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Patrícia Luzia Cecatto do Prado 
Acadêmica da Universidade Paranaense – UNIPAR 
Rua Wenceslau Braz, 410 – Centro, Dois Vizinhos - PR, CEP: 85660-000 
patycecatto@hotmail.com 
Samara Cecilia Bólico Strassburg 
Acadêmica da Universidade Paranaense – UNIPAR 
Av. Rio Grande do Sul, 1745 – Centro, Planalto – PR, CEP: 85750-000 
 
 
PSICOPATIA E PRÁTICAS CRIMINOSAS: uma revisão sistemática da literatura 
PSYCHOPATHOLOGY AND CRIMINAL PRACTICES: a systematic review of 
literature 
PSICOPATIA E PRÁTICAS CRIMINOSAS 
 
Artigo de estudo teórico apresentado à disciplina de 
Trabalho de Conclusão do Curso para Universidade 
Paranaense como requisito parcial para obtenção do 
título de bacharel em psicologia. 
Orientadora: Profª. Ms. Everline Bedin Camargo 
 
 
 
 
Francisco Beltrão 
2018 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PSICOPATIA E PRÁTICAS CRIMINOSAS: uma revisão sistemática da literatura 
PSYCHOPATHOLOGY AND CRIMINAL PRACTICES: a systematic review of 
literature 
PSICOPATIA E PRÁTICAS CRIMINOSAS 
 
Artigo de estudo teórico apresentado à disciplina de 
Trabalho de Conclusão do Curso para Universidade 
Paranaense como requisito parcial para obtenção do 
título de bacharel em psicologia. 
Orientadora: Profª. Ms. Everline Bedin Camargo 
 
 
 
 
 
 
Francisco Beltrão 
2018 
1 
 
 
Resumo 
A psicopatia é considerada como uma alteração em aspectos da personalidade. Esses indivíduos se destacam 
pela capacidade de não sentir empatia, ausência do sentimento de culpa e impulsividade, dificuldades em 
seguir regras sociais, não observância a consequências dos seus atos e não responsabilização por eles. Dessa 
forma apresentam um perfil com tendência a se envolver em práticas criminosas. O presente artigo, por meio 
de uma revisão teórica da literatura, tem por objetivo discutir a psicopatia, a fim de relacioná-la com a 
segunda variável. Apesar da escassez de estudos, devido à complexidade do assunto, a pesquisa obteve 
resultados conclusivos, pois como é apontado pelos autores, percebe-se a existência de personalidades 
psicopáticas que se destacam em seus crimes, como agressores sexuais, conjugais e homicidas. 
Palavras-Chave: psicopatia, psicopatas, práticas criminosas, psicologia forense. 
 
Abstract 
Psychopathy is considered as a change in aspects of personality. These individuals stand out 
because of their lack of empathy, guilt and impulsivity, difficulties in following social rules, not 
observing the consequences of their actions and not being responsible for them. In this way they 
present a profile with a tendency to involved in criminal practices. This article, through a theoretical 
review of the literature, aims to discuss psychopathy in order to relate it to the second variable. 
Despite the lack of studies, due to the complexity of the subject, the research obtained conclusive 
results, because as it is pointed out, it is possible to notice the existence of psychopathic 
personalities that stand out in their crimes, as sexual, marital and homicidal aggressors. 
Keywords: psychopathy, psychopaths, criminal practices, forensic psychology. 
 
 
 
 
3 
 
A psicologia forense ou psicologia jurídica, como também é conhecida por alguns 
pesquisadores, se caracteriza como uma interface entre a psicologia e o direito (GOMIDE, 2016) o 
psicólogo desta área deve buscar estudar o comportamento humano para aplicar os conhecimentos 
psicológicos ao sistema legal, de forma a auxiliá-lo em aspectos como psicopatia, inimputabilidade, 
avaliação de risco, danos pessoas e responsabilidade civil (HUSS, 2011). 
São muitas as atividades possíveis de serem realizadas pelos psicólogos forenses, uma das 
mais comumente realizadas são avaliações em casos de inimputabilidade, sendo que “essas 
avaliações são necessárias para determinar se os acusados exibiam aptidão mental suficiente no 
momento de seus crimes para serem responsabilizados por eles” (HUSS, 2011, p.25). 
A Psicologia do Crime é apresentada como uma das áreas de atuação dentro da psicologia 
forense, esta é entendida como a ciência que estuda os comportamentos de jovens e adultos 
infratores, aspectos de como o comportamento é adquirido, evocado, mantido e modificado. Além 
disso, “A psicologia criminal examina e avalia a prevenção, intervenção e estratégias de tratamento 
direcionadas a reduzir o comportamento criminoso e antissocial” (GOMIDE, 2016, p. 21). 
A preocupação da Psicologia Forense, mais especificamente dentro da Psicologia do Crime, 
envolve questões acerca do criminoso psicopata. Por ser um tema complexo e ainda envolto de 
questionamentos, reconhecer e avaliar esses indivíduos é um desafio para a área, devido não só as 
características específicas que eles apresentam, mas como também a falta de instrumentos para tal 
avaliação (DAVOGLIO & ARGIMON, 2010). 
 A psicopatia é um assunto que vem ganhando destaque da mídia, pela capacidade desses 
sujeitos em fazer mal às outras pessoas, mesmo tendo total juízo da realidade, por isso é cada vez 
mais complexo de se conceituar, diagnosticar e tratar. Sabe-se que os psicopatas constituem uma 
porcentagem significativa da população atual, e grande parte apresentam violação das regras 
sociais, tornando-se criminosos, no entanto é interessante lembrar que muitos estão fora das prisões 
usando de sua habilidosa personalidade adaptativa e manipulativa para espalhar a devastação na 
4 
 
