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I RIO MODEL UNITED NATIONS 
 
 
 
 
 
 
 
CONSELHO IMPERIAL DE CONSTANTINO XI 
Queda de Constantinopla frente à expansão otomana (1451) 
 
 
 
 
 
 
Helena Jensen 
Daniel Gonçalves Pequeno 
Gabriel Trevisan 
André Caetano 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rio de Janeiro 
2017 
Índice 
3 
 
 
1. Carta de Constantino XI Paleologo aos Srs. Conselheiros 
...........................05 
2. História de Constantinopla 
..........................................................................06 
2.1. Fundação da cidade 
2.2. A queda do Império Romano do Ocidente e o papel de Constantinopla 
2.3. A Grande Cisma do Oriente 
2.4. A Quarta Cruzada e a queda da cidade 
2.5. A importância de Bizâncio no período medieval 
2.6. Histórico do Império entre gregos e ítalos 
3. Problemas políticos e dinásticos 
..................................................................15 
 3.1. A Dinastia Paleologo 
3.2. Famílias Láscaris e Doukas 
3.3. Genoveses versus venezianos e os conflitos no Mar Egeu 
3.4. A xenofobia da aristocracia bizantina 
4. O Império Otomano, sua gênese e suas ameaças 
.........................................27 
4.1. Árabes e a verdadeira queda de Roma 
4.2. Contexto do nascimento do Império Otomano 
4.3. Recentes ameaças 
5. Defesa da cidade e possibilidades de alianças 
.............................................33 
 5.1. Forças militares atuais 
5.2. Mercenários 
5.3. Itálicos 
5.4. Coalizões bizantinas 
5.5. Informações adicionais 
6. O sistema econômico-administrativo e possíveis projetos para políticas 
públicas .......................................................................................................38 
6.1. Fundamentos da psicologia econômica bizantina 
6.2. Capacidades econômicas bizantinas 
6.2.1. Agricultura 
4 
 
6.2.2. Artesanato 
6.3.3. Comércio 
6.2.4. Moeda e finanças 
6.3. Fatores para a decadência econômica 
6.3.1. O revivescimento da grande propriedade 
6.3.2. Ocidentalização do comércio bizantino 
6.4. Perdas econômicas paulatinas 
6.5. Considerações finais 
7. Posicionamentos dos conselheiros 
...............................................................52 
 7.1. Andrônico Paleologo Cantacuzenus 
7.2. Constantino Láscaris 
7.3. Demétrio Cantacuzenus 
7.4. Demétrio Paleologo 
7.5. Georgios Kourtesios Escolário 
7.6. Isidoro de Kiev 
7.7. Jorge Frantzes 
7.8. Jorge Paleologo Cantacuzenus 
7.9. Lucas Notaras 
7.10. Michel Doukas 
7.11. Patriarca Gregório III 
7.12. Teófilo Paleologo 
7.13. Tomás Paleologo 
8. Posicionamentos dos nobiliários venezianos 
.............................................65 
8.1. Alviso Diedo 
8.2. Felipe Contarini 
8.3. Gabriel Trevisan 
8.4. Girolamo Minotto 
8.5. Nicolas Barbaro 
9. Posicionamentos dos genoveses e aliados 
..................................................68 
9.1. Domenico Gattiluso 
9.2. Giovanni Giustiniani Longo 
5 
 
9.3. Leonardo de Chios 
9.4. Palamede Gattiluso 
10. Posicionamentos dos mercenários e demais membros 
...............................70 
10.1. Johannes Grant 
10.2. Pere Julia 
10.3. Príncipe Orhan-Çelebi 
11. Referências bibliográficas 
..........................................................................71 
 
 
 
 
1. Carta de Constantino XI Paleologo aos Srs. Conselheiros 
 
Sejam bem-vindos, 
 
Quem vos fala é Constantino XI Paleólogo, Imperador de Roma do Oriente. Convoco-
vos hoje ao primeiro dia do Novo Ano de 1451 d.C. para discutir a sobrevivência 
restante do Império Romano, salvaguardando nossa glória das garras dos Otomanos ou 
de quaisquer outros usurpadores que ousem atentar aos mais de mil anos de história da 
Rainha das Cidades. 
 
O Império não é mais o que outrora foi. Os Otomanos ocuparam nossas terras na 
Macedônia e Tessália, e estão sedentos por mais territórios para conquistar. Já em seu 
leito de morte, o Sultão Maomé I faz planos para seu filho, o ambicioso príncipe de 
mesmo nome. Os planos rodeiam Constantinopla, o único limite entre os otomanos e o 
Bósforo. Devemos, portanto, eliminar a eminente ameaça, usando a inteligência, astúcia 
e poder de todos os presentes nesse conselho - os quais não foram escolhidos por falta 
de propósito. 
 
Possuímos nesse conselho homens das mais diversas origens, desejos e atribuições, 
reunidos pela causa maior de salvaguardar o destino deste glorioso Império. A presença 
6 
 
de cada faz-se, portanto, essencial, tendo sida pensada com a devida cautela que estes 
tempos de incerteza demandam. 
 
Deposito minha fé nos senhores para decidirem as estratégias que devemos implementar 
neste horrível tempo por qual passamos. De qualquer forma, continuarei observando e 
supervisionando suas deliberações, estando à alçada dos senhores comandar as forças do 
Império, decidir seu plano diplomático e tomar partido de quaisquer projetos públicos. 
Ainda assim, devo aconselhá-los de que ações militares coletivas serão sempre mais 
bem-sucedidas que tomadas individuais, logo espero sinceramente que este conselho 
esteja apto a trabalhar em conjunto. 
 
A unidade é primordial. Somos um grupo composto por diversos povos: desde o 
Império Romano, de Veneza, de Gênova e até a distante Catalunha. Podemos parecer 
completamente incompatíveis; contudo, nesta horrenda época de necessidade, devemos 
deixar nossas diferenças e ambições pessoais à parte, norteando nossas ações em base 
dos interesses do Império. 
 
Tenho consciência de que há romanos aqui que continuam a culpar os latinos ocidentais 
por usurpar a Rainha das Cidades em 1204, mas devemos ignorar isso. Sei que 
genoveses e venezianos competem constantemente por postos comerciais no Mar 
Mediterrâneo. Deixando tais animosidades no passado, é essencial que hoje vejamos 
uns aos outros como irmãos e amigos, pois o destino do Império Romano depende da 
capacidade dos senhores para tal. Tenho ciência, também, de que membros das famílias 
Láscaris e Ducas buscam minha deposição, porém vos solicito que foquem 
primeiramente na missão apresentada, deixando de lado interesses pessoais infundados. 
 
Conseguirão os senhores resistir comigo e derrotar a ameaça trazida pelos Otomanos? 
Irão apartar contendas pessoais e dinásticas para salvar nosso glorioso Império e 
restaurar a glória legítima de Roma do Oriente? Espero poder testemunhar suas 
respostas em breve. O destino de Constantinopla reside em vossas mãos. 
 
2. História de Constantinopla 
 
7 
 
A história de Constantinopla, a Rainha das Cidades1, é grandiosa e turbulenta. 
A cidade gozou de áureos tempos de imensa saúde e poder, contudo, também sofreu 
com desastrosas pragas e invasões. Constantinopla foi fundada em 324, sobre a antiga 
cidade de Bizâncio. Por isso, é necessário desde já compreender a organização desta que 
foi a sua predecessora. Byzantium, em latim, foi fundada por expansionistas de Mégara 
em 658 a.C., recebendo o nome de seu rei, Bizas. Foi uma pequena cidade comercial, 
até a era de Constantino I, na qual o Imperador aproveitando-se da posição geográfica 
para a defesa e o comércio - com o Bósforo ligando Oriente e Ocidente - tratou de 
conquistar a cidade que impedia seu empreendimento, a findada Calcedônia. Assim, 
com pompa e circunstância foi rebatizada a nova cidade de Constantinopla, onde ali se 
instaurou o poder político do Império Romano do Oriente. 
 
Segundo Rodolphe Guilland2, o crescimento dessa cidade tornou-se tão notável 
com o passar do tempo que, mesmo após diversos ataques, adquiriu enorme 
prosperidade e, em 324 d.C., foi nomeada por Constantino como Nova Roma ou 
Constantinopla. Foi proclamada capital do Império Romano do Oriente em 330 d.C. 
 
2.1. Fundação da cidade 
 
Como supracitado, a formação da capital do Império Bizantino data do século 
quarto depois de Cristo. Estrategicamente localizada entre o Corno de Ouro e o Mar de 
Mármara no ponto em que a Europa encontra a Ásia, a Constantinopla Bizantinarepresentou para Constantino I o ponto mais vital do Império Romano já em crise. 
Tendo em vista que Roma já não era mais uma capital satisfatória, devido a ataques 
constantes de invasores, crises administrativas e econômicas, paganismo e a grande 
distância das fronteiras do Império, a cidade mostrou-se como uma promissora capital 
(MANGO, 1985). 
 
Em ponto geográfico rico e ímpar em todo o mundo conhecido, a cidade, 
contando com as reformas promovidas, tornou-se grande ponto de interseção cultural 
em sua era. Passou a ter uma notável muralha como defesa principal: foi expandida 
 
1 O Sangue de Bizâncio: ascensão e queda do Império Romano do Oriente in “História de Roma Antiga”, 
vol. 3. Universidade de Coimbra. João Gouveia Monteiro, 2016. p.331 
2 Pesquisador do Império Bizantino tardio e professor de Sorbonne. Escreveu quase 200 trabalhos sobre o 
assunto, sendo a família Paleólogo o seu maior interesse. 
8 
 
consideravelmente, construindo um novo muro a cerca de 2,8 quilômetros a oeste da 
muralha de Severo, incorporando mais terras ao território da cidade. As fortificações de 
Constantino contavam com torres colocadas a distâncias regulares, que começaram a ser 
construídas em 324 e concluídas no reinado de seu filho, Constâncio II, o qual teve o 
reinado de 337 a 361 d.C. (GUILLAND, 1969). 
 
Além disso, diversas outras obras públicas foram efetuadas a altos custos, 
possibilitando que de fato a cidade se efetivasse como capital. Dessa forma, diversas 
construções trouxeram a política aos moldes romanos, mas urge entender que a 
população e os próprios governantes regionais não eram os mesmos que os romanos, 
contando não só com origem diferente, mas também movimento muito superior, devido 
à ligação intercontinental da cidade. Tal fato é já um indicativo dos futuros problemas 
administrativos da cidade, aliados a crises e invasões. (MACHADO, 2015) 
 
2.2. A queda do Império Romano do Ocidente e o papel de 
Constantinopla 
 
O Império Romano do Ocidente teve sua queda definitiva em 476 d.C., devido 
à instabilidade político-administrativa e econômica – ­citando-se por exemplo os altos 
gastos com escravidão e a desastrosa migração para o sistema do colonato após o fim do 
modelo escravista – além da a guarnição falha nas fronteiras do Império que não 
conteve as numerosas invasões germânicas, que chegaram até mesmo à capital romana. 
As dissidências internas da península italiana também podem ser citadas como fator 
definitivo para a queda de Roma ocidental, afinal a região só seria resguardada como 
um Estado único com a unificação italiana, já no século XIX (Idem, ibidem). 
 
Outro fenômeno que ganhou proporção grandiosa em meio à crise do Império 
foi a ascensão do cristianismo em meio a outras religiões, principalmente ao paganismo, 
como cita Gibbon em sua obra “The History of the Decline and Fall of the Roman 
Empire”. Os cristãos, que já habitavam os domínios do Império há bastante tempo, 
passaram a crescer numericamente. Esse fato levou o Imperador Constantino – que, 
depois, transferiu a sede do Império Romano para Bizâncio – a instituir o cristianismo 
como religião principal do Império Romano, tendo ele próprio se convertido. 
 
9 
 
O Leste, contudo, sobreviveu para carregar o legado de Roma. O Império 
Romano do Oriente teve seu poder em ascensão e declínio de forma cíclica durante a 
Era Medieval, mas a respeito do destino do Império como um todo, a sobrevivência de 
Constantinopla sempre foi de máxima importância. Constantinopla cresceu 
imensamente, chegando a alcançar o expressivo número de 500 mil habitantes logo no 
início da Idade Média Arcaica, assim tornando-se a cidade mais populosa do planeta. 
Isso foi, em parte, causado pelo fato da cidade ter se tornado o centro do Cristianismo e 
futuramente, da vertente Ortodoxa da religião, o que significa que tanto peregrinos 
quanto estudiosos religiosos lá estavam reunidos. 
 
A antiga Bizâncio também avançou como um dos principais centros comerciais 
do mundo. Não só era Constantinopla a única conexão entre o Mediterrâneo e o Mar 
Negro, como também ponto final da chamada “Rota da Seda” (HARRIS, 2017). 
 
Consequentemente, foi elemento crucial para a integração comercial entre 
Europa e Ásia. À parte de ser a capital do Império Romano Oriental, o centro do 
Cristianismo Ortodoxo e de grande relevância em aspectos comerciais, Constantinopla 
sobreviveu por tanto tempo por conta de sua complexa rede de muros sobre a muralha 
original da cidade, construída pelos imperadores Teodósio II e Anastácio I Dicoro. 
Durante séculos, tais paredes resistiram a centenas de cercos. Apenas a Quarta Cruzada 
– realizada em 1204 – foi capaz de romper de forma bem-sucedida os muros da cidade. 
De certo modo, portanto, não é equivocado considerar Constantinopla o centro do 
mundo conhecido na Idade Média. 
 
2.3. A Grande Cisma do Oriente 
 
A Grande Cisma do Oriente ou simplesmente a Cisma de 1054 foi o episódio 
que marcou a separação da Igreja em ocidental e oriental, ou em Católica Apostólica 
Romana e Ortodoxa. 
 
Decorrente das disputas e tensões entre ocidente e o império Romano oriental 
não se contiveram ao plano político: discordâncias entre os pontos de vista litúrgico e 
eclesiástico da Bíblia causaram o episódio que marca a profunda diferença cultural entre 
ambos, que viria também a influir na queda de Constantinopla, já que as disputas 
10 
 
religiosas na cidade viriam a se tornar intensas demais para o poder público, culminando 
na quarta Santa Cruzada. Ocorreram desavenças, desigualdades políticas e culturais 
entre as igrejas de Roma e de Constantinopla. Entre 456 e 867 discordaram quanto à 
inclusão feita no Credo Apostólico (filioque), por questões litúrgicas e disciplinares - se 
deveria usar-se pão fermentado ou não fermentado na eucaristia, as alegações do papa 
de primazia jurídica e pastoral, e a função de Constantinopla em relação à Pentarquia 
cristã, havendo um distanciamento constante entre as duas vertentes católicas e disputas 
pelo poder econômico-político nas regiões mediterrâneas. 
 
Os ocidentais acusaram os orientais de heresias, criticando os monofisistas por 
acreditarem que Jesus tinha existência unicamente divina , negando assim sua 
humanidade, e questionarem a doutrina da Trindade por volta século V. Ademais, 
condenaram o movimento da Querela dos Iconoclastas, em que toda representação 
artística religiosa que retratasse Deus, Jesus, o Espírito Santo, a Virgem Maria, os 
santos católicos e até mesmo as divindades pagãs era destruída, reduzindo a arte do 
classicismo cristão ao que é hoje conhecido como Arte Tumular. 
 
Ainda no âmbito da história arquitetônica e cultural, as Igrejas latinas passaram 
a diferir muito das bizantinas, como exemplo, São Paulo fora dos Muros e Hagia 
Sophia, bem como os procedimentos dentro delas tomado. No Ocidente, houve 
influência germânica e no Oriente, clássica e do extremo Oriente. Era a chamada Igreja 
de tradição e rito grego, que se ressentia de algumas exigências jurisdicionais feitas 
pelos papas, reforçadas no pontificado de Leão IX (1048-1054) e depois no dos seus 
sucessores. Para além disso, existia a oposição do Ocidente em relação ao 
cesaropapismo bizantino, isto é, a subordinação da Igreja oriental a um chefe secular, 
como acontecia na Igreja de Constantinopla. 
 
Em 1043, o Patriarca Miguel Cerulário assumiu a Igreja Bizantina (Oriente) e 
desenvolveu intensas campanhas contrárias à Igreja Latina (Ocidente), que mandou o 
Cardeal Humberto até Constantinopla para solucionar a questão teológica que as 
diferenciava. O Cardeal resolveu excomungar o Patriarca do Oriente. Assim, toda a 
Igreja oriental reagiu e excomungou o Papa Leão IX, do Ocidente (SIECIENSKI, 
2010). 
 
11 
 
Esta dissensão ficou lembrada como o Cisma do Oriente, Cisma de 1054 ou o 
“GrandeCisma”, que originou a Igreja Ortodoxa ou Igreja Católica do Oriente, 
separando-se da igreja Católica do Ocidente, a romana. Apesar de tentativas de 
reaproximação em Conselhos Ecumênicos no século XIII, a mesma nunca ocorreu de 
fato. 
 
2.4. A Quarta Cruzada e a queda da cidade 
 
A Quarta Cruzada pela Terra Santa foi convocada em 1202 pelo Papa 
Inocêncio III. Jerusalém estava sob hegemonia muçulmana, em controle otomano, e a 
Igreja Católica visava retomá-la para reforçar a fé cristã no mundo. Com a falta de 
recursos da comitiva liderada por Balduíno IX, Conde de Flandres e o Marquês de 
Montferrant, para chegar ao Egito e para pagar a quantia exigida por Veneza pela 
passagem por seu território, porém, os objetivos primordiais da Cruzada foram 
divergidos. 
 
Aproveitando-se da situação, o duque veneziano Enrico Dandolo propôs uma 
incursão até a cidade de Zara, onde hoje fica a Croácia, para tomá-la dos húngaros. Os 
mercadores de Veneza tinham grande interesse no território, já que ele facilitava as 
transições comerciais com outras nações através da livre passagem do Mar 
Mediterrâneo (ANGOLD, 1997). Além de Zara, os venezianos invadiram 
Constantinopla em 1203, que na época estava sob domínio do Império Bizantino. Lá, o 
Imperador Isaac II fora destituído do poder por seu irmão Aleixo III, fazendo com que o 
príncipe (Aleixo IV Ângelo) pedisse auxílio aos cruzados para dominarem o território e 
reinstaurassem o seu governo. 
 
Assim, sob informações das instabilidades de Constantinopla e do fato da 
cidade conter as riquezas necessárias para a chegada ao Egito, os venezianos invadiram 
a cidade. Além dessa motivação, urge compreender o desejo de vingança dos 
venezianos após o Massacre dos Latinos de 1182, no qual a população latina foi 
assassinada ou forçada à fuga em Constantinopla, devido aos seus privilégios mercantes 
e à sua religião, ainda no contexto da Grande Cisma (GREGORY, 2010). Segundo 
relatos da época, os genoveses e venezianos foram os que mais sofreram, já que seus 
sobreviventes foram espancados e vendidos como escravos para o Sultanato de Rum. 
12 
 
 
Em 1204, portanto, Constantinopla encontrou-se sob cerco. Em circunstâncias 
políticas extremamente instáveis, a população de Constantinopla linchava estrangeiros 
desde finais de 1202, e Aleixo IV Ângelo começou a desentender-se com os cruzados, 
já que após os mesmos restituírem Aleixo IV no trono, o mesmo encontrou fortíssima 
oposição e a preferência por seu pai no poder, apesar de estar cego e impossibilitado de 
governar. Sendo assim, no momento do cerco, a principal liderança de defesa da cidade 
era Aleixo V Ducas Murtzouphlos, a quem foi dado a missão de reconciliação com os 
cruzados, mas se rebelou e tomou o poder para si no mesmo ano da invasão. 
 
Em 9 de abril de 1204, as forças cruzadas e venezianas iniciaram o ataque às 
fortalezas no Chifre de Ouro, mas, por conta do mau tempo, tiveram que recuar quando 
se viram sob um pesado ataque dos arqueiros, mesmo ainda estando em campo aberto 
entre as fortalezas e a praia. Em 12 de abril de 1204, as condições climáticas finalmente 
melhoraram, permitindo o início do segundo assalto. Após uma curta batalha, 
aproximadamente 70 cruzados conseguiram penetrar a cidade. Os venezianos também 
conseguiram escalar a muralha a partir do mar. 
 
