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2024 EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO PROVA DE LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS E REDAÇÃO PROVA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS LEIA ATENTAMENTE AS INSTRUÇÕES SEGUINTES: 1. Este CADERNO DE QUESTÕES contém 90 questões numeradas de 01 a 90 e a Proposta de Redação, dispostas da seguinte maneira: a) questões de número 01 a 45, relativas à área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; b) Proposta de Redação; c) questões de número 46 a 90, relativas à área de Ciências Humanas e suas Tecnologias. ATENÇÃO: as questões de 01 a 05 são relativas à língua estrangeira. Você deverá responder apenas às questões relativas à língua estrangeira (inglês ou espanhol) escolhida no ato de sua inscrição. 2. se a quantidade e a ordem das questões do seu CADERNO DE QUESTÕES estão de acordo com as instruções anteriores. Caso o caderno esteja incompleto, tenha defeito ou apresente qualquer divergência, comunique ao aplicador da sala para que ele tome as providências cabíveis. 3. Para cada uma das questões objetivas, são apresentadas 5 opções. Apenas uma responde corretamente à questão. 4. O tempo disponível para estas provas é de cinco horas e trinta minutos. 5. Reserve tempo para preencher o CARTÃO-RESPOSTA e a FOLHA DE REDAÇÃO. 6. Os rascunhos e as marcações assinaladas no CADERNO DE QUESTÕES não serão considerados na avaliação. 7. Somente serão corrigidas as redações transcritas na FOLHA DE REDAÇÃO. 8. Quando terminar as provas, acene para chamar o aplicador e entregue este CADERNO DE QUESTÕES e o CARTÃO-RESPOSTA/FOLHA DE REDAÇÃO. 9. Você poderá deixar o local de prova somente após decorridas duas horas do início da aplicação e poderá levar seu CADERNO DE QUESTÕES ao deixar em a sala de prova nos 30 minutos que antecedem o término das provas. ATENÇÃO: transcreva no espaço apropriado do seu CARTÃO-RESPOSTA, com sua usual, considerando as letras maiúsculas e minúsculas, a seguinte frase: 1º DIA 1 CADERNO AZUL Ai, que delícia o verão. A gente balança o ombrim. A gente brinca no chão 17/02/2024 DESDE 1996 LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS Questões de 01 a 45 Questões de 01 a 05 (opção inglês) 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 3 QUESTÃO 01 The Spanish language is heard everywhere in Miami - in stores, in bars, in restaurants, at doctor's appointments, or at banks. The ubiquity of Spanish is changing the way English is spoken in this American city. Research led by Phillip Carter, professor of Linguistics and English at Florida International University (FIU), discove- red the existence of a dialect of this language in the south of the state of Florida. The new variant of English has features of Spanish, that is, it assimilates expressions of the language translated literally. (www.peoplesmail.com) A pesquisa citada destaca A a gramatização do espanhol nos EUA. B a integração pacífica dos latinos no sul estadunidense. C a política do governo dos EUA para impedir a expan- são da prática linguística. D o processo de transformação da prática oral de se comu- nicar no sul dos EUA através da diversidade linguística. E a expansão da cultura linguística anglo-saxã através do crescimento de imigrantes de outros países do con- tinente americano. QUESTÃO 02 Two hundred years ago, Jane Austen lived in a world whe- re single men boasted vast estates; single ladies were expected to speak several languages, sing and play the piano. In both cases, it was, of course, advantageous if you looked good too. So, how much has — or hasn’t — changed? Dating apps opaquely outline the demands of today’s relationship market; users ruminate long and hard over their choice of pictures and what they write in their biographies to hook in potential lovers, and that’s just your own profile. What do you look for in a future partner’s pro- file — potential signifiers of a popular personality, a good job, a nice car? These apps are a poignant reminder of the often classist attitudes we still adopt, as well as the finan- cial and aesthetic expectations we demand from potential partners. GALER, S. Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 8 dez. 2017 (adaptado). O excerto destaca relações interpessoais com o intuito de A problematizar o papel de gênero em casamentos mo- dernos. B comparar o anseio de parceiros amorosos em contex- tos diferentes. C discutir o uso de aplicativos para proporcionar encon- tros românticos. D evidenciar a importância da educação formal na esco- lha de parceiros. E valorizar a importância da aparência física na seleção de pretendentes. QUESTÃO 03 GAULD, T. Disponível em: www.tomgauld. com. Acesso em: 25 out. 2021. Na história em quadrinhos, a atitude da mulher demonstra A raiva decorrente do azar. B rejeição ao novo tipo de residência. C prazer oriundo da prática de leitura. D excitação com as histórias de terror. E preocupação com o futuro do casamento. QUESTÃO 04 A Teen’s View of Social Media Instagram is made up of all photos and videos. There is the home page that showcases the posts from people you follow, an explore tab which offers posts from accounts all over the world, and your own page, with a notification tab to show who likes and comments on your posts. It has some downsides though. It is known to make many people feel insecure or down about themselves because the platform showcases the highlights of everyone’s lives, while rarely showing the negatives. This can make one feel like their life is not going as well as others, contribu- ting to the growing rates of anxiety or depression in many teens today. There is an underlying desire for acceptance through the number of likes or followers one has. Disponível em: http://cyberbulling.org. Acesso em: 29 out. 2021. 4 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024 A palavra “downsides” introduz a visão de que o Instagram é responsável por A oferecer recursos de fotografia. B divulgar problemas dos usuários. C incentivar aceitação dos seguidores. D conectar pessoas ao redor do mundo. E causar gatilhos de ansiedade nos adolescentes. QUESTÃO 05 I tend the mobile now like an injured bird We text, text, text our significant words. I re-read your first, your second, your third, look for your small xx, feeling absurd. The codes we send arrive with a broken chord. I try to picture your hands, their image is blurred. Nothing my thumbs press will ever be heard DUFFY, C. Disponível em: www.independent. co.uk. Acesso em: 27 out. 2021. Nesse poema, o eu lírico destaca um sentimento de A zelo com o envio de mensagens. B contentamento com a interação virtual. C revolta com um modelo de comunicação. D mágoa com o comportamento de alguém. E preocupação com a composição de textos. Questões de 01 a 05 (opção espanhol) QUESTÃO 01 Disponível em: www.inali.gov.mx. Acesso em: 2 dez. 2018. Esse cartaz possui o dever social de A difundir a arte iconográfica indígena mexicana. B resgatar a literatura popular produzida em língua zapo- teca. C questionar o conhecimento do povo mexicano sobre as línguas ameríndias. D proteger das línguas originárias defendendo a diversi- dade linguística mexicana. E destacar o papel dos órgãos governamentais na con- servação das línguas do Estado mexicano. QUESTÃO 02 Pequeño hermano Es, no cabe duda, el instrumento más presente y más po- deroso de todos los que entraron en nuestras vidas. Ni la televisión ni el ordenador, no hablemos ya del obsoleto fax o de las agendas o los libros electrónicos, ha tenido tal influencia, tal predicamento sobre nosotros. El móvil somos nosotros mismos. Todo desactivado e inerte, ino- cuo, ya les digo. Y de repente, tras un viaje y tres o cuatro imprudentes fotos, salta un aviso en la pantalla. Con soni- do, además, pese a que tengo también todas las alertas desactivadas. Y mi monstruo doméstico me dice: tienes un recuerdo nuevo. Lo repetiré: tienes un recuerdo nuevo. ¿Y tú qué sabes? ¿Y a ti, máquina demoníaca,qué te importa? ¿Cómo te atreves a decirme qué son o no son mis recuerdos? ¿Qué es esta intromisión, este descaro? 5 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 El pequeño hermano lo sabe casi todo. Sólo hay una es- peranza: que la obsolescencia programada mate antes al pequeño hermano y que nosotros sigamos vivos, con los recuerdos que nos dé la gana. FERNÁNDES, D. Disponível em: www.lavanguardia. com. Acesso em: 5 dez. 2018 (adaptado). No excerto, o autor elaborou uma crítica A ao conhecimento das pessoas sobre as tecnologias. B ao funcionamento de recursos tecnológicos obsoletos. C à ingerência do celular sobre as decisões dos usuá- rios. D ao uso do celular de outros por pessoas desautoriza- das. E à falta de informação sobre a configuração dos alertas no celular. QUESTÃO 03 En los suburbios de La Habana, llaman al amigo mi tierra o mi sangre. En Caracas, el amigo es mi pana o mi llave: pana, por panadería, la fuente del buen pan para las ham- bres del alma; y llave por... – Llave, por llave – me dice Mario Benedetti. Y me cuenta que cuando vivía en Buenos Aires, en los tiempos del terror, él llevaba cinco llaves aje- nas en su llavero: cinco llaves, de cinco casas, de cinco amigos: las llaves que lo salvaron. GALEANO, E. El libro de los abrazos. Madri: Sigio Veintiuno, 205. No excerto, o autor apresenta como as distintas expres- sões presentes em espanhol para se referir a “amigo” va- riam em função A dos graus de intimidade entre os amigos. B do papel da amizade em diferentes contextos. C da força da conexão espiritual entre os amigos. D do hábito de reunir amigos em torno da mesa de casa. E das peculiaridades dos subúrbios hispano-americanos. QUESTÃO 04 Los niños de nuestro olvido Escribo sobre un destino que apenas puedo tocar en tanto un niño se inventa con pegamento un hogar Mientras busco las palabras para hacer esta canción un niño esquiva las balas que buscan su corazón Acurrucado en mi calle duerme un niño y la piedad arma lejos un pesebre y juega a la navidad Arma lejos un pesebre y juega a la navidad y juega a la navidad y juega, y juega, y juega... La niñez de nuestro olvido pide limosna en un bar y lava tu parabrisas por un peso, por un pan Si las flores del futuro crecen con tanto dolor seguramente mañana será un mañana sin sol SOSA, M. In: Corazón libre. Argentina: E.D.G.E., 2004 (fragmento). No texto, a expressão “un mañana sin sol” é usada para concluir uma crítica A à falta de serviços de saúde adequados. B à tendência de informalização do trabalho. C ao estímulo à mendicância nos centros urbanos. D à violência característica do cotidiano das grandes me- trópoles. E ao descaso diante da problemática de crianças em si- tuação de rua. QUESTÃO 05 MURIG. Disponível em: https://murígcolecticademinista. wordpress.com. Acesso em: 26 out. 2021 (adaptado). No texto, as palavras “crianza” e “tribu” são usadas para A enfatizar a proteção aos filhos em razão do isolamento social das famílias. B ratificar a romantização da dedicação das mães na educação das crianças. C ressaltar o fechamento de escolas e creches durante o período pandêmico. D denunciar a disparidade entre o trabalho das mães de diferentes classes sociais. E evidenciar a importância de uma rede de apoio para as mães na criação de seus filhos. 6 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024 Linguagens, códigos e suas tecnologias Questões de 06 a 45 QUESTÃO 06 Asa Branca Quando “oiei” a terra ardendo Qual fogueira de São João Eu preguntei a Deus do céu, uai Por que tamanha judiação (bis) Que braseiro, que “fornaia” Nem um pé de “prantação” Por “farta” d'água perdi meu gado Morreu de sede meu alazão Intémesmo a asa branca Bateu asas do sertão Então eu disse adeus Rosinha Guarda contigo meu coração Hoje longe muitas légua Numa triste solidão Espero a chuva cair de novo Para eu vor tar pro meu sertão (bis) Quando o verde dos teus “óio” Se espaiar na prantação Eu te asseguro não chore não, viu Que eu vortarei, viu, meu coração. Disponível em: https://www.ecad.org. br. Acesso em 13 jan. 2024. O baião popular nordestino Asa Branca, escrito por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, retrata a vida difícil do ser- tanejo. Considerada uma das produções mais populares do século XX, a letra apresenta peculiaridades linguísticas que aproximam o ouvinte à realidade social. Entre os prin- cipais aspectos relacionados à escrita, pode-se identificar A o processo de vocalização. B a substituição de termos arcaicos. C a presença de concordância nominal e verbal. D os erros gramaticais mais comuns no dia a dia. E a apropriação de termos e expressões estrangeiras. QUESTÃO 07 Texto I Maiorias minorizadas: a democracia no Brasil como ‘mal-entendido’ Sérgio Buarque de Holanda, quando lançou seu li- vro “Raízes do Brasil”, em 1936, dizia que a democracia no Brasil não passava de um grande “mal-entendido”. Na época, ele vivia os impasses gestados pelo Estado Novo e dizia temer os autoritarismos de esquerda e de direita, referindo-se ao nazismo e ao stalinismo; perigos certeiros daquele momento. Mal sabia o historiador que com essa frase ele se tornava uma espécie de pitonisa nacional: até hoje no Brasil, a democracia é um mal-entendido, uma vez que não se aplica a todos, todas e todes. A democracia depende, em primeiro lugar, de insti- tuições e de uma prática democrática: eleições, partidos políticos, Constituição, Parlamento, Justiça. Em segundo, ela se apoia nas distinções e divisões equilibradas entre os poderes — Legislativo, Executivo, Judiciário —, e faz da igualdade de condições entre eles o grande motor de transformação da sociedade moderna, demandando e oferecendo transparência e visibilidade ao poder. Mas a democracia não é só um sistema baseado em instituições. É igualmente um modo de vida e uma forma de sociedade. Não por coincidência, os valores fundantes dos regimes democráticos são os direitos civis, as liberda- des de ir e vir, de expressão, de associação, de imprensa. Esses se encontram associados, por sua vez, ao direito à autodeterminação; de votar e ser votado, de contar com presunção de inocência até prova de culpa acima de dúvi- da razoável, e a julgamento justo. O regime carrega ainda uma espécie de ideal de extensão; uma forma de franquia da cidadania que se orienta pelo critério de inclusão. Des- sa maneira, a cidadania numa democracia deve incluir grande número de pessoas, apesar das diferenças que existam entre elas, sejam de status, classe social, raça, etnia, gênero, sexo, religião, região, geração. SCHWARCZ, Lilia Moritz. Disponível em: https://www. nexojornal.com.br/colunistas/2020/Maiorias-minorizadas- a-democracia-no-Brasil-como-%E2%80%98mal- entendido%E2%80%99. Acesso em: 09 jan. 2024. Texto II O Brasil é um país de resultados. Nestes 13 anos, as políticas de promoção da igualdade racial promoveram avanços para a população negra brasileira. A redução da pobreza, a ampliação do acesso à universidade e ao mer- cado de trabalho, a implementação de políticas públicas específicas voltadas para comunidades tradicionais de matriz africana, quilombolas e ciganas, além do reforço de mecanismos de denúncia do racismo são alguns exem- plos de programas e ações bem sucedidos. Esses resultados evidenciam conquistas na luta con- tra o racismo, mas também desafios. Apesar dos avanços contabilizados, muito ainda há que se fazer para garantir maior participação social e cidadania efetiva às negras e aos negros de nosso país. É longo o caminho para supe- rar o racismo enquanto desigualdade estrutural. O avanço da política de promoção da igualdade racial sinaliza inequivocamente o quanto a democracia brasilei- ra tem se fortalecido, e pode se fortalecer, em diversidade e legitimidade, a partir do reconhecimento e da inclusão de outros sujeitos históricos de direitos. O Governo Fe- deral continuará investindo nas políticas de promoção da igualdaderacial, que já demonstraram serem capazes de impulsionar as bases da construção de uma igualdade ne- cessária ao pleno desenvolvimento do nosso país. Afinal, sem igualdade racial não há democracia GOMES, Nilma Lino. Disponível em: https://www. cartacapital.com.br/sociedade/sem-igualdade-racial- nao-ha-democracia. Acesso em: 09 jan. 2024. Ao discutirem sobre democracia, ambas autoras eviden- ciam a importância da A igualdade de direitos. B implementação de novas leis. C imposição de limites a governos autoritários. D ampliação de debates políticos e sociais em escolas. E representação proporcional em cenários de vulnerabi- lidade. 