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UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços i MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA EM GESTÃO DE EMPRESAS Gestão do Composto de Marketing e Serviços 2022 ENSINO ONLINE. ENSINO COM FUTURO UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços ii MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA EM GESTÃO DE EMPRESAS Gestão do Composto de Marketing e Serviços 2º ANO : Gestão do Composto de Marketing e Serviços CÓDIGO ISCED31-ADMPCFE004 TOTAL HORAS/ 1 SEMESTRE 125 CRÉDITOS (SNATCA) 5 NÚMERO DE TEMAS 5 UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços iii Direitos de autor (copyright) Este manual é propriedade da Universidade Aberta ISCED (UnISCED), e contém reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou total deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Universidade Aberta ISCED (UnISCED). A não observância do acima estipulado o infractor é passível a aplicação de processos judiciais em vigor no País. Universidade Aberta ISCED (UnISCED) Direcção Académica Rua Dr. Almeida Lacerda, No212 Ponta - Gêa Beira - Moçambique Telefone: +258 23323501 Cel: +258 823055839 Fax:23323501 E-mail: direcção@unisced.edu.mz Website: www.unisced.ac.mz mailto:direcção@unisced.edu.mz http://www.unisced.ac.mz/ UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços iv Agradecimentos O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) agradece a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual: Autor Sousa Manuel de Sousa Coordenação Design Financiamento e Logística Revisão Científica e Linguística Ano de Publicação Local de Publicação Direcção Académica da UnISCED Universidade Aberta ISCED (UnISCED) Instituto Africano de Promoção da Educação a Distancia (IAPED) José Manuel Dongué Chacanza 2018 UnISCED – BEIRA UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços v UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços vi Índice Visão geral 1 Benvindo ao Módulo de Gestão do Composto de Marketing e Serviços ......................... 1 Objectivos do Módulo ....................................................................................................... 1 Quem deveria estudar este módulo? ............................................................................... 2 Como está estruturado este módulo? .............................................................................. 2 Ícones de actividade ......................................................................................................... 3 Habilidades de estudo ...................................................................................................... 4 Precisa de apoio? .............................................................................................................. 5 Tarefas (avaliação e auto-avaliação)................................................................................. 6 Avaliação ........................................................................................................................... 7 TEMA I: O COMPOSTO DE MARKETING 9 Unidade 1.1. Política de Produto ............................................................................................... 9 Unidade 1.2. Política de Preço ................................................................................................. 15 Unidade 1.3. Distribuição ......................................................................................................... 21 Unidade 1.4. Estratégia de Comunicação ................................................................................ 25 TEMA II: CONTEXTUALIZAÇÃO DO MARKETING DE SERVIÇOS Unidade 2.1. Introdução ao Marketing de Serviços ................................................................. 39 Unidade 2.2. Mix de Marketing de Serviços ............................................................................ 46 TEMA III: QUALIDADE DE SERVIÇO 53 Unidade 3.1. Introdução. Noções Preliminares ....................... 53Erro! Indicador não definido. Unidade 3.2. Qualidade de Serviços nas Empresas ................................................................. 62 TEMA IV: MARKETING INTERNO 68 Unidade 4.1 Marketing Interno como Extensão do Marketing ............................................... 68 Unidade 4.2. Motivação no Marketing Interno ....................................................................... 87 Unidade 4.3. Plano de Marketing Interno ................................................................................ 91 TEMA V: MARKETING DE RELACIONAMENTO 111 Unidade 5.1. Marketing de Relacionamento ......................................................................... 112 Bibliografia ............................................................................................................................. 122 UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 1 Visão geral Benvindo ao Módulo de Gestão do Composto de Marketing e Serviços Objectivos do Módulo Ao terminar o estudo deste módulo de Gestão de Composto de Marketing e Serviços Contabilidade Geral deverá ser capaz de Analisar o composto/mix de marketing e os elementos na gestão de marketing que caracterizam o serviço como produto intangível em contraposição ao bem tangível e desenvolver estratégias de gestão do composto de marketing e serviços de modo a combinando todas as ferramentas à sua disposição. Objectivos Específicos De forma específica, os estudantes deverão ser capazes de: • Entender o Composto de Marketing; • Conhecer o ambiente de marketing; • Identificar o comportamento do consumidor e desenvolver o composto de marketing adequado para uma determinada empresa (produto ou serviço) possa atuar de forma efectiva no mercado; • Entender a eficácia persuasiva do composto promocional nos negócios em geral; • Compreender os fatores que influem na escolha dos elementos do composto promocional e serviços; • Ter uma visão geral teórico-prática do marketing na contemporaneidade e o seu papel no desenvolvimento das empresas; • Compreender as noções básica de marketing de serviços e a analisar sistematicamente os serviços e a forma mais eficaz de as empresas oferece-los. • Ter conhecimentos que lhe permitam dar a maior importância ao sector de serviços na economia de um país (Moçambique) e como aplicar técnicas metodológicas em seus negócios de serviços. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 2 Quem deveria estudar este módulo Este Módulo foi concebido para estudantes do 3º ano do curso de licenciatura em Gestão de Empresas da UnISCED e outros como Gestão de Recursos Humanos, Administração, etc. Poderá ocorrer, contudo, que haja leitores que queiram se actualizar e consolidar seus conhecimentos nessadisciplina. Esses serão bem-vindos, não sendo necessário para tal se inscrever. Mas poderá adquirir o manual. Como está estruturado este módulo Este manual do módulo de Gestão do Composto de Marketing e Serviços, para estudantes do 3º ano do curso de licenciatura em Gestão de Empresas, à semelhança dos restantes da UnISCED, está estruturado como se segue: Páginas introdutórias ▪ Um índice completo. ▪ Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo, resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta secção com atenção antes de começar o seu estudo, como componente de habilidades de estudos. Conteúdo deste módulo Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua vez comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente unidades. Cada unidade temática se caracteriza por conter uma introdução, objectivos, sumários. No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são incorporados exercícios de auto-avaliação, só depois é que aparecem os exercícios de avaliação. Os exercícios de avaliação têm as seguintes características: Puros exercícios teóricos/Práticos, Problemas não resolvidos e actividades práticas, incluído estudo de caso. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 3 Outros recursos A equipa dos académicos e pedagogos da UnISCED, pensando em si, num cantinho, recôndito deste nosso vasto Moçambique e cheio de dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem, apresenta uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu módulo para você explorar. Para tal a UnISCED disponibiliza na biblioteca do seu centro de recursos mais material de estudos relacionado com o seu curso como: Livros e/ou módulos, CD, CD-ROOM, DVD. Para além deste material físico ou electrónico disponível na biblioteca, pode ter acesso a Plataforma digital moodle para alargar mais ainda as possibilidades dos seus estudos. Auto-avaliação e Tarefas de avaliação Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no final de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos exercícios de auto-avaliação apresentam duas características: primeiro apresentam exercícios resolvidos com detalhes. Segundo, exercícios que mostram apenas respostas. Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-avaliação mas sem mostrar os passos e devem obedecer o grau crescente de dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras. Parte das terefas de avaliação será objecto dos trabalhos de campo a serem entregues aos tutores/docentes para efeitos de correcção e subsequentemente nota. Também constará do exame do fim do módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os exercícios de avaliação é uma grande vantagem. Comentários e sugestões Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza didáctico- Pedagógica, etc, sobre como deveriam ser ou estar apresentadas. Pode ser que graças as suas observações que, em gozo de confiança, classificamo-las de úteis, o próximo módulo venha a ser melhorado. Ícones de actividade Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens das folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes partes do processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 4 específica de texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc. Habilidades de estudo O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a aprender. Aprender aprende-se. Durante a formação e desenvolvimento de competências, para facilitar a aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons resultados apenas se conseguem com estratégias eficientes e eficazes. Por isso é importante saber como, onde e quando estudar. Apresentamos algumas sugestões com as quais esperamos que caro estudante possa rentabilizar o tempo dedicado aos estudos, procedendo como se segue: 1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de leitura. 2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida). 3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e assimilação crítica dos conteúdos (ESTUDAR). 4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão. 5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades práticas ou as de estudo de caso se existirem. IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo, respectivamente como, onde e quando...estudar, como foi referido no início deste item, antes de organizar os seus momentos de estudo reflicta sobre o ambiente de estudo que seria ideal para si: Estudo melhor em casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à noite/de manhã/de tarde/fins-de-semana/ao longo da semana? Estudo melhor com música/num sítio sossegado/num sítio barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em cada hora, etc. É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado durante um determinado período de tempo; Deve estudar cada ponto da matéria em profundidade e passar só ao seguinte quando achar que já domina bem o anterior. Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que puder ler e estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 5 juntar o útil ao agradável: Saber com profundidade todos conteúdos de cada tema, no módulo. Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de descanso (chama- se descanso à mudança de actividades). Ou seja que durante o intervalo não se continuar a tratar dos mesmos assuntos das actividades obrigatórias. Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual obrigatório pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento da aprendizagem. Por que o estudante acumula um elevado volume de trabalho, em termos de estudos, em pouco tempo, criando interferência entre os conhecimentos, perde sequência lógica, por fim ao perceber que estuda tanto mas não aprende, cai em insegurança, depressão e desespero, por se achar injustamente incapaz! Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda sistematicamente), não estudar apenas para responder a questões de alguma avaliação, mas sim estude para a vida, sobre tudo, estude pensando na sua utilidade como futuro profissional, na área em que está a se formar. Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que matérias deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que resta, deve decidir como o utilizar produtivamente, decidindo quanto tempo será dedicado ao estudo e a outras actividades. É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será uma necessidade para o estudo das diversas matérias que compõem o curso: A colocação de notas nas margens pode ajudar a estruturar a matéria de modo que seja mais fácil identificar as partes que está a estudar e Pode escrever conclusões, exemplos, vantagens, definições, datas, nomes, pode também utilizar a margem para colocar comentários seus relacionados com o que está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir à compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura; Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo significado não conhece ou não lhe é familiar. Precisa de apoio? Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra razão, o material de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidasUnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 6 como falta de clareza, alguns erros de concordância, prováveis erros ortográficos, fraca visibilidade, página trocada ou invertidas, etc). Nestes casos, contacte os serviços de atendimento e apoio ao estudante do seu Centro de Recursos (CR), via telefone, sms, E-mail. Se tiver tempo, escreva mesmo uma carta participando a preocupação. Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes (Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a sua aprendizagem com qualidade e sucesso. Dai a relevância da comunicação no Ensino a Distância (EAD), onde o recurso as TIC se torna incontornável: entre estudantes, estudante – Tutor, estudante – CR, etc. As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante, tem a oportunidade de interagir fisicamente com o staff do seu CR, com tutores ou com parte da equipa central do ISCED indigitada para acompanhar as sua sessões presenciais. Neste período pode apresentar dúvidas, tratar assuntos de natureza pedagógica e/ou administrativa. O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30% do tempo de estudos a distância, é de muita importância, na medida em que lhe permite situar, em termos do grau de aprendizagem com relação aos outros colegas. Desta maneira ficará a saber se precisa de apoio ou precisa de apoiar aos colegas. Desenvolver hábito de debater assuntos relacionados com os conteúdos programáticos, constantes nos diferentes temas e unidade temática, no módulo. Tarefas (avaliação e auto-avaliação) O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e auto−avaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues duas semanas antes das sessões presenciais seguintes. Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de campo conta é decisiva para ser admitido ao exame final da disciplina/módulo. Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente. Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo os mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os direitos do autor. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 7 O plágio1 é uma violação do direito intelectual do(s) autor(es). Uma transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do testo de um autor, sem o citar é considerado plágio. A honestidade, humildade científica e o respeito pelos direitos autorais devem caracterizar a realização dos trabalhos e seu autor (estudante da UnISCED). Avaliação Muitos perguntam: Com é possível avaliar estudantes à distância, estando eles fisicamente separados e muito distantes do docente/tutor! Nós dissemos: Sim é muito possível, talvez seja uma avaliação mais fiável e consistente. Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com um mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os conteúdos do seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial conta com um máximo de 10%) do total de tempo do módulo. A avaliação do estudante consta detalhada do regulamentado de avaliação. Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota de frequência para ir aos exames. Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou modulo e decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam no mínimo 75%, o que adicionado aos 25% da média de frequência, determinam a nota final com a qual o estudante conclui a cadeira. A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira. Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois) trabalhos e 1 (um) (exame). Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizados como ferramentas de avaliação formativa. Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as recomendações, a identificação das referências bibliográficas utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros. Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de Avaliação. 1 Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 9 TEMA – I: O COMPOSTO DE MARKETING UNIDADE Temática 1.1 Política de Produto UNIDADE Temática 1.2 Política de Preço UNIDADE Temática 1.3 Distribuição UNIDADE Temática 1.4 Estratégias de Comunicação UNIDADE Temática 1.1. Política de Produto Introdução Caro aluno, antes de tratarmos com detalhes os aspectos reservados à este tema, importa que saiba desde logo que a expressão Composto de Marketing (como referem Churchill & Peter, 2000) tem muitos sinónimos ao longo da extensa literatura desta disciplina. Ferreira, Marques, Caetano, Rasquilha e Rodrigues (2012), Lendrevie, Levy, Dionísio e Rodrigues (2015) preferem a designação Marketing Mix. Kotler e Keler (2012) designam a unidade por Mix de Marketing. Há ainda os que optam pela designação 4 P´s de Marketing (Viana & Hortilha, 2009). Independentemente da designação que for atribuída a este tema, tenha sempre em mente o facto de que o conteúdo será sempre o mesmo. Ou seja, quer chamemos o tema por Composto de Marketing, ou Marketing Mix, Mix de Marketing ou ainda 4 P´s de Marketing, nele discutiremos sempre as estratégias que uma empresa pode adoptar no domínio do Mix de Produtos, Mix de Preço, Mix de Praça e Mix de Promoção. Portanto, de forma indistinta, trataremos este tema tanto como Composto de Marketing quanto por qualquer outra designação acima indicada. A expressão Marketing Mix é de mais fácil compreensão para qualquer marketeer. Este mix é, segundo Ferreira et al (2012), mais do que um conceito ou uma simples ferramenta. É um modelo de aplicação de metodologias, composto por um conjunto controlado de variáveis (4 P´s), nomeadamente: Produto, Preço, Praça e Promoção. Nos dias que correm, vários autores propuseram a elevação deste número de P´s para 6, 8 e 9. Porém, neste manual focar-nos-emos nos tradicionais 4, sem com isso, deixar de faze-lo conhecer a designação de outros P´s propostos. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 10 Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: Objectivos específicos ▪ Definir o conceito produto; ▪ Explicar o ciclo de vida do produto ▪ Explicar a classificação de produtos; ▪ Compreender o processo de diferenciação de produtos; ▪ Compreender a importância da marca, do design e da embalagem. Sumário O Produto Produto é qualquer coisa que possa ser oferecida e que satisfaça necessidades e desejos de um mercado. Produto inclui não só bens ou serviços, mas também marcas, embalagens, serviços aos clientes e outras características. Não necessariamente o produto precisa ser físico. Eles podem existir fisicamente, mas também podem ser serviços, pessoas, locais, organizações, idéias, entre outros. Para entender melhor o que é um produto, há necessidade de compreender que não se trata somente de algo tangível (palpável ou físico), que compramos e levamos para casa. Muitas vezes estão, junto a ele, estão acoplados serviços, como as férias, viagens ou um show de uma pessoa famosa. O produto deve, obrigatoriamente, ser aquele desejado pelo cliente, estar dentro das suas expectativas e, por conseguinte,satisfazer suas necessidades. Por isso, a política de produto é, geralmente, a componente principal de uma estratégia de marketing. Tal facto deve- se, essencialmente, a duas razões: por um lado, é difícil fazer bom marketing com um mau produto; por outro lado, é na política de produto que os erros são mais carros e difíceis de corrigir. A política de produto começa na escolha do portfólio de negócio da empresa. Essa é uma decisão tomada ao nível da gestão de topo da empresa. Outras três decisões fundamentais são: 1. Fixar as características intrínsecas do produto; 2. Conceber a embalagem; e 3. Definir a política de gama. Quanto às características intrínsecas do produto, importa referir que existem vários critérios que o marketeer pode tomar em conta para defini-las e atribuí-las ao bem. Mas, as essenciais são: UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 11 a) A qualidade do produto – compreendida como o grau em que o desempenho de um produto corresponde às expectativas do cliente ou consumidor; e b) A vantagem competitiva em relação à concorrência, a qual está intimamente ligada às características que distinguem o produto dos da concorrência. Dentre várias funções que a política de produto engloba, temos a embalagem que, embora se possa pensar que serve apenas para proteger o produto, tem uma utilidade ainda maior. A de vender no merchandising. Considera-se embalagem ao conjunto de elementos materiais vendidos juntamente com o produto, que permitam a sua proteção, transporte, armazenamento, identificação e utilização pelos consumidores. A embalagem funciona, também, como um diferenciador em relação à concorrência. Assim, pode-se afirmar que a embalagem desempenha a função técnica e de comunicação. A função técnica prende-se com tudo o que diz respeito às características do produto e destinam-se à proteção e conservação, modo de utilização, facilidade de transporte, armazenagem, eliminação pós-uso e proteção ambiental. Por sua vez, a função comunicação destina-se à transmissão de informação ao consumidor/cliente, criação de impacto visual, identificação, posicionamento, reconhecimento e despertador de sentimentos nos consumidores. Na definição de política de gama, as empresas têm que considerar: a (i) dimensão da gama, onde deve-se procurar compreender a largura da gama (número de linhas de produtos que a empresa possui), a profundidade (relativa ao número de produtos que comporta) e o comprimento (que tem a ver com a soma dos produtos em todas as linhas); (ii) classificação da gama, que baseia-se na relação preço/qualidade dos produtos e é dividida em quatro categorias, à saber: baixa, média, alta e topo de gama. Níveis de Produto Quando se criam produtos, cinco níveis devem ser observados. Cada nível agrega mais valor para o cliente e, juntos, os cinco constituem a hierarquia de valor para o cliente. • Benefício-núcleo: é um benefício fundamental que o consumidor está comprando; • Produto básico: é aquele que o consumidor compra. Aqui são definidos os benefícios básicos dos produtos; • Produto real ou esperado: apresenta cinco particularidades: nível de qualidade, características, design, marca e embalagem. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 12 É um conjunto de atribuições que os consumidores geralmente esperam; • Produto ampliado: oferecem-se serviços e benefícios adicionais tais como garantia, assistência pós-venda, formação, entrega, crédito; e • Produto potencial: é constituído por todas as ampliações e modificações que esses produtos podem sofrer no futuro. É a provável evolução do produto. O Ciclo de Vida do Produto O ciclo de vida do produto é constituído por quatro fases: Introdução, Crescimento, Maturidade e Declínio. Em teoria, as diferentes fases do ciclo de vida de um produto estão claramente marcadas. Na realidade, isso é menos evidente excepto a fase do lançamento. Fig 1. Ciclo de vida do produto Fonte: Lendrevie et al (2015) A introdução é a fase inicial do ciclo de vida do produto. É marcada pelo lançamento do produto no mercado. Por conseguinte, sendo o produto novo, é desconhecido pelo cliente, o que acaba levando a um lento crescimento de vendas. Tendencialmente, os preços do produto nesta fase são elevados porque a empresa produz em baixas quantidades. Caso o produto apresente bons resultados, segue-se à fase de crescimento. Nesta fase, as empresas procuram aumentar as vendas. Uma forma de fazer isso é identificando e penetrando em novos segmentos de mercado. Em relação aos preços, recomenda-se que se mantenham estáveis ou que decresçam ligeiramente. Os marketeers são aconselhados a apostar um pouco mais forte na publicidade, não apenas para fazer com que o produto saia completamente do anonimato, como também para fazer face à concorrência e reduzir o impacto dos produtos substitutos. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 13 Maturidade é a fase em que o produto é bem conhecido no mercado e apresenta lucros estáveis. Esta fase pode ser dividida em 3 categorias: 1. Maturidade de crescimento – momento em que as vendas continuam a crescer lentamente, causado pela entrada de clientes que aderem tardiamente ao produto. 2. Maturidade estável – caracterizada por vendas constantes e foco na reposição dos artigos no mercado. 3. Maturidade decadente – as vendas começam a decair à medida em que os clientes migram para outros produtos. Uma questão que o marketeer coloca-se sempre nesta fase é: o que fazer? A resposta depende muito das circunstâncias em que o negócio se encontra. Pode sugerir-se que trabalhe a concorrência, as informações de mercado, remodelar a equipa de venda e de revendedores, reduzir custos e/ou lucros, desenvolver o produto (o que implica uma inovação incremental) entre outras prováveis soluções. Como o próprio termo sugere, o declínio é a fase em que o produto precisa ser retirado do mercado, porquanto a sua manutenção tende a ser muito onerosa e não é compensada pelos ganhos. Se o declínio for rápido, recomenda-se que o marketeer retire-o, imediatamente do mercado. Porém, se for lento, o produto pode ser mantido por muitos anos no mercado. Obviamente, na fase do declínio, o investimento em publicidade é redizído e, de forma natural baixa-se o preço para fazer face à baixa procura. Para melhorar seu conhecimento sobre o ciclo de vida do produto, recomendamos que consulte Benton e Gup, Guide to strategic planning. New York, McGraw Hill, 1980. Classificação do Produto Os produtos podem ser classificados de acordo com o critério de durabilidade/tangibilidade e de acordo com o tipo de cliente. Quanto ao critério da durabilidade/tangibilidade, o produto pode ser durável, não durável ou serviço. Quanto ao tipo de cliente o produto pode ser de consumo ou industrial. Esta última classificação admite uma subdivisão, levando a que os produtos de consumo sejam agrupados em produtos de conveniência, produtos de escolha, de especialidade e não procurados. Por sua vez, os produtos de indústria podem ser agrupados em bens e capital, materiais e peças, fornecimentos e serviços. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 14 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO Perguntas 1. O que entende por produto? 2. Indique os níveis de produto que aprendeu e explique a relação existente entre eles. 3. Explique as funções da embalagem. 4. A política de produto é, geralmente, a componente principal de uma estratégia de marketing. a) Justifique! 5. Indique as decisões fundamentais que os gestores do mix de produto devem tomar na concepção do portfólio de negócio. Respostas 1. Respostado Exercício 1 – página 10 2. Resposta do Exercício 2 – página 11 3. Resposta do Exercício 3 – página 11 4. Resposta do Exercício 4 – página 10 5. Resposta do Exercício 5 – página 10 Exercícios para AVALIAÇÃO Perguntas 1. O que entende por ciclo de vida do produto? 2. Explique a relação que existe entre as fases do ciclo de vida do produto. 3. Como se deve comportar o gestor do composto de marketing em cada uma das categorias da maturidade? 4. Como classifica os produtos? 5. O que entende por produtos de conveniência? UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS American Marketing Association - Dictionary (2013). Acedido em http://www.marketingpower.com/_layouts/dictionary.aspx?dLett er=M#marketing+mix+models Borden, N. H. (1964). The concept of the marketing mix. Journal of advertising research, 4(2), 2-7. Grönroos, C. (1997). From marketing mix to relationship marketing- towards a paradigm shift in marketing. Management decision, 35(4), 322-339. Kotler, P. & Keller, K. (2006). Marketing and Management (12ª ed.). Pearson Prentice Hall. ISBN 97801314575 Kotler, P., Armstrong, G., Wong, V., & Saunders, J. A. (2008). Principles of marketing (5ª ed.). Financial Times/Prentice Hall. ISBN 978- 0136132370 http://www.marketingpower.com/_layouts/dictionary.aspx?dLetter=M&marketing%2Bmix%2Bmodels http://www.marketingpower.com/_layouts/dictionary.aspx?dLetter=M&marketing%2Bmix%2Bmodels UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 16 UNIDADE Temática 1.2 Política de Preço Introdução Os produtos precisam ser comercializados. Para o efeito, a empresa tem que estabelecer o valor monetário que compense o esforço realizado para o seu fabrico. Note que esse esforço inclui, não apenas, o realizado no momento do fabrico do bem, mas também todo o esforço de marketing. Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de: Objectivos específicos ▪ Definir o conceito preço. ▪ Diferenciar o conceito preço do de valor. ▪ Conhecer os factores e as formas de fixação de preços ▪ Diferenciar as políticas de precificação. Sumário Na unidade temática 1.1 procuramos compreender o conceito produto, seus níveis, ciclo de vida e a sua classificação. O caro estudante pode pesquisar mais sobre o tema e procurar compreender o conceito marca, seu papel e sua notoriedade. Nesta unidade temática nosso foco é sobe o preço. Nossas questões de fundo são: o que é preço? Como estabelecer o preço? O Preço A literatura de marketing refere que o preço é a variável mais inconstante do composto mercadológico. A prática, no mercado, confirma-se esta afirmação, na medida em que é frequente notar-se a alteração dos preços dos produtos, o que acaba afectando sobremaneira a capacidade de compra do cliente. Existem várias definições de preço. Neste módulo adoptamos a de Ferreira et al (2012), segundo a qual, preço é o volume de dinheiro pago pela posse de um bem ou serviço. Para a empresa, preço é o valor que compensa o investimento enquanto para o consumidor, preço é o valor que está disposto a pagar pelo produto ou serviço. Note que, na definição de preço recorreu-se ao conceito valor. Esse conceito não deve ser confundido com o de preço porquanto referem- se à questões diferentes. Enquanto preço é o que definimos acima, valor é a diferença entre custo e UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 17 CUSTOS benefício que a empresa tem fabricando e vendendo um produto ou que o consumidor tem comprando e usando um produto. A fixação de preços pode variar de acordo com diversos factores, à saber: • Factor externo; • Factor interno; • Sensibilidade dos consumidores ao preço; • Importância do mercado; e • Estratégia dos concorrentes. Fig. 2 Factores de fixação de preços Factores externos Factores internos Sensibilidade dos consumidores ao preço Importância de mercado Estratégia dos concorrentes Fornecedores, distribuidores e fiscalidade Condições de produção da empresa Segundo os produtos e o momento de compra Cálculo do mercado potencial para um nível de preço Agressividade em matéria de preço Fonte: Lendrevie et al (2015) Estratégias de Precificação A estratégia de preços fornece um meio pelo qual a empresa pode atingir seus objectivos de preço. Sendo assim, a estratégia de preços deve ser formulada para depois ser implementada, podendo ser definida como os direcionamentos que as empresas têm em relação aos seus preços, no seu mercado. A estratégia de preços é uma escolha fundamentada num conjunto de preços alternativos (ou mesmo numa tabela de preços), que visam a maximização do lucro e a rentabilidade dentro de um período de planeamento em resposta a um determinado cenário em análise. A diferença entre a fixação convencional de preços e a precificação estratégica consiste em reagir às condições de mercado ou geri-las proactivamente, exercendo o nível de preços mais lucrativo e rentável pela geração de mais valor aos clientes e à empresa, sem a obrigatoriedade de aumentar o volume de vendas (facturamento) da empresa. CUSTOS CUSTOS UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 18 A tabela abaixo mostra nove estratégias de preço, considerando, como referência, os níveis de qualidade do produto e/ou serviço em comparação com os níveis de preço. Tabela 1 – Estratégias de Preço-Qualidade N ív e is d e Q u al id ad e Níveis de Preço Níveis Alto Médio Baixo Alto 1. Estratégia Premmium 2. Estratégia de Alto Valor 3. Estratégia de Valor Supremo Médio 4. Estratégia de Preço Alto 5. Estratégia de Preço Médio 6. Estratégia de Valor Médio Baixo 7. Estratégia de Desconto 8. Estratégia de Falsa Economia 9. Estratégia de Economia Fonte: Kotler (2000) Existem muitas estratégias de precificação. Com o intuito de resumi-las, Ingenbleeck e Lans (2013) conceberam a tabela abaixo que apresentamos na íntegra. Tabel 2 – Outras Estratégias de Precificação Situações Estratégias Descrição Contextualização da Estratégia P re ço d e N o vo P ro d u to /S e rv iç o Desnatação Alto preço inicial, Alta diferenciação da oferta (produto e/ou reduzido de forma serviço), demanda de mercado inelástica, alta sistemática, gradativa utilização da capacidade e desvantagem de custos em função da escala Penetração Preço inicial baixo para Baixa diferenciação da oferta (produto e/ou acelerar a adoção do serviço) no mercado, vantagem de custo em produto ou do serviço função da escala, baixa utilização da capacidade e demanda de mercado elástica Curva de Preço baixo para Baixa diferenciação da oferta (produto e/ou Experiência reduzir custos serviço), vantagem de custo em função da escala, baixa utilização da capacidade e demanda de mercado elástica P re ço C o m p e ti ti vo Líder de Preços Inicia uma mudança de Alta participação de mercado, facilidade de preços e espera que os detectar mudanças de preços no mercado, outros o sigam demanda inelástica, alta utilização da capacidade e vantagens de custo, de escala e de aprendizado em termos de processos e sobre o mercado de atuação Paridade de Preço fixado pelo Desvantagem de custos, baixa participação de Preços mercado global ou pelo mercado, baixa diferenciação da oferta líder de preços (produto e/ou serviço) no mercado, facilidade de detectar mudanças de preços, demanda de preços inelástica, demanda de marca elástica e alta utilização da capacidade Menor Preços Possuir sempre que Baixa utilização da capacidadeprodutiva, possível o menor preço baixa participação de mercado, baixa do mercado diferenciação da oferta (produto e/ou serviço), vantagem de custo, de escala e de UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 19 aprendizado, dificuldade de detectar mudanças de preço e demanda elástica Preço Preço mais alto do Alta diferenciação da oferta (produto e/ou Premmium mercado, refletido pela serviço), demanda de mercado inelástica, alta qualidade da oferta utilização da capacidade e vantagem de custo em função da escala P re ço d e L in h as d e P ro d u to s/ Se rv iç o s Preço de Preço baixo para o Alto custo de mudança Produto/Serviço produto ou serviço Complementar principal quando serviços complementares possuem um preço maior Preço por Produto é parte de um Vantagem de custos Demanda de mercado Pacote pacote de outros elástica produtos onde o preço proporcione uma economia aos clientes Valor para o Preço de uma versão Dificuldade em detectar mudanças de preços Cliente dos produtos a níveis e demanda do mercado elástica bastante competitivos com menos especificações Fonte: Ingenbleeck e Lans (2013) Formas de Precificação Existem várias formas de fixação de preços. Abaixo apresentamos as mais comuns. 1. Precificação com base nos custos – é a forma mais simples e mais comum. Consiste em estabelecer o preço de acordo com o ponto em que as receitas possam cobrir os custos, atingindo a partir dai o lucro. Esta forma é também designada Breaking Even Point (BEP). 2. Precificação com base no valor – esta forma é mais inconsistente pois baseia-se na precepção que o consumidor tem do produto. Ora, a percepção do consumidor não é estável, o que justifica mais uma vez o facto de o preço ser a variável mais instável do mix de marketing. 3. Precificação com base na concorrência – esta forma, dependendo do nível de interação que as empresas do mercado tiverem, pode ser muito competitiva, na medida em que o mercado terá a tendência de baixar os preços para chamar a preferência do consumidor. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 20 Políticas de Precificação • PREÇO PSICOLÓGICO – reduz-se alguns dígitos para dar a impressão de que os produtos estão baratos. Ex: de 1000 para 999; • PREÇO PREMMIUM – visa atingir a classe alta do mercado; • PREÇO LIMITE – é o valor que o consumidor acha razoavelmente justo para um bem; • Mark-up – é um índice que permite negociações no momento da venda; • Trading-Up – é uma tentativa de valorização do produto com o objectivo de atingir o segmento mais nobre do mercado; • Trading-down – é a tentative de massificação de um produto, procurando atingir a classe mais popular do mercado; • Desnatação – consiste em entrar no Mercado com preços elevados com o intuit de captar as classes mais altas e sucessivamente se vais descendo o preço com o objectivo de ir captando o segmento mais baixo. As empresas de telemóveis têm esta política como a mais favorita; e • Penetração – nesta política a entrada se dá com preços mais baixos e à medida que se vai ganhando quota, aumenta-se o preço de modo a poder vir a ganhar maior volume e margem de negócio. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO Perguntas 1. Por palavras tuas, defina preço. 2. Diferencie preço de valor. 3. Explique cada um dos factores de precifição que aprendeu. 4. Quais são as formas de fixação de preços que aprendeu? 5. Das políticas de precificação que aprendeu, explique uma. Respostas 1. Resposta do exercício 1 – página 15 2. Resposta do exercício 2 – página 15 3. Resposta do exercício 3 – página 16 4. Resposta do exercício 4 – página 18 5. Resposta do exercício 5 – página 19 UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 21 Exercícios para AVALIAÇÃO Perguntas 1. Para cada política de precificação que aprendeu, indique um exemplo do mercado moçambicano e justifique. 2. Das formas de precificação que aprendeu, qual é a melhor e porquê? 3. Distinga, profundamente, as estratégias de preço-qualidade que aprendeu. 4. Diga quais são as prováveis implicações da estratégia de menor preço. 5. A estratégia de precificação premmium é recomendada para determinado segmento e, diferentemente da estratégia de menor preço, oferece maior vantagens. a) Discuta a afirmação. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS American Marketing Association - Dictionary (2013). Acedido em http://www.marketingpower.com/_layouts/dictionary.aspx?dLett er=M#marketing+mix+models Borden, N. H. (1964). The concept of the marketing mix. Journal of advertising research, 4(2), 2-7. Grönroos, C. (1997). From marketing mix to relationship marketing- towards a paradigm shift in marketing. Management decision, 35(4), 322-339. Kotler, P. & Keller, K. (2006). Marketing and Management (12ª ed.). Pearson Prentice Hall. ISBN 97801314575 Kotler, P., Armstrong, G., Wong, V., & Saunders, J. A. (2008). Principles of marketing (5ª ed.). Financial Times/Prentice Hall. ISBN 978- 0136132370 http://www.marketingpower.com/_layouts/dictionary.aspx?dLetter=M&marketing%2Bmix%2Bmodels http://www.marketingpower.com/_layouts/dictionary.aspx?dLetter=M&marketing%2Bmix%2Bmodels UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 22 UNIDADE Temática 1.3 Distribuição Introdução Uma concebidos e precificados, os produtos e serviços precisam ser colocados no mercado. Isso pressupõe que o marketeer deve identificar a praça ou o lugar em que o bem a ser comercializado deve estar disponível. Nesta unidade temática discutiremos as formas como o marketeer pode tomar essas decisões. No final desta unidade o estudante deverá ser capaz de: Objectivos específicos ▪ Definir o conceito distribuição. ▪ Conhecer as funções da distribuição. ▪ Conhecer os circuitos de distribuição. ▪ Ter domínio das estratégias de distribuição Sumário A Distribuição Podemos definir a distribuição como o conjunto de actividades efectuadas pelo produtor e geralmente por meio de outras empresas intermediárias, para conduzir o produto ou serviço ao consumidor (Ferreira et al, 2012). A distribuição é uma variável de gestão do composto de marketing de extrema importância pois, será através da escolha do tipo de circuito dos canais de distribuição que os produtos/serviços de uma empresa chegarão aos clientes. A distribuição sempre foi uma variável importante na cadeia comercial. No entanto, a melhor fórmula para fazer chegar determinado produto ou serviço ao consumidor nem sempre é fácil. Por essa razão, muitas empresas preferem não ter preocupações com esta variável, deixando- as na responsabilidade de especialistas na área. É neste prisma que surgem os intermediários, como a empresa Handling em Moçambique. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 23 Consoante o produto a distribuir, podem coexistir vários canais e circuitos de distribuição, os quais podem ser menos ou mais complexos. O canal de distribuição pode ser directo, quando o produtor lida directamente com o cliente ou indirecto, quando existem intermediários. Dependendo do número de intermediários que a empresa tiver na distribuição de produtos, pode-se gerar circuitos (indirecto curto ou indirecto longo). O circuito de distribuição representa o trajecto percorrido por um produto ou serviço desde o local onde é produzido até ao local de consumo, (Ferreira et al, 2012; Kotler & Keller, 2012). Veja figura abaixo. Fonte: Sousa (2015) Independentemente de ser realizada por intermediários oupelo próprio produtor, a distribuição apresenta dois tipos de funções: 1. Na distribuição física apresenta as funções de: transporte, armazenamento e manutenção. 2. Nos serviços, desempenha as funções de oferta comercial, recolha de informações, promoção, pós-venda, apoio financeira, entre outros. Estratégias de Distribuição As estratégias de distribuição classificam-se em três, nomeadamente: 1. Estratégia de Distribuição Intensiva – a empresa opta por colocar os produtos em maior número possível de pontos de venda; Figura 2. Circuitos de Distribuição INDIRECTO CURTO INDIRECTO CIRCUITO CANAL INDIRECTO LONGO DIRECTO UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 24 2. Estratégia de Distribuição Exclusiva – pressupõe uma venda mais agressiva e maior controlo sobre as políticas de preços, promoção e tipos de serviços. 3. Estratégia de Distribuição Selectiva – encontra-se no intermédio da distribuição intensiva e exclusiva, usa mais do que um ponto de vendas e menos do que os pontos disponíveis. Isso permite que a empresa conquiste uma adequada cobertura de mercado, ter maior controlo e menos custos que na distribuição intensiva. A escolha de canais exige esforço para identificar as necessidades de cada mercado, bem como posicionar adequadamente o produto ou serviço nos respectivos segmentos viáveis de mercado. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO Perguntas 1. Defina o conceito distribuição. 2. Quais são as funções do mix de distribuição? 3. O que entende por circuito de distribuição e que diferença tem com canal de distribuição? 4. Quais são os circuitos de distribuição que aprendeu? 5. Quais são as estratégias de distribuição que aprendeu? Respostas 1. Resposta do exercício 1 – página 21 2. Resposta do exercício 2 – página 22 3. Resposta do exercício 3 – página 21 4. Resposta do exercício 4 – página 21 5. Resposta do exercício 5 – página 22 Exercícios de AVALIAÇÃO Perguntas 1. Distinga as estratégias de distribuição que aprendeu. 2. Das estratégias de distribuição que aprendeu, qual é a melhor e por quê? UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 25 3. Os canais de distribuição podem ser directo ou indirecto. a) Na qualidade de gestor do mix de distribuição, que tipo de canal sugeriria às empresas moçambicanas? Justifique! 4. Uma das funções da distribuição física é o transporte e a armazenagem. a) Relacione as funções acima referidas com as da embalagem. 5. Com base em um estudo prático, esboce a estrutura do canal de distribuição de uma empresa moçambicana. Referências Bibliográficas American Marketing Association - Dictionary (2013). Acedido em http://www.marketingpower.com/_layouts/dictionary.aspx?dLett er=M#marketing+mix+models Borden, N. H. (1964). The concept of the marketing mix. Journal of advertising research, 4(2), 2-7. Grönroos, C. (1997). From marketing mix to relationship marketing- towards a paradigm shift in marketing. Management decision, 35(4), 322-339. Kotler, P. & Keller, K. (2006). Marketing and Management (12ª ed.). Pearson Prentice Hall. ISBN 97801314575 Kotler, P., Armstrong, G., Wong, V., & Saunders, J. A. (2008). Principles of marketing (5ª ed.). Financial Times/Prentice Hall. ISBN 978- 0136132370 http://www.marketingpower.com/_layouts/dictionary.aspx?dLetter=M&marketing%2Bmix%2Bmodels http://www.marketingpower.com/_layouts/dictionary.aspx?dLetter=M&marketing%2Bmix%2Bmodels UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 26 UNIDADE Temática 1.4 Estratégia de Comunicação Introdução Disponibilizados os produtos em determinado local, em determinada quantidade, com determinada qualidade e em determinado momento, passa-se à fase de informar ao cliente sobre tal existência. Em marketing esta tarefa cabe ao mix de comunicação. De um modo geral, nesse mix os marketeers ou os gestores do composto de marketing e serviço têm a árdua tarefa de comunicar aos clientes sobre a existência do produto e as condições para a sua aquisição. No final desta unidade o estudante deverá ser capaz de: Objectivos específicos ▪ Definir o conceito comunicação. ▪ Explicar as funções de comunicação. ▪ Identificar e explicar os componentes da comunicação de marketing Sumário A palavra comunicação teve origem do latim “communicare”, que significa tornar algo comum. A comunicação é a ação de comunicar alguma coisa: notícia, mensagem, informação. Comunicação é a transmissão de informação entre um ponto e outro, ou seja, entre uma fonte e um destinatário. Comunicar é influenciar atitudes. Em todo o processo comunicacional, estão incluídos, necessariamente, seis factores, cada um com uma função específica. • Emissor – função emotiva, destacando a capacidade do emissor transmitir a sua mensagem através da subjectividade; • Recetor – função conotativa, • Mensagem – função poética, recorre a artifícios de retórica para captar a atenção do público a que se destina; UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 27 • Contexto – função referencial, orienta-se para a credibilidade recorrendo a provas físicas; • Contacto – função fáctica, conserva abertos os canais de comunicação; • Código – função metalinguística, adaptam a linguagem e os códigos consoante aos públicos a que se destinam. Segundo Castro (2007) “a comunicação de marketing abrange o conjunto dos meios de que uma empresa se serve para trocar informação com o seu mercado. Por conseguinte, contempla tanto a comunicação de fora para dentro, como a comunicação de dentro para fora.” A comunicação de marketing parte da constatação de que o recurso simultâneo e convergente a várias técnicas de comunicação vai produzir melhores resultados do que esforços não articulados, pois cada técnica de comunicação tem as suas vantagens e desvantagens, pelo que deve-se ponderar a sua adequação a uma dada tarefa na situação concreta. Objectivos da Comunicação de Marketing Conforme Kotler e Keeler (2012), os objectivos da Comunicação Integrada de Marketing (CIM) estão inter-relacionados e englobam: • Instituir valor à marca; • Fornecer informações; • Gerenciar a demanda; • Estimular as vendas; • Diferenciar os produtos; • Exercer influência sobre o comportamento. a) Instituir o valor da marca O vínculo entre os clientes e parceiros do canal serão tão fortes quanto maior for o valor apresentado da marca. Esse elo é explicitado por meio da repetição das compras e no relacionamento mais vantajoso e satisfatório tanto para consumidores como os parceiros. É por meio da implantação da CIM que torna-se possível o reforço positivo na relação com os clientes, ao mesmo tempo em que a marca torna-se mais conhecida, aceita e desejável. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 28 b) Fornecer informação O fornecimento de informações proporciona o entendimento mais aprimorado do que a organização efetivamente produz, quais ideias ela defende e como seus produtos agregam valor. Isso facilita a comunicação entre os consumidores, os parceiros de canal, os fornecedores, os colaboradores, os grupos da comunidade e demais grupos de interesse. Por intermédio da Comunicação Integrada de Marketing (CIM), com a efetivação da entrega de informações realizada por ela, instituiu-se uma nova vantagem competitiva. É notório o elevado valor que os sites de internet adquirem no mercado comercial, sendo considerados a melhor maneira de recebimento de informações, pois elas estão disponíveis permanentemente.c) Gerir a Demanda e Incentivando as Vendas A Comunicação Integrada de Marketing (CIM) também apresenta como um objectivo principal a colaboração na gestão da demanda. Isso porque seu processo permite a implementação de demanda primária e também a seletiva. • Demanda primária: é aquela em que os produtos são englobados em uma categoria especial; • Demanda Seletiva: esse tipo de demanda refere-se aos produtos de uma marca específica. Outro objectivo da CIM é auxiliar a administração da demanda e incentivar as vendas dos produtos. A CIM pode auxiliar a incrementar tanto a demanda primária (aquela para todos os produtos em uma categoria especial) quanto a seletiva (aquela por uma marca específica). d) Estimular as vendas Como uma das finalidades principais de qualquer processo de marketing, o CIM objetiva incentivar as vendas dos produtos, estimulando novos consumidores e fortalecendo os clientes antigos. e) Diferenciar os produtos UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 29 Efetuar uma considerável diferenciação do produto em relação à concorrência é considerado um objectivo essencial da CIM, principalmente no momento em que o processo utiliza as mensagens da CIM para estimular a demanda seletiva, diante de um mercado altamente competitivo. Diferenciação dos produtos significa determinar um novo lugar para os mesmos. Ou seja, proporciona a recolocação dos produtos para uma nova posição, sendo diferenciada da concorrência, principalmente no momento em que o ponto de diferenciação agrega valor significativo para o público-alvo. Ressalta-se que para se conseguir conquistar o objectivo da diferenciação no mercado atual é extremamente necessário o gestor e comunicação estar atento para que as mensagens da CIM, em sua totalidade, estejam trabalhando juntas, comunicando a exclusividade do produto diante do valor agregado. f) Exercer influência sobre o comportamento Influenciar as atitudes, as percepções e os comportamentos dos grupos de interesse também faz parte do leque de objectivos da comunicação integrada de marketing. A meta é atingir e influenciar os próprios colaboradores, os acionistas, os parceiros e demais grupos de interesse, ao contrário de muitas outras estratégias de promoção, que visam somente à mudança do público em relação a questões mais amplas, como causas sociais ou políticas. Em relação ao comportamento, a comunicação integrada de marketing busca incentivar atitudes positivas direcionadas ao seu produto e estimular, provocar ou determinar, a primeira compra, ou até mesmo, compras sucessivas do mesmo. É extremamente necessário conhecer e analisar detalhadamente o processo de planeamento e implantação, implementação e avaliação de uma campanha de CIM. Isso para alcançar a eficiência na gestão de marketing, o entendimento do papel da comunicação eficaz e conquistar excelência profissional na atuação organizacional. Componentes da Comunicação de Marketing Os componentes da comunicação de marketing, também designados variáveis de comunicação de marketing, são os meios pelos quais os marketeers podem levar informações da empresa, produto ou serviço UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 30 ao conhecimento do público. Esses componentes são: publicidade, relações públicas, marketing directo, promoção de vendas, patrocínio, merchandising, redes sociais, internet, feiras e exposições. Abaixo apresentamos, com profundidade, alguns deles. Recomendamos desde já que o estudante aprofunde seus conhecimentos sobre este conteúdo, fazendo leitura complementar à diversas literaturas relacionadas ao tema. Publicidade Devido à sua crescente importância a publicidade é muitas vezes confundida com o conceito mais vasto de comunicação de Marketing, porém deve-se encarar a publicidade como as comunicações de marketing pagas pelas empresas/instituições para divulgar as suas mensagens através dos meios de comunicação sociais. Pereira e Veríssimo (2004) definem publicidade como “o conjunto de operações relacionadas com a difusão de uma mensagem publicitária junto dos seus destinatários, bem como as relações jurídicas e técnicas daí emergentes entre anunciantes, agências de publicidade e entidades que explorem os suportes publicitários ou que exerçam a atividade publicitária”. A publicidade online ou display advertising consiste na colocação de banners digitais nos sites de interesse para atingir o público-alvo, os quais têm ligação direta ao site da organização, permitindo uma resposta direta. A publicidade tem vantagens e desvantagens. Como vantagens enumeram-se as seguintes: • Informa sobre os produtos e serviços disponíveis, dá a conhecer diferentes tipos de um mesmo produto, permitindo ao consumidor escolher o que melhor se adapta; • Incentiva a concorrência e reduz os preços. Quanto mais pessoas conhecerem o produto, maior será o número de potenciais compradores; quanto mais o produto vender, menor será o preço a cobrar; • Suporta grande parte dos custos dos Media. Sem publicidade não existiriam algumas televisões, rádios, jornais, revistas; e • Os anúncios publicitários são, normalmente, divertidos, coloridos, musicais e inovadores. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 31 Como desvantagens, Kotler (2003) cita as seguintes: • Informa os consumidores porém, o seu objectivo é persuadir e manipular os consumidores levando-os à compra dos produtos e serviços; • Estimula um consumo exagerado de produtos e serviços por parte dos consumidores, sem atenderem às suas necessidades, às suas possibilidades e sem pensarem nos prejuízos para o ambiente; • O custo é elevado e acaba por ser imputado no preço final do produto, pelo que encarece os produtos e serviços. Relações Públicas Como afirma Amaral (2008), se as relações humanas são a arte de promover a aceitação social do indivíduo pela comunidade onde vive, as relações públicas são, além de uma arte, uma técnica para promover a aceitação social da empresa pelos seus públicos. É crucial que uma empresa saiba identificar o público ao qual se dirige, para posteriormente conhecer as necessidades do mesmo, e forma de as satisfazer, sendo isto possível através de uma comunicação eficaz, que é o cerne das relações públicas. O processo de comunicação da empresa torna-se mais difícil se não houver uma campanha estratégica de relações públicas, pois a empresa não é somente julgada pelos seus produtos, mas também pela imagem que as suas relações públicas transmitem. Quando as relações públicas elaboram um planeamento estratégico operacional da empresa, recebem informação do interior e do exterior da empresa, que depois de analisada fará coincidir o interesse público com o privado. Nas empresas de menor dimensão, o secretariado assume muitas vezes o papel de relações públicas da empresa, tendo que assumir a responsabilidade da criação da imagem institucional. Num mundo cada vez mais dependente da Internet, as relações públicas tiveram que se adaptar às novas exigências, através de novas plataformas como os blogs e advertorials, bem como a utilização das redes sociais para dar reconhecimento e visibilidade à marca, mantendo-se em contato permanente com o público-alvo. À par da UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 32 publicidade, as relações públicas oferecem vantagens, tais como credibilidade, reforço e proteção à marca. No entanto, não consegue controlar totalmente o feedback de um artigo ou comentário. Com base nas relações públicas pode se alcançar resultadostanto dentro, quanto fora da empresa. Na tabela 3 procuramos sintetizar os objectivos em função dos públicos das relações públicas. Tabela 3 - . Objectivos das relações públicas segundo os tipos de público Objectivo Público Interno Externo Aumentar a credibilidade, quer da empresa, quer dos seus produtos e serviços; x x Manter os colaboradores da empresa bem informados sobre as suas atividades, contribuindo para o seu envolvimento; x Criar um sentimento de pertença; x Gerar a partilha de valores comuns entre colaboradores; x Estimular a força de vendas e os distribuidores; x Melhorar a imagem da empresa e das marcas; x Criar ou aumentar a notoriedade da empresa e dos seus produtos/serviços; x Desenvolver uma atmosfera de confiança com os órgãos de comunicação social; x Prevenir e minimizar o impacto de eventuais crises; x x Orientar a gestão da empresa em função do feedback recebido dos públicos; x x Capitalizar o goodwill da empresa junto das entidades governamentais, fornecedores e comunidades financeiras; x Atrair investidores x Criar boas relações de vizinhança com a comunidade local; x Relevar os contributos da empresa para o desenvolvimento do país ou da região. x Fonte: Lendrevie et al. (2015) Marketing Directo O Marketing Direto é uma ferramenta de comunicação interativa que recorre a um ou mais tipo de media UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 33 para causar uma resposta mensurável no tempo e no espaço (Kotler, 2003). Seu objectivo pode ser o de: • Pesquisa de mercado; • Identificação de clientes potenciais; • Conquistar novos clientes; • Fidelização de clientes; • Divulgação da marca e dos seus produtos ao público-alvo definido; • Rentabilização da Força de Vendas; • Obtenção de resultados mensuráveis; e • Maximização do lucro. O marketing directo pode ser implementado de acordo com o seguinte processo: Figura 3 – Processo de Marketing Directo Retorno Determinar objectivos Identificar a audiência Desenvolvimento de estratégia Estratégia média Estratégia criativa Implementação Resposta Resultado UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 34 Fonte: Adaptado de Torres (2012) Ferramentas do Marketing Directo O marketing directo pode ser realizado com base em diversas ferramentas, as quais podem ser usadas em simultâneo ou não, dependendo dos objectivos da empresa e do segmento de mercado a ser alcançado. As ferramentas do marketing directo são: 1. Direct mail – por meio de carta, circular, envelope de correio, documento de resposta ou documento de devolução. 2. Marketing directo em mass media – por meio de televisão, jornais, revistas, rádios, formulário para encomendas, informações osbre o produto, disponibilização de número de telefone para solicitação de informações, entre outros. 3. Telemarketing – pode ser via inbound (quando for o cliente que telefona para a empresa) ou via outbound (quando for a empresa a telefonar para o cliente). 4. Catálogo As vantagens do marketing directo são: • Identifica melhor os possíveis clients; • Dirige-se às pessoas em termos pessoais; • Cada carta, ou telefonema pode ser contabilizado. As desvantagens são: • Cria um ambiente de desconfiança; • As pessoas ficam aborrecidas quando sabem demasiado sobre elas; • O facto de ser intrusivo pode criar uma imagem pobre; e • Pode entrar em conflito com as outras ferramentas. Promoção de Vendas A promoção de vendas é uma forma concreta de comunicação de marketing que visa estimular diretamente comportamentos de experimentar produtos, alterar preferências, repetir a compra ou habituar à marca. Lendrevie et al., (2015) afirmam que a definição UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 35 prévia dos objectivos de uma promoção de vendas é crucial, pois irá determinar o tipo de estratégias a serem utilizadas, bem como a forma de avaliar as promoções, tal como se pode verificar na tabela que se segue. Tabela 4 – Destinatários vs objectivos de uma ação de promoção Público Alvo das Promoções Objectivos da promoção Consumidor Experimentação Primeira Compra Compra repetitiva Fidelização Aumento do nº de unidades adquiridas Aumento do nº de unidades consumidas Aumento compra da frequência de Distribuidor Referenciamento da marca ou de novas referências Aumento distribuidor dos stocks do Obtenção de melhor local de exposição, colocar em destaque o produto Participação noutras ações de comunicação Rede de vendas Aumento das quantidades vendidas Aumento do nº de pontos de venda Colocação de novos produtos Obtenção de compras repetitivas Prospecção de clientes Aumento da compra média Fidelização da clientela Fonte: Lendrevie et al., (2015) Enquanto o marketing directo recorre a diversas ferramentas para a sua implementação, a promoção de vendas recorre à técnicas. Ferreira et al., (2012) sintetizam tais técnicas em cinco categorias, nomeadamente: (i) a experimentação gratuita; (ii) redução temporária de preços; (iii) UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 36 prémios; ofertas e brindes; (iv) concursos; jogos e sorteios e (v) destaque do produto. Na tabela 5 procuramos apresentar de forma resumida essas categorias, cruzando com outras variáveis que podem ajudar o estudante na fácil compreensão do conteúdo. Tabela 5 – Principais técnicas de promoção Técnicas de promoção Descrições Observações Exemplos A experimentação gratuita: distribuição de amostras de produtos; prova do produto e ensaio Colocação do produto á disposição do consumidor gratuitamente: no domicílio ou nos estabelecimentos; normalmente nos estabelecimentos e normalmente de um bem semidurável É o mais eficaz e mais dispendioso meio promocional. Adequado a novos produtos ou aqueles que tenham fortes possibilidades de voltarem a ser comprados. Distribuição de amostras de perfumes; provas de degustação nos pontos de venda. Reduções Temporárias de Preço: redução direta de preço de venda ao consumidor; reembolso deferido sobre apresentação de “provas de compra”; desconto sobre a quantidade; bónus de redução. Abaixamento temporário do preço; reembolso de parte do preço; abaixamento do preço por compra de um formato com maior quantidade ou lotes; distribuição de cupões aos consumidores e descontar na caixa de saída com a compra do produto. Meio poderoso de facilitação e de estimulação de compras, mas comportam alguns inconvenientes e riscos: quebras de ganhos; degradação da imagem de marca se as reduções forem demasiado frequentes; trabalho administrativo. Cartão Shoprite; Cartão Gringo Prémios, Ofertas e Brindes Muito habituais no mercado moçambicano, oferecem normalmente prémios numerosos e valiosos. Um concurso não faz apelo à sorte, dependendo apenas dos conhecimentos ou perspicácia dos concorrentes. Concursos da Vodacom, Dstv… Colocar em Destaque o Produto Operação temporária de merchandising destinada a incentivar a experimentação ou compra do produto Estas operações são geralmente associadas a um outro meio promocional Pequenas bancas de um certo produto nos hipermercados UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 37 Fonte: Ferreira et al., (2012) e Lendrevie et al., (2015) Como vantagens da promoção de vendas, Kotler e Keller (2012) apresentam a criação de preferência pela marca noconsumidor, investimento rentável face à publicidade, resultados imediatos e efeitos imediatos sobre as vendas. Quanto as desvantagens constam as seguintes: realização de uma promoção por longo período de tempo, degradação da imagem se as promoções forem frequentes; por vezes as promoções são realizadas por acumulação dos stocks e consequente prazo de validade a terminar, o que significa que o produto não é vendido com sucesso, como é o caso dos alimentos. Patrocínio Os patrocínios consistem num investimento em dinheiro, bens ou serviços numa certa actividade, com a intenção de explorar o seu potencial comercial, em que o patrocinador adquire o direito de promover a sua atividade. Toda a ação de patrocínio deve ser realizada com base num plano rigoroso, possibilitando futuras correções. Assim, segundo (Las Casas, 2003) neste plano há que ter em conta: 1. O triângulo do patrocínio: o patrocinador; evento ou entidade patrocinada e o público-alvo do evento; 2. Os objectivos do patrocínio – os quais podem ser de criação de notoriedade, evidenciação da imagem da marca, valorização do produto, globalização, entre outros. 