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DISTOPIA LETÍCIA MANTOVANI FEREGUETTI 1 Distopia genital: É o deslocamento de um órgão de seu posicionamento e/ou localização habitual. Um dos principais tipos de distopia é o prolapso genital. Definindo prolapso como: o abaixamento da parede vaginal anterior e/ou posterior e do ápice da vagina. O sintomas de prolapso podem acontecer em - qualquer idade mas possui um pico entre 70-79 anos, e a disfunção do assoalho pélvico é mais comum em idosas, podendo afetar até 50% das mulheres nessa época da vida. ANATOMIA: SISTEMA DE SUSPENSÃO: Não se tem musculo, são apenas ligamentos que sustentam a pelve. Possui, um par de ligamentos anteriores que são: LIG. PUBOVESICOUTERINO OU LIG PUBOVESICOCERVICAL; Possui um par de ligamentos laterais: LIG. CARDINAIS OU PARAMÉTRICOS; Possui um par de ligamentos posteriores que são: LIG. UTEROSSACROS; SISTEMA DE SUSTENTAÇÃO: São compostos por um conjunto de estruturas que se encontram entre o peritônio pélvico e a pele da vulva, representa o assoalho pélvico. DIAFRAGMA PÉLVICO + FÁSCIA ENDOPÉLVICA + DIAFRAGMA UROGENITAL Diafragma pELvico: ELEVADOR DO ANUS + COCCÍGENO (ISQUEOCOCCÍGEO). ELevador do anus – é composto pelos (puborretal, ileococcígea e pubococcígea) Obs.: as junções dos três músculos formam o elevador dos anu já o diafragma pélvico é formado pelo elevador do anu + coccígeno. Diafragma urogenital: M. TRANSVERSO PROFUNDO DO PERÍNEO + M. ESFINCTER URETRAL EXTERNO Fáscia endopélvica: 1°FOLHETO (PARIETAL)- Recobre útero, vagina, bexiga e reto + 2° FOLHETO (VISCERAL)- ligam os órgãos pélivicos (vagina e útero) as paredes pélvicos (fáscia vesicovaginal + fáscia retovaginal). FISIOPATOLOGIA Existem mecanismo responsáveis por manter a posição normal dos órgãos do assoalho pélvico, devido os sistemas de sustentação e suspensão, o prolapso aconteceria justamente pelo desequilíbrio desse sistema. O desequilíbrio pode vir a acontecer devido a alterações congênitas que afetariam esse sistema de suspensão e sustentação, como também no aumento crônica da pressão abdominal. DISTOPIA LETÍCIA MANTOVANI FEREGUETTI 2 Ex. paciente que possui DPOC, constipação, distúrbio de colágeno, essas doenças promoveriam um desequilíbrio nessa balança e poderia gerar um prolapso. EPIDEMIOLOGIA: 74.2% dos pacientes com prolapso encontram-se na pós-menopausa sugere associação com o hipoestrogenismo; 50% das mulheres que tiveram filhos possuem algum grau de distopia. Aumento do risoc de prolapso de 4,7% em mulheres que tiveram parto vaginal; 2% das vezes pode acontecer em nuliparas. FATORES ETIOLÓGICOS: O mais associado é a multiparidade (70%), ou nuliparas devido esforço intenso; Idade acima de 60 anos; Historia familiar; Raça mais propicia em brancas e latinas; Anomalias congênitas como espinha bífida oculta e agenesia sacrococcígea. Obesidade; DPOC, constipação intestinal; Multiparidade, parto vaginal, parto a fórcipe, período de expulsão prolongado; Síndrome de marfan e ehler-danlos; Rotura perineal; Menopausa (hipoestrogenismo) PROLAPSO UTERINO – APICAL: Tudo depende do grau de colapso apresentado pela paciente. A sensação descrita pela paciente é que se tem uma “bola na vagina”. Um prolapso uterino no estádio I e II, o tratamento poderia ser feito através da cirurgia de MANCHESTER ou DONALD-FOTHERGILL. É uma cirurgia de amputação parcial do colo uterino + sutura dos ligamentos cardinais no coto cervical anterior. A cirurgia de MANchester é para MANter o útero. Indicado: alongamento hipertrófico do colo (colo longo) ou pretensões reprodutivas. Um prolapso uterino no estádio III e IV, o tratamento pode ser por HISTERCTOMIA VAGINAL. Em pacientes que possui um risco cirúrgico muito alto é feito COLPOCLEISE obliteração da vagina (reservada para mulheres que não tem vida sexual ativa), caso a paciente tenha vida sexual ativa, opta-se por tratamento conservador PESSÁRIOS, isso só em risco muito alto pois a resposta terapêutica é insatisfatória. PROLAPSO DE CÚPULA VAGINAL DISTOPIA LETÍCIA MANTOVANI FEREGUETTI 3 As vezes o prolapso de cúpula vaginal acontece em pacientes mais jovens. Indica a cirurgia de COLPOCLEISE impede