7 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 QUESTÃO 08 Línguas indígenas estão morrendo – e, com elas, o conhecimento sobre plantas medicinais “Cada língua indígena é um reservatório único de conhe- cimento medicinal”. Assim escrevem os pesquisadores Rodrigo Cámara-Leret e Jordi Bascompte em um estudo que faz um alerta: o perigo do desaparecimento de anti- gos conhecimentos de plantas medicinais a partir da ex- tinção de línguas indígenas. Para entender o estudo, vamos supor que, de um dia para o outro, o idioma italiano seja extinto - limado da face da Terra. Adeus lasanhas? Não. O conhecimento desse prato já foi difundido em culturas (e livros de receita) do mundo todo. Ainda que a língua suma, você poderá continuar co- mendo massa aos domingos. No caso das plantas medicinais, era preciso entender em que grau o conhecimento delas estava atrelado a apenas uma língua indígena. Dessa forma, seria possível compre- ender quais saberes seriam perdidos no caso de extinção de determinado idioma. Disponível em: https://super.abril.com.br. Acesso em: 09 jan 2024 (adaptado). Por ser uma reportagem de divulgação científica, os exemplos de equivalência são utilizados para A Comparar culturas letradas com culturas orais. B Explicar a metodologia da pesquisa em questão. C Divulgar as ferramentas de preservação cultural. D Denunciar a desvalorização dos povos indígenas. E Conscientizar o leitor acerca da diversidade linguística. QUESTÃO 09 Disponível em: https://www.desenvolvimentosocial.sp.gov. br/campanha-do-governo-do-estado-propoe-adocao- consciente-e-responsavel/. Acesso em: 30 jan 2024. Para convencer o público-alvo a não abandonar animais, a campanha apela para A a intimidação, incitando a população a denunciar atos de abandono. B a conscientização, indicando as punições caso a lei seja descumprida. C o interesse, com imagens graciosas de animais de campanhas de adoção. D a comoção, criando a reflexão sobre a dinâmica entre os animais e seus donos. E a ambição, incutindo a ideia de compensação se o dono não abandonar seu animal. QUESTÃO 10 O público jovem é muito influenciado pelos “entertainers” da internet, os mesmos exercem uma função importante ao fazer vídeos voltados para livros, indicando leituras e incentivando-a. Há também os que tomaram a liberdade de fazerem seus próprios livros com teor autobiográfico, o qual se popularizou recentemente. A internet também possibilitou a praticidade na leitura. A tecnologia está sempre evoluindo e novos métodos es- tão sempre sendo criados, como o livro digital, que tem como melhor exemplo o kindle, um aparelho que permite aos usuários ler livros, jornais, revistas, além de comprar, baixar e pesquisar. É prático e simples, tornando possível carregar um livro de até mil páginas dentro da bolsa. O kindle tem vantagens para quem quer economizar es- paço com livros, sua iluminação também permite uma boa leitura tanto de dia quanto de noite e os livros digitais saem mais baratos que o físico. No entanto, o que dife- re essa tecnologia do livro físico é a experiência clássica sensorial que todo bom leitor gosta de ter, como cheirar e sentir os livros em mãos, permitindo uma maior intimidade e interação com o livro. Disponível em: https://oimparcial.com.br/ noticias/2018/09/como-a-internet-pode-influenciar-na- literatura/#:~:text=A%20internet%20tamb%C3%A9m%20 possibilitou%20a,de%20comprar%2C%20baixar%20 e%20pesquisar. Acesso em: 30 jan 2024. Segundo o texto, o impacto da internet na literatura foi positivo, pois A ajudou a difundir a literatura clássica brasileira à juven- tude. B possibilitou que a literatura internacional chegasse ao Brasil. C permitiu que a população vulnerável tivesse acesso à leitura. D deu visibilidade a autores que antes eram pouco co- nhecidos. E contribuiu com a praticidade e facilidade de acesso aos livros. QUESTÃO 11 Já pensou se existisse uma ferramenta alimentada por inteligência artificial capaz de identificar fake news? Isso pode estar próximo de ser realizado graças a uma pla- taforma criada por pesquisadores brasileiros do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O sistema combina modelos estatísticos e técnicas de aprendizado de máquina para definir a pro- babilidade de um texto ser fake. Os primeiros resultados mostraram um resultado muito animador: quase 96% de precisão ao detectar notícias falsas. A ideia é oferecer uma ferramenta que auxilie as pessoas a identificar de forma objetiva se o conteúdo é autêntico ou puramente mentiroso. Hoje, muitas pesso- as precisam recorrer à subjetividade para identificar uma matéria, o que nem sempre é eficaz quando existe cono- tação política ou predisposição ideológica. A ferramenta analisa a notícia na íntegra e aplica métodos estatísticos para avaliar características de escrita, como palavras mais usadas ou classes gramaticais recorrentes. O classi- ficador entra em cena com um modelo de aprendizado de 8 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024 máquina capaz de distinguir padrões de linguagem, voca- bulário e semântica comumente empregados em notícias falsas e verdadeiras. Para construir esse sistema, os estudiosos alimenta- ram a plataforma com mais de 100 mil notícias publicadas nos últimos cinco anos. Ao diferenciar as verdadeiras das falsas, os modelos começaram a ser treinados a partir desse imenso banco de dados para identificar padrões de escrita. HELLER-ROAZEN, D. Ecolalias: sobre o esquecimento das línguas. Campinas: Unicamp, 2010. A notícia apresenta um novo aplicativo que, por meio da inteligência artificial, é capaz de solucionar um problema social. Nesse sentido, é possível perceber como a criação dessa ferramenta A possui um compromisso com a verdade. B integra um conjunto de tendências computacionais. C contribui para a legitimação de tecnologias aplicadas. D reafirma a necessidade de novos recursos digitais no cotidiano. E afasta o olhar negativo da sociedade perante o avanço tecnológico. QUESTÃO 12 Descaminhos da hipercorreção As fontes da hipercorreção são duas. Uma é a própria variação linguística, que sempre envolve uma forma con- siderada correta e outra considerada errada. A segunda fonte é a vontade de ser correto. Tomemos um caso como paradigma: o “l” de final de sílaba é, em geral, pronuncia- do como semivogal (como se fosse um “u”): assim, “mal- dade” se pronuncia “maudade”. Uma das atividades escolares consiste em insistir na gra- fia correta. Ora, na mesma posição ocorrem semivogais “de verdade”, como em “cauda” (rabo). Uma das ativida- des escolares consiste em corrigir erros como “maudade”, o que levaria os alunos (e ex-alunos) a eliminar o “u” nesta posição. Mas o mesmo trabalho que leva a acertar a grafia de “maldade” leva a errar a grafia de “cauda”. Acrescente- -se que existe também a palavra “calda”, a dos doces, o que ajuda a complicar a questão: no limite, alguém pode trocar “u” e “l”, escrevendo “cauda” quando deveria escre- ver “calda” e vice-versa (o mesmo ocorre em “auto / alto”, “mal / mau”). POSSENTI, Sírio. Descaminhos da hipercorreção. Revista Educação. São Paulo, 22 jun 2017. Disponível em https:// revistaeducacao.com.br/2017/06/22/descaminhos-da-hipercorrecao/. Acesso em: 10 jan. 2024 (adaptado). O texto apresenta exemplos de expressões para discutir o fenômeno da hipercorreção, caracterizando por A Inserção dos sujeitos no ensino após a fase de alfabe- tização. B Criação de neologismos por conta do contato com a escrita. C Correção excessiva que resulta em erros linguísticos. D Desconhecimento das regras gramaticais. E Processo de mudança linguística. QUESTÃO 13 Disponível em https://www.instagram.com/ andredahmer/. Acesso em: 09 jan 2024. Considerando os elementos verbais e não-verbais do car- tum, a crítica se fundamenta na A uberização do trabalho no mundo contemporâneo. B ironia sobre o conceito de inteligência artificial. C resistência ao uso de inteligência artificial. D dificuldade no uso de inteligência artificial. E imposição do uso da inteligência artificial. QUESTÃO 14 Texto I Uma pesquisa realizada pela Stanford Medicine com 22 pares de gêmeos idênticos indica que uma dieta vegana pode melhorar a saúde cardiovascular em apenas oito se- manas. Os participantes com a dieta vegana apresentaram níveis significativamente mais baixos de colesterol de lipoprote- ína de baixa densidade (LDL-C), insulina e peso corporal – todos indicadores associados à melhoria da saúde car- diovascular. “Com base nestes resultados e pensando na longevidade, a maioria de nós se beneficiaria se adotasse uma dieta mais baseada em vegetais”, disse Christopher Gardner, um dos autores do estudo. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/ pesquisa-com-gemeos-indica-que-dieta-vegana- melhora-saude-do-coracao/. Acesso em: 30 jan 2024. Texto II Disponível em: https://betimcultural. medium.com/veganismo-e-sustentabilidade- e962fd7b4669. Acesso em: 30 jan 2024. 9 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 O texto II complementa o texto I à medida que A produz uma reflexão sobre o abate de bovinos em di- versos estados brasileiros. B acrescenta mais um benefício do veganismo relaciona- do ao meio ambiente. C analisa a distribuição de carnes no Brasil, que seria resolvida com o veganismo. D faz uma crítica sobre a qualidade da carne em cada estado brasileiro. E defende a preservação dos biomas de cada estado brasileiro. QUESTÃO 15 Hoje, o ensino e a aprendizagem passam por desa- fios na transmissão do saber aos alunos que, por motivos óbvios de serem nativos da era digital, a tradição educa- cional necessita ser resiliente e se juntar à modernidade sem perder a essência entre o aprender e o ensinar. Por isso, os docentes buscam, através das tecnologias, ações seguras, eficazes e escaláveis para equilibrar o plano educacional. De outra parte, apesar das vantagens que a internet e a IA podem trazer para a educação de alunos e profes- sores, há também os desafios que poderão causar danos no processo de ensino e aprendizagem.Os professores reconhecem que a IA pode produzir automaticamente re- sultados inadequados ou errados aos alunos, pois ainda é imprescindível o olhar do ser humano especializado. O uso da IA na educação é saudável, porém ainda requer supervisão e curadoria da informação que o aluno está re- cebendo por ela. Isto faz cair o medo de docentes serem substituídos por sistemas de IA. Além disso, a má-fé pode ser impulsionada com as ferramentas de IA porque facilitam o desenvolvimento de tarefas fazendo com que a inferência cognitiva do aluno seja posta de lado para o ato de copiar ou a realização do plágio. Isto reforça a falta de análise crítica e fortalece a repetição de ideias. É importante ressaltar que aprender não é apenas criticar, mas pensar com sabedoria aquilo que aprendeu com os próprios erros e, também, com os erros dos outros no processo de aprendizagem. Ademais, não será tarefa fácil implementar um sistema de IA que permitirá a adaptação aos pontos fortes dos alunos e não apenas aos em desenvolvimento, que ainda não atingiram a satisfação de aprendizagem necessária. O caminho de aprimoramento é árduo e levará bastante tempo. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com. br/euestudante/educacao-basica/2023/10/5132476- artigo-o-uso-da-inteligencia-artificial-na- educacao.html. Acesso em: 09 jan. 2024. De acordo com o texto, a implementação da inteligência artificial na educação envolve A falta de perspectiva no magistério. B mudanças na postura do educador. C retrocesso no que tange a valorização do professor. D riscos que inviabilizam a progressão de carreira dos docentes. E substituição de profissionais da área educacional por máquinas. QUESTÃO 16 Disponível em: https://www.centralnacionalunimed.com.br/ web/guest/viver-bem/alimentacao/como-ser-mais-saudavel- em-um-restaurante-por-quilo-. Acesso em: 30 jan 2024. O texto sobre alimentação saudável traz informações com a função de A contribuir com a redução da obesidade no Brasil. B fornecer informações básicas sobre nutrição. C convencer os brasileiros a se alimentarem melhor. D mostrar os benefícios de uma alimentação regulada. E auxiliar na montagem do cardápio diário do indivíduo. QUESTÃO 17 O nascimento de um trilionário “A imagem faz uma paródia do quadro "O Nascimento de Vênus", de Sandro Botticelli. Pousando sobre uma con- cha marinha, um homem branco, nu, em pose similar à da deusa, conta moedas e as deixa cair num saco de di- nheiro, com ar realizado. Ao redor, o mar e a terra estão totalmente poluídos e destruídos. Por toda parte há lixo, plástico, canos fumegantes, restos de processos produti- vos, devastação ambiental.” “Nascimento de um trilionário” - Laerte. Charge com descrição. Disponível em: https://www.instagram. com/p/C2QaEM3Pbpi/?igsh=OHU3NWQycTl3YnJv. 10 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024 Ao analisar a charge da cartunista Laerte e o texto acima, infere-se que A a charge visa promover a busca por melhores condi- ções de vida, considerando os impactos ambientais causados nessa busca. B a cartunista, por meio da intertextualidade, se posicio- na em relação à condição de existência de pessoas extremamente ricas. C a imagem, por meio da prosopopeia, julga aqueles que detêm melhor condição financeira na atualidade. D a concha faz referência à conscientização sobre o meio ambiente dentro do sistema vigente. E a charge não pontua as relações de poder existentes na contemporaneidade. QUESTÃO 18 Acordou. Levantou-se. Aprontou-se. Lavou-se. Bar- beou-se. Enxugou-se. Perfumou-se. Lanchou. Escovou. Abraçou. Beijou. Saiu. Entrou. Cumprimentou. Orientou. Controlou. Advertiu. Chegou. Desceu. Subiu. Entrou. Cumprimentou. Assentou-se. Preparou-se. Leu. Despa- chou. Conferiu. Vendeu. Vendeu. Ganhou. Ganhou. Ga- nhou. Lucrou. Lucrou. Lucrou. Lesou. Explorou. Escon- deu. Burlou. Safou-se. Comprou. Vendeu. Assinou. Sacou. Depositou. Depositou. Depositou. Associou-se. Vendeu- -se. Entregou. Sacou. Depositou. Despachou. Repreen- deu. Suspendeu. Demitiu. Negou. Explorou. Desconfiou. Vigiou. Ordenou. Telefonou. Despachou. Esperou. Che- gou. Vendeu. Lucrou. Lesou. Demitiu. Convocou. Saiu. Despiu-se. Dirigiu-se. Chegou. Beijou. Negou. Lamentou. Dormiu. Roncou. Sonhou. Sobressaltou-se. Acordou. Pre- ocupou-se. Temeu. Suou. Ansiou. Tentou. Bebeu. Dormiu. Dormiu. Dormiu. Acordou. Levantou-se. Aprontou-se... MINO. Como