Prévia do material em texto
Experimentos agronômicos
Apresentação
Os experimentos agronômicos são fundamentais para avaliar os efeitos dos tratamentos na variável
resposta. Por exemplo: Qual adubo é melhor para determinada espécie de milho? Qual espécie de
árvore produz mais frutos? Para tanto, é fundamental conhecer como determinar o tamanho e a
forma de uma unidade experimental, além de utilizar corretamente os três princípios básicos da
experimentação: repetição, casualização e controle local.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender o que é unidade experimental ou parcela, os
princípios básicos da experimentação e a importância do uso de ensaios inteiramente ao acaso,
para ter o embasamento necessário ao desenvolvimento de experimentos com qualidade.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Definir unidade experimental ou parcela.•
Reconhecer os princípios básicos da experimentação.•
Identificar a necessidade do uso de ensaios inteiramente ao acaso.•
Desafio
O delineamento inteiramente casualizado é o mais simples de todos os delineamentos
experimentais, usando os princípios de repetição e casualização. Utiliza-se esse delineamento para
avaliar o efeito dos tratamentos na variável resposta.
Com base nesse contexto, acompanhe a seguinte situação:
Padrão de resposta esperado
Obtido o valor da estatística F, devem-se buscar os valores críticos da tabela nos níveis de 5% e 1% de probabilidade, sendo:
Valores de F da tabela 4 x 20 g.l.: {5% = 2,87; 1% = 4,43}
Como o valor da estatística F (28,59) supera o valor crítico no nível de 1% de probabilidade (4,43), ele é significativo nesse nível (P < 0,01), sendo possível chegar à seguinte conclusão:
O teste foi significativo no nível de 1% de probabilidade (P < 0,01) e, assim, deve ser rejeitada a hipótese H0. Portanto, conclui-se que os cultivares testados (pelo menos dois) têm efeitos diferentes sobre a produtividade de mandioca, com grau de confiança superior a 99% de probabilidade.
Aponte a câmera para o
código e acesse o link do
conteúdo ou clique no
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/b60e5181-dbed-4800-8325-d4188cb86b86/1c22c9e0-91de-433d-9bdd-2201df74b829.jpg
A partir das análises do delineamento inteiramente casualizado, qual conclusão você pode reportar
aos demais membros da pesquisa?
Infográfico
Para um ensaio inteiramente casualizado de qualidade, visando a gerar informações confiáveis, é
fundamental realizar a modelagem da regressão linear generalizada. Há etapas fundamentais para o
desenvolvimento do modelo que melhor se aproxima dos valores observados.
Veja, no Infográfico, as etapas para um bom experimento agronômico e quando utilizá-las.
Aponte a câmera para o
código e acesse o link do
conteúdo ou clique no
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/09b4393b-ffe7-49e6-b76d-7993f81ebc39/5a440395-34f2-4dab-abe5-c1e12e9d1371.jpg
Conteúdo do livro
Para experimentos agronômicos, seja em laboratório ou campo, é essencial conhecer e aplicar da
melhor forma as técnicas de delineamento experimental que permitirão estudar os efeitos
adubação, plantio e desenvolvimento de novos fertilizantes em variáveis respostas definidas.
No capítulo Experimentos agronômicos, da obra Estatística e experimentação na Agronomia, base
teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai aprofundar seus conhecimentos sobre os
princípios básicos da experimentação e os ensaios inteiramente ao acaso utilizados em ambientes e
situações homogêneas, entendendo mais sobre os experimentos agronômicos.
Boa leitura.
ESTATÍSTICA E
EXPERIMENTAÇÃO
NA AGRONOMIA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
> Definir unidade experimental ou parcela.
> Reconhecer os princípios básicos da experimentação.
> Identificar a necessidade do uso de ensaios inteiramente ao acaso.
Introdução
A agricultura surgiu nos primórdios da humanidade e trouxe consigo a investigação
ou pesquisa de novas tecnologias agrícolas. Uma das primeiras tentativas de
pesquisa agrícola registrada foi há três séculos. Contudo, foi somente a partir
dos primeiros anos do século XX, por meio de Sir Ronald Fisher, que se iniciou a
estatística experimental baseada em conhecimentos matemáticos e probabilísticos
(ZIMMERMANN, 2014).