Os cruzados então capturaram o bairro de Blaquerna, no Noroeste, e utilizaram 
a região como base para atacar o resto da cidade, embora, ao tentarem se defender com 
uma vala de fogo, eles terminaram incendiando ainda mais seções da cidade. Este 
segundo incêndio deixou mais de 15 000 pessoas sem ter onde se proteger. O imperador 
Aleixo V fugiu durante a noite através do Portão Polyandriou e escapou para a zona 
rural a oeste da cidade. Nunca, desde da época das invasões bárbaras, havia a Europa 
visto tal ação de atrocidade de vandalismo. 
 
O saque intenso que seguiu teve profundos resultados negativos para 
Constantinopla. Não só foi a base popular massacrada e suas construções incendiadas, o 
grande acervo artístico-cultural da cidade foi levado pelos cruzados, incluindo adornos 
do hipódromo e obras da quase mítica Biblioteca de Constantinopla, que sucumbiu 
inteiramente ao incêndio iniciado na região. Além disso, mediante a já existente 
fragilidade política, o Império tornou-se ainda mais fragmentado e paciente às medidas 
ocidentais, sendo até mesmo subdividido entre diversas famílias nobres, que clamavam 
ter direito ao trono. Por isso, diversos historiadores avaliam o estudo do processo de 
13 
 
queda do império a partir desse evento ou das consequências sociopolíticas decorrentes 
do mesmo (NICOL, 1993). 
 
Depois da primeira invasão a Rainha das Cidades cristãs desde a era de 
Constantino I, jamais o império se recuperou do esplendor de outrora. Em suma, 
ocorreu a divisão do Império Bizantino em vários Reinos e Impérios menores. Os 
principais Estados sucessores foram: Império de Trebizonda, Despotato do Épiro, 
Império de Niceia e o Império Latino. Os Venezianos também anexaram ilhas e 
territórios no Mar Egeu, alguns dos quais continuaram sob seu controle em 1451. 
 
A princípio, a família dos Láscaris comandou o Império de Niceia por 
aproximadamente 60 anos até que Miguel VIII Paleólogo usurpou o trono. Foi ele capaz 
de tomar o posto tão facilmente pois o último Láscaris na linha sucessória tinha apenas 
8 anos de idade à época. 
 
Então, Miguel VIII restaurou o Império Bizantino em 1261, quando conquistou 
Constantinopla e estabeleceu a dinastia dos Paleólogos como família de direito apelos 
anos que viriam. Apesar disso, a Quarta Cruzada danificou permanentemente a força 
dos Bizantinos e suas relações com os Latinos. Desde 1261, O Império Bizantino 
encarou numerosas dificuldades. Apesar do colapso do Sultanato Seljúcida de Rum no 
século XIV, a dinastia Osmanli emergiu na Bitínia, como unificador do povo Turco em 
Anatólia. Isso se provaria no futuro a maior ameaça aos Bizantinos. Por volta de 1450, 
os Turcos já haviam conquistador a maior parte de Anatólia e Grécia, além de pequenos 
estados reais em volta de Constantinopla e Moreia. 
 
2.5. A importância de Bizâncio no período medieval 
 
Os tempos medievais foram notoriamente difíceis para os europeus. Seja pelas 
pestes, por guerras ou perseguições religiosas, o continente se encontrou em caos. Foi 
nesse período da história que o êxodo em grandes contingentes e a peregrinação 
tornaram-se mais comuns, tanto que a arte românica - notar a diferença entre o período 
românico e o romano - tem como uma de suas principais características a adição de um 
relicário à planta abacial da igreja, visando atrair tais peregrinos. O Império Bizantino, 
14 
 
por mais que não tenha relação direta a tais igrejas, de modelo latino, teve também 
importantíssima participação nesses processos migratórios da época. 
 
Conectando os continentes conhecidos, o Império tornou-se espaço de grande 
movimentação. Os eventos naturais na África causaram a migração de indivíduos para o 
Norte e a expansão de turcos e asiáticos causava também a fuga de populações para 
Oeste, ambos em direção referencial à Europa, através, em sua maioria, do território do 
Império Bizantino. Tal processo causou um inchaço urbano europeu, ou seja, aumentou 
o mercado do continente e também a necessidade por mais comida, em especial grãos, 
que viria a aumentar muito a dependência comercial do ocidente com o Império 
Bizantino (BACKMAN, 2003). 
 
Além disso, o início de expansão europeu também foi de suma importância 
para o Império. Até o século XV, a sua posição era tão estratégica que detinham 
monopólio da passagem de produtos europeus para diversas regiões, como por exemplo 
as Índias. Para compreender melhor tal situação, o Cabo das Tormentas só foi 
descoberto em 1488, e a passagem pelo Atlântico era deveras perigosa. Assim, a não ser 
que os produtos cruzassem omar Mediterrâneo, região em situação desesperadora de 
pirataria, e atravessasse a África em sua maioria ainda desconhecida, era quase 
impossível evitar uma passagem pelo Império. Até mesmo para chegar às prósperas 
regiões do Egito e da Abissínia, a posição imperial era estratégica, conferindo-lhe o 
caráter de maior ponto de conexão da era medieval. 
 
Com tal aspecto, porém, veio também o interesse estrangeiro. Na capital, a 
presença veneziana tornou-se expressiva, entre outros latinos, que passaram a ter 
influência no comércio e administração regional, que após o cerco da Quarta Cruzada, 
tornou-se um problema, uma vez que o mosaico de povos nos quadros do imperador 
abriu espaço para interesses conflitantes e corrupção. Além dos ocidentais, ondas de 
expansão muçulmana começaram a aportar o Império ciclicamente, mostrando-se 
grande problema social, e as suas riquezas passaram a atrair os seus líderes. Os turcos, 
extremamente poderosos e com forte identidade nacional, passaram a preparar-se para 
os ataques à Constantinopla. 
 
2.6. Histórico do Império entre gregos e ítalos 
15 
 
 
A partir de 1204, Gênova e Veneza têm controlado territórios de considerável 
extensão nos mares Egeu e Negro, e esses dois rivais frequentemente competem pelos 
melhores acordos comerciais e terras desde então. Essa longa rivalidade existe 
primeiramente por se tratarem das duas cidades mais ricas da Península Itálica. 
Adiciona-se ao caso que as mesmas entraram em desavenças, pois ambas lutam pelo 
maior controle possível sobre o comércio no Mediterrâneo. 
 
Ainda que esses dois rivais raramente concordem, seus sistemas político e 
econômico são bastante similares. Ambas são repúblicas oligárquicas, que baseiam suas 
economias em um modelo mercante naval, sob o comando de um Doge e um Senado, e 
o poder real das duas potências está nas mãos de famílias patrícias. Tendo em vista que 
colaboram e têm interesse na segurança comercial em Constantinopla, o Império 
Bizantino visa solucionar como pacificar essa feroz rivalidade sem provocar a fúria de 
uma ou ambas as partes. Vale lembrar também que as duas compõem grande parte das 
forças militares e navais Bizantinas. Ademais, ignorar suas disputas comerciais não é 
uma opção, pois a perda de apoio de um dos Estados faria de Constantinopla 
vulnerabilíssima. 
 
Venezianos e genoveses, como já foi citado, tradicionalmente lutam pelo 
domínio de várias ilhas e fortes, então os participantes da corte imperial dependem do 
desenvolvimento de uma solução única para prevenir que os lados declarem guerra em 
busca do controle de uma ilha ou forte específico, além de abandonar Constantinopla às 
mãos dos otomanos. De todo modo, a rivalidade pode representar algumas vantagens 
para a Corte Imperial. Ambas as repúblicas estão interessadas em acordos vantajosos 
nos mares Egeu e Negro, assim como ao longo de toda a rota da Seda. Esses acordos 
poderiam ser usados como moedas de troca pela Coroa Bizantina, influenciando os 
itálicos. As duas cidades também temem os Otomanos, logo, usar a ameaça de uma 
invasão Turca nas negociações poderia prevenir conflitos diplomáticos entre Veneza, 
Gênova e o Império. 
 
3. Problemas políticos e dinásticos 
 
16 
 
A imponência nos campos cultural, religioso e militar carregada pelos 
detentores da coroa bizantina não se viu livre dos infortúnios e dificuldades enfrentados 
na gestão de um império de tamanha magnitude. Problemas políticos e administrativos, 
conchaves palacianos e tramoias aristocráticas fizeram-se presentes por toda história do 
governo de Constantinopla até sua derradeira queda nas mãos de Maomé II, com muitos 
estudiosos considerando tais fatores como indissociáveis desse processo. Uma das peças 
centrais nesses méritos reside, sem dúvida, na nobreza bizantina, não se limitando, 
todavia, somente às famílias que se viram na tutela do Império Romano do Oriente, com 
a grande influência de outras casas nobres e grupos de importância exercendo um papel 
basilar nas diretrizes que regeriam o destino do o governo da antiga Bizâncio. Dessa 
forma, faz-se primordial compreender as origens, interesses e motivações das principais 
personagens dentro da emaranhada teia de intrigas da política bizantina. 
 
3.1. Dinastia Paleologa 
 
As origens que remetem a família que viria por reinar sobre o antigo Império 
Romano do Oriente são, como o caso de diversas outras do período, cercadas de 
incertezas e especulações, construídas especialmente nos anos que sucederam a 
ascensão da casa ao trono bizantino. Os primeiros registros confiáveis nos levam a 
Nicéforo Paleólogo, general durante o governo de Romano IV, como uma das primeiras 
figuras de importância a carregarem o nome da família para o alto escalão da sociedade 
bizantina. Seu filho, Jorge Paleólogo, se destacou como um exímio comandante militar, 
além de ter sido cunhado e amigo íntimo do imperador Aleixo I. 
 
No entanto, o cenário para a ascensão paleóloga só pôde desenvolver-se 
especialmente após a queda da cidade nas mãos dos cruzados no ano de 1204. Até 
aquele momento, a família não projetava tanto destaque dentro da aristocracia bizantina 
se comparada a outras casas da época. Com a derrota do império pelas forças latinas, a 
falta de renome não mais constituía um obstáculo tão grande para o crescimento do 
poder dos Paleólogos, muito devido a reorganização que se deu dentro da própria 
nobreza remanescente no estabelecimento de novos estados que dariam continuidade ao 
legado bizantino. Foi em um desses territórios, o Império de Niceia, que o crescimento 
da influência paleóloga excederia as expectativas, ao passo que também plantaria 
17 
 
semente para as intrigas políticas que se estenderiam até o reinado de Constantino XI, 
séculos mais tarde. 
 
Dessa forma, após anos de ascensão sob o governo dos Láscaris, os Paleólogos 
assumem o controle do trono de Nicéia no ano de 1259, com Miguel Paleólogo obtendo 
a regência do então infante João IV por meio de um bem-sucedido golpe de estado. A 
partir daí o governo niceno ficou sob liderança de facto de Miguel, que após empregar-
se em uma ávida campanha militar na defesa das terras do império, conseguiu 
conquistar o apoio necessário entre a aristocracia para o que sua seria sua causa mais 
importante: a retomada de Constantinopla das mãos usurpadoras do Império Latino. 
 
Alianças foram firmadas, homens mobilizados. Assim, não tardou para que as 
forças imperiais, postas sob o comando de Aleixo Estrategópulo, conseguissem penetrar 
nas muralhas da cidade, a qual jazia sem uma guarnição adequada, e abrissem os 
portões para que o restante do exército niceno pisasse sobre o chão de Constantinopla. 
Findos os combates, e com uma esmagadora vitória, mas mãos, Miguel se proclamou o 
novo imperador bizantino, sob o nome de Miguel VII. O império estava, enfim, 
restaurado. No entanto, com seu estabelecimento no centro do poder bizantino, a recém-
fundada dinastia imperial precisava tratar de uma série de questões a fim de assegurar 
sua autoridade no cenário externo e, especialmente, no interno de seus domínios. 
 
Primeiramente havia a questão da legitimidade que recaía no poder do novo 
monarca, muito contestada por parte da aristocracia nicena que permanecia leal a antiga 
dinastia dos Láscaris. As ações tomadas pelo imperador de cegar e afastar João IV, bem 
como casar as irmãs deste com estrangeiros (de modo que a reivindicação do trono não 
poderia ser feita pelos descendentes delas) acabaram vindo à tona e fomentaram ainda 
mais a oposição que os Paleólogos enfrentavam. A posição mais notável neste sentido 
fora a do Patriarca Arsênio, antagônico a Miguel desde seu período como regente, que 
excomungou o imperador ao tomar conhecimento do que havia sido feito ao jovem 
Láscaris. Após uma série de ameaças, o líder bizantino depõe o sacerdote em 1265, o 
enviando para exílio e colocando umaliado em seu lugar. A partir daí as relações entre 
coroa e clero, de um modo geral, passariam a ser conduzidas de forma amistosa. 
 
18 
 
 Outro problema com o qual os Paleólogos se viam nas mãos residia nas 
condições em que os usurpadores haviam deixado os domínios bizantinos depois de 
mais de meio século de julgo. O cenário com qual Miguel e seus aliados se depararam 
ao adentrar em Constantinopla pela primeira vez em décadas não poderia ter sido mais 
preocupante: monumentos depredados, templos destruídos e cofres públicos vazios. A 
má gestão deixada pelo Império Latino tornou-se uma questão urgente a ser resolvida, o 
que levou o novo império a adotar medidas duras como o aumento massivo dos 
impostos, no intuito de financiar a reconstrução do legado bizantino na região. 
 
Por meio disso, sob as ordens de Miguel, pontos importantes como Santa Sofia, 
o porto de Costocálio e as muralhas da capital puderam ser reformados, numa genuína 
tentativa de manifestar para o mundo que o império estava retomando sua antiga glória, 
e que a mesma nunca havia sido perdida. O aumento das contribuições para 
empreendimentos do gênero passaria a ser uma medida frequente para a qual os 
imperadores da dinastia recorriam de tempos em tempos, o que por sua vez fomentaria 
uma insatisfação entre a plebe em relação a seus governantes, um elemento que seria 
deveras explorado pelos otomanos em suas campanhas porvindouras contra os 
bizantinos. Ainda assim, é válido ressaltar que sob o governo Paleólogo, o império 
bizantino experimentou um período de revitalização nos campos cultural e artísticos, ao 
qual muitos historiadores classificam como um dos pontos de origem para o que seria a 
Renascença europeia. 
 
Além disso, a imagem do renascido império dos Paleólogos para outros 
governantes se tornou uma das principais preocupações adotadas pela nova dinastia, 
com um investimento em diplomacia sem precedentes na história bizantina sendo um 
dos fatores mais importantes nesse sentido. Para tanto, as relações exteriores passaram a 
constituir um campo de interesse e extrema importância na política do novo imperador, 
o qual se encontrava ciente do papel decisivo que aliados de fora do império poderiam 
oferecer no evento de uma nova tentativa de tomada de seus domínios. Tais diretrizes se 
sustentariam até o último Paleólogo deixar o trono, mesmo com certa desconfiança em 
relação a interferência de forasteiros no governo sendo alimentada dentro dos grupos 
aristocráticos. 
 
19 
 
Destarte, por meio de casamentos e acordos, os bizantinos foram capazes de 
confeccionar e manter alianças–mesmo que algumas questionavelmente frágeis–com as 
repúblicas de Veneza e Gênova, potências mercantis com interesse nos bens orientais 
que faziam caminho pelas terras bizantinas, alguns reinos católicos do ocidente como a 
Sicília, pelo vislumbre que muitos compartilhavam da reunião das igrejas de Roma e 
Constantinopla, além de outros aliados eventuais unidos pelo combate contra um 
inimigo comum, como no caso dos Mamelucos no Egito. Alguns matrimônios também 
garantiram, ao longo dos anos, que o sangue dos Paleólogos os ligasse às mais diversas 
famílias reais, como os Bagrationi da Geórgia, bem como outras casas nobres em 
regiões próximas da Bulgária e Sérvia. 
 
A reunião entre as igrejas permaneceria sendo, de fato, um dos principais 
pontos de divergência dentro da sociedade bizantina, enfrentando grande rejeição nas 
camadas populares e até mesmo na alta esfera do governo. Divergências quanto a 
questões teológicas e dogmáticas, bem como a rejeição da autoridade suprema na figura 
do Papa entre os Ortodoxos figurariam entre as principais justificativas para a 
manutenção da cisão. Contudo, é importante perceber que as motivações de ambas as 
partes (pró-aproximação e contrários à mesma) podem ser analisadas de forma mais 
clara no plano político, tendo em vista os prospectos que uma mudança dessa magnitude 
poderia acarretar nos domínios imperiais. 
 
Por um lado, o projeto apoiado por diversos imperadores vislumbrava que o 
fim da cisma proporcionaria a mitigação do distanciamento entre os governantes da 
Europa católica e o Império, assim permitindo que o governo de Constantinopla pudesse 
contar com, entre outras coisas, o apoio das forças europeias, especialmente as papais, 
no caso de ameaças ao seu território promovidas por seus inimigos do Leste. No 
desenvolvimento do embate contra os Otomanos, tal ponto seria reforçado por inúmeras 
vezes. Já na perspectiva dos opositores à reunião, a interferência de Roma nos assuntos 
do Império submeteria os bizantinos a uma condição análoga à vassalagem em relação 
ao Papa, comprometendo ainda o poder que a igreja de Constantinopla dispunha entre a 
plebe, um dos mecanismos administrativos mais úteis para a aristocracia. 
 
Enquanto detentores do trono bizantino, os imperadores da linhagem Paleóloga 
também não deixaram de tomar providências para a manutenção do poder da família 
20 
 
para fora das dependências imperiais. Uma das maiores demonstrações de tal 
proeminência se concentrava na região do Peloponeso, organizado como Despotado da 
Moreia, uma das mais ricas do império, a qual permaneceu sob controle pessoal da 
família real após o desfecho vitorioso de uma crise de sucessão contra a família 
Cantacuzeno. O episódio em específico ficaria marcado por diversas intrigas políticas 
dentro da estrutura mais alta do império, algumas das quais permaneceriam sendo 
remoídas pelas partes derrotadas mesmo após décadas de seu desfecho. 
 
Isso nos leva a outro ponto crucial no jogo de poder em que os Paleólogos se 
encontravam inseridos: a questão da sucessão. Conforme os bizantinos tentavam 
recuperar sua imponência de outrora, abalada desde a conquista pelos cruzados, a 
fragilidade política na estrutura imperial, decorrente do conflito de interesses na 
restabelecida aristocracia, fez-se um ponto constante contra qual os imperadores da 
linhagem de Miguel tinham de enfrentar. Em meio a tal cenário, os conflitos internos 
entre membros da própria dinastia pelo trono, com notoriedade para a guerra civil de 
1341, seriam decisivos para que o projeto de reafirmação da suntuosidade bizantina se 
encontrasse, na prática, pouco concretizado fora das ideias divulgadas pelo governo de 
Constantinopla para o resto do mundo. 
 
Em suma, é importante destacar que grande parte das dificuldades enfrentadas 
pelos Paleólogos no governo do império advinha de um cenário que, desde a usurpação 
cruzada, encontrava-se desfavorável para as pretensões que a família almejava. Um 
isolamento cada vez maior enquanto cercado por forças inimigas da Europa à Ásia, 
questionamentos quanto a autoridade imperial, crises de sucessão, além de tragédias 
como a chegada da peste bubônica colocariam os descendentes de Miguel VII em uma 
posição bastante adversa para concretização de seus planos. A proporção da ascensão 
otomana nos domínios do império encontra-se, dessa forma, extremamente ligada na 
presença de tais fatores. Contudo, os esforços empregados pela dinastia no projeto de 
recuperação da imponência do Império Romano do Oriente podem nos oferecer um 
retrato genuíno da identidade bizantina que o nome Paleólogo carregou na história de 
Constantinopla. 
 
