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Planejamento Escolar: Importância e Processo

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Prévia do material em texto

Práticas do planejamento escolar
Prof.ª Graça Regina Franco da Silva Reis
Prof.ª Maria Helena Bimbatti Moreira
Descrição O processo de planejamento e suas especificidades: a importância da elaboração de planos,
programas e projetos na organização do processo de ensino e aprendizagem.
Propósito Apresentar as formas de elaboração de planejamentos escolares e sua importância no processo
de ensino e aprendizagem em contextos diversos.
Objetivos
Módulo 1
Planejamento no
cotidiano escolar
Reconhecer a importância do
planejamento para o cotidiano escolar.
Módulo 2
Planejamento de ensino,
aula e projetos
Definir planejamento de ensino,
planejamento de aula e planejamento
por projetos.
Módulo 3
Planejamento e
avaliação: os desa�os na
retomada
pós-pandemia
Exemplificar o papel do planejamento
integrado a partir do contexto pós-
pandemia de covid-19.
Introdução
O cotidiano escolar precisa ser planejado. A escola é composta por um grande
grupo de pessoas de formações diversas e atende a fins específicos. É falso que
a escola é somente um ambiente de transmissão de conteúdo, ou ainda que é um
espaço para que o aluno aprenda os conteúdos. A escola é uma instituição social,
envolve a comunidade, os pais, os alunos e os funcionários, e essas convivências
precisam ser organizadas, claras e com fins que atendam a todos esses grupos.
Neste material, trataremos sobre o cotidiano escolar e a organização e execução
de planejamentos para que a escola possa cumprir seus muitos fins: um
ambiente acolhedor para os alunos, um espaço saudável para se trabalhar,
fomentar o aprendizado, medir o “êxito” e o “fracasso”, buscando ações corretivas,
dinâmicas e democráticas.
Seja bem-vindo à escola e entenda o compromisso com a educação que move os
objetivos.

1 - Planejamento no cotidiano escolar
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a importância do planejamento para o cotidiano escolar.
Por que planejar é um ato importante?
Vamos planejar?
Assista à entrevista concedida pela professora Nilda Alves sobre planejamento e
cotidiano escolar.
Planejar compreende o ato de organização do cotidiano. E o planejamento escolar?
Por que ele é tão importante? Será que as perspectivas de planejamento sempre
foram as mesmas? Os planejamentos são estanques ou se modificam de acordo com
o desenvolvimento de cada turma?

O planejamento é um processo ininterrupto,
processual, organizador da conquista prazerosa dos
nossos desejos onde o esforço, a perseverança, a
disciplina são armas de luta cotidiana para a
mudança pedagógica.
(FREIRE et al., 1997, p. 54)
Sabemos que, por mais que planejemos uma aula, ela nunca ocorrerá exatamente
como o programado, já que é modificada pela interação dos estudantes. Então, por
que planejamos? O planejamento anual de uma escola é marcado por constante
demandas e reorientações, sendo assim, por que planejar?
Essas reflexões não têm respostas prontas. Elas devem fazer parte do seu cotidiano
como docente. Nesse sentido, é fundamental que você, como futuro docente,
independentemente do segmento e da forma como vai atuar, compreenda as
discussões que existem em relação ao planejamento na escola.
Vejamos algumas palavras que devemos pensar quando falamos sobre planejamento.
 Medir
 Executar
 Calcular
 Atingir
Metri�car