a penetração, logo não seria adequado para uma pessoa jovem. Pode –se optar por outros tratamentos como: SARCROCOLPOPEXIA FIXAÇÃO DA CÚPULA VAGINAL NA APONEUROSE DO M. RETO ABDOMINAL; FIXAÇÃO DA CÚPULA VAGINAL NO LIG. SACROESPINHOSO; PROLAPSO DE PAREDE VAGINAL: - Prolapso de parede anterior: É conhecido como uretrocele e/ou cistocele e/ou uretrocistocele. É marcado pela presença do órgão subjacente à parede vaginal anterior, que acompanha o seu deslocamento. A descida da parede vaginal anterior de forma que a junção uretrovesical (localizada 3 cm acima do meato uretral externo – ponto Aa), ou qualquer outro ponto acima deste, esteja a menos de 3 cm do plano do hímen. O Tratamento: COLPORAFIA DA PAREDE ANTERIOR: Cirurgia em que se tem a abertura da vagina anterior + plicatura da fáscia pubovescicervical na linha média (fechamento). Se recidiva: considera o uso de tela. - Prolapso de parede posterior: A herniação do reto é resultado do enfraquecimento da fáscia retovaginal e dos seus pontos de fixação às margens dos músculos levantadores do ânus. Além disso, há lesão do centro tendíneo do períneo, que é um componente de suporte suplementar para os órgãos do assoalho pélvico. O tratamento é feito por COLPORAFIA DE PAREDE POSTEIROR – abertura da parede vaginal posterior + plicatura dos músculos elevadores dos anus na linha média (fechamento). DIAGNÓSTICO: O diagnóstico é clinico, sendo comumente confirmado pelo exame físico, com a mulher em posição ginecológica e com a realização da manobra de valsava. As principais queixas referidas pelas pacientes: É a sensação de peso ou “bola na vagina”; Disfunções miccionais, evacuatórias ou sexuais; Sangramento (exteriorização, escarificação, ulceras), secreções vaginais. ITU; O exame inclui uma série de etapas: Exame do abdome; Exame neurológico simplificado; Exame da genitália externa; Exame especular; Toque vaginal; Toque retal (individualizar); Manobras de esforço. Pode ser necessário exame complementar como: USG, RNM que podem revelar anormalidade não detectadas durante o exame físico. DISTOPIA LETÍCIA MANTOVANI FEREGUETTI 4 CLASSIFICAÇÃO POP-Q: O POP-Q registra a descida das paredes vaginais em centímetros, adotando como parâmetro o hímen remanescente ou carúnculas himenais. “a” – parede anterior Aa e Ba “p” – parede posterior Ap e Bp “C” Colo ou Cúpula “D” Fundo de Saco de Douglas (-) dentro da vagina (+) fora da vagina CVT: Colo Vaginal Total Cp: Corpo perinela Hg: Hiato Genital Obs.: HG e Cp não são tão importante. DISTOPIA LETÍCIA MANTOVANI FEREGUETTI 5 Primeira letra a ser avaliada é a letra minúscula que me dirá se estou analisando a parede vaginal posterior ou anterior. O “a” vai ser igual a parede anterior e o “p” vai ser igual a parede posterior. A letra ”C” vai ser o COLO ou a CÚPULA, vai depender do enunciado se ela falar que a mulher fez “histerectomia” o “C vai ser CÚPULA” se o enunciado falar que “não fez histerectomia” vai ser COLO. Caso o enunciado da questão não fale sobre histerectomia, iremos observa letra “D”, que significa SACO DE DOUGLAS. As únicas pessoas que possui o saco de Douglas é quem possui colo, logo se existe a letra D a letra C é colo. 0 = carúncula himinal. O negativo sempre vai está para dentro do hímen, ou seja, não há prolapso. O positivo estará para o lado de fora, quando indicaprolapso. CVT- Colo Vaginal Total Cp- corpo perineal Hg- hiato genital Obs.: Quando se tem a ausência de prolapso o ponto o “A” e o “B” estarão no mesmo lugar. EX.: Aa -3 / Ba -3 /C -7/ D-0 /Ap +1/Bp +2 Nesse exemplo, conseguimos observar que, como o D é igual a 0, significa que não existe o saco de douglas, logo a paciente não possui colo, sendo assim o meu C é cúpula, como o C = (-7) significa que a cúpula está (-7) para dentro do canal, logo ela não tem prolapso de útero, quando observamos o “a” que é da parede anterior também observamos que está com o “A” e “B” em (-3), que significa que não existe prolapso pois estão na mesma pontuação. Quando observamos o “p” está “Ap” (+1) e “Bp” (+2), logo existe um ´prolapso da parede posterior, então no meu POP- Q eu consigo observar que a paciente possui um prolapso de parede