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1.4. Humberto Mauro e o Ciclo de Cataguases
Humberto Mauro merece um capítulo próprio. É um dos grandes pioneiros, um dos principais cineastas do 
Brasil. Ele é o principal nome do Ciclo de Cataguases, na Zona da Mata de Minas Gerais. Lá, Mauro produziu 
diversos filmes, sendo os principais três longas-metragens de ficção: Tesouro Perdido (1927), Braza Dormida 
(1928) e Sangue Mineiro (1930). Nestes filmes de Mauro, vemos a nítida influência do cinema hollywoodiano, 
principalmente nos dois primeiros, filmes de aventura, com cenas 
de ação que, aqui, são alocadas em cenários naturais, mostrando 
a natureza da região. 
Esta mistura entre a influência dos gêneros norte-americanos 
com as paisagens brasileiras foi um dos fatores que fez Adhemar 
Gonzaga e Pedro Lima, então ainda jornalistas de Cinearte, elevar 
Mauro a um dos principais diretores do Brasil. O centro cultural do 
país era então o Rio de Janeiro, a capital. Os ciclos regionais não 
trocavam informações entre si, muitos nem sabiam da existência do 
outro. A revista Cinearte, portanto, tornara-se o foco informativo, 
propagandístico e de articulação política dos grupos que produziam 
cinema no Brasil.
Mauro vai para o Rio de Janeiro e quando Gonzaga deixa a Cinearte 
para criar a Cinédia, Mauro produz o que é considerado sua obra-
prima, o drama “Ganga Bruta” (1933), que foi um fracasso de público 
e, anos depois, foi considerado por críticos e cineastas, uma das 
grandes obras do cinema brasileiro. Há recursos cinematográficos 
pouco utilizados no cinema brasileiro até então (excetuando o caso 
“Limite” que veremos a seguir): narrativas em flashback, ângulos e 
planos inusitados, cortes rápidos. Vejamos uma pequena sequência 
Humberto Mauro
Disponível em http://bit.ly/2GsuJAy 
Acesso em: 14 de mar.2018
24
deste clássico do cinema brasileiro, 
justamente uma das principais 
cenas do filme, que uma canção, 
tocada ao violão, faz o personagem 
se remeter a seu passado: https://
youtu.be/lL69NViAdBk. 
O cineasta ainda dirigiu para 
Cinédia, “Lábios sem beijos” 
(1930) e seu primeiro filme musical 
“A voz do carnaval” (1933), hoje 
perdido. Mauro deixa a Cinédia e 
começa produzir filmes na Brasil 
Vita Filmes, de Carmen Santos. 
Ele produz um de seus grandes 
sucessos de público, “Favela dos 
meus amores” (1935) e “Cidade 
mulher” (1936), infelizmente, 
estes filmes não foram preservados e, hoje, não há mais cópias deles.
Neste período, a carreira de Mauro toma outro rumo. Como vimos, em 1932, Getúlio Vargas criara o primeiro decreto 
que buscava fomentar a produção cinematográfica nacional, no caso, a de filmes educativos e de propaganda. 
Ele havia criado o Instituto Nacional do Cinema Educativo, o INCE, cuja direção era de Edgar Roquette-Pinto, que 
convidou Mauro a ser o principal cineasta do Instituto.
Segundo dados da pesquisa de Sheila Schvarzman, “Humberto Mauro e as imagens do Brasil”, durante o período 
como diretor contratado pelo INCE, entre 1936 e 1967, Mauro dirigiu 357 filmes. Como o próprio nome da pesquisa 
diz, são “imagens do Brasil”. O projeto propagandístico do INCE possuía em seu cerne a formação de uma 
Ganga Bruta (1933)
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“consciência nacional” que remetesse tanto a seu passado, construído para afirmar a brasilidade do presente, 
quanto como uma forma de preservação da cultura popular, folclórica, de todo o país.
A sempre presente função de propaganda do governo não engessou, no entanto, totalmente as ambições técnicas 
e artísticas de Mauro. Dentro centenas de curtas-metragens, a maioria mais clássicos e educativos, havia o desejo 
de Mauro, desde o ciclo de Cataguases, de descobrir a “alma nacional”, seja a partir das canções populares, das 
características da vida no campo ou das formas de se falar e viver nos diversos territórios do Brasil.
Dentre eles, finalizaremos este capítulo com um grande clássico. Um filme que consegue ser, ao mesmo tempo, 
educativo e inovador em sua linguagem. “A velha a fiar”, produzido já em 1964, é considerado um dos primeiros 
videoclipes da história do cinema. Mauro se utiliza de uma conhecida canção popular e usa efeitos de montagem 
rápidos, que dialogam com a letra da canção e cria um curta-metragem que marcou a sua cinematografia. 
Vejamos, aqui, o clássico “A Velha a Fiar”: https://youtu.be/mvYC7-cX4FY.