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Minha magnífica esposa, melhor amiga e meu amor precioso, Lisa Bevere. “A mulher que teme o Senhor será elogiada.” Provérbios 31:30 Escrevi este livro no nosso quadragésimo ano de casamento. Cada ano com você apenas fica melhor, e se tivesse a chance, eu me casaria novamente com você em um piscar de olhos. Não existem palavras para expressar o prazer e a alegria que você traz ao meu coração. Eu não seria o homem que sou hoje se não fosse pelo seu amor e apoio. Você é sábia, divertida, agradável, forte, aventureira e linda. Eu a amo para sempre. SUMÁRIO Como Ler este Livro Introdução SEMANA 1: UM DEUS TREMENDO 1. O Tesouro de Deus 2. Medos Contrastantes 3. O Que é o Santo Temor? 4. A Presença Palpável de Deus 5. Uma Noite Inesquecível 6. Contemplando-O 7. A Glória de Deus SEMANA 2: REVELADOS COMO SOMOS 8. Seu Valor 9. Colisão Fatal 10.Deus Não Está Vendo 11.Temor e Tremor 12.Hipocrisia Contagiosa 13.Três Imagens 14.Decisões Eternas SEMANA 3: SANTIDADE IRRESISTÍVEL 15. O Temor do Homem 16. O Engano de Pensar que Temos Direito a Errar , 17. Afaste-se do Mal 18. Longevidade 19. Purifiquemo-nos 20. Nossa Busca 21. Desejo e Poder SEMANA 4: NOSSA RESPOSTA À PALAVRA DE DEUS 22. Tremendo Diante da Palavra de Deus 23. Imediatamente 24. Isso Não Faz Sentido 25. Nenhum Benefício Óbvio 26. Uma Dor Boa 27. Está Consumado 28. Como Cauterizar uma Consciência SEMANA 5: INTIMIDADE COM DEUS 29. Onde a Intimidade Começa 30. Um Jesus Diferente 31. Não Conheço Vocês 32. O Segredo do Senhor 33. A Informação em Primeira Mão 34. Face a Face 35. Vocês São Meus Amigos SEMANA 6: OS BENEFÍCIOS DO TESOURO 36 Estabelecendo Suas Promessas 37 O Temor que Elimina o Medo 38 Legado 39 A Coisa Mais Importante 40 Uma Vida Bem-sucedida 41 Terminando Bem 42 Encontrando o Tesouro Apêndice A: Link para Vídeos e Outros Conteúdos Gratuitos Apêndice B: Um Vislumbre da Grandeza de Deus Notas Sobre o Autor COMO LER ESTE LIVRO Querido Leitor, Esta não é apenas qualquer mensagem; é uma mensagem de vida que, se você a considerar e praticar, o transformará para sempre. Confio nisso porque estas verdades transformaram a minha vida e inúmeras outras. Sempre que me pedem conselhos — sejam sobre casamento, família ou ministério — recorro imediatamente aos princípios contidos neste livro. Devido à sua importância, muito tempo e muitas orações foram dedicados a como apresentá-lo. Considerando o ritmo da nossa vida hoje — as demandas das nossas agendas e a intensidade com o qual nos movemos — senti a necessidade de adaptar e apresentar as verdades em pequenas porções, a fim de que você possa refletir profundamente sobre cada uma. À primeira vista, você pode pensar que este livro é um devocional, mas eu lhe garanto que não é. Deixe-me explicar. Um devocional geralmente tem diferentes tópicos para cada dia que não compõem necessariamente uma mensagem concisa e sistemática. Embora este livro possa parecer um devocional, cada dia acrescenta um tijolo sobre o alicerce do capítulo do dia anterior, para formar o que costumamos encontrar em um livro de não ficção. A vantagem dessa estrutura é que você pode decidir como lê-lo. Ele com certeza pode ser lido em um dia ou dois, se essa for a sua preferência; entretanto, recomendo que você o leia em um período de seis semanas (um capítulo por dia) ou em um período de três semanas (um capítulo pela manhã e outro à noite). Na conclusão de cada capítulo, você encontrará cinco ferramentas para ajudar a aprofundar o conteúdo e tirar o máximo de proveito dele — chamaremos essa seção de “Personalizando”. Ela contém 5 Ps: 1. Passagem: Incluí uma passagem da Bíblia que é crucial para a mensagem de cada dia e que será encontrada no corpo do texto, ou uma passagem que não foi mencionada no corpo principal daquele capítulo, mas fortalece o que foi apresentado. Minha recomendação é de que você memorize essas passagens bíblicas. 2. Ponto: É a ideia principal do capítulo resumida para reafirmar sua importância. Vê-la novamente fortalecerá sua eficácia e lhe dará uma referência rápida para quando você voltar e rever o capítulo. 3. Pondere: Esta etapa é essencial. O salmista diz: “Meditarei nos Teus preceitos e darei atenção às Tuas veredas” (Sl 119:15). Devemos meditar considerando em nossa mente como a Palavra de Deus se aplica a nós em nosso atual estado. Ao fazer isso, temos a garantia de que nossos caminhos serão prósperos e alcançaremos êxito (ver Josué 1:8, Salmos 1 e 1 Timóteo 4:15). 4. Pare para orar: Há também uma oração que reflete o ensinamento do capítulo. É muito importante que Deus ouça nossa voz e receba nossa permissão para nos transformar de acordo com a Sua Palavra. 5. Professe: Aprendemos que a morte e a vida estão no poder do que dizemos ou professamos (ver Provérbios 18:21). Ao dizermos o que Deus declara sobre nós, nosso espírito, alma e corpo entram em alinhamento com a Sua vontade para nós, que é a maneira comprovada de experimentarmos a vida ao máximo. Mais uma vez, eu o encorajo a reservar um tempo, sem pressa, para ler este livro, a fim de que as verdades da Palavra de Deus penetrem no seu coração e na sua mente. Passar as próximas semanas contemplando essas verdades diariamente fará com que elas atinjam seu coração e criem raízes na sua vida. O conteúdo resumido aqui é mais do que meras informações — é o caminho para aproximar-se mais do nosso Deus. Também recomendo que você leia os capítulos e percorra cada um dos ٥ pontos do “Personalizando” com um diário ao seu lado. Anote seus pensamentos e orações no diário a cada dia para que, ao voltar a ele mais tarde, você possa consultar o que o Espírito Santo revelou à sua mente. Mais algumas recomendações: com seu smartphone ou relógio, calcule quanto tempo você leva para ler um capítulo, para percorrer os pontos do “Personalizando”, e para fazer anotações no diário. Não tenha pressa; não se trata de uma corrida. A razão para medir o tempo é para que, depois de vários capítulos, você consiga planejar com sabedoria o tempo necessário para os futuros capítulos com base no tempo médio que utilizou antes. Em segundo lugar, tente desenvolver um hábito e não permita que nada interfira no seu tempo reservado a cada dia. Minha oração e minha esperança são que o que Deus realizou em mim ao longo dos últimos quarenta anos Ele realize em sua vida à medida que você lê e vivencia a experiência deste livro. Em terceiro lugar, lembre-se de que uma mensagem sempre gera maior benefício quando a ensinamos ou estudamos com um grupo de amigos. Escolha alguns amigos próximos e façam isso juntos. Depois que você concluir o capítulo sozinho, apenas você e o Espírito Santo, reúna-se com seus amigos e compartilhem o que Ele lhes mostrou. Façam isso regularmente. Caso você se interesse em acompanhar este livro em um formato destinado ao estudo em grupo, também desenvolvemos o curso bíblico O Esplendor de Deus, com currículo em vídeo e guia de estudos que você e seus amigos podem examinar juntos semanalmente.1 Ele oferece ainda mais ferramentas para o estudo da Palavra de Deus. A Bíblia diz: “Depois aqueles que temiam ao Senhor conversaram uns com os outros, e o Senhor os ouviu com atenção. Foi escrito um livro como memorial na sua presença acerca dos que temiam ao Senhor e honravam o Seu nome” (Ml 3:16). Finalmente, temos 42 vídeos curtos que enfatizam as verdades essenciais de cada capítulo. Para acessá-los, escaneie o QR code do Apêndice A. Você também encontrará informações sobre o currículo em vídeo para o estudo em pequenos grupos e outros conteúdos bônus. Oro para que você passe a ter mais intimidade com Deus à medida que avançar neste estudo. É importante ler a introdução em vez de pular direto para o Capítulo 1, pois ela abre o nosso coração para as verdades que abordaremos aqui. E quando você terminar o livro, eu adoraria ouvi-lo, sobre como a sua fé e a sua vida foram impactadas através do santo temor de Deus. Com amor, John Bevere P.S: Apenas um lembrete para que você não pule a introdução.Oro para que ela acenda um fogo em você capaz de levá-lo a cultivar um temor sagrado e o faça mergulhar de cabeça nesta mensagem. INTRODUÇÃO Medo. Durante anos as pessoas se esforçaram para erradicá-lo. Muitos pesquisaram sobre ele, lutaram contra ele e fizeram campanhas para remover sua influência das nossas vidas. Até a famosa citação do presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt chama a atenção para ele: “A única coisa que temos de temer é o próprio medo”. Vozes de todos os lados gritam que precisamos encontrar formas de vencer o medo, e podemos encontrar centenas, senão milhares, de livros de autoajuda destinados a fazer exatamente isso. Desde fins dos anos 1980 pessoas em todos os lugares têm usado roupas com as palavras “No Fear” (Sem Medo) impressas nelas em destaque. Parecemos inflexíveis em nossa busca por eliminar todo o medo de nossa vida. Essa verdadeira cruzada contra o temor parece sensata, nobre e prudente; e embora o medo pareça ruim em muitos contextos, a verdade é que nem todo medo é ruim. Então por que essa obsessão? Creio que ela vem de colocarmos todos os medos em uma grande categoria sob o rótulo de “nocivo”. Mas esse conceito é verdadeiro? Em primeiro lugar, é importante reconhecer que existem realmente medos destrutivos, mesmo quando eles parecem lógicos. Se temermos perder todo nosso dinheiro e bens, por exemplo, provavelmente ficaremos obcecados com isso e nos tornaremos mesquinhos e acumuladores, adorando o nosso dinheiro e os nossos bens acima de qualquer outra coisa. Se temermos perder nosso cônjuge, nos agarraremos a essa pessoa com força excessiva ou sentiremos desconfiança a cada ato dela. De uma forma ou outra, isso leva ao ressentimento e, com o tempo, prejudica o relacionamento. Se tivermos um medo profundo de estarmos ficando para trás enquanto os outros estão vivendo uma vida melhor que a nossa, isso pode fazer com que corramos atrás de novas experiências cada vez mais empolgantes, mas tudo isso em detrimento de termos uma comunhão saudável, uma conexão verdadeira e a paz maravilhosa que acompanha o compromisso. Se temermos pela segurança dos nossos filhos, provavelmente atrapalharemos o crescimento deles — tentando protegê-los de tudo e mimando-os com nossas atitudes. A lista parece interminável. Por outro lado, os medos construtivos promovem uma sabedoria que nos beneficia. O medo de cair de um penhasco de seiscentos metros nos dá a sabedoria de não nos aproximarmos demais da beirada, onde poderíamos escorregar. O medo da força de um urso cinzento provoca o bom senso de não ameaçarmos os filhotes da mamãe urso. O medo de uma queimadura de terceiro grau nos dá a sabedoria de colocarmos luvas protetoras nas mãos quando retiramos um refratário do forno quente. E, no entanto, o medo construtivo, embora benéfico, também pode ser distorcido e acabar encurtando nossa vida. Se não for controlado, o medo de cair pode nos impedir de embarcar em um avião, nos mantendo presos à terra. O terror descontrolado daquele urso cinzento pode nos privar de uma caminhada agradável pela floresta, e o medo de nos queimarmos poderia nos impedir de ligar o forno e desfrutar uma refeição caseira. A verdadeira pergunta que deveríamos fazer é Do que mais temos medo? Esta é uma pergunta muito melhor do que focar em como aniquilar os medos destrutivos ou administrar os construtivos. É uma pergunta sábia e, se for adequadamente respondida, ela nos dá uma perspectiva correta sobre todos os outros medos e eleva a qualidade da nossa vida — tanto agora quanto eternamente. Ela ilumina o caminho para uma vida boa e realizada. A Bíblia tem muito a dizer sobre o medo, e o ponto fundamental é este: o temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Pv 1:7), e não apenas de qualquer sabedoria, mas da sabedoria de Deus. Não é, portanto, um lugar ruim para se começar. Portanto, pense sobre isto: e se o medo — corretamente direcionado — for uma virtude? E se o temor de Deus for o caminho paradoxal para um relacionamento autêntico com Ele? E se esse santo temor for o que verdadeiramente nos abre para a plenitude da vida que os seguidores de Jesus experimentaram ao longo dos séculos? E se esse temor erradica todos os outros temores — o medo de começar o seu próprio negócio, o medo do que o seu governo fará, o medo do que acontecerá com os seus filhos, o medo que um hipocondríaco sente, o medo que causa a doença mental ou a depressão (uma lista que poderia continuar interminavelmente)? Ao iniciarmos a nossa jornada, permita-me enumerar quatro verdades: 1. Somos humanos, e vamos ter medo. 2. Nosso assombro e temor diante do esplendor de Deus são muito mais profundos, mais belos e mais íntimos que muitos ousam imaginar. 3. O temor de Deus consome todos os medos destrutivos. 4. O temor de Deus é o princípio de tudo o que é bom. Algumas pessoas nos lembram corretamente o que a Bíblia nos diz — que a expressão “não temas” aparece cerca de 365 vezes, e isso leva muitos cristãos a concluírem que Deus não quer que temamos. Mas esses versículos se referem ao medo destrutivo. Por outro lado, posso citar quase 200 versículos na Bíblia que nos encorajam a “temer a Deus”. E eis a parte desastrosa: em nossa busca por tentarmos eliminar qualquer medo das nossas vidas (inclusive a virtude de temer a Deus), essa área da nossa fé foi deixada sem ser examinada, sem ser experimentada e sem nos beneficiarmos dela. O temor do Senhor é mais glorioso, mais cheio de alegria e inspira mais assombro do que poderíamos imaginar. Ao continuarmos, quero lhe mostrar como o medo direcionado corretamente — a virtude de temer a Deus acima de tudo o mais — abre caminho para uma vida além do que você jamais imaginou. Somente então seremos capazes de enfrentar com coragem qualquer coisa que a vida possa lançar contra nós. Nas palavras de Charles Spurgeon, “O temor de Deus é a morte de todos os outros medos; como um leão poderoso, ele persegue todos os outros medos que estão diante dele”. 1 Minha esperança é que, ao ler este livro, você mergulhe de cabeça na virtude do temor do Senhor e afaste-se rapidamente da fachada religiosa do que o temor não é, descobrindo a bênção de como ele é capaz de colocar nossos pés sobre um terreno firme. Sim, não tema mal algum — mas descubra como a virtude incompreendida do temor do Senhor fará com que a sua vida floresça e se torne uma bela aventura. Vamos começar explorando o quanto Deus é cheio de esplendor. Vamos chamar isso de “O Esplendor de Deus”! O temor do Senhor é o Seu tesouro, uma joia selecionada, entregue somente... àqueles que são grandemente amados. — JOHN BUNYAN Semana 1 — Dia 1 1 | O TESOURO DE DEUS E se lhe contassem sobre uma virtude oculta, que na essência é a chave para tudo na vida? Ela destrava o propósito da sua existência e atrai a presença, a proteção e a providência do seu Criador. Ela é a raiz de todo caráter nobre, o fundamento de toda felicidade, e oferece os ajustes necessários para todas as circunstâncias desarmoniosas que você possa enfrentar. Abraçar firmemente essa virtude poderia prolongar a sua vida, proporcionar boa saúde, garantir sucesso e segurança, eliminar a falta e assegurar um legado nobre. Isso parece bom demais para ser verdade? Talvez você esteja se perguntando: Este livro que estou segurando é um livro de ficção? Eu lhe garanto que não — o que eu disse é real. Ao ser apresentada a essa realidade, a maioria das pessoas poderia zombar e retrucar: “Não existe uma virtude assim!”. Mas cada uma dessas promessas foi escrita sem dúvida alguma por um dos homens mais sábios que já viveu, e mais, ele escreveu essas palavras sob a inspiração do nosso Criador — e as palavras Dele são infalíveis! Entretanto, antes de partir desta vida, Salomão perdeu a bênção que ele mesmo descreveu porque seu coração abandonou a Fonte da sua sabedoria e, consequentemente, ele se afastou do caminho da bem-aventurança. Permita-me fazer um breve relato da sua história. Quando criança, Salomão foi treinado nessa virtude e abraçou-a. Ele passoua ter um caráter nobre e desenvolveu uma percepção apurada. Destacou-se rapidamente na liderança e com o tempo se tornou o governante de milhões de pessoas. Depois do seu pedido a Deus, recebeu uma sabedoria impressionante; na verdade, pouca coisa era de difícil compreensão para Salomão. Ele escreveu milhares de ditados sábios e compôs centenas de cânticos: “Descreveu as plantas, desde o cedro do Líbano até o hissopo que brota nos muros. Também discorreu sobre os quadrúpedes, as aves, os animais que se movem rente ao chão e os peixes” (1 Rs 4:33). Esse homem sábio atingiu um nível de sucesso, fortuna e fama sem igual antes dele e que desde então ainda não foi visto. Reis, rainhas, embaixadores e líderes de alto nível viajavam grandes distâncias para estarem na sua presença, ouvir suas percepções, testemunhar da excelência e da unidade da sua equipe, e acabavam sendo impactados pela inovação que produzia a grande força e riqueza da sua nação. Ele era tão impressionante que uma rainha não acreditou nos relatos que ouviu antes de sua visita. Entretanto, depois de passar algum tempo com ele, ela exclamou: “Mas eu não acreditava no que diziam, até ver com os meus próprios olhos. Na realidade, não me contaram nem a metade; tu ultrapassas em muito o que ouvi, tanto em sabedoria como em riqueza. Como devem ser felizes os homens da tua corte, que continuamente estão diante de ti e ouvem a tua sabedoria!” (1 Rs 10:7-8). Com base no que lemos, concluímos que as pessoas a quem ele governava eram felizes e tinham sucesso nos seus empreendimentos. A pobreza não existia; cada família no seu reino tinha sua própria casa e jardim. A história relata que as pessoas “comiam, bebiam e eram felizes” (1 Rs 4:20). Elas viviam em paz e segurança. À medida que o tempo passou, porém, esse líder notável acabou se afastando do que alimentava as suas realizações. Ele se tornou sábio aos seus próprios olhos, e já não considerava mais necessário dar ouvidos à sabedoria dessa virtude. Ele perdeu-se no caminho e no fim tornou-se um cético amargo. Salomão não foi o único a sofrer pelo seu erro de julgamento — o mesmo aconteceu com aqueles a quem liderava. Para ele, a vida se tornou sem sentido. Ele escreveu afirmações depreciativas como “Tudo é monótono, totalmente monótono — ninguém pode encontrar sentido algum nisso”,1 e “A história apenas se repete uma vez que não há nada de novo debaixo do sol”.2 E o que é ainda mais dramático, ele disse: “O dia em que você morre é melhor que o dia em que você nasce”,3 e “O que é errado não pode ser consertado. O que é perdido não pode ser recuperado”. 4 Na verdade, ele escreveu um livro inteiro retratando a existência sem sentido da vida; para ele, tudo era vaidade. Esse homem, em um tempo relativamente curto, mergulhou vertiginosamente das alturas mais elevadas do sucesso para os recessos mais profundos de um pessimismo evidente. Muitos psicólogos hoje o diagnosticariam como alguém que sofre de um caso grave de transtorno maníaco- depressivo. Como um homem poderia ir de um extremo a outro assim? A boa notícia é esta: a história dele não termina nas profundezas do desalento. Ele enfim retornou à virtude mais importante da vida. Não sabemos quantos meses ou anos ele passou escrevendo seu livro pessimista, mas o último capítulo nos dá um vislumbre da sua recuperação. Ele começa escrevendo sete5 vezes a mesma ideia, “Lembra-te do teu Criador”, embora com uma construção diferente a cada vez. Suas últimas palavras são: De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus [reverencia-O e adora-O, sabendo quem ele é] e guarda Seus mandamentos, porque este é o dever [o propósito original e completo de Sua criação, o objeto da providência de Deus, a raiz do caráter, o fundamento de toda a felicidade, a adaptação a todas as circunstâncias e condições desarmoniosas debaixo do sol] de todo homem. — Eclesiastes 12:13 (NBA) Essa virtude preciosíssima não é outra senão o temor de Deus. O escritor, o rei Salomão, declara que ela é o pré-requisito para uma vida abundante e realizada. Lemos na Bíblia: “Quem é o homem que teme o Senhor? Ele o instruirá no caminho que deve seguir” (Sl 25:12). Este caminho é incomum porque, infelizmente, muitos acreditam, como o rei Salomão acreditou nas suas horas de escuridão, que a sua própria sabedoria é o que traz sucesso e felicidade. O santo temor nos mantém conectados com a sabedoria do nosso Criador — o Único que sabe o que nos acrescenta e o que nos arruína. A importância do santo temor triunfa tão grandemente sobre todas as outras virtudes que a Bíblia a identifica como o prazer de Jesus (Is 11:3, NKJV), e o que é igualmente incrível, “O temor do Senhor é o Seu tesouro” (Is 33:6, NKJV). Pare e reflita sobre isto por um instante: é o prazer e o tesouro do Deus todo-poderoso. Impressionante! Vamos mergulhar mais fundo nesta realidade incrível em breve, mas primeiro vamos voltar ao rei Salomão. Por que eu abriria esta mensagem com o seu sucesso, fracasso e recuperação final? Nos meus primeiros anos de ministério, um líder sábio fez uma declaração que chamou a minha atenção e permaneceu comigo por décadas. Ele disse: “Adotei como princípio geral a decisão de não promover a uma posição de autoridade alguém cujo histórico seja perfeito”. Quando perguntei por que, ele respondeu: “Aprendo mais sobre o caráter de uma pessoa pela sua reação ao fracasso do que por qualquer outra coisa. Ele assumiu a responsabilidade, se arrependeu e cresceu com a experiência? Ou justificou seu comportamento e delegou a culpa? Isso mostra se ele ou ela está apto para receber responsabilidade”. O que aprendi foi: isso indica se a sabedoria é o que a pessoa valoriza acima de tudo. Salomão não entendia plenamente o valor do temor a Deus, embora ele o ensinasse sob a inspiração do Espírito Santo! Portanto, foi possível afastar-se dele. Antes da sua queda, o santo temor não era o seu tesouro ou prazer; ele não era um fundamento imutável para os seus motivos e ações. Ao tropeçar, experimentar a loucura, e finalmente se recuperar, ele entendeu mais plenamente a magnitude do poder do santo temor. Inspirado por uma revelação semelhante, o apóstolo Paulo escreveu: Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado. — 1 Coríntios 9:27 Paulo entendia a importância de valorizar a sabedoria que lhe havia sido confiada pelo Espírito de Deus e de não cometer o mesmo erro trágico do rei Salomão. As verdades ocultas da aliança de Deus foram reveladas ao apóstolo, as quais libertariam multidões, mas se ele não visse o santo temor como algo inestimável e o abraçasse firmemente, também acabaria sendo um cético incorrigível — inapto, reprovado e rejeitado como um impostor. Abraçar o temor a Deus como o nosso tesouro mais precioso nos reveste de poder para permanecermos em submissão à verdade e, fazendo isso, continuar no caminho correto, o que traz recompensas incríveis. Em um tempo em que a maioria das pessoas considera o medo prejudicial ou nocivo, declarar que o temor do Senhor é uma virtude benéfica e preciosa parece contraditório. Entretanto, com base na autoridade da Bíblia, eu lhe garanto que quando o abraçamos, somos revestidos de poder para permanecer no caminho da vida. Experimentamos a verdadeira intimidade com Deus e os benefícios que mudarão nossas vidas — um dos maiores é o de sermos transformados segundo a imagem de Jesus Cristo. Portanto, vamos iniciar nossa jornada de descobrimento do esplendor de Deus. Personalizando Passagem: “Ele será o firme fundamento nos tempos a que você pertence, uma grande riqueza de salvação, sabedoria e conhecimento; o temor do Senhor é a chave desse tesouro” (Is 33:6). Ponto: O santo temor é o tesouro de Deus; ele deve ser o seu também. Pondere: Como é, na prática, valorizar o santo temor? Como devo abordá-lo? Como devo lidar com ele? Como não perdê-lo? Pare para orar: Querido Pai celestial, eu Te peço que nesta jornada de descoberta do temor do Senhor, eu passe a conhecê-lo,a viver nele e a ter prazer nele. Que ele possa ser o meu tesouro, assim como é o Teu. Que ele me dê a sabedoria e o conhecimento necessários para viver uma vida realizada e bem-sucedida, uma vida que seja agradável aos Teus olhos. Que aqueles que amo também possam ser iluminados e que todos os que interajam comigo reconheçam o seu valor. É o que eu Te peço em nome de Jesus Cristo, meu Senhor e Salvador. Amém. Professe: Decido valorizar o temor a Deus como o grande tesouro da vida, e ao fazer isso serei fortalecido para permanecer no caminho de uma vida abençoada. Tema a Deus, sim, mas não tenha medo Dele. — J. A. SPENDER Semana 1 — Dia 2 2 | MEDOS CONTRASTANTES No verão de 1994, fui convidado para ministrar numa conferência em uma igreja no sudeste dos Estados Unidos. Era uma grande congregação que, dois anos antes, havia experimentado um poderoso despertamento de quatro semanas liderado por um evangelista mundialmente famoso. O avivamento enfatizou a bondade, o amor e a alegria de Deus; ele afetou muitas vidas de uma forma linda. Mas, infelizmente, a igreja permaneceu presa a essa experiência do avivamento e não continuou a avançar mais no conhecimento do coração de Deus. Basicamente, eles haviam ficado estacionados e desequilibrados. Na época, eu estava em uma jornada para descobrir o santo temor. Eu percebia sua importância, mas ainda estava crescendo no conhecimento acerca dele e, portanto, estava hesitante em compartilhá-lo em público. Mesmo assim, senti fortemente a necessidade de deixar de lado essa apreensão e ministrar sobre o temor do Senhor naquela conferência, então fiz isso na primeira sessão da noite. Assumi o púlpito e comecei a falar à congregação a partir do meu entendimento limitado. Não contribuiu em nada para a minha confiança o fato de as pessoas olharem para mim com cara de paisagem, sem qualquer reação. Parecia que as pessoas estavam surdas para o que eu dizia. O que aconteceu depois provou que eu estava correto, e logo saberia por quê. Na noite seguinte, após a adoração, o pastor da igreja assumiu o púlpito. Imaginei que ele faria uma apresentação de rotina, mas não foi o que aconteceu. Durante quinze minutos, ele corrigiu o que eu havia dito na noite anterior. E afirmou com confiança: “O temor do Senhor só se aplica aos tempos do Antigo Testamento, mas como cristãos nós não recebemos ‘espírito de temor’”, fazendo referência a 2 Timóteo 1:7. Fiquei sentado na fileira da frente totalmente chocado e senti que estava no meio de um pesadelo. Quanto mais ele falava, mais desconfortável eu me sentia. Ele continuou: “No Novo Testamento nos é dito que ‘No amor não há medo, pelo contrário, o perfeito amor expulsa o medo’ (1 Jo 4:18). Portanto, o que John ensinou na noite passada está errado, e quero proteger vocês contra isso”. A correção elaborada dele à minha mensagem continuou por vários minutos ainda. Para minha surpresa, ao terminar, ele me apresentou e pediu-me que subisse à plataforma para ministrar. Ainda me lembro que, enquanto subia, eu pensava comigo mesmo: Como posso ministrar a essas pessoas depois do que ele acabou de fazer? Isso não pode estar acontecendo. Mas estava acontecendo e eu tinha de me recompor, quando tudo o que eu queria fazer era fugir. Foi difícil manter os pensamentos coerentes e, mais ainda, falar uma mensagem que trouxesse vida para as pessoas que estavam na conferência. Enquanto eu falava, minha mente ficava voltando à sua correção. Eu não conseguia esquecer as palavras dele. A experiência parecia tão surreal quanto terrível. Tive de focar meus pensamentos diversas vezes enquanto falava para permanecer no rumo. Lutei contra meus sentimentos, que me diziam: Esqueça isso. Pare de falar e saia daqui. Eu estava arrasado. Depois de uma breve mensagem, entreguei o culto a ele, voltei rapidamente para o hotel e fui me deitar totalmente em choque, me sentindo um rejeitado. Na manhã seguinte, encontrei o terreno de uma construção próximo ao meu hotel; não havia trabalhadores no local. Orei ardentemente, na expectativa de ser corrigido por Deus. Com sinceridade, perguntei: “Senhor, eu feri a Tua igreja? Eu ensinei algo que não é verdade? Estou colocando o Teu povo em cativeiro?”. Continuei por algum tempo e, enquanto eu orava, o que eu estava declarando começou a mudar. Parei de duvidar da minha mensagem daquela noite e me vi pedindo apaixonadamente mais entendimento sobre o santo temor. Era uma súplica que vinha do mais profundo do meu coração, e fiquei surpreso com o que estava acontecendo. Não senti a insatisfação de Deus, mas o Seu prazer com o que eu havia feito. Ele começou a trazer à minha lembrança inúmeros versículos do Novo Testamento com relação ao temor do Senhor. Com o tempo fui deixando de me sentir confuso e passei a clamar com uma voz alta e apaixonada: “Pai, quero conhecer o temor do Senhor, quero andar nele!”. Os escritores do Novo Testamento escreveram as palavras que o pastor citou, mas eles também escreveram outras palavras: • O apóstolo Paulo escreveu: “Ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor” (Fp 2:12). • Novamente ele instrui: “Amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus” (2 Co 7:1). • O escritor de Hebreus escreveu: “Portanto, já que estamos recebendo um Reino inabalável, sejamos agradecidos e, assim, adoremos a Deus de modo aceitável, com reverência e temor” (Hb 12:28). • O apóstolo Pedro escreveu: “Uma vez que vocês chamam Pai Àquele que julga imparcialmente as obras de cada um, portem- se com temor durante a jornada terrena de vocês” (1 Pe 1:17). • O apóstolo Judas declara: “Mostrem misericórdia com temor” (Jd 23). • E Jesus nos incentiva: “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, Aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mt 10:28, ARC). Eu poderia continuar e listar mais versículos, e com certeza o farei à medida que avançarmos, mas espero que você esteja entendendo o ponto: o santo temor é uma verdade do Novo Testamento. Essas são apenas algumas das passagens que o Senhor trouxe ao meu coração enquanto eu orava. Entendi naquela manhã que o pastor havia confundido o “espírito de medo” com o “temor do Senhor”. Há uma enorme diferença, e ela está ilustrada no episódio em que Moisés leva a nação de Israel ao Monte Sinai para encontrar-se com Deus. Quando toda a nação chega, Moisés sobe para um encontro inicial em particular. O Todo-poderoso revela o propósito que estava por trás da Sua poderosa libertação: Logo Moisés subiu o monte para encontrar-se com Deus. E o Senhor o chamou do monte, dizendo: “Diga o seguinte aos descendentes de Jacó e declare aos israelitas: ‘Vocês viram o que fiz ao Egito e como os transportei sobre asas de águias e os trouxe para junto de Mim’.” — Êxodo 19:3-4 A principal razão da poderosa libertação de Deus era congregar todo o povo para Si. Ele ansiava por eles e desejava um encontro para que pudessem conhecê-Lo como Moisés O conhecia. Entretanto, três dias depois, o povo respondeu recuando rapidamente. Aterrorizados, clamaram a Moisés: “Fala tu mesmo conosco, e ouviremos. Mas que Deus não fale conosco, para que não morramos” (Êx 20:19). Na tentativa de consolá-los, seu líder responde: “Não tenham medo! Deus veio prová-los, para que o temor de Deus esteja em vocês e os livre de pecar” (Êx 20:20). À primeira vista, parece que Moisés está se contradizendo: “Não tenham medo” porque Deus veio “para que o temor de Deus esteja em vocês”. Da mesma boca estão saindo duas coisas diferentes? A resposta é não. Moisés está apenas estabelecendo a diferença entre “ter medo de Deus” e ter “o temor do Senhor”. Mais uma vez, há uma enorme diferença entre uma coisa e outra. Alguém que tem medo de Deus tem algo a esconder. Lembre-se, no jardim, quando Adão pecou, ele e Eva se esconderam da presença do Senhor. A reação deles não foi única ou exclusiva; reações comportamentais semelhantes podem ser vistas ao longoda Bíblia por parte dos que se aventuram nas trevas. Entretanto, a pessoa que teme a Deus não tem nada a esconder. Ela fica aterrorizada em pensar estar longe de Deus. Isso é ilustrado pelo fato de que enquanto as pessoas recuaram, Moisés simultaneamente se aproximou mais do Senhor. A pessoa que teme a Deus não diz dentro de si: “Até onde posso me aproximar da linha do pecado e não cair nele?”. Não, ela diz: “Quero estar tão próximo de Deus e tão longe dessa linha, que eu nem sequer possa vê-la”. Portanto, antes de definir o que é o santo temor e de falar dos seus benefícios, vamos primeiro esclarecer o que ele não é. Não é ter medo de Deus e, assim, afastar-se Dele. Como podemos desfrutar de intimidade com alguém de quem temos medo? Afastar- se é o oposto do que Ele deseja. Em Salmos lemos: “A Teu respeito diz o meu coração: ‘Busque a Minha face!’ A Tua face, Senhor, buscarei” (Sl 27:8). Você consegue ouvir o chamado à intimidade? Ele deseja que você se aproxime, interaja, riam juntos, compartilhem coisas e vivam a vida juntos. O salmista também escreveu: “O Senhor confia os Seus segredos aos que O temem, e os leva a conhecer a Sua aliança” (25:14). A firme realidade é esta: Deus quer estar próximo e ser íntimo de você. Portanto, tenha certeza de que o santo temor não apaga a intimidade; ele faz exatamente o contrário: intensifica a nossa interação com Deus. Personalizando Passagem: Moisés disse ao povo: “Não tenham medo! Deus veio prová-los, para que o temor de Deus esteja em vocês e os livre de pecar” (Êx 20:20). Ponto: O santo temor não é ter medo de Deus e, assim, afastar-se Dele. É ficar aterrorizado com a ideia de estar longe Dele. Pondere: Qual foi o principal propósito de Deus ao libertar Israel do Egito? Qual é o principal propósito de Deus em me libertar da escravidão dos cativeiros do mundo? Pare para orar: Querido Pai celestial, obrigado por me libertar do espírito de medo através do meu Senhor Jesus Cristo. Eu Te peço que despertes em mim um santo temor para que eu não peque contra Ti, pois isso me tiraria da intimidade que Tu desejas ter comigo e que eu desejo ter Contigo. Eu Te peço isso em nome de Jesus, amém. Professe: Deus me chamou para ser íntimo Dele; portanto, não tenho medo de Deus, mas desejo temê-Lo para que eu não venha a pecar. Temer a Deus é um dos primeiros e maiores deveres das Suas criaturas racionais. — CHARLES INGLIS Semana 1 — Dia 3 3 | O QUE É O SANTO TEMOR? É impossível definir o santo temor em uma única frase, parágrafo ou capítulo. Não é diferente de tentar explicar toda a amplitude do amor de Deus nesses mesmos espaços. Isso levaria capítulos e, mesmo assim, estaríamos longe de ser hábeis no nosso entendimento. Na verdade, creio que continuaremos a descobrir as profundezas tanto do santo amor quanto do santo temor por toda a eternidade. Dito isso, deixe-me oferecer um esboço geral da definição de santo temor. Pense na sua infância, quando você ganhou um livro de colorir e lápis de cor. Você abriu o livro, escolheu uma página e encontrou um contorno esperando para ser pintado. De forma semelhante, este capítulo nos dará os contornos, mas será necessário o restante do livro para preencher com as cores. Se você lesse somente este capítulo, teria uma ideia ampla do santo temor, mas perderia suas verdades transformadoras. No capítulo anterior, estabelecemos que o temor do Senhor não nos afasta da presença de Deus — muito pelo contrário. Um temor bom e maravilhoso nos aproxima Dele, e estabelecer esse fundamento sólido é vital antes de continuarmos. Alguns dizem que o temor do Senhor significa apenas adorar a Deus com reverência. Já ouvi essas palavras serem ditas por ministros famosos no púlpito, em conversas e em meio a um almoço com líderes. Embora essa definição seja um começo, ela está longe do quadro completo. Isso poderia ser comparado a meramente definir o amor de Deus como sendo “bondoso e paciente” (1 Co 13:4). Mas se pararmos por aqui, deixaremos a desejar e erraremos o alvo completamente. Quando Lisa e eu estávamos com nossos quarenta e poucos anos, o genro de um líder muito respeitado visitou a nossa casa para compartilhar uma oportunidade de investir na sua empresa. Nós nos reunimos por algumas horas, e lembro-me claramente da gentileza e paciência que ele demonstrou para conosco. Se você observasse seu comportamento, você também afirmaria que ele é um homem amoroso. Entretanto, depois de vários dias de oração, Lisa e eu não nos sentimos direcionados a investir. Agora, anos depois, fico feliz por não termos feito isso, porque ele passou muitos anos na penitenciária por chefiar um enorme esquema de pirâmide financeira. O homem era paciente e gentil? Sem dúvida alguma. Ele andava em amor? Absolutamente não. Por quê? Porque a Bíblia nos diz: “Porque nisto consiste o amor a Deus: obedecer aos Seus mandamentos” (1 Jo 5:3). Roubar é uma atitude egoísta e viola o mandamento do amor de Deus (Ef 4:28). Um molestador de crianças pode ser gentil, e até paciente, enquanto ao mesmo tempo destrói a vida de uma criança. Ele ama aquela criança? É claro que não! Da mesma maneira, limitar o santo temor apenas a uma adoração reverente pode fazer com que erremos o alvo e sejamos enganados. Então vamos desenhar o contorno, e mais tarde — nos capítulos subsequentes — acrescentaremos as cores com os ensinamentos, exemplos da Palavra de Deus e histórias. Antes de começarmos, quero adverti-lo de que ao definir o santo temor você ouvirá palavras que podem ser assustadoras, mas eu lhe garanto que se trata do contrário. Permaneça com a mensagem até o fim e você descobrirá que o santo temor é um presente de amor e proteção do nosso Criador, que se importa profundamente conosco e anseia por nós. Há muitas passagens no Novo Testamento com as quais podemos começar, mas creio que esta dá o tom da nossa abordagem: Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor! — Hebreus 12:28-29 (ARA) Se você olhar atentamente, observará que existem dois termos que são mencionados: reverência e santo temor. Isso mostra imediatamente que o santo temor não pode ser limitado apenas à reverência; do contrário, o escritor estaria apenas se repetindo ao mencionar o segundo termo. Estas não são apenas palavras diferentes em português, como também duas palavras diferentes no grego: aidós e eulábeia. Reverência é uma tradução excelente da primeira palavra grega. O Complete Word Study Dictionary define reverência como “profundo respeito em adoração e assombro”. 1 Amo estas quatro palavras juntas; parar para refletir sobre cada uma leva a nossa compreensão a outro nível! O segundo termo, santo temor, carrega o significado de assombro. Para a definição de assombro, consultei a edição original de 1828 do dicionário Noah Webster’s. Eis o que encontrei: “temor, pavor inspirado por algo grande e terrível; impactar com temor e reverência. Influenciar por medo, terror ou respeito”.2 Não fique alarmado com as palavras pavor e terror. Embora o dicionário grego também use essas palavras, lembre-se de que o santo temor possui um efeito que atrai, e não que repele. De modo que devemos perguntar: existe um aspecto positivo e saudável nessas palavras? Creio que a Palavra de Deus mostra que sim, e veremos isso ao acrescentarmos mais entendimentos posteriormente. Vamos começar listando as nossas definições. Temer a Deus é reverenciar e estar totalmente maravilhado diante do Seu esplendor. Temer a Deus é santificá-Lo. Santificar é definido como “respeitar grandemente”. Temer a Deus é estimar, respeitar, honrar, venerar e adorar a Ele acima de tudo e de todos. Quando tememos a Deus, tomamos para nós o Seu coração. Amamos o que Ele ama e odiamos o que Ele odeia. (Observe que não é “desgostar” do que Ele odeia; mas é “odiar” o que Ele odeia). O que é importante para Ele se torna importante para nós. O que não é tão importante para Ele passa a não sertão importante para nós. Temer a Deus é odiar o pecado. Temer a Deus é odiar a injustiça. Temer a Deus é afastar-se do mal em todos os sentidos — em pensamentos, palavras e atos. É abster-se de falar enganosamente. É não dizer ou vestir uma aparência que não condiz com o coração e os pensamentos Dele. É manter o nosso comportamento exterior coerente com nossos pensamentos, motivos e crenças interiores. Temer a Deus é andar em autêntica humildade diante de Deus e da humanidade. Temer a Deus é dar a Ele o louvor, a adoração, as ações de graças e a adoração que Ele merece. Temer a Deus é dar a Ele tudo o que Lhe pertence. Temer a Deus é tremer diante Dele maravilhado diante do Seu esplendor. É dar plena atenção à Sua Palavra e à Sua presença. Temer a Deus é obedecer-Lhe. Não é apenas um desejo, mas uma força interior determinada a fazer a Sua vontade, custe o que custar. Nós obedecemos ansiosa, voluntaria e imediatamente — ainda que não vejamos qualquer benefício ou que não faça sentido — e fazemos essa vontade até o fim. Temer a Deus é abster-se de qualquer forma de reclamação, murmuração ou queixa. Temer a Deus é respeitar, honrar e submeter-se à Sua autoridade direta e delegada. Também é obedecer à autoridade delegada, exceto se essa autoridade nos dizer para pecarmos. O temor do Senhor molda as nossas intenções, pensamentos, palavras e atos. Agora vamos listar parcialmente os benefícios do santo temor. Eis algumas das muitas promessas bíblicas feitas aos que andam nele. O temor do Senhor é o ponto de partida para um relacionamento íntimo com Deus. Nós nos tornamos Seus amigos, e os Seus segredos tornam-se conhecidos a nós. O temor do Senhor é como amadurecemos na nossa salvação e somos conformados à imagem de Jesus. O temor do Senhor é puro; ele produz verdadeira santidade em nossa vida. Permanecer no temor do Senhor é garantir um legado eterno. O temor do Senhor produz confiança, coragem e segurança. Ele absorve todos os outros medos, inclusive o temor do homem. O temor do Senhor nos dá identidade, nos torna produtivos e nos reveste de poder para multiplicarmos. O temor do Senhor nos proporciona ajuda por meio de anjos, desejos realizados, sucesso duradouro, nobreza, influência, longevidade, dias produtivos, prazer na vida, felicidade, prazer no trabalho, cura para o nosso corpo, e muito mais. O temor do Senhor dura para sempre — ele nunca esmorece. O temor do Senhor é um presente valioso do nosso Pai celestial. Personalizando Passagem: “Portanto, já que estamos recebendo um Reino inabalável, sejamos agradecidos e, assim, adoremos a Deus de modo aceitável, com reverência e temor, pois o nosso ‘Deus é fogo consumidor!’” (Hb 12:28-29). Ponto: O temor do Senhor é amar o que Deus ama e odiar o que Deus odeia. O que é importante para Ele se torna importante para nós. O que não é tão importante para Ele passa a não ser tão importante para nós. Pondere: Como é, na prática, eu estimar, respeitar, honrar, venerar e adorar a Deus acima de tudo e de todos? Pare para orar: Querido Pai celestial, ensiname a temer o Teu nome, a Tua Palavra, a Tua presença e tudo o que Tu és. Que eu ame e tenha prazer no santo temor. Espírito Santo, à medida que prossigo nesta jornada, ensine e transmita os caminhos de Deus a mim; que o que eu ler não sejam apenas informações, mas que as palavras transformem a minha vida na imagem do meu Senhor Jesus Cristo. Eu Te peço isto em nome de Jesus, amém. Professe: Que as minhas palavras e as meditações do meu coração sejam agradáveis aos olhos de Deus. Todo o Seu caráter ordena a nossa reverência, porque Ele é insuperavelmente santo e o Seu nome é para nós uma palavra de reverência e admiração que nunca deve ser mencionada de forma desrespeitosa, nem jamais deve ser citada sem uma reflexão intensa e sem um coração prostrado diante Dele. — C. H. SPURGEON Semana 1 — Dia 4 4 | A PRESENÇA PALPÁVEL DE DEUS Como foi mencionado antes, o temor a Deus parece contraditório. Ao ouvir a palavra temor, nossa mente associa isso a uma condição desfavorável ou até nociva. Mas eu lhe garanto, o temor a Deus é na verdade o maior poder capaz de prover confiança, consolo e proteção disponível a qualquer ser no universo. Descobriremos essa verdade à medida que prosseguirmos na jornada. Mas, primeiro, o santo temor pode ser dividido em duas categorias principais: 1. Tremer diante da presença de Deus, e 2. Tremer diante da Sua Palavra. Abordaremos ambas, mas vamos começar enfatizando a primeira. O salmista declara: “Deus deve ser grandemente temido na assembleia dos santos, e reverenciado por todos aqueles à Sua volta” (Sl 89:7, NKJV). Observe que a palavra não diz apenas “temido”, mas “grandemente temido”. Eis uma verdade inabalável: você nunca encontrará a presença maravilhosa de Deus em uma atmosfera onde Ele não seja reverenciado e grandemente temido em Seu esplendor. Isso se tornou realidade para mim em janeiro de 1997. Fui convidado para falar em uma conferência nacional na capital do Brasil. Eu estava exultante em viajar para essa grande nação pela primeira vez. Como o avião aterrissou em Brasília de manhã cedo, tive o dia para orar, me preparar e descansar em meu quarto. Naquela noite, quando dirigimos em direção à arena onde seria realizada a conferência, não pude evitar observar inúmeros veículos estacionados em fila nas ruas antes mesmo de chegarmos. Como era de se esperar, o estacionamento estava lotado, indicando que a conferência teria uma frequência muito boa. Fui escoltado até a arena, e depois de me encontrar com alguns líderes, subi diretamente para a plataforma. Eu estava extasiado com a expectativa de adorar a Deus junto a milhares de crentes famintos. No entanto, minha empolgação não durou muito, pois logo percebi que a presença de Deus não estava na atmosfera. Fiquei desnorteado; era uma conferência de crentes e o grupo que ministrou a adoração estava entre os melhores do país, então por que a ausência da Sua presença? Antes de continuar, deixe-me esclarecer algumas coisas sobre a presença de Deus. A Palavra de Deus identifica dois tipos. O primeiro é a Sua onipresença. Davi testifica: “Para onde poderia eu escapar do Teu Espírito? Para onde poderia fugir da Tua presença? Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura, também lá estás... verei que nem as trevas são escuras para Ti” (Sl 139:7,8,12). Essa é a presença de Deus que promete “Nunca o deixarei, nunca o abandonarei” (Hb 13:5). O segundo é identificado pela afirmação de Jesus: “Eu também o amarei e Me revelarei a ele” (Jo 14:21). A palavra revelar vem do termo grego emphanízõ e significa “tornar aparente... permitir-se ser intimamente conhecido e compreendido”. Isso ocorre quando Deus se revela à nossa mente e sentidos. Jesus afirma: “Pois onde se reunirem dois ou três em Meu nome, ali Eu estou no meio deles” (Mt 18:20). Ele obviamente não está se referindo à presença de Deus em todos os lugares, pois por que Jesus precisaria fazer essa afirmação? Na verdade, Ele fala da Sua presença manifesta. E essa presença não estava na arena naquela noite. Totalmente ciente disso, fechei os olhos e perguntei ao Espírito Santo: Onde está a Tua presença? Abri os olhos e, em instantes, percebi algo que eu havia deixado passar, mas que agora estava óbvio. A maioria das pessoas não estava envolvida na adoração. Alguns, com as mãos nos bolsos ou de braços cruzados, olhavam ao redor indiferentes ou parecendo entediados. As mulheres vasculhavam suas bolsas; muitas pessoas andavam desordenadamente pelo auditório ou saíam para comprar lanches nos estandes de vendas. Inúmeros auxiliares estavam rindo e conversando. O comportamento deles não era diferente de uma multidão que espera o início de um show. Pensei comigo mesmo: Com certeza isso vai parar, e as pessoas vão se envolver com a adoração. Mas isso não aconteceu. Para minha surpresa, quando os cânticos de adoração terminaram e um dos líderes do movimento subiu para ler a Palavra de Deus, nada mudou, a não ser queagora, com a ausência da música, eu podia ouvir o murmúrio baixo das pessoas conversando. Comecei a ficar irado enquanto eu observava, incrédulo, o que estava testemunhando. Então ouvi o Espírito de Deus sussurrar ao meu coração: Quero que você confronte isto diretamente. Depois de ter sido apresentado, subi ao púlpito juntamente com meu tradutor. Decidi não dizer nada, mas apenas olhar para as pessoas. Concluí que a única maneira possível de chamar a atenção de todos era cessando toda a atividade na plataforma. Funcionou, pois aquele um minuto inteiro de silêncio chamou a atenção de todos. O movimento das pessoas cessou, as cabeças se viraram para a plataforma, e a atmosfera ficou em silêncio. A essa altura, eu sabia que todos os olhares na arena estavam voltados para mim. Não abri a mensagem com “É ótimo estar no Brasil” ou “Obrigado por me convidarem”. Nem me apresentei. Em vez disso, fiz esta pergunta de forma grave: “Vocês gostariam se, enquanto estão falando com alguém do outro lado da mesa, essa pessoa os ignorasse, olhasse para o teto como se estivesse desinteressada ou começasse a conversar com a pessoa ao lado?”. Depois de um momento de silêncio, respondi à minha própria pergunta: “Vocês não gostariam disso, não é?”. Fui ainda mais fundo: “E se todas as vezes que vocês batessem à porta do vizinho fossem cumprimentados com um olhar desinteressado, juntamente com uma voz monótona, que dissesse ‘Ah, é você…’, vocês continuariam indo à casa dele?”. Novamente, depois de uma pausa, respondi: “De jeito nenhum!”