3. Os tipos de patrocínios; 4. O evento ou entidade a patrocinar; 5. Divulgação da ação de patrocínio; 6. Orçamento e Calendarização; 7. Avaliação e Controlo. O patrocínio pode assumir duas formas, à saber: patrocínio institucional e o patrocínio promocional. O patrocínio institucional é usado quando as empresas pretendem fortalecer a sua imagem e notoriedade através de um acontecimento, pessoa ou causa apoiada, que poderá ter duas vertentes: a comunicação externa e comunicação interna. Por sua vez, o patrocínio promocional é uma forma de patrocínio usada quando as UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 38 empresas tencionam promover a marca e serviços através do apoio financeiro ou material a um evento desportivo ou cultural com o objectivo de retirar benefícios em termos de vendas. O patrocínio permite que se faça a divulgação da marca em regime de exclusividade, aumento da notoriedade, melhoria e consolidação da imagem da organização, fortalecimento do espírito de equipa, aproximação entre distribuidores e fornecedores e possibilita a associação a valores sociais como a cultura, arte e desporto. Em contrapartida, tem aspectos negativos que decorrem, por exemplo, do facto de que se a prestação do patrocinado não for razoável, o patrocinador é associado à situação e se a cobertura dos media for ineficiente pode levar à perda da visibilidade desejada pelo patrocinador. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO Perguntas 1. Defina comunicação. 2. Qual é a diferença entre comunicação e comunicação de marketing? 3. Quais são as funções da comunicação de marketing? 4. Quais são os componentes da comunicação que marketing que aprendeu? 5. Dos componentes de marketing que aprendeu, explique um à sua escolha. Respostas 1. Resposta do exercício 1 – página 24 2. Resposta do exercício 2 – página 24 3. Resposta do exercício 3 – página 24 4. Resposta do exercício 4 – página 27 5. Resposta do exercício 5 – página 27 a 35 Exercícios para AVALIAÇÃO Perguntas 1. Distinga demanda primária da demanda selectiva. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 39 2. Dos componentes da comunicação de marketing, qual recomendaria às empresas moçambicanas e porquê? 3. Quais são as formas de patrocínio que conhece? 4. O que sabe sobre o merchandising? 5. Indique as vantagens e desvantagens do merchindising. Exercícios do TEMA Perguntas 1. A literatura do marketing tende a não distinguir as denominações composto de marketing, marketing mix ou mix de marketing, abordando de forma indistinta os mesmos conteúdos. Na qualidade de gestor de marketing, posicione-se em relação a esse assunto. 2. De forma clara, demonstre a relação entre os 4 P´s de marketing. 3. Na sua opinião, por que é importante que o gestor do composto de marketing tenha um bom plano de marketing? 4. Em relação ao mix de promoção, diga qual das técnicas acha mais viável e porquê. 5. Faça uma análise crítica aos conteúdos abordados neste tema. Não esqueça de propor melhorias. Referências Bibliográficas American Marketing Association - Dictionary (2013). Acedido em http://www.marketingpower.com/_layouts/dictionary.aspx?dLett er=M#marketing+mix+models Borden, N. H. (1964). The concept of the marketing mix. Journal of advertising research, 4(2), 2-7. Grönroos, C. (1997). From marketing mix to relationship marketing- towards a paradigm shift in marketing. Management decision, 35(4), 322-339. Kotler, P. & Keller, K. (2006). Marketing and Management (12ª ed.). Pearson Prentice Hall. ISBN 97801314575 Kotler, P., Armstrong, G., Wong, V., & Saunders, J. A. (2008). Principles of marketing (5ª ed.). Financial Times/Prentice Hall. ISBN 978- 0136132370 http://www.marketingpower.com/_layouts/dictionary.aspx?dLetter=M&marketing%2Bmix%2Bmodels http://www.marketingpower.com/_layouts/dictionary.aspx?dLetter=M&marketing%2Bmix%2Bmodels UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 40 TEMA – II: CONTEXTUALIZAÇÃO DO MARKETING DE SERVIÇOS UNIDADE Temática 2.1 Introdução ao Marketing de Serviços UNIDADE Temática 2.2 Mix do Marketing de Serviços UNIDADE Temática 2.1 Introdução ao Marketing de Serviço Introdução A pesquisa em marketing de serviços vem ganhando muito espaço nos meios acadêmicos nas últimas décadas. A expansão dos mercados regionais e mundiais levou à necessidade de produzir conhecimentos científicos sobre vendas e consumo, tornando relevante a análise objectiva dos elementos determinantes da eficiência e eficácia desses diferentes segmentos de mercado. Nesta unidade falaremos sobre o conceito marketing de serviço e olharemos para as características de serviços. No final desta unidade temática, o aluno deverá ser capaz de: Objectivos específicos ▪ Definir o marketing de serviço. ▪ Indicar e explicar as características de serviço. Sumário Marketing de Serviços Nas últimas décadas os serviços tornaram-se parte importante da economia global, representando parcela significativa do produto interno bruto de vários países, principalmente dos países industria- lizados. O sector de serviços ou sector terciário é muito vasto e envolve uma variedade importante de actividades económicas. De acordo com Lovelock (2001), tudo aquilo que é intangível é serviços. Tentar estabelecer uma definição pode ser a princípio uma tarefa difícil. Téboul (1999) distingue os serviços com base na classificação Browning- Singlemann, que apresenta seis sectores económicos: as indústrias extractoras, de transformação e as de distribuição; os serviços destinados ao produtor intermediário; os serviços sociais e os serviços UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 41 destinados às pessoas físicas. Com base nesta classificação, Téboul (1999) distingue os serviços como sendo: • Aqueles destinados a um intermediário como, por exemplo, transportes, contabilidade, consultoria jurídica, segurança e limpeza. Nos últimos anos as empresas passaram a terceirizar actividades que antes eram realizadas internamente; • Os serviços destinados ao consumidor final, tais como: serviços de banco, de lazer, de saúde e de educação. Estes tipos de serviços têm como característica o envolvimento de relacionamento face a face e não permite economia de escala, pois cada cliente é único; • O fornecimento de autoserviço ocorre quando o próprio cliente é capaz de produzir o serviço desejado. O autoserviço apoia-se no consumo de bens duráveis como formado cliente prestar um serviço a si mesmo. Um serviço consiste em uma série de actividades surgidas por meio de inúmeras interações entre clientes, estruturas, recursos humanos, bens e sistemas do fornecedor. O conjunto destas interações tem a finalidade de atender a uma necessidade do cliente. Lovelock (2001) classifica serviços como sendo um acto ou desempenho oferecido por uma parte ou outra. O facto é que o serviço pode estar atrelado a oferta de um produto e seu desempenho é essencialmente intangível. A intangibilidade significa que um serviço não é físico e não pode ser fisicamente possuído. Kotler (2003) destaca que a intangibilidade do serviço resulta de não poder ser visto, provado, sentido, ouvido ou cheirado, antes de ser comprado. Outras ca- racterísticas dos serviços são apresentadas Kotler (2003), a inseparabilidade, a perecebilidade e a heterogeneidade. Características de Serviços 1. Inseparabilidade - Essa característica aponta para a seguinte questão: todo serviço tem um momento em que sua produção e consumo são simultâneos, inseparáveis. Assim, ao mesmo tempo que um professor produz a sua aula, esta é consumida pelos alunos. Ao mesmo tempo que um médico produz sua consulta, o paciente a consome, como cliente do serviço. Nesses exemplos, produção e consumo são simultâneos, diferentemente de uma empresa de produtos, em que claramente existe um momento de produção e um momento de consumo. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 42 Por que essa característica é tão importante para o marketing de serviços? Por várias razões: • O prestador de serviços é a fábrica do serviço diante do cliente; assim, será julgado por tudo que fizer (ou deixar de fazer); • O cliente interfere na produção do serviço com sua participação. Na verdade, ele co-produz o serviço, pois o ambiente de produção do serviço não é controlado e depende e precisa da interação do cliente. Assim, este também precisa ser educado sobre o serviço e precisa, minimamente, aprender sobre ele; • Não há uma segunda chance para o prestador, pois o serviço tem que ser adequado no momento em que o cliente necessita. Assim, uma viagem aérea, precisa acontecer de forma satisfatória na primeira vez, do contrário só restará à empresa pedir desculpas e tentar recuperar seu erro. O mesmo se dá em uma aula, num cabeleireiro, numa consultoria. Se alguém errar, pode não ter uma segunda chance, pois a fábrica não terá sido capaz de entregar o que o cliente queria no momento em que precisava. Como agravante, muitos serviços, se não prestados adequadamente da primeira vez, podem causar danos irreparáveis, como no exemplo mais óbvio dos serviços médicos. 2. Variabilidade - Serviços são variáveis. Isto é, os serviços variam e podem variar conforme o prestador do serviço e o cliente. Esta característica tanto pode ser vista sob um prisma positivo quanto negativo. O prisma positivo da variabilidade é que ela permite a customização, a personalização, o atendimento diferenciado às expectativas de grupos de clientes. Assim, um palestrante pode adaptar a palestra a seu público, assim como um médico pode adaptar o seu serviço ao tipo de cliente que está atendendo. O lado negativo da variabilidade é que ela torna difícil o estabelecimento de um padrão de serviço, de uma performance padronizada, imune a erros. Isso faz com que seja comum, por exemplo, o seguinte problema: como atender sempre bem o cliente, se tanto o cliente pode ser mais ou menos favorável ao serviço, quanto o próprio prestador de serviços pode ter uma performance mais ou menos adequada, dependendo de suas características pessoais ou até mesmo do seu astral num certo dia? Como garantir que grandes organizações com centenas de funcionários falem a mesma língua, tratem o cliente do mesmo modo, tenham a mesma performance? Como uniformizar o serviço se estamos imersos num conjunto heterogêneo de culturas, de organizações, de critérios e, sobretudo, de relacionamentos pessoais que tanto podem ajudar quanto atrapalhar o serviço? UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 43 A consequência é que a qualidade do serviço depende das pessoas que o prestam e consomem. E o segredo do serviço é conseguir, respeitando-se a variabilidade, estabelecer padrões mínimos que garantam uma performance adequada ao serviço. O difícil não é ser excelente um dia, mas conservar a excelência todos os dias. 3. Intangibilidade - O serviço é intangível. Isto é, não é palpável. Esta é sua mais evidente característica. Contudo, é preciso, aqui, fazer um alerta: embora seja essencialmente intangível, todo serviço possui diversos elementos tangíveis, palpáveis e, perceptíveis. Por exemplo, em uma escola, o ambiente físico, as instalações, os materiais utilizados em sala, livros, apostilas e pessoas são elementos tangíveis. Mais ainda, todas as comunicações da escola são elementos visíveis do serviço, que, no mínimo, comunicam algo sobre ele. Os elementos tangíveis funcionam como evidências do serviço. São pistas, sugestões de como ele deve ser. Assim, voltando ao exemplo da escola, se vemos uma sala de aula moderna, bem iluminada, com amplos recursos tecnológicos, apoiada em modernos conceitos pedagógicos, naturalmente inferimos modernidade. Isto é, os tangíveis, aí, são sinais que o serviço nos envia. Dizemos mesmo que uma das técnicas de marketing de serviços é justamente tangibilizar o serviço, isto é, tornar visível o invisível, evidenciar aquilo que o serviço promete. Na verdade, os elementos tangíveis do serviço, que podem mesmo ser as pessoas que nele trabalham, cumprem o papel de reduzir o nível de dúvida sobre a qualidade do serviço. É que, como se diz com frequência, todo serviço é a compra de uma promessa. Temos que acreditar na promessa do serviço e pagar pra ver. Isto é, só saberemos se a promessa que o serviço sugere foi cumprida após a experiência do serviço ocorrer. Os tangíveis são, portanto, sinalizadores de que podemos confiar ou não na promessa do serviço. Citando um exemplo simples, muitas vezes julgamos a qualidade de um supermercado pela limpeza de seus ambientes. Um ambiente sujo nos comunica má qualidade, assim como uma proposta de orçamento mal redigida e pouco apresentável pode nos indicar baixa qualidade também. Assim, os tangíveis acabam funcionando como uma embalagem do serviço e, como para um produto, traduzem a qualidade do serviço. Neste ponto, é preciso mais um alerta: os elementos tangíveis de um serviço estão na esfera do parecer e não do ser, isto é, eles cumprem o papel da sedução, da transferência da confiança. Somente o próprio serviço é que irá validar a UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 44 promessa e, então, iremos não apenas parecer, mas também ser um serviço de alta qualidade. 4. Perecibilidade - Serviços são perecíveis, isto é, não podem ser estocados. Assim, são temporais, prestados num tempo e local precisos. O que essa característica gera para o marketing de serviços? Uma pressão e uma necessidade de encontrar um ponto ótimo entre a oferta e a demanda do serviço. Ou seja, o grande problema é como administrar a demanda de um serviço. É fácil explicar. Imagine uma viagem aérea com 100 lugares. Se houver apenas 1 ou 100 passageiros, o custo do voo será praticamente o mesmo. Na verdade, os lugares que a empresa aérea não conseguir negociar ela jamais conseguirá recuperar novamente. Um médico não pode fazer amanhã as mesmas consultas que deixou de fazer hoje. Um hotel que não conseguir vender suas diárias não irá recuperá-las na semana seguinte, isto é, a semana não vendida representará um facturamento definitivamente perdido. Ora, em todos esses exemplos o problema é que haverá momentos de altíssimademanda e outros de pequena demanda. Em todos eles, contudo, persistirá um alto custo fixo, que a empresa precisa procurar vender pelo menos ao nível do seu ponto de equilíbrio operacional. Assim, encontrar o ponto ótimo entre oferta e demanda é crucial em serviços para não ocorrer um problema comum em serviços, que tanto pode ser não conseguir atender o excesso de demanda (e perder clientes em função disso) quanto ter que suportar pesados custos operacionais sem a demanda correspondente. Las Casas (2002) explica que o comprador de serviços seleciona os fornecedores valendo-se de certos critérios que julga imprescindíveis para os objetivos da empresa. Com base nestas informações é possível enfatizar determinados aspectos valorizados pelo cliente como; preço, qualidade, tipo de serviço e ênfase no atendimento. Dentre as características que podem ser consideradas especificas no comprador de serviços, e propostas por Las Casas (2002), está à própria incerteza do cliente diante do serviço. O que desperta certas dúvidas como: É necessário o serviço? Que tipo de serviço é necessário? Quem será o prestador de serviços mais indicado? Antecipando-se a essas dúvidas, deve-se fazer um esforço no sentido de facilitar as actividades de compra. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 45 De acordo com Lovelock (2001) o serviço não é considerado um evento e sim um processo de criação de um ambiente de informação, garantia e conforto ao consumidor. As empresas prestadoras de serviços precisam construir uma reputação através do bom serviço, que por sua vez pode trazer mais clientes e lucros mais altos, em parte porque as pessoas estão mais dispostas a pagar mais para serem bem tratadas. Sobretudo, o custo de perder um cliente leal de serviço chega a ser oito vezes maior do que o custo de reter um, o que tem impacto sobre os lucros futuros da empresa. Para reter um cliente que não esteja satisfeito com o serviço, a empresa deve se esforçar duas vezes mais para superar os efeitos de uma má experiência. Neste caso, a empresa fornecedora de serviços deve estar focada na percepção do cliente no momento em que este contrata um serviço. O fornecedor de serviços deve identificar e priorizar seus esforços visando uma percepção favorável dos serviços oferecidos, pois os primeiros e os últimos momentos do processo de compra do serviço irão influenciar a decisão do cliente em repetir a compra. Conforme Lovelock (2001) os serviços oferecidos devem ultrapassar os níveis desejados das expectativas dos clientes, os quais devem resultar em uma percepção positiva. Por outro lado, os serviços podem ser entendidos como atividades económicas que criam valor e fornecem benefícios para o cliente. Todo cliente tem uma expectativa inicial em relação ao serviço a ser prestado, e em cada momento, ele compara a percepção do serviço e a respectiva expectativa. Os critérios usados pelo cliente na avaliação de alguns momentos da compra podem ter pesos diferentes o que faz com que determinados momentos tornem-se críticos, uma vez que irão afetar em maior grau a percepção do cliente. Entretanto, em razão das características inerentes aos serviços, fazer uma avaliação se torna uma tarefa difícil. Ao contrário de bens, os serviços têm pouca qualidade de busca. Em vez disso, apresentam a qualidade de experiência e de confiança. A qualidade de experiência está associada aos atributos de gosto e de satisfação. A qualidade de confiança está relacionada a integridade e na competência dos prestadores de serviços. Ferrel (2001) define cinco dimensões de qualidade de serviços que os clientes avaliam: tangibilidade, confiabilidade, responsividade, garantia e empatia. Em todas as dimensões o desempenho dos empregados está presente. Os elementos tangíveis do serviço, como a aparência das instalações e dos empregados, são com frequência os únicos aspectos que podem ser vistos antes da aquisição e consumo. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 46 Portanto, é de fundamental importância conhecer os critérios segundo os quais o cliente avalia o serviço. A partir dessa avaliação o fornecedor do serviço deve priorizar seus esforços no sentido de gerar uma percepção favorável para o cliente ao longo de toda a cadeia de valor, criando um ambiente favorável para a compra. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO Perguntas 1. O que entende por marketing de serviço? 2. Distinga os serviços com base na classificação Browning- Singlemann. 3. Como classifica os serviços? 4. Indique as características de serviços que aprendeu. 5. Das características de serviços que conhece, explique uma à sua escolha. Resposta 1. Resposta do exercício 1 – página 38 2. Resposta do exercício 2 – página 38 3. Resposta do exercício 3 – página 39 4. Resposta do exercício 4 – página 40 5. Resposta do exercício 5 – página 40 Exercícios de AVALIAÇÃO 1. Lovelock (2001) define serviços com base no seu caracter de intangibilidade. a) Na sua opinião, acha que essa característica é suficiente para a definição de serviços? Justifique 2. Explique as dimensões de qualidade de serviços que os clientes avaliam. 3. Segundo Lovelock (2001), os serviços oferecidos devem ultrapassar os níveis desejados das expectativas dos clientes, os quais devem resultar em uma percepção positiva. a) Justifique! 4. Relacione as 4 características de serviços que aprendeu. 5. Tendo como base o conteúdo aprendido nesta unidade, caracterize os serviços prestados pelo ISCED. Não se esqueça de justificar a sua resposta. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 47 Refrências Bibliográficas BROWN, Stanley A.; GORGA, Juliana Machado. (2001). CRM: Custumer Relationship Management: uma ferramenta estratégica para o mundo e-business. São Paulo: Makron Books. CHRISTOPHER, Martin. (1999). Logística e gerenciamento da cadeia de suprimento. São Paulo: Pioneira. CHURCHILL, Gilbert A.; PETER, J. Paul. (2005). Marketing: criando valor para os clientes. São Paulo: Saraiva. GIANESI, Irineu G. N.; CORRÊA, Henrique Luiz. (1996). Administração estratégica de serviços: operações para a satisfação do cliente. São Paulo: Atlas. GONÇALVES, Carlos A.; JAMIL, George L.; TAVARES, Wolmer R. (2002). Marketing de Relacionamento: DataBase Marketing: uma estratégia para adaptação em mercados competitivos. Rio de Janeiro: Axcel. KOTLER, Philip.; ARMSTRONG, G. (2003). Princípios de marketing. 9.ed. São Paulo: Prentice Hall. KOTLER, Philip. (1999). Marketing para o século XXI: como criar, conquistar e dominar mercados. São Paulo: Futura. LAS CASAS, Alexandre Luzzi. (2002). Marketing de serviços. 3.ed. São Paulo: Atlas. LAS CASAS, Alexandre Luzzi. (1999). Qualidade total em serviços. 3.ed. São Paulo: Atlas. LAUDON, K. C.; LAUDON, J. P. (2004). Sistemas de informação gerenciais. 5.ed., São Paulo: Prentice Hall. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 48 UNIDADE Temática 2.2 Mix do Marketing de Serviços Introdução Marketing de serviços é, antes de mais nada, marketing. Assim, vale para uma empresa de serviços o mesmo que para outras empresas, no que se refere à administração de marketing e ao composto de marketing. A teoria é a mesma. Apenas procuramos inseri-la em um contexto profundamente dinâmico e crítico como o de serviços para que possamos enfatizar as consequências muito particulares da aplicação do marketing no setor de serviços. Desta forma, o composto de marketing, os assim chamados 4Ps, precisam também ser avaliados à luz dos serviços. Ao final desta unidade, espera-se que o aluno seja capaz de: Objectivos específicos ▪ Conhecer o mix do marketingde serviços. ▪ Indicar e explicar cada variável do mix do marketing de serviços. ▪ Identificar as diferenças entre o mix de marketing de bens e o mix do marketing de serviços. ▪ Compreender a importância do mix de marketing de serviços. Sumário O Mix do Marketing de Serviços A relevância do marketing para as organizações está associada ao facto do mesmo trabalhar directamente com o cliente, procurando satisfazer as suas necessidades e desejos. Por isso, Kotler e Keller (2012) afirmam que o marketing é o único sistema de produção de receita da empresa (para além do sistema contábil e de produção). O marketing gera renda que é administrada pelo sector financeiro para produzir lucros. Sendo assim, o marketing procurará atrair novos clientes, prometendo- lhes valor superior, manter e cultivar os clientes actuais, proporcionando-lhes satisfação. Portanto, para atender as necessidades dos clientes, as empresas buscam, por meio do marketing, oferecer um produto, serviço ou informação. Como já referimos atrás, produto não é apenas o bem tangível, mas tudo aquilo que satisfaça o cliente, sejam bens físicos, serviços, pessoas, locais, organizações e ideias. Ou seja, é o ofertado pelo mercado para a satisfação das necessidades ou desejos do cliente. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 49 Porém, diferentemente do marketing de bens, o marketing de serviços apresenta desafios específicos, como por exemplo a questão da intangibilidade. Ou seja, o produto oferecido por uma empresa de serviços não pode ser estocado, transportado e sua qualidade não está inerente apenas a um bem físico, mas sim à satisfação e superação das expectativas geradas nos clientes. Em virtude das suas especificidades, o marketing de serviços apresenta um mix diferenciado. Kotler e Keller (2012) compreendem o mix de marketing como um conjunto de ferramentas de marketing táticas e controláveis que a empresa combina para produzir a resposta desejada. Porém, além dos elementos táticos comumente trabalhados no composto de marketing referido no Tema I deste manual, o mix de serviços considera ainda outros 4 P´s. Ou seja, para além do mix de Produto, Preço Praça e Promoção, há ainda que considerar o mix de Pessoas, Processos, Perfil e Produtividade/Qualidadde. Deste modo, podemos afirmar que o mix do marketing de serviços é composto por 8 P´s. Ainda que no Tema I deste manual tenhamos falado dos primeiros 4 P´s do mix de marketing, há necessidade de voltarmos a aborda-los aqui, ajustando-os à perspectiva do marketing de serviços. 1. Produto - Qual o produto de um serviço ou, ainda, o que vem a ser a tradução do conceito de produto em serviço? Na verdade produtos e serviços têm a mesma finalidade, isto é, satisfazem um desejo ou necessidade dos consumidores, gerando satisfação e valor. No caso de serviços há fortemente demarcado, claro, o componente intangível. Assim, os serviços são experiências que geram valor, podendo ser maiores ou menores seus componentes tangíveis. Um aspecto do serviço chama a atenção: o fato de que, na maior arte dos casos, o produto de um serviço é composto do mix de processos e pessoas. De fato, a maioria dos serviços é, na prática, uma conjugação de processos e pessoas. Se os processos não estão bem conduzidos, se as pessoas não são as adequadas ou mesmo quando ocorre a substituição de determinadas pessoas, a qualidade do serviço pode estar comprometida. Falhas nas pessoas e nos processos são defeitos de fabricação e, frequentemente, para o cliente, a pessoa é a encarnação do próprio serviço. Vejamos um exemplo: se formos mal atendidos por uma aeromoça em uma companhia aérea, diremos que a empresa aérea é ruim, e não que a funcionária é culpada. A funcionária representa a empresa. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 50 Considerando que as pessoas e processos são a parte mais importante de um serviço, isto nos ensina que devemos ter e manter as melhores pessoas, mas ao mesmo tempo ser capazes de constituir os melhores processos. Desta forma, caso a pessoa falhe, o processo poderá, talvez, minimamente, dar continuidade ao serviço. Nesse sentido, o marketing de serviços enfatiza os processos de marketing interno e marketing interativo, valorizando a relação com o cliente. No marketing interno, especialmente recrutamento, seleção, treinamento e gestão de pessoas são aspectos fundamentais que impactam diretamente na qualidade do serviço prestado. 2. Preço - São grandes as diferenças de percepção de preço entre produto e serviço. Em primeiro lugar, em serviço existe uma incidência maior de custos fixos que de custos variáveis. Grande parte dos serviços, portanto, possui custos invisíveis para o cliente. O cliente não consegue entender, por exemplo, por que uma escola custa x reais, pois os custos, em geral, são custos fixos diluídos em unidades de prestação de serviços. Mas sem dúvida a grande diferença entre preços de produtos e serviços é aquilo que chamamos capacidade de comparação. Preços de produtos são mais comparáveis do que preços de serviços. Mais ainda: é possível guardar uma memória de preços em produtos, quando é difícil guardar uma memória de preços em serviços. O preço em serviços sempre é variável e sempre dependente de uma série de questões. Por exemplo, é difícil dizer quanto custa um advogado ou um cabeleireiro e, principalmente, avaliá-los comparativamente, quando facilmente podemos dizer quanto custa um carro popular e, então, é possível realizar comparações muito técnicas e específicas. Pode-se comparar os elementos tangíveis de um computador com outro, mas é difícil comparar os serviços que as empresas oferecem. Assim, como consequência, serviços tendem a permitir uma maior margem de lucro, enquanto produtos mais facilmente comparáveis tendem a comprimir margens. Uma observação importante em serviços é que o cliente de serviços deve acreditar no preço., visto que o cliente não entende muito bem a lógica dos preços. Como avaliar os preços das ligações telefônicas? Em face disso, torna-se difícil alterar os preços (para baixo ou para cima) de serviços sem justificativas muito evidentes. O que mudou no serviço para que ele agora esteja mais caro ou mais barato? UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 51 Outro ponto importante na precificação de serviços é que, por mais barato que seja o serviço, por mais baixo que seja o preço, o serviço precisará apresentar uma qualidade mínima aceitável pelo cliente, sem a qual o serviço não é válido. Exemplificando: se um médico cobrar 5 reais a consulta, ou zero ou 100 reais, a consulta precisa ocorrer e precisa ser entendida como válida pelo cliente, isto é, este precisa ser atendido em suas expectativas mínimas de qualidade. Se o médico atender de forma rápida, displicente ou ineficaz, a consulta será percebida como cara. O médico terá prestado o serviço, mas para o cliente ele apenas terá perdido tempo e dinheiro, às vezes até com outras consequências mais danosas, uma vez que se trata de uma experiência crítica. Em outras palavras, o cliente não aceita um serviço ruim pelo facto de o preço ser barato. No caso de um produto, a qualidade deste possui uma evidente correlação com o preço. No caso de um serviço, o cliente só poderá avaliar a validade deste após seu uso. Assim, o serviço poderá ser caro ou barato de acordo com as expectativas de cada cliente. 3. Praça (Distribuição) - A distribuição de serviços implica, quase sempre, a distribuição de custos fixos. Distribuir serviços requer a disponibilidade dos mesmos no momento em que o cliente precisa, visto que serviços não são estocáveis. Além disso, distribuir serviços requer muitas vezes a distribuiçãoda cultura do serviço, o que não é fácil de ser reproduzido. Ou seja, a decisão de distribuição de serviços é complexa, exige custos e planeamento apurados e costuma não ser uma distribuição pulverizada, mas concentrada. Distribuir um produto é o equivalente a vendê-lo, mas no setor de serviços é preciso primeiro construir uma estrutura para atender a uma possível demanda. Uma mudança importante nesse aspecto da distribuição de serviços tem sido o crescimento dos canais eletrônicos, notadamente os call centers e a internet, que permitem a pulverização do contato, mantendo o controlo e o custo em uma mesma plataforma. Não é sem razão que os bancos investem nesses canais que reduzem seus custos de investimento e de operação, agregando valor ao cliente pelo aumento da disponibilidade. 4. Promoção - As comunicações em serviços costumam ser pessoais e interativas, com o alto predomínio da indicação, do boca-a-boca e da venda pessoal. Mesmo nos casos de comunicação de massa, tem-se uma forte presença de pessoas, UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 52 em testemunhais ou em situações de serviço, procurando demonstrar a promessa do serviço. Diz-se mesmo que a comunicação tem o papel de tangibilizar serviço, o que pode ser feito de diversas formas. As comunicações do serviço sempre irão procurar remeter ao real do serviço, à situação do serviço, e dificilmente será possível associar imagens abstratas a um serviço. A forte presença das pessoas na comunicação deve então ser explorada para maximizar o boca-a-boca: seja por meio de campanhas de indicação, seja por meio da geração de notícias favoráveis ou até mesmo pela fidelização dos clientes como principal função do marketing numa empresa de serviços. Um outro aspecto fundamental das comunicações é a gestão das expectativas do cliente, já que a comunicação tem de ser capaz de prometer exactamente aquilo que pode entregar. Um erro comum em comunicação de serviços é inflacionar a expectativa do cliente com uma promessa desejável, porém, na prática, de difícil realização. Assim, se um banco prometer atendimento individualizado, ele realmente deverá ser capaz de entregar esse serviço, segundo as expectativas de atendimento personalizado construídas pelo cliente. 5. Pessoas - as pessoas são tão importantes nos serviços que a sua actuação precisa ser planeada, uma vez que pode gerar uma boa ou má impressão no público, influenciando directamente na qualidade dos serviços percebida. Sendo assim, as pessoas são, no marketing de serviços, uma variável muito importante sobretudo em razão da variabilidade dos serviços. Ou seja, a qualidade dos serviços pode alterar-se dependendo de quem os fornece, bem como da maneira e do local em são fornecidos. Portanto, concluem Kotler e Armstrong (2007), uma boa aparência, uma educação/cordialidade, compromisso, dedicação e até mesmo o nível de cultura influenciarão na criação de uma imagem e de respeito da empresa junto aos clientes. 6. Processos – tornam-se relevantes na diferenciação dos serviços na medida em que refletem o desempenho do mesmo, procurando atingir a satisfação do cliente. Por exemplo, se numa linha de produção uma parte do processo ocorrer errado, o produto chegará ao fim do processo possuindo algum defeito. Neste caso, o produto poderá ser descartado ou mesmo reaproveitado. Contudo, nos serviços é diferente, dado que UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 53 quem deverá passar pelo processo é o cliente, será crucial o bom funcionamento do mesmo, ou seja, a prestação do serviço 7. Perfil – diz respeito ao ambiente no qual o serviço é entregue e a qualquer bem tangível que facilite a performance e a comunicação do serviço. Por isso, o perfil deve ser bem trabalhado. Ou seja, deve-se usar de pesquisas e outros instrumentos para colectar a opinião dos clientes com o objectivo de ajustar o perfil às mesmas, de modo a obter credibilidade e confiança. 