Prévia do material em texto
214 R ep ro du çã o pr oi bi da .A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . A expressão da constante de equilíbrio em função das concentra- ções é definida como a multiplicação das concentrações em mol/L dos produtos dividida pela dos reagentes, todas elevadas aos respectivos coeficientes estequiométricos. a A " b B F c C " d D K [C] [D] [A] [B] c & c d a b # #Reagentes Produtos Cada reação possui sua própria expressão para a constante de equilí- brio. O valor numérico dessa constante também é característico de cada reação, a uma certa temperatura (analise a tabela 2). Para uma mesma reação, variações de temperatura afetam o valor de Kc (analise as tabelas 3 e 4). Não confunda constante de equilíbrio com expressão matemática da constante de equilíbrio. A constante de equilíbrio é um número caracterís- tico de uma dada reação numa certa temperatura, representado por Kc. Por outro lado, a expressão matemática da constante de equilíbrio é uma sentença matemática que relaciona Kc com as concentrações de reagentes e produtos no equilíbrio. O fato de o quociente das concentrações permanecer constante no equilíbrio, devido à igualdade das velocidades de reação direta e inver- sa, foi explicado corretamente em 1863 pelos químicos noruegueses Cato Maximilian Guldberg e Peter Waage. Essa lei da natureza foi chamada por eles de Lei de Ação das Massas, hoje também chamada por alguns de Lei de Guldberg-Waage. Muitos autores denominam Lei de Ação das Massas a expressão matemática da constante de equilíbrio. Outros, contudo, utili- zam esse nome para a lei cinética de uma reação (página 191). Para demonstrar que o quociente [C]c[D]d/[A]a[B]b permanece cons- tante na situação de equilíbrio químico, partimos da hipótese de que tanto a reação direta quanto a inversa eram elementares. Contudo, na química de nível superior, é possível fazer uma demonstração geral de que o resultado do cálculo [C]c[D]d/[A]a[B]b, envolvendo as concentra- ções no equilíbrio, permanece constante mesmo em se tratando de reações direta e inversa não-elementares. As concentrações que aparecem em Kc possuem unidade mol/L. Assim, dependendo de sua expressão matemática, poderíamos pensar que a cons- tante Kc possuiria diferentes unidades como por exemplo (mol/L)2, (mol/L)1, (mol/L)#1. No entanto, consideraremos Kc como número adimensional, por razões estudadas no ensino superior*. 2.3. Espontaneidade de uma reação Vamos tomar dois exemplos de equilíbrio químico e suas constantes de equilíbrio a 25°C: 2 SO2 (g) " O2 (g) F 2 SO3 (g) Kc & 9,9 # 10"25 Valor relativamente alto N2 (g) " O2 (g) F 2 NO(g) Kc & 1,0 # 10#30 Valor relativamente baixo * Na química universitária, costuma-se trabalhar com Kc como sendo um número adimen- sional (sem unidade) e, por essa razão, é freqüente encontrarmos autores que não colo- cam unidades em Kc. Nesse caso em particular não se trata de um erro, pois para isso existem razões científicas, as quais, entretanto, estão além dos objetivos deste livro. (Cf. L. Jones e P. Atkins. Chemistry. Molecules, matter and change. 4. ed. New York, Freeman, 2000. p. 622, ou I. N. Levine. Physical Chemistry. 4. ed. New York, McGraw-Hill, 1995. p. 168-170 ou W. J. Moore. Físico-química. 4. ed. São Paulo, Edgard Blücher, 1988. p. 263.) Tabela 2. Valores de Kc , a 25°C, para al- guns equilíbrios homogêneos Fonte: L. Jones e P. Atkins. Chemistry. Molecules, matter and change. 4. ed. New York, Freeman, 2000. p. 625-628; W. L. Masterton e E. J. Slowinski. Química Geral Superior. 4. ed. Rio de Janeiro, Interamericana, 1978. p. 290-292; R. Chang. Chemistry. 