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Alcides Jucksch ORANDO COM A BÍBLIA Copyright © 2019 Editora Evangélica Esperança Coordenação editorial: Claudio Beckert Junior Revisão: Silêda Silva Steuernagel e Josiane Zanon Moreschi Diagramação: Josiane Zanon Moreschi Capa: Josiane Zanon Moreschi Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) _________________________________________________ Jucksch, Alcides Orando com a Bíblia -- Curitiba, PR : Editora Evangélica Esperança, 2019. ISBN 978-85-7839-267-3 1. Vida Cristã. I. Título. CDD-2484 _________________________________________________ Índice para catálogo sistemático: 1. Via Cristã 248.4 O texto bíblico utilizado, com a devida autorização, é a versão Nova Almeida Atualizada (NAA) 1ª edição, da Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo, 2017. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial sem permissão escrita dos editores. Editora Evangélica Esperança Rua Aviador Vicente Wolski, nº 353 – Bacacheri. CEP 82510-420 - Curitiba-PR Fone: (41) 3022-3390 comercial@editoraespearanca.com.br www.editoraesperanca.com.br Sumário Folha de rosto Expediente Sumário Apresentação Prefácio Introdução - Quinze modelos bíblicos de oração 1 - A oração de Eliezer - Buscando a orientação de Deus em decisões difíceis 2 - A oração de Jacó - Uma oração em situação angustiante 3 - A oração de Ana - Um gemido dos tristes e amargurados 4 - A oração de Elias - Uma explosão de desespero 5 - A oração de Daniel - A oração intercessória de arrependimento 6 - A oração de Jonas - Um grito de angústia 7 - A oração de Simeão - Esperando o cumprimento de uma promessa de Deus 8 - O Pai Nosso - A oração modelo 9 - Salve-me, Senhor! - Pedro enfrenta o perigo 10 - Jesus no Getsêmani - Uma oração de angústia frente ao poder de Satanás 11 - A oração sacerdotal de Cristo - Um modelo de intercessão 12 - As três orações de Jesus na cruz - Orando em extrema aflição e dor 13 - Paulo ora pelos Efésios - Uma oração por crescimento espiritual 14 - Outra oração pelos Efésios - Em busca de fortalecimento espiritual 15 - Paulo intercede pelos cristãos de Colossos - Orando por uma vida cristã saudável Notas Apresentação Como pastor evangelista, me acostumei a carregar caixas e caixas de livros nas minhas viagens missionárias com o propósito de divulgar literatura que edi�icasse a fé e renovasse a espiritualidade de nossa gente espalhada por aı́. Um dos tı́tulos que não podia faltar era “Aprendendo a orar e viver com a Bíblia“, do Pr. Alcides Jucksch. Quando eu soube que a edição estava no �im, tratei de arrematar os últimos volumes que havia nas livrarias e no escritório do autor e insisti para que o livro fosse reeditado. Ele era um instrumento importante para a continuação da evangelização. E� , pois, com alegria que o vejo de volta, agora com o tı́tulo “Orando com a Bíblia“. Em estilo fácil e conteúdo desa�iador, este livro nos confronta em uma matéria na qual nós somos alunos repetentes na “velha” Escola da Oração. Todos os cristãos, a começar pelos discı́pulos, pedem sempre ao Mestre: “Senhor, ensina-nos a orar!” E quando parece que aprenderam, eis que já se acomodam e o que é tão grati�icante e frutı́fero �ica relegado a segundo plano. O Pr. Alcides Jucksch, ele mesmo um homem consagrado à oração, conduz-nos ao encontro de homens e mulheres da Bı́blia, que, diante de situações similares às que enfrentamos no nosso dia a dia, dobraram os joelhos diante do Senhor. Com eles aprendemos a orar, levando a Deus as nossas necessidades, angústias e a�lições, bem como as nossas alegrias e gratidão. As sugestões práticas querem nos desa�iar a experimentar ali mesmo, no meio da leitura, a doce comunhão com o nosso Pai Celeste, que quer ouvir a voz de seus �ilhos e �ilhas, quer agir e mudar a sua situação, apagar a sua culpa, alegrar-se na sua gratidão e atender à sua intercessão. Convido-os, pois, principiantes e repetentes na Escola da oração, a buscarmos juntos a face de Deus para, por meio deste livro, aprendermos (ou reaprendermos) a orar e a viver através da Bı́blia uma vida madura e que traga frutos para a glória de Deus. Sérgio A. Schaefer Prefácio “Todo cristão sabe pelo menos duas coisas sobre a oração: que ela é absolutamente necessária (Jesus lhes contou uma parábola para mostrar que deviam orar sempre e nunca desanimar – Lc 18.1) e que é muito difı́cil vigiar e orar (“... o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” – Mt 26.41). Em nossa vida essas duas realidades estão continuamente em con�lito. A� s vezes, o reconhecimento de que a oração é indispensável nos ajuda a vencer as di�iculdades e a orar. Em outros tempos, as di�iculdades nos levam a nos esquecermos de como é importante a oração”. Essas palavras de John Stott retratam nossa situação. Por isso necessitamos de ajuda na nossa vida oração. Nós, cristãos, na realidade somos muito diferentes uns dos outros. Assim também nossas experiências na vida cristã e de oração são diferentes. Mas creio que todos já experimentaram algo semelhante: a di�iculdade de permanecer em uma vida de oração. O presente livro oferece auxı́lios para um encontro com Deus na oração e na vida diária. Neste encontro, Deus quer revelar-se a nós, fazendo-nos crescer no pleno conhecimento de Deus (Cl 3.10). O próprio Jesus orava. Ele ensinou os apóstolos a orar. Estes, por sua vez, ensinaram outros. Por isso, esta é também a nossa oração: Senhor, ensine-nos a orar... (Lc 11.1). Não há petição mais importante e necessária para nós nesta época conturbada e inquietante! Alcides Jucksch Introdução Quinze modelos bíblicos de oração Muitas vezes vivemos com Deus um relacionamento do tipo “patrão- empregado”, ou seja, estamos empenhados em produzir o máximo para o nosso Senhor. O mundo nos ensina que o valor do empregado cresce em proporção direta com sua produtividade. A pressão social impulsiona o homem constantemente a agir e produzir para ser estimado e aceito em uma determinada sociedade. Esse esforço do empregado, de corresponder às expectativas do empregador, muitas vezes se transfere também para a vida cristã: o cristão trabalha assı́dua e incansavelmente para Deus, na esperança de satisfazê-lo e de ser um servo e�iciente. Mas, na verdade, o cristão é muito mais do que um servo de Deus. Ele é um dos �ilhos de Deus! Dessa forma um relacionamento é outro. Para o empregador, o que interessa em primeiro lugar não é amizade com o empregado, mas o que ele produz. Com um pai verdadeiro, porém, dá- se o contrário: para este, a amizade com o �ilho é muito mais importante do que sua produtividade. Já nas primeiras páginas da Bı́blia lemos como Deus vinha visitar Adão, no paraı́so. Podemos notar que havia diálogo entre ele. Desde o começo até o �im da Bı́blia encontramos inúmeras vezes expressões como: “Deus disse”, “respondeu o Senhor”, ou “Deus me falou”. Sempre que houve resposta por parte de alguém, estabeleceu-se o contato com Deus. Deus nos criou, homens e mulheres, justamente para termos com quem nos comunicar e ter comunhão e amizade. A iniciativa de uma “conversa” entre Deus e uma pessoa pode partir tanto desta quanto do próprio Deus. Isto é, há ocasiões em que Deus fala primeiro e nós respondemos; há outras em que nós nos dirigimos a ele, espontaneamente, para derramar o coração diante do Criador, pedindo perdão, orientação, ajuda, ou ainda para louvar e adorá-lo. Quando alguém fala com Deus, isso é chamado de oração. No intuito de ajudar o estimado leitor nesta caminhada, escolhemos 15 orações da Bı́blia como exemplos. As circunstâncias e os motivos dessas orações podem indicar rumos para um seguidor de Cristo. Como os problemas da vida se repetem, assim, nas diversas orações, por vezes reaparecem pensamentos já antes abordados. As sugestões, estı́mulos e orientações práticas deste livro pretendem motivar e facilitar uma vida de oração diária, plenae abençoada. Assim, experimentaremos a mais profunda alegria de viver na presença do Senhor. 