonial. Isso significou a formação de uma nova ordem econômica: O Mercantilismo! Agora, preste atenção: Apesar da centralidade do trabalho para organizar a vida em sociedade, até então, como vimos, o trabalho em si não era valorizado. Aqueles que trabalhavam eram de status socialmente inferior. Mesmo nos Burgos (as cidades durante a Idade Média), os artesãos livres eram vistos como inferiores e pagavam tributos aos reis e aos senhores. Os privilégios eram da nobreza e do clero. A lógica continuava a mesma da era medieval: trabalhar era coisa de gente inferior! Contudo, a emergência do mercantilismo e as transformações sociais e políticas iniciaram um longo processo de mudanças na estrutura e no sentido do trabalho na sociedade. Podemos pensar em 3 grandes impulsionadores dessa transformação: Trabalho Reformas Religiosas Renascimento Cultural Renascimento Comercial e Urbano Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 33 117 O Renascimento foi um Movimento Cultural que marcou as mudanças socioculturais europeias rumo à Modernidade. Esse movimento criou a base conceitual e de valores que permitiram a ascensão do pensamento racional e do método científico, nos séculos XVI e XVII. A base filosófica desse movimento, o humanismo, propunha uma revisitação e a retomada da cultura greco-romana e de seus ideais de exaltação do homem e de seus atributos naturais, quais sejam: a razão e a liberdade. Assim, nesse contexto intelectual, a lógica sobre o trabalho se relacional com o humanismo e o racionalismo. Assim, concepção de que o trabalho é humano porque é racional. A ideia de maestria, a perfeição do artesão – o mestre ao dominar o ofício, liga-se à perfeição racional do homem! Agora, some a essa concepção filosófica as reais transformações que ocorriam na realidade, ou seja, o renascimento comercial e urbano sobretudo no que se refere o surgimento e intensificação das manufaturas, bem como as corporações de ofício. O artesão e os pequenos produtores trabalhavam dentro de suas próprias casas, em geral, nas cidades. Seu trabalho se caracteriza então como uma atividade doméstica e familiar, eram donos do seu tempo e de suas ferramentas. Em algumas situações alguns poderiam ser donos de oficinas e empregar os aprendizes. Lembra-se desse conteúdo lá do seu tempo de escola? Eram trabalhadores livres, porémsem qualquer tipo de proteção social. Quanto mais livres e independentes eram as cidades, mais o comércio e o artesanato prosperavam. Diante desse cenário, novas instituições surgiam. As principais foram: • Associação de mercadores. Tinham objetivo de garantir o monopólio do comércio local, tabelar preços, regular a atividade mercantil. Guildas • Associação de artesãos, donos das oficinas . Tinham o objetivo de controlar a produção e a qualidade dos produtos fabricados nas oficinas locais. • Eram organizadas por especialidade (ofício). Ex. sapateiro, ferramenteiro, jornaleiro. • Funcionavam como escolas para os APRENDIZES. Corporações de Ofício O Sapateiro, de Thomas Hill, quadro de 1885 Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 34 117 As Corporações de Ofício eram comandadas pelos mestres-artesãos, em geral, os donos das oficinas. Eles empregavam pessoas que aprendiam um ofício em troca de trabalho nas oficinas. Também, recebiam alojamento, alimentação e vestuário. Os aprendizes poderiam se tornar oficiais e, a depender de autorização da Corporação de Ofício, poderiam se tornar mestres de ofício e ter sua própria oficina. Essa aprendizagem tinha 2 graduações: aprendiz e oficial. Dentro do ofício livre também havia relações de exploração, pois o mestre da corporação de ofício controlava os aprendizes e demais trabalhadores. Mesmo assim, já podemos imaginar relações de trabalho livres, cuja atividade se começou a atribuir um valor moral e social positivo. Por fim, a Reforma Protestante produziu um embate de ideias religiosas com natureza e impacto no mundo econômico e na moral da sociedade. Vamos recordar um pouco esses embates religiosos para perceber como eles contribuíram para a mudança na concepção de trabalho? A Igreja Católica se chocou com os interesses comerciais da burguesia ascendente. Isso porque os negócios da burguesia comercial dependiam de uma expansão que muitas vezes contrariava a mentalidade religiosa. É só pensar no debate se a Terra era redonda ou plana, discussão que influenciava as saídas para o mar e as rotas marítimas. (por sinal, uma discussão que toma as redes sociais nos dias atuais, né ) Os católicos também se posicionavam contrários à usura (empréstimos de dinheiro à juros), elemento determinante para as práticas comerciais da época. Assim, rompendo com o "pensamento econômico e religioso" da Igreja Católica, surgiu o luteranismo com o monge Martinho Luthero. Mas no que se refere ao nosso tema de interesse, istó é, às concepções sobre trabalho ao longo do tempo, foi na França que se desenvolveu uma teoria que reformava a visão sobre trabalho. João Calvino desenvolveu a Teoria da Predestinação. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 35 117 Veja o esquema teórico do argumento calvinista: ✓ Para Calvino, o homem estava predestinado a ser salvo ou a ser condenado a danação eterna. Os predestinados eram os escolhidos de Deus. A partir dessa teoria, o trabalho intenso e a riqueza proveniente dele eram interpretados como sinais da salvação. ✓ Como não se sabia quem eram os salvos e os condenados, havia que se buscar e testar constantemente os sinais da salvação. ✓ Veja que o trabalho passa a sofrer uma alternação de sentido na medida em que deixava ser coisa de “gente inferior” para ser meio de salvação. Tal entendimento contribui para uma “ética protestante” ou “ética ascética”. O modo de vida ascético consistia em viver constantemente uma vida metódica, racionalizada e de sacrifícios; rejeitar prazeres, e se dedicar a tudo o que de alguma forma agradasse a Deus. Essa era a forma como calvinistas entendiam que poderiam testar a própria salvação e o trabalho seria o meio para compreender seu lugar e papel no mundo material e espiritual. Diante desses argumentos, você notou o que estava acontecendo com os sentidos do trabalho no mundo moderno? Veja, a forma com que a sociedade enxergava o trabalho foi mudando: se antes trabalhar era uma atividade menor, mal vista, o trabalho vai se transformando em uma atividade que “dignifica” o homem. Trabalho vai passando a ter valor social. Ética ascética Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 36 117 As religiões protestantes passaram a conceber o trabalho como algo importante para a sociedade. Sobre isso, é conhecido o estudo de Max Weber sobre a ética protestante como a mais adequada para os objetivos das relações capitalistas de produção. Em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1904), Weber levanta dados quantitativos e descobre que a maioria dos homens de negócio na Alemanha eram protestantes, ou seja, ele percebeu uma característica entre a posição econômica das pessoas e as suas religiões. Para além disso, regiões com predominância protestante como Alemanha e Inglaterra, tinham a economia mercantil mais desenvolvida. Por qual razão, Weber se pergunta. Para explicar essa relação entre economia e religião, Weber define o que seria o “espírito” do capitalismo. Esse espírito seriam ideias e hábitos que favorecem uma busca racional individualista de ganho econômico. De um lado, o capitalismo com um sistema que leva as pessoas a maximizarem suas ações para buscarem dinheiro, lucro, do outro, a profissão é vista como um dever. Pronto: o trabalho racionaliza a vida em sociedade. Ainda voltaremos em Weber com mais fôlego. Retomemos a marcha histórica. 4.4 O trabalho na Sociedade Capitalista A partir do advento da Revolução Industrial e do desenvolvimento do capitalismo, as relações de trabalho passaram a ser caracterizadas pela lógica do sistema capitalista. Isso significa que o trabalho passou a ser predominantemente LIVRE ASSALARIADO. Do ponto do surgimento das classes trabalhadoras, vejamos os sujeitos que mudaram de condição social entre o fim do período medieval, passando pelo mercantilismo e até a ascensão do capitalismo: Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 37 117 Mas como foi isso, Alê? Como se chegou ao trabalho assalariado? Boa pergunta, o desenvolvimento e complexificação das formas produtivas tem como sentido geral a perda do controle do artesão sobre o espaço produtivo, as ferramentas e a matéria-prima. Veja o esquema: Essa alienação (separação) ocorreu por meio de dois processos da forma de organização do trabalho: 1- Cooperação simples (oficina): Era a que ocorria entre o Mestre e o Aprendiz, como descrito acima. 2- Cooperação avançada (ou manufatura): o trabalhador continuava a ser uma artesão, mas perdia a noção de todas as etapas do processo produtivo. É aqui que ocorre a consolidação do trabalho coletivo, ou seja, o produto final é resultado da atividadeespecializada de muitos trabalhadores. É aqui também que aparece o salário. Aqui é o proprietário que define todos os elementos da produção: tempo de trabalho, ferramentas, local de trabalho, comportamento esperado, regras de convivência, entre outros. Separação entre moradia e local de trabalho 1- Impossibilidade de acesso às novas ferramentas de trabalho, que foram se tornando cada vez mais complexas e caras 2- Perda de acesso às matérias-primas, que passaram a ser controladas por gruposeconomicamente mais poderosos 3- Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 38 117 Assim, o salário poderia ser pago pelo tempo de trabalho ou pela quantidade de produção executada em um período. No que diz respeito às classes dominantes, os grandes comerciantes e os burgueses, principalmente a partir da acumulação de capital ao longo do mercantilismo, passaram a investir em novas formas de produzir mercadorias. Esses investimentos contaram com o avanço tecnológico. Foi assim que chegamos à maquinofatura conhecida como Revolução Industrial, em que o espaço do trabalho passou a ser a fábrica. Veja o que Karl Marx escreve sobre a importância da burguesia e do seu ímpeto inovador: A burguesia não pode existir sem revolucionar continuamente os instrumentos de produção e, por conseguinte, as relações de produção, portanto todo o conjunto das relações sociais. A conservação inalterada do antigo modo de produção era, ao contrário, a primeira condição de existência de todas as classes industriais anteriores. O contínuo revolucionamento da produção, o abalo constante de todas as condições sociais, a incerteza e a agitação eternas distinguem a época burguesa de todas as precedentes (MARX; ENGELS, 1996, p. 69). (grifos nossos) Em História geral da economia, livro publicado em 1923, Max Weber afirma que as mudanças ocorridas no processo produtivo, como as longas jornadas de trabalho nas fábricas inglesas, foram necessárias para que o capitalismo existisse. Semelhante a uma compreensão de Marx e Engels sobre o capitalismo (apenas em alguns pontos), Weber constata que, apesar de livre, o trabalhador, na prática, foi forçado a condições de trabalho precárias para não morrer de fome, ou seja, trabalho livre desprotegido. Assim, precisamos ficar atentos às contradições que acompanham a implantação do trabalho livre assalariado na sociedade capitalista. Vejamos nas palavras do Sociólogo alemão Max Weber: O recrutamento de trabalhadores para a nova forma de produção, tal como se encontra desenvolvida na Inglaterra, desde o século XVIII, à base da reunião de todos os meios produtivos em mãos do empresário, realizou-se através de meios coercivos bastante violentos, particularmente de caráter indireto. Entre eles, figuram antes de tudo, a “lei de pobres” e a “lei de aprendizes”, da rainha Elizabeth. Tais regulações se fizeram necessárias, dado o grande Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 39 117 número de “desocupados” que existia no país, gente que a revolução agrária transformara em deserdados. A expulsão dos pequenos agricultores e a transformação das terras de lavoura em campos de pastagem (...) determinaram que o número de trabalhadores necessário na lavoura se tornasse cada vez menor, dando lugar a que, na cidade, houvesse um excedente de população, que se viu submetido a trabalho coercitivo. Quem não se apresentava voluntariamente era conduzido às oficinas públicas dirigidas com severa disciplina. Quem, sem permissão do mestre-artífice, ou empresário, abandonasse seu posto de trabalho, era tratado como vagabundo; nenhum desocupado recebia ajuda senão mediante seu ingresso nas oficinas coletivas. Com este procedimento, recrutaram-se os primeiros operários para a fábrica. Um serviço penoso somava-se a esta disciplina de trabalho. Mas o “poder” da classe abastada era absoluto; apoiava-se na administração, por meio de juízes de paz, que, na falta de uma lei apropriada, distribuíam justiça de acordo com um amontoado de instruções particulares, segundo um arbítrio próprio. Até à segunda metade do século XIX, dispuseram de mão de obra como bem entendiam. (grifos nosso) (WEBER, Max. História geral da economia. São Paulo: Mestre Jou. 1968. p 273-274) 5. O TRABALHO NO PENSAMENTO CLÁSSICO Nos cursos de Sociologia e Ciências Sociais, quando se fala em "pensamentos clássico", o direcionamento é para os autores Émile Durkheim (1858-1917), Max Weber (1864-1920) e Karl Marx (1818-1883), como você já deve ter percebido, de tanto que eu os já mencionei nesta aula. São os três autores que aparecem no "topo" das referências. Da mesma forma, as bancas de concursos, e com a Cesgranrio não é diferente, referenciam estes autores e, por isso, precisamos ter uma boa noção das contribuições deles no que diz respeito ao "trabalho" como categoria sociológica. Agora, isto é assim porque estes três pensadores, cada qual à sua maneira, preocuparam-se com os problemas sociais que emergiram na sociedade moderna. Por exemplo, enquanto Marx direcionou sua atenção para o capitalismo e Durkheim para a industrialização e os fenômenos sociais em seu entorno, Weber focou na compreensão dos efeitos da racionalização do mundo moderno. Para tanto, vamos partir dos tópicos que o próprio Edital do concurso traz, pois é uma boa pista daquilo que poderá ser cobrado na prova. No ponto 2.2 e em algumas outras Seções, fizemos uma passagem rápida pelos três autores clássicos, mas pela importância, vamos aprofundar conforme os tópicos do edital. Nesta aula veremos Émile Durkheim e, em aula futura, Weber e Marx, ok! Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 40 117 5.1 Divisão do trabalho e distribuição de tarefas. De uma forma mais objetiva, "divisão do trabalho é a amplitude de tarefas que são realizadas em um sistema social"12 ou, conforme Anthony Giddens, estabelecendo uma definição mais prática, a divisão do trabalho é, Separação das tarefas e ocupações do trabalho em um processo de produção que cria uma abrangente interdependência econômica13. A divisão do trabalho tem sido há muito tempo um conceito sociológico importante porque é por meio dela que a vida social realmente ocorre e a ela todos os indivíduos estão ligados. Note, então, que a ideia de "abrangente interdependência" é relevante e justifica o trabalho como categoria estruturante da sociedade. A concepção da divisão do trabalho, como fundamental para a compreensão dos processos sociais e econômicos, ganhou destaque nas análises pioneiras de Adam Smith (1723-1790), notadamente em sua obra "Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações", mais conhecido como "A Riqueza das Nações" (1776). No livro, Smith descreve a divisão do trabalho em uma fábrica de alfinetes e nos três primeiros capítulos do Livro I consta o exame das causas e consequências do fenômeno social da divisão do trabalho. Conforme Adam Smith, uma pessoa que trabalhasse sozinha poderia fabricar 20 alfinetes por dia, mas desmembrando a tarefa em diversas atividadessimples, a produção coletiva atingiria 4 mil alfinetes por dia. Dessa forma, nota-se, do ponto de vista do processo produtivo e econômico, o benefício da divisão do trabalho. 12 JOHNSON, Allan G. Dicionário de Sociologia. Rio de Janeiro: Ed. Zahar. 1997, p. 77. 13 GIDDENS, Anthony. SUTTON, Philip W. Conceitos essenciais da Sociologia. São Paulo: Ed. Unesp, 2ª ed. 2015, p. 122. Divisão Social do Trabalho Vida Social Vida Social Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 41 117 Uma das preocupações que Adam Smith demonstra em sua obra abarca o fato de a industrialização, aos poucos, ter abolido a maioria dos ofícios tradicionais e criado outros produzindo as mesmas mercadorias (alfinete, por exemplo), mas com muito mais rapidez, eficiência e custos menores, usando máquinas e a divisão ampliada do trabalho. Neste contexto, para Smith, a divisão do trabalho é um método pelo qual cada indivíduo se especializa em uma fase específica do processo produtivo. Em seu estudo, cada indivíduo desempenharia três funções primordiais, as quais contribuem para o aumento da produção de bens e a melhoria da qualidade dos produtos: 1. Em primeiro lugar, a divisão do trabalho aprimora a habilidade de cada operário, conferindo-lhe destreza em uma tarefa específica; 2. Em seguida, há economia de tempo, otimizando a eficiência do processo produtivo; 3. Por fim, por meio da divisão do trabalho, indivíduos inventam máquinas que, ao facilitarem e encurtarem o trabalho, estas máquinas possibilitam que um único indivíduo execute as tarefas anteriormente realizadas por vários operários. Notavelmente, a divisão do trabalho, segundo Smith, é um efeito e não a causa das relações de troca. O mercado, na visão do autor, é o determinante e o limitador desse fenômeno. Além disso, a acumulação de capital é considerada uma condição necessária para a efetiva implementação da divisão do trabalho e o trabalho em si é um elemento de produção da riqueza. Deste ponto, cumpre destacar que, diante dessa divisão do trabalho industrial, os trabalhadores - em geral: aprendiam somente uma parte do processo de produção; especializavam-se em determinadas tarefas, diferenciando-se dos ofícios tradicionais típicos de sociedades tradicionais Por sua vez, dentre os sociólogos clássicos, foi Émile Durkheim (1858-1917), quem retomou e sistematizou o pensamento sociológico sobre a divisão do trabalho. Porém, para Durkheim, a divisão industrial do trabalho conduziu a mudanças fundamentais no tipo de solidariedade social que une a sociedade, impactando, portanto, no elemento da coesão social. De forma categórica, nas palavras de Giddens, para Durkheim, "a divisão do trabalho não era apenas um fenômeno econômico, mas uma transformação da sociedade como um todo"14. Por isso, passa- se a utilizar o conceito de divisão social do trabalho, mais amplo que apenas divisão do trabalho. 14 Idem, ibidem. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 42 117 5.2 Divisão social do trabalho: Émile Durkheim A divisão social do trabalho é analisada por Durkheim a partir da comparação da especificidade das sociedades industriais em relação às outras sociedades, em particular, as mais tradicionais. O sociólogo francês demonstra que a crescente especialização do trabalho promovida pela industrialização trouxe uma forma de solidariedade no funcionamento da sociedade, e não uma situação conflitiva como vista pelo marxismo, de modo que este fenômeno novo passou a contribuir para a coesão social. A tese principal de Durkheim é a de que a especialização crescente do trabalho se desenvolve à medida que aumenta o grau e a intensidade das interações entre indivíduos, sendo o progresso da divisão do trabalho proporcional ao da densidade moral das sociedade15. Ao analisar empiricamente a evolução das sociedades com foco na divisão social do trabalho, Durkheim elabora uma morfologia social16. Estabelece, então, a existência de dois tipos de sociedade: 1-) em um tipo, há uma solidariedade mecânica entre os homens, fruto da divisão social do trabalho contida na sociedade pré-capitalista. Nela os indivíduos se identificam e se relacionam por meio da família, da tradição, da religião. A coletividade exerce uma forte coerção social para manter a sociedade harmônica e em funcionamento. É tudo muito mecânico, automático, independentemente da forma de organização do trabalho. Nas sociedades de caçadores-coletores, por exemplo, as divisões do trabalho eram/são relativamente simples, uma vez que não é muito grande o número de tarefas a serem feitas. 2-) já na sociedade em que prevalece a solidariedade orgânica, própria das sociedades capitalistas, os indivíduos são interdependentes em razão da divisão social e industrial do trabalho. Aqui a coesão social é muito mais em razão das relações do trabalho na indústria e no comércio do que por conta dos costumes, por exemplo. Então, as instituições como a família e a religião já não exerceriam a mesma função. 15 TELLES, Sarah Silva. NETO, Fernando Lima. Émile Durkheim (1858-1917). In: Os Sociólogos: de Auguste Comte a Gilles Lipovetsky. Rio de Janeiro: Ed. Vozes. 2018, p. 76. 16 Morfologia é o estudo da forma. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 43 117 Considerando a relevância do trabalho na sociedade industrial capitalista, vamos conferir o que nos diz Durkheim sobre a Solidariedade Orgânica. Enquanto a precedente [a solidariedade mecânica] implica que os indivíduos se assemelham, esta [ a solidariedade orgânica] supõe que eles diferem uns dos outros. A primeira só é possível na medida em que a personalidade individual é absorvida na personalidade coletiva; a segunda só é possível se cada um tiver uma esfera de ação própria, por conseguinte, uma personalidade. É necessário, pois, que a consciência coletiva deixe descoberta uma parte da consciência individual, para que nela se estabeleçam essas funções especiais que ela não pode regulamentar; e quanto mais essa região é extensa, mais forte é a coesão que resulta dessa solidariedade. De fato, de um lado, cada um depende tanto mais estreitamente da sociedade quanto mais dividido for o trabalho nela e, de outro, a atividade de cada um é tanto mais pessoal quanto mais for especializada. Sem dúvida, por mais circunscrita que seja, ela nunca é completamente original; mesmo no exercício de nossa profissão, conformamo-nos a usos, a práticas que são comuns a nós e a toda a nossa corporação. Mas, mesmo nesse caso, o jugo que sofremos é muito menos pesado do que quando a sociedade inteira pesa sobre nós, e ele proporciona muito mais espaço para o livre jogo de nossa iniciativa. Aqui, pois, a individualidade do todo aumenta ao mesmo tempo que a das partes; a sociedade torna-se mais capaz de se mover em conjunto, ao mesmo tempo em que cada um de seus elementos tem mais movimento próprios. Essa solidariedade se assemelha à que observamos entre os animais superiores. De fato, cada órgão aí tem sua fisionomia especial, sua autonomia, e, contudo, a unidade Alessandra Lopes,Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 44 117 do organismo é tanto maior quanto mais acentuada essa individuação das partes. Devido a essa analogia, propomos chamar de orgânica a solidariedade devida à divisão do trabalho. (DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes. 1999. P 108-109) Repare que a especialização dos indivíduos em determinadas funções sociais dá a ideia de organicidade, tal como a interdependência entre os órgãos do corpo humano: um não funciona sem o outro. Vamos ler outra passagem do autor, Ao separar completamente o patrão e o empregado, a grande indústria modificou as relações de trabalho e apartou os membros das famílias, antes que os interesses em conflito conseguissem estabelecer um novo equilíbrio. Se a função da divisão do trabalho falha, a anomia e o perigo da desintegração ameaça todo o corpo social e quando o indivíduo, absorvido por sua tarefa se isola em sua atividade especial, já não percebe os colaboradores que trabalham ao seu lado e na mesma obra, nem sequer tem ideia dessa obra comum17. Com efeito, as diferenças na divisão social do trabalho afetam de forma profunda aquilo que mantêm coesas as sociedades. Com divisões do trabalho simples, a coesão social baseia-se principalmente nas semelhanças das pessoas entre si e no fato de terem um estilo de vida comum. Com as divisões do trabalho complexas, porém, a coesão social tem por fundamento a interdependência que resulta da especialização. Agora, enquanto muitos contemporâneos da época de Durkheim (vide Ferdinand Tönnies mais abaixo) temiam a destruição da solidariedade social e o estímulo ao individualismo com uma sociedade mais conflituosa, inclusive com colapsos morais, Durkheim desenvolveu uma visão mais otimista. Para ele, a especialização de funções viria a fortalecer a solidariedade social nas comunidades maiores, de modo que, cada vez mais, o isolamento dos indivíduos seria menor. Dessa forma, à luz do pensamento durkheimiano, a rigor, a divisão social do trabalho em sociedades caracterizadas pela solidariedade orgânica tende a /ao: 17 DURKHEIM, E. A Divisão Social do Trabalho. Apud QUINTEIRO, T.; BARBOSA, M. L. O.; OLIVEIRA, M. G. M. Toque de Clássicos. vol 1. Durkheim, Marx e Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007. p. 91. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 45 117 (Inédita/profe. Alê Lopes) Ao separar completamente o patrão e o empregado, a grande indústria modificou as relações de trabalho e apartou os membros das famílias, antes que os interesses em conflito conseguissem estabelecer um novo equilíbrio. Se a função da divisão do trabalho falha, a anomia e o perigo da desintegração ameaça todo o corpo social e quando o indivíduo, absorvido por sua tarefa se isola em sua atividade especial, já não percebe os colaboradores que trabalham ao seu lado e na mesma obra, nem sequer tem ideia dessa obra comum . DURKHEIM, E. A Divisão Social do Trabalho. Apud QUINTEIRO, T.; BARBOSA, M. L. O.; OLIVEIRA, M. G. M. Toque de Clássicos. vol. 1. Durkheim, Marx e Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007. p. 91. A partir do trecho acima, qual é a principal função da divisão social do trabalho para Émile Durkheim? a) revolucionar a sociedade. b) viabilizar a solidariedade mecânica. c) desenvolver a economia. d) manter a coesão social. e) exercer coerção física e dominação sobre os indivíduos. Comentários Em As regras do método sociológico, Durkheim, inspirado nas Ciências Naturais, compreende que as sociedades evoluíram da forma mais simples a forma mais complexa (sociedade industrial), tal como os organismos evoluem. Veja o que ele sintetiza sobre a França: equilíbrio melhor entre diferenças individuais; objetivos coletivos. gerar vínculos fortes de interdependência mútuo; Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 46 117 Desde suas origens, passou a França por formas de civilização muito diferentes: começou por ser agrícola, passou em seguida pelo artesanato e pelo pequeno comércio, depois pela manufatura e, finalmente, chegou à grande indústria.18 Com efeito, ao analisar empiricamente a evolução das sociedades, o pensador francês elabora uma morfologia social19. Estabelece, então, a existência de dois tipos de sociedade: 1-) em um tipo, há uma solidariedade mecânica entre os homens, fruto da divisão social do trabalho contida na sociedade pré-capitalista. Nela os indivíduos se identificam e se relacionam por meio da família, da tradição, da religião. A coletividade exerce uma forte coerção social para manter a sociedade harmônica e em funcionamento. É tudo muito mecânico, automático, independentemente da forma de organização do trabalho. 2-) já na sociedade em que prevalece a solidariedade orgânica, própria das sociedades capitalistas, os indivíduos são interdependentes em razão da divisão social e industrial do trabalho. Aqui a coesão social é muito mais em razão das relações do trabalho na indústria e no comércio do que por conta dos costumes, por exemplo. Então as instituições como a família e a religião já não exerceriam a mesma função. A especialização dos indivíduos em determinadas funções sociais dá a ideia de organicidade, tal como a interdependência entre os órgãos do corpo humano: um não funciona sem o outro. Assim, a divisão social permite a coesão. Não por menos, no trecho do enunciado, Durkheim argumenta que se a divisão social do trabalho falha, há uma tendência à desintegração. a) errado, pois a visão revolucionária não condiz com o pensamento durkheimiano e com o pensamento mais geral do positivismo. Os positivistas entendem as revoluções como quebra da ordem e harmonia social. Para Durkheim, uma revolução poderia ser considerada como uma patologia social, um problema de funcionamento. b) errado, pois nas sociedades em que predomina a solidariedade mecânica a forma de coesão é feita por meio das crenças, costumes e religião. c) errado, não há essa relação. e) errado, pois o fato social e não a divisão social do trabalho é que, de forma coercitiva, atual sobre os indivíduos. A divisão social do trabalho não é um fato social. Gabarito: D _______________________________________ (Inédita/profe. Alê Lopes) Émile Durkheim diferenciou sociedades por meio da divisão social do trabalho, sendo que, a partir do funcionamento e relação entre as partes que compõem a sociedade o francês 18 DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Ed. Nacional. 1963, p. 82. 19 Morfologia é o estudo da forma. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 47 117 estabeleceu dois tipos de solidariedade para entender o elemento da coesão social. Nesse sentido, está correto o que se afirma em a) a solidariedade mecânica é encontrada em sociedades industriais,já que reflete os processos tecnológicos. b) a solidariedade orgânica é encontrada em sociedades menos avançadas, pois expressão foi pensada para aproximar homem e natureza. c) a solidariedade mecânica faz com que os indivíduos se distanciem da consciência social coletiva. d) a solidariedade orgânica é encontrada em sociedades mais complexas e requer diferentes formas de integração social. Comentários Durkheim utiliza o conceito de “solidariedade” para entender a maior ou menor coesão social conforme o tipo de sociedade, com destaque para as industrializadas. Isso porque, a vida social depende da solidariedade – grau e forma de relação entre os homens – em uma sociedade. Esta solidariedade é diferente em sociedades mais simples e nas mais complexas (industrializadas). Além de notar, então, diferenças na consciência coletiva de cada uma dessas sociedades, Durkheim procura entender com elas estão organizadas. a) errado, porque é a solidariedade orgânica que é encontrada em sociedades industrializadas. b) errado, porque é a solidariedade mecânica que é encontrada em sociedades menos avançadas. c) falso, pois em sociedades com predomínio da solidariedade mecânica – uma sociedade religiosa, por exemplo – o indivíduo está integrado ao pensamento coletivo, sendo parte e ao mesmo tempo reprodutor. Como as relações sociais se dão em função dessa consciência coletiva, já que não há processos mais complexos de integração social, a proximidade entre o que os indivíduos pensam e aquilo que é expresso coletivamente geral uma identidade maior, levando à coesão social. Aqui, os desejos do indivíduo são os desejos da coletividade e vice e versa. d) é o nosso gabarito. Conforme o capitalismo avançou o sistema social passou a exigir maior especialização nas relações de trabalho. Com isso, a interação e coesão entre as pessoas passou a depender das funções desempenhadas por cada um. De acordo com Raymond Aron, esse processo leva à individualização dos membros dessa sociedade, os quais assumem funções específicas dentro dessa divisão do trabalho social. Cada pessoa é uma peça de uma grande engrenagem. Comparando com a consciência nas sociedades de solidariedade mecânica, aqui a consciência coletiva tem seu poder de influência reduzido. Gabarito: C Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 48 117 Émile Durkheim também identificou as possíveis anomalias que poderiam surgir no fenômeno social da divisão social do trabalho. Em sua análise, Durkheim delineia três formas anormais da divisão do trabalho. Olha só: 1. Divisão do Trabalho Anômica: Durkheim conceituou a divisão do trabalho anômica como a desregulação do mercado e das relações sociais. Essa forma anormal emerge em períodos de crise econômica e social, quando as normas e os valores que orientam a sociedade se tornam instáveis. Durante tais crises, a falta de coordenação entre as atividades produtivas pode resultar em desordem, desemprego e desequilíbrio social. A compreensão desta forma anômala permite uma análise profunda das interações entre a economia e a estrutura social, destacando a importância da regulação normativa. Trata-se de "verdadeiras rupturas parciais da solidariedade orgânica". 2. Divisão do Trabalho por constrangimento: Outra forma identificada por Durkheim é a divisão do trabalho por constrangimento ou forçada, caracterizada por uma repartição injusta e desigual dos indivíduos entre as diversas funções laborais. Este fenômeno, ao acentuar disparidades sociais, pode levar à alienação e ao descontentamento, minando a coesão social. Sob essa ótica, Durkheim nos instiga a considerar não apenas a eficiência econômica, mas também a equidade e a justiça social como componentes fundamentais da saúde do corpo social. 3. Divisão do Trabalho "Burocrática": Durkheim também observou uma forma específica de anomalia na divisão do trabalho, que ele rotula como "burocrática". Nesse cenário, há uma superabundância de agentes, mas paradoxalmente uma baixa produtividade. Entender a relação entre a quantidade de agentes envolvidos em processos laborais e a eficácia da produção fornece insights sobre os desafios enfrentados por estruturas organizacionais complexas. De uma forma geral, perceba que, em Durkheim, a divisão do trabalho gera não apenas a especialização e eficiência coletiva, como em Adam Smith, mas também a solidariedade, isto é, uma organização que coordena as funções e liga os indivíduos uns aos outros. Por isso, falamos em divisão social do trabalho. Ainda: para o sociólogo francês, os princípios da divisão do trabalho são mais morais do que econômicos, pois são os fatores que unem os indivíduos em uma sociedade, já que geram um sentimento de solidariedade entre aqueles que realizam as mesmas funções. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 49 117 No mesmo sentido que Durkheim, podemos lembrar de Ferdinand Tönnies (1855-1936) para o qual nas sociedades de maior escala, ou seja, nas sociedades modernas e industriais, a divisão do trabalho e a mobilidade da força de trabalho erodiram os laços tradicionais, criando um novo tipo de coesão. Para o autor, a lógica do capitalismo e da competição levou à predominância das meras associações entre os indivíduos na sociedade industrial a partir de uma "vontade racional" direcionada a agir para um fim específico. Ele atribui sentido negativo a esta mudança porque havia se perdido o espírito de vida em comunidade. Para o autor a "vontade racional" seria um tipo de vontade encontrada nas grandes organizações e empresas na sociedade moderna, onde há a divisão do trabalho. 5.2.1 Divisão Social e Conflito Sob outra perspectiva, a divisão do trabalho pode ser estudada para compreender as desigualdades sociais, em particular, conforme a abordagem marxista. Apesar de o pensamento marxista ser objeto de aula futura, cumpre destacar que, do ponto de vista marxista, o capitalismo utiliza da divisão social do trabalho complexa para melhor controlar os trabalhadores dentro de um processo de exploração do trabalho com vistas a ampliar margens de lucro e otimizar a reprodução do capital. Acrescenta-se que, para Marx, a divisão social do trabalho é uma condição necessária para a produção de mercadorias, pois, sem atos de trabalho mutuamente independentes, executados isoladamente uns dos outros, não haveria mercadorias para troca no mercado. Para o autor alemão, a divisão social do trabalho vige em todas as sociedades conhecidas até aqui e baseia- se, originalmente, nas diferenças da fisiologia humana (como sexo), mas que são hierarquizadas e utilizadas, a depender das relações sociais que predominam em cada formação social particular, para privilegiar interesses dominantes. Tendo isso em mente, na sequência, vamos abordar os dois tópicos do edital ligados à divisão sexual e racial que influenciam na estrutura do trabalho. A sociedade industrial capitalista atinge um enorme nível de complexidade Ocorre uma “divisão social do trabalho” Isso pode ser gerador de conflito social e/ou de coesão social Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.brhttps://t.me/kakashi_copiador 50 117 Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 51 117 6. DIVISÃO SOCIOSSEXUAL E RACIAL DO TRABALHO O que é divisão sociossexual e racial do trabalho? É uma divisão social do trabalho cujos critérios estão ligados à gênero e raça. Quando realizamos uma análise que parte das relações de gênero e raça compreendemos as desigualdades específicas que se combinam e promovem desvantagens múltiplas para mulheres e, em especial, para mulheres negras. "Partimos da ideia de que a divisão sociossexual e racial estrutura as esferas produtivas e reprodutivas (duas dimensões fundamentais do ser social) sendo, em grande medida, determinante para a situação desigual entre os indivíduos já que subalternizou as mulheres em todo o processo histórico "20. 6.1 Divisão sociossexual do trabalho O poster acima reflete a discussão presente nos estudos de Sociologia do Trabalho acerca da divisão sexual do trabalho. A definição de divisão sexual do trabalho pode ser estabelecida pelo que Danièle Kergoat desenvolve21. 20 DIVISÃO SOCIOSSEXUAL E RACIAL DO TRABALHO NO CENÁRIO DE EPIDEMIA DO COVID-19: considerações a partir de Heleieth Saffioti Claudia Mazzei Nogueira*Rachel Gouveia Passos*. Caderno CrH, Salvador, v. 33, p. 1-9 21 NOGUEIRA, Claudia Mazzei. Divisão sociossexual do trabalho: a esfera da produção e da reprodução. In: Revista CULT. Edição 282, maio/2022. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 52 117 Segundo a autora, as situações de homens e mulheres não são produto de um destino biológico, mas sim construções sociais, pois homens e mulheres são mais do que indivíduos biologicamente distintos. Eles pertencem a dois grupos engajados em uma relação social específica: relações sexuais sociais. Como todas as relações sociais, elas também têm uma base material, dada pelo trabalho, e são explícitas na divisão social do trabalho entre os sexos, ou seja, a divisão sexual do trabalho. Pode-se dizer que a divisão sexual do trabalho refere-se a uma diferenciação entre papéis destinados a homens e mulheres e está presente em todas as sociedades humanas conhecidas até aqui. As formas dessa divisão sexual do trabalho são extremamente variadas, bem como são variadas tanto a extensão como a rigidez da separação entre os afazeres considerados apropriados aos homens e aqueles atribuídos às mulheres. • Divisão social do trabalho entre os sexos: divisão sexual do trabalho • Refere-se a uma diferenciação entre papéis destinados a homens e mulheres e está presente em todas as sociedades humanas conhecidas até aqui. • É o critério mais simples para divisão social do trabalho. • São formas de divisão social do trabalho “pré capitalistas”. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 53 117 6.1.1 Opressão e exploração Tanto a dona-de-casa, que deve trazer a residência segundo o gosto do marido, quanto a trabalhadora assalariada, que acumula duas jornadas de trabalho, são objetos da exploração do homem, no plano da família. Na qualidade de trabalhadora discriminada, obrigada a aceitar menores salários, a mulher é, no plano mais geral da sociedade, alvo da exploração do empresário capitalista. Desta sorte, fica patente a dupla dimensão do patriarcado: a dominação e a exploração (Saffioti, 1987, p. 51). O texto acima Helena Saffioti nos lembra que existe uma relação entre opressão e exploração que se combinam no sentido de produzir e reforçar a desigualdade entre os gêneros. O patriarcalismo histórico nos ajuda a compreender esse processo. Vejamos: O Papel do Patriarcalismo Histórico: Saffioti argumenta que o patriarcalismo histórico é um sistema estrutural que tem raízes profundas na história e que molda as relações sociais e econômicas entre homens e mulheres. Esse sistema perpetua a dominação masculina, consolidando-se ao longo do tempo e influenciando as instituições sociais, políticas e econômicas. O patriarcalismo histórico fornece uma base para entender como as estruturas de poder foram historicamente moldadas para favorecer os interesses masculinos. Opressão como Faceta do Patriarcalismo: No contexto do patriarcalismo, a opressão das mulheres emerge como uma faceta fundamental desse sistema. A opressão opera em várias dimensões, desde a limitação do acesso das mulheres à educação e oportunidades até a imposição de normas de gênero restritivas. O controle sobre a sexualidade e a autonomia das mulheres, muitas vezes evidenciado pela violência de gênero, é uma expressão clara da opressão que permeia o patriarcalismo histórico. Exploração Econômica: A exploração econômica das mulheres, por sua vez, está intricadamente ligada ao patriarcalismo. O sistema patriarcal historicamente relegou as mulheres ao papel de cuidadoras, limitando seu acesso a oportunidades econômicas e mantendo-as em posições subalternas. A exploração econômica é evidente na segregação ocupacional, na disparidade salarial e na falta de representação das mulheres em cargos de liderança. No mundo do trabalho, a exploração econômica das mulheres está centrada na extração de trabalho não remunerado e mal remunerado, muitas vezes associado ao trabalho doméstico e de cuidado. A disparidade salarial de gênero é uma expressão evidente dessa exploração, quando as mulheres frequentemente Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 54 117 recebem menos do que os homens por trabalho equivalente. Além disso, as mulheres são frequentemente concentradas em setores de baixos salários e têm menor representação em posições de liderança e em campos profissionais mais valorizados. Entrelaçamento de Opressão e Exploração: O fenômeno descrito por Saffioti destaca como a opressão e a exploração não são fenômenos isolados, mas sim interligados e reforçados pelo patriarcalismo histórico. A estrutura social e econômica moldada por esse sistema cria condições propícias para a perpetuação das desigualdades de gênero em várias esferas da vida, da esfera privada à pública. Assim, podemos afirmar que a opressão e a exploração das mulheres são interligadas e se reforçam mutuamente. Por exemplo, o patriarcado, como sistema de poder que favorece os homens, desempenha um papel significativo na criação de estruturas que perpetuam a exploração econômica das mulheres. O controle sobre recursos, oportunidades e decisões, muitas vezes nas mãos de homens, contribui para a exploração das mulheres no ambiente de trabalho e além. A opressão e a exploração das mulheres também se manifestam de maneiras interseccionais, onde mulheres de diferentes origens enfrentam formas únicas e interconectadas de discriminação. Mulheres negras,indígenas, LGBTQ+ e de classes sociais menos privilegiadas podem experimentar formas mais intensificadas de opressão e exploração, evidenciando a complexidade dessas dinâmicas. 6.1.2 Economia do Cuidado A "economia do cuidado" é um conceito que se refere ao trabalho não remunerado relacionado ao cuidado de indivíduos, incluindo crianças, idosos, membros da família e pessoas com necessidades especiais. Este tipo de trabalho é essencial para a reprodução social e econômica, pois envolve atividades que sustentam e mantêm a vida, permitindo o funcionamento adequado da sociedade. Algumas características importantes desse conceito incluem: Natureza Não Remunerada: O trabalho na economia do cuidado é frequentemente realizado de maneira não remunerada, o que significa que não é reconhecido ou compensado financeiramente no sistema econômico convencional. Isso inclui atividades como cuidados com crianças, preparação de alimentos, assistência a idosos, entre outras responsabilidades relacionadas ao bem-estar das pessoas. Gênero e Divisão Sexual do Trabalho: Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 55 117 A economia do cuidado está intrinsecamente ligada à divisão sexual do trabalho, uma vez que as responsabilidades de cuidado são frequentemente atribuídas às mulheres. Isso contribui para a perpetuação de estereótipos de gênero, reforçando a ideia de que as mulheres têm uma afinidade natural para o cuidado e a responsabilidade doméstica. Impacto na Participação no Mercado de Trabalho: A carga desproporcional de trabalho na economia do cuidado pode limitar as oportunidades de participação das mulheres no mercado de trabalho remunerado. Isso ocorre devido à pressão de conciliar as responsabilidades de cuidado não remunerado com as demandas de um emprego formal. Contribuição para a Reprodução Social: O trabalho na economia do cuidado é fundamental para a reprodução social, pois garante que as novas gerações sejam cuidadas, educadas e preparadas para a vida. O cuidado de idosos também desempenha um papel crucial na preservação e transmissão de conhecimentos, tradições e valores. Desafios e Reconhecimento: A falta de reconhecimento e valorização do trabalho na economia do cuidado pode levar a uma série de desafios, incluindo a desvalorização do trabalho das mulheres, a sobrecarga de responsabilidades e a limitação das oportunidades de desenvolvimento profissional. Necessidade de Políticas de Apoio: A implementação de políticas que visam apoiar a economia do cuidado é crucial. Isso pode incluir políticas de licença parental, serviços de cuidados acessíveis e flexibilidade no trabalho, visando redistribuir a carga de cuidados de forma mais equitativa entre os gêneros e facilitar a participação das mulheres no mercado de trabalho. 6.1.3 Gênero, Raça e Classe Como a sociedade está marcada para além da divisão em dois grupos - homens e mulheres -, pois há outras dimensões, como raça, etnia, comunidades LGBTQIA+s, questões geracionais, etc, a categoria da divisão sociossexual do trabalho tem se mostrado mais adequada, pois abarca relações sociais de gênero, entendidas como relações desiguais, hierarquizadas e contraditórias, seja pela exploração da relação capital/trabalho, seja pela dominação masculina sobre a feminina, seja pelo preconceito de raça/etnia ou pela sexualidade. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 56 117 Essa divisão, portanto, expressa a articulação fundamental entre produção e reprodução, permitindo abordar as dimensões objetivas e subjetivas, individuais e coletivas existentes tanto na esfera do trabalho assalariado como na esfera do trabalho reprodutivo22. A sociedade capitalista se utiliza dessa dinâmica de diferenciação com o intuito de hierarquizar as atividades e assim ampliar a exploração/opressão entre homens e mulheres e entre mulheres brancas e mulheres negras, enfim, das diversidades que compõem a sociedade. Compreender como a divisão sexual do trabalho se intersecciona com outras formas de opressão, como raça, classe social, orientação sexual e identidade de gênero é fundamental para compreender os impactos para a mulher trabalhadora. Essa abordagem reconhece que as experiências das mulheres são moldadas por múltiplos aspectos de suas identidades. Nota-se: Gênero e raça contribuem para aumentar a desigualdade salarial dentro do mercado de trabalho. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022, as mulheres recebem 20,2% menos que os homens e a hora de trabalho de uma pessoa negra vale 40,2% a menos do que a de uma branca. Ao se comparar a remuneração de mulheres negras com profissionais brancos, a diferença fica em 46%. Outra pesquisa aponta que a desigualdade salarial também está relacionada aos cargos que os grupos minorizados ocupam. (MOVIMENTO MULHER 360, 2023) Neste contexto, o tópico do Edital tem relevância, e até sentido sociológico, porque as relações sociais no Brasil foram constituídas e assentadas na exploração e desigualdade de classe e nas opressões de gênero e raça/etnia. Adiciona-se que a divisão sociossexual e racial estrutura as esferas produtivas e reprodutivas sendo, em grande medida, determinante para a situação desigual entre os indivíduos já que subalternizou as mulheres em todo o processo histórico23. 22 Idem, ibidem. 23 NOGUEIRA, Claudia Mazzei. PASSOS, Rachel Gouveia. A divisão sociossexual e racial do trabalho no cenário de epidemia do covid-19: considerações a partir de heleieth saffioti. DOSSIÊ, Cad. CRH 33, 2020 Disponível em: https://doi.org/10.9771/ccrh.v33i0.36118 Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 57 117 Interseccionalidade A interseccionalidade é um conceito que foi cunhado por Kimberlé Crenshaw, uma professora de direito norte-americana, para descrever o processo social de como diferentes formas de discriminação e opressão interagem e se sobrepõem, criando experiências únicas e complexas para pessoas que pertencem a múltiplos grupos marginalizados. O conceito destaca a importância de considerar não apenas uma única dimensão de identidade (como gênero, raça, classe social, orientação sexual), mas sim a interação entre essas diversas dimensões. Assim, o conceito de interseccionalidade deve ser usado para reconhecer que as pessoas podem enfrentar diferentes formas de discriminação e desvantagem com base em uma combinação de fatores, e que essas experiências não podem ser totalmente compreendidas isoladamente. Por exemplo, uma mulher negra pode enfrentar desafios únicos que não são totalmente capturados ao se analisar separadamente as questões de gênero e raça. 6.2 Divisão racial do trabalho A divisão racial do trabalho refere-se à maneira como as oportunidades de emprego, salários e posições dentro da força de trabalho são distribuídas com base na raça ou etnia das pessoas. Essa divisão pode manifestar-se de várias formas e é muitas vezes associada a questões de discriminaçãoe desigualdade racial. É importante observar que as experiências variam significativamente entre diferentes regiões e contextos, mas há padrões globais que evidenciam desigualdades persistentes. Por sua vez, a divisão racial do trabalho no capitalismo se relaciona com o racismo estrutural no mercado de trabalho assalariado. O racismo estrutural é um conceito que descreve um sistema em que a discriminação racial é incorporada nas instituições, práticas e normas sociais de uma sociedade. Diferentemente do racismo individual, que se baseia em atitudes preconceituosas de pessoas específicas, o racismo Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 58 117 estrutural é enraizado em políticas, práticas e estruturas que perpetuam a desigualdade racial de maneira sistemática. O racismo estrutural não requer intenções racistas conscientes; ele se manifesta por meio de disparidades raciais em áreas como habitação, educação, saúde, justiça criminal e emprego. É um fenômeno que afeta grupos racialmente minoritários, negando-lhes oportunidades equitativas, recursos e direitos. O racismo estrutural e a divisão racial do trabalho estão interconectados, sendo manifestações de um sistema mais amplo de desigualdade baseada na raça. Veja, se o racismo estrutural refere-se às maneiras pelas quais as instituições, políticas e práticas sociais perpetuam e reproduzem desigualdades com base na raça ao longo do tempo, a divisão racial do trabalho é uma expressão específica desse fenômeno no âmbito do mercado de trabalho. No caso do Brasil, o racismo estrutural no emergente mercado de trabalho assalariado brasileiro, ainda no início do século XX, determinou a constituição da divisão racial do trabalho, que se desenvolveu mediando a exclusão dessa população dos postos de trabalho formais, assim como também alocou essa população no desemprego e na desocupação, e aquelas(es) que eram inseridas(os) no mercado de trabalho assalariado ocupavam postos de trabalho de subsistência, precarizados, subalternizados, com baixa ou nenhuma remuneração. Quem contribuiu de maneira relevante para esse debate e compreensão foi o sociólogo Florestan Fernandes - cânone da sociologia brasileira. Vejamos brevemente como seu esquema teórico contribui para compreensão da desigualdade racial no mercado de trabalho. 6.2.1 Florestan Fernandes (1920-1995) Florestan Fernandes nasceu em São Paulo em 1920. De origem popular, ingressou na Universidade de São Paulo (USP) em 1941, obtendo o mestrado e o doutorado na Escola Livre de Sociologia e Política (ESP), em 1945 e em 1946, a livre-docência em 1953 na USP e tornando-se titular da cadeira de Sociologia I da mesma Universidade em 1964. Cassado pelo AI-5 em 1969, passa a lecionar nos EUA e no Canadá. É um dos mais respeitados sociólogos do país, tanto nacional quanto internacionalmente, considerado o fundador da sociologia crítica no Brasil. Foi eleito deputado federal pelo PT-SP em 1986 e 1990. Faleceu em São Paulo em 1995. Tem uma extensa produção intelectual. Quero destacar A organização social dos tupinambá (1949), A integração do negro na sociedade de classes (1964). Florestan debruçou de maneira sistemática, crítica e com muito rigor teórico e metodológico sobre a realidade brasileira. Suas mais importantes reflexões foram sobre o capitalismo dependente, o papel do intelectual, relações sociais e, sobretudo, as relações raciais. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 59 117 No que se refere à economia, o autor agrega a questão da escravidão às análises. Assim, seguindo a linha de Caio Prado Jr. Sobre o sentido da economia colonial, ele combina a discussão sobre o papel da escravidão. Ele afirma que as estruturas de dominação do período da colonização foram preservadas no processo de modernização capitalista no Brasil. Por isso, foi uma “modernização conservadora”. Existe um momento crucial para observarmos isso que é a mudança de regime do trabalho escravo para o trabalho livre. Diz Florestan: A desagregação do regime escravocrata e senhorial se operou, no Brasil, sem que se cercasse a destituição dos antigos agentes de trabalho escravo de assistência e garantias que os protegessem na transição para o sistema de trabalho livre. Os senhores foram eximidos da responsabilidade pela manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou qualquer outra instituição assumisse encargos especiais, que tivessem por objetivo prepará-los para o novo regime de organização da vida e do trabalho. Florestan Fernandes. A integração do negro na sociedade de classes. Portanto, meus queridos e queridas, a escravidão, segundo Florestan, a desigualdade social, no Brasil tem relação direta com o modo como o negro foi incorporado na sociedade de classes no pós abolição. Produz-se uma desigualdade social baseada na cor da pele. Assim, a relação entre raça e classe se projeta como fenômeno social e tem repercussão em toda organização social da sociedade brasileira. Ele não usa esse termo, mas hoje em dia, damos o nome de racismo estrutural a esse fenômeno. Percebeu? Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 60 117 Agora eu vou te perguntar, lindeza: o que você acha que o Florestan pensava sobre a noção de “democracia racial”? Florestan afirma categoricamente que a noção de democracia racial serviu para disseminar a ideia de que não há diferenças entre negros e brancos porque viveriam pacificamente. Além disso, as oportunidades estariam abertas a todos. Como isso não é verdade, segundo os estudos que ele faz no seu livro A integração do negro na sociedade de classes, o conceito seria uma ideologia e, no senso-comum, um verdadeiro mito. Assim, o mito acabou por consolidar a ideia de que a pobreza do negro é fruto da sua própria incapacidade de superar as dificuldades sociais, como o desemprego, a falta de escolaridade e a pobreza. Nas palavras do sociólogo “uspiano” Não existe democracia racial efetiva(no Brasil), onde o intercâmbio entre os indivíduos pertencentes a “raças” distintas começa e termina no plano da tolerância convencionalizada. Esta pode satisfazer às exigências de “bom-tom”, de um discutível “espírito cristão” e da necessidade prática de “manter cada um em seu lugar”. Contudo, ela não aproxima realmente os homens senão na base da mera coexistência no mesmo espaço social e, onde isso chega a acontecer, da convivência restritiva, regulada por um código que consagra a desigualdade, disfarçando-a acima dos princípios da ordem social democrática. (Florestan Fernandes. Cor e mobilidade social em Florianópolis.) 7. RESUMOS Definição da Sociologia do Trabalho: Enfoque na compreensão das relações sociais no contexto laboral. Importância da Sociologia do Trabalho como disciplina para análise das transformações na produção de riqueza e modos de vida. Tópicos para Estudo Futuro na Sociologia do Trabalho: O trabalho como categoria do pensamento sociológico. O conceito de trabalho. Divisão do trabalho e distribuição de tarefas. Divisão social, sociossexual e racialdo trabalho. Processo de trabalho e organização do trabalho. Evolução histórica do trabalho humano: escravizado, feudal em servidão, livre desprotegido. Conceito de Trabalho: Papel do Trabalho na Compreensão do Indivíduo: Vínculo essencial na vida do indivíduo, destacado por pensadores que influenciaram o pensamento social. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 61 117 Influência de Hegel: Hegel como pensador central, considerando o trabalho como componente essencial na relação homem-natureza e na formação da consciência. Visão do trabalho como fonte de riqueza, civilização e processo de exteriorização dialética do sujeito. Mediação do Trabalho: Trabalho como mediador na relação entre o homem e a natureza, possibilitando a formação da consciência; Decodificação da natureza e libertação do homem da tirania imposta pela natureza por meio do trabalho. Sistema de Necessidades de Hegel. Trabalho como elemento de mediação entre necessidades subjetivas e necessidades do outro. Produtos do trabalho atuam como mediadores entre esses polos, permitindo a satisfação de necessidades subjetivas. Importância para o Pensamento Social e Sociológico: Fundamentação do sistema filosófico de Hegel contribui para a compreensão do trabalho na formação do pensamento social; Trabalho analisado como exteriorização do sujeito e interiorização do social. Marx, Weber e Durkheim reafirmam a centralidade do trabalho em suas teorias. Trabalho não apenas como componente econômico, mas como força moldadora das relações sociais, da estrutura da sociedade e da identidade individual. Trabalho para Marx, Weber e Durkheim: Karl Marx: Construção de conceitos e análises baseados no trabalho, como classes sociais, luta de classes, capital, exploração capitalista, alienação, força de trabalho, meios de produção. Noção de trabalho como a "eterna necessidade natural da vida social". Trabalhador no processo produtivo como princípio organizador da estrutura social. Conflitos gerados em torno da exploração nas relações de trabalho. Dinâmica do desenvolvimento pautada por conflitos no plano das relações de trabalho. Trabalho como processo e produto do trabalho produtivo. Max Weber: Concepção Moderna de Trabalho Análise da influência da ascese protestante na configuração do trabalho como vocação. Transformações nas mentalidades individuais e estruturas sociais, especialmente com o surgimento da burguesia. Papel crucial na transformação do burguês em um homem de negócios racional. Dedicação ao trabalho como expressão do destino divino. Desvinculação do trabalho de critérios tradicionais, orientando-se por uma lógica calculista e pragmática. Contribuição para a compreensão da transformação do significado e do papel do trabalho na sociedade moderna. Émile Durkheim: Divisão Social do Trabalho. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 62 117 Contribuição para a sociologia do trabalho enfocando a atividade laboral como essencial para compreender a estrutura social. Importância da divisão social do trabalho na formação da sociedade industrial moderna. Atividade Laboral como Social. Trabalho não apenas como prática individual, mas como uma atividade social abrangente envolvendo produção e troca de bens e serviços. Trabalho como fonte de realização pessoal, contribuição para a sociedade, conferindo significado à vida e moldando a identidade social. Coesão Social. Ênfase no trabalho como elemento fundamental na coesão social, conferindo sentido à vida e integrando os indivíduos na sociedade. O Trabalho como uma Categoria do Pensamento Sociológico: Centralidade na Vida Social: Influência na subsistência econômica e na estruturação das relações sociais. Papel central na organização da vida social e nas dinâmicas de poder. Impacto nas Relações Sociais: Organização e distribuição do trabalho afetam diretamente as relações sociais. Divisão do trabalho cria padrões de interdependência, moldando hierarquias sociais. Reflexos nas Desigualdades Sociais: Acesso ao trabalho, tipos de empregos e condições laborais influenciam desigualdades sociais. Exploração das estruturas sociais que contribuem para a distribuição desigual do trabalho. Transformações Econômicas e Sociais: Sensibilidade do trabalho às mudanças econômicas e sociais ao longo do tempo. Análise das transformações desde a Revolução Industrial até formas contemporâneas de emprego. Construção de Identidade: O tipo de trabalho contribui para a construção da identidade individual. Exploração de como as ocupações e experiências laborais moldam a autopercepção e a percepção social. Relação com Outras Instituições Sociais: Interligação do trabalho com outras instituições sociais como família, educação e governo. Investigações sobre como essas instituições influenciam e são influenciadas pelo mundo do trabalho. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 63 117 Autores e Conceitos Relevantes: Karl Marx: Trabalho como "eterna necessidade natural da vida social", centralidade nas relações de produção. Max Weber: Análise da racionalização do trabalho, influência da ascese protestante. Émile Durkheim: Ênfase na divisão social do trabalho e seu papel na coesão social. Adam Smith: Teoria do valor-trabalho, contribuição para a economia política. Harry Braverman: Crítica à alienação no trabalho e desumanização nas estruturas capitalistas. André Gorz: Reflexão sobre o trabalho na sociedade pós-industrial e o papel da automação. Pierre Bourdieu: Conceito de "capital cultural" e sua influência nas oportunidades de trabalho. Erving Goffman: Análise das representações dramatúrgicas no ambiente de trabalho. Conceito de Divisão Sexual do Trabalho: Não é determinada por um destino biológico, mas é uma construção social. Homens e mulheres estão engajados em relações sexuais sociais, fundamentadas no trabalho. Variedade na Divisão Sexual do Trabalho: Presente em todas as sociedades humanas conhecidas. Diversidade nas formas e rigidez da separação entre afazeres considerados apropriados a homens e mulheres. Divisão Sociossexual do Trabalho: Considera outras dimensões além de gênero, como raça, etnia, comunidades LGBTQIA+, questões geracionais, etc. Aborda relações sociais de gênero como desiguais, hierarquizadas e contraditórias. Articulação Fundamental entre Produção e Reprodução: Expressa a conexão entre produção e reprodução na sociedade. Aborda dimensões objetivas e subjetivas, individuais e coletivas, no trabalho assalariado e reprodutivo. Dinâmica de diferenciação utilizada para hierarquizar atividades e ampliar exploração/opressão. Contribui para desigualdades salariais entre gêneros e raças/etnias no mercado de trabalho. Divisão Racial do Trabalho: Distribuição desigual de empregos, salários e posições com base na raça ou etnia. Associada a discriminação e desigualdade racial. Racismo Estrutural: Discriminação racial incorporadaem instituições e práticas sociais. Manifestações do racismo estrutural no mercado de trabalho. No Brasil, o racismo estrutural influencia a divisão racial do trabalho. População negra enfrenta exclusão, desemprego e baixa remuneração. Contribuição de Florestan Fernandes: Sociólogo brasileiro que integrou a análise da escravidão na compreensão das relações raciais. Relação direta entre escravidão e desigualdade pós-abolição. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 64 117 Democracia Racial como Mito: Encobre desigualdades, promovendo a ideia errônea de igualdade de oportunidades. Crítica à Ideia de "Democracia Racial": "Democracia racial" não promove igualdade real, apenas coexistência superficial. Florestan destaca a falta de efetiva aproximação entre raças. 8. LISTA DE QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS 1. (CESGRANRIO - 2009 - Professor de Educação Básica (SEDUC TO)/Sociologia) Em regimes escravocratas havia um determinado tipo de domínio e de sujeição: de um lado, o senhor, e de outro, o escravo. O ser humano escravizado era considerado como propriedade, um misto de animal com ferramenta. Os senhores se beneficiavam ao explorar uma massa de escravos que não possuíam direitos. No seio daquelas sociedades, aos senhores eram destinados todos os bens produzidos e as garantias de determinado padrão de vida, enquanto aos escravos restava a imposição de suas condições precárias e humilhantes de existência. Essas características do modo de produção escravista dizem respeito, basicamente, a) aos instrumentos de produção. b) aos meios de produção. c) às relações de produção. d) às forças produtivas. e) à matéria-prima. 2. (ESAF/ 2010/ Auditor Fiscal do Trabalho) Atualmente estão se impondo outras formas de vida, não para o conjunto da população, mas sim para uma parte considerável dela. Trata-se de formas de vida similares às conhecidas pelas mulheres nos últimos decênios. Essas formas de vida estão feitas de trabalho a tempo parcial, contratos temporários, trabalhos não retribuídos e voluntários Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 65 117 (Beck, Ulrich. Un nuevo mundo feliz. La precariedad del trabajo en la era de la globalización. Barcelona: Ediciones Paidós Ibérica, S. A., 2000, p. 102). Embasado nos pressupostos teóricos do texto, assinale a opção correta. a) Constata-se, em todo o mundo, que o aumento das formas de emprego inseguras e precárias é maior entre as mulheres que entre os homens. b) O contexto cultural e a importância do trabalho informal na Europa e na América do Sul podem ser considerados semelhantes. c) As formas de flexibilização do trabalho, no contexto da desregulação das relações laborais, aumentam o poder negociador dos sindicatos. d) No Brasil, o trabalho assalariado estável e formal constitui a experiência histórica da maioria da população. e) Na conjuntura do mercado mundial, o crescimento econômico atualiza a ideia do pleno emprego e a consigna em empregos permanentes. 3. (ESAF/2003/Auditor Fiscal do Trabalho) A partir do conteúdo do texto abaixo considerar a incoerência de uma das opções que dele se deduz A divisão sexual do trabalho é a separação e distribuição das atividades de produção e reprodução social de acordo com o sexo dos indivíduos. É uma das formas mais simples e, também, mais recorrentes de divisão social do trabalho. Qualquer sociedade tem definidas, com mais ou menos rigidez e exclusividade, esferas de atividades que comportam trabalhos e tarefas considerados apropriados para um ou outro sexo. (Holzmann da Silva, 1999) a) A esfera feminina situa-se no âmbito doméstico privado, da produção de valores de uso para o consumo do grupo familiar, da reprodução da espécie e do cuidado das crianças, dos velhos e dos incapazes. b) As atividades de produção social e de direção da sociedade, desempenhadas no espaço público, são atribuições masculinas. c) A distinção entre trabalho de homens e de mulheres expressa atributos e capacidades inatas aos indivíduos, diferentes em homens e em mulheres. d) Os estereótipos de ser homem e de ser mulher sustentam e legitimam a divisão sexual do trabalho. e) As mulheres são mais vulneráveis à repressão da organização do processo de trabalho taylorista. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 66 117 4. (ESAF/1998/Auditor Fiscal do Trabalho) A reflexão abaixo permite vários desdobramentos sobre a "divisão sexual do trabalho". Uma das apresentadas é falsa; assinale-a. "A divisão sexual do trabalho, um fato persistente na história humana, foi muitas vezes tratado como um fenômeno invariável no tempo. Contrariando esta tendência, abordagens mais amplas passaram a sublinhar o caráter específico da subordinação por sexo entendido como assimetria nas relações de gênero. Desse modo pretendiam salientar o caráter socialmente constituído destas diferenças, enfatizando as dimensões sociais e culturais da subordinação." (Bandeira, 1997) a) Do ponto de vista internacional, historicamente as políticas sociais foram dirigidas a fixar a mão-de-obra feminina no âmbito familiar, reforçando desta forma a menor presença da mulher no mercado de trabalho, devido à divisão sexual do trabalho. b) A assertiva segundo a qual no Brasil o "trabalho tem um sexo" mostra o quanto a legislação trabalhista tem dificuldade em incorporar a especificidade de gênero na questão da equidade. c) Mesmo nas camadas de renda mais desfavorecidas, o trabalho feminino é submetido a uma maior precarização, pois nestas a mulher é vista com ressalvas pelos empregadores devido à sua própria condição de mulher. d) Do pondo de vista histórico, o processo de diferenciação entre os sexos, em termos de relações de hierarquia e subordinação, aprofundam-se com as complexidades crescentes da sociedade capitalista, com sua especialização e com o aumento da produtividade. e) A generalização de uma divisão do trabalho sexualmente ordenada estaria baseada no controle exercido sobre o trabalho da mulher e dos filhos, construído como base no poder masculino. 