Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

ZOOLOGIA E 
ENTOMOLOGIA 
AGRÍCOLA 
Alesandra dos Santos Moura 
Classificação dos insetos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Apontar diferenças morfológicas entre insetos. 
  Discutir sobre as diferenças entre insetos e relacioná-los com o am-
biente de produção agrícola. 
  Interpretar as diferenças entre ordens taxonômicas de insetos.
Introdução
Ao longo do processo evolutivo, vários fatores fisiológicos e morfológicos 
foram modificados e especializados para tornar os insetos as criaturas em 
maior quantidade no globo terrestre, estando presentes em todos os 
ambientes. As principais mudanças morfológicas se deram em estruturas 
como olhos compostos, asas e exoesqueleto, que tornaram os insetos 
altamente adaptáveis aos mais diferentes ambientes. A ecdise (troca de 
esqueleto externo) possibilita aos insetos apresentarem diferentes formas 
ao longo das suas fases de desenvolvimento.
As diferenças morfológicas presentes na classe Insecta permitem a 
classificação dos insetos em variadas ordens taxonômicas, muitas delas 
de importância agronômica. Esses animais podem ser considerados 
como “insetos-praga”, aqueles que trazem danos à agricultura, ou “insetos 
benéficos”, que auxiliam no processo de polinização e propagação das 
espécies vegetais. 
Neste capítulo, você vai estudar assuntos relacionados à morfolo-
gia dos insetos, possibilitando a diferenciação dos mesmos a partir de 
estruturas-chave. Você também vai verificar como a variedade de insetos 
pode influenciar no ambiente agrícola e, a partir desse contexto, vai 
diferenciar as ordens taxonômicas presentes na classe Insecta.
Morfologia dos insetos 
De modo geral, os insetos são criaturas que passaram por adaptações morfo-
lógicas ao longo de seu processo evolutivo, o que contribuiu para a classe ser 
considerada a mais abundante do globo terrestre. A morfologia compreende 
o estudo das formas externas dos insetos, mais precisamente o estudo das 
estruturas básicas que auxiliam na diferenciação e na classifi cação de dife-
rentes grupos. 
Os insetos possuem morfologia específica, que os distingue dos demais 
artrópodes. Dentre as principais características, destaca-se a presença do 
esqueleto externo ou tegumento, que constitui a parte externa do corpo dos 
insetos, sendo uma espécie de carapaça que desempenha importante papel 
ao longo da vida do animal. Dentre as funções do tegumento, destacam-se 
proteção externa, barreira contra perda de umidade, sustentação muscular e 
intermediação sensorial entre inseto e ambiente. O tegumento é composto por 
cutícula, epiderme e membrana basal. 
Segundo Gallo et al. (2002) e Maranhão (1978), o corpo dos insetos 
apresenta uma divisão característica em três partes básicas: cabeça, tórax 
e abdômen. Na Figura 1, você pode visualizar como está disposta a divisão 
morfológica básica dos insetos, bem como os demais apêndices que completam 
cada parte do seu corpo.
Figura 1. Morfologia externa de um inseto.
Fonte: Adaptada de Gallo et al. (2002).
Tórax
Olho
composto
Vértice
Celos
Fronte
Clípeo
Labro
Mandíbula
Maxíla
Lábio
Coxa
I
II
III
Trocanter
Fêmur
Tíbia
Tarso
Arólio
Garra
Tímpano
Cabeça
Antenas Abdômen
Asa posterior
Cerco
Ovipositor
Tíbia
Tarso
Pós-tarso
Estigmas
1 2
3
4 5 6 7 8
9
10
11
9
Classificação dos insetos2
A cabeça e seus apêndices 
A cabeça é a região anterior do corpo dos insetos, composta por estruturas 
fi xas e móveis. Nela são encontrados dois olhos compostos (apêndices fi xos), 
um par de antenas (apêndices móveis), nenhum ou três ocelos e a peça bucal 
exposta, composta por lábios superior e inferior, mandíbulas, maxilas, epi e 
hipofaringe. Existe grande variação no formato da cabeça dos insetos, porém, 
em sua grande maioria, a cabeça é bastante esclerotizada, ou seja, bastante 
dura, conforme apontam Gallo et al. (2002). 
