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2024 N eu ro p si q u ia tr ia A neurociência da psiquiatria | Neuroanatomia funcional | Desenvolvimento neural e neurogênese | Neurotransmissores de aminas biogênicas | Neurotransmissores de aminiácidos | Neurociências dos transtornos por uso de substâncias | Neuropeptídeos: Biologia, regulação e papel em transtornos neuropsiquiátrico | Fatores neurotrófilos | Novos neurotransmissores | Sinalização intraneural | Nase celular sináptica da sinalização neural | Genoma, transcriptoma e proteona: A genética molecular e a bioquímica por trás da neurobiologia dos transtornos mentais P siq u iatria extra | 20 23 PSIQcurso 01 Manual de Neuropsiquiatria para concursos – Autor – – João Marcos de Castro Andrade – ○ Médico graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG em 1998, tendo se especializado em Psiquiatria com residência médica reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) Hospital Psiquiátrico Instituto Raul Soares em 2001. ○ Tornou-se Mestre em Educação pela UFMG no ano de 2003 tendo conquistado o Titulo de Especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria em 2012. ○ Em 2016 recebeu o título de Especialista em Psiquiatria Forense pela Associação Brasileira de Psiquiatria sendo que em 2017 concluiu especialização em Transtornos Mentais e Saúde do Trabalhador no Instituto de Psiquiatria da USP. ○ Atualmente atua como Psiquiatra em consultório particular, é professor de Psiquiatria e Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da FASEH, Perito Psiquiatra da Justiça Federal e Coordenador do Psiqcurso - Curso Preparatório para Concursos em Psiquiatria. – Autora – – Raffaela Cristina Vieira Machado – – Colaboradora – – Meirielen Aparecida do Amaral Fernande – PREFÁCIO A coleção Psiqcurso apresenta uma abordagem totalmente inovadora. Em cada ca- pítulo no decorrer deste livro você encontrará questões de fixação, elaboradas de forma a testar o seu conhecimento e auxiliá-lo na memorização do conteúdo mais importante daquele assunto. Qualquer dúvida, crítica ou sugestão, você pode utilizar o link “Professores” dentro da sala de aula virtual ou enviar um email para atendimento@medaula.com.br. AGRADECIMENTO DO AUTOR Assim como o trabalho do aluno, a preparação das apostilas do Psiqcurso foi árdua, porém, gratificante. Agradecemos à equipe de professores por acreditar no projeto e, mesmo nos momentos de indecisão e ansiedade, ter se mostrado coesa e confidente no objetivo de criar um material didático eficiente e de alta qualidade teórica. Qualquer dúvida, crítica ou sugestão, você pode utilizar o link “Professores” dentro da sala de aula virtual ou enviar um email para atendimento@medaula.com.br. ÍNDICE 1 A NEUROCIÊNCIA DA PSIQUIATRIA 5 2 NEUROANATOMIA FUNCIONAL 8 3 DESENVOLVIMENTO NEURAL E NEUROGÊNESE 26 4 NEUROTRANSMISSORES DE AMINAS BIOGÊNICAS 37 5 NEUROTRANSMISSORES DE AMINOÁCIDOS 47 6 NEUROCIÊNCIAS DOS TRANSTORNOS POR USO DE SUBSTÂNCIAS 53 7 NEUROPEPTÍDEOS: BIOLOGIA, REGULAÇÃO E PAPEL EM TRANSTORNOS NEUROPSIQUIÁTRICOS 62 8 FATORES NEUROTRÓFICOS 68 9 NOVOS NEUROTRANSMISSORES 73 10 SINALIZAÇÃO INTRANEURAL 82 11 BASE CELULAR SINÁPTICA DA SINALIZAÇÃO NEURAL 92 12 GENOMA, TRANSCRIPTOMA E PROTEONA: A GENÉTICA MOLECULAR E A BIOQUÍMICA POR TRÁS DA NEUROBIOLOGIA DOS TRANSTORNOS MENTAIS 101 Esta obra é protegida pela lei número 9.610 dos Direitos Autoriais de 19 de Fevereiro de 1998, sancionada e publicada no Diário Oficial da União em 20 de Fevereiro de 1998. Em vigor a lei número 10.693, de 1 de Julho de 2003, que altera os arti- gos 184 e 186 do Código Penal em acrescenta Parágrafos ao artigo 525 do Código de Processo Penal. Manual de Psiquiatria para Concursos - Volume Extra/ Editores João Marcos de Castro Andrade, Raffaela Cristina Vieira Machado e Meirielen Aparecida do Amaral Fernande - Primeira Edição - Belo Horizonte - MG. Med e_Learning Cursos Interativos, 2023. 108p. Ilustradas. ISBN 1. Psiquiatria I. Concursos II. Andrade III. Machado IV. Fernande V. CDU: 617.7 CDD 617.7 Produção visual: Klezer Antonio Tenorio Paiva Junior Revisão ortográfica: Daniel Vasconcelos Ilustradores: Rejane Silva e Michel Paixão ©Copyright 2023 - MED E_LEARNING© Prefixo Editorial: 62824 Rua Grão Pará, 737, Conjunto 1101 - 11º andar Santa Efigênia BH/MG CEP 30150-341 Tel.: +55 (31) 3245-5781 www.psiqcurso.com.br atendimento@medaula.com.br ÍNDICE 1 A NEUROCIÊNCIA DA PSIQUIATRIA 5 2 NEUROANATOMIA FUNCIONAL 8 3 DESENVOLVIMENTO NEURAL E NEUROGÊNESE 26 4 NEUROTRANSMISSORES DE AMINAS BIOGÊNICAS 37 5 NEUROTRANSMISSORES DE AMINOÁCIDOS 47 6 NEUROCIÊNCIAS DOS TRANSTORNOS POR USO DE SUBSTÂNCIAS 53 7 NEUROPEPTÍDEOS: BIOLOGIA, REGULAÇÃO E PAPEL EM TRANSTORNOS NEUROPSIQUIÁTRICOS 62 8 FATORES NEUROTRÓFICOS 68 9 NOVOS NEUROTRANSMISSORES 73 10 SINALIZAÇÃO INTRANEURAL 82 11 BASE CELULAR SINÁPTICA DA SINALIZAÇÃO NEURAL 92 12 GENOMA, TRANSCRIPTOMA E PROTEONA: A GENÉTICA MOLECULAR E A BIOQUÍMICA POR TRÁS DA NEUROBIOLOGIA DOS TRANSTORNOS MENTAIS 101 Todas as imagens e tabelas deste documento tem como principal referência: SADOCK, B. J.; SADOCK, V. A.; RUIZ, P. Kaplan & Sadock’s comprehensive textbook of psychiatry. 10. ed. Philadelphia: Wolters Kluwer, 2017. Neuropsiquiatria 6 01 João Marcos De Castro Andrade & Raffaela Cristina Vieira Machado & Meirielen Aparecida do Amaral Fernande 1. Introdução .............................................................. 5 2. Revisão dos capítulos de neurociência ....... 6 3. Conclusão ............................................................... 7 4. Resumo em tópicos ............................................. 7 A NEUROCIÊNCIA DA PSIQUIATRIA 1. INTRODUÇÃO Esta seção do Livro/Texto contém uma notável coleção de capítulos que fornecem uma visão geral do panorama do atual entendimento das bases neurocientíficas da psiquiatria. Se o cérebro é o principal órgão da psiquiatria, então uma compreensão da neurociência é o ponto de partida para um conhe- cimento abrangente do campo. Esses capítulos requerem uma leitura cuidado- sa, pois refletem as primeiras indicações do surgimento da ciência explicativa dentro da psiquiatria. Esse progresso advém da aplicação de tecnologias que surgiram desde a edição anterior do livro texto, como técnicas de optogenética, DREADDs e CRISPR, por exemplo. Ele também resulta da maturação de campos, como a neuroimagem cognitiva e a genética psiquiátrica; transformando-os de curiosidade intelectual em ferramentas poderosas para responder a questões importantes sobre o comportamento humano e doenças mentais. Quais são os sinais desse progresso? Existem muitas histórias inspi- radoras. Com relação à etiologia, avanços no sequenciamento genético permi- tiram a descoberta de variantes genéticas raras que contribuem significativa- mente para o risco de doenças e representam aproximadamente 1 por cento dos casos de autismo. Psicólogos estão começando a entender onde no cérebro esses genes são expressos preferencialmente e quando no desenvolvimento esses genes estão criticamente envolvidos. Esses estudos preparam o terreno para intervenções de modificação da doença. Progressos semelhantes estão surgindo para a esquizofrenia, um distúrbio que parece compartilhar alguns ge- nes de risco com o autismo. No que diz respeito à fisiopatologia, estudos de optogenética em animais e estudos de neuroimagem em humanos forneceram novas e profundas perspectivas sobre como a depressão pode ser expressa no nível dos circuitos neurais. Esses “dados brutos” fornecem a base para estudos de neurociência computacional que descrevem rigorosamente pela primeira vez as relações entre a atividade de neurônios e redes ou redes e comportamento. Por sua vez, essas percepções estão fornecendo uma base para uma crescente variedade de tratamentos de neuroestimulação para transtornos do humor. Ao mesmo tempo, alguns avanços transformadores em tratamentos, como a des- coberta dos efeitos antidepressivos rápidos da cetamina, estimularam avançosna ciência básica que lançaram nova luz sobre a neurobiologia e podem levar a novas classes de medicamentos antidepressivos. Por que os psiquiatras precisam entender a neurociência para prati- car sua arte? A psiquiatria está se afastando da visão de pacientes psiquiátricos individuais como representantes exclusivos de categorias diagnósticas estáti- cas, como pode ser refletido no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtor- nos Mentais. A liderança ousada de Thomas Insel ao avançar com a iniciativa dos Critérios de Domínio de Pesquisa do NIMH levou o campo a abranger uma compreensão da circuitaria neural do comportamento e das características di- mensionais da fisiopatologia e fenomenologia dos pacientes psiquiátricos que cruzam fronteiras diagnósticas tradicionais. Pode-se prever que, à medida que os psiquiatras se tornem cada vez mais confortáveis em incorporar uma com- preensão da neurobiologia dos transtornos psiquiátricos em suas formulações clínicas de pacientes individuais, isso enriquecerá sua compreensão de seus pa- cientes e sugerirá novas oportunidades para aprimorar o tratamento. 