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ZOOLOGIA E ENTOMOLOGIA AGRÍCOLA Alesandra dos Santos Moura Classificação dos insetos Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Apontar diferenças morfológicas entre insetos. Discutir sobre as diferenças entre insetos e relacioná-los com o am- biente de produção agrícola. Interpretar as diferenças entre ordens taxonômicas de insetos. Introdução Ao longo do processo evolutivo, vários fatores fisiológicos e morfológicos foram modificados e especializados para tornar os insetos as criaturas em maior quantidade no globo terrestre, estando presentes em todos os ambientes. As principais mudanças morfológicas se deram em estruturas como olhos compostos, asas e exoesqueleto, que tornaram os insetos altamente adaptáveis aos mais diferentes ambientes. A ecdise (troca de esqueleto externo) possibilita aos insetos apresentarem diferentes formas ao longo das suas fases de desenvolvimento. As diferenças morfológicas presentes na classe Insecta permitem a classificação dos insetos em variadas ordens taxonômicas, muitas delas de importância agronômica. Esses animais podem ser considerados como “insetos-praga”, aqueles que trazem danos à agricultura, ou “insetos benéficos”, que auxiliam no processo de polinização e propagação das espécies vegetais. Neste capítulo, você vai estudar assuntos relacionados à morfolo- gia dos insetos, possibilitando a diferenciação dos mesmos a partir de estruturas-chave. Você também vai verificar como a variedade de insetos pode influenciar no ambiente agrícola e, a partir desse contexto, vai diferenciar as ordens taxonômicas presentes na classe Insecta. Morfologia dos insetos De modo geral, os insetos são criaturas que passaram por adaptações morfo- lógicas ao longo de seu processo evolutivo, o que contribuiu para a classe ser considerada a mais abundante do globo terrestre. A morfologia compreende o estudo das formas externas dos insetos, mais precisamente o estudo das estruturas básicas que auxiliam na diferenciação e na classifi cação de dife- rentes grupos. Os insetos possuem morfologia específica, que os distingue dos demais artrópodes. Dentre as principais características, destaca-se a presença do esqueleto externo ou tegumento, que constitui a parte externa do corpo dos insetos, sendo uma espécie de carapaça que desempenha importante papel ao longo da vida do animal. Dentre as funções do tegumento, destacam-se proteção externa, barreira contra perda de umidade, sustentação muscular e intermediação sensorial entre inseto e ambiente. O tegumento é composto por cutícula, epiderme e membrana basal. Segundo Gallo et al. (2002) e Maranhão (1978), o corpo dos insetos apresenta uma divisão característica em três partes básicas: cabeça, tórax e abdômen. Na Figura 1, você pode visualizar como está disposta a divisão morfológica básica dos insetos, bem como os demais apêndices que completam cada parte do seu corpo. Figura 1. Morfologia externa de um inseto. Fonte: Adaptada de Gallo et al. (2002). Tórax Olho composto Vértice Celos Fronte Clípeo Labro Mandíbula Maxíla Lábio Coxa I II III Trocanter Fêmur Tíbia Tarso Arólio Garra Tímpano Cabeça Antenas Abdômen Asa posterior Cerco Ovipositor Tíbia Tarso Pós-tarso Estigmas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 9 Classificação dos insetos2 A cabeça e seus apêndices A cabeça é a região anterior do corpo dos insetos, composta por estruturas fi xas e móveis. Nela são encontrados dois olhos compostos (apêndices fi xos), um par de antenas (apêndices móveis), nenhum ou três ocelos e a peça bucal exposta, composta por lábios superior e inferior, mandíbulas, maxilas, epi e hipofaringe. Existe grande variação no formato da cabeça dos insetos, porém, em sua grande maioria, a cabeça é bastante esclerotizada, ou seja, bastante dura, conforme apontam Gallo et al. (2002). Os olhos são apêndices fixos presentes na grande maioria dos insetos adultos; possuem tamanho avantajado e estão situados na parte dorso-lateral da cabeça, podendo apresentar formato ovalado, arredondado, reniforme, convexo, dentre outros. São formados por facetas ou omatídeos, estruturas circulares ou hexagonais que funcionam como uma espécie de lentes de unidades visuais, que