Os olhos são apêndices fixos presentes na grande maioria dos insetos 
adultos; possuem tamanho avantajado e estão situados na parte dorso-lateral da 
cabeça, podendo apresentar formato ovalado, arredondado, reniforme, convexo, 
dentre outros. São formados por facetas ou omatídeos, estruturas circulares ou 
hexagonais que funcionam como uma espécie de lentes de unidades visuais, 
que permitem aos insetos uma visão de 180°. A quantidade de omatídeos 
varia de acordo com a espécie e o habitat do inseto. Por exemplo: formigas, 
que, por natureza, vivem em regiões escuras, abaixo da superfície do solo, 
possuem de seis a nove omatídeos; as libélulas apresentam aproximadamente 
30 mil omatídeos, e as moscas domésticas, 4 mil omatídeos, conforme Lara 
(1977) e Buzzi (2002).
As antenas são apêndices móveis presentes em todos os insetos em sua fase 
adulta; constituem-se de estruturas articuladas presentes geralmente na parte 
frontal, dorsal ou inferior da cabeça ou, em alguns casos, nas suas laterais. 
As antenas desempenham importante papel sensorial, devido à presença de 
pelos táteis, que normalmente cobrem todos os antenômeros — estruturas 
que estão relacionadas às funções táteis, olfativas e auditivas dos insetos. 
As partes básicas responsáveis pela funcionalidade da antena são escapo, 
pedicelo e flagelo. Existe grande variação morfológica das antenas, sendo 
esta uma característica importante no momento da classificação taxonômica 
das espécies. Na Figura 2 você pode verificar as partes constituintes de uma 
antena, bem como a grande variedade de classificação de antenas, de acordo 
com o aspecto do flagelo.
3Classificação dos insetos
Figura 2. Estruturas constituintes da antena, variedade morfológica e suas classificações.
Fonte: Adaptada de Gallo et al. (2002).
Pedicelo
Escapo
Flagelo
Pedicelo
Escapo A
FILIFORME
SETÁCEA
PECTINADA
C
D E
SERRADA CLAVADA
I
H
GF
MONILIFORME
LAMELADA
ARISTADA
FLABELADA
ESTILADA
PLUMOSA
L
CAPITADA
GENICULADA J
K
B
Flagelo
Ponto de
articulação Sulco
antenal
Nos materiais disponíveis nos links a seguir, você terá acesso a figuras e ilustrações 
que auxiliarão no entendimento da diversidade morfológica da cabeça dos insetos 
e seus apêndices.
https://qrgo.page.link/EfDB
https://qrgo.page.link/4Eo2
O aparelho bucal é uma estrutura composta por apêndices móveis; no total, 
oito peças compõem essa estrutura cefálica dos insetos. Embora a demanda 
nutricional seja basicamente a mesma para todos os insetos, composta por 
aminoácidos (gorduras e carboidratos) e nutrientes regulatórios (vitaminas, 
minerais, colesterol e ácidos graxos), existem variações na forma como esses 
alimentos são adquiridos pelas espécies, e isso resulta em variações morfo-
lógicas no aparelho bucal. Por exemplo, existem insetos que se alimentam de 
nutrientes líquidos, e outros, de alimentos sólidos; existem também variações 
no acesso a esses alimentos; alguns são facilmente encontrados na superfície, 
Classificação dos insetos4
outros precisam de um aparelho bucal que satisfaça a necessidade de alcançar 
determinada profundidade para retirada da seiva ou do sangue, no caso de 
insetos hematófagos. 
A morfologia dos aparelhos bucais varia de espécie para espécie; portanto, 
para o estudo da classificação das peças bucais, será tomado como modelo 
primário as estruturas presentes no aparelho mastigador ou triturador, que 
possui as oito peças básicas em sua formação. Além do aparelho mastigador 
(triturador), existem ainda os aparelhos picador-sugador, sugador-maxilar 
e lambedor. A posição do aparelho bucal com relação ao tórax do inseto 
também possibilita entender a importância que as diferenças morfológicas 
desempenham no conhecimento dos hábitos desses seres e sua importância 
na agricultura. Na Figura 3 é possível observar quais são essas estruturas e a 
sua disposição na formação do aparelho bucal. 