 Organizar
 Avaliar
 Estruturar
 Investir
Existem muitas variáveis. O que pensamos, normalmente, é por que e para quem
planejamos. Esses objetivos são fundamentais. Ao planejarmos, devemos ter em
mente a finalidade e os envolvidos.
 Resultado
 Aluno
 Professores
 Direção
Planejamento no cotidiano
Planejar faz parte da história da
humanidade. Sempre foi necessário
pensar sobre as nossas ações, mesmo
que não tivéssemos clareza de que isso
seria um planejamento. Pensamos sobre
nossas ações cotidianamente: o que
fizemos ou o que deixamos de fazer, o
que faremos no futuro (ou, pelo menos, o
que desejamos fazer).
Ou seja, o planejamento está presente em nossa vida desde a hora em que acordamos
e tomamos nossas decisões: tomar café da manhã ou não? Como chegar ao trabalho?
Como organizar uma viagem, uma festa ou um encontro com os amigos? Todas essas
escolhas fazem parte do nosso planejamento cotidiano, que nasce de um desejo, de
uma intenção, de uma possibilidade ou necessidade. Esperamos tomar as decisões
mais acertadas mesmo sabendo que há uma imprevisibilidade no dia a dia que nem
sempre nos permite realizar nossas tarefas da forma como planejamos. Mas
queremos alcançar nossos objetivos e, mesmo sem termos consciência, isso faz
parte do ato de planejar.
E você, o que planejou para o dia de hoje? Que objetivos espera
alcançar? Todas as ações que você programou foram cumpridas
da forma que imaginou?
Assim como acontece na nossa vida cotidiana, as ações pedagógicas também
surgem da necessidade de organizar a relação ensino-aprendizagem. O planejamento
de ensino constitui-se, então, da necessidade de responder às questões sobre o que —
que conhecimentos vamos trabalhar —, como — os procedimentos e as metodologias
que vamos usar para trabalhar com esses conhecimentos — e por que trabalhar com
esses conhecimentos.
Assim, podemos prever, organizar e avaliar situações que propiciem condições para
que os estudantes construam, produzam, teçam conhecimentos sobre determinados
conteúdos e valores a serem trabalhados.
Diferentes concepções do processo de
planejamento
Fases do planejamento de forma prática
É importante a compreensão de que há diferentes concepções do processo de
planejamento ao longo da história da educação escolar. Nesse sentido, reconhecemos
três fases temporais em que a concepção do que seria importante em um
planejamento é diferente.
A primeira fase é a do princípio prático e que não apresenta uma grande
preocupação formal. Essa fase atenderia às atividades de aula,
exclusivamente.
Exemplo: Um professor que dará aula de matemática no primeiro segmento do
ensino fundamental sabe que os alunos precisam contar e fazer as quatro
operações. Ele aprendeu dessa maneira, pensa que os alunos devem ser
capazes de decorar e reproduzir, afinal, sempre foi assim. Para ele, a apreensão
do conhecimento por essa via é natural e, por isso, ele não se empenha em
elaborar estratégias de aprendizado ou em adequar o conteúdo às vivências
dos alunos.
Primeira fase 
A segunda fase é a de caráter técnico-instrumental e que estava relacionada a
uma tendência tecnicista de educação, que não considerava os fatores sociais,
políticos e econômicos.
Exemplo: O professor organiza sua ação: os alunos precisam aprender as
quatro operações matemáticas básicas. Esse é o conteúdo a ser passado. E
passa a organizar como ele vai atingir esse objetivo. Define a estratégia, a
metodologia, explicita o objetivo principal, os objetivos correlatos, a forma pela
qual ele pretende avaliar o aprendizado. De maneira conteudista, ele formaliza,
disponibiliza e executa. A dificuldade é atingir resultados semelhantes com
alunos diversos utilizando o mesmo planejamento, duro e linear.
A terceira fase é a do planejamento participativo, que “buscou na resistência ao
modelo de reprodução do sistema educacional valorizar a construção coletiva,
a participação e a formação da consciência crítica a partir da reflexão sobre a
prática transformadora” (BOSSLE, 2002, p. 32).
Exemplo: Os alunos precisam aprender as quatro operações matemáticas. É
preciso planejar o que os alunos já sabem das operações matemáticas, a
Segunda fase 
Terceira fase 
importância do domínio desse conteúdo, como e qual a relação dos grupos
com a dinâmica desse conhecimento, como esse conhecimento faz parte do
seu cotidiano, e estabelecer procedimentos reflexivos e adaptáveis.
Não imagine uma linha do tempo! Essas diferentes formas de planejar a aula
continuam presentes em nosso cotidiano.
De acordo com Veiga-Neto (1993), podemos identificar apenas duas vertentes quando
falamos em planejamentoeducacional — uma tecnicista e outra participativa ou
crítica.
Segundo o autor, pensar o planejamento a partir da primeira vertente traz como
problema a manutenção do status quo social porque, nesse caso, a educação não é
vista numa dimensão política mais ampla, mas somente por meio de métodos e
técnicas. No entanto, segundo a sua análise, não devemos descartar métodos e
técnicas, como se não fossem necessários, pois criamos uma impressão de que o
processo educacional não precisa ter seus próprios métodos, sua própria técnica.
Ainda segundo o autor, a vertente crítica, que ele denomina de segunda vertente, exige
que os docentes busquem compreender o que é a escola também de fora dela, isto é,
considerá-la como uma instituição inserida em um contexto social mais amplo.
Nesse paradigma, o professor e a professora saem
obrigatória e constantemente da sala de aula para
buscar compreender o que é a escola, quais as
relações entre essa instituição e o mundo social,
econômico, político, cultural em que ela se situa. O
paradigma crítico é o paradigma da descon�ança, da
suspeita (FORQUIN, 1993). Seu compromisso é com a
transformação das relações econômicas e sociais.
Assim sendo, o paradigma crítico se identi�ca com os
movimentos políticos progressistas.
(VEIGA-NETO, 1996, p. 166)
Conceituando o ato de planejar
De acordo com Luckesi (1990), esse planejamento, que se localiza em uma vertente
crítica e que é também um ato político, no sentido amplo da palavra crítica, terá que
ser dinâmico, logo, está relacionado sempre à tomada de decisões constantes.
Os planejamentos escolares acompanham as discussões educacionais mais amplas e
assumem, de acordo com determinada perspectiva pedagógica, determinadas
características. Isso acontece porque se alinham às perspectivas existentes conforme
cada contexto sócio-histórico, ao longo da história da educação escolar.
Fundamentados em um formato prescritivo e instrumental, atualmente, precisam
articular dimensões técnicas, político-sociais, coletivas e críticas. No entanto, é
importante ressaltar que as discussões e pesquisas sobre planejamento não são, de
forma alguma, hegemônicas, havendo retrocessos, avanços de enfoques e
preocupações.
Exemplo
Você, aluno estudioso, leu, preparou-se, passou em um concurso e, pouco depois, foi indicado diretor de uma
escola. A escola fica em um bairro próximo ao seu. Você conhece as pessoas, a comunidade, tem uma
relação histórica com os professores. Conhece os fundamentos pedagógicos do planejamento e o contexto
social de sua aplicação.
Passados dez anos, você já se mudou do bairro há algum tempo, os alunos são de uma geração bem
diferente daqueles que você conhecia. Novos debates pedagógicos foram levados por professoras que
entraram recentemente. Uma delas chega a sinalizar, com jeito, mas, de forma clara, que suas ideias estão
ultrapassadas. Sua primeira reação é afirmar que você é diretor daquela escola há dez anos. Quem é ela para
contestá-lo?
Mas, para cumprir o devido e chegar a um planejamento móvel, democrático e participativo, as novas ideias
devem ser debatidas, apropriadas, e a realidade deve ser percebida como algo que definitivamente não é
estático. As novas ideias, a recuperação de ideias antigas e a necessidade de uma educação continuada
com constantes atualizações devem ser características de um bom profissional da educação.
Vasconcellos (2000) nos ajuda a pensar nesse planejamento, que deve ser
compreendido como um instrumento capaz de intervir em uma situação real para
transformá-la. É uma mediação teórico-metodológica para uma ação intencional, que
tem como objetivo fazer algo acontecer. Para isso, é importante e necessário
estabelecer, além de condições materiais, uma disposição interior, buscando prever o
desenvolvimento da ação desejada no tempo e no espaço. Caso o planejamento não
seja formulado, ocorrerá o trabalho a partir de improvisações e sob pressão.
O planejamento é um ato político-pedagógico que revela
intenções, pois, planejar é intervir na realidade de forma
intencional, um processo de reflexão e ação, de tomada de
decisão.
Vasconcellos dá ao planejamento significados de intervenção e reflexão sobre a ação.
Desse modo, segundo o autor, pode-se intervir na realidade, permitindo que o
planejamento assuma uma importância de conscientização e transformação, sendo
capaz de promover mudanças nas relações de ensino-aprendizagem.
Conhecendo as mudanças ocorridas no campo da didática — que é responsável por
estudar os processos de aprendizagem e ensino, portanto, a ciência da educação que,
a priori, pensa e pesquisa sobre os planejamentos escolares —, podemos conhecer o
contexto de mudanças que modificou a forma de pensar também os planejamentos.
Re�etindo sobre a história do planejamento
Manifestação popular em frente ao Congresso
Nacional em 1985.
No início dos anos 1980, havia um
cenário geral muito propício ao
movimento de crítica à didática e ao
surgimento de propostas alternativas
para seu redimensionamento. Na
ocasião, o país passava por um
movimento de luta pelo restabelecimento
da democracia e os educadores se
sentiam altamente desafiados a
colaborar com a redemocratização da
sociedade (CANDAU, 2000).
A década de 1980 teve como característica uma significativa ampliação da produção
acadêmica. Essa produção foi marcada por pedagogias contra-hegemônicas, ou seja,
voltadas para uma educação com possibilidades emancipatórias e de transformação
da sociedade. Podemos dizer, então, que a produção da didática nos anos de 1980
viveu uma renovação que resultou de mudanças que atravessaram os campos
educacional e social nesse período. Uma série de encontros decorrentes do
movimento dos educadores propiciou sua problematização, tecendo
progressivamente mudanças paradigmáticas na área (CRUZ; ANDRE, 2014).
Nos anos 1990, o processo de
globalização trouxe a transformação do
mundo do trabalho e a afirmação da
sociedade da informação. Nesse sentido,
desenvolveram-se também novas formas
de exclusão e desigualdade que levaram
a um estado de perplexidade e de falta
de clareza sobre os caminhos e as
possibilidades de futuro. Na educação,
foi o momento das reformas educativas
que, independentemente dos países e até
dos continentes, seguiram um esquema
similar, apoiadas nas políticas
neoliberais.
Congresso da ANDES-SN, Sindicato Nacional dos
Docentes das Instituições de Ensino Superior, em 1995.
Desde então, as reformas educativas avançaram para uma reorganização institucional
e descentralização da gestão administrativa, financeira e pedagógica, com um
fortalecimento da autonomia das escolas. A política de municipalização da educação
levou à efetivação de vários programas federais, como a merenda escolar e o
Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). A eleição de diretores e a criação de
conselhos escolares também constaram da pauta das reformas educativas, como
medidas plausíveis no que concerne à autonomia administrativa dos sistemas
públicos de ensino no país.
Como marco dessa fase, apontamos o desafio proposto por Vera Candau: a
superação de uma didática exclusivamente instrumental. A autora apresentou a
construção de uma didática fundamental, que estaria articulada à problemática da
educação na sociedade. Essa proposta representou um amplo movimento de reação à
didática marcada pela ideia de neutralidade.
Para a didática fundamental, no centro do processo de aprender-ensinar estão as
dimensões técnica, política e humana, contextualizadas pelas práticas pedagógicas, o
que possibilita a reflexão didática a partir da análise de experiências concretas,
exercitando, assim, a relação teoria-prática de forma horizontalizada. A didática
fundamental está preocupada com as interações internas do contexto escolar, de
modo que seus resultados sejam uma educação inclusiva e democrática.
Vera Candau
A pedagoga Vera Candau atua na área de didática e nos ajuda a perceber como a educação tem — ou deve ter —um movimento integrado para que atinja novos objetivos.
A proposta dessa didática é a de superar a ideia de que há
somente uma cultura dominante e que os conhecimentos
herdados dessa cultura — europeia, branca, patriarcal e cristã —
são verdades inquestionáveis.
Diante desse cenário, compreendemos ser necessário pensar as concepções de
planejamento, planos de curso e projetos políticos-pedagógicos na mesma linha
proposta por Candau, como agenda e proposta de trabalho para o cotidiano que nos
atravessa. Em outras palavras, precisamos avançar, pensando em como será planejar
os movimentos e percursos da e na escola, incorporando novas questões, como as
relativas à subjetividade, à diferença, à construção de identidades, à diversidade
cultural, à relação saber-poder, às questões étnicas, de gênero e sexualidade etc.,
“destacando visões mais ricas, complexas e abrangentes das relações entre cultura,
conhecimento e poder.” (CANDAU, 2000, p.3)
Por que planejar é um ato importante para a
docência?
Teoria e prática devem se encontrar
O processo de planejamento do ensino tem sido objeto de constantes indagações
quanto à sua validade como efetivo instrumento de melhoria qualitativa do trabalho do
professor.
Ao falarmos em planejamento de ensino, pensamos logo em uma perspectiva
fragmentária e desarticulada do todo social, e isso tem gerado a concepção de que o
planejamento é incapaz de dinamizar e facilitar o trabalho didático. No entanto, o
planejamento não pode estar distante da realidade social, constituindo-se meramente
de uma ação mecânica e burocrática, que pouco contribui para elevar a qualidade da
ação pedagógica desenvolvida no âmbito escolar.
Re�exão
Pensando a partir dessa perspectiva, o planejamento passa a extrapolar a simples tarefa de elaborar um
documento contendo todos os componentes tecnicamente recomendáveis, e passa a abranger todos os
conhecimentos que circulam na escola cotidianamente, percebendo-os como conteúdos dinâmicos e, por
isso, articulados com a realidade.
Nesse sentido, é necessário que os planejamentos sejam elaborados a partir de
conhecimentos já existentes e, ao mesmo tempo, contribuam para a produção de
novos conhecimentos. Isso significa trabalhar a partir de um processo de escuta e de
reflexão permanentes, buscando conhecer outros pontos de vista (HOFFMANN, 1993).
Significa, então, desenvolver atividades que despertem a curiosidade e o processo de
investigação da realidade.
Nessa concepção, a questão
do planejamento do ensino
não poderá ser compreendida
A partir desse olhar, notamos
que os conteúdos, a serem
trabalhados por meio dos
de maneira mecânica,
separada das relações entre a
escola e o cotidiano real.
currículos, precisarão estar
relacionados com a
experiência, reconhecendo os
alunos como indivíduos.
Essa relação é uma condição necessária para que diferentes conhecimentos e
realidades de vida circulem no espaço da sala de aula. O resultado dessa relação
dialética será uma educação com vistas a processos mais emancipatórios. Sob essa
perspectiva, podemos concluir que planejar tem uma ação pedagógica fundamental
para que a relação de ensino-aprendizagem possa ser estabelecida, superando sua
concepção mecânica e burocrática, que relaciona o trabalho do professor a uma mera
reprodução automática e cumpridora da sua relação trabalhista.
É necessário, então, superar essa dimensão puramente técnica do planejamento,
organizando-o como um processo que integra os conhecimentos e o contexto social,
permitindo que este se efetive de uma forma crítica e transformadora.
Conforme temos visto, o planejamento escolar é uma atividade que ajuda o professor
na tomada de decisões em relação às situações de ensino e aprendizagem, tendo em
vista alcançar os melhores resultados possíveis.
Re�exão
Mas, o que deve orientar a sua tomada de decisões? Que requisitos devem ser considerados para que os
planos de ensino e planos de aula sejam, de fato, instrumentos de trabalho para a intervenção e
transformação da realidade?

