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Conteudista: Prof.ª M.a Ana Claudia Cunha Revisão Textual: Esp. Danilo Coutinho de Almeida Cavalcante Objetivos da Unidade: Conceituar a termoterapia, as ondas sonoras e a endermologia; Conhecer as técnicas de criolipólise, radiofrequência, ultrassom plano, focalizado e microfocado, ondas de choque e endermologia; Compreender os efeitos fisiológicos, as indicações, as contraindicações e a correta técnica de aplicação. ˨ Contextualização ˨ Material Teórico ˨ Material Complementar ˨ Referências Termoterapia, Ondas sonoras e Endermologia Alguns estudos vêm sendo realizados com o objetivo de se entender melhor o funcionamento dos equipamentos e seus mecanismos de ação. As publicações científicas nos ajudam a validar nossos protocolos e condutas eleitas, além de fornecer maior embasamento para nossa escolha. Selecionei para você um vídeo; trata-se de um webinário sobre as ondas de choque piezoelétricas. 1 / 4 ˨ Contextualização Vídeo Ondas de Choque Piezoelétrica, no Chá com Froes Webnario - Ondas de Choque Piezoelétrica, no Chá com Froes https://www.youtube.com/watch?v=_qyJD0aRhPg Introdução A disciplina de Recursos Eletroterápicos Aplicados à Estética tem como objetivo abordar os equipamentos utilizados em estética para os tratamentos das diversas disfunções estéticas faciais, corporais e capilares. Iniciaremos abordando os recursos mecânicos de endermologia, vacuoterapia e microdermoabrasão. Conceituaremos as correntes polarizadas e abordaremos os recursos eletroterápicos que se utilizam dela, tais como: ionização, desincruste e eletrolifting. Abordaremos também a forma correta de se executar essas técnicas, bem como, seus efeitos fisiológicos, suas indicações e suas contraindicações. Por fim, para auxiliar na compreensão desse conteúdo, iniciaremos abordando os conceitos básicos das correntes elétricas. Recursos Mecânicos – Endermoterapia/Vacuoterapia A endermologia e a vacuoterapia são recursos mecânicos que se utilizam de um equipamento gerador de pressão negativa ou positiva (no caso das endermologias vibratórias, por exemplo) e que se diferem, por vezes, pela técnica de aplicação e pelos acessórios utilizados. Na vacuoterapia utilizamos ventosas de vidro, ao passo que na endermologia, cabeçotes que podem ser de plástico ou silicone. Resumindo: Definição É uma técnica mecânica que realiza uma movimentação dos tecidos por meio de sucção com auxílio de um compressor e um cabeçote. Modelos de Cabeçotes Os equipamentos disponíveis no mercado apresentam diversos modelos de cabeçote, o que gera algumas divergências na sua atuação. O que se tem observado, no entanto, é que, independentemente do modelo, todos são benéficos nos tratamentos estéticos quando aplicados de acordo com as orientações do fabricante e com o conhecimento patológico e fisiológico do local a tratar, considerando sempre as indicações e as contraindicações. Local de Atuação Atua sobre a pele e sobre os tecidos situados imediatamente abaixo dela, realizando uma massagem de dentro para fora, o que a diferencia das massagens tradicionais, que pressionam os tecidos de fora para dentro. 2 / 4 ˨ Material Teórico Vacuoterapia: procedimento ou aplicação, de modo contínuo ou pulsado, de pressão negativa (vácuo) sobre uma área da superfície corporal; Endermoterapia: conjugação da pressão negativa (vácuo) com a pressão positiva (massagem) sobre uma área da superfície corporal, produzindo o movimento de apalpar e rolar da massagem. Efeitos Fisiológicos Os efeitos fisiológicos vão depender de dois fatores principais: das manobras e da potência da sucção emitida pelo equipamento. Manobras As manobras dependem principalmente do formato do cabeçote. Os equipamentos geralmente possuem um conjunto de cabeçotes de diversos tamanhos, para que a sua adaptação à superfície a tratar seja a mais correta possível. No que diz respeito ao formato, existe uma grande variedade disponível no mercado, desde a forma quadrada à redonda. Há ainda aqueles que possuem acessórios que os diferenciam na sua totalidade. O importante é que o cabeçote seja fácil de manejar, permitindo que o profissional possa desenvolver manobras e movimentos diversos, já que essa é uma técnica indicada para vários procedimentos estéticos. Potência da Sucção A potência da sucção varia de acordo com: a resistência que se opõe entre a pele e o cabeçote, a indicação, o local, a idade e o estado da pele, evitando sempre as lesões que causam hematomas. Modos da Sucção A sucção (aspiração) pode