3.2. Famílias Láscaris e Doukas 
 
21 
 
Enquanto a linhagem do imperador Miguel VII travava suas próprias luta 
contra os inúmeros obstáculos que a gestão do Império Bizantino carregava, duas outras 
famílias desenvolveriam de forma expressiva suas marcas na história política do 
governo de Constantinopla. Mesmo não sentando sobre o trono da capital desde a 
invasão cruzada, a influência e importância que os descendentes das casas de Láscaris e 
Doukas ostentariam para a sociedade bizantina fazem com que seja de essencial tratar 
de suas respectivas histórias e aspectos. 
 
A princípio conservando um status de poucodestaque dentro do meio 
aristocrático bizantino, a linhagem Láscaris observou sua ascensão ao poder em meio à 
crise da Dinastia Ângelo, no final do século XII. Durante a ameaça proporcionada pelos 
cruzados no cerco que viria por preceder a usurpação de Constantinopla pelos latinos, 
dois membros da família receberiam destaque por suas atribuições em prol do império. 
Por meio delas, ambos os filhos de Manuel Láscaris, os irmãos Theodoro e Constantino 
ostentariam papéis distintos na manutenção do legado bizantino. 
 
O primeiro estabeleceu o que se pode considerar um dos mais importantes 
estados herdeiros do Império após sua ocupação, o já mencionado anteriormente 
Império de Nicéia. Abrigando grande parte da aristocracia bizantina que conseguiu 
escapar de Constantinopla após sua tomada, os domínios nicenos seriam essenciais na 
organização das forças que restabeleceram o poder bizantino décadas mais tarde, uma 
vez que a sólida administração empregada pelos descendentes Láscaris seguiriam tal 
objetivo como principal diretriz ideológico de seu reinado. Já Constantino é considerado 
por muitos apoiadores Láscaris — incluindo parte significativa da plebe — o último 
imperador legítimo antes da conquista. Tal prestígio remete a um episódio, um tanto 
questionado pela historiografia contemporânea, no qual o irmão de Theodoro teria sido 
conclamado como sucessor ao trono imperial pelo povo que resistia na capital durante a 
invasão cruzada. 
 
Segundo defendem seus apoiadores, Constantino permanecera na cidade para 
liderar as últimas defesas contra as forças latinas, e, constam as lendas, teria escolhido 
não usar as cores imperiais ao receber seu título, por estar rumando para a batalha final, 
na qual perdeu sua vida em nome do Império. O legado de prestígio e honra que se 
formaram pela difusão dessa história constituiriam uma bandeira de muito valor e 
22 
 
orgulho para a Casa Láscaris e seus apoiadores até os últimos dias do império, servindo 
até de base para algumas conspirações, nunca concretizadas, quanto ao direito da 
família à coroa. O interesse de perpetuar os Láscaris no título imperial se sustentava 
ainda na questão já tratada anteriormente do golpe perpetrado pela família Paleóloga 
contra os descendentes de Theodoro pelo trono de Niceia. 
 
Após a retomada de Constantinopla, durante o reinado Paleólogo, a influência 
Lascáris dentro dos assuntos reais diminuiu significativamente, apesar do nome da 
família ainda figurar com frequência entre membros de certa relevância na corte. 
Outrossim, nos séculos que sucederam a restabelecimento do império, inúmeros 
Láscaris ostentariam títulos de governadores, administradores imperiais e domésticos, 
além de se destacarem como ricos proprietários de terra por vários domínios bizantinos. 
 
Já no caso da linhagem Doukas, o prestígio ostentado pela família já advinha 
de séculos na história bizantina. Durante eras, diversos governadores, abastados 
detentores de terra na Anatólia, aristocratas e exímios militares carregariam o nome da 
casa para as mais distintas instâncias do império, com alguns chegando a sentar sobre o 
trono de Constantinopla, como no caso de Constantino X. Tal imponência se deve, em 
grande parte, pela prática comumente adotada pela família da formação de alianças por 
meio de casamentos. Através dessa estratégia, deveras recorrente entre a aristocracia 
medieval, os Doukas foram capazes de expandir sua influência para vários setores da 
nobreza do Império Romano do Oriente, unindo-se por meio de matrimônios a famílias 
poderosas como os Dalassenos, Pegonitas e Comnenos; tendo esses últimos garantindo 
que o sangue duceno fosse carregado para mais uma série de imperadores porvindouros. 
É notório destacar que, ao longo da história, muitos aristocratas alegaram descendência 
ou ligação com a Casa, adicionando até mesmo o nome da linhagem entre seus 
sobrenomes, uma demonstração sólida da suntuosidade da família. 
 
O período no qual os Doukas trajaram o roxo imperial fora marcado por uma 
série de severas perdas territoriais para os turcos seljúcidas na Ásia menor, normandos 
nas últimas possessões bizantinas da península itálica e sérvios nos Balcãs. 
Curiosamente, podemos relacionar tais derrotas aos mesmos casamentos que permitiram 
a ascensão ducina ao trono, pelo fato dos interesses das famílias nobres para proteção da 
igreja ortodoxa e a manutenção de benefícios à suas casas terem obrigado imperadores 
23 
 
como Constantino X a diminuir os repasses destinados a manutenção do exército 
imperial, o que por sua vez reduziu de forma expressiva o número de homens 
disponíveis para a defesa dos territórios bizantinos, o que culminaria nas humilhantes 
derrotas perante as forças inimigas. Apesar do cenário desfavorável, a capacidade de 
atender os interesses gerais da aristocracia permitiu que a dinastia permanecesse no 
poder por quase duas décadas. 
 
Além do domínio sobre o Império Bizantino, os Doukas exerceram um papel 
importantíssimo para a história do mesmo ao estabelecerem o Despotado de Épirus no 
século XIII, o qual viria a se tornar um dos principais estados herdeiros do legado 
imperial após a tomada da capital pelos cruzados. Contudo, o governo duceno no 
território se distinguiu um pouco do láscari em Nicéia, muito devido a uma prática 
expansionista que por um lado permitiu a permanência do território em meio às ameaças 
de regiões vizinha, mas por outro, ignorava uma real vontade de reaver Constantinopla 
das forças usurpadoras. 
 
Na realidade, o interesse de retomar a cidade não figurava entre as prioridades 
dos Doukas no Despotado, mais preocupados em defender as intermediações de seus 
domínios. Mesmo após a campanha bem-sucedida de Miguel Paleólogo na restauração 
do Império Bizantino, a região somente retornou às posses imperiais no Século XIV, 
com a família Doukas conservando sua importância e tradição no meio aristocrático. 
 
3.3. Genoveses versus venezianos e os conflitos no Mar Egeu 
 
Ao tratar das principais figuras que influenciaram o destino do Império 
Bizantino, seria no mínimo equivocado negligenciar a importância que as duas 
principais potências comerciais mediterrâneas da idade média exerceriam sobre os 
rumos do governo de Constantinopla. Os interesses que os mercadores de Veneza e 
Gênova conservavam no domínio das rotas de comércio que abasteciam a Europa, as 
quais majoritariamente faziam cominho pelos domínios bizantinos, foram responsáveis 
tanto por alianças celebráveis quanto por conflitos sangrentos, em uma verdadeira 
disputa pelo controle do lucrativo mercado do mar Mediterrâneo e Egeu. Nesse cenário, 
a atuação dos bizantinos por vezes mostrou-se essencial para escrever o fim que os 
embates entre as duas repúblicas teriam. 
24 
 
 
O primeiro dos conflitos no qual se pode dar destaque ocorreu no ano de 1256, 
e teve como causa principal uma longeva disputa sobre o domínio de terras da região de 
Acre, localizada na terra santa. As duas repúblicas marítimas já reivindicavam 
autoridade sobre o território, e embarcaram em um sangrento conflito após as forças 
genovesas enviadas para o local receberem uma dura retaliação despachada pelos 
venezianos. 
 
A disputa se intensificou, com ambos os lados contando com apoio de diversas 
partes; como os Cavaleiros Templários e as repúblicas de Pisa e Provença, no caso de 
Veneza, e o Principado da Catalunha, República de Ancona e os Cavaleiros 
Hospitalares no caso genovês. A guerra tomou rumos inesperados no ano de 1261, 
quando Gênova e o Império de Nicéia, então sob comando de Miguel Paleólogo, 
assinaram um tratado de comércio e defesa, o Tratado de Ninfeu. Por meio desse 
acordo, os genoveses garantiram benefícios valiosíssimos nos favores dos que, alguns 
anos mais tarde, governariam sobre o Império Bizantino restaurado, suplantando a 
atuação veneziana no Mar Negro após a queda do Império Latino pelosnicenos. Apesar 
da vitória veneziana nos embates pontuais do conflito, é possível atestar que os 
prejuízos às rotas comerciais de Gênova foram pífios se comparamos elas aos danos 
causados por corsários genoveses às embarcações venezianas. Ao final das hostilidades, 
Genova conseguiu se projetar à frente no lucrativo mercado proporcionado pelos 
bizantinos. 
 
A segunda guerra de renome entre as duas repúblicas, desenvolvida entre os de 
1295 e 1299, pode ser atribuída, em sua maior parte, às tensões que foram deixadas 
como legado do conflito anterior. Após a queda de Acre nas mãos dos mamelucos, em 
1291, os venezianos começaram a aumentar sua presença em regiões e rotas controladas 
pelos genoveses. As retaliações contra os mercadores da Sereníssima República 
empreendidas pelas forças genovesas no Mediterrâneo oriental deflagraram o início da 
nova guerra. 
 
 O conflito seria marcado pelo apoio bizantino sendo novamente disposto a 
Gênova, mesmo que a mesma não tivesse as mesmas condições de combater as forças 
venezianas devido a um conflito civil que enfrentava em seu próprio domínio. Tal fato 
25 
 
abriu espaço para que Veneza fosse capaz de empenhar-se em uma destruidora 
campanha contra possessões e colônias genovesas. O retorno viria em 1258, na qual 
seria a maior batalha já travada entre as duas potências marítimas, a chamada Batalha de 
Curzola. Quase 170 galés entraram em combate e mais de sete mil morreram do lado 
veneziano, com o quase o mesmo número sendo levado como prisioneiro, dentre os 
quais estava o próprio Marco Polo, o qual registraria sua famosa obra “As viagens” no 
cativeiro. A paz veio um ano depois, em um acordo pouco conclusivo e recheado de 
ressentimentos 
 
No terceiro embate, desenvolvido quase um século depois, as peças do jogo de 
poder no Mar Egeu encontravam-se ordenadas de modo diferente. Após um conflito 
breve contra os Bizantinos no ano de 1348, os genoveses projetavam cada vez mais sua 
presença nos mares ao leste. Concomitante, Veneza formou uma aliança poderosa com 
o Reino de Aragão para a destruição de Gênova, contra a qual a coroa ibérica disputava 
o controle da Sardenha. Com inimigos reunidos em várias frentes, deram-se início às 
hostilidades no ano de 1350. Apesar das desvantagens numéricas, a ordem dos fatores 
acabara sendo favorável aos genoveses, que conseguiram empreender diversas 
campanhas bem-sucedidas à forte coalizão que enfrentavam. A falta de suporte que a 
república sofreu viria a ser seu maior triunfo, uma vez que, ao ser vitoriosa mesmo em 
meio às enormes baixas, conseguiu manter seu poder entre outras potências mercantis 
ao assinar a paz em 1355 nos anos seguintes. Veneza, por outro lado, viu-se mais 
fragilizada tanto na moral de suas tropas quanto em aspectos administrativos, 
especialmente de seus territórios além-mar. 
 
Já no ano de 1378, uma disputa envolvendo a posse da ilha grega de Tenedos 
deflagraria um quarto grande conflito entre as duas repúblicas mercantis. A importância 
do território remetia, especialmente, a sua posição estratégica para o comércio no Mar 
Negro. Após ser adquirida pelos venezianos, os mercadores de Gênova sentiram seus 
interesses ameaçados e tentaram, sem sucesso, retomar o controle da região em 1377. 
Apesar do fracasso inicial, os genoveses conseguiram conquistar o apoio de alguns dos 
principais inimigos de Veneza, como Pádua e Hungria, para continuar sua campanha 
contra as pretensões venezianas. 
 
26 
 
Dessa forma, os combates se sucederam, dando ainda espaço para uma 
tecnologia inédita até então em conflitos navais, o uso de canhões montados, os quais 
seriam de grande utilidade, principalmente para o lado de Veneza. Tal fator foi 
determinante para a virada contra Gênova, dois anos depois, na batalha de Chioggia, na 
qual os genoveses viram sua frota ser emboscada e destruída. O acordo de paz foi 
assinado em Turim, em 1381, tendo sido, novamente pouco efetivo para saciar as 
animosidades entre as repúblicas. 
 
3.4. A xenofobia da aristocracia bizantina 
 
Desde antes da divisão do Império Romano, as instituições aristocráticas 
bizantinas já desenvolviam uma visão distinta acerca dos povos estrangeiros que 
frequentemente faziam seu caminho pelo território. Com as invasões bárbaras marcando 
o fim da parte ocidental de Roma, a nobreza de Constantinopla passou a conservar uma 
cautela maior quanto às relações que o seleto grupo da administração do Império 
deveria manter com forças vindas de outras terras. Tal diretriz de pensamento pode ser 
justificada pela posição delicada na qual os domínios do Imperador se localizavam: de 
um lado uma região dominada por forças católicas e povos pagãos ditos ferozes no 
campo de batalha, do outro, forças do deserto que anos mais tarde se reuniriam em 
califados sob a fé maometana, empreendendo sangrentas campanhas contra as terras do 
Imperador. Dessa forma, as ameaças estrangeiras foram um perigo constante com o qual 
os bizantinos tinham de lidar. 
 
A queda da cidade pelas mãos dos cruzados, com suporte veneziano, somente 
colaboraria para o aumento do ceticismo promovido entre a nobreza em relação a 
estrangeiros nos domínios imperiais. Até aquele momento, as divergências entre 
católicos e ortodoxos era pontualmente deixada de lado em virtude de um objetivo em 
comum, tal como foi feito em cruzadas anteriores. A usurpação, contudo, quebrou a 
ordem tradicional, alimentando um sentimento forte contra qualquer força sob ordens 
papais nos territórios bizantinos, principalmente pela nobreza dos estados herdeiros. 
Após a retomada de Constantinopla, anos mais tarde, a presença de católicos em 
assuntos de governo sofreria grande oposição por parte da aristocracia, o que só seria 
atenuado em parte com os esforços diplomáticos da Dinastia Paleóloga em vista de 
27 
 
ameaças maiores que passaram a ameaçar o império. Ainda assim, diverso grupo 
mantém posições conservadoras quanto à questão. 
 
Apesar de tudo, relações importantes e lucrativas com territórios mercantis 
itálicos ainda se mostra uma ponte capaz de superar, em certa medida, o receio da 
nobreza em tratar com católicos e estrangeiros. No mais, é importante ressaltar que, 
mesmo após séculos da divisão, a ideia perpetuada entre os bizantinos de que sua 
linhagem seria a dos “verdadeiros romanos” permanece como uma justificativa 
frequente para uma suposta superioridade tanto intelectual quanto cultural em relação a 
outros povos, pensamento que ainda rodeia grande parte da aristocracia como forma de 
esclarecer seu poder. Como Constantinopla e o litoral bizantino eram o centro do 
comércio mundial, suas ruas encontravam-se cheias de mercantes, príncipes renegados, 
pensadores, viajantes e mercenários. Alguns, com extrema influência e poder, chegaram 
até mesmo às mais altas cortes imperiais, sendo escutados nos tempos de necessidade 
maior. É importante notar que o seu poder era tanto que suas origens - muitas vezes 
escusas - e crimes, conhecidos pelos próprios guardas palacianos e grandes nobres, eram 
deixados de lado. 
 
Por mais que ilegítimos para estarem na Corte, portanto, se mostravam como 
força determinante na balança de poder dentro dos palácios bizantinos. Por outro lado, 
havia também na corte forças extremamente nacionalistas, que desconfiavam deles e 
procuravam silenciá-los a todo custo. Assim, qualquer erro poderia ser visto como 
ameaça de traição, crime sentenciado à pena máxima. 
 
4. O Império Otomano, sua gênese e suas ameaças 
 
A história otomana é complicada e complexa. Envolve não só a própria 
dinastia otomana, mas também os muitos povos que operavam e governavam o Império 
e foram governados por ele: os turcos, os árabes, os sérvios, os gregos, os armênios, os 
judeus, os búlgaros, os húngaros, os albaneses e muitos outros. Constitui a história dos 
principais grupos religiosos entre os sujeitos, os muçulmanos, osjudeus e cristãos. 
Toma em consideração as relações entre os otomanos e seus vizinhos na Europa e na 
Ásia, histórias complicadas de guerras, conquistas, diplomacia, e as perdas territoriais 
que muito mais tarde foram chamadas de Pergunta Oriental. Inclui na História das 
28 
 
instituições políticas, administrativas e sociais incorporadas neste império multinacional 
e multicultural. (SHAW, 1976) 
 
4.1. Árabes e a verdadeira queda de Roma 
 
A maneira como a História é tratada atualmente mostra a queda do Império 
Romano do Ocidente como uma ruptura com o período considerado como da 
Antiguidade Tardia. Aproxima-se a queda definitiva do Império no ano de 530 d.C, 
embora o período de declínio tenha sido dado através de diversos fatores em diversas 
épocas. Sendo assim acompanhado de cisões políticas internas, invasões de povos 
exteriores ao Império e a própria dificuldade administrativa para territórios extensos. A 
análise acadêmica do ocorrido inclina para considerar certo fracasso do Estado enquanto 
entidade política organizada para proteger e suprir as necessidades vitais da população3, 
erros vitais, os quais não podem ser repetidos na Rainha das Cidades. 
 
As datas relevantes incluem o ano de 117 d.C, quando o Império estava em sua 
maior extensão territorial e à adesão de Caio Aurélio Diocleciano em 284. A perda 
territorial considerável e irreversível, no entanto, começou em 376, com uma irrupção 
em larga escala de godos e outros povos bárbaros. Por 476, quando Flávio Odoacro 
depôs o imperador Rómulo Augusto, o Imperador Romano do Ocidente exercia poder 
militar, político ou financeiro insignificante e não tinha o controle efetivo sobre os 
dispersos domínios ocidentais que ainda poderiam ser descritas como romanos. Os 
invasores "bárbaros" tinham estabelecido seu próprio domínio na maior parte da área do 
então Império Ocidental. Apesar de sua legitimidade ter durado muitos séculos e sua 
influência cultural permanecer até hoje, o Império do Ocidente nunca teve força 
suficiente para se reerguer. A queda, todavia, não é o único conceito unificador para 
esses eventos, uma vez que há certa continuação das rupturas na esfera cultural, à parte 
da política. 
 
A política de controle político centralizado no Ocidente e o poder diminuído do 
Oriente são universalmente aceitos como fatores preponderantes. Contudo, o declínio 
teve seu retardo por mais de cem anos devido a um marcador a partir de 376. Um 
 
3 ACEMOGLU, D. & ROBINSON, J.A. Why Nations Fail. Profile Books (Random House Inc.) 2012. pp. 
166-175 
29 
 
marcador conveniente para o fim do Império, na interpretação do historiador inglês 
Edward Gibbon, foi o ano de 476, mas outros marcadores incluem a Crise do Terceiro 
Século, a Travessia do Reno em 406 (ou 405), o saque de Roma em 410 e a morte de 
Júlio Nepos em 480. Qualquer que seja a intepretação a ser levada em consideração, 
fato é que o declínio do Império Romano do Ocidente pode ser mais bem evidenciado 
pelo declínio das estruturas estatais referentes ao período dos séculos III e IV d.C. do 
que pela queda pontual da cidade de Roma. 
 
