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TEMA COMENTADO NÚMERO 1 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Assunto: CITAÇÃO 
ENUNCIADO 
Bruno ajuizou ação revisional em face do Banco ZB S/A, asseverando que o 
contrato de financiamento com garantia em alienação fiduciária celebrado 
está eivado de cláusulas abusivas, sendo necessária sua revisão. O banco não 
apresentou contestação. Em sentença, os pedidos formulados por Bruno 
foram julgados totalmente procedentes. Em sede de recurso de apelação, o 
banco compareceu em juízo, alegando nulidade processual por ausência de 
citação válida, vez que não foram observadas as prescrições legais. 
Considerando o caso apresentado e as regras previstas no Código de Processo 
Civil sobre teoria das nulidades, responda aos itens a seguir. 
A - A alegação do Banco ZB S/A, de ausência de citação válida, constitui 
hipótese de nulidade processual relativa ou absoluta? Fundamente. 
B - A nulidade da citação está sujeita aos efeitos da preclusão? Fundamente. 
É procedente a alegação de nulidade da citação suscitada pelo curador? 
RESPOSTA ESPERADA 
A - Na teoria das nulidades, a inexistência de citação válida gera nulidade 
absoluta e não relativa. Como sabido, a citação é o ato de comunicação responsável 
pela transformação da estrutura do processo, até então linear - integrado por apenas 
dois sujeitos, autor e Juiz -, em triangular, constituindo pressuposto de eficácia de 
formação do processo em relação ao réu, bem como requisito de validade dos atos 
processuais que lhe seguirem, nos termos do Art. 239 e do Art. 312, ambos do CPC. 
Assim, ausência de citação ou a citação inválida configuram nulidade absoluta 
insanável por ausência de pressuposto de existência da relação processual, inteligência 
do Art. 280 do CPC. 
B - A nulidade da citação não está sujeita à preclusão, podendo ser reconhecida 
a qualquer tempo e grau de jurisdição, ultrapassando, inclusive, a barreira da coisa 
julgada, visto que, sem citação regular e/ou comparecimento espontâneo da parte não 
se pode sequer cogitar em processo, conforme prescrevem o Art. 485, § 3o e o Art. 
278, parágrafo único, do CPC. 
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TEMA COMENTADO NÚMERO 10 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Assunto: COISA JULGADA 
 
ENUNCIADO 
 
Redija, de forma fundamentada, um texto dissertativo a respeito da coisa 
julgada no sistema processual civil. Seu texto deve conter, necessariamente: 
1 - Os conceitos de coisa julgada formal e coisa julgada material; 
2 - Comentários a respeito dos limites objetivos da coisa julgada material; 
C - Comentários a respeito dos limites subjetivos da coisa julgada material; 
D - Comentários a respeito de coisa julgada nas relações jurídicas 
continuativas; 
RESPOSTA ESPERADA 
 