Segundo Libâneo (1994), os principais requisitos para o planejamento são: os objetivos e as tarefas da
escola democrática; as exigências dos planos e programas oficiais; as condições prévias dos alunos para a
aprendizagem; os princípios e as condições do processo de transmissão e assimilação ativa dos conteúdos.
Objetivos e tarefas da escola democrática
A primeira condição para o planejamento
é a convicção segura sobre a direção que
queremos dar ao processo educativo na
nossa sociedade, ou seja, que papel
destacamos para a escola na formação
dos nossos alunos. As tarefas da escola
democrática estão ligadas às
necessidades de desenvolvimento
cultural do povo.
A escola democrática é aquela que possibilita a todas as crianças a assimilação de
conhecimentos científicos e o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais, de
modo a estarem preparadas para participar ativamente da vida social (na profissão, na
política, na cultura etc.).
Resumindo
Historicamente, as escolas públicas são fruto da ideia iluminista de preparar uma criança para sua
incorporação no mundo social. A diferença proposta por Libâneo ao apontar uma escola democrática é a de
fomentar escolhas, de possibilitar, com o processo de formação, uma participação ativa, marcada pela
consciência e pelas escolhas, em vez de promover a reprodução de uma linha central, assimilada e repetida.
Exigências dos planos e programas o�ciais
A educação escolar é direito de todos como condição de acesso ao trabalho, à
cidadania e à cultura. É dever dos governos garantir o ensino básico a todos, traçando
uma política educacional, provendo recursos financeiros e materiais para o
funcionamento do sistema escolar, de modo a assegurar o direito de todos, crianças e
jovens, receberem um ensino de qualidade e socialmente referenciado.
Condições prévias para a aprendizagem
O planejamento escolar está condicionado pelo nível de preparo em que os alunos se
encontram em relação às tarefas da aprendizagem. Os conteúdos de ensino precisam
ser transformados em instrumentos teóricos e práticos para a vida prática. Conhecer
seus estudantes (suas experiências, seus conhecimentos anteriores, suas habilidades
e seus hábitos de estudo, seu nível de desenvolvimento) é indispensável para a
introdução de novos conhecimentos e, portanto, para o êxito de ação que se planeja.
Princípios e condições de
transmissão/assimilação ativa
O planejamento deve estar de acordo com as formas de desenvolvimento do trabalho
em sala de aula. Uma parte importante de qualquer plano é a indicação do que os
alunos farão para se envolverem na atividade docente e do que o professor fará para
dirigir a atividade em classe.
Após aprender sobre os requisitos desenvolvidos por Libâneo (1994) para a
elaboração de um planejamento, podemos ampliar nossa concepção do que seria
planejar numa visão alinhada aos contextos socioculturais. Assim, esse planejamento
poderá se transformar em um potente aliado das lutas cotidianas contra a
invisibilização de todas as culturas não hegemônicas.
A pergunta que devemos nos fazer, então, é:
Como construir um planejamento que conjugue os conhecimentos
que circulam no mundo com os interesses dos estudantes, as
questões sociais, culturais, econômicas e políticas?
Para isso, devemos trabalhar com a perspectiva de que o planejamento não pode ser
um mero instrumento burocrático ou uma camisa de força que aprisiona professores e
estudantes, impossibilitando a escuta e a construção de aprendizagens que fazem
parte da vida cotidiana e da cultura de todos os sujeitos envolvidos no processo de
aprender e ensinar.
No próximo módulo, veremos métodos e técnicas de planejamento de ensino e de
planejamento de aula, buscando pensá-los a partir de uma perspectiva crítica, além de
analisarmos a possibilidade de planejar o ano letivo a partir de projetos de trabalho.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar algunsconceitos?
Questão 1
O planejamento educacional pode ser dividido em três fases. Podemos afirmar que a
segunda fase, de caráter técnico-instrumental, é aquela que
A se identifica com os movimentos políticos progressistas.
Parabéns! A alternativa B está correta.
Existem três grandes movimentos ou fases que pensaram o planejamento. A
primeira é conteudista e reprodutivista, a segunda é técnica e conteudística, já a
terceira é reflexiva e adaptativa. Nesta questão, salientamos o modelo mais presente
na segunda fase, que avança no sentido de estruturar planejamentos e publicizá-los,
mas desconsidera contextos para se concentrar em conteúdos.
B desconsidera os fatores sociais, políticos e econômicos.
C
apresenta uma despreocupação com relação aos métodos e às
técnicas.
D
valoriza a formação da consciência crítica a partir da reflexão sobre
a prática transformadora.
E relaciona fatores sociais aos aspectos técnicos.
Questão 2
Para intervir e transformar a realidade segundo a perspectiva crítica da educação, o
planejamento passa a ser um instrumento de
A ação sob pressão, evidenciando o caos do cotidiano escolar.
B improvisação, dando um caráter espontâneo à atividade educativa.
C
mediação teórico-metodológica, possibilitando a ação consciente e
intencional.
D
administração por crise, indicando a necessidade de uma nova
reforma educativa.
E ação norteada por práticas específicas sem flexibilidade
Parabéns! A alternativa C está correta.
O planejamento deve ser compreendido como um instrumento capaz de intervir em
uma situação real para transformá-la. É uma mediação teórico-metodológica para a
ação consciente e intencional, que tem por finalidade fazer algo vir à tona, fazer
acontecer. Para isso, é necessário estabelecer as condições materiais, bem como a
disposição interior, prevendo o desenvolvimento da ação no tempo e no espaço.
Caso contrário, vai-se improvisando, agindo sob pressão, administrando por crise.
2 - Planejamento de ensino, aula e projetos
Ao �nal deste módulo, você será capaz de de�nir planejamento de ensino, planejamento de aula e planejamento
por projetos.
Vamos praticar: planos
No módulo anterior, vimos que a finalidade de um planejamento é permitir que se
pense previamente no que se quer e no que se pode fazer, em função do estudante
com que se trabalha e da sociedade em que se vive e se quer viver. Segundo Zanon e
Althaus (2010), planejar exige o domínio de conhecimentos sobre os níveis que
compõem o processo de planejamento, o que significa conhecer os fundamentos dos
diferentes tipos de planejamentos.
Os planos
Libâneo (1994) aponta que há planos em, pelo menos, três níveis: o plano da escola, o
plano de ensino e o plano de aula.
Plano de escola
O plano da escola é um documento mais global que expressa orientações gerais sobre o projeto
político-pedagógico da escola e com os planos de ensino.
Plano de ensino
O plano de ensino ou plano de curso é organizado como uma previsão dos objetivos e das tarefas do
trabalho docente para um semestre ou um ano.
Plano de aula
O plano de aula é a previsão do desenvolvimento do conteúdo para uma aula ou um conjunto de aulas.
Neste módulo, vamos conhecer os planejamentos de ensino e os planos de aula,
buscando pensá-los a partir de uma perspectiva crítica, além de analisar a
possibilidade de planejar o ano letivo a partir de projetos de trabalho. É importante
iniciar explicitando que, como visto no módulo anterior, a técnica não assegura, por si
só, o bom andamento do processo de ensino ou uma educação de qualidade.
É preciso que os planos sejam continuamente reelaborados a
partir da escuta que o professor tem de seus alunos, assim como
pela incorporação de novas questões, como as relativas à
subjetividade, à diferença, à construção de identidades, à
diversidade cultural, à relação saber-poder, às questões étnicas,
de gênero e sexualidade, a fim de que seja assegurada uma
educação inclusiva e democrática.
Por isso, é importante termos em mente que um planejamento que fique apenas no
papel nada significa, ele precisa se concretizar por meio de ações reais. Portanto, é
fundamental conhecer a realidade social e cultural dos estudantes, entendendo que o
planejamento é uma história que será construída conjuntamente. Para isso, é
necessário buscar relacionar os conhecimentos já adquiridos por esses estudantes.
Antes de entramos no próximo tópico, é importante ressaltar que qualquer
planejamento se constitui de três fases, que estão imbricadas. No primeiro momento,
vamos elaborar, ou seja, confeccionar o planejamento. Depois, temos o momento de
executar, colocando em prática aquilo que foi proposto e, por último, vamos avaliar,
revisando os momentos e as ações.
A fim de elaborar o planejamento, precisamos considerar as seguintes questões:
 O quê?
Conteúdos de cada área do conhecimento.
 Como?
Metodologias de ensino e práticas avaliativas.
 Por quê?
O direito à apropriação do conhecimento produzido historicamente.
 Para quê?
A i li ã i ã d úd i i
Plano de ensino X Plano de aula
Neste vídeo, o professor Caio Carvalho mostra um plano de aula e explica a
importância de cada item do documento.
A socialização e apropriação dos conteúdos constituem um compromisso com a
emancipação das camadas populares.
 Para quem?
Sujeito histórico-social construído nas determinações das relações de classe.

