Logo Passei Direto
Buscar

Neuropsicofarmacologia e Neuropsicologia

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NEUROPSICOFARMACOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Adriana Christoff 
 
 
 
2 
TEMA 1 – NEUROCIÊNCIA E A PSICOFARMACOLOGIA 
Neste estudo, teremos o desafio de compreender os mecanismos celulares 
e teciduais relacionados ao Sistema Nervoso e suas divisões, para a 
compreensão de patologias de cunho psicológico e neurológico e para responder 
à grande questão norteadora e proposta principal do presente estudo: como os 
medicamentos psiquiátricos e neurológicos podem afetar o comportamento do 
estudante e o processo de aprendizagem? 
 É fato que essa é uma vertente importante no contexto do processo ensino 
e aprendizagem, isso porque a incidência de doenças psiquiátricas e neuronais 
que afetam os indivíduos, especialmente crianças e adolescentes, vem crescendo 
nos últimos anos de forma exponencial. Sabe-se que, para o desenvolvimento 
dessas patologias, existem inúmeras situações consideradas fatores 
predisponentes, uma vez que a grande maioria dessas doenças é multifatorial. 
Um exemplo é o quadro depressivo maior, considerada a forma mais grave de 
depressão, na qual um dos sintomas preponderantes são tentativas concretas 
e/ou pensamentos suicidas (DSM V). Um adolescente que apresente esse quadro 
tem perda do humor e, consequentemente, da motivação para uma tarefa que já 
é considerada por essa faixa etária difícil e árdua, que é o “estudar”. E dentro 
dessa perspectiva, o tratamento antidepressivo vem com o objetivo de melhorar o 
humor, reduzir pensamentos relacionados à incapacidade mental e motora e, 
consequentemente, melhorar o quadro educacional. 
 Parece perfeita a situação na qual um aluno com diagnóstico de depressão, 
medicado, evolua no processo de aprendizagem, mas a vivencia prática não nos 
mostra os achados teóricos e as metas impostas pelos profissionais da saúde. 
Um exemplo é a baixa eficácia dos antidepressivos (De Nucci, 2021), a falta de 
adesão por parte dos pacientes (Correr; Otuki, 2013) e o abandono do tratamento 
em função de reações adversas e colaterais, os quais inclusive podem afetar o 
aprendizado. 
 Dessa forma, é importante perceber que os medicamentos, de uma forma 
geral, podem afetar o aprendizado de forma direta ou indireta, e os psicofármacos 
estão entre os de maior potencial. A interferência direta está relacionada com a 
própria ação do fármaco, ou seja, do seu mecanismo de ação. Um exemplo seria 
o uso de algum benzodiazepínicos, a exemplo do Diazepam, que provoca 
depressão do Sistema Nervoso Central (SNC), afetando a concentração e 
 
 
3 
causando sonolência. Da mesma forma, tem-se o fenobarbital (Gardenal ®), um 
medicamento usado para tratamento da epilepsia que causa a perda da 
capacidade de concentração e atenção, raciocínio e sonolência, afetando de 
forma negativa o aprendizado. 
Alguns medicamentos podem afetar de maneira indireta, como o 
metilfenidato, mais conhecido pelo seu nome comercial (Ritalina ®), que vem com 
o objetivo de melhorar o foco e a atenção, mas causa como reação adversa 
euforia, aumento dos batimentos cardíacos, sinais que podem reduzir o 
aprendizado. Essa situações nos fazem pensar que todo o medicamento tem uma 
ação esperada e considerada essencial, a qual chamados de efeito ou eficácia, 
quando em modelo experimental, ou efetivo, quando usado no mundo real. 
 Dentro desse contexto, o profissional da pedagogia precisa ter que lidar 
com todas essas situações, pois, certamente, são rotineiras e, por essa razão, 
dentro desta aula, serão trabalhos conceitos básicos de neuropsicofarmacologia 
para que você possa resolver problemas, começando pelo entendimento das suas 
causas e consequências. 
 E para alcançar esse objetivo, precisamos adentrar na neurociência, que 
abrange um conjunto de disciplinas que discorrem sobre o Sistema Nervoso (Lent, 
2008). Entre elas está a neuropsicologia e a neuropsicofarmacologia. 
TEMA 2 – CONCEITOS BÁSICOS EM NEUROPSICOLOGIA 
Essa área da neurociência está também dentro da psicologia e se propõe 
a estudar as relações entre o SNC, o funcionamento cognitivo, ou seja, o processo 
de aprendizagem e memória e o comportamento do indivíduo. A neuropsicologia 
atua de maneira abrangente, realizando o diagnóstico complementar e propondo 
intervenções clínicas voltadas para o tratamento de diversos quadros patológicos 
decorrentes da alteração do SNC (Miotto et al., 2017), ou mesmo no tratamento 
de sinais e sintomas relacionados ao quadro patológico e até ao tratamento 
farmacológico. Envolve também pesquisas experimentais, randomizadas e 
observacionais com o intuito de realizar uma verificação sob o aspecto clínico na 
presença ou ausência de patologias. Claro que está conectada a áreas da 
neurologia, psicologia, geriatria, pediatria, psiquiatria, fonoaudiologia, pedagogia, 
forense e economia e marketing (Miotto et al., 2017). 
 