1 A oração de Eliezer Buscando a orientação de Deus em decisões di�íceis “Ó S�����, Deus de meu senhor Abraão, peço-te que me ajudes hoje e sejas bondoso para com o meu senhor Abraão! Eis que estou ao pé da fonte de água, e as �ilhas dos homens desta cidade saem para tirar água. Concede, pois, que a moça a quem eu disser: “Incline o cântaro para que eu beba”; e ela me responder: “Beba, e darei ainda de beber aos seus camelos”, seja a que designaste para o teu servo Isaque; e nisso verei que foste bondoso para com o meu senhor.” (Gn 24.12-14) Quem era Eliezer? A primeira oração (Oração de Súplica) feita por Eliezer na Bı́blia está em Gênesis 24. Para compreendermos melhor a oração de Eliezer, trataremos sua situação com rápidas pinceladas. Abraão tinha um �ilho em idade de se casar. Naquele tempo patriarcal os pais escolhiam os cônjuges para seus �ilhos. Os vizinhos da famı́lia de Abraão eram todos pagãos e adoravam ı́dolos. Abraão já sabia muito bem que o casamento com incrédulos não corresponde à vontade de Deus. O Novo Testamento o con�irma em 2 Corı́ntios 6.14: Não se ponham em jugo desigual com os descrentes. A Bı́blia nos conta, como advertência, casos em que pessoas tementes a Deus perderam inestimáveis valores espirituais ao se casarem com pessoas indiferentes ou contrárias a ele. Isso porque, muitas vezes, a descrença em Deus predomina nestes matrimônios (veja Jz 14; 1Rs 11). Em vista disso, entendemos a grande preocupação de Abraão com seu �ilho. Abraão já era idoso na época, não podendo empreender longas viagens. Por isso, chamou Eliezer, seu administrador de con�iança, cujo nome signi�ica: “Deus é a minha ajuda”. Ordenou-lhe que viajasse para a sua terra natal, a �im de buscar uma esposa para seu �ilho. A ordem de Abraão trouxe grandes problemas e di�iculdades a Eliezer, que chegou a duvidar da sua capacidade. Mas Abraão, con�iando na promessa de Deus, assegurou-lhe: ... ele enviará o seu anjo adiante de você, para que lá você encontre uma esposa para o meu �ilho (Gn 24.7). Eliezer, pois, pegou dez dos camelos do seu senhor e, levando consigo uma parte dos bens dele, levantou-se e partiu para a Mesopotâmia, para a cidade onde Naor havia morado. Fora da cidade, fez os camelos se ajoelharem junto a um poço de água. Era de tardinha, a hora em que as moças saem para tirar água (Gn 24.10-11). Sob o peso da responsabilidade, frente à difı́cil decisão que teria de tomar, disse: – Ó S�����, Deus de meu senhor Abraão, peço-te que me ajudes hoje e sejas bondoso para com o meu senhor Abraão! Eis que estou ao pé da fonte de água, e as �ilhas dos homens desta cidade saem para tirar água. Concede, pois, que a moça a quem eu disser: “Incline o cântaro para que eu beba”; e ela me responder: “Beba, e darei ainda de beber aos seus camelos”, seja a que designaste para o teu servo Isaque; e nisso verei que foste bondoso para com o meu senhor (Gn 24.12-14). Vemos que Eliezer pediu a Deus um sinal pelo qual pudesse saber que decisão tomar. A proposta de Eliezer talvez partisse do seguinte princı́pio, realmente sensato: se uma moça tem um bom coração para com animais sedentos e exaustos, certamente também terá um coração amoroso para com o marido. Essa atitude de valorizar o interior da pessoa confere exatamente com o pensamento de Deus, para o qual importa o coração e não a aparência das pessoas. Deus, vendo Eliezer orando dessa forma, não o fez esperar. Já a primeira moça não somente atendeu ao pedido de Eliezer, dando-lhe água, como também deu água a todos os camelos. Serviço cansativo, de muitas horas. Mas o coração cheio de amor que Rebeca tinha para com todos os seres vivos não mediu esforços. E, dessa forma, Eliezer teve a certeza de que era ela a mulher que deveria escolher. E� maravilhoso como Deus encaminhou essa união e como também incluiu, na sua providência, o despertamento de um grande amor no coração de Isaque (Gn 24.67)! Quando vemos demonstrado o zelo que Deus tem para com os seus, o nosso ser se enche de alegria, tal como ocorreu com Eliezer, que se inclinou e adorou a Deus, dizendo: – Bendito seja o S�����, Deus de meu senhor Abraão, que não retirou a sua bondade e a sua verdade do meu senhor. Quanto a mim, estando no caminho, o S����� me guiou à casa dos parentes do meu senhor (Gn 24.27). O que podemos aprender com Eliezer? Na vida familiar, por exemplo, o problema pode estar na educação dos �ilhos, que, no mundo de hoje, “que muda a cada dez anos mais do que em todos os anos anteriores”,1 se torna extremamente difı́cil. Em uma de suas crônicas, Artur da Távola escreve uma oração de um pai contemporâneo que, disposto a “examinar a vida sempre vendo todos os lados, expressa a Deus o desespero de sua perplexidade”. Nesta oração, o pai manifesta como é difı́cil decidir os caminhos pelos quais deve guiar os seus �ilhos. Assim exclama a respeito do �ilho: Se lhe digo o que penso, invado sua liberdade. Se nada falo, peco por omissão. Se discuto, acabo impondo. Se imponho, esmago. Se calo, consinto. Se consinto, acabo perdendo-o e isso não saberei suportar... Outro problema é a escolha da pro�issão certa ou emprego adequado às aptidões. Sim, a vida requer pequenas e grandes decisões a toda hora. Problemas vêm e vão e nunca terminam. E como reconhecer a vontade de Deus neste ou naquele caso? Quais as decisões a serem tomadas? Eliezer tinha um problema difı́cil de ser resolvido. Fora incumbido de uma tarefa de grande responsabilidade. A Bı́blia registra esse problema e também a maneira como foi resolvido. Isso para que tivéssemos de exemplo uma das maneiras como agir em situações difı́ceis: não para agirmos sempre de acordo com esse exemplo, mas para podermos optar por ele quando o Espı́rito Santo nos leva a fazê-lo. Sugestões práticas: Ao nos depararmos com uma decisão difı́cil, há pelo menos duas coisas que devemos considerar. Primeiro, devemos nos lembrar de que, como �ilhos amados de Deus, temos o privilégio de lhe apresentar nossos pedidos, nossos problemas. Cada pessoa é um pensamento de Deus. Para cada ser humano Deus tem um plano maravilhoso. Esse plano ele elaborou já muito antes do dia do nosso nascimento (Ef 1.4; Jr 1.5; Sl 139.13-16). Contudo, Deus nos concede o livre-arbı́trio. Podemos apresentar a Deus os nossos anseios e aspirações. A Bı́blia nos convida a apresentar-lhe as nossas petições. Assim lemos: Agrade-se do S�����, e ele satisfará os desejos do seu coração (Sl 37.4). Sim, Deus nos atende com alegria, sempre que a realização dos nossos desejos não coloca em perigo o objetivo que ele tem para as nossas vidas. Segundo, temos que procurar descobrir a vontade de Deus. Para quem realmente quer, de todo o coração, viver dependente de Jesus Cristo, a pergunta pela vontade de Deus é muito importante. Mas como descobri-la? Uma maneira de fazê-lo é ter em mente os itens que seguem. Leia biogra�ias da Bíblia e de pessoas de fé A Bı́blia contém cerca de 50 biogra�ias. Nelas estão abordados muitı́ssimos problemas da humanidade. Assim também os nossos problemas, de uma ou de outra maneira, já foram experimentados, vividos e descritos na Bı́blia. Nessas biogra�ias a Bı́blia descreve como as pessoas agiam frente a seus problemas e quais foram as consequências de suas atitudes. Por meio disso podemos achar rumos certos e evitar caminhos desastrosos. A Bı́blia fala de noivados, casamentos, educação de �ilhos, negócios, trabalho, tempo de férias e doenças. Fala do tempo de fome, tempo de fartura, tempo de guerra e tempo de paz. En�im, pode-se dizer que não existe problema vivencial com que pessoas da Bı́blia já não tenham se confrontado. Estudando suas vidas, muitas vezes encontramos orientação para o nosso caminho e ajuda para a solução do nosso problema. Pergunte a opinião de pessoas seguidoras de Jesus A escolha deve ser feita cuidadosamente, observando-sealguns critérios. A pessoa deve ter uma larga experiência de fé e de vida e ser de absoluta con�iança. Além disso, deve saber guardar segredo. Esse item é importante, pois aqueles que não estão envolvidos diretamente com determinados problemas geralmente são capazes de dar uma orientação mais objetiva e clara. Também podem interceder em oração por nós. Ore e espere Deus conhece o nosso endereço e nos fará saber seus propósitos, à sua maneira e no tempo