Os experimentos estatísticos foram desenvolvidos para comparar os trata-
mentos e conhecer o efeito deles. Todavia, para que o experimento seja executado
com qualidade, é importante que o pesquisador saiba a forma correta de obter as
unidades experimentais (parcelas). Além disso, ele deve ficar atento aos princípios
básicos da experimentação: repetição, casualização e controle local.
Após o pesquisador realizar o planejamento da pesquisa e a coleta de dados,
definindo o tamanho, a forma e as repetições das unidades experimentais, ele
precisará realizar as análises estatísticas para avaliar se os tratamentos têm
efeito sobre a variável resposta. A forma mais simples de análise são os ensaios
inteiramente ao acaso.
Experimentos
agronômicos
Nara Regina Spall Martins
Neste capítulo, você estudará sobre os experimentos agronômicos. Além disso,
verá o que é uma unidade experimental ou parcela. Por fim, você conhecerá os
princípios básicos da experimentação, bem como a necessidade do uso de ensaios
inteiramente ao acaso.
Unidade experimental ou parcela
Uma unidade experimental (UE), também chamada de parcela, refere-se aos indi-
víduos (plantas ou animais) aos quais será aplicado um tratamento. A UE foi criada
para designar a unidade de área utilizada no experimento; trata-se da menor
unidade de um experimento. A resposta que os indivíduos apresentarem a esse
tratamento será considerada uma observação (ou dado) a ser utilizada na análise
estatística. As UE dependem do número de tratamentos e do número de repetições.
Assim, um conjunto de parcelas envolvendo dois ou mais tratamentos pode ser um
experimento (BARBIN, 2003; SOUZA, 2002; STORCK; LOPES; DAL’COL LÚCIO, 2004).
A escolha da unidade depende do objetivo da pesquisa, contudo, ela deve
ser estabelecida na fase inicial desta. Às vezes, a definição da unidade parece
óbvia, como em uma pesquisa para a recomendação de cultivares de trigo
para uso pelos agricultores, em que a unidade é uma lavoura, ou em uma
pesquisa sobre a eficácia de um vermífugo para o controle de helmintos de
vacas leiteiras, em que a unidade é um animal. Entretanto, com frequência,
a definição ou escolha da unidade não é tão óbvia (SILVA, 2007).
Originalmente, a parcela era uma faixa de terra, mas podia ser um vaso ou uma
planta. Hoje, dependendo do experimento, a UE também pode ser: animal; peça
fabricada; pessoa; área de campo; grupo de animais; sementeira; placa de Petri;
tubo de ensaio; folha de planta; máquina, entre outros (SOUZA, 2002; CARGNE-
LUTTI FILHO; DAL’COL LÚCIO; LOPES, 2009; STORCK; LOPES; DAL’COL LÚCIO, 2004).
Confira, a seguir, alguns exemplos de UE (CARGNELUTTI FILHO; DAL’COL
LÚCIO; LOPES, 2009):
� Para avaliar diferentes produtos no combate ao cupim em madeira, as UE
deverão ser pedaços regulares (uniformes) de madeira.
� Para avaliar diferentes tipos de máquina no preparo do solo, as UE deverão
ser áreas de campo.
� Para avaliar a fitotoxidade de herbicidas ou fungicidas, as EU deverão ser
folhas em plantas vivas.
� Para avaliar os tipos de adubos para sementeiras de Pinus, as UE deverão
ser sementeiras com mudas de Pinus com determinada área.
Experimentos agronômicos2
Segundo Barbin (2003), no caso de experimentos com gado leiteiro (vacas),
devem ser tomados cuidados especiais, pois sabe-se que as vacas atingem
o pico de lactação mais ou menos aos 45 dias após o parto. Portanto, esses
animais só deverão entrar no experimento após esse pico, como mostrado
na Figura 1.
Figura 1. Curva de lactação das vacas.
Fonte: Adaptada de Barbin (2003).
