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DIREITO EMPRESARIAL
TÍTULOS DE CRÉDITO
Sumário
1 FASES DO DIREITO CAMBIÁRIO 5
2 A FUNÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO 5
3 NATUREZA DA OBRIGAÇÃO CAMBIAL 6
4 TÍTULOS CAMBIAIS E TÍTULOS CAMBIARIFORMES 9
5 RIGOR CAMBIÁRIO 9
5.1. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL 9
5.2. CONCEITO DE TÍTULO DE CRÉDITO 11
5.3. PRINCÍPIOS CAMBIÁRIOS 11
5.3.1. Cartularidade ou documentalidade ou da incorporação (cártula = documento = título). “O que importa é a cártula!” 12
5.3.2. Princípio da literalidade 27
5.3.3. Princípio da autonomia 27
5.3.4. A informática e o futuro do direito cambiário 32
6 CARACTERÍSTICAS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO 32
6.1. OBRIGAÇÃO QUESÍVEL 33
6.2. OBRIGAÇÃO PRO SOLUTO E PRO SOLVENDO 33
6.2.1. Np pro soluto x Np pro solvendo 33
7 CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO 34
7.1. QUANTO AO MODELO 34
7.2. QUANTO À ESTRUTURA 34
7.3. QUANTO À HIPÓTESE DE EMISSÃO 34
7.4. QUANTO À CIRCULAÇÃO 35
8 LETRA DE CÂMBIO 37
8.1. CONCEITO 38
8.2. SAQUE 39
8.3. REQUISITOS 39
8.4. ACEITE 40
8.5. ENDOSSO 43
8.5.1. Conceito 44
8.5.2. Formalidade e Efeitos do Endosso: 44
8.5.3. Como se dá o endosso 45
8.5.4. Espécies de endosso 46
8.5.5. Modalidades de endosso 48
8.6. AVAL 50
8.6.1. Conceito 50
8.6.2. Equivalência obrigacional 50
8.6.3. Características 50
8.6.4. Como se dá o aval 51
8.6.5. Quem pode ser avalista 51
8.6.6. Formas de aval 51
8.6.7. Tipos de aval 52
8.6.8. Diferença entre aval e fiança 53
8.7. ESPÉCIES DE VENCIMENTO DE UMA LETRA DE CÂMBIO 55
8.8. PRAZO PRESCRICIONAL 56
8.9. PAGAMENTO 56
9 PROTESTO CAMBIAL 59
9.1. MODALIDADES DE PROTESTO 60
9.2. PRAZOS DE PROTESTO 61
10 AÇÃO CAMBIAL 63
11 RESSAQUE 64
12 NOTA PROMISSÓRIA 64
12.1. CONCEITO 65
12.2. REQUISITOS 66
12.3. COMPARATIVO: NOTA PROMISSÓRIA (NP) X LETRA DE CÂMBIO(LC) 67
12.4. A CLÁUSULA DE JUROS NOS TÍTULOS DE CRÉDITO 70
12.5. A CLÁUSULA-MANDATO (SÚMULA 60 DO STJ) 71
13 CHEQUE 72
13.1. CONCEITO 72
13.2. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO CHEQUE 76
13.3. TIPOS DE CHEQUE 79
13.4. SUSTAÇÃO DO CHEQUE 79
13.5. AÇÕES CABÍVEIS PARA COBRANÇA DO CHEQUE 80
13.6. PAGAMENTO 81
13.7. ASPECTOS CRIMINAIS 81
14 DUPLICATA 83
14.1. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL 84
14.2. CARACTERÍSTICAS 84
14.3. ELEMENTOS PESSOAIS 84
14.4. A DUPLICATA E O PRINCÍPIO DA CARTULARIDADE 84
14.5. ACEITE OU RECUSA DO ACEITE 84
14.6. PROTESTO DA DUPLICATA 86
14.7. EXECUÇÃO DA DUPLICATA (ART.15) 87
14.8. PRESCRIÇÃO 87
15 TÍTULOS DE CRÉDITO E FINANCIAMENTO RURAL, INDUSTRIAL, COMERCIAL E IMOBILIÁRIO 90
16. DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO 91
ATUALIZADO EM 16/03/2022[footnoteRef:1]
TÍTULOS DE CRÉDITO[endnoteRef:1]
1 FASES DO DIREITO CAMBIÁRIO
São 04 (quatro fases).
a) Período Italiano – até 1650: mercadores das cidades italianas / necessidade de operar com moedas diferentes em praças diversas (letras de câmbio);
b) Período francês: (1650 até 1848): surge o endosso / a letra de câmbio deixou de ser instrumento de pagamento para instrumento de crédito (podia ser repassado);
c) Período Germânico: (1848=1930): codificadas as normas disciplinadoras da cambial, separando-as das normas de direito comum / proteção especial ao terceiro adquirente de boa-fé, como forma de garantir a circulação do título;
d) Período Uniforme: aprovação, em 1930, das leis uniformes genebrinas sobre letras de câmbio e notas promissórias, e, em 1931, sobre cheques.
2 A FUNÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
A função primordial dos títulos de crédito é a mobilização do crédito. Sua finalidade é a circulação. O título de crédito só é verdadeiramente tal quando circula. Fora daí ele deve ser visto mais como documento, do que como título propriamente dito. Essa visão, aliás, vem sido tida pela jurisprudência, que não mais aceita o documento formal, como meio de o credor se beneficiar de uma situação de abstração ou autonomia. Assim é que em muitos casos, demonstrado que o título foi criado não para atender sua função primordial de circulação e mobilização do crédito, tem-se deixado de aplicar certos princípios favoráveis ao credor.
São conhecidos acórdãos que veem em notas promissórias emitidas unicamente como garantia de certos contratos de financiamento, ou de abertura de crédito, não mais um título abstrato, mas um documento representativo de um direito, para cujo exercício se impõe a demonstração da origem do débito. Por exemplo: as notas promissórias emitidas em branco pelos titulares de contas com cheque especial, modalidade do contrato de abertura de crédito. A cártula é preenchida pela instituição financeira (tal prática é vedada – ver Súmula 60 do STJ), englobando todos os débitos constantes da conta, com os encargos contratuais. Ao executar apenas o título, está na verdade o banco não se utilizando do mesmo em sua função, mas com forma de impedir ou dificultar ao extremo a defesa do executado, pois se executasse o contrato teria de anexar os demonstrativos contábeis.
Por isso, muitos comercialistas não veem como incorretas decisões que não aceitam o título para execução, exigindo a comprovação dos débitos mediante a anexação do contrato e dos demonstrativos contábeis. Súmula 258 do STJ – A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou. Súmula 233 do STJ - O contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado do demonstrativo do débito, não constitui título executivo extrajudicial, porquantocarece da liquidez característica dos títulos de crédito.
3 NATUREZA DA OBRIGAÇÃO CAMBIAL
A obrigação cambiária resulta de declaração unilateral de vontade por parte do subscritor do título e não de contrato celebrado com o beneficiário.
Os devedores de um título de crédito são solidários. Esta regra encontra-se no artigo 47 da Lei Uniforme de Genebra. O devedor solidário que paga ao credor a totalidade da dívida pode exigir, em regresso, dos demais devedores a quota-parte cabível a cada um.
Porém, na obrigação cambial há hierarquia entre os devedores de um mesmo título. Em relação a cada título, a lei irá escolher um para a situação jurídica de devedor principal, reservando aos demais a de co-devedores. Mesmo os co-devedores só terão direito de cobrar dos co-devedores que lhes antecederam.
Várias teorias tentam explicar a natureza dos títulos de crédito. Ex.:teorias contratualistas (existem contratos entre os envolvidos na relação cambiária) versusteorias da declaração unilateral de vontade (A fonte da obrigação cambiária reside na mera declaração unilateral de vontade de quem apõem sua assinatura no título).
Direito Brasileiro: O Código Civil Brasileiro incluiu os títulos ao portador entre as Obrigações por Declaração Unilateral de Vontade. Resta saber se foi adotada a sub-teoria da emissão (exige para a perfeição do vínculo cambiário que o título saia voluntariamente das mãos do subscritor) ou da criação (obrigação cambiária do sacador nasce no momento em que apõe sua assinatura no título). O art. 896 do CC reza que “o título de crédito não pode ser reinvindicado do portador que o adquiriu de boa-fé e na conformidade das normas que disciplinam a sua circulação”. Essa norma adota a teoria da criação porque considera legitimado o portador ainda que o título tenha sido posto em circulação sem ou contra a vontade do emitente, dispondo da mesma maneira que o artigo 26, al.2a da LUG.
Resumo - Brasil adotou a teoria da declaração unilateral de vontade e a subteoria da criação.
Demais:
Teoria do Contrato com Incerta Pessoa: Esta teoria foi adotada por Savigny, seguido por Jolly, Goldschmidt e Unger. Conforme seu enunciado, se contrata com alguém que não se sabe quem é, só o vindo a saber no momento da apresentação do título, ou seja, quando da sua exigibilidade. Nesse momento se descobrirá quem é o credor do título. Parte Savigny da ideia de que quem emite o título geralmente o faz em massa, estando a posse de fato sempre unida à presunção de propriedade.
Teoria do Germe: enunciada pelo famoso jurista Von Ihering, para esta teoria, o título seria como um germe que surge em mãos do devedor, mas que se formava quando circulava, essa era o momento da concepçãodo germe. O título só tem sentido para circular, é esse o seu objetivo, sua razão. O credor é o último portador. Rubens Requião, ao comentar a teoria do germe, afirma: “a declaração de vontade do emissor produz imediatamente um vínculo passivo da obrigação, porém não o direito de crédito correspondente; durante a circulação este existe em germe, em potencial, não pertence, porém, ao patrimônio de ninguém. Amadurece quando deixa de circular. Vivante a classificou como artificiosa, e pergunta: os milhões de títulos nas Bolsas, objeto do comércio, não existem?”.
Teoria da Personificação do Título: formulada por Schweppe, declara que o título é bastante em si, como se ele mesmo fosse o credor. Quando se assina um título, o devedor passa para ele um pouco de si, de sua personalidade, credibilidade, imagem. Como o título personifica o devedor, quem vai pagá-lo, paga a ele mesmo, ou seja, quando se paga o título é porque se quer resgatá-lo, não importando nas mãos de quem ele esteja. A pessoa se reintegrava com a aquisição do título que emitiu. Essa teoria foi contestada sob o argumento de que não pode haver crédito sem credor, uma vez que as coisas materiais não podem ser sujeitos de direitos.
Teoria da Promessa Unilateral: segundo essa teoria, que tem como precursores Einnert e Kuntze, o devedor promete sozinho, unilateralmente. Essa teoria inspirou um pouco o pensamento moderno no sentido de que o título não é simples documento probatório: a) é veículo de promessa; b) a promessa de pagamento é abstrata; independe da relação fundamental; c) não se trata de contrato, mas de promessa unilateral. Assim, surgiu a dúvida se o título é válido quando é emitido ou quando é criado, pois ele poderia ser extorquido.
As próximas teorias são as mais expressivas:
Teoria da Emissão: abraçada por Stobbe e Windscheid, preconiza que o emitente do título dele se desvincula quando o põe em circulação. Só após o abandono voluntário da posse, seja por ato unilateral, seja por tradição, é que nasce a obrigação do subscritor. Sem emissão voluntária não se forma o vínculo.
Teoria da Criação: formulada por Siegel e Kuntze, defende que o direito deriva da criação do título. A vontade do devedor já não importa para tal efeito obrigacional. É o título que cria a dívida. Observa Rubens Requião que “a consequência da teoria da criação é severa e grave. O título roubado ou perdido, antes da emissão, mas após a criação, leva consigo a obrigação do subscritor”.
Teoria do duplo sentido da vontade: segundo Vivante, autor desta teoria, há dois mundos, que não se comunicam: o mundo dos contratos e o mundo dos títulos. O devedor fica no meio dos dois. Não se pode trazer o fato de um contratante ter deixado de cumprir sua obrigação (no mundo dos contratos) para não pagar aquele que lhe apresentou o título (no mundo dos títulos). Assim, em relação ao seu credor, o devedor do título se obriga por uma relação contratual, motivo por que contra ele mantém intatas as defesas pessoais que o direito comum lhe assegura; em relação a terceiros, o fundamento da obrigação está na sua firma (do emissor), que expressa sua vontade unilateral de obrigar-se, e essa manifestação não deve defraudar as esperanças que desperta em sua circulação.
Para os defensores da chamada teoria da criação, a obrigação cambial nasce a partir da mera criação do título de crédito, ou seja, a partir da sua confecção material, que se consuma com a respectiva assinatura do sacador. Em contrapartida, para os adeptos da teoria da emissão, a obrigação cambial nasce apenas com a entrega voluntária do título de crédito ao tomador, o seu beneficiário.
A grande importância da distinção entre os pontos de vista das duas correntes se manifesta para a solução de casos em que o título seja extraviado ou posto em circulação contra a vontade do sacador. Para a teoria da criação, como a obrigação cambial já havia nascido desde a confecção do título, o sacador estará obrigado nessas situações. Por outro lado, para a teoria da emissão, a obrigação cambial ainda não teria se aperfeiçoado, e, portanto, o sacador não assumiria, nesses casos, obrigação cambial alguma.
O código Civil parece ter adotado a teoria da criação, uma vez que em seu art. 905, parágrafo único, determina que “a prestação é devida ainda que o título tenha entrado em circulação contra a vontade do emitente”. Por outro lado, em seu art. 896, o Código Civil previu que “o título de crédito não pode ser reivindicado do portador que o adquiriu de boa-fé e na conformidade das normas que disciplinam a sua circulação”.
4 TÍTULOS CAMBIAIS E TÍTULOS CAMBIARIFORMES
Títulos cambiais, genuínos, são a letra de câmbio e a nota promissória. Todos os demais títulos de créditos, como o cheque, a duplicata etc., são considerados apenas assemelhados ou cambiariformes, conforme leciona Pontes de Miranda. Contudo, as regras da letra de câmbio e da nota promissória aplicam-se aos títulos cambiariformes, em tudo que lhes for adequado, inclusive a ação de execução.
No direito brasileiro, leis especiais regulam os títulos de crédito, alguns usados em larga escala, outros sem grande utilização nas práticas comerciais. Podem ser mencionados: a letra de câmbio; a nota promissória; o cheque; a duplicata; os títulos de crédito rural (nota promissória rural, duplicata rural, cédula rural pignoratícia, cédula rural hipotecária, cédula rural pignoratícia e hipotecária e nota de crédito rural); os títulos de crédito industrial (cédula de crédito industrial e nota de crédito industrial); as debêntures; o warrant; o conhecimento de transportes; as ações; os títulos da dívida pública; a letra imobiliária; e a cédula hipotecária. Alguns destes são civis e outros empresariais.
5 RIGOR CAMBIÁRIO
Os títulos de crédito para valerem como tal devem obedecer a certos requisitos legais.
A Súmula 387 do Supremo Tribunal Federal diz que“a cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto.” (vide art. 891, CC/2002).
O Novo Código Civil adotou o princípio da liberdade de criação e emissão de títulos atípicos ou inominados, resultantes da criatividade da praxe empresarial, com base no princípio da livre iniciativa, pedra angular da ordem econômica (Constituição de 1988, arts. 1º e 170), visando a atender às necessidades econômicas e jurídicas do futuro, tendo em vista a origem consuetudinária da atividade mercantil.
5.1. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL
· Letra de câmbio/nota promissória = Decreto 57663/66 ou Lei uniforme de Genebra;
· Cheque = lei 5474/68;
· Duplicata = 7357/85
ATENÇÃO: Lei Uniforme de Genebra incorporada ao Brasil. STF disse ser sua forma de incorporação legítima e com status de lei ordinária, sendo apta a modificar a legislação ordinária já existente.
Obs.: O CC tem aplicação subsidiária.
Obs.: O CC/02 não está valendo para: letra de câmbio, nota promissória, cheque e duplicata, porque o artigo 903 dispõe que estão ressalvadas as leis especiais. As regras do CC/02 são supletivas às leis especiais. Exemplo: aval parcial, pelo CC/02, não é possível, mas a lei especial permite.
Entendemos, ainda, que as normas do CC/02, aplicam-se:
a) Aos títulos de crédito cuja legislação de regência não determine a aplicação subsidiária da legislação sobre letra de câmbio e nota promissória ou de qualquer outra lei sobre determinado título;
b) Aos títulos nominados, quando a lei de regência for silente sobre determinada matéria, como, por exemplo, título escritural (art. 889, § 3º).
Comentando o art. 903 do CC(salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código), Tepedino (Código Civil Interpretado), afirma que há duas possibilidades para interpretação do presente artigo:
a) O CC pretendeu regular os chamados títulos de crédito atípicos ou inominados, isto é, aqueles que não encontram regulamentação expressa nas leis, fixando requisitos mínimos dos títulos de crédito (na realidade quer o autor referir-se aos títulos não regulados,na conceituação de Fabio Ulhoa Coelho);
b) O CC quis estabelecer uma teoria geral dos títulos de crédito, de modo que, quando não são aplicáveis as normas constantes da legislação especial, seriam aplicáveis as normas do CC. Crítica: quase todas as matérias que o CC regula já se encontram previstas em leis especiais; regulou de forma contraditória em relação, por exemplo, à proibição de aval parcial.
Fabio Ulhoa Coelho sustenta que as normas sobre títulos de crédito encontradas no CC se aplicam apenas aos títulos que não possuírem na lei específica a definição das regras a aplicar (art. 903). É o que ele chama de título de crédito não regulado. Observa, contudo, que não há atualmente no direito brasileiro nenhum título em tais condições.
As normas do CC sobre títulos de crédito diferem-se das aplicáveis às letras de câmbio quanto ao seguinte: (i)proibição das cláusulas de juros (Q - A legislação especial da LC e NP admite expressamente cláusula de juros exclusivamente quando seu vencimento for a vista ou a certo tempo da vista),“não à ordem”, e exoneração de despesas; (ii) admissibilidade de títulos ao portador, se autorizado pela lei específica; (iii) não-vinculação do endossante ao pagamento do título como regra; (iv) não cabimento de aval parcial; (v) títulos nominativos são os emitidos em favor de pessoa cujo nome conste do registro do emitente (art. 921), não se cuidando de identificação do credor no próprio título, como ocorre com a letra de câmbio, mas sim em assentamento externos à cártula.
Em resumo, pode-se dizer que as normas relativas aos títulos de crédito trazidas no CC/02 só serão utilizadas há hipótese em que não venham a contrariar a lei especial, e em particular os tratados internacionais que disciplinam a matéria (Marcelo Bertoldi).
5.2. CONCEITO DE TÍTULO DE CRÉDITO
Cesare Vivante (seu conceito já foi cobrado em prova objetiva)- É o documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo nele mencionado. O próprio CC adotou o conceito de Vivante – Art. 887 CC - O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei.
Estão tratados junto com o Direito das Obrigações no artigo 887 e seguintes do NCC. Representam obrigações de natureza pecuniária. Não se confundem com a própria obrigação. As obrigações representadas em um título de crédito ou têm origem extracambial, como é o caso das originadas de contratos, ou têm origem exclusivamente cambial, como na obrigação do avalista.
5.3. PRINCÍPIOS CAMBIÁRIOS
Obs.: resumo do livro de questões
a) Cartularidade. Exceção: protesto da duplicata por indicação;
b) Literalidade. Exceção: aceite informado por escrito;
c) Autonomia. SUB – Abstração e inoponibilidade
Obs.: os títulos de crédito também possuem atributos:
· Executividade (são títulos executivos extrajudiciais, portanto, poderão ser objeto de ação de execução em caso de inadimplência);
· Negociabilidade (circulação. Foi criado para substituir a moeda, por isso eles têm grande poder de circulação).
5.3.1. Cartularidade ou documentalidade ou da incorporação (cártula = documento = título). “O que importa é a cártula!”
Por isso é chamado de documento dispositivo – imprescindíveis para o exercício do direito dele decorrente.
Resume-se em três frases:
1ªO crédito deve estar materializado em um documento (título). ex. Cheque de sete mil reais representa o crédito de sete mil reais.
2ªPara a transferência do crédito é necessária a transferência do documento (título). O crédito está então documentado. Por isso,para a transferência de um cheque não é suficiente o endosso (escrever que é para alguém). É necessária a tradição.
3ªNão há que se falar em exigibilidade do crédito sem a apresentação do documento. Posse. O exercício dos direitos representados por um título de crédito pressupõe sua posse. Quem não se encontra com o título em sua posse, não se presume credor. O princípio da cartularidade é garantia de que o sujeito que postula a satisfação do crédito é mesmo o seu titular (É uma garantia de que o credor não negociou o seu crédito.)
Implicações: (ii) a posse do título pelo devedor presume o pagamento; (ii) só é possível o protesto mediante apresentação do título; (iii) só é possível a execução mediante apresentação o do título.
Obs.:pelo princípio da cartularidade não se pode ajuizar a execução com cópia autenticada de título de crédito = regra geral. Há uma presunção de que quem tem a posse do título é o seu credor. O STJ, no entanto, admitiu excepcionalmente a execução com cópia autenticada de título, no caso de cheque que integra o inquérito policial ou uma ação penal.
Obs.: arquivo de processo civil (execução): O STJ afirma que se não houver risco de circulação, a inicial pode ser instruída por cópia (STJ 712.334/RJ). Não há necessidade de protesto do título de crédito para fins de executabilidade. O direito material cambiário pode substituir um requisito formal pelo protesto. Quem cria essa indisponibilidade é a lei (exemplo: duplicata sem aceite – precisa do protesto para executar).
#IMPORTANTE: Registre-se interessante decisão do Superior Tribunal de Justiça, que entendeu ser título executivo extrajudicial duplicatas virtuais – emitidas por meio magnético ou de geração eletrônica, não se exigindo, para o ajuizamento da execução judicial, a exibição do título. Também os boletos de cobrança bancária vinculados ao título virtual devidamente acompanhados dos instrumentos de protesto por indicação e dos comprovantes de entrega da mercadoria ou da prestação dos serviços suprem a ausência física do título cambiário eletrônico e constituem, em princípio, títulos executivos extrajudiciais.
Já o mero borderô (contrato de desconto bancário) não é considerado por si só um título executivo extrajudicial. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a executabilidade nesse caso dependerá do título de crédito dado em garantia ou à assinatura do devedor e de duas testemunhas. Temática importante.
Obs.: mitigações – duplicata virtual. O §3º do art. 889 do CC admite o título de créditos eletrônico: O título poderá ser emitido a partir dos caracteres criados em computador ou meio técnico equivalente e que constem da escrituração do emitente, observados os requisitos mínimos previstos neste artigo. Como funciona a duplicata virtual? Há um formulário eletrônico, há a assinatura, aval e endosso digitais. Se quero cobrar, realiza-se um aviso de cobrança. Na prática: empresa A (credora) preenche a duplicata eletrônica de 70 mil para daqui a 90 dias. Ela precisa antes desse dinheiro. Procura o banco e vende a duplicata por 67 mil (deságio). A empresa A transfere a duplicata para o banco. O banco (novo credor) emite o boleto bancário para que o devedor C pague. Se o devedor não pagar? O banco debita da conta da empresa A (antigo credor) o valor de 70 mil. A empresa A então emite um aviso de cobrança. Ex. Petrobrás forneceu combustível para o posto X, que ficou devendo 100 mil. A Petrobrás emitiu uma duplicata virtual. A duplicata foi transferida para o banco do Brasil que emitiu o boleto para o posto x. O posto x não pagou o boleto. O BB debitou da conta da Petrobrás o valor da duplicata. A Petrobrás vai cobrar a duplicata. Ela vai então ajuizar ação de execução. Cadê a duplicata se ela é eletrônica? Como vai ajuizar essa execução sem documentação? Se o processo for eletrônico não haverá problema. Se não for eletrônico - a Petrobrás junta então o boleto, o protesto e o comprovante de entrega da mercadoria. Faz o protesto (a lei de protesto admite o protesto por indicações – quando não tenho a duplicata vou até o tabelionato de protesto e informo os dados da duplicata eletrônica, respondendo civil e penalmente por essas informações). Esse protesto comprova a inadimplência. O posto X apresenta então embargos aduzindo que não foi observado o princípio da cartularidade, que foram acolhidos pelo juiz. O TJ/PR reformou essa decisão, afirmando a possibilidade deexecução de título de crédito eletrônico nos moldes documentados. Essa questão chegou ao STJ (Inf 467), que chancelou o entendimento do TJ/PR, afirmando que a documentação supre a ausência física do título. RESUMO: Requisitos para executar duplicata virtual: boleto, protesto, comprovante de entrega da mercadoria.
*#ATUALIZAÇÃOLEGISLATIVA #DIZERODIREITO: A Lei 13.775/2018: regulamenta a duplicata sob a forma escritural ("duplicata virtual"). Foi publicada ontem (21/12/2018) uma importantíssima lei tratando sobre Direito Empresarial. Trata-se da Lei nº 13.775/2018, que regulamente a duplicata sob a forma escritural.
Vamos entender sobre o que trata a lei. Antes, no entanto, acho importante fazermos uma revisão sobre os principais aspectos da duplicata.
NOÇÕES GERAIS SOBRE DUPLICATA
Conceito de duplicata
Duplicata é...
- um título de crédito
- que consiste em uma ordem de pagamento emitida pelo próprio credor
- por conta de mercadorias que ele vendeu ou de serviços que prestou
- e que estão representados em uma fatura
- devendo ser paga pelo comprador das mercadorias ou pelo tomador dos serviços.
Título de crédito genuinamente brasileiro
A duplicata foi criada pelo direito brasileiro, sendo considerada um título genuinamente brasileiro.
Regulamentação
A duplicata é regida pela Lei nº 5.474/68 e, agora, também pela Lei nº 13.775/2018.
O que é a fatura?
