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Educação Física 1o bimestre – Tema 3 Ensino Fundamental: Anos Finais Capoeira do Brasil ● Lutas do Brasil; ● Reconhecendo conceitos; ● Ampliando o conhecimento sobre as lutas do Brasil; ● Capoeira regional x Capoeira angola; ● Vivência. ● Conhecer a história da capoeira; ● Discutir questões que cercam o preconceito e os estereótipos que envolvem as lutas; ● Retomar as lutas do Brasil já desenvolvidas em outras séries; ● Experimentar e vivenciar a capoeira na escola. Neste momento, falaremos sobre lutas, mais precisamente as de origem brasileira. Para isso, será necessário retomar as Lutas já vivenciadas ao longo de sua escolaridade. Vamos ver se você conhece alguma luta brasileira? Em seu caderno, escreva o nome de três lutas consideradas brasileiras! Estas lutas são brasileiras? Sabemos que nosso país possui uma grande fama no que diz respeito ao futebol, devido ao seu histórico e repercussão mundial. Entretanto, vale a pena reconhecer que o Brasil também possui algumas lutas originais, que foram difundidas no mundo e são praticadas por muitos adeptos, apesar de sua prática não ser tão difundida no espaço escolar, mas sim em espaços como clubes e academias. O país do futebol. Será? Vamos fazer uma roda de conversa: ● Por que as lutas têm pouca visibilidade em nosso país? ● O que faz com que alguns esportes sejam mais populares e outros não? ● Por que há um preconceito quanto à abordagem do tema lutas? Uma troca de ideias Preconceito: atitude de expor uma opinião sobre um fato ou pessoa sem previamente apresentar uma análise, ou seja, criticar e julgar. Estereótipo: atitudes generalizadas que uma pessoa ou um grupo realizam em virtude de comportamentos ou de características dos indivíduos. Preconceito e estereótipo: o que são? Para começar, é importante compreendermos que o significado da palavra capoeira é: caá – mato, floresta virgem; e apua – cortada; de origem Tupi a palavra significa “onde era mata”, referindo-se à mata devastada para agricultura. Existem muitos desencontros sobre a história da capoeira. Estudiosos do ramo afirmam que ela chegou com os escravizados africanos, em meados de 1550. Os primeiros escravizados africanos que desembarcaram no território brasileiro eram, em sua maioria, de origem angolana. Capoeira brasileira Acrescenta-se o fato de que os negros não possuíam armas para se defender dos inimigos (feitores1, senhores de engenho2 etc.) e, por instinto natural, identificaram em seus próprios corpos uma maneira eficaz de se defender: a arte de “bater com o corpo”, assemelhando-se às brigas de animais, com marradas, coices, saltos e botes. Misturavam os movimentos às manifestações oriundas da África, como danças e cantigas e, assim, nasceu o que denominamos capoeira. Destacamos que o Quilombo dos Palmares foi um dos berços da luta da resistência negra no Brasil. Capoeira brasileira Existe um trecho histórico relatando que Ruy Barbosa, quando era Ministro da Fazenda, usando o argumento de apagar a história negra da escravidão, mandou queimar grande parte das documentações relativas à época. Embora muitos autores defendam que a Capoeira foi trazida da África para o Brasil, outros levantam e defendem a tese de que a Capoeira nasceu em nosso país na busca da liberdade dos escravizados na época do Brasil colonial. Capoeira brasileira Em 1890, a capoeira foi considerada como fora da lei pelo Código Penal da República e, no que se referia aos vadios e à capoeira, o artigo 402 previa a penalidade de dois a seis meses de prisão a quem ousasse “Fazer nas ruas e praças públicas exercício de agilidade e destreza corporal conhecida pela denominação capoeiragem: andar em carreiras, com armas e instrumentos capazes de produzir lesão corporal, provocando tumulto ou desordens, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal”. Capoeira no código penal No entanto, na década de 1930, Getúlio Vargas toma o poder e, na busca de apoio popular, passa a permitir a prática vigiada da capoeira somente em ambientes fechados e com alvará da polícia. Assim, mestre Bimba, em ação oportuna, toma a iniciativa de construir a primeira academia legalizada de capoeira, dando início a uma nova era: a era das academias. Mestre Bimba, com sua luta regional baiana, que mais tarde viria a se chamar capoeira regional, dá um novo rumo à prática, que antes era coisa dos africanos e seus descendentes, ou seja, a classe