ser efetuada de dois modos diferentes: Efeitos Fisiológicos e Terapêuticos Utilizações No modo contínuo, a aspiração é realizada de forma constante ao longo de toda a sessão; No modo pulsado, a realização é intermitente, ocorrendo períodos de sucção e de repouso, que geralmente são reguláveis. No cutâneo superficial: melhora a elasticidade cutânea e a nutrição da pele devido ao aumento da microcirculação. No tecido adiposo: produz uma movimentação em todo o tecido, intensificando as trocas metabólicas entre o meio e as células adiposas. No sistema vascular: Atua produzindo uma movimentação no sistema circulatório, aumentando o fluxo sanguíneo em tecidos mal irrigados, proporcionando um aumento dos nutrientes e de oxigênio; No sistema de retorno (venoso e linfático) com deficiência, facilita a absorção de líquidos e toxinas estagnadas no interstício. Nos tratamentos de lipodistrofias (celulites) – Desenvolve uma ação conjunta com o ultrassom, ajudando a desagregar as fibroses mais persistentes e melhorando o sistema circulatório de um modo geral. Nos tratamentos de adiposidade localizada – Ativa o metabolismo dos adipócitos, funcionando como complemento de outros tratamentos estéticos (drenagem linfática - relaxamento - antiestresse). Precauções Contraindicações Microdermoabrasão A microdermoabrasão por intermédio de ponteiras de diamante é um procedimento de esfoliação mecânica progressiva e controlada. A esfoliação promove a estimulação da renovação da pele devido à retirada das camadas inoperantes presentes (camada córnea), contribuindo para a eliminação das linhas cutâneas superficiais, estimulando a regeneração celular, incrementando a produção de colágeno e melhorando a qualidade da pele. As ponteiras são conectadas ao equipamento, pois dependem de um circuito de vácuo gerador de pressão negativa em contato com a superfície cutânea, o que provoca a esfoliação nas camadas de epiderme. Efeitos Fisiológicos Cuidado com diabéticos; Cuidado com a zona umbilical e inguinal (utilizar pressões baixas). Fragilidade vascular; Flebites e tromboses; Alterações da pele (infecções, feridas, erupções ou inflamações); Tumores; Hipertensão arterial; Hérnias e varizes. Melhoria da qualidade da pele pelo afinamento da camada epitelial; Regeneração celular; Incremento na produção de colágeno, elastina e reticulina; Ativação da microcirculação; Indicações Contraindicações Estímulo da renovação celular. Revitalização; Hiperqueratoses; Redução de linhas de expressão e rugas finas; Cicatrizes inestéticas causadas pela acne; Estrias; Como auxiliar na remoção de microcomedões; Pré-tratamento de laser e peelings; Preparo para a aplicação de princípios ativos. Lesões tegumentares acompanhadas de processo inflamatório; Pacientes que apresentam distúrbios de cicatrização; Gestantes; Diabetes descompensada; Distúrbios de coagulação; Acne ativo; Eczema; Dermatite; Câncer de pele; Lesões virais; Lesões vasculares; Uso de anticoagulantes; Tatuagens; Precauções Técnica de Aplicação Determinar a profundidade da esfoliação de acordo com a pele, segundo: Níveis de Esfoliação Ondas Mecânicas As ondas mecânicas mais utilizadas na estética são as emitidas pelo ultrassom. A diferença dessas ondas para as ondas eletromagnéticas é que as ondas ultrassônicas não se propagam no vácuo, pois precisam de um meio material para se propagar. Ultrassom Características Gerais Psoríase. Evitar exposição solar 48 horas antes e depois de cada sessão; Não fazer uso de cosméticos a base de ácidos; Não se submeter a técnicas de peeling e não utilizar produtos ceratolíticos concomitantemente às sessões de microdermoabrasão; Evitar o excesso de esfoliação, que pode atingir a camada basal ou germinativa da epiderme; Cuidados ao realizar a técnica em pacientes com Fototipo IV. Ponteiras: quanto menor a quantidade de partículas de diamante, menor sua capacidade de abrasão; Intensidade do vácuo: quanto maior a intensidade de sucção, maior o nível de abrasão. Realizar um teste na região interna do braço com os parâmetros escolhidos. Superficial ou grau I: retirada da camada córnea com a pele adquirindo um aspecto esbranquiçado a princípio, seguido de um eritema leve com edema leve; Médio ou grau II: remoção das camadas da epiderme, sem chegar à derme, na qual a pele adquire um eritema e edema mais fortes; Profundo ou grau III: atinge a derme papilar, com ocorrência de um orvalho sanguíneo, alcançando a junção dermo-epidérmica. Há formação de crostas; Estirar bem a pele para facilitar o deslizamento da