sociedade, passando por cima de quem for necessário, sem medir as consequências de seus atos 
(HARE, 2013). 
Entende-se a psicopatia como uma grave alteração da personalidade pelas características 
peculiares encontradas nesses sujeitos, sendo algumas delas, a falta de empatia, a ausência de culpa 
e impulsividade, ou seja, eles não possuem capacidade de prever as consequências dos seus atos ou 
de se sentir responsabilizados por eles, não se adaptando as regras socialmente impostas, por isso, 
apresentam tendência a desenvolver comportamentos antissociais e por assim, se envolver em 
práticas criminosas (MORANA; STONE; ABDALLA-FILHO, 2006). Apesar de serem 
reconhecidos por sua insensibilidade frente a outros e apresentar tendência a se envolver em 
práticas criminosas, é importante lembrar que, nem todos seguem esse padrão (GONÇALVES & 
SOEIRO, 2010). 
Neste sentido, buscar conhecer melhor o tema dentro da psicologia forense, através de um 
revisão da literatura acerca do tema, é importante para se conhecer os aspectos que constituem a 
personalidade desse sujeito e de que forma eles se apresentam, assim o estudo tem a proposta de 
agregar positivamente as pesquisas dentro da área forense e criminal, e também para conhecimento 
da sociedade. Além disso, dentro da área carcerária, o estudo é significativo com esse público para 
fins de identificação e maior atenção relativa a seus respectivos comportamentos, para que esses 
indivíduos não afetem os demais, além de alertar para o cuidado com o que eles apresentam, diante 
da grande probabilidade de reincidência que esse público registra. 
 
METODOLOGIA 
A presente pesquisa constitui-se como um estudo teórico-bibliográfico com três fases 
distintas: começando pela revisão sistemática de literatura, após uma avaliação crítica dos artigos e 
pôr fim a síntese dos resultados. A pesquisa é composta de artigos científicos e livros que falassem 
da psicopatia, desde o seu constructo à sua identificação e avaliação. Os artigos foram pesquisados 
nas bases de dados on-line Bireme, Scielo.org, Lilacs, utilizando-se de descritores como: psicopatia 
5 
 
e criminoso psicopata. No entanto, houve limitação da pesquisa a artigos nacionais ou que tivessem 
o texto traduzido para o português, bem como, posteriormente, com os trabalhos encontrados um 
processo de análise e elegibilidade foi realizado. 
Os artigos foram, inicialmente, selecionados por título, utilizando-se os trabalhos que 
referenciassem psicopatia principalmente no âmbito criminal. Emseguida, foi feita a leitura dos 
resumos dos artigos, nos quais, além das mesmas palavras-chaves devendo estar presentes no texto, 
procuramos relevância com a proposta do estudo, ou seja, trabalhos com estrutura metodológica 
apropriada e resultados que agregassem de alguma forma ao assunto desta pesquisa. Por último, foi 
realizada a leitura completas de seus conteúdos. 
Todos os artigos encontrados utilizaram de metodologia própria, seja ela de revisão 
bibliográfica ou pesquisa de campo, devido à escassez de pesquisas com resultados nessa área, não 
adotamos, como critério de exclusão, a metodologia dos trabalhos, dessa forma, os artigos 
encontrados foram explorados de forma a obter compreensão a respeito da Psicopatia, assim como, 
seu conceito, suas características e as consequências causadas por estes indivíduos na sociedade, 
principalmente nas situações envolvendo criminosos perigosos, levando em conta a metodologia 
adotada pelos artigos selecionados. 
 
ASPECTOS CONCEITUAIS DA PSICOPATIA 
As literaturas e estudos indicam que a psicopatia se apresenta como uma série de condutas, 
que são resultados de fatores biológicos e da personalidade, mas que também são influenciados por 
antecedentes familiares e acontecimentos do ambiente. Por isso, definir psicopatia é um trabalho 
complexo, pois esta foi alvo de inúmeras evoluções no meio científico e também de muitas 
suposições estabelecidas pelo senso comum. Em seu estudo, Gonçalves e Soeiro (2010), apresentam 
o estado da arte do conceito da psicopatia e explicam que Pinel (1809) foi o primeiro a introduzir o 
conceito de forma mais específica, chamou-o inicialmente de “mania sem delírio”, para aqueles 
6 
 
pacientes que tinham características de um quadro de mania, mas não apresentavam delírios ou 
problemas cognitivos. 
Os autores ainda apresentaram em seu estudo as contribuições de outros autores na 
construção do constructo e mostraram que apesar de discordarem em alguns pontos, observa-se um 
consenso entre os indicadores desse constructo. Como resultado, definem o conceito de psicopatia 
como um conjunto de características ou traços de personalidade, apresentadas pelos autores 
Ckeckley e Hare, podendo estas, estar presentes tanto em indivíduos criminosos como em 
indivíduos sem histórico criminal, que se inicia na infância, piorando na adolescência e persistindo 
na fase adulta (GONÇALVES & SOEIRO, 2010). 
Porém, são encontradas em várias pesquisas informações que como na tese de Evangelista 
(2015) foi Kraepelin (1904) que introduziu oficialmente o termo de “personalidade psicopática”, o 
autor encontrou um subgrupo de indivíduos que “se caracterizavam pela sua eloquência e charme, 
mas detentores de uma total ausência de moralidade ou lealdade para com os outros”, ressaltando 
que esses sujeitos teriam tendência a se envolver em vários tipos de fraudes, pois possuem vasto 
talento em manipulação. A autora conclui então que a psicopatia é um constructo que foi construído 
ao longo de décadas, baseado em pesquisas científicas e também em opiniões clínicas, por isso, a 
dificuldade em claramente defini-lo, mas possível de ser avaliado, com os instrumentos disponíveis 
para esse fim. 
Além disso, são inúmeros os estudos encontrados que apresentaram contribuições para a 
evolução do conceito e do diagnóstico da psicopatia, por exemplo, vários autores destacam em seus 
trabalhos, o estudo de Cleckley, como um dos pioneiros a apresentar as características desses 
indivíduos em seu mais famoso livro “The Mask of Sanity” (1941) no qual, apresentou o perfil da 
psicopatia, indicando traços marcantes da perturbação (GONÇALVES & SOEIRO, 2010; 
DAVOGLIO & ARGIMON, 2010), sendo eles, 
(1) Encanto superficial e boa inteligência; (2) Inexistência de 
alucinações ou de outras manifestações de pensamento irracional; (3) 
7 
 