1 - A coisa julgada consiste na imutabilidade da norma jurídica individualizada contida 
na parte dispositiva de decisão judicial. Essa imutabilidade pode se restringir aos 
limites do processo em que a decisão foi proferida ou projetar-se para além desses 
limites — ou para “fora”. Assim, coisa julgada formal pode ser caracterizada como a 
imutabilidade dos efeitos da sentença ou de acórdão no próprio processo. Ocorre 
quando não é interposto recurso cabível contra sentença ou acórdão no prazo legal. 
Ou seja, denomina-se coisa julgada formal aquela sentença não mais sujeita a 
qualquer espécie de impugnação endoprocessual. A coisa julgada material, por sua 
vez, representa a imutabilidade do que foi decidido na sentença para “fora” do 
processo, com o fim de estabilizar as relações de direito material. Sua imutabilidade 
ocorre do ponto de vista exterior. Em geral, o termo coisa julgada faz referência à 
coisa julgada material. 
2 – Os limites objetivos da coisa julgada material dizem respeito à parte da decisão 
que fica abarcada ou imunizada de discussões e questionamentos posteriores. É, 
assim, a parte da sentença ou acórdão que não pode ser rediscutida, posteriormente, 
em nome da segurança jurídica. Pelas regras estabelecidas no Código de Processo 
Civil, em seus arts. 503 e 504, submete-se a coisa julgada material a norma jurídica 
concreta, contida na parte dispositiva da sentença. A coisa julgada material não 
abarcará a fundamentação e as questões prejudiciais abordadas, que, caso tenham 
sido colocadas principaliter tantum já na própria petição inicial ou por meio de ação 
declaratória incidental — que tem por fim ampliar os limites objetivos da coisa julgada 
—, serão também encampadas pela coisa julgada material. 
3 – Com relação aos efeitos subjetivos da coisa julgada, é preciso averiguar quem está 
submetido à coisa julgada. Nesse sentido, a coisa julgada pode ser inter partes, ultra 
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partes ou erga omnes. Em regra, o sistema processual determina que a coisa julgada 
abarcará apenas aqueles que tiverem sido partes em determinado processo (ou seja, 
a imutabilidade da decisão, os limites objetivos da coisa julgada, diz respeito somente 
às partes, e não aos terceiros). Entretanto, há exceções a essa regra em nosso 
ordenamento. É o caso da coisa julgada ultra partes, que ocorre quando a coisa julgada 
atinge não só as partes no processo, mas também terceiros que não participaram do 
processo. Há inúmeros exemplos de coisa julgada ultra partes, entre os quais os casos 
de substituição processual, legitimação concorrente, decisão favorável a um dos 
credores solidários. Por fim, a coisa julgada erga omnes é aquela cujos efeitos atingem 
a todos os jurisdicionados, tenham sido ou não partes no processo. Ocorre, por 
exemplo, nas ações coletivas que versem sobre direitos difusos ou individuais 
homogêneos e nas ações de controle concentrado de constitucionalidade. 
4 – As sentenças que disciplinam relações jurídicas continuativas nada mais são do 
que sentenças que versam sobre relação jurídica que se projeta no tempo. São aquelas 
decorrentes da relação de família, de alimentos, locatícias etc. Para parte dos 
doutrinadores, a regra do art. 505 do CPC autoriza o reexame de decisão sobre relação 
jurídica continuativa, em caso de modificação superveniente de fato ou de direito. 
Portanto, para essa parcela da doutrina, tais decisões não se tornariam imutáveis pela 
coisa julgada material. Tal raciocínio, entretanto, é equivocado na opinião de grande 
parcela da doutrina processualista. Isso porque, ao se ajuizar ação de revisão, por 
exemplo, em razão de modificação dos fatos que dão ensejo à relação jurídica 
continuativa, estar-se-á diante de uma demanda diferente, pautada em nova causa de 
pedir e novo pedido. Com isso, será produzida nova decisão e, por consequência, nova 
coisa julgada. Essa nova situação, pois, em nada violará a coisa julgada formada para 
a situação anterior. Diante disso, pode-se dizer que sentença jurídica continuativa gera 
coisa julgada material. 
 
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TEMA COMENTADO NÚMERO 9 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Assunto: NORMAS PROCESSUAIS CIVIS 
 