Planejamento de curso: a técnica pode nos
ajudar a construir um planejamento crítico
Plano de curso
O plano de curso — ou plano de ensino, como nos apresenta Libâneo (1994) — é um
instrumento de trabalho que possui o objetivo de referenciar os conteúdos, as
metodologias, os procedimentos e as técnicas a serem utilizadas no processo de
ensino-aprendizagem concernente às unidades escolares, sejam estas de ensino
fundamental e médio, instituições de ensino superior e cursos técnicos de qualquer
nível.
A elaboração do plano pode ocorrer de forma individual ou coletiva. Pensar
coletivamente é sempre mais enriquecedor, você não acha? Caso o planejamento
ocorra de forma coletiva, atenderemos a características mais interdisciplinares e
contextualizadas. A construção coletiva de um planejamento pode potencializar
debates voltados para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem.
Atenção!
Uma vez elaborado, o plano de curso orienta a todo o corpo social da escola em relação aos fazeres
cotidianos, ao sequenciamento dos conteúdos, à seleção e busca de materiais a serem utilizados, bem como
em relação aos procedimentos avaliativos.
Segundo Libâneo (1994), o plano de curso precisa conter, no mínimo, as seguintes
orientações:

Justi�cativa em
relação aos objetivos

Objetivos gerais

Objetivos especí�cos

Conteúdo

Tempo provável

Desenvolvimento
metodológico
A seguir, discutiremos cada item do planejamento de ensino.
Itens essenciais em um plano de curso
Justi�cativa da disciplina em relação aos objetivos da
escola
Esse tópico do plano de ensino deve responder a uma pergunta: “para que serve este
conteúdo?”.
Podemos iniciar com considerações sobre as funções sociais e pedagógicas da e na
escola, trazendo os conteúdos básicos da disciplina sempre tendo em vista a sua
relevância social, política, profissional e cultural. Podemos resumir a justificativa de
uma disciplina a três questões básicas do processo pedagógico de ensinar e
aprender: por que, para que e como.
Objetivos
Os objetivos são divididos em duas categorias: gerais e específicos. Os objetivos
gerais são as grandes metas a perseguir, que se concretizam por meio de objetivos
mais específicos.
Objetivos gerais
Para a definição de objetivos gerais, é recomendado o uso de verbos com significado
abrangente. Deve englobar a totalidade do problema, definindo de forma clara o que se
pretende no final do projeto.
Trazemos aqui alguns verbos usados como objetivos gerais:
Verbos usados para
conteúdo
Conhecer, compreender,
entender, identificar, reconhecer,
generalizar.Verbos usados para
procedimentos
D l b l
Uma boa forma de pensar e abordar a construção de objetivos é refletir sobre a
Taxonomia de Bloom, que define os níveis de compreensão propostos por um objetivo.
No Explore + você poderá conferir a indicação de um artigo sobre essa questão.
Objetivos especí�cos
Para a definição de objetivos específicos, é recomendado o uso de verbos com
significado mais restrito e direcionado. Os objetivos específicos contribuem para a
concretização do objetivo geral, pormenorizando-o. Estão relacionados com as áreas
específicas nas quais se desenvolvem.
Trazemos aqui uma lista de verbos usados como objetivos específicos:
Desenvolver, estabelecer,
organizar, capacitar, demonstrar.
Verbos usados para
atitudes
Contribuir, colaborar, valorizar,
interiorizar, mostrar.
Verbos usados para indicar
análise
Analisar, investigar, comprovar,
classificar, comparar, contrastar,
diferenciar, distinguir.
Verbos usados para indicar
avaliação
Avaliar, pesquisar, selecionar,
precisar, decidir, estimar, medir,
validar.
Verbos usados para indicar
compreensão
Concluir, inferir, deduzir,
interpretar, determinar, descrever,
il
ilustrar.
Verbos usados para indicar
conhecimento
Registrar, definir, identificar,
nomear, especificar, exemplificar,
enumerar, citar.
Verbos usados para indicar
síntese
Esquematizar, organizar,
constituir, estruturar, generalizar,
documentar, desenvolver.
Verbos usados para indicar
aplicação
A li i
Conteúdos
Segundo Libâneo (1994), o programa ou a organização de conteúdos para o ano pode
ser dividido em unidades didáticas, que são temas inter-relacionados que compõem o
planejamento para um ano ou um semestre de escolaridade. Cada unidade didática
contém um tema central do programa, detalhado em tópicos.
Você pode fazer uma primeira versão e modificar como se fosse montar uma segunda
versão. Isso é necessário porque, conforme as aulas começam, você conhecerá, de
fato, seus alunos e terá de adaptar o que pensou à realidade do que sabem e desejam.
Tempo provável
Trata-se da estimativa do tempo utilizado em cada unidade didática.
Desenvolvimento metodológico
Aplicar, praticar, empregar,
operar, usar.
O desenvolvimento metodológico é o componente do plano de ensino, a linha de
trabalho que será desempenhada para que aconteça o conhecimento. Indica o que o
professor e os alunos farão no desenrolar de uma aula ou de um conjunto de aulas. É
a construção do planejamento, de como e quais recursos serão utilizados para o
alcance dos objetivos propostos.
Para preencher esse item do plano de ensino, é importante que o
professor se pergunte que atividades os alunos deverão desenvolver
para que ocorra uma aprendizagem signi�cativa.
Para isso, é necessário verificar os objetivos e os conteúdos, pois eles determinarão
os métodos e os procedimentos, bem como os recursos de ensino.
Avaliação
De acordo com os estudos de Bloom (1993), a avaliação do processo ensino-
aprendizagem apresenta três tipos de funções: diagnóstica, formativa e somativa.
Avaliação diagnóstica
A avaliação diagnóstica é adequada para o início do período letivo, permitindo que o
professor conheça a realidade em que o processo de ensino-aprendizagem
acontecerá. Nesse caso, o principal objetivo é verificar o conhecimento prévio de cada
estudante.
Para que a avaliação diagnóstica seja possível, é
preciso compreendê-la e realizá-la de forma
comprometida com uma concepção pedagógica. No
caso, consideramos que ela deva estar
comprometida com uma proposta pedagógica
histórico-crítica, uma vez que essa concepção está
preocupada com a perspectiva de que o educando
deverá apropriar-se criticamente de conhecimentos
e habilidades necessárias à sua realização como
sujeito crítico dentro da sociedade, que se
caracteriza pelo modo capitalista de produção. A
avaliação diagnóstica não se propõe e nem existe de
uma forma solta e isolada. É condição de sua
existência a articulação com uma concepção
pedagógica progressista.
(LUCKESI, 2003, p. 82)
Avaliação formativa
A avaliação formativa deve ser realizada durante todo o período letivo, com o intuito
de verificar se os estudantes estão alcançando os objetivos propostos anteriormente.
É com a avaliação formativa que alunos e professores tomam
conhecimento sobre o que é necessário reformular nos processos
de ensino-aprendizagem.
Essa forma de avaliar fornece informações importantes que permitem que o trabalho
do professor seja mais individualizado e focado nas questões específicas de cada
estudante. Trata-se de uma avaliação interativa, centrada nos processos de feedback,
regulação, autoavaliação e autorregulação das aprendizagens (FERNANDES, 2006).
Avaliação somativa
A avaliação somativa tem como função básica a classificação dos alunos: é realizada
ao final de um curso ou de uma unidade de ensino e classifica os estudantes de
acordo com os níveis de aproveitamento previamente estabelecidos. Essa avaliação
pretende determinar níveis de rendimentos “decidindo” se houve ou não êxito em
relação ao aprendizado ao final de uma etapa. Sua finalidade é a classificação e a
promoção ou retenção dos alunos.
Essas três funções da avaliação devem ser vinculadas ou conjugadas para garantir a
eficiência e a eficácia do sistema de avaliação, tendo como resultado final a
excelência do processo de ensino-aprendizagem.
É importante lembrar que o plano de curso é um instrumento flexível, uma vez que, no
decorrer do ano letivo ou do semestre planejado, de acordo com o surgimento de
novas situações, estas poderão ser inseridas e registradas.
Vejamos, agora, o modelo de plano de curso montado a partir da proposta de Libâneo
(1994).
Planejamento de aula
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00886/docs/modelo_plano_de_curso.jpg
Plano de aula
De acordo com Libâneo (1994, p. 225), “o planejamento escolar é uma tarefa docente
que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos de organização e
coordenação em face dos objetivos propostos, quanto a sua revisão e adequação no
decorrer do processo de ensino”. O plano de aula é um documento elaborado pelo
professor que define o tema da aula, seus objetivos, o que exatamente será
trabalhado, a metodologia a ser utilizada e como será feita a avaliação do processo.
Um plano de aula precisa ter:
Clareza e objetividade.
Conhecimento dos recursos disponíveis na escola.
Noção do conhecimento que os alunos já possuem sobre o conteúdo abordado.
Articulação entre a teoria e a prática.
Utilização de metodologias diversificadas, inovadoras e que auxiliem no
processo de ensino-aprendizagem.
Sistematização das atividades com o tempo.
Flexibilidade diante de situações imprevistas.
Realização de pesquisas buscando diferentes referências, como revistas, jornais,
filmes, entre outros.
Elaboração de aulas de acordo com a realidade sociocultural dos estudantes.
Passos necessários para elaborar um plano
de aula
 Antes de começar a redigir o plano de aula, o professor deve consultar o seu plano de
curso.
 Em seguida, deverá listar que conteúdos irá abordar e para quem esses conteúdos estão
direcionados, porque o que funciona para determinada turma pode não funcionar para
