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2020/07 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 2 I) SEGURANÇA PESSOAL E RESPONSABILIDADE SOCIAL 1. – Responsabilidade social e relações humanas a bordo ........................................ 08 1.1- Elementos básicos da comunicação .................................................................... 08 1.2 - As barreiras de comunicação ............................................................................ 11 1.3 - O bom relacionamento em ambientes offshore. ................................................. 12 1.4 - Liderança no âmbito de trabalho em equipe ....................................................... 12 1.5 – A coesão e as metas do trabalho em grupo ......................................................12 1.6 – Responsabilidades sociais e trabalhistas do empregado e empregador. ........ 15 1.7 - Reflexos do uso de bebidas e drogas. ............................................................... 16 1.8 -Como o estresse e as divergências interpessoais criam condições adversas ao bem-estar e à segurança ........................................................................................... 18 1.9 – Compreender a diferença natural entre os indivíduos e a necessidade de ser tolerante no relacionamento com os colegas de trabalho ......................................... 21 2. – Segurança no trabalho a bordo ............................................................................ 24 2.1 - Propósitos da Norma Regulamentadora – NR-30 .............................................. 24 2.2 - Segurança a bordo - responsabilidade de todos. ............................................... 25 2.3 - Acidente de trabalho, quase acidente e incidente .............................................. 26 2.4 - Principais causas de acidentes de trabalho e o papel da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA .................................................................................. 26 2.5 - Identificar fatores de risco que influenciam nas atitudes e respostas. .................. 28 2.6 - Conceito de perigo e risco ................................................................................... 28 2.7 - Risco, frequência e consequências .................................................................... 30 2.8 – Atos e condições inseguras. .............................................................................. 30 2.9 - EPI, Normas de Segurança ................................................................................. 36 2.10 - Localização de máscaras de fuga, chuveiro lava olhos e chuveiro de segurança ....................................................................................................................38 2.11 - Efeitos e precauções contra a presença de gases tóxicos ................................ 39 2.12 – Trabalho em espaço confinado ........................................................................ 41 2.13 - Disciplina operacional. ...................................................................................... 44 3. – Prevenção da poluição e fiscalização .................................................................. 47 3.1 – Prevenção da poluição – os efeitos nocivos da poluição ................................... 47 3.2 – A legislação brasileira sobre poluição ................................................................ 47 3.3 – Principais fontes poluidoras. ............................................................................... 48 3.4- Procedimentos básicos para prevenção da poluição no meio ambiente marinho ........................................................................................................................ 49 3.5 - Águas jurisdicionais brasileiras (AJB) e a competência da autoridade CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 3 marítima ....................................................................................................................... 51 3.6 - Organização distrital da Marinha do Brasil focalizando as capitanias dos portos, suas delegacias e agências como agentes legais da autoridade marítima ................. 52 3.7 - Fiscalização: “porta skate” e “flag skate” ............................................................ 53 3.8 - Passageiro clandestino a bordo e terrorismo ...................................................... 53 3.9 - Pirataria e atos ilícitos como assalto ou roubo ................................................... 54 II) PRIMEIROS SOCORROS ELEMENTARES 1 – Introdução aos primeiros socorros. ....................................................................... 56 1.1 – Regras básicas para emergências de saúde ..................................................... 56 1.2 - Como acionar o alarme ou comunicar uma situação de emergência. ................ 58 1.3 - Técnicas de resgate e transporte ........................................................................ 59 1.4 - Assistência médica na unidade offshore e nas proximidades ............................. 59 1.5 - A importância da higiene e da saúde pessoal a bordo ....................................... 60 2.0 – Corpo humano .................................................................................................... 63 2.1 - Estrutura óssea e muscular. ............................................................................... 63 2.2 - Principais órgãos e funções ................................................................................ 65 2.3 - Sistemas. ............................................................................................................ 66 3.0 – Procedimentos de primeiros socorros. ............................................................... 70 3.1 – A necessidade de reanimação e primeiras medidas – ABCDE da vida ............. 70 3.2 – Sinais de CHOQUE. ........................................................................................... 73 3.3 - Hemorragia ......................................................................................................... 75 3.4 - Queimaduras. ......................................................................................................77 3.5 - Tipos de traumatismos. ....................................................................................... 81 3.6 – Ataduras, curativos, imobilizações e condução ................................................. 85 3.7 – Transporte por embarcação ou helicóptero. ...................................................... 90 III) PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO 1 – Prevenção de incêndio. ......................................................................................... 98 1.1 Teoria da combustão ............................................................................................. 98 1.2 – Fenômeno da combustão e a classificação dos incêndios. ............................... 101 1.3 – Princípios da prevenção de incêndios a bordo ................................................. 107 1.4 – Propagação de incêndios ................................................................................. 107 1.5 – Métodos preventivos contra incêndios. ............................................................ 110 1.6 – Vigilância e sistema de patrulha ....................................................................... 110 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 4 1.7 – Sistema de detecção de fogo, fumaça e alarme automático a bordo ............... 111 1.8 - Ações ao ser detectado fumaça a bordo ........................................................... 112 1.9 – Inspeção, isolamento, sinalização e instalação de sistema de exaustão (NR-34) ..................................................................................................................................1132.0 – Combate a incêndio ......................................................................................... 116 2.1 - Classificação dos incêndios .............................................................................. 116 2.2 – Métodos de combate a incêndio ...................................................................... 118 2.3 - Agentes extintores. ........................................................................................... 121 2.4 - Extintores portáteis. .......................................................................................... 123 3.0 – Organização de combate a incêndio. ............................................................... 128 3.1 – Organização de combate a incêndio e as funções da tabela mestra ............... 128 3.2 – Sistemas fixos de combate a incêndio. ............................................................ 128 3.3 - Ações da brigada de incêndio. .......................................................................... 136 IV) TÉCNICAS DE SOBREVIVÊNCIA PESSOAL E PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA 1 – Situações e procedimentos de emergência ........................................................ 143 1.1 - Emergências a bordo ........................................................................................ 143 1.2 - Sistema de alarme geral de emergência. ......................................................... 149 1.3 - Tabela mestra, planos de contingência, ponto de reunião, rotas de fugas e estações de abandono .............................................................................................. 151 1.4 – Emprego de equipamentos salva-vidas e dos EPI ......................................... 155 1.5 - Sistema de comunicações interiores. ............................................................... 160 1.6 – Importância de seguir instruções e as ordens da cadeia de comando ............. 160 1.7 – Procedimentos especiais em operações combinadas. .................................... 161 2.0 – Orientações sobre segurança a bordo ............................................................. 164 2.1 - Principais compartimentos e equipamentos de uma plataforma ...................... 164 2.2 - Estrutura funcional e hierárquica e os processos produtivos ............................ 169 2.3 - Elementos de estabilidade e estanqueidade .................................................... 171 2.4 – Modos de evacuação e os meios de evacuação/abandono ............................. 173 2.5 – Procedimentos básicos para evacuação/abandono ........................................173 2.6 – Procedimentos de embarque e desembarque em helicópteros ..................... 176 3.0 – Técnicas de sobrevivência no mar.................................................................. 179 3.1 - Equipamentos de salva agem e sobrevivência. .............................................. 179 3.2 - Embarcações que poderão ser utilizadas para abandono e/ou sobrevivência. 183 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 5 3.3 - Procedimentos de abandono/evacuação .......................................................... 187 3.4 - Identificação dos pontos de reunião e das estações de abandono .................. 187 3.5 - Procedimentos do náufrago dentro d’água ....................................................... 192 3.6 – Necessidade de autocontrole e os cuidados para sobrevivência ..................... 196 V) CONSCIENTIZAÇÃO DE PROTEÇÃO 1. – Conscientização de proteção ............................................................................. 202 1.1 – A conscientização de todos a bordo em relação à proteção ........................... 202 1.2 – Como informar um incidente de proteção ........................................................ 203 1.3 – As definições, os termos e os elementos relativos à proteção marítima ......... 203 1.4 – A legislação nacional e internacional relativa à proteção marítima .................. 205 1.5 – Níveis de proteção marítima e os procedimentos pertinente ........................... 206 1.6 – Plano de proteção e os planos de contingências. .......................................... 207 1.7 – As Responsabilidade dos governos, da companhia (CSO) e das pessoas (SSO) e suas equipes relativas à proteção .......................................................................... 214 2.0 - Ameaças à proteção ......................................................................................... 214 2.1 – Atuais ameaças e as técnicas usadas para contornar as medidas de proteção ..................................................................................................................... 214 2.2 - Ameaças materiais à proteção da unidade offshore. ......................................... 216 2.3 – Reconhecimento de pessoas que apresentam potenciais ameaça à proteção.218 2.4 – Procedimento quando reconhecer uma ameaça à proteção ............................ 219 2.5 – Como lidar com as informações sensíveis e com as comunicações relativas à proteção ..................................................................................................................... 220 2.6 – Exigências relativas à instrução e aos exercícios periódicos de adestramento previstos pelas convenções, códigos e circulares da IMO .......................................221 GLOSSÁRIO. ........................................................................................................... 222 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 6 I) SEGURANÇA PESSOAL E RESPONSABILIDADE SOCIAL 1. – Responsabilidade social e relações humanas a bordo ........................................ 08 1.1- Elementos básicos da comunicação .................................................................... 08 1.2 - As barreiras de comunicação ............................................................................ 11 1.3 - O bom relacionamento em ambientes offshore. ................................................. 12 1.4 - Liderança no âmbito de trabalho em equipe ....................................................... 12 1.5 – A coesão e as metas do trabalho em grupo ..................................................... 12 1.6 – Responsabilidades sociais e trabalhistas do empregado e empregador. ........ 15 1.7 - Reflexos do uso de bebidas e drogas. ............................................................... 16 1.8 -Como o estresse e as divergências interpessoais criam condições adversas ao bem-estar e à segurança ........................................................................................... .18 1.9 – Compreender a diferença natural entre os indivíduos e a necessidade de ser tolerante no relacionamento com os colegas de trabalho ......................................... 21 2. – Segurança no trabalho a bordo ............................................................................ 24 2.1 - Propósitos da Norma Regulamentadora – NR-30 .............................................. 24 2.2 - Segurança a bordo - responsabilidade de todos. ............................................... 25 2.3 - Acidente de trabalho, quase acidente e incidente .............................................. 26 2.4 - Principais causas de acidentes de trabalho e o papel da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA .................................................................................. 26 2.5 - Identificar fatores de risco que influenciam nas atitudes e respostas. .................. 28 2.6 - Conceito de perigo e risco ................................................................................... 28 2.7 - Risco, frequência e consequências .................................................................... 30 2.8 – Atos e condiçõesinseguras. .............................................................................. 30 2.9 - EPI, Normas de Segurança ................................................................................. 36 2.10 - Localização de máscaras de fuga, chuveiro lava olhos e chuveiro de segurança ....................................................................................................................38 2.11 - Efeitos e precauções contra a presença de gases tóxicos ................................ 39 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 7 2.12 – Trabalho em espaço confinado ........................................................................ 41 2.13 - Disciplina operacional. ...................................................................................... 44 3. – Prevenção da poluição e fiscalização .................................................................. 47 3.1 – Prevenção da poluição – os efeitos nocivos da poluição ................................... 47 3.2 – A legislação brasileira sobre poluição ................................................................ 47 3.3 – Principais fontes poluidoras. ............................................................................... 48 3.4- Procedimentos básicos para prevenção da poluição no meio ambiente marinho ........................................................................................................................ 49 3.5 - Águas jurisdicionais brasileiras (AJB) e a competência da autoridade marítima ....................................................................................................................... 51 3.6 - Organização distrital da Marinha do Brasil focalizando as capitanias dos portos, suas delegacias e agências como agentes legais da autoridade marítima ................. 52 3.7 - Fiscalização: “porta skate” e “flag skate” ............................................................ 53 3.8 - Passageiro clandestino a bordo e terrorismo ...................................................... 53 3.9 - Pirataria e atos ilícitos como assalto ou roubo ................................................... 54 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 8 1. RESPONSABILIDADE SOCIAL E RELAÇÕES HUMANAS A BORDO 1.1- ELEMENTOS BÁSICOS DA COMUNICAÇÃO Define-se comunicação como processo de compreensão, compartilhamento entre pessoas através de mensagens enviadas e recebidas, na qual as mensagens e o modo de comunicação que exercem influência no comportamento das pessoas envolvidas. Nos primórdios dos tempos, a comunicação entre os homens era feita por meio de gestos, imagens e sons. Mais tarde, o homem aprendeu a usar os sinais gráficos ao se referir aos objetos que conhecia pelos sentidos e a comunicação através dos gestos. Foi a partir da comunicação verbal que o ser humano passou da inteligência concreta animal, limitada ao que é agora, à representação simbólica ou mental do mundo. Existem 2 tipos de comunicações: a verbal e a não-verbal. Pela comunicação verbal e não-verbal consagramos ideias e comportamentos ou simplesmente informamos, influímos na cultura e na sociedade. Esta utilização eficaz da comunicação requer o emprego de técnicas ou recursos que tornem as mensagens mais atraentes e persuasivas. Figura 1 - Linguagem primitiva Tipos de comunicação: Comunicação verbal e não verbal Comunicação verbal é toda comunicação que se utiliza de palavras para se efetivar. A palavra distingue o homem das outras espécies. Através da comunicação verbal, que se faz por palavras (faladas ou escritas) o homem pode compreender e dominar o mundo que o rodeia e entender os outros. Figura 2 - Comunicação verbal CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 9 As Comunicações não - verbais são sinais que produzimos, gestos que fazemos, imagens que criamos ou percebemos. Elas acontecem por meio das mãos, da cabeça, do rosto, da boca, enfim, ocorrem por expressões faciais. Figura 3 - Comunicação não-verbal. Elementos Básicos da Comunicação Emissor É quem produz, codifica e transmite a mensagem. Pode ser uma pessoa ou grupo de pessoas que deseja exprimir seus propósitos em forma de mensagem. Também é chamado de remetente. Receptor É quem recebe a mensagem, decodifica e coloca em ação, isto é, emite uma resposta. Também é chamado de destinatário. Canal É o meio pelo qual a mensagem é transmitida ao receptor, via de transmissão, seja através de gestos, códigos, expressões faciais, linguagem oral ou escrita. É a fonte de transmissão da mensagem. Mensagem É o conteúdo da comunicação. É a informação transmitida, devendo ser estruturada de forma que o significado represente a expressão concreta de nossas ideias e experiências, e seja comum para o emissor e receptor. Para isso, é necessário que a mensagem seja codificada, expressando de forma clara a mensagem enviada. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 10 Codificação e Decodificação Codificação é a transposição das ideias e pensamentos para a mensagem a ser comunicada, pois esta necessita ser composta de palavras e signos para ser enviada ao receptor. É fundamental que o emissor considere as características do receptor para codificar a mensagem, de forma que seja compreendida por ele. Decodificação é o processo de tradução das palavras e signos que é feito pelo receptor para compreender a mensagem. Figura 4 Signos ou Sinais. Estão presentes no nosso dia a dia e compõem comunicação verbal. Elementos do processo de comunicação Para uma boa comunicação através das palavras, escrita, desenhos e outros recursos de comunicação do dia a dia, necessita-se de um meio transmissor o qual chamamos de canal de comunicação. A existência de todos os elementos básicos da comunicação é fundamental para esse processo. A comunicação é a ferramenta básica que permite a existência da relação entre pessoas ou grupos de pessoas para que possam interagir entre si, no ambiente pessoal ou de trabalho. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 11 1.2 - AS BARREIRAS DE COMUNICAÇÃO A comunicação pode ser efetiva se tomarmos consciência das falhas que podem ocorrer em seu processo. Alguns fatores básicos são responsáveis pelas falhas de comunicação no nosso dia a dia, principalmente no nosso local de trabalho. São eles: 1. O uso indevido das palavras; 2. O medo, a timidez; 3. A pressuposição da compreensão da mensagem; 4. A sobrecarga de informações; 5. A falta de capacidade de concentração e atenção; e 6. O não saber ouvir. Figura 5 - Barreiras da comunicação. Devemos ter o cuidado para não cometermos falhas que possam comprometer a comunicação entre as pessoas. Em um ambiente de trabalho, como uma plataforma, uma falha na comunicação pode gerar uma situação que coloque em risco a integridade física das pessoas e a operacional da unidade. Uma falha na comunicação pode, por exemplo, causar um acidente que gere vazamento de óleo, machuque indivíduos e danifique equipamentos. A falta de conhecimento mais amplo da própria língua, ou de uma língua estrangeira, aliada à inexistência de uma disciplina específica sobre comunicação para os profissionais, em qualquer campo de atividade, de certa forma fará surgir, no campo da prática, dificuldades intransponíveis para a boa condução das tarefas que sejam dadas, mesmo que se disponha de todo o conhecimento técnico necessário para realizá-las. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇAMARÍTIMA LTDA ME 12 1.3 - O BOM RELACIONAMENTO EM AMBIENTES OFFSHORE A necessidade de viver em grupo é muito importante para a convivência no ambiente familiar e no trabalho. O homem é um ser social e seria impossível viver isolado sem comunicação com outras pessoas. Um bom relacionamento passa obrigatoriamente, pela capacidade de se adaptar a um novo ambiente social, ou seja, a bordo de uma plataforma offshore, onde a sua “casa” é também o seu local de trabalho. Além das situações com condições de mau tempo e o isolamento do ambiente offshore, permanências inesperadas também são fatores que podem abalar o aspecto psicológico de uma pessoa. Todos esses fatores afetarão também o seu bom relacionamento com os demais colegas a bordo. Procure ter um bom relacionamento com todos, faça amigos e aproveite ao máximo esta experiência que se apresenta, quando a bordo de uma plataforma os hore. 1.4 - LIDERANÇA NO ÂMBITO DE EQUIPES DE TRABALHO. Líder: é a pessoa que se destaca, que influencia e que consegue dos outros a adesão espontânea às suas atitudes e ideias. Liderança: é a atividade de influenciar pessoas a cooperar no alcance de um objetivo que considerem, por si mesmas, desejável. Descobriu-se que, no processo de liderança, um indivíduo não pode ser líder a todo o momento e em todas as situações. Portanto, de acordo com cada situação, sempre aparecerá um líder. O líder sempre vai se destacar e influenciar os seguidores; Os seguidores de um grupo vão ser influenciados pelo líder; e Definir os papéis dos componentes do grupo. 1.5 – A COESÃO DO GRUPO E AS METAS DE TRABALHO Em grande parte do tempo pertencemos a um departamento, setor ou unidade de negócios. Pode-se notar que o trabalho em equipe faz parte de nosso dia a dia. Este tipo de trabalho pressupõe a existência de uma equipe. Mas afinal, o que seria uma equipe? Figura 6 – trabalho em equipe CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 13 É um pequeno número de pessoas com conhecimentos complementares, comprometidas com propósitos, metas de empenhos e abordagem comuns, e pelos quais se mantém mutuamente responsável. Um trabalho em equipe é um grupo de pessoas, onde cada integrante possui uma função, e juntos fazem com que esse grupo funcione em harmonia. Para um bom trabalho em equipe é necessária cooperação entre os integrantes, sendo importante a confiança e o relacionamento entre os grupos. Em um trabalho em equipe, é fundamental que todos os integrantes tenham ética, pois isso garantirá comportamentos de respeito e solidariedade, atribuindo qualidade aos relacionamentos. Além disso, é preciso, que o grupo cultive a prática do diálogo como forma de propiciar a interação de pessoas de pensamentos diferentes, a aprendizagem coletiva, o crescimento individual e a circulação do conhecimento. Pode-se dizer que um grupo de trabalho possui um líder formalmente definido (autoritário), cada integrante representa o seu setor, defende o seu espaço e se manifesta em nome dele. Dentro de um grupo de trabalho nota-se um comportamento individualista, que segue diretrizes e metas organizacionais, sempre visando os produtos de trabalhos individuais. Por sua vez, em um trabalho em equipe existe uma liderança compartilhada democrática, onde os indivíduos se integram à equipe e procuram agregar conhecimentos. Nele há a imposição de suas próprias metas, visando o produto de trabalhos coletivos, estimulando-se o diálogo, e por último se decide implementações em conjunto. Dicas de trabalho em equipe: a) Tenha paciência – Muitas vezes é difícil conciliar opiniões diversas, principalmente quando se está em grupo. Dessa forma é muito importante que você tenha a devida paciência. Procure sempre mostrar os seus pontos de vista com moderação, e ouça o que os outros têm a dizer, mesmo que não estejam de acordo com as suas opiniões; b) Aceite as ideias das outras pessoas – Nem sempre é fácil aceitar novas ideias ou admitir em público que não temos razão, mas é importante saber reconhecer que a ideia de um colega pode ser muito melhor do que a nossa. c) Cuidado com a crítica – Quando surgirem conflitos entre os colegas de grupo, é de vital importância não deixar que isso interfira no trabalho em equipe. Avalie as colocações do colega, com isenção total sobre suas impressões de caráter. Podemos criticar (de forma construtiva) as ideias, e nunca a pessoa; d) Saiba como dividir – Entenda que é muito importante dividir tarefas quando se trabalha em equipe. Não parta do princípio que é o único que pode e sabe CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 14 realizar uma determinada tarefa. Delegar, compartilhar responsabilidades e informações é fundamental. e) Não deixe de trabalhar, colabore – Não é por trabalhar em equipe que você precisa esquecer-se de suas obrigações. Lembre-se que dividir as tarefas é uma coisa, deixar de trabalhar é outra completamente diferente. Colabore. f) Mantenha uma postura participativa e solidária – Procure dar o seu melhor e ajudar os colegas, sempre que seja necessário. Da mesma forma, não se sinta constrangido quando precisar pedir ajuda a alguém da equipe; g) Mantenha o diálogo, sempre – Quando se sentir desconfortável com alguma situação ou função que lhe tenha sido atribuída, é importante explicar o problema para que seja possível achar uma solução que agrade a todos. h) Planejamento é essencial – Quando existem várias pessoas trabalhando em conjunto a tendência natural é que se dispersem. O planejamento e a organização são primordiais para que o trabalho em equipe seja eficiente e eficaz. O importante é fazer o balanço entre as metas a que o grupo se propôs e o que conseguiu alcançar no tempo previsto; i) Aproveite e divirta-se – No final de tudo, trabalhar em equipe pode ser uma excelente oportunidade de aprender com seus colegas e conviver mais próximo deles. Todos ganham com a experiência. Figura 7 – Trabalho em equipe CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 15 1.6 – RESPONSABILIDADES SOCIAIS E TRABALHISTAS DO EMPREGADO E EMPREGADOR. As Responsabilidades Sociais Responsabilidade Social é contribuir para o bem estar da comunidade onde vivemos e da sociedade como um todo. “O direito de cada um termina onde começa o direito do outro” - John Stuart Mil. As Responsabilidades Trabalhistas No Brasil as relações trabalhistas são regulamentadas pelo extinto Ministério do Trabalho e Emprego (Medida Provisória Nº 870, de 1º de Janeiro de 2019), atual Ministério da Economia, numa “Secretaria Especial” de Trabalho, dividindo status com a da Previdência, que estabelece regras gerais que devem ser observadas em um contrato de trabalho. Cabe ao empregador: a) Cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho. b) Elaborar as ordens de serviço sobre segurança e medicina do trabalho, dando ciência aos empregados, com os seguintes objetivos: Prevenir atos inseguros no desempenho do trabalho; Divulgar as obrigações e proibições que os empregados devam conhecer e cumprir; Dar conhecimento aos empregados de que serão passíveis de punição, pelo descumprimento das ordens de serviço expedidas; Determinar os procedimentos que deverão ser adotados em caso de acidente do trabalho e doenças profissionais ou do trabalho; e Adotar os procedimentos determinados pelo Ministério da Economia em caso de acidentes e/ou doenças no trabalho. c) Informar aos trabalhadores: Os eventuais riscos nos locais de trabalho; Os resultados das avaliações ambientais realizadas nos locais de trabalho; As medidas e os meios adotadospela empresa para prevenção de riscos; Resultados de exames médicos e complementares de diagnóstico efetuados pelos trabalhadores. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 16 Cabe ao empregado: a) Cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho, inclusive as ordens de serviço expedidas pelo empregador; b) Usar o EPI fornecido pelo empregador; c) Submeter-se aos exames médicos previstos nas Normas Regulamentadoras (NR´s); e d) Colaborar com as empresas na aplicação das NR’s. 1.7 - REFLEXOS DO USO DE BEBIDAS E DROGAS O uso abusivo de álcool e drogas é motivo de preocupação em qualquer circunstância, principalmente no trabalho a bordo. Quando o indivíduo está sob o efeito de drogas e álcool, há uma chance maior de ocorrer acidentes como: cair no mar, escorregar em um deck molhado, etc. Outra preocupação é a prescrição de medicamentos sem receita médica, como anti-histamínicos, xaropes para tosse, etc., que podem ter efeitos colaterais e prejudicar o julgamento e a capacidade de reação do tripulante. O uso de álcool e drogas é prejudicial tanto no aspecto pessoal quanto no aspecto profissional. No aspecto pessoal, a imagem da pessoa fica abalada perante os colegas e seus superiores, pois os mesmos não confiarão mais nesse profissional. No aspecto profissional, o ambiente embarcado não permite a permanência a bordo de pessoas que possuam dependência química, pois o mesmo coloca em risco a vida de todos a bordo. Tanto o álcool quanto as drogas são consideradas como doenças, e como tal devem ser tratadas pelas empresas. - Drogas As drogas são definidas como substâncias, naturais ou não, que modificam as funções normais de um organismo. Também são chamadas de entorpecentes ou narcóticos. O uso dessas substâncias no local de trabalho é proibido. Seguem abaixo seus principais malefícios: Fazem mal à saúde: a maconha provoca câncer; a cocaína aumenta as chances de isquemia e ataque cardíaco. Além disso, o uso de drogas reduz a autoestima e aumenta a chance de depressão. Causam dependência: Estatísticas mostram que até 10% dos usuários de maconha ficam dependentes. Incitam a violência: Não é o que se faz quando se está sob o efeito, mas sim o que se faz para conseguir a droga. - Álcool O álcool é legalmente comercializado e de fácil obtenção na nossa sociedade, o que contribui para o surgimento de inúmeros casos de consumo excessivo que tanto prejudicam a nossa sociedade. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 17 a) Efeitos produzidos pelo consumo da bebida alcóolica: Debilita o sistema nervoso, diminuindo os reflexos; e Causa tonturas e vômitos. b) Fatores que contribuem para o alcoolismo: Convívio com pessoas que consumem bebidas alcóolicas; Festas e ambientes que servem bebidas com facilidades; A prova para saber o gosto; e Problemas pessoais. c) Os perigos do abuso de álcool: Inconsciência, desnutrição, aumento de peso; Doenças hepáticas e renais, úlceras; Alteração do juízo e da razão, causando acidentes; Danos cerebrais, cardiopatias, câncer; e Morte. Figura 9 - Dependência alcoólica. Figura 8 - Tabela do uso de ecstasy no Brasil. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 18 Legislação e Penalidades previstas Adicionalmente às sanções impostas pelas empresas contratantes, a utilização de drogas ilícitas é proibida e passível de punição prevista em lei. STCW 95 Seção B – VIII/2 parte 5 Quem for encontrado sob a influência destas substâncias estará proibido de realizar tarefas de serviço de quarto até que não mais existam restrições quanto a sua capacidade de executar serviços. Lei 6.368, de 21 de outubro de 1976: Capítulo III – Dos crimes e das penas Art.12 – Importar ou exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda ou oferecer, fornecer ainda que gratuitamente, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a consumo substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar; Pena - Reclusão, de 3 a 15 anos, e pagamento de 50 a 360 dias-multa. Lei 8.072, de 25 de julho de 1990: Dispõe sobre os crimes hediondos, nos termos do art. 5º, inciso XLIII, da Constituição Federal, e determina outras providências. Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e o terrorismo são insuscetíveis de: (Vide Súmula Vinculante) I - anistia, graça e indulto; II - fiança e liberdade provisória. § 1º - A pena por crime previsto neste artigo será cumprida integralmente em regime fechado. Os tripulantes estão sujeitos a exames clínicos de sangue e urina para a constatação do uso de álcool e drogas a bordo, aleatoriamente. 1.8 COMO O ESTRESSE E AS DIVERGÊNCIAS INTERPESSOAIS CRIAM CONDIÇÕES ADVERSAS AO BEM-ESTAR E À SEGURANÇA Estresse é uma reação do organismo a qualquer situação que represente um desafio e produza inquietude. É um desequilíbrio biológico que possui componentes físicos e psicológicos. É normal que todos enfrentem momentos de estresse várias vezes na vida. Ele não pode ser totalmente eliminado da vida, pois toda situação que exige um esforço maior, necessariamente, produz tensão e estresse. O estresse pode até ser benéfico em doses moderadas, pois nos dá ânimo e vigor em momentos de tensão. Quando CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 19 se sabe lidar com ele, seus efeitos negativos podem ser minimizados. Porém, quando não se possuem estratégias para combatê-lo, ele pode se prolongar por muito tempo e adquirir proporções preocupantes. O estresse em excesso pode provocar elevação da pressão arterial, problemas estomacais, cardíacos e dermatológicos, ansiedade, depressão, insegurança e até morte precoce. Figura 10 - Estresse no trabalho. Mau tempo e ambiente de trabalho O confinamento e as alterações no metabolismo provocadas por condições ambientais adversas promovem ansiedade, afetando o comportamento e a saúde do indivíduo. Desgaste físico Jornadas de trabalho mal dimensionadas causam fadiga física e mental, afetando o estado emocional do indivíduo, podendo refletir-se no desempenho de seu trabalho e no bom relacionamento com seus companheiros a bordo. As diferenças interpessoais precisam ser respeitadas para que tenhamos uma convivência harmoniosa. As opções pessoais devem ser respeitadas da mesma maneira como gostaríamos de ver respeitadas as nossas. As principais competências referentes ao bom relacionamento são: Ser educado; Saber ouvir; CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 20 Compreender e aceitar pontos de vista; Motivar pessoas e equipes; e Evitar conflitos, não se deixando envolver por pessoas maldosas. Assuntos ou brincadeiras sobre política, religião ou esportes devem ser evitados, uma vez que são fontes de divergência entre pessoas. Brincadeiras ou comentários indevidos, associados ao estresse por uma das partes, podem gerar conflitos que afetarão o ambiente de trabalho. O Art.5°, inciso XLII da Constituição Federal (CF88) puni qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais, e prevê que a prática do racismo constitui crime inafiançável, sujeito à pena de reclusão. Responsabilidade Individual: respeito à privacidade dos demais e à propriedade alheiaMais do que uma regra básica de boa convivência, o respeito à privacidade de cada um é um dever de todos individualmente. O respeito à propriedade é uma conduta necessária para uma convivência harmoniosa em quaisquer circunstâncias, além de ser passível de punição legal quando não observado. É fundamental o cumprimento das normas estabelecidas. Elas não surgiram por acaso. São fruto de muito trabalho e observação e visam facilitar a integração e a vida a bordo. O isolamento leva à depressão, à perda de confiança em si mesmo e ao "stress". Muitos recorrem ao álcool e às drogas para minimizá-lo. A completa integração dos indivíduos e o cumprimento das normas de bordo, principalmente as de boa convivência, criadas para facilitar esta mesma integração, merecem constante atenção. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 21 Cuidados com a higiene pessoal e a maneira de vestir O uso de sabão ou sabonete auxilia no combate aos micróbios. As mãos devem ser lavadas antes e depois de usarmos os sanitários, e antes e depois de cada refeição, não esquecendo da escovação dos dentes após as mesmas. O banho com sabonete e xampu remove resíduos que impedem a respiração pelos poros, além de combater doenças de pele e o mau cheiro. O banho deve demorar o suficiente para uma limpeza completa, sem desperdício de água ou energia. Além da higiene pessoal, a higiene coletiva deve ser estimulada: manter limpas as instalações sanitárias; pendurar toalhas; separar roupas sujas para lavar; e dar descarga nos sanitários. É importante respeitar a proibição do uso de roupas sujas ou impregnadas de óleo, botas de segurança, shorts e camisetas sem mangas nos refeitórios e salas de recreação. Trajar-se adequadamente, sem causar constrangimentos aos demais membros do grupo, deve ser uma norma de boa convivência. 1.9 - COMPREENDER A DIFERENÇA NATURAL ENTRE OS INDIVÍDUOS E A NECESSIDADE DA TOLERÂNCIA NO RELACIONAMENTO ENTRE COLEGAS DE TRABALHO. Vivemos em conflitos, uma vez que o ser humano, de forma geral, tem dificuldade em aceitar e conviver com as adversidades. Identificar a natureza das diferenças e usar algumas regras para contorná-las nos ajudará a ter um relacionamento tolerante com nossos colegas de trabalho. Segundo os psicólogos, o autoconhecimento, autocontrole, motivação, empatia e sociabilidade são fatores indispensáveis para um bom relacionamento no ambiente de trabalho. Autoconhecimento: É a capacidade de compreender sentimentos, emoções, de reconhecer e entender o efeito desses aspectos sobre as pessoas. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 22 Autocontrole: É a capacidade humana que ajuda a controlar os impulsos de nosso caráter. Ele nos ajuda a enfrentar, com calma e serenidade, os problemas e os contratempos normais da vida. Ou seja, nos encoraja a cultivar a paciência e desenvolver com muita compreensão as relações interpessoais estabelecidas e ainda por se estabelecerem. Motivação: É um impulso que faz com que as pessoas ajam para atingir seus objetivos. A motivação envolve fenômenos emocionais, biológicos e sociais, e é um processo responsável por iniciar, direcionar e manter comportamentos relacionados com o cumprimento de objetivos. Empatia: Capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa imaginando-se nas mesmas circunstâncias. Sociabilidade: É a habilidade de convívio no meio social, ou seja, a prática de conviver com diferentes pessoas em ambientes diferentes, tendo um ótimo relacionamento em diversas situações. Discriminação versus preconceito: Discriminar significa "fazer uma distinção". Existem diversos significados para a palavra, no entanto, o mais comum tem a ver com a discriminação sociológica: a discriminação social, racial, religiosa, sexual, por idade ou nacionalidade, que podem levar à exclusão social. Na esfera do direito, a Convenção Internacional sobre a eliminação de todas formas de Discriminação Racial, de 1966, em seu artigo 1º, conceitua discriminação como sendo: "Qualquer distinção, exclusão ou restrição baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha o propósito ou o efeito de anular ou prejudicar o reconhecimento, gozo ou exercício em pé de igualdade de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio da vida pública." Deve-se destacar que os termos discriminação e preconceito não se confundem, embora a discriminação tenha muitas vezes sua origem no simples preconceito. Preconceito é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos". Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente. As formas mais comuns de preconceito são: social, racial e sexual. De modo geral, o ponto de partida do preconceito é uma generalização superficial, chamada estereótipo. Exemplos: "todos os alemães são prepotentes", "todos os norte-americanos são arrogantes", "todos os ingleses são frios". Observa-se então que, pela superficialidade ou pela estereotipia, o preconceito é um erro. Entretanto, trata-se de um erro que faz parte do domínio da crença, não do conhecimento, ou seja, ele tem uma base irracional e por isso escapa a qualquer questionamento fundamentado num argumento ou raciocínio. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 23 Racismo O racismo é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais, são superiores a outros. O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré-concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial. A crença da existência de raças superiores e inferiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade. O racismo é um preconceito contra um "grupo racial", geralmente diferente daquele a que pertence o sujeito, e, como tal, é uma atitude subjetiva gerada por uma sequência de mecanismos sociais. Situação legal no Brasil O direito ao trabalho vem definido na Constituição Federal como um direito social, sendo proibido qualquer tipo de discriminação que tenha por objetivo reduzir ou limitar as oportunidades de acesso e manutenção do emprego. A Convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho considera discriminação toda distinção, exclusão ou preferência que tenha por fim alterar a igualdade de oportunidade ou tratamento em matéria de emprego ou profissão. Exclui aquelas diferenças ou preferências fundadas em qualificações exigidas para um determinado emprego. Há duas formas de discriminar: a primeira, visível, reprovável de imediato, e a segunda, indireta, que diz respeito à prática de atos aparentemente neutros, mas que produzem efeitos diversos sobre determinados grupos. A discriminação pode se dar por sexo, idade, cor, estado civil, religião, ou por ser a pessoa, portadora de algum tipo de deficiência. Pode ocorrer, ainda, simplesmente porque o empregado propôs uma ação reclamatória contra um ex-patrão ou porque participou de uma greve. Discrimina-se, ainda, por doença, orientação sexual,aparência, e por uma série de outros motivos que nada têm a ver com os requisitos necessários ao efetivo desempenho da função oferecida. O ato discriminatório pode estar consubstanciado, também, na exigência de certidões pessoais ou de exames médicos dos candidatos a emprego. A legislação brasileira considera crime o ato discriminatório, como se depreende das leis 7.853/89 (pessoa portadora de deficiência), 9.029/95 (origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, idade e sexo) e 7.716/89 (raça ou cor). O Ministério Público do Trabalho do Brasil, no desempenho de suas atribuições institucionais, tem se dedicado a reprimir toda e qualquer forma de discriminação que limite o acesso ou a manutenção de postos de trabalho. Essa importante função é exercida preventiva e repressivamente, através de procedimentos investigatórios e inquéritos civis públicos. Eles podem acarretar: tanto a assinatura de Termos de Compromisso de Ajustamento de Conduta, em que o denunciado se compromete a não mais praticar aquele ato tido como discriminatório, como a propositura de Ações Civis. Atua também perante os Tribunais, emitindo pareceres circunstanciados, ou na qualidade de custus legis, na defesa de interesse de menores e incapazes, submetidos à discriminação. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 24 2. SEGURANÇA NO TRABALHO A BORDO 2.1 - PROPÓSITO DA NORMA REGULAMENTADORA - NR-30 A NR-30 tem como propósito proteger e regulamentar as condições de segurança e saúde dos trabalhadores aquaviários. Aplica-se aos trabalhadores das embarcações comerciais de bandeira nacional e de bandeiras estrangeiras, no limite do disposto na Convenção da OIT nº 147 – Normas Marítimas para Marinha Mercante, utilizadas no transporte de mercadorias ou de passageiros, inclusive naquelas embarcações utilizadas na prestação de serviços. Esta norma estabelece, entre essas e outras obrigações: - Cabe aos armadores e seus prepostos: Cumprir e fazer cumprir o disposto nesta NR, bem como a observância do contido no item 1.7 da NR 01 - Disposições Gerais, e das demais disposições legais de segurança e saúde no trabalho; Figura 10 - Trabalho offshore a) Disponibilizar aos trabalhadores as normas vigentes de segurança e saúde no trabalho, publicações e material instrucional em matéria de segurança e saúde, bem-estar e vida de bordo; b) Responsabilizar-se por todos os custos relacionados à implementação do PCMSO; c) Disponibilizar, sempre que solicitado pelas representações patronais ou de trabalhadores, as estatísticas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Cabe aos trabalhadores: a) Cumprir as disposições da presente NR, bem como a observância do contido no item 1.8 da NR-01 - Disposições Gerais, e das demais disposições legais de segurança e saúde no trabalho; b) Informar ao oficial de serviço, ou a qualquer membro do GSSTB (Grupo de Segurança e Saúde no Trabalho a Bordo de navios mercantes), conforme estabelecido no item 30.4, as avarias ou deficiências observadas que possam constituir risco para o trabalhador ou para a embarcação; e CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 25 c) Utilizar corretamente os dispositivos e equipamentos de segurança, e estar familiarizado com as instalações, sistemas de segurança e compartimentos de bordo. O estabelecimento de um GSSTB é de responsabilidade do Comandante da embarcação e deve ser integrado pelos seguintes tripulantes: Oficial de Segurança; Chefe de Máquinas; Mestre de Cabotagem ou Contramestre; Tripulante responsável pela seção de saúde; e Marinheiro de Máquinas. 2.2 - SEGURANÇA A BORDO - RESPONSABILIDADE DE TODOS A política de prevenção de acidentes de uma empresa não depende somente das normas, padrões e atividades, mas das atitudes individuais e proativas de seus colaboradores, independente do cargo ou função que exerçam. No ambiente de trabalho cada pessoa tem responsabilidade social com o local onde realiza suas atividades laborais. Em resumo, é necessário que todos se conscientizem que literalmente estão “TODOS NO MESMO BARCO” CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 26 2.3 - ACIDENTE DE TRABALHO, QUASE ACIDENTE e INCIDENTE. – Conceito de Acidente de Trabalho Segundo o conceito legal, acidente de trabalho é aquele que ocorre no exercício do trabalho, provocando lesão corporal, perturbação funcional, perda ou redução da capacidade para o trabalho, permanente ou temporária. Pelo conceito prevencionista, o acidente de trabalho é uma ocorrência não- programada, inesperada, que interrompe o processo normal, ocasionando perda de tempo, lesões ou danos materiais. Acidente - qualquer evento súbito e não planejado, que cause ou possa vir a causar ferimento a pessoas ou danos pessoais, materiais ou ao meio ambiente. Incidente – é uma ocorrência não planejada que tem o potencial de levar a um acidente. A diferença fundamental entre acidente e incidente é a ocorrência do evento danoso e não a dimensão das perdas. Quase acidente – é um incidente que não lesionou ninguém, não passou de um susto. - Causas dos Acidentes Os acidentes de trabalho são causados por três motivos principais: Execução de Atos Inseguros; Condições de Trabalho Inseguras; e Fatores Pessoais de Insegurança. 2.4 - PRINCIPAIS CAUSAS DE ACIDENTES DE TRABALHO E O PAPEL DA CIPA Entender as principais causas de acidentes de trabalho é o primeiro passo para preveni-los. Entre as principais causas de acidentes de trabalho no Brasil, destacam- se: Não utilizar o EPI adequado Negligência na instrução ao trabalhador Falta de conhecimento técnico Atitudes imprudentes Ausência ou negligência na fiscalização. Não-cumprimento de leis trabalhistas. Negligência aos direitos dos trabalhadores Não-manutenção ou não-reposição de maquinários CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 27 - Papel da CIPA A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) é formada por representantes do empregador e dos funcionários. A quantidade de membros é determinada através do dimensionamento previsto na NR-5. Tem como objetivo atuar na prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador. Sua atuação é realizada diariamente e também através de reuniões ordinárias mensais e extraordinárias, no caso de alguma situação grave ou acidente de trabalho. O papel da CIPA consiste, entre outros: Identificar os riscos do processo de trabalho, e participar da elaboração do Mapa de Riscos; Elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução de problemas de segurança e saúde no trabalho; Divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no trabalho; Colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional) e PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais), e de outros programas relacionados à segurança e saúde no trabalho; Participar, em conjunto com o SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho), onde houver, ou com o empregador, da análise das causas das doenças e acidentes de trabalho, e propor medidas de solução dos problemas identificados; Promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, a SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho). CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 28 2.5 - FATORES DE RISCO QUEINFLUENCIAM NAS ATITUDES E RESPOSTAS Consideramos como fatores de risco, determinados fenômenos, ou alterações físicas, ou eventos psicossociais, que podem contribuir para a ocorrência de acidentes no trabalho. Existem alguns fatores que influenciam na percepção do risco. O que percebemos, ou deixamos de perceber, depende do estímulo que recebemos (por exemplo: tamanho, brilho, intensidade, frequência, movimento, etc.) de nossas experiências passadas e de nossa saúde física e mental. Os problemas surgem quando as percepções não correspondem à realidade, o que induz à tomada de decisões incorretas. Existem quatro grupos de fatores de risco: a) Pessoais físicos (sedentarismo, sobrepeso, etc.); b) Pessoais emocionais (estresse, problemas de ordem familiar, etc.); c) Ambientais físicos (deficiência na estrutura, iluminação precária, etc.); e d) Ambientais emocionais (conflitos entre colegas de trabalho, pressão do superior, etc.). 2.6 - CONCEITO DE PERIGO E RISCO Perigo: Situação com potencial para provocar danos em termos de lesão, doença, dano à propriedade, meio ambiente, local de trabalho ou a combinação destes. - Risco: Combinação da probabilidade de ocorrência e da consequência de um determinado evento perigoso. Figura 12 - Diferenciar Perigo e Risco. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 29 - Controle de Risco A função de controle de risco tem por objetivo manter os riscos abaixo dos valores tolerados. Os riscos existentes no local de trabalho são identificados primeiramente no PPRA, também no Mapa de Risco, e são classificados como Riscos Ambientais em 5 grupos: Físicos: ruído, vibração, radiação ionizante e não-ionizante, temperaturas extremas (frio e calor), pressão atmosférica anormal, entre outros; Químicos: agentes e substâncias químicas, sob a forma líquida, gasosa ou de partículas e poeiras minerais e vegetais, comuns nos processos de trabalho; Biológicos: vírus, bactérias, parasitas, geralmente associados ao trabalho em hospitais, laboratórios e na agricultura e pecuária; De acidente: ligados à proteção das máquinas, arranjo físico, ordem e limpeza do ambiente de trabalho, sinalização, rotulagem de produtos e outros que podem levar a acidentes do trabalho; Ergonômicos: decorrem da organização e gestão do trabalho, como, por exemplo: da utilização de equipamentos, máquinas e mobiliário inadequados, levando à posturas e posições incorretas; locais adaptados com más condições de iluminação, ventilação e de conforto para os trabalhadores; trabalho em período noturno; monotonia ou ritmo de trabalho excessivo, exigências de produtividade, relações de trabalho autoritárias, falhas no treinamento e supervisão dos trabalhadores, entre outros. Figura 13 - Simbologia das cores do Mapa de Risco. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 30 2.7 - RISCO, FREQUÊNCIA E CONSEQUÊNCIAS Principais riscos encontrados no trabalho a bordo de uma plataforma de petróleo: Tropeções e quedas – pisos escorregadios (óleo, graxa, detritos, água do mar, tampas de inspeções de tanques abertas, etc.) ou obstruções (tubulações, cabos de solda, cabos e espias, etc.); Ferimentos na cabeça – em vãos baixos, cargas sobre a cabeça, queda de equipamentos ou material, etc. Macacão e dedos prendendo nas máquinas em movimento – trabalho com engrenagens, bancadas, etc. Amputação de membros – em trabalhos com serras, esmeril, furadeira de bancada, disco de corte, etc. Queimaduras – ocasionadas pela maquinaria quente, faísca de solda, trabalho em cozinha, incêndios, etc. Ferimentos nos olhos – através de lascamento, solda, produtos químicos, etc. Riscos atmosféricos em espaços confinados – atmosferas explosivas, ausência/enriquecimento de oxigênio, gases e vapores tóxicos etc. Risco químico – relacionados aos produtos químicos utilizados nas atividades de trabalho. 2.8 – ATOS E CONDIÇÕES INSEGURAS – Atos Inseguros São atos ou ações executadas de forma voluntária ou não, que podem provocar ou contribuir para a ocorrência de acidente. Normalmente, são decorrentes de: Excesso de confiança; Imperícia; Ideias preconcebidas; Exibicionismo; Falta de bom senso. – Condições Inseguras São consideradas condições de trabalho inseguras as deficiências, defeitos ou irregularidades técnicas existentes no ambiente de trabalho, que constituam riscos para a integridade física ou a saúde do trabalhador, ou para os bens materiais da empresa. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 31 – Fatores Pessoais de Insegurança Quando o trabalhador não está em suas condições fisiológicas ou psicológicas normais, os riscos de acidentes de trabalho aumentam consideravelmente. É o que podemos chamar de “Problemas Pessoais”, que podem atuar sobre o indivíduo como agentes provocadores de acidentes, como por exemplo: Problemas de saúde não tratados; Conflitos familiares; Falta de interesse pela atividade que desempenha; Dificuldades financeiras; Alcoolismo; Uso de substâncias tóxicas; Desajuste social; e Desequilíbrio psíquico. - Medidas de precauções nas operações de bordo Manobras de Movimentação de Cargas Para as manobras de carga e descarga de materiais na Unidade devemos observar: a) Vistoriar todo material de içamento, lingadas e container antes da movimentação; b) Programar previamente a estivagem da carga no convés. Marcar as áreas do convés que não possam ser utilizadas para estivagem; estivagem; c) Garantir atenção às cargas perigosas no tocante à embalagem, estiva e segregação. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 32 Figura 14 - Içamento de carga Figura 15 - Içamento de carga Manobra de bombeamento a) Permitir a execução de manobras de bombeamento se os sistemas de segurança envolvidos estiverem funcionando; e b) Observar às condições de vento e mar. A operação só poderá ocorrer se as condições forem favoráveis. Figura 16 – Offloading CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 33 Tensionamento de Cabos e Espias As fainas que envolvem cabos tensionados apresentam riscos de acidentes, podendo causar grandes danos. É necessário que sejam observados: a) A presença de pessoas não envolvidas diretamente na faina; b) Avaliação quanto à integridade dos cabos dos equipamentos. Figura 17 - Manuseio de mangote. Máquinas operando Figura 18 - Manobra na sonda. a) Obedecer ao plano de manutenção; b) Delimitar, quando aplicável, um raio de segurança; e c) Manter o local limpo e organizado. Descarga de motores a) Fazer a manutenção da proteção térmica de dutos de descarga visando evitar queimaduras de contato com área aquecida; b) Projetar a descarga de motores considerando a permanência de pessoas, sem expô-las a agentes asfixiantes; e CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 34 c) Verificar a ventilação de motores estacionários, instalados em lugares fechados ou insuficientemente ventilados. Descarga de Motores a) Fazer a manutenção da proteção térmica de dutos de descarga visando evitar queimaduras de contato com área aquecida; b) Projetar a descarga de motores considerando a permanência de pessoas, sem expô-las a agentes asfixiantes; e c) Verificar a ventilação de motores estacionários, instalados em lugares fechados ou insuficientemente ventilados. Sinalizaçãode Trânsito a Bordo Rota de Fuga é o trajeto a ser seguido no caso de necessidade urgente de evacuação de um local, em função de incêndio, desabamentos ou outros casos de emergência. A falta de sinalização de trânsito a bordo poderá ocasionar situações de pânico em emergências, onde o fator tranquilidade é preponderante para a prevenção de acidentes graves. Figura 19 - Rota de Fuga CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 35 Compartimentos ou Espaços Confinados Conforme a NR 33, o Espaço Confinado é qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes, ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio. Observando os seguintes itens: Figura 20 - Espaço confinado a) Implementar a gestão de segurança e saúde no trabalho em espaços confinados, por medidas técnicas de prevenção, administrativas, pessoais e de emergência e salvamento, de forma a garantir permanentemente ambientes com condições seguras de trabalho. b) Garantir a capacitação continuada dos trabalhadores sobre os riscos, as medidas de controle, de emergência, e salvamento em espaços confinados. Atividades de Mergulhadores nas Proximidades a) Proibir a realização de atividade na água que ofereça perigo aos mergulhadores e realizar planejamento antes do início da atividade de mergulho. b) Garantir que nenhuma manobra seja realizada, se oferecer perigo aos mergulhadores em operação. (Obrigatória a emissão de permissão de trabalho – PT). Figura 21 - Trabalho subaquático. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 36 2.9 - EPI E NORMAS DE SEGURANÇA - Equipamento de Proteção Individual (EPI) Baseado na Norma Regulamentadora (NR-6), do extinto Ministério do Trabalho, atual Secretaria do Trabalho do Ministério da Economia, o EPI é todo dispositivo de uso individual, de fabricação nacional ou estrangeira, destinado a proteger a saúde e a integridade física do trabalhador. Todo EPI passa por um processo de certificação e deve ter um CA (Certificado de aprovação) emitido pela Secretaria do Trabalho. A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento. CABE AO EMPREGADOR Adquirir o EPI adequado ao risco de cada atividade; Exigir seu uso; Fornecer ao trabalhador somente o EPI aprovado pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho; Orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação; e Substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado. CABE AO EMPREGADO Usá-lo apenas para a finalidade a que se destina; Responsabilizar-se por sua guarda, conservação e higienização; e Comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 37 TIPO DE PROTEÇÃO FINALIDADE EQUIPAMENTO INDICADO PROTEÇÃO PARA A FACE Contra riscos de impacto de partículas, respingos de produtos químicos, ação de radiação calorífica ou luminosa (infravermelho, ultravioleta e calor). Óculos de segurança (para maçariqueiros, rebarbadores, esmerilhadores, soldadores, torneiros). Máscaras e escudos (para soldadores). PROTEÇÃO PARA O CRÂNIO Contra riscos de queda de objetos batidas, batidas por choque elétrico, cabelos arrancados, etc. Capacete de segurança PROTEÇÃO AUDITIVA Contra níveis de ruído que ultrapassem os limites de tolerância. Protetores de inserção (moldáveis ou não) Protetores externos (tipo concha) PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA Contra gases ou outras substâncias nocivas ao organismo que tenham por veículo de contaminação as vias respiratórias. Respiradores com filtros mecânicos, químicos ou com a combinação dos dois tipos, etc. PROTEÇÃO DO TRONCO Contra os mais variados tipos de agentes agressores. Aventais de napa ou couro, de PVC, de lona e de plástico, conforme o tipo de agente. PROTEÇÃO DOS MEMBROS SUPERIORES Contra materiais cortantes, abrasivos, escoriantes, perfurantes, térmicos, elétricos, químicos, biológicos e radiantes que podem provocar lesões nas mãos ou provocar doenças por intermédio delas. Luvas de malhas de aço, de borracha, de neoprene e vinil, de couro, de raspa, de lona e algodão, Kevlar, etc. PROTEÇÃO DOS MEMBROS INFERIORES Contra impactos, eletricidade, metais em fusão, umidade, produtos químicos, objetos cortantes ou pontiagudos, agentes biológicos, etc. Sapatos de segurança Perneiras Polainas Botas (com biqueiras de aço, isolantes, etc., fabricados em couro, lona, borracha, etc.) Tabela 1.1 – EPI CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 38 2.10 - Localização de máscaras de fuga, chuveiro lava olhos e chuveiro de segurança – Chuveiro de Segurança e Lava-olhos Os Equipamentos de Proteção Coletiva devem, obrigatoriamente, estar em locais onde ocorram o manuseio de produtos químicos, ou onde houver maior risco de queimaduras provocadas pelo calor. Em geral, estes equipamentos estão sinalizados pela cor verde, que é a cor utilizada para EPC. Figura 22 - Chuveiros de segurança e lava olhos Máscara de Fuga A máscara de fuga é um equipamento de proteção respiratória (EPR) que tem a finalidade proteger o usuário da presença de gases e fumaça. Figura 23 - Mascara de fuga CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 39 2.11 - EFEITOS E PREUCAÇÕES CONTRA A PRESENÇA DE GASES TÓXICOS Nos diversos trabalhos realizados em plataforma de petróleo, como, por exemplo, produção, existe a possibilidade da presença de gases tóxicos e/ou asfixiantes, associados, ainda, a outras atividades como drenagem, limpeza, lavagem e purga de um tanque. Gases nocivos aparecem tornando à vida insustentável no ambiente. Gases do petróleo O principal efeito dos gases de petróleo é a narcose. Os sintomas incluem dor de cabeça e irritação nos olhos, com perda do controle e tonteira, similares à embriaguez. Em concentrações altas, estes sintomas são seguidos por paralisia, falta de sensibilidade e morte. A toxicidade dos gases de petróleo pode variar muito, dependendo dos hidrocarbonetos neles contidos. Ela pode ser grandemente influenciada pela presença de alguns dos componentes menos importantes, tais como: hidrocarbonetos aromáticos (por exemplo, benzeno) e sulfeto de hidrogênio. O TLV (Threshold Limit Value) representa o valor limite tolerável de uma substância química, o qual se acredita que um trabalhador possa ser exposto, por 8 horas/dia, sem que ocorram efeitos adversos à sua saúde. Um TLV de 300ppm foi estabelecido para os vapores da gasolina. Este número pode ser usado como um guia geral para os gases de petróleo, porém não deve ser aplicável para misturas de gases contendo benzeno ou sulfeto de hidrogênio. Visto que o TVL é uma indicação de como uma substância é tolerável durante um trabalho de 8 horas semanal, o corpo humano pode tolerar curtos períodos de concentração um pouco maiores que o TLV. Os efeitos típicos em concentrações mais altas são os seguintes: a) 0,1% vol. (1.000ppm) Irritação dos olhos dentro de 1 hora; b) 0,2% vol. (2.000ppm) Irritação dos olhos, nariz e garganta; tonteira e desequilíbrio em 30 minutos; c) 0,7% vol. (7.000ppm) Sintomas como de embriaguez em 15 minutos; e d) 2,0% vol. (20.000ppm) Paralisia e morte ocorremmuito rapidamente. O cheiro das misturas dos gases de petróleo é muito variável e em alguns casos os gases podem enganar o olfato. A diminuição do olfato é especialmente séria se a mistura contiver sulfeto de hidrogênio. Por essa razão, deve ser enfatizado que a ausência de cheiro nunca deve ser indício da ausência de gás. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 40 - Efeitos do H2S Este é um dos piores agentes ambientais agressivos ao ser humano, justamente pelo fato de que em concentrações elevadas, o sistema olfativo não consegue detectar a sua presença. Em concentrações superiores a 8,0 PPM, que é o seu limite de tolerância, o gás sulfídrico causa: Sintoma/Consequência Nível de Concentração de H2S (PPM) Irritações 50 – 100 PPM Problemas respiratórios 100 a 200 Inconsciência 500 a 700 Morte 700 - Efeitos do CO - Monóxido de Carbono Por não possuir odor e cor, o monóxido de carbono pode permanecer por muito tempo em ambientes confinados sem que se perceba sua presença. Caso seja o trabalhador exposto a concentrações superiores ao seu limite de tolerância (39 PPM), poderá sentir: Sintoma/Consequência Nível de Concentração de CO (PPM) Dor de cabeça 200 Palpitação 1000 a 2000 Inconsciência 2000 a 2500 Morte 4000 Tabela 1.2 – Efeito do CO CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 41 2.12 – TRABALHO EM ESPAÇO CONFINADO Segundo a Norma Regulamentadora (NR) 33, espaço confinado é “qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente seja insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir deficiência ou enriquecimento de oxigênio” - Perigos do trabalho em espaços confinados A entrada em espaços confinados é o trabalho mais perigoso que se realiza a bordo de uma unidade offshore. Antes da entrada em um espaço confinado, é necessário que se avalie cada risco em particular, para que sejam identificados os perigos existentes e os potenciais, através de uma APR (análise preliminar de risco), Check List, PT, PET. Abaixo estão citados alguns riscos que podem ser encontrados: Falta ou excesso de oxigênio; Risco de explosão e incêndio; Infecção por agentes biológicos; Risco de inundação e alagamento; Ausência de ventilação natural; Intoxicação por substâncias químicas; Risco de soterramento e desabamento; Risco de choque elétrico; Quedas; Esmagamento; e Outros que possam afetar a segurança e saúde dos trabalhadores. - Precauções para a Entrada As instruções gerais para a atividade em espaço confinado estabelecem os requisitos mínimos para identificação, reconhecimento, monitoramento e controle dos riscos existentes, de forma a garantir permanentemente a segurança e saúde dos trabalhadores. Os principais riscos oferecidos por um espaço confinado são os atmosféricos e os físicos. As seguintes precauções devem ser tomadas, antes de entrar em um espaço confinado: Fazer a verificação do teor de oxigênio presente na atmosfera local, considerando que o ser humano necessita de uma concentração de oxigênio entre 19,5 e < 23%. Portanto deve ser adotada como precaução básica a medição da concentração de O₂ no ambiente, antes da entrada em compartimento definido como confinado; Verificar a presença de vapores inflamáveis ou gases tóxicos, que podem ser causados pela evaporação de líquidos inflamáveis, ou pela reação química de substâncias tóxicas ou inflamáveis. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 42 Figura 24 - Trabalho em espaço confinado Verificar a presença de radiações, que podem ser causadas pelo uso de instrumentos medidores de níveis de fontes radioativas, ou provenientes da luz ultravioleta emitida pelo arco elétrico, quando dos trabalhos de soldagem. Medição das Condições Atmosféricas a) Verificar a temperatura do ambiente e utilizar roupas adequadas, caso esteja muito alta ou muito baixa; b) Verificar a necessidade de desenergizar os circuitos elétricos dos equipamentos alocados no mesmo; c) Antes de pisar, verificar se a superfície está sólida e firme, lembrando que grãos, talco, areia, lama ou outros materiais podem ceder ao peso do corpo e provocar afundamento e asfixia ao trabalhador; d) Verificar o estado da superfície no fundo do espaço confinado, lembrando- se que as superfícies úmidas, além de tornarem-se escorregadias, podem causar choque elétrico no trabalhador; e e) Verificar o nível de ruído presente, levando em consideração que as características do espaço confinado podem provocar um efeito de amplificação acústica. De acordo com a Norma Regulamentadora - 33 (NR), os serviços em locais identificados como espaço confinado só podem ser executados após a liberação de uma CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 43 Permissão de Entrada e Trabalho (PET). As medidas técnicas de prevenção, recomendadas pela NR-33, são: a) Identificar, isolar e sinalizar os espaços confinados para evitar a entrada de pessoas não autorizadas; b) Antecipar e reconhecer os riscos nos espaços confinados; c) Proceder à avaliação e controle dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos; d) Prever a implantação de travas, bloqueios, alívio, lacre e etiquetagem; e) Implementar medidas necessárias para eliminação ou controle dos riscos atmosféricos em espaços confinados; f) Avaliar a atmosfera nos espaços confinados antes da entrada de trabalhadores, para verificar se o seu interior é seguro; g) Manter condições atmosféricas aceitáveis na entrada e durante toda a realização dos trabalhos, monitorando, ventilando, purgando, lavando ou inertizando o espaço confinado; h) Monitorar continuamente a atmosfera nos espaços confinados nas áreas onde os trabalhadores autorizados estiverem desempenhando as suas tarefas, para verificar se as condições de acesso e permanência são seguras; i) Proibir a ventilação com oxigênio puro; j) Testar os equipamentos de medição antes de cada utilização; e k) Utilizar equipamento de leitura direta, intrinsecamente seguro, provido de alarme, calibrado e protegido contra emissões eletromagnéticas ou interferências de radiofrequência. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 44 2.13 - DISCIPLINA OPERACIONAL A disciplina operacional em uma MODU é baseada num conjunto de procedimentos operacionais que balizam todas as atividades de manutenção de equipamentos e sistemas existentes a bordo. Entende-se por manutenção as atividades de reparo, instalação e substituição. Esses procedimentos foram criados de forma que toda a atividade realizada a bordo da MODU possa ser conduzida de forma a garantir a segurança das pessoas a bordo, a integridade operacional da unidade e o meio ambiente. Um fator fundamental da disciplina operacional a bordo de uma MODU é a rastreabilidade da permissão de trabalho - PT. Com ela é possível monitorar o andamento dos serviços realizados. Definições: Formulário de Permissão para Trabalho Documento padronizado que, a critério da Unidade, pode ser específico para um determinado tipo de trabalho ou ser constituído por formulário único que seja aplicável a qualquer tipo de trabalho. GEPLAT (Gerente de Plataforma) Empregado de maior nível hierárquico da Unidade Marítima. Nível de Segurança Adequado Aquele em que os riscos do equipamento, da área onde se realiza o trabalho e das áreas adjacentes estão controlados, não sofrendo alterações dos padrões de segurançaao longo do tempo de execução desse trabalho. Permissão para Trabalho (PT) Autorização dada por escrito, em documento próprio, para a execução de trabalhos de manutenção, montagem, desmontagem, construção, reparos ou inspeções que envolvam riscos à integridade do pessoal, às instalações, ao meio ambiente, à comunidade ou à continuidade operacional. Permissão para Trabalho Combinada (PTC) É uma permissão para trabalho em equipamento ou sistema sob responsabilidade de uma gerência, coordenação ou supervisão, mas localizado em área sob responsabilidade de outra. Permissão para Trabalho Temporária (PTT) É a permissão para trabalho, em documento próprio, por prazo determinado, que autoriza a execução de trabalhos em equipamentos ou sistemas definidos, desde que não haja alterações de risco na área do trabalho ou nas áreas adjacentes. Recomendações Adicionais de Segurança (RAS) Orientações que buscam estabelecer medidas de segurança complementares a serem adotadas na execução de trabalhos específicos, cujo risco pressupõe a adoção de cuidados especiais. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 45 Equipamento Classe A Aquele que contém ou que tenha contido produtos tóxicos, asfixiantes, corrosivos, inflamáveis ou combustíveis. Equipamento Classe B Aquele que não contém ou não tenha contido produtos tóxicos, asfixiantes, corrosivos, inflamáveis ou combustíveis. Condições Gerais Cada Unidade estabelece e implementa critérios para a limitação das liberações de trabalhos simultâneos para a construção, comissionamento, manutenção e operação, que sejam compatíveis com as suas peculiaridades. Antes de iniciar um trabalho que envolva riscos à integridade pessoal, às instalações, ao meio ambiente, à comunidade ou à continuidade operacional, o executante deve obter uma Permissão para Trabalho (PT), que consiste em uma autorização por escrito, em documento próprio, para a execução de trabalhos de: manutenção, montagem, desmontagem, construção, reparos e inspeções. Nas Permissões para Trabalho estão anotadas todas as recomendações de segurança que devem ser cumpridas na execução dos serviços. Caso alguma recomendação de segurança não esteja sendo cumprida, a permissão de trabalho PT poderá ser cancelada. Em casos de emergência a PT também fica automaticamente cancelada. A emissão de uma Permissão para Trabalho deve constituir-se em um processo administrativo composto por três etapas: a) Decisão sobre a necessidade e priorização da intervenção ou mudança; b) Planejamento da intervenção ou mudança; e c) Autorização para realização da intervenção ou mudança (emissão da PT). CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 46 Estudo de Caso Um dos maiores acidentes ocorridos com plataformas de petróleo foi o incêndio na Piper Alfa, localizada no Mar do Norte, em 1988, quando houve a perda total da unidade. O desastre começou com um procedimento de manutenção rotineiro. Uma bomba condensadora de propano na área de processo necessitava ter sua válvula de segurança de pressão verificada a cada 18 meses. A válvula fora removida, deixando um espaço na bomba onde ela era instalada. Devido aos trabalhadores não terem conseguido todo o equipamento que eles precisavam até às 18 horas, eles pediram e receberam permissão para deixar o resto do trabalho para o dia seguinte. Mais tarde, à noite, durante o turno de trabalho seguinte, um pouco antes das 22 horas, falhou a bomba condensadora primária. As pessoas na sala de controle, que estavam encarregadas de operar a plataforma, decidiram dar partida na bomba reserva, sem saber que ela estava em manutenção. Produtos gasosos escaparam do buraco deixado pela válvula com tal força que os trabalhadores descreveram o ruído como similar ao grito de uma fada. Aproximadamente às 22 horas, o gás acendeu e explodiu. A força da explosão derrubou a parede corta-fogo que separava partes diferentes da instalação de processamento, e em breve grandes quantidades de óleo armazenado estavam queimando sem controle. O sistema de dilúvio automático, projetado para borrifar água em tais incêndios para contê-los ou apagá-los, não chegou a ser ativado, porque estava em modo manual, devido à operações com mergulho. Aproximadamente vinte minutos depois da explosão inicial, às 22h20, o fogo tinha se espalhado e tinha ficado quente o suficiente para debilitar e então estourar os dutos de gás provenientes das outras plataformas. Poucos operadores escaparam da morte ao se atirarem no mar de uma altura de aproximadamente 50 metros. A plataforma derreteu com o calor e afundou, matando 167 pessoas. A maioria das mortes foi devido à asfixia por inalação de fumaça na área dos alojamentos. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 47 3.0 - PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO E FISCALIZAÇÃO 3.1 – Prevenção da Poluição – Os efeitos nocivos da poluição A poluição marinha ocorre porque tanto os mares quanto os oceanos recebem, diariamente, uma infinidade de poluentes como esgoto doméstico, industrial e lixo que são levados pelos rios e deságuam no mar. Estimativas revelam que cerca de 14 bilhões de toneladas de lixo são acumuladas nos oceanos todos os anos. Nos últimos 25 anos, a poluição dos oceanos chegou a ser matéria de interesse internacional. A maior parte da poluição marinha provém da terra, provocada por subprodutos industriais, pesticidas e herbicidas de uso agrícola, e esgoto sanitário de áreas urbanas. Entretanto, uma significativa quantidade de poluição é causada pelas embarcações e por outras atividades marítimas. O maior contaminante das operações marítimas, em termos de toneladas, é o petróleo. Figura 25 - Poluição 3.2 – A legislação brasileira sobre poluição A Lei 9985 de 18 de junho de 2000 institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, estabelece critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação. A Lei 9.966/00 de 28/04/2000, também chamada de “Lei do Óleo”, dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição causada pelo lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas brasileiras, e dá outras providências. Essa Lei aplica-se à embarcações nacionais, portos organizados, instalações portuárias, dutos, plataformas e suas instalações de apoio, em caráter complementar a MARPOL 73/78; às embarcações, plataformas e instalações de apoio estrangeiras, cuja bandeira seja ou não de país contratante da MARPOL 73/78, quando em águas brasileiras; às instalações portuárias especializadas em outras cargas que não óleo e substâncias nocivas ou perigosas, e aos estaleiros, marinas, clubes náuticos e outros locais e instalações similares. A Lei 9966 classifica as CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 48 substâncias nocivas ou perigosas nas seguintes categorias, de acordo com o risco produzido quando descarregadas na água: Categoria A: Alto risco tanto para a saúde humana como para o ecossistema aquático; Categoria B: Médio risco tanto para a saúde humana como para o ecossistema aquático; Categoria C: Risco moderado tanto para a saúde humana como para o ecossistema aquático; Categoria D: Baixo risco tanto para a saúde humana como para o ecossistema aquático. O Decreto 4136 de 20/02/2002 dispõe sobre a especificação das sanções aplicáveis às infrações às regras de prevenção, controle e fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional, prevista na Lei nº 9.966, de 28 de abril de 2000, e dá outras providências. O órgão federal demeio ambiente divulgará e manterá atualizada a lista das substâncias classificadas neste artigo, devendo a classificação ser, no mínimo, tão completa e rigorosa quanto a estabelecida pela MARPOL 73/78. 3.3 – Principais fontes poluidoras A poluição pode ser causada intencionalmente ou por acidentes. A poluição intencional pode ser denominada como operacional ou rotineira, pois é oriunda do dia a dia do funcionamento dos equipamentos e serviços. Esta inclui situações como: Lançamento ao mar de resíduos dos tanques de lastro ou de combustível; Descarga de água proveniente dos tanques de carregamento de petróleo; Lançamento de resíduos da lavagem dos tanques; Descarga no mar de água contaminada com óleo proveniente da praça de máquinas; Lançamento de lixo; Descarga de esgoto sanitário. A poluição acidental pode acontecer em qualquer lugar, entretanto sua ocorrência é mais comum em operações de transporte envolvendo navios petroleiros. Pode ocorrer devido a: Transbordamento de tanques; Manejo incorreto de válvulas; Falha de equipamentos; Lançamento de lixo; Rompimento do casco. Os aspectos que diferenciam os dois tipos são as quantidades desses vazamentos e o período de ocorrência. Na poluição rotineira, as quantidades vazadas são pequenas e ocorrem quase que diariamente. Na poluição acidental, o derramamento acontece esporadicamente com uma quantidade grande de óleo. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 49 As medidas de poluição rotineiras são medidas de prevenção, para evitar a poluição e sua produção. As medidas acidentais são corretivas, para que as áreas afetadas pela poluição sejam restauradas. Um dos piores desastres de vazamento de petróleo foi o acidente ocorrido com o navio Exxon Valdez. No dia 24 de março de 1989, o petroleiro bateu em recifes submersos no Alasca, provocando o rompimento do seu casco e o derramamento de aproximadamente 40.000 toneladas de óleo. Os efeitos do vazamento foram de uma verdadeira catástrofe ecológica. Durante seis meses após o acidente, a empresa Exxon (proprietária do navio) gastou 2 bilhões de dólares na tentativa de limpeza das rochas e praias e no salvamento de animais. Após isso, a empresa deu como terminada a limpeza, afirmando que a natureza faria o resto. Investigações foram feitas e as conclusões para a ocorrência deste infortúnio incluíram falta de treinamento da tripulação e problemas estruturais do casco (até então, não havia exigência da construção de casco duplo para navios petroleiros). 3.4- PROCEDIMENTOS BÁSICOS PARA PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO NO MEIO AMBIENTE MARINHO Para prevenção e controle da poluição no ambiente marinho é necessário observar os procedimentos específicos na legislação pertinente e o licenciamento da atividade. De forma geral, alguns procedimentos podem ser aplicados no nosso dia a dia: Todo resíduo deve ser desembarcado ou, quando aplicável, triturado para Figura 26 - Fontes poluidoras lançamento no mar. A queima de lixo a céu aberto é terminantemente proibida; O esgoto, sempre que possível, deve ser tratado previamente, sendo proibido o lançamento em águas costeiras; Treinamento da tripulação com relação às convenções internacionais vigentes, com uma atenção especial à realização de exercícios direcionados ao plano de contingência para derramamento de óleo (SOPEP), para que este seja acionado de forma hábil e planejada; e CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 50 Realização de manutenção dos equipamentos de bordo, a fim de garantir seu bom funcionamento. Principais Fontes de Poluição e seus Efeitos sobre o Ambiente Marinho: Tipo Fontes primárias Efeitos Nutrientes Esgoto doméstico, fertilizantes agrícolas e gases produzidos por termelétricas, carros e afins. Superpopulação de algas costeiras, cuja decomposição exaure o oxigênio da água matando peixes. Ocorrência de marés vermelhas. Sedimentos Escoamento da mineração, atividades florestais agrícolas e outras formas de uso da terra; mineração e dragagem na costa. Turvação da água. Impedimento da fotossíntese abaixo da superfície. Entupimento das brânquias dos peixes. Soterramento de ecossistemas costeiros. Carregamento de compostos tóxicos e do excesso de nutrientes. Agentes patogênicos Esgoto e criação de gado. Contaminação de banhistas e dos frutos do mar. Disseminação de cólera, febre e outras doenças. Tóxicos de longa vida Despejo industrial, água residual de cidades, pesticidas, resíduos líquidos de aterros sanitários. Envenenamento ou disseminação ou disseminação de doenças na vida marinha costeira. Contaminação de frutos do mar. Bioacúmulo de compostos solúveis na gordura de predadores. Petróleo 46% escoada de automóveis, maquinário pesado, indústria e outras fontes terrestres; 32% das atividades em petroleiros e afins; 13% de acidentes no mar e resultado de prospecções e de infiltrações naturais. A contaminação em níveis baixos pode matar larvas e causar doença da vida marinha nos habitats costeiros e bentônicos. Bolas de piche formadas pela coagulação de óleo sujam as praias e as aves marinhas. Espécies introduzidas Algumas milhares de espécies em trânsito diário na água de lastro de navios, também nos canais que interligam corpos d’água e projetos de criação de peixes. Vantagem competitiva sobre as espécies nativas e redução da diversidade biológica marinha. Introdução de novas doenças. Contribuição para a incidência das marés vermelhas e de outras espécies de algas em excesso. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 51 Plásticos Redes de pesca abandonadas, navios de carga e turísticos, poluição das praias, resíduos de indústrias plásticas, de aterros sanitários e de lixo doméstico Acessórios de pesca descartados continuam a aprisionar peixes e animais marinhos. Entulhos plásticos menores são ingeridos por animais marinhos e os asfixiam. Poluição das praias. 3.5 - ÁGUAS JURISDICIONAIS BRASILEIRAS (AJB) E A COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE MARÍTIMA A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito no Mar (CNDUM), assinada em Montego Bay, Jamaica, em 1982, define os conceitos de Mar Territorial, Zona Contígua, Zona Econômica Exclusiva e Plataforma Continental. De acordo com a Norma da Autoridade Marítima – NORMAM-08, são consideradas Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB): a) As águas abrangidas por uma faixa de 12 milhas marítimas de largura, medidas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental e insular brasileiro, tal como indicada nas cartas náuticas de grande escala, reconhecidas oficialmente no Brasil, que constituem o Mar territorial. b) As águas abrangidas por uma faixa que se estende das 12 às 200 milhas marítimas, contadas a partir das linhas de base que servem para medir o Mar Territorial, que constituem a Zona Econômica Exclusiva (ZEE); c) As águas sobrejacentes à Plataforma Continental quando esta ultrapassar os limites da Zona Econômica Exclusiva; d) As águas interiores, compostas das hidrovias interiores, assim considerados rios, lagos, canais, lagoas, baías, angras e áreas marítimas consideradas abrigadas. A IMO exige que cada Governo possua uma Autoridade Marítima, que será a responsável pela patrulha, inspeção e fiscalização do cumprimento das Normas da IMO referentes a salvaguarda da vida humana no mar, prevenção a poluição e busca e salvamento no mar. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 52 3.6 - ORGANIZAÇÃO DISTRITAL DA MARINHA DO BRASIL FOCALIZANDO AS CAPITANIAS DOS PORTOS, SUAS DELEGACIAS E AGÊNCIAS COMO AGENTES LEGAIS DA AUTORIDADE MARÍTIMAPara realizar sua missão, a Marinha conta com uma organização distrital, das quais destacamos as seguintes atribuições: a) Controlar o tráfego e permanência das embarcações nas águas sobre jurisdição nacional; b) Supervisionar a entrada e saída de portos atracadouros, fundeadouros e marinas; c) Inspeções navais e vistorias; d) Registro e certificação de helipontos das embarcações e plataformas, com vistas à homologação por parte do órgão competente . Figura 27 - Mapa Distrital CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 53 3.7 - FISCALIZAÇÃO: “PORT STATE” E “FLAG STATE” De acordo com a NORMAM 07 – Normas da Autoridade Marítima para Inspeção Naval, a Inspeção de Controle pelo Estado de Bandeira (Flag State Control), é a atividade administrativa relativa ao controle pelo Estado de Bandeira, que efetua a fiscalização dos requisitos legais de segurança em embarcações nacionais e estrangeiras com inscrição temporária (AIT) para operação em Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB), tal como estipulado nos diversos instrumentos obrigatórios da Organização Marítima Internacional (IMO), em Acordos Internacionais dos quais o Brasil é signatário e na Legislação Nacional. A Inspeção de Controle pelo Estado do Porto (Port State Control) é a atividade administrativa relativa ao controle pelo Estado Costeiro, que efetua a fiscalização dos requisitos legais de segurança em embarcações de bandeira estrangeira que chegam a seus portos, em conformidade com as prescrições das Convenções Internacionais ratificadas pelo Brasil e Resoluções pertinentes emitidas pela IMO, bem como as orientações adotadas pelo Acordo Latino-Americano Sobre Controle de Navios pelo Estado do Porto (Acordo de Viña del Mar), do qual o Brasil faz parte. 3.8 - PASSAGEIRO CLANDESTINO A BORDO E TERRORISMO – Passageiro Clandestino: Entende-se passageiro clandestino qualquer pessoa que, num porto, se oculte no navio sem o consentimento do seu proprietário, ou do Comandante, ou de qualquer outra pessoa que explore o navio, e se encontre a bordo depois deste ter deixado o porto. – Terrorismo: pode ser definido como um modo de coagir, ameaçar ou influenciar outras pessoas, ou de impor-lhes a vontade pelo uso sistemático do terror. É uma forma de ação movida por uma ideologia, seja ela de origem religiosa, política ou social, que combate o poder estabelecido mediante o emprego da violência. Figura 28 - Port State e Flag State. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 54 No Brasil, a Lei 13260 de 13/03/2016 regulamenta o disposto no inciso XLIII do art. 5º da Constituição Federal, disciplinando o terrorismo, tratando de disposições investigatórias e processuais e reformulando o conceito de organização terrorista e altera as Leis nos7.960, de 21 de dezembro de 1989, e 12.850, de 2 de agosto de 2013. Em seu artigo 2º define que terrorismo consiste na prática, por um ou mais indivíduos, dos atos previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública. 3.9 - PIRATARIA E ATOS ILÍCITOS COMO ASSALTO OU ROUBO Um dos temas que preocupam, não só os juristas e estadistas, mas, por igual, os usuários do transporte marítimo, é o apoderamento ilícito da embarcação, isto é, toda e qualquer ação violenta praticada em alto mar por um navio privado, ou por alguém, contra outro navio, com o intuito de auferir lucro. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito no Mar (CNDUM), assinada em Montego Bay, Jamaica, em 1982, define como pirataria quaisquer dos seguintes atos: a) todo ato ilícito de violência, ou de detenção, ou todo ato de depredação cometido, para fins privados, pela tripulação ou pelos passageiros de um navio, ou de uma aeronave privados, e dirigidos contra: i) um navio ou uma aeronave em alto mar ou pessoas ou bens a bordo dos mesmos; ii) um navio ou uma aeronave, pessoas ou bens em lugar não submetido à jurisdição de algum Estado; b) todo ato de participação voluntária na utilização de um navio ou de uma aeronave, quando aquele que o pratica tenha conhecimento de fatos que dêem a esse navio ou a essa aeronave o caráter de navio ou aeronave pirata; c) toda a ação que tenha por fim incitar ou ajudar intencionalmente a cometer um dos atos enunciados nas alíneas a) ou b). Vale ressaltar que todos esses atos descritos na CNUDM, para que possam configurar pirataria, deverão de ser praticados em lugar não submetido à jurisdição de um Estado, sob pena de serem considerados outros tipos penais previstos na legislação interna de tal Estado, delitos estes classificados pela Organização Marítima Internacional como roubo armado contra navios, conforme dispõe a Resolução A.922(22). Este assunto é também disciplinado na Convenção para Supressão de Atos Ilícitos contra a Segurança da Navegação Marítima (SUA Convention), também conhecida como Convenção de Roma de 1988. Ela foi criada com a finalidade de suprir a anomia existente na CNUDM no sentido de ser elemento da pirataria o fim privado do ato, dessa forma, não integrando o tipo condutas baseadas em outros fins, como, por exemplo, políticos e religiosos. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 55 II) PRIMEIROS SOCORROS ELEMENTARES 1 – Introdução aos primeiros socorros. ....................................................................... 56 1.1 – Regras básicas para emergências de saúde ..................................................... 56 1.2 - Como acionar o alarme ou comunicar uma situação de emergência. ................ 58 1.3 - Técnicas de resgate e transporte ........................................................................ 59 1.4 - Assistência médica na unidade offshore e nas proximidades ............................. 59 1.5 - A importância da higiene e da saúde pessoal a bordo ....................................... 60 2.0 – Corpo humano .................................................................................................... 63 2.1 - Estrutura óssea e muscular. ............................................................................... 63 2.2 - Principais órgãos e funções ................................................................................ 65 2.3 - Sistemas. ............................................................................................................ 66 3.0 – Procedimentos de primeiros socorros. ............................................................... 70 3.1 – A necessidade de reanimação e primeiras medidas – ABCDE da vida ............. 70 3.2 – Sinais de CHOQUE. ........................................................................................... 73 3.3 - Hemorragia ......................................................................................................... 75 3.4 - Queimaduras. ......................................................................................................77 3.5 - Tipos de traumatismos. ....................................................................................... 81 3.6 – Ataduras, curativos, imobilizações e condução ................................................. 85 3.7 – Transporte por embarcação ou helicóptero. ...................................................... 90 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 56 1.0 – INTRODUÇÃO AOS PRIMEIROS SOCORROS 1.1 – Regras básicas para emergências de saúde Os primeiros socorros são as atenções imediatas prestada a uma pessoa cujo estado físico colocaem perigo sua vida, com o propósito de manter suas funções vitais e evitar agravamento de suas condições, até que possa receber socorro médico especializado. Objetivos Salvar vidas; Aliviar a dor; Evitar piora posterior; Promover a recuperação; e Servir como elo entre o momento do acidente e a chegada de ajuda profissional. - Aptidões do Socorrista O socorrista deve ter habilidade e capacidade para identificar e avaliar com precisão o que deve ser feito, com bom senso e eficiência. - Observações importantes Manter a calma; Avaliar a cena quanto à presença de situações de risco, a fim de preservar sua segurança e de sua equipe, incluindo quem estiver nas proximidades; Solicitar apoio; Atentar para a segurança e biossegurança (item considerado de suma importância na manipulação do paciente); e Verificar o número de vítimas. Figura 33 - Primeiros Socorros. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 57 – Suporte Básico de Vida (SBV) É o conjunto de medidas e procedimentos, através de protocolos, que objetivam o suporte de vida da vítima, até a chegada do socorro especializado. Avaliação Inicial do Trauma O Socorrista deverá fazer as seguintes perguntas: O que aconteceu? Possibilita ao socorrista prever as possíveis lesões do acidentado Número de vítimas? Possibilita ao socorrista gerenciar os recursos humanos e materiais para o atendimento. Cena Segura? O socorrista só poderá prestar atendimento à vítima quando tiver segurança estabelecida para si e para sua equipe, visando não aumentar o número de vítimas. Uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) Para atender uma vítima, o socorrista deverá utilizar o EPI compatível com os riscos da cena. Na impossibilidade de atender a todas as necessidades, deverão ser usadas, no mínimo, luvas de procedimento. Figura 34 - Luvas de procedimentos em Primeiros Socorros. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 58 Primeira Impressão Antes mesmo de tocar a vítima, o socorrista deve fazer uma visualização do estado geral da mesma, buscando informações sobre o que possa ter levado o indivíduo a tornar-se vítima, como por exemplo: queimaduras, hemorragias, ferimentos, etc. Nível de Consciência Para avaliar o nível de consciência, o socorrista deverá utilizar o método AVI, a saber: A – Alerta – Vítima acordada, interagindo com o socorrista. V – Estímulo Verbal – Vítima só responde após ser chamada. I – Inconsciente – Vítima não responde aos estímulos verbais. 1.2 - COMO ACIONAR O ALARME OU COMUNICAR UMA SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA. Procedimentos de emergência são necessários para atendimento a casos de acidente, ou qualquer outra situação inesperada que atente contra a vida dos tripulantes, passageiros ou da propriedade. Geralmente, um acidente ou emergência pode ser resolvido rapidamente se o processo correto for executado nos primeiros instantes. Uma emergência pequena pode transformar-se em uma situação sem controle. Detectada a emergência, a atitude inicial adequada pode fazer a diferença entre a vida e a morte. - Sinais de Emergência Qualquer pessoa à bordo, ao tomar conhecimento da ocorrência de uma emergência, deverá comunicá-la, para que sejam tomados os procedimentos necessários ao seu controle. Para permitir a difusão das emergências, à bordo encontraremos diversos equipamentos de comunicação interligados diretamente à Sala de Controle, a quem caberá acionar os sinais de alarme de emergência, após dado ciência ao Gerente da Plataforma/OIM. Figura 35 - Telefone de emergência. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 59 1.3 - TÉCNICAS DE RESGATE E TRANSPORTE A remoção da vítima do local do acidente é uma tarefa que requer da pessoa prestadora dos primeiros socorros o MÁXIMO DE CUIDADO E CORRETO DESEMPENHO. Antes da remoção: CONTROLAR hemorragias; IMOBILIZAR membros com suspeita de fratura; EVITAR o estado de choque, se NECESSÁRIO. Para o transporte da vítima à bordo da Unidade Offshore podemos utilizar meios habitualmente empregados (Macas ou Padiolas) ou recursos improvisados: Ajuda de pessoas; Maca; Cadeira; Tábua; Cobertor; e Porta ou outro material disponível. Orientações gerais para o transporte de vítimas Se o acidentado tiver que ser levantado antes de um exame para verificação das lesões, cada parte do seu corpo deverá estar apoiada. O corpo deverá ser mantido sempre em linha reta, não devendo ser curvado em nenhum momento; Se o acidentado necessitar ser puxado para um local seguro, faça-o pela direção da cabeça ou dos pés, mas nunca pelos lados. Certifique-se que a cabeça da vítima está protegida; e Quando não houver maca, ainda que improvisada, adote os métodos de 1, 2 ou 3 socorristas, lembrando que os métodos que empregam 1 ou 2 socorristas não podem ser utilizados na ocorrência de fraturas ou outras lesões mais graves. Nestes casos empregue o método de 3 socorristas. 1.4 - ASSISTÊNCIA MÉDICA NA UNIDADE OFFSHORE E NAS PROXIMIDADES Cada unidade tem os profissionais da área de saúde responsáveis pelo atendimento aos tripulantes: Médicos, Enfermeiros, Técnicos de Enfermagem e Equipes de Socorristas. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 60 Assistências: Unidades próximas do local do acidente: Unidades capazes de oferecer apoio rápido em situações de emergência (Embarcações). Marinha: responsável pela defesa e apoio em águas brasileiras. Figura 36 - Plataforma Marítima: Enfermaria e Assistência Médica. 1.5 - A IMPORTÂNCIA DA HIGIENE E DA SAÚDE PESSOAL À BORDO - Rotina de higiene É um conjunto de hábitos de limpeza e asseio com que cuidamos do nosso corpo. Estes hábitos devem estar presentes no nosso dia a dia, pois acabam por influenciar no relacionamento intersocial, promovendo a adoção de comportamentos, que viram normas de vida em caráter individual, como: Manter as roupas limpas Escovar os dentes e usar fio dental Esfregar-se bem durante o banho Lavar os cabelos Lavar as mãos antes das refeições e antes e após usar o banheiro Unhas aparadas Usar antisséptico Lavar e secar áreas de contato, como virilha, axila, entre os dedos e orelhas. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 61 - Saúde Física e Mental Figura 37 - Pasta de dentes, escova, fio dental e limpador de língua Durante a folga, faz-se necessária a manutenção do sono para descanso do corpo, após a jornada de trabalho. Praticar esportes ou exercícios físicos, leitura, jogos para entretenimento e o convívio social são igualmente importantes para equilibrar a saúde física e mental. Figura 38 - Saúde física e mental: dormir, controlar a pressão, entretenimentos - Rotina de limpeza do ambiente e controle de infecção Infecção é a entrada de microrganismos no organismo humano, e sua multiplicação causando uma resposta imunológica. É possível evitar e controlar as infecções com hábitos de higiene, coleta seletiva, lavando alimentos antes do consumo, mantendo ambientes limpos e arejados, lavando as mãos quando necessário, não jogando objetos no vaso sanitário evitando entupimentos, filtragem da água e etc. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 62 Figura 38 - Não se deve jogar objetos no vaso CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 63 2.0 – CORPO HUMANO 2.1 - ESTRUTURA ÓSSEA E MUSCULARA estrutura óssea e muscular é formada pelo sistema músculo esquelético. Esse sistema é formado por ossos, músculos e articulações. O esqueleto desempenha várias funções importantes: sustentação, movimentação, proteção e modelagem. O conhecimento da estrutura óssea é importante para se avaliar o risco de lesões internas ocasionadas por ossos partidos que possam atingir órgãos importantes, bem como a correta imobilização em caso de fraturas. Figura 39 - Estrutura óssea CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 64 - Músculos Os músculos são tecidos ativos do movimento. Eles possuem a capacidade de contrair-se e de relaxar-se e, em consequência, transmitirem movimentos aos ossos sobre os quais se inserem. Os músculos têm uma variedade grande de tamanho e formato, de acordo com a sua disposição de local de origem e de inserção. Existem cerca de 600 músculos no corpo humano. Figura 2.9 - Musculatura humana CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 65 2.2 - PRINCIPAIS ÓRGÃOS E FUNÇÕES Os agrupamentos de células podem formar tecidos diversos, e estes, por sua vez, formam órgãos diferentes que interagem para desempenhar uma determinada função no organismo. Encéfalo: é o principal órgão do nosso corpo, composto pelo cérebro, bulbo e tronco encefálico. É responsável por todas as funções biológicas do nosso corpo. Coração: órgão involuntário, oco e muscular que tem a função de uma bomba contrátil propulsora, possibilitando que o sangue circule por todo o corpo. Pulmões: órgão do sistema respiratório que tem funções variáveis, porém a mais importante delas é realizar a hematose (troca gasosa). Rins: responsáveis pela filtração do sangue. É onde são retiradas as substâncias que são consideradas tóxicas ao organismo humano. Figura 30 - Principais órgãos – Encéfalo Figura 31 - Principais órgãos do corpo humano . CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 66 2.3 - SISTEMAS - Sistema Circulatório É constituído pelo coração, os vasos sanguíneos e o sangue. O sangue precisa circular permanentemente pelo corpo, para que possa cumprir suas funções. Esta circulação é assegurada por um órgão que impulsiona o sangue (o coração), além de inúmeros canais e vasos sanguíneos que irrigam todo o nosso corpo. Figura 32 - Sistema Circulatório CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 67 O coração atua como se fosse uma bomba, fazendo o sangue circular pelo sistema através de dois circuitos básicos. O mais curto é entre o coração e os pulmões – CIRCULAÇÃO PULMONAR (pequena circulação). O mais longo é entre o coração e o resto do corpo – CIRCULAÇÃO SISTÊMICA (grande circulação) - Sistema Respiratório O sistema respiratório é composto pelo nariz, cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos. Nos pulmões, os glóbulos vermelhos descarregam seu dióxido de carbono no ar e dele tomam sua nova carga de oxigênio. O processo se chama hematose. Figura 33 - Sistema respiratório O diafragma é o músculo responsável pelos movimentos respiratórios: inspiração e expiração. A respiração é a função mediante a qual as células vivas do corpo tomam oxigênio (O2) e eliminam o dióxido de carbono (CO2). É um intercâmbio gasoso (O2 e CO2) entre o ar da atmosfera e o organismo. - Sistema Digestório CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 68 O Sistema Digestório Humano é formado por um longo tubo musculoso, ao qual estão associados órgãos e glândulas que participam da digestão, com a finalidade de transformar o alimento ingerido em partículas bem pequenas para que elas sejam absorvidas. O sistema apresenta como componentes principais: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus. Figura 34 - Sistema Digestório CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 69 - Sistema Urinário O Sistema urinário participa da manutenção do organismo através da eliminação de restos do metabolismo, de água e outras substâncias pela urina. O Sistema é formado por: 2 rins, 2 ureteres, 1 bexiga e 1 uretra. A urina é composta de aproximadamente 95% água. As principais excretas da urina humana são: a ureia, o cloreto de sódio e o ácido úrico. Figura 35 - Sistema Urinário CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 70 3.0 - PROCEDIMENTOS DE PRIMEIROS SOCORROS 3.1 – A necessidade de reanimação e primeiras medidas – ABCDE da vida São procedimentos feitos para se manter as condições mínimas de vida de uma vítima, para que tenha uma chance de sobrevivência, após um evento traumático que traga riscos diretos para sua vida. Suporte básico de vida (ABCDE): A = Abertura de vias aéreas: Se houver suspeita de lesão na medula: Manter a cabeça da vítima em posição neutra e abrir a boca elevando sua mandíbula. Observar a presença de corpos estranhos, vômito ou sangue na cavidade oral (que deve ser removido por aspiração ou manualmente, utilizando-se uma pinça). Se não houver suspeita de lesão da medula: “Hiperestender” o pescoço (segurar na testa e no queixo da vítima e empurrar a cabeça para trás). Figura 36 - Abertura das vias aéreas OBS: Para obstrução de vias aéreas, deverá ser utilizada a manobra de desobstrução de vias aéreas (Manobra de Heimlich). CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 71 Figura 37 B = Boa ventilação: Depois de assegurar que as vias aéreas estão desobstruídas, o socorrista deverá verificar se a vítima está respirando. Utiliza-se o método VOS, a saber: Ver a expansão torácica; Ouvir ruídos da respiração; e Sentir o calor da respiração. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 72 Figura 38 - Método VOS C = Circulação Após certificar-se que a vítima está respirando adequadamente, o socorrista deve verificar o pulso da artéria carótida através da palpação e observar os números de batimentos cardíacos por minuto. Se houver ausência do pulso, preparar-se para realizar as manobras de ressuscitação cardiopulmonar. Desfibrilação: (Desfibrilador Externo Automático - DEA) Exposição (controle do ambiente): nessa etapa o paciente deve ser despido. Aspectos ainda não avaliados devem ser vistos nesse momento. Aproveita-se para rolar o paciente e verificar o dorso, sempre mantendo a imobilização da coluna cervical. Ao realizar essa etapa devemos ter o cuidado com a hipotermia. OBS.: O exame primário (ABCDE) não deve ser interrompido, exceto em caso de obstrução de vias aéreas ou PCR (Parada Cardiorrespiratória). Reanimação Cardiopulmonar Parada cardiorrespiratória É definida como a ausência da respiração e dos batimentos cardíacos. Sinais e Sintomas Os diversos sinais que caracterizam uma parada cardiorrespiratória são: Inconsciência; Palidez excessiva; CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 73 Ausência de pulsação e de batimentos cardíacos; Dilatação das pupilas; e Pele e lábios arroxeados. Primeiros Socorros Comprovar ausência de resposta; Avaliar o nível de consciência com o AVI; Colocar a vítima em decúbito dorsal em uma superfície plana e rígida; Atentar para um possível trauma na cervical; e Iniciar a RCP. Quando parar a RCP? Ordem médica; A vítima apresentar sinais de vida; Cansaço extremo dos socorristas; e A cena torna-se insegura. 