se conjuga um empresário. In: PINILIA, Aparecida; RIGONI, Cristina;INDIANI,Maria Thereza. Coesão e coerência como mecanismo para a construção do texto. Disponível em: https://www.aio.com.br/questions/ content/texto-1-acordou-levantou-se-aprontou-se-lavou- se-barbeou-se-enxugou. Acesso em: 30 jan 2024. Os recursos que permitem identificar que se trata da nar- ração da rotina de um indivíduo são A escolha lexical e ordenação dos verbos. B uso de reticências ao final e ausência de falas. C gradação temática e escolha dos tempos verbais. D opção pelo pretérito perfeito e vocabulário cotidiano. E repetição de alguns verbos e uso de pontos finais entreeles. QUESTÃO 19 O ‘samba abstrato’ das mulheres brancas no Carnaval 2022 Quem não se encantou com o vídeo da Mayara Lima, princesa de bateria da escola de samba Paraíso do Tuiutí (RJ), em uma sincronia de milhões no ensaio técnico na avenida, com muita desenvoltura e samba no pé? O vídeo já alcançou mais de 5 milhões de visualizações e alertou para um problema na maioria das escolas de samba: as mulheres brancas – que não sabem sambar, ocuparem cargos de rainhas de bateria e tiraram a repre- sentatividade de mulheres negras que se dedicaram ao samba desde a infância. Com isso, a página ‘Samba Abstrato’ tem compartilhado vídeos de musas e rainhas brancas das agremiações, cujos criadores não consideram juz ao título, desde 2015. No Facebook, com mais de 24 mil curtidas, a página apre- senta o objetivo do conteúdo. “Não é porque é engraçado, que não é uma análise estética da apropriação cultural no espetáculo carnavalesco”, diz na bio. Adaptado de: https://mundonegro.inf. br. Acesso em 09/01/2024.. A expressão ‘samba abstrato’, utilizada para caracterizar o samba de mulheres alheias às comunidades das esco- las, pode ser entendida como A denúncia da falta de oportunidades para as mulheres negras na arte. B crítica à artificialidade no fenômeno de apropriação cultu- ral. C diversidade dos estilos do samba em diferentes con- textos. D conscientização sobre a importância do carnaval. E técnica adotada por sambistas profissionais. QUESTÃO 20 A relação entre obesidade e discriminação é complexa. Padrões estéticos impostos de magreza, por exemplo, são um dos fatores para essa discriminação. Pessoas obesas frequentemente enfrentam discriminação e preconceito, o que pode afetar sua autoestima e autoimagem. Muitas vezes são estigmatizadas como se o problema ocorres- se por sua culpa exclusiva, em não querer seguir regras comportamentais que levariam ao emagrecimento. Essa discriminação pode afetar negativamente a saúde mental e física das pessoas obesas, tornando mais difícil para elas controlar seu peso e manter hábitos saudáveis. A gordofobia pode ter consequências físicas e mentais graves. As pessoas obesas que são alvo de preconceito e discriminação têm maior probabilidade de sofrer de pro- blemas de saúde mental, como depressão e ansiedade. A gordofobia também pode afetar negativamente a saúde fí- sica das pessoas obesas, aumentando o risco de doenças cardíacas, diabetes e outras doenças crônicas. As principais causas da obesidade incluem a genética, o ambiente em que se vive e o estilo de vida. É impor- tante ter uma dieta saudável e praticar exercícios físicos regularmente para manter um peso saudável. Existem muitas opções de tratamento disponíveis para pessoas obesas, incluindo dieta, exercícios físicos, medicamentos e cirurgia bariátrica. A propósito, drogas novas e promis- soras têm sido lançadas no mercado. Mas, é importante que o profissional de saúde deixe de tratar a obesidade como sendo culpa ou relaxamento do paciente que não se alimenta corretamente ou que é sedentário, porque ela ocorre por uma multiplicidade de fatores, não necessaria- mente imputáveis apenas ao paciente. É válido lembrar que, embora tenhamos tratamentos promissores, é ne- cessária a abordagem multidisciplinar e personalizada e ter em mente que se trata de um problema social. Disponível em: https://www.folhape.com.br/colunistas/ direito-e-saude/a-gordofobia-no-brasil-um-problema-social- e-de-saude-publica/35553. Acesso em 10 jan. 2024. Em relação à obesidade, o texto 11 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 A desconsidera a relação entre saúde pública e questão social. B enumera causas que podem ser evitadas facilmente por qualquer pessoa. C relativiza as consequências da doença, ideando, até certo ponto, uma questão de saúde. D apresenta um olhar parcial com o intuito de ponderar diferentes opiniões a respeito da temática. E rejeita a atribuição de culpa e responsabilidade por parte do profissional de saúde ao paciente sedentário. QUESTÃO 21 ASSISTE AO ENTERRO DE UM TRABALHADOR DE EITO E OUVE O QUE DIZEM DO MORTO OS AMIGOS QUE O LEVARAM AO CEMITÉRIO — Essa cova em que estás, com palmos medida, é a cota menor que tiraste em vida. — É de bom tamanho, nem largo nem fundo, é a parte que te cabe neste latifúndio. — Não é cova grande. é cova medida, é a terra que querias ver dividida. — É uma cova grande para teu pouco defunto, mas estarás mais ancho que estavas no mundo. — É uma cova grande para teu defunto parco, porém mais que no mundo te sentirás largo. — É uma cova grande para tua carne pouca, mas a terra dada não se abre a boca. [...] Ancho: Largo; orgulhoso. DE MELO NETO, João Cabral. Morte e vida severina. Alfaguara, 2007. Considerando a obra como um todo, a cena do funeral em Morte e Vida Severina denota a A importância da terra na formação da identidade. B trajetória cidadã dos agricultores sertanejos. C percepção dos sertanejos acerca da morte. D desigualdade social no sertão nordestino. E funcionalidade subjetiva do latifúndio. QUESTÃO 22 Texto I Disponível em: https://www.instagram. com/tirinhadearmandinho/. Texto II Os conceitos de nação e de identidades brasileiras não deixam de ser construções imaginárias, em linha com a História. Os sentidos da nacionalidade foram inventados, forjando um sentimento da nação, em função de interes- ses de grupos específicos, fazendo-se, porém, passar por interesses de todos na disputa pelo território e na cons- trução de conceitos fundamentais, como Estado e povo brasileiros. Neste sentido, é importante perceber a nação e povo no tocante à representação e à linguagem; des- construir, redimensionar estes conceitos e relacioná-los a outros como popular, público, massa e audiência. BECKER, B. A linguagem do telejornal: um estudo da cobertura dos 500 anos do descobrimento do Brasil. São Paulo, E-papers, 2005. Considerando o texto II, a crítica do texto I A problematiza os conceitos convencionais sobre os acontecimentos históricos e se manifesta contrários a eles. B nega a existência de outras versões históricas e enco- raja o discurso parcial dos acontecimentos nas esco- las. C concorda com a vertente dos conceitos tradicionais e estimula o posicionamento crítico das crianças em casa. D contraria o discurso tradicional dos acontecimentos e viabiliza a alteração dos materiais de história nas esco- las. E apoia o interesse de grupos específicos em construir vertentes históricas distintas, mas inviabiliza esse dis- curso. QUESTÃO 23 Olho muito tempo o corpo de um poema Olho muito tempo o corpo de um poema até perder de vista o que não seja corpo e sentir separado dentre os dentes um filete de sangue nas gengivas. Ana Cristina Cesar, “A Teus Pés" (1982).“Os cem melhores poemas brasileiros do Século”. [seleção e organização Ítalo Moriconi]. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001. Nesse poema, o objetivo do eu lírico é A contemplar o caráter emotivo do poema. B delimitar a imagem do poema para o leitor. C analisar a estrutura do poema e seus efeitos. D estabelecer estratégias de leitura para o leitor. E destacar a materialidade linguística do poema. 12 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024 QUESTÃO 24 – E aí, gato, nós vai pra sua casa ou pra minha? – O quê?! Hahaha, ufa, você quase me pegou. – Como assim, quase te peguei? – Falando desse jeito aí, “nós vai”. Sabe como é, a gente acabou de se conhecer… Por meio segundo eu pensei que fosse sério. – E se fosse sério? – Deixa pra lá, minha linda. Lá em casa tem um prosecco na geladeira esperando a gente. – Não, vamos com calma que agora é sério mesmo. Você está sendo submetido a um teste, atenção: e se eu fosse o tipo de mulher que fala “nós vai”, “dez real”, “os livro”, isso ia fazer diferença? – Nossa, mas é lógico, né? Tremenda gata bem vestida, maior pinta de universitária… Aliás, você é universitária? – Não interessao que eu sou, estou indo pegar um táxi. – Ei, espera aí! O que é que eu fiz de errado? – Ah, nada. Só se revelou um porco chauvinista linguísti- co, como tantos que existem por aí. Uma pena, tão boni- tinho… Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/sobre- palavras/cronica-do-ano-preconceito-linguistico-na-balada. A crônica acima aborda uma questão em torno das situa- ções de uso das variantes linguísticas e, portanto A observa-se a inflexibilidade de reconhecer as variantes linguísticas por grande parte da população brasileira. B percebe-se não haver distinção entre norma culta e lin- guagem coloquial, independente da situação de uso. C verifica-se que a utilização da norma padrão do port- guês é inadequada em alguns contextos específicos. D constata-se que, em ambientes descontraídos e ami- gáveis, é preferível o uso da norma culta da língua. E nota-se a possibilidade de serem utilizadas variantes coloquiais em contextos menos formais. QUESTÃO 25 "A criação do futevôlei se deve, curiosamente, à tentativa de burlar uma lei das praias cariocas. Explico: em meados dos anos 60, a prática do futebol havia sido proibida nas praias do Rio de Janeiro. Na realidade, qualquer esporte que não utilizasse rede e um espaço seguramente delimi- tado, não poderia ser praticado naquele local. Graças à imaginação de alguns amantes da prática do futebol na areia, decidiram jogar o seu futebol em uma quadra de voleibol de praia, esporte que era permitido. Aos poucos, a prática começou a ganhar mais adeptos, que incluía jogadores de peso do futebol de campo brasi- leiro da época, como Dida e Vavá. Grosso modo, inicialmente a brincadeira consistia em utilizar os movimentos dos pés e da cabeça com a bola, princípio que se mantém até os dias de hoje. Além disso, a quantidade de praticantes em cada time não era exata- mente precisa: jogava-se em cinco pessoas, em duplas e até sozinho, em cada lado da quadra." Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/educacao- fisica/futevolei.htm. Acesso em: 30 jan 2024 (adaptado). Nesse texto, o futevôlei é colocado como A a melhor maneira para se aproveitar o tempo na praia. B um esporte ilegal, visto que foi criado para burlar uma lei. C estratégia de jogadores renomados para aumentar sua fama. D uma nova forma de jogar futebol, que foi proibido nas praias. E um substituto para o vôlei, que foi desvalorizado entre os brasileiros. QUESTÃO 26 Sou essa Eu bordo o labirinto quente das minhas veias. Repito as palavras como mantras, nas voltas que a agulha faz. Por vezes me furo e não o pano, gosto de levar esse susto. É a digital de sangue que deixo ali: minhas lágrimas, cer- vejas, rompantes. Se me revelo expondo as fraquezas, confusão, raiva. Não me constranjo. Há muito cansei de Desculpar-me. Sou essa, e aceito não ser querida. Se me arrependo de algo, Digo aqui e bordarei: Foi ter saído de mim, Para deixar alguns entrarem YOUNG, Fernanda. A mão esquerda de Vênus. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2016. No texto predomina a função poética da linguagem, haja vista A o foco no emissor da mensagem. B a preocupação com a forma do discurso. C a intencionalidade de transmitir informações. D a influência da mensagem no comportamento do inter- locutor. E a ênfase na interação entre emissor e receptor das mensagens. QUESTÃO 27 Disponível em: https://www.instagram.com/ laerteminotaura/. Acesso em: 09 jan 2024. 13 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 A tira ilustra a percepção da espetacularização da violên- cia, cujas consequências também podem ser A a normalização das catástrofes humanitárias. B o aumento do poderio da indústria bélica. C a impunidade dos países imperialistas. D a funcionalidade cíclica da guerra. E o desinteresse pela política. QUESTÃO 28 É engraçado como eles gozam a gente quando a gente diz que é ‘Framengo’. Chamam a gente de ignorante dizendo que a gente fala errado. E de repente ignoram que a presença desse “R” no lugar do “L”, nada mais é que a marca linguística de um idioma africano, no qual o “L” inexiste. Afinal, quem é o ignorante? Ao mesmo tempo, acham o maior barato a fala dita brasileira, que corta os erres dos infinitivos verbais, que condensa “você” em “cê”, o “está” em “tá” e por aí afora. Não sacam que estão falando pretuguês? GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências sociais hoje. Anpocs, 1984, p. 238. Nesse trecho da obra “Racismo e sexismo na cultura bra- sileira” a autora, Lélia Gonzalez, expressa A a intolerância linguística da população brasileira frente à diversidade da língua e as consequências da incor- poração de variantes estrangeiras europeias. B o processo conturbado de incorporação de outras va- riantes linguísticas ao português contemporâneo e a pouca aplicabilidade dessas vertentes. C a inconsistência gramatical do português falado no brasil e a impossibilidade de se desenvolverem novas variantes aceitas pela população. D a diversidade linguística do português frente ao pro- cesso de consolidação da língua e as referências à maneira brasileira de falar. E o estímulo à utilização da norma culta do português em detrimento da coloquial, além de pontuar a inflexibilida- de da língua. QUESTÃO 29 Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora? Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José! José, para onde? ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesias. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1942. Carlos Drummond de Andrade integrou a segunda gera- ção modernista (1930-1945), período em que ocorreu a Segunda Guerra Mundial e, no Brasil, o Estado Novo de Vargas. Nos versos de E agora José, levando em consi- deração o contexto histórico da produção, o sujeito lírico expressa A a forte preocupação com a estética. B um olhar mais libertário, como forma de combate ao tradicionalismo. C o lugar da literatura soturna e melancólica em um perí- odo de destruição. D as inquietações cotidianas do brasileiro comum, bem como o medo e a incerteza perante o futuro. E o esquecimento de artistas regionalistas e, por conse- quência, a necessidade de migração à capital. QUESTÃO 30 Texto I “Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vi- mos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre Douro e Minho, por- que neste tempo de agora os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem. Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.” Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel. Texto II “De maneira que, assim como a natureza faz de feras ho- mens, matando e comendo, assim também a graça faz de feras homens, doutrinando e ensinando. Ensinastes o gentio bárbaro e rude, e que cuidais que faz aquela dou- trina? Mata nele a fereza, e introduz a humanidade; mata a ignorância, e introduz o conhecimento; mata a bruteza, e introduz a razão; mata a infidelidade, e introduz a fé; e deste modo, por uma conversão admirável, o que era fera fica homem, o que era gentio fica cristão, o que era despojo do pecado fica membro de Cristo e de S. Pedro [...] Tende-os, cristãos, e tende muitos, mas tende-os de modo que eles ajudem a levar a vossa alma ao céu, e vós as suas. Isto é o que vos desejo, isto é o que vos acon- selho, isto é o que vos procuro, isto é o que vos peço por amor de Deus e por amor de vós, e o que quisera que leváreis deste sermão metido na alma.” Antônio Vieira “Sermão do Espírito Santo”. Disponível em https://tupi.fflch.usp.br/sites/tupi.fflch.usp.br/files/SERM%C3%83O%20DO%20ESP%C3%8DRITO%20 SANTO.pdf. Acesso em: 30 jan 2024. Ambos os textos fazem parte das obras produzidas durante o Brasil Colônia. A partir de suas leituras, subentende-se A o preconceito dos portugueses com os africanos es- cravizados. B a visão de superioridade do português perante os nativos. C a bondade dos portugueses em tentar salvar os indígenas. D a tentativa de conversão dos indígenas à fé católica. E a vontade de Portugal em expandir o catolicismo. 14 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024 QUESTÃO 31 Texto I Crônica: relato com personagens fictícios e situações que evoluem com o tempo Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno- portugues/busca/portugues-brasileiro/crônica. Texto II A última crônica A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para to- mar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gos- taria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstan- cial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer um flagrante de esquina, quer nas palavras de uma crian- ça ou num incidente doméstico, torno-me simples espec- tador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica. SABINO, Fernando. A última crônica. in: A companheira de viagem. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 174, 1965. Ao relacionar os dois textos apresentados acima, perce- be-se que o texto II é caracterizado no gênero crônica por A apresentar personagens bem desenvolvidas e descre- ver minuciosamente o cenário. B reforçar o fato do autor não ser um poeta e por esse motivo não ter assuntos para escrever a crônica. C detalhar o episódio que o inspirou a escrever um breve conto, considerando a sua ambientação incomum. D reconhecer a dificuldade de construir um texto literário de qualidade considerando apenas assuntos diários. E narrar um acontecimento banal, em que a personagem conta o seu dia em busca de inspiração para escrever uma crônica. QUESTÃO 32 Regulamentação das redes sociais ganha força após morte de vítima de fake news A discussão envolvendo a regulamentação das redes so- ciais voltou a ganhar força no país após a repercussão do caso da morte da jovem Jéssica Canedo. Ministros e parla- mentares governistas usaram as redes sociais para defen- der o Projeto de Lei (PL) das Fake News, que está parado na Câmara e enfrenta grande resistência da oposição. O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, defen- deu que a regulação das redes sociais é um "imperativo civilizatório" sem o qual não se tem como falar em "de- mocracia ou mesmo em dignidade". "A irresponsabilidade das empresas que regem as redes sociais diante de con- teúdos que outros irresponsáveis e mesmo criminosos (al- guns envolvidos na política institucional) nela propagam tem destruído famílias e impossibilitado uma vida social minimamente saudável", disse. Disponível em https://www.correiobraziliense. com.br. Acesso em 09/01/2024. A notícia chama atenção para os desdobramentos sociais e políticos oriundos das fake news e também desempe- nha a função de A conscientizar o leitor sobre o papel do Estado frente às corporações tecnológicas. B denunciar a violação dos direitos humanos a órgãos políticos brasileiros. C demonstrar o caráter do posicionamento da imprensa na democracia. D possibilitar o diálogo entre a população e os órgãos do Estado. E propor campanhas sobre o uso adequado das mídias sociais. QUESTÃO 33 O bêbado e o equilibrista Caía a tarde feito um viaduto E um bêbado trajando luto Me lembrou Carlitos A Lua, tal qual a dona do bordel Pedia a cada estrela fria Um brilho de aluguel E nuvens Lá no mata-borrão do céu Chupavam manchas torturadas Que sufoco louco! O bêbado com chapéu-coco Fazia irreverências mil Pra noite do Brasil Meu Brasil que sonha Com a volta do irmão do Henfil Com tanta gente que partiu Num rabo de foguete Chora a nossa Pátria, mãe gentil Choram Marias e Clarices No solo do Brasil Mas sei que uma dor assim pungente Não há de ser inutilmente A esperança dança Na corda bamba de sombrinha E em cada passo dessa linha Pode se machucar Azar A esperança equilibrista Sabe que o show de todo artista Tem que continuar João Bosco e Aldir Blanc. Disponível em: https://www. letras.mus.br/elis-regina/45679/. Acesso em: 30 jan 2024. A música faz parte da ditadura militar, uma das épocas mais marcantes da história do Brasil. O recurso linguístico que permite depreender tal informação é A a predominância de verbos no presente. B a personificação da pátria e da esperança. C o uso de termos típicos para se referir a esse período. D a alusão a diversos nomes de pessoas que enfrenta- ram o regime. E o uso de metáforas que remetem a situações vivencia- das nessa época. 15 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 QUESTÃO 34 Texto I Teatro convencional: arte que consiste em tornar uma história visualmente verdadeira, com a participação de atores, que falam e atuam num palco, e de dramaturgos, diretores, cenógrafos etc. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno- portugues/busca/portugues-brasileiro/teatro. Texto II Teatro de Anônimo: breve histórico No ano 1986, surge, na cidade do Rio de Janeiro, um grupo teatral que, em- preendendo importante diálogo com as tradições popula- res circenses, imprime em seus espetáculos importantes questões cênico-espaciais. Um grupo de estudantes do segundo grau do Colégio Estadual Visconde de Cairu, Méier, Rio de Janeiro/RJ, começa a gestar o embrião do atual Teatro de Anônimo. O grupo, de um subúrbio do Rio, mantendo seu olhar desde o início voltado para a cultura popular, sofre influência, num primeiro momento, de dois grupos distintos que têm, no entanto, a poesia como eixo de seus trabalhos. O primeiro, formado por poetas que, à época, apresentam seus trabalhos em performances que se desenvolvem pelas ruas e praças da Zona Norte cario- ca. O segundo, formado por atores que, também em áre- as públicas, dramatizam poesias. Regina Oliveira afirma que o grupo mesclou essas influências e as transformou, criando sua própria linguagem, mas mantendo a rua como espaço ideal para a sua expressão. MERISIO, Paulo. TEATRO DE ANÔNIMO: ELEMENTOS DO CIRCO-TEATRO TRADICIONAL NA CENA CONTEMPORÂNEA. in: Revista Ouvirouver, Nº1, 2005 . Ambos os textos apresentados acima abordam conceitos distintos para a determinação da cena teatral. O Texto 2 propõe uma renovação no teatro tradicional pelo fato de A revolucionar a estrutura das cenas por meio da esco- lha de poesias contemporâneas. B apresentar a capacidade de adaptabilidade do teatro a partir de contextos distintos. C incluir novos atores a fim de manutenir a dinâmica do teatro convencional. D representar a impossibilidade da manifestação de ou- tras vertentes teatrais. E ampliar o público alvo por meio de peças mais envol- ventes para o público. QUESTÃO 35 Pela 1ª vez, Brasil se declara mais pardo que branco; populações preta e indígena também crescem O número de brasileiros que se declaram pardos cres- ceu 11,9% desde 2010, passou o de brancos e se tornou o maior grupo racial do país pela primeira vez, com 45,3% da população, segundo os dados do Censo 2022 divulga- dos nesta sexta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geo- grafia e Estatística (IBGE). A população que se declara preta também cresceu – hoje 10,2% dos brasileiros se dizem pretos –, assim como a de indígenas (0,8% dos brasileiros assim se identificam).A parcela dos que se declaram brancos voltou a cair, em linha com o que acontece desde 2000, e passou a ser o segundo maior grupo, com 43,5% da população. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/ censo/noticia/2023/12/22/censo-2022-cor-ou- raca.ghtml. Acesso em 08 jan. 2024. No texto, o uso de dados estatísticos pressupõe a A restrição do público-alvo. B relação entre diferentes tipos de textos. C comprovação de uma ocorrência ininterrupta. D reiteração de uma ambiguidade expressa na notícia. E garantia de maior grau de confiabilidade às afirma- ções. QUESTÃO 36 Lanceiros Negros serão incluídos no ‘Li- vro de Heróis e Heroínas da Pátria’ Os Lanceiros Negros, soldados que lutaram na Guerra dos Farrapos, agora terão seus nomes oficialmente inscritos no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria. O livro é um docu- mento que preserva os nomes de pessoas que marcaram a história do Brasil. A Lei 14.795, com esse objetivo, foi san- cionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publi- cada nesta segunda-feira (8) no Diário Oficial da União. — Colocar os Lanceiros Negros no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria, como está fazendo o Senado da República, é muito mais do que uma homenagem, é um reconhecimento histórico. É resgatá-los, enfim, para a nossa memória. É as- segurar a liberdade coletiva e a nossa identidade nacional, trazendo do passado silenciado a sonoridade vivida para o presente — disse Paim em discurso no Plenário. Fonte: Agência Senado - Disponível em: https:// www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/01/08/ lanceiros-negros-serao-incluidos-no-livro-de- herois-e-heroinas-da-patria (Adaptado). Essa notícia, publicada no site do Senado em 2024, além de informar sobre a sanção da lei 14.795 A conta a trajetória dos Lanceiros Negros. B fiscaliza a aplicação da lei em escala nacional. C defende a omissão dos Lanceiros Negros dos livros história. D propõe o reconhecimento dos Lanceiros Negros como Heróis da Pátria. E responsabiliza a população a validar os Lanceiros Ne- gros como Heróis. QUESTÃO 37 “A Rede” é um grupo virtual secreto no Facebook que tem o objetivo de acolher, orientar, fortalecer e ajudar mutu- amente pessoas que vivem e convivem com HIV e aids. Nesse espaço, formado por soropositivos e soronegativos que convivem/trabalham com quem vive com o HIV, os membros podem: obter informações sobre a vida após o diagnóstico positivo, fazer amizade, compartilhar dúvi- das, medos, experiências, vitórias, conquistas e histórias. Dentro desse espaço, os membros poderão encontrar outras pessoas que vivem situações parecidas e podem encontrar ajuda através das experiências. Site com infor- mações gerais e personalizadas sobre o HIV e aids, além de histórias dos membros do grupo. O conteúdo do site foi gerado pelos membros do grupo e adaptados para uma linguagem simples e adequada à maioria das pessoas; A página [no Facebook] é onde os interessados poderão en- contrar as últimas novidades e as notícias sobre o mundo do HIV e, também, fazer perguntas, comentários, além de poderem solicitar o convite para a entrada no grupo se- creto - Grupo virtual secreto em que os membros podem compartilhar seus posts apenas com os outros membros, 16 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024 garantindo assim o sigilo, mas permitindo que outras pes- soas que vivem e convivem com o HIV possam comentar e praticar a ajuda mútua. “Algo tão simples de viver e controlar, mas difícil de compartilhar e defender”: HIV/Aids, segredos e socialidades em uma rede social on-line” Disponível em: https://www. scielo.br/j/icse/a/5Dr5PHWVR89gFTWvsGZrCQh/?lang=pt. A partir da perspectiva do texto acima, os meios de comu- nicação atuais são importantes por A afirmarem o distanciamento das pessoas fora do con- texto on-line. B estimularem encontros online para pessoas desconhe- cidas. C viabilizarem a resolução de problemas fictícios na in- ternet. D propiciarem redes de apoio entre grupos específicos. E facilitarem a conexão entre pessoas com deficiência. QUESTÃO 38 Texto I Enquanto as suas contemporâneas Gabrielle “Coco” Chanel e Madeleine Vionnet estabeleceram um novo pa- drão de elegância baseado na praticidade, simplicidade e linhas fluídas, Elsa Schiaparelli rompeu tais convenções para explorar um estilo mais irreverente e singular. A esti- lista acreditava que a moda estava intimamente vinculada à evolução das artes plásticas, sobretudo à pintura. Por- tanto, ela sempre buscou estar ligada aos artistas e movi- mentos culturais de sua época, inclusive fazendo parceria com Salvador Dalí em alguns de seus designs. Adaptado de: https://www.fashionbubbles. com. Acesso em 09/01/2024. Texto II O fotógrafo de moda Tim Walker, consolidado desde os anos 2000, busca a realização de outro mundo, incoeren- te com as lógicas do real, dotado de imagens absurdas, folclóricas, ritualísticas, mágicas e utópicas. A perturbação das sensibilidades estéticas por parte de suas fotografias não se apresenta somente pelos aspectos sintáticos que subvertem uma realidade visível, mas porque, claramen- te, há uma profusão de hipertextos como aqueles sobre as relações de poder, sobre as coerções do sistema de moda ou ainda sobre uma nova figuratividade do corpo humano. Adaptado de: PEREIRA, Maurício Rodrigues; BRÄCHER, Andréa. Expressões visuais do Surrealismo na fotografia de moda contemporânea: a obra de Tim Walker. Encontro Nacional de História da Mídia (10.: 2015 jun. 3-5: Porto Alegre, RS). Anais.