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Arte e Educação 
 TROL 
Arte e Educação 
Lucia Lyra de Serpa Pinto 
1ª
 e
d
iç
ão
 
Arte e Educação 
 
 
DIREÇÃO SUPERIOR 
Chancele r Joaqu im de Oliveira 
Reitora Marlene Salg ado de Oliveir a 
Pres idente da Mantene dora Wellington Salg ado de Oliveira 
Pró- Reitor de Planejamento e Finanças Wellington Salg ado de Oliveira 
Pró- Reitor de Organizaçã o e Desenvolv imento Jefferson Salgado de Oliveira 
Pró- Reitor Adm inistrativo Wallace Salgado de Oliveira 
Pró- Reitora Acadêm ica Jain a dos Santos Mello Ferreir a 
Pró- Reitor de Exte nsão Manuel de Souza Esteves 
 
DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA 
Diretor Charlston José de Sousa Assis 
Assessora Andrea Jar dim 
Coorde nadora Ge ral de Pós-Gra dua ção Maria Alice Correa Ribeiro 
 
FICHA TÉCNICA 
Texto: Lucia Lyr a de Serpa Pinto 
Revisão Ortográf ica : Walter P. V alverde Jú nior e Tatiane Rodrigues de So uza 
Projeto Gráf ico e E ditoração: Andreza Nacif, Anto nia Machado, Eduar do Bor doni, Fabrício Ramos, Marcos 
Antonio Lima da Silva e Ruan Carlos Vieira Fausto 
Supe rvisão de Materiais Instruc ionais : Janaina Gon çalves de Jesus 
Ilustração: Eduardo Bordoni e Fabrício R amos 
Capa: Edu ardo B ordoni e Fabr ício R amos 
 
COORDENAÇÃO GERAL: 
Departamento de Ensino a Dis tânc ia 
Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, R J, CEP 24020-420 www.universo.edu.br 
 
Fich a cat alogr áfic a elabor ada pela B ibliotec a Universo – Campus Niterói 
 
P659a Pinto, Lucia Lyra de Serpa. 
Arte e educação / Lucia Lyra de Serpa Pinto ; revisão de 
Walter P. Valverde Junior. 1. ed. – Niterói, RJ: 
EAD/UNIVERSO, 2011. 
 150 p. : il. 
 
 
1. Arte e educação. 2. Arte - Estudo e ensino. 3. 
Educação. 4. Dança. 5. Música. 6. Teatro. I. Valverde 
Junior, Walter P. II. Título. 
 
 
CDD 372.5 
 
Bibliotec ária: ELIZABETH FRANCO MAR TIN S – CRB 7/4990 
 
© Departamento de Ensino a Distância - U niversidade Salgado de Oliveira 
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publica ção pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida de nenhu ma forma 
ou por nenhum meio se m permissão expressa e por escrito da Associação Salgado de Oliveira de Educa ção e Cultura, mantenedora 
da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). 
Arte e Educação 
 
 
Palav ra da Reitora 
 
Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo, 
exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de 
Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSO Virtual, que reúne os diferentes 
segmentos do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi 
desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero 
bem-sucedidas mundialmente. 
São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio 
dessa modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço 
presentes nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio 
tempo e gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se 
responsável pela própria aprendizagem. 
O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que 
permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo 
momento ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de 
nossa plataforma. 
Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores 
especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são 
fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos. 
A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a 
distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem-
sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo 
de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização, 
graduação ou pós-graduação. 
Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando 
as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu alunado a conhecer o 
programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona. 
 
Seja bem-vindo à UNIVERSO Virtual! 
Professora Marlene Salgado de Oliveira 
Reitora
Arte e Educação 
 
Arte e Educação 
 
 
 
 
Sumário 
 
1. Apresentação da disciplina.................................................................................................................... 07 
2. Plano da disciplina ....................................................................................................................................... 11 
3. Unidade 1 – Qual o seu significado?................................................................................................ 13 
4. Unidade 2 – O desenvolvi mento expressivo da criança .................................................... 35 
5. Unidade 3 – Educação para a compreensão da cultura visual ...................................... 69 
6. Unidade 4 – Linguagens da Arte........................................................................................................ 93 
7. Considerações finais ................................................................................................................................... 141 
8. Conhecendo a autora ............................................................................................................................... 143 
9. Referências........................................................................................................................................................ 145 
10. Anexos..................................................................................................................................................................147 
 
 
 
 
Arte e Educação 
6 
Arte e Educação 
7 
 
Apresentação da Disciplina 
 
Prezado aluno, 
É com grande satisfação que apresentamos a disciplina Arte e Educação. Bem 
vindo ao nosso ambiente de aprendizagem. 
O estudo dos conhecimentos de arte é de grande importância para os 
profissionais que desejam atuar em escolas e espaços de ensino e aprendizagem 
com crianças, jovens e adultos. 
A arte-educação é uma disciplina que, como as demais, possui características 
próprias e é interessante que seja necessário enfatizar esse aspecto. Quando nos 
damos conta da evolução da pedagogia artística no Brasil, constatamos que o 
tratamento dado não foi coerente com a dinâmica de novas estratégias que as 
outras disciplinas mereceram. O ensino de arte atual ainda guarda resquícios de 
metodologias antigas, tradicionais e equivocadas. Nesse sentido, a realidade que 
encontramos nas salas de aula permite que, currículos e programas, apresentem 
objetivos e conteúdos divergentes dos conhecimentos de arte. Por esse motivo, 
em muitas escolas professores de arte são “direcionados” para uma prática de 
“distrair ou ocupar o tempo dos alunos”, “pintar desenhos reproduzidos”, “decorar 
murais e salas”, “preparar festinhas”, apresentar “teatrinhos pedagógicos”, 
“dancinha para o dia das mães”. 
A proposta apresentada nessa disciplina pretende esclarecer essas questões e 
promover reflexões sobre o papel da arte para o indivíduo e a sociedade. Com isso, 
o professor de arte estará apto a entender o seu papel de arte-educador dentro e 
fora da escola. Outro ponto importante é ressaltar que cabe à escola conhecer os 
objetivos e métodos necessários para desenvolver o ensino de arte coerente com 
as propostas atuais, exigindo que os conhecimentos teóricos e práticos sejam 
cumpridos pelos profissionais. 
Assim, é possível desenvolver um trabalho com arte na escola que exige e ao 
mesmo tempo media os instrumentos de aquisição do conhecimento; que 
contribua para a formação de cidadãos conscientes, críticos e capacitados, que 
saibam respeitar e valorizar a cultura e a realidade social em que vivem. 
Arte e Educação 
8 
 
Considerando os desafios apresentados e a necessidade de contribuir para um 
efetivotrabalho com arte na escola, o presente estudo apresenta os pontos 
principais que embasam o ensino dos conhecimentos de arte. Os conceitos são 
apresentados de forma contextualizada e dialógica, facilitando o acesso, a 
compreensão dos conteúdos e das atividades. 
Vamos iniciar nosso estudo? Desejo que esteja receptivo e que possamos 
estabelecer troca de idéias que enriqueçam nosso diálogo. Sempre que desejar, tire 
suas dúvidas, estamos juntos nessa jornada. 
Estude com prazer! 
 
Arte e Educação 
9 
 
Plano da Discip lina 
 
A disciplina Arte e Educação tem como objetivo principal desenvolver a 
percepção sobre a importância da arte para o desenvolvimento integral do aluno e 
também levá-los a despertar um olhar observador para os seus diferentes tipos. A 
partir de uma reflexão sobre o significado da arte, descrevemos o caminho 
percorrido pelos educadores de arte no Brasil desde o período Imperial até os dias 
atuais. Apresentamos as linguagens da arte, suas especificidades e técnicas. 
Encaminhamos o estudo para o conhecimento de procedimentos de leituras de 
imagem e alfabetização visual. Faz parte também do estudo, textos sobre avaliação 
e projetos em arte. Nesse contexto, foi possível apresentar argumentação que dê 
embasamento para os profissionais que estarão de forma direta ou indireta, 
atuando junto aos arte-educadores, para saberem entender, valorizar e respeitar 
esse profissional em seu espaço de atuação. 
Para facilitar a compreensão dos conteúdos, a disciplina foi organizada em 
quatro unidades e cada uma delas em subunidades, que permitem entender como 
foi desenvolvido o programa. 
A seguir, apresentamos o resumo das unidades da disciplina e seus respectivos 
objetivos. Desejamos que tenha um estudo proveitoso e que possamos 
compartilhar ideias ao longo dessa jornada. 
 
Unidade 1 – Arte – qual o seu significado? 
Em nossa primeira unidade estudaremos o significado e a evolução histórica 
do ensino de arte no Brasil. Estes aspectos são muito importantes para os que 
desejam trabalhar com arte-educação. 
Objetivos: 
 Compreender o significado da arte e a sua importância na educação 
brasileira. 
 Conhecer o cenário da evolução do ensino de arte no Brasil, 
 Compreender os aspectos que fizeram parte da trajetória histórica do 
ensino e aprendizagem de arte trazendo reflexões para a atualidade. 
Arte e Educação 
10 
 
Unidade 2 – O desenvolvimento expressivo da criança 
Na segunda unidade veremos que através do desenho é possível acompanhar 
o processo de formação do conhecimento da arte que pode se desenvolver desde 
a infância até os primórdios da adolescência. 
Objetivos: 
 Compreender o processo de desenvolvimento expressivo da criança. 
 Caracterizar as diversas etapas evolutivas do grafismo infantil. 
 Conhecer os aspectos que envolvem o processo de desenvolvimento 
da atividade imaginativa. 
 
Unidade 3 – Educação para a compreensão da cultura visual 
Na penúltima unidade veremos os elementos da cultura visual que estão 
presentes nas representações que o homem é capaz de produzir e que necessitam 
de um estudo cuidadoso, para que os professores se habilitem e trabalhem com os 
“códigos” da linguagem visual. 
Objetivos: 
 Compreender que a cultura visual, é o resultado das representações 
visuais que o homem é capaz de construir e necessita ser explorada e 
levada para a sala de aula, tornando-a parte das experiências práticas 
e cotidianas dos estudantes. 
 Desenvolver estratégias que possibilitem o exercício efetivo da “arte-
educação” como fonte facilitadora da compreensão da cultura visual 
no espaço educacional. 
 
Unidade 4 – As linguagens da Arte 
Na última unidade estudaremos a interação com as linguagens da arte que 
permite compreender que, através da percepção das cores, dos sons, dos gestos, 
do movimento corporal, somos capazes de inventar e ler o mundo. Para a avaliação 
em arte, apresentamos sugestões que podem nortear esse importante momento 
da aprendizagem. Propostas desafiadoras, como ensino de arte por projetos, 
facilitam a construção dos conhecimentos de Arte. 
Arte e Educação 
11 
 
Objetivos: 
 
 Identificar e interagir com as quatro linguagens da arte como 
exercício da cidadania. 
 Compreender que a aprendizagem em arte só é significativa quando 
o objeto de conhecimento é a própria arte. 
 Compreender que é através do conhecimento de cada linguagem 
que o aprendiz revela suas ideias e sentimentos. 
 Propor ações desafiadoras de aprendizagem em arte através de 
projetos. 
 
 
 
Bons estudos. 
 
 
Arte e Educação 
12 
 
Arte e Educação 
13 
Qual o seu significado? 
A arte e seu significado. 
Por que arte na escola? 
O ensino de arte no Brasil. 
As pedagogias no ensino de arte. 
1 
Arte e Educação 
 
14 
 
A partir de agora você está convidado a descobrir os principais caminhos que 
apontam o aprender e ensinar arte. Durante nosso estudo, na articulação teoria-
prática, estaremos dialogando e aprendendo juntos. Assim, desejamos que nossos 
objetivos sejam atingidos e que contribuam para ampliar seus conhecimentos. 
 
Objetivos da unidade: 
 Compreender o significado da arte e a sua importância na educação 
brasileira. 
 Conhecer o cenário da evolução do ensino de arte no Brasil. 
 Compreender os aspectos que fizeram parte da trajetória histórica 
do ensino e aprendizagem de arte trazendo reflexões para a 
atualidade. 
 
Plano da unidade: 
 A arte e seu significado. 
 Por que arte na escola? 
 O ensino de arte no Brasil. 
 As pedagogias no ensino de arte. 
 
 
Bons estudos. 
 
Arte e Educação 
 
15 
 
Para iniciarmos esse importante estudo sobre Arte e Educação, começaremos 
por entender o significado da Arte. Vamos caminhar juntos? 
 
A arte e seu significado 
 
A história do homem está diretamente ligada à arte. A arte antecipa a 
construção do seu próprio conceito, pois desde tempos remotos, quando o 
homem habitava a escuridão das cavernas, sentiu necessidade de externalizar seus 
anseios, desejos e medos frente aos fenômenos da natureza. Através de 
representações expressas em linhas, contornos e manchas, o homem rupestre 
pinta e risca nas paredes imagens impressionantes, utilizando elementos naturais 
como pigmentos animais, vegetais e minerais. 
Dentre todos os seres que habitam nosso planeta, o homem foi capaz de fazer 
a diferença: pensar, perguntar, inventar, produzir. Da necessidade de comunicação 
entre mundo interno e externo, o homem desenvolve uma grande capacidade 
imaginativa. Essa ação permeia pensamentos e produções cada vez mais 
complexos de imagens e objetos, proporcionando então, o surgimento das 
linguagens. Através da música, da escultura, da pintura, da dança, do teatro e do 
cinema, o homem expressa seus sentimentos, suas emoções, sua maneira de estar 
e viver no mundo. 
O conceito de arte é produto da comunicação e acompanha o pensamento e 
as experiências humanas. A cada momento é contextualizado nos acontecimentos 
e valores de sua própria época, pois a arte de nosso passado possui valores 
diferentes para os da atualidade. Para tanto, é importante observar como os 
artistas, críticos e historiadores conceituam a arte: 
Arte e Educação 
 
16 
 
No século XV: 
Leonardo da Vinci integrava em 
sua visão de mundo a Ciência e a Arte. 
Ele mesmo era Cientista e Artista a um 
só tempo, e estas duas dimensões se 
completavam intimamente na sua 
maneira de apreender o mundo. A arte 
era concebida por ele como uma 
‘Ciência da representação da Natureza’, 
e é isto o que o habilita falar mais 
autorizadamente em uma “imitação 
científica da Natureza” por oposição à 
“imitação mecânica”. 
Outro aspecto fundamental da concepção de 
Arte exposta por Leonardo da Vinci em seus escritos, 
e que com muita freqüência faz com que ele seja 
apontado como um precursor de uma forma mais 
moderna de conceber a arte é asua afirmação de 
que a “arte é coisa mental”. Ele tinha clareza de que a 
maioria das pessoas via mais freqüentemente com o 
intelecto do que com os olhos, propriamente ditos. 
Assim, para o pintor italiano, a pintura é “cosa 
mentale”: objeto da inteligência elaborado com 
“hostinato rigore”. 
(Disponível em: 
http://www.poiesis.uff/pdf/poiesis11/Poesis_11_arte
coisamental.pdf.Acesso em :05 set 2011) 
 
 
No século XIX: 
 
“A arte é a missão mais sublime do homem já que 
é o exercício do pensamento tentando 
compreender o mundo e torná-lo compreensível.” 
(RODIN, 1990, p.8) 
Cosa mentale: coisa mental. 
Hostinato rigore: obstinado 
rigor. 
Arte e Educação 
 
17 
No século XX: 
A arte nos dá a possibilidade de comunicar a concepção 
que temos das coisas através de procedimentos que não 
podem ser expressos de outra forma. Na verdade, uma 
imagem vale por mil palavras não apenas pelo seu valor 
descritivo, mas também por sua significação simbólica. 
Na arte, assim como na linguagem, o homem é 
sobretudo um inventor de símbolos que transmitem 
ideias complexas sob novas formas. Temos de pensar na 
arte não em termos de prosa do cotidiano, mas como 
poesia, que é livre para reestruturar o vocabulário e a 
sintaxe convencionais, a fim de expressar significados e 
estados mentais novos, muitas vezes múltiplos. 
(H.W.JANSON, 1996, p.7) 
No século XXI: 
Todos concordam que é muito difícil definir o que é arte. 
Não obstante, se refletimos sobre o que conhecemos e 
consideramos expressão artística, verificamos que, em que 
pese a enorme variedade de estilos e concepções, há ali 
um traço comum que nos permite englobá-la numa 
mesma definição: é arte. 
Houve épocas em que era quase impossível fazê-lo de 
modo amplo, uma vez que a conceituação estreita reduzia 
a expressão artística a princípios e normas, fora das quais a 
arte seria impossível. (GULLAR, F. Instituição e Rebeldia. 
Folha de S. Paulo, São Paulo 12 jun de 2011 – Disponível 
em http://www.magaweb.com.br – Acesso em 27 ago 
2011). 
Pode-se observar então, que definir arte como conceito único é tarefa 
extremamente difícil; podemos perceber que são muitas as respostas. A arte pode 
ser compreendida na atualidade de uma maneira bem ampla, que engloba 
diferentes manifestações culturais, sociais, políticas, bem como linguagens, 
materiais, meios e técnicas. Pode, ainda, ser vista como um produto da inteligência 
humana, uma experiência de alta complexidade que exige o delicado equilíbrio de 
todas as potencialidades tanto no campo prático quanto teórico: criação, 
experimentação, apreciação, associação, análise, contextualização, releitura, entre 
outras importantes ações. 
Arte e Educação 
 
18 
 
Sendo assim, a arte está presente em todas as culturas de diferentes épocas. 
Questionar sua importância seria o mesmo que negar a existência do ar, do sol, da 
luz. Qual seria então a importância da arte na escola? 
 
Por que arte na escola? 
 
A arte, em suas diferentes linguagens, é uma forma de expressão criada pelo 
homem a partir de sua necessidade de estabelecer um diálogo com o mundo. 
Incluí-la na formação de crianças, jovens e adultos torna-se tão necessário quanto o 
ensino de matemática, línguas ou ciências. A arte constitui-se como experiência 
estética e humana, como área de conhecimento que tem seus próprios conteúdos. 
O papel da arte na educação é grandemente afetado 
pelo modo como o professor e o aluno vêem o papel da 
arte fora da escola. (...) A arte não tem importância para o 
homem somente como instrumento para desenvolver sua 
criatividade, sua percepção etc., mas tem importância em si 
mesma, como assunto, como objeto de estudos. (BARBOSA, 
1975, p.90). 
A compreensão sobre a arte e o estudo de sua história está diretamente ligada 
ao conhecimento das práticas artísticas, e de como as mesmas foram 
desenvolvidas no cenário histórico-social da humanidade. Elemento presente nas 
práticas culturais cotidianas, em expressões visuais, sonoras, coloquiais, gestuais e 
corporais, a arte favorece o reconhecimento de um repertório de representações 
estéticas presentes em nossas vidas. 
O homem, que vive em contato, desde a mais tenra idade com os elementos 
plásticos e manifestações culturais, presentes na sociedade, poderá identificar as 
formas como são percebidas e analisadas essas vivências. As preferências musicais, 
a escolha das cores, o gosto por espetáculos artísticos e por seus produtores, 
podem ser fatores determinantes no surgimento de novas poéticas e expressões 
artísticas. A prática contínua de uma educação em arte se faz importante para o 
acesso às estéticas existentes na atualidade, garantindo assim melhor 
compreensão desses valores. 
Arte e Educação 
 
19 
 
As práticas educativas surgem de mobilizações sociais, 
pedagógicas, filosóficas, e, no caso de arte, também 
artísticas e estéticas. Quando caracterizadas em seus 
diferentes momentos históricos, ajudam a compreender 
melhor a questão do processo educacional e sua relação 
com a própria vida. (FERRAZ, 1993, p.27). 
 
Para entendermos mais ainda o papel da educação no desenvolvimento das 
pessoas e das sociedades, o PCN – ARTE nos aponta para a necessidade de se 
construir uma escola voltada para a formação de cidadãos, que não pode se 
distanciar do compromisso por atender às necessidades desse novo milênio que se 
inicia, marcado pela competição e pela excelência. 
Progressos científicos e avanços tecnológicos definem 
exigências novas para os jovens que ingressarão no mundo 
do trabalho; tal demanda impõe uma revisão dos 
currículos, que orientam o trabalho cotidianamente 
realizado pelos professores e especialistas em educação do 
nosso país. (PCN-Temas Transversais, 1998, p.5) 
 
No texto de apresentação do PCN, temos: 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram 
elaborados procurando, de um lado, respeitar diversidades 
regionais, culturais, políticas existentes no país e, de outro, 
considerar a necessidade de construir referências nacionais 
comuns ao processo educativo em todas as regiões 
brasileiras. Com isso, pretende-se criar condições, nas 
escolas, que permitam aos nossos jovens ter acesso ao 
conjunto de conhecimentos socialmente elaborados e 
reconhecidos como necessários ao exercício da 
cidadania.(Idem). 
Arte e Educação 
 
20 
 
O ensino de arte no Brasil 
 
O ensino de arte no Brasil, teve início em 1800 no seminário de Olinda em 
Pernambuco. Voltado para os homens, foi marcado por preconceito contra o 
trabalho manual. Sendo assim, o ensino de arte centrava-se no desenho 
geométrico e principalmente em cópias de modelos. Como o trabalho manual era 
reservado aos escravos e nessa época não havia indústrias, essas tentativas de 
ensino técnico frustraram. 
 
As pedagogias no ensino de arte 
 
Em 1816, D. João VI trouxe a missão francesa para o Brasil. Composta por 
artistas europeus de renome foi fundada a Academia Imperial de Belas Artes, no 
Rio de Janeiro. Iniciava-se um período muito importante, que concebia a arte como 
base moral de toda educação e no culto à beleza. Os estudantes deviam ter dom 
artístico e por isso foram levados a prática de excessivos e árduos exercícios de 
cópia. O ensino de arte no Brasil seguiu o modelo das academias europeias, e 
baseava-se no desenvolvimento de habilidades e técnicas gráficas. O desenho era 
matéria obrigatória e considerado a base de todas as artes, ensinado nas séries 
iniciais da Academia Imperial. Nas escolas primárias o desenho também seguia 
esses objetivos, porém, as meninas não tinham acesso ao estudo, e em suas casas 
eram preparadas para as habilidades manuais como o bordado e música. 
 