permitem aos insetos uma visão de 180°. A quantidade de omatídeos varia de acordo com a espécie e o habitat do inseto. Por exemplo: formigas, que, por natureza, vivem em regiões escuras, abaixo da superfície do solo, possuem de seis a nove omatídeos; as libélulas apresentam aproximadamente 30 mil omatídeos, e as moscas domésticas, 4 mil omatídeos, conforme Lara (1977) e Buzzi (2002). As antenas são apêndices móveis presentes em todos os insetos em sua fase adulta; constituem-se de estruturas articuladas presentes geralmente na parte frontal, dorsal ou inferior da cabeça ou, em alguns casos, nas suas laterais. As antenas desempenham importante papel sensorial, devido à presença de pelos táteis, que normalmente cobrem todos os antenômeros — estruturas que estão relacionadas às funções táteis, olfativas e auditivas dos insetos. As partes básicas responsáveis pela funcionalidade da antena são escapo, pedicelo e flagelo. Existe grande variação morfológica das antenas, sendo esta uma característica importante no momento da classificação taxonômica das espécies. Na Figura 2 você pode verificar as partes constituintes de uma antena, bem como a grande variedade de classificação de antenas, de acordo com o aspecto do flagelo. 3Classificação dos insetos Figura 2. Estruturas constituintes da antena, variedade morfológica e suas classificações. Fonte: Adaptada de Gallo et al. (2002). Pedicelo Escapo Flagelo Pedicelo Escapo A FILIFORME SETÁCEA PECTINADA C D E SERRADA CLAVADA I H GF MONILIFORME LAMELADA ARISTADA FLABELADA ESTILADA PLUMOSA L CAPITADA GENICULADA J K B Flagelo Ponto de articulação Sulco antenal Nos materiais disponíveis nos links a seguir, você terá acesso a figuras e ilustrações que auxiliarão no entendimento da diversidade morfológica da cabeça dos insetos e seus apêndices. https://qrgo.page.link/EfDB https://qrgo.page.link/4Eo2 O aparelho bucal é uma estrutura composta por apêndices móveis; no total, oito peças compõem essa estrutura cefálica dos insetos. Embora a demanda nutricional seja basicamente a mesma para todos os insetos, composta por aminoácidos (gorduras e carboidratos) e nutrientes regulatórios (vitaminas, minerais, colesterol e ácidos graxos), existem variações na forma como esses alimentos são adquiridos pelas espécies, e isso resulta em variações morfo- lógicas no aparelho bucal. Por exemplo, existem insetos que se alimentam de nutrientes líquidos, e outros, de alimentos sólidos; existem também variações no acesso a esses alimentos; alguns são facilmente encontrados na superfície, Classificação dos insetos4 outros precisam de um aparelho bucal que satisfaça a necessidade de alcançar determinada profundidade para retirada da seiva ou do sangue, no caso de insetos hematófagos. A morfologia dos aparelhos bucais varia de espécie para espécie; portanto, para o estudo da classificação das peças bucais, será tomado como modelo primário as estruturas presentes no aparelho mastigador ou triturador, que possui as oito peças básicas em sua formação. Além do aparelho mastigador (triturador), existem ainda os aparelhos picador-sugador, sugador-maxilar e lambedor. A posição do aparelho bucal com relação ao tórax do inseto também possibilita entender a importância que as diferenças morfológicas desempenham no conhecimento dos hábitos desses seres e sua importância na agricultura. Na Figura 3 é possível observar quais são essas estruturas e a sua disposição na formação do aparelho bucal. Figura 3. Peças presentes na constituição do aparelho mastigador/triturador. Fonte: Adaptada de Macedo (2010). EPIFARINGE LABRO MANDÍBULA HIPOFARINGE Cardo Estipe Lacínia Submento Mento LígulaMAXILA Palpo labial LÁBIO Gálea Palpo maxilar 5Classificação dos insetos Para que você possa saber mais sobre a diversidade dos aparelhos bucais, no conteúdo disponível no link a seguir, você pode observar detalhadamente aspectos relacionados aos aparelhos bucais, suas classificações e exemplos de insetos para cada aparelho. https://qrgo.page.link/iEyi O tórax e seus apêndices O tórax é a região medial do inseto, situada entre a cabeça e o abdômen; trata-se de uma estrutura visualizada com maior facilidade nos insetos adul- tos. Nele estão presentes os apêndices locomotores, mais