Prévia do material em texto
ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 1 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 2 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Introdução Ao final de 1975, foi elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a Declaração dos Di- reitos das pessoas Deficientes, que definiu que “o termo ‘pessoas deficientes’ refere-se a qualquer pes- soa incapaz de assegurar por si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual ou social normal, em decorrência de uma deficiência, congênita ou não, em suas capacidades físicas ou mentais”. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, em meados da década de 80, definiu o conceito de deficiência como “qualquer perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica”. Seguindo essa linha de raciocínio, no âmbito da Organização Internacional do Trabalho, o pri- meiro documento que tratou da conceituação de deficiência foi a Recomendação nº 99, de 25 de junho de 1955, tendo o conceito repetido na Recomendação nº 168, de 20 de junho de 1983, e aprimorado na Convenção nº 159, de 20 de junho de 1983, que trata da reabilitação profissional e emprego das pessoas com deficiência, ratificada pelo Brasil por meio do Decreto Legislativo nº 51, de 28 de agosto de 1989, e promulgada pelo Brasil por meio do Decreto nº 129, de 18 de maio de 1991, conceituando deficiência da seguinte forma: Art. 1º [...] 1. Para efeito desta Convenção, entende-se por “pessoa defi- ciente” todas as pessoas cujas possibilidades de obter e conservar um emprego adequado e de progredir no mesmo fiquem substancialmente reduzidas devido a uma deficiência de caráter físico ou mental devidamente comprovada. ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 3 O Ministério da Saúde define a pessoa com deficiência, segundo a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), no Art. 2º, aquelas que tem algum tipo de impedimento, de médio ou longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o que, com uma ou mais barreiras, pode prejudicar sua contri- buição/participação plena e efetiva na sociedade, se comparado com as outras pessoas. A avaliação da deficiência, se for necessária, será feita de maneira biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar e considera: Os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo; Os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais; A limitação no desempenho de atividades; A restrição de participação. Como qualquer cidadão, a Pessoa Com Deficiência tem o direito à atenção integral à saúde po- dendo procurar os serviços de saúde no SUS – se precisarem de orientações ou cuidados em saúde, sejam serviços básicos, como imunização, assistência médica ou odontológica, ou serviços especiali- zados, como reabilitação e atenção hospitalar. O Censo realizado, pelo IBGE, em 2010, revelou que 23,9% da população brasileira declarava-se pessoa com alguma deficiência. A Pesquisa Nacional de Saúde, determinou em 2013 a porcentagem de pessoas com deficiência I. II. III. IV. 4 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA no país, dividido entre quatro tipos, deficiência intelectual, deficiência física, deficiência auditiva e deficiência visual. deficiência Intelectual: Prevalência de 0,8%; desses 0,5% da população possuía algum tipo de deficiência intelectual desde o nascimento e 0,3% adquiriu devido doen- ça ou acidente. Pessoas de 60 anos ou mais apresentavam as maiores proporções de deficiência adquirida por doença ou acidente. 30,4% frequentavam al- gum tipo de serviço de reabilitação em saúde. deficiência física: Prevalência de 1,3%; desses 0,3% possuía algum tipo de deficiência físi- ca desde o nascimento; 1,0% adquiriu devido doença ou acidente. 46,8% possuía grau intenso ou muito intenso de limitações, ou não con- seguia realizar nenhuma atividade. 18,4% frequentava algum tipo de serviço de reabilitação em saúde. deficiência auditiva: Prevalência de 1,1%; desses 0,9% adquiriam a deficiência por doença ou acidente e 0,2% possuíam desde o nascimento. 20,6% da população com deficiência auditiva apresentou grau intenso ou muito intenso de limitações ou não conseguia realizar as ativi- dades habituais. deficiência visual: Prevalência de 3,6%; desses 3,3% adquiriam por doença ou acidente. 0,4% possuíam desde o nascimento. 6,6% faziam uso de algum recurso para auxiliar a locomoção. 4,8% frequentavam algum tipo de serviço de reabilitação em saúde. Processo de exclusão e inclusão social A exclusão social está relacionada ao processo de distanciamento e privação de uma parcela da população, em vários âmbitos estruturais, da sociedade. Podendo estar ligado, diretamente com a con- dição inerente do capitalismo contemporâneo, que estimula o crescimento de desigualdades sociais. Levando em conta esse conceito, de exclusão social e a vida em sociedade, pode-se evidenciar ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 5 a existência de diferentes barreiras que irão impedir a efetivação e promo- ção das garantias fundamentais – dia 25 de agosto de 2009, através do Decreto nº 6.949, foi promulgado a Convenção Interna- cional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência e, dia 6 de julho de 2015, foi instituído o Estatuto da Pessoa Com Deficiência (Lei 13.146), im- portante norma no ordenamento jurídico brasileiro, que se referia à proteção e promoção dos direitos fundamentais deste grupo social. O processo de inclusão social da Pessoa Com Deficiência (PCD) é tão antigo quanto o processo de socializa- ção do homem. Para que um indivíduo en- tenda o meio que ele está inserido, é necessário que ele aprenda os aspectos sociais vigentes nessa sociedade, num processo que chamamos de socialização. Juntamente com o processo de socialização, há o processo de inclusão de um indivíduo recém-chegado ao meio social, no qual é formado por um conjunto de ações que objetivam a garantia da participação igualitária de todos os membros da sociedade, integrando-os, independente dos aspectos a eles ine- rentes. Mesmo diante de diversas normas, a sociedade demonstra um certo descaso à pessoa com de- ficiência, mostrando falta de incentivo, infraestrutura que sejam acessíveis à cada um desses indivíduos, dentro de suas dificuldades. direitos da Pessoa com deficiência O conceito de deficiência ligado à pessoa humana é visualizado na perspectiva doutrinaria e legislativa constitucional, infraconstitucional, inter- nacional e comunitária, partindo do reconhecimento dos direitos humanos, pautados em princípios de dignidade e igualdade. Sabendo disso, conclui-se que a PCD não é necessariamente inca- pacitada. Podemos citar Ludwing van Beethoven, que mesmo diagnosticado como surdo compôs, entre outras músicas, a Nona Sinfonia, que foi considera- da ícone e predecessora da música romântica; Lars Schimidt Grael, velejador, que mesmo após sofrer um acidente náutico gravíssimo, que resultou na mutilação de uma de suas pernas, não parou de 6 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA praticar o esporte como profissão; Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, Desembargador do Tribunal Re- gional do Trabalho da 9º Região, primeiro juiz cego do Brasil. A discussão em torno da deficiência se transformou em uma visão social, que enfatiza a neces- sidade dos fundamentos e garantias constitucionais, colocando à disposição de toda a diversidade hu- mana, sem exclusão de qualquer grupo por qualquer