A fatura é um documento emitido pelo vendedor ou prestador de serviços no qual são discriminadas as mercadorias que foram vendidas ou os serviços prestados.
Na fatura constam a descrição e os preços dos produtos vendidos ou do serviço prestado.
Todas as vezes que for celebrado um contrato de compra e venda mercantil entre partes domiciliadas no Brasil, com prazo não inferior a 30 dias, contado da data da entrega ou despacho das mercadorias, o vendedor é obrigado a extrair uma fatura para apresentar ao comprador (art. 1º, da Lei nº 5.474/68).
No caso de prestação de serviços (qualquer prazo) ou de compra e venda inferior a 30 dias, a emissão de fatura é facultativa.
Duplicata e fatura são documentos diferentes
A fatura não é título de crédito. O título é a duplicata, que é emitida a partir de uma fatura. A fatura apenas prova a existência do contrato.
Exemplo de emissão de duplicata
O distribuidor “SILVA & SOUZA Ltda.” vendeu para a loja “Bompé” 70 pares de sapatos.
O distribuidor (vendedor) extrai uma fatura dos produtos e emite uma duplicata mercantil dando uma ordem à loja (compradora) para que ela pague ao próprio vendedor o preço dos pares de sapato e eventuais encargos contratuais.
Espécies de duplicata
• Duplicata mercantil: emitida por causa da compra e venda mercantil.
• Duplicata de serviços: emitida por causa da prestação de serviços.
Características da duplicata
a) Título causal: a duplicata só pode ser emitida para documentar o crédito decorrente de dois negócios jurídicos: a compra e venda mercantil ou a prestação de serviços. Essa causa da duplicata é mencionada no próprio título. Por conta dessa característica, alguns autores afirmam que se trata de um título impróprio. Obs: o contrário dos títulos causais são os “não causais” ou “abstratos”, como o caso da nota promissória.
b) Ordem de pagamento.
c) Título de modelo vinculado (título formal): os padrões de emissão da duplicata são fixados pelo Conselho Monetário Nacional. A duplicata somente produz efeitos cambiais se observado o padrão exigido para a constituição do título.
Emissão da duplicata
O vendedor ou prestador dos serviços emite a fatura discriminando as mercadorias vendidas ou os serviços prestados. Com base nessa fatura, esse vendedor ou prestador poderá emitir a duplicata.
Toda duplicata sempre terá origem em uma fatura.
Uma duplicata só pode corresponder a uma única fatura (art. 2º, § 2º, da Lei nº 5.474/68).
Remessa da duplicata para aceite
Aceite é o ato por meio do qual o sacado se obriga a pagar o crédito constante do título na data do vencimento.
Assim, emitida a duplicata, nos 30 dias seguintes, o sacador (quem emitiu o título) deve remeter o título ao sacado (comprador ou tomador dos serviços) para que ele assine a duplicata no campo próprio para o aceite, restituindo-a ao sacador no prazo de 10 dias.
O aceite na duplicata é obrigatório
Na duplicata, o título documenta uma obrigação surgida a partir de um contrato de compra e venda mercantil ou de prestação de serviços.
Desse modo, se o vendedor/prestador do serviço, que no caso foi o sacador, cumpriu as suas obrigações contratuais, não há motivo para o devedor recusar o aceite.
Em virtude dessa circunstância, a doutrina afirma que o aceite na duplicata é, em regra, obrigatório, somente podendo ser recusado nas hipóteses previstas nos arts. 8º e 21 da Lei nº 5.474/68.
Recusa do aceite
Como vimos, o aceite é, em regra, obrigatório.
As hipóteses previstas na lei em que o aceite pode ser recusado estão relacionadas com situações em que o sacador (vendedor ou prestador dos serviços) não cumpriu corretamente suas obrigações contratuais ou em que há divergência entre aquilo que foi combinado no contrato e o que consta da duplicata. Vejamos:
Recusa do aceite na duplicata mercantil:
Art. 8º O comprador só poderá deixar de aceitar a duplicata por motivo de:
I - avaria ou não recebimento das mercadorias, quando não expedidas ou não entregues por sua conta e risco;
II - vícios, defeitos e diferenças na qualidade ou na quantidade das mercadorias, devidamente comprovados;
III - divergência nos prazos ou nos preços ajustados.
Recusa do aceite na duplicata de serviços:
Art. 21. O sacado poderá deixar de aceitar a duplicata de prestação de serviços por motivo de:
I - não correspondência com os serviços efetivamente contratados;
II - vícios ou defeitos na qualidade dos serviços prestados, devidamente comprovados;
III - divergência nos prazos ou nos preços ajustados.
Tipos de aceite
a) aceite ordinário: ocorre quando o sacado (comprador ou tomador dos serviços), não encontra nenhum problema em aceitar e, por isso, assina em um campo próprio localizado na frente (anverso) do título, devolvendo-o em seguida.
b) aceite presumido: ocorre quando o sacado resolve não assinar ou não devolver a duplicata assinada, no entanto, ao receber as mercadorias compradas ele assinou o comprovante de recebimento, sem fazer qualquer ressalva quanto aos bens adquiridos. Ora, se ele recebeu normalmente as mercadorias é porque se presume que o vendedor cumpriu sua obrigação contratual. Logo, esse comprador deveria ter feito o aceite da duplicata. Nesses casos, o sacador deverá fazer o protesto do sacado por falta de aceite ou por falta de pagamento.
Diante disso, é admitido como aceite presumido da duplicata:
O comprovante de entrega das mercadorias assinado pelo sacado acompanhado do instrumento do protesto do título por falta de aceite ou falta de pagamento.
c) aceite por comunicação: ocorre quando o sacado retém o título e expressa o aceite em carta ou comunicado. Essa comunicação, mesmo escrita fora do título, produz os mesmos efeitos do aceite.
Protesto
Protesto de títulos é o ato público, formal e solene, realizado pelo tabelião de protesto, com a finalidade de provar:
i) a inadimplência do devedor
ii) o descumprimento de obrigação constante de título de crédito; ou
iii) qualquer outro ato importante relacionado com o título (ex: falta de aceite).
No caso da duplicata, para que serve o protesto?
O protesto poderá servir para provar três situações distintas:
i) a falta de pagamento;
ii) a falta de aceite da duplicata;
iii) a falta de devolução da duplicata;
Protesto por indicações
O procedimento para que haja o protesto de um título de crédito é, resumidamente, o seguinte:
1) O credor leva o título até o tabelionato de protesto e faz a apresentação, pedindo que haja o protesto, e informando os dados e endereço do devedor;
2) O tabelião de protesto examina os caracteres formais do título;
3) Se o título não apresentar vícios formais, o tabelião realiza a intimação do suposto devedor no endereço apresentado pelo credor;
4) A intimaçãoé realizada para que o apontado devedor, no prazo de 3 dias, pague ou providencie a sustação do protesto antes de ele ser lavrado.
5) Se o devedor ficar inerte ou tentar e não conseguir sustar o protesto, será lavrado e registrado o protesto.
O procedimento do protesto da duplicata é exatamente este acima explicado, havendo, no entanto, uma diferença: o chamado protesto por indicações. Como vimos acima, na etapa 1, para que haja o protesto, é necessário que o credor leve o título original. Assim, em regra, para o protesto de títulos de crédito, exige-se a apresentação do original em razão do princípio da cartularidade. Ocorre que, como já vimos também, existe a possibilidade de o sacado (comprador ou tomador dos serviços) receber a duplicata para fazer o aceite e acabar não devolvendo o título para o sacador. Desse modo, além de não apor o aceite, o devedor não devolve o título. Nesse caso, se fosse exigida a apresentação do título, o protesto seria impossível, já que o título ficou em poder do devedor. Logo, se o sacado não devolveu a duplicata, o sacador (vendedor ou prestador dos serviços) poderá fazer o protesto da duplicata por indicações (dando apenas as informações do título), ou seja, sem apresentar a duplicata no Tabelionato de Protesto. Se a duplicata foi remetida para aceite e não foi devolvida pelo sacado, poderá haver protesto mediante simples indicações dos dados do título, ou seja, são fornecidas ao Tabelionato de Protesto as informações do título retiradas do Livro de emissão de duplicatas, livro que é obrigatório para os empresários que emitem duplicata. Essas indicações da duplicata poderão ser encaminhadas, inclusive, por meio magnético ou de gravação eletrônica de dados, sendo de inteira responsabilidade do apresentante os dados fornecidos, ficando a cargo dos Tabelionatos a mera instrumentalização das mesmas (art. 8º, parágrafo único, da Lei n.° 9.492/97). O protesto por indicações somente pode ser feito no caso de falta de devolução ou também nas hipóteses de falta de aceite ou de falta de pagamento?
1ª corrente: o protesto por indicações somente pode ser feito no caso de falta de devolução. Posição tradicional defendida por Wille Duarte Costa.
2ª corrente: o protesto por indicações pode ser feito em qualquer hipótese. É defendida pela doutrina mais moderna, como Fábio Ulhoa Coelho e Marlon Tomazette.
DUPLICATA VIRTUAL
Espécies de duplicata
Conforme explica Marcelo Augusto de Barros, na prática, existem hoje em dia, três espécies de duplicatas:
1) as assinadas em papel. São as tradicionais, porém atualmente em desuso;
2) as assinadas por certificado digital, conforme autoriza a MP 2.200-2/2001. Chamadas no mercado de securitização de recebíveis de “duplicata digital”;
3) as que sequer são emitidas formalmente, correspondentes às informações presentes nos boletos bancários. Ficaram conhecidas pela denominação “duplicata virtual” a partir do julgamento do EREsp 1024691 pelo STJ em 2012.
Lei nº 13.775/2018
A Lei nº 13.775/2018 “dispõe sobre a emissão de duplicata sob a forma escritural”.
“Duplicata sob a forma escritural” nada mais é do que aquilo que a doutrina e a jurisprudência chamaram de “duplicata virtual” (o terceiro grupo acima exposto). Outro sinônimo para o instituto é “duplicata eletrônica”.
Assim, o objetivo da Lei nº 13.775/2018 foi o de regulamentar a prática da duplicata virtual, utilizando, contudo, uma nomenclatura mais técnica, qual seja, “duplicata sob a forma escritural”.
Como funciona uma “duplicata virtual” (duplicata sob a forma escritural)
1) O contrato de compra e venda ou de prestação de serviços é celebrado.
2) Em vez de emitir uma fatura e uma duplicata em papel, o vendedor ou fornecedor dos serviços transmite em meio magnético (pela internet) a uma instituição financeira os dados referentes a esse negócio jurídico (partes, relação das mercadorias vendidas, preço etc.).
3) A instituição financeira, também pela internet, encaminha ao comprador ou tomador de serviços um boleto bancário para que o devedor pague a obrigação originada no contrato. Ressalte-se que esse boleto bancário não é o título de crédito. O título é a duplicata que, no entanto, não existe fisicamente. Esse boleto apenas contém as características da duplicata virtual.
4) Se chegar o dia do vencimento e não for pago o valor, o credor ou o banco (encarregado da cobrança) encaminharão as indicações do negócio jurídico ao Tabelionato, também em meio magnético, e o Tabelionato faz o protesto do título por indicações.
5) Após ser feito o protesto, se o devedor continuar inadimplente, o credor ou o banco ajuizarão uma execução contra ele, sendo que o título executivo extrajudicial será: o boleto de cobrança bancária + o instrumento de protesto por indicação + o comprovante de entrega da mercadoria ou da prestação dos serviços.
Previsão legal
A Lei de Duplicatas (Lei nº 5.474/68) não previu as chamadas duplicatas virtuais, até mesmo porque naquela época os sistemas informatizados ainda não estavam tão desenvolvidos. A Min. Nancy Andrighi afirmava, contudo, mesmo antes da Lei nº 13.775/2018, que as duplicatas virtuais tinham previsão legal no art. 8º, parágrafo único, da Lei nº 9.492/97 e no art. 889, § 3º do CC-2002. Agora, a Lei nº 13.775/2018 disciplinou a duplicata sob forma escritural (duplicata virtual).
Antes da Lei nº 13.775/2018, a duplicata virtual já era considerada válida?
SIM. Em 2012, o STJ pacificou o entendimento que é válida a duplicata virtual. Confira a ementa:
(...) 2. Embora a norma do art. 13, § 1º, da Lei 5.474/68 permita o protesto por indicação nas hipóteses em que houver a retenção da duplicata enviada para aceite, o alcance desse dispositivo deve ser ampliado para harmonizar-se também com o instituto da duplicata virtual, conforme previsão constante dos arts. 8º e 22 da Lei 9.492/97.
3. A indicação a protesto das duplicatas mercantis por meio magnético ou de gravação eletrônica de dados encontra amparo no artigo 8º, parágrafo único, da Lei 9.492/97. O art. 22 do mesmo Diploma Legal, a seu turno, dispensa a transcrição literal do título quando o Tabelião de Protesto mantém em arquivo gravação eletrônica da imagem, cópia reprográfica ou micrográfica do título ou documento da dívida.
4. Quanto à possibilidade de protesto por indicação da duplicata virtual, deve-se considerar que o que o art. 13, § 1º, da Lei 5.474/68 admite, essencialmente, é o protesto da duplicata com dispensa de sua apresentação física, mediante simples indicação de seus elementos ao cartório de protesto. Daí, é possível chegar-se à conclusão de que é admissível não somente o protesto por indicação na hipótese de retenção do título pelo devedor, quando encaminhado para aceite, como expressamente previsto no referido artigo, mas também na de duplicata virtual amparada em documento suficiente.
5. Reforça o entendimento acima a norma do § 2º do art. 15 da Lei 5.474/68, que cuida de executividade da duplicata não aceita e não devolvida pelo devedor, isto é, ausente o documento físico, autorizando sua cobrança judicial pelo processo executivo quando esta haja sido protestada mediante indicação do credor, esteja acompanhada de documento hábil comprobatório da entrega e recebimento da mercadoria e o sacado não tenha recusado o aceite pelos motivos constantes dos arts. 7º e 8º da Lei.
(...)
7. O protesto de duplicata virtual por indicação apoiada em apresentação do boleto, das notas fiscais referentes às mercadorias comercializadas e dos comprovantes de entrega e recebimento das mercadorias devidamente assinados não descuida das garantias devidas ao sacado e ao sacador.
8. Embargos de divergência conhecidos e desprovidos.
STJ. 2ª Seção. EREsp 1024691/PR, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 22/08/2012.
Assim, segundo decidiu o STJ, as duplicatas virtuais emitidas e recebidas por meio magnético ou de gravação eletrônica podem ser protestadas por mera indicação, de modo que a exibição do título não é imprescindível para o ajuizamento da execução, conforme previsto no art. 8º, parágrafo único, da Lei nº9.492/97.
Os boletos de cobrança bancária vinculados ao título virtual, devidamente acompanhados dos instrumentos de protesto por indicação e dos comprovantes de entrega da mercadoria ou da prestação dos serviços, suprem a ausência física do título cambiário eletrônico e constituem, em princípio, títulos executivos extrajudiciais.
REGULAMENTAÇÃO DA LEI 13.775/2018
Como vimos acima, a jurisprudência do STJ já admitia a duplicata sob a forma escritural (chamada de “duplicata virtual” ou “eletrônica”).
No entanto, como ainda havia resistência por parte de alguns doutrinadores e Tribunais, fez bem o legislador ao disciplinar o tema, fixando a possibilidade expressa dessa prática.
Vejamos agora um resumo dos principais pontos tratados pela Lei nº 13.775/2018:
Duplicata sob a forma escritural
Conforme já mencionado, a Lei nº 13.775/2018 opta por não utilizar o nome “duplicata virtual”, falando, portanto, em duplicata sob a forma escritural.
Assim, a Lei nº 13.775/2018 dispõe sobre a emissão de duplicata sob a forma escritural.
Autorização expressa para duplicata sob a forma escritural
A Lei inicia enunciando, em seu art. 2º, que:
A duplicata (Lei nº 5.474/68) pode ser emitida sob a forma escritural, para circulação como efeito comercial, devendo observar as regras da Lei nº 13.775/2018.
Assim, não há mais dúvidas de que a “duplicata virtual” é admitida pelo Direito brasileiro.
Entidades que irão exercer a atividade de escrituração
A Lei prevê que a atividade de escrituração de duplicatas escriturais será feita por entidades que irão se especializar nisso. No entanto, tais entidades somente poderão prestar esse serviço após serem autorizadas “por órgão ou entidade da administração federal direta ou indireta a exercer a atividade de escrituração de duplicatas” (art. 3º, § 1º).
Essas entidades, muito provavelmente, serão instituições financeiras.
A Lei não diz qual será esse órgão ou entidade da administração federal, no entanto, muito provavelmente, será o Banco Central ou o Conselho Monetário Nacional.
Tais entidades deverão manter um sistema eletrônico de escrituração onde serão feitos os lançamentos das emissões de duplicata sob a forma escritural.
*#SELIGA! O decreto nº 9.769, de 16 de abril de 2019, previu que:
Art. 1º Compete exclusivamente ao Banco Central do Brasil autorizar o exercício da atividade de escrituração de duplicatas escriturais.
Emissão
Como dito acima, a emissão de duplicata sob a forma escritural deve ser feita mediante lançamento em sistema eletrônico de escrituração gerido por uma das entidades que exerçam a atividade de escrituração de duplicatas escriturais.
Apresentação
A apresentação da duplicata escritural será efetuada por meio eletrônico, observados os prazos determinados pelo órgão ou entidade da administração federal que regulamentar a Lei nº 13.775/2018 (provavelmente o BACEN ou o CMN).
Enquanto não houver prazo fixado na regulamentação, este será de 2 dias úteis contados de sua emissão.
Recusa
O devedor poderá, por meio eletrônico, recusar, no prazo, nas condições e pelos motivos previstos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 5.474/68 (Lei das Duplicatas), a duplicata escritural apresentada ou, no mesmo prazo acrescido de sua metade, aceitá-la.
Veja o que dizem os arts. 7º e 8º da Lei das Duplicatas:
Art. 7º A duplicata, quando não for à vista, deverá ser devolvida pelo comprador ao apresentante dentro do prazo de 10 (dez) dias, contado da data de sua apresentação, devidamente assinada ou acompanhada de declaração, por escrito, contendo as razões da falta do aceite.
§ 1º Havendo expressa concordância da instituição financeira cobradora, o sacado poderá reter a duplicata em seu poder até a data do vencimento, desde que comunique, por escrito, à apresentante o aceite e a retenção.
§ 2º - A comunicação de que trata o parágrafo anterior substituirá, quando necessário, no ato do protesto ou na execução judicial, a duplicata a que se refere.
Art. 8º O comprador só poderá deixar de aceitar a duplicata por motivo de:
I - avaria ou não recebimento das mercadorias, quando não expedidas ou não entregues por sua conta e risco;
II - vícios, defeitos e diferenças na qualidade ou na quantidade das mercadorias, devidamente comprovados;
III - divergência nos prazos ou nos preços ajustados.
Protesto
Um dos requisitos da duplicata tradicional (chamada de “cartular” ou “não escritural”) é que ela deverá conter “a praça de pagamento” (art. 2º, § 1º, VI, da Lei nº 5.474/68).
Essa informação é importante porque o protesto da duplicata deverá ser tirado na praça de pagamento constante do título (art. 13, § 3º da Lei nº 5.474/68).
E no caso das duplicatas virtuais?
A Lei nº 13.775/2018 diz que:
Para fins de protesto, a praça de pagamento das duplicatas escriturais deverá coincidir com o domicílio do devedor, ou seja, a praça de pagamento é o domicílio do devedor.
O que é o domicílio do devedor?
O domicílio das demais pessoas jurídicas é o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos (art. 75, caput, do Código Civil).
Se a pessoa jurídica tiver diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados (art. 75, § 1º, do CC).
Exceção:
As partes podem combinar, de forma expressa, que o protesto será tirado em outro local que não é o domicílio do devedor segundo as regras fixadas no art. 75 do Código Civil. Para isso, no entanto, é necessário que fique demonstrada a concordância inequívoca do devedor.
Essa exceção é prevista no art. 12, § 3º da Lei nº 13.775/2018 e no art. 327 do Código Civil:
Art. 327. Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor, salvo se as partes convencionarem diversamente, ou se o contrário resultar da lei, da natureza da obrigação ou das circunstâncias.
Resumindo:
• protesto da duplicata escritural deve ser tirado na praça de pagamento.
• em regra, a praça de pagamento das duplicatas escriturais é o domicílio do devedor.
• assim, em regra, o protesto da duplicata escritural deve ser realizado no domicílio do devedor.
• as partes poderão convencionar (combinar) de modo diverso. No entanto, isso deve ser feito de forma expressa e desde que se demonstre a concordância inequívoca do devedor.
Central Nacional de RTD
A Lei nº 13.775/2018 prevê que deverá ser criada uma “Central Nacional de Registro de Títulos e Documentos”.
Esta Central será, então, autorizada a fazer a escrituração de duplicadas.
No caso de escrituração de duplicata feita pela Central Nacional de Registro de Títulos e Documentos, a referida escrituração será de responsabilidade do oficial de registro do domicílio do emissor da duplicata.
Se o oficial de registro ainda não estiver integrado ao sistema central (ex: algum Município do interior), a competência para a escrituração será transferida para o oficial de registro da Capital do Estado.
O valor total dos emolumentos cobrados pela Central Nacional de Registro de Títulos e Documentos para a prática de escrituração de duplicatas será fixado pelos Estados e pelo Distrito Federal, observado o valor máximo de R$ 1,00 (um real) por duplicata.
Aspectos do título que deverão ser, obrigatoriamente, escriturados
Como vimos acima, a emissão de duplicata sob a forma escritural será feita mediante lançamento em sistema eletrônico de escrituração gerido por entidade autorizada.
O art. 4º da Lei nº 13.775/2018 diz então que, neste sistema eletrônico, deverá haver a escrituração, no mínimo, dos seguintes aspectos:
I - apresentação, aceite, devolução e formalização da prova do pagamento;
II - controle e transferência da titularidade;
III - prática de atos cambiais sob a forma escritural, tais como endosso e aval;
IV - inclusão de indicações, informações ou de declarações referentes à operação com base na qual a duplicata foi emitida ou ao próprio título; e
V - inclusão de informações a respeito de ônus e gravames constituídos sobre as duplicatas.
Responsabilidade pelas comunicações dos atos
As comunicaçõesdos atos da duplicata ao devedor e aos demais interessados deverão ser realizadas pelo gestor do sistema eletrônico de escrituração. A forma e os procedimentos que deverão ser observados para a realização dessas comunicações serão definidos em regulamento a ser editado pelo Poder Público. A comprovação da entrega e do recebimento das mercadorias ou a comprovação da prestação dos serviços deverão ser feitas também em meio eletrônico
O sistema eletrônico de escrituração deverá ter e mecanismos que permitam ao sacador e ao sacado comprovarem, por quaisquer meios de prova admitidos em direito, a entrega e o recebimento das mercadorias ou a prestação do serviço, devendo a apresentação das provas ser efetuada em meio eletrônico.
Endossantes e avalistas
Os endossantes e avalistas indicados pelo apresentante ou credor como garantidores do cumprimento da obrigação constarão como tal dos extratos.
Liquidação do pagamento é prova de pagamento
Constituirá prova de pagamento, total ou parcial, da duplicata emitida sob a forma escritural a liquidação do pagamento em favor do legítimo credor, utilizando-se qualquer meio de pagamento existente no âmbito do Sistema de Pagamentos Brasileiro.
A prova de pagamento deverá ser informada no sistema eletrônico de escrituração com referência expressa à duplicata amortizada ou liquidada.
Extrato do registro eletrônico da duplicata
Os gestores dos sistemas eletrônicos de escrituração ou os depositários centrais, na hipótese de a duplicata emitida sob a forma escritural ter sido depositada, expedirão, a pedido de qualquer solicitante, extrato do registro eletrônico da duplicata.
O extrato de que trata o caput deste artigo pode ser emitido em forma eletrônica, observados requisitos de segurança que garantam a autenticidade do documento.
Conteúdo do extrato
Deverão constar do extrato expedido, no mínimo:
I - a data da emissão e as informações referentes ao sistema eletrônico de escrituração no âmbito do qual a duplicata foi emitida;
II - os elementos necessários à identificação da duplicata (art. 2º da Lei nº 5.474/68);
III - a cláusula de inegociabilidade; e
IV - as informações acerca dos ônus e gravames.
Cópia dos extratos
O sistema eletrônico de escrituração deverá manter em seus arquivos cópia eletrônica dos extratos emitidos.
Informação sobre inadimplementos
Será gratuita a qualquer solicitante a informação, prestada por meio da rede mundial de computadores, de inadimplementos registrados em relação a determinado devedor.
Título executivo
A duplicata emitida sob a forma escritural e o extrato são títulos executivos extrajudiciais, devendo-se observar, para sua cobrança judicial, o disposto no art. 15 da Lei nº 5.474/68.
Esse art. 15 traz as regras para o processo de cobrança da duplicata.
Vale ressaltar, mais uma vez, que, neste ponto, a lei positiva aquilo que já era admitido pela jurisprudência do STJ:
(...) 1. A jurisprudência desta Corte é assente no sentido de ser possível o ajuizamento de execução de duplicata virtual, desde que devidamente acompanhada dos instrumentos de protesto por indicação e dos comprovantes de entrega da mercadoria e da prestação do serviço. (...)
STJ. 3ª Turma. AgRg no REsp 1559824/MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 03/12/2015.
Lançamentos no sistema eletrônico equivalem ao livro de duplicatas
Os lançamentos no sistema eletrônico de escrituração substituem o Livro de Registro de Duplicatas, previsto no art. 19 da Lei nº 5.474/68.
Nulas cláusulas que proíbam as duplicatas sob a forma cartular ou escritural
São nulas de pleno direito as cláusulas contratuais que vedam, limitam ou oneram, de forma direta ou indireta, a emissão ou a circulação de duplicatas emitidas sob a forma cartular ou escritural (art. 10 da Lei nº 13.775/2018).
