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DESIGN DE INTERIORES Prof. Pedro Henrique Reitor Prof. Ms. Gilmar de Oliveira Diretor de Ensino Prof. Ms. Daniel de Lima Diretor Financeiro Prof. Eduardo Luiz Campano Santini Diretor Administrativo Prof. Ms. Renato Valença Correia Secretário Acadêmico Tiago Pereira da Silva Coord. de Ensino, Pesquisa e Extensão - CONPEX Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza Coordenação Adjunta de Ensino Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo Coordenação Adjunta de Pesquisa Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme Coordenação Adjunta de Extensão Prof. Esp. Heider Jeferson Gonçalves Coordenador NEAD - Núcleo de Educação à Distância Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal Web Designer Thiago Azenha Revisão Textual Beatriz Longen Rohling Caroline da Silva Marques Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Geovane Vinícius da Broi Maciel Jéssica Eugênio Azevedo Kauê Berto Projeto Gráfico, Design e Diagramação André Dudatt Carlos Firmino de Oliveira 2021 by Editora Edufatecie Copyright do Texto C 2021 Os autores Copyright C Edição 2021 Editora Edufatecie O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correçao e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permi- tidoo download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP H519d Henrique, Pedro Design de interiores / Pedro Henrique. Paranavaí: EduFatecie, 2022. 116 p. : il. Color. 1. Decoração de interiores. 2. Desenho (projetos). 3. Cor na decoração. 4. Arquitetura de interiores. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD : 23 ed. 747 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 UNIFATECIE Unidade 1 Rua Getúlio Vargas, 333 Centro, Paranavaí, PR (44) 3045-9898 UNIFATECIE Unidade 2 Rua Cândido Bertier Fortes, 2178, Centro, Paranavaí, PR (44) 3045-9898 UNIFATECIE Unidade 3 Rodovia BR - 376, KM 102, nº 1000 - Chácara Jaraguá , Paranavaí, PR (44) 3045-9898 www.unifatecie.edu.br/site As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir do site Shutterstock. AUTOR Prof. Pedro Henrique ● Graduação em Arquitetura e Urbanismo – Unicesumar. ● Pós-graduando – Projeto em interiores – Unicesumar. ● Professor de técnico em design de interiores - Colégio Dr. Marins Alves de Camargo EFMNP. ● Professor de técnico em edificações - Colégio Dr. Marins Alves de Camargo EFMNP. ● Professor de técnico em segurança do trabalho - Colégio Dr. Marins Alves de Camargo EFMNP. Arquiteto formado pela Unicesumar, atuante como profissional em escritório próprio na cidade de Paranavaí desde 2016. Atuou por mais de 03 (três) anos como professor nos cursos de Técnico em Design de Interiores, Técnico em Edificações e Técnico em Segurança do Trabalho no Colégio Dr. Marins Alves de Camargo. INFORMAÇÕES RELEVANTES: ● Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Centro Universitário de Maringá (Unicesumar) 2011-2015 ● Pós Graduando em Projeto de Interiores, Centro Universitário de Maringá (Unicesumar) CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/2046873771540602 APRESENTAÇÃO DO MATERIAL Olá caro (a) aluno (a)! Seja bem-vindo (a) a nossa disciplina de Design de Interiores. Iniciaremos nossos estudos a respeito das metodologias que envolvem um projeto de interiores, desde o estudo e aplicação para concepção de ambientes internos, definições de modelos teóricos sobre as relações e correlações dos espaços internos e externos, aplicação e a relação das cores nos ambientes internos e externos e o estudo e desenvolvimento de projeto de mobiliários e objetos. Durante esse momento de estudo pessoal buscaremos formar profissionais capazes de atuar na área de projeto de interiores, bem como buscar solucionar os problemas enfrentados diariamente nos ambientes de convívio humano. Estabelecer uma boa relação entre o ambiente e a pessoa é essencial, para isso será de sua responsabilidade projetar ambientes cada vez mais agradáveis e que busquem na atualidade uma forma de satisfazer os desejos humanos e oferecer o que existe de melhor. Na Unidade I, iremos adquirir o conhecimento sobre as etapas que compreendem a produção de um projeto de interiores, tais como: pré-projeto, projeto, projeto executivo e briefing. Nessa etapa você vai estudar o que é necessário para iniciar o seu projeto de forma a não perder tempo e recursos, também irá estudar quais itens são necessários constar no seu projeto para o cliente e quais itens serão necessários para correta execução do seu projeto no local e por fim será direcionado para como fazer um briefing correto para o seu projeto. Em seguida na Unidade II, o estudo será sobre quais ferramentas colaboram com a concepção de uma ideia, elementos que compõem o projeto, equilíbrio visual no projeto e tendências em projeto de interiores. Esteja preparado para aprender como você conseguirá através de elementos teóricos realizar um projeto de interiores que atende a necessidade final. Já na Unidade III o seu estudo será sobre a aplicação e relação das cores nos ambientes internos e externos. Para isso você irá estudar sobre a teoria das cores, bem como suas psicologias, disposições no ambiente e seu uso. A importância da escolha da cor para o ambiente é fundamental e entender como ela funciona irá te ajudar na elaboração de um projeto de interiores. Já na Unidade IV, você irá finalizar a disciplina com o estudo sobre o histórico dos mobiliários, tipos de materiais empregados, mobiliários em espaços internos e desenho de móveis para espaços internos. Compreender que o projeto de interiores vai além do espaço e que ele necessita de mobiliários e objetos que compõem o ambiente irá te ajudar na elaboração e realização final de um projeto de interiores completo. Desejo a você caro (a) aluno (a) um excelente estudo sobre design de interiores. SUMÁRIO UNIDADE I ...................................................................................................... 4 Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos UNIDADE II ................................................................................................... 30 Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos UNIDADE III .................................................................................................. 57 Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos UNIDADE IV .................................................................................................. 85 Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos 4 Plano de Estudo: ● Pré-projeto; ● Projeto; ● Projeto executivo; ● Briefing. Objetivos da Aprendizagem: ● Compreender as necessidades do projeto a ser desenvolvido; ● Observar itens para a concepção de um projeto de interiores; ● Estabelecer a importância de um bom briefing a respeito do que ser elaborado. UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos Prof. Pedro Henrique 5UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos INTRODUÇÃO Olá caro (a) aluno (a)! Seja bem-vindo (a) a nossa apostila. Iniciaremos nossos estudos a respeito das metodologias que envolvem um projeto de interiores, cada etapa que o compreende, desde seu processo de criação no pré-projeto até a entrega ao cliente e projeto executivo. Buscaremos sempre desenvolver um projeto de sucesso e de satisfação final. Para um projeto ser bem elaborado ele deve conter etapas e processos que não devem ser negligenciados,para que não ocorra perca de tempo e consequentemente prejuízos ao profissional envolvido. Para isso vamos estudar sobre as metodologias e etapas existentes que auxiliam na hora do desenvolvimento do projeto de interiores. Da mesma forma que para produzir qualquer produto se exige um passo a passo na hora da elaboração o projeto não é diferente. Buscar seguir essa metodologia irá te ajudar a ser assertivo no seu processo de criação assim como é feito na receita e produção de um bolo. Antes de iniciar o seu projeto de interiores você terá em suas mãos uma tela em branco que é a obra e esse local não começou pelo telhado, então tenha em mente que será necessário seguir as etapas sendo essas iniciais tais como: dimensões do ambiente, aberturas, pontos já existentes de iluminação ou hidráulico entre outros itens. E caso ocorra de você estar iniciando o projeto de interiores de um local ainda não construído certamente você precisará ter em mãos o projeto arquitetônico e se possível os projetos complementares em mãos. Vamos estudar nessa unidade então as etapas do projeto que serão divididas em 4 etapas, sendo elas: pré-projeto, projeto, projeto executivo e briefing. Analisaremos cada etapa separadamente, mas lembre-se que elas são complementares e você não deve deixar nenhuma delas de fora. Bons estudos! 6UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 1. PRÉ-PROJETO Essa é uma das etapas mais importantes para desenvolver um projeto de qualidade, pois aqui é onde se inicia todo o contato com o projeto e suas necessidades. O contato inicial é crucial para que haja conhecimento e entendimento das necessidades do projeto. Por isso, preste muita atenção nessa etapa, pois ela implicará se feita de maneira incorreta em problemas no seu projeto futuro. Pensando então nisto, porque devemos nos atentar tanto nessa etapa e com o que você deve se preocupar? Nessa etapa é quando acontece o primeiro contato com as necessidades do projeto, esse contato pode ser através de uma reunião em escritório, uma cafeteria ou até mesmo no local em que será desenvolvido o projeto. Nesse momento é apresentado ao profissional todas as necessidades, as dimensões e nesse momento precisa ser tirada a grande maioria das dúvidas sobre as necessidades, lembrando sempre que iniciar um projeto com falta de informações será prejudicial ao profissional. Após essa primeira etapa de levantamentos do local existe a necessidade do cliente no ambiente, essa fase é chamada de briefing pois é coleta as necessidades do cliente para o espaço a ser projetado. Essa etapa deve ser minuciosa e pode ser feita em forma de conversa ou como uma reunião. “O briefing é um direcionamento preciso para o trabalho a ser realizado. Nele, devem estar listados dados sem os quais as possibilidades de erros são enormes” (STRUNCK, 2010, p. 79). 7UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos Strunck (2010) também menciona que os dados coletados podem ser divididos em dois fatores, sendo esses fatores subjetivos e objetivos. Os fatores objetivos são aqueles que estão relacionados a vida e experiencia do cliente, podendo ser, estilo de vida, gosto por animais, estilos musicais e demais experiencias já vividas. Já os fatores objetivos tem em relação com os dados técnicos coletados nos ambientes, levantamentos fotográficos, levantamentos métricos, acabamentos já existentes no local, questões que envolvam a legislação local entre outros. Quando levamos em questão a entrevista para o briefing com o cliente devemos tomar cuidado para que a conversa aconteça de forma não invasiva. Segundo Mancuso, uma entrevista deve acontecer de forma que possa ser abordado todos os tipos de questões de forma simples como uma conversa, porém não deve haver constrangimentos nos detalhes íntimos (MANCUSO, 2012). Ou seja, esse diálogo não deve ser constrangedor para ambas as partes. Quando iniciamos um projeto de interiores devemos ter em mente que problemas surgiram por isso é necessário saber de antemão quais problemas enfrentaremos, para isso realizamos as etapas anteriores como os levantamentos e o briefing. Durante essas etapas, teremos conhecimento dos problemas que deveram ser solucionados. Segundo Ching, “A habilidade de se definir e entender adequadamente a natureza de um problema de projeto é parte essencial da solução. Essa definição se deve especificar como a solução de projeto se dará e quais metas e objetivos serão atendidos” (CHING, 2006, p. 47). O autor nos leva a querer entender o problema questionando sobre a identificação do problema de forma a pensar o que é esse problema? Onde surge esse problema? Como se dá o surgimento do problema? E por fim o porquê de tal problema? Somente assim definindo esses pontos conseguimos pensar no projeto de forma a solucioná-lo. Após encontrarmos um problema, o autor no diz ainda sobre a análise desse problema, para que de forma correta seja solucionado o problema evitando assim prejuízos e frustrações. A respeito da análise Ching (2006), comenta: Uma análise do problema exige que este seja decomposto, que as questões levantadas sejam esclarecidas e que estejam determinados valores aos vários aspectos do problema. A análise também envolve a coleta de informações relevantes que nos ajudariam a entender a natureza do problema e a desenvolver respostas apropriadas. Desde o primeiro momento, vale a pena saber que limitações irão ajudar a dar forma às soluções de projeto. Qualquer determinante – o que pode ser mudado e o que não pode ser alterado – deve ser identificado. Deve-se observar impedimentos financeiros, legais ou técnicos que irão colidir com a solução de projeto (CHING, 2006, p. 48). 8UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos Uma análise adequada do problema é de extrema importância, pois evita que o projeto contenha soluções inadequadas a situação. Um exemplo que pode ser citado é um projeto com soluções com valor elevado e que a questão financeira do cliente seja incompatível, esse tipo de situação pode gerar uma quebra na relação e um constrangimento pessoal do cliente. Pensar em soluções que se adequem de forma sustentável também é a melhor forma de se solucionar um problema. Ainda segundo Ching (2006), durante o processo de projetar, o profissional deve continuar tendo em mente aquele problema e ir coletando informações para ter um maior conhecimento do problema. Portanto para o autor ao longo das etapas do projeto a análise do problema deve permanecer. QUADRO 1 – ANÁLISE Fonte: Ching (2006, p. 48). PROGRAMAÇÃO O que existe? ● Colete e analise informações relevantes. ● Documente o contexto físico/cultural. ● Descreva os elementos existentes. O que se deseja? ● Identifique necessidades e preferências do usuário. ● Esclareça objetivos ● Desenvolva matrizes, tabelas e diagramas de inter-relações. O que é possível? ● O que pode ser alterado... o que não pode? ● O que pode ser controlado... o que não pode? ● O que é permitido... o que é proibido? ● Defina limites econômicos, legais, técnicos e prazos. 9UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos Nesse momento após fazer todos os levantamentos necessários, é hora de pensar em iniciar o seu projeto. Mas nesse momento também a hora que você precisa definir alguns detalhes com seu cliente, tais como: etapas que o projeto compreende, o que você irá fazer de entrega para o cliente, os custos do seu projeto, como vai ser a forma de pagamento do seu projeto pelo cliente e um item muito importante que é assinatura de um contrato pelas partes envolvidas. A assinatura de um contrato entregará confiança tanto para o contratante quanto para o contratado pois esse dispositivo fornecerá de forma escrita todo o acordo realizado, garantindo assim que tudo que for descrito seja elaborado. No desenvolvimento do projetotalvez o cliente sinta necessidade de dividir as etapas, por isso, é de suma importância que você tenha flexibilidade para garantir a satisfação, por isso tente elaborar projetos que possam ser elaborados em etapas distintas tornando assim o custo para o cliente o menor possível. Encerrando sobre essa etapa, devemos estar cientes de que é uma das etapas mais importantes para quem vai desenvolver o projeto, pois é nessa fase na qual acontece o primeiro contato com o cliente, com o local em que irá acontecer o projeto e onde o cliente vai expor seus sonhos e vontades a respeito do projeto, portanto não deixe passar nenhum ponto despercebido, converse e encontre os problemas antecipadamente para que ao tentar solucionar o sucesso e a satisfação seja o resultado final do seu trabalho. Quanto maiores forem as informações e dados que você obtiver maior será a chance de obter um resultado assertivo quanto ao seu projeto. 10UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 2. PROJETO Após você ter realizado todas as etapas que envolvem um pré-projeto, coletados as informações necessárias no levantamento técnico, ter feito um briefing bem elaborado com o cliente elencando fatores subjetivos e objetivos é hora de iniciar a fase conhecida como: projeto. Essa fase é a qual você desenvolverá os croquis, irá analisar plantas, definir os layouts e o conceito do seu projeto, ou seja, irá iniciar a fase criativa do seu projeto de interiores. Segundo o Guia PMI (2017, p. 13), “um projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado único”. Portanto, o projeto é tudo aquilo necessário para a realização de algo novo, podendo ser esse um trabalho universitário, uma contratação ou uma residência. Essa fase é a parte criativa do seu projeto, porém isso não significa que você deverá negligenciar todas os itens levantados na etapa anterior. Os cuidados que o profissional deve ter nesse momento em manter a razão e a emoção para projetar deve ser levada em conta, através do conhecimento dos pontos levantados e das ideias que vem a sua mente nesse momento de criatividade. Segundo Bruno Munari (2008, p. 11): Criatividade não significa improvisação sem método: dessa maneira só se cria confusão, e planta-se nos jovens a ilusão de que artistas devem ser livres e independentes. A série de operações do método de projeto é formada de valores objetivos que se tornam instrumentos de trabalho nas mãos do projetista criativo. 11UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos O que o autor quer nos dizer é que não devemos sair projetando sem antes fazermos um estudo sobre o que buscamos projetar, ou seja, sem seguir uma metodologia de projeto. Estamos acostumados a admirar e observar profissionais que tentam nos ensinar que a arte é livre, porém devemos ter em mente que as nossas experiências que são adquiridas ao longo do tempo irão permitir que criemos projetos a partir de métodos particulares e individuais de como criar algo, todavia, seguir uma metodologia no início é a melhor forma de se criar projetos de qualidade, com profissionalismo, segurança e ganhando tempo na produção de seus projetos. Bruno ainda comenta: “as regras do método não bloqueiam a personalidade do projetista; ao contrário, estimulam-no a descobrir coisas que, eventualmente, poderão ser úteis também aos outros” (MUNARI, 2008, p. 12). O lado criativo também deve estar aliado a elaboração de um projeto de interiores, deixar que a imaginação te auxilie na elaboração irá criar projetos não apenas racionais e nos trazem projetos que trabalhem o lado emocional. Ching (2006) analisa: Projetar requer pensamento racional com base em conhecimentos e se consegue mediante experiencias e pesquisa. Também desempenham papéis iguais no processo de projeto a intuição e a imaginação, que acrescentam a dimensão criativa ao processo de projeto, sem as quais seria puramente racional (CHING, 2006, p. 49). Tivemos conhecimento agora de que projetar não é apenas algo criativo e que com as informações corretas e pesquisa elaborada um projeto pode ser desenvolvido e muito bem-sucedido. Após os autores nos ensinar que a etapa de projeto também depende de fases, vamos analisar e conhecer um pouco mais sobre essas particularidades. Diagnóstico e levantamento de dados, segundo Jenny Gibbs (2016) essa etapa é quando devemos levantar os dados técnicos que irá auxiliar na elaboração do processo de criação do projeto. A autora ainda alerta que nessa fase de levantamentos, quanto mais utilizarmos nosso tempo para adquirir o máximo de informações pertinentes sobre o local, maior será o nosso ganho evitando desperdícios de tempo necessitando fazer revisitas no local do levantamento. Criatividade e conceito, o segundo ponto abordado por Gibbs (2016) diz a respeito de um dos momentos mais importantes na elaboração de um projeto. A autora nos diz que as ideias para um bom projeto não surgem do nada, as nossas ideias nascem de um processo construído ao longo do tempo através do nosso conhecimento e experiencias. Para a autora é muito importante que o profissional que irá elaborar um projeto estude profundamente o desejo do cliente e busque adquirir conhecimento sobre tal assunto, e para ela isso é valido para projetos residenciais ou comerciais, porém levando em consideração espaços públicos, sejam eles públicos ou privados devem levar em consideração o estilo das pessoas que frequentará o local. 12UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos Outro ponto que se deve pensar antes de iniciar o projeto é o prazo, tentar elaborar um projeto com tempo reduzido pode levar o projetista a não seguir as etapas necessárias para desenvolvimento de um projeto correto. Evite deixar o projeto para ser elaborado em curto prazo. Tente buscar ter tempo hábil para realizar o projeto buscando conhecer bem o cliente e o local e conhecer cada ponto necessário para ter um processo criativo adequado, solucionando problemas e desenvolvendo itens se possível inovadores. O conceito do projeto deve tentar abordar segundo Gibbs (2016) os primeiros itens e palavras usadas pelo cliente na primeira reunião, outro ponto, abordado pela autora é a utilização dos sentidos tais como: paladar, olfato, tato, audição e visão. O profissional deve buscar destravar a sua criatividade associando cores e texturas que podem auxiliar na concepção de um projeto. Criar um ambiente sensorial pode conquistar o cliente não só pela visão, mas também pela sensação que o ambiente pode oferecer. Uma forma do profissional fazer isso é através de um painel visual antes de elaborar o projeto, esse painel pode ser de forma material, onde o cliente irá sentir o toque, o cheiro e as sensações ou até mesmo digital através de imagens que despertem sensações e que podem buscar trazer memórias afetivas, tanto para o cliente quanto para o profissional, esse quadro é comumente chamado de painel semântico ou moodboard. Atualmente vemos muitos profissionais que apenas possuem habilidades técnicas para utilizar ferramentas e programas para realizar projetos e que muitas vezes atuam como “designers de interiores”. Tais profissionais não buscam traduzir os sentimentos do cliente para o projeto, muitos se baseiam no que está em alta ou na moda na atualidade para realizar seus projetos. Strunck (2010, p. 24) nos aconselha “conceituar as soluções que propomos. Elas devem sempre ser acompanhadas de um racional que as situe no contexto apresentado, dando-lhes à necessária substância”. De forma direta ele nos diz que devemos explicar ao cliente o porquê da utilização dos itens escolhidos no projeto, demonstrando qual a sensação que desejamos apresentar quando o cliente estiver no espaço projetado. Está é uma das formas de demonstrar seu conhecimento técnico a respeito do projeto e a sua personalidadecomo profissional e também conquistar o cliente deixando no ambiente também aflorar a personalidade individual do cliente que ocupará esse espaço. Diferenciar- se é uma forma de demonstrar ao cliente que você tem conhecimento e que utilizou de uma conceituação para elaborar o projeto dele e mostrar a sua qualidade sobre os demais profissionais que atuam de forma deliberada no setor de design de interiores. 13UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos Planejamento e design, após o levantamento realizado e você ter definido juntamente com o cliente sobre o conceito que vai ser abordado no projeto, partimos para a parte visual do projeto. Nessa hora, a autora Gibbs (2016) comenta que, a partir do ponto em que temos a planta em escala do ambiente idealizada no momento do diagnóstico e do levantamento de informações. Com o projeto em mãos em escala adequada para iniciar o processo de criação, iniciamos o desenvolvimento do layout do ambiente, com os mobiliários que serão inseridos no local, esse processo pode ser feito de forma computadorizada utilizando softwares de elaboração 3D. Outro ponto que vamos iniciar é a texturização do mobiliário, colorização dos móveis e do ambiente e demais informações que o projetista sinta necessário utilizar. Nessa etapa o profissional irá colocar a sua marca no projeto, buscando sempre agradar o cliente pelo seu desejo, porém utilizando estilos que podem ser pessoais ou referenciados de outros projetos. Tendo em mãos as soluções que se deve buscar para a problemática levantada no início das etapas é dever do profissional solucioná-las na etapa de criação e desenvolvimento do projeto. Ching (2006, p. 50) comenta “projetar exige que se tenha uma visão crítica de alternativas e se pese cuidadosamente os pontos fortes e fracos de cada proposta até que se alcance o melhor ajuste possível entre o problema e a solução”. QUADRO 2 – TOME DECISÕES DE PROJETO Fonte: Ching (2006, p. 50). Após solucionado o problema através de uma proposta, o profissional também já deve ter feito a concepção do conceito a se adotar, então vem a parte de apresentação do projeto ao cliente. DECISÕES DE PROJETO ● Faça as melhores combinações de elementos no projeto final ● Escolha de forma antecipada os materiais ● Busque de forma antecipada os móveis e elementos de iluminação ● Faça para o cliente uma apresentação, para obter uma resposta e uma pré-aprovação. 14UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos Apresentação ao cliente. Nesse momento, o designer ou arquiteto realizará uma apresentação sobre o projeto elaborado, é importante que nesse momento o profissional demonstre o conhecimento do projeto elaborado, demonstrando que houve envolvimento com o projeto e com as soluções adotadas. Gibbs (2016, p.150) comenta que essa é a quarta etapa e segundo a autora, “qualquer que seja a forma de apresentação para o cliente, trata-se, acima de tudo, de um exercício de comunicação, uma oportunidade que o designer de interiores tem de mostrar ao cliente seu envolvimento com o projeto”. Observe a importância do envolvimento até aqui nas etapas anteriores do projeto, pois imagine que o profissional chegue para a apresentação ao cliente e não tenha conhecimento nenhum do que foi adotado de soluções para os problemas do projeto, certamente seria um problema. Ainda segundo a autora relata, devemos ter em mente outros pontos para uma boa apresentação, itens como: o cliente que iremos atender e seu perfil, qual a abordagem será adotada nessa apresentação, durante a apresentação será utilizado algum material que seja apropriado ao local em que será realizada a reunião. Outro item importante que a autora considera nessa primeira apresentação é o tempo em que o cliente terá disponível para que seja uma reunião no qual ele possa expressar suas ideias e opiniões sobre o projeto apresentado. Aprovação do cliente, no último ponto abordado por Gibbs (2016), chegamos na aprovação final por parte do cliente para o projeto proposto, segundo a autora, independente do resulto que a apresentação teve sendo aprovado ou não, o importante é que o resultado final seja a venda. Outro ponto que a autora comenta é que o profissional “saiba receber críticas de forma positiva, mantendo uma postura flexível durante a apresentação, e não seja muito rígido em suas propostas” (GIBBS, 2016, p. 153). Durante a apresentação se não conseguir atingir ao ponto desejado pelo cliente talvez ele possa realizar alterações, nesse momento o profissional precisará saber argumentar e demonstrar o porquê da solução adotada, quando não se consegue uma boa explicação é possível que o cliente não sinta necessidade na solução e peça que realize alterações, isso implicará em problemas ao projeto não saindo como o profissional pensou para o ambiente. Após muitos levantamentos, estudo e pesquisa, criatividade envolvida, aplicação de conceito de acordo com as necessidades do cliente e caso ocorra alterações no projeto, materiais, orçamentos estamos prontos para a próxima etapa que é terceira fase do projeto, denominado de projeto executivo. 15UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 3. PROJETO EXECUTIVO Neste tópico III, iremos abordar sobre o tema projeto executivo. Até agora analisamos a primeira fase do projeto que é o contato inicial com o cliente, suas problemáticas e o levantamento das informações do local. Em segundo momento dos nossos estudos, a fase dois conhecemos como: Projeto. Então utilizada para o desenvolvimento propriamente dito do projeto, seus conceitos e soluções, também nessa fase temos a apresentação do projeto para o cliente, etapa na qual o cliente pode ainda dar opiniões a respeito do projeto para que o profissional realize alterações. Enfim estamos na terceira fase do projeto que é o projeto executivo, em que o profissional irá finalizar o projeto, nessa etapa temos as especificações de produtos para o cliente, detalhamentos do projeto e definições de itens do projeto. O projeto executivo é o que contempla tudo aquilo que será necessário para correta utilização do projeto na obra, esse projeto deve contemplar os itens básicos como, planta baixa, planta layout, paginação de pisos, elevações, cortes, especificações de materiais, orçamentos, imagens e memoriais. Muita atenção nesse momento, pois o profissional precisa especificar todos os detalhes que compreendem o projeto, também necessário que o cliente tenha conhecimento de todos os itens e detalhes que envolvem o projeto para ele, pois isso evitará que no momento da execução da obra de interiores não ocorra prejuízos e alterações no projeto, causando assim interferências naquilo proposto pelo profissional como solução para um problema e venha a ser um novo problema para o cliente. A etapa de execução e gerenciamento de obra pode não ser feito pelo profissional contratado para elaboração do projeto, isto fica a critério na hora do fechamento do projeto pelas partes. 16UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos Durante a execução do projeto, diversos profissionais como eletricistas, encanadores, pintores, gesseiros entre outros precisam ter acesso a esse projeto para sanar dúvidas a respeito do que deve ser executado, então, por esse motivo é necessário que o projeto executivo contemple o maior número de informações possíveis. O arquiteto Ching (2006) comenta a respeito dessa terceira fase. Uma vez tomada a decisão final, a proposta do projeto é desenvolvida, aperfeiçoada e preparada para a implementação. Isso inclui a elaboração de desenhos executivos e de especificações de outros serviços relacionados à compra de materiais (CHING, 2006, p. 51). O arquiteto também desenvolveu um quadro para organizarmos a forma como realizamos o projeto executivo de forma a abranger o desenvolvimento e a implementaçãodo projeto. QUADRO 3 – DESENVOLVIMENTO E IMPLEMENTAÇÃO DO PROJETO Fonte: Ching (2006, p. 50). Ainda segundo o arquiteto, o projeto só está realmente pronto até que tenha sido executado e finalizado, ainda assim, existe a necessidade de avaliação da solução adota para as problemáticas levantadas. De acordo com Ching (2006, p. 51) “essa análise crítica de um projeto completo pode aumentar nossa base de conhecimento, aguçar nossa intuição e dar lições valiosas que podem ser aplicadas em trabalhos futuros”. É necessário então que seja realizada essa avaliação do problema solucionado para que o profissional adquira ainda mais conhecimento e tornando-se válidas aquelas soluções propostas anteriormente, seguindo o conceito proposto pelo profissional ao cliente. DESENVOLVA E REFINE O PROJETO ● Desenvolva plantas-baixas, elevações, cortes e detalhes. ● Desenvolva especificações para os materiais de acabamentos. IMPLEMENTE O PROJETO ● Prepare os desenhos executivos. ● Finalize as especificações para os materiais de acabamentos de interiores, de iluminação e acessórios. 17UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos Outra autora que comenta sobre essa etapa e inclui um item a mais nessa fase é Jenny Gibbs (2016) que adota nessa fase um tópico denominado especificações. Segundo a própria autora essa etapa pode levar um tempo considerável para sua realização e que em alguns casos pode levar muito mais tempo que a elaboração do próprio projeto “a precisão é fundamental, pois os erros ou omissões são de responsabilidade do designer e podem se converter em grandes prejuízos” (GIBBS, 2016, p. 153). Durante a especificação é necessário que a maior quantidade de informações seja fornecida, por exemplo, em relação a mobiliários podemos indicar, altura, largura, profundidade, além de itens como cor, forma do móvel e demais informações que o profissional na hora de especificar julgar necessário. Alguns profissionais chegam a utilizar de amostras para especificar, em alguns casos como pintura pode se dizer além do nome da cor, quantas demãos irão ser necessárias utilizar no ambiente. Na fase de especificação, pode ocorrer também caso o profissional desejar a indicação de onde encontrar os produtos colocados no projeto, bem como colocar valores de orçamentos já realizados pelo profissional e se acordado com o cliente pode até mesmo fazer a indicação de outros profissionais para realizar o serviço, mas o profissional que realiza a indicação de outro profissional deve se atentar ao fazer isso apenas com outros contatos que tenha segurança e confiança em indicar, pois caso a pessoa ou equipe indicada realize um serviço de má qualidade isso pode influenciar diretamente na imagem que o arquiteto ou designer tem com o cliente, impactando assim no relacionamento e podendo até mesmo gerar prejuízo para o próprio. Tome cuidado ao fazer indicações. Ainda seguindo sobre a execução do projeto, vale lembrar que é de total importância que realize sempre que for contratar um novo serviço um contrato de preferência por escrito sobre todos os itens e serviços que compreenderam a execução e seus valores detalhados, isso vai garantir segurança para ambos os lados, mas principalmente para o proprietário que estará utilizando de suas finanças. Esses contratos podem ser feitos no próprio escritório, nas empresas ou até mesmo e o mais aconselhável é que tenha uma assessoria de um advogado que cuidará para que ambas as partes fiquem protegidas legalmente. Jenny Gibbs (2016, p. 158) também comenta em um tópico sobre licenças e aprovações que o profissional “precisa conhecer a documentação exigida e apresentá-la corretamente, além de acompanhar e atender as solicitações realizadas”. O profissional precisa desde o início do projeto estar ciente das exigências legais exigidas no local onde realizará a obra, essas exigências podem ser de um local no qual não pode ser realizado alguma alteração estrutural, também pode ser que encontre uma edificação tombada, o 18UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos que exigira autorização de órgãos públicos responsáveis. Quando o projeto for para um ambiente comercial, é necessário que procure a legislação do corpo de bombeiros, ou então, as exigências da vigilância sanitária do município. Também vale ressaltar que locais comerciais públicos ou privados devem atender as exigências quanto às normas de acessibilidade para deficientes, essas normas estão disponíveis na NBR 9050. Após caro (a) aluno (a) você ter realizado todas as etapas que acompanhamos até chegar aqui seguindo de forma correta provavelmente você terá em mãos um projeto bem elaborado e completo em mãos, porém, não encerramos por aqui! A entrega final com tudo em mãos para o cliente também é uma etapa muito importante nela você tem a oportunida- de de utilizar a sua criatividade mais uma vez, utilize dessa última etapa para colocar a sua personalidade, você pode criar diversas formas de apresentação para a entrega, expresse seu gosto, sua alegria em ter trabalhado nesse projeto e demonstre seu comprometimento com o trabalho. Segundo o arquiteto Ching (2006) comenta sobre esse ponto: Um projeto pode ser considerado bom ou ruim no julgamento do projetista, do cliente ou das pessoas que experimentam e usaram o projeto, por uma ou várias razões: -Um bom projeto pode ser bom porque ele funciona bem: ele “dá certo”. – Um projeto pode ser bom porque ele é viável economicamente: ele é econômico, eficiente e duradouro. – Um projeto pode ser bom porque ele tem boa aparência: é esteticamente agradável. – Um projeto pode ser bom porque ele recria uma sensação que nos faz lembrar de outros tempos e locais: ele porta significados (CHING, 2006, p. 52). De acordo com o arquiteto, existem inúmeras formas de um projeto ser considerado um bom projeto, tudo está relacionado a forma como você abordou as situações e os problemas, os itens que você utilizou para indicar uma ideia ou uma sensação, tudo está relacionado ao sentimento que o projeto irá transmitir a quem fizer uso do local. Um bom projeto é considerado bom ou ruim por aqueles que farão a ocupação do espaço, somente as pessoas que vivenciam o ambiente é que podem julgar de tal forma. Não ter, significa nas soluções propostas, não ser compreensível para quem habita o local levará ao julgamento de que seu projeto se tornou ruim. Encerramos essa unidade então desejando que você, aluno (a), tenha o entendimento necessário, consiga captar os desejos e sentimentos para o seu cliente futuro, pois projetar vai muito além de criar belos espaços, pois de nada adianta um espaço considera por você como lindo e se ao final não houver ocupação do espaço, se as pessoas que habitarem não tiverem o sentimento de pertencimento. Projetar para outros é algo extremamente difícil, pois não deverá ser o seu gosto a prevalecer, mas sim o desejo pessoal e sentimental do outro. Projete com sua personalidade, atenda às necessidades do outro com o seu jeito de ser, mas tenha responsabilidade de projetar para o próximo. Bons projetos! 19UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 4. BRIEFING Caro (a) aluno (a), após você ter passados pelas fases do projeto, vamos voltar um pouco no assunto e nos aprofundar um pouco mais, sobre o tópico: Briefing. Analisaremos nesse novo tópico a importância que essa etapa representa, para o projeto final. O briefing está inserido dentro da primeira fase que é o anteprojeto, ele é a coleta de dados e informações a respeito do projeto que irá permitir que o projeto aconteça da melhor forma possível, quando se trata de projeto de interiores temos dois ambientes de trabalho para o profissional, essa pode ser separa por residencial ou comercial. Cada uma dessas áreas exige formas de projetar diferentes, por isso é importante que o briefing seja realizadode forma diferenciada para cada uma delas. Para Clarice Mancuso (2013) “entende-se por ambiente residencial aquele local a ser desfrutado por uma pessoa ou família em suas tarefas e vivência cotidianas, cujas finalidades principais sejam referentes ao lazer, ao repouso, à convivência” (MANCUSO, 2012, p. 13) e também define como ambiente comercial não “somente ao comércio, e sim a todo ambiente não residencial. Podemos citar, além das lojas, os escritórios, os hotéis, as clínicas e uma imensa gama de espaços cujo uso difere do residencial” (MANCUSO, 2012, p. 14). Outro autor que aborda sobre o briefing e sua importância é Gilberto Strunck (2010), menciona como conseguir elaborar um bom projeto através do briefing. Segundo ele: Os resultados de nossos projetos variam na razão direta da qualidade das informações de que dispomos para trabalhar. Quando desconhecemos um assunto, ou nossos Clientes não disponibilizam informações precisas sobre o problema a ser resolvido, podemos antever uma solução “sem alma”, bonitinha, mas que não vai funcionar, ou uma sucessão de refações de ideias, até que possamos contemplar totalmente as necessidades existentes (STRUNCK, 2010, p. 79). 20UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos Para o autor, sair de uma reunião com um cliente sem um briefing é algo que se deve evitar, pois a falta de informação para elaboração do projeto será prejudicial ao cliente e ao profissional envolvido, pois os artifícios que serão utilizados para solucionar o problema apresentado pelo cliente podem não ser o correto, isso causara perda de tempo e recursos financeiros. Segundo ele, “tendo um briefing completo, você tem um guia seguro para conceituar e desenvolver seu projeto” (STRUNCK, 2010, p. 80). Pensando então dessa forma, devemos levar em consideração para um briefing correto não somente o que o cliente diz superficialmente, é necessária uma conversa aprofundada a respeito dos seus desejos, outro ponto importante é lembrar que não somente uma pessoa habitará esse ambiente, então é importante que o levantamento de dados e informações contemple o máximo de pessoas que utilizarão desse espaço, uma pesquisa sobre os gostos pessoais, estilo e expectativas para o novo ambiente. Veremos agora pontos que devemos levar em consideração durante o briefing de um projeto residencial. Dentro de uma mesma residência é comum encontrarmos pessoas com estilos de vida completamente diferentes, dentro de uma mesma família até mesmo o marido e a esposa podem ter gostos diferentes, então imagine você projetar um ambiente inteiro tendo um briefing e uma conversa apenas com o marido! Com certeza isso trará problemas ao seu projeto. Sempre que for realizar um briefing, é importante que você tenha conhecimento de todos que vão ocupar o espaço, os seus estilos, se possuem animais de estimação, pois na sociedade em que vivemos, muitos casais possuem animais como membros da família, imagine desenvolver um projeto no qual você não pensou nesse animal e detalhou materiais que não são resistentes na utilização por animais domésticos. Porém quando falamos de projeto comercial, a situação é um pouco diferente, porém não deixa de ser necessário a mesma atenção. Se a empresa possuir apenas um sócio provavelmente será ele quem indicara o caminho pelo qual o projeto deve seguir, porém quando existe mais de um sócio na empresa, é importante saber quem é o sócio que ficará responsável por fazer a conexão entre os desejos da empresa e o profissional para evitar que várias pessoas tentem dar informações diferentes sobre o desejo real do projeto. Quando tratamos de projeto comercial também não podemos nos esquecer de quem será o verdadeiro ocupante do espaço, que é cliente final ou o público alvo. Segundo Gibbs (2016, p. 48) o briefing “de um estabelecimento comercial precisa levar em consideração os fatores de mercado e de imagem da marca, além dos aspectos particulares levantados pelos clientes”. 21UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos Gibbs (2016) também recomenda que o profissional “dialogue profundamente com os principais profissionais do setor comercial especifico com o objetivo de compreender com exatidão sua forma de operação e quaisquer outras exigências particulares, limitações ou considerações práticas que possam surgir no projeto”. Podemos levar em consideração então, que devemos tomar muito cuidado em projetar ambientes comerciais e devemos ter um briefing muito bem elaborado, para não desenvolver projetos que não dialoguem de forma alguma com o público alvo que utilizará o espaço, imagine você caro (a) aluno (a) desenvolver um projeto para uma empresa que trabalha com alimentos sustentáveis e preza pelo contato com a natureza, você realiza o briefing e você não se atenta as considerações que o sócio te informou e projeta um espaço industrializado, com cores escuras, pouco verde e com uso de metais! Certamente seu cliente não ficará feliz com o seu projeto, e o público não faria uso desse espaço devido o estilo de vida que esses clientes em potencial possuem. Conforme já foi visto na primeira fase, também desse nosso estudo, o briefing deve ser dividido em dois fatores, são eles conhecidos como fatores objetivos e fatores subjetivos, e abordamos de forma rápida sobre eles, porém agora iremos nos aprofundar um pouco mais o que envolve esses fatores. Fatores subjetivos, de acordo com a língua portuguesa, refere-se aquilo que é relativo ao sujeito, que está expresso nas ideias de uma pessoa. Para Miriam Gurgel (2013, p. 16), esses fatores “estão diretamente relacionados com a utilização propriamente dita do espaço, do ambiente, com todos os detalhes referentes às atividades que nele serão realizadas e com todas as preferências pessoais de que ocupará”. Elaborar um briefing é algo que o profissional irá aprimorar ao longo de sua carreira, não existe uma metodologia certa ou errada, um manual de como fazer o briefing já que ele deve surgir de uma conversa e um diálogo pessoal com o cliente, o que analisamos ao longo das pesquisas sobre o tema é que um briefing, e ele pode ser completo quando o profissional consegue em uma conversa capturar o máximo de informações possíveis para elaborar o projeto de forma assertiva ou então um briefing incompleto quando as informações e problemáticas não são informadas e ao se projetar o espaço o profissional encontra resistência na sua aprovação ou não solução do problema pelo qual foi contratado para resolver para o cliente dentro do projeto. Mancuso (2012) comenta sobre a diferença existente entre se realizar um briefing de um cliente comercial e um cliente residencial, segundo ela: 22UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos No caso residencial, temos a “vantagem” do conhecimento do cliente real; é específico nosso trabalho. Quando nosso trabalho atinge a área comercial, seja uma loja ou um hotel, nosso cliente final, aquele que vai desfrutar do espaço, é alguém que não conhecemos, então precisamos criar seu perfil a partir da proposta do proprietário, a quem ele pretende atingir, ou seja, a que classe social pertence, qual faixa etária a que o empreendimento se destina, que periodicidade e fluxo de pessoas haverá (MANCUSO, 2012, p. 64). Observando o que diz a autora, devemos cuidar das diferenças que existem entre projetos destinados para uso comercial ou residencial, um exemplo que podemos citar é entre um ambiente como quarto, no qual teremos esse ambiente numa residência e também teremos em um hotel, o que vai diferenciar entre eles é a forma como projetaremos para seus usuários. Em um projeto de quarto residencial, o profissional terá um contato direto com o proprietário ou usuário do ambiente, já em um quarto de hotel, devemos nos atentar que as pessoas que farão ocupação do ambiente são transitórias por isso, utilizarde gostos específicos para tentar agradar a todos os clientes ficará um tanto quanto mais complexo, nessa situação o ambiente seguirá as diretrizes que o dono ou sócio do hotel irá expor na realização do briefing. Vamos então identificar os ocupantes desse espaço, o grau de parentesco entre elas, se nesse local há um animal de estimação e em alguns casos, pode-se analisar inclusive se existe visita frequente de outras pessoas nos finais de semana. Iniciando nosso briefing a partir desses pontos, temos uma base para começarmos a nos aprofundar um pouco mais nas pessoas que ocuparão esse ambiente, com perguntas que são mais neutras e superficiais e ir aprofundando ao longo do briefing. A autora Clarice Mancuso (2012) questões que podem ser utilizadas na hora de realizar o briefing, a seguir quadro com algumas questões: 23UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos QUADRO 4 – QUESTÕES PARA UM BRIEFING Fonte: Mancuso (2012, p. 65) adaptador pelo autor. Faixa etária das pessoas envolvidas Crianças, adolescentes, adultos e pessoas idosas tem exigências particulares. Porte das pessoas envolvidas O dimensionamento do mobiliário e seu uso dependem muito desse fator. Atividades destas pessoas Essa informação serve como base para entendimento do tempo que ocupam no ambiente e com utilizam. O que deve ser mantido no ambiente, seja valor afetivo, seja por economia Esse item é importante pois a partir dele pode ser criado todo um conceito para o projeto. Praticam esporte Pode servir para buscar itens decorativos para o ambiente, como também espaço físico necessário para armazenar equipamentos e acessórios. Cores prediletas Serve como parâmetro, porém nem sempre a cor predileta é a adequada ao espaço. Estilo de vida/ritmo Ajuda a entender a dinâmica das pessoas no ambiente. 24UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos Essas são algumas questões que podem ser levantadas com o cliente sobre o briefing, porém elas podem ir muito além conforme o profissional julgar necessário. Muitas questões não precisam ser anotadas em papéis, apenas através da observação do cliente, o profissional consegue capturar muitas essências das pessoas, uma boa opção também é visitar o atual local de moradia do cliente, nessa opção o profissional deve estar atento pois muitos clientes buscam um profissional justamente para alterar o modo como ele vive atualmente, então converse e entenda o desejo do cliente. Fatores Objetivos, dentro do briefing esses são aqueles fatores correspondentes aos fatores técnicos, eles podem ser levantados concomitante aos fatores subjetivos. A autora Miriam Gurgel (2013, p. 16) diz que “os fatores objetivos são aqueles regidos por normas técnicas, medidas ergonométricas, pela topografia, pelo clima, entre outros, e mais recentemente pelos conceitos de sustentabilidade e ecodesign”. Essa abordagem objetiva do briefing está relacionado ao ambiente, não propriamente a quem vai estar fazendo a ocupação desse espaço, ou seja, não tem relação com gosto, sensações ou sentimentos das pessoas. De acordo com esse pensamento Ching (2006) faz uma análise sobre o que seria esses fatores a serem observados. QUADRO 5 – ANÁLISE DO ESPAÇO Fonte: Ching (2006, p. 66). Analise o Espaço ● Orientação solar e condições do terreno naquele local. ● Forma, escala e proporção do espaço. ● Localização de portas, pontos de acessos e dos percursos de circulação que eles sugerem ● Janelas e a iluminação, as vistas e a ventilação que elas propiciam. ● Materiais de parede, piso e teto. ● Detalhes arquitetônicos significativos. ● Localização do mobiliário fixo e dos pontos de saída dos sistemas hidrossanitários, elétricos e mecânicos. ● Elementos para possível reutilização, inclusive acabamentos e acessórios. 25UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos Além desses itens por ser projeto de interiores, podemos levar em consideração itens que estejam ligados ao ambiente, posição de eletrodomésticos que necessitam de instalações especiais, móveis que ocupem um espaço que não existe a possibilidade de alteração de local e o cliente deseja que fique no ambiente, entre outros itens que possa ser necessário. Outros aspectos podem envolver o projeto de forma mais ampla, esses podem sem por exemplo: QUADRO 6 – ASPECTOS DA EDIFICAÇÃO Fonte: O autor (2022). Chegamos ao fim dessa unidade e espero que tenha adquirido muitas informações a respeito das fases de um projeto, desde a sua concepção lá no anteprojeto, através dos levantamentos até o briefing com o cliente, passando pela parte da concepção do seu conceito e apresentação ao cliente. Busque seguir cada etapa apresentada aqui no seu projeto de interiores para que consiga como profissional suprir as necessidades de todos aqueles que irão desfrutar do seu ambiente projetado, você será um realizador de sonhos! Situação da edificação Segundo Gibbs (2016, p.49), “a estrutura da edificação a ser trabalhada deve estar em boas condições. Imóveis antigos, por exemplo, podem apresentar problemas de infiltração por não terem um tratamento de impermeabilização eficiente”. Rua e bairro onde fica localizado este imóvel Observar se a rua tem excesso de ruídos, as questões que en- volvem a segurança do local. Em locais com problemas acústicos indicar soluções para esse problema. Questões ambientais Atualmente vivemos em momento em que as questões ambientais e sustentáveis estão muito ligadas à nossa sociedade, optar por utilizar elementos físicos que solucionem problemas de forma a não agredir o meio ambiente e produzir a menor quantidade possível de resíduos. 26UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos SAIBA MAIS Contato com o cliente – Projeto Comercial por Clarice Mancuso Nosso cliente não será somente nosso cliente, será o proprietário e aqueles que frequentam o local. O ideal seria contratar uma empresa de pesquisa antes de contratar o arquiteto e designer. Essa pesquisa com bastante propriedade iria formatar dados concretos quanto ao local a ser escolhido para o público-alvo a ser atendido. Na maioria das vezes, quando somos solicitados, o local já está definido. O perfil do cliente às vezes definido, outras não. No caso de não estar definido somos agente desse processo. A posição do imóvel gera pistas sobre o melhor público a ser atingido, determinadas ruas, determinados bairros já sugerem clientes. É muito importante traçar junto ao proprietário a meta de trabalho. Não só o público-alvo como suas necessidades. No caso de serviços, nosso cliente, o contratante, está mais perto das necessidades específicas do projeto do que seu cliente. Um acompanhamento à rotina de trabalho desses profissionais é muito elucidativo para a confecção do projeto. No caso de serviços o cliente final tem sua importância relativa, com certeza menor do que no caso do comércio. Fonte: Mancuso (2013, p. 106). REFLITA Antes de ser agente transformador do espaço, você precisa ser agente detector de emoções. Fonte: Mancuso (2012). 27UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos CONSIDERAÇÕES FINAIS A proposta para essa unidade era que você caro (a) aluno (a) recebesse todos os parâmetros que norteiam um projeto de design de interiores, desde os mais simples, como levantar informações do espaço a ser projetado até os mais complexos que envolvem sentimentos e emoções, aquelas informações no qual o profissional precisa buscar em seu cliente algo escondido que será o transformador de dados em sonhos, desejamos que você consiga em sua caminhada ser esse profissional que transforma sonhos em desenhos para execução. Tenha em mente que um bom profissional busca sempre seguir etapas para concepções e que ao longo da sua carreira você desenvolverá, mas seguir as fases testadas por outros profissionais noinício irá te ajudar a ganhar tempo e eficiência. Continue seus estudos e mantenha seu desejo em transformar espaços. 28UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos LEITURA COMPLEMENTAR O processo de criação na arquitetura sempre foi e ainda é assunto bastante discutido entre os profissionais e docentes. Isso porque a arquitetura também pode ser enquadrada na área das artes e com isso, tende-se a considerar seu processo criativo com algo similar ao ato de criação artística. Fonte: TRICHEZ, Cristiana T. Silva. A ideia no processo criativo: uma aplicação no projeto de interiores [dissertação]/Cristiana T. Silva Trichez; orientador, Luiz Salomão Ribas Gomez. Florianópolis, SC, 2012. 29UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Arquitetura de Interiores Ilustrada. Autores: Ching, Francis D., K e Corky Binggeli. Sinopse: Guia definitivo do projeto de espaços internos. Ricamente ilustrado no estilo característico de Francis D.K.Ching, o livro introduz conceitos de projetos complexos. Compreendendo desde a definição de espaço arquitetônico e o uso de elementos de projeto até o planejamento de sistemas prediais e a inclusão de materiais sustentáveis, o texto reforça a ideia de que beleza e função não são conceitos separados, mas partes de um todo. O conteúdo está atualizado, incorporando as mudanças do mundo atual, como a transformação dos locais de trabalho, o envelhecimento da população, o uso de softwares de modelagem arquitetônica, a conservação de energia, entre outras. FILME/VÍDEO Título: O grande Gatsby Ano: 2013. Sinopse: Na primavera de 1922, Nick Carraway chega a Nova York e vira vizinho do misterioso e festeiro milionário Jay Gatsby quando vai viver do outro lado da baía com sua prima Daisy e seu marido mulherengo Tom Buchanan. Assim, Nick é atraído para o mundo cativante dos ricos, suas ilusões, amores e fraudes. Ao testemunhar fatos dentro e fora do mundo em que habita, Nick escreve um conto de amor impossível, sonhos e tragédias que espelham conflitos em tempos modernos. 30 Plano de Estudo: ● Ferramentas que colaboram com a concepção de ideias; ● Elementos que compõem o projeto; ● Equilíbrio visual no projeto; ● Tendências. Objetivos da Aprendizagem: ● Abranger elementos que guiam e direcionam o projeto de interiores, tais como texturas e padronagens, linhas e seus efeitos visuais; ● Adquirir conhecimento sobre os pesos visuais nos projetos de interiores, harmonizando de modo consciente os espaços; ● Aprender e aplicar a respeito de ferramentas de uso do profissional em design de interiores para desenvolvimento de ideias e conceito em projeto; ● Entender o que são tendências dentro de projetos de interiores e como elas são estabelecidas. UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos Prof. Pedro Henrique 31UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 31UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos INTRODUÇÃO Bem-vindo querido (a) aluno (a), nessa unidade, vamos estudar a respeito dos elementos que servem como norteadores para nossos projetos de interiores, também veremos elementos que nos auxiliaram a expressar essas ideias no processo criativo. Como desenvolver um conceito dentro de um projeto de interiores, como trabalhar os elementos para criar um equilíbrio visual e as diferenças existentes, também abordaremos sobre os exemplos e suas formas de aplicação no projeto. O conceito será nosso ponto de partida nessa unidade, entenderemos como essa ferramenta funciona para o profissional de forma a auxiliar de forma visual um projeto. No tópico a respeito do conceito, veremos duas ferramentas que irão auxiliar o desenvolvimento, essas ferramentas são o brainstorming e o painel semântico. Essas duas ferramentas fazem a conexão das palavras importantes para o projeto, além de imagens que irão transmitir o conceito do projeto ao cliente que fará uso do ambiente. Com a conclusão sobre o conceito, abordaremos agora os elementos que são norteadores do projeto, esses elementos são a linha, textura e padronagem. Além de elementos que criam equilíbrios visuais ao ambiente, por exemplo: ao usar elementos dentro de um ambiente, você pode criar através deles sensações de amplitude e alargamento. Dentro da questão dos equilíbrios visuais também podemos mencionar a respeito dos layouts dentro do ambiente, posicionamento de mobiliário e peças decorativas, criando um ambiente harmônico e criando diferentes formas de equilibrar o ambiente. Na parte final dessa unidade abordaremos sobre tendências dentro da arquitetura e projetos de interiores, essas tendências estarão ligadas ao que vamos propor com nossas texturas, padronagens, elementos visuais e seus pesos. Todos os anos, diversos elementos são lançados pelas empresas para os profissionais trabalharem por isso é importante o profissional estar atento ao que está no momento da criação do projeto como tendência. Essa unidade foi pensada para você caro (a) aluno (a) com base na segunda fase do projeto, com ela você terá como base como utilizar o conceito no projeto e seus meios de elaboração, como aplicar através dos elementos norteadores e equilíbrios visuais e os elementos que influenciam as tendências nesse momento. Bons estudos! 32UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 32UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos 1. FERRAMENTAS QUE COLABORAM COM A CONCEPÇÃO DE IDEIAS O conceito, caro (a) aluno (a), é o método que temos como profissional para expressar nossa ideia de forma que ele compreenda visualmente o que queremos apresentar. Usamos o conceito para demonstrar ao cliente qual será os itens que irão compor o projeto dele, tais como: cores, estilo arquitetônico, sensações entre outros aspectos do ambiente que será projetado. O desenvolvimento do conceito no projeto arquitetônico está inserido na etapa denominada de projeto, que deverá ser a segunda etapa no desenvolvimento dentre as três etapas existentes. Elaborar o conceito não é seguir uma receita de bolo com os ingredientes já definidos e suas medidas exatas, cada profissional irá adquirir de forma individual a sua metodologia para desenvolvimento de um conceito, porém, existem ferramentas que podem auxiliar na criação do nosso conceito. Segundo Gibbs (2016, p. 62) o profissional pode partir de palavras disponibilizadas pelo cliente, como por exemplo, “leveza, elegância e conforto”. Além do profissional poder basear-se em elementos que já possam compor o ambiente ou então utilizar de palavras ou itens mencionados no briefing na primeira fase do projeto. Estudaremos agora duas ferramentas muito importantes como auxiliadoras no desenvolvimento pelo profissional no conceito do seu projeto de interiores, elas podem ser utilizadas de forma individual, porém, se o profissional conseguir fazer uso dessas ferramentas de forma concomitante irá render um trabalho de criação e desenvolvimento para o seu conceito mais aprimorado. Essas ferramentas são conhecidas como: brainstorming e o painel semântico. 33UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 33UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos 1.1 Brainstorming Criado por Alex Osborn, segundo Fonseca e Pereira (2016), o brainstorming ficou conhecido após a publicação do livro “O poder criador da mente”, em 1953. Essa ferramenta segundo a autora “também é conhecida como sessão de ‘agitação de ideias’ ou ‘tempestade de ideias’, o seu objetivo principal é facilitar o surgimento de ideias ou soluções para um problema” (FONSECA e PEREIRA, 2016, p. 82). Durante a fase do brainstormingo profissional pode se relacionar com sua equipe e fazer essa etapa com todos juntos, também pode unir seu cliente com a sua equipe para realizar essa fase, pois nesse momento, a interação irá fazer parte da criação do conceito, caso seja, um projeto comercial pode-se convocar uma reunião com os sócios e clientes do empreendimento para realizar essa rodada do brainstorming. Nessa etapa, quanto maior o número de ideias surgirem e pensamentos a respeito do projeto, maior será a chance de conseguir criar um conceito favorável para o projeto. O profissional pode optar também por fazer essa etapa sozinho, pois muitas informações e ideias que irão surgir serão originárias também do briefing já realizado anteriormente. Mas como deve funcionar um brainstorming? De modo geral, ele deve ocorrer de forma que todos no ambiente possam interagir em uma ou mais rodadas de palavras chaves de forma livre, nesse momento é importante que nenhuma ideia seja desconsiderada ou então criticada, grandes ideias já foram quase descartadas devido a críticas nessa etapa do brainstorming. 1.1.1 Brainstorming aplicado ao projeto de interiores: possibilidades Essa ferramenta utilizada amplamente não é de uso exclusivo dos profissionais de interiores ou arquitetura, diversos profissionais que trabalham com a criação e desenvolvimento de ideias e conceitos tem o brainstorming como sua base. Veremos algumas formas de abordar essa ferramenta dentro do projeto de interiores. Residencial: Dentro de um projeto de interiores residencial o profissional pode sugerir começar em algum ambiente especifico e a partir dele ir usando para os demais ambientes as palavras fornecidas pelo cliente no briefing, outra forma de se trabalhar o brainstorming é juntamente com o cliente fazer a rodada de palavras para cada ambiente, gerando assim um conceito que inicia em um ponto e vai se expandindo para o todo. Durante esse processo as ideias de materiais, cores, iluminação e sensações que o ambiente deve transmitir podem surgir. Vamos ver um exemplo de um brainstorming elaborado de forma simples com um jovem adolescente que está se mudando com seus pais para uma casa nova e que teve uma entrevista com o arquiteto também para saber algumas de suas vontades e desejos para seu quarto novo. 34UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 34UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos FIGURA 1 – BRAINSTORMING MIGUEL Fonte: O Autor (2022). Observamos nesse brainstorming do adolescente, seu estilo de vida, uma criança mais voltada para brincadeiras internas, com muita interação com jogos, entre hobbies e gostos pessoais. Todas essas informações podem ser transportadas para o projeto, através de itens de decoração, projetando móveis que facilite a utilização do usuário, são os itens que chamamos de norteadores do projeto, através dessas informações o profissional consegue ir formando em sua cabeça o caminho que ele seguira para projetar o espaço em questão. Como exercício, você pode pensar aluno (a) em como seria o seu brainstorming, para um ambiente, colocar em prática com você próprio pode levar a entender como vai trabalhar o pensamento do cliente na hora do levantamento, fazendo assim que você consiga guiar de forma muito mais fácil o brainstorming do seu cliente. Comercial: De forma similar, o brainstorming comercial pode ser realizado pelo profissional ou então com os donos do estabelecimento, uma prática que também pode ser utilizada é convite de pessoas que tem conhecimento na área do empreendimento e que podem gerar ideias para o profissional na elaboração, outra forma de realizar o brainstorming para áreas comerciais é através do seu público-alvo, através de formulários e entrevistas que podem auxiliar. 35UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 35UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos 1.2 Painel Semântico Segundo o escritor Pereira (2016, p. 91), o painel semântico é um: quadro de referências visuais cujo objetivo é gerar reflexões acerca dos significados e aspectos que permeiam o projeto. São utilizados com a finalidade de comunicar os temas, os conceitos, as cores e materiais que podem ser empregados em um projeto. A forma de se elaborar esse quadro pode ser de diversas maneiras, como por exemplo a utilização de recortes de revistas e jornais, imagens de internet, texturas, tecidos, desenhos, ou seja, conforme a criatividade e as ferramentas em mãos do profissional permitir o seu uso. Como norteador para esse painel semântico pode ser utilizado as ferramentas levantadas no brainstorming. A seguir, vamos analisar o mood board (painel semântico) do cliente Miguel, ele era o cliente que citamos anteriormente no brainstorming. FIGURA 2 – MOOD BOARD MIGUEL Fonte: O Autor (2022). Se observarmos o brainstorming do cliente e seu painel semântico, veremos a conexão de palavras utilizadas de forma simples em ambas as ferramentas. Podemos observar nas palavras chaves usadas como: luzes led, redes sociais e futebol, itens que podem ser utilizados na hora de elaborar o projeto. Gibbs (2016, p. 64) esses painéis conceituais ajudam “a passar da metodologia do processo de design para a solução criativa do programa de necessidades do cliente, proporcionando parâmetros úteis para o trabalho”. É importante fazer uma conexão entre 36UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 36UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos as necessidades do cliente com o painel elaborado, evitando que aconteça de sair fora da proposta e não consiga expressar o conceito desejado pelo profissional. Para que você consiga cada vez mais aprimorar sua sensibilidade na hora da criação e desenvolvimento do projeto, busque realizar o seu painel semântico após já ter realizado o seu brainstorming. Esse é o momento de você praticar! 37UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 37UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos 2. ELEMENTOS QUE COMPÕEM O PROJETO Concluído a conceituação do seu projeto caro (a) aluno (a), é o momento em que você o iniciará. Portanto, é importante nesse momento que o profissional saiba os métodos de aplicação dos elementos e os princípios de design, são esses itens que irão funcionar como norteadores. Nesse tópico iremos abordar sobre linhas, texturas e padronagens. Dessa forma você terá possibilidades para explorar em seus projetos. 2.1 Linhas A respeito das linhas a autora nos conceitualiza o elemento da seguinte forma: A linha é a extensão de um ponto, o somatório de vários pontos consecutivos; o princípio. As linhas são importantes ferramentas do projeto, já que podem ajudar a alterar visualmente o modo como percebemos um espaço. Podem também alterar o modo como sentimos um ambiente (GURGEL, 2010, p. 32). A definição a respeito da linha vem nos dizer que ela é um elemento norteador dentro do projeto e suas formas podem nos criar sensações e sentimentos variando a forma como a usamos. Dentro do projeto podemos utilizar linhas em diversas formas, como horizontais, verticais, inclinadas e curvas. A forma como o profissional pode abordar as linhas no projeto são variadas assim como nos locais que podem ser notadas, como: pisos, mobiliários, na arquitetura, nas texturas e demais elementos que possam estar presentes no ambiente. 38UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 38UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos 2.1.1 Linha reta horizontal Segundo Mancuso (2012, p. 66), “nos oferta tranquilidade, sua demonstração vem do horizonte, que é a linha que sevê em alto-mar e que separa o céu da massa de água”. Um elemento norteador de projeto muito utilizados pelos profissionais serve para dar uma sensação de alargamento do ambiente, também pode ser utilizado como forma de alongamento para o espaço ou ampliação. A autora Gurgel (2010) comenta que a linha reta horizontal pode servir para causar a sensação de rebaixamento do pé direito, trazendo para o ambiente projetado sensação de tranquilidade. FIGURA 3 – ALONGAR Conforme podemos observar na imagem anterior, uma linha reta horizontal faz a separação entre o boiserie branco e a parede azul, dessa forma essa linha faz uma quebra na altura da parede passando a sensação de que o ambiente está rebaixado e trazendo a ideia de alargamento do espaço. 39UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 39UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos 2.1.2 Linha reta vertical No contraponto da linha anterior temos as linhas retas verticais, que são utilizadas em ambientes em que o pé-direito é baixo, com a sua utilização busca oferecer a sensação de aumento na altura do espaço. De acordo com a autora Gurgel (2010, p. 33), a linha vertical é a linha “dá dignidade, sugere formalidade e estabilidade. É a linha dos pilares e colunas, de pé-direito alto, de estrutura”. FIGURA 4 – VERTICALIDADE As linhas verticalizadas na parede remetem a sensação de que o ambiente se prolonga ao alto, dessa forma os profissionais utilizam de elementos arquitetônicos ou decorativos que remetem essa verticalidade em ambientes de pé-direito baixo, mas lembre-se caro (a) aluno (a) que em ambientes que já possuem pé-direito alto pode não ser aconselhado usar essa técnica. 2.1.3 Linha reta inclinada Utilizada para criar a sensação de movimento a linha inclinada é comum de ser observada em forros, pois contribui para ampliação do espaço. Para a autora Gurgel (2010, p. 33) essa linha pode ser utilizada por várias angulações, e “pode ajudar a interligar ambientes, a encurtar distâncias visualmente e direcionar o caminho, já que nossos olhos a seguirão”. 40UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 40UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos FIGURA 5 – INCLINADA Mancuso (2012) pede para observar que além de trazer movimento, essa linha também pode causar sensação de desordem, então é de essencial cuidado do profissional na hora de utilizar essa forma para não criar confusão no ambiente. 2.1.4 Linha curva Considerado por muitos como sinônimo de personalidade, a linha curva traduz continuidade, amplitude e leveza. Segundo Gurgel (2010, p. 35) essa linha é “ideal para cantos e extremidades de objetos e ambientes destinados a crianças, consultórios e locais de grande circulação. Pode direcionar e orientar a circulação”. 41UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 41UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos FIGURA 6 – CURVA Segundo Gurgel (2012), ambientes curvos podem ser complexos no momento de mobiliar, mas por outro lado, podem ser de grande personalidade. Caro (a) aluno (a) atente-se na hora de projetar pois as linhas estão presentes em diversos elementos do projeto, você deve analisar primeiramente a forma de aplicar esses elementos, pois eles podem conflitar-se entre eles e gerar uma sensação não desejada. 2.2 Texturas Textura é a aparência de algo, através dela é permitido identificar e distinguir de outras formas. As texturas estão presentes em elementos ao nosso redor, tanto de forma tátil quanto visual. Gurgel (2010) pontua algumas propriedades da textura da seguinte forma: Quanto à cor: “superfícies mais lisas refletem mais luz, intensificando a cor. Quanto mais porosas, rústicas ou ásperas forem as superfícies, mais escuras e suaves serão as tonalidades aplicadas sobre elas, assim como maior será a alternância” (GURGEL, 2010, p. 36). 42UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 42UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos FIGURA 7 – SEDA PRETA Quanto à acústica: “as superfícies ásperas absorvem mais o som, enquanto as polidas o refletem muito mais” (GURGEL, 2010, p. 37). Segundo a autora, é fundamental que as características acústicas sejam adequadas, já que ambientes com texturas muito lisas tendem a ser mais barulhentos que ambientes com superfícies mais porosas que absorvem o som. FIGURA 8 – ESPONJA 43UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 43UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos Quanto à manutenção: “as superfícies lisas são muito fáceis de limpar. As superfícies porosas acumulam mais poeira e sujeira” (GURGEL, 2010, p. 37). Superfícies lisas tendem a ter um valor mais elevado, por isso é importante analisar o tipo de material a ser especificado e seu uso. FIGURA 9 – LIMPEZA DE PISO Quanto à segurança: “as superfícies lisas são mais suscetíveis de se tornarem escorregadias do que as porosas, embora as lisas sejam mais agradáveis ao toque” (GUR- GEL, 2010, p. 37). FIGURA 10 – PISO ESCORREGADIO 44UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 44UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos Quanto a temperatura: “as superfícies de texturas polidas tendem a ser mais frias do que as ásperas porque transmitem mais o calor” (GURGEL, 2010, p. 37). O piso laminado é um exemplo de elemento que transmite a sensação de piso quente. FIGURA 11 – PISO LAMINADO De acordo com a autora, existem mais dois tipos de texturas, os visuais e as táteis. Texturas visuais são aquelas que nós apenas conseguimos visualizar, não sentimos. As texturas táteis, são aquelas que apresentam tridimensionalidade, podemos sentir seu material ao tocar. Segundo Gibbs (2016), um ambiente que tenha deficiência nas texturas e contrastes pode parecer monótono, a autora recomenda que para um ambiente seja dinâmico ele tenha ao menos três texturas. Como elementos de composição para essas texturas temos quadros, tapetes, tecidos de sofá, revestimentos e qualquer outro elemento presente no ambiente projetado. 45UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 45UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos 2.3 Padronagem Segundo a autora Gurgel (2010, p. 38) aborda que a padronagem pode “estar representada em um material ou em diferentes superfícies, ou ser criada a partir da associação de diferentes materiais”. O estilo do ambiente pode estar relacionado aos padrões de estamparia, as padronagens são desenvolvidas partindo da recorrência de um motivo. Pode ser utilizado de forma a criar pontos de interesse e escondendo possíveis imperfeições. Um exemplo comum de padronagem dentro de projetos de interiores são os revestimentos em paredes. A seguir a imagem nos permite a visualização de padronagens em revestimentos. FIGURA 12 – REVESTIMENTOS CRIANDO PADRONAGENS Vimos neste tópico que existem diversos elementos que norteiam os projetos de interiores. A variação nesses elementos pode ser visual ou táteis, a união desses elementos pode criar sensações no ambiente de forma coerente que sejam agradáveis aos que fazem utilização do ambiente. Observamos que linhas podem trazer a ideia de aumentar ou diminuir um ambiente, criar pontos de observação entre outras sensações. 46UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 46UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos 3. EQUILÍBRIO VISUAL NO PROJETO Conseguirharmonizar através do mobiliário um ambiente pode ser desafiador, ao criarmos o layout, precisamos pensar no posicionamento dos móveis, quadros, revestimentos, objetos decorativos e demais elementos. Veremos nesse tópico como podemos transformar esse desafio em algo mais harmônico dentro do ambiente. A respeito dos equilíbrios visuais o autor Gomes Filho (2004), que escreveu o livro “Gestalt do Objeto”, comenta: O equilíbrio é o estado no qual as forças, agindo sobre um corpo, se compensam mutuamente. Ele é conseguido, na sua maneira mais simples, por meio de duas forças de igual resistência que puxam em direções opostas. Esta definição física é aplicável também ao equilíbrio visual. O sentido da visão experimenta equilíbrio quando as forças fisiológicas correspondentes no sistema nervoso se distribuem de tal modo que se compensam mutuamente (GOMES FILHO, 2004, p. 57). A experimentação do equilíbrio através da visualização também é abordada por Gurgel (2013), segundo a autora comenta que nós experimentamos esse equilíbrio quando “a capacidade dos elementos de chamar nossa atenção e seus respectivos pesos visuais (elementos arquitetônicos ou mobiliário) neutralizam-se. Chamamos de peso visual o impacto psicológico causado por um elemento” (GURGEL, 2013, p. 31). O profissional que irá elaborar um projeto de interiores deve preocupar-se em organizar os pesos dos elementos, a fim de buscar uma neutralização e equilíbrio do ambiente. 47UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 47UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos Outra autora que comenta a respeito do equilíbrio é Clarice Mancuso (2012), segundo a autora o equilíbrio consiste em “manter as partes compensadas” (MANCUSO, 2012, p. 74), esse equilíbrio não quer dizer a respeito de colocar móveis em quantidades iguais no ambiente, mas utilizar de móveis e objetos decorativos que tenham ao invés de mesmo peso, a mesma sensação de peso visual. O peso visual é algo que pode se dar em diversas formas e cores, assim o profissional consegue utilizar de inúmeras possibilidades para fazer o equilíbrio dos ambientes. Vamos analisar agora caro (a) aluno (a) os tipos de equilíbrios visuais existentes para guiar seu projeto de forma a projetar ambientes com sensações adequadas ao cliente. 3.1 Equilíbrio axial Aplicando o equilíbrio visual ao projeto de interiores podemos falar sobre a simetria rigorosa e a simetria aproximada. A autora Clarice Mancuso (2012) comenta que na simetria o meu ambiente está dividido por um eixo que deixam os lados com as duas partes iguais. Já quando falamos sobre simetria rigorosa existe o mesmo eixo imaginário que divide o meu ambiente em duas partes exatamente iguais, a seguir observamos figuras com simetrias. FIGURA 13 – SIMETRIA RIGOROSA QUARTO 48UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 48UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos FIGURA 14 – SIMETRIA RIGOROSA BORBOLETA É comum encontrarmos na natureza exemplos de simetria rigorosa, como exemplo da figura anterior a borboleta, dentro de projetos de interiores, e também encontramos em alguns projetos esse tipo de simetria, geralmente empregados em ambientes que desejam passar a sensação de um estilo mais clássico. A simetria aproximada um outro modo de simetria encontrada também apresenta a característica do eixo central, porém suas partes não precisam ser iguais, ela necessita que apenas seja apresentado um equilíbrio por meios dos pesos visuais. FIGURA 15 – SIMETRIA APROXIMADA 49UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 49UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos Observando a imagem anterior podemos notar que os dois lados são diferentes quando dizemos a respeitos dos itens que eles contêm, porém, observamos que o peso dos elementos é equilibrado. O equilíbrio é obtido através das cores utilizadas nos materiais, das formas nos itens e objetos decorativos. Nessa simetria aproximada temos a sensação de um ambiente mais descontraído, ele quebra a simetria rigorosa e sua rigidez. 3.2 Equilíbrio radial Nas formas anteriores de simetria, tínhamos um eixo imaginário no sentido horizontal ou vertical, quando falamos do eixo na simetria radial ele se encontra ao centro. Gurgel (2010) comenta que “esse equilíbrio é conseguido quando os elementos compositivos estão harmonicamente dispostos segundo um movimento circular, ao redor ou na direção de um centro de interesse”. Encontramos de forma corrente essa simetria em itens como mandalas, onde o desenho acontece a partir de um centro e vai se ampliando. Dentro dos projetos de interiores, podemos encontrar essa simetria de forma mais comum em ambientes como sala de jantar e estar em mesas e poltronas. FIGURA 16 – SIMETRIA AXIAL 50UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 50UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos O eixo nesse caso de simetria está posicionado na mesa de jantar e as cadeiras formam uma simetria radial a partir desse centro. Nesse caso, ainda podemos considerar uma simetria no sentido vertical da imagem, ou seja, elas podem ser complementares. 3.3 Equilíbrio Oculto Nessa forma de equilíbrio para o projeto de interiores não existe um eixo que pode ser observado e que faça a distribuição no peso da imagem, assim o ambiente fica assimétrico. O equilíbrio é de forma livre e sem simetrias e identificamos nas cores e formas os elementos presentes no ambiente. Ching (2006, p. 141) comenta “uma composição assimétrica deve levar em consideração o peso visual ou a força de cada um de seus elementos”. Conforme observamos nesse tópico a respeito do equilíbrio visual você como profissional já está apto a desenvolver seus projetos de forma equilibrada visualmente, então, tome cuidado para não criar ambientes desequilibrados e caóticos se não for a intenção que você deseje transmitir no ambiente projetado. Uma dica importante que você, aluno (a), deve levar em consideração é analisar sites e revistas a harmonia e o equilíbrio que os ambientes transmitem, olhe com um olhar profissional nos ambientes que você frequenta e tenha sempre em mente que observar faz parte do conhecimento. 51UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 51UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos 4. TENDÊNCIAS Sempre que pensamos em falar sobre tendências, temos a lembrança de que está relacionado ao mundo do vestuário, e que é algo que vai e vem a cada nova estação. As tendências são os lançamentos em cores, recortes, padrões e novidades que podem ser adotados pela grande massa da população naquela estação. Tendência não é algo que é apenas o desejo das pessoas que trabalham com a moda, mas sim são influenciadas pelos acontecimentos da sociedade. A tendência não se baseia simplesmente em replicar o que é divulgado, isso seria uma cópia, mas sim é a transformação das manifestações, sensações e sentimentos humanos. Dentro dos projetos de interiores, temos fatores externos históricos, ideológicos e temporais que podem influenciar nas tendências de projetos, exemplos como os hippies, a queda do muro de Berlin na Alemanha e nos Estados Unidos a bandeira do país na decoração após o 11 de Setembro. Outro fator que pode interferir diretamente nas tendências em projetos é a influência de outras culturas e de seus modos de vida, cada região tem seus estilos, como exemplo podemos pegar os projetos na região sul do Brasil em contraste com projetos da região norte, no qual em um local o frio é predominante e no outro o calor é o maior condicionante. Dentro da tendência para projetospodemos mencionar elementos como: mobiliários, decorativos, equipamentos, mas, para qualquer projeto se iniciar um dos principais pontos que vão compor é a cor. Atualmente a empresa que mais se destaca anualmente com lançamentos de cores tendências no mundo é a Pantone. Uma empresa americana que se tornou a maior referência mundial em comunicação e controle de cores, a empresa está a mais de 50 anos colocando no mercado novas cores e tons (PANTONE COLOR INSTITUTE, 2018, online). 52UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 52UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos FIGURA 17 – COR DO ANO 2022 (PANTONE) Temos também as formas, materiais e texturas que anualmente seguem conceitos do momento histórico que está sendo vivenciado. No mundo todo acontecem feiras que são organizadas com o objetivo de lançar ao mercado os produtos criados a partir das pesquisas de tendências. O maior exemplo dessas feiras é o Salão do Móvel de Milão, conhecido como ISaloni, é o maior evento na área moveleira estando a 50 anos lançando tendências para o mundo todo. Uma ferramenta muito conhecida no Brasil para arquitetos e designers se manterem atualizados sobre as tendências na área é através das mostras de arquitetura, interiores e decoração, a mais famosa do Brasil é a Casa Cor. Esse evento acontece em diversas cidades pelo país e alguns locais pela América. Nesse evento diferentes profissionais, entre arquitetos, designers e paisagistas, montam ambientes completos com base em temas estabelecidos pela organização do evento. Em outro ramo do setor temos a Revestir, um evento no qual as empresas de cerâmicas e revestimentos se reúnem para mostrar a profissionais do Brasil as tendências que irão ser utilizadas pelo seguimento ao longo do ano. 53UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 53UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos SAIBA MAIS Os sistemas unificados de decoração de interiores, ou seja, a harmonia entre a arquitetura, as características ornamentais, os móveis e a tapeçaria, começaram a aparecer pela primeira vez no Renascimento. Fonte: Pmiltonarquitetura. 2018, online. Disponível em: https://pmiltonarquitetura.wordpress.com/tag/re- nascimento/. Acesso em: 16 mar. 2022 REFLITA “Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há também aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol”. Fonte: Pablo Picasso. https://pmiltonarquitetura.wordpress.com/tag/renascimento/ https://pmiltonarquitetura.wordpress.com/tag/renascimento/ 54UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 54UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos CONSIDERAÇÕES FINAIS No estudo dessa apostila o intuito caro (a) aluno (a), era de que você obtivesse um conhecimento maior sobre itens que podem te auxiliar na hora de projetar um ambiente, vimos por exemplo no primeiro tópico sobre as ferramentas como o brainstorming e o painel semântico que irão te ajudar no desenvolvimento do conceito para seu projeto. Logo em seguida no tópico de número dois, vimos os elementos que são composições para o seu projeto, dentre eles citamos as linhas. Através dela, podemos criar sensações dentro do ambiente de acordo com o pensamento que se deseja criar, podemos criar sensações de alargamento, diminuição de altura e até orientar a visão. Também analisamos sobre os pesos dos objetos nos ambientes e a relação com os eixos e simetrias, para isso, o seu projeto será muito mais harmônico e trará a sensação desejada de forma organizada. E por último analisamos sobre as tendências para os projetos de interiores, de onde elas surgem e os itens que influenciam dentro de um projeto. Espero que você tenha ampliado ainda mais seu conhecimento e que esteja um passo mais próximo do seu desejo de se tornar um bom profissional. 55UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 55UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos LEITURA COMPLEMENTAR Metodologias projetuais de design e de design de interiores: conexões no processo criativo Esta leitura busca estudar através dos métodos como projetar um design na sua prática. Demonstra as primeiras propostas de ensino e correntes internacionais que influenciaram o design brasileiro. Fonte: SANTOS, V. H. C. Metodologias projetuais de design e design de interiores: conexões no processo criativo. p.166. 2015. Dissertação (Mestrado em Artes Visuais) – Es- cola de Belas Artes, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2016. Disponível em: https:// repositorio.ufba.br/bitstream/ri/21409/1/Victor_Carvalho_Disserta%c3%a7%c3%a3o.pdf. Acesso em: 02 mar. 2022. https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/21409/1/Victor_Carvalho_Disserta%c3%a7%c3%a3o.pdf https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/21409/1/Victor_Carvalho_Disserta%c3%a7%c3%a3o.pdf 56UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos 56UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Projetando espaços: Design de interiores Autores: Miriam Costa Gurgel. Editora: SENAC; 6ª edição (04 outubro 2017). Sinopse: Projetar e apresentar soluções diferenciadas são os principais desafios desse livro de Miriam Gurgel. Esse manual, imprescindível para profissionais e alunos da área de design de interiores, apresenta de forma objetiva os conceitos e princípios básicos dessa área, e alia a exposição de informações técnicas e teóricas a aberturas criativas, que imprimem organicidade e consistência artística ao planejamento. FILME/VÍDEO Título: Crazy About Tiffany´s Ano: 2016. Sinopse – Uma joia simples, datada de 1837, se transformou em um fenômeno global incomparável. Conheça a história e os clientes da joalheria Tiffany & Co. No documentário, é abordada a importância da cor para a marca, inclusive contando a história de como a Pantone definiu e registrou a cor como exclusiva. 57 Plano de Estudo: ● Teoria das cores; ● As cores e suas psicologias; ● Cores e suas disposições nos ambientes; ● Texturas e o uso da cor. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar sobre a teoria das cores; ● Compreender os tipos de cores, o circulo cromático e suas psicologias para aplicação junto aos projetos de interiores; ● Conceito sobre a aplicação dos esquemas de cores nos ambientes projetados; ● Aplicação e utilização de texturas em projetos de interiores bem como o uso da cor em espaços comerciais. UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos Prof. Pedro Henrique 58UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos INTRODUÇÃO Bem-vindo querido (a) aluno (a)! Nessa nova unidade que estudaremos a partir de agora veremos informações a respeito das cores. Elas são de suma importância em nossos projetos pois podem transmitir informações, equilibrar ou desequilibrar o nosso ambiente e transmitir fortemente sensações, as cores são importantes para nós profissionais arquitetos ou designers de interiores, com elas podemos deixar um ambiente mais agitado ou mais calmo, ajudar na experiencia de estímulos em ambientes de trabalho. Tudo ao nosso redor está colorido, vivemos em um mundo em que a cor nos afeta diretamente. Considerando o tempo que nós passamos dentro de espaços fechados, é indispensável ao profissional que ele tenha um conhecimento adequado sobre as cores e suas psicologias, bem como seus esquemas e combinações e formas de aplicá-las corretamente no ambiente. Nessa nova unidade você irá aprender como funciona o círculo cromático, possíveis esquemas de cores, suas temperaturas, bem como seu poder de influênciana psicologia das pessoas. Portanto caro (a) aluno (a), mergulhe nesse mar de cores, iremos contribuir na sua formação e te mostrar o poder que você enquanto profissional terá de influenciar as pessoas através das cores em um projeto. 59UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos 1. TEORIA DAS CORES Durante nosso estudo não iremos abordar definições científicas sobre o estudo da cor, mas sim veremos conhecimentos básicos que você enquanto profissional deverá conhecer sobre o estudo da cor, dessa forma poderá aplicar esse conhecimento em seus projetos de forma correta, garantindo ao cliente uma correta utilização para cada ambiente e função. Da mesma forma como estudamos sobre os pesos visuais nas unidades anteriores, vimos que existem elementos que contribuem para harmonizar e equilibrar o ambiente, também dessa forma a utilização da cor pode influenciar nos estímulos dos sentidos humanos, através da cor podemos causar uma sensação de relaxamento, utilizar da cor para causar um estimulo no aumento do apetite e podemos até através das cores trazer sensação de alegria. Gurgel (2010, p. 61) comenta que: Podemos afirmar que, num projeto, as cores são em grande parte responsáveis pelo humor das pessoas que trabalham em determinado ambiente. Sabemos que as cores atuam em nosso subconsciente, fazendo que nos lembremos de determinadas sensações e influenciando, assim, nosso estado de espírito. De acordo com a autora, as cores têm forte influência sobre as pessoas e isso pode garantir sucesso na hora de projetar um ambiente. Ainda sobre as cores, Gurgel (2013, p. 254) comenta: “-Influenciar nosso estado de espírito. -Criar diferentes atmosferas. -Alterar visualmente proporções de um ambiente e corrigir imperfeições arquitetônicas. -Aquecer ou esfriar um ambiente. -Valorizar e criar centros de interesse”. 60UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos Como podemos observar segundo a autora, a cor dentro de um projeto é de grande importância, pois ela pode ajudar a solucionar problemas, mas se utilizada de forma incorreta, pode gerar certos problemas no ambiente. Imagine uma região do país onde o calor é predominante durante o ano e o profissional utilizou sem estudar alguns tons de cores quentes, imagine a sensação aumentada no ambiente devido a cor utilizada (veremos adiante mais sobre as sensações que as cores transmitem). Vivemos em um dos séculos mais coloridos, segundo a autora Mancuso (2012) comenta que: [...] não tem exigência de material, é apenas sensação produzida por certas organizações nervosas sob a ação da luz; mais precisamente, é a sensação provocada pela ação da luz sobre o órgão da visão. Seu aparecimento está condicionado, portanto, à existência de dois elementos: aluz que representa o objetivo físico agindo como estímulo, e o olho, aparelho receptor, funcionando como decifrador do fluxo luminoso, decompondo-o ou alterando-o através da função seletora da retina (MANCUSO, 2012, p. 113). A cor é fundamental na decoração de interiores, mas a autora nos demonstra que embora grande parte das outras áreas trabalhem com a cor enquanto luz, o profissional da área de arquitetura ou design de interiores, trabalha com a cor como um pigmento. As sensações cromáticas estão divididas em dois segmentos sendo eles: cores-luz e cores- pigmento. A cor-luz (luz colorida) é a radiação luminosa visível e tem como adição a luz branca. A melhor expressão é a luz solar, pois ela reúne os matizes de forma equilibrada. Quando tomamos de forma isolada as faixas coloridas que o espectro solar compõe, uma a uma, denominamos de luzes monocromáticas. A cor-pigmento é a substância material, que tem a capacidade de absorver, refratar e refletir os raios luminosos componentes da luz. Quando denominamos algo de uma cor por exemplo o azul, é porque a cor teve a capacidade de absorver quase todos os raios de luz branca incidente e apenas a cor azul teve a capacidade de refletir aos nossos olhos. Gurgel (2010) específica as cores da seguinte forma, elas “apresentam três atributos ou dimensões visuais: matiz, valor tonal e saturação” (GURGEL, 2010, p. 62). 1.1 Matiz Matiz segundo Ching (2006, p. 115) é “o atributo pelo qual reconhecemos e descrevemos uma cor, como vermelho ou amarelo”. Para Gurgel (2010, p. 62) “O preto, o branco ou diferentes tons de cinza não são considerados cores. Embora o número de cores seja infinito, encontramos doze matizes representada no círculo cromático”. 61UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos FIGURA 1 – CIRCULO CROMÁTICO O círculo cromático, será o nosso ponto inicial para estudo da cor. Ele foi criado por Isaac Newton em 1666 e desenvolvido por Johannes Itten, professor da Bauhaus em 1920, para utilizar como ferramenta no ensino de artes e design; Itten considera: “[...] a elaboração do círculo cromático um ponto de partida para todo o trabalho com a cor, pois é por sua construção, misturando os pigmentos das cores primárias (amarelo, magenta e azul), que entendemos e classificamos as cores. A disposição das cores no perímetro do círculo deve obedecer ao princípio de complementaridade, ou seja, as cores diametralmente opostas devem ser complementares – o que se verifica pelo resultado da sua mistura: o cinza” (BARROS, 2006, p. 92). Temos três cores que são consideradas como cores puras, ou seja, cores que não podem ser criadas a partir de misturas, pelo contrário todas as outras cores se originam das misturas delas, são chamadas de cores primárias. Dentre elas temos: vermelho (magenta), amarelo e azul. 62UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos Primárias ● Vermelho (magenta); ● Amarelo; ● Azul. Através da mistura dessas três cores temos as cores secundárias, ao total são 3 cores formadas dessa forma. Secundárias ● Laranja – formado através das misturas de vermelho e amarelo; ● Violeta – formado através das misturas de vermelho e azul; ● Verde – formado através das misturas de azul e amarelo. Após as cores secundárias temos as cores terciárias, que são as cores formadas pela mistura das cores primárias e secundárias. Terciárias ● Vermelho-alaranjado – formado através da mistura de vermelho e laranja; ● Vermelho-violeta – formado através da mistura de vermelho e violeta; ● Amarelo-alaranjado – formado através da mistura de amarelo e laranja; ● Amarelo-esverdeado – formado através da mistura de amarelo e verde; ● Azul-violeta – formado através da mistura de azul e violeta; ● Azul-esverdeado – formado através da mistura de azul e verde. Ao analisarmos a Figura 1, notamos que as cores vão se completando e formando o círculo como conhecemos, ao centro temos as cores bases ou primárias e ao final do círculo as terciárias que foi formada a partir da união das outras cores. 1.2 Cores complementares As cores opostas dentro do círculo cromático, são as conhecidas como cores complementares, ou seja, as cores que normalmente são utilizadas para equilibrar as composições quando utilizadas de forma conjunta. Outra característica das cores complementares é que a mistura dessas cores não terá a capacidade de formar novas cores, mas sim um tom acinzentado. Vejamos o círculo das cores complementares. 63UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos FIGURA 2 – CORES COMPLEMENTARES Como cores complementares temos as cores: ● Amarelo e roxo; ● Vermelho (magenta) e verde; ● Azul e laranja. 1.3 Cores análogas As cores análogas são as conhecidas como cores vizinhas dentro do círculo cromático. FIGURA 3 – CORES ANÁLOGAS 64UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos Como exemplos de cores vizinhas podemos citar o amarelo, que tem como cores análogas o amarelo-alaranjado e o amarelo-esverdeado. 1.4 Temperatura das cores Conformejá foi mencionado anteriormente, as cores têm influência até mesmo no sentido para aquecimento e resfriamento de um ambiente. Gurgel (2010) descreve que as cores quentes “além de esquentar visualmente, aproximam as superfícies e são mais energéticas” (GURGEL, 2010, p. 65), a autora ainda comenta que essas cores são indicadas também para ambientes amplos e deve ser usado para encurtar ambientes, se necessário. “Já as cores frias afastam as superfícies e são mais relaxantes, sendo ideais para ambientes pequenos” (GURGEL, 2010, p. 65). FIGURA 4 – CORES QUENTES E FRIAS As cores com tonalidades entre o amarelo e o azul-violeta são as cores consideradas como cores quentes, no lado oposto entre o azul-esverdeado e o violeta são as cores consideradas como frias. 65UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos 1.5 Valores tonais Gurgel (2013) descreve os tons da seguinte maneira, “variações de uma mesma cor quando se adicionam a ela certas quantidades de branco, preto e/ou cinza” (GURGEL, 2013, p. 256). Essa variação de três cores é conhecida como cores neutras, o branco, o cinza e o preto, com elas podemos harmonizar as outras cores do círculo cromático, já que elas não estão inseridas. Se adicionarmos essas cores obteremos esses tons: ● Adição de branco – tons pastel; ● Adição de cinza – tons médios (Saturação da cor); ● Adição de preto – tons encorpados, ricos e escuros. Até agora analisamos as cores, esse estudo até aqui irá fornecer caro (a) aluno (a) uma introdução sobre as especificidades das cores, iremos ainda conhecer seus esquemas e suas psicologias nos próximos tópicos, dessa forma você será capaz de elaborar projetos com consciência das sensações que a cor transmite e suas diferentes atmosferas. 66UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos 2. AS CORES E SUAS PSICOLOGIAS Neste tópico querido (a) aluno (a), iremos abordar sobre a psicologia das cores, você já entendeu o que é um círculo cromático e suas composições, a partir de agora abordaremos como essas cores influenciam diretamente em nossas vidas cotidianas, a cor tem a capacidade de até mesmo transformar o nosso humor. Se você começar a observar ao seu redor irá observar que em tudo existe um tom e ela está quase que diretamente ligada ao que ela quer transmitir a você. A partir de agora você irá compreender mais a respeito de cada estímulo que a cor pode te provocar. Segundo Mancuso (2012, p. 118 e 119) “Existem inúmeros tipos de personalidades, pessoas calmas ou agitadas, alegres ou tristes, ativas ou pacatas, tímidas ou extrovertidas. Para cada aspecto de nossa personalidade ou até estado de espírito, temos cores relacionadas”. A autora Gurgel (2013) comenta ainda que pessoas alegres estão mais relacionadas as cores quentes, já pessoas fechadas estão relacionadas as cores frias, a autora também acrescenta que em cada cultura a cor pode ter variações no significado. Por isso é importante que o profissional esteja atento ao projetar para pessoas de culturas diferentes da sua, pois é importante que realize um estudo aprofundado na cultura do cliente, para isso ele terá recebido as informações culturais do cliente lá no briefing. Gibbs (2016, p. 114) comenta que “todas as cores formam um espectro eletromagnético e a vibração de cada uma delas tem seu comprimento de onda, que produz diferentes reações físicas e emocionais em cada indivíduo”. 67UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos Para sabermos de forma adequada o que cada cor representa veremos a seguir suas especificidades em suas psicologias. TABELA 1 – PSICOLOGIA DAS CORES ● Violeta Gurgel (2013) comenta que essa cor colabora com o desenvolvimento da percepção. Porém em ambientes dinâmicos deve ser evitado pois pode desencorajar o trabalho físico. Se a cor for utilizada com tons fortes pode deprimir as pessoas. Se essa cor for somada as cores neutras, pode originar interessantes atmosferas. Quando utilizada com sua cor análoga o amarelo, pode gerar ambientes intuitivos, pois ambas podem acelerar o intelecto das pessoas. Em tons pálidos é uma cor que pode ser utilizada para elevação da autoestima, e é indicado para dormitórios e closets. Significado – Sensibilidade, intuição, espiritualidade, bom gosto e sofisticação. Utilização por empresas como: Nubank e Syfy. ● Azul Mancuso (2012) relata que esta é uma cor fria, sua cor é a mais escura entre as primárias, tem analogia com a cor preta e se trata de uma cor profunda. Por lembrar o céu inspira paz interior. Em tons pastel, os azuis podem aumentar a sensação espacial de um local, o seu uso ideal é para dormitórios e ambientes pequenos como banheiros. Em tons claros, pode auxiliar pessoas que possuem um temperamento mais explosivo e agitado. O azul também pode ser utilizado para causar o resfriamento em ambientes quentes, mas deve ser utilizado com cuidado em ambientes já frios. A utilização do azul em tons escuros pode deprimir, já seus tons vivos, podem transmitir paz e estimular o sono. Significado – Tranquilizante, pureza, inocência, repousante. Utilizado por empresas como: Danone e SAP 68UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos ● Cinza Essa cor é a mistura entre o branco e o preto. Gurgel (2013) comenta que está cor está relacionada a idade, outra relação da cor é com o estresse e o cansaço. Utilizar essa cor em ambientes grandes demais pode causar tristeza para o usuário do ambiente. É indicado a sua utilização com cores vivas, pois podem trazer mais dinamicidade ao ambiente. Significado – Estresse, fadiga, profissionalismo e responsabilidade Utilização por empresas como: Mercedes-Benz e Audi ● Vermelho Para Mancuso (2012) essa cor tem grande poder de atração, excitante e alegre, uma cor vibrante e quente, muito utilizada para simbolizar o amor e a paixão. Ao utilizar em excesso em ambientes pode diminuir um ambiente visualmente e também o deixar agressivo. Em ambientes que é necessário criar uma sensação de ambiente quente pode ser utilizado para essa função, em locais de trabalho deve-se tomar cuidado pois pode gerar agressividade nas pessoas. Essa cor é muito utilizada em ambientes de alimentação, porém se for um restaurante em que você não deseja que o cliente se alimente de forma rápida deve ser evitado, ao contrário de restaurantes fast food, no qual se deseja que o cliente não permaneça por longos períodos. Significado – Excitação, Alegria, Romance, acelera o apetite. Utilização por empresas como: Nintendo e Coca-colav 69UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos ● Laranja Gurgel (2010) é a cor que possui a energia do vermelho e a intelectualidade do amarelo. Essa cor estimula a socialização, o otimismo e eleva o espírito. Conhecida também como a cor da criatividade, do humor e da alegria. Seu uso pode ser aconselhado em cozinhas, refeitórios e salas de jantar já que estimula o apetite e a digestão. Por se tratar de uma cor que gera dinamicidade pessoas que possuem agitação devem tomar cuidado ao utilizar essa cor. Quando utilizada em ambientes pode ser trazer sensação de aquecimento e aconchego. Significado – Otimismo, criatividade, alegria e raciocínio. Utilização por empresas como: Gol e Banco BMG ● Amarelo Gurgel (2013) o amarelo é a cor que revitaliza o espírito, representa a riqueza, além de estimular a criatividade, o poder e o intelecto. Conhecida também como a cor da alegria e da diversão. Por transmitir a luz nos ambientes ele é indicado em pequenos espaços e com baixa luminosidade. Como é uma cor que estimula a mente é indicado para locais onde é destinado a leitura, pela manhã é uma cor que ajuda a se ter ânimo, mas não é indicado para ambientes de repouso, seus melhores usos em ambientes são banheiros e cozinhas. Significado– Criatividade, diversão e estimulante. Utilização por empresas como: McDonald’s e National Geographic Channel ● Verde Mancuso (2012) comenta que a cor verde é a mais calma. Muita encontrada na natureza é a sua cor de representação. O verde é considerado uma cor de temperatura neutra, mas se utilizado com sua cor complementar o vermelho pode se tornar estimulante. Quando o verde é utilizado em tons pastel se torna uma cor de sensação de frescor e relaxamento, o seu uso é indicado para salas de espera, reunião e estudos. Significado – Tranquilidade, relaxamento e equilíbrio das emoções. Utilização por empresas como: Spotify e Land Rover 70UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos Fonte: O autor (2022). Nessa unidade então analisamos sobre as cores e suas sensações nas pessoas que vão habitar o ambiente e seus estímulos. Agora então caberá a você caro (a) aluno (a) analisar o briefing que o seu cliente passou e saber sugerir qual cor será ideal ao projeto dele. ● Preto Gurgel (2013) nos comenta que o preto não é considerado uma cor, porém ela influencia da mesma maneira os indivíduos. Porém a cor preta é considera como uma cor negativa em ambientes, mas quando se relaciona a moda ela é vista como uma cor para sofisticação. Por ser uma cor escura é preciso cuidado ao utiliza-la pois ela pode causar uma diminuição na iluminação do ambiente, pode deprimir as pessoas e diminuir espaços. Quanto a composição com outras cores pode ser utilizada com qualquer uma variação de cor. Significado – Sofisticação, luxo e autoridade. Utilização por empresas como: Puma e Nike ● Branco Gurgel (2013) diz que a cor branca é considerada uma cor neutra. Tem como simbologia fé e pureza, essa cor é muito utilizada para aumentar a claridade nos ambientes. Também por ser uma cor clara é utilizada para demonstrar higiene e saúde. Sua utilização é indicada em cozinhas, banheiros, consultórios médicos e dentários. Assim como a cor preta pode ser utilizada em qualquer composição o branco também pode ser utilizado. Significado – Inocência, Paz e Alegria. Utilização por empresas como: Nestlé e Apple 71UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos 3. CORES E SUAS DISPOSIÇÕES NOS AMBIENTES Já sabemos a respeito das cores e suas influências no ambiente, agora caro (a) aluno (a) vamos analisar nesse tópico quais as possibilidades de combinação de cores aplicadas aos projetos de interiores. Veremos esquemas de cores acromáticos, neutro, monocromático, triádico, análogo e complementar. O profissional irá determinar o esquema de cores do ambiente, para isso ele deve considerar a psicologia das cores, e para levar em consideração deve pensar qual a sensação que irá transmitir para aqueles que irão ocupar o espaço, é importante também lembrar sobre o equilíbrio visual das formas, objetos e móveis conseguindo assim trabalhar todos de forma unificada. 3.1 Esquema acromático O nome dessa forma de combinação já diz a seu respeito, nesse esquema de colorização do ambiente existe uma falta de cor, as cores utilizadas são o preto, branco e cinza. Gurgel (2010, p. 66) comenta que é “uma opção sofisticada, podendo tornar-se bastante impessoal e ainda transmitir um pouco de autoritarismo e frieza muita utilização de preto. Usar somente o branco pode tornar o ambiente frio, deprimente e cansativo”. Em contraponto a falta de cores, nesse tipo de esquema é importante fazer uso de elementos com textura. Podemos encontrar essa tendência de utilização do esquema acromático em comércios por estar em alta. 72UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos FIGURA 5 – AMBIENTE ACROMÁTICO 3.2 Esquema neutro Nesse esquema de utilização de cores, o neutro é composto por tons terrosos, são esses tons de marrom e bege, esses tons são utilizados quando o profissional deseja passar uma sensação de elegância ao ambiente, suas cores não são nem quentes e nem frias. Esse esquema é “muito utilizado em restaurantes sofisticados e halls de entrada, é uma excelente opção para ambientes onde são expostas obras de arte ou mercadorias de cores vibrantes, á que acentua as peças” (GURGEL, 2010, p. 67). FIGURA 6 – AMBIENTE NEUTRO 73UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos 3.3 Esquema monocromático Diferente do esquema acromático, no monocromático nós temos a utilização de apenas uma cor no ambiente, podendo variar suas tonalidades. Gurgel (2010) comenta que esse esquema é: utilizado em home offices, lojas e consultórios. Ideal quando se deseja ressaltar a propriedade especifica de uma cor, como, por exemplo, a tranquilidade do azul-claro em um consultório dentário, a força no vermelho na parede de uma loja com pé direito duplo, etc (GURGEL, 2010, p. 68). Ainda sobre a utilização do esquema monocromático é a possibilidade de se utilizar as cores neutras como branco, cinza e preto em sua composição. FIGURA 7 – AMBIENTE MONOCRÁTICO 3.4 Esquema complementar Como o próprio nome já indica é a utilização de cores complementares no ambiente, seguindo o círculo cromático analisamos as cores que se complementam e aplicamos ela no ambiente. De acordo com Gurgel (2010) por se tratar de cores opostas “faz uso de cores contrastantes, podendo criar combinações vivas e vibrantes, cheias de energia, ideais para shoppings centers, lojas de varejo ou qualquer outro tipo de ambiente comercial que se beneficie com essa energia” (GURGEL, 2010, p. 68). 74UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos FIGURA 8 – AMBIENTE COMPLEMENTAR 3.5 Esquema triádico Utilizando das cores primárias do círculo cromático segundo a autora Gurgel (2010, p. 10), esse esquema é indicado em “ambientes comerciais amplos e que necessitem de uma atmosfera dinâmica, como por exemplo, escolas, academias de ginástica, creches, etc.” A preocupação na utilização desse esquema é deixar o ambiente carregado demais e não atrativo, para isso pode se combinar com tons pastel ou então tonalidades mais fechadas. FIGURA 9 – ESQUEMA TRIÁDICO 75UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos 3.6 Esquema análogo Da mesma forma que o esquema anterior se baseou nas cores primárias, o esquema análogo se baseia na utilização de cores análogas do círculo cromático, as cores análogas são aquelas vizinhas. Gurgel (2010) comenta a respeito que ele “pode criar ambientes bem interessantes, já que as cores análogas parecem estar “uma dentro das outras”. Pode ser utilizado para aquecer (análogas quentes) ou esfriar (análogas frias) ambientes” (GURGEL, 2010, p. 70). Estudamos então, algumas possibilidades disponíveis de esquemas de cores para você caro (a) aluno (a) utilizar em seus projetos de interiores, você deve se lembrar de levar em consideração o perfil do seu cliente obtido pelo briefing, a psicologia das cores e a sensação que o cliente deseja e o equilíbrio visual do ambiente para não acontecer uma desordem. Comece a criar pequenas combinações de cores que você ache interessante, observe ao seu redor os esquemas e composições de onde você frequenta e as sensações que você absorve nelas. Lembre-se que o projeto precisa de técnica além de criatividade, aperfeiçoe as suas para ter resultados cada vez mais positivos. 76UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos 4. TEXTURAS E O USO DA COR 4.1 Texturas As texturas são elementos que estão presentes em tudo que temos ao nosso redor, tudo que tocamos observamos sua textura, essas podem ser lisas ou porosas, é costume observarmos texturas em madeiras, paredes, concreto e tecidos. O profissional que trabalha com design de interiores deve observar sempre como trabalhar as texturas além das cores. É comum observamos em projetos o conceito clean associados apenas as cores,e algumas vezes sem elementos por cima, pensando que conforto e requinte se encontram dessa forma, porém o contrário pode ser observado. Nem todos os profissionais sabem trabalhar com texturas ou até mesmo sabem o que são texturas, mas quando resolvem aplicar os conceitos envolvidos no uso da textura acabam se surpreendendo com o resultado. Para garantir um espaço visualmente atraente diversos elementos, incluindo cores, formas, padrões, linhas e texturas, são usados para tornar um espaço visualmente atraente. Eles constituem essencialmente a base de toda esta arte e apostam no equilíbrio para criar um espaço acolhedor e convidativo. Mas dentro do conceito para designers o que é a textura? Basicamente o conceito de textura é o tipo de superfície do material empregado. Observemos alguns tipos de texturas que podemos observar em almofadas por exemplo, elas podem ser lisas, sedosas e conter bordados. Se observarmos os diferentes tipos de texturas existentes podemos assim como a cor utilizá-las para criar sensações no indivíduo que fará seu uso, como 77UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos exemplo podemos citar sensações de calor ou até mesmo frio através da textura. Então você como profissional querido (a) aluno (a) deve se preocupar para não tomar decisões erradas em relação as texturas que irá compor o seu ambiente. FIGURA 10 – SOFÁ E ALMOFADA TEXTURIZADA Um ambiente que não possui textura pode ser um ambiente sem vida, ou seja, sem estímulos para as pessoas que convivem nesse ambiente. Segundo Gurgel (2017) as texturas “[...] são elementos importantes que ajudam na composição da atmosfera e do caráter de um ambiente, [...] e todos os materiais apresentam algum tipo de textura” (GUR- GEL, 2017, p. 36). Então diante da importância na composição do ambiente, as texturas quando usadas de forma correta irá garantir até mesmo pontos de interesses, em espaços corporativos por exemplo é um dos locais em que é muitas vezes essencial criar esses pontos de interesses, atuando de forma sensorial e as vezes até mesmo como auxiliador no conforto acústico. [...] uma mesma superfície, dependendo da textura com que for revestida, pode causar diferentes reações ou sensações. Uma mesma textura, dependendo do tipo de iluminação que receba, pode ser percebida de maneiras diferente (GURGEL, 2017, p. 36). Quando se trata de projetar um ambiente ou até mesmo uma casa inteira, muitos elementos de design têm precedência, como cores e móveis. Porém muitos profissionais esquecem que o projetar um ambiente vai além desses dois itens. Na verdade, se você como profissional se concentrar apenas nesses dois itens seus resultados parecerão ser inconsistentes, planos e desprovidos de calor e muitas vezes precisa retornar ao projeto inicial. Nessas horas, o uso da textura pode ser como um coringa no seu projeto de interiores. Texturas podem destacar e distinguir diferentes objetos e superfícies, através do efeito da transformação da luz e escala e comunicar um design específico. 78UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos Agora que já sabemos a importância da textura para o projeto de interiores vamos analisar alguns materiais que podemos usar e que possuem texturas atraentes para seu projeto? 4.2 Tipos de texturas Como profissional você precisa conhecer as texturas e como poderá utilizar em seu projeto de interiores, buscando tirar o melhor proveito de cada tipo, isso irá te ajudar a dizer se é condizente com o seu projeto e o que ele quer transmitir. Existem dois tipos de texturas as táteis e as visuais. A textura visual é aquela que atrai o espectador imediatamente, é uma textura vistosa e atraente. Por outro lado, as texturas táteis, além de atrair a atenção, sempre criam a necessidade de ser tocada (superfícies de veludo, por exemplo, evocam o desejo de ser tocadas). Se você deseja causar sensação de decoração especifico, por exemplo, algumas texturas ajudam a transmitir essa decoração. Utilizar texturas lisas, suaves e brilhantes são muito utilizadas no design moderno, já quando o profissional deseja passar um efeito mais rustico para seu projeto ele tende a utilizar superfícies ásperas ou naturais. FIGURA 11 – COZINHA COM DESIGN MODERNO E TEXTURAS LISAS 79UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos FIGURA 12 – QUARTO COM TEXTURAS DE RÚSTICAS DE MADEIRA Vejamos alguns elementos que possuem diferentes texturas e que influenciam no seu projeto: ● Tijolo: Esse elemento utilizado na construção civil possui diversas variações, seu uso tem feito parte dos projetos de interiores no passado e como tendência voltou a ser utilizado em suas variações nos dias atuais. Utilizado na forma de tijolinho a vista ele trazia um visual rústico para o ambiente interno e externo de projetos arquitetônico e de interiores, hoje como detalhes em paredes ele traz modernidade e rusticidade aos ambientes. FIGURA 13 – AMBIENTE MODERNO COM TIJOLINHO APARENTE 80UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos ● Madeira: Um dos elementos naturais mais utilizados em projetos de interiores, esse material pode trazer uma sensação de modernidade através de seus subprodutos como o MDF, conhecido por ser possível dar a textura e a colorização que se desejar a madeira. Mas a madeira também pode ser utilizada no seu estado natural, cada madeira possui uma textura e uma colorização natural diferente devido a sua forma natural e espécie de árvore. FIGURA 14 – LIVING COM ELEMENTOS EM MADEIRA TOM NATURAL ● Metal: Por ser um material mais frio e que nos remete a sensação de industrial é muito utilizado para arquiteturas mais modernas e no estilo industrial, que teve muitos adeptos em regiões nas quais após o fechamento de diversas fábricas os espaços voltaram a ser habitados e assim profissionais pelo mundo todo tentaram manter as lembranças do passado do local. FIGURA 15 – QUARTO EM ESTILO INDUSTRIAL COM ELEMENTOS EM METAL 81UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos Caro (a) aluno (a) o jeito ideal para começar a fazer utilização de texturas é começar a observar esses elementos ao nosso redor assim como as cores, sinta o toque dos elementos nos projetos e pense na sensação que aquele item irá trazer ao seu cliente, dessa forma a assertividade do seu projeto será muito maior. Um dos itens que muitos profissionais trazem texturas é através dos tecidos então utilize com sabedoria os diversos materiais que você tem em suas mãos. 4.3 Uso das cores Observamos até aqui nessa unidade o início das cores primárias e suas derivações, também vimos como elas podem ser utilizadas no espaço para projetos e as sensações que cada uma oferece aos usuários do ambiente. Também vimos combinações possíveis de cores através do círculo cromático, mas como podemos aplicar essas cores em nossos projetos, sejam eles residenciais ou comerciais? Agora iremos analisar como podemos utilizar em cada um desses locais as cores e suas funções. 4.3.1 Uso das cores em ambientes corporativos A cor é, sem dúvida, uma importante ferramenta a disposição do designer, por ser um dos elementos que são primeiros percebidos em um ambiente, a cor muda imediatamente uma atmosfera. Ela pode transformar um ambiente em acolhedor, convidativo, espaçoso, fresco, entre outras sensações que as cores podem proporcionar. Em um ambiente empresarial, a qualidade de vida é um fator fundamental que afeta diretamente os resultados. Planejar um ambiente confortável, atendendo plenamente as necessidades dos colaboradores e permitindo o desenvolvimento das atividades, estimulando a criatividade, força de vontade e produtividade. Para a autora Gurgel (2014) o uso da cor influencia o bem-estar dos indivíduos, ela comenta: [...] a escolha corretar de um esquema de corespode significar o sucesso de um projeto, pois ele pode interferir diretamente no espaço – tanto na concepção espacial propriamente, alterando visualmente suas dimensões e formas, quanto nas sensações e nos estímulos (produtividade, conforto, satisfação, entre outros) de seus usuários (GURGEL, 2014, p. 62). A partir disso devemos ter consciência de que a cor não deve ser utilizada nesses tipos de espaço apenas para cunho estético, já que a cor influenciara diretamente na forma como os colaboradores atuarão. Vimos que a cor deve ser vista como um elemento ambiental que também ajuda a transmitir mensagens no espaço, o uso correto do projeto cromático é fundamental em espaços corporativos. O uso da cor em combinação com materiais e texturas podem transmitir mensagens agradáveis ou desagradáveis, a cor não pode ser considerada como um elemento isolado, mas sim um elemento essencial no design. 82UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos FIGURA 16 – SALA DE REUNIÃO COM COR AMARELA ESTIMULANTE PARA A CRIATIVIDADE SAIBA MAIS Não é demais repetir que a cor é uma realidade sensorial à qual não podemos fugir. Além de atuarem sobre a emotividade humana, as cores produzem uma sensação de movimento, uma dinâmica envolvente e compulsiva. Vemos o amarelo transbordar seus limites espaciais com uma tal força expansiva que parece invadir os espaços circundantes; o vermelho embora agressivo, equilibra-se sobre si mesmo; o azul cria a sensação do vazio, de distância, de profundidade. Fonte: Farina, Perez e Bastos (2011, p. 100). REFLITA A cor é, sem dúvida alguma, a mais importante ferramenta da qual o designer de interiores dispõe. Possui a capacidade de transmitir instantaneamente a atmosfera e o estilo e de criar efeitos visuais. Também é um dos primeiros aspectos percebidos em um ambiente. As pessoas podem não mencionar o esquema cromático de um projeto, mas certamente comentarão que um determinado ambiente é muito acolhedor, cálido, convidativo, limpo, espaçoso, elegante ou intimista – impressões diretamente provocadas pelas tonalidades de cor utilizadas. Fonte: GIBBS, J. Design de Interiores: Guia útil para estudantes e profissionais: São Paulo: GG Brasil, 2016. 83UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos CONSIDERAÇÕES FINAIS Nessa apostila caro (a) aluno (a) vimos como a cor pode influenciar diretamente em nossas vidas, aprendemos desde o seu principio no circulo cromático no primeiro tópico bem como suas derivações, como as cores são dispostas de forma análoga ou complementar e seus tons quentes e frios. No segundo tópico vimos sobre as psicologias das cores, como elas estão ligadas diretamente ao nosso cotidiano e a influência delas no ambiente em que ocupamos. Analisamos sobre os comportamentos da cor em relação ao nosso sentido emocional e como devemos aplicá-las em nossos projetos e ambientes. Também analisamos no terceiro tópico da nossa apostila sobre as disposições das cores nos ambientes, como combinar as tonalidades para criar ambientes aconchegantes, com a harmonia e a sensação que o espaço necessita. Analisamos como utilizar a cor para causar sensações adversas como ambientes mais quentes ou mais frios através da combinação de cores e seus tons. Por último analisamos as texturas e seu uso, vimos diversos tipos de materiais que nos transmitem sensações adversas pela textura tátil ou visual, desde texturas que servem para transmitir sensações de conforto, quanto para transmitir sensações de temperatura. 84UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: O universo da Cor Autor: Israel Pedrosa. Editora: Senac. Sinopse: pintores, artistas gráficos, programadores visuais, fotógrafos, figurinistas, decoradores, vitrinistas, desenhistas, cenógrafos, estilistas, enfim, todos os profissionais que trabalham com imagens e cores têm aqui um livro exemplar sobre o tema. Israel Pedrosa, artista plástico e pesquisador da cor, convida o leitor para conversar sobre Arte, uma conversa em que as cores conduzem a pauta. Numa linguagem simples, ele esclarece este complexo universo: a natureza da cor, como grandes mestres da pintura a trataram, suas harmonias e contrastes, o decálogo do colorista. LIVRO Título: Da cor a cor inexistente Autor: Israel Pedrosa. Editora: Senac. Sinopse: Da Cor à Cor Inexistente é um livro esplêndido de Israel Pedrosa, pintor senhor de sua arte e que alcança dizer o máximo, e bem, com a maior clareza, sobre as teorias da cor, endereçando-a à prática profissional, à experiência e à paixão de artista. Um livro para artistas, professores e estudantes de arte, para críticos e curiosos das coisas da pintura. Israel Pedrosa, com paixão pelo assunto e responsabilidade profissional, com capacidade excepcional de pesquisador, fez um estudo completo sobre a importância da cor e seus fenômenos interferentes na visão. A pintura em seu amplo setor de expressão (de comunicação), do quadro tradicionalmente concebido, até os mais surpreendentes recursos de técnicas para aguçar os sentimentos estéticos pela só presença da cor. Da cor que é luz. A luz que traz em seus raios a cor. FILME/VÍDEO Título: Crazy About Tiffany´s Ano: 2016. Sinopse – Uma joia simples, datada de 1837, se transformou em um fenômeno global incomparável. Conheça a história e os clientes da joalheria Tiffany & Co. No documentário, é abordada a importância da cor para a marca, inclusive contando a história de como a Pantone definiu e registrou a cor como exclusiva. 85 Plano de Estudo: ● Histórico dos mobiliários; ● Tipos de materiais empregados; ● Mobiliários em espaços internos; ● Desenho de móveis para espaços internos. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e definir o histórico dos mobiliários; ● Estudar sobre os materiais disponíveis para produção de mobiliários; ● Projetar em espaços internos; ● Definir formas de desenho para mobiliários e suas dimensões. UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos Prof. Pedro Henrique 86UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos INTRODUÇÃO Bem-vindo caro (a) aluno (a), o mobiliário tem grande importância dentro dos projetos de interiores, eles servem como detalhes que demonstram os gostos e o tempo em que vivemos, observamos sua importância desde os primórdios do homem habitando espaços. O mobiliário demarca estilos arquitetônicos de sua época e podem até mesmo demonstrar graus hierárquicos dentro de uma sociedade. Nesta apostila iremos estudar quais são esses estilos que influenciaram desde o início dos mobiliários e estilos. Abordaremos também como elaborar um mobiliário utilizando de materiais diversos que podem compor uma boa mobília, existem produtos que levam assinaturas de seus criadores e se tornam verdadeiras referências por séculos. Hoje vivemos em uma época em que o mobiliário interno muito está voltado para móveis planejados, esse tipo de mobiliário está diretamente relacionado ao estilo de vida que temos atualmente, vemos cada dia mais ao redor do mundo preço de imóveis supervalorizando impossibilitando que pessoas de condições mais humildes possam ter lares grandes e espaçosos, por isso o aproveitamento do espaço é de tamanha importância na era que vivemos, nesse sentido que vemos o nascimento dos móveis planejados em todos os espaços da residência. Dentro desse estudo vamos ver como alguns móveis exigem certas regras ergonômicas para que sejam projetados, analisaremos alguns espaços para que o profissional possa desenvolver seus mobiliários garantindo conforto e usabilidade independente do usuário final. 87UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos 1. HISTÓRICO DOS MOBILIÁRIOS Uma boa decoração não se limita apenas ao período em que se vive, é possível que você aprecie um bom designde interiores mesmo que o estilo a que ele está incluso não seja o que você considera como ideal. A partir do momento que conseguimos identificar os estilos de mobiliários que existiram ao longo do tempo, valorizamos muito mais a decoração de interiores tendo para o profissional um significado superior. Conhecer os mobiliários antigos nos permite analisar o estilo de forma adequada, não sendo algo isolado, mas sendo consequência do estilo anterior. Dentro da história do mobiliário não é incomum vendo os móveis evoluindo e adaptando-se a sua época e costumes. Os braços das cadeiras como exemplo no século XVIII encurvaram-se, não para seguir o design das pernas da cadeira, mas como forma de evitar que os vestidos utilizados pela moda da época não ficassem enrugados ao sentar- se. No século XI por exemplo, ao seguir a tendência da arquitetura gótica os mobiliários passaram a adotar formas ogivais, que lembravam as catedrais da época e seu forte sentimento religioso. Faremos um breve resumo sobre alguns estilos que influenciaram os mobiliários. Egípcio – As cadeiras mais antigas, possuíam design em forma de “X”, seu assento era de madeira, couro ou junco e seus suportes imitavam patas de animais. Possuíam baixa altura em relação ao solo devido ao estilo de sentar com pernas cruzadas. Os tronos da época eram decorados com leões ou cisnes. 88UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos Grego – Os gregos faziam grande utilização de itens como mármore, bronze, ferro, madeira e incrustações de ouro em seus mobiliários. Dentre as cadeiras mais famosas dessa época temos a “Klismos” que era construída com pernas e encostos curvos. Romano – Os romanos tinham em suas inspirações as suas conquistas, dessa forma sua arte era nacionalista, luxuosa, realista e monumental. Nos mobiliários possuíam muitos ornamentos, um dos mobiliários mais importantes na época romana eram as camas, pois os romanos passavam grande parte do seu tempo reclinados, para realizarem suas leituras, conversando, dormindo ou até mesmo se alimentando. Gótico – Estilo marcado pelas formas ogivais e precedeu o estilo do Renascimento. Esse estilo é marcado pela grande ornamentação e entalhes nos mobiliários que buscavam sempre passar a sensação de buscar o céu. Renascimento – Os mobiliários dessa época buscam o racionalismo em que se estava buscando nessa fase, sua origem no mobiliário vem da Itália e se inspira na arte clássica. Quando precisam ser móveis luxuosos eles possuem ornamentação sobrecarregada, em contraponto as linhas góticas o estilo renascentista dos móveis trás linhas e planos horizontais. Barroco – Esse estilo preza pelo movimento de massas desproporcionadas e de formas irregulares, outro artificio utilizado é o trabalho entre luz e sombra e o efeito surpresa. Os mobiliários dessa época eram ornamentados exageradamente, praticamente se removia o caráter utilitário do móvel. Rococó – Esse estilo se contrapõe ao barroco, ele é mais homogêneo e possuí itens curvos e ornamentação leves em relação ao seu precedente. Esse mobiliário era concebido por ornamentistas e decoradores. Neoclássico – O mobiliário neoclássico possuí três momentos distintos, no primei- ro momento é utilizado pela classe alta intelectual, apresenta um estilo leve e elegante. No segundo momento da fase neoclássica ele se torna mais pesado e aparatoso, nessa fase o império detinha influência sobre o estilo. Já na terceira fase, sua influência é a crescente industrialização da época. O mobiliário passa a ser um objeto funcional e não uma peça de arte. Os mobiliários sempre fizeram parte do morar, durante as transformações que ocorreram ao longo dos séculos fizeram parte e integraram as transformações que ocorriam dentro dos ambientes, os objetos e mobiliários fizeram parte do modo de agir do homem em seu lar. Em relação aos mobiliários da antiguidade eles passaram a ser visto não apenas como utilitários, mas foram ganhando relação com o indivíduo em seu método de vida particular. 89UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos Dentre os países que mais se destacaram no desenvolvimento do mobiliário temos a França e a Inglaterra, que foram grandes palcos de transformação dos interiores. Perrot (2009) comenta que a sociedade francesa que nos trouxe a moradia como conhecemos hoje, dividida em três setores. Os burgueses queriam realizar suas festas grandiosas em suas casas e para isso, precisavam preservar a sua intimidade, dessa forma desenvolveram os setores sociais da casa, a área íntima em que ficavam os quartos e a área de serviço no qual os empregados trabalhavam e residiam. Na área social estavam os grandes espaços, em que se recebiam visitas e realizavam suas recepções a sociedade, geralmente estes espaços estavam voltados para a rua e possuíam ricas decorações e mobílias ornamentadas, compondo ambientes cenográficos que produzissem um status social, ostentando sua riqueza e sua família. Na área íntima, o oposto ao social ocorria, nesse ambiente cujo se localizavam os quartos eram onde a identidade individual de cada um se demonstrava, nesse ambiente reservado era onde à intimidade se constituía. Benjamin (1994) comenta: [...] se entrarmos num quarto burguês dos anos oitenta [1880], apesar de todo aconchego que ele irradia, talvez a impressão mais forte que ele produz se exprima nessa frase: Não temos nada a fazer ali porque não há nesse espaço um único ponto em que seu habitante não tivesse deixado seus vestígios. Esses vestígios são bibelôs sobre prateleiras, as franjas ao pé das poltronas, as cortinas transparentes atrás da janela. O guarda-fogo diante da lareira (BENJAMIN, 1994, p.117-118). Outro autor Forty (2007) comenta que a forma como passamos a morar após a Revolução Industrial também foi alterada, antes da revolução a casa era cujo nós trabalhávamos, dormíamos e comíamos. Mas após a revolução perdemos a função de trabalhar nas residências, e passamos apenas a ter nossos momentos de lazer, criar os filhos, comer e dormir. Segundo o autor, a casa passa a ser um local no qual buscamos nos repor emocionalmente, eliminando a sensação de trabalho, sofrimento e opressão das fábricas, o lar deveria ser um local de reposição das virtudes perdidas do mundo exterior, “[...] transformar o lar em um lugar de ficção, um lugar onde florescia a ilusão” (FORTY, 2007, p. 140). Os vitorianos utilizaram várias estratégias para criar essa ilusão descrita pelo autor, se criaram padrões e gostos especiais para o design do seu lar, eles buscavam eliminar dentro do lar toda e qualquer associação que pudesse ser feita ao trabalho externo nas fábricas. O ambiente em que se vive se contrapõem pela primeira vez, para o homem privado, ao lugar do trabalho. O primeiro se constituiu no interior, o escritório é o seu complemento. O homem privado, realista no escritório, exige do interior que o mantenha em suas ilusões. Esta necessidade é tanto mais estimulante quando nem pensa em estender suas reflexões mercantis às sociais. Reprime ambas ao configurar seu entorno privado. E assim resultam as fantasmagorias do interior. Para o homem privado o interior representa o universo. Reúne nele o longínquo e o passado. Sua sala é a plateia no teatro do mundo (BENJAMIN, 1973, p. 167-168). 90UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos A transformação do modo de viver se dá não só pela vida público x privado, ela é uma resultante da revolução industrial. Como reflexo direto acontece uma alteração na decoração das casas, assim também os móveis passam por transformações. Essa transformação nos móveis vem para evitar a lembrança do clima frio e industrial, o mobiliário passa a ganhar então cores, macies e aveludados. Dessa forma os ambientes através dos mobiliários vão criando um clima teatral para as salas, naquele momento históricoda revolução os burgueses passavam grande parte do seu tempo nos lares, acabavam por visitar-se entre eles, por isso a moradia passa a ser um local de encontro social. Uma causa que transformou também a forma como os móveis seriam projetados a partir desse período foi a questão sanitária e de saúde. Os móveis anteriormente carregados de estofamentos aveludados, rugosos, formas entalhadas e com muitos detalhes, deram lugar a mobílias mais fáceis de se fazer a manutenção e limpeza após os movimentos de saúde pública que surgiram na Europa e na América. Nos móveis então começam a aparecer os móveis de superfície lisa, linóleo, encerado ou couro, que ajudavam a combater o acúmulo de sujeira e poeira, as técnicas que apareceram para fundir o ferro e fazer barras de ferro também foram um passo à frente na evolução dos mobiliários. No final do século XIX a maioria dos mobiliários já eram praticamente completo por traços higiênicos. Esse mobiliário era característico por poucos ornamentos e grande quantidade de formas geométricas. Outro estilo que surgiu nessa fase foi o Art Nouveau, era uma reação ao estilo racional que a indústria havia empregado através da produção em massa dos mobiliários, esse estilo inspirava-se na natureza e trazia elementos assimétricos, com ornamentações florais que remetiam a trepadeiras, esse conceito buscava contrapor a linguagem fria e racional da industrialização e do conceito de vida racional. No século XX o mobiliário passa a servir como item de conforto, antes essa função era apenas para uma pequena parte da população, mas com a industrialização e a produção em massa os itens começaram a ficar mais acessíveis para todos, os produtos eletrodomésticos passaram a fazer parte do cotidiano de todos para facilitar a vida daqueles que passavam horas nos seus serviços e ao chegar em sua residência precisavam otimizar seu tempo. Durante esse período também houve uma transformação na forma como as mulheres faziam parte da sociedade, devido as guerras os homens passaram a ir para o campo de batalha, restando assim as mulheres assumirem seus postos de trabalhos nos escritórios, lojas e fabricas. Através dessa mudança os eletrodomésticos também se 91UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos tornam essenciais nesses lares para auxiliar a mulher nos afazeres domésticos, com isso as despesas se tornavam superiores tanto para compra quanto para manutenção desses lares, surge então a necessidade de se manter as mulheres nos empregos como auxílio de renda para o lar. Nos Estados Unidos, por volta do ano de 1910, a cozinha foi um dos locais que mais sofreu alterações com esse novo estilo de vida das mulheres, segundo Boyle (1993) comenta que: [...] do forno de ferro fundido e dos fogões a gás e elétrico, maior diversidade de panelas e recipientes, provocaram um aumento e a separação da cozinha. Que gradualmente passou a rivalizar com a sala de estar enquanto ponto focal da vida familiar: agora ela já não ficava no porão como antigamente, mas no andar térreo, perto da sala de jantar. Seu projeto passou a ser cuidadosamente ponderado e suas paredes foram revestidas com papel lavável; as mesas tiveram a altura cuidadosamente planejada para oferecer as condições de trabalho mais propícias (BOYLE, 1993, p. 159). Foi a partir desse momento então que surgiram as primeiras cozinhas planejadas, esses armários passaram ser multifuncionais e fáceis de usar. Materiais começaram a ser desenvolvidos pela indústria para que esses locais de trabalho passassem a ser higiênicos e de fácil limpeza. Dentro da sala de estar um dos itens que passaram a ser destaque foi a televisão, na nova forma de viver das pessoas esse item era fundamental então os mobiliários desse ambiente deveriam traduzir e enfatizar a importância desse eletrônico. A construção de um ambiente doméstico e confortável levou tempo, e as mudanças mais significativas em relação a residência se limitaram ao espaço interno. No entanto, na virada do século, uma revolução estética que incluía uma relação direta entre o ambiente interno e externo estava no horizonte, paralela aos avanços tecnológicos relacionados ao desenvolvimento do conforto humano no lar. Nessa época as pessoas da Europa começaram a buscar por mudanças através de estilos originais e novos, a influência dos modelos antigos já não trazia mais atração das pessoas e por isso algo novo era esperado, se opondo ao passado. Tudo que pudesse ser ligado ao passado deixou de ser aceito, e o modernismo passou então a eliminar os vestígios dos estilos antigos. Rybczynski (1999) comenta que: Um prédio moderno era uma experiência total; não só a disposição interna, mas também os materiais de acabamento, a decoração, os acessórios e a localização das cadeiras eram planejados. O que resultou em cômodos de uma consistência visual que não era vista desde o rococó [...] os interiores mais admirados eram aqueles onde tudo havia sido projetado por um só arquiteto – inclusive a iluminação, as maçanetas e os cinzeiros. E é claro, os móveis, especialmente os móveis (RYBCZYNSKI, 1999, p. 109). 92UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos Como resultado, o espaço de vida do indivíduo moderno deve ser adaptável e flexível, permitindo trocas e muitos usos. Esse espaço pode mudar junto com seus habitantes e ganhar vida própria, transformando-se em perpétua reflexão de identidades, tornando-se a materialização de um espaço vivo, existencial. Quem estabelece e comanda é os indivíduos e suas necessidades. Os móveis tais como um exemplo o cofre, aquele móvel primeiro, com suas relíquias contidas em seu interior, que ora tinha suas funções de uso, ora funções apenas estéticas e simbólicas, guardando segredos e propondo relações, criam e recriam realidades. Recria a fronteira entre o privado e público. São aqueles móveis que falam de si próprio, de sua memória, sonhos, medos e valores. O móvel é participante ativo no modo de morar, não existe lar ou morar sem mobiliário, ele se faz presente desde os primórdios e sua função foi ao longo do tempo sendo alterada, sempre mantendo suas características de uso, mas com estética e aparência modificada ao longo dos séculos. Podemos dizer que segundo Argan, o móvel “vale do significado que lhe atribui quem dele tem necessidade e por ele desejo, e a relação já não é normativa, como se o objeto levasse em si instruções para o seu uso, mas também empatia e simpatia” (ARGAN, 1992b, p. 257). 93UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos 2. TIPOS DE MATERIAIS EMPREGADOS Como você deve saber são diversos os tipos de materiais existentes no mercado para produção de um mobiliário, as possibilidades de mescla entre eles são infinitas, sendo assim é compreensível que um profissional não consiga conhecer todos os materiais disponíveis, mas sabemos que para conseguir fazer uma pesquisa, buscar variedades e novidades, é preciso conhecer os tipos básicos de materiais disponíveis para sabermos o caminho que seguir na buscar por novos materiais. Nesse tópico veremos então sobre tecidos inicialmente, desde sua fabricação, prin- cipais aspectos na hora da escolha. Veremos também a respeito do vidro, sua utilização e seus acabamentos. 2.1 Tecidos Os tecidos são muito versáteis na elaboração de um mobiliário, eles estão presentes principalmente naqueles utilizados como assentos. Para um profissional que irá trabalhar no desenvolvimento de um mobiliário deve conhecer a respeito desse material e seus usos. Para Grimley e Love (2016, p. 184) “um tecido, por definição, é um material que foi produzido pelo entrelaçamento de fibras, que são tecidas, tricotadas ou feltradas”. Desta maneira, podem ser classificadas por suas fibras constituintes ou pro sua forma de tecelagem. 94UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto deMobiliários e Objetos Dentro dos tipos de fibras existem as de origem natural, sintética ou químicas, as fibras de origem natural também podem ser classificadas como de origem animal, como a lã, cashmere, seda entre outros. Também temos as fibras de origem vegetal como o algodão, linho entre outros. TABELA 1 - TABELA DE FIBRAS . Fonte: Adaptado de: Grimley e Love (2016). Fibras naturais Características Lã Obtida de uma variedade de pelegos de animais, a lã pode ter texturas tanto extremamente rústicas como suaves. As fibras de lã são onduladas e irregulares, o que faz com que, uma vez tecidas, criam vazios que aumentam o volume do tecido. Seda A seda é obtida do casulo do bicho-da-se- da. Sendo uma proteína natural, uma única fibra de seda tem mais resistência do que um fio de aço da mesma espessura. Ela é muito absorvente e pode ser tingida de muitas cores. Algodão Obtido da baga das sementes da planta do algodão. Suas fibras são ocas e torcidas, como uma fita. O algodão suporta altas temperaturas, absorve bem os pigmentos e resiste à abrasão Linho O linho é feito a partir do floema da planta do mesmo nome. Ele é o mais resistente das fibras vegetais. O conteúdo de cera dessa planta confere brilho à sua fibra, cuja cor natural varia do branco levemente amarelado a um matiz acastanhado Fibras sintéticas Características Náilon Produzida exclusivamente a partir de produtos petroquímicos. Em geral, é empregado nas fibras de carpete e é muito sensível ao calor. Poliéster Produzido com álcool e ácido carboxílico. Amassa pouco e não absorve líquidos. Melhora suas qualidades quando mesclado a outras fibras, como o algodão 95UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos Temos diversas opções para escolha de tecidos, na hora de escolher um deles é importante avaliar suas características e seus atributos, não apenas na estética do material. Vamos ver quais as características que um tecido deve apresentar segundo Grimley e Love (2016). ● Resistencia a abrasão: Corresponde a durabilidade de um tecido. Isso quer dizer a quantidade de vezes que um tecido suporta a fricção entre ele. ● Absorvência: É a capacidade que o tecido tem de absorver a umidade. Isso tem influência na hora de realizar a manutenção e limpeza do tecido, evitando que ele sofra alterações em suas fibras. ● Transparência acústica: É a forma como o som se comporta através de um tecido. Isso terá influência da trama que a fibra oferece. ● Resistencia ao fogo: Item muito importante ao se considerar a confecção de um mobiliário, pois é o grau de resistência de um tecido ao calor e as chamas. Caro (a) aluno (a) é importante que você conheça além de conhecer sobre os fios, tenha conhecimento sobre os tipos de tecelagem, nada mais é do que a forma como é realizado o trançado dos fios, que forma os tecidos. Existem vários tipos de tramas, sendo as mais utilizadas a trama simples, que é utilizada para elaboração do algodão, do percal, de organza de seda, indicado para uso em drapeados, estofamentos e roupas de cama; entrelaçada de cesta, que produz o Oxford, podendo ser utilizado em lençóis e travesseiros; a entrelaçada de sarja, que dá origem a sarja, gabardina e o brim, que é indicado para estofamentos, travesseiros e almofadas. 2.2 Vidro O vidro é um material de aparência frágil, mas ao contrário do que se parece ele é um elemento muito resistente e se tratando de projeto de mobiliário apresenta grande versatilidade. Ele pode ser utilizado como item principal do mobiliário ou como detalhe. Muito utilizado por profissionais em móveis planejados como porta ou bancada e o mais comum o tampo de mesa. O vidro pode passar por um processo em sua fabricação conhecido como têmpera, nesse processo o vidro é aquecido a altas temperaturas, e, na sequência, resfriado. Esse processo de fabricação do vidro eleva muito a sua resistência em relação ao vidro comum, mas esse resultado de vidro temperado é conhecido de forma errada por vidro Blindex, ocorrendo que na realidade esse nome é de uma marca que produz vidros temperados mundialmente conhecida. 96UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos O vidro pode passar por diversos tipos de acabamentos entre eles a serigrafia, gravado, adesivado, entre outros. Ele pode ser um vidro de segurança ou um vidro temperado, suas bordas também podem passar por acabamentos. Em relação ao acabamento podemos levar em consideração duas características, que é quanto ao seu canto e a sua lapidação. Quanto aos cantos é a forma como os cantos receberá o acabamento podendo ser do tipo: reto, moeda, garrafa, chanfrado, ene, eme, Luiz XV, tartaruga ou hélice, sem os últimos menos comum. Em relação a sua lapidação o vidro pode ser lapidado de vários tipos como: reta, meia cana, bisotê, 2g, 3g e og. Sendo os três últimos menos comum de ser utilizado. Outro item que pode ser compreendido como uma variação do vidro é o espelho, esse item é muito admirado como elemento decorativo. O espelho apresenta os mesmos acabamentos de cantos e lapidação dos vidros, podendo ainda receber molduras. Outra forma de se utilizar o espelho é colorido como o bronze, que transmite aspecto de decoração. 2.3 MDF e MDP Medium Density Fiberboard ou Fibras de Média Densidade: esse é o nome que recebe o MDF que conhecemos, um material uniforme resultante de aglomerados de fibras de madeira com resina. Por não possuir orientação em relação as fibras permitem que a madeira seja manuseada facilmente. Características: ● Manuseabilidade idêntica à madeira; ● Pode receber revestimento de qualquer tipo; ● O corte pode ser realizado em qualquer sentido; ● Ecologicamente Sustentável. Medium Density Particleboard ou Partículas de Média Densidade: assim denominada o MDP. É constituída por três camadas de madeira em pedaços triturados, dentre as madeiras utilizadas geralmente está o pinus, esses pedaços conhecidos como cavacos e constituído por duas camadas externas finas e uma interna mais grossa. Esse material devido a sua composição é indicado para mobiliários retilíneos como: mesas, estantes, armários entre outros. 97UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos Características: ● Resistente e ótimo para estruturas; ● Ideal em cortes retos; ● Maior resistência ao empenamento; ● Maior resistência à água. Esses dois materiais muito empregados nas marcenarias são produtos parecidos, porém o que os diferencia é a forma como as fibras são produzidas, a vantagem da utilização desses materiais na fabricação de móveis é a sustentabilidade oferecida, já que a matéria- prima utilizada vem de madeiras de reflorestamento. 2.4 Metais O metal dentro dos mobiliários é encontrado já tem alguns séculos, esses metais desde alumínio, aço inox, aço carbono, cobre, latão e até mesmo o ferro transformam os mobiliários e ambientes. O metal é comum de ser encontrado em detalhes, que trazem brilho e polimento aos designs, assim como resistência e durabilidade. Veremos alguns dos tipos de metais existentes e que proporcionam beleza estética a itens de decoração. ● Alumínio O alumínio tem acabamento fosco, semelhante ao aço inoxidável. No entanto, é mais leve e fácil de trabalhar e menos resistente que o aço inox. O alumínio é um material resistente a corrosão, porém ele pode sofrer processo de oxidação, resultando em um resquício branco. Ele é indicado para se utilizar em áreas externas devido as suas propriedades que não permitem a passagem de luz, oxigênio e umidade. Devido a sua flexibilidade encontramos ele de forma ampla em peças de design assinado, ele também permite pinturas e acabamentos, o que traz ao mobiliário beleza e requinte. ● Aço Inoxidável Contém em sua composição uma liga de carbono, ferro, cromo e outros metais, podemos encontrar esse material em diversos locais da casa, por se tratarde um metal que não causa corrosão, não enferruja e não oxida, esse material é utilizado em locais onde a higienização é essencial como pias, mesas e demais locais necessários. O aço inoxidável é um produto de baixa manutenção. 98UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos ● Aço Carbono A fibra de carbono pode conferir maior resistência, durabilidade e valor estético, além de outros benefícios, com esse item pode ser trazer visual moderno que pode ser adaptado a diversos ambientes. Com seus diversos acabamentos e tintas, o aço carbono alcança grande sucesso na decoração. ● Cobre O cobre é uma excelente forma de aquecer um ambiente frio com tons neutros ou brancos, esse tipo de ambiente é mais comum em cozinhas e banheiros. Por possuir uma cor laranja avermelhada, encontramos itens nesses ambientes que possuem esse material como matéria-prima. O cobre é antimicrobiano e resistente a corrosão, mas ele pode ser oxidado e com o tempo sua tonalidade pode ser alterada para um azul esverdeado, mas esse problema pode ser evitado se o item for coberto por cera de abelha ou cera de carnaúba. ● Latão Uma mistura de duas ligas o cobre e o zinco, pode ser elaborado em diversas tonalidades como vermelho, amarelo, ouro, bronze e marrom. Esse produto é encontrado em maçanetas e torneiras devido sua ação antimicrobiana. ● Ferro Forjado O ferro forjado é aquele que foi martelado ou dobrado até adquirir a sua forma, ele possui um acabamento grosseiro e utilizado em ambientes que deseja se passar a sensação de rusticidade. Por ser um material muito resistente a corrosão é utilizada normalmente para criar produtos da área externa. Também podemos classificar os metais segundo seus acabamentos, essa forma de utilização gera mais personalidade ao item desenvolvido. Os acabamentos em metais mais utilizados são: ● Polido – É o acabamento mais fino do metal, possuí grande reflexibilidade semelhante ao espelho; ● Escovado – Esse acabamento fosco parece ter sido feito com um pincel, confere ao metal um caráter único e se torna ideal em espaços modernos e industriais; ● Acetinado – Semelhante ao acabamento escovado, porém não apresenta o aspecto de pinceladas, o brilho desse acabamento fica entre o fosco e o polido. ● Envelhecido – Geralmente possui tons escuros, ele é um acabamento onde o material parece que resistiu ao tempo; ● Martelado – Esse acabamento possui grande relevo e texturas. 99UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos 3. MOBILIÁRIOS EM ESPAÇOS INTERNOS Nesse tópico vamos abordar sobre mobiliários nos espaços internos de uma residência, iniciaremos comentando sobre as formas de se projetar mobiliários para uma cozinha, esse que é um dos ambientes mais importantes da casa como conhecemos na atualidade. A cozinha deixou de ser um espaço para empregados domésticos para uma área de uso comum da família e de demonstração de carinho por parte de quem prepara o alimento que sustenta a todos, além de ser um espaço de confraternização e recepção. Falando a respeito do layout de uma cozinha devemos analisar o seu uso e itens essenciais para que seja uma cozinha completa, para um projeto bem elaborado de uma cozinha não se pode deixar fazer falta um balcão com pia, geladeira com congelador integrado, fogão de quatro bocas, mesa para duas pessoas ou quatro cadeiras e armários para armazenamento de produtos e materiais a serem utilizados na cozinha. O primeiro passo, sempre, independente do briefing levantado, é o da criação de um layout para mobiliários e equipamentos, e essa definição depende da etapa em que se encontra essa cozinha, sendo já construída, ou ainda em fase de projeto ou construção, já que o ponto de partida de um projeto para uma cozinha deverá ser os pontos hidráulicos do ambiente, ou seja, para que seja analisado se é possível realizar uma mudança ou ele já estará definido. Segundo os autores Gurgel (2013) quanto Grimley e Love (2016) comenta que deve ser adotado a técnica de triangulação entre esses equipamentos em um projeto de cozinha. 100UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos FIGURA 1 – TRIANGULAÇÃO NA COZINHA Fonte: O autor (2022). A técnica de triangulação considera a integração dos equipamentos da cozinha de forma a realizar o melhor desenvolvimento das atividades realizadas na cozinha, esse tipo de layout é amplamente utilizado e independente do modo como a cozinha está projetada em relação a tamanhos pode ser aplicado. O ideal é que a distância entre os três equipamentos seja inferior a 6,5 metros lineares, pois ao longo do dia esse percurso será realizado por diversas vezes o que pode tornar o processo cansativo, levando em consideração ainda que a distância entre a pia e a geladeira deve ser a menor entre eles. Após utilizarmos a técnica de triangulação, outra técnica que vamos analisar que é utilizada no projeto de interiores para cozinhas é o de setorização por zonas de trabalho, a ideia nessa forma de distribuição é a de que os equipamentos da cozinha devem ser locados segundo sua necessidade uso. Para Grimley e Love (2016), as zonas de trabalho são exatamente definidas pelos equipamentos que estabelecem a triangulação. Dessa forma o ambiente fica divido em 3 (três) zonas distribuídas da seguinte forma: lavagem, preparo e de cozimento. Na zona de lavagem é onde fica instaladas a pia e a máquina de lavar, na zona de preparo em que ficam os balcões adjacentes e o refrigerador e na zona de cozimento é instalado o fogão e o forno. Porém Gurgel (2013), indica que seja setorizada em 5 zonas dentro da cozinha, distribuídas da seguinte forma: pia ou setor de limpeza, próximo ao fogão ou setor de cocção, área de refeições, setor de preparo no qual estão as bancadas, setor de armazenamento ou estocagem em que ficam os armários e geladeira. 101UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos FIGURA 2 – COZINHA COM TRIANGULAÇÃO Vimos uma breve introdução sobre como pensar o mobiliário da cozinha e seu posicionamento, agora abordaremos sobre o banheiro e como pensar e projetar esse espaço. Atualmente o banheiro em muitas residências deixaram de ser apenas o local de fazer sua higiene para ser um local de descanso em algumas situações, conhecer as dimensões adequadas para aplicar os mobiliários em um layout correto é essencial. O banheiro é uma área reduzida da casa, mas que demanda alto custo em relação aos outros ambientes. O banheiro pode ser considerado até mesmo como local de “símbolo de poder econômico” (GURGEL, 2013), temos banheiros que são verdadeiras salas de banho, com espaços amplos e grandes dimensões. Mas mesmo que consideremos que cada projeto deve levar em consideração o briefing que o profissional teve com o cliente, é possível criar um norte para se projetar um banheiro, pensando em equipamentos mínimos necessários. Dentre os autores os equipamentos que são unanimidade em relação ao projeto de um banheiro são: lavatório, bacia sanitária e chuveiro. Em geral o layout do banheiro já está estabelecido quando o profissional de interiores é contratado pois a alteração de elementos hidráulicos é de alto custo e difícil execução. O autor Szucs (2000) considera que para um espaço de circulação dentro do banheiro, descontando o espaço utilizado pelos equipamentos, deve ser de no mínimo 60 centímetros, o que garante segurança e conforto. A área destinada ao boxe, utilizado para banho, deve ter no mínimo 75 centímetros espaço considerado pequeno pois a pessoa necessita elevar os braços para fazer a correta lavagem do seu próprio cabelo. O tipo de fechamento para o boxe não apresenta muitas variações, sendo o vidro o mais adequado quanto a manutenção. 102UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos Quanto as bacias sanitárias existem no mercado diversasopções, mas na hora da escolha deve-se levar em consideração o tamanho do espaço disponível, para que de maneira ideal fique uma área livre de 30 centímetros em suas laterais, para instalação de lixeira e papeleira. FIGURA 3 – BANHEIRO Para a pia (lavatório) o ideal é que ela possua no mínimo 60 centímetros de largura, para instalação de uma cuba e profundidade de 45 centímetros. A bancada deve ser instalada em relação ao chão com uma altura final total de 85 até 100 centímetros, quando for instalada cuba de sobrepor ou de apoio essa altura final deve ser a do topo da cuba. Os lavabos são banheiros equipados apenas com bacia sanitária e lavatório (pia), sem chuveiros. Normalmente, está localizado próximo a salas de jantar ou estar, pois tem a função de servir para o uso de visitas que não sejam hóspedes. Seu layout e dimensões são basicamente as mesmas do banheiro, desconsiderando apenas a área que seria utilizado pelo local de banho. Para esse ambiente a escolha de materiais e acabamentos é muito mais versátil que a de um banheiro, pois como não possui a área de água direta e do vapor d’água, as paredes podem receber até mesmo papeis de parede, ao contrário, das paredes de banheiros que necessitam receber revestimentos cerâmicos ou impermeáveis. Vamos analisar agora a respeito dos quartos, muitas pessoas consideram esse espaço como um refúgio, um local para descanso, um local para realizar suas atividades pessoais diárias, além de outras funções a que cada indivíduo sente a necessidade de adaptar. Quando o profissional projetar um quarto para um casal esse deve atender as necessidades dos dois usuários do ambiente, mas quando projetamos quartos infantis ou de jovens, existem diferenças entre os usos que se terá nesse espaço e cabe ao profissional saber solucionar essas diferenças. 103UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos Analisaremos como dispor um layout adequado para o ambiente, compatibilizando as especificações quanto as dimensões necessárias, considerando a diferentes ocupações para um quarto, de acordo com a faixa etária. Um dos pontos principais quando se irá projetar um quarto é a cama, esse componente é o princípio norteador do projeto de um quarto, pois ele ocupará grande parte do espaço e exigirá uma área de circulação para aquele que irá fazer uso do equipamento. Com base nisso, saber qual o tamanho do colchão que será utilizado no ambiente será de grande importância, no mercado existem algumas opções e elas seguem normas para sua fabricação. Em um quarto cujo será inserido um berço, o colchão terá uma dimensão de 60x130 centímetros no menor dos casos, podendo chegar na opção maior de 70x150 centímetros. Podemos usar também exemplos de colchões para adultos nos quais o de tamanho casal que é menor tamanho adequado para duas pessoas tem dimensão de 138x188 centímetros, e o maior tamanho de colchão encontrado para casais é o super king size, que possuí dimensões equivalentes a 193x203 centímetros. Com isso, conseguimos analisar as diferenças que esse equipamento irá ocupar de espaço no ambiente, conseguindo assim fazer a escolha correta para o tamanho do ambiente a ser projetado. FIGURA 4 – QUARTO CASAL COM GUARDA-ROUPA Outro ponto que deve ser considerado não é apenas o tamanho que o colchão irá ocupar, mas também a área de circulação que é necessária para que as pessoas que usarão do colchão possam ter acesso a cama pelos dois lados, pois quando existe a possibilidade de circulação de apenas um lado pode ocorrer que um usuário incomode o outro ao levantar ou se deitar. 104UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos O autor Boueri (2008) apresenta que a área que deve ser livre para circulação e acesso a cama é de no mínimo 50cm, enquanto que Gurgel (2013), considera o ideal, ao menos 70cm. Porém quando é considerado uma cama de solteiro, onde apenas uma pessoa fará uso da cama, pode ser encostado um lado da cama na parede, pois não se fará necessário duas pessoas deitar na cama ao mesmo tempo e tendo seu tamanho como limitador. FIGURA 5 – QUARTO DE MENINA COM GUARDA-ROUPA O quarto também é utilizado na maioria das residências para se armazenar roupas, sapatos, acessórios, objetos pessoas entre outros itens, assim ocorre que o usuário acabe realizando trocas de roupas e se arrumem no ambiente, com isso acaba ocorrendo a instalação de guarda-roupas ou cômodas, a autora Camargo (2014) comenta: [...] o espaço para a colocação do guarda-roupa deve ser condizente com o seu uso, já que é preciso abrir portas e manusear objetos à sua frente, sem que outros elementos atrapalhem, para isso, entre o armário e outro objeto, é necessário que exista entre 80 e 120 cm (CAMARGO, 2014, p. 54). Para projetar um guarda-roupa, deve se considerar que ele possua ao menos duas portas e caso não se tenha na residência um local para armazenar roupas de cama, mesa e banho, que esse móvel possua espaço para tais itens. 105UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos 4. DESENHO DE MÓVEIS PARA ESPAÇOS INTERNOS Os móveis contribuem para a criação de um ambiente visual agradável, as suas linhas e texturas, suas escalas, suas distribuições no espaço, todas elas determinam um papel essencial nas características que o ambiente quer expressar. Esses mobiliários podem ser lineares, planos, volumétricos, curvos ou angulares. Podem transmitir uma sensação de horizontalidade ou de verticalidade para o ambiente, assim como um ambiente mais leve ou pesado. Conforme vimos anteriormente, os móveis passaram por mudanças ao longo da história, e esses estilos influenciaram em suas épocas o modo como eram projetados esses equipamentos. Atualmente é comum observarmos profissionais que trabalham de forma adequada esses períodos históricos. Historicamente são considerados como mobiliários mais antigos aqueles que possuem acima de 100 anos, já antiguidades são aquelas que passaram através dos séculos e são conhecidas pela sua cultura, períodos ou indivíduos. Os móveis modernistas são aqueles que foram produzidos a partir do século XIX e os contemporâneos aquelas peças produzidas por nossos artistas na atualidade. O móvel influencia diretamente no modo como nos sentimos confortáveis, o desenho do mobiliário terá grande influência nesse requisito. O modo como nosso corpo vai se sentir após o uso do equipamento é que iremos considerar se ele foi bem desenho ou não, um exemplo é uma cadeira que após você ficar por um longo período utilizando dela sentirá se conseguiu descansar e relaxar ou ela te causou desconforto durante seu uso. 106UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos Para projetar um mobiliário algo que se torna muito importante é a ergonomia, que são os fatores humanos que vão dizer sobre a escala e proporção do mobiliário. O profissional ao elaborar um mobiliário deve levar em conta as proporções humanas para garantir conforto na sua utilização. Ao se projetar por exemplo uma cadeira deve-se levar em consideração alguns fatores como: inclinação do encosto, altura em relação ao chão, material de composição, estrutura, se possuir apoio aos braços seu tamanho, ângulo e material entre outros itens que precisam ser observados. A disposição dos móveis em uma sala afetará a forma de uso do local. Móveis podem ser utilizados como elementos esculturais em um espaço, de forma apenas decorativa, mas de forma comum eles são organizados em grupos funcionais. Esses grupos podem então ser organizados para criar e organizar um espaço. Os móveis podem ser divididos em algumas formas de agrupamentos, sendo eles individuais, planejados ou modulares. Os mobiliários individuais são aqueles cujo permitem flexibilidade no seu arranjo, podendo ser deslocado de posição. Quando falamos de móveis planejados são aqueles que foram embutidos e executadoscom dimensões exatas para o ambiente, geralmente eles possuem unidade e continuidade nas formas, aproveitando ao máximo os espaços do ambiente, mas uma situação mais complexa de conseguir é sua alteração de posição e encaixe em outro ambiente. E por fim, temos os mobiliários modulares, que combinam entre si suas estéticas e linhas, mas que consegue ter a flexibilização de posição como os mobiliários individuais. Dentre os mobiliários mais comuns e antigos já conhecidos temos os assentos, esses elementos devem ser construídos para garantir conforto e sustentabilidade do peso corporal do usuário, como o corpo humano possui variação em relação a tamanho e peso, é perigoso projetar tal mobiliário de forma precisa para um só biotipo, pois assim, ele se tornaria confortável para algumas pessoas e desconfortável para outras. O tamanho correto para uma cadeira é determinado não só pelas proporções do usuário, mas existem fatores culturais, questões de escala e estilo que podem influenciar na hora de projetar esse mobiliário. Uma cadeira pequena e dura por exemplo pode ser utilizada por uma empresa de fast-food para criar uma sensação de leve desconforto no cliente para que ele permaneça por um curto período no local se alimentando, já restaurantes mais finos em que o desejo é que o cliente relaxe no ambiente pode conter cadeiras maiores e mais confortáveis com materiais aconchegantes. Os princípios da ergonomia são importantes em cadeiras que serão utilizadas ao longo prazo, por exemplo cadeiras de computador para trabalho. Atualmente os assentos e encostos são ajustáveis para permitir que diversos usuários possam se adaptar as cadeiras. 107UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos Uma das principais causas de problemas de saúde nos escritórios são as cadeiras mal projetadas. Pensar na saúde também é função do projetista de mobiliário por isso estudos estão sendo desenvolvidos para criar no usuário sedentário formas de se levantar e se movimentar. FIGURA 6 – CONSIDERAÇÕES PARA ASSENTO Fonte: Ching (2019). FIGURA 7 – DIMENSÕES EM MM PARA ASSENTO Fonte: Ching (2019). Em relação a mesas, elas basicamente são elementos planos e posicionados de forma horizontal, utilizadas muitas vezes para se alimentar, trabalhar, dispor objetos e são suportadas por pés ao chão. Uma mesa adequada deve ter força e estabilidade, ter tamanho e altura em relação ao solo que seja ideal para o uso que se destina e ser fabricada com materiais duradouros. 108UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos Os materiais que podem ser utilizados na fabricação de mesas são variados, as mesas podem ser feitas em vidro, metal, madeira, concreto e pedras. Seus acabamentos devem ser de longa duração e devem ser resistentes ao desgaste pelo uso recorrente. Em suas especificações algumas coisas devem ser levadas em consideração, tais como 60 centímetros ao redor do perímetro de uma mesa, ser compatível com o formato da sala, os apoios da mesa não devem reduzir o espaço das pernas. FIGURA 8 – DIMENSÕES PARA MESA DE JANTAR Fonte: Ching (2019). Uma cama é composta por dois elementos básicos: o colchão elemento esse que já foi abordado anteriormente e uma base ou estrutura de apoio. Portanto, a escolha do colchão é pessoal. Hoje a maioria dos colchões são feitas de fibras sintéticas e espuma plástica, e todas possuem molas feitas de arame. Os designers de interiores intervêm na seleção da base ou da estrutura que suportara a cama, nas cabeceiras, nas peseiras, dosséis e mesinhas de canto. 109UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos FIGURA 9 – DIMENSÕES DE COLCHÃO Fonte: Ching (2019). FIGURA 10 – ERGONOMIA PARA CAMA Fonte: Ching (2019) 110UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos Esses são algumas formas de projetar mobiliários existentes, porém cabe ao profissional analisar para cada mobiliário a melhor forma de ergonomia existente para o produto, são infinitos os mobiliários contidos em um ambiente, desde elementos para sentar, armazenar e lavar, é necessário que você pesquise sobre o que vai desenvolver e esteja sempre atendo ao cliente que receberá esse mobiliário. SAIBA MAIS O sóculo é a base dos armários que fazem a conexão entre o chão e o móvel. Ele pode ser executado em alvenaria nos casos mais antigos, em madeira revestida ou com granito. Esse item é importante se o ambiente irá receber incidência de água, pois grande parte dos mobiliários não apresentam grande resistência a umidade. Outra opção para o profissional é desenvolver mobiliário suspensos, eles podem ser fixados nas paredes. Fonte: Adaptado de: Camargo (2017). REFLITA Para as crianças, o quarto representa bem mais do que um espaço para dormir. É refúgio, brincadeira, é onde se recebem os amigos. Fonte: Gurgel (2008, p. 149). 111UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos CONSIDERAÇÕES FINAIS Durante o estudo dessa apostila temos a intenção de demonstrar a você caro (a) aluno (a) um pouco a respeito dos mobiliários e como eles são importantes para o trabalho do profissional. Esse tema é muito amplo e cabe a você continuar suas pesquisas e estudo sobre cada mobiliário existente em um ambiente. No primeiro tópico vimos a respeito da história dos mobiliários e as transformações que eles sofreram ao longo dos anos em estruturas e acabamentos até chegarmos ao que temos na atualidade. Logo após no segundo tópico, vimos quais são os materiais mais comuns e como eles podem ser empregados na elaboração de mobiliários, são elementos básicos que você como profissional vai deixar a sua imaginação elaborar como eles serão empregados na produção do seu mobiliário. Já no terceiro tópico vimos a respeito dos mobiliários em seus espaços, como uma cozinha deve ser pensada, em relação aos elementos norteadores desse projeto. Vimos a respeito do banheiro, o que devemos levar em consideração na hora de projetar e algumas dimensões mínimas necessárias. E no último tópico vimos a respeito dos desenhos de mobiliários e sua ergonomia, são infinitas as possibilidades de mobiliários nos ambientes, porém a ergonomia de cada um deve ser levada em consideração. Pesquise a respeito daqueles mobiliários específicos que você irá projetar, assim você como profissional evitará que o usuário sinta desconforto ao fazer uso desse mobiliário. Espero que você tenha ampliado seus conhecimentos a respeito dos mobiliários e que seja um profissional de sucesso. 112UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos LEITURA COMPLEMENTAR Decoração de banheiros Editora: Decor Editora Sinopse: A Lorenzetti apresenta o livro Decoração de Banheiros, um projeto realizado em parceria com a Editora Decor Books, que consiste na apresentação dos 60 melhores projetos assinados por renomados arquitetos, decoradores e designers de interiores, inscritos no concurso cultural e artístico feito pela marca. O livro apresenta diversas propostas de decoração para banheiros, que apresentam a versatilidade dos metais e acessórios da Lorenzetti – uma linha completa que proporciona sofisticação, elegância e praticidade para diversos estilos de projetos. A marca inovou o segmento incorporando ao seu portfólio materiais como metal e vidro, formas elípticas e minimalistas, torneiras com diferentes tipos de acionamento, além da preocupação com a ergonomia, a estética e a funcionalidade de seus produtos, que resultam em qualidade e durabilidade das peças, itens que têm revolucionado o mercado. 113UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto de Mobiliários e Objetos MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Projeto e Dimensionamento dos espaços da Habitação: Espaço de Atividades Autor: Jorge Boueri. Editora: Estação das letras. Sinopse: O dimensionamento mínimo e adequadoé obtido a partir da composição das atividades propostas pelo programa para cada ambiente ou espaço da habitação. São disponibilizados dados dimensionais agrupados pelas atividades e funções que ocorrem na habitação e na aplicação do dimensionamento nos projetos, é voltada para a importância do conhecimento do corpo humano, suas medidas e limites físicos – fatores determinantes para que o projeto atenda aos requisitos de facilidade de uso, manutenção e segurança. FILME/VÍDEO Título: A vida é um sopro Ano: 2007 Sinopse – Um belíssimo documentário nacional que conta a história de Oscar Niemeyer de forma descontraída e suave. Além da carreira do arquiteto, o filme mostra sua vida pessoal e o cenário político da época. A história de Oscar Niemeyer, um dos mais influentes arquitetos brasileiros no século XX. É mostrado como Niemeyer revolucionou a Arquitetura Moderna com a introdução da linha curva e a exploração de novas possibilidades de uso do concreto armado, além de seus pensamentos sobre a vida e o ideal de uma sociedade mais justa. WEB Site para arquitetos e profissionais com diversas opções de artigos a respeito de projetos e soluções para ambientes. Link de acesso: http://www.cliequearquitetura.com.br 114 REFERÊNCIAS ARGAN, G. C. Arte Moderna. São Paulo: Companhia das Letras, 1992b. Atelier Clássico. online. Disponível em: https://www.atelierclassico.com.br/6-tipos-de-me- tais-para-moveis/. Acesso em: 22 mar. 2022. BARROS, L. R. M. A cor no processo criativo: um estudo sobre a Bauhaus e a teoria de Goethe. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2006. BENJAMIN, W. Experiência e pobreza. In: BENJAMIN, W. Obras escolhidas 1: magia e técnica, arte e política. São Paulo: Editora Brasiliense, 1994. BENJAMIN, W. Louis-Philippe or the Interior. In: BENJAMIN, W. Charles Baudelaire: a lyric poet in the era of high capitalism. London: NLB, 1973. BOUERI FILHO, José Jorge. Projeto e dimensionamento dos espaços da habitação: espaço de atividade. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2008. BOYLE, C. O mundo doméstico. Rio de Janeiro: Abril Livros, 1993. CAMARGO, Larissa Siqueira. Projeto de Interiores para o Morar. Maringá: Unicesumar, 2017. CAMARGO, Larissa Siqueira. Qualidade Funcional de Quitinetes do Jardim Universitário em Maringá – PR. Dissertação de mestrado. Maringá: UEM, 2014. CHING, F. D. K. Arquitetura de Interiores Ilustrada. Porto Alegre: Bookman, 2006. CHING, Francis D. K. Arquitetura de Interiores Ilustrada. Porto Alegre: Bookman, 2013. Disponível em: https://henn.com.br/pt/blog/post/mdf-ou-mdp. Acesso em: 22 mar. 2022. ESTILOS DE MOBILIÁRIO. O Grande livro da decoração. Lisboa: Seleções do Reader´s Digest, 1976. 115 FARINA, M.; PEREZ, C.; BASTOS, D. Psicodinâmica das Cores em Comunicação. 6. ed. São Paulo: Blucher, 2011. FONSECA, A. N.; PEREIRA, C. Processo Criativo. Maringá: Unicesumar, 2016. FORTY, A. Objetos de desejo. São Paulo: Cosac Naify, 2007. GIAMBASTINI, Gabriel, L. Projeto de arquitetura de interiores comerciais. Porto Alegre: SAGAH, 2019: GIBBS, J. 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Projetando espaços: guia de arquitetura de interiores para áreas residen- ciais. São Paulo: SENAC São Paulo, 2013. 116 HENN. online. MDF ou MDP: entenda as diferenças entre esses materiais. MANCUSO, C. Arquitetura de interiores e decoração: A arte de viver bem. Porto Alegre: Sulina, 2012. MANCUSO, C. Arquitetura de Interiores e decoração: A arte de viver bem. Porto Alegre: Sulina, 2012. MANCUSO, C. Guia prático do design de interiores. Porto Alegre: Sulina, 2013. MUNARI, B. Das coisas nascem coisas. São Paulo: Martins Fontes, 2008. PANTONE COLOR INSTITUTE. Sobre a Pantone. 2018. Disponível em: https://www. pantone.com.br/sobre-a-pantone/. Acesso em: 24 fev. 2022. PERROT, M. (Org.). História da vida privada, 4: da revolução francesa à primeira guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. PMI. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos. Guia PMBOK. 6ª ed. - EUA. Project Management Institute, 2017. RYBCZYNSKI, W. Casa: pequena história de uma ideia. Rio de Janeiro: Ed. 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Apresentamos para você também elementos que poderá fazer uso para elaborar seu projeto, como desenvolver uma ideia que você tem em mente para o papel de forma que seu cliente consiga captar o seu desejo para a solução e criação no ambiente que foi contratado para projetar. Além de conseguir identificar dentro de um espaço o que está em harmonia ou não e qual foi a proposta de conceito para o ambiente, haja vista que dentro dos projetos existem muitos elementos que estão em acordo com o que é tendência abordamos alguns locais onde você poderá utilizar como base referencial em seus projetos. Observamos também que o elemento cor é de grande importância dentro dos projetos de interiores, pois a cor pode provocar sensações no usuário do ambiente e saber trabalhar com ela de forma correta irá trazer um desempenho maior para quem está no espaço e qual a função que exercerá dentro dele. A cor impacta diretamente nos sentidos humanos saber trabalhar com a sua psicologia é fundamental. Vimos também a importância histórica que os mobiliários tem na vida humana, desde o princípio do morar eles estão conectados com as pessoas e passaram por transformações ao longo dos séculos para se adequar ao uso conforme a necessidade e o avanço das tecnologias, saber projetar um móvel exige além de habilidade grande conhecimento tanto dos materiais a serem empregados quanto da ergonomia do corpo humano. Desse momento em diante acredito que você esteja pronto para iniciar seus projetos de interiores com conhecimento, coloque em pratica as técnicas apresentadas e desenvolva suas habilidades em criar e desenvolver ambientes. Parabéns por ter concluído esse estudo e até uma próxima. Obrigado! +55 (44) 3045 9898 Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR www.unifatecie.edu.br UNIDADE I Estudo e Aplicação para a Concepção de Ambientes Internos UNIDADE II Definição de Modelos Teóricos Sobre as Relações e Correlações dos Espaços Internos e Externos UNIDADE III Aplicação e a Relação das Cores nos Ambientes Internos/Externos UNIDADE IV Estudo e Desenvolvimento de Projeto deMobiliários e Objetos