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Legislação Trabalhista e Previdenciária 6ºAula Da proteção ao trabalhador menor e da alteração contratual Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • identificar os direitos do menor; • diferenciar as alterações contratuais; • classificar as alterações entre empregado e empregador. Caros(as) alunos(as) Nesta aula, estudaremos sobre a proteção do menor e da alteração contratual. Vamos compreender de que maneira esse assunto contribui para a vida do trabalhador menor. Tal discussão é importante, uma vez que a CLT prevê direitos e obrigações. Assim, atendendo aos objetivos de aprendizagem propostos no plano de ensino desta disciplina, vamos refletir acerca da alteração contratual entre empregador e empregado. Desejo a todos(as) uma excelente aula. Boa leitura! Bons estudos! 59 1 - Da proteção do trabalho do menor 2 - Da alteração contratual 1 - Da proteção do trabalho do menor Considera-se menor para os efeitos desta Consolidação o trabalhador de quatorze até dezoito anos (Art. 402 da CLT). Figura 16 Fonte disponível em: https://pt-br.facebook.com/SenadoFederal/photos/o- estatuto-da-crian%C3%A7a-e-do-adolescente-tem-como-objetivo-a- prote%C3%A7%C3%A3o-integral-da-/1408084179207433/. Acesso em: 02 maio 2022. Haverá a Carteira de Trabalho e Previdência Social para todos os menores de 18 anos, sem distinção do sexo, empregados em empresas ou estabelecimentos de fins econômicos e daqueles que lhes forem equiparados (Art. 415 da CLT). Os menores de 18 anos só poderão ser admitidos como empregados, nas empresas ou estabelecimentos de fins econômicos e naqueles que lhes forem equiparados, quando possuidores da carteira (Art. 416 da CLT). O empregador não poderá fazer outras anotações na carteira de trabalho e previdência social além das referentes ao salário, data da admissão, férias e saída (Art. 423 da CLT). É proibido qualquer trabalho a menores de dezesseis anos de idade, salvo na condição de aprendiz, a partir dos quatorze anos. O trabalho do menor não poderá ser realizado em locais prejudiciais à sua formação, ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social e em horários e locais que não permitam a frequência à escola (Art. 403 da CLT). Ao menor de 18 (dezoito) anos é vedado o trabalho noturno, considerado este o que for executado no período compreendido entre as 22 (vinte e duas) e as 5 (cinco) horas (Art. 404 da CLT). Ao menor não será permitido o trabalho: nos locais e serviços perigosos ou insalubres, constantes de quadro para esse fim aprovado pelo Diretor Geral do Departamento Seções de estudo de Segurança e Higiene do Trabalho; em locais ou serviços prejudiciais à sua moralidade (Art. 405 da CLT). Verificado pela autoridade competente que o trabalho executado pelo menor é prejudicial à sua saúde, ao seu desenvolvimento físico ou à sua moralidade, poderá ela obrigá-lo a abandonar o serviço, devendo a respectiva empresa, quando for o caso, proporcionar ao menor todas as facilidades para mudar de funções. Quando a empresa não tomar as medidas possíveis e recomendadas pela autoridade competente para que o menor mude de função, configurar- se-á a rescisão do contrato de trabalho (Art. 407 da CLT). Ao responsável legal do menor é facultado pleitear a extinção do contrato de trabalho, desde que o serviço possa acarretar para ele prejuízos de ordem física ou moral (Art. 408 da CLT). Para maior segurança do trabalho e garantia da saúde dos menores, a autoridade fiscalizadora poderá proibir-lhes o gozo dos períodos de repouso nos locais de trabalho (Art. 409 da CLT). 1.1 - Da duração do trabalho É vedado prorrogar a duração normal diária do trabalho do menor, salvo: I – até mais 2 (duas) horas, independentemente de acréscimo salarial, mediante convenção ou acordo coletivo, desde que o excesso de horas em um dia seja compensado pela diminuição em outro, de modo a ser observado o limite máximo de 48 (quarenta e oito) horas semanais ou outro inferior legalmente fixada; II – excepcionalmente, por motivo de força maior, até o máximo de 12 (doze) horas, com acréscimo salarial de, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) sobre a hora normal e desde que o trabalho do menor seja imprescindível ao funcionamento do estabelecimento (Art. 413 da CLT). Quando o menor de 18 (dezoito) anos for empregado em mais de um estabelecimento, as horas de trabalho, em cada um, serão totalizadas (Art. 414 da CLT). 