Pedagogia tradicional no ensino de arte 
 
No início de século XX, o ensino de arte no Brasil apresentava características 
utilitárias de preparação técnica para o trabalho. Nas escolas valorizava-se o traço, 
o contorno, a repetição e cópiade modelos e o desenho geométrico. Essas 
atividades visavam preparar o estudante para a vida profissional. Nas escolas 
normais, as futuras professoras aprendiam também “desenho pedagógico” e 
esquemas gráficos para ilustrar aulas. 
Arte e Educação 
 
21 
 
Essa “metodologia tradicional” que permanece até os dias atuais, era 
desenvolvida pelos professores através de aulas de fixação, pela repetição dos 
conteúdos, e por uma conduta autoritária. As matérias Música, Canto Orfeônico e 
Trabalhos Manuais foram inseridas no currículo escolar a partir de 1950. 
A partir dos anos 50, o ensino e a aprendizagem de arte, 
(...) concentram-se apenas na transmissão de 
conteúdos reprodutivistas, desvinculando-se da realidade 
social e das diferenças individuais. O conhecimento 
continua centrado no professor, que procura desenvolver 
em seus alunos também habilidades manuais e hábitos de 
precisão, organização e limpeza. (FERRAZ, 1993, p.32 ) 
 
Pedagogia nova no ensino de arte 
 
Com a Semana de Arte Moderna de 1922, o surgimento da bienal de São Paulo 
a partir de 1951 e a combinação de novas ideias surgidas em várias áreas, abriram 
portas para uma proposta renovadora e a descoberta de novas maneiras de se 
entender a expressão artística. 
A “Pedagogia Nova”, também conhecida por movimento “Escola Nova”, surgiu 
na Europa e Estados Unidos, no século XX. No Brasil, nas décadas de 50 e 60, 
começam as primeiras experiências. Essa pedagogia experimental caracterizava-se 
pela ênfase no desenvolvimento da criatividade e da autoexpressão da criança. As 
atividades centravam-se no fazer artístico, encorajando a criança a experimentar, 
improvisar e criar. O foco do processo educativo se deslocou da transmissão de 
conteúdos para as necessidades e interesses do educando. 
Ferraz (1993) nos esclarece que vários autores influenciaram os trabalhos de 
professores de arte no século XX originando a “Escola Nova”: os americanos John 
Dewey, (1900) e Viktor Lowenfeld (1930) e o inglês Herbert Read (1943). Com a 
publicação de seu livro Educação pela Arte (traduzido em vários países), Read 
contribuiu para a formação de um dos movimentos mais significativos do ensino 
artístico no Brasil. Influenciado por esse movimento, Augusto Rodrigues liderou a 
criação de uma "Escolinha de Arte", no Rio de Janeiro (em 1948), estruturada nos 
moldes e princípios da "educação através da arte". 
Arte e Educação 
 
22 
 
Para melhor entendermos esse movimento, 
Os princípios da Escola Nova, na prática escolar, 
refletiam muitas vezes uma concepção espontaneísta, 
centrada, na valorização extrema do processo sem 
preocupação com os seus resultados. Como todo processo 
artístico deveria “brotar” do aluno, o conteúdo dessas aulas 
era quase exclusivamente um “deixar fazer” que muito 
pouco acrescentava ao aluno em termos de aprendizagem 
de arte. (MARTINS, 1998, p.12) 
 
A pedagogia tecnicista no ensino de arte 
 
A concepção tecnicista de ensino da arte, presente até os dias atuais, originou-
se no Brasil, a partir das décadas de 60/70, com o objetivo de formar profissionais 
para atender as carências de mão de obra para o processo de industrialização em 
expansão. Para atingir esses objetivos, nas aulas de arte os professores utilizavam 
recursos tecnológicos e audiovisuais, enfatizando o “saber construir”, materiais 
diversificados (sucatas, etc) e o “saber exprimir-se” através de atitudes espontâneas 
expressas de forma descompromissada com o conhecimento de linguagens 
artísticas. Essas ações ficam claras porque ao contrário das concepções anteriores. 
Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no. 5692/71, a Educação 
Artística é incluída no currículo escolar. Nessa época, os professores de Desenho, 
Música, Trabalhos Manuais, Canto Coral e Artes Aplicadas, viram suas atividades 
educacionais transformadas em “meras atividades artísticas”. Não havia cursos de 
nível superior para formação de professores em Arte. Os cursos de Educação 
Artística foram implementados às pressas para suprir essa necessidade. Os 
professores, inseguros e com formação insuficiente, apoiavam-se em livros 
didáticos de “Educação Artística”, para conseguirem aplicar seus planejamentos, 
pois não dispunham de tempo suficiente para aprofundar seus conhecimentos. 
Arte e Educação 
 
23 
 
Desde a implementação da Lei 5692/71, o tratamento dado à Educação 
Artística fica bastante comprometido, como se pode analisar no texto: “não é uma 
matéria, mas uma área bastante generosa e sem contornos fixos, flutuando ao 
sabor das tendências e dos interesses" (FERRAZ, 1992, p. 37-38). 
A partir da Lei nº 5692/71, só as pessoas habilitadas pelos Cursos de 
Licenciatura Curta (mais tarde Plena), poderiam ser contratadas ou prestar 
concurso para assumir a área de Educação Artística. 
Esses cursos, que visavam à polivalência em arte, 
colocavam no mercado de trabalho profissionais 
totalmente distanciados da arte e da prática 
educacional. 
 
Pedagogias libertadoras no ensino de arte 
 
A Pedagogia Libertadora é também denominada de crítico social dos 
conteúdos. É importante observar que o ensino de arte no Brasil atualmente 
apresenta características das três pedagogias estudadas: tradicional, escola-novista 
e tecnicista. 
(...) o conhecimento dos aspectos pedagógicos, 
ideológicos e filosóficos que marcam o ensino e a 
aprendizagem de Arte, pode auxiliar o professor a entender 
as raízes de suas ações, bem como seu próprio processo de 
formação. (Id., 1993, p. 43) 
E ainda: 
(...) ao lado das tendências pedagógicas tradicional, 
escola-novista e tecnicista, surge no Brasil, entre 
1961/1964, um importante trabalho desenvolvido por 
Paulo Freire, que repercutiu politicamente pelo seu 
método revolucionário de alfabetização de adultos. (Ibid., 
p.32). 
Polivalente – aquele que 
pode exercer diversas 
funções. 
Arte e Educação 
 
24 
 
As ideias de Freire estavam voltadas para uma relação dialógica entre 
professor e aluno, com vistas ao desenvolvimento da consciência crítica e 
configuram o que chamamos de pedagogia libertadora. A partir dos anos 80, os 
professores de arte brasileiros, conscientizados da necessidade de melhorar e 
valorizar sua profissão discutem sobre práticas e teorias de educação escolar. 
Acreditando no papel da escola como responsável pelas mudanças nas ações 
sociais e culturais da sociedade, novas ideias juntam-se às experiências do passado. 
Novos rumos são traçados com referências das pedagogias tradicional, nova, 
tecnicista e libertadora. 
Configura-se a Pedagogia Histórico-Crítica, (SAVIANI,1980), baseada no 
pensamento de que “a escola deve assumir, através do ensino e da aprendizagem 
do conhecimento acumulado pela humanidade, a responsabilidade de dar ao 
educando o instrumental para que ele exerça uma cidadania mais consciente, 
crítica e participante”(FERRAZ, 1993, p.34). 
A Pedagogia Histórico-crítica propõe uma escola com métodos de ensino 
eficazes para que esta funcione bem. A proposta consiste em que o professor 
estimule seus alunos através de atividades e iniciativas próprias; favoreça o diálogo 
entre alunos e professores; valorize o conhecimento da cultura acumulada 
historicamente e os interesses dos alunos; observe e considere os ritmos de 
aprendizagem e o desenvolvimento psicológico. É importante também que os 
conhecimentos dos conteúdos cognitivos sejam transmitidos e assimilados de 
forma sistematizada e lógica. 
A prática social é problematizada, através de ações mediadas pelo professor: 
são questionamentos que se desdobram em conhecimentos e, a partir daí, serão 
complementados com suportes teóricos e culturais. 
Arte e Educação 
 
25 
 
 
Nesse contexto, uma relevante contribuição nos é dada por Ana Mae Barbosa. 
Suas preocupações com o processo histórico do ensino de arte no Brasil são 
analisadas em suas obras: Arte-Educação no Brasil (1978),Recorte e Colagem: 
Influências de John Dewey no Ensino de Arte no Brasil, Arte-Educação: Conflitos e 
Acertos (1984), História da Arte-Educação (1986) e O Ensi no da Arte e sua História 
(1990). 
A autora, através de relatos e reflexões, ressalta o papel do professor de arte 
como articulador dos conhecimentos e dos conteúdos de arte, e propõe um 
posicionamento teórico metodológico, conhecido por “Metodologia Triangular”. 
Ana Mae, que contribui de forma qualitativa para o processo de crescimento do 
profissional de arte, apresenta uma proposta metodológica que integra três 
aspectos do conhecimento de arte: o “fazer artístico”, a “análise de obras” e a 
“história da arte”. 
Acreditamos que ao finalizar esta unidade você: 
Tenha compreendido o significado da arte - conhecimento que permeia 
diferentes manifestações culturais, sociais, políticas, bem como linguagens, 
materiais, meios e técnicas. Pode ser vista como um produto da inteligência 
humana, uma experiência de alta complexidade que exige o delicado equilíbrio de 
todas as potencialidades tanto no campo prático quanto teórico: criação, 
experimentação, apreciação, associação, análise, contextualização, releitura, entre 
outras importantes ações. 
Arte e Educação 
 
26 
 
Conheça o papel da arte para a educação e se conscientize da necessidade de 
incluí-la nos currículos escolares. 
Seja capaz de compreender melhor as propostas de arte na atualidade e o 
papel do professor de arte como articulador dos conhecimentos. 
 
Leitura Complementar 
Veja a seguir as leituras complementares sugeridas. Não deixe de lê-
las, porque são as fontes de informação para entendimento do conteúdo 
apresentado nessa unidade. 
 
BARBOSA, Ana Mae. Teoria e prática da educação artística. São 
Paulo:Cultrix, 1975. 
 
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares 
Nacionais – Arte. Secretaria do Ensino Fundamental/SEF, 1998. 
 
Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares 
nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais / 
Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1998. 
 
FERRAZ, Maria Heloisa & FUSARI, Maria F. Metodologia do ensino de arte. 
São Paulo, Cortez, 1993. 
 
MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias; PICOSQUE Gisa; GUERRA M. Terezinha 
Telles. Didática do ensino de arte: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo. 
FTD, 1998. 
 
JANSON, Anthony F. Iniciação á História da arte. São Paulo: Martins Fontes, 
1996. 
 
RODIN, Auguste - A arte/Auguste Rodin, [em] conversas com Paul Gsell. 
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990. 
Arte e Educação 
 
27 
 
É hora de se avaliar 
Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo, elas irão 
ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de 
ensino-aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as 
envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
 
Na próxima unidade analisaremos o processo de desenvolvimento expressivo, 
desde a infância até a adolescência. Entraremos em contato com as representações 
gráficas e com o desenvolvimento do processo criativo presentes na vida do 
homem. 
Arte e Educação 
 
28 
 
 
Arte e Educação 
 
29 
 
Exercícios –Unidade 1 
 
1 – Leia as frases e assinale a alternativa que corresponde ao significado de Arte 
segundo a visão de Leonardo da Vinci. 
a) Segundo o artista renascentista, arte é a obra pronta, é o produto da 
comunicação humana. 
b) No século XV, a arte possuía significados ocultos, e era destinada apenas às 
classes mais abastadas. 
c) A arte era concebida por Leonardo da Vinci como uma “Ciência da 
representação da Natureza”. 
d) Os artistas, críticos e historiadores do século XV conceituavam a arte como 
“algo sem importância”. 
e) Leonardo da Vinci não registrou estudos que comprovassem sua visão da 
arte. Nessa época, não havia estudos relevantes sobre o tema. 
 
2 – Analise as frases e responda: 
I – O trabalho manual e as atividades livres caracterizam o início do ensino de 
arte no Brasil. 
II – No ano de 1800, em Pernambuco, teve início o ensino de arte e sua 
metodologia centrava-se no desenho geométrico e principalmente em cópias de 
modelos. 
III - Em 1800, deu-se início ao ensino de arte no Brasil. Nessa época os escravos 
tinham acesso aos estudos e realizavam trabalhos manuais e cópias de originais. 
Arte e Educação 
 
30 
 
Marque a alternativa correta: 
 
a) estão erradas a I e II. 
b) está correta a III. 
c) está correta a I. 
d) está errada a II. 
e) está correta a II. 
 
3 – Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase 
apresentada: 
 
Segundo o PCN-Arte, o papel da educação no desenvolvimento das 
___________________, nos aponta para a necessidade de se construir uma 
__________voltada para a formação de cidadãos, que não pode se distanciar do 
compromisso por atender às necessidades desse novo milênio que se inicia, 
marcado pela __________________________. 
 
a) escolas – sociedade - violência 
b) pessoas e das sociedades - escola - competição e pela excelência 
c) competências e habilidades – escola – competência do estado 
d) crianças – sociedade – carência alimentar 
e) universidades – profissão – globalização 
Arte e Educação 
 
31 
 
4 – A “metodologia tradicional” no ensino de arte no Brasil se caracteriza por: 
a) Ministrar aulas de fixação e repetição de conteúdos, por uma conduta 
autoritária. Nas aulas de arte valoriza-se o traço, o contorno, a repetição, 
cópia de modelos e o desenho geométrico. Essas atividades visam preparar o 
estudante para a vida profissional. 
b) Essa metodologia é praticada nos dias atuais e os conteúdos são passados 
através de livros didáticos e desenho livre. 
c) Nessa metodologia há grande liberdade de expressão criadora, considerada a 
base de todas as artes, Nas escolas as crianças têm acesso a materiais 
diferenciados e a relação professor-aluno transcorre de forma dialógica. 
d) Apresentar propostas inovadoras, articulando conteúdos de todas as 
disciplinas transdisciplinarmente. 
e) Exercer uma prática social problematizada, com atividades realizadas através 
de ações mediadas pelo professor: são questionamentos que se desdobram 
em conhecimentos e, a partir daí, serão complementados com suportes 
teóricos e culturais. 
 
5 – A metodologia de ensino em arte que se caracteriza pela ênfase no 
desenvolvimento da criatividade e da auto-expressão da criança; realização de 
atividades centradas no fazer artístico; fortalecimento de experimentações, 
improvisos e criações espontâneas é denominada: 
a) Pedagogia tecnicista 
b) Pedagogia livre 
c) Pedagogia da arte espontânea 
d) Pedagogia liberal 
e) Pedagogia nova 
Arte e Educação 
 
32 
 
6 - Assinale a opção que identifica a importância e/ou necessidade do 
conhecimento das metodologias pedagógicas para o ensino de arte. 
a) A importância é irrelevante porque o professor tem liberdade para fazer o 
que desejar, e atualmente com a globalização, o que vale é realizar trabalhos 
livres, sem compromisso com regras ou técnicas. 
b) Não é necessário conhecer as propostas pedagógicas de arte, o importante é 
o professor ter formação específica na área. 
c) É importante para que o professor tenha referências e possa seguir uma 
metodologia baseada em exercícios, revisão de conteúdos e atividades 
manuais. 
d) É importante para a compreensão da arte e o estudo de sua história que está 
diretamente ligada ao conhecimento das práticas artísticas, e de como as 
mesmas foram desenvolvidas no cenário histórico-social da humanidade. 
e) As propostas pedagógicas não fizeram parte da evolução do ensino de arte 
no Brasil; todas as referências vieram da Europa através da missão artística 
francesa. 
 
7 - Assinale a alternativa mais adequada: 
O PCN – Arte foi elaborado:I – com o propósito de respeitar as diversidades regionais, culturais, políticas 
existentes no país e, também, considerar a necessidade de construir referências 
nacionais comuns ao processo educativo em todas as regiões brasileiras. 
II – porque a arte tem importância para o homem somente como instrumento 
para desenvolver sua criatividade, sua percepção. 
III - porque se pretende criar condições, nas escolas, que permitam aos nossos 
jovens ter acesso ao conjunto de conhecimentos socialmente elaborados e 
reconhecidos como necessários ao exercício da cidadania. 
Arte e Educação 
 
33 
 
a) está correta a II 
b) estão corretas a I e III 
c) estão erradas I e III 
d) está errada a III 
e) estão erradas II e II 
 
8 – Leia com atenção as frases abaixo e classifique-as como (C) certas ou (E) erradas, 
em seguida, escolha a alternativa adequada. 
I - A arte pode ser compreendida na atualidade como um produto da 
inteligência humana. ( ) 
II - A arte é uma experiência de alta complexidade que exige o delicado 
equilíbrio de todas as potencialidades tanto no campo prático quanto teórico: 
criação, experimentação, apreciação, associação, análise, contextualização, 
releitura, entre outras importantes ações. ( ) 
III - A arte só pode ser compreendida na atualidade pelos progressos 
científicos e avanços tecnológicos. ( ) 
IV - A compreensão sobre a arte e o estudo de sua história está diretamente 
ligada ao conhecimento das práticas artísticas, e de como as mesmas foram 
desenvolvidas no cenário histórico-social da humanidade. ( ) 
V - A arte, em suas diferentes linguagens, é uma forma de expressão criada 
pelo homem a partir de sua necessidade de estabelecer um diálogo com o mundo. 
( ) 
 
a) C – C – C – C – E 
b) E – E – C – C – C 
c) C – C – C – E – C 
d) C – C – E – C – C 
e) E – C – C – C – C 
Arte e Educação 
 
34 
 
9 – Até hoje encontramos características dessa pedagogia de ensino: professores 
planejando suas aulas com recursos tecnológicos e audiovisuais. Orientados por 
uma concepção mecanicista, as aulas são planejadas a partir de objetivos 
operacionais, passando uma ideia de “modernidade”. Essas concepções de ensino 
iniciaram no Brasil entre as décadas de 60 e 70. Descreva os aspectos que 
caracterizam o ensino de arte oriundo dessa pedagogia, identificando-a. 
 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
 
10 – Leia o texto abaixo : 
(...) “os cursos escolares de Arte não são os únicos lugares nem os únicos 
tempos disponíveis para as pessoas aprenderem saberes em arte.”. 
A que aspectos do ensino de arte podem-se relacionar as ideias do texto? 
 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
Arte e Educação 
 
35 
O Desenvolvimento 
expressivo da criança 
Expressão gráfica infantil. 
O significado da arte para a criança 
A evolução do desenho infantil. 
Fases do grafismo. 
Por que desenhar é importante? 
A imaginação criadora. 
2 
Arte e Educação 
 
36 
 
Nesta unidade vamos compreender como o processo de formação do 
conhecimento da arte pode se desenvolver desde a infância até os primórdios da 
adolescência. Através do desenho, a primeira forma de expressão gráfica, é possível 
compreender o significado da expressividade infantil. Você está convidado a 
participar dessas descobertas. 
 
Objetivos da unidade: 
 Compreender o processo de desenvolvimento expressivo da criança. 
 Caracterizar as diversas etapas evolutivas do grafismo infantil. 
 Conhecer os aspectos que envolvem o processo de desenvolvimento 
da atividade imaginativa. 
 
Plano da unidade: 
 Expressão gráfica infantil. 
 O significado da arte para a criança 
 A evolução do desenho infantil. 
 Fases do grafismo. 
 Por que desenhar é importante? 
 A imaginação criadora. 
 
Bons estudos. 
Arte e Educação 
 
37 
 
Expressão gráfica infantil 
 
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo, e com 
cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo... Corro o lápis 
em torno da mão e me dou uma luva e se faço chover com 
dois riscos tenho um guarda-chuva... Se um pinguinho de 
tinta cai num pedacinho azul do papel, num instante 
imagino uma linda gaivota a voar no céu... 
Aquarela. Toquinho, Vinicius de Moraes, M. Fabrizio e G. Morra. 
Ariola 1983 
 
A expressão infantil ocorre naturalmente, tanto de forma verbal como corporal 
ou plástica. Ao observar o desenvolvimento expressivo de uma criança, 
percebemos que suas brincadeiras, seus desenhos e 
pinturas, seus gestos, seu contato e descoberta do 
mundo exterior vão acontecendo de forma 
contínua. Sensações e percepções vão sendo 
vivenciadas através do pensamento, da criatividade, 
da imaginação e dos sonhos. A vivência e o contato com outras crianças e adultos 
permite que a expressividade infantil se revele através de articulações internas e 
externas que vão dando forma ao repertório criativo constituído de elementos 
cognitivos e afetivos. 
elementos cognitivos: 
elementos relativos à aquisição 
do conhecimento 
Arte e Educação 
 
38 
 
É através do desenho, a primeira forma de expressão gráfica infantil, que a 
criança desenvolve uma linguagem própria, impregnada de significados. Essa 
linguagem universal presente em todas as culturas é revelada em pequenos gestos 
representados a partir de um elemento capaz de imprimir um registro gráfico; seja 
através de um lápis, caneta, ou até mesmo com os dedos sobre uma superfície 
(papel, ou outro material). Surgem linhas, rabiscos e mais tarde formas 
compreensíveis. Assim, a criança registra seus pensamentos e sentimentos, 
representa objetos significativos, reais ou imaginários. Expressando-se a criança 
amadurece a percepção motora e cerebral, além de desenvolver mecanismos 
biológicos e sensoriais. 
O desenho infantil estabelece uma relação entre a criança e sua 
expressividade, que possui seu próprio estilo de representação gráfica bem como 
sua própria maneira de expressão. É o que podemos perceber no texto abaixo: 
 
A criança se exprime naturalmente, tanto do ponto de 
vista verbal, como plástico ou corporal, e sempre 
motivada pelo desejo da descoberta e por suas fantasias. 
Ao acompanhar o desenvolvimento expressivo da criança 
percebe-se que ele resulta das elaborações das sensações, 
sentimentos e percepções vivenciadas intensamente. Por 
isso, quando ela desenha, pinta, dança e canta, o faz com 
vivacidade e muita emoção (FERRAZ, 1993, p. 55). 
 
A produção gráfica é para a criança um dos meios mais significativos de 
comunicação. De acordo com Read (2001) o desenho é uma atividade espontânea, 
é expressão e comunicação. O que não é dito verbalmente aparece nas situações 
concretas indicadas nos traços 
Arte e Educação 
 
39 
 
O significado da arte para a criança 
 
Lowenfeld e Brittain, na obra Desenvolvimento da capacidade criador a (1970), 
apresenta os motivos e a importância da expressão artística para o 
desenvolvimento das capacidades intelectuais das crianças e jovens. Sobre o 
significado da arte para as crianças, o autor considera que “a criança é um ser 
dinâmico; para ela, arte é uma comunicação de pensamento. Vê o mundo de forma 
diferente daquela como o representa e, enquanto desenvolve, sua expressão 
muda.” 
Segundo Lowenfeld e Brittain, a importância do grafismo da criança está no 
processo,ou seja, no seu pensamento, nos seus sentimentos, nas suas percepções, 
em suma, nas suas reações ao ambiente em que vive. Por isso, os professores 
muitas vezes empolgados com a produção infantil, são capazes de impor seus 
esquemas de cores, proporções e até a maneira de pintar. 
Ao professor cabe o papel de criar situações estimulantes para um 
desenvolvimento criativo, tendo em conta que cada criança desenvolve sua 
capacidade criadora, seus interesses e seus progressos nas linguagens da arte, 
individualmente, independente da relação com o “belo”. 
 