ENUNCIADO 
 
Responda à questão de direito processual civil na ordem como se apresenta. 
A - Explique no que consiste a denominada "decisão-surpresa" e o tratamento 
que o vigente ordenamento jurídico atribui. 
B - Quais os princípios constitucionais que estão mais intimamente ligados ao 
assunto? 
RESPOSTA ESPERADA 
A - “Decisão-surpresa”é aquela proferida pelo magistrado, contra uma das 
partes, sem que ela seja previamente ouvida, ou a decisão com base em fundamento 
a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar. O atual 
ordenamento jurídico (Código de Processo Civil de 2015) veda a “decisão-surpresa” 
por meio dos artigos 9º e 10, in verbis: 
Art. 9° Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja 
previamente ouvida. 
Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica: 
I - à tutela provisória de urgência; 
II - às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III; 
III - à decisão prevista no art. 701. 
Art. 10 - O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em 
fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se 
manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. 
Sobre o tema, assim explica HUMBERTO THEODORO JÚNIOR: 
B - Qualquer decisão que contrarie uma parte, não será tomada “sem que ela 
seja previamente ouvida” (art. 9º): as decisões judiciais não podem surpreender a 
parte que terá de suportar suas consequências, porque o contraditório moderno 
assegura o direito dos sujeitos do processo de não só participar da preparação do 
provimento judicial, como de influir na sua formulação. Aqui o Código garante, com 
nitidez, o princípio da “não surpresa” no encaminhamento e na conclusão do processo. 
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C - Por fim, mesmo que a questão tenha sido debatida amplamente, não se 
permite ao juiz decidi-la mediante fundamento ainda não submetido à manifestação 
das partes (art. 10). A vedação prevalece inclusive quando se trate de matéria 
apreciável de ofício, como explicita o dispositivo legal em referência. Mais uma vez, o 
Código prestigia o princípio da “não surpresa”. (THEODORO JÚNIOR, Humberto – Curso 
de Direito Processual Civil – Teoria geral do direito processual civil, processo de 
conhecimento e procedimento comum – vol. I. 57ª ed. rev., atual. e ampl. – Rio de 
Janeiro: Forense, 2016. Página 87) 
B - Estão diretamente ligados à vedação da “decisão-surpresa” os princípios do 
devido processo legal e do contraditório, previstos nos incisos LIV e LV do artigo 5º da 
CF/1988. 
NELSON NERY JUNIOR e ROSA MARIA DE ANDRADE NERY assim explicam, em 
comentário ao artigo 10 do CPC/2015: 
Poderes do juiz e proibição de decisão surpresa. Questões de ordem pública. A 
norma está em consonância com as garantias constitucionais do devido processo legal 
(CF 5.º caput e LIV) e do contraditório (CF 5.º LV) e não permite que o juiz ou tribunal 
decida qualquer questão dentro do processo, ainda que seja de ordem pública, sem 
que tenha sido dada às partes, previamente, oportunidade de manifestarem-se a 
respeito delas. (NERY JUNIOR, Nelson – Código de processo civil comentado – 16ª ed. 
rev., atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016. Página 223). 
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TEMA COMENTADO NÚMERO 8 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Assunto: IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DO PEDIDO 
 
ENUNCIADO 
 
Considere a seguinte situação hipotética: 
Cássio tomou emprestado de Renato R$ 5.000,00 (cinco mil reais), de modo 
que o mútuo foi formalizado por meio de instrumento particular de confissão 
de dívida. Cássio deveria devolver a quantia em 1º de agosto de 2018, mas 
não o fez. Em 5 de agosto de 2018, Renato cobrou Cássio, via e-mail. Cássio 
respondeu ao e-mail, em 6 de agosto de 2018, reconhecendo expressamente 
a dívida e informando que pagaria em 10 de agosto, juntamente com a multa 
acordada entre as partes. 
a) A cobrança realizada por Renato, em 5 de agosto de 2018, é causa de 
interrupção da prescrição? E o e-mail enviado por Cássio, em 6 de agosto de 
2018? Responda fundamentadamente. 
b) Suponha que Cássio não pague Renato e este opte por ajuizar uma ação 
para cobrá-lo. Se a pretensão de Renato estiver prescrita, poderá o 
magistrado reconhecer a prescrição de ofício, antes mesmo da citação de 
Cássio? Qual seria o recurso cabível contra essa hipotética decisão? Responda 
fundamentadamente. 
RESPOSTA ESPERADA 
a) Não, a cobrança realizada por Renato, em 5 de agosto de 2018, não é causa 
de interrupção da prescrição, por inexistência de previsão legal. Por outro lado, o e-
mail enviado por Cássio, em 6 de agosto de 2018, é causa de interrupção da 
prescrição, por força do inciso VI do artigo 202 do CC/2002, in verbis: 
Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, 
dar-se-á: 
[...] 
VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe 
reconhecimento do direito pelo devedor. 
b) Sim, o § 1º do artigo 332 do CPC/2015 permite que o juiz julgue 
“liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a ocorrência de 
decadência ou de prescrição”. Em se tratando de uma sentença, o recurso cabível é o 
recurso de apelação (artigo 332, § 2º, c/c artigo 1.009 do CPC/2015). 
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TEMA COMENTADO NÚMERO 7 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Assunto: DENUNCIAÇÃO DA LIDE 
 