1.2 - Dos empregadores da aprendizagem O empregador, cuja empresa ou estabelecimento ocupar menores, será obrigado a conceder-lhes o tempo que for necessário para a frequência às aulas (Art. 427 da CLT). Os estabelecimentos situados em lugar onde a escola estiver a maior distância que 2 (dois) quilômetros, e que ocuparem, permanentemente, mais de 30 (trinta) menores analfabetos, de 14 (quatorze) a 18 (dezoito) anos, serão obrigados a manter local apropriado em que lhes seja ministrada a instrução primária (Art. 427 da CLT). Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por prazo determinado (por tempo), em que o empregador se compromete a assegurar ao maior de 14 (quatorze) e menor de 24 (vinte e quatro) anos 60Legislação Trabalhista e Previdenciária inscrito em programa de aprendizagem, formação técnico- profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz, a executar com zelo e diligência as tarefas necessárias a essa formação (Art. 428 da CLT). A validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social, matrícula e frequência do aprendiz na escola, caso não haja concluído o ensino médio, e inscrição em programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica (§ 1º do Art. 428 da CLT). Ao aprendiz, salvo condição mais favorável, será garantido o salário mínimo hora (§ 2º do Art. 428 da CLT). O contrato de aprendizagem não poderá ser estipulado por mais de 2 (dois) anos, exceto quando se tratar de aprendiz portador de deficiência. A formação técnico- profissional caracteriza-se por atividades teóricas e práticas, metodicamente organizadas em tarefas de complexidade progressiva desenvolvidas no ambiente de trabalho (§ 3º e § 4º do Art. 428 da CLT). A idade máxima não se aplica a aprendizes portadores de deficiência. Para os fins do contrato de aprendizagem, a comprovação da escolaridade de aprendiz com deficiência deve considerar, sobretudo, as habilidades e competências relacionadas com a profissionalização (§ 5º e § 6º do Art. 428 da CLT). Nas localidades onde não houver oferta de ensino médio, a contratação do aprendiz poderá ocorrer sem a frequência à escola, desde que ele já tenha concluído o ensino fundamental (§ 7º do Art. 428 da CLT). Para o aprendiz com deficiência com 18 (dezoito) anos ou mais, a validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na CTPS e matrícula e frequência em programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica (§ 8º do Art. 428 da CLT). Os estabelecimentos de qualquer natureza são obrigados a empregar e matricular, nos cursos dos Serviços Nacionais de Aprendizagem, número de aprendizes equivalente a cinco por cento, no mínimo, e quinze por cento, no máximo, dos trabalhadores existentes em cada estabelecimento, cujas funções demandem formação profissional (Art. 429 da CLT). O limite fixado não se aplica quando o empregador for entidade sem fins lucrativos, que tenha por objetivo a educação profissional (§ 1º-A do Art. 429 da CLT). Os estabelecimentos poderão destinar o equivalente a até 10% (dez por cento) de sua cota de aprendizes à formação técnico-profissional metódica em áreas relacionadas a práticas de atividades desportivas, à prestação de serviços relacionados à infraestrutura, incluindo as atividades de construção,ampliação, recuperação e manutenção de instalações esportivas e à organização e promoção de eventos esportivos (§ 1º-B do Art. 429 da CLT). As frações de unidade, no cálculo da percentagem, darão lugar à admissão de um aprendiz. Os estabelecimentos ofertarão vagas de aprendizes a adolescentes usuários do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação celebrados entre os estabelecimentos e os gestores dos Sistemas de Atendimento Socioeducativo locais (§ 1º e 2º do Art. 429 da CLT). Os estabelecimentos poderão ofertar vagas de aprendizes a adolescentes usuários do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - SISNAD nas condições a serem dispostas em instrumentos de cooperação, celebrados entre os estabelecimentos e os gestores locais responsáveis pela prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas (§ 3º do Art. 429 da CLT). Na hipótese de os Serviços Nacionais de Aprendizagem não oferecerem cursos ou vagas suficientes para atender à