. Então falei: “Vocês acham que o Rei do universo vai manifestar a Sua presença ou falar em um lugar onde Ele não está sendo honrado e reverenciado?”. Dessa vez respondi à pergunta com firmeza: “Nunca!”. Continuei: “Se o presidente da sua nação estivesse nesta plataforma, ele teria sido alvo de toda a sua atenção e respeito. Ou se um dos seus jogadores de futebol favoritos estivesse aqui, a maioria de vocês estaria sentada na beirada da cadeira de tanta empolgação, na expectativa de cada palavra. Mas enquanto a Palavra de Deus estava sendo lida, apenas um instante atrás, vocês não prestaram atenção nela; ela foi um ruído de fundo para vocês”. Então falei às pessoas presentes durante os noventa minutos seguintes sobre o temor do Senhor. Podia-se ouvir um alfinete cair. Eles pareciam estar um pouco perplexos com o confronto; não obstante, ouviam atentamente. Quando terminei minha exposição, fiz o convite: “Se você é um crente, mas lhe falta o santo temor, e você está disposto a se arrepender, levante-se!”. Sem hesitar, 75 por cento das pessoas se colocaram de pé. Dali a alguns minutos, antes de orar com eles, a presença manifesta de Deus encheu o lugar. As pessoas começaram a soluçar e a chorar enquanto a presença maravilhosa de Deus tocava suas vidas. O santo temor não os afastou de Deus; ele os aproximou. O que aconteceu em seguida foi uma das experiências mais incríveis que já tive em quarenta anos de ministério. Mas antes de chegarmos nessa história, vamos encerrar com estas palavras: Então eu o ouvi falando, e, ao ouvi-lo, caí prostrado, rosto em terra, e perdi os sentidos. Em seguida, a mão de alguém tocou em mim e me pôs sobre as minhas mãos e os meus joelhos vacilantes. E ele disse: “Daniel, você é muito amado. Preste bem atenção ao que vou lhe falar; levante-se, pois eu fui enviado a você”. Quando ele me disse isso, pus-me de pé, tremendo. — Daniel 10:9-11 Daniel era muito precioso para Deus, mas ele ficou abalado e caiu ao chão. Até enquanto estava sendo ajudado a ficar de joelhos e depois de pé, ele tremia o tempo todo. Se isso acontece na presença de um mensageiro — um anjo — o que acontece quando o próprio Deus chega? Personalizando Passagem: “Na assembleia dos santos Deus é temível, mais do que todos os que O rodeiam” (Sl 89:7). Ponto: Só encontraremos a presença manifesta de Deus em uma atmosfera onde Ele recebe o máximo respeito. Pondere: O que significa tremer diante da presença de Deus? Como isso é vivido na prática quando estou só? Quando estou com amigos? Quando estou em lugares públicos? Quando estou em um culto da igreja? Pare para orar: Querido Pai celestial, peço o Teu perdão pelas vezes em que entrei em uma atmosfera de adoração com uma atitude irreverente e casual. Eu me arrependo por considerar a Tua presença coisa banal, por subestimá-la. Que o sangue de Jesus me purifique. Eu me humilho diante de Ti e Te peço graça para mudar. Quero estar consciente da Tua presença e respeitá-la onde quer que eu esteja ou independentemente do que eu esteja fazendo. Quero viver em temor reverente diante do Teu esplendor em todo o tempo. Eu Te peço isso em nome de Jesus, amém. Professe: Sempre darei toda a atenção à Palavra de Deus e honrarei a Sua presença em tudo o que digo e faço. Antes de orar, esforce-se por perceber Quem é Aquele em cuja Presença você está, e com Quem você está prestes a falar, tendo em mente a Quem você está se dirigindo. — TERESA DE ÁVILA Semana 1 — Dia 5 5 | UMA NOITE INESQUECÍVEL O evangelho de Marcos testifica do Senhor operando com os discípulos, “confirmando-lhes a palavra com os sinais que a acompanhavam” (Mc 16:20). Essa parceria teve início quando Jesus subiu ao céu, e em nenhum lugar no Novo Testamento nos é dito que ela cessaria antes da Sua volta. Portanto, vamos voltar àquela noite no Brasil. Quando foi feito o apelo para o povo se arrepender da sua irreverência, 75 por cento das pessoas se colocaram de pé. Curvei a minha cabeça e orei em voz alta: “Senhor Deus, confirma a Tua Palavra que foi proclamada esta noite”. Dentro de instantes, ouvi soluços entre o povo. Durante os minutos que se seguiram, uma onda da presença de Deus encheu a atmosfera, trazendo refrigério e purificando os corações dos que estavam na audiência. Mesmo depois que essa presença cessou, uma paz maravilhosa permaneceu no ambiente. As pessoas não haviam pedido perdão verbalmente ou orado, no entanto, foi por causa da mudança em seus corações que a presença de Deus se manifestou. Refletindo sobre isso mais tarde, percebi que o pai do filho pródigo não esperou que seu filho pedisse perdão para correr até ele. Na verdade, foi apenas a mudança no coração do filho, unida à ação correspondente de voltar para casa, que atraiu o abraço e o beijo entusiasmado de seu pai. Parecia que a mesma coisa estava acontecendo naquela arena. Estávamos vivendo um momento especial; havia uma atitude de silêncio reverente e de quebrantamento de coração. Pareceu-me bem conduzir aquelas pessoas a uma oração de arrependimento, e não foi necessário muito discernimento para reconhecer que as palavras delas eram sinceras e profundas. Momentos depois de orar, outra onda da presença manifesta de Deus inundou o lugar. Mais uma vez, pude ouvir soluços e choro entre o povo, só que mais intensos. Foi realmente lindo, então a presença se intensificou novamente depois de alguns minutos. Eu estava grato pelo refrigério que todos nós sentimos com aquelas duas manifestações da presença pacífica e maravilhosa de Deus. Todos nós permanecemos em expectativa enquanto uma tranquilidade divina permeava a atmosfera. Naquela quietude, ouvi o Espírito de Deus sussurrar ao meu coração: Vou me manifestar mais uma vez. Transmiti em voz alta o que eu tinha ouvido; entretanto, nenhum de nós estava ciente do que aconteceria em seguida — uma presença diferente estava prestes a nos encontrar. É difícil compartilhar o que aconteceu, pois as palavras não podem fazer justiça ao ocorrido. O que vou relatar agora parecerá absurdo, até irreal, porém mais de vinte anos depois, inúmeras pessoas confirmaram o que se passou ali. Imagine estar em uma floresta quando surge um forte vendaval. Você ouve o sopro alto do vento através das árvores acima de você. Essa descrição é semelhante ao som do vento que soprou pela arena. Não podíamos senti-lo, mas podíamos ouvi-lo. Quase que simultaneamente, os que estavam na audiência irromperam em orações e clamores ardentes. Suas vozes trovejaram, maso som do vento sufocava o ruído de suas vozes. Eu estava perplexo, maravilhado e quase aterrorizado com a Sua presença. Eu não conseguia me mover, não conseguia falar, e arrepios percorriam todo o meu corpo. Havia uma autoridade na atmosfera — nada parecido com o que eu vira até então. Pensei: Esta não é a presença do Abba Pai; é o nosso santo, tremendo e poderoso Rei! 1 O rugido do vento durou por volta de noventa segundos. À medida que ele cedia gradualmente, deixava no seu rastro pessoas chorando, algumas desmaiadas, outras caídas sobre as costas do assento à sua frente — mas todos nós estávamos tremendo diante do Seu esplendor. Esse rastro solene continuou por cerca de dez minutos. Eu não conseguia dizer nada; todos nós permanecemos parados e em silêncio. Então entreguei a direção do culto para o líder e fui escoltado silenciosamente até o carro. A solista que cantou naquela noite entrou em nosso carro, juntamente com seu marido, alguns minutos depois de mim. Imediatamente, ela exclamou: — Vocês ouviram o vento? Eu não queria reconhecer isso diretamente. Eu queria que outra pessoa além de mim confirmasse o que realmente havia acontecido. Então respondi: — Talvez tenha sido um avião voando baixo sobre o prédio. (Aquela arena tinha um vão entre a parede superior e o teto para atuar como ventilação, de modo que podíamos ouvir os sons que vinham de fora com muito maior facilidade do que em uma estrutura fechada). Ela sentou-se no banco da frente, virou-se com um olhar de quem estava em choque e retrucou apaixonadamente: — Não, era o Espírito de Deus! Seu marido, que era um homem mais calado, interrompeu: — Senhor, não era nenhum avião a jato. — Como você sabe? — perguntei. — Havia o pessoal da segurança e os policiais do lado de fora da arena, e muitos deles não eram crentes. Quando ouviram o som do vento, entraram correndo e perguntaram à nossa equipe o que era aquele som de vento forte vindo de dentro do prédio. Além do mais, eu estava na mesa de som principal [ele estava ali para garantir que os níveis de som estivessem corretos no momento de sua esposa cantar]. Nada daquilo passou pelo sistema de som; os medidores de decibéis não registraram nada durante todo o tempo em que o vento estava soprando — ele respondeu. Com lágrimas descendo pelo rosto, sua esposa continuou: — Eu vi ondas de fogo caindo no prédio e pude sentir anjos por toda a parte! Pedi para ser levado direto para o meu hotel. Ficamos em silêncio durante o trajeto até lá. Mais tarde, naquela noite, sentei-me na varanda do meu quarto por horas; tudo o que eu podia fazer era adorar a Deus. Eu estava abalado com o que havia ocorrido naquela noite. Na manhã seguinte, quando entramos na arena, a atmosfera estava completamente diferente. A presença manifesta de Deus que havia nos impactado durante o culto da noite anterior ainda podia ser percebida. O temor de Deus havia sido restaurado no coração das pessoas, e elas estavam experimentando a Sua presença e as Suas bênçãos de uma forma maravilhosa. Como já disse, desde aquele episódio várias pessoas têm confirmado o que aconteceu naquela noite e compartilharam o impacto sobre suas vidas através de e-mails, cartas e também pessoalmente. Em 2016, viajei ao Brasil para falar a doze mil líderes em Goiânia. As primeiras palavras do pastor anfitrião para mim, quando apertamos as mãos, foram: “Eu estava na reunião em Brasília há vinte anos quando o vento soprou. Minha vida nunca mais foi a mesma desde então”. Ele é o líder de uma rede de igrejas que cresceu para mais de trezentas mil pessoas em apenas dezesseis anos. Quando minha esposa esteve no Brasil em 2019 para ministrar em uma conferência, uma das líderes de outro movimento contou que estava no culto onde o vento soprou em 1997. Ela também relatou que sua vida havia sido transformada para sempre. Estar na presença de Deus é crucial para a saúde espiritual de todo crente. Costumava ser muito difícil para mim entrar na presença de Deus durante os meus períodos de oração. Mas um dia comecei a fazer uma coisa, praticamente por acaso. Decidi não iniciar o meu tempo de oração cantando ou pronunciando qualquer palavra. Eu apenas refletia sobre a santidade e a grandeza do nosso Deus. Quase que imediatamente, eu me deparava com a Sua presença. Decidi fazer o mesmo no dia seguinte e tive o mesmo resultado. E no terceiro dia aconteceu novamente. Eu estava perplexo. Perguntei: “Senhor, por que está sendo tão fácil para mim nos últimos três dias entrar na Tua presença?”. Ouvi o Espírito de Deus dizer: Como Jesus ensinou os Seus discípulos a orar? Comecei a citar a Oração do Pai Nosso: “Pai Nosso que estás no céu, santificado seja o Teu nome...”. Gritei: “É isso! Jesus ensinou Seus discípulos a entrarem na presença de Deus com santo temor e reverência!”. Agora fazia todo o sentido para mim. Davi confirma essa verdade, ao dizer: “Eu, porém, pelo Teu grande amor, entrarei em Tua casa; com temor me inclinarei para o Teu santo templo” (Sl 5:7). Deus é o nosso Pai, Jesus é o nosso Senhor e Salvador, e o Espírito de Deus nos ama profundamente. Mas lembre-se também que no Novo Testamento Deus é chamado de “fogo consumidor” (Hb 12:29). Jesus fez com que João, o apóstolo amado, o que era mais chegado a Ele, caísse sobre seu rosto como um homem morto (Ap 1:17), e o Espírito Santo é Aquele que manifesta o poder de Deus para chamar a atenção de uma cidade inteira (At 2), abalar prédios (At 4) e fazer muitos atos tremendos. Eis a verdade essencial: onde o Senhor é reverenciado, a Sua presença se manifesta. Personalizando Passagem: “E foi com fraqueza, temor e com muito tremor que estive entre vocês. Minha mensagem e minha pregação não consistiram de palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do Espírito, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus” (1 Co 2:3-5). Ponto: O temor do Senhor transforma atmosferas. Ele cultiva um ambiente para o poder do Espírito Santo transformar nossa vida e as vidas de outros. Pondere: Eu tenho tido a expectativa e tenho acreditado que a presença e o poder de Deus se manifestarão? Como a minha vida de oração se transformará se eu me aproximar Dele com um santo temor? Como posso fazer essa mudança? Pare para orar: Querido Pai celestial, se tenho restringido a manifestação da Tua presença devido às experiências passadas ou se tenho sido influenciado pelas limitações dos outros quanto ao que Tu podes fazer, perdoa-me. Entrarei na Tua presença com um santo temor e não colocarei qualquer restrição sobre Ti. Por favor, supere o que eu possa pedir, pensar ou esperar ao revelar o Teu poder. Faça isso para glorificar o meu Senhor Jesus e ministrar às pessoas na minha esfera de influência. Isso Te peço em nome de Jesus, amém. Professe: Tudo é possível se eu apenas crer e me aproximar de Deus com santo temor. Quando O virmos face a face em toda a Sua magnífica santidade e glória flamejante, nos parecerá incrível algum dia termos tido um pensamento casual em relação a Ele. — JOY DAWSON Semana 1 — Dia 6 6 | CONTEMPLANDO-O Nosso santo temor aumenta proporcionalmente à nossa compreensão da grandeza de Deus. Mas eis a realidade: “Sua grandeza não tem limites” (Sl 145:3) porque a Sua glória está além da compreensão. A Sua glória é insondável, não tem limites, nem limitações e é incomparável. Mesmo assim, deveríamos procurar aumentar a nossa compreensão. No ano da morte do rei de Judá, Uzias, aproximadamente em 742 a.C., o profeta Isaías foi transportado até o céu. Ele viu o Senhor sentado sobre o Seu trono, grandemente exaltado em toda a Sua glória. Sua magnificência enchia aquele enorme espaço, uma estrutura que muito provavelmente poderia conter mais de um bilhão de seres. Isaías não apenas ficou extasiado e abalado com o Criador, como ficou encantado com os poderosos anjos, chamados serafins, que pairavam sobre o trono de Deus. Dos lábios desses seres que inspiravam temor, Isaías ouviu: “Santo, santo, santo é o Senhordos Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória”. — Isaías 6:3 Muitos de nós estão familiarizados com o clássico hino “Santo, Santo, Santo”, que contém essas mesmas palavras e que foi escrito nos anos 1800 por John Bacchus Dykes. Ele tem sido um dos principais louvores na Igreja por mais de cem anos e consequentemente foi marcado como uma melodia suave de adoração. Entretanto, isso estava longe do que Isaías testemunhou. Esses seres imensos não estão cantando um cântico adorável para fazer com que Deus se sinta bem consigo mesmo; eles estão reagindo ao que estão vendo! Aspectos inteiramente novos da Sua insondável grandeza são revelados continuamente, e tudo o que eles podem fazer é clamar em voz alta: “Santo, santo, santo...”. Os serafins não repetem “santo” três vezes. Quando um escritor hebreu, como Isaías, procurava enfatizar uma palavra, ela era escrita duas vezes. Vemos isso na afirmação de Jesus: “Nem todo aquele que Me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos céus” (Mt 7:21). Se você fosse Mateus, sentado e ouvindo Jesus, teria observado um aumento significativo da Sua voz quando Ele disse a palavra Senhor. Para capturar a ênfase Dele, Mateus escreveu-a duas vezes. É muito raro um escritor hebreu elevar a palavra ao terceiro grau de ênfase. Na verdade, isso só acontece duas vezes na Palavra de Deus, dando à palavra ou à afirmação o grau mais elevado de ênfase. Basicamente, essas vozes dos anjos trovejavam em tal grau que abalavam os umbrais das portas daquele imenso lugar. Quando nossa família se mudou para a Flórida, descobrimos que não havia porão na casa porque o nível de água era elevado demais ali. O construtor da nossa casa me informou: “Se um tornado ameaçar a sua região, fiquem debaixo dos umbrais das portas de um cômodo no interior da residência porque essa é a parte mais estável da estrutura”. É desconcertante pensar que Isaías tenha identificado especificamente os umbrais das portas tremendo naquela imensa arena celestial. Sendo assim, é provável que toda a estrutura estivesse sendo abalada com os clamores poderosos desses anjos! Qual foi a reação de Isaías ao contemplar a glória do Senhor? Não foi: “Uau, veja só isso!”. Na verdade, ele declarou: “Está tudo acabado! Estou condenado, pois sou um homem pecador. Tenho lábios impuros!” (Is 6:5). Vamos considerar o fato de que Isaías é um homem piedoso — um profeta — alguém que clama no capítulo anterior de seu livro: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo. Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos e inteligentes em sua própria opinião. Ai dos que são campeões em beber vinho e mestres em misturar bebidas” (Is 5:20-22). Mas agora, um capítulo depois, ele tem um vislumbre da grandeza de Deus, e o seu clamor não é mais “ai dos pecadores”, mas sim “Ai de mim! Estou perdido!” (Is 6:5). Ele pensou que O conhecesse, mas agora está muito mais consciente de quem é o Deus Todo-poderoso. Ele também está bem consciente de quem ele é diante desse Deus santo. O que resultou desse encontro? O seu santo temor aumentou em muitos níveis! Vemos reações semelhantes ao longo da Bíblia naqueles que contemplam o Senhor na Sua glória. E quanto a Jó? O Todo- poderoso diz sobre ele: “Reparou em meu servo Jó?” (Jó 1:8). Você pode imaginar Deus dizendo isso sobre eu ou você? Estaríamos saltando de alegria! Mas esse homem encontra a glória de Deus e clama: “Meus ouvidos já tinham ouvido a Teu respeito, mas agora os meus olhos Te viram. Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42:5,6). E quanto a Ezequiel? Ele viu o Senhor e escreveu: “Essa era a aparência da figura da glória do Senhor. Quando a vi, prostrei-me com o rosto em terra” (Ez 1:28). E quanto a Abraão? Lemos que quando ele viu Deus, “Abrão prostrou-se com o rosto em terra” (Gn 17:3). Quando Deus se manifestou gloriosamente no Sinai, “O espetáculo era tão terrível que até Moisés disse: ‘Estou apavorado e trêmulo!’” (Hb 12:21). O apóstolo João, aquele a quem Jesus amava, escreve sobre o seu encontro com o nosso Jesus glorificado: “Quando O vi, caí aos Seus pés como morto” (Ap ١:١٧). E essa lista não termina aqui. Existem muitos outros incidentes similares registrados na Bíblia. Mais recentemente na história da Igreja, por volta de 1266 a 1273, Tomás de Aquino estava escrevendo a Summa Theologica, que ele considerava a sua obra mais importante. Mas um dia ele teve um encontro tão poderoso com Deus que isso mudou a sua perspectiva para sempre — e ele parou totalmente de escrever. Seu amigo Reginald incentivou-o a seguir em frente, mas Aquino respondeu: “O meu trabalho chegou ao fim. Tudo o que escrevi parece ser palha depois do que me foi revelado”.1 A certa altura da história de Israel, Deus procura aprimorar o santo temor do Seu povo fazendo algumas perguntas pontuais. Isaías, que contemplou a glória do Senhor, pergunta: “Quem definiu limites para o Espírito do Senhor, ou O instruiu como seu conselheiro? A quem o Senhor consultou que pudesse esclarecê- Lo, e que Lhe ensinasse a julgar com justiça? Quem Lhe ensinou o conhecimento ou Lhe aponta o caminho da sabedoria?... A quem vocês compararão Deus? Como poderão representá-Lo?” (Is 40:13,14,18). Então Deus pergunta diretamente: “Com quem vocês Me compararão? Quem se assemelha a Mim?” (Is 40:25). Se já houve um tempo na história no qual se deveria refletir profundamente sobre essas perguntas e não apenas passar os olhos por elas, esse tempo é agora. Neste dia e hora, muitos de nós estamos tão preocupados com o ataque das informações que enchem continuamente nossa mente que não temos espaço ou tempo para meditar nessas perguntas cruciais. Nosso desenvolvimento do santo temor foi impedido e, consequentemente, muitos crentes estão vulneráveis e são facilmente arrastados para o sistema do mundo de desejo e ganho, e para o orgulho das realizações humanas. De forma semelhante, somos continuamente bombardeados pelos elogios aos atletas talentosos, aos belos astros de Hollywood, aos músicos habilidosos, aos gurus dos negócios, aos líderes carismáticos e a outros indivíduos importantes. A fama deles é enaltecida na televisão, nas mídias sociais, na grande mídia e em muitas outras plataformas públicas. A trágica realidade é que esses fragmentos de informação inofensivos e essas realizações humanas nos distraem ou até nos afastam do magnífico convite para nos aproximarmos e O contemplarmos.1 Se apenas fizéssemos uma pausa, voltando-nos para dentro e contemplando a Sua magnificência, seríamos enriquecidos, fortalecidos e estaríamos em paz. Temos esta promessa: Pois Deus, que disse: “Das trevas resplandeça a luz”, Ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. — 2 Coríntios 4:6 Na quietude de nossa alma, em união com o Espírito Santo, podemos contemplar Jesus enquanto meditamos na Sua Palavra. Contemplar a Sua face ilumina a glória de Deus em nossos corações e consequentemente faz com que o nível do nosso santo temor aumente. Nós nos tornamos como Isaías e os outros grandes listados aqui — que O encontraram, andaram com Ele, Lhe agradaram, receberam promessas de aliança e terminaram bem. E o melhor de tudo, ao contemplá-Lo nos é prometido que, “segundo a Sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior” (2 Co 3:18). Você almeja ser moldado à imagem de quem — das celebridades dos nossos dias ou Daquele que criou o universo? Escolha com sabedoria e tome cuidado com o que você ouve e com o lugar onde coloca a sua atenção. Personalizando Passagem: “Adorem ao Senhor no esplendor da Sua santidade; tremam diante Dele todos os habitantes da terra” (Sl 96:9). Ponto: Nosso temor a Deus aumenta proporcionalmente à compreensão de Sua grandeza. Pondere: O que aconteceria se eu tirasse três segmentos de dez minutos três vezes ao dia, isolasse todas as influências externas e refletissesobre a grandeza de Deus? Vale a pena investir esse tempo? Eu poderia ser mais eficaz na minha vida diária aumentando o meu santo temor, o que finalmente me tornará mais sábio? Pare para orar: Querido Pai celestial, peço que Tu me concedas uma visão fresca de Jesus. A Tua Palavra promete que ao contemplá-Lo em meu coração, serei transformado à Sua imagem, de um nível de glória para outro. Que o meu santo temor aumente à medida que a Sua glória se torna mais real. Peço isto em nome de Jesus, amém. Professe: Estou sendo transformado na imagem de Jesus de glória em glória. Os homens reverenciam uns aos outros, mas não a Deus. — HENRY DAVID THOREAU Semana 1 — Dia 7 7 | A GLÓRIA DE DEUS Você não pode ter uma conversa sobre o santo temor sem focar na glória de Deus. Tocamos nesse ponto no capítulo anterior, mas agora vamos levar o assunto mais adiante. A carne mortal não pode ficar de pé na presença da glória de Deus. O profeta Habacuque declara que “Seu esplendor era como a luz do sol; raios lampejavam de Sua mão, onde se escondia o Seu poder” (3:4). Paulo escreveu que Jesus habita em “luz inacessível, a quem ninguém viu nem pode ver” (1 Tm 6:16). Nessa mesma perspectiva, o escritor de Hebreus nos diz que Deus é fogo consumidor (12:29). Ao ouvir essas afirmações, não pense em um fogo que queima a madeira, que consome, mas que continua acessível. Em vez disso, vamos considerar um fogo mais ardente, consumidor — que tal o sol que ilumina o nosso mundo? Ele é consumidor e inacessível, mas até mesmo esse exemplo deixa a desejar, porque também nos é dito “Deus é luz; nele não há treva alguma” (1 Jo 1:5). O sol, por mais brilhante que seja, tem manchas escuras. Na verdade, Paulo escreveu: “Por volta do meio-dia, ó rei, estando eu a caminho, vi uma luz do céu, mais resplandecente que o sol, brilhando ao meu redor” (At 26:13). Paulo não vê o rosto real de Jesus; ele só vê a luz que emana Dele, e ela ofusca a luz ardente do sol do Oriente Médio! Não é o sol da manhã ou o sol do fim da tarde, mas o sol do meio-dia. Viajei intensamente para inúmeros lugares em toda a terra. Às vezes, eu me esqueço de levar meus óculos escuros. Na maioria dos lugares, posso passar sem eles; no entanto, não no Oriente Médio. Na minha primeira visita ali, descobri a necessidade de óculos escuros; sem eles eu tinha de ficar apertando os olhos devido aos efeitos do sol. Ele é muito mais brilhante ali por três razões: o clima seco do deserto, a cor leve e a natureza refletora da terra, e por ficar próximo ao Equador. Embora não fosse muito intenso no começo ou no fim do dia, o sol ao meio-dia parecia nos cegar se não estivéssemos usando lentes protetoras. Agora vamos refletir sobre o que acabamos de ler. Paulo afirma que a luz que emana de Jesus é mais brilhante que o sol do Oriente Médio ao meio-dia! A Sua glória excede muitas vezes o resplendor do sol. Isso explica por que tanto Joel quanto Isaías dizem que o sol e a luz se escurecerão e as estrelas não brilharão no dia da volta de Jesus (Is 13:9-10; Jl 2:31-32). Permita-me refletir sobre isso um pouco mais. Quando andamos ao ar livre em uma noite clara, o que vemos? Um céu cheio de estrelas. Mas o que acontece quando o sol aparece pela manhã? As estrelas desaparecem. Precisamos perguntar: as estrelas fogem rapidamente quando o sol se levanta, e depois, quando o sol se põe, as estrelas de repente voltam para o céu noturno? A resposta para essa pergunta obviamente é não. O que acontece? A glória das estrelas tem um nível, mas a glória do sol tem um nível muito maior. Assim, quando o sol sai, por ser muito mais brilhante que as estrelas, ele as obscurece. Quando Jesus voltar, sendo a Sua glória muito maior que a do sol, Ele o obscurecerá, embora o sol ainda esteja brilhando no céu! Você está tendo um vislumbre melhor da Sua glória? Creio que é por isso que está escrito que todas as pessoas do mundo vão gritar “às montanhas e às rochas: ‘Caiam sobre nós e escondam-nos da face Daquele que está assentado no trono e da ira do Cordeiro!’” (Ap 6:16). Portanto, agora, eis a pergunta principal: O que é a glória do Senhor? Para respondê-la, vamos ao pedido de Moisés: “Peço-Te que me mostres a Tua glória” (Êx 33:18). A palavra hebraica para glória é kabod. O dicionário bíblico Strong a define como “o peso de alguma coisa”. Ela também fala de majestade e honra. Assim, Moisés está pedindo: “Mostra-Te a mim em todo o Teu esplendor”. Veja atentamente a resposta de Deus: Diante de você farei passar toda a Minha bondade, e diante de você proclamarei o Meu nome: o Senhor”. — Êxodo 33:19 Deus identifica o pedido de Moisés — ver a glória do Senhor — como “toda a Minha bondade”. A palavra hebraica para bondade é definida como “o bem no sentido mais amplo”. Em outras palavras, nada de bom é retido. Em seguida, Deus diz: “Diante de você proclamarei o Meu nome: o Senhor”. Antes de um rei terreno entrar na sala do seu trono, primeiro um arauto proclama o seu nome. A trombeta é tocada, e o rei entra na sala do trono em todo o seu esplendor. A grandeza do rei é revelada e, na sua corte, não existe dúvida quanto a quem é o rei. No entanto, se esse monarca estivesse passeando casualmente pela rua da sua grande nação vestido com roupas comuns, sem nenhum empregado, ele poderia passar sem ser reconhecido. Aprendemos no capítulo anterior que a glória do Senhor é revelada na face de Jesus Cristo. Muitos afirmaram ter uma visão de Jesus. Isso é muito possível, mas não em toda a Sua glória. Paulo assim descreve: “Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face” (1 Co 13:12). A Sua glória está oculta, assim como estava velada por uma nuvem escura no Antigo Testamento. Por quê? Nenhuma carne pode olhar para a Sua glória desvendada e permanecer viva. A primeira pessoa com quem Jesus falou depois da Sua ressurreição foi Maria Madalena, no entanto ela pensou que Ele fosse o jardineiro (Jo 20:15,16). Os discípulos tomaram o café da manhã com Jesus à beira-mar, mas a princípio eles não O reconheceram (Jo 21:9,10). Dois discípulos andaram com Jesus na estrada para Emaús, “mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-Lo” (Lc 24:16). Todos esses contemplaram a Sua face porque Ele não exibiu abertamente a Sua glória. Alguns viram o Senhor no Antigo Testamento, mas Ele não foi revelado em toda a Sua glória. O Senhor apareceu a Abraão junto aos terebintos de Manre, mas não em Sua glória (Gn 18:1-2). Jacó lutou com Deus, mas não em Sua glória (Gn 32:24-30). Josué, quando estava próximo a Jericó, viu o Senhor com uma espada desembainhada e quis saber se Ele estava do lado de Israel. Ao saber que era o Senhor, ele prostrou-se sobre o seu rosto e O adorou. A lista continua com Gideão, com os pais de Sansão, e com muitos outros. Em contrapartida, o apóstolo João viu o Senhor, no Espírito, em toda a Sua glória na ilha de Patmos. João comparou a Sua fisionomia ao sol brilhando na sua força e caiu como morto. Como João pôde olhar para Ele? Ele não estava em seu corpo, mas em espírito. O mesmo acontece com Isaías e com alguns outros. Moisés, por outro lado, não pôde ver a face de Deus porque estava em seu corpo mortal. A glória do Senhor é tudo o que faz de Deus, Deus. Todas as Suas características, Sua autoridade, Seu poder, Sua sabedoria — literalmente o peso e a magnitude imensurável de Deus. Nada está oculto ou é retido! É Alguém que coloca as estrelas nos seus lugares com os Seus dedos e que deu a cada uma delas um nome. É Aquele que mediu todo o universo com os Seus dedos — com a palma da Sua mão. Aquele que pode segurar toda a terra como se ela fosse um grão de areia; Ele pesou cada gota d’água na palma de Sua mão; Ele pesou a terra e as montanhas na Sua balança. Este é Aquele que podemos contemplar em nossos corações e ainda sermos transformados à Sua imagem, de glória em glória! É Aquele que nos ama profundamente — tanto assim que escolheu pagar o terrível julgamento pelos nossos pecados para que pudéssemos fazer parte da Sua família.Não sei quanto a você, mas isso realmente me entusiasma! Personalizando Passagem: “Ele é o bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que é imortal e habita em luz inacessível, a quem ninguém viu nem pode ver. A Ele sejam honra e poder para sempre. Amém” (1 Tm 6:15-16). Ponto: Imagine uma luz tão brilhante e pura que nenhuma escuridão, sombra, obscurecimento ou turvação pode estar presente. Imagine essa luz brilhando no meu coração. Por que eu pensaria em esconder qualquer coisa Dele? É impossível. Pare para orar: Querido Pai celestial, eu Te peço que Tu me dês uma consciência aguçada da Tua glória. Não quero que essa seja uma realidade trivial, uma coisa casual, ou algo em que eu pense periodicamente; em vez disso, quero que a Tua majestade se torne sempre presente e mais real que o mundo que me cerca. Que a Tua glória esteja diante do meu coração e da minha mente de modo contínuo. Isso Te peço em nome de Jesus, amém. Professe: Em Cristo, sou a luz do mundo, refletindo a Sua glória a todos a quem eu encontrar. Devemos temer a Deus por amor, e não amá-Lo por medo. — SÃO FRANCISCO DE SALES Semana 2 — Dia 1 8 | SEU VALOR Esta seção incluirá alguns tópicos de peso e que possivelmente trarão convicção de pecado. Portanto, antes de continuar, vamos fazer uma pausa e aprofundar a nossa compreensão do tremendo amor de Deus por nós. Vou abrir com uma declaração forte de Jesus, quase assustadora, que será uma parte significativa do nosso diálogo nesta seção. Se não forem lidas dentro de um contexto, Suas palavras poderão ser mal compreendidas — e possivelmente despertar um medo não saudável — de modo que imploro que você as leia com um coração submisso e reverente para com o nosso Deus: Mas Eu mostrarei a quem vocês devem temer: temam Àquele que, depois de matar o corpo, tem poder para lançar no inferno. Sim, Eu digo a vocês, a Esse vocês devem temer. — Lucas 12:5 Jesus nos diz para temermos a Deus — e Ele não diz isso uma vez, mas enfatiza a recomendação ao repeti-la. O que realmente chama a atenção são Suas palavras surpreendentes: “tem poder para lançar no inferno”. Essa é uma linguagem forte! Entretanto, veja a Sua declaração seguinte: Não se vendem cinco pardais por duas moedinhas? Contudo, nenhum deles é esquecido por Deus. Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais! — Lucas 12:6-7 Observe que eu enfatizei “Temam Aquele [Deus]” no versículo 5 e “Não tenham medo” no versículo 7. Mais uma vez, vemos uma diferenciação entre o santo temor e o medo. Não há como dar mais ênfase ao fato de que o santo temor não significa sentir pavor de Deus e consequentemente afastar-se Dele, mas o medo sim. É imperativo sabermos a diferença entre eles e estarmos firmados nessa verdade. Jesus abre Sua mensagem com uma declaração emocionante, quase aterrorizante, mas no mesmo fôlego Ele declara o nosso inimaginável valor para Deus. Basicamente, Ele revela que Deus nos valoriza profundamente e, portanto, nos concede o dom do santo temor. Esse dom nos protege, nos mantendo próximos ao doador da vida e longe do que nos arruinaria: o temor do homem, que é o extremo oposto do santo temor. Os dois farão parte de modo significativo da nossa análise enquanto avançamos, mas antes de embarcarmos, vamos primeiro discutir o nosso valor. De acordo com Jesus, Deus valoriza você tão profundamente que Ele sabe o número de cabelos na sua cabeça. A ciência estima que a maioria dos seres humanos possui uma média de cem mil fios de cabelo no couro cabeludo. Se você colocar dez mil pessoas em um recinto, acha que poderia calcular qual delas tem 99.569 fios de cabelo? Mesmo que você calculasse corretamente, você estaria errado em minutos porque a pessoa perde em média de 50 a 100 fios de cabelo por dia. Deus conhece o número exato a qualquer momento! O que isso nos diz? Que somos tremendamente valiosos para Ele. Ele pensa em nós continuamente. Davi escreveu: Como são preciosos para mim os Teus pensamentos, ó Deus! Como é grande a soma deles! Se eu os contasse seriam mais do que os grãos de areia. Se terminasse de contá-los, eu ainda estaria Contigo. — Salmos 139:17-18 Mais que os grãos de areia! Pense em toda a areia da terra — cada praia, cada deserto e cada campo de golfe. É uma quantidade enorme! Os entusiastas da ciência e da matemática nos dizem que dependendo do tamanho e da compressão da embalagem, existem aproximadamente cinco milhões a um bilhão de grãos de areia em três metros cúbicos de praia.1 Nossas mentes se esforçariam para compreender o vasto número de grãos apenas nas praias da Flórida. Mas pense nisso — se você somasse todos os grãos de areia do planeta, você ainda não teria o número dos pensamentos que Deus tem a seu respeito! Faça esta pergunta a si mesmo: Em que você costuma pensar? Você raramente pensa em algo que não valoriza. Lisa e eu temos coisas que descobrimos todos os anos quando abrimos o armário onde guardamos nossos itens de Natal. Utilizo a expressão “descobrir” porque acabamos esquecendo que os possuímos. Não penso nesses objetos nem por uma vez durante o ano inteiro porque eles não são valiosos. Entretanto, se eu contasse todas as vezes em que penso em Lisa ao longo de nossos mais de quarenta anos de casamento, eu poderia encher uma caixa de sapatos com areia até a metade. Isso daria aproximadamente duzentos milhões de pensamentos, o que constituiria um pensamento a cada 6,3 segundos. Um marido que pensa na sua esposa com tanta frequência seria considerado alguém profundamente apaixonado por ela. Os pensamentos de Deus a seu respeito excedem todos os grãos de areia do planeta! Você está compreendendo isso? Eis o que é impressionante: Deus não pode exagerar! Embora todos nós já tenhamos interagido com pessoas que exageraram e fizeram afirmações que estavam longe da verdade, Deus não pode se afastar um milímetro da verdade; Ele não pode mentir. Assim, quando Ele afirma que os Seus pensamentos sobre você excedem todos os grãos de areia do planeta, isso é algo enorme! Vamos levar isso ainda mais longe. Qual é exatamente o nosso valor? O valor é determinado pelo comprador. Meu filho participou de um leilão esportivo porque sua empresa estava interessada em comprar uma camiseta de um jogador de basquete famoso usada em um jogo de campeonato nos anos 1960. Eles passaram a compra adiante porque o lance mais alto chegou a $1.044.000! Por maior jogador que esse cara tenha sido, eu pessoalmente não teria dado mais de duzentos dólares pela sua camisa ou pelo uniforme de qualquer outro jogador da NBA. É apenas uma roupa. A questão não é qual é o nosso valor para as pessoas, porque isso varia. E além do mais, o mundo não tem o costume de valorizar as pessoas como deveria. Milhões de bebês têm sido assassinados no ventre de suas mães. As pessoas valorizaram as vidas desses bebês? E quanto às moças e mulheres que são traficadas para sexo, inclusive as prostitutas? Se a medição se basear nas pessoas que as colocaram ali, o valor delas foi reduzido a algumas centenas de dólares. Deus é Aquele que determina a verdadeira medida de valor neste universo, e não o homem. E mesmo para as coisas que estimamos, Jesus nos lembra que “aquilo que tem muito valor entre os homens é detestável aos olhos de Deus” (Lc 16:15). Ele também faz esta observação notável: “Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?” (Mt 16:26). Considere por um instante toda a riqueza do mundo. Considere as mansões multimilionárias, as belas propriedades, as pedras e os metais preciosos, os belos carros, iates e aviões. É quase inimaginável. Estudos recentes estimam que o produto bruto mundial seja de $84.97 trilhões de dólares. É uma quantia inconcebível. Mas Jesus nos diz que se você fosse trocar a sua vida por tudo isso, você teria feito um negócio que não lhe aproveitou de nada! Então qual é o seu valor? Paulo escreveu: “Vocês foram compradospor alto preço” (1 Co 6:20). A quantia que Deus ofereceu por você — o Seu preço definido — encontra-se nestas palavras: “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o Seu Filho Unigênito” (Jo 3:16). Uau, isso é muito mais do que a camiseta de um jogador famoso! Deus viu o nosso valor como igual ao Seu bem mais precioso. Eis a verdade impressionante: Se para Deus valêssemos um centavo a menos abaixo do valor de Jesus, então essa troca não teria sido feita, pois Deus não faria um negócio que não fosse proveitoso — dar algo mais valioso por algo menos valioso. Você está percebendo o quanto é precioso para Deus? O quanto o amor de Deus por você é enorme? Jesus faz a mais surpreendente declaração através de uma oração: “Que o mundo saiba que Tu [Deus] Me enviaste [Jesus Cristo], e os amaste como igualmente Me amaste”. — João 17:23 É quase bom demais para compreender! Deus ama você tanto quanto Ele ama Jesus! Ainda assim, talvez você pense: Ele está falando apenas dos discípulos. É uma dedução incorreta, pois Jesus deixa claro: “Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em Mim, por meio da mensagem deles” (Jo 17:20). Se você crê em Jesus Cristo, você crê, direta ou indiretamente, por causa do testemunho dos discípulos. A profundidade do amor de Deus e o valor que Ele dá a você são incompreensíveis. Agora que essa verdade foi firmemente estabelecida, vamos continuar a desvendar por que este dom do santo temor é tão crucial no nosso relacionamento com Ele. Personalizando Passagem: “Homem algum pode redimir seu irmão ou pagar a Deus o preço de sua vida, pois o resgate de uma vida não tem preço. Não há pagamento que o livre para que viva para sempre e não sofra decomposição” (Sl 49:7-9). Ponto: Nenhuma pessoa sábia fará um acordo que não seja proveitoso — dar o que é mais valioso por aquilo que é menos valioso. Do mesmo modo Deus jamais faria um acordo não lucrativo. O preço que Deus pagou por você foi a vida do Seu Filho unigênito, o que significa que Ele valoriza você tanto quanto valoriza Jesus. Isso também significa que Ele valoriza os que O cercam tanto quanto valoriza Jesus. Pondere: Considerando o grande valor que Jesus deu à minha vida, como eu me vejo agora? Como isso afeta a maneira como eu vejo e trato àqueles que encontro diariamente? Pare para orar: Querido Pai celestial, obrigado por estimar a minha vida como sendo tão valiosa a ponto de Tu estares disposto a dar Jesus para morrer em meu lugar. Jesus, obrigado por me considerar ainda mais que a Ti, tomando o meu lugar e o meu julgamento. Espírito Santo, eu Te peço que me dês a firme compreensão no meu coração e na minha mente do quanto Tu me amas e me valorizas, e que eu possa amar os outros da mesma forma. Em nome de Jesus, amém. Professe: Vou amar e valorizar os outros da mesma maneira que Deus me ama e me valoriza. Quando pregamos o amor de Deus, há o risco de esquecermos que a Bíblia revela, não primeiramente o amor de Deus, mas a intensa e ardente santidade de Deus, com o Seu amor no centro dessa santidade. — OSWALD CHAMBERS Semana 2 — Dia 2 9 | COLISÃO FATAL Na primeira seção falamos sobre a glória de Deus, mas mal saímos da superfície nesse assunto. Neste capítulo, vamos focar nas várias magnitudes da presença de Deus. Vamos começar indo até um período no tempo em que o Todo-poderoso decidiu habitar em uma tenda — quando a nação de Israel habitava no deserto. Depois de uma obra elaborada e intrincada que consumiu tempo, o tabernáculo foi concluído por uma equipe de trabalhadores. Ele foi construído de acordo com o plano exato que Deus entregou a Moisés no monte e era um modelo bruto do tabernáculo celestial (Hb 8:1-5). Quando a obra terminou, Deus manifestou a Sua gloriosa presença: Então a nuvem cobriu a Tenda do Encontro, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo. Moisés não podia entrar na Tenda do Encontro, porque a nuvem estava sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo. — Êxodo 40:34-35 Mais uma vez, Deus protegeu Israel da Sua glória com uma nuvem escura. Ele habitaria com Seu povo amado de uma maneira que eles pudessem suportar. Somente o sumo sacerdote tinha permissão para entrar no Santo dos Santos — apenas uma vez por ano e por meio do sangue de animais. Essa posição foi escolhida divinamente, e o primeiro foi Arão, o irmão de Moisés. Em um determinado dia, dois dos filhos de Arão, que também eram sacerdotes, entraram no tabernáculo para oferecer “fogo profano perante o Senhor, sem que tivessem sido autorizados” (Lv 10:1). Há opiniões diferentes quanto aos detalhes do que realmente aconteceu, mas em nome de chegarmos ao âmago da questão, vamos contornar os atos deles e focar na sua motivação. Uma definição de profano é “tratar alguma coisa sagrada com irreverência”. Significa tratar o que é santo como comum ou ordinário. Na essência, os filhos de Arão entraram na gloriosa presença de Deus com irreverência. O que acontece em seguida é grave, e até assustador. Então saiu fogo da presença do Senhor e os consumiu. Morreram perante o Senhor. — Levítico 10:2 Esses dois homens, que estavam autorizados a entrar na presença de Deus, morreram imediatamente pela sua irreverência. Deus os atacou cruelmente? Não, eles se colocaram no caminho do perigo. Pense nisso assim. A terra está a 1.496.689.9 quilômetros de distância do sol. Tomar banho de sol na praia para a maioria das pessoas é agradável, mas se o seu banho de sol ocorrer a 16.000 quilômetros do mesmo sol, você terá morte imediata. Eles erraram ao se tornarem familiarizados demais com a presença santa e gloriosa de Deus e consequentemente agiram de uma maneira que trouxe o desastre sobre eles. Ouça as palavras que Moisés disse a Arão logo após a morte de seus filhos: Foi isto que o Senhor disse: “Aos que de Mim se aproximam santo Me mostrarei; à vista de todo o povo glorificado serei”. — Levítico 10:3 O que Moisés disse é um decreto universal e eterno. Universal significa que ele se aplica a todos os seres criados, sejam humanos ou angelicais. Eterno sugere que o que sempre foi sempre será — nunca vai mudar. Você só pode entrar na Sua presença com um coração e uma atitude de reverência. Vamos refletir na minha noite no Brasil. Na presença magnífica de Deus enquanto o vento soprava, fiquei paralisado com um santo temor. O pensamento que literalmente pulsava em minha mente era: John Bevere, se você fizer um movimento errado, disser uma palavra errada, você é um homem morto! Isso poderia realmente ter acontecido? Não sei ao certo, mas o que posso dizer com certeza é que um homem e uma mulher no Antigo Testamento fizeram um movimento errado em uma atmosfera semelhante e ambos caíram mortos. Sim, esse tipo de morte que envolve ser enterrado sete palmos debaixo da terra (At 5:1-10). Esse casal levou uma oferta diante dos líderes da igreja e dos seus irmãos crentes. Mas ambos foram mortos instantaneamente e sepultados no mesmo dia. Quando isso aconteceu, como os outros crentes reagiram? E grande temor apoderou-se de toda a igreja e de todos os que ouviram falar desses acontecimentos. — Atos 5:11 Duas coisas devem ser observadas. O versículo não diz que “grande temor apoderou-se da cidade”. Na verdade, ele diz “grande temor apoderou-se de toda a igreja”. Em segundo lugar, observe que não diz apenas “temor”, mas “grande temor”. Os escritores hebreus não exageraram, como costumamos fazer na cultura ocidental. Quando a Bíblia diz “grande”, essa palavra está ali para expressar uma magnitude muito forte do santo temor. Em Atos 2, quando o Espírito de Deus se manifestou inicialmente no dia de Pentecostes, alguns ali presentes concluíram que os discípulos estavam embriagados de vinho às nove horas da manhã. Pare e reflita sobre como uma pessoa embriagada se comporta. Ela geralmente não fica calada e reservada; em vez disso, na maioria das vezes, vemos muito riso e alegria. Isso descreve a atmosfera naquele dia notável. A presença do nosso Deus amoroso trazia refrigério e prazer. Mas quando, mais tarde,Sua presença tremenda e até aterrorizante se manifestou para juízo no meio das mesmas pessoas, a Igreja foi tomada de grande temor e assombro. Esse evento aumentou drasticamente a consciência deles sobre a santidade de Deus. Muitas vezes me perguntam: “Por que as pessoas não têm caído mortas nos nossos dias?”