Os ocorridos, enfim, pavimentaram o caminho para a crise do Império de 
Constantino XI Paleólogo em 1451, pois o Império Bizantino nada mais é do que restou 
da glória decadente de Roma. O professor Alexander Demandt, por exemplo, enumerou 
210 teorias diferentes sobre por que Roma caiu e novas organizações surgiram desde 
então. Os historiadores ainda tentam analisar as razões para a perda de controle político 
sobre um vasto território (e, como um tema subsidiário, as razões para a sobrevivência 
do Império Romano do Oriente). Comparações também são feitas com o Império 
Chinês, o que restabeleceu a sua "Grande Unidade" enquanto o mundo mediterrâneo 
permaneceu politicamente desunido até o presente. (DEMANDT, 1984) 
 
O domínio sobre várias etnias dispostas em tribos minoritárias e dispersas – as 
quais genericamente serão chamadas por “árabes” – na região do Oriente Próximo4 
também contribuiu para cisões internas, já sob influência do Império Romano do 
Oriente e da expansão de outros Impérios, sendo o Persa, em primeiro momento, o mais 
relevante destes. Sendo numerosas e diversas as teses acerca da queda do Império 
Romano do Ocidente, entre elas se destaca uma póstuma. A tese de Henri Pirenne, um 
emérito professor da Universidade de Genf, na Bélgica, causou polêmica ao contrariar 
historiadores renomados como Edward Gibbon. Para ele, a ruptura com o passado 
romano deu-se com a expansão do islã, entre o no de 650 e 750, e não pela queda de 
Roma no Século V. Com isso, explica-se Carlos Magno por meio de Maomé. 
 
O Profeta faleceu no ano de 632, em Meca. Fundara uma nova religião, o islã, 
e uma nova concepção de Estado, na qual todos se submeteram ao Único, Allah. 
Segundo os registros, durante sua vida, foi conhecido somente na Península Arábica. 
 
4 Região que engloba a Anatólia (porção asiática da Turquia), o Levante (Síria, Líbano, Jordânia, Chipre, 
Israel e territórios Palestinos) e Mesopotâmia (Rios Tigre e Eufrates, Iraque) – territórios atuais, não 
existentes em 1451. 
30 
 
Eis que, de repente, aquele mundo deserto, povoados por tribos nômades, entrou em 
erupção. Durante o século VII os árabes5 cresceram em questões de territórios 
radialmente, ocupando em sua quase totalidade o oriente próximo, avançando também 
bacia do Mar Egeu. Ademais, nos primeiros anos do século VIII, o Islã soterrou a região 
do Zoroastro e encurralou o cristianismo para as margens orientais do Bósforo. 
 
Outrossim, a tese de Pirenne se resume a responsabilidade dos árabes 
islamizados pela real ruptura com a cultura romana no ocidente com suas 
impressionantes conquistas. Contrapondo-se assim as prévias, datando as invasões dos 
bárbaros provindos de diversas partes da Eurásia. Muitos deles, tomaremos como 
exemplo os germânicos, os quais não alteraram a religião existente na România. Não 
tinham mais poderoso no terreno da fé, para se opor ao cristianismo. Nem suas leis, 
instituições eram mais adequadas do que as do Império Romano do Ocidente. Portanto, 
para ele, a invasão de tais bárbaros não fez o devido estrago retratado por historiadores 
como Gibbon. Os germânicos se romanizaram, mantiveram o latim como escrita culta e 
língua diplomática, se cristianizaram. Bem ao contrário dos árabes seguidores do 
Profeta. 
 
4.2. Contexto do nascimento do Império Otomano 
 
Os otomanos descendem da massa de nômades que vagavam na área das 
Montanhas Altai, a leste das estepes eurasiáticas e ao sul do rio Yenisei e Lago Baikal 
em terras que hoje fazem parte da Mongólia Exterior. Estes nômades altaicos tinham 
uma civilização primitiva e móvel baseada na organização tribal, costumes, sanções sem 
órgãos formais de governo e leis características de sociedades mais avançadas. Com o 
segundo século antes de cristo, uma mudança climática política e militar em Altair 
mandou sucessivas ondas migratórias de nômades que estavam previamente localizadas 
naquela área. Aqueles que se direcionaram ao sul ou oeste em direção a Europa, Oriente 
Médio e Ásia central passaram a ser conhecidos como Orguz e, em geral, Turcos para 
aqueles que atacavam. 
 
Ao procurar abrigo e provisões, acabavam destruir diversos vilarejos e cidades, 
buscando o bem-estar de si próprios e de seus rebanhos. Com sua passagem permitiam 
 
5 op cite; termo genérico. 
31 
 
que aqueles que sobreviviam retornassem a suas casas e atividades. Apesar de na maior 
parte dos lugares as incursões não terem deixado marcas permanentes, em algumas 
terras os Turcos escolheram estabelecer seus pastorados e estabelecer vínculos com a 
terra, formando sistemas agrário centuriais se sedentarizando, aotornar a economia 
pastoral. 
 
Os Orguz durante séculos percorreram uma grande área, sendo suprimidos a 
sua originalidade por não conseguir transpassar as fronteiras naturais que defendiam o 
Oriente Médio, como as montanhas do Cáucaso. Contudo, através de uma estrada 
natural, as ondas migratórias nômades foram conduzidas diretamente para o que hoje 
conhecemos como Irã. A área de transição de tais populações é conhecida 
genericamente como Transaxônia, por onde foram canalizadas e haviam Estados e 
Impérios que governavam o Oriente Médio, os quais organizaram defesas para evitar a 
ruptura e destruição trazida pelos turcos. Até o século XI, os grandes impérios do 
Oriente Médio foram bastante bem-sucedidos em tal esforço. Os nômades de Orguz 
derrubaram as defesas das civilizações do Nordeste do Oriente Médio e mudou-se para 
o norte e o oeste em áreas de menor resistência no que hoje é tomado como Rússia e 
Europa Oriental. 
 
Fruto da expansão dos árabes, o Império Otomano foi consolidado no século 
XIII graças a vitórias militares do guerreiro Osman I (1258-1324). Oriundos da tribo de 
Orguz, situada no atual Cazaquistão, os otomanos empreenderam um longo processo de 
expansão territorial que dominou regiões da Europa, Oriente Médio e norte da África. 
Liderados por Ertogrul (1190 – 1281), o processo de expansão foi iniciado com a 
conquista da Ásia Menor. Por volta de 1300, as forças de Osman I obtiveram sucessivas 
vitórias contra os bizantinos. Com o desaparecimento do Sultanato de Rum, por volta de 
1300, a Anatólia turca foi dividida em uma colcha de retalhos de estados independentes, 
os beilhiques. Por volta de 1300, o enfraquecido Império Bizantino havia perdido a 
maioria de suas províncias na Anatólia para dez beilhiques. Sendo um desses liderado 
por Osman I, na Anatólia Ocidental. 
 
No mito da fundação do império, contada em uma história medieval turca 
conhecida como "O sonho de Osman", Osman, quando jovem, sonhou com a visão de 
um império que era uma grande árvore cujas raízes se estendiam por três continentes e 
32 
 
seus ramos cobriam os céus. Ainda de acordo com o sonho, essa árvore que simbolizava 
o império de Osman, alcançava quatro rios com suas raízes, o Tigre, o Eufrates, o Nilo e 
o Danúbio. Essa árvore fazia sombra em quatro cadeias de montanhas, o Cáucaso, o 
Tauro, o Atlase os Bálcãs. Osman I era admirado como um governante forte e dinâmico, 
muito depois de sua morte, era um elogio a frase "ele pode ser tão bom como Osman." 
Durante seu reino como sultão, Osman estendeu as fronteiras otomanas até a fronteira 
do Império Bizantino e estabeleceu um governo formal e cujas instituições iriam mudar 
drasticamente a vida por todo o império. O governo usou a entidade legal conhecida 
como millet, na qual minorias étnicas e religiosas podiam lidar seus assuntos 
independentemente do poder central. 
 
Sucedido por seu filho Orkhan, as tropas do Império Otomano conquistaram os 
centros urbanos de Bursa, Nicéia e Nicomédia. Demonstrando grandes habilidades 
administrativas, Orkhan firmou um exército regular remunerado pelo Estado. Em sua 
jornada, empreendeu uma sequência de vitórias militares que fizeram o Império 
Otomano próximo dos domínios da Europa Ocidental. Uma importante ordem de 
guerreiros foi de grande importância para a formação de tão vasto império. Os 
chamados janízaros era um grupo de soldados formados a partir das conquistas 
territoriais otomanas. Crianças e jovens capturados em guerras, logo em seguida eram 
educados de acordo com os ensinamentos da religião islâmica. Considerados filhos do 
próprio sultão, chefe máximo do império, o corpo dos janízaros era um exército leal à 
autoridade política otomana. 
 
4.3. Recentes ameaças 
 
Ao longo dos séculos, o império Otomano vem crescendo de forma 
preocupante e sufocando os domínios do Império Romano do Oriente somente aos 
limites do corno de ouro. Tal fato se deu a diversos fatores, entre eles a fundação de tal 
Império justo após a crise da Quarta Cruzada. Com isso, a expansão de forma radial dos 
otomanos foi explorada em cima das fraquezas da România, sobrando apenas em 1451 
alguns domínios além-mar e a Rainha das Cidades. No mapa abaixo, levar-se-á a 
consideração de sua análise apenas até o ano do Conselho de Constantino XI, 1451. 
 
33 
 
 
 
5. Defesa da cidade e possibilidades de alianças 
5.1. Forças militares atuais 
 
O período anterior a investida otomana é marcado pela decadência do Império 
Bizantino. Desde a Quarta Cruzada (1202-1204), quando a cidade de Constantinopla foi 
saqueada e o Império Latino foi instituído pelos cruzados, a situação apenas continuou a 
se deteriorar. Instabilidade política, somada às subsequentes crises econômicas e a Peste 
Negra (1343-1353) impediram a recuperação dos Bizantinos. 
 
Claramente, esta conjuntura afeta diretamente a situação dos exércitos de 
Constantinopla. No momento, a cidade abriga cerca de 50.000 habitantes, número 
ínfimo comparado aos tempos áureos do Império. Seu exército, portanto, também se 
encontra diminuído: as forças disponíveis ao Imperador consistem de 4.983 homens 
bizantinos, compostos por uma pequena parte de soldados da Infantaria Romana 
(soldados profissionais, armados com lanças e espadas. Em adição a forma heterogênea 
do exército, Raybund também apontou para o fato da diferença numérica entre o 
exército Bizantino e o Otomano, algo em torno de 1 soldado bizantino para cada 10 
34 
 
otomanos. Suas proteções consistem em escudos grandes e armaduras de cota de malha, 
mas a maior parte do número é composta por cidadãos armados, navegantes e 
voluntários oriundos de terras ao redor da cidade bizantina. 
 
Além dos bizantinos, alguns estrangeiros que vivem nas colônias dentro de 
Constantinopla ou adjacentes à cidade, além de forças estrangeiras aliadas, também se 
voluntariam num eventual esforço de guerra. Entretanto, o número não chega a duas mil 
pessoas, cuja qualidade no equipamento apresenta drástica variação entre si. Somados 
ao exército Bizantino, a defesa da cidade de 20 km² de área contará com menos de sete 
mil homens. Quanto à artilharia, os bizantinos tinham acesso a canhões de pequeno 
porte e pequeno calibre, porém, é preferível a não utilização destes, visto que seu coice 
tende a danificar as muralhas da cidade. 
 
Os Muros da Cidade são lendários. Sua construção teve início no século IV - 
V, porém inúmeras edificações e fortificações foram feitas para garantir a defesa da 
cidade. A principal defesa se encontra a oeste do palácio principal: Uma fortificação 
dupla se estende por 5.5 quilômetros, desde a torre de Mármore no Sul, próxima ao mar 
de Mármara, até o portão de Blachernae, no Norte, próximo ao Chifre de Ouro. Ao 
longo da muralha, 9 portões principais permitem o acesso da cidade. Esta composição é 
conhecida como a Muralha de Teodósio. Além desta, a cidade conta com duas muralhas 
defendendo sua costa: Propontis, ao sul, se estendendo por 7.5km, e o Muro do Corno 
de Ouro, ao norte, com 7 km de extensão. A Marinha bizantina, porém, é o setor militar 
que se apresenta em pior estado. A Frota é composta por 26 navios (5 venezianos, 5 
genoveses, 3 de Creta, 1 de Ancona, 1 da Catalunha, 1 de Provença e 10 navios 
bizantinos). As embarcações bizantinas são, em maior parte, navios de convés alto, 
impulsionados a velas. 
 
5.2. Mercenários 
 
Com a Batalha de Manziquerta (1071) e a subsequente perda dos territórios da 
Anatólia, o Império Bizantino viu sua principal zona econômica e populacional ser 
retirada de sua autoridade. Em decorrência de tal fato, A Rainha das Cidades passou a 
depender profundamente de ajuda externa no que se refere ao âmbito militar. Claro que 
tal auxílio não era prestado de graça, e os grupos que lutavam pelo imperador de 
35 
 
Constantinopla eram recompensados com extensas quantias monetárias ou concessões 
comerciais, situação que porsua vez contribuiu para o declínio do Império Bizantino. 
Os Principais grupos que poderiam ajudar Constantinopla em uma situação de combate 
são os exércitos particulares mercenários. 
 
O Dilema reside no fato de que tais grupos não são confiáveis, por lutarem 
apenas por benefício próprio, já que não são vinculados a nenhum lado beligerante. 
Além disso, Constantinopla já enfrentou problemas causados por soldados desta 
espécie. Em 1305, o grupo mercenário denominado Companhia Catalã, contratado por 
Bizâncio para lutar contra os Bilhetes, apesar de vencer as batalhas em que participou, 
cometeu diversos exageros, chegando ao ponto de saquear cidades e vilarejos 
bizantinos. O que sucedeu foi a contratação de outro grupo mercenário a fim de eliminar 
um problema criado pelo próprio império, afundando ainda mais as autoridades 
bizantinas no que tange a economia. 
 
Portanto, a utilização de exércitos particulares em uma eventual batalha deve 
ser estudada e apurada com muito cuidado. A situação do exército regular e de 
recrutamento em Constantinopla é crítica, o que cria uma realidade em que quaisquer 
reforços seriam bem-vindos. Por outro lado, um grupo traidor dentro dos muros da 
cidade pode ser um fator determinante para queda do Império. 
 
5.3. Itálicos 
 
Os Reinos Itálicos durante muito tempo exerceram a hegemonia no mar 
mediterrâneo. Reinos como Veneza e Gênova disputaram, durante séculos, a 
supremacia territorial e comercial na região, tornando-se, importantes aliados do 
império bizantino, vista a importância da cidade de Constantinopla do ponto de vista 
econômico. O Fortalecimento do Império Otomano, porém, coloca em risco o projeto de 
projeção de poder dos reinos da península itálica, já que a existência de um estado 
supranacional do porte do império otomano teria capacidade de desafiar os reinos 
itálicos pelo controle das rotas de comércio entre o oriente e o ocidente. 
 
A relação entre os reinos itálicos, como citado anteriormente, incluía tensões 
frequentes. Não apenas as disputas territoriais, mas o posicionamento das nações na 
36 
 
questão religiosa também pode afetar a construção de alianças para o império. Os 
Estados papais, por exemplo, podem não apenas se recusar a auxiliar Bizâncio, como 
também podem ver a invasão de seus territórios como um justo castigo pela Grande 
Cisma de 1054. A última afirmativa também pode se aplicar a maioria dos Estados 
ocidentais, que se submetem a igreja de Roma, rechaçando a Religião católica 
Ortodoxa, cuja se estabelece em Constantinopla. Portanto, forjar alianças com tais 
reinos pode ser complicado, ou até mesmo perigoso, caso as tensões entre eles 
atrapalhem o esforço de guerra. 
 
Entretanto, a ameaça comercial e religiosa que o Império Otomano apresenta 
pode ser a razão para que as nações itálicas se unam contra um inimigo comum. Desta 
forma, não apenas os reinos supracitados sairão beneficiados, como o Império Bizantino 
poderá sobreviver a esta imensurável crise. 
 
5.4. Coalizões bizantinas 
 
Como já foi feito claro anteriormente, a criação de alianças para enfrentar o 
inimigo otomano é primordial, vista a fragilidade em que se encontra o Império 
Bizantino no momento. Entretanto, diversos fatores podem dificultar a formação de 
coalizões que possam auxiliar Constantinopla em sua hora mais escura. O primeiro 
destes fatores é o próprio perigo que a nação otomana oferece aos países no seu entorno. 
Considerando o porte e seu poderio otomano, países com territórios menores e força 
militar inferior tendem a recusar enviar ajuda, principalmente se o reino em questão 
estiver geograficamente próximo ao Império. Nestes casos, o principal curso de ação 
seria persuadir tais países através de boas concessões comerciais, ou formar uma 
coalizão grande o suficiente para que os integrantes possam participar de uma eventual 
guerra com segurança. 
 
Outro fator que pode se provar como um empecilho para as alianças bizantinas 
é a distância geográfica. Embora a tecnologia e os transportes tenham apresentado certo 
avanço, a mobilização e viagem de qualquer tipo de suporte demanda muito tempo, o 
que pressiona os conselheiros a procurar garantir aliados o mais rápido possível. Se um 
aliado aceitar fazer parte da coalizão tardiamente, sua ajuda pode apenas chegar uma 
vez que a batalha for finda, tornando-se, então, inútil. Um dos principais obstáculos no 
37 
 
processo de forjar alianças, porém, claramente, será a questão religiosa. Países 
submetidos à Igreja Romana podem recusar-se a auxiliar forças pertencentes à 
Ortodoxa, Constantinopla, ou até mesmo acreditar que a invasão da cidade seja um 
castigo divino. Nações que se submetem à fé da Igreja do Oriente, por outro lado, 
tendem a querer prestar ajuda aos bizantinos, mas a participação de tais países em uma 
possível coalizão pode afastar os países cristãos romanos. Portanto, cuidado deve ser 
exercido caso o Império se alie a esses. 
 
Por fim, é válido ressaltar que não apenas o Império Bizantino atravessa uma 
crise. A maioria dos países europeus encontram-se, neste momento, participando de 
uma guerra que já dura um século. Portanto, seus recursos estão esvaídos ou focados em 
questões supranacionais primordiais para os lados beligerantes. Mesmo quando os 
reinos não participam de crises internacionais, conflitos internos ainda assolam diversos 
países no continente. Claramente, esta situação limita as possibilidades de auxílio que o 
ocidente pode trazer a Bizâncio. Mesmo na eventualidade de uma aliança ser forjada, a 
realidade de uma ajuda efetiva pode não ser suficiente para garantir a sobrevivência do 
Império. 
 
5.5. Informações adicionais 
 
Estima-se das forças navais otomanas o seguinte prospecto: 
 
 
Navio: Descrição: Quantidade: 
Trirremes 
Navio longo e rápido. Seu convés é baixo. Possui dois 
mastros, com possibilidade de propulsão à vela, mas sua 
locomoção se dá preferivelmente por séries de 3 remadores, 
cada um com seu próprio remo curto. 
6 (seis) 
Birremes 
Semelhantes aos Trirremes, porém um pouco menores, 
trazendo consigo um único mastro, e suas séries contavam 
com 2 remadores 
10 (dez) 
Fustae 
Navios longos, mais rápidos do que os navios convencionais. 
Possuía uma dupla de remadores na parte frontal e duas na 
parte traseira. O navio é leve, facilitando sua mobilização e 
ação como embarcação de auxílio a navios maiores. 
75 (setenta e 
cinco) 
38 
 
Galeão 
O Termo Galeão geralmente é atribuído a navios de alto 
convés, sendo eles impulsionados por remos ou velas. Em 
geral, são embarcações de grande porte. 
15 (quinze) 
Parandaria 
Barcaças à vela. Pesadas, sua principal função é de transporte 
de tropas. 
20 (vinte) 
TOTAL: 126 Navios 
 
Além dos navios de guerra, acredita-se que a flotilha otomana conte com 
navios do tipo Chulapa, pequenas embarcações a vela cuja função é a comunicação. 
Levando em consideração a incapacidade dos navios de portar armas que consigam 
naufragar embarcações inimigas, as estratégias navais da época consistem 
essencialmente no choque entre os navios. Abordar e capturar navios inimigos era o 
objetivo principal no combate naval. Apesar disso, a marinha pode influenciar 
profundamente a resolução do conflito, através de um bloqueio naval ou pelo 
desembarque de tropas nos litorais menos protegidos da cidade. 
 