outra.
 Durante essa reflexão, o professor deve considerar as questões culturais, econômicas,
físicas e sociais da sua turma.
 Em seguida, haverá a escolha do tema da aula, sempre com base no plano de ensino. O
tema é a definição da sua aula.
 Uma vez definido o tema, deve definir os objetivos a serem alcançados e os conteúdos a
serem abordados.
 A seguir, decida a duração da aula, que não precisa estar limitada a uma aula apenas. A
maioria dos temas necessita de mais de uma aula para serem trabalhados.
Você terá acesso a um modelo de planejamento de aula utilizado pela Secretaria
Municipal de Educação do Rio de Janeiro.
Planejamento por projetos
Pressupostos
 O próximo passo é a escolha ou seleção dos recursos didáticos, que são os materiaisde
apoio que irão auxiliar o professor, facilitando o desenvolvimento da aula.
 Agora, chegou a hora da escolha da metodologia ou das metodologias que serão
utilizadas. Por fim, a escolha dos processos avaliativos.
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/00886/docs/concurso.jpg
É importante iniciar esta seção explicitando que aqueles que buscam apenas
conhecer os procedimentos, os métodos para desenvolver projetos, acabam se
frustrando, pois não existe um modelo ideal pronto e acabado que dê conta da
complexidade que envolve a realidade de sala de aula, do contexto escolar.
Paulo Freire.
No livro Pedagogia da autonomia, Paulo
Freire (1996) enfatiza a necessidade de
se respeitar o conhecimento que o aluno
traz para a escola, visto ele ser um
sujeito social e histórico, enfatizando a
compreensão de que "formar é muito
mais do que puramente treinar o
educando no desempenho de destrezas."
(FREIRE, 1996, p. 15).
Paulo Freire
Paulo Freire (1921-1997) é um dos maiores nomes da pedagogia brasileira, tendo reconhecimento internacional.
Suas principais contribuições estão no campo prático — alfabetização de adultos — e na perspectiva teórico-
metodológica de pedagogia, como no livro citado.
Para isso, é necessário conhecer o modo de vida dos alunos, reconhecendo que há
diversos contextos culturais e conhecimentos que circulam no mundo e que precisam
ser visibilizados. Nesse sentido, precisamos compreender que o planejamento pode
ser concebido de outra forma, construído mais coletivamente, junto com os
estudantes.
O que é o trabalho com projetos?
Pedagogia por projetos não é algo efetivamente novo no campo da educação. A crítica
a uma escola baseada na transmissão de conteúdos estava presente nas críticas
elaboradas por John Dewey (1859-1952). A ideia é a de que o homem é um sujeito
complexo, que está sempre em processo de relação e transformação da natureza.
Resumindo
Sendo assim, retirar as dimensões de sua existência, sua capacidade criativa, sua capacidade cognitiva, para
focar somente a assimilação foi apontado como um modelo frágil. Daí, a perspectiva de definição de
projetos educacionais, em que o aluno se insere, constrói, abandonando o modelo dialógico baseado na
relação professor-aluno, para uma perspectiva multidirecional, uma vez que alunos e professores se
envolvem e constroem coletivamente.
No Brasil, o principal nome a introduzir
esse debate é Anísio Teixeira. Presente
nos debates da Escola Nova, na década
de 1930, criou escolas-modelos,
estruturou a pedagogia de forma que
pudesse ser implementada e medida.
Instituto de Educação Anísio Teixeira na cidade de
Caetité, no Estado da Bahia
Anísio Teixeira
Anísio Teixeira (1900-1971) foi um dos grandes educadores brasileiros, participou do Manifesto dos Pioneiros,
criou o instututo de educação do Rio de Janeiro, e uma escola modelo de novas abordagens pedagógicas na
Bahia. Foi atuante na LDB de 1961 e um dos grandes nomes de nossa história da educação.
Para que seja claro, a ideia é de que o principal sujeito da aprendizagem é o aluno, e é
para ele que deve estar direcionada a relação entre ensino-aprendizagem. Com isso,
ele precisa conhecer os projetos, os direcionamentos a serem estabelecidos, os fins a
serem alcançados. A ideia é que o aluno possa, ao ser reconhecido como ser criativo,
estar envolvido no projeto e efetivamente vivenciar a educação.
O desenvolvimento do trabalho pedagógico por projetos, também chamado de
projetos de trabalho ou pedagogia de projetos, é outra forma de organizar os saberes
escolares, em que o planejamento de ensino se relaciona com o papel do estudante
como responsável por sua própria aprendizagem. Além disso, prende-se a uma
concepção de escolaridade que dá importância à aquisição de estratégias cognitivas
de ordem superior (habilidades intelectuais) e ao papel do estudante como
responsável por sua própria aprendizagem.
Planejar o trabalho por meio de projetos leva necessariamente a uma reorganização
de todo o espaço e tempo escolares.
Atenção!
Os projetos de trabalho, por exigirem uma organização mais complexa, estimulam a reflexão sobre a
natureza da escola e do trabalho escolar. Além disso, podem proporcionar outra relação docente com a
construção do conhecimento e, com isso, uma nova relação, não mais de autoridade, mas, sim, de guia da
aprendizagem.
O projeto, portanto, é uma forma de organizar a atividade de ensino e aprendizagem
ou os conhecimentos escolares, adotando como aspecto essencial a aprendizagem
significativa.
A função de um projeto seria a de possibilitar o favorecimento de criação de
estratégias para outra organização dos conhecimentos escolares, em relação aos
diferentes conteúdos em torno de problemas ou hipóteses, facilitando para todos os
envolvidos a transformação do que seria informação em um conhecimento
significativo. Um bom caminho para complementarmos essa informação é dizer que o
projeto pode dar um sentido mais ampliado às práticas escolares, já que, dessa forma,
a relação com os conteúdos e com as disciplinas escolares pode ficar bem mais
coesa, evitando-se a fragmentação. Além disso, o projeto torna os estudantes
corresponsáveis pela própria aprendizagem. O professor sai do lugar daquele que
apenas transmite conteúdos e, junto com os seus alunos, torna-se pesquisador.
O aluno passa de receptor passivo a
sujeito do processo. É importante
entender que não há um método a seguir,
mas uma série de condições a respeitar.
O primeiro passo é determinar um
assunto — a escolha pode ser feita
partindo de uma sugestão do professor
ou das crianças. Ainda, é fundamental
registrar que todo e qualquer conteúdo
pode ser trabalhado por meio de projetos,
basta que tenhamos uma dúvida inicial e
comecemos a pesquisar e buscar
evidências sobre o assunto.
Ações importantes em um projeto didático
Todo projeto é definido pela escolha do tema que será trabalhado. Esse tema pode ter
origem nas experiências dos estudantes, em uma informação recolhida em outro
projeto, em uma experiência que se originou em um fato da atualidade, ou ainda em
um tema proposto pelo professor.
Comentário
Podemos afirmar que todos os temas podem ser abordados por meio de projetos. É comum que o estudante
traga um assunto que conheceu por intermédio dos meios de comunicação, ou uma curiosidade qualquer,
abrindo múltiplas possibilidades de aprendizagem, tanto para os alunos como para os docentes. Isso serve
para todos os envolvidos, estudantes e professores. Todos devem propor temas.
Após a escolha do tema do projeto, serão levantadas hipóteses sobre o objeto
escolhido e sobre quais perguntas deverão ser respondidas para que isso aconteça.
Enquanto isso, o professor deve enumerar os objetivos que espera atingir com o tema
proposto e listar os conteúdos que podem ser trabalhados a partir do tema escolhido.
Desse modo, é importante:
Saber o que as crianças conhecem e desconhecem sobre o tema e o conteúdo
que será trabalhado.
Construir um cronograma com o tempo de cada atividade, de forma que você
possa ter uma ideia do tempo estimado para o desenvolvimento do projeto.
Selecionar previamente os recursos e materiais que serão usados.
Organizar momentos para trabalhos individuais, em duplas, trios ou mesmo em
grupos maiores.
Pensar antecipadamente no produto final do trabalho, de forma que possa ser
construído durante todas as etapas do trabalho.
Escolher um produto final forte para dar visibilidade aos processos de
aprendizagem e aos conteúdos aprendidos.
Prever os critérios de avaliação e registrar a participação de cada um ao longo
do trabalho.
Esse trabalho docente ocorre em paralelo à construção que os estudantes farão de
um índice, no qual especificam os aspectos que serão trabalhados no projeto e
realizam a tarefa de busca de procedimentos que ajudem na recolha das informações.
Várias são as opções: visitas a museus, vídeos sobre o assunto, excursões, convite a
um palestrante, entreoutras.
O próximo passo será o
tratamento das informações, o
que, segundo Queiroz (2009), é
uma das funções mais
importantes de um projeto.
Esse tratamento das
informações pode ser uma
tarefa a ser realizada tanto
individualmente como de
forma coletiva.
Para isso, deve-se levar em
conta que cada informação
oferece somente uma ou
algumas visões sobre o
assunto. Nesse momento, a
diferença de opiniões ou
conclusões precisa ser
levantada e posta em
discussão.
É importante também que os estudantes conheçam os diferentes procedimentos de
uma pesquisa, como a classificação, a representação, a síntese, a visualização etc.
Devemos também estabelecer relações de causa e efeito e novas perguntas.
Aqui, é importante voltarmos a um dos pressupostos indicados acima que nos diz que
aqueles que buscam apenas conhecer os procedimentos e os métodos para
desenvolver projetos acabam se frustrando, pois não existe um modelo ideal pronto e
acabado que dê conta da complexidade que envolve a realidade de sala de aula, do