precisamente, as pernas e asas. É dividido em três segmentos: protórax (unido à cabeça, onde encontramos também o primeiro par de pernas), mesotórax (possui o segundo par de pernas e o primeiro par de asas) e metatórax (possui o terceiro par de pernas e o segundo par de asas, quando presentes). Na Figura 4, você verá como funciona o esquema de divisão do tórax e seus apêndices locomotores. Figura 4. Divisão do corpo do inseto: (A) cabeça; (B) protórax; (C) mesotórax; (D) metatórax; (E) abdômen. Fonte: Oliveira (2013, documento on-line). Classificação dos insetos6 As asas são estruturas móveis que auxiliam na locomoção dos insetos. Quanto ao número de asas, os insetos podem ser tetrápteros, quando os dois pares de asas são funcionais, ou dípteros, quando apenas o par de asas presente no mesotórax é funcional; nesse caso, o segundo par de asas presente no me- tatórax funciona como aparato de equilíbrio durante o voo, sendo comumente chamado de halteres ou balancins. Existem ainda os insetos ápteros, que não possuem asas, e os aptésicos, que possuem asas desenvolvidas, porém não as utilizam para voo. Quanto ao tipo, as asas podem ser escamosas, membranosas, tégminas, élitros e hemiélitros. As pernas, assim como as asas, são estruturas locomotoras. Os insetos adultos apresentam um total de seis pernas, que podem apresentar diferentes morfologias dentro de cada espécie. Segundo Gallo et al. (2002), as pernas são formadas por coxa, trocanter, fêmur, tíbia, tarso e pós-tarso. Na última porção (pós-tarso), os insetos apresentam garras tarsais, que auxiliam na fixação. Segundo os autores, a classificação das pernas pode variar de acordo com o habitat e as especificidades de cada inseto. O abdômen dos insetos O abdômen é a terceira e última parte do corpo dos insetos; trata-se de uma estrutura caracterizada pela segmentação abdominal — os segmentos são denominados urômeros, sendo altamente fl exíveis. A quantidade de urômeros varia entre as espécies, nunca ultrapassando o número máximo de 12 segmen- tos. Embora a estrutura aparente ser mais simples do que a cabeça e o tórax, o abdômen é uma região altamente especializada, onde estão dispostas as vísceras, o aparelho genital e os apêndices, importantes em algumas espécies. A Figura 5 mostra as principais estruturas de formação do abdômen. 7Classificação dos insetos Figura 5. Abdômen segmentado dos insetos. Fonte: Adaptada de Macedo (2010). Placa tergal Espiráculo Epiprocto Cerco Paraprocto 3º par de valvas 2º par de valvas 1º par de valvas 1º valvífero Membrana pleural Placa esternal 2º valvífero Os insetos e suas relações com a agricultura Estudos relatam que existem cerca de 950 mil espécies de insetos conhecidas; isso representa 75% dos animais — ou seja, é o maior grupo existente na terra. Os insetos podem ser benéfi cos à agricultura, proporcionando atividades rentáveis ao agronegócio, como é caso das abelhas, do bicho-da-seda ou dos insetos polinizadores das espécies cultivadas. Podem também ser nocivos, a exemplo dos insetos fi lófagos, que se alimentam de diferentes partes das plantas. Ao longo do processo evolutivo, fez-se necessário entender todas as carac- terísticas relacionadas aos insetos, seu comportamento, morfologia, fisiologia e hábitos alimentares, visando a obter meios de controle economicamente viáveis e, ao mesmo tempo, que respeitem o equilíbrio ecológico das espécies. Um determinado grupo de insetos é considerado praga a partir do momento em que a densidade populacional chega a um nível elevado, podendo acarretar prejuízos econômicos ao produtor. Segundo Gallo et al. (2002), estima-se que 38% das culturas agrícolas mundiais são afetadas por pragas, doenças e ervas daninhas. Para dar início ao controle correto de pragas agrícolas, é necessário que a população de insetos em uma lavoura chegue ao nível crítico de controle. Esse nível é medido a partir da relação do crescimento populacional em relação a um determinado número de dias; a partir daí, deve-se aplicar técnicas de controle que visem à erradicação e ao menor prejuízo possível aos agricultores, conforme apontam Gallo et al. (2002) e Picanço (2010). A grande variedade de espécies e a distinção morfológica presente nos insetos possibilitam