Regulamentação
O Governo Federal irá definir um o órgão ou entidade da administração pública federal para autorizar o funcionamento das entidades responsáveis pela escrituração de duplicatas escriturais.
Este órgão ou entidade irá também regulamentar a Lei nº 13.775/2018.
Sanções para o descumprimento
Em caso de descumprimento da Lei nº 13.775/2018 ou de sua regulamentação, serão aplicáveis as disposições da Lei nº 13.506/2017 (Lei que trata sobre o processo administrativo sancionador nas esferas de atuação do Banco Central do Brasil e da Comissão de Valores Mobiliários).
O responsável pelas sanções será o órgão ou entidade da administração federal que ficar responsável pela regulamentação das escriturações.
Aplicação subsidiária da Lei nº 5.474/68
As duplicatas escriturais são regidas pela Lei nº 13.775/2018, mas devem ser aplicadas, de forma subsidiária, as disposições da Lei nº 5.474/68.
ALTERAÇÕES NA LEI DO PROTESTO
A Lei nº 9.492/97 regulamenta o protesto de títulos.
A Lei nº 13.775/2018 promoveu duas alterações nesta Lei.
A primeira delas foi a inserção do § 2º ao art. 8º da Lei:
Art. 8º Os títulos e documentos de dívida serão recepcionados, distribuídos e entregues na mesma data aos Tabelionatos de Protesto, obedecidos os critérios de quantidade e qualidade.
(...)
§ 2º Os títulos e documentos de dívida mantidos sob a forma escritural nos sistemas eletrônicos de escrituração ou nos depósitos centralizados de que trata a Lei nº 12.810, de 15 de maio de 2013, poderão ser recepcionados para protesto por extrato, desde que atestado por seu emitente, sob as penas da lei, que as informações conferem com o que consta na origem.
A segunda foi o acréscimo do art. 41-A com a seguinte redação:
Art. 41-A. Os tabeliães de protesto manterão, em âmbito nacional, uma central nacional de serviços eletrônicos compartilhados que prestará, ao menos, os seguintes serviços:
I - escrituração e emissão de duplicata sob a forma escritural, observado o disposto na legislação específica, inclusive quanto ao requisito de autorização prévia para o exercício da atividade de escrituração pelo órgão supervisor e aos demais requisitos previstos na regulamentação por ele editada;
II - recepção e distribuição de títulos e documentos de dívida para protesto, desde que escriturais;
III - consulta gratuita quanto a devedores inadimplentes e aos protestos realizados, aos dados desses protestos e dos tabelionatos aos quais foram distribuídos, ainda que os respectivos títulos e documentos de dívida não sejam escriturais;
IV - confirmação da autenticidade dos instrumentos de protesto em meio eletrônico; e
V - anuência eletrônica para o cancelamento de protestos.
§ 1º A partir da implementação da central de que trata o caput deste artigo, os tabelionatos de protesto disponibilizarão ao poder público, por meio eletrônico e sem ônus, o acesso às informações constantes dos seus bancos de dados.
§ 2º É obrigatória a adesão imediata de todos os tabeliães de protesto do País ou responsáveis pelo expediente à central nacional de serviços eletrônicos compartilhados de que trata o caput deste artigo, sob pena de responsabilização disciplinar nos termos do inciso I do caput do art. 31 da Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994.
Vigência
A Lei nº 132.775/2018 foi publicada em 21/12/2018 e entra em vigor no dia 20/04/2019 (120 dias depois de sua publicação oficial).
RESUMO
Regra geral: só pode executar com título original. Nem cópia é admitida.
Mitigações (STJ):
· Não houver risco de circulação;
· Caso de cheque que integra o inquérito policial ou uma ação penal;
· Duplicata virtual: boleto, protesto, comprovante de entrega da mercadoria.
Atualmente, o Brasil já possui regulamentação legal da matéria: trata-se da Medida Provisória 2.200/2, de 2001, a qual instituiu a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP - Brasil) e que dispôs, em seu art. 1.º, o seguinte: “Fica instituída a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP – Brasil, para garantir a autenticidade, a integridade e a validade jurídica de documentos em forma eletrônica, das aplicações de suporte e das aplicações habilitadas que utilizem certificados digitais, bem como a realização de transações eletrônicas seguras”.
Obs. Só pode haver protesto coma posse da duplicata? NÃO. Pode ser feito por indicações.
Enunciado 462 da 5ª Jornada de Direito Civil: dos títulos de crédito, foram editados os Enunciados 460 e 461 do CJF, que possuem a seguinte redação, respectivamente: “Art. 889. As duplicatas eletrônicas podem ser protestadas por indicação e constituirão título executivo extrajudicial, mediante a exibição pelo credor do instrumento de protesto, acompanhado do comprovante de entrega das mercadorias ou de prestação dos serviços”; “Art. 889, § 3º. Os títulos de crédito podem ser emitidos, aceitos, endossados ou avalizados eletronicamente, mediante assinatura com certificação digital, respeitadas as exceções previstas em lei”.
Exceções ao princípio da cartularidade: nos negócios mercantis, necessidade de maior informalidade - possível executar o crédito representado pela duplicata, em alguns casos, mesmo sem apresentação da cártula;
5.3.2. Princípio da literalidade
Esse princípio tem por objetivo assegurar certeza quanto à natureza, conteúdo e modalidade de prestação prometida ou ordenada, impedindo que meros ajustes verbais possam influir no exercício do direito ali mencionado. O que não consta no título não está no mundo cambiário.
Só tem eficácia para o direito cambiário aquilo que está literalmente consignado no título de crédito.Não vale de nada o aval feito em apartado (ex. contrato de aval não existe). O aval tem que estar no título.
Obs.:a quitação do título deve ser dada no título e não em documento em separado. Ex.:João paga 10 mil da duplicata (à construtora) e recebe declaração de quitação, sem constar na duplicata. Essa duplicata é transferida para um terceiro. O terceiro (há discussão sobre essa legitimidade. Veremos adiante) cobra de João. João mostra o documento de quitação, mas não vale de nada. Como o terceiro iria saber dessa quitação? Quem paga mal paga duas vezes.
Atos documentados em instrumentos apartados, ainda que válidos e eficazes entre os sujeitos diretamente envolvidos (ex.:aval concedido fora do título poderá ser tido como fiança),não produzirão efeitos perante o portador do título, mas vigoram entre os signatários originais como qualquer obrigação civil.
E quando falta algum dado essencial de um título de crédito? STF diz que as lacunas podem ser preenchidas. Súmula 387 do STF (cai muito) = a cambial emitida ou aceita com omissões ou em branco pode ser completada pelo credor de boa fé, antes da cobrança e do protesto. Ex.:faltou a data e ele completa. Q – nulo o título que depois é preenchido ou completado – FALSO.
Obs.: algumas exceções: Ex.: a quitação da duplicata pode ser dada em documento em separado.Conferido no livro de questões - admite-se como relativização do princípio da liberalidade o aceite informado por escrito e a quitação da duplicata em documento separado.
5.3.3. Princípio da autonomia
Frases:
· As relações jurídico-cambiais são autônomas e independentes entre si;
· O devedor não poderá opor exceções pessoais a terceiros de boa fé.
Ex.:Clebão vende o celular para Nestór (compra e venda de celular). Acertam o valor de 300 reais. Nestor emite uma nota promissória com vencimento para 25/11/14. Nestor passa a ser o devedor da nota promissória e Cleber o credor. O celular apresentou vício e Nestor não pagou.Cleber ajuizou execução e nos embargos Nestor pode sim apresentar a exceção pessoal de falha no produto. Mas vamos supor queCleber passe a nota promissória para Novelino (terceiro de boa-fé – novo credor). Novelino procura Nestor para o pagamento e ele alega que o celular está com defeito. Isso pode? NÃO. Aí é que está a autonomia, que é a grande garantia do crédito. Pouco importa o que ocorreu nas relações anteriores.
Obs.:o vício de uma das relações não compromete as demais. Assim, o endosso ou o aval dado por pessoa incapaz não atinge as demais obrigações assumidas no título. O possuidor de boa-fé exercita um direito próprio, que não pode ser restringido ou destruído pelas relações ocorridas entre os possuidores anteriores e o devedor.
Obs.:relativização do princípio da autonomia.Contrato de abertura de crédito (conta corrente – cheque especial) entre João e Bradesco. João emite cheque de 20 mil. Ele não paga e desconta do cheque especial. Banco então ajuíza uma ação de execução contra João? Súmula 233 STJ o contrato de abertura de crédito ainda que acompanhado de extrato da conta corrente não é título executivo. Súmula 247 – Só cabe ação monitória.
Obs.:João então assina uma nota promissória em branco e autoriza, por meio de contrato, que o Banco preencha a nota promissória com o saldo negativo. O banco coloca o valor da dívida, juros, honorários. O banco vai executar. João em sede de embargos pode apresentar a exceção pessoal (discutir juros abusivos, honorários, o valor acordado, etc.). O banco A passa a nota promissória para o banco b. O João agora não poderia mais opor essa exceção ao banco B (não poderia nem discutir o valor), em razão da autonomia do título. Por isso O STJ editou a súmula 258: a nota promissória vinculada ao contrato de abertura de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou.
Obs.:instrumento de confissão de dívida em substituição à nota promissória – é título executivo. O contrato de abertura de crédito continua não sendo título executivo. Súmula 300 STJ.
Por consequência, quando um único título representa mais de uma obrigação (do emitente, do avalista, do endossante e outros) a eventual invalidade de qualquer delas não prejudica as demais. Assim, por exemplo, a obrigação do avalista subsiste ainda que seja nula a obrigação do avalizado, salvo se a nulidade decorrer de vício de forma (art.32, al.2LC, art.31 e CCB de 2002, art. 889, p.2o), porque o avalista não tem a mesma obrigação do avalizado, mas obrigação autônoma, com existência própria.
O princípio da autonomia se desdobra em dois subprincípios:
I. Abstração;
É a desvinculação, o desprendimento do título da causa subjacente. Esse fenômeno só ocorre em caso de circulação. Muitas bancas erroneamente chamam o princípio da autonomia de abstração. CUIDADO.
Quando Nestor emite o título temos a compra e venda e a nota promissória. Quando Cleber transfere a nota para Novelino ela se desprende da causa de origem. A relação de compra e venda continua entre Cleber e Nestor.
O título de crédito se desvincula da relação causal-base que lhe deu origem. A abstração somente se verifica quando o título circula para um terceiro de boa-fé, que não tem ciência do defeito existente no negócio que originou o título.
Obs.: As relações causais e cartular não se confundem, embora coexistamharmonicamente porque a criação do título de crédito não implica novação no que se refere à relação causal, vez que esta não se extingue. A relação causal enseja uma ação extracambiária, ao passo que a relação cartular enseja uma ação cambiária.
Obs.: todos os títulos são autônomos. Mas, alguns títulos não são classificados como abstratos: determinados títulos de crédito podem resultar de qualquer causa, mas dela se libertam após a sua criação, o que não ocorre com os títulos causais (duplicata), que, embora circulem, mantêm vínculo com a causa que os gerou.
II. Inoponibilidade de exceções a terceiro de boa fé
Para o credor primitivo é possível apresentar a exceção pessoal, mas não pode para o terceiro de boa-fé. O crédito do terceiro deve ser protegido. Essa questão tem uma natureza processual. Esse impedimento para o devedor de apresentar exceção para terceiro envolve apenas a exceção pessoal. Se a exceção não for pessoal, é possível ser alegada, mesmo contra o terceiro de boa-fé.
Questão de prova: explique duas exceções pessoais e duas exceções não pessoais oponíveis ao terceiro de boa-fé:
· Pessoais: compensação e vício da relação causal (celular);
· Não pessoais: prescrição do título e nulidade do título.
Vale ressaltar que a boa-fé do portador do título se presume. Por essa razão, se o devedor quiser opor exceções pessoais contra ele, deverá se desincumbir do ônus de provar a suamá-fé, demonstrando, por exemplo, que houve conluio entre o atual portador do título e seu antigo titular. Não demonstrada a má-fé, todavia, as exceções pessoais, como já frisamos, são inoponíveis ao terceiro de boa-fé, que exercerá seu direito de crédito sem ser atingido por nenhum vício ligado a relações anteriores.
As defesas que o devedor pode opor a um terceiro de boa-fé, portanto, resumem-se, basicamente, àquelas que digam respeito a relações diretas entre eles, bem como eventuais alegações relativas a vício de forma do título, ao próprio conteúdo literal da cártula, a prescrição, a falsidade, entre outras.
Não custa lembrar, ainda, que essa abstração, decorrente do princípio da autonomia dos títulos de crédito, desaparecerá com a prescrição do título. A prescrição do título opera, pois, não apenas a perda da sua executividade, mas também a perda da sua cambiaridade, ou seja, o título perde as suas características intrínsecas de título de crédito, dentre elas a abstração. Por isso, caberá ao credor, na cobrança de título prescrito, demonstrar a origem da dívida, o locupletamento ilícito do devedor etc., conforme tem decidido o Superior Tribunal de Justiça:
Direito comercial e processual civil. Agravo no agravo de instrumento. Embargos à ação monitória. Nota promissória prescrita. Propositura de ação contra o avalista. Necessidade de se demonstrar o locupletamento. Precedentes. Prescrita a ação cambial, desaparece a abstração das relações jurídicas cambiais firmadas, devendo o beneficiário do título demonstrar, como causa de pedir na ação própria, o locupletamento ilícito, seja do emitente ou endossante, seja do avalista. Agravo não provido. (STJ, AgRg no AG 549.924/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJ 05.04.2004, pg. 260).
Direito Comercial. Recurso Especial. Embargos à ação monitória. Cheque prescrito. Propositura de ação contra o avalista. Necessidade de se demonstrar o locupletamento. Precedente. – Prescrita a ação cambial, desaparece a abstração das relações jurídicas cambiais firmadas, devendo o beneficiário do título demonstrar, como causa de pedir na ação própria, o locupletamento ilícito, seja do emitente ou endossante, seja do avalista. – Recurso especial a que não se conhece (STJ, REsp 457.556/SP. Rel. Min. Nancy Andrighi. DJ 16.12.2002, p. 331).
Art. 17 da Lei Uniforme e art. 916 do CC – O executado em virtude de um título de crédito não pode alegar matéria de defesa estranha à sua relação direta com o exequente, salvo, provando a má-fé dele.
Não pode ser oposto vício da relação causal contra o terceiro de boa-fé. Se o título não circular, ele está preso à relação causal.
#INFO. 564, STJ – 2015: A pessoa que está obrigada a pagar o título de crédito poderá invocar exceções pessoais que tenha contra o beneficiário original para evitar o pagamento mesmo que este título tenha circulado e já se encontre nas mãos de terceiro? A pessoa, para não pagar, pode alegar que o negócio subjacente não aconteceu?
Regra: NÃO. Se o título circulou e se encontra nas mãos de terceiro de boa-fé, este poderá cobrar o valor do devedor. O devedor, por seu turno, não poderá invocar contra o portador exceções pessoais que tenha e que estejam relacionadas com o beneficiário original.
Exceção: Factoring. Se o título tiver sido cedido para uma empresa de factoring: SIM. Na operação de factoring, há verdadeira cessão de crédito, e não mero endosso, razão pela qual fica autorizada a discussão da causa debendi, conforme prevê o art. 294 do CC. A faturizadora (factoring) não pode ser equiparada a um terceiro de boa-fé porque ela tem uma relação mais profunda com a faturizada, devendo fazer uma análise do crédito que lhe está sendo transferido. O sacado pode opor à faturizadora a qual pretende lhe cobrar duplicata recebida em operação de factoring exceções pessoais que seriam passíveis de contraposição ao sacador, ainda que o sacado tenha eventualmente aceitado o título de crédito. STJ. 3ª Turma. REsp 1.439.749-RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 2/6/2015 (Info 564). MUDANÇA DE ENTENDIMENTO. Vide abaixo.
*ATENÇÃO#MUDANÇADEENTENDIMENTO #DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: A duplicata mercantil, apesar de causal no momento da emissão, com o aceite e a circulação adquire abstração e autonomia, desvinculando-se do negócio jurídico subjacente, impedindo a oposição de exceções pessoais a terceiros endossatários de boa-fé, como a ausência ou a interrupção da prestação de serviços ou a entrega das mercadorias. STJ. 2ª Seção. EREsp 1.439.749-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 28/11/2018 (Info 640).
O STJ decidiu que é possível o protesto de cheque, por endossatário terceiro de boa-fé, após o decurso do prazo de apresentação, mas antes da expiração do prazo para ação cambial de execução, ainda que, em momento anterior, o título tenha sido sustado pelo emitente em razão do inadimplemento do negócio jurídico subjacente à emissão da cártula. STJ. 4ª Turma. REsp 1.124.709-TO, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 18/6/2013 (Info 528).
O contrato de conventional factoring é um contrato de mútuo? NÃO. Em verdade, consiste em uma compra e venda de créditos (direitos), por um preço ajustado entre as partes. O conceito legal de instituição financeira está previsto no art. 17, da Lei nº 4.595/64, e a factoring não se enquadra em tal definição. A factoring não faz a captação de dinheiro de terceiros, como acontece com os bancos, nem realiza contratos de mútuo. A empresa de factoring utiliza recursos próprios em suas atividades. Logo, a factoring não integra o Sistema Financeiro Nacional nem necessita de autorização do Banco Central para funcionar.
(*) ATUALIZADO EM 16/08/2021. #DEOLHONAJURIS IMPORTANTE. FACTORING. A faturizada não responde caso o devedor não pague o crédito que ela cedeu à factoring, sendo nula a cláusula que tente responsabilizá-la; também é nulo título de crédito que a faturizada seja obrigada a emitir se responsabilizando pela solvência dos créditos cedidos.
A empresa faturizada não responde pela insolvência dos créditos cedidos, sendo nulos a disposição contratual em sentido contrário e eventuais títulos de créditos emitidos com o fim de garantir a solvência dos créditos cedidos no bojo de operação de factoring.
A natureza do contrato de factoring, diversamente do que se dá no contrato de cessão de crédito puro, não permite que os contratantes, ainda que sob o argumento da autonomia de vontades, estipulem a responsabilidade da cedente (faturizada) pela solvência do devedor/sacado.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.711.412-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 04/05/2021 (Info 695).
5.3.4. A informática e o futuro do direito cambiário
Refere-se, a doutrina, à noção dedesmaterialização do título de crédito.
É certo que as informações arquivadas em banco de dados magnéticos são a base para a expedição de alguns documentos (em papel) relativos à operação (os bancos emitem documentos de quitação de dívida; os cartórios de protesto geram intimação ao devedor e lavram o instrumento de protesto). Contudo, nenhum desses papéis é título de crédito.
Diante desse quadro, vale a pena conferir se são compatíveis os princípios do direito cambiário com o processo de desmaterialização do título de crédito.
O princípio da cartularidade: se o documento nem sequer é emitido, não há sentido algum em se condicionar a cobrança de crédito à posse de um papel inexistente.
O princípio da literalidade: não se pode prestigiá-lo, na medida em que não existe mais o papel, a limitar fisicamente os atos de eficácia cambial.
O princípio da autonomia das obrigações cambiais: apresenta-se compatível. Será a partir dele que o direito poderá reconstruir a disciplina da ágil circulação do crédito, quando não existirem mais registros de sua concessão em papel.
6 CARACTERÍSTICAS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
a) É título de resgate- pressupõe futuro pagamento em dinheiro;
b) É título de circulação;
c) É título executivo extrajudicial;
d) É título de apresentação – por ser necessário;
e) Natureza de bem móvel;f) Documento formal;
g) Natureza essencialmente comercial.
6.1. OBRIGAÇÃO QUESÍVEL
Cabe ao credor dirigir-se ao devedor para exigir o pagamento do título no lugar nele consignado. Compete ao credor procurar o devedor, afinal o devedor não tem como saber quem é o credor após tantas transferências do crédito.
6.2. OBRIGAÇÃO PRO SOLUTO E PRO SOLVENDO
2ª Fase TJ/MG: O que diferencia a nota promissória emitida em caráter pro soluto da nota promissória emitida pro solvendo? Aponte os efeitos de cada uma delas em decorrência da falta de pagamento quando emitidas em razão de compra e venda de imóvel.
Pro solvendo (para pagamento) É A REGRA: o título pro solvendo não implica novação no que se refere à relação causal que subsiste com a relação cambiária, porque as duas coexistem.
Obs.: a relação causal só será extinta com o pagamento do título. ex. A compra imóvel e dá entrada de 200 mil e nota promissória de 20 mil para 20.12.14 (nota promissória pro solvendo). O ato de entrega da nota para a construtora não provoca novação. Só se pode falar na extinção do contrato depois que A quitar a obrigação.Se a nota não for paga a construtora poderá ajuizar execução ou optar pela rescisão do contrato de compra e venda.
Pro soluto (em pagamento): Emitido e entregue ao credor visando a extinção da obrigação que gerou a sua criação. Quando dado em pagamento da relação causal. Nesse caso, o título opera novação, pois extingue a relação causal. ex. Quando A entrega a nota extingue o contrato de compra e venda. Efeitos: Se a nota não for paga – ajuizar execução, mas não poderá pedir a rescisão do contrato, pois só pode falar em rescisão quando o contrato estiver quitado, mas se entrega a nota firmou a quitação deste.
Em resumo, no pro soluto só há possibilidade de execução, enquanto no pro solvendo cabe a execução e a rescisão.
6.2.1. Np pro soluto x Np pro solvendo
NP Pro Soluto é a nota em pagamento. Quando você faz a tradição (entrega), a tradição faz a novação. A simples entrega provoca a novação da obrigação. Quando entrego a NP estou provocando a quitação da obrigação que a originou. Ex.: compra e venda de imóvel. Se não pago a NP, a construtora vai poder fazer a rescisão do contrato. Quando entrego a NP, quitei a compra e venda, não é possível rescindir. A construtora só terá à disposição a execução.
NP Pro Solvendo é a nota para pagamento. A entrega do título não provoca a quitação da obrigação. A quitação somente se opera com o pagamento do título. Só vou ter a quitação da obrigação quando pagar a NP. Se eu não pagar a NP no vencimento, a construtora pode ajuizar ação de execução, mas também pode optar pela rescisão do contrato, porque o contrato não está quitado.
7 CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO
Há mais de doze classificações. Vamos ver as mais importantes:
7.1. QUANTO AO MODELO
· Título vinculado
Além dos requisitos, existe padronização (padrão normativamente estabelecido). Ex.: cheque, duplicata.
· Título livre
Formato não segue um rigor absoluto. Letra de cambio e nota promissória
7.2. QUANTO À ESTRUTURA
· Ordem de pagamento
Possui três intervenientes:
a) Aquele que dá a ordem = sacador;
b) Aquele que recebe a ordem = sacado;
c) Tomador∕ Beneficiário (o credor do título) = tomador
Ex.: duplicata, letra de câmbio, cheque.
· Promessa de pagamento
Possui dois intervenientes:
a) Promitente: aquele que faz a promessa;
b) Tomador∕ Beneficiário (que será o credor)
Ex.: nota promissória
7.3. QUANTO À HIPÓTESE DE EMISSÃO
· Causal
É o título que necessita de uma causa especifica para sua emissão, ou seja, ele só poderá ser emitido mediante uma ocorrência de uma causa específica. Ex: duplicata (só pode ser emitida em caso de: compra e venda mercantil ou uma prestação de serviços).
· Não Causal∕ Abstrato
É o título que não necessita de uma causa específica para sua emissão. Ex.: cheque (pode ser emitido para qualquer causa); nota promissória (pode ser emitida por qualquer motivo).
Pode ser chamado de abstrato porque o título se desvincula da causa que o deu origem.
Nesse ponto, é preciso reforçar observação que já fizemos anteriormente: não se deve confundir a abstração como subprincípio do regime jurídico cambial com a abstração ora analisada. Aquela, como visto, é um predicado de qualquer título de crédito, já que todos eles podem circular e, consequentemente, se desprender da relação que lhes deu origem. Esta significa tão somente um atributo que alguns títulos ostentam, o de não ter sua emissão submetida a causas preestabelecidas na legislação.
No entanto, é preciso deixar claro que essa é uma opinião particular nossa, a qual, a despeito de ser compartilhada por alguns autores de renome, não é seguida, ao que nos parece, pela doutrina majoritária. Muitos autores, pois, tratam a abstração com um único sentido, razão pela qual defendem que os títulos causais, como a duplicata, não se desvinculariam da relação original, ainda que postos em circulação.
7.4. QUANTO À CIRCULAÇÃO
· Ao Portador – MERA TRADIÇÃO
É aquele que não identifica o beneficiário, ou seja, não se sabe quem é o credor do título. No tocante a circulação do título do portador, esta se dá pela mera tradição. São os títulos nos quais não consta o nome do beneficiário do direito nele incorporado. É transmitido por mera tradição.
OBS.: desde edição da lei 8.021∕90, não é permitido à emissão de título ao portador, exceto se tiver previsão expressa em Lei Especial.
Ex.: Lei 7.347/1985 à Art. 8º Pode-se estipular no cheque que seu pagamento seja feito: I - a pessoa nomeada, com ou sem cláusula expressa "à ordem"; II - a pessoa nomeada, com a cláusula "não à ordem", ou outra equivalente; III - ao portador.
Cumpre ressaltar que, em se tratando dos principais títulos de crédito próprios ou típicos, eles são títulos nominais à ordem, com exceção do cheque até o valor de R$ 100,00 (cem reais), que pode ser emitido ao portador por força de autorização legal expressa (art. 69 da Lei do Cheque).
· Nominal – TRADIÇÃO + ENDOSSO OU CESSÃO CIVIL
É aquele que identifica o beneficiário, ou seja, identifica quem é o credor do título.
