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OPERAÇÕES MINEIRAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Descrever o desmonte subaquático de rochas. > Diferenciar os tipos de perfuração OD e Odex nos desmontes subaquáticos. > Estimar o valor das cargas nos desmontes subaquáticos. Introdução As rochas são formadas por processos geológicos, geralmente de grande escala, resultando em enormes maciços rochosos. Com essas proporções geológicas, em afloramentos rochosos que contam, às vezes, com centenas a dezenas de quilômetros de extensão, torna-se inviável, e até mesmo impraticável, seu trato, carregamento e utilização para qualquer fim. O intemperismo e a erosão atuam sobre esses materiais, rompendo ligações químicas e sempre trabalhando no sentido de diminuição de suas proporções. Dessa forma, são gerados blocos, matacões, seixos, grãos do tamanho de areia, fraturas, etc. Porém, esses processos obedecem ao tempo geológico, atuando ao longo das eras, silenciosa e lentamente. Essa escala de tempo é ampla, muito superior à escala utilizada por nós, humanos, de modo que formas mais eficazes de fragmentações de rocha foram propostas. Para explorar muitos dos materiais pétreos, minerais e metais aprisionados nos grandes maciços, o ser humano desenvolveu técnicas para fragmentar as rochas, que recebem em geral o nome de desmonte. Hoje em dia, podemos dividi-las em dois tipos essenciais: desmontes a frio e desmonte a fogo. O primeiro tipo utiliza maquinário para fragmentar de forma direta a rocha, com o uso de picões, marteletes e rompedores, ao passo que o segundo tipo refere-se aos desmontes Desmonte subaquático Fernando Rodrigues da Luz com o emprego de explosivos. Ambas as técnicas são de suma importância nos mais diversos processos minerários do planeta, sendo possível aplicá-las de forma complementar, inclusive. Porém, as facilidades e desafios encontrados nos des- montes realizados em superfície não se comparam às dificuldades correlacionadas aos desmontes subaquáticos. Este procedimento requer uma gama muito superior não apenas de conhecimento, mas também de experiência, recursos e tecnologias. Neste capítulo, você vai conhecer as principais diferenças entre os desmontes realizados a céu aberto e aqueles executados sob a superfície das águas. Além disto, verá as principais vantagens dos desmontes subaquáticos e entenderá as aplicabilidades desse método, reconhecendo, por meio de exemplos práticos, como seus procedimentos são aplicados em campo. Os desmontes subaquáticos e suas particularidades Todas as operações envolvendo os desmontes subaquáticos trazem uma enorme gama de complexidade que precisa ser enfrentada por profissionais amplamente qualificados e com experiência na área. Existe uma diversidade de fatores que distinguem os desmontes realizados a céu aberto daqueles executados sob uma lâmina d’água. Em minerações a céu aberto, por exemplo, o maciço rochoso ou litologia mineralizada de interesse encontra-se muitas vezes visível, acessível às mais diversas técnicas e tipos de estudo. Nesse contexto, basta realizar uma boa caracterização do maciço a ser detonado, em suas respectivas estruturas, volumes, configurações, etc. Porém, quando o minério de interesse ou maciço rochoso a ser desmontado ocorre abaixo de uma lâmina d’água, essa facilidade de caracterização e de tomada de decisão é bastante prejudicada. Muitas informações precisam ser coletadas de forma indireta a partir de metodologias que muitas vezes não proporcionam uma análise tão criteriosa quanto as realizadas em superfície. Assim, além de ter as ferramentas necessárias para realização dos estudos é essencial que o profissional responsável pelo desmonte subaquático tenha expertise no assunto. Um dos aspectos que chama atenção no desmonte subaquático é que, mesmo ocorrendo abaixo da superfície d’água, tanto as perfurações quanto os carregamentos dos furos são realizados a partir da superfície, em ambiente seco. Para tanto, são utilizados equipamentos especializados nesse Desmonte