Ausência de nervosismo ou de manifestações neuróticas; (4) Ser 
indigno de confiança; (5) Ser mentiroso e insincero; (6) Egocentrismo 
patológico e incapacidade para amar; (7) Pobreza geral nas principais 
relações afectivas; (8) Vida sexual impessoal, trivial e pouco 
integrada; (9) Ausência de sentimentos de culpa ou de vergonha; (10) 
Perda específica da intuição; (11) Incapacidade para seguir qualquer 
plano de vida; (12) Ameaças de suicídio raramente cumpridas; (13) 
Raciocínio pobre e incapacidade para aprender com a experiência; 
(14) Comportamento fantasioso e pouco recomendável com ou sem 
ingestão de bebidas alcoólicas; (15) Incapacidade para responder na 
generalidade das relações interpessoais; (16) Exibição de 
comportamentos anti-sociais sem escrúpulos aparentes (CLECKLEY, 
1941, citado por GONÇALVES & SOEIRO, 2010, p. 229). 
 Cleckley (1941/1976) destaca ainda, que para ele a principal característica do indivíduo 
psicopata seria a falta de resposta afetiva em relação às outras pessoas, o que daria então abertura 
para o envolvimento com comportamentos antissociais. O estudo deste autor foi a base para as mais 
recentes definições acerca do conceito de psicopatia, pois são critérios apresentados pelo autor que 
fizeram parte da base inicial das investigações desenvolvidas (GONÇALVES & SOEIRO, 2010). 
 As contribuições do autor influenciaram na época, as definições existentes no DSM-III 
(Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders - Manual Diagnóstico e Estatístico de 
Transtornos Mentais) e a psicopatia acabou sendo limitada ao conceito de Transtorno de 
Personalidade antissocial, que entende como necessário, para seu diagnóstico, a presença 
obrigatória de crimes e delitos (DAVOGLIO & ARGIMON, 2010; SILVA, VASCONCELLOS, 
DAVOGLIO, GAUER, KOSSON, 2012). Os demais DSMs seguiram basicamente a mesma linha, 
apresentaram critérios para o diagnóstico que se assemelham muito das características propostas por 
Cleckley e Hare (SHINE, 2000). 
8 
 
 Entretanto, apesar da confusão acerca de alguns sintomas entre psicopatia e Transtorno de 
Personalidade Antissocial (TPA), conforme está apresentado no DSM-V (APA, 2013). Os critérios 
de transtorno de personalidade se limitam a avaliar apenas características comportamentais 
antissociais da psicopatia, deixando de observar questões afetivas e interpessoais de destaque nesses 
indivíduos (VASCONCELLOS, SILVA, DIAS, DAVÓGLIO, GAUER, 2014). Dessa forma, 
embora psicopatia, TPA e sociopatia compartilhem alguns sintomas, elas funcionaram segundo 
Shine (2000) como categorias sobrepostas e complementares. 
Com o objetivo de avançar nos estudos acerca da definição e do diagnóstico, no ano de 
1976, Hare, Hart e Harpur com base nos estudos de Cleckley complementam seus critérios, 
apresentando novas características e deixando o conceito e o diagnóstico ainda mais complexo, 
envolvendo tanto aspectos interpessoais e afetivos da personalidade, como comportamentos de 
desvio social (DAVOGLIO & ARGIMON, 2010), e assim, 
[...] a Psicopatia ficou caracterizada pela presença de problemas de 
conduta na infância; inexistência de alucinações e delírios; ausência de 
manifestações neuróticas; impulsividade e ausência de autocontrole; 
irresponsabilidade; encantamento superficial, notável inteligência e 
loquacidade; egocentrismo patológico, autovalorização e arrogância; 
incapacidade de amar; grande pobreza de reações afetivas básicas; 
sexualidade impessoal e pouco integrada; falta de sentimento de culpa 
e vergonha. Além disso, a pessoa se apresenta como indigna de 
confiança; com falta de empatia nas relações interpessoais; faz 
manipulação do outro através de recursos enganosos; mente e não é 
sincero. Há perda específica da intuição; incapacidade para seguir 
qualquer plano de vida; conduta antissocial sem arrependimento 
aparente; ameaças não cumpridas de suicídio e incapacidade de 
9 
 
aprender com a própria experiência (GAUER & CATALDO NETO, 
2003, apud DAVOGLIO & ARGIMON, 2010, p. 112). 
 Sendo assim, Hare foi um importante autor a evoluir nos estudosiniciados por Cleckley 
(1941) e deu um passo adiante ao transformar as definições conceituais do autor em algo objetivo, 
possível de ser mensurado, quantificado e identificado, por meio de ferramentas estatísticas. Em seu 
livro Sem Consciência apresentou relatos de sua experiência com esses indivíduos, assim como 
exemplificou suas características, uma por uma, separando-os em primários e secundários, além 
disso, demostrou os cuidados a serem tomados por nós, profissionais da área ou não, ao 
encontrarmos pessoas com tais traços (HARE, 2013). 
Atualmente, dentro da psicologia forense a psicopatia é entendida como “[...] um grupo de 
traços ou alterações de conduta em sujeitos com tendência ativa do comportamento, tais como 
avidez por estímulos, delinquência juvenil, descontroles comportamentais, reincidência criminal, 
entre outros” (AMBIEL, 2006, p. 265). Sendo assim, é considerada como uma das mais graves 
alterações de personalidade, pois boa parte desses indivíduos é responsável por um grande número 
de crimes violentos. O autor, enfatiza em sua pesquisa a atenção que os profissionais devem ter ao 
lidar com esse público, pois são eles que possuem os maiores índices de reincidência encontrados. 
Os autores Cooke, Michie, Hart e Clark (2004) citado por Filho, Teixeira, Dias (2009), em 
seu estudo defendem há possibilidade de que determinados sintomas da psicopatia seriam a causa 
do aparecimento de condutas antissociais, por exemplo, os sintomas interpessoais de grandiosidade 
explicariam os psicopatas a desenvolverem atos criminosos sádicos, movidos pelo desejo de 
controle, sintomas como os de ausência de empatia e ansiedade resultam na dificuldade de se 
controlar os pensamentos violentos, e a impulsividade estaria relacionada ao fato do sujeito cometer 
atos criminosos sem ter total entendimento das consequências dos seus atos. Dessa forma, propondo 
que se pensasse se os comportamentos antissociais poderiam ser consequências da psicopatia e não 
sintomas. 
10 
 