ponteira; Manobras: realizar movimentos de deslizamento (horizontais, verticais), circulares ou pontuais, sendo que quanto mais rápidos os movimentos, menor o nível de abrasão; Finalizar com hidratante com fator de proteção solar. Ultrassom é uma energia sonora produzida por oscilações mecânicas num determinado material. Em termos físicos, o ultrassom tem a mesma natureza do som, embora não seja perceptível ao ouvido humano. São consideradas ultrassom, todas as vibrações sonoras que apresentam frequência superior a 16.000 Hz, embora, no âmbito das aplicações para a estética, sejam utilizadas frequências superiores a 3.000.000 Hz. Fundamentos Físicos Os sons e os ultrassons são produzidos pela vibração da matéria, o que gera compressões e descompressões periódicas que se propagam por um meio material mediante um movimento ondulatório. Considerando que a velocidade e o ritmo dessas vibrações são determinados pelo gerador que as produz, convencionou-se chamar de frequência o número de oscilações (compressões e descompressões) ocorridas em um determinado intervalo de tempo. Produção de Ondas Ultrassônicas O ultrassom terapêutico é produzido utilizando-se materiais que possuem propriedades de piezoeletricidade (capacidade de transformar energia elétrica em energia mecânica e vice-versa) e um gerador de corrente alternada de alta frequência. Materiais Utilizados para a Produção do Ultrassom Parâmetros para a emissão ultrassônica: Titanato de bário; Circanato; Titanato de chumbo. Frequência: quanto maior a frequência, menor é a capacidade de penetração. Assim sendo, as frequências mais elevadas são preferencialmente utilizadas para o tratamento de estruturas superficiais; ao passo que as frequências mais baixas são utilizadas para tratamentos de estruturas mais profundas. Capacidade de penetração: Ondas ultrassônicas com frequência de 1 MHz têm uma penetração média de 4-5 cm; Ondas ultrassônicas com frequência 3 MHz têm uma penetração média de 1-2 cm; Modo de emissão: as ondas ultrassônicas podem ser emitidas em: Modo contínuo: na emissão contínua predomina o chamado efeito térmico, podendo ser utilizada sempre que o objetivo for produzir um efeito de diatermia (calor) localizada. Além disso, o modo contínuo é igualmente adequado para tratamento de fibroses e de cicatrizes; Modo pulsado (mediante impulsos) de duração limitada: facilita a dispersão de calor (efeito térmico menor). A duração ou tempo de impulso varia entre 0,5 ms, 1 ms e 2 ms, com a duração do tempo de pausa Efeitos Fisiológicos e Terapêuticos As ondas ultrassônicas, ao serem aplicadas em tecidos biológicos com fins terapêuticos estéticos, desencadeiam três efeitos básicos: sendo ajustada de acordo com o tempo de impulso definido (0,95; 0,9 ou 0,8 ms). Esse modo de emissão potencializa o efeito mecânico com sua ação antiedematosa. Propagação das ondas ultrassônicas: A onda ultrassônica, ao incidir sobre o tecido biológico, pode ser: Absorvida; Refletida; Absorvida e refletida. Quando a onda ultrassônica incide sobre os tecidos biológicos, estes absorvem uma parte da energia, reduzindo a intensidade da onda que continua em direção a regiões mais profundas. Devido à complexidade das estruturas dos tecidos biológicos (epiderme, anexos cutâneos etc.) e ao fato de eles não serem sistemas homogêneos, ocorre a reflexão. Efeitos mecânicos: As ondas ultrassônicas produzem sobre o organismo um movimento oscilatório das partículas intra e extracelulares com as seguintes ações terapêuticas: Aumento na permeabilidade das membranas celulares; Estimulação do metabolismo celular; Liberação de aderências e fibras colágenas. Efeitos Térmicos: A energia mecânica absorvida transforma-se em energia térmica produzindo: estimulação da microcirculação sanguínea local, acelerando as trocas metabólicas (oxigênio, nutrientes...). Efeitos Químicos: os fatores mecânicos e térmicos resultam na produção de diversas reações químicas: Liberação de substâncias vasodilatadoras (histamina); Desagregação de macromoléculas; Ação coloidoquímica (diminuição da viscosidade do meio). Importante! Orientações para o uso do ultrassom estético: com relação à intensidade ou densidade de potência, para aplicações efetuadas de modo Tempo de Aplicação O tempo de aplicação oscila entre 5 e 20 minutos, conforme a extensão do local. Deve-se calcular a área de aplicação e dividir pela ERA (área efetiva de radiação) do cabeçote, sendo necessário consultar o manual técnico do equipamento para se certificar do tamanho da ERA. O tratamento pode ser