Prévia do material em texto
FARINGOTONSILITES CLÍNICA CIRÚRGICA II – OTORRINO – THAYS LOPES – 8º SEMESTRE 2 DEFINIÇÃO: São infecções das vias aéreas superiores que acometem faringe, tonsilas palatinas (amígdalas) e tonsilas faríngeas (adenoides). Essas são as estruturas que compõem o anel linfático de Waldeyer (rede de tecido linfoide distribuídas nas vias aéreas superiores). Essas estruturas podem ser afetadas por vírus, bactérias, protozoários e fungos. EPIDEMIOLOGIA: · Doenças mais comuns na população geral; · Dor de garganta e IVAS são as queixas mais comuns; · Pico de incidência no período outono-inverno; · Predomínio maior em crianças de cinco a dez anos de idade; · Fatores de risco - idade, tabagismo, consumo de álcool, DM e estado de imunossupressão; · Prevalência de 15 a 30% em crianças e 5 a 10% em adultos, segundo dados epidemiológicos mundiais. FISIOPATOLOGIA · Flora normal cria um equilíbrio entre bactéria da oro e rinofaringe, agindo na inibição do crescimento ou aderência de outras bactérias; · Por algum motivo, as bactérias da flora normal da garganta se desequilibram, causando a queda da imunidade ou de barreira, o que gera um quadro infeccioso e/ou inflamatório na região das amígdalas palatinas ou adenoides. AGENTES ETIOLÓGICOS: · Vírus: adenovírus, influenza A e B, parainfluenza 1, 2, 3, Epstein BAAR e herpes simples; · Bactérias: estreptococo beta-hemolítico do grupo A (mais comum), staphylococcus aureus, moraxella catarrhalis e chlamydia. · Lembrar que o estreptococo beta-hemolítico do grupo A é o estreptococo pyogenes. QUADRO CLÍNICO: TONSILA FARÍNGEA: · Adenoidite aguda: quadro semelhante a IVAS generalizada, febre, rinorreia, obstrução nasal e roncos; · Adenoidite crônica: rinorreia persistente, halitose, congestão crônica e muito relacionado ao reflexo faringo-laríngeo. A adenoidite crônica pode estar relacionada a refluxo gastroesofágico. TONSULA PALATINA: · Amigdalite aguda: febre, dor de garganta, disfagia, adenomegalia cervical, hiperemia de amígdalas e pode haver exsudato; · Amigdalite crônica: dor de garganta crônica, halitose, cálculos amigdalianos excessivos, edema periamigdaliano e adenopatia cervical amolecida persistente. CLASSIFICAÇÕES CLÍNICAS: ERITEMATOSA: · Hiperemia difusa e aspecto congesto de toda mucosa faríngea, podendo ou não estar presente exsudato esbranquiçado; · Mais comum (90%); · Geralmente, de origem viral; · Sintomas sistêmicos: febre baixa ou moderada, tosse, coriza, obstrução nasal, ausência de adenopatia cervical e dores no corpo. ERITÊMATO-PULTÁCEA: · Presença de exsudato esbranquiçado ou purulento (nas criptas e nas superfícies das tonsilas palatinas); · Maior parte de causa bacteriana: estreptococos pyogenes beta-hemolítico do grupo A de Lancefield; · Dor faríngea, odinofagia e otalgia reflexa. PSEUDOMEMBRANOSA: · Formação de placas mais ou menos aderentes recobrindo as amígdalas, associada a edema da mucosa; · Edema de úvula e de palato; · Tríade clássica: faringite, febre e linfoadenomegalia; Principal causa é EBV (mononucleose infecciosa): nesses casos a úvula costuma estar preservada; pode se apresentar como eritêmato-pultácea. É comum inicialmente se achar que é de origem bacteriana e com a persistência e a resistência ao tratamento, se descobre que é a mononucleose; Difteria: secreção e eritema recobre toda a região da orofaringe, placas bem aderentes sangrantes e tentativa de remoção não preserva a úvula. É potencialmente fatal por poder causar obstrução na via aérea. Prevalência baixa por conta vacinação de DTP. Tratamento com soro diftérico. ÚLCERO-NECRÓTICA: · Formação de úlceras profundas associadas à necrose tecidual, muito comum na angina de Plaut-Vincent e cancro sifilítico; · Angina de Plaut-Vincent: infecção causa por duas bactérias saprofíticas - espiroqueta e fusobactéria (da flora normal). Geralmente unilateral e devido a má higiene bucal, bastante dolorosa; · Sífilis: observar comportamento de risco, bordas elevadas com fibrina e necrose; · Pensar em carcinoma na região das amígdalas. VESICULOSA: · Presença de vesículas ou de úlceras que ocorrem devido a erupção das vesículas; · Causadas usualmente pelo vírus herpes simples tipo 1; · Herpangina: causada pelos enterovírus Coxsakie A. Altamente contagiosa - lembra a herpes. Causa dor chamada angina. É uma doença que acomete crianças pequenas; · Síndrome mão-pé-boca é causada pelo Coxsakie A. VIRAL X BACTERIANO: · O quadro viral é mais espalhado e o bacteriano é mais concentrado. Além disso, a principal característica do bacteriano é a dor de garganta. · Otalgia reflexa pela estimulação do nervo glossofaríngeo. VÍRUS EPSTEIN-BARR (MONONUCLEOSE INFECCIOSA): · Indivíduos entre 15 e 25 anos de idade; · Comportamento de risco; · Geralmente bilateral; · Quando esse quadro for unilateral pense na Angina de Paul-Vincent; · Transmissão pela saliva ou contato próximo; · Apresentação clínica: febre alta, linfadenomegalia, angina, exsudato eritemato-pultáceo ou placas pseudomembranosas; · Pródromo: fadiga, mal-estar e mialgia. 