 
 
4 
A neuropsicologia, no contexto clínico que nos interessa nesta etapa, tem 
como objetivo auxiliar no diagnóstico diferencial de quadros neurológicos, como 
epilepsia, desordens autoimunes e quadros psiquiátricos como a depressão, 
transtornos de ansiedade e esquizofrenia. Também atua no monitoramento 
dessas condições, na investigação da natureza e do grau das alterações 
encontradas sob o ponto de vista cognitivo e comportamental, na seleção de 
tratamentos voltados para a reabilitação do paciente implementando ou 
orientando os programas voltados para as alterações cognitivas e 
comportamentais para melhorar a qualidade de vida do paciente. 
O profissional dessa área pode compreender e propor hipóteses sobre o 
diagnóstico, identificar o tipo e a extensão da alteração cognitiva, realizando a 
discriminação de áreas preservadas e lesionadas, avaliando a presença de 
alterações cognitivas e comportamentais, tais como alterações do humor e o 
impacto desses achados na sua rotina diária, levando em conta o social, o 
ocupacional e o pessoal (Miotto et al., 2017). 
Normalmente, a avaliação neuropsicológica envolve a utilização de escalas 
específicas e entrevista clínica para obter informações detalhadas sobre o quadro 
atual, frequência e intensidade dos problemas encontrados, com o cuidado de 
averiguar o histórico pessoal e familiar. Em relação ao uso de escalas, pode-se 
citar a de Beck tanto para a avaliação de sinais e sintomas de depressão quanto 
de ansiedade (Beck et al., 1996; Beck; Steer, 1990). 
Mas o que de fato importa é que, durante a anamnese, conhecer e avaliar 
o histórico de uso de drogas é de fundamental importância. Como já é sabido, as 
drogas podem modificar a resposta comportamental, como o humor e a cognição, 
de maneira positiva ou negativa, e caso os sinais e sintomas apresentados pelo 
paciente não sejam correlacionados com o uso de drogas, isso certamente levará 
a erros de diagnóstico e tratamento. Sinais específicos como fadiga, insônia, 
deficiências motoras, aumento da pressão arterial (PA), agitação, retardo 
psicomotor, alterações sensoriais, entre outros, são comuns no uso de uma droga. 
Quando citamos aqui a palavra “drogas”, estamos nos referindo a qualquer 
substância química conhecida que possa ter ou não aplicação terapêutica. Assim, 
fármacos como clonazepam, dipirona e drogas de abuso como o álcool e a 
cocaína são todas consideradas drogas. 
Interessante pontuar que as alterações cognitivas avaliadas pelo 
profissional na neuropsicologia são: memória, atenção, raciocínio, capacidade de 
 
