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Técnicas de Mancha de Tinta 1. A pressuposição básica é de que a forma como o sujeito percebe estruturalmente os estímulos ambíguos reflete o seu comportamento em outras situações de vida real, que envolvem operacionalmente idênticos aspectos psicológicos. Em outras palavras, pode-se supor que, ao testar o sujeito, obtém-se uma amostra perceptocognitiva de sua experiência de contato com a realidade 2. O material de manchas de tinta também pode ser conceitualizado “como um estímulo à fantasia”. Neste caso, a pressuposição é de que a ambigüidade dos estímulos constitua um veículo apropriado para a projeção das necessidades do sujeito, por meio do uso de representações simbólicas, de modo que o psicólogo lança mão de seu “referencial teórico e de sua experiência clínica para associar símbolos e dinâmica”. I. Proposta central do texto i. serão apresentadas, em breves tomadas, diferentes abordagens de técnicas de manchas de tinta – a) do Rorschach como tarefa perceptocognitiva, segundo Klopfer (como abordagem tradicional) e conforme Exner (por sua importância metodológica), b) do Rorschach como estímulo à fantasia (como proposta de avaliação projetiva das respostas), e, finalmente, c) do Z-teste (por reunir vantagens como técnica de manchas de tintas, mas de forma sucinta).a pressuposição básica é de que a forma como o sujeito percebe estruturalmente os estímulos ambíguos reflete o seu comportamento em outras situações de vida real, que envolvem operacionalmente idênticos aspectos psicológicos. Em outras palavras, pode-se supor que, ao testar o sujeito, obtém-se uma amostra perceptocognitiva de sua experiência de contato com a realidade. II. Principais referenciais teoricos i. Bruno Klopfer e Douglas Kelley: Eles são conhecidos por seu trabalho no desenvolvimento do sistema de pontuação e interpretação do Teste de Rorschach. Eles enfatizaram a importância do inquérito de localização, onde é essencial saber exatamente qual parte da mancha está sendo utilizada pelo sujeito para poder avaliar a precisão das respostas. ii. John E. Exner: Desenvolveu o Sistema Compreensivo de Rorschach, que é uma abordagem padronizada para a administração, pontuação e interpretação do teste. Exner destacou a importância da forma e da qualidade da forma nas respostas, onde as características reais do estímulo fornecem o material para a resposta do sujeito. iii. Peterson e Schilling (1983): Contribuíram para a compreensão do escore do determinante F, que se refere à precisão com que o sujeito identifica as formas nas manchas de tinta III. Conceitos chave i. amostra do comportamento do sujeito refere-se ao conjunto de verbalizações e de respostas não verbais do sujeito frente à situação-estímulo. ii. Situação-estímulo relativamente padronizada refere-se a uma situação em que o material é padronizado, assim como o são os aspectos essenciais das instruções e as respostas a perguntas ou solicitações do S. Porém, como podem ser subentendidos fatores conscientes e inconscientes concernentes ao S e ao E e à interação, tal situação é apenas relativamente padronizada, por não ser possível o controle de todas as variáveis. iii. Situação ambígua, não-estruturada, referese à vaguidade das instruções do E, de modo que o S as interpreta e assume a responsabilidade sobre o modo de agir. iv. Situação nova refere-se ao desconhecimento do material ou da situação por parte do sujeito, no caso de teste. v. A pressuposição básica é de que a amostra do comportamento de S possa fundamentar hipóteses interpretativas, que permitam se chegar a inferências sobre a estrutura e o funcionamento de sua personalidade. vi. a atitude do sujeito pode ficar definida por sua intenção, explícita ou implícita... a) explícita, quando o sujeito afirma que sua verbalização constitui uma resposta, embora, em caso de dúvida, deva ser feita uma pergunta direta, ainda que não sugestiva, no sentido de esclarecer se a verbalização é considerada pelo sujeito como uma resposta ou um comentário; b) implícita, quando o sujeito indica a localização, apresenta elaborações e explicações. Em segundo lugar, pode-se verificar a capacidade interpretativa do sujeito por seu modo de manejar os estímulos e independentemente de informações prestadas. vii. A organização e o grau de independência dos conceitos Organização compacta é um tipo de organização que não justifica a subdivisão das partes componentes. Portanto, estas não recebem escore como respostas principais, a não ser que, na elaboração da resposta, esteja incluído um conceito popular ou de nível popular. Neste caso específico, é atribuído escore como resposta principal também a esse conceito, e a organização é indicada por um parêntese. Organização frouxa é um tipo de organização em que as partes componentes podem ser vistas separadamente, quer na administração propriamente dita, sendo-lhes atribuído escore principal, quer no inquérito, caso em que recebem escore adicional. A organização das partes no conceito mais amplo deve ser indicada por um parêntese Conceito independente é uma resposta individual que não se subordina a outra. Conceito semi-independente é uma resposta individual que possui uma relação de tttsubordinação com um conceito global, seja pricipalou adicional. viii. Inquerito Inquérito de localização Segundo Klopfer e Kelley (1946), “é essencial saber exatamente a parte da mancha que está sendo utilizada para poder avaliar a precisão das respostas e a maneira de abordagem usada pelo sujeito”. Inquérito de determinantes é muito importante que o examinador esteja familiarizado com os determinantes que são facilitados