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(PUC-SP) Duas mulheres disputam a maternidade de uma crianç a que, ao nascer, apresentou a doenç a hemolí tica ou eritroblastose fetal. O sangue das duas mulheres foi testado com o uso do soro anti-Rh (anti-D), e os resultados sã o apresentados ao lado. Qual das mulheres poderia ser a verdadeira mã e daquela crianç a? Justifique sua resposta. Resoluç ã o A mã e da crianç a é a mulher nú mero 2 porque é Rh2, visto que seu sangue nã o sofre aglutinaç ã o em presenç a de soro anti-Rh (anti-D). Note que utilizamos um teste semelhante ao do sistema ABO para averiguar se a pessoa possui ou nã o o aglutinogê nio Rh na superfí cie das hemá cias. sangue da mulher 1 + soro anti-Rh sangue da mulher 2 + soro anti-Rh (aglutinação) Il u s tr a ç õ e s : In g e b o rg A s b a ch /A rq u iv o d a e d it o ra (ausência de aglutinação) 4 Alelos mú ltiplos em coelhos Os genes podem sofrer diversas mutaç õ es ao longo do tempo e originar vá rios alelos. Assim, um alelo original A, chamado selvagem, por ser o primei- ro a aparecer na natureza, pode sofrer duas, trê s ou mais mutaç õ es diferentes e originar uma sé rie de mú ltiplos alelos que influenciam o mesmo cará ter. Esse fenô meno é chamado polialelia (do grego polys = muitos). A cor da pelagem dos coelhos é um exemplo clá s- sico de polialelia. Ela é influenciada por quatro alelos. O alelo C condiciona pelagem selvagem, que é mais co- mum na natureza: pelo marrom-escuro com uma faixa amarela pró ximo à extremidade, o que dá um tom cas- tanho à pelagem. Esse padrã o de pelagem també m é chamado aguti (do tupi aku’ti = cotia, já que esse tipo de pelo é encontrado entre mamí feros roedores). O ale- lo C sofreu mutaç õ es e produziu mais trê s alelos: • o alelo cch para chinchila (o pelo, cinza-prateado, é semelhante ao das chinchilas, um roedor); • o alelo ch para himalaia (pelo branco, com patas, focinho, rabo e orelhas pretos; essa variedade teria, supostamente, surgido nas cordilheiras do Hima- laia, na Á sia); • o alelo c (ou ca) para albino (pelo totalmente branco). Esses alelos apresentam dominâ ncia na ordem citada: C domina todos os outros alelos; cch domina ch e c; ch domina c. Essa ordem de dominâ ncia de um alelo sobre outro pode ser esquematizada assim: C . cch . ch . c Veja na figura 3.6 os possí veis fenó tipos e genó tipos. Embora existam mais de dois alelos que influen- ciam a cor da pelagem em coelhos, cada indivíduo possui apenas um par de cromossomos homólogos que porta tais alelos. Há, portanto, apenas um par de alelos (um alelo em cada cromossomo do par de homólogos) responsável por determinar a cor dos pelos. Assim, os problemas de polialelia sã o seme- lhantes aos de monoibridismo. Fenótipo Selvagem ou aguti Chinchila Himalaia Albino Genótipo CC Ccch Cch Cc cchcch cchch cchc chch chc cc P a n b a zi l/ S h u tt e rs to ck / G lo w I m a g e s Z h u k o v O le g /S h u tt e rs to ck / G lo w I m a g e s S h u tt e rs to ck / G lo w I m a g e s S h u tt e rs to ck / G lo w I m a g e s Figura 3.6 A polialelia que determina o padrã o de cores da pelagem em coelhos (coelhos adultos tê m de 18 cm a 30 cm de comprimento, aproximadamente). Exercício resolvido Grupos sanguíneos e polialelia 51 044_055_U01_C03_Bio_Hoje_vol_3_PNLD2018.indd 51 19/05/16 16:36 1. Um coelho chinchila é cruzado com uma coelha himalaia e nasce um filhote albino. Dê os genóti- pos dos coelhos. Resolução Na resolução de problemas de polialelia, é preci- so levar em conta que, apesar de estarem em jogo três ou mais alelos de cada gene, cada indi- víduo apresenta apenas um par de cromossomos homólogos portadores desses alelos. Montando um esquema como o mostrado a se- guir, descobrimos os genótipos pedidos. As setas indicam como cada alelo é descoberto. cchc chc cc himalaiachinchila albino (recessivo) 2. Observe a genealogia abaixo e responda às questões. selvagem chinchila albinochinchilaselvagem a) Qual é o genótipo dos coelhos apresentados? b) Se do cruzamento da coelha albina com um macho himalaia nascer um coelho albino, qual será a probabilidade de esse casal produzir duas coelhas albinas? Resolução a) Vamos por partes. • A fêmea do casal é chinchila; portanto, pos- sui o alelo cch em seu genótipo. • O macho do casal é selvagem e, com certe- za, apresenta o alelo C. • O primeiro filho é uma coelha selvagem; portanto, sabemos apenas que possui o alelo C, recebido do pai. • O segundo é chinchila; sabemos que possui o alelo cch. • O terceiro é uma coelha albina; portanto, seu genótipo é, com certeza, cc. Dessa forma, con- cluímos que tanto seu pai quanto sua mãe possuem o alelo c no genótipo e podemos concluir o genótipo da família. • Voltando aos filhotes, nada podemos con- cluir a respeito do genótipo da coelha sel- vagem a não ser a presença do alelo C. O segundo coelho já tem um alelo cch de ori- gem