A evolução do desenho infantil 
 
O desenho como possibilidade de brincar, de falar e de registrar, marca o 
desenvolvimento cognitivo e intelectual da infância. Foi observando essas 
pequenas diferenças que psicólogos e pedagogos distinguiram algumas etapas da 
evolução gráfica, que são muito próximas em todas as crianças, podendo 
apresentar diferenças individuais devidas ao meio físico e social em que vivem. A 
partir dessas análises, observou-se que em todo o mundo, as crianças desenham as 
mesmas coisas, da mesma forma e na mesma idade. Em cada estágio o desenho 
assume características próprias. 
Arte e Educação 
 
40 
 
O surgimento do grafismo varia de criança para criança. Há um ritmo pessoal 
para a evolução do grafismo, porém características comuns nas representações 
gráficas de todas as crianças determinam fases regulares que podem ser estudadas. 
Segundo Lowenfeld e Brittain (1970), o estudo do grafismo é melhor 
compreendido através da análise de uma sequência de etapas porém, não se pode 
garantir que essas etapas ocorram em uma sequência estática, rígida, porque cada 
criança tem seu próprio ritmo, e assim, observamos que algumas se detêm mais 
em algumas fases, podendo também apresentar características de várias. É 
também possível encontrar grafismos que não apresentem características de 
nenhuma das fases estudadas; isso pode ocorrer devido ás influências sofridas pelo 
meio e até devido à personalidade da criança. Outro aspecto importante é não 
estabelecer uma relação imediata entre as diferentes fases e a idade cronológica, 
porque, assim como a idade mental não é igual para crianças com a mesma idade 
cronológica, a etapa individual de desenvolvimento gráfico só pode ser revelada 
pelos desenhos. 
O estudo do desenho ou grafismo infantil permite realizar testes mentais 
como o teste da árvore, da figura humana, da casa e de animais. Esses testes só 
devem ser aplicados ou analisados por psicólogos ou especialistas para atender a 
um objetivo específico. O professor, por meio dessas representações gráficas, pode 
situar a fase do desenvolvimento mental da criança com o objetivo de desenvolver 
sua criatividade. Sendo assim, os desenhos das crianças não devem ser associados 
a estados afetivos como tristeza, raiva, medo, alegria ou agressividade. O 
conhecimento do processo evolutivo do grafismo infantil é muito importante para 
o professor por que: 
- poderá saber o que cada criança é capaz de produzir em cada fase do 
desenvolvimento gráfico; 
 - poderá situar a fase do desenvolvimento mental da criança; 
- terá condições para planejar as atividades artísticas adequadas á 
criança. 
Arte e Educação 
 
41 
 
Fases do grafismo 
 
Fase da Rabiscação 
 
 
 
O homem, desde a época das cavernas, ao manipular materiais e expressar-se 
graficamente através de gestos, cores, formas, espaços ou superfícies, teve a 
intenção de dar sentido a algo, de comunicar-se com os outros homens e até com 
animais deixando suas marcas nos espaços que ocupou. O estudo das fases da 
evolução gráfica infantil é uma atividade que deve ser realizada com cuidado, e 
para isso, é necessário a observação de vários desenhos de uma criança para que se 
possa concluir sobre a fase em que se encontra. 
Arte e Educação 
 
42 
 
- Fase da rabiscação: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Arte e Educação 
 
43 
 
- Início da figuração 
 
Rabiscação 
É a primeira fase do desenvolvimento gráfico da criança. Pode iniciar entre um 
ano e meio e vai até os quatro anos aproximadamente. A criança demonstra 
extremo prazer nesta fase. A figura humana é inexistente ou pode aparecer da 
maneira imaginária. A cor tem um papel secundário, aparecendo o interesse pelo 
contraste, mas não há intenção consciente. A fase da rabiscação pode ser dividida 
em: 
• Rabiscação desordenada: São os primeiros traços da criança; o resultado de 
movimentos amplos e desordenados. É uma atividade instintiva que pode não ter 
significado para os adultos, porém a criança está desenvolvendo o tato, a 
musculatura ao segurar o lápis. São traços feitos em todas as direções e cada 
criança tem seu próprio ritmo ao manusear os materiais. 
Arte e Educação 
 
44 
 
• Rabiscação longitudinal: Quando a criança consegue estabelecer um 
controle sobre o que vê e o que faz. Os movimentos longitudinais são firmes e 
intencionais e a atividade é feita com prazer porque a criança percebe que está 
havendo uma relação entre os movimentos da mão e os resultados que surgem no 
papel. 
• Rabiscação celular ou circular: Nesse momento, a criança já tem maior 
controle sobre o que faz e inicia um novo processo: linhas circulares surgem e são 
incorporados aos outros rabiscos longitudinais e desordenados. O traçado toma 
mais vigor e formas circulares e enoveladas vão fazer parte desse universo. São 
avanços que comprovam a capacidade motora e visual de representação gráfica. 
• Rabiscação acompanhada de fabulação: Nessa fase a criança se comunica e 
fala sobre o que faz. Pode surgir aproximadamente entre os três e quatro anos e, ao 
mesmo tempo em que desenha, fala e conta histórias. Suas representações gráficas 
ainda não são reconhecíveis para os adultos. Aqui a expressão é o jogo simbólico: 
"eu represento sozinho". O símbolo já existe. A figura humana pode aparecer de 
maneira imaginária, a criança representa o pai, a mãe etc, de forma simbólica: um 
círculo para a cabeça e dois traços mais ou menos retilíneos para as pernas. 
A criança sente um grande prazer no que faz, porque percebe que seus traços 
têm alguma relação com o que está ao seu redor. Ela quer mostrar aos adultos e 
essa alegria é o resultado de suas conquistas e experiências. Seus rabiscos, seus 
símbolos são o nascimento da linguagem plástica, porque resultam do 
pensamento, da imaginação e dos desejos que vão tomando forma e significado. 
É importante observar: 
O espaço de representação gráfica da criança apresenta características que 
podem ser identificadas nas três primeiras etapas da rabiscação. Nessas etapas a 
representação do espaço é cinestésica, ou seja, motora. Na rabiscação 
acompanhada de fabulação o espaço é puramente imaginativo. Não há ordenação 
do espaço nessas etapas. 
Arte e Educação 
 
45 
 
 . O uso da cor é feito sem uma intenção consciente, a criança pinta apenas por 
prazer, sem admitir significado às cores. Na rabiscação acompanhada de fabulação 
a criança emprega a cor para distinguir o significado dos rabiscos, porém não há 
relação com o objeto real que ela imagina representar. 
 
– Fase de início da figuração: 
 
Arte e Educação 
 
46 
 
– Fase de início da figuração: 
 
– Fase da figuração esquemática: 
 
Arte e Educação 
 
47 
Arte e Educação 
 
48 
 
 
 
. Início da figuração : Essa fase pode acontecer entre os quatro e sete anos 
aproximadamente. A criança dá continuidade a seus rabiscos, porém os traços vão 
se tornando identificáveis. Em sua evolução gráfica, constantes experimentações 
são feitas e seus signos vão alcançando um conceito definido de forma, como os 
que usa para representar a figura humana. São traços pessoais que a criança repete 
e vai enriquecendo com novas formas de representação. Nesta fase a criança 
desenha repetindo a mesma forma com poucas variações entre si, como se 
estivessem enfileiradas em uma linha imaginária.A cor, a forma e a proporção têm 
valor emocional. Por isso, determinadas representações são feitas em escalas 
diferentes: o que mais gosta, admira ou teme pode ser representado em 
dimensões maiores do que os outros elementos do desenho. O espaço é 
desordenado e a criança costuma falar sobre suas representações, relacionando-as 
com seu mundo real. 
Arte e Educação 
 
49 
 
. Figuração esquemática: Entre os sete e nove anos, nos desenhos das 
crianças surgem representações dos aspectos da realidade, do meio social do qual 
a criança faz parte: a família, a cidade, os transportes, os brinquedos, o espaço 
circundante. O espaço é representado de forma ordenada: uma linha para o chão, 
sobre a qual todos os elementos estarão desenhados; é a linha de base. Os 
desenhos da casa, árvore, veículos e pessoas estarão apoiados nessa linha. Na parte 
superior do papel a criança desenha o sol, nuvens, elementos que caracterizam o 
céu. Essa forma de representação é denominada oposição céu/solo onde todos os 
elementos do solo estão na parte inferior do papel – linha de base e os elementos 
do céu,na parte superior do papel. A representação humana apresenta um 
conceito definido de forma e os aspectos narrativos são registrados sob a forma de 
legendas em balões, como nas histórias em quadrinhos. Há também a necessidade 
de representar o interior dos objetos e para isso desenham as partes internas das 
casas, os móveis, as pessoas, o quarto – é a transparência. Nesse momento, a 
criança quer representar suas experiências com clareza e usa o recurso do 
rebatimento; podem surgir desenhos de pessoas, casas e árvores como se 
estivessem deitadas no plano. Quanto ao emprego da cor, seu uso está relacionado 
com a realidade. 
Podemos observar que: 
 Há um esquema de espaço – uso do espaço ordenado com a 
presença da linha de base; oposição céu-solo. 
 Há um esquema de cor - emprego da cor relacionada à realidade 
exterior: o céu é azul, as árvores são verdes. Porém podem ser 
atribuídos significados afetivos aos objetos e seres. 
 Há um esquema de forma – geralmente a forma é representada 
geometrizada, com esquemas definidos que se repetem. A figura 
humana, de preferência, é representada de frente. O desenho de 
perfil inicialmente com cabeça de perfil e corpo de frente e depois, 
os pés e mãos, por último o tronco gira e assim a figura evolui para 
uma representação total de perfil, indicando o movimento e a 
direção. 
Arte e Educação 
 
50 
 
Todos esses esquemas indicam a evolução e 
amadurecimento da percepção da criança, tanto 
visual como motora, que vão sendo expressos em 
sua linguagem plástica. Também podemos 
perceber que a criança representa através de um 
esquema lógico, ou seja, ela representa o que sabe dos objetos – é um realismo 
lógico. 
 
. Figuração realista: Nessa fase, que pode iniciar aos 10 anos, a criança 
desenha o que vê, com detalhes; é denominada também de realismo visual. A linha 
de contorno dos objetos ganha detalhes que se aproximam do natural, tanto na 
forma, como na cor. A proporção entre os elementos é ajustada e a criança 
consegue até representar a profundidade da cena. A linha de base da fase 
esquemática desaparece, e os elementos são representados sobre um espaço que 
indica os planos do solo e do céu. Utiliza o recurso de desenhar o que está na frente 
em dimensão maior, daquele que se distancia, buscando a profundidade. Algumas 
partes são encobertas, não utilizando o recurso da transparência. O uso da cor 
adquire características mais refinadas, com uso de tonalidades, claro-escuro. 
Representa as texturas dos objetos dos animais, o relevo das montanhas, enfim, 
alcança um amadurecimento em sua expressão gráfica. Na figura humana as 
características sexuais são exageradas, com a presença das articulações e 
proporções e representação acentuada da expressão: tristeza, alegria, raiva. 
Realismo lógico: entender como 
raciocínio encadeado, com ligação 
de ideias coerentes com a realidade. 
Arte e Educação 
 
51 
 
- Figuração realista 
 
 
 
Arte e Educação 
 
52 
Arte e Educação 
 
53 
 
- Fase da figuração realista 
 
 
Na adolescência, que pode ter início entre os 12 e 14 anos, o jovem vive um 
momento de questionamento e construção de sua própria identidade. As opiniões 
dos adultos, as pressões externas o olhar crítico e pessoal sobre as suas produções 
vão desencadear um processo conflituoso. As produções podem sofrer 
alternâncias entre o prazer de manejar e explorar as linguagens artísticas e o medo 
de se expor. 
Arte e Educação 
 
54 
 
Podemos observar que: 
 Na procura por uma forma de expressão pessoal, há uma predominância 
pelas representações abstratas, denominadas de doodles, rabiscos sem 
sentido. Essas representações gráficas vão aparecer nas paredes, nos 
cadernos, nas carteiras, nas ruas, enfim, em todos os espaços de 
convivência entre os jovens. 
 A partir dessa fase, as crianças que são estimuladas podem evoluir e 
alcançar uma forma de representação gráfica que as satisfaça, sentindo-se 
orgulhosas de seus trabalhos. Porém, pode ocorrer que, com a falta de 
contato constante com materiais e pessoas que lhe estimule, o jovem se 
sinta inseguro e pare de desenhar. 
 Essa fase é reconhecida por alguns estudiosos como “Fase da repressão” – 
o desenho pode regredir à fase da figuração esquemática; o jovem sente 
vergonha de suas produções e quando é necessário representar algo, 
recorre às cópias de figuras e elementos estereotipados . (desenhos 
realizados através de cópias, reproduzidos com o auxílio de papel 
transparente ou outros métodos). 
 
Nessa última etapa, mais próxima da adolescência, 
aparecem as construções tendendo para as formas 
ilusórias e naturalistas, com proporcionalidade, 
utilizando métodos de representação espacial e 
perspectiva. É neste momento também que o 
jovem começa a demonstrar um desinteresse pelo 
desenho, e a se voltar para outras manifestações 
artísticas. (FERRAZ e FUSARI , 1993, p. 78). 
 
Arte e Educação 
 
55 
 
 É importante que o jovem se reencontre em seu processo expressivo. 
Para tanto, é necessário que haja uma conscientização por parte dos 
professores e um esforço no sentido de oferecer um ensino de arte 
instigante e voltado para o aprendiz. 
Encerramos assim as considerações sobre o estudo da evolução gráfica, 
conscientes de não termos esgotado esse assunto, porém o esboço apresentado 
pode servir como referência para a compreensão e valorização do grafismo infantil 
como elemento de suporte às ações pedagógicas realizadas em sala de aula. 
 
Por que desenhar é importante? 
 
O que pode valorizar a atividade criadora é um constante trabalho com o 
desenvolvimento da observação, percepção e imaginação. A ação de desenhar na 
infância reúne vários elementos que podem ser sintetizados nos aspectos motor, 
perceptivo e de representação. 
Os estímulos adequados e a prática do grafismo impulsionam a sua evolução. 
Cada criança tem seu próprio ritmo e algumas podem se detêm mais em outras 
fases. 
Ao desenhar, a criança expressa sentimentos, emoções que, nem sempre 
conseguiria através da linguagem oral. Visto assim, como uma linguagem de 
expressão, o grafismo permite que o professor analise e observe a criança de forma 
natural, através dos gestos, traços, formas e cores. 
Motivar a criança para que se expresse graficamente com frequência, é 
incentivar a multiplicidade de expressões. O professor que atua junto à criança, 
precisa estar atento ao desenvolvimento da sensibilidade e da imaginação, o que 
contribuirá não apenas para o desenvolvimento do grafismo, mas para a educação 
integral do seu aluno. 
Arte e Educação 
 
56 
 
O melhor procedimento para o desenvolvimento da sensibilidade, da 
observação, da percepção, da imaginação, do senso de análise e crítica da criança 
ou do jovem, é levá-los a interagir em um ambientenatural, ou seja, em contato 
direto com a natureza. Essa ação permite enriquecer todos os campos de 
experiências sensoriais, afetivas e sociais e também prepara para futuras 
representações gráficas. 
 
A imaginação criadora 
 
 
 “A criação do novo não é conquista do intelecto, mas do instinto de 
prazer agindo por uma necessidade interior. A mente criativa brinca 
com os objetos que ama.”. (NACHMANIVICTH, 1993, p.49) 
 
 
 
Arte e Educação 
 
57 
 
A improvisação, a composição, a literatura, a pintura, o teatro, a invenção, 
todos os atos criativos são formas de divertimento, o ponto de partida da 
criatividade no ciclo de desenvolvimento humano é uma das funções básicas. Sem 
o divertimento, o aprendizado e a evolução são impossíveis. O trabalho criativo é 
divertimento; é a livre expressão dos materiais que cada um escolheu. A mente 
criativa brinca com os objetos que ama. O pintor brinca com a cor e o espaço. O 
músico brinca com o som e o silêncio. As crianças brincam com qualquer coisa em 
que possam pôr as mãos. 
A expressão criadora é a expressão natural da singularidade individual. É a 
maneira pessoal do indivíduo devolver ao exterior as impressões que capta do 
meio. A criação infantil não é o resultado da influência do professor com seus 
sentimentos, pensamentos e emoções. O importante no trabalho com crianças é 
estimular os sentidos e a imaginação, porque eles conduzem à aprendizagem. 
A atividade imaginativa necessita ser entendida como uma atividade criadora 
por excelência pois é o resultado das experiências vivenciadas no mundo real. A 
imaginação é constituída da relação entre novas ideias, imagens e conceitos que 
vão sendo formados na relação entre fantasia e mundo real. 
A compreensão do sentido de “imaginação criadora” não pode deixar de 
considerar os aspectos que interferem diretamente nessa ação: as diferenças bio-
psiquico-social (biológicas, psíquicas e sociais) da criança e do jovem. O estudo 
das fases do desenvolvimento da criança e sua evolução na representação gráfica, 
nos dão a dimensão da complexidade desse estudo. 
Conhecer os aspectos que envolvem o processo de desenvolvimento da 
atividade imaginativa nos leva a questionar porque a criança, em seus primeiro 
anos de vida, demonstra com mais evidência sua expontaneidade expressiva do 
que na fase da adolescência. O que acontece com o processo educativo dessas 
crianças, que, aos poucos vai perdendo o interesse em expressar-se criativamente? 
É importante refletir sobre como a escola está valorizando o desenvolvimento da 
criatividade, como é o processo de construção do conhecimento. Uma educação 
que prioriza a transmissão de informações através de atividades mecanicistas, 
pouco reflexivas e questionadoras, certamente estará contribuindo para que as 
crianças e jovens tenham um potencial criativo muito limitado. 
Arte e Educação 
 
58 
 
Para as crianças e jovens desenvolverem-se com liberdade para expressar-se, 
é necessário que nas escolas a arte também seja importante. Mais do que isso, é 
preciso compreender que todo ser humano tem direito ao acesso a essa área do 
conhecimento. Para melhor entender isso, vamos recorrer aos Parâmetros 
Curriculares Nacionais – PCN de Arte: 
São características desse novo marco curricular as 
reinvindicações de identificar a área por arte (e não mais 
por educação artística) e de incluí-la na estrutura curricular 
como área de conteúdos próprios ligados á cultura 
artística, e não apenas como atividade(1998,p.20). 
 
O trabalho de estimular e valorizar a atividade criadora não pode ser 
confundido com atividades de lazer, terapia, decoração de murais, pintura de 
desenhos mimeografados, trabalhinhos para atividades comemorativas como Dia 
das Mães, Páscoa, Natal. Essas atividades não são capazes de tratar o ensino de arte 
como conhecimento. 
O conhecimento artístico, como experiência estética direta com a obra de arte, 
pode ser progressivamente enriquecido e transformado pela ação de outra 
modalidade de conhecimento, gerado quando se pesquisa e contextualiza o 
campo artístico como atividade humana. 
Para tanto, é necessário que seja desenvolvido por profissionais formados em 
arte, capacitados para realizar um trabalho comprometido com os três campos 
conceituais descritos nos PCN – Arte. Tal conhecimento delimita o fenômeno 
artístico conforme descrito no PCN: 
 Como produto e agente de culturas e tempos históricos; 
 Como construção formal, material e técnica na qual podem ser 
identificados os elementos que compõem os trabalhos artísticos e 
os princípios que regem sua combinação; 
 Como construção poética. (Ibid., p.36) 
Arte e Educação 
 
59 
 
Em síntese, considerando-se a arte como conhecimento, é função da escola 
introduzir os alunos na compreensão dessas questões, em cada nível de 
desenvolvimento, para que sua produção artística possa se enriquecer. A 
aprendizagem da arte envolve distintos campos de experiência para abranger o 
conhecimento artístico: 
 
A experiência de fazer formas artísticas incluindo tudo que 
entra em jogo nessa ação criadora: recursos pessoais, 
habilidades, pesquisa de materiais e técnicas, a relação 
entre perceber, imaginar e realizar um trabalho de arte. 
(idem). 
 
Assim é a arte em todo seu contexto. Pensar o ensino de arte é também pensar 
o processo de poetizar, fruir e conhecer arte. 
 Poetizar - no sentido de se encantar com tudo que nos rodeia ser 
capaz de se emocionar, criar, imaginar, fantasiar. 
 Fruir - é deleitar-se; envolver-se com o momento da descoberta 
como se fosse único e todo seu, a única possibilidade de prazer e 
encantamento. 
 Conhecer - é vislumbrar, dar sentido e significado a tudo. Saber e 
conhecer o porquê das descobertas, das vivências, das experiências, 
da evolução, do progresso, da transcendência (das coisas que estão 
acima das ideias e conhecimentos racionais). 
O ensino de arte pode então ser visto como uma forma de pensar na leitura e 
produção da linguagem da arte, isto é, um modo único de despertar a consciência 
e novos modos de sensibilidade, emoção, medos, conhecimentos e descobertas. 
Nessa unidade você aprendeu que: 
A compreensão do processo de desenvolvimento expressivo da criança está 
diretamente ligada à forma, a observação, a percepção e a imaginação que são 
estimuladas e trabalhadas no ambiente de aprendizagem. 
Arte e Educação 
 
60 
 
O conhecimento e estudo das etapas evolutivas do grafismo infantil podem 
auxiliar o professor a enriquecer todos os campos de experiências sensoriais, 
afetivas e sociais das crianças, e também prepará-las para uma efetiva educação 
integral. 
O ensino de arte na escola é fundamental para o processo de amadurecimento 
da criatividade infantil e não pode ser desvinculado de atividades com caráter 
lúdico e de jogos. É importante estimular os sentidos e a imaginação porque eles 
conduzem à aprendizagem. 
A articulação com as áreas próprias dos conteúdos de arte é fundamental para 
que o professor possa intermediar os conhecimentos capazes de incentivar a 
construção de habilidades de ver, ouvir, observar, sentir, imaginar e fazer. Conhecer 
arte é um direito de todos. 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
Faça leituras complementares. Ler obras originais enriquece o 
repertório cultural e amplia o conhecimento sobre o estudo que estamos 
realizando. Veja as leituras sugeridas para essa unidade: 
 
BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. São Paulo. Perspectiva, 
1999. 
_________________. Teoria e prática da educação artística. São Paulo, 
Cultrix, 1975. 
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares 
Nacionais – Arte. Secretaria do Ensino Fundamental/SEF, 1998. 
FERRAZ Maria Heloisa & FUSARI, Maria F. Metodologia do ensino de arte. São 
Paulo, Cortez, 1993. 
HÉRNANDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de 
trabalho . Porto Alegre: ArtesMédicas Sul, 2000. 
 
Arte e Educação 
 
61 
MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias; PICOSQUE Gisa; GUERRA M. Terezinha 
Telles. Didática do ensino de arte: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo. 
FTD, 1998. 
 
NACHMANOVITCH, Stephen. Ser criativo – o poder da improvisação na vida 
e na arte. São Paulo. Summus,1993. 
 
É hora de se avaliar 
Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo, elas irão 
ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de 
ensino-aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as 
envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
 
 
Agora, acreditamos que você está melhor preparado para compreender que a 
arte é um conhecimento que permite a aproximação entre indivíduos, que a 
cultura visual, é o resultado das representações visuais que o homem é capaz de 
construir. 
Esse é o tema da nossa próxima unidade: cultura visual. 
 
Arte e Educação 
 
62 
Arte e Educação 
 
63 
 
Exercícios –Unidade 2 
 
1- Leia as frases abaixo e assinale a alternativa mais adequada: 
A primeira forma de expressão gráfica infantil é realizada através do 
desenho.Este por sua vez: 
I – desenvolve os esquemas naturais de representação geometrizada. 
II – desenvolve uma linguagem própria, impregnada de significados. 
III - registra seus pensamentos e sentimentos ao representar objetos 
significativos, reais ou imaginários. 
IV – registram todas as suas emoções, suas tristezas e alegrias, dando condições 
ao professor de realizar uma análise precisa de sua personalidade. 
 
a) estão corretas: I, II e III. 
b) estão corretas: II e III. 
c) estão corretas: III e IV. 
d) estão erradas: II e IV. 
e) estão erradas: II, III e IV. 
 