motivo. Quando entramos na história da deficiência, nos deparamos com quatro modelos – Criativo, Mé- dico, Social e Baseados em Direitos – que vão definir a forma como o deficiente deveria/deverá ser visto pela sociedade. modelo criativo Enxerga a portador de deficiência como sendo vítima de sua incapacidade, tendo por parâmetro a padronização da cultura e da sociedade, ou seja, a deficiência é compreendida como algo que invalida as pessoas “tornando-as” inaptas parauma vida independente. Partindo do pressuposto que a inclusão pode gerar custos, a prática mais co- mum tem sido o isolamento, considerada como melhor hipótese de solução para o problema, seja por institucionalização, seja por reclusão domiciliar – promovida pelos familiares, ainda com as melhores intenções e aparentando uma atitude altruísta, acaba se tornando uma espécie de cativeiro. Felizmente se trata de um modelo ultrapassado e cada vez menos aplicado. modelo médico Consideram-se as pessoas com deficiência como pacientes que possuem algum tipo de patologia física que precisa de cura. O principal objetivo desse modelo é “reabilitar” o portador de de- ficiência. Entretanto, essa abordagem engloba um conceito de normalização, um preconceito velado de que algo está fora dos padrões normais e precisa ser corrigido. Esse modelo se centra na anormalidade, focando na busca da “modificação” da pessoa com deficiência, para que ela se adapte ao ambiente. modelo social Vê na deficiência o resultado do modo como a socie- dade está organizada e considera que essa organi- zação impõe as barreiras enfrentadas pela pessoa com deficiência, considerando a barreira compor- tamental a mais complexa e difícil de ultrapassar, de ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 7 todas, levando o portador da deficiência sentir-se incapaz, inibida e limitada. Se formos levar em conta ou outros dois modelos, não cabe apenas a PCD superar as barreiras e mudar paradigmas, mas é de responsabilidade da so- ciedade, juntamente com a pessoa com deficiência, promover uma mudança de paradigma, para remover as barreiras. Há uma responsabilidade que recai sobre a sociedade, pois quando não há maneiras de atender as necessidades das pessoas com deficiência, constatamos que a sociedade possui uma defi- ciência. modelo Baseado em direitos É um complemento do modelo social, podendo ser visto como modelo ideal, uma vez que nele estão assegurados os direitos humanos básicos para qual- quer pessoa. A validação desse modelo permite às pessoas com deficiência o direito a oportunidades iguais e à participação ativa e autônoma na sociedade. É um modelo que rompe preconceitos e discriminação. A defesa de um modelo focado nos Direitos enfatiza uma mudança de para- digmas e a substituição de visão piedosa, para uma visão focada nos Direitos Humanos, do qual todos podem reivindicar. Vinculado a essa visão destacam-se dois conceitos fundamentais: Empowerment – Capacitação, fortalecimento dos meios de ação. Diz respeito à participação de pessoas com deficiência como parte inte- ressadas ativas na defesa dos seus direitos. Responsabilidade – Prestação de contas. Dever das instituições pú- blicas em implementar esses direitos. 8 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Dia 13 de dezembro de 2006, a ONU adotou a resolução que estabeleceu a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que tem por objetivo “promover, proteger e assegurar o desfrute pleno e equitativo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por parte de todas as pes- soas com deficiência e promover o respeito pela sua inerente dignidade”. Entre os princípios da Convenção estão: respeito pela dignidade inerente, independência da pes- soa, liberdade de escolha, autonomia individual, não discriminação, participação e inclusão na socieda- de plena e efetiva, respeito pela diferença, igualdade de oportunidades, acessibilidade, igualdade entre homem e mulher e o respeito pelas capacidades em desenvolvimento de crianças com deficiência. O Brasil encontra-se dentro do um terço de países membros da ONU que dispõe de legislação para as pessoas com deficiência. Isso significa dizer que, a Convenção trouxe resultados imediatos para aqueles que a ratificarem, modificando de forma contundente a vida de milhões de homens e mulheres que não podiam recorrer às instituições de seus países. atendImento À Pessoa com defIcIêncIa As sociedades devem se modificar, de modo a atender às necessidades de todos os seus membros. Uma sociedade inclusiva não admite preconceitos, discriminações, barreiras sociais, culturais ou pessoais. Incluir, socialmente, as Pessoas Com Deficiência significa respeitar suas necessidades e proporcionar acesso aos serviços públicos, bens culturais e artísticos, serviços políticos, eco- nômicos, científico e tecnológico da sociedade contemporânea. As deficiências podem ser causadas por: ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 9 Hereditariedade ou causas congênitas: Aparecendo por questões genéticas (no feto) e podem ser evitadas com exames pré-natais específicos e os serviços de genética clínica para aconselhamentos genéticos aos casais; Falta de assistência ou de assistência inadequada às mulHeres durante a gestação e parto: As quais são evitáveis com o investimento e melhoria na qualidade do pré-natal, parto e pós-parto; desnutrição: Que acomete famílias de baixa renda, especialmente crianças a partir do primeiro ano de idade, e é evitável por meio de políticas públicas e em- presariais de distribuição de renda, criação de emprego e melhoria nas condições dessa população; doenças transmissíveis: Como a rubéola, o sarampo, a paralisia infantil, doenças sexualmente transmissíveis, e são evitáveis por meio de ações de promoção e pre- venção da saúde; doenças crônicas: Como HAS, diabetes, Alzheimer, câncer e osteoporose, as quais são, em geral, evitáveis por meio da mudança de hábi- tos de vida, diagnóstico precoce e tratamento adequado. perturbações psiquiátricas: Que podem levar a pessoa a viver em situações de risco pes- soal, sendo evitáveis quando há proteção à infância, diagnós- tico precoce, assistência multiprofissional e do uso de medi- camentos apropriados; traumas e lesões: Que são associados ao abuso de substâncias lícitas e/ou ilícitas, sendo evitáveis por meio de políticas públicas inte- gradas, para a redução da violência, melhoria nas condições gerais de vida e por meio da mudança de hábitos da popu- lação. A. B. C. D. E. F. G. 10 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Agir, diretamente, sobre os fatores causadores das deficiências é responsabilidade de toda a sociedade, o que inclui os poderes públicos, as entidades não governamentais, entidades privadas, as- sociações, conselhos, comunidades além das famílias e os indivíduos. a dIversIdade da defIcIêncIa A Organização Mundial da Saúde (2011) caracteriza a diversidade da deficiência como experiên- cias resultantes da interação de problemas de saúde, fatores pessoais, e fatores ambientais e, expõe que: “[...] As pessoas com deficiência são diferentes e heterogêneas, enquanto os pontos de vista estereotipados da deficiência enfatizam os usuários de cadeiras de rodas e alguns poucos outros grupos ‘clássicos’ tais como os cegos e os surdos. A deficiência afeta seja a criança recém- -nascida com uma condição congênita tal como paralisia cerebral, seja o jovem soldado que perde sua perna ao pisar numa mina terrestre, a mulher de meia idade que sofre de artrite severa, ou o idoso que sofre de demência, entre muitas outras pessoas.” Dentre os vários tipos de deficiência, que foram estabelecidos pela OMS, daremos enfoque à cinco delas: a deficiência auditiva, a intelectual, a física, a visual e a múltipla. ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 11 deficiência auditiva A audição é realizada pela orelha, dividida em três partes: O processo auditivo é iniciado pela captação das ondas sonoras pela orelha externa, que serão transportados pelo canal auditivo até o tímpano que irá movimentar três ossos: martelo, bigorna e es- tribo. Essas vibrações chegam ao ouvido interno, movimentando o líquido presente na cóclea, dessa forma, os sinais elétricos são passados por meio das extremidades dos nervos auditivos e enviados ao cérebro. Nesse sentido, a deficiência auditiva caracteriza-sepela perda da funcionalidade no processo de audição ou a degeneração dos meios em que a captação é feita pelo sistema nervoso central. Segundo o Decreto nº 5.296/04, a deficiência auditiva é identificada pela perda bilateral, parcial ou total, de 41 decibéis ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500 Hz, 1.000 Hz, 2.000 Hz, 3.000 Hz. A perda parcial acontece quando a capacidade de ouvir é funcional, mas reduzida. A perda total, por sua vez, é caracterizada pela não funcionalidade diária. Esse tipo de deficiência pode ser dividido em Deficiência Auditiva Condutiva, Deficiência Auditiva Sensorioneural, Deficiência Auditiva Mista e Deficiência Auditiva Neural. deFiciência auditiva condutiva Perda leve ou moderada da audição e varia de 25 a 65 decibéis. O indiví- duo que possui esse tipo de deficiência, pode tratá-la com a utilização de aparelho ou implante coclear. 12 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA deFiciência auditiva sensorioneural Decorre de danos ocasionados por células sensoriais au- ditivas ou no nervo auditivo e, podendo ser de grau leve, moderado, severa ou profunda. deFiciência auditiva mista Associação da perda auditiva senso- rioneural e condutiva, consequência de problemas em ambos os ouvidos: interno, externo ou médio. deFiciência auditiva neural É profunda e/ou permanente, na qual os nervos não conseguem transmitir informações ao sistema nervoso central. Os conceitos de deficiência auditiva levam em consideração uma incapacidade biológica que impossibilita a fruição plena de um dos sentidos, presentes no corpo humano. deficiência Intelectual Decorre de um complexo quadro clínico e é caracterizada pelo baixo funcio- namento das funções cerebrais ou um desenvolvimento cerebral insuficiente. É definida, pela OMS, como capacidade reduzida de compreender novas infor- mações e de aprender a aplicar novas habilidades. Está diretamente ligada às alterações no processo de desenvolvi- mento das funções cognitivas que envolvem linguagem, habilidades mo- toras e capacidade social. Os principais tipos de deficiência intelectual são a síndrome de Down, síndrome do X frágil, síndrome de Angelman e síndrome de Prader- -Willi, ambas ocorrem por fatores relacionados a mutação ou excesso de um cromossomo no material genético. deficiência física É caracterizada pelas diferentes condições motoras que acometem as pessoas e comprometem a mobilidade, a coordenação motora geral e da fala, consequência de lesões neurológicas, neuromus- culares e ortopédicas. ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 13 O ordenamento jurídico brasileiro (Brasil, 2004) define a deficiência física como “altera- ção completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o compro- metimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, mono- plegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções.” Ela se divide em deficiência física congênita – quando se apresenta por ocasião do nascimento, e detectada durante a gravidez, por causa das alterações genéticas – ou defi- ciência física adquirida. deficiência visual Caracterizada pela perda ou redução das funções básicas do olho ou do sistema visual. Classifi- cada, pela OMS, em seis graus, de acordo com a acuidade visual da pessoa. A perda parcial é denominada visão subnormal e pode ser leve, moderada ou grave, já a perda total – cegueira – divide-se em cegueira profunda, quase total e total. Esse tipo de deficiência também pode ser classificada em congênita – quando o indivíduo nasce sem resíduos de visão, ou perde a visão até os três anos de idade – ou adquirida – quando a cegueira ou a baixa visão é posterior à esta idade, pois a partir daí o indivíduo começará a gravar imagens e criar conceitos. 14 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA deficiência múltiPla Não possui uma definição consolidada, mas segundo o Decreto nº 5.269/04, entende-se como ocorrência de duas ou mais deficiências primarias – auditiva, física, intelectual e visual – de maneira si- multânea. normas aPlIcadas Para a Proteção da Pcd nas Áreas da saúde, educação, traBalHo e laZer Podemos dizer que o atendimento à PCD tem passado por um avanço gradativo, iniciando com a exclusão total do indivíduo da relação social; passando por um período na qual as pessoas com defi- ciência eram atendidas por políticas segregacionistas (nas quais eram separas em grupos diferentes da sociedade em geral); indo, então, para um período em que foram integrados, começando a fazer parte do grande grupo social, mesmo que sem equilíbrio quanto as oportunidades; chegando à Convenção nas Nações Unidas sobre os direitos da Pessoa com Deficiência (2006) e, finalmente, a Lei Brasileira de Inclusão (2015), caracterizada pelo uso do termo inclusão, fazendo com que esses indivíduos deixassem de ser apenas integrados e passassem a ser inseridos à sociedade. A partir daí, iniciativas, como as Regras Padrões sobre Equiparação de Oportunidades para Pes- soas com Deficiência, começaram a ser tomadas, de maneira que os Direitos humanos têm sido incor- porados aos Direitos da Pessoa com Deficiência, fazendo com que a inclusão, de maneira temática, seja cada vez mais discutida na sociedade contemporânea, com leis e diretrizes que irão permitir a inserção da PCD em uma sociedade livre, independente e sem discriminação. ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 15 Quanto ao ordenamento jurídico brasileiro e a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Defi- ciência, a maioria das coisas entram em concordância. Retomando os princípios da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência – respei- to pela dignidade inerente, independência da pessoa, liberdade de escolha, autonomia individual, não discriminação, participação e inclusão na sociedade plena e efetiva, respeito pela diferença, igualdade de oportunidades, acessibilidade, igualdade entre homem e mulher e o respeito pelas capacidades em desenvolvimento de crianças com deficiência – vemos que a Constituição da República Federativa do Brasil (1988), estabelece, igualmente: Art. 3º. Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: IV – Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garan- tindo-se [...] a inviolabilidade do direto à vida, à liberdade, à igualdade, à seguran- ça e à propriedade [...]