realizado diariamente ou em dias alternados até completar um máximo de vinte sessões. Após isso, recomenda-se um período de repouso de um a dois meses. Indicações do Ultrassom (3 MHz) Estético Contraindicações Tipos de Equipamentos Existentes no Mercado Existem no mercado diferentes tipos de ultrassons, que variam de acordo com seus parâmetros e possuem terminologias diferentes, vejamos a seguir: Terapias Combinadas O uso simultâneo de duas modalidades terapêuticas associadas em uma mesma área corporal recebe o nome de terapia combinada. contínuo, a dose aplicada não deve ultrapassar os 2 W/cm2. Já no modo pulsado, a dosagem não deve exceder os 3 W/cm². O profissional deve seguir as orientações das Normas Internacionais de Saúde. HLDG – Hidrolipodistrofia Ginoide; Processos fibrosos em geral. Neoplasias; Pessoas portadoras de marca-passo cardíaco; Em tromboflebites (do trombo); Evitar a área uterina durante a menstruação; Em locais de implantes metálicos; Mulheres grávidas sobre o útero gravídico; Tecidos especializados – olhos, ouvidos, testículos e coração. O modo mais comum de realização da terapia combinada consiste no uso do ultrassom terapêutico associado a algum tipo de corrente elétrica terapêutica capaz de estimular o nervo periférico ou o músculo esquelético. O procedimento de terapia combinada somente é possível em função da baixa impedância elétrica proporcionada pelo ultrassom à passagem da corrente em relação à pele do paciente. Os efeitos do uso da terapia combinada, em geral, são os mesmos produzidos por esses recursos quando utilizados individualmente. Assim, a justificativa do uso da terapia combinada está embasada no fato de que os benefícios proporcionados pelas duas modalidades terapêuticas podem ser alcançados ao mesmo tempo. Isso faz com que a terapia seja mais eficiente e objetiva, tanto para o paciente quanto para o terapeuta. Os efeitos fisiológicos das terapias combinadas estão relacionados aos efeitos fisiológicos das técnicas selecionadas na hora de programar o equipamento. É importante que você entenda os efeitos fisiológicos, as indicações e contraindicações das terapias eleitas, pois desta forma você garante o melhor resultado do seu protocolo de atendimento. Ultracavitação Segundo Borges (2016), a terapia com ultracavitação conta com os mesmos princípios do ultrassom convencional, porém as ondas sonoras são emitidas de forma diferenciada, de maneira que seja atingido um altíssimo nível de intensidade ultrassônica. Quanto à frequência de ondas sonoras dos equipamentos, os valores podem variar desde 27 kHz até 3 MHz. Existem diferenças nos equipamentos de ultracavitação no que tange à forma de aplicação e aos efeitos fisiológicos. Na ultracavitação plana (Figura 1), o transdutor é plano e a emissão das ondas ultrassônicas não converge. Já na ultracavitação focalizada (Figura 2), o transdutor do ultrassom é côncavo e gera uma energia concentrada e ultrassônica chamada HIFU (acrônimo do termo em inglês Hi Intensity Focused Ultrasound). Essa energia atinge o tecido adiposo a uma profundidade de até 3cm, rompe as membranas dos adipócitos e liberando a gordura sem prejuízo dos tecidos vizinhos, uma vez que preserva vasos sanguíneos e nervos. Figura 1 – Ultracavitação Plana Fonte: BROWN et al., 2009 Figura 2 – Ultracavitação focalizada Fonte: BROWN et al., 2009 Se você comparar as Figuras 1 e 2, observará que, na aplicação focalizada, a energia fica concentrada em um único ponto focal. Importante! O efeito de cavitação é definido como a formação de microbolhas gasosas (10 - 6 micrômetros) nos líquidos corporais, o que corresponde a um efeito do ultrassom. Porém, dependendo da potência do equipamento e da forma de aplicação, esse efeito de cavitação pode ser estável ou instável. Uma cavitação estável tem como efeito fisiológico a lipólise, ao passo que uma cavitação instável gera o efeito fisiológico apoptose. Figura 3 – Efeito de Cavitação Outras terminologias que vêm sendo utilizadas para o uso da tecnologia HIFU (high intensity focused ultrasound) são: ultrassom macrofocado e microfocado; sendo que, uma das diferenças está no tamanho dos cabeçotes e da área de atuação, sendo o ultrassom macrofocado indicado para as terapias corporais e o microfocado para as terapias faciais. O ultrassom microfocado possui transdutores especiais, que direcionam sua energia para um pequeno ponto focal onde temperaturas elevadas são capazes de causar coagulação tecidual. Isso permite que o ponto focal atinja tecidos subcutâneos, como o