materna; portanto, recebeu de seu pai o alelo c. Veja o esquema abaixo. Cc cchc C – cchc cc b) Se do cruzamento da coelha albina com o ma- cho himalaia nascer um coelho albino, o genó- tipo do coelho himalaia será chc. Veja o esquema abaixo. cchc C – cchc cc chc himalaia Cc cc cc Assim, a chance de produzirem coelhos albinos em um cruzamento desse casal é de 1/2: ch c 1/2 ou 50% de chance de o coelho ser albino c chc cc Para calcular coelhos albinos e fêmeas, devemos multiplicar 1/2 de chance de o casal produzir coe- lhos albinos por 1/2 de chance de o coelho ser fê- mea, obtendo 1/4. Como o problema pede duas coelhas, devemos multiplicar a chance de, em dois nascimentos consecutivos, obtermos coelhas albinas, isto é, multiplicamos 1/4 por 1/4 e obtemos 1/16. Exercícios resolvidos Capítulo 352 044_055_U01_C03_Bio_Hoje_vol_3_PNLD2018.indd 52 19/05/16 16:36 1. Qual é o perigo de se fazer transfusão de sangue tipo B para uma pessoa do tipo A? 2. Um mesmo gene pode ter muitos alelos. Então responda: a) Como podem surgir muitos alelos a partir de um gene? b) Um estudante afirmou que em casos de poliale- lia, a lei da segregação de um par de fatores não se aplica. Você concorda? Justifique sua resposta. 3. Uma pessoa do grupo O pode receber hemácias de uma pessoa do grupo AB? Justifique sua resposta. 4. Uma mulher que nunca recebeu transfusão de sangue deu à luz, em uma segunda gravidez, uma criança com eritroblastose fetal. Uma terceira criança nasceu normal. Qual é o genótipo da mãe, do pai e dos três filhos em relação ao fator Rh? (Observação: a mulher não recebeu nenhum tratamento preventivo.) 5. Em um dia nasceram quatro bebês em uma mater- nidade, cada um filho de um casal. Com base nos grupos sanguíneos dos bebês e dos grupos dos casais de pais, identifique quais são os pais de cada bebê. bebê 1: grupo A casal I: A e AB bebê 2: grupo B casal II: A e O bebê 3: grupo AB casal III: AB e O bebê 4: grupo O casal IV: O e O 6. Você já deve ter ouvido alguém dizer: “Este é meu filho. Ele tem meu sangue correndo nas veias”. Sob o ponto de vista genético, essa afirmativa está in- teiramente errada? 7. Leia o texto abaixo e, em seguida, responda ao que se pede. Um tipo raro de sangue, de genótipo hh e sem o antígeno H, foi descoberto em Bombaim (Índia), onde existe 1 caso em cada 10 mil indivíduos. Por não ter substância H, o indivíduo hh não pode ter os aglutinogênios A e B, mesmo sendo portador dos genes IA e IB, e suas hemácias aparentam ser do gru- po O, visto que não são aglutinadas por soros com anti-A ou anti-B. Apesar de não ter os antígenos A e B nas hemácias, o indivíduo hh é diferente do indivíduo O, pois este possui a substância H em suas hemácias, que po- dem, por isso, se aglutinar por um soro anti-H. O fenótipo correspondente ao genótipo hh é chama-do fenótipo Bombaim, falso zero ou Oh. Um indivíduo falso zero pode ter os genes IA ou IB e transmiti-los aos seus descendentes, que poderão manifestar esses fenótipos se possuírem um gene H. a) Um exame de sangue com anticorpos anti-H pode distinguir um indivíduo do grupo O de um indivíduo falso zero (Bombaim)? Explique. b) Explique como um homem do grupo AB, casado com uma mulher homozigota do grupo A, pode ter um filho cujas hemácias não são aglutinadas por soro anti-A nem por soro anti-B. Dê os genó- tipos que explicam essa situação. 8. (Fuvest-SP) O casal Fernando e Isabel planeja ter um filho e ambos têm sangue do tipo A. A mãe de Isa- bel tem sangue do tipo O. O pai e a mãe de Fernan- do têm sangue do tipo A, mas um outro filho deles tem sangue do tipo O. a) Com relação ao tipo sanguíneo, quais são os ge- nótipos do pai e da mãe de Fernando? b) Qual é a probabilidade de que uma criança gera- da por Fernando e Isabel tenha sangue do tipo O? 9. (Unicamp-SP) Com base no heredograma abaixo: 1 AB, Rh1 O, Rh– B, Rh1 A, Rh– O, Rh– AB, Rh1 2 6 ? 3 4 5 a) Qual a probabilidade de o casal formado por 5 e 6 ter duas crianças com sangue AB, Rh1? b) Se o casal em questão já tiver uma criança com sangue AB Rh1, qual a probabilidade de ter outra com os mesmos fenótipos sanguíneos? Observação: Indique os passos que você seguiu para chegar às duas respostas. 10. (Udesc) Assinale a alternativa correta em relação ao tipo sanguíneo na seguinte situação: um casal tem três filhos, sendo que dois filhos possuem o tipo sanguíneo O, e um filho possui o tipo sanguíneo A. a) A mãe possui o tipo sanguíneo O, e o pai o tipo A heterozigoto. b) A mãe possui o tipo sanguíneo A heterozigoto, e o pai o tipo O heterozigoto. c) A mãe e o pai possuem o tipo sanguíneo AB. d) A mãe possui o tipo sanguíneo O, e o pai o tipo sanguíneo A homozigoto. e) A mãe possui o tipo sanguíneo O, e o pai o tipo sanguíneo AB homozigoto. X Atividades ATENÇÃO! Não escreva no seu livro! Grupos sanguíneos e polialelia 53 044_055_U01_C03_Bio_Hoje_vol_3_PNLD2018.indd 53 19/05/16 16:36