. Essa é uma pergunta boa e válida. Aquele casal mentiu para Pedro e, no final das contas, ao Espírito Santo. Já mentiram para muitos pastores no século XX, então por que os ofensores não tiveram o mesmo destino? Vamos ver o que acontece imediatamente após a morte desse casal: De modo que o povo também levava os doentes às ruas e os colocava em camas e macas, para que pelo menos a sombra de Pedro se projetasse sobre alguns, enquanto ele passava. Afluíam também multidões das cidades próximas a Jerusalém, trazendo seus doentes e os que eram atormentados por espíritos imundos; e todos eram curados. — Atos 5:15-16 Quando você pensa no assunto, é estarrecedor. Observe que foi nas ruas (plural!), e não foram “alguns”, mas “todos” que foram curados! Vamos modernizar isso. Seria como se o apóstolo Pedro entrasse em um grande hospital e liberasse todas as camas de todos os andares apenas ao passar pelos corredores. Essa magnitude de poder só se encontra na atmosfera da glória do Senhor. Vamos confirmar isso com outro exemplo bíblico. Centenas de anos depois do incidente com os dois filhos de Arão, outra dupla de filhos que também eram sacerdotes, Hofni e Fineias, estavam cometendo adultério com as mulheres que se reuniam na porta do mesmo tabernáculo. Isso seria a menos de vinte e sete metros de onde os filhos de Arão morreram na hora! Se isso não bastasse, eles também estavam intimidando os adoradores ao recolherem ofertas à força. Eles eram “ímpios; não se importavam com o Senhor nem cumpriam os deveres de sacerdotes” (1 Sm 2:12-13). Deus disse sobre esses homens: “Por isso jurei à família de Eli: ‘Jamais se fará propiciação pela culpa da família de Eli mediante sacrifício ou oferta’” (1 Sm 3:14). Você nunca vai querer ouvir essas palavras da boca do Deus Todo-poderoso! O comportamento deles era extremamente ofensivo a Deus, várias vezes mais irreverente que o comportamento dos filhos de Arão, no entanto esses homens não morreram instantaneamente no mesmo tabernáculo. Por quê? A resposta encontra-se nestas palavras: “naqueles dias raramente o Senhor falava, e as visões não eram frequentes” (1 Sm 3:1). A falta da palavra revelada de Deus explica a ausência da Sua presença; ela não estava presente, não diferenciando em nada do culto de adoração no Brasil. Entretanto, nos dias de Moisés, ela estava totalmente presente. Que conclusão podemos tirar desses exemplos? Quanto maior a glória manifesta de Deus, maior e mais rápido o juízo pela irreverência. Assim sendo, juízo retardado não é juízo negado. Por essa razão, Paulo escreve: Os pecados de alguns são evidentes, mesmo antes de serem submetidos a julgamento; enquanto que os pecados de outros se manifestam posteriormente. — 1 Timóteo 5:24 É sábio nunca permitir, sob qualquer circunstância, uma atitude irreverente, casual ou familiar para com Deus. Na verdade, isso é mais perigoso quando a Sua glória não está se manifestando. Por quê? É mais fácil escorregar para um estado de irreverência com base na crença errônea de que somos aceitos devido à falta de juízo. Se isso ocorre, podemos facilmente cair na crença de que Deus não se importa com a nossa irreverência, como veremos no próximo capítulo. Personalizando Passagem: Moisés então disse a Arão: “Foi isto que o Senhor disse: ‘Aos que de Mim se aproximam santo Me mostrarei; à vista de todo o povo glorificado serei’” (Lv 10:3). Ponto: Quanto maior a glória manifesta de Deus, maior e mais rápido o juízo diante da irreverência. Portanto, juízo retardado não é juízo negado. Pondere: Como eu me aproximo do Senhor, em oração, na igreja, em adoração, enquanto a Palavra de Deus está sendo ensinada, ou na vida diária? Eu desenvolvi uma atitude casual ao me aproximar Dele? Eu perdi de vista a realidade de que Ele é não apenas meu Pai, mas também o Deus santo que é fogo consumidor? Pare para orar: Querido Pai celestial, eu Te peço perdão por me aproximar de Ti com uma atitude casual e irreverente. Eu perdi de vista quem Tu és e me tornei familiarizado demais contigo. Eu me arrependo e não Te verei mais como um “coleguinha”, mas Te reverenciarei como o Deus santo que Tu és. Obrigado por ser tão bondoso e misericordioso e por me perdoar pela minha irreverência. Em nome de Jesus eu oro, amém. Professe: Reverenciarei a Deus independentemente do quão poderosa ou suavemente Ele manifeste a Sua presença. O Senhor vê os caminhos do homem e examina todos os seus passos. — Provérbios 5:21 Semana 2 — Dia 3 10 | DEUS NÃO ESTÁ VENDO Como já foi dito, nosso santo temor aumenta proporcionalmente na medida da nossa compreensão da glória de Deus. A antítese também é verdadeira; quanto menos O temermos, mais diminuiremos a Sua grandeza, até o nível das limitações humanas. O sistema deste mundo é como a correnteza de um rio que se agita violentamente, golpeando a psique de uma pessoa na tentativa de descartar a glória de Deus. A substância desse rio são as palavras, pensamentos, imagens, vídeos ou qualquer outro meio que possa ser usado para elevar o homem mortal com o intuito de reduzir a grandeza do nosso Criador. Uma pessoa a quem falta o santo temor sucumbe facilmente a essa força e se deixa levar pela mentalidade de acreditar que Deus não observa, ou se importa, com o que ela faz. Os pensamentos começam a formar ideias do tipo: Sou uma exceção; Estou isento; Não sou diferente da maioria; Deus não observa os meus motivos, minhas palavras ou minhas ações; até o ponto de pensar: Há muita coisa acontecendo para Deus cuidar. [O homem mau] Pensa consigo mesmo: “Deus se esqueceu; escondeu o rosto e nunca verá isto”. — Salmos 10:11 Existem diversas variações dessa mentalidade errônea e perigosa, mas tudo se resume em considerar que as habilidades de Deus são inferiores ao que elas realmente são. Não é diferente de como achamos que um pai ou uma mãe, um chefe, um professor, um treinador ou qualquer outro líder pode ignorar, ou não perceber, o nosso comportamento. Os indivíduos aprisionados nessa armadilha se consolam acreditando que existe uma enormidade de detalhes para acompanhar, e unem isso com a diminuição da capacidade de Deus. Vamos dar um passo adiante. Se alguém continuar nesse caminho escorregadio de não apenas abster-se do santo temor, mas de rejeitá-lo, ele passa a ser ameaçado com a crença diabólica de que Deus não pode ver os meus motivos, palavras ou atos. Uma coisa é acreditar que Deus não está vendo; mas pensar que Ele é incapaz de ver, é outro nível de irreverência! É possível escondermos as nossas palavras, atos e motivações de outros seres humanos. Podemos fazer coisas em segredo — no escuro, até mesmo nas sombras — que os outros não perceberão. Mas quando acreditamos que podemos esconder nossos pensamentos ou caminhos do Deus Todo-poderoso, estamos enganando a nós mesmos. Essa suposição errônea, quer seja consciente ou inconsciente, reside em toda alma destituída do santo temor. A Bíblia nos diz: Ai daqueles que descem às profundezas para esconder seus planos do Senhor, que agem nas trevas e pensam: “Quem é que nos vê? Quem ficará sabendo?”. — Isaías 29:15 A princípio você pode pensar que Isaías está se referindo aos maus — aos incrédulos, aos que não entrariam em uma igreja para um evento de adoração. Mas esse trecho foi escrito especificamente acerca dos que professam ser crentes. É verdade, porque imediatamente antes dessa afirmação lemos: O Senhor diz: “Esse povo se aproxima de Mim com a boca e Me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. A adoração que Me prestam só é feita de regras ensinadas por homens”. — Isaías 29:13 Permita-me modernizar isso. Essas pessoas professam ter um relacionamento com Jesus porque foram salvas pela Sua graça.Elas O honram verbalmente, participam de conferências cristãs, ouvem música de adoração no Spotify — mas uma parte da psique delas pensa que o Senhor não é capaz de ver ou ouvir o que elas pensam ou fazem. Elas acreditam em uma mentira, e o que é ainda pior, elas não estão cientes da sua loucura. Você pode retrucar: “De jeito nenhum! Isso não pode acontecer!”. Mas vamos revisitar o casal do Novo Testamento que mencionamos no último capítulo — Ananias e Safira (At 5). O histórico é importante para entendermos o comportamento errôneo desse casal. A saga deles na verdade começa no capítulo 4: José, um levita de Chipre a quem os apóstolos deram o nome de Barnabé... vendeu um campo que possuía, trouxe o dinheiro e o colocou aos pés dos apóstolos. — Atos 4:36-37 Durante esse período, Chipre era uma ilha de grandes riquezas, com abundância de pedras preciosas, cobre e minas de ferro, e com uma grande provisão de madeira. Ela era famosa por suas flores, frutas, vinho e óleo. Se você possuísse uma terra em Chipre, provavelmente estaria muito bem de vida. Imagine o seguinte cenário: um levita rico de Chipre traz uma grande quantia recebida com a venda de sua terra para entregar abertamente diante de toda a Igreja. O que acontece em seguida? Mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade. — Atos 5:1 (ACF) Observe a primeira palavra: “Mas”. É uma conjunção que conecta e continua o pensamento. Nesse caso, o início do novo capítulo pode facilmente prejudicar a continuidade da história. Esse homem rico entra para a Igreja e traz uma enorme oferta que todos testemunham. A sua oferta gera uma reação por parte desse casal. Eles imediatamente vendem uma propriedade e... Ele [Ananias] reteve parte do dinheiro para si, sabendo disso também sua mulher; e o restante levou e colocou aos pés dos apóstolos. — Atos 5:2 O que deu início a essa reação? Seria o fato desse casal, até aquele momento, ter a reputação de serem os que mais ofertavam na igreja? Nesse caso, isso atraía a atenção dos líderes e do povo? Precisamos nos lembrar que ofertar é um dom. E assim como muitos observam e até aplaudem vários dons — tais como o servir, o pregar, a hospitalidade, o ensinar, liderar e outros — a generosidade não é exceção; ela é celebrada (2 Co 9:12,13). Será que esse casal apreciava demais o respeito e a atenção? Será que as inseguranças deles foram ameaçadas ao serem superados por aquele recém-chegado? Será que as pessoas estavam celebrando aquela enorme oferta e como ela ajudaria nos programas de evangelismo e de cuidados com os pobres, fazendo com que o foco se desviasse de Ananias e de sua esposa? Talvez o casal cobiçasse a atenção que fora perdida, de modo que a resposta deles foi vender um pedaço de terra — possivelmente o seu maior bem. Eles raciocinaram: “É dinheiro demais para entregar. Mas queremos que pareça que estamos entregando tudo. Então vamos dar apenas uma parte, mas anunciar ‘É tudo que recebemos’.” Esse pensamento enganoso pode ter sido fortalecido pela racionalização de que a atitude encorajaria outros a dar grandes ofertas. A aparência era mais importante que a verdade e, assim, levou ao engano. Como esse casal poderia pensar que Deus não estava vendo isso? Eles premeditaram, deliberaram e concordaram com essa abordagem. Acreditando que podiam ocultar o seu plano do Senhor, eles fizeram seu ato terrível no escuro! E de algum modo, na sua psique, eles pensaram: O Senhor não sabe o que está acontecendo! (quase uma citação direta de Isaías 29:15). Isso custou as suas vidas; ambos foram sepultados no mesmo dia! Como dois cristãos professos que haviam testemunhado milagres notáveis nos capítulos anteriores — o vento do céu soprando e chamando a atenção de uma cidade inteira, milhares de pessoas salvas em reuniões não anunciadas, um aleijado andando milagrosamente, o poder de Deus sacudindo um prédio, e muito mais — puderam acreditar que podiam ocultar suas motivações do Deus Todo-poderoso? Ou como Adão e Eva, que andavam com Deus no jardim, puderam acreditar que poderiam se esconder Dele depois de pecarem? (Gn 3:8). Como o povo de Israel pôde dizer: “O Senhor não nos vê”? (Ez 9:9). E quanto a esta afirmação chocante: “Filho do homem, você viu o que as autoridades da nação de Israel estão fazendo nas trevas, cada um no santuário de sua própria imagem esculpida? Eles dizem: ‘O Senhor não nos vê’” (Ez 8:12). Com que frequência pensamos que podemos esconder o fato de que o nosso coração está distante do Senhor? Em suma, todos esses cenários têm uma raiz comum que promove este erro grosseiro: a falta de santo temor. Na mesma medida em que temos falta de temor, Suas habilidades são diminuídas na nossa psique, e o mais assustador é que não nos damos conta do nosso estado; o nosso discernimento fica entorpecido. É sobre esse estado que vamos falar nos próximos capítulos. Personalizando Passagem: “Então, todas as igrejas saberão que Eu sou aquele que sonda mentes e corações, e retribuirei a cada um de vocês de acordo com as suas obras” (Ap 2:23). Ponto: Deus sabe não apenas o que fazemos; sabe também os motivos e intenções por trás dos nossos atos. Pondere: Eu vivo continuamente com a consciência de que Deus conhece os meus pensamentos, motivos e intenções íntimas? Como posso aumentar a minha consciência dessa verdade? Pare para orar: Querido Pai celestial, eu Te peço que as minhas motivações e intenções sejam tão puras quanto as intenções e motivações de Jesus. Que eu possa filtrar todos os meus pensamentos, desejos, palavras e atos através do entendimento de que Tu examinas continuamente os meus caminhos. Que eu nunca diminua essa verdade na minha percepção a Teu respeito. Em nome de Jesus eu oro, amém. Professe: Vou viver a minha vida sabendo que Deus está plenamente consciente das minhas intenções, pensamentos, palavras e atos. Por que Jerusalém persiste em desviar-se? — JEREMIAS 8:5 Semana 2 — Dia 4 11 | TEMOR E TREMOR A presença tremenda de Deus e o juízo subsequente de Ananias e Safira trouxeram “grande temor” sobre a igreja. Mais uma vez, é necessário enfatizar que não é usada a palavra cidade, mas a palavra igreja — a congregação dos santos. Quando examinamos as palavras gregas para grande temor, vemos que elas intensificam o que é comunicado. A primeira palavra, grande, é o grego mégas, definida como o andar superior de uma escada... “em grande medida, intenso, terrível”.1 Dela extraímos a nossa palavra mega. Não há como confundir o que está sendo comunicado; na essência, ela poderia ser traduzida como “megatemor”. Tenha em mente que os escritores da Palavra de Deus não exageraram as coisas. A segunda palavra, temor, é a palavra grega phóbos, usada frequentemente para santo temor ao longo do Novo Testamento. Ela é definida como “medo, terror, reverência, respeito, honra”. Outra fonte a define como “profundo respeito e admiração pela deidade — reverência, admiração”.2 Aqui encontramos novamente com as palavras assombro e terror, que significam um alto nível de medo. Paulo usou essa mesma palavra ao escrever: Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas em minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade Dele. — Filipenses 2:12-13 Nossa salvação não é posta em ação com amor e bondade, mas com temor e tremor, o que examinaremos profundamente mais tarde. Mais uma vez, a intensidade do que está sendo comunicado é elevada a um nível acima com uma nova palavra: tremor. Essa é a tradução da palavra grega trómos, definida como “um tremor de medo, terror... ou profunda reverência, respeito, pavor”. Esse uso não é uma ocorrência isolada, uma vez que as duas palavras juntas são usadas pelo apóstolo Paulo quatro vezes no Novo Testamento. Embora não tenhamos esgotado o nosso exame do santo temor, estamos em um ponto no qual podemos nos perguntar como um mestre daPalavra de Deus poderia limitar seu significado a “adoração reverente”. Somente neste capítulo, com os poucos versículos que enfatizamos, ficamos face a face com um vocabulário bastante forte. Eis uma lista resumida: megatemor, admiração, terror, profundo respeito, tremor e pavor. Estas não são apenas palavras que representam um aspecto menor da nossa vida em Cristo, mas elas identificam como a nossa salvação é posta em ação — um termo que descreve como os nossos esforços, em cooperação com o Espírito Santo e capacitados por Ele, trazem à plena maturidade o que Jesus provê liberalmente para nós. Deste ponto em diante, diremos assim: a nossa salvação é amadurecida através do temor e do tremor. Tendo isso em mente, por que o santo temor não é uma das verdades principais e primeiramente ensinadas nas nossas igrejas, pequenos grupos e escolas bíblicas? Seria essa a causa de termos tantos cristãos mornos e ineficazes no mundo ocidental? E seria essa a razão pela qual a Bíblia adverte sobre uma grande “apostasia” da fé nestes últimos dias? Paulo escreve que o anticristo não pode ser revelado, até que “venha a apostasia primeiro [a não ser que a apostasia prevista dos que têm professado ser cristãos tenha vindo]” (2 Te 2:3, AMPC). Será que essa apostasia poderia ser alimentada pelo fato de reduzirmos o valor do santo temor? Depois de passar quarenta anos em oração, estudo e ministrações em todos os estados dos Estados Unidos e em sessenta nações, acredito que sim. Vamos avançar um passo adiante. Um dos ensinamentos elementares ou fundacionais da Igreja é o “juízo eterno”. Leia estas palavras com atenção: Portanto, deixemos os ensinos elementares a respeito de Cristo e avancemos para a maturidade, sem lançar novamente o fundamento do... juízo eterno. — Hebreus 6:1-2 O fato é que todos nós prestaremos contas da maneira como vivemos. O que for revelado nesse julgamento durará para sempre — é eterno! Para o crente, ele é mencionado como o “tribunal de Cristo”. Vamos analisar as duas palavras enfatizadas. Primeiro, elementares. O que uma criança pequena aprende no ensino elementar? Ela aprende a ler, escrever, somar, subtrair e outras habilidades básicas. Na essência, adquirimos os alicerces necessários para o avanço da nossa educação. Você pode imaginar seguir em frente para o ensino médio ou para a faculdade sem a capacidade de ler, escrever, somar ou subtrair? Seria impossível! Vejo que muitos cristãos não estão conscientes do julgamento que enfrentarão, ou na melhor hipótese, eles só estão familiarizados com o termo, mas não o investigaram profundamente. Isso poderia ser comparado a apenas saber que aquelas habilidades básicas da escola elementar são importantes, mas nunca aprendê-las realmente. Uma pergunta muito importante a ser feita é: como os cristãos estão edificando suas vidas em Cristo sem essa verdade elementar? Vamos considerar a outra palavra enfatizada, fundamento. Você pode imaginar alguém construir um prédio sem uma fundação? Se o tempo estiver calmo, o prédio pode se erguer bem alto e permanecer de pé. Mas quando vier uma tempestade forte, ele virá abaixo! Isso poderia representar uma apostasia da fé. O Grupo Barna de pesquisas relatou que mais de quarenta milhões de norte- americanos se afastaram da fé entre os anos 2000 a 2020!3 A metade desse número agora professa ser não-cristã — ateus e agnósticos. Será que a nossa falta de ensino fundacional poderia ter contribuído para essa estatística catastrófica? Vamos dar uma olhada rápida no que está atrelado ao nosso julgamento: Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor. — 2 Coríntios 5:8 Imediatamente, sabemos que Paulo está falando somente a crentes. Quando um incrédulo está ausente do corpo, ele não está na presença de Deus. Por isso, temos o propósito de lhe agradar, quer estejamos no corpo, quer o deixemos. — 2 Coríntios 5:9 Quando nossos filhos estavam na adolescência, Lisa e eu procurávamos oportunidades de treiná-los na piedade. Um aspecto importante do treinamento deles era protegê-los contra desenvolverem a atitude infantil de achar que têm direito a tudo. Uma noite, eu disse a eles: “Meninos, vocês não podem fazer uma única coisa que faça sua mãe e eu amá-los mais ou menos do que já amamos vocês”. Nosso amor incondicional por eles ficou registrado. Mas, alguns instantes depois, eu complementei a afirmação com: “Mas vocês são responsáveis pelo nosso nível de satisfação com vocês”. Aquele foi um momento de abertura de olhos para eles. Esta é a verdade: não podemos fazer nada que faça com que Deus nos ame mais ou menos, mas somos responsáveis pelo nível de satisfação Dele conosco. É por isso que Paulo diz que o seu objetivo é “Lhe agradar”. Por quê? Pois todos nós [crentes] devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más. Uma vez que conhecemos o terror do Senhor, procuramos persuadir os homens. — 2 Coríntios 5:10-11 Nesse tribunal não seremos julgados pelos pecados dos quais nos arrependemos — eles já foram erradicados pelo sangue de Jesus. Deus removeu os nossos pecados “como o Oriente está longe do Ocidente” (Sl 103:12). Mais uma vez, Ele diz: “Porque Eu lhes perdoarei a maldade e não Me lembrarei mais dos seus pecados” (Hb 8:12). Então, em que consistirá o nosso julgamento? Seremos examinados com relação a como vivemos como crentes, e tanto o bem quanto o mal serão examinados. O que é importante para a nossa discussão atual é que Paulo atrela “o terror do Senhor” ao julgamento do crente. Como mencionado anteriormente, a palavra grega para terror é phóbos, a mesma palavra usada para descrever a reação da igreja ao juízo de Ananias e Safira. Isso nos leva a uma pergunta importante: será que o incidente com esse casal poderia ser uma amostra do julgamento do crente? Vamos explorar essa possibilidade nos próximos capítulos. Personalizando Passagem: “E isso para que vocês vivam de maneira digna do Senhor e em tudo possam agradá-Lo, frutificando em toda boa obra” (Cl 1:10). Ponto: Você não pode fazer nada que faça Deus amá-lo mais ou menos do que Ele já o ama. Mas você é responsável pelo nível de satisfação Dele com você. Pondere: Minha vida está agradando a Deus? Como posso saber o que Lhe agrada e o que não Lhe agrada? Pare para orar: Querido Pai celestial, eu Te peço que Tu me reveles através da Tua Palavra e pelo Teu Espírito o que Te agrada e o que Te desagrada. Dá-me um coração e uma mente que busquem o Teu prazer e a Tua satisfação mais do que qualquer outra coisa. Ao fazer isso, que eu possa vir a conhecer o Teu coração e viver de uma maneira que Te honre. Que o que eu pedir possa me preparar para um dia enfrentar o julgamento dos crentes e receber as recompensas eternas que Tu desejas me dar. Em nome de Jesus eu oro, amém. Professe: Agradar a Deus é a minha prioridade na vida. Ele está trabalhando em mim tanto o querer quanto o realizar a Sua boa vontade. O extraordinário sobre Deus é que quando você O teme, você não teme mais nada, mas se não teme a Deus, você teme tudo o mais. — OSWALD CHAMBERS Semana 2 — Dia 5 12 | HIPOCRISIA CONTAGIOSA É importante esclarecer um ponto importante com relação ao casal cuja vida teve fim no livro de Atos. A questão não foram os atos de Ananias e Safira; eles simplesmente deram uma oferta no culto da igreja. É piedoso, santo e belo dar uma oferta financeira para a obra de Deus. O pecado foi a motivação deles — o desejo de serem vistos sob um determinado enfoque. Isso levanta uma pergunta importante: somente as nossas palavras e obras serão examinadas no tribunal de Cristo, ou nossos pensamentos e motivações estarão incluídos nesse exame? Vamos começar lendo uma advertência que Jesus fez aos Seus discípulos: Nesse meio tempo, tendo-se juntado uma multidão de milhares de pessoas, a ponto de se atropelarem umas às outras, Jesus começou a falar primeiramente aos Seus discípulos, dizendo: “Tenhamcuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido”. — Lucas 12:1-2 Há tanta coisa nestes dois versículos! Imagine que você seja um ministro do Evangelho e que uma multidão “de milhares de pessoas” se reúna para ouvi-lo. Esse é o sonho da maioria dos pregadores! Mas o que Jesus faz? Ele não sussurra para a Sua equipe: “Ei, rapazes, foi para isto que Eu vim. Fiquem de lado enquanto Eu trabalho!” Não. Em vez disso, Ele faz três coisas: Primeiro, Ele aproveita a oportunidade para lhes transmitir uma mensagem ilustrada de como não ser controlado pelo momento. Ele adverte aqueles futuros líderes, tanto pelo exemplo quanto pelo ensino, acerca da hipocrisia. Essa é a palavra grega hupókrisis e ela é definida como “dar a impressão de ter certos propósitos ou motivações, enquanto na realidade se tem outros muito diferentes”.1 Os fariseus eram especialistas em hipocrisia — em fazer as coisas para aparecer e para fingir. Jesus adverte acerca de não nos deixarmos cair nessa armadilha, permanecendo puros nas nossas motivações. Basicamente, Ele está comunicando: não permitam que a popularidade ou a aprovação dos homens os dirija, mas sejam guiados pelo Espírito, permanecendo firmes na verdade, tanto no que vocês ensinam quanto no seu modo de viver. Em segundo lugar, Jesus mostra o quão rapidamente a hipocrisia pode se espalhar. Ele a compara ao fermento, que se espalha pela massa e faz com que toda a porção cresça. A ilustração de Jesus transmite a ideia de que a hipocrisia é contagiosa, mas diferentemente do fermento, ela é muito prejudicial ao nosso bem- estar. Em terceiro lugar, Ele afirma enfaticamente que a hipocrisia não pode permanecer escondida. É certo que a intenção por trás das palavras ou atos de alguém acabará sendo exposta. A afirmação seguinte revela o que nos protege contra as motivações impuras: Eu lhes digo, meus amigos: não tenham medo dos que matam o corpo e depois nada mais podem fazer. Mas Eu lhes mostrarei a quem vocês devem temer: temam Aquele que, depois de matar o corpo, tem poder para lançar no inferno. Sim, eu lhes digo, Esse vocês devem temer. — Lucas 12:4-5 Mais uma vez, Jesus utiliza uma linguagem forte para temer. É phobéõ, que é semelhante a phóbos, a palavra enfatizada no capítulo anterior. Phobéõ é definida como “colocar medo, aterrorizar, amedrontar”. Jesus associa “lançar no inferno” a ignorar o santo temor. Essa é uma ideia aterrorizante, que não deve ser minimizada. Mais uma vez, vemos a importância do santo temor, e mais uma vez fica confirmado que ele é mais do que uma adoração reverente. Jesus nos diz para temermos a Deus, e não as pessoas. Em suma, o temor a Deus nos liberta do temor ao homem, enquanto temer ao homem nos escraviza, removendo nossa capacidade de temer a Deus. Não se deixe enganar, quando tememos as pessoas, nossos motivos são afetados. Pense no “temor do homem” de forma semelhante ao “temor de Deus”. Não tem a ver com fugir por medo das pessoas, mas sim de agradar aos que estão diante de nós com a intenção subjacente de conquistar satisfação pessoal, proteção ou lucro. O temor do homem nos prende no laço do fermento da hipocrisia, o que nos leva a viver com o intuito de obter a aprovação das pessoas. Mais uma vez, os atos de Ananias e Safira pareciam ser irrepreensíveis; no entanto, a motivação deles os impulsionou a projetar uma determinada imagem para a sua comunidade, e foi isso que os levou à queda. As pessoas podem desempenhar papéis e dizer palavras que demonstrem piedade, mas sem o santo temor elas pecam em suas intenções. Quando servia na minha igreja local nos anos 1980, eu era terrivelmente aprisionado pelo temor do homem. Não percebia isso até que o Espírito Santo expôs a minha motivação. Na época eu tinha uma posição de muita evidência na nossa megaigreja. Eu era consistentemente gentil com aqueles com quem eu interagia e estava sempre pronto a fazer um elogio, mesmo que não fosse verdade. Eu detestava o confronto e evitava-o como uma praga. Começaram a circular relatos de que eu era um dos homens mais amorosos da igreja. Isso me dava felicidade e satisfação. Um dia, em oração, ouvi o Senhor dizer: — Filho, as pessoas dizem que você é um homem amoroso e gentil. Lembro-me distintamente da maneira como Ele disse isso ao meu coração; senti que o Seu tom não era de confirmação. Então eu disse cautelosamente: — Sim, elas dizem isso. Ele respondeu: — Você sabe por que diz coisas bondosas e elogiosas às pessoas mesmo que isso não seja verdade? — Por quê? — Porque você tem medo da rejeição delas. Então, quem é o foco do seu amor — você ou elas? Se você realmente amasse as pessoas, diria a verdade e não uma mentira, mesmo correndo o risco de ser rejeitado. Fiquei perplexo. Todos os demais me rotulavam como um homem amoroso, mas a verdade por trás daquele comportamento era muito diferente. Do mesmo modo, os membros da Igreja Primitiva provavelmente consideravam Ananias e Safira piedosos, especialmente porque estavam levando uma oferta substancial ao seu pastor diante da assembleia. Mas os motivos verdadeiros do casal foram expostos. Do mesmo modo, meus motivos eram a autopromoção, a autoproteção e a autocompensação. A verdadeira história do meu comportamento era a de um hipócrita. É fácil fazer obras piedosas e benéficas diante do mundo que nos observa, enquanto ao mesmo tempo escondemos um motivo egocêntrico. Podemos mover uma multidão com uma grande mensagem do Evangelho, mas interiormente estarmos motivados por uma ambição egoísta (Fp 1:15,16). Podemos dar ofertas enormes aos pobres, mas fazer isso destituídos de amor (1 Co 13:3). Podemos conduzir as pessoas à adoração, mas abrigar uma intenção oculta de sermos conhecidos ou famosos. Podemos ser gentis nas nossas interações, mas interiormente, analisar e criticar os outros. Podemos afirmar a nossa tristeza por um pastor que foi convidado a renunciar ao cargo por uma falha moral, mas interiormente nos alegrarmos por ele ter recebido o que merecia. Podemos parecer humildes e proclamar “Toda a glória é para Jesus!”, enquanto interiormente amamos a afirmação e o louvor. E a lista é interminável. Eis a verdade nua e crua: primeiramente, nenhuma motivação ou intenção pode ser escondida de Deus, e em segundo lugar, ela acabará sendo revelada. A questão importante é: ela está oculta de nós? O temor do Senhor nos mantém em contato com as motivações do nosso coração, o que é crucialmente importante, porque a falta desse temor nos torna vulneráveis ao engano e à hipocrisia. As pessoas na igreja ficaram chocadas com o juízo de Ananias, mas elas não ficaram mais chocadas que o próprio Ananias, e em seguida a própria Safira. A falta do santo temor desse casal os cegou para a maldade das suas próprias motivações. Mais uma vez, precisamos perguntar: a história deles é uma prévia do tribunal de Cristo? Veremos no próximo capítulo. Personalizando Passagem: “Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4:12). Ponto: O temor do Senhor nos mantém em contato com as motivações do nosso coração, o que é crucialmente importante, pois a falta desse temor nos torna vulneráveis ao engano da hipocrisia. Pondere: Tenho a tendência de agradar aos outros com a motivação oculta de ter satisfação pessoal, proteção ou lucro? Quando estou sob pressão, essa tendência fica evidente? Em que áreas isso tem feito com que eu comprometa a minha integridade? Pare para orar: Querido Pai celestial, eu Te peço que me perdoes por procurar agradar aos outros em benefício próprio. Espírito Santo, eu Te peço que exponhas todas as áreas da minha vida onde eu cedo facilmente a essa pressão. Eu me arrependo por fazer das pessoas a minha fonte de alegria e felicidade em vez de fazer de Jesus a minha fonte. Eu Te peço que enchas o meu coração de santo temorpara que eu ame os outros consistentemente, em verdade, e para que eu não sucumba à hipocrisia. Em nome de Jesus eu oro, amém. Professe: Vou amar aqueles com quem interajo dizendo a verdade e buscando o benefício deles acima do meu. Pois todos nós deveremos comparecer e ser revelados como somos perante o tribunal de Cristo. — 2 Coríntios 5:10 (AMPC) Semana 2 — Dia 6 13 | TRÊS IMAGENS Leia com atenção a frase “revelados como somos” no versículo da página anterior. Cada ser humano possui três imagens de si mesmo: uma imagem percebida, uma imagem projetada e uma imagem real. Nossa imagem percebida é a maneira como os outros nos veem. Nossa imagem projetada é a maneira como desejamos que os outros nos vejam. Nossa imagem real é quem realmente somos, e embora ela possa ser ocultada ou não percebida pelos outros, ela é totalmente visível para Deus. É como seremos revelados diante de todos no tribunal de Cristo. Pense sobre Jesus — Ele foi incompreendido, falsamente acusado, identificado como um beberrão e glutão, rotulado como herege e até mesmo acusado de ser inspirado por demônios. Ele foi rejeitado pelos líderes religiosos e outros. Sua imagem percebida era desfavorável aos olhos de muitos, especialmente dos notáveis. Os meios-irmãos de Jesus — céticos na época — O pressionavam para viver com base em uma imagem projetada: “Você deve sair daqui e ir para a Judéia, para que os Seus discípulos possam ver as obras que Você faz”, eles zombavam. “Ninguém que deseja ser reconhecido publicamente age em segredo. Visto que Você está fazendo estas coisas, mostre-Se ao mundo” (Jo 7:3,4). Eles eram controlados pelas percepções dos outros e tentavam colocar Jesus debaixo do mesmo cativeiro: o temor do homem. Mas a imagem real de Jesus é muito diferente daquela percebida por muitos, pois “Ele é a imagem do Deus invisível” (Cl 1:15). Embora muitos O estivessem rejeitando, o Deus Todo-poderoso afirmou audivelmente: “Este é o Meu Filho amado, em quem Me agrado” (Mt 3:17). A imagem percebida de Jesus não foi o que permaneceu, mas sim a Sua imagem real. Enquanto estava na terra, Ele rejeitou a autopromoção e qualquer esforço de construir a Sua própria reputação. Quando curava alguém necessitado, Ele costumava dizer: “Cuidem para que ninguém saiba disso” (Mt 9:30). Ele evitava a popularidade, a notoriedade, os elogios e a aprovação dos homens.1 Quando as pessoas queriam promovê-Lo a rei, Ele se esquivava. Não havia fachada, nem qualquer falsa ilusão ou engano Nele. Ele tinha prazer no temor do Senhor, o que mantinha Seu foco no Pai. Nós também deveríamos ser a imagem expressa de Jesus. Só encontramos a liberdade quando vivemos de acordo com a verdade no nosso interior, enquanto evitamos a autopromoção ou a autopreservação. Descobrimos a origem do comportamento egocêntrico em Adão e Eva. Lemos que no momento em que eles caíram “... Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus” (Gn 3:7). O foco deles mudou de Deus para eles mesmos, e agora eles procuravam aliviar as suas imperfeições recém- descobertas. O primeiro casal tentou cobrir a sua nudez. Conosco isso pode se manifestar de forma diferente, mas a raiz do problema ainda é a mesma. Se estou focado somente em mim, vou procurar projetar uma imagem que encubra as minhas inadequações. Jesus deu a Sua vida para nos libertar desse cativeiro. Paulo escreveu: “Não temos a pretensão de nos igualar ou de nos comparar com alguns que se recomendam a si mesmos. Quando eles se medem e se comparam consigo mesmos, agem sem entendimento” (2 Co 10:12). Se sucumbirmos à pressão da comparação, enfatizaremos nossas imperfeições e, como consequência, passaremos a nos autopromover ou a nos autoproteger — e tudo começa com nossas motivações e intenções. No mundo de hoje, nossa imagem percebida tem um peso maior que a nossa imagem real. Resumindo, se sucumbirmos a essa pressão, é a nossa reputação que buscaremos proteger. Nossos esforços estarão focados nas aparências, no nosso status, nos nossos títulos, na nossa popularidade, na nossa aceitação, na nossa reputação, e assim por diante, porque essas coisas encobrem as nossas imperfeições. Isso não é o que será revelado e examinado no dia do juízo; mas será a nossa imagem real, que gira em torno das nossas motivações e intenções. Portanto, não julguem nada antes da hora devida; esperem até que o Senhor venha. Ele trará à luz o que está oculto nas trevas e manifestará as intenções dos corações. Nessa ocasião, cada um receberá de Deus a sua aprovação. — 1 Coríntios 4:5 Muitos descartam esse versículo pensando que ele se aplica ao julgamento dos incrédulos. Não é assim, pois nenhum incrédulo receberá aprovação no seu julgamento. A passagem só pode estar falando dos cristãos. Quando você ouve sobre o que está “oculto nas trevas” e sobre as “intenções dos corações” sendo revelados diante de toda a assembleia do céu, isso provavelmente faz com que você sinta um temor saudável. Essa pode ser uma das razões pelas quais Paulo se refere ao julgamento do crente como o “terror do Senhor”. Nossa consciência dessa realidade gera um santo temor, o qual por sua vez nos mantém sob controle e nos capacita a viver com base na nossa imagem real. Entretanto, o contrário também é verdadeiro: quanto mais nos falta o santo temor do Senhor, mais confiamos na nossa imagem projetada. Essa foi a armadilha mortal em que Ananias e Safira caíram. Eles estavam mais interessados em como eram percebidos pelos que viam como rivais, amigos, membros da igreja e líderes. Para tornar a história deles algo com o qual possamos nos identificar melhor, vamos imaginar a jornada que levou à queda do casal como se tivesse acontecido nos tempos atuais. A igreja havia sido aberta há uns poucos meses. Os apóstolos e os membros da igreja estavam todos observando para ver que líderes surgiriam em diferentes áreas. Para esse casal, foi um dia feliz quando eles receberam a Jesus e foram perdoados de seus pecados. Eles ficaram maravilhados com o amor de Deus e com a comunidade de irmãos crentes. No entanto, o foco deles acabou mudando. O interessante é que isso provavelmente começou com Deus operando através deles — talvez uma oferta, uma exortação, cantando na equipe de louvor — as possibilidades são intermináveis. Eles tiveram prazer em sentir a gratificação que vem com o reconhecimento do seu serviço. As endorfinas se agitaram e trouxeram sentimentos estimulantes de felicidade e satisfação. O reconhecimento deles aumentou. No entanto, para manter sua reputação recém-formada, eles precisavam encobrir alguns comportamentos questionáveis com palavras e atos aparentemente inofensivos. Talvez eles se encontrassem em uma intensa discordância doméstica seguida de uma briga prolongada. A raiva deles e suas discussões ficaram feias e continuaram, mas quando chegava a hora de se reunirem com os crentes, eles alteravam esse comportamento drasticamente para encobrir suas imperfeições. O casal não queria que seus amigos vissem suas divergências e contendas, o que ameaçaria sua imagem percebida, de modo que eles projetaram uma atitude amorosa e atenciosa um para com o outro. Eles postavam fotos e vídeos no Instagram e no TikTok se abraçando, sorrindo e desfrutando atividades divertidas juntos. As legendas diziam coisas do tipo “vivendo o sonho” ou “objetivos de relacionamento” ou “amo viver a vida com ela [ou ele]!”. Havia inúmeras outras postagens retratando a vida bem-sucedida deles (que estava em dificuldades), seu negócio em ascensão (que estava descendo ladeira abaixo), seus belos filhos (cujo comportamento era desafiador, autoritário e egoísta), e outros sucessos. Isso parecia estar funcionando porque o número de seguidores deles na mídia social estava aumentando rapidamente. Ananias e Safira estavam em um padrão no qual precisavam manter sua imagem projetada forte. Tudo parecia inofensivo, mas o temor piedoso que sentiam outrora agora diminuía gradualmente a cada ato de hipocrisia. Eles não tinham mais convicção da sua duplicidade.Tudo parecia bem enquanto eles desfrutavam de uma boa reputação, parte da qual vinha do fato de serem os ofertantes mais generosos da igreja. Chegou o dia em que Barnabé levou suas ofertas diante da igreja. A atenção dos seus irmãos de repente mudou. Eles ficaram arrasados, e a imagem percebida deles foi ameaçada. Infelizmente, a essa altura, a ênfase na imagem que eles haviam criado para si mesmos já estava bem desenvolvida. O resto é história. Tudo parecia inofensivo e inspirador para os outros, mas isso os levou a tomarem um caminho perigoso e destrutivo. Será que o Espírito Santo colocou o destino desse casal para nós na Bíblia a fim de nos advertir e para nos dar um vislumbre do quão sério será o tribunal de Cristo? Paulo escreveu: Os pecados de alguns homens são manifestos (abertamente evidentes a todos os olhos), indo adiante deles ao tribunal de julgamento e proclamando a sua sentença antecipadamente; mas os pecados de outros aparecem mais tarde [seguindo o ofensor até o foro de julgamento e passando a ser vistos ali]. — 1 Timóteo 5:24 (AMPC) O pecado de Ananias e Safira foi feito abertamente evidente a todos naquele dia memorável. O juízo deles foi proclamado antecipadamente. Entretanto, o que deveria ser mais alarmante é que os pecados da maioria das pessoas se tornarão evidentes em um momento posterior. Lembre-se, o veredito de Deus tratou com a motivação secreta deles, e não com o ato deles. Eis a boa notícia: podemos nos arrepender de nossas motivações obscuras, e Deus não apenas perdoará, como podemos ser abençoados com motivações puras se clamarmos a Ele pedindo que nos dê um santo temor e que renove a nossa mente através da Sua Palavra. Personalizando Passagem: “Porque não há nada oculto que não venha a ser revelado, e nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz” (Lc 8:17). Ponto: Todo ser humano tem três imagens: uma imagem percebida, uma imagem projetada e uma imagem real. Pondere: Em direção a qual imagem tenho a tendência de seguir? Eu vivo em verdade, ou minto, ou faço afirmações enganosas para proteger a minha reputação? Sou honesto e direto com aqueles com quem me relaciono? Pare para orar: Eu me arrependo por dar mais ênfase à minha imagem projetada e percebida e não à minha imagem real. Tenho comprometido a minha integridade e peço que Tu me perdoes. Purifica as minhas motivações e intenções. Que o meu foco esteja centrado em Jesus e nos outros, e não em mim mesmo. Professe: Vou permitir que a espada de dois gumes da Palavra de Deus exponha os pensamentos e intenções do meu coração. O medo da morte e do juízo sai de nós à medida que o verdadeiro temor de Deus entra, e esse temor não possui tormento, mas é uma luz e um jugo leve para a alma, um jugo que nos descansa em vez de nos exaurir. — A. W. TOZER e HARRY VERPLOEGH Semana 2 — Dia 7 14 | DECISÕES ETERNAS Comparada à eternidade, esta vida presente é um vapor. Mas falando de forma ainda mais exata, esta vida é nada, pois a matemática simples afirma que qualquer número finito dividido por infinito é igual a zero. Assim, noventa e tantos anos comparados com a eternidade são iguais a nada. Diante dessa realidade aterradora, é sábio nos prepararmos para a eternidade. As decisões que Jesus tomar acerca de cada um de nós no Tribunal de Cristo serão eternas (Hb 6:1-2). Ou seja, não haverá qualquer mudança, revisão ou alteração em Seus pronunciamentos. Portanto, basicamente, o que fazemos com a cruz determina onde passaremos a eternidade; mas a maneira como vivemos como cristãos determina como viveremos para sempre. Muitas pessoas têm o conceito de que o céu não consiste em nada além de uma experiência incorpórea, não física, cheia de amor, paz e sem sofrimento. Elas têm a expectativa de que os santos são seres etéreos flutuando em nuvens, tocando harpas e comendo uvas. Outros ainda veem o céu como um culto de adoração monótono e ininterrupto. É difícil ficar animado com esse modelo de existência eterna tediosa. Mas esses mitos não são encontrados em lugar algum na Bíblia. O melhor desta vida não passa de uma sombra do eterno. Haverá comunidades para planejar, cidades para construir, nações para supervisionar, galáxias para explorar e desenvolver, e infinitamente mais coisas que estarão alinhadas com a maneira como fomos criados para viver. Existem posições de responsabilidade para serem preenchidas na cidade eterna do Senhor. Assim, encare o Tribunal de Cristo como a entrevista e a avaliação que determinarão a sua posição eterna na cidade capital do novo céu e da nova terra. Tendo isso em mente, vamos voltar a discutir como o aqui e agora será examinado no juízo: Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más. — 2 Coríntios 5:10 Como crentes, nossos pecados, que teriam nos condenado ao inferno, foram erradicados pelo sangue de Jesus e foram esquecidos para sempre (Hb 8:12). Mas ainda existem o mal ou o mau comportamento pelos quais teremos de prestar contas no julgamento dos crentes. Isso deveria chamar a nossa atenção. A palavra mal é a palavra grega kakós, e ela é definida como “relativo a ser mau, com a implicação de prejudicial e nocivo” e “retroceder, retirar-se, recuar na batalha”. Essa palavra sugere um efeito danoso, um efeito que pode ser causado não apenas pelo que fazemos, mas também por retrocedermos ou recuarmos ou, falando de forma mais simples, pelo que não fazemos. Portanto, ela abrange não apenas o que fizemos, mas também as oportunidades perdidas. O santo temor nos mantém alerta para as responsabilidades do Reino, assim como para quaisquer motivações ou comportamentos adversos que prejudicam a vida daqueles a quem Deus ama. Muitas vezes a Bíblia se refere a nós como “construtores”. Você poderia visualizar isso como empreiteiros construindo a casa customizada de Deus, onde Ele habitará para sempre. A Sua casa tem um nome — Sião (Sl 132:13-14) — e o seu material consiste em pedras vivas — todos os Seus santos (1 Pe 2:5), sendo Jesus a pedra angular (Is 28:16). Paulo identifica claramente a nossa missão: “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou para nós de antemão e que deveríamos praticar” (Ef 2:10, KJV). Observe que na versão King James em inglês, Paulo escreve que nós deveríamos realizar essas tarefas, e não que nós as faríamos. Se recuarmos da nossa missão, optando por viver de uma maneira que seja motivada pelo lucro egoísta temporário, esse seria considerado um dos “maus” comportamentos. Paulo também escreve: “Conforme a graça de Deus que me foi concedida, eu, como sábio construtor, lancei o alicerce, e outro está construindo sobre ele. Contudo, veja cada um como constrói” (1 Co 3:10). Está claro que a maneira como construímos é essencial. Estamos construindo com a Sua Palavra eterna ou estamos ouvindo o espírito desta era? Estamos construindo pelo Seu Espírito ou estamos atendendo aos nossos desejos egocêntricos? Paulo continua: Se alguém constrói sobre esse alicerce, usando ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, sua obra será mostrada, porque o Dia a trará à luz; pois será revelada pelo fogo, que provará a qualidade da obra de cada um. — 1 Coríntios 3:12-13 Há uma variedade de formas pelas quais podemos escolher passar o tempo que Deus nos deu. Se vivermos para construir para lucro próprio — o que é temporário — isso será considerado material combustível. Se vivermos de forma altruísta para edificar o Seu Reino eterno, isso será visto como um material que não será destruído, mas purificado. O fogo que examinará as nossas vidas será a Palavra de Deus — em outras palavras, como nossas motivações, palavras e comportamento se alinham com ela? Paulo continua dizendo: “Se o que alguém construiu permanecer, esse receberá recompensa” (1 Co 3:14). Se o nosso comportamento e trabalho derivam da obediência à Sua Palavra e vontade para as nossas vidas,as nossas realizações durarão para sempre. Há duas coisas a serem observadas: primeiro, nossas realizações incluirão como influenciamos a vida de outros, juntamente com a maneira como usamos os talentos que Deus nos deu para edificar o Seu Reino. Em segundo lugar, a nossa recompensa eterna determinará a nossa posição eterna no Seu Reino. As próximas palavras de Paulo são penetrantes: Se o que alguém construiu se queimar, esse sofrerá prejuízo; contudo, será salvo como alguém que escapa através do fogo. — 1 Coríntios 3:15 Há muito conteúdo a ser desvendado neste versículo. Primeiramente, observe que o construtor é salvo. Aqui não se trata de um incrédulo que é condenado ao lago de fogo para sempre, mas sim àquele que habitará eternamente no Reino de Deus. Em segundo lugar, a perda é grande. A palavra grega usada aqui pode sugerir punição ou perda. A maioria dos estudiosos não acredita que seja punição, nem eu. Entretanto, a palavra sugere uma sensação de profunda perda. Tenha em mente que essa perda intensa não será sentida apenas no juízo, mas também afetará a maneira como viveremos para sempre. Em terceiro lugar, a comparação feita é como alguém que escapa por pouco através de uma muralha de chamas. Vamos tentar modernizar isso. Os ocidentais costumam se preparar para a aposentadoria. (Eu pessoalmente não me rendo a essa mentalidade, uma vez que aposentadoria fala de recuar de uma missão — uma definição de “mal” [kakós]. No entanto, como as pessoas podem se identificar, usarei a aposentadoria para fins de ilustração). Imagine que no dia da aposentadoria de alguém, o banco decrete falência. Todas as economias da pessoa são perdidas e tudo o que ela possui são os poucos dólares em sua carteira. Naquele mesmo dia, a Previdência Social e todas as empresas que detêm suas contas de aposentadoria individual entram em falência. Não apenas isso, mas a casa da pessoa sofre um incêndio total, e ela escapa apenas com a camisa que está vestindo. Ela perdeu tudo. Esse cenário seria considerado um desastre. Mas essa é a descrição que Paulo utiliza para dizer como alguns crentes entrarão na eternidade. E não será por um período de vinte e cinco anos (a duração média de uma aposentadoria); será por toda a eternidade. Mais uma vez, Paulo diz que o crente é salvo, porém tudo será queimado e perdido para sempre. Lembre-se de que se trata de um juízo (decisão) eterno. Não entenda mal — ser salvo não é nada de insignificante; é infinitamente melhor do que estar perdido no lago de fogo por toda a eternidade. Todos nós nos alegraremos muito além da compreensão, mas haverá uma sensação do que poderia ter sido. Não é de admirar que Paulo acompanhe esse pensamento com as seguintes palavras: “Uma vez que conhecemos o terror do Senhor, procuramos persuadir os homens” (2 Co 5:11, KJV). Por favor, ouça o meu coração: minha esperança é que este santo temor que Paulo identifica o convença a não desperdiçar seu tempo em coisas que não são de nenhum proveito ou a não passar o seu tempo focado na sua imagem projetada ou percebida. Minha esperança é que o presente, que é o seu tempo, seja dedicado em obediência à Palavra e ao Espírito de Deus. Personalizando Passagem: “Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más. Uma vez que conhecemos o terror do Senhor, procuramos persuadir os homens” (2 Co 5:10-11, KJV). Ponto: O que fazemos com a cruz determina onde passaremos a eternidade; entretanto, a maneira como vivemos como crentes determina como viveremos no Reino eterno. Pondere: Eu estou focado todos os dias em construir para a eternidade — edificando as vidas de outros com verdade e amor — ou dedico minha força, energia e tempo em edificar para mim mesmo? Pare para orar: Querido Pai celestial, perdoa-me por dedicar a minha atenção focada, minha energia, força e tempo em construir para o que é temporal. Eu peço que Tu me mostres como edificar para o Reino de Jesus diariamente. Reveste-me de poder para impactar as vidas das pessoas para o que é eterno. Eu Te agradeço, em nome de Jesus, amém. Professe: Procurarei oportunidades eternas e me envolverei com elas, e não apenas com aquelas que perecem com esta vida. A pessoa carnal teme o homem e não a Deus. O cristão forte teme a Deus e não o homem. O cristão fraco teme demais o homem e teme de menos a Deus. — JOHN FLAVEL Semana 3 — Dia 1 15 | O TEMOR DO HOMEM A verdadeira santidade é pertencer completamente a Deus. Uma definição primordial de santidade é “separação para Deus”.1 Sua amplitude de significado é tão vasta que volumes poderiam ser escritos sobre isso. Aqui neste livro abrangeremos os pontos principais, já que o santo temor é um aspecto integrante da santidade. Mas antes de embarcarmos, é importante afirmar claramente desde o começo: a santidade autêntica não é um cativeiro, é a verdadeira liberdade. É bem possível que o julgamento de Ananias e Safira seja um prelúdio do que cada ser humano um dia enfrentará — o juízo. A questão que permanece é: esse casal é um exemplo dos que irão sofrer “grande perda” no céu, ou eles estão no Hades? O versículo que geralmente é usado para explicar a condenação eterna desse casal está em uma passagem anterior nos Evangelhos, nas palavras de Jesus: “... quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão” (Mc 3:29). O equívoco desse pensamento é exposto pela definição de blasfêmia, que significa “falar contra alguém de tal forma a prejudicar ou ferir a sua reputação”.2 Esse casal mentiu