Essa questão, atualmente, ainda não apresenta nenhum estudo concreto, entretanto segundo 
os autores, que posteriormente também influenciaram os trabalhos de Hare, McCord e McCord 
(1964, apud SOEIRO & GONÇALVES, 2010), a psicopatia estaria ligada a incapacidade de amar e 
a ausência de sentimento de culpa e essas características seriam a base do surgimento dos 
comportamentos antissociais apresentados por esses indivíduos. Os autores ainda destacaram 
algumas outras importantes características e definiram o psicopata como um indivíduo com 
personalidade desajustada, que é regulada por desejos primitivos e pela incansável busca por 
diferentes sensações. 
Com base nas características apresentadas por Hare (2013), ao longo de muitos anos de 
estudos, destacamos algumas delas do perfil emocional. Os psicopatas se apresentam como sujeitos 
eloquentes e superficiais, o que significa que eles podem apresentar uma conversa divertida e 
envolvente, são capazes de contar histórias improváveis, mas convincentes. Também, são 
egocêntricos e grandiosos, ou seja, possuem uma visão narcisista e extremamente vaidosa de si 
mesmos, se colocam como seres superiores, que vivem conforme as próprias regras. 
Além disso, características como a ausência de remorso ou culpa significa que eles não se 
preocupam nem um pouco com os efeitos de suas ações sobre os outros, e não veem o porquê de se 
preocupar, isso relaciona-se estreitamente com a sua falta de empatia, neste sentido Hare (2013) 
descreve, 
Os psicopatas, no entanto, apresentam uma falta generalizada de 
empatia. São indiferentes aos direitos e ao sofrimento de estranhos e 
também aos próprios familiares. Quando mantêm algum laço com a 
esposa e filhos, isso acontece apenas porque consideram os membros 
da própria família como um bem que lhes pertence, como aparelhos de 
som ou automóveis (HARE, 2013, p. 60). 
Complementando a descrição acima, os autores McCord e McCord (1964) ao apresentarem 
seis descritores para a então denominada Personalidade Psicopática e enfatizaram que as falhas nos 
11 
 
processos emocionais de sentimento de culpa e empatia se traduzem em uma forma peculiar de ver 
os outros, ou seja, tratando-os como objetos, que servem apenas de meio para se atingir um fim 
(EVANGELISTA, 2015, p. 24). Também, os aspectos como mentir, enganar e manipular são 
talentos naturais desses indivíduos, eles dificilmente ficam constrangidos quando pegos em suas 
mentiram, apenas mudam a história, mostrando-se consistentes em suas mentiras (HARE, 2013). 
Em seu estudo sobre as expressões faciais e emoções emitidas por indivíduos psicopatas os 
autores Vasconcellos et al (2014) consideram implausível que esse público seja incapaz de 
reconhecer e compreender as emoções alheias, incluindo é claro a alta capacidade de manipulação 
que possuem. Além disso, concluíram, através da análise dos métodos e dos resultados dos estudos, 
que foi possível identificar fatores que podem estar relacionados à ausência de identificação em um 
mesmo ponto, quanto às emoções específicas que psicopatas teriam dificuldade de reconhecer. 
Muitos dos resultados sugerem indícios de déficits maiores no emocional de indivíduos psicopatas 
ou com traços de psicopatia, indicando que esses déficits não estão restritos apenas às emoções de 
medo e tristeza. 
Agora, sobre os aspectos comportamentais, alguns autores os apresentam como impulsivos, 
ou seja, além de não pensarem nas consequências de seus atos, dificilmente se preocupam com o 
futuro. Também se ofendem facilmente, se mostrando agressivos, manifestando, por vezes, 
explosões de raiva sem grandes motivos, isso devido a sua pouca capacidade de controle de 
comportamentos. Além disso, necessitam estar sempre “em alta velocidade”, viver no limite, 
gostam da adrenalina, alguns criminosos até contam que cometer crimes é um “barato”. Outro 
importante aspecto é que geralmente esses indivíduos apresentam problemas precoces de 
comportamento, é comum apresentarem “mentiras persistentes, fraudes, roubos, [...] vandalismo, 
violência, bullying, fuga e sexualidade precoce” (HARE, 2013. p. 79), eles geralmente têm 
experiências sexuais entre 10 ou 12 anos. 
Um fato interessante sobre o perfil desses indivíduos, refere-se as diferenças entre gêneros, 
as pesquisas apontam que não há diferenças significativas, os autores, mostraram demais dados de 
12 
 
pesquisas realizadas em homens e mulheres, ressaltando que há peculiaridades entre os gêneros que 
apresentam psicopatia, mas essas diferenças estão relacionadas a incidência, comportamentos e com 
idade de manifestação. No que se refere a incidência e prevalência do transtorno nas mulheres em 
comparação com os homens, esse número é menor, não sendo nem metade do público feminino 
com esse diagnóstico quando comparado com a incidência em públicos do gênero masculino 
(GOMES & ALMEIDA, 2010). Porém, encontram-se se dados que demostram diferenças no que se 
refere a violência cometida entre os gêneros, crimes violentos são menores entre o público 
feminino, pois no que se refere a atos violentos a insensibilidade emocional o sexo masculino 
apresentou destaque (GOMES & ALMEIDA, 2010). 
Diante disso, é importante ressaltar, como é apontado por Araújo (2011), que a psicopatia 
apresenta níveis variados de gravidade, podendo ser leve, moderado ou grave, permitindo então que 
as características transtorno se manifestem de formas variadas, neste sentido, nem todos os sujeitos 
psicopatas irão apresentar as mesmas características e muito menos em graus iguais, como Babiak e 
Hare (2006 citado por EVANGELISTA, 2015) afirmaram em seus estudos, a existência de 
psicopatas “bem-sucedidos” principalmente no meio empresarial, que haja uma prevalência de 
3,5%, no entanto é ainda mais difícil de identificá-los, uma vez que o meio é favorável para suas 
características, e ele é visivelmente capaz de usá-las a seu favor. 
 