por ele escolhido. Portanto, não sejamos incrédulos e impacientes. Deus realmente leva a sério os nossos problemas. Isso porque nos ama. Todos os dias ele pensa em nós. A� s vezes ele nos orienta através da visita de um conhecido. Outras vezes, por meio de um livro ou se manifestando diretamente, dando-nos certeza de que foi encaminhada a resposta de Deus. Não nos esqueçamos de que Deus dispõe de in�initos meios de comunicação. Na época do Antigo Testamento Deus falava às pessoas por meio de sonhos (Gn 28), provas (Jz 6) e sorteios (Jn 1 e At 1). Nessa época ainda não havia a Palavra registrada nas Escrituras. Nos dias de hoje, no entanto, Deus normalmente não se manifesta dessa maneira. Depois do tempo dos apóstolos nós dispomos do seu testemunho no Novo Testamento, de modo que os seguidores de Cristo não dependem mais de sinais visı́veis. Depois do Pentecostes o Espı́rito Santo os estava dirigindo, revelando-lhes a vontade divina. Deus, hoje, via de regra, nos fala através da sua Palavra, e é por esse motivo que devemos estudá-la atentamente. Somente em casos bem especiais Deus ainda fala de outras maneiras. Não se esqueça de agradecer a Deus quando o problema for solucionado No Novo Testamento nos é relatado um acontecimento com dez leprosos. Eles pediram a Jesus que os curasse. Ao se dirigirem à junta médica, para que esta constatasse a cura, todos viram que tinham sido atendidos. Mas só um voltou para agradecer. Jesus admirou-se, perguntando: “– Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove?” (Lc 17.17). Aquele que voltou para agradecer recebeu, além de sua saúde, um acréscimo de bênçãos divinas. Chegou a conhecer Jesus muito mais de perto do que os outros, os ingratos. A gratidão é o inı́cio da alegria. O agradecimento nos abre sempre mais portas para tesouros escondidos. Eliezer não se esqueceu de agradecer a Deus pela oração atendida. Ajoelhou-se e adorou ao Senhor, bendizendo o seu nome (Gn 24.26). Grande foi sua alegria e grande foi também sua adoração. Deus havia solucionado o seu problema de maneira maravilhosa! Resumo e estímulo para as nossas orações Se você tem um grande problema, uma decisão importante a tomar, então ore para: que Deus lhe encaminhe e solução; que lhe dê força e compreensão para aceitar a resolução divina; que Deus aumente sua fé, para que você possa crer no amor divino, mesmo não sentindo nem vendo que Deus está tratando do seu problema pessoal; que você tenha o espı́rito de louvor e adoração quando o problema estiver resolvido. 2 A oração de Jacó Uma oração em situação angustiante – Deus de meu pai Abraão e Deus de meu pai Isaque, ó S�����, que me disseste: “Volte para a sua terra e para a sua parentela, e eu farei bem a você”, sou indigno de todas as misericórdias e de toda a �idelidade que tens usado para com o teu servo. Pois com apenas o meu cajado atravessei este Jordão; já agora sou dois grupos. Livra- me das mãos de meu irmão Esaú, porque temo que ele venha e ataque a mim e às mães com os �ilhos. Pois tu disseste: “Certamente serei bondoso com você e lhe darei uma descendência como a areia do mar, que, de tão numerosa, não se pode contar”.[...] Então o homem disse: – Deixe-me ir, pois já rompeu o dia. Jacó respondeu: – Não o deixarei ir se você não me abençoar. Então o homem perguntou: – Como você se chama? Ele respondeu: – Jacó. (Gn 32.9-12, 26-27) Quem era Jacó? Tão logo Jacó nasceu, seus pais notaram em seu caráter uma forte inclinação de sempre querer o melhor para si, mesmo à custa de engano e mentira. ... por isso lhe deram o nome de Jacó [que signi�ica enganador] (Gn 25.26). Crescendo, desenvolveu-se esse traço marcante na sua personalidade egoı́sta. Prejudicou seu irmão, trocando a primogenitura dele por um prato de lentilhas (Gn 25.31-34). Maior foi a astúcia que usou para com o pai. Aproveitou-se da cegueira e da velhice dele para obter ilegalmente as bênçãos da primogenitura (Gn 27.24-27). Esta bênção Deus já havia destinado a ele. Mas Jacó, ansioso com a seriedade do momento e instigado pela mãe, não con�iou que Deus ainda agiria, por isso resolveu fazê-lo por conta própria. A partir desse momento Deus começa a educar Jacó, que teve que fugir de casa por causa da ira do irmão. Depois de uma longa viagem, ele permaneceu muitos anos na casa do seu tio Labão, casando-se após bastante sofrimento. Pelo seu sogro foi enganado tão astutamente quanto ele enganara seu irmão e seu velho pai. Nos vinte anos em que morou com o seu tio, Jacó teve muitas vezes a oportunidade de sentir a grande dor de ser enganado e logrado (Gn 31.38-41). Deus, entretanto, não tinha que lutar somente contra o caráter traiçoeiro de Jacó. O principal motivo que impedia Jacó de tornar-se um instrumento de bênçãos nas mãos de Deus era o fato de ele viver uma vida independente de Deus. Era a opinião de que sua inteligência, sua astúcia e sua experiência na vida seriam o su�iciente para resolver todas as di�iculdades. Não achava necessário esperar o agir de Deus. Jacó não vivia uma vida de fé. Não esperava tudo de Deus. Antes mesmo de pensar em Deus e na sua vontade, já resolvia os problemas a seu bel-prazer. Ele estava longe de compreender que o Senhor Deus quer que entreguemos as di�iculdades em suas mãos. Jacó aprendeu a con�iar em Deus quando seus problemas se tornaram tão grandes que ele, com sua própria força e sagacidade, não mais podia resolvê-los. As tensões apareceram quando ele viajou para sua terra natal com toda a sua famı́lia. Ali �icou sabendo que seu irmão Esaú vinha a seu encontro com 400 homens guerreiros. A primeira reação de Jacó foi agir com esperteza para vencer essa situação perigosa. Dividiu seu rebanho em duas partes e organizou tudo de tal maneira que uma parte do rebanho pudesse fugir quando a outra fosse atacada. Posicionou sua famı́lia de maneira a reduzir o perigo ao mı́nimo. Resolveu também mandar presentes a Esaú. Raciocinou que talvez fosse bom dividir o grande presente em diversas partes. Se Esaú recebesse um presente atrás do outro, talvez seu ódio fosse se apagando paulatinamente. Durante essa atividade febril e nervosa, Jacó também orava. Lembrava a Deus as promessas recebidas. Contudo, continuava agindo por conta própria para safar-se da indignação o seu irmão. Como último recurso para sua salvação, levantou-se à noite e, com sua famı́lia, passou pelo rio Jaboque. Pensava que, além do rio, estariam mais seguros contra o assalto de Esaú. Depois de tudo feito para se salvar da ira de Esaú, ele �icou sozinho, no silêncio. Jacó era inteligente e su�icientemente realista para saber que tudo aquilo que �izera não era proteção su�iciente contra o ataque de seu irmão. Foi então que ele descobriu o quanto era fraco e o quanto precisava de Deus. Nesse momento Deus falou com ele. Jacó começou a aprender a deixar tudo nas mãos de Deus e depois sossegar. Aprendeu a contar com a promessa de que Deus o protegeria. Aprendeu que, andando com Deus, não se pode usar de meios ilegais, artimanhas ou violência, nem mesmo quando aparentemente a glória de Deus e a realização de seus planos estão em jogo. Isso tudo Jacó aprendeu quando �icou sozinho ali, sob o peso a responsabilidade familiar. Foi naquela noite, �inalmente, lutando com o anjo o Senhor, que Jacó resolveu viver uma vida dependente de Deus em todas as coisas. Em vista dessa atitude Deus mudou seu nome de Jacó (enganador) para Israel (aquele que combate junto comDeus). Jacó aprendeu a lição e iniciou uma nova vida. Uma vida em tudo dependente de Deus. Agora repousava no Senhor, esperando dele a orientação para a solução de seus problemas. Estava disposto a executar as ordens de Deus e esperar por suas decisões. A Bı́blia reproduz a oração de Jacó, na qual ele segue as seguintes etapas: Jacó lembra a Deus as suas promessas, apelando assim para a �idelidade de Deus; Jacó pede por ajuda no perigo, lembrando-se do poder de Deus; Jacó suplica por bênçãos divinas na sua vida, demonstrando que realmente descobriu que sem Deus não era nada; Jacó agradece por ter encontrado Deus. Eis a oração de Jacó: – Deus de meu pai Abraão e Deus de meu pai Isaque, ó S�����, que me