o ataque direto e indireto das culturas agrícolas. Di- Classificação dos insetos8 retamente, podem ser afetadas as estruturas comercializadas, como frutos, vagens, sementes, e indiretamente podem ser atacadas partes essenciais ao desenvolvimento fisiológico das plantas, como raízes, caules, folhas e estru- turas florais. Determinados insetos podem ainda ser agentes transmissores de doenças virais e contribuir para o ataque de fungos e bactérias, a partir de áreas lesionadas pelos aparelhos bucais, conforme Gallo et al. (2002) e Nakano, Silveira Neto e Zucchi (1981). No Quadro 1, você pode verificar as injúrias causadas por insetos em diferentes meios relacionados à agricultura. Fonte: Adaptado de Gallo et al. (2002). Plantação/lavoura Insetos Destroem folhas, ramos, botões florais, casca ou frutos. Lagartas, besouros, gafanhotos Sugam a seiva vegetal, os botões florais, os ramos e os frutos. Percevejos, pulgões, cigarrinhas, tripes, cochonilhas Broqueiam ou anelam casca, ramos, frutos, sementes, raízes. Besouros adultos, larvas, lagartas Atacam raízes ou colo das plantas. Besouros, lagartas, cigarras, cupins, larvas de moscas Constroem ninhos ou refúgios em partes das plantas. Formigas, vespas, abelhas, larvas de moscas Disseminam ou facilitam o desenvolvimento de microrganismos fitopatogênicos. Percevejos, pulgões, cigarrinhas, tripes, cochonilhas Armazenamento Insetos Alimentam-se de todo ou de parte de um produto armazenado. Carunchos, gorgulhos, besouros, traças Contaminam o produto com sua excreção, ovos ou partes do corpo, inviabilizando a comercialização. Carunchos, gorgulhos, besouros, traças Quadro 1. Injúrias causadas por insetos em plantações e armazéns As diferenças morfológicas dos insetos (presença ou ausência de ocelos, estrutura e classificação das antenas, tipo de aparelho bucal, desenvolvimento de pernas especializadas, tipos de asas) influenciam diretamente no habitat 9Classificação dos insetos e, consequentemente, no hábito alimentar desses indivíduos. A partir da ob- servação das variações morfológicas é possível dividir os insetos em grupos distintos, que podem estar relacionados à produção agrícola na fase de campo ou na fase pós-colheita, durante o armazenamento. As principais ordens de importância agrícola são as listadas a seguir. Lepidoptera: seus adultos são chamados de mariposas (noturnos e de cores não aparentes) ou borboletas (diurnos e de cores vistosas); possuem asas membranosas com escamas e aparelho bucal sugador maxilar. Suas larvas são chamadas de lagartas; possuem cabeça visível e três pares de pernas no início do corpo. Coleoptera: seus adultos são chamados de besouros; seu primeiro par de asas tem aspecto robusto endurecido (élitro). Suas larvas possuem cabeça visível; têm três pares de pernas no início do corpo ou não. Eles são pragas tanto na fase de larva como na fase adulta e possuem aparelho bucal mastigador. Os principais grupos de besouros pragas são bicudos, carunchos, gorgulhos e traças dos cereais, comumente encontrados em armazéns de grãos e cereais, comomilho, soja e arroz. Os danos observados são a diminuição do peso e da qualidade dos grãos. As espécies pragas de armazém possuem tamanho pequeno (2,5 a 4 mm), dificultando o controle. Hymenoptera: vulgarmente conhecidas como formigas, vivem em colônias e são pragas na fase adulta. As formigas podem ser pragas (formigas cortadeiras) ou inimigos naturais (formigas predadoras). As formigas cortadeiras têm coloração amarronzada e, no topo de sua ca- beça, possuem uma reentrância pronunciada. Já as formigas predadoras apresentam diversas colorações, e a reentrância no topo de sua cabeça não é profunda. As principais formigas cortadeiras são as saúvas. Diptera: possuem asas membranosas, sendo as posteriores do tipo balancins, e aparelho bucal sugador-labial. Suas larvas são vermiformes (sem cabeça e patas). Essa ordem inclui moscas, mosquitos, pernilon- gos e mutucas. Os principais grupos de moscas pragas de plantas são mosca-minadora e mosca das frutas. Hemiptera: nessa ordem, estão distribuídos os insetos conhecidos como percevejos, barbeiros, baratas d’água, cigarras, cigarrinhas e mosca-branca. A ordem está subdividida em quatro subordens (Sternor- rhyncha, Auchenorrhyncha. Heteroptera e Coleorryncha), sendo as três primeiras de importância agrícola no Brasil. Os percevejos pertencem à subclasse Heteroptera; na fase adulta, têm o primeiro par de asas com Classificação dos insetos10 a parte inicial dura (hemiélitro) e a parte final mole membranosa. Eles possuem aparelho bucal sugador e causam danos às plantas tanto na fase adulta como na fase jovem (ninfas). Thysanoptera: os tripes são extremamente pequenos, tendo em média 0,5 a 13 mm de comprimento quando adultos. Possuem asas franjea- das e aparelho bucal sugador, enquanto as formas jovens (ninfas) não possuem asas. Orthoptera: são os grilos e os gafanhotos; ambos possuem o último par de pernas saltatórias e, na fase adulta, seu primeiro par de asas é semelhante a asas de baratas (tégminas). Os grilos possuem coloração escura, e as asas dos adultos, quando em repouso, assumem posição horizontal. Tanto na fase jovem (ninfas) como na fase adulta atacam plantas pequenas, cortando-as rente ao solo. Já os gafanhotos possuem diversas colorações, e as asas dos adultos, quando em repouso, assumem uma posição inclinada. Tanto os adultos como os gafanhotos da fase jovem causam desfolha nas plantas. Mantodea: os insetos dessa ordem são conhecidos popularmente como louva-a-deus. São considerados predadores de outros insetos; a maio- ria das espécies apresenta canibalismo e possui grande capacidade de camuflagem com folhas, galhos e flores, para evitar o ataque de predadores, como os pássaros. Morfologicamente, apresentam patas anteriores, juntas e opostas, como se estivessem “orando” — na verdade, são pernas raptatórias, prontas para capturar suas presas. Apresentam aparelho bucal mastigador e protórax longo. Isoptera: os cupins possuem aparelho bucal mastigador, dois pares de asas membranosas iguais e metamorfose gradual. Alimentam-se de celulose das raízes das plantas, de madeiras e de húmus. São insetos sociais e vivem em ninhos com um ou mais casais, de forma sexuada (reis e rainhas). No interior de um ninho, existem operárias e soldados que executam tarefas diferentes. Os ninhos podem ser construídos no solo, no subsolo, em árvores ou em madeiras. 11Classificação dos insetos As coleções entomológicas são uma importante ferramenta de estudos. Os insetos são capturados, avaliados morfologicamente e classificados quanto ao grupo ao qual pertencem; em seguida, são depositados em caixas, onde é usado um alfinete para fixá-los, junto com a etiqueta de identificação. A criação da caixa entomológica tem como principal objetivo a observação dos insetos, oferecendo um importante método de ensino-aprendizagem aos estudantes de ciências agrárias. Com a praticidade fornecida pela observação da caixa, pode-se aumentar a motivação em aprender o conteúdo abordado na disciplina de entomologia agrícola. Os procedimentos envol- vidos na confecção das caixas entomológicas associam aprendizados relacionados à conservação das espécies, às diferenças entre as espécies e à incidência das espécies de importância agrícola em determinadas regiões. Organização taxonômica Para o melhor entendimento da diversidade de seres vivos presente na Terra, existe a necessidade de organizá-los em grandes grupos por semelhanças de caracteres. A taxonomia e a sistemática são ciências que tratam dessa clas- sifi cação, observando ainda aspectos relacionados à evolução e à origem dos organismos e sua relação com o ecossistema, conforme Gallo et al. (2002). Segundo Prado (1980), a taxonomia entomológica analisa cientifi camente as espécies, sua diversidade e suas relações biológicas, resultando na identifi cação e classifi cação desses organismos. Classificar nada mais é do agrupar determinados indivíduos levando em consideração semelhanças. Nas classificações taxonômicas, os insetos são divididos conforme suas características em grupos que denominamos táxons. Os táxons, por sua vez, são dispostos em categorias, que podem ser classifi- cadas como principais ou secundárias. A seguir estão listadas as categorias taxonômicas usuais, sendo as categorias em letras maiúsculas consideradas primárias, e as demais, secundárias. FILO Subfilo CLASSE Subclasse Classificação dos insetos12 ORDEM Subordem Superfamília FAMÍLIA