Quanto à circulação do título nominativo devemos saber se este é:
a) NOMINATIVO À ORDEM: nesse caso ele precisará de endosso + tradição;
b) NOMINATIVO NÃO À ORDEM: só vai circular por meio de cessão civil + tradição. Nesse caso o cedente se obriga apenas com o cessionário, não em relação aos posteriores possuidores do título.
OBS: ENDOSSO X CESSÃO CIVIL - quem endossa um título responde pela solvência, isto é, responde pelo pagamento daquele título; é muito mais garantido para o credor. Ao passo que se eu transfiro o cheque por meio de cessão civil, não respondo pela solvência; é menos garantido para o credor.
ENDOSSO x CESSÃO: Não se confunde com a cessão de crédito, tendo em vista apresentarem as seguintes distinções:
a) O endosso é ato unilateral de declaração de vontade, enquanto a cessão é um contrato bilateral;
b) A nulidade de um endosso não afeta os endossos posteriores; na cessão, a nulidade de uma acarreta a das posteriores;
c) O endossatário não pode opor exceção senão diretamente contra o endossante que lhe transferiu o título; na cessão, o devedor pode opor ao cessionário a mesma defesa que teria contra o cedente (de acordo com o art. 294 do Código Civil, o devedor pode opor tanto ao cessionário como ao cedente as exceções que lhe competirem no momento em que tiver conhecimento da cessão);
d) No endosso, o endossante passa a ser co-devedor da dívida; já na cessão, o cedente somente responde pela existência do crédito cedido.
Obs.: Art. 914, CC diz quem endossa não responde pelo pagamento do título. Lembre-se que só utilizaremos o CC se não existir Lei Especial regulamentando o título.
Obs.: há uma presunção que os títulos são a “à ordem”, isto é, para que um título seja não “à ordem” tem que estar expressa a expressão “não à ordem” no título.
Em outros termos, enquanto o título à ordem se transfere por endosso, o título não à ordem transfere-se por cessão civil de crédito.*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: Na cessão fiduciária de direitos creditórios, para a perfectibilização do negócio fiduciário, o correlato instrumento deve indicar, de maneira precisa, o crédito objeto de cessão e não os títulos representativos do crédito. O objeto da cessão fiduciária são os direitos creditórios que devem estar devidamente especificados no instrumento contratual (e não o título objeto da cessão, que apenas os representa). STJ. 3ª Turma. REsp 1.797.196-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 09/04/2019 (Info 646).
· Nominativo – art. 921, CC = TERMO NO REGISTRO
É título nominativo o emitido em favor de pessoa cujo nome (credor) conste no registro∕ livro do emitente. Questão - só são transferidos mediante registro em livro próprio.
O título que for emitido em favor de pessoa cujo nome conste no registro do emitente e que for transferido mediante termo assinado pelo proprietário e pelo adquirente constituirá título nominativo. Ex.: Gialuca vai dar uma ordem de pagamento para o Adrian pagar Afonso (credor do título), logo o nome de Afonso estará no livro de Gialuca. Se Afonso transferir o título para Mariana este terá que fazer um termo para Gialuca, informando que Mariana é a nova credora devendo Giualuca por no livro o nome de Mariana e retirar o de Afonso (na prática isso não ocorre).
Obs.: em regra, os títulos de crédito são nominais (beneficiário expresso) à ordem (circulam por meio de endosso e tradição). A exceção é do cheque até o valor de 100,00 reais, que é caso de título ao portador (sem mencionar o beneficiário).
8 LETRA DE CÂMBIO
8.1. CONCEITO
Origem = câmbio trajetício = comerciante sempre que deixava cidade entregava todo o dinheiro ao banqueiro e este lhe entregava uma carta (letra de câmbio), ordenando que outro banqueiro pagasse a quantia nele fixada.
É mais utilizada em negócios internacionais (comércio exterior) e no Brasil é substituída pela duplicata. Está prevista no Decreto 57663/66 (Lei Uniforme de Genebra). Ler a lei com calma, ler o anexo I que está em vigor, sendo que o anexo II estabelece as reservas do que não vige no Brasil, devendo ser aplicado o Decreto 2.044/1908.
Ordem dada, por escrito, a uma pessoa, para que pague a um beneficiário indicado, ou à ordem deste, uma determinada importância em dinheiro.
Letra de câmbio é um título de crédito decorrente de relações de crédito entre duas ou mais pessoas, pelo qual a designada “sacador” dá a ordem de pagamento pura e simples, a outrem, denominado “sacado”, a seu favor ou de terceira pessoa (tomador∕ beneficiário), no valor e nas condições dela constantes.
ATENÇÃO: BANCO A (SACADOR/CREDOR) – BANCO B (SACADO/DEVEDOR) – BANQUEIRO C (TOMADOR).
a) SACADOR - eminente da letra de câmbio / quem dá a ordem de pagamento;
b) SACADO - quem recebe a ordem de pagamento;
c) TOMADOR - o beneficiário da ordem de pagamento.
É possível que sacador e tomador serem a mesma pessoa.
É possível até que sacador, sacado e tomador sejam a mesma pessoa (Marcelo Bertoldi).
Essas três situações jurídicas distintas a que nos referimos acima não precisam, necessariamente, estar ocupadas por três pessoas diferentes. De fato, a Lei Uniforme admite, em seu art. 3.º, que a letra seja sacada: (i) à ordem do próprio sacador; (ii) sobre o próprio sacador; ou (iii) por ordem e conta de terceiro.
No primeiro caso, o sacador e o tomador são a mesma pessoa, ou seja, a letra é emitida por alguém em seu próprio benefício. No segundo caso, o sacador e o sacado são a mesma pessoa, ou seja, a letra é emitida pelo sacado contra ele mesmo. Já no terceiro caso, ocorre a situação usual.
Ex.: Gialuca (BANCO A) tem um crédito para receber de Cleber (BANCO B). Gialuca dá uma ordem de pagamento, pra Cleber efetuar o pagamento para ele Gialuca – BANCO A (tomador∕ beneficiário).
Ex.: Gialuca (BANCO A) está devendo para LFG (BANQUEIRO C). Gialuca (BANCO A) dá uma ordem de pagamento para Cleber (BANCO B) efetuar o pagamento para LFG (BANQUEIRO C) (tomador∕ beneficiário).
No Brasil não vingou, pois foi substituída pela duplicata.
8.2. SAQUE
O saque é o ato de criação∕ emissão de um título de crédito.
a) SACADOR: é quem dá o saque, quem cria o título, quem dá a ordem de pagamento.
b) SACADO: é quem recebe a ordem de pagamento.
Tomador
Ex.: Gialuca tem um crédito para receber de Cleber. Gialuca (SACADOR)dá uma ordem de pagamento, pra Cleber(SACADO) efetuar o pagamento para ele Gialuca (tomador∕ beneficiário).
Ex.: Gialuca está devendo para LFG. Gialuca (SACADOR) dá uma ordem de pagamento para Cleber (SACADO) efetuar o pagamento para LFG (tomador∕ beneficiário).
8.3. REQUISITOS
a) Essenciais
· A palavra “LETRA” tem que constar no título de crédito;
· Tem que ter uma ordem de pagamento de quantia determinada;
· Tem que ter o nome do sacado (quem está devendo o título, quem vai pagar a ordem de pagamento);
· Tem que ter o nome do beneficiário∕ tomador;
· Tem que ter a assinatura do Sacador;
· É necessária a data da emissão;
b) Acidentais ou supríveis
· Época de pagamento – a ausência desse requisito supõe-se que o pagamento será à vista;
· Indicação do lugar de pagamento - a ausência desse requisito supõe-se que o pagamento será no domicílio do sacado já que será que ele que fará o pagamento;
· Indicação de lugar de emissão - a ausência desse requisito supõe-se que a emissão será do domicílio do sacador.
c) Título de modelo livre
Quanto ao segundo requisito, perceba-se que não se admite que o cumprimento da obrigação mencionada na letra fique sujeito à implementação de qualquer condição, suspensiva ou resolutiva. E mais: quanto ao valor da letra, deve ser mencionada a moeda de pagamento, e o art. 1.º, inciso II, do Decreto 2.044/1908 estabelece que as letras emitidas em território brasileiro devem ser pagas em moeda nacional. Admite-se também emissão de letra com indexação, desde que o índice seja conhecido e de ampla utilização na praxe comercial.
A despeito de todos esses requisitos pela Lei Uniforme, destaque-se, todavia, que a jurisprudência admite a emissão da letra de câmbio – e de qualquer outro título de crédito – em branco ou incompleta. Esse entendimento, aliás, está consolidado no Enunciado 387 da súmula de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual “a cambial emitida ou aceita com omissões ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto”.
8.4. ACEITE
Aceite é o ato de vinculação do sacado à letra de câmbio. Quando o sacado aceita pagar, ele passa a ser o devedor principal, denominado de aceitante, o sacador continua sendo devedor, mas não o principal.
Aceite da letra Emitida a letra de câmbio, ela será entregue ao tomador, que a levará ao sacado para que este a aceite (art. 25 da Lei Uniforme), o que deve ser feito no próprio título por meio da expressão “aceito” ou “aceitamos”, seguida da assinatura do sacado ou de procurador com poderes especiais para tanto (art. 11 do Decreto 2.044/1908). Se a letra foi emitida contra mais de um sacado, o tomador deve apresenta-la, inicialmente, ao primeiro nomeado no título, e depois sucessivamente.
· É o ato de concordância com uma ordem de pagamento dada; O ato de submeter a letra ao reconhecimento do sacado chama-se apresentação;
· É ato privativo do sacado;
· O aceitante (quem dá o aceite) será o devedor principal do título;
· Na letra de câmbio o aceite é facultativo, ou seja, não é obrigatório, mas irretratável;
· É possível a recusa do aceite, esta provoca:
I. O vencimento antecipado do título (vencimento extraordinário);
II. Tornar o sacador o devedor principal.
Obs.: Cláusula não aceitável – podemos inserir no título de crédito a cláusula não aceitável. Com a cláusula não aceitável o título não poderá ser apresentado para aceite. Tem como finalidade evitar o vencimento antecipado. Ex.: então o LFG não poderá apresentar o título para aceite, assim o título deverá ser apresentado apenas para pagamento, significa que LFG só irá poder apresentar o título para Cleber no dia do vencimento,antes disso nada. Cláusula non acceptable – como vimos, a principal consequência do não aceite, pelo sacado, é a antecipação do vencimento da LC. Para evitar isso, o sacador (só ele) pode proibir sua apresentação para aceite, com a inclusão das palavras “sem aceite” ou “não sujeita a aceite’, evitando, assim, a possibilidade de ser “convidado” a pagar antes do vencimento normal do título.
Existe ainda uma pequena variante da cláusula não aceitável, por meio da qual o sacador estipula uma data certa a partir da qual a letra pode ser levada a aceite. Antes dessa data, portanto, é vedada a apresentação do título para aceite do sacado. Veja-se a diferença: na cláusula não aceitável, a letra não pode ser levada a aceite antes do vencimento; nessa variante da cláusula, a letra pode ser apresentada para aceite antes do seu vencimento, mas somente após uma certa data fixada pelo sacador.
Destaque-se, por fim, que a cláusula não aceitável não é admitida nas letras de câmbio a certo termo da vista, uma vez que nestas, conforme se verá no tópico seguinte, o prazo de vencimento somente se inicia a partir do aceite.
Letra de câmbio:
· A tempo certo da vista: é obrigatório;
· Com data de vencimento certa: é facultativa.
Duplicata mercantil: é obrigatória.
Vencida a letra, a apresentação não se faz mais para o aceite, mas simplesmente para o pagamento, se o portador não decaiu de seus direitos.
A letra sacada à vista se vence no ato em que o portador a apresenta ao sacado.
OBS: aceite parcial - também é uma forma de recusa, logo, quem dá o aceite parcial também provoca o vencimento antecipado (de todo o valor) e ele só fica vinculado aos termos do aceite. O aceite parcial pode ser limitativo (do valor constante do título) ou modificativo (aceita pagar, mas modifica alguns requisitos, ex.: dia de pagamento, também pode condicioná-lo a algum fato).
Aceite parcial = Ex: Assim se o título só vence dia 10.12.2014, e Cleber dá um aceite parcial, e, se o valor do título é R$5.000,00 e Cleber aceita apenas R$2.000, logo LFG poderá cobrar o título, de Gialuca, pois haverá um vencimento antecipado de R$ 5.000,00 (11.08.2014 - data do aceite de Cleber), ou então poderá aguardar dia 10.12.2014 e cobrar os R$ 2.000,00 a Cleber e os R$ 3.000,00 Gialuca.
Isso vai gerar o vencimento antecipado da LC, podendo o tomador cobrar tudo imediatamente do devedor (sacador), mesmo com o aceite parcial. Mas, no caso de aceite parcial, o credor não tem que se submeter a condições, restando ao sacador cobrar do sacado, nos termos do seu aceite. O credor não tem que ficar submetido a condições impostas pelo sacado.
Recusa total = Ex.: Se o Cleber recusar a ordem do pagamento, vence antecipadamente o título e Gialuca torna a ser o devedor principal do título). A recusa do aceite deve ser comprovada pelo protesto do título (art.14). À vista do protesto por falta de aceite, vencendo-se antecipadamente a letra, caberá ao portador o direito de ação executiva contra o emitente da letra e os demais obrigados (endossantes e avalistas).
Aceite total = Ex.: Cleber (aceitante) dá o aceite se quiser. Se o Cleber der o aceite, ele será o devedor principal, logo, Gialuca será codevedor pelo pagamento do título. LFG (tomador∕ beneficiário) apresenta o título para pagamento no dia do vencimento para Cleber. Se Cleber não pagar o título LFG poderá ajuizar uma ação de execução contra Cleber e Gialuca. Se Gialuca pagar, por não ser devedor principal tem direito de regresso em relação a Cleber (devedor principal). SOLIDÁRIO OU SUBSIDIÁRIO?
Aceite por procuração – cláusula-mandato – Código de Defesa do Consumidor, art. 51, VIII (São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: VIII - imponham representante para concluir ou realizar outro negócio jurídico pelo consumidor).
Ao sacado é lícito pedir ao portador ou detentor que a letra lhe seja reapresentada uma segunda vez no dia seguinte ao da primeira apresentação.
Cancelamento – a Lei Uniforme admite o cancelamento do aceite, antes da restituição da letra, o que é considerado, então, aceite recusado.
Prisão – é inconstitucional a prisão prevista no artigo 885 do Código de Processo Civil, onde se determina a citada medida para os casos de recusa na entrega da letra.
Aceite por intervenção – a Lei Uniforme admite que, em certas condições, um estranho à relação cambiária nela intervenha, para firmar o aceite pelo sacado. Esclareçamos a utilidade da intervenção: é que a recusa do aceite pelo sacado pode criar embaraçosas situações para o sacador e os endossadores, pois o portador, em consequência da recusa do aceite pelo sacado, tem o direito de usar do regresso contra o sacador ou endossantes, exigindo deles o pagamento da letra, antes mesmo do vencimento.
Prorrogação do prazo de apresentação para aceite – a decadência ou perda de certos direitos cambiários decorrem da não apresentação ou da tardia apresentação da letra. A Lei Uniforme admite, assim, que, havendo caso fortuito ou força maior, possa ser prorrogado o prazo de apresentação para aceite. Cessado o caso fortuito ou força maior, o portador deve apresentar sem demora a letra para aceite, ou para pagamento.
#SELIGA: o aceite lançado em separado da duplicata mercantil não imprime eficácia cambiária ao título. O aceite é ato formal e deve se aperfeiçoar na própria cártula (assinatura do sacado no próprio título), incidindo o princípio da literalidade (art. 25 da LUG). Não pode, portanto, ser dado verbalmente ou em documento em separado. O aceite lançado em separado à duplicata não possui nenhuma eficácia cambiária, mas o documento que o contém poderá servir como prova da existência do vínculo contratual subjacente ao título, amparando eventual ação monitória ou ordinária. STJ. 3ª Turma. REsp 1.334.464-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 15/3/2016 (Info 580).
*(Atualizado em 20/10/2020) #DEOLHONAJURIS: O aceite é o ato por meio do qual o sacado se vincula à ordem de pagamento emitida pelo sacador, tornando-se o responsável principal pela dívida inscrita na letra de câmbio. Se não houve aceite, não há responsável e a letra de câmbio deixa de ter natureza de título de crédito, consistindo em um mero documento, produzido unilateralmente pelo sacador. Assim, na letra de câmbio não aceita não há obrigação cambial que vincule o sacado. Nesse caso, o sacador somente tem ação extracambial contra esse sacado não aceitante. O prazo prescricional dessa pretensão não sofre as interferências do protesto do título de crédito. A prescrição interrompida pelo protesto cambial se refere única e exclusivamente à ação cambiária, sendo endereçada unicamente ao responsável principal e, eventualmente, aos devedores indiretos do título, entre os quais não se enquadra o sacado não aceitante. STJ. 3ª Turma. REsp 1.748.779-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/05/2020 (Info 672).
8.5. ENDOSSO
Ex.: Gialuca (sacador) deu uma ordem de pagamento para Cleber (sacado) pagar LFG (tomador beneficiário). Sabendo que Cleber deu aceite (pode endossar sem o aceite) e é o devedor principal do título, LFG tem duas opções:
a) Esperar a data de vencimento e cobrar do Cleber o valor de R$5.000,00;
b) Transferir o título para Sabbag através de endosso.
Quando LFG dá o endosso ele passa a ser o endossante (quem está transferindo) e Sabbag passa a ser o endossatário (quem recebe).
8.5.1. Conceito
Endosso é o ato pelo qual o credor de um título de crédito nominativo (nominal) à ordem transmite o direito ao valor constante do título a outra pessoa, sendo acompanhado da tradição da cártula, que transfere a posse desta.
Endosso é ato de transferência.
Não existe endosso parcial. O endosso parcial é nulo. Pois o título de crédito é indivisível.
“A transferência do título de crédito implica a de todos os direitos que lhe são inerentes” (Art. 893 CC).
O endosso deve sempre constar do título (cartularidade - art.13, Lei Uniforme). O local próprio é o verso do título, não precisando deindicação do ato. Se for feito na frente, tem que constar menção expressa ao endosso.
8.5.2. Formalidade e Efeitos do Endosso:
Não é possível lavrar o endosso em documento à parte ou concedê-lo por meio de instrumento público. O endosso deve ser puro e simples. Não pode ser, uma vez concedido, restringido por qualquer condição, pois a cláusula restritiva será considerada inexistente, não escrita.
Ressalte-se, por fim, que em princípio não há limite quanto ao número de endossos, mesmo em relação ao cheque, já que a legislação tributária aplicável à CPMF, que permitia apenas um único endosso nesse título de crédito, foi revogada.
Efeitos do endosso:
· Transferência da titularidade do crédito do endossante (transfere) para o endossatário (recebe);
· Tornar o endossante codevedor pelo pagamento do título.
Responsabilidade do endossante – o endossante é responsável pelo aceite e pagamento do título, salvo se registrar que endosso é sem garantia – art. 15, da Lei Uniforme. O endosso vincula o endossante ao pagamento do título de crédito, pois ele também vincula o endossante ao pagamento; existe uma solidariedade cambial, que consiste no fato de quem paga poder cobrar tudo do devedor principal, não participação da obrigação.
O endosso (próprio) tem dois efeitos principais: (i) transfere todos os direitos emergentes do título, do endossante para o endossatário; (ii) o endossante assume a responsabilidade pelo pagamento do título.
O endossante, bem como o sacado ficam vinculados cambialmente para com o endossatário.
O endossante garante, SALVO CLÁUSULA EM CONTRÁRIO: o aceite e o pagamento da letra.
Se a obrigação não for aceita, volta-se contra o endossante.
Se for aceita, mas o aceitante não a pagar no vencimento – a obrigação volta-se contra o endossante.
8.5.3. Como se dá o endosso
· Verso
O endosso pode ser dado no verso do título e para isso basta apenas uma assinatura.
· Anverso (frente do título)
O endosso pode ser dado no anverso do título (frente do título), mas para isso são necessárias uma assinatura e uma expressão identificadora, isto é, uma expressão que identifique o ato (que aquele ato é um endosso). Ex.: endosso a....; pague-se a....
8.5.4. Espécies de endosso
· Preto
Endosso em preto é aquele que identifica o endossatário. Ex.: endosso a RENATA;
· Branco
Endosso em branco é aquele que não identifica o endossatário. Ex.: endosso a... Com o endosso em branco, o título passa a ser ao portador.
O título circule ao portador, ou seja, pela mera tradição da cártula. O beneficiário de endosso em branco pode, então, tomar basicamente três atitudes: (i) transformá-lo em endosso em preto, completando-o com o seu nome ou de terceiro; (ii) endossar novamente o título, em branco ou em preto; ou (iii) transferir o título sem praticar novo endosso, ou seja, pela mera tradição da cártula (art. 14 da Lei Uniforme e art. 913 do Código Civil).
· Endosso Parcial
Ex.: Gialuca tem o título de R$ 5.000,00 e LFG apenas que endossar R$ 1.500,00.
Endosso Parcial não é admitido. Endosso parcial é nulo.
· Endosso sem data
Ocorre quando endossante não coloca a data do endosso. Dec 57.663∕68 – art. 20 – salvo prova em contrário, presume-se que um endosso sem data foi feito antes de expirado o prazo fixado para se fazer o protesto, já que após o protesto ele terá efeitos de uma cessão civil.
O endosso que não contém data – presume-se dado antes do protesto do título. Mas, essa presunção é relativa, admitindo prova em contrário.
· Endosso póstumo∕ endosso tardio = vencimento + protestou ou expirado prazo para protesto.
É possível que mesmo o título vencido seja endossado. Porém se o título teve vencimento e além do seu vencimento teve protesto ou expirou o prazo de protesto, também é possível o seu endosso, só que esse será chamado de endosso póstumo.
De acordo com a Lei o endosso póstumo tem efeito de cessão civil.
Quem dá endosso póstumo não responde pelo pagamento do título.
Ex.: Gialuca é credor de uma letra de câmbio de R$ 5.000,00 e esta é desde 2008. Gialuca protestou, tentou cobrar de toda forma esta letra de câmbio. Chega uma empresa de empréstimo, e oferece R$ 500,00 pela letra de câmbio vencida de Gialuca. Para transferir o título Gialuca tem que dá o endosso póstumo, pois a empresa de cobrança pagou R$ 500,00 e agora vai cobrar R$ 5.000,00, para evitar que a empresa cobre os R$ 5.000,00 de Gialuca é que ele faz endosso póstumo (com efeito cessão civil).
É o endosso dado após o vencimento do título.
Esse endosso feito após o protesto ou após o prazo para a realização do protesto é chamado pela doutrina de endosso póstumo ou endosso tardio.
· Endosso com “Cláusula proibitiva de novo endosso”ou cláusula “não à ordem”
Dec. 57.663 –art. 15: o endossante pode proibir um novo endosso, e, neste caso, não garante o pagamento às pessoas a quem a letra for posteriormente endossada.
Ex.: LFG endossou para o Sabbag. LFG colocou a cláusula de proibição do endosso. Sabbag por sua vez endossou para Marinela. No dia do vencimento Marinela resolve cobrar LFG. Isso não é possível, pois LFG só responde pelo seu endossatário (Sabbag), não respondendo por endossatários posteriores.
A letra de câmbio, mesmo que não envolva expressamente a cláusula à ordem, é transmissível por via de endosso. Isso significa que a letra de câmbio tem implícita a cláusula “à ordem”.
Para que o título não circule sob as regras do direito cambiário, é necessária a inclusão expressa da cláusula “não à ordem”. A cláusula “não à ordem” proíbe, mas não impede a transmissão do direito contido no título. Com a inclusão da cláusula “não à ordem”, a transferência da letra poderá ocorrer, mas, em relação àquele que inseriu a cláusula “não à ordem”, estarão ausentes os efeitos cambiais naturais do endosso. Os endossos subsequentes terão os efeitos de cessão civil de crédito em relação àquele que inseriu a cláusula “não à ordem”.
Podem inserir a cláusula não à ordem: o sacador ou o endossante.
Ao inserir a cláusula “não à ordem”, o sacador ou endossante não impedem a circulação da letra de câmbio. Estes tão-somente não garantem o pagamento às pessoas a quem a letra for posteriormente endossada, ou seja, eles não se vinculam cambialmente aos endossatários posteriores. Portanto, em relação àquele que inseriu a cláusula “não à ordem”, a letra só é transmissível pela forma e com os efeitos de uma cessão ordinária de crédito.
· Endosso sem garantia - Cláusula sem garantia = efeitos de cessão civil.
Dec. 57.663∕68–art. 15 (1ª parte): o endossante, salvo cláusula em contrário, é garante tanto da aceitação como do pagamento da letra. Quem dá o endosso sem garantia tem o mesmo efeito de cessão civil, ou seja, quem endossa sem garantia não responde pelo pagamento.
Ex.: LFG endossou para o Sabbag. LFG colocou a cláusula sem garantia endosso. Sabbag por sua vez endossou para Marinela. No dia do vencimento Marinela resolve endossar LFG, isso não é possível, pois nem o Sabag poderia cobrar do LFG, ou seja, a cláusula vale para o endossatário e para os eventuais endossatários.
· Endosso pleno –transferência e vínculo
· Endosso sem garantia –transferência, mas sem o vínculo do pagamento, que consta no título: “pague-se sem garantia”.
8.5.5. Modalidades de endosso
· Endosso próprio
Há transferência do crédito, o endossante transfere o crédito para o endossatário.
· Endosso impróprio
Não há transferência do crédito. A finalidade do crédito é legitimar a posse de terceiro.
Possuem duas modalidades:
I. ENDOSSO–MANDATO: se tem a figura do endossante-mandante e a figura do endossatário-mandatário. O endossante-mandante está conferindo poderes para que o endossante-mandatário possa exercer os direitos relativos ao título (é como se fosse uma procuração). Ele é utilizado para fins de cobrança.