O tamanho da parcela deve ser orientado de forma a minimizar o erro
experimental,isto é, as parcelas devem ser o mais uniforme possível, para
que, ao serem submetidas a tratamentos diferentes, seus efeitos sejam
detectados (BANZATTO; KRONKA, 2013). Em outras palavras, o erro dentro de
parcelas (σ2
d) é proveniente da variância entre indivíduos dentro da parcela, ao
passo que o erro entre parcelas (σ2
e) é proveniente da variância entre parcelas
ou da variância residual (BARBIN, 2003). Portanto,
Se , deve-se aumentar o tamanho da parcela.
Se , pode-se manter ou diminuir o tamanho da parcela.
A Figura 2, a seguir, demonstra a diferença entre os erros provenientes
das variâncias entre e dentro das parcelas.
Experimentos agronômicos 3
Figura 2. Estimativas dos erros.
Fonte: Barbin (2003, p. 9).
Assim, alguns questionamentos são importantes para o experimento, tais
como qual deve ser o tamanho, a forma e as repetições das parcelas (BARBIN,
2003; BANZATTO; KRONKA, 2013).
Segundo Barbin (2003), no início do experimento, deve-se avaliar se
já se conhece o tamanho da parcela para uma determinada espécie em
estudo, a fim de verificar se já foi feito algum ensaio com aquela espé-
cie. Em caso positivo, sugere-se adotar o mesmo tamanho utilizado nos
ensaios anteriores. Contudo, sempre é preferível aumentar o número
de repetições (aplicação do mesmo tratamento sobre duas ou mais UE)
a aumentar o tamanho da parcela (CARGNELUTTI FILHO; DAL’COL LÚCIO;
LOPES, 2009; BARBIN, 2003).
No que se refere à forma das unidades experimentais (BANZATTO;
KRONKA, 2013), experimentos realizados em diversos países, com dife-
rentes culturas, têm mostrado que as parcelas devem ser relativamente
compridas e estreitas, pois, dessa forma, é possível que um maior número de
parcelas esteja localizado em qualquer mancha de alta ou baixa fertilidade
do solo, com maior ou menor infestação por plantas daninhas e maior ou
menor ataque de pragas. Uma parcela quadrada, no entanto, pode chegar
a coincidir com a mancha toda, apresentando, por esse motivo, produções
exageradamente altas ou baixas. Para parcelas de tamanho pequeno, o
efeito da forma é quase nulo.
Além disso, quando o tratamento é aplicado a uma parcela que pode
influenciar o tratamento aplicado a uma parcela vizinha, deve-se des-
prezar as observações relativas às plantas das bordas das parcelas, pois
isso evita distorções. As plantas desprezadas constituem a bordadura, e
aquelas da parte central de parcela, cujos dados serão analisados, são
chamadas de plantas úteis. A Figura 3, a seguir, demonstra a utilização
da bordadura.
Experimentos agronômicos4
Figura 3. Bordadura.
Fonte: Banzatto e Kronka (2013, p. 8).
Segundo Banzatto e Kronka (2013), além do erro experimental, outros
fatores podem influenciar a determinação do tamanho das UE, tais como:
a) material (cultura que está sendo estudada);
b) objetivo da pesquisa;
c) número de tratamentos em estudo;
d) quantidade disponível de sementes;
e) uso de máquinas agrícolas;
f) área total disponível para a pesquisa;
g) custo;
h) tempo;
i) mão de obra.
Princípios básicos da experimentação
Para realizar um experimento cujo objetivo é comparar os tratamentos e
inferir sobre o comportamento destes, são necessários três princípios básicos:
repetição, casualização e controle local (STORCK; LOPES; DAL’COL LÚCIO, 2004;
BANZATTO; KRONKA, 2013; BARBIN, 2003), descritos a seguir.
Princípio da repetição
O princípio da repetição, também chamado de réplicas, refere-se à aplica-
ção do mesmo tratamento sobre duas ou mais UE, ou seja, é a reprodução
do experimento básico, com a finalidade de propiciar a obtenção de uma
estimativa de erro experimental. Dessa forma, procura-se confirmar a res-
Experimentos agronômicos 5
posta que um indivíduo dá a um determinado tratamento (STORCK; LOPES;
DAL’COL LÚCIO, 2004; BANZATTO; KRONKA, 2013; SOUZA, 2002; WERKEMA;
AGUIAR, 1996; BARBIN, 2003). A Figura 4, a seguir, apresenta um exemplo do
princípio da repetição.
Figura 4. Princípio da repetição.