 
5 
julgamento, alteração das emoções e comportamento, fatores fortemente 
influenciados pelo uso de drogas (especialmente as de abuso) e, assim, o 
profissional, seja ele médico, psicólogo ou pedagogo, precisa avaliar essas 
relações para o entendimento real da situação e para intervir com sucesso. 
TEMA 3 – NEUROPSICOFARMACOLOGIA 
Essa é uma área do conhecimento que envolve a neurofarmacologia 
voltada para o estudo do tratamentofarmacológico de doenças neuronais, o que 
exige, de fato, um conhecimento prévio sobre neurofisiologia, pois é necessário 
entender o funcionamento do SNC em condição não patológica para, depois, 
estudá-lo em condições patológicas. Para tal para tal, compreender o efeito dos 
fármacos em nível celular, tecidual e em circuitos mais complexos, como entre as 
sinapses, atuando em receptores celulares, modulando a produção e a liberação 
de neurotransmissores, é imprescindível para a total compreensão do efeito e da 
segurança desse fármaco. 
Essa é uma ramificação da farmacologia que vem crescendo muito por 
duas razões: a primeira porque, na última década, tivemos um avanço do número 
de pacientes com comorbidades neuronais e psiquiátricas; a segunda pelo fato de 
que essas condições clínicas se manifestam, geralmente, de forma a afetar e 
prejudicar a rotina dos pacientes. Quando essas doenças se apresentam na 
infância, podemos citar a redução da capacidade cognitiva, afetando diretamente 
o aprendizado e a memória. Já em idosos, podem levar a estágios diversos de 
demência, colocando em risco a autonomia do idoso e prejudicando a vida 
produtiva da população economicamente ativa (Mioto, 2017). 
É fato que houve uma evolução no sentido da compreensão da patologia, 
dos fatores causais e das diferentes formas de evolução das doenças, e isso 
ocorreu graças aos avanços das técnicas laboratoriais, como na área de biologia 
molecular, o que possibilitou o estudo da influência genética na manifestação e 
evolução das comorbidades centrais, exames de imagens e técnicas de 
sequenciamento genômico rápido que possibilitam relacionar os efeitos de um 
fármaco às alterações genômicas na célula-alvo. 
Assim, como consequência desses achados, houve também avanços na 
própria farmacologia, pois com o conhecimento mais detalhado da patologia, foi 
possível – e ainda é – o desenvolvimento de novos fármacos mais específicos, o 
que significa afirmar que esse tem menor risco de provocar efeitos colaterais e 
 
 
6 
adversos, muitas vezes responsáveis por problemas na terapêutica devido ao 
abandono do tratamento. Fármacos mais específicos e seletivos, no geral, são 
mais seguros e, assim, apresentam menor risco de causar efeitos desagradáveis, 
o que favorece o tratamento. É fato que já estamos nesse caminho, mas ainda 
muito precisa ser feito para a melhoria da terapêutica farmacológica. 
Infelizmente, a realidade que ainda prevalece é a de que muitos 
medicamentos são eficazes, mas ainda provocam reações indesejáveis, como 
aquelas que estamos interessados em estudar para avaliar se o comportamento 
e aspectos cognitivos do nosso aluno estão relacionados com a doença, aos sinais 
e sintomas dela ou se são decorrência do uso do medicamento. 
Para que possamos evoluir nessa discussão, precisamos revisitar 
conceitos de neurofisiologia, especialmente os do SNC. 
TEMA 4 – SISTEMA NERVOSO 
O sistema nervoso contém mais de 10 bilhões de neurônios, os quais, em 
sua grande maioria, realizam conexões sinápticas responsáveis pela condução 
das informações, o que confere um alto grau de complexidade a esse sistema. 
São essas conexões que conferem desde reflexos primitivos até respostas e 
sentimentos mais complexos, como o aprendizado, a memória e a linguagem 
(Golan et al., 2016). 
4.1 Neurônios e neurotransmissão 
 Como já citado, a principal célula do sistema nervoso é o neurônio, o qual 
produz e conduz impulsos elétricos. Eles podem variar de acordo com o tamanho 
e a forma, mas, usualmente, apresentam três estruturas básicas: dendritos, corpo 
celular e axônio (figura 1). 
 