. No que diz respeito à participação plena nos aspectos da vida – no âmbito da educação, saúde, trabalho e lazer – o Artigo 24 da Convenção recomenda uma educação inclusiva, como direito inaliená- vel das pessoas com deficiência e que os estados deverão assegurar esse direito em todos os níveis, para que o desenvolvimento do potencial humano, da personalidade e da criatividade, sejam promovi- 16 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA dos e a participação, das PCD, seja efetiva em uma sociedade livre. No exposto da Constituição de 1988: Art. 208. O dever do estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: III – Atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, prefe- rencialmente na rede regular de ensino; IV – Acesso aos níveis mais elevados de ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um. Além disso, pode ser observado no sistema normativo brasileiro, Leis Federais que determinam a inclusão no sistema educacional, é o caso da Lei nº 7.853/89, regulamentada pelo Decreto nº 3298/99 – que determina que a Educação Especial se torne uma modalidade educativa na qual se estendaà edu- cação precoce, 1º e 2º graus, supletiva, habilitação e reabilitação de profissionais, com currículos, etapas e exigências de diplomação próprios – e da Lei nº 9.394/96 – que dispõe sobre as diretrizes e bases da educação nacional, cujo objetivo é garantir a matrícula das pessoas com deficiência nos cursos regula- res ou no sistema de educação especial, público ou privado, quando as escolas comuns não puderem satisfazer às necessidades educativas ou sociais do aluno. No âmbito de garantia das políticas públicas, o Artigo 25 da Convenção, determina que os Esta- dos devem assegurar o acesso aos serviços de saúde de melhor qualidade, de modo que seja oferecido programas gratuitos, ou com custos acessíveis, a todas as áreas, incluindo à saúde sexual e reprodutiva; habilitação/reabilitação e saúde alimentar. ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 17 Na Constituição Federal (1988), é determinado a prestação de saúde, assistência pública e assis- tência social: Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: II – cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência. Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independen- temente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: IV – A habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promo- ção de sua integração à vida comunitária; V – A garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a própria ma- nutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. Artigo 2º da Lei nº 12.435/11, reafirma o texto constitucional, estabelecendo que a assistência social tem como objetivo a habilitação e a reabilitação da PCD e a promoção da integração à vida em sociedade. Continuando com os direitos sociais, o Artigo 26 da Convenção (2006), afirma que os Estados deve reconhecer os direitos das pessoas com deficiência ao traba- lho, em pé de igualdade com relação às oportunidades, sem discriminação, junto de condições justas, favoráveis, seguras e salubres, remuneração por trabalho de valor equivalente, e permitindo que exerçam seus direitos trabalhistas e sindicais em con- dições de igualdade com as outras pessoas. Nessa perspectiva, a Constituição Federal preconiza que: Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XXXI – proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de ad- missão do trabalhador portador de deficiência. Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade [...] VIII – a lei reservará percentual de cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão Seguindo essa mesma linha, o Artigo 93 da Lei nº 8.213/91 assegura direitos de reserva de mer- cado de trabalho para PCD em empresas privadas com mais de 100 empregados, por meio de cotas, sendo no mínimo 2% e o máximo 5%. 18 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Por último, o artigo 30 da Convenção, afirma que é necessário implantar meios para que as PCD tenham acesso e usufruam dos bens culturais, como programas de televisão, teatros, cinemas, museus, além de outras atividades de importância cultural, sempre levando em consideração as especificidades de cada deficiência. Igualmente, o Decreto nº 9.404/2018, que altera o decreto nº 5.296/04, alinha a reserva de espa- ços e assentos em teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásio de esportes, locais de espetáculos e de conferencia para PCD, em conformidade com o Artigo 44 da Lei nº 13.146/2015 (Lei brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência). Além disso, a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência e a Constituição da Repú- blica Federativa do Brasil de 1988, estabelecem garantias relacionadas ao acesso à justiça; à liberdade e segurança da pessoa; a prevenção contra tortura ou tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou de- gradantes; a prevenção contra a exploração, violência e o abuso; a proteção da integridade da pessoa; a liberdade de movimentação e nacionalidade, dentre outros direitos e deveres. Quando nos referimos à acessibilidade das PCD, o conceito define diretrizes discutidas e aprova- das em eventos nacionais e internacionais. No Brasil, o acesso dessas pessoas está regulamentado pelo Decreto 3.298/99(4), pela Lei nº 10.098/ 2000(5) e pela NBR 9050 da ABNT. Essa última fixa as condições e os padrões de medidas exigíveis para propiciar as melhores e mais adequadas condições de acesso às vias públicas e ao mobiliário urbano. ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 19 o direito À saúde A Organização Mundial da Saúde (OMS) criou duas categorias de referência para descrever as condições de saúde dos indivíduos: (1) Classificação estatística internacional de doenças e proble- mas relacionados a saúde, que corresponde à décima revisão da Classificação de Doenças (CID-10), e (2) Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). A aprovação da CIF foi feita em 2001 e antecipa o principal desafio político da defini- ção de deficiência proposta pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Até sua publicação, a OMS admitia uma linguagem estritamente biomédica para a classificação dos impedimen- tos corporais, fazendo o CIF ser um documento considerado como um marco na legitimação do modelo social no campo da Saúde Pública e dos Direitos Humanos, com uma proposta voltada para um vocabulário biopsicossocial, para a descrever os impedimentos corporais e avaliar as barreiras sociais, frente a diversidade humana, e como será feita a participação desse indivíduo na sociedade. A integralidade é o princípio norteador para a apreensão das necessidades dos sujei- tos atendidos, bem como para a compreensão e formulação das respostas a serem dadas, incluindo aspectos muito importantes como: as necessidades não se resumem à doença; a prevenção e a assistência devem estar articuladas; os problemas são complexos e en- volvem o contexto sociocultural; o usuário é um sujeito (com história, valores, desejos). Entretanto as práticas em saúde, apesar de seu crescente desenvolvimento nos aspectos técnico-científicos, têm encontrado limitações para responder efetivamente às necessidades de saúde das pessoas, sendo necessários novos referenciais para a assistência, pautados nos conceitos como integralidade e cuidado. O cuidado é considerado como uma dimensão da integralidade, que inclui o acolhimento, o vínculo e a escuta terapêutica. Ele deve ser entendido como “desig- nação de uma atenção à saúde imediatamente interessada no sentido existencial da ex- periência de adoecimento, físico ou mental, e, por conseguinte, também das práticas de promoção, proteção ou