disseste: “Volte para a sua terra e para a sua parentela, e eu farei bem a você”, sou indigno de todas as misericórdias e de toda a �idelidade que tens usado para com o teu servo. Pois com apenas o meu cajado atravessei este Jordão; já agora sou dois grupos. Livra-me das mãos de meu irmão Esaú, porque temo que ele venha e ataque a mim e às mães com os �ilhos. Pois tu disseste: “Certamente serei bondoso com você e lhe darei uma descendência como a areia do mar, que, de tão numerosa, não se pode contar. [...] – Não o deixarei ir se você não me abençoar. Então o homem perguntou: – Como você se chama? Ele respondeu: – Jacó.” [...] E o abençoou ali. Jacó deu àquele lugar o nome de Peniel, pois disse: “Vi Deus face a face, e a minha vida foi salva” (Gn 32.9-12, 26-27, 29-30). O que podemos aprender com Jacó? Se formos honestos perceberemos que em todos nós há um “Jacó”. Também nós temos a inclinação para o egoı́smo, gostarı́amos de “puxar o assado para o nosso lado”, pensamos em escolher sempre o melhor para nós, muitas vezes em detrimento de outros. A esta inclinação egoı́sta, facilmente juntam-se a mentira, o roubo e a deslealdade. A in�idelidade espreita. Sim, todos nós temos alguma coisa em comum com Jacó! Prometemos a Deus ser religiosos, bonzinhos, ler a Bı́blia, ir à igreja e dar ofertas. Em troca, esperamos que ele atenda aos nossos pedidos e exigências; que cuide de nós e nos garanta uma vida tranquila. Organizamos e planejamos nossa vida sem Deus. Mas, se �icamos mal, gritamos por ele. Chegamos até a responsabilizá-lo por situações adversas, as quais nos sobrevêm, muitas vezes, em consequência de imprudências e maus caminhos. Talvez tenhamos planejado algo que nos traga sucesso na vida. Até oramos para que dê certo. Mas então descobrimos que há pessoas ainda mais astutas do que nós, muito mais experientes, e por elas somos lesados. Então �icamos decepcionados, amargurados, cheios de medo e desespero. Mobilizamos nossa mente para superar o outro em suas artimanhas. Ficamos nervosos e inquietos. Já não conseguimos orar e pensar em Deus. Sentimo-nos logrados. Ficamos zangados porque Deus não se deixou manipular por nós. Mas estamos longe de entregar todas as coisas em suas mãos, deixando que ele nos oriente e nos ajude nas decisões que devemos tomar. Olhando para a vida de Jacó, percebemos que Deus o educou para uma vida dependente dele. Não para castigá-lo, mas para abençoar. Pois no momento em que Jacó encarou Deus com seriedade, reconhecendo o poder de Deus e sua própria pequenez, Deus começou a agir maravilhosamente em sua vida. Também nas nossas vidas, mais cedo ou mais tarde, chegará a hora da decisão por uma vida dependente ou independente de Jesus. Que a nossa decisão seja a de Jacó e que possamos exclamar com ele: Vi Deus face a face, e a minha vida foi salva. Sugestões práticas: Todos nós podemos orar como Jacó orou e experimentar a alegria que Jacó experimentou. Gostaria de encorajá-lo a dar alguns passos para que isso também possa acontecer em sua vida: Acredite que Deus o ama justamente como você é Apesar de não levar uma vida dependente de Deus e, portanto, não ter experimentado Deus em sua plenitude, Jacó sabia, por intermédio de seu pai, como Deus é maravilhoso e �iel. Por isso, toda vez que a situação se tornava difı́cil, ele pedia ajuda. Simplesmente queria aproveitar o poder de Deus para conseguir o que lhe parecia desejável. Seu caráter era, como vimos ao estudar sua vida, ardiloso e egoı́sta. Mas Deus não deixou de amá-lo. Seguiu-o com seu amor até alcançá-lo. Também a nós Deus ama. Não que ele aprove nossas faltas e pecados. Mas ele continua a nos amar. E, por ser Deus, consegue ao mesmo tempo amar o pecador e abominar o pecado. Isso é incompreensı́vel para nós. Portanto, devemos simplesmente crer nessa verdade, mesmo sem entender. E assim como chegou a hora em que Jacó descobriu o quanto Deus o amava e como tinha cuidado dele (Gn 32.10), assim como nasceu-lhe o sol (Gn 32.31), assim também sucederá nas nossas vidas. Tenha em mente que Deus não nos castiga, mas nos educa Deus nos ama como somos, mas não nos deixa �icar como somos. A educação de Deus nos leva a experimentar as consequências do pecado (veja Sl 99.8). O amor de Deus não nos pode poupar dessa escola. Sem ela, nunca chegarı́amos a odiar o pecado, nos arrependermos profundamente, querendo realmente mudar nosso comportamento. Na biogra�ia de Jacó e sua famı́lia podemos observar isso nitidamente: Em Rebeca, a mãe Jacó, a qual o tinha como �ilho predileto. Sua alegria era ver o �ilho trabalhar com ela nos afazeres da casa e sempre estar junto dela. Mas, ao levar o �ilho para a astúcia e o engano, acabou perdendo-o, porque ele teve que fugir de casa. Certamente Rebeca lembrava-se do �ilho querido com muita saudade e lágrimas. E nunca mais chegou a vê-lo, pois morreu antes que ele voltasse para casa. Em Jacó, depois de ter enganado seu pai com a roupa de Esaú. Muitos anos depois ele mesmo foi enganado por seus �ilhos com uma peça de roupa, que o fez crer na morte de seu �ilho amado, José (Gn 37.32). Jacó sofreu muitos e muitos anos com esse engano até descobrir que seu �ilho José estava vivo. Assim Deus lhe fez ver como é duro ser enganado pelos próprios �ilhos. E� importante notarmos que Deus não nos castiga por castigar, mas que ele nos educa com amor. Geralmente não percebemos como é terrı́vel o pecado cometido. Não tomamos consciência do alto preço que Jesus teve que pagar pelo pecado para perdoá-lo. Facilmente somos levados a repeti-lo. Por isso, a educação divina nos deixa sentir as consequências do mal. Ao passarmos pela amargura que o pecado nos traz, somos levados a odiar o pecado. Deus, em seu governo, não tem somente um “ministério da justiça”, mas tem também um “ministério da educação”. Assim lemos na Bı́blia: Bem-aventurado é aquele a quem Deus disciplina! Portanto, não despreze a disciplina do Todo-Poderoso (Jó 5.17). Porque o S����� repreende a quem ama, assim como um pai repreende o �ilho a quem quer bem (Pv 3.12). Nunca se esqueça de que tanto a JUSTIFICAÇÃO quanto a SANTIFICAÇÃO são obras de Deus Todos os seguidores de Jesus são unânimes em testemunhar: Jesus Cristo levou todos os nossos pecados para a cruz e lá os liquidou. Nada, absolutamente nada, precisamos fazer para completar sua obra de salvação. Essa obra foi realizada inteiramente por Jesus Cristo. Basta aceitá-la pela fé e alegrar-se com a realidade da salvação. Muitas pessoas querem “ajudar” Jesus por meio de seus próprios esforços e boas obras. Tal procedimento entristece Jesus, pois é ele quem nos salva de todos os pecados (1Tm 1.15; 1Jo 1.7). Chamamos essa maravilhosa situação em nossa vida de “justi�icação pela fé”. Mas também o processo da santi�icação, isto é, o tornar-se sempre mais semelhante a Deus e perfeito como ele, não é uma atividade que o cristão possa realizar com seu próprio esforço, pois tanto a justi�icação quanto a santi�icação são obras de Jesus Cristo, às quais nada podemos acrescentar. Assim lemos em 1 Corı́ntios 1.30: Mas vocês são dele, em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santi�icação e redenção (ênfaseacrescentada). Jesus apagou a dı́vida do nosso passado perante Deus. Jesus nos defende do poder do pecado que nos assalta no presente. Jesus preparou lugar que nos espera no futuro. Para nós só resta agradecer, crer nessas maravilhosas realidades, contar com elas e louvar a Deus! Sendo assim, a fé é uma “atividade passiva”. Descansa sempre na obra perfeita de Jesus, crendo em sua palavra e permanecendo perto dele. Você acha que isso é cômodo? Descansar em Jesus, crer em sua palavra e permanecer perto dele são tarefas difı́ceis para se aprender em uma vida que é, por natureza, tão segura de si. Todo cristão sincero sabe disso. Uma menina de doze anos tinha medo da escuridão. Quando chegava a noite, ela orava: “Jesus, ajuda-me a vencer Satanás que vem todas as noites com a escuridão e o medo”. Contudo ela continuava tremendo. Mas chegou o dia em que ela compreendeu que a luta da fé é algo bem diferente do que a luta contra o poder da maldade. Disse, aliviada, para a