 
 
7 
Figura 1 – Estruturas do neurônio 
 
 
 
Crédito: MattLphotography/Shutterstock. 
O corpo celular contém o núcleo da célula e é responsável pela 
sobrevivência do neurônio, pois é o local no qual são produzidas macromoléculas. 
Os corpos celulares que estão localizados dentro do SNC são reunidos formando 
o que chamamos de núcleos. Os dendritos são ramificações que transmitem o 
impulso nervoso ao corpo celular, e o axônio conduz impulso para longe do corpo 
celular e vai para outro extremo do neurônio, região na qual ocorrerá a liberação 
de um neurotransmissor. 
Os neurônios podem ser classificados de acordo com a sua função e 
estrutura. Em relação à função, eles podem ser classificados em neurônios 
sensitivos ou aferentes, responsáveis pela condução, por exemplo, de 
informações da periferia, sensoriais até o SNC; já os neurônios motores, também 
conhecidos como eferentes, conduzem o impulso do SNC para a periferia, 
normalmente levando uma resposta a ser executada diante de um acontecimento. 
Por exemplo, quando colocamos a mão sobre uma superfície quente, são 
neurônios sensitivos que percebem a temperatura elevada, por meio da ativação 
de proteínas encontradas nos dendritos chamados receptores. Esses são ativos 
diante de uma infinidade de situações, como cortes e trauma mecânico (batidas). 
1 
1 (dendritos) 2 (corpo celular) 
2 
3 (axônio) 
3 
Legenda: 
 
 
8 
Dependendo de quão quente está a placa do tempo de processamento dessa 
informação, a resposta é para retirar a mão na placa. Essa resposta chega até os 
músculos da mão através dos neurônios eferentes, que partem da medula 
espinhal (veja adiante) e vão até o músculo esquelético. 
Lá, são liberadas moléculas, conhecidas como neurotransmissores, que 
são responsáveis pela execução da contração muscular para que ocorra a retirada 
da mão. Caso tenha havido queimadura, ainda vem a percepção emitida por 
regiões especificas do cérebro, a dor. 
Um nervo é um feixe de axônios localizados fora do SNC e pode ser 
composto por neurônios motores e sensitivos, sendo que alguns são apenas 
sensitivos, como aqueles relacionados à percepção e ao controle dos sentidos, 
como a visão e a audição, por exemplo (Fox, 2007). 
4.2 Sistema nervoso 
O sistema nervoso é classicamente subdividido em dois de acordo com a 
sua composição e função: SNC e periférico (SNp). O SNC é formado pelo cérebro 
e a medula espinhal, enquanto o SNp é formado por neurônios sensitivos e 
motores que podem partir da medula espinhal e invervar todos os órgãos e tecidos 
ou sair dos órgãos e tecidos e chegar até a medula espinal. 
O SNC tem como principal função transmitir e processar sinais recebidos 
do sistema nervoso periférico, o que resulta em respostas que são formuladas e 
transmitidas à periferia, tudo por intermédio das conexões neuronais. 
Anatomicamente, esse sistema é dividido em sete principais regiões: hemisférios 
cerebrais, diencéfalo, cerebelo, mesencéfalo, ponte, medula oblonga e medula 
espinhal. De uma forma resumida, o mesencéfalo, a ponte e a medula oblonga 
são conhecidos como tronco encefálico e, juntos, conectam a medula espinhal 
com o restante: cérebro, cerebelo e diencéfalo (Golan et al., 2014). 
4.3 Cérebro 
 Os hemisférios cerebrais constituem a maior divisão do cérebro humano e 
são subdivididos em direito e esquerdo, sendo conectados pelo corpo caloso. A 
região do córtex cerebral é subdividida em lobos frontal, temporal, parietal e 
occipital e basicamente controla funções relacionadas à percepção sensorial, 
como exemplo o tato, o olfato, o paladar e funções de planejamento, coordenação 
 