ao Espírito Santo, mas, por definição, eles não blasfemaram, o que mantém o destino deles inconclusivo. Em todo caso, nenhum de nós deveria invejar o resultado que tiveram. Assim, temos um exemplo na Bíblia de alguém que sabemos que está no céu, mas que sofrerá perda certa no Tribunal de Cristo? Creio que sim. Permita-me definir isso com as palavras de Paulo: Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo. — Gálatas 1:10 Que declaração forte! Perderemos o privilégio de sermos servos de Cristo se sucumbirmos à atração de buscarmos popularidade. Ao fazermos isso, projetamos qualquer imagem que seja necessária para termos uma percepção favorável. Paulo não queria ter nada a ver com isso, e nós não deveríamos ser diferentes. Paulo andava em um alto nível de santo temor; lembre-se, foi ele quem escreveu: “Ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor” (Fp 2:12). Ele permaneceu focado na sua imagem real — aquela que será revelada no juízo — e não na sua imagem projetada. Isso o mantinha no lugar da verdadeira santidade e obediência a Cristo, mesmo quando ele encontrava a decepção, a reprovação ou a rejeição dos outros. Deveríamos manter essa verdade diante de nós em todo o tempo: Você servirá a quem você teme! Se você teme a Deus, você obedecerá a Deus. Se você teme o homem, você no final das contas obedecerá aos desejos do homem. Muitas vezes nos preocupamos mais em não ofender a pessoa que está diante de nós do que em não ofender Aquele a quem não vemos fisicamente, em especial se desejamos o amor ou a amizade de uma pessoa. Por essa razão, nos é dito: “Quem teme ao homem cai em armadilhas” (Pv 29:25) — uma armadilha na qual Ananias e Safira sem dúvida caíram. Posso apenas imaginar que um encontro com os líderes crentes alimentou o fogo de Paulo, compelindo-o a escrever estas palavras de confronto mais tarde nessa mesma carta: Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, enfrentei-o face a face, por sua atitude condenável. Pois, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios. Quando, porém, eles chegaram, afastou-se e separou-se dos gentios, temendo os que eram da circuncisão. Os demais judeus também se uniram a ele nessa hipocrisia, de modo que até Barnabé se deixou levar. Quando vi que não estavam andando de acordo com a verdadedo Evangelho, declarei a Pedro, diante de todos: “Você é judeu, mas vive como gentio e não como judeu. Portanto, como pode obrigar gentios a viverem como judeus?” — Gálatas 2:11-14 Pedro, Barnabé e os outros cristãos judeus tinham medo da reprovação daqueles a quem respeitavam. O desejo deles de aceitação levou a um comportamento hipócrita — primeiro por parte de Pedro e depois dos outros. A imagem projetada deles assumiu a precedência sobre a integridade, levando assim a um comportamento que não era santo. Outra versão de Provérbios 29:25 nos diz: “É perigoso estar preocupado com o que os outros pensam a seu respeito” (GNT). Paulo, que mantinha sua integridade, repreendeu Pedro pessoalmente, juntamente com Barnabé e os outros que cederam à pressão dos judeus. Paulo foi rápido em apontar que se os líderes judeus conservadores estivessem ausentes, Pedro e companhia viviam de acordo com a verdade, com a sua imagem real. Eles haviam sido revestidos de poder para serem verdadeiros representantes de Jesus Cristo — para aceitar, amar e ter comunhão com os novos crentes gentios. Mas quando a dinâmica mudava, Pedro e seus amigos assumiam outra postura para projetar uma imagem que agradasse a seus contemporâneos. As consequências do comportamento deles não estavam edificando, mas prejudicando. Pedro é um santo; ele está no céu. No entanto, este é um exemplo das motivações, palavras e ações más ou nocivas que serão examinadas no Tribunal de Cristo. Se vivermos com o objetivo consistente de agradar a Jesus, não passaremos a ser controlados pela maneira como os outros nos percebem; em vez disso, viveremos na verdade. Esse é um aspecto importante da verdadeira santidade. Leia isto com atenção: Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração. Nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos Daquele a quem havemos de prestar contas. — Hebreus 4:12-13 Você digeriu estas palavras? Se você as leu rapidamente, sem dar atenção, por achar que já as conhecia, releia-as lentamente e reflita sobre cada afirmação. Observe que a Palavra de Deus penetra profundamente nos nossos pensamentos e desejos mais íntimos. Se for ouvida e obedecida, ela nos protege do autoengano — como o pensamento O Senhor não nos vê, que gera um comportamento ímpio ou não santo. Dar ouvidos atentamente à Palavra de Deus mantém o temor do Senhor ativo em nosso coração. E permite que estejamos totalmente cientes do fato de que “nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus. Tudo está descoberto e exposto diante dos olhos Daquele a quem havemos de prestar contas” (Hb 4:13). Agora temos uma melhor compreensão da razão pela qual o Espírito Santo nos aconselha: Meu filho, se você aceitar as Minhas palavras e guardar no coração os Meus mandamentos; se der ouvidos à sabedoria e inclinar o coração para o discernimento; se clamar por entendimento e por discernimento gritar bem alto, se procurar a sabedoria como se procura a prata e buscá-la como quem busca um tesouro escondido, então você entenderá o que é temer ao Senhor e achará o conhecimento de Deus. — Provérbios 2:1-5 É muito sábio guardarmos a Sua Palavra no nosso interior — o lugar que governa as nossas motivações e intenções. Quando encaramos a Palavra de Deus como o maior tesouro a ser encontrado e obedecemos ao que é revelado, entramos na zona de segurança. Quando procuramos ardentemente conhecer os Seus caminhos como se não existisse recompensa superior, então conhecemos e entendemos o temor do Senhor e evitamos o engano de projetar uma imagem falsa. Agora temos o poder para viver pela integridade e pela verdade e plantamos os nossos pés com segurança na estrada (caminho) da santidade. Personalizando Passagem: “Ao Senhor dos Exércitos é que vocês devem considerar santo, a Ele é que vocês devem temer, Dele é que vocês devem ter pavor. Para os dois reinos de Israel Ele será um santuário, mas também uma pedra de tropeço, uma rocha que faz cair. E para os habitantes de Jerusalém Ele será uma armadilha e um laço” (Is 8:13-14). Ponto: Você servirá a quem você teme. Se você teme a Deus, você obedecerá a Deus. Se você teme o homem, no final das contas obedecerá aos desejos do homem. Se você procura obedecer aos desejos dos outros, não poderá mais ser um verdadeiro servo de Jesus Cristo. Pondere: Por que eu me esforço mais para não ofender a pessoa que está diante de mim do que Aquele a quem não vejo fisicamente? Por que eu desejo mais o amor, a aceitação e a amizade das pessoas do que de Deus? Como posso mudar isso? Pare para orar: Querido Pai celestial, eu Te peço que me perdoes pelas vezes em que procurei a aprovação dos outros em lugar da Tua aprovação. Jesus, eu me arrependo por buscar a popularidade junto às pessoas acima da Tua aprovação. Escolho ser santo, separado para Ti. Deste momento em diante, Tu és Aquele a quem procurarei agradar. Em nome de Jesus, amém. Professe: Sou um servo de Cristo. Busco a aprovação Dele acima da aprovação dos outros. Onde quer que o temor de Deus governe o coração, ele aparecerá tanto em obras de caridade quanto de piedade, e nenhuma delas nos isentará da outra. — MATTHEW HENRY Semana 3 — Dia 2 16 | O ENGANO DE PENSAR QUE TEMOS DIREITO A ERRAR O livro de Gálatas foi escrito por volta de 49 d.C., de modo que podemos concluir que a correção de Paulo a Pedro e aos outros líderes judeus ocorreu antes dessa época. Mais de uma década mais tarde, aproximadamente 63 d.C., Pedro escreveu sua primeira epístola. Estou certo de que o confronto, que chegou ao conhecimento de toda a igreja da Galácia, ainda estava vívido na sua memória quando ele escreveu estas palavras: Como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelos maus desejos de outrora, quando viviam na ignorância... Uma vez que vocês chamam Pai aquele que julga imparcialmente as obras de cada um, portem-se com temor durante a jornada terrena de vocês. — 1 Pedro 1:14,17 É óbvio que Pedro está escrevendo aos cristãos — àqueles que negaram a si mesmos, que estão crucificados para o mundo e que estão totalmente dedicados a seguir Jesus. Qualquer forma de conversão fora desse fundamento não é autêntica (Mt ١٦:٢٤; Mc ٨:٣٤; Lc ٩:٢٣; Gl ٦:١٤). A partir do momento em que a regeneração acontece, uma natureza divina é formada dentro de nós. Render-se a essa natureza nos liberta do governo dos nossos sentidos, e somos revestidos de poder para fazer isso mediante Seu Espírito e pela Palavra revelada de Deus (2 Pe 1:4). O apóstolo nos adverte para não voltarmos a viver de acordo com os nossos próprios desejos que nos controlavam anteriormente. Um dos anseios mais fortes que precisamos negar e crucificar é a necessidade de autopreservação. Essa é a motivação principal que está por trás da necessidade de nos projetarmos para sermos percebidos favoravelmente pelos outros — em outras palavras, o temor do homem. Isso impulsionou não apenas o comportamento prejudicial de Pedro como também o de Ananias, Safira, Barnabé e outros. Pedro adverte que seremos julgados desfavoravelmente, seja nesta vida ou na próxima, se cedermos a esses anseios. De forma oposta, seremos recompensados por seguirmos firmemente aos desejos de Deus. Em meio a essas instruções, ele faz uma séria advertência: Deus não tem favoritos. Vamos considerar o que poderia estar por trás desse comentário. O apóstolo recebeu de Jesus um ministério poderoso. Ele era um dos principais líderes da Igreja Primitiva, porém, anos antes, enquanto estava em Antioquia, ele e seus companheiros líderes judeus caíram na armadilha da autopreservação. Talvez o confronto revelador de Paulo tenha estimulado uma avaliação honesta dos seus próprios motivos e atos. Basicamente, Pedro teve um confronto direto com o “porquê” por trás da sua hipocrisia. Nesse confronto direto, talvez ele tenha refletido sobre o comportamento errôneo deoutros líderes bíblicos, como o rei Saul e o rei Davi. Saul desobedeceu a uma ordem direta do céu a fim de conquistar o favor do seu exército — o temor do homem. Davi cometeu adultério, depois assassinou o marido da mulher para salvar a sua reputação — o temor do homem. Ambos os líderes foram confrontados e ambos trouxeram formas de juízo sobre si mesmos. No caso de Saul, ele perdeu o reinado. No caso de Davi, a espada jamais deixaria sua casa. Caindo na armadilha de pensar que eram favorecidos por Deus, ambos comprometeram os limites pessoais saudáveis e consequentemente se desviaram para um comportamento ímpio ou desobediente. Pedro estava ciente do quão facilmente isso pode ocorrer. Ele nos advertiu a evitarmos o pensamento de que “temos direito a errar” e fugirmos de pensamentos que achamos que nos isentarão do juízo, como: “Eu trabalho diligentemente para Deus”, ou “Eu dei muito para edificar o Reino de Deus”, ou “Passei anos intercedendo em oração”, ou “Realizei muito como líder da igreja”. Vamos encarar os fatos — esses raciocínios enganosos são intermináveis, mas todos eles se resumem em: Eu tenho passe livre para errar. Essa mentalidade abandona o tesouro do santo temor. Pedro começou a compreender mais plenamente o peso da afirmação de Jesus quando Ele disse: “Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes for ordenado, devem dizer: ‘Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever’” (Lc 17:10). A palavra grega para “inúteis” é definida como “alguém que não merece elogio especial, indigno de elogio particular”.1 Por mais diligentes que tenhamos sido ao servir a Deus, nunca devemos cair em uma atitude de achar que temos direito a tudo. Essa é a mentalidade enganosa que aprisiona facilmente a todos nós, especialmente os líderes. Em suas cartas, Pedro agora está escrevendo com experiência e revelação. Ele sabe que o antídoto para o temor do homem é viver em temor reverente a Deus. Mais uma vez, isso fala de profundo respeito e admiração. Ele está nos dando a chave que nos posiciona para sermos recompensados por Deus, em vez de sermos julgados desfavoravelmente. Sob esse enfoque, se examinarmos o ensinamento de Jesus sobre “a porta estreita e o caminho apertado”, é enfatizada uma realidade estarrecedora que muitos deixam passar. Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram. — Mateus 7:13-14 Jesus fala da porta estreita, que a maioria das pessoas acredita que é a entrada para a vida eterna através do senhorio de Jesus. Eu concordo. Entretanto, descobri que muitos pensam que “o caminho” (ou estrada) é o caminho do incrédulo que leva à destruição. Mas se você olhar com atenção, verá que Ele provavelmente não está falando do caminho antes de encontrarmos a porta, mas do caminho depois de passarmos por ela. Leon Morris escreveu: “Entramos pela porta bem no começo (isto é, nos comprometemos a seguir a Cristo), após a qual seguimos o caminho que está diante de nós”.2 Jesus está falando da nossa vida Nele depois que somos salvos. Ele declara que ela é difícil (ou estreita). A graça, que é tão popular na nossa igreja ocidental, alargou esse caminho. Ela proclama: “Todos os nossos pecados, passados, presentes e futuros, estão perdoados”. Isso é verdade no contexto adequado, mas geralmente é dito de forma a pensarmos que podemos viver a vida larga, não muito diferente do mundo perdido, e ainda estarmos em comunhão com Deus. Isso não é verdade, pois o restante das palavras dos escritos de Pedro afirma: Como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelos maus desejos de outrora, quando viviam na ignorância. Mas, assim como é santo Aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: “Sejam santos, porque Eu sou santo”. — 1 Pedro 1:14-16 A santidade não é uma recomendação opcional, mas uma ordem impositiva. Somos sábios em dar ouvidos logo de cara, mas loucos se encararmos levianamente as ordens de Deus. Além do mais, Pedro não está falando sobre a nossa posição em Cristo, mas sobre os nossos atos. Devemos viver em phóbos (santo temor) para atingir esse estilo de vida. Deus nos deu duas grandes forças para nos ajudar a ficarmos à margem das valas que poderiam nos aprisionar de qualquer dos lados do caminho estreito. A primeira vala é o legalismo e a segunda é a impiedade. Muitos na igreja estavam na vala do legalismo anos atrás. Naqueles dias, a santidade girava em torno das exigências de um estilo de vida criado pelo homem e não eram bíblicas. Eles pregavam um falso evangelho de salvação pelas obras. Era um cativeiro terrível e levou muitos ao ressentimento, e alguns até abandonaram a fé. Uma revelação importante nos libertou desse horrível fosso: Deus é um bom Deus. O amor do nosso Pai celestial se tornou real e arrancou muitos para fora da vala do legalismo. Mas nós fizemos aquilo que os seres humanos costumam fazer — decidimos nos afastar tanto do fosso do legalismo que nos desviamos para o lado oposto e caímos na vala da impiedade. Essa vala nos aprisionou na crença antibíblica de que somos salvos por uma graça que permite que vivamos de uma maneira que não difere em nada do restante do mundo — agora podemos viver de acordo com os desejos que vêm dos nossos sentidos, em vez de viver de uma vida crucificada que resulta do poder de Cristo em nosso interior. Essa é uma mentira que impede muitos de experimentarem a presença, a bênção e o poder de Deus. A santidade não é um cativeiro; em vez disso, ela é a verdadeira liberdade que abre o caminho para desfrutarmos tanto de Deus quanto desta vida. Fomos chamados para viver uma vida digna Daquele que nos resgatou e é pelo temor do Senhor que andamos nela. Vamos desenvolver essa verdade nos nossos próximos capítulos. Personalizando Passagem: “E ali haverá uma grande estrada, um caminho que será chamado Caminho de Santidade. Os impuros não passarão por ele; servirá apenas aos que são do Caminho; os insensatos não o tomarão” (Is 35:8). Ponto: O amor de Deus nos protege da vala do legalismo. De forma oposta, o temor do Senhor nos protege da vala da impiedade. O santo temor me empodera para permanecer no caminho da verdadeira santidade. Pondere: De que forma(s) eu ignoro o santo temor e tolero um comportamento ímpio em minha vida? De que maneira o meu serviço no Reino me deu permissão para ignorar a ordem de ser santo como Deus é santo? De que maneira a ideia de que “eu tenho um passe livre” para errar fez com que eu errasse e caísse na vala da impiedade? Pare para orar: Querido Senhor, perdoa-me por presumir que estou isento de julgamento devido ao meu serviço no Teu Reino. Eu me arrependo por isto e dou ouvidos à Tua ordem de ser santo como Tu és santo. Escolho abraçar o Teu amor por mim, mas também o santo temor de Ti. Ao escolher ambos, a Tua Palavra promete que permanecerei no caminho que leva à vida. Em nome de Jesus, amém. Professe: Decido ser santo assim como Deus é santo! Filhos, temam a Deus, isto é, sejam tomados de uma reverência santa sobre suas mentes para evitar o que é mau, e o cuidado rigoroso de abraçar e fazer o que é bom. — WILLIAM PENN Semana 3 — Dia 3 17 | AFASTE-SE DO MAL O temor do Senhor é um dom do nosso amoroso Pai celestial que nos protege para não nos afastarmos de Jesus. Ele é a fonte da vida, do amor, da alegria, da paz, da bondade e da esperança eternos, e de todas as suas muitas maravilhas. Afastar-se Dele é ir em direção à morte, às trevas e, por fim, à sepultura eterna. Aprendemos que “Com o temor do Senhor, o homem evita o mal” (Pv 16:6). Deixe-me compartilhar quando essa verdade se tornou real para mim. Em fins dos anos 1980 a corrupção de um evangelista popular na TV foi amplamente publicada. Ele era um dos indivíduos mais famosos do mundo, mas pelas razões erradas. Na época, seu ministério era o maior globalmente, tanto em alcance quanto nas finanças, massua grande fama aumentou quando praticamente todas as maiores fontes de notícias relataram diariamente a saga dos seus crimes, o julgamento que se seguiu, o veredito e finalmente sua prisão. Ele foi condenado a quarenta e cinco anos em uma penitenciária, mas uma apelação posterior reduziu a pena para cinco anos. Em 1994, seu quarto ano na prisão, minha assistente recebeu um telefonema inesperado. Embora eu fosse desconhecido para ele, alguém havia lhe dado o meu primeiro livro, Vitória no Deserto (agora com o título Deus, Cadê Você?!). Ele o leu na prisão e foi profundamente impactado. Então pediu à sua assistente para entrar em contato comigo para ver se eu poderia ir visitá-lo. Fui até ele um dia, e jamais me esquecerei desse encontro. Aquele homem entrou na área de visitantes com seu uniforme de presidiário, aproximou-se de mim, estendeu os braços e me deu um abraço apertado que durou cerca de um minuto. Então ele segurou meus ombros, olhou para mim com lágrimas nos olhos e perguntou sinceramente: — Foi você quem escreveu o livro ou foi um ghost writer?1 — Eu o escrevi. Já passei por sofrimentos, mas nem de longe iguais aos seus — respondi. Então ele disse: — Temos tantas coisas para conversar e só temos noventa minutos. Eu ainda estava um pouco desconfiado, uma vez que era a primeira vez que o encontrava. Aquele homem havia sido tão humilhado e difamado que sinceramente eu não sabia com quem estava conversando. Mas quando nos sentamos, ele me desarmou com seu primeiro comentário. Olhando nos meus olhos, ele disse: — John, esta prisão não foi o juízo de Deus sobre a minha vida; foi a misericórdia Dele. Se eu continuasse andando pelo caminho onde estava, eu teria acabado no inferno para sempre. Àquela altura, ele tinha toda a minha atenção. E continuou a falar sobre o quanto era mau e acerca do grande livramento de Deus sobre a sua vida. Não demorou muito para perceber que eu estava falando com um homem de Deus sincero, quebrantado e contrito. Ele seguiu em frente, dizendo como Deus o havia libertado das trevas no primeiro ano da sua sentença na prisão. Eu soube que todos os dias ele passava horas, tanto pessoalmente quanto em grupo, lendo a Bíblia e orando. Ele compartilhou com entusiasmo sobre a igreja deles na prisão e o homem que os pastoreava, que também era um prisioneiro. Sentindo que ele estava mais bem qualificado, perguntei por que ele não era o pastor. Sua explicação foi de que não queria fazer parte da liderança até que sua transformação estivesse completa. Ele disse: — John, eu fui um mestre da manipulação, e não quero dar chance para isso voltar à tona. Cerca de um ano depois, ele provou que sua afirmação era verdadeira. Quando foi solto da prisão, nessa época, ele entrou para uma organização missionária no centro de Los Angeles. Aquele homem ficou fora de visibilidade por dois anos, cuidando dos desabrigados nas ruas. Ele amava isso porque as pessoas de rua estavam entre os poucos no país que não faziam ideia de quem ele era. Depois de cerca de vinte minutos ouvindo, eu me senti confortável o suficiente para fazer algumas perguntas. Comecei com a maior pergunta na qual eu pude pensar: — Quando foi que você perdeu a sua paixão por Jesus? Fiz essa pergunta porque anteriormente, no seu ministério, seu amor por Jesus era algo que irradiava dele. Todos os que o ouviam podiam testemunhar de seu fogo e paixão. Então quis saber quando o seu amor esfriara e, ainda, o que havia causado isso. Olhando dentro dos meus olhos, com grande sinceridade, ele respondeu: — Eu não perdi a minha paixão por Jesus. Fiquei chocado e um pouco zangado com aquele comentário. Como ele ousa dizer isto?, pensei. Imediatamente retruquei: — O que você está dizendo? Você cometeu adultério sete anos antes de ser processado pela fraude nos correios que finalmente o colocou nesta penitenciária. Como você pode me dizer que amou Jesus durante esses sete anos? Sem parar de olhar nos meus olhos, ele disse calmamente: — John, eu amava Jesus esse tempo todo. Minha perplexidade era óbvia. Ele fez uma pausa, então disse: — John, eu não temia a Deus. Ele fez outra pausa, em seguida explicou um pouco mais o que queria dizer: — Eu amava Jesus, mas não temia a Deus. Fiquei sem palavras e perplexo e, muito francamente, eu estava chocado com o que havia acabado de ouvir. Houve silêncio por uns bons quinze segundos, com a minha mente processando suas palavras o tempo todo. Então ele fez a declaração que ainda ressoa em meu ser: — John, existem milhões de cristãos exatamente como eu — eles amam Jesus, mas não temem a Deus. Foi como se Deus tivesse falado diretamente através dos seus lábios. De repente, muitas perguntas foram respondidas através daquela afirmação. Eu estava atordoado, e a maior ficha que caiu naquele momento foi o fato de que a sua história colocou em palavras a causa e a raiz do imenso afastamento da fé em meu país. Infelizmente, a apostasia predominante na época vem aumentando consideravelmente desde então. A Bíblia deixa isso claro — o ponto de partida para conhecer a Deus intimamente é o temor do Senhor. Sem isso, desenvolvemos um relacionamento falso com uma cópia barata de Jesus — um Jesus que não é o Senhor da glória. Assim, lamentavelmente cremos em um salvador que não corresponde à realidade. Irei abordar essa verdade em grande profundidade mais tarde no livro. Mas deixe-me primeiro dar evidências do que afirmo com dois exemplos rápidos. Enquanto escrevo, justamente nesta semana, tomei conhecimento da notícia dolorosa de uma mulher que conheço desde que ela era uma garotinha. Ela foi criada na fé e professava ser uma seguidora de Jesus, mas vivia uma vida promíscua, com a reputação de ser “fácil” entre os homens. Recentemente, ela postou no Instagram que Jesus estava segurando sua mão durante todo o processo de aborto de seu bebê. A qual Jesus ela estava se referindo? Outra mulher, que era casada com um homem temente ao Senhor, me disse descaradamente que Jesus lhe prometeu que cuidaria dela se ela decidisse divorciar-se de seu marido. Ela fez isso e deixou um rastro de devastação em seu marido, filhos, família e amigos. A razão dela para o divórcio não foi escandalosa; ela simplesmente não o amava mais. Não houve abuso, nem imoralidade, nem problemas financeiros — tudo isso saiu direto da sua boca. Na verdade, ela me disse que ele era um marido e pai bondoso e cuidadoso. A qual Jesus ela estava se referindo? Esses são apenas dois de inúmeros exemplos que eu poderia dar de pessoas que professam ter um relacionamento com Jesus, mas vivem de uma maneira que declara o contrário. Como essas duas pessoas, e muitas outras, podem estar tão enganadas? Creio que seja pela falta do santo temor. Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas em minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor. — Filipenses 2:12 Paulo não escreve que deveríamos amadurecer na nossa salvação com amor e bondade. Muitos afirmariam que essas duas mulheres eram amorosas e bondosas. Eles confirmariam os anos de frequência à igreja de ambas e a declaração delas de serem leais a Jesus. Mas como elas podem mergulhar de cabeça em um comportamento tão ímpio? Falta-lhes o que faltava àquele evangelista famoso. É pelo temor do Senhor que nos afastamos do mal, e não pelo amor que sentimos por Ele. O amor de Deus nos atrai para Ele; o temor de Deus nos afasta do mal que procura nos destruir. Personalizando Passagem: “Temer ao Senhor é odiar o mal; odeio o orgulho e a arrogância, o mau comportamento e o falar perverso” (Pv 8:13). Ponto: O desvio não ocorre no momento em que a pessoa se encontra na cama com alguém com quem não tem uma aliança de casamento. Ele não começa no momento em que a pessoa se vê desviando dinheiro do seu chefe. Ele começa muito antes, quando começamos a tolerar as coisas das quais Jesus deu a Sua vida para nos libertar. Existe algo do qual Jesus morreu para me libertar e que eu tenho tolerado? Pare para orar: QueridoSenhor, eu Te peço que me perdoes por tolerar o pecado, não apenas na minha vida, mas na vida dos cristãos com quem eu me relaciono. Perdoa-me por não os confrontar gentilmente e com um coração amoroso para que eles não continuem no caminho errado. Eu me arrependo por essa tolerância. Obrigado por me perdoar. Em nome de Jesus, amém. Professe: Vou amar as pessoas porque Deus ama as pessoas. Vou odiar o pecado que destrói as pessoas a quem amo. Meus passos seguem firmes nas Tuas veredas; meus pés não escorregaram. — SALMOS 17:5 Semana 3 — Dia 4 18 | LONGEVIDADE Depois das duas experiências extraordinárias em 1994 — a conferência na igreja onde minha mensagem sobre temer a Deus foi corrigida e a visita ao famoso evangelista da tevê na prisão — uma paixão por entender e crescer no santo temor foi acesa dentro de mim. Esses dois acontecimentos me trouxeram mensagens semelhantes, mas de duas perspectivas diferentes. Aquela igreja, que era a maior e mais influente da região, não existe mais. E o seu pastor, que ensinava que os cristãos do Novo Testamento não precisam temer a Deus, não está mais no ministério. O pastor que conheci na prisão perdeu seu megaministério, mas desde que descobriu e abraçou o santo temor, permaneceu na rota de servir fielmente a Deus e às pessoas. Atualmente ele tem uma organização ministerial diferente que está influenciando muitas vidas. Esses dois incidentes não relacionados revelam como o temor do Senhor é crucial para evitarmos o mal que nos seduz e que poderia encurtar nosso mandato como embaixadores de Cristo. Podemos resumir isso em uma palavra: longevidade. Recentemente, um pastor respeitado compartilhou comigo sua conversa com um professor de uma universidade bíblica que, através de pesquisas exaustivas, estudou os personagens bíblicos a quem Deus chamou e comissionou. Ele descobriu que 75 por cento dos mensageiros escolhidos tiveram a sua eficácia encurtada, e muitos deles não terminaram bem. Considerando as tragédias no ministério dos dias atuais unidas à pesquisa desse ministro, a longevidade é o desafio que todos nós precisamos levar mais a sério. No fim dos anos 1990, a importância do santo temor com relação à longevidade seria confirmada ainda por outra experiência significativa e pela revelação que resultaria dela. Eu estava ministrando em Kuala Lumpur, na Malásia. Era o décimo e último culto, e a reunião estava lotada de crentes que haviam viajado de toda a nação para estarem ali. Ao concluir a mensagem, muitos responderam ao chamado para se dedicarem ao ministério. Uma multidão de quatro a cinco fileiras se colocou de pé diante da imensa plataforma para receber oração. Comecei a descer os degraus da plataforma, quando de repente a presença de Deus se manifestou inesperadamente no auditório de uma forma tangível e significativa. Ela era marcada pelo Seu amor e alegria. Os que estavam diante de mim começaram a sorrir, o que logo se transformou em riso, e essa alegria se espalhou rapidamente até que todos na frente foram afetados por ela. Parecia que o Abba Pai decidira trazer refrigério sobre os Seus filhos. Não demorou muito para entender que eu não precisava fazer nada, de modo que apenas me sentei na beirada da plataforma e observei Deus fortalecendo e abençoando Seus filhos. Depois de cinco a sete minutos, Sua bela presença se elevou, deixando uma quietude no ambiente. Todos nós ficamos em silêncio, desfrutando daquela paz notável no auditório. Entretanto, dali a pouco, a presença de Deus se manifestou de uma forma diferente, de uma forma que me fez lembrar do Brasil. Levantei-me na expectativa de uma mudança. Ela foi ficando cada vez mais forte; não havia vento soprando dessa vez, mas Sua autoridade e Sua magnificência eram inconfundivelmente reais. Os que estavam rindo momentos antes, sem que nenhuma direção fosse dada, irromperam quase que simultaneamente em pranto e clamor, alguns deles intensamente. A presença ficou mais forte e o pranto se intensificou ainda mais. Foi como se aquelas pessoas asiáticas naturalmente silenciosas estivessem sendo batizadas no fogo de Deus. Mais uma vez, não é possível descrever a grandeza da manifestação; e o ponto mais importante não é este — compartilhar esse momento sagrado — e sim esplendor da Sua presença. Ela aumentou a ponto de eu pensar que não poderíamos mais suportar. Nesse encontro, passei a ter uma firme consciência da diferença entre a nossa alma e o nosso espírito. Aprendemos que a Palavra de Deus “divide alma e espírito” (Hb 4:12). Minha mente (alma) estava pensando: Não consigo mais suportar! Deus, isso é demais! Mas o meu coração (espírito) estava clamando: Deus, por favor, não se vá, por favor, não pare! Mais uma vez, pensei: John Bevere, se você fizer um único movimento errado, se disser uma única palavra errada, você é um homem morto. Assim como no Brasil, não sei dizer com certeza se isso teria acontecido, mas eu sabia que a irreverência não seria tolerada naquela atmosfera. Aquela manifestação da Sua presença cheia de esplendor durou de três a quatro minutos e depois elevou-se. Quando isso aconteceu, sem que fosse dada qualquer direção, as pessoas ficaram em silêncio ao mesmo tempo outra vez. Eu permaneci quieto por vários minutos naquela calma e paz que tomaram conta do lugar. Quando estávamos saindo do prédio, o ambiente era solene, silencioso e reverente. Parei para fazer contato com um homem e sua esposa, da Índia; ambos estavam grandemente impactados com a presença de Deus. Nós apenas nos olhamos atônitos e em silêncio por alguns instantes, e então ela disse suavemente: “John, eu me sinto tão limpa por dentro”. Seu marido concordou. Quando ela disse essas palavras, meu coração saltou. Finalmente, alguém articulou com exatidão o que eu havia sentido no Brasil e agora na Malásia. Respondi, controlando a emoção: “Eu também”. Não conversamos mais, mas a afirmação daquela mulher continuou a reverberar em mim pelo resto da noite. Na manhã seguinte, eu estava no hotel me preparando para jogar basquete com os jovens da equipe ministerial da igreja e da escola bíblica. De repente, ouvi o Espírito Santo dizer ao meu coração: “Filho, leia o Salmo 19”. Peguei a minha Bíblia, abri na passagem e comecei a ler. Quando cheguei ao versículo 9, li: O temor do Senhor é puro, e dura para sempre. — Salmos 19:9 Gritei no meu quarto: “É isso! Aqui está!”. Eu estava maravilhado; era exatamente isso que a mulher havia me dito no dia anterior. Havia uma sensação de limpeza indescritível, uma pureza profunda que sentimos em nossas almas. Então as palavras “e dura para sempre” saltaram da página. O Espírito Santo imediatamente falou ao meu coração: Filho, Lúcifer dirigia a adoração diante do Meu trono. Ele dirigia todo o exército do céu como havia sido ordenado e ungido para fazer. Ele era próximo a Mim, contemplava a Minha glória, mas não me temia; portanto, ele não permaneceu diante do Meu trono para sempre (Ez 28:13-17). Um terço dos anjos que contemplavam a Minha glória se alinharam com Lúcifer. Eles não Me temiam, eles não permaneceram na Minha presença para sempre (Ap 12:4,7). Adão e Eva andavam na Minha presença gloriosa na viração do dia. Eles não Me temeram, eles não permaneceram no jardim do Éden para sempre. Filho, todo ser criado que cerca o Meu trono por toda a eternidade terá passado pelo santo teste do temor do Senhor (Gn 3:8). Meus olhos se abriram para essa verdade. Comecei a pensar em todos os pastores cuja eficácia no ministério foi encurtada ou que não terminaram bem. Muitos começaram de maneira apaixonada, amavam a Jesus profundamente, obedeciam e se sacrificavam para ministrar ao povo de Deus, mas se tornaram saturados, céticos e muitos abandonaram o ministério. Eles não permaneceram. Outros ainda estavam no ministério, mas o usavam como um meio de lucro e para vários outros propósitos egocêntricos. Alguns se tornaram predadores sexuais, usando suas posições de liderança para seduzir mulheres inocentes. Alguns se tornaram consultores e cobravam valoresexorbitantes para criar mensagens enganosas que seriam usadas por certos ministros que desejavam manipular seus seguidores a fim de que dessem grandes ofertas. Outros mentiram sobre palavras proféticas de Deus, encontrando maneiras de descobrir informações dos indivíduos a quem supostamente estavam ministrando, e depois proclamando essas informações como se elas tivessem sido reveladas por Deus. A lista de comportamentos corruptos é quase interminável. Como esses que começam tão puros terminam tão poluídos? Por que não existe longevidade na eficácia? É pela falta do santo temor. Aquilo em que Jesus tinha prazer é considerado coisa banal ou até evitado, como foi o caso do pastor no sudeste dos Estados Unidos. O que Deus chama de “Seu tesouro”, eles convencem a si mesmos e a outros a deixarem de lado. Mas ouça a Palavra de Deus com relação ao santo temor e à longevidade: Aleluia! Como é feliz o homem que teme o Senhor!... a sua justiça dura para sempre... para sempre se lembrarão dele. — Salmos 112:1,3,6 Não temos de passar por tragédias para descobrir o quanto o santo temor é importante. Por favor, por amor à glória de Deus e à sua longevidade, faça do santo temor o seu tesouro. Personalizando Passagem: “Mas o amor leal do Senhor, o Seu amor eterno está com os que O temem, e a Sua justiça com os filhos dos seus filhos” (Sl 103:17). Ponto: Todos os seres criados que cercam o trono de Deus por toda a eternidade serão aqueles que O temem. Pondere: Um dos aspectos de viver bem é terminar bem. O temor do Senhor dura para sempre. Como posso fazer do santo temor um elemento básico em minha vida? De que formas práticas posso manter o santo temor como um filtro em tudo o que digo ou faço? Pare para orar: Querido Pai celestial, a Tua Palavra diz que Tu és poderoso para me impedir de cair e Tu me levarás com grande alegria à Tua gloriosa presença sem uma única falha. Sei que é a obra redentora do meu Senhor Jesus, acompanhada pelo fato de eu abraçar o santo temor, que garante esse relacionamento eterno. Que o santo temor permaneça dentro de mim todos os dias para que eu possa viver para sempre na Tua presença. Eu Te peço isso em nome de Jesus, amém. Professe: Em santo temor, permanecerei na casa do Senhor, na Sua presença, para sempre. Se você não se deleita no fato de que seu Pai é santo, santo, santo, então você está espiritualmente morto. Você pode estar em uma igreja. Você pode frequentar uma escola cristã. Mas se não houver prazer na sua alma pela santidade de Deus, você não conhece a Deus. Você não ama a Deus. Você não está em contato com Deus. Você está adormecido para o caráter Dele. — R. C. SPROUL Semana 3 — Dia 5 19 | PURIFIQUEMO-NOS “O temor do Senhor é puro, e dura para sempre” (Sl 19:9). O salmista apresenta dois frutos notáveis do santo temor que não devem ser ignorados ou menosprezados: pureza e longevidade. Vamos examinar o primeiro, e trataremos do segundo em um capítulo posterior. Paulo escreve: Amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus. — 2 Coríntios 7:1 Aqui vemos a mesma verdade que o salmista comunica, mas em maior profundidade. Quero primeiramente apontar que a santidade amadurece através do temor do Senhor, e não do amor a Deus. Lembre-se do evangelista popular que vivia um estilo de vida ímpio, enquanto ao mesmo tempo amava a Jesus. Quando abraçou o santo temor, ele se purificou e saiu livre das antigas impurezas. Isso por sua vez o levou a um relacionamento mais autêntico com Jesus, um relacionamento maior do que ele conhecera antes. O que ele aprendeu pela experiência, nós também vemos na Bíblia. Como já afirmamos, a santidade não é o assunto mais popular em nossos dias. Para muitos, ela carrega um gosto ruim porque não é divertida e coloca um amortecedor na vida. Ela é vista como um cativeiro legalista ou como uma virtude que é nobre, mas inatingível. C. S. Lewis abordou essa ignorância ao escrever: “Quão pouco sabem as pessoas que pensam que a santidade é entediante. Quando uma pessoa encontra o que é real... ela é irresistível”.1 Portanto, prepare-se para o irresistível enquanto mergulhamos. Como mencionei anteriormente, a definição principal de santidade é “separação para Deus”, e isso certamente inclui pureza. Pense em uma noiva. Ela se separa para o seu marido, o que inclui recusar-se a desejar outros amores ou envolver-se com eles. Isso representa o aspecto da pureza da santidade. Mesmo assim, Paulo nos diz para nos purificarmos. Ele não diz: “O sangue de Jesus vai nos purificar”. Entretanto, deixe-me esclarecer este ponto: o sangue de Jesus realmente nos purifica de todo pecado; no entanto, ficamos confusos quando misturamos a obra da justificação com a obra da santificação. Quando nos arrependemos e recebemos a Jesus Cristo como nosso Senhor, os nossos pecados são perdoados e somos completamente lavados. Deus sepulta nossos pecados no mar do esquecimento. Ele não se lembra deles! Essa obra é completa, perfeita e não pode ser aperfeiçoada. Não fizemos nada para merecer essa incrível realidade; ela foi um presente de Deus. Essa é a obra da justificação. Mas no instante em que recebemos a justificação, a obra da santificação (santidade) começa. É quando o que foi feito dentro de nós é posto em ação do lado de fora; nossa nova natureza inicia uma mudança na realidade exterior em nosso modo de viver. É exatamente disso que Paulo fala ao escrever: Ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade Dele. — Filipenses 2:12-13 Está claro que essa ainda é uma obra da graça de Deus, mas precisamos cooperar com o poder que Ele dá tanto para querer quanto para realizar. Assim como o temor e o tremor posicionaram as pessoas no Brasil para entrarem na presença de Deus e receberem Dele, do mesmo modo o santo temor e tremor nos inflamam e nos posicionam para sermos revestidos de poder, pela Sua graça, para obedecermos. Um erro comum de muitos professores da Bíblia na Igreja Ocidental é declarar que a obra da santidade se iguala à obra da justificação. Em outras palavras, não precisamos fazer nada; Jesus fez tudo. Então o argumento é que embora continuemos a viver de um modo em nada diferente do mundo, controlados pelos nossos vários desejos, somos santos porque Jesus é a nossa santidade. O que torna isso ainda mais ardiloso é que existem realmente versículos no Novo Testamento que parecem apoiar essas afirmações. No entanto, o erro deles deriva de confundirem a nossa santidade posicional com a nossa santidade comportamental. Permita-me explicar. A santidade posicional é unicamente devido ao que Jesus fez por nós e fala da nossa posição em Cristo; é uma das bênçãos da obra da justificação: “Porque Deus nos escolheu Nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em Sua presença” (Ef 1:4). Jamais poderíamos ter conquistado essa posição. Mais uma vez, Paulo escreve: “Vocês estão em Cristo Jesus, o qual Se tornou sabedoria de Deus para nós, isto é, justiça, santidade e redenção” (1 Co 1:30). Em 2 de outubro de 1982, Lisa Toscano e eu fizemos uma aliança de casamento, e ela se tornou Lisa Bevere. Naquele mesmo dia ela assumiu a posição de minha esposa. Ela não é mais minha esposa hoje do que no dia em que me casei com ela, nem será minha esposa, além do que já é, daqui a quarenta anos. Tomando como base a sua posição, ela se tornou totalmente minha esposa naquele dia do casamento; a obra estava completa. Do mesmo modo, em Cristo nos tornamos santos e puros no dia da nossa salvação, e nunca seremos mais santos do que nesse dia. Entretanto, quando Lisa se tornou minha esposa, o comportamento dela começou a se alinhar com a sua posição. Antes de ser minha esposa, ela namorava outros jovens, dava a eles o seu número de telefone, vivia para os seus próprios desejos e fazia todas as outras coisas que as mulheres solteiras fazem, masagora ela não faz mais essas coisas. Seus atos se alinharam com a aliança que fizemos entre nós. Esse comportamento ficou mais maduro, entrando em alinhamento com a nossa aliança à medida que o tempo em que estávamos casados passava. Ouça o que o apóstolo Pedro escreve: Como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelos maus desejos de outrora, quando viviam na ignorância. Mas, assim como é santo Aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: “Sejam santos, porque Eu sou santo”. — 1 Pedro 1:14-16 Observe que Pedro não está tratando da nossa santidade posicional; ele está falando da nossa santidade comportamental, que é exatamente o que Paulo aborda quando nos diz para nos purificarmos de toda a impureza. Esse é o processo da santificação, e não o dom posicional gratuito de sermos justificados. Existem outras passagens no Novo Testamento que tratam da nossa santidade comportamental? A resposta é sim. Elas são muitas, mas deixe-me citar uma delas: A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o próprio corpo de maneira santa e honrosa, não com a paixão de desejo desenfreado, como os pagãos que desconhecem a Deus. — 1 Tessalonicenses 4:3-5 Recentemente, após um culto de domingo pela manhã, um homem me disse: “Sou um cristão solteiro. Durmo com mulheres porque é impossível viver uma vida de celibato. Eu paro por alguns meses, mas depois volto a dormir com mulheres. Mas esse não é o ponto principal do que vim lhe falar. Minha pergunta principal é: por que estou com tantos problemas nos negócios?”. Fiquei chocado. Será que as nossas mensagens desequilibradas sobre a graça levaram as pessoas ao ponto de acreditarem que irão permanecer na presença e nas bênçãos de Deus enquanto vivem claramente em pecado? Em uma sessão de Perguntas & Respostas em uma conferência para mulheres na igreja, uma mulher perguntou à minha esposa: “Eu realmente amo meu marido, mas ele viaja muito e eu durmo com outros homens. O que devo fazer? Devo dizer a ele?”. Essas duas pessoas realmente acreditam que têm um relacionamento com Jesus — mas será esse Jesus o que está à destra de Deus, ou será uma cópia barata de Jesus? Esses exemplos são apenas a ponta do iceberg; tive um número razoável de encontros semelhantes com outros indivíduos. Será que o chamado para vivermos uma vida santa foi emudecido de tal maneira que toda convicção foi silenciada? No entanto, Paulo escreve: “Portanto, aquele que rejeita estas coisas não está rejeitando o homem, mas a Deus, que lhes dá o Seu Espírito Santo” (1 Ts 4:8). Tenha em mente que existe um aspecto irresistível da santidade. Veremos isso claramente ao continuarmos a nossa busca por ela. Personalizando Passagem: “Aquele que diz: ‘eu O conheço’, mas não obedece aos Seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele” (1 Jo 2:4). Ponto: A obra da santificação (santidade) é quando o que foi feito dentro de nós é posto em ação; a nossa nova natureza realiza uma mudança na realidade externa em nosso modo de viver. Pondere: A santidade é uma obra da graça de Deus, mas eu preciso cooperar com o poder que Ele me dá — tanto para querer quanto para realizar o que Ele deseja de mim. Eu creio nisso? Eu tenho ignorado essa verdade e a Sua ordem de viver uma vida santa porque confundi santidade posicional com santidade comportamental? Ou eu tenho permitido que os fracassos passados sufoquem a minha fé na obra empoderadora de Deus dentro de mim? Como posso voltar a crer nela para que se torne uma realidade na minha vida? Pare para orar: Querido Pai celestial, eu Te peço que Tu operes em mim tanto o querer quanto o realizar a Tua boa vontade. Desejo viver exteriormente o que Tu já fizeste por mim interiormente. Em nome de Jesus, amém. Professe: Estou desenvolvendo a minha salvação com santo temor e tremor. Façam caminhos retos para os seus pés... Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos. — HEBREUS 12:13-14 Semana 3 — Dia 6 20 | NOSSA BUSCA A santidade não é um fim em si; ela é na verdade uma passagem para o que é mais importante. Vamos agora nos voltar para o aspecto irresistível da santidade, examinando nosso texto de abertura em uma tradução diferente: Segui... a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. — Hebreus 12:14 (ACF) A palavra “seguir” é a palavra grega diókõ, que é definida como “fazer alguma coisa com esforço intenso e com propósito ou objetivo definido”.¹ Olhando as duas traduções da Bíblia e ouvindo a definição de diókõ, não há dúvida de que essa afirmação fala de perseguir apaixonadamente a santidade com a intenção de tomar posse dela. Nossa primeira pergunta deveria ser: essa é a santidade posicional ou a santidade comportamental? Vamos voltar ao exemplo do meu casamento com Lisa. Você pode imaginar Lisa dizendo a uma de suas amigas íntimas: “Estou buscando com um esforço intenso ser a esposa de John!”? Entre risos, sua amiga diria: “Você já é esposa dele! Você se tornou esposa dele no dia do seu casamento!”. Uma mulher não procura a posição de “esposa” que ela já possui. Mas uma mulher pode buscar o comportamento excelente de uma esposa. A mesma coisa acontece com a santidade — nós não buscamos uma posição que já ocupamos, mas um comportamento “digno do Senhor” (Cl 1:10). Aprendemos que a consequência de ignorarmos essa ordem é não vermos o Senhor. Essa é uma ideia assustadora! Ela de fato nos afeta eternamente, mas esse não é o foco da nossa discussão neste momento. O que é importante para o tópico que temos diante de nós é: como isso nos afeta aqui e agora? Uma vez que sou um cidadão dos Estados Unidos da América, eu poderia dizer que tenho um “relacionamento” com o presidente. Estou sob a sua autoridade governante e sou afetado pelas decisões que ele toma, assim como os 332 milhões de outros cidadãos norte-americanos. Mas embora eu tenha esse relacionamento com o presidente, até hoje não me foi concedida uma audiência particular com nenhum deles. Em suma, eu não estive na presença de nenhum dos nossos presidentes americanos nem interagi com eles. Por outro lado, há outros norte-americanos que podem ver o presidente regularmente; eles são seus amigos ou trabalham próximos a ele. Em qualquer dos casos, eles conhecem o homem que mora na Casa Branca muito melhor que eu. Eles o conhecem intimamente; eu apenas o conheço como o líder da nação. Do mesmo modo, existem milhões de crentes que estão sob o governo de Jesus Cristo. Ele os protege, ama e supre, e responde aos seus pedidos. Entretanto, a questão é: eles O veem? Em outras palavras, eles têm experiência com a Sua presença manifesta? Faltou aos milhares de crentes no Brasil, durante aquele evento em 1994, o comportamento que os traria para a presença do Senhor. Quando se arrependeram, foi concedida a eles uma audiência com o Rei. Isso permanece sendo verdade diariamente, e até mesmo a cada momento. Se nos faltar o santo temor, nos faltará o ímpeto para buscarmos o comportamento santo que nos concede o privilégio da Sua presença manifesta. Jesus diz: “Quem tem os Meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que Me ama. Aquele que Me ama será amado por Meu Pai, e Eu também o amarei e Me revelarei a ele” (Jo 14:21). Vale a pena repetir: sem santidade comportamental, não veremos o Senhor. Por que isso é tão crucial? Em primeiro lugar, se não O virmos — se nos faltar a Sua presença manifesta — não poderemos conhecê-Lo intimamente. Podemos apenas saber sobre Ele, o que não é diferente do meu relacionamento com os presidentes dos Estados Unidos. Ou, pior, nos enganamos criando um Jesus fictício. Essa ilusão é mais perigosa porque acreditamos que conhecemos Alguém que não conhecemos. Tiago nos diz: “Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos” (Tg 1:22). Alguém que é enganado acredita que conhece alguém ou alguma coisa, mas na verdade, não conhece. A segunda razão é igualmente importante. Sem contemplá-Lo — sem estar na Suapresença — não podemos ser transformados à Sua semelhança. Paulo menciona que aqueles que veem o Senhor estão “sendo transformados com glória cada vez maior” (2 Co 3:18). Essa transformação começa no interior e subsequentemente se desenvolve para onde ela pode ser testemunhada por outros. A nossa pureza não pode ser como a dos fariseus. Jesus disse: “Assim são vocês: por fora parecem justos ao povo, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e maldade” (Mt 23:28). As motivações deles eram tão impuras e imundas quanto cadáveres. Faltava-lhes o temor do Senhor, o que por sua vez fazia com que eles buscassem uma justiça que se baseava estritamente no comportamento externo, fazendo da sua imagem projetada o foco. Isso impedia a transformação interior que gera o comportamento externo correspondente. Eles acreditavam que conheciam a Deus, mas a realidade é que não conheciam o seu Criador, que estava diante deles, e consequentemente estavam desalinhados com os desejos Dele. Eles estavam enganando a si mesmos. Do mesmo modo, hoje, a santidade que buscamos deve se originar em nossos corações — em nossos pensamentos, motivações e intenções. Isso é o que acabará impulsionando nosso comportamento externo. É por isso que Jesus diz: “Bem- aventurados os puros de coração, pois verão a Deus” (Mt 5:8). Sem vê-Lo, nos falta transformação interior — a autêntica santidade — e consequentemente não O vemos. É um processo cíclico. Não basta ter uma forma exterior de piedade, mas negar o poder da transformação dos nossos desejos internos. Precisamos ansiar pela verdade no nosso íntimo (motivações e intenções); essa deve ser a nossa busca. O apóstolo Tiago é muito duro com os cristãos que menosprezam a santidade. Ele escreve: Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres. Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus. — Tiago 4:3-4 Tiago usa a palavra adúlteros, um termo usado para a violação de uma aliança de casamento. Deus costuma usar a imagem do casamento para ilustrar a nossa aliança com Ele; Jesus é chamado de noivo, e nós somos a Sua noiva. Paulo afirma que o casamento entre um homem e uma mulher é um exemplo da maneira como Jesus Cristo e a Igreja estão unidos (Ef 5:31-32). O mundo vive para o lucro egoísta ou para as realizações orgulhosas e, portanto, foca nas imagens projetadas e percebidas. Quando nos alinhamos aos desejos do mundo na nossa negligência em buscar a santidade, nós nos tornamos adúlteros. Isso é uma afronta tão grande ao nosso Esposo que realmente nos transformamos em Seus inimigos. Assim, Tiago continua dizendo: “Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração” (Tg 4:8). Só podemos purificar nossos corações abraçando o temor do Senhor, que nos impulsiona a buscar a santidade autêntica! Estou casado com Lisa há mais de quarenta anos, e existem fortes razões pelas quais não cometi adultério contra ela. A primeira e principal é porque temo a Deus. Fiz uma aliança com Ele de amar e cuidar dela, independentemente da resposta ou do comportamento dela. A segunda razão é porque não quero perder a intimidade com essa mulher magnífica. Amo o fato dela confiar em mim, compartilhando seus segredos mais íntimos e os anseios do seu coração. Na essência, amo a nossa proximidade. Não é diferente com Jesus. A razão pela qual eu evito apaixonadamente cometer adultério contra Ele é porque não quero perder a intimidade que compartilhamos. Amo a proximidade da Sua presença e as conversas íntimas que temos. Amo quando Ele compartilha segredos comigo que eu jamais conhecera. Talvez seja por isso que nos é dito: O Senhor confia os Seus segredos aos que O temem, e os leva a conhecer a Sua aliança. — Salmos 25:14 Estamos apenas começando a descobrir o aspecto irresistível da santidade. Vamos continuar desvendando sua beleza no próximo capítulo. Personalizando Passagem: “Quem ama a sinceridade de coração e se expressa com elegância será amigo do rei” (Pv 22:11). Ponto: Sem perseguir a santidade comportamental com a intenção de tomar posse dela, não poderemos entrar na presença do Senhor. Não se trata de quando chegamos ao lugar da perfeita santidade, mas sim de quando fazemos dela a busca do nosso coração. Pondere: Deus sabe se estou perseguindo um comportamento santo ou se estou justificando consistentemente o meu amor ou a minha tolerância pelos desejos mundanos e o orgulho das realizações. Tudo começa com as intenções do meu coração. Irei perseguir a pureza de coração e de mente para que enfim haja uma mudança de atitudes? Farei isso mesmo se os que estão perto de mim não o fizerem? Pare para orar: Querido Pai celestial, perdoa-me por não buscar a santidade. Tenho ignorado a sua importância, mas agora vejo que essa deve ser a minha busca, pois ela é a porta para uma audiência contigo. Perdoa-me pelo meu comportamento mundano e pelas minhas buscas mundanas, e purifica-me com o sangue de Jesus. Eu me arrependo da minha atitude descuidada para com a santidade. Em nome de Jesus, amém. Professe: Estou perseguindo a santidade com a plena intenção de tomar posse dela. Meu objetivo é ser santo como Deus é santo. A vereda do justo é plana; Tu, que és reto, torna suave o caminho do justo. — Isaías 26:7 Semana 3 — Dia 7 21 | DESEJO E PODER A esta altura, talvez você esteja lamentando o fato de ter tentado viver uma vida santa, mas, sinceramente, você fracassou mais do que teve êxito. Você anseia por intimidade com Deus, mas tem tido problemas com a obediência. Saiba disso desde o começo: Ele anseia mais por você do que você anseia por Ele. Alegre-se, porque Deus é por você! Permita que essa verdade alivie a tensão. Há uma boa chance de que o problema esteja no fato de que você tentou. A Lei de Moisés provou a nossa incapacidade de cumprir as ordens de Deus; precisamos de ajuda divina. Essa assistência necessária não é outra senão a graça de Deus. A maioria dos crentes sabe que a graça de Jesus Cristo nos liberta das exigências da Lei, mas o que muitos não sabem é que ela vai um passo além: ela nos concede uma nova natureza, nos dando o potencial para vivermos livres do pecado (Rm 6:6-7). Se olharmos para a ordem de Paulo de nos purificarmos de toda impureza da carne e do espírito, ela é precedida por uma afirmação que geralmente é ignorada. Alguns parágrafos antes disso, ele escreve: Como cooperadores de Deus, insistimos com vocês para não receberem em vão a graça de Deus. Pois Ele diz: “Eu o ouvi no tempo favorável e o socorri!”. — 2 Coríntios 6:1-2 O tempo favorável chegou; podemos viver a vida com a ajuda Dele. Infelizmente, a graça de Deus tem sido comunicada muito abaixo do seu potencial. Ela tem sido ensinada como salvação eterna, perdão de pecados, libertação da penalidade do pecado e um dom imerecido. Embora essas realidades sejam completamente verdadeiras, o que não tem sido comunicado tão amplamente é o seu revestimento de poder. Deus fala ao apóstolo Paulo: “Minha graça é suficiente para você, pois o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9). Em suma, “Paulo, o que você não podia fazer na sua própria capacidade, você pode fazer agora pelo Meu poder, que se chama graça”. Pedro confirma essa verdade: “Graça e paz lhes sejam multiplicadas, pelo pleno conhecimento de Deus e de Jesus, o nosso Senhor. Seu divino poder nos deu todas as coisas de que necessitamos para a vida e para a piedade” (2 Pe 1:2-3). A versão NLT em inglês é ainda mais direta: “Pelo Seu divino poder [graça], Deus nos deu tudo que necessitamos para viver uma vida piedosa”. A graça nos dá o poder de vivermos uma vida santa! Por que essa verdade é tão vital? O Cristianismo é uma vida de fé. Toda a mensagem bíblica é chamada “palavra da fé” (Rm 10:8). Em outras palavras, não receberemos nada de Deus a não ser que creiamos, e não podemos crer no que não conhecemos. Assim, se não estivermos conscientes do revestimento de poder da graça, continuaremostentando agradar a Deus na nossa própria capacidade. E isso nos levaria a uma existência infrutífera e miserável. Pense sobre o exemplo do novo nascimento. Existem muitas pessoas não salvas que confessam a sua crença de que Deus pode salvar. Entretanto, até que elas se arrependam e creiam no Evangelho, elas não recebem a graça salvadora. O mesmo princípio rege a nossa busca pela santidade. Existem muitos cristãos que acreditam que Deus pode dar a capacidade para vivermos uma vida santa, mas até que creiam de todo o coração que a graça nos reveste de poder, eles não se beneficiarão dessa verdade. Paulo implora aos cristãos de Corinto para “não receberem em vão a graça de Deus” (2 Co 6:1). O que significa receber alguma coisa em vão? Significa simplesmente não a utilizar no seu potencial máximo. Se um homem recebe equipamento agrícola, juntamente com sementes, ele pode plantar alimentos para comer e viver. Mas se não usar o que lhe foi fornecido, ele perderá a vida ao morrer de fome. Depois que morrer, o que seus vizinhos dirão? “Ele recebeu o equipamento e as sementes em vão.” É disso que Paulo está falando — Deus lhe deu a graça para ajudá-lo a viver de uma maneira que você não poderia viver na sua própria capacidade. Ela empodera você para buscar e atingir um estilo de vida santo. Não negligencie acessar esse poder por causa da incredulidade. Se a graça de Deus fosse apenas o que tem sido ensinado amplamente na cultura ocidental — nada mais do que salvação, perdão e uma passagem para o céu — como alguém poderia recebê-la em vão? Não há potencial a ser desperdiçado, de modo que a afirmação de Paulo não faria sentido. Mas se seguirmos a linha de pensamento do apóstolo, tudo faz sentido. A igreja de Corinto era mundana; eles estavam em falta na sua busca por santidade. Para confirmar esse ponto, Paulo escreve um pouco depois na mesma carta: “Muitos [de vocês]... pecaram anteriormente e não se arrependeram da impureza, da imoralidade sexual e da libertinagem que praticaram” (2 Co 12:21). No capítulo 6, Paulo inicia pedindo que aqueles crentes não desperdicem a graça de Deus. Depois ele menciona seu amor por eles e pergunta por que eles não estão sendo recíprocos. Então volta ao pensamento principal — como a negligência deles em relação à graça de Deus era evidente para as pessoas ímpias que as influenciavam: Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? — 2 Coríntios 6:14 Precisamos lembrar que há uma diferença entre ir ao mundo para alcançar os incrédulos e ser influenciado por meio de um alinhamento impróprio com eles. O resultado será um comportamento que pode nos remover do caminho da vida. Mais uma vez, isso é identificado como adultério espiritual. Então Paulo lembra a esses crentes carnais que eles são o lugar da habitação de Deus e que o desejo Dele é: “Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo”. Portanto, “saiam do meio deles e separem-se”, diz o Senhor. “Não toquem em coisas impuras, e Eu os receberei” (2 Co 6:16-17). Mais uma vez, vemos a promessa da presença manifesta de Deus, mas em um nível ainda maior. Ele não está falando de nos visitar periodicamente, mas sobre habitar em nós e conosco! Mais uma vez, percebemos que a promessa de vermos a Deus (Sua presença manifesta) é condicional. Se permanecermos longe dos desejos egoístas e orgulhosos aos quais o mundo se apega, nos é prometida uma audiência duradoura com o Rei — “e Eu os receberei”. O contrário também é verdade: se nos contaminarmos com a imundície do mundo, não nos será concedida uma audiência. Paulo conclui fazendo uma afirmação focada: Amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus. — 2 Coríntios 7:1 Agora podemos entender mais completamente a afirmação de Paulo à igreja dos Filipenses: “Ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade Dele” (Fp 2:12-13). O temor do Senhor nos motiva a querer (nos dá o desejo), e a graça do nosso Senhor Jesus Cristo nos capacita para realizar (nos empodera). Dando um passo adiante, onde há a falta de desejo (devido à falta de santo temor), o empoderamento não será uma prioridade, e assim não será utilizado; ele será recebido em vão! É por isso que o santo temor é tão crucial para a nossa eficácia e longevidade. Espero que tenha ficado claro que a pureza é um enorme aspecto da santidade, mas não a sua definição total. Mais uma vez, a definição principal de santidade é ser consagrado para Ele, ser completamente Dele. Vamos dar uma ilustração mais ampla do significado essencial da santidade. Quando uma noiva se casa com o noivo, ela se entrega inteiramente a ele. Incluída nessa consagração, está uma pureza que engloba tanto sua posição quanto seu comportamento. A pureza não é o objetivo final; o objetivo é ser uma noiva consagrada para o seu noivo, o que inclui a pureza. Portanto, a verdadeira santidade é uma pureza transcendente, consagrada, uma pureza que abre a porta para uma intimidade profunda com Deus. Esse é o irresistível que continuaremos a discutir antes da conclusão deste livro. Mas primeiro precisamos continuar nosso debate sobre o que é na prática vivermos consagrados para o nosso Noivo. A resposta encontra-se em uma palavra: obediência. Personalizando Passagem: “Portanto, você, meu filho, fortifique-se na graça que há em Cristo Jesus” (2 Tm 2:1). Ponto: Se não estivermos cientes do revestimento de poder da graça, continuaremos tentando agradar a Deus na nossa própria capacidade. Teremos recebido a graça de Deus em vão. Pondere: Eu tenho tentado viver uma vida santa e tenho falhado mais do que tido êxito? Tenho tentado na minha própria capacidade? Tenho dependido da graça de Deus para me revestir de poder e assim viver uma vida santa? Caso contrário, como posso mudar isso? Pare para orar: Querido Pai celestial, entendo que é somente pelo poder da Tua graça que posso viver uma vida santa, uma vida que recebe a Tua presença gloriosa. Perdoa- me por tentar fazer isso na minha própria capacidade. De agora em diante serei forte na Tua graça para viver uma vida separada que glorifica a Jesus. Em nome de Jesus eu oro, amém. Professe: Sou motivado pelo santo temor a perseguir a santidade e farei isso pelo poder da graça de Deus. Guia-me pelo caminho dos Teus mandamentos, pois neles encontro a felicidade. — Salmos 119:35, NTLH Semana 4 — Dia 1 22 | TREMENDO DIANTE DA PALAVRA DE DEUS Na nossa primeira seção foi dito que o temor do Senhor pode ser dividido em duas categorias: tremer diante da presença de Deus e tremer diante da Sua Palavra. Falamos sobre a presença gloriosa de Deus, embora não de forma exaustiva, uma vez que seremos sempre impactados por ela por toda a eternidade. Agora, nesta seção, vamos voltar o nosso foco para a maneira como reagimos à Sua Palavra. Para começar, vamos considerar um período em que o povo de Deus se afastou de um relacionamento genuíno com Ele e o substituiu por meras formalidades. Para chamar a atenção deles, Deus pergunta: “O céu é o Meu trono, e a terra, o estrado dos Meus pés. Que espécie de casa vocês Me edificarão? É este o Meu lugar de descanso?” (Is 66:1). Se lermos os cinco primeiros versículos desse capítulo em contexto, veremos o Todo-poderoso se dirigindo a pessoas que tentavam desenvolver e manter um relacionamento com Ele nos seus próprios termos. Sem qualquer entusiasmo, elas seguiam os Seus princípios, supondo que isso O apaziguaria. Deus deixa claro que o caminho que elas haviam escolhido era ofensivo, mas imediatamente Ele diz o que é necessário para entrar em um relacionamento autêntico: A este Eu estimo: ao humilde e contrito de espírito, que treme diante da Minha palavra. — Isaías 66:2 A expressão “eu estimo” é o verbo hebraico nabat, que é definidocomo “olhar, apreciar, considerar. Tem o sentido de olhar intensamente para alguma coisa de forma focada”. Na essência, Deus está dizendo: “Esta é a pessoa em quem prestarei muita atenção”. Há três virtudes enumeradas: humildade, espírito contrito e os que “tremem diante da Minha palavra”, o que será o nosso foco nesta seção. Aquele que treme diante da Palavra de Deus sempre exalta o que Ele diz acima de qualquer outra coisa. Nada é mais importante. Essa é a verdadeira evidência do santo temor. Essa pessoa é grandemente abençoada. Sob essa mesma ótica, Paulo escreve: Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor. — Filipenses 2:12 Pense nesta afirmação não como se fosse Paulo escrevendo aos cristãos de Filipos, mas como se Deus falasse diretamente a nós. Foque nas palavras “como sempre vocês obedeceram”; elas significam de modo incondicional. Trata-se de uma obediência que acontece se você sente a Sua presença ou não, se você O vê se movendo em seu favor ou não, se a sua oração é respondida no prazo esperado por você ou não. É fácil obedecer a Deus quando você está no ambiente de uma conferência, onde as pessoas são gentis umas com as outras e a presença de Deus é forte. Mas e quando um membro da equipe em quem você confiava mente a seu respeito e você é destituído do seu cargo? Você vai perdoar de acordo com a Sua Palavra ou vai retaliar para se vingar? E se você está em uma viagem de negócios e se sentindo solitário, então começa a lembrar que o seu cônjuge tem sido crítico demais em relação a você? Um membro da equipe do sexo oposto de boa aparência o elogia, demonstra compreendê-lo, e depois se oferece de forma sedutora para passar a noite com você no quarto de hotel. Ninguém vai ficar sabendo. Você vai fugir ou vai aceitar? E se você está trabalhando até tarde no computador, pesquisando na web em busca de informações importantes para o seu trabalho e se depara com pornografia? Você vai assistir? Esses são incidentes nos quais a presença de Deus parece estar ausente. Se você treme diante da Palavra Dele, você obedecerá, independentemente das circunstâncias, porque não existe nada mais importante. Isso indica que você anda em santo temor, pois “com o temor do Senhor o homem evita o mal” (Pv 16:6). O salmista escreveu: Aleluia! Como é feliz o homem que teme o Senhor e tem grande prazer em Seus mandamentos! — Salmos 112:1 O homem ou a mulher que temem a Deus não apenas obedecem, como têm grande prazer em fazer isso. A obediência não é um fardo; é uma alegria. Essa pessoa tem o entendimento fundamental de que Deus é o nosso Criador, portanto Ele sabe o que nos edifica e o que nos destrói. Lembro-me de quando nossos quatro filhos eram pequenos. O Dia de Natal era basicamente um dia de trabalho. A maioria dos pais com crianças pequenas entende o que vou dizer. Depois que todos os presentes são abertos, há os presentes que precisam ser montados. Eu era o pai típico; abria a caixa, despejava as peças no chão, deixava de lado a caixa e o manual de instruções, e começava a montagem. Dependendo do presente, geralmente depois de cerca de uma hora, eu havia terminado, mas, para minha surpresa, às vezes ainda havia dez peças espalhadas pelo chão. Eu apertava o botão “ligar” e nada acontecia. O que eu iria fazer? Eu procurava o manual de instruções, desmontava o brinquedo e o reconstruía de acordo com o manual do fabricante. E funcionava! A pessoa que teme a Deus sempre obedece. Essa pessoa, no âmago do seu ser, não se afasta das seguintes verdades fundamentais: 1. é Aquele que sabe o que é certo para mim. 2. Deus é puro amor, e eu sou o foco do Seu amor. 3. Deus nunca me dirá para fazer nada que seja prejudicial. Seja o que for que Ele diga, sempre acabará sendo o melhor. 4. Portanto, não importa o que Ele diga, decidirei obedecer com alegria. Os filhos de Israel reclamavam constantemente. Eles não estavam satisfeitos com a maneira como estavam sendo conduzidos e com o que estava acontecendo em suas vidas. Eles culpavam a Deus pelo seu desconforto, falta e por tudo o mais que não era gratificante. Faltava-lhes o santo temor e eles não tremiam diante da Sua Palavra. Deus falou: Uma vez que vocês não serviram com júbilo e alegria ao Senhor, o seu Deus, na época da prosperidade, então, em meio à fome e à sede, em nudez e pobreza extrema, vocês servirão aos inimigos que o Senhor enviará contra vocês. Ele porá um jugo de ferro sobre o seu pescoço, até que os tenha destruído. — Deuteronômio 28:47-48 Tremer diante da Sua Palavra envolve alegria e júbilo no âmago do nosso ser. Se essas coisas estiverem ausentes, é apenas questão de tempo até que as circunstâncias revelem a falta de alegria. Jamais me esquecerei do momento em que descobri os cinco pecados que impediam Israel de cumprir o seu destino: ansiar por coisas más, adorar ídolos, imoralidade sexual, testar Deus e reclamar (1 Co 10:6-10). Quando eu li “reclamar”, quase bati no teto! Exclamei: “O quê? Reclamar! Como reclamar pode estar em uma lista junto com esses outros pecados enormes?”. Ouvi o Espírito Santo dizer: “Filho, reclamar é um pecado sério aos Meus olhos”. Ele me mostrou que reclamar diz o seguinte: “Deus, não gosto do que Tu estás fazendo na minha vida, e se eu fosse o Senhor, faria isso de forma diferente”. Então Ele disse: “Isso é uma afronta ao Meu caráter, é rebelião à Minha vontade e, acima de tudo, é uma grotesca falta de santo temor”. Compartilhei isso com Lisa e concordamos em disciplinar os nossos filhos sobre esse tema, com o entendimento de que a reclamação se tratava de rebelião. Eu levei isso a sério. Parei com todo tipo de prática de murmurar e resmungar e me certifiquei de nunca pronunciar uma palavra de reclamação. Entretanto, mais tarde, enquanto estava em um jejum de quatro dias, ouvi o Espírito Santo sussurrar: “Filho, Eu ouço a reclamação em seu coração”. Imediatamente caí de joelhos, me arrependendo. Mais tarde Deus me mostrou que eu não estava servindo ao Senhor com júbilo e alegria de coração, e os meus inimigos estavam levando vantagem. Vamos ver novamente as palavras de Paulo: Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade Dele. Façam tudo sem queixas nem discussões. — Filipenses 2:12-14 Foi pouco depois desse jejum de quatro dias que descobri a profundidade do que é revelado neste versículo. Isso abriu os meus olhos para o fato de que reclamar é a antítese do santo temor; é não tremer diante da Sua Palavra. Desonramos a Deus e a Sua Palavra quando pensamos ou falamos com base em uma postura de descontentamento. Aqueles que temem a Deus estão firmemente convencidos de que não há nada mais importante ou benéfico do que a obediência. Eles obedecem independentemente do preço a ser pago e não olham para a Palavra de Deus com as lentes da cultura ou das tendências da sociedade dos nossos dias. Eles também não baseiam sua obediência à Palavra de Deus em como os outros crentes se comportam; eles simplesmente obedecem. Personalizando Passagem: “Se vocês estiverem dispostos a obedecer, comerão os melhores frutos desta terra” (Is 1:19). Ponto: A evidência do santo temor é a obediência, que confere tanto uma atitude correta quanto uma ação correspondente, não importam as circunstâncias. Pondere: Eu só obedeço quando as condições são favoráveis? Eu tendo a reclamar quando as coisas não estão saindo do meu jeito? Como posso manter uma atitude de alegria e gratidão em todo o tempo? Como posso firmar a minha decisão de obedecer? Pare para orar: Querido Pai Celestial, perdoa a minha falta de tremor diante da Tua Palavra. Minha obediência tem sido condicional, e a minha atitude não tem sido de alegria e gratidão. Eu me arrependo e peço o Teu perdão.Eu abraço o Teu santo temor. Por favor, ensina-me e reveste-me de poder para obedecer em todo o tempo com uma atitude de alegria. Em nome de Jesus eu oro, amém. Professe: Temo a Deus e, portanto, Ele está operando em mim tanto o querer quanto o realizar a Sua boa vontade. É melhor tremer diante da palavra do Senhor, e prostrar-se diante da infinita majestade do amor divino, do que gritar até ficar rouco. — C. H. SPURGEON Semana 4 — Dia 2 23 | IMEDIATAMENTE Um atributo importante do santo temor é a obediência incondicional à Sua Palavra, a qual trará benefícios impressionantes à nossa vida. Eis aqui cinco aspectos distintos de tremer diante da Palavra de Deus, e ao longo dos próximos cinco dias vamos vê-los individualmente. Eis o primeiro: 1. Obedeça a Deus imediatamente. A obediência é um prêmio para os que temem a Deus. Eles não colocam seus interesses pessoais na frente do que Deus lhes disse para fazer. O santo temor transmite aos nossos corações que o que é importante para Deus é prioridade para mim. Existem inúmeros versículos que poderíamos analisar, mas, para criar um precedente, vamos ver duas afirmações de Jesus: É assim que eu quero que vocês se conduzam. Se alguém estiver no local do culto, prestes a fazer uma oferta, e de repente se lembrar de que um amigo tem algum ressentimento contra ele, deixe de lado a oferta, saia imediatamente, procure o amigo e conserte a situação. Depois de fazer isso, então poderá voltar e oferecer seu culto a Deus. — Mateus 5:23-24, MSG Observe a palavra imediatamente. Mais uma vez, como em Isaías 66, Jesus enfatiza que não deveríamos começar a “fazer alguma coisa para Deus” enquanto deixamos de obedecer ao que Ele já nos disse para fazer. Jesus trata da situação específica de guardar um rancor, mas o princípio geral se aplica a todas as circunstâncias. Você se lembra do homem que compartilhou comigo sobre o seu padrão repetitivo de fornicação e, no entanto, estava perplexo com fato de que suas orações não eram atendidas e se perguntava por que seu negócio não estava sendo bem-sucedido como ele esperava? Vamos fazer uma pausa e refletir sobre isso. Se não era a prioridade desse homem obedecer à Palavra de Deus e fugir da imoralidade sexual, por que ele esperaria que a prioridade de Deus fosse abençoar o seu negócio? Eli, o sumo sacerdote de Israel, tinha dois filhos que também eram sacerdotes sob a sua liderança, mas esses dois filhos eram maus. Eles cometiam adultério e tiravam ofertas pela força. Eli adiou lhes dar um tratamento adequado com relação à maldade de seus filhos. A resposta do Senhor à sua negligência foi: “Por que você honra seus filhos mais do que a Mim?” (1 Sm 2:29). Quando somos lentos ou negligenciamos a obediência a Deus em prol de qualquer pessoa ou propósito, honramos essa pessoa ou propósito mais do que honramos a Deus. Isso é falta de santo temor. Então Deus diz: Honrarei aqueles que Me honram, mas aqueles que Me desprezam serão tratados com desprezo. — 1 Samuel 2:30 Estas são palavras pesadas. Desprezamos a Deus quando retardamos ou negligenciamos a obediência à Sua Palavra. Na essência, estamos dizendo: Ele não é a nossa prioridade. Deus diz que Ele desprezará os que O desprezam. A palavra desprezar não é a melhor tradução. Trata-se da palavra hebraica qãlal, que é definida como “ser trivial, ser banal”. Trivial significa de pouco valor ou importância. Um exemplo de como essa afirmação poderia ser interpretada é dizendo que Deus vê como trivial o que é importante para aqueles que menosprezam a Sua Palavra. Ninguém em juízo perfeito desejaria esse cenário. Se o empresário tivesse honrado a Palavra de Deus no tocante à pureza sexual, talvez Deus visse seu negócio como algo importante. Em vez disso, parece ser algo trivial. Outra passagem que ilustra a importância da obediência imediata são as palavras de Jesus à igreja de Éfeso: Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele. — Apocalipse 2:5 Arrepender-se significa mudar o seu modo de pensar — e, portanto, de agir — a fim de entrar em alinhamento com a Palavra de Deus. Se essa igreja retardasse a sua obediência, eles perderiam a janela de oportunidade para continuarem sendo abençoados. Jesus viria rapidamente e removeria a influência deles. Mais uma vez, essa é uma possibilidade muito grave. No evangelho de Lucas, nos é contada uma história que ilustra as oportunidades perdidas devido ao fator tempo e às prioridades. Jesus disse: “Certo homem estava preparando um grande banquete e convidou muitas pessoas. Na hora de começar, enviou seu servo para dizer aos que haviam sido convidados: ‘Venham, pois tudo já está pronto’” (Lc 14:16-17). Sem dúvida, é a Palavra do Senhor: o banquete está pronto! O tempo certo é essencial. Veja a resposta dos convidados: “Mas eles começaram, um por um, a apresentar desculpas” (v. 18). Aparentemente são dadas razões plausíveis para a incapacidade de participarem. Um havia comprado um terreno, o outro precisava cuidar dos seus negócios, e o outro tinha uma esposa que precisava da sua atenção. As desculpas não incluíam adultério, roubo, assassinato ou qualquer outra coisa que classificaríamos como pecaminosa. Entretanto, quando o que não é pecado assume a precedência sobre a Palavra do Senhor, isso se torna pecado. O servo voltou com o relato dos que haviam sido convidados, então lemos: “O dono da casa irou-se” (v. 21). Ele não ficou triste, mas irado. Por quê? Porque o seu convite foi desprezado; ele não era uma prioridade. O que o dono da casa faz? Ele convida outros que não haviam sido convidados originalmente. Jesus conclui dizendo: “Nenhum daqueles que foram convidados provará do Meu banquete” (v. 24). A janela de oportunidade deles havia sido perdida. Suas desculpas pareciam inofensivas, mas é importante lembrar que até mesmo as coisas inofensivas podem nos impedir de cumprir a vontade de Deus. Isso ocorre facilmente quando o temor do Senhor está ausente do nosso coração. Muitas outras oportunidades perdidas estão registradas na Bíblia, as quais foram resultado de uma obediência adiada — na verdade, são muitas para enumerarmos — mas vou escolher uma que é mais interessante. Em Lucas 9, Jesus convida dois homens diferentes para segui-Lo. Que convite! O Senhor de toda a criação convida você para andar com Ele! O primeiro homem concordou, mas com uma condição: “Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai” (v. 59). O homem concordou em seguir Jesus, mas ele retardou o fato ao colocar seus interesses pessoais em primeiro lugar. Os estudiosos nos dizem que naquela época quando um filho primogênito enterrava seus pais ele recebia porção dobrada da herança, ao passo que os outros filhos recebiam uma única porção. Entretanto, se ele não cumprisse o seu dever, a herança dobrada passaria para o segundo filho. A desculpa dele parecia legítima, e o atraso não se encaixava na categoria de pecado. No entanto, ele foi deixado para trás. Infelizmente, foi uma oportunidade perdida. O outro homem recebeu o mesmo convite, ao qual respondeu: “Vou seguir-te, Senhor, mas deixa-me primeiro voltar e me despedir da minha família” (v. 61). Mais uma vez, ouvimos a palavra primeiro; e, novamente, a razão para a sua demora não seria considerada um pecado. Ainda assim, ele perdeu a sua janela de oportunidade de estar próximo do Criador dos céus e da terra. No capítulo seguinte, lemos: “Depois disso o Senhor designou outros setenta e dois e os enviou dois a dois, adiante Dele” (Lc 10:1). Esses dois homens teriam sido incluídos entre os setenta, mas eles provavelmente perderam por terem adiado a sua obediência pela falta de santo temor. Após tantos anos ministrando ao povo de Deus, ainda fico admirado (negativamente) quando ouço um crente comentar com indiferença: “Deus tem tratado comigo sobre esta questão há alguns meses”. Eles sorriem e às vezes até riem do assunto, como se fosse algo engraçadinho. Se eles apenassoubessem que estavam se gabando da sua falta de santo temor, não creio que levariam a coisa de forma tão leviana. E se Moisés tivesse se demorado a deixar de lado as suas atividades no cuidado com os rebanhos para ver a tremenda visão da sarça ardente? (Êx 3). E se Noé tivesse postergado a construção da arca? E se Abrão tivesse se demorado a ir para Canaã? O pai dele fez isso, pois foi ele o primeiro a ser chamado para ir a Canaã. O que o pai dele perdeu com a sua demora, Abrão cumpriu (Gn 11:31). E se Neemias tivesse postergado a conclusão do muro para satisfazer o pedido de Sambalate e Gesém, os dois líderes, de interromper a obra e viajar para encontrar-se com eles? Mas Neemias temia a Deus. A resposta dele foi: “Estou executando um grande projeto e não posso descer. Por que parar a obra para ir encontrar-me com vocês?” (Ne 6:3). Os exemplos são intermináveis. A conclusão é esta: quando trememos diante da Sua Palavra, obedecemos a Deus imediatamente. Personalizando Passagem: “Honrarei aqueles que Me honram, mas aqueles que Me desprezam serão tratados com desprezo” (1 Sm 2:30). Ponto: Quando retardamos nossa obediência à Palavra de Deus com desculpas pessoais, estamos comunicando que a vontade Dele é secundária em escala de importância. Pondere: É possível que coisas aparentemente inofensivas possam nos impedir de cumprir a vontade de Deus. Quando o que não é pecado assume a precedência sobre a Palavra do Senhor, isso se torna pecado. Eu tenho me permitido distrair com interesses pessoais e, portanto, tenho adiado a minha obediência? Como isso pode mudar? Pare para orar: Querido Pai celestial, perdoa-me pelas vezes que tratei a Tua Palavra como opcional ou não a priorizei como o mais importante. Entendo que ao fazer isso, eu comuniquei inadvertidamente que o que é importante para Ti é trivial para mim. Eu me arrependo e peço o Teu perdão. Darei a máxima prioridade ao que Tu desejas. Em nome de Jesus, eu oro, amém. Professe: Assim que eu souber qual é a vontade de Deus, obedecerei imediatamente. Não fomos chamados para viver pela razão humana. Tudo o que importa é a obediência à Palavra de Deus e à direção Dele em nossas vidas. Quando estamos dentro da Sua vontade, estamos no lugar mais seguro do mundo. — IRMÃO YUN Semana 4 - Dia 3 24 | ISSO NÃO FAZ SENTIDO No passado, o Espírito Santo direcionou você a fazer alguma coisa que não fazia sentido? A maioria das pessoas que andaram em um relacionamento íntimo com Deus por qualquer período responderia que sim. Mas deixe-me fazer outra pergunta. Depois que você obedeceu — às vezes imediatamente, ou mesmo algum tempo depois, fez sentido? Quase sempre a resposta é sim. (Digo “quase sempre” porque existem raras ocasiões em que talvez não faça sentido até chegarmos ao Tribunal de Cristo.) Continuando a examinar o que significa tremer diante da Palavra de Deus, uma pessoa que anda verdadeiramente em santo temor fará estas coisas: 1. Obedecerá a Deus imediatamente. 2. Obedecerá a Deus mesmo que não faça sentido. Não é uma ocorrência comum o fato de Deus nos pedir para fazermos alguma coisa que não faça sentido para a nossa compreensão. Mas isso acontece. Vamos fazer perguntas. Fazia sentido cuspir na terra e colocar a lama nos olhos de um cego e depois dizer a ele para ir se lavar? Não, no momento não fazia, mas esse conselho (sabedoria) devolveu a vista ao cego. Fazia sentido derramar água em recipientes para vinho no meio de um casamento quando o que se necessitava era de mais vinho? Não, não fazia sentido no momento, mas esse conselho (sabedoria) resultou no melhor vinho da festa. Fazia sentido instruir marinheiros experientes a irem contra os seus instintos e treinamento a não abandonarem um navio que estava afundando, quando havia barcos salva-vidas disponíveis? Não, não fazia sentido no momento, mas esse conselho (sabedoria) salvou todos os 276 homens a bordo; nenhuma vida foi perdida (At 27:27–36). Fazia sentido para um homem sair de uma reunião de avivamento em toda a cidade, uma que Deus o usou para iniciar, e obedecer ao comando de ir para o meio do deserto? Não, na época não, mas esse conselho (sabedoria) abriu caminho para que o terceiro homem no comando da Etiópia fosse salvo. Fazia sentido andar em volta de muralhas imponentes e fortificadas de uma grande cidade em silêncio por seis dias, então, no sétimo dia, fazer o mesmo mais sete vezes, e finalmente tocar buzinas e gritar? Não, na época não, mas esse conselho (sabedoria) viu as paredes do inimigo desabarem. Fazia sentido colocar farinha em uma panela cheia de um ensopado venenoso e depois dizer a todos os ministros que o comessem? Não, não fazia sentido no momento, mas esse conselho (sabedoria) deu a todos uma refeição nutritiva, e ninguém ficou doente. Faz sentido perdoar os que o ofenderam, a sua família ou alguém próximo a você? Eles não deveriam pagar? Faz sentido amar aqueles que o odeiam? Eles não deveriam receber a sua indiferença? Faz sentido fazer o bem aos que o maltrataram? Você não deveria ir à forra? Faz sentido honrar os que ocupam posição de autoridade e que estão agindo com maldade? Não deveríamos estar reclamando e nos rebelando? Faz sentido honrar os que o tratam com desonra? Eles não deveriam ser repreendidos? Eu poderia continuar até o fim do capítulo, e possivelmente de todo o livro, compartilhando ordens que não fazem sentido na Bíblia, mas com base nos resultados, cada uma delas provou ser a sabedoria de Deus. Os envolvidos tremeram diante das instruções de Deus, obedeceram e foram abençoados; ou faltou a eles o santo temor e, na sua negligência ou desobediência, sofreram as consequências. Espero que você esteja vendo com maior clareza como o temor do Senhor é verdadeiramente o princípio da sabedoria (Sl 111:10). Eis o que está escrito: Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e Ele endireitará as suas veredas. — Provérbios 3:5-6 A sabedoria do Senhor excede em muito a nossa; portanto, não deveríamos depender do nosso próprio entendimento. Quando somos instruídos a fazer alguma coisa que não é lógica, podemos facilmente ser influenciados a não obedecer em algo que acabaria por nos beneficiar. Mas a pessoa que teme a Deus obedece, mesmo quando não faz sentido. Há alguns anos, encontrei-me com um multibilionário. Ele compartilhou sobre o seu trabalho e as dificuldades que passou no mercado no começo da carreira. Ele havia lido todos os best-sellers sobre construir um negócio de sucesso e aplicou a sabedoria que adquiriu. Mas ainda estava com dificuldades. Um dia, quando estava sentado na igreja ouvindo o pastor pregar uma mensagem, esta ideia lhe ocorreu: Ele foi chamado para pregar o Evangelho e depende do Espírito Santo para realizar a missão da sua vida. Eu fui chamado para o mercado de trabalho, então por que não dependo do Espírito Santo para fazer o que fui chamado para fazer? Ele determinou que iria se levantar todas as manhãs e pedir direção ao Senhor para aquele dia. Ele mantinha um bloco de anotações e anotava todas as impressões do que devia fazer. E também decidiu manter os ouvidos sempre atentos às orientações que o Espírito Santo lhe dava ao longo do dia, até nas reuniões de negócios. Ele compartilhou comigo algumas histórias das coisas que aconteceram a partir dessa decisão. Certo dia, ele deveria participar de uma reunião de aquisições e, naquela manhã, sentiu o Espírito Santo instruí-lo a fazer algo que parecia trivial. Aquilo não fazia sentido, mas aquele homem de negócios estava comprometido com o processo. O Espírito Santo instruiu-o a fazer determinada coisa de forma repetitiva. Ele ficou pensando no rei que o profeta Eliseu instruiu a ferir o chão com flechas. O rei feriu o chão três vezes e foi repreendido pelo profeta por não ter repetido esse gesto mais vezes (2 Rs 13:14-19). Assim, aquele empresário decidiu repetir o mesmo gesto vinte vezes. Mais tarde, ele me disse: “Naquele dia minha companhiacomprou vinte hospitais no Vietnã”. Então ele compartilhou como adquiriu um dos maiores bancos do mundo na Europa. O processo parecia ainda mais incomum do que o da aquisição dos hospitais. Fiquei perplexo. Resumindo, esse empresário decidiu obedecer a Deus independentemente do que lhe fosse dito em oração, quer parecesse lógico ou não. O fruto é evidente — ele não está mais com problemas! Quando um dos nossos filhos estava no final da adolescência, pedi-lhe que fizesse uma coisa que não fazia sentido para ele. Ele ficou contrariado, insistindo comigo que aquela instrução não tinha cabimento, mas fiquei firme. Exasperado, finalmente ele disse: — Pai, sou da geração Y, e nós precisamos entender o porquê antes de fazermos alguma coisa! Eu disse a ele: — Tudo bem, vamos fazer um acordo. Deixe-me esclarecer isso lhe contando uma história real. Deus disse a um jovem profeta de Judá para viajar até Betel, profetizar para o rei de Israel, e não voltar a Judá pelo mesmo caminho que ele viera e, além disso, não comer nada durante toda a viagem. O jovem profeta não obedeceu às instruções do Espírito Santo e sofreu as consequências; ele foi morto por um leão antes do fim da viagem (1 Rs 13:16, 23-26). Filho, eis o meu acordo com você. No dia em que você puder me dizer o porquê do que estava por trás dessas instruções específicas dadas ao jovem profeta, este será o dia em que eu lhe direi o porquê por trás das minhas instruções. Até hoje ele não conseguiu me trazer respostas. Na verdade, esse episódio também me deixa desconcertado. Há momentos em que Deus nos diz para fazer algo que simplesmente não faz sentido em nossa mente. Mas a sabedoria Dele é sempre confirmada pelos resultados. É por isso que Jesus diz: “A sabedoria é comprovada pelas obras que a acompanham” (Mt 11:19). Que sejamos todos como Pedro que, depois de se esforçar no mar a noite inteira sem nenhum resultado, deu ouvidos à voz de Jesus de voltar às águas profundas e lançar as redes mais uma vez. Essa ordem resultaria em muito trabalho extra, quando na verdade eles já estavam exaustos. Você não ama a resposta de Pedro? “Mestre, esforçamo-nos a noite inteira e não pegamos nada. Mas, porque és Tu quem está dizendo isto, vou lançar as redes” (Lc 5:5). O resultado foram dois barcos carregados de peixes. Personalizando Passagem: “Quem confia em si mesmo é insensato, mas quem anda segundo a sabedoria não corre perigo” (Pv 28:26). Ponto: A sabedoria do Senhor excede em muito a nossa; portanto, não deveríamos depender do nosso próprio entendimento. Ele pode facilmente nos influenciar a nos afastarmos da obediência benéfica. A pessoa que teme a Deus obedece, mesmo quando não faz sentido. Pondere: Eu tenho dificuldade de confiar na sabedoria de Deus? No passado, eu critiquei o conselho Dele e voltei ao que parecia lógico para mim? Qual foi o resultado? O que aconteceria se eu buscasse a Deus para ter direção e confiasse Nele? Posso me comprometer com esse processo? Pare para orar: Querido Pai celestial, perdoa-me por confiar na minha própria sabedoria e não na Tua. Eu Te peço fé para receber a Tua sabedoria à medida que leio a Tua Palavra, oro e ouço o conselho piedoso daqueles que Te temem. Dá-me forças para crer e obedecer mesmo quando não fizer sentido. Em nome de Jesus, eu oro, amém. Professe: Decido obedecer e aceitar a sabedoria de Deus acima da minha própria sabedoria e das vozes dos que confiam mais na capacidade do homem do que na capacidade de Deus. É dever do homem amar e temer a Deus, mesmo sem esperança de recompensa ou com medo de punição. — MAIMONIDES Semana 4 — Dia 4 25 | NENHUM BENEFÍCIO ÓBVIO Você provavelmente já ouviu um pai ou uma mãe lamentar o fato de que as únicas vezes em que eles têm notícias dos filhos que estão na universidade é quando eles precisam de dinheiro. Nesse cenário típico, durante aquele raro telefonema, o filho pode parecer interessado em conversar com a mamãe e o papai, mas o motivo por trás desse interesse é receber o benefício do recurso necessário. O santo temor nos protege para não fazermos isso com o nosso Pai celestial e nos introduz ao próximo aspecto acerca de tremermos diante da Palavra de Deus. Vamos fazer uma revisão enquanto acrescentamos um novo indicador. Devemos: 1. Obedecer a Deus imediatamente. 2. Obedecer a Deus mesmo quando não faz sentido. 3. Obedecer a Deus mesmo quando não vemos nenhum benefício pessoal. Em mais de quarenta anos de ministério, observei uma triste realidade, especialmente na Igreja Ocidental. Com muita frequência, para fazer com que os crentes se interessem pela obediência, é necessário enfatizar os benefícios. Pense nisso. Chegaríamos com trinta minutos de antecedência para nos sentarmos na primeira fila para ouvir uma mensagem sobre santidade? Os títulos dos livros que enfatizam a obediência estão na lista de best-sellers? A liderança se afastou dessa verdade confrontadora para acomodar essa tendência? Em outras palavras, muitos ministros sucumbiram à pressão de saciar aos que têm comichão nos ouvidos com histórias inspiradoras, em vez de chamarem o povo de Deus para negar a si mesmo e seguir a Jesus? O que faz dessa tendência uma realidade tão triste? Ao rejeitarmos a sabedoria de Deus, na verdade nós ferimos a nós mesmos. Suas ordens, Seu conselho e Sua sabedoria no final das contas trazem as maiores bênçãos, tanto nesta vida quanto na que está por vir. Somos ensinados que “há grande recompensa em obedecer-lhes” (Sl 19:11). Você nunca pode dar mais do que Deus; Seus benefícios são muito maiores do que qualquer coisa que você possa fazer por Ele. Por outro lado, é perigoso ser motivado por incentivos. Por quê? Se o benefício não for óbvio, teremos a mesma determinação de obedecer às instruções de Deus? Muito provavelmente essa determinação será engolida pelos nossos interesses pessoais. É por isso que o temor do Senhor é tão crucial; ele motiva a obediência, quer a recompensa seja óbvia ou não. Durante o tempo do grande império persa, esse poderoso reino havia subjugado todos os demais, e seu líder, o rei Xerxes, era o homem mais poderoso da terra. Ele era casado com uma mulher judia chamada Ester. O oficial de mais alto escalão abaixo do rei era um homem chamado Hamã. Ele estava amargamente ofendido com o primo de Ester, Mardoqueu, que também era um oficial do rei. Em sua fúria, Hamã decidiu punir não apenas Mardoqueu, mas também toda a raça do povo judeu. Ele, assim como a maioria, não tinha conhecimento de que a rainha Ester era judia. Hamã começou a difamar cruelmente o povo judeu perante o rei e a sugerir que toda a raça fosse aniquilada em um dia. Sua trama teve êxito. O rei consentiu, emitiu o decreto, e selou-o com o seu anel de selar. Mardoqueu, ao descobrir a notícia do decreto, enviou mensagem à sua prima, a rainha Ester. Ele pediu que ela comparecesse à presença do rei e implorasse pelas vidas do povo judeu. Ester respondeu: “Todos os oficiais do rei e o povo das províncias do império sabem que existe somente uma lei para qualquer homem ou mulher que se aproxime do rei no pátio interno sem por ele ser chamado: será morto, a não ser que o rei estenda o cetro de ouro para a pessoa e lhe poupe a vida. E eu não sou chamada à presença do rei há mais de trinta dias” (Et 4:11). Embora Ester fosse a esposa de Xerxes, se ela se aproximasse dele na sala do trono sem ser convidada, muito provavelmente seria executada. Vamos entender isso melhor. Ela é rainha e tem uma vida fabulosa — na verdade, ela pode ter tudo o que o seu coração deseja. Ester, pessoalmente, não tem nada a ganhar correndo o risco de entrar na sala do trono em nome do povo de Deus, mas tem tudo a perder, inclusive a vida. No entanto, observe a resposta que ela deu a Mardoqueu: Vá reunir todos os judeus que estão em Susã, e jejuem em meu favor. Não comam nem bebam durante três dias e três noites. Eu e minhas criadas jejuaremos como vocês. Depois disso irei ao rei, ainda que seja contra a lei. Se eu tiver que morrer, morrerei. — Ester 4:16 O santotemor a motivou a colocar o Reino de Deus antes do seu próprio bem-estar. Seu conforto, sua segurança, sua riqueza, sua posição, tudo foi posto em perigo pela sua obediência. Isso não lhe traria nenhum benefício pessoal, mas o que era importante para Deus era mais importante para ela, sem exceção. Ester tremia diante da Sua Palavra; ela temia a Deus. Em 2015, Lisa e eu estávamos em Yerevan, na Armênia, ministrando em uma conferência para mais de três mil líderes. Pastores haviam ido de avião de toda a Europa Oriental e do Oriente Médio, e muitos haviam dirigido desde o Irã (Yerevan fica a cinquenta quilômetros da fronteira com o Irã). Na época, os cidadãos iranianos tinham permissão para entrar na Armênia, de modo que inúmeros líderes da igreja subterrânea estavam na audiência. As reuniões foram gloriosas. Depois do término da última reunião, Lisa e eu decidimos passear pela rua principal de Yerevan para tomar um pouco de ar fresco. Duas jovens na casa dos vinte e poucos anos saíram de um restaurante para nos cumprimentar. Ao conversarmos, descobrimos que elas eram duas líderes no Irã. Elas eram tremendamente belas e cheias de vida; na verdade, a certa altura, pensei: A qual dos meus três filhos solteiros posso apresentar essas garotas? Lisa e eu conversamos com elas por cerca de vinte minutos. Soubemos que a polícia religiosa as estava rastreando; durante a conferência, as autoridades iranianas telefonaram querendo saber onde elas estavam. Uma das jovens compartilhou que tinha uma mensagem de alerta em seu telefone. Nesse momento, fiz um dos comentários mais estúpidos que já fizera em quatro décadas de ministério. Eu disse a ela: “Por que você vai voltar para o Irã? Por que você não desiste de correr esse risco?”. Sinceramente, com gentileza e determinação, ela olhou para mim e respondeu: “Quem vai falar ao povo persa sobre Jesus se nós não voltarmos?”