Figura 3. Peças presentes na constituição do aparelho mastigador/triturador.
Fonte: Adaptada de Macedo (2010).
EPIFARINGE
LABRO
MANDÍBULA
HIPOFARINGE
Cardo
Estipe
Lacínia Submento
Mento
LígulaMAXILA
Palpo
labial
LÁBIO
Gálea
Palpo
maxilar
5Classificação dos insetos
Para que você possa saber mais sobre a diversidade dos aparelhos bucais, no conteúdo 
disponível no link a seguir, você pode observar detalhadamente aspectos relacionados 
aos aparelhos bucais, suas classificações e exemplos de insetos para cada aparelho.
https://qrgo.page.link/iEyi
O tórax e seus apêndices 
O tórax é a região medial do inseto, situada entre a cabeça e o abdômen; 
trata-se de uma estrutura visualizada com maior facilidade nos insetos adul-
tos. Nele estão presentes os apêndices locomotores, mais precisamente, as 
pernas e asas. É dividido em três segmentos: protórax (unido à cabeça, onde 
encontramos também o primeiro par de pernas), mesotórax (possui o segundo 
par de pernas e o primeiro par de asas) e metatórax (possui o terceiro par de 
pernas e o segundo par de asas, quando presentes). Na Figura 4, você verá 
como funciona o esquema de divisão do tórax e seus apêndices locomotores.
Figura 4. Divisão do corpo do inseto: (A) cabeça; (B) protórax; (C) mesotórax; (D) metatórax; 
(E) abdômen. 
Fonte: Oliveira (2013, documento on-line).
Classificação dos insetos6
As asas são estruturas móveis que auxiliam na locomoção dos insetos. 
Quanto ao número de asas, os insetos podem ser tetrápteros, quando os dois 
pares de asas são funcionais, ou dípteros, quando apenas o par de asas presente 
no mesotórax é funcional; nesse caso, o segundo par de asas presente no me-
tatórax funciona como aparato de equilíbrio durante o voo, sendo comumente 
chamado de halteres ou balancins. Existem ainda os insetos ápteros, que não 
possuem asas, e os aptésicos, que possuem asas desenvolvidas, porém não as 
utilizam para voo. Quanto ao tipo, as asas podem ser escamosas, membranosas, 
tégminas, élitros e hemiélitros. 
As pernas, assim como as asas, são estruturas locomotoras. Os insetos 
adultos apresentam um total de seis pernas, que podem apresentar diferentes 
morfologias dentro de cada espécie. Segundo Gallo et al. (2002), as pernas são 
formadas por coxa, trocanter, fêmur, tíbia, tarso e pós-tarso. Na última porção 
(pós-tarso), os insetos apresentam garras tarsais, que auxiliam na fixação. 
Segundo os autores, a classificação das pernas pode variar de acordo com o 
habitat e as especificidades de cada inseto.
O abdômen dos insetos
O abdômen é a terceira e última parte do corpo dos insetos; trata-se de uma 
estrutura caracterizada pela segmentação abdominal — os segmentos são 
denominados urômeros, sendo altamente fl exíveis. A quantidade de urômeros 
varia entre as espécies, nunca ultrapassando o número máximo de 12 segmen-
tos. Embora a estrutura aparente ser mais simples do que a cabeça e o tórax, 
o abdômen é uma região altamente especializada, onde estão dispostas as 
vísceras, o aparelho genital e os apêndices, importantes em algumas espécies. 
A Figura 5 mostra as principais estruturas de formação do abdômen.
7Classificação dos insetos
Figura 5. Abdômen segmentado dos insetos.
Fonte: Adaptada de Macedo (2010).
Placa tergal
Espiráculo
Epiprocto
Cerco
Paraprocto
3º par de valvas
2º par de valvas
1º par de valvas
1º valvífero
Membrana pleural
Placa esternal
2º valvífero
Os insetos e suas relações com a agricultura 
Estudos relatam que existem cerca de 950 mil espécies de insetos conhecidas; 
isso representa 75% dos animais — ou seja, é o maior grupo existente na terra. 