vovó: “Agora compreendi. Quando Satanás vem com a escuridão e o medo, então só digo: ‘Jesus, por favor, vai ver o que ele quer’. Não preciso mais ter medo. Jesus lutará por mim”. Vemos que a menina agia como Jacó, antes de se entregar completamente aos cuidados de Deus. Queria a ajuda de Jesus, seu auxı́lio para vencer o medo. Então a vitória, da qual Jesus participava um pouquinho, seria dele. Mas esse pensamento sempre leva, mais cedo ou mais tarde à derrota. O poder do mal é sempre mais forte do que as boas intenções humanas, mesmo sendo enfeitadas com um pouco de religiosidade. A luta da fé é diferente. E� assim: “Jesus, eu te entrego o meu problema e agora quero ver como tu o resolverás!” Então ele nos dará sabedoria e forças para enfrentar a situação e resolvê-la conforme ele quer. Um hino expressa isso assim: Ó meu Senhor Jesus, venceste em Gólgota! Gloriosamente! Amém! Aleluia! Tu conquistaste perfeita salvação. O puro sangue teu lavou a transgressão! Canto com júbilo e com fervor: Jesus! Senhor! Jesus! Senhor! Ó meu Senhor Jesus, eu posso descansar, Em �irme rocha a fé edi�icar. Eternamente vale a salvação. Aceita, pecador, a sua compaixão. Feito já tudo está! É teu penhor! Jesus! Senhor! Jesus! Senhor! Ó meu Senhor Jesus, se Satã me assaltar, Tu me defenderás. Basta em ti con�iar. A tua salvação remiu e libertou. Teu grito lá na cruz vitória anunciou! Em Ti triunfo, seja onde for: Jesus! Senhor! Jesus! Senhor! Ó meu Senhor Jesus, tu és o meu Salvador! Tu que venceste, ouve o meu louvor. Em tua graça sempre seguro estou. E pelo sangue teu justo e puro sou. Glória eterna ao Redentor! Jesus! Senhor! Jesus! Senhor!2 Muitos cristãos nunca chegam a descobrir o que é uma vida de fé. Enchem-se de pensamentos positivos, achando que, assim, estão cheios de fé. Mas é a própria força humana que agora é alertada e entra em ação. E� ela que deve vencer as di�iculdades e somente se pede: “Jesus, dá-me uma mão para que eu vença o problema”. Mas isso não é vida de fé. Na vida de fé a alma descansa, e Jesus entra em ação. Tanto a luta quanto a vitória e também a glória são unicamente dele: O S����� lutará por vocês; �iquem calmos (E� x 14.14). Contudo, Deus nos inclui como participantes ativos em sua obra por nós. Sempre quer a nossa cooperação. Por isso a admoestação: Combata o bom combate da fé (1Tm 6.12). Para tal, a Bı́blia nos dá muitos exemplos. Assim, foi unicamente Deus quem salvou Noé do dilúvio – mas Noé construiu a arca. Foi unicamente a força de Deus que fez cair os muros de Jericó – mas o povo de Israel teve que dar sete voltas em torno da cidade. Foi unicamente o poder de Jesus que fez Pedro pegar muitos peixes no mar da Galileia – mas Pedro teve que lançar as redes. Deus age por meio dos que con�iam nele. O apóstolo Paulo escreveu para os �ilipenses: ... Deus é quem efetua em vocês tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. Mas, no mesmo versı́culo, para a cooperação que espera de nós: ... desenvolvam a sua salvação com temor e tremor... (Fp 2.12s). O cristão chinês Watchmann Nee, em seu livro Paz, Ação e Firmeza, escreve a esse respeito: “Não devemos consentir que o inimigo nos desaloje do terreno que pisamos, do nosso terreno”. O S����� lutará por vocês; �iquem calmos (E� x 14.14). Esse aviso de Deus nos diz uma preciosa verdade. Implica que o território em que pisamos, disputado pelo inimigo, é realmente propriedade de Deus e, por conseguinte, nossa. Se assim não fosse, terı́amos que lutar para conquistá-lo. As armas espirituais a nós presenteadas são, na sua maioria, armas puramente defensivas (Ef 6.13-18). A própria espada pode ser empregada tanto na ofensiva quanto na defensiva. A diferença entre guerra defensiva e guerra ofensiva é que a primeira pressupõe que o território disputado é aquele em que eu me encontro e apenas procuro conservar, ao passo que a outra compreende lutar pela posse de um território em poder do inimigo. E é essa, precisamente, a diferença entre a luta a ser realizada pelo Senhor Jesus e o nosso combate. A luta dele é ofensiva; o nosso combate, essencialmente defensivo. O Senhor lutou contra Satanás a �im de triunfar. Pela cruz, levou a guerra ao próprio limiar do inferno para daı́ levar cativo o cativeiro (Ef 4.8-9). Hoje lutamos contra Satanás apenas para manter e consolidar a vitória que Jesus Cristo já ganhou. Pela ressurreição, Deus proclamou seu Filho vencedor sobre o reino das trevas e entregou-nos o território por Cristo conquistado. Já não precisamos lutar por sua posse. Apenas precisamos mantê-lo e defendê-lo contra todos os ataques do inimigo. Nossa tarefa, portanto, é conservar o que nos pertence, e não atacar. Não se trata de avançar, mas de preservar uma posição – a posição de Cristo. Deus triunfou já na pessoa de Jesus Cristo. E pôs em nossas mãos a sua vitória, a �im de que a conservássemos. Dentro do terreno conquistado por Cristo, a derrota do inimigo já é um fato; a igreja foi colocada aı́ precisamente para declará-lo derrotado. A Satanás cabe agora o contra-ataque, para nos desalojar desse campo. Mas nós não precisamos lutar por um território já em nosso poder. Em Cristo somos vencedores, mais que vencedores (Rm 8.37). Nele, pois, nos �irmamos. Não lutamos para alcançar a vitória; lutamos, para declará-la e testemunhá-la, porque já a possuı́mos. Não lutamos para ganhar a batalha, porque em comunhão com Cristo já a ganhamos. Vencedores sempre são aqueles que descansam na vitória que já lhes foi concedida pelo seu Senhor. Quando lutamos para obter a vitória, perdemos imediatamente a batalha. Suponhamos que Satanás nos assalte na nossa casa ou no nosso trabalho. Ele cria uma situação que, para nós, é inteiramente impossı́vel remediar. O que fazemos? Geralmente o nosso primeiro impulso é nos prepararmos para um grande combate e depois pedir a Deus que nos faça sair vitoriosos. Mas, se assim �izermos, a derrota será certa, porque desistimos de um território que já nos pertence. A nossa derrota como cristãos principia no momento em que decidimos ganhar a batalha. Quando dizemos: “Espero triunfar”, abandonamos ao inimigo, com as próprias palavras que proferimos, o território que nos pertence em Cristo. O que, então, devemos fazer quando Satanás ataca? Devemos simplesmente olhar para cima e louvar o nosso Salvador: “Senhor, eu sei que me é absolutamente impossı́vel triunfar nesta situação em que me encontro. E� um estratagema e uma cilada criada por Satanás, o teu inimigo, para provocar a minha ruı́na. Mas eu te louvo, Senhor, porque a tua vitória foi completa e inclui também agora a minha situação. Louvo-te porque em comunhão contigo já é minha a vitória absoluta”. O cristão que não sabe repousar serenamente diante de Deus jamais pode resistir ao inimigo. Da Igreja fundamento Jesus, o Salvador; Em seu poder descansa, É forte em seu amor. Porquanto permanece, A Igreja existirá: Com vida renovada,Jamais perecerá.3 O principal objetivo do inimigo é desalojar-nos, atraindo-nos e seduzindo-nos a abandonar o território de perfeito triunfo no qual o Senhor nos colocou. E� o nosso descanso em Cristo, a nossa perfeita serenidade nele, que Satanás procura destruir, atacando-nos pelo intelecto ou pelos sentimentos. Mas para cada espécie de ataque é providenciada a melhor arma defensiva: ... segurando sempre o escudo da fé, com o qual poderão apagar todos os dardos in�lamados do Maligno (Ef 6.16). (Martinho Lutero traduz, em vez de “sempre”: “antes de tudo”). A fé nos diz: Cristo está na glória. A fé nos diz: somos salvos pela sua graça. A fé nos diz: por Cristo temos acesso a Deus. A fé nos diz: Cristo habita em nós pelo seu Espı́rito. A fé nos diz: Se ando em meio à angústia, tu me refazes a vida; estendes a mão contra a ira dos meus inimigos; a tua mão direita me salva. O que diz respeito a mim o S����� levará a bom termo (Sl 138.7s). A fé nos diz: Não tenham medo; �iquem �irmes e vejam o livramento que o S����� lhes fará no dia de hoje... (E� x 14.13). E porque, se a vitória é de Deus, a vitória é nossa também. Se nos limitarmos a manter a vitória que já possuı́mos, veremos o inimigo, que atacou o nosso