5. ed. New York, McGraw-Hill, 1994. p. 591. Equilíbrio Kc 2 SO2 (g) " O2 (g) F 2 SO3 (g) 9,9 # 10"25 N2 (g) " 3 H2 (g) F 2 NH3 (g) 6,0 # 10"5 H2 (g) " I2 (g) F 2 HI(g) 7,9 # 10"2 N2O4 (g) F 2 NO2 (g) 4,0 # 10#2 N2 (g) " O2 (g) F 2 NO(g) 1,0 # 10#30 Tabela 3. Valores de Kc para o processo N2O4 (g) F 2 NO2 (g) Fonte: L. Jones e P. Atkins. Chemistry. Molecules, matter and change. 4. ed. New York, Freeman, 2000. p. 625-628; W. L. Masterton e E. J. Slowinski. Química Geral Superior. 4. ed. Rio de Janeiro, Interamericana, 1978. p. 290-292. Temperatura (°C) Kc 25 4,0 # 10#2 100 3,6 # 10#1 127 1,4 150 3,2 227 4,1 # 10"1 Temperatura (°C) Kc 25 6,0 # 10"5 200 6,5 # 10#1 300 1,1 # 10#2 400 6,2 # 10#4 500 7,4 # 10#5 Tabela 4. Valores de Kc para o processo N2 (g) " 3 H2 (g) F 2 NH3 (g) Fonte: R. Chang. Chemistry. 5. ed. New York, McGraw-Hill, 1994. p. 591. Capitulo_08 6/22/05, 8:34214 215 R ep ro du çã o pr oi bi da .A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i 9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . O primeiro equilíbrio possui um valor muito alto para Kc, o que revela que na situação de equilíbrio químico teremos muito mais produto do que reagente. Em outras palavras, podemos dizer que esta é uma reação muito favorecida. Já no segundo exemplo a constante de equilíbrio é muito peque- na, o que revela que a reação é muito pouco favorecida, ou seja, no equilí- brio temos muito mais reagente do que produto (veja os esquemas ao lado). Podemos concluir que o valor da constante de equilíbrio nos permite avaliar a tendência que determinada transformação química tem para acontecer. Uma reação é tanto mais favorecida (mais espontânea) a uma certa temperatura quanto maior for o valor da sua constante de equilíbrio nessa temperatura. 2.4. Grau de equilíbrio Voltemos ao caso da primeira experiência do início do capítulo, resu- mida na ilustração ao lado. Note que a quantidade de N2O4 que reagiu (0,26 mol) representa 26% da quantidade inicial (1 mol). Em problemas ligados a equilíbrio, os químicos costumam utilizar, além da constante de equilíbrio, uma outra grandeza chamada grau de equilíbrio, simboli- zada por α: α quantidade, em mols, que reagiu até atingir o equilíbrio quantidade, em mols, inicial do reagente & No exemplo em questão: α 0,26 mol 1,00 mol 0,26& & ou α & 26% O grau de equilíbrio será sempre um número entre 0 e 1 (ou seja, entre 0% e 100%), que expressa o rendimento da reação. Assim, por exem- plo, dizer que uma reação apresenta α & 26% equivale a dizer que seu rendimento é 26%. [SO ] [SO ] [O ] 9,9 103 2 2 2 2 25 # #& " [NO] [N ] [O ] 1,0 10 2 2 2 3 # #& # 0 O numerador é 9,9 # 1025 vezes maior que o denominador. No equilíbrio há mais produto do que reagente. O denominador é 1,0 # 1030 vezes maior que o numerador. No equilíbrio há mais reagente do que produto. 1,00 mol de N2O4 100°C 1 L 1 L 0,74 mol de N2O4 0,52 mol de NO2 Situação inicial N2O4 Equilíbrio químico 100°C 0,26 mol de N2O4 reage N2O4 2 NO2 1. Qual dos modelos é mais adequado para representar um sis- tema no qual há o equilíbrio: H2 (g) " Cl2 (g) F 2 HCl(g)? 