 
9 
da função motora, aprendizado e memória, linguagem e raciocínio. Muitos 
medicamentos, como os ansiolíticos e anticonvulsivantes, afetam essas regiões, 
podendo trazer inúmeros efeitos colaterais, como a redução da capacidade de 
raciocínio e aprendizado. 
É importante pontuar que, ao redor do córtex, está situada uma região 
importante para as nossas discussões, conhecida como sistema límbico. Esse 
sistema complexo é formado por estruturas chamadas de giro do cíngulo, 
hipocampo e amigdala. Esse sistema é o responsável pelas emoções e pelo 
comportamento social, controle autônomo, dor e memória (Golan et al., 2014). Um 
exemplo de doença relacionadaa essas estruturas é o Alzheimer, que afeta 
determinado tipo de neurônio, responsável pela produção de um neurotransmissor 
chamado acetilcolina, importante para o aprendizado e a memória. Nessa doença, 
como ocorre a perda desses neurônios, há uma redução das memórias de curto 
prazo no início da doença, progredindo para outros tipos de memórias. Um outro 
exemplo são as drogas psicotrópicas que acabam promovendo um efeito 
relacionado ao desenvolvimento de propriedade reforçada, o que faz com que os 
indivíduos queiram repetir a experiência utilizando a substância novamente, o que 
leva à perda de controle sobre o uso (Rang et al., 2016; Brunton et al., 2019). 
4.4 Diencéfalo 
 Essa estrutura é dividida em tálamo e hipotálamo. O primeiro funciona 
como uma espécie de receptor de sinais capaz de filtrar e modular informações 
sensoriais; já o hipotálamo tem várias funções importantes, como controle sobre 
a liberação de hormônios pelas glândulas do corpo, controle da temperatura 
corpórea e das sensações de fome e saciedade. 
4.5 Cerebelo 
 O cerebelo é a estrutura que controla o movimento voluntário e o equilíbrio, 
controla os movimentos oculares e está envolvido na aprendizagem das tarefas 
motoras e de certas funções cognitivas. Alguns fármacos podem afetar o 
equilíbrio, por exemplo, atuando sobre o cerebelo. 
 
 
 
 
 
10 
4.6 Tronco encefálico 
 O primeiro ponto importante é que o tronco encefálico conecta a medula 
espinhal ao tálamo e ao córtex e, de lá, parte a grande maioria dos nervos 
cranianos, estando envolvidos na audição, equilíbrio e paladar. São os nervos 
cranianos que controlam a expressão facial, a mastigação, a deglutição e o 
movimento ocular. 
Além disso, encontra-se no tronco encefálico estruturas que controlam a 
respiração, como o centro respiratório. Alguns fármacos, como os ansiolíticos da 
classe dos benzodiazepínicos, o álcool, anestésicos gerais e analgésicos opioides 
podem reduzir a frequência respiratória atuando nessa porção cerebral. 
4.7 Medula espinhal 
 A medula espinhal representa a divisão caudal do SNC, pois estende-se 
desde o tronco encefálico até a primeira vértebra da lombar. Os neurônios da 
medula espinhal incluem os sensitivos e os motores. Basicamente, os sensitivos 
transmitem a informação da periferia para o encéfalo, enquanto os neurônios 
motores transmitem comandos oriundos das áreas motoras do córtex e do tronco 
encefálico para os músculos periféricos. 
4.8 Sistema nervoso periférico 
 Esse sistema é formado por três subtipos, sendo eles o autônomo, o 
muscular e o entérico. Para resolver a questão que permeia nosso estudo, faz-se 
necessário o entendimento do funcionamento geral do sistema nervoso 
autônomo. 
4.8.1 Sistema nervoso autônomo 
 A importância desse sistema dá-se em função do controle sobre as 
respostas involuntárias do músculo liso e do tecido glandular, ou seja, ele está 
envolvido, por exemplo, no controle sobre a contração que acontece de forma 
involuntária no trato gastrointestinal enquanto estamos digerindo um alimento e o 
controle sobre a liberação de substâncias como saliva e o suor. 
 O sistema nervoso autônomo é subdividido em autônomo simpático (SNAs) 
e parassimpático (SNAp). O simpático é responsável por respostas relacionadas 
 