pela própria configuração e as características das manchas. São as operações perceptocognitivas do sujeito, desencadeadas pela mancha, que nos interessam, porque é nos subsídios sobre as mesmas que baseamos o escore que atribuímos. Inquérito de conteúdo comumente é dispensável, porque a resposta geralmente o torna óbvio. Inquerito de populares ainda quer quase sempre a resposta seja óbvia às vezes subtende-se certos requisitos. ix. Resposta de Detalhe Comum (D): O foco é em elementos que são frequentemente identificados por outras pessoas. A classificação DW somente é utilizada quando o sujeito faz uma generalização arbitrária, a partir de um detalhe bem visto, chegando a um conceito global que é inadequado, embora tenha implicações de forma definida. Resposta de Detalhe Incomum (Dd)**: O foco é em elementos que são raramente notados por outras pessoas Os dd, como D e d, correspondem a subdivisões óbvias da mancha, justificadas por suas qualidades configuracionais, mas não são tão freqüentes quanto aqueles e, geralmente, são insulares e peninsulares. Os detalhes dr, denominados detalhes raros, o são porque a sua delimitação não se justifica pelos aspectos configuracionais da mancha, mas se define pela necessidade de adequação do conceito à área selecionada. Resposta de Espaço Branco (S) A interpretação é baseada nas áreas em branco da mancha, ao invés das áreas escuras.As respostas de espaço branco, S, envolvem a inversão de figura-fundo, focalizando o espaço em branco como figura, a mancha servindo como fundo. x. Escore da forma • Refere-se à precisão com que a percepção do indivíduo se alinha com a forma real das manchas de tinta. • Um escore alto indica que a interpretação está bem alinhada com aforma real, sugerindo uma boa capacidade de percepção da realidade. xi. Qualidade de Forma: • Avalia a qualidade das percepções em termos de sua clareza, originalidade e consistência com as formas das manchas. • Respostas com alta qualidade de forma são aquelas que são claramente reconhecíveis e típicas para as manchas apresentadas. IV. Implicações Praticas Propostas i. Administração O objetivo é obter uma amostra do comportamento do sujeito em uma situação-estímulo relativamente padronizada, mas ambígua, não estruturada e nova para o sujeito. ii. Inquérito: Esta fase é crucial pois fornece subsídios para tornar clinicamente úteis as verbalizações registradas durante a primeira fase.O objetivo é averiguar aspectos perceptocognitivos subjacentes às respostas, partindo das próprias verbalizações do sujeito. iii. Identificação das unidades de escore: Os padrões de comportamento do sujeito são fundamentalmente na forma de verbalizações. A intenção do sujeito e sua capacidade de lidar com os estímulos de maneira interpretativa devem ser analisadas. iv. Classificação das respostas: As respostas são classificadas conforme o tipo de organização e o grau de independência dos conceitos. O examinador deve estar familiarizado com as categorias de escore, com sua significação interpretativa e com as características das manchas. v. Escore da forma e qualidade da forma: As características reais do estímulo fornecem o material para a resposta F do sujeito. As respostas F são classificadas em termos do grau de definição do conceito e de sua adequação à área da mancha. vi. Escore de outros determinantes e de conteúdo: No escore de determinantes, há critérios definidos para classificação como principais ou adicionais. vii. Estimativa do nível formal: Na estimativa do nível formal, devem ser considerados três conceitos importantes: precisão, que se refere à adequação entre o conceito e a área da mancha à qual se aplica. viii. Interpretação: Para chegar a uma interpretação do teste, é importante distribuir os dados quantitativos e qualitativos num quadro-resumo. A análise dos dados pode permitir chegar a uma descrição geral da personalidade, bem como a hipóteses diagnósticas. V. Conclusão A conclusão que pode ser tirada do texto sobre o Teste de Rorschach é que ele é uma ferramenta complexa e multifacetada para a avaliação da personalidade e do funcionamento cognitivo. O exame é dividido em quatro partes distintas: administração, inquérito, período de analogia e teste de limites. Cada fase tem seus próprios objetivos e métodos específicos, contribuindo para um entendimento abrangente do sujeito testado. A fase do inquérito é destacada como particularmente crucial, pois é onde o examinador explora mais profundamente as verbalizações iniciais do sujeito para entender os processos perceptocognitivos subjacentes. A administração busca obter uma amostra representativa do comportamento do sujeito em resposta a estímulos ambíguos, enquanto a classificação das respostas e a identificação das unidades de escore são essenciais para a análise subsequente. Os teóricos como Klopfer e Kelley, e Exner, fornecem orientações valiosas sobre como abordar a localização das respostas e a importância dos determinantes na interpretação dos resultados. A precisão e a adequação das respostas à área da mancha são enfatizadas, com diferentes graus de escores atribuídos com base na clareza e relevância das interpretações do sujeito. Em última análise, o Teste de Rorschach é uma ferramenta diagnóstica que deve ser utilizada por profissionais treinados dentro de um contexto clínico apropriado. A interpretação dos dados coletados, tanto quantitativos quanto qualitativos, permite uma descrição geral da personalidade do sujeito e pode levar a hipóteses diagnósticas. É um processo que requer não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade e atenção às nuances da percepção e expressão individual.