Os insetos podem ser benéfi cos à agricultura, proporcionando atividades 
rentáveis ao agronegócio, como é caso das abelhas, do bicho-da-seda ou dos 
insetos polinizadores das espécies cultivadas. Podem também ser nocivos, a 
exemplo dos insetos fi lófagos, que se alimentam de diferentes partes das plantas.
Ao longo do processo evolutivo, fez-se necessário entender todas as carac-
terísticas relacionadas aos insetos, seu comportamento, morfologia, fisiologia e 
hábitos alimentares, visando a obter meios de controle economicamente viáveis 
e, ao mesmo tempo, que respeitem o equilíbrio ecológico das espécies. Um 
determinado grupo de insetos é considerado praga a partir do momento em 
que a densidade populacional chega a um nível elevado, podendo acarretar 
prejuízos econômicos ao produtor. Segundo Gallo et al. (2002), estima-se 
que 38% das culturas agrícolas mundiais são afetadas por pragas, doenças e 
ervas daninhas. 
Para dar início ao controle correto de pragas agrícolas, é necessário que a 
população de insetos em uma lavoura chegue ao nível crítico de controle. Esse 
nível é medido a partir da relação do crescimento populacional em relação 
a um determinado número de dias; a partir daí, deve-se aplicar técnicas de 
controle que visem à erradicação e ao menor prejuízo possível aos agricultores, 
conforme apontam Gallo et al. (2002) e Picanço (2010). 
A grande variedade de espécies e a distinção morfológica presente nos 
insetos possibilitam o ataque direto e indireto das culturas agrícolas. Di-
Classificação dos insetos8
retamente, podem ser afetadas as estruturas comercializadas, como frutos, 
vagens, sementes, e indiretamente podem ser atacadas partes essenciais ao 
desenvolvimento fisiológico das plantas, como raízes, caules, folhas e estru-
turas florais. Determinados insetos podem ainda ser agentes transmissores 
de doenças virais e contribuir para o ataque de fungos e bactérias, a partir 
de áreas lesionadas pelos aparelhos bucais, conforme Gallo et al. (2002) e 
Nakano, Silveira Neto e Zucchi (1981). No Quadro 1, você pode verificar as 
injúrias causadas por insetos em diferentes meios relacionados à agricultura. 
 Fonte: Adaptado de Gallo et al. (2002). 
Plantação/lavoura Insetos
Destroem folhas, ramos, botões 
florais, casca ou frutos.
Lagartas, besouros, gafanhotos
Sugam a seiva vegetal, os botões 
florais, os ramos e os frutos.
Percevejos, pulgões, cigarrinhas, 
tripes, cochonilhas
Broqueiam ou anelam casca, 
ramos, frutos, sementes, raízes.
Besouros adultos, larvas, lagartas
Atacam raízes ou colo das plantas. Besouros, lagartas, cigarras, 
cupins, larvas de moscas
Constroem ninhos ou refúgios 
em partes das plantas.
Formigas, vespas, abelhas, 
larvas de moscas
Disseminam ou facilitam 
o desenvolvimento de 
microrganismos fitopatogênicos.
Percevejos, pulgões, cigarrinhas, 
tripes, cochonilhas
Armazenamento Insetos
Alimentam-se de todo ou de parte 
de um produto armazenado.
Carunchos, gorgulhos, 
besouros, traças
Contaminam o produto com sua 
excreção, ovos ou partes do corpo, 
inviabilizando a comercialização.
Carunchos, gorgulhos, 
besouros, traças
 Quadro 1. Injúrias causadas por insetos em plantações e armazéns 
As diferenças morfológicas dos insetos (presença ou ausência de ocelos, 
estrutura e classificação das antenas, tipo de aparelho bucal, desenvolvimento 
de pernas especializadas, tipos de asas) influenciam diretamente no habitat 
9Classificação dos insetos
e, consequentemente, no hábito alimentar desses indivíduos. A partir da ob-
servação das variações morfológicas é possível dividir os insetos em grupos 
distintos, que podem estar relacionados à produção agrícola na fase de campo 
ou na fase pós-colheita, durante o armazenamento. As principais ordens de 
importância agrícola são as listadas a seguir.