2- O surgimento do grafismo varia de criança para criança. Há um ritmo pessoal 
para a evolução do grafismo, porém características comuns nas representações 
gráficas de todas as crianças determinam fases regulares. Assinale a alternativa que 
identifica corretamente as fases estudadas. 
a) rabiscação, figuração esquemática e figuração realista. 
b) figuração infantil, figuração realista e representação gráfica na adolescência. 
c) rabiscação desordenada, figuração esquemática e realista. 
d) rabiscação, figuração e representação gráfica na adolescência. 
e) rabiscação desordenada, celular e localizada, figuração natural. 
Arte e Educação 
 
64 
 
3- Leia o texto a seguir: 
O espaço é representado de forma ordenada: uma linha para o chão, sobre a 
qual todos os elementos estarão desenhados; é a linha de base. Os desenhos da 
casa, árvore, veículos e pessoas estão apoiados nessa linha. Na parte superior do 
papel a criança desenha o sol, nuvens, elementos que caracterizam o céu. 
A fase do grafismo que apresenta essas características é denominada: 
a) Figuração esquemática. 
b) Figuração realista. 
c) Estilo figurativo. 
d) Desenho esquemático. 
e) Fase dos rabiscos ordenados. 
 
4- Leia as sentenças a seguir e classifique-as como (V) verdadeiras ou (F) falsas. 
I - Na fase inicial da rabiscação a forma é representada geometrizada, com 
esquemas definidos que se repetem. A figura humana, de preferência, é 
representada de frente. ( ) 
II–Nas três primeiras etapas da rabiscação a representação do espaço é 
cinestésica, ou seja, motora. ( ) 
III–Na rabiscação ,acompanhada de fabulação ,a criança emprega a cor para 
distinguir o significado dos rabiscos, porém não há relação com o objeto real que 
ela imagina representar. ( ) 
IV–O uso da cor na fase da rabiscação adquire características mais refinadas, 
com uso de tonalidades, claro-escuro. Representa as texturas dos objetos, dos 
animais, o relevo das montanhas, enfim, alcança um amadurecimento em sua 
expressão gráfica. ( ) 
Arte e Educação 
 
65 
 
Marque a alternativa com a sequência correta: 
a) V, V, F, F 
b) F, V, F, F 
c) F, V, V, F 
d) V, V, V, F 
e) V, V, F, V 
 
5 – Marque a alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase abaixo : 
Alguns estudiosos denominam a última etapa do desenvolvimento do 
grafismo como __________________ nesse momento, nas construções 
predominam as formas ilusórias e naturalistas, com proporcionalidade, utilizam 
métodos de representação ________________. O grafismo pode regredir à fase da 
figuração esquemática; o jovem sente vergonha de suas produções e quando é 
necessário representar algo, recorre às cópias de figuras e _______________ 
 
a) fase realista – imaginária – imagens criativas. 
b) fase da repressão – cartográfico – objetos tridimensionais 
c) fase da interpretação – do mundo real - elementos estereotipados. 
d) fase do pré-realismo - espacial e perspectiva – elementos repressivos. 
e) fase da repressão - espacial e perspectiva - elementos estereotipados. 
 
6- Leia e assinale a afirmativa correta que dá sentido ao texto a seguir: 
O trabalho de estimular e valorizar a atividade criadora não pode ser 
confundido com atividades de lazer, terapia, decoração de murais, pintura de 
desenhos mimeografados e trabalhinhos para atividades comemorativas. 
Arte e Educação 
 
66 
 
a) Essas atividades não são capazes de tratar o ensino de arte como 
conhecimento. 
b) Essas atividades permitem que o ensino de arte seja tratado como objeto do 
conhecimento. 
c) Os trabalhos realizados na escola nunca estão relacionados à construção do 
conhecimento em arte. 
d) Os trabalhos realizados como valorizações da atividade criadora devem estar 
relacionados ao lazer e à terapia, porque este é o objetivo principal do ensino 
de arte na escola. 
e) Não se devem realizar propostas nas escolas que estejam voltadas ao 
desenvolvimento da capacidade criadora, porque os alunos devem ser 
orientados através de regras para formação de atitudes. 
 
7- Identifique as opções corretas e escolha a alternativa adequada à questão: 
Segundo o PCN-Arte, para que as crianças e jovens se desenvolvam com 
liberdade para se expressar, é necessário: 
 
I - que nas escolas a arte também seja importante. 
II - é preciso compreender que todo ser humano tem direito ao acesso a essa 
área do conhecimento. 
III – identificar a área por arte (e não mais por educação artística) 
IV- incluí-la na estrutura curricular como área de conteúdos próprios ligados á 
cultura artística, e não apenas como atividade. 
V- priorizar a transmissão de informações através de atividades mecanicistas, 
pouco reflexivas e questionadoras. 
Arte e Educação 
 
67 
 
a) todas as alternativas estão corretas 
b) I, II, III e IV 
c) II, III e V 
d) I, II, e IV 
e) I, II, IV e V 
 
8- A ação de desenhar na infância pode valorizar a atividade criadora: 
a) Porque os desenhos e pinturas de formas impressas permitem o 
desenvolvimento dos aspectos cognitivos e lógicos, necessários à expressão 
dos conhecimentos de arte. 
b) Com o sentido de realizar testes mentais como o teste da árvore, da figura 
humana, da casa, de animais. 
c) A atividade criadora na infância não é iniciada pela produção de desenhos, 
mas sim através de um constante trabalho de exercícios de “cobrir e pintar 
desenhos”. 
d) Através de um constante trabalho com o desenvolvimento da observação, 
percepção e imaginação. 
e) Não se pode incentivar a atividade criadora em crianças, isso só acontece 
com os que nascem com “dom” artístico. 
 
9 - Considerando a arte como conhecimento, é função da escola introduzir os 
alunos na compreensão das questões de poetizar, fruir e conhecer arte. Descreva 
esses processos. 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________Arte e Educação 
 
68 
 
10 – O que se entende por expressão criadora? 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
 
Arte e Educação 
 
69 
Educação para a 
compreensão da cultura 
visual 
3 
 
Ensino de arte: do tradicional ao contemporâneo. 
Conhecimento artístico: articulação de sentidos. 
Arte e temas transversais. 
Cultura visual 
Currículo e cultura visual. 
O que vem a ser arte-educação? 
O arte-educador ensina? 
Arte e Educação 
 
70 
 
Os elementos da cultura visual, que estão presentes nas representações que o 
homem é capaz de produzir, necessitam de um estudo cuidadoso para que os 
professores se habilitem e trabalhem com os “códigos” da linguagem visual. 
 
Objetivos da unidade: 
 Compreender que a cultura visual é o resultado das representações 
visuais que o homem é capaz de construir e necessita ser explorado 
e levado para a sala de aula, tornando-a parte das experiências e 
práticas cotidianas dos estudantes. 
 Desenvolver estratégias que possibilitem o exercício efetivo da “arte-
educação” como fonte facilitadora da compreensão da cultura visual 
no espaço educacional. 
 
Plano da unidade: 
 Ensino de arte: do tradicional ao contemporâneo. 
 Conhecimento artístico: articulação de sentidos. 
 Arte e temas transversais. 
 Cultura visual 
 Currículo e cultura visual. 
 O que vem a ser arte-educação? 
 O arte-educador ensina? 
 
 
Bons estudos. 
Arte e Educação 
 
71 
 
Ensino de arte: do tradicional ao contemporâneo 
 
Até o século XIX, o ensino de arte baseava-se na imitação e cópia. Isso 
acontecia porque acreditava-se que todo ser humano, ao nascer, era como uma 
tábua rasa e ao longo de seu desenvolvimento os conhecimentos e informações 
eram transmitidos pela educação e instrução. Assim, os estudantes de arte não 
questionavam o uso da imagem e também não se importavam com a apreciação e 
compreensão delas sendo utilizadas como mera ilustração dos textos, geralmente 
com conteúdo moral ou patriota. 
Com a Escola Nova, corrente educacional que direcionou a metodologia de 
ensino-aprendizagem no Brasil nos anos 30, começou-se a questionar alguns 
aspectos do ensino de arte. Nessa época, o uso de imagens não era considerado 
benéfico para o ensino de arte e assim, o uso de modelos e cópias foi banido 
dando lugar às ideias de livre-expressão; a arte não podia ser ensinada, mas sim 
expressada. 
Após o período do Modernismo durante a década de 60, severas críticas 
foram feitas à livre-expressão, pois não preparava as crianças para a compreensão 
do universo visual à sua volta e nem para a compreensão do objeto artístico. 
 
Importante 
O Modernismo no Brasil, movimento que iniciou em 1922, do qual 
participaram vários artistas plásticos e da literatura. Na década de 60, sua influência 
começa a diminuir sobre a produção de arte brasileira. 
 
Assim, durante o período do tecnicismo, a imagem continuou fora das aulas 
de arte. Nas escolas brasileiras predominava o ensino de desenho geométrico e 
não havia ligação com o universo dos conhecimentos de arte. 
Arte e Educação 
 
72 
 
Com a formação das escolinhas de Arte, por volta de 1980, começa-se a 
questionar a situação da educação artística como disciplina. Os professores, agora 
arte-educadores, retornam com a imagem para suas 
aulas, explorando a apreciação estética. Assim com 
embasamento no construtivismo estabelece-se uma 
inter-relação entre arte, educação e sociedade. 
Em 1990, o objetivo do ensino de arte passa a ser a 
formação estética. A Lei de Diretrizes e Bases (no. 9394/96) e os Parâmetros 
Curriculares Nacionais, permitem aos professores maior credibilidade para 
implementar em suas aulas as atuais discussões sobre arte-educação. Mesmo 
assim, após um tempo considerável de livre expressão em arte, muitos professores 
ainda continuam adotando estas práticas, sentindo-se inseguros para trabalharem 
com uma abordagem de desenvolvimento da análise crítica da arte. É necessário 
que os professores se habilitem e trabalhem com os “códigos” da linguagem visual. 
 
Conhecimento artístico: articulação de sentidos 
 
A arte é um conhecimento que permite a aproximação 
entre indivíduos, mesmo os de culturas distintas, pois 
favorece a percepção de semelhanças e diferenças entre 
as culturas expressas nos produtos artísticos e concepções 
estéticas, em um plano diferenciado da informação 
discursiva. Ao observar uma dança indígena, um 
estudante morador da cidade estabelece um contato com 
o índio que pode revelar mais sobre o valor e a extensão 
de seu universo do que apenas uma explanação sobre os 
ritos nas comunidades indígenas. E vice-versa. (PCN-ARTE, 
1998, p.35) 
Apreciação estética: ação 
de criticar e analisar as 
formas artísticas 
Arte e Educação 
 
73 
 
Nessa perspectiva, a arte na escola tem uma função importante a cumprir. Ela 
situa o fazer artístico dos alunos como fato humanizador, cultural e histórico, no 
qual as características da arte podem ser percebidas nos pontos de interação entre 
o fazer artístico dos alunos e o fazer dos artistas de todos os tempos, que sempre 
inauguram formas de tornar presente o inexistente. Não se trata de copiar a 
realidade ou a obra de arte, mas sim de gerar e construir sentidos. Cada obra de 
arte é, ao mesmo tempo, produto cultural de uma determinada época e criação 
singular da imaginação humana, cujo sentido é construído pelos indivíduos a partir 
de sua experiência. 
No convívio com o universo da arte, os alunos podem enfim conhecer: 
 
 o fazer artístico como experiência poética (a técnica e o fazer como 
articulação de significados e experimentação de materiais, suportes 
e instrumentações variados); 
 o fazer artístico como desenvolvimento de potencialidades: 
percepção, intuição, reflexão, investigação, sensibilidade, 
imaginação, curiosidade e flexibilidade; 
 o fazer artístico como experiência de comunicação humana e de 
interações no grupo, na comunidade, na 
localidade e nas culturas; 
 a obra artística como forma sígnica (sua 
estrutura e organização); 
 a obra de arte como produção cultural 
(documento do imaginário humano, sua 
historicidade e sua diversidade). 
Sígnica :simbólico, arte 
entendida através da 
significação das formas, 
dos vários significados que 
podem ser atribuídos a 
uma obra, objeto, etc 
Arte e Educação 
 
74 
 
Arte e temas transversais 
 
Os temas transversais propostos pelo PCN – Arte (1998) permitem que 
professores, e alunos através dos conhecimentos de arte, exercitem a construção 
de uma cidadania ativa, na medida em que a escola abrace e reconheça a 
importância do trabalho realizado com esse objetivo e com esse esforço. 
 
As manifestações artísticas são exemplos vivos da 
diversidade cultural dos povos e expressam a riqueza 
criadora dos artistas de todos os tempos e lugares. Em 
contato com essas produções, o estudante pode exercitar 
suas capacidades cognitivas, sensitivas, afetivas e 
imaginativas, organizadas em torno da aprendizagem 
artística e estética. Ao mesmo tempo, seu corpo se 
movimenta, suas mãos e olhos adquirem habilidades, o 
ouvido e a palavra se aprimoram, quando desenvolve 
atividades em que relações interpessoais perpassam o 
convívio social o tempo todo. Muitos trabalhos de arte 
expressam questões humanas fundamentais:falam de 
problemas sociais e políticos, de relações humanas, de 
sonhos, medos, perguntas e inquietações de 
artistas,documentam fatos históricos, manifestações 
culturais particulares e assim por diante. Nesse sentido, 
podem contribuir para a contextualização dos Temas 
Transversais, propiciando uma aprendizagem alicerçada 
pelo testemunho vivo de seres humanos que 
transformaram tais questões em produtos de arte. 
(Ibid.,p.37) 
 
A área de arte contribui, portanto, para ampliar o entendimento e a atuação 
dos alunos ante os problemas vitais que estão presentes na sociedade de nossos 
dias. 
Arte e Educação 
 
75 
 
Tais problemas referem-se às ações de todas as pessoas para garantir a 
efetivação de uma cidadania ativa e participante na complexa construção de uma 
sociedade democrática que envolve, entre outras, as práticas artísticas. 
 
“A arte na escola constitui uma possibilidade para os 
alunos exercitarem suas corresponsabilidades pelos 
destinos de uma vida cultural individual e coletiva mais 
digna, sem exclusão de pessoas por preconceitos de 
qualquer ordem”. (Ibid.,p.38) 
 
Cultura visual 
 
 
O ensino de arte se torna mais abrangente quando utiliza 
representações visuais, pois elas permitem a 
aprendizagem de tudo o que os textos escritos não 
conseguem revelar. Com base nisso, alguns pesquisadores 
norte-americanos, nos anos 1990, passaram a estudar a 
ligação da Arte com a Antropologia. Esses estudos 
ganharam o nome de cultura visual e hoje envolvem 
também arquitetura, sociologia, psicologia, filosofia, 
estética, semiótica, religião e história. Fernando 
Hernandez é hoje um dos principais pesquisadores desse 
assunto. Ele destaca que estamos imersos numa 
avalanche de imagens e que é preciso aprender a lê-las e 
interpretá-las para compreender e dar sentido ao mundo 
em que vivemos. Assim, crianças e adolescentes serão 
capazes de analisar os significados da imagem, os motivos 
que levaram à sua realização, como se insere na cultura da 
época, como é consumida pela sociedade e as técnicas 
utilizadas pelo autor. Na escola, isso significa que o ensino 
de arte ganha uma perspectiva mais profunda. De 
conhecedor de artistas e estilos, o aluno passa a ser leitor, 
intérprete e crítico de todas as imagens presentes em seu 
cotidiano. (PAOLA. Revista Nova Escola, Abril 2003.p.45). 
Arte e Educação 
 
76 
 
IMPORTANTE 
Fernando Hernandez é doutor em Psicologia e professor de História 
da Educação Artística e Psicologia da Arte na Universidade de Barcelona. 
Nasceu em 1952. 
 
Despertar o olhar curioso dos alunos para desvendar, questionar e produzir 
sentido frente à avalanche de imagens que fazem parte do universo visual é o 
grande desafio do momento. 
Imagine que, ao sair de casa, seu olhar é provocado por diversos elementos: da 
natureza: árvores, flores, pássaros, mar, rio, de propaganda, outdoors, televisão, 
internet, video-clips, revistas, jornais, pichações, modelos diversos de veículos, 
construções urbanas. Não tem como ficar alheio a tudo isso. São registros visuais 
que vão ficando em nossa mente, desde o modo de se vestir, pentear o cabelo, 
usar acessórios no corpo, marcá-lo com tatuagens, enfim, todos esses elementos 
fazem parte do que chamamos de cultura visual. 
Esse novo campo de estudo – a cultura visual, é o resultado das 
representações visuais que o homem é capaz de construir. Necessita ser explorado 
e levado para a sala de aula, tornando-o parte das experiências e práticas 
cotidianas dos estudantes. 
Ao tomar consciência desse modo de interpretar a cultura de sua época, de 
tomar contato com a de outros povos, de conhecer melhor a sociedade em que 
vive, o aluno terá condições para descobrir as próprias concepções e emoções ao 
apreciar uma imagem. Para tanto, cabe ao professor desenvolver um trabalho 
constante de “alfabetização visual”, uma prática que tem muito a ensinar a abrir 
possibilidades às crianças e jovens para compreender, saber criticar e saber fazer 
escolhas conscientes. Em muitas universidades, os departamentos de história da 
arte foram rebatizados como de “cultura visual” com o objetivo de atender as 
mudanças do mundo. 
Arte e Educação 
 
77 
 
(...) aborda-se como objeto de estudo e pesquisa 
“artefatos” como os anúncios, os objetos de desenho, a 
moda, os filmes, os grafitti, as fotografias, as 
apresentações de rock/pop, a televisão, a realidade virtual, 
as redes, as imagens digitais, além das artes tradicionais 
como a pintura, a arquitetura ou a escultura (HERNANDEZ 
2000, p. 136). 
 
O autor, em relação a essa multiplicidade e variedade de artefatos, ressalta que 
não devemos deixar de nos colocar “de sobreaviso diante da tentação de 
homogeneidade e do vale-tudo (...) cada manifestação cultural, cada arte e cada 
meio tem algumas características e uma história, e, atualmente a cultura é cada vez 
mais híbrida” (HERNANDEZ, 2000, loc. cit.).No sentido de uma cultura mestiça, que 
sofre muitas influências o que permite uma imprecisão na identificação dos novos 
“objetos” da cultura visual. 
Considerando o que foi dito até aqui sobre educação para compreensão da 
cultura visual, o mais importante é garantir que esse estudo esteja presente em 
todas as áreas do currículo. Que se possa explorar como o quanto cada indivíduo 
constrói da realidade, respeitando suas características sociais, culturais e históricas. 
Pensando assim, é possível entender que, diante da cultura visual, não há 
receptores nem leitores, mas construtores e intérpretes na medida em que a 
apropriação não é passiva nem dependente, mas interativa e de acordo com as 
experiências que cada indivíduo tenha vivenciado fora da escola. Nesse sentido, a 
cultura visual tem uma importância expressiva: ser uma ponte entre os campos de 
saberes ao permitir conectar e relacionar para compreender e aprender. Assim, 
transferir o universo visual de fora da escola (do aparelho de vídeo, dos videoclipes, 
das capas de CD, da publicidade, até a moda e o ciberespaço, etc) através da 
aprendizagem e de estratégias para decodificá-lo, reinterpretá-lo e transformá-lo 
na escola. 
Arte e Educação 
 
78 
 
Currículo e cultura visual 
 
Para a organização de um currículo, devemos considerar que não se pode 
propor uma maneira única de organização do conhecimento, visto que não há uma 
regra universal que dê conta dessa ordenação. Então, precisamos levar em 
consideração as mudanças da sociedade atual e também mudanças que permeiam 
as decisões sobre o quê ensinar e como ensinar. Diante disso, enumeramos 
algumas dessas mudanças que afetam a vida das pessoas na atualidade: 
 
A expansão cada vez mais global, da informação e das 
fontes de conhecimento; 
As mudanças crescentes no mundo e nas formas de 
entendê-lo, devido à compreensão das tecnologias do 
espaço e do tempo, o que supõe uma ameaça á 
estabilidade e permanência de nosso conhecimento, 
tornando-os frágeis e provisórios. 
O contato crescente entre indivíduos, crenças e culturas 
devido às migrações e às facilidades para as viagens. 
A relação mais forte e interativa entre pesquisa e 
desenvolvimento social devido à rapidez das 
comunicações e à reorientação e desenvolvimento 
constante do conhecimento (Ibid., p. 137) 
 
Sabemos que essas mudanças têm afetado sobremaneira a forma de ensinar e 
aprender nas escolas. Um desafio que os professores têm que enfrentar em sala de 
aula é comprometerem-se com as imagens e com a tecnologia do mundo pós-
modernos sem rejeitar a análise cultural, o juízo moral e a reflexão que essas 
imagens ameaçam implantar na atualidade. 
Arte e Educação 
 
79 
 
Com intenção de dar conta desses desafios, apresentamos algumas estratégias 
para compreensão dos elementos da cultura visual, que podem ser trabalhados 
pelos professores com seus alunos.Segundo Hernandez (2000) essas estratégias 
podem ser: 
 
- Descritivas – o que vemos,o que representa e o que representamos. 
- Analíticas – que componentes ou elementos configuram o processo de 
representação? 
- Interpretativas – dizem respeito à produção de significados relacionados 
com outras imagens e disciplinas vinculadas à cultura visual. 
- Críticas – são estratégias formuladas a partir da valorização fundamentada 
pelas próprias produções e pela dos outros. Essas críticas são baseadas em 
argumentos fundamentados com a finalidade de formular novos problemas e 
possibilidades de representação e interpretação. 
 
A partir do que foi explicado, é possível elaborar um currículo de educação 
para a compreensão da cultura visual respondendo às seguintes perguntas: 
 
 Que tipo de relações podem ser estabelecidas entre essas 
manifestações, seus significados e a cultura? 
 Como os significados culturais podem ser mediados através de 
diferentes representações gráficas? (desde as ilustrações dos 
denominados livros infantis às páginas da Web) 
Arte e Educação 
 
80 
 
Para tentar responder a essas questões segundo Hernandez (2000, p.14) 
 
- currículo de educação para a compreensão da cultura 
visual aborde as imagens como representações 
sociais: 
- Transdisciplinar mente. 
- Baseando-se nas características evolutivas, sociais e 
culturais dos estudantes; 
- estabelecendo conexões interculturais; 
- partindo de uma posição social crítica. 
 