[Porto Alegre, RS: Alcar, 2015]., 2015. Elsa Schiaparelli e TIm Walker se inspiraram no surrealis- mo em suas expressões artísticas na moda, logo pode-se afirmar que os dois artistas buscam A uma nova técnica dadaísta na moda. B estabelecer o expressionismo na moda. C preservar as influências clássicas na moda. D a experimentação visual através do fantástico. E explorar as possibilidades do corpo em movimento. QUESTÃO 39 Texto I Um dia a areia branca Seus pés irão tocar E vai molhar seus cabelos A água azul do mar Janelas e portas vão se abrir Pra ver você chegar E ao se sentir em casa Sorrindo vai chorar Debaixo dos caracóis dos seus cabelos Uma história pra contar de um mundo tão distante Debaixo dos caracóis dos seus cabelos Um soluço e a vontade de ficar mais um instante ROBERTO CARLOS. Sem título. BRASIL: CBS, 1971. Texto II Roberto Carlos não se envolve com política, mas fez música para Caetano Veloso depois de visitá-lo no exílio em Londres Preso (junto com Gil) em dezembro de 1968, depois confinado em Salvador e, finalmente, exilado na Inglaterra por dois anos e meio, Caetano Veloso, um dia, recebeu a visita de Roberto Carlos na sua casa em Londres. “Ro- berto veio com Nice, sua primeira mulher, e nós sentimos nele a presença simbólica do Brasil”, relata em Verdade Tropical. Caetano lembra que, “como um rei de fato, ele claramente falava e agia em nome do Brasil com mais au- toridade (e propriedade) do que os milicos que nos tinham expulsado, do que a embaixada brasileira em Londres e muito mais do que os intelectuais, artistas e jornalistas que a princípio não nos entenderam e nos queriam agora mitificar: ele era o Brasil profundo”. Durante a visita, Roberto Carlos levou Caetano às lágrimas quando, ao falar do seu novo disco (o LP que começa com As Flores do Jardim da Nossa Casa, lançado no Natal de 1969), pegou o violão e cantou As Curvas da Estrada de Santos, “dizendo, sem nenhuma insegurança, que iria nos agradar”. Caetano recorda que “essa canção extraordinária, cantada daquele jeito por Roberto, sozinho ao violão, na situação em que todos nós nos encontrá- vamos, foi algo avassalador para mim”. E diz que usou a barra do vestido preto de Nice para assoar o nariz e enxu- gar as lágrimas, enquanto, com ternura, o Rei o chamava de bobo. Roberto Carlos voltou para o Brasil pensando em Caetano e o homenageou com uma canção. A música é Debaixo dos Caracóis dosSeus Cabelos, lançada no final de 1971 no disco que tem Detalhes. Na época, pouca gente sabia que a canção havia sido com- posta para Caetano Veloso e falava do dia em que ele re- tornaria ao Brasil. A maioria achava que a letra era sobre uma mulher. A tristeza de um exilado que desejava voltar não fazia parte das conversas dos fãs do Rei. Do mesmo 17 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 modo que a esquerda não atribuiria a Roberto Carlos a disposição de dedicar uma música a um artista que havia sido preso e mandado para fora do país Disponível em: https://jornaldaparaiba.com.br/cultura/ silvio-osias/roberto-carlos-nao-se-envolve-com-politica- mas-fez-musica-para-caetano-veloso-depois-de-visita- lo-no-exilio-em-londres. Acesso em 11 jan. 2024. A canção de Roberto Carlos, composta no período da Di- tadura Militar, reflete A a dificuldade de alcançar novos públicos fora do Brasil. B o desejo de retorno ao lar e a esperança de dias me- lhores. C a necessidade da criação de um novo movimento cul- tural e partidário. D o retrocesso de uma população que compactuou com or- dens arbitrárias. E a censura contra artistas de todas as esferas políticas durante o período ditatorial. QUESTÃO 40 Ora (direis) ouvir estrelas! “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto … E conversamos toda a noite, enquanto A via láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora: “Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?” E eu vos direi: “Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas.” Disponível em: https://www.culturagenial.com/ olavo-bilac-poemas/. Acesso em: 30 jan 2024. Os recursos linguísticos que caracterizam a obra como parte do movimento literário denominado Parnasianismo são: A rimas no estilo ABAB nos quartetos e CDC nos terce- tos e tema amoroso. B retomada da cultura greco-latina e versos em decassí- labos heróicos. C o vocabulário rebuscado e o ato de falar com o cos- mos. D o sentimento de amor, uso da forma fixa e o soneto. E o uso da forma fixa, o soneto e a metrificação. QUESTÃO 41 Os séculos que passaram não tiveram opinião diversa a nosso respeito — é verdade; mas, desprovidas de qual- quer base séria, as suas sentenças não ofereciam o mí- nimo perigo. Era o preconceito; hoje é o conceito. Esma- gadoras provas experimentais endossam-no. Se F. tem 0,02 m a mais no eixo maior da oval de sua cabeça, não é inferior em relação a B, que tem menos, porque ambos são da mesma raça; contudo, em se tratando de raças diferentes, está aí um critério de superioridade. As men- surações mais idiotas são feitas, e, pelo complacente cri- tério do sistema métrico, os grandes sábios estabelecem superioridades e inferioridades. Não contentes com isso, buscam outros dados, os psíquicos, nas narrações dos viajantes apressados, de touristes imbecis e de aventurei- ros da mais baixa honestidade. E hoje é para mim motivo de alegria poder eu dizer tal coisa, poder tratar tão solenes instituições com semelhante desembaraço que não é fin- gido. É satisfação para minh’alma poder oferecer contes- tação, atirar sarcasmos à soberbia de tais sentenças, que me fazem sofrer desde os quatorze anos. Oh! A ciência! Eu era menino, tinha aquela idade, andava ao meio dos preparatórios, quando li, na Revista Brasileira, os seus esconjuros, os seus anátemas... Falavam as autorizadas penas do senhor Domício da Gama e Oliveira Lima... Eles me encheram de medo, de timidez, abateram-me; a minha jovialidade nativa, a satisfação de viver nesse fantástico meio tropical, com quem tenho tantas afinidades, ficou perturbada pelas mais degradantes sentenças. BARRETO, Lima. Diário Íntimo. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ bn000066.pdf. Acesso em 13 jan. 2024. Considerado como um dos documentos mais importantes sobre a vida de Lima Barreto, o Diário Íntimo apresenta um conjunto de textos que abordam, entre outras ques- tões, a denúncia do racismo. No trecho, ao apresentar uma crítica acerca do tratamento desigual em relação aos métodos científicos quando aplicados entre brancos e ne- gros, o autor A aponta a ciência como um meio de propagar a tolerân- cia. B expressa comoção a respeito da falta de coerência nas abordagens científicas. C apresenta doenças que, no decorrer do tempo, foram estigmatizadas na área da saúde. D revela traumas decorrentes das diversas formas de discriminação que sofreu na infância. E expõe o preconceito da sociedade, que, por meio de um conceito hipostasiado na ciência, oferecia riscos à população negra. QUESTÃO 42 O sangue afrinaco fervia-lhe nas veias; o mísero ligava- -se á odiosa cadeia da escravidão. [...] À hora permitida ao descanso, aconcheguei a mim meus pobres filhos, extenuados de cansaço, que logo adormeceram. Ouvi ao longe um rumor, como de homens que conversavam. Alonguei os ouvidos; as vozes se aproximavam. Em breve reconheci a voz do senhor. Senti palpitar desordenada- mente meu coração; lembrei-me do traficante... corri para meus filhos, que dormiam, apertei-os ao coração. Então senti um zumbido nos ouvidos, fugiu-me a luz dos olhos e creio que perdi os sentidos. Não sei quanto tempo durou este estado de torpor; acordei aos gritos de meus pobres filhos, que me arrastavam pela saia, chamando-me: ma- mãe! Mamãe! REIS, Maria Firmina. Úrsula. São Paulo: San’Luiz, 2018, p. 173. O excerto acima, retirado de “Úrsula” - obra de Maria Fir- mina dos Reis, publicada em 1859 - referencia 18 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024 A um episódio cotidiano da elite brasileira contemporâ- nea. B uma descrição incomum de cenas fictícias da escrava- tura brasileira. C um retrato da realidade vivida pelas pessoas escravi- zadas no Brasil. D a incompreensão da sociedade frente à separação en- tre mãe e filhos. E um relato expressivo da vivência em comunidade pós- -abolição da escravatura. QUESTÃO 43 Um milagre Trata-se duma necessidade urgente de expor um senti- mento forte, sentimento que, em conformidade com o inte- lecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viven- tes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto. RAMOS, G. Um milagre. As cem melhores crônicas brasileiras. DOS SANTOS, J. F. (org). Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. A crônica parte da leitura de um anúncio de uma graça alcançada publicado no jornal, uma forma de expressão da fé caracterizada pelo narrador como A autêntica e universalizada por ser publicada no jornal. B revoltosa e iconoclasta por instigar os leitores do jor- nal. C rebuscada e artificial por ser publicada na seção de anúncios. D conservadora e íntima por ser formulado a partir de uma oração. E satírica e perniciosa por ocorrer sem o intermédio de um clérigo. QUESTÃO 44 Texto I Disponível em: https://clickmuseus.com.br/ performance-rhythm/. Acesso em: 30 jan 2024. Texto II Instruções: Há 72 objetos na mesa que se pode usar em mim como quiser. Performance. Eu sou o objeto. Durante esse período, eu me responsabilizo totalmente. “O que eu aprendi com a performance ‘Ritmo Zero’ é que se você deixar nas mãos do público, eles podem te matar. Eu me senti realmente violada. Cortaram minhas roupas, enfiaram espinhos de rosa na minha barriga, uma pessoa apontou uma arma para minha cabeça e outra a retirou. Isso criou uma atmosferaagressiva. Depois de exatamen- te 6 horas, como eu tinha planejado, me levantei e come- cei a caminhar em direção ao público. Todos fugiram para escapar de uma confrontação presente.” Disponível em: https://artrianon.com/2017/10/10/obra- de-arte-da-semana-performance-ritmo-0-de-marina- abramovic/. Acesso em: 30 jan 2024 (adaptado). Realizada em 1974, a performance de Marina Abramović, demonstrou, sobretudo A a violência decorrente da desumanização. B o machismo estrutural na sociedade da época. C a ignorância do público ao não perceber o perigo. D o desrespeito do público e do museu com a artista. E o medo das pessoas em se responsabilizar por seus atos. QUESTÃO 45 A slam poetry [poesia slam] nasceu nos meados dos anos 1980, em Chicago. Herdeira da vasta tradição de poesia falada que já existia nos Estados Unidos - dos readings dos poetas beatniks; do spoken words de poetas negros, como Gil Scott-Heron, que já gravavam seus LPs bem an- tes da existência dos MC’s; da poesia de Langston Hu- ghes com suas emulações dos ritmos do jazz. Em The cultural politics of slam poetry, Susan Somers-Willet co- menta sobre algumas implicações políticas das regras do slam, que se constituem em contraste com o modelo de poesia tradicional: Além de alimentar uma atmosfera con- tracultural e de disseminar a poesia em lugares não-con- vencionais, o slam se desenvolveu através do exercício de certos ideais democráticos em contraste a convenções acadêmicas exclusivistas. […] Desde o começo, o poetry slam adotou uma política de portas abertas: qualquer um pode se inscrever para batalhar, e qualquer um no público está qualificado para julgar. FREITAS, Daniela. Slam resistência: poesia, cidadania e insurgência.in: Estudo de literatura brasileira contemporânea, Brasília, n. 59, e5915, 2020. De acordo com o excerto acima, o surgimento do slam se apresenta como um elemento de renovação cultural por A disponibilizar novas referências poéticas aos jovens artistas no contexto atual. B moldar a cultura marginal sob os parâmetros eruditos desenvolvidos na atualidade. C adotar políticas menos maleáveis no que diz respeito à forma e ao conteúdo das poesias declamadas. D reestruturar os moldes tradicionais da poesia em con- textos culturais divergentes dos convencionais. E migrar os conceitos de contracultura para o cenário brasileiro de jovens periféricos na contemporaneidade. 19 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 INSTRUÇÕES PARA A REDAÇÃO 1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado. 2. O texto definitivo deve ser escrito à tinta preta, na folha própria, em até 30 linhas. 3. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copia- das desconsiderado para a contagem de linhas. 4. Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que: 4.1. tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “texto insuficiente”; 4.2. fugir ao tema ou não atender ao tipo dissertativo-argumentativo; 4.3. apresentar parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto. Texto I Trabalho infantil é toda forma de trabalho realizado por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima permitida, de acordo com a legislação de cada país. No Brasil, o trabalho é proibido para quem ainda não completou 16 anos, como regra geral. Quando realizado na condição de aprendiz, é permitido a partir dos 14 anos. Se for trabalho noturno, perigoso, insalubre ou atividades da lista TIP (piores formas de trabalho infantil), a proibição se estende aos 18 anos incompletos. "O que é trabalho infantil?" https://livredetrabalhoinfantil.org.br/trabalho-infantil/o-que-e/ (Acesso em 07.01.2024) Texto II Para a procuradora do trabalho do Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal, Ana Maria Villa Real, a sociedade precisa se conscientizar para exercer o controle social adequado. Precisa en- tender que o trabalho infantil é uma grave violação dos direitos hu- manos e deixa sequelas irreversíveis. “É preciso que a sociedade reconheça os impactos e consequências físicas e psicológicas na vida de meninos e meninas que trabalham, desconstruindo, assim, a falsa ideia de que o trabalho precoce é um caminho possível para o desenvolvimento humano e social.” “Nenhuma forma de trabalho infantil deve ser reconhecida, segundo procuradora” https://www. correiobraziliense.com.br/ (Acesso em 07.01.2024) Texto III Tribunal Regional do Trabalho - https://trt15. jus.br/noticia/ (Acesso em 07.01.2024) Texto IV Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2022 “Quase 5% das crianças e adolescentes do país estão em situação de trabalho infantil, aponta IBGE” https://g1.globo.com/ (20.12. 2023) A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema OS OBSTÁCU- LOS NO COMBATE AO TRABALHO INFANTIL DO NO BRASIL, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS Questões de 46 a 90 20 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024CH QUESTÃO 46 Acompanhando o processo de metropolização, assistiu- -se ao que os cientistas sociais brasileiros denominaram “periferização”: o crescimento rápido e desordenado das franjas metropolitanas a partir de processos de parcela- mento do solo levados a cabo por pequenos e médios agentes imobiliários que se especializaram em “driblar” a legislação urbanística, criando loteamentos irregulares, muitas vezes clandestinos. Periferização refere-se tam- bém ao processo de segregação espacial da classe tra- balhadora, empurrada cada vez mais para longe da área central da cidade, confinada em espaços marcados pela escassez de serviços urbanos e equipamentos de uso co- letivo. Favelas, invasões e ocupações coletivas nas grandes cidades brasileiras (Re) Qualificando a questão para Salvador- BA Ângela Gordilho Souza. Um dos elementos que pode estar associado ao processo de periferização é a (o): A preservação ambiental. B diversificação econômica. C planejamento integrado. D especulação imobiliária. E ordenamento territorial. QUESTÃO 47 Texto I “Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você terá de viver mais uma vez e por incontáveis vezes; e nada haverá de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada suspiro e pensamento, e tudo o que é inefavelmente gran- de e pequeno em sua vida, terão de lhe suceder nova- mente, tudo na mesma sequência e ordem – e assim tam- bém essa aranha e esse luar entre as árvores, e também esse instante e eu mesmo. A perene ampulheta do existir será sempre virada novamente – e você com ela, partícula de poeira!