contexto escolar. Então, precisamos considerar que há uma concepção de educação
que está em jogo, e não um modelo a seguir.
É importante que, nesse processo, professores e estudantes entendam que eles
podem (re)planejar, (re)elaborar, (re)produzir, criar outras hipóteses, mudar percursos,
alterar rotas e processos, pois “um projeto não está/é engessado” (NOGUEIRA, 2008,
p. 86).
Papel do professor no processo de
desenvolvimento do projeto
De acordo com Hernández e Ventura (1998), no processo de desenvolvimento de um
projeto, o professor deverá especificar o fio condutor que permitirá que o projeto vá
além dos aspectos informativos, saindo do lugar do conhecimento que deve ser
aplicado. Nesse sentido, ele deve realizar uma primeira previsão dos conteúdos e das
atividades, bem como encontrar algumas fontes de informação para iniciar e
desenvolver o projeto.
Para realizar um trabalho com qualidade e dar o suporte necessário aos alunos, o
professor deve estudar e se atualizar em torno do tema do projeto, contrastando as
suas informações com outras fontes que os estudantes apresentem. Nesse processo,
também é papel do professor criar um clima de envolvimento e de interesse, no grupo
e em cada pessoa, sobre o que se está trabalhando. Por fim, o professor deve fazer
uma previsão dos recursos necessários.
Podemos resumir o papel do professor nos seguintes itens:
Especificar o fio condutor do projeto.
Prever os conteúdos e as atividades iniciais do projeto.
Buscar fontes de informação para o início das pesquisas.
Estudar e se atualizar em torno do tema do projeto.
Contrastar as suas informações com as fontes trazidas pelos estudantes.
Estimular o envolvimento dos estudantes com o tema trabalhado.
Prever os recursos necessários para a realização do projeto.
O que está posto no trabalho com projetos
É importante estarmos conscientes das possibilidades que o trabalho com projetos
oferece aos atores envolvidos. Desse modo, será possível estimular os estudantes em
cada uma delas ao longo do desenvolvimento do projeto. Vejamos:
Desenvolvimento de autoria.
Realização de descobertas.
Aprendizado na prática.
Possibilidade de contextualização dos conceitos.
Elaboração de questões para investigação.
Desenvolvimento de relações interpessoais e subjetivas dos sujeitos.
Nesse processo, é necessário que o professor tenha abertura e flexibilidade para
relativizar a sua prática e as estratégias pedagógicas, com vistas a propiciar ao aluno
a reconstrução do conhecimento.
O compromisso educacional do professor é justamente saber o que, como, quando e
por que desenvolver determinadas ações pedagógicas. Para isso, é fundamental
conhecer o processo de aprendizagem do aluno e ter clareza da sua intencionalidade
pedagógica.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Segundo os estudos de Bloom (1993), a avaliação do processo de ensino-
aprendizagem apresenta três tipos de funções: diagnóstica, formativa e somativa.
Sobre a função formativa, podemos afirmar que
A
tem como principal objetivo verificar o conhecimento prévio de cada
estudante.
B
tem como função básica a classificação dos alunos, sendo realizada
ao final de um curso ou de uma unidade de ensino.
C
permite que o professor conheça a realidade em que o processo de
ensino-aprendizagem vai acontecer.
D
deve ser realizada de forma contínua, possibilitando uma medição e
reflexão contínua sobre o desenvolvimento da relação de ensino-
aprendizagem para professores e alunos.
E
deve ser realizada de maneira episódica, tendo como objetivo
especifico o desenvolvimento do aluno para o mundo do trabalho.
Parabéns! A alternativa D está correta.
As formas de avaliação compõem a dinâmica do planejamento. Nesse sentido, é
necessário que ele possa prever claramente o que deseja dos estudantes e o modo
como isso será aplicado. A avaliação formativa é aquela prevista de maneira efetiva
durante todo o período letivo. Desse modo, é possível observar como os
desenvolvimentos estão sendo alcançados, as principais dificuldades, a correção de
rumos e as proposições. É com a avaliação formativa que alunos e professores
tomam conhecimento sobre o que é necessário reformular nos processos de ensino-
aprendizagem.
Questão 2
Sabemos que o plano de aula é um documento fundamental elaborado pelo
professor. Nesse contexto, o primeiro passo do professor antes de começar a redigir
o plano de aula deve ser
A consultar o seu plano de curso.
B verificar o cronograma da escola.
Parabéns! A alternativa A está correta.
O planejamento é uma cascata, a proposição da escola e seus projetos devem
dialogar com os planos de curso, que devem dialogar com os planos de aula. Então,
a ação que aqui estamos fazendo referência é essencialmente perceber essa
cascata e saber que é mandatório consultar o plano de curso para a elaboração da
aula. Lembrando, em seguida, que deverá listar quais conteúdos irá abordar e para
quem esses conteúdos estão direcionados.
C listar os conteúdos que pretende abordar.
D
verificar as informações sobre os aspectos culturais e sociais da sua
turma.
E consultar o conteúdo programático.
3 - Planejamento e avaliação: os desa�os na retomada pós-
pandemia
Ao �nal deste módulo, você será capaz de exempli�car o papel do planejamento integrado a partir do contexto
pós-pandemia de covid-19.
A educação em tempos de pandemia
Desde o início da pandemia em 2020, o processo educacional enfrenta desafios. Com
o ensino remoto, a falta de equipamentos, tais como computador e impressora, e o
escasso acesso à internet agravaram o acesso à educação, ampliando a desigualdade
cultural. Muitas famílias se desestruturaram não somente por conta do declínio social
e do padrão econômico, mas também emocionalmente, em razão da perda de entes
queridos.
Esses fatores agravaram a condição emocional das crianças que perderam avós e/ou
familiares com os quais tinham um convívio muito próximo de uma forma repentina,
gerando um afastamento muito bruto e inesperado, em virtude do contexto
pandêmico. Outro agravante a ser considerado foi o afastamento do convívio social
com amigos e familiares. Ainda, a partir do processo de isolamento, parques e áreas
de lazer precisaram ser fechadas por conta da contaminação.
Segundo dados do Instituto Alicerce (2022), a pandemia da covid-19 trouxe reflexos
negativos à educação:
Evasão escolar
De acordo com a pesquisa C6 Bank/DataFolha, 4 milhões de estudantes brasileiros, com idades entre
6 e 34 anos, abandonaram os estudos em 2020: no ensino superior, 16,3%; no médio, 10,8%; no ensino
fundamental, 4,6%. Entre as principais causas para o abandono escolar, está a questão
socioeconômica, considerando que os estudantes das classes sociais mais baixas lideraram os
índices de evasão (classes A e B: 6,9%; classes D e E: 10,6%).
Falta de acesso à internet
Em virtude da pandemia, quase todas as instituiçõeseducacionais optaram por aulas on-line, o que
contribuiu para que muitas crianças e jovens ficassem sem aulas no último ano, já que 47 milhões de
pessoas não têm acesso à internet, segundo estudo do Comitê Gestor da Internet no Brasil. De acordo
com a Unicef, entre os estados brasileiros que adotaram o ensino remoto, apenas 15% distribuíram
dispositivos aos alunos e menos de 10% subsidiaram o acesso à internet. Como consequência, 3,7
milhões de estudantes matriculados não tiveram acesso a atividades escolares e não conseguiram
estudar em casa. Esses reflexos já podem ser vistos nas primeiras avaliações diagnósticas de
desempenho dos estudantes. Os números mostram que a pandemia provocou um grande estrago na
aprendizagem escolar.
Planejamento integrado para a ação no pós-
pandemia
Como reverter esse cenário? Essa é a grande pergunta realizada pelo Instituto Alicerce
(2022). Os dados apresentados comprovam que a pandemia acelerou os problemas e
acentuou as desigualdades sociais existentes em nosso país. Diante disso, é
essencial agir rápido, indo atrás de cada criança e cada adolescente que teve seu
direito à educação negado.
Os movimentos pós-pandêmicos apontam para uma escola em
processo de reconstrução: crianças com dificuldades acentuadas,
com prejuízos acadêmicos graves em processo de ajuste e, mais
importante, abaladas emocionalmente. O fator mais grave e que
mais preocupa é o emocional.
Confira o relato de Maria Helena Bimbatti Moreira: “Assisto meninos e meninas com
dificuldade de conviver, com dificuldade de interagir educadamente, muitos com
sintomas de ansiedade e com medo do enfrentamento da escola presencial, já que
muitos não conseguiram executar suas atividades on-line e agora notam o seu grau de
dificuldade perante a turma. Essa conscientização ocorre principalmente para
meninos e meninas do ensino fundamental II, que passaram do 4º ano para o 7º ano e
enfrentaram um degrau já dificultoso de transição entre os níveis, com a diferença de
vários professores e conteúdos, e agora precisam encarar a dura realidade da
retomada. Em Ribeirão Preto/SP, a prefeitura municipal ofereceu apoios
complementares como: segundo professor em sala de aula; projeto de recuperação
continua; recuperação paralela no contraturno e aumento da carga horária, inserindo
uma aula a mais na grade todos os dias”.
As medidas apresentadas no relato
apontam tentativas de repensar o
planejamento diante de uma situação
inédita para essa geração. Os resultados
dessas medidas só poderão ser
avaliados em longo prazo, mas
favorecem sem dúvida a grande
demanda educacional. Contudo, os
aspectos emocionais ainda estão sendo
trabalhados de forma pontual,
contactando serviços municipais e
universitários para apoio psicológico às
famílias com dificuldades econômicas.
Comentário
Pensando em todo esse processo pandêmico, como ajudar esses meninos e meninas a enfrentarem a
endemia ou o pós-pandemia com dignidade? Como aliviar esse fardo de educandos com níveis de
aprendizagem tão diferentes? Qual nosso papel como educadores diante desse processo? Por onde
começar? Essas são questões com as quais precisamos conviver diariamente no processo de retomada das
atividades presenciais. Como ajudar turmas tão heterogêneas? Como aliviar o peso de dois anos remotos?
Como reajustar conteúdos, métodos e abordagens educacionais que favoreçam essa nova escola, com
tantos desafios e meninos e meninas tão carentes de apoio? Esse é o convite. Essa é a essência dessa
discussão. Quem compreender as entrelinhas desse processo em muito colaborará com o processo
educativo.
Vamos pensar juntos novas ações e propostas de enfrentamento?
Por exemplo, a construção de um planejamento estruturado de forma integrada, em
que a equipe pedagógica elabora reuniões prévias, busca relatos e informações e
realiza a montagem de estratégias que não estão fechadas, mas que precisam ser
reanalisadas.
Ainda, podemos mencionar a elaboração de práticas e avaliações diagnósticas para
perceber a situação de cada turma, a sinalização de alunos que precisam de um maior
suporte, as possibilidades de integração entre professores para até mesmo “adaptar”
o conteúdo previsto, visando dar suporte a cada situação.
Notem o ciclo:
 A equipe pedagógica reúne e entende a vivência dos professores.
Professor, estamos falando de uma empresa ou de uma escola? A responsabilidade
por ser escola é muito maior, o compromisso em ser democrático é muito mais
 A equipe pedagógica elabora um plano de ação integrado com professores visando
perceber e investigar a situação dos alunos e das famílias.
 Diante de resultados e necessidades, são separadas ações distintas para atuar em
problemas distintos: por exemplo, para alunos fragilizados psicologicamente, práticas
de ressocialização e adaptação aos novos espaços, entre muitos outros possíveis. Para
cada fragilidade, um plano de ação com responsáveis, envolvidos, coleta e
compartilhamento de resultados.
 Então, a equipe pedagógica deve analisar os primeiros resultados e detectar novas
medidas, assim como proporcionar ações de clima.
intenso. Então a resposta para esse desafio é: mecanismos de gestão associados a
processos pedagógicos, a experiências entre as áreas e às demandas da comunidade.
O mundo mudou e isso é inegável. São tempos desafiadores, mas que apontam para
práticas com uso de recursos e de novos mecanismos.
Planejamento: praticando
O professor Rodrigo Rainha fala sobre os desafios do planejamento em tempos de
pandemia.
Planejar e avaliar no mundo pós-pandêmico