8. Produtividade – é compreendida como eficiência e é conseguida através da optimização do uso dos recursos empregues com vista a maximizar os resultados. Disto pode se concluir que a produtividade visa sempre o aumento da qualidade. Essa qualidade é um elemento indispensável na prestação de serviços, sobretudo por causa das suas características e da instocabilidade. No sector dos serviços, a produtividade e a qualidade estão interligadas de tal modo que, a procura pela optimização dos recursos tem por finalidade atribuir aos serviços características que lhe permitam associar à qualidade, ou seja que satisfaçam as expectativas e os desejos dos consumidores. Do acima exposto pode-se compreender que o composto mercadológico é uma ferramenta bastante importante para o posicionamento das empresas e de seus serviços. Portanto, a empresa do ramo de serviço deve trabalhar de forma combinada seu composto de marketing, atribuindo-lhe o preço certo, que seja sinónimo de qualidade, trabalhando a expansão da praça e o fortalecimento da sua marca, treinando o pessoal, administrando seus processos e organizando o perfil com a perspectiva de atingir o maior nível de qualidade possível. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 54 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO Perguntas 1. Diferencie o mix de marketing de serviços do mix de marketing de bens. 2. Indique as variáveis do mix de marketing de serviços. 3. O que entende por produtividade? 4. Como avaliar a produtividade nos serviços? 5. Explique o papel da comunicação na venda de serviços. RESPOSTAS 1. Resposta do exercício 1 – página 45 2. Resposta do exercício 2 – página 46 3. Resposta do exercício 3 – página 50 4. Resposta do exercício 4 – página 50 5. Resposta do exercício 5 – página 49 Exercícios de AVALIAÇÃO 1. Tendo como base os conhecimentos que tem sobre marketing de serviço, analise os serviços prestados numa gasolineira. Tenha em atenção o mix do marketing de serviço, durante a análise. 2. Faça uma análise crítica ao perfil dos serviços hospitalares mais próximo de si. 3. Considerando que o ISCED presta serviços e que você é o cliente, comente em torno dos processos aplicados por esta instituição. Note que seu comentário deve ter em foco os conteúdos de marketing aqui apreendidos. 4. As comunicações em serviços costumam ser pessoais e interativas, com o alto predomínio da indicação, do boca-a-boca e da venda pessoal. a) Na tua opinião, qual é o papel do mix de Pessoas no processo de comunicação de serviços? 5. Um erro comum em comunicação de serviços é inflacionar a expectativa do cliente com uma promessa desejável, porém, na prática, de difícil realização. a) Como um bom marketeer refira-se aos perigos do comportamento acima indicado. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 55 Referências Bibliográficas LAS CASAS, Alexandre Luzzi. (2002). Marketing de serviços. 3.ed. São Paulo: Atlas. LAS CASAS, Alexandre Luzzi. (1999). Qualidade total em serviços. 3.ed. São Paulo: Atlas. LAUDON, K. C.; LAUDON, J. P. (2004). Sistemas de informação gerenciais. 5.ed., São Paulo: Prentice Hall. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 56 TEMA – III: QUALIDADE DE SERVIÇO UNIDADE Temática 3.1 Noções Preliminares UNIDADE Temática 3.2 Qualidade de Serviços nas Empresas UNIDADE Temática 1.1 Noções Preliminares Introdução A qualidade nas empresas tornou-se um objectivo constante. Mas, o tempo encarregou-se de mostrar que esse objectivo é mais complexo do que se tem esperado, pois o cliente tem sempre uma quantidade expressivade informações que leva ao aumento das suas exigências e do consequente volume de trabalho nas empresas sobre a componente qualidade. O serviço é o meio que permite alcançar objectivos e satisfazer as necessidades. Sendo assim, pode-se afirmar que o serviço produz facilidades. Ou seja, é um canal para a materialização dos objectivos. No final desta unidade espera-se que o aluno consiga: Objectivos específicos ▪ Definir o conceito qualidade de serviços. ▪ Compreender a importância da qualidade de serviço para o desempenho do negócio ▪ Explicar os objectivos da qualidade UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 57 Sumário QUALIDADE – Noções Preliminares A filosofia da qualidade teve uma evolução mais rápida a partir do século XX, com etapas bem definidas. Conforme descrito por Stevenson (2001), no século XVIII até o início do século XIX, período que antecedeu a revolução industrial, a manufatura era realizada por artesãos habilidosos. Nesta época, a qualidade estava mais relacionada à reputação individual de cada trabalhador. Durante a revolução industrial institui-se a divisão do trabalho, divisão a partir da qual cada trabalhador era responsável por uma pequena parte de cada produto, não conseguindo visualizar o produto final. Nesta fase, o controlo de qualidade era exercido por supervisores. Na era Taylor, com a produção em série, iniciou-se a inspeção de produtos. Posteriormente, já na década de 1920, a qualidade era operacionalizada através de gráficos estatísticos, diminuindo a intervenção direta dos supervisores. Este procedimento começou a ser utilizado de forma mais efectiva a partir da Segunda Guerra Mundial, principalmente na indústria de armas. Na década de 1950, Armand Feigenbaum introduz o Controlo da Qualidade Total, procedimento que permitia a identificação e a medição dos custos da qualidade. Nesta época também houve um maior estímulo do envolvimento da alta administração na qualidade. A partir da década de 1960, a ideia defendida por Crosby, com relação ao defeito zero, enfatizou a responsabilidade de atuação de cada funcionário de forma a executar seu trabalho com maior perfeição (Stevenson, 2001). Ainda para Stevenson (2001), no final da década de 1970 e início de 1980, o conceito de qualidade utiliza uma metodologia que tem como ênfase assegurar a qualidade, estimulando a adesão de sectores de serviços, inclusive em áreas governamentais. Este modelo privilegia uma ação estratégica em relação à prevenção da ocorrência de erros antes que os mesmos venham a acontecer, possibilitando o envolvimento de todos os níveis da administração e dos funcionários. Na visão de Maximiano (2005), o atual período é considerado como sendo a era da qualidade total. A ênfase é que a qualidade passa a ser estabelecida pelo cliente e não somente pelos engenheiros, ou a alta administração, nem do pessoal de vendas e de marketing. A principal característica desta era é que todos os funcionários e todos os setores, sob uma visão sistêmica, são os responsáveis pela garantia da qualidade dos produtos e dos serviços de uma empresa. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 58 Inicialmente, a ideia da qualidade total tornou-se importante na indústria japonesa, que começou a produzir veículos extremamente competitivos, criando dificuldade nas vendas de produtos similares americanos. Atualmente, a qualidade faz parte do gerenciamento das empresas, uma vez que a sobrevivência no mercado depende dela (Martins & Laugeni, 2005). Segundo William Edwards Deming, a qualidade fundamenta-se na contínua melhoria dos processos com avaliação permanente através de controlos estatísticos. Desta forma, quando os produtos ou os serviços são feitos de forma correcta, os custos diminuem, uma vez que ocorre a redução de retrabalhos e de reparos. Deming considera necessário transformar a administração da empresa, e avalia que uma má administração é responsável por 85% dos problemas de déficit de qualidade (Davis et al, 2001). J. M. Juran define qualidade com um foco parecido com o de Deming, com exceção do grau de importância atribuído aos métodos estatísticos. Considera que as características de um produto ou de um serviço determinam a qualidade de acordo com os olhos do cliente. A ausência de deficiências defendida por Juran também é uma importante definição de qualidade, uma vez que visa conformidade e satisfação do cliente com consequente diminuição dos custos (Stevenson, 2001). Para Philip Crosby, que estudou engenharia, a qualidade significa conformidade com os requisitos cujo modelo-padrão é o defeito zero já na primeira execução, com redução dos custos através da melhoria da qualidade na prevenção de falhas durante os processos (Davis et al, 2001). Segundo Silva (2001), “qualidade é a totalidade de aspectos e características de um produto ou serviço que propiciam a habilidade de satisfazer dadas necessidades”. De acordo com Slack (1996), “qualidade é a consistente conformidade com as expectativas dos consumidores”. Para esse mesmo autor, a expectativa de cada consumidor é baseada em sua vivência e conhecimento individual percebendo o mesmo produto de maneira diferente. Gaither e Frazier (2001) complementam a ideia quando dizem que as empresas possuem como meta o facto de que o cliente reconheça seu produto ou seu serviço como sendo o melhor em sua categoria. Isso significa atender às mudanças na expectativa de cada cliente quanto ao produto ou ao serviço oferecido. Para Slack (1996), apesar da revolução do termo qualidade, não existe um consenso entre os autores sobre seu significado. O professor David Garvin relacionou a qualidade de acordo com as seguintes abordagens: UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 59 a abordagem transcendental, que vê a qualidade como absoluta, sendo a melhor possível, enquanto a abordagem relacionada a manufatura preocupa-se em fazer produtos ou serviços de acordo com as especificações dos projetos. Já a abordagem baseada no usuário demonstra preocupação com a conformidade e especificações. Outra abordagem considera o conjunto de características necessárias para satisfazer o consumidor. Finalmente a abordagem focada no valor define a qualidade em termos de custo e preço. Segundo Martins e Laugeni (2005), a qualidade apresenta diversas definições de acordo com o foco a ser dado. Quando o foco é o produto, a qualidade é determinada conforme a percepção do cliente. Quando o foco é a fabricação, busca-se melhorar técnicas e processos conforme normas pré-estabelecidas. Assim, para avaliar se um produto possui qualidade, é necessário contemplar diversos elementos: características operacionais, confiabilidade, conformidade, durabilidade, assistência técnica, estética e qualidade percebida. No intuito de manter seus níveis de qualidade total, algumas organizações têm reformulado seus métodos de pesquisa, levando em consideração a percepção do cliente quanto ao desempenho da organização como seu fornecedor. Com esta visão, a percepção do cliente é a realidade da qualidade da organização (Stevenson, 2001). Neste contexto, Mezomo (1995) reafirma que, atualmente, a qualidade de um produto ou de um serviço é avaliada de acordo com a percepção de cada cliente. O que pode ser considerado produto com qualidade para uma pessoa pode não ser considerado para outra, ou seja, o produto ou serviço deve adequar-se aos desejos dos clientes. Para Coll et al (1995), a percepção serve para nos colocar em contacto com o meio através dos sentidos. Dessa forma, ao utilizar-se dos sentidos, o homem percebe os aspectos que satisfazem seus anseios, sobretudo quando esses aspectos são importantes para o observadorou que para ele possam trazer consequências. Sob uma óptica mais simplificada, a qualidade pode ser conceituada de forma interna ou externa. A primeira constitui a maneira pela qual uma organização administra a qualidade de seus processos e a segunda constitui a maneira pela qual o cliente percebe a qualidade. Ambas complementam-se, sendo impossível a existência da primeira sem a segunda (Chiavenato, 1999). Os peritos em marketing conseguiram convencer a maior parte das empresas de que é o cliente quem determina qual deve ser o padrão de qualidade dos produtos. Uma vez conhecidos os desejos dos clientes, UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 60 passa-se à necessidade de definir as especificações do produto ou serviço e garantir que ele seja concebido de forma simples e económica. A nova consciência da importância da qualidade não substitui as ideias tradicionais a respeito do tema. O novo modo de pensar completa e amplia os antigos, acrescentando novas dimensões à ideia de desenvolvimento da qualidade: melhorar as relações humanas, fortalecer a comunicação, formar espírito de equipa e manter padrões éticos elevados. Os clientes estão cada vez mais críticos em relação aos serviços que recebem. Muitos clientes estão não somente querendo, mas também, esperando melhores serviços. Por conseguinte, a não satisfação dessa vontade pode causar frustração, o que levará a um boca-a-boca negativo sobre o desempenho da marca e da empresa. Implementação de um Sistema de Qualidade A implementação de um sistema de qualidade é um processo cíclico, alimentado pelo conjunto de informações de marketing fornecidas pelos diversos subsistemas da empresa. Assim, é impossível falar da implementação de um sistema sem concebe-lo sob o ponto de vista da gestão. Ou seja, a implementação do sistema de qualidade exige um raciocínio crítico e subsequenciado ou divido pelas fases. A Norma Portuguesa de Qualidade (ISSO 9001:2000) define gestão de qualidade como “actividades coordenadas para dirigir e controlar uma organização no que respeita à Qualidade”. Se entendermos que todas as actividades realizadas no seio de uma organização contribuem para o seu desempenho, poderemos facilmente entender que a Gestão da Qualidade está presente em tudo o que fazemos numa organização e será um forte elo de ligação entre os diferentes sectores, que conduzirá a organização à melhoria e à excelência. Numa perspectiva transversal, a Gestão da Qualidade assegura uma forte interacção entre os diferentes sectores e processos dentro da organização, desenvolvendo e proporcionando um conjunto de metodologias que contribuem para a eficácia da organização. De acordo com esta definição, a Gestão da Qualidade consiste na implementação de uma série de actividades com o objectivo de proporcionar uma gestão eficaz da organização e dos seus processos, tais como: UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 61 1. Estabelecer a Política e os Objectivos de Qualidade Começamos por definir uma declaração de princípios e compromisso para com a Qualidade na organização. Esta será a orientação de toda a organização, designada Política da Qualidade, e enquadra a estratégia de qualidade da organização no seu seio. A partir desta política, que deverá ser a base da estratégia organizacional para a qualidade, e com ela enquadrados são estabelecidos os Objectivos da Qualidade que constituem uma série de metas que, ao serem atingidas, concretizam os princípios e compromissos estabelecidos na política traduzindo- se na evidência da eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade. 2. Planeamento de Qualidade Um outro fundamento da Gestão da Qualidade é o Planeamento de Actividades que pretendem conduzir à Qualidade. O planeamento é fundamental para o sucesso da organização assegurando o estabelecimento de objectivos e a medição dos resultados obtidos em todas as actividades da organização, assim como de métodos e critérios de aceitação para processos e produtos. Por outro lado, quando se planeia desenvolve-se a capacidade de prevenir falhas nas actividades a desenvolver. Também com um planeamento eficaz, garante-se que a organização trabalha como um todo para os objectivos comuns, assegurando uma comunicação interna eficaz. 3. Controlo de Qualidade Consequência do Planeamento da Qualidade, é desenvolvido e implementado o Controlo da Qualidade. Ao estabelecer procedimentos e parâmetros de controlo dentro da organização, estabelecemos as condições necessárias e ideais para que os processos sejam conduzidos dentro de limites pré- estabelecidos que asseguram a conformidade dos resultados, cumprindo os requisitos planeados. Consequentemente, o Controlo da Qualidade tem impacto significativo ao nível operacional. 4. Garantia da Qualidade Garantir a Qualidade consiste na implementação de um conjunto de actividades que, de certa forma, englobam o Planeamento da Qualidade e o Controlo da Qualidade. É um nível mais abrangente de Qualidade no seio de uma organização. Para além de planear e controlar a Qualidade das actividades realizadas e dos produtos resultantes, também se desenvolvem actividades que pretendem garantir que a Qualidade, conforme definida pela organização, é assegurada. Estas actividades resultam da interacção entre o que planeamos UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 62 e o controlo a executar, no sentido de assegurar que todos os aspectos que influenciam a Qualidade dos produtos e processos estão identificados e são controlados ao longo dos processos. A Garantia da Qualidade abrange actividades como auditorias, implementação de acções preventivas e o controlo estatístico de processos. 5. Melhoria da Qualidade Por último, actualmente um Sistema de Gestão de Qualidade tem por base o conceito de Melhoria Contínua, conceito esse que está para além da Garantia da Qualidade. São desenvolvidas actividades que pretendem uma gestão cada vez mais eficaz da organização. Para tal são introduzidos os conceitos associados à gestão para a melhoria, com a definição de objectivos e a sua monitorização e medição. Também o envolvimento dos clientes na gestão do sistema é introduzido através da monitorização e medição da sua satisfação, factor considerado fulcral no sucesso das organizações. Na verdade, a Gestão da Qualidade resume-se à gestão de todos os factores, relacionamentos e parcerias que influenciam os resultados de forma a garantir a satisfação dos clientes e, consequentemente, um melhor desempenho da organização. Factores que Influenciam a Qualidade 1. Factores económicos; 2. Factores mercadológicos; 3. Factores sociais; 4. Factores culturais; e 5. Factores históricos. Os factores que influencia a qualidade de serviço ou de bens tangíveis são, de acordo com o que mostra acima, os mesmos que o marketeer deve ter em conta quando fizer estudo de mercado, sobretudo na envolvente contextual. Assim, por se assumir que a matéria sobre este conteúdo foi amplamente abordada em sede de introdução à gestão, neste manual não nos propomos a desenvolve-la. A qualidade pode ser compreendida em diferentes focos ou pontos de vista. Esses pontos de vista devem orientar as acções dos gestores de modo a ajustarem o funcionamento das empresas às necessidades do mercado e vice-versa. Segundo Silvério (2015), o esforço da qualidade pode ser empreendido com foco no cliente, na concorrência ou na inovação. Sob ponto de vista do cliente, a qualidade do serviço pode derivar do atendimento. Ou UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 63 seja, a maneira como os colaboradores atendem um cliente pode denotar elevada ou fracaqualidade dos serviços prestados pela empresa ou dos bens nela comercializados. Do ponto de vista da concorrência, recomenda-se que os gestores apliquem o benchmarking que consistirá em avaliar, comparativamente, o desempenho da empresa com o da concorrência, com o ensejo de melhorar. Finalmente, sob ponto de vista da inovação, a qualidade pode resultar do nível de diferenciação de produtos e serviços que a empresa fornece. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO Perguntas 1. Discuta o conceito qualidade. 2. Fale da evolução de qualidade. 3. Explique os factores que influenciam a qualidade. 4. O esforço da qualidade pode ser empreendido com diversos focos. a) Indique-os. 5. Defina sistema de qualidade. RESPOSTAS 1. Resposta do exercício 1 – página 52 2. Resposta do exercício 2 – página 52 3. Resposta do exercício 3 – página 57 4. Resposta do exercício 4 – página 57 5. Resposta do exercício 5 – página 55 Exercícios de AVALIAÇÃO 1. Explique o processo de implementação de um sistema de qualidade. 2. O controlo da qualidade total, também designado, Total Quality Management, representa um sistema evoluído da gestão de qualidade. Refira-se às especificidades desse sistema. 3. O processo de garantia de qualidade engloba o planeamento de qualidade. a) Por palavras tuas, explique o decurso do planeamento de qualidade. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 64 4. O controlo da qualidade decorre da planificação de qualidade e implica na realização de tarefas específicas com vista a garantir que os resultados da produção estejam equiparados aos resultados esperados. a) Na qualidade de gestor de qualidade de serviços diga em que circunstâncias decorre o controlo e em que circunstâncias decorre a monitoria de qualidade. 5. Da definição de qualidade percebe-se que este conceito é compreendido de acordo com a percepção de cada cliente/consumidor. a) Como um bom marketeer, explique o papel da percepção do consumidor/cliente na avaliação do serviço ou do produto. Referências Bibliográficas LAS CASAS, Alexandre Luzzi. (2002). Marketing de serviços. 3.ed. São Paulo: Atlas. LAS CASAS, Alexandre Luzzi. (1999). Qualidade total em serviços. 3.ed. São Paulo: Atlas. LAUDON, K. C.; LAUDON, J. P. (2004). Sistemas de informação gerenciais. 5.ed., São Paulo: Prentice Hall. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 65 UNIDADE Temática 3.2 Qualidade de Serviços nas Empresas Introdução O serviço possui um impacto económico forte dentro da empresa porque, se o serviço possuir má qualidade a imagem da empresa mo mercado ficará consequentemente maculada. Sendo o serviço um bem intangível, abstrato, o seu efeito deve estar ao nível das exigências do cliente, logo no primeiro consumo. Isso poderá garantir que o cliente faça boa apreciação do serviço e possa contribuir para boa imagem institucional. Assim, se a empresa desejar obter boa imagem institucional, deve prestar devida atenção aos aspectos da qualidade dos serviços. Espera-se que ao final desta unidade temática, o estudante possa: Objectivos específicos ▪ Explicar o papel da qualidade de serviços nas empresas. ▪ Discutir a noção de qualidade em diferentes visões. ▪ Explicar os critérios de qualidade de serviço. ▪ Conhecer os indicadores de má qualidade. ▪ Indicar a importância da qualidade de serviços. Sumário O empenho em melhorar a qualidade tornou-se um objectivo constante das empresas avançadas. Muito esforço tem sido feito nas fábricas. Porém, a melhoria da qualidade não é uma exclusividade das áreas de produção e nem apenas uma questão de controlo de processos. A dinâmica do mercado encarregou-se de mostrar que o assunto era mais complexo e extravasa o domínio dos processos. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 66 A questão deixou de ser apenas inerente ao controlo, passando a dizer respeito também à própria gestão e às áreas que mantém contacto directo com clientes devido a quantidade de informações que estas áreas possuem. Antes de aprofundarmos a questão da qualidade nas empresas, importa refrescar a definição de qualidade. De forma simples, pode-se definir qualidade como aquilo que deve ser feito para satisfazer as necessidades e exigências do cliente. Ou seja, a qualidade é, em primeira mão, definida sob o ponto de vista do cliente por ser este o visado. ´´Qualidade é o que o cliente acha que é qualidade``. O serviço, por sua vez é o meio que permite alcançar objectivos e satisfazer as necessidades. Nestes termos, percebemos que o serviço cria felicidade, pelo que o que cria dificuldade não tem qualidade. A partir do momento em que os produtos deixam as fábricas, os serviços começam pela distribuição dos mesmos, tanto pelos comerciantes, quanto pelos clientes finais. Além desses serviços ligados à cadeia de produção industrial, existem também aqueles que são próprios do sector da economia, como bancário, financeiro, turismo, lazer, hotelaria, transportes, telecomunicações, informática, comunicação, saúde, educacionais, etc. Enquanto na fabricação de produtos o cliente não participa directamente do processo, no serviço o cliente é parte integrante. Assim, uma das formas de garantir qualidade nos produtos é imprimindo qualidade nos serviços. Do que aqui expusemos compreende-se que a qualidade de serviço pode ser vista em diferentes focos. O primeiro e mais importante é a qualidade de serviços na visão do cliente. Por ser o que a nível do marketing mais importa, falamos um pouco disso. A qualidade de serviço está sendo caracterizada por diversas percepções dos clientes. Ao invés destes impressionarem-se somente com a tecnologia, com o alto nível de modernismo com que se flexibilizam os serviços, desejam também, um ser humano que possa atender as suas necessidades e possíveis problemas quando o sistema automatizado falhar. Logo, o contacto do funcionário da empresa com o cliente deve ser melhor do que seus produtos. O tratamento recebido é que irá fazer a excelência dos serviços. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 67 Por isso, hoje os clientes estão sempre em primeiro lugar na prestação de serviços. Se a empresa já tiver observado o que os seus clientes valorizam, têm que partir deste ponto rumo à excelência no mercado, à fidelização dos clientes e à vantagem competitiva. Critérios de Qualidade de Serviços Compreende-se por critérios de qualidade de serviços, os valores que diferenciam e caracterizam a excelência de um serviço, tais como: 1. Relacionamento – tratamento dado ao cliente, interno ou externo. O relacionamento diz respeito à política de comunicação adoptada pela organização. A maneira como os funcionários lidam uns com os outros e a maneira como estes lidam com o público. 2. Atendimento – este critério está estritamente ligado ao anterior. O bom ou mau relacionamento da empresa com o cliente é, antes de mais, medido pela qualidade de atendimento que a empresa proporciona aos clientes. O cliente deve ser atendido de modo a satisfazer as suas expectativas. Esse atendimento deve incluir os seguintes indicadores: rapidez no atendimento e na decisão, reduzido tempo de espera e zero interrupções no momento do atendimento. 3. O Acesso – refere-se à boa disponibilidade em se obter o serviço, boa localização da empresa e um reduzido volume de burocracia. Vezes sem conta, o burocratismo tem sido apontado como uma causa da insatisfação dos clientes, o que reduz sobremaneira a apreciação da qualidade do serviço prestado.4. O Ambiente – o ambiente ao qual expomos o cliente influencia muito na apreciação dos serviços prestados pela empresa porque pode transmitir o padrão com que a empresa preocupa- se, tal como: boa programação visual, segurança e boa circulação. 5. A Informação – este critério está estritamente ligado à ética profissional e do marketing. A informação prestada ao cliente deve ser correcta e precisa para poder se conquistar a sua confiança. A empresa deve prometer apenas o que pode cumprir. 6. A Comunicação – a comunicação deve ser a base para a atracção do cliente. Tendo, o prestador de serviços, uma boa comunicação e o pleno conhecimento UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 68 do assunto, facilmente poderá atrair a preferência e atenção do cliente. 7. Felixibilidade – é a capacidade que a empresa tem de ouvir as sugestões e reclamações dos clientes, selecionar as proveitosas e implementa-las. 8. Credibilidade – a credibilidade é importante para manter a confiança do clientde. É acorência dos actos e das medidas. Praticar o que disse. Cumprir o que promete. Dizer não quando for necessário. Ter convicção nas suas atitudes. Indicadores de Má Qualidade Indicadores de má qualidade são os problemas que os clientes mais se queixam, menos gostam e a partir daí criam uma imagem negativa do serviço e da empresa. Variando em função da natureza do serviço prestado, podemos encontrar vários indicadores de má qualidade nos serviços, tais como: 1. Falta de Feedback – ocorre quando não se dá retorno sobre as solicitações ou andamento do serviço aos clientes. Isso gerará ansiedade e nervosismo nos clientes. 2. Radicalismo – ocorre quando se estabelecem formas de trabalhar sem considerar as necessidades e conveniências dos clientes. 3. Atitudes Críticas – são as que demonstram falta de respeito para com os clientes. 4. Restrições – surge quando os prestadores de serviços criam obstáculos para solucionar possíveis problemas. É a omissão perante os factos. 5. Falta de Autonomia - ocorre quando se concentra o poder de decisão num único funcionário, acabando por provocar demora nas soluções e no atendimento aos clientes. Importância da Qualidade de Serviços Superar a expectativa do cliente é buscar a Qualidade de Serviço. Identificar quais são as necessidades através de mecanismos que nos possibilitem chegar a um resultado satisfatório é fundamental para o sucesso de qualquer empresa. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 69 A Gestão da Qualidade em Serviços deve ser planeada e acompanhada, já que as necessidades variam de cliente para cliente e o grau de percepção e satisfação pode ser facilmente influenciado por qualquer factor que contrarie uma expectativa inicial. Devemos nos atentar ao ponto de vista do consumidor, pois, é ele que avalia o serviço prestado e sua satisfação depende de como essa experiência foi vivida. As organizações precisam criar métodos que proporcionem a possibilidade de identificação de necessidades e, principalmente, que permitam entender o perfil dos clientes, de forma a viabilizar um direcionamento mais assertivo dos serviços oferecidos. Outro relevante ponto da Qualidade em Serviços é o chamado “momento da verdade”, onde a medição do nível de qualidade de um serviço é realizada pelo cliente no momento em que este fica frente a frente com a necessidade de uso. Ou seja, é neste momento em que toda a expectativa gerada pelo cliente no momento da contratação é confrontada com o que realmente está sendo entregue pela organização, estimulando a criação da percepção positiva ou negativa, por parte do cliente, sobre o serviço prestado. O grau de relacionamento que a empresa estabelece com o cliente, é o que define o grau de tolerância que o cliente terá com erros e falhas apresentados pelo serviço adquirido. Crie mecanismos e métodos de pós-venda que estimulem a interação junto à carteira de clientes da organização. Uma das mais eficientes ferramentas para medir o grau de satisfação dos clientes, traçar perfis e identificar necessidades é a realização de pesquisas de mercado. A realização de pesquisas transmite aos clientes a mensagem de que a organização preocupa-se com o seu bem-estar e que valoriza a sua opinião como contribuição para a melhoria dos seus processos e, por consequência, dos serviços oferecidos. O principal benefício da pesquisa é proporcionar à organização uma avaliação realista da prestação de seus serviços, gerando a possibilidade de identificação de pontos de melhoria. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO Perguntas 1. Qual é o papel da qualidade dos serviços nas empresas? 2. Fale da qualidade de serviços na visão dos clientes. 3. Indique os critérios de qualidade de serviços que aprendeu. 4. Apresente os indicadores de má qualidade que aprendeu? UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 70 5. Qual é a importância da qualidade de serviços? Respostas 1. Resposta do exercício 1 – página 61 2. Resposta do exercício 2 – página 61 3. Resposta do exercício 3 – página 62 4. Resposta do exercício 4 – página 63 5. Resposta do exercício 5 – página 63 Exercícios de AVALIAÇÃO 1. Na sua opinião, como acha que as empresas do século XXI devem lidar com a questão de qualidade de serviço? 2. Acha que a qualidade de serviço tem igual importância, tanto para as empresas prestadoras de serviços, quanto paras fornecedoras de bens tangíveis? Justifique! 3. Como gestor do sistema de qualidade de uma empresa, diga que soluções proporia para eliminar a ocorrência de indicadores de má qualidade na sua instituição? 4. ´´Hoje, mais do que nunca, o cliente deve estar em primeiro lugar.`` a) Considerando que Kotler e Keller (2012) definem o marketing como uma ciência e arte que se foca na troca de valores entre as partes, analise criticamente a afirmação acima. 5. Dos critérios de qualidade de serviços que aprendeu, qual é na sua óptica, o melhor critério? Justifique! Referências Bibliográficas LAS CASAS, Alexandre Luzzi. (2007). Marketing de serviços. 5.ed. São Paulo: Atlas. LOVELOCK, Christopher; WIRTZ, Jochen. (2006). Marketing de serviços: pessoas, tecnologia e resultados. 5.ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall. ROCHA, Ângela da; MELLO, Renato Cotta (Org.). ( 2000). Marketing de serviços: casos brasileiros. São Paulo: Atlas. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 71 ZEITHAML, Valarie A.; BITNER, Mary Jo. (2003). Marketing de serviços: a empresa com foco no cliente. 