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A Cannabis e o uso terapêutico do canabidiol (CBD). A planta Cannabis sativa L., popularmente conhecida como canábis, é uma erva que pertence à família Cannabaceae (De Lima; Alexandre; Santos, 2021). Este gênero monotípico possui apenas uma espécie com várias variedades e subespécies. Existem relatos históricos que mencionam seu uso na antiga farmacopeia chinesa por volta de 2700 a.C., onde era recomendada para tratar malária, dores reumáticas e problemas menstruais. (Sampaio et al., 2021). A descoberta do delta-9-tetrahidrocanabinol (Δ9-THC), o componente psicoativo da Cannabis sativa, na segunda metade do século XX, levou a pesquisas que revelaram uma série de outros compostos presentes na planta, incluindo canabinoides, terpenos e flavonoides (ARAÚJO; ALMEIDA; ARAÚJO, 2023). Na década de 60, com o avanço da tecnologia, foi-se possível isolar os componentes da planta e descobriu-se a existência do canabidiol (CBD), um dos componentes não psicoativos da Cannabis sativa, demonstrou potencial terapêutico para tratar várias doenças. Ele é usado como ansiolítico, antidepressivo e antipsicótico, entre outras aplicações.(SAMPAIO et al., 2021). Diferentemente do Δ9-THC, o CBD não provoca efeitos psicoativos significativos nem leva à intoxicação (De Lima; Alexandre; Santos, 2021). Estudos posteriores detalharam onde essas substâncias se conectam em animais e humanos, assim como os ligantes endógenos, proteínas transportadoras e enzimas envolvidas na síntese e degradação. Essas descobertas esclareceram o sistema endocanabinoide, um conjunto complexo de receptores, enzimas e proteínas com papeis vitais no corpo. (ARAÚJO; ALMEIDA; ARAÚJO, 2023) O sistema endocanabinoide O sistema endocanabinoide inclui os receptores, agonistas endógenos e o aparato bioquímico associado que sintetiza e finaliza essas substâncias (Saito; Wotjak; Moreira, 2010). Os receptores CB1 e CB2 foram nomeados de acordo com sua ordem de descoberta. (Howlett et al, 2002) Ambos são receptores acoplados à proteína G. Dentro dos sistemas nervosos centrais, o CB1 está primariamente localizado nos terminais nervosos pré-sinápticos e é responsável pela maioria dos efeitos neurocomportamentais dos canabinoides. Por outro lado, o CB2 é o principal receptor de canabinoides do sistema imunológico, mas também pode ser expresso em neurônios (Saito; Wotjak; Moreira, 2010). Referências HOWLETT, Allyn C. et al. International Union of Pharmacology. XXVII. Classification of cannabinoid receptors. Pharmacological reviews, v. 54, n. 2, p. 161-202, 2002. DE LIMA, Amanda Alves; ALEXANDRE, Ueslane Coelho; SANTOS, Jânio Sousa. O uso da maconha (Cannabis sativa L.) na indústria farmacêutica: uma revisão. Research, Society and Development, v. 10, n. 12, p. e46101219829-e46101219829, 2021. COSTA, José Luis G. Pinho et al. Neurobiologia da Cannabis: do sistema endocanabinoide aos transtornos por uso de Cannabis. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 60, p. 111-122, 2011.