3.2 Sinais de CHOQUE É o quadro clínico que resulta da incapacidade do sistema cardiovascular prover circulação suficiente para os órgãos. A chegada de sangue rico em O2 aos órgãos é denominada PERFUSÃO. O choque não é uma doença ou ferimento, mas um mecanismo de autodefesa do organismo que tenta preservar a vida pelo máximo de tempo possível em face da situação de desequilíbrio. O acidentado que esteja em estado de choque encontra-se em situação de risco de morte em poucos minutos. -Tipos: Choque Hipovolêmico – quando a quantidade sangue intravascular é deficiente, reduzindo o enchimento do coração e o volume de ejeção. Ocorre nas hemorragias agudas acompanhadas de traumas. Choque Cardíaco (ou Cardiogênico) – quando ocorre o comprometimento do coração. O infarto do miocárdio e disfunções de válvulas são exemplos de situações causadoras deste tipo de choque; Choque Obstrutivo - quando alguma alteração externa compromete a contratilidade do músculo cardíaco. O tamponamento pericárdico, o pneumotórax hipertensivo e a embolia pulmonar são exemplos de situações causadoras deste tipo de choque; e CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 74 Choque por vasodilatação – quando o volume de sangue, apesar de normal, não produz o enchimento adequado do coração devido a uma dilatação vascular generalizada. Os traumas cerebrais severos (choque neurológico), a ingestão de drogas ou venenos, ou ainda, uma infecção bacteriana (choque séptico), são condições que promovem a instalação deste tipo de choque. Agentes Causadores: Hemorragias e/ou fraturas graves; Queimaduras graves; Esmagamentos ou amputações; Exposições prolongadas a frio ou calor extremos; Acidente por choque elétrico; Ferimentos extensos ou graves; Infarto Agudo do Miocárdio (IAM); Infecções graves; e Intoxicações alimentares ou envenenamento. Sinais e Sintomas do Estado de Choque: Palidez (principalmente na face); Sudorese; Taquicardia (batimentos cardíacos acelerados); Taquipinéia (frequência respiratória acelerada); Cianose (mucosas azuladas ou arroxeadas); Pulso rápido e fino (fraco); Pressão arterial baixa; Sede; Tontura; e Perda da consciência. - Conduta do Socorrista: Em uma situação de emergência devemos tomar as seguintes atitudes: Alertar o profissional de saúde que existe acidentado em estado de choque; Deitar a vítima com as pernas ligeiramente elevadas para melhorar o retorno sanguíneo; Colocar a cabeça da vítima lateralizada (caso não haja suspeita de lesão de coluna cervical) para evitar a aspiração de vômitos ou secreções; Afrouxar as roupas; CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 75 Manter a vítima aquecida; Não movimentar a vítima; Não dar de comer ou beber; Conter hemorragias se houver; e Aguardar socorro médico ou transportar a vítima até ele, se necessário, para um correto diagnóstico da causa do choque e tratamento adequado. 3.3 - HEMORRAGIA - Conceito A hemorragia é uma perda de sangue devido à ruptura de vasos sanguíneos. A hemorragia pode ser interna ou externa, implicando atitudes diferentes por parte do socorrista. As hemorragias internas são aquelas que se interiorizam, sou seja, o sangue vai para uma cavidade do corpo, como a abdominal ou torácica, só podendo ser percebida através de sinais indiretos que devem ser conhecidos: - Sinais e Sintomas de uma hemorragia interna: Pulso Fraco; Pressão arterial baixa Pele fria e pegajosa; Suor frio e abundante; Palidez intensa; Sede; Tontura; Perda da consciência; e Choque. - Primeiros socorros de uma hemorragia interna: Manter a vítima calma; Manter a vítima deitada; Remover a vítima para o hospital; Se não houver suspeita de lesão de medula ou membros inferiores, elevar as pernas da vítima num ângulo de 45º. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 76 Hemorragia quanto ao tipo de vaso sanguíneo: Figura 39 - Tipos de hemorragias Hemorragias podem ser arteriais, venosas ou capilares. As hemorragias arteriais são causadas pela ruptura de uma artéria, nelas o sangue é de um vermelho vivo e sai do vaso sincronizado com a pulsação, em forma de jato. As hemorragias venosas são decorrentes do rompimento de uma veia, o sangue é escuro, por ser pobre em oxigênio, e se exterioriza como se a ferida “babasse”. As hemorragias capilares normalmente ocorrem nas pequenas feridas, quando vasos capilares são rompidos, sejam eles arteriais ou venosos. O sangue surge em lençol, como se fosse água minando do fundo de um poço. Primeiros socorros de uma Hemorragia: Toda hemorragia deve ser controlada de imediato, uma vez que poderá levar à perda de consciência por falta de oxigenação do cérebro, choque e morte. O objetivo do socorro imediato dever ser: evitar mais perda de sangue e prevenir a contaminação. As hemorragias podem ser controladas utilizando-se a seguinte sequência: a) Manter a vítima deitada; b) Fazer pressão local, utilizando-se uma compressa limpa e seca (gaze ou pano); c) Elevar o membro acima do nível do coração; d) Além da pressão local e elevação do membro, pressionar o pulso da artéria anterior ao sangramento; e e) Não obtendo êxito com os procedimentos anteriores, deverá ser utilizado um torniquete. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 77 NOTA: Quando as hemorragias forem localizadas em região de pescoço, tórax e abdômen, deverá ser feito apenas curativo compressivo. Figura 40 - Hemorragia A aplicação do torniquete deve ser feita da seguinte forma: a) Passar o torniquete em redor do membro (cinto, gravata, lenço, liga de borracha, etc.). b) Passar por dentro um bastão; c) Aperte o bastão progressivamente, o suficiente para conter a hemorragia; e d) Amarrar a ponta livre do bastão para impedir que o torniquete desaperte. Observação: Uma vez instalado um torniquete, o mesmo só deverá ser retirado no hospital, devendo ser anotado a hora de sua instalação, e NUNCA afrouxando, até que seja retirado por equipe qualificada. 3.4 - QUEIMADURAS É toda e qualquer lesão no organismo ocasionada pela ação do calor em todas as suas modalidades. Deve ser lembrado que os tecidos do corpo começam a ser danificados quando expostos a uma temperatura de 45ºC. Se a temperatura atingir 50º C, a lesão será permanente. Diversos agentes podem provocar queimaduras: Queimaduras Químicas – provocadas por substâncias com ação cáustica, como ácidos e álcalis. Elas podem acarretar em morte nos tecidos atingidos, que pode ocorrer lentamente por várias horas; Queimaduras Elétricas – produzidas por corrente elétrica. Ocorre no ponto de contato da pele com o condutor, uma vez que é aí que se situa a maior parte da resistência à corrente elétrica. Geralmente envolvem a pele e os tecidos adjacentes ao ponto de contato, e podem atingir qualquer tamanho e profundidade. Podem provocar uma parada cardiorrespiratória; e CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 78 Queimaduras Térmicas – ocasionadas pelo contato direto da pele com chamas, vapores e líquidos ou sólidos superaquecidos. As queimaduras podem ser classificadas quanto à profundidade e quanto à gravidade (superfície da área atingida). - Classificação das queimaduras quanto à profundidade: 1º Grau: envolve a epiderme. Pele vermelha, inchaço e dor discreta. Figura 41 - Queimadura de 1º Grau 2º Grau:envolve a epiderme e a derme. Bolhas sobre a pele vermelha, dor mais intensa. Figura 42 - Queimadura de 2º Grau 3º Grau: envolve derme e tecido subcutâneo ou hipoderme. Apresenta pele branca ou carbonizada, com pouca ou nenhuma dor na área afetada. Figura 43 - Queimadura de 3º Grau CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 79 - Classificação da queimadura quanto à gravidade A gravidade das queimaduras é avaliada em função da percentagem da superfície corporal (% SC) que foi lesionada. Uma das maneiras de se avaliar o percentual (%) da superfície corporal queimada é considerar os seguintes percentuais para as diversas partes do corpo: Cabeça: 9%; Pescoço: 1%; Braço, antebraço e mão: 9%; Coxa (até a prega glútea inferior), perna e pé: 18% e Tronco (até a região glútea, tanto o peito como as costas): 18% Figura 44 - Porcentagem de queimaduras – Choque Elétrico É a perturbação que ocorre no organismo quando este é percorrido por uma corrente elétrica. – Efeitos do Choque Elétrico Pode vir acompanhado de perda de consciência que pode durar de alguns minutos a horas. Normalmente o acidentado não se queixa de sofrimento real, todavia poderá sentir, algumas vezes, uma sensação indefinível de choque, acompanhada de angústia e impressão de morte eminente. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 80 A morte por choque elétrico se dá por asfixia, em decorrência da paralisação dos músculos respiratórios. Por conseguinte, neste tipo de acidente cresce de importância a aplicação das técnicas de respiração artificial. Embora não necessariamente mortais, tensões elevadas provocam queimaduras e estragos severos nos pontos de contato. Um acidentado preso a um fio condutor eletrificado apresenta: Todos os músculos contraídos; Mãos violáceas, crispadas e frias; e Dedos fortemente crispados que não conseguem largar o condutor. Alguns efeitos secundários podem aparecer por algumas horas ou dias (transitórios) Perturbações psíquicas; Irritabilidade; Apatia; Depressão; Torpor; Desordens respiratórias e circulatórias; Aumento da pressão arterial; Dores de cabeça; Vertigens; Insônia; Palpitações; e Dores musculares. Procedimentos de Primeiros Socorros para Choque Elétrico a) Desligue a fonte de energia, se possível; b) Caso contrário, afaste a vítima da fonte de energia com material mal condutor (pedaço de madeira, borracha, etc.). c) Desobstrua as vias aéreas e garanta a função respiratória, utilizando, se necessário, técnicas de respiração artificial; d) Execute massagem cardíaca se necessário; e e) Restabelecidas as funções vitais, examine cuidadosamente a vítima à procura de fraturas, queimaduras ou ferimentos. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 81 3.5 - TIPOS DE TRAUMATISMOS – Fratura É a solução de continuidade de um osso. A maior incidência ocorre nos ossos que compõem os membros. Os dois sintomas mais importantes que caracterizam uma fratura são: Dor local e impotência funcional. Mesmo que o acidentado queira, não conseguirá mover o membro fraturado. Podemos classificar as fraturas em duas grandes categorias: As fraturas fechadas (ou simples) e as fraturas expostas (ou abertas). Nas fraturas simples o osso permanece no interior do membro e não perfura a pele. As fraturas fechadas podem ser classificadas em: fraturas fechadas sem deslocamento, fraturas fechadas com deslocamento e fratura cominutiva fechada (quando o osso se parte em várias partes). Nas fraturas expostas (ou abertas) o osso partido perfura a pele. Existe um grande risco de infecção devido à exposição do osso e do tecido interno. À semelhança da fratura simples, se o osso se quebrar em diversas partes, diz-se que ocorreu uma fratura exposta cominutiva. Um procedimento que jamais deverá ser esquecido, ao se prestar os primeiros socorros em caso de fratura exposta é: jamais tentar recolocar o osso no lugar. A ação de Primeiros Socorros básica para qualquer tipo de fratura é a imobilização, cujo objetivo é evitar que uma fratura simples se transforme numa fratura exposta. A imobilização deve incluir as articulações mais próximas da fratura, com movimentos suaves, para não aumentar a dor do paciente. Fratura dos membros superiores e inferiores; Conter a hemorragia se houver; Proteger ferimentos caso haja; Proteger e imobilizar a fratura; Transportar a vítima adequadamente; e Verificar se existem movimentos nas extremidades (dedos dos pés e das mãos), pois podem indicar fratura da coluna vertebral. – Fratura do Crânio As lesões cranianas são potencialmente perigosas, acompanhadas ou não de inconsciência imediata. Para a recuperação e retorno satisfatório das funções normais, o tratamento apropriado é a etapa inicial básica, sobretudo se o paciente estiver inconsciente. Sinais possíveis de fratura craniana, observados durante 48 horas após a ocorrência do acidente: Perda da consciência, sonolência ou desorientação; Uma depressão no couro cabeludo; Drenagem de sangue ou líquido claro pelo nariz, ouvido ou mesmo boca; CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 82 Paralisia de um lado do corpo; Perda da visão, convulsões, vômitos; Perda da memória recente; Dor de cabeça severa e/ou persistente; e Variações da frequência respiratória e do pulso. Primeiros Socorros: Mantenha a pessoa deitada. Use uma das seguintes posições: Se a pessoa tiver suspeita de lesão na coluna, mantenha a cabeça no mesmo nível do corpo; Se a pessoa não tiver suspeita de lesão na coluna, eleve sua cabeça e seus ombros um pouco, colocando por baixo um travesseiro. Colocá-la na posição lateral de segurança; Se houver corte no couro cabeludo, controle o sangramento até chegar assistência qualificada. Faça compressão sobre o ferimento com gaze ou pedaço de pano; e Se houver suspeita de lesão nas costas ou pescoço, imobilize-os, mantenha a pessoa aquecida e transporte a vítima. – Fratura da Coluna Vertebral Na suspeita de um TRM (TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR) devemos: Se a vítima estiver consciente, pergunte-lhe: se o pescoço e as costas doem, se um braço ou uma perna estão paralisados ou fracos, e se sente formigamento ou entorpecimento em um braço ou em uma perna. Nesse momento observe se há edema, hematoma ou mesmo deformidade na região das vértebras. Se a vítima estiver inconsciente e você não souber o que houve, considere-a como tendo lesões no pescoço ou nas costas (TRM). Observação: É importante ter em mente que a vítima, principalmente com sinais de lesão medular deve ser transportada com todo cuidado, para não provocar um segundo trauma ou agravar a lesão prévia, uma vez que esta lesão poderá ser irreversível. Primeiros Socorros: O socorrista deve sempre que possível identificar-se; Quando houver suspeita de TRM, a vítima deve ser corretamente imobilizada e transportada. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 83 – Contusão É uma lesão traumática aguda, sem corte, decorrente de trauma direto aos tecidos moles e que provoca dor e edema. FIGURA 45: CONTUSÃO – Entorse É a perda transitória de contato entre duas extremidades ósseas, podendo causar distensão dos ligamentos. Pode ser causada por movimentos exagerados e em falso. Podemos citar como exemplos: chutar uma bola de mau jeito, pisar em falso, etc. A entorse é mais comum nas articulações do tornozelo, joelho, punho e quadril. - Sinais e Sintomas: Dor ao movimentar a articulação; e Inchaçolocal. - Primeiros Socorros: a) Aplicar gelo no local; b) Evitar movimentos da articulação; c) Imobilizar a articulação; e d) Encaminhar para a assistência qualificada. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 84 Figura 46 - Sintomas de luxação – Luxação É a perda de contato entre duas extremidades ósseas. Pode ser causada por acidentes ou movimentos articulares muito violentos. As mais comuns ocorrem nas articulações do ombro, cotovelo, dedos das mãos, mandíbula e quadris. Figura 47 - Luxação Acrômio Clavicular - Sinais e Sintomas: Dor intensa no local irradiando por todo membro afetado; Edema local; Deformidade da articulação; e Impotência funcional da articulação. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 85 - Primeiros Socorros: Aplicar gelo local, não diretamente sobre a pele; Não tentar colocar o osso no lugar; Imobilizar a região afetada; e Providenciar assistência qualificada. 3.6 – ATADURAS, CURATIVOS, IMOBILIZAÇÕES E CONDUÇÃO - Bandagem Com o objetivo de manter um curativo, uma imobilização de fratura, ou conter provisoriamente uma parte do corpo, empregam-se ataduras. Na falta de ataduras, use tiras limpas de um lençol, de uma saia, um lenço, um guardanapo ou uma toalha. Na aplicação de uma bandagem tome os seguintes cuidados: A região deve estar limpa; Os músculos relaxados; Enfaixe no sentido da extremidade para o centro. Por exemplo: nos membros superiores, no sentido da mão para o braço; Não imprima uma pressão excessiva ao enfaixar. A circulação deve ser mantida; Deixe sempre as extremidades (dedos) livres, para observar arroxeamento e frio na pele local; e Verifique o pulso da extremidade, antes e após a imobilização. - Curativo Consiste na limpeza e aplicação de uma cobertura estéril em uma ferida, quando necessário, com finalidade de promover a rápida cicatrização e prevenir contaminação e infecção. Figura 48 - Kit de primeiros socorros CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 86 Objetivos: Tratar e prevenir infecções; eliminar os fatores desfavoráveis que retardam a cicatrização e prolongam a convalescência, aumentando os custos do tratamento; diminuir infecções cruzadas, através de técnicas e procedimentos corretos. Como Proceder: a) Lave as mãos antes de manipular a ferida e começar o curativo; b) Use luvas; c) Limpe o local do ferimento com soro fisiológico ou água corrente; d) Seque a área em volta do machucado. Cuidado para não esfregar; Passe pomada no local. Muita atenção neste momento, pois é necessário saber qual o medicamento específico a ser colocado, a depender do tipo de ferimento. Na dúvida, consulte um médico; Fixe o esparadrapo no local de acordo com o tamanho da ferida. Em certos locais, o esparadrapo não deve ser utilizado, como nas articulações, por exemplo. Nestes casos, utilize ataduras ou gaze. Estas devem ser colocadas de maneira que não afrouxem ou comprimam muito o machucado; e Troque seu curativo a cada 12 horas ou sempre que estiver encharcado. Assim, ele ficará sempre limpo e permitirá que o ferimento respire melhor. 1. Com um chumaço de gaze, é feita compressão sobre o ferimento; Figura 49 - Curativo CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 87 2. A bandagem triangular é usada para fixar as gazes no local da ferida; Figura 50 - Curativo 1. Um nó duplo, feito sobre o ferimento, permite controlar a pressão para ajudar a estancar a hemorragia. Figura 51 - Curativo Ferimentos na Cabeça Exceto os de menor gravidade, os ferimentos na cabeça requerem sempre pronta atenção de um profissional de saúde. Faça o seguinte: Em caso de inconsciência ou de inquietação, deite a vítima de costas e afrouxe suas roupas, principalmente em volta do pescoço. Agasalhe a vítima. Havendo hemorragia em ferimento no couro cabeludo, coloque uma compressa ou um pano limpo sobre o ferimento. Pressione levemente. Prenda com ataduras ou esparadrapo. Se o sangramento for no nariz, na boca ou nos ouvidos, vire a cabeça da vítima para o lado que está sangrando. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 88 Se escoar pelo ouvido um líquido límpido, incolor, deixe sair naturalmente, virando a cabeça de lado. Imobilização A imobilização mantém os ossos quebrados no devido lugar, impossibilitando sua movimentação até que eles curem. Os equipamentos para imobilização têm a função de proteção da coluna vertebral e extremidades da vítima no momento do seu transporte. Colar cervical (imobilizadores de coluna cervical), existem vários tamanhos: P, M, G. Figura 52 - Colar Cervical Talas (imobilizadores de membros ‘braços e pernas’) CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 89 Figura 53 - Talas Macas: existem vários modelos de macas. Deverá ser usado em conjunto com o imobilizador lateral de cabeça, colar cervical e tirantes de fixação. Figura 54 – Maca Figura 55 - Maca offshore CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 90 3.7 – TRANSPORTE DE VÍTIMAS - Rolamento São utilizados dois tipos de rolamento: 90° e 180° a) Rolamento de 90° Indicado para vítimas que estão em decúbito dorsal (barriga para cima). Um dos socorristas estabiliza a cabeça do paciente por trás. Rola-se a vítima em bloco ao comando do socorrista que está na cabeça, até a posição de decúbito lateral. Após novo comando do socorrista que está na cabeça, a vítima é devolvida em bloco ao decúbito dorsal sobre a prancha. Aplicar e fixar a cabeça da vítima ao imobilizador lateral e seus tirantes. Fixar o tronco e extremidades com cintos. b) Rolamento 180° Indicado para vítimas encontradas em decúbito ventral (barriga para baixo). - Procedimentos de Condução Após realizar o rolamento de 90 ou 180 graus para colocação da vítima na maca, deve-se: Cada um dos carregadores fica junto a um dos quatro pegadores da maca; Cada carregador se agacha e segura o pegador com firmeza. Quando for dada a ordem todos se erguem ao mesmo tempo, mantendo a maca nivelada. A uma segunda ordem, os carregadores saem com o pé que está mais perto da maca dando passos curtos. Para pousar a vítima, os carregadores param, obedecendo a um comando. A outro comando, eles se agacham e abaixam a maca até que ela pouse suavemente no chão. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 91 Transporte de Vítimas sem Equipamentos Figura 56 - Posição 1 Vítima Inconsciente Como levantar a vítima do chão sem auxílio de outra pessoa: Figura 57- Posição 3 Figura 57 – Posição 2 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 92 Figura 60 - Posição 5 Figura 61 - Posição 6 Figura 62 - Posição 7 Figura 59 - Posição 4 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 93 Como levantar a vítima do chão com a ajuda de uma ou mais pessoas: Figura 63 - Posição 8 Figura 64 - Posição 9 Figura 65 - Posição 10 - Vítima Consciente ou Inconsciente Como remover a vítima, utilizando-se de cobertor ou material semelhante. Figura 66 - Posição 11 Figura 67 - Posição 12 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMASSHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 94 - Como Remover Vítima de Acidentados Suspeitos de Fraturas de Coluna e Pelve: Utilize uma superfície dura - porta ou tábua (maca improvisada). Solicite ajuda de pelo menos cinco pessoas para transferir o acidentado do local encontrado até a maca. Movimente o acidentado COMO UM BLOCO, isto é, deslocando todo o corpo ao mesmo tempo, evitando mexer separadamente a cabeça, o pescoço, o tronco, os braços e as pernas. Figura 68 - Posição 13 Figura 66 - Posição 14 - Transporte de Acidentados por Embarcações e Helicópteros Transporte por Embarcações: Para transportar uma vítima utilizando uma embarcação, deverá ser levado em consideração as condições meteorológicas e a distância da costa. Ao mesmo tempo em que este tipo de transporte é mais demorado do que utilizando-se um helicóptero, existe também a possibilidade de maiores recursos, como equipe de especializada, possibilidade de centro cirúrgico e ausência de interferência da pressão atmosférica. Poderá ser solicitado apoio de embarcações próximas ou à Marinha do Brasil. -Transporte por Helicópteros: O transporte por helicóptero proporciona maior velocidade no tempo de remoção para um centro hospitalar, porém apresenta algumas observações em relação às alterações decorrentes da variação de pressão atmosférica. Obs.: Todos os envolvidos no transporte deverão atentar para os riscos no contato com um helicóptero em seu convôo, com os rotores ligados. Tome os seguintes cuidados: Aproxime-se sempre pela frente ou laterais da aeronave, aguardando a autorização do piloto; CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 95 Nunca se aproxime correndo ou vindo de planos mais elevados; Cuidado com objetos altos (a exemplo de cabides de soro); Fixar cobertores, estojos e capacetes para evitar desprendimento com o vento provocado pelos rotores; Não usar chapéus a menos que firmemente fixados por jugulares; e Manter o acidentado aquecido (ocorre queda de 2º Celsius a cada 1.000 pés de altitude). - Maca indicada para transporte por embarcações e aeronaves Figura 67 - Maca Neil Robertson Figura 68 - Maca Neil Robertson com vítima sendo removida. Figura 69 - Maca Neil Robertson CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 96 Figura 70 - Itens para compor um Kit de Primeiros Socorros - Sugestão de Kit de Primeiros Socorros Algodão Esparadrapo Papel e caneta Ataduras Estetoscópio Pinças hemostáticas Atadura elástica Gaze esterilizada Respirador “Ambu” Cobertor térmico Lenço Triangular Sabão Colar cervical Luva de procedimentos Soro fisiológico Compressas limpas Máscaras Talas variadas Curativos Luvas esterilizadas Telefones úteis Cânulas de Guedel Maca rígida Tesoura Esfigmomanômetro Óculos de proteção Válvula para RCP CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 97 III) PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO 1 – Prevenção de incêndio. ......................................................................................... 98 1.1 Teoria da combustão ............................................................................................. 98 1.2 – Fenômeno da combustão e a classificação dos incêndios. ............................... 101 1.3 – Princípios da prevenção de incêndios a bordo ................................................. 107 1.4 – Propagação de incêndios ................................................................................. 107 1.5 – Métodos preventivos contra incêndios. ............................................................ 110 1.6 – Vigilância e sistema de patrulha ....................................................................... 110 1.7 – Sistema de detecção de fogo, fumaça e alarme automático a bordo ............... 111 1.8 - Ações ao ser detectado fumaça a bordo ........................................................... 112 1.9 – Inspeção, isolamento, sinalização e instalação de sistema de exaustão (NR-34) ..................................................................................................................................113 2.0 – Combate a incêndio ......................................................................................... 116 2.1 - Classificação dos incêndios .............................................................................. 116 2.2 – Métodos de combate a incêndio ...................................................................... 118 2.3 - Agentes extintores. ........................................................................................... 121 2.4 - Extintores portáteis. .......................................................................................... 123 3.0 – Organização de combate a incêndio. ............................................................... 128 3.1 – Organização de combate a incêndio e as funções da tabela mestra ............... 128 3.2 – Sistemas fixos de combate a incêndio. ............................................................ 128 3.3 - Ações da brigada de incêndio. .......................................................................... 136 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 98 1. - PREVENÇÃO DE INCÊNDIO 1.1- TEORIA DA COMBUSTÃO O fogo é uma reação química das mais elementares, chamada de COMBUSTÃO ou QUEIMA, entre três elementos: COMBUSTÍVEL, COMBURENTE e ENERGIA DE ATIVAÇÃO. A existência do fogo está condicionada à presença desses três elementos em condições favoráveis. Durante a reação, isto é, durante a queima, há desprendimento de calor e luz continuamente. Para efeitos didáticos foi criada uma abstração geométrica denominada TRIÂNGULO DO FOGO para facilitar a compreensão da combustão. Figura 3.1 – Triângulo do Fogo Tetraedro do Fogo Embora o triângulo do fogo (oxigênio, combustível e energia de ativação) tenha sido utilizado para ensinar os componentes do fogo, ainda que este exemplo seja simples e útil para uso nas instruções, tecnicamente não está totalmente correto. Para que se produza uma combustão, necessita-se de quatro elementos. Portanto, para efeito didático se adota o Tetraedro do Fogo para explicar o fenômeno da combustão, atribuindo-se a cada uma das faces, um dos elementos essenciais do fogo, a saber: o oxigênio (agente oxidante) o combustível, o calor e a reação em cadeia. Podemos afirmar que a ignição requer três elementos, o combustível, o oxigênio e a energia (calor). Da ignição à combustão autossustentável um quarto elemento é requerido: a reação em cadeia. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 99 Figura 3.1.1 – Tetraedro do Fogo - Elementos da Combustão Como vimos, atualmente são considerados quatro elementos da combustão: combustível, comburente, calor e reação em cadeia. a) Combustível É tudo que queima na natureza. Teoricamente nenhum material é incombustível, mas para efeitos práticos, dividimos os corpos em combustíveis e incombustíveis. Onde temos como combustíveis aqueles que entram em combustão abaixo de 1000º C, e incombustíveis os que queimam acima dessa temperatura. Entre as diversas classificações que atribuímos aos combustíveis, interessam ao nosso estudo as seguintes: I. Quanto ao estado físico: 1. Sólidos (carvão, madeira, pólvora, etc.) 2. Líquidos (gasolina, álcool, éter, óleo de linhaça, etc.); e 3. Gasosos (metano, etano, etileno, butano, etc.) II. Quanto à Volatilidade 1. Voláteis – são os combustíveis que nas condições normais de temperatura e pressão desprendem vapores capazesde se inflamarem (álcool, éter, benzina, etc.); e 2. Não voláteis – são os combustíveis que desprendem vapores inflamáveis após aquecimento acima da temperatura ambiente (óleo CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 100 combustível, óleos lubrificantes, óleo de linhaça, etc.), considerando as condições normais de pressão. b) Comburente Comburente, ou agente oxidante, é o elemento que possibilita vida às chamas e intensifica a combustão. O mais comum na natureza é o oxigênio, encontrado na atmosfera em uma proporção de 21%. O ar atmosférico é composto de: - 78,06% de nitrogênio; - 21% de oxigênio; - 0,03% de gás carbônico; e - 0,91% de gases raros e nobres. Figura 3.2 – Composição do ar atmosférico Em relação ao nível de concentração do oxigênio em um determinado ambiente, a combustão apresentar-se-á sob diferentes formas, conforme o quadro abaixo: PORCENTAGEM DE OXIGÊNIO (%) CARACTERÍSTICA DA COMBUSTÃO 21 a 13 Predomínio de chamas ambiente rico em oxigênio (Combustão Completa) 13 a 8 Fumaça ou brasas (Combustão Incompleta) Abaixo de 8 Não haverá combustão (exceção para os materiais com o comburente incorporados em sua própria estrutura). Tabela 3.2.1: Porcentagem de Oxigênio c) Energia de ativação (Calor) É o calor necessário à elevação da temperatura para que o combustível desprenda vapores suficientes para fazê-lo entrar em combustão. Os vapores emanados de um combustível inflamam-se na presença do comburente, a partir de determinada temperatura. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 101 d) Reação em Cadeia A reação em cadeia torna a queima autossustentável. O calor irradiado das chamas atinge o combustível e este é decomposto em partículas menores que se combinam com o comburente e queimam, irradiando outra vez calor para o combustível, formando um ciclo constante. 1.2 – FENÔMENO DA COMBUSTÃO E A CLASSFICAÇÃO DOS INCÊNDIOS - Pontos Notáveis da Combustão a) Ponto de Fulgor É a temperatura do combustível na qual ele desprende vapores suficientes para serem inflamados por uma fonte externa de calor, mas insuficientes para manter a combustão. Figura 3.3 – Ponto de Fulgor b) Ponto de Combustão É a temperatura do combustível na qual ele desprende vapores suficientes para serem inflamados por uma fonte externa de calor, e em quantidade suficiente para manter a combustão. Figura 3.3.2 – Ponto de Combustão c) Ponto de Auto-Ignição ou Ignição É a temperatura necessária para inflamar os vapores que estejam se desprendendo do combustível. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 102 Figura 3.3 – Ponto de Ignição – Limite de inflamabilidade (LII e LSI) ou Limite de Explosividade (LIE e LSE) Para que os gases, ou vapores que formam a mistura inflamável com o ar, entrem em combustão é necessária uma concentração mínima de gases ou vapores no ar: Figura 3.4 - Faixa de Inflamabilidade NOTA: a) A faixa compreendida entre os dois limites é chamada de faixa de inflamabilidade ou explosividade. b) A queima só ocorre quando a mistura de ar, gases ou vapores inflamáveis estiver em proporções ideais. CARACTERÍSTICAS DE ALGUMAS SUBSTÂNCIAS SUBSTÂNCIAS PONTO DE FULGOR ºC PONTO DE IGNIÇÃO ºC LIMITE DE INFLAMABILIDADE (%) INFERIOR SUPERIOR Acetileno Gás 305 2,5 80 Benzeno 11 560 1,3 7,1 Butano Gás 405 1,9 8,5 Etano Gás 515 3,0 12,5 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 103 H2S Gás 260 4,3 4,6 Metano Gás 528 5,0 15 Nafta -17 288 1,1 5,9 Propano Gás 466 2,2 9,5 Tabela 3.3 – Limite de inflamabilidade de alguns gases – Fases de um Incêndio O processo de queima em um incêndio ocorre em quatro diferentes estágios ou fases claramente definidas, a saber: Fase Inicial, Fase de Desenvolvimento, Incêndio Desenvolvido e Fase de Queda de Intensidade. Reconhecendo as diferentes fases, podemos compreender melhor todo o desenvolvimento e combater o incêndio em diferentes níveis, com as táticas e ferramentas mais adequadas a cada etapa. I. Fase Inicial Inicia-se após a ignição de algum material combustível. É a fase em que o combustível e o oxigênio presentes no ambiente são abundantes. A temperatura permanece relativamente baixa em um espaço de tempo maior e abrange a eclosão do incêndio, o qual fica restrito ao foco inicial. O desenvolvimento do incêndio está limitado ao foco do incêndio e as suas proximidades. II. Fase de Desenvolvimento (Crescente) O início desta fase abrange a incubação do incêndio. Em incêndios confinados, à medida que a combustão progride, a parte mais alta do ambiente (nível do teto) é preenchida por convecção com fumaça e gases quentes gerados pela combustão. O volume das chamas aumenta e a concentração de oxigênio começa a baixar para 20%. A propagação dependerá da quantidade e forma do material combustível no ambiente. No início dessa fase a temperatura ainda não é muito alta, mas há um aumento exponencial na quantidade de liberação de calor em um curto período de tempo, fazendo com que todos os materiais presentes no ambiente venham a sofrer pirólise. Nessa fase, a temperatura sobe de 50 ºC para 800 ºC aproximadamente, em um espaço de tempo relativamente curto. O tamanho e forma do ambiente também influenciarão o comportamento do fogo: quanto menor o ambiente, mais facilmente se desenvolverá o incêndio. Da mesma forma, quanto mais fechado (com poucas aberturas naturais para ventilação como janelas e portas), mais calor será irradiado para o material ainda não atingido. No final dessa fase todos os materiais presentes no ambiente atingirão seu ponto de ignição, imergindo o ambiente inteiro em chamas, fenômeno também CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 104 conhecido como flashover. O calor se espalha para cima e para fora do combustível inicial por convecção e condução. III. Fase de Incêndio Desenvolvido (Desenvolvida) Também chamada de estágio de queima livre ou estável. É nela que o incêndio torna-se mais forte, usando mais oxigênio e combustível. Nessa fase sua temperatura continuará se elevando acima de 800 ºC. O acúmulo de fumaça e gases quentes é intensificado. A concentração de oxigênio baixa para 18%, com grandes diferenças entre os níveis do piso e do teto. Enquanto no piso a concentração de oxigênio é quase normal e a temperatura confortável, no teto a camada de gás combustível e temperatura aumentam rapidamente. Daí a importância do combate ser feito de joelhos ou agachado. A transição entre a fase crescente pode ocorrer quando o suprimento de combustível ou oxigênio começar a ser limitado. Na literatura brasileira sobre combate a incêndio, a fase totalmente desenvolvida abrange basicamente a propagação do incêndio, destacando-se que: • se o incêndio ocorrer em ambiente fechado, todo ele se inflama, ficando o incêndio dependente da quantidade de oxigênio; • se o incêndio ocorrer em ambiente aberto, a massa gasosa poderá se dispersar ficando o incêndio dependente da quantidade de combustível. Uma combustão lenta (incandescência), uma vez iniciada, pode continuar com baixa concentração de oxigênio mesmo quando o ambiente está com temperaturas relativamente baixas. Essa condição mostra que a madeira e outros materiais podem continuar sendo consumidos, mesmo quando o ambiente está com uma concentração baixa de oxigênio. IV. Fase de Queda de Intensidade (Final) Também chamada de estágio de brasa ou decrescente. Seu início ocorre quando o incêndio já consumiu a maior parte do oxigênio e combustívelpresentes no ambiente. As chamas tendem a diminuir e buscar oxigênio disponível por qualquer abertura. A concentração de oxigênio baixa para 16%. Se a concentração baixar para 15% ou menos, as chamas extinguir-se-ão, permanecendo somente brasas. A temperatura no teto ainda é muito elevada, e o ambiente é rico em gases quentes e fumaça, podendo conter gases perigosos como o metano. Há pouca ou nenhuma visibilidade no local. Ocorre uma diminuição linear da temperatura, o que significa que o ambiente estará resfriando, porém muito lentamente e com pouco oxigênio. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 105 Se não houver ventilação, a temperatura do ambiente diminuirá gradualmente até que as chamas se apaguem. Se houver uma entrada de ar no ambiente, causada pelo arrombamento por parte dos bombeiros de forma precipitada, a massa gasosa presente na fumaça poderá ignir de forma rápida e violenta, produzindo muito calor e uma onda de choque, expondo a vida dos bombeiros ao risco de morte ou a ferimentos graves. Todo o combustível praticamente foi consumido e há chamas pequenas e separadas umas das outras. Há também o surgimento de incandescências. Nesta fase, o incêndio dependerá da quantidade de material combustível ainda não ignido Tabela 16 Características das fases de um incêndio Fases do Incêndio Inicial Crescente Desenvolvida Final Chamas restritas ao foco inicial; chamas se propagando generalização do incêndio, com ignição de todos os materiais presentes no ambiente; combustível limitado; oxigênio restrito e diminuindo; Grandes diferenças de temperatura entre o teto e o piso; calor irradiado do teto em direção ao piso. diminuição ou extinção das chamas; para os Combustível "ilimitado"; materiais próximos; combustível não disponível; Oxigênio em abundância; combustível ainda em baixa concentração de oxigênio; Temperatura abundância; ambiente;e Duraçãodecurto espaço de tempo. diminuição da quantidade de oxigênio; temperatura muito alta, diminuindo lentamente; aumento exponencial da temperatura: presença de muita fumaça e incandescência; ascensão da massa gasosa por ação da convecção. risco de ignição da fumaça se injetando ar no ambiente. Figura 3.5 - Fases de um incêndio – Fenômenos da Combustão A combustão provoca modificação dos aspectos físicos e químicos dos corpos, e tem como resultado uma mistura de gases altamente aquecidos, que variam de acordo com a sua composição química: vapor d’água, CO, CO2, etc. Desses fenômenos destacamos alguns dos principais: CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 106 Rollover Ocorre normalmente na fase crescente do incêndio e se desenvolve em compartimentos confinados. Os gases da combustão não queimados no incêndio misturam-se ao ar e se inflamam na parte superior do compartimento devido à alta temperatura naquela área. Flashover Assim como o “Rollover”, este fenômeno corre no final da fase crescente do incêndio, geralmente quando a temperatura da camada superior de fumaça atinge de cerca de 600ºC. A característica principal deste fenômeno é o espalhamento das chamas a todo o material combustível existente no compartimento, sendo praticamente impossível a sobrevivência do pessoal que não abandonar o local. Backdraft – Ignição explosiva Ocorre na fase final do incêndio em compartimentos confinados, devido à diminuição de oxigênio (limitação da ventilação). Se estes gases acumulados forem oxigenados por uma corrente de ar proveniente de alguma abertura no compartimento, produzirão uma deflagração repentina. Esta explosão que se move através do ambiente e para fora da abertura é denominada de ignição explosiva (backdraft). Figura 3.6 - Rollover CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 107 1.3 – Princípios da prevenção de incêndios a bordo Fogo e explosão são os grandes riscos potenciais em navios e plataformas, que podem destruir as instalações e equipamentos e causar a perda da Unidade Marítima e de vidas. A principal causa da propagação do fogo é a falta de prevenção. Por isso, alguns cuidados simples são fundamentais, como não acumular trapos, observar a manutenção preventiva e manter os equipamentos isolados termicamente. - Para prevenir incêndios deve-se: Ter habilidade de reconhecer riscos de incêndio e agir para eliminá-los; Fumar apenas em áreas seguras; Fazer manutenção correta das instalações; Deixar rotas de fuga livres; Manter portas corta-fogo fechadas; Fechar bem e segregar os líquidos inflamáveis; Certificar-se de que os extintores nas áreas são do tipo indicado - Causas de incêndios a bordo de navios e plataformas As principais causas, são decorrentes das seguintes fontes de ignição: Elétrica: Equipamentos elétricos (curtos circuitos e arcos voltaicos), cabos com emendas mal feitas, sobrecarga, etc. Mecânica: Esmeril, atritos, aquecimento de motores, etc. Química: Reações químicas exotérmicas 1.4 – Propagação de Incêndio O calor propaga-se através de três maneiras distintas: Condução É a transferência de calor de um corpo para o outro de forma contígua. Essa transferência é feita molécula à molécula sem que haja transporte de matéria (fumaça, brasas e resíduos incandescentes). CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 108 Figura 3.7 - Propagação por Condução Irradiação/Radiação É a forma de transmissão de calor por meio de ondas caloríficas que atravessam o ar, irradiadas do corpo em chamas. O calor se processa sem a necessidade de continuidade molecular, entre a fonte calorífica e o corpo que a recebe. Figura 3.8 - Propagação por Irradiação CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 109 Figura 3.9 – Propagação por Irradiação Convecção Consiste no transporte de energia térmica de uma região para outra, através do transporte de matéria. Figura 3.10 – Propagação por Convecção Propagação dos incêndios em navios e plataforma A propagação de incêndios a bordo de navios e plataforma acontece da seguinte forma: CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 110 Figura 3.11 – Propagação de Calor nos Navios/Plataformas 1.5 – Métodos preventivos contra incêndios - Técnicas de prevenção de incêndios Em ambientes como a bordo de uma Plataforma, FPSO, FSO e/ou um navio- sonda, temos materiais combustíveis (roupas, madeira, papel, gasolina, graxa, óleo, etc.), comburente (oxigênio presente no ar atmosférico), fontes de calor (soldagem e corte a quente, cigarros, fósforos, lâmpadas elétricas, tubulações de vapor, solda elétrica, etc.). A prevenção consistirá em evitar que esses três elementos se combinem em condições propícias que possibilitem a ignição. É importante conhecer as principais causas de incêndios e as características dos processos e materiais utilizados nas instalações que se quer proteger. Considerando que, na prática, a eclosão de um incêndio nunca poderá ser totalmente evitada, é necessário adotar providências para preveni-la o máximo possível. Podemos resumir os objetivos da prevenção de incêndio como: a) A garantia da segurança à vida das pessoas que se encontrarem no local, quando da ocorrência de um incêndio; b) A prevenção da conflagração e propagação do incêndio, evolvendo toda a instalação; c) A proteção do conteúdo e da estrutura da instalação; e d) A minimização dos danos materiaisde um incêndio. 1.6 - Vigilância e Sistema de Patrulha Nos navios e plataformas as pessoas estão expostas a perigos e riscos e, por isso, há necessidade de vigilância constante visando prevenir a ocorrência indesejada envolvendo incêndio a bordo. Lateral By convection and irradiation and CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 111 A unidade deve possuir uma equipe de controle de avarias responsável pelas inspeções e patrulhamento, antes e durante o combate a incêndio, a qual deverá atender imediatamente a um alarme de incêndio, controlando-o, enquanto estiverem sendo executadas manobras ou fainas críticas até que terminem. As inspeções diárias servem para buscar possíveis impropriedades que devem ser corrigidas imediatamente. As medidas abaixo também devem ser adotadas como formas de precaução: Treinamentos periódicos, para capacitação profissional; Treinamentos básicos de segurança offshore e exercícios internos através de simulados de emergência; Instalação de sistemas de detecção de incêndio e alarmes em toda a Unidade; Inspeções realizadas no local de trabalho, visando corrigir possíveis falhas nos equipamentos que possam contribuir para ocorrência de incêndio (vazamento, armazenamento inadequado de produtos, não atendimento aos padrões de segurança, etc.). O objetivo dessas medidas é fazer com que todos os residentes tenham a responsabilidade de reduzir os riscos, evitando possíveis focos de incêndio. 1.7 – Sistema de Detecção de Fogo, Fumaça e Alarme Automático a bordo. - Sistemas de Detecção e Alarme São sistemas criados para a detecção automática da presença de focos de incêndio. Permitem que princípios de incêndios sejam, com presteza, informados por intermédio de um sinal de alarme. Existem dois tipos o Manual e o Automático. Geralmente consiste em detectores, instalados em vários compartimentos, que se ligam a um Console Central, estrategicamente situado. Qualquer dos detectores, quando atuado, faz soar no painel um alarme sonoro, acompanhado de um alarme visual. Detectores de Incêndio, que podem ser de quatro tipos, conforme o fenômeno que detectam: Térmico: sensível a aumentos de temperatura; De fumaça: sensível a produtos de combustíveis suspensos na atmosfera; De gás: sensibilidade a produtos gasosos da combustão; ou De chama: que responde à radiações emitidas por chamas CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 112 Figura 3.12 – Tipos de detectores de incêndio Os detectores instalados a bordo, geralmente são de dois tipos: o sensível à fumaça e a gases da combustão em geral e o sensível ao calor. O primeiro é instalado em praticamente todos os compartimentos, e o segundo é encontrado nas cozinhas. 1.8 - AÇÕES AO SER DETECTADO FUMAÇA OU FOGO A BORDO Ao descobrir um incêndio, ou indícios de sua ocorrência, deve-se disseminá-lo imediatamente, utilizando os meios de comunicações disponíveis. Assim que se tiver certeza de que alguém tomou conhecimento do alarme, deve-se retornar ao local e iniciar o primeiro combate para tentar apagar o fogo ainda incipiente. Informar à sala de controle (Informar através do meio de comunicação, mais próximo possível, o local do foco de incêndio e outros dados julgados importantes); e Dar o primeiro combate. Dar o primeiro combate. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 113 Figura 3.13 – Telefone de Emergência 1.9 – INSPEÇÃO, ISOLAMENTO, SINALIZAÇÃO e INSTALAÇÃO DE SISTEMA DE EXAUSTÃO PREVISTO PELA (NR-34) De acordo com o previsto na Norma Regulamentadora – NR-34, é necessário programar medidas de proteção por ocasião da realização de “Trabalho a Quente” a bordo. Considera-se trabalhos a quente as atividades de soldagem, goivagem, esmerilhamento, corte ou outras que possam gerar fontes de ignição, tais como: aquecimento, centelha ou chama. – Inspeção Preliminar Por ocasião do início de trabalhos a quente deve ser realizada inspeção de modo a assegurar que: a) o local de trabalho e as áreas adjacentes estejam limpos, secos e isentos de agentes combustíveis, inflamáveis, tóxicos e contaminantes; b) a área somente seja liberada após constatação da ausência de atividades incompatíveis com o trabalho a quente; c) o trabalho a quente seja executado por trabalhador qualificado. – Sinalização / Isolamento Tem por objetivo garantir a distância e o isolamento adequado na execução de serviços (Ex.: movimentação de cargas, abertura de piso, trabalho com radiação etc.), impedindo a permanência de pessoas não autorizadas no local. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 114 Figura 3.14 Isolamento – Confinamento Tem por objetivo bloquear as fagulhas e chamas, provenientes de trabalhos a quente (por exemplo: corte, solda e esmerilhamento), impedindo que as mesmas atinjam materiais combustíveis, evitando o início de um incêndio. Figura 3.15 Confinamento – Proteção contra Incêndio Além das ações já mencionadas, devem ser tomadas as seguintes medidas de proteção: a) providenciar a eliminação, ou manter sob controle, possíveis riscos de incêndio; b) instalar proteção física adequada contra fogo, respingos, calor, fagulhas ou borras, de modo a evitar o contato com materiais combustíveis ou inflamáveis presentes; c) manter desimpedido, e próximo à área de trabalho, sistema de combate a incêndio, especificado conforme o tipo e quantidade de inflamáveis, e/ou combustíveis presentes; d) inspecionar o local e as áreas adjacentes ao término do trabalho, a fim de evitar princípios de incêndio. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 115 – Controle de fumos e contaminantes – instalação de sistema de exaustão Para o controle de fumos e contaminantes decorrentes dos trabalhos a quente devem ser implementadas as seguintes medidas: a) limpar adequadamente a superfície e remover os produtos de limpeza utilizados, antes de realizar qualquer operação; b) providenciar renovação de ar, a fim de eliminar gases, vapores e fumos empregados e/ou gerados durante o trabalho a quente. Figura 3.16 - Sistema de Exaustão - Mantas em Serviço na Área (Contenções) As mantas de proteção são produzidas com tecidos resistentes ao calor e ao fogo. Proporcionam proteção contra fagulhas e respingos provenientes da soldagem e esmerilhamento. A manta mais utilizada é de tecido de aramida. Figura 3.17 – Mantas CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 116 2. – COMBATE INCÊNDIO 2.1 - Classificação dos Incêndios Para facilitar a seleção dos melhores métodos para o combate a cada tipo de incêndio, estes são usualmente divididos em cinco classes principais, a saber: Classe “A” São os que se verificam em materiais fibrosos ou sólidos, que formam brasas e deixam resíduos, queimam na superfície e em profundidade. São os incêndios envolvendo madeira, papel, tecidos, borrachas, plásticos, etc. Figura 3.18 – Incêndio Classe A Classe “B” São os que se verificam em combustíveis líquidos, graxas e gases inflamáveis. Queimam apenas na superfície e não deixam resíduos. Por exemplo: Líquidos inflamáveis (gasolina, álcool, querosene, óleo diesel, tintas), Gases inflamáveis (acetileno, gás liquefeito de petróleo – GLP) e os coloides (combustíveis pastosos, como as graxas, etc.) Figura 3.19 – Incêndio Classe B CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 117 Classe “C” São os que se verificam em equipamentose instalações elétricas quando energizados. O fato mais relevante desse tipo de incêndio é o risco de morte provocado por choque elétrico. Figura 3.20 – Incêndio Classe C Classe “D” São os que se verificam em metais inflamáveis como sódio, titânio, potássio e magnésio. Figura 3.21 – Incêndio Classe D CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 118 Classe “K” É uma nova classificação de incêndios que envolvem meios de cozinhar (banha, gordura e óleo), e que têm sido, por muito tempo, a principal causa de danos materiais, vítimas fatais, ou não, em cozinhas comerciais e industriais. A natureza específica de incêndios que envolvem meios de cozinhar e equipamentos: Incêndios envolvendo equipamentos de cozinha industrial são diferentes da maior parte de outros incêndios. Nos Estados Unidos, uma nova classificação para atividade de incêndios em cozinha - Classe K - foi reconhecida pela NFPA, através da norma, NFPA 10 – Extintores de Incêndio Portáteis. Essa organização compreende que estes incêndios não se parecem com os tradicionais incêndios em líquidos inflamáveis que envolvem: a gasolina, o óleo lubrificante, solventes de pintura ou solventes em geral. Incêndios em cozinha - Classe K CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 119 Simbologia que representa as Classes de Incêndios Figura 3.22 – Classes de incêndios 2.2 – Métodos de Combate a Incêndio Os incêndios, em seu início, são muito fáceis de controlar e de extinguir. Quanto mais rápido o ataque às chamas, maiores serão as possibilidades de reduzi-las e eliminá-las. As ações para extinguir o fogo são voltadas para desfazer ou romper o triângulo do fogo. Assim, temos basicamente quatro métodos de extinção de incêndios: Resfriamento CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 120 É o método mais antigo de se apagar incêndios, sendo seu agente universal a água. Consiste na redução da temperatura dos corpos incendiados, abaixo da temperatura de autoignição, ou da região onde seus gases estão concentrados, extinguindo o fogo. Abafamento Esse método consiste em reduzir a quantidade de oxigênio para abaixo do limite de 13% na atmosfera que envolve o fogo. Observação: Abaixo de 13% só haverá a formação as brasas, e abaixo de 8%, nem brasas serão formadas. Isolamento É o método mais simples quanto a sua realização, pois, na maioria das vezes, é executado com o emprego apenas da força física, não exigindo aparelhagem especial. Sua eficiência está mais para o controle de um incêndio do que sua extinção propriamente dita. Às vezes, com o simples fechamento de uma válvula, ou a limpeza de uma área, conseguimos debelar um incêndio. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 121 Quebra da Reação em Cadeia Ocorre a partir da introdução de determinadas substâncias na reação química da combustão com o propósito de inibi-la. Neste caso, é criada uma condição favorável por um agente que atua a nível molecular, de forma que o combustível e o comburente percam ou tenham reduzida a capacidade de manter a reação em cadeia. Imagem 3.23 – Métodos de extinção de incêndio 2.3 - AGENTES EXTINTORES Agente extintor é tudo aquilo que é, ou pode ser usado no combate ao incêndio. Os principais agentes extintores são: Água É o agente extintor considerado universal e, por excelência, utilizado em incêndios da classe “A”. Devido à sua abundância é o agente mais utilizado. É empregado, sob a CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 122 forma líquida, em duas formas básicas: jato sólido e neblina. Extingue, principalmente, por resfriamento e, secundariamente, por abafamento. Figura 3.24 – Agente extintor água Espuma A espuma é um agente indicado para extinção de incêndio classe “B”, em especial os de grande vulto. Nas unidades offshore utiliza-se apenas a Espuma Mecânica como agente extintor. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 123 Agentes em Pó A composição básica dos agentes em pó é bicarbonato de sódio, potássio e cloreto de potássio. O agente à base de bicarbonato de sódio é conhecido como “pó químico”, e é utilizado para extinguir incêndios classe B e classe C. Há também agentes denominados de “pós químicos especiais”, que foram desenvolvidos especialmente para incêndios em metais inflamáveis (classe “D”). Figura 3.25 - Agente Pó Químico Especial CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 124 Gás Carbônico (CO2) É um gás inerte, mais pesado que o ar, incolor, sem cheiro e não condutor de eletricidade. É indicado para os incêndios das classes B e C, extinguindo primariamente por abafamento e secundariamente por resfriamento. Composto Halogenados Os compostos halogenados são utilizados atualmente apenas em Sistemas Fixos. O protocolo de Montreal (16/09/87) identificou o Halon como uma das numerosas combinações que requerem limitações de uso e produção, devido a sua implicação na destruição da camada de ozônio. Uma emenda no Protocolo original (01/01/94) resultou no término de sua produção, sendo adquirido atualmente em bancos de coleta e usado em meios militares dos países signatários do Protocolo. Quando liberado, o Halon forma uma nuvem de gás, com aspecto incolor, inodoro e com densidade cinco vezes maior que a do ar. Ele extingue o fogo através do método da quebra da reação em cadeia. 2.4 - EXTINTORES PORTÁTEIS São equipamentos destinados ao combate de princípios de incêndios. Podem ser portáteis ou sobre rodas, conforme o tamanho e a operação. Os portáteis são conhecidos simplesmente por extintores e os extintores sobre rodas, por carretas. – - Tipos de Extintores Portáteis Os extintores portáteis podem ser divididos de acordo com o agente extintor que utilizam: Extintor de Água Pressurizada Utilizam à água como agente extintor. São de dois tipos: com pressão no próprio cilindro e com ampola de propelente. Ambos utilizam como propelente o ar comprimido ou o nitrogênio. Emprego em incêndios da classe “A” Figura 3.26 - Extintor de Água CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 125 Extintor de CO2 Utilizam o CO2 como agente extintor. São recomendados para incêndios das classes “B” e “C”, não podendo ser usados em incêndios da classe “D”. Emprego em incêndios classe B e C; Figura 3.27 - Extintor de CO2 Extintores de Pó Químico São recomendados para os incêndios das classes “B” e “C”, não podendo ser usados nos da classe “D”. Figura 3.28 - Extintor de Pó Químico CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 126 Extintores de Pó Seco Especial São utilizados em incêndios de classe “D”, segundo técnicas especiais e recomendações dos fabricantes. O agente e o método de aplicação dependem do tipo e qualidade do metal incendiado. . Figura 3.29 – Extintor de Pó Seco Especial Extintor de Halon São particularmente empregados em incêndios de equipamentos eletrônicos, por não deixarem resíduos. Figura 3.30 – Extintor de Halon. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 127 Extintorespara incêndios da Classe “K” Figura 3.31 A - Extintor Komet-K O agente extintor é uma substância chamada de Komet – K, que, ao entrar em contato com as chamas, produz uma substância saponificante que promove a quebra da reação em cadeia. - Utilização dos extintores a) Água, CO2 e PQS Observe a direção do vento e ataque o fogo dirigindo o jato para a base do mesmo. Figura 3.32 – Posicionar-se a barlavento (a favor do vento) CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 128 b) Extintor de espuma Não se esqueça de observar a direção do vento. Direcione o jato da espuma para uma antepara, não diretamente para o fogo. Não havendo antepara próximo ao foco, direcione o jato para o alto e deixe cair sobre o foco. Figura 3.33 – Extintor de espuma 3.0 – ORGANIZAÇÃO DE COMBATE A INCÊNDIO 3.1 – Organização de Combate a Incêndio e as Funções da Tabela Mestra Toda unidade marítima possui um compartimento – Sala de Controle - que monitora 24 horas as áreas da embarcação através de sensores, botoeiras de alarmes e sistema de vídeo. Dessa forma, no caso de um incêndio a bordo, o sistema automático de detecção localiza e aciona o alarme de emergência. Os operadores da sala de controle informam a localização do sinistro para ação imediata por parte do Coordenador Local da Emergência. Nas unidades offshore a ação de combate a incêndio é coordenada pelo Gerente da Plataforma (GEPLAT), OIM ou pelo Comandante, no caso de navio-sonda. Cabem ao GEPLAT/OIM ou Comandante as seguintes atribuições: Centralizar as informações, decidir e orientar as ações a serem tomadas para o controle da emergência; Comunicar as ações do controle de emergência para a estrutura de resposta em terra; Certificar-se sobre as providências adotadas para a parada operacional de emergência de forma segura; Decidir sobre a evacuação ou abandono da unidade marítima; Aplicar o Plano de Contingência da unidade para controle do incêndio; e CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 129 Solicitar apoio externo, conforme Plano de Contingência Central, sempre que as proporções do incêndio indicarem a necessidade de sua adoção. A resposta à emergência envolvendo incêndio a bordo de uma plataforma ou navio será acionada pelo Coordenador Local, utilizando-se, inicialmente, do pessoal que compõem a Equipe/Brigada de Incêndio, constante da Tabela Mestra. 3.2 – Sistemas Fixos de Combate a Incêndio Os SISTEMAS FIXOS DE COMBATE A INCÊNDIO são aqueles cujo propósito é a supressão de um incêndio local num dado sistema ou equipamento, através de uma instalação fixa, geralmente de atuação automática. A maioria dos sistemas fixos de combate a incêndio funciona automaticamente, sendo necessária uma ligação a um sistema de detecção automática de fogo, como detectores de fumaça ou calor, por exemplo. Podem ser empregados de duas maneiras: a) Inundação total – É o sistema instalado pra proteção de grandes áreas, como: praças de máquinas, compartimentos de líquidos inflamáveis, helidecks e paióis de tintas; b) Aplicação Local – É o sistema utilizado para proteção de equipamentos, como: geradores, turbinas, painéis, consoles e computadores. Dentre os principais Sistemas Fixos de Combate a Incêndios encontrados a bordo destacamos: - Sistema de Redes de Incêndio As redes de incêndio consistem em um sistema de canalizações que se ramifica por toda a unidade marítima, e é destinado a alimentar as tomadas de incêndio (Hidrantes), os sistemas de borrifo, a rede sanitária e, em alguns casos, o sistema de resfriamento das máquinas auxiliares. As redes de incêndio dos navios e plataformas devem trabalhar com pressão na ordem de 150 libras/pol². Figura 3.34 – Arranjo de uma rede de incêndio de navio/plataforma CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 130 Figura 3. 35 – Seção de uma rede de incêndio CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 131 – Tomadas de Incêndio As tomadas de incêndio são dispositivos colocados na rede de incêndio para a captação da água para o combate a incêndio. A bordo são instaladas nas canalizações horizontais e ou nas extremidades das derivações verticais. Na maioria das Unidades Offshore encontramos tomadas de incêndio de 2 ½” e de 1 ½”, com engates rápidos. Figura 3.36 – Tomada de Incêndio - Mangueiras e Reduções Figura 3.37 – Mangueira de Incêndio Figura 3.38 – Conexão Storz Atualmente encontramos a bordo dos navios e plataformas mangueiras de incêndios nos diâmetros de 1 ½”, 2 ½”. Cada seção mede cerca de 15,25 m (50 pés) de comprimento. Suas extremidades são adaptadas com conexões tipo engate- rápido, também conhecidas como conexões storz. - Aduchamento de Mangueiras Visando o seu pronto emprego, as mangueiras são acondicionadas, devidamente enroladas, em “caixas de Incêndio” localizadas próximas das tomadas de incêndio. O procedimento de enrolarmos as mangueiras para facilitar o seu uso chama-se ADUCHAR. As mangueiras podem ser aduchadas das seguintes formas: CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 132 I. Aduchamento pelo meio (Método Marinha) Figura 3.39 – Aduchamento pelo meio II. Aduchamento pela extremidade (Método Alemão) Figura 3.40 – Aduchamento pela extremidade III. Aduchamento em camadas (Método ziguezague) Figura 3.41 – Aduchamento em camada Cuidados básicos com as mangueiras: Nunca pressioná-las com equipamentos pesado; Limpá-las após o uso; Guardá-las em local apropriado; Armazená-las em local seco e limpo; CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 133 Não arrastar pelo chão; As conexões não devem ser atiradas ou jogadas no chão. - Divisor ou Derivante Aparelho metálico dotado de uma boca de admissão de 2 ½ pol. e três ou duas bocas de descarga de 1 ½ pol., providas de válvulas de controle, todas com conexões storz. Figura 3.42– Divisor com 2 saídas Figura 3.43 – Derivante com 3 saídas – Esguichos É o termo aplicado ao componente montado na saída da mangueira. Os esguichos apresentam diversos detalhes que, dependendo do fabricante, se diferenciam uns dos outros. As principais diferenças dizem respeito à existência ou não de punho. Todos têm o mesmo princípio: O difusor apresenta um movimento de aproximação e afastamento do corpo do esguicho, acionado pela rotação de uma luva roscada na extremidade da saída. DIFUSOR DIFUSOR Figura 3.44 – Esguichos Variáveis CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 134 Regulagem do esguicho O movimento do difusor permite uma variação da forma dada ao jato d’água, em dois modos distintos: jato sólido ou neblina. Fig Figura 3.45 – Jato Sólido Figura 3.46 – Neblina 30º CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 135 Figura 3.47 – Neblina de 60º Figura 3.48 - Neblina de 90º – Sistema de Borrifo Destina-se genericamente a proteger área contra o fogo e, quando operando automaticamente, possui a vantagem de atuar logo no início do incêndio, impedindo assim que o fogo alcance maiores proporções, utilizando o método de extinção por resfriamento. O Sistema de Borrifo mais utilizado a bordo é o que utiliza os chuveiros automáticos, conhecidos como “Sprinklers”. A rede de borrifo, nesse caso, é mantida CBSP – CURSO BÁSICODE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 136 sob pressão no compartimento a proteger. Os chuveiros entram em ação independentemente, quando sensibilizados pelo calor. Assim, somente entram em operação aqueles pulverizadores próximos ao foco do incêndio. Esses dispositivos são dotados de um elemento termo-sensível, que se rompe por ação do calor proveniente do foco de incêndio, permitindo a descarga da água sobre o ambiente. Esse sistema possui grande confiabilidade e pode ser aplicado em ambientes onde não existam equipamentos que se danifiquem pela ação da água. Possui as seguintes características: Rapidez de atuação; Possibilidade de extinção do incêndio em seu início; Confinamento do incêndio no ambiente onde se originou, facilitando a extinção do fogo. Figura 3.49 – Sprinkler São utilizados para proteger equipamentos e áreas onde exista produção em potencial de calor, tais como: Cabeças de poços; Equipamentos de separação óleo/gás; Compressores de gás; Tanques pressurizados; Bombas de transferência de óleo; Manifolds de óleo e gás; Lançadores/recolhedores de pig e esferas; e Cellar decks. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 137 – Sistemas de Supressão por Gás (CO2) a) Os sistemas de CO2 suprimem o fogo por inundação total ou aplicação local. b) Os sistemas de CO2 são recomendados para a proteção de áreas não ocupadas, em função do risco potencial de asfixia. c) O sistema é composto por baterias de cilindros com suas respectivas válvulas, mangueiras flexíveis, válvulas solenóides para liberação do agente do cilindro através da tubulação, difusores, painéis e dispositivos de campo. d) O Sistema de supressão é interligado a painéis de controle que monitoram a detecção do fogo e comandam eventuais descargas. Figura 3.50 – Instalação fixa de CO2 3.3 - AÇÕES DA BRIGADA DE INCÊNDIO A Brigada de Incêndio é uma equipe treinada para agir na ocorrência de incêndio em qualquer parte da Unidade Marítima. Após acionado o alarme de emergência, a Equipe/Brigada de Incêndio se reúne na Estação/Posto de Incêndio que estiver mais próxima do local do sinistro e, sob a coordenação do Técnico de Segurança e/ou do Líder, se equipa e se informa sobre o tipo da emergência. Faz a aproximação até o local do sinistro, utilizando e/ou acionando os recursos necessários para combatê-lo de forma eficiente, por meio de CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 138 técnicas conforme treinamento desenvolvido nos simulados de controle de emergência, de acordo com o Plano de Contingência da Unidade Marítima. Figura 3.51 – treinamento de combate a incêndio - Ação da Brigada de Incêndio em Crash no Helideck Conforme previsto na NORMAM-27, a ocorrência de emergência envolvendo aeronave no Helideck (crash) cabe inicialmente à equipe de Manobra e Combate a Incêndio em Aeronave (EMCIA), que dá o primeiro combate sob a coordenação do ALPH (Agente de Lançamento e Pouso de Helicóptero). Nesses casos, a Brigada de Incêndio será acionada para complementar os recursos necessários ao controle da emergência. Uma vez acionada, a Brigada de Incêndio deverá observar os seguintes procedimentos: a) Ao soar do alarme - a Brigada deve dirigir-se ao Posto de Incêndio e aguardar orientações; b) Após receber as orientações necessárias - deverá dirigir-se ao local da emergência; c) Logo que chegar ao local - o Coordenador da Brigada (Líder) deve buscar orientações com o ALPH quanto aos riscos existentes; d) Ao constatar a existência de vítimas - resgatar possíveis vítimas e prestar os primeiros socorros; e) Após o resgate das vítimas - combater o incêndio e resfriar os equipamentos. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 139 Figura 3.52 – Treinamento de incêndio no helideck CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 140 IV) TÉCNICAS DE SOBREVIVÊNCIA PESSOAL E PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA 1 – Situações e procedimentos de emergência ........................................................ 142 1.1 - Emergências a bordo ........................................................................................ 142 1.2 - Sistema de alarme geral de emergência. ......................................................... 148 1.3 - Tabela mestra, planos de contingência, ponto de reunião, rotas de fugas e estações de abandono .............................................................................................. 150 1.4 – Emprego de equipamentos salva-vidas e dos EPI ......................................... 154 1.5 - Sistema de comunicações interiores. ............................................................... 159 1.6 – Importância de seguir instruções e as ordens da cadeia de comando ............. 159 1.7 – Procedimentos especiais em operações combinadas. .................................... 160 2.0 – Orientações sobre segurança a bordo ............................................................. 164 2.1 - Principais compartimentos e equipamentos de uma plataforma ...................... 164 2.2 - Estrutura funcional e hierárquica e os processos produtivos ............................ 169 2.3 - Elementos de estabilidade e estanqueidade .................................................... 171 2.4 – Modos de evacuação e os meios de evacuação/abandono ............................. 173 2.5 – Procedimentos básicos para evacuação/abandono ........................................173 2.6 – Procedimentos de embarque e desembarque em helicópteros ..................... 176 3.0 – Técnicas de sobrevivência no mar. ................................................................. 180 3.1 - Equipamentos de salva agem e sobrevivência. .............................................. 180 3.2 - Embarcações que poderão ser utilizadas para abandono e/ou sobrevivência. 184 3.3 - Procedimentos de abandono/evacuação .......................................................... 188 3.4 - Identificação dos pontos de reunião e das estações de abandono .................. 188 3.5 - Procedimentos do náufrago dentro d’água ....................................................... 192 3.6 – Necessidade de autocontrole e os cuidados para sobrevivência ..................... 196 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 141 HISTÓRICO Evolução do Salvamento Até a metade do século XIX não havia o incentivo ao uso de coletes individuais que facilitassem o abandono e a permanência no mar. Com o advento do ferro na construção, os materiais de salvatagem, coletivos e individuais, passaram a ser disponibilizados aos tripulantes e passageiros, porém sem obedecer a um padrão de procedimentos e a nenhuma metodologia de dotação. Após o naufrágio do RMS TITANIC (1912), ganhou força o desenvolvimento das Regras Internacionais para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar, origem da Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (1914), mas tarde denominada de Convenção “SOLAS”. Figura 4.1 Titanic CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 142 Organização do Sistema de Segurança Marítima no Mundo Organização Marítima Internacional (IMO) Agência da ONU que tem a finalidade de tratar de todos os aspectos relativos à segurança marítima. A IMO tem a missão de normatizar os assuntos sobre segurança marítima que, em seu conjunto, compõem o que se denomina de Convenções Marítimas Internacionais. As mais importantes são: A ConvençãoSOLAS - trata de todos os aspectos referentes à Salvaguarda da Vida Humana no Mar; A Convenção MODU - trata dos aspectos de construção e equipagens de Unidades Marítimas Offshore A Convenção STCW - trata de padronização de treinamentos e certificação do pessoal que trabalha no mar. Figura 4.2 - Logo da Organização Marítima Internacional Diretoria de Portos e Costas É a organização vinculada ao Comando da Marinha, representante da Autoridade Marítima, que tem a responsabilidade de interpretar a legislação internacional produzida pela IMO e implantá-la no Brasil. Também exerce a tarefa de órgão fiscalizador da execução e cumprimento destas normas. Figura 4.3 – Brasão da Diretoria de Portos e Costas CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 143 1. – SITUAÇÕES E PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA Descrever os tipos de emergências que podem ocorrer, tais como: colisão, incêndio, naufrágio, adernamento, água aberta, derramamento de óleo e vazamento de gás. 1.1 - Emergências a Bordo Definição Emergência - Situação de anormalidade que ocorrendo, pode gerar danos ao pessoal embarcado, às instalações e ao meio-ambiente marinho. - Tipos de emergências a bordo - Colisão (um dos atores está parado) / Abalroamento (atores em movimento) É a emergência provocada pelo choque de dois ou mais navios e pode levar ao afundamento imediato por alagamento. Quando o choque ocorre com um obstáculo em movimento, chamamos de Abalroamento. Figura 4.4 – Colisão / Abalroamento - Incêndio Um incêndio a bordo é bem mais grave do que em uma instalação de terra. O pessoal embarcado deve ser preparado para o combate sem apoio de órgãos especializados externos. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 144 Figura 4.6 – Incêndio na Plataforma BP “DEEP HORIZON” - Naufrágio Emergência provocada pela perda da reserva de flutuabilidade ou pela perda da estabilidade, provocando o emborcamento em razão de: Entrada de água excessiva; e Incapacidade de esgotamento. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 145 Adernamento Caracteriza-se pela inclinação permanente (banda permanente) da plataforma provocada pela entrada de água em grande quantidade e sem controle, ou provocada por erro de manobra no sistema de lastro, ou ainda pelo deslocamento de peso na estrutura (Deck Box). Figura 4.7 – Plataforma FPSO P-34 adernada CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 146 - Água Aberta Situação decorrente de avaria no casco do navio, fazendo com que exista a comunicação do mar com o interior do navio, abaixo da linha d´ água. Figura 4.8 – Água aberta naufrágio Plataforma P-36 Figura 4.9 – Derramamento de Óleo CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 147 – Vazamento de Gás Figura 4.10 - Queima de gases - Homem ao Mar A providência inicial é lançar imediatamente uma boia salva-vidas para o náufrago, não perdê-lo de vista, e informar ao pessoal responsável pelo controle de emergência. O tempo de sobrevivência de um náufrago depende da temperatura da água do mar. Poderá reduzir-se há poucos minutos, portanto é muito importante a rapidez nas ações de resgate. Figura 4.11 – Homem ao mar CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 148 – Queda de Aeronave Figura 4.12 – Pouso forçado de helicóptero no mar O pouso e decolagem de aeronaves em plataformas é uma operação que requer atenção máxima de todo pessoal envolvido. - Erupção de poço (blow-out) É a erupção descontrolada do poço que, em consequência, pode causar incêndio, explosão e intoxicação por gases nocivos à saúde. Figura 4.13 – blow-out - Presença de gases tóxicos A presença de gases tóxicos ou asfixiantes no local de trabalho pode causar sérios problemas de saúde e até a morte do trabalhador. Nas emergências envolvendo presença de gás tóxico em Unidades Marítimas, a pior delas pode ser considerada a que envolve o gás sulfídrico (H2S). CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 149 O gás sulfídrico (H2S) é um gás incolor, mais pesado que o ar, forma mistura explosiva com o ar, altamente tóxico, possui cheiro de ovo podre em baixas concentrações, e inibe o olfato em concentrações elevadas. 1.2 - SISTEMA DE ALARME GERAL DE EMERGÊNCIA Principais alarmes de emergências O início de uma emergência a bordo não vem com aviso, mas um alarme pode definitivamente nos ajudar a enfrentar uma emergência ou evitar uma situação de forma eficiente. Sistemas de alarmes instalados a bordo de um navio-plataforma, ou plataforma, têm como propósito notificar a tripulação sobre a situação perigosa que pode surgir na embarcação. Os alarmes a bordo devem ser sonoros e visuais para garantir que uma pessoa possa ouvir o alarme sonoro, quando se trabalha em uma área onde ver um alarme visual não é possível e vice-versa. Os principais alarmes que são instalados no navio para dar avisos audiovisuais são os seguintes: 1) Alarme Geral: O alarme geral é reconhecido por 7 toques curtos de campainha seguidos por um toque longo. Ou 7 toques curtos, emitidos pela buzina do navio, seguidos por um toque longo. O alarme geral é soado para informar à tripulação que uma emergência ocorreu. NOTA IMPORTANTE: São consideradas como FAINAS GERAIS DE EMERGÊNCIA, todas as emergências que não possuem alarmes específicos para a disseminação de sua ocorrência: Colisão, Abalroamento, Adernamento, Explosão e etc. 2) Alarme de Incêndio: Um alarme de incêndio é soado como toque contínuo da campainha elétrica do navio, ou som contínuo da buzina do navio. 3) Alarme de homem ao mar: Quando um homem cai ao mar, o alarme interno soa 3 toques longos e a buzina do navio vai emitir 3 toques longos para notificar a tripulação de bordo e os outros navios nas proximidades. Figura 4.14 - Buzina do navio CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 150 Figura 4.15 - Alarme visual de emergência - Sistema de Alarme Geral de Unidades Marítimas Offshore Os tipos de sinais de alarme encontrados a bordo das Unidades Marítimas Offshore são dois: EMERGÊNCIA: alarme intermitente e aviso do tipo e local da emergência, através do sistema de comunicação prioritário. PREPARAR PARA O ABANDONO: alarme contínuo. As instruções para evacuação/abandono da unidade são passadas verbalmente pelo Coordenador Local da Emergência. Tabela 1: Tipos de alarme de emergência EMERGÊNCIA PREPARAR PARA ABANDONO INTERMITENTE CONTINUO (SEM MODULAÇÃO) NOTA IMPORTANTE: Os sinais difundidos devem ser complementados por informações passadas pelo sistema de autofalante (intercom). Figura 4.16- Sistema de fonoclama CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 151 1.3 - TABELA MESTRA, PLANOS DE CONTINGÊNCIA, PONTOS DE REUNIÃO, ROTAS DE FUGA e ESTAÇÕES DE ABANDONO - Tabela Mestra de Postos de Emergência (Muster List) O Código MODU e a Convenção SOLAS estabelecem que todas as embarcações e plataformas devem ter uma Tabela Mestra de Postos de Emergência, onde devem estar especificados os detalhes do alarme geral de emergência, além das ações a serem adotadas ao soarem esses alarmes. Além da Tabela Mestra, a bordo contaremos com diversos Planos de Respostas de Emergências (Planos de Contingências) destinados a combateremergências tais como: incêndio, alagamento, colisão, encalhe, homem ao mar, etc. O pessoal embarcado deve conhecer seus deveres, obrigações e responsabilidades, sabendo como proceder para que não haja dificuldades durante as situações de emergência. As tarefas individuais estão designadas no Quadro da Tabela Mestra (Tabela de Emergência - Tabela de Postos de Emergência). A Tabela Mestra deverá indicar as tarefas a serem executadas, tais como: 1. Fechamento das portas estanques, portas de incêndio, válvulas, embornais, portinholas, gaiutas, vigias e outras aberturas; 2. Operação das embarcações de sobrevivência e outros equipamentos salva- vidas; 3. Preparação e lançamento das embarcações de sobrevivência; 4. Reunião dos tripulantes e visitantes; 5. Reunião de visitantes; 6. Utilização dos equipamentos de comunicações; 7. Composição das equipes de combate a incêndio; 8. Tarefas especiais relativas à utilização dos equipamentos e instalações de combate a incêndio; 9. Tarefas de emergência no helideck; 10. Tarefas especiais estabelecidas no evento de vazamento fora de controle de gás sulfídrico, incluindo parada de emergência (no caso de Unidades Offshore). A Tabela Mestra deverá especificar os substitutos das pessoas chaves que possam vir a ficar inválidas, levando em consideração que diferentes situações de emergência podem exigir ações diferentes. RESUMINDO: a Tabela Mestra sintetiza, na forma de um quadro sistemático, a composição das equipes de emergência e as atribuições do pessoal de cada equipe. Ela é encontrada afixada em locais de grande concentração de pessoas, em especial nas áreas habitáveis do navio e/ou da plataforma. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 152 Figura 4.17 - Exemplo de Tabela de Postos de Emergência Para fazer frente às emergências o pessoal deve conhecer precisamente suas atribuições de modo a reagir rapidamente. Além desta lista geral, por ocasião do embarque, cada tripulante residente, passageiro e/ou visitante deve receber também sua Tabela Mestra individual (“T” CARD / Cartão "T"), um cartão onde consta seu nome e postos que deve guarnecer em caso de emergência. Este cartão normalmente é distribuído por ocasião do Briefing de Segurança no dia do embarque. - Planos de Contingência Todas as Unidades Offshore dispõem de Planos de Contingência, que fixam a ação que será adotada pelos Grupos de Ação se ocorrer uma emergência. Planos de Contingência são documentos que relacionam as ações e os procedimentos padronizados a serem executados pela Estrutura Organizacional de Resposta (EOR) para cada uma das situações de emergência. NOTA IMPORTANTE: Fazem parte da Estrutura Organizacional de Resposta (EOR) todo o pessoal de bordo (tripulantes ou residentes) que tem atribuições e responsabilidade com a segurança de terceiros. Todos os componentes da EOR têm as suas atribuições definidas na Tabela Mestra. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 153 - Plano de Segurança (Safety Plan ou Fire Plan) São plantas baixas de todos os conveses das plataformas. ou dos navios, indicando, através de símbolos padronizados, todos os equipamentos de segurança e de salvatagem de bordo. Figura 4.18 – Modelo de um Plano de Segurança - Coordenação de Emergência Na ocorrência de uma emergência na Unidade Offshore, imediatamente é instalada uma COORDENAÇÃO DE EMERGÊNCIA que fica a cargo do Gerente da Plataforma - GEPLAT e/ou Gerente de Instalação Offshore – OIM. Ele exercerá a função de Coordenador Local da Emergência. As Equipes de Emergência de bordo são formadas por tripulantes e residentes preparados para o combate às emergências. Normalmente são compostas por um líder, um substituto direto do líder, e pelos membros da equipe. As Equipes de Emergências de uma plataforma compõem-se de: Brigada de Incêndio; Equipe de Parada de Emergência; Equipe de Abandono; Equipe de Resgate; Equipe de Socorrista; e Equipe SOPEP. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 154 NOTA IMPORTANTE: Podemos encontrar em Unidades Offshore outras designações de Equipes de Emergência, tais como: Equipe de Controle de Avarias (CAV), Equipe de Manobra e Incêndio em Aeronaves (MCIA) e outras. - Locais de Concentração, Rotas de Fuga e Estações de Abandono. - Pontos de Reunião/Pontos de Encontro São locais da Plataforma que se destinam a abrigar todas as pessoas não envolvidas com o controle da emergência. Figura 4.19 - Ponto de Reunião - Estações de Abandono/Postos de Abandono São os locais para onde são dirigidas as pessoas que deixarão à plataforma/navio- sonda, oriundas dos Pontos de Reunião. Figura 4.20 - Posto de abandono de uma Unidade Marítima Offshore CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 155 - Rota de fuga É o caminho mais curto e seguro para se chegar até as áreas externas e às Estações de Abandono. Figura 4.21 - Rotas de fuga 1.4 – Emprego de equipamentos salva-vidas e dos EPI As Unidades Marítimas são dotadas de vários tipos de equipamentos para assegurar uma eficiente evacuação ou abandono em caso de emergência. A utilização destes equipamentos para garantir a sobrevivência humana no mar. - Colete Salva-Vidas Equipamento de uso individual, utilizado para permitir a flutuabilidade dentro d’água, mantendo a cabeça do utilizador emersa, mesmo estando inconsciente após o abandono. Segundo a Convenção SOLAS (estabelece padrões internacionais para os equipamentos salva-vidas requeridos pelo Capítulo III desta Convenção), toda pessoa a bordo de uma embarcação deve possuir um colete salva- vidas individual. Figura 4.22 Colete salva-vidas CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 156 - Óculos de Proteção Individual Óculos com lentes de policarbonato ou cristal: incolor, fumê, colorido, com ou sem proteção lateral. Figura 4.23 Óculos de proteção - Gaiola de Resgate (Rescue Basket) e Colete de Içamento (Sling Rescue) São equipamentos empregados no resgate e salvamento, apropriados para a evacuação por helicóptero, nas situações em que a plataforma tenha estabilidade suficiente para permitir a evacuação através do seu Helideck. Figura 4.24 e 4.25 – Gaiola e colete de içamento - Máscara Protetora e de Fuga A máscara de fuga é um equipamento de proteção respiratória (EPR) que tem por finalidade proteger o usuário no caso da presença súbita de gases e fumaça. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 157 4.26 – Máscara de fuga - Capacete e Bota de Segurança O uso desses equipamentos é adequado ao nosso ambiente de trabalho sendo fundamental para evitar os mais variados tipos de acidentes como: queda de materiais, piso molhado, descargas elétricas, queimaduras por produtos químicos e trombadas. Figura 4.27 Capacete CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 158 4.28 Bota de segurança - Protetor Auditivo ou Auricular A proteção auditiva é necessária contra as consequências de um nível de pressão sonora que ultrapasse a barreira dos 85 dBA. O uso do protetor auditivo deve ocorrer durante todo o período de exposição ao ruído. Figura 4.29 Protetor Auditivo - Luvas de Segurança A luva de segurança é um equipamento de proteção individual (EPI) destinado a proteger as mãos e punhos contra as lesões de acidentes a que os trabalhadores se expõem. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃOE SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 159 Figura 4.30 Tipos de luvas de segurança - Balaclava É voltado para trabalhos que necessitam de proteção do crânio e pescoço contra: riscos de origem térmica, respingos de produtos químicos, agentes abrasivos e escoriantes. Figura 4.31 – Balaclava CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 160 - Cinto de Segurança O cinto de paraquedista deve ser utilizado em atividades com risco de queda de altura superior a 2 metros. Este cinturão deve ter ligação frontal ou dorsal, protegendo o profissional contra riscos de atividades em altura e riscos de queda no posicionamento para executar estas atividades. 1.5 - Sistema de comunicações interiores Qualquer pessoa a bordo pode ser o primeiro a detectar ou testemunhar o início de uma emergência. Para atender a esses casos, as plataformas possuem diversos meios de comunicação que podem ser utilizados para alardear o início da emergência. Os principais recursos de comunicação no controle de emergências são: Telefones; Sistemas de múltiplas comunicações (MC); Sistemas integrados de comunicação; Telefones automáticos; Sistemas de comunicação sem fio; e Mensageiros Figura 4.32 – Telefone automático 1.6 – IMPORTÂNCIA DE SEGUIR AS ORDENS E INSTRUÇÕES DA CADEIA DE COMANDO As ordens emanadas do comando do navio (ou gerência da plataforma) podem ser dirigidas diretamente aos encarregados de cada equipe por intermédio do VHF portátil, através da vocalização de comandos (comandos verbais), os quais serão replicados aos componentes das equipes de emergência. Nesse caso deverão ser sempre positivos, não contraditórios, de maneira a não permitirem margem a qualquer tipo de interpretação. Como veremos adiante, as situações de emergência estão previstas na Tabela Mestra, que designa cada homem da tripulação para uma determinada função específica em cada faina de emergência. A forma de deflagrar o conjunto de procedimentos para cada uma dessas fainas de emergência se dá por intermédio do toque de alarme geral, descrito na Tabela Mestra, seguido ou não de ordens em linguagem clara, pelo sistema de alto falantes de bordo (fonoclama), mais conhecido como "boca de ferro". CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 161 As fainas de emergência são ordenadas pelos respectivos sinais do alarme geral, uso de comandos verbais emitidos pelo sistema de alto falantes, ou mesmo de forma presencial, à viva voz. 1.7 – PROCEDIMENTOS ESPECIAIS EM OPERAÇÕES COMBINADAS – Definição São consideradas Operações Combinadas as atividades offshore que requerem alto padrão de planejamento e coordenação em sua execução, devido às complexidades para a sua realização e altos riscos envolvidos. Se ocorrer uma emergência a unidade sinistrada comunica imediatamente àquela que lhe estiver ligada em operação, passando ambas a desencadear procedimentos para diminuir ou eliminar seus efeitos. a) Operações de Offloading Figura 4.34 – FPSO realizando Offloading CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 162 É a operação que emprega um navio tanque chamado de “Aliviador”, alinhado à popa da plataforma de produção, para receber o petróleo que foi armazenado em seus tanques e transportá-lo para as refinarias em terra. Só é realizada com as plataformas do tipo FPSO e FSO. b) Operações com Flotel Figura 4.35 – Flotel É o nome dado a uma plataforma de apoio e/ou o navio que, colocado ao lado da Unidade Marítima Offshore, normalmente uma Jaqueta (plataforma fixa), a ela se interliga através de uma “Gangway” (passarela), com o propósito de prover serviços para reparos, mudanças estruturais, deck, alojamento, cozinha, etc. c) Operações de Mergulho Figura 4.36 – Operações de mergulho Atividades realizadas para a manutenção da própria estrutura da plataforma ou instalação dos equipamentos para perfuração e produção no fundo do mar. Geralmente são empregados navios especializados em apoio ao mergulho de profundidade – Dive Support Vessel – DSV. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 163 d) Jack-up (Jaqueta) Operação de movimentação das pernas de uma plataforma auto-elevatória para elevar a estrutura do casco (Jaqueta) acima do nível do mar. Figura 4.37 – Jack-up e) Operações com Supply-Boat Backloading São consideradas, ainda, Operações Combinadas, as atividades de aproximação de embarcações de apoio marítimo para o recebimento e fornecimento de granéis líquidos e sólidos como: óleo diesel, barinita, betonita e fluído de CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 164 completação (lama), gêneros alimentícios, além de outros. Essas operações recebem a denominação de Backloading. 2. – ORIENTAÇÕES SOBRE SEGURANÇA A BORDO 2.1 - PRINCIPAIS COMPARTIMENTOS E EQUIPAMENTOS DE UMA PLATAFORMA – Tipos de Plataformas Existem basicamente dois tipos de Unidades de Perfuração Marítima: Com BOP (Blow-Out) na superfície ou completação seca: Plataformas fixas; Plataformas auto-elevatórias; Plataformas de pernas atirantadas (TLP) e Plataformas Spar-buoy Com BOP (Blow-Out) no fundo do solo marinho ou completação molhada: Plataformas semi-submersíveis; Navios-sondas; e FPSO – (Floating, Production, Storage and Offloading) – Plataformas Fixas As plataformas fixas são projetadas para receber todos os equipamentos de perfuração, estocagem de materiais, alojamento de pessoal e todas as instalações necessárias para a produção dos poços. Figura 4.38 – Plataforma Fixa CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 165 – Plataformas Auto Elevatórias São constituídas basicamente de uma balsa (Deck-Box) equipada com estrutura de apoio, ou pernas que, acionadas mecânica ou hidraulicamente, movimentam-se para baixo até atingirem o fundo do mar. Em seguida inicia-se a elevação da plataforma acima do nível da água, a uma altura segura e fora da ação das ondas. Figura 4.39 – Plataforma Auto Elevatória – Plataformas Semissubmersíveis São compostas de uma estrutura de um ou mais conveses, apoiada em flutuadores submersos. Dois tipos de sistemas são responsáveis pelo posicionamento da unidade flutuante: o sistema de ancoragem (constituído de 8 a 12 âncoras e cabos e/ou correntes) e o sistema de posicionamento dinâmico (apresenta grande mobilidade, não existindo ligação física da plataforma com o fundo do mar). Figura 4.40 – Plataforma Semissubmersíveis CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 166 – Navio-sonda – NS É um navio projetado para a perfuração de poços submarinos. Sua torre de perfuração (Sonda) localiza-se no centro do navio, onde uma abertura no casco (Moon Pool) permite a passagem da coluna de perfuração. O sistema de posicionamento do navio-sonda, com seus computadores, anula os efeitos do vento, ondas e correntes que tendem a deslocar o navio de sua posição. Figura 4.45 – Navio-sonda – NS – Sistemas Flutuantes de Produção Os FPSOs (Floating, Production, Storage and Offloading) são navios com capacidade para processar e armazenar o petróleo, e prover a transferência do petróleo e/ou gás natural. No convés do navio é instalada uma planta de processo para separar e tratar os fluidos produzidos pelos poços. Depois de separado da água e do gás, o petróleo é armazenado nos tanques do próprio navio, sendo transferido para um navio aliviador (navio tanque) que se aproxima da popa do FPSO(Operação de Offloading) para receber óleo e transportá- lo para terra. Figura 4.46 – Plataforma FPSO CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 167 - Compartimentagem Os Navios-Sonda e as Plataformas são divididos verticalmente em estruturas denominadas de CONVESES, comumente chamados na atividade offshore de DECKS. O principal é chamado de MAIN DECK. Tudo que estiver acima dele chamamos de UPPER DECKS, e abaixo de LOWER DECKS. Neles são distribuídos os compartimentos (Sala de Máquinas, Sala dos Geradores, Centro de Controle, Casa de Bombas, Refeitórios, Sala de Lazer, Camarotes e outros compartimentos habitáveis). É fundamental, para facilitar os procedimentos de emergência, que se conheça toda a Unidade Marítima no menor tempo possível. As plataformas do tipo semissubmersíveis – SS são constituídas por um único deck, denominado de DECKBOX, sustentado por colunas apoiadas em uma estrutura flutuante, denominada de submarino ou pontoons. Principais Sistemas As plataformas são instalações que podem ser utilizadas para a perfuração e produção, ou para o apoio, dispondo dos seguintes sistemas: – Sistema de Lastro Composto por equipamentos e redes necessárias para executar os serviços de abastecimento de água, esgoto, ar condicionado, ar comprimido e outros, além dos componentes necessários para o controle e distribuição de peso a bordo. – Sistema de Tancagem Composto pelos tanques de carga para armazenamento de resíduos oleosos (slop tanks), bombas e redes de carga e descarga. Permite o recebimento, processamento e transferência da produção de óleo e gás. – Sistema de Salvatagem Composto pelos equipamentos e áreas de escape, evacuação e salvamento, incluindo áreas de refúgio temporário, embarcações de sobrevivência e de salvamento (baleeiras, balsas salva-vidas e bote de resgate) – Sistema de Ancoragem e Posicionamento Composto pelos equipamentos que permitem o posicionamento dinâmico, amarração, ancoragem e outros. – Sistema de Segurança, Detecção e Combate a Incêndio Composto por barreiras contra incêndio e explosão, incluindo o projeto de resistência ao incêndio e de áreas de abrigo temporário. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 168 – Sistema de Movimentação de Carga e Pessoal Composto pelos equipamentos de recebimento e transferência de carga e pessoal como: guindastes, cestos e contentores. – Sistema de Comunicação Composto pelos equipamentos utilizados para comunicação com navios em aproximação, com helicópteros, bem como internamente em situações normais e de emergência. – Sistema de Geração e Distribuição de Energia Elétrica Composto pelos motores, geradores, transformadores, baterias e quadros de distribuição responsáveis pela geração elétrica principal, de emergência, sistemas de 24 volts de corrente contínua, e sistema ininterrupto de energia – sistema UPS (Uninterruptible Power Supply). – Sistema de Automação e Controle Composto pelos equipamentos necessários para monitoramento das informações recebidas durante as operações de campo, na sala de controle, bem como o envio de comandos para operação dos diversos sistemas da Unidade. Figura 4.47 – Sala de Controle – Compartimentos Habitáveis Compreende toda a habitabilidade. É composto de escritórios para trabalho, camarotes, refeitórios, cinema, sala de TV, sala de leitura, sala de musculação, cozinha e outros. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 169 2.2 - ESTRUTURA FUNCIONAL E HIERÁRQUICA E OS PROCESSOS PRODUTIVOS – Estrutura Funcional e Hierarquia Uma plataforma de petróleo representa uma unidade organizacional completa que parece uma “Planta Industrial” no mar. Pelas características de suas atividades e por operarem afastadas da costa por longos períodos de tempo, precisam de uma estrutura operacional e administrativa que facilite seu funcionamento. Cada unidade deve ter pessoas chave suficientes com conhecimentos, qualificações, habilidades e a experiência necessárias para assegurar as operações da Unidade. - Hierarquia de bordo Gerente da Plataforma - responsável por todas as atividades e pelo pessoal a bordo. Recebe informações de tudo o que ocorre no dia-a-dia e é quem emite as ordens para que a operação da plataforma seja cumprida com segurança. Figura 4.48 – Estrutura Organizacional de uma Plataforma - Processos Produtivos de uma Plataforma Plataformas de petróleo são instalações bastante complexas, principalmente as grandes. Podem incluir a produção e armazenagem de óleo e gás à alta pressão, a perfuração de poços e obras de construção e manutenção. Por operarem distantes da costa e por necessitarem de socorro imediato em situações de emergência, precisam de certo grau de autonomia. Demandam um conjunto de serviços tais como: alimentação e alojamento das tripulações (por vezes para mais de 200 pessoas embarcadas ao mesmo tempo), fornecimento de energia elétrica, compressores e bombas, água, transportes (barcos ou helicópteros), meios para carga e descarga, telecomunicações, serviços médicos e botes salva-vidas, além de outros meios de salvamento. Tudo isso requer um elevado nível de coordenação. A estrutura hierárquica mencionada acima estabelece as responsabilidades pelo gerenciamento da Unidade Marítima, de forma a garantir que a operação aconteça com segurança. COFAC COMAN/MS COPROD/ TOOL PUSHER BCO GEPLAT/MASTER OIM CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 170 - Processos Produtivos I. Plataformas de Perfuração a) Sistema de perfuração; b) Sistema de controle de poço; e c) Sistema de automação, controle e parada de emergência. Figura 4.49 – Plataforma de Perfuração II. - Plataformas de Produção a) Sistema de produção; b) Sistema de processamento de óleo; c) Sistema de processamento de gás; d) Sistema de exportação de gás e óleo; e) Sistema de gás combustível; e f) Sistema de automação, controle e parada de emergência. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 171 Figura 4.50 – Plataforma de Produção 2.3 - ELEMENTOS DE ESTABILIDADE E ESTANQUEIDADE Uma plataforma de petróleo apresenta, em seu projeto de construção, características estruturais especiais com grande capacidade de resistência às emergências, centradas nas características da estrutura e na composição dos sistemas e equipamentos disponíveis para combate a elas. – Estabilidade - É a tendência que a embarcação tem de voltar a sua posição inicial de equilíbrio quando cessa a força que a fez mudar de posição. São variáveis para esta característica a distribuição de peso a bordo e a existência de superfície livre. A estabilidade de uma plataforma deve ser considerada tanto no sentido transversal como no longitudinal. a) Transversal (BB – BE) medida em graus de inclinação pelo clinômetro; e b) Longitudinal (Proa – Popa) medida pela diferença de calado. E nas plataformas tipo semissubmersíveis, por um clinômetro no sentido longitudinal. Figura 4.51 - Clinômetro CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 172 - Estanqueidade – É a capacidade que os cascos dos navios e das plataformas possuem de não permitir a entrada de água em seus compartimentos. O interior dos cascos é dividido em compartimentos estanques, situados acima ou abaixo da linha de flutuação. Essa Estanqueidade pode ser do seguinte tipo: Estanqueidade ao óleo – Não permite vazamento quando sob pressão de uma coluna de óleo equivalente à altura do compartimento; Estanqueidade à água – Não permite nenhum vazamento quando sob pressão de uma coluna de água equivalente à altura do compartimento; e Estanqueidade às chamas – Não permite a passagem de chamas. - Seções estanques – São os grandes componentes da estrutura das plataformas que, embora alagados por água, não permitem a passagem desta água para a seção adjacente. - Portas estanques – São apêndices localizados nas anteparas que permitem a passagem de pessoas e material entre seções estanques. São projetadas para resistir à pressão da água durante um alagamento. Figura 4.52– Porta estanque CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 173 2.4 – MODOS DE EVACUAÇÃO E OS MEIOS DE EVACUAÇÃO/ABANDONO Visando manter a segurança e a integridade de todo o pessoal a bordo, o Gerente ou o OIM da plataforma poderão decidir pela EVACUAÇÃO ou ABANDONO, de acordo com o grau de risco provocado pela emergência. – Evacuação Quando NÃO há perigo imediato de afundamento ou emborcamento, porém é grande a probabilidade de perda do controle da emergência. O Gerente da Plataforma/OIM, caso julgue necessário, pode determinar a evacuação da Unidade. Nesses casos, o Gerente da Plataforma/OIM, exercendo o papel de Coordenador Local da Emergência, determinará o acionamento do alarme contínuo (Preparar para abandono) para que todos tomem conhecimento da necessidade de evacuar a Unidade. – Abandono Quando há a perda do controle da emergência com perigo imediato de afundamento ou emborcamento. O Gerente da Plataforma/OIM divulga a ordem de "ABANDONO” para comunicar verbalmente pelo intercom, ou pelos meios de comunicação disponíveis, a sua decisão. Todos passam a ordem adiante e executam os procedimentos de abandono previstos. São utilizados os recursos próprios, preferencialmente as baleeiras e secundariamente as balsas salva-vidas. - Meios de evacuação/abandono em ordem de prioridade: Os residentes poderão ser evacuados e/ou abandonar a Plataforma das seguintes formas, em ordem de prioridade: Por Helicóptero; Através de passarelas ou pontes (Gangways); Para os rebocadores de apoio – Transbordo será feito por meio do Cesto de Transferência; Baleeiras; Balsas salva-vidas; e Saltar na água. 2.5 – PROCEDIMENTOS BÁSICOS PARA EVACUAÇÃO/ABANDONO - Procedimentos básicos para os meios empregados a) No caso de evacuação com emprego de Helicóptero; b) No caso de evacuação com emprego de embarcações de apoio; e c) No caso de evacuação por Baleeiras. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 174 Ao ouvir o alarme CONTÍNUO, todo o pessoal embarcado, concentrados em seus Pontos de Reunião, deverá se dirigir para a sua Estação de Abandono. Já em suas respectivas Estações de Abandono, os residentes, passageiros e visitantes receberão orientações sobre os procedimentos que deverão adotar caso seja necessário abandonar a plataforma. Figura 4.53– Concentração para abandono Ao receber ordem para o embarque na baleeira, todos devem: Fazê-lo de maneira ordeira e disciplinada; Usar as escotilhas de acesso definidas para o embarque; Deixar livres as escotilhas de acesso; Sentar-se de modo a distribuir o peso; afivelar o cinto de segurança; manter-se calmo e em silêncio; e A última pessoa fecha a escotilha. d) Evacuação/abandono através da balsa salva-vidas. Os procedimentos são divididos em três fases: Liberação do casulo; Atuação do mecanismo de inflação; e CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 175 Liberação da balsa Como medida de segurança, todas as balsas salva-vidas infláveis são estivadas com dispositivos hidrostáticos. Para utilização de modo adequado, elas devem estar presas corretamente. As amarrações podem ser diferentes, porém uma regra geral é comum a todas: devem ficar em conveses abertos. Figura 4.54 – Balsa no deck e) Evacuação/abandono executando salto na água com colete salva-vidas Apesar da urgência, o momento do salto deve ser cuidadoso, para aumentar a possibilidade de abandono sem traumatismos. I. O salto deve ser de pé, nunca de cabeça. Antes de saltar, verificar primeiro se não há pessoas ou destroços no mar, e buscar uma posição de menor altura em relação ao mar; II. A mão esquerda deve ser colocada debaixo do queixo, empurrando–o ligeiramente para cima; III. Com o polegar e o indicador esquerdos, tampar a narina por ocasião do salto; IV. Cruzar o braço direito sobre o braço esquerdo, que está sob o queixo, abraçando firmemente o colete salva-vidas de encontro ao corpo. V. Olhe para baixo, certificando-se que a área onde será feita o salto está livre de escombros flutuantes, chamas sobre a superfície, pessoas e quaisquer outros obstáculos; CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 176 VI. Dê um "Passo em Frente", como se fosse dar um passo no "Vazio". Traga à frente a perna que ficou e junte seus pés próximos aos calcanhares; VII. Mantenha o seu corpo ereto e olhando para frente, deixe o corpo cair livremente . Figura 4.56 – Preparação para o salto na água 2.6 – PROCEDIMENTOS DE EMBARQUE E DESEMBARQUE EM HELICÓPTEROS O helicóptero desempenha o principal papel no transporte de pessoal e de equipamentos para as estruturas offshore. Os momentos de embarque e desembarque nas aeronaves requerem procedimentos apropriados, devido aos perigos inerentes, que podem comprometer a segurança das pessoas envolvidas. É importante entender e estar confortável com os procedimentos de segurança do helicóptero e os equipamentos de sobrevivência, para a superação das situações de emergência. - Orientações de Segurança - BRIEFING DO PILOTO O BRIEFING é feito para familiarização da localização e operação dos equipamentos e acessórios de segurança do helicóptero, tais como: cintos de segurança, coletes salva-vidas, balsa salva-vidas, abertura e fechamento apropriado das portas dos compartimentos de bagagem e de passageiros, sistema de comunicação, saídas de emergências, equipamento de sinalização, Transmissor de Localização de Emergência (ELT), kit de sobrevivência e extintores de incêndio. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 177 Os seguintes procedimentos deverão ser observados pelos passageiros: Sempre se aproxime à vista do piloto (caminhando numa posição meio agachada para aeronaves de menor porte); Remova e segure chapéus e bonés (eles podem voar); Carregue objetos longos (mais de 1,50 m de comprimento) horizontalmente; Identifique áreas perigosas no exterior da aeronave (esquis, flutuadores, degraus, antenas, etc.); Coloque as bagagens e artigos soltos nos compartimentos adequados; Inspecione, vista e ajuste o colete salva-vidas; Observe o tipo de cinto de segurança e o procedimento de soltura do mesmo; Reveja o Cartão de Briefing do helicóptero; Identifique as saídas de emergência principal e secundária, as áreas de referência e as rotas de escape. Observe também os obstáculos que possam dificultar ou atrapalhar o escape (familiarização); Preste atenção às instruções de operação das “SAÍDAS DE EMERGÊNCIA” colocadas nas portas e janelas. - Áreas de perigo em helicópteros a) Ângulo de aproximação para embarque/desembarque Figura 4.57 - Zonas de perigos em aeronaves CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 178 - Procedimentos básicos em caso de queda no mar a) POSIÇÃO DE IMPACTO Muitos ferimentos ocorridos duranteo abandono da aeronave poderiam ser evitados se um preparo correto para a posição de impacto fosse assumido. Assumir a posição de impacto durante uma emergência irá: 1. Reduzir o movimento do corpo dentro da cabine; 2. Estabilizar o indivíduo no assento, reduzindo a desorientação durante e imediatamente após o impacto, especialmente se o helicóptero virar; e 3. Permitir, através de uma boa referência física, que o indivíduo se reoriente rapidamente e possa considerar qual rota de escape a tomar. Figura 4.58 – Posição de impacto b) PREPARO PARA O ESCAPE 1. Após o impacto na água, localize e segure o seu ponto de referência. Mantenha-se seguro no ponto de referência com uma das mãos enquanto a outra mão procura a fivela do cinto de segurança; 2. Assim que o helicóptero submergir respire fundo; 3. Assim que o helicóptero virar, mantenha-se preso ao seu assento até que o movimento violento e a torrente tenham cessado; 4. Depois que o helicóptero tiver virado e o movimento violento tiver parado, você deve assumir a posição de “PRÉ-ESCAPE”. Consiste em você sentar-se ereto contra o assento. As mãos devem ser posicionadas da seguinte maneira: MÃO DE ORIENTAÇÃO – uma mão firme segura em um ponto de referência que mostra a direção para a saída mais próxima. MÃO SOLTA – LIBERA O CINTO DE SEGURANÇA. 5. Caso esteja próximo, libere a saída de emergência. Mantenha-se preso ao cinto para liberar a saída. Uma vez que a saída esteja livre, coloque sua mão de CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 179 orientação na estrutura da saída e libere o cinto com sua mão solta. Saia do helicóptero; 6. NÃO NADE OU BATA SUAS PERNAS DENTRO DO HELICÓPTERO. Se a saída principal não estiver disponível, ou caso não consiga alcançá-la, vá para a saída secundária; 7. Posicione ambas as mãos na saída e force seu corpo através dela; e 8. Nade até a superfície, infle o colete salva-vidas e mantenha-se junto aos outros náufragos. 