recuperação da saúde”. Na prática da assistência à saúde da PCD é possível identificar que, a dificuldade no atendimento às demandas/necessidades diz respeito aos processos sociais e relacionais, os quais condicionam desigualdade entre os cidadãos, fazendo com que haja a necessida- de, por parte das organizações de saúde, de responder com práticas e criação de leis. 20 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA A Portaria do Ministério da Saúde, MS/GM nº 1.060, de 5 de junho de 2002, instituiu a Política Na- cional de Saúde da Pessoa com Deficiência, que está voltada para a inclusão das PCD em toda a rede de serviços de saúde no Brasil e caracteriza-se pelo reconhecimento da necessidade de implementar o processo de respostas às complexas questões que envolvem a saúde das pessoas com deficiência no país. Essa novapolítica do Ministério da Saúde, tem por característica reconhecer a necessidade de executar o processo de respostas à todas as questões que envolvem a atenção à saúde das pessoas com deficiência no país. Definindo, como propósitos gerais, diversas possibilidades que vão da prevenção de agravos à proteção da saúde, passando pela reabilitação visando proteger a saúde da PCD, reabilita-la dentro de sua capacidade funcional e desempenho humano, contribuir para sua inclusão em todas as esferas da comunidade e prevenir agravos que possam determinar o aparecimento de deficiências. As diretrizes que regem a Política Nacional da Pessoa com Deficiência são: Promoção da qualidade de vida das pessoas com deficiência; Prevenção de deficiências; Assistência integral à saúde da pessoa com deficiência; Ampliação e fortalecimento dos mecanismos de informação; Capacitação de recursos humanos; Organização e funcionamento dos serviços de atenção à pessoa com deficiência. ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 21 Promoção da qualidade de vida das Pessoas com deficiência Essa diretriz deve ser compreendida como responsabilidade social com- partilhada, ou seja, as escolas, cidades, serviços de saúde, ambientes públicos, meios de transporte, formas de comunicação e informação, devem ser pensa- das de modo a facilitar a convivência, o livre acesso e participação de todos os cidadãos em condições igualitárias de direitos, em todos os aspectos da vida diária das comunidades, tendo por objetivo assegurar a igualdade de oportuni- dades, construção de ambientes acessíveis e inclusão sociocultural abrangente. No âmbito da saúde, especificamente, busca-se a acessibilidade às unidades de saúde, por meio do cumprimento da normatização arquitetônica (de acordo com a Nor- ma Brasileira 9050/ABNT, como descrito no Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde), assegurando, também, a representatividade das PCD nos Conselhos de saúde, viabilizando sua plena participação na proposição de medidas, no acompa- nhamento e avaliação das ações, sendo levadas a efeito nas esferas municipal, es- tadual e federal. Prevenção de deficiências É uma diretriz com alto grau de sensibilidade à ação intersetorial, fazendo com que a área da saúde una forças com outras áreas, como educação, segurança, trânsito, assistência social, direitos humanos, mídia e comunicação, esporte, cultura, para uma atuação potencia- lizada. Na área da saúde, especialmente, devem ser implementadas estratégias de pre- venção, considerando que cerca de 70% das ocorrências são evitáveis ou atenuáveis, por meio de medidas apropriadas e oportunas, como por exemplo: ações de imunização; acompanhamento de gestantes (em especial as de risco); exames em recém nascidos; acompanhamento do crescimento infantil; acompanhamento de diabéticos, hiperten- sos e pessoas com hanseníase; prevenção de acidentes (domésticos, no trabalho e no trânsito); violência (álcool/drogas). As medidas preventivas devem acontecer por meio da educação em saúde (disparo de informações) tanto da população quanto dos profissio- nais de saúde e gestores de serviço, dentro de todo o território nacional. assistência integral À saúde da Pessoa com deficiência É uma diretriz de responsabilidade direta do Sistema Único de Saúde e sua rede de unidades, sempre focada nos cuidados oferecidos às pessoas com deficiência, assegurando o acesso às ações básicas e de maior complexidade; reabilitação e outros procedimentos que forem necessários; e o rece- 22 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA bimento de tecnologias assistivas. Toda PCD tem o direito de ser atendida nos serviços de saúde do SUS, desde postos de saúde e Unidades de Saúde da Família até os Serviços de reabilitação e rede de hospitais; direito à consultas médicas, tratamento odontológico, procedimentos de enfermagem, visita dos Agentes Comunitários de Saúde, exames básicos e medicamentos que são distribuídos pelo SUS. Vale lembrar que há pessoas com deficiência em todos os gêneros e faixas etárias, o que se faz necessário o acolhimento em todas as Unidades de Saúde e a atenção à todas as necessidades, sendo elas vinculadas à sua deficiência ou não. É considerado parte da Atenção Integral à Saúde todas as ações voltadas para a saúde sexual e reprodutiva, o que inclui medicamentos, recursos tecnológicos e intervenções especializadas. Para o desenvolvimento dessa diretriz é fundamental a ligação entre a saúde da família e os agen- tes comunitários de saúde trabalhem com áreas territorializadas de abrangência, fazendo uma melhor distribuição do cuidado à saúde e ao adoecimento, aproximando os usuários aos serviços disponíveis. Dessa forma, o Ministério da Saúde criou os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF – Porta- ria MS/GM n° 154, de 24/01/08), que possui uma equipe multiprofissional – podendo incluir fisioterapeu- ta, acupunturista, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e profissional da educação física. Os processos de trabalho devem incorporar um olhar totalmente voltado às pessoas com deficiência que habitam as comunidades. ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 23 Por causa disso vê-se necessária a inclusão desse tema em discussão nas capacitações, ma- nuais, cartilhas, protocolos técnicos e clínicos, sensibilizando gestores, profissionais e comunidades. Dentro de cada especificidade, a pessoa com deficiência tem direito ao encaminhamento para serviços mais complexos, como: atendimento em unidades especializadas de média e alta complexi- dade, para reabilitação física, auditiva, visual e intelectual; auxílios técnicos, órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção, complementando o trabalho de reabilitação. As equipes que trabalham nas unidades de reabilitação devem ser multiprofissionais e agir de forma interdisciplinar, interligando as famílias, as unidades básicas e as comunidades, buscando recursos que venham facilitar o desenvolvi- mento integrado de processos de inclusão da PCD. Falaremos dos serviços de reabilitação mais à frente! amPliação e fortalecimento dos mecanismos de informação Essa diretriz foi pensada e desenvolvida em vários pontos interdependentes. Um deles se refere à necessidade de melhoria dos mecanismos de registro e coleta de dados das PCD no país. Outro ponto está voltado para o aperfeiçoamento dos sistemas nacionais de informações do SUS e à construção de indicadores de estudos epidemiológicos, clínicos e de serviços, com estímulo às pesquisas em saúde e deficiência. Outro aspecto importante dessa diretriz é a criação, produção e distribuição