subaquático2 serviço, que contam com bombas e sistemas vedantes que impedem que a água circundante adentre a malha de furos confeccionada. Mesmo com a aplicação desses equipamentos, restam sempre dificuldades comumente enfrentadas durante esses trabalhos, incluindo (SILVA, 2019): � desconhecimento das características específicas do maciço; � dificuldade em manter os furos abertos durante períodos de tempo mais dilatados; � manutenção dos furos sem ocorrência de desvios e variações nas angulações propostas; � altos custos envolvidos. Nas lavras a céu aberto, por exemplo, é comum a perfuração do maciço semanas antes da realização dos desmontes, sendo os furos apenas reco- bertos por material pétreo e/ou vegetal (brita, areia, galhos) para evitar que inundem ou concentrem sedimentos em demasia em seu interior. Assim, no dia da detonação, é realizado somente o preenchimento desses furos com o material explosivo. Essa facilidade logística não é encontrada nos des- montes subaquáticos, já que a pressão hidrostática e as correntes de água tendem a movimentar os instrumentos, além de atuarem constantemente para que a água ocupe o lugar do ar no interior dos furos. Por isso, os furos confeccionados nos maciços a serem desmontados sob a água devem ser logo preenchidos com o material detonante, sendo o desmonte realizado em período também próximo. As perfurações submarinas podem ser realizadas por mergulhadores e/ ou submarinos, os quais utilizam marteletes manuais ou mesmo carros sub- mergíveis. Além do altíssimo emprego tecnológico nesses equipamentos, que são traduzidos em altos custos, a realização dessas perfurações só é viável em pequenas áreas (50–75 m2) onde ainda ocorram pequenas lâminas d’água (máximo 15 m) (LÓPEZ JIMENO; LÓPEZ JIMENO; GARCÍA BERMÚDEZ, 2003). Além desses limitantes, podem ser citadas outras dificuldades, como a qualidade dos trabalhos, que fica limitada à experiência do operador do maquinário, além das condicionantes ambientais. Ademais, essa técnica não é usual em minerações que contêm bancadas muito elevadas, tendo em vista suas limitações de profundidade e área, também sendo necessário que o maciço esteja sem coberturas e conte com superfície suave e regular. Outra forma de realizar as perfurações necessárias para o desmonte de maciços rochosos submersos é usando barcaças flutuantes ou plataformas autoeleváveis (Figura 1). Tais estruturas não existem em larga escala, com padrões e especificações pré-definidas. A grande maioria é projetada e construída para trabalhos específicos, sendo posteriormente desmontadas. Desmonte subaquático 3 A superfície de trabalho dessas estruturas é definida pelo volume necessário de escavação, fator que condiciona também os equipamentos principais e auxiliares de trabalho. Os equipamentos principais são representados pelas perfuratrizes, compressores e reservatórios, ao passo que os auxiliares são os equipamentos elétricos, guindastes, mecanismos de acionamento, cabines de controle, etc. Geralmente, são construídas altas torres de perfuração, acopladas às plataformas em suas laterais ou mesmo em porções centrais. O intuito dessas estruturas elevadas é facilitar o trabalho de perfuração, evitando ao máximo a necessidade de troca ou expansão do sistema de hastes pelo acoplamento de novos segmentos (LÓPEZ JIMENO; LÓPEZ JIMENO; GARCÍA BERMÚDEZ, 2003). Figura 1. Tipos de barcaças flutuantes e barcaça/plataforma autoelevável. Fonte: López Jimeno, López Jimeno e García Bermúdez (2003, p. 310). Desmonte subaquático4 A mineração de petróleo em ambiente de mar aberto trouxe consigo a exigência de adequações das metodologias prospectivas comumente utilizadas, além de um grande avanço em tecnologias de desmonte, perfuração e extração desse minério do interior da crosta. A Petrobras, empresa estatal brasileira criada para extração e beneficiamento do petróleo e seus derivados, conta com diversos tipos de plataformas que realizam a perfuraçãode maciços subaquáticos, nas mais diversas profundidades. A empresa conta com