3. TÉCNICAS DE SOBREVIVÊNCIA NO MAR 3.1 - EQUIPAMENTOS DE SALVATAGEM E SOBREVIVÊNCIA - Colete Salva-Vidas Equipamento de uso individual, utilizado para a flutuabilidade dentro d’água, mantendo a cabeça do náufrago emersa mesmo estando ele inconsciente após o abandono. Segundo o Código LSA (estabelece padrões internacionais para os equipamentos salva-vidas requeridos pelo Capítulo III da Convenção SOLAS), toda pessoa a bordo de uma embarcação deve ter colete salva-vidas individual. Os coletes salva-vidas são dotados dos seguintes acessórios obrigatórios: Luz de sinalização de emergência; Fitas retro-refletivas; e Apito. - Cabo liga náufragos - Facilita a amarração entre os náufragos. O número de coletes salva-vidas deve ser suficiente para o pessoal de serviço e para uso nos postos de embarcações de sobrevivência mais distantes. - Tipos de Coletes Salva-Vidas Os coletes se dividem em cinco classes, veremos apenas as classes utilizadas a bordo de plataformas. a) Classe I - Navegação Oceânica/Plataforma, que pode ser de dois tipos: Coletes Salva-Vidas de flutuabilidade permanente CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 180 Figura 4.59 - Modelos de colete salva-vidas - Classe I Coletes Infláveis automaticamente Nos coletes infláveis o dispositivo usado para acionamento automático funciona devido à existência de um tablete (carbureto) que dissolve em contato com a água, ativando o cilindro de CO2, inflando o colete salva-vidas. Figura 4.60 – Modelo de colete Classe I inflável automaticamente - Características dos Coletes Salva-Vidas Permitir que uma pessoa, após demonstração, possa vesti-lo corretamente, em menos de um minuto. Permitir que o colete seja vestido pelo avesso. Possibilitar saltar de uma altura de 4,5m sem se machucar e sem que o colete seja avariado ou deslocado do corpo. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 181 – Roupa de Imersão Equipamento de uso individual que protege o náufrago de temperaturas frias da água do mar. O uso da roupa de imersão substitui o uso do colete salva-vidas. – Características das Roupas de Imersão São confeccionadas com materiais à prova d’água e devem: a) Ser retiradas dos invólucros e vestidas sem ajuda em menos de 2 minutos; b) Cobrir o corpo todo, inclusive as mãos (caso a roupa não tenha luvas presas), com exceção do rosto; c) Não permitir a entrada de quantidade excessiva de água, após o seu utilizador pular na água de uma altura inferior a 4,5m, e d) Ser dotada de uma luz e um apito. – Dotação de Roupas de Imersão na Unidade Se a Unidade Offshore for empregada em locais de clima quente essa roupa protetora não precisará ser levada a bordo. Figura 4.61 - Roupa de imersão – Boias Salva-Vidas ou Boia Circular As boias salva-vidas destinam-se a servir como auxílio primário à pessoa que caiu no mar e que aguarda salvamento. Elas são encontradas em diversos locais dos navios ou das plataformas e devem ser imediatamente lançadas ao mar pela primeira CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 182 pessoa que avistar um náufrago. São componentes da boia: Retinida - cabo flutuante amarrado á boia aduchado junto à ela. Equipamento de sinalização diurna e noturna: Diurna: sinal fumígeno com emissão de fumaça de cor laranja, com duração de três a quatro minutos. Noturna: lanterna elétrica automática flutuante. Figura 4.62 - Dispositivo automático de iluminação Figura 4.63 – Boia salva vida CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 183 - Distribuição a Bordo A distribuição das boias é feita de maneira que uma pessoa não precise se deslocar mais de 12m para lançá-la n’água; Uma boia salva-vidas em cada bordo é provida com cabo flutuante (retinida) de comprimento igual ao dobro da altura na qual ficará estivada, acima da linha de flutuação na condição de navio leve, ou 30 m, o que for maior; e Metade do número das boias em cada bordo deve estar munida com dispositivo de iluminação automático. 3.2 - EMBARCAÇÕES QUE PODERÃO SER UTILIZADAS PARA ABANDONO E/OU SOBREVIVÊNCIA -Embarcações de Salvamento - Bote de Resgate Embarcação motorizada utilizada para o resgate dos náufragos. Pode ser empregada também para o resgate de homem ao mar. É operada por pessoal treinado e dispõe de pequena autonomia, não servindo para sobrevivência. Figura 4.64 – Bote de Resgate - Embarcação de Sobrevivência - Baleeira As plataformas e navios-sonda possuem embarcações salva-vidas rígidas, conhecidas como Baleeiras, que podem ser arriadas por meio de um dispositivo de lançamento chamado turco, ou lançadas por meio de uma rampa projetada em direção ao mar – Baleeiras do tipo “free-fall”. – Características das Baleeiras As baleeiras podem ser dos tipos: Totalmente Fechadas (TEMPSC), Parcialmente Fechadas e Abertas. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 184 Devem atender aos seguintes requisitos: a) Uma baleeira deve ser lançada na água com segurança, mesmo quando carregada com sua lotação completa e toda a sua dotação de equipamentos; b) Ser lançada e rebocada, quando o navio estiver com seguimento, com velocidade de até 5 nós em águas tranquilas; c) Possuir autonomia de 24 horas a uma velocidade de 6 nós quando totalmente carregada; d) Atingir a velocidade de 6 nós em águas tranquilas, carregada com sua lotação e dotação de equipamentos, e com equipamentos auxiliares, acionadas pelo motor de bordo; e e) Atingir a velocidadede 2 nós quando rebocando uma balsa salva-vidas para 25 pessoas, carregada com sua lotação completa e toda a sua dotação de equipamentos. Figura 4.65 – Baleeira arriada por turco Figura 4.66 – Baleeira “free- fall” Palamenta da Baleeira 1 Remos (par) 1 Bomba de esgoto manual 1 Croque 1 Aro flutuante Balde Ração líquida 1 Lanterna Apito 1 Agulha magnética Refletor radar 1 Ancora flutuante Tabela de sinais de socorro Boças Ração sólida 1 Kit de primeiros socorros Kit de pirotécnicos 2 Facas flutuante c/fiel Kit de reparo CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 185 - Balsa salva-vidas Meio secundário de abandono armazenado em contêiner de fibra de vidro, denominado “casulo”, disposto em cabides próprios e localizados nos decks, próximo das baleeiras. Figura 4.67 – Balsas salva-vidas e seu casulo - Características da Balsa Salva-Vidas Resistir a uma exposição de 30 dias ao tempo, flutuando em todas as condições de mar; Ser rebocada a uma velocidade de 3 nós, em águas tranquilas, quando carregadas com toda lotação e dotação de equipamentos; Ser provida de ração sólida e líquida suficiente para alimentar o número de pessoas para o qual foi homologada, por três dias, independente do meio externo; e Ter seus equipamentos divididos pelas funções a que se destinam em: componentes, estojos de sinalização, de sobrevivência, de medicamentos, pesca, reparos e documentação. - Palamenta da Balsa Salva-Vidas Palamenta (kit de sobrevivência) Esponjas (2) Água enlatada Faca flutuante (2) Ração sólida CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 186 Fole de inflar (1) Abridor de latas Kit de reparo (1) Kit de primeiros socorros Aro flutuante com retinida Copo graduado Remos flutuantes (1 par) Apito Espelho Heliográfico (1) Livreto de instruções Bateria elétrica e lâmpadas Âncora flutuante Kit para pesca Jogo de pirotécnicos: (2 foguetes estrela vermelha, 2 fachos manuais e 2 fumígeno fumaça laranja) Tabela de sinais de socorro Tabela 5 – Palamenta das balsas salva vidas - PROCEDIMENTOS DE ABANDONO/EVACUAÇÃO O pessoal que não compõe as equipes de emergência, e não faz parte da Estrutura Organizacional de Resposta (EOR), deverá se dirigir aos seus Pontos de Reunião, ou outro local designado pelo Coordenador Geral da Estrutura, e seguir os procedimentos abaixo: I. ESTANDO EM SEU TURNO DE TRABALHO a) Parar todos os serviços; b) Desligar e/ou desenergizar (se possível) os equipamentos e ferramentas de trabalho; c) Pegar o colete salva-vidas (nos camarotes ou nas caixas de coletes); d) Dirigir-se para o seu Ponto de Reunião (designado em seu cartão "T") e) Chegando ao Ponto de Reunião, retirar seu cartão "T" no escaninho e mantê- lo em seu poder; f) Vestir o colete salva-vidas; e g) Aguardar ordens do Coordenador do Ponto de Reunião. II. ESTANDO NO SEU TURNO DE DESCANSO a) Dirigir-se ao seu camarote; b) Vestir todo o seu EPI; c) Pegar o colete salva-vidas (nos camarotes ou nas caixas de coletes); CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 187 d) Dirigir-se para o seu Ponto de Reunião (designado em seu cartão "T") e) Chegando ao Ponto de Reunião, retirar seu cartão "T" no escaninho e mantê- lo em seu poder; f) Vestir o colete salva-vidas; e g) Aguardar ordens do Coordenador do Ponto de Reunião. NOTA IMPORTANTE: Evite correria e atropelos. Mantenha-se sempre pelo lado direito dos corredores e escadas. Usar o corrimão ao subir ou descer as escadas. Deixe uma das mãos livre para segurar o corrimão. Em caso de queda, estará apoiado, amenizando as consequências da mesma. 3.3 - IDENTIFICAÇÃO DOS PONTOS DE REUNIÃO E DAS ESTAÇÕES DE ABANDONO Os locais de bordo designados para servirem como Pontos de Reunião ou Estações de Abandono devem atender aos requisitos técnicos previstos na Convenção SOLAS e no MODU Code. Devem ser sinalizados por símbolos padronizados pela Organização Marítima Internacional (IMO), conforme abaixo descrito: Figura 4.68 - Sinalização de uma Estação de Abandono 3.4 - PROCEDIMENTOS DO NÁUFRAGO DENTRO D ÁGUA - Procedimentos dentro da água Em todas as situações de perigo, a calma e a lucidez serão primordiais para o náufrago: a) alcançar uma embarcação de sobrevivência; e b) manter-se flutuando até o resgate chegar. - O que fazer enquanto estiver na água a) Afastar-se imediatamente da Plataforma nadando (Nado de Sobrevivência) para barlavento; e b) Se houver perigo de ocorrer explosões, nadar ou boiar de costas, mantendo a cabeça fora da água. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 188 NOTA IMPORTANTE: O nado para o rápido afastamento da Unidade sinistrada deve ser feito semelhante ao da modalidade "Nado de Costas". Ao contrário do nado mencionado, o náufrago não deve bater pernas, mantendo-as cruzadas. Os braços serão utilizados como remos, para deslocar o corpo. Figura 4.69 – Nado de sobrevivência c) Se estiver sozinho, e/ou enquanto aguarda resgate, adote a Posição HELP; e d) O náufrago deve procurar manter-se junto a outros náufragos (Posição Huddle/Círculo de Sobrevivência). Será mais fácil localizá-lo. Figura 4.70 – Posição HELP CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 189 Figura 4.71- Círculo de sobrevivência – Na presença de produtos perigosos e escombros na água Afastar-se realizando o nado de peito adaptado. O movimento dos braços tem o propósito de afastar os escombros e o óleo flutuante, evitando a contaminação da boca e dos olhos. O nado deve ser realizado para barlavento, de modo a evitar a deriva dos escombros e do óleo flutuante. – Na presença de chamas na superfície a) Nado submerso (sempre haverá possibilidade de se nadar por baixo das chamas): I. Antes de saltar, retirar o colete ou esvaziar, caso ele seja inflável. Se possuir inflamento automático, desconecte o percussor da ampola. II. Identificar a área onde as chamas estejam menos intensas (barlavento). III. Adotar a posição do salto de abandono. IV. Antes de voltar à tona para respirar, tenha em mente que a manobra indicada irá requerer tempo e habilidade para realizá-la. Guardar um pouco de ar para isso. V. Olhar para a superfície. Se existirem chamas, será visível. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 190 VI. Na dúvida, assuma que elas estão presentes. VII. Agitar vigorosamente a água com as mãos antes da chegada à tona, abrindo assim um claro entre as chamas. VIII. Com os olhos fechados, voltar sua face para sotavento. IX. Proteger as vias aéreas, voltando a cabeça de encontro ao ombro e respire fundo. X. Para mergulhar novamente, trazer as mãos espalmadas e voltadas para cima na lateral das pernas. Empurrar a água para cima. Este movimento fará com que seu corpo mergulhe verticalmente. XI. Nadar para barlavento e repetir a operação até estar numa área livre de chamas. b) Nado na superfície (socorrendo outro náufrago ou por não possuir destreza suficiente) I. Afastar as chamas ao seu redor continuamente. II. Progredir, intercambiando o nado de peito com o nado de costas adaptado para a situação de risco. III. Bater a mão em forma de concha na superfície da água com força. IV. Tentar fazer uso de apenas uma das mãos, para proteger o rosto. Com a outra produzir um movimento em forma de espiral. - Reunião dos náufragos Após o abandono, o pessoal em melhores condições físicas e mentais deverá realizar uma busca para encontrar os náufragos feridos,ou sem coletes, caso não haja embarcação de resgate operando. Figura 4.72 – Resgate de náufrago CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 191 - Procedimentos quando estiver em uma embarcação de sobrevivência (baleeira ou balsa) a) proceder a um levantamento das condições físicas de todo o pessoal; b) distribuir os náufragos entre as embarcações; c) no caso de superlotação, estabelecer um revezamento entre os que se encontraram em boas condições físicas; d) os que estiverem no mar deverão ficar presos à linha de vida (life line) das balsas; e) os náufragos que ficarem na balsa deverão estar com roupas secas; f) estabelecer um serviço de vigilância durante as 24 horas em quartos de duas horas; g) orientar o serviço de vigia para ficar atento a qualquer sinal de terra ou de aproximação de meios de resgate; h) distribuir tarefas específicas a todos que estiverem em boas condições físicas; i) recolher objetos flutuantes encontrados, visando a uma possível utilização; j) proteger agulhas magnéticas, relógios, pirotécnicos, cartas náuticas e demais objetos que possam estragar-se em contato com a água; e l) evitar qualquer gasto extra de energia. Figura 4.73 – Náufragos juntos à balsa salva vida CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 192 3.5 – A NECESSIDADE DE AUTOCONTROLE E OS CUIDADOS PARA A SOBREVIVÊNCIA Teoria da sobrevivência no mar: A sobrevivência do náufrago dependerá de vários fatores, que atuarão de forma positiva ou negativa em sua sobrevivência. Podemos classificar em fatores objetivos e subjetivos. Quanto aos fatores objetivos podemos resumi-los em três princípios básicos a serem alcançados pelos náufragos: Manutenção da reserva de flutuabilidade. Manutenção da temperatura corpórea (obtenção de abrigo). Obtenção de água doce. Podemos resumir as necessidades básicas do náufrago em uma abstração geométrica denominada de TRIÂNGULO DA SOBREVIVÊNCIA. Flutuabilidade. Temperatura corpórea Água doce. Figura 4.74– Triângulo da sobrevivência A respeito dos aspectos subjetivos que irão atuar no náufrago, afetando a sua sobrevivência, podemos mencionar os seguintes: Aspectos Sociais A higiene será de suma importância para o sucesso da sobrevivência. Assim como na parte sanitária propriamente dita, os aspectos social e moral do grupo serão influenciados diretamente pelo estado sanitário. Aspectos Psicológicos A sensação de medo é normal em homens que se encontram em situações de perigo. A fadiga e o esgotamento mental, resultantes de grandes privações, muitas vezes conduzem a distúrbios mentais. Nervosismo, atividade excessiva, estado de choque, violência e estafa são esperados após dois ou três dias de sobrevivência. O melhor meio de evitá-los é ter a mente limpa, pensamentos positivos e manter as esperanças. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 193 - Liderança aplicada à sobrevivência Liderar é o processo que consiste em influenciar pessoas no sentido de agir, voluntariamente em prol dos objetivos de um grupo. Para atingir os objetivos, o líder deve considerar: a) Instinto de preservação - Valor primordial no ser humano, devendo ser elevado à condição de valor primordial do grupo. b) Espírito de equipe - Fator que contribuirá para o êxito na condução do grupo numa situação adversa; c) Estilo de liderança - A partir da liderança autoritária, exercida em situações extremas, e baseada na autoridade formal conferida ao responsável pela embarcação na Tabela Mestra, deve-se buscar um modo de liderança adaptável ou situacional, no qual o líder possa adotar diferentes estilos para diferentes situações. - Efeitos da exposição à águas frias sobre o náufrago Podem incapacitar ou levar à morte: Na imersão inicial ou choque térmico; Na imersão de pequena duração ou fadiga do náufrago; Por hipotermia; e Durante o atendimento médico após o resgate. Fatores que afetam significativamente a probabilidade de sobrevivência dos náufragos: - Hipotermia Os fatores que exercem forte influência na perda de calor do corpo humano são: a) A área da superfície corpórea envolvida no processo da transferência de calor; b) A diferença de temperatura entre o meio-ambiente e o corpo humano; e c) O movimento relativo das moléculas do fluido (ar ou água) onde o corpo está imerso. Medidas preventivas para evitar os efeitos da hipotermia: a) Evitar contato com superfícies frias e garantir que o piso e as bordas das balsas infláveis estejam bem inflados; b) Manter todos juntos para aquecimento; c) Usar roupas de lã ou sintéticas. As roupas de algodão não são apropriadas para regiões de frio intenso; d) Fazer uso das pílulas antináuseas antes do mareio; e) Manter as sanefas (toldos) da balsa totalmente fechadas para diminuir o efeito do vento e da umidade; e f) Evitar massagear o hipotérmico para aquecer ou restaurar a circulação. A CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 194 fricção agrava a hipotermia. Figura 4.75 – Mapa de temperatura da água do mar Figura 4.76 – Curva de tempo de sobrevivência – Insolação O calor em excesso traz prejuízos à saúde dos sobreviventes. a) Evitar exposição demasiada ao sol; b) Abrir as sanefas das balsas infláveis; e c) Proibir banhos de sol. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 195 Os trabalhos devem ser feitos nos horários cuja a incidência do sol seja menor, caso não seja possível utilizar um protetor solar. O seguinte tratamento deve ser seguido: a) arejar a vítima o máximo possível; b) reduzir as roupas, colocá-la deitada com a cabeça elevada; e c) aplicar compressa de água na cabeça, renovando com frequência. – Água A água representa de 40 a 60% da massa corporal de um indivíduo e é um nutriente extraordinário. Sem água a morte ocorre em poucos dias. Apesar de não resolverem o problema da sede, a quantidade disponível nas rações é suficiente para manter a vida (OBS: existem rações sólidas e líquidas e fazem parte dos meios de sobrevivência). Os náufragos deverão reduzir a perda de água do organismo e, como objetivo secundário, coletar água do ambiente, aumentando suas chances de serem resgatados com vida. - Alimentação Pesca As embarcações de sobrevivência são dotadas de kit para pesca composto de linha, anzol, isca artificial e chumbada. O manuseio do kit deve ser feito com cuidado para evitar ferimentos e danos aos flutuadores, em se tratando de embarcações infláveis. A improvisação pode suprir meios para a pesca. É possível transformar em anzóis, objetos como: clipes de lapiseira, pregos dos sapatos, espinhas de peixes e ossos de pássaros. 3.6 - MEIOS DE ALERTA E SINALIZAÇÃO O mais eficaz e confiável meio de comunicação é o aparelho de VHF, pois permite entrar em contato com as equipes de resgate em longas distâncias. Os aparelhos de VHF podem ser fixos ou portáteis. Figura 4.77 Aparelho VHF CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 196 - Rádios VHF portáteis Os rádios VHF portáteis não fazem parte da andaina das embarcações de sobrevivência, mas devem ser levados para as baleeiras e/ou balsas salva-vidas durante as fainas de evacuação ou abandono. Em caso de emergência, o CANAL 16 pode ser usado para transmitir uma chamada utilizando-se a expressão “Mayday”. Figura 4.78 - Rádio VHF portátil de emergência EPIRB - Rádio Baliza Indicadora de Posição de Emergência É obrigatório a bordo de navios einstalações offshore móveis. Funciona através de bateria, transmite sinais para os satélites do sistema INMARSAT e COSPAS/SARSAT que fazem parte do Sistema Global Marítimo de Socorro e Segurança (GMDSS). Esse sistema é um esforço de cooperação internacional de busca e salvamento e assegura cobertura global 24 horas, contribuindo para salvar vidas em emergências no mar. O EPIRB, quando operado (automática ou manualmente), transmite o sinal da estação que será reconhecido pelo satélite como uma chamada de emergência. Figura 4.79 - EPIRB CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 197 Depois que o EPIRB é acionado (automaticamente ou manualmente), transmite um sinal na frequência de 406 MHz, usado pelos satélites, e outro na frequência de 121.5 MHz usado pelos grupos de resgate. O sinal de 406 MHz é captado primeiro por satélites geoestacionários localizados a cerca de 36.000 km de altitude, e em seguida pelos satélites da rede COSPAS-SARSAT, em órbita a cerca de 1.000 km. Estes últimos localizam a posição de origem do sinal de socorro e retransmitem a informação para a LUT (Estação Costeira). O sinal do EPIRB contém também a identificação da embarcação e seu código. Figura 4.80 - Sistema de funcionamento do EPIRB - SART (Search and Rescue Radar Transponder) É um transpondedor de Busca e Salvamento que funciona em quaisquer condições de tempo ou visibilidade. Quando ativado por um pulso radar, emite uma série de pulsos (12) que são mostrados na tela do radar emissor sob a forma de traços bem definidos. Figura 4.81 – SART CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 198 - Equipamentos de sinalização que atraem a atenção, para uso diurno e noturno Lanterna com Morse Existe uma fonte de luz dentro da embarcação salva-vidas que serve para iluminar internamente na execução de pequenos reparos, leitura de manuais e tabelas. Também é usada para atrair atenção em curtas distâncias. De igual maneira, pode ser usada para enviar sinais em Morse e deve ser estanque à água. Deverá haver pilhas reservas para sua utilização. Apito Nas palamentas das embarcações de sobrevivência também encontramos um apito igual aos existentes em coletes salva-vidas e roupas de sobrevivência. Espelho Heliógrafo É possível atrair a atenção a longas distâncias, podendo alcançar várias milhas, dependendo das condições climáticas, tamanho do espelho e altura de manuseio em relação à água. São refletidos para navios, plataformas, aeronaves ou costa marítima. Suas li- mitações são: 1. Deve haver sol; 2. Não funciona em 360 °. Refletor de Radar Aumenta a reflexão das ondas emitidas pelos radares das embarcações e aeronaves, melhorando a sua captação. É importante que seja instalado de maneira correta. Colocar o mais alto possível e não deverá ser usado junto com o SART. Pirotécnicos Os artefatos pirotécnicos fazem parte dos equipamentos de sinalização encontrados nas palamentas das embarcações salva-vidas, navios, plataformas, aviões e helicópteros. Eles têm um papel importante na localização de pessoas em perigo no mar. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 199 Figuras 4.82 - Utilização de pirotécnicos e modelo - Pirotécnicos que compõem as palamentas das balsas e baleeiras Artefatos pirotécnicos são dispositivos que se destinam a indicar que uma embarcação ou pessoa se encontra em perigo, ou que foi entendido o sinal de socorro emitido. Podem ser utilizados de dia ou à noite e são designados, respectivamente, sinais de socorro e sinais de salvamento. Os sinais de socorro são dos seguintes tipos: 1. Foguete manual estrela vermelha com paraquedas. Este dispositivo, ao atingir 300 m de altura, ejeta um paraquedas com uma luz vermelha intensa de 30.000 candelas por 40 segundos. É utilizado em navios e embarcações de sobrevivência para fazer sinal de socorro visível a grande distância; 2. Facho manual luz vermelha. É o dispositivo de acionamento manual que emite luz vermelha intensa de 15.000 candelas por 60 segundos. É utilizado em embarcações de sobrevivência para indicar sua posição à noite, vetorando o navio ou aeronave para a sua posição; 3. Sinal fumígeno flutuante laranja. É o dispositivo de acionamento manual que emite fumaça por 03 ou 15 minutos para indicar, durante o dia, a posição de uma embarcação de sobrevivência, ou a de uma pessoa que tenha caído na água; e 4. Sinal de perigo diurno/noturno. É o dispositivo de acionamento manual que, por um dos lados, emite uma luz intensa vermelha de 15.000 candelas por 20 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 200 segundos, e pelo outro, fumaça laranja por igual período. É utilizado nas embarcações para indicar sua posição exata, de dia ou à noite; - Cuidados no manuseio de pirotécnicos Ao manusear artefatos pirotécnicos devemos ter os devidos cuidados para que eles não venham a provocar acidentes com pessoas, e/ou mesmo com a própria embarcação de sobrevivência. As seguintes regras são recomendadas na manutenção e manuseio dos pirotécnicos: 1) Mantenha-os armazenados em recipientes totalmente vedados e impermeáveis. Nas palamentas das baleeiras e balsa salva-vidas os encontramos nestas condições, portanto devemos mantê-los assim; 2) O seu uso requer cuidados especiais, tais como: Verificar a direção do vento: devemos sempre lançar para "barlavento" da embarcação de salvatagem e longe da embarcação sinistrada; Devemos ficar com o corpo mais afastado possível da baleeira e/ou da balsa salva-vidas, de forma que fagulhas não venham a provocar incêndios ou queimaduras; e Nunca ficar com o rosto voltado diretamente para a chama produzida pelo pirotécnico. Isto poderá provocar graves lesões. Figura 4.83 – Pirotécnico - DEMONSTRAR COMO LANÇAR UMA BÓIA SALVA-VIDAS Será demonstrado, na aula prática, o procedimento correto para lançar uma boia salva-vidas para um náufrago, esteja ele consciente e/ou inconsciente. Figura 4.84 – Bóia SALVA-VIDAS CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 201 V) CONSCIENTIZAÇÃO DE PROTEÇÃO 1. – Conscientização de proteção ............................................................................. 203 1.1 – A conscientização de todos a bordo em relação à proteção ........................... 203 1.2 – Como informar um incidente de proteção ........................................................ 204 1.3 – As definições, os termos e os elementos relativos à proteção marítima ......... 204 1.4 – A legislação nacional e internacional relativa à proteção marítima .................. 206 1.5 – Níveis de proteção marítima e os procedimentos pertinente ........................... 207 1.6 – Plano de proteção e os planos de contingências. .......................................... 208 1.7 – As Responsabilidade dos governos, da companhia (CSO) e das pessoas (SSO) e suas equipes relativas à proteção .......................................................................... 212 2.0 - Ameaças à proteção ......................................................................................... 215 2.1 – Atuais ameaças e as técnicas usadas para contornar as medidas de proteção ..................................................................................................................... 215 2.2 - Ameaças materiais à proteção da unidade offshore. ......................................... 217 2.3 – Reconhecimento de pessoas que apresentam potenciais ameaça à proteção.218 2.4 – Procedimento quando reconhecer uma ameaça à proteção ............................ 2202.5 – Como lidar com as informações sensíveis e com as comunicações relativas à proteção ..................................................................................................................... 221 2.6 – Exigências relativas à instrução e aos exercícios periódicos de adestramento previstos pelas convenções, códigos e circulares da IMO .......................................222 GLOSSÁRIO. ........................................................................................................... 223 CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 202 1 – CONSCIENTIZAÇÃO DE PROTEÇÃO Após os trágicos eventos de 11 de setembro de 2001, a vigésima segunda sessão da Assembleia da Organização Marítima Internacional – IMO concordou unanimemente em desenvolver novas medidas relativas à proteção de navios e instalações portuárias, para adoção, por uma Conferência de Governos Contratantes da Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar de 1974. 1.1 – A conscientização de todos a bordo em relação à proteção Como aconteceu anos atrás com as aeronaves, as Unidades Offshore passaram a serem vistas como o próximo alvo de potenciais ações terroristas, podendo serem utilizadas como verdadeiro vetor de ataque ao seu local de destino, ou como meio de chamar atenção para suas causas, como nos casos de possíveis ataques às plataformas. Além disso, a Pirataria, mesmo nos tempos de hoje, ainda é presente, necessitando muitas vezes que as Unidades Offshore cheguem a ser escoltadas em certas regiões do mundo. A Conferência Diplomática sobre Proteção Marítima realizada em Londres em dezembro de 2002, adotou novas disposições na Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS) e o Código Internacional para a Proteção de Navios e Instalações Portuárias. O nome abreviado deste Código, conforme referido na regra XI-2/1 da SOLAS 74, com suas emendas, é Código ISPS. Estes novos requisitos formam a estrutura internacional através da qual as unidades offshore e instalações portuárias podem cooperar para detectar e dissuadir atos que ameacem a proteção no setor de transporte marítimo. A implementação das disposições requererá cooperação e entendimento contínuos e efetivos entre todas as partes envolvidas, ou que utilizem unidades offshore e instalações portuárias, incluindo o pessoal de bordo, pessoal do porto, passageiros, partes envolvidas com a carga, gerenciamento de portos e navios e Autoridades Locais e Nacionais responsáveis por proteção. As práticas e procedimentos existentes terão que ser revisados e alterados caso não propiciem um nível adequado de proteção. Com o objetivo de intensificar a proteção marítima, as indústrias portuárias e de navegação, assim como as Autoridades Locais e Nacionais, terão de assumir responsabilidades adicionais. As disposições do Capítulo XI-2 da SOLAS 74, e deste Código, aplicam-se a navios e instalações portuárias. A extensão da cobertura pela SOLAS 74, das instalações portuárias, foi acordada com base no fato de que a SOLAS 74 oferecia o meio mais rápido de garantir que as medidas necessárias de proteção entrassem em vigor e tivessem efeito rapidamente. No entanto, também foi acordado que as disposições relativas à instalações portuárias deveriam aplicar-se somente à interface navio/porto. Questões relativas à proteção de áreas do porto serão assunto de futuros trabalhos conjuntos da Organização Marítima Internacional e da Organização Internacional do Trabalho. Ficou ainda acordado que as disposições não deveriam se estender à resposta real a ataques ou a qualquer outra atividade posterior à ocorrência de tal ataque. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 203 1.2 – Como informar um incidente de proteção Em situações envolvendo roubo ou furto a bordo de uma Unidade Offshore, o Gerente da Plataforma/OIM deverá comunicar à sala de controle e o SSO para as providências legais pertinentes. Caso a plataforma esteja atracada informar a sala de controle para que a Policia Federal seja acionada. Essas informações possibilitarão o estudo das medidas a serem adotadas para prevenção e combate a esses e outros crimes, contribuindo para garantir a segurança do pessoal embarcado em uma Unidade Offshore. As Unidades devem ter uma linha telefônica exclusiva (Hot Line) para facilitar a comunicação na ocorrência dessas emergências. No caso de PIRATARIA, a Unidade Offshore deverá comunicar via rádio/telefone o fato a empresa (armadora) do navio e/ou plataforma, a Autoridade Marítima da bandeira e o Comando da Marinha, através de sua rede de Capitania dos Portos, Delegacias e Agências. É fundamental que a Unidade cumpra os procedimentos previstos no Plano de Proteção, inclusive o acionamento do Sistema de Alerta de Proteção do Navio/Plataforma – SSAS. 1.3 – As definições, os termos e os elementos relativos à proteção marítima Referente ao Código ISPS – Código Internacional para a Proteção de Navios e Instalações Portuárias, as seguintes definições serão adotadas: Ações Antiterrorismo Medidas defensivas adotadas para reduzir a vulnerabilidade contra ataques terroristas. Ações Contraterrorismo Medidas ofensivas adotadas para prevenir, deter e responder aos ataques terroristas. Administração Significa o país cuja bandeira o navio está arvorando (SOLAS). Autoridade Marítima Representante do Governo Contratante nos assuntos relacionados ao Tráfego Marítimo do país. Autoridade Portuária Autoridade responsável pela administração do porto organizado, competindo-lhe fiscalizar as operações portuárias e zelar para que os serviços se realizem com regularidade, eficiência, segurança e respeito ao meio ambiente (Lei nº. 12.815/2013). Ataque à Unidade Offshore Ato de investir contra a unidade, empregando explosivos de superfície ou submarino, ou armas de lançamento à distância, com o intuito de causar grave avaria, normalmente na área externa, sem, contudo, ocupar a embarcação. Área do Porto Organizado Área compreendida pelas instalações portuárias, quais sejam: ancoradouros, docas, cais, pontes e píeres de atracação e acostagem, terrenos, armazéns, edificações e vias de circulação interna, bem como pela infraestrutura de proteção e acesso aquaviário ao porto, tais como: guias-correntes, quebra-mares, eclusas, CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 204 canais, bacias de evolução e áreas de fundeio que devam ser mantidas pela Administração do Porto (Lei nº 12.815/2013). Autoridade Designada Significa o órgão ou entidade designada pelo Governo Contratante responsável pelas providências de implementação do Código ISPS. (SOLAS, cap. XI-2). Declaração de Proteção/Declaration of Security (DOS) Acordo celebrado entre dois navios, ou entre um navio e um porto, quando houver qualquer desnível de proteção entre eles, estabelecendo medidas que serão tomadas de comum acordo para fortalecer essa interface contra ilícitos previstos pelo código ISPS. A sigla em inglês é DoS (Declaration of Security). Plano de Proteção da Unidade Offshore - Plano elaborado com vistas a garantir a aplicação de medidas a bordo da unidade offshore, criadas para proteger pessoas a bordo, cargas, unidades de transporte de cargas, provisões da embarcação ou a própria unidade offshore dos riscos de um incidente de proteção (Código ISPS). Também conhecido como Ship Security Plan (SSP). Incidente de Proteção - Qualquer ato suspeito ou circunstância que ameace ou resulte propositalmente em prejuízo para as instalações portuárias, navio ou a interface unidade offshore- porto (SOLAS, cap. XI-2). Safety – Segurança – Palavra inglesa relacionada à salvaguarda da vida humana no mar. Security – Proteção – Medidas para evitar ações contra o patrimônioe as pessoas. Indústria Marítima – É o conjunto de entidades e órgãos que atendem às necessidades do comércio marítimo. É composta dos Portos, Terminais, Companhias, Navios, Organismos Internacionais, Governos e Sociedades Classificadoras (SOLAS cap. XI-2). Funcionário de Proteção da Companhia – A pessoa designada pela Companhia para garantir que seja feita uma avaliação de proteção da unidade offshore; que seja elaborado um plano de proteção da unidade offshore e que o mesmo seja submetido para aprovação e consequentemente, implementado e mantido; e pela ligação com os funcionários de proteção das instalações portuárias e o oficial de proteção da unidade offshore (Código ISPS). É denominado por Company Security Officer (CSO). Embarcação – Embarcação de qualquer tipo que opere no ambiente aquático, inclusive hidrofólios, veículos a colchão de ar, submersíveis e outros engenhos flutuantes. Inclui unidades móveis de perfuração ao largo da costa e embarcações de alta velocidade (SOLAS). Oficial de Proteção da Unidade Offshore – A pessoa a bordo da unidade offshore, responsável perante o Comandante, designado pela Companhia como a pessoa responsável pela proteção do navio, incluindo a implementação e manutenção do plano de proteção da unidade offshore, e pela ligação com o funcionário da proteção da companhia e os funcionários de proteção das instalações portuárias (Código ISPS). Conhecido por Ship Security Officer (SSO). Porto Organizado – Bem público construído e aparelhado para atender à necessidades de navegação, de movimentação de passageiros ou de movimentação CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 205 e armazenagem de mercadorias, e cujo tráfego e operações portuárias estejam sob jurisdição de autoridade portuária (Lei nº. 12.815/2013). Tomada da unidade offshore – Investida súbita e impetuosa, com o emprego de força, conquistando e tomando o controle de toda a unidade ou dos locais vitais e de manobra, subjugando a tripulação e passageiros, tomando reféns. 