Sendo assim, apresentamos algumas características que podem ajudar o 
professor na escolha dessas representações: 
1 - Ser inquietantes. 
2 - Estar relacionadas com valores compartilhados 
em diferentes culturas. 
3 - Refletir as vozes da comunidade. 
4 - Estar abertas a múltiplas interpretações. 
5 - Referir-se às vidas das pessoas. 
6 - Expressar valores estéticos. 
7 - Fazer com que o expectador pense. 
8 - Não ser herméticas. 
9 - Não ser apenas a expressão do narcisismo do 
artista. 
10 - Olhar para o futuro. 
11-Não estar obcecadas pela ideia de novidade. 
(Idib.p.138). 
Arte e Educação 
 
81 
 
 
 
Com essa proposta, é possível desenvolver um trabalho com os estudantes 
através de obras de arte contemporânea, imagens publicitárias, representações 
virtuais e outras representações da cultura popular. São estratégias que permitem 
ao professor agir em sala de aula valorizando os elementos da cultura visual da 
comunidade com a qual está atuando sem deixar de lado o conhecimento dos 
conteúdos de arte necessários à formação integral do aluno. 
 
O que vem a ser Arte-Educação? 
 
 
O conhecimento nas artes visuais se organiza 
inter-relacionando o fazer artístico, a apreciação da 
arte e sua história. Nenhuma das três áreas sozinha 
corresponde à epistemologia da arte. O 
conhecimento em arte se dá na interseção da 
experimentação, da decodificação e da informação. 
Epistemologia – é o ramo da 
filosofia que estuda a origem, 
a estrutura, os métodos e a 
validade do conhecimento, 
também designada por 
filosofia do conhecimento. 
Arte e Educação 
 
82 
 
 
 
Para entender o significado dessa expressão que vem sendo apresentada 
desde o início de nosso estudo recorreremos a seguinte definição: “Arte-educação 
é uma certa epistemologia da arte como pressuposto e como meio são os modos 
de inter-relacionamento entre a arte e o público, ou melhor, a intermediação entre 
o objeto de arte e o apreciador.” (BARBOSA,1999, p. 31) 
A autora nos apresenta uma distinção entre: 
- arte-educação como investigação dos modos pelos quais se aprende arte – 
que se refere aos procedimentos de aprendizagem em arte; 
- arte-educação como facilitadora entre a arte e o público – que pode ser 
entendida como elemento de mediação entre o objeto de estudo da arte e o 
apreciador. 
Arte e Educação 
 
83 
 
Ressalta a autora que os dois aspectos não podem ser separados, que deve 
haver uma inter-relação entre história da arte, leitura da obra de arte e fazer 
artístico. 
A aprendizagem em arte está assim diretamente vinculada ao fazer consciente 
e informado. Toda proposta que pretende estar dentro dos parâmetros da arte-
educação deve estar assim estruturada. 
Como já foi dito, o ensino de arte na escola, não tem como objetivo formar 
artistas, mas principalmente formar o conhecedor, fruidor, decodificador da 
obra de arte. Para que uma sociedade seja capaz de compreender uma produção 
de arte de qualidade, é necessário que o público seja capaz de entender essa 
produção. 
Em nosso país encontramos uma disparidade ao constatar que só uma 
pequena minoria de nossa população tem acesso à cultura, e, portanto, capacidade 
para apreciar e usufruir da experiência estética. 
Sendo assim, é na escola que vamos encontrar o espaço ideal para oferecer 
acesso à arte. Considerando que o desenvolvimento cultural de um país está 
diretamente ligado ao desenvolvimento artístico, e que: 
 
(...) sem conhecimento de arte e história não é possível a 
consciência de identidade nacional. A escola seria o lugar 
em que se poderia exercer o princípio democrático de 
acesso à informação e formação estética de todas as 
classes sociais, propiciando-se na multiculturalidade 
brasileira uma aproximação de códigos culturais de 
diferentes grupos. (Ibid, p.33) 
 
Entendendo assim, a arte-educação pode ser 
exercida nos diferentes espaços de interlocução dos 
conhecimentos de arte. Os currículos e conteúdos da 
escola necessitam estar em sintonia com a magia do 
fazer, com a leitura desse fazer e dos fazeres de artistas 
populares e eruditos, e da contextualização destes 
artistas no seu tempo e no seu espaço. 
Interlocução: conversação, 
diálogo entre os 
conhecimentos. 
Arte e Educação 
 
84 
 
O Arte-Educador ensina? 
 
Como vimos em nosso estudo sobre a evolução do ensino de arte no Brasil, 
copiar formas, decorar textos, fazer trabalhos de arte, têm apresentado resultados 
desvinculados dos conhecimentos dos conteúdos da arte. Essas ações não 
estabelecem uma ponte com o pensar, refletir e conhecer arte. São conteúdos 
momentâneos, muitas vezes mecânicos, que são esquecidos facilmente, porque 
não estão baseados em experiências vividas, espontâneas, ricas de significado. 
O arte-educador é aquele que, capacitado, consciente de seu papel e da 
importância de suas ações pedagógicas, se torna um grande pesquisador e 
provocador de ideias. É através de uma espécie de magia, de energia interior que 
transborda a necessidade de compartilhar o saber e o conhecimento adquirido, de 
sentar junto, de falar e ouvir o outro, que o diálogo da arte-educação pode 
acontecer. 
É esse professor que fará a grande diferença: despertar crianças, jovens e 
adultos para serem sensíveis, observadores, fruidores, conhecedores de arte e 
também capazes de compartilhar a alegria e o prazer de realizar produções 
artísticas de qualidade. O conhecimento do professor não pode ser confinado ao 
espaço de uma sala de aula, não pode estar contido nas dimensões de um quadro 
de giz, nem limitado ao lápis e ao papel. Por outro lado, os alunos também não 
podem ser tratados como seres vazios, desprovidos de emoções, de discernimento 
sobre tudo o que os rodeia; não podem ser tratados como uma tábua rasa – sem 
conhecimento. Cada um traz suas experiências, suas riquezas pessoais. 
A articulação entre os diferentes conhecimentos trazidos pelos alunos, da 
cultura local, das experiências vividas, permite que o professor possa ser o grande 
mediador, entrelaçando esses conhecimentos com os conteúdos de arte e 
realizando uma grande transformação: a aprendizagem significativa. 
Pensando assim, como poderemos responder à pergunta inicial? O arte - 
educador ensina? 
Arte e Educação 
 
85 
 
O estudo dessa unidade nos levou a refletir sobre: 
Considerar a cultura visual como o resultado das representações visuais que o 
homem é capaz de construir; 
A necessidade de realizar produções em a sala de aula, tornando-as parte das 
experiênciase práticas cotidianas dos estudantes. 
Inclusão dos Temas Transversais propostos pelo PCN – Arte para que os 
alunos, através dos conhecimentos dessa área exercitem a construção de uma 
cidadania ativa. 
Desenvolver estratégias que possibilitem o exercício efetivo da “arte-
educação” como fonte facilitadora da compreensão da cultura visual no espaço 
educacional. 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
Faça leituras complementares. Ler obras originais enriquecem o 
repertório cultural e ampliam o conhecimento sobre o estudo que estamos 
realizando. Veja as leituras sugeridas para essa unidade: 
 
BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. São Paulo. Perspectiva, 
1999. 
_________________. Teoria e prática da educação artística. São Paulo, Cultrix, 
1975. 
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares 
Nacionais – Arte. Secretaria do Ensino Fundamental/SEF, 1998. 
HERNANDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de 
trabalho . Porto Alegre. Artes Médicas Sul, 2000. 
MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias; PICOSQUE Gisa; GUERRA M. Terezinha 
Telles. Didática do ensino de arte: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo. 
FTD, 1998. 
Arte e Educação 
 
86 
 
É HORA DE SE AVALIAR 
Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo, elas irão 
ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de 
ensino-aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as 
envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
 
Você sabe que o homem é capaz de se comunicar através de suas ideias, 
palavras, cores, texturas, sons, gestos, movimentos e cheiros? É o que vamos 
descobrir em nossa próxima unidade. E como trabalhar com essas linguagens 
expressivas na escola. 
Arte e Educação 
 
87 
 
Exercícios – Unidade 3 
 
1 - A partir da formação das Escolinhas de Arte nos anos 80, a disciplina “Educação 
Artística” começou a ser questionada nas aulas de arte. Assinale a alternativa que 
identifica as mudanças ocorridas nesse momento: 
a) o ensino de arte passou a ser realizado através da cópia de imagens. 
b) os arte-educadores retornam com as imagens para as aulas de arte, 
utilizando-as para “apreciação estética”. 
c) nessa época, o uso de imagens não era considerado benéfico para o ensino 
de arte por isso, o uso de modelos e cópias foi banido, dando lugar às ideias e 
a livre-expressão. 
d) a apreciação e compreensão de imagens serviam como mera ilustração dos 
textos, geralmente com conteúdo moral ou patriota. 
e) nas escolas brasileiras predominava o ensino de desenho geométrico e não 
havia ligação com o universo dos conhecimentos de arte. 
 
2 – Leia o trecho abaixo. 
“A arte é um conhecimento que permite a aproximação entre indivíduos, 
mesmo os de culturas distintas, pois favorece a percepção de semelhanças e 
diferenças entre as culturas, expressas nos produtos artísticos e concepções 
estéticas, em um plano diferenciado da informação discursiva”. (PCN Arte, 2008) 
Com base do trecho acima, responda qual é o papel da Arte na escola? 
a) Despertar o olhar curioso dos alunos para desvendar, questionar e produzir 
imagens que fazem parte da sua imaginação. 
b) Situar o fazer artístico como elemento direcionador das atividades lúdicas, 
recreativas sem deixar de contemplar os aspectos lógicos. 
c) Situar o fazer artístico dos alunos como fato humanizador, cultural e histórico, 
no qual as características da arte podem ser percebidas nos pontos de 
Arte e Educação 
 
88 
interação entre o fazer artístico dos alunos e o fazer dos artistas de todos os 
tempos, que sempre inauguram formas de tornar presente o inexistente. Não 
se trata de copiar a realidade ou a obra de arte, mas sim de gerar e construir 
sentidos. 
d) Exercitar o aluno para o desenvolvimento de suas capacidades culturais e 
históricas, com o objetivo que ele seja capaz de reproduzir imagens, textos, 
gestos com referencial próprio, ou seja, com identidade. 
e) Acompanhar o desenvolvimento do grafismo desde a infância à 
adolescência, através de um minucioso estudo de suas produções artísticas. 
Ao copiar a realidade, o aluno poderá gerar e construir conhecimentos em 
arte. 
 
3 - Identifique as opções corretas e escolha a alternativa adequada à questão: 
 “Segundo Fernando Hernández, estamos imersos numa avalanche de 
imagens e que é preciso aprender a lê-las e interpretá-las para compreender e dar 
sentido ao mundo em que vivemos.” (PAOLA. Revista Nova Escola, Abril 2003. p.45). 
Assim, crianças e adolescentes serão capazes de: 
I - Analisar os significados da imagem, os motivos que levaram à sua 
realização, como se insere na cultura da época, como é consumida pela sociedade 
e as técnicas utilizadas pelo autor. 
II - Aprender a realizar pesquisas com a finalidade de identificar o nome e a 
biografia do autor das imagens e realizar uma profunda investigação nos modos de 
pensar e agir desse artista. 
III - Encontrar ferramentas e meios diversos, sejam eles digitais ou pictóricos, 
de utilizar as imagens para reproduzir e ilustrar seus espaços e ambientes de 
convivência social. 
IV - Despertar o olhar curioso para desvendar, questionar e produzir sentido 
frente à avalanche de imagens que fazem parte do universo visual. 
V - Passar de conhecedor de artistas e estilos, a leitor, intérprete e crítico de 
todas as imagens presentes em seu cotidiano. 
Arte e Educação 
 
89 
 
a) I, II e IV 
b) I, II e III 
c) II e IV 
d) II e III 
e) I, IV e V 
 
4 - Leia com atenção o texto a seguir e assinale a alternativa que preenche 
corretamente as lacunas: 
Os Temas Transversais propostos pelo PCN – Arte (1998) permitem que 
professorese alunos através ______________________, exercitem a construção de 
uma _______________, na medida em que a escola _________________ 
importância do trabalho realizado com esse objetivo, com esse esforço. 
 
a) do desenvolvimento de habilidades - capacitação motora – reconheça a 
b) do estudo de desenho geométrico – cidadania ativa – estabeleça a 
c) dos conhecimentos de arte – da capacitação ativa – exija essas medidas pela 
d) dos conhecimentos de arte - cidadania ativa - abrace e reconheça a 
e) dos objetivos operacionais – aprendizagem motora – se identifique com 
 
5 – Identifique com V (verdadeiras) ou F (falsas) as sentenças a seguir. 
I - Diante da cultura visual, não há receptores nem leitores, mas construtores e 
intérpretes na medida em que a apropriação não é passiva nem dependente, mas 
interativa e de acordo com as experiências que cada indivíduo tenha vivenciado 
fora da escola. ( ) 
Arte e Educação 
 
90 
 
II - A cultura visual tem uma importância expressiva por ser uma ponte entre 
os campos de saberes ao permitir conectar e relacionar para compreender e 
aprender. ( ) 
III - A cultura visual é percebida através dos receptores e leitores, que 
estabelecem a medida da apropriação visual de acordo com as experiências que 
cada indivíduo tenha vivenciado dentro da escola. ( ) 
Marque a alternativa correta: 
a) V – V - F 
b) F – V - V 
c) V – V - V 
d) V – F - V 
e) F – F - V 
 
6 - O objetivo principal do ensino de arte na escola é: 
a) Formar artistas capazes de conhecer, fruir e decodificador a obra de arte 
dentro e fora da escola. 
b) Ativar o potencial perceptivo do aluno para se transformar em crítico de 
obras de arte em museus, galerias, teatros e centros culturais. 
c) Formar principalmente o conhecedor, fruidor, decodificador da obra de arte, 
não um artista, mas que o aluno seja capaz de entender uma produção de arte de 
qualidade. 
d) Descobrir o “dom artístico” presente em todas as pessoas desde a infância, 
potencializando suas capacidades para torná-los artistas no futuro. 
e) Que o aluno possa experimentar e produzir obras de arte que tenham 
reconhecimento na sociedade contemporânea.Arte e Educação 
 
91 
 
7- O conhecimento nas artes visuais se organiza inter-relacionando: 
a) a magia, a energia interior e a necessidade de compartilhar o saber. 
b) as atividades artísticas realizadas na escola com os elementos compartilhados 
na mídia. 
c) o fazer artístico, a apreciação da arte e a história da arte. 
d) o diálogo da arte-educação com o improvável, ou seja, com a incerteza do 
que pode acontecer. 
e) o conhecimento adquirido e o conhecimento construído. 
 
8 – Assinale o que se pede. 
Como a arte-educadora Ana Mae Barbosa distingue: 
I - “arte-educação como investigação dos modos pelos quais se aprende arte.” 
II-“arte-educação como facilitadora entre a arte e o público?” 
 
Marque a alternativa correta: 
a) A afirmação I - se refere aos procedimentos de aprendizagem em arte e, a 
afirmação II – como elemento de conhecimento cognitivo. 
b) A afirmação I - se refere aos procedimentos de aprendizagem em arte e, a 
afirmação II - como elemento de mediação entre o objeto de estudo da arte e o 
apreciador. 
c) A afirmação I - – trata a arte como objeto e, a afirmação II - trata a arte como 
estudo científico. 
d) A afirmação I - como elemento de mediação entre o objeto de estudo da 
arte e o apreciador e, a afirmação II - se refere aos procedimentos materiais tais 
como suportes, tintas, recorte e colagem entre outros. 
e) A afirmação I - trata a arte como estudo científico e, a afirmação II - trata a 
arte como objeto. 
Arte e Educação 
 
92 
 
9 – Com base nos estudos realizados nessa unidade, apresente os aspectos 
importantes que devem fazer parte dos currículos de educação para a 
compreensão da cultura visual que abordem as imagens como representações 
sociais. 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
 
10 – Como a arte-educação é entendida sobre o ponto de vista de Ana Mae 
Barbosa? 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
Arte e Educação 
 
93 
 
As Linguagens da Arte 4 
 
A magia das linguagens. 
Conhecendo a linguagem do teatro. 
Conhecendo a linguagem da música. 
Conhecendo a linguagem visual. 
Linguagens da arte – espaço de entrelaçamento. 
Avaliação nas aulas de arte. 
Arte-educação e projetos. 
Arte e Educação 
 
94 
 
Nessa unidade, vamos interagir com as linguagens da arte. Compreender 
como através da percepção das cores, dos sons, dos gestos e do movimento 
corporal, somos capazes de inventar e ler o mundo. Entraremos em contato com 
propostas desafiadoras que facilitam a construção dos conhecimentos de Arte. 
 
Objetivos da unidade: 
 Identificar e interagir com as quatro linguagens da arte como 
exercício da cidadania. 
 Compreender que a aprendizagem em arte só é significativa quando 
o objeto de conhecimento é a própria arte. 
 Entender que o conhecimento de cada linguagem do aprendiz 
revela suas ideias e sentimentos. 
 Propor ações desafiadoras de aprendizagem em arte através de 
projetos. 
 
Plano da unidade: 
 A magia das linguagens. 
 Conhecendo a linguagem do teatro. 
 Conhecendo a linguagem da música. 
 Conhecendo a linguagem visual. 
 Linguagens da arte – espaço de entrelaçamento. 
 Avaliação nas aulas de arte. 
 Arte-educação e projetos. 
 
Bons estudos. 
Arte e Educação 
 
95 
 
A magia das linguagens 
 
A capacidade de inventar do homem, suas experiências, descobertas, intuições 
e sua imaginação refletem em suas produções. Quando o homem externaliza suas 
ideias, cria-se uma forma de comunicação com o mundo que denominam-se em 
linguagens expressivas – as linguagens da arte. Essas linguagens, interpretadas 
através de diferentes códigos, estão classificadas nas seguintes categorias: visual, 
musical, cênica, da dança, cinematográfica entre outras. Simplificando: “A arte é 
uma forma de criação de linguagens.” (Martins, 1998). 
É através dessa magia das linguagens que se desenvolvem as capacidades de 
interagir com cores, sons, gestos, movimentos corporais, percepção da textura dos 
materiais e os cheiros, assim, expressar uma forma de perceber o mundo. As 
linguagens da arte permitem uma infinidade de modos de inventar e ler o mundo. 
As aulas de Arte devem contemplar atividades das quatro linguagens: artes 
visuais, teatro, música e dança, na produção de arte e no contato com o patrimônio 
artístico, exercitando a cidadania cultural com qualidade. Segundo o PCN, 
encontramos: 
 
O aluno poderá desenvolver seu conhecimento 
estético e competência artística nas diversas linguagens da 
área de Arte (Artes Visuais, Dança, Música, Teatro), tanto 
para produzir trabalhos pessoais e grupais como para que 
possa, progressivamente, apreciar, desfrutar, valorizar e 
emitir juízo sobre os bens artísticos de distintos povos e 
culturas produzidos ao longo da história e na 
contemporaneidade. (PCN -Artes 1998, p.48) 
 
Para a aprendizagem do conhecimento de arte no ensino fundamental, o PCN-
Arte (1998) propõe os seguintes objetivos: 
Arte e Educação 
 
96 
 
Experimentar e explorar as possibilidades de cada 
linguagem artística; 
Compreender e utilizar a arte como linguagem, 
mantendo uma atitude de busca pessoal e/ou coletiva, 
articulando a percepção, a imaginação, a emoção, a 
investigação, a sensibilidade e a reflexão ao realizar e fruir 
produções artísticas; 
Experimentar e conhecer materiais, instrumentos e 
procedimentos artísticos diversos em arte (Artes Visuais, 
Dança, Música, Teatro), de modo que os utilize nos 
trabalhos pessoais, identifique-os e interprete-os na 
apreciação e contextualize-os culturalmente; 
Construir uma relação de autoconfiança com a 
produção artística pessoal e conhecimento estético, 
respeitando a própria produção e a dos colegas, sabendo 
receber e elaborar críticas; 
Identificar, relacionar e compreender a arte como fato 
histórico contextualizado nas diversas culturas, 
conhecendo, respeitando e podendo observar as 
produções presentes no entorno, assim como as demais do 
patrimônio cultural e do universo natural, identificando a 
existência de diferenças nos padrões artísticos e estéticos 
de diferentes grupos culturais; 
Observar as relações entre a arte e a realidade, 
refletindo, investigando, indagando, com interesse e 
curiosidade, exercitando a discussão, a sensibilidade, 
argumentando e apreciando arte de modo sensível; 
Identificar, relacionar e compreender diferentes 
funções da arte, do trabalho e da produção dos artistas; 
 
Identificar, investigar e organizar informações sobre a 
arte, reconhecendo e compreendendo a variedade dos 
produtos artísticos e concepções estéticas presentes na 
história das diferentes culturas e etnias; 
Pesquisar e saber organizar informações sobre a arte 
em contato com artistas, obras de arte, fontes de 
comunicação e informação. 
Arte e Educação 
 
97 
 
Considerando os objetivos apresentados, o ensino de arte se torna uma 
proposta extremamente complexa para o professor. Mas, é importante ressaltar 
que, mesmo assim, a arte na escola não tem como objetivo formar artistas. O quese pretende “é formar o conhecedor, fruidor, decodificador da obra de arte. Uma 
sociedade só é artísticamente desenvolvida quando ao lado de uma produção 
artística de alta qualidade há também uma alta capacidade de entendimento desta 
produção.” (BARBOSA, 1999, p.32). 
 
Ensino de Arte – Experiência significativa 
 
As verdadeiras experiências com arte na escola são aquelas que vão levar o 
aprendiz a revelar suas ideias, seus pensamentos, ampliando sua percepção para 
receber as informações externas e a leitura de mundo. Para isso, o fazer artístico 
necessita ser impregnado de propostas e desafios estéticos que proporcionem 
experiências sensíveis e cognitivas capazes de evocar formas expressivas 
percebidas como imagem sonora, gestual ou visual concretizando-as. 
 
(...) uma aprendizagem em arte só é significativa 
quando o objeto de conhecimento é a própria arte, 
levando o aprendiz a saber manejar e conhecer a gramática 
específica de cada linguagem que adquire corporalidade 
por meio de diferentes recursos, técnicas e instrumentos 
que lhe são peculiares. (MARTINS, 1998, p.131) 
 
A gramática da linguagem da arte é a ferramenta reveladora do fazer 
artístico. Através do conhecimento de cada linguagem o aprendiz revela suas 
ideias e sentimentos. Nosso próximo passo é conhecer essa gramática expressas 
nas linguagens artísticas para saber despertar o potencial criador que cada 
aprendiz possui. 
Arte e Educação 
 
98 
 
Conhecendo a linguagem da dança 
 
“A linguagem da dança é um pensamento cinestésico, 
ou seja, um pensar em termos de movimento, que se 
executa como emoção física, impulsionado pelas sensações 
musculares e articulações do corpo.” (Ibid. p.138). 
 