platafor- mas fixas, que atuam em lâminas d’água de até 300 m, plataformas autoeleváveis (Figura 2), que atuam em até 150 m de profundidade, semissubmersíveis que atuam em até 2.000 m, além de navios-sonda e plataformas monocolunas. Figura 2. Plataforma autoelevável P-5, instalada no Rio Grande do Norte. Fonte: Petrobras (2014, documento on-line). Métodos de perfuração OD e Odex e suas diferenças As perfurações em rocha, mesmo em ambiente subaquático, podem seccionar vários tipos de rochas. Quando as perfurações para confecção das malhas de desmontes interceptam rochas frescas ou pouco alteradas, não há ne- cessidade de empregar proteções para manutenção do espaço aberto pela broca. Já quando as sondagens são realizadas sobre material inconsolidado, ou mesmo em rochas em avançado estado de alteração, há a necessidade de revestir os furos. Esta ação, principalmente em ambiente subaquático, onde a manutenção dos furos íntegros e abertos é difícil, visa a estabilização Desmonte subaquático 5 das paredes da sondagem, impedindo que ocorra sua desestabilização e o fechamento do furo por desmoronamento da própria litologia perfurada. Nessas condições, a perfuração para atravessar as litologias inconsoli- dadas ocorre ao mesmo tempo em que o revestimento é aplicado em suas paredes, até o ponto em que, em profundidade, seja alcançada a litologia sã e tal proteção não seja mais necessária. Esse tipo de perfuração deve contar com um sistema bastante eficiente de injeção do revestimento, que pode ser aplicado através de um adaptador com circulação central ou mesmo por meio de uma cabeça de perfuração independente ou lateral com alta pressão de fluído (LÓPEZ JIMENO; LÓPEZ JIMENO; GARCÍA BERMÚDEZ, 2003). Esses dois métodos são conhecidos como OD e Odex examinados mais a fundo a seguir. Método Odex O método Odex é baseado na implantação do revestimento como resultado de vibrações ocasionadas pela perfuratriz em conjunto com o próprio peso dos tubos de perfuração. O equipamento é constituído por uma ponteira perfuradora excêntrica, que executa uma sondagem com dimensão superior ao tubo exterior na medida em que avança no perfil de solo/rocha (Figura 3). A dimensão superior ao tubo exterior é alcançada ao acionar a broca no sentido da perfuração, ao passo que seu acionamento em sentido contrário faz com que ela retraia, volte à concentricidade e diminua seu diâmetro, podendo ser extraída do tubo (LÓPEZ JIMENO; LÓPEZ JIMENO; GARCÍA BERMÚDEZ, 2003). Figura 3. Sistema de perfuração pelo método Odex. Fonte: López Jimeno, López Jimeno e García Bermúdez (2003, p. 86). Desmonte subaquático6 Como já mencionado, existem duas variações no sistema de perfuração que permitem o uso dessa técnica. Com marteletes rotopercutivos ditos de “superfície”, a percussão é transmitida pelos tubos de revestimento através de uma estrutura de golpes, que realiza giros e vibra no processo. Já se a perfuração for realizada com martelete de fundo, o sistema apresenta uma unidade acoplada para realizar a transmissão da vibração, sendo a perfuração realizada através de uma cabeça de rotação (Figura 4). Figura 4. Tipos de brocas Odex: (a) martelete de superfície; (b) martelete de fundo. Fonte: Adaptada de López Jimeno, López Jimeno e García Bermúdez (2003). Martelete de superfície Unidade de rotação Tubos de perfuração Saída de detritos Manguito Martelete de fundo Guia Broca Broca-piloto Adaptador Manguito Varinha extensível Revestimento Estrutura de golpe Método OD Ao contrário do Odex, o método OD realiza o revestimento da sondagem por percussão e rotação, utilizando para isso um tubo exterior de revestimento em cuja extremidade inferior instala-se uma coroa de carboneto de tungstênio muito resistente. O sistema todo é interligado com manguitos independentes das ligações dos próprios tubos. Esses manguitos são acoplados a um mar- telete com adaptador específico para transferência da rotação e percussão. Nesse método, tanto o próprio tubo de perfuração quanto o de revestimento avançam juntos durante a