1.4 – A legislação nacional e internacional relativa à proteção marítima Na indústria marítima os navios representam um elo vital em todo o processo do comércio marítimo. Neste cenário, a pirataria, o roubo armado em águas territoriais e a bandidagem nos portos preocupam as autoridades do mundo inteiro. E as estatísticas só apresentam um crescente número de casos, seja de pirataria ou roubo armado, sem falar na variada gama de crimes cometidos nos portos. Figura 30 - legislações internacionais. A súbita mudança do cenário de proteção marítima que passou a incluir a possibilidade de ataques terroristas demanda, para as operadoras de navios e portos, uma reflexão e mudança de comportamento em relação à proteção marítima. – Legislação sobre Proteção Marítima Legislação Internacional Convenção SOLAS; Convenção SUA Resolução IMO A545(13) Resolução IMO A584 (14) Código-ISPS CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 206 Legislação Nacional: Lei 13260 de 2016 – Lei sobre Terrorismo no Brasil Decreto nº 6.869 de 04/06/2009 – Dispõe sobre a coordenação e articulação dos órgãos federais, bem como sobre os níveis de proteção dos navios e das instalações portuárias, da adoção de medidas de proteção aos navios e instalações portuárias, e institui a Rede de Alarme e Controle dos Níveis de Proteção de Navios e Instalações Portuárias, e dá outras providências; Portaria Interministerial MJ/MD/GSIPR nº 33 de 07/07/2004; Resoluções da CONPORTOS; Resoluções das CESPORTOS; Plano Nacional de Segurança Portuária; Instrução Normativa nº2 – do DPF – NEPOM; Normas da Autoridade Marítima – NORMAM 1 Capítulo 16. 1.5 – Níveis de Proteção Marítima e os procedimentos pertinentes O Código ISPS prevê a existência de 3 níveis de proteção. Os navios que deverão atender ao ISPS deverão ter previstos, em seus Planos de Proteção (SSP), procedimentos específicos para cada situação para cada nível de proteção. A mudança dos níveis de proteção deverá acontecer conforme a urgência, não havendo a obrigatoriedade de seguir uma sequência 1-2-3. Os níveis são definidos: - Nível 1 de proteção – NORMAL Significa um conjunto de medidas a serem implementadas considerando o mínimo de proteção e que deverão ser mantidas durante todo o tempo. - Nível 2 de proteção – ELEVADO Significa o conjunto de medidas adicionais ao nível 1 de proteção e que deverão ser implementadas e mantidas durante um determinado período de tempo como resultado de um alto risco de ocorrência de um incidente de proteção. - Nível 3 de proteção – EXCEPCIONAL Significa o conjunto de medidas específicas adicionais ao nível 2 de proteção que serão mantidas por um período de tempo limitado em que um incidente de proteção é provável ou iminente, embora não possa ser possível identificar o alvo específico. No Brasil, cabe a Marinha decretar nível 2 para os navios de bandeira brasileira e a CESPORTOS para nossos portos. O nível 3 deverá ser decretado pelo GSI/PR. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 207 1.6 – Plano de Proteção e os Planos de Contingência – Avaliação de Proteção da Unidade Offshore A avaliação de proteção da Unidade Offshore é parte integral e essencial do processo de elaboração e atualização do Plano de Proteção da Plataforma. O funcionário de proteção da companhia deverá assegurar que a avaliação de proteção da Unidade Offshore seja feita por pessoas com o conhecimento adequado para avaliar a proteção de uma plataforma fixa ou flutuante, levando em conta as diretrizes constantes da parte B do Código ISPS. Sujeito às disposições da seção 9.2.1 do Código ISPS, uma organização de proteção reconhecida poderá executar a avaliação de proteção de uma determinada unidade offshore. A avaliação de proteção da Unidade Offshore deverá incluir uma vistoria de proteção a bordo, incluindo, no mínimo, os seguintes elementos: Identificação e avaliação das operações principais executadas a bordo da unidade, as quais são importantes proteger; Identificação de possíveis ameaças às operações principais executadas a bordo da unidade e da probabilidade de sua ocorrência, a fim de estabelecer e priorizar medidas de proteção; e Identificação dos pontos de fraqueza, incluindo fatores humanos, na infraestrutura, planos de ação e procedimentos. A avaliação de proteção da unidade deverá ser documentada, revisada, aceita e mantida pela Companhia. O pessoal que estiver conduzindo auditorias internas das atividades de proteção especificadas no plano, ou estiver avaliando a sua implementação, deverá ser independente das atividades auditoradas, a menos que isto seja impraticável devido ao tamanho e natureza da Companhia ou da unidade offshore. A administração deverá determinar quais alterações a um plano aprovado de proteção da unidade offshore, ou a qualquer equipamento de proteção especificado em um plano aprovado não deverão ser implementadas, a menos que as emendas relevantes ao plano sejam aprovadas pela Administração. Quaisquer alterações deverão ser, pelo menos, tão eficazes quanto as medidas estipuladas no capítulo XI- 2 do Código ISPS. As alterações ao plano de proteção do navio e a equipamentos de proteção que tenham sido especificamente aprovadas pela Administração, em conformidade com a seção 9.5 do Código ISPS, deverão ser documentadas de modo a indicar claramente tal aprovação. Esta aprovação deverá estar disponível a bordo da unidade offshore e deverá ser apresentada juntamente com o Certificado Internacional de Proteção da Unidade Offshore (ou o Certificado Internacional Provisório de Proteção da Unidade Offshore). Caso estas alterações sejam temporárias, esta documentação não precisará maisser mantida pela unidade após o estabelecimento das medidas ou equipamentos previamente aprovados. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 208 – Plano de Proteção (SSP) Toda unidade offshore deve ter a bordo um plano de proteção aprovado pela Administração e deverá dispor das medidas para os três níveis de proteção. O Plano deverá incluir: Medidas para prevenir que armas, substâncias perigosas e dispositivos destinados ao uso contra pessoas, embarcações ou portos, e cujo transporte não seja autorizado, sejam introduzidos a bordo da Unidade Offshore. Identificação de áreas restritas e medidas para prevenir o acesso não autorizado. Medidas para prevenir o acesso não autorizado à Unidade Offshore; Procedimentos para responder à ameaças de proteção e à violações de medidas de proteção, incluindo disposições reativas à manutenção de operações críticas da unidade offshore ou da interface unidade/embarcação/porto; Procedimentos para atender às instruções de proteção que os contratantes possam dar no nível 3 de proteção; Procedimentos para evacuação no caso de ameaças de proteção ou de violações de proteção; Deveres do pessoal de bordo com responsabilidade de proteção e deveres de qualquer outros, reativos a aspectos de proteção; Procedimentos para auditorar as atividades de proteção; Procedimentos para formação/treinamentos, simulações e exercícios relacionados ao plano; Procedimentos para interface com a atividade de proteção das instalações portuárias; Procedimentos para revisão periódica e atualização do plano; Procedimentos para reportar incidentes de proteção; Identificação do Oficial de Proteção da Unidade; Identificação do funcionário de proteção da companhia, incluindo informação para contato 24 horas. Procedimentos para assegurar a inspeção, teste, calibração e manutenção de qualquer equipamento de proteção instalado a bordo; Frequência da execução de teste ou calibração de qualquer equipamento de proteção instalado a bordo; Identificação dos locais onde se encontram os pontos de ativação do Sistema de Alarme de Proteção da Unidade Offshore; e Procedimentos, instruções e diretrizes sobre a utilização do Sistema de Alarme da Unidade Offshore, incluindo teste, ativação, desativação e reativação do alarme, bem como redução de alarmes falsos. O plano poderá ser mantido em formato eletrônico. Neste caso, deverá ser protegido através de procedimentos destinados a prevenir a sua CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 209 eliminação, destruição ou emenda não autorizada. O plano deverá ser protegido contra o acesso ou divulgação não autorizada. Os planos de proteção da unidade offshore não estão sujeitos à inspeção por funcionários autorizados por um Governo Contratante para executar controle e medidas de implementação, de acordo com a regra XI-2/9 do Código ISPS, salvo nas circunstâncias especificadas na sua seção 9.8.1. Caso um funcionário devidamente autorizado por um Governo tenha motivos claros para acreditar que a unidade offshore não está observando os requisitos do capítulo XI-2, ou da Parte A do Código ISPS, e o único meio de verificar ou retificar a irregularidade seja revisar os requisitos relevantes do plano de proteção da unidade offshore, o acesso limitado a seções específicas do plano relacionadas com as irregularidades é, excepcionalmente, permitido. Mas somente com o consentimento do Governo Contratante ou do comandante ou gerente da unidade offshore em questão. A administração poderá, com vistas a evitar comprometer o objetivo de se ter a bordo um sistema de alarme de proteção da unidade, permitir que esta informação seja mantida em outro local a bordo da unidade, em um documento de conhecimento do comandante, do oficial de proteção da unidade e de outro membro de bordo de maior hierarquia, conforme determinado pela Companhia. - Declaração de Proteção Os Governos Contratantes deverão determinar a necessidade de uma Declaração de Proteção através da avaliação do risco que a interface unidade offshore/embarcação/porto ou a atividade unidade offshore representa a pessoas, propriedades ou ao meio ambiente. Uma unidade offshore pode requerer uma Declaração de Proteção quando: A unidade offshore estiver operando em um nível de proteção mais alto do que o nível de proteção da instalação portuária ou de outra embarcação com o qual esteja interagindo. Houver um acordo entre Governos Contratantes através de uma Declaração de Proteção cobrindo certas operações internacionais ou determinadas unidades engajados em tais operações; Houver uma ameaça de proteção ou um incidente de proteção envolvendo a unidade offshore ou a instalação portuária, conforme aplicável; A unidade offshore estiver em uma área na qual não seja obrigada a ter e implementar um plano aprovado de proteção das instalações portuárias; ou A unidade offshore estiver executando atividades com uma embarcação a qual não seja obrigada a ter e implementar um plano aprovado de proteção da embarcação. A Declaração de Proteção deverá ser preenchida: Pelo comandante ou oficial de proteção da embarcação em nome da(s) unidade(s) offshore, se apropriado; e Pelo funcionário de proteção das instalações portuárias ou, caso determinado pelo Governo Contratante, por qualquer outro órgão responsável pela proteção em terra, em nome da instalação portuária. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 210 A Declaração de Proteção deverá conter os requisitos de proteção cujo cumprimento poderia ser dividido entre uma instalação portuária e uma unidade offshore, e deverá estipular as responsabilidades de cada um. – Planos de Contingência Embora a gestão da proteção a bordo de unidades marítimas envolva deterrência (medidas adotadas por uma instituição para impedir a ação hostil de uma outra) e prevenção, deve haver disposições para ocasiões em que esses objetivos não tenham sido plenamente alcançados. A parte essencial da preparação para a resposta a tais eventos é o planejamento para as contingências. Sua necessidade é identificada a partir do resultado da avaliação de ameaças à proteção. Em seu planejamento devem ser incluídas disposições para a manutenção das operações críticas da Unidade Offshore e das interfaces envolvidas. a) Falha na proteção da Unidade Offshore É qualquer situação que possa colocar em risco a proteção da Unidade Offshore. Deverão ser citadas as ações a serem tomadas caso haja uma falha na proteção, bem como os reportes e registros necessários. b) Ameaça de bomba Neste item constarão as ações que deverão ser tomadas no caso de uma ameaça de bomba, levando-se em consideração as especificidades da Unidade Offshore e a política de proteção da empresa. c) Tomada de reféns ou sequestro da Unidade Offshore Neste item constarão as ações que deverão ser tomadas no caso de reféns ou sequestro da Unidade Offshore, levando-se em consideração a especificidade da unidade e a política de proteção da empresa. Figura 31 - Tomada de um navio Offshore d) Suspeita de tráfico de drogas ou armas Neste item constarão as ações necessárias à realização de buscas pela Unidade Offshore, estabelecendo o tipo de busca, as rotas, a sequência das buscas e o pessoal envolvido. Também deverão ser citadas as ações adicionais a serem implementadas visando mitigar o risco da entrada a bordo deste tipo de material. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 211 e) Clandestino Neste item constarão as ações necessárias à realização de buscas pela Unidade Offshore, estabelecendo tipo de busca, as rotas, a sequência dasbuscas e o pessoal envolvido. Também deverão ser citadas as ações adicionais a serem implementadas visando mitigar o risco da entrada a bordo de clandestinos. f) Pirataria e Assalto Neste item constarão as ações que deverão ser tomadas no caso de pirataria ou roubo, levando-se em consideração as especificidades da Unidade Offshore e a política de proteção da empresa. Figura 31 - Pirataria. g) Ameaças por telefone ou outro meio de comunicação Neste item constarão as ações a serem tomadas no caso de ameaça, levando- se em consideração as especificidades da Unidade Offshore e a política de proteção da empresa. 1.7 – Responsabilidades dos Governos, da Companhia (CSO) e das Pessoas (SSO e sua equipe) relativas à proteção. – Responsabilidades dos Governos Contratantes Sujeitos às disposições da Regra XI-2/3 e XI-2/7 do Código ISPS, os governos contratantes deverão estabelecer níveis de proteção e prover diretrizes para a defesa contra incidentes de proteção. Níveis mais elevados de proteção são indicativos de maior probabilidade da ocorrência de um incidente de proteção. Os fatores a serem levados em consideração no estabelecimento do nível adequado de proteção incluem: Credibilidade das informações sobre a ameaça; Corroboração das informações sobre a ameaça; Especificidade ou iminência das informações sobre a ameaça; e CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 212 As possíveis consequências de tal incidente de proteção. – Responsabilidade das Companhias A companhia deverá assegurar que o plano de proteção da unidade offshore inclua uma declaração explícita enfatizando a autoridade do Comandante/Gerente/OIM. A companhia deverá estipular, no plano de proteção da Unidade Offshore, que o Gerente/OIM tem autoridade absoluta, sendo responsável por tomar decisões relativas à segurança e proteção da unidade, e de solicitar assistência da companhia ou de qualquer governo contratante conforme necessário. Deverá assegurar que o funcionário de proteção da companhia, o Gerente/OIM e o Oficial de Proteção da Unidade Offshore tenham o apoio para suas obrigações e responsabilidades. É recomendável que o Gerente/OIM da Unidade Offshore não seja o Oficial de Proteção da Unidade Offshore (SSO). – Responsabilidade do Funcionário de Proteção da Companhia ou Coordenador de Proteção da Companhia (Company Security Officer – CSO) A Companhia deverá designar uma pessoa como funcionário de proteção da companhia, atualmente mais conhecido como Coordenador de Proteção da Companhia. Ela poderá agir como tal para uma ou mais Unidade Offshore, dependendo do número ou tipos de unidades que a companhia opere, desde que seja claramente identificado por qual unidade essa pessoa é responsável. Além do previsto no Código ISPS, os deveres e responsabilidades do funcionário de proteção da companhia deverão incluir, mas não se limitar a: Aconselhar sobre o nível de ameaças a que a unidade offshore está sujeita, utilizando avaliações adequadas de proteção e outras informações relevantes; Assegurar a execução das avaliações de proteção da unidade offshore; Assegurar a elaboração, apresentação para aprovação e posterior implementação e manutenção do plano de proteção da unidade offshore; Assegurar que o plano de proteção da Unidade Offshore seja alterado conforme apropriado, a fim de corrigir falhas e atender aos requisitos de proteção de uma determinada Unidade. Organizar auditorias internas e revisões das atividades de proteção; Organizar as verificações iniciais e subsequentes da Unidade Offshore pela Administração ou pela organização de proteção reconhecida; Assegurar que as falhas e irregularidades identificadas pelas auditorias internas, revisões periódicas, inspeções de proteção e verificações de cumprimento tenham sua correção prontamente providenciada. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 213 – Oficial de Proteção (Ship Security Officer – SSO) Um Oficial de Proteção de Unidade Offshore deverá ser designado para cada unidade. Além do previsto no Código ISPS, os deveres e responsabilidade do Oficial de Proteção deverão incluir, mas não se limitar a: Executar inspeções regulares da proteção da Unidade Offshore com vistas a assegurar que as medidas de proteção sejam mantidas; Manter e supervisionar a implementação do plano de proteção da unidade offshore, incluindo quaisquer emendas ao mesmo; Coordenar os aspectos de proteção do manuseio de cargas e de provisões da unidade com o pessoal de bordo, e com os funcionários relevantes responsáveis pela proteção das instalações portuárias; Propor alterações ao plano de proteção da Unidade Offshore; Reportar, ao funcionário responsável pela proteção da Unidade Offshore, quaisquer falhas ou irregularidade identificadas em auditorias internas; revisões periódicas, inspeções de proteção e verificações de cumprimento, e implementar medidas corretivas; Intensificar a conscientização e vigilância da proteção a bordo; Assegurar que o pessoal de bordo receba a formação adequada, conforme apropriado; Reportar todos os incidentes de proteção; Coordenar a implementação do plano de proteção da unidade offshore com o funcionário de proteção da companhia e o funcionário relevante responsável pela proteção das instalações portuárias; e Assegurar, caso haja equipamentos de proteção, que estes sejam adequadamente operados, testados, calibrados e mantidos. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 214 2.0 - AMEAÇAS À PROTEÇÃO 2.1 – Atuais ameaças e as técnicas usadas para contornar as medidas de proteção. As atuais ameaças contra a proteção são as seguintes: Dano ou destruição de uma Unidade Offshore, de um navio, ou de uma Instalação Portuária, por meio de explosivos, incêndio criminoso sabotagem ou vandalismo; Sequestro, captura do navio, ou de pessoas a bordo; Roubo, violação de cargas, equipamentos, provisões ou de sistemas essências do navio ou da Unidade Offshore; Acesso ou uso não autorizado de área, ou compartimento de bordo, incluindo a presença de clandestinos; Tráfico de equipamentos ou armas, inclusive armas de destruição em massa; Utilização do navio para transportar pessoas cuja intenção é causar um incidente de proteção, e ou seus equipamentos. Utilização do próprio navio como arma, ou como meio de causar dano; e Ataques vindos do mar enquanto a embarcação estiver atracada/fundeada, ou no mar, navegando. – Medidas de proteção marítima Ameaças à Proteção As autoridades e armadores envolvidos sempre tiveram a preocupação em prevenir e evitar ataques a seus navios, mas a Organização Marítima Internacional (IMO) passou a intensificar as medidas para a proteção marítima, a partir do ataque ao N/M “ACHILLE LAURO” ocorrido no ano de 1985, no Mar Mediterrâneo, considerado o primeiro incidente de Proteção Marítima. Foram expedidos vários documentos sobre o tema como: Resolução IMO A.545 (13) – Medidas para prevenir atos de pirataria e roubo armado contra navios (1983); Resolução IMO A.584 (14) – Medidas para prevenir atos ilícitos que ameaçam a segurança e a proteção de navios, de seus passageiros e tripulação (NOV/85); e Convenção para Repreensão a Atos Ilícitos (Convenção SUA – 1988). Estes documentos, no entanto, tinham o caráter de “recomendação” e não de obrigatoriedade. Em virtude dos ataques às Torres Gêmeas do World Trade Center, ocorrido em 11 de setembro de 2001, em Nova York, a IMO, por meio da Conferência Diplomática sobre Proteção Marítima, ocorrida em dezembro de 2002, na cidade de Londres, promoveu emendas à Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS 74) e instituiuo Código Internacional para a Proteção de Navios e Instalações Portuárias (ISPS CODE). Essas medidas têm caráter obrigatório e visam aumentar a proteção de navios e instalações portuárias. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 215 - Medidas de Proteção Marítima decorrentes da Conferência Diplomática de 2002 (Londres) a) Sistema de Identificação Automática (AIS) – Previsto no capítulo 5 da Convenção SOLAS, esse equipamento é um “TRANSPONDER” que opera de terra para o mar, ou no mar entre navios, fornecendo vários dados sobre a embarcação como: rumo, velocidade, posição, bandeira, etc. FIGURA b) Número Identificador de Navios (Nº IMO) – Previsto no capítulo XI-1 da Convenção SOLAS, é o número de identificação de cada navio. Esse número deve ser marcado de forma permanente em vários locais da embarcação; FIGURA c) Registro Contínuo de Dados (SCR) – Previsto no capítulo XI-1 da Convenção SOLAS, é um formulário que funciona como uma “certidão”, contendo vários dados do navio como nome, bandeira, proprietário e portos visitados. FIGURA d) Sistema de Alerta de Proteção do Navio (SSAS) – previsto no capítulo XI-2 da Convenção SOLAS, esse sistema quando acionados deverá: Iniciar e transmitir mensagens para as autoridades do país de bandeira, identificando o navio, posição e o tipo de ameaça que provocou o acionamento do alerta; Não enviar alerta para outras embarcações; Não disseminar o alerta internamente; Poder ser acionado do Passadiço e de pelo menos mais um outro a ser definido; e Continuar operando até ser desativado ou reiniciado. FIGURA e) Código Internacional para Proteção de Navios e Instalações Portuárias (ISPS CODE) – Previsto no capítulo XI-2 da Convenção SOLAS, este código tem como propósito criar e adotar instruções e procedimentos para aumentar proteção de navios e instalações portuárias. Aplicação: Navios de passageiros, incluindo os de alta velocidade; Navios de carga acima de 500t AB; Unidades Móveis de Perfuração Marítima; Terminais e portos que recebam navios engajados em viagens internacionais e que tenham AB acima de 500t. É dividido em duas partes: Parte A – Requisitos obrigatórios a serem cumpridos pelos navios e instalações portuárias; e CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 216 Parte B – Diretrizes relativas às disposições constantes da Parte A do código. – Técnicas utilizadas para contornar medidas de proteção Para driblar as medidas de proteção adotadas pela unidade offshore, navio ou instalação portuária, são utilizadas as mais variadas técnicas seguras sofisticadas e outras extremamente rudimentares. Seguem abaixo alguns exemplos de técnicas utilizadas: Uso de escadas improvisadas ou bambus com gancho na ponta, por parte de assaltantes a bordo de pequenos barcos, para escalarem o costado da embarcação. Isto acontece em alguns estreitos no continente asiático onde os navios têm que reduzir a velocidade; Também simples, mas eficaz, é a utilização das espias para entrar na embarcação; Uma técnica sofisticada empregada para o contrabando de drogas ocorre quando as embalagens são abertas, carregadas com drogas e fechadas, sem que visualmente se note esta violação; Bastante sofisticados são os ataques utilizando helicóptero ou mergulhadores. Não são técnicas utilizadas normalmente, mas não se pode deixar de levar em consideração que são possíveis de serem empregadas; Uma que devemos ter muita atenção é a de se aproveitar de grandes entradas ou saídas de pessoas da embarcação, como o caso da chegada ou da partida das embarcações de apoio, para a entrada clandestina de pessoas ou materiais; Outra a qual também se deve ter atenção é a de se aproveitar da entrada de material, carga ou provisões, para embarcar materiais clandestinamente; e Muito usada, também, é a utilização de falsos profissionais para poder entrar nas unidades offshore ou embarcações de apoio, valendo-se de disfarces ou documentos falsos. Já ocorreram caso de uso de submarinos construídos de forma amadora para transporte de drogas. Já ocorreram situações assim nos EUA, Europa e América do Sul. Outra forma de contrabando de droga é o uso de mergulhadores que prendem cargas de drogas no costado de navios. FIGURA 2.2 - Ameaças materiais à proteção da Unidade Offshore Armas portáteis são usadas para o ataque ou ações contra pessoas a bordo. Substâncias perigosas como gases e venenos também podem ser usados contra pessoas. Para o ataque às instalações físicas (Unidades Offshore, embarcações, prédios, compartimentos) são usados, basicamente, explosivos e substâncias inflamáveis. Quanto aos explosivos, encontramos grande variedade de tipos, formas e aparências, permitindo que possam ser disfarçados e acondicionados em potes e CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 217 frascos de aspecto inocente, o que torna difícil a sua identificação e reconhecimento, até mesmo por profissionais especializados e experientes. Como regra geral para tentar evitar um ataque por bombas ou explosivos, deve- se ter atenção aos seguintes itens: Pacotes ou correspondências não operados ou suspeitos; Objetos suspeitos no meio de uma área (recepção, restaurante, passagem); Substâncias estranhas vazando (pó, líquido, etc.); Objetos estranhos ou pacotes perdidos em uma área, que não pertençam a ninguém; e Objetos, caixas ou pacotes com características diferentes (peso, formato, cheiro). 2.3 – Reconhecimento de pessoas que apresentam potenciais ameaças à proteção – Terroristas Agem por ideologia política, religiosa e também por interesse financeiro. Podem ser ideologicamente motivados ou radicais. Os terroristas ideologicamente motivados visam com a sua ação um resultado diferente da ação em si. Pode ser apenas propaganda de sua causa, a libertação de prisioneiros ou a desmoralização de certas autoridades. Estes normalmente procurarão sobreviver. Os radicais agem em nome de uma causa, normalmente religiosa. E nem sempre procurarão sobreviver, podendo se tornar terroristas-suicidas. - Piratas Agem por motivação econômica (financeira). Apresentam comportamento violento, não se preocupando com as vidas dos tripulantes dos navios assaltados. Atualmente representam a maior ameaça ao transporte marítimo. Por definição da IMO, para ser considerado pirataria, o ataque a navios deve ocorrer em alto mar e fora da jurisdição de um estado ribeirinho. Quando ocorrer qualquer ato contra uma embarcação no mar territorial, em portos, ou com a embarcação fundeada, trata-se de um ato ilícito e não pirataria. Atualmente as mais conhecidas regiões de pirataria são o Golfo de Aden (Somália) e o Estreito de Málaca (Singapura/Indonésia). CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 218 Figura 32 - Piratas sendo dominados por forças militares. – Clandestinos Sua maior preocupação é se evadir da região onde se encontram, procurando tirar proveito da viagem de uma embarcação. Querem usar a embarcação sem o conhecimento da tripulação. No entanto, quando são descobertos, podem vir a representar uma ameaça aos tripulantes da embarcação onde se escondera. – Ladrões Sua motivação é o lucro financeiro. Nesse sentido, tenderão a evitar confrontos e a priorizar a sua segurança pessoal. – Mentalmente perturbados Podem ser neuróticos, psicóticos ou psicopatas. Sofrem de depressão, conflitos e delírios e com pessoas que possuam tais problemas nem sempre é possível conduzir uma negociação de forma segura. Cabe ressaltar que, apesar das empresas possuírem um rigoroso controle médico da saúde dos seus funcionários e contratados,nem sempre essas doenças são facilmente detectadas. – Comportamentos suspeitos a) Pessoas desconhecidas: Tirando fotografias da embarcação, instalações portuárias ou infraestrutura; Tentando entrar nas instalações portuárias, navios ou em áreas relacionadas com a infraestrutura; Permanecendo nas proximidades da embarcação e instalações portuárias e de infraestrutura por longos períodos; e Tentando obter informações sobre a embarcação, instalações, infraestrutura de transporte, junto a funcionários, tripulantes e familiares; CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 219 b) Veículos ou pequenos botes com pessoas permanecendo nas proximidades de instalações portuárias e/ou de embarcações, por longos períodos, talvez fotografando, fazendo mapas, esboços; c) Aeronaves suspeitas operando nas proximidades do porto ou de embarcações, por longo período de tempo; d) Vendedores suspeitos tentando comerciar mercadorias nas proximidades de instalações portuárias, navios ou da infraestrutura de transporte; e) Trabalhadores desconhecidos ou suspeitos tentando entrar na embarcação ou nas instalações portuárias; f) Pacotes suspeitos largados; e g) Pessoas com vestuário não compatível, com comportamento agitado, demonstrando nervosismo e ansiedade, com bonés e rostos escondidos. 2.4 – Procedimentos quando reconhecer uma ameaça à proteção No caso do embarcado identificar ou constatar um incidente de proteção, ele deverá comunicar imediatamente ao seu superior hierárquico, ou diretamente à Sala de Controle. Por ocasião da ocorrência de um incidente de proteção, deverão ser cumpridas as medidas previstas no Plano de Proteção da Unidade Offshore. Em caso de assalto (ladrões/piratas) Não hesite em soar o sinal de alarme geral da embarcação em caso de ameaça de assalto; Procure manter a iluminação adequada para ofuscar permanentemente os oponentes, no caso de tentativa de subida de estranhos pelo costado; Dê alarme, através de contato rádio VHF – canal 16, para embarcações das proximidades e para o sistema de escuta permanente das autoridades de terra; Se adequado, para proteger as vidas de bordo, e sob inteira responsabilidade do Comandante, use medidas para repelir a abordagem, como o uso de holofotes de grande potência para ofuscamento dos agressores, ou mesmo jatos d’água ou sinalizadores contra áreas de abordagem; e Não realizar atos de heroísmo. Método de Buscas e Inspeções Todo Navio/Unidade deverá ter definido em seu Plano de Proteção quais os procedimentos para a realização de buscas a bordo e para a realização de Inspeções e revistas. Revista física individual – deverá ser feita em dupla, por pessoas do mesmo sexo da pessoa revistada, de forma isenta, ou seja, SEM PRECONCEITO; CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 220 Revista de bagagens – deverá ser feita solicitando ao proprietário que retire o que está dentro da bagagem, com o responsável pela revista inspecionando seu conteúdo; Inspeção de área – deverá ser feita em dupla e considerar a peculiaridade de cada compartimento. Deverá seguir o procedimento previsto pela empresa; Inspeção de correspondências – não é muito utilizado atualmente; Busca em navios / veículos / compartimentos. Busca na Unidade Offshore: Conveses; Praças de Máquinas; Banheiros / Toaletes; Corredores e passarelas; Camarotes de tripulantes e passageiros; Cozinha e paióis de provisões. Regras Genéricas de Busca: Saber o que procura; Olhar antes de tocar é um bom lema; Use dispositivos como espelhos para inspecionar áreas de difícil acesso; Armas, explosivos podem ter muitas formas; Tomar cuidado com objetos tubulares; Procure por acessórios de armas como coldres, munição e pentes de munição; Procure por facas, navalhas, garfos, fivelas de cintos; A presença inexplicada de um produto químico deve sempre ser investigada cuidadosamente; Revistas de pessoas devem ser feitas em duplas; Ter atenção às mãos das pessoas revistadas; Manter segurança para quem está revistando. Não adianta descobrir algo e não poder conter a pessoa revistada; Com a utilização de detector de metais e de Raios X a revista será mais fácil e eficaz; e A revista não depende só de sorte. Mas também de habilidade. 2.5 – Como lidar com as informações sensíveis e com as comunicações relativas à proteção. Todo incidente que ocorra deve ser reportado, tão logo quanto possível: ao Estado Costeiro, à Administração do Estado de Bandeira (país da embarcação) e ao CSO. Todos os incidentes devem ser reportados à Administração da Bandeira, mesmo que nenhuma ação seja tomada. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 221 Relatórios sobre incidentes de proteção e medidas tomadas devem ser empregados em treinamentos de proteção visando a prevenção de incidentes semelhantes. 2.6 – Exigências relativas à instrução e aos exercícios periódicos de adestramento previstos pelas Convenções, Códigos e Circulares da IMO. A elaboração de um Programa de Treinamento, compreendendo instrução e adestramento, deve atender a dois objetivos básicos: Aperfeiçoamento do pessoal para o desempenho adequado das suas funções; e A implantação e manutenção do nível adequado de conscientização referente ao assunto proteção marítima. Um programa de treinamento deve ter três fases: planejamento, execução e avaliação. O programa de treinamento poderá ser executado por meio de: • Adestramento (Instrução); • Exercícios; e • Simulação. As seguintes técnicas poderão ser empregadas no treinamento: • Exposição oral; • Demonstração prática; • Simulação de problemas; • Estudo de casos. Os exercícios deverão ser realizados em intervalos apropriados, considerando- se os períodos de troca de turmas embarcadas, desembarques, instalações portuárias a serem visitadas, etc. Deverão ser realizados, pelo menos, a cada três meses e/ou após ter ocorrido mudanças de mais de 25% da tripulação. As simulações mais completas e elaboradas deverão ser realizadas, pelo menos, uma vez por ano em intervalos que não excedam 18 meses. CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 222 GLOSSÁRIO AJB - Águas Jurisdicionais Brasileira BRS - Bactéria Redutora de Sulfato BOP - Equipamento de proteção do Sistema de Segurança de Cabeça do Poço BB - BE - Termo náutico que significa sentido Bombordo - Boreste CA - Certificado de Aprovação DPC - Diretoria de Portos e Costas DSV - Navios de Apoio Offshore dedicados às atividades de Mergulho DO NOT DISTURB - Sinalização que informa: "NÃO PERTUBE" EPC - Equipamento de Proteção Coletiva EPR - Equipamento de Proteção Respiratória EOR - Estrutura Organizacional de Resposta GSSTB - Grupo de Segurança e Saúde no Trabalho a Bordo de Embarcação EPIRB - Rádio Baliza Sinalizadora de Sinais FLAG STATE - Estado da Bandeira FPSO - Abreviatura em inglês que significa Unidade Flutuante de Produção, Armazenagem e Transferência FLOTEL - Plataforma e/ou um navio de apoio que serve para hospedagem de profissionais offshore em Alto-Mar GLP - Gás Liquefeito de Petróleo GPM - Galões por minutos GEPLAT - Designação funcional do Gerente de uma Plataforma na Unidade Offshore que opera para a empresa Petrobras IMO - Organização Marítima Internacional IMDG Code - Código Internacional para Cargas Perigosas. Lei 9.966 - Conhecida nacionalmente como "LEI DO ÓLEO" LESTA - Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário LSA - MARPOL - Convenção Internacional para Prevenção de Poluição por Navios NORMAM - Norma da Autoridade Marítima NAVIO ALIVIADOR - Termo utilizadopara o Navio Petroleiro que recebe o óleo produzido por uma Plataforma do tipo FPSO CBSP – CURSO BÁSICO DE SEGURANÇA DE PLATAFORMAS SHELTER CURSOS EM PROTEÇÃO E SEGURANÇA MARÍTIMA LTDA ME 223 NR - Norma Regulamentadora, Secretaria de Trabalho - Ministério da Economia NAVIOS "SOS" - Navios de Apoio Offshore dedicados as atividades de Socorro e Salvamento. OHSAS - Occupational Health and Safety Assessment Series ONU - Organização das Nações Unidas OIM - Abreviatura em inglês que significa "Gerente da Instalação Offshore PPM - Parte por Milhão UOM - Unidade Offshore Móvel UPS - Sistema de Fornecimento Interrupto de Energia Elétrica RCP - Reanimação Cardiopulmonar SIT/MTE - Abreviatura de Secretaria de Instrução Técnica do Ministério do Trabalho e Emprego (extinta) SART – Search and Rescue Radio Transponder SOLAS - Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar; STCW - Convenção Internacional de Padrão de Treinamentos, Certificações e Qualificações de Quarto VLCC - Grandes navios petroleiros que são transformados em plataformas do tipo FPSO SBV - Suporte Básico de Vida.