…” F. Nietzsche. A Gaia Ciência. Tradução: Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2001 Texto II Dias, meses, anos, décadas… Não há como negar o vai e vem de tendências através do tempo, seja na moda, na política e, especialmente, no comportamento. Questiona- mentos como ‘para que trabalhar tantas horas por dia?’, ‘estou fazendo o que realmente gosto?’, ‘aqui é o lugar em que escolheria morar?’, entre tantos outros, ganharam es- paço na mente das pessoas. O Yolo (You Only Live Once - Só Se Vive Uma Vez) embora já exista faz tempo, ressur- giu com nova roupagem. Ele nos lembra que a vida é finita e não devemos desperdiçá-la com o que não interessa. glamurama.uol.com (Adaptado) Os textos sustentam a reflexão acerca da vida A destacando o aprendizado contínuo. B enfatizando as escolhas individuais. C negligenciando a diversidade de experiências. D desconsiderando a temporalidade do sujeito. E subestimando a influência de tendências. QUESTÃO 48 Disse um cabra que nas bandas do Nordeste Pilão deitado seachegava com o bando Vinha no rifle de Corisco e Cansanção Junto de Cirilo Antão, Virgulino no comando Deus nos acuda, todo povo aperreado A notícia corre céu e chão rachado Rebuliço no olhar de um mamulengo Era dia vinte e oito e lagrimava o sereno E foi-se então, adeus, capitão! No estouro do pipoco Rola o quengo do caboclo A sete palmos desse chão [...] Nos confins do submundo onde não existe inverno Bandoleiro sem estrada pediu abrigo eterno Atiçou o cão catraz, fez furdunço E Satanás expulsou ele do inferno. Samba-enredo da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, de 2023. Disponível em: https:// www.letras.mus.br/samba-concorrente/imperatriz- leopoldinense-2023-me-leva-e-cia/ Carro alegórico da escola de samba Imperatriz Leopoldinense em 2023. Disponível em: https:// www.cnnbrasil.com.br/nacional/apos-titulo-interprete- da-imperatriz-alfineta-influenciadora-entenda/ Com a alegoria e o samba-enredo acima, a escola Impe- ratriz Leopoldinense se sagrou campeã do carnaval ca- rioca em 2023. A escola buscou, por meio de seu desfile, A narrar, com veracidade histórica, o desfecho do canga- ço brasileiro. B trabalhar, de forma lúdica, o cotidiano violento do ban- ditismo social. C relacionar, por meios religiosos, a violência urbana com o julgamento divino. D condenar, ética e moralmente, a menção a Lampião em literaturas de cordel. E denunciar, de maneira incisiva, a reação policial diante de conflitos no sertão. 21 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 CH QUESTÃO 49 Das coisas existentes, algumas são encargos nossos; outras não. São nossos encargos o juízo, o impulso, o desejo, a repulsa – em suma: tudo quanto seja ação nos- sa. Não são encargos nossos o corpo, as posses, a re- putação, os cargos públicos – em suma: tudo quanto não seja ação nossa. Não estão sob o controle dos homens as coisas que os homens consideram bens ou males, (…) as coisas que não dependem de nós são escravas, pois não têm vontade própria nem qualquer poder sobre si mes- mas, já que estão submetidas ou às leis do cosmos ou à vontade alheia. Dinucci, AL, Julien, A., & de Hierápolis, E. (2013). O Encheirídio de Epicteto: Edição Bilíngue. Prometeu - Revista de Filosofia, 5. De acordo com o texto, um valor fundamental do estoicis- mo está baseado na (o): A indiferença. B apatia. C sofrimento. D animosidade. E angústia. QUESTÃO 50 Texto I De acordo com o IBGE, as características que definem um aglomerado subnormal são: ocupação irregular de terrenos; lotes e vias de circulação estreitos, irregulares e precários; construções não regularizadas pelos órgãos públicos; e precariedade de serviços públicos essenciais, como energia elétrica, coleta de lixo e redes de água e esgoto. Fonte: IBGE. Censo Demográfico 2010. Aglomerados subnormais – Informações territoriais. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br>. Acesso em: dez. 2015. Texto II No estudo de 1991, a nomenclatura foi usada pela pri- meira vez, mas chamar de “aglomerado subnormal” é um termo que define o lugar desses territórios na cidade de forma negativa – “subnormal” –, como não cidade. A de- nominação cumpriu o papel de reforçar essa ideia de que tudo o que estava fora do paradigma da normativa urba- nística – que tem cor e classe – seria irregular, informal, ilegal e eternamente definido pela carência e por uma po- sição subalternizada nas hierarquias políticas sociais da cidade. Essa denominação carregada de preconceito, também é bastante limitada para analisar as características nos ter- ritórios desprezados e proibidos pelo Estado e mercado corporativo, áreas mais sujeitas a deslizamentos, e pe- riferias, as mais distantes que, foram escanteados pelo mercado imobiliário e ocupados justamente pelas pesso- as com menos recursos, sem acesso a dinheiro, formas de financiamento e infraestrutura, que autoconstruíram seu próprio habitat. Disponível em: https://www.labcidade.fau.usp.br/a- abolicao-do-termo-aglomerados-subnormais-e-passo- importante-para-o-rompimento-de-uma-economia- politica-das-cidades-cimentada-na-exclusao/ A interação entre os dois textos chama a atenção sobre A exclusão social e invisibilidade da pobreza urbana. B desenvolvimento urbano e cidades planejadas. C cidades planejadas e desenvolvimento urbano. D integração social e pobreza urbana. E exclusão social e pobreza urbana. QUESTÃO 51 Analogamente, no que tange às ações também existe ex- cesso, carência e um meio-termo. Ora, a virtude diz res- peito às paixões e ações em que o excesso é uma forma de erro, assim como a carência, ao passo que o meio-ter- mo é uma forma de acerto digna de louvor; e acertar e ser louvada são características da virtude. Em conclusão, a virtude é uma espécie de mediania, já que, como vimos, ela põe a sua mira no meio-termo. Por outro lado, é pos- sível errar de muitos modos (pois o mal pertence à classe do ilimitado e o bem à do limitado, como supuseram os pitagóricos), mas só há um modo de acertar. Por isso, o primeiro é fácil e o segundo difícil — fácil errar a mira, difícil atingir o alvo. Pelas mesmas razões, o excesso e a falta são característicos do vício, e a mediania da virtude: Pois os homens são bons de um modo só, e maus de muitos modos. ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Coleção: Os pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1987. De acordo com o texto, as reflexões filosóficas de Aristóte- les acerca da ética têm como fundamento o: A saber técnico, definido pela faculdade de realizar ações competentes. B saber sensível, determinado pela investigação empíri- ca da realidade. C saber prático, marcado pela escolha racional da justa medida. D saber científico, balizado pela construção de verdades universais. E saber intelectual, estabelecido pela construção teórica da alma racional. 22 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024CH QUESTÃO 52 O prefeito de São Paulo [...] declarou guerra contra picha- dores, grafiteiros e artistas de rua. Vestido com roupas de funcionários da limpeza municipal, ele e seu secretário de subprefeituras [...] cobriram com tinta cinza, a cor carac- terística da cidade, pichações e grafites nos últimos dias. A ação faz parte do programa Cidade Linda, que prevê reparo em calçadas e pintura de muros em vários bairros da capital. [...] Para antropólogo e professor da Unifesp Pereira, além da desigualdade social, espacial e da desor- ganização da cidade, uma parcela da população é levada para a pichação porque ela oferece “visibilidade e proje- ção social para o jovem periférico, que resolve circular e ocupar o centro da cidade”. Disponível em: https://brasil.elpais.com/ brasil/2017/01/24/politica/1485280199_418307.html O texto, acerca de uma discussão muito presente na cida- de de São Paulo anos atrás, revela o(a): A homogeneidade cultural na capital paulista. B acolhimento da prefeitura a artistas periféricos. C oposição da população às formas de cultura na rua. D disputa pela apropriação artística do espaço público. E discordância entre grafiteiros das formas de interven- ção. QUESTÃO 53 Texto I Toda percepção é a realização de um corpo situado ra- dicalmente no mundo. Quando se lança o olhar para ver alguma coisa, a visão que nasce desse olhar é sempre a partir de um lugar em que o corpo está situado. CAMINHA, Iraquitan de Oliveira. 10 lições sobre Merleau-Ponty. Petrópolis, RJ: Vozes, 2019.. Texto II Nesta terça-feira (05/01) o Teatro Adamastor foi palco da 39ª edição do Corpo e Movimento, um dos eventos mais tradicionais de Guarulhos. Cerca de 600 alunos dos núcleos da Secretaria de Esporte e Lazer realizaram 30 apresentações de dança, agitando os espectadores, de- monstrando extrema delicadeza, sincronismo e agilidade. A iniciativa da Prefeitura tem por princípio promover o en- contro entre os núcleos de ginástica e dança dos progra- mas Atividade Física Orientada, Iniciação Esportiva e Alto Rendimento, em que são apresentadas coreografias de- senvolvidas nas aulasdurante o ano. Disponível em:www.guarulhos.sp.gov.br. Acesso em 14 de jan. (Adaptado).. Tal como apresentado nos textos, o saber filosófico e a expressão artística evidenciam a: A experiência como puramente mental e desvinculada do corpo. B primazia da razão sobre a experiência sensorial. C compreensão do real através da introspecção. D percepção corporal como modo de conhecer e simbo- lizar o mundo. E negação da existência objetiva da realidade externa. QUESTÃO 54 Texto I Racista, eu!? Luxemburgo. Serviço de Publicações Oficiais das Comunidades Europeias, 1998. p. 11. (Adaptado).. Texto II A intensificação das migrações internacionais das últimas décadas coincidiu com transformações que tornaram o mercado de trabalho mais restritivo e seletivo no mundo desenvolvido. No entanto, do outro lado da moeda, muitos países desenvolvidos desejam e até estimulam o ingres- so de determinados imigrantes, que no geral são aqueles com alta qualificação. Esse fenômeno é conhecido como “migração de cérebros”. LUCCI, E. A; BRANCO, A.L ; MENDONÇA, C. Território e sociedade no mundo globalizado. 3a edição. São Paulo: Saraiva, 2016.. Com base nos dois textos, os fluxos migratórios interna- cionais nos países ricos têm intensificado A a xenofobia e a integração cultural. B a integração cultural e a recessão econômica. C a integração cultural e o crescimento econômico. D a xenofobia e a seletividade dos fluxos migratórios. E a assimilação cultural e a seletividade dos fluxos mi- gratórios. 23 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 CH QUESTÃO 55 Fonte: Folha de S.Paulo, 16 set. 2001. p. A-6 e A-7. Caderno Especial (atualizado em out. de 2015) in LUCCI, E. A; BRANCO, A.L ; MENDONÇA, C. Território e sociedade no mundo globalizado. 3a edição. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 57 Fonte: BONIFACE, Pascal; VÉDRINE, Hubert. Atlas do mundo global São Paulo: Estação Liberdade, 2009. p. 68. in OLIC,N.B et al - Geografia : contextos e redes — 2. ed. São Paulo : Moderna, 2016. p. 53 A cartografia é uma poderosa ferramenta associada à ciência geográfica, que orienta e planeja a ocupação e os diver- sos usos do território. Deste modo, essa técnica não pode ser compreendida como neutra. Os dois mapas representam formas de A diferentes zonas climáticas. B orientação e localização. C projeção de poder. D estações do ano. E fusos horários. 24 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024CH QUESTÃO 56 Ferreira Netto tinha uma grande fortuna [...] Em uma linha de seu testamento, publicado em um jornal um ano antes, o comendador fez um pedido comum entre grandes pro- prietários de escravos da época: depois de sua morte, ele gostaria que todos fossem libertados. Ao ler a notícia, Luiz Gama, [...] em início de carreira, decidiu acionar a Justiça para que a liberdade e a vontade do empresário fossem respeitadas. O processo judicial que se seguiu, conhecido nos jornais da época como "Questão Netto", é apontado por historiadores consultados pela BBC News Brasil como a maior ação coletiva de libertação de escravizados co- nhecida nas Américas. Disponível em: https://www.bbc.com/ portuguese/brasil-57014874> A atuação jurídica de Luiz Gama, realizada em 1869, se tratou de A uma ação em prol de quilombolas. B uma reivindicação pelo fim do tráfico. C uma contribuição prática ao abolicionismo. D uma atitude de harmonia com fazendeiros. E um auxílio à manutenção do sistema escravista. QUESTÃO 57 Um retrato da cultura do Norte do Brasil, o Festival Fol- clórico de Parintins esteve em destaque nas redes sociais nesta última semana após a entrada da amazonense Isa- belle Nogueira no BBB 24. A dançarina dá vida a persona- gem ‘Cunhã-poranga’ na festividade, reconhecida como uma das maiores a céu aberto do mundo. Do Amazonas diretamente para a casa mais vigiada do Brasil, Isabelle, de 31 anos, ganhou uma atenção especial por sua traje- tória marcante. Dançarina e influencer, ela entrou no BBB 24 após receber mais de 2 milhões de votos do público. Fora das telas, ela já era conhecida por seu papel no fes- tival e acumulava milhares de seguidores nas redes. Nes- ta segunda-feira (8/1), Isabelle Nogueira apresentou-se para os brothers e fez questão de explicar a tradição do ‘boi-bumbá’ e a importância do Festival de Parintins, tanto para os nortistas quanto para todo o Brasil.. Disponível em: www.em.com.br. Acesso em 14 jan. (Adaptado). De acordo com o texto, a exposição de tal manifestação cultural em rede nacional contribui para A a diminuição da diversidade artística. B a modernização do comércio regional. C a manipulação da memória individual. D a ampliação do alcance da cultura nortista. E o estímulo de integração social entre os Estados. QUESTÃO 58 Mesquita de Sankore, em Tombuctu, no Mali. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/ Universidade_de_Sancor%C3%A9#/media/ Ficheiro:Sankore_Moske_Timboektoe.JPG. A Mesquita de Sankore foi construída no início do século XIV, durante o Império do Mali. Sua presença indica que este império recebeu A influência islâmica sobre sua cultura. B imposição política de reinos europeus. C conversão cristã sobre sua religião oficial. D contingentes populacionais de povos árabes. E inspiração arquitetônica de cunho renascentista. QUESTÃO 59 BRASIL: CASOS POR COVID-19 Anamorfose Geográfica da COVID-19 no Brasil. Adaptado. Disponível em:<https://www.agb.org. br/covid19/2020/08/08/anamorfose-geografica-da- covid-19-no-brasil/>. Acesso em: 18 jan. 2024. 25 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 CH A técnica utilizada para representar o mapa sobre o núme- ro de casos por Covid 19 no país é conhecido como A escala. B anamorfose. C geoprocessamento. D georreferenciamento. E sensoriamento remoto. QUESTÃO 60 Um certo gênero de árvores há também pelo mato dentro na capitania de Pernambuco a que chama copaíbas de que se tira bálsamo mui salutífero e proveitoso em ex- tremo, para enfermidades de muitas maneiras, principal- mente as que procedem da frialdade: causa grandes efei- tos, e tira as dores por graves que sejam em muito breve espaço. Para feridas ou quaisquer outras chagas, tem a mesma virtude, as quais tanto que com ele lhe acodem saram mui depressa, e tira os sinais de maneira, que de maravilha se enxerga onde estiveram e nisto faz vanta- gem a todas as outras medicinas. G NDAVO, P. M. de. Tratado da Terra do Brasil: história da província Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos Brasil. Brasília : Senado Federal, Conselho Editorial, 2008. Segundo o texto, escrito por um cronista português no sé- culo XVI, a extração de recursos naturais da colônia se relacionava, dentre outros motivos, com A o comércio de especiarias. B a realização de cultos católicos. C a abertura de clareiras na mata. D a prática medicinal dos colonos. E o combate a populações indígenas. QUESTÃO 61 “Causada pela falta de precipitação, várias ondas de calor e temperaturas acima da média, uma seca severa vem afetando a Bacia Amazônica, persistindo desde julho des- te ano. A evolução espaço-temporal da seca indica um aumento na extensão e severidade. Indicadores deriva- dos de satélite mostram uma tensão generalizada na ve- getação em toda a bacia, particularmente nas regiões su- deste e estendendo-se até a Bolívia. A umidade do solo foi gravemente afetada, com anomalias negativas em grande parte da região. Os impactos na hidrologia são enormes: os caudais dos rios são extremamente baixos, com muitos deles no valor mais baixo para a época. O risco de incên- dios florestais está aumentando e é alto principalmente no centro-oeste do Brasil.” Seca na Amazônia: ação humana, devastação, fenômenos naturais e crise climática. Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2023/10/23/seca- na-amazonia-acao-humana-devastacao-fenomenos- naturais-e-crise-climatica>. Acesso em: 18 jan. 2024. Uma das consequências socioeconômicas atreladas a seca no bioma amazônicosão: A a diminuição do uso intensivo do solo. B a contaminação das águas subterrâneas. C a dificuldade para produção agrícola e pesca. D a redução da desigualdade econômica na região. E a intensificação do comércio de produtos locais. QUESTÃO 62 (Robert de Luzarches. A nave da Catedral de Amiens, c. 1218 – 47 :in. GOMBRICH, E.H. A história da Arte. Lisboa: LTC, p.187l) Durante o medievo ocorreram construções de imponentes catedrais pela Igreja Católica. A representação de Luzar- ches em referência à Catedral de Amiens evidencia uma peculiaridade arquitetônica dessas catedrais que visava A evidenciar a simplicidade do poder espiritual. B remover simbologias e representações de santos dos espaços religiosos. C construir a racionalidade renascentista presente com os diálogos com o mundo oriental. D demonstrar a oponência do poder espiritual perante a inferioridade da temporalidade terrena. E remover qualquer dimensão de existência de um poder espiritual superior ao poder temporal exercido pelos reis. QUESTÃO 63 Produção de soja no Brasil por área (2018) COSTA SILVA, R. G; MICHALSKI, A. A caminho do Norte: cartografia dos impactos territoriais do agronegócio em Rondônia (Amazônia ocidental). Confins, n. 45, p. 1-22, Paris, 2020. 26 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024CH A concentração da produção de soja no país representado pelo mapa tem como principal indicativo A a expansão da fronteira agrícola. B o consumo de soja pela população. C a preservação dos recursos naturais. D o investimento na agricultura familiar. E a incorporação de mão de obra abundante. QUESTÃO 64 Como no Rio de Janeiro, os rebeldes eram muito vigiados, escolheram São Paulo, para iniciar a segunda rebelião te- nentista, em julho de 1924. Entre os dias 5 e 28 daquele mês, os enfrentamentos entre os militares rebeldes e os legalistas causaram, conforme dados oficiais divulgados no balanço da Prefeitura paulistana, a morte de 503 pes- soas e deixaram 4.846 vítimas de ferimento [...]. Bairros como a Mooca, o Brás, a Aclimação, o Cambuci, a Luz e o Belenzinho foram atacados por canhões federais, insta- lados nos altos da Penha e da Vila Matilde, por aviões e por tanques de guerra, uma arma até então desconhecida no Brasil. ASSUNÇÃO FILHO, F. M. 1924 – Delenda São Paulo: a cidade e a população vítimas das armas de guerra e das disputas políticas. Dissertação (mestrado em História) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2014 Os eventos mencionados pelo texto foram reflexo do an- seio, por parte de patentes medianas do exército, de A instaurar uma monarquia sob os valores militares. B romper com o monopólio da política oligárquica paulis- ta. C reforçar políticas locais por meio de figuras carismáti- cas. D transferir a capital nacional para a então capital finan- ceira. E eleger uma presidência com projeto de industrialização nacional. QUESTÃO 65 Disponível em:<https://redacaoedialogia.blogspot. com/2020/02/tema-modelo-fuvestvunesppuc-fuga-de.html> O conceito apresentado pela charge da Mafalda, repre- senta um fluxo migratório conhecido como: A Êxodo rural. B Nomadismo. C Transumância. D Fuga de cérebros. E Migração pendular. QUESTÃO 66 No estado natural, compete a cada homem a resolução dos seus conflitos e execução da justiça, e grandes incon- venientes advém de um estado onde o homem pode ser juiz em causa própria, porque há uma distorção natural de percepção da gravidade das situações e da pena a apli- car, consoante elas envolvem o interesse próprio ou não. As incertezas do uso não regulamentado do poder que o homem tem de punir as transgressões dos outros, e o pos- sível desrespeito pela lei natural, tornam-se uma ameaça, o que faz com que o homem procure a segurança das leis estabelecidas, de juizes independentes protegidos por um governo que faça cumprir a lei. O motor que leva o homem a entrar na sociedade civil é primariamente de natureza econômica. A Sociedade Civil, sobre a tutela da lei, é a que melhor protege o homem e a sua propriedade. LOCKE, John, Two Treatiseso/ Government. The Second Treatise.An Essay Concerning the True Original Extent, and End o/ Civil Government, Laslett, Peter (ed.), Cambridge, Cambridge Press. University. Segundo John Locke, a sociedade civil, constituída na fi- gura do Estado, garante a: A segurança jurídica. B anarquia absoluta. C paz perpétua. D tirania individual. E anulação dos conflitos. QUESTÃO 67 China e Índia propuseram medidas para resolver disputas sobre fronteira, à medida que Pequim tenta remover os obstáculos em um relacionamento que, segundo o gover- no chinês, pode mudar a ordem política internacional. As duas partes têm prometido aumentar a cooperação entre os dois gigantes asiáticos. ‘Nós temos capacidade de fa- zer a ordem política e econômica global se mover em uma direção mais justa e equilibrada’, disse o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang. As tensões entre China e Índia cresceram no ano passado sobre a disputa de fronteira no Himalaia. A China reivindi- ca mais de 90 mil km2 governados por Nova Délhi na parte ocidental. Já a Índia diz que além da China ocupar 38 mil km2 de seu território na planície Aksai Chin, na parte oci- dental, suspeita que apoie o seu maior rival, o Paquistão. RAJAGOPALAN, Megha. China e Índia prometem reduzir a disputa de fronteira. Disponível em:<http://br.reuters. com/article/worldNews/idBRKBN0O010S20150515>. Acesso em: janeiro 2024. Adaptado.. As disputas fronteiriças na Ásia Central correspondem aos conflitos A de Nagorno-Karabakh entre Índia, China e Paquistão. B de Nagorno-Karabakh entre Armênia e Azerbaijão. C da Caxemira entre Índia, China e Cazaquistão. D da Chechênia entre Rússia, Índia e Paquistão. E da Caxemira entre Índia, China e Paquistão. 27 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 CH QUESTÃO 68 Pessoas negras, inseridas em contextos de morte social são descartáveis e são objetos de violência gratuita inde- pendentemente do que fazem. O mundo da política, da so- ciedade civil, do estado-império, é um mundo cuja lógica depende da morte negra, social e física. A pessoa negra, por definição, morre violentamente sem causa. “Amaril- do desapareceu a caminho de casa.” Ou “Cláudia estava indo comprar pão e foi morta pela polícia.” E outros tantos casos. Previsíveis em sua imprevisibilidade. Imprevisíveis em sua previsibilidade. Todos paradigmáticos: emblemáti- cos da lógica social antinegra, do mundo antinegro. VARGAS, João Helion Costa. Por uma mudança de paradigma: antinegritude e antagonismo estrutural. In: FLAUZINA, Ana Luiza Pinheiro; VARGAS, João Helion Costa (orgs.). Motim: horizontes do genocídio negro. Brasília: Brado Negro, 2017, pp. 91-105. De acordo com o texto, uma característica fundamental da sociedade brasileira é A a desigualdade de gênero. B a exclusão social. C a iniquidade política. D a disparidade econômica. E o racismo estrutural. QUESTÃO 69 TERRA, Ligia e outros. Conexões: estudos de geografia geral e do Brasil. São Paulo: Moderna, 2008. O período da Guerra Fria marcou uma disputa entre su- perpotências, Estados Unidos e União Soviética, fomen- tou um forte conflito ideológico e geopolítico. Embora as partes não tivessem como estratégia central o ataque di- reto ao oponente, a produção de armas nucleares con- tinuou extremamente assídua. A estratégia utilizada por essas superpotências em relação a produção de armas nucleares tem como principal objetivo: A o estabelecimento de tratados de proliferação nucle- ar. B a cooperação científica internacional para fins pacífi- cos. C a dissuasão do oponente através de uma ameaça nu- clear. D o acordo comercial em exportar armas nucleares para países aliados. E a formação de alianças políticas para o compartilha- mento de tecnologia nuclear. QUESTÃO 70 LATUFF, Carlos. Jornal Brasil de Fato.08 de maio 2023. Disponível em:< https://twitter.com/LatuffCartoons/status/1655595038166884352> A charge ironiza um problema recorrente em relação à pro- dução de alimentos no país. No que diz respeito ao Movi- mento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, sua principal reivindicação é: A a alteração da posse de grandes fazendas. B a exportação de produtos agrícolas cultivados pelo MST. C a implementação de políticas de incentivos à monocul- tura. D a promoção da exploração intensiva dos recursos na- turais. E a ocupação de terras improdutivas para a produção de alimentos. QUESTÃO 71 Texto I A aparição de um conceito desvalorizante de “Idade Mé- dia”, quer dizer, literalmente, de “época intermediária”, é consequência de um duplo fenômeno cultural e religioso. Resulta da vontade manifesta dos humanistas italianos, desde o século XIV, de retornar às fontes da Antiguidade Clássica em sua pureza e autenticidade filológicas [...] LE GOFF, J.; SCHMITT, J. C (org.). Dicionário analítico do Ocidente medieval. São Paulo: Editora UNESP, 2017. Texto II [...] quando acompanhamos a história da noção de Idade Média, desde a primeira vez em que ela surgiu até a épo- ca contemporânea, vemos que essa ferramenta de classi- ficação e de ordenamento do tempo é também o resultado das visões dos seus autores a respeito das sociedades em que viviam e das relações destas com o passado. SILVA, Marcelo Cândido da. História medieval. São Paulo: Editora Contexto, 2019. Apesar de partirem de elementos distintos para compre- ender a Idade Média, os autores concordam que esse pe- ríodo foi 28 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024CH A idealizado por membros do alto clero. B estudado por historiadores medievais. C construído a partir de valores do presente. D baseado em perspectivas dos próprios medievos. E constituído a partir de conhecimentos da Antiguidade. QUESTÃO 72 O funcionário público Francisco Conte Ficho, de Jaú (SP), enfim acabou com o pesadelo que o acompanhava desde criança. Em outubro, aos 33 anos de idade, ele conseguiu fazer duas mudanças significativas no próprio nome. O prenome diminuiu, e o sobrenome aumentou. Antes das alterações, ele se chamava Francisco Egídio Conte. Ele não se sentia à vontade como Francisco Egídio porque seu pai, Egídio, teve um casamento curto com sua mãe e pouco acompanhou seu crescimento. Quando assina- va, ele preferia abreviar ou simplesmente excluir o nome Egídio. Ao mesmo tempo, por ter sido criado exclusiva- mente pela mãe, achava injusto carregar só o sobrenome paterno, e não o materno. Para realizar o antigo sonho, Francisco Conte Ficho recorreu a uma lei federal recen- temente aprovada pela Câmara e pelo Senado e sancio- nada pela Presidência da República que tornou a troca de prenome e sobrenome mais simples, rápida e barata (Lei 14.382, de 2022). Disponível em: www.arpen sp.org.br. (Adaptado) A mudança legislativa retratada no texto evidencia A a centralização do poder judiciário. B a autenticidade identitária dos indivíduos. C a burocratização dos registros civis. D a discriminação de grupos específicos. E a desconsideração das tradições familiares. QUESTÃO 73 Em destaque, temos uma região mineralógica assentada em escudos cristalinos pela qual a produção está direta- mente associada ao escoamento portuário pelos portos de Vitória (ES) e Santos (SP). Essa região corresponde A a Serra do Navio. B a Serra dos Carajás. C ao Maciço do Urucum. D a Raposa Serra do Sol. E ao Quadrilátero Ferrífero. QUESTÃO 74 À época, a divisão do trabalho nas guildas também in- cluía a organização do lazer, fazendo com que as mani- festações culturais de artesãos e comerciantes tivessem muito em comum. Cada uma dessas corporações tinha seus santos padroeiros, tradições e rituais que, apesar da especificidade, conservavam grande semelhança, inde- pendentemente do ofício que representavam. Das guildas estavam excluídos os descendentes de pastores, os filhos de mendigos, os verdugos, os coveiros, os menestréis, sob a justificativa de não serem “gente honrada” MICELI, Paulo. História Moderna. São Paulo: Editora Contexto, 2021. No texto, as diferentes atividades profissionais realizadas pelos artesãos europeus, no início da Era Moderna, se relacionavam diretamente com a A multiplicidade religiosa presente na cidade. B quantidade de riqueza adquirida pelo indivíduo. C redistribuição de renda entre habitantes dos burgos. D diversidade de práticas culturais em centros urbanos. E forma democrática de administração das associações. QUESTÃO 75 Ao promover a livre circulação de mercadorias e serviços entre Estados Unidos, Canadá e México, o Acordo de Li- vre-Comércio da América do Norte (NAFTA), ratificou a expansão e concentração de indústrias estadunidenses em território mexicano, realizando a montagem de produ- tos através da exploração de mão de obra. LUCCI, E. A; BRANCO, A.L ; MENDONÇA, C. Território e sociedade no mundo globalizado. 3a edição. São Paulo: Saraiva, 2016. p 211. (Adaptado) As formações industriais instaladas no território mexicano mencionadas no texto são do tipo A plataformas de exportação. B bens de produção. C bens de capital. D infraestrutura. E maquiladoras. 29 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 CH QUESTÃO 76 E com igual clareza é uma das qualidades fundamentais da economia privada capitalista ser racionalizada com base no cálculo aritmético rigoroso, ser gerida de forma planejada e sóbria para o almejado sucesso econômico, contrariamente à existência do camponês, o qual leva a vida da mão para a boca, à rotina privilegiada do artesão das antigas corporações [e ao “capitalismo aventureiro”, orientado pelo oportunismo político e pela especulação irracional] WEBER, M. 2004. A Ética Protestante e o “Espírito” do Capitalismo. São Paulo, Companhia das Letras.. De acordo com o texto, um dos elementos que caracteriza a modernidade é A a racionalização do mundo, marcada pelo cálculo do capitalismo moderno. B o aumento do modo de produção camponês como mo- delo econômico predominante. C a supressão da liberdade econômica como ideia de progresso moral. D o fortalecimento do capitalismo aventureiro como a principal forma de economia. E o incentivo da competição e eliminação do mercado como motores da economia moderna. QUESTÃO 77 Para começo de conversa, nunca mais precisaremos es- tar sós. O dia inteiro, sete dias por semana, basta apertar um botão para fazer aparecer uma companhia do meio de uma coleção de solitários. Nesse mundo on-line, nin- guém jamais fica fora ou distante; todos parecem cons- tantemente ao alcance de um chamado - e mesmo que alguém, por acaso, esteja dormindo, há muitos outros a quem enviar mensagens, ou a quem alcançar de imedia- to pelo Twitter, para que a ausência temporária nem seja notada. Em segundo lugar, é possível fazer 'contato' com outras pessoas sem necessariamente iniciar uma conver- sa perigosa e indesejável. O 'contato' pode ser desfeito ao primeiro sinal de que o diálogo se encaminha na direção indesejada: sem riscos, sem necessidade de achar moti- vos, de pedir desculpas ou mentir; basta um toque leve, quase diáfano, em uma tecla, um toque totalmente indolor e livre de riscos." BAUMAN, Zygmunt. 