Fonte: Banzatto e Kronka (2013, p. 9).
Princípio da casualização
O princípio da casualização atribui a todos os tratamentos a mesma probabili-
dade de serem designados a quaisquer das unidades experimentais; ou seja, para
formar grupos homogêneos, é fundamental que os tratamentos e as UE sejam
escolhidos de forma aleatória (SOUZA, 2002; BANZATTO; KRONKA, 2013). Assim,
afasta-se a possibilidade de que a intuição ou desejo involuntário de proteger
determinado(s) tratamento(s) ocorra. É importante destacar que os princípios da
casualização e da repetição são obrigatórios em todos os experimentos (BARBIN,
2003). A Figura 5, a seguir, apresenta um exemplo do princípio da casualização.
Figura 5. Princípio da casualização.
Fonte: Banzatto e Kronka (2013, p. 9).
Princípio do controle local
O princípio do controle local tem a fi nalidade de tornar o delineamento
experimental mais efi ciente por meio da redução do erro experimental (BAN-
ZATTO; KRONKA, 2013). Esse princípio é utilizado quando a área experimental
é heterogênea. Nesse caso, a área é subdividida em áreas menores e homo-
gêneas, e, em cada uma delas, deve-se colocar todos os tratamentos, de
preferência em igual número. Cada parcela homogênea é denominada bloco.
Os tratamentos devem ser sorteados dentro de cada bloco (BARBIN, 2003;
BANZATTO; KRONKA, 2013).
Experimentos agronômicos6
Quando a área experimental for homogênea, dispensa-se o controle local,
ou seja, esse princípio não é de uso obrigatório (BARBIN, 2003; BANZATTO;
KRONKA, 2013). A Figura 6, a seguir, apresenta um exemplo do princípio do
controle local.
Figura 6. Princípio do controle local.
Fonte: Banzatto e Kronka (2013, p. 10).
Confira, a seguir, algumas definições básicas dentro dos estudos
agronômicos (WERKEMA; AGUIAR, 1996):
� Unidade experimental: é a unidade básica para a qual será feita a medida
da resposta.
� Blocos: são conjuntos homogêneos de unidades experimentais.
� Fatores: são os tipos distintos de condições que são manipuladas nas unida-
des experimentais, ou seja, são as variáveis cuja influência sobre a variável
resposta está sendo estudada no experimento.
� Nível de fator: refere-se aos diferentes modos de presença de um fator no
estudo considerado.
� Tratamento: refere-se às combinações específicas dos níveis de diferentes
fatores. Quando há apenas um fator, os níveis deste correspondem aos
tratamentos.
� Ensaio: refere-se a cada realização de um experimento em uma determinada
condição de interesse (tratamento), isto é, o ensaio corresponde à aplicação
de um tratamento a uma unidade experimental.
� Variável resposta: refere-se ao resultado de interesse registrado após a
realização de um ensaio.
Uso de ensaios inteiramente ao acaso
Os ensaios inteiramente ao acaso são o tipo mais simples de experimento.
Esses ensaios utilizam apenas os princípios da repetição e da casualização, ou
seja, as repetições não são organizadas em blocos (BARBIN, 2003; BANZATTO;
KRONKA, 2013).
Experimentos agronômicos 7
Para esse experimento, deve-se ter certeza da homogeneidade das con-
dições, ou seja, o único componente que pode variar, deliberadamente, de
uma UE para outra são os tratamentos. Em geral, esses experimentos são
utilizados em laboratórios ou vasos, a fim de facilitar o controle das condições
do experimento (STORCK; LOPES; DAL’COL LÚCIO, 2004; BANZATTO; KRONKA,
2013). Banzatto e Kronka (2013) elenca as seguintes vantagens na utilização
desse tipo de experimento:
� é bastante flexível, visto que o número de tratamentos e de repetições
depende apenas do número de parcelas disponíveis;
� o número de repetições pode ser diferente de um tratamento para
outro, embora o ideal seja ter um número igual de repetições;
� a análise estatística é simples;
� o número de graus de liberdade para o resíduo é o maior possível.
Com relação a outros delineamentos experimentais, Banzatto e Kronka
(2013) elenca duas desvantagens desse tipo de experimento:
1. exige homogeneidade total das condições experimentais;2. pode conduzir a uma estimativa de variância residual bastante alta,
visto que todas as variações, exceto as devidas a tratamentos, são
consideradas como variação do acaso.