Ex: Gialuca (endossante-mandante) contrata uma empresa de cobrança (endossante-mandatário) para cobrar um título para ele. Essa empresa de cobrança cobra o título e faz o repasse para o endossante-mandate que continua o credor do título.O endossatário-mandatário não tem legitimidade para ingressar em juízo cobrando o crédito.
O protesto é ato necessário para garantir o direito de regresso contra os endossantes e seus avalistas.
# COMO SE FAZ O ENDOSSO MANDATO?
Dec. 57.663∕68–art. 18 – quando o endosso contém a menção “endosso com valor a cobrar”, “endosso para cobrança”, “endosso por procuração”.
#QUEM RESPONDE PELO PROTESTO INDEVIDO? Em regra, será o endossante-mandante que responderá pelo protesto indevido. Ex.: Gialuca (endossante-mandante) contrata uma empresa de cobrança (endossante-mandatário) para cobrar um título para ele. Essa empresa de cobrança cobra o título e o devedor não paga. A empresa de cobrança faz o protesto do título, porém quem responde pelo título será Gialuca.
Excepcionalmente o endossatário mandatário respondera quando ele extrapolar os poderes de mandatário. Sum. 476, STJ – o endossatário de título de crédito por endosso-mandato só responde por danos decorrentes de protesto indevido se extrapolar os poderes de mandatário. Ex.: Gialuca contrata o BB para fazer uma cobrança, este emite o boleto para que o devedor efetue o pagamento. O Devedor vai à CAIXA e por um erro no sistema, o BB protesta o título sem perceber que o devedor já tinha pago. Nesse caso o BB responderá pelo protesto indevido, uma vez que ele extrapolou seu poder de mandatário.
Tribunal de Justiça entende que os bancos, como mandatários decorrentes de endosso-mandato, só respondem por eventuais danos causados ao devedor do título se for comprovada a sua atuação culposa, o que ocorre, por exemplo, quando o banco tem conhecimento inequívoco de que o negócio jurídico que embasou a duplicata foi desfeito.
II. ENDOSSO-CAUÇÃO ∕ PIGNORATÍCIO: é uma forma de dar o título em garantia, assim se o título de crédito é um bem móvel, nada impede que este seja dado como garantia por intermédio de penhor. Ex: “endosso em penhor”, “endosso em garantia”. A legislação não prevê endosso caução para o cheque - Questão.Não há a transferência do crédito. Trata-se de garantia. “Pague-se em garantia”.Ao credor da caução (endossatário) é permitido praticar todos os atos necessários ao exercício dos direitos emergentes do título. O devedor não poderá opor ao endossatário as exceções pessoais que eventualmente tenha perante o endossante, salvo se o endossatário comprovadamente agiu de má-fé.
No endosso os coobrigados não podem invocar contra o portador as exceções pessoais deles com o endossante a menos que o portador ao receber a letra tenha procedido conscientemente em detrimento do devedor.
Ex.: Gialuca procura um BB para fazer um empréstimo e dá como garantia uma letra de câmbio.
8.6. AVAL
8.6.1. Conceito
Obrigação cambiária assumida por alguém no intuito de garantir o pagamento de título de crédito nas mesmas condições de um outro obrigado. Ato cambial de garantia. Somente há em título de crédito; em contratos, a garantia é a fiança.
Avalista – aquele que oferece a garantia.
Avalizado – aquele que recebe a garantia, é o devedor original do título de crédito.
É o amigão. Ele faz as coisas na frente (basta a assinatura da frente).
8.6.2. Equivalência obrigacional
O Aval possui equivalência obrigacional, ou seja, a responsabilidade do avalista está diretamente relacionada à responsabilidade do avalizado. Assim, as ações e o prazo prescricional que o credor tem contra o avalizado terá também contra o avalista. De igual modo, caso o avalista pague o título terá os mesmos direitos de regresso que o seu avalizado.
O avalista responde da mesma forma que o avalizado (art.32).
8.6.3. Características
Não há benefício de ordem e pode ser acionado isoladamente.
Autonomia – a obrigação do avalista independe da obrigação do avalizado. Mesmo que a relação do avalizado seja nula, a do avalista permanece.
A autonomia e a abstração do aval são tamanhas que se admite até o aval contra a vontade do avalizado, bem como o chamado aval antecipado, o qual é prestado antes mesmo do surgimento da obrigação do avalizado e sequer se condiciona à sua futura constituição válida.
8.6.4. Como se dá o aval
Ao contrário do endosso, o aval é dado no anverso do título (frente), mediante simples assinatura do avalista. Caso feito no verso da cártula, além da assinatura, será necessária expressa menção de que se trata de aval (art. 31 da LUG e art. 898, § 1º do Código Civil).
LUG: Art. 31. O aval é escrito na própria letra ou numa folha anexa. Exprime-se pelas palavras "bom para aval" ou por qualquer fórmula equivalente; e assinado pelo dador do aval. O aval considera-se como resultante da simples assinatura do dador aposta na face anterior da letra, salvo se se trata das assinaturas do sacado ou do sacador. O aval deve indicar a pessoa por quem se dá. Na falta de indicação, entender-se-á pelo sacador.
CC: Art. 898. O aval deve ser dado no verso ou no anverso do próprio título. § 1º Para a validade do aval, dado no anverso do título, é suficiente a simples assinatura do avalista.
RELEMBRE:
ATENÇÃO: BANCO A (SACADOR/CREDOR) – BANCO B (SACADO/DEVEDOR) – BANQUEIRO C (TOMADOR).
a) SACADOR - eminente da letra de câmbio / quem dá a ordem de pagamento;
b) SACADO - quem recebe a ordem de pagamento;
c) TOMADOR - o beneficiário da ordem de pagamento.
8.6.5. Quem pode ser avalista
Tanto a pessoal física quanto a pessoa jurídica podem figurar como avalista de um título de crédito.
8.6.6. Formas de aval
a) Em preto
(Identifica o avalizado).
b) Em branco
Quando o aval é em branco, presume-se que foi dado em favor de alguém: no caso da letra de câmbio, presume-se em favor do sacador; nos demais títulos, em favor do emitente ou subscritor.
Aval em branco (não identifica o avalizado). O aval em branco deve ser lançado na frente do título e é oferecido em favor do sacador (art.31).
De acordo com o art. 31 do Dec. 57663, o aval deve indicar a pessoa por quem se dá. Na falta de identificação no aval em branco, o avalizado será o sacador emitente (aquele que colocou o título em circulação). Isto é para evitar o aval antecipado. Caso o avalizado fosse o sacado e este não desse o aceite, ocorreria o aval antecipado.
8.6.7. Tipos de aval
· Aval antecipado
O aval pode anteceder o aceite ou o endosso, ainda não lançados no título. A respeito do aval aposto antes do aceite, cumpre salientar que a recusa total ou parcial do aceite nenhuma influência exercerá sobre a responsabilidade do avalista, que independentemente do aceite assumiu a obrigação de garantir o pagamento do título. Diferentemente ocorre com o avalista antecipado de endosso: se o endosso não se realizar, nenhuma obrigação se originou para o avalista do endossante, porque, na verdade endossou em benefício do sacado (em preto).
· Aval parcial
Aval pode ser total ou parcial (art.30 da Lei Uniforme). O art. 897 do CC, parágrafo único, veda o aval parcial para os títulos de crédito sem legislação específica. De acordo com o art. 3o do Dec. 57663, o pagamento do aval pode ser no todo ou em parte. ATENÇÃO – O CC veda. Se perguntar sobre o que o CC diz = não cabe aval parcial.
· Aval posterior ao vencimento (póstumo)
Tem os mesmos efeitos do aval. Cuidado. É diferente do endosso.
É o amigão. Não importa o momento que se está passando.
· Aval simultâneo (coavais)= A e B (solidária) garantem C[footnoteRef:2]. [2: A banca CESPE, na prova do TJDFT/2016, considerou correta a seguinte alternativa: “Os avais simultâneos estabelecem entre os coavalistas uma relação fundada na solidariedade de direito comum, e não cambiária. Assim, se um deles pagar a dívida, terá o direito de exigir do outro apenas a quota parte que caberia a este.”]
São avais dados por dois ou mais avalistas ao mesmo avalizado. LFG tem como avalista Neymar e Ivete Sangalo. Mais de um avalista assume responsabilidade solidária (entre eles) em favor do mesmo devedor. Serão co-avalistas do sacador, do aceitante ou do endossante.
Se um dos avalistas simultâneos pagar o título, este poderá exigir:
(i) do avalizado - o montante integral da obrigação; ou
(ii) dosdemais avalistas simultâneos - a proporção de seus avais.
· Aval sucessivo = A garante B que garante C. Responsabilidade subsidiária.
Um avalista garante a o aval de outro avalista. É o aval do aval. LFG tem como avalista o Neymar que tem como avalista o Ronaldinho. Nesse caso, tem que estar expresso que o aval é a favor de outro avalista, senão o aval será simultâneo.
ATENÇÃO: se o aval estiver em branco, ou seja, não diz quem é o avalizado, considera-se que são simultâneos e não sucessivos. Súmula 189 – avais em branco e superpostos consideram-se simultâneos e não sucessivos. A, B e C. Em branco – avalizado é o sacador do título (A) e os avalistas simultâneos são B e C. Se está em branco eles são simultâneos. Súmula 189 do STF: “Avais em branco e superpostos consideram-se simultâneos e não sucessivos”.
Existe subsidiariedade nas obrigações – Primeiro executa-se o patrimônio do 1o avalista (que recebeu aval em sucessão de outro). Somente depois, executa-se o patrimônio do seu avalista sucessivo.
Nesse caso, todos os eventuais avalistas dos avalistas terão a mesma responsabilidade do avalizado, ou seja, aquele que pagar a dívida terá direito de regresso em relação ao total da dívida, e não apenas em relação a uma parte dela.
8.6.8. Diferença entre aval e fiança
Aval
Fiança
Título de crédito
Contrato
Autônomo A obrigação do avalista persiste mesmo com a nulidade do avalizado.
Acessório nulidade da obrigação afiançado abrange a obrigação do fiador.
Não tem benefício de ordem. Solidária
Tem benefício de ordem. Responsabilidade subsidiária. Fiador tem o benefício de que primeiro seja acionado o afiançado, mas hoje é muito como a cláusula de renúncia do benefício de ordem.
Não era necessária a outorga uxória. Com o novo CC/02 (art. 1.647, III, CC), exige a outorga, exceto se houver o regime de separação absoluta de bens.
Antes existia a necessidade de outorga uxória. Com o novo CC/02 permanece a exigência da outorga uxória, exceto se houver o regime de separação absoluta de bens.
Pequenas distinções entre aval e fiança: o aval, por exemplo, deve ser prestado no próprio título, em obediência ao princípio da literalidade; já a fiança pode ser prestada em instrumento separado.
Obs.: em caso de morte, falência ou incapacidade do avalizado, o avalista continua responsável. O que acontece com o avalizado não contamina o avalista. O credor pode cobrar dele. É uma relação autônoma. Ocorre muito em falência. O sócio é o avalista e a empresa a avalizada. A empresa entra em falência ou recuperação (dação em pagamento) e o banco cobra o crédito do sócio. Não vai precisar habilitar.
Q - Fiança é garantia subjetiva e aval objetiva.
Obs.:(cai muito): Art. 1647 = para prestar fiança e aval é necessária a outorga uxória, salvo no caso de separação absoluta.
Essa regra mereceu duras críticas da doutrina comercialista, merecidamente, já que a dinâmica das relações empresariais não se compatibiliza com esse excesso de formalismo.
#ATENÇÃO #ENTENDIMENTORECENTE #DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA:
O art. 1.647, III, do Código Civil de 2002 previu que uma pessoa casada somente pode prestar aval se houver autorização do seu cônjuge (exceção: se o regime de bens for da separação absoluta). Essa norma exige uma interpretação razoável e restritiva, sob pena de descaracterizar o aval como instituto cambiário. Diante disso, o STJ afirmou que esse art. 1.647, III, do CC somente é aplicado para os títulos de créditos inominados, considerando que eles são regidos pelo Código Civil. Por outro lado, os títulos de créditos nominados (típicos), que são regidos por leis especiais, não precisam obedecer essa regra do art. 1.647, III, do CC. Em suma, o aval dado aos títulos de créditos nominados (típicos) prescinde de outorga uxória ou marital. Exemplos de títulos de créditos nominados: letra de câmbio, nota promissória, cheque, duplicata, cédulas e notas de crédito. STJ. 3ª Turma.REsp 1.526.560-MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 16/3/2017 (Info 604). STJ. 4ª Turma. REsp 1.633.399-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 10/11/2016.
Súmula nº 26 do STJ: “O avalista do título de crédito vinculado a contrato de mútuo também responde pelas obrigações pactuadas, quando no contrato figurar como devedor solidário”.
O aval é materialmente autônomo, mas formalmente dependente.
O avalista, se executado, não pode se opor ao pagamento, fundado em matéria atinente à origem do título. Recorde-se que nenhum obrigado pode opor ao exeqüente as exceções pessoais de outro devedor. O Supremo Tribunal Federal já afirmou que “não cabe ao avalista defender-se com exceções próprias do avalizado, esclarecendo que sua defesa, quando não se funda em defeito formal do título, ou em falta de requisito para o exercício da ação, somente pode assentar em direito pessoal seu” (RE nº 67.378, in RTJ 57/474).
Observe-se, ainda, a seguinte ementa, constante da Revista dos Tribunais: “Execução proposta contra o avalista – Pagamento parcial da dívida alegado em embargos – Exceção respeitante às condições objetivas e materiais do direito de crédito – Oposição admissível, eis que equiparado ao coobrigado – Incomunicabilidade apenas das que respeitem à pessoa do avalizado. (...) Se isso lhe fosse vedado [ao avalista], ficaria em posição inferior ao do avalizado”.
Mulher casada e embargos de terceiro em defesa de sua meação – aval prestado pelo marido: a meação da mulher não responde pela dívidacontraída pelo marido, salvo se avalizada era a empresa deste e se o empréstimo reverteu em benefício da família.
Da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: aval prestado com infringência do contrato social – Validade perante terceiros de boa-fé. (...) A proibição de prestar aval, estabelecida no contrato, é válida somente entre sócios e obrigados, não sendo oponível a terceiros de boa-fé.
8.7. ESPÉCIES DE VENCIMENTO DE UMA LETRA DE CÂMBIO
a) À vista – ele é exigível de imediato. Vence com a apresentação. Deve ser paga quando apresentada. Essa apresentação deve ser feita em 1 ano, a contar da sua data.
b) Data certa – data está marcada no título.
c) A tempo certo da vista(DO ACEITE) – número de x de dias contados de um marco inicial, onde o marco inicial é a data do aceite. Ex. 3 dias da vista.
d) A tempo certo da data – número de x de dias contados de um marco inicial, onde o marco inicial é a data da emissão.(DO SAQUE): a data do vencimento será contada a partir do saque (emissão).
Dica para memorizar = Hasta la VISTA ACEITE.
8.8. PRAZO PRESCRICIONAL
· Se quero executar devedor principal ou avalista = 3 anos contados do vencimento. Não precisa de protesto para executar devedor principal;
· Se quero executar codevedor ou avalista = 1 ano contado do protesto
PERCEBA – avalista: se for devedor principal – 3 anos. Se codevedor – 1 ano do protesto.
· Direito de regresso = 6 meses contados do pagamento ou demandado.
Artigo 70, da lei uniforme, estabelece 03 PRAZOS PRESCRICIONAIS:
a) 03 anos contra o devedor principal, o aceitante e seu avalista; senão houver aceite, será o sacador. Prazo contado do vencimento da letra.
b) 01 ano contra o sacador, endossantes e avalistas, contando do protesto.
c) 06 meses para o regressoentre endossantes e sacador, contados de quando foi efetuado o pagamento.
Em regra, a letra deverá ser apresentada para pagamento no dia do seu vencimento, salvo se esse recair em dia não útil, caso em que deve ser apresentada no dia útil seguinte. Vencido o título, caso o tomador não apresente a letra para pagamento, começa a fluir o prazo para protesto, que na letra de cambo deverá ser feito nos dois dias úteis seguintes ao vencimento (art. 44 da Lei Uniforme).
8.9. PAGAMENTO
A letra de câmbio é uma obrigação querable por natureza, pois o devedor, no dia do vencimento, não sabe nas mãos de quem e onde se encontra o título. O portador deve ir ao devedor apresentar o título para pagamento.
A Lei Uniforme dispõe que a letra deve ser apresentada para pagamento no dia do vencimento ou em um dos dois dias subsequentes.O Brasil, todavia, usou da reserva, razão pela qual, em relação às letras pagáveis em seu território, deverá o portador fazer a apresentação no próprio dia do vencimento.
Tal regra, evidentemente, não se aplica às letras à vista, as quais podem ser apresentadas em qualquer momento, no prazo de um ano.
Efeitos da não apresentação: o portador que não apresentar a letra para pagamento, seja qual for a modalidade de prazo de vencimento, na época determinada, perde, em consequência, o direito de regresso contra o sacador, endossadores e respectivos avalistas. Expirado o prazo de apresentação para pagamento, o portador somente terá direito de ação contra o aceitante (e respectivo avalista).
Em consequência de o título ser documento essencial para o exercício do direito, a sua posse em mãos do devedor presume o pagamento. Tal presunção, contudo, admite prova em contrário(pode ser que haja o título sido roubado ou extraviado).
*# É Possível o Pagamento Parcial?
É possível o pagamento parcial de uma letra de câmbio e o tomador ou beneficiário não pode recusar o pagamento parcial do título. A diferença poderá ser exigida por outros meios.
Dec. n. 57.663/66, art. 39: O sacado que paga uma letra pode exigir que ela lhe seja entregue com a respectiva quitação. O portador não pode recusar qualquer pagamento parcial. No caso de pagamento parcial, o sacado pode exigir que desse pagamento se faça menção na letra e que dele lhe seja dada quitação
O pagamento antecipado, seja total ou parcial, pode ser recusado. Art. 902 CC: não é o credor obrigado a receber o pagamento antes do vencimento do título, e aquele que o paga, antes do vencimento, fica responsável pela validade do pagamento. Assim é porque pode ocorrer que o título tenha sido extraviado, e se encontre na posse ilegítima do portador.
O credor pode fazer uma oposição ao pagamento, nos casos em que o título estiver na posse ilegítima de outra pessoa. Esta oposição deve ser dirigida ao devedor por carta registrada.
Verificação dos endossos – Aquele que paga a letra é obrigado a verificar a regularidade da sucessão dos endossos, mas não a assinatura dos endossantes. A cadeia de endossos em preto deve estar perfeita, com as assinaturas dos endossantes se encadeando, um a um.
Supremo Tribunal Federal – Somente se caracteriza a recusa do pagamento de título cambial pela sua apresentação ao devedor, demonstrada pelo protesto. Até este momento, o devedor não é culpado pelo atraso na liquidação da dívida (até porque pode nem saber quem é o portador do título). Não se olvide que a cambial é um título de apresentação.
Lugar do pagamento: Na falta de menção no título, prevalece o lugar que constar ao lado do nome do sacado.
Efeitos do pagamento – Há que se distinguir duas situações:
a) O pagamento efetuado pelo aceitante (obrigado principal) ou pelos respectivos avalistas desonera da responsabilidade cambial todos os coobrigados;
b) O pagamento feito pelo sacador, endossantes ou respectivos avalistas desoneram da responsabilidade apenas os coobrigados posteriores.
Pagamento por intervenção: o que paga por intervenção (a intervenção é sempre voluntária) fica sub-rogado nos direitos emergentes da letra.
Se a apresentação da letra ou o seu protesto não puder ser feito dentro dos prazos indicados por motivo insuperável (caso fortuito ou força maior), esses prazos serão prorrogados. É a mesma regra da apresentação para aceite.
9 PROTESTO CAMBIAL
Um dos institutos cambiários mais importantes é o protesto, que pode ser definido como o ato formal pelo qual se atesta um fato relevante para a relação cambial. Esse fato relevante pode ser (i) a falta de aceite do título, (ii) a falta de devolução do título ou (iii) a falta de pagamento do título.
No entanto, muitas vezes o protesto é necessário para o atendimento de outras finalidades, que não dizem respeito diretamente à relação cambiária. São os casos, por exemplo: (i) do protesto exigido para a propositura de pedido de falência por impontualidade injustificada (art. 94 da lei 11.101/2005) e (ii) do protesto que constitui em mora o devedor do contrato de alienação fiduciária em garantia (art. 2º, § 2º, do Decreto-lei 911/1969).
Ademais, registre-se que, de acordo com o art. 202, III, do Código Civil, o protesto cambial interrompe a prescrição, desde que feito no prazo e na forma da lei. Essa regra do atual Código Civil acabou por superar entendimento cristalizado na Súmula 153 do Supremo Tribunal Federal, de seguinte teor: “o simples protesto cambiário não interrompe a prescrição”. Portanto, antes do Código Civil de 2002, o protesto cambial não interrompia a prescrição, por força do disposto na Súmula 153 do STF. Após o Código, o protesto cambial interrompe a prescrição, por força de regra legal expressa (art. 202, III).
*#DEOLHONAJURIS DIZERODIREITO #STJ: Não há como impor tacitamente ao credor o dever de enviar, sem provocação, o documento hábil ao cancelamento do legítimo protesto. O credor tem o inequívoco dever de fornecer o documento hábil ao cancelamento do protesto, mas para isso precisa ser previamente provocado. Assim, se o devedor paga ao banco um título de crédito que estava protestado, o banco deverá fornecer uma carta de anuência com a qual o devedor poderá cancelar o protesto. No entanto, o credor não tem o dever de fornecer este documento automaticamente. É necessário que haja um requerimento (um pedido) daquele que pagou. STJ. 4ª Turma. REsp 1.346.584-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 09/10/2018 (Info 638).
9.1. MODALIDADES DE PROTESTO
· Protesto Judicial – é modalidade especial de protesto tratada no CPC;
· Protesto Extrajudicial ou Cambial – é tratado no direito cambiário;
Definição – Protesto cambial - É a formalidade extrajudicial, mas solene, destinada a servir de prova da apresentação da letra de câmbio, no tempo devido, para aceite ou para pagamento.
O protesto é prova de que o credor se desonerou da obrigação de apresentar o título ao devedor para aceite ou para pagamento. O protesto cambial não cria direitos. É o protesto um simples meio de provapara o exercício do direito cambiário, como acentua Pontes de Miranda.
O protesto constitui elemento fundamental para o exercício do direito de regresso.
Pode-se, destarte, fazer-se a seguinte distinção:
a) Protesto obrigatório (ou necessário, ou conservatório) – deve ser feito pelo portador do título para não perder o direito de regresso, ou seja, o direito de ação contra os coobrigados não principais (sacador, endossantes e respectivos avalistas), salvo a presença da cláusula “sem protesto”;
b) Protesto facultativo (ou probatório) – interessa apenas para provar a mora do sacado/aceitante (o protesto não é obrigatório em relação a este, porquanto ele pode ser acionado ainda que o título não tenha sido protestado).
#SELIGA: da jurisprudência do STF – Para o credor exigir judicialmente do aceitante ou do seu avalista a dívida cambiária, não é necessário o prévio protesto do título. O protesto é exigido “só para os casos de ação regressiva do portador contra o sacador, endossador e avalista” (in RTJ 57/469). Portanto, para que possa exigir o pagamento dos demais obrigados pelo título (endossantes e avalistas), deverá comprovar o inadimplemento do devedor principal, o que se faz pelo protesto.
Súmula nº 153 do STF: “simples protesto cambiário não interrompe a prescrição”.Sem eficácia, pois, o art. 202, III, do CC, que determina que o protesto cambiário interrompe a prescrição.
Juros (artigo 48 da Lei Uniforme) – contam-se desde a data do vencimento, à taxa de 6%. Há quem defenda, porém, que eles se contam apenas a partir do protesto, sob o argumento de que o devedor não sabe quem é o portador do título.
9.2. PRAZOS DE PROTESTO
A disciplina é diferente para cada um dos tipos:
a) Protesto por falta de pagamento – como o Brasil se valeu do seu direito de reserva, não adotou a regra da Lei Uniforme. Assim, o dia da apresentação do título é o do vencimento. Se houver recusa, a letra deve ser entregue ao oficial de protestono primeiro dia útil seguinte;
b) Protesto por falta de aceite – não houve reserva. Assim, se o devedor pede que a letra lhe seja apresentada uma segunda vez no dia seguinte ao da primeira apresentação, tendo esta sido feita no último dia do prazo, pode fazer-se o protesto ainda no dia seguinte.
Cláusula “sem protesto” (ou “sem despesa”) – É possível inseri-la no título. Caso o seja, o portador pode exercer o seu direito de ação contra os coobrigados independentemente de protesto do título.
Cancelamento do protesto (Lei nº 6.690/1975) – será cancelado o protesto de títulos cambiais posteriormente pagos mediante a exibição e entrega, pelo devedor, dos títulos protestados, devidamente quitados. Q - o cancelamento do protesto é ônus do devedor.
Sustação do protesto – Cuida-se de construção jurisprudencial, para evitar o abuso do direito de certos credores, que usam o protesto para oprimir e coagir o devedor a pagar a dívida. Confere-se ao protestando a chance de demonstrar judicialmente a inexistência ou invalidade da pretendida obrigação. A sustação vale, então, como medida processual cautelar. Impõe-se o depósito da quantia reclamada, não em consignação em pagamento, mas como preliminar e preparatória de ação judicial de anulação do título. Poderá o juiz, entretanto, admitir apenas a prestação de caução. Essa medida era simples construção pretoriana, tendo sido positivada com a Lei 9.492/97, para suspender os efeitos do protesto enquanto se discute, em juízo, a efetiva exigibilidade do título apresentado ao Tabelião de Protesto de Títulos.