ENUNCIADO 
Três veículos automotores se envolveram em uma colisão: o veículo A, 
conduzido por seu proprietário Antônio, o veículo B, conduzido por seu 
proprietário Bernardo, e o veículo C, de propriedade da Autoescola Lua 
Brilhante e conduzido, na ocasião, pelo aluno Cláudio. Em razão da colisão, os 
três veículos sofreram avarias, sem que os condutores tivessem se ferido. 
Convencido de que a responsabilidade pelo acidente foi, em igual medida, do 
condutor Bernardo e do aluno Cláudio, Antônio, que, por força do acidente, 
deixou de comparecer a uma entrevista de emprego, ajuizou demanda em 
que postulava a condenação de ambos a lhe pagarem as verbas ressarcitórias 
dos danos materiais alegadamente sofridos, e bem assim as verbas 
reparatórias dos danos morais que entendeu ter experimentado, requerendo, 
quanto a esse último pleito, que o juiz arbitrasse o valor que reputasse 
adequado à hipótese. Analisando a petição inicial, concluiu o juiz pela 
ilegitimidade passiva de Cláudio, determinando, de imediato, a sua exclusão 
do feito, embora tenha ordenado a citação de Bernardo. O magistrado não 
designou a audiência prévia de conciliação, por reputá-la, a priori, inviável. 
Regularmente citado, Bernardo ofertou contestação no prazo legal, além de 
promover a denunciação da lide em relação à Autoescola Lua Brilhante, 
atribuindo-lhe a responsabilidade exclusiva pelo acidente. 
*Nesse cenário, responda justificadamente: 
1. Qual é a espécie da responsabilidade civil atribuída a Bernardo e a da 
imputada à Autoescola Lua Brilhante? Qual a diferença entre elas? 
2. Faz jus o autor à reparação de danos morais? 
3. O não comparecimento de Antônio à entrevista de emprego teve o condão 
de lhe gerar algum dano material? 
4. Qual a natureza da decisão que excluiu do processo o réu Cláudio? Cabe 
recurso para impugná-la? 
5. Agiu corretamente o magistrado ao proceder, de imediato, ao juízo positivo 
de admissibilidade da demanda, no tocante ao réu Bernardo, tendo em vista 
o modo como foi formulado o pedido de reparação dos danos morais? Qual a 
espécie de cumulação entre os pedidos formulados? 
6. A denunciação da lide promovida pelo réu Bernardo foi medida processualadequada? 
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RESPOSTA ESPERADA 
 