território, inteiramente derrotado e expulso. Não peçamos ao Senhor que nos dê forças para vencermos o inimigo. Nem mesmo lhe peçamos que o vença. Louvemos a ele porque ele já o fez. Ele já é o vencedor. E� uma questão de con�iança nele. Se de fato cremos no Senhor, que venceu todo o poder do mal quando morreu por nós na cruz, nós lhe suplicaremos e o louvaremos mais. Quanto mais simples e pura for a nossa fé em Deus, mais raras serão as nossas súplicas e mais frequentes as nossas ações de graça. Lembremo-nos sempre: em comunhão com Cristo já somos vencedores. Dada a nossa posição de vencedores, orar pedindo pela vitória (a menos que essa oração se torne válida pelo louvor) é negar o valor da vitória que já temos; é abandonar a segurança da nossa posição e, por conseguinte, aproximar-se da derrota. Será que vocês já experimentaram a derrota? Será que ainda esperam forças para vencer? Se assim é, a minha oração por vocês será a que o apóstolo Paulo fez pelos seus leitores de E� feso: “Que Deus ilumine os seus olhos para que vocês possam ver. Jesus Cristo foi posto por Deus acima de todo principado, potestade, poder, domı́nio e de todo nome que se possa mencionar” (cf. Ef 1.21). As di�iculdades que os rodeiam poderão ser as mesmas. O leão rugirá, com certeza, mais terrivelmente do que nunca. Mas vocês não precisam mais esperar pela vitória. Em Cristo Jesus, a batalha a já foi ganha e o campo é de vocês. E� assim, pois, a vida de fé: contar com aquilo que Deus diz na sua Palavra. Já sabemos que, para descobrir aquilo que Deus nos quer dizer, devemos ler a Palavra de Deus, ou seja, a Bı́blia. A leitura da Bı́blia deve ser feita atenciosa e respeitosamente. A Bı́blia não é um tipo de horóscopo para nos fornecer “dicas” fáceis para uma vida cheia de sucesso. A Bı́blia é um livro no qual Deus escondeu seus tesouros. Só os encontra aquele que dedica tempo, amor e grande parte da sua vida às Sagradas Escrituras. Muitos costumam abrir a Bı́blia em qualquer lugar e apontar para um versı́culo com o objetivo de receber orientação de Deus. Deus pode abençoar dessa forma, mas este é um processo um tanto perigoso. Deus geralmente não expressa sua vontade prontamente quando a desejamos. Isso faria com que vı́ssemos em Deus um “Posto de Consulta” para um vida e�iciente. Normalmente Deus fala conosco quando estamos em contato com ele, lendo a nossa Bı́blia e orando. Muitas vezes, por meio de um versı́culo e em um momento em que nunca tı́nhamos esperado. Assim, quando Deus falar, isto é, quando ele lhe mostrar um versı́culo de maneira especial, então: Aceite a palavra de Deus como um presente para você. Use- a: como um “cajado” nas “montanhas” das di�iculdades. Segure nele �irmemente e não o solte, nunca. Lembre-se de que Deus fala conosco principalmente no silêncio e quando estamos a sós com Deus. Jacó estava sozinho, lutando com o anjo, quando Deus se revelou a ele. E� muito bom irmos à igreja. E� muito bom termos comunhão com os irmãos. E� muito bom lermos livros cristãos. Contudo, não nos esqueçamos da nossa hora tranquila, sozinhos com Deus. Seja humilde e grato perante Deus. Contemple com humildade e gratidão tudo o que Deus tem feito para você, porque isso enche o seu coração de alegria e gratidão e faz com que possa olhar para o futuro com esperança, coragem e con�iança. Lembre-se de que a nossa vida se torna rica em Deus quando a sua bênção nos vale mais do que o nosso bem-estar. Não te deixarei ir, se me não abençoares, disse Jacó ao anjo que o havia ferido. Se Deus não lhe atende uma oração, então veja se não há algum pecado que o separa dele, pois Deus geralmente não atende os nossos pedidos e não se manifesta quando há coisas em nossa vida que ele não aprova ou ainda não perdoou porque falta o nosso arrependimento sincero. Deus abençoou Jacó após este ter-se voltado arrependido para ele. E� verdade que não encontramos na oração de Jacó as palavras “estou arrependido”. Mas sua atitude nos mostra que ele se arrependeu. E foi então que Deus o presenteou com uma nova vida. Sabemos disso porque Deus lhe deu, como já vimos, um novo nome. Se você está doente, procure saber se há algo que Deus está querendo lhe falar. Doenças podem ser meios usados por Deus para chegarmos ao verdadeiro arrependimento ou para escutarmos sua voz. Doença é geralmente uma mensagem em código que Deus nos manda, e nós devemos decifrá-la. Jacó deixou de con�iar por completo em si quando foi ferido pelo anjo. E a Bı́blia nos conta que Deus permitiu que ele continuasse mancando, depois de “o sol lhe ter nascido”, para que nunca mais se esquecesse dessa lição e voltasse a viver uma vida independente de Deus. Para Deus importa muito mais a nossa salvação e a nossa santi�icação do que a nossa saúde. O alvo que devemos alcançar é mais importante do que o caminho pedregoso pelo qual, às vezes, temos que andar. Contudo Deus deseja que tenhamos saúde. Por isso o Apóstolo Paulo escreve ao seu amigo Gaio: Amado, peço a Deus que tudo corra bem com você e que esteja com boa saúde, assim como vai bem a sua alma (3Jo 2). Jacó aprendeu sua lição à beira do rio Jaboque. E você? Resumo e estímulo para a nossa oração Se você está em situação angustiante, então ore: Que Jesus tome os problemas nas mãos dele; Que você possa estar atento, sem nervosismo e inquietação, às ordens que Jesus dará nesses momentos; Que, de maneira alguma, você queira dar atenção à voz do tentador, propondo um caminho ilı́cito para sair da tensão; Que, sendo esta di�iculdade uma educação divina, você cresça com ela, mesmo sendo com lágrimas; Que Deus o presenteie com uma palavra da Bı́blia, que lhe sirva como “cajado” para que possa passar por esse vale de sombras; Que encontre pessoas que o orientem e orem com você; Agradeça, se as nuvens negras tiverem passado e o caminho novamente está ensolarado. 3 A oração de Ana Um gemido dos tristes e amargurados – S����� dos Exércitos, se de fato olhares para a a�lição da tua serva, e te lembrares de mim, e não te esqueceres da tua serva, e lhe deres um �ilho homem, eu o dedicarei ao S����� por todos os dias da sua vida, e sobre a cabeça dele não passará navalha. (1Sm 1.11) O motivo da oração de Ana As pessoas que viviam no tempo do Antigo Testamento não tinham uma Bı́blia como nós hoje temos. Embora já soubessem alguma coisa da vontade de Deus, seus conhecimentos espirituais eram limitados. A vizinhança dos povos pagãos, que nada sabiam de Deus, in�luenciava o pensamento do povo de Israel, repercutindo também nos diversos costumes, como no casamento. Assim, desconheciam a vontade de Deus, de que, para um homem, é destinada uma só mulher. Faltava-lhes a luz doEvangelho. Lemos muitas vezes no Antigo Testamento que um homem crente em Deus era casado com duas ou mais mulheres ao mesmo tempo. A Bı́blia descreve a vida conjugal dessas pessoas, mostrando os grandes problemas resultantes de não conhecer ou não observar as regras divinas a respeito do matrimônio. Aponta para o ciúme, as discórdias, as brigas e o desamor que havia nas famı́lias nas quais existia a poligamia. Essa situação também se constatava na famı́lia de Elcana. Uma de suas duas esposas chamava-se Ana (que signi�ica “a graciosa”). A outra se chamava Penina (que signi�ica “galho”). Certamente Ana era uma mulher bonita e delicada, como diz o seu nome. Talvez Penina não fosse tão esbelta e, além disso, feria como um galho espinhoso. Entretanto, ela era capaz de ter �ilhos, sendo que o mesmo não acontecia com Ana. Essas poucas informações já são o su�iciente para supormos a existência de uma porção de problemas nesta famı́lia. A vida de Penina sem dúvida não era fácil ao lado de Ana, que era a esposa mais amada. Mas a vida de Ana era ainda mais triste, pois naquela época as mulheres estéreis eram consideradas especialmente pecadoras. O fato de não poder ter �ilhos era considerado castigo de Deus, em consequência da pouca luz espiritual existente na época do Antigo Testamento. Hoje, à luz do Evangelho, sabemos que estes pensamentos são errados. Penina, sentindo-se menos amada, usou a esterilidade de Ana como arma para feri-la. A Bı́blia nos diz que ela