Sistema Musculoaponeurótico Superficial (SMAS), fazendo com que as proteínas ao seu redor atinjam mais de 65 °C e sejam desnaturadas em milissegundo, induzindo assim a formação de novos colágenos. Mecanismo de Ação do Ultrassom Microfocado Veja, a seguir, o esquema do mecanismo de ação: Tendo como indicação: Coagulação térmica;1 Ruptura das ligações intramoleculares de hidrogênio;2 As cadeias de colágeno se dobram e assumem uma configuração mais estável;3 Colágeno mais curto e mais espesso.4 Lifting facial; Flacidez palpebral; Por gerar pequenos pontos de coagulação, podem ocorrer os seguintes efeitos adversos: Figura 4 – Ultrassom microfocado e as profundidades de ação Fonte: Reprodução A Figura 4 representa três possibilidades de cartuchos para a aplicação facial, sendo que cada cartucho tem uma determinada frequência, portanto atinge uma profundidade de ação diferente dos demais. Clique no botão para conferir o conteúdo. Melhora do contorno facial; Melhora da flacidez do terço médio da face e região submentoniana. Eritemas; Edemas; Hematomas; Hiperpigmentação; Queimaduras. Leitura Effect of Microfocused Ultrasound on Facial Rejuvenation: Clinical and Histological Evaluation Leia o artigo sobre ultrassom microfocado. ACESSE Técnicas de Aplicação e Parâmetros de Utilização É importante lembrar que, em virtude da variedade de equipamentos disponíveis no mercado, é imprescindível que os parâmetros de utilização apresentados no manual técnico do fabricante sejam respeitados. No caso dos equipamentos que se utilizam das tecnologias HIFU, o método de aplicação é estacionário, ou seja, o transdutor permanece parado sobre o tecido enquanto o equipamento emite as ondas sonoras por meio de um disparador ou automaticamente. Já nos equipamentos não focalizados, emprega-se o método dinâmico perpendicular à pele, um método indicado apenas para regiões onde a camada adiposa tem espessura superior a 3 cm; mensuração que deve ser feita com o adipômetro. Por último, o método de pregueamento manual da pele é indicado quando o equipamento tem a tecnologia não focalizada de baixa frequência (27 kHz a 50 kHz). Criolipólise De acordo com Borges (2016), a criolipólise é o resfriamento localizado do tecido adiposo subcutâneo de forma não invasiva. Essa técnica emprega temperaturas em torno de -5 a -15 ºC (medidas externamente), o que causa paniculite fria e morte adipocitária por apoptose, com consequente diminuição do contingente adiposo subcutâneo localizado. Mecanismo de Ação e Efeitos Fisiológicos Após o resfriamento do tecido adiposo subcutâneo, ocorre a paniculite fria e consequente apoptose dos adipócitos. O termo apoptose se traduz por “morte celular programada” e corresponde a um tipo de “autodestruição celular” que ocorre de forma ordenada e com características fisiológicas bem definidas. Os corpos adipocitários são fagocitados por macrófagos e removidos. A apoptose pode ser desencadeada pelos seguintes fatores: O fenômeno da reperfusão é o restabelecimento do sangue numa área antes isquêmica. Na criolipólise a vasoconstrição é severa em decorrência do resfriamento prolongado e da compressão de vasos pelo vácuo. Estudos demonstram que realizar massagem por pelo menos 3 minutos na área tratada logo após a aplicação da criolipólise favorece a reperfusão sanguínea. Livro Terapêutica em Estética: Conceitos e Técnica Leia o livro indicado, nele você encontrará um capítulo que aborda os diferentes tipos de ultrassom na estética. BORGES, FS. Terapêutica em estética: Conceitos e Técnica. São Paulo: Editora Phorte, 2016. Níveis aumentados de espécies reativas de oxigênio (reperfusão); Choque térmico (tanto hiper quanto hipotérmico). https://www.scirp.org/journal/paperinformation.aspx?paperid=110568 A restauração de sangue pós-criolipólise é capaz de: E pra onde vai essa gordura? A gordura permanece sequestrada dentro do adipócito até ser varrida pela inflamação natural que ocorre na paniculite. A perda da gordura é gradual, e por isso um aumento nos níveis de lipídeos circulantes não é mensurável. A gordura proveniente de adipócitos mortos e fagocitada pode permanecer no interior dos macrófagos por até dois meses. Dessa maneira, os resultados aparecerão após 60 dias da aplicação, sendo que alguns estudos apontam 90 dias. Quadro 1 – Resumo do processo apoptótico ocorrido após a criolipólise Período Processo Imediatamente após a criolipólise Não há dano aos adipócitos. Após 24 horas e até 72 horas Inicia-se a reação inflamatória. Em 7 dias Uma paniculite intensa se desenvolve