Análise
Os delineamentos experimentais possuem modelos matemáticos que per-
mitem realizar a análise de variância e aceitar ou não hipóteses a respeito
desta. Para o modelo inteiramente ao acaso, tem-se que (BANZATTO; KRONKA,
2013; WERKEMA; AGUIAR, 1996):
onde,
xij = valor da variável resposta na j-ésima observação do i-ésimo tratamento;
μ = média geral de todos os tratamentos;
tj = efeito do j-ésimo tratamento;
εij = erro aleatório associado a xij.
Experimentos agronômicos8
Para a realização da análise, faz-se necessário atender a algumas supo-
sições (BANZATTO; KRONKA, 2013; WERKEMA; AGUIAR, 1996; BARBIN, 2003):
� O modelo deve ser aditivo, isto é, os efeitos devem se somar (não há
interação). Isso pode ser verificado pelo teste de não aditividade de
Tukey.
� Os erros (εij) devem ter distribuição normal, que pode ser verificada
pelos testes de normalidade de X2, Lilliefors ou Shapiro Wilk.
� Os erros (εij) devem ser independentes, o que implica que os efeitos
dos tratamentos sejam independentes, isto é, que não haja correlação
entre eles.
� Os erros (εij) devem ter a mesma variância, ou seja, deve existir ho-
mocedasticidade. A variância pode ser verificada por meio dos testes
Fmáx (ou teste de Hartley ou da razão máxima), de Cochran, de Bartlett
ou de Levene.
Quando alguma dessas suposições não é atendida, uma alternativa é rea-
lizar uma transformação nos dados, como, por exemplo, utilizando logaritmos
, entre outros. Contudo, deve-se ter cuidado com as interpretações finais.
Segundo Werkema e Aguiar (1996), deve-se realizar a análise de variância
para testar a hipótese de que os efeitos dos tratamentos são iguais a zero. É
possível realizar a análise de variância considerando-se as seguintes fórmulas:
Soma total dos quadrados:
Soma dos quadrados entre tratamentos:
Residual:
SQR=SQT-SQE
Quadrados médios entre tratamentos:
Experimentos agronômicos 9
Quadrados médios residuais:
Os resultados desses cálculos são estruturados no Quadro 1, a seguir, a
fim de facilitar a análise.
Quadro 1. Análise de variância
Fonte de
variação
Soma dos
quadrados
Graus de
liberdade
Quadrado
médio F0
Entre
tratamentos
SQE k − 1 QME
Residual SQR k(n − 1) QMR
Total SQT kn − 1
Fonte: Adaptado de Werkema e Aguiar (1996).
Há, ainda, uma regra de decisão (WERKEMA; AGUIAR, 1996):
Se , pode-se concluir, com 100(1-a)% de
confiança, que as médias dos tratamentos são diferentes
Ou:
Se , pode-se concluir, com
100(1-a)% de confiança, que as médias dos tratamentos são diferentes
Nas expressões apresentadas, é o 100(1-a)% percentil
da distribuição F, com k − 1 graus de liberdade para o numerador e k(n −1)
graus de liberdade para o denominador. Confira, a seguir, um exemplo para
melhor compreensão das expressões matemáticas.
Exemplo 1
Considere uma área experimental plana, de solo bem homogêneo, com se-
mentes selecionadas de um híbrido simples de milho. Com uma semeadora,
as sementes são colocadas no solo, na mesma posição e na mesma profun-
Experimentos agronômicos10
didade. Essas sementes irão germinar. As plantas crescerão e, no momento
que emitirem o pendão (inflorescência masculina), deve-se medir as suas
alturas do solo até a inserção da folha “bandeira” (última folha).
Tudo que estava ao alcance (do pesquisador) foi controlado, portanto,
depreende-se que a variação nas alturas dos pés de milho foi devida a fatores
impossíveis de serem controlados, ou seja, foi devida à variação do acaso.