7 A neurociência da psiquiatria Neuropsiquiatria O autor ilustrará esse ponto referindo-se a uma conferência de casos em que participou, que ele apresentou pela primeira vez em um blog para o Colégio Americano de Neuropsicofarmacologia em janeiro de 2012. Os Residentes de Psiquiatria de Yale convidaram o autor para entrevistar um paciente e depois apresentar sua formulação ao grupo. O autor compareceu à sessão sem nenhuma informação sobre o pacien- te e teve 30 minutos para entrevistar o paciente. O paciente era um jo- vem que sofria com sintomas psicóticos de longa duração. Ele atendia aos critérios diagnósticos para esquizofrenia, exibindo muitos domínios de capacidade intelectual preservada, mas apresentava problemas com atenção sustentada e memória. Ele também exibia baixos níveis de em- botamento afetivo, mas apresentava comprometimentos em muitos do- mínios sociais e funcionais. Durante a entrevista, ele também descreveu vividamente um padrão infantil de atenção acentuada a detalhes am- bientais não sociais, e tanto descreveu quanto demonstrou tendências perseverativas e irritabilidade leve quando desafiado. Ele também men- cionou que os diagnósticos de esquizofrenia e transtorno bipolar eram comuns em sua família. Em relação ao tratamento, ele sentia que a clo- zapina era o medicamento mais eficaz prescrito para ele. Além disso, ele foi tratado com os anticonvulsivantes lamotrigina e valproato. Como os psiquiatras poderiam entender a manifestação de características do transtorno do espectro do autismo (TEA) e a história familiar dele de esquizofrenia e transtorno bipolar? Esse paciente apre- sentou oportunidades para refletir sobre desafios em nosso esquema diagnóstico. Bleuler sugeriu que o pensamento autista era uma carac- terística fundamental da esquizofrenia, mas essa característica não está mais incluída no diagnóstico de esquizofrenia. No entanto, um número crescente de variantes genéticas raras com efeitos relativamente grandes no risco de esquizofrenia também contribui para o risco de TEA. A sobre- posição dos sintomas de esquizofrenia e TEA pode ser uma ilustração de pleiotropia. Da mesma forma, estudos recentes de GWAS em larga escala relatam regiões do genoma que parecem transmitir aumentos relativa- mente modestos no risco tanto para esquizofrenia quanto para transtor- no bipolar. Assim, a genética está fornecendo algumas pistas que podem ajudar a orientar o pensamento sobre as características da apresentação de pacientes individuais que entram em conflito com as categorias diag- nósticas do DSM-IV. Por que alguém adicionaria os antipsicóticos lamotrigina e valproato para aprimorar o tratamento com clozapina da esquizofre- nia? Atualmente, existe uma pequena base de evidências para orientar a farmacoterapia dos sintomas de esquizofrenia resistentes à clozapina. O autor foi lembrado das evidências em animais e humanos de que a lamotrigina, sozinha ou em combinação com a clozapina, atenua alguns dos efeitos dos antagonistas dos receptores NMDA psicogênicos. Pos- teriormente, verificou-se que a lamotrigina não era geralmente eficaz como estratégia de aumento antipsicótico, a menos que os pacientes apresentassem sintomas altamente resistentes a tratamentos, incluindo a clozapina. Além disso, anticonvulsivantes, como a lamotrigina, podem proteger contra o risco de convulsões associado à farmacoterapia com doses mais altas de clozapina. Assim, havia uma justificativa para adi- cionar a lamotrigina à clozapina neste caso. No entanto, o mesmo não poderia ser dito para o valproato. Os psiquiatras discutiram os dados farmacoepidemiológicos que descrevem a prescrição comum co-conco- mitante de valproato e medicamentos antipsicóticos para esquizofrenia, apesar da falta de dados de eficácia convincentes para o valproato nesse papel adjuvante. Como observado no blog, o convite dos residentes para en- trevistar um paciente na frente deles e apresentar uma formulação “biopsicossocial” estava embutido em uma pergunta não expressa. Faz diferença para um psiquiatra em exercício ser um estudante de gené- tica e neurociência translacional? A resposta acabou sendo, absoluta- mente! De fato, parecia que o background do autor em neurociência informava quase todos os aspectos da sessão, as perguntas que ele fa- zia, as hipóteses que ele gerava sobre o paciente e seus pensamentos sobre o plano de tratamento. Embora ainda não estivesse claro para ele como seu conhecimento da genética da esquizofrenia orientaria o tratamento deste paciente, não era difícil ver como estar atualizado com os desenvolvimentos na neurociência poderia tornar isso possível em algum momento. 2. REVISÃO DOS CAPÍTULOS DE NEUROCIÊNCIA Para facilitar esse tipo de interação entre a neurociência e a psiquiatria clínica, os autores estruturaram esta seção do Livro/Texto para abranger o progresso na neurociência que era mais relevante para a psiquiatria. Especialistas no campo foram convidados a fornecer capí- tulos que fossem rigorosos, mas acessíveis aos clínicos. A seção parte de questões elementares, ou seja, genética, propriedades dos neurônios, noções básicas de neurotransmissão química, redes corticais e funções de rede, e fisiopatologia dos transtornos psiquiátricos. Os tópicos abor- dados são amplos, mas alguns temas não foram incluídos. Da mesma forma, as resenhas fornecem profundidade, mas esperamos que não à custa da acessibilidade. A primeira subseção começa com dois capítulos que descre- vem a organização e o desenvolvimento do cérebro. O Capítulo 1.2 for- nece uma introdução maravilhosa à organização neuroanatômica do cérebro. O Capítulo 1.3 descreve os processos pelos quais a complexa organização do cérebro emerge durante o desenvolvimento. Este capí- tulo também apresenta ao leitor a neurogênese adulta, o processo pelo qual novos neurônios surgem no hipocampo na idade adulta. Os onze capítulos seguintes fornecem uma visão geral dos me- canismos básicos de sinalização que subjazem à comunicação e plastici- dade dentro do cérebro. Cinco capítulos revisam as principais classes de neurotransmissão química no cérebro, incluindo os neurotransmissores monoamina (Capítulo 1.4), os neurotransmissores aminoácidos glutama- to e GABA (Capítulo 1.5), neuropeptídeos (Capítulo 1.6) e neurotransmis- sores novos (Capítulo 1.8). O Capítulo 1.7 aborda os fatores neurotrófi- cos. Essas substâncias estão cada vez mais implicadas na fisiopatologia neuropsiquiátrica e no tratamento, particularmente a atividade de me- dicamentos antidepressivos tradicionais e de ação rápida. A sinalização intraneuronal, os mecanismos pelos quais os efeitos de transmissores e drogas são transduzidos quimicamente dentro dos neurônios, são re- visados no Capítulo 