. Fiquei perplexo com a resposta dela. Testemunhamos aquelas mulheres colocarem de lado o seu instinto de autoproteção; ele foi ofuscado pela paixão de ambas pelo avanço do Reino em seu país. Elas andavam no mesmo santo temor que Ester andou. Elas obedeciam a Deus, mesmo quando não havia benefício pessoal óbvio, e muito provavelmente colocavam suas vidas em risco. Fui corrigido e inspirado também. Essa determinação, como foi visto nas jovens que mencionei, não está limitada a um único ato de obediência. É uma postura do coração que precisa ser desenvolvida e segundo a qual se vive. Ela é o nosso modo padrão até mesmo nas decisões aparentemente insignificantes que tomamos a cada momento. Decidimos, mesmo nas questões menores, obedecer à Palavra de Deus e à direção do Espírito Santo. Podemos ter uma agenda apertada, mas de repente somos movidos a telefonar para alguém. Não há razão, nem benefício óbvio, mas não somos motivados por essas coisas. Fazemos a ligação e muitas vezes verificamos o “porquê” depois. Ou talvez tomemos conhecimento de que alguém nos difamou. Não existe benefício óbvio em perdoar, buscar reconciliação e abençoar essa pessoa, mas decidimos fazer isso unicamente por obediência à ordem “sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus perdoou vocês em Cristo” e “abençoem os que os amaldiçoam” (Ef 4:32; Lc 6:28). Talvez tenhamos sido maltratados por alguém que nos odeia. Qual é o benefício evidente de obedecer às palavras de Jesus “Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem” (Mt 5:44)? Ou leve isto em consideração: que benefício os crentes nas nações perseguidas veem em abençoar aqueles que os perseguem, torturam ou até condenam seus entes queridos à morte por causa de sua fé? No entanto, Lisa e eu nos sentamos com pastores de países onde isso aconteceu e testemunhamos a alegria e a vida abundante deles. Que benefício há em orar apaixonadamente por aqueles que estão em outras nações? Ou em ofertar a pessoas de outros continentes que nunca poderão lhe retribuir? A lista é interminável. A questão é: você vai obedecer a Deus de forma consistente em resposta ao santo temor que arde no seu coração, ou você vai esperar até ver um benefício pessoal? Personalizando Passagem: “Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa, a encontrará” (Mt 16:25). Ponto: Muitas vezes perdemos as maiores bênçãos por rejeitarmos a sabedoria de Deus que não parece ser pessoalmente benéfica. Na essência, mais cedo ou mais tarde ferimos a nós mesmos. Jamais poderemos dar mais do que Deus. Pondere: O que Jesus quer dizer com “salvar a sua vida”? Tenho interpretado essa passagem à luz somente de casos extremos, como o martírio? Eu a tenho aplicado às pequenas decisões diárias que tomo? O que aconteceria se eu fizesse isso? Como isso mudaria o meu modo de viver? Pare para orar: Querido Pai celestial, perdoa-me por limitar a minha fome e a minha obediência à sabedoria que considero pessoalmente benéfica. Eu me arrependo por essa mentalidade e peço o Teu perdão. Decido de agora em diante não querer salvar a minha vida, mas abrir mão dela por amor a Jesus. Assim, terei fome e sede da Tua sabedoria, mesmo daquela que não traz benefício imediato. Em nome de Jesus eu oro, amém. Professe: Decido, a cada momento, entregar minha vida aos desejos e à sabedoria do meu Senhor Jesus. Fora da obediência, não pode haver salvação, pois salvação sem obediência é uma impossibilidade contraditória. — A. W. TOZER Semana 4 — Dia 5 26 | UMA DOR BOA Quando uma mulher dá à luz um filho, não é uma experiência agradável; é difícil e até dolorosa. Entretanto, o resultado final é um novo membro na família. Sem o desconforto da gravidez e do parto, essa bela e desejada vida não poderia ter sido trazida à luz. Esse cenário nos dá uma ideia de mais um aspecto de tremer diante da Palavra de Deus. Os três primeiros aspectos, juntamente com o mais novo, são: 1. Obedecer a Deus imediatamente. 2. Obedecer a Deus mesmo quando não faz sentido. 3. Obedecer a Deus mesmo quando não vemos nenhum benefício pessoal. 4. Obedecer a Deus mesmo que seja doloroso. Voltando a uma das nossas referências bíblicas básicas, Filipenses 2:12-13, somos lembrados de colocar em ação a nossa salvação com temor e tremor. Imediatamente antes dessas palavras que requerem a nossa obediência, Paulo aponta para Jesus como aquele que dá o exemplo. Nosso Senhor abriu mão de Seus privilégios divinos e “humilhou-se a Si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!” (Fp 2:8). Jesus voluntariamente obedeceu ao pedido do Pai, embora isso implicasse em tremendo sofrimento. Na noite anterior à crucificação, no jardim do Getsêmani, Jesus clamou em angústia: “Meu Pai, se for possível, afasta de Mim este cálice; contudo, não seja como Eu quero, mas sim como Tu queres” (Mt 26:39). O conflito entre a obediência e a autopreservação era tão intenso que Jesus suou grandes gotas de sangue. Lembre-se de que Ele “passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado” (Hb 4:15). Ele previu o terrível sofrimento que estava à frente e implorou por um caminho alternativo para realizar a vontade do Pai, mas não era possível. O que motiva esse nível de obediência? Durante os Seus dias de vida na terra, Jesus ofereceu orações e súplicas, em alta voz e com lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, sendo ouvido por causa da Sua reverente submissão. — Hebreus 5:7 Seu profundo temor santo O revestiu de poder para enfrentar e suportar aquilo diante do qual a natureza humana fugiria. Do mesmo modo, aprendemos que: Portanto, uma vez que Cristo sofreu corporalmente, armem-se também do mesmo pensamento, pois Aquele que sofreu em Seu corpo rompeu com o pecado. — 1 Pedro 4:1 Antes de prosseguir, quero acrescentar um ponto importante. A falsa religião buscará o sofrimento para agradar o deus a quem ela serve. Mas o verdadeiro Cristianismo busca obedecer a Deus e, nesse processo, encara a resistência de um mundo caído, o que geralmente resulta em sofrimento. É a obediência que agrada a Deus, e não buscaras dificuldades. O sofrimento pode ocorrer fisicamente ou mentalmente; a dor de qualquer deles é real. Pedro nos instrui a nos armarmos. Você pode imaginar um militar indo para a guerra desarmado, sem nenhum avião, navio, tanque, armamento, balas ou facas? Essa ideia parece ridícula. Do mesmo modo, é igualmente loucura um cristão estar despreparado para sofrer, porém muitos estão. Um crente desarmado pode facilmente contornar a dificuldade em nome da autopreservação. O temor do Senhor é o que nos arma; ele mantém uma determinação profunda em nossa vontade de obedecer a Deus, independentemente do sofrimento que isso possa exigir. Tenho inúmeras histórias que eu poderia compartilhar sobre sofrimento, o suficiente para encher um livro inteiro. Uma delas diz respeito a uma viagem ministerial no início dos anos 1990. Lisa, nossos filhos e eu estávamos em uma cidade muito pequena, no meio do nada, ministrando a uma igreja que havia acabado de perder o pastor; ele os havia deixado para estar em uma igreja maior. As primeiras reuniões foram difíceis. Uma boa parte da congregação estava desinteressada, e os jovens se sentaram no fundo, brincando e rindo. No entanto, por volta da terceira reunião, uma barreira foi rompida. O impacto foi profundo — até os jovens agora estavam chegando cedo para pegar lugar na primeira fila. A frequência aumentou e as reuniões se estenderam por algumas semanas. Fazíamos reuniões todas as noites no prédio lotado da pequena igreja, com várias pessoas sendo salvas e quase todos sendo reavivados. Depois de muita oração, nós nos oferecemos para ficar por quantos meses fossem necessários para preparar a igreja para um novo pastor. Entretanto, a diretoria não ficou feliz com a interferência na organização de suas vidas e no controle deles sobre a maneira como as coisas aconteciam. Fiquei chocado com uma das reclamações, na qual eles diziam não gostarem de que os jovens se sentassem na primeira fila. Havia outras queixas, mas nada que valha a pena ouvir. Resumindo, eles acabaram votando e optaram por não aceitar a nossa oferta, então pediram que fôssemos embora. Na noite da votação, anunciei à igreja que nossa última reunião seria na noite seguinte. Um clamor de decepção foi expresso pela maioria das pessoas; foi um momento tenso, desconcertante e desconfortável. No dia seguinte, a igreja recebeu o telefonema de um homem descontente cuja esposa havia frequentado as reuniões, e ele ameaçou jogar uma bomba no prédio da igreja durante a nossa última reunião. Achei aquilo engraçado, até que um policial me telefonou para falar sobre o assunto. Incrédulo, respondi: — Com certeza isso não vai acontecer. O policial respondeu: — Senhor, eu conheço esse homem. Suspeita-se que ele seja um contrabandista de drogas de alto nível e eu não descartaria a possibilidade de ele fazer isso se tiver tomado alguns drinks. Preocupado, perguntei: — O senhor pode nos dar algum tipo de proteção? Mal pude acreditar na resposta dele: — Meu posto, que é o mais próximo desse vilarejo, fica a cinquenta e seis quilômetros de distância. Meu expediente esta noite termina às seis e não temos ninguém que possa dirigir até aí porque estamos com a equipe reduzida. Desliguei o telefone, incrédulo e muito preocupado. Minha mente estava gritando e dizendo para fazermos as malas imediatamente e sair da cidade. Estávamos morando num trailer de duas unidades conectadas, que pertencia a um membro da igreja, estacionado em um campo e completamente vulnerável a um ataque. Nós nos sentimos inseguros e rejeitados. Por que não ir embora naquela noite? A diretoria havia nos menosprezado, então era melhor que saíssemos da cidade! Eu sabia que meus pensamentos estavam sendo egoístas. Muitas pessoas foram impactadas durante as nossas duas semanas ministrando; se nós as abandonássemos prematuramente por causa de uma ameaça, eles experimentariam novamente a rejeição de um líder. Eu sabia que, se fugíssemos, estaríamos estabelecendo um padrão de negligência que possivelmente poderia nos afetar pelo resto de nossas vidas. Não pude evitar pensar nas palavras de Jesus: “O assalariado... [aquele que só serve por salário]... quando vê que o lobo vem, abandona as ovelhas e foge” (Jo 10:12, AMPC). Nós oramos por horas. Repetidamente, ouvi em meu coração a passagem que afirma que os que habitam na presença de Deus são os que “mantêm a sua palavra, mesmo quando saem prejudicados” (Sl 15:4). Finalmente, uma paz prevaleceu em nossos corações, e sentimos que estaríamos seguros. Tivemos um excelente culto naquela noite. Nenhuma bomba explodiu e pudemos dizer adeus da maneira adequada à congregação. Vivemos em um mundo caído que é contrário, e até hostil, aos caminhos de Deus. Assim está registrado: “Pois a vocês foi dado o privilégio de, não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por Ele” (Fp 1:29). Não apenas Paulo, mas Pedro também escreveu: Para isso vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando-lhes exemplo, para que sigam os Seus passos. “Ele não cometeu pecado algum, e nenhum engano foi encontrado em Sua boca”. Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-Se àquele que julga com justiça. — 1 Pedro 2:21-23 Não devemos retaliar; em vez disso, devemos entregar nas mãos de Deus qualquer tratamento injusto que recebemos. Não devemos ignorá-lo, mas em oração devemos entregá-lo a Deus, que nos vingará, mas a Seu modo e no Seu tempo. Os heróis do Reino experimentaram grandes vitórias através da fé, mas na sua obediência a Deus, alguns foram ridicularizados, acorrentados, torturados, abusados, aprisionados, perambularam em desertos, viveram em caverna e passaram por uma série de outras circunstâncias desconfortáveis ou dolorosas. Por quê? Eles viviam em um mundo caído que é hostil ao Reino de Deus (Hb 11:36-39). Todos tinham isso em comum: por causa do santo temor em seus corações, eles se recusaram a se afastar da obediência, mesmo que isso os prejudicasse. Mas eles confiavam nesta promessa: “Aqueles que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colherão. Aquele que sai chorando enquanto lança a semente, voltará com cantos de alegria, trazendo os seus feixes” (Sl 126:5-6). Personalizando Passagem: “Aquele que teme ao Senhor possui uma fortaleza segura, refúgio para os seus filhos” (Pv 14:26). Ponto: O temor do Senhor é o que nos arma para manter uma profunda determinação de obedecer a Deus, mesmo diante da adversidade. Pondere: Tenho deixado de obedecer à Palavra de Deus em nome da autopreservação? Estou disposto a me arrepender e a abraçar o temor do Senhor? Vou escolher viver e obedecer mesmo que isso me custe financeira, social ou mesmo fisicamente? Pare para orar: Querido Senhor, perdoa-me pelo padrão de evitar a obediência à Tua Palavra para me proteger. Entendo que tenho escolhido de forma pouco sábia — a Tua proteção é infalível e duradoura; a minha proteção é apenas temporária. De agora em diante escolho o temor do Senhor; que ele possa me dar a profunda determinação de obedecer-Te independentemente do custo. Obrigado por esta força, em nome de Jesus, amém. Professe: Estou armado pelo santo temor de obedecer a Deus, ainda que isso signifique que eu sofrerei nesse processo. Entrego a minha alma Àquele que julga retamente. Veja bem por onde anda, e os seus passos serão seguros. — PROVÉRBIOS 4:26 Semana 4 — Dia 6 27 | ESTÁ CONSUMADO Para iniciar este capítulo, deixe-me fazer uma pergunta: é possível atingir o pleno potencial de qualquer projeto sem completá-lo? A resposta é um óbvio não. Nosso Senhor tem um imenso projeto em andamento, o qual está centrado em edificar um Reino. Ele deu a cada um de nós a responsabilidade de realizar subprojetos que, quando completados, concluirão a obra do Seu glorioso Reino. Tenha isso em mente enquanto caminhamos na direção do nosso aspecto final de tremer diante da Palavra de Deus. Aqui estão novamente os quatro primeiros, juntamente com o último: 1. Obedecer a Deus imediatamente. 2. Obedecera Deus mesmo que não faça sentido. 3. Obedecer a Deus mesmo que você não veja nenhum benefício pessoal. 4. Obedecer a Deus mesmo que seja doloroso. 5. Obedecer a Deus até o fim. O primeiro rei de Israel, Saul, é um exemplo clássico de alguém que não tremia diante da Palavra de Deus. Ele se afastava facilmente da obediência quando não fazia sentido, quando o benefício não era óbvio, ou quando isso não servia aos seus propósitos. Sua falta de santo temor frequentemente causava dor ou mal a outros, que era o que de fato acontecia como resultado desse comportamento. Mas nem sempre foi assim. Antes de ser coroado rei, ele era um jovem humilde e temente a Deus — duas virtudes que andam de mãos dadas. Quando Samuel, o famoso profeta, o procurou, ele foi rápido em dizer: “Por que você daria atenção a mim? Sou da menor tribo de Israel, e a minha família é a menos importante da nossa tribo” (1 Sm 9:21, paráfrase minha). Mais tarde, todo o Israel havia se reunido para descobrir qual seria a identidade do seu primeiro rei. Depois de um longo processo, a escolha divina caiu em Saul, mas quando os líderes o chamaram, ele não estava em lugar algum; ele estava escondido em um lugar obscuro. Ele não queria ser reconhecido (1 Sm 10:20-24). O santo temor não era o seu tesouro. Como aconteceu com Salomão, ele acabou abandonando-o quando desfrutou de sucesso, notoriedade e dos benefícios da liderança. Como acontece com a maioria, como foi com o rei Saul, os sinais iniciais da perda do santo temor são sutis. Tudo começa ignorando a convicção do certo e do errado nas pequenas coisas, e o resultado é que nossa consciência se torna cada vez mais insensível. No fim, quando nos deparamos com questões mais significativas, não temos consciência do padrão de desobediência desenvolvido em nós. Isso aconteceu com o rei Saul. Os sinais da perda do santo temor começaram a aparecer (1 Sm 13:5-14), mas o curioso era que ele estava tendo grande sucesso ao mesmo tempo (1 Sm 14:47). Depois de algum tempo, o rei recebeu as ordens: “Agora vão, ataquem os amalequitas e consagrem ao Senhor para destruição tudo o que lhes pertence. Não os poupem; matem homens, mulheres, crianças, recém-nascidos, bois, ovelhas, camelos e jumentos” (1 Sm 15:3). O Senhor estava pronto para vingar o comportamento iníquo dessa nação. Saul mobilizou 210 mil tropas. Ele e os seus homens mataram cada ser humano e animal — exceto o rei amalequita, Agague, e os melhores animais (1 Sm 15:7-9). Vamos analisar isso. Para Saul comissionar um exército tão grande, os amalequitas deviam ter pelo menos um quarto de milhão de cidadãos, de modo que, essencialmente, eles assassinaram 249.999 pessoas. O rei fez 99,99 por cento do que havia lhe sido dito para fazer, mas observe a resposta de Deus para a sua obediência quase completa. Arrependo-Me de ter constituído a Saul rei, pois ele me abandonou e não seguiu as Minhas instruções. — 1 Samuel 15:11 Samuel entrega essa mensagem ao rei e chama abertamente seu comportamento de rebelde (1 Sm 15:23). Não há dúvida quanto a isso, Saul pecou. Vamos fazer uma breve pausa e discutir o pecado. O apóstolo João diz que pecado é transgressão (1 Jo 3:4). Sua definição de pecado pode ser expressa deste modo: o pecado é a insubordinação à autoridade de Deus. Veja a partir deste ângulo: no jardim, Adão não foi para a cama com uma prostituta, não roubou um banco, nem assassinou alguém. Ele apenas desobedeceu ao que Deus havia dito. Do mesmo modo, Saul decidiu não obedecer completamente ao que Deus o havia instruído a fazer. Vamos mergulhar mais fundo. Quando Saul recebeu a ordem de ir para a batalha, ele não bateu o pé e disse: “De jeito nenhum! Não vou fazer isso!”. A maioria classificaria esse comportamento como rebelião. Ele não ignorou a ordem e foi se ocupar com outras questões pessoais. Se esse fosse o caso, chegaríamos à seguinte conclusão: “Ele cometeu um erro de julgamento ao não fazer da obediência uma prioridade”. Mas poucos usariam a palavra “rebelião”. Do mesmo modo, a maioria afirmaria que ele fez bem ao completar 99,99 por cento da missão, mas muito poucos classificariam seus atos como rebelião. Se estivéssemos no lugar de Saul e recebêssemos essa correção, quantos de nós protestaríamos assim: “Vamos lá, seja razoável! Por que você está tão focado no pouco que eu não fiz, em vez de reconhecer tudo o que realizei?”. Diante disso, é seguro concluir esta verdade: obediência quase completa não é obediência nenhuma. Vamos explorar por que foram usadas palavras tão fortes. Primeiramente, naqueles dias, se você fosse um rei que conquistou outra nação, levar o seu rei vivo era o mesmo que ter um troféu no seu palácio. Isso servia como um lembrete constante da grandeza da sua liderança, não apenas para o seu ego, mas para todos os que entrassem no seu palácio. Em segundo lugar, por que poupar os melhores animais? Antes de responder, vamos complicar ainda mais. Saul permitiu que os melhores animais fossem poupados com o propósito de ofertá-los ao Senhor. Observe a sua réplica ao profeta: “Os soldados os trouxeram dos amalequitas; eles pouparam o melhor das ovelhas e dos bois para o sacrificarem ao Senhor seu Deus, mas destruímos totalmente o restante” (1 Sm 15:15). Por que ele faria isso? Seria para garantir o favor junto ao povo? Israel era uma nação que reconhecia ao Senhor Deus. Pense na perspectiva dos soldados, dos sacerdotes e do povo; eles provavelmente estavam dizendo uns aos outros: “Temos um rei tão piedoso; ele sempre coloca o Senhor em primeiro lugar; ele está dando o melhor a Deus”. O povo não sabia que a ordem original era destruir absolutamente tudo. No fundo, Saul estava garantindo a sua reputação. A motivação por trás dos seus atos era o temor do homem. Saul era inseguro. Em nosso mundo hoje, muitos são compreensivos com os inseguros. Entretanto, o que está por trás da insegurança é o desejo de sermos aceitos, amados ou respeitados, mesmo que o preço seja a obediência. Falta-nos o entendimento do quanto somos profundamente aceitos e amados pelo nosso Criador. A insegurança precisa ser chamada como ela é: uma armadilha perigosa. Saul não completou a ordem devido à sua falta de santo temor. Vamos voltar ao exemplo de Jesus. Ele estava enfrentando a rejeição, a vergonha, o ódio, a oposição extrema, espancamentos físicos e a terrível crucificação. Quando a guarda do templo veio para prendê-Lo, Seus discípulos tentaram impedir e proteger Jesus, porém, a resposta Dele foi: Você acha que Eu não posso pedir a Meu Pai, e Ele não colocaria imediatamente à Minha disposição mais de doze legiões de anjos? Como então se cumpririam as Escrituras que dizem que as coisas deveriam acontecer desta forma?” — Mateus 26:53-54 Obedecer até o fim era primordial para Jesus. No ensino médio, eu não era cristão, mas havia um pôster no nosso vestiário que me impactava. Eu o via todas as tardes depois do treino de basquete. Nele havia um atleta sentado com a cabeça baixa, dizendo: “Desisto”. Abaixo dessa imagem havia uma imagem de Jesus na cruz, dizendo: “Eu não desisti”. Aquilo deixou uma impressão permanente em mim, um incrédulo. Agora entendo que Jesus poderia ter evitado o tratamento impiedoso e a morte brutal, mas escolheu continuar em obediência até poder finalmente dizer “Está consumado”. Isso carrega um peso muito maior. Ele nos deixou um exemplo de obediência total — para completarmos o que quer que Deus nos confie. Agora podemos entender melhor Suas instruções aos discípulos quando clamaram para que a fé deles fosse aumentada: Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes for ordenado, devem dizer: “Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever”. — Lucas 17:10 A palavra “tudo” assume um significado inteiramente novo. Vamos sempre obedecer até o fim. Personalizando Passagem: “Nunca desistam!... Mantenham os olhos em Jesus, que começou e terminou a corrida da qual participamos. Observem como Ele fez. Porque Ele jamais perdeu o alvo de vista — aquele fim jubiloso com Deus. Ele foi capazde vencer tudo pelo caminho... Quando se sentirem cansados no caminho da fé, lembrem-se da história Dele, da longa lista de hostilidades que enfrentou. Será como uma injeção de adrenalina na alma!” (Hb 12:2-3, MSG). Ponto: Obediência quase completa não é obediência nenhuma. Jesus nos deu o exemplo de obedecer completamente — até o fim — a tudo o que Deus nos confiar. Pondere: Eu comecei a obedecer à Palavra de Deus e permiti que as distrações, o prazer, a resistência, a reprovação dos outros, ou qualquer outra adversidade me fizessem parar e não terminar? Como isso pode mudar? Pare para orar: Querido Pai celestial, perdoa-me por começar a obedecer ao que Tu me disseste para fazer, mas não ir até o fim, seja ignorando o assunto ou mudando de ideia por não ver isso como algo que servia aos meus interesses. Eu me arrependo por essa falta de santo temor e peço o Teu perdão. Em nome de Jesus, eu oro, amém. Professe: Decido obedecer à Palavra de Deus até o fim. Quando os homens não temem mais a Deus, eles transgridem as Suas leis sem hesitação. O medo das consequências não intimida quando o temor de Deus está ausente. — A. W. TOZER Semana 4 — Dia 7 28 | COMO CAUTERIZAR UMA CONSCIÊNCIA Conforme dissemos no capítulo anterior, os sinais iniciais da perda do santo temor são sutis — tão sutis que precisamos focar um pouco mais e desenvolver este ponto importante. Você já sentiu uma pontada no estômago como uma forma de advertência quando apresentaram a você a oportunidade de fazer algo questionável? A maioria das pessoas entende que isso é a nossa consciência nos protegendo, mas o que muitos não percebem é que a clareza e a força da nossa consciência podem ser alteradas. Nossa consciência é um presente de Deus que nunca deveria ser menosprezado. Ela é uma parte integrante do nosso coração; a sua sensibilidade é fortalecida pelo santo temor e, de modo inverso, é entorpecida pela falta dele. Recebemos esta advertência: “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida” (Pv 4:23). Quando eu tinha trinta e poucos anos, um ministro famoso me convidou para almoçar. Durante a refeição, ele perguntou: “John, como posso evitar cair como tantos outros líderes têm caído?”. Quase me engasguei com a comida. Por que ele me faria uma pergunta como essa? Eu era jovem, e ele tinha mais tempo de ministério do que eu na presença de Deus. Mas em vez de protelar o assunto, olhei para dentro de mim e perguntei silenciosamente: Espírito Santo, que resposta dou a ele? Quase que instantaneamente, ouvi: Diga a ele para proteger sua consciência como o seu bem mais precioso. Eu disse o que havia ouvido e, de repente, as palavras começaram a se derramar da minha alma: “Você receberá grandes oportunidades, mas dentro de você, saberá que elas violam a integridade, que não são honestas, que são questionáveis ou que poderiam ferir outros. Ouça a sua consciência; não rejeite a advertência que ela lhe fizer. Se você a ignorar, perderá sua sensibilidade a Deus”. Nos dias que se seguiram, descobri que a palavra “consciência” aparece frequentemente na Bíblia, algo que eu não tinha percebido antes. Ela é encontrada aproximadamente trinta vezes apenas no Novo Testamento. Paulo escreve a Timóteo: Mantendo a fé e a boa consciência que alguns rejeitaram e, por isso, naufragaram na fé. — 1 Timóteo 1:19 Naufragar na fé não é uma questão banal. O almoço com aquele pastor mais velho abriu meus olhos para o peso da afirmação de Paulo. Ela confirmava por que muitos não terminam bem. Se a Palavra de Deus nos adverte para “mantermos” a nossa consciência limpa — significa que inicialmente ela está em bom estado. O sangue de Jesus purifica a nossa consciência (1 Tm 3:9; Hb 9:9,14). Esse é um dos grandes benefícios do novo nascimento. O profeta Jeremias faz uma afirmação com relação à nossa consciência que geralmente é mal aplicada. Ele declara: “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?” (17:9). Ele não está falando dos que nasceram de novo, com uma nova natureza, recriada à semelhança de Jesus. O povo do Antigo Testamento não tinha um novo coração. Mas Deus prometeu a eles: “Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne” (Ez 36:26). Isso aconteceria quando Jesus redimisse a nossa natureza e nos desse a natureza Dele. Devido ao milagre de nos tornarmos uma pessoa inteiramente nova em Cristo, temos uma consciência confiável. O desafio é mantê-la pura. Portanto, agora devemos perguntar: como contaminamos a nossa consciência? A contaminação completa não acontece em um momento; em vez disso, começa na maioria das vezes com questões menores e, no devido tempo, se não for tratada, nossa consciência acaba naufragando. Tiago escreveu: Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos. — Tiago 1:22 Ficamos novamente face a face com o conceito da obediência. Discutimos completamente o fato de que a evidência do santo temor é a obediência imediata e total — mesmo que não faça sentido, que não haja benefício evidente ou que nos fira. A pessoa que anda de acordo com isso não pode enganar a si mesma. Vamos fazer uma pausa e garantir que o impacto não se perca. Com certeza é possível enganar nossos conhecidos — e até os amigos chegados e a família — mas enganar a nós mesmos é outra coisa. Na essência, quando desobedecemos, enganamos a nós mesmos. Enfraquecemos a proteção da verdade, e o nosso senso de navegação moral é comprometido. Ficamos menos conscientes de estarmos no caminho do perigo. Vamos dar um exemplo hipotético desse processo. Você já disse uma palavra de difamação contra alguém? No instante em que fez isso, talvez tenha sentido como se uma faca tivesse sido enfiada no seu estômago, e imediatamente você corrigiu o que disse. Entretanto, o que acontece com frequência é que justificamos o nosso comportamento. Nosso raciocínio após o momento da difamação pode soar como algo do tipo: O que eu disse é verdade! Infelizmente, nosso argumento incorreto prevalece, e confirmamos a nossa afirmação enquanto ignoramos o aviso interior. Agora iniciamos o processo de contaminação; a sensibilidade da nossa consciência foi enfraquecida. Na próxima vez que falarmos contra alguém, não haverá mais uma faca atingindo nosso estômago; agora sentimos uma impressão forte no nosso interior. Nossa consciência falou novamente, mas dessa vez com uma voz menos reconhecível. Agora o conflito interior não é tão intenso; é mais fácil ignorar o aviso e justificar nossas palavras. Assim, poluímos um pouco mais o nosso coração e a sensibilidade da nossa consciência diminui ainda mais. Quando falamos contra alguém novamente, não sentimos uma impressão forte; agora é somente um formigamento — quase irreconhecível. Quase nem precisamos nos convencer com racionalizações porque a voz da nossa consciência é muito suave. É mais fácil justifica o nosso comportamento. A sensibilidade da nossa consciência diminui mais uma vez. Por fim, não sentimos nada. Nossa consciência foi cauterizada. Estamos mais do que cegos e perdemos todo o senso de discernimento. Agora estamos sem qualquer navegação moral, e o naufrágio da nossa fé é iminente. Basicamente, enganamos a nós mesmos — fomos ludibriados. Tudo isso poderia ter sido evitado através do simples arrependimento — uma mudança completa de mente e coração. É quando reconhecemos que a nossa sabedoria é inútil e abraçamos firmemente a sabedoria de Deus. “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia” (Pv 28:13). Misericórdia e restauração podem acontecer em qualquer fase do processo, mas a falta de santo temor retarda a nossa reação. Corremos o risco porque nosso coração se torna cada vez menos sensível para as convicções da nossa consciência. A pessoa sábia é sempre rápida em responder com arrependimento aos avisos da sua consciência; ela sabe que demorar-seé perigoso. Há muitas pessoas, tanto na Bíblia quanto nos nossos dias, que se demoraram para dar ouvidos à consciência. Isso pode ser comparado a jogar roleta russa. Você poderia escapar do naufrágio, mas como sabe quando deixou de sentir? Não há uma voz advertindo: “Se você ignorar mais uma vez, eu me calarei”. Paulo lamenta: O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada. — 1 Timóteo 4:1-2 A pele humana cauterizada com ferro quente perde toda a sensação. O mesmo acontece com a nossa consciência. Acabamos nos projetando de forma contrária a quem realmente somos, sem qualquer convicção. Foi o que aconteceu com Ananias, Safira, o rei Saul, e muitos outros. A segunda consequência da cauterização é que ela tranca as coisas no interior. Se você sela um pedaço de carne, você impede as proteínas de escaparem. Paulo escreveu: “Digo a verdade em Cristo, não minto; minha consciência o confirma no Espírito Santo” (Rm 9:1). Se um crente cauterizou sua consciência, ele não consegue mais se comunicar com o Espírito Santo. A testificação do Espírito não pode atingir sua alma, não muito diferente das proteínas que não podem deixar a carne quando ela é selada. Esse crente está agora sem o sistema de navegação da vida. O caminho dele é um caminho de destruição. Para encerrar, ouça duas das muitas afirmações de Paulo: “Meus irmãos, tenho cumprido meu dever para com Deus com toda a boa consciência, até o dia de hoje” (At 23:1). Mais uma vez: “Por isso procuro sempre conservar minha consciência limpa diante de Deus e dos homens” (At 24:16). Portanto, vamos guardar o nosso coração diligentemente. Personalizando Passagem: “Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada e tendo os nossos corpos lavados com água pura” (Hb 10:22). Ponto: A clareza e a força da nossa consciência podem ser alteradas. Nossa sensibilidade é fortalecida pelo santo temor e, de modo inverso, é entorpecida pela falta dele. Pondere: Nossa consciência é purificada pelo sangue de Jesus Cristo. Que disciplina espiritual posso praticar para manter a minha consciência limpa? Pare para orar: Querido Pai celestial, peço perdão pelas vezes em que ignorei e fui contra a minha consciência. Sinto muito por não a proteger diligentemente. Eu me arrependo e peço o Teu perdão. Purifica-me com o sangue de Jesus. Restaura uma consciência pura dentro de mim, uma consciência que seja sensível à Tua voz e à Tua direção. Que eu possa ser rápido em obedecer-Te em tudo. Em nome de Jesus, amém. Professe: Guardarei o meu coração diligentemente e serei sensível à direção e à voz da minha consciência. Prefiro pagar o preço de ouvir a voz de Deus pessoalmente, independentemente de quão difíceis as circunstâncias possam ser, a ter de me contentar em sempre ouvir Dele por outra pessoa. — JOY DAWSON Semana 5 — Dia 1 29 | ONDE A INTIMIDADE COMEÇA À medida que o santo temor aumenta dentro de nós de acordo com o aumento da nossa compreensão da glória de Deus, ele purifica as nossas motivações, nos liberta do temor do homem e produz a verdadeira santidade em nossa vida. A manifestação do santo temor é a imediata e completa obediência a Deus, independentemente de vermos uma razão ou benefício, ou do quanto seja doloroso. Com esse conhecimento, agora podemos voltar ao nosso debate sobre os benefícios e dádivas especiais do santo temor. Nesta seção vamos focar no que é sem dúvida o maior benefício de todos: a intimidade com Deus. A palavra íntimo vem de duas palavras latinas: intus, que significa “dentro” e intimus, que significa “muito secreto”.1 Ao unirmos as duas, temos “segredos muito íntimos”. Isso nos dá uma imagem muito boa de intimidade, uma palavra usada para descrever a conexão afetiva entre dois amigos íntimos em níveis muito mais profundos do que apenas uma pessoa conhecida, que é alguém que você encontrou e conhece ligeiramente, mas não conhece bem. Ser íntimo é uma via de mão dupla; ambas as partes precisam conhecer os desejos e pensamentos mais profundos uma da outra. Com relação à intimidade com Deus, vamos ver tanto as perspectivas Dele quanto as nossas, começando com as Dele. Davi escreveu: Senhor, Tu me sondas e me conheces. — Salmos 139:1 A palavra sondar é o hebraico hãqar, que é definida como “explorar, procurar, examinar”. Descreve perfeitamente o que é necessário para entrar em um relacionamento íntimo com alguém. Tempo e esforço, os quais não são pesados, mas prazerosos, são dedicados para explorar os pensamentos e os caminhos mais íntimos da outra pessoa. Desfrutei disso no meu casamento com Lisa. Quando nos casamos, eu não sabia muita coisa sobre os anseios, os prazeres, as preferências e as aversões dela, nem mesmo sobre o que ela desprezava. Foi necessário um tempo de investigação — do qual gostei muito — para passar a conhecer esses pensamentos e caminhos mais íntimos. Resumindo, é necessário esforço mental, emocional e físico focado para passar a ter intimidade com o seu cônjuge. A próxima palavra de interesse no versículo é conheces; essa é a palavra hebraica yãda. No Antigo Testamento, ela é usada com mais frequência para transmitir a ideia de intimidade. Ela é usada em Gênesis 4:1 quando lemos: “E conheceu [yãda] Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu” (ACF). O Espírito Santo usa yãda para identificar o mais próximo que dois seres humanos podem se tornar nesta vida. Na essência, Davi está dizendo: “Senhor, Tu me conheces muito profundamente”. Davi usa ambas as palavras, hãqar e yãda, para nos dar o conjunto de imagens vívidas de Deus buscando e sondando os desejos e caminhos mais íntimos daqueles de quem Ele anseia estar próximo. Mais uma vez, olhando para o relacionamento entre Lisa e eu, conheço muito mais sobre ela anos depois de passarmos tempo juntos. Eu não apenas conheço os seus desejos internos como mencionado, mas também as suas rotinas, como ela reagirá sob certas circunstâncias, o que ela gosta de fazer no seu tempo de lazer, com o que ela ama trabalhar, e a lista continua. Do mesmo modo, Davi esclarece: Sabes quando me sento e quando me levanto; de longe percebes os meus pensamentos. Sabes muito bem quando trabalho e quando descanso; todos os meus caminhos são bem conhecidos por Ti. Antes mesmo que a palavra me chegue à língua, Tu já a conheces inteiramente, Senhor. — Salmos 139:2-4 Deus conhece os nossos detalhes íntimos de uma forma que vai além de toda a compreensão. Por hãqar, Deus empenhou-se em explorar, sondar e examinar Davi, e Ele faz o mesmo com cada um de nós — semelhantemente ao que fiz, durante os últimos quarenta anos com Lisa, mas em um nível muito maior. Na verdade, apenas alguns versículos depois, chegamos à afirmação desnorteante de que os pensamentos de Deus para conosco como indivíduos excedem cada grão de areia (v. 18). Se eu refletisse sobre os gostos, manias, anseios e aversões de Lisa a cada doze segundos durante os últimos quarenta anos e prendesse um grão de areia a cada pensamento, isso constituiria menos de uma caixa de sapatos cheia de areia! Os pensamentos de Deus para com cada um de nós excedem todos os grãos de areia do planeta, e Ele jamais poderia estar exagerando, pois isso seria uma mentira, e é impossível que Deus minta. Isso é estarrecedor! Você está começando a captar a paixão Dele por conhecer tudo a nosso respeito? Ele deseja profundamente estar próximo de cada um de nós. Mas permita-me reiterar que a verdadeira intimidade só acontece quando ambas as partes conhecem bem uma à outra, e não apenas uma delas. Assim como Ele sonda os nossos pensamentos mais íntimos, também assim deveríamos buscar apaixonadamente criar uma verdadeira intimidade com o Senhor. Moisés persegue esse nível de relacionamento clamando: “Disseste: ‘Eu o conheço [yãda] pelo nome e de vocêtenho Me agradado’. Se me vês com agrado, revela-me os Teus propósitos, para que eu Te conheça [yãda] e continue sendo aceito por Ti”. — Êxodo 33:12-13 Deus não nos conhece apenas como um número entre uma massa de pessoas; Ele nos conhece pessoalmente, individualmente, pelo nome. Nesse versículo vemos que Moisés quer que isso seja recíproco; o seu desejo apaixonado é ir além no seu conhecimento de Deus. Ele quer um relacionamento de intimidade — não apenas Deus conhecendo-o profundamente, mas também Moisés conhecendo profundamente a Deus. E quanto a nós? Lemos: “Aproximem-se de Deus, e Ele se aproximará de vocês!” (Tg 4:8). Com o que acabamos de abordar, creio que agora você ouve um chamado — não, um grito — vindo do coração de Deus. A cada momento que passa, ele se intensifica. “Por que vocês continuam distantes quando poderiam ser íntimos de Mim?”. Na essência, estamos sendo informados de que somos nós que determinamos o nível da nossa intimidade com Deus. Deixe-me explicar em termos mais simples: você é quem determina o quão próximo você é de Deus, e não Ele! E então, qual é o papel do temor do Senhor nisso? Lemos que: O temor do Senhor é o princípio do conhecimento. — Provérbios 1:7 Do conhecimento de quê? O autor está se referindo ao conhecimento médico, científico, histórico ou a outro conhecimento acadêmico? Muitas das nossas universidades estão cheias desse conhecimento, no entanto elas têm pouco ou nenhum temor de Deus. Isso se refere ao conhecimento social ou político? Não, os caminhos do mundo são loucura para Deus. Será o conhecimento da Bíblia? Absolutamente não, pois os fariseus eram especialistas nas Escrituras, mas não temiam a Deus e Lhe desagradavam muito. Nossa resposta encontra-se nestas palavras: Então você entenderá o que é temer o Senhor e achará o conhecimento de Deus. — Provérbios 2:5 A palavra conhecimento é definida pelo Dictionary of Biblical Languages como “informações sobre uma pessoa, com uma forte implicação de relacionamento com ela”. O Vine’s Complete Expository Dictionary nos diz que essa palavra sugere “ter um conhecimento íntimo experimental Dele [Deus]”. Reafirmando simplesmente o que é prometido na passagem: o temor do Senhor é o princípio de conhecer a Deus intimamente. A verdade é que nem sequer começamos a conhecer a Deus em um nível íntimo a não ser que O temamos — esse é o ponto de partida. Se você iniciar qualquer coisa fora do ponto de partida, não conseguirá completá-la. Se eu começar uma corrida de cem metros, por exemplo, cinquenta metros na frente dos blocos de partida, serei incapaz de participar ou de concluir a corrida. Não é diferente no nosso relacionamento com Deus — sem santo temor, é impossível conhecê-Lo intimamente. Para nossa alegria, Ele nos deu um caminho, mas nós iremos andar por ele? Lembre-se, pelo temor do Senhor nos afastamos do mal ou da iniquidade. Com este conhecimento, considere que Jesus prediz que um grande grupo de pessoas ficará chocado no dia do juízo. Esses homens e mulheres O chamam de Senhor, mas ouvirão Jesus dizer: “Nunca os conheci. Afastem-se de Mim vocês, que praticam o mal!” (Mt 7:23). A palavra para “conheci” é ginõsko; essa é a palavra grega para yãda. Jesus dirá aos que não possuem o santo temor: “Eu nunca os conheci intimamente”. Isso apresenta uma questão tremenda que abordaremos no próximo capítulo. Personalizando Passagem: “A Teu respeito diz o meu coração: ‘Busque a Minha face!’ A Tua face, Senhor, buscarei” (Sl 27:8). Ponto: A verdadeira intimidade é gerada quando ambas as partes se conhecem bem, e não apenas uma delas. Pondere: Pense na pessoa com quem você tem mais prazer em estar. Até onde você sabe o que ela está pensando ou sentindo sem que ela pronuncie uma só palavra? Até onde você prevê a reação dela em várias situações? Você simplesmente chegou a isso por acaso ou levou tempo para sondar e refletir sobre a pessoa do seu amigo? Agora, considere os pensamentos de Deus a seu respeito, que são inumeráveis. O que isso lhe diz? O que aconteceria se você pesquisasse e refletisse mais sobre o coração de Deus e sobre os Seus caminhos do que sobre o seu amigo mais íntimo? Pare Para Orar: Querido Senhor, entendo que tenho negligenciado o maior convite que já recebi — o de ser íntimo de Ti. Tenho permitido que tantas coisas fiquem no caminho, me impedindo de dedicar tempo para desenvolver essa intimidade. Com alegria, decido mudar. Quando eu abrir a minha Bíblia para ler, orar e refletir, que eu possa Te conhecer em um nível profundo e íntimo. Peço isso em nome de Jesus, amém. Professe: Decido buscar conhecer a Jesus tão profundamente quanto Ele decidiu me conhecer. Há caminho que parece reto ao homem, mas no final conduz à morte. — PROVÉRBIOS 16:25 Semana 5 — Dia 2 30 | UM JESUS DIFERENTE Muitas vezes, para entender melhor um assunto, é útil pesquisar o oposto do que procuramos saber. Assim, antes de embarcarmos em maiores discussões sobre a intimidade com Deus, vamos primeiro abordar o seu antônimo, ilustrado pela seguinte história. Eu havia acabado de chegar ao Havaí para pregar em uma conferência para líderes. O meu quarto de hotel não estava pronto, de modo que encontrei um lugar para relaxar debaixo do guarda-sol de uma piscina. Aconteceu que uma empresária que estava participando de outra conferência também estava aguardando seu quarto. Começamos a conversar, e quando descobriu que eu era um escritor cristão e um ministro, ela começou a falar sobre o seu relacionamento com Jesus. Não demorou mais do que alguns minutos para eu perceber que ela não O conhecia. A mulher não parava de afirmar com confiança no que ela acreditava, mas muito pouco do que dizia correspondia ao que a Bíblia revela. Em silêncio, pedi sabedoria ao Espírito Santo, então, dentro de alguns instantes Ele me revelou o que dizer. Quando ela terminou, perguntei: — Está vendo aquele homem sentado do outro lado da piscina? Com um olhar surpreso (muito provavelmente devido à minha mudança abrupta de assunto), ela respondeu: — Sim. Por quê? Eu respondi com bastante entusiasmo: — O nome dele é Jim, e ele é de Fresno, na Califórnia. Ele faz uma dieta vegana rígida. O sonho dele é entrar para a equipe americana de polo olímpico. Ele se exercita na piscina e na academia três horas por dia. Seus hobbies são jogar bola, pintura e queda livre. Jim é casado com aquela mulher que está perto da banheira de hidromassagem; o nome dela é Beth, e ela é dez anos mais velha que ele. Intrigada com o quanto eu o conhecia, ela perguntou: — Ele está participando da conferência com você? — Não — respondi rapidamente Ela ficou mais curiosa: — Então, como você o conhece tão bem? Foi aí que me virei, olhei nos olhos dela e afirmei: — Eu nunca o conheci. A fisionomia dela mudou e agora demonstrava cautela, e um pouco até de preocupação. Talvez ela estivesse se perguntando se eu seria um assediador, um detetive particular ou mesmo um agente do governo. Deixei o assunto em suspenso por um instante, e depois disse com confiança: — Isso é o que eu acredito sobre ele. Ela ficou sem fala. Então, continuei. — Você acabou de falar com muita segurança sobre o que acredita acerca de quem Jesus é, mas quase tudo o que você acabou de dizer sobre Ele não é verdade; é contrário ao que a Bíblia ensina. Sei disso porque eu O conheço. Nossa conversa terminou por escolha daquela mulher, mas ela ficou perceptivelmente abalada. O apóstolo Paulo faz uma afirmação impressionante para uma igreja que ele ama profundamente: “Vocês aceitam de boa vontade o que qualquer um lhes diz, mesmo que anuncie um Jesus diferente daquele que lhes anunciamos, ou um espírito diferente daquele que vocês receberam, ou boas-novas diferentes daquelas em que vocês creram” (2 Co 11:4, NVT). Ele não identifica um deus diferente, mas um Jesus diferente. É óbvio que essas pessoas acreditavam em Jesus, mas na verdade não O conheciam. Por quê? Elas acreditavam em qualquer coisa que fosse do seu gosto e, consequentemente, viviam separados do verdadeiroJesus. Não é difícil fazer isso; o Senhor é invisível, de modo que você pode alterar a Sua natureza de acordo com a sua imaginação. Os filhos de Israel fizeram algo semelhante. Sair do Egito tipifica ser salvo do mundo. Lemos: “E beberam da mesma bebida espiritual; pois bebiam da rocha espiritual que os acompanhava, e essa rocha era Cristo. Contudo, Deus não se agradou da maioria deles” (1 Co 10:4-5). Existem inúmeras razões pelas quais Deus não se agradou, mas tudo se resume a um ponto principal: desobediência à Palavra de Deus — a falta de santo temor deles. Quando Moisés estava na montanha por quarenta dias, um bezerro de ouro foi criado pelo líder de Israel local, Arão. Vemos isso e gritamos “idolatria!”. Isso mesmo; no entanto, o que muitos não percebem é que Arão e todo o povo se referiram ao bezerro como elõhiym. Essa palavra aparece quase três mil vezes no Antigo Testamento. Ela pode se referir a falsos deuses, mas nove entre dez vezes ela se refere a Jeová — o único Deus verdadeiro. Por exemplo, ela se encontra trinta e duas vezes no primeiro capítulo de Gênesis. O primeiro versículo da Bíblia diz: “No princípio elõhiym criou os céus e a terra”. Podemos facilmente confirmar se eles estão se referindo ao bezerro como elõhiym — Deus Todo-poderoso — ou como elõhiym, falso deus. A prova encontra-se na referência de Abrão ao bezerro como Yahweh (Êx ٣٢:٥). Esse é o nome sagrado do nosso único Deus verdadeiro, e ele nunca é usado em nenhum lugar na Bíblia como o nome de um falso deus, a não ser ali. Arão e o povo não se referiram ao bezerro como osiris, baal, Isis, ou o nome de qualquer outro falso deus. Eles proclamaram: “Este é Yahweh, aquele que nos libertou do Egito” (Êx 32:4, paráfrase minha). Como eles puderam errar tanto? Por que não conheceram o verdadeiro Deus vivo como Moisés? Eles viram os Seus milagres, seguiram a Sua nuvem e a Sua coluna de fogo. A resposta não é complexa. Meses antes, quando Deus desceu sobre o monte para se apresentar, eles recuaram e clamaram a Moisés: “Aproxime-se você, Moisés, e ouça tudo o que o Senhor, o nosso Deus, disser; você nos relatará tudo o que o Senhor, o nosso Deus, lhe disser. Nós ouviremos e obedeceremos” (Dt 5:27). Posso imaginar a total decepção de Moisés. Ele não consegue entender a falta de desejo deles de estarem na presença de Deus. Como isso poderia ser possível? Moisés leva essa preocupação ao Senhor esperando encontrar respostas, mas é quase certo que a resposta de Deus surpreende a Moisés: “Ouvi o que este povo disse a você, e eles têm razão em tudo o que disseram” (Dt 5:28). Moisés fica perplexo. Provavelmente ele pensa: Espere aí! Eles estão certos? Pelo menos uma vez esses caras estão realmente certos? Imagino que sua resposta para Deus seja algo do tipo: “Por que eles não podem entrar na Tua presença e Te conhecer intimamente, assim como eu?”