Tratamentos
Repetições
Totais1º 2º 3º 4ª 5º
A 1,58 1,58 1,22 1,22 0,71 6,31
B 1,22 0,71 0,71 1,22 1,22 5,08
C 3,53 3,24 3,81 4,18 3,39 18,15
D 2,74 3,08 3,94 2,91 3,24 15,91
45,45
Fonte: Adaptado de Barbin (2003).
Para esse exemplo, considera-se que as suposições de aditividade, distribui-
ção normal, independência e homocedasticidade de variâncias foram atendidas.
Fonte de
variação
Soma dos
quadrados
Graus de
liberdade
Quadrado
médio F0
Entre
tratamentos
26,3495 03 8,7832 62,87**
Residual 2,2349 16 0,1397 —
Total 28,5844 19 — —
Fonte: Adaptado de Barbin (2003).
Para saber se os efeitos dos tratamentos foram significativos, isto
é, se não são devidos ao acaso, deve-se consultar as tabelas de F. É
Experimentos agronômicos 11
comum o uso de tabelas aos níveis de 5 e 1% de probabilidade, as quais
devem ser consultadas nos casos de experimentos inteiramente ao
acaso com (I-1) g.l. de tratamentos no numerador e I(J-1) g.l. do resíduo
(no denominador).
Assim, tem-se que:
F3-l6-5%: 3,24 e F3-l6-1%: 5,29
Fonte: Adaptada de Barbin (2003).
O F calculado é 62,87**. Logo, F é significativo ao nível de 1% de probabili-
dade e devem-se rejeitar HO. Portanto, conclui-se que os tratamentos diferem
entre si, havendo a necessidade da aplicação de um teste de comparação de
médias de tratamentos.
Os pacotes estatísticos oferecem probabilidades de significância dos
testes. No entanto, são considerados significativos os valores de F cujas
probabilidades sejam menores ou iguais a 0,05 ou 0,01.
Agora, você já tem conhecimento de como realizar um dos experimentos
mais utilizados na agronomia. No entanto, faz-se necessário aprofundar os
seus estudos, a fim de alcançar uma execução prática com qualidade.
Referências
BANZATTO, D. A.; KRONKA, S. N. Experimentação agrícola. 4 ed. Jaboticabal: FUNEP, 2013.
BARBIN, D. Planejamento e análise estatística de experimentos agronômicos. Arapongas:
Midas, 2003.
CARGNELUTTI FILHO, A.; DAL’COL LÚCIO, A.; LOPES, S. J. Experimentação agrícola e
florestal. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, 2009.
SILVA, J. G. C. da. Estatística experimental: planejamento de experimentos. Pelotas:
Universidade Federal de Pelotas, 2007.
SOUZA, A. M. et al. Introdução a projetos de experimentos: caderno didático. Santa
Maria: Universidade Federal de Santa Maria, 2002.
Experimentos agronômicos12
STORCK, L.; LOPES, S. J.; DAL’COL LÚCIO, A. Experimentação II. 3. ed. Santa Maria: Uni-
versidade Federal de Santa Maria, 2004.
WERKEMA, M. C. C.; AGUIAR, Silvio. Planejamento e análise de experimentos: como
identificar e avaliar as principais variáveis em um processo. Minas Gerais: Fundação
Christiano Ottoni, 1996.
ZIMMERMANN, F. J. P. Estatística aplicada à pesquisa agrícola. 2. ed. Brasília, DF: Em-
brapa, 2014.
Leituras recomendadas
NAVIDI, W. Probabilidade e estatística para ciências exatas. Porto Alegre: AMGM, 2012.
OGLIARI, P. J.; ANDRADE, D. F. de. Estatística básica para as ciências agronômicas e
biológicas. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2005.
SILVEIRA, C. A. P. et al. Instruções para planejamento e condução de experimentos com
fertilizantes, inoculantes, corretivos, biofertilizantes, remineralizadores e substratos
para plantas. Pelotas: Embrapa, [201-].
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da
publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas
páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores
declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou
integralidade das informações referidas em tais links.
Experimentos agronômicos 13
Dica do professor
Um dos princípios básicos de uma experimentação é o controle local. A forma como esse princípio
é utilizado determina o tipo de delineamento que o pesquisador irá executar.