economicamente pobre, transferindo-a para a classe média e para a burguesia de Salvador. Capoeira no código penal A capoeira angola é considerada a capoeira “mãe” e tem como um dos maiores nomes Mestre Pastinha, que ajudou a organizá-la. Era vista como coisa de vadios, da classe menos favorecida. Seu jogo é “mandingado”, com movimentos lentos e rasteiros, mas que também podem ficar mais velozes. É caracterizado por jogo mais próximo ao chão, ginga baixa, jogo mais defensivo, mais lento, com corpos que não se tocam, ginga mais dançada, ênfase no lúdico, maior teatralidade. Sua bateria é composta por três berimbaus (gunga, médio e viola), pandeiro, agogô, reco-reco e atabaque. Seu canto se inicia com uma ladainha ou louvação, e o jogo se inicia no corrido. Capoeira Angola Já a capoeira regional foi criada por Manoel dos Reis Machado, citado anteriormente como Mestre Bimba, que misturou a capoeira angola com o batuque (no qual seu pai era mestre), adaptou uns movimentos e deixou a capoeira mais “em pé”, agressiva, com o jogo mais alto, ginga alta, jogo mais no ataque, mais rápido, com corpos que se tocam, ginga menos dançada e ênfase na competição. Sua bateria é composta por um berimbau (médio) e dois pandeiros. Capoeira regional Já que o tema é capoeira e como na capoeira se joga, que tal jogar um Kahoot? Professor, clique aqui para iniciar o jogo (modo clássico)! Testando os conhecimentos sobre a capoeira https://play.kahoot.it/v2/?quizId=09b34bd5-6b74-4c1f-ae93-2f2ddcf5de8d ● Conhecemos a história da capoeira; ● Discutimos questões que cercam o preconceito e os estereótipos que envolvem as lutas; ● Retomamos as lutas do Brasil já desenvolvidas em outros anos. LEMOV, Doug. Aula nota 10: 49 técnicas para ser um professor campeão de audiência; tradução de Leda Beck; Consultoria e revisão técnica Guiomar Lamo de Mello e Paula Louzano. Editora: Da Boa Prosa. Fundação Lemann. São Paulo, 2011. LEMOV, Doug. Aula nota 10: 63 técnicas para melhorar a gestão de sala de aula - 3.0; tradução Daniel Vieira e Sandra Maria Mallmann da Rosa; Revisão técnica Fausto Camargo e Thuinie Daros. Editora: Penso. Porto Alegre, 2023. SÃO PAULO. Currículo em Ação - Caderno do Professor. Educação Física Anos Finais 1o semestre, vol. 1. Disponível em: https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp- content/uploads/2023/01/EFAF_1sem_professor_EDUCACAO-FISICA_web.pdf . Acesso em: 27 nov. 2023. https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/uploads/2023/01/EFAF_1sem_professor_EDUCACAO-FISICA_web.pdf https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/uploads/2023/01/EFAF_1sem_professor_EDUCACAO-FISICA_web.pdf SÃO PAULO. Currículo em Ação - Caderno do Estudante. Linguagens e Inova Anos Finais 7o Ano. 1o semestre, vol. 1. Disponível em: https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp- content/uploads/2023/01/EFAF_7ano_1sem_Estudante_LGG-TEC-PV_web.pdf . Acesso em: 27 nov. 2023. SÃO PAULO. Currículo Paulista – Etapa Ensino Fundamental. Secretaria da Educação. São Paulo: SEDUC, 2019. Disponível em: https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp- content/uploads/2023/01/Educa%C3%A7%C3%A3o-F%C3%ADsica-Anos-Finais.pdf . Acesso em: 27 nov. 2023. https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/uploads/2023/01/EFAF_7ano_1sem_Estudante_LGG-TEC-PV_web.pdf https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/uploads/2023/01/EFAF_7ano_1sem_Estudante_LGG-TEC-PV_web.pdfhttps://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/uploads/2023/01/Educa%C3%A7%C3%A3o-F%C3%ADsica-Anos-Finais.pdf https://efape.educacao.sp.gov.br/curriculopaulista/wp-content/uploads/2023/01/Educa%C3%A7%C3%A3o-F%C3%ADsica-Anos-Finais.pdf Professor(a), A partir desta seção, serão apresentadas sugestões para desenvolver o objeto de conhecimento apresentado neste Material Digital por meio de aulas práticas. A Educação Física deve abordar a valorização e a fruição das práticas corporais dos estudantes, além de contribuir para o desenvolvimento cognitivo, a melhoria da autoestima, o incentivo das boas relações interpessoais e o estímulo à adoção de hábitos saudáveis. Nesse sentido, é importante observar que essas atividades são sugestões e que podem e devem ser flexibilizadas, quando necessário, para que atendam as necessidades da comunidade estudantil, bem como os espaços, os recursos e o planejamento escolar. Use todo seu conhecimento e experiência para adequar