1.9. As funções neurofisiológicas são abordadas no Capítulo 1.10. Dois capítulos abordam a biologia molecular dos transtor- nospsiquiátricos. Em seguida, há uma atualização sobre as tecnologias “ômicas” (genômica, transcriptômica, proteômica) no Capítulo 1.11. O Capítulo 1.13 aborda as interações neurais-imunes, com foco particular na neuroinflamação, um mediador chave dos efeitos do estresse no cé- rebro. Esta subseção conclui com um capítulo sobre cronobiologia. O Ca- pítulo 1.14 aborda os genes, circuitos e mecanismos que regem os ritmos circadianos e outros ritmos que têm efeitos profundos no metabolismo energético, sono, comportamento e humor. A terceira subseção consiste em quatro capítulos relacionados às tecnologias que estão cada vez mais informando a compreensão dos psiquiatras sobre a biologia do transtorno psiquiátrico. O Capítulo 1.15 aborda avanços na eletroencefalografia, incluindo estudos de potenciais relacionados a eventos e oscilações corticais. O Capítulo 1.16 aborda avanços na ressonância magnética e na espectroscopia de ressonância magnética, uma abordagem central para estudar a estrutura, função e química do cérebro de forma não invasiva. O Capítulo 1.17 revisa as outras abordagens não invasivas principais para estudar a química do cérebro, especialmente para quantificar os níveis de proteínas cerebrais específicas que estão presentes em quantidades muito baixas no cére- bro, como os receptores de neurotransmissores. O Capítulo 1.18 concen- 8 w w w . p s i q c u r s o . c o m . b r PSIQCURSO | 2023 02 1. Príncipios da organização cerebral ............. 8 2. Células gliais ........................................................ 9 3. Arquitetura .......................................................... 9 4. Conexões .............................................................. 9 5. Distintividade do cérebro humano ............... 9 6. Componentes estruturais .............................. 10 7. Tratos de matéria branca ................................... 11 8. Sistema ventricular .............................................. 12 9. Sistemas cerebrais funcionais ....................... 13 10. Circuito funcional ............................................... 15 11. Circuitaria funcional .......................................... 16 12. Sistemas sensoriais talamocorticais ........... 16 13. Sistemas motor thalamocorticais ................. 17 14. Sistemas de associação tálamocortical ...... 17 15 Sistemas cerebelotalâmicorticais ................ 18 16. Sistemas de gânglios da base ......................... 18 17. Organização interna .......................................... 19 18. Processamento interno .................................... 20 19. O sistema límbico ............................................... 20 20. Hipotálamo ........................................................... 23 21. Implicações para sistema de diagnóstico com base biológica ............................................. 24 22. Resumo em tópicos ............................................ 24 João Marcos De Castro Andrade & Raffaela Cristina Vieira Machado & Meirielen Aparecida do Amaral Fernande tra-se em avanços nas abordagens de mapeamento de genes que estão contribuindo para a compreensão emergente da genética dos transtor- nos psiquiátricos. A próxima subseção inclui oito capítulos que abordam áreas de foco na pesquisa em psiquiatria. O Capítulo 1.19 aborda o tópico impor- tante de modelos animais para psiquiatria e dependência. Os modelos animais forneceram insights fundamentais na neurobiologia e tratamen- to dos transtornos psiquiátricos. No entanto, esses modelos mostraram limitações importantes em sua capacidade de prever novos tratamentos para transtornos psiquiátricos, um fator que contribuiu para a escassez de novos mecanismos de tratamento na psiquiatria nos últimos 20 anos. Há capítulos nesta subseção sobre dor (Capítulo 1.20), sentido de self (Capítulo 1.21), sono (Capítulo 1.22) e apetite (Capítulo 1.23). Esses são aspectos fundamentais da experiência humana que foram estudados in- tensamente. As duas últimas seções abordam áreas relativamente novas que estão desempenhando papéis crescentes no campo da psiquiatria. A epigenética, ou seja, os mecanismos pelos quais os fatores ambien- tais têm efeitos duradouros e até mesmo transgeracionais, é revisada no Capítulo 1.25. Finalmente, Heath revisa as implicações da pesquisa do microbioma para o comportamento humano. A última subseção sobre a neurociência da psiquiatria aborda tópicos especiais em neurociência de sistemas, cognitiva e comporta- mental. O Capítulo 1.26 aborda questões na neurociência de sistemas. O Capítulo 1.27 aborda o amplo impacto da teoria da aprendizagem. Barch, uma figura central no Projeto do Conectoma Humano, aborda a importante área da conectividade funcional cortical humana no Capítulo 1.28. O Capítulo 1.29 aborda a área crescente da neurociência compu- tacional, ou seja, o esforço para desenvolver modelos computacionais para funções de microcircuito e macrocircuito cortical. A neurociência de sistemas do desenvolvimento cortical é abordada no Capítulo 1.30. Finalmente, Salloum aborda o tópico em evolução da cognição social. 3. CONCLUSÕES Na análise final, os psiquiatras devem ser humildes em rela- ção à extensão de seu conhecimento. O cérebro é inimaginavelmente complicado e aspectos fundamentais da fisiopatologia dos transtornos neuropsiquiátricos permanecem fora de alcance. Os psiquiatras têm a tendência de superestimar seu conhecimento e subestimar os desafios enfrentados ao avançar em sua compreensão da etiologia, fisiopatolo- gia, tratamento e prevenção de transtornos neuropsiquiátricos. No en- tanto, os psiquiatras têm um imperativo clínico, científico e humanísti- co para avançar em sua compreensão da neurobiologia dos transtornos psiquiátricos e garantir que esse conhecimento informe a prática clínica da psiquiatria. 4. RESUMO EM TÓPICOS - A seção “Neural Sciences” explora a relação entre neurociên- cia e psiquiatria. - O cérebro é crucial para a psiquiatria, e entender a neuroci- ência é fundamental. - Tecnologias avançadas, como optogenética e CRISPR, estão transformando a pesquisa em psiquiatria. - Avanços na genética revelaram variantes genéticas ligadas a transtornos como autismo e esquizofrenia. - Estudos em optogenética e neuroimagem estão revelando circuitos neurais envolvidos na depressão. - A neurociência computacional está explorando a relação en- tre atividade neuronal e comportamento. - Progressos na terapia incluem o uso da cetamina para de- pressão. - Psiquiatras precisam entender neurociência para melhorar a prática clínica. - O campo está evoluindo além de diagnósticos estáticos, con- siderando circuitaria neural e características dimensionais. - Caso de estudo revela como a compreensão da neurobiologia influencia a formulação clínica. - O livro abrange tópicos amplos, incluindo genética, neuro- transmissão, neuroimagem e interações neurais. - Os capítulos abordam desde fundamentos até novas tecno- logias. - Modelos animais contribuem para o entendimento dos trans- tornos, apesar de limitações. - Epigenética e microbioma são áreas emergentes na pesquisa psiquiátrica. - A conexão entre aprendizado, desenvolvimento cortical e cognição social é explorada. - Conclusão destaca a complexidade do cérebro e a importân- cia de continuar aprendendo na psiquiatria. w w w . p s i q c u r s o . c o m . b r9w w w . p s i q c u r s o . c o m . b r 02 1. Príncipios da organização cerebral ............. 8 2. Células gliais ........................................................ 9 3. Arquitetura .......................................................... 9 4. Conexões .............................................................. 9 5. Distintividade do cérebro humano ............... 9 6. Componentes estruturais .............................. 