Nesta Dica do Professor, conheça melhor essas diferenças relacionadas ao controle local.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/18d558645ac59fd8d3b0218475f537c9
Exercícios
1) Um pesquisador comparou os efeitos de cinco tratamentos em relação ao crescimentode mudas
de laranjeira, 90 dias após a semeadura. Os tratamentos utilizados foram:
A – Solo de cerrado
B – Solo de cerrado + esterco
C – Solo de cerrado + esterco + NPK
D – Solo de cerrado + vermiculita
E – Solo de cerrado + vermiculita + NPK
A partir dos resultados obtidos, a que conclusão o pesquisador chegou?
A) Os resíduos diferem entre si.
B) Os resíduos não diferem entre si.
C) Os tratamentos não diferem entre si.
D) Os tratamentos diferem entre si.
E) F não é significativo.
2) Para que a execução de um ensaio inteiramente ao acaso ocorra com qualidade, permitindo
análises e conclusões confiáveis, é necessária a execução de algumas etapas.
Em qual etapa de um experimento deve-se definir a unidade experimental que será utilizada
na pesquisa?
A) Durante a execução do planejamento.
B) Durante a execução da coleta de dados.
C) Durante a análise dos dados coletados.
D) Durante a interpretação dos resultados.
E) Durante a execução do relatório.
3) Um ponto importante em uma pesquisa experimental é a determinação do tamanho das
parcelas.
Com relação ao tamanho das parcelas, qual afirmação está correta?
A) O tamanho das parcelas é definido ao acaso, por sorteio manual ou eletrônico.
B) O tamanho da unidade experimental não depende do custo para sua obtenção.
C) O tempo para a obtenção das parcelas é irrelevante para definir a unidade experimental.
D) Deve-se escolher uma parcela com um tamanho que minimize o erro amostral.
E) O objetivo da pesquisa não influencia na determinação do tamanho da parcela.
4)
X
X
X
Um experimento tem como objetivo comparar tratamentos e inferir do comportamento
deles. Para tanto, são necessários alguns princípios básicos.
Quais são os dois princípios básicos da experimentação, utilizados em um ensaio
inteiramente ao acaso?
A) Controle local e repetição.
B) Causalização e repetição.
C) Tratamento e causalização.
D) Repetição e nível de fator.
E) Causalização e controle local.
5) Um pesquisador realizou um ensaio inteiramente ao acaso para verificar se quatro tratamentos
influenciam na altura das árvores de eucalipto. Para tanto, realizou cinco repetições. Os resultados
foram analisados e originaram a seguinte tabela:
Com base nas informações apresentadas, qual foi o resultado da pesquisa?
A) Os resíduos diferem entre si.
B) Os resíduos não diferem entre si.
X
C) Os tratamentos não diferem entre si.
D) Os tratamentos diferem entre si.
E) F é significativo.
Na prática
Um bom profissional deve ser capaz de realizar as etapas iniciais da pesquisa como definição das
parcelas e dos princípios básicos da experimentação. Além disso, saber executar e interpretar
corretamente os resultados das análises de experimentos agronômicos é essencial para a obtenção
de conclusões corretas.
Veja, Na Prática, como acontecem as etapas de execução e análise dos resultados.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Manual de planejamento e análise de experimentos com R
Para aprender a realizar análises no software R, leia este material voltado para a área de agronomia.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Como o fertilizante pode ajudar na redução de nematoides em
soja
Veja como pesquisadores utilizaram experimentos casualizados para mostrar que o uso de Tractus
Smart, nas doses de 30kg/ha e 60kg/ha, apresentou excelente eficiência no manejo das espécies
de nematoides Meloidogyne javanica e Pratylenchus brachyurus por grama de raiz de soja.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Desenvolvimento de plantas enxertadas no jardim clonal de
castanheira-do-brasil da Embrapa Agrossilvipastoril
O objetivo deste trabalho foi avaliar o desenvolvimento de plantas enxertadas de castanheira pelo
método de borbulhia, após um ano e seis meses da enxertia no jardim clonal. Para tanto, foi
realizado um experimento no delineamento inteiramente ao acaso.
http://leg.ufpr.br/~walmes/mpaer/index.html
https://www.grupocultivar.com.br/artigos/como-o-fertilizante-pode-ajudar-na-reducao-de-nematoides-em-soja
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://www.alice.cnptia.embrapa.br/handle/doc/1119799