Considerando a classificação da responsabilidade civil em objetiva e subjetiva, é 
imputada a Bernardo a subjetiva, a qual demanda prova da conduta, do dano, do nexo 
causal e da culpa do agente. 
Por outro lado, havendo responsabilidade de Cláudio, pode-se alegar a 
responsabilidade objetiva por parte da Autoescola, que tem como requisitos a conduta, 
o dano e o nexo causal, devendo indenizar a vítima independentemente de culpa. 
Ademais, há responsabilidade civil direta de Bernardo, pois o agente do dano é o 
responsável por sua reparação, enquanto há responsabilidade civil indireta da 
Autoescola, já que se imputa responsabilidade a pessoa distinta da causadora direta 
da lesão. 
Com relação aos danos morais, é possível defender o não cabimento, visto que, trata-
se de um acidente automobilístico sem vítimas, não extrapolando a esfera patrimonial 
do autor e nem abalando o seu íntimo. Em consonância, o não comparecimento de 
Antônio à entrevista de emprego não teve o condão de lhe gerar dano material, pois 
existiu mera expectativa de direito. 
Ressalte-se que, no caso em tela, há cumulação de pedidos na espécie simples. 
Outrossim, a decisão interlocutória que excluiu do processo o réu Cláudio 
por ilegitimidade passiva ad causam é passível de agravo de instrumento (art. 1.015, 
VII, do CPC/2015). 
Diante dos fatos narrados, cabe sustentar que o magistrado não agiu corretamente ao 
proceder, de imediato, ao juízo positivo de admissibilidade, afinal, segundo o art. 291 
do CPC/2015, a toda causa será atribuído valor certo, ainda que não tenha conteúdo 
econômico imediatamente aferível. 
Mais além, o valor da causa constará da Inicial e será, na ação indenizatória, inclusive 
a fundada em dano moral, o valor pretendido (art. 292, V, do CPC/2015). Desse modo, 
a não indicação de valor certo ao pedido ensejaria a extinção do feito sem resolução 
de mérito por inépcia (art. 330, I e § 1º do CPC/2015), devendo ser oportunizado ao 
autor sanar o vício. Não obstante, há julgado do STJ admitindo o pedido genérico de 
compensação por dano moral. 
Por fim, a denunciação da lide não foi adequada, pois, conforme o STJ, não há garantia 
própria, pretendendo-se transferir pura e simplesmente a responsabilidade pelo 
evento danoso, bem como houve prejudicialidade já que Cláudio foi excluído do feito. 
 
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TEMA COMENTADO NÚMERO 6 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Assunto: PRAZOS 
 
ENUNCIADO 
 
Um dia antes de prescrever pretensão indenizatória, Carolina ajuizou ação de 
indenização contra João e Renata, a qual foi distribuída a uma Vara Cível em 
autos eletrônicos. Três dias depois, o juízo ordenou a citação dos réus por 
Oficial de Justiça. João foi citado pessoalmente em 02/05/2022 e Renata em 
24/05/2022; os mandados de citação foram juntados aos autos em 
05/05/2022 e 26/05/2022, respectivamente. João e Renata apresentaram 
contestação por procuradores diferentes, de escritórios de advocacia 
distintos. Em preliminar, arguiram a prescrição. 
Acerca do caso proposto, responda fundamentadamente às seguintes 
questões: 
A - A pretensão indenizatória está prescrita? 
B - Qual o dia do começo do prazo para contestar para João e para Renata? 
C - João e Renata gozarão de prazo em dobro para se manifestarem nos 
autos? 
D - Como deverá proceder o Oficial de Justiça se verificar que um dos citandos 
é mentalmente incapaz? 
E - Como deverá proceder o Oficial de Justiça se, por duas vezes, procurar o 
citando em seu domicílio ou residência, sem o encontrar, e suspeitar de que 
está se ocultando para não ser citado? 
 