*(Atualizado em 16/03/2022) O protesto de título de crédito realizado enquanto ainda existe a possibilidade de cobrança relativa ao crédito referente ao negócio jurídico subjacente não gera danos morais ao devedor.
Situação hipotética: João emitiu um cheque em 27/9/2005 em favor de Pedro. Pedro protestou o cheque em 09/10/2009. Esse protesto foi regular? Não. Isso porque o cheque já estava prescrito.
Não é possível o protesto de cheques após ter transcorrido o lapso prescricional de 6 meses para a execução (cambial), que flui após o prazo de apresentação.
Diante disso, João ajuizou ação de indenização por danos morais contra Pedro alegando que o réu lhe causou abalo extrapatrimonial porque fez um protesto indevido.
Pedro contestou a demanda afirmando que, realmente, o cheque está prescrito, no entanto, mesmo assim, ele ainda poderá cobrar o valor da cártula por outros meios, como a ação monitória (Súmula 503 do STJ). Logo, não deveria haver condenação em danos morais.
O que o STJ decidiu? Cabe condenação em danos morais neste caso? Não.
O protesto de título de crédito realizado enquanto ainda existe a possibilidade (pretensão) de cobrança relativa ao crédito referente ao negócio jurídico subjacente não gera danos morais ao devedor.
Cuidando-se de protesto irregular de título de crédito, o reconhecimento do dano moral está atrelado à ideia do abalo do crédito causado pela publicidade do ato notarial, que, naturalmente, faz associar ao devedor a pecha de “mau pagador” perante a praça. Todavia, na hipótese em que o protesto é irregular por estar prescrita a pretensão executória do credor, havendo, porém, vias alternativas para a cobrança da dívida consubstanciada no título, não há se falar em abalo de crédito, na medida em que o emitente permanece na condição de devedor.
STJ. 3ª Turma. REsp 1713130/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/03/2020.
STJ. 4ª Turma. REsp 1536035-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 26/10/2021 (Info 717).
#SELIGA:PROTESTO. Intimação por edital e necessidade de esgotamento dos meios de localização do devedor. O tabelião, antes de intimar o devedor por edital, deve esgotar os meios de localização, notadamente por meio do envio de intimação por via postal, no endereço fornecido por aquele que procedeu ao apontamento do protesto. STJ. 2ª Seção. REsp 1.398.356-MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. para acórdão Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 24/2/2016 (recurso repetitivo) (Info 579).
Protesto de títulos é o ato público, formal e solene, realizado pelo tabelião, com a finalidade de provar a inadimplência e o descumprimento de obrigação constante de título de crédito ou de outros documentos de dívida.
Existem inúmeros efeitos que decorrem do protesto; no entanto, as duas principais vantagens para o credor são as seguintes: a) serve como meio de provar que o devedor está inadimplente; b) funciona como uma forma de coerção para que o devedor cumpra sua obrigação sem que seja necessária uma ação judicial (como o protesto lavrado gera um abalo no crédito do devedor, que é inscrito nos cadastros de inadimplentes, a doutrina afirma que o receio de ter um título protestado serve como um meio de cobrança extrajudicial do débito; ao ser intimado do protesto, o devedor encontra uma forma de quitar seu débito).
Regras sobre a intimação: Depois que o apresentante protocoliza no cartório o título ou documento de dívida, o Tabelião de Protesto expedirá uma intimação ao devedor. O tabelião pode ir entregar pessoalmente a intimação, pode mandar por um funcionário seu ou remeter pelos Correios (o mais comum). A intimação deverá ser entregue no endereço fornecido pelo apresentante do título ou documento. Assim, quando uma pessoa vai pedir para que um título seja protestado, ela já tem que levar o endereço do devedor. Para que seja válida, é necessário que fique comprovado que uma pessoa maior e capaz recebeu a intimação no endereço do devedor. Para isso, é indispensável que a pessoa que recebeu assine um protocolo, aviso de recepção (AR) ou outro documento equivalente. Vale ressaltar, mais uma vez, que, para que a intimação seja válida, basta que ela tenha sido entregue para alguém no endereço fornecido pelo apresentante do título ou documento como sendo do devedor. A lei não exige que o próprio devedor receba a intimação, bastando que ela seja entregue em seu endereço. A intimação deverá conter nome e endereço do devedor, elementos de identificação do título ou documento de dívida, e prazo limite para cumprimento da obrigação no Tabelionato, bem como número do protocolo e valor a ser pago.
Segundo a jurisprudência do STJ, a intimação do protesto por edital somente pode ser considerada meio hábil para a caracterização da mora se tiverem sido esgotadas todas as possibilidades de se localizar o devedor. Assim, se o apresentante tiver fornecido algum endereço do devedor, o tabelião só poderá intimá-lo por edital se primeiro tentar enviar a intimação para este endereço e não conseguir que ninguém o receba.
Se o apresentante fornecer endereço incorreto, agindo de má-fé, responderá por perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções civis, administrativas ou penais (art. 15, § 2º).
É possível, à escolha do credor, o protesto de cédula de crédito bancário garantida por alienação fiduciária, no tabelionato em que se situa a praça de pagamento indicada no título ou no domicílio do devedor. STJ. 2ª Seção. REsp 1.398.356-MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. para acórdão Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 24/2/2016 (recurso repetitivo) (Info 579).
A Cédula de Crédito Bancário (CCB) é um título de crédito extremamente comum na atividade empresarial, estando disciplinada nos arts. 26 a 45 da Lei nº 10.931/2004. Quando uma pessoa física ou jurídica adquire um empréstimo bancário, a instituição financeira exige que este mutuário emita, em favor do banco, uma cédula de crédito bancário, que é um papel no qual o emitente se compromete a pagar para o beneficiário determinada quantia ali prevista. Este papel (CCB) fica em poder do credor. Caso o emitente não cumpra a sua promessa e não pague a dívida no prazo, o credor poderá executar a CCB, que é um título de crédito e, portanto, título executivo extrajudicial. A CCB poderá ser emitida com ou sem garantia (art. 27 da Lei nº 10.931/2004). Em caso de empréstimo de pequenos valores, os bancos normalmente não exigem garantia, bastando a CCB, que é, comovimos, título executivo. No entanto, se a quantia for grande, as instituições exigem que o mutuário, além de emitir a cédula, forneça uma garantia (ex.: hipoteca de um bem imóvel, cessão fiduciária de bens móveis etc.).
A determinação para que o protesto seja feito no local indicado pelo título como praça de pagamento está prevista no art. 28, parágrafo único, do Decreto 2.044/1908: Art. 28. A letra que houver de ser protestada por falta de aceite ou de pagamento deve ser entregue ao oficial competente, no primeiro dia útil que se seguir ao da recusa do aceite ou ao do vencimento, e o respectivo protesto, tirado dentro de três dias úteis. Parágrafo único. O protesto deve ser tirado do lugar indicado na letra para o aceite ou para o pagamento. Sacada ou aceita a letra para ser paga em outro domicílio que não o do sacado, naquele domicílio deve ser tirado o protesto. Também pode ser admitido que o protesto ocorra no domicílio do devedor porque isso se mostra mais vantajoso para ele, de forma que não poderá invocar qualquer nulidade no ato.
10 AÇÃO CAMBIAL
É, no direito brasileiro, uma ação executiva típica.
O portador pode acionar qualquer obrigado, sem estar adstrito à ordem, ou pode mover a ação contra todos, citando-os solidariamente. Porém, para que possa exigir o pagamento dos demais obrigados pelo título (endossantes e avalistas), deverá comprovar o inadimplemento do devedor principal, o que se faz pelo protesto.
O prazo para o protesto é decadencial; o da ação, prescricional.
Prescrição da ação cambial (Letra de Câmbio)
a) Contra o aceitante – prescreve em 3 anos a contar do vencimento;
b) Do portador contra os endossantes e contra o sacador – prescreve em 1 ano, a contar do protesto feito em tempo útil, ou da data do vencimento, se fora aposta a cláusula “sem protesto”;
c) Dos endossantes contra os outros e contra o sacador – prescreve em 6 meses, a contar do dia em que o endossante pagou a letra ou, se for o caso, do dia em que ele foi acionado. Nesse caso, trata-se do exercício do direito de regresso.
A prescrição pode ser interrompida, mas só produz efeitos em relação à pessoa contra quem foi dirigida (artigo 71 da Lei Uniforme).
Ação de enriquecimento ilícito (ação de in rem verso) – o próprio artigo 15 do Anexo II da Convenção de Genebra facultou aos países signatários a previsão da citada ação. Baseia-se na equidade, e não no direito creditório, que já está prescrito. A sua causa de pedir não é a existência do crédito (que já prescreveu), mas o locupletamento ilícito. Segundo o § 3° do art. 206 do CC, o prazo é de 3 anos.
Em tais ações, há julgados que se contentam com a juntada do título, entendendo caracterizado o prejuízo. Há, todavia, controvérsias a este respeito.
11 RESSAQUE
Ressacar é sacar outra vez. Possui idêntica natureza do saque primitivo, com os meses requisitos essenciais (tanto que dispensa até novo aceite do sacado, sendo suficiente o do título original). Previsto no art. 37 do Decreto nº 2.044/08, permitindo ao portador de uma letra que a tenha pago, devidamente protestada, e não prescrita, proceder à emissão de um novo título, com a finalidade de substituir a ação regressiva contra os demais co-responsáveis.
Se algum obrigado indireto pagar a letra, poderá demandar os demais de dois modos:
a) Via ação regressiva;
b) Emitindo uma nova letra, que será a cópia fiel da primitiva, junto da qual deve seguir.
12 NOTA PROMISSÓRIA
Lei uniforme de Genebra 57663 – temos poucos artigos. O legislador ao invés de escrever tudo de novo na lei, determinou que são aplicáveis às notas promissórias, as disposições das letras, que não sejam contrárias à sua natureza. Ex.: aval
1.1. CONCEITO
É um título de crédito pelo qual uma pessoa, denominada emitente, faz a outra pessoa, designada beneficiária/tomador, uma promessa pura e simples de pagamento de quantia determinada, em seu favor ou a outrem à sua ordem, nas condições nelas constantes.
Há uma promessa de pagamento (eu vou pagar) quando emite a nota, já está se obrigando, que é diferente de ordem de pagamento (B, pague).
Emitente (subscritor) e tomador (beneficiário).
Aproveitando as observações que já fizemos quando do estudo da letra de câmbio, pode-se dizer que: (i) a nota pode ser emitida em branco ou incompleta (Súmula 387 do STF); (ii) a nota promissória, por ser título de crédito, possui implícita a cláusula à ordem, podendo vir expressa, todavia, a cláusula não à ordem; (iii) a identificação do devedor principal – que na nota é o subscritor – deve ser feita com a menção ao número de sua carteira de identidade, do seu CPF, do seu título de eleitor ou de sua carteira profissional (CTPS); (iv) a exigência de identificação do tomador impede, pelo menos em tese, a emissão de nota promissória ao portador; (v) a promessa de pagamento deve ser incondicional, não se admitindo a sujeição a qualquer condição suspensiva ou resolutiva; e (vi) a ausência de menção à época do pagamento faz com que a nota seja considerada à vista.
· Não há aceite.
Afinal aqui há uma promessa de pagamento. Na LC o sacado (recebe a ordem) tem que dar o aceite, tornando-se o devedor principal.
Há aqui apenas um emitente que promete pegar uma quantia a alguém. Só há aceite se houver ordem de pagamento.
· Devedor principal = emitente;
· Endosso = tudo igual à letra de câmbio: Endosso parcial é nulo.
· Aval = igual à letra de câmbio
Obs.: Aqui o avalizado é o emitente/subscritor. Somente o devedor pode ser avalizado, na NP são devedores: o emitente e os endossantes.
· Vencimento
Art. 77 diz que se aplicam as mesmas regras na nota promissória.
São as mesmas hipóteses, com uma pequena diferença. A certo tempo de vista não será contado do aceite e sim da vista. É raro = a 5 dias da vista.
Por essa razão, pode-se pensar que a nota promissória poderia ser sacada com dia certo, à vista e a certo termo da data, mas não poderia ser sacada a certo termo da vista, justamente por não depender de aceite.
Ocorre que a própria Lei Uniforme admite, em seu art. 78, a emissão de nota promissória a certo termo da vista, caso em que o título deverá ser levado ao visto do subscritor no prazo de um ano a contar do saque da nota. Após o visto do subscritor, começará, então, a correr um certo prazo, já estipulado desde a emissão, após o qual considera-se vencido o título.
*(Atualizado em 05/09/2020) #DEOLHONAJURIS Em uma nota promissória constaram duas datas de vencimento; uma coincide com a data de emissão do título; a outra é posterior; neste caso, deve prevalecer a data posterior já que, por ser futura, admite ser presumida como a efetiva manifestação de vontade do emitente. Caso concreto: na nota promissória constaram duas informações diferentes sobre a data de vencimento do título: “cinco de fevereiro de dois mil e oito” e “05 de julho de 2008”. Vale ressaltar que a nota promissória foi emitida em 05.02.2008 (data de emissão). Assim, a nota promissória contém duas datas de vencimento igualmente expressas por extenso quanto ao mês (“fevereiro” e “julho”), sendo a primeira delas coincidente com a data de emissão da cártula, aposta numericamente (05.02.2008). Qual delas deverá prevalecer? Deve prevalecer a data de 05 de julho. Diante da divergência entre as expressões numérica e por extenso da data de vencimento de nota promissória, deve-se presumir que a efetiva vontade do emitente da nota era a de que o vencimento se desse após a emissão, prevalecendo, assim, a segunda e mais futura data de vencimento. A nota promissória é um título de crédito próprio, e, como tal, se propõe à concessão de um prazo para o pagamento, distinto da data da emissão da cártula, de forma que não faz sentido a emissão de uma nota promissória com data de vencimento coincidente com a data de emissão. STJ. 3ª Turma. REsp 1.730.682-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/05/2020 (Info 671)
(*) ATUALIZADO EM 14/10/2021: Nesse mesmo sentido: TÍTULOS DE CRÉDITO (NOTA PROMISSÓRIA). A aposição de datas de vencimento divergentes em nota promissória não inquinaos títulos de crédito de nulidade, devendo-se adotar a data posterior, se a outra coincide com a data de emissão do título.
Caso concreto: na nota promissória constaram duas informações diferentes sobre a data de vencimento do título. Em determinado local constou que a data de vencimento do título seria “05.02.2008” e, em outro campo, constou que a data de vencimento seria “cinco de julho de dois mil e oito”.
Vale ressaltar que a nota promissória foi emitida em 05.02.2008 (essa é a data de emissão). Assim, a nota promissória contém duas datas de vencimento, sendo que a primeira delas coincide com a data de emissão do título, aposta numericamente (05.02.2008). Qual delas deverá prevalecer? A data de cinco de julho de dois mil e oito.
Diante da divergência entre as expressões numérica e por extenso da data de vencimento de nota promissória, deve-se presumir que a efetiva vontade do emitente da nota era a de que o vencimento se desse após a emissão, prevalecendo, assim, a segunda e mais futura data de vencimento.
A nota promissória é um título de crédito próprio e, como tal, se propõe à concessão de um prazo para o pagamento, distinto da data da emissão da cártula, de forma que não faz sentido a emissão de uma nota promissória com data de vencimento coincidente com a data de emissão. STJ. 3ª Turma. REsp 1.920.311-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 18/05/2021 (Info 697).
· Prazo prescricional = mesma coisa da LC.
I. Devedor principal/avalista – 3 anos do vencimento;
II. Codevedor ou avalista – 1 ano do protesto;
III. Direito de regresso – 6 meses do pagamento ou demandado.
Obs.:Nota promissória prescrita. Aplica o art. 206, §5º, I (5 anos) para a ação monitória. Como é a forma de contagem? A partir do vencimento. Se o título está prescrito? Lei 9492/97 (lei de protesto) diz que não é função do tabelião investigar se o título está prescrito ou não. Ele apenas verifica os requisitos formais. A responsabilidade do protesto do título vencido é do protestante. Se protestou e não pagou? Cabe ainda monitória, pois ele perdeu a sua natureza cambial, mas não perdeu a natureza de instrumento público ou particular de dívida e com base no art 206, §5, I o prazo para executar esse documento é de cinco anos.
STJ editou então a súmula 504 – o prazo para ajuizamento de Ação monitória em face de emitente de nota promissória sem força executiva é quinquenal, a contar doa dia seguinte do vencimento do título.
1.2. REQUISITOS
· Denominação nota promissória;
· Promessa de pagar certa quantia;
· Data do pagamento;
· Lugar do pagamento;
· Nome do beneficiário;
· Data e lugar de emissão;
· Assinatura do emitente.
Salvo a data (se omissa, será considerada a vista) e o lugar de pagamento ou emissão, a ausência de algum dos requisitos ocasiona a desconsideração do título como NP (art. 76 da LU).
O prazo do protestotambém é de 02 dias úteis subsequentes ao vencimento, para garantir a possibilidade de cobrança dos coobrigados.
Prazos prescricionais da nota promissória são os mesmos da letra de câmbio, com a única diferença a de que no lugar do aceitante entra o eminente e é retirada a figura do sacado.
1.3. COMPARATIVO: NOTA PROMISSÓRIA (NP) X LETRA DE CÂMBIO(LC)
a) Não se aplicam às notas promissórias as regras da LC incompatíveis com a natureza de promessa de pagamento (art. 77 da LUG). A letra de câmbio tem natureza de ordem de pagamento, já a nota promissória, promessa de pagamento.
Art. 78, que “o subscritor de uma nota promissória é responsável da mesma forma que o aceitante de uma letra”. As regras aplicáveis ao aceitante da letra, pois, devem ser aplicadas ao subscritor da nota.
b) Aplica-se ao subscritor da nota promissória as regras do aceitante da letra de câmbio (art. 78 da LUG), em razão de ambos serem os devedores principais dos respectivos títulos. Com isso, temos o seguinte:
· A prescrição da nota contra o subscritor (emitente) também é de 3 anos;
· O protesto do título também é facultativo contra o emitente da nota promissória;
· Afalência do subscritor antecipa o vencimento da nota promissória.
c) O aval em branco, na nota promissória, considera-se dado ao subscritor (art. 77 da LUG). Por sua vez, na letra de câmbio, o aval em branco considera-se dado ao sacador (art. 31 da LUG).
d) Por ser uma promessa direta de pagamento, não existe aceite na NP, todavia, a LUG, no art. 78, disciplinou a figura da NP pagável a certo termo de vista. Funciona da seguinte forma - o subscritor promete pagar quantia determinada, ao término de prazo por ele definido e cujo início se opera a partir do visto, a ser oportunamente dado na NP. O portador da cambial tem um prazo (ver art. 23) a contar da data da emissão da NP para apresentá-la ao visto do emitente. Dado o visto, começa a fluir o prazo mencionado no título para vencimento.
Se o visto for negado pelo emitente, cabe protesto, nos termos do art. 25. Porém, a recusa do visto não antecipa o vencimento.
Nota emitida com vinculação a determinado contrato – caso tal fato conste expressamente do título, estará descaracterizada a abstração/autonomia do título (relativização), podendo ser alegada exceção pessoal em desfavor de terceiro de boa-fé.
Obs.: Nota promissória e contratos bancários.
Inicialmente, cumpre destacar que quando a nota promissória for emitida com vinculação a um determinado contrato – não apenas contratos bancários, o que é mais comum, mas qualquer contrato –, tal fato deve constar expressamente do título, uma vez que este pode circular, e o terceiro que recebê-lo por endossodeve ter conhecimento da relação contratual à qual o título está atrelado.
Assim, constando expressamente da nota promissória a vinculação a determinado contrato, de certa forma estará descaracterizada a abstração/autonomia do título, já que o terceiro que o recebeu via endosso tem conhecimento da relação que lhe deu origem, e, portanto, está consciente de que contra ele poderão ser opostas exceções ligadas ao referido contrato.
Atente-se, entretanto, que a nota promissória perde apenas, e em certa medida, a sua abstração (subprincípio ligado à autonomia), permitindo-se que o devedor alegue contra um eventual terceiro endossatário, conforme visto acima, as exceções fundadas na relação contratual que está atrelada ao título. Todavia, a nota promissória conserva, em princípio, a sua executividade, salvo se o contrato a que está ligada descaracterizar a sua liquidez.
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: Processo civil. Recurso especial. Execução. Nota promissória vinculada a contrato de confissão de dívida. Executoriedade. Precedentes. 1 – Consoante entendimento desta Corte, o fato de achar-se a nota promissória vinculada a contrato não a desnatura como título executivo extrajudicial. 2 – Recurso provido para determinar o regular prosseguimento da execução (STJ, REsp 259.819-PR, Rel. Min. Jorge Scartezzini, DJ 05.02.2007, p. 237).
A questão merece explicação mais detalhada. A nota promissória vinculada a um contrato específico, com expressa menção no título a este fato, tem a sua abstração e autonomia, pode-se dizer, relativizada. Isso se dá porque o título passa a ter uma ligação intrínseca com o contrato que o originou, podendo-se, então, aplicar, grosso modo, a máxima de que o acessório (a nota) segue o principal (o contrato). Portanto, se o contrato a que está ligada a nota promissória não descaracterizar a sua liquidez, ela continuará ostentando a característica de título executivo extrajudicial, nos termos do art. 585 do Código de Processo Civil, e poderá fundamentar ação executiva contra o devedor.
É por isso que o Superior Tribunal de Justiça tem entendido que o simples fato de a nota promissória estar ligada a um contrato de mútuo não a descaracteriza como título executivo, isto é, ela não perde a sua executividade. Isso ocorre porque esse tipo de contrato bancário não desfigura a liquidez da nota promissória. Assim, “a nota promissória, ainda que vinculada a contrato de mútuo bancário, não perde a sua executoriedade. Precedentes do STJ” (AgRg no REsp 777.912/RS,Rel. Min. Nancy Andrighi, DJ 28.11.2005, p. 289).
Em contrapartida, a situação é totalmente diferente quando a nota promissória está atrelada a contrato de abertura de crédito. É que esse contrato, segundo jurisprudência consolidada há algum tempo pelo STJ, torna o título ilíquido.
#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA:Recentemente, entretanto, surgiram alguns precedentes do STJ favoráveis aos bancos, quando se trata de contrato de abertura de crédito fixo: Processo civil. Contrato bancário. Mútuo. Originário de débito em conta-corrente. Título executivo. O contrato de abertura de crédito fixo, é título executivo, nos termos do Art. 585, II, do CPC, ainda que oriundo de débito em conta-corrente (AgRg no REsp 623.809/MT).
Com efeito, os bancos tentaram, durante muito tempo, fazer com que os contratos de abertura de crédito fossem reconhecidos como títulos executivos extrajudiciais, tentativa que foi repelida pela jurisprudência, ao argumento de que tais contratos eram ilíquidos, já que seu valor era apurado unilateral e arbitrariamente pelo banco exequente. Os bancos tentaram, então, uma saída alternativa: executar os contratos de abertura de crédito acompanhados de extratos pormenorizados do débito, alegando que estes confeririam liquidez ao contrato exequendo. Mais uma vez a jurisprudência repeliu a tentativa dos bancos, editando a Súmula 233: “o contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de extrato da conta-corrente, não é título executivo”. O máximo que o STJ permite, nesse caso, é a propositura de ação monitória (Súmula 247 do STJ: “o contrato de abertura de crédito em conta-corrente, acompanhado do demonstrativo de débito, constitui documento hábil ao ajuizamento da ação monitória”).
A saída encontrada pelos bancos, então, foi vincular aos contratos de abertura de crédito um título executivo que pudesse, futuramente, embasar uma eventual execução contra o cliente, e esse título é justamente uma nota promissória. Ocorre que mais uma vez o Superior Tribunal de Justiça frustrou a tentativa dos bancos de garantir mais o crédito que fornece aos seus clientes, firmando entendimento de que “a nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou”.
1.4. A CLÁUSULA DE JUROS NOS TÍTULOS DE CRÉDITO
No seu art. 890, o Código Civil estabelece que “consideram-se não escritas no título a cláusula de juros, a proibitiva de endosso, a excludente de responsabilidade pelo pagamento ou por despesas, a que dispense a observância de termos e formalidade prescritas, e a que, além dos limites fixados em lei, exclua ou restrinja direitos e obrigações”.
Trata-se de mais uma regra adotada pelo código que contraria o disposto na legislação cambiária específica. Com efeito, o art. 5º da Lei Uniforme, por exemplo, permite que nas letras à vista e a certo termo da vista se estabeleça cláusula de juros, desde que a taxa aplicável seja indicada expressamente no título. Nesse caso, os juros serão contados da data da letra de câmbio, salvo se outra tenha sido expressamente indicada nela.
O que se percebe, portanto, é que o crédito bancário, como é sabido há bastante tempo no Brasil, acaba sendo muito arriscado, o que contribui, de certa forma, para os altos juros nas operações bancárias em nosso país. O chamado spread (diferença entre a taxa de juros cobrada aos tomadores de crédito e a taxa de juros paga aos depositantes pelos bancos), no Brasil, é um dos mais altos do mundo, senão o mais alto. Talvez se os nossos legisladores e os nossos tribunais percebessem o estrago que essa insegurança do crédito bancário traz para a economia alguns entendimentos poderiam ser revistos, o que já ocorreu, é bem verdade, com a edição da nova lei de falências, que adiante comentaremos com mais detalhes.
Enfim, a grande solução para os bancos acabou vindo com a edição da Lei 10.931/2004, que criou a cédula de crédito bancário, título de crédito específico destinado a operacionalizar contratos bancários, que estudaremos adiante.
1.5. A CLÁUSULA-MANDATO (SÚMULA 60 DO STJ)
Outro entendimento pretoriano acerca das notas promissórias ligadas a contratos bancários está consolidado no Enunciado 60 da Súmula de jurisprudência dominante do STJ, segundo o qual “é nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao mutuante, no exclusivo interesse deste”.