A construção do conhecimento em dança precisa ser encarada como uma 
oportunidade para a apropriação crítica, consciente e transformadora dos seus 
conteúdos específicos. Com isso, esses conteúdos tornam-se elementos essenciais 
para a educação do ser social que vive em uma cultura plural e multifacetada como 
a nossa. 
A escola pode desempenhar papel importante na 
educação da expressão corporal e do processo 
interpretativo e criativo de dança, pois dará aos alunos 
subsídios para melhor compreender, desvelar, desconstruir, 
revelar e, se for o caso, transformar as relações que se 
estabelecem entre corpo, dança e sociedade. (PCN-Artes, 
1998.p.70) 
 
A linguagem da dança, como as demais linguagens da arte, não pode estar 
associada à reprodução e à imitação. Muitas vezes é encarada como puro 
divertimento, desprovida de conteúdos e de mensagens culturais, assim a dança 
fica relegada, na grande maioria dos casos a festas e comemorações, ou à imitação 
de modelos televisivos. 
Não é qualquer conteúdo na área de Dança que se presta a estabelecer 
relações com os conteúdos específicos dessa linguagem. Tem-se necessidade 
também estabelecer direcionamentos didáticos compromissados com a realidade 
social e cultural nacional que contribuam para a formação ética e cidadã do 
aprendiz. 
Arte e Educação 
 
99 
 
Realizar danças folclóricas sem conexão com os conteúdos de dança, pode ser 
tão alienante e opressor como os ensaios repetitivos de um balé clássico. Do 
mesmo modo, a dança chamada “criativa” ou “educativa” pode frequentemente 
ignorar os conteúdos socioafetivos e culturais presentes tanto nos corpos como 
nas escolhas de movimentos, coreografias e/ou repertórios. Nesses casos, eximem 
os professores de qualquer intervenção para que a dança possa ser dançada, vista e 
compreendida de maneira crítica e construtiva. 
Nas escolas a aprendizagem da linguagem da dança permite: 
 
Construir uma relação de cooperação, respeito, 
diálogo e valorização das diversas escolhas e possibilidades 
de interpretação e de criação em dança que ocorrem em 
sala de aula e na sociedade; 
Aperfeiçoar a capacidade de discriminação verbal, 
visual e cinestésica e de preparo corporal adequado em 
relação às danças criadas, interpretadas e assistidas; 
Situar e compreender as relações entre corpo, dança e 
sociedade, principalmente no que diz respeito ao diálogo 
entre a tradição e a sociedade contemporânea; 
Buscar e saber organizar, registrar e documentar 
informações sobre dança em contato com artistas, 
documentos, livros etc., relacionando-os a suas próprias 
experiências pessoais como criadores, intérpretes e 
apreciadores de dança. 
Desenvolver a improvisação, a composição 
coreográfica, a interpretação de repertórios de diferentes 
épocas, localidades e estilos. (Ibid., p.74) 
 
Para que o desenvolvimento da linguagem da dança possa contemplar os 
aspectos citados, é importante que os estudantes tenham acesso a espetáculos, 
além de contar com o apoio de profissionais especializados nesse campo do 
conhecimento. A escola também deve se conscientizar da importância e da 
necessidade de oferecer em seu currículo a arte do movimento – a dança. 
Arte e Educação 
 
100 
 
Dança: arte-expressão do corpo 
 
Dançar é falar com o corpo, uma linguagem que se expressa através de gestos, 
movimentos, ritmos, pensamento corporal. Um conjunto 
de ideias, uma composição cinestésica que comunica 
imagens, sensações, sentimentos e emoções. 
A dança, como as demais linguagens da arte, 
também explora o aspecto sensível, por isso está diretamente ligada à expressão 
estética e plástica. Ao assistirmos a espetáculos de dança nos emocionamos, sejam 
de danças populares, de rua, clássicas e como não lembrar do samba e seu grande 
espetáculo o carnaval brasileiro? A dança estimula a percepção sensorial através de 
ritmo, sonoridade, visão e movimento. Mas, afinal, como a dança pode ser inserida 
nos conteúdos de arte? 
É importante ressaltar que a linguagem da dança inserida adequadamente no 
conteúdo escolar não pretende formar bailarinos; antes disso, consiste em 
proporcionar ao aluno um contato mais efetivo e intimista com a possibilidade de 
se expressar criativamente através do movimento. Nesse contexto, necessita estar 
voltada para os conteúdos específicos dessa área do conhecimento. 
A dança na escola não deve ser vista como a arte do espetáculo, e sim como 
educação através da arte, para tanto, é importante: 
 
Cinestésica : composição 
com dança, movimento do 
corpo. 
Arte e Educação 
 
101 
 
A (re) descoberta do movimento como expressão 
criativa e participativa nos momentos da vida (construção 
da auto-estima, da consciência e harmonia corporais), 
vivendo o corpo de uma maneira mais satisfatória e 
gostando de se expressar através dele. 
A defesa a favor da Dança –e da arte – já a partir da 
infância, como uma forma de despertar a responsabilidade 
dos seres em relação ao próprio corpo, à procura de um 
melhor modo de viver. 
Dançar brincando, com liberdade e prazer, sem o 
aprisionamento a códigos formais, mas através da prática 
de um ensino diferenciado: um aprendizado com 
fundamentação técnica e criativa dos conteúdos de uma 
aula de dança. 
(Disponível em: 
<http://silvio.marina.sites.uol.com.br/pessoal/abrace.html>
.Acesso 23 ago 2011). 
 
Pensando assim, consideramos fundamental que o ensino de arte com dança 
na escola se realize através de um professor que não focalize apenas as técnicas e 
conceitos, mas que seja o provocador de experiências, o guia que orienta os alunos 
para uma descoberta pessoal de suas habilidades. 
 
A Dança na escola contempla uma nova proposta de 
ensino que abrange fundamentos da Dança-Educação e da 
Dança Educativa Moderna. Diferentemente das tradicionais 
e já conhecidas técnicas, a Dança aplicada ao conteúdo 
escolar não pretende formar bailarinos; antes disso, 
consiste em proporcionar ao aluno um contato mais efetivo 
e intimista com a possibilidade de se expressar 
criativamente através do movimento. (Ibid.) 
 
Arte e Educação 
 
102 
 
Contribuições da dança para a educação 
 
Ainda são poucas as pesquisas nesta área, porém suficientespara fornecer 
bases para uma proposta educacional em Dança que seja significativa para os 
jovens que vivem no mundo contemporâneo. Ressaltamos algumas propostas que 
constam do PCN - Arte (texto adaptado): 
- Ouvir atentamente o que os alunos têm a dizer sobre seus corpos, sobre o 
que dançam e/ou gostariam de dançar; 
- Observar como os alunos escolhem os movimentos e como eles são 
articulados em suas criações de dança, para que se possa selecionar conteúdos e 
procedimentos não somente adequados, mas também problematizadores das 
realidades em que esses corpo/danças estão inseridos. 
- É importante que o corpo não seja tratado como “instrumento” ou “veículo” 
da dança, como comumente se pensa. O corpo é conhecimento, emoção, 
comunicação, expressão. 
- Reconhecimento da contribuição para o processo educacional: a 
possibilidade de conhecer, reconhecer, articular e imaginar a dança em diferentes 
corpos, e, portanto, com diferentes maneiras de viver em sociedade. 
Laban e Freinet apresentam uma proposta pedagógica para o ensino de 
dança: 
Laban (1879-1958) e Freinet (1896-1966) foram 
contemporâneos, mas não se conheceram. Suas 
experiências de vida são completamente diferentes. Laban, 
filho de militar, viveu em ambientes luxuosos, viajou por 
vários países e estudou na Escola de Belas Artes de Paris. 
Freinet, filho de camponeses, levou uma vida simples e 
humilde e não completou seus estudos. 
Ambos apresentavam, no início do século XX, idéias 
avançadas demais para a época, até hoje não incorporadas 
na prática da educação brasileira, como a proposta de 
dança de Laban e as Técnicas de ensino de Freinet. Para 
Laban, a sala de aula é espaço constrangedor e incômodo, 
com mesas e cadeiras unidas, que restringem a inclinação 
natural do corpo. Para Freinet, as carteiras dão a impressão 
de aprisionamento, imobilidade. 
Arte e Educação 
 
103 
 
Os autores consideram o homem como um ser 
integrado: corpo-mente, salientando a necessidade de 
respeitar o ritmo interno de cada um. Os atos e atividades 
espontâneas são uma forma de exteriorizar ideias e 
sentimentos. A educação não deve partir só de explicações 
teóricas, mas também do tateamento experimental. 
Laban e Freinet têm consciência de que o meio interfere 
na vida e na formação do ser humano, questionando os 
avanços da tecnologia por gerarem a imobilidade, o 
sedentarismo, prejudicial ao desenvolvimento. 
As propostas de Laban e Freinet podem integrar-se 
numa proposta de ensino de Dança Educativa nas escolas, 
por contribuírem para o desenvolvimento do educando nos 
aspectos: 
 
 
 
Tal proposta de dança procura levar o aluno à ação-
sensação-reflexão, contribuindo para aprender a ser, aprender a 
fazer, aprender a conhecer e aprender a viver juntos, que 
constituem os quatro pilares da educação. A Comissão 
Internacional sobre a Educação para o século XXI recomenda 
que a arte deve ter um espaço maior do que lhe é dado na 
escola. 
(Disponível 
em:<http://www.scie lo.br/scie lo.php?script=sci_arttext&pid=S0101
32622001000100004>.Acesso em 21/9/11) 
Arte e Educação 
 
104 
 
Conhecendo a linguagem do Teatro 
 
O pintor, utilizando os elementos de sua arte, como os 
pincéis e a tela, elabora a sua obra que é a pintura. O 
músico, trabalhando com os sons musicais, é responsável 
pela criação da música. Mas, afinal, qual é a obra que o ator 
realiza artisticamente? O ator, utilizando as suas emoções e 
os seus recursos corporais, é responsável pelo desempenho 
da personagem. Todas as pessoas são capazes de atuar no 
palco. Todas as pessoas são capazes de improvisar. As 
pessoas que desejarem são capazes de jogar e aprender a 
ter valor no palco. (SPOLIN, 1998, p.3) 
 
IMPORTANTE 
A palavra personagem vem de persona, palavra latina que significa 
pessoa. O ator dá vida ao personagem imaginada pelo dramaturgo para 
representá-lo diante do público. 
Segundo Viola Spolin, “ninguém ensina nada a ninguém”, o aprendizado 
acontece através da experiência. Assim, tudo que aprendemos está diretamente 
ligado às vivências e ao ambiente. Quando crianças, engatinhamos para aprender a 
andar, o cientista aprende com suas experiências em seu laboratório. Então, será 
que o ator aprende representando? Sendo assim, a aprendizagem pode ser vista 
como um ato intuitivo, uma espécie de mágica?“Experienciar é penetrar no 
ambiente, é envolver-se total e organicamente com ele. Isto significa envolvimento 
em todos os níveis: intelectual, físico e intuitivo.” (Ibid.) 
A necessidade de narrar fatos e representar por meio da ação dramática está 
presente em rituais de diversas culturas e tempos, e provavelmente diz respeito à 
necessidade humana de recriar a realidade em que vive e de transcender seus 
limites. 
Arte e Educação 
 
105 
 
Pode-se relacionar a base desse processo de investigação próprio ao teatro 
com os processos de imitação, simbolização e jogos na infância. A criança observa 
gestos e atitudes no meio ambiente, joga com as possibilidades do espaço, realiza 
brincadeiras de faz-de-conta e vive personagens como um herói. 
O jogo pode ser entendido também como um “jogo 
de construção”. O jogo de construção não é uma fase da 
evolução genética, mas sim um instrumento de 
aprendizagem com o qual a criança opera, promovendo o desenvolvimento da 
criatividade, em direção à educação estética e praxis artística. O jogo teatral é um 
jogo de construção em que a consciência do “como se” é gradativamente 
trabalhada, em direção à articulação de uma linguagem artística — o teatro. 
A linguagem do teatro pode ser entendida como uma forma de promover 
experiências, focando o envolvimento total com o ambiente, exercitando o 
pensamento “como se”, simbolizando e agindo como alguém ou algo além de si 
próprio, através do jogo. O desenvolvimento da linguagem teatral na escola 
necessita que os professores promovam o fazer artístico de forma significativa que 
possibilitem (adaptado do PCN-Arte, 1998): 
•Criar oportunidades para que os jovens conheçam, observem e confrontem 
diferentes culturas em diferentes momentos históricos, operando com um modo 
coletivo de produção de arte. 
••Buscar soluções criativas e imaginativas na construção de cenas, apurando a 
percepção sobre eles mesmos e sobre situações do cotidiano. 
••Atuar na ação improvisada utilizando-se de diferentes recursos cênicos – 
máscaras, figurinos, maquiagem, iluminação, sons, objetos. 
Produzir textos de diferentes gêneros: dramáticos, narrativos, poéticos, 
jornalísticos, entre outros. 
Favorecer as possibilidades de compartilhar descobertas, ideias, sentimentos, 
atitudes, ao permitir a observação de diversos pontos de vista, estabelecendo a 
relação do indivíduo com o coletivo e desenvolvendo a socialização. 
Práxis:– o que se 
pratica 
habitualmente. 
Arte e Educação 
 
106 
 
A experiência do teatro na escola amplia a capacidade 
de dialogar, a negociação, a tolerância, a convivência com a 
ambiguidade. No processo de construção dessa linguagem, 
o jovem estabelece com os seus pares uma relação de 
trabalho combinando sua imaginação criadora com a 
prática e a consciência na observação de regras. O teatro 
como diálogo entre palco e platéia pode se tornar um dos 
parâmetros de orientação educacional nas aulas de teatro; 
para tanto, deverá integrar-se aos objetivos, conteúdos, 
métodos e avaliação da área. (PCN-Arte, 1998, p.88) 
 
 
Na escola, por meio dos jogos, o arte-educador pode criar contextos 
significativos para a aprendizagem da linguagem teatral. 
 
 
(...) o aluno se familiariza com a linguagem do palco e 
com os desafios da presença em cena.Ao observar jogos 
teatrais, ao assistir a cenas e espetáculos, o aluno aprende a 
distinguir concepções de direção, estilos de interpretações, 
cenografia, figurinos, sonoplastia e iluminação. Aprecia o 
conjunto da encenação e desenvolve, enfim, a atitude 
crítica. 
Disponível:<http://www.projetosaindodasruas.com.br/sp/oprojeto_teatro.asp>.Acesso 05 set 2011. 
 
O teatro no espaço escolar deve considerar a cultura 
dos jovens, propiciando informações que lhes dêem 
melhores condições nas opções culturais e na interpretação 
dos fatos e das situações da realidade com a qual 
interagem. O jovem encontra no teatro um espaço de 
liberdade para se confrontar por meio do diálogo e da 
representação com questões éticas como justiça e 
solidariedade. (PCN-Arte, op.cit.,p.89) 
Arte e Educação 
 
107 
 
Jogo: Brincadeira que educa 
 
 
A importância dos jogos para a educação de crianças e jovens, é revelada 
através de ações bem planejadas. Nessas ações, os objetivos devem estar 
centrados: 
(...) apreensão dos conhecimentos artísticos e 
estéticos, pois possibilitam o desenvolvimento da 
percepção, da imaginação, das fantasias e de sentimentos. 
O brincar nas aulas de arte pode ser uma maneira prazerosa 
de a criança experienciar novas situações e ajudá-la a 
compreender e assimilar mais facilmente o mundo cultural 
e estético. (FERRAZ, 1993, p.84) 
 
Nas atividades com jogos nas aulas de arte, o professor precisa ter 
conhecimento das funções e de como esses jogos podem ser desenvolvidos. Os 
jogos e brincadeiras na vida infantil podem revelar as carências, sentimentos e 
pensamentos a respeito da realidade, das coisas e das pessoas com quem 
convivem. Assim, os jogos e brincadeiras devem ter uma abordagem diversificada; 
oferecer elementos que despertem a curiosidade, o lúdico, “o fazer” se identifica 
com “o brincar”, o imaginar com a experiência da linguagem ou da representação. 
Arte e Educação 
 
108 
 
 “O jogo é uma forma natural de grupo que propicia o envolvimento e a 
liberdade pessoal necessários para a experiência.” (Ibid.p. 4) Assim, a participação 
em jogos teatrais ou exercícios de atuação, permitem a capacidade de criar uma 
situação imaginativa, na qual a representação de um papel é vista como uma 
experiência maravilhosa, uma espécie de descanso do cotidiano que é dado ao 
“eu”, uma espécie de férias da rotina de todo o dia. 
É através das brincadeiras que as crianças vivenciam situações imaginárias, 
buscam realizar desejos e sonhos. Assim, podem se colocar em situações fora da 
realidade, como por exemplo, estar na lua, nadando sob a água como um peixe, 
voando como um pássaro. Essa brincadeira do “faz de conta”, desenvolve sua 
imaginação ao romper o limite da realidade, e promovendo o amadurecimento do 
pensamento abstrato; são os jogos simbólicos. 
Essas brincadeiras, com o tempo, vão dando lugar aos jogos em que as regras 
fazem parte da ação. Nesse sentido, cumprir as regras do jogo faz parte da nova 
brincadeira. São situações imaginárias nas quais as regras são previamente 
combinadas com o grupo e todos devem segui-las. 
Quando a criança faz a passagem dos jogos simbólicos para os jogos com 
regras, é o momento de iniciar as atividades das práticas teatrais na escola. 
Considerar o quanto é importante para crianças e jovens participar de brincadeiras 
e jogos; mais ainda, participar e assistir espetáculos teatrais, pode ser uma 
oportunidade significativa para o desenvolvimento das várias linguagens artísticas. 
 
(...) considera importante a inclusão do brinquedo e da 
brincadeira como parte integrante dos métodos e 
procedimentos educativos de um programa de arte e em 
atividades infantis, principalmente quando envolver a 
construção, a manifestação expressiva e lúdica de imagens, 
sons, falas, gestos e movimentos. (Ibid., p. 89) 
 
Arte e Educação 
 
109 
 
Conhecendo a linguagem da Música 
 
 
 
A criança, desde os primeiros momentos de sua vida, ouve a voz da mãe, os 
sons da natureza, ruídos diversos e outras vozes que vão se tornando reconhecíveis 
com o tempo. Resumindo: ela já entra em contato com a linguagem musical desde 
a mais tenra idade. Pesquisas realizadas na Alemanha revelaram que as pessoas 
que convivem e praticam música, apresentam a área do cérebro 25% maior em 
comparação aos indivíduos que não desenvolvem este tipo de trabalho. Essas e 
outras pesquisas evidenciaram que as crianças expostas ao trabalho constante com 
a música, têm o melhor desempenho na escola e na vida como um todo e 
geralmente apresentam notas mais elevadas no currículo escolar. 
Entendemos assim a importância de inserir a música no planejamento 
educacional, criando estratégias voltadas para essa área do conhecimento e 
incentivar a criança a estudar música, seja através do canto ou da prática com um 
instrumento musical. O desenvolvimento da linguagem musical, como as demais 
linguagens, não tem o propósito de formar músicos profissionais ou especialistas 
na área, mas sim auxiliar no desenvolvimento cultural e psicomotor. A música 
permite o contato com diferentes linguagens e promove a socialização entre os 
participantes, facilitando o acesso à arte. 
Arte e Educação 
 
110 
 
Ao prestar atenção ao som, observando as características rítmicas, os silêncios, 
os instrumentos e o uso da voz, o aluno é capaz de experimentar e desenvolver-se 
na linguagem musical. Para tanto, é importante que o aprendiz se envolva com 
(adaptado do PCN-Arte): 
 
 
 Aprendizagem e exploração das diferentes estruturas 
sonoras, que permitem contrastar e modificar ideias musicais, 
praticando o pensamento musical, imaginando, relacionando 
e organizando, a partir de suas condições de interpretação 
musical. 
 
 Exploração de diversas possibilidades, meios e materiais 
sonoros, utilizando conhecimentos da linguagem musical, 
comunicando-se e expressando-se musicalmente. 
 
 •O conhecimento dos parâmetros do som: altura, duração, 
intensidade e timbre, através da utilização de materiais e 
recursos que promovam a expressividade e o domínio 
técnico básico, para improvisar, compor e interpretar, 
 
 •••conhecimento e apreciação de músicas de seu meio 
sociocultural e do conhecimento musical construído pela 
humanidade em diferentes períodos históricos e espaços 
geográficos. 
 
 A valorização dessa diversidade sem preconceitos estéticos, 
étnicos, culturais e de gênero. 
Arte e Educação 
 
111 
 
A linguagem musical necessita ser vivenciada e experimentada 
significativamente, no contato com instrumentos, gravações, audições e 
apresentações musicais de diferentes grupos e estilos. “A consciência estética de 
jovens e adultos é elaborada no cotidiano, nas suas vivências, daí a necessidade de 
propiciar, no contexto escolar, oportunidades de criação e apreciação musicais 
significativas.” (PCN-Arte, 1998, p.80). 
Construindo sua competência artística nessa linguagem, sabendo comunicar-
se e expressar-se musicalmente, “o aluno poderá conectar o imaginário e a fantasia 
aos processos de criação, interpretação e fruição, desenvolver o poético, a 
dimensão sensível que a música traz ao ser humano.” (Íbid) 
 
Música: sensibilidade e transformação social 
 
Os sons, como já foi dito, transmitem significações e mensagens distintas para 
cada pessoa. Segundo o PCN – Artes (1998) os ritmos musicais, de pulsação 
excitante e envolvente são responsáveis pela formação de vários grupos que 
podem ser identificados pelas roupas que vestem, pelo comportamento e pelos 
estilos musicais de sua preferência: rock, tecno, dance, reggae, pagode, rap, entre 
tantos outros. 
É necessário procurar e repensar 
caminhos que nos ajudem a desenvolver 
uma educação musical que considere o 
mundo contemporâneo em suas 
características e possibilidades culturais. 
Uma educação musical que parta do 
conhecimento e das experiências que o 
jovem traz de seu cotidiano, de seu meio 
sociocultural e que possa contribuir para a 
humanização de seus alunos. (Ibid.p.79) 
 
Para realizar um trabalho musical com crianças nas primeiras séries do ensino 
fundamental, sugerimos que inicie pela percepção de fontes sonoras distintas. Para 
tanto é necessário obter uma gravação em CD ou outro dispositivode 
armazenamento de arquivos, baixados da internet, que contenham os sons 
descritos nas atividades que se seguem. 
Arte e Educação 
 
112 
 
Proposta: Percepção de fontes sonoras. 
 