Vamos a outro relato:
“Talvez nunca antes na história deste país a escola tenha sido tão impulsionada a
repensar a forma como avalia os estudantes”, afirma Adriana Tárcia de Souza Oliveira,
que é professora de filosofia e de projeto de vida da Escola Estadual Maria do Carmo
Viana dos Anjos, em Macapá (AP) (VICHESSI, 2021, n. p.).
Constata-se a necessidade de ressignificar como o planejamento leva à avaliação,
vencendo as já bastante criticadas práticas tradicionais que podem ganhar ares de
violência e dor. Qualificar, nesse momento, no sentido de hierarquizar pode ter
consequências muito duras. Segundo a professora, essa questão tem feito os
educadores repensarem a prática avaliativa.
O que avaliar também foi posto em xeque e por que avaliar é outra questão que desde
o ano passado vem à tona cada vez mais. O Conselho Nacional de Educação (CNE)
recomendou a aprovação escolar automática do ano letivo de 2020 para o de 2021 —
mesmo para aqueles que não aprenderam o esperado. Evidentemente, não existem
respostas simples para como, o que e por que avaliar na pandemia, tudo depende do
contexto. Contudo, o momento pós-pandemia é um indutor excelente de reflexão: abre
espaço para rever as práticas avaliativas e planejar as que serão usadas, assim como
abre oportunidade para repensar os objetivos a serem alcançados com elas.
A avaliação é a ferramenta que possibilita diagnósticos para fazer
as intervenções necessárias. Há que avaliar para saber as
atividades que geraram resultados, conhecer os níveis de
aprendizagem da turma, identificar as defasagens e planejar os
próximos passos.
Diante desse processo, é importante considerar que a avaliação na atualidade não
está em busca da simples aquisição de conteúdos, mas, sim, do desenvolvimento de
habilidades e competências. Por isso, é preciso investir em instrumentos que
mobilizem as habilidades e em processos que avaliem o dia a dia das aulas e
permitam monitorar a compreensão dos alunos. O ponto principal é não padronizar,
lançando mão da prova tradicional.
É preciso compreender que avaliar implica observar e buscar evidências em relação à
aprendizagem, além de ter tudo isso alicerçado em critérios-chave do que se espera
que os alunos entreguem e em boas devolutivas para eles.
Dica
O processo contínuo de observação é mais importante que o produto final, por isso o acompanhamento da
aprendizagem é fundamental nodia a dia. Ou seja, a riqueza avaliativa está no processo, sendo fundamental
diversificar as avaliações: a qualidade das interações durante as aulas, a devolução das atividades, a
participação e o envolvimento nas propostas pedagógicas desenvolvidas em sala de aula, o compromisso
com a entrega das tarefas, dos trabalhos individuais ou em grupo, o envolvimento em projetos, jogos, entre
outras formas de desenvolvimento de aprendizagem devem ser consideradas no processo avaliativo.
O mais importante é engajar e motivar os alunos a participarem, só assim o professor
conseguirá elencar suas necessidades e mediar o processo formativo.
A grande sacada do processo avaliativo na atualidade é a motivação do aluno,
compreender o que ele sabe para posteriormente lançar desafios estimuladores que
favoreçam novos conhecimentos e promovam novas etapas de aprendizagem.
Curiosamente, não falamos mais de avaliação de forma isolada, composta por provas
ao longo do bimestre, para fins quantitativos; falamos de um processo avaliativo
composto por várias atividades, no mínimo três instrumentos, que favoreçam a
compreensão do percurso de aprendizagem do aluno.
O primeiro passo do processo ensino-aprendizagem é descobrir o nível de cada
aluno, ou seja, compreender o que ele conhece e o que ele não conhece,
especialmente no momento pós-pandemia, no qual o aluno precisa novamente
se sentir seguro dentro do desenvolvimento de qualquer componente
curricular. Esse alinhamento de conteúdos é extremamente necessário, por
isso é muito importante revisitar conteúdos anteriores antes de apresentar
algo novo. Isso pode ser organizado de forma espiral, com habilidades e
competências, de forma a promover a revisão de anos anteriores e a retomada
de conteúdos específicos do ano atual simultaneamente, só assim o aluno se
sentirá confortável para demonstrar suas fragilidades acadêmicas.
Primeiro passo do processo ensino-aprendizagem 
É imprescindível diagnosticar a verdadeira situação educacional da sala de aula e ter
coragem pedagógica para assumir essa verdade. Isso implica em compromisso com a
qualidade do trabalho docente e, consequentemente, da acolhida aos alunos,
especialmente os mais fragilizados, por meio do planejamento de ações de retomada
do ensino presencial.
A ideia central aqui é: tão importante quanto avaliar é considerar o
processo de aprendizagem. Considerar esse processo é ter
consciência de que o aluno está no cento desse percurso
formativo.
Fazer para acontecer
A atualidade escolar reflete especialmente o retorno de meninos e meninas às
atividades escolares, já que foram subtraídos de seu principal espaço de fomento ao
conhecimento: a escola. Nesse movimento, e tão importante quanto, localiza-se o
professor no processo de mediação dentro do ambiente escolar, em um papel
totalmente diferente do que assumira no ensino remoto. Novamente, as interações
acontecem em locus, o que é altamente significativo para o universo estudantil.
E você, como pretende avaliar as habilidades e competências de
seus alunos? Como descobrir o que eles já sabem? De que eles
precisam se apropriar? Como desenvolver atividades
estimuladoras dentro de seus níveis? O que fazer para que eles
pensem de um modo novo? Como despertar o entusiasmo?
Para dar luz a essa discussão, vamos
recorrer ao olhar do psiquiatra americano
William Glasser (1925-2013), que
desenvolveu a teoria da escolha.
Aplicada à educação, indica que o
professor deve ser um guia para o aluno,
e não um chefe. Por isso, não indica o
trabalho pedagógico pautado em um
processo de memorização, já que a
maioria dos alunos esquecem os
conceitos após a aula; ao contrário,
sugere que os alunos aprendam fazendo,
pois compreende que ensinar também é
aprender.
Nesse sentido, pode-se dizer que a aprendizagem ativa reforça o protagonismo do
educando, uma vez que na base piramidal há a clara indicação de diálogos, conversas,
análises, debates, práticas e ensino como pontos muito fortes no processo de
aprendizagem.
Para que o aluno aprenda, é importante que ele queira, ou seja, que ele esteja
motivado. Isso pode ser feito por meio de atividades desafiadoras, pois assim o aluno
sentirá o desejo de aprender. Para isso, o estudante deve ser respeitado como um
sujeito ativo. Um bom professor deve incentivar práticas educativas que ativem o
potencial dos alunos, visto que só assim o aluno deixará de ser passivo e se tornará
ativo em seu processo de aprendizagem.
Mediante os fatores expostos, compreende-se a relevância do uso das metodologias
ativas na relação ensino-aprendizagem, como forma de promover a busca pelo
conhecimento.
Confira o que afirma Santos sobre essas metodologias:
metodologias ativas podem ser percebidas como
estratégias que colocam o estudante no centro do
processo de aprendizagem, por isso é importante
explorar essas múltiplas possibilidades no dia a dia
escolar: colocando o aluno como um ser ativo no
contexto ensino-aprendizagem e criando espaços
nos quais o aluno possam explorar os conteúdos de
forma diversi�cada.
(SANTOS, 2021, n. p.)
Perante o exposto, é altamente relevante pensarmos sobre novas possibilidades de
conduzir a prática pedagógica à luz das metodologias ativas.
Nessa prática, o professor inicialmente propõe aos alunos realizar uma tarefa
específica ou pesquisar sobre determinado conteúdo antes de uma aula.
Assim, durante a aula, o docente utiliza o que foi feito pelos alunos e, se
necessário, complementa com mais explicações, momentos de tirar dúvidas e
com atividades e debates sobre o tema. Essa estratégia é um dos modelos de
ensino híbrido.
Sala de aula invertida 
Atividades baseadas em problemas ou projetos 
Possui várias definições, sendo uma concepção bem ampla que busca ensinar
os conceitos curriculares aos alunos integrando várias disciplinas. É ideal que
os projetos se baseiem em situações-problema reais do contexto escolar e dos
alunos, buscando uma solução em forma de produto, o que vai envolver
hipóteses, investigação, construção de um plano para a solução e muito
trabalho coletivo e colaborativo. Ao final, os estudantes podem compartilhar as
soluções construídas com a turma toda, sendo mediados pelo professor.
Trata-se da aplicação das estratégias dos jogos nas atividades do dia a dia,
com o objetivo de aumentar o engajamento dos participantes. Ela se baseia no
game thinking, conceito que abrange a integração da gamificação com outros
saberes do meio corporativo e do design.
Consiste em organizar a sala de aula em pequenos grupos, nas chamadas
estações, e realiza-se, em cada uma delas, uma tarefa diferente, embora todas
estejam conectadas a um mesmo tema. A ideia é que os alunos façam um
Gamificacao 
Rotação por estações 
circuito por essas estações, passando por todas as atividades. O uso de um
recurso digital em uma das estações pode ser útil para coletar dados sobre a
aprendizagem dos alunos. Essa estratégia é outro modelo de ensino híbrido.
Segue dinâmica semelhante à da rotação, mas envolve outros espaços da
escola. Aqui são formados dois grupos, sendo que um ficará no espaço com o
professor (que não precisa ser a sala de aula) e o outro utilizará um recurso
digital em outro local, como o laboratório de informática, a biblioteca ou outro
espaço que cumpra a função. Novamente, as ferramentas digitais podem
auxiliar a coleta de dados sobre a aprendizagem, possibilitando a
personalização do ensino. Assim como as anteriores, trata-se de um modelo
de ensino híbrido.
Importante destacar que essas práticas visam desenvolver a autonomia dos
educandos por meio de diferentes estratégias metodológicas. Essas estratégias
gerem práticas inovadoras mediante novas modalidades de interação tanto entre
alunos (individualmente ou em grupos) quanto entre alunos e professores.
Com certeza, didáticas diferenciadas geram produções incríveis que podem inclusive
surpreender muito o professor e a turma, por serem atividades que motivam os alunose proporcionam maior interatividade, deixando-os em uma condição mais ativa. Outro
Laboratório rotacional 
aspecto favorável é a descentralização do professor, que atuará mais como mediador,
já que fará menos aulas expositivas.
Temos, portanto, mudanças de paradigmas de ambos os lados: à medida que o aluno
ganha autonomia, o professor deve propor atividades desafiadoras e atuar como
mediador, descentralizando ações.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O planejamento de tempos de crise deve envolver todo o coletivo, mas é
fundamental entender de forma clara que o docente acaba sendo a ponta, pois ele
que vivencia a realidade do aluno. O professor, como adulto responsável pela
organização da sala de aula, deve
A
pautar a sua atividade pedagógica num espaço envolvente, capaz de
exercitar as relações humanas de forma dialógica.
Parabéns! A alternativa A está correta.
O professor é um condutor, faz parte da construção do cotidiano escolar: ele medeia,
compreende as demandas, reelabora. Sem ele e seu efetivo envolvimento, qualquer
processo de melhoria seria absolutamente impossível, por isso seu foco em pautar
seu olhar no aluno é primordial.
Questão 2
B pautar a sua atividade em exercícios de memorização.
C pautar a sua prática em longas listas de exercícios.
D
pautar a sua prática em avaliações surpresas para surpreender a
turma.
E
pautar a sua prática em aulas expositivas apenas, pois somente
assim o aluno aprende.
Diante da realidade da pandemia, vivenciamos um grande tempo distantes do
ambiente escolar, de qualquer atividade de ensino regular e, mais chocante, longe
das relações protetivas da escola. Um importante instrumento para o professor lidar
com a realidade pós-pandemia tem sido as avaliações diagnósticas, cujo papel é
A apenas quantificar o aluno.
B somente qualificar o aluno
C
analisar o aluno, gerando norteadores para planejamento de ações
educativas.
D
classificar o aluno, pois contribuem ao processo de planejamento
educativo, por exemplo, nas divisões de turmas.
E
proporcionar a participação dos pais na educação, por meio do
arquivamento dos resultados da avaliação e da entrega destes aos
pais ao final do ano letivo.
Parabéns! A alternativa C está correta.
A avaliação diagnóstica tem sido um recurso para definição de estratégias de
aprendizagem e reestruturação de processos educativos em turmas muito plurais e
com problemas que foram somados ao já cotidiano complexo cotidiano escolar.
Considerações �nais
Neste conteúdo, você deu seus primeiros passos para a elaboração de um bom
planejamento escolar. Para isso, foi necessário reconhecer a importância do
planejamento para o cotidiano escolar, bem como entender a diferença entre o
planejamento de curso, o planejamento de aula e o planejamento por projeto,
verificando a estrutura de cada um deles. No caso do planejamento por projetos,
identificamos as possibilidades que estão relacionadas a esse tipo de experiência.
Além disso, foi possível conhecer os tipos de avaliação, suas especificidades e
potencialidades.
Neste percurso, foi fundamental entender que, para fazer um bom planejamento, há
uma concepção de educação que está em jogo, e não um modelo a seguir.
Por fim, com foco nas práticas, tratamos dos desafios da sala de aula e do cotidiano
com o retorno às aulas pós-pandemia da covid-19. Tentamos integrar os olhares entre
as práticas docentes e caminhos que se mostram profícuos.
A fim de seguir avançando e aperfeiçoando a sua prática, dê continuidade a seus
estudos explorando os materiais indicados nas seções Referências e Explore +. Outra
forma importante de aprender é sempre dialogar com seus alunos e suas alunas,
colegas professores e professoras, e com todos aqueles envolvidos no processo de
ensino-aprendizagem. Pense nisso e bons estudos!
Podcast
No podcast a seguir veremos um breve resumo do tema.