Tal enunciado sumular se refere à chamada cláusula-mandato, a qual era comumente colocada em contratos bancários, constituindo a própria instituição financeira, ou às vezes uma empresa coligada a ela, como procuradora do cliente contratante. Assim, em caso de inadimplemento da obrigação contratual, o banco ou a sua coligada, conforme o caso, emitia um título de crédito (nota promissória) em seu próprio favor, no valor da dívida, na condição de mandatária do cliente devedor. Com isso, estaria sanado o problema da eventual iliquidez.
13 CHEQUE
Lei nº. 7.357/85.
1.1. CONCEITO
Está na lei 7.357/85. Cheque é uma ordem de pagamento à vista (artigo 32). Quem ordena é o emitente ou devedor. A ordem é dirigida ao banco (instituição financeira) que é o sacado, é o que cumpre a ordem de pagamento. Aquele que recebe o cheque é o beneficiário, o credor da importância. O banco não tem qualquer responsabilidade pelo pagamento imediato de cheques pós-datados.
O Brasil, todavia, posteriormente, editou sua própria lei sobre cheques – a Lei nº 7.357, de 2 de setembro de 1985. Referida lei, no entanto, respeitou as normas da Lei Uniforme (Decreto nº 57.595, de 7 de janeiro de 1966); seu escopo foi apenas de assegurar uma redação mais condizente com as peculiaridades da legislação interna e de melhor harmonizar certos dispositivos a outros existentes na praxe doméstica.
Alguns levantam dúvidas quanto à sua caracterização como título de crédito. O cheque – é bem verdade – é um instrumento de pagamento, na sua forma mais simples. Todavia, ele também toma a feição de título de crédito, quando se apresenta com endosso e aval, pondo-se em circulação. Aplicam-se, portanto, os institutos próprios aos títulos de crédito.
É uma ordem de pagamento à vista, emitida por pessoa física ou jurídica, em favor próprio ou de terceiro, contra instituição bancária ou financeira que lhe seja equiparada, com a qual o emitente possui contrato que autorize a dispor de fundos existentes em conta corrente.
a) Sacador – devedor;
b) Sacado – banco;
c) Tomador/beneficiário – credor.
Antes do caixa eletrônico a pessoa emitia um cheque em nome de si mesma. Ela era o sacador e o tomador.
É ordem de pagamento, necessariamente, à vista. Ele é exigível de imediato. Na lei de cheques não há a figura do cheque pré-datado. Foi uma construção jurisprudencial. Mas se a pessoa apresenta antes da data, há um rompimento com a boa-fé objetiva e por isso a Súmula 370 do STJ afirma que caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado.
· Não admite o aceite
Afinal o banco não pode recusar o pagamento quando há fundos.
· Endosso
I. Efeitos
a) Transferência da titularidade do crédito do endossante para o endossatário;
b) Tornar o endossante codevedor do cheque.
II. Forma de endosso
a) Verso – basta a assinatura;
b) Anverso – assinatura + expressão identificadora.
III. Não há limite de endosso para cheque. Havia uma limitação quando tinha a CPMF. O cheque era devolvido quando tinha mais de um endossante. Quando depositava havia o recolhimento do CPMF, então, a ideia era pressionar o depósito.
IV. Endosso parcial é nulo. Art. 18, §1º.
Ou endossa tudo ou não endossa nada.
V. Não se admite endosso condicionado Art. 18 da Lei de Cheque.
#INFORMATIVO 573 – STJ
É desnecessária a notificação de emitente de cheque com cláusula "à ordem", para que o faturizador que tenha recebido a cártula por meio de endosso possa cobrar o crédito decorrente de operação de factoring. STJ. 4ª Turma. REsp 1.236.701-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 5/11/2015 (Info 573).
- O contrato de conventional factoring é um contrato de mútuo?NÃO. Em verdade, consiste em uma compra e venda de créditos (direitos), por um preço ajustado entre as partes.
- O art. 20 da Lei do Cheque (Lei nº 7.357/85) estabelece que o endosso transmite todos os direitos resultantes do cheque.
- O art. 22, por sua vez, afirma que o detentor de cheque "à ordem" é considerado portador legitimado, se provar seu direito por uma série ininterrupta de endossos, mesmo que o último seja em branco. Assim, o cheque endossado confere ao endossatário os efeitos de cessão de crédito sem que seja necessário observar as formalidades do art. 290 do CC. Se o emitente do cheque tivesse colocado na cártula "não à ordem", neste caso, o título (cheque) somente poderia ser transferido para a factoring por meio de cessão civil. Aí sim, seria aplicável o art. 290 do CC.
#INFORMATIVO 584 – STJ
O cheque pós-datado amplia o prazo de apresentação? Em suma, no caso de cheque pós-datado (pré-datado), a partir de quando é contado o prazo de apresentação?
1) Pós-datação regular (efetivada no campo referente à data de emissão): SIM.
A pactuaçãoda pós-datação de cheque, para que seja hábil a ampliar o prazo de apresentação à instituição financeira sacada, deve espelhar a data de emissão estampada no campo específico da cártula. O ordenamento jurídico confere segurança e eficácia à pós-datação regular (efetivada no campo referente à data de emissão).
Ex: no dia 20/05, João emitiu (preencheu) um cheque e o entregou para Pedro (beneficiário). No entanto, no campo reservado para a data de emissão, ele, em vez de colocar 20/05, escreveu 20/07 (data que ficou combinada para que Pedro sacasse o cheque). O termo inicial do prazo de apresentação do cheque é o dia 20/07. STJ. 2a Seção. REsp 1.423.464-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 27/4/2016 (recurso repetitivo) (Info 584).
2) Pós-datação extracartular (feita em campo diverso do campo específico): NÃO.
A pós-datação extracartular do cheque não modifica o prazo de apresentação nem o prazo de prescrição do título. A pos-datação extracartular tem existência jurídica, mas apenas com natureza obrigacional entre as partes (Súmula 370). Esta pactuação extracartular, contudo, é ineficaz em relação à contagem do prazo de apresentação e, por conseguinte, não tem o condão de operar o efeito de ampliar o prazo de apresentação do cheque.
Ex: João emitiu o cheque no dia 20/05 e o entregou a Pedro. No campo reservado para a data de emissão, ele colocou 20/05 (dia atual). No entanto, no verso do cheque escreveu o seguinte: “bom para o dia 20/07” (que foi a data combinada para que Pedro sacasse o dinheiro). O termo inicial do prazo de apresentação do cheque continua sendo o dia 20/05. STJ. 4a Turma. REsp 1.124.709-TO, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 18/6/2013 (Info 528).
#Informativo 584 – STJ
Sempre será possível, no prazo para a execução cambial, o protesto cambiário de cheque com a indicação do emitente como devedor. STJ. 2a Seção. REsp 1.423.464-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 27/4/2016 (recurso repetitivo) (Info 584).
#Informativo 564 – STJ
Durante assalto ocorrido em um banco, os ladrões roubaram 50 talonários de cheques. Tais talonários estavam impressos com nomes de clientes e seriam ainda entregues aos correntistas para que iniciassem seu uso. Diante desse fato, o banco efetuou o cancelamento dos referidos cheques. Cerca de um mês depois do assalto, um dos ladrões foi até o supermercado e comprou diversos produtos. A conta foi paga com o cheque roubado. O funcionário do banco foi tentar descontar o cheque, mas ele foi devolvido, tendo a bancária informado que aquele cheque não poderia ser pago porque havia sido cancelado pela instituição financeira, com base no motivo 25 da Resolução 1.631/1989, do Banco Central. O banco deverá responder pelo prejuízo do supermercado? NÃO. A instituição financeira não deve responder pelos prejuízos suportados por sociedade empresária que, no exercício de sua atividade empresarial, recebera como pagamento cheque que havia sido roubado durante o envio ao correntista e que não pode ser descontado em razão do prévio cancelamento do talonário (motivo 25 da Resolução 1.631/1989 do Bacen). STJ. 3ª Turma. REsp 1.324.125-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 21/5/2015 (Info 564). Aceitar ou não cheques como forma de pagamento é uma faculdade do comerciante. A partir do momento em que decide trabalhar com esse tipo de título de crédito, ele passa a assumir o risco de recebê-lo. Deverá, portanto, adotar todas as cautelas e diligências com o objetivo de conferir a idoneidade do título, assim como de seu apresentante (e suposto emitente).
· Aval
Aval pode ser total ou parcial. Art. 29 da Lei de Cheque.
O aval somente continua enquanto o título ainda é cambial, uma vez que, caso o título deixe de ser obrigação cambial, o aval não mais vale (ex.: o título prescrito faz com que o título deixe de ser cambial, gerando a perda de efeito do aval).
· Apresentação para pagamento
30 dias = mesma praça
60 dias = praças diferentes
Contados da data da emissão. O banco vai pagar depois disso? Vai. Qual a finalidade então?
· Finalidades:
(i) Esse prazo dá início ao prazo prescricional;
(ii) Só é possível a execução do endossante de cheque, se ele for apresentado dentro do prazo legal.
Obs.: Súmula 600 STF – cabe ação executiva contra o emitente e seus avalistas, ainda que não apresentado o cheque ao sacado no prazo legal, desde que não prescrita a ação cambiária.
Obs.: apresentação simultânea = não há fundo disponível para pagar os cheques.
Deve-se pagar o cheque de data de emissão mais antiga.
Mesma data – o número de cheque inferior (o primeiro a ser emitido na ordem do talão de cheques).
Súmula 388 STJ – a mera devolução indevida de cheque causa dano moral.
* #OLHAOGANCHO: O protesto irregular de cheque prescrito não caracteriza abalo de crédito apto a ensejar danos morais ao devedor, se ainda remanescer ao credor vias alternativas para a cobrança da dívida consubstanciada no título. STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.772-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/11/2017 (Info 616). Isso porque o cheque, apesar de estar prescrito, ainda poderia ser cobrado por outros meios. No âmbito do protesto irregular de título de crédito, o reconhecimento do dano moral está diretamente relacionado com a ideia do abalo de crédito causado pela publicidade do ato notarial que, naturalmente, faz associar ao devedor a pecha de “mau pagador” perante a praça. Se houve um protesto irregular (porque o cheque está prescrito), mas existem ainda outras vias alternativas para a cobrança da dívida, entende-se que esse protesto indevido não gerou um abalo no crédito do devedor, considerando que o emitente do título permanece na condição de devedor, estando, de fato, impontual no pagamento. Com efeito, aquele que, efetivamente, insere-se na condição de devedor, estando em atraso no pagamento de dívida regularmente por si assumida, passível de cobrança por meios outros que não a execução, não pode se sentir moralmente ofendido pelo protesto, mesmo sendo ele extemporâneo. No caso concreto, mesmo estando o cheque prescrito, a empresa ainda tinha, à sua disposição, três ações judiciais possíveis. Assim, embora indevido o protesto, João permanecia na condição de devedor inadimplente, razão pela qual não está caracterizado abalo de crédito apto a ensejar a caracterização de dano moral indenizável
1.2. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO CHEQUE
Art. 33 da Lei do Cheque
Não é o prazo prescricional do cheque. A perda tem uma consequência, mas que não são as mesmas da prescrição:
a) 30 dias – mesma praça;
b) 60 dias – praças diversas.
A não apresentação do cheque no prazo de apresentação acarreta a perda do direito de regresso contra os endossantes e seus avalistas. Continua podendo cobrar do emitente. Súmula 600 STF.
A apresentação no prazo de pagamento deve ser comprovada para que permaneça o direito de regresso contra endossantes e seus avalistas. Quando se tratar de cheque a comprovação pode ser feita alternativamente:a) Protesto;
b) Declaração do sacado, escrita e datada, com indicação do dia de apresentação (carimbo de devolução do cheque). Ver art. 47 da Lei do Cheque.
Obs. Protesto – não precisa para cobrar de coobrigados, por que basta o carimbo do banco de que o cheque não tinha fundos, para suprir a necessidade de protesto. Se o cheque, por falta de fundos, voltar por duas vezes, não podem mais ser emitidos cheques e o nome do emitente vai para o rol dos emitentes de cheques sem fundos.
* #OLHAOGANCHO: O protesto irregular de cheque prescrito não caracteriza abalo de crédito apto a ensejar danos morais ao devedor, se ainda remanescer ao credor vias alternativas para a cobrança da dívida consubstanciada no título. STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.772-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/11/2017 (Info 616).
#NOVIDADE #SÚMULA: Súmula 572-STJ: O Banco do Brasil, na condição de gestor do Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), não tem a responsabilidade de notificar previamente o devedor acerca da sua inscrição no aludido cadastro, tampouco legitimidade passiva para as ações de reparação de danos fundadas na ausência de prévia comunicação. STJ. 2ª Seção. Aprovada em 11/05/2016, DJe 16/05/2016.
#VALELEMBRAR: Súmula 299 do STJ: “[...] é admissível ação monitória fundada em cheque prescrito.”
Visto – Aposto pelo sacado, obriga-o a debitar à conta do emitente a quantia indicada no cheque e a reservá-la em benefício do portador legitimado, durante o prazo de apresentação, sem que fiquem exonerados o emitente, endossante e demais coobrigados. Visto não é aceite.
Provisão de fundos – O emitente deve ter fundos disponíveis em poder do sacado (artigo 4°). A infração deste preceito não acarreta a nulidade do cheque; este, todavia, não é pago pelo sacado.
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE EXECUÇÃO. TÍTULO DE CRÉDITO. CHEQUE PÓS-DATADO. OMISSÃO. FUNDAMENTAÇÃO. AUSENTE. DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. SIMILITUDE FÁTICA NÃO DEMONSTRADA. PRESCRIÇÃO DA AÇÃO EXECUTIVA. DATA CONSIGNADA NA CÁRTULA. (...) 3. Ainda que a emissão de cheques pós-datados seja prática costumeira, não encontra previsão legal. Admitir-se que do acordo extracartular decorra a dilação do prazo prescricional, importaria na alteração da natureza do cheque como ordem de pagamento à vista e na infringência do art. 192 do CC, além de violação dos princípios da literalidade e abstração. Precedentes. 4. O termo inicial de contagem do prazo prescricional da ação de execução do cheque pelo beneficiário é de 6 (seis) meses, prevalecendo, para fins de contagem do prazo prescricional de cheque pós-datado, a data nele regularmente consignada, ou seja, aquela oposta no espaço reservado para a data de emissão. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e nessa parte não provido. (REsp 1068513/DF, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 14/09/2011, DJe 17/05/2012).
DESAPOSSAMENTO – o artigo 24 da Lei Uniforme esclarece que desapossado alguém de um cheque, o novo portador legitimado não está obrigado a restituí-lo, se não o adquiriu de má-fé.
Obs.: autonomia relativa do cheque: permite-se, em excepcionais situações, que o devedor discuta a “causa debendi”. Neste sentido, STJ:
COMERCIAL E PROCESSUAL CIVIL. CHEQUE. INVESTIGAÇÃO DA CAUSA DEBENDI. CIRCUNSTÂNCIAS ESPECIAIS, QUE O PERMITEM. LEI N. 7.357/85. EXEGESE. HONORÁRIOS. FIXAÇÃO EQÜITATIVA. CPC, ART. 20, § 4º. I. A autonomia do cheque não é absoluta, permitida, em certas circunstâncias especiais, como a prática de ilícito pelo vendedor de mercadoria não entregue, após fraude notória na praça, a investigação da causa subjacente e o esvaziamento do título pré-datado em poder de empresa de "factoring", que o recebeu por endosso. (...) (REsp 434.433/MG, DJ 23.06.2003)
Cheque. Vinculação a contrato de compra e venda. Possibilidade de exame da causa do débito. Fundamentação que permanece suficiente para a manutenção do julgado. 1. Se o cheque foi dado em garantia, "deve ser admitida a investigação da causa debendi " (...) REsp, 659.327/MG, DJ 30.04.2007.
*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: O cheque é um título de crédito. Logo, submete-se aos princípios da literalidade, da abstração, da autonomia das obrigações cambiais. Uma das decorrências da autonomia é o princípio da inoponibilidade das exceções pessoais ao terceiro de boa-fé, consagrado pelo art. 25 da Lei do Cheque (Lei nº 7.357/85): Art. 25. Quem for demandado por obrigação resultante de cheque não pode opor ao portador exceções fundadas em relações pessoais com o emitente, ou com os portadores anteriores, salvo se o portador o adquiriu conscientemente em detrimento do devedor. Assim, em regra, o emitente do cheque não pode invocar exceções pessoais contra o terceiro de boa-fé que recebeu o título. Ex: o emitente não pode deixar de pagar ao terceiro de boa-fé que recebeu o cheque por endosso alegando que o endossatário (destinatário original do cheque) não cumpriu sua obrigação contratual. Essa regra, contudo, não se aplica no caso de cheque prescrito. É possível a oposição de exceção pessoal ao portador de cheque prescrito. Isso porque se o cheque está prescrito, ele perde as suas características cambiárias, tais quais a autonomia, a independência e a abstração. Assim, como o cheque prescrito perde a autonomia, não se aplica mais o conhecido princípio da inoponibilidade das exceções pessoais ao terceiro de boa-fé previsto no art. 25 da Lei do Cheque (Lei nº 7.357/85). STJ. 3ª Turma. REsp 1.669.968-RO, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 08/10/2019 (Info 658).
1.3. TIPOS DE CHEQUE
a) Cheque Cruzado – Recebe na frente (anverso) dois traços paralelos e transversais. O cruzamento do cheque faz com que ele só possa ser pago a um banco, para tanto deverá ser depositado em uma conta. Há cruzamento em branco (quando não se indica em que banco deve ser depositado) e em preto(quando, entre os traços, é feita indicação do banco em que deve ser depositado). – art. 44 da Lei do Cheque.
b) Cheque Para Ser Levado Em Conta – Quando o emitente proíbe o pagamento do título em dinheiro exigindo que seja depositado em conta. Não tem utilização atualmente, pois o cheque cruzado é mais conhecido e atende ao mesmo objetivo. – art. 46 da Lei do Cheque;
c) Cheque Administrativo – É o emitido pelo banco. Será necessariamente nominal. É usado em casos em que se quer ter certeza de que tem fundos. – art. 9o, III da Lei do Cheque;
d) Cheque Visado – Aquele em que o banco, a pedido do emitente, declara no verso a existência de fundos. Cabe ao banco reservar o valor visado na conta do emitente para que não sirva ao pagamento de outro cheque. – art. 7o Lei do Cheque
1.4. SUSTAÇÃO DO CHEQUE
Objetiva impedir a liquidação do cheque pelo banco sacado.
a) Revogação ou Contra-ordem – art. 35 da Lei do Cheque
Ato exclusivo do emitente. Somente pode ser manifestada após o fim do prazo de apresentação. Deverá o emitente apresentar as razões motivadoras do ato.
b) Oposição – art. 36 da Lei do Cheque
Ato de emitente ou portador legitimado. Pode ser manifestada mesmo antes do término do prazo de apresentação. Deverá apresentar relevante razão de direito. Não cabe ao banco julgar a relevância da razão invocada para a oposição (por isto, é totalmente descabida a exigência, feita pelos bancos, de que o emitente apresente boletim de ocorrência policial).
PRESCRIÇÃO – o prazo é de 6 meses após o prazo de apresentação do cheque; uns dizem que seria após o término do prazo e outros que seria a partir do dia da apresentação (essa é majoritária na jurisprudência), tendo como marco final os trinta ou sessenta dias.
Este é o dies a quo para quando o cheque não for apresentado. Se for apresentado e não pago, por qualquer motivo, inclusive falta de provisão de fundos, a prescrição começa a contar a partir do dia da primeira apresentação.
DIREITO COMERCIAL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA EMBASADA EM CHEQUE PRESCRITO. VIABILIDADE. MENÇÃO AO NEGÓCIO JURÍDICO SUBJACENTE. DESNECESSIDADE. OPOSIÇÃODE EMBARGOS À MONITÓRIA DISCUTINDO O NEGÓCIO QUE ENSEJOU A EMISSÃO DO CHEQUE. POSSIBILIDADE. 1. O cheque é ordem de pagamento à vista, sendo de 6 (seis) meses o lapso prescricional para a execução após o prazo de apresentação, que é de 30 (trinta) dias a contar da emissão, se da mesma praça, ou de 60 (sessenta) dias, também a contar da emissão, se consta no título como sacado em praça diversa, isto é, em município distinto daquele em que se situa a agência pagadora. 2. Se ocorreu a prescrição para execução do cheque, o artigo 61 da Lei do Cheque prevê, no prazo de 2 (dois) anos a contar da prescrição, a possibilidade de ajuizamento de ação de locupletamento ilícito que, por ostentar natureza cambial, prescinde da descrição do negócio jurídico subjacente. Expirado o prazo para ajuizamento da ação por enriquecimento sem causa, o artigo 62 do mesmo Diploma legal ressalva a possibilidade de ajuizamento de ação de cobrança fundada na relação causal. 3. No entanto, caso o portador do cheque opte pela ação monitória, como no caso em julgamento, o prazo prescricional será quinquenal, conforme disposto no artigo 206, § 5º, I, do Código Civil e não haverá necessidade de descrição da causa debendi 4. Registre-se que, nesta hipótese, nada impede que o requerido oponha embargos à monitória, discutindo o negócio jurídico subjacente, inclusive a sua eventual prescrição, pois o cheque, em decorrência do lapso temporal, já não mais ostenta os caracteres cambiários inerentes ao título de crédito. 5. Recurso especial provido. (REsp 926.312/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 20/09/2011, DJe 17/10/2011)
*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ O dever de garantia do emitente do cheque, previsto no art. 15 da Lei nº 7.357/85, não pode ser afastado com fundamento nos costumes e no princípio da boa-fé objetiva O emitente garante o pagamento do valor contido no cheque, considerando-se não escrita a declaração pela qual se exima dessa garantia (art. 15 da Lei nº 7.357/85). Esse dever de garantia do emitente do cheque não poder ser afastado com fundamento nos costumes e no princípio da boa-fé objetiva. Não há lacuna neste caso. Na ausência de lacuna, não cabe ao julgador se valer de um costume para afastar a aplicação da lei, sob pena de ofensa ao art. 4º da LINDB. De igual modo, a flexibilização do art. 15 da Lei nº 7.357/85, sob o argumento do princípio da boa-fé objetiva, não tem o condão de excluir o dever de garantia do emitente do cheque, sob pena de se comprometer a segurança na tutela do crédito, pilar fundamental das relações jurídicas dessa natureza. STJ. 3ª Turma. REsp 1.787.274-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/04/2019 (Info 647).
1.5. AÇÕES CABÍVEIS PARA COBRANÇA DO CHEQUE
a) Execução (prescrição de 6 meses);
b) Ação de enriquecimento ou locupletamento indevido – está prevista na lei de cheque (artigo 61); é uma ação de conhecimento e somente pode ser ajuizada depois de prescrito o cheque. Ela somente é cabível no prazo de 2 anos após a consumação da prescrição. Sobre a discussão da causa do cheque, há divergência jurisprudencial;
c) Ação monitória[footnoteRef:3] (para qualquer título de crédito prescrito) – Súmula 299 do STJ. [3: #FICADEOLHO: Caiu na 2ª fase da DPE/AC – 2017 (CESPE).]
1.6. PAGAMENTO
a) Pagamento parcial: segundo o artigo 38, parágrafo único da lei, diz que “o portador não pode recusar pagamento parcial...”;
b) Se 2 ou + cheques são apresentados para pagamento simultaneamente (Detalhe, não há fundo disponível de ambos), qual o banco deve pagar? Art. 40;
c) Terão preferência os cheques de emissão mais antiga;
d) Se forem de mesma data, o de número inferior;
e) Conta conjunta: segundo o STJ, na conta conjunta há solidariedade ativa, no sentido de que ambos podem movimentar a conta, mas não há solidariedade passiva. A responsabilidade passiva é do emitente do cheque
#INFORMATIVO #STJ: Em qualquer ação utilizada pelo portador para cobrança de cheque, a correção monetária incide a partir da data de emissão estampada na cártula, e os juros de mora a contar da primeira apresentação à instituição financeira sacada ou câmara de compensação (não aplica o art. 405, CC). STJ. 2ª Seção. REsp 1.556.834-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/6/2016 (recurso repetitivo) (Info 587).
1.7. ASPECTOS CRIMINAIS
a) Fraude no pagamento por meio de cheque (art. 171, §2°, VI, CP):
· O cheque é do emitente;
· A consumação ocorre com a recusa do pagamento;
· O foro competente é o do local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado (Súmula 521 STF);
*#ATENÇÃO #DIZERODIREITO[footnoteRef:4]: Para a jurisprudência, se o agente que emitiu o cheque sem fundos pagá-lo antes de a denúncia ser recebida, isso impedirá que a ação penal seja iniciada. Trata-se de uma exceção mais favorável ao réu do que a regra do art. 16 do CP. [4: https://www.dizerodireito.com.br/2014/04/a-sumula-554-stf-nao-se-aplica-ao.html]
Existe um enunciado antigo do STF, mas ainda válido, sobre o tema: Súmula 554-STF – O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o recebimento da denúncia, não obsta ao prosseguimento da ação penal.
A jurisprudência afirma que a Súmula 554 do STF aplica-se unicamente para o crime de estelionato na modalidade de emissão de cheque sem fundos (art. 171, § 2º, VI). Assim, a referida súmula não se aplica ao estelionato no seu tipo fundamental (art. 171, caput). Neste caso, havendo ressarcido integralmente o dano, aqui sim será considerado diminuição de pena, nos termos do art. 16 do CP (arrependimento posterior).