2.ed. Porto Alegre: Bookman, 2003. TEMA IV: MARKETING INTERNO UNIDADE Temática 4.1 Marketing Interno como Extensão do Marketing UNIDADE Temática 4.2 A Motivação no Marketing Interno UNIDADE Temática 4.3 Plano de Marketing Interno UNIDADE Temática 4.1 Marketing Interno como Extensão do Marketing Introdução O marketing pode ser compreendido em várias dimensões. De acordo com Kotler e Keller (2012), na sua percepção holística, o marketing possui a dimensão interna (do marketing interno), a dimensão integrada (do marketing integrado), a dimensão relacional (do marketing de relacionamento) e a dimensão da responsabilidade social (do marketing socialmente responsável) como demonstra a figura abaixo. Figura 4 - Dimensões do Marketing Holístico Fonte: www.stacio.br http://www.stacio.br/ UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 72 Nesta unidade nossa atenção será virada para a dimensão do marketing interno, com o intuito de perceber seu conceito, seu desdobramento e diversasespecificidades a ele relacionados. Assim, no final desta unidade o aluno deverá ser capaz de: Objectivos específicos ▪ Explicar o conceito marketing interno e endomarketing. ▪ Compreender a emergência do marketing interno. ▪ Explicar as abordagens do marketing interno. ▪ Explicar os objectivos do marketing interno. Sumário Conceito de Marketing Interno Esta nova forma de acção, pressupõe uma nova abordagem do conceito de marketing, o qual já não é apenas encarado como uma relação entre comprador-vendedor. Pelo contrário, tem que ser enquadrada numa perspectiva mais abrangente, na qual a empresa não se limita a uma orientação para o exterior, mas procura virar-se para o seu interior, o qual caracteriza-se por um conjunto de processos internos que representam cadeias de clientes/fornecedores, nas quais cada serviço/departamento, tem uma dupla missão: (1) cliente dos serviços a montante e (2) fornecedor dos serviços a jusante. Estas relações internas clientes-fornecedores são, antes de mais, relações de troca entre unidades e serviços. Esta interdependência revela uma problemática de marketing no interior da empresa (Nucifora, 1998). O mercado interno não deve ser encarado apenas como um conjunto de serviços que estabelecem relações entre si, mas sim, visto como um conjunto de clientes/colaboradores com necessidades, expectativas e desejos muito próprios. De acordo com Soriano e Soriano (1992), o marketing interno consiste num conjunto de métodos e técnicas de gestão que tem como propósito conseguir que os recursos humanos adoptem uma atitude voluntária e espontaneamente orientada para a qualidade de um produto/serviço, que é necessário para alcançar altos, consistentes e estáveis níveis de qualidade quer internamente, quer externamente em todos os departamentos de uma empresa. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 73 O marketing interno pressupõe um contexto de livre transacção (nas relações de troca), onde o colaborador tem várias opções e o poder de dizer "não" (a uma oferta/projecto ou ideia) e, portanto, onde a sua adesão é consciente, livre e voluntária. Mas o marketing interno não envolve apenas a adesão por parte dos colaboradores, mas leva a organização à necessidade de desenvolver acções no sentido de manter fidelidade ao longo do tempo (Pessoa, 1994), tendo em conta as suas necessidades e expectativas cada vez maiores e mais exigentes, e em confronto com ofertas da concorrência cada vez mais sofisticadas. A empresa tem, portanto, que continuamente adequar a sua oferta (a partir da análise e estudo cada vez mais aprofundado das expectativas e desejos dos colaboradores) se quiser justificar a preferência do cliente/colaborador. Assim, como realçado por Taylor e Cosenza (1997), a empresa tem de ser fiel ao seu cliente/colaborador para justificar a fidelidade deste. O marketing interno não é concebido apenas como uma técnica ao serviço da venda de ideias no interior da empresa - "Óptica de Vendas". Manipulação, ênfase posta na comunicação descendente (Taylor e Cosenza, 1997), no desenvolvimento de argumentações persuasivas e por vezes mesmo "pressão" publicitária sobre as atitudes, utilizando todos os meios de informação como reuniões com os quadros, formação, edição de documentos, de cartazes, de pequenas brochuras, etc., não podem ser considerados como o único âmbito do marketing interno. Este conceito é simplesmente, a aplicação dos conceitos e técnicas de marketing aos recursos humanos, considerados como os "primeiros clientes" da organização. Surgimento do Conceito Marketing Interno Num cenário mundial globalizado e hipercompetitivo, o crescente interesse pelo Marketing Interno ocorre devido à procura da eficiência por parte das organizações, especialmente atribuída à importância que passa a ser atribuída ao colaborador como o elemento central nos negócios, dentro do clima competitivo atual (Silva, 1999). Começando por referir o próprio conceito do Marketing, e de acordo com a American Marketing Association, Marketing é uma função organizacional e um conjunto de processos que envolvem a criação, a comunicação e a entrega de valor aos clientes, bem como a administração do relacionamento com eles, de modo que beneficie a organização e o seu público interessado (Testa, 2005). UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 74 Dalpiaz trás uma importante contribuição ao conceito do Marketing em que o mesmo é apresentado como “(…) um instrumento que auxilia as empresas na satisfação das necessidades dos seus clientes, criando condições para existir motivação para que as pessoas do lado de fora da empresa (ambiente externo) comprem um certo produto ou serviço. Então, se o Marketing proporciona essa condição externamente pode também proporcionar condições para existir motivação para as pessoas do lado de dentro da empresa (ambiente interno). Essa ‘motivação’ dar- se-á “através do suprimento das suas próprias necessidades, pois ambos estão necessitando de algo e ambos oferecem alguma coisa em troca” (Dalpiaz, 2002, p. 18). Segundo Kotler (2000), existem várias formas pelas quais as empresas se podem diferenciar: por produto, por serviços, por pessoal, por canal e por imagem. A diferenciação através do pessoal que trabalha na empresa pode trazer-lhe um conjunto exclusivo de vantagens competitivas que só ela poderá utilizar. Num contexto massificado onde os aspetos tangíveis como produtos e tecnologias estão à disposição de todos, os colaboradores tornam-se um capital precioso da diferenciação através das pessoas. Com o avanço dos estudos, verifica-se que a orientação do Marketing tem sido mais voltada para o interior da empresa. Desta forma, analisando o Marketing voltado para dentro da organização, surge então o Marketing Interno que envolve uma série de tarefas e processos internos com interesse nas pessoas que compõem a organização (Grönroos, 2003). Enquanto tradicionalmente, a abordagem do Marketing resumia as suas relações com o mercado externo, hoje refere-se a uma reflexão sobre como adaptar as estratégias e os elementos do Marketing tradicional para o ambiente interno das organizações, ou seja, como estabelecer ações voltadas ao desenvolvimento, motivação, satisfação e eficácia dos colaboradores. Ao examinar a relação entre Marketing e Marketing Interno, Bekin (1995) reforça a importância de se estender a todos os departamentos da organização, e não apenas ao departamento de Marketing, a preocupação em atender os desejos e expectativas do cliente, evitando com isto os conflitos e desperdícios de recursos, e criando um clima favorável de integração e cooperação interna, pois para que a empresa funcione satisfatoriamente ‘’o Marketing deve, por assim dizer, irrigar todos os departamentos da empresa, desde a área de desenvolvimento do produto até ao pessoal da linha da frente” (Bekin, 1995, p. 22). Este autor considera essa concepção como uma “evolução sofisticada do Marketing” e que a “velha noção de Marketing como uma mera atividade de propaganda” (Bekin, 1995, p. 22) está completamente UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 75 superada, deparando-se com uma redefinição que amplia a sua prática, como um valor que percorre toda a empresa. Bekin (1995) afirma que a direção das empresas deverá estar disposta a desconcentrar decisões, acabar com a rígida e mal estruturada divisão de tarefas e com a comunicação ineficiente, pois todos os funcionários, sobretudo os da linha da frente, devem estar aptos a apresentar soluções adequadas e satisfazer os clientes, em qualquer circunstância. “A orientação para o cliente exige uma empresa bem estruturada, baseada na informação e na iniciativa”(Bekin, 1995, p. 29), resume o autor, lançando assim, as bases de uma tendência de Marketing voltado para o público dentro das organizações. De acordo com Brum (2005), as organizações pretendem constantemente a diferenciação das suas marcas e produtos, com o objetivo de se tornarem cada vez mais competitivas. Da mesma forma, devem concentrar esforços em valorizar as pessoas que nela trabalham e com isso obter a satisfação dos seus funcionários, uma vez que os recursos humanos representam um dos seus principais diferenciais estratégicos. Para Grönroos (2003), o Marketing Interno “(...) parte do conceito de que os funcionários são um primeiro mercado, interno, para a organização. Se bens, serviços, comunicação planeada de Marketing, novas tecnologias e sistemas operacionais não puderem ser promovidos entre esse grupo-alvo interno tampouco se pode esperar que o Marketing para os clientes finais, externos seja bem sucedido” (Grönroos, 2003, p. 404). Para Kotler (2003, p.58) “o objetivo do Marketing Interno é tratar os empregados como um grupo de clientes” e assim surge também um novo termo no cenário empresarial: o cliente interno. Apesar desse conceito de cliente interno ser muito estimulante e plenamente exequível, o que deve ser é a assimilação do conceito de cliente interno no seu sentido primordial: o de consumidor de bens e serviços oferecidos pela empresa, que neste caso em especial transforma-se no próprio produto: o produto-empresa. Assistimos, assim, à abordagem do funcionário como cliente interno, diante da evolução do entendimento do Marketing. Esta atividade viu o seu horizonte ampliado, a partir do momento que Bekin identificou, nos anos 90, através do Marketing Interno, que para satisfazer o cliente externo é necessário, primeiro, satisfazer o cliente interno. No entanto, o mesmo autor acrescenta que o Marketing Interno sempre existiu, mesmo que de forma intuitiva, naquelas empresas com espírito de liderança integradora. O autor faz esta afirmação ao constatar que algumas empresas de grande eficiência adotavam condutas UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 76 compatíveis com o conceito, objetivo e função do Marketing Interno, mesmo sem o seu conhecimento. A abordagem do Marketing Interno nas organizações remete a sua origem ao povo japonês e ao modelo empresarial por eles preconizado, onde através de um modelo de administração participativa, se fomentou o início de uma preocupação com o público interno das organizações e a partir daí, técnicas, práticas e procedimentos começam a ser difundidas pelo mundo (Kotler, 2003). Concorda com esta origem, Cerqueira (2005) subscrevendo que os pioneiros no desenvolvimento do Marketing Interno foram os japoneses, tendo sido a partir da administração participativa que surgiram grandes projetos no mundo ocidental. Também Brum (1998) já citara que na década de 50, os japoneses apresentaram aos americanos a importância do trabalho em grupo, ou seja, da reunião de pessoas em torno de um mesmo objetivo fazendo com que todos olhassem na mesma direção. Portanto, segundo esta autora, o Marketing Interno decorre da necessidade de se motivar pessoas para os programas de mudança, originando as mais variadas técnicas de comunicação que as empresas usam nos dias atuais com o seu público interno. No Brasil, somente pela década de 1970 esta terminologia foi introduzida e a sua efetividade foi evidenciada em meados dos anos 90. O marco deste assunto deve-se a Saul Faingaus Bekin, consultor empresarial paulista e autor do termo, que foi o precursor ao utilizar o Endomarketing para discussões estratégicas. O termo foi patenteado pelo mesmo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), em 1991, e atualmente é comumente adotado como sinónimo de marketing interno (Grönroos, 2003). Foi através da sua passagem na gestão da Johnson e Johnson, na década de 1970, que ao passar por dificuldades internas, Bekin percebeu que necessitava, num primeiro momento, de “vender” a empresa para os seus funcionários. A partir daí o Marketing Interno começou a desenvolver-se e na década de 90, é lançado o primeiro livro de referência neste assunto, intitulado “Conversando sobre Endormarketing”. A partir da década de 90 o mundo organizacional começou a confrontar- se com um contexto de grande e acelerada mudança, o que criou um ambiente de turbulência, gerado pelas novas exigências organizacionais. A capacidade de resposta rápida às mudanças do meio e a capacidade de antecipar cenários passaram a ser uma condição para o sucesso das empresas. Este sucesso dependeria, em grande parte, das atitudes, do comprometimento e do desempenho dos ativos humanos UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 77 (Leão, Neto, Fonsêca, & Mello, 2010). Assim, o aumento da concorrência pela fidelização e conquista de novos clientes têm levado as organizações a transporem a essência do Marketing para dentro das suas estruturas (Oliveira, 2010). O Marketing Interno emergiu, assim, como um conceito que procurava desenvolver colaboradores com uma consciência voltada para o cliente, sendo eles próprios clientes internos, e colocar a qualidade dos serviços como um imperativo organizacional (Papasolomou-Doukakis, 2002). Os clientes internos são os colaboradores da empresa, que anseiam dar o seu contributo à organização e acrescentar valor, assim saibam claramente os objetivos a alcançar, se sintam identificados com eles, tenham oportunidades de intervir nas decisões, de se desenvolverem e de enfrentar desafios, sendo reconhecidos pelo seu contributo de forma coerente (Costa, 2003). Conforme Bagget (1997, p. 47), o Marketing Interno também enfatiza a importância dos clientes internos – funcionários ou departamentos de uma empresa cujos empregos dependem do trabalho de outros funcionários ou departamentos. Por exemplo, uma pessoa que processa um pedido para uma peça de equipamento é o cliente interno do vendedor que realizou a venda, assim como a pessoa que comprou o produto é o cliente externo do vendedor. Os funcionários devem olhar para os seus companheiros de trabalho como clientes internos. Desse modo, ficam motivados a entregar, aos seus colegas, produtos e serviços da mais alta qualidade. O mercado de trabalho assistiu à mudança da denominação "empregado" para "funcionário" e, mais recentemente, para "colaborador", à medida que as organizações se consciencializavam da importância do comprometimento e da satisfação de seu público interno para atingir as suas metas, manter uma boa imagem e implementar a qualidade nos processos (Orfão, 2010). A convicção de que tratar os colaboradores como clientes internos é, antes de tudo, uma atitude inteligente e socialmente responsável sendo a melhor maneira de reter o capital humano (Vasconcelos, 2004). Marketing Interno ou Endomarketing Observando a literatura (particularmente a brasileira) verifica-se alguma falta de consenso entre Marketing Interno e Endomarketing. No entanto, ambos os termos têm como noção principal a tese de que o cliente interno constitui o primeiro mercado para as organizações (Bekin, 1995; Grönroos, 2003; Kotler, 2003). Ao ser analisado o termo “Endomarketing” define-se que o prefixo Endo, é proveniente da palavra grega éndon, que significa “em, para dentro, dentro de”. Entendendo assim o significado do Endomarketing UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 78 como o sentido do Marketing voltado para uma ação interna (Bekin, 1995). Concordando com o autor, Brum (1998) cita que endo provém do grego, que significa “ação interior”, sendo assim, Endomarketing significa Marketing para dentro, ganhando particular ênfase primeiramente na literatura que diz respeitoao Marketing de serviços e, depois, na literatura da gestão de serviços. Para Grönroos (1995) o Endomarketing é uma estratégia de gestão em que, a partir da importância atribuída ao cliente interno e da possibilidade de assegurar que os funcionários compreendam e vivenciam o negócio, se procura desenvolver uma Cultura Organizacional também orientada para o cliente externo. Entretanto, é preciso salientar que, apesar de Grönroos (1995) compreender o Endomarketing e o Marketing Interno como sinónimos, nem todos os autores são unanimes em afirmar que estes termos possuem o mesmo significado. Brum (2003) entende que o Endomarketing irá traduzir-se numa evolução do conceito de Marketing Interno - sendo uma opção de gestão para empresas que já fazem uso de estratégias de Marketing - onde o cliente interno é visto como um segmento de mercado, no qual as ações são adaptadas visando motivar, conquistar, encantar e fideliza-los, tornando a empresa um lugar atrativo para os mesmos. Outro fator que chama a atenção refere-se à atribuição de recompensas financeiras, enquanto o Marketing Interno utiliza estratégias financeiras como prémios de incentivo aos colaboradores, no Endomarketing “não existe a circulação de dinheiro para a obtenção da informação, mas sim a troca da informação pela informação”. Foi Inkotte (2000) quem propôs uma diferenciação mais clara de conceitos, defendendo que o Marketing Interno é uma preparação da empresa, e isso passa pela selecção, treino, motivação e informação dos funcionários, com o objetivo bem definido de mobilizar toda a organização para o atendimento às necessidades do cliente externo. Enquanto o Endomarketing é uma evolução do conceito de marketing interno e deve ser entendido, segundo Inkotte (2000), como uma forma opcional de gestão para aquelas empresas que já utilizam as estratégias de Marketing tendo o cliente interno como um segmento de mercado e adaptando-se para motivar, conquistar, encantar e fidelizar os seus funcionários, tornando a empresa atractiva, por diversas razões para o cliente interno. Assim, apresenta-se duas possibilidades: a condução de programas de Marketing Interno, pré-requisito necessário e essencial à execução da administração de Marketing, e o Endomarketing como estratégia opcional de gestão. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 79 Quadro 1 – Diferenças entre Marketing Interno e Endomarketing Marketing Interno Endomarketing Tem no cliente externo o seu mercado-alvo e, a partir desta máxima, treina, motiva e adapta os seus funcionários para a concretização dos seus objetivos. Tem o cliente interno como um segmento de mercado e adapta a sua empresa para motivar e conquistar os seus funcionários. Não há Marketing sem Marketing Interno (pré-requisito). Forma opcional de gestão para as empresas que adotam a administração de Marketing. A empresa confecciona o seu produto, que é oferecido ao mercado. A empresa é o seu produto. Fonte: Inkotte (2000) Desta forma, verifica-se que enquanto no Marketing Interno a empresa mobiliza os seus funcionários para encantar o cliente externo, no Endomarketing a empresa é o próprio produto, que precisa ser sempre melhorado para encantar o cliente interno, que em última análise é o seu mercado-alvo. No entanto, o termo Endomarketing também tem sido aceite e praticado como sinónimo de Marketing Interno. Para reforçar esta aproximação dos termos, Brum (2010, p. 42) esclarece o seguinte: “Marketing Interno e Endomarketing são expressões utilizadas com o mesmo sentido (...) Endomarketing é, portanto, Marketing Interno ou Marketing para dentro”. Algumas expressões são frequentes nas definições dos vários estudiosos, conferindo um eixo comum às acções de Marketing Interno, ou seja, motivação dos funcionários, comunicação, comprometimento, valores, instrumentos de Marketing e satisfação do consumidor. O Endomarketing tem como objetivo principal fortalecer as relações internas da empresa com a função de integrar a noção de cliente e fornecedor interno, fazer com que todos os funcionários tenham uma visão compartilhada sobre o negócio da empresa, incluindo itens como gestão, metas, resultados, produtos, serviços e mercados nos quais atua. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 80 Por outras palavras, Marketing Interno ou Endomarketing consistem num conjunto de ações que tem como objetivo tornar comum, entre funcionários de uma empresa, objetivo, metas e resultados (Brum, 1994). A autora salienta ainda que a transmissão de ideias e de atitudes, de uma pessoa para outra dentro de uma mesma empresa, deve estar baseada em fatores como educação, cultura e informação. A comunicação deve ser trabalhada de forma bastante simples: como um processo pelo qual ideias e sentimentos são transmitidos de indivíduo para indivíduo, dentro de um mesmo ambiente de trabalho. Para além de Inkotte (2000) apresentar, a diferença entre os conceitos de Marketing Interno e Endomarketing, também salienta a diferenciação entre os conceitos de público interno e cliente interno, sendo o primeiro o grupo alvo das tarefas de comunicação interna, enquanto o segundo pode ser entendido como um grupo de funcionários a quem a empresa é oferecida como um produto. É importante acrescentar a esses conceitos a ideia de que, mesmo que na comunicação haja algum retorno proveniente da mensagem recebida pelo funcionário, essa Comunicação Interna, atualmente praticada por algumas empresas, por melhor que seja planeada, ainda faz do seu público um target, um alvo, num processo de comunicação recetiva, que trabalha levemente a participação do funcionário, mas ainda não o tira da passividade. Constatando-se que ambos os termos se complementam, Marketing Interno e Endomarketing, e que em alguns casos são sinónimos, optou- se, neste estudo, pela nomenclatura Marketing Interno. Abordagens do Marketing Interno A respeito de Marketing Interno, Kotler (1998, p. 40) enfatiza que é “uma tarefa bem sucedida de contratar, treinar e motivar funcionários hábeis que desejam atender bem aos consumidores”. Na sequência deste enfoque, verifica-se que a área de Marketing voltada para dentro da organização é ampla, fazendo com que esforços de diferentes áreas da empresa sejam inseridos neste processo. Os autores Boone e Kurtz (1998, p. 47) apresentam o Marketing Interno como: “ações administrativas que ajudam todos os funcionários da empresa a compreender e aceitar os seus respectivos papéis na implementação da estratégia de Marketing”. Desta forma, a ideia central dos autores torna evidente o aspecto em que os funcionários podem contribuir com a estratégia de Marketing e até mesmo promover a satisfação dos clientes externos. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 81 O Marketing Interno apresenta-se como um conjunto de práticas introduzidas e aprimoradas na empresa, no sentido de obter ou elevar o comprometimento, mudanças nas atitudes e comportamentos que se reflectem positivamente, tanto no público interno, quanto externo. O objetivo do Marketing Interno é “fazer com que os funcionários comprem a empresa” (Bekin, 1995, p. 35). Tal ideia, somada ao conceito de Levitt (1990), de que Marketing é uma forma de conquistar clientes e mantê-los, conduz à conclusão de que o funcionário também é cliente da empresa, sendo necessário vender-se em primeiro lugar a eles, deixando clara a imagem de que são e o quanto são importantes para a organização. Para Chiavenato (1999), essa postura direcionada ao cliente interno por parte da organização, implica saber lidar com as pessoas, o que na era da informação, significa a solução de muitos problemas. Nickles e Wood (1999, p.6)definem como “um processo de satisfazer os clientes internos como pré-requisito para satisfazer os clientes externos”, sugerindo que as técnicas utilizadas para a promoção de vendas dirigidas aos últimos podem ser adaptadas e aplicadas aos primeiros. Os clientes internos são muitas vezes pensadores da organização. A partir das suas vivências, conhecimentos e aprendizagens é possível construir estratégias mais sólidas, mais próximas aos desejos dos clientes externos. Portanto, ouvir a voz do cliente interno não é uma benesse que um patrão outorga aos seus empregados mas sim um processo que se propõe a garantir a sobrevivência, trazendo inegáveis vantagens competitivas àqueles que o implementam. Olhar o cliente interno como um parceiro traz resultados altamente compensadores para a empresa (Barçante, 1999). Inkote (2000, p.85) traz para o Marketing Interno “a adaptação e utilização de técnicas, instrumentos e conceitos do Marketing para atingir o segmento de mercado específico de clientes, que têm como característica comum o trabalho numa mesma organização.” E complementa, afirmando que consiste em identificar as necessidades e desejos a partir do próprio cliente interno, para satisfazê-lo de forma eficaz e eficiente, procurando o estímulo à compra (do produto- empresa) e a fidelização deste segmento. Por sua vez, Bekin (2004) estende o conceito de Marketing Interno como o conjunto de “ações gerenciadas de Marketing eticamente dirigidas ao público interno (funcionários) das organizações e empresas focadas no lucro, das organizações não lucrativas e governamentais (…) observando condutas de responsabilidade comunitária e ambiental” (Bekin, 2004, p. 47). Para o autor, este conjunto de acções tem como UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 82 objetivo promover entre os seus funcionários e departamentos, valores destinados a servir o cliente externo. Já no seu conceito pioneiro, o autor defende que: “Marketing Interno é um processo cujo foco é sintonizar e sincronizar, para implementar e operacionalizar a estrutura de Marketing da empresa ou organização que visa ação para o mercado. O seu objetivo é facilitar e realizar trocas, construindo relacionamentos com o público interno, compartilhando os objetivos da empresa ou organização, harmonizando e fortalecendo estas relações e assim integrar a noção de cliente nos processos internos da estrutura organizacional propiciando melhoria na qualidade de produtos e serviços com produtividade pessoal e de processos” (Bekin, 1995, p.17). Cerqueira (2005) define de forma genérica e sintetizada que o Marketing Interno consiste num conjunto de processos, projetos ou veículos de comunicação integrada que permite a venda, ou seja, a consolidação de uma nova imagem para dentro da empresa. Entretanto, Kunsch (2003) critica a utilização do termo Marketing Interno, visto que acredita que o mesmo se limita a ver os colaboradores como clientes internos. A autora defende que o indivíduo, antes de ser empregado, é um ser humano e cidadão. É o mesmo que Bekin (1995) afirma: os funcionários devem ser tratados como clientes internos e valorizados como pessoas. Brum (1998) considera que o Marketing Interno tem por propósito fazer com que todos os colaboradores da empresa tenham uma visão compartilhada sobre a organização. Isto inclui metas, resultados, produtos e serviços. Para a autora, o ser humano ocupa um lugar destacado na empresa e os resultados positivos nas organizações são provenientes da satisfação e motivação dos seus colaboradores. Sendo assim, a autora expõe que o propósito é transformar o colaborador em facilitador para consolidar a imagem da empresa e o seu valor para o mercado. Para Dalpiaz (2002), o Marketing Interno implica motivar a pessoa que desempenha as suas atividades dentro da empresa, procurando atraí- lo e retê-lo através de ações desenvolvidas que contribuam para a obtenção de resultados para essa empresa. Dalpiaz (2002, p. 9) acrescenta que "essa forma de retenção e de atração do cliente interno da empresa (funcionário) é feita da mesma forma que no Marketing externo, as ações são direcionadas para a massa, isto é, para o grande público”. Seguindo o mesmo raciocínio, Bekin (1995, p.34) defende que o objetivo do Marketing Interno consiste em atrair e reter o cliente interno – funcionários – com a função de obter resultados eficientes para a empresa, atraindo e retendo os clientes externos. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 83 Brum (2000) por sua vez, apresenta o Marketing Interno como as ações que visam proporcionar ao funcionário educação, carinho e atenção, tornando-o bem preparado e informado a fim de que se possa tornar uma pessoa mais criativa e feliz, capaz de surpreender, encantar e entusiasmar o cliente. Para Meira e Oliveira (2004), o Marketing Interno é o conjunto de ações utilizadas por uma empresa para vender a sua imagem a funcionários e familiares. É nas ações mais simples, que o público interno encontra aquilo que procura: as informações, o reconhecimento e o estímulo necessário para um bom trabalho. Os mesmos autores ainda corroboram que o conceito de Marketing Interno correlaciona outros temas como: motivação, comunicação, comprometimento, valores, instrumentos de marketing e satisfação do consumidor/utilizador. Ainda, quanto à importância de trabalhar o Marketing Interno, satisfazendo primeiro os colaboradores para depois desenvolver o Marketing Externo Andrade (2003, p. 95) expõe que “os clientes de uma instituição ou organização e os membros da comunidade em geral mais facilmente acreditarão no que diz um funcionário com relação à organização em que trabalha, do que nas reações de qualquer outra pessoa”. Segundo Cerqueira (2005), o Marketing Interno visa a existência de um clima ideal, valorização e reconhecimento dos colaboradores, e assim sendo, procura obter índices maiores de produtividade, qualidade e redução de custos, além da utilização correta de veículos de comunicação para eliminar conflitos na comunicação e reduzir a insatisfação dos colaboradores. Assim, o relacionamento cliente-empresa é algo que recebe influências diretas da figura do funcionário, e cabe à instituição gerir o seu capital humano da melhor forma possível, preparando e consciencializando os seus colaboradores da importância que eles têm para o desenvolvimento e prosperidade da organização (Bekin, 1995). Moller (1997, p. 107), afirma que “se você colocar os funcionários em primeiro lugar nas suas prioridades, eles colocarão os clientes em primeiro lugar”. As organizações que quiserem centrar-se na satisfação dos seus clientes, precisam também de se centrar na satisfação dos seus clientes internos. Castro (2007) complementa este processo quando afirma que se cada colaborador for multiplicador da boa imagem da empresa, os produtos fabricados por ela também serão bem aceitos pelos seus clientes externos. Neste sentido, o Marketing Interno orienta todas as pessoas, funções e departamentos de uma organização pela sua apreciação sistemática UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 84 das necessidades, aspirações e os custos de cada um. Portanto, criar e alinhar as relações internas entre departamentos, funções e colaboradores dentro da organização é necessário para melhorar o desempenho da empresa e dos seus ativos humanos (Ahmed & Rafiq, 2003). O Marketing Interno é proposto por Ahmed e Rafiq (2003) como uma filosofia de coordenação, pois coordena todas as atividades, incluindo relacionamentos internos e externos, interações redes e colaborações, examinando todas as atividades envolvidas na satisfação dos clientes em toda a cadeia de abastecimento interno. É uma filosofiaque se concentra na atenção da satisfação do cliente e produtividade organizacional através da atenção e melhoria contínua dos "empregos" que os ativos humanos executam e do ambiente em que são implementados. Já Costa (2003) apresenta um novo conceito, definindo que: O Marketing Interno é uma metodologia de gestão que através de meios, métodos e técnicas tem por objetivo atrair, reter e desenvolver os Clientes Internos, satisfazendo as suas necessidades e possibilitando- lhes a flexibilidade necessária para responderem com eficácia às exigências da envolvente em geral e do Marketing, em particular (Costa, 2003, p. 66). Numa perspetiva mais recente “o Marketing Interno é um processo contínuo que ocorre dentro de uma organização, de maneira a alinhar processos, motivar os colaboradores em todos os níveis hierárquicos, com o objetivo de proporcionar uma consistente satisfação do cliente” (Carrera, 2012, p.47). O mesmo autor considera que o Marketing Interno tem vários benefícios para a organização pois: encoraja os colaboradores a ter melhores desempenhos; dá poder e responsabilidade aos colaboradores perante os seus pares; cria um entendimento interno transversal acerca da missão da organização e dos seus objectivos; permite a colaboradores não ligados à área de Marketing terem uma maior sensibilidade ao Marketing inerente às suas funções; integra a cultura organizacional, a estrutura, a gestão de recursos humanos, a visão e a estratégia com as necessidades profissionais e sociais dos colaboradores; e, cria um campo para uma boa coordenação entre áreas diversas de uma organização. Objectivos do Marketing Interno O objetivo principal do Marketing Interno é despertar nos funcionários uma visão holística, compartilhada do negócio, em que se inclui a UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 85 gestão, metas, resultados, produtos, serviços, clientes e mercado onde atua. Para isso o Marketing Interno utiliza estratégias de gestão de pessoas abordando técnicas de Marketing para o cliente interno. Une- se, portanto, duas grandes áreas de uma