AVALIAÇÃODA PSICOPATIA NO TRABALHO DO PSICÓLOGO 
O trabalho dos psicólogos forenses com esses indivíduos é complexo, as dificuldades são 
encontradas desde à avaliação, como identificá-los e reconhecer os traços de psicopatia, até o 
tratamento. Arton e Toni (2014) em seu estudo, entrevistaram psicólogos da área que já tiveram em 
algum momento contato com esses indivíduos, e concluíram através de suas falas, que é necessário 
um amplo conhecimento a respeito dos instrumentos que serão utilizados, da PCL- R por exemplo, 
como também estudos acerca do psiquismo. Além disso, um dos participantes destacou que o 
trabalho não pode se limitar apenas as avaliações e dados obtidos com o indivíduo, pois é um 
13 
 
trabalho extenso, que exige do profissional responsabilidades, sendo necessário que este busque 
outras fontes, para coletar dados, que convivem ou conviveram com o indivíduo, a fim de obter 
informações mais concretas, pois é necessário encontrar critérios exatamente da forma como as 
pesquisas os relataram. 
Os pesquisadores Kosson, Steuerwald, Forth e Kirkhart (1997) explicam que é mais difícil e 
complexo avaliar e mensurar a dimensão interpessoal e afetiva do que a dimensão comportamental, 
pois traços interpessoais exigem maior habilidade do avaliador (SILVA et al, 2012). É importante 
ressaltar que esses sujeitos são extremamente manipuladores, portanto, é comum que tentem 
controlar a entrevista, simulando e dissimulando respostas e reações, a fim de “burlar” o processo 
de avaliação psicológica, por isso, destaca-se a importância da observação atenta do comportamento 
desses indivíduos desde o momento que entram na sala de exame (MORANA, STONE e 
ABDALLA-FILHO, 2006). 
Os autores, Filho, Teixeira e Dias (2009) concluíram em sua pesquisa que embora a 
dificuldade de limitação quanto a definição do conceito do constructo, a psicopatia pode ser 
avaliada por instrumentos psicométricos. Atualmente, os instrumentos têm sido de grande auxílio 
para o avanço das pesquisas, possibilitando relaciona-los com outras variáveis aprofundando assim 
os conhecimentos científicos, neste sentido, 
A criação de instrumentos de avaliação de psicopatia trouxe avanços 
para a área, pois exigiu que os pesquisadores estabelecessem critérios 
operacionais para definir o construto. Além disso, o uso de 
instrumentos possibilitou que a estrutura do construto fosse analisada 
através de técnicas estatísticas como análises fatoriais exploratórias e 
confirmatórias (FILHO, TEIXEIRA, DIAS, 2009, p.339). 
Neste sentido o instrumento que está adaptado e validado para a utilização no Brasil, é o do 
autor Robert Hare, que ao avançar em seus estudos criou uma ferramenta que ajudasse na 
identificação desses indivíduos, a Escala Hare PCL - R: Critérios para a pontuação de psicopatia, 
14 
 
que foi adaptada para o Brasil por Hilda Morana. Em sua tese de doutorado de psiquiatria a autora 
buscou identificar o ponto de corte para a versão brasileira, e assim entender a partir de qual 
pontuação o sujeito poderia ser considerado como psicopata (AMBIEL, 2006). 
Dessa forma o PCL - R “é o primeiro exame padronizado exclusivo para o uso no sistema 
penal do Brasil, pretende avaliar a personalidade do preso e prever a reincidência criminal, 
buscando separar os bandidos comuns dos psicopatas” (AMBIEL, 2006, p. 265). Neste sentido, a 
autora, em sua tese apresenta que não é o tipo do crime que vai definir a probabilidade da 
reincidência, mas a personalidade do criminoso, e por isso a importância da utilização de 
instrumentos para a identificação da personalidade dos sujeitos encarcerados (MORANA. 2003). 
Entretanto, Hare (2013) alerta que a escala corresponde a um instrumento complexo e que 
exige um amplo estudo por parte do aplicador, além de ser necessário um treinamento para que se 
esteja apto para realizar um diagnóstico preciso, e chama a atenção para o fato de a psicopatia 
corresponder a um conjunto de sintomas, e que sendo assim, não devem ser trabalhados de forma 
separada. 
A escala então é constituída por vinte características referentes aos aspectos encontrados na 
psicopatia e utiliza-se de uma pontuação para cada sintoma, determinando assim, um escore total 
mínimo a ser atingido para configurar a psicopatia do indivíduo. Porém, mais adiante ela foi 
aprimorada pelo próprio Hare, tornando-se o meio mais utilizado para o diagnóstico de psicopatia 
(OLIVEIRA, 2011). 
O PCL-R é, então, uma lista de 20 sintomas e requer um julgamento 
clínico de um especialista para pontuar cada um. Cada termo é 
avaliado em uma escala de 3 pontos, variando de 0 a 2. Um escore de 
0 indica a ausência de um sintoma, 1 indica a possível presença de um 
item e 2 é pontuado se o sintoma for apresentado sem dúvidas pelo 
examinado. Se o sujeito marca 30 pontos ou mais, já é considerado 
psicopata. Além disso, Hare dividiu os elementos em dois fatores: o 
15 
 