10 7. Tratos de matéria branca ................................... 11 8. Sistema ventricular .............................................. 12 9. Sistemas cerebrais funcionais .......................13 10. Circuito funcional ............................................... 15 11. Circuitaria funcional .......................................... 16 12. Sistemas sensoriais talamocorticais ........... 16 13. Sistemas motor thalamocorticais ................. 17 14. Sistemas de associação tálamocortical ...... 17 15 Sistemas cerebelotalâmicorticais ................ 18 16. Sistemas de gânglios da base ......................... 18 17. Organização interna .......................................... 19 18. Processamento interno .................................... 20 19. O sistema límbico ............................................... 20 20. Hipotálamo ........................................................... 23 21. Implicações para sistema de diagnóstico com base biológica ............................................. 24 22. Resumo em tópicos ............................................ 24 João Marcos De Castro Andrade & Raffaela Cristina Vieira Machado & Meirielen Aparecida do Amaral Fernande NEUROANATOMIA FUNCIONAL A ampla gama de características afetivas, cognitivas e comportamen- tais dos seres humanos é resultado de padrões específicos de ativação em redes de neurônios no sistema nervoso central (SNC). Estes padrões são mediados pelas conexões entre estruturas cerebrais. Para compreender os distúrbios nos processos afetivos, cognitivos e comportamentais em transtornos psiquiátricos, é necessário entender os princípios da organização funcional dessas estruturas e suas conexões no cérebro humano. Neste texto, discutiremos esses princípios anatômicos, mantendo as figuras contidas nele. 1. PRINCÍPIOS DA ORGANIZAÇÃO CEREBRAL O cérebro humano contém neurônios, que são células nervosas, e cé- lulas gliais em grande número. Os neurônios têm quatro partes principais: o corpo celular, dendritos, axônio e terminações axônicas, que formam sinapses com outros neurônios. Existem neurônios de projeção e neurônios de circui- to local, que transmitem informações entre diferentes regiões do cérebro ou processam informações localmente. Os neurotransmissores desempenham um papel fundamental na comunicação entre neurônios, mas os efeitos dos neuro- transmissores devem ser entendidos no contexto dos circuitos neurais que eles influenciam. Desenho das principais características de um neurônio típico, oligodendrócito e astrócito. A e B: As principais características dos neurônios incluem o corpo celular, dendritos, um axônio principal e terminais axônicos. O axônio princi- pal é mielinizado por oligodendrócitos vizinhos. C: Os terminais axônicos se ramificam a partir dos axônios e formam sinapses com neurônios pós-sinápti- cos por meio da liberação de neurotransmissores armazenados em vesículas sinápticas. D: Finos processos astrocíticos cercam as sinapses e regulam a neu- rotransmissão, enquanto os “endfeet” astrocíticos entram em contato com os vasos sanguíneos e regulam o fluxo sanguíneo. (Adaptado de Gilman S, Winans-Newman S. Essenciais de Neuroanatomia e Neurofisio- logia Clínica de Manter e Gatz, 10ª ed. Filadélfia, PA: FA Davis Co; 2003:2.) PSIQCURSO | 2023 10 w w w . p s i q c u r s o . c o m . b r 2. CÉLULAS GLIAIS O cérebro também contém células gliais, incluindo astrócitos, oligodendrócitos, células de Schwann e micróglia. Os astrócitos têm múltiplas funções, incluindo a formação da barreira hematoencefá- lica, remoção de neurotransmissores e regulação do fluxo sanguíneo cerebral. Eles desempenham um papel na neurotransmissão sináptica, agindo como parceiros ativos na comunicação entre neurônios. As célu- las gliais também estão envolvidas na regulação do ambiente ao redor dos neurônios. 3. ARQUITETURA A organização do cérebro pode ser avaliada por técnicas his- tológicas que revelam a citoarquitetura, mieloarquitetura e quimoar- quitetura. Estas técnicas identificam a organização celular, a mielina dos axônios e a distribuição de neurotransmissores nas diferentes regiões do cérebro. Esta figura mostra cortes de tecido cerebral corados com Nissl da re- gião intermediária do córtex entorrinal humano. No cérebro controle (A), na camada II, podemos ver aglomerados de neurônios grandes que estão intensamente corados. No entanto, na doença de Alzheimer (B), esses neurônios da camada II são particularmente afetados pela degeneração, o que resulta em uma mudança notável na citoarquite- tura da região. Os números romanos indicam as camadas corticais, e a barra de calibração (200 μm) se aplica a ambas as imagens A e B. 4. CONEXÕES As funções cerebrais resultam da atividade de circuitos neurais específicos, formados durante o desenvolvimento. As conexões entre neurônios são recíprocas, diretas ou indiretas, e envolvem circuitos di- vergentes e convergentes. As conexões podem ser hierárquicas, parale- las ou ambos, e as regiões do cérebro são especializadas em diferentes funções. 5. DISTINTIVIDADE DO CÉREBRO HUMANO O cérebro humano é distintivo devido ao seu tamanho maior e à expansão desproporcional de certas áreas, como o córtex pré-fron- tal. Também existem diferenças na organização de neurônios e células gliais em comparação com outras espécies. Estas diferenças enfatizam a necessidade de estudar o cérebro humano diretamente e destacam as limitações de generalizações baseadas em estudos em outras espécies. Cortes sagitais adjacentes do lobo temporal medial do cérebro huma- no marcados para revelar a citoarquitetura (A—corante de Nissl) e a quimoarquitetura (B—imunorreatividade à proteína de neurofilamen- to não fosforilado) do córtex entorrinal. As letras indicam algumas de suas subdivisões. Am, amígdala; HF, formação hipocampal. A barra de calibração (2 mm) se aplica a ambos os painéis. (De Beall MJ, Lewis DA. Heterogeneidade de neurônios da camada II no córtex entorrinal humano. J Comp Neurol. 1992;321:241. Usado com permissão.) Desenho esquemático comparando a organização espacial de cone- xões intrínsecas e associacionais e a reciprocidade, convergência e di- vergência nessas conexões no córtex pré-frontal de macacos. (Adaptado de Pucak ML, Levitt JB, Lund JS, Lewis DA. Padrões de circuitaria intrínseca e associativa no córtex pré-frontal de macacos. J Comp Neurol. 1996;376:614.) Neuroanatomia funcional 11Neuropsiquiatriaw w w . p s i q c u r s o . c o m . b r Fotografias das faces lateral (topo) e medial (parte inferior) do hemis- fério esquerdo de um cérebro humano indicando a localização das principais referências superficiais. F, lobo frontal; O, lobo occipital; P, lobo parietal; T, lobo temporal; Th, tálamo; ccG, corpo do corpo caloso; ccS, esplênio do corpo caloso. 6. COMPONENTES ESTRUTURAIS O cérebro humano é dividido em várias regiões, incluindo o te- lencéfalo (córtex cerebral, formação hipocampal, amígdala), o diencéfalo (tálamo, hipotálamo) e o tronco cerebral. Cada hemisfério cerebral tem quatro lobos principais: frontal, parietal, temporal e occipital, cada um com funções específicas. Esta discussão destaca a complexidade da organização cerebral e a necessidade de considerar a conectividade e a arquitetura cerebral ao investigar os processos cognitivos e transtornos psiquiátricos. Representação esquemática das vesículas primárias do tubo neural e seus derivados. Desenho de uma secção coronal logo anterior ao gênio do corpo calo- so de um cérebro humano. A inserção abaixo indica o nível da secção. IFG, giro frontal inferior; MFG, giro frontal médio; PFC, córtex pré-fron- tal; SFG, giro frontal superior. (Adaptado de Nieuwenhuys R, Voogd J, van Huijzen C. The Human Central Ner- vous System: A Synopsis and Atlas, 3ª ed. Nova York: Springer; 1988:68.) PSIQCURSO | 2023 12 w w w . p s i q c u r s o . c o m . b r Desenho de uma secção coronal através do quiasma óptico de um cé- rebro humano. A inserção abaixo indica o nível da secção. (Adaptado de Nieuwenhuys R, Voogd J, van Huijzen C. The Human Central Ner- vous System: A Synopsis and Atlas, 3ª ed. Nova York: Springer; 1988:70.) 