44 cartas do mundo líquido moderno. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. De acordo com o texto, a transformação provocada pela tecnologia afetou drasticamente as relações sociais, na medida em que A garantiu interações significativas. B tornou os diálogos online mais arriscados. C facilitou a busca por companhia. D eliminou totalmente a necessidade de relações pre- senciais. E provocou o aumento linear da solidão. QUESTÃO 78 A segunda onda Os enormes aumentos da população urbana em países mais pobres são parte de uma ‘segunda onda’ de tran- sições demográficas, econômicas e urbanas muito maior e mais rápida do que a primeira onda de transições mo- dernas que começaram na Europa e na América do Norte no séculoXVIII. Em ambas as ondas, a combinação de crescimento da população com mudanças econômicas alimentou a transição urbana. Entretanto, mais uma vez a velocidade e a escala da urbanização hoje são muito maiores do que no passado. Isso implica uma série de no- vos problemas para as cidades nos países mais pobres. UNFPA. Situação da população mundial 2007: desencadeando o potencial do crescimento urbano. p. 7.Disponível em: <www.unfpa.org.br/Arquivos/ swop2007.pdf>. Acesso em: jan. 2024. Adaptado. A situação descrita no texto indica que A está em curso o fenômeno da transição urbana. B há uma terceira onda de urbanização nos países mais ricos. C ocorreu a primeira onda urbana na América Latina e África no século XVIII. D a velocidade e a escala da urbanização atual são muito menores do que no passado. E houve aumentos de população urbana em países ricos como parte de uma segunda onda. QUESTÃO 79 A sociedade moderna está em revolta contra o tempo rotineiro, burocrático, que pode paralisar o trabalho, o governo e outras instituições. (...) Na aurora do capi- talismo industrial, porém, não era tão evidente assim que a rotina fosse um mal. Em meados do século XVIII, parecia que o trabalho repetitivo podia levar a duas di- ferentes direções, uma positiva e frutífera, outra des- trutiva. O lado positivo da rotina foi descrito na grande Enciclopédia de Diderot, publicada de 1751 a 1772; o lado negativo do tempo de trabalho regular foi retratado da forma mais dramática em A Riqueza Das Nações, de Adam Smith, publicado em 1776. Diderot acreditava que a rotina no trabalho podia ser igual a qualquer outra forma de aprendizado por repetição, um professor ne- cessário; Smith, que a rotina embotava o espírito. Hoje, a sociedade fica com Smith. SENNET, Richard. A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo, 1998. Tal como apresentado no texto, o triunfo da visão de Smith nas sociedades contemporâneas evidencia A a desvalorização da importância da criatividade e ino- vação na sociedade atual, em favor da rotina. B o fortalecimento da perspectiva de que a burocracia é fundamental para o funcionamento eficiente das insti- tuições modernas. C a promoção da ideia de que a repetição constante no trabalho é essencial para o progresso individual na so- ciedade contemporânea. D o distanciamento da visão de que a rotinização das ati- vidades laborais seja efetiva como instrumento de crescimento e fortalecimento pessoal. E a emancipação das condições de trabalho em compa- ração com o capitalismo industrial. 30 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024CH QUESTÃO 80 (...) a sociedade, como um todo, é afetada sobretudo por aquilo que a técnica libera no mundo, e assim efetivamente pelo seu progresso, já que ele é um progresso de resulta- dos. Ora, quanto à complexidade desses resultados – os frutos destinados ao consumo humano e à constituição da condição humana -, apenas podemos dizer que uns têm um efeito moralizador, outros são desmoralizantes, ou bem comportam os dois efeitos ao mesmo tempo, sem que se possa daí alcançar uma média final. Certa, apenas, é sua ambivalência. JONAS, Hans. O princípio responsabilidade: ensaio de uma ética para a civilização tecnológica. Rio de Janeiro: Contraponto, Ed. PUC-Rio, 2006, p. 272. Com base no texto acima, Hans Jonas afirma que o pro- gresso da técnica no mundo A moraliza as relações que constituem os homens. B socializa o conhecimento entre os homens. C afeta de modo ambivalente a humanidade. D reconstitui a natureza humana decaída. E altera a condição humana degradada. QUESTÃO 81 No mundo digital em constante evolução, a dissemina- ção de informações falsas, conhecidas como fake news, tornou-se uma preocupação crescente para empresas e marcas. À medida que as notícias falsas se espalham ra- pidamente pelas redes sociais e outras plataformas on- line, o impacto negativo na reputação das marcas pode ser significativo. Uma das principais razões pelas quais as fake news têm um impacto tão poderoso é a velocidade com que elas se espalham nas plataformas digitais. Essa disseminação rápida e massiva pode dificultar a conten- ção e a correção das fake news, tornando-as ainda mais prejudiciais para a reputação da marca. Disponível em: https://www.comunique- se.com.br.(Adaptado). Um das consequências relacionadas à Fake News no am- biente profissional está identificada no seguinte elemento: A descredibilidade. B confiança. C inovação. D transparência. E diversificação. QUESTÃO 82 “A construção de um complexo eólico entre os municípios de Canudos, Jeremoabo e Euclides da Cunha, no sertão da Bahia, tem trazido insatisfação às comunidades tradi- cionais de fundo e fecho de pasto da região. Trata-se de um empreendimento da empresa francesa Voltalia Ener- gia do Brasil, que atua no setor energético. O projeto está bloqueando acessos às terras comunais com a instalação de estrada e portões, impedindo a circulação dos mora- dores e ocasionando a degradação das poucas áreas de pastoreio de animais que ainda restam.” Comunidades tradicionais de fundo e fecho de pasto lutam contra instalação de complexo eólico. Disponível em: <https://mapadeconflitos.ensp.fiocruz. br/conflito/comunidades-tradicionais-de-fundo-e- fecho-de-pasto-lutam-contra-instalacao-de-complexo- eolico/#sintese>. Acesso em: 18 jan. 2024. De acordo com as informações, as implicações da imple- mentação da tecnologia citada no texto trazem como con- sequência A o estímulo à mecanização rural. B a expansão da agricultura familiar. C a geração de empregos para a comunidade rural. D a inviabilização dos modos de vidas tradicionais. E o aumento da produção de riquezas nas áreas agríco- las. QUESTÃO 83 Segundo a tradição, as lutas entre as classes populares descontentes e as oligarquias levaram a que Drácon atu- asse como legislador, encarregado de redigir as leis e tor- ná-las conhecidas por todos. O Código atribuído a Drácon teria sido feito por volta de 620 a. C. (embora os pesquisa- dores só tenham encontrado uma reprodução bem poste- rior desse texto). Ele representou um avanço, pois tornou as leis públicas e aplicáveis a todos, mas não acabou com a hegemonia econômica dos aristocratas, que continua- ram a dominar a vida política mais significativa. FUNARI, P. P. Grécia e Roma. São Paulo: Editora Contexto, 2001. Apesar de seus limites, as leis draconianas possibilitaram A o ostracismo de legisladores. B a distinção jurídica por renda. C a ampliação social da cidadania. D a expansão do pensamento filosófico. E a igualdade econômica entre atenienses. QUESTÃO 84 A mobilização de usuários do Facebook e do Twitter, os dois sites de redes sociais mais acessados do Brasil, foi considerada uma das principais forças por trás das ma- nifestações que atingiram todo o país durante o mês de junho. Na internet, tanto usuários experientes quanto ini- ciantes se tornaram organizadores, comentaristas e prota- gonistas dos protestos. O Twitter é apontado por usuários entrevistados pela BBC Brasil como uma das principais fontes de informação em tempo real sobre o que acon- tecia durante as manifestações. O Facebook, por outro lado, foi usado principalmente para organizar atos de pro- testo e demonstrar posicionamentos políticos. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ noticias/2013/07/130628_protestos_redes_personagens_cc Os atos de 2013 possuíram caráter inédito na história bra- sileira ao relacionar: A meios de comunicação e golpe institucional. B panfletagem de rua e coerção dos sindicatos. C organização política em massa e redes sociais. D mobilização de militares e ocupação do Congresso. E utilização da bandeira nacional e banimento de parti- dos. 31 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL–2024 CH QUESTÃO 85 Texto I “Segundo estimativas recém-divulgadas pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, 91,5 mil brasileirosviviam na Guiana Francesa em 2022. É a 10ª maior população brasileira em um território estrangeiro, à frente pela primeira vez, por exemplo, da comunidade brasileira na Argentina (90,3 mil) e da própria França eu- ropeia (90 mil).” Fonte: Imigrantes: o surpreendente “país” onde brasileiros podem ser 30% da população. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/articles/ c51q1qqqww1o>. Acesso em: 18 jan. 2024. Texto II Quantidade de brasileiros vivendo na Guiana Francesa Fonte: Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Com base nas informações, o expressivo fluxo migratório feito por brasileiros em direção a Guiana Francesa é deri- vado ao seguinte fato: A remuneração em Euro. B exploração de recursos naturais. C equivalência de costumes culturais. D disponibilidade de serviços de saúde. E auxílio para qualificação profissional. QUESTÃO 86 “A modificação acelerada, a velocidade, a incorporação sempre crescente de novos capitais fixos ao território (es- tradas, ferrovias, portos, aeroportos, instalações fabris etc.), a chegada e dispersão das técnicas de comunica- ção e informação etc. vão dar a este período uma forma nova que o diferencia dos demais. Isto provoca o que ele denomina de instantaneidade dos momentos e dos luga- res, universalidade e unicidade das técnicas etc." MAIA, Lucas. O conceito de meio técnico-científico- informacional em Milton Santos e a não-visão da luta de classes. CAMINHOS DE GEOGRAFIA. Uberlândia, v. 13, n. 41, p. 29-41, mar/2012. Disponível : <http://www.ig.ufu.br/revista/caminhos. html>. Acesso em: 06 de Fevereiro de 2024. As modificações citadas no excerto podem influenciar di- retamente A nos estoques de produção. B no processo de conurbação. C nos fatores locacionais de indústrias. D no método de organização da produção. E no regime de contratação de funcionários. QUESTÃO 87 O Brasil ficou em 94º lugar entre 180 países no ranking mundial do Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2023, que mede como a integridade do setor público é vista internacionalmente. O país aparece estagnado com 38 pontos em uma escala de zero a 100 – em que zero significa “altamente corrupto” e 100 significa “muito ínte- gro” – pelo terceiro ano consecutivo, saindo da 96ª para a 94ª posição, já que outros países pioraram suas notas. Os 38 pontos alcançados pelo Brasil em 2022 estacionam o país abaixo da média global (43 pontos), da média re- gional para América Latina e Caribe (43 pontos), da média dos Brics (39 pontos) e distante da média dos países do G20 (53 pontos) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) (66 pontos). Disponível em: www.cnn brasil.com.(Adaptado). Uma das possíveis medidas para tentar minimizar a per- cepção acerca do sistema político brasileiro é A desencorajar a participação cívica na sociedade política. B promover o debate identitário. C adotar práticas de redução da desigualdade social. D incentivar políticas de transparência. E ampliar o acesso à impressa digital. QUESTÃO 88 Apesar de ser uma das mais importantes áreas de captu- ra de carbono da atmosfera global, absorvendo enormes quantidades de dióxido de carbono liberadas pela queima de combustíveis fósseis, a floresta amazônica segue sob ameaça e já perdeu cerca de 17% de sua área. Para dis- cutir como protegê-la, líderes de oito países da região se reúnem em um encontro que debaterá também o desen- volvimento sustentável da floresta e o papel dos povos indígenas. OSBORNE, Louise; SCHAUENBERG, Tim. Disponível em: [https://www.dw.com/pt-br/apesar-de-queda-desmatamento- segue-como-desafio-na-amaz%C3%B4nia/a-66469400] Acesso em: 06 fev. 2024 (adaptado). O problema apontado no texto é impulsionado por ativi- dades como A a pirataria de animais silvestres. B a intensa especulação imobiliária. C a disponibilidade de matérias-primas. D a comercialização irregular da madeira. E o reflorestamento de áreas devastadas. QUESTÃO 89 Numa cultura democrática, esperamos e, mais do que isso, desejamos que os cidadãos se preocupem com suas liberdades e oportunidade básicas, a fim de desenvolver e exercer suas capacidades morais, e de procurar realizar suas concepções do bem. Julgamos que mostram falta de auto-respeito e fraqueza de caráter quando não o fazem. RAWLS, John. O liberalismo político. Brasília: Ática, 2000.. A consolidação da cidadania, segundo a visão do autor, pressupõe assumir uma posição que valorize A a igualdade política. B o pluralismo ideológico. C a educação crítica. D a diversidade cultural. E a responsabilidade individual. 32 2024 –LC • 1º DIA • CADERNO 1 • AZ UL– 2024CH QUESTÃO 90 Da relação da cidadania com o Estado-nação deriva uma última complicação do problema. Existe um consenso a respeito da ideia de que vivemos uma crise do Estado-na- ção. Discorda-se da extensão, profundidade e rapidez do fenômeno, não de sua existência. A internacionalização do sistema capitalista, iniciada há séculos mas muito acele- rada pelos avanços tecnológicos recentes, e a criação de blocos econômicos e políticos têm causado uma redução do poder dos Estados e uma mudança das identidades nacionais existentes. As várias nações que compunham o antigo império soviético se transformaram em novos Estado-nações. No caso da Europa Ocidental, os vários Estado-nações se fundem em um grande Estado multina- cional. A diminuição no poder do governo reduz também a relevância do poder de participar. Por outro lado, a am- pliação da competição internacional coloca pressão sobre custo da mão de obra e sobre as finanças estatais, o que acaba afetando o emprego e os gastos do governo. CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001. A partir do texto, infere-se que uma das consequências modernas das relações entre cidadania e o Estado-nação é A a estagnação do desenvolvimento tecnológico. B a perda de direitos políticos e sociais. C a manutenção inalterada das identidades nacionais. D o aumento da autonomia dos governos locais. E a estabilidade do poderio estatal RASCUNHO DA REDAÇÃO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 Transcreva a sua Redação para a Folha de Redação. enem2024