e atinge seu pico em aproximadamente 14 dias. Do 14º ao 30º dia Macrófagos começam a envolver e digerir os adipócitos apoptóticos. Durante esse período, as células de gordura danificadas começam a ser eliminadas e os resultados estéticos podem começar a surgir. A partir do 30º dia A inflamação diminui, mas a atividade fagocitária continua. De 60 a 120 dias Há eliminação efetiva dos adipócitos. Isso ocorre lentamente (durante 90 dias, pelo menos) e os resultados clínicos se consolidam. Fonte: Adaptado de BORGES, 2016 Levar a uma inflamação; Ativar enzimas proteolíticas (caspases); Produzir uma matriz de radicais livres de oxigênio (espécies reativas de oxigênio); Causar morte celular adipocitária, ou seja, aumenta a apoptose e os adipócitos, melhorando os resultados do tratamento. Importante! A criolipólise é indicada para o tratamento da gordura localizada, portanto, não é indicada para gordura visceral. Técnica de Aplicação Criolipólise por Sucção A técnica de aplicação consiste na utilização de um aplicador em forma de copo, chamado de manopla, que, em contato com o tecido a ser tratado, exerce uma sucção por meio do vácuo (pressão negativa), formando uma prega dentro do aplicador e entre as placas que farão o resfriamento. O uso da manta protege a pele contra o resfriamento excessivo, evitando queimaduras. Esse aparato deve ser colocado por cima da pele (entre a pele e o aplicador) antes de realizar a prega. Tempo de aplicação: de 60 a 45 minutos. Criolipólise de Placas Nesse caso não ocorre a sucção, pois trata-se de placas que serão colocadas no local da aplicação, sendo necessária também a colocação da manta anticongelante para proteção da pele. Tempo de aplicação: 60 a 90 minutos, dependendo da área. Quadro 2 – Vantagens e desvantagens das técnicas de sucção e placa Sucção Placa Menor tempo de sessão Maior tempo de sessão A sucção pode provocar hematomas Por não haver sucção, minimiza o risco de hematomas Só pode ser aplicado em áreas onde se consegue fazer uma prega da gordura Pode ser aplicado em áreas onde não se consegue fazer a prega Isola a gordura a ser congelada dentro do copinho Toda a área onde a placa entrar em contato terá a gordura congelada Saiba Mais Não existe um consenso na literatura em relação ao tempo de aplicação ideal. Nos últimos 3 anos, as publicações científicas sugerem que esse tempo esteja entre 35 a 45 minutos. Existem vários modelos de equipamentos no mercado, com diferentes tipos de manípulos, com vários tamanhos, para serem utilizados nas diversas áreas do corpo (Figura 5). Figura 5 – Possíveis áreas de aplicação da criolipólise Já existe na literatura científica, alguns estudos que comprovam que a reperfusão sanguínea aumenta o processo inflamatório, aumentando assim a redução da gordura localizada. Veja a seguir as possibilidades de associações que já possuem comprovação científica de eficácia: Ondas de choque – logo após a aplicação; Radiofrequência – 37 °C logo após a aplicação; Massagem vigorosa – por 2 a 3 minutos logo após a aplicação. Ondas de choque: logo após a aplicação; Radiofrequência: 37 °C logo após a aplicação; Massagem vigorosa: por 2 a 3 minutos logo após a aplicação. Livro Eletrotermoterapia: Teoria e Prática AGNE, J. E. Eletrotermoterapia: teoria e prática. 5. ed. Santa Maria: Orium, 2008. p. 390. Alguns efeitos adversos podem ocorrer, são eles: A hiperplasia adiposa paradoxal corresponde ao crescimento anormal de gordura subcutânea. Embora seja considerado um evento raro, existem relatos na literatura de pacientes que apresentaram um aumento do tecido adiposo bem demarcado na região submetida à criolipólise Indicações Contraindicações Radiofrequência Dor no local da aplicação; Dormência local transitória; Eritema após a aplicação; Equimoses; Queimaduras; Hiperplasia adiposa paradoxal. Adiposidade Localizada. Hérnias (umbilical ou inguinal) no local da aplicação; Lesões inflamatórias e ou infecciosas na pele no local da aplicação (furúnculo, dermatite, eczemas etc.); Gestantes; Síndrome de Raynaud; Alterações de sensibilidade; Tumor ou câncer; Feridas abertas. Segundo Borges (2016), a radiofrequência (RF) é um recurso terapêutico que utiliza ondas eletromagnéticas de alta frequência para produzir calor em nível cutâneo e subcutâneo. Existem equipamentos que atingem altas temperaturas, o que faz com que essa seja considerada uma técnica invasiva, já que tem ação ablativa, ou seja, possui a capacidade de lesionar o tecido. Esse tipo de radiofrequência é utilizado por médicos no controle