Obs.: o STJ consolidou entendimento de que a pré-datação do cheque o transformaria em mera garantia de dívida, fato que, por si só, afastaria a possibilidade de incriminação do emitente no tipo penal de estelionato (RHC 16880/PB, DJ 24/10/2005).
b) Estelionato comum mediante falsificação de cheque (art. 171, “caput”):
· O cheque não é do emitente;
· A consumação ocorre no momento em que o agente obtém a vantagem ilícita;
· Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar (Súmula 48 STJ).
Devedor Principal e Avalista
Co-devedor e Avalista
Direito de Regresso
LC & NP
3 anos do vencimento
1 ano do protesto (p/ endossante também), contados do protesto ou do vencimento (se a letra tiver cláusula ‘sem despesa’)
6 meses
- Do pagamento
- De quando demandado
Duplicata
3 anos do vencimento
1 ano do protesto (p/ endossante também), contados do protesto ou do vencimento (se a letra tiver cláusula ‘sem despesa’)
1 ano
- Do pagamento
- De quando demandado
Cheque
6 meses contados do fim do prazo de apresentação (30/60)
6 meses do protesto (o processo poderá ser substituído por uma declaração do banco sacado ou por uma declaração da câmara de compensação). Na verdade, o grande objetivo de protestar o cheque é a interrupção do prazo prescricional
6 meses
- Do prazo
- De quando demandado
14 DUPLICATA
É título príncipal do direito brasileiro e é muito utilizada em substituição da letra de câmbio. É um título causal que somente pode ser emitida por: compra e venda (empresários) e prestação de serviço. Ela é uma ordem de pagamento sempre vinculada ao contrato de compra e venda ou de prestação de serviços. Existe o sacador ou emitente (é o que emite a duplicata; ele é o vendedor) e o sacado (que é o comprador), que paga para o beneficiário, que é o próprio vendedor.
a) Sacado é o devedor;
b) Beneficiário é credor;
c) Sacador é credor.
Obs.: A duplicata praticamente não é emitida, sendo substituída pelo boleto bancário.
Trata-se de criação brasileira. O motivo real de implantação da duplicata de fatura foi o interesse tributário do Governo (à época em que o imposto sobre vendas mercantis cabia à União). Era título de emissão obrigatória, porquanto constituía o veículo de arrecadação e fiscalização do imposto. Hoje, sua emissão é uma faculdade do credor.
É um título emitido juntamente com a fatura (fatura é obrigatória; duplicata é facultativa).
A fatura não é, evidentemente, título representativo demercadorias, mas é o documento do contrato de compra e venda mercantil, que enseja a emissão da duplicata, esta sim um título de crédito. O Prof. Waldemar Ferreira se refere à duplicata como “título de crédito, representativo da venda de mercadorias efetivamente entregues”.
A jurisprudência não aceita a emissão de nova duplicata apenas para correção monetária e juros de mora.
Uma duplicata só pode corresponder a uma única fatura (artigo 2°, § 2°, da Lei).
*(Atualizado em 30/01/2021) #DEOLHONAJURIS A assinatura do sacador/emitente da duplicata é requisito que pode ser suprido por outro meio. Segundo o art. 2º, § 1º da Lei nº 5.474/68 um dos requisitos da duplicata é a assinatura do sacador. O requisito da assinatura do emitente deve ser considerado suprível nessa específica modalidade de título de crédito, sobretudo quando não ocorre sua circulação. Existem dois principais argumentos que permitem chegar a essa conclusão: a) com fundamento no art. 13, § 1º da Lei nº 5.474/68, é dispensável a apresentação física da duplicata, bastando para a constituição do título executivo extrajudicial: os boletos de cobrança bancária, os protestos por indicação e os comprovantes de entrega de mercadoria ou de prestação de serviços. b) a duplicata, por ser um título causal, permite a incidência da literalidade indireta, que autoriza a identificação de seus elementos no documento da compra e venda mercantil ou da prestação de serviços que lhe serve de ensejo, pois o devedor tem a ciência de que aquela obrigação também tem seus limites definidos em outro documento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.790.004-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/10/2020 (Info 681).
1.1. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL
Lei nº. 5.474/68 (alterada pelo D.L. nº. 436/69)
1.2. CARACTERÍSTICAS
Título causal. Título de crédito que emerge de uma compra e venda mercantil ou prestação de serviço.
Ordem de pagamento.
Título de modelo vinculado.
1.3. ELEMENTOS PESSOAIS
a) SACADOR - quem dá a ordem de pagamento/aquele que vende a mercadoria ou presta serviço;
b) SACADO - quem recebe a ordem de pagamento/aquele que compra a mercadoria ou serviço.
1.4. A DUPLICATA E O PRINCÍPIO DA CARTULARIDADE
O regramento da duplicata em alguns momentos não age em observância ao princípio da cartularidade.
Após a emissão da duplicata pelo sacador/vendedor, ela deveria ser remetida para o sacado/comprador para o lançamento do aceite. Veja as regras no art. 6o e seguintes da Lei das Duplicatas.
Esse procedimento gera um risco para o sacador/vendedor, pois a duplicata pode extraviar ou não ser devolvida pelo sacado/comprador. Ocorrendo uma dessas hipóteses, ficaria o sacador/vendedor impossibilitado de fazer a cobrança, por não possuir o título, se a Lei das Duplicatas não tivesse criado alternativas para substituí-la.
Em caso de perda ou extravio da duplicata, poderá o sacador/vendedor emitir triplicata para substituí-la (art. 23 da Lei das Duplicatas).
Em caso de retenção da duplicata pelo sacado/comprador, poderá ser protestado o título por simples indicações do portador do título.
1.5. ACEITE OU RECUSA DO ACEITE
O aceite na duplicata é obrigatório, por tratar-se de título causal. O aceite só poderá ser recusado de acordo com os arts. 8o e 21: (rol taxativo):
(i) Defeito na mercadoria;
(ii) Mercadoria entregue diferentemente do que foi acertado;
(iii) Avaria;
(iv) Divergência nos prazos e nos preços ajustados.
Em função do seu caráter obrigatório, o aceite da duplicata mercantil pode ser discriminado em três categorias:
a) Aceite ordinário – aquele em que o sacado lança sua assinatura no título;
b) Aceite por comunicação– aquele em que o sacado retém o título e expressa o aceite em carta/comunicado apartado;
c) Aceite por presunção– caracteriza aceite presumido quando o sacado/ comprador recebe a mercadoria e não reclama e quando o título é protestado, sem que haja obstáculo – art. 15 da Lei das Duplicatas.
Princípio do suprimento do aceite – Ainda que não haja aceite, o título pode ser utilizado para ação executiva (constitui título executivo, portanto) nas seguintes hipóteses legais:
a) Quando o sacado, recebendo a duplicata, a retém com o consentimento do credor, tendo comunicado por escrito que a aceitou e a reteve (esta comunicação seria o título executivo);
b) Quando a duplicata ou triplicata não aceita, mas protestada, vem acompanhada de qualquer documento comprobatório da remessa ou da entrega da mercadoria (artigo 15). O título executivo seria a duplicada acompanhada da prova da remessa ou entrega da mercadoria;
c) Quando a duplicata ou triplicata não é aceita nem devolvida, mas o protesto (por falta de aceite ou de devolução) é tirado mediante indicações do credor, o qual deve provar que o devedor recebeu o título. Neste caso, como na situação de ‘b’, deve-se comprovar a remessa ou entrega da mercadoria. O título executivo seria o instrumento do protesto tirado mediante indicações, acompanhado da prova de remessa ou entrega da mercadoria.
Observe-se que há um abrandamento do princípio da cartularidade.
Se a duplicata não é aceita, mas o credor não dispõe de prova da remessa ou entrega da mercadoria, deverá mover ação de cobrança (ação de rito ordinário; não poderá se valer de ação executiva).
Após a emissão da duplicata, o sacador terá prazo de 30 dias para sua remessa ao sacado.
O sacado, ao receber a duplicata, terá prazo de 10 dias para dar o aceite ou recusá-lo de forma motivada e devolver a duplicata ao sacador.
O endosso da duplicata segue a regra do endosso da letra de câmbio. No que se refere ao aval, também se aplica as disposições referentes à letra de câmbio. Porém, há algumas pequenas diferenças: A duplicata ou é à vista ou é com data certa, não se admitindo duplicata a certo termo de vista ou a certo termo de data.
ENDOSSO: admite o endosso.HáImpossibilidade de inserir a cláusula não a ordem desde a origem. O 1º endossante será o vendedor da operação que originou o título.
1.6. PROTESTO DA DUPLICATA
Tem a mesma finalidade que dos outros títulos de crédito, ou seja, poder cobrar os demais coobrigados.
A duplicata pode ser protestada:
a) Por falta de aceite;
b) Por falta de devolução;
c) Por falta de pagamento;
d) Protesto por Indicação (art. 13, parágrafo 1o da Lei das Duplicatas).
O protesto da duplicata pode ser solicitado sem que o sacador a tenha em mãos. Se a duplicata foi remetida para aceite e não foi devolvida, poderá haver protesto mediante simples indicações dos dados do título (retirados do livro de emissão de duplicatas – obrigatório para os empresários que emitem tais títulos) ao Cartório de Protestos.
Para garantir o direito de regresso contra os endossantes e seus avalistas, o protesto deve ser feito até 30 dias após o vencimento do título. – art. 13, par. 4o Lei das Duplicatas.
1.7. EXECUÇÃO DA DUPLICATA (ART.15)
Título Executivo
a) Duplicata aceita, protestado ou não;
b) Duplicata não aceita (triplicata ou por indicação) + protesto +documento de comprovação da entrega da mercadoria – recusa justificada.
· Pode ser feita quando for duplicata ou triplicata (cópia da duplicata em caso de perda ou extravio) aceita, protestada ou não.
Em caso de aceite ordinário ou por comunicação.
Também pode ser executada a duplicata não-aceita (não teve o aceite ordinário e nem por comunicação), que inicialmente pensou-se em aceite por presunção, que não foi confirmado pelo pagamento. Nesse caso são requisitos cumulativos:
a) Protesto (até contra o devedor principal; mesmo que o protesto seja por indicação);
b) Comprovante de entrega da mercadoria.
Que o sacado não tenha comprovadamente recusado o aceite.
(*) ATUALIZADO EM 14/01/2022: #NOVIDADELEGISLATIVA: Foi publicada a Lei n 14.301/22 que alterou o art. 15 da Lei das Duplicatas (Lei nº 5.474/68):
Art. 15 - A cobrança judicial de duplicata ou triplicata será efetuada de conformidade com o processo aplicável aos títulos executivos extrajudiciais, de que cogita o Livro II do Código de Processo Civil ,quando se tratar: (Redação dada pela Leinº 6.458, de 1º.11.1977)
l - de duplicata ou triplicata aceita, protestada ou não; (Redação dada pela Lei nº 6.458, de 1º.11.1977)
II - de duplicata ou triplicata não aceita, contanto que, cumulativamente: (Redação dada pela Lei nº 6.458, de 1º.11.1977)
a) haja sido protestada; (Redação dada pela Lei nº 6.458, de 1º.11.1977)
b) esteja acompanhada de documento hábil comprobatório da entrega e do recebimento da mercadoria, permitida a sua comprovação por meio eletrônico; (Redação dada pela Lei nº 14.301, de 2022)
c) o sacado não tenha, comprovadamente, recusado o aceite, no prazo, nas condições e pelos motivos previstos nos arts. 7º e 8º desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 6.458, de 1º.11.1977)
§ 1º - Contra o sacador, os endossantes e respectivos avalistas caberá o processo de execução referido neste artigo, quaisquer que sejam a forma e as condições do protesto. (Redação dada pela Lei nº 6.458, de 1º.11.1977)
§ 2º - Processar-se-á também da mesma maneira a execução de duplicata ou triplicata não aceita e não devolvida, desde que haja sido protestada mediante indicações do credor ou do apresentante do título, nos termos do art. 14, preenchidas as condições do inciso II deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 6.458, de 1º.11.1977)
§ 3º A comprovação por meio eletrônico de que trata a alínea b do inciso II do caput deste artigo poderá ser disciplinada em ato do Poder Executivo federal. (Incluído pela Lei nº 14.301, de 2022)
1.8. PRESCRIÇÃO
Contra o devedor principal e seus avalistas – 3 anos.
Contra os co-devedores e seus avalistasouentre os co-devedores – 1 ano.
Alguns instrumentos jurídicos, por outro lado, se encontram sujeitos a uma disciplina legal que aproveita, em parte, os elementos do regime jurídico-cambial. Mas tais instrumentos não podem ser considerados títulos de crédito, embora encontrem disciplinados por um regime próximo ao das cambiais, justamente porque não se aplicam, totalmente, os elementos caracterizadores do regime jurídico-cambial.
Costumam-se denominar tais instrumentos pela expressão “títulos de crédito impróprios”, da qual são espécies:
a) Título de financiamento;
b) Título de legitimação;
c) Títulos representativos;
d) Títulos de investimentos.
Título de financiamento. São títulos que asseguram ao seu portador a prestação de um serviço ou acesso a prêmios em certame promocional ou oficial. Ex.: bilhete do metrô, passe de ônibus, ingresso em cinema, volante sorteado de loteria. Aplicam-se os princípios da cartularidade, da literalidade e da autonomia, mas não são títulos executivos.
Títulos de investimento. Destinam-se à captação de recursos pelo emitente. Representam-se a parcela de um contrato de mútuo celebrado entre o sacador do título e os seus portadores. Ex.: letras imobiliárias; certificado de depósito bancário. Há alguns tipos de títulos com esse perfil econômico (captação e investimento), mas enquadrados em conceito jurídico distinto. É o caso das debêntures, que são valores imobiliários.
Títulos representativos. Representa a titularidade de mercadorias custodiadas por terceiro não-proprietário. Podem tais instrumentos exercer, além dessa função meramente documental, a de título de crédito, na medida em que possibilitam ao proprietário da mercadoria custodiada a negociação dela, sem prejuízo da custódia. Ex.: conhecimento de frete; warrant e conhecimento de depósito.
Títulos de financiamento. Há alguns instrumentos cedulares representativos de crédito decorrente de financiamento aberto por uma instituição financeira. Se houver garantia de direito real do pagamento do valor financiado, por parte do mutuário, esta garantia é constituída no próprio título, independentemente de qualquer outro instrumento jurídico.
Os títulos de financiamento são, também, importantes meios de incrementos de atividades econômicas, sendo também utilizados para financiamento da aquisição da casa própria.
Tais títulos costumam chamar-se “Cédula de Crédito” quando o pagamento do financiamento a que se referem é garantido por hipoteca ou penhor (direito real de garantia sobre bom imóvel ou móvel). Inexistindo garantia de direito real, o título é, comumente, denominado “Nota de Crédito”.
Os títulos de financiamento não se enquadram, completamente, no regime jurídico-cambial, por força de algumas particularidades:
(i) Possibilidade de endosso parcial;
(ii) Aplicação do princípio da cedularidade (estranho ao direito cambiário), segundo o qual a constituição dos direitos reais de garantia se faz no próprio instrumento de crédito, na própria cédula.
Nesta categoria de títulos de crédito impróprios se enquadram:
a) Cédula e nota de crédito rural (Dec.Lei 167/1967), relacionadas com o financiamento de atividades agrícolas e pecuárias;
b) Cédula e nota de crédito industrial (Dec.Lei 413/1969), referentes ao financiamento da indústria;
c) Cédula e nota de crédito comercial (Lei 8.640/1980), destinadas ao financiamento de atividade comercial ou de prestação de serviços;
d) Cédula e nota de crédito à exportação (Lei 6.313/1975), pertinentes ao financiamento de produção de bens para exportação, da própria exportação e de atividades complementares;
e) Cédula hipotecária (Dec Lei 70/1966), destinada ao financiamento da casa própria pelo Sistema Financeiro da Habitação;
f) Cédula e letra de crédito imobiliário (Lei 10.931/2004);
g) Cédula de crédito bancário (Lei 10.931/2004);
h) Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio - CDCA; Letra de Crédito do Agronegócio - LCA; Certificado de Recebíveis do Agronegócio – CRA (Lei nº 11.076/2004).
#INFO 554, STJ – 2015:Protesto de título. Prévia notificação e registros oriundos do cartório de protesto. Importante: para que o órgão de proteção de crédito (ex.: SPC e SERASA) inclua o nome de um consumidor no cadastro de inadimplentes, é necessário que, antes, ele seja notificado?
REGRA: SIM. Cabe ao órgão mantenedor do cadastro de proteção ao crédito a notificação do devedor antes de proceder à inscrição (Súmula 359-STJ). A ausência de prévia comunicação enseja indenização por danos morais.
EXCEÇÃO: é dispensada a prévia comunicação do devedor se o órgão de restrição ao crédito estiver apenas reproduzindo informação negativa que conste de registro público.
“Diante da presunção legal de veracidade e publicidade inerente aos registros do cartório de protesto, a reprodução objetiva, fiel, atualizada e clara desses dados na base de órgão de proteção ao crédito – ainda que sem a ciência do consumidos – não tem o condão de ensejar obrigação de reparação de danos.”
STJ. 2ª Seção. REsp 1.344.352-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 12/11/2014 (recurso repetitivo) (Info 554).
*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: O § 1º do art. 2º da Lei nº 5.474/68 prevê as informações que deverão constar em uma duplicata. Uma das informações que deve obrigatoriamente constar na duplicata é o número da fatura (inciso II). Se na duplicata constou o número errado da fatura, isso invalida o título, tornando-o inexigível. Isso porque o número da fatura é requisito legal da duplicata. Assim, em observância ao princípio da literalidade, a aposição de número incorreto da fatura na duplicata invalida o título de crédito, retirando-lhe a exigibilidade executiva extrajudicial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.601.552-PE, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 05/11/2019 (Info 660).
*(Atualizado em 14/12/2021) Qual é o prazo prescricional para a cobrança, por meio de ação monitória, de dívida representada por cédula de crédito bancário?
A pretensão de cobrança, por meio de ação monitória, de dívida representada por cédula de crédito bancário prescreve em cinco anos. Fundamento: art. 206, § 5º, I, CC. A Cédula de Crédito Bancário prescrita é considerada um instrumento particular que representa uma obrigação líquida. Logo, enquadra-se no referido dispositivo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.940.996-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgadoem 21/09/2021 (Info 711).
*(Atualizado em 11/09/2021): #NOVIDADELEGISLATIVA A Lei 14.195/2021 alterou dispositivos relacionados ao Direito Empresarial:
NOTA COMERCIAL
A Lei nº 6.385/76, alterada pela Lei nº 10.303/2001, previu, de forma lacônica, as notas comerciais como sendo uma espécie de valores mobiliários:
Art. 2º São valores mobiliários sujeitos ao regime desta Lei:
(...)
VI - as notas comerciais;
A Lei nº 14.195/2021 disciplinou, com detalhes, nos arts. 45 a 51, essa nota comercial, classificando-a como um título de crédito. Veja abaixo um resumo das principais informações da nota comercial:
O que é a nota comercial?
A nota comercial é um...
- título de crédito não conversível em ações,
- de livre negociação,
- representativo de promessa de pagamento em dinheiro,
- emitido exclusivamente sob a forma escritural
- por meio de instituições autorizadas a prestar o serviço de escrituração pela CVM.
Quem pode emitir?
Podem emitir a nota comercial:
· as sociedades anônimas;
· as sociedades limitadas e
· as sociedades cooperativas.
A deliberação sobre emissão de nota comercial é de competência dos órgãos de administração, quando houver, ou do administrador do emissor, observado o que dispuser a respeito o respectivo ato constitutivo.
Requisitos (características)
A nota comercial terá as seguintes características, que deverão constar de seu termo constitutivo:
I - a denominação “Nota Comercial”;
II - o nome ou razão social do emitente;
III - o local e a data de emissão;
IV - o número da emissão e a divisão em séries, quando houver;
V - o valor nominal;
VI - o local de pagamento;
VII - a descrição da garantia real ou fidejussória, quando houver;
VIII - a data e as condições de vencimento;
IX - a taxa de juros, fixa ou flutuante, admitida a capitalização;
X - a cláusula de pagamento de amortização e de rendimentos, quando houver;
XI - a cláusula de correção por índice de preço, quando houver; e
XII - os aditamentos e as retificações, quando houver.
As notas comerciais de uma mesma série terão igual valor nominal e conferirão a seus titulares os mesmos direitos.
A alteração das características dependerá de aprovação da maioria simples dos titulares de notas comerciais em circulação, presentes em assembleia, se maior quórum não for estabelecido no termo de emissão.
Execução
A nota comercial é título executivo extrajudicial, que pode ser executado independentemente de protesto, com base em certidão emitida pelo escriturador ou pelo depositário central, quando esse título for objeto de depósito centralizado.
Vencimento
A nota comercial poderá ser considerada vencida na hipótese de inadimplemento de obrigação constante do respectivo termo de emissão.
Titularidade
A titularidade da nota comercial será atribuída exclusivamente por meio de controle realizado nos sistemas informatizados do escriturador ou no depositário central, quando esse título for objeto de depósito centralizado.
15 TÍTULOS DE CRÉDITO E FINANCIAMENTO RURAL, INDUSTRIAL, COMERCIAL E IMOBILIÁRIO
Existem alguns títulos de crédito que são gerais e mais conhecidos, como é o caso da letra de câmbio, duplicata, cheque etc.
No entanto, a experiência mostrou que seria interessante que fossem criados títulos de crédito com características específicas, para facilitar as negociações envolvendo determinados setores da economia. Em suma, verificou-se a necessidade de se criarem títulos de crédito específicos para algumas transações empresariais. No caso da atividade rural, por exemplo, foram idealizados quatro títulos de crédito específicos, chamados de “títulos rurais”. São eles: a) cédula de crédito rural; b) cédulas de produto rural; c) nota promissória rural; d) duplicata rural.
Cédula de crédito rural: A cédula de crédito rural é uma promessa de pagamento em dinheiro, sem ou com garantia real cedularmente constituída, sendo regulamentada pelo Decreto-Lei 167/67. Existem as seguintes modalidades de cédulas de crédito rural: I — cédula Rural Pignoratícia; II — cédula Rural Hipotecária; III — cédula Rural Pignoratícia e Hipotecária; IV — nota de Crédito Rural.
Imagine agora a seguinte situação hipotética: “XX” Agropecuária Ltda. é uma empresa que desenvolve atividades agropecuárias. Ela contraiu um empréstimo junto ao banco para financiar a implementação de um projeto agrícola em sua fazenda. Como garantia, foi emitida uma cédula de crédito bancário com garantia hipotecária, no valor de R$ 500.000,00, com vencimento para dois anos depois de sua emissão.
Invasão da propriedade pelo MST Quando chegou a data do vencimento, a empresa não pagou o empréstimo e ajuizou contra o banco ação declaratória de inexistência de débito, argumentando que a fazenda onde o projeto era desenvolvido foi invadida pelo “Movimento dos Sem Terra” (MST).
Com isso, ela ficou impossibilitada de produzir normalmente em sua propriedade e, por conseguinte, paralisou as atividades, não conseguindo angariar recursos para pagar suas obrigações, situação que caracteriza a hipótese de força maior, prevista no art. 393 do Código Civil, apta a ensejar a extinção da obrigação:
Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não eram possíveis evitar ou impedir.
#SELIGA:A invasão da propriedade pelo MST, por si só, é um evento que pode ser considerado como hipótese de força maior? NÃO. A invasão promovida por integrantes do MST em propriedade rural, por si só, não é fato suficiente para configurar o evento como de força maior, pois deve ser analisada, concretamente, a presença dos requisitos caracterizadores do instituto.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.564.705-PE, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 16/8/2016 (Info 589).
Qual é o prazo prescricional da ação de repetição de indébito envolvendo contrato de cédula de crédito rural?
• se o fato ocorreu sob a vigência do CC/1916: 20 anos.
• se o fato ocorreu sob a vigência do CC/2002: 3 anos. O termo inicial do prazo prescricional é a data do pagamento (efetiva lesão). STJ. 2ª Seção. REsp 1.361.730-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 10/8/2016 (recurso repetitivo) (Info 592).
No caso de cédulas de PRODUTO rural financeira (CPR-F), os juros também estão limitados a 1% ao ano, conforme prevê o DL 167/67 para as cédulas de CRÉDITO rural? 1ª corrente: NÃO. A limitação dos juros moratórios ao patamar de 1% ao ano, estabelecida pelo art. 5º, parágrafo único, do Decreto-Lei 167/67, não se aplica à cédula de produto rural financeira (CPR-F). STJ. 3ª Turma. REsp 1.435.979-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 30/3/2017 (Info 603). 2ª corrente: SIM. Os juros de mora no caso de CPR-F deverão ficar limitados em 1% ao ano, nos termos do art. 5º do Decreto-Lei nº 167/1967. STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 906.114/PR, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 06/10/2016.
*#DEOLHONAJURIS #STJ O art. 18 da Lei nº 8.929/94 prevê que os bens vinculados à CPR são impenhoráveis: Art. 18. Os bens vinculados à CPR não serão penhorados ou sequestrados por outras dívidas do emitente ou do terceiro prestador da garantia real, cumprindo a qualquer deles denunciar a existência da cédula às autoridades incumbidas da diligência, ou a quem a determinou, sob pena de responderem pelos prejuízos resultantes de sua omissão. Essa impenhorabilidade é considerada absoluta porque existe em virtude da lei e do interesse público de estimular o crédito agrícola. Por essa razão, tal impenhorabilidade prevalece mesmo se estivermos diante da execução de créditos de natureza trabalhista. STJ. 4ª Turma. REsp 1.327.643-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 21/05/2019 (Info 653).
16. DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO
DIPLOMA
DISPOSITIVOS
Código Civil
Art. 887 a art. 926
Decreto 57.663/1966 (Lei Uniforme de Genebra)
Integralmente
Lei 7.357/85
Integralmente
Lei 5.474/68
Integralmente
CICLOS R3 – G8 – MATERIAL JURÍDICO
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