a provocava excessivamente para a irritar (1Sm 1.6). Fazia isso dia após dia e anos após ano. Essa situação magoava muito Ana, apesar de Elcana cercá-la com todo amor e carinho. Tentava consolá-la, con�irmando-lhe repetidamente o seu amor. Apesar dos esforços e da boa vontade de Elcana, chegou o dia em que a alma ferida de Ana não suportou mais os insultos e as provocações de Penina. Um dia, por ocasião de uma festa religiosa, ela foi ao templo e derramou perante Deus, em oração, o seu coração transbordante de dor, com a voz entrecortada por soluços. Enquanto Ana derramava lágrimas e, fortemente comovida, balbuciava sua petição, já outro desgosto esperava por ela: um mal- entendido. O sacerdote, um homem que deveria ter uma sensibilidade especial para a dor do coração humano, quis expulsá-la, por achar que ela estava bêbada. Certamente não foi muito amável quando disse que o santuário não era lugar para mulheres embriagadas. Também nesta provação Ana mostrou seu grau de maturidade espiritual. Nos longos anos de sofrimento, ela tinha aprendido como enfrentar injustiças. Calmamente explicou ao sacerdote a sua situação. Agora Eli compreendeu: ali estava uma mulher amadurecida pelo sofrimento. E disse: – Vá em paz, e que o Deus de Israel lhe conceda o que você pediu (1Sm 1.17). Assim como Eli dissera, aconteceu. Ana teve um �ilho, a quem chamou Samuel (que quer dizer: “Deus ouviu a minha oração”). E Ana agradeceu a Deus, dizendo: O meu coração exulta no S�����. A minha força está exaltada no S�����. A minha boca se ri dos meus inimigos, porque me alegro na tua salvação. Ninguém é santo como o S�����, porque não há outro além de ti, e não há rocha como o nosso Deus. Não multipliquem palavras de orgulho; que não saiam palavras arrogantes da boca de vocês. Porque o S����� é o Deus da sabedoria e ele pesa na sua balança todos os feitos das pessoas. O arco dos fortes é quebrado, porém os fracos são revestidos de força. Os que antes estavam fartos hoje trabalham pela comida, mas os que andavam famintos não têm mais fome. Até a mulher estéril tem sete �ilhos, e a que tinha muitos �ilhos perde o vigor. O S����� é quem tira a vida e quem a dá; ele faz descer à sepultura e faz subir. O S����� empobrece e enriquece; humilha e também exalta. Levanta o pobre do pó e tira o necessitado do monte de lixo, para o fazer assentar ao lado de príncipes, para o fazer herdar o trono de glória. Porque do S����� são as colunas da terra, e ele �irmou o mundo sobre elas. Ele guarda os pés dos seus santos, mas os perversos emudecem nas trevas da morte, porque o homem não prevalece pela força. O S����� destrói os seus inimigos; dos céus troveja contra eles. O S����� julga as extremidades da terra, dá força ao seu rei e exalta o poder do seu ungido. (1Sm 2.1-10) O que podemos aprender com Ana? Contemplando a vida de Ana, podemos aprender uma porção de coisas. Citaremos apenas algumas que se relacionam com sua vida de oração: O sofrimento e a dor nos querem levar a recorrer a Deus. Há vários degraus na vida de oração. Nós podemos expor os nossos desejos e anseios a Deus. Mas a oração que mais agrada a Deus, a que nos traz maiores bênçãos, é aquela que tem em mente a glória de Deus. Não devemos nos esquecer de agradecer e louvar a Deus quando ele atende às nossas orações. A oração nos transforma. Se Ana era fraca demais para suportar insultos, a oração a transformou em uma mulher que, depois, pôde exclamar: A minha força está exaltada (1Sm 2.1). Louvado seja o nome do Senhor, porque colocou em nossas mãos tão pequenas e frágeis uma arma tão maravilhosa como a oração! E� através dela que Deus entra em ação. E quando Deus começa a agir, tudo muda, se bem que nem sempre “num abrir e fechar de olhos”. Muitas vezes Deus não age como tı́nhamos imaginado. Contudo, como é maravilhoso saber que não há problema que ele não possa resolver ou transformar em uma bênção para nós. Ana experimentou o amor e o poder de Deus em sua vida. Por isso exclamou: ... me alegro na tua salvação (1Sm 2.1). Muitos cristãos já não se alegram na salvação. Estão constantemente tristes com suas fraquezas e imperfeições. Mas a estes a Bı́blia diz: ainda que a conduta cristã ainda seja imperfeita, sua posição perante Deus é perfeita. Isso quer dizer: assim como você é, neste momento, se você recebeu Jesus como Senhor e Salvador, você é um dos �ilhos de Deus (Jo 1.12). A posição de �ilho em uma famı́lia não muda, mesmo que ele tenha fraquezas. Se um pai aqui na terra não rejeita o �ilho, ainda que desobediente, quanto mais o nosso Pai no céu não nos rejeita nem expulsa da sua presença sendo a nossa conduta ainda imperfeita. E� verdade: estamos sujeitos a errar todos os dias. Para nós vale o que o apóstolo Paulo diz de si: Não que eu já tenha recebido isso ou já tenha obtido a perfeição, mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus (Fp 3.12). Em vista da mensagem maravilhosa do Evangelho, a qual nos anuncia que nossa imperfeição na conduta não anula nossa posição perfeita perante Deus, não devemos permitir que a tristeza (em virtude de nossos erros) venha a extinguir a alegria de sermos �ilhos de Deus, a alegria de termos uma posição perfeita perante Deus, a qual Jesus conquistou por nós. Esta posição perfeita nos foi dada absolutamente de graça e sem merecimento: Também, nele, vocês receberam a plenitude (Cl 2.10). Muitas vezes somos entristecidos, lembrando-nos do nosso interior tão miserável. Devemos, então, nos lembrar também das promessas que Deus nos deu em relação ao seu perdão. Assim ele diz: Ainda que os pecados de vocês sejam como o escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, eles se tornarão como a lã (Is 1.18). Haverá outro senhor que cuida de nós com tanto carinho e amor como Jesus Cristo o faz? Que intercede por nós quando Satanás nos acusa? Que faz morada em nós para nos transformar em sua semelhança? Que nos defende contra assaltos violentos das maldades? Que nos acompanha todos os dias? Sim, maravilhoso é o nosso Senhor! Temos todo motivo para nos alegrarmos! Sugestões práticas: A convivência na sociedade, e principalmente na famı́lia, é a escola da nossa vida. Há quem procure se isolar, fugindo de uma vida comunitária. Mas essas pessoas tornam-se sempre mais egocêntricas e infelizes. Na comunhão com os outros também acontece um processo de lapidaçãodo ser humano. A Bı́blia nos diz que o nosso coração é, por natureza, duro como pedra (Ez 36.26). Como as pedras em contato umas com as outras se atritam, também nós entramos em atrito. São oportunidades de exercitar compreensão, tolerância e paciência. Deus quer nos auxiliar a aprender a conviver com outras pessoas, mesmo que difı́ceis, a carregar fardos e de�iciências um do outro. Os con�litos que surgem na convivência diária devem justamente nos levar a recorrer a Jesus, pois só ele pode nos libertar da dureza do nosso coração, do nosso egoı́smo, desamor e impaciência. E� com ele, e por meio dele, que aprendemos a orar, perdoar, esperar e amar. Um casamento no qual o homem e a mulher pensam: “Eu quero ser feliz, e meu parceiro está aı́ para garantir isso” está longe de ser feliz. O matrimônio plantado sobre egoı́smo não produz �lores do amor. Derrame perante o Senhor todas as suas tribulações e tristezas (veja Sl 62.8), sejam elas da vida matrimonial, pro�issional ou de outra origem. Fale com Deus sem pressa. Conte espontânea e detalhadamente seus problemas. E� verdade que Deus sabe tudo. Mas ele quer ouvir você falar sobre todas as coisas que o oprimem. (A Bı́blia nos conta que Ana demorou-se no orar – 1Sm 1.9-12) Não se deixe intimidar na sua oração (1Sm 1.15). Procure orar de acordo com os pensamentos da Bı́blia, levando a Deus as próprias palavras e promessas divinas, bem como o grande poder que ele tem demonstrado para com aqueles que nele creem. Ana lembra a Deus que ele é o Senhor dos Exércitos, Todo-Poderoso; que ele é benigno e está sempre pronto a atentar para a a�lição dos seus servos (1Sm 1.9-11). A Bı́blia nos diz que Deus deseja ser lembrado: Vocês, que farão com que o S����� se lembre, não descansem... (Is 62.6). Seja humilde