da dor crônica e no tratamento de alguns tipos de câncer. Já os equipamentos que nós, esteticistas, utilizamos nos tratamentos não têm capacidade de ablação, não sendo considerada então uma técnica invasiva no âmbito da estética. Outra característica que diferencia os equipamentos são as ponteiras ou manoplas, que podem ser: unipolares, ou seja, um único polo; bipolares, dois polos; tripolares, três polos; tetrapolares ou multipolares. Cada ponteira atinge uma profundidade de atuação, sendo assim, ponteiras diferentes possuem indicações diferentes. Veja no Quadro abaixo um resumo dessas indicações: Quadro 3 – Tipos de Ponteiras e Profundidade de Ação Ponteiras Profundidade de Ação/Dispersão Unipolar ou monopolar Aquecimento profundo até 20 mm Bipolar Aquecimento superficial de 2 a 6 mm Tripolar/tetrapolar ou multipolar A energia bipolar se alterna entre os diferentes polos Por último, existe a radiofrequência capacitiva e resistiva. A forma capacitava é quando o eletrodo ativo está separado do passivo, e a forma resistiva é quando os eletrodos ativos e passivos estão juntos no mesmo cabeçote. Mecanismo de Ação e Efeitos Fisiológicos O calor gerado na RF depende da resistência e da densidade do local onde ele será utilizado. A energia eletromagnética promove um aquecimento controlado, provocando oscilação rotacional das moléculas de água em todos os tecidos. De acordo com Ruiz – Esparsa (2006), o aquecimento promove a regeneração do colágeno e o aumento da circulação e da drenagem de fluidos. Ainda segundo o autor, quando as fibrilas de colágeno são aquecidas, ocorre uma quebra de ligações do tipo ponte de hidrogênio intramoleculares, induzindo a contração do tecido. Após a utilização da radiofrequência, ocorre uma retração das fibras de colágeno, promovendo a ativação de fibroblastos, o que induz a síntese de novas fibras de colágeno (neocolagênese) e de fibras elásticas (neoelastogênese). Técnica de Aplicação Para a aplicação da radiofrequência, é necessária a aplicação de glicerina líquida, gel de carbopol ou óleo vegetal; o que dependerá do tipo de equipamento que você adquiriu. Portanto, leia o manual técnico e participe do treinamento que a empresa oferece. Durante a realização da técnica, é importante que você meça a temperatura com o termômetro, evitando assim queimaduras. Parâmetros de Utilização A escolha da ponteira dependerá da terapia realizada (consultar Tabela 1). Além da escolha da ponteira, você deverá definir a melhor frequência para sua conduta terapêutica; lembrando que a frequência é inversamente proporcional à profundidade de ação, ou seja, quanto maior a profundidade mais superficial será sua ação. Por último, você deve escolher a temperatura ideal para alcançar seu objetivo, veja a seguir: Tabela 1 – Temperaturas e frequências de aplicação Flacidez 40/42 °C 10/14 dias Fibrose 37 °C 1 vez por semana Gordura 40/42 °C 1 a 2 vezes por semana Tempo de Aplicação O tempo de aplicação depende do tamanho da área a ser tratada, porém esse tempo só começa a ser contado a partir do momento em que a temperatura ideal foi atingida. O ideal é que o tempo de aplicação seja de 2 a 5 minutos a cada duas áreas do cabeçote. Exemplo: se no abdome superior couberem 03 cabeçotes, você deverá fazer entre 6 e 15 minutos de aplicação assim que atingir a temperatura ideal. Efeitos Adversos Indicações Contraindicações Queimaduras. Fibrose pós-cirúrgica; FEG (Fibroedema Geloide); Flacidez de pele; Gordura localizada. Absolutas: Marca-passo; Relativas: Ondas de Choque O que são as ondas de choque? São ondas acústicas com um pico de energia extremamente alto, como os que ocorrem na atmosfera depois de um evento explosivo como um raio, uma tempestade ou a passagem de um avião através do ar. Terapias por Ondas de Choque As terapias por ondas de choque são técnicas não-invasivas que promovem a estimulação mecânica por meio de ondas acústicas de alta intensidade de energia. Ou seja, um pico alto de energia seguido de uma queda exponencial. Geradores de Ondas de Choque Dependendo do equipamento, as ondas de choque podem ser geradas das seguintes formas: Tipos de Ondas de Choque Neoplasias; Gravidez; Diabetes; Infecção; Artrite. Transtornos de sensibilidade; Metais e próteses; Sobre o globo ocular. Sistema eletromagnético; Sistema eletropneumático; Sistema piezoelétrico; Sistema eletro-hidráulico. Onda de choque radial: é superficial e tem a característica de se propagar radialmente a partir do aplicador. À medida que penetra no tecido, há uma perda de energia, e