Explore +
Confira as indicações que separamos especialmente para você!
Para saber mais sobre Pedagogia de Projetos, assista aos vídeos do professor Nilbo
Nogueira.
Procure saber mais sobre o livro Planejamento: projeto de ensino-aprendizagem e
projeto político-pedagógico, de Celso dos Santos Vasconcellos. Existem até
animações baseadas nele.
Leia o texto Planejamento: a importância do plano de trabalho docente na prática
pedagógica, de Ana Aparecida Tormena. Nele, você terá a oportunidade de relacionar
o planejamento e o cotidiano escolar.
Leia o texto Tecer conhecimentos em rede, de Nilda Alves, no livro O sentido da
escola, de Nilda Alves e Regina Leite Garcia. A professora Nilda Alves faz uma
provocação fundamental para pensar o planejar, re-planejar e recriar os processos de
planejamento: o cotidano escolar é marcado pela relação entre a educação cotidiana,
presente fora da escola, e sua intermediação pelos conhecimentos e trocas formais,
produzidos pela escola, sem que nenhum desses se manifestem de forma isolada.
Para construção de objetivos, é interessante que você conheça um pouco mais sobre
a Taxonomia de Bloom, por isso, vale a pena ler os textos:
Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações do
instrumento para definição de objetivos instrucionais, de Ana Paula do Carmo
Marcheti Ferraz e Renato Vairo Belhot.
O uso a Taxonomia de Bloom no Contexto da Avaliação por Competência, de Ana
Paula Salgado Beleza de Oliveira, Jose Nelcicleio de Aguiar Pontes e Marcos
Aurelio Marques.
Referências
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PR Digital, 5 abr. 2021. Consultado na internet em: 2 maio 2022.
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do aprendizado escolar. São Paulo: Pioneira, 1993.
BOSSLE, F. Planejamento de ensino na educação física: uma contribuição ao coletivo
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CANDAU, V. M. Construir ecossistemas educativos: reinventar a escola. In: CANDAU,
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