  Lepidoptera: seus adultos são chamados de mariposas (noturnos e 
de cores não aparentes) ou borboletas (diurnos e de cores vistosas); 
possuem asas membranosas com escamas e aparelho bucal sugador 
maxilar. Suas larvas são chamadas de lagartas; possuem cabeça visível 
e três pares de pernas no início do corpo. 
  Coleoptera: seus adultos são chamados de besouros; seu primeiro par 
de asas tem aspecto robusto endurecido (élitro). Suas larvas possuem 
cabeça visível; têm três pares de pernas no início do corpo ou não. 
Eles são pragas tanto na fase de larva como na fase adulta e possuem 
aparelho bucal mastigador. Os principais grupos de besouros pragas 
são bicudos, carunchos, gorgulhos e traças dos cereais, comumente 
encontrados em armazéns de grãos e cereais, comomilho, soja e arroz. 
Os danos observados são a diminuição do peso e da qualidade dos grãos. 
As espécies pragas de armazém possuem tamanho pequeno (2,5 a 4 
mm), dificultando o controle.
  Hymenoptera: vulgarmente conhecidas como formigas, vivem em 
colônias e são pragas na fase adulta. As formigas podem ser pragas 
(formigas cortadeiras) ou inimigos naturais (formigas predadoras). As 
formigas cortadeiras têm coloração amarronzada e, no topo de sua ca-
beça, possuem uma reentrância pronunciada. Já as formigas predadoras 
apresentam diversas colorações, e a reentrância no topo de sua cabeça 
não é profunda. As principais formigas cortadeiras são as saúvas. 
  Diptera: possuem asas membranosas, sendo as posteriores do tipo 
balancins, e aparelho bucal sugador-labial. Suas larvas são vermiformes 
(sem cabeça e patas). Essa ordem inclui moscas, mosquitos, pernilon-
gos e mutucas. Os principais grupos de moscas pragas de plantas são 
mosca-minadora e mosca das frutas. 
  Hemiptera: nessa ordem, estão distribuídos os insetos conhecidos 
como percevejos, barbeiros, baratas d’água, cigarras, cigarrinhas e 
mosca-branca. A ordem está subdividida em quatro subordens (Sternor-
rhyncha, Auchenorrhyncha. Heteroptera e Coleorryncha), sendo as três 
primeiras de importância agrícola no Brasil. Os percevejos pertencem 
à subclasse Heteroptera; na fase adulta, têm o primeiro par de asas com 
Classificação dos insetos10
a parte inicial dura (hemiélitro) e a parte final mole membranosa. Eles 
possuem aparelho bucal sugador e causam danos às plantas tanto na 
fase adulta como na fase jovem (ninfas). 
  Thysanoptera: os tripes são extremamente pequenos, tendo em média 
0,5 a 13 mm de comprimento quando adultos. Possuem asas franjea-
das e aparelho bucal sugador, enquanto as formas jovens (ninfas) não 
possuem asas. 
  Orthoptera: são os grilos e os gafanhotos; ambos possuem o último 
par de pernas saltatórias e, na fase adulta, seu primeiro par de asas é 
semelhante a asas de baratas (tégminas). Os grilos possuem coloração 
escura, e as asas dos adultos, quando em repouso, assumem posição 
horizontal. Tanto na fase jovem (ninfas) como na fase adulta atacam 
plantas pequenas, cortando-as rente ao solo. Já os gafanhotos possuem 
diversas colorações, e as asas dos adultos, quando em repouso, assumem 
uma posição inclinada. Tanto os adultos como os gafanhotos da fase 
jovem causam desfolha nas plantas.
  Mantodea: os insetos dessa ordem são conhecidos popularmente como 
louva-a-deus. São considerados predadores de outros insetos; a maio-
ria das espécies apresenta canibalismo e possui grande capacidade 
de camuflagem com folhas, galhos e flores, para evitar o ataque de 
predadores, como os pássaros. Morfologicamente, apresentam patas 
anteriores, juntas e opostas, como se estivessem “orando” — na verdade, 
são pernas raptatórias, prontas para capturar suas presas. Apresentam 
aparelho bucal mastigador e protórax longo. 