a cavitação ocorre nas proximidades do aplicador; Efeitos Fisiológicos Parâmetros de Tratamento Indicações Onda de choque focal: é mais profunda, concentra toda a energia gerada em um ponto distante da fonte geradora. Esse ponto focal tem seu pico de energia, que pode variar de baixa a alta energia; Ondas desfocalizadas: são ondas amplas, que não têm um ponto focal nem se propagam radialmente, sendo ideais para tratamentos mais superficiais. Efeito Direto (Primário): impacto mecânico nos tecidos; Efeito Indireto (Secundário): cavitação – formação de microbolhas gasosas nos líquidos biológicos; Mecanotransdução dos sinais. Fibroblasto sintetiza os seus produtos, melhorando a qualidade do tecido. Aumento da microcirculação sanguínea; Liberação de óxido nítrico endotelial (NO); Angiogênese. Energia (mJ ou bar): força de impacto do projétil na ponteira - Quanto maior a energia, maior o impacto no tecido; sua ação será mais profunda; Frequência (Hz): ciclos da ponteira por segundo - Quanto maior a frequência, maior será a velocidade com que o projétil impacta na ponteira; e sua ação será mais superficial. Melhora temporária na celulite; Redução da gordura localizada; Melhora da qualidade da pele; Tratamento da flacidez de pele; Melhora da circulação sanguínea local; Eliminação de toxinas; Modelagem não invasiva do contorno corporal. Reações Adversas Transitórias Contraindicações Inflamação local; Eritema; Petéquias; Equimoses; Desconforto e dor local; Lesões na pele em caso de terapia prévia com cortisona (devido à fragilidade capilar). Gestantes; Hemofilia ou outros distúrbios hemorrágicos; Ingestão de anticoagulantes; Sobre tecidos com inflamação aguda não diagnosticada; Sobre erupções cutâneas; Sobre áreas de polineuropatia em pacientes com Diabetes Mellitus; Pacientes submetidos a tratamento com cortisona até 6 semanas antes da primeira sessão; Sobre áreas neoplásicas; Diretamente sobre implantes metálicos; Doenças vasculares e insuficiência circulatória; Na presença de infecções sistêmicas; Presença de dispositivo eletrônico implantado; Sobre os seios carotídeos, gânglio estrelado ou nervo vago; Sobre a região dos pulmões, área cardíaca, grandes nervos e vasos, coluna e cabeça. Em Síntese Chegamos ao final da Unidade, nela você pôde entender e conhecer os diferentes tipos de ultrassons estéticos. Vimos também, os recursos manuais de vacuoterapia, endermologia e microdermoabrasão, bem como suas indicações, contraindicações e efeitos fisiológicos. Por fim, vimos os recursos de termoterapia, criolipólise, radiofrequência e ondas de choque. Espero que tenha gostado e compreendido os conteúdos desta Unidade, caso sinta necessidade, retome os estudos e acesse os materiais complementares indicados aqui. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Criofrequencia Webinário sobre as publicações de criofrequência. Treinamento Thork – Ondas de Choque Vídeo de treinamento demonstrando a prática do equipamento Thork, que realiza a terapia de ondas de choque. 3 / 4 ˨ Material Complementar Webnario - Criofrequencia, no Chá com Froes Treinamento Thork - Ondas de choque (COMPLETO) - Prática https://www.youtube.com/watch?v=QgDeHoWXtuU https://www.youtube.com/watch?v=RLIieNnLajU Ultrafrequência Webinário sobre a ultrafrequência, uma terapia combinada de ultracavitação e radiofrequência. Webnario - Ultrafrequência, no Chá com Froes https://www.youtube.com/watch?v=sU9OqvZ0B1A AGNE, J. E. Eletrotermofototerapia: teoria e prática. Santa Maria, RS: Orium, 2006. BORGES, F. S. Dermato-funcional: modalidades terapêuticas nas disfunções estéticas. São Paulo: Phorte, 2006. BROWN, S. A.; GREENBAUM, L.; SHTUKMASTER, S.; ZADOK, Y.; BEN-EZRA, S.; KUSHKULEY, L. Characterization of nonthermal focused ultrasound for noninvasive selective fat cell disruption (lysis): technical and preclinical assessment. Plast Reconstr Surg., v. 124, n. 1, p. 92-101, 2009. BORGES, F. S.; SCORZA, F. A. Terapêutica em estética: conceitos e técnica. São Paulo: Phorte, 2016. GUIRRO, E. C. O.; GUIRRO, R. R. J. Fisioterapia dermato-funcional: fundamentos, recursos e patologias. 3. ed. rev. ampl. Barueri, SP: Manole, 2003. KITCHEN, S. Eletroterapia: prática baseada em evidências. Barueri, SP: Manole, 2003. LOW, J.; REED, A. Eletroterapia explicada: princípios e prática. Barueri, SP: Manole, 2001. SORIANO, M. C. D.; PÉREZ, S. C.; BAQUÉS, M. I. C. Electroestética profesional aplicada: teoría y práctica para la utilización de corrientes en estética. España: Sor Barcelona, 2000. 4 / 4 ˨ Referências