2. Escreva a expressão de Kc para os seguintes equilíbrios: a) CO(g) " Cl2 (g) F COCl2 (g) b) 2 NO2 (g) F 2 NO(g) " O2 (g) c) 2 SO2 (g) " O2 (g) F 2 SO3 (g) 3. (PUC-SP) Em determinadas condições de temperatura e pressão, existe 0,5 mol/L de N2O4 em equilíbrio com 2 mol/L de NO2, segundo a equação N2O4 (g) F 2 NO2(g). Qual o valor da constante (Kc) desse equilíbrio, nas condições da experiência? Resolução Como o problema forneceu as concentrações presentes no equilíbrio, basta introduzi-las na expressão do Kc: N2O4 (g) F 2 NO2 (g) K [NO ] [N O ] (2) 8c 2 2 2 4 2 & & & ( , )0 5 Legenda: = H = Cl * ) & ' ( Questõespara fixação Resolva em seu caderno Capitulo_08 6/22/05, 8:34215 4. Determine o valor de Kc para a reação 2 NO2(g) F N2O4(g) nas condições da questão anterior. Resolução Uma vez que a equação foi invertida, o Kc também fica in- vertido. Assim: 2 NO2(g) F N2O4(g) K [N O ] [NO ] 1 c 2 4 2 2 & & 8 5. Numa das etapas de fabricação do ácido sulfúrico, ocorre a transformação de dióxido em trióxido de enxofre: 2 SO2 (g) " O2 (g) F 2 SO3 (g) Se, em determinadas condições de pressão e temperatura, existirem em equilíbrio, em um recipiente de 4,0 L, 0,80 mol de SO2, 1,25 mol de O2 e 2,0 mol de SO3,determine o valor de Kc, nessas condições. Comentário: Perceba que o problema fornece as quantida- des no equilíbrio, em mol, e o volume, mas não as concen- trações em mol/L. É necessário calculá-las. 6. O fosgênio é um gás tóxico, utilizável como arma química, que pode ser obtido pelo processo a seguir, a 530°C: CO(g) " Cl2 (g) F COCl2 (g) Se, em um recipiente de 30 dm3, participam do equilíbrio 2 mol de monóxido de carbono, 5 mol de cloro e 15 mol de fosgênio, determine o valor de Kc. Comentário: Lembre-se de que 1 dm3 & 1 L. 7. Dentro de um recipiente contendo inicialmente apenas NO2, ocorre o seguinte processo, a temperatura constante: 2 NO2 (g) F 2 NO(g) " O2 (g) As concentrações dos participantes foram acompanhadas com o passar do tempo, tendo sido feito o gráfico abaixo. No entanto podemos descobrir a [NO2] no equilíbrio mon- tando uma tabela, onde vamos fazer a contabilidade das quantidades que participam do processo. Tempo A B C x Concentração (mol /L) 4,0 # 10–2 2,0 # 10–2 8,0 # 10–3 a) Associe as curvas A, B e C aos participantes da reação. b) Que ocorre de especial no tempo x? c) Calcule Kc para o equilíbrio em questão. 8. Em um recipiente de 1 L são introduzidos 5,0 mol de N2O4 que se transformam em NO2: N2O4 (g) F 2 NO2 (g). Uma vez atingido o equilíbrio, resta no sistema 1,3 mol de reagente. Calcule Kc na temperatura desse experimento. Resolução Este problema difere dos anteriores por não fornecer dire- tamente todas as concentrações presentes no equilíbrio. No início: [N O ] 5,0 mol 1 L 5,0 mol/L2 4 & & No equilíbrio: [N O ] 1,3 mol 1 L 1,3 mol/L2 4 & & Uma tabela como essa pode ser preenchida com valores de concentração, em mol/L, ou quantidade, em mol. No caso, vamos preenchê-la com concentrações; temos dois dados para começar. K [NO ] [N O ] (7,4) (1,3) K 42c 2 2 2 4 2 c& & &⇒ Neste capítulo e nos dois próximos veremos muitos pro- blemas cuja resolução é facilitada por essa tabela. É im- portante que você adquira familiaridade com sua utili- zação. 9. Calcule o grau de equilíbrio para a reação do exercício ante- rior. Resolução Utilizando os valores que constam da tabela: α α quantidade em mols de N O que reagiu quantidade em mols de N O inicial 3,7 5,0 0,74 2 4 2 4 & & & α & 0,74 ou α & 74% 216 R ep ro du çã o pr oi bi da .A rt .1 84 do C ód ig o P en al e Le i9 .6 10 de 19 de fe ve re iro de 19 98 . N2O4 (g) F 2 NO2 (g) Início — Reagiu — Formou — No equilíbrio Quantidade do produto que foi formada Quantidade do reagente que foi gasta Concentração inicial do reagente Os locais em cinza não serão usados Concentrações dos participantes no equilíbrio N2O4 (g) F 2 NO2 (g) Início 5,0 — Reagiu 3,7 — Formou — 7,4 No equilíbrio 1,3 7,4 Concentrações que colocamos na expressão de Kc Os locais em rosa guardam a proporção dos coeficientes: 1 : 2 3,7 : 7,4 Chegamos a esse valor assim: 5,0 # 1,3 & 3,7 Capitulo_08 6/22/05, 8:34216