perfuração. Ao atingir o substrato coerente (maciço Desmonte subaquático 7 rochoso), a coroa externa avança alguns centímetros a mais (LÓPEZ JIMENO; LÓPEZ JIMENO; GARCÍA BERMÚDEZ, 2003). Assim, é possível extrair o sistema de tubos, deixando apenas o revestimento aplicado, sendo os explosivos implantados posteriormente (Figura 5). Figura 5. Sistema de perfuração pelo método OD. Fonte: López Jimeno, López Jimeno e García Bermúdez (2003, p. 86). Relações de carga em desmontes subaquáticos Um dos requisitos operacionais de enorme importância para a realização de desmontes subaquáticos é o correto dimensionamento da malha e principal- mente dos volumes de explosivos necessários para o êxito final diante dos requisitos de granulometrias, volume liberado, etc. Para realização dessas ações sob lâminas d’água, é imprescindível o emprego de explosivos e siste- mas de ignição resistentes a água e pressão hidrostática. Nessas condições, o profissional responsável normalmente dispõe de apenas uma superfície Desmonte subaquático8 livre para realização das perfurações e desmontes. Assim, uma vez deter- minado o explosivo correto para o desmonte, o cálculo para determinação das quantidades necessárias de explosivos por furo (relação de carga — Rc) para desmontes subaquáticos é dado pelas seguintes fórmula (SILVA, 2019): Rcinclinados = 1,00 + 0,01 HA + 0,02 HC + 0,03 HR Rcverticais = 1,10 + 0,01 HA + 0,02 HC + 0,03 HR onde: � HA é a altura da lâmina d’água, � HC é a altura do campeamento do minério; � HR é a altura do maciço rochoso em si (minério). Na prática, a altura calculada para o minério a ser explorado também será a altura calculada para a bancada a ser desmontada. Com essas fórmulas, podem ser calculadas as razões de carga tanto para furos confeccionados de maneira inclinada quanto para furos verticais. O consumo específico médio de explosivos gira em torno de 0,5 a 3 kg/m3, mas esses valores podem variar conforme a granulometria do material e o tipo de draga utilizada para realização dos desmontes, conforme o Quadro 1. Quadro 1. Consumos específicos de explosivos com base no tipo de draga e granulometria do material desmontado Tipo de draga Granulometria máxima (cm) Consumo específico (kg/m3) Draga em rosário (esteira) 60 0,5–3 Cortadora com sucção 30 1 Concha bivalve 30 1 Concha escavadora 80 0,5–2,5 Fonte: Adaptado de López Jimeno, López Jimeno e García Bermúdez (2003). Outra especificidade dos desmontes subaquáticos é a definição de banca- das não muito altas, onde é possível determinar o diâmetro das perfurações necessárias com base na altura exigida para o desmonte. Assim, diâmetros com 30 mm formam bancadas de até 3 metros de altura; com 40 mm formam Desmonte subaquático 9 bancadas entre 2 e 5 metros de altura; com 51 mm, entre 3 e 8 metros de altura; com 70 mm, de 5 a 15 metros de bancadas; e furos com diâmetro de 100 mm são indicados para confecção de bancadas com alturas variando de 6 a 20 metros (LÓPEZ JIMENO; LÓPEZ JIMENO; GARCÍA BERMÚDEZ, 2003). Neste capítulo, você aprendeu as principais características dos desmontes subaquáticos na mineração, com destaque para as suas vantagens e des- vantagens. É importante destacar que o desmonte subaquático requer um planejamento prévio apurado, buscando selecionar a técnica de perfuração mais adequada para cada caso particular, assim como para otimizar o volume de explosivos necessários para atestação da viabilidade das técnicas. Referências BHANDARI, S. Engineering rock blasting operations. Rotterdam: A.A. Balkema, 1997. BHP BILLITON MITSUBISHI ASSOCIATION. Dredging and blasting environmental manage- ment plan. Brisbane: BMA, 2014. Disponível em: http://www.bhpbilliton.com/-/media/ bhp/regulatory-information-media/coal/bhp-billiton-mitsubishi-alliance/hay-point/ hay-point-coal-terminal-expansion-phase-3-hpx3/141211_coal_bma_haypoint_dred-gingandblastingenvironmentalmanagementplan.pdf. Acesso em: 21 jul. 2021. LÓPEZ JIMENO, C.; LÓPEZ JIMENO, E.; GARCÍA BERMÚDEZ, P. 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