Estima-se das forças terrestres otomanas o seguinte prospecto: 
 
Observadores gregos estimam que o Sultão tem o poder de levantar entre 
Trezentos e Quatrocentos mil homens em seu exército no esforço de guerra para 
capturar a capital de Bizâncio. Já os Observadores Venezianos, acreditam que o exército 
otomano conte com cerca de cento e cinquenta mil homens. Vale ressaltar que uma 
porção considerável deste número é composta por irregulares, soldados recrutados 
recentemente e que recebem pouco treinamento e equipamento, quando comparado como exército regular. Dentre as tropas otomanas, a posição de destaque se dá aos 
regimentos dos Janízaros, conhecidos como a elite do exército do Sultão. Estes soldados 
extraordinários possuem um estilo de vida muito rígido, voltado para a proficiência em 
combate. Sua principal arma era o arco recurvo ou arco composto, e sua letalidade era 
conhecida em todos os cantos da Europa. Por ser a unidade de confiança do Líder 
otomano, os Janízaros eram utilizados apenas em casos especiais ou em situações de 
último recurso. Estima-se que seu número seja algo no entorno de doze mil. 
 
Além da espantosa proporção do exército em número, existem rumores de que 
os otomanos também contam com maquinaria bélica avançada, incluindo imensos 
39 
 
canhões a pólvora, com capacidade de destruição nunca antes vista. Recentes avanços 
na fundição de tais armas sugerem esta terrível possibilidade. 
 
6. O sistema econômico-administrativo e possíveis projetos 
para políticas públicas 
 
Acreditando ser válida a aplicação do moderno instrumental de análise 
econômica a épocas passadas, tentaremos verificar na história bizantina a existência por 
certo período daquilo que se convencionou chamar de crescimento econômico. 
Devemos, no entanto, atentar para que a utilização de conceitos modernos a períodos 
cujas óticas eram, claro, diferentes da nossa, não distorçam a realidade histórica. Para 
tanto, deve-se procurar compreender como os homens de um determinado momento 
histórico viam sua própria época, como encaravam a economia e quais eram suas 
expectativas a respeito. Seguros assim de que não estaremos impingindo nossos valores 
a outros tempos, poderemos então lançar mão dos modernos métodos de estudo, 
entendendo que eles nos darão apenas uma interpretação atual sobre uma época que 
absolutamente não via as coisas deste prisma. Assim, o historiador terá à sua disposição 
uma espécie de denominador comum que permitirá uma verdadeira história comparada 
das economias e não apenas uma enumeração e descrição dos fatos e dados econômicos 
passados. (FRANCO, 1977) 
 
6.1. Fundamentos da psicologia econômica bizantina 
 
Os problemas para fundamentar tais teorias e analisar a sociedade por tal ponto 
de vista são grandes, haja vista os dados disponíveis, poucos e incompletos, os quais 
dificultam um estudo desta ordem. Não existiu doutrina econômica em Bizâncio, vindo 
de sua evolução histórica uma estrutura psicológica que explica a política econômica 
adotada. Esta foi marcada pela herança romana, daí apesar da existência de um 
comércio importante em boa parte de sua história, o fundamental ter sido a agricultura: 
a mentalidade bizantina estava presa à terra. 
 
A conjuntura econômica desfavorável, o perigo constante de invasões e a 
ideologia política autocrática reforçaram e possibilitaram a intervenção estatal na 
economia. Porém, 
40 
 
 
(...) essa economia dirigida não tinha, como ocorre hoje, um propósito de 
racionamento. A preocupação dos imperadores era, antes de tudo, o 
abastecimento de Constantinopla, o aprovisionamento de matérias-primas 
para os trabalhadores do palácio, o refrear a cobiça dos comerciantes e fazer 
entrar a maior quantidade possível de ver dinheiro nas caixas do Estado.6 
 
Tal fica claro no caso da seda: as oficinas particulares e imperiais eram 
alimentadas por seda importada da China através da Pérsia, mas com as guerras persas o 
preço da matéria-prima subiu muito, provocando o fechamento de várias oficinas e o 
consequente desemprego. Para fazer frente a este problema o Estado monopolizou o 
setor, passando a ser o único a poder importar seda e transformá-la em tecido, até que 
com o início da produção da matéria-prima no próprio império reitorizou-se o 
funcionamento de oficinas privadas. (LOPEZ, 1945) 
 
Mesmo que o objetivo de tais políticas cerceava mais âmbito fiscalista do que o 
protecionista, em alguns setores – aqueles considerados como vitais pelo Império – 
mantiveram-se monopólios estatais. Os artesãos e os comerciantes estavam reunidos em 
corporações rigidamente regulamentadas e supervisionadas pelo Estado e, segundo o 
historiador James W. Thompson, o fator que propiciou o Império Romano do Oriente a 
ser o paraíso do monopólio, do privilégio e do paternalismo7. O monopólio de armas e 
de uniformes eram monopólios administrativos, cujo objetivo não era aumentar as 
receitas públicas, mas assegurar o fornecimento de produtos essenciais para a defesa do 
império. Os monopólios de bens de consumo como do trigo e da seda não tiveram 
caráter permanente. Assim, o grau de estatismo econômico variava, dependendo do 
poder desfrutado pelo imperador, daí terem ocorrido períodos mais ou menos longos de 
liberdade ou mesmo de anarquia econômica.8 
 
Com isso, pode-se concluir que apesar da economia estar intrinsecamente 
ligada a parte administrativa do Império Bizantino, dependia muito do Basileu para 
manter ambos os poderes nas mãos da coroa. De maneira geral, porém, prevaleceu um 
certo dirigismo, com o Estado definindo as linhas de rumo da economia, fato aceito pela 
mentalidade bizantina, acostumada à sacralização da autoridade política. Contudo, tal 
 
6 BREHIER (Louis), El mundo bizantino. 3 vols. trad. esp. México. UTEHA. 1955-1956. III, 131 
7 THOMPSON (James W.), Economic and social history of the Middle Ages (300-1300). 2a. ed. Nova 
York. Frederick Ungar. 1959, p. 336. 
8 BRATIANU (G. I.), Une experience d'economie dirigée: le monopole du blé à Byzance au XIe siècle. 
Byzantion, tomo IX, 1934, p. 644 
41 
 
estratégia apesar de benéfica por manter o Imperador no controle e o Império preparado 
para crises, acabou resultando no subdesenvolvimento de uma burguesia dentro da 
Rainha das Cidades, pois a iniciativa privada era extremamente limitada na medida em 
que o Basileu determinava as quantidades a serem produzidas e vendidas, os salários a 
serem pagos, os lucros a serem obtidos. Se houvesse um maior contato com 
estrangeiros, sobretudo italianos, talvez houvesse um maior desenvolvimento 
significante de tal classe. Esse fenômeno aconteceu apenas em alguns locais do império, 
no período final do século XIV e em uma época de fraqueza do poder central. 
 
Outro elemento da psicologia bizantina rico em - consequências era sua visão 
de mundo em relação a outros povos9. Para o orgulho bizantino, consciente da 
superioridade de sua civilização, Constantinopla era o centro do mundo, um polo de 
atração por suas imensas riquezas, suas obras de arte, seu refinamento. Desta forma, não 
se levavam seus produtos a outros países, esperava-se que os interessados viessem 
buscá-los, não se procuravam os produtos necessários no exterior, esperava-se que os 
estrangeiros viessem trazê-los. Tal processo psicológico era uma forma compensatória 
para o império que se pretendia universal, legítimo continuador do Império Romano. 
(FRANCO, 1977) 
 
Com isto, os italianos passaram a penetrar cada vez em maior número e a 
dominar o comércio bizantino, a apossar-se das riquezas do império, desta maneira, a 
economia dirigida, o estatismo, que havia sido a causa da grandeza e dos triunfos dos 
empreendimentos econômicos de Constantinopla, desapareceu para sempre de seu 
governo. Em seguida a manufatura e o comércio ficaram livres, mas os benefícios desse 
livre cambismo iam enriquecer, sobretudo, aos estrangeiros ou aos grandes proprietários 
que desfrutavam de privilégios10. Na medida em que a crise econômica e o declínio 
político avançavam, A Rainha das Cidades cada vez mais fechava-se sobre si mesma, 
alheando-se da dura realidade, desprezando as preocupações materiais e relembrando as 
glórias passadas. A decadência econômica bizantina foi até certo ponto um resultado de 
sua visão etnocêntrica do mundo. 
 
6.2. Capacidades econômicas bizantinas9 AHRWEILER, Hélène. op. cit., p. 51 e 145. 
10 BBEHIER, Louis. op. cit., III, 159. 
42 
 
 
A existência milenar do Império Bizantino em boa parte foi resultado de uma 
economia estável, que lhe dava os recursos necessários para enfrentar os inúmeros 
inimigos externos e para sustentar os imensos gastos exigidos pela corte e pela Igreja. 
Quando as vigas mestras de sua economia foram enfraquecidas, todo o império oscilou: 
a decadência econômica preparou o desaparecimento político de Constantinopla. 
 
6.2.1. Agricultura 
 
A história agrária bizantina pode ser dividida em três fases: até o século VII a 
estrutura da agricultura romana foi mantida; daquele momento ao século X graças a 
uma mudança no regime de propriedade da terra, defendendo-se o pequeno proprietário, 
atingiu-se o apogeu; no último período, encerrado com o declínio do império no século 
XV, os grandes domínios reapareceram e passaram a dominar a vida agrícola com 
graves reflexos na política e nas finanças imperiais. 
 
Os principais tipos de estabelecimentos agrícolas eram as aldeias e os domínios 
isolados, pertencentes a um só proprietário. As aldeias, tipo mais comum, podiam ser 
servis, quando a terra pertencia a um senhor responsável perante o Estado pela 
tributação, ou livres, em que a terra pertencia à comunidade ou mesmo privadamente 
aos camponeses. Com isso, sendo os alimentos uma das bases da economia bizantina e 
as fontes históricas relatarem que o manuseio da terra e as ferramentas usadas pelos 
camponeses era extremamente rudimentar, o investimento na agricultura pode ser um 
viés para a diminuição de importações ou da melhoria da população. 
 
6.2.2. Artesanato 
 
Apesar da importância da terra, a economia bizantina nunca foi apenas 
agrícola, pois a vida urbana era desenvolvida e nas cidades a indústrias de seda, linho e 
tapetes. Enquanto Tessalônica produzia tecelagem de grande porte, com sua perda para 
os árabes, o Peloponeso passou a ter indústrias de seda, linho e tapetes, enquanto 
Tessalônica produzia tecidos e objetos de bronze, estanho, cobre, ferro e vidro. No 
entanto, em Constantinopla é que a indústria bizantina atingiu seu maior 
desenvolvimento. Desta forma pretendia-se defender os pequenos comerciantes e os 
43 
 
trabalhadores do desemprego, garantir aos consumidores abundância de produtos de boa 
qualidade e a bom preço, combater a ociosidade e os ganhos exagerados, manter a 
reputação dos artigos industriais, principal fonte de exportação. (ANDREADES, 1947) 
 
Por um texto do século X, o Livro do Prefeito (Eparchikon Biblion)11, temos 
uma idéia do dirigismo econômico bizantino e do funcionamento do sistema 
corporativo. Inicialmente, aquele documento relaciona vinte profissões abrangidas por 
sua regulamentação. Este sistema não incentivava a iniciativa privada, dificultava as 
inovações técnicas e impedia grandes ganhos — calculou-se em cerca de 17% o lucro 
sobre o preço da mercadoria, sem levar-se em conta as despesas gerais — daí não se ter 
desenvolvido ganhos pessoais ou acúmulo dentro do Estado12. O ritmo de produção era 
lento e a produtividade baixa em função da rígida regulamentação: cada ourives só 
podia comprar uma libra de ouro por vez, devendo provar ter utilizado a primeira para 
poder adquirir outra. 
 
6.2.3. Comércio 
 
A três fatores o Império Bizantino deveu sua prosperidade comercial. Em 
primeiro lugar a localização geográfica, pois era o ponto de união entre Europa e Ásia, 
em seu território desembocando as principais rotas comerciais da época: as mercadorias 
do Extremo Oriente pelo, Oceano Índico e subindo o Nilo chegavam a Alexandria, 
atravessando a Pérsia pelo oásis da Sogdiana alcançavam a Síria, da Ásia Central pelo 
Mar Cáspio atingiam o Mar Negro. Em segundo lugar, a existência de excelentes portos 
em seus territórios, como Alexandria, os portos da Síria, Éfeso, Esmirna, Focéia e 
outros na Anatólia, Trebizonda e Querson no Mar Negro, Corinto e Atenas na Grécia, 
Durázio, Corfú e Tessalônica no Mar Jônico e, sobretudo, Constantinopla. Esta 
dominava as ligações do Mediterrâneo com o Mar Negro, era o ponto para onde 
convergiam pessoas e mercadorias de todas as procedências, era enfim o grande 
empório em que se centralizava o comércio do mundo13. 
 
 
11 NICOLE, J. Le Livre du Préfet. Genebra. 1894 
12 WALTER, Gérard. A vida quotidiana em Bizâncio no século dos Comnenos (1081-1180). Trad. port.: 
Lisboa. Edições Livros do Brasil, s/d., p.113. 
13 DIEHL, Charles. Byzance, praidettr et déçacience. Paris Flammarion. 1919, p. 91. 
44 
 
O comércio com o Oriente levava a Bizâncio produtos de luxo, sobretudo 
especiarias e seda. A rota da seda no tempo de Justiniano era coberta em 150 dias da 
China até a fronteira persa e desta até território bizantino em 80 dias. Com isto os persas 
monopolizavam o comércio da seda, daí, procurando contornar este obstáculo, 
Justiniano ter-se aliado ao rei de Axum, na Etiópia. Porém, como saída para tal rota, 
entre 553 e 554, porém, dois monges conseguiram contrabandear casulos de bicho-da-
seda escondidos dentro de seus cajados ocos e assim o império começou a produzir sua 
própria seda, competindo assim com a seda chinesa. O Peloponeso passou então a 
chamar-se Moreia devido às plantações de amoreiras para alimentar os bichos-da-seda. 
No entanto, por mais algum tempo as importações ainda continuaram devido à 
insuficiência da produção bizantina. 
 
De acordo com certos historiadores, a partir do século VII, o comércio 
bizantino com os ditos sírios e egípcios comprometeu-se – sendo esse uma das partes 
vitais da teia do comércio do Império. Com o domínio dessas terras pelos árabes e a 
perda da influência bizantina, coube a Constantinopla com a perda de dois terminais de 
rotas que traziam para Bizâncio produtos orientais. Procurou-se então intensificar a 
terceira rota, que desembocava no Mar Negro. Assim, o comércio bizantino precisou 
mudar de orientação — via Itália para com o Ocidente, via Mar Negro para com o 
Oriente — com a expansão muçulmana, mas não declinou. Portanto, pode-se perceber 
que desde o século VII a procura por novas terras pelos árabes vem afetando a estrutura 
comercial de Constantinopla. Ademais, no século XV estão abertas as rotas do Mar 
Mediterrâneo, prioritariamente monopolizadas pelos itálicos, os quais se fazem aliados 
do Império em tal conselho. A busca por novas rotas e produtos a serem 
comercializados é de extrema importância para a sobrevivência a longo prazo do 
Império Romano do Oriente. 
 
6.2.4. Moeda e finanças 
 
A excelência da moeda bizantina, cujo valor manteve-se inalterado até o século 
XI, explica a estabilidade das finanças e do custo de vida14. As grandes despesas como 
exército, a corte, a diplomacia e as obras públicas eram de forma geral bem cobertas 
 
14 BREHIER, L. Les colonies d'orientaux en Occident au commencement du Moyen Age. Byzantinische 
Zeitschrift, vol. 12, 1903, p. 137. 
45 
 
pelas receitas imperiais. Estas vinham de várias fontes, como os bens de sucessão 
intestada, doações de súditos, rendas de domínios estatais e, principalmente, tributação 
direta e indireta. Outra fonte de recursos era a venda de cargos e de dignidades15. O 
patrimônio imperial, no qual se distinguia inicialmente os bens da coroa (patrimonium 
principis) e a fortuna pessoal de cada imperador (res privata), proporcionava 
importantes rendas para o Estado, sendo assim um dos fatores diferenciadores quando 
se tratava da renda do império como um todo. 
 
A maior fonte de recursos para o Estado era, porém, a tributação direta, 
sobretudo a que incidia sobre a terra. O conjunto dos impostos indiretos era chamado de 
vectigalia, sendo os mais importantes deles os que incidiam sobre a venda, a circulação 
de mercadorias16, a marinha mercante e astaxas alfandegárias - 10% sobre as 
importações e as exportações. Ainda faziam parte da vectigalia certos monopólios 
estatais como o de fabricação de pão e o da exclusividade de compra de determinadas 
mercadorias estrangeiras como especiarias da Ilidia, perfumes da Arábia e escravos do 
Cáucaso17. Além do sistema de taxação direta sobre os navios nos portos do Império, 
um sistema usado ocasionalmente era o escambo: se a carga de tal navio fosse isenta 
dos impostos comunais – os quais giravam em torno de 10% - na próxima vinda ao 
mesmo porto fariam o transporte de materiais destinados a obras públicas, a serem 
requisitados pelas autoridades competentes. 
 
6.3. Fatores para a decadência econômica 
 
Apesar de todos seus recursos, mesmo nos períodos mais promissores muitas 
vezes a situação financeira do Império Bizantino foi difícil, pois os gastos eram imensos 
com a guerra, a diplomacia, a administração, o luxo da corte, as construções seculares e 
religiosas, "enfim, toda aquela tradição de magnificência tão necessária para satisfazer o 
povo de Constantinopla quanto para impor aos estrangeiros o prestígio de 
Constantinopla"18. Mudanças na estrutura da agricultura e do comércio tiraram do 
Estado suas principais fontes de receita, rompendo o precário equilíbrio orçamentário. 
 
15 LEMERLE, P. Roga et rente d'état aux X-XI siècle. Revue des études byzantines. vol. XXV, 1967, p. 
77-79. 
16 Idem, ibidem (ref. 14). 
17 Idem, ibidem. 
18 Idem, ibidem (ref. 13). 
46 
 
Com isso, a moeda pela primeira vez em seis séculos sofrer uma desvalorização, 
segundo o célebre historiador inglês Steven Runciman, a tragédia da longa agonia de da 
Rainha das Cidades é acima de tudo uma tragédia financeira19. 
 
6.3.1. O revivescimento da grande propriedade 
 
O sistema allelengyon impunha pesados encargos ao campesinato, de forma 
que aqueles que não podiam saldá-los emigravam. Caso o proprietário não voltasse em 
30 anos, a terra recebia isenção total de impostos e passava para o Estado, que podia 
vendê-la, arrendá-la ou concedê-la. Como era pouco provável que o camponês que não 
pudera conservar a terra a comprasse 30 anos depois, ela ia para o Estado, ou através 
deste para grandes proprietários. Assim, desde o século X começou a desintegração das 
comunidades camponesas. Logo, desde o século X, começou a desintegração das 
comunidades camponesas. Os "poderosos" passaram a absorver as propriedades dos 
"pobres", provocando a diminuição do número de camponeses livres e desta forma 
tirando do Estado seus melhores contribuintes e, com o declínio das terras militares, 
seus soldados; a feudalização ameaçava20 (OSTROGORSK, 1971). 
 