Subfamília Tribo Subtribo GÊNERO Subgênero ESPÉCIE Subespécie Segundo Leite e Sá (2010, p. 3): Os táxons Superfamília, Família, Subfamília, Tribo e Subtribo, são identifica- dos respectivamente pelas terminações oidea, idae, inae, ini e ina. A categoria básica sobre a qual se baseia toda classificação animal é a Espécie. Sendo assim, Espécie é uma população de animais de uma área, onde ocorre cruzamento e há produção de prole fértil. A Subespécie é um agregado da população fenoti- picamente semelhante pertencente a uma espécie e que habita uma subdivisão da área de distribuição da espécie e que difere taxonomicamente de outras. Tem status nomenclatural, isto é, ela é nominada cientificamente e leva um nome trinomial. 04 Raça seria uma modificação dentro da espécie, mas sem chegar a se formar ou com início de isolamento geográfico. Ainda com relação à classificação taxonômica, é importante saber: Nomenclatura zoológica: tem a finalidade de dar nomes aos diferentes níveis da classificação taxonômica. Carlos Lineu (1707–1778) criou a nomenclatura binomial, em que o primeiro nome é abrangente e se refere às características de um grupo, e o segundo nome é mais restrito e faz referência às características de determinada espécie. Código de Nomenclatura Zoológica (CNZ): esse tipo de nomenclatura científica utilizada desde 1758 garante que determinada espécie seja conhecida mundialmente, independentemente das varrições dos nomes populares. O CNZ dá as diretrizes para a criação dos nomes dos grupos inseridos nos táxons família, tribo, gênero e espécie. 13Classificação dos insetos A seguir, estão listados os artigos CNZ mais utilizados para atribuição da nomenclatura, segundo Leite e Sá (2010): Art.2. A nomenclatura zoológica é independente da nomenclatura botânica ou outras. Art.5. O nome da espécie é binominal e o da subespécie é trinomial. O primeiro nome é indicativo do gênero; o segundo, da espécie e o terceiro, da subespécie. Art.6. O subgênero, quando citado, é colocado entre o gênero e a es- pécie e entre parênteses. Art. 22. A data da publicação de um nome, se citada, segue o nome do autor com uma vírgula interposta. Aphis mellifera Lin., 1758. Art. 28. Os nomes de Famílias e Gêneros devem iniciar com letra maiúscula e os nomes das Espécies, com letra minúscula. Art. 29. O nome da família é formado pela adição da terminação IDAE ao gênero-tipo e, no caso de subfamília, pela adição da terminação INAEao gênero-tipo. Família Papilionidae, deriva do Gênero Papilio. Art. 51. O nome do autor não faz parte do nome de um táxon e sua citação é opcional. Identificação dos insetos A classifi cação dos insetos foi feita pela primeira vez por Lineu, em 1735. Atualmente são utilizadas chaves dicotômicas (que signifi ca duas entradas) para descobrir qual a ordem a que pertence determinado inseto. Note que, ao fi nal de cada linha, deverá aparecer o nome da ordem ou o número da linha a que você deve se dirigir para continuar tentando identifi car o seu inseto. O modelo de chave dicotômica ilustrado na Figura 6 é um resumo da chave utilizada para classifi car a ordem dos insetos adultos. Classificação dos insetos14 Figura 6. Chave dicotômica (para identificação das principais ordens de insetos adultos). Fonte: Adaptada de Buzzi (1985); Borror e Delong (1969) e Camargo et al. (2015). 15Classificação dos insetos BORROR, D. J.; DELONG, D. M. Introdução ao estudo dos insetos. São Paulo: Edgard Blücher, 1969. BUZZI, Z. J. Entomologia didática. 4. ed. Curitiba: UFPR, 2002. BUZZI, Z. J. Entomologia didática. Curitiba: UFPR, 1985. CAMARGO, A. J. A. et al. Coleções entomológicas: legislação brasileira, coleta, curadoria e taxonomias para as principais ordens. Brasília: Embrapa, 2015. GALLO, D. et al. Entomologia agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002. LARA, F. M. Princípios de entomologia. São Paulo: Universidade Estadual Paulista, 1977. LEITE, G. L. D., SÁ, V. G. M.D. Taxonomia, nomenclatura e identificação de espécies. Montes Claros: Instituto de Ciências Agrárias - Universidade Federal de Minas Gerais, 2010. (Apostila) MACEDO, L. P. M. Fundamentos básicos de entomologia: aspectos morfológicos dos insetos. 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