posterior. Ex 2.: Mulher de 51 anos de idade, negra, casada, tabagista de um maço de cigarro ao dia é atendida para exames de rotina. O exame POP – Q é o seguinte: Nesse exemplo, conseguimos observar que o D está presente, significando que a paciente possui colo, logo o seu C é colo, como o C e D está negativo conseguimos afirmar que não existe prolapso de útero, ao observamos a letra “a” (parede anterior) nota-se que estão em (-3), o que significa que não existe prolapso, pois estão no mesmo nível, quando observamos a letra “p” os dois se encontram em (- 3), o que significa que não há prolapso de parede posterior. Sendo assim essa mulher não possui prolapso. Ex3.: Mulher de 76 anos que apresenta o seguinte exame ginecológico para a quantificação de prolapso genital (POP-Q) DISTOPIA LETÍCIA MANTOVANI FEREGUETTI 6 Observando o POP-Q, notamos a presença do D, sendo assim a paciente possui o fundo de saco de douglas, e possui colo, logo o meu C é colo. Como nota-se que C (-9) e D (-10), significa que não existe prolapso de útero. Ao observar o “a” em que Aa (+2) e Ba (+4) observamos que existe a presença de um prolapso de parede anterior. Ao observar o “p” em Ap (-3) e Bp (-3), como os dois estão negativos, significa que não há prolapso de parede posterior. A paciente possui prolapso de parede anterior. Ex 4.: Paciente de 53 anos, IIIG IIIP normais, queixa- se de bola na vagina há 1 ano com piora progressiva. Apresenta esses dados na classificação de prolapso genital POP-q. Qual o prolapso? Nesse exemplo, conseguimos observar que a paciente não possui a letra D, logo, ela não possui o fundo de saco de Douglas, e com isso, ela não possui o colo, o que significa que ela tem histerectomia, logo o meu C é cúpula, como o meu C é (+7) significa que ela possui prolapso de cúpula vaginal ao observarmos Aa (+3 )e Ba (+3) existe a presença de prolapso de parede anterior e ao observarmos Ap (+1 ) e Bp (+1) notamos que também existe a presença de prolapso posterior, no entanto, quando nomeamos o prolapso dessa paciente, dizemos que ela tem um prolapso de cúpula, pois é o prolapso que mais está para fora, e o prolapso que mais está para fora que nomeia. Estádio 0: ausência de prolapso. Os pontos Aa, Ap, Ba, Bp coincidem e estão com -3 cm de pontuação. Os pontos C e D estão entre CVT e CVT -2 cm. Estádio I: o ponto de maior prolapso está localizado 1 cm acima do hímen remanescente, ou seja, acima da posição - 1 cm. Estádio II: a porção mais distal do prolapso está entre 1 cm acima e 1 cm abaixo do hímen remanescente, ou seja, entre a posição -1 cm e +1 cm. Estádio III: a posição mais distal do prolapso está a mais do que 1 cm abaixo do hímen remanescente, ou seja, acima da posição +1 cm, e no máximo 2 cm a menos que o comprimento vaginal total (não se desloca mais que o CVT -2 cm). Ou seja, o ponto de maior prolapso é menor do que a eversão total da vagina. DISTOPIA LETÍCIA MANTOVANI FEREGUETTI 7 Estádio IV: eversão completa, ou seja, a porção mais distal do prolapso encontra- se, no mínimo, no CVT -2 cm. TRATAMENTO: TRATAMENTO CONSERVADOR Pessário vgainais: são dispositivos de borracha ou silicone inseridos na vagina para prover suporte estrutural a qualquer defeito apresentado no assoalho pélvico (exceto o defeito distal). Fisioterapia: Treinamento dos Músculos do Assoalho Pélvico (TMAP) pode ser utilizado em mulheres com prolapso genital. Portanto, a fisioterapia não consegue reduzir anatomicamente o prolapso grave, apesar de ajudar a amenizar os sintomas do POP e de melhorar a função muscular do assoalho pélvico. TRATAMENTO CIRURGICO: Reconstrutivo: Consiste na abertura da parede vaginal anteriore na plicatura da fáscia pubovesicocervical nalinha . É realizada também a exéreseda mucosa vaginal redundante seguida de sua síntese. (COLPORRAFIA ANTERIOR). Obliteralmente: realizado pela fixação da cúpula vaginal ao promontório do sacro, na aponeurose do músculo retoabdominal ou ao ligamento sacroespinhoso e pela obliteração vaginal (colpocleise). (COLPOCLEISE). Colpossacrofixação: fixação da cúpula vaginal com o auxílio de telas no periósteo do sacro. DISTOPIA LETÍCIA MANTOVANI FEREGUETTI 8