7. TRATOSDE MATÉRIA BRANCA A matéria branca do cérebro consiste em tratos de fibras que desempenham um papel fundamental na comunicação entre diferentes partes do cérebro. Estes tratos incluem: - Fibras de projeção: estas fibras conectam o córtex cerebral a áreas subcorticais (corticofugais) ou áreas externas ao telen- céfalo (corticopetais). Exemplos incluem projeções corticotalâ- micas e talamocorticais, que passam pela cápsula interna. Desenho de uma secção coronal ao nível dos corpos mamilares. O in- seto abaixo indica o nível da secção. (Adaptado de Nieuwenhuys R, Voogd J, van Huijzen C. The Human Central Ner- vous System: A Synopsis and Atlas, 3ª ed. Nova York: Springer; 1988:72.) - Fibras comissurais: estas fibras conectam áreas nos dois he- misférios cerebrais. Os principais sistemas de fibras comissu- rais são o corpo caloso e a comissura anterior, que conectam regiões homotópicas e heterotópicas entre os hemisférios. Desenho de uma secção coronal através do tálamo posterior. A inser- ção abaixo indica o nível da secção. (Adaptado de Nieuwenhuys R, Voogd J, van Huijzen C. The Human Central Ner- vous System: A Synopsis and Atlas, 3ª ed. Nova York: Springer; 1988:74.) - Fibras associativas: estas fibras conectam áreas corticais den- tro de um hemisfério, variando em comprimento e conectando giros adjacentes (fibras U) ou áreas em diferentes lobos. Exem- plos incluem o fascículo longitudinal superior e o fascículo ar- queado. Neuroanatomia funcional 13Neuropsiquiatriaw w w . p s i q c u r s o . c o m . b r Desenho de uma secção coronal através dos hemisférios cerebrais, logo atrás do esplênio do corpo caloso e através dos núcleos profun- dos do cerebelo. A inserção abaixo indica o nível da secção. (Adaptado de Nieuwenhuys R, Voogd J, van Huijzen C. O Sistema Nervoso Cen- tral Humano: Uma Sinopse e Atlas, 3ª ed. Nova York: Springer; 1988:77.) A cápsula interna é uma estrutura chave, dividida em várias regiões, cada uma contendo diferentes sistemas de fibras. Essas regiões incluem o membro anterior, membro posterior, gênio, membro retrolen- ticular e membro sublenticular. Alterações na conectividade da matéria branca podem estar relacionadas a distúrbios neuropsiquiátricos, como esquizofrenia e doen- ça de Alzheimer. Estudos de neuroimagem, como ressonância magnética (MRI) e imagem por tensor de difusão (DTI), têm revelado anormalidades em tratos de substância branca em pacientes com esses distúrbios. Uma secção horizontal através do cérebro mostra a localização das fi- bras da cápsula interna em relação aos componentes do gânglio basal e do corpo caloso. (Adaptado de Snell RS. Neuroanatomia Clínica, 7ª ed. Filadélfia, PA: Wolters Kluwer; 2010:xv.) 8. SISTEMA VENTRICULAR O sistema ventricular do cérebro, preenchido com líquido ce- falorraquidiano (LCR), desempenha um papel importante no amorteci- mento do cérebro contra traumas, no controle do ambiente extracelular e na disseminação de hormônios endócrinos. O LCR é produzido princi- palmente no plexo coroide nas paredes dos ventrículos laterais e tem uma composição específica. Interrupções no fluxo do LCR podem levar a hidrocefalia. Fotografia da vista medial do hemisfério cerebral direito de um cére- bro humano, ilustrando as diferentes partes do corpo caloso. ccr, ros- tro; ccg, gênio; ccb, corpo; cci, istmo; ccs, esplênio. O líquido cefalorraquidiano (LCR) é constantemente produzido e circula pelas cavidades dos ventrículos laterais, passando pelo terceiro ventrículo e, em seguida, pelo quarto ventrículo. O LCR flui então através das aberturas medial e lateral para a cisterna magna e cisterna pontina e, finalmente, percorre os hemisférios cerebrais para ser absorvido pelas vilosidades aracnoides e liberado no seio sagital superior. Interrupções no fluxo do LCR geralmente causam algum tipo de hidrocefalia. É importante notar que o LCR também é usado em pesquisas para avaliar a atividade de neurotransmissores, como a dopamina, no cérebro, embora seus níveis no LCR possam não ser um indicador preciso da atividade em áreas cerebrais específicas. Portanto, a matéria branca e o sistema ventricular desempenham papéis críticos na estrutura e fun- ção do cérebro, e suas alterações podem ter implicações para a saúde mental e neurológica. PSIQCURSO | 2023 14 w w w . p s i q c u r s o . c o m . b r Desenhos ilustrando os principais tratos de fibras associativas, visua- lizados a partir dos aspectos lateral (painel 1) e medial (painel 2) do hemisfério esquerdo. (Adaptado de Haines DE. Fundamental Neuroscience for Basic and Clinical Applications, 3ª ed. Filadélfia, PA: Churchill Livingstone; 2006:253.) Diagrama dos ventrículos do cérebro e canal central da medula espi- nhal. B: Uma representação tridimensional dos ventrículos do cérebro. (Adaptado de Snell RS. Clinical Neuroanatomy, 7ª ed. Filadélfia, PA: Wolters Kluwer; 2010:469.) 9. SISTEMAS CEREBRAIS FUNCIONAIS As relações entre os princípios organizacionais e os compo- nentes estruturais do cérebro humano são ilustradas em três sistemas funcionais: o sistema tálamo-cortical, os gânglios da base e o sistema límbico. Córtex cerebral O córtex cerebral cobre os hemisférios cerebrais e contém cerca de 22,5 bilhões de neurônios interconectados por 165 trilhões de sinapses. Os neurônios piramidais representam a maioria (70%) dos neurônios neocorticais e têm dendritos apicais e basais, com espinhas dendríticas que são locais de sinapses excitatórias. Células não pirami- dais são neurônios menores de circuito local, muitos dos quais usam o neurotransmissor inibitório GABA. As células GABA no córtex cortical podem ser divididas em subtipos com diferentes características morfoló- gicas e sinápticas. Anormalidades em populações de neurônios não pira- midais estão associadas a distúrbios neurológicos e psiquiátricos, como esquizofrenia e epilepsia. As células Cajal-Retzius contendo calretinina residem exclusivamente na camada I e têm como alvo os dendritos de tufo de neurônios piramidais. Organização do córtex O neocórtex tem seis camadas, cada uma com funções espe- cíficas e padrões de conectividade distintos. As entradas eferentes do córtex cerebral são predominantemente originadas de núcleos talâmi- cos específicos e outras regiões corticais. As áreas sensoriais primárias respondem a estímulos sensoriais específicos, enquanto as áreas asso- ciativas processam informações complexas e mediam funções cognitivas superiores. A lateralização da função cerebral, como a linguagem, é ob- servada em algumas áreas, como o hemisfério esquerdo, que geralmente é especializado em funções da linguagem. Desenhos de um neurônio estelado (esquerda) e de um neurônio pi- ramidal (direita). Observe a diferença na morfologia desses dois tipos de neurônios. O corpo celular das células esteladas tende a ser arre- dondado ou oval, enquanto o dos neurônios piramidais geralmente aparece triangular em uma perspectiva bidimensional. Além disso, ob- serve a diferença nas ramificações dendríticas e axonais entre as duas células. Os processos originados da célula estelada parecem se ramifi- car em várias direções, enquanto o neurônio piramidal tem dendritos apicais e basais proeminentes e bem definidos. Observe as pequenas protuberâncias visíveis nos dendritos apicais e basais; essas são as es- pinhas dendríticas. (Adaptado de Bear MF, Connors BW, Paradiso MA. Neuroscience: Exploring the Brain. Philadelphia, PA: Lippincott Williams & Wilkins; 2001:45.) Neuroanatomia funcional 15Neuropsiquiatriaw w w . p s i q c u r s o . c o m . b r Espinhas dendríticas no córtex cerebral. A: Diagrama de um neurônio piramidal cortical ilustrando a localização das espinhas dendríticas. B: Micrografia eletrônica do córtex pré-frontal de macaco mostrando duas espinhas dendríticas (Sp) emanando de um único dendrito (D), ambas recebendo uma sinapse assimétrica de um terminal axonal (at). Barra de calibração = 200 nm. Desenho esquemático de diferentes subclassesmorfológicas de neurônios de circuito local contendo GABA no córtex pré-frontal de primatas. Os axônios dos neurônios dessas subclasses têm como alvo seletivamente diferentes partes dos neurônios piramidais. (Adaptado de Gonzalez-Burgos G, Hashimoto T, Lewis DA. Inhibition and timing in cortical neural circuits. Am J Psychiatry. 