Percebendo tal perigo, os imperadores tentaram preservar as pequenas 
propriedades, enfrentando os grandes senhores de terra, a partir de tais acontecimentos o 
historiador George Ostrogorsky, especialista em idade média e em campesinato formula 
a tese de que o começo da ruína do império dar-se-á a partir desta dramática e 
importante fase agrária bizantina, a qual influenciou as condições encontradas no século 
XV no Império Romano do Oriente. No entanto, é preciso observar que o grande 
proprietário bizantino morava nas cidades e não dirigia pessoalmente suas terras como o 
ocidental, daí a resistência manifesta do mundo bizantino às formas políticas do 
feudalismo, mesmo na época em que algumas instituições davam a impressão de um 
processo de feudalização do império (SVORONOS, 1985). Este ponto-de-vista, 
contrário à existência de um feudalismo bizantino, é também adotado por Boutruche, 
que afirma a não existência de um feudo por não implicar em homenagem e por ser uma 
concessão do Estado que proibia a alienação e o fracionamento análogo à sub-
 
19 RUNCIMAN, Steven. A civilização bizantina. Trad. port. Rio de Janeiro. Zahar. 1961, p. 139. 
20 OSTROGORSKY, George. Agrarian conditions in the Byzantine Empire in the Middle Ages. In: The 
Cambridge Economic History of Europe. vol. 1, 2a. ed., 1971, p. 214. 
47 
 
enfeudação21. Ao falar dos "feudalismos de importação", Marc Bloch não incluiu 
Bizâncio, observando apenas que lá existiam oligarquias dominando homens de 
condição humilde através, algumas vezes, de uma espécie de patronato. (BLOCH, 1973) 
 
Essa teve como influência a perda do poder do Basileu sobre um dos grandes 
pilares do Império: a agricultura. Ademais, por conta dos impostos pouco gerados 
devido a grande quantidade de terras em posse de poucos, os custos exorbitantes da 
corte e outros supérfluos que antes do século X não faziam diferença na economia 
passaram a fazer. Enfim, a organização agrária bizantina tem duplo efeito: a diminuição 
progressiva da autoridade do Estado sobre a população rural, diminuição também 
progressiva do que essa população deveria pagar ao tesouro sob a forma de imposto. E 
por aí vemos como, em última análise, o problema agrário foi mal resolvido pelo 
Império Bizantino, e como a organização da população e propriedade rurais foi uma das 
causas de sua decadência. (DIEHL, 1961) 
 
6.3.2. Ocidentalização do comércio bizantino 
 
A partir do século XII o comércio bizantino entrou em rápida decadência, por 
conta da paulatina perda de suas terras para os itálicos, que colhiam os frutos outrora do 
Império Romano do Oriente. Já em 922 os venezianos receberam de Basílio I liberdade 
de comércio no porto de Constantinopla, pagando uma taxa inferior à de outros 
estrangeiros. A verdadeira penetração latina, porém, começou no reinado de Aleixo 
Comneno, que precisando de ajuda contra os normandos chamou os venezianos, 
também temerosos de um crescente poder por parte daqueles. Assim, em 1082, Veneza 
recebia isenção total de taxas alfandegárias, um bairro em Constantinopla e liberdade de 
trânsito em todo o império com exceção do Mar Negro. Diante da crescente influência 
dos venezianos, para contrabalançá-la em 1111 foi a vez de se ceder privilégios a Pisa, 
desde então pagando apenas 4% nas aduanas, tendo um cais e um bairro em todas as 
cidades do império e outras regalias. 
 
Quando mais tarde João Comneno recusou-se a renovar os privilégios de 1082, 
os venezianos passaram a saquear várias ilhas do Egeu, obtendo assim em 1126 a 
renovação do acordo. Descontentes com a arrogância dos venezianos, os bizantinos 
 
21 BOUTRUCHE, Robert. Seigneurie et Féodalité. 2 vols. Paris. Aubier. 1968-1970, I, 307. 
48 
 
resolveram opor-lhes seus tradicionais rivais, os genoveses. Estes também receberam 
um cais e um bairro em Constantinopla, bem como o direito de pagar só 4% de taxas 
aduaneiras em 1155. Pondo assim a Rainha das Cidades no meio da desavença com os 
itálicos, dando início ao rancor entre venezianos e bizantinos. Procurando 
definitivamente e com exclusividade apossar-se do comércio bizantino é que Veneza 
soube explorar as divergências entre Ocidente e Bizâncio de forma a fazer a Quarta 
Cruzada trabalhar a seu favor. Assim, com o estabelecimento do Império Latino (1204-
1261) os venezianos apoderaram-se de Bizâncio e de seu comércio. Como os ocidentais 
já haviam perdido quase todos os portos do litoral sírio, Gênova tinha então interesse 
em comerciar com território bizantino. Procurando recompor o império, formaram-se 
alguns Estados gregos, o principal deles o de Nicéia, com o qual os genoveses 
assinaram o tratado de Ninfeu, uma clara aliança defensiva e ofensiva contra Veneza e o 
Império Latino destinada a refundir todo o mapa político e comercial do Levante. 
(LOPEZ, 1938) 
 
A Quarta Cruzada – junto da queda da cidade em 1204 - como já supracitada 
no tópico 1 trouxe diversos problemas para o inconsciente coletivo da Rainha das 
Cidades, nesse referencial, ao tangenciar o campo comercial essa foi ainda mais 
desastrosa. Ademais, de fato,ele abria comercialmente todo o império aos navios de 
Gênova, dava-lhes total isenção de taxas de entrada e de saída, concedia aos genoveses 
um bairro nas principais cidades, permitia a existência de um magistrado genovês com 
jurisdição sobre seus concidadãos, fechava o Mar Negro aos inimigos de Gênova. 
Chegou-se mesmo a cobrar uma taxa de todos os navios não genoveses — inclusive 
bizantinos — que se dirigissem ao Mar Negro. Constantinopla perdera o controle sobre 
seus próprios territórios. De fato, as potencialidades econômicas da região eram 
exploradas pelos genoveses e apenas em proveito próprio, exportando os produtos 
locais e reexportando os produtos orientais que da Índia e da China chegavam à cidade 
de Trebizonda, terminal de rotas vindas do Oriente. Assim, nas palavras do historiador e 
teólogo da época, a hegemonia econômica veneziana no Império Bizantino sucedeu-se a 
hegemonia genovesa, os latinos tinham tomado não somente todas as riquezas de 
Constantinopla e as rendas marítimas, senão também todos os recursos públicos que 
enriqueciam o tesouro dos príncipes22. 
 
 
22 Nicéforo Gregoras (1295-1360), historiador e polyhistor bizantino. 
49 
 
6.4. Perdas econômicas paulatinas 
 
Desta forma, o Estado viu suas principais fontes de renda — o imposto 
territorial e as taxas alfandegárias — enfraquecidas. A antes estável moeda bizantina, 
que por séculos fora o instrumento de troca preferido em todo o mundo de então, desde 
o século XI sofreu várias desvalorizações. O luxo da corte, a contratação de 
mercenários, a custosa diplomacia, as numerosas isenções e as dificuldades de 
arrecadação de impostos tornavam a situação financeira cada vez mais grave. Falando 
do Tesouro imperial, Gregoras afirmou que "não se encontrava nele mais que ar e pó". 
O Estado viu-se obrigado a voltar ao imposto em espécie, com cada camponês devendo 
seis medidas de trigo e quatro de cevada. Assim, o preço do trigo que permanecera 
inalterado por séculos tornou-se no tempo dos Paleólogos o dobro do que fora sob os 
Macedônicos. (RUNCIMAN, 1961) 
 
Nos séculos XIV e XV, em vários infortúnios Constantinopla precisou recorrer 
aos empréstimos dos venezianos, penhorando joias da Coroa e hipotecando 
Constantinopla. A penúria financeira chegou a tal ponto que em 1423 o imperador por 
50.000 ducados vendeu aos venezianos Tessalônica, a segunda cidade do império. A 
estabilidade econômica se devera a um governo forte, de forma que o enfraquecimento 
daquela autoridade, arruinada pelos grandes latifundiários, e a perda da independência 
econômica, como consequência dos privilégios outorgados às repúblicas italianas, 
explicam a diminuição dós recursos, a desaparição da moeda e a decomposição e 
decadência do Império Bizantino. (BREHIER, 1903) 
 
A utilização dos modernos métodos de análise econômica já foi tentada para a 
Europa medieval23, mas em relação à história bizantina ela se depara com sérias 
dificuldades. Os dados que possuimos são esparsos, incompletos, setorializados e 
regionalizados, tornando delicado a partir deles fazer-se generalizações e tirar 
conclusões definitivas. No entanto, é possível percebermos através deles uma tendência 
geral da economia bizantina na época de apogeu do império, sob a dinastia Macedônica 
(867-1056). Apesar de ser problemático o emprego do conceito de crescimento 
econômico — aumento do Produto Nacional Bruto per capita, isto é, acréscimo do 
 
23 FOURQUIN, Guy. Histoire economique de l'Occident mé-diéval. Paris. Armand Colin. 1969, p. 137-
141.; HODGETT, Gerald. História social e econômica da Idade Média. Trad. port. Rio de Janeiro. Zahar, 
p. 106-125. 
50 
 
produto total mais que proporcional ao aumento da população24 — ao Império 
Bizantino, uma série de indícios prova sua ocorrência no período macedônico. De fato, 
vários dos processos resultantes e característicos do crescimento econômico estiveram 
presentes naquela oportunidade, tais como expansão do meio circulante e a consequente 
inflação de demanda, alta dos preços e dos salários, modificação na organização da 
estrutura de produção, melhor utilização dos recursos naturais, crescimento 
populacional e deslocamento de parte da mão-de-obra agrícola para outros setores da 
economia. (FRANCO, 1967) 
 
A estrutura da produção agrícola sofreu uma modificação com 
enfraquecimento dos latifúndios, ocorrido a partir do século VII. Eles não chegaram a 
desaparecer, mas sem dúvida a agricultura bizantina esteve baseada naquele momento 
nas pequenas e médias propriedades defendidas pela política anti-aristocrática dos 
imperadores macedônicos. Se do lado da produção artesanal não houve propriamente 
uma alteração na estrutura, pois manteve-se o corporativismo, este foi melhor 
regulamentado pelo Livro do Prefeito – datado do século X. Esta regulamentação pode, 
talvez, ter sido ditada pela necessidade de um aumento de produção devida -- além do 
incremento do comércio exterior, que conheceu sua melhor fase nos séculos IX e X — 
ao fato de que à medida que a renda per capita sobe, como provavelmente ocorreu 
naquele momento, a procura de bens passa a ser relativamente maior por produtos do 
setor secundário – nesse caso o artesanato - do que do primário, a agricultura25. 
 
Além daqueles dois fatores determinantes do processo de desenvolvimento 
econômico, inovação técnica e formação de capital, não terem chegado a acontecer, 
algumas das barreiras que impossibilitam o desenvolvimento não foram removidas. Este 
era o caso da inadequada estrutura de propriedade, do fraco dinamismo empresarial e da 
baixa disponibilidade de capital. De fato, a estrutura de propriedade não favorecia o 
desenvolvimento econômico, pois o ressurgimento dos grandes domínios trabalhados 
por mão-de-obra dependente não incentivava a utilização de métodos mais produtivos 
(Idem, ibidem). Em relatos da época podemos mentalizar o processo de decadência do 
império bizantino, pois apesar do desejo de salvar as aparências, o orgulho grego não 
podia fugir da realidade: no casamento de João V Paleólogo a comida foi servida em 
 
24 BRUTON, H. Princípios de economia do desenvolvimento. São Paulo. Atlas. 1969. 
25 HAGEN, E. De la monnaie et de la puissance d'achat des métaux précieux dans l'empire byzantin. 
1765. p.99. 
51 
 
vasilhas de louça e de estanho, nos trajes imperiais havia contas coloridas em lugar de 
pedras preciosas, o diadema era de couro ornado com contas. O lamento final é do 
próprio Nicéforo Gregoras: "qualquer um que esteja um pouco a par dos costumes 
compreenderá por isto, assim como pelos outros detalhes que não estavam de acordo 
com a etiqueta, a miséria que pesava imperiosamente sobre todas as coisas. Assim 
estavam arruinadas e desvanecidas a antiga prosperidade e o clássico esplendor do 
império romano. E faço este relato com verdadeira vergonha". 
 
6.5. Considerações finais 
 
Outrora, o Império Bizantino costumava operar de acordo com o modelo 
militar e administrativo que foi originalmente baseado no sistema provincial Romano. 
Enfim, de acordo com o declínio do Império Romano Ocidental e o encolhimento de 
seu território, o modelo bizantino perdeu sua utilidade. As terras imperiais não mais 
precisavam de um sistema provincial de organização, que é melhor arranjado em vastos 
domínios. O sistema de temas, e o governo imperial como um todo, oportunizou 
demasiada corrupção nos séculos recentes, o que enfraqueceu ainda mais a estrutura do 
Império. Com essa forma instável de administração, todos os cidadãos do Império 
sofrem com inúmeras dificuldades. Primeiramente, práticas corruptivas e de suborno 
são banalizadas. Muitos planos imperiais têm seu funcionamento atrelado à lógica do 
suborno. 
 
Uma das tradições do Império são osdiversos cargos cortesãos, muitos dos 
quais não se fazem necessários e são utilizados pela nobreza de forma parasitária. Com 
elevados gastos para manter os territórios e a corrupção ativa nesses, a burocracia 
envolvida para resolver questões administrativas e o desprendimento de gastos é por 
demais extravagante para uma economia em crise e em iminência de ataque. Devido à 
falta de quaisquer formas apropriadas de governo, disputas de poder são extremamente 
comuns. Dentre a nobreza Bizantina, vários aristocratas lutam pelos escassos terrenos 
remanescentes do Império. Sem estrutura bem-definida, eles facilmente usurpam terras 
e poder, a não ser que o Imperador intervenha. Sem uma administração eficiente, perde-
se o controle sobre a cobrança de impostos, formação de soldados e questões mercantis. 
Assim sendo, é crucial que os delegados do conselho imperial solucionem a crise 
52 
 
administrativa existente. Afinal, tais gastos poderão ser a diferença na luta contra os 
otomanos. 
 
Com o objetivo de assegurar a sobrevivência do Império, a reestruturação da 
hierarquia e a real necessidade de cargos deve ser posta em pauta pelos conselheiros, 
pensando em como reestruturar o governo a fim de limitar a corrupção e a burocracia a 
longo prazo. É importante ressaltar que reformas de tal cunha serão árduas, pois muitos 
se beneficiam dessas ações, mesmo que essas a longo prazo possam levar a queda da 
Rainha das Cidades. Os conselheiros mais próximos do Imperador, assim como 
membros da família do mesmo se beneficiam do panorama existente e oporiam a 
qualquer tipo de reforma. Uma vez que esses cortesãos estão arraigados na presente 
estrutura política, o conselho imperial deve cooperar com eles ou eliminá-los a fim de 
angariar qualquer espécie de mudança. Um modelo a se considerar é o sistema feudal, 
que foi introduzido pelos Latinos na Grécia após a Quarta Cruzada. Este sistema 
concederia à nobreza mais poder, possivelmente prevenindo a oposição dos ministros 
Bizantinos ao mesmo. De qualquer forma, muitos Bizantinos enxergam qualquer 
iniciativa latina com desdém devido às desavenças supracitadas no tópico 3. 
 
Outra opção poderia pautar-se na reintrodução ao sistema de temas, o qual só 
poderia ser usado se o Império tiver condições para reconquistar algumas de suas terras 
dos Otomanos. Há, porém, algumas desvantagens. O sistema temático previamente 
existente fora baseado na cooperação entre prefeitos militares, alta aristocracia militar e 
burocracia local. O atual Império não mais dispõe de aristocracia militar e muitos dos 
generais mais capacitados do Império não Bizantinos. A divisão por temas baseava-se 
em recompensar soldados com terras, em troca de serviços militares; contudo, restam ao 
Império poucas áreas férteis para esse tipo de arranjo. Isso significa que o Imperador 
terá de considerar alterações ao sistema original. Os nobiliários são, evidentemente, 
encorajados a desenvolver as próprias soluções que podem encaminhar a solução do 
problema de maneira mais efetiva. Enfim, vale lembrar que quaisquer alterações ao 
sistema atual possuem desvantagens e devem provocar oposição tanto dentro quanto 
fora do conselho. 
 
7. Posicionamentos dos conselheiros 
7.1. Andrônico Paleologo Cantacuzenus 
53 
 
 
Andrônico é filho de Demétrio e irmão de George, ambos presentes no 
conselho. Este provém de uma casa muito influente no Império Romano do Oriente, a 
qual essa no mais alto patamar da aristocracia bizantina e já teve dois de seus 
provedores como Basileus. Devido a importância de sua família, foi dado a Andrônico o 
cargo de Grande Doméstico, ou seja, o cargo mais alto dentro da armada bizantina. 
Contudo, apesar de sua alta posição na corte, por conta da extrema burocracia criada 
pelos inúmeros cargos parasitários, Cantacuzenos precisa de aliados para aprovar suas 
ordens, sendo essas sancionadas sempre pelo Imperador. 
 
Apesar de um possuir um alto cargo na aristocracia bizantina, Andrônico é 
considerado um dos mais liberais quando o assunto tangencia a permanência dos latinos 
no conselho. Tal conduta é malvista pelos bizantinos mais conservadores, fato que pode 
limitar suas ações frente à corte. Entretanto, por ser livre das amarras mais xenofóbicas 
arraigadas desde o século XIII, os Cantacuzenus têm o poder – monetário e político – 
para debater com os estrangeiros sobre os melhores interesses para o Império Bizantino. 
 
7.2. Constantino Láscaris 
 
Constantino Láscaris era descendente de uma nobre família da Bitínia, os 
Láscaris, da qual fizeram parte quatro imperadores de Niceia, durante o século XIII. Ele 
foi aluno de João Argyropulos, um dos mais notáveis eruditos do Renascimento. Na 
Rainha das Cidades, caso alguém queira encontrar Constantino Láscaris, basta apenas 
buscá-lo na biblioteca ou academia mais próxima, visto que ele está sempre 
pesquisando mais sobre novas áreas de estudo da linguística, gramática, engenharia e 
lógica. 
 
Ainda que tenha apenas dezessete anos, Constantino é apto a convencer outros 
sobre o seu ponto de vista através de seus argumentos lógicos e sagazes. Mesmo assim, 
não se trata aqui apenas de um grande debatedor e acadêmico. Membro da abastada 
família imperial de Laskaris, pode clamar pelo trono do Império, visto que seus 
antecessores já nele estiveram antes da usurpação por parte da família dos Paleólogos 
em 1259. Seus conhecimentos sobre engenharia também o fazem crucial para construir 
novas edificações e invenções, que são essenciais para defender a sobrevivência da 
54 
 
cidade. Por fazer parte de uma família poderosa e possuir contatos acadêmicos, poderia 
ajudar no que tange nas defesas e invenções de armas, algo primordial nesse momento 
de crise. 
 
7.3. Demétrio Cantacuzenus 
 
A Casa dos Cantacuzenos é uma das mais proeminentes dentro do Império 
Romano do Oriente. Provedora de diversos generais e governadores, possuiu a honra de 
ter tem sua linhagem dois Basileos, um deles João VI Cantacuzenus, que ao tentar 
usurpar o trono em 1341 acabou fazendo maus negócios com os Otomanos, levando-os 
assim a entrar na Europa. Apesar de poucas más singularidades históricas, a dinastia 
Cantacuzenus continua sendo a mais rica e influente dentro dos limites da România. A 
primeira grande aparição de Demétrio na política é datada do ano de 1421, no qual esse 
foi um dos conselheiros do Imperador João VIII Paleólogo – atual Basileopator26 - 
acerca das possíveis alianças quanto ao trono Otomano. 
 
Ele desempenhou outros papéis proeminentes em assuntos diplomáticos como 
Mesazon para os dois imperadores – João VII Paleologo e Constantino XI Paleólogo. 
Sendo assim, foi testemunha de diversos tratados do Basileu com a República de 
Veneza, o tornando um experiente diplomata e estreitando seus laços com os 
venezianos, o que o diferencia de muitos da corte. Démetrio é oficialmente Mesazon, 
em tradução livre do grego: aquele que intermedia. Seu cargo lhe confere a 
responsabilidade por todas e quaisquer questões administrativas e referentes ao 
regimento interno do Império Bizantino, incluindo as taxações e impostos. Tendo em 
vista a crise interna do sistema administrativo bizantino, Cantacuzenos é uma peça 
chave para a resolução de tal pauta. Contudo, deve se lembrar que por sua posição na 
corte e sua riqueza, é pouco esperado que o Mesazon priorize a Coroa em detrimento de 
seu posicionamento aristocrático. 
 