Faixa etária sugerida: crianças entre 5 a 8 anos 
Antes de iniciar as atividades, peça às crianças para ficarem em silêncio, com 
os olhos fechados, se possível, bem relaxadas. Permita que fiquem como 
desejarem: sentadas ou recostadas e com a cabeça baixa. 
Atividade 1 - Sons de: pingo d’água batendo em uma lata, batidas de martelo 
ou pisadas em folhas secas (inicie com três sons e depois aumente esse número). 
Faça as crianças ouvirem os sons, depois peça que relatem o que ouviram e quais 
sensações perceberam. Certamente serão ouvidos relatos e respostas diferentes. O 
trabalho pode ser concluído com desenhos e/ou produção textual. A riqueza desse 
trabalho está na possibilidade de instigação imaginativa. 
Atividade 2 - Sons de: miado de gato, porta batendo ou um som estridente 
como arranhar de metais. Após a audição, os alunos relatarão as suas sensações. 
Poderão surgir histórias tristes, de sensação de medo, irritação, entre outros. Aqui 
também se pode concluir o trabalho como na atividade anterior ou pedir que as 
crianças representem com gestos e sons o que sentiram. 
Se tiver instrumentos musicais disponíveis, confeccionados pelos alunos ou 
não, peça para que representem os sons que ouviram. Outros materiais poderão 
dar “asas” à imaginação, por exemplo: saco de papel cheio para estourar – pode ser 
um trovão; continhas dentro de um recipiente – pode ser a chuva; e também as 
próprias crianças poderão sugerir outros materiais disponíveis. 
Atividade 3 - Para crianças com idade mais avançada, sugerimos um trabalho 
mais complexo: a turma assiste a um filme previamente escolhido. A seguir, 
observam atentamente a trilha musical e os efeitos sonoros utilizados fazendo 
anotações. Depois, cada grupo se reúne e cria uma história, definindo os 
personagens, a época, local, figurino, por fim, descrevem as cenas em poucas 
palavras produzindo um texto. A música, de preferência sem letra (para facilitar o 
“encaixe” no enredo da história), pode ser obtida através de pesquisas, CDs ou 
produzida pelos próprios alunos. A reprodução ocorre durante a apresentação ou 
em alguns momentos para realçar a ação cômica ou dramática, por exemplo. Esse 
Arte e Educação 
 
113 
trabalho pode ter a duração de quinze dias ou mais, dependendo do entusiasmo 
dos alunos e da mediação do professor. 
É importante observar que as atividades sugeridas são apenas para ilustrar as 
múltiplas possibilidades de trabalho com música. Outro aspecto importante é que, 
essas sugestões fazem o que chamamos de “entrelaçamento” das linguagens 
artísticas. Assim, estão sendo ativadas inicialmente a linguagem musical, que não 
deixa de explorar a parte visual (na composição do cenário, do figurino) e teatral 
(na encenação), que se amplia para representações corporais (como a dança) já 
que a música está presente. Portanto, as linguagens artísticas podem ser 
exploradas de forma integradora e transdisciplinar. 
 
Conhecendo a linguagem visual 
 
 
 
 
As experiências com o desenho, linhas, cores, modelagem (massa ou argila), 
recorte, colagem, entre outros, permitem que o aprendiz se expresse pela 
linguagem visual. 
Arte e Educação 
 
114 
 
De acordo com o PCN – Artes (1998) apreciação, o conhecimento e a produção 
em arte podem ser expressos pela linguagem visual, se o professor desenvolver: 
•A prática do pensamento visual, capaz de formar imagens mentais, criando 
possibilidades para construção de formas e ideias; 
A percepção e criação de formas visuais, com 
elementos específicos da linguagem e suas relações no 
espaço (bi e tridimensional), expressos por seus 
elementos fundamentais: ponto, linha, forma, cor, 
textura, dimensão, equilíbrio, movimento, espaços, ritmo 
e profundidade. 
Propostas com os diferentes modos da linguagem 
visual: pintura, desenho, gravura, escultura, modelagem, 
caricatura, histórias em quadrinhos, colagem, fotografia, 
moda, cinema, instalação, vídeo, TV, uso do computador, 
entre outros. 
•Um fazer artístico que contemple o manuseio e seleção de materiais, 
instrumentos, suportes, técnicas, procedimentos, informações sobre história da 
arte, artistas e sobre as relações culturais e sociais envolvidas na experiência de 
fazer e apreciar arte. Assim, o aprendiz poderá construir suas próprias 
representações ou ideias, que serão transformadas à medida que avança no 
processo educacional. 
A ação do professor, seu modo de instigar o aluno a ver mais, a olhar 
profundamente para perceber os detalhes, a se sensibilizar com o inusitado, a 
buscar novidades, despertar os sentidos potencializando a curiosidade, pode ser 
determinante no desenvolvimento da linguagem visual. 
Para tanto, o trabalho com diversas imagens, de diferentes épocas e culturas 
permitirão enriquecer o repertório expressivo das crianças. É importante que as 
salas de aula sejam espaços de exposição das produções dos alunos, não apenas 
dos trabalhos considerados “bonitos” ou “bem feitos”, muito menos “retocados 
pelo professor”, mas que todos os trabalhos realizados possam ser vistos. 
Bidimensional: que possui 
duas dimensões, altura e 
largura; ex: um desenho, 
quadrado, uma foto. 
Tridimensional – que possui 
três dimensões, altura, 
largura e profundidade; 
exemplo: um cubo, uma 
cadeira, um animal) 
Arte e Educação 
 
115 
 
O uso de imagens extraídas do repertório das histórias em quadrinhos ou 
heróis na decoração das salas e corredores da escola, não auxilia em nada o 
trabalho de educar o olhar; ao contrário, empobrece a cultura visual do aluno ao 
observar constantemente imagens estereotipadas (copiadas) distantes de sua 
cultura, portanto, sem significado. 
O enriquecimento da percepção da linguagem visual está diretamente ligado 
às experiências vivenciadas pelas crianças e jovens. Tanto o trabalho desenvolvido 
na escola quanto os passeios, visitas a museus, exposições e ateliês são 
oportunidades que devem fazer parte da metodologia e estratégia para aqueles 
que optam por uma educação integral e de qualidade. A valorização dos 
profissionais e de suas produções também é importante para o conhecimento dos 
diferentes ofícios dos artistas visuais. 
 
Leitura de imagens na sala de aula 
 
A partir da compreensão de que os arte-educadores necessitam se atualizar 
nas práticas contemporâneas, é possível buscar uma proposta que desenvolva no 
aluno a capacidade de saber criticar a obra de arte. É importante que esses 
professores possam também propor procedimentos com base na descrição e 
análise das obras de arte, na interpretação e julgamento da obra, na investigação 
de seus significados, com base em dados coletados anteriormente através de 
pesquisas. Assim, o aluno poderá discutir questões estéticas que tratam 
diretamente da qualidade expressiva da obra, sem emitir juízos de valor como 
conceitos de belo ou feio (BARBOSA, 1991). 
Não é possível, nos dias atuais aceitar professores dando aulas de arte que 
nunca leram nenhum livro de arte-educação e pensam que arte na escola é dar 
folhas impressas para colorir, com corações para o Dia das Mães, coelho para a 
Páscoa, soldados no Dia da Independência, entre outras coisas. Muitos professores 
ainda acreditam que “arte-educadores não precisam pensar”, “arte é só para fazer”, 
assim excluem a possibilidade de observação e compreensão da arte (Ibid.). 
Arte e Educação 
 
116 
 
Ana Mae Barbosa, em sua obra A imagem no ensino de arte, apresenta uma 
proposta para leitura da obra de arte e fazer artístico, denominada Metodologia 
Triangular. E ressalta para a necessidade de alfabetização para a leitura da imagem: 
 
Através da leitura das obras de artes plásticas 
estaremos preparando as crianças para a decodificação da 
gramáticavisual, da imagem fixa e, através da leitura do 
cinema e da televisão, a prepararemos para aprender a 
gramática da imagem em movimento. (Ibid.,p.34-35) 
 
Preparando-se para o entendimento das artes visuais se prepara a criança para 
o entendimento da imagem quer seja arte ou não. 
 
Um currículo que interligasse o fazer artístico, a 
história da arte e a análise da obra de arte estaria se 
organizando de maneira que a criança, suas necessidades, 
seus interesses e seu desenvolvimento estariam sendo 
respeitados e, ao mesmo tempo, estaria sendo respeitada a 
matéria a ser aprendida, seus valores, sua estrutura e sua 
contribuição específica para a cultura.” (Id.,1999, p.35, grifo 
nosso) 
 
Metodologia Triangular nas aulas de arte 
 
Com base na metodologia ou prática triangular, apresentamos um roteiro 
simplificado que pode auxiliar o professor a compreender o processo de leitura da 
obra de arte. 
Essa proposta pode ser compreendida através da leitura dos relatos 
apresentados pela autora Ana Mae Barbosa, em sua visita com estudantes, à 
exposição As bienais do acervo do MAC (1987-88), que propõe: “leitura da obra de 
arte, informação histórica e fazer artístico.” (BARBOSA,1991 p.105-107). 
Arte e Educação 
 
117 
 
O esquema abaixo ilustra os três momentos que representam os pilares 
propostos pela autora: olhar - fruir; conhecer – contextualizar (informação 
histórica); produzir arte – fazer artístico . 
 
1º momento – olhar e analisar a obra – FRUIR 
Os alunos devem olhar atentamente e percorrer a obra com cuidado (pode ser 
uma pintura, desenho ou objeto) para dar tempo de assimilá-la mentalmente. Em 
sala de aula, o professor pode conduzir essa ação com perguntas: o que você vê? 
Nesse momento, deve-se dar atenção aos detalhes. O professor estimula os 
alunos para a percepção dos elementos da linguagem visual: dimensão, traços e 
linhas, texturas, materiais, suportes e técnicas. Em seguida, a descrição textual das 
observações através da listagem dos elementos percebidos. 
Arte e Educação 
 
118 
 
2º momento – conhecer a obra – CONTEXTUALIZAR (informação histórica) 
É o momento em que cada aluno expressa suas ideias sobre o que observa. É 
importante considerar todas as interpretações, emoções e sentimentos percebidos. 
Nesse momento podem-se apresentar outras imagens que tenham tema similar e 
propor comparações (linhas, cores, formas, organização espacial). 
É importante contextualizar a obra fazendo um levantamento sobre o autor, 
sua época, outras obras que possam estar relacionadas ao tema ou ao autor e sobre 
o processo de criação e a técnica empregada. Aqui as pesquisas são bem vindas e 
podem ser realizadas em livros, revistas ou sites. 
 
3º momento – produzir arte – FAZER ARTÍSTICO 
Após todos os levantamentos feitos, a turma deve estar pronta para produzir. 
Nesse momento, o professor como mediador, poderá ouvir sugestões e ideias e 
conduzir a criação artística propondo soluções, técnicas e suportes. Então, 
desenhos, textos, dramatizações, pinturas, colagens, esculturas, improvisações, 
performances, instalações, sons, ritmos, apresentações musicais e outras 
expressões artísticas poderão acontecer. 
 
Linguagens da Arte – Espaço de entrelaçamento 
 
As quatro linguagens artísticas não podem ser entendidas de forma isolada. 
Cada uma delas apresenta qualidades e características próprias que permitem 
compreender suas especificidades. Porém, o ser humano em suas vivências, 
elabora inventividades que permitem combinar, misturar e entrelaçar essas 
manifestações estéticas. A multimídia, a performance, o videoclipe e o museu 
virtual são alguns exemplos em que a imagem integra-se ao texto, som e espaço. É 
possível compreender esse universo entrelaçado das linguagens artísticas: 
Arte e Educação 
 
119 
 
O fenômeno artístico está presente em diferentes 
manifestações que compõem os acervos da cultura 
popular, erudita, modernos meios de comunicação e novas 
tecnologias. Além disso, a arte nem sempre se apresenta no 
cotidiano como obra de arte. Mas pode ser observada na 
forma dos objetos, no arranjo de vitrines, na música dos 
puxadores de rede, nas ladainhas entoadas por tapeceiras 
tradicionais, na dança de rua executada por meninos e 
meninas, nos pregões de vendedores, nos jardins, na 
vestimenta etc. O incentivo à curiosidade pela 
manifestação artística de diferentes culturas, por suas 
crenças, usos e costumes, pode despertar no aluno o 
interesse por valores diferentes dos seus, promovendo o 
respeito e o reconhecimento dessas distinções. Ressalta-se, 
assim, a pertinência intrínseca de cada grupo e de seu 
conjunto de valores, possibilitando ao aluno reconhecer 
em si e valorizar no outro a capacidade artística de 
manifestar-se na diversidade. (PCN – Arte. 1998, p.62) 
 
Cabe aos professores conhecer as possibilidades de interseção entre as 
linguagens artísticas no seu trabalho em sala de aula. É através da exploração, da 
pesquisa na combinação dos diferentes recursos tecnológicos, materiais e de 
novos suportes, que, ao propor novas formas de elaboração do fazer artístico, o 
professor ultrapasse os limites do convencional e assim construa dialogicamente, 
novas formas estéticas de produção artística. Nessa articulação não se pode 
esquecer de fortalecer a formação de valores e atitudes para a construção da 
cidadania. 
 
Avaliação nas aulas de Arte 
 
As produções artísticas realizadas na escola são os resultados das ideias, 
pensamentos, jogos, invenções, intuições, das experiências e diálogos poéticos 
produzidos pelos aprendizes. Como se pode avaliar esse complexo de ações sem 
cair no julgamento de valores: “o mais bonito”, “o certo”, “o mais caprichado”? 
Arte e Educação 
 
120 
 
Avaliar é uma ação pedagógica guiada pela atribuição 
de valor apurada e responsável que o professor realiza das 
atividades dos alunos. Avaliar é também considerar o modo 
de ensinar os conteúdos que estão em jogo nas situações 
de aprendizagem. 
Avaliar implica conhecer como os conteúdos de Arte 
são assimilados pelos estudantes a cada momento da 
escolaridade e reconhecer os limites e a flexibilidade 
necessários para dar oportunidade à coexistência de 
distintos níveis de aprendizagem em um mesmo grupo de 
alunos. Para isso, o professor deve saber o que é adequado 
dentro de um campo largo de aprendizagem para cada 
nível escolar, ou seja, o que é relevante o aluno praticar e 
saber nessa área. (Ibid., p.53 et seq.) 
 
Considerando que, nas aulas de arte, o aluno irá realizar produções utilizando 
as diferentes linguagens artísticas, a avaliação deve seguir esses aspectos. Propõe-
se para o processo de avaliação: 
 
A avaliação no processo de ensino e aprendizagem de 
arte precisa ser realizada com base nos conteúdos, 
objetivos e orientação do projeto educativo na área e tem 
três momentos para sua concretização: diagnosticar o nível 
de conhecimento artístico e estético dos alunos, nesse caso 
costuma ser prévia a uma atividade;realizada durante a 
própria situação de aprendizagem, quando o professor 
identifica como o aluno interage com os conteúdos e 
transforma seus conhecimentos e ao término de um 
conjunto de atividades que compõem uma unidade 
didática para analisar como a aprendizagem ocorreu. 
(...) Nesse contexto, é proposto que o professor 
discuta seus instrumentos, métodos e procedimentos de 
avaliação com a equipe da escola. O professor precisa ser 
avaliado sobre as avaliações que realiza, pois a prática 
pedagógica é social, de equipe de trabalho da escola e da 
rede educacional como um todo. (Ibid., p. 56 et seq.). 
Arte e Educação 
 
121 
 
Intuição, percepção, criação. 
 
Vivemos em um mundo rodeado por sons, silêncio, luzes, cores, formas, 
imagens, movimentos, seres, pessoas, minerais e vegetais. Mesmo sem perceber, 
construímos e atribuímos significados a esses elementos. Em nosso espaçode 
vivência e convivência, lidamos e elaboramos diálogos que permeiam todas as 
possibilidades de criação de ideias, pensamentos, sentimentos, ações e reações. Na 
verdade, tudo que está a nossa disposição, pode ser utilizado como matéria prima 
para a criação de formas artísticas. 
Através dos sentidos (visão, tato, audição, paladar e olfato), da intuição, da 
imaginação, do intelecto e das sensações, é possível perceber uma criação artística. 
Perceber envolve apreender o mundo interno e o externo ao mesmo tempo. 
Ostrower (1987, p.57) nos descreve sobre a intuição e a percepção e que 
ambas são modos de conhecimento e canais que nos conduzem ao significado que 
damos às coisas. A percepção nos leva ao conhecimento: “Tudo se passa ao mesmo 
tempo. Assim, no que se percebe, se interpreta; no que se apreende, se 
compreende.”. 
O ato de criar requer o conhecimento dos processos vivenciados, das ações 
que permeiam a atividade criadora. 
 
O ato criador, sempre ato de integração, adquire seu 
significado pleno só quando entendido globalmente (...). 
Assim como o próprio viver, o criar é um processo 
existencial. Não abrange apenas pensamentos nem 
emoções. Nossa experiência e nossa capacidade de 
configurar formas e de discernir símbolos e significados se 
originam nas regiões mais fundas de nosso mundo interior, 
do sensório e da atividade, onde a emoção permeia os 
pensamentos ao mesmo tempo em que o intelecto 
estrutura as emoções. (Ibid., p.56) 
Arte e Educação 
 
122 
 
Portanto, podemos afirmar que criar é, antes de mais nada, existir, viver e dar 
vida a algo. Uma experiência sensível na qual nosso sistema perceptivo, todo o 
nosso corpo, entra em sintonia para dar existência a alguma coisa. 
 
Arte no espaço educacional 
 
A escola é considerada como o primeiro espaço formal para o 
desenvolvimento de cidadãos. Assim, o melhor é que se exercite o universo 
artístico e suas linguagens: artes visuais, teatro, dança, música e literatura. 
A partir dos estudos realizados até o momento, é possível reconhecer a 
necessidade da arte e sua capacidade transformadora. Assim, os educadores 
poderão contribuir para que o acesso a ela seja um direito do aprendiz. Com essa 
postura, pode-se desenvolver uma prática pedagógica coerente com os 
conhecimentos de arte que possibilitem ao educando conhecer o seu repertório 
cultural e entrar em contato com outras referências, sem que haja a imposição de 
uma forma de conhecimento sobre outra, com sintonia entre reflexão e prática. 
 
Arte e Educação 
 
123 
 
Arte-Educação e projetos 
 
Os projetos na escola são os reflexos da atitude pedagógica da escola, ou seja, 
como se dá a construção do conhecimento. A realização de projetos nas aulas de 
arte permite transformar as atividades artísticas isoladas em ações pedagógicas 
ativas, bem articuladas, significativas, em constante processo de avaliação e com 
possibilidade de replanejamento. “Na palavra projeto está contida uma 
intencionalidade, que ainda é um vir-a-ser.” (...) “A palavra projeto designa 
igualmente tanto o que é proposto para ser realizado quanto o que será feito para 
atingi-lo.” (MARTINS, 1998, p.158). 
Os projetos de trabalho que na verdade não são novidades como modalidade 
de ensino, mas sim uma proposta para reinterpretar, readaptar o olhar diferente, 
com o propósito de renovação da educação escolar. Sendo assim, no quadro 
abaixo estão elencados os aspectos comuns entre os projetos de trabalho e outras 
estratégias de ensino: 
 
-Vão além dos limites curriculares (tanto das áreas como 
dos conteúdos). 
-Os temas selecionados são apropriados aos interesses e ao 
estágio de desenvolvimento dos alunos. 
-Realizam-se experiências de primeira mão, como visitas, 
presença de convidados na escola, etc. 
-É necessário trabalhar estratégias de busca, organização e 
estudo de diferentes fontes de informação. 
-Implicam atividades individuais, grupais e de classe, em 
relação às diferentes habilidades e conceitos que são 
aprendidos. (HERNANDEZ. 2000, p.181) 
Arte e Educação 
 
124 
 
Então, como é possível identificar as diferenças existentes entre os projetos e 
outras modalidades de ensino? 
 
-Parte-se de um tema ou de um problema negociado com a 
turma. 
-Inicia-se um processo de pesquisa. 
-Busca-se e seleciona-se fontes de informação. 
-São estabelecidos critérios de organização e interpretação 
das fontes. 
-São recolhidas novas dúvidas e perguntas. 
-São estabelecidas relações com outros problemas. 
-Representa-se o processo de elaboração do conhecimento 
vivido. 
-Recapitula-se (avalia-se) o que se aprendeu. 
-Conecta-se com um novo tema ou problema. (Ibid.p.182) 
 
 
O Projeto é uma metodologia didática? 
O projeto não é encarado como uma metodologia didática, mas sim “uma 
forma de entender o sentido da escolaridade baseado no ensino para a 
compreensão”. (...) Nessa forma de compreender a educação, propõe as seguintes 
finalidades do projeto: (Ibid.) 
 
-Que os estudantes participem de um processo de pesquisa 
que faça sentido para eles ao utilizarem diferentes 
estratégias de pesquisa; 
-Que possam participar do processo de planejamento da 
própria aprendizagem; 
Que lhes auxilie a serem flexíveis, reconhecer o “outro” e 
compreender seu próprio meio pessoal e cultural. (Ibid. 
p.183) 
Arte e Educação 
 
125 
 
Com esse pensamento, Hernandez (2000) nos leva a entender: 
 que a finalidade do ensino “é promover nos alunos a compreensão 
dos problemas que pesquisam” ; 
 que compreender, é ser capaz de ir além da informação dada, é 
poder reconhecer as diferentes versões de um fato e buscar 
explicações, formulando hipóteses sobre as conseqüências dessa 
pluralidade de pontos de vista. 
 
Que Direção Tomar Para Trabalhar com Projetos em Arte? 
 
O ensino por projetos possui uma dinâmica própria que pode seguir algumas 
orientações já apresentadas na abordagem das linguagens artísticas: artes 
visuais,dança, teatro e música. Planejar um projeto é uma tarefa que pode 
demandar uma série de ações. A seguir apresentamos os pontos importantes de 
um projeto, tendo como objeto de estudo a análise de obras de arte: 
(HERNANDEZ, 2000). 
 
1 - O que os alunos podem aprender: 
 Que informação o título de uma obra nos oferece? 
 Dinstinguir entre título e tema de uma obra. 
 Quais foram as fontes de inspiração? 
 Relacionar a vida do artista com sua obra. 
 Compreender o conteúdo do movimento artístico referente à obra. 
 Ampliar o conhecimento-base para fazer interpretações sobre as 
obras de arte e desenvolver estratégias para executá-las. 
Arte e Educação 
 
126 
 
2 – Conexões com outras disciplinas e saberes: 
 Leitura e produção textual – a partir dos textos e pesquisas 
realizadas. 
 Conhecimento histórico e temporal com referência às obras. 
 
3 – Estratégias a serem desenvolvidas: 
 Estabelecer relações e comparações entre várias obras de arte de 
distintos tempos e estilos. 
 Relacionar diferentes fontes de informação para obter respostas para 
os problemas propostos. 
 Aprender a verbalizar as relações sobre o que vemos e lemos. 
 Tomar consciência sobre o que aprendeu. 
 Conhecer diferentes materiais e saber utilizá-los nas suas produções 
artísticas. 
 
4 – Início do projeto – aquisição de conhecimentos e experiências: 
 Iniciar o projeto a partir do conhecimento adquirido em outros 
projetos semelhantes. 
 Estabelecer uma relação dialógica comparativa dos conhecimentos e 
conteúdos adquiridos anteriormente. 
 Identificar o eixo do projeto: o que se pode aprender de uma obra de 
arte? 
Arte e Educação 
 
127 
 
5 – Tema do projeto: 
 O que se pode aprender de uma obra? (como sugestão, pode-se 
iniciar com o estudo de uma obra e no decorrer do projeto, outras 
obras desse mesmo autor podem ser estudadas ou, obras de outro 
artista são inseridas para efeito de comparação entreanálise de 
estilo, técnica, tempo, etc.). 
6 - Ideias-Chave – Problematização 
 Como se constrói o conhecimento? Os indivíduos aprendem com os 
outros? 
 De onde vem a inspiração para a criação? 
 Os artistas se inspiram nas obras de outros artistas? 
 O professor deve listar previamente uma série de questões para 
estimular os alunos a encontrarem ideias-chave do projeto. 
7 – Atividades com toda a turma: 
 Conversas para identificar o que se pode aprender de uma obra de 
arte (sondagem). 
 Diálogos sobre o título dado à(s) obra(s)de estudo. 
 Caracterizar os aspectos formais da(s) obra(s). 
 Estabelecer trocas dialógicas com o grupo que permitam identificar 
o estágio inicial do projeto e o que foi aprendido, em relação a “o 
que se pode aprender de uma obra?”. 
8 – Atividades em grupo: 
 Busca de fontes de informação para respostas aos conteúdos 
referentes à(s) obra(s) – título e tema. 
 Busca de fontes de informação sobre o(s) artista(s) e suas obras. 
Arte e Educação 
 
128 
 
9 – Atividades individuais: 
 Anotações sobre os significados dos termos do título da(s) obra(s). 
 Descrição das características biográficas do(s) autor(es). 
 Estabelecer semelhanças e diferenças entre as obras e artistas 
estudados. 
 Produção gráfica sobre o tema da(s) obra(s). 
 Produção de texto sobre as fontes de inspiração da(s) obra(s). 
 Apresentar um comentário sobre: o que se pode aprender de um 
quadro? 
 