as sugestões a seguir. Boas aulas! Apresentação de seção Professor(a), sugerimos que as próximas aulas sejam para vivenciar o conteúdo apresentado neste Material Digital. Conforme o interesse ou a necessidade de aprendizagem, você poderá realizar as adequações que julgar pertinentes. Sugestão: queimada do Zumbi dos Palmares • No primeiro momento, professor, contextualize com os estudantes, antes da prática corporal, quem foi Zumbi* dos Palmares: líder quilombola. Ele era um grande guerreiro e lutou pela liberdade e pelo fim da dominação dos escravizados; • Divida a turma em duas equipes, assim como em um jogo de queimada; • Cada equipe terá um líder, que deverá ser o Zumbi dos Palmares ou o feitor1; • Os espaços atrás das equipes deverão ser chamados de chácara e quilombos; • O objetivo é queimar a equipe adversária, porém, quando o líder da equipe for queimado, automaticamente a vitória é da equipe adversária; • Também vencerá a equipe que tiver o maior número de integrantes ao final; • Oriente os estudantes para que eles protejam seus líderes. Para o professor Sugestão: a ginga. Professor, a ginga é um dos elementos principais da capoeira, pois se trata da postura mais básica da qual saem os outros movimentos. Nesta sugestão, tomamos como ponto de partida o chão da quadra, onde você deve: • Desenhar, com giz, triângulos pelo espaço da quadra; os estudantes podem fazê-lo como parte da atividade também; • Demonstre para os estudantes como o triângulo será a referência para gingar; • Descreva: pés paralelos nos vértices do triângulo, em seguida, um dos pés recua para tocar o vértice posterior, retornando para o vértice onde se encontrava. O outro pé faz o mesmo movimento, que continua se repetindo; • Procure desenvolver a ginga até que eles possuam domínio razoável; • Após as primeiras experimentações, e para deixar mais dinâmico, pode ser feita uma brincadeira como um pega-pega gelo, na qual, para salvar alguém, o colega precisa gingar na frente de quem foi pego e está "congelado". Para uma perspectiva do momento do triângulo veja o vídeo. Para o professor https://youtu.be/QJmN2bzOnLs Sugestão: movimentos básicos a partir da ginga. Neste momento, espera-se que os estudantes já possuam um certo grau de familiaridade com a ginga, uma vez que já a desenvolveram em outros momentos e anos. A partir do movimento da ginga, os estudantes poderão fazer alguns movimentos da capoeira, como a meia-lua de frente, queixada e armada. • Meia-lua de frente: estando com as pernas lado a lado, lança-se uma delas esticada, varrendo a horizontal em um movimento de rotação de fora para dentro, fazendo a trajetória de uma meia-lua. Acerta-se o adversário com a parte interna do pé; • Queixada: aplica-se em pé, estando em base de uma perna e estendendo a outra contra o oponente em forma de giro, de dentro para fora. A parte que atinge o adversário é a parte lateral externa do pé. • Armada: a armada aplica-se estando em pé. Em um movimento de rotação, um pé fica firme ao chão enquanto o outro sobe varrendo a horizontal e atingindo o adversário com a parte externa do pé. Para o professor Depois que desenvolverem o gesto motor e começarem a desenvolver algum grau de familiaridade, crie combinações com os movimentos, para que eles busquem emendar a ginga com os movimentos, por exemplo: • Meia-Lua > Queixada > Armada; • Armada > Queixada > Meia-Lua; • Etc. Além disso, você pode fazer esses movimentos em duplas ou mesmo simular uma roda de capoeira. Lembre-se, professor: a habilidade “(EF07EF14) Experimentar e recriar diferentes lutas do Brasil, valorizando a própria segurança e integridade física, bem como as dos demais.” trabalha as questões relacionadas ao cuidado com a integridade física, a própria e a dos colegas, então não deve haver contato físico direto entre os estudantes. Para uma perspectiva das possibilidades apresentadas, veja o vídeo a partir de 2min 14s. Para o professor https://youtu.be/QJmN2bzOnLs Slide 1 Slide 2 Slide 3: Estas lutas são brasileiras? Slide 4: O país do futebol. Será? Slide 5: Uma troca de ideias Slide 6: Preconceito e estereótipo: o que são? Slide 7: Capoeira brasileira Slide 8: Capoeira brasileira Slide 9: Capoeira brasileira Slide 10: Capoeira no código penal Slide 11: Capoeira no código penal Slide 12: Capoeira Angola Slide 13: Capoeira regional Slide 14: Testando os conhecimentos sobre a capoeira Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23