 
11 
ao processo de luta e fuga, que é coordenado pelo central. Vamos a um exemplo: 
imagine a situação de um assalto. No momento que a ação é identificada pelo 
sujeito que está recebendo a ação, o cérebro reage ativando o SNAs e 
provocando uma liberação alta de noradrenalina, a qual prepara nosso corpo para 
uma resposta imediata. 
Essa resposta inclui: aumento da pressão arterial, aumento dos batimentos 
cardíacos, vasoconstrição, aumento da capacidade ventilatória por meio da 
broncodilatação e contração da musculatura lisa. 
 Os neurônios que compõem esse sistema partem das regiões medianas da 
medula espinhal (torácica e lombar) e inervam muitos tecidos, provocando esses 
efeitos citados acima por meio da liberação de noradrenalina nos tecidos-alvo. 
 Já o sistema nervoso parassimpático tem seus neurônios partindo das 
porções extremas da medula espinhal, como crânio e sacro. Esses neurônios vão 
encontrar muitos tecidos periféricos, promovendo ações como redução da 
pressão arterial, redução dos batimentos cardíacos, aumento da contração do 
útero, bexiga e de toda a musculatura lisa do tecido gastrointestinal. Esse último 
efeito, por exemplo, é responsável pelo processamento do alimento e da absorção 
de nutrientes pelo intestino delgado e excreção das fezes. Essas ações são 
possíveis porque os neurônios do SNAp liberam nos tecidos um outro 
neurotransmissor chamado acetilcolina. 
 Um exemplo do funcionamento do SNAp seria no momento da fome. 
Quando diante dessa situação, já ocorre um aumento de aceltilcolina por meio das 
fibras parassimpáticas, que vão promovendo o aumento da liberação da saliva e 
a produção de ácido clorídrico no estômago. Quando o alimento por fim chega, a 
acetilcolina promove o aumento da contração da musculatura lisa do trato 
gastrointestinal. 
TEMA 5 – NEUROPLASTICIDADE 
Esse é um termo extremamente importante para o conhecimento, de 
acordo com o que nos propusemos a estudar, pois será um termo recorrente em 
nosso estudo. Todo o sistema nervoso sofre plasticidade, termo que se refere a 
sua capacidade de alterar de modo mais ou menos prolongado a sua função ou 
mesmo a sua forma. 
Quando pensamos em atividades neuronais centrais, muitas vezes, 
entendemos que ela sempre ocorre na mesma forma, em todos os seres 
 
 
12 
humanos, mas isso não é verdade. É diferente para outros tecidos, como o tecido 
cardíaco, que sempre opera da mesma forma, em indivíduos saudáveis e na 
ausência de patologias ou substâncias estressoras, sempre será dessa forma, e 
até em diferentes organismos. 
Isso não ocorre no SNC. Nossos neurônios são capazes de se ajustar ao 
meio imposto, ao estilo de vida, à educação, aos cuidados tomados pela mãe no 
período gestacional, às drogas que o indivíduo venha a usar, sendo prescritas ou 
não e estamos aqui nos referindo às drogas de ação central, ou seja, aquelas que 
agem no SNC. Ainda, o SNC molda-se de forma diferente frente a alimentos, 
música e drogas de uso passivo, como a exposição à fumaça do cigarro e a 
exposição a agente tóxicos, como poluentes e agrotóxicos, os quais podem afetar 
o indivíduo de forma ocupacional ou não. 
É fato que a neuroplasticidade, de um modo geral, ocorre com mais 
frequência durante o desenvolvimento do que na fase adulta. São exemplos de 
neuroplasticidade na fase adulta a neurogênese, que ocorre em algumas regiões 
do cérebro adulto, como dito anteriormente, influenciado por fenômenos 
ambientais, genética e exposição. Quando essa neurogenese é bem-sucedida, 
em geral, ela tem papel de proteção, mas, às vezes, são alterações malsucedidas 
que podem estar relacionadas ao aparecimento de respostas terapêuticas não 
esperadas, tóxicas ou de doenças neurológicas e/ou psiquiátricas. 
Mas é importante pontuar que essa plasticidade é benéfica em muitos 
casos. É um processo necessário envolvido na geração de memórias, tanto em 
adultos quanto em crianças. 
O sistema nervoso é formado durante o período embrionário e pós-natal, 
mas muitas estruturas demoram para amadurecer por completo, como a região 
tegmetal ventral, que fica completamente madura no final da adolescência. A 
formação e o amadurecimento do SNC obedece a regras impostas pelo genoma 
de cada espécie, mas é extremamente susceptível a modulações oferecidas pelo 
ambiente. Essa interação forma o que chamados de plasticidade ontogenética 
(Lent, 2008). 
Após o período de desenvolvimento, o sistema nervoso não perde a 
capacidade de mudar, mas deixa de ser ontogenética e passa a ser celular e 
molecular, principalmente nas sinapses, região exata em que acontece a 
transmissão e o processamento da informação.13 
Em geral, essas alterações podem manifestar-se de três formas: 
morfológica, na qual ocorrem alterações nos axônios ou dendritos; funcional, 
quando ocorrem alterações na fisiologia neuronal e sináptica; comportamental, 
mediante alterações relacionadas com os fenômenos de aprendizado e memória 
(Lent, 2008). 
As alterações morfológicas que ocorrem durante o desenvolvimento de um 
feto ou já na criança podem estar relacionados com doenças desde epilepsia até 
graus variáveis de deficiência intelectual. Mas nem todas se tornam doentes, o 
que nos faz pensar que existem mecanismos de plasticidade compensatória. O 
uso de drogas de abuso pela mãe ou medicamentos prescritos que possam ser 
teratogênicos também podem estar relacionados com alterações morfológicas na 
criança. A plasticidade sináptica é a prevalente no cérebro de indivíduos adultos 
e é por meio dela que podemos gerar memórias. 
Portanto, a plasticidade está envolvida com proteção e reparo e, como 
mencionado, com a geração de memórias. Mas vamos focar nos problemas 
relacionados à plasticidade. 
Como já foi descrito, algumas doenças podem ser provocadas pela 
plasticidade que ocorre durante o desenvolvimento embrionário e até após o 
nascer. Outro fato importante é que muitos psicofármacos podem provocar 
plasticidade e alterar o comportamento, o humor e a cognição. Um exemplo 
clássico são as drogas de abuso, e nos referimos a todas elas, incluindo o álcool. 
Essas drogas, durante o uso agudo, podem gerar mudanças no padrão de 
comunicação neuronal, podendo gerar comportamentos de abuso e procura 
repetida pela droga, ou seja, pode estar relacionado com o desenvolvimento da 
dependência. O indivíduo jovem é mais vulnerável a essas mudanças, pois ainda 
não apresenta a maturidade completa do SNC, e, aliado a questões de 
comportamentos típicos da idade e influência do meio, ele pode ser mais 
susceptível à dependência do que quando comparado com um indivíduo adulto. 
Ainda, diagnósticos não assertivos, com prescrição de medicamentos sem 
a real necessidade, ou a busca por fármacos por meio de meios ilícitos, podem 
envolver a formação de plasticidade e desenvolvimento de comorbidade ou até 
piora de uma quadro clínico já diagnosticado. 
A população brasileira tem uma crença errônea de que medicamentos não 
fazem mal, mas, muitas vezes, eles são a causa para o desenvolvimento de 
problemas sérios, como transtorno de ansiedade generalizado, fobias, depressão, 
 