2007;164:12.) Muitos estudos têm revelado anormalidades em populações de neurônios não piramidais em uma variedade de distúrbios neurológi- cos e psiquiátricos. Por exemplo, foram relatadas reduções no número de neurônios calretinina e mudanças morfológicas nas arbóreas axonais de neurônios de parvalbumina em tecido epiléptico. Em esquizofrenia, as células cesta expressam níveis mais baixos de parvalbumina e da forma de 67 kDa da enzima biossintética glutamato descarboxilase (GAD67). Os terminais axonais dos neurônios candelabros têm níveis reduzidos do transportador de GABA da membrana 1 (GAT1) e maiores níveis de re- ceptores GABAA α2 nas células piramidais pós-sinápticas. Em conjunto, essas descobertas refletem circuitos pré-frontais disfuncionais que po- dem contribuir para os sintomas cognitivos observados na esquizofrenia. Os neurônios neocorticais estão distribuídos em seis camadas do neocór- tex; essas camadas são distinguíveis pelo tamanho relativo e densidade de empacotamento de seus neurônios. Cada camada cortical tende a re- ceber tipos específicos de entradas e fornecer projeções características. Por exemplo, as aferências dos núcleos de retransmissão talâmicos ter- minam principalmente na camada profunda III e na camada IV, enquanto as projeções corticotálamicas têm origem principalmente nos neurônios piramidais da camada VI. Essas distinções laminares fornecem pistas im- portantes para a compreensão de possíveis mecanismos fisiopatológicos em transtornos psiquiátricos. Relatos de tamanho somático reduzido e densidade de espinhas diminuída nos neurônios piramidais da camada profunda III no córtex pré-frontal de pacientes esquizofrênicos sugerem que essas mudanças podem estar relacionadas a anormalidades nas pro- jeções aferentes do núcleo talâmico medial. De acordo com essa inter- pretação, o número de neurônios no núcleo talâmico medial foi relatado como diminuído em pacientes esquizofrênicos. PSIQCURSO | 2023 16 w w w . p s i q c u r s o . c o m . b r Fotomicrografia de campo claro de um terminal axônico de neurônio candelabro (seta) imunomarcado para o transportador de GABA tipo 1 (GAT-1). B: Fotomicrografia de campo claro de um segmento inicial de axônio (o local de geração de potencial de ação) de um neurônio piramidal (P) imunomarcado para a subunidade α2 do receptor GA- BAA. C: Diagrama esquemático da relação sináptica entre neurônios candelabro e neurônios piramidais, ilustrando as alterações pré e pós- -sinápticas na esquizofrenia. (Adaptado de Volk DW, Pierri JN, Fritschy J-N, Auh S, Sampson AR, Lewis DA. Alterações recíprocas em marcadores inibitórios pré e pós-sinápticos nas entra- das de células candelabro para neurônios piramidais na esquizofrenia. Cereb Cortex. 2002;12:1063.) Desenho da vista lateral (A) e vista medial (B) das subdivisões citoarqui- tetônicas do cérebro humano conforme determinado por Brodmann. Esse resumo oferece uma visão geral dos aspectos essenciais do córtex cerebral e de sua organização, bem como da importância das células piramidais e não piramidais na função cerebral. As figuras forne- cidas no texto original podem ser usadas como referências visuais para uma melhor compreensão. 10. CIRCUITO FUNCIONAL O cérebro é composto por redes de conexões corticocorticais, que são fundamentais para funções perceptuais e cognitivas. Essas redes podem ser intrínsecas (dentro de uma área cortical), associativas (entre áreas corticais no mesmo hemisfério) e calosas (entre áreas corticais em hemisférios diferentes). A atividade coordenada dessas redes envolve os- cilações neurais em diferentes faixas de frequência, como θ, α e γ. Redes de circuitos corticocorticais As redes de circuitos corticocorticais desempenham um papel crucial na comunicação e coordenação das atividades neurais em dife- rentes regiões do córtex cerebral. Como você mencionou, essas cone- xões podem ser divididas em três categorias básicas: intrínsecas, asso- ciativas e calosas. Cada uma dessas categorias desempenha um papel específico na integração de informações e na coordenação de funções cerebrais. - Conexões intrínsecas: essas conexões ocorrem dentro de uma única área cortical. Elas são formadas pelas ramificações axonais de neurônios piramidais dentro da mesma região do córtex cerebral. As conexões intrínsecas são fundamentais para a integração local de informações e a geração de ativida- des específicas em áreas corticais especializadas. - Conexões associativas: essas conexões ocorrem entre áreas corticais no mesmo hemisfério cerebral. Elas desempenham um papel importante na integração de informações entre dife- rentes funções corticais, permitindo a coordenação de ativida- des em áreas cerebrais especializadas para funções cognitivas específicas. Neuroanatomia funcional 17Neuropsiquiatriaw w w . p s i q c u r s o . c o m . b r - Conexões calosas: essas conexões ocorrem entre áreas corticais em hemisférios cerebrais diferentes, através do corpo caloso. Elas de- sempenham um papel fundamental na comunicação entre os hemisférios direito e esquerdo do cérebro e na coordenação de atividades entre os dois hemisférios. A atividade neural sincronizada e as oscilações em diferentes faixas de frequência desempenham um papel essencial na função cerebral. Essas oscilações permitem a coordenação temporal de informações e podem ser observadas em eletroencefalogramas (EEG). As faixas de frequência, como θ, α e γ, têm funções específicas na percepção, atenção, cognição e coordenação de funções cerebrais mais amplas. A atividade oscilatória, especialmente na faixa γ no córtex pré-frontal dorsolateral, é fundamental para a cognição e o processamento de informações complexas. Ela está associada à integração de redes neurais distribuídas envolvidas em tarefas cognitivas e de alto nível. No entanto, como mencionado, distúrbios neuropsiquiátricos como a esquizofrenia podem estar associados a anormalidades nesses cir- cuitos corticocorticais e nas redes de neurônios GABAérgicos, incluindo neurônios de parvalbumina. Essas anormalidades podem resultar em uma diminuição na potência das oscilações na faixa γ no córtex pré-frontal dorsolateral, o que pode estar relacionado a sintomas cognitivos observados em indivíduos com esquizofrenia. Redes de conexões corticocorticais O cérebro é composto por redes de conexões corticocorticais, que são fundamentais para funções perceptuais e cognitivas. Essas redes podem ser intrínsecas (dentro de uma área cortical), associativas (entre áreas corticais no mesmo hemisfério) e calosas (entre áreas corticais em hemisférios diferentes). A atividade coordenada dessas redes envolve oscilações neurais em diferentes faixas de frequência, como θ, α e γ. Desenhos esquemáticos da superfície lateral (superior esquerda) e medial (superior direita) do hemisfério cerebral direito e do tálamo direito (in- ferior). Cada núcleo talâmico é codificado por padrões para corresponder à sua área de destino no córtex cerebral. (Adaptado de Haines DE. Neuroscience Fundamental para Aplicações Básicas e Clínicas, 3ª ed. Filadélfia, PA: Churchill Livingstone; 2006:237.) 11. CIRCUITARIA FUNCIONAL As conexões entre o tálamo, o córtex e certas estruturas cerebrais relacionadas constituem três tipos de sistemas talamocor- ticais, cada um com diferentes padrões de circuitaria funcional. Esses três sistemas - sensorial, motor e de associação - são descritos separadamente aqui, mas estão fortemente interconectados. 