Fator 1 possui 8 itens, e é rotulado como o fator interpessoal/afetivos 
porque é composto de itens que, em grande parte, se relacionam ao 
comportamento interpessoal e à expressão emocional. Já o Fator 2 é o 
fator do estilo de vida socialmente desviante/antissocial, com itens 
baseados no comportamento (OLIVEIRA, 2011, p. 6-7). 
Neste sentido, atualmente o PCL-R tem como objetivo diferenciar os psicopatas dos não 
psicopatas, a fim de identificar os sujeitos que apresentam maior probabilidade de reincidência 
criminal, constituindo-se como, além de um instrumento para o diagnóstico que ajuda na tomada de 
decisão sobre o processo do condenado no sistema, mas que também possibilita a separação desses 
indivíduos dos demais que não apresentam tais condições de forma a não prejudicar a reabilitação 
dos criminosos tidos como comuns (AMBIEL, 2006). 
Entretanto, os autores em sua pesquisa, explicaram que os psicopatas possuem a capacidade 
de despertar reações no entrevistador, que muitas vezes são imperceptíveis por ele no momento da 
entrevista, reações como “ansiedade (medo/preocupação), raiva, ou até mesmo desconcentração 
com a narrativa envolvente do paciente”, isso acontece porque as características interpessoais dos 
sujeitos se manifestam e é direcionada ao avaliador, por isso a avaliação exige um grau maior de 
dedução do próprio avaliador, podendo ser facilmente afetada pela subjetiva deste (SILVA, et al, 
2012). 
Dessa forma, os autores Davoglio, Gauer, Vasconcellos, Lühring (2011) apontam para a 
importância de se observar os comportamentos que esses indivíduos apresentam durante o processo 
de avaliação, os autores então em seu estudo realizaram a observação direta do comportamento 
interpessoal e demostraram como é importante para a descrição e diagnóstico da personalidade 
psicopática. Sendo assim, utilização como ferramenta complementar a Medida Interpessoal de 
Psicopatia (Interpersonal Measure of Psychopathy - IM-P), este constitui-se como um instrumento 
psicométrico, ainda em fase de testes no Brasil, que é composto por 21 itens, desenvolvido por 
Kosson (1993), para ser utilizado como complemento de outras escalas de avaliação da psicopatia, 
16 
 
neste caso com a PCL-YV. Este instrumento, tem seu foco, especificamente, nos comportamentos 
interpessoais e aspectos não verbais que aparecem na interação entre o entrevistador com indivíduos 
que apresentam características psicopáticas. 
Os autores realizaram uma pesquisa com adolescentes infratores que se encontravam sob 
medidas socioeducativas, e privação de liberdade, obtendo resultados satisfatórios, bom grau de 
concordância inter avaliadores entre a maioria dos itens, e sendo assim, a escala se mostrou 
confiável. Além disso, uma característica importante na aplicação de instrumento, refere-se ao fato 
de que o avaliador deste não pode ser o mesmo que aplica a entrevista ou a outra escala, necessita 
então de um avaliador exclusivo que mantenha sua atenção exatamente nos itens da escala e não 
seja afetadopelo comportamentos de manipulação que podem ser manifestados pelo indivíduo 
psicopata (DAVOGLIO, et al, 2011). 
Dada a complexidade do assunto Abdalla-Filho (2004) explica que a avaliação se deve 
basear em aspectos da história de vida do sujeito, sem perder a objetividade dos instrumentos 
padronizados. O autor sugere um equilíbrio entre as duas vertentes, clínica e técnica, de forma que 
uma complemente a outra. 
 
PRÁTICAS CRIMINOSAS E PSICOPATIA 
 Embora nem todos os psicopatas sejam criminosos e nem todos os criminosos sejam 
psicopatas, é muito comum que em algum momento de sua vida alguns deles entrem em conflito 
com a sociedade, sendo assim, suas atividades criminosas são muito variadas, vão desde pequenos 
furtos e roubos maiores à assassinatos, crimes, espionagem e terrorismo. Dessa forma, eles são 
responsáveis por crimes muito superiores quando relacionados a média de outros infratores, e 
correspondem por mais de 50% dos crimes graves cometidos (HARE, 2013). 
 Além disso, outros autores também afirmam que a psicopatia tem sido um dos mais fortes, 
se não o mais forte, dos preditores da violência em diferentes públicos, entre os quais estariam os 
abusadores sexuais, agressores criminais gerais, além de entre os consumidores de substâncias e 
17 
 
pacientes psiquiátricos, em diferentes países (HUSS & LANGHINRICHSEN-ROHLING, 2006 
apud MARTINS, 2013). 
Neste sentido, Babiak e Hare (2006 citado por Evangelista, 2015, p. 26) afirmam que, “os 
crimes cometidos por indivíduos psicopatas são tendencialmente mais violentos do que os 
cometidos por indivíduos não psicopatas, o seu comportamento em geral é controlador, agressivo, 
ameaçador e abusivo”. Os autores ainda explicam de que forma os crimes cometidos por eles se 
apresentam, ou seja, 
As agressões perpetradas por eles tendem a ter uma natureza 
predatória, fria e calculista, desprovida da intensidade emocional, que 
estaria associada às circunstâncias, para a maioria das pessoas. 
Exercem violência instrumental, ou seja, apenas como um meio para 
atingir os seus objetivos, ignorando o sofrimento que causam. São 
indivíduos com uma elevada taxa de reincidência, sendo que, os 
autores estimam que a taxa de prevalência da patologia, na população 
mundial seja de apenas 1%, no entanto, são responsáveis por pelo 
menos metade da criminalidade violenta e reincidente na américa do 
norte (BABIAK e HARE, 2006 apud EVANGELISTA, 2015, p.26). 
 Dessa forma, apresenta-se a violência sexual como um bom exemplo de violência por parte 
dos psicopatas, por ser geralmente um crime frio e egoísta, isso não quer dizer que todos os 
abusadores sejam psicopatas, alguns se apresentam como indivíduos perturbados, com inúmeros 
problemas psiquiátricos e psicológicos. Entretanto, é muito provável que pelo menos metade dos 
estupradores reincidentes sejam psicopatas, “seus atos resultam de uma combinação potente: 
expressão desinibida dos desejos e fantasias sexuais, anseio por poder e controle e percepção de que 
as de as vítimas são objetos de prazer ou satisfação” (HARE, 2013, p. 105). 
Para além dos estupradores, estão os assassinos em série conhecidos pelo termo serial killer, 
se relacionam com muitos aspectos apresentados na psicopatia, por exemplo, em um estudo 
18 
 