demanda dos estabelecimentos, esta poderá ser suprida por outras entidades qualificadas em formação técnico- profissional metódica, a saber (Art. 430 da CLT): I – Escolas Técnicas de Educação; II – entidades sem fins lucrativos, que tenham por objetivo a assistência ao adolescente e à educação profissional, registradas no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; III – entidades de prática desportiva das diversas modalidades filiadas ao Sistema Nacional do Desporto e aos Sistemas de Desporto dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (Art. 430 da CLT). A contratação do aprendiz poderá ser efetivada pela empresa onde se realizará a aprendizagem ou pelas entidades mencionadas, caso em que não gera vínculo de emprego com a empresa tomadora dos serviços (Art. 431 da CLT). A duração do trabalho do aprendiz não excederá de seis horas diárias, sendo vedadas a prorrogação e a compensação de jornada. O limite previsto poderá ser de até oito horas diárias para os aprendizes que já tiverem completado o ensino fundamental, se nelas forem computadas as horas destinadas à aprendizagem teórica (Art. 432 da CLT). O contrato de aprendizagem extinguir-se-á no seu termo ou quando o aprendiz completar 24 (vinte e quatro) anos, ressalvado os aprendizes portadores de deficiência, ou ainda antecipadamente nas seguintes hipóteses (Art. 433 da CLT): I – desempenho insuficiente ou inadaptação do aprendiz, salvo para o aprendiz com deficiência quando desprovido de recursos de acessibilidade, de tecnologias assistivas e de apoio necessário ao desempenho de suas atividades; II – falta disciplinar grave; III – ausência injustificada à escola que implique perda do ano letivo; ou IV – a pedido do aprendiz (Art. 433 da CLT). É lícito ao menor firmar recibo pelo pagamento dos salários. Tratando-se, porém, de rescisão do contrato de trabalho, é vedado ao menor de 18 (dezoito) anos dar, 61 sem assistência dos seus responsáveis legais, quitação ao empregador pelo recebimento da indenização que lhe for devida (Art. 439 e 440 da CLT). 2 - Da alteração contratual Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, e, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia (Art. 468 da CLT). Leia um exemplo: (...) INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. DISPENSA DISCRIMINATÓRIA. RECUSA NA PRESTAÇÃO DE HORAS EXTRAS. (...) Acresça-se, ainda, que o contrato de trabalho não cria para o empregado um estado de sujeição, podendo haver o direito de resistência do empregado (jus resistentiae) em se contrapor ao poder diretivo do empregador, quando este extrapolar os poderes de direção e organização do empreendimento. Assim, se o empregado não está obrigado a cumprir horas extras e sua realização é uma faculdade, afigura-se abusiva a dispensa do autor que se recusou em prestá-las por motivos justificados e relevantes, no caso, o trabalho de conclusão de curso superior. Tal como prevê a lei, a conduta abusiva do empregador que impede a manutenção do emprego afigura-se discriminatória e, portanto, causadora de dano moral, gerando profunda insatisfação íntima, conforme bem ressaltado pelo Regional, que não pode ser mensurada. (...) (RR- 44- 70.2010.5.09.0041, 3ª Turma, Relator Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte,DEJT 04/05/2018). Não se considera alteração unilateral a determinação do empregador para que o respectivo empregado reverta ao cargo efetivo, anteriormente ocupado, deixando o exercício de função de confiança (§ 1º do Art. 468 da CLT). Nesse sentido, segue a Súmula 159, II, do TST: Súmula 159 do TST SUBSTITUIÇÃO DE CARÁTER NÃO EVENTUAL E VACÂNCIA DO CARGO (incorporada a Orientação Jurisprudencial n. 112 da SBDI-I) – Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 II – Vago o cargo em definitivo, o empregado que passa a ocupá-lo não tem direito a salário igual ao do antecessor. A alteração, com ou sem justo motivo, não assegura ao empregado o direito à manutenção do pagamento da gratificação correspondente, que não será incorporada, independentemente do tempo de exercício da respectiva função (§ 2º do Art. 468 da CLT). Assim: (...) RESCISÃO INDIRETA. ALTERAÇÃO DO TURNO DE TRABALHO. PREJUÍZOS PARA O TRABALHADOR. Conquanto a mudança de turno de trabalho, quando não revestida de abuso, esteja inserta no campo do jus variandi do empregador, certo é