de material educa- tivo/informativo em formatos acessíveis para atender as necessidades especificas, ou seja, em Braile, Libras, CD, programa TXT para conversão em voz, caracteres ampliados etc. 24 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA caPacitação de recursos Humanos É uma das diretrizes mais importantes, que visa as relações em saúde, mostrando que devem ser baseadas na relação entre pessoas. Buscando sempre profissionais permanentemente atualizados, capacitados e qualificados, tanto na área básica (in- cluindo equipes de da ESF e os ACSs), quanto nos serviços de reabilitação (física, auditiva, visual, in- telectual), potencializando os cuidados às pessoas com deficiência no SUS. Além disso, com o trabalho distribuído para o Ministério da Educação, foi feita a inclusão de disciplinas e conteúdos sobre prevenção, atenção e reabilitação às pessoas com deficiência, inseridos na formação dos profissionais da saúde, assim como o fomento de projetos de pesquisa e extensão nessa área. Da mesma maneira, dentro dessa diretriz de capacitação, vale ressaltar, a programação dos cur- sos de formação de profissionais ortesistas e protesistas no país, iniciado em 2009. organiZação e funcionamento dos serviços de atenção À Pessoa com deficiência Com essa diretriz, pretende-se organizaros serviços de saúde como uma rede de cuidados – de maneira descentralizada, intersetorial e participativa – admitindo as Uni- dades Básicas de Saúde ou as Unidade de Saúde da Família como a principal porta de entrada para as ações de prevenção e intercorrências gerais para a PCD. Nesse contexto, cabe ao NASF ampliar a resolutividade das ações dentro da Atenção Básica, na qual a equipe do NASF/1 ser formada por, no mínimo, cinco profissionais, dentre os quais: Médico (pediatra, ginecologista, homeopata, acupunturista, psiquiatra); Assistente social; Profissional da Educação Física; Farmacêutico; Fisioterapeuta; Fonoaudiólogo; ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 25 Nutricionista; Psicólogo; Terapeuta ocupacional. Já o NASF/2 poderá ter uma equipe mais enxuta, mas com, no mínimo, três profissionais dos lis- tados acima, com exceção da categoria dos médicos. A inclusão da assistência familiar foi essencial para que o atendimento fosse mais humanizado e eficaz, com ações de apoio psicossocial, podendo ter orientações para atividades de vida diária, além de suporte especializado em situações de internamento, tanto hospitalar, quanto domiciliar. No nível das unidades especializadas deve ser possível a realização de avaliação de cada caso, para dispensação de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção, como o acompanhamento dos processos de adaptação aos equipamentos. Nas unidades de alta densidade tecnológica – ambulatorial ou hospitalar – são reservados os casos que justificam algum tipo de intervenção intensa e com maior frequência, orientando sempre a possibilidade de estarem vinculadas a centros universitários ou formadores de recursos humanos. Den- tro dessas unidades, provavelmente estarão pessoas que sofreram traumas recentes, sendo uma via de entrada para o SUS. Nesses casos, é necessário o desenvolvimento de um fluxo entre os serviços e os pontos de atenção, para que o encaminhamento desses pacientes, pós alta hospitalar, às Unidades Básicas mais próximas de seus locais de moradia. 26 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA No Brasil, a prestação de atendimento de média e alta complexidade e realizada por meio dos serviços de Reabilitação Física, Atenção à Saúde auditiva, serviços para Deficiência Intelectual e autismo e os serviços de Reabilitação Visual. As Redes de atenção para as pessoas com deficiência instituídas são: Rede de Atenção à Saúde Auditiva (Portarias MS/SAS nº 587/04 e nº 589/04); Rede de Assistência à Pessoa com Deficiência Física (MS/GM nº 818/01 e MS/SAS nº 185/01); Serviços de Atenção à Ostomia (MS/SAS nº 400/09); Assistência Ventilatória a doenças Neuromuscu- lares (MS/GM nº 1.370/08 e MS/SAS nº 370/08); Osteogenesis Imperfecta (MS/GM nº 2.305/01) Deficiência Mental/Autismo (MS/GM nº 1.635/02); Serviços de Reabilitação Visual (MS/GM nº 3.128/08, MS/GM nº 3.129/08). É imprescindível o diálogo entre as redes de reabilitação, os NASFs e o atendimento em reabilita- ção nos serviços especializados (ambulatórios e hospitais), sendo fundamental a comunicação entre as ações de promoção, prevenção e reabilitação dentro de uma única rede de assistência. reaBilitação da Pessoa com deficiência A habilitação/reabilitação da PCD é um conjunto de medidas, ações e serviços que visam orien- tar o desenvolvimento ou ampliar a capacidade funcional e o desempenho dos indivíduos, tendo por objetivo gerar potencialidades, talentos, habilidades e aptidões físicas, cognitivas, sensoriais, atitudinais, psicossociais, artísticas e profissionais, que venham contribuir para a obtenção de autonomia e participa- ção na sociedade, em pé de igualdade (de condições e oportunidades) interdisciplinar e o envolvimento direto de profissionais, cuidadores e os familiares no processo de cuidado. As ações e serviços de reabilitação são oferecidas em qualquer ponto de atenção do SUS, entre- ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 27 tanto, dentro dos Serviços Especializados em Reabilitação, como os Centros Especializados em Reabili- tação, onde estão concentrados esses serviços. Em geral, esses serviços estão totalmente qualificados para atender as PCD, pois as equipes fa- zem o trabalho de avaliação de cada caso, além do planejamento de todo o processo de reabilitação, conforme as necessidades de cada paciente. centro esPecIalIZado em reaBIlItação (cer) O CER é um ponto de atenção ambulato- rial especializado em reabilitação, que vai realizar diagnósticos, tratamentos, concessões, adapta- ções e manutenções de tecnologia assistiva, se constituindo como referência para a rede de aten- ção à saúde da pessoa com deficiência no territó- rio. É organizado a partir da combinação de, no mí- nimo, duas modalidades de reabilitação – auditiva, física, intelectual e visual. Atualmente o SUS conta com 228 Centros Especializados em Reabilitação habilitados, 87 em toda a região sudeste, contando com 43 em São Paulo, 27 em Minas Gerais, 12 no Rio de Janeiro e 5 no Espírito Santo. O CER pode ser organizado da seguinte forma: CER II - composto por dois serviços de reabilitação habilitados; CER III - composto por três serviços de reabilitação habilitados; CER IV - composto por quatro ou mais serviços de reabilitação habili- tados; veículos adaPtados Para Pessoas com deficiência Trata-se de veículos adaptados usados para trans- porte sanitário destinado a pessoas com deficiência que não têm condições de mobilidade e acessibilidade autô- noma aos meios de transporte convencionais ou que pos- suem grandes restrições ao acesso e uso de equipamen- tos urbanos. 