realizado por Stone, 85,6% dos serial killer, preencheram boa parte dos critérios da escala PCL-R 
de Hare, no estudo ainda evidenciou-se, como um adicional, a presença do Transtorno de 
personalidade sádica em 87, 5% dos homens (MORANA, STONE, ABDALLA-FILHO, 2006), no 
estudo os autores entendem como serial killer, homens que cometeram três ou mais homicídios 
sexuais em sequência, separados por diferentes intervalos de tempo, este tipo de crime está 
associado a vários fatores, sendo eles, biológicos, psicológicos e sociológicos. 
 Ainda, segundo os autores Hazelwood e Michaud (2006) citados por Morana, Stone e 
Abdalla-filho (2006), a maioria dos serial killer revela-se psicopata, pois muitos deles mostram 
habilidades em enganar suas vítimas, apresentando o aspecto de serem sujeitos confiáveis, para 
levá-las a locais onde elas não encontrem recursos para se defenderem. E quando presos, estes 
possuem ampla capacidade de manipulação não só sobre outros colegas encarcerados, mas como de 
funcionários e profissionais da saúde, fazendo-os acreditar que mudou e que estariam prontos a 
reiniciarem a vida em sociedade, quando esse erro é cometido, eles voltam e continuam a fazer mais 
e novas vítimas, sobre isso a literatura está repleta de exemplos. 
Da mesma forma, como é apresentado por Hare (2013), este descreve em seu livro, o caso 
de Ted Bundy, um serial killer muito famoso nos EUA responsável por uma série de assassinatos 
brutais de jovens mulheres. Ele convencia as vítimas a entrarem em seu carro para levá-las ao local 
no qual iria matá-las, e ele mesmo confessou ter aperfeiçoado sua técnica ao longo dos anos. Para 
certa situação Ted Bundy comprou um par de muletas e montou uma farsa com gesso na perna, 
assim, pedia ajuda a alguma jovem que estava passando, e está prontamente ajudava o homem de 
perna quebrada, e ele sempre variava suas estratégias, pedia então que elas o ajudassem a chegar no 
carro, era definitivamente uma manobra genial, ocasionalmente a manobra falhava, mas Ann Rule, 
na maioria das vezes funcionava muito bem. 
Um fato curioso sobre eles refere-se ao que Casoy (2004) apresentou, a existência de dois 
tipos de assassinos em série, sendo possível dividi-los conforme suas práticas, o primeiro seria 
aquele que é organizado, pois prepara cuidadosamente a cena do crime, não deixando vestígio 
19 
 
algum que possa ligá-lo ao crime, funciona como um jogo, sendo difícil a identificação do autor dos 
crimes. O segundo são assassinos desorganizados, impulsivos e descuidados, não se preocupam 
com os erros e rastros deixados que possam ligá-los ao crime cometido, não se atentam em 
acompanhar investigações dos seus crimes. 
 Em outros estudos encontrados, como o de Martins (2013), esta realizou uma pesquisa com 
agressores conjugais encarcerados, a fim de encontrar a correlação entre eles a psicopatia. Sobre 
isso, em seu livro Sem Consciência, Hare (2013, p. 105) apresenta o psicopata enquanto agressor 
conjugal, e “embora as causas e a dinâmica do espancamento de mulheres sejam complexas e 
envolvam uma miríade de fatores econômicos, sociais e psicológicos, há certas evidências de que os 
psicopatas constituem uma proporção significativa desses espancadores reincidentes”. Neste 
sentido, o autor realizou ainda um estudo com amostra de homens que estavam participando, de 
forma voluntária ou por ordem judicial, de um programa de tratamento para agressores de esposas. 
Ele, juntamente com seus alunos aplicaram a Psychopathy checklist, e o resultado foi interessante, 
mostrou que 25% deles apresentavam a psicopatia, porcentagem essa que se aproxima à 
encontradas em prisões. 
 E em sua pesquisa Martins (2013), apresenta a forma que Garrido (2005) refere-se a essa 
provável ligação, reconhecendo possíveis atitudes e comportamentos frequentes dessa classe, tais 
como, 
[...] desapego relativo aos filhos ou uma educação muito punitiva, 
exigências irracionais, conduta errática, palavras ou ações violentas, 
utilização de mentira, abuso de álcool e drogas, regra geral é um 
parasita que vive dependente da mulher e familiares, mantém relações 
interpessoais superficiais e manipulador, com capacidade de levar a 
companheira a situações limite (GARRIDO, 2005 apud MARTINS, 
2013). 
20 
 