que a alteração de horário efetuada pela reclamada, de forma unilateral e, ainda, de forma prejudicial, pois alçado o reclamante a cumprimento de jornada noturna, sabidamente mais desgastante, configura, in casu, hipótese de rescisão indireta do contrato de trabalho. Agravo não provido (Ag-AIRR-37600-69.2008.5.02.0042, 5ª Turma, Relator Ministro Breno Medeiros, DEJT 07/01/2020). Por outro lado: (...) III – RECURSO DE REVISTA. HORAS EXTRAS. TURNOS DE REVEZAMENTO. ALTERAÇÃO DO REGIME DE TRABALHO PARA TURNOS FIXOS. LICITUDE. Conforme estabelece o art. 468 da CLT, nos contratos individuais de trabalho, só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento e, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente dessa garantia. No caso, os substituídos trabalhavam em turnos de revezamento, com limite de 168 horas mensais, em escala 3x2 (três dias de trabalho por dois de descanso), conforme estabelecido por norma coletiva, e passando a submeter-se a regime de turnos fixos, em escala 5x2 – “cinco dias de trabalho por dois dias de folga, com a venda de um dia de folga” -, sujeitos à duração mensal do trabalho de 200 horas. Entende-se que o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento é prejudicial à saúde do trabalhador, tanto que se desenvolve em jornada de 6 horas, justamente com o intuito de reduzir os malefícios causados pela troca constante de turnos. Assim, afigura-se benéfica ao empregado a alteração contratual havida e que estabeleceu a prestação de serviços em um horário fixo. Ademais, a mudança da jornada se insere no “jus variandi” do empregador, que detém o comando do empreendimento. Registre-se que a questão sobrepuja o mero interesse econômico, prevalecendo o direito indisponível do trabalhador à saúde e à qualidade de vida. Acrescente-se ainda, que nesse mesmo sentido, há a previsão contida na Súmula 391, do Colendo TST, aplicável aos petroleiros. Precedentes. Recurso de revista conhecido por violação do artigo 7º, XXVI, da constituição Federal e provido. Prejudicada 62Legislação Trabalhista e Previdenciária a análise dos demais temas (RR-11181- 94.2015.5.01.0203, 3ª Turma, Relator Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte, DEJT 21/02/2020). Veja esse julgado do TST: AGRAVO EM RECURSO DE EMBARGOS EMEMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI N. 13.015/2014. ADICIONAL NOTURNO. SUPRESSÃO. MUDANÇA DE TURNO DE TRABALHO. POSSIBILIDADE. (...) A c. Turma concluiu que, não obstante o percebimento do adicional noturno por cerca de 20 anos, a supressão de tal parcela decorreu da alteração da jornada noturna para o período diurno, a qual constituiu alteração benéfica à saúde do trabalhador e em conformidade com a diretriz da Súmula 265 do TST, (...) (Ag- E-ED-RR-356-98.2015.5.12.0037, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Relator Ministro Breno Medeiros, DEJT 26/06/2020). De acordo com a Súmula 265 do TST: Súmula 265 do TST ADICIONAL NOTURNO. ALTERAÇÃO DE TURNO DE TRABALHO. POSSIBILIDADE DE SUPRESSÃO (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 A transferência para o período diurno de trabalho implica a perda do direito ao adicional noturno. 2.1 - Da transferência Ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio (Art. 469 da CLT). De acordo com o TST, nos termos da Súmula 43 do TST: Súmula 43 do TST TRANSFERÊNCIA (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 Presume-se abusiva a transferência de que trata o § 1º do art. 469 da CLT, sem comprovação da necessidade do serviço. Não estão compreendidos na proibição deste artigo: os empregados que exerçam cargo de confiança e aqueles cujos contratos tenham como condição, implícita ou explícita, a transferência, quando esta decorra de real necessidade de serviço (§ 1º do Art. 469 da CLT). Observe esse julgado do TST: (...) REINTEGRAÇÃO. EXTINÇÃO DO ESTABELECIMENTO. CURSO DA GARANTIA DA PROVISÓRIA NO EMPREGO. DEMISSÃO. VÍCIO DE CONSENTIMENTO. 1. Em que pese, em princípio, ser lícita a transferência do empregado no caso de extinção do estabelecimento, o empregado não é obrigado a aceitar a transferência para outro Município, ainda mais quando o Regional assenta a premissa fática de que a reclamada não comprovou que as condições resultantes de tal transferência seriam mais benéficas ao autor. 