organização: Marketing e gestão de pessoas com o objetivo de um maior alinhamento estratégico entre organização e funcionários em prol de melhores resultados e satisfação para todos. Na ótica de Gronröos (2003), o Marketing Interno atua para “(...) criar, manter e promover relacionamentos internos entre as pessoas da organização, independente de sua posição como profissionais de contato com clientes, pessoal de suporte, chefes de equipa, supervisores ou gestores, de modo que eles primeiro se sintam motivados a prestar serviços para clientes internos bem como para clientes externos de uma maneira orientada para o cliente e com mentalidade de serviço, e segundo, tenham as habilidades e conhecimentos requeridos, bem como o suporte necessário de gerentes e supervisores, prestadores internos de serviço, sistemas de tecnologia, para poder desempenhar seus serviços de tal maneira”. Atualmente, o desafio de quem gere as empresas é transformar funcionários em parceiros, sem esquecer que uma estrutura democrática depende da liberdade de informação, do incentivo à criatividade e do livre curso das ideias e de opiniões. O Marketing Interno pode funcionar como alinhamento estratégico na procura desses objetivos. Tal estratégia tem-se tornado uma ferramenta de extrema importância para as organizações, pois foca-se em sintonizar e sincronizar a implementação e operacionalização das ações de todas as pessoas que trabalham na empresa. O principal benefício que se procura é o fortalecimento e construção de relacionamentos, compartilhando os objetivos da empresa e fortalecendo estas relações, inserindo a noção de que todos são clientes de todos também dentro da empresa (Castro, 2007). Portanto, todo o processo de Marketing Interno, procura a solidificação dos seus relacionamentos internos, tornando-os consistentes e que a confiança seja o elo que une, de maneira equilibrada, os relacionamentos, sejam eles entre gestores, funcionários ou organização como um todo. Assim, ao serem satisfeitas as necessidades dos clientes internos, melhora-se a capacidade de satisfazer as necessidades dos clientes externos (Meira e Oliveira, 2004). UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 86 O crescimento e o desenvolvimento do funcionário como indivíduo, bem como o da empresa como organização, é também um dos grandes objetivos do Marketing Interno (Testa, 2010). O autor acrescenta que esta prática propicia ao trabalhador uma aprendizagem de que se deve valorizar as atividades em equipa e enfatizar as suas contribuições para o grupo, primando sempre pelo bom clima e relacionamento organizacional. Para Grönroos (2009) o Marketing Interno funciona como um processo holístico de gestão para integrar múltiplas funções da empresa de duas formas: primeiro, assegura que os funcionários da empresa compreendam o negócio e as suas várias atividades; segundo, garante que os funcionários estejam preparados e motivados para agir de uma maneira orientada ao serviço. Desta forma, salienta-se que o marketing interno é uma ferramenta que vai possibilitar o alinhamento das estratégias da empresa. Através dele a administração pode abordar todas as atividades interfuncionais de modo sistemático e estratégico, orientando-as para o desempenho externo da empresa. O objetivo do Marketing Interno é facilitar e realizar trocas, construindo lealdade no relacionamento com o público interno, socializando os objetivos empresariais e sociais da organização, cativando e cultivando para harmonizar, sintonizar e fortalecer esses relacionamentos e melhorando, por conseguinte, a sua imagem e o seu valor de mercado (Bekin, 2004). Através do Marketing Interno, para Grönroos (1993), consegue-se, por um lado, assegurar que os empregados se motivem para uma orientação ao cliente e tenham um desempenho consciente dos serviços e, assim, desempenhem com êxito as suas responsabilidades de marketeers de plantão nas suas tarefas no Marketing Interativo. Por sua vez, é com a prática do Marketing Interno que se consegue atrair e reter bons empregados. O Marketing Interno, como estratégia de gestão empresarial, visa trabalhar com a satisfação interna e com a melhoria da comunicação entre os diversos departamentos e níveis da empresa (Silva, 1999) que também é foco de estudo do presente trabalho. Também conforme Brum (1998) e Meira e Oliveira (2004), os propósitos do Marketing Interno constam em reduzir rumores ou conversas de corredor (através da informação direta e transparente), e incutir nos funcionários as metas da organização. Segundo Cerqueira (1999) o Marketing Interno, ao apresentar-se como um conjunto de projetos e acções que uma empresa deve empreender para consolidar a base cultural do comprometimento dos seus funcionários com o desenvolvimento adequado das suas diversas UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 87 terminologias, visa: a prática dos valores estabelecidos como base da nova cultura, a manutenção de um clima ideal de valorização e reconhecimento das pessoas, a obtenção de índices maiores de produtividade e qualidade, com consequente redução de custos, o estabelecimento de canais adequados de comunicação interpessoal, que permitirão a eliminação de conflitos e insatisfações que possam afetar o sistema organizacional, a melhoria do relacionamento interpessoal, o estabelecimento da administração participativa e. por fim, a implantação de acções de gestão preventivas. É possível aferir que o Marketing Interno pressupõe três objetivos básicos. Compreende um objectivo geral, que é o de manter os funcionários motivados, conscientes sobre os clientese bem orientados. Compreende um objectivo estratégico, que é o de criar entre os funcionários um ambiente interno propício para o atendimento aos clientes. E compreende ainda o objectivo tático, que é o de vender campanhas de serviços e esforços de Marketing aos funcionários (o primeiro mercado da empresa) através de formação e treino (Meira e Oliveira, 2004). Todas as empresas deverão zelar por proporcionar um ambiente de trabalho propício a novas ideias e formas de valorização das suas equipas. Neste sentido, através do Marketing Interno, as pessoas sentem-se motivadas ao saber que estão vinculadas a um órgão que lhes possibilita um clima agradável de trabalho, salário aceitável, oportunidades constantes, ambientes de incentivos, acesso às informações que facilitem o desempenho das suas atividades e liberdade de expressão para uma construção mútua (Brum, 2003). O Marketing Interno visa a formação de um clima organizacional adequado e a criação de uma vantagem competitiva para as organizações. Brum (2010, p. 22) acrescenta que o marketing interno é “uma das principais estratégias de gestão de pessoas nas empresas que buscam não apenas sucesso em termos de mercado, mas a perenização”. Este enfoque torna clara a visão do Marketing Interno como uma estratégia para as empresas que procuram permanecer no mercado. É importante destacar que o colaborador, recebendo mais preparação com informações elaboradas, terá ideias novas, criativas o que, consequentemente, favorecerá a relação com o cliente. Chiavenato (2000) enfatiza igualmente, que a administração participativa faz com que os funcionários assumam um papel maior no processo de tomada de decisão, e o resultado será uma maior criatividade. O mesmo autor afirma que o Marketing Interno propicia esta participação. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 88 De acordo com Bekin (2004) o Marketing Interno promove a difusão de informações, valores e objetivos da organização para os funcionários, levando-os a assumir compromissos com esses valores. Assim, uma maneira de incentivá-los é através da delegação de tarefas, transformando gestores em líderes, para que todos, independentemente do seu nível, possam assumir responsabilidades e ter iniciativa. Isso contribuirá para um clima de maior confiança, aumento de produtividade e qualidade máxima na realização das suas competências. O autor defende que o resultado final para a empresa é tornar-se mais eficiente e mais competitiva. O papel do Marketing Interno é contribuir para o empenho dos funcionários na satisfação dos clientes, sendo estes os objetivos principais de uma organização (Pizzinatto, et al, 2004). Tem a mesma opinião Cerqueira (2004) ao defender que o Marketing Interno representa um conjunto de práticas aplicadas pela organização, que têm como objetivo obter e aumentar o empenho dos seus funcionários. Consequentemente, mudanças de atitudes e comportamentos podem ocorrer com o público interno, refletindo-se nas percepções do público externo através do tipo de atendimento prestado. Assim, o ponto-chave abordado pelo Marketing Interno toca na questão de proporcionar ao cliente interno aquilo que é desejado ao externo. Acredita-se que o reflexo do tratamento dos empregados chega aos clientes, e é neste sentido que se define o Marketing Interno em linhas gerais em fazer dentro o que se deseja que chegue fora, ou seja, tratar bem o empregado para que este trate adequadamente o cliente externo (Brambilla, 2005). Pode-se reforçar, então, que o intuito do Marketing Interno é fazer com que os funcionários “comprem” a empresa, ou seja, fazer com que a organização veja e trate os seus funcionários como clientes internos, dando-lhes consciência do seu objetivo estratégico: servir o cliente da melhor maneira possível. Bekin salienta que "o que caracteriza precisamente o Marketing Interno é o seu objetivo de estabelecer um processo permanente de motivação do funcionário." (Bekin, 1995. p.69). Assim, criar estratégias para manter um nível de motivação satisfatório entre os funcionários, criar relacionamentos positivos entre as pessoas e a organização, garantir que o modelo de gestão adotado seja compreendido e incentivado por todos (ou pela maioria), e promover a comunicação organizacional são ações de Marketing Interno que podem impatar em funcionários mais realizados e, por conseguinte, clientes mais satisfeitos (Grönroos, 2003). E ainda poderá ser motivo de orgulho para os funcionários, o fato de se sentirem como parte da história da organização, compartilhando com familiares e amigos, ajudando, de forma indireta, na construção de uma boa imagem institucional. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 89 Segundo Castro (2007), o Marketing Interno existe para atrair e reter o seu primeiro cliente: o cliente interno, obtendo significativos resultados para as empresas e, também, atraindo e retendo clientes externos. Essa atitude estratégica visa dar aos colaboradores uma noção da importância de um serviço orientado para atender os clientes externos, fazendo com que aqueles tenham a capacidade de responder a qualquer dúvida que surja dentro da empresa. Mas isso incluirá, segundo o autor, envolvimento, comprometimento, valorização e, principalmente, qualificação do funcionário, visando assumir responsabilidades e iniciativas, conhecendo todas as rotinas de serviço da empresa onde atuam. Afinal, uma informação errada dada ao cliente externo ou uma imagem negativa pode comprometer todo o desenvolvimento de um projeto. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO Perguntas 1. Explique os objectivos do marketing interno. 2. Defina marketing interno. 3. Fale da evolução do MI. 4. Diferencie MI do Endomarketing. 5. Explique as abordagens do MI. Respostas 1. Resposta na página 79 2. Resposta na página 74 3. Resposta na página 68 4. Resposta na página 74 5. Resposta na página 75 Exercícios de AVALIAÇÃO 1. Indique as especificidades do MI. 2. Como se pode realizar o comportamento do consumidor no âmbito do MI? 3. O Marketing Interno, como estratégia de gestão empresarial, visa trabalhar com a satisfação interna. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 90 a) Diga de que maneira isso ocorre. 4. Explique a importância do MI. 5. Kotler (2000) afirma que existem várias formas pelas quais as empresas se podem diferenciar. a) Explique-as. Referências Bibliográficas Bekin, S. F. (1995). Conversando sobre Endomarketing. Um ciclo de entrevistas com Saul Faingaus Bekin. São Paulo: Makron Books. Bekin, S. F. (2004). Endormarketing: como praticá-lo com sucesso. São Paulo: Prentice Hall. Berry L. L., Parasuraman, A. (1992). Serviço de marketing: competindo através da qualidade. São Paulo: Maltese-Norma. Grönroos, C. (1993). Marketing Gerenciamento e Serviços: a competição por serviços na hora da verdade. Rio de Janeiro: Campus. Grönroos, C. (1995). Marketing: Gerenciamento e Serviços: a Competição por Serviços na Hora da Verdade. Rio de Janeiro: Campus. Grönroos, C. (2003). Marketing: gerenciamento e serviços. 2ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier. Grönroos, C. (2009). Marketing: gerenciamento e serviços. Rio de Janeiro: Elsevier. Hwang, I. S. & Chi, D. J. (2005). Relationships among Internal Marketing, Employee Job Satisfaction and International Hotel Performance: An Empirical Study. International Journal of Management, Vol. 22, N. 2, 285-293. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 91 UNIDADE Temática 4.2 Motivação no Marketing Interno Introdução O marketing interno é uma dimensão do marketing que lida com oscolaboradores internos com vista a motiva-los a melhorar seu desempenho, permanecer no negócio e serem os primeiros clientes. Com efeito, a componente motivação é de capital importância nesta dimensão. Os colaboradores devem ser compreendidos como o primeiro cliente da empresa, razão pela qual precisam permanentemente motivados. Esta unidade versa sobre a motivação no marketing interno. No final dela os alunos devem ser capazes de: Objectivos específicos ▪ Apresentar os efeitos da motivação como estratégia do marketing interno. ▪ Entender a importância da motivação nas empresas. ▪ Entender a relação entre o marketing interno e a cultura organizacional. ▪ Entender a relação entre satisfação, comprometimento e motivação no marketing interno. Sumário Satisfação, Comprometimento e Motivação no Marketing Interno Satisfação ligada ao meio empresarial, surge, segundo Rodrigues (1998) a partir da década 50 com o aparecimento de teorias tentando explicar que a produtividade e a satisfação do trabalhador estavam completamente associados, contribuindo para que muitos gestores se consciencializassem de que a qualidade de vida dos colaboradores não podia estar desassociada ao trabalho, pois essa desumanização contribuiria, a longo prazo, para deteriorações direcionadas não só aos colaboradores, mas também a toda a empresa. Afirma-se assim que a satisfação é um elemento essencial para o bom desenvolvimento das empresas, pois este influencia a forma como o colaborador pensa, sente e actua perante o seu empregador. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 92 Nas empresas, é a satisfação que despoleta para um bom desenvolvimento dos colaboradores em termos pessoais e profissionais. Na verdade, 50% das possibilidades de felicidade de uma pessoa estão relacionados com aquilo que ela faz, produz ou gera para a sociedade. Isso é também sustentado por Brum (2003) quando afirma que o homem usa a sua bagagem individual de crenças e valores para avaliar o seu trabalho, aferindo daí o seu nível de contribuição primeiro para o seu próprio bem-estar e para depois para o bem-estar da sociedade. Rego (2001) defende que a satisfação no trabalho está relacionada ao tratamento de justiça e de respeito a que o activo humano é submetido. Por consequência, são mais empenhados no seu trabalho profissional e manifestam menores intenções de abandonar a empresa, adoptando mais comportamentos de cidadania, sentindo mais confiança na empresa, denotando assim índices inferiores de absentismo, expressando níveis superiores de desempenho pessoal e originando um maior nível de satisfação no trabalho. Do acima exposto, percebe-se que é importante ter atenção à satisfação dos colaboradores, dado que esta pode ser fortemente afectada consoante o comportamento da liderança e da cultura estipulada das organizações junto dos mesmos. Alleyne (2012) comunga da opinião anterior quando, no seu artigo intitulado Relacionado o Marketing Interno à Psicologia do seu público, afirmou que as empresas que demonstraram um nível de grande satisfação dos colaboradores, tendiam a melhorar em termos de aumento do seu retorno de rentabilidade. A autora acrescenta ainda que as empresas não devem tomar seus colaboradores como garantidos, daí que precisa incentiva-los sempre não só a superar sua própria capacidade de produção diária, como também e, sobretudo, a serem eles mesmos (os colaboradores) os primeiros consumidores e clientes da empresa. A estratégia para incentivar a satisfação dos colaboradores varia de acordo com os objectivos que a empresa almeja. As pausas para o descanso, grupos informais no trabalho, o feedback positivo são alguns dos indicadores que podem ser integrados nas diversas estratégias que visam a satisfação dos colaboradores. Afirma-se ainda que o salário é um factor base, mas não essencial para o processo da satisfação no trabalho. Deste modo, pode-se perceber que a satisfação no trabalho dependerá muito do sucesso dos processos de Marketing Interno, pois estes são a origem de uma visão positiva do trabalho desempenhado. Em contrapartida, esse contentamento contribui ainda para um maior comprometimento da parte dos colaboradores com a empresa e também uma motivação cada vez maior. Filho e Godoy (2006) afirmam que as pessoas tornar-se-ão comprometidas a partir das próprias acções que, por sua vez, refletem-se em comportamentos futuros, ocasionando a criação de um lento, porém, resistente vínculo com a organização. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 93 Vance (2006) acredita que a satisfação dos colaboradores no seu posto de trabalho passa pelo orgulho que estes têm pelo seu emprego, no sentido destes gostarem e acreditarem no que fazem e serem valorizados pelo seu desempenho. Assim, a missão, a visão e valores da empresa devem ir ao encontro dos valores dos colaboradores internos, pois assim existirá um maior envolvimento. Um sustento à isso é a conclusão de Rego (2007) que indica que as pessoas não gastam energia nem trabalham com dedicação se não acreditarem ou concordarem com o que estão a fazer no seu meio profissional. De facto, os colaboradores envolvidos estão conscientes do contexto da empresa, trabalhando de forma a melhorar o seu desempenho em prol da organização. Esse envolvimento é tido por Robson (2010) como uma atitude positiva demonstrada pelo colaborador interno para a organização, para o seu próprio valor e está relacionado com afeição, compromisso e vontade de evoluir na empresa. Colaboradores comprometidos estão consciente e inconscientemente ligados ao seu trabalho, isto é, mental e emocionalmente ligados. O comprometimento tem, portanto, inevitável papel fundamental para uma boa aplicação do Marketing Interno, pois as constantes alterações no ambiente de negócios exigem que haja uma ligação directa entre o colaborador interno e a empresa. Para isso, a comunicação de marketing deve ser usada como catalisadora de informações que vão estimular o colaborador interno a atingir os objectivos da empresa, contribuindo assim para o desenvolvimento do comprometimento que tem vindo a ser considerado como responsável pela manutenção dos relacionamentos. Segundo Ochoa (2014), os pontos essenciais para a realização de Marketing Interno são: 1. A descentralização da autoridade; 2. O apoio ao colaborador; 3. O cuidado na seleção dos colaboradores internos; 4. Avaliar a capacidade de trabalhar em equipa. A estreita relação dos colaboradores entre si e com a empresa contribui para uma maior motivação e satisfação dos mesmos. Kotler (2012) refere que o princípio base consiste em a organização deixar de concentrar-se em transações para se preocupar com a construção de relacionamentos lucrativos de longo prazo com os clientes, o que permitirá oferecer uma maior satisfação e valor. Para isso, a empresa deve privilegiar o uso dos canais de comunicação, pois estes são o suporte primário que a empresa possui para fazer fluir a informação e aproximar-se cada vez mais do seu público interno. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 94 Em paralelo à satisfação e ao comprometimento, está a motivação cuja etimologia remete à movimento para acção e é, geralmente, resultante de forças interiores. Esta, ao longo dos tempos tem vindo a evoluir, sendo que a atenção recai, hoje em dia, para motivação mais direcionada para emoções, para interioridade das pessoas, como os seus sentimentos, denominando por motivação intrínseca, não desfazendo da motivação extrínseca e das necessidades básicas. Esta direcção, para uma motivação intrínseca, foi tomada em maior consideração pois é vista como uma medida de longo prazo, enquanto a extrínsecaé considerada como motivação de curto prazo, como é o exemplo dos prémios monetários, entre outros. Campaniço (2012) defende que, uma pessoa intrinsecamente motivada procede por gosto ou por estímulo inexplicável e não por factores externos como as recompensas ou até mesmo pressões. A motivação em Hemais (2015) é definida como toda a razão que leva à acção. Berry (2016) acrescenta sobre o assunto que, o empregado deve ser motivado e valorizado, satisfazendo as suas necessidades, criando assim um desafio às empresas. Para isso, é preciso primeiramente preparar e habilitar incessantemente os colaboradores e, em seguida, o reconhecimento do trabalho dos mesmos e não apenas os aspectos monetários. Para o processo de motivação dos funcionários, a informação é um elemento chave, sendo esta o produto da comunicação interna. Os funcionários precisam de uma informação coerente, clara, verdadeira, lógica e centrada para que se sintam motivados. Com isso pretende-se dizer que, a implementação de uma comunicação mais democratizada, onde o processo vertical é feito de cima para baixo, mas também de baixo para cima, conduz a uma maior motivação pois coloca os colaboradores, pois coloca-os numa posição de importância em relação aos destinos da empresa. De forma sumarizada, pode-se afirmar que a nova era da acção do marketing interno é cada vez mais relevante no que diz respeito à competitividade das empresas. A sua actuação só poderá fazer sentido enquanto enquadrada numa perspectiva estratégica da empresa, passando por uma consciencialização por parte de todos os elementos intervenientes que sustentam a actividade das organizações. A sua percepção ganha assim uma grande importância nas empresas nos dias de hoje, possibilitando um maior desenvolvimento das mesmas, transportando, não só para a UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 95 realização do objectivo de diferenciação, que é cada vez mais relevante, no impacto exterior, como também no interior das empresas. De acordo com o estudo/percepção de várias necessidades dos colaboradores, como a motivação, comprometimento, comunicação, entre outros, nos seus meios profissionais, esta contribui para um maior proveito e para uma maior evolução e bem- estar das empresas relativamente aos concorrentes. Estas necessidades variam de empresa para empresa, pois cada uma possui uma cultura organizacional diferente, querendo assim dizer que é necessária a compreensão dos conceitos envolventes no marketing interno, para uma melhor percepção de como actuar no seu meio profissional, com o intuito de um maior desenvolvimento da respectiva empresa. Referências Bibliográficas Bekin, S. F. (1995). Conversando sobre Endomarketing. Um ciclo de entrevistas com Saul Faingaus Bekin. São Paulo: Makron Books. Bekin, S. F. (2004). Endormarketing: como praticá-lo com sucesso. São Paulo: Prentice Hall. Berry L. L., Parasuraman, A. (1992). Serviço de marketing: competindo através da qualidade. São Paulo: Maltese-Norma. Grönroos, C. (1993). Marketing Gerenciamento e Serviços: a competição por serviços na hora da verdade. Rio de Janeiro: Campus. Grönroos, C. (1995). Marketing: Gerenciamento e Serviços: a Competição por Serviços na Hora da Verdade. Rio de Janeiro: Campus. Grönroos, C. (2003). Marketing: gerenciamento e serviços. 2ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier. Grönroos, C. (2009). Marketing: gerenciamento e serviços. Rio de Janeiro: Elsevier. Hwang, I. S. & Chi, D. J. (2005). Relationships among Internal Marketing, Employee Job Satisfaction and International Hotel Performance: An Empirical Study. International Journal of Management, Vol. 22, N. 2, 285-293. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 96 UNIDADE Temática 4.3 Plano de Marketing Interno Introdução Como foi dito na introdução desta unidade, o marketing é uma área de gestão vasta, encarregue pela satisfação das necessidades dos intervenientes no processo de procura e consumo de produtos e serviços. Por ser uma abordagem holística, o marketing tem seus domínios específicos, dos quais é parte o marketing interno. À semelhança do mix de marketing, onde cada P demanda seu plano, o marketing interno também demanda a realização de um plano. No final desta unidade, espera-se que o aluno seja capaz de: Objectivos específicos ▪ Descrever a estrutura do plano de marketing interno. ▪ Explicar a composição do plano me marketing interno. ▪ Elaborar o plano de marketing interno. Sumário O Marketing Interno possui uma importância estratégica e, neste sentido, não pode ser separado do Marketing. Do ponto de vista estratégico, o Marketing Interno irá funcionar como um processo para adequar a empresa a um mercado orientado para o cliente externo. Assim, a relação da empresa com o mercado, passa a ser um serviço feito pelos clientes internos para os clientes externos. As empresas desejam crescer, conquistar mercados, manter os índices que já possuem ou, simplesmente garantir o seu lugar, ou a sua sobrevivência para os próximos anos. O Marketing Interno vai ser o processo para adequar a empresa ao atendimento do mercado, tornando-se competitiva a partir do envolvimento dos seus clientes internos à estrutura organizacional (Castro, 2007). A formulação de um plano de Marketing Interno visa comprometer e estimular as pessoas de uma empresa de serviços ao bom desempenho na UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 97 prestação do atendimento ao cliente externo. A formulação de um plano deverá auxiliar as organizações a evitar resultados indesejáveis, proporcionando uma melhor imagem dos serviços da empresa junto dos seus clientes (Vasconcelos, 2005). O Marketing Interno começa com a noção de que os empregados constituem o primeiro mercado para as organizações. Bekin (2004) para fazer o alinhamento das estratégias de marketing interno apoia-se já em conceitos como B2E (Business-to-employees), ERM (Employee Relationship Management), e branding interno. Segundo o mesmo autor, estes recursos deverão ser aplicados, no contexto da integração da noção de colaborador como cliente legítimo, e os seus valores, nos processos internos da estrutura organizacional, para proporcionar uma melhoria na qualidade de produtos e serviços, com produtividade pessoal e de processos. Neste sentido, o Marketing Interno tem como principal objetivo facilitar a formação e o desenvolvimento de relacionamentos internos na organização, tanto na relação entre empresa e colaborador quanto na relação entre colaboradores (Brambilla, 2005). Para esta relação entre colaboradores, deve-se implementar programas internos de aproximação entre líderes e liderados, de difusão ampla de informações, de abertura à comunicação interna, de respeito e consideração mútuos. O Marketing Interno visa ser o elo entre estes requisitos, fazendo do activo humano um cliente preferencial (Requena, 2003). Como já foi referido anteriormente, Bekin (1995, p. 35) estabelece como objetivo do Marketing Interno “fazer com que os funcionários comprem a empresa”, fornecendo-lhes a consciência do objetivo estratégico desta. Assim, a relação da empresa com o mercado estabelece-se como um serviço feito por clientes internos para clientes externos. Nesta relação cliente interno – cliente externo, o autor sustenta que muitas empresas accionam planos de avaliação do cenário ambiental externo, sem considerarem a avaliação do ambiente interno ao conferirem, a ambas, o mesmo grau de importância. Por isso, pois, é preciso conquistar o mercado interno para então lançar-se ao mercado externo. A avaliação interna, segundo Bekin (1995), consiste em saber como andao moral do pessoal da organização, saber quais as necessidades não satisfeitas e em que medida a cultura da organização entra em conflito com os objectivos estratégicos da empresa. Se há pontos de vista e interesses divergentes, estes conflitos devem, ser identificados e administrados para que a cooperação prevaleça. “A harmonia é sempre o resultado da capacidade de administrar bem os interesses divergentes e, às vezes, até conflituantes” (Bekin, 1995, p. 36). O autor considera três premissas, a partir das quais deve ser criado o processo de Marketing Interno: UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 98 a) O cliente só pode ser conquistado e retido com um serviço excelente; b) Os funcionários devem ser tratados como clientes e valorizados como pessoas; c) Os funcionários devem estar envolvidos e comprometidos com os objetivos e decisões da empresa, ação que deve preceder o Marketing Externo. Assim, constata-se que o enfoque principal é tratar o empregado como cliente. O autor considera, também, o Marketing Interno como um processo holístico onde, por meio da interação constante entre as várias áreas da empresa, o funcionário passa a ter uma vida profissional sadia, com reflexos no ambiente familiar e no social. A etapa seguinte é verificar e examinar as condições para a implantação do Marketing Interno, consideradas por Bekin (1995) de importância decisiva. Portanto, o Marketing Interno: 1. Deve integrar a estratégia global da empresa; 2. Requer informação, conhecimento e apoio da alta direção; 3. Deve analisar os pontos fortes e fracos da estrutura organizacional. Enfatiza que o Marketing Interno apresenta como um de seus inimigos, a resistência que pode ser oferecida por alguns departamentos da empresa. Independentemente da resistência ocasionada por toda mudança, este fator é ampliado, neste caso em particular, porque o Marketing requer mudanças na cultura organizacional, tornando-a mais flexível, o que somente é possível com o apoio dos órgãos de direção. O passo seguinte deve ser o envolvimento da administração média, gestores e supervisores, com o objetivo de “transformá-los em agentes de mudança, de uma nova atitude de comprometimento capaz de envolver os funcionários, dando-lhes a perceção de que todos são de algum modo pessoas de marketing’” (Bekin, 1995, p.42). Por fim, Bekin (1995) estipula os alvos de Marketing e as suas cinco etapas, conforme ilustra a figura abaixo. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 99 Fig. – Alvos de Marketing Intrno e suas etapas Fonte: Marujo (2014) Segundo Bekin (1995), para a implantação de um programa de Marketing Interno será necessário um diagnóstico e um plano de ação. O autor vai mais além, ao afirmar que “para que um programa possa ser eficiente, é preciso um diagnóstico que guie a ação” (Bekin, 1995, p. 43). Para o autor, “um diagnóstico é sempre útil, esclarece muito mais, torna tudo mais visível, propiciando um aprendizado mais imediato” (Bekin, 1995, p.44). O diagnóstico precisa de uma avaliação do ambiente interno, perfil dos funcionários, avaliação do desempenho global, avaliação dos departamentos na relação com os consumidores e ao nível de integração entre departamento, avaliação do potencial dos funcionários e imagem da empresa. Questões como nível de motivação, expetativas e aspirações, necessidades de treino, espírito de equipa e conhecimento dos objectivos da empresa, são de extrema importância no processo de diagnóstico. O resultado de um programa de Marketing Interno depende da consideração da empresa às reais necessidades do seu cliente interno. Conhecê-lo, identificar os pontos que merecem atenção, ou seja, o que o funcionário pensa sobre a empresa, o seu departamento, os benefícios oferecidos, entre outros fatores, seja por desinformação, desconhecimento ou insatisfação, é fundamental para traçar um diagnóstico organizacional que espelhe fielmente a realidade, possibilitando ir de encontro às aspirações. Desta forma, Bekin (1995) ressalta a importância do diagnóstico, o qual deve conter todas as informações da empresa, pois um programa eficiente deve-se ajustar à realidade da empresa. Neste momento é importante identificar as prioridades, verificar os pontos vulneráveis, observar os seus pontos fracos e identificar onde devem ser corrigidos, para então saber qual o nível de abrangência mais adequado do plano. d) O pessoal de apoio às actividades da empresa e) A empresa como um todo a) Alta Administração b) Média Administração, gestores, supervisores c) Os funcionários em contacto com os clientes UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 100 Por exemplo “uma empresa pode estar a perder uma boa oportunidade frente ao mercado porque o seu pessoal da linha de frente não recebe informações adequadas para ter uma visão correta da importância do bom atendimento ao cliente” (Bekin, 1995, p. 50). Segundo este autor, de acordo com o diagnóstico obtido, podem surgir três níveis de abrangência para um programa de Marketing Interno ou três tipos de situação interna: O primeiro nível surge quando a empresa necessita de uma consciência estratégica voltada para o atendimento ao cliente externo como prioridade para a conquista de mercado. Neste caso, é necessário criar uma cultura de serviço, ou seja criar uma nova missão e uma nova mentalidade dentro da empresa: a noção de Marketing deve estar presente em todos os departamentos, na consciência e na prática de todos os seus colaboradores. No nível seguinte, apesar de a empresa já ter criado uma mentalidade de uma cultura de serviço e possuir cultura estratégica, torna-se necessário um novo processo para a manter. Trata-se de fazer com que os valores da cultura de serviço possam-se integrar ao quotidiano da empresa e de a tornar efetiva. No último nível, e tendo já sido criada a mentalidade de serviço, a mesma está a ser mantida, e até já se integrou no quotidiano da empresa, e em todas as suas atividades e setores. No entanto, verifica-se, mais tarde, dada à dinâmica da empresa, que é preciso expandir esta mentalidade, introduzindo novos bens e serviços para os colaboradores, através de campanhas de Marketing. Estas três fases proporcionam uma rápida identificação da situação do programa de Marketing Interno, sem ser necessário um estudo aprofundado. Também possibilita um direcionamento nas ações, pois cada fase possui um foco diferente e precisa de estratégias diferenciadas. Entretanto, independentemente de qualquer nível de abrangência, Bekin (1995) e Grönroos (1995), concordam que o processo de Marketing Interno engloba dois tipos de procedimentos: primeiro de atitudes e, posteriormente, de comunicação. A gestão das atitudes é considerada como a parte predominante do Marketing Interno, possibilitando que a empresa consiga uma vantagem competitiva, procurando despertar no colaborador a consciência da importância estratégica de um serviço voltado para o cliente externo, bem como da motivação deste em relação à oferta do serviço. A linha de gestão da comunicação estabelece a divulgação de um amplo sistema de informações sobre as rotinas de trabalho, sobre os produtos e serviços, e sobre as suas campanhas publicitárias para que os gestores e pessoas de contato direto com o cliente possam realizar as suas tarefas com mais precisão e coerência, e possam, por outro lado, captar as necessidades e exigências, transmitidas, através de diversos meios, pelo cliente. Essas duas noções (atitude e UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 101 comunicação) “devem ser o fiel da balança na elaboração de um programa de MarketingInterno” (Bekin, 1995, p. 53). Albrecht (1994, p. 10) utiliza a expressão “momentos da verdade” quando se refere a “qualquer episódio onde o cliente entra em contato com qualquer aspeto da organização e cria uma opinião em relação à qualidade do serviço”. São essas impressões que a organização deixa marcadas na memória do cliente, seja ele interno ou externo, sendo importante que ela tome consciência de que a primeira impressão é a que fica e que deve procurar torná-la o mais positiva possível. Um outro aspeto importante destacado por Albrecht (1994, p.30) em relação ao comprometimento, é o do “trabalho emocional” que é o tipo no qual os sentimentos do empregado são ferramentas do seu trabalho. Assim, as suas reações psicológicas e emocionais são envolvidas no desempenho da função. Sendo, portanto ingredientes importantes na receita da qualidade nos serviços. Bekin (1995) cita que o plano de Marketing Interno possui três etapas distintas: programa, gestão e execução. Segundo o autor, o sucesso de um programa de implantação de marketing interno depende 10% do programa ou plano, enquanto os restantes 90% ficam por conta da sua execução e gestão, “daí a importância total do comprometimento e envolvimento pessoal da alta direção da empresa” (Bekin, 1995, p. 53). Isto é, não adianta um plano completo e complexo, contendo todas as suas particularidades, se entretanto, for executado e gerido incorretamente. Implantação do Programa de Marketing Interno Bekin (2004) enumera os pontos essenciais que fazem parte de um programa de implantação do Marketing Interno: 1. Treino sob a óptica da educação e desenvolvimento. De acordo com o autor, o treino deve ser adotado a partir das necessidades detetadas pela empresa e da expetativa dos seus funcionários, não se devendo restringir ao nível operacional ou de conteúdos. Há sempre a possibilidade de reforçar o envolvimento do funcionário durante o treino. A união destes dois aspetos resulta numa maior coesão interna e estímulo para a competição eficiente no mercado. Bekin (1995) indica, como componente motivador na fase de treino, a possibilidade de o funcionário expressar os seus pontos de vista sobre o treino realizado e da experiência acumulada na execução das suas tarefas, pois este é um momento decisivo para o seu envolvimento, para o valorizar como pessoa e comprometê-lo com os objetivos da empresa. Neste sentido, o autor reforça que “a visão do treinamento deve ser sempre estratégica no sentido de ser considerado e tratado como um investimento com retorno garantido em termos de qualidade, excelência e dedicação” (Bekin, 1995, p. 57). UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 102 2. Processos seletivos. De acordo com o autor, este ponto refere-se ao processo de seleção, que deve ser realizado dentro de critérios específicos, compatíveis com o perfil desejado e estabelecido pela organização. Essa atitude oferece como vantagens a redução da rotatividade e problemas como a ineficiência. Considerada uma troca de serviços entre a empresa e o empregado, a contratação pode estabelecer um relacionamento duradouro entra as partes. A empresa deve atender às expetativas do empregado, no que diz respeito a fatores como “segurança, dinheiro, carreira, status e reconhecimento profissional, e o empregado deve oferecer por sua vez as seguintes respostas à empresa: conhecimento, experiência, talento, dedicação, curiosidade, empenho” (Bekin, 1995, p.61). 3. Planos de carreira. Este ponto trata do estabelecimento de planos de carreira que constituem, de forma objetiva, a possibilidade de crescimento profissional. O primeiro aspeto a ser observado é a sua divulgação, transformando-os num estímulo permanente para os funcionários. O autor alerta, entretanto, que os planos de carreira devem estar sempre abertos para mudanças e atualizações, de acordo com a avaliação interna da empresa, têm que sair do papel e tornarem-se ativos dentro da Cultura Organizacional, uma vez que eles deverão representar um estímulo presente, motivando o seu colaborador. 4. Motivação, valorização, comprometimento e recompensa. Sobre a questão da motivação e valorização do funcionário, Bekin (1995) enuncia os três pontos essenciais para atender às expetativas dos funcionários: O reconhecimento pelo seu trabalho, o reconhecimento como indivíduo e, uma remuneração adequada. A remuneração nas empresas é tida como a concretização da valorização do funcionário, pois “o bom salário dá tranquilidade e dignidade ao funcionário, constituindo um aspeto fundamental para a sua motivação” (Bekin, 1995, p.77). Também existe a necessidade de a organização estabelecer programas permanentes de recompensa, com enfoque prioritário nos grupos. A motivação é um processo global que visa comprometer o funcionário com os objetivos da empresa e integrá-lo na cultura organizacional existente. Como um processo, a motivação tem uma sequência constituída pelas etapas seguintes: estímulo, esforço, desempenho, valorização, recompensa, satisfação e comprometimento. Para o autor, estabelecer um processo permanente de motivação do funcionário é o que caracteriza precisamente o marketing interno. 5. Sistema de informações e rede de Comunicação Interna. O sistema de informações é aqui caraterizado como o conjunto de veículos utilizados dentro da empresa para a transmissão de mensagens, sendo que essa informação não se deve esgotar, mas transformar-se em comunicação. Isto porque o autor ressalta a diferença entre informação e comunicação, ao esclarecer que enquanto a primeira é sempre unilateral, a outra é um processo que exige interlocutores. A maioria das empresas informa mas não comunica e, onde não há comunicação, predomina o boato. Saber ouvir com atenção é valorizar o indivíduo, sendo a essência do Marketing Interno, “que trata o UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 103 funcionário como cliente e sabe que todo o cliente é importante” (Bekin, 1995, p.79). 6. Segmentação de mercado interno. Segundo Bekin (1995), já a segmentação de mercado é uma técnica de Marketing aplicável aos clientes internos, agrupando segmentos homogéneos de funcionários, de acordo com as suas necessidades, expetativas e comportamento, com o objetivo de dirigir mensagens específicas. 7. Cenários para novos produtos, serviços e campanhas publicitárias. Este último ponto abordado pelo autor refere-se a cenário como uma técnica adaptada do Marketing. A proposta inclui os clientes internos entre as fontes de ideias para a melhoria e criação de novos produtos, através da participação. O cenário de novos produtos e serviços para os clientes internos é uma ótima oportunidade para obter o comprometimento dos clientes internos com os objetivos da organização. Apesar de muitos destes pontos serem noções ou procedimentos já existentes, o autor defende que o Marketing Interno introduz, em cada um deles, uma nova perspetiva: a da cultura organizacional voltada para o atendimento ao cliente, orientada por uma noção de excelência no serviço e valorização daqueles que prestam o serviço: os funcionários (Bekin, 2004). Modelo de Orientação de Marketing Interno Numa tentativa de operacionalizar o conceito, Lings (2004) desenvolve do ponto de vista teórico, um novo conceito que denomina de “Orientação para o Mercado Interno”, o qual está intimamente relacionado com os modelos de orientação para o mercado externo. Como é apresentado no quadro a seguir, o conceito de orientação para o mercado interno é composto por três dimensões comportamentais e respetivas atividades que as tipificam: (a) Pesquisa de Marketing Interno (b) Comunicação Interna e (c) Capacidade de Resposta Interna. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços104 Quadro – Dimensões comportamentais do MI PESQUISA DE MARKETING INTERNO Identificar as trocas de valor Condições externas do mercado dos colaboradores Segmento de mercado interno Estratégias para cada segmento COMUNICAÇÃO INTERNA Entre administração e colaboradores Entre os gestores sobre desejos e necessidades dos colaboradores CAPACIDADE DE RESPOSTA INTERNA Vagas destinadas a satisfazer as necessidades dos colaboradores Sistema de bónus e salário Consideração de Gestão Formação Fonte: Marujana (2014) Lings (2004) argumenta que a orientação para o mercado interno terá implicações positivas ao nível de determinados aspetos internos de desempenho organizacional, nomeadamente a retenção, motivação, moral e satisfação dos colaboradores, e no comprometimento organizacional. Por sua vez, pressupõe que estas variáveis de aspetos internos de desempenho terão um impato direto na orientação para o mercado externo da organização e em aspetos externos de desempenho: satisfação do cliente, retenção do cliente e lucro. Orientação para o Mercado Interno Aspectos internos do Desempenho Orientação para o Mercado Interno Aspectos Externos do Desempenho Fig. – Orientação proposta para diversos mercados do MI UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 105 Tendo em consideração que, em diversos ambientes, a orientação para o mercado se mostra um conceito robusto, Lings e Greenley (2005), na sua operacionalização do Marketing Interno, modificam a orientação para o mercado para o contexto das transações entre colaboradores e empregadores. Desta forma, desenvolvem o conceito de Orientação para o Mercado Interno (OMI). A OMI é encarada, por Lings e Greenley (2005), como um equivalente interno à orientação para o mercado no contexto externo. Os autores evidenciam que a OMI envolve a criação e disseminação de informação acerca das necessidades e desejos dos colaboradores e o desenho e implementação de respostas apropriadas a essas necessidades e desejos. Este conceito é composto pelas seguintes dimensões: criação de informação, disseminação da informação e resposta a essa informação. No que respeita à criação da informação, é necessário identificar o tipo de informação gerada e como essa informação pode ser gerada. Neste âmbito, os autores consideram que a criação de informação é composta por três elementos principais: 1) Identificar as perceções dos colaboradores dos seus inputs nos seus empregos; 2) Identificar as perceções dos colaboradores acerca dos outputs; e 3) Identificar as perceções dos colaboradores acerca da equidade desta troca. As formas de criação de informação consideradas são: o modo formal, através do uso e suportes escritos e interações face-a-face, e o modo informal. Um dos principais objetivos do estudo de Lings e Greenley (2005) consiste no desenvolvimento de um instrumento, válido e fiável, para medir a orientação para o mercado interno e identificar relações entre este conceito e determinados fatores organizacionais (atitudes dos funcionários, retenção dos funcionários, condescendência dos funcionários, posição competitiva relativa e satisfação dos clientes). Apesar de serem claras as vantagens apresentadas que justificam a operacionalização do plano de Marketing Interno, existem, mesmo assim, muitas barreiras à aplicação dos respetivos processos. Posto isto, Carrera (2012) enumera as seguintes barreiras: problemas de comunicação interpessoal já existentes; fraco entendimento do conceito; conflitos entre indivíduos e áreas da organização, tornando difícil a necessária cooperação e coordenação; rigidez organizacional e burocracia interna; canais de comunicação interna fechados; tendência a considerar os recursos humanos como meras ferramentas; considerar que informação é poder, não convindo, assim, passar muita aos colaboradores, sob pena de poderem perder esse mesmo poder; e, finalmente, a resistência à mudança. Em suma, a formulação de um plano de Marketing Interno constitui um processo que vai adequar a empresa ao mercado envolvente, tornando-se competitiva a partir do envolvimento dos seus clientes internos à estrutura organizacional. Considera-se prioritário UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 106 conquistar o mercado interno e só posteriormente, lançar-se ao mercado externo. O processo implica várias etapas: tratar o colaborador como cliente, examinar as condições para a implantação do plano, e consciencializar a administração, de que todos são alvos, e simultaneamente pessoas de marketing. Para a implantação de um programa de Marketing Interno é sempre necessário um diagnóstico, dividido em vários focos de análise, e um plano de ação. O plano de Marketing Interno deve ter três etapas: programa, gestão e execução. Segundo Bekin (1995), a sua implantação implica vários pontos essenciais que passam pelo treino, pela seleção, planos de carreira, motivação, valorização, comprometimento, recompensa, comunicação interna, segmentação de mercado, e cenários para novos produtos, serviços e campanhas publicitárias. De acordo com Brum (2005), o plano de Marketing Interno compreende a pesquisa e diagnóstico, a meta global, ícones de comunicação interna, divisão do público interno, o programa propriamente dito, e escolha de um momento para o seu lançamento. Lings (2004), desenvolve o conceito Orientação para o Mercado Interno, composto por três dimensões comportamentais com um impato direto na orientação para o mercado externo da organização e para aspetos externos de desempenho. Lings e Greenley (2005) modificam a orientação para o mercado para o contexto das transações entre colaboradores e empregadores e desenvolvem o conceito de Orientação para o Mercado Interno (OMI). Apesar de ser profícua a operacionalização de um plano de Marketing Interno, existem eventuais barreiras, pelo que é pertinente aprofundar os fatores que contribuem para a sua eficácia. Factores Determinantes da Eficácia do Marketing Interno O processo de gestão e implementação do Marketing Interno tem por finalidade organizar, planear, aplicar e coordenar um ou mais programas de Marketing Interno (Brum, 2008). Deve-se partir do princípio que o alvo dos processos de gestão e, por conseguinte, dos programas de Marketing Interno, serão os colaboradores. Estes, por sua vez, precisam de ser conquistados e retidos através de um serviço de qualidade, uma vez que, como clientes internos, possuem expetativas. Esse serviço deve envolvê-los e comprometê- los com os objetivos e decisões da empresa (Bekin, 1995). Concordando com o autor, Brum (1998) acredita que respeito e consideração pelo funcionário devem ser levados em conta pela empresa, já que nenhum benefício, por melhor que seja, pode substituir este sentimento. Neste sentido, Barçante (1995) defende que ouvir a voz do cliente interno deve ser, portanto, o primeiro passo a ser dado antes de procurar satisfazer outras expetativas e necessidades. Isso porque, as relações que existem entre a organização e os clientes internos são bem diferentes do que as relações entre organização e clientes externos. Assim “(..) é relativamente mais UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 107 cómodo e aparentemente mais lucrativo colocar um telefone à disposição do cliente externo para sugestões, ou mesmo reclamações do que se dispor a saber a opinião daquele que atende o telefonema” (Barçante, 1995, p. 12). Neste contexto, existem elementos que devem ser tidos em linha de conta e que contribuem para a criação do espírito de equipa dentro das organizações (Bogmann 2000, p.42), nomeadamente:a) Criação de uma declaração de valores e de visão da empresa; b) Envolvimento dos funcionários; c) Desenvolvimento de um processo de clientes internos; d) Desenvolvimento de habilidade de cooperação; e) Criação de ambientes competitivos positivos; f) Criação de uma estrutura organizacional que apoie o trabalho com os clientes g) Criação de uma infra-estrutura que apoie o trabalho com os clientes. Albrecht (1994, p. 6), numa visão que já se tornou clássica, compara a organização, ou qualquer equipa, como uma orquestra que deve operar em harmonia: “A orquestra é a empresa, o executivo chefe é o maestro e o plano de negócios é a partitura”. Em resumo, se os componentes trabalham em cooperação e envolvimento, dentro dos valores e visão do grupo, e conforme a estrutura e a infra-estrutura oferecida, irão alcançar o resultado principal que é a satisfação do cliente interno e, consequentemente do cliente externo. Sendo assim, os processos de gestão de Marketing Interno devem ser cautelosos ao construir um programa, visto que este precisa conter uma ideia, um conceito e uma linha criativa. A partir daí, os instrumentos são desenvolvidos de acordo com a dimensão, a área de negócio e também a cultura da empresa, permanecendo prontos para receber a informação gerada alinhando-se com o funcionamento operacional e a filosofia da organização, (Brum, 1998). Vasconcelos (2004) esclarece que o Marketing Interno possibilita o suporte de estratégias de Marketing internamente ao nível das pessoas. Defende ainda que a área de Marketing deve-se integrar com as restantes pois, quanto mais integrada estiver a empresa, maiores são as hipóteses de sucesso no atendimento ao cliente externo. Assim sendo, o Marketing Interno para Requena (2003) pode ser visto como um processo vital no sentido de proliferar-se internamente nas organizações, o senso de participação otimizada aliada à abertura de acesso à comunicação integral aos colaboradores envolvidos. Tal abertura de acesso a mais informações, fará com que os participantes vivam como parceiros efetivos do processo e como corresponsáveis pelos resultados, bem como promoverá o clima ideal de auto-estima, comprometimento, empatia e afetividade mútuos entre os envolvidos. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 108 Para obter sucesso na implementação de processos de Marketing Interno é necessário que a administração, a gestão de recursos humanos e de Marketing trabalhem juntos. Muitas das atividades de Marketing Interno já existem nas empresas, no entanto é preciso haver coordenação para redirecionar o foco, alinhando os objetivos às metas. “A afirmação de que não existe Marketing Interno sem que a direcção queira é forte, porém verdadeira, por tratar-se de um processo vertical, na maior parte das vezes de cima para baixo, que exige uma participação efetiva da direção” (Brum, 1998, p.73). É necessário que os gestores das empresas disponibilizem, prioritariamente, condições favoráveis aos funcionários. Conforme Kotler (2003), as empresas devem cativar não só clientes, mas também os empregados, considerando-os um grupo de clientes. De acordo com o autor, a empresa, ao desempenhar o Marketing Interno, demonstra que o seu funcionário tem um papel fundamental no processo de criação de valor da empresa, e torna ambientes internos em ambientes produtivos e favoráveis, atendendo às necessidades dos clientes que usufruem dos seus produtos e serviços. O Marketing Interno deve ser considerado uma ferramenta de gestão altamente estratégica que se destina a alinhar todos os componentes da organização numa só visão. A sua aplicação é imprescindível para a obtenção do êxito na sua totalidade. Passa a ser um recurso, uma possibilidade a favor das empresas que visam estreitar a sua relação com os funcionários, com vista à satisfação do cliente externo (Carnevalli e Tófani, 2008). Assim, Marketing Interno é uma ação interna que tem por objetivo o fortalecimento da atuação da empresa perante o seu mercado-alvo (Brambilla, 2005). No que diz respeito à gestão de pessoas, para se alcançar sucesso num processo de Marketing Interno é preciso tomar atenção logo no recrutamento e seleção dos novos funcionários. Descrições de cargos, procedimentos de recrutamento, planeamento de carreira, salários, sistemas de bónus e programas de incentivo devem ser usados pela organização para obter as metas desejadas com o Marketing Interno. Percebe-se, entretanto, que essas tarefas são usadas como procedimentos administrativos e não como ferramentas ativas de Marketing Interno. Há que fugir à gestão tradicional em que os funcionários são considerados somente como custo e não como recursos geradores de receita. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 109 Por sua vez, Brum (2005) afirma que as organizações precisam de se consciencializar que os programas internos são geradores de receita e não de custos. Dessa forma, os programas ligados a incentivos são muito importantes, pois, motivam os funcionários a apresentar novas ideias para a excelência do serviço, além de contribuir para o aumento de produtividade. O Marketing Interno é uma ferramenta estratégica também para a gestão de pessoas, pois é necessário explorar os pontos positivos da empresa, vendendo a marca, os benefícios e facilidades ao público interno, mostrando e reafirmando o quanto é bom trabalhar na empresa. De reforçar que o estilo de gestão dos superiores tem impato imediato sobre o ambiente de trabalho e clima interno, sendo, portanto uma estratégia que deverá ser abrangida pelo Marketing Interno. É por isso que “a figura do dirigente da empresa exerce uma espécie e fascínio em relação ao público da base” (Brum, 1998, p. 73). Para a implantação do Marketing Interno e o sucesso da sua aplicação, os gestores também devem promover a integração, a comunicação e a auto- estima dos funcionários. Esta integração deve acontecer em todos os níveis e em todos os momentos do funcionário na empresa, como, exemplo, na admissão, no treino e nas comemorações (Brum, 2003). Ao mesmo tempo também é preciso demonstrar aos funcionários o quanto eles são importantes para a organização, envolvendo-os no processo decisório referente à sua área de atuação (Brum, 2005). Com a participação dos colaboradores nos resultados, eles “contribuem efetivamente para a melhoria contínua da empresa, incentivando o desenvolvimento das pessoas e do negócio como um todo” (Brum, 2005, p. 157). Por outro lado, a formação dos funcionários também é extremamente importante, no entanto ela, por si só não é suficiente pois “normalmente as pessoas que voltam de um curso não têm nenhum acompanhamento” (Grönroos,2009, p.348). Às vezes tem-se a impressão de que o treino retirou o funcionário do serviço, reduzindo a sua produção nas atividades do seu setor. Por isso, os gestores devem estar atentos e incentivarem os seus funcionários a implementarem novas ideias e também ajudá-los a perceber como essas ideias poderiam ser aplicadas no ambiente de trabalho específico. O feedback, muitas vezes, é desprezado pelos gestores, que não reconhecem a importância e a necessidade da comunicação bilateral com os seus subordinados para ouvi-los, encorajá-los e despertar-lhes o sentimento de propriedade em relação à empresa. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 110 Para Brum (2005) não existe uma receita para o Marketing Interno. Existem sim, ferramentas que podem ser reproduzidas ou ações que podem ser ajustadas, porém cada caso é um caso. No entanto, a autora, aponta sete fatores que determinam o sucesso ou fracasso de um programa de Marketing Interno:1. A valorização da cultura da instituição. Uma empresa é uma organização de seres humanos e, por isso, cada uma tem a sua cultura, os seus valores, crenças e comportamentos. Brum (2005, p. 54) afirma que “organizações com culturas inteligentes, altamente evoluídas, são bem mais competitivas” e um programa de Marketing Interno ajuda a consolidá-la, através da valorização e do estímulo dos aspetos positivos da cultura da empresa. Também cabe salientar que a escolha dos instrumentos e das estratégias de Marketing Interno deve ser conforme a cultura da cada organização. “A cultura é, portanto, um fator decisivo para o sucesso de um programa” (Brum 2005, p. 54). 2. O Marketing Interno como um processo educativo. Ainda de acordo com Brum (2005), as organizações precisam aprimorar os seus processos de seleção, recrutando melhores recursos humanos para o atendimento dos seus clientes externos, visto que o custo para educar pessoas erradas é muito alto para uma empresa. Existe a dúvida sobre se o treino é ou não uma ferramenta de Marketing Interno. Brum (2005) afirma que a informação é o instrumento principal da comunicação interna, e se o treino é uma forma de transmitir informações, logo o mesmo é uma das ferramentas mais importantes do Marketing Interno. Para haver mudanças, as pessoas precisam de ser educadas. Colaboradores com dúvidas e problemas de aprendizagem não possuem o mesmo desempenho. Treinar é educar, isto é, investir no potencial do funcionário. 3. Instrumentos que “encantem” o público interno. A autora destaca a criatividade como condição necessária para a aproximação da organização com o funcionário. Considera que o estímulo deve ser direcionado às pessoas que sabem lidar melhor com as ideias. De acordo com Brum (2005), o profissional de comunicação social ou de recursos humanos é responsável pela identificação de grandes ideias e de procurar os recursos necessários para que os instrumentos criados consigam encantar o cliente interno. A geração de ideias, segundo Brum, não é a parte mais difícil do Marketing Interno, mas a continuidade do processo, que pode ser paralisado quando há um controle muito rígido e forte apego ao cumprimento de regras. 4. Informação como responsabilidade da empresa. Quanto a este ponto, a autora destaca a importância da informação no programa de Marketing Interno e afirma que ela deve ser passada no momento certo, através de canais e veículos de comunicação adequados, para que seja bem recebida pelo colaborador. Aqui destaca-se a UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 111 importância da informação num programa de Comunicação Interna e a sua identificação como “decorrente de uma decisão tomada na parte de cima da pirâmide: direção da empresa” (Brum, 2005, p. 60). Diz, a seguir, que Comunicação Interna é o mesmo que comunicação vertical e que esta se dá quando “desce da parte de cima para a parte de baixo da pirâmide e cujo processo é invertido quando a empresa decide ouvir seus colaboradores” (Brum, 2005, p. 61). Neste ponto, atesta que comunicação horizontal é a comunicação interpessoal, e que esta necessita de apoio na área da psicologia para ser comentada. Considera a importância de informar em tempo certo, através de canais adequados e de preparar a notícia para que esta seja bem recebida pelo colaborador. Há que trabalhar a informação de forma a que, a mesma contribua para os interesses da empresa, por pior que seja a notícia, confirmando, desta maneira, a premissa de que “ela sempre pode ser amenizada antes de chegar ao público interno” (Brum, 2005, p. 62). Em suma, cabe à empresa “trabalhar a informação e entregá-la de forma leve, atraente, criativa e correta aos seus funcionários” (Brum, 2005, p. 63). 5. A verdade e a mentira aparecem sempre. Relativamente a este ponto, a autora destaca que um programa de Comunicação Interna pode estar seriamente comprometido pela mentira. Portanto, deve-se evitar mascarar os problemas existentes. Brum (2005, p. 65) ressalta que “a verdade, por pior que seja, tem o mérito de ser verdade e deve ser procurada na sua plenitude, embora, como todos os remédios, possa ter efeitos colaterais”. A empresa tem que ser verdadeira e transparente quanto às informações que passa aos seus funcionários. 6. As mensagens devem ser simples, curtas e claras. De acordo com a autora a comunicação deve ser sempre dirigida ao indivíduo e não à massa, enquanto o estudo da linguagem a ser utilizada deve fundamentar toda a ação. Alguns profissionais suscitam dúvidas de como uma empresa deve chamar o indivíduo, se de colega, companheiro, colaborador ou funcionário. Brum (2005) justifica a sua preferência pela denominação funcionário, visto que o público interno não deve ser subestimado, sendo necessário evitar a falsidade dos tratamentos calorosos e, ainda, porque em Marketing Interno, por melhores que sejam as relações, empresário continuará sempre empresário e empregado permanecerá empregado. 7. O impato visual a partir dos instrumentos. Os instrumentos de comunicação interna devem utilizar formatos diferentes e ser produzidos em cores quentes, vivas, vibrantes e alegres. O esforço deverá ser maior em murais, jornais, vídeos, entre outros, pois a aprendizagem dá-se 75% pela visão e 12% pela audição. Segundo Brum (2005, p. 68), o “primeiro impacto da cor é na parte emocional do cérebro e o segundo, na parte racional”. A autora destaca que a lembrança desse fato é garantia de UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 112 sucesso durante o processo de produção dos instrumentos de Comunicação Interna. No entanto, além da preocupação do planeamento estar de acordo com a cultura, a realidade e as necessidades da empresa, o processo de gestão necessita de cuidar do processo educativo, assim como, do criativo, agindo com transparência, apropriando-se de mensagens objetivas e de grande impato visual, para obter um bom plano de Marketing Interno . Cerqueira (1994) aponta quatro pontos estratégicos do Sistema Global do Marketing Interno, que envolvem a supervisão, o planeamento, a regência e a base restritiva. A supervisão, como primeiro ponto estratégico, denominado “Sem um sistema formal de acompanhamento, o marketing interno não dará certo”, é sugerida pela adoção de “padrinhos”, que devem responsabilizar-se pela avaliação periódica dos resultados, gerando orientações através de reuniões, palestras e outras formas de avaliação. Acima dos padrinhos, deve existir um coordenador geral do Marketing, que deverá deixar as suas funções habituais, para cuidar exclusivamente da estratégia e desenvolvimento de todo o processo. O ponto estratégico seguinte, chamado “A pressa é inimiga da perfeição e nada deve ser improvisado”, significa que não há um prazo definido para a assimilação do projeto, mas que é necessário fazer o planeamento das etapas a serem desenvolvidas. O terceiro ponto estratégico, intitulado “A orquestra não consegue produzir boa música sem o seu maestro regendo”, que condiciona o sucesso do projeto ao comprometimento integral do número um da empresa, caso contrário, a sua omissão poderá originar desânimo e descrédito para a implantação de qualquer outro programa. Por fim, o quarto ponto estratégico, denominado “Não existe cultura avançada sem base restritiva definida”, sugere o controlo autocrático como forma de garantir o cumprimento dos princípios e normas que regem a cultura tecnológica. Cerqueira entende autocracia como o exercício da imposição com justiça na relação. Outro tema, bastante delicado, e que é explorado por Brum (2005), é a demissão de funcionários. Ao considerar a questão como bastante delicada, a autora defende que as empresasdevem esforçar-se para procurar, a todo custo, a integração daqueles funcionários reagentes ao novo cenário administrativo que se pretende adotar, convencendo-os dos benefícios das mudanças. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 113 Na impossibilidade de manter o funcionário, ou de necessitar efetuar a demissão de mais de uma pessoa ao mesmo tempo, a autora recomenda algumas ações que evitem o sentimento de instabilidade e de medo naqueles que permanecem nos seus cargos, como a adoção de um plano de recolocação das pessoas no mercado de trabalho, ou o incentivo à abertura de seus próprios negócios com a indemnização recebida. Ainda, acerca da adaptação das pessoas à adoção de um programa de Marketing Interno, a autora salienta a implementação de programas de treino, sobretudo aqueles que abordam o fator “mudança” nas organizações e o novo ambiente de negócios, sem discriminação de qualquer funcionário, pois “uma força de trabalho educada e treinada é decisiva para que um programa de Marketing Interno traga bons resultados a uma empresa” (Brum, 2005, p. 40). Ao considerar como experiência extremamente benéfica o treino para todos, Brum aconselha que os ensinamentos adquiridos pelos gestores das empresas sejam difundidos entre os funcionários comuns, através de programas específicos para este fim. A autora deixa ainda recomendações de natureza ética, salientando que a empresa não pode esperar a boa conduta dos seus empregados se não adotar uma postura semelhante, ainda que isso represente custos, como a entrega de produtos sem defeitos, cumprimento dos prazos de entrega e preços corretos. Para que tenham um desempenho excelente, garantindo o sucesso do negócio, é fundamental que os colaboradores tenham a sua importância reconhecida pela empresa e que recebam o conhecimento necessário sobre o negócio como um todo para que se possam envolver integralmente com ele. Kotler e Keller (2006, p. 344) afirmam que “manter os colaboradores bem informados sobre estratégias, objectivos corporativos e necessidades dos clientes através de acções de Marketing Interno é uma prioridade para as empresas de sucesso, o que as torna melhor do que as outras.” UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 114 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 1. Qual é o objectivo do MI? 2. Indique as premissas com base nas quais deve ser compreendido o processo de MI. 3. Explique a figura inerente aos alvos do MI e suas etapas. 4. Explique as etapas essenciais da implementação do Programa de MI. 5. Explique as Dimensões comportamentais do MI. Respostas 1. Resposta na página 91 2. Resposta na pág. 92 3. Resposta na pág. 93 4. Resposta na pág. 95 5. Resposta na pág. 98 Exercícios de AVALIAÇÃO 1. Explique os conceitos B2E e ERM. 2. Explique a importância da avaliação interna no MI. 3. O enfoque principal do MI é tratar o empregado como cliente. a) Comente. 4. Debruce-se sobre o conceito de Mercado Interno. 5. Debruce-se sobre a composição do conceito OMI. Referências Bibliográficas Bekin, S. F. (1995). Conversando sobre Endomarketing. Um ciclo de entrevistas com Saul Faingaus Bekin. São Paulo: Makron Books. Bekin, S. F. (2004). Endormarketing: como praticá-lo com sucesso. São Paulo: Prentice Hall. Berry L. L., Parasuraman, A. (1992). Serviço de marketing: competindo através da qualidade. São Paulo: Maltese-Norma. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 115 Grönroos, C. (1993). Marketing Gerenciamento e Serviços: a competição por serviços na hora da verdade. Rio de Janeiro: Campus. Grönroos, C. (1995). Marketing: Gerenciamento e Serviços: a Competição por Serviços na Hora da Verdade. Rio de Janeiro: Campus. Grönroos, C. (2003). Marketing: gerenciamento e serviços. 2ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier. Grönroos, C. (2009). Marketing: gerenciamento e serviços. Rio de Janeiro: Elsevier. Hwang, I. S. & Chi, D. J. (2005). Relationships among Internal Marketing, Employee Job Satisfaction and International Hotel Performance: An Empirical Study. International Journal of Management, Vol. 22, N. 2, 285-293. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 116 TEMA V - MARKETING DE RELACIONAMENTO UNIDADE Temática 5.1 Marketing de Relacionamento UNIDADE Temática 4.1 Marketing de Relacionamento Introdução As organizações devem evitar a idéia de que atender as necessidades dos seus clientes resume-se em oferecer produtos ou serviços de boa qualidade. O fato é que o mercado não é mais o mesmo e tem mudado radicalmente nos últimos anos, basicamente como resultado dos avanços tecnológicos, globalização e desregulamentação dos mercados. Estas mudanças também afetam significativamente o comportamento de compra dos clientes, que passam a exigir níveis de qualidade e de serviços superiores (Kotler, 1999). Sob o impacto destas forças, o Marketing também está mudando para estabelecer relações duradouras com os clientes. Compreender que bens e serviços devem satisfazer as necessidades dos clientes é importante, mas estabelecer relações constantes é essencial para a lucratividade da organização (McCarthy; Perreault, 2002). As organizações devem ter o foco voltado para o cliente, detectar suas necessidades e se adaptar aos seus desejos, os quais estão em constante mudança. O comportamento do cliente é tema que permite compreender o processo de compra dos clientes e a maneira como se relacionam com produtos e serviços. Diversos estudiosos têm dedicados especial atenção sobre o comportamento dos consumidores e sobre o modo como as empresas elaboram e utilizam estratégias de marketing para atrair e fidelizar clientes. Por outro lado, ao se estabelecer estratégias visando o relacionamento de longo prazo com os clientes torna-se necessário que as transações sejam benéficas tanto para a empresa fornecedora como para os compradores (NICKELS; WOOD, 1999). Objectivos específicos ▪ Compreender as razões que levam o cliente a comprar um serviço ou produto. ▪ Entender como o comprador de serviços seleciona seus fornecedores ▪ Conhecer os factores críticos para a construção de relacionamento UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 117 Sumário Marketing de Relacionamento O marketing de relacionamento representa uma nova postura na interação entre a empresa e seus clientes. Por meio dele a empresa cria relações sólidas e duradouras com o cliente. Por outro lado, para uma empresa manter a fidelidade do cliente não é uma tarefa simples, pois o mercado oferece uma grande variedade de produtos e serviços. Contudo, Mckenna (1999) explica que o marketing de relacionamento contribui essencialmente para que uma empresa conquiste a aceitação dos seus produtos e serviços, bem como a fidelidade do cliente. Nickels e Wood (1999) afirmam que à primeira instância o marketing de relacionamento pode ser considerado como a atração, manutenção e o aumento do relacionamento com os clientes. A atração de novos clientes passa a ser uma etapa, tendo como objetivo final à solidificação de relacionamentos, transformando clientes indiferentes em leais. De acordo com Gonçalves, Jamil e Tavares (2002), o marketing de relacionamento tem como objetivos a manutenção dos clientes satisfeitos, atuação na recuperação dos clientes, mensuração da satisfação, realização da comunicação pós-venda, recebimento de feedback, a oferta de serviços de qualidade e o desenvolvimento das relações públicas. Segundo Gummenson (apud Grocco et al.,2006), o marketing de relacionamento consiste no marketing baseado em interações com clientes e outros parceiros, de modo que os objetivos sejam alcançados por meio de relacionamentos entre as partes envolvidas. Conforme Mckenna (1999), os relacionamentos devem ser satisfatórios e orientados para o longo prazo, visando o fortalecer o posicionamento da empresa. O posicionamento de um produto ou serviço da empresa deve partir do seu ambiente, e se modificar na medida em que o ambiente se também se modifica. Por outro lado, a empresa deve determinar o modo como deseja colocar seu produto ou serviço no mercado como, por exemplo, a construção de uma imagem de preço baixo, de alta qualidade ou de tecnologia avançada, além de identificar, conhecer e apoiar seus clientes, fornecedores, distribuidores e funcionários. Desta forma, o posicionamento adequado contribui para a empresa ganhar a credibilidade e os parceiros potenciais ajudarão a empresa a influenciar e conquistar o mercado. É preciso ressaltar que as empresas também precisam saber se posicionar em termos do planeamento da imagem da empresa, do produto ou serviço, do marketing e da saúde financeira da empresa. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 118 Em perspectiva, podemos analisar que o relacionamento de longo prazo depende do grau de confiança que os clientes mantêm com a empresa. De acordo com Pride e Ferrel (2001), a confiança está baseada na interação e no relacionamento sólido, para que isso ocorra é fundamental que as empresas respondam às necessidades dos clientes. Um cliente insatisfeito tende a perder a confiança no relacionamento, levando-o a procurar outro fornecedor. O preceito básico marketing apregoa que deve ocorrer facilitação das trocas, transferência de bens, serviços ou idéia por algo de valor, que sejam benéficas tanto para o cliente como para a empresa. O atendimento de determinadas expectativas leva a satisfação e, consequentemente, gera mais confiança. Diante do exposto, as empresas precisam abandonar o marketing estritamente baseado em transações e pensar em novas estratégias de marketing orientada para o mercado. Grocco et al. (2006) explica que a gestão de marketing deve focar os clientes atuais e potenciais e criar estratégias de manutenção e retenção desses clientes. O autor considera que esta nova abordagem leva o marketing da empresa a conhecer seus clientes e estabelecer relações mais próximas e impulsionando-o na utilização das tecnologias de informação. Desta forma, as ferramentas de informática permitem coletar, analisar e avaliar a base de dados de clientes e dimensionar aquilo que o cliente deseja. Esta nova abordagem preconiza que a gestão de marketing ocorre por meio do gerenciamento de relações com os clientes. Assim, o cliente deixa de ser visto com fonte de receita para se tornar ativos de longo prazo. De acordo com Laudon e Laudon (2004), o gerenciamento de relações com os clientes ou CRM (Customer Relationship Management), visa o modo como as empresas passam a tratar os clientes atuais e potenciais. Este conceito tem suas bases nos sistemas de informação, que permitem que as empresas monitorem os clientes em todas as fases do processo, desde a solicitação até a entrega de um produto ou serviço, incluindo o atendimento. Peppers e Rogers (apud Gonçalves; Jamil; Tavares, 2002), afirmam que os sistemas de informação para CRM consistem em sistemas planejados, desenvolvidos e administrados que permitem alcançar o máximo de sintonia e relacionamento entre a empresa e seus clientes. Os sistemas informatizados são baseados em DataBase Marketing ou Banco de Dados de Marketing e permitem receber e armazenar informações sobre os clientes existentes e novos, seu comportamento, desejos e necessidades, contribuindo para o processo de tomada de decisão da empresa e formulação de estratégias de marketing. Entretanto, Peppers e Rogers explicam que o termo CRM não tem ainda uma definição formal, uma vez que muitas empresas de desenvolvimento de software aproveitaram o movimento do mercado e passaram a denominar UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 119 suas aplicações de CRM. O conceito de CRM é suportado por uma infra- estrutura com o objetivo de implementação da filosofia de marketing individualizado. Conforme Grocco et al. (2006), o CRM sustenta o diálogo entre a empresa e seus clientes, de modo que esta comunicação seja individual. Peppers e Rogers, citado pelo autor, criaram o conceito do marketing um-a-um ou marketing personalizado, como uma forma de a empresa obter vantagem competitiva frente seus concorrentes com base na diferenciação e no tratamento personalizado dos clientes. Contudo, como não é possível para uma empresa atender diferentemente todos os seus clientes, a construção de relacionamento e os programas de fidelização deve ser direcionados para os clientes de maior valor e de maior potencial. Por outro lado, Peppers e Rogers ressaltam que o CRM visa o tratamento de clientes diferentes de formas diferentes, sem que se sintam discriminados. Isso significa que à empresa compete o fornecimento de diferenciais de produtos e serviços para grupos distintos de clientes, sem que haja sentimentos de discriminação. Assim, a comunicação é um fundamental para apresentar produtos e serviços aos clientes. Nesse sentido, a comunicação, como meio de interação com os clientes, deve apoiar-se nas estratégias de marketing direto, que consiste num processo de marketing orientado pela informação utilizando o suporte de banco de dados. De acordo com Kotler (1999), o marketing direto utiliza canais diretos de comunicação com o cliente com a finalidade de gerar entregas de bens e serviços. Por outro lado, as tec- nologias de comunicação e de informação podem ser aplicadas em diferentes níveis como, por exemplo: mala direta; telemarketing; televisão; internet; quiosques; vendas pessoais e varejo eletrônico. Dessa forma, a abordagem do marketing direto foi um passo significativo para evolução em direção a uma nova abordagem de marketing voltada para o gerenciamento de relacionamentos com o cliente. Para Kotler e Armstrong (2003), o CRM não é nem um conceito, nem um projeto é uma estratégia de negócios que visa entender, antecipar e administrar as necessidades dos clientes atuais e potenciais de uma organização é o processo de aquisição, retenção, e evolução dos clientes lucrativos. Em análise, podemos perceber que o desenvolvimento de um relacionamento sólido e duradouro com o cliente é essencial para que a empresa alcance o sucesso no negócio, e o gerenciamento de relacionamentos com o cliente contribui para conhecer as necessidades, os desejos e as satisfações do cliente com produtos ou serviços, possibilitando trocas confiáveis e rentáveis. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 120 Fidelização de Clientes As palavras fidelidade e lealdade são utilizadas na literatura com um mesmo significado. Desta maneira, os dois conceitos são tratados como sinônimos. De acordo com Rocha e Veloso (apud Groccoet al., 2006), o cliente se torna fiel quando está envolvido, ou seja, seus hábitos de compra não se alteram, adquirindo com freqüência produtos ou serviços de determinada marca. Por outro lado, o cliente é leal aos produtos ou serviços de uma empresa em função da sua marca, e seu relacionamento tende a ampliar. A lealdade da marca independe do ponto-de-venda, pois o cliente irá persistir na busca. Em relação a lealdade da marca de uma empresa, significa que o cliente tem preferência por determinada empresa e, na medida em que encontra o que deseja sua fidelidade é reforçada.Para Seybold (2002), a fidelidade do cliente não está estritamente atrelada a marca, mas arraigada nas experiências que os produtos e serviços proporcionaram. Portanto, a experiência do cliente é a essência de uma marca. Para Mckenna (1999), é muito improvável que os clientes sejam conquistados por slogans ou imagens, uma vez que o mercado tem uma grande variedade e opções de produtos e serviços que também tentam conquistar a atenção e fidelidade do cliente. A chave para esta questão reside na criação de experiências positivas e no mecanismo de feedback com seus stakeholders. As experiências positivas ajudam os clientes a confiar na empresa além de, manter e criar relações. Seybold (2002) afirma que a criação da marca e a experiência do cliente em torno dela são fundamentais para as empresas conquistarem o sucesso com seus produtos ou serviços. Por outro lado, Churchill e Peter (2005) explicam que as empresas devem desenvolver estratégias de marketing orientado para o valor, ou seja, busca- se a criação e o fornecimento de valor para os clientes. Berry e Parasuraman (apud Kotler, 1999) afirmam que as empresas que querem manter seus clientes precisam criar valor com base em: programas de fidelidade; benefícios sociais e em vínculos estruturais. Os programas de fidelidade fortalecem os vínculos dos clientes, atraindo e retendo, principalmente, aqueles clientes que representam 80 por cento dos negócios. Os benefícios sociais transformam os clientes em preferenciais com tratamento individualizado, ou seja, o atendimento é personalizado. O terceiro aspecto está relacionado à oferta de equipamentos, de assinatura de jornais, de produtos ou serviços entre outros, que geram vínculos estruturais com os clientes. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 121 Classificação de Clientes 1. Cliente Prospect - pessoas em geral e cujo perfil combina com o que a empresa procura; 2. Clientes experimentadores - pessoas que demonstraram interesse inicial, fariam negócios, mas não o realizaram efetivamente; 3. Clientes eventuais – aqueles que tiveram suas necessidades satisfeitas por um período, mas não sentem inteira confiança; 4. Clientes regulares - aqueles que compram da empresa há algum tempo e a confiança foi conquistada; 5. Clientes defensores - estão comprometidos, defendem sua marca e contará aos outros suas experiências positivas, também fará reclamações visando a melhoria da empresa. O grau de fidelidade vai aumentando em função da intensidade do relacionamento que o cliente tem com a empresa e esta está intrinsecamente associada à criação de valor. Segundo Kotler (1999), todos os departamentos devem empenhar-se na conquista da preferência do cliente. Os clientes possuem informações valiosas e estão dispostos a compartilhá-las se a empresa empenhar-se, financeira e corporativamente na obtenção das informações. Antes de ter clientes fiéis, precisa-se de funcionários fiéis e comprometidos na satisfação do cliente. Para o desenvolvimento da fidelidade do cliente, a empresa deve gerar uma combinação de preço, qualidade e confiabilidade. No entanto, é preciso tempo e paciência para desenvolver a confiança de um cliente, mas uma vez conquistada a confiança, ocorrerão benefícios de longo prazo relacionados à fidelização dos clientes. Seybold (2002) analisa que a fidelidade dos clientes e o valor vitalício que ele representa são os principais indicadores de sucesso em uma empresa que esteja direcionada para o cliente. De modo geral, os clientes não estão procurando simplesmente realizar um bom negócio ou comprar algo por conveniência. Os clientes estão preferindo aquelas empresas que se preocupam com elas, sejam como pessoas ou como empresas. Entretanto, uma cultura centrada no cliente não significa a garantia do sucesso, a saúde da empresa também é fundamental. Todavia, empresas com sólida situação financeira também não sobreviverão se não estiver centrada no cliente, identificando-os, analisando seus desejos e necessidades e transformando-os em clientes especiais, valorizados e bem-vindos. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 122 Tipos de Relacionamento Um relacionamento é constituído por meio de uma série de interações colaborativas entre empresas e clientes. Cada relacionamento é diferente e gera informações importantes das participações individuais dos clientes. Estes relacionamentos são construídos através de algumas propriedades gerais importantes numa relação comercial. Uma delas é a colaboração. É preciso que os componentes estejam dispostos a colaborar numa relação ganha- ganha e que tenha um baixo grau de competitividade para ela ser harmoniosa e rentável para ambos. Para obter esta rentabilidade, no caso de marketing de relacionamento, é preciso que as partes estejam realmente engajadas com o projecto porque ele é sempre de longo prazo. Ganessan (1994) sugere que uma orientação de longo prazo nos relacionamentos entre compradores e vendedores é uma função de dois factores fundamentais: dependência mútua e extensão em que os participantes confiam um no outro. A confiança é uma das mais importantes propriedades na construção de um relacionamento. Segundo Morgan (1994), a confiança existe quando uma parte acredita na integridade do parceiro de troca, existindo relação negativa entre confiança e propensão à saída. Segundo Gummensson (1999), pode-se enumerar 27 tipos de relacionamentos dentro de uma organização, a saber: 1. Relacionamento entre o fornecedor e o cliente que é na realidade o maior relacionamento do marketing, pois é a troca fundamental de valor que constitui a base do negócio. 2. Relacionamento entre fornecedor, cliente e concorrente, trazendo à tona a competição como ingrediente central da economia de mercado. 3. Relacionamento com os canais de distribuição, onde a tradicional distribuição física e o moderno gerenciamento do canal incluindo bens, serviços, pessoas e informações consiste numa rede de relacionamentos. 4. Relacionamentos em tempo integral e em parcial, trazendo uma nova filosofia para dentro da empresa, mostrando a contribuição de cada um dentro da organização na construção do relacionamento com os clientes externos. 5. Relacionamento entre o cliente e a produção, traduzido muitas vezes como o momento da verdade. 6. Relacionamento entre o principal executivo do cliente e o principal executivo do fornecedor, traduzido em um marketing das organização. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 123 7. Relacionamento o cliente do cliente. 8. Relacionamento distante do cliente através de relatórios e pesquisas. 9. Relacionamento com clientes insatisfeitos. 10. Relacionamento de monopólio quando o cliente é prisioneiro do fornecedor ou vice-versa. o cliente como sócio com o objectivo de criar um relacionamento duradouro. 11. Relacionamento electrónico, onde a tecnologia de informação é um elemento fundamental nos diversos tipos de marketing. 12. Relacionamento com símbolos e objectos, onde há incorporação da sociedade com a marca da empresa. 13. Relacionamento não comercial entre o sector público e o cidadão/cliente. 14. Relacionamento com o verde, onde ambiente e saúde, gradativamente, está tendo sua importância incrementada. 15. Relacionamento baseado na lei, através de contratos e acções litigiosas. 16. Relacionamento entre redes criminais construído através de negócios ilegais, provocando perturbações no funcionamento do mercado e da indústria. 17. Rede pessoal e social frequentemente determinado. 18. O mega-marketing através de relacionamento com indivíduos influentes, governos, legisladorese outros com o objectivo de tornar possível o nível operacional. 19. Relacionamento através de alianças entre empresas no mercado com o objectivo de inibir a competição e criar uma economia de mercado. 20. Relacionamento do conhecimento com o objectivo estratégico e crítico de aquisição de conhecimento e formação de alianças; as megas alianças buscando condições básicas para relacionamentos internacionais. 21. Relacionamento com mídia de massa como forma de influenciar a opinião pública. 22. Relacionamento através de centros de lucros dentro das organizações. O relacionamento com o cliente interno como forma de executar os processos entre os departamentos da organização. 23. Relacionamento entre operações e marketing construindo o moderno conceito de qualidade onde relacionamentos internos têm a mesma importância que os relacionamentos com clientes. 24. Relacionamento com empregados como suporte necessário para o relacionamento consciente com clientes externos. 25. A matriz bi-dimensional de relacionamento entre organizações matriciais. 26. Relacionamento com fornecedores que suportam uma série de serviços para as organizações. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 124 27. Relacionamento entre o proprietário e o financista determinando as condições sob as quais a função de marketing pode operar. Componentes do Marketing de Relacionamento A literatura estabelece 8 componentes do marketing de relacionamento, a saber: 1. Cultura e Valores – as diferenças e semelhanças entre culturas devem ser entendidas desde o início, pois diferenças muito extremas podem prejudicar o relacionamento. No entanto, empresas com culturas distintas podem criar valores juntas. 2. Liderança – tanto a concentração dos líderes dentro da empresa quanto a concentração dos líderes de seus clientes devem estar dirigidas, valor que se pode ter por meio do marketing de relacionamento e também no interesse recíproco dos clientes individuais e dos fornecedores. Enquanto a concentração da liderança estiver voltada em ganhar indiferentemente de ser nas custas dos outros, não haverá sucesso no marketing de relacionamento. Há casos específicos de liderança; as empresas disponham de um poder de barganha relativo aos clientes e fornecedores, a função da liderança é iniciar o marketing de relacionamento conforme os interesses dos clientes e fornecedores da sua empresa. No caso das empresas com poder de barganha maior do que seus clientes e fornecedores, novos valores podem ser criados e compartilhados para fornecer um relacionamento superior, pois elas têm a responsabilidade de tanto conduzir suas próprias empresas quanto a de seus clientes. 3. Estratégia – além da necessidade da estratégia ocorrer em diferentes níveis, é necessário que haja um alinhamento entre a empresa e seus clientes para que cada um entenda a direcção do outro. Assim, ambos poderão avaliar os seus papeis de parceiros a longo prazo e realizar o valor desejado por todos. Se a empresa tiver, efectivamente, o interesse de implementar o marketing de relacionamento, o cliente deve ser o centro das suas etsratégias de negócio e não o produto, a pesquisa ou o desenvolvimento de outras estratégias. 4. Estrutura – o objectivo da estrutura de uma empresa é facilitar sua estratégia. Para identificar se uma empresa tem problemas de estratégia, o modo mais fácil é verificar a frequência com que ela se reorganiza. Pois, empresas que se reorganizam sem contexto estratégico, na grande maioria têm dificuldade para praticar e definir uma estratégia com êxito. O marketing de relacionamento pode estruturar uma empresa de forma totalmente diferente, tendo gerentes com categorias específicas de relacionamento. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 125 5. Pessoal – em qualquer relacionamento, as pessoas são essenciais. Para multiplicar suas capacidades e suas eficiências, as pessoas estão sendo equipadas com tecnologia e processos. O treinamento é vital para se alcançar o objectivo da organização. O pessoal de linha de frente deve ter habilidade para se comunicar e conhecer muito bem os seus clientes. 6. Tecnologia – dentro de uma organização a tecnologia pode ser útil em múltiplas funções, como na comunicação externa, na comunicação interna, na informática e no conteúdo que inclui informação sobre o cliente, contexto, comportamentos, lucratividade do cliente e outras. Para dispor de um sistema de memória mais eficiente sobre os clientes é necessário empregar tecnologia. E, para ajudar os clientes a repetir a experiência de compra, dê a eles opções de comunicação. 7. Conhecimento e percepção – mesmo sabendo que a tecnologia deve capacitar o marketing de relacionamento a desenvolver novos conhecimentos e percepções sobre a relação com o cliente e facilitar acções sobre informações, ainda é um desafio fazer isso economicamente. O que pode ajudar a agregar valor aos dados anteriores, ou seja, aos já cadastrados e até mesmo prever o que fará um cliente individual, são as ferramentas de software, a formulação e os relatórios. Garantir recursos para investimentos no conhecimento e na percepção do cliente individual durante prazos mais longos é um desafio fundamental para o profissional de marketing. 8. Processos – de acordo com Gordon (2008), houve uma exclusão do cliente e do relacionamento com o cliente na reengenharia aplicada na última década. O cliente não era o centro da qual os negócios deveriam girar, ao contrário do que requer o marketing de relacionamento hoje, que necessita que os processos sejam estruturados em torno do cliente. E isso exige mudanças essenciais para os processos existentes. Historicamente definido, o papel do pessoal de vendas é valioso somente para a conquista de novos clientes. Quando a empresa se concentra na criação de valores para os clientes já existentes, o pessoal de vendas tem menos mérito. Com estas afirmações. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 126 Fases do Processo de Relacionamento 1. Concientização – é a fase em que uma determinada parte reconhece a outra como uma parceira possível de troca. A interação entre as partes ainda não está presente na fase da consciência. Algum tipo de interação bilateral começa a caracterizar a próxima fase do desenvolvimento do relacionamento. 2. Exploração – esta fase pode ser muito breve ou pode incluir e compreender um período de avaliação em que os parceiros potenciais consideram as obrigações, os benefícios, os custos e a possibilidade de trocas. A fase de exploração é entendida em cinco sub-processos: a) atração; b) comunicação e barganha; c) desenvolvimento do exercício do poder: d) desenvolvimento de norma; e) desenvolvimento de expectativas. 3. Expansão – refere-se ao crescimento contínuo dos benefícios obtidos pelos parceiros de troca e sua crescente interdependência. 4. Comprometimento – consiste na consolidação do compromisso entre as partes e compreende a fase mais avançada da interdependência entre os parceiros de troca. 5. Dissolução – refere-se ao processo de afastamento ou rompimento da relação comercial. O modelo propõe que a dissolução começa com o estágio intra-psíquico, onde cada parte avalia a sua satisfação com a outra. Segue para o estágio interactivo, onde as partes questionam o relacionamento. Subsequentemente, ocorre a fase social onde a discussão torna-se pública e, concluindo o processo, ocorre o restabelecimento social e psicológico provenientes da separação. Exercícios de AVALIAÇÃO 1. Explique as fases do processo de relacionamento. 2. Relacione os componentes do marketing de relacionamento. 3. Explique7 dos 27 tipos de relacionamentos que aprendeu. 4. Explique a classificação de clientes. 5. Em que consiste a fidelização dos clientes? UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 127 BIBLIOGRAFIA BROWN, Stanley A.; GORGA, Juliana Machado. CRM: Custumer Relationship Management: uma ferramenta estratégica para o mundo e-business. São Paulo: Makron Books, 2001. CHRISTOPHER, Martin. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimento. São Paulo: Pioneira, 1999. CHURCHILL, Gilbert A.; PETER, J. Paul. Marketing: criando valor para os clientes. São Paulo: Saraiva, 2005. GIANESI, Irineu G. N.; CORRÊA, Henrique Luiz. 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São Paulo: Atlas, 2000. UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 128 LOVELOCK, Christopher. Serviços: marketing e gestão. São Paulo: Saraiva, 2001. MCCARTHY, E. J.; PERREAULT Jr., Willian. Princípios de marketing. 13.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2002 UnISCED - CURSO: Gestão de Empresas; 3º ano - Módulo: Gestão do Composto de Marketing e Serviços 129 EXERCÍCIOS DE FIM DE MÓDULO 1. O que é marketing? 2. O que é mix de marketing? 3. Quais são os componentes do mix de marketing? 4. O que é composto mercadológico? 5. O que é preço? 6. O que é produto? 7. O que é promoção? 8. O que é praça? 9. O que é estratégia de marketing? 10. O que é operação de marketing? 11. O que é serviço? 12. O que é mix de serviço? 13. Como se elabora o mix de serviços? 14. Quais são os componentes do mix de serviço? 15. Caracterize o serviço. 16. Diferencie produto de serviço. 17. Explique cada característica de serviços. 18. Qual é o ciclo de vida do produto? 19. Como classifica produto? 20. O que é produto de conveniência? 21. Quantos circuitos de distribuição conhece? 22. Qual dos circuitos de distribuição é o melhor e porquê? 23. Quais são os tipos de distribuição que conhece? 24. Quais são as funções de distribuição que conhece? 25. Quais são as estratégias de distribuição que conhece? 26. Quais são os componentes do mix de comunicação que aprendeu? 27. Qual é a diferença entre publicidade e propaganda? 28. Como classifica os serviços? 29. O que é produtividade? 30. Como se avalia a produtividade de serviços? 31. Quais são as abordagens com que se pode relacionar o serviço? 32. O que é gestão de qualidade? 33. Como se implementa um sistema de qualidade de serviço? 34. Quais são as dimensões do marketing holístico? 35. Quais são as fases do processo de relacionamento? 36. Quais são os componentes do marketing de relacionamento? 37. Diferencie marketing interno do endomarketing. 38. Quais são o salvos do marketing interno? 39. Quais são os pontos essenciais para a implementação do programa de marketing interno? 40. Quais são os tipos de relacionamento que aprendeu, no âmbito do marketing?