28 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA ofIcInas ortoPedIcas São serviços ou estabelecimentos de saúde destinados à promoção do acesso à órteses, próte- ses e meios auxiliares de locomoção, sendo oferecidos a confecção, adaptação, manutenção, ajustes e pequenos consertos de próteses e meios auxiliares de locomoção (OPM). centros de esPecIalIdades odontológicas (ceo) Para a saúde bucal, a Rede de cuidados da PCD garante um atendimento odontológico qualificado. Todo o atendimento é iniciado na atenção básica, que indicará para um nível secundário, no caso um CEO, ou terciário (atendimento hospitalar) – apenas aqueles casos que apre- sentarem necessidades especificas que podem demandar um atendi- mento com maior complexidade. Nesse sentido, os CEOs qualificados para o Atendimento à Pes- soa com Deficiência são estabelecimentos de saúde, preparados para oferecer um atendimento resolutivo, levando em consideração todas as suas necessidades e especificidades. rede de cuidados À Pessoa com deficiência É de suma importância a vinculação intra e intersetorial, incluindo os movimentos sociais, orga- nizações não governamentais instituições afins e a transversalização para o desenvolvimento de ações, incluindo a promoção de meios para a formação, capacitação de recursos humanos e pesquisas relacio- nadas à atenção à saúde da pessoa com deficiência. ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 29 Cabe, então, ao Ministério da Saúde a responsabilidade de coordenar, imple- mentar, acompanhar, monitorar e avaliar a política de saúde da pessoa com deficiên- cia, observando os princípios e diretrizes do SUS, por meio de assessoria técnica a Estados, Municípios e ao Distrito Federal, para que haja o desenvolvimento de ações e da Rede de Cuidado à Pessoa com Deficiência no âmbito do SUS. Nesse sentido, com a necessidade de ampliar, qualificar e diversificar as estratégias da atenção às PCD, por meio de uma rede integrada, arti- culada e efetiva de serviços, nos diferentes pontos de atenção, preparada para atender a PCD, propiciar ações precoces de reabilitação, proporcionar ações precoces de prevenção de incapacidades, foi criada, através da Por- taria GM/MS n° 793 de 24 de abril de 2012, a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência. O funcionamentoda Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência se fundamenta nas seguintes diretrizes: Respeito aos direitos humanos, com garantia de autonomia, indepen- dência e de liberdade às pessoas com deficiência para fazerem as pró- prias escolhas; Promoção da equidade; Promoção do respeito às diferenças e aceitação de pessoas com defi- ciência, com enfrentamento de estigmas e preconceitos; Garantia de acesso e de qualidade dos serviços, ofertando cuidado in- tegral e assistência multiprofissional, sob a lógica interdisciplinar; Atenção humanizada e centrada nas necessidades das pessoas; Diversificação das estratégias de cuidado; Desenvolvimento de atividades no território que favoreçam a inclusão social com vistas à promoção de autonomia e ao exercício da cidadania; Ênfase em serviços de base territorial e comunitária, com participação e controle social dos usuários e de seus familiares; Organização dos serviços em rede de atenção à saúde regionalizada, com estabelecimento de ações intersetoriais para garantir a integrali- dade do cuidado; 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 30 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Promoção de estratégias de educação permanente; Desenvolvimento da lógica do cuidado para pessoas com deficiência física, auditiva, intelectual, visual, ostomia e múltiplas deficiências, ten- do como eixo central a construção do projeto terapêutico singular; Desenvolvimento de pesquisa clínica e inovação tecnológica em reabi- litação, articuladas às ações do Centro Nacional em Tecnologia Assis- tiva (MCT). Os objetivos gerais da Rede de Cuidados à Pessoa com deficiência são: Ampliar o acesso e qualificar o atendimento às pessoas com deficiência temporária ou permanente, progressiva, regressiva ou estável, intermi- tente ou contínua no SUS; Promover a vinculação das pessoas com deficiência auditiva, física, in- telectual, ostomia e com múltiplas deficiências e suas famílias aos pon- tos de atenção; Garantir a articulação e a integração dos pontos de atenção das redes de saúde no território, qualificando o cuidado por meio do aconselha- mento e classificação de risco. 11. 12. 10. SAIBA MAIS Acesse a Sala de Apoio à Gestão Estratégica do Ministério da Saúde – SAGE, no nosso material comple- mentar, para saber mais detalhadas sobre a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência. ! ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 31 que é a Pessoa ostomIZada? Pessoa ostomizada é aquela que, por motivos cirúrgicos que consistem na exteriorização de algum dos sistemas, digestório, respiratório e urinário, possui uma abertura artificial entre os órgãos internos e o meio externo. O Decreto N° 5.269/2004 reconhece a pessoa ostomizada como PCD. A Portaria n° 400, de 16 de novembro de 2009 estabelece diretrizes nacionais para a Atenção a Saúde das Pessoas com Ostomizadas, no âmbito do SUS, a serem observadas em todas as unidades federais, respeitadas as competências das três esferas de gestão. As ações de Atenção à Saúde das Pessoas Ostomizadas giram em torno de: Orientação para o autocuidado; Prevenção e tratamento de complicações nas ostomias; Capacitação de profissionais. órteses, Próteses e meIos auxIlIares de locomoção (oPm). As OPM são dispositivos de tecnologia assistiva adjuvantes, muito importantes no processo de reabilitação. Tem como objetivo ampliar a funcionalidade, participação e independência, de modo a proporcionar maior autonomia, qualidade de vida e inclusão social da pessoa com deficiência, contri- buindo na superação de barreiras. 32 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA órteses Dispositivos aplicados externamente, para modificar características estruturais e funcionais do corpo ou membro afetado, podendo desempenhar funções de imobilização, mobilização, correção, alívio e estabilização. Próteses Dispositivos aplicados externamente para substituir total ou parcialmente um membro, órgão ou tecido ausente ou com alteração da estrutura. meIos auxIlIares de locomoção Dispositivos que auxiliam a função motora, mas não corrige ou substitui função ou segmento do corpo. O SUS oferece OPM nas diversas modalidades de reabilitação e podem ser, por exemplo: lupas, lentes e óculos especiais, bengalas articuladas, aparelhos auditivos, sistema de FM, cadeiras de rodas, muletas, palmilhas, coletes, próteses de membros inferiores e superiores, além de sistemas coletores de fezes e urina para ostomizados. No entanto, a prescrição e autorização das OPM devem ser feitas de forma individualizada e qualificada, realizado por uma equipe multiprofissional, sendo confeccionadas e adaptadas com vistas à atenção às necessidades e características especificas de cada pessoa. SAIBA MAIS A relação das OPM disponibilizadas pelo SUS pode ser consultada por meio do site do DATASUS, entrando no SIGTAP – Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM no SUS. Para saber um pouco mais sobre a incorpora- ção de novas tecnologias no SUS, acesse a página da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnolo- gias no SUS – CONITEC, ambos em nosso material complementar. ! ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 33 Dentre os usuários do SUS, as PDC física e/ou visual, são as que enfrentam as maiores dificul- dades de acesso aos serviços de saúde, o que sinaliza a necessidade de ampliar os estudos e avanços nessa área. A acessibilidade da PCD é um direito estabelecido na Norma Brasileira 9050 (NBR 9050) da Asso- ciação Brasileira de Normas Técnicas. A presença de degraus, escadas, rampas inadequadas, mobílias não acessíveis, prédios adaptados e inadequados para atender às necessidades dos usuários, são algu- mas dificuldades enfrentadas no cotidiano dos espaços destinados à saúde. Pessoas com deficiência, ou com mobilidade reduzida, acabam sendo expostas a situações constrangedoras, quando carregadas por algum profissional, ou levadas em cadeiras de rodas, o que compromete o acolhimento a esses pacientes, gerando desconforto físico e emocional. Cabe, então, aos usuários, gestores e profissionais de saúde o papel de detectar tais problemas, discutir e levantar mudanças e abolir as barreiras de aces- sibilidade. Entretanto, o despreparo dos profissionais, em atender pacientes portadores de alguma deficiên- cia é o principal desafio, além da dificuldade no acesso aos serviços de saúde. O profissional de saúde que conversa e orienta, que oferece espaço de escuta, e que valida as queixas apresentadas, é valorizado, como também é o vínculo que se estabelece com os profissionais. A questão central da resolutividade em saúde (um dos aspectos da crise do sistema de saúde) é a relação médico-paciente. A importância da escuta e diálogo, no atendimento das PCD é, justamente, a criação do acolhi- mento, como dispositivo tecnológico relevante nas ações de humanização e cuidados em saúde. Sendo nas interações contínuas as oportunidades de escutar os outros, dentro do acolhimento. A validação e a 34 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA valorização do espaço de escuta proporcionado por profissionais da saúde, são aspectos muito aborda- dos pelas pessoas com deficiência. Na maioria das vezes, a assistência a pessoas com deficiência é relacionada apenas aos serviços de reabilitação. Entretanto, há demandas não relacionadas especificamente à deficiência, que devem ser contempladas nos serviços que atendem à população em geral, como por exemplo: questões re- lacionadas ao atendimento, ou seja, em ser acolhidas e encaminhadas para os serviços de referência. No modelo hegemônico, predomina a ideia de que só devem prestar assistência a esta popula- ção os serviços especializados. Além disso, é estritamente necessário que o profissional da saúde se interesse por ações que en- volvem a independência as PCD, o respeito das relações e o envolvimento em atividades que dão valor para cada pessoa, além da busca constante da desconstruçãode estereótipos – cada pessoa tem sua “sabedoria prática”. Dentro das necessidades de saúde da pessoa com deficiência, além das citadas acima (acessibi- lidade e escuta terapêutica), podemos citar: aPoIo PsIcossocIal Ações que giram em torno das perdas e mudanças decorrentes da deficiência e sua irreversibilidade, por meio de uma rede de suporte e ações de orientação e apoio junto à família e a comunidade. asPectos geraIs de saúde (Para além da defIcIêncIa) Aspectos como cuidados odontológicos e ginecológicos e emergenciais. autonomIa e IndePendêncIa Trazer autonomia (direito de escolha) e maior independência possíveis, trabalhando as capacidades e as potencialidades da PCD. Informação e orIentação Prevenção e detecção precoce das deficiências, orientação sobre o quadro da defi- ciência, incapacidades decorrentes, permitindo intervenção rápida e minimizando as incapacidades decorrentes do quadro. Prevenção e dIagnóstIco Precoces Existem deficiências que poderiam ser evitadas pois são passíveis de prevenção, além disso precisam ser detectadas precocemente, o que permite intervenções rá- pidas, de modo a minimizar as incapacidades decorrentes do quadro. ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 35 considerações finais O profissional deve buscar se atentar, principalmente, para a construção de uma relação de con- fiança, atingir o vínculo total, realizar o acolhimento, ajudando o indivíduo a reconstruir as relações entre a deficiência, as mudanças que vêm junto dela, seus sentimentos e sua vida, considerando o sofrimento e entendendo que cada experiência é particular e única, mesmo quando compartilhada com outras pessoas. Além disso, é importante que o profissional considere que as necessidades vão além da saúde, como os direitos, visão de cidadania, educação, transporte e lazer, buscando um melhor atendimento, que vai além do cumprimento dos princípios e diretrizes do SUS, com ações intersetoriais, considerando as vivencias especificas que cada deficiência proporciona. Em virtude do que foi mencionado é necessário a Pessoa Com Deficiência seja vista, tanto pelos profissionais quanto por toda a população, como parte pertencente da sociedade, ou seja, cidadãos que têm direitos e deveres, fazendo com que o serviço prestado, em todos os níveis de assistência, venha atingir suas necessidades, dentro das vivencias de cada um. 36 ATENÇÃO À SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA referencial AMARAL, Lucas Costa. Pessoa com deficiência: inclusão e acessibilidade na sociedade contemporâ- nea. Legis Augustus, [s.l.], v. 12, n. 1, p.33-52, 23 out. 2019. BERNARDES, Liliane Cristina Gonçalves; MAIOR, Izabel Maria Madeira de Loureiro; SPEZIA, Carlos Hum- berto; ARAUJO, Tereza Cristina Cavalcanti Ferreira de. Pessoas com deficiência e políticas de saúde no Brasil: reflexões bioéticas. Ciência & Saúde Coletiva, [s.l.], v. 14, n. 1, p.31-38, fev. 2009. BUBLITZ, Michelle Dias. CONCEITO DE PESSOA COM DEFICIÊNCIA: COMENTÁRIO À ADPF 182 DO STF. Revista da Ajuris, Porto Alegre, v. 39, n. 127, p.353-369, set. 2012. DINIZ, Debora; BARBOSA, Lívia; SANTOS, Wederson Rufino dos. Deficiência, direitos humanos e justi- ça. Sur. Revista Internacional de Direitos Humanos, [s.l.], v. 6, n. 11, p.64-77, dez. 2009. DIAS, Thalita Evaristo Couto; FRICHE, Amélia Augusta de Lima; LEMOS, Stela Maris Aguiar. Percepção quanto à qualidade do cuidado de usuários da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência. Codas, [s.l.], v. 31, n. 5, p.1-8, 24 out. 2019. FRANÇA, Inacia Sátiro Xavier de; PAGLIUCA, Lorita Marlena Freitag; BAPTISTA, Rosilene Santos; FRAN- ÇA, Eurípedes Gil de; COURA, Alexsandro Silva; SOUZA, Jeová Alves de. Violência simbólica no acesso das pessoas com deficiência às unidades básicas de saúde. Revista Brasileira de Enfermagem, Cam- po Grande, v. 63, n. 6, p.964-970, dez. 2010. MACIEL, Maria Regina Cazzaniga. Portadores de deficiência: a questão da inclusão social. São Paulo em Perspectiva, [s.l.], v. 14, n. 2, p.51-56, jun. 2000. MARQUES, Juliana Freitas; ÁFIO, Aline Cruz Esmeraldo; CARVALHO, Luciana Vieira de; LEITE, Sarah de Sá; ALMEIDA, Paulo César de; PAGLIUCA, Lorita Marlena Freitag. Acessibilidade física na atenção pri- mária à saúde: um passo para o acolhimento. Revista Gaúcha de Enfermagem, [s.l.], v. 39, p.1-6, 2 jul. 2018. OTHERO, Marilia Bense; AYRES, José Ricardo de Carvalho Mesquita. Necessidades de saúde da pessoa com deficiência: a perspectiva dos sujeitos por meio de histórias de vida. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, [s.l.], v. 16, n. 40, p.219-234, 12 abr. 2012. SILVA, Hugo Daniel da Cunha Lança; DOMINGOS, Bruno. NÃO SOU DEFICIENTE: SOU UMA PESSOA COM DEFICIÊNCIA. UMA ONTOLOGIA DOS DIREITOS. Revista de Direito Brasileira, São Paulo, v. 21, n. 8, p.126-140, 19 mar. 2019 SANTOS, Ana Cristina Silva. Inserção socioprofissional e empregabilidade da pessoa com deficiência: contributos das ofertas de formação. 2014. 205 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Economia, Univer- sidade de Coimbra, Coimbra, 2014. SOUZA, José Moreira de; CARNEIRO, Ricardo. Universalismo e focalização na política de atenção à pes- soa com deficiência. Saúde e Sociedade, [s.l.], v. 16, n. 3, p.69-84, dez. 2007.