. Deus responde, mas a resposta é de partir o coração. Quem dera eles tivessem sempre no coração esta disposição para temer- Me. — Deuteronômio 5:29 Deus está lamentando. Se eles tão somente andassem em santo temor, poderiam entrar na Sua presença e experimentar um relacionamento de intimidade. Isso por sua vez os capacitaria a obedecer, e assim tudo correria bem para eles e para seus filhos. Então Deus dá esta direção a Moisés: Vá, diga-lhes que voltem às suas tendas. Você ficará aqui comigo, e anunciarei a você toda a lei. — Deuteronômio 5:30-31 Essa passagem é tanto de partir o coração quanto empolgante. Primeiro, o desgosto. A hora mais escura de Israel não foi quando eles construíram o bezerro, nem quando fizeram um relato negativo que os impediu de entrar na terra prometida. Não, aquela foi a hora mais escura deles. Deus os tirou do Egito (o mundo) com o propósito de trazê-los para Si, para que eles pudessem conhecê-Lo como Ele os conhecia — intimamente. Entretanto, eles recusaram essa intimidade devido à falta de santo temor. Que trágico! Por outro lado, foi empolgante para Moisés, pois ele foi convidado a ficar perto de Deus e ouvir as Suas palavras diretamente da Sua boca. Ele foi convidado para um relacionamento íntimo com Deus, enquanto o povo voltava para suas tendas. A mulher na piscina proclamou um Jesus diferente, os coríntios serviam a um Jesus diferente, e Israel seguiu um Deus Todo- poderoso diferente. Estamos vendo um padrão aqui? É possível criarmos uma divindade com o nome de Jesus e, no entanto, não conhecermos o verdadeiro Jesus que está sentado à destra de Deus. E o que torna isso ainda mais desconcertante é que Israel e a igreja de Corinto experimentaram o poder manifesto do Senhor e os Seus milagres nas suas orações atendidas. Portanto, agora vamos voltar para o grande grupo de pessoas que haverão de declarar Jesus como seu Senhor no juízo, mas que tragicamente O ouvirão dizer as mesmas palavras que Moisés ouviu Deus dizer com relação a Israel: “Apartai-vos de Mim”. Cabe a nós examinar mais de perto as palavras proféticas de Jesus sobre o que realmente acontecerá com essas multidões. Conforme dito no início deste capítulo, isso nos dará uma melhor compreensão sobre a importância do santo temor com respeito à intimidade entre nosso Senhor e Mestre e nós. Faremos isso no próximo capítulo. Personalizando Passagem: “Por meio deste evangelho vocês são salvos, desde que se apeguem firmemente à palavra que preguei; caso contrário, vocês têm crido em vão” (1 Co 15:2). Ponto: É possível crer de todo o coração em alguém ou em alguma coisa que não é de verdade. Pondere: Como posso saber com certeza que acredito no verdadeiro Jesus, em vez de acreditar em uma imitação? Posso confiar nisso porque os meus líderes ensinam sobre Ele? Ora, mas Arão não ensinava e liderava Israel? Posso saber com certeza por que leio a Bíblia? Mas, pense, os fariseus não faziam o mesmo? Como posso saber? Pare para orar: Pai, em nome de Jesus, peço-Te que eu não apenas conheça a verdade, mas que eu ame a verdade. Decido abraçar a Tua Palavra viva como autoridade definitiva e, quer eu entenda, quer não, sempre lhe ser obediente. Ao fazer isso, tenho a Tua promessa de que não serei enganado. À medida que eu ler e obedecer à Tua Palavra, que ela possa me ler; que ela possa me revelar quem sou e quem é o meu Senhor Jesus. Eu Te peço isto em nome de Jesus, amém. Professe: Decido acreditar na Palavra de Deus, quer eu compreenda, quer não. O tempo todo estendi as mãos a um povo obstinado, que anda por um caminho que não é bom, seguindo as suas inclinações. — Isaías 65:2 Semana 5 — Dia 3 31 | NÃO CONHEÇO VOCÊS Valorizaremos e entenderemos mais a intimidade com Deus se continuarmos a observar os seus benefícios. O tópico do último capítulo, assim como deste, é uma pílula difícil de engolir. Entretanto, as advertências bíblicas da nossa discussão são na verdade presentes de amor e proteção da parte do nosso Pai, que é profundamente cuidadoso. As palavras ditas por Jesus inspirarão em nós um santo temor que nos manterá próximos do Doador da vida até o fim. A Bíblia nos adverte claramente que nos últimos dias um evangelho seria proclamado e amplamente aceito, o qual ofereceria uma salvação falsificada, destituída de senhorio. Resumindo, é oferecido um relacionamento com Jesus sem o compromisso de uma obediência incondicional à Sua Palavra. Essa é a antítese do santo temor e produz um Jesus fictício, em nada diferente daquele que Paulo acusou muitos dos coríntios de abraçarem. Depois que Paulo confronta esses “crentes” gregos por seguirem um Jesus diferente, ele aborda o estado do coração deles que produziu esse salvador imaginário. Ele escreve: “muitos... não se arrependeram da impureza, da imoralidade sexual e da libertinagem que praticaram” (2 Co 12:21). Eles professam o Senhor Jesus, mas vivem de uma forma contrária à Sua Palavra. Essa era uma ocorrência rara na Igreja Primitiva, mas ela está disseminada na nossa igreja ocidental moderna. A consequência desse ensino reduz “Senhor” apenas a um título, em vez de uma posição que Ele deveria ocupar na vida das pessoas.Jesus profetiza: Nem todo aquele que Me diz: “Senhor, Senhor”, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos céus. — Mateus 7:21 Jesus reconhece as pessoas que O declaram como seu Senhor — e não aquelas que reverenciam Maomé, Joseph Smith, Buda, Hare Krishna, Confúcio, ou qualquer outro falso profeta da nossa era. Observe que a palavra Senhor é repetida consecutivamente neste versículo. Mais uma vez, se uma palavra ou frase é repetida duas vezes na Bíblia, isso não é acidental. O autor está comunicando uma ênfase. No entanto, em casos como este, não se trata apenas de ênfase, mas de intensidade de emoção. Por exemplo, quando chegou ao rei Davi a notícia da execução de seu filho pelo exército de Joabe, sua reação foi carregada de emoção: “O rei, com o rosto coberto, gritava: ‘Ah, meu filho Absalão! Ah, Absalão, meu filho, meu filho!’” (2 Sm 19:4). Ele não disse necessariamente “meu filho” duas vezes; na verdade, seu clamor emocional de sofrimento foi tão intenso que o autor repetiu as palavras. Do mesmo modo, o Mestre está comunicando os fortes sentimentos dessas pessoas com relação a Ele. Elas não apenas estão em concordância com o ensinamento de Jesus Cristo ser o Filho de Deus; elas estão emocionalmente envolvidas e apaixonadas na sua convicção. Estamos falando de pessoas empolgadas por serem “cristãs”, muito provavelmente aquelas que demonstram emoção quando falam da sua fé e até choram durante um culto. Elas não apenas têm profundos sentimentos pela causa de Cristo, como também estão envolvidas no Seu serviço: Posso até ver a cena no juízo final, milhares vindo em Minha direção e se justificando: ‘Senhor, nós pregamos a Mensagem, expulsamos demônios, e todos diziam que nossos projetos eram patrocinados por Deus’”. — Mateus 7:22, A Mensagem Utilizo a paráfrase da Bíblia A Mensagem porque ela transmite melhor o fato de que essas pessoas não estão fora da vida religiosa. Elas estão diretamente envolvidas ou apoiam a obra de suas igrejas. Elas também se expressam de forma convincente sobre a sua crença no Evangelho — “Nós pregamos a Mensagem”. Na essência, eles faziam parte do processo de mudar a vida das pessoas para melhor. Essa versão parafraseada utiliza a palavra milhares, mas a maioria das outras traduções utiliza a palavra muitos. Essa é a palavra grega polus, que significa “muito em número, quantidade, valor” e geralmente é usada no sentido de “a maioria”. Em todo caso, Jesus não está se referindo a um pequeno grupo de pessoas, mas a um grande grupo que acredita nos ensinamentos dos Evangelhos. Elas O chamam de Senhor, estão emocionalmente envolvidas, dão voz à Sua mensagem e são ativas no serviço cristão. Nós as identificaríamos facilmente como verdadeiros cristãos. Então, qual é o fator de separação? Em que elas diferem dos crentes autênticos? Jesus nos diz: Então Eu lhes direi claramente: “Nunca os conheci. Afastem-se de Mim vocês que praticam o mal!”. — Mateus 7:23 A frase-chave é “praticam o mal”. Mais uma vez, o comportamento iníquo não se submete à autoridade da Palavra de Deus. Esses homens e mulheres não tropeçam periodicamente; em vez disso, quando melhor lhes apraz, eles habitualmente ignoram, negligenciam ou desobedecem à Palavra de Deus — falta-lhes o santo temor. É interessante notar que Jesus declarou: “Nunca os conheci”. Como dito em um capítulo anterior, a palavra “conheci” é o grego ginõskõ, que é o mesmo termo hebraico yãda: conhecer alguém intimamente. Eles nunca tiveram um verdadeiro relacionamento de intimidade com Jesus. Embora O chamem de Mestre e Senhor, esse é apenas um título porque eles não obedeceram às Suas ordens. João escreve: Sabemos que O conhecemos [ginõskõ] se obedecemos aos Seus mandamentos. Aquele que diz: “Eu O conheço”, [ginõskõ], mas não obedece aos Seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. — 1 João 2:3-4 Isso se alinha perfeitamente com a maneira como Jesus definiu o Seu discurso: “Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!” (Mt 7:20). Os frutos não são o serviço cristão, proclamar a mensagem ou frequentar a igreja, porque aqueles que serão mandados embora terão essas qualidades. Deixe-me dizer de outra forma: você certamente encontrará essas qualidades em um verdadeiro crente. Na verdade, uma pessoa não pode ser um verdadeiro crente sem elas. Porém, possuir essas qualidades não significa que sejam verdadeiros filhos de Deus. O fator decisivo é: eles são obedientes às Suas palavras? Essa discussão é o assunto com o qual Jesus encerra o Seu famoso Sermão do Monte. Para fechar Suas impressionantes palavras, Ele conclui dizendo: Portanto, quem ouve estas Minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. Mas quem ouve estas Minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda. — Mateus 7:24-27 Se você examinar os dois grupos, tudo se resume a uma diferença simples. Ele afirma que ambos os grupos ouvem as Suas palavras, mas o primeiro grupo as põe em prática; o segundo grupo não as põe em prática — ou poderíamos dizer, o primeiro grupo treme diante da Palavra de Deus (teme a Deus) e o segundo grupo não treme diante da Palavra de Deus (não teme a Deus). Jesus deixa claro que esses dois grupos são muito similares na aparência. No grupo a quem falta o fundamento, a crença deles na doutrina do Cristianismo, chamando-O fervorosamente de Senhor, e o seu serviço cristão ativo, representava como eles construíram a sua vida, a sua casa. O grupo do fundamento firme tinha todas as mesmas qualidades, exceto o fato de que eles obedeciam às palavras Dele como se elas fossem a sua própria vontade. Ambas as casas são feitas do mesmo material, os mesmos ensinamentos. Ambas parecem idênticas na adoração e no serviço. A diferença é o fundamento — o que é invisível. Um grupo experimenta intimidade com Deus no particular; o outro grupo, não. A intimidade com Deus é prometida aos que andam em santo temor. Nos próximos capítulos veremos esse magnífico privilégio ao qual você e eu somos convidados. Personalizando Passagem: “Graça e paz lhes sejam multiplicadas... Seu divino poder [graça] nos deu todas as coisas de que necessitamos para a vida e para a piedade... Ele nos deu as Suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça” (2 Pe 1:2-4). Ponto: A evidência de que alguém está em um relacionamento com Jesus é que ele é revestido de poder além da sua própria capacidade para cumprir a Sua Palavra. Esse revestimento de poder é identificado como a Sua graça. Pondere: Estou tentando obedecer às palavras de Jesus na minha própria força ou estou contando com Sua graça, Suas promessas e Sua natureza divina para fazer isso? Como posso contar mais com a Sua habilidade, em vez da minha? Pare para orar: Pai, perdoa-me por tentar obedecer à Tua Palavra na minha própria força. Deste momento em diante declaro Jesus como o supremo Senhor da minha vida. Tudo o que a Tua Palavra diz é autoridade definitiva em minha vida. Dependerei unicamente da Tua graça que me dá poder e da Tua natureza divina revelada a mim para andar nos Teus caminhos. Esse é um caminho que trilharemos juntos em um relacionamento íntimo. Sou muito grato pelo Teu convite para essa vida magnífica. Em nome de Jesus, amém. Professe: Andarei pela fé na capacidade do Senhor. Não dependerei mais da minha capacidade, mas agora cooperarei com o poder Dele. Nunca somos iluminados ou surpreendidos pelo que vem dos nossos próprios pensamentos. Mas quando Deus fala, há sempre um elemento de admiração e assombro. — JOY DAWSON Semana 5 — Dia 4 32 | O SEGREDO DO SENHOROs dois últimos capítulos foram difíceis, desafiadores e sérios. É tanto aterrador quanto de partir o coração saber que muitos que esperam ouvir Jesus dizer: “Entre no gozo do Senhor”, em vez disso ouvirão: “Afaste-se de Mim”. Não há decepção maior do que pensar que você está em um relacionamento com Deus quando, na verdade, não está. Esses homens e mulheres de repente chegarão à terrível revelação da sua loucura ao “usar Deus” em vez de estarem “unidos com Ele”. Eles usaram a Sua Palavra para os seus propósitos egocêntricos em lugar de experimentarem o magnífico amor revelado na obediência à Sua Palavra. Com grande amor, Jesus nos adverte contra essa possibilidade terrível a fim de nos proteger de cairmos em um estado de mornidão ou de engano. Agora, com o entendimento do que é o contrário da intimidade, vamos alegremente começar a nossa discussão sobre a beleza de estar genuinamente próximos do nosso Criador. Vamos começar olhando para um cenário que levaremos os próximos capítulos para investigar completamente. Para defini-lo, deixe-me fazer uma pergunta: é possível ser um membro do Reino (não ouvir as terríveis palavras “afastem-se de Mim”) mas ainda assim ter perdido a oportunidade de ser íntimo de Deus? A resposta rápida é sim. Mas vamos explorar essa questão na Bíblia e, para começar, vou compartilhar uma das minhas passagens favoritas: O Senhor confia os Seus segredos aos que O temem, e os leva a conhecer a Sua aliança. — Salmos 25:14 A palavra hebraica para segredo é sôd, e ela é definida como “conselho”. O dicionário grego também diz: “A confidencialidade está no âmago desse termo”. Assim, na essência, o salmista não está falando de um segredo, mas do conselho secreto de Deus ou, para o nosso propósito aqui, simplesmente o chamarei de segredos (no plural), como diz a passagem mencionada. Agora faça esta pergunta a si mesmo: com quem você compartilha os seus segredos, com conhecidos ou com os amigos próximos? Estou certo de que você respondeu com os seus amigos próximos. Deus não é diferente; Ele compartilha os Seus segredos com os Seus amigos próximos e íntimos, e os Seus amigos próximos são aqueles que abraçam o santo temor. A versão ARA diz: “A intimidade do Senhor é para os que O temem”. Deus não é amigo de todo mundo. Deixe-me repetir isso de uma forma mais específica: Deus não é amigo de todo mundo que está na igreja. Para desenvolver esse raciocínio, vamos começar no Antigo Testamento. Há dois homens identificados como amigos de Deus: Abraão e Moisés. Existem outros? Certamente sim — Noé, Daniel, Ester, José, Davi, Jó, Enoque, Isaías e muitos outros andavam intimamente com Deus. Entretanto, as vidas desses dois homens exemplificam o caminho que leva a um relacionamento de amizade com o Senhor. Vamos começar com Abraão. Por que ele é chamado amigo de Deus? Quando ele tinha setenta e cinco anos, Deus prometeu conceder o maior desejo do seu coração, um filho. Entretanto, isso não foi imediato. Ele esperou por mais vinte e cinco anos até que Sara, sua mulher, milagrosamente desse à luz Isaque. Você pode imaginar o profundo apreço e a imensa doçura em esperar tanto tempo por esse cumprimento? Estou certo de que o relacionamento pai-filho ficava mais forte a cada ano que passava. Sua grande riqueza não era nada comparada ao prazer de estar com seu filho. Nada significava mais para Abraão — nem mesmo a própria vida. Mas então um dia, sem nenhum aviso antecipado, Deus diz a Abraão em oração: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei” (Gn 22:2). O quê??! Matar a pessoa ou a coisa mais importante da sua vida, só porque Deus disse para fazer isso, sem lhe dar uma razão? Está falando sério? Você pode imaginar o choque de Abraão ao ouvir tais palavras? Ele jamais poderia imaginar que Deus lhe pedisse algo tão difícil. Ele havia pedido mais do que a vida de Abraão — Ele havia pedido o seu coração. Isso não fazia sentido. Deixe-me inserir este ponto importante: sabemos que isso era um teste. Na verdade, a Bíblia deixa claro esse ponto: “Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova” (v. 1). Mas aqui está a desvantagem de ler um relato histórico que já aconteceu — sabemos o resultado; a maioria dos crentes o ouviu ou leu diversas vezes. Mas nos esquecemos que Abraão não sabia que aquilo era um teste! Nunca sabemos quando Deus está nos testando até estarmos do outro lado. Pode ser possível colar em uma prova da escola, mas ninguém pode “colar” nas provas que Deus dá. Se não tivermos feito o nosso dever de casa de permanecer na Sua Palavra com o propósito de santificar o nosso coração, teremos dificuldades para passar, por mais inteligentes que sejamos! Se os descendentes de Abraão tivessem conhecido as ocasiões dos testes de Deus no deserto, eles teriam agido de outro modo. Abraão tinha algo diferente, algo que faltava aos seus descendentes: o santo temor. Amo a resposta de Abraão à ordem extremamente difícil de Deus: “Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada” (Gn 22:3, ACF). Ele agiu imediatamente! Ele não ficou refletindo sobre o assunto por alguns dias ou semanas; não chamou seus amigos para pedir a opinião deles; não ignorou a ordem de Deus nem resistiu a ela. Ele, Isaque e dois servos se levantaram cedo na manhã seguinte, prepararam as coisas e iniciaram a jornada. Pode ter sido ligeiramente mais fácil agir depois de ouvir a voz de Deus na noite anterior, mas e dois dias e meio depois, quando Abraão não ouvia uma voz do céu desde então? Agora ele está face a face com a montanha onde sacrificará a pessoa ou o bem mais precioso de sua vida, só porque Deus disse para fazer isso, sem dar nenhuma explicação. Abraão continua indo em direção ao sopé da montanha e pede a seus servos que esperem. Ele leva Isaque para subir a montanha e edifica o altar, o tempo todo escondendo as suas emoções turbulentas e as suas lágrimas. Foi necessário cada centímetro da sua força de vontade e da sua força mental para fazer o que era necessário para o sacrifício. Chegando o momento crucial, toda a esperança de que Deus mude de ideia parece perdida. Assim, em grande angústia, ele amarra Isaque, ergue o cutelo e está pronto para enterrá-lo no coração de seu filho — tudo porque Deus o pediu. Nenhuma razão foi dada. De repente, um anjo de Deus aparece. “Não toque no rapaz”, disse o Anjo. “Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho” (Gn 22:12). Como o anjo sabia que Abraão temia a Deus? Porque ele obedeceu instantaneamente, quando não fazia sentido, quando ele não via qualquer benefício, quando isso doía, e ele foi até o fim. Então Abraão abaixa o cutelo, desamarra Isaque, ergue os olhos, e vê um cordeiro preso em um arbusto. Da sua boca saem estas palavras: “Jeová-Jirê”, que significa “o Senhor proverá” (Gn 22:14). O que acabara de acontecer? Naquele momento, Deus revelou uma faceta do Seu caráter a Abraão que ninguém mais havia conhecido antes. Por quê? Porque ele era amigo de Deus. Deixe-me esclarecer. Todos vocês que estão lendo este livro me conhecem como John Bevere, o autor. Alguns de vocês que me ouviram pregar em conferências ou igrejas me conhecem como John Bevere, o palestrante. No entanto, há uma mulher — seu nome é Lisa — que me conhece como John Bevere, o marido; John Bevere, o pai; John Bevere, o avô; John Bevere, o melhor amigo; John Bevere, o amado; e eu poderia continuar. Pouquíssimas pessoas conhecem essas facetas da minha personalidade — só os mais chegados a mim. E a última, só Lisa conhece. Abraão se tornou amigo íntimo de Deus naquele dia. No próximo capítulo, vamos explorar as dinâmicas extraordinárias entre esses dois amigos — e como nós também podemos ter um relacionamento assim. Personalizando Passagem: “O Senhor confia os Seus segredos [do doce e satisfatório companheirismo] aos que O temem [reverenciam e adoram], e Ele lhes mostrará a Sua aliança e lhes revelará o seu [profundo e íntimo]significado” (Sl 25:14, AMPC). Ponto: Deus divide Seus segredos com os amigos íntimos, e Seus amigos íntimos são aqueles que vivem em santo temor. Pondere: O que é um amigo? Como os amigos desfrutam a vida juntos? O que torna uma amizade mais profunda? Eu gostaria de ser amigo de Deus? O que penso que Ele procura em um amigo? Eu tenho sido um bom amigo Dele? Caso contrário, o que deveria mudar? Quais são os meus desejos ligados a ser Seu amigo? Pare para orar: Querido Senhor, desejo ser um dos Teus amigos íntimos. Sei que este também é o Teu desejo. Refletindo sobre o que é um amigo íntimo, entendo que não tenho sido um amigo fiel a Ti. Perdoa-me por não colocar os Teus desejos acima de tudo o mais e por não proteger o nosso relacionamento na maneira como vivo e respondo a Ti. Peço-Te a graça de ser Teu amigo por toda a eternidade. Em nome de Jesus, amém. Professe: Buscarei ser um amigo de Deus e decido não ter nenhuma outra prioridade maior. O temor de Deus ilumina a alma, aniquila o mal, enfraquece as paixões, expulsa as trevas da alma e a torna pura. O temor de Deus é o ápice da sabedoria. Onde ele não está, não encontraremos nada de bom. Todo aquele que não possui o temor de Deus está aberto a quedas diabólicas. — EFRÉM, O SÍRIO Semana 5 — Dia 5 33 | A INFORMAÇÃO EM PRIMEIRA MÃO Falamos como a amizade entre Deus e Abraão se formou. Eis um exemplo de como podemos entrar em um relacionamento similar de intimidade com Deus. Mas, antes de tratarmos disso, vamos continuar com Abraão. Lemos: Você pode ver que tanto a fé como as suas obras estavam atuando juntas, e a fé foi aperfeiçoada pelas obras... e ele foi chamado amigo de Deus. — Tiago 2:22-23 O apóstolo Tiago fala sobre a amizade deles, e não é coincidência que tanto as palavras de Tiago quanto as do anjo estejam de acordo. O que promoveu essa intimidade foi o santo temor de Abraão, e isso ficou evidente pela sua rápida e completa obediência (obras). Mesmo quando a ordem não fez sentido, não tinha qualquer benefício aparente e era dolorosa de ser executada, ele tremeu diante da Palavra de Deus. O santo temor nos motiva tanto para querer quanto para realizar o que Deus pede de nós. Ele abre a porta para a intimidade com Ele. Certo dia, Deus fez esta pergunta aos dois anjos que O acompanhavam em uma visita a Abraão junto aos carvalhais que pertenciam a Manre: “Esconderei de Abraão o que estou para fazer?” (Gn 18:17). Então o Senhor voltou-se para Abraão para discutir Suas intenções, e os dois anjos foram até às cidades de Sodoma e Gomorra. Vou parafrasear o que aconteceu em seguida, a fim de termos uma maior identificação, mas basicamente o Senhor disse: “Abraão, estou planejando explodir estas duas cidades porque o clamor do pecado delas está gritante demais. O que você acha?”. Você pode se imaginar ouvindo essas palavras do Criador? Chocado, Abraão responde: “Sodoma?!” O Senhor responde: “Sim, sim, e Gomorra também. O que você acha a respeito disso?”. Em pânico, Abraão diz consigo mesmo: Pense, Abraão, pense. Meu sobrinho Ló está lá, então tenho de interceder em favor dele assim como em favor de quaisquer outras pessoas inocentes. Abraão tem uma ideia: Exterminarás o justo com o ímpio? E se houver cinquenta justos na cidade? Ainda a destruirás e não pouparás o lugar por amor aos cinquenta justos que nele estão? Longe de Ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de Ti! Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra? — Gênesis 18:23-25 Você pode imaginar a alegria e o prazer de Deus ao ouvir a resposta do homem com quem Ele tinha uma aliança? Ele provavelmente respondeu: “Excelente comentário! Tudo bem, não destruirei as duas cidades se houver cinquenta justos ali. Estou muito feliz por ter falado com Meu amigo Abraão”. Mas Abraão não estava satisfeito — e se não houver cinquenta? Então ele repete a pergunta, mas reduz o número para quarenta e cinco. O Senhor responde: “Outro bom argumento! Tudo bem, não destruirei as cidades se houver quarenta e cinco justos. Estou satisfeito por ter tido esta discussão com Meu amigo Abraão”. Abraão não para; ele continua pressionando, passando de quarenta e cinco para quarenta, depois para trinta, depois para vinte, e finalmente para dez justos. Ele pensa consigo mesmo: Tem de haver dez. Ló, meu sobrinho, é um — preciso apenas de mais nove. Só um amigo pode agir dessa maneira com um rei que tem o poder de exercer juízo. Vindo de um servo ou súdito, essa petição seria desrespeitosa. O Senhor concordou com cada pedido, e então lemos: “Tendo acabado de falar com Abraão, o Senhor partiu, e Abraão voltou para casa” (Gn 18:33). Lembre-se, temer a Deus significa que amamos o que Ele ama e odiamos o que Ele odeia. Deus certa vez falou comigo em um determinado dia depois de eu ter me esforçado em amor para dizer palavras de cura a alguém que havia sido duro comigo: “Filho, quando você se importar com o que Eu me importo — pessoas — então discutirei os Meus planos com você”. O santo temor realmente nos capacita a amar mais verdadeira e profundamente não apenas a Deus, mas também as pessoas. A Bíblia afirma que os habitantes de Sodoma e Gomorra estavam “comendo e bebendo, comprando e vendendo, plantando e construindo” (Lc 17:28). Vamos colocar isso em termos mais atuais: “A vida está boa, a economia está bombando, e se existe um Deus, Ele não se importa com o nosso estilo de vida”. Essas cidades estavam a menos de vinte e quatro horas de serem exterminadas, e as pessoas não se davam conta disso. Mas essa não é a realidade mais alarmante. A realidade aterrorizante é esta: Ló, que a Bíblia identifica como “justo” (2 Pe 2:7), também não se dava conta do que estava prestes a acontecer — em nada diferente de todas as pessoas ímpias! Foram necessários dois anjos de misericórdia para tirá-lo dali juntamente com sua família — tudo porque Abraão orou (Gn 19:29). Para tornar essa história mais relevante, vamos olhar para ela como se tivesse acontecido nos nossos dias. Temos dois homens justos — dois homens cristãos salvos, nascidos de novo. Um justo sabe o que Deus vai fazer antes que aconteça, e ajuda Deus a decidir como Ele vai fazer isso. O outro justo está tão alheio ao juízo iminente quanto os maus. Por quê? O primeiro justo teme a Deus; portanto, ele é um amigo de Deus, que, por sua vez, conhece os segredos de Deus. O segundo justo não teme a Deus; portanto, ele não é um amigo de Deus, e assim, não conhece os segredos de Deus. Ló foi chamado de justo, mas ele era mundano. Ele representa o cristão que, quando é colocado contra a parede, procura primeiro servir aos seus próprios interesses, semelhantemente à igreja de Corinto e bem parecido também com muitos da nossa Igreja Ocidental. Esse grupo de homens e mulheres “justos” tem um relacionamento com Deus que não é muito diferente do meu relacionamento com o presidente dos Estados Unidos. Posso me beneficiar das suas decisões e da sua liderança, mas não tenho as notícias em primeira mão, os seus planos, seus sentimentos pessoais ou suas decisões antes que ele as tome. O caráter de Ló se torna evidente pelo lugar onde ele escolhe habitar, pelo tipo de esposa que ele escolhe e pelos filhos que ele gerou por meio do incesto — os moabitas e amonitas. Ló originalmente escolheu o que lhe pareceu melhor. Quando se separou de Ló, Abraão lhe deu a primeira escolha sobre em qual terra ele queria viver, concordando em ir na direção oposta. A Bíblia diz: “Olhou então Ló e viu todo o vale do Jordão, todo ele bem irrigado” (Gn 13:10). A Nova Versão Transformadora diz que ele “olhou demoradamente para as planícies férteis do vale”. Por que ele olhou demoradamente para o vale do Jordão? Ele conhecia a maldade das cidades daquelas planícies. Ele provavelmente estava tentando decidir como poderia desfrutar dos benefícios do sistema do mundo, mas não se deixar enredar nele. Então traçou um plano. Ele decidiu acampar nas planícies, a uma distância segura do centro da maldade (Gn 13:12), mas suaideia comprometedora não deu certo. Mais tarde, Ló e sua família acabaram dentro dos portões da cidade, e ele acabou sendo atraído para dentro. Quando nos falta o santo temor, vamos inevitavelmente procurar nos aproximar do mundo tanto quanto possível sem cairmos de cabeça nele. Entretanto, se esse for o nosso motivo, é apenas questão de tempo para que o mundo nos atraia. Precisamos lembrar que fomos chamados para alcançar os perdidos no mundo, e não para fazer parte dele. A vida de Ló serve como uma advertência para cada um de nós. O dia do juízo viria sobre ele como um ladrão na noite se não fosse pela intercessão de Abraão. Haveria consequências terríveis para o seu mundanismo. Conforme dito, a descendência de Ló foi muito ímpia. Sua mulher estava tão presa a Sodoma que desobedeceu à ordem dos anjos de não olhar para trás, e isso resultou em juízo — ela se tornou instantaneamente uma coluna de sal. Jesus nos adverte: “Lembrem-se da mulher de Ló!” (Lc 17:32). Agora, a sabedoria nos faz perguntar: essa condição de amizade é verdadeira para aqueles de nós que somos filhos de Deus? Vamos tratar disso brevemente, mas, primeiro, vamos examinar outro amigo de Deus famoso no Antigo Testamento. Personalizando Passagem: “Aproximem-se de Deus, e Ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração” (Tg 4:8). Ponto: Deus compartilha Seus planos com aqueles que O temem. Ele esconde Seus planos daqueles cuja lealdade está dividida entre Deus e o mundo. Pondere: Jesus diz: “Mas, quando o Espírito da verdade vier, Ele... anunciará a vocês o que está por vir” (Jo 16:13). Como isso está correlacionado com a maneira como Deus e Abraão interagiam? Isso é algo que desejo ter com Deus, que Ele compartilhe os Seus planos comigo? Pare para orar: Querido Senhor, desejo ouvir o Teu conselho secreto. Entendo que tenho flertado com o mundo, como Ló. Eu na essência me afastei do Teu conselho interno. E me arrependo por isso. Peço-Te que me purifiques completamente com o sangue de Jesus, meu Senhor. Recebe-me como alguém com quem Tu compartilhas os Teus segredos. Em nome de Jesus, amém. Professe: Escolho Deus e não o mundo. Somente quando formos dominados por uma sensação avassaladora de admiração e reverência na presença de Deus é que começaremos a adorar a Deus em espírito e em verdade. — ALISTAIR BEGG Semana 5 — Dia 6 34 | FACE A FACE Agora vamos ver o outro homem do Antigo Testamento que é mencionado como “amigo” no seu relacionamento com Deus. O Senhor falava com Moisés face a face, como quem fala com seu amigo. — Êxodo 33:11 É quase incompreensível que a Bíblia utilize a expressão “face a face” ao descrever a amizade compartilhada entre Deus e Moisés. Tenha em mente que esse é o Deus Todo-poderoso, não alguém do outro lado da rua, ou mesmo uma figura famosa. Você está entendendo a grandeza dessa afirmação? Essa expressão de intimidade não é usada somente uma vez; ela é usada uma segunda vez quando o Senhor estava irado com Arão e Miriam por criticarem Moisés. Ele declara de forma severa: Não é assim, porém, com Meu servo Moisés, que é fiel em toda a Minha casa. Com Ele falo face a face, claramente, e não por enigmas; e Ele vê a forma do Senhor. Por que não temeram criticar Meu servo Moisés? — Números 12:7-8 Uma versão diz: “De toda a minha casa, ele é aquele em quem confio”. Deus dizer “Eu confio em você” é um dos maiores elogios que um ser humano pode receber. Isso nos dá ainda mais entendimento sobre o que é ter uma amizade com Deus — o fundamento da verdade. O que constrói a confiança com Deus? Obediência incondicional — sempre fazer o que lhe é pedido. Integridade absoluta — sempre cumprir a sua palavra. Prioridade irredutível — sempre colocar os desejos Dele em primeiro lugar. Conhecer o coração Dele — sempre escolher a vontade de Deus quando tomar decisões. Ser consistente em todos os quatro pontos é primordial. Se há falhas em uma área, o arrependimento rápido e sincero coloca você no caminho da confiança recuperada. O santo temor motiva essa confiabilidade em todas as quatro categorias, e Moisés demonstrava um alto nível de temor. Neste capítulo, vamos focar na terceira e na quarta categorias — basicamente, sempre escolher e conhecer o coração de Deus. Reflita sobre a vida de Moisés — seus primeiros quarenta anos foram cheios de grandes riquezas, das melhores comidas, de roupas da moda, dos melhores bens materiais e de todo prazer desejável. Ele morava em uma casa espetacular; ninguém na terra era mais rico ou poderoso que seu avô, o faraó. No entanto, lemos: (..) preferindo ser maltratado com o povo de Deus a desfrutar os prazeres do pecado durante algum tempo. Por amor de Cristo, considerou sua desonra uma riqueza maior do que os tesouros do Egito, porque contemplava a sua recompensa. — Hebreus 11:25-26 Moisés escolheu se afastar de tudo isso. Ele poderia ter tentado servir a Deus no palácio, mas buscava uma recompensa que ficar no Egito não poderia lhe dar. Seria a terra prometida? Não poderia ser, porque o que a terra que manava leite e mel teria a oferecer que ele já não possuísse? Para descobrir o que ele mais procurava, vamos analisar sua vida depois do palácio. A escolha de deixar tudo aquilo parecia sábia? Suas condições de vida eram melhores do que ser um príncipe no Egito? Ele deixou de governar pessoas para apascentar ovelhas no deserto por quarenta anos! Isso é muito tempo — apascentando ovelhas! Em seguida, ele passou por um processo muito estressante e longo para libertar o povo de Deus das mãos de faraó. Se tudo isso não bastasse, agora ele se vê morando em uma tenda em um deserto árido cheio de grandes desafios. O povo que ele está liderando está decepcionado, hostil e totalmente insatisfeito com sua liderança. Em meio a tudo isso, Deus faz uma oferta a Moisés que aliviará grande parte do estresse e da desordem. Ele instrui Moisés a reunir o povo e levá-lo para a terra prometida. Deus comissiona um anjo escolhido para guiá-los e expulsar todas as nações oponentes. O Senhor lembra a Moisés que aquela será uma terra rica e fértil, porém declara: “Mas Eu não irei com vocês” (Êx 33:3). Faça uma pausa e considere o que Moisés e o povo enfrentavam diariamente. Eles não tinham variedade — não tinham belos vales, rios, florestas, solo fértil, jardins, pomares ou pastos. Ninguém tomava um banho quente, dormia em uma cama confortável, usava roupas limpas ou desfrutava de um mercado para fazer compras por bastante tempo. O cardápio deles era totalmente monótono: não havia frutas frescas ou vegetais, nem peixe ou carne, nem sobremesas, apenas pão que aparecia no chão a cada manhã, sem manteiga de amendoim, geleia ou frios sortidos para acompanhar — mais nada! O cativeiro no Egito era terrível, mas perambular no deserto árido não era muito melhor; ambas as condições eram extremamente difíceis, embora de formas diferentes. Entretanto, no deserto, os israelitas tinham uma esperança: conquistar sua própria terra — uma terra rica, fértil e bela. Eles haviam esperado por ela por gerações! Você pode se imaginar ouvindo as palavras maravilhosas de Deus? Com certeza Moisés aceitará, descerá a montanha correndo e anunciará a grande notícia na assembleia nacional. O povo celebrará, o enaltecerá como um grande líder mais uma vez, e todos iniciarão felizes a jornada tão esperada em direção à desejada terra prometida. Entretanto, ouça a resposta de Moisés à oferta de Deus: Se a Tua presença não vai comigo, não nos faça subir deste lugar. — Êxodo 33:15 (ARA) Só para lembrar, onde era “este lugar”? Era o lugar da adversidade, do estresse e da dificuldade. Moisés deu uma resposta que nos deixa perplexos e que para nós, não iluminados, é até confusa. Basicamente, ele declarou: “Se eu tiver de escolher entre a Tua presença e as Tuas bênçãos, fico com a Tua presença!”. Por quê? Você pode conhecer sobre alguém na ausência dele, mas não pode se tornar próximo e íntimo. Essa era a recompensa que Moisés cobiçava.Você pode questionar: por que Deus se agradaria do fato de Moisés ter recusado o que lhe foi dito para fazer? Moisés conhecia o coração de Deus. Pense no seguinte: você já ofereceu a alguém que amava a oportunidade de fazer alguma coisa benéfica ou agradável apenas para ele, e foi sincero nessa atitude, mas ele o surpreendeu ao dizer: “Não, prefiro estar com você em vez de desfrutar isso sem você”? Uma resposta como essa é rara, avassaladora e maravilhosa demais. Moisés temia a Deus, de modo que o que era importante para Deus acabava sendo a prioridade de Moisés; ele tinha o coração de Deus e, assim, a Sua confiança. O povo que ele liderava tinha um coração diferente. Lemos: Ele manifestou os Seus caminhos [caráter] a Moisés; os Seus feitos aos israelitas. — Salmos 103:7 Assim como aconteceu com Abraão, Deus revelou o Seu caráter a Moisés. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje da Bíblia diz que Deus revelou Seus planos a Moisés. Em outras palavras, Seus segredos particulares foram revelados a seu amigo, mas não a Israel. O povo de Israel só conhecia a Deus pela maneira como Ele respondia às orações deles — os Seus feitos. Quantos crentes hoje só conhecem a Deus pelas orações respondidas? O relacionamento deles se baseia mais no que Deus pode fazer por eles, e não na intimidade. Eles conhecem Suas palavras, mas não o Seu coração. Para eles, a Bíblia em geral é tida como um livro de regras e relatos históricos, ou é usada meramente como uma fonte de inspiração. E o que é pior, ela é distorcida para conceder permissão para a prática de um comportamento iníquo, em vez de oferecer verdades transformadoras que revelam o Seu coração. Tanto Moisés quanto Israel eram justos, em nada diferentes de Abraão e Ló. No entanto, somente os que temem a Deus têm o direito de conhecer o Seu coração — Seu caráter, Seus segredos e Seus planos. Por que Deus confiaria em Moisés, mas não no Seu povo? Porque Deus sabia que Moisés sempre escolheria o coração de Deus acima do que parecia ser o melhor para ele — isso é santo temor. Quando Israel construiu o bezerro em Êxodo, Deus declarou furioso: Deixe-Me agora, para que a Minha ira se acenda contra eles, e Eu os destrua. Depois farei de você uma grande nação. — Êxodo 32:10 Mais uma vez, é feita uma oferta extraordinária — fazer de Moisés uma grande nação. Que incrível! Como Moisés reagiu? De novo, ele escolheu o que era melhor para Deus, e não para si mesmo. Ele desafiou com ousadia essa proposta, lembrando a Deus a Sua reputação junto ao Egito e ao mundo que lhes observava — os outros diriam que Deus não foi fiel ao Seu povo. A interação ficou tão intensa que Moisés disse, de forma direta: “Mude de ideia!” (v. 12). Ele teve a coragem de dizer a Deus, quando Ele estava furioso, para mudar de ideia! Isso não pode acontecer a não ser que você tema a Deus e consequentemente conheça o coração Dele e deseje o Seu melhor. É por isso que Deus confiava em Moisés e não no povo, embora tivesse salvado cada um deles. Ele libertou poderosamente o povo das garras fortes do Egito, mas não compartilharia o Seu coração com eles. Essa condição de amizade se aplica aos filhos de Deus nos tempos do Novo Testamento? Veremos no próximo capítulo. Personalizando Passagem: “Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho” (Mt 11:27). Ponto: Deus dizer “Eu confio em você” é um dos maiores elogios que um ser humano pode receber. O fundamento da confiança é essencial para os que desejam ter uma amizade com Deus; ele é encontrado nos que temem ao Senhor. Pondere: Moisés temia a Deus, conhecia o Seu coração e tinha a confiança de Deus. Jesus tinha prazer no temor do Senhor, conhecia o coração de Seu Pai, e a Ele foram confiadas todas as coisas. Qual é a correlação? O que acontece quando temos prazer no santo temor? Pare para orar: Querido Senhor, desejo ter a Tua confiança. Perdoa-me pelas vezes que não Te obedeci, não cumpri a minha palavra e não coloquei os Teus desejos e o que é melhor para Ti acima da minha vontade. Decido mudar esse cenário e peço que Tu me enchas de santo temor para me capacitar a fazer tal mudança em minha vida. Eu Te peço isto em nome de Jesus, amém. Professe: Decido ser alguém em quem o meu Senhor Jesus pode confiar. Não estava queimando o nosso coração dentro de nós, enquanto Ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras? — Lucas 24:32 Semana 5 — Dia 7 35 | VOCÊS SÃO MEUS AMIGOS As vidas de Abraão e Moisés exemplificam o que é necessário para entrar em um relacionamento de amizade com Deus. O Senhor chegou ao ponto de dizer sobre Moisés: “De toda a Minha casa, ele é aquele em quem confio” (Nm 12:7, NLT). Naquela geração, Deus declarou que não havia nenhum outro entre o Seu povo em quem Ele podia confiar mais. Que declaração impressionante. Jesus alterou esse critério? Ele abriu um relacionamento de amizade com todos os que creem Nele? A resposta rápida é não, mas vamos investigar começando com uma declaração de João no início do ministério de Jesus: Enquanto estava em Jerusalém, na festa da Páscoa, muitos viram os sinais milagrosos que Ele estava realizando e creram em Seu nome. Mas Jesus não Se confiava a eles, pois conhecia a todos. — João 2:23-24 “Confiar” é uma palavra grega interessante que é definida como “acreditar a ponto de confiar e depender completamente — ter confiança em, ter fé em”.1 O interessante é que essa confiança não é recíproca por parte de Jesus. Embora as pessoas cressem a ponto de confiar completamente Nele e depender completamente Dele, Jesus não confiava nelas. Ele sabia que a grande maioria dos seres humanos não era confiável. Ele os amava e lhes servia, mas não os considerava a ponto de vê-los como amigos. A confiança que Deus atribuiu a Moisés não foi concedida por Jesus (Deus manifestado em carne) aos que simplesmente criam Nele. Vamos avançar para a Última Ceia. Nos três anos ministeriais anteriores, a maioria dos que creram Nele não eram confiáveis; muitos acompanhavam secretamente ou à distância, ou somente quando isso os beneficiava. Muitos discípulos O deixaram e Judas O traiu. 2 Isso nos dá uma percepção a mais da razão pela qual Jesus não era recíproco em confiar neles? Na ceia, Jesus agora está sentado com os que Lhe são mais próximos. Com gratidão e afeto, Ele diz: “Vocês são os que têm permanecido ao Meu lado durante as Minhas provações” (Lc 22:28). No fundo, eles haviam sido confiáveis. Pedro sofreria um contratempo terrível mais tarde naquela noite, mas se arrependeria e voltaria com um coração ainda mais leal, e Jesus sabia disso. Judas foi deixado para executar a traição, e Jesus diz sobre os onze que restaram: “Já não os chamo servos” (Jo 15:15). O fato de Jesus dizer “Já não os chamo...” significa que um dia aqueles homens foram vistos como servos. Não se trata de revelação, é apenas língua portuguesa. Paulo desenvolve esse princípio ao escrever: Enquanto o herdeiro é menor de idade, em nada difere de um escravo. — Gálatas 4:1 Devemos perguntar por que Deus nos mantém no nível de servos quando somos herdeiros do Seu Reino? A resposta é: para nos proteger! Ele não deseja que a situação de Ananias e Safira aconteça conosco; Ele não tem prazer nisso. Nos anos 1980, Lisa e eu trabalhávamos para dois ministérios globais, um com uma equipe contratada de quatrocentos e cinquenta funcionários e outro com cento e cinquenta. Vimos problemas de liderança que não nos agradou em ambos, assim, quando começamos o nosso próprio ministério, decidimos fazer o extremo oposto do que havíamos testemunhado ao decidir como liderar nossa equipe. Algumas ideias às quais nos agarramos eram boas, mas outras não. Um paradigma que iniciamos foi: “Vou ser o melhor amigo de todos os funcionários”. Você já deve estar reconhecendo a estupidez dessa visão. Nosso primeiro funcionário era um jovem que chamarei de Justin. Fiz dele o meu melhor companheiro; jogávamos basquete juntos, assistíamos a vídeos juntos, comíamosjuntos com frequência, e todas as outras atividades que melhores amigos fazem. A princípio foi ótimo. No entanto, depois de um ano tive de corrigi-lo em alguns detalhes menores. Ele se sentou do outro lado da minha mesa, então abri a conversa dizendo gentilmente: “Justin, quando você viajar comigo, tente tratar as pessoas que se aproximam da nossa mesa de produtos com gentileza. Sorria e interaja com elas porque elas são preciosas para Deus”. O que aconteceu em seguida me chocou. Ele apontou o dedo para mim e começou a me acusar de todo tipo de comportamento errado. Ele enumerou coisas que eu estava fazendo incorretamente. Pensei: Oh não, estou fazendo essas coisas? Fiz uma pausa e perguntei ao Espírito Santo o que fazer. Ele disse suavemente: “Libere-o do ministério”. Deixei que ele desabafasse totalmente antes de dizer: “Justin, preciso liberar você da nossa equipe”. Ele ficou furioso e saiu da nossa casa violentamente. De imediato, fiquei com os olhos cheios de lágrimas, porque eu me importava com ele. De repente, o Espírito Santo sussurrou: “Ele vai voltar e será duplamente fiel”. Três meses depois recebi um telefonema de Justin. Ele disse: “Deus falou claramente comigo e me corrigiu. Estou telefonando para lhe pedir perdão. Perdi a noção de onde Deus me colocou na sua vida e na vida de Lisa, e perdi a noção da posição onde Ele havia colocado vocês dois em minha vida. Eu tratei vocês dois como algo comum e ordinário — como colegas e não como líderes. Sinto muito”. Rapidamente respondi: “Justin, eu perdoo você”. Depois de mais alguns comentários conciliadores, perguntei se ele queria voltar a trabalhar para nós. Ele concordou, satisfeito, e nunca mais tivemos problemas nessa área. Agora tenho uma mentalidade diferente. Eu me abstenho de compartilhar os segredos íntimos do meu coração com qualquer funcionário até saber que ele está firmado na posição que Justin perdeu de vista. Não faço isso para me manter à distância ou para ser impessoal com os membros da nossa equipe; faço isso para protegê-los. Não quero que eles passem pelo que Justin passou. No entanto, quando sei que um funcionário está firmado nas nossas posições, então eu o incluo como um amigo. Alguns dos membros da nossa equipe são meus amigos mais próximos. Basicamente, o Senhor nos diz: “Até que você esteja bem firmado em quem Eu sou na sua vida e bem firmado em quem você é comigo — o temor do Senhor — preciso manter você no nível de servo embora você seja um herdeiro — um filho ou uma filha do Meu Reino. Isso é para proteger você, para que você não passe por um juízo semelhante ao de Ananias e Safira”. Jesus diz a Seus discípulos: Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, Eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de Meu Pai Eu tornei conhecido a vocês. — João 15:15 Em resumo, Jesus está dizendo: “Até agora, Eu não lhes dei as notícias em primeira mão — os Meus planos, o Meu conselho secreto, ou as áreas íntimas do Meu coração. Mas agora posso confiar em vocês como Eu fazia com Moisés e Abraão”. É por isso que Jesus diz a todos nós: Vocês serão Meus amigos, se... — João 15:14 Nós cantamos canções, pregamos mensagens e falamos casualmente sobre Jesus ser nosso amigo, e alguns até chegam a se referir a Ele como se fosse um colega. Entretanto, raramente terminamos Sua declaração em João 15:14. A palavra “se” é uma condição; não é automático, mesmo que creiamos Nele. Qual é a condição para a amizade? “Vocês serão meus amigos, se fizerem o que Eu lhes ordeno.” Aí está a condição: o temor do Senhor — tremer diante da Sua Palavra, obedecer às Suas ordens instantaneamente e até o fim, ainda que isso não faça sentido, que você não veja benefício ou que seja doloroso. Assim como Abraão e Moisés foram recebidos em um relacionamento de amizade com o Deus Todo-poderoso devido à sua reverência e admiração pelo Senhor, não é diferente conosco agora. Quando o coração do Senhor e a Sua vontade são a nossa prioridade número um, então Ele pode confiar em nós e nos receber em um relacionamento de amizade. Que honra, que privilégio, e como é empolgante ser um amigo do Criador do universo. Antes de encerrar, permita-me tratar de uma pergunta que talvez permaneça em sua mente: Jesus nos dá ordens? Sim, há mais de quinhentos mandamentos apenas no Novo Testamento. Porém, não são ordens necessárias para a salvação, pois ela é um dom gratuito. Na verdade, são ordens que glorificam a Deus, as quais somos revestidos de poder pelo santo temor para cumprir. As últimas palavras de Jesus antes de partir foram: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações... ensinando-os a obedecer a tudo o que Eu ordenei a vocês. E Eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28:19-20). O maior benefício do santo temor é ser recebido em um relacionamento de amizade com Jesus. Na próxima seção vamos examinar outros benefícios do santo temor. Personalizando Passagem: “Vocês serão Meus amigos, se fizerem o que Eu lhes ordeno” (Jo 15:14). Ponto: Não ganhamos a confiança de Jesus apenas por crermos Nele. A amizade com o Senhor é reservada para os que O temem. Pondere: Vale a pena obedecer a Jesus imediata e completamente, mesmo quando não faz sentido, ainda que pareça não haver qualquer benefício pessoal, ainda que seja doloroso? O benefício da Sua amizade vale isso? Pare para orar: Querido Senhor, desejo acima de tudo ser um dos Teus amigos íntimos. Não quero conhecer-Te de longe; quero estar próximo a Ti. Escolho o temor do Senhor — obedecer-Te incondicionalmente, amar-Te de todo o coração, alma, corpo e forças, e amar as pessoas em verdade como Tu amas. Peço-Te isto em nome de Jesus, amém. Professe: Decido me tornar um amigo de Jesus! Vou obedecer a Tudo o que Ele me ordenar. Veja bem por onde anda, e os seus passos serão seguros. — PROVÉRBIOS 4:26 Semana 6 — Dia 1 36 | ESTABELECENDO SUAS PROMESSAS Agora vamos voltar nossa atenção para os inúmeros benefícios do santo temor. Já falamos de vários deles, inclusive do maior: a intimidade com Deus. Vamos continuar a