RESPOSTA ESPERADA 
 
A - Não, pois, de acordo com o artigo 240, § 1º, do Código de Processo Civil, “a 
interrupção da prescrição, operada pelo despacho que ordena a citação [...], retroagirá 
à data da propositura da ação”. 
B - Para ambos, o dia do começo do prazo será 26/05/2022. De acordo com o artigo 
231, inciso II, do Código de Processo Civil, “considera-se dia do começo do prazo [...] 
a data da juntada aos autos do mandado cumprido, quando a citação ou a intimação 
for por oficial de justiça”. Dispõe o § 1º, por sua vez, que “quando houver mais de um 
réu, o dia do começo do prazo para contestar corresponderá à última das datas a que 
se referem os incisos I a VI do caput”. 
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C - João e Renata não terão prazo em dobro para manifestações. Não obstante 
possuam advogados diferentes, de escritórios de advocacia distintos, dispõe o artigo 
229, § 2º, do Código de Processo Civil que o prazo em dobro não se aplica aos 
processos em autos eletrônicos. 
D - De acordo com o artigo 245 do Código de Processo Civil, se verificar que um dos 
citandos é mentalmente incapaz, o Oficial de Justiça não fará a citação e deverá 
descrever e certificar minuciosamente a ocorrência. 
E - De acordo com o artigo 252 do Código de Processo Civil, o Oficial de Justiça deverá, 
neste caso, “intimar qualquer pessoa da família ou, em sua falta, qualquer vizinho de 
que, no dia útil imediato, voltará a fim de efetuar a citação, na hora que designar”. 
Após, por disposição do artigo 253, caput, do Código de Processo Civil, “no dia e hora 
designados, o Oficial de Justiça, independentemente de novo despacho, comparecerá 
ao domicílio ou à residência do citando a fim de realizar a diligência”. De acordo com 
o §1º do citado artigo, “se o citando não estiver presente, o Oficial de Justiça procurará 
informar-se das razões da ausência, dando por feita a citação, ainda que o citando se 
tenha ocultado em outra comarca, seção ou subseção judiciárias”. Dispõe o § 2º, por 
sua vez, que “a citação por hora certa será efetivada mesmo que a pessoa da família 
ou o vizinho que houver sido intimado esteja ausente, ou se, embora presente, a 
pessoa da família ou o vizinho se recusar a receber o mandado”. De acordo com o § 
3º, “da certidão da ocorrência, o Oficial de Justiça deixará contrafé com qualquer 
pessoa da família ou vizinho, conforme o caso, declarando-lhe o nome”, e, por 
disposição do § 4º, “fará constar do mandado a advertência de que será nomeado 
curador especial se houver revelia”. 
 
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TEMA COMENTADO NÚMERO 5 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Assunto: LITISCONSÓRCIO 
 
ENUNCIADO 
 
Explique o que justifica, autoriza ou determina, conforme o caso, a 
formação dos litisconsórcios unitário, simples, necessário e 
facultativo. 
 
RESPOSTA ESPERADA 
 
Quanto à obrigatoriedade, o litisconsórcio poderá ser facultativo ou necessário. 
No facultativo, a pluralidade de litigantes ocorre por opção das partes, quando: 
houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à lide; entre as 
causas houver conexão pelo pedido ou pela causa de pedir; ou ocorrer afinidade 
de questões por ponto comum de fato ou de direito (art. 113 do CPC). No 
necessário, a pluralidade de litigantes ocorre porque a lei ou o objeto da lide 
determinam a reunião de partes (art. 114 do CPC). 
 
Quantoà necessidade de haver uma decisão uniforme para os litisconsortes, o 
litisconsórcio poderá ser simples ou unitário. No simples, a decisão não 
necessariamente será a mesma para os litisconsortes, enquanto que no unitário a 
decisão deverá ser a mesma para todos os litisconsortes (art. 116 do CPC). Assim, 
caso a relação jurídica seja una (indivisível), ou seja, não passível de ser decidida 
de modo diferente para cada um dos litisconsortes, acontecerá o litisconsórcio 
unitário. 
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TEMA COMENTADO NÚMERO 4 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Assunto: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO E PRECLUSÃO 
 
ENUNCIADO 
 
Em agosto de 2018, fora prolatada sentença em um processo julgando 
procedente o pedido de determinado Requerente. Insatisfeito, o Requerido 
interpôs Embargos de Declaração no sexto dia útil após a intimação da 
sentença com o intuito de sanar eventual omissão do julgado. Meses depois, 
após certificação feita pelo cartório e sem que a outra parte fosse sequer 
ouvida, o Juízo não conheceu os embargos de declaração aduzindo sua 
intempestividade. No segundo dia após ciência da decisão sobre o não 
conhecimento dos Embargos Declaratórios, o Requerido interpôs Apelação, a 
qual não fora admitida pelo Juízo, sob o argumento que a sentença já havia 
transitada em julgado quinze dias úteis após a sua prolação, uma vez que os 
Embargos Declaratórios não foram sequer conhecidos, aduzindo portanto, a 
preclusão temporal. 
No caso retratado, agiu corretamente o Juízo de primeiro grau ao inadmitir a 
Apelação? Justifique e fundamente. Qual princípio ou quais princípios a 
ausência de intimação da parte contrária para se manifestar acerca dos 
Embargos Declaratórios opostos ferem? Acerca da preclusão, quais são as suas 
formas de ocorrência em relação às partes? Quais são os recursos cabíveis em 
tese contra a decisão que não admitiu a Apelação? Fundamente e justifique 
sua resposta. 
RESPOSTA ESPERADA 
 