12. SISTEMAS SENSORIAIS TALAMOCORTICAIS A organização dos sistemas sensoriais talamocorticais segue vários princípios importantes: - Transdução sensorial: os receptores sensoriaisconvertem estímulos do ambiente externo em impulsos neurais, que viajam pelos núcleos intermediários na medula espinhal e na medula até chegar aos núcleos de retransmissão específicos do tálamo. PSIQCURSO | 2023 18 w w w . p s i q c u r s o . c o m . b r - Topografia sensorial: as projeções dos receptores sensoriais para o tálamo e o córtex exibem topografia, o que significa que partes específicas do mundo externo são mapeadas em regi- ões específicas do cérebro. Por exemplo, no sistema somatos- sensorial, diferentes partes do corpo têm representações dis- tintas no tálamo e no córtex, com áreas densamente inervadas (como os dedos) ocupando mais espaço cortical. - Segregação por submodalidade: em alguns casos, as entra- das sensoriais são segregadas de acordo com a submodalida- de da informação transmitida. Isso significa que informações táteis e proprioceptivas, por exemplo, seguem vias separadas das informações de dor e temperatura à medida que ascen- dem até o tálamo. - Convergência sensorial: as vias sensoriais exibem convergên- cia, ou seja, áreas sensoriais primárias processam informações sensoriais e projetam para áreas de associação unimodais, que por sua vez projetam e convergem em áreas de associação multimodais. Isso permite o processamento mais complexo das informações sensoriais em diferentes níveis do cérebro. No sistema somatossensorial, o córtex somatossensorial pri- mário é dividido em regiões citoarquitetônicas (1, 2, 3a e 3b) com re- presentações topográficas do corpo. Essas regiões são interconectadas e projetam para a área S-II, que representa um nível mais avançado de processamento. Essa projeção é chamada de projeção feedforward. Há também uma projeção de feedback do nível mais avançado de processa- mento de volta ao nível mais simples. O processamento adicional ocor- re em áreas somatossensoriais de ordem superior, como a área 7b do córtex parietal posterior, que recebe projeções de S-II. Lesões no córtex parietal posterior podem resultar em dificuldades na compreensão de estímulos sensoriais e, em casos extremos, negligência sensorial e falta de atenção para o lado oposto do corpo. 13. SISTEMAS MOTOR THALAMOCORTICAIS Os sistemas motores talamocorticais têm características orga- nizacionais distintas e compartilham algumas semelhanças com os siste- mas sensoriais. Aqui estão os principais pontos: - Origem e descida das vias motoras: ao contrário dos siste- mas sensoriais que ascendem dos receptores sensoriais até o córtex, os sistemas motores descendem das regiões de asso- ciação e motoras do córtex para o tronco encefálico e medula espinhal. O trato corticoespinhal, que desempenha um papel fundamental no controle motor, origina-se nos córtices pré- -motor e motor primário do lobo frontal e termina na medula espinhal, influenciando o comportamento motor. - Topografia nos níveis talâmico e cortical: os sistemas mo- tores também exibem uma organização topográfica marcante. O trato corticoespinhal é organizado de forma que o córtex motor primário e pré-motor representem topograficamente a metade contralateral do corpo. Essa representação é despro- porcional, com áreas maiores dedicadas a partes do corpo en- volvidas em movimentos finos, como a face e as mãos. - Convergência de projeções: há uma convergência de proje- ções de várias regiões de associação sensorial para as regiões motoras do córtex frontal. O córtex pré-motor recebe aferen- tes das áreas somatossensoriais e visuais de ordem superior do córtex parietal posterior. Além disso, o córtex motor pri- mário recebe entrada do núcleo ventral lateral do tálamo, que por sua vez recebe informações principalmente do cerebelo. O córtex pré-motor também recebe entrada do núcleo talâmi- co ventral anterior, que tem uma contribuição significativa do globo pálido. Esses princípios organizacionais são fundamentais para o con- trole motor e a coordenação de movimentos no córtex cerebral, permi- tindo uma representação precisa das diferentes partes do corpo e uma convergência de informações sensoriais. 14. SISTEMAS DE ASSOCIAÇÃO TÁLAMOCORTICAL As áreas de associação multimodais do córtex têm uma organi- zação complexa baseada em vários princípios: - Convergência de entradas: essas áreas recebem uma con- vergência de entradas de várias fontes, incluindo regiões de associação unimodais e multimodais do córtex, núcleos de as- sociação do tálamo e outras estruturas. Por exemplo, o córtex pré-frontal recebe entradas sensoriais de regiões parietal e temporal, além de contribuições do córtex cingulado do siste- ma límbico, núcleo dorsal medial do tálamo e partes da amíg- dala. Essa convergência de entradas pode servir para atribuir significado adicional às informações recebidas. - Organização topográfica: as projeções para as regiões de associação multimodal seguem uma organização topográfica. Diferentes regiões do núcleo dorsal medial do tálamo pro- jetam-se para áreas específicas do córtex pré-frontal. Além disso, algumas entradas corticais recebidas pelo córtex pré- -frontal são organizadas de acordo com a modalidade senso- rial, com certas áreas do córtex pré-frontal principalmente recebendo informações altamente processadas de uma mo- dalidade específica. - Conexões modulatórias: a influência das entradas também pode ser modulada por entradas do tronco encefálico que uti- lizam neurotransmissores monoaminérgicos, como dopamina, norepinefrina e serotonina. Esses sistemas de monoaminas têm projeções amplas no córtex cerebral e desempenham um papel na atribuição de significado e na modulação da atividade cortical. Esses princípios organizacionais são fundamentais para en- tender a função das áreas de associação multimodais do córtex. Por exemplo, o córtex pré-frontal desempenha um papel na manutenção de representações espaciais de objetos, recebendo informações sobre a lo- calização de objetos no espaço a partir de diferentes fontes. Além disso, a disfunção cortical pré-frontal, como observada na esquizofrenia, pode estar relacionada a comprometimentos nas projeções de dopamina para o córtex pré-frontal, afetando tarefas de memória de trabalho e tomada de decisões. A interconexão complexa entre diferentes áreas do cérebro desempenha um papel crucial em funções cognitivas complexas. Neuroanatomia funcional 19Neuropsiquiatriaw w w . p s i q c u r s o . c o m . b r Fotomicrografia de campo escuro de uma secção coronal através de um hemisfério de um macaco marcado para o transportador de dopa- mina. Esta imagem ilustra a distribuição diferencial de axônios conten- do dopamina em diferentes regiões do cérebro. Quanto mais brilhante a imagem, maior a quantidade de axônios contendo dopamina. Áreas ricas em dopamina, como o corpo estriado (Cd), putâmen (Pt), área tegmental ventral (VTA) e a substância negra (SNc e SNr), aparecem brancas, enquanto a inervação de dopamina do córtex e do tálamo, embora claramente visível, é menos densa e varia pela região cortical e talâmica específica. CgS, sulco cingulado; CS, sulco central; DG, giro dentado; LS, sulco lateral; STS, sulco temporal superior; Th, tálamo. Barra de calibração = 2 mm. (De Lewis DA, Melchitzky DS, Sesack SR, Whitehead RE, Auh S, Sampson A. Do- pamine transporter immunoreactivity in monkey cerebral cortex: Regional, la- minar and ultrastructural localization. J Comp Neurol. 2001;432(1):119. Usado com permissão.) 