elucidar o conhecimento de “como é grande a Tua bondade, que reservaste para aqueles que Te temem” (Sl 31:19). Antes de iniciarmos essa abordagem empolgante, é importante esclarecer um mal-entendido comum. Muitas vezes as pessoas interpretam a Bíblia através da lente da experiência — pessoal ou de terceiros — em vez de permitir que a Palavra de Deus molde a sua experiência. Basicamente, as promessas de Deus são vistas como cenários de “acerto ou erro”, tendo esta ideia predominante: Se Deus quer isto para mim, isso é maravilhoso. Mas se não, Ele é soberano e preciso aceitar. Essa crença configura Deus como alguém que demonstra parcialidade para com Seus filhos, o que simplesmente não é verdade. Isso pode facilmente gerar um ressentimento oculto e não expresso contra o Senhor. A verdadeira história é bem diferente; muitas vezes precisamos argumentar com o que Deus diz. Para desenvolver esse raciocínio, vamos nos voltar para a Palavra de Deus e estabelecer essa verdade. Vamos abordar uma promessa bíblica que a maioria consideraria automática. Deus disse a Abraão: “Será por meio de Isaque que a sua descendência há de ser considerada” (Gn 21:12). Essa palavra de Deus, juntamente com palavras anteriores, torna clara a promessa divina: a realidade de que Abraão seria o pai de uma nação e de que o Messias vindouro viria da descendência de Isaque. Tendo isso em mente, vejamos como a linhagem de Isaque teve início, a começar do episódio em que Deus escolheu a mulher com quem ele iria se casar. O servo de Abraão viaja até a terra natal do seu senhor para encontrar uma noiva para Isaque. Após uma longa jornada, ele se detém junto ao poço da comunidade e ora pedindo a Deus um sinal inconfundível — a garota que der água aos seus dez camelos sem que isso lhe seja pedido “seja essa a que escolheste para teu servo Isaque” (Gn 24:14). Vamos fazer uma pausa aqui para observar que depois de uma longa viagem pelo desertoum camelo pode beber de trinta a cinquenta galões de água em quinze minutos. Multiplique isso por dez camelos, e isso é muita água para uma garota tirar do poço voluntariamente. A oração dele teria de ser respondida milagrosamente, mas Rebeca atendeu perfeitamente ao seu pedido! Não há dúvida de que ela havia sido escolhida divinamente para ser a esposa de Isaque. Depois que o servo volta para casa com a jovem, Isaque e Rebeca se casam. Mas há um enorme obstáculo ao cumprimento da promessa — ela é estéril e não pode ter filhos! Deus se enganou? Ele não sabia que ela não podia conceber? Como a promessa pôde se cumprir? Por que Deus a escolheria? O que Isaque e Rebeca fariam? Eles devem esperar que a promessa se cumpra — até que o ventre dela um dia se abra milagrosamente? Na busca pela nossa resposta, vamos atrás da nossa primeira pista em Abraão. Ele é um homem ousado na oração. Foi ele quem desafiou Deus a ser fiel à Sua natureza e não destruir Sodoma e Gomorra por amor a dez justos. Sabemos, com base nas Escrituras, que ele ensina seu filho a fazer o mesmo (Gn 18:19). Sabendo disso, lemos: E Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca sua mulher concebeu. — Gênesis 25:21 (ACF) Mais uma vez, se havia uma promessa de Deus que era certo acontecer sem qualquer envolvimento humano, seria a capacidade de Rebeca ter bebês. Mas esse não era o caso. Foi necessária uma ação muito específica de Isaque para garantir a promessa de Deus. Ele teve de orar insistentemente ou implorar. O dicionário hebraico diz: “O significado fundamental dessa palavra (implorar) é o de um clamor ao Senhor”. De modo que não se tratou apenas de uma oração casual, mas de uma petição ardente, uma petição que não aceitaria um “não” como resposta. O tipo de oração que agrada a Deus. Lemos: A oração de um justo é poderosa e eficaz. — Tiago 5:16 O apóstolo Tiago diz que uma oração eficaz é uma oração ardente ou apaixonada. Ele dá o exemplo de Elias orando por chuva. Elias teve de orar apaixonadamente por sete vezes, com a cabeça entre os joelhos, e por sete vezes ele enviou o seu servo para ver se as nuvens de chuva estavam chegando. Sua fé se recusou a desistir até que a promessa de Deus se cumprisse na terra (1 Reis 18:41-45). Isaque conhecia a vontade de Deus e clamou ardentemente para que ela fosse estabelecida na terra. Isso também é verdade com relação a todos os crentes? Lemos: A Tua palavra, Senhor, para sempre está firmada nos céus. — Salmos 119:89 A Palavra de Deus está estabelecida no céu. Não é por acaso que a terra não é mencionada, mas somente o céu. Por quê? O salmista diz: “Os mais altos céus pertencem ao Senhor, mas a terra Ele a confiou ao homem” (Sl 115:16). O Senhor possui o céu e a terra (1 Co 10:26), mas entregou a terra à humanidade por um período. No começo do nosso casamento, Lisa e eu alugamos um apartamento. Nós não éramos os proprietários, mas ele era nosso para morarmos nele e para fazermos dele o nosso lar. Os proprietários não entravam na propriedade para impor sua vontade sobre a maneira como arrumávamos os móveis, decorávamos a casa, ou sobre qualquer outro aspecto da nossa vida dentro dela. No entanto, se pedíssemos ajuda, tínhamos a assistência do proprietário. É mais ou menos dessa forma que Deus possui a terra, mas a “alugou” à humanidade. Isso explica por que Ele não entrou no jardim e arrancou o fruto da mão de Adão. Ele deu à humanidade domínio sobre a terra (Gn 1:26-28). Com esse entendimento, precisamos perguntar: como a Palavra de Deus pode passar a ser estabelecida na terra? Lemos: “Por boca de duas ou três testemunhas será confirmada (estabelecida) toda a palavra” (2 Co 13:1, ACF). E em Isaías, Deus declara: Assim também ocorre com a palavra que sai da Minha boca: ela não voltará para Mim vazia, mas fará o que desejo e atingirá o propósito para o qual a enviei. — Isaías 55:11 É interessante notar que em ambas as passagens a palavra boca é especificada. A boca de Deus proclama a vontade que é desejada por Ele, mas é necessário um ser humano — que recebeu autoridade na terra — para proclamá-la com a sua boca para estabelecê-la na terra. Basicamente, fazemos um pedido para que Ele venha e nos ajude na terra. Agora, a Sua promessa é estabelecida na terra assim como no céu. Resumindo, Deus não forçará Sua entrada na terra que nos foi “alugada”, a não ser que peçamos que a Sua vontade seja feita. Deus declarou a promessa a Abraão. Você pode visualizar Isaque implorando? “Deus de meu pai, Tu prometeste que uma nação viria de mim e que os meus descendentes seriam abençoados. Eu Te peço que abras o ventre da minha esposa para que ela tenha filhos. Amém”. Resultado: a vontade de Deus foi estabelecida. Agora vamos ver o nosso maior exemplo, Jesus. Durante os seus dias de vida na terra, Jesus ofereceu orações e súplicas, em alta voz e com lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, sendo ouvido por causa da Sua reverente submissão. — Hebreus 5:7 Mais uma vez, encontramos a palavra súplicas, mas ela está unida às palavras reverente submissão (a Deus). Outra chave nos é dada. Não é necessária apenas uma fé irredutível, que fala (clama) — até que a promessa de Deus seja evidente na terra — mas também o temor do Senhor para estabelecer as promessas feitas por Deus ao Seu povo. Observe que Deus “ouviu” as orações de Jesus. Uma coisa é orar, mas outra coisa é ser ouvido. Há orações que não são ouvidas? Absolutamente sim. Tiago escreve: “Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres” (Tg 4:3). Mais uma vez, temos de olhar para os nossos motivos, e é o temor do Senhor que mantém os nossos motivos sob controle. Quando tememos a Deus, podemos orar com ousadia e declarar que as promessas ou a vontade de Deus sejam estabelecidas na terra, e elas de fato serão estabelecidas. Talvez seja por isso que o apóstolo Paulo escreve, próximo ao fim do seu tempo na terra: “Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna” (1 Tm 6:12). Trata-se de um combate, e pela fé tomamos posse do que a vida eterna nos dá. Personalizando Passagem: “Ele realiza os desejos daqueles que O temem; ouve-os gritar por socorro e os salva” (Sl 145:19). Ponto: Muitas vezes as pessoas interpretam a Bíblia através da lente da experiência — pessoal ou de terceiros — em vez de permitirem que a Bíblia molde a sua experiência. Pondere: Tenho permitido que as minhas crenças se afastem do que é declarado na Bíblia devido às minhas próprias experiências ou às experiências dos outros? Há promessas que ainda não se cumpriram na minha vida, na minha família, na minha esfera de influência? Tenho me contentado em viver fora dessas promessas divinas? Estou disposto a contender pelas promessas orando insistentemente para que elas se cumpram nesta terra? Pare para orar: Querido Senhor, em nome de Jesus, perdoa-me pela preguiça espiritual, por me contentar com as promessas não cumpridas e por não lutar pelo que a Tua Palavra declara. Tenho olhado para as experiências do passado para moldar o meu caminho em vez de contender para que a Tua vontade seja estabelecida. Eu me arrependo e decido combater o bom combate da fé, orando para que a Tua vontade seja estabelecida nesta terra assim como ela é no céu. Amém. Professe: Decido combater o bom combate da fé e tomar posse do que a vida eterna declara, para ver a vontade de Deus ser estabelecida na minha esfera de influência. Os homens que temem a Deus encaram a vida destemidamente. Os homens que não temem a Deus acabam temendo tudo. — RICHARD HALVERSON Semana 6 — Dia 2 37 | O TEMOR QUE ELIMINA O MEDO Vivemos em um mundo perturbado e cheio de medo. Na verdade, Jesus nos diz que isso só irá se intensificar. Sua descrição do que está por vir é séria: “Os homens desmaiarão de terror, apreensivos com o que estará sobrevindo ao mundo; e os poderes celestes serão abalados” (Lc 21:26). Esses temores e ansiedades destroem a esperança, a paz e a tranquilidade,deixando somente inquietação, corações pesados e angústias constante. Qual é o antídoto? O Senhor me advertiu firmemente de que não pensasse como todos os outros. Disse Ele: “Não chame tudo de conspiração, como eles fazem; não viva com medo do que eles temem. Considere o Senhor dos Exércitos santo em sua vida; é a Ele que você deve temer. Ele é quem deve fazê-lo estremecer; Ele o manterá seguro. — Isaías 8:11-14 (NVT) O santo temor elimina todos os outros temores e ansiedades, pois ele é sustentado pela promessa de Deus de que seremos mantidos seguros. Pare por um instante e reflita sobre essa realidade. Imagine todas as forças armadas dos Estados Unidos sendo designadas para proteger você. Cada general informa aos oficiais abaixo dele que você é prioridade máxima, e que qualquer coisa necessária para a sua segurança deve ser implementada. Todo tipo de armamento avançado é dedicado a oferecer proteção onde quer que você permaneça ou vá. É quase inimaginável, mas se isso acontecesse, estou certo de que você se sentiria seguro. No entanto, tudo isso é nada em comparação ao que o Deus Todo-poderoso diz: “Eu o manterei seguro”. Não é de admirar que nos seja dito: Como é grande a Tua bondade, que reservaste para aqueles que Te temem, e que, à vista dos homens, concedes àqueles que se refugiam em Ti! No abrigo da Tua presença os escondes das intrigas dos homens; na Tua habitação os proteges das línguas acusadoras. — Salmos 31:19-20 A promessa da bondade derramada sobre nós — estar escondidos no abrigo da presença de Deus, seguros dos que possam tentar nos fazer mal — não é feita a todos, mas aos que temem a Deus. Durante anos Lisa e eu suportamos mentiras, calúnias, acusações e ameaças contra nós. Eu brincava com os amigos: “Não pesquise o meu nome no Google; você será inundado com artigos me denunciando”. Mas decidimos ficar em silêncio e não nos defendermos. Em vez disso, entregamos os ataques Àquele a quem tememos, e temos testemunhado a Sua proteção constante. Não foi fácil; houve vezes em que literalmente ergui as mãos ao alto em forma de cálice como um sinal externo de estar entregando as acusações ou ameaças a Deus. Eu clamo: “Pai, entrego isto em Tuas mãos, por favor, proteja-nos”. E Ele nunca falhou conosco. Temos testemunhado a proteção do santo temor na vida de muitos que conhecemos. Há vários anos, falei para mais de mil pessoas na nossa cidade natal. No culto, muitos trocaram os seus medos pelo temor do Senhor. Na noite seguinte, quando uma mãe e uma filha que estavam entre os que haviam respondido e sido libertos do medo voltavam para casa depois de fazer compras, elas foram surpreendidas por três homens com facas e armas. Os homens ordenaram com firmeza que elas entrassem em casa. Muito provavelmente, o intento deles era roubar, violentar e possivelmente assassinar as duas mulheres. A mãe mais tarde relatou: “Se não fosse pela noite anterior, eu teria congelado de medo, ficado sem fala e obedecido às ordens deles”. Mas ela disse: “Resolvi ignorá-los e comecei instantaneamente a orar em voz alta para que Jesus nos salvasse. Quanto mais eu clamava, mais minha confiança, minha força e minha paz aumentavam”. “Os homens começaram a tremer e me ordenaram firmemente que parasse de orar. Finalmente a paciência deles acabou e, furiosos, começaram a gritar: ‘Pare, pare, pare com essa oração!’”. Os três homens estavam despreparados para um confronto com mulheres tão confiantes. Os assaltantes ficaram confusos e, enquanto focavam na mãe, a filha conseguiu entrar em casa e pedir ajuda. Quando os homens perceberam que ela não estava no local, eles fugiram. Naquele mesmo ano, quando eu estava ministrando em Houston, Texas, outra mulher trocou os seus medos pelo santo temor. Dentro de uma semana após o culto, depois de ter saído de um shopping e entrado em seu carro, ela se deparou com um homem escondido no banco traseiro armado com uma faca. Ele ordenou firmemente que ela dirigisse. Em vez de se deixar dominar pelo medo, ela clamou a Jesus sem parar. Eles dirigiram por horas com o homem exigindo que ela se calasse, mas ela se recusava. Finalmente ele disse: “Pare o carro!”, e quando ela o fez, ele abriu a porta de trás e fugiu. Houve um tempo em que o rei de Arã ficou furioso com o profeta Eliseu e enviou tropas para prendê-lo. O servo de Eliseu foi o primeiro a ver os soldados, cavalos e carros. Ele estava dominado pelo medo. “O profeta respondeu: ‘Não tenha medo. Aqueles que estão conosco são mais numerosos do que eles’. E Eliseu orou: ‘Senhor, abre os olhos dele para que veja’” (2 Rs 6:16-17). O Senhor fez isso, e o servo viu multidões de cavalos e carruagens de fogo angelicais. Jesus costumava encontrar multidões que pegavam pedras para lançar sobre Ele. Em uma ocasião uma multidão tentou atirá-lo de um penhasco, mas em cada ocasião ameaçadora, Ele simplesmente se afastava ileso (ver Lc 4:29; Jo 8:59; 10:39). O único momento em que Deus permite que alguém que O teme passe por sofrimento é se isso for concedido do alto, para a glória de Deus. Entretanto, mesmo nessas situações, há uma confiança baseada no santo temor que elimina o temor humano. Considere os três jovens hebreus que foram levados para estar diante do rei mais poderoso da terra, o rei Nabucodonosor, da Babilônia. Ele havia construído um grande ídolo e expedido um decreto dizendo que todas as pessoas deviam se curvar diante dele todas as vezes que se ouvisse música na terra. Aqueles três jovens temiam a Deus e não queriam pecar, por isso se recusaram a obedecer ao decreto do líder. Eles foram levados à presença de um Nabucodonosor furioso, que podia lançá-los instantaneamente em uma fornalha ardente. Os três jovens estavam com medo? Vou deixar que você decida, pois observe o que eles dizem a um rei enfurecido: “Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e Ele nos livrará das tuas mãos, ó rei. Mas, se Ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer” (Dn 3:17-18). Que confiança! Eles permaneceram calmos e destemidos, embora a Bíblia afirme: “Nabucodonosor ficou tão furioso com Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que o seu semblante mudou” (v. 19). Esses homens temiam a Deus e, portanto, sabiam que Ele os livraria, quer pela vida quer pela morte. Eles foram lançados na fornalha, mas saíram ilesos, sem nem mesmo qualquer cheiro de fumaça. Permaneceram destemidos, ainda que isso significasse a morte. O apóstolo Paulo, um homem que temia grandemente a Deus, teve a mesma atitude. Quando enfrentou a possível execução, ele disse: “Aguardo ansiosamente e espero que em nada serei envergonhado. Ao contrário, com toda a determinação de sempre, também agora Cristo será engrandecido em meu corpo, quer pela vida quer pela morte; porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fp 1:20-21). Por que morrer para glorificar a Cristo é ainda melhor ou, como diz outra versão, “muito melhor” que a vida? O temor de Deus, que é o princípio da sabedoria, nos ilumina com a perspectiva adequada nesta vida e na próxima. É por isso que Jesus diz: “Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno” (Mt 10:28). Há anos, enquanto eu estava na estrada ministrando, temi pela vida dos meus filhos e Deus falou comigo. Ele disse: “John, qualquer medo na sua vida apenas identifica o que você não colocou debaixo da cruz; você ainda está no controle dessa área da sua vida”. Eu me arrependi naquela noite, devolvi os nossos filhos inteiramente a Deus, e nunca mais me preocupei com a segurança deles. O temor do Senhor nos leva a entregar tudo a Jesus. Quando fazemos isso, vivemos o que outros desejam grandemente, mas simplesmente não conseguem: encontrar paz, confiança e libertação do medo. Personalizando Passagem: “O temor do Senhor conduz à vida: Quem O teme pode descansar em paz, livre de problemas” (Pv 19:23). Ponto:Qualquer temor não benéfico na sua vida identifica o que você não colocou debaixo da cruz; significa que você ainda controla essa área da sua vida. Pondere: Em que áreas da vida eu luto contra o medo? Será minha saúde, minhas finanças, meu casamento, meus filhos, meu trabalho, minha educação, a rejeição, a perseguição pela minha fé, ou outro aspecto da minha vida? Eu entreguei completamente essa área da minha vida ao senhorio de Jesus, ou ainda a controlo? Pare para orar: Querido Senhor, perdoa-me por não entregar a Ti a área (mencione a área da sua vida correspondente). Refletindo, ficou claro que eu mantive esse terreno sob o meu controle. Minha insegurança expôs a falta de santo temor nesse aspecto da minha vida. Eu me arrependo e entrego esta área (mencione) e todas as outras áreas da minha vida ao senhorio de Jesus. Amém. Professe: Jesus é o Meu Senhor. Dou a Ele a propriedade de todas as áreas da minha vida. Que seja feito em mim segundo a Sua vontade. Ensine seus filhos no caminho certo, e, mesmo quando envelhecerem, não se desviarão dele. — PROVÉRBIOS 22:6 (NVT) Semana 6 — Dia 3 38 | LEGADO Há outro grande benefício do santo temor: um legado reverente a Deus. Deixe que eu lhe faça algumas perguntas. O que lhe vem à mente quando você pensa em Benedict Arnold? O primeiro pensamento que você tem é “traidor”? E quanto à Madre Teresa? Você pensa em Missionárias da Caridade? E quanto a Adolf Hitler? Você pensa “ditador tirânico que assassinou milhões de pessoas”? E quanto a Albert Einstein? Você pensa naquele que descobriu a teoria da relatividade? Os pensamentos que vêm à sua mente provavelmente são o legado desses indivíduos famosos. O fato é que todos nós geramos um legado. Portanto, uma pergunta que precisamos fazer a nós mesmos é: o meu legado será lembrado com admiração ou com horror? A questão maior, porém, é como o nosso legado será visto no céu — como benéfico ou prejudicial à edificação do Reino eterno de Deus. Uma definição da palavra legado, de acordo com o Dicionário Merriam-Webster, é “algo transmitido por ou recebido de um ancestral ou predecessor”.1 Como o temor de Deus afeta a nossa posteridade? Para começar, vamos voltar ao pai da fé, Abraão. No monte, quando o anjo o impediu de matar Isaque com a faca, o Senhor lhe disse: Abençoando te abençoarei, e multiplicando Eu multiplicarei tua descendência... e a tua descendência possuirá os portões dos teus inimigos. — Gênesis 22:17 (NKJV) Eu li estas palavras por anos e me perguntei por que há duplas referências (em algumas versões). Finalmente, minha curiosidade me venceu, de modo que fui perguntar a um rabino, que deu a seguinte resposta: “No entendimento judaico, quando você tem uma dupla referência como essa, tudo tem a ver com multiplicação... e como um tempo verbal é o presente e o outro verbo está no futuro, isso é descrito como uma bênção sobre o pai Abraão, mas Deus está prometendo que haverá bênçãos sobre os seus descendentes. Em outras palavras, ao abençoar você, Abraão, Eu continuarei a abençoar você através dos seus filhos”. O santo temor beneficia os nossos descendentes — “Tua descendência possuirá os portões dos teus inimigos”. Isso é maravilhoso. Vamos discutir esse assunto dentro de um instante, mas primeiro há outra verdade que deve ser enfatizada com base na explicação do rabino. O santo temor continua a nos abençoar através dos nossos descendentes, e isso é verdade não apenas nesta vida, mas eternamente. Nossa eternidade é afetada pelo fato de os nossos descendentes criarem maior honra e influência para nós tanto no nosso futuro próximo quanto na próxima vida. Para esclarecer, deixe-me dar um exemplo. Archie Manning foi zagueiro da Liga Nacional de Futebol Americano pelo time New Orleans Saints por dez temporadas. O time sob a sua liderança ofensiva só conseguiu ganhar uma vez, perdendo as outras nove temporadas. Ele teria sido esquecido pela maioria, mas dois de seus filhos, Peyton e Eli, venceram quatro Super Bowls e foram os jogadores mais premiados do Super Bowl e da confederação. Agora, mais pessoas conhecem Archie devido aos seus dois filhos, e consequentemente, ele recebe maior honra e influência no mundo dos esportes. Na eternidade, muitos possuirão maior honra e influência devido à obediência dos seus descendentes na edificação do Reino. Abraão é um exemplo excelente; sua influência eterna será promovida pela sua descendência — José, Samuel, Davi, Daniel, Isaías e, é claro, Jesus, citando apenas alguns. Agora mesmo, o seu legado continua. Esta bênção se aplica a todos os que temem a Deus; “para sempre se lembrarão dele” e “seu poder será exaltado em honra” (Sl 112:6,9). Muitos pensam que tudo recomeça no céu. No entanto, isso não é verdade. Como crentes, já começamos a moldar a história eterna, pois nos é dito: “... seus atos de justiça serão lembrados para sempre” (Sl 112:9, NVT). Agora, vamos nos voltar para a promessa de Deus de que os nossos descendentes serão vencedores; eles possuirão “os portões dos teus inimigos”. Em um vocabulário mais contemporâneo, poderíamos dizer que a nossa descendência não será vencida por aqueles que desprezam a Deus, mas em vez disso será constituída por líderes e influenciadores bem-sucedidos (Dt 28:13). Você pode pensar que essa promessa é apenas para Abraão e seus descendentes diretos. Mas lemos: “Isso para que em Cristo Jesus a bênção de Abraão chegasse também aos gentios” (Gl 3:14). Eis uma notícia maravilhosa! Aleluia! Como é feliz o homem que teme o Senhor e tem grande prazer em Seus mandamentos! Seus descendentes serão poderosos na terra, serão uma geração abençoada, de homens íntegros. — Salmos 112:1-2 A palavra geração significa “um longo tempo”,2 e se refere à nossa posteridade.3 Zacarias profetizou: “A Sua misericórdia estende-se aos que O temem, de geração em geração” (Lc 1:50). Não somente os seus filhos imediatos serão bem-sucedidos; essa promessa engloba gerações. Um ótimo exemplo da profecia de Zacarias encontra-se nas vidas de dois homens, ambos nascidos no começo do século XVIII. O primeiro é Max Jukes. Em 1874, um sociólogo chamado Richard Dugdale visitou treze prisões municipais do norte de Nova Iorque. Ele descobriu seis pessoas com quatro sobrenomes diferentes que eram parentes de sangue. Instigado pela curiosidade, Dugdale mergulhou fundo na linhagem familiar dessas pessoas, e isso o levou a um antigo colonizador holandês chamado Max Jukes, que nasceu entre 1720 e 1740. Depois de anos de pesquisa diligente, o sociólogo identificou quinhentos e quarenta descendentes de Jukes. Entre eles havia 76 criminosos condenados, 18 zeladores de bordéis, 120 prostitutas e mais de 200 beneficiários de auxílios do governo. Em suma, havia pecados geracionais que levaram a uma série de comportamentos disfuncionais e custaram ao governo dezenas de milhões de dólares no valor monetário atual.4 Agora, vamos compará-lo a Jonathan Edwards, que nasceu durante o mesmo período. Ele foi um avivalista que escreveu inúmeros livros e inspirou muitos a levarem o Evangelho às nações. Ele se casou com Sarah Pierpont em 1727, e o casal temia grandemente a Deus. Eles liam a Bíblia e oravam juntos todas as noites antes de se recolherem. Tiveram onze filhos, e Jonathan declarava uma bênção sobre cada filho em oração diariamente. Ele dizia: “Cada casa deveria ser uma pequena igreja”. Os 1.394 descendentes conhecidos de Jonathan e Sarah revelam a promessa de Deus aos que O temem — que eles possuirão os portões dos seus inimigos e seus filhos serão bem-sucedidos em todos os lugares. Entre os seus descendentes estão 13 presidentes de faculdades ou universidades, 65 professores universitários, 3 senadores dos Estados Unidos, 30 juízes, 100 advogados, 60 médicos, 75 oficiais do Exército e da Marinha, 100 ministros e missionários, 60 autores proeminentes e 1 vice-presidente dos Estados Unidos, Aaron Burr. A geração deles não custou um único centavo ao governo.5 Os medos contra os quais eu lutava quando nossos quatro filhos eram pequenos giravamem torno de suas vidas terminarem precocemente, ou se eles ficariam ressentidos pelo fato de o pai estar fora de casa pregando às vezes duzentas noites por ano, ou se iriam ficar com raiva de Deus por me chamar para fazer isso. Certa noite, logo após ministrar em uma conferência longe de casa, percebi que minha falta de santo temor estava me impedindo de entregar a vida dos meus filhos a Jesus. Em oração, gritei: “Pai, estes quatro filhos não são mais meus; eles agora pertencem a Jesus. Tu podes fazer o que quiseres com eles, mas diabo, você nunca tocará neles!”. Desde aquele dia, nunca mais temi por suas vidas. Logo depois Deus me revelou uma verdade significativa através da Sua Palavra. Finéias era neto do sacerdote Arão. Ele era apaixonado por Deus e pelo povo de Israel. O santo temor que o possuía era tão forte que o levou a fazer o que outros crentes não tinham coragem; ele defendeu firmemente o que era certo. Ao fazer isso, Deus disse: “Diga-lhe, pois, que estabeleço com ele a minha aliança de paz. Dele e dos seus descendentes será a aliança do sacerdócio perpétuo” (Nm 25:12-13). Em suma, seus descendentes receberam a promessa de um relacionamento mais íntimo com Deus devido ao seu santo temor. O Espírito Santo me mostrou que a proteção para os nossos filhos estava na minha obediência fervorosa, e na de Lisa, à vontade Dele. Agora, anos depois, cada um de nossos filhos trabalhou em nosso ministério, o Messenger International, por pelo menos nove anos. Dois são escritores com livros publicados, todos eles são líderes e, o mais importante, todos eles andam no santo temor de Deus. As pessoas perguntam constantemente o que fizemos para criar homens de Deus. Sinceramente, isso não teve nada a ver com a nossa sabedoria, e os nossos muitos erros como pais poderiam encher volumes de livros. Entretanto, o que fizemos certo foi andar em um alto nível de santo temor. Quando nossos filhos se desviaram por curtos períodos durante os anos da adolescência, Lisa e eu clamamos ao Senhor para que a promessa divina fosse estabelecida em suas vidas, e continuamos a viver em santo temor. Nunca perdemos a fé, e você também nunca deve perdê-la. A promessa de Deus a você que teme ao Senhor é que seus filhos “serão poderosos na terra” (Sl 112:2). Personalizando Passagem: “Seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa. Assim será abençoado o homem que teme o Senhor!” (Sl 128:3-4). Ponto: Quando você permanece em santo temor, algo significativo é transmitido aos seus descendentes. Eles não serão apenas influenciadores, como você também continuará a ser abençoado através deles. Pondere: Como eu vejo os meus filhos (ou futuros filhos)? Eu me preocupo com o futuro deles? Eu os entreguei completamente ao senhorio de Jesus? Eu ando em santo temor diante deles? Eu compreendo, oro e falo de acordo com o comportamento atual deles ou de acordo com as promessas da Palavra de Deus? Pare para orar: Querido Senhor, a Tua Palavra diz que eu garantirei um legado duradouro ao andar em santo temor. Creio na Tua promessa de que meus filhos serão poderosos na terra, de que serão influentes, bem-sucedidos e darão honra ao Teu nome e ao meu. Eu me comprometo a continuar a orar com ousadia para que essas promessas se cumpram. Eu peço isto em nome de Jesus, amém. Professe: Meus filhos são poderosos na terra, bem-sucedidos por onde quer que vão, e eles possuem os portões dos seus inimigos. Quando estamos definindo em que consiste a verdadeira sabedoria do homem, a palavra mais conveniente a ser usada é aquela que expressa distintamente o temor de Deus. — AGOSTINHO DE HIPONA Semana 6 — Dia 4 39 | A COISA MAIS IMPORTANTE O tópico deste capítulo é tão vasto que um livro inteiro poderia ser escrito sobre ele. Porém, evitá-lo deixaria esta mensagem incompleta. Portanto, encare este capítulo como uma introdução a esse aspecto importante do santo temor. Ouça estas palavras do coração do nosso Criador — palavras de vida, palavras de verdade, palavras que protegem, palavras que durarão muito além do sol, da lua e das estrelas, palavras mais seguras do que a terra sobre a qual estamos: Como é feliz o homem que acha a sabedoria, o homem que obtém entendimento... nada do que você possa desejar se compara a ela. — Provérbios 3:13,15 Não existe nada neste mundo que se iguale ao valor da sabedoria divina. Ela é notável — nada se compara a ela! Por isso nos é dito: “A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria” (Pv 4:7, ACF). Quando a encontrar, ela o guiará, pois “Os caminhos da sabedoria são caminhos agradáveis, e todas as suas veredas são paz” (Pv 3:17). Devemos buscar a sabedoria de Deus em todas as decisões que tomamos. “Dedique alta estima à sabedoria, e ela o exaltará” (Pv 4:8). Que promessa magnífica! A palavra hebraica para exaltar é definida como “erguer, levantar, ser exaltado”. Quando Deus promove, ninguém nem nenhuma circunstância pode rebaixar! A sabedoria, portanto, é o caminho para uma significância duradoura. A sabedoria precisa ser descoberta; ela está escondida, mas não fora do nosso alcance. Uma vez encontrada, ela gera benefícios tremendos. Então, como podemos encontrá-la? O temor do Senhor é o princípio da sabedoria. — Salmos 111:10; Provérbios 9:10 A palavra hebraica para princípio é significativa. Ela se encontra no primeiro versículo da Bíblia: “No princípio, criou Deus os céus e a terra”. Essa palavra significa “o ponto de partida”. O santo temor é o ponto de origem da sabedoria. Imagine o seguinte: há um depósito cheio de toda a sabedoria que você necessita para ter sucesso duradouro, mas só há uma porta que pode lhe dar acesso: o santo temor. Isaías escreveu: “Uma grande riqueza de salvação, sabedoria e conhecimento; o temor do Senhor é a chave desse tesouro” (Is 33:6). Na essência, não existe sabedoria duradoura fora do temor do Senhor. O santo temor é a origem da sabedoria duradoura, mas o benefício continua para além do ponto de partida: O temor do Senhor é fonte de vida, e afasta das armadilhas da morte. — Provérbios 14:27 Quero enfatizar duas palavras-chave: fonte e armadilhas. A palavra hebraica para fonte carrega consigo o significado de “um fluxo” ou uma fonte constante. Viver bem não é resultado de boas decisões esporádicas, mas de um fluxo constante de decisões sábias que dão fruto duradouro. A segunda palavra, armadilhas, se refere a isca ou laço. “O entendimento adequado dessa palavra hebraica é a isca ou o chamariz colocados na armadilha de um caçador.”1 Ela precisa estar escondida, na esperança de que o animal não a reconheça. E precisa estar colocada de forma a atrair o animal para que ele caia nas mandíbulas mortais da armadilha. Com uma boa compreensão das palavras-chave, veja outra passagem que oferece maior clareza à verdade que está sendo expressa: O temor do Senhor é a instrução da sabedoria. — Provérbios 15:33 (ACF) Ao combinar as verdades dessas duas passagens, descobrimos que o santo temor é uma fonte — um fluxo contínuo — de instrução da sabedoria de Deus. Ele é um conselheiro sempre presente que não cochila nem dorme, mas que nos treina consistentemente para tomarmos decisões sábias na vida. Quando somos deixados por conta própria, separados da sabedoria de Deus, a humanidade provou por milhares de anos que tomaremos decisões prejudiciais, enquanto pensamos que estamos tomando boas decisões. Por quê? Os caminhos da morte e da destruição são escondidos e preparados como isca, em nada diferentes da armadilha de um caçador. O que parece ser bom, sábio, benéfico e agradável geralmente é apenas uma isca para atrair você para o que no final das contas é mau, prejudicial, pouco sábio e causador de sofrimento. O temor do Senhor nos protege disso nos afastando fielmente dessas armadilhas. Se você observar a sociedade de hoje, temos homens e mulheres incríveis e inteligentes tomando decisões que estão conduzindo à ruína aqueles a quem influenciam. Ao mesmo tempo, outros estão cegos para a loucura deles. A Bíblia diz que ao rejeitaro santo temor, “os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1:21-22). Quando a mente é obscurecida, a visão também é obscurecida; é só uma questão de tempo para nos precipitarmos nas armadilhas escondidas da morte preparadas como iscas para nós. Entretanto, o outro lado também é verdade. Quando abraçamos firmemente o santo temor, temos um conselheiro sempre presente, que flui constantemente: é a sabedoria, que nos dá a capacidade de tomar decisões benéficas duradouras. Mesmo quando não conseguimos enxergar as armadilhas de morte que nos espreitam, a fonte nos protege o tempo inteiro para não cairmos inconscientemente em qualquer laço. Vamos ver esse princípio examinando o homem que não tinha uma aliança com Deus, mas O temia. Era o rei Abimeleque, de Gerar. Ele havia tomado a mulher de Abraão, Sara, e a levado para o seu harém. Logo depois, Deus lhe aparece durante a noite e diz: “Você morrerá! A mulher que você tomou é casada” (Gn 20:3). Abimeleque clama: “Senhor, destruirias um povo inocente?... O que fiz foi de coração puro e de mãos limpas” (vv. 4-5). Com relação à palavra usada aqui para “Senhor”, vemos que “essa palavra significa literalmente ‘meu Senhor’”.2 O temor de Abimeleque a Deus é muito evidente na maneira como ele se dirige ao Senhor, assim como na sua reação. Agora ouça o que Deus diz a ele. Sim, Eu sei que você fez isso de coração puro. Eu mesmo impedi que você pecasse contra Mim e por isso não lhe permiti tocá-la. — Gênesis 20:6 O temor do Senhor foi um conselheiro, do qual ele não estava ciente, para impedi-lo de cair no laço da morte. A armadilha estava escondida devido à forma enganosa como Sara havia sido apresentada — como sendo irmã de Abraão — mas o santo temor o protegeu. Como é possível que esse rei pagão, que não tinha uma aliança com Deus (que se saiba), que não tinha a palavra escrita de Deus, tenha tremido diante da ideia de tomar a mulher de outro homem? Encontramos nossa resposta nos escritos de Paulo: “Quando os gentios, que não têm a lei, praticam naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a lei; pois mostram que as exigências da lei estão gravadas em seus corações. Disso dão testemunho também a consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os” (Rm 2:14-15). Além do mais, como é possível que esse rei gentio trema diante da ideia de tomar a mulher de outro homem, porém um pastor experiente ou alguém que frequentou a igreja por anos toma a mulher de outro homem em adultério, algo que temos testemunhado cada vez com mais frequência com o passar do tempo? Não é preciso ser um cientista de foguete para entender. Embora o líder eclesiástico ou o mero frequentador de igreja confesse com a sua boca que pertence a Jesus, ele não tem temor a Deus. Lemos: Descobri que muito mais amarga do que a morte é a mulher que serve de laço, cujo coração é uma armadilha e cujas mãos são correntes. O homem que agrada a Deus escapará dela, mas o pecador ela apanhará. — Eclesiastes 7:26 A Bíblia não diz que o mau será preso na armadilha, mas o pecador — aquele que está errando o alvo devido à sua falta de santo temor. Isso pode se referir facilmente a alguém que professa o cristianismo. Tiago escreve aos que professam ser crentes: “Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração” (Tg 4:8). Nosso Evangelho ocidental, aceito de modo quase irrestrito, removeu sistematicamente o temor de Deus dos nossos corações, ensinando uma graça falsificada que nos treina de uma forma diferente na sabedoria de Deus. Ela cria uma fonte não saudável, com conselhos pervertidos, que remove a força restritiva que nos protege contra o pecado. Entretanto, a graça autêntica não entra em conflito com o santo temor. Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente. — Tito 2:11-12 Não podemos separar a verdadeira graça de Deus do santo temor a Deus. Eles estão unidos e ambos ensinam — nos aconselham continuamente a nos afastarmos das armadilhas da morte. Essa praga de comportamentos ímpios entre o povo que professa estar inserido na aliança não é nada nova. Ao longo da história de Israel e da igreja vimos o mesmo padrão, mas ele foi intensificado durante estes últimos dias — período que Jesus disse que seriam marcados pelo engano. A perda do santo temor abre o coração e a alma das pessoas para conselhos obscuros, com aparência de verdade, quando na realidade levam inconscientemente ao pecado e à morte. Atualmente, em nossa sociedade, a força da iniquidade está em ritmo acelerado. É como se estivéssemos no impulso de uma curva exponencial. Se a graça falsificada amplamente aceita continuar a eliminar o santo temor do coração dos crentes, multidões de pessoas que professam ser cristãs serão levadas pelo engano da iniquidade. Precisamos de um avivamento de santo temor, pois ele nos protege continuamente para que não sejamos enganados. Ele mantém o nosso coração alinhado com a verdade, mesmo quando a maioria se precipitou no engano. Abrace o santo temor como seu grande tesouro. Proteja-o com mais diligência do que guardaria milhões de dólares, a joia mais cara, ou a casa mais bela. Nós protegemos esses bens em bancos garantidos pelo governo, em cofres, ou instalando sistemas de alarme, mas o nosso maior tesouro é o temor do Senhor. Por isso está escrito: “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida” (Pv 4:23). Personalizando Passagem: “A sabedoria está clamando, o discernimento ergue a sua voz... Pois todo aquele que me encontra, encontra a vida e recebe o favor do Senhor. Mas aquele que de mim se afasta, a si mesmo se agride” (Pv 8:1,35,36). Ponto: Como seguidores de Cristo, obter sabedoria é a coisa mais importante que podemos fazer. O temor do Senhor é a fonte da sabedoria; ele nos protege das armadilhas da morte. Pondere: Eu escrevi uma linha na areia? Decidi não seguir a sabedoria da sociedade que é contrária ao que a Palavra de Deus afirma? Estou disposto a ser perseguido pela minha crença e obediência à Sua Palavra? Como irei buscar a sabedoria de Jesus com mais cuidado nas minhas decisões diárias? Pare para orar: Querido Pai, em nome de Jesus, clamo pela Tua sabedoria e Teu entendimento. Abre os meus ouvidos e os meus olhos para percebê-los. Não quero ser um tolo sendo sábio aos meus próprios olhos. Vou valorizar e depender da sabedoria do meu Senhor Jesus Cristo acima de qualquer coisa que este mundo tenha a oferecer. Decido obedecer ainda que eu seja perseguido pelas minhas crenças ou pela minha obediência. Amém. Professe: Estou decidido a seguir a sabedoria do meu Senhor Jesus em todas as decisões que eu tomar. O temor de Deus corresponde aos humildes. — AGOSTINHO DE HIPONA Semana 6 — Dia 5 40 | UMA VIDA BEM-SUCEDIDA Na sabedoria profunda do livro de Provérbios, vemos o que gosto de chamar de “os gêmeos poderosos”. Estas duas virtudes andam de mãos dadas, geralmente se complementando na Bíblia. Elas estão identificadas no seguinte versículo: A recompensa da humildade e do temor do Senhor são a riqueza, a honra e a vida. — Provérbios 22:4 A verdadeira humildade e o santo temor estão ligados. Você nunca encontrará alguém que teme a Deus que não seja verdadeiramente humilde, nem encontrará alguém que é verdadeiramente humilde e que não tema a Deus. A palavra “verdadeiramente” é importante, uma vez que existem várias formas de falsa humildade. Trataremos disso de modo mais abrangente no próximo capítulo. Vamos ver, sem muita demora, as três promessas relacionadas: riquezas, honra e vida. A palavra hebraica para “riquezas” é õser, e ela é definida como “Riqueza. Descreve todo tipo de riqueza em terras, bens, gado e descendentes”. Seu significado é claro, e não é uma promessa única relativa ao santo temor. O salmista tambémescreve: Aleluia! Como é feliz o homem que teme o Senhor e tem grande prazer em Seus mandamentos!... Grande riqueza há em sua casa, e a sua justiça dura para sempre. — Salmos 112:1-3 Essa é a mesma palavra para “rico”, õser. Aqui temos uma possível controvérsia. Há pessoas que veem a posse de riquezas como algo contrário à piedade. Entretanto, se eliminarmos verdades espirituais claras em nome da nossa tradição, isso não seria uma indicação de orgulho, que com certeza é a antítese do santo temor? Tive de encarar essa situação anos atrás. Nos nossos primeiros anos de ministério, Lisa e eu testemunhamos ministros ensinando um evangelho da prosperidade que levou muitos a perseguirem uma opulência decadente. O fruto foi devastador, levando muitos à cobiça, que é idolatria. Um bom número se desviou da verdadeira fé e trouxe sobre si mesmo diversos males. Ao testemunhar as vítimas e as baixas resultantes, decidimos ir na direção totalmente oposta: passamos a desdenhar de qualquer ensinamento que mencionasse riquezas ou prosperidade! Nossa imaturidade acabou sendo corrigida pelo Espírito Santo. Tivemos de encarar a verdade de que uma pessoa que verdadeiramente teme a Deus lida com a riqueza de forma adequada e não sucumbirá à armadilha da cobiça. Qual é o propósito da riqueza? Ela é um meio de abençoar os outros. Até o momento em que escrevo estas linhas, nosso ministério já doou mais de 53 milhões de recursos físicos — livros e cursos — a pastores e líderes em 130 nações, em 118 idiomas. Também criamos um aplicativo, chamado MessengerX, que está repleto de recursos para discipulado em 122 idiomas e que já foi baixado em 230 nações; não cobramos pela utilização. Esses projetos custaram dezenas de milhões de dólares. E se os homens e mulheres que deram suporte a esses esforços acreditassem que a piedade é sinônimo de pobreza ou falta? Nesse caso, não teríamos fortalecido aos milhões de pessoas que foram alcançadas. Há uma enorme diferença entre cobiça e possuir riqueza para impactar vidas. Aqueles que verdadeiramente temem a Deus sabem a diferença e ficam distantes da cobiça. No Novo Testamento, depois que Jesus foi crucificado, lemos: Ao cair da tarde chegou um homem rico, de Arimateia, chamado José, que se tornara discípulo de Jesus. Dirigindo-se a Pilatos, pediu o corpo de Jesus, e Pilatos ordenou que lhe fosse entregue. — Mateus 27:57-58 José era rico, e a Bíblia o chama de discípulo de Jesus. No entanto, a ironia continua: a maioria dos seguidores de Jesus havia fugido e se escondido. E ainda, esse homem rico tinha a ousadia, que era proveniente de seu santo temor, de ignorar a intimidação dos líderes judeus e do poder de Roma, e se aproximar de Pilatos para pedir-lhe o corpo de Jesus. Que homem corajoso! Por favor, não entenda errado. Se alguém é pobre, isso significado que lhes falta o temor de Deus? Não! As Escrituras estão cheia de relatos de homens e mulheres que não tinham riqueza material. Isso tornava-os menos tementes ao Senhor? Com certeza não! A verdadeira riqueza não é medida em dinheiro ou possessões, mas em nossa habilidade de ajudar os outros. Aqui está a nossa promessa: Temam o Senhor, vocês que são os Seus santos, pois nada falta aos que O temem. Os leões podem passar necessidade e fome, mas os que buscam o Senhor de nada têm falta. — Salmos 34:9-10 É um desejo piedoso querer impactar outros para o Reino, quer seja através da oração, de alimentos, de finanças, de ensino, de discipulado, de hospitalidade ou de serviço. É bom ter abundância de recursos para realizar o que quer que seja necessário para a nossa missão divina. As pessoas de Deus perseguem esse alvo e, no processo, são pessoalmente abençoadas. Os orgulhosos, religiosos e invejosos gastarão suas energias discutindo sobre por que os crentes deveriam ser pobres e procurarão manter as pessoas presas a convicções que não estão na Bíblia. O rei Salomão conduziu e ensinou o povo do seu reino no temor do Senhor. Durante esse período, “Toda a terra de Judá e de Israel viveu em paz e segurança de uma ponta do país até a outra; e cada família tinha as suas videiras e figueiras” (1 Rs 4:25, NBV). Lemos ainda que eles “comiam, bebiam [com fartura] e eram felizes” (1 Rs 4:20). Pare e considere esta frase: “cada família tinha as suas figueiras e videiras” (NBV). Não havia assistência social, desemprego nem pobreza em toda a nação — todos tinham em abundância! O temor do Senhor dá a sabedoria que beneficia a todos os que estão sob a sua influência; neste caso, era uma nação inteira. O que aconteceria se todos os nossos líderes andassem no temor do Senhor? Para finalizar, digo que essa promessa não é algo pelo qual devemos contender em oração, como Isaque teve de contender para que o ventre de Rebeca se abrisse. Jesus nos promete: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês” (Mt 6:33). Vamos ver a próxima promessa, honra. A palavra hebraica para “honra” no nosso versículo de abertura é kãbôd, e ela é definida como “honra, glória, majestade, riqueza”. Vimos em um capítulo anterior que essa é a palavra que Moisés usou quando pediu para ver a glória de Deus. Ela carrega um peso, uma autoridade que não provém de título ou posição, mas que está ligada ao caráter. Então descobrimos mais um benefício maravilhoso do santo temor: nobreza. Ela transforma você em uma pessoa de dignidade e honra. Provérbios não é o único livro que pontua esse benefício; o salmista usa a mesma palavra hebraica para os que temem a Deus: “Seu poder será exaltado em honra” (Sl 112:9). Considere a mulher virtuosa do livro de Provérbios. Ela tem qualidades tremendas. Ela é confiável, sábia, diligente, cheia de energia, trabalhadora, próspera, rica, bondosa, assiste aos necessitados e defende os impotentes. Outra característica notável, algumas vezes ignorada, mas pertinente para a nossa discussão: “Reveste-se de força e dignidade” (Pv 31:25). Em outras palavras, ela usa a honra como uma vestimenta, em nada diferente da nossa roupa — ela é visível e perceptível a todos os que estão na sua presença. E qual é a sua última virtude? A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme ao Senhor será elogiada. — Provérbios 31:30 É o santo temor! Eis a realidade impressionante — a nobreza e a dignidade atribuídas a essa mulher estão disponíveis a qualquer homem ou mulher que teme a Deus. Em todos os meus anos viajando conheci muitos líderes e pessoas importantes. Muitos impactaram grandemente a sociedade, mas o que chama a minha atenção mais do que qualquer coisa que eles construíram é quando encontro um homem ou uma mulher que se vestem de dignidade. Há um peso na presença deles. Eles irradiam luz, amor, honra e nobreza. Seus filhos os amam e os respeitam, seus colegas de trabalho e amigos amam estar perto deles. É interessante notar que um bom número deles não é de figuras públicas. Qual é seu cartão de visitas? Eles temem a Deus! A terceira promessa no nosso versículo de abertura é vida. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje a chama de “vida longa”, ou longevidade, característica que está intimamente ligada à verdadeira humildade. Vamos expandir o tema, falando sobre essa promessa no próximo capítulo. Personalizando Passagem: “Temer o Senhor é odiar o mal... Amo os que Me amam, e quem Me procura me encontra. Comigo estão riquezas e honra, prosperidade e justiça duradouras” (Pv 8:13,17-18). Ponto: O santo temor e a humildade prometem riquezas, honra e vida longa. A riqueza não é medida pela quantidade de dinheiro ou bens que possuímos, mas pela nossa capacidade de ajudar os outros. A nobreza está contida no nosso caráter e não no nosso título ou posição. Pondere: Eu vejo a riqueza sob uma luz saudável? Eu a persigo por insegurança, medo ou cobiça? Eu faria melhor buscando o santo temor e crendo na promessa de ter abundância para impactar outros? O que significa eu me revestir de dignidade? Pare para orar: Querido Pai, cumpre a Tua promessa de que na minha