Ademais, mesmo que de facto não possua influência diplomática entre os 
Estados, pelo seu histórico com ambos os basileus e o prestígio de sua família dentro da 
corte, é esperado que Demétrio exerça muita influência, seja sobre os bizantinos, seja 
sobre os genoveses e venezianos. Além disso, por ser amigo e conselheiro pessoal de 
 
26 Título honorário atribuído ao pai de um Imperador. 
55 
 
Constantino XI Paleólogo, esse confiaem sua palavra e costuma seguir suas decisões 
quando ligadas a estratégias de diplomacia. Portanto, deve se esperar uma postura 
amigável do Mesazon com todos do conselho, contudo, sabendo que apesar de muito 
fiel à coroa, esse sempre tenderá as moedas bizantinas. 
 
7.4. Demétrio Paleologo 
 
É um príncipe e déspota bizantino. Ele governou Mesembria e Lemnos, antes 
de se tornar déspota de Moreia em 1449. Demétrio Paleólogo nasceu em 1407, sendo 
assim o quinto filho do Imperador Bizantino Manuel II Paleólogo e sua esposa Helena 
Dragaš. Como um filho mais novo Demétrio não era esperado para governar, mas foi 
concedido o título de déspota de acordo com a prática padrão. Sua ambição 
aparentemente levou a conflitos na família imperial. Embora ele tenha recebido a posse 
da ilha de Lemnos de seu pai, o Imperador Manuel II em 1422, ele se recusou a morar lá 
e fugiu para o tribunal do rei Sigismundo da Hungria em 1423, solicitando proteção 
contra seus irmãos, os quais não se agradaram com o descumprimento das ordens do 
basileu por parte do príncipe. 
 
Ele retornou a Constantinopla até 1427. Em novembro de 1437, acompanhou 
seu irmão João VIII ao Conselho de Florença, que buscava reunir a Igreja Católica 
Romana e a Igreja Ortodoxa Oriental, embora Demétrio seja um dos aristocratas 
bizantinos mais ferrenhos quando se trata da união das Igreja. Ele retornou a 
Constantinopla em janeiro de 1440, via Veneza, sem a autorização de seu irmão, na 
época o basileu. Forçado a entregar Lemnos como penalização por voltar para casa sem 
o consentimento do Imperador e afim de apaziguar as brigas entre os irmãos Paleólogo, 
João VIII concedeu a Demétrio o controle sobre o pequeno estado bizantino e bem 
distante de Mesembria no Mar Negro em 1441. 
 
Em 23 de abril de 1442, revoltoso com a situação que se encontrava, ele lançou 
um ataque a Constantinopla com o apoio dos otomanos, mas falhou, e foi preso por 
pouco tempo. O pequeno estado bizantino de Selymbria, que ele havia procurado, foi 
entregue primeiro a Constantino Paleólogo e depois a Teodoro II Paleólogo. Demétrio 
só não foi assassinado por traição pelo clamor de sua mãe, Helena Dragas, que por ser 
conhecida como uma santa na Igreja Ortodoxa do Oriente o salvou. Contudo, devido a 
56 
 
essa tentativa, perdeu o prestigio que tinha na corte e acirrou a ainda mais a disputa com 
seus quatro irmãos ao que tangencia o trono bizantino e os despotados mais valiosos. 
 
Em 31 de outubro de 1448, João VIII morreu, enquanto o seu próprio herdeiro 
Constantino estava na Moreia. Explorando sua localização mais perto de 
Constantinopla, Demétrio tentou encenar um golpe de Estado e garantir o trono para si 
mesmo. Sua tentativa falhou, principalmente devido à intervenção de sua mãe, Helena 
Dragaš, a qual pôs-se em prol de seu filho mais velho, salvaguardando assim o trono. 
Em 1449, o novo imperador, Constantino XI, deu Demétrio metade de Moreia para 
removê-lo da vizinhança de Constantinopla e eliminar qualquer tipo de influência dele 
sobre a corte ou a Rainha das Cidades. 
 
Apesar de ser um Paleólogo e ter forte clamor ao trono, possui muitos inimigos 
poderosos, como seus irmãos ainda vivos, entre ele o próprio basileu. Após ter sido 
nomeado como Co-déspota de Moreia junto ao seu irmão Tomás, vem tentando ganhar 
mais influência em tal área, dialogando com os Otomanos e buscando a revisão de 
antigos tratados de vassalagem. Como um bom aristocrata das altas camadas bizantinas, 
possui um sentimento xenófobo extremo pelos latinos e completo asco pela Igreja 
Católica do Ocidente. Apesar de ter aspirações muito altas, se basearmos na história não 
podemos dizer que seus planos foram de sucesso. Contudo, com a fé católica do oriente 
sufocada ao Corno de Ouro e os Otomanos em ascensão, será a hora de Demétrio tentar 
um novo golpe de Estado? 
 
7.5. Georgios Kourtesios Escolário 
 
É um filósofo e teólogo bizantino. Um forte defensor do uso da filosofia 
aristotélica na Igreja Oriental. Geogios foi, junto com o seu mentor, Marco de Ephesus, 
envolvido no Conselho de Florença, que visava acabar com a cisma entre o Oriente e o 
Ocidente. Georgios estudou e escreveu extensivamente sobre teologia ocidental durante 
tal conselho. Acredita-se que Escolário tenha nascido como em Constantinopla em 
1400. Esse foi professor de filosofia antes de entrar no serviço do imperador João VIII 
Paleólogo como conselheiro teológico. Ademais, em 1437 - em antecipação ao 
Conselho de Ferrara-Florença - o imperador estudou formalmente as obras de Nilus 
Cabasilas junto com Marcos de Éfeso e Georgios Escolário. 
57 
 
 
Apesar de defender a União das Igrejas, e repreender muitos dos bispos 
ortodoxos pela falta de conhecimento teológico, quando ele voltou para Constantinopla, 
como a maioria de seus compatriotas, ele mudou de opinião. Isso não deve ser 
exagerado, no entanto, desde que Escolário abandonou o Conselho no início e nunca 
assinou seu decreto de sindicato horos. A pedido de seu mentor Marco de Ephesus, que 
o converteu completamente à ortodoxia anti-latina, até sua morte, Scholarios era 
conhecido como o inimigo mais intransigente da União. Foi nesse momento – em 1444 
- que Scholarios começou a chamar a atenção para a pauta heterodoxia da "distinção de 
razão" de Aquino entre os atributos e a essência de Deus. 
 
Ele então escreveu muitas obras para defender suas novas convicções, que 
diferem tanto dos anteriores conciliadores que Allatius pensou que deve haver duas 
pessoas do mesmo nome; a quem o historiador Edward Gibbon se referiu: "Renaudot 
restaurou a identidade de sua pessoa, e a duplicidade de seu personagem ". Após a 
morte de João VIII em 1448, Georgios entrou no mosteiro de Pantokrator em 
Constantinopla sob Constantino XI e levou, de acordo com o costume invariável, um 
novo nome: Gennadius. Passando cada vez mais a ser conhecido como um adversário 
amargo da união. Ele e Marcos de Éfeso eram os líderes do partido anti-latino, 
fomentando sempre a xenofobia bizantina. 
 
Em 1444, Marcos de Éfeso em seu leito de morte elogiou a atitude 
irreconciliável de Gennadius em relação aos latinos e à união. Foi para Gennadius que 
as pessoas irritadas foram depois de ver os serviços da Uniate na grande igreja de Santa 
Sofia. Diz-se que ele se escondeu, mas deixou um aviso na porta de sua cela: "Ó 
romanos infelizes, por que vocês abandonam a verdade? Por que vocês não confiam em 
Deus, em vez de nos italianos? sua fé, vocês perderam sua cidade ". Apesar da persona 
estranha e dos mitos que o cercam, é um respeitado filósofo e teólogo Bizantino, 
Georgios Kourtesios é um dos conselheiros mais próximos do Imperador. Escolário tem 
sido o Chefe de Justiça das Cortes Civis desde que foi nomeado ao cargo pelo 
Imperador anterior, João VIII. Como juiz-chefe do Império, Escolário pode ditar 
punições e representar o Estado de Direito no Império. De todo modo, precisa da 
aprovação do Imperador para fazer valer seus mandatos. Em conclusão, serve como um 
dos conselheiros teológicos de Constantino XI e também advoga por uma agenda anti-
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latina rigorosa, levando assim, apesar das suas opiniões muito rigorosas, muitos aliados 
dentro da corte. 
 
7.6. Isidoro de Kiev 
 
Isidoro de Kiev, também conhecido como Isidoro de Tessalônica, era um 
Metropolita - é o arcebispo da arquidiocese sede de uma província eclesiástica, 
equivalente ao cargo de arcebispo - grego de Kiev, cardeal, humanista e teólogo. Ele foi 
um dos principais defensores orientais da reunião no momento do Conselho de 
Florença. Nasceu no sul da Grécia em cerca de 1385. Ele chegou a Constantinopla, 
tornou-se um monge, e foi feito hegumeno do mosteiro de São Demétrio. Conhecia bem 
o latim e tinha fama considerável como teólogo, também era um orador realizado; 
mostrando-se desde o início proposto a missão de reunir as Igrejas. 
 
Em 1434, Isidoro foi enviado a Basileiapor João VIII Paleólogo (1425-1448) 
como parte de uma embaixada para abrir negociações com o Conselho de Basileia. Aqui 
ele fez um discurso belíssimo sobre o esplendor do Império Romano em 
Constantinopla. Em seu retorno, ele continuou a participar de todos os preparativos para 
reunir-se entre seus próprios povos. Em 1437, foi nomeado Metropolitano de Kiev e 
todo Rus - povo sitiado pelas planícies do que hoje conhecemos como Rússia - pelo 
Imperador João VIII Paleólogo para atrair a Igreja Ortodoxa Russa para a comunhão 
com a Igreja Católica Romana e proteger a proteção de Constantinopla contra os 
otomanos invasores. Grande Príncipe do Grão-Ducado de Moscovo,Vasili II conheceu o 
novo metropolitano com hostilidade. No entanto, Isidoro conseguiu persuadi-lo a se 
aliar com o catolicismo por causa do salvamento do Império Bizantino e da Igreja 
Ortodoxa de Constantinopla. 
 
Depois que Isidoro recebeu financiamento de Vasili II, ele foi a Florença para 
participar da continuação do Conselho de Basileia em 1439. Ele foi nomeado cardeal-
presbítero e legado papal para as províncias da Lituânia, Livonia, toda Rus’ e Galiza – 
ficando conhecido assim como o cardeal ucraniano católico. Durante este Conselho, 
Isidoro defendeu fervorosamente a união entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente, é 
possível que Isidore tenha sido um aluno do Neo-platônico Gemistus Pletho, e foi com 
seu professor e outros dois dos estudantes de Pletho, Bessarion e Mark Eugenikos, para 
59 
 
participar do Conselho de Ferrara, que pretendia negociar a reunião dos ortodoxos e 
católicos Igrejas. Ele também era um amigo de muitos humanistas italianos. O que 
deixa os canais abertos para as ajudas necessárias desses quando se trata de 
Constantinopla. 
 
A grande delegação de teólogos e filósofos partiu com um grande seguimento 
em 8 de setembro de 1437, e chegou a Ferrara no dia 15 de agosto de 1438. Em Ferrara 
e em Florença, onde o conselho se mudou em janeiro de 1439, Isidoro foi um dos seis 
principais oradores do lado bizantino. Juntamente com Basilios Bessarion, ele trabalhou 
firmemente para a União, e nunca mais se desviou em sua aceitação. De Buda, em 
março de 1440, ele publicou uma encíclica convocando todos os bispos da Rússia a 
aceitar a união, mas quando finalmente chegou a Moscou – na Páscoa de 1441 -e 
proclamou a união na igreja do Kremlin, descobriu que Vasily II e a maioria dos bispos 
e pessoas não teria nada disso. Então, ao comando de Vasily, seis bispos da Rus se 
encontraram em um sínodo, deposto Isidoro e o fecharam na prisão. 
 
Em setembro de 1443, após dois anos de prisão, o Metidor Isidor escapou para 
Tver, depois para a Lituânia e para Roma. Ele foi recebido graciosamente pelo papa em 
1443. O Papa Nicolau V enviou-o como legado a Constantinopla para organizar a 
reunião lá em 1450 e deu-lhe duzentos soldados para ajudar a defesa da cidade. Em 12 
de dezembro daquele ano ele conseguiu unir trezentos do clero bizantino em uma 
celebração da reunião de curta duração. Isidoro por ter uma forte história em relação a 
Igreja do Oriente e por possuir uma alta posição na corte, dispõe de muito prestigio e 
influencia. Seus clamores pela unificação das Igrejas já afetaram muitos dos súditos e 
pela proximidade dos otomanos, pode afetar até mesmo os aristocratas menos 
conservadores e até mesmo o basileu. Pelos contatos com a Igreja do Ocidente e com a 
Europa, sua presença é fundamental para relações entre os Estados, porém muito 
malvista pelos mais conservadores. 
 
7.7. Jorge Frantzes 
 
É um historiador grego bizantino tardio e um cortesão imperial, tendo assim o 
cargo de Protovestiário. Ele foi protovestiário de três Basileus da dinastia Paleólogo, 
Manuel II João VIII e Constantino XI. Nascido em Constantinopla, durante o bloqueio 
60 
 
turco daquela cidade; sua madrinha era a freira Thomais. Em 1418, ele foi nomeado 
assistente do Imperador Manuel II. Durante seu serviço ao imperador, Frantzes fez 
muitos favores para Constantino, desenvolvendo um forte relacionamento com o futuro 
Imperador, como escreveu: "meu tio foi seu tutor e meus primos e eu fomos seus 
companheiros, amigos e atendentes. " Após a morte de Manuel, tornou-se servo de 
Constantino e partiu com ele 26 de dezembro de 1427, quando Constantino foi nomeado 
déspota da Moreia. 
 
Quando chegaram no Moreia, Constantino o fez governador de Glarentza, e 
Frantzes ajudou Constantino nos esforços deste último para conquistar o resto da 
Moreia, mas foi capturado em 26 de março de 1429 em uma escaramuça fora de Patras 
e preso até sua relação com Constantino foi reconhecido, e ele foi libertado de volta 
para o lado bizantino para negociar a rendição da cidadela. Enquanto viajava para o 
Epiro como embaixador, para ajudar a arbitrar uma paz entre Carlo II Tocco e os filhos 
ilegítimos de seu tio durante a sucessão para dominar o Epiro, ele foi sequestrado por 
piratas catalães, juntamente com seu séquito, e mantido em Cefalônia até que os piratas 
tomassem o grupo de volta a Glarentza onde foram resgatados. Ao retornar a 
Constantinopla, ele foi feito Protovestiário e nomeado embaixador pelo Imperador. 
 
 Depois desse ponto, Frantzes foi um dos principais defensores de Constantino. 
Ele tentou garantir Atenas por seu mestre em 1435, negociou o segundo casamento de 
Constantino com Caterina Gattilusio em 1440, foi nomeado prefeito de Mistras em 
1446; e, o mais importante, foi enviado em uma embaixada para Geórgia e o Império de 
Trebizond em busca de uma terceira esposa para o Imperador Constantino. Durante 
estes deveres casou-se com Helena, a filha do secretário imperial Alexios Paleólogo 
Tzamplakon, e o imperador Constantino foi seu padrinho. Por ser amigo pessoal do 
Basileu e ter acompanhado esse por muitos anos, Jorge é uma das personalidades mais 
confiáveis dentro da corte para o Imperador. Extremamente coerente com suas ações e 
diretrizes, às segue como dogmas da Igreja Católica do Oriente. Portanto, qualquer 
membro do conselho que se mostre inconstante com opiniões ou demonstre qualquer 
tipo de aproveitamento sobre o Império Bizantino ou seu Imperador deverá render 
primeiro o cargo mais alto e fiel da aristocracia cortesã. 
 
7.8. Jorge Paleologo Cantacuzenus 
61 
 
 
É um aristocrata bizantino, membro da Casa dos Cantacuzenos. É melhor 
conhecido por seu apelido turco Sachatai, que ele adquiriu no serviço de Constantino 
Paleólogo, quando esse ainda era Déspota de Moreia, logo no começo de sua carreira 
militar. Foi filho de Teodoro Paleólogo Cantacuzeno. Entre seus irmãos estava a 
despotisa da Sérvia Irene Cantacuzena, a imperatriz de Trebizonda Helena, e a esposa 
de nome desconhecido do rei Jorge VIII da Geórgia. Ele também foi um primo dos 
últimos dois imperadores bizantinos, João VIII Paleólogo e Constantino XI Paleólogo. 
Ele ocupou sua juventude na capital bizantina, Constantinopla, onde estudou sob João 
Cortasmeno. Mais tarde, mudou-se para o Despotado de Moreia, onde é atestado nos 
documentos de Ragusa escritos em 1431. 
 
Quando o déspota Constantino partiu para Constantinopla em setembro de 
1437 para governar a cidade durante a ausência de seu irmão João VIII Paleólogo, Jorge 
também deixou a Grécia. Ele visitou sua irmã Helena de Trebizonda, e então sua outra 
irmã Irene na Sérvia, onde decidiu permanecer. Ele auxiliou na construção e defesa do 
Castelo de Semêndria que sua irmã e cunhado Jorge I Brankovic começam em 1430; 
por um tempo ele comandou a guarnição da fortaleza. Com o conhecimento adquirido 
na Sérvia, voltou a Rinha das Cidades, sendo conflituosas as fontes datadas. Sendo 
Jorge irmão de Andrônico e filho de Demétrio, mesmo não possuindo nenhum cargo 
oficial, possui muita influência perante a corte e, portanto, sob o conselho. Por ter 
tendências acadêmicas e dedicar-se às ciências eruditas, é um habilidoso e ambicioso 
arquiteto, tendo provado seu valor nos murosdo Castelo de Semêndria. 
 
7.9. Lucas Notaras 
 
Descendente de uma família grega oriunda de uma ilha na costa do 
Peloponeso, de acordo com fontes históricas acerca da anexação da ilha de Kythera ao 
Império Bizantino – a mesma da qual provém sua progênie. No ano de 1270 a insula se 
encontrava sob posse dos venezianos, contudo, os registros mais antigos acerca da 
família Notaras apontam para que Paulo Notaras possuía relações com Michel VIII 
Paleólogo, então Basileu do Império Bizantino. Ao passo que Paulo tomou Kythera a 
pedido do Imperador, foi o primeiro marco histórico dos Notaras com alguma influência 
além do mar Egeu. 
62 
 
 
Há registros de diversos notáveis membros da família Notaras pelos séculos, o 
que claramente levou a ascensão da família dentro da corte bizantina. O pai de Lucas foi 
Nicolas Notaras, esse serviu ao imperador Manuel II Paleólogo como intérprete, quanto 
a sua mãe, não há registros. Crê-se que ele tenha tido pelo menos um irmão, o qual foi 
morto durante o cerco à Constantinopla de 1411, decorrente da Guerra Civil Otomana. 
Haja vista a alta posição de seu genitor na corte, foi conferido a Lucas, com o passar dos 
anos, a posição de aristocrata e grande político. Em 1424, Notaras foi um dos três 
emissários - entre eles estava George Sphrantzes, o qual estará presente no conselho - 
que negociaram o tratado de amizade entre o Imperador João VII Paleólogo e o Sultão 
Maomé I do Império Otomanos a fim de pôr fim à Interregnum otomana. Sua 
importância continuou como oficial imperial, sendo atestada por sua presença no 
casamento do futuro imperador Constantino Paleólogo com Catarina Gattilusio em 27 
de julho de 1441. 
 