2. Portanto, não há como se considerar válido o pedido de demissão, diante da recusa do trabalhador em ser transferido para cidade diversa, pois, ao assim proceder, a empresa acabou transferindo o risco do negócio para o reclamante. Não aceitando o autor a transferência, a empresa deveria assumir os ônus decorrentes da garantia provisória no emprego e arcar com o pagamento das verbas devidas. 3. Dessa maneira, a decisão Regional que concluiu nestes termos não ofendeu aos artigos 468, § 2º, 469, § 2º e 477, § 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho. Outrossim, como foi constatado vício de consentimento na manifestação da vontade do autor ao pedir demissão, não ficou configurada violação a qualquer regra de distribuição do ônus da prova prevista nos artigos 818, da CLT e 333 do CPC, que, como regras de julgamento, só são utilizadas quando da ausência de prova, o que não é o caso concreto. Agravo de Instrumento não provido. (...) (AIRR-988- 33.2011.5.04.0702, 1ª Turma, Relatora Desembargadora Convocada Luiza Lomba, DEJT 18/09/2015). Veja esse julgado esclarecedor do TST: (...) RESCISÃO INDIRETA. ALTERAÇÃO DO LOCAL DE TRABALHO (MUNICÍPIO DE ITAJAÍ/ SC PARA O MUNICÍPIO DE JOINVILLE/SC). TRANSFERÊNCIA ILÍCITA. (...) As alterações do local de trabalho, além de englobarem as remoções não relevantes, abrangem as remoções relevantes (implicam efetiva alteração da própria residência do trabalhador, mas com aquiescência e comprovado interesse do empregado) e as remoções relevantes excepcionalmente situadas dentro do jus variandi empresarial. Especificamente em relação às remoções lícitas relevantes excepcionalmente situadas dentro do jus variandi empresarial, registra- se que esta envolve quatro situações-tipo enumeradas pela CLT, quais sejam: (a) quando ocorrer extinção do estabelecimento a que se vincula o empregado (§ 2º do art. 469 da CLT); (b) quando se tratar de empregado exercente de cargo de confiança (§ 1º do art. 469 da CLT); (c) quando se tratar de 63 empregado que tenha cláusula explícita ou implícita de transferibilidade (§ 1º do art. 469 da CLT); (d) transferência unilateral, desde que provisória e existindo real necessidade de serviço (§ 3º do art. 469 da CLT). Em todos estes casos, porém, a jurisprudência (Súmula 43/TST) já estendeu a noção de real necessidade do serviço para todas as situações autorizativas de transferência. (...) (AIRR – 287-65.2015.5.12.0005, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 17/08/2016, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 19/08/2016) Ainda, é lícita a transferência quando ocorrer extinção do estabelecimento em que trabalhar o empregado (§ 2º do Art. 469 da CLT). Observe esses dois julgados da SDI-I do TST sobre o tema: RECURSO DE EMBARGOS. ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA. OCORRÊNCIA DE ÚNICA TRANSFERÊNCIA DURANTE O CONTRATO DE TRABALHO. NATUREZA DA TRANSFERÊNCIA QUE PERDUROU POR UM ANO E NOVE MESES ATÉ A RESCISÃO DO CONTRATO. 1. A teor da Orientação Jurisprudencial 113 da SDI-1 desta Corte, o pressuposto legal apto a legitimar a percepção do adicional de transferência é a provisoriedade desta. 2. A celeuma existente quanto ao tema reside em definir quando uma transferência deve ser considerada provisória e quando deve ser ela tida como definitiva. 3. A provisoriedade deve ser aferida não apenas sob o enfoque do critério temporal, mas também devem ser considerados o ânimo (se provisório ou definitivo) e a sucessividade de transferências. 4. No caso dos autos, a única transferência perpetrada perdurou por aproximadamente um ano e nove meses, até a extinção do contrato de trabalho. Conquanto nenhum desses fatos isoladamente considerados seja determinante para se concluir pela definitividade da transferência, se apreciados em conjunto, afastam a conclusão de que o empregador tinha a pretensão de efetuar novas transferências, especialmente em razão de ter ocorrido uma única transferência que perdurou até o final do contrato, possibilitando, pois, a conclusão de que a transferência havida foi definitiva. 5. Assim, restando configurada a definitividade da última transferência, não é devido o adicional respectivo. Recurso de Embargos de que se conhece e a que se nega provimento (E-RR-653-56.2012.5.09.0567, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Relator Ministro João Batista Brito Pereira, DEJT 26/06/2020). (...) ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA – INEXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE À ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL N. 113 DA SBDI-(...) A 3ª Turma consignou que o reclamante foi transferido com mudança de domicílio quatro vezes nos oito anos em que perdurou seu contrato de trabalho, por determinação do reclamado. 2. Registrou, assim, o caráter sucessivo e provisório das transferências a ensejar o pagamento do adicional de transferência. 3. O acórdão embargado, dessa maneira, está em conformidade com a Orientação Jurisprudencial n. 113 da SBDI-1, segundo a qual o pressuposto legal apto a legitimar a percepção do mencionado adicional é a transferência provisória. (...) (Ag-E- ARR-11017-53.2015.5.15.0070, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Relator Ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, DEJT 08/05/2020). Em caso de necessidade de serviço, o empregador poderá transferir o empregado para localidade diversa da que resultar do contrato, não obstante as restrições anteriores, mas, nesse caso, ficará obrigado a um pagamento suplementar, nunca inferior a 25% (vinte e cinco por cento) dos salários que o empregado percebia naquela localidade, enquanto durar essa situação (§ 3º do Art. 469 da CLT). Leia a OJ 113 da SDI-I do TST: OJ 113 da SDI-I ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA. CARGO DE CONFIANÇA OU PREVISÃO CONTRATUALDE TRANSFERÊNCIA. DEVIDO. DESDE QUE A TRANSFERÊNCIA SEJA PROVISÓRIA (INSERIDA EM 20.11.1997) O fato de o empregado exercer cargo de confiança ou a existência de previsão de transferência no contrato de trabalho não exclui o direito ao adicional. O pressuposto legal apto a legitimar a percepção do mencionado adicional é a transferência provisória. Pode ser que não se trate de mudança de domicílio: (...) ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA (...) É de se concluir, portanto que, segundo os termos do artigo 469, caput, da CLT, não se considera transferência àquela que não acarretar necessariamente a mudança do domicílio do empregado, não bastando, portanto que essa se dê apenas em caráter provisório. Restando consignado no acórdão regional que o empregado permaneceu em hotel custeado pela empresa, não tendo fixado residência, portanto, na cidade em que foi realocado para prestar seu labor no período em questão, e que sua família continuou a residir na cidade de origem, é de se concluir que o autor não faz jus ao adicional de transferência. Recurso de revista conhecido e 64Legislação Trabalhista e Previdenciária provido. (...) (RR-1718-49.2012.5.04.0204, 7ª Turma, Relator Ministro Renato de Lacerda Paiva, DEJT 30/06/2020). Contudo: ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA. PROVISORIEDADE. HOSPEDAGEM PERMANENTE EM HOTEL. DOMICÍLIO. 1. Nos termos do disposto na Orientação Jurisprudencial n.º 113 da SBDI-I desta Corte superior, “o fato de o empregado exercer cargo de confiança ou a existência de previsão de transferência no contrato de trabalho não exclui o direito ao adicional. O pressuposto legal apto a legitimar a percepção do mencionado adicional é a transferência provisória”. 2. Assim sendo, configurada a transferência provisória, não é impeditivo ao deferimento do adicional de transferência o fato de o obreiro encontrar-se hospedado em hotel, pois, consoante já decidiu a 2ª Turma desta Corte superior (TSTRR– 112000- 33.2009.5.09.0007, Relator Ministro José Roberto Freire Pimenta, DeJT de 5/12/2014), o fato de o trabalhador haver morado em hotel, no período em que perdurou a transferência, não significa dizer que não houve mudança do seu domicílio ou residência. 3. Não evidenciado o caráter definitivo da transferência do reclamante, faz-se devido o pagamento de adicional de transferência em percentual não inferior a 25% (vinte e cinco por cento) dos salários pagos ao obreiro, nos exatos termos prescritos pelo artigo 469, § 3º, da CLT. 4. Recurso de Revista conhecido e provido (RR- 1598-98.2014.5.09.0041, 1ª Turma, Relator Desembargador Convocado Marcelo Lamego Pertence, DEJT 23/06/2017). Sobre o empregado transferido para o exterior, vejamos a Lei 7.064/82: Lei 7.064/82 Art. 4º Mediante ajuste escrito, empregador e empregado fixarão os valores do salário-base e do adicional de transferência. Art. 5º O salário-base do contrato será obrigatoriamente estipulado em moeda nacional, mas a remuneração devida durante a transferência do empregado, computado o adicional de que trata o artigo anterior, poderá, no todo ou em parte, ser paga no exterior, em moeda estrangeira. Art. 10. O adicional de transferência, as prestações “in natura”, bem como quaisquer outras vantagens a que fizer jus o empregado em função de sua permanência no exterior, não serão devidas após seu retorno ao Brasil. Sobre esse adicional: (...) 1. ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA. TRABALHO NO EXTERIOR. NATUREZA SALARIAL. INTEGRAÇÃO. REPERCUSSÃO NAS DEMAIS VERBAS TRABALHISTAS. NÃO CONHECIMENTO. I. No caso concreto, restou incontroverso que o contrato de trabalho encontrava- se disciplinado pela Lei n. 7.064/82, que dispõe sobre a situação de trabalhadores contratados ou transferidos para prestar serviços no exterior. II. Com efeito, esse diploma legal não preconiza a natureza indenizatória para o adicional de transferência nas hipóteses por ela disciplinadas, razão pela qual se atrai a aplicação da regra geral, já sedimentada na jurisprudência desta Corte Superior, no sentido de que o adicional de transferência detém natureza salarial e, enquanto percebido pelo empregado, integra o salário para todos os efeitos legais. (...) (ARR-696-35.2013.5.05.0222, 4ª Turma, Relator Ministro Alexandre Luiz Ramos, DEJT 24/05/2019). As despesas resultantes da transferência correrão por conta do empregador (Art. 470 da CLT). Aliás: RECURSO DE REVISTA. (...) AJUDA DE CUSTO. TRANSFERÊNCIA. DESPESAS DE RETORNO AO LOCAL DE ORIGEM. Consoante disposto no artigo 470 da CLT, “as despesas resultantes da transferência correrão por conta do empregador”. Referido preceito não limita a obrigação do empregador de custear somente as despesas de ida. A obrigação alcança também as despesas de retorno quando a transferência tenha sido por determinação do empregador e o trabalhador dispensado sem justa causa, ainda que a mudança ocorra após a rescisão contratual. Precedentes. Recurso de Revista não conhecido. (RR – 54600- 37.2012.5.17.0006, Relator Desembargador Convocado: Marcelo Lamego Pertence, Data de Julgamento: 18/11/2015, 1ª Turma, Data de Publicação: DEJT 20/11/2015) Por fim, conforme Súmula 29 do TST: Súmula 29 do TST TRANSFERÊNCIA (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 Empregado transferido, por ato unilateral do empregador, para local mais distante de sua residência, tem direito a suplemento salarial correspondente ao acréscimo da despesa de transporte. Assim, encerramos nosso estudo a respeito do adicional de transferência. 65 Retomando a aula Chegamos, assim, ao final de nossa aula. Espera-se que agora tenha ficado mais claro o entendimento de vocês sobre a proteção do trabalhador menor e das alterações contratuais. Vamos, então, recordar? 1 - Da proteção do menor Nesta seção, vimos que o trabalho do menor está protegido pela CLT. Assim, é possível compreender que ele tem direitos específicos, como, por exemplo, a limitação das horas extras, trabalho do aprendiz, intervalos e outros. Desse modo, entendemos que tal reflexão é importante porque poucos empregadores compreendem sobre a provisão legal dos direitos no âmbito trabalhista, garantido pela CLT e na Constituição Federal. 2 - Das alterações contratuais Nesta seção, vimos que a CLT garante as alterações contratuais. Assim, é possível compreender que existem seus limites e requisitos, como, por exemplo, a transferência de empregado para outra localidade. O principal tema estudado foi das garantias, que diz respeito a uma discussão importante sobre o não prejuízo para o empregado. Desse modo, entendemos que tal reflexão é importante porque a empresa deve garantir um contrato com direitos e obrigações, sem prejuízo para a parte mais fraca, ou seja, o empregado. Vale a pena MARTINEZ, Luciano. Curso de Direito do Trabalho. 11 ed. São Paulo: Saraiva, 2020. [Minha Biblioteca]. Vale a pena ler BRASIL. Consolidação das Leis Trabalhistas. Promulgada em 1º de maio de 1943. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 5. abr. 2022 Vale a pena acessar A relação de trabalho no Brasil. Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=GeKs6rjffA0. Acesso em: 5. abr. 2022 Documentário: História do Direito do Trabalho. Vale a pena assistir Minhas anotações