5. (FGV - 2023 - SEDUC-TO - Professor da Educação Básica - Professor Regente - Sociologia) A categoria trabalho foi pensada por diversos autores (I) como valor; (II) como racionalidade capitalista; ou (III) como elemento de interação do indivíduo na sociedade em suas dimensões tanto corporativa como de integração social. Adaptado de BNCC Ensino Médio, p 556, in: http://basenacionalcomum.mec.gov.br O trecho se refere, de I a III, às concepções de trabalho de (A) Adam Smith – David Ricardo – Vilfredo Pareto. (B) Karl Marx - Max Weber - Émile Durkheim. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 67 117 (C) David Ricardo – Jeremy Bentham – Karl Marx. (D) Thomas Malthus – John Rawls – Max Weber.(E) Max Weber – John Stuart Mill – David Ricardo. 6. (CETREDE - 2019 - Sociólogo (Pref Juazeiro do N) I. O mundo moderno é resultado de um processo de diferenciação social, em que o ponto de partida da evolução social seriam as sociedades regidas pela solidariedade mecânica e seu ponto de chegada, as sociedades caracterizadas pela solidariedade orgânica. II. O que distingue cada um dos momentos da evolução da sociedade são os mecanismos que geram a solidariedade social: a consciência coletiva e a divisão do trabalho social. III. A solidariedade mecânica e a solidariedade orgânica são diferentes estratégias de integração dos indivíduos nos grupos ou nas instituições sociais. IV. Na solidariedade orgânica, a regulação moral das condutas sociais decorre das normas contidas na consciência coletiva. V. Na solidariedade mecânica, a moralidade social emana da própria divisão do trabalho, na medida em que ele valoriza a contribuição de cada indivíduo no processo de cooperação social. Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS. a) I – II – III. b) II – III – IV. c) I – II – III – V. d) I – III – IV. e) I – II – III – IV – V. 7. (Com. Org. (IFSP)/2015/Sociologia) Acerca da relação entre divisão do trabalho e produtividade do trabalho para Adam Smith é correto afirmar que: I. a produtividade do trabalhador aumenta se ele puder se dedicar a um número pequeno de operações. II. quanto menor for o número de operações executadas por cada trabalhador, menor será o tempo perdido a passagem de uma operação a outra. III. a aptidão e talento dos homens para determinadas operações é uma característica natural de cada um. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 68 117 IV. é importante que os homens desenvolvam o maior número de aptidões possíveis, se tornando assim trabalhadores polivalentes. Está(ão) correta(s) apena(s) a(s) alternativa(s): a) I e IV. b) I e III. c) II e III. d) IV. e) I e II. 8. (Com. Org. (IFSP)/2015/Sociologia) O livro A Riqueza das Nações, de Adam Smith, escrito em 1776, no contexto da Primeira Revolução Industrial, desenvolve uma análise do surgimento do capitalismo industrial e foi considerado o primeiro estudo científico do capitalismo, dando origem a uma escola do pensamento econômico, conhecida como Escola Clássica. Adam Smith tinha como preocupação saber qual era a causa da riqueza da nação, de grupos e de pessoas individuais. Entre estas, qual alternativa responde à sua pergunta? a) Para Adam Smith o principal fator era o trabalho produtivo especializado, porque ele diminui os tempos ociosos, evitando que o trabalhador perca tempo, mudando de atividade, aumenta a destreza do trabalhador e incentiva a sua capacidade inventiva. b) O economista inglês foi responsável pela transferência do centro de análise do âmbito do comércio para o da produção, sustentando que somente a terra, ou a natureza é capaz de realmente produzir algo novo (só a terra multiplica um grão de trigo em muitos outros grãos), portanto, a terra é a única fonte de riqueza. c) Adam Smith defendia a ideia de que o Estado deveria incrementar o bem-estar nacional, mesmo que em detrimento de seus vizinhos e colônias, pois, a riqueza da nação era constituída, essencialmente, pela moeda, o Estado deveria desenvolver mecanismos para obtê-la. d) O principal fator capaz de promover a riqueza da nação era a balança comercial favorável, na medida em que as importações de um país fossem menores do que suas exportações haveria uma entrada líquida de moedas, aumentando o seu volume e, consequentemente, a riqueza da nação. e) Adam Smith defendia a tese de que o investimento em tecnologia seria o fator principal para o acúmulo de riqueza, na medida em que ela possibilita o aumento da produtividade numa jornada de trabalho menor e, gradativamente, substitui a força humana de trabalho pela máquina. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 69 117 9. (Inédita/Profe. Alê Lopes) A disparidade salarial entre homens e mulheres é mostrada em uma pesquisa realizada pelo Banco Nacional de Empregos (BNE) em seu sistema de vagas. A maior diferença salarial pode ser verificada em 20 funções, que têm índices superiores à taxa de 20% – pesquisa da consultoria IDados, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, mostra que as mulheres ganham em média 20,5% a menos que os homens no Brasil. Essa diferença segue em patamar elevado mesmo quando se compara trabalhadores do mesmo perfil de escolaridade e idade e na mesma categoria de ocupação. De acordo com o BNE, a maior diferença se encontra na área de tecnologia: para desenvolvedor front-end, a variação entre os salários em favor dos homens foi de 63,2%. Nessa lista há cargos de liderança, como gerentes e supervisores, e também funções como auxiliares e analistas. De acordo com o BNE, "isso demonstra que a desigualdade afeta as mulheres em todos os níveis hierárquicos e em diversos segmentos, dada a variedade de áreas listadas" (G1. Abr/2022) A pesquisa realizada evidencia a) um contexto de equiparação de gênero. b) o aumento do desemprego. c) a crescente desigualdade e concentração de renda. d) a desconfiança em relação a dados do mercado de trabalho. e) um cenário de subjugação de gênero no mercado de trabalho. 10. (Inédita/Profe. Alê Lopes) “Útil é um liquidificador, útil é uma enceradeira, um aspirador de pó é útil, um carro, uma máquina de lavar roupa... A Vida não. A vida é fruição, é um maravilhamento, é uma benção de estar existindo no meio de uma multidão de seres que não só os nós, os humanos. Talvez o equívoco, o erro da história foi a gente ter se descolado da vida em geral e criado uma abstração de nós, seres humanos. KRENAK, Ailton. A vida não é útil. Trecho da palestra no encerramento do Clube do Livro sobre literatura indígena. Sesc Vila mariana, São Paulo, 2022. O texto acima revela o processo de a)coisificação do ser humano b)alienação da natureza c) separação do homem do seu habitat natural, a selva. d)mecanização da vida Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 70 117 e)a especialização do processo produtivo 11. (Inédita/profe. Alê Lopes) A sociologia surgiu, na primeira metade do século XIX, sob o impacto da Revolução Industrial e da Revolução Francesa. As transformações econômicas, políticas e culturais suscitadas por esses acontecimentos criaram a impressão generalizada de que a Europa vivia o alvorecer de uma nova sociedade. MUSSI, Ricardo. Apontamentos sobre o nascimento da sociologia. Blog Boitempo, 23/11/2012. Sobre o surgimento da Sociologia está correta a seguinte afirmação: a) A Sociologia surgiu como uma resposta à crise social e política do século XVIII, buscando compreender a sociedade de forma científica. b) A Sociologia é resultado dos estudos sobre o modo de produção desenvolvido no Canadá, a partir de uma perspectiva revolucionária do positivismo, mesclado com teorias do Estado de Bem-estar Social. c) A ideia de desenvolvimento pela revolução social foi defendida pelo Absolutismo,que influenciou o Positivismo. d) Os limites e as contradições do progresso para a liberdade humana foram apontados pelo Iluminismo e aceitos pelo Positivismo. e) Somente no século XXI é que podemos falar em surgimento, de fato, da Sociologia. 12. (Inédita/Profe. Alê Lopes) (BERTAZZI, Galvão. “Vida Besta”. Folha de São Paulo, 13/09/2023. Disponível em: < https://cartum.folha.uol.com.br>. Acessado em 13/09/2023) Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 71 117 A tirinha acima traz diversas críticas sociais. Uma delas pode ser associada à ideia da vida urbana como uma vida extremamente complexa que, nas palavras de Émile Durkheim, tornaria a sociabilidade contemporânea uma sociabilidade pautada pela a) solidariedade mecânica. b) submissão ao fato social. c) opção pelo suicídio. d) solidariedade orgânica. e) solidariedade sociológica. 13. (Inédita/Profe. Alê Lopes) A Rede Mulheres Produtoras do Pajeú nasceu em 2005, quando a Casa Mulher do Nordeste, organização feminista do sertão pernambucano fundada na década de 1980, convidou algumas mulheres produtoras para o Festival de Economia Popular e Solidária do Pajeú. A educadora social Elizabete Ferreira foi uma delas. Está na associação desde o início e é parte integrante do grupo Guerreiras Pernambucanas, que trabalha com agricultura e a produção de sabonetes líquidos de aroeira. A ideia principal era a de criar uma rede de apoio e de formação política e agroecológica para poder diminuir o isolamento entre mulheres do sertão, além de ser um movimento que olha com mais atenção para questões de gênero na região, principalmente para casos de violência doméstica. Assim, a Rede se estabelece com base em três pilares: agroecologia, feminismo e economia solidária. (UOL. Feministas do sertão: quintais de agricultoras viram armas de transformação. 06/04/2021. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas- noticias/2021/04/06/feministas-do-sertao-quintais-de-agricultoras-viram-armas-de- transformacao.htm. Acesso em: 08/04/2021) De acordo com o texto, a ação do movimento em questão a) forma lideranças para disputar cargos eletivos em municípios rurais. b) formaliza mulheres no mercado de trabalho e as transforma em operárias. c) objetiva aumentar o ganho de escala lucrativo por meio do trabalho doméstico. d) utiliza os quintais produtivos como uma estratégia de empoderamento feminino. 14. (FGV 2019) Atualmente, a economia sob demanda está alterando de maneira fundamental nossa relação com o trabalho e com o tecido social no qual ela está inserida. Mais empregadores estão Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 72 117 usando a “nuvem humana” para as coisas serem feitas. As atividades profissionais são separadas em atribuições e projetos distintos; em seguida, elas são lançadas em uma nuvem virtual de potenciais trabalhadores, localizados em qualquer lugar do mundo. Klaus Schwab. A quarta revolução industrial. São Paulo: Edipro, 2016. Sobre as relações de trabalho na economia sob demanda, assinale a afirmativa incorreta. a) Os prestadores de serviço não são mais empregados no sentido tradicional, mas trabalhadores independentes que realizam tarefas específicas. b) Os trabalhadores independentes realizam suas tarefas em casa, o que permite a administração do próprio tempo, menor estresse e maior controle da cadeia produtiva. c) Uma parte da força de trabalho, para gerar renda, pode ser, ao mesmo tempo, motorista da Uber, locador da Airbnb e executar outras pequenas tarefas. d) Os trabalhadores que se deslocam de tarefa em tarefa não usufruem dos direitos trabalhistas, dos ganhos das negociações coletivas e da segurança no trabalho. e) Os trabalhadores autônomos vivenciam novas relações de trabalho, em que os contratantes estão desvinculados da obrigação de pagar salário mínimo e benefícios sociais. 15. (VUNESP/2018) “A desagregação do regime escravocrata e senhorial ocorreu, no Brasil, sem que se oferecesse aos antigos agentes do trabalho escravo assistência e garantias que os protegessem na transição para o sistema de trabalho livre. Os senhores foram eximidos da responsabilidade pela manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou qualquer outra instituição assumissem encargos especiais, que tivessem por objeto prepará-los para o novo regime de organização da vida e do trabalho.” (Florestan Fernandes. A integração do negro na sociedade de classes. Volume 1, São Paulo: Editora Globo, 2008, p. 29. Adaptado) Segundo o texto, o processo de abolição da escravatura no Brasil a) negou aos libertos o auxílio necessário para que se adaptassem às novas condições sociais. b) ofereceu recursos institucionais para proteger e amparar os libertos na nova estrutura social. c) impôs aos antigos senhores a obrigação de oferecer boas condições de vida aos libertos. d) concedeu aos ex-escravos formação profissional para atenderem o mercado de trabalho. e) proporcionou condições para que os antigos escravos fossem inseridos facilmente na sociedade. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 73 117 16. (VUNESP/2018) No mundo capitalista, a produção de bens e serviços que atende às necessidades da sociedade foi um marco significativo na organização das relações sociais de hoje. O processo produtivo é composto por três elementos principais, que, quando associados, permitem a funcionalidade do sistema capitalista de produção. Sobre esses elementos, é INCORRETO afirmar que a) o trabalho é uma atividade essencial, desenvolvida pelo ser humano, que transforma a energia física e mental em força de trabalho, capaz de atuar sobre a natureza para produzir excedentes. b) o trabalho qualificado é realizado com certo grau de aprendizagem, devendo ser adquirido em espaços sistematizados pela sociedade e em áreas específicas de atuação. c) os seres humanos utilizam a matéria-prima para adquirirem os bens e serviços necessários à manutenção da natureza e seus elementos constitutivos. d) os recursos naturais são importantes para o processo produtivo, mas é um elemento relativo, pois eles variam de acordo com a concepção cultural de cada sociedade. e) as máquinas e os equipamentos são não só instrumentos de produção, mas também meios materiais utilizados pelo homem para realizar o trabalho e produzir os bens e serviços necessários à vida humana. 17. (NC UFPR (FUNPAR) - 2021) Considere a seguinte passagem: No final do século XIX e início do século XX, inúmeras leis de “proteção” à mulher passaram a proibir o trabalho feminino em ocupações consideradas mais pesadas ou perigosas, já que isso havia trazido problemas de ordem “moral” resultantes do fato de as mulheres terem mais mobilidade fora do espaço da casa. Na França, uma lei de 1892 proibia as mulheres de exercer o trabalho noturno. No Brasil, a mesma proibição foi expressa em um decreto de 1932. Embora muitas dessas leis visassem à “proteção” das mulheres, exploradas pela indústria – assim como ocorria com as crianças –, acabaram por confiná-las aos cuidadosdomésticos e a trabalhos realizados em casa, sub-remunerados. Durante o século XX, as duas guerras mundiais voltaram a impulsionar a presença das mulheres nas indústrias, pois, nesses momentos, os esforços produtivos eram necessários. No entanto, com o fim do período de guerras, novamente se reivindicou o retorno das mulheres à casa. O modelo de família almejado pela sociedade industrial e fordista do pós-guerra centrou-se, então, no “homem provedor e na mulher cuidadora”. (SILVA, Afrânio et al. (orgs.). Sociologia em movimento. São Paulo: Moderna, 2016. p. 338.) Sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho, assinale a alternativa correta. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 74 117 A) A inserção das mulheres no mercado de trabalho global significou a superação das desigualdades de gênero pela conquista do poder financeiro. B) A divisão de trabalho fundamentada nos sexos levou as mulheres para fora do espaço doméstico contribuindo para a superação do patriarcado. C) O desenvolvimento do capitalismo aboliu a distinção entre as atividades que têm lugar no espaço da família considerado “reprodutivo”, e no espaço público, considerado “produtivo”. D) A existência de uma dupla jornada (no trabalho e em casa), por vezes tripla (no trabalho, em casa e na universidade), é um dos motivos para a proibição do trabalho das mulheres. E) A proibição do trabalho noturno para as mulheres reforçou um efeito perverso da divisão sexual do trabalho. 18. (FADESP - 2020 - Técnico de Nível Superior (UEPA)/Ciências Sociais A vida privada interfere na vida pública e é fator de restrição às mulheres. A divisão sexual do trabalho impõe às mulheres maiores obrigações na vida privada do que aos homens. É correto afirmar que A isso ocorre porque a dualidade entre público e privado é problematizada nas teorias da democracia. B a persistência desses padrões destoam dos valores igualitários perseguidos pelas feministas. C é preciso desnaturalizar esses padrões, que implicam desvantagens para as mulheres. D a legislação e o cotidiano da vida brasileira são os fatores responsáveis por esses padrões. 19. (QUADRIX - 2017 - Professor Substituto Temporário (SEDF)/Sociologia) A expressão “divisão social do trabalho” tem sido usada no sentido cunhado por Karl Marx e também referendada por autores como Braverman e Marglin para designar a especialização das atividades presentes em todas as sociedades complexas, independentemente de os produtos do trabalho circularem como mercadoria ou não. Designa a divisão do trabalho social em atividades produtivas, isto é, ramos de atividades necessárias para a reprodução da vida. Marx, em O Capital, afirma que a divisão social do trabalho diz respeito ao caráter específico do trabalho humano. Um animal faz coisas de acordo com o padrão e a necessidade da espécie a que pertence. Enquanto a aranha é capaz de tecer e o urso de pescar, um indivíduo da espécie humana pode ser, simultaneamente, tecelão, pescador, construtor e mil outras coisas combinadas. Essa capacidade de produzir diferentes coisas e até de inventar padrões diferentes dos animais não pode ser exercida individualmente, mas a espécie como um todo acha possível fazer isso, em parte pela divisão do trabalho. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 75 117 Internet: <www.sites.epsjv.fiocruz.br> (com adaptações). Com base no texto e nas diferentes dimensões do trabalho, julgue o item a seguir. A divisão social do trabalho apresenta e já apresentou, ao longo da história, diferentes critérios para a sua realização, entre eles as diferenças sexuais. C ) Certo E ) Errado 20. (VUNESP/2015) Analise a tabela a seguir. A desigualdade de gênero relaciona-se com a estratificação social A) pelo crescimento do número de mulheres ativas no mercado de trabalho, que levou ao rebaixamento geral dos salários dos trabalhadores. B) pela ampliação da escolarização das mulheres que reduziu as disparidades salariais entre os empregos femininos e masculinos. C) pela manutenção da desvantagem da inserção produtiva das mulheres quanto ao nível de remuneração mesmo quando possuem o mesmo nível de escolaridade dos homens. D) pela ausência de legislação que garanta salário igual para trabalho igual. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 76 117 E) pela ampliação dos salários masculinos em virtude da redução da presença feminina no mercado de trabalho. 21. (FCC/2012 - Professor Sociologia) Anthony Giddens, em seu livro Sociologia, refere-se à “segregação ocupacional dos gêneros” como explicação para o fato de homens e mulheres. A) serem alocados em atividades de acordo com a sua capacidade profissional. B) estarem concentrados em tipos diferentes de empregos de acordo com a compreensão do que seja a atividade adequada para cada sexo. C) ocuparem distintas profissões de acordo com as oportunidades oferecidas pelo mercado de trabalho. D) apresentarem poucas ou nenhuma diferenças significativas quanto às possibilidades de emprego, salário e posição na ocupação. 22. (FCC/2012 - Professor Sociologia) Dados do IBGE mostram que, em 2009, no Brasil, as mulheres gastavam, em média, 22,0 horas semanais em atividades domésticas, enquanto a média entre os homens foi de 9,5 horas. Esses dados permitem a reflexão sobre a A) divisão sexual do trabalho na sociedade brasileira. B) separação entre trabalho produtivo e trabalho doméstico. C) importância do trabalho doméstico. D) tendência natural das mulheres para o trabalho doméstico. 23. (CEBRASPE/2004 - Técnico (TERRACAP)/Especialista/Sociólogo) Estudos e pesquisas acerca da estrutura e das tendências de desenvolvimento das sociedades ocidentais altamente industrializadas mostram, de modo cada vez mais frequente, sua caracterização como sociedade de serviços. A respeito desse tema, julgue o item subsequentes Uma das conseqüências da generalização do trabalho em serviços é a feminilização do mercado de trabalho nas cidades, que resultou na equalização dos níveis salariais de homens e mulheres. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 77 117 C ) Certo E ) Errado 24. (Com. Org. IFTO/2016/Professor Sociologia) Assinale a alternativa que não corresponde a uma característica do trabalho nas sociedades tribais. A) O trabalho proporciona o acúmulo de excedentes que originarão as distinções de classe. B) Produzem para viver para prover às festas e presentear sempre na medida do que é necessário. C) O trabalho está vinculado às demais atividades sociais como as relações de parentesco, religião, educação. D) O trabalho não está separado em uma área definida e autônoma. E) Caso alguma mudança diminua o tempo necessário para a obtenção dos meios de sobrevivência essetempo não será usado para mais produção. 25. (VUNESP/2023 – Professor/Sociologia) O capitalismo envolve a insulação do econômico em relação ao político contra a tela de fundo do trabalho e mercados de produtos competitivos. A vigilância, por sua vez, é fundamental a todos os tipos de organização associados à ascensão da modernidade, em particular o estado- nação, que se entrelaça historicamente com o capitalismo em seu desenvolvimento mútuo. Da mesma forma, há vínculos substantivos íntimos entre as operações de vigilância dos estados- nação e a natureza alterada do poder militar no período moderno. Assinale a alternativa que melhor descreve a relação mencionada no trecho fornecido. A) A vigilância é exclusiva dos estados-nação e não está relacionada ao desenvolvimento do capitalismo. B) O desenvolvimento do capitalismo e dos estados- -nação está intrinsecamente ligado, assim como a vigilância é uma característica essencial de ambos. C) O capitalismo e o poder militar estão separados e não têm influência um sobre o outro. D) A insulação do econômico em relação ao político é uma característica exclusiva dos mercados de produtos competitivos. E) O desenvolvimento econômico acima das relações políticas é uma característica exclusiva dos mercados de produtos competitivos. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 78 117 26. (QUADRIX - 2017 - Professor/Sociologia) O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, desviamo-nos dele. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da produção veloz, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz em grande escala, tem provocado a escassez. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura! Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido. Charles Chaplin. Internet: <www.klepsidra.net> (com adaptações). Considerando o texto como motivação inicial, julgue o item a seguir. A produção de alimentos em larga escala, por causa do uso do maquinário, garante aos seres humanos a produção e distribuição dos alimentos de forma igualitária. C) Certo E) Errado 27. (UNEB - 2012 - Analista de Processos Sociais (CERB)/Sociologia) Entre os diversos processos históricos que contribuíram para o nascimento da sociedade moderna capitalista, dois se destacam como os mais importantes no que tange às suas influências nos primórdios da sociologia. Esses são: A) A Revolução Industrial e a Revolução Francesa B) O Renascimento e a Expansão Comercial marítima C) A Revolução Americana e os movimentos de descolonização da América D) A Guerra dos Sete Anos e a Revolução Puritana inglesa E) A Comuna de Paris e a Revolução Russa. 28. (CEBRASPE (CESPE) - 2011 - Professor (SEDUC AM)/Sociologia) Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 79 117 Com relação ao contexto histórico do surgimento da sociologia, julgue o item a seguir. Com o fim do sistema feudal, a mão de obra camponesa migrou para o ambiente de trabalho industrial. C) Certo E) Errado 29. Instituto Consulplan - 2023 - Analista do Executivo (SEGER ES)/Ciências Sociais Somos assim levados a considerar a divisão do trabalho sob um novo aspecto. Neste caso, com efeito, os serviços econômicos que ela proporciona são de menor monta ao lado do efeito moral que produz, e sua verdadeira função é criar entre duas ou mais pessoas um sentimento de solidariedade. (DURKHEIM, 2010, p. 63.) Considerando a divisão do trabalho e sua relação com a solidariedade proposta por Émile Durkheim, analise as afirmativas a seguir. I. A solidariedade não pode jamais existir entre outrem e nós a não ser que a imagem desse outrem se una a nossa. Mas quando a união resulta da semelhança de duas imagens, ela consiste em uma aglutinação. II. As grandes sociedades políticas só podem se manter em equilíbrio graças à especialização de tarefas que a divisão do trabalho é a fonte, senão a única, pelo menos a principal da solidariedade social III. Quanto mais solidários sejam os membros de uma sociedade, mais eles mantêm relações diversas, sejam uns com outros, sejam com o grupo tomado coletivamente. Porque se os seus contatos fossem raros, eles não dependeriam uns dos outros se não de maneira frágil e intermitente. IV. O estudo da solidariedade pertence à sociologia. É um fato social que só pode conhecer por meio de seus efeitos sociais. Se tantos moralistas e psicólogos puderam tratar a questão sem seguir esse método é porque eles contornaram a dificuldade. Está correto o que se afirma em A I, II, III e IV. B I e II, apenas. C II e III, apenas. D III e IV, apenas. E I, II e IV, apenas. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 80 117 30. CETAP - 2023 - Técnico em Gestão de Meio Ambiente (SEMAS PA)/Ciências Sociais A Função da Divisão do Trabalho em Emile Durkheim tem como pressuposto que: A nas sociedades modernas, em que predomina uma solidariedade orgânica, a Divisão do trabalho tem a função de manter o equilíbrio da sociedade, diante das diferenças existentes na mesma. B a solidariedade mecânica contribui para a função social do trabalho como objetivo de aproximar os diferentes. C nas sociedades Modernas, prevalece uma consciência moral em relação aos indivíduos e aos fatos sociais. D a função da divisão do trabalho é apenas de organizar as sociedades tradicionais. E a divisão do trabalho é algo específico do mundo econômico, que foi estruturado conceitualmente por Emile Durkheim, tendo como principal característica a multifuncionalidade do trabalhador. 9. GABARITO 1. C 2. A 3. C 4. A 5. B 6. A 7. E 8. A 9. E 10. A 11. A 12. D 13. D 14. B 15. A 16. C 17. E 18. C 19. CERTO 20. C 21. B 22. A 23. ERRADO 24. A 25. B 26. ERRADO 27. A 28. CERTO 29. A 30. A Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 81 117 10. LISTA DE QUESTÕES COM COMENTÁRIOS 1. (CESGRANRIO - 2009 - Professor de Educação Básica (SEDUC TO)/Sociologia) Em regimes escravocratas havia um determinado tipo de domínio e de sujeição: de um lado, o senhor, e de outro, o escravo. O ser humano escravizado era considerado como propriedade, um misto de animal com ferramenta. Os senhores se beneficiavam ao explorar uma massa de escravos que não possuíam direitos. No seio daquelas sociedades, aos senhores eram destinados todos os bens produzidos e as garantias de determinado padrão de vida, enquanto aos escravos restava a imposição de suas condiçõesprecárias e humilhantes de existência. Essas características do modo de produção escravista dizem respeito, basicamente, c) aos instrumentos de produção. d) aos meios de produção. c) às relações de produção. d) às forças produtivas. e) à matéria-prima. Comentários O texto aborda as características do modo de produção escravista, destacando a relação de domínio entre senhores e escravos, bem como a exploração desigual dos recursos produzidos. Vejamos cada alternativa: a) Incorreta porque os instrumentos de produção se referem a ferramentas e equipamentos utilizados no processo produtivo, enquanto o texto destaca as relações sociais de dominação no modo escravista. b) Incorreta porque os meios de produção compreendem recursos materiais, como terra e máquinas, não abordando diretamente a relação social entre senhores e escravos descrita no texto. c) Correta porque as relações de produção referem-se à organização social e às interações entre classes, o que é central para entender o modo de produção escravista conforme descrito no texto. d) Incorreta porque as forças produtivas incluem fatores como tecnologia e conhecimento, mas não capturam diretamente as relações sociais específicas do sistema escravista. e) Incorreta porque a matéria-prima refere-se aos recursos naturais utilizados na produção, não abordando a relação de domínio entre senhores e escravos destacada no texto. Gabarito: C Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 82 117 2. (ESAF/ 2010/ Auditor Fiscal do Trabalho) Atualmente estão se impondo outras formas de vida, não para o conjunto da população, mas sim para uma parte considerável dela. Trata-se de formas de vida similares às conhecidas pelas mulheres nos últimos decênios. Essas formas de vida estão feitas de trabalho a tempo parcial, contratos temporários, trabalhos não retribuídos e voluntários (Beck, Ulrich. Un nuevo mundo feliz. La precariedad del trabajo en la era de la globalización. Barcelona: Ediciones Paidós Ibérica, S. A., 2000, p. 102). Embasado nos pressupostos teóricos do texto, assinale a opção correta. a) Constata-se, em todo o mundo, que o aumento das formas de emprego inseguras e precárias é maior entre as mulheres que entre os homens. b) O contexto cultural e a importância do trabalho informal na Europa e na América do Sul podem ser considerados semelhantes. c) As formas de flexibilização do trabalho, no contexto da desregulação das relações laborais, aumentam o poder negociador dos sindicatos. d) No Brasil, o trabalho assalariado estável e formal constitui a experiência histórica da maioria da população. e) Na conjuntura do mercado mundial, o crescimento econômico atualiza a ideia do pleno emprego e a consigna em empregos permanentes. Comentários a) Correta porque se alinha à realidade observada em muitos contextos sociais, respaldada por teorias e estudos sobre a discriminação de gênero no ambiente de trabalho. Historicamente, as mulheres têm enfrentado barreiras e desigualdades no mercado de trabalho, refletidas em diversas formas de discriminação, como salários mais baixos em comparação com homens que desempenham funções equivalentes, acesso limitado a oportunidades de promoção e maior propensão a ocuparem posições de trabalho precárias e temporárias. A teoria feminista na sociologia destaca como as estruturas sociais perpetuam desigualdades de gênero, impactando as escolhas de carreira, as condições de trabalho e as oportunidades de ascensão profissional das mulheres. A discriminação de gênero, muitas vezes sutil e sistêmica, contribui para a prevalência de formas de emprego inseguras e precárias entre as mulheres. A flexibilização do trabalho, nesse contexto, pode ser uma estratégia que perpetua a desigualdade de gênero, oferecendo menos estabilidade e segurança às trabalhadoras. b) Incorreta porque o contexto cultural e a importância do trabalho informal são construtos complexos, influenciados por fatores históricos, políticos e sociais únicos a cada região. Generalizar a semelhança entre a Europa e a América do Sul sem considerar essas nuances é uma simplificação excessiva. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 83 117 c) Incorreta porque a desregulação das relações laborais e as formas de flexibilização do trabalho nem sempre resultam no aumento do poder negociador dos sindicatos. Em muitos casos, essas mudanças podem enfraquecer a posição dos trabalhadores, diminuindo a capacidade de negociação sindical. d) Incorreta porque a experiência histórica do trabalho assalariado estável e formal não é universal, e no contexto brasileiro, há uma diversidade de formas de emprego ao longo do tempo. Generalizar que a estabilidade e a formalidade foram predominantes ignora nuances históricas e sociais. e) Incorreta porque a ideia de pleno emprego e empregos permanentes na conjuntura do mercado mundial enfrenta desafios diante da crescente globalização e automação. A natureza dinâmica e volátil do mercado de trabalho contemporâneo desafia a concepção tradicional de empregos permanentes para todos. Gabarito: A 3. (ESAF/2003/Auditor Fiscal do Trabalho) A partir do conteúdo do texto abaixo considerar a incoerência de uma das opções que dele se deduz A divisão sexual do trabalho é a separação e distribuição das atividades de produção e reprodução social de acordo com o sexo dos indivíduos. É uma das formas mais simples e, também, mais recorrentes de divisão social do trabalho. Qualquer sociedade tem definidas, com mais ou menos rigidez e exclusividade, esferas de atividades que comportam trabalhos e tarefas considerados apropriados para um ou outro sexo. (Holzmann da Silva, 1999) a) A esfera feminina situa-se no âmbito doméstico privado, da produção de valores de uso para o consumo do grupo familiar, da reprodução da espécie e do cuidado das crianças, dos velhos e dos incapazes. b) As atividades de produção social e de direção da sociedade, desempenhadas no espaço público, são atribuições masculinas. c) A distinção entre trabalho de homens e de mulheres expressa atributos e capacidades inatas aos indivíduos, diferentes em homens e em mulheres. d) Os estereótipos de ser homem e de ser mulher sustentam e legitimam a divisão sexual do trabalho. e) As mulheres são mais vulneráveis à repressão da organização do processo de trabalho taylorista. Comentários O texto discute a divisão sexual do trabalho, destacando a separação e distribuição das atividades de produção e reprodução social de acordo com o sexo dos indivíduos. No comando, podemos afirmar que o Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 84 117 que está incoerente é o que está errado segundo o próprio texto. Isso torna a questão péssima. Mas vamos treinar no "ambiente desconfortável da questão". Segundo a teoria social da divisão sexual do trabalho, sabemos que apesar de ser uma divisão simples não é definida por o que cada sexo é de maneira natural, mas sim pela expectativa social sobre os gêneros. Ou seja, a sociedade cria estereótipos do que é ser homem ou mulher na sociedade e a partir disso fazuma divisão social que historicamente associou à mulher a esfera da reprodução (esfera provada) e ao homem a esfera da produção (esfera pública). Considerando a teoria, a única alternativa correta é a D Os estereótipos de ser homem e de ser mulher sustentam e legitimam a divisão sexual do trabalho. Todas as demais alternativas estão incorretas. Já, se nos limitados à leitura do texto, em alguma medida, todas são incoerentes em relação ao texto teremos o seguinte: a) Incorreta porque o texto não sugere que a esfera feminina se situa exclusivamente no âmbito doméstico privado. Ele menciona que existem esferas de atividades definidas para cada sexo, mas não limita a esfera feminina apenas ao espaço doméstico. (mas sabemos que isso existe na realidade histórica) b) Incorreta porque o texto não afirma que as atividades de produção social e de direção da sociedade são exclusivamente atribuições masculinas. Ele destaca que há esferas de atividades definidas para cada sexo, mas não limita as atividades de direção da sociedade apenas aos homens. (mas sabemos que isso existe na realidade histórica). c) Incorreta porque o texto não sustenta a ideia de que as diferenças na divisão sexual do trabalho são baseadas em atributos e capacidades inatas. Pelo contrário, ele destaca a influência da sociedade na definição das esferas de atividades para cada sexo. Assim, a divisão sexual do trabalho é um fenômeno social e não biológico. d) Incorreta porque o texto não discute diretamente os estereótipos de ser homem ou mulher como sustentação ou legitimação da divisão sexual do trabalho. (mas sabemos que isso existe na realidade histórica). e) Incorreta porque o texto não aborda especificamente a vulnerabilidade das mulheres à repressão da organização do processo de trabalho taylorista. A banca deu item C como gabarito. Minha interpretação: O aluno tinha que entender que o argumento central do texto que está afirmando existir uma regra social básica para a divisão do trabalho. Isso ao longo do tempo associou o trabalho feminino e masculino a determinados funções e espaços trabalho feminino-reprodução-privado e masculino-produção-público. Logo a única alternativa que traz alguma noção sobre aspecto biológico e inato é alternativa C, ao afirmar distinção entre trabalho de homens e de mulheres expressa atributos e capacidades inatas aos indivíduos. Gabarito: C Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 85 117 4. (ESAF/1998/Auditor Fiscal do Trabalho) A reflexão abaixo permite vários desdobramentos sobre a "divisão sexual do trabalho". Uma das apresentadas é falsa; assinale-a. "A divisão sexual do trabalho, um fato persistente na história humana, foi muitas vezes tratado como um fenômeno invariável no tempo. Contrariando esta tendência, abordagens mais amplas passaram a sublinhar o caráter específico da subordinação por sexo entendido como assimetria nas relações de gênero. Desse modo pretendiam salientar o caráter socialmente constituído destas diferenças, enfatizando as dimensões sociais e culturais da subordinação." (Bandeira, 1997) a) Do ponto de vista internacional, historicamente as políticas sociais foram dirigidas a fixar a mão-de-obra feminina no âmbito familiar, reforçando desta forma a menor presença da mulher no mercado de trabalho, devido à divisão sexual do trabalho. b) A assertiva segundo a qual no Brasil o "trabalho tem um sexo" mostra o quanto a legislação trabalhista tem dificuldade em incorporar a especificidade de gênero na questão da equidade. c) Mesmo nas camadas de renda mais desfavorecidas, o trabalho feminino é submetido a uma maior precarização, pois nestas a mulher é vista com ressalvas pelos empregadores devido à sua própria condição de mulher. d) Do pondo de vista histórico, o processo de diferenciação entre os sexos, em termos de relações de hierarquia e subordinação, aprofundam-se com as complexidades crescentes da sociedade capitalista, com sua especialização e com o aumento da produtividade. e) A generalização de uma divisão do trabalho sexualmente ordenada estaria baseada no controle exercido sobre o trabalho da mulher e dos filhos, construído como base no poder masculino. Comentários O texto discute a divisão sexual do trabalho, enfatizando a necessidade de compreendê-la como um fenômeno socialmente construído. a) Gabarito. Incorreta porque a afirmação de que as políticas sociais historicamente foram dirigidas para fixar a mão-de-obra feminina no âmbito familiar não reflete a compreensão atual da divisão sexual do trabalho e nem das políticas de combate à discriminação de gênero. Lembremos algumas: Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW): Adotada em 1979, a CEDAW é um tratado internacional que estabelece os direitos das mulheres e define a discriminação contra as mulheres. Muitos países ratificaram este tratado, comprometendo- se a tomar medidas para eliminar a discriminação de gênero. Plataforma de Ação de Pequim: Resultante da Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres em 1995, esta plataforma aborda questões críticas relacionadas aos direitos das mulheres, incluindo empoderamento econômico, acesso à educação e participação igualitária em todas as esferas da vida. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 86 117 Convenção sobre Trabalho Decente para as Trabalhadoras e os Trabalhadores Domésticos (Convenção 189): Embora seja uma iniciativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a OIT faz parte do Sistema das Nações Unidas. Esta convenção destaca os direitos das trabalhadoras domésticas, reconhecendo a necessidade de proteção contra a discriminação e o tratamento injusto. b) Correta porque a assertiva sobre a dificuldade da legislação trabalhista brasileira em incorporar a especificidade de gênero na questão da equidade está alinhada com as teorias de gênero, que destacam os desafios em garantir a igualdade no ambiente de trabalho. A legislação frequentemente enfrenta obstáculos na incorporação de medidas efetivas para combater a discriminação de gênero. Vamos pensar na questão da licença maternidade e paternidade. Embora o Brasil tenha políticas de licença maternidade, a licença paternidade é muito menor que a da mulher e relativamente curta em comparação com alguns países. Isso pode refletir desafios em reconhecer e incentivar uma distribuição mais equitativa das responsabilidades parentais entre homens e mulheres e uma estigmatização sobre o trabalho da mulher. c) Correta porque a submissão do trabalho feminino a uma maior precarização, mesmo em camadas de renda mais desfavorecidas, reflete a realidade observada. Teorias econômicas, como a teoria do capital humano, destacam como estereótipos de gênero afetam as oportunidades de emprego e as condições de trabalho, resultando na precarização do trabalho feminino. Apesar de mal escrita, é uma questão que trouxe a relação entre gênero e classe na combinação de dupla desvantagens. d) Correta porque a ideia de que o processo de diferenciação entre os sexos aprofunda-se com as complexidades crescentes da sociedade capitalista está em linha com análises sociológicas que exploram as interações entre o sistema capitalista e as relações de gênero. A especialização e aumento da produtividade frequentemente acentuam as disparidades de gênero no mercado de trabalho. Um bom exemplo,é o setor de tecnologia, ocupado majoritariamente por pessoas dos sexo masculino. Estamos falando de desigualdade de gênero na área tecnológica. e) Correta porque a generalização de uma divisão do trabalho sexualmente ordenada baseada no controle exercido sobre o trabalho da mulher e dos filhos está em conformidade com teorias de gênero que destacam como as estruturas patriarcais perpetuam a subordinação das mulheres. A ideia de controle sobre o trabalho feminino remonta às análises feministas sobre o poder e a exploração de gênero. Gabarito: A 5. (FGV - 2023 - SEDUC-TO - Professor da Educação Básica - Professor Regente - Sociologia) A categoria trabalho foi pensada por diversos autores (I) como valor; (II) como racionalidade capitalista; ou (III) como elemento de interação do indivíduo na sociedade em suas dimensões tanto corporativa como de integração social. Adaptado de BNCC Ensino Médio, p 556, in: http://basenacionalcomum.mec.gov.br O trecho se refere, de I a III, às concepções de trabalho de (A) Adam Smith – David Ricardo – Vilfredo Pareto. (B) Karl Marx - Max Weber - Émile Durkheim. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 87 117 (C) David Ricardo – Jeremy Bentham – Karl Marx. (D) Thomas Malthus – John Rawls – Max Weber. (E) Max Weber – John Stuart Mill – David Ricardo. Comentários A questão aborda as concepções de trabalho de três autores clássicos da sociologia: Karl Marx, Max Weber e Émile Durkheim. (A) Incorreta: - Para Adam Smith o trabalho era fonte de riqueza. - Para Davi Ricardo o trabalho era fonte de lucro. - Para Vilfredo Pareto o trabalho é um meio de integração social, pois é por meio dele que os indivíduos se relacionam uns com os outros e se integram à sociedade. (B) Karl Marx - Max Weber - Émile Durkheim Karl Marx abordou o trabalho como valor, na medida em que ele é a fonte de toda a riqueza. Para Marx, o trabalho é a atividade fundamental do homem, pois é por meio dele que o homem transforma a natureza e cria a sua própria existência. O trabalho é também uma fonte de exploração, pois o trabalhador é expropriado do valor de seu trabalho pelo capitalista. Max Weber abordou o trabalho como racionalidade capitalista, na medida em que ele é baseado na eficiência e na lógica. Para Weber, o capitalismo é um sistema racional, que se baseia na eficiência e na busca do lucro. O trabalho é um elemento fundamental do capitalismo, pois é por meio dele que o capital é acumulado. Émile Durkheim abordou o trabalho como elemento de interação do indivíduo na sociedade, na medida em que ele é um meio de integração social. Para Durkheim, o trabalho é uma das principais formas de interação social, pois é por meio dele que os indivíduos se relacionam uns com os outros e se integram à sociedade. (C) David Ricardo – Jeremy Bentham – Karl Marx - David Ricardo não abordou o trabalho como valor, mas sim como fonte de lucro. - Jeremy Bentham não abordou o trabalho como racionalidade capitalista, mas sim como uma atividade que deve ser maximizada. - Karl Marx abordou o trabalho como elemento de interação do indivíduo na sociedade, na medida em que ele é um meio de exploração. (D) Thomas Malthus – John Rawls – Max Weber Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 88 117 - Thomas Malthus não abordou o trabalho como valor, mas sim como um fator que limita o crescimento populacional. - John Rawls não abordou o trabalho como racionalidade capitalista, mas sim como um meio de justiça social. - Max Weber abordou o trabalho como racionalidade capitalista, mas não como um elemento de interação do indivíduo na sociedade. (E) Max Weber – John Stuart Mill – David Ricardo - Max Weber não abordou o trabalho como valor, mas sim como racionalidade capitalista. - John Stuart Mill não abordou o trabalho como racionalidade capitalista, mas sim como uma atividade que deve ser livre e responsável. - David Ricardo não abordou o trabalho como elemento de interação do indivíduo na sociedade, mas sim como uma fonte de lucro. Gabarito: B. 6. (CETREDE - 2019 - Sociólogo (Pref Juazeiro do N) I. O mundo moderno é resultado de um processo de diferenciação social, em que o ponto de partida da evolução social seriam as sociedades regidas pela solidariedade mecânica e seu ponto de chegada, as sociedades caracterizadas pela solidariedade orgânica. II. O que distingue cada um dos momentos da evolução da sociedade são os mecanismos que geram a solidariedade social: a consciência coletiva e a divisão do trabalho social. III. A solidariedade mecânica e a solidariedade orgânica são diferentes estratégias de integração dos indivíduos nos grupos ou nas instituições sociais. IV. Na solidariedade orgânica, a regulação moral das condutas sociais decorre das normas contidas na consciência coletiva. V. Na solidariedade mecânica, a moralidade social emana da própria divisão do trabalho, na medida em que ele valoriza a contribuição de cada indivíduo no processo de cooperação social. Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS. a) I – II – III. b) II – III – IV. c) I – II – III – V. d) I – III – IV. e) I – II – III – IV – V. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 89 117 Comentários Vamos comentar os itens para chegar ao gabarito. I - note que a afirmação mobiliza os conceitos da perspectiva de Émile Durkheim. Dessa forma, conforme os conceitos de divisão social do trabalho, solidariedade mecânica e solidariedade orgânica, a afirmação está correta. II - a afirmação reflete a perspectiva durkheimiana de que a transição entre diferentes estágios de desenvolvimento social é marcada por mudanças nos mecanismos que geram a solidariedade social, passando da consciência coletiva predominante em sociedades tradicionais para a divisão do trabalho social predominante em sociedades modernas. Segundo Durkheim, a solidariedade social é a força que mantém os indivíduos unidos em uma sociedade. Ele identifica dois tipos principais de solidariedade, cada um associado a diferentes estágios de desenvolvimento social: Consciência Coletiva: Nas sociedades tradicionais e pré-modernas, a solidariedade é mantida principalmente pela consciência coletiva. A consciência coletiva representa as crenças, valores, normas e símbolos compartilhados por membros de uma sociedade. A coesão social nessas sociedades é baseada na semelhança e na homogeneidade cultural, onde os indivíduos têm um conjunto comum de crenças e práticas. Divisão do Trabalho Social: À medida que as sociedades evoluem, Durkheim argumenta que a solidariedade se transforma de uma base de consciência coletiva para uma base na divisão do trabalho social. Nas sociedades modernas e industrializadas, a interdependência econômica e funcional entre os indivíduos torna-se mais proeminente. A solidariedade agora é sustentada pela especialização ocupacional e pela interação complexa entre diferentes funções sociais. III - Correto, também segundo a perspectiva de Durkheim. Veja: Solidariedade Mecânica: Refere-se à forma de integração social predominante em sociedadestradicionais e pré-modernas. Nesses contextos, a coesão social é baseada na semelhança e na homogeneidade cultural. Os indivíduos compartilham crenças, valores e normas comuns, resultando em uma consciência coletiva forte. A solidariedade mecânica é observada em sociedades onde a divisão do trabalho é mínima, e os membros têm papéis sociais semelhantes. Solidariedade Orgânica: Por outro lado, a solidariedade orgânica é característica das sociedades modernas e industrializadas. Essa forma de integração social é baseada na interdependência funcional e na especialização ocupacional. À Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 90 117 medida que as sociedades evoluem, a divisão do trabalho torna-se mais complexa, e os indivíduos dependem uns dos outros para a realização de tarefas específicas. A solidariedade orgânica resulta da interconexão e complementaridade das funções sociais especializadas. Portanto, a distinção entre solidariedade mecânica e orgânica está enraizada na natureza das relações sociais e nos mecanismos que mantêm a coesão em diferentes tipos de sociedades ao longo do desenvolvimento social. Essa concepção é fundamental para a compreensão da teoria sociológica de Durkheim sobre a evolução das formas de solidariedade nas sociedades. IV - falso, pois isso é uma característica da solidariedade mecânica. V - falso, pois isso é uma característica da solidariedade orgânica. Gabarito: A 7. (Com. Org. (IFSP)/2015/Sociologia) Acerca da relação entre divisão do trabalho e produtividade do trabalho para Adam Smith é correto afirmar que: I. a produtividade do trabalhador aumenta se ele puder se dedicar a um número pequeno de operações. II. quanto menor for o número de operações executadas por cada trabalhador, menor será o tempo perdido a passagem de uma operação a outra. III. a aptidão e talento dos homens para determinadas operações é uma característica natural de cada um. IV. é importante que os homens desenvolvam o maior número de aptidões possíveis, se tornando assim trabalhadores polivalentes. Está(ão) correta(s) apena(s) a(s) alternativa(s): a) I e IV. b) I e III. c) II e III. d) IV. e) I e II. Comentários I - correto, pois, segundo os estudos de Adam Smith na fábrica de alfinetes, a especialização das atividades do trabalhador aumentaria a produtividade. II - correto, pois a eficiência e produtividade aumentariam conforme o processo de especialização. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 91 117 III - errado, pois a divisão do trabalho poderia condicionar a tarefa dos indivíduos a partir de característica própria dos seres humanas que é a racionalidade e a ação comunicativa, ambas permeadas pela liberdade do ser. IV - Falsa afirmação. Adam Smith enfatizava a especialização e a divisão do trabalho como meios de aumentar a eficiência. Ele não abordava a importância de os trabalhadores desenvolverem o maior número possível de aptidões, mas sim de se especializarem em tarefas específicas. Gabarito: E 8. (Com. Org. (IFSP)/2015/Sociologia) O livro A Riqueza das Nações, de Adam Smith, escrito em 1776, no contexto da Primeira Revolução Industrial, desenvolve uma análise do surgimento do capitalismo industrial e foi considerado o primeiro estudo científico do capitalismo, dando origem a uma escola do pensamento econômico, conhecida como Escola Clássica. Adam Smith tinha como preocupação saber qual era a causa da riqueza da nação, de grupos e de pessoas individuais. Entre estas, qual alternativa responde à sua pergunta? a) Para Adam Smith o principal fator era o trabalho produtivo especializado, porque ele diminui os tempos ociosos, evitando que o trabalhador perca tempo, mudando de atividade, aumenta a destreza do trabalhador e incentiva a sua capacidade inventiva. b) O economista inglês foi responsável pela transferência do centro de análise do âmbito do comércio para o da produção, sustentando que somente a terra, ou a natureza é capaz de realmente produzir algo novo (só a terra multiplica um grão de trigo em muitos outros grãos), portanto, a terra é a única fonte de riqueza. c) Adam Smith defendia a ideia de que o Estado deveria incrementar o bem-estar nacional, mesmo que em detrimento de seus vizinhos e colônias, pois, a riqueza da nação era constituída, essencialmente, pela moeda, o Estado deveria desenvolver mecanismos para obtê-la. d) O principal fator capaz de promover a riqueza da nação era a balança comercial favorável, na medida em que as importações de um país fossem menores do que suas exportações haveria uma entrada líquida de moedas, aumentando o seu volume e, consequentemente, a riqueza da nação. e) Adam Smith defendia a tese de que o investimento em tecnologia seria o fator principal para o acúmulo de riqueza, na medida em que ela possibilita o aumento da produtividade numa jornada de trabalho menor e, gradativamente, substitui a força humana de trabalho pela máquina. Comentários A) Correto, pois, conforme a teoria da divisão do trabalho de Adam Smith, que considera o trabalho produtivo especializado como um fator crucial para o aumento da eficiência e, consequentemente, para a Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 92 117 geração de riqueza, a especialização do trabalho, de acordo com Smith, reduz os tempos ociosos, aprimora as habilidades dos trabalhadores e estimula a inovação. B) Errado. Embora Adam Smith reconheça a importância da produção e da terra na criação de riqueza, sua ênfase está na divisão do trabalho e no trabalho produtivo especializado como principais motores do crescimento econômico. Não limita a fonte de riqueza apenas à terra. C) Errado. Adam Smith não advogava por políticas que sacrificassem vizinhos ou colônias em prol do bem- estar nacional. Sua visão estava mais alinhada a políticas que promovessem a liberdade econômica e a não interferência do Estado nos mercados. Além disso, Smith não limitou a riqueza da nação à moeda. D) Errado. Embora Adam Smith reconheça a importância da balança comercial, ele não a considera o único fator determinante da riqueza da nação. Sua ênfase está na produção, na divisão do trabalho e na especialização. E) Falsa afirmação. Embora Smith reconhecesse a importância da tecnologia, sua principal ênfase estava na divisão do trabalho como fator crucial para a eficiência produtiva e a criação de riqueza. Gabarito: A 9. (Inédita/Profe. Alê Lopes) A disparidade salarial entre homens e mulheres é mostrada em uma pesquisa realizada pelo Banco Nacional de Empregos (BNE) em seu sistema de vagas. A maior diferença salarial pode ser verificada em 20 funções, que têm índices superiores à taxa de 20% – pesquisa da consultoria IDados, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, mostra que as mulheres ganham em média 20,5% a menos que os homens no Brasil. Essa diferença segue em patamar elevado mesmo quando se compara trabalhadores do mesmo perfil de escolaridade e idade e na mesma categoria de ocupação. De acordo com o BNE, a maior diferença se encontra na área de tecnologia: para desenvolvedorfront-end, a variação entre os salários em favor dos homens foi de 63,2%. Nessa lista há cargos de liderança, como gerentes e supervisores, e também funções como auxiliares e analistas. De acordo com o BNE, "isso demonstra que a desigualdade afeta as mulheres em todos os níveis hierárquicos e em diversos segmentos, dada a variedade de áreas listadas" (G1. Abr/2022) A pesquisa realizada evidencia a) um contexto de equiparação de gênero. b) o aumento do desemprego. c) a crescente desigualdade e concentração de renda. d) a desconfiança em relação a dados do mercado de trabalho. e) um cenário de subjugação de gênero no mercado de trabalho. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 93 117 Comentários a) errado, pois os dados apresentados indicam um contexto de desigualdade de gênero. As mulheres recebem salários menores e possuem menos espaços que homens em cargos de liderança. b) falso, pois só pelos dados apresentados no texto do enunciado não é possível chegar a essa conclusão. c) falso, pois o texto aborda, sim, desigualdades, porém, as que se referem à maior ou menor inserção das mulheres no mercado de trabalho, segundo as variáveis salário e hierarquia dos postos de liderança. d) falso, pois a pesquisa é feita justamente para desvendar a realidade do mercado de trabalho, com o objetivo de gerar dados mais confiáveis. e) correto, pois há uma contexto estrutural em que mulheres ganham menos e têm menos acesso a postos de liderança, o que reafirma a sociedade machista em que vivemos. Gabarito: E 10. (Inédita/Profe. Alê Lopes) “Útil é um liquidificador, útil é uma enceradeira, um aspirador de pó é útil, um carro, uma máquina de lavar roupa... A Vida não. A vida é fruição, é um maravilhamento, é uma benção de estar existindo no meio de uma multidão de seres que não só os nós, os humanos. Talvez o equívoco, o erro da história foi a gente ter se descolado da vida em geral e criado uma abstração de nós, seres humanos. KRENAK, Ailton. A vida não é útil. Trecho da palestra no encerramento do Clube do Livro sobre literatura indígena. Sesc Vila mariana, São Paulo, 2022. O texto acima revela o processo de a)coisificação do ser humano b)alienação da natureza c) separação do homem do seu habitat natural, a selva. d)mecanização da vida e)a especialização do processo produtivo Comentários O texto faz uma clara distinção entre as mercadorias e a vida humana. As mercadorias são úteis na medida em que resolvem e facilitam tarefas – ajuda a lavar roupa ou triturar comidas. Já a vida é essencialmente natural : o homem e todo o meio ambiente. Essa é a relação essencial que dá sentido à vida: essa capacidade de que os seres humanos têm de se conectar com a natureza. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 94 117 Mas o texto fala que, assim como criamos coisas, criamos também uma outra ideia do que somos, uma abstração diferente da nossa essência. Esse processo de nos aproximarmos de coisas, ao atribuirmos utilidade à vida e às pessoas é um processo de transformar o ser humano em coisa, em mercadoria. Assim, temos o processo de coisificação do ser humano. Gabarito letra A. Vejamos os erros das demais: a) Gabarito, conforme comentário anterior. b) Errado. A alienação é do homem em relação à natureza e não da natureza. c) Errado. A selva não é todo habitat natural do homem. Além disso, o habitat muda, essa não é a questão. O problema posto é a relação do homem com as coisas e consigo mesmo. d) Errado. É a coisificação da vida que, não necessariamente, é fruto da mecanização. e) Errado. Não é sobre esse tema o texto. Gabarito: A 11. (Inédita/profe. Alê Lopes) A sociologia surgiu, na primeira metade do século XIX, sob o impacto da Revolução Industrial e da Revolução Francesa. As transformações econômicas, políticas e culturais suscitadas por esses acontecimentos criaram a impressão generalizada de que a Europa vivia o alvorecer de uma nova sociedade. MUSSI, Ricardo. Apontamentos sobre o nascimento da sociologia. Blog Boitempo, 23/11/2012. Sobre o surgimento da Sociologia está correta a seguinte afirmação: a) A Sociologia surgiu como uma resposta à crise social e política do século XVIII, buscando compreender a sociedade de forma científica. b) A Sociologia é resultado dos estudos sobre o modo de produção desenvolvido no Canadá, a partir de uma perspectiva revolucionária do positivismo, mesclado com teorias do Estado de Bem-estar Social. c) A ideia de desenvolvimento pela revolução social foi defendida pelo Absolutismo, que influenciou o Positivismo. d) Os limites e as contradições do progresso para a liberdade humana foram apontados pelo Iluminismo e aceitos pelo Positivismo. e) Somente no século XXI é que podemos falar em surgimento, de fato, da Sociologia. Comentários Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador ==63fc== 95 117 a) A alternativa é a resposta correta. A Sociologia surgiu como uma disciplina acadêmica no século XIX, como uma resposta à crise social e política do século XVIII, buscando compreender a sociedade de forma científica. O surgimento da Sociologia teve como principais influências o Iluminismo e o Positivismo, que buscavam uma compreensão objetiva da sociedade e das relações sociais. b) falso, o pensador sociológico que estuda o modo de produção asiático é Karl Marx. Sabemos que o marxismo, embora remonte temporalmente ao surgimento da sociologia, não é a vertente que fundou a sociologia enquanto Ciência, mas sim o positivismo. Além disso, a relação é inversa: foram os estudos sobre o modo de produção asiático que contribuíram para o aprimoramento da sociologia, na medida em que Marx é anterior à consolidação da sociologia. c) falso, pois o correto seria Iluminismo, pois o pensamento Iluminista caracterizou-se, entre outros aspectos, pela defesa da razão como “meio”, sendo que a partir da racionalidade seria possível explicar os diferentes fenômenos da realidade, com vistas ao progresso da sociedade. Essas ideias foram compartilhadas pelo Positivismo, corrente formadora da Sociologia. Com efeito, ressalta-se que a ideia de Revolução aqui pode ter dois sentidos: um, direcionado a mudanças sociais mais profundas, no sentido da Revolução Francesa; outro, a partir da concepção filosófico-positivista, isto é, como revolução de pensamento e de mudanças gradualmente evolutivas na sociedade, ou seja, revolução no sentido de evolução. d) falso. Incorreta, pois o Positivismo surgiu no contexto do século XIX, período durante o qual a crença no progresso era hegemônica no pensamento social. Desse modo, o Positivismo adotou a noção positiva de progresso como um dos centros normativos de seu pensamento. Nesse sentido, o progresso seria elemento de harmonização da ordem social. e) falso, pois é no século XIX, já com a consolidação do sistema capitalista na Europa, que se encontra a herança intelectual mais próxima da Sociologia como ciência específica. Gabarito: A 12. (Inédita/Profe. Alê Lopes) (BERTAZZI, Galvão. “Vida Besta”. Folha de São Paulo, 13/09/2023. Disponívelem: < https://cartum.folha.uol.com.br>. Acessado em 13/09/2023) Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 96 117 A tirinha acima traz diversas críticas sociais. Uma delas pode ser associada à ideia da vida urbana como uma vida extremamente complexa que, nas palavras de Émile Durkheim, tornaria a sociabilidade contemporânea uma sociabilidade pautada pela a) solidariedade mecânica. b) submissão ao fato social. c) opção pelo suicídio. d) solidariedade orgânica. e) solidariedade sociológica. Comentários A sociologia, desde suas origens, buscou entender as dinâmicas e transformações da vida em sociedade. Émile Durkheim, um de seus pioneiros, desenvolveu conceitos fundamentais para analisar a coesão e integração social em diferentes contextos históricos e sociais. A menção à "Vida Besta" na tirinha sugere um olhar crítico sobre a vida urbana contemporânea, refletindo sobre como os indivíduos se relacionam e se integram em ambientes caracterizados por sua complexidade e dinâmica acelerada. a) Incorreto. Este tipo de solidariedade é característico de sociedades mais simples e tradicionais, onde há uma forte coesão baseada em semelhanças e compartilhamento de valores e crenças comuns entre os membros. Em um contexto urbano e complexo, essa solidariedade é menos provável, tornando esta opção menos adequada para a interpretação da tirinha. b) Incorreto. O "fato social" é um conceito central na obra de Durkheim, referindo-se a maneiras coletivas de pensar, sentir e agir que são externas ao indivíduo e exercem uma pressão sobre ele. Embora a vida na cidade possa ser vista sob a lente da submissão aos fatos sociais, esta alternativa não aborda diretamente a natureza da solidariedade ou coesão social. c) Incorreto. Durkheim escreveu extensivamente sobre o suicídio, examinando suas causas sociais e como certos fatores, como a falta de integração ou regulamentação, poderiam aumentar sua incidência. No entanto, relacionar diretamente a vida urbana à "opção pelo suicídio" é uma leitura reducionista e não aborda diretamente a natureza da coesão ou solidariedade social. d) Correto. Esta é a solidariedade típica de sociedades complexas, como as urbanas, onde a interdependência entre as partes (assim como os órgãos de um corpo) é o que mantém a coesão social. Em tais sociedades, a diferenciação e a especialização são fundamentais, e os indivíduos se integram não por semelhanças, mas por suas diferenças complementares. Esta alternativa parece ser a mais alinhada com a crítica apresentada na tirinha. e) Incorreto. Durkheim não utilizou o termo "solidariedade sociológica" em sua obra. Parece ser uma tentativa de confundir ou distrair o leitor com uma terminologia que soa técnica, mas não tem relevância direta para a questão. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 97 117 Dada a descrição da tirinha e o contexto da vida urbana contemporânea, a opção "d) solidariedade orgânica" parece ser a mais adequada para descrever a natureza da sociabilidade em ambientes urbanos complexos conforme interpretado através das lentes de Émile Durkheim. Gabarito: D 13. (Inédita/Profe. Alê Lopes) A Rede Mulheres Produtoras do Pajeú nasceu em 2005, quando a Casa Mulher do Nordeste, organização feminista do sertão pernambucano fundada na década de 1980, convidou algumas mulheres produtoras para o Festival de Economia Popular e Solidária do Pajeú. A educadora social Elizabete Ferreira foi uma delas. Está na associação desde o início e é parte integrante do grupo Guerreiras Pernambucanas, que trabalha com agricultura e a produção de sabonetes líquidos de aroeira. A ideia principal era a de criar uma rede de apoio e de formação política e agroecológica para poder diminuir o isolamento entre mulheres do sertão, além de ser um movimento que olha com mais atenção para questões de gênero na região, principalmente para casos de violência doméstica. Assim, a Rede se estabelece com base em três pilares: agroecologia, feminismo e economia solidária. (UOL. Feministas do sertão: quintais de agricultoras viram armas de transformação. 06/04/2021. Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas- noticias/2021/04/06/feministas-do-sertao-quintais-de-agricultoras-viram-armas-de- transformacao.htm. Acesso em: 08/04/2021) De acordo com o texto, a ação do movimento em questão a) forma lideranças para disputar cargos eletivos em municípios rurais. b) formaliza mulheres no mercado de trabalho e as transforma em operárias. c) objetiva aumentar o ganho de escala lucrativo por meio do trabalho doméstico. d) utiliza os quintais produtivos como uma estratégia de empoderamento feminino. Comentários a) falso, pois, por mais que o movimento acabe fortalecendo a liderança feminina na sociedade, por meio do nome desse movimento social, fica claro que não se trata de um objetivo focado na política institucional. Pelo contrário, o movimento busca gerar renda e diminuir situações de violência sobre as mulheres a partir de ações no âmbito da sociedade civil. b) errado, não se trata de uma relação de emprego em que, de um lado, há patrões e, do outro, trabalhadoras. Veja que o pilar da economia solidária remete a um tipo de organização entre cooperados (cooperativas). Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 98 117 c) falso, pois os pilares do movimento fortalecem a geração de riqueza para as próprias mulheres, para o coletivo de uma forma geral, sem que haja a figura de um patrão exercendo uma relação de exploração do trabalho. d) correto. Veja que interessante essa estratégia do movimento, utilizar algo privado, um espaço que, para muitas mulheres, é um refúgio contra as distintas opressões da sociedade machista. O refúgio do lar, quando livre de opressão masculina e da violência doméstica pode desenvolver um potencial nas mulheres e, neste caso, contribuir para a geração de renda e qualidade de vida. Gabarito: D 14. (FGV 2019) Atualmente, a economia sob demanda está alterando de maneira fundamental nossa relação com o trabalho e com o tecido social no qual ela está inserida. Mais empregadores estão usando a “nuvem humana” para as coisas serem feitas. As atividades profissionais são separadas em atribuições e projetos distintos; em seguida, elas são lançadas em uma nuvem virtual de potenciais trabalhadores, localizados em qualquer lugar do mundo. Klaus Schwab. A quarta revolução industrial. São Paulo: Edipro, 2016. Sobre as relações de trabalho na economia sob demanda, assinale a afirmativa incorreta. a) Os prestadores de serviço não são mais empregados no sentido tradicional, mas trabalhadores independentes que realizam tarefas específicas. b) Os trabalhadores independentes realizam suas tarefas em casa, o que permite a administração do próprio tempo, menor estresse e maior controle da cadeia produtiva. c) Uma parte da força de trabalho, para gerar renda, pode ser, ao mesmo tempo, motorista da Uber, locador da Airbnb e executar outras pequenas tarefas. d) Os trabalhadores que se deslocam de tarefa em tarefa não usufruem dos direitos trabalhistas, dos ganhosdas negociações coletivas e da segurança no trabalho. e) Os trabalhadores autônomos vivenciam novas relações de trabalho, em que os contratantes estão desvinculados da obrigação de pagar salário mínimo e benefícios sociais. Comentários Esta questão é boa porque reflete as mais atuais relações de trabalho. Dela podemos refletir sobre como trabalho mudou em tempos de pandemia, questão que, a propósito, tem grandes chances de cair na prova. O enunciado cobra a alternativa errada. A - está certo, pois o tipo de trabalhador autônomo passou a ter as relações de trabalho mediada por aplicativos. Já tínhamos uma tendência de a informalização do trabalho crescer sobre a carteira assinada, de modo que, no Brasil, essa tendência se potencializou nos últimos anos. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 99 117 B - o final da afirmação está errado, pois o home office não significa, necessariamente, a diminuição do estresse. Já havia uma polemica entre os especialistas antes da pandemia, após o isolamento social, muitos especialistas têm afirmado que o trabalho em casa tem levado à exaustão24. C - certa colocação. Ela expressa a situação de muitas pessoas que desenvolvem diversas atividades de trabalho para aumentar a renda. Também tem sido comum as pessoas com trabalho formal, aproveitarem seus deslocamentos para trabalhar com aplicativos de transporte, tanto no trajeto de ida para o trabalho, quanto no de volta. D - correto. E - correto. Gabarito: B 15. (VUNESP/2018) “A desagregação do regime escravocrata e senhorial ocorreu, no Brasil, sem que se oferecesse aos antigos agentes do trabalho escravo assistência e garantias que os protegessem na transição para o sistema de trabalho livre. Os senhores foram eximidos da responsabilidade pela manutenção e segurança dos libertos, sem que o Estado, a Igreja ou qualquer outra instituição assumissem encargos especiais, que tivessem por objeto prepará-los para o novo regime de organização da vida e do trabalho.” (Florestan Fernandes. A integração do negro na sociedade de classes. Volume 1, São Paulo: Editora Globo, 2008, p. 29. Adaptado) Segundo o texto, o processo de abolição da escravatura no Brasil a) negou aos libertos o auxílio necessário para que se adaptassem às novas condições sociais. b) ofereceu recursos institucionais para proteger e amparar os libertos na nova estrutura social. c) impôs aos antigos senhores a obrigação de oferecer boas condições de vida aos libertos. d) concedeu aos ex-escravos formação profissional para atenderem o mercado de trabalho. e) proporcionou condições para que os antigos escravos fossem inseridos facilmente na sociedade. Comentários 24 Home office na pandemia pode levar profissionais à exaustão. Folha de São Paulo. 4/abr/2020. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/sobretudo/carreiras/2020/04/home-office-na-pandemia-pode-levar-profissionais-a- exaustao.shtml. Acesso em: 25/04/2020. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 100 117 O texto base dessa questão é bem objetivo. Por isso, ao ler as alternativas, temos facilidade de encontrar aspectos que correspondem à crítica de Florestan Fernandes e aspectos que a contradizem. Fica muito claro no excerto do enunciado que o sociólogo brasileiro perfaz o processo de abolição da escravatura no Brasil denunciando sua fragilidade, principalmente no que se refere ao amparo (ou a falta dele) oferecido aos negros libertos pelas instituições da época. Nesse sentido, a única alternativa concernente ao pensamento de Florestan é a A. O Estado não ofereceu recursos institucionais para amparar os negros, não responsabilizou os escravizadores pela compensação dos prejuízos causados aos negros escravizados, não atendeu às exigências de formação profissional dos ex- escravos e, por isso, não facilitou a inserção dos negros em sua nova condição de vida. Ao contrário disso tudo, e de acordo com o que alude o texto-base da questão e com o que menciona a alternativa A, o Estado brasileiro “negou aos libertos auxílio necessário para que eles se adaptassem às novas condições sociais”. Gabarito: A 16. (VUNESP/2018) No mundo capitalista, a produção de bens e serviços que atende às necessidades da sociedade foi um marco significativo na organização das relações sociais de hoje. O processo produtivo é composto por três elementos principais, que, quando associados, permitem a funcionalidade do sistema capitalista de produção. Sobre esses elementos, é INCORRETO afirmar que a) o trabalho é uma atividade essencial, desenvolvida pelo ser humano, que transforma a energia física e mental em força de trabalho, capaz de atuar sobre a natureza para produzir excedentes. b) o trabalho qualificado é realizado com certo grau de aprendizagem, devendo ser adquirido em espaços sistematizados pela sociedade e em áreas específicas de atuação. c) os seres humanos utilizam a matéria-prima para adquirirem os bens e serviços necessários à manutenção da natureza e seus elementos constitutivos. d) os recursos naturais são importantes para o processo produtivo, mas é um elemento relativo, pois eles variam de acordo com a concepção cultural de cada sociedade. e) as máquinas e os equipamentos são não só instrumentos de produção, mas também meios materiais utilizados pelo homem para realizar o trabalho e produzir os bens e serviços necessários à vida humana. Comentários Embora o enunciado não faça menção à Teoria Marxista, é sob sua orientação que a questão é formulada. O candidato precisa compreender isso enquanto lê as alternativas, para que elas pareçam mais claras. Conceber o modo de vida e de produção capitalista leva em consideração (I) o trabalho como seu elemento central, (II) a necessidade de extração de excedentes produtivos na natureza, (III) a exigência de qualificação Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 101 117 técnica e intelectual para a atuação em setores avançados de produção, (IV) a adequação de cada sociedade aos limites de insumos para a produção e (V) o papel dos meios de produção para a garantia de subsistência. Todos esses pontos podem ser encontrados como componentes das alternativas A, B, D e E. Por isso, elas não estão incorretas, elas correspondem à descrição marxista do modo de produção capitalista. Já a alternativa C apresenta inconsistência ao dizer que, no modo de produção capitalista, a extração de recursos da natureza não afeta seu equilíbrio e mantem ordenados seus elementos constitutivos. É CORRETO afirmar que essa alternativa é incorreta, porque o que se vê no capitalismo é a ação humana degradando a natureza. Gabarito: C 17. (NC UFPR (FUNPAR) - 2021) Considere a seguinte passagem: No final do século XIX e início do século XX, inúmeras leis de “proteção” à mulher passaram a proibir o trabalho feminino em ocupações consideradas mais pesadas ou perigosas, já que isso havia trazido problemas de ordem “moral” resultantes do fato de as mulheres terem mais mobilidade fora do espaço da casa. Na França, uma lei de 1892 proibia as mulheres de exercer o trabalhonoturno. No Brasil, a mesma proibição foi expressa em um decreto de 1932. Embora muitas dessas leis visassem à “proteção” das mulheres, exploradas pela indústria – assim como ocorria com as crianças –, acabaram por confiná-las aos cuidados domésticos e a trabalhos realizados em casa, sub-remunerados. Durante o século XX, as duas guerras mundiais voltaram a impulsionar a presença das mulheres nas indústrias, pois, nesses momentos, os esforços produtivos eram necessários. No entanto, com o fim do período de guerras, novamente se reivindicou o retorno das mulheres à casa. O modelo de família almejado pela sociedade industrial e fordista do pós-guerra centrou-se, então, no “homem provedor e na mulher cuidadora”. (SILVA, Afrânio et al. (orgs.). Sociologia em movimento. São Paulo: Moderna, 2016. p. 338.) Sobre a participação das mulheres no mercado de trabalho, assinale a alternativa correta. A) A inserção das mulheres no mercado de trabalho global significou a superação das desigualdades de gênero pela conquista do poder financeiro. B) A divisão de trabalho fundamentada nos sexos levou as mulheres para fora do espaço doméstico contribuindo para a superação do patriarcado. C) O desenvolvimento do capitalismo aboliu a distinção entre as atividades que têm lugar no espaço da família considerado “reprodutivo”, e no espaço público, considerado “produtivo”. D) A existência de uma dupla jornada (no trabalho e em casa), por vezes tripla (no trabalho, em casa e na universidade), é um dos motivos para a proibição do trabalho das mulheres. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 102 117 E) A proibição do trabalho noturno para as mulheres reforçou um efeito perverso da divisão sexual do trabalho. Comentários A questão trata da participação das mulheres no mercado de trabalho, com foco na divisão sexual do trabalho e nos efeitos das leis de proteção à mulher. O texto de apoio apresenta um panorama histórico, destacando que, no final do século XIX e início do século XX, houve um movimento de proibição do trabalho feminino em ocupações consideradas pesadas ou perigosas. Essas leis, embora visassem à proteção das mulheres, acabaram por confiná-las aos cuidados domésticos e a trabalhos realizados em casa, sub- remunerados. (A) Incorreta. A inserção das mulheres no mercado de trabalho global não significou a superação das desigualdades de gênero pela conquista do poder financeiro. Mesmo que as mulheres tenham conquistado maior participação no mercado de trabalho, elas ainda recebem salários menores que os homens, ocupam cargos de menor prestígio e sofrem com a discriminação. (B) Incorreta. A divisão de trabalho fundamentada nos sexos, que atribui às mulheres o cuidado com os filhos e a casa, contribui para a manutenção do patriarcado. Ao confinar as mulheres ao espaço doméstico, essa divisão de trabalho impede que elas ocupem posições de poder e de decisão na sociedade. (C) Incorreta. O desenvolvimento do capitalismo não aboliu a distinção entre as atividades que têm lugar no espaço da família considerado “reprodutivo”, e no espaço público, considerado “produtivo”. As mulheres continuam a ser responsáveis pelo trabalho reprodutivo, mesmo que trabalhem fora de casa. (D) Incorreta. A existência de uma dupla jornada (no trabalho e em casa), por vezes tripla (no trabalho, em casa e na universidade), não é um dos motivos para a proibição do trabalho das mulheres. Pelo contrário, a proibição do trabalho das mulheres é um dos fatores que contribui para a sobrecarga das mulheres, que precisam conciliar o trabalho remunerado com o trabalho doméstico não remunerado. (E) Correta. A proibição do trabalho noturno para as mulheres reforçou um efeito perverso da divisão sexual do trabalho. Ao restringir as oportunidades de trabalho das mulheres, essa proibição contribuiu para confiná- las ao espaço doméstico e reforçar a ideia de que as mulheres são menos capazes que os homens para o trabalho produtivo. Gabarito: E 18. (FADESP - 2020 - Técnico de Nível Superior (UEPA)/Ciências Sociais A vida privada interfere na vida pública e é fator de restrição às mulheres. A divisão sexual do trabalho impõe às mulheres maiores obrigações na vida privada do que aos homens. É correto afirmar que A) isso ocorre porque a dualidade entre público e privado é problematizada nas teorias da democracia. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 103 117 B) a persistência desses padrões destoam dos valores igualitários perseguidos pelas feministas. C) é preciso desnaturalizar esses padrões, que implicam desvantagens para as mulheres. D) a legislação e o cotidiano da vida brasileira são os fatores responsáveis por esses padrões. Comentários A questão trata da relação entre a vida privada e a vida pública, com foco na divisão sexual do trabalho e nas desigualdades de gênero. O texto de apoio afirma que a vida privada interfere na vida pública e é fator de restrição às mulheres, pois a divisão sexual do trabalho impõe às mulheres maiores obrigações na vida privada do que aos homens. (A) Incorreta. A dualidade entre público e privado é um conceito sociológico que, embora tenha sido problematizado por algumas teorias da democracia, ainda é um importante elemento da organização social. A divisão sexual do trabalho, por sua vez, é um fenômeno histórico e cultural, que não está diretamente relacionado à dualidade entre público e privado. (B) Incorreta. A persistência dos padrões de divisão sexual do trabalho é o motivo pelo qual existe uma luta do feminismo, que busca a igualdade de oportunidades e de direitos para homens e mulheres. Esses padrões contribuem para a manutenção das desigualdades de gênero, pois limitam as possibilidades de atuação das mulheres na vida pública. (C) Correta. É preciso desnaturalizar os padrões de divisão sexual do trabalho, pois eles implicam desvantagens para as mulheres. Esses padrões são construídos socialmente e, portanto, podem ser alterados. A desnaturalização desses padrões implica, entre outras coisas, a conscientização da sociedade sobre a importância da igualdade de gênero e a adoção de políticas públicas que promovam a equidade entre homens e mulheres. (D) Incorreta. A legislação e o cotidiano da vida brasileira são fatores que contribuem para a manutenção dos padrões de divisão sexual do trabalho, mas não são os únicos fatores responsáveis. Esses padrões são também resultado de fatores culturais e históricos. Gabarito: C 19. (QUADRIX - 2017 - Professor Substituto Temporário (SEDF)/Sociologia) A expressão “divisão social do trabalho” tem sido usada no sentido cunhado por Karl Marx e também referendada por autores como Braverman e Marglin para designar a especialização das atividades presentes em todas as sociedades complexas, independentemente de os produtos do trabalho circularem como mercadoria ou não. Designa a divisão do trabalho social em atividades produtivas, isto é, ramos de atividades necessárias para a reprodução da vida. Marx, em O Capital, afirma que a divisão social do trabalho diz respeito ao caráter específico do trabalho humano. Um animal faz coisas de acordo com o padrão e a necessidade da espécie a que pertence. Enquanto a aranha é capaz de tecer e o urso de pescar, um indivíduo da espécie humana pode ser, simultaneamente, tecelão, pescador, construtor e mil outras coisas Alessandra Lopes, Celso Natale,Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 104 117 combinadas. Essa capacidade de produzir diferentes coisas e até de inventar padrões diferentes dos animais não pode ser exercida individualmente, mas a espécie como um todo acha possível fazer isso, em parte pela divisão do trabalho. Internet: <www.sites.epsjv.fiocruz.br> (com adaptações). Com base no texto e nas diferentes dimensões do trabalho, julgue o item a seguir. A divisão social do trabalho apresenta e já apresentou, ao longo da história, diferentes critérios para a sua realização, entre eles as diferenças sexuais. C ) Certo E ) Errado Comentários A questão trata da divisão social do trabalho, com foco nas diferentes dimensões do trabalho e nos critérios que podem ser utilizados para a sua realização. O texto de apoio apresenta uma definição de divisão social do trabalho, destacando que essa divisão é característica das sociedades complexas e que pode ser baseada em diferentes critérios, incluindo as diferenças sexuais. A afirmativa de que a divisão social do trabalho apresenta e já apresentou, ao longo da história, diferentes critérios para a sua realização, entre eles as diferenças sexuais. Essa afirmação está certa. O texto de apoio afirma que a divisão social do trabalho pode ser baseada em diferentes critérios, incluindo as diferenças sexuais. Essa divisão é baseada na ideia de que homens e mulheres são diferentes e, portanto, devem desempenhar papéis diferentes na sociedade. Essa divisão sexual do trabalho é uma característica de muitas sociedades, inclusive da sociedade brasileira. Por exemplo, na sociedade brasileira, as mulheres tradicionalmente são responsáveis pelo trabalho reprodutivo, como o cuidado com os filhos e a casa, enquanto os homens são responsáveis pelo trabalho produtivo, como o trabalho remunerado. Essa divisão sexual do trabalho contribui para a manutenção das desigualdades de gênero, pois limita as possibilidades de atuação das mulheres na sociedade. Gabarito: Certo 20. (VUNESP/2015) Analise a tabela a seguir. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 105 117 A desigualdade de gênero relaciona-se com a estratificação social A) pelo crescimento do número de mulheres ativas no mercado de trabalho, que levou ao rebaixamento geral dos salários dos trabalhadores. B) pela ampliação da escolarização das mulheres que reduziu as disparidades salariais entre os empregos femininos e masculinos. C) pela manutenção da desvantagem da inserção produtiva das mulheres quanto ao nível de remuneração mesmo quando possuem o mesmo nível de escolaridade dos homens. D) pela ausência de legislação que garanta salário igual para trabalho igual. E) pela ampliação dos salários masculinos em virtude da redução da presença feminina no mercado de trabalho. Comentários A questão trata da desigualdade de gênero e sua relação com a estratificação social. A tabela apresentada na questão mostra que, apesar do crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho, elas ainda recebem salários menores que os homens, mesmo quando possuem o mesmo nível de escolaridade. (A) Incorreta. O crescimento do número de mulheres ativas no mercado de trabalho não necessariamente leva ao rebaixamento geral dos salários dos trabalhadores. O que ocorre é que, em geral, as mulheres ocupam posições de menor remuneração, o que contribui para a manutenção das desigualdades salariais. (B) Incorreta. A ampliação da escolarização das mulheres contribui para a redução das disparidades salariais entre os empregos femininos e masculinos, mas não é suficiente para eliminá-las. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 106 117 (C) Correta. A manutenção da desvantagem da inserção produtiva das mulheres quanto ao nível de remuneração, mesmo quando possuem a mesma escolaridade dos homens, é um dos principais indicadores da desigualdade de gênero na estratificação social. (D) Incorreta. A ausência de legislação que garanta salário igual para trabalho igual é um fator que contribui para a desigualdade de gênero, mas não é o único. (E) Incorreta. A redução da presença feminina no mercado de trabalho não necessariamente leva à ampliação dos salários masculinos. O que ocorre é que, em geral, as mulheres ocupam posições de menor remuneração, o que contribui para a manutenção das desigualdades salariais. Gabarito: C 21. (FCC/2012 - Professor Sociologia) Anthony Giddens, em seu livro Sociologia, refere-se à “segregação ocupacional dos gêneros” como explicação para o fato de homens e mulheres. A) serem alocados em atividades de acordo com a sua capacidade profissional. B) estarem concentrados em tipos diferentes de empregos de acordo com a compreensão do que seja a atividade adequada para cada sexo. C) ocuparem distintas profissões de acordo com as oportunidades oferecidas pelo mercado de trabalho. D) apresentarem poucas ou nenhuma diferenças significativas quanto às possibilidades de emprego, salário e posição na ocupação. Comentários A questão trata da segregação ocupacional dos gêneros, um fenômeno que consiste na concentração de homens e mulheres em tipos diferentes de empregos. (A) Incorreta. A capacidade profissional é construída socialmente e é influenciada por fatores culturais, históricos e econômicos. A segregação ocupacional dos gêneros, por sua vez, é um fenômeno social que reflete as normas e valores de uma determinada sociedade. Portanto, a afirmação de que os homens e as mulheres são alocados em atividades de acordo com a sua capacidade profissional não é suficiente para explicar a segregação ocupacional dos gêneros. (B) Correta. Esta é a definição de segregação ocupacional dos gêneros apresentada por Anthony Giddens. A segregação ocupacional dos gêneros ocorre porque homens e mulheres são socialmente designados para papéis diferentes na sociedade. Esses papéis são baseados em ideias sobre o que é apropriado para homens e mulheres, e essas ideias são refletidas nas oportunidades de emprego disponíveis para homens e mulheres. (C) Incorreta. As oportunidades de emprego disponíveis para homens e mulheres são limitadas pelas normas e valores sociais sobre os papéis de gênero. Portanto, a afirmação de que os homens e as mulheres ocupam Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 107 117 distintas profissões de acordo com as oportunidades oferecidas pelo mercado de trabalho não é suficiente para explicar a segregação ocupacional dos gêneros. (D) Incorreta. Os homens e as mulheres ainda apresentam diferenças significativas quanto às possibilidades de emprego, salário e posição na ocupação. A segregação ocupacional dos gêneros é um dos principais fatores que contribuem para essas desigualdades. Gabarito: B 22. (FCC/2012 - Professor Sociologia) Dados do IBGE mostram que, em 2009, no Brasil, asmulheres gastavam, em média, 22,0 horas semanais em atividades domésticas, enquanto a média entre os homens foi de 9,5 horas. Esses dados permitem a reflexão sobre a A) divisão sexual do trabalho na sociedade brasileira. B) separação entre trabalho produtivo e trabalho doméstico. C) importância do trabalho doméstico. D) tendência natural das mulheres para o trabalho doméstico. Comentários A divisão sexual do trabalho é um fenômeno social que se caracteriza pela atribuição de tarefas diferentes ou responsabilidades diferentes a homens ou mulheres pelo único motivo de seu sexo biológico. Essa divisão pode ser observada em diversas esferas da sociedade, incluindo o trabalho, a família e a política. (A) Correta. Os dados apresentados mostram que as mulheres gastam, em média, o dobro de tempo que os homens em atividades domésticas. Essa diferença é significativa e indica que existe uma divisão sexual do trabalho na sociedade brasileira, na qual as mulheres são responsáveis, majoritariamente, pelas tarefas domésticas - além dos próprios trabalhos remunerados. (B) Incorreta. A separação entre trabalho produtivo e trabalho doméstico é uma outra questão importante a ser considerada, até porque as mulheres acumulam trabalho produtivo, feito fora de casa com o trabalho de casa. O homem também pode acumular, mas mesmo assim, as mulheres trabalham mais - esse é o ponto central da questão. (C) Incorreta. Os dados mostram apenas que as mulheres gastam mais tempo em atividades domésticas do que os homens, sem qualquer destaque à importância dessas atividades. (D) Incorreta. Os dados mostram apenas que as mulheres gastam mais tempo em atividades domésticas do que os homens, sem especificar se essa diferença é resultado de uma tendência natural ou de fatores sociais. Afirmar que existe uma "tendência natural" das mulheres ao trabalho doméstico é um erro, pois nenhum método sociológico parte do princípio da naturalização das questões sociais. O papel da mulher no que se refere ao trabalho doméstico é uma construção social e não natural. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 108 117 Gabarito: A 23. (CEBRASPE/2004 - Técnico (TERRACAP)/Especialista/Sociólogo) Estudos e pesquisas acerca da estrutura e das tendências de desenvolvimento das sociedades ocidentais altamente industrializadas mostram, de modo cada vez mais frequente, sua caracterização como sociedade de serviços. A respeito desse tema, julgue o item subsequentes Uma das conseqüências da generalização do trabalho em serviços é a feminilização do mercado de trabalho nas cidades, que resultou na equalização dos níveis salariais de homens e mulheres. C ) Certo E ) Errado Comentários A questão trata da feminilização do mercado de trabalho nas sociedades ocidentais altamente industrializadas, com foco nas suas consequências. A questão afirma que uma das consequências da feminilização do mercado de trabalho nas cidades é a equalização dos níveis salariais de homens e mulheres. Essa afirmação está errada. A feminilização do mercado de trabalho é um fenômeno que ocorre quando as mulheres passam a ocupar um número crescente de empregos. Esse fenômeno é resultado de diversos fatores, como a mudança nos papéis sociais das mulheres, o aumento da escolaridade feminina e a necessidade de as mulheres trabalharem para complementar a renda familiar. A equalização dos níveis salariais de homens e mulheres é uma meta que ainda não foi alcançada na maioria das sociedades ocidentais. Mesmo em setores onde as mulheres são maioria, como o setor de serviços, elas ainda recebem salários menores que os homens. Os principais fatores que contribuem para a desigualdade salarial entre homens e mulheres são: a segregação ocupacional dos gêneros, que leva as mulheres a ocuparem profissões de menor remuneração; a discriminação salarial, que leva as empresas a pagar salários menores às mulheres, mesmo quando elas ocupam o mesmo cargo que os homens; a falta de políticas públicas que promovam a igualdade salarial. Portanto, a afirmativa está errada, pois afirma que a feminilização do mercado de trabalho nas cidades resultou na equalização dos níveis salariais de homens e mulheres. Essa afirmação não é sustentada pelos dados empíricos. Gabarito: Errado 24. (Com. Org. IFTO/2016/Professor Sociologia) Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 109 117 Assinale a alternativa que não corresponde a uma característica do trabalho nas sociedades tribais. A) O trabalho proporciona o acúmulo de excedentes que originarão as distinções de classe. B) Produzem para viver para prover às festas e presentear sempre na medida do que é necessário. C) O trabalho está vinculado às demais atividades sociais como as relações de parentesco, religião, educação. D) O trabalho não está separado em uma área definida e autônoma. E) Caso alguma mudança diminua o tempo necessário para a obtenção dos meios de sobrevivência esse tempo não será usado para mais produção. Comentários Segundo as teorias sociológicas do trabalho, as sociedades tribais são sociedades de subsistência, ou seja, produzem o necessário para sua própria sobrevivência. O trabalho, nessas sociedades, é uma atividade coletiva, realizada por todos os membros da comunidade, de acordo com suas habilidades e capacidades. O trabalho não é visto como uma atividade separada das demais atividades sociais, mas está intimamente ligado a elas. A) Incorreta. Nas sociedades tribais, o trabalho não proporciona o acúmulo de excedentes que originarão as distinções de classe. Essas sociedades geralmente são caracterizadas por uma economia de subsistência, onde a produção é voltada para o atendimento das necessidades imediatas, sem a formação de excedentes significativos. B) Correta. Nas sociedades tribais, a produção é voltada para a vida, para prover às festas e presentear sempre na medida do que é necessário. Não há uma produção excedente significativa. C) Correta. O trabalho nas sociedades tribais está vinculado às demais atividades sociais como as relações de parentesco, religião, educação. Não há uma separação rígida entre o trabalho e outras esferas da vida social. D) Correta. Nas sociedades tribais, o trabalho não está separado em uma área definida e autônoma. Ele está integrado a outras atividades da vida social. E) Correta. Se alguma mudança diminui o tempo necessário para a obtenção dos meios de sobrevivência, esse tempo não será usado para mais produção. Isso está alinhado com a lógica de economia de subsistência das sociedades tribais. Gabarito: A 25. (VUNESP/2023 – Professor/Sociologia) Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 110 117 O capitalismo envolve a insulação do econômico em relação ao político contra a tela de fundo do trabalho e mercados de produtos competitivos. A vigilância, por sua vez, é fundamental a todos os tipos de organização associados à ascensão da modernidade, em particular o estado- nação, que se entrelaça historicamente com o capitalismo em seu desenvolvimento mútuo. Da mesma forma, há vínculos substantivos íntimos entreas operações de vigilância dos estados- nação e a natureza alterada do poder militar no período moderno. Assinale a alternativa que melhor descreve a relação mencionada no trecho fornecido. A) A vigilância é exclusiva dos estados-nação e não está relacionada ao desenvolvimento do capitalismo. B) O desenvolvimento do capitalismo e dos estados- -nação está intrinsecamente ligado, assim como a vigilância é uma característica essencial de ambos. C) O capitalismo e o poder militar estão separados e não têm influência um sobre o outro. D) A insulação do econômico em relação ao político é uma característica exclusiva dos mercados de produtos competitivos. E) O desenvolvimento econômico acima das relações políticas é uma característica exclusiva dos mercados de produtos competitivos. Comentários O trecho fornecido aborda a relação entre capitalismo, vigilância e estados-nação. O texto afirma que o capitalismo envolve a insulação do econômico em relação ao político, enquanto a vigilância é fundamental a todos os tipos de organização associados à ascensão da modernidade, em particular o estado-nação. Além disso, o texto aponta que há vínculos substantivos íntimos entre as operações de vigilância dos estados- nação e a natureza alterada do poder militar no período moderno. (A) Errada. A vigilância não é exclusiva dos estados-nação. Ela pode ser exercida por outras organizações, como empresas privadas, organizações religiosas ou mesmo indivíduos. Além disso, o texto afirma que a vigilância é uma característica essencial do capitalismo. O texto afirma que a vigilância é fundamental a todos os tipos de organização associados à ascensão da modernidade, em particular o estado-nação. Isso significa que a vigilância não é exclusiva dos estados-nação, mas também está presente em outras organizações modernas. Além disso, o texto afirma que o capitalismo envolve a insulação do econômico em relação ao político, mas que a vigilância é uma característica essencial de ambos. Isso significa que a vigilância é uma característica essencial do capitalismo, mesmo que não seja exclusiva dos estados-nação. (B) Correta. O desenvolvimento do capitalismo e dos estados-nação está intrinsecamente ligado, assim como a vigilância é uma característica essencial de ambos. O texto afirma que o capitalismo e o estado-nação se entrelaçam historicamente em seu desenvolvimento mútuo. Isso significa que ambos os sistemas estão intimamente ligados e influenciam-se mutuamente. Além disso, o texto afirma que a vigilância é fundamental a ambos os sistemas. (C) Errada. O capitalismo e o poder militar estão separados, mas têm influência um sobre o outro. O texto afirma que há vínculos substantivos íntimos entre as operações de vigilância dos estados-nação e a natureza Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 111 117 alterada do poder militar no período moderno. Isso significa que o capitalismo e o poder militar estão interligados e influenciam-se mutuamente. (D) Errada. A insulação do econômico em relação ao político não é uma característica exclusiva dos mercados de produtos competitivos. O texto afirma que o capitalismo envolve a insulação do econômico em relação ao político. No entanto, essa característica não é exclusiva dos mercados de produtos competitivos. Ela também pode ser encontrada em outros tipos de sistemas capitalistas, como os sistemas de economia mista. (E) Errada. O desenvolvimento econômico acima das relações políticas não é uma característica exclusiva dos mercados de produtos competitivos. O texto afirma que o capitalismo envolve a insulação do econômico em relação ao político. No entanto, essa característica não significa que o desenvolvimento econômico esteja acima das relações políticas. Na verdade, o texto afirma que o desenvolvimento do capitalismo e dos estados-nação está intrinsecamente ligado. Isso significa que o desenvolvimento econômico e as relações políticas estão intimamente interligados. Gabarito: B 26. (QUADRIX - 2017 - Professor/Sociologia) O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, desviamo-nos dele. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da produção veloz, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz em grande escala, tem provocado a escassez. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura! Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido. Charles Chaplin. Internet: <www.klepsidra.net> (com adaptações). Considerando o texto como motivação inicial, julgue o item a seguir. A produção de alimentos em larga escala, por causa do uso do maquinário, garante aos seres humanos a produção e distribuição dos alimentos de forma igualitária. C) Certo E) Errado Comentários O texto de Charles Chaplin aborda a relação entre a produção industrial, o capitalismo e a humanidade. O autor critica a cobiça e a falta de humanidade que, segundo ele, são características da sociedade industrial. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 112 117 A questão afirma que a produção de alimentos em larga escala, por causa do uso do maquinário, garante aos seres humanos a produção e distribuição dos alimentos de forma igualitária. Essa afirmativa é errada. O texto de Chaplin afirma que a produção industrial, ao contrário de garantir a igualdade, provoca a escassez e a miséria. Isso ocorre porque a produção industrial é organizada de forma capitalista, o que significa que ela é direcionada para o lucro, e não para o bem-estar da população. Além disso, o uso do maquinário na produção industrial tende a concentrar a riqueza nas mãos de poucos, o que também contribui para a desigualdade. Gabarito: Errado 27. (UNEB - 2012 - Analista de Processos Sociais (CERB)/Sociologia) Entre os diversos processos históricos que contribuíram para o nascimento da sociedade moderna capitalista, dois se destacam como os mais importantes no que tange às suas influências nos primórdios da sociologia. Esses são: A) A Revolução Industrial e a Revolução Francesa B) O Renascimento e a Expansão Comercial marítima C) A Revolução Americana e os movimentos de descolonização da América D) A Guerra dos Sete Anos e a Revolução Puritana inglesa E) A Comuna de Paris e a Revolução Russa. Comentários O surgimento da sociologia como disciplina científica está intimamente relacionado às transformações sociais, econômicas e políticas ocorridas no século XIX. Nesse contexto, dois processos históricos se destacam como os mais importantes: a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. (A) Correta. A Revolução Industrial e a Revolução Francesa foram dois processos históricos que marcaram o início da sociedade moderna capitalista. A Revolução Industrial, com o surgimento da indústria e da urbanização, provocou profundas mudanças sociais, econômicas e culturais. A Revolução Francesa, com a queda do absolutismo e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, estabeleceu os princípios da democracia e da igualdade. Essas mudanças e transformações motivaram o surgimento da sociologia, uma disciplina quese dedica ao estudo da sociedade. Os primeiros sociólogos, como Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber, foram influenciados pelas transformações sociais e políticas ocorridas no século XIX. A Revolução Industrial e a Revolução Francesa foram dois processos históricos que provocaram profundas mudanças sociais, econômicas e culturais. Essas mudanças motivaram o surgimento da sociologia, uma disciplina que se dedica ao estudo da sociedade. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 113 117 (B) Errada. O Renascimento e a Expansão Comercial marítima foram processos históricos que ocorreram no século XV e XVI. Eles não tiveram a mesma influência que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa no surgimento da sociologia. Enquanto o Renascimento foi um movimento cultural que valorizou a razão e a ciência, a Expansão Comercial marítima levou ao contato com novas culturas e ao surgimento de novas formas de pensamento. No entanto, esses processos não provocaram as mesmas transformações sociais e políticas que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. (C) Errada. A Revolução Americana e os movimentos de descolonização da América ocorreram no século XVIII e XIX. Eles foram importantes processos políticos que contribuíram para o surgimento dos Estados- Nação. No entanto, eles não tiveram a mesma influência que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa no surgimento da sociologia. A Revolução Americana foi um processo de independência que levou à formação dos Estados Unidos. Os movimentos de descolonização da América levaram à formação de novos países na América Latina e no Caribe. Esses processos contribuíram para o surgimento de novas formas de organização social e política, mas não provocaram as mesmas transformações sociais e culturais que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. (D) Errada. A Guerra dos Sete Anos e a Revolução Puritana inglesa ocorreram no século XVIII. Eles foram importantes processos políticos que contribuíram para a formação do Estado-Nação. No entanto, eles não tiveram a mesma influência que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa no surgimento da sociologia. A Guerra dos Sete Anos foi um conflito militar que envolveu a França, a Inglaterra e outras potências europeias. A Revolução Puritana inglesa foi um processo político que levou à formação da República Inglesa. Esses processos contribuíram para o fortalecimento do Estado-Nação, mas não provocaram as mesmas transformações sociais e culturais que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. (E) Errada. A Comuna de Paris e a Revolução Russa ocorreram no século XIX e XX. Elas foram importantes processos políticos que contribuíram para a formação dos Estados socialistas. No entanto, elas não tiveram a mesma influência que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa no surgimento da sociologia. A Comuna de Paris foi um processo político que levou à formação de uma república socialista na cidade de Paris. A Revolução Russa foi um processo político que levou à formação da União Soviética. Esses processos contribuíram para o surgimento de novos modelos de organização social e política, mas não provocaram as mesmas transformações sociais e culturais que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. Gabarito: A 28. (CEBRASPE (CESPE) - 2011 - Professor (SEDUC AM)/Sociologia) Com relação ao contexto histórico do surgimento da sociologia, julgue o item a seguir. Com o fim do sistema feudal, a mão de obra camponesa migrou para o ambiente de trabalho industrial. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 114 117 C) Certo E) Errado Comentários O item está certo. O fim do sistema feudal, que ocorreu no século XVIII, levou à desintegração da sociedade rural e à migração da mão de obra camponesa para as cidades. Essa migração foi motivada por diversos fatores, como a expropriação das terras dos camponeses, a crescente mecanização da agricultura e a ascensão do capitalismo. O sistema feudal era baseado na servidão, uma forma de trabalho compulsório em que os camponeses eram obrigados a trabalhar nas terras de seus senhores feudais. Com o fim do sistema feudal, os camponeses foram libertados da servidão e tornaram-se livres para se deslocarem. No entanto, a maioria dos camponeses não possuía terras próprias e, por isso, precisavam encontrar outras formas de sustento. A ascensão do capitalismo e a crescente mecanização da agricultura levaram à diminuição da demanda por mão de obra rural. Isso, por sua vez, incentivou a migração da mão de obra camponesa para as cidades, onde havia oportunidades de trabalho nas indústrias. A migração da mão de obra camponesa para as cidades foi um processo complexo que teve um impacto significativo na sociedade. Ela contribuiu para o crescimento das cidades, a formação da classe trabalhadora e o surgimento de novos problemas sociais, como a pobreza e a desigualdade. Portanto, o item está correto ao afirmar que, com o fim do sistema feudal, a mão de obra camponesa migrou para o ambiente de trabalho industrial - entendida como processo que se inicia com as próprias manufaturas e as cidades na passagem da Era medieval para a Era Moderna. Gabarito: Certo 29. Instituto Consulplan - 2023 - Analista do Executivo (SEGER ES)/Ciências Sociais Somos assim levados a considerar a divisão do trabalho sob um novo aspecto. Neste caso, com efeito, os serviços econômicos que ela proporciona são de menor monta ao lado do efeito moral que produz, e sua verdadeira função é criar entre duas ou mais pessoas um sentimento de solidariedade. (DURKHEIM, 2010, p. 63.) Considerando a divisão do trabalho e sua relação com a solidariedade proposta por Émile Durkheim, analise as afirmativas a seguir. I. A solidariedade não pode jamais existir entre outrem e nós a não ser que a imagem desse outrem se una a nossa. Mas quando a união resulta da semelhança de duas imagens, ela consiste em uma aglutinação. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 115 117 II. As grandes sociedades políticas só podem se manter em equilíbrio graças à especialização de tarefas que a divisão do trabalho é a fonte, senão a única, pelo menos a principal da solidariedade social III. Quanto mais solidários sejam os membros de uma sociedade, mais eles mantêm relações diversas, sejam uns com outros, sejam com o grupo tomado coletivamente. Porque se os seus contatos fossem raros, eles não dependeriam uns dos outros se não de maneira frágil e intermitente. IV. O estudo da solidariedade pertence à sociologia. É um fato social que só pode conhecer por meio de seus efeitos sociais. Se tantos moralistas e psicólogos puderam tratar a questão sem seguir esse método é porque eles contornaram a dificuldade. Está correto o que se afirma em A) I, II, III e IV. B) I e II, apenas. C) II e III, apenas. D) III e IV, apenas. E) I, II e IV, apenas. Comentários A questão aborda a relação entre a divisão do trabalho e a solidariedade social, de acordo com a teoria de Émile Durkheim. I. Essa afirmativa está correta. Durkheim afirma que a solidariedade social é baseadana interdependência entre os indivíduos. Essa interdependência pode ser baseada na semelhança, ou seja, na identificação dos indivíduos com os valores e normas da sociedade. Nesse caso, a solidariedade é do tipo mecânico. II. Essa afirmativa também está correta. Durkheim afirma que a divisão do trabalho é a principal fonte da solidariedade social nas sociedades complexas. Isso ocorre porque a divisão do trabalho leva à interdependência entre os indivíduos, que precisam cooperar para atender às necessidades da sociedade. III. Essa afirmativa também está correta. Durkheim afirma que a solidariedade social é fortalecida pela diversidade de relações sociais. Isso ocorre porque a diversidade de relações leva os indivíduos a conhecerem melhor as necessidades uns dos outros, o que aumenta a sua interdependência. IV. Essa afirmativa também está correta. Durkheim afirma que a solidariedade social é um fato social, ou seja, um fenômeno que ocorre na sociedade e que é independente das vontades individuais. Por isso, o estudo da solidariedade deve ser feito pela sociologia, que é a ciência que estuda os fatos sociais Gabarito: A Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 116 117 30. CETAP - 2023 - Técnico em Gestão de Meio Ambiente (SEMAS PA)/Ciências Sociais A Função da Divisão do Trabalho em Emile Durkheim tem como pressuposto que: A) nas sociedades modernas, em que predomina uma solidariedade orgânica, a Divisão do trabalho tem a função de manter o equilíbrio da sociedade, diante das diferenças existentes na mesma. B) a solidariedade mecânica contribui para a função social do trabalho como objetivo de aproximar os diferentes. C) nas sociedades Modernas, prevalece uma consciência moral em relação aos indivíduos e aos fatos sociais. D) a função da divisão do trabalho é apenas de organizar as sociedades tradicionais. E) a divisão do trabalho é algo específico do mundo econômico, que foi estruturado conceitualmente por Emile Durkheim, tendo como principal característica a multifuncionalidade do trabalhador. Comentários A questão aborda a função da divisão do trabalho nas sociedades modernas, segundo a teoria de Émile Durkheim. A. Essa alternativa está correta. Durkheim afirma que a divisão do trabalho é a principal fonte da solidariedade orgânica, que é o tipo de solidariedade social predominante nas sociedades modernas. A solidariedade orgânica é baseada na interdependência entre os indivíduos, que precisam cooperar para atender às necessidades da sociedade. B. Essa alternativa está errada. Durkheim afirma que a solidariedade mecânica é o tipo de solidariedade social predominante nas sociedades tradicionais, que são caracterizadas pela semelhança entre os indivíduos. A solidariedade mecânica é baseada na identificação dos indivíduos com os valores e normas da sociedade. C. Essa alternativa está errada. Durkheim afirma que as sociedades modernas são caracterizadas pela divisão do trabalho, que leva à especialização das funções sociais. Essa especialização, por sua vez, leva à fragmentação da consciência moral, que torna os indivíduos menos conscientes dos valores e normas da sociedade. D. Essa alternativa está errada. Durkheim afirma que a divisão do trabalho é uma característica das sociedades modernas, mas também ocorre em sociedades tradicionais, embora em menor grau. E. Essa alternativa está errada. Durkheim afirma que a divisão do trabalho é uma característica de todas as esferas da vida social, não apenas do mundo econômico. Além disso, a divisão do trabalho não tem como principal característica a multifuncionalidade do trabalhador, mas a especialização das funções sociais. Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador 117 117 Gabarito: A CONSIDERAÇÕES FINAIS Querida e querido, chegamos ao fim da nossa primeira aula. E se você chegou até aqui parabéns, você está no caminho certo para conquistar seus sonhos. Guerreiro não para no meio da missão! Na próxima aula teremos uma aula histórica, prepare-se :) Faça todos os exercícios. E se aparecerem dúvidas, vá ao Fórum de Dúvidas. Nos vemos na próxima aula! Um beijo, um abraço apertado e um suspiro dobrado, de amor sem fim! bons estudos!! Alê Lopes Alessandra Lopes, Celso Natale, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar Aula 05 - Prof.ª Alessandra Lopes CNU (Bloco 4 - Trabalho e Saúde do Trabalhador) Conhecimentos Específicos - Eixo Temático 3 - Sociologia e Psicologia Aplicadas ao Trabalho - 2024 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br https://t.me/kakashi_copiador