15. SISTEMAS CEREBELOTALÂMICOCORTICAIS O cerebelo, tradicionalmente associado ao controle motor, também desempenha um papel nas habilidades cognitivas por meio de conexões com o tálamo e o córtex cerebral. Ele está localizado na parte posterior inferior do crânio, com uma superfície composta por pequenas dobras chamadas folias. O córtex cerebelar processa as entradas, en- quanto os núcleos cerebelares profundos lidam com as saídas. Partes específicas do cerebelo, como o córtex cerebelar lateral e o núcleo dentado, têm sido associadas a funções cognitivas expandi- das. Estudos recentesem primatas não humanos mostraram que o cór- tex pré-frontal dorsolateral (DLPFC) recebe entradas de núcleos talâmi- cos que, por sua vez, recebem entradas do núcleo dentado cerebelar. Essa conexão é distinta daquela envolvida no controle motor. Descobertas de imagens cerebrais em pessoas com esquizofre- nia indicam padrões anormais de ativação no cerebelo, tálamo e córtex pré-frontal. Isso sugere que disfunções nesse circuito podem estar rela- cionadas a distúrbios psiquiátricos. O estudo do cerebelo e suas intera- ções com o cérebro pode oferecer insights importantes para entender doenças mentais. 16. SISTEMA DOS GÂNGLIOS DA BASE Os gânglios da base são um conjunto de núcleos que foram agrupados com base em suas interconexões. Esses núcleos desempe- nham um papel importante na regulação do movimento e em certos distúrbios do movimento (discinesias), que incluem movimentos bruscos (coreia), movimentos contorcidos (atetose) e movimentos rítmicos (tre- mores). Além disso, estudos mais recentes mostraram que certos com- ponentes dos gânglios da base desempenham um papel importante em muitas funções cognitivas. Principais estruturas Os gânglios da base geralmente incluem o núcleo caudado, o putâmen, o globo pálido (também conhecido como paleostriatum ou palladium), o núcleo subtalâmico e a substância negra (Figura 1.2–28). Os gânglios da base, um conjunto de núcleos interconecta- dos, desempenham um papel crucial no controle do movimento e em distúrbios como coreia, atetose e tremores. Além disso, há evidências recentes de que partes dos gânglios da base estão envolvidas em fun- ções cognitivas. As principais estruturas dos gânglios da base incluem o núcleo caudado, o putâmen, o globo pálido, o núcleo subtalâmico e a substân- cia negra. O termo estriado refere-se ao núcleo caudado e ao putâmen em conjunto, enquanto o corpo estriado engloba o núcleo caudado, o putâmen e o globo pálido. O putâmen está localizado medial à ínsula, e o globo pálido é derivado do diencéfalo. O núcleo subtalâmico, também de origem diencéfala, desem- penha um papel importante na regulação do movimento. A substância negra, localizada no mesencéfalo, contém neurônios dopaminérgicos e desempenha um papel vital na função dos gânglios da base. A organização dos neurônios contendo dopamina na subs- tância negra revela diferenças funcionais entre suas camadas dorsal e ventral. Neurônios da camada dorsal enviam projeções para áreas rela- cionadas ao sistema límbico e ao córtex cerebral, enquanto neurônios da camada ventral projetam-se para regiões sensorimotoras do estriado. Essas diferenças podem estar relacionadas à vulnerabilidade diferencial em distúrbios como a doença de Parkinson e a esquizofrenia. PSIQCURSO | 2023 20 w w w . p s i q c u r s o . c o m . b r Desenho esquemático dos gânglios da base isolados, vistos a partir de uma perspectiva dorsolateral, de modo que o núcleo caudado seja aparente bilateralmente. No painel inferior, os gânglios da base do he- misfério esquerdo foram removidos, expondo a superfície medial do putâmen direito e do globo pálido, o núcleo subtalâmico e a substância negra. (Adaptado de Hendelman WJ. Atlas do Estudante de Neuroanatomia. Filadélfia, PA: WB Saunders; 1994:37.) otografias de cortes transversais do cérebro humano mostrando os nú- cleos dos gânglios da base e estruturas relacionadas. (Reproduzida de Haines DE. Fundamental Neuroscience for Basic and Clinical Applications, 3ª edição. Filadélfia, PA: Churchill Livingstone; 2006:416.) 17. ORGANIZAÇÃO INTERNA O núcleo caudado e o putâmen são frequentemente mencio- nados juntos devido às suas características comuns. Em roedores, eles formam uma estrutura contínua, consistindo principalmente em neurô- nios médios espinhosos, que possuem dendritos com espinhos e enviam axônios para fora do estriado. Além desses neurônios, existem neurônios médios sem espinhos, bem como neurônios grandes com e sem espi- nhos. A maioria dos outros neurônios no estriado são neurônios do cir- cuito local. A organização do estriado inclui áreas ricas em atividade de acetilcolinesterase (AChE), chamadas de matriz, e zonas com baixa ativi- dade de AChE, chamadas de estriosomos em primatas ou manchas em roedores. Essa organização também se reflete em sistemas de neuropep- tídeos e receptores de dopamina, com subtipos de receptores predomi- nantemente presentes em um compartimento em comparação com o outro. Além disso, sistemas aferentes que terminam no estriado seguem essa organização, com aferentes do tálamo preferencialmente terminan- do na matriz. As projeções dentro e fora dos gânglios da base são organiza- das topograficamente, mantendo essa topografia ao longo dos circuitos. A hipótese é que circuitos paralelos independentes nos gânglios da base processem informações de diferentes regiões do cérebro e desempe- nhem funções separadas. Por exemplo, existe uma organização topo- gráfica inversa dorsal-ventral na projeção de neurônios dopaminérgicos para o estriado. As projeções corticoestriatais originam-se de várias re- giões do neocórtex, com topografias que governam sua distribuição no putâmen e no núcleo caudado. Além disso, projeções de áreas corticais límbicas, hipocampo e amígdala terminam no estriado ventral. Projeções de dopamina da substância nigra pars compacta têm um papel modula- dor nas sinapses entre neurônios corticostriatais e estriatais. A interrupção das vias de entrada do gânglio basal está asso- ciada a distúrbios do movimento, como a doença de Parkinson, devido à degeneração dos neurônios de dopamina na substância negra. Por outro lado, agentes antipsicóticos podem causar efeitos colaterais relaciona- dos ao movimento devido à sua ação como antagonistas do receptor de dopamina D2. Diagrama da organização das projeções estriatonigrostriatais e cor- ticostriatais em macacos. DL-PFC, córtex pré-frontal dorsolateral; IC, cápsula interna; OMPFC, córtex pré-frontal orbital e medial; S, “shell” (parte do núcleo accumbens); SNC, substância negra pars compacta; SNr, substância negra pars reticulata; VTA, área tegmental ventral. (Modificado de Haber SN, Fudge JH, McFarland NR. Striatonigrostriatal pathwa- ys in primates form an ascending spiral from the shell to the dorsolateral stria- tum. J Neurosci. 2000;20:2369.) 2024 N eu ro p si q u ia tr ia A neurociência da psiquiatria | Neuroanatomia funcional | Desenvolvimento neural e neurogênese | Neurotransmissores de aminas biogênicas | Neurotransmissores de aminiácidos | Neurociências dos transtornos por uso de substâncias | Neuropeptídeos: Biologia, regulação e papel em transtornos neuropsiquiátrico | Fatores neurotrófilos | Novos neurotransmissores | Sinalização intraneural | Nase celular sináptica da sinalização neural | Genoma, transcriptoma e proteona: A genética molecular e a bioquímica por trás da neurobiologia dos transtornos mentais P siq u iatria extra | 20 23 PSIQcurso w w w . p s i q c u r s o . c o m . b r 2024 N eu ro p si q u ia tr ia A neurociência da psiquiatria | Neuroanatomia funcional | Desenvolvimento neural e neurogênese | Neurotransmissores de aminas biogênicas | Neurotransmissores de aminiácidos | Neurociências dos transtornos por uso de substâncias | Neuropeptídeos: Biologia, regulação e papel em transtornos neuropsiquiátrico | Fatores neurotrófilos | Novos neurotransmissores | Sinalização intraneural | Nase celular sináptica da sinalização neural | Genoma, transcriptoma e proteona: A genética molecular e a bioquímica por trás da neurobiologia dos transtornos mentais P siq u iatria extra | 20 23 PSIQcurso