Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

CONVERSA DE CONVERSA DE
GEÓGRAFA & SOCIÓLOGO
Leia os trechos a seguir para refletir sobre a formação das redes geográficas. O Texto I é de autoria da 
geógrafa brasileira Leila Christina Dias; o Texto II, é de Zygmunt Bauman (1925-2017), sociólogo e filósofo 
polonês, que estudou a compreensão das relações afetivas na contemporaneidade.
 1 Compare a posição dos dois autores sobre as redes geográficas e aponte 
semelhanças e divergências.
 2 Em relação ao Texto I, quais são as principais transformações ocorridas no 
espaço geográfico mediante o progresso das técnicas?
 3 Em relação ao Texto II, quais são as críticas do autor às tecnologias de su-
porte às redes na sociedade atual?
REDES E GLOBAL IZAÇÃO
Existem inúmeros tipos de rede, desde as que alimentam os aparelhos eletro-
eletrônicos das residências (rede elétrica) até as que alimentam o acesso a infor-
mações ou postagens em redes sociais digitais (internet).
Além dessas, existem redes que contribuem para a reprodução e a ampliação da 
economia global. O período pós-Guerra Fria, a partir da década de 1990, foi marcado por 
uma reestruturação das atividades econômicas no espaço mundial. Entre as mudanças, 
podemos citar a abertura econômica e comercial induzida pelos Estados nacionais, o 
fortalecimento e a criação de grandes blocos regionais e a expansão da industrializa-
ção para países emergentes e em desenvolvimento, com a instalação de unidades de 
grandes empresas multinacionais nas quais se operam algumas etapas da produção.
T E X T O I
Uma leitura da história das técnicas nos mos-
tra o quanto as inovações nos transportes e 
nas comunicações redesenharam o mapa do 
mundo no século 19. [...] As trilhas e os ca-
minhos foram progressivamente substituídos 
pelas estradas de ferro no transporte de bens 
e mercadorias; com o advento do telégrafo e 
em seguida do telefone, a circulação das or-
dens e das novidades já dispensava a figura 
do mensageiro. Todas estas inovações, fun-
damentais na história do capitalismo mun-
dial, se inscreveram e modificaram os espa-
ços nacionais, doravante sulcados por linhas 
e redes técnicas que permitiram maior velo-
cidade na circulação de bens, de pessoas e de 
informações.
DIAS, L. C. Redes: emergência e organização. In: 
CASTRO, I. E.; GOMES, P. C. C.; CORRÊA, R. L. 
Geogra�a: conceitos e temas. 2. ed. Rio de Janeiro: 
Bertrand Brasil, 2000. p. 141-142.
T E X T O I I
Tecnologias que efetivamente se livram do 
tempo e do espaço precisam de pouco tem-
po para despir e empobrecer o espaço. Elas 
tornam o capital verdadeiramente global; fa-
zem com que todos aqueles que não podem 
acompanhar nem deter os novos hábitos nô-
mades do capital observem impotentes a de-
gradação e desaparecimento do seu meio de 
subsistência e se indaguem de onde surgiu 
a praga. As viagens globais dos recursos fi-
nanceiros são talvez tão imateriais quanto a 
rede eletrônica que percorrem, mas os vestí-
gios locais de sua jornada são dolorosamente 
palpáveis e reais: o “despovoamento qualita-
tivo”, a destruição das economias locais [...], 
a exclusão de milhões impossíveis de serem 
absorvidos pela nova economia global.
BAUMAN, Z. Globalização: as consequências 
humanas. 1. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 
1990. p. 72.
115
V2_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap5_110a131_LA.indd 115V2_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap5_110a131_LA.indd 115 9/21/20 2:17 PM9/21/20 2:17 PM
Esse momento da história aprofundou significativamente a globalização, pois 
a abrangência do espaço da produção das empresas para além dos territórios 
nacionais ganhou escala inédita. Isso gerou maior circulação de informações e 
mercadorias, além de aprofundar a interdependência entre lugares. A econo-
mia se articulou definitivamente em escala global. Diferentes lugares e países 
trocam – além de produtos finais – insumos primários e produtos intermediá-
rios, criando interações e integração econômica mundial.
As cadeias globais de produção industrial formam redes dentro das próprias 
empresas e também entre corporações. As grandes empresas multi e transna-
cionais instalam unidades ou terceirizam serviços e parte da produção em di-
versos locais do mundo com o objetivo de obter vantagens econômicas, acessar 
mão de obra mais barata ou ter menores gastos com impostos e se aproximar 
de novos mercados consumidores.
As empresas contratadas e as subsidiárias produzem as mercadorias, que 
são transportadas para a montagem final. Após essa etapa, as mercadorias 
são distribuídas por lojas, hipermercados ou mercados de bairros para que a 
população possa consumir os produtos ou usufruir de serviços. A configuração 
e a coordenação das etapas das atividades econômicas se realizam em redes. 
Isso ocorre desde a agricultura – e outras atividades ligadas aos setores mais 
tradicionais da economia – até os serviços mais automatizados e sofisticados, 
como redes bancárias e negociações em bolsas de valores.
A economia global evidencia conexões em rede de diversos atores. As trocas 
e interações incessantes são operadas por meio de combinações de redes com 
extensão variável, podendo limitar-se aos territórios nacionais, articular-se 
em um espaço suprarregional (como os blocos regionais) ou, ainda, vincular 
lugares em posições opostas no globo. Além das relações de proximidade e 
distâncias, deve-se considerar a velocidade das interações: a circulação pode 
ocorrer de modo rápido ou lento, dependendo dos meios técnicos disponíveis e 
da capacidade de agir dos atores em rede.
A reestruturação das atividades econômicas no espaço incluiu o deslocamento de algumas 
etapas da produção dos países ricos para os menos desenvolvidos, gerando desemprego no 
setor industrial de países tradicionalmente industrializados. A charge de Bruno Galvão, de 
14 de janeiro de 2009, representa a demissão de trabalhadores em linhas de montagem.
subsidiária
empresa comercial que, 
embora controlada por 
outra empresa, detém 
grande parte ou o total 
de suas ações.
Uma das grandes 
correntes teóricas nos 
estudos sobre rede é 
a teoria do ator-rede 
(TAR), desenvolvida por 
estudiosos franceses 
nos anos 1980. Nela, 
a proposta é romper a 
barreira entre sujeito 
e objeto. Em vez disso, 
o mundo é composto 
por atores, humanos 
e não humanos, que 
assumem posições e 
interesses próprios. Eles 
formam uma rede de 
interação e influência 
mútua, cuja interpretação 
(ou tradução) define o 
movimento e a direção 
da própria rede. A TAR 
pode ser considerada 
uma das teorias-chave 
no entendimento da 
globalização e suas 
consequências.
OBSERVE QUE . . .
B
r
u
n
o
 G
a
lv
ã
o
/A
c
e
r
v
o
 d
o
 c
a
rt
u
n
is
ta
116
V2_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap5_110a131_LA.indd 116V2_CIE_HUM_Vainfas_g21Sa_Cap5_110a131_LA.indd 116 9/21/20 2:17 PM9/21/20 2:17 PM

Mais conteúdos dessa disciplina