  Isoptera: os cupins possuem aparelho bucal mastigador, dois pares de 
asas membranosas iguais e metamorfose gradual. Alimentam-se de 
celulose das raízes das plantas, de madeiras e de húmus. São insetos 
sociais e vivem em ninhos com um ou mais casais, de forma sexuada 
(reis e rainhas). No interior de um ninho, existem operárias e soldados 
que executam tarefas diferentes. Os ninhos podem ser construídos no 
solo, no subsolo, em árvores ou em madeiras.
11Classificação dos insetos
As coleções entomológicas são uma importante ferramenta de estudos. Os insetos 
são capturados, avaliados morfologicamente e classificados quanto ao grupo ao qual 
pertencem; em seguida, são depositados em caixas, onde é usado um alfinete para 
fixá-los, junto com a etiqueta de identificação. A criação da caixa entomológica tem 
como principal objetivo a observação dos insetos, oferecendo um importante método 
de ensino-aprendizagem aos estudantes de ciências agrárias. Com a praticidade 
fornecida pela observação da caixa, pode-se aumentar a motivação em aprender o 
conteúdo abordado na disciplina de entomologia agrícola. Os procedimentos envol-
vidos na confecção das caixas entomológicas associam aprendizados relacionados à 
conservação das espécies, às diferenças entre as espécies e à incidência das espécies 
de importância agrícola em determinadas regiões.
Organização taxonômica
Para o melhor entendimento da diversidade de seres vivos presente na Terra, 
existe a necessidade de organizá-los em grandes grupos por semelhanças de 
caracteres. A taxonomia e a sistemática são ciências que tratam dessa clas-
sifi cação, observando ainda aspectos relacionados à evolução e à origem dos 
organismos e sua relação com o ecossistema, conforme Gallo et al. (2002). 
Segundo Prado (1980), a taxonomia entomológica analisa cientifi camente as 
espécies, sua diversidade e suas relações biológicas, resultando na identifi cação 
e classifi cação desses organismos. 
Classificar nada mais é do agrupar determinados indivíduos levando em 
consideração semelhanças. Nas classificações taxonômicas, os insetos são 
divididos conforme suas características em grupos que denominamos táxons. 
Os táxons, por sua vez, são dispostos em categorias, que podem ser classifi-
cadas como principais ou secundárias. A seguir estão listadas as categorias 
taxonômicas usuais, sendo as categorias em letras maiúsculas consideradas 
primárias, e as demais, secundárias. 
  FILO
  Subfilo
  CLASSE
  Subclasse
Classificação dos insetos12
  ORDEM
  Subordem
  Superfamília
  FAMÍLIA
  Subfamília
  Tribo
  Subtribo
  GÊNERO
  Subgênero
  ESPÉCIE
  Subespécie
Segundo Leite e Sá (2010, p. 3):
Os táxons Superfamília, Família, Subfamília, Tribo e Subtribo, são identifica-
dos respectivamente pelas terminações oidea, idae, inae, ini e ina. A categoria 
básica sobre a qual se baseia toda classificação animal é a Espécie. Sendo assim, 
Espécie é uma população de animais de uma área, onde ocorre cruzamento e 
há produção de prole fértil. A Subespécie é um agregado da população fenoti-
picamente semelhante pertencente a uma espécie e que habita uma subdivisão 
da área de distribuição da espécie e que difere taxonomicamente de outras. 
Tem status nomenclatural, isto é, ela é nominada cientificamente e leva um 
nome trinomial. 04 Raça seria uma modificação dentro da espécie, mas sem 
chegar a se formar ou com início de isolamento geográfico.
Ainda com relação à classificação taxonômica, é importante saber:
  Nomenclatura zoológica: tem a finalidade de dar nomes aos diferentes 
níveis da classificação taxonômica. Carlos Lineu (1707–1778) criou a 
nomenclatura binomial, em que o primeiro nome é abrangente e se refere 
às características de um grupo, e o segundo nome é mais restrito e faz 
referência às características de determinada espécie. 
  Código de Nomenclatura Zoológica (CNZ): esse tipo de nomenclatura 
científica utilizada desde 1758 garante que determinada espécie seja 
conhecida mundialmente, independentemente das varrições dos nomes 
populares. O CNZ dá as diretrizes para a criação dos nomes dos grupos 
inseridos nos táxons família, tribo, gênero e espécie.