A regra processual determina que basta a interposição de Embargos Declaratórios para 
interromper os demais prazos recursais referentes à parte. Ainda que os Embargos 
Declaratórios sejam protelatórios, não sejam conhecidos ou não sejam providos, o 
prazo se interrompe apenas com a sua interposição, EXCETO nos casos de 
intempestividade, conforme entendimento do STJ no AgRg 908561/SP. 
Desta forma, a sentença transitou em julgado quinze dias úteis após a sua prolatação. 
A intimação da parte contrária se faz necessária apenas nos casos em que há caráter 
infringente (modificativo) da decisão. No caso em análise, a não intimação da parte 
contrária não violou o princípio do contraditório pois não houve prejuízo algum à parte 
Requerente. 
 
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A ausência de intimação da parte contrária para se manifestar acerca dos embargos 
declaratórios opostos ferem os princípios do contraditório e da não surpresa. Em 
relação à preclusão, esta pode ocorrer para a parte das seguintes formas: preclusão 
temporal (em virtude de ter transcorrido um prazo determinado), preclusão 
consumativa (em virtude da prática de determinado ato. Ex.: uma vez contestada a 
ação, não é possível emendá-la ou complementa-la) e preclusão lógica (em virtude da 
incompatibilidade dos atos entre si. 
Ex.: O reconhecimento dos pedidos feitos na petição inicial impede o oferecimento de 
contestação). Contra a decisão que inadmitiu a Apelação são cabíveis Agravo de 
Instrumento e Embargos Declaratórios. 
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TEMA COMENTADO NÚMERO 3 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Assunto: SENTENÇA 
 
ENUNCIADO 
 
O autor ajuíza ação condenatória em que formula 3 (três) pedidos (A, B e C) 
cada um deles no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). 
1 - Ao receber a inicial, o juiz verifica que o pedido (A) dispensa fase instrutória 
e contraria entendimento firmado em incidente de resolução de demandas 
repetitivas (IRDR). 
2 - Apresentada a contestação, o magistrado verifica que o réu reconhece o 
direito do autor em relação ao pedido (B), mas impugna o pedido (C), alegando, 
preliminarmente, ilegitimidade do autor e, no mérito, rebate os fatos alegados 
na inicial, requerendo produção de prova pericial e testemunhal no que se 
refere a tais fatos. O réu também contesta o pedido A. 
3 - Após a instrução, o magistrado detecta ilegitimidade ativa em relação ao 
pedido C. 
Diante do narrado, explique cada um dos três estágios processuais e discorra 
em separado sobre sua natureza jurídica, recorribilidade e possibilidade de 
retratação do juiz após eventual impugnação. 
RESPOSTA ESPERADA 
 
1) Considerando que a apreciação do pedido “A” dispensa fase instrutória e este vai de 
encontro a entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) 
julgado pelo presente Tribunal de Justiça, julgar de plano improcedente referido pleito, com 
base no art. 332, III, do CPC/2015. 
Sobre a natureza, recorribilidade e retratação: como houve a rejeição liminar de apenas um 
dos pedidos cumulativamente feitos, trata-se de decisão interlocutória e contra tal capítulo 
decisório caberá agravo de instrumento (art. 1.015, Il, do CPC/2015), que comporta o juízo de 
retratação (art. 1.018, §1°, do CPC/2015). 
2) Diante do reconhecimento do direito do autor em relação ao pedido “B”, no valor de 
R$10.000,00 (dez mil reais), o pleito resta incontroverso, de modo que deve ser realizado o 
julgamento antecipado parcial do mérito, para declarar a procedência do referido pedido “B”, 
nos termos do art. 356, I, do CPC/2015. 
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Sobre a natureza, recorribilidade e retratação: a decisão de julgamento antecipado parcial do 
mérito tem natureza de decisão interlocutória de mérito, recorrível através de agravo de 
instrumento (art. 356, § 5º, e 1.015, Il, ambos do CPC/2015) e, por conseguinte, comporta 
também juízo de retratação (art. 1.018, §1°, do CPC/2015). 
3) Diante das provas colacionadas aos autos, deve ser acolhida a preliminar de 
ilegitimidade ativa em relação ao pedido “C”, extinguindo o feito sem resolução de mérito nos 
moldes dos arts. 330, II, e 485, VI, ambos do CPC/2015. 
Sobre a natureza, recorribilidade e retratação: considerando que houve sentença de extinção 
do feito sem resolução de mérito por ausência de legitimidade ativa, caberá apelação (art. 331 
e art. 1.009, ambos do CPC/2015) e admite-se o juízo de retratação (art. 331 do CPC/2015) 
 