1 a 2 semanas antes do início da febre; · Outros sintomas: artralgia, dor abdominal, esplenomegalia, exantema, hepatomegalia discreta - raramente com icterícia, náuseas, vômitos e tosse; · Diagnóstico diferencial: rubéola, escarlatina, toxoplasma gondii, HIV e tripanossoma cruzi; · Pode conter Rash cutâneo espontaneamente. · O exantema geralmente aparece quando o paciente é exposto a betalactâmico e geralmente ocorre quando há suspeita de infecção bacteriana por estreptococo, trata e aparece o rash. · Associar com a idade e saídas para festas; · Hemograma - leucocitose as custas de linfócitos, sem desvio + presença de linfócitos atípicos (que normalmente não estão presentes). Faz logo o hemograma pois sai mais rápido; · Sorologia - IgG e IgM para Epstein-Barr em casos graves e para confirmar diagnóstico após hemograma; · Na prescrição de ATB pode gerar rash cutâneo, em até 50% dos casos devido a exposição a penicilina. DIAGNÓSTICO: · Aftas é preditivo se infecção viral (herpes simples ou coxsackie A); · Sintomas gastrointestinais são comuns em crianças; · O diagnóstico é clínico e o tratamento é empírico devido a demora da cultura; · Sinal de Forccheimer (petéquias em palato) - em crianças com dor de garganta e febre alta = faringotonsilite estreptocócica. Altamente indicativo de estreptococos beta-hemolíticos do grupo A. TRATAMENTO CLÍNICO: VIRAIS: · Terapia de suporte: sintomáticos, analgésicos, hidratação, anestésicos tópicos e gargarejos antissépticos; · Autolimitada com melhora espontânea. BACTERIANA: · Antibioticoterapia empírica: penicilina G benzatina (50.000 U/kg IM em dose única), amoxicilina isoladamente ou associado ao ácido clavulânico durante 7 a 10 dias e cefalosporina de 2a geração durante 5 dias. · Se bacteriana recorrente: suspeita-se de bactérias que fazem produção de betalactamase (enzima que inativa penicilina). Utilizar, então, amoxicilina-clavulanato 40-50mg/kg/dia (7 a 10 dias) ou cefalosporina de 2a/3a gerações ou macrolídeos (utilizado em pacientes com alergias a outros ATB, alergia a penicilina). COMPLICAÇÕES: · Abcesso peritonsilar: ocorre abaulamento e deslocamento da tonsila palatina para a linha média, com a úvula rebatida para o lado da tonsila sem abcesso; · Trismo, coleção purulenta em torno das tonsilas e abaulamento no palato mole, medialização da amígdala e desvio da úvula para o lado contrário; · Tratamento é DRENAGEM (ambulatorial ou cirúrgica) + antibioticoterapia. Abcesso laterofaríngeo: abaulamento da parede lateral da faringe, disfagia unilateral intensa, endurecimento e empastamento do pescoço; Abcesso retrofaríngeo: o abcesso se desenvolve ao longo dos linfonodos retrofaríngeos na altura da coluna cervical, causando disfagia e dispneia. Com a migração da infecção para regiões mais inferiores ocorre um abaulamento da parede posterior da faringe, que pode propagar-se aos planos inferiores, até o mediastino - DANGER SPACE; Angina de Ludwig: celulite fulminante que se inicia no espaçosublingual ou submandibular, região cervical, causada por uma associação de aeróbios, anaeróbios e fusoespiroquetas. Comum em pacientes com má conservação dentária ou expostos a tratamentos dentários. Tratamento: manutenção das vias aéreas + antibioticoterapia venosa (pode necessitar de drenagem com cervicotomia). Estreptococos do grupo A: febre reumática (acometimento de válvulas cardíacas e das articulações), nefrite pós-estreptocócica, escarlatina e síndrome do choque tóxico. CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRATAMENTO CIRÚRGICO: Tonsilectomia ou amigdalectomia: Critérios de Paradise: · 3 ou mais episódios nos últimos anos; · 5 ou mais episódios nos últimos 2 anos; · 7 ou mais episódios no último ano Conjuntamente deve-se documentar a odinofagia associada a um ou mais sinais como: · Temperatura > 38,3 graus; · Adenopatia cervical; · Exsudato tonsilar; · Teste positivo para estreptococos beta-hemolíticos do grupo A. Outras indicações para amigdalectomia são: · Hipertrofia obstrutiva de tonsilas palatinas (apneia do sono e cor pumonale); · Abcesso peritonsilar recorrente; · Tonsilite críptica: formação de caseo e halitose importante; · Biopsia: suspeita de tumor maligno de tonsila palatina ou linfoma. · BOM SENSO E AVALIAÇÃO INDIVIDUALIZADA! CLASSIFICAÇÃO DE BRODSKY: · Grau 0: tonsilas não perceptíveis; · Grau I: obstrução até 25%; · Grau II: 25 a 50%; · Grau III: 50 a 75%; · Grau IV: >75% image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image1.png image2.png