13Classificação dos insetos
A seguir, estão listados os artigos CNZ mais utilizados para atribuição da nomenclatura, 
segundo Leite e Sá (2010):
Art.2. A nomenclatura zoológica é independente da nomenclatura 
botânica ou outras.
Art.5. O nome da espécie é binominal e o da subespécie é trinomial. 
O primeiro nome é indicativo do gênero; o segundo, da espécie e o 
terceiro, da subespécie.
Art.6. O subgênero, quando citado, é colocado entre o gênero e a es-
pécie e entre parênteses.
Art. 22. A data da publicação de um nome, se citada, segue o nome do 
autor com uma vírgula interposta. Aphis mellifera Lin., 1758.
Art. 28. Os nomes de Famílias e Gêneros devem iniciar com letra 
maiúscula e os nomes das Espécies, com letra minúscula.
Art. 29. O nome da família é formado pela adição da terminação IDAE 
ao gênero-tipo e, no caso de subfamília, pela adição da terminação 
INAEao gênero-tipo. Família Papilionidae, deriva do Gênero Papilio.
Art. 51. O nome do autor não faz parte do nome de um táxon e sua 
citação é opcional.
Identificação dos insetos 
A classifi cação dos insetos foi feita pela primeira vez por Lineu, em 1735. 
Atualmente são utilizadas chaves dicotômicas (que signifi ca duas entradas) 
para descobrir qual a ordem a que pertence determinado inseto. Note que, ao 
fi nal de cada linha, deverá aparecer o nome da ordem ou o número da linha 
a que você deve se dirigir para continuar tentando identifi car o seu inseto. 
O modelo de chave dicotômica ilustrado na Figura 6 é um resumo da chave 
utilizada para classifi car a ordem dos insetos adultos.
Classificação dos insetos14
Figura 6. Chave dicotômica (para identificação das principais ordens de insetos adultos).
Fonte: Adaptada de Buzzi (1985); Borror e Delong (1969) e Camargo et al. (2015).
15Classificação dos insetos
BORROR, D. J.; DELONG, D. M. Introdução ao estudo dos insetos. São Paulo: Edgard 
Blücher, 1969.
BUZZI, Z. J. Entomologia didática. 4. ed. Curitiba: UFPR, 2002. 
BUZZI, Z. J. Entomologia didática. Curitiba: UFPR, 1985.
CAMARGO, A. J. A. et al. Coleções entomológicas: legislação brasileira, coleta, curadoria 
e taxonomias para as principais ordens. Brasília: Embrapa, 2015.
GALLO, D. et al. Entomologia agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002. 
LARA, F. M. Princípios de entomologia. São Paulo: Universidade Estadual Paulista, 1977.
LEITE, G. L. D., SÁ, V. G. M.D. Taxonomia, nomenclatura e identificação de espécies. Montes 
Claros: Instituto de Ciências Agrárias - Universidade Federal de Minas Gerais, 2010. 
(Apostila) 
MACEDO, L. P. M. Fundamentos básicos de entomologia: aspectos morfológicos dos 
insetos. Agroecologia IFRN, 2010. Disponível em: https://agroecologiaifrn.files.word-
press.com/2010/04/nota-fundamentos-sobre-os-insetos.pdf. Acesso em: 22 abr. 2019. 
MARANHÃO, Z. C. Entomologia geral. 3. ed. São Paulo: Nobel, 1978.
NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; ZUCCHI, R. A. Entomologia econômica. Piracicaba: 
Livroceres, 1981.
OLIVEIRA, T. Anatomia externa tórax abdômen. Scribd, 2013. Disponível em: https://
pt.scribd.com/doc/122757665/Anatomia-Externa-Torax-Abdomen. Acesso em: 22 
abr. 2019.
PICANÇO, M. C. Manejo integrado de pragas. Viçosa: UFV, 2010.
PRADO, A. P. Importância prática da taxonomia (ou o papel da taxonomia para a 
entomologia aplicada). Revista Brasileira de Entomologia, v. 24, n. 2, p. 165–167, 1980.
STORER, T. I.; USINGER, R. L. Zoologia geral. São Paulo: Ed. Nacional, 1971. (Biblioteca 
universitária; 8).
Classificação dos insetos16

Mais conteúdos dessa disciplina