10 - Recursos, materiais, textos, livros e visitas: 
 
 
Arte e Educação 
 
129 
 
 Disponibilizar reproduções das obras a serem estudadas: em vídeos, 
imagens digitalizadas, livros, folhetos. 
 Disponibilizar textos extraídos de diferentes fontes sobre as obras 
em estudo. 
 Se possível, visitar exposições, museus, galerias e locais no qual se 
possa observar as obras em análise. 
 
11 – Apresentação do portifólio: 
 Organização cronológica de toda a trajetória percorrida durante a 
realização do projeto, incorporando: textos, desenhos, transcrição 
das conversas em grupo, registros fotográficos, registros das visitas a 
exposições, desenhos, colagens. 
 O portifólio é um excelente recurso no trabalho com projetos. Deve 
conter todas as produções individuais e registros das atividades em 
grupo realizadas durante o projeto. Essa reconstrução é realizada, 
geralmente, em folhas A3, e cada aluno organiza seu trabalho 
seguindo orientações dos professores. É importante que haja 
“liberdade” para compor esteticamente o portifólio, que ao final, 
apresentará características pessoais do aluno. 
 
12 – Avaliação: o que compreenderam. 
 A avaliação identifica o ponto de partida do projeto, o levantamento 
das dúvidas e da pergunta inicial: o que se pode aprender de um 
quadro? E também deve conter as respostas alcançadas no 
momento final. 
 Identificar os novos conceitos, as relações com o tempo histórico, a 
biografia do(s) artista(s), sua influências e as estratégias 
desenvolvidas para aquisição do conhecimento pretendido. 
Arte e Educação 
 
130 
 
Revendo o que foi apresentado acima, o que é importante considerar nos 
projetos em arte? (MARTINS, 2000). 
 
 A escolha do tema  qual o objeto de estudo? A partir de um 
conjunto de ideias e perguntas, identifica-se a necessidade, o 
interesse e importância que justifique o estudo do tema. 
 Como desenvolver a aprendizagem? Através da seleção de 
situações de aprendizagem que instiguem o aprendiz de arte na 
solução dos problemas levantados. As ações são definidas e 
desenvolvidas durante o projeto, na observação dos resultados e na 
reconstrução de novas situações de aprendizagem. 
 A utilização das linguagens artísticas e seus códigos - permitem 
ao aprendiz se expressar e se comunicar a partir da leitura e 
conhecimento dos objetos de arte estudados. 
 Revelação e ampliação dos conhecimentos de arte – os textos, as 
ideias, as produções, as conclusões devem servir como “centelhas” 
para iluminar novos conhecimentos, novas idéias, novas 
possibilidades. 
 
Desse modo, o trabalho com projetos possibilita 
sintonizar os conteúdos que queremos ensinar com 
aqueles trazidos pelos aprendizes. È na sua inter-relação 
que poderemos problematizar e provocar o que já se sabe 
e aquilo que se deseja saber, ampliando e aprofundando o 
conhecimento arte, alimentando o questionamento, a 
dúvida, as possíveis soluções e o prazer de estar vivo no 
processo de aprender e ensinar. (MARTINS, 2000, 
p.167,grifo nosso). 
 
Essa unidade apresenta a síntese das propostas para o ensino de Arte na 
atualidade. Então, procure rever o conteúdo e avalie se conseguiu entender: 
Arte e Educação 
 
131 
 
- As aulas de Arte devem contemplar atividades das quatro linguagens: artes 
visuais, teatro, música e dança, na produção de arte e no contato com o patrimônio 
artístico, exercitando a cidadania cultural com qualidade. 
- Não é objetivo do ensino de arte da escola, formar artistas, mas sim fruidores, 
decodificadores das obras de arte. 
- As verdadeiras experiências com arte na escola são aquelas que vão levar o 
aprendiz a revelar suas ideias, seu pensamento, ampliando sua percepção para 
receber as informações externas e a leitura de mundo. 
 - Sobre a linguagem da dança: a escola pode desempenhar papel importante 
na educação da expressão corporal e do processo interpretativo e criativo de 
dança, ao transformar as relações que se estabelecem entre corpo, dança e 
sociedade. 
- Para o bom desenvolvimento da linguagem da dança é importante que os 
estudantes tenham acesso a espetáculos de dança, que possam contar com o 
apoio de profissionais especializados nesse campo do conhecimento e que a escola 
se conscientize da importância e necessidade de oferecer em seu currículo a arte 
do movimento – a dança. 
- A linguagem do teatro pode ser entendida como uma forma de promover 
experiências, focando o envolvimento total com o ambiente, exercitando o 
pensamento “como se”, simbolizando e agindo como alguém ou algo além de si 
próprio, através do jogo. 
- Na escola, por meio dos jogos, o arte-educador pode criar contextos 
significativos para a aprendizagem da linguagem teatral. Assim, o aluno se 
familiariza com a linguagem do palco e com os desafios da presença em cena. Ao 
observar jogos teatrais, ao assistir a cenas e espetáculos, o aluno aprende a 
distinguir concepções de direção, estilos de interpretações, cenografia, figurinos, 
sonoplastia e iluminação. Aprecia o conjunto da encenação e desenvolve, enfim, a 
atitude crítica. 
Arte e Educação 
 
132 
 
- A linguagem musical é desenvolvida através de experiências como: prestar 
atenção ao som, observar as características rítmicas, os silêncios, os instrumentos e 
o uso da voz. 
- A linguagem musical necessita ser vivenciada e experienciada 
significativamente, no contato com instrumentos, gravações, audições e 
apresentações musicais de diferentes grupos e estilos. 
- A expressão pela linguagem visual requer experiências com o desenho, 
linhas, cores, modelagem em massa ou argila, recorte, colagem, fotos, filmagem. 
- A ação do professor, seu modo de instigar o aluno a ver mais, a olhar 
profundamente para perceber os detalhes, a se sensibilizar com o inusitado, a 
buscar novidades, despertar os sentidos potencializando a curiosidade, pode ser 
determinante no desenvolvimento da linguagem visual. 
- Criar é, antes de mais nada, existir, viver e dar vida a algo. Uma experiência 
sensível na qual nosso sistema perceptivo, todo o nosso corpo entra em sintonia 
para dar existência a alguma coisa. 
- Aceitar que o fazer artístico e a fruição estética contribuem para o 
desenvolvimento de crianças e de jovens é ter a certeza da capacidade que a arte 
tem de ampliar o seu potencial cognitivo e assim conceber e olhar o mundo de 
modos diferentes. 
- A realização de projetos nas aulas de arte permite transformar as atividades 
artísticasisoladas em ações pedagógicas ativas, bem articuladas, significativas, em 
constante processo de avaliação e com possibilidade de replanejamento. 
 
LEITURA COMPLEMENTAR 
Veja a seguir, as leituras complementares sugeridas. Não deixe de lê-
las, porque são as fontes de informação para entendimento do conteúdo 
apresentado nessa unidade. 
Arte e Educação 
 
133 
 
ARNHEIM, Rudolf. Arte e percepção visual: uma psicologia da visão criadora. 
São Paulo. Pioneira Thomson Learning, 2004. 
BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. São Paulo. Perspectiva, 1999. 
_________________. Teoria e prática da educação artística. São Paulo, Cultrix, 
1975. 
Brasil (Ministério da Educação e do Desporto). Parâmetros Curriculares Nacionais 
– Arte. Secretaria do Ensino Fundamental/SEF, 1998. 
DELORS, J. Educação: Um tesouro a descobrir. Relatório para a Unesco da 
Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI. Rio Tinto: Asa, 
1996. 
FREINET, C. Pedagogia do bom senso. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991. 
__________. Conselho aos pais. 2ª ed. Lisboa: Estampa 1974. 
LABAN, R. Domínio do movimento . São Paulo: Summus, 1978. 
________ . Dança educativa moderna. São Paulo: Ícone, 1990. 
________ . Dance in general. In: The Laban Art of Movement Guild nº 26, London, 
1961. 
HERNANDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de 
trabalho . Porto Alegre. Artes Médicas Sul, 2000. 
MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias; PICOSQUE Gisa; GUERRA M. Terezinha Telles. 
Didática do ensino de arte: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo. FTD, 
1998. 
OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Petrópolis, Vozes, 1987. 
SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. São Paulo. Perspectiva, 1998. 
 
É HORA DE SE AVALIAR 
Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo, elas irão 
ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de 
ensino-aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as 
envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
 
Arte e Educação 
 
134 
Arte e Educação 
 
135 
 
Exercício-Unidade 4 
 
1- As verdadeiras experiências com arte na escola são aquelas que vão levar o 
aprendiz a revelar suas ideias, seu pensamento, ampliando sua percepção para 
receber as informações externas e a leitura de mundo. Nesse sentido é correto 
afirmar que o fazer artístico: 
a) necessita ser realizado em ambiente externo, natural, para que o aluno 
incorpore novas ideias e experiências sensíveis na sua produção. 
b) necessita ser impregnado de propostas e desafios estéticos, provocador de 
ideias, que proporcionem experiências sensíveis e cognitivas capazes de 
evocar formas expressivas percebidas como imagem sonora, gestual ou 
visual. 
c) consiste na elaboração de objetos de arte, na produção de espetáculos 
artísticos em música, teatro e dança. 
d) seja acompanhado por profissionais especializados, através de ações 
direcionadas pela escola e comunidade. 
e) possa revelar os artistas existentes na escola, para orientá-los em suas futuras 
profissões. 
2 - Segundo (MARTINS, 1998) “Através do conhecimento de cada linguagem o 
aprendiz revela suas ideias e sentimentos”. A ferramenta reveladora do fazer 
artístico é denominada por essa autora como: 
a) ciência da arte-educação. 
b) estudo da cognição sensório-motora. 
c) metodologia sócio – interacionista. 
d) gramática da linguagem da arte. 
e) ciência artística e poética. 
Arte e Educação 
 
136 
 
3 - Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto 
apresentado: 
“A linguagem da dança é um _____________________, ou seja, um pensar em 
termos de _________, que se executa como __________________, impulsionado 
pelas sensações musculares e articulações do corpo.” (MARTINS, 1998 p.138) 
 
a) pensamento cinestésico – movimento - emoção física 
b) jogo interpretativo – linhas e formas – experiência real 
c) pensamento cinestésico – linhas e cores – ação corporal 
d) ato coletivo – exercícios físicos - ação corporal 
e) jogo criativo – expressão visual - emoção física 
 
4 - Segundo o PCN-Arte, as aulas de arte devem contemplar as quatro linguagens 
artísticas: 
a) artes musicais, teatro, folclore e escultura. 
b) jogos teatrais, aulas de música, pintura e desenho. 
c) danças folclóricas, teatro livre, pintura e modelagem. 
d) artes visuais, teatro, desenho e pintura. 
e) artes visuais, teatro, música e dança. 
 
5 – Leia o texto abaixo : 
“Todas as pessoas são capazes de atuar no palco. Todas as pessoas são capazes 
de improvisar. As pessoas que desejarem são capazes de jogar e aprender a ter 
valor no palco.” Essas palavras são retiradas do importante trabalho de pesquisa 
com o sistema de jogos teatrais realizado por: 
Arte e Educação 
 
137 
 
a) Célestin Freinet 
b) Fernando Hérnandez 
c) Ana Mae Barbosa 
d) Viola Spolin 
e) Gisa Picosque 
 
6- Leia com atenção o texto a seguir e classifique-os com (C) certo ou (E) errado e 
selecione a alternativa adequada. 
O aluno é capaz de experienciar e desenvolver-se na linguagem musical 
quando se envolve com: 
I- ( ) a exploração de diversas possibilidades, meios e materiais sonoros, utilizando 
conhecimentos da linguagem musical, comunicando-se e expressando-se. 
II– ( ) a prática do pensamento visual, capaz de formar imagens mentais, criando 
possibilidades para construção de formas e ideias. 
III - ( ) o•conhecimento e apreciação de músicas de seu meio sociocultural e do 
conhecimento musical construído pela humanidade em diferentes períodos 
históricos e espaços geográficos. 
IV - ( ) experimentação e apreciação de diversas possibilidades do conhecimento 
científico construído pela humanidade em diferentes períodos históricos e espaços 
geográficos. 
 
a) Estão erradas: I, II e IV. 
b) Está certa a I e erradas II, III e IV. 
c) Estão certas; I e III. 
d) Estão erradas: II, III e IV. 
e) Todas as alternativas estão corretas. 
Arte e Educação 
 
138 
 
7- Os três momentos que representam os pilares propostos por Ana Mae Barbosa 
para a denominada Metodologia Triangular são: 
a) saber produzir arte nas áreas visuais, musicais e teatrais. 
b) conhecer as linguagens musicais, visuais e corporais. 
c) saber olhar, saber produzir conhecimentos sociais e fruir conhecimentos 
artísticos. 
d) olhar – “fruir”; conhecer – “contextualizar” e produzir arte - “fazer artístico”. 
e) “fruir” – contextualizar/ produzir linguagens / e dar significado ao “fazer 
artístico” 
 
8- O fazer artístico que contemple o manuseio e seleção de materiais, 
instrumentos, suportes, técnicas, procedimentos, informações sobre história da 
arte, artistas e sobre as relações culturais e sociais envolvidas na experiência de 
fazer e apreciar arte está relacionado à: 
a) linguagem corporal 
b) linguagem visual 
c) prática da técnica manual 
d) linguagem da estética musical 
e) expressão social 
 
9 - Considerando que, nas aulas de arte, o aluno irá realizar produções utilizando as 
diferentes linguagens artísticas, apresente os aspectos que devem fazer parte do 
processo de avaliação: 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
Arte e Educação 
 
139 
 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
 
10 - A realização de projetos nas aulas de arte permite transformaras atividades 
artísticas isoladas em ações pedagógicas ativas, bem articuladas, significativas, em 
constante processo de avaliação e com possibilidade de replanejamento. 
Caracterize os projetos de trabalho na escola: 
 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
___________________________________________________________________ 
Arte e Educação 
 
140 
Arte e Educação 
 
141 
 
Considerações Finais 
 
Chegamos ao final da disciplina Arte e Educação. Mas a aprendizagem não 
para por aqui, pois a arte, em suas quatro linguagens de expressão, não pode ser 
compreendida em um simples começo e fim. 
Para os que entenderam que conhecer, fazer e fruir arte são experiências que 
contribuem para ampliar o potencial cognitivo, e mais ainda, ampliam o modo de 
olhar o mundo, fica a certeza de que a principal lição foi aprendida. 
Agora, é com você. Continue essa caminhada e estude, pesquise e siga 
buscando uma atitude sempre ativa, tornando seus sentidos mais aguçados, 
sabendo que a arte é uma linguagem natural e todos têm potencial para se 
expressar. 
Sucesso! 
Arte e Educação 
 
142 
Arte e Educação 
 
143 
 
Conhecendo a Autora 
 
 
Lucia Lyra de Serpa Pinto 
É licenciada em Educação Artística pela UFRJ, Mestre em Educação e Pós 
graduada em Administração Escolar pela UNIVERSO - Universidade Salgado de 
Oliveira - RJ. Especializou-se em Estilo e Criação de Moda, através de convênio 
entre a UNIVERSO e Universidade Anhembi Morumbi - SP. 
Na UNIVERSO, atua como gestora e professora do Curso de Licenciatura em 
Educação Artística, onde ministra desde 1996 disciplinas como Composição e Cor, 
Projeto Comunitário, Prática de Ensino, entre outras. Nessa instituição, também é 
professora do Curso de graduação em Design de Moda ministrando as disciplinas: 
Laboratório de Criação, Oficina de Produção, Desenvolvimento de Produto e 
Estágio Supervisionado. 
Atua no Ensino à Distância - EAD da UNIVERSO como tutora da disciplina 
Técnicas de Estudo e Pesquisa. 
Lecionou a disciplina Educação Artística no curso Normal do Instituto de 
Educação Clélia Nanci de 1985 a 2011, na rede estadual de ensino do Estado do Rio 
de Janeiro, atualmente está aposentada dessa função. 
Lecionou no curso de Tecnólogo de Moda da Universidade Cândido Mendes –
Niterói, RJ ministrando a disciplina Laboratório de Criação e no curso de graduação 
em Artes Visuais na ESEHA, Escola Superior de Ensino Helena Antipoff – Niterói, RJ, 
as disciplinas Desenho Geométrico e Percepção Visual. 
Durante o período de 1993 a 2001, atuou como facilitadora em Informática 
Educacional na empresa TREND - Tecnologia Educacional, RJ no colégio Centro 
Educacional de Niterói, RJ. 
Arte e Educação 
 
144 
 
Como coordenadora do Projeto Escola 24 Horas, atuou na Associação 
Educacional Miraflores, Colégio Monsenhor Raeder, Colégio Joan Miró, todos em 
Niterói, e nos colégios Jean Piaget e Odete São Paio em São Gonçalo, RJ, com 
Informática Educacional. 
Na área de moda, administrou a microempresa Belluan Confecções M/E, 
responsável pelos processos de desenvolvimento de coleção, modelagem, 
compras e marketing de 1985 a 1991. 
Desde 1998 participa de diversos eventos e projetos nas áreas de Educação, 
Arte e Moda, trabalhando em projetos comunitários e em cursos de extensão. 
Arte e Educação 
 
145 
 
Referências 
 
ARNHEIM, Rudolf. Arte e percepção visual: uma psicologia da visão 
criadora. São Paulo. Pioneira Thomson Learning, 2004. 
BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. São Paulo. Perspectiva, 
1999. 
_________________. Teoria e prática da educação artística. São Paulo, 
Cultrix, 1975. 
Brasil (Ministério da Educação e do Desporto). Parâmetros Curriculares 
Nacionais – Arte. Secretaria do Ensino Fundamental/SEF, 1998. 
DELORS, J. Educação: Um tesouro a descobrir. Relatório para a Unesco da 
Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI. Rio Tinto: Asa, 1996. 
FREINET, C. Pedagogia do bom senso. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991. 
__________. Conselho aos pais. 2ª ed. Lisboa: Estampa 1974. 
LABAN, R. Domínio do movimento . São Paulo: Summus, 1978. 
________ . Dança educativa moderna. São Paulo: Ícone, 1990. 
________ . Dance in general. In: The Laban Art of Movement Guild nº 26, 
London, 1961. 
FERRAZ e FUSARI, Maria Heloisa Corrêa de Toledo. Metodologia do ensino de 
arte. São Paulo. Cortez, 1993. 
HERNANDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de 
trabalho . Porto Alegre. Artes Médicas Sul, 2000. 
MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias; PICOSQUE Gisa; GUERRA M. Terezinha 
Telles. Didática do ensino de arte: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo. 
FTD, 1998. 
OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Petrópolis. Vozes, 
1987. 
SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. São Paulo. Perspectiva, 1998. 
Arte e Educação 
 
146 
Arte e Educação 
 
147 
 
nexos A 
Arte e Educação 
 
148 
 
Gabaritos 
 
 
Exercícios – Unidade 1 
1-c 
2-e 
3-b 
4-a 
5-e 
6-d 
7-b 
8-d 
9-Pedagogia tecnicista – nas aulas de arte os professores valorizam os aspectos 
técnicos, o uso de materiais diversificados (sucatas) e os livros didáticos. Dão pouca 
importância ao conhecimento das linguagens artísticas e maior ênfase à livre 
expressão. 
10- A arte pode ser ensinada e aprendida em diversos lugares: na família, nos 
centros culturais, igrejas, museus, teatros, cinemas. À escola cabe oportunizar que 
crianças e jovens possam compreender e vivenciar o processo artístico e sua 
história. 
 
Exercícios – Unidade 2 
1-b 
2- c 
3- a 
4- c 
5- e 
6- a 
7- b 
8- d 
9- Poetizar - no sentido de se encantar com tudo que nos rodeia ser capaz de se 
emocionar, criar, imaginar, fantasiar. 
Fruir - é deleitar-se; envolver-se com o momento da descoberta como se fosse 
único e todo seu, a única possibilidade de prazer e encantamento. 
Arte e Educação 
 
149 
 
Conhecer - é vislumbrar, dar sentido e significado a tudo. Saber e conhecer o 
porquê das descobertas, das vivências, das experiências, da evolução, do progresso 
e da transcendência. 
10- A expressão criadora é a expressão natural da singularidade individual. É a 
maneira pessoal do indivíduo devolver ao exterior as impressões que capta do 
meio. A criação infantil não é o resultado da influência do professor com seus 
sentimentos, pensamentos e emoções. O importante no trabalho com crianças é 
estimular os sentidos e a imaginação, porque eles conduzem à aprendizagem. 
 
Exercícios – Unidade 3 
1- b 
2- c 
3- e 
4- d 
5- a 
6- c 
7- c 
8- b 
9- O currículo deve apresentar os conhecimentos de arte transdisciplinarmente; 
baseando-se nas características evolutivas, sociais e culturais dos estudantes; 
estabelecendo conexões interculturais e partindo de uma posição social crítica. 
10- Para Ana Mae, “Arte-educação é uma certa epistemologia da arte como 
pressuposto e como meio; são os modos de inter-relacionamento entre a arte e o 
público, ou melhor, a intermediação entre o objeto de arte e o apreciador.” 
 
Exercícios – Unidade 4 
1- b 
2- d 
3- a 
4- e 
5- d 
6- c 
7- d 
8- b 
Arte e Educação 
 
150 
 
9- A avaliação no processo de ensino e aprendizagem de arte precisa ser realizada 
com base nos conteúdos, objetivos e orientação do projeto educativo na área. Para 
se concretizar esta avaliação, são necessários três momentos: 
 Diagnosticar o nível de conhecimento artístico e estético dos alunos, 
nesse caso costuma ser prévia a uma atividade; 
 Durante a própria situação de aprendizagem, quando o professor 
identificacomo o aluno interage com os conteúdos e transforma 
seus conhecimentos; 
 O término de um conjunto de atividades que compõem uma 
unidade didática para analisar como a aprendizagem ocorreu. 
10- Segundo Fernando Hernandez, as características dos projetos na escola são; 
“Partir de um tema ou de um problema negociado com a turma; Iniciar um 
processo de pesquisa. Buscar e selecionar fontes de informação; estabelecer 
critérios de organização e interpretação das fontes; recolher novas dúvidas e 
perguntas; estabelecer relações com outros problemas; representar o processo de 
elaboração do conhecimento vivido; recapitular (avaliar) o que se aprendeu; 
conectar-se com um novo tema ou problema.”.

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