Por conta de sua famosa frase "Eu prefiro ver um turbante otomano por 
Constantinopla do que a Mitra27", era considerado que Notaras tinha feito oposição ao 
Conselho de Florença (1431-1445) – o qual, tinha como pauta as guerras na região da 
Boêmia e a expansão do império otomano, possuindo sempre um representante papal do 
Império Bizantino, a fim de chegar a união das igrejas. Portanto, devido a tal frase, 
circula pelas vielas da cidade que esse se opõe a Unificação das Igrejas. Contudo, este 
não é o caso, pois ele trabalhou o imperador Constantino XI para garantir a ajuda 
católica por quaisquer caminhos que pudessem favorecer a Rainha das Cidades, sempre 
evitados os tormentos com os fiéis ortodoxos. Infelizmente, o meio termo nunca é 
confortável. Por possuir uma política de sempre buscar o curso médio, adquiriu a 
antipatia de alguns dentro da corte e fora – devida a má interpretação de sua famosa 
frase. Entre suas inimizades está Jorge Frantzes, amigo pessoal do basileo e 
protovetiário. 
 
Apesar de algumas inimizades poderosas, Lucas Notaras é descendente de uma 
família antiga e respeitada em Constantinopla, é um político experiente, possuiu o cargo 
de Mega-Duque, sendo assim um dos poucos a saber a composição do fogo grego e 
possuindo poderes além de seu cargo, como administrativos e do governo central. 
 
27 Insígnia pontifical utilizada pelo Papa da Igreja Católica do Ocidente. 
63 
 
Entretanto, pelos diversos cargos, tanto administrativos, quanto cortesãos, Notaras deve 
usar de sua experiência como aristocrata e político para convencer o resto da corte a 
concordar com seus planos, pois infelizmente esse não pode governar unilateralmente. 
Tal tarefa não deverá ser árdua para o Mega-Duque, já que esse cede quando lhe 
convêm, achando o meio termo mais interessante em prol do Império Bizantino. 
 
7.10. Michel Doukas 
 
Membro da grande Casa de Doukas, Michael é parte de uma extensa linhagem 
de aristocratas Bizantinos, que inclui diversos Imperadores. Apesar de sua família não 
ocupar a posição desde 1081, muitos o consideram uma alternativa a dinastia Paleólogo. 
De qualquer forma, no momento Doukas é ainda jovem e é capaz apenas de sonhar com 
ambições imperiais. Correntemente serve como historiador, escritor e diplomata da 
Corte para Domenico Gattilusio e sua família. Isso significa que é um intelectual e 
discursador talentoso, que pode facilmente influenciar as massas. Erudito e pesquisador, 
em conjunto com outros nobiliários de mesmo perfil pode agregar muito ao conselho 
quando se tangencia a edificações e defesas da cidade. 
 
7.11. Patriarca Gregório III 
 
O patriarca Gregório III, de sobrenome, Mammis ou Μammas, é o Patriarca 
Ecumênico da Rainha das Cidades desde 1443. Poucas coisas são conhecidas sobre sua 
vida e seu patriarcado. Nem mesmo seu sobrenome é certo, sendo ele um homem muito 
misterioso e de muita fé. Por não manter opiniões muito constantes e tentar agradar 
muito ao povo de Constantinopla, adquiriu inimizades perante a Corte. Os mais 
conservadores como o Protovestiário em nele não confia, devido a suas constantes 
mudanças e a incerteza de suas origens e vida. 
 
Ele foi tonsurado como um monge em 1420, e foi confessor do Imperador João 
VIII Paleólogo, irmão do atual Basileu. Ele é um defensor da União das Igrejas, criando 
assim ainda mais inimigos desempenhando junto a Leonardo de Chios um papel muito 
ativo nas discussões teológicas frete ao conselho. Participou das negociações 
preliminares com Roma no Concílio de Basileia e posteriormente acompanhou o 
Patriarca José II ao Conselho de Ferrara-Florença, onde também representou Philotheus 
64 
 
de Alexandria. Eleito Patriarca após a morte do patriarca também sindicalista 
Metrophanes II. 
 
Gregorio fez o seu melhor para conciliar os monges, a hierarquia da igreja e as 
pessoas comuns com o acordo alcançado em Ferrara-Florença, mas tais questões foram 
em vão. Ele se opôs a Georgios Escolário e John Eugenikos, que escreveram 
extensivamente contra o Conselho. O líder clérigo anti-unionista recusou-se a rezar pelo 
imperador nas igrejas. Ativo teólogo e orador, Gregório III, mantém estreitas relações 
com o Imperador e sua família. Apesar de muitos passarem por um processo de 
desilusão quanto às suas palavras, devido a seu apoio aos estrangeiros e a união das 
igrejas, ele retém sua atual posição por seu apelo ao povo, que são frequentemente 
animados por seus grandiosos discursos, sermões e argumentação lógica. 
 
Como Patriarca, possui a palavra final em todos os tópicos referentes à religião 
e é influente dentre comuns e nobres. Por fim, é grande amigo de Leonardo de Chios e 
outros nobres itálicos, podendo recorrer aos mesmos para quaisquer a serem resolvidas. 
Contudo, uma das questões que perturbam a sua imagem são os rumores sobre uma 
possível carta entre o Patriarca e o Papa, insinuando que, caso as tensões na Rainha das 
Cidades se estendam, o mesmo saíra imediatamente buscando refúgio em Roma. Pondo 
assim em cheque a lealdade desse frente ao Império Bizantino. 
 
7.12. Teófilo Paleologo 
 
Parente distante do Imperador, Teófilo é um nobre jovem e ambicioso. 
Humorista, gramático e matemático, ao longo de sua vida, provou-se como um 
competente administrador e acadêmico. Seus interesses pela intelectualidade o 
oportunizaram conexões com muitas academias e universidades europeias. Além de 
suas vocações políticas e escolares, Teófilo comanda um regimento da guarnição de 
Constantinopla e foi recentemente nomeado como um dos Protoestratores. Como tal, é 
essencialmente marechal do exército Bizantino, posição relevante do Alto Comando 
Imperial. 
 
7.13. Tomás Paleologo 
 
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Filho do atual Basileopator com a santa Helena Darkas e irmão mais novo de 
Constantino XI Paleólogo, Tomás é atualmente o Co-déspota de Moreia junto de seu 
irmão Demétrio. Ele certamente desfruta de um pouco de prestígio apenas por conta de 
seu nome, conferindo forte apelo ao trono, tendo em visto que o Basileu não possui 
filhos. Como outros filhos imperiais, Tomás foi feito um Déspota e, a partir de 1428, 
juntou-se a seus irmãos Teodoro e Constantino em Moreia.Após a aposentadoria de 
Teodoro em 1443, ele governou junto com Constantino, até que este se tornou 
imperador durante 1448. Esse permaneceu déspota sozinho, mas foi forçado a 
compartilhar a regra com seu irmão mais velho Demétrio, com o qual diverge em 
muitos pontos, a partir de 1449. 
 
As posses bizantinas em Moreia se expandiram consideravelmente à custa do 
Principado latino do Acaia. Após a última guerra durante 1430, praticamente toda a 
península foi governada pelos bizantinos, e Tomás casou-se com Catherine Zaccaria, a 
filha do último Príncipe de Achaea Centurione II Zaccaria, sucedendo aos pertences de 
seu pai em 1432. Por possuir essa relação próxima com tal principado, Tomás é mais 
aberto a relação com os latinos, ao contrário de muitos bizantinos mais tradicionais. Um 
dos grandes pontos de desconforto desse também seda a suas divergências com seu 
irmão mais velho e Co-Despota de Moreia, Demétrio Paleólogo. A divisão do 
despotado ocorreu em 1450, sendo Demétrio o encarregado pelo sul. 
 
Entretanto, apesar de seu irmão estar somente um ano no poder, já causou 
diversos problemas. Durante esse período Demétrio pôs em pauta uma política pró-
otomana, indo de encontro a política ocidentalizada de Tomás, restaurando inclusive 
tratados de vassalagem com esses. Ademais, a figura de seu irmão, ao tentar interferir 
em suas gerências ao norte, acabou por esgotar muitas das reservas conquistadas na 
guerra de 1430. Com isso, Tomás se vê em uma posição de revanchismo político e 
pessoal contra a figura de Demétrio. Outrossim, o eu gosto e amizade pelos latinos não 
serem favoráveis frente à corte, certamente são mais belos que as proposições de seu 
irmão, favorecendo seus planos tangentes a Moreia e talvez ao trono. 
 
8. Posicionamento dos nobiliários venezianos 
8.1. Alviso Diedo 
 
66 
 
Alviso Diedo foi treinado para ser um mercante, tendo adquirido muita 
experiência fazendo comércio em locais distantes ao longo de sua carreira. Por conta da 
recente expansão do Império Otomano, Diedo viu seus navios comerciais serem 
convertidos em embarcações de Guerra. Embora não possua assento no Conselho 
Veneziano, Diedo fora recentemente promovido a capitão e Co-comandante da Flotilha 
veneziana aportada em Constantinopla. Sob seu comando direto, Alviso possui 3 galés. 
Sua relação com seu colega de profissão, Gabriel Trevisan, é primordial para o 
comando das forças navais de Veneza. Caso sua atuação na administração da crise seja 
muito positiva, o comerciante pode ter sua chance de alcançar uma promoção nas 
patentes Venezianas, e assim conseguir uma posição no Conselho do Doge. 
 
8.2. Felipe Contarini 
 
Felipe Contarini é um comerciante crucial para Veneza e para o Império 
Bizantino. Sua Família possui imensa influência sobre as rotas de comércio por todo o 
mar mediterrâneo, além de extremamente poderosa nas decisões políticas da República 
itálica, tendo alguns dos antepassados de Felipe preenchido a posição de Doge. Além 
disso, outro membro da Família Contarini, Bartolomeo Contarini, atualmente atua como 
governador de Atenas. Com isso, Felipe conta com redes de comunicações entre os 
Estados, o tornando uma peça valiosa no conselho. 
 
 Seu Poder financeiro, somado a seu capital político o torna capaz de se 
sobrepor a outros venezianos na cidade, tornando possível que até mesmo o próprio 
embaixador veneziano seja influenciado por suas decisões. Levando em conta sua 
situação, seu principal foco no conselho será a preservação de acordos comerciais 
lucrativos para Veneza, além de, ser possível, assegurar novos negócios para a 
República. 
 
8.3. Gabriel Trevisan 
 
Trevisan é um condecorado Almirante e Treinado especialista naval. Sua 
Contribuição para a Marinha veneziana foi tanta que, mesmo sem ser um patrício, o 
Doge o concedeu um assento no Conselho veneziano. Sob seu comando, Trevisan 
possui dois navios de Guerra, mas sua posição como Co-comandante da marinha de 
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Veneza aportada em Constantinopla lhe garante grande influência em questões navais. 
Sua relação com seu colega de profissão, Alviso Diedo, é primordial no comando das 
forças navais venezianas. 
 
Sua posição como Conselheiro o concede capacidade de criar estratégias que 
devem ser obedecidas por todos os venezianos, tanto em Constantinopla, como no mar 
Egeu. Motivado também por questões Religiosas, a defesa da cidade de Constantinopla 
é questão de Honra para o almirante. Além disso, a situação comercial é primordial para 
Trevisan, claramente. 
 
8.4. Girolamo Minotto 
 
Girolamo Minotto, como parte de uma família aristocrática da República de 
Veneza, ostenta um cargo de deveras importância em Constantinopla. Sua função é ser 
embaixador oficial de Veneza no Império Bizantino. Apontado pelo Doge, sua posição 
como representante dos interesses venezianos em Constantinopla o torna, 
consequentemente, responsável pelos cidadãos da República em território bizantino, 
além de prover acesso aas importantíssimas rotas comerciais entre as nações. 
 
Por conta de seu cargo crucial, Minotto possui autonomia para estabelecer 
políticas externas em relação ao império bizantino. Ademais, sua proximidade com o 
líder veneziano permite que sua comunicação com o Doge seja realizada de forma mais 
direta. Embora sua função política seja primordial, Minotto não possui nenhuma força 
militar sob seu comando direto, embora possa usar de sua influência para auxiliar nas 
decisões bélicas, principalmente envolvendo a marinha e tropas oriundas de Veneza. 
Por fim, os extensos benefícios de seu cargo de embaixador são altamente cobiçados. 
Tal fato determina que sua atuação deve ser feita com muita cautela, visto que outros 
venezianos presentes no conselho anseiam em ocupar sua posição. 
 
8.5. Nicolas Barbaro 
 
Nicolas é membro da família Barbaro, uma das mais prestigiadas e influentes 
famílias da aristocracia veneziana. Quando somados o poder de sua família com o 
capital político de Nicolas possui como membro do senado veneziano, fica claro o 
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tamanho da importância que ele possui. Além disso, sua posição lhe provê acesso a 
rotas comerciais que atravessam a península itálica e o mar mediterrâneo. 
 
Apesar de seu imensurável poder político, Barbaro não possui comando direto 
de nenhuma unidade militar. Entretanto, sua formação como médico pode ser essencial 
para o esforço de guerra, visto que sua atuação em campo de batalha pode significar a 
sobrevivência de soldados bizantinos, recurso que é perigosamente escasso no 
momento. Ainda que a Família Barbaro nunca tenha possuído o título de Doge, seu 
poder Político e financeiro certamente os torna grandes candidatos ao cargo, caso algo 
viesse a acontecer ao líder da República. 
 
9. Posicionamento dos genoveses e aliados 
9.1. Domenico Gattilusio 
 
Teoricamente, Domenico é o herdeiro do título de Lorde de Lesbos, mas, na 
prática, este já exerce suas funções na administração da ilha, visto que seu pai, encontra-
se doente e acamado. Devido às conexões de sua família, Domenico possui aliados tanto 
em Gênova, como em Constantinopla. Embora Domenico seja vassalo imperial em 
teoria, o enfraquecimento do controle bizantino sobre o mar Egeu o tornou, 
efetivamente, independente como governante interino de Lesbos. O Conselheiro 
continua participando das decisões bizantinas e genovesas, mas prefere preservar seu 
povo de participar em uma futura batalha por Constantinopla. Além disso, o nobiliário 
possui pouco interesse em acordos comerciais genoveses, optando sempre por 
alternativas vantajosas a Lesbos. 
 
9.2. Giovanni Giustiniani Longo 
 
Giustiniani é descendente de uma das mais antigas e prestigiosas famílias de 
Gênova, possuindo profundas conexões com o Doge e com outros estados europeus. 
Além de sua Influência, Giustiniani é conhecido como um dos maiores comandantes 
militares do continente, tendo sob seu comandodireto um exército composto por 700 
soldados profissionais, completamente leais ao seu líder. 
 
69 
 
A chegada de sua comitiva a cidade foi recebida com adoração popular. Sua 
aptidão militar lhe garantiu posições avantajadas, tendo sido nomeado marechal e 
Comandante da Defesa de Constantinopla. Ademais, Giustiniani possui vaga no Alto 
Comando Imperial. Sua rápida escalada nas patentes bizantinas despertaram interesses 
entre a Corte imperial. Vários aristocratas bizantinos duvidam de suas verdadeiras 
intenções, tornando-o alvo de acusações de que Giustiniani está mais interessado na 
expansão da influência genovesa do que na proteção da Cidade de Constantino. 
 
9.3. Leonardo de Chios 
 
Oriundo de Chios, uma pequena ilha no leste do Mar Egeu, Leonardo possui 
profundas conexões com a República de Génova, além de ser familiarizado com 
diversos lordes das nações do mar mediterrâneo. Sua posição como Bispo da cidade de 
Mytilene lhe garante acesso aos ativos monetários das instituições religiosas de sua 
região. Com seu profundo conhecimento teológico, Leonardo recentemente foi 
nomeado embaixador Ocidental do Imperador, provendo-lhe autonomia para formular 
proposições de política externa e diplomacia entre os povos europeus e o Império 
bizantino. Entretanto, devido a sua ascendência Genovesa, Leonardo utiliza de sua 
influência para favorecer os interesses da República mercante sempre que possível. 
 
9.4. Palamede Gattilusio 
 
A família Gattilusio, descendente tanto de Bizantinos como de Latinos, 
governa a cidade de Ainos, no norte do mar Egeu, desde 1384. Embora a família seja 
vassala do Império bizantino, os Gattilusio mantiveram a cidade segura da expansão 
otomana enviando um tributo anual para o sultão. A ilha se encontra numa situação 
peculiar, já que, devido ao enfraquecimento do controle bizantino sobre o Egeu, Anos se 
vê, na prática, como uma nação independente. 
 
Em 1408, Palamede depôs seu pai, Nicolas, assumindo o título de Lorde de 
Ainos. Vendo a situação em que se encontra sua ilha e seu suserano, o Imperador, 
Palamede pretende atuar ativamente na defesa do Império contra os avanços otomanos. 
Além disso, o Lorde tenta convencer seu sobrinho, Domenico Gattilusio, a auxiliá-lo em 
expandir a influência da família Gattilusio além de suas fronteiras. Palamede encontra-
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se profundamente envolvido com a política e economia genovesa, possuindo, então, 
grandes interesses em acordos comerciais lucrativos para a República Mercante. 
 
10. Posicionamento dos mercenários e demais membros 
10.1. Johannes Grant 
 
Nativo das terras germânicas, Johannes Grant chegou à Constantinopla por 
requerimento dos Genoveses, que precisavam de um habilidoso engenheiro e 
especialista em artilharia. Apesar de não possuir nenhum cargo no exército bizantino, é 
crucial para qualquer ação militar a ser tomada em Constantinopla, visto que sabe 
construir, assegurar e defender muros. Como um engenheiro germânico, foi também 
educado a desenhar novos canhões e invenções e a manter uma conexão com diferentes 
círculos intelectuais e de engenharia por toda a Europa e Mediterrâneo. De qualquer 
maneira, tendo em vista que é um estrangeiro e que defende Constantinopla por fins 
monetários e não por juramento ou honra, alguns bizantinos não confiam em Grant, 
ainda mais porque seu papel seria essencial para a defesa da Rainha das Cidades, e um 
erro ou traição acarretaria no fim da cidade em dias. O seu conhecimento de defesas 
contra a avançada técnica de tunelamento otomano seria fundamental para impedir a 
principal tática de cerco usada pelos invasores na cidade, vindo a retardar a invasão em 
tempos consideráveis 
 
10.2. Pere Julia 
 
Como Comandante dos mercenários Catalães em Constantinopla, não tem 
nenhum interesse assumido em promover qualquer agenda, então os Bizantinos 
inclinam-se a nele confiar. Foi treinado como soldado em Aragão, logo possui conexões 
com tal Reino, que controla boa parte do oeste Mediterrâneo, especificamente 
Mezzogiorno, Sicília, ilhas Baleares e a costa leste da Ibéria. Além de ser um capitão 
mercenário, possui um Estado na Sicília e é capaz de apelar à sua família por apoio se 
seu salário for insuficiente. Por fim, Pere Julia é um conhecido disciplinador e é apto a 
treinar novos soldados de forma mais eficiente do que muitos outros comandantes, e seu 
histórico Ibérico também o provê uma perspectiva única da guerra, que pode considerar 
particularmente útil. Apesar de mercenário, suas riquezas, experiência militar e 
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principalmente suas influências em países estrangeiros mostram-se indispensáveis para 
a defesa de Constantinopla. 
 
10.3. Príncipe Orhan-Çelebi 
 
Orhan-Çelebi era um príncipe otomano que, em 1425, foi feito refém em 
Constantinopla pelo então Basileu João VIII Paleólogo que negociaram o tratado de 
amizade com Sultão Maomé I do Império Otomanos a fim de pôr fim ao Interregno 
otomano. O príncipe reside desde seus 5 anos no palácio. 
 
Pela sua origem e pelo fato de ter ao seu lado seiscentos seguidores armados e 
leais, foi escolhido para compor a alta corte de defesa da cidade frente a invasão que se 
formulava, em troca de apoio em sua reivindicação ao trono da Trácia. Além disso, 
devido a Guerra Civil Otomana e eminente morte do Sultão atual, a um grande clamor 
de que Orhan seja o legítimo ao trono Otomano, o que levanta muitas desconfianças por 
parte dos mais arcaicos da corte. A sua força principal na Casa é o fato de ser otomano e 
poder dialogar com os invasores, porém é necessário atentar ao fato de que os generais 
bizantinos mais nacionalistas desacreditam as suas intenções e cogitam uma possível 
traição por parte do príncipe, visto como oportunista. 
 
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