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TEMA COMENTADO NÚMERO 2 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Assunto: REVELIA 
 
ENUNCIADO 
 
A contestação está para o réu como a petição inicial está para o autor. 
Trata-se do instrumento da exceção exercida (exercício do direito de 
defesa), assim como a petição inicial é o instrumento da demanda (ação 
exercida). É pela contestação que o réu apresenta a sua defesa. 
 
Considerandoque o texto tenha caráter exclusivamente motivados, 
redija um texto dissertativo acerca do tema a seguir. 
 
A revelia no direito processual civil. 
 
Ao elaborar seu texto, aborde necessariamente, os seguintes aspectos: 
 
A) A natureza jurídica da revelia; 
 
B) Os efeitos da revelia; e 
 
C) O impacto da revelia no resultado do processo. 
 
RESPOSTA ESPERADA 
 
De acordo com o art. 238 do CPC/2015, a citação é o ato pelo qual são convocados 
o réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual. 
Considerando que o réu tem o ônus de se defender, haverá revelia quando, 
citado, permanecer inerte, oferecer contestação fora de prazo ou apresentar 
defesa sem impugnação dos fatos narrados. 
 
Destarte, quando citado, é o réu advertido das consequências que poderão advir 
da sua omissão (art. 250, II, do CPC/2015). Assim, a revelia consiste na omissão 
do réu que não se contrapõe ao pedido formulado na inicial, sendo uma espécie 
do gênero contumácia, específica para a hipótese de o réu não apresentar defesa. 
Afinal, a contumácia é a inércia de qualquer das partes, que deixa de praticar um 
ato processual que era seu ônus. 
 
Da revelia poderão advir duas consequências, quais, sejam, a presunção de 
veracidade dos fatos narrados na petição inicial (arts. 341 e 344 do 
CPC/2015) e a desnecessidade de intimação do réu para os demais atos do 
processo (art. 346 do CPC/2015). Não obstante, não se pode confundir a revelia, 
isto é, o estado processual daquele que não apresentou contestação, com os 
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efeitos dela decorrentes, pois a própria lei pode eximir o revel das consequências. 
 
Sobre a veracidade dos fatos, saliente-se que não há presunção absoluta, mas 
relativa, de modo que o magistrado, em princípio, concluirá que os fatos 
ocorreram consoante narrado pelo autor, o que não o obriga a extrair as 
consequências jurídicas pretendidas pelo demandante. Logo, a falta de 
contestação não enseja automaticamente à procedência do pedido. 
 
Mais além, o art. 345 do CPC/2015 expressamente afasta a presunção de 
veracidade em determinados casos. São eles: a pluralidade de réus, quando um 
deles contesta a ação; o litígio que versa sobre interesse indisponível; a 
petição inicial desacompanhada de instrumento público que a lei considere 
indispensável à prova do ato; a alegação de fato inverossímil ou em contradição 
com a prova constante dos autos. 
 
Ademais, segundo o art. 341 do CPC/2015, não haverá presunção de veracidade 
ainda que não haja impugnação específica dos fatos narrados na inicial para entes 
que não têm o ônus da impugnação especificada, quando não for admitida a 
confissão e quando estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu 
conjunto. 
 
 
 
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