 
14 
mania, entre outros. Os medicamentos estão disponíveis para tratar doenças, 
trazer alívio de sinais e sintomas, mas sempre são escolhidos pelo profissional, 
sendo prescritos respeitando uma linha muito tênue, especialmente em se 
tratando de fármacos de ação central, entre os riscos e benefícios do tratamento. 
Portanto, vamos estabelecer nas próximas etapas os riscos associados ao 
uso de psicofármacos e estudar as reações e problemas que podem ser 
encontrados, especialmente os relacionados ao processo de ensino e 
aprendizagem, com o uso de psicofármacos. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
BECK, A. T.; STEER, R. A.; Brown, G. K. Beck depression inventory. São Paulo: 
Pearson, 1996. 
BECK, A. T.; STEER, R. A. Beck anxiety inventory. São Paulo: Pearson, 1990. 
MIOTTO, E. C.; LUCIA, M. C. S. D.; SCAFF, M. Neuropsicologia clínica. 2. ed. 
Grupo GEN, 2017. 
BRUNTON, L. L. et al. As bases farmacológicas da terapêutica. 13. ed. Rio de 
Janeiro: McGraw Hill, 2019. 
CORRER, J. C.; OTUKI, M. F. A prática farmacêutica na farmácia comunitária. 
São Paulo: Grupo A, 2013. 
GOLAN, D. E. et al. Princípios de farmacologia: a base fisiopatológica da 
farmacoterapia. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. 
FOX, S. I. Fisiologia humana. São Paulo: Manole, 2007. 
DE NUCCI, G. Tratado de farmacologia clínica. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2021. 
LENT, R. Neurociência da mente e do comportamento. São Paulo: Grupo GEN, 
2008. 
RANG, H. P. et al. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.