 Ao longo de sua pesquisa, em sua revisão da literatura a autora apresenta muitos estudos 
realizados ao longo dos anos com indivíduos com histórico de agressão a mulheres, entre eles, o de 
Echeburúa e Fernández-Montalvo (2007) citados por Martins (2013) que aplicaram um estudo com 
162 reclusos espanhóis, que era acusado de violência conjugal, na tentativa de traçar um perfildo 
agressor psicopático, os autores obtiveram como resultado que, 12% do total da amostra se 
revelaram psicopatas, ou apresentavam traços, e ao comparam com o perfil do restante dos 
participantes, concluem que estes agressores são mais novos e impulsivos, menos empáticos e com 
baixa autoestima. 
 E em seu estudo, realizado com uma amostra de 11 participantes, reclusos masculinos de 
Montijo e Lisboa, acusados de agressão conjugal e adicionais crimes, sendo que mais da metade 
afirmaram ter sido vítima de atos abusivos e uma infância violenta, no entanto apenas um deles 
atingiu a classificação “moderada” na escala PCL-SV, e os demais tiveram uma pontuação muito 
baixa. Apesar disso, três sujeitos descreveram não sentir remorsos pelas suas atitudes, e 4 deles 
também reconheceram seus atos como impulsivos. Entretanto, devido à exígua amostra, a autora 
não conseguiu inferir e geral conclusões em relação a hipótese de seu estudo (MARTINS, 2013). 
 Em demais estudos, como na tese de Serafim (2005), este buscou encontrar relação entre a 
impulsividade e ansiedade nos homicidas psicopatas em comparação aos demais homicidas. Dos 
105 sujeitos, 38 faziam parte do grupo de homicidas psicopatas, a maioria tinham o diagnóstico de 
Transtorno de Personalidade Antissocial, e pela escala PCL-R de Hare (1991), dos 38, 35 
preencheram as características de psicopatia e apenas estes foram incluídos na amostra, e os demais 
foram divididos em grupos, sendo eles, homicidas não psicopatas e o grupo controle. 
Como resultado o autor obteve que, homicidas psicopatas apresentam as médias mais baixas 
no aspecto ansiedade em relação aos não psicopatas, isso indicaria uma redução de preocupação 
antecipatória e de medo, comparado aos outros homicidas. Além disso, ainda podemos destacar 
mais resultados importantes, como, os homicidas não psicopatas reconheceram que cometeram atos 
violentos, que agiram por impulso e não conseguiram parar a conduta violenta, da mesma forma 
21 
 
que demonstram arrependimentos, não só pela agressão, mas por estragarem as suas vidas e a de 
seus familiares, e geralmente as vítimas eram conhecidas dos agressores. Enquanto em homicidas 
psicopatas, esses dificilmente conheciam suas vítimas, seus crimes eram destacados com 
características do tipo, brutalidade e crueldade. Nos 35 indivíduos que obtinham o diagnóstico de 
psicopatia, o autor constatou aspectos de comportamento violento, com a presença de sadismo, 
violência gratuita, ou seja, aquela sem explicação, além da indiferença emocional e grande 
tendência em responsabilizar suas vítimas, por fim, a intensa busca por novidades. Essas 
características se relacionam com aquelas apresentadas por Hare (2013) e Cleckley (1941), 
(SERAFIM, 2005). 
Com base nos seus resultados, o autor afirma que “indivíduos que apresentam acentuação ou 
redução de determinados traços de personalidade possivelmente se apresentem com maior risco à 
expressão de condutas criminosas, observação esta que corrobora as concepções de Hart e Hare 
(1996)” (SERAFIM, 2005, p. 99). 
 Diante do que foi apresentado, ainda é possível citar o estudo Morana (2003) apresentou 
além do ponto de corte da escala PCL-R para utilização no Brasil, como verificou que psicopatas 
cometem todos os tipos de crimes e os não psicopatas é que tendem a se limitar mais em algum tipo 
específico, tais como homicídio ou estupro. Neste sentido, o autor Gonçalves (1999) confirma a 
hipótese apresentada pelo outro autor, ao descrever que, embora os psicopatas tenham a tendência 
em serem violentos e não apresentarem remorso ou culpa, isso não significa que eles se limitam a 
um tipo único de crime, e pelo contrário, apresentam-se como versáteis e aproveitam as 
oportunidades que lhes aparecem. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
O presente artigo teve como objetivo entender e compreender por meio do levantamento 
bibliográfico dos principais artigos encontrados, se há relação entre o transtorno de psicopatia e 
práticas criminosas, verificando em quais principais práticas as características encontradas nesses 
22 
 
indivíduos aparecem com maior frequência. Para tanto, este estudo procurou inicialmente 
evidenciar qual é o estado atual de conhecimento sobre o tema, indicando as evidências 
apresentadas pelas pesquisas, sendo elas de caráter bibliográfico e empírico, assim como os 
principais conceitos acerca dos descritores propostos relacionados a psicopatia e os resultados 
obtidos nas pesquisas encontradas até então, atendo-se especificamente para o que os autores desses 
estudos apresentaram como sendo característico desses indivíduos. 
Então, os psicopatas possuiriam tendência ao que se refere no envolvimento em práticas 
criminosas? Diante dos conceitos apresentados pelos autores, pode se considerar essa hipótese 
como implausível, observou-se a existência de convergência acerca de que indivíduos considerados 
psicopatas tem uma personalidade que influencia seu envolvimento em crimes, e dependendo do 
grau em que se apresenta também interfere na gravidade dos crimes cometidos. Além disso, 
capacidade de manipulação, ausência de culpa e falta de empatia fazem parte dele um perfil nocivo 
para a sociedade, e pessoas de convívio. Esses indivíduos são frequentemente ativos em crimes que 
envolvem abusos de violência sexual ou conjugal, além de crimes classificados como homicidas. 
Emitindo um alerta para a necessidade de pesquisas nesse assunto, pois o nível de reincidência 
apresentados por indivíduos psicopatas aumenta consideravelmente quando comparados aos demais 
criminosos (CASOY, 2004; AMBIEL, 2006; HARE, 2013). 
Contudo, é importante ressaltar as limitações deste estudo, devido à escassez de amostras 
significativas com esse público e nesse contexto, considerando aqui as pesquisas brasileiras. É 
importante salientar que devem ser realizadas mais pesquisas sobre os indivíduos psicopatas sem 
distinção de gênero e a alta probabilidade de aproximação com crimes violentos, tendo em vista o 
impacto gerado para a sociedade, considerando ainda que é fundamental ter um maior 
conhecimento sobre os danos que esses indivíduos podem causar. 
Após este estudo, ficou evidente a importância de serem realizadas mais pesquisas na área 
da Psicologia Forense, principalmente dentro deste complexo assunto que é a psicopatia, para 
possibilitar que as discussões sobre o tema sejam mais amplas, resultando na maior consistência em 
23 
 
relação conceito que é encontrado na literatura. Acredita-se ainda que os dados trazidos possam 
fomentar a busca por novas pesquisas brasileiras a respeito da temática trazida neste artigo. 
 
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