na oração. Não procure impor suas ideias e soluções a Deus. Esteja pronto para transformar a oração em uma luta. Deus quer ver se você realmente leva suas petições a sério. Ao orar, coloque-se inteiramente à disposição de Deus. Ana falou de si como sendo serva de Deus (1Sm 1.11). A oração falada em voz semiaudı́vel, mesmo quando se está sozinho, é uma ajuda na concentração. Ana não falou alto na ocasião, por estar no templo, mas moveu os lábios, articulando as palavras (1Sm 1.12s). Uma boa maneira de iniciar uma oração é louvando a Deus. Isso vale também para tempos difı́ceis. Mesmo que não tenhamos, em determinado momento, muitas alegrias para dizer a Deus, sempre podemos louvá-lo e adorá-lo, pois ele nos arrancou das mãos de Satanás, nos tornou �ilhos seus e é um Deus Todo-Poderoso (1Sm 2.1). Comece sua oração enumerando, uma a uma, as coisas boas que Deus lhe tem concedido. Procure achar palavras e ilustrações para expressar o que Deus signi�ica para você. A expressão “Tu és um Deus maravilhoso” é uma dessas expressões. Mas há muitas outras. Agradeça a Deus, todos os dias, porque em sua vida não ocorre nada sem sentido, por mero destino ou acaso. Deus quer que tudo lhe sirva como educação e aprendizagem. Não foi em vão que Ana era estéril. Não foi em vão que ela tinha uma vida matrimonial difı́cil. Os acontecimentos da sua vida não foram obra de um destino desconhecido e cruel. Era o caminho que Deus usou (não necessariamente “escolheu”) para fazer Ana amadurecer espiritualmente. A vida matrimonial, aliás, é uma escola na qual Deus tem ótimas oportunidades para educar seus �ilhos. Ensina-lhes, diariamente, a esperar, perdoar, deixar a teimosia, sacri�icar-se, ter paciência e bondade. Agradeça a Deus por usar qualquer situação na sua vida para tornar você sempre mais semelhante a ele. Peça reforço de amor! Se o outro abaixar o seu nı́vel de amor, que o nı́vel do seu amor possa se elevar. O amor de Jesus para conosco é inesgotável. Lembrando-nos de como somos amados por Jesus, mesmo não merecendo, o nosso amor para com os outros aumenta por si. Agradeça desde já por saber que Deus marca a hora �inal dos sofrimentos e o livrará das injustiças que lhe são impostas. Lembre-se de Ana que, depois de passar a negra nuvem da tristeza, certo dia pôde dizer: O meu coração exulta no S����� (1Sm 2.1). Resumo e estímulo para a nossa oração: Se você está triste e amargurado, então ore: Que amargura ou tristeza não o afastem, mas o aproximem de Deus; Que tenha paciência e amor, mas também a �irmeza e a força su�icientes para conviver com pessoas de caráter difı́cil; Que lhe sejam encaminhadas pessoas que estejam dispostas a carregar com você o seu fardo; Que você tenha a calma necessária quando for acusado injustamente; Que tenha a força para perdoar e orar pela pessoa que di�iculta a sua vida; Que sua oração seja destituı́da de todo egoı́smo e, assim, se torne uma oração “em seu nome”; Agradeça quando Deus interferir e tudo mudar. 4 A oração de Elias Uma explosão de desespero – Basta, S�����! Tira a minha vida, porque eu não sou melhor do que os meus pais. (1Rs 19.4) O motivo da oração de Elias O nome de Elias signi�ica “minha força é o Senhor”. Elias foi um dos grandes profetas. Combateu fervorosamente a idolatria do povo de Israel. Em certa ocasião foi-lhe concedido o poder de impedir que chovesse durante três anos e meio. No �im desse perı́odo, fez cair fogo do céu na presença do rei Acabe e dos 450 profetas do ı́dolo Baal. Elias fez este milagre em nome de Deus para convencer o povo a deixar outros deuses, pois Israel, na época, servia tanto ao Senhor Deus como também ao ı́dolo Baal. Impressionados e entusiasmados com o milagre realizado, os israelitas prostraram-se diante de Deus e o adoraram (1Rs 18.38-39). Depois desse acontecimento, Elias andou muitos quilômetros para a cidade onde moravam o rei e a rainha do povo de Israel, os quais tinham seduzido o povo a adorar o ı́dolo. Queria impedir que a rainha Jezabel, que era pagã, in�luenciasse novamente seu marido, o rei Acabe, para que este voltasse a adorar deuses falsos. Elias, porém, constatou que o povo, ainda há pouco entusiasmado e ciente dos grandes feitos de Deus, não havia tido uma mudança signi�icativa na sua vida de fé. E não só Elias percebeu a atitude do povo, mas também a própria rainha. Vendo que o povo não apoiava decididamente o profeta, ameaçou matá-lo. Qual não foi a surpresa e a decepção de Elias quando notou que nem um sequer dos homens do seu povo se levantou para defendê-lo. Isso magoou e entristeceu o profeta profundamente. Deixou Samaria e foi para o paı́s do sul, até Berseba, cidade à beira do deserto. Andou mais um dia, até que o cansaço o obrigou a parar. Assim, exausto e profundamente decepcionado, deitou-se debaixo de um arbusto e pediu para si a morte. Sentia-se totalmente frustrado. Ano após ano havia esperado pelo arrependimento do povo de Israel, que sofria sob o castigo de Deus: a ausência completa da chuva por três anos e meio. Havia esperado tanto tempo para que seu povo �inalmente se dispusesse a servir novamente a Deus de todo o coração. Tinha a certeza de que esse povo teria coragem de colocar-se contra a rainha Jezabel, em vista do poder visı́vel de Deus, que havia mandado fogo do céu. Mas nada do que Elias havia esperado aconteceu. Todos aqueles longos anos de espera – e nada, nada de resultados. Agora Elias só tinha um desejo: morrer. Deus, porém, não atendeu ao pedido de seu servo desanimado. Tampouco o criticou. Primeiramente, concedeu-lhe um sono profundo, depois providenciou-lhe alimento, água e novamente sono. Ao acordar, descansado e fortalecido, Deus continuou sua terapia com Elias, dando-lhe a tarefa de caminhar quarenta dias até o monte Horebe (1Rs 19.6-8). Na Bı́blia o número 40 sempre está relacionado com algum tipo de aprendizagem, e aparece muitas vezes nas Sagradas Escrituras: Quarenta dias e quarenta noites choveu durante o dilúvio, a �im de que o povo aprendesse quão séria é a consequência do pecado (Gn 7.4). Quarenta anos o povo de Israel esteve no deserto para aprender: A con�iarem Deus; A ver como Deus é poderoso (Dt 8.4). Quarenta anos Moisés instruiu-se na sabedoria dos egı́pcios (At 7.22s). Quarenta anos Moisés aprendeu a ser humilde, apascentando ovelhas na terra de Midiã (At 7.30). Quarenta anos Moisés aprendeu como Deus é longânimo, paciente e Todo-Poderoso (Ex 34.6). Quarenta dias de prazo o povo de Nı́nive teve para arrepender- se de seus pecados (Jn 3.4). Quarenta dias e quarenta noites Jesus jejuou (Mt 4.2). Quarenta dias de aprendizagem os discı́pulos tiveram com Jesus após a ressurreição (At 1.3). Depois que Elias chegou ao monte Horebe, veio a hora em que Deus tornou a falar, dizendo-lhe que esclarecesse o motivo da sua fuga. Elias, no entanto, continuava revoltado e, em vez de reconhecer sua atitude covarde, queixou-se para Deus: Tenho sido muito zeloso pelo S�����, Deus dos Exércitos, porque os �ilhos de Israel deixaram a tua aliança, derrubaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada. Só �iquei eu, e eles estão querendo tirar-me a vida (1Rs 19.10). Deus viu que seu servo ainda lutava consigo mesmo e com sua decepção. Contudo, mesmo que as palavras de Elias estivessem cheias de amargura e de autocomiseração, e até fugissem da realidade (pois havia também outras pessoas que não adoraram Baal, escondidas pelo mordomo Obadias; veja 1Rs 18.3-4), Deus desejou que Elias se dirigisse a ele, com tudo aquilo que sentia e pensava. Chamou Elias e mostrou-lhe, por meio de quatro visões, que o orgulho e a dureza do coração humano geralmente não se deixam vencer por abalos gigantescos ou por poderosos milagres. O que vence a rebeldia e a resistência humana, �inalmente, é o amor silencioso, in�inito e imutável de Deus, que deu seu Filho por nós, a �im de que pudéssemos ser salvos (1Jo 45.9; Rm 5.8). O que consegue mudar a atitude dos indivı́duos, dos povos e da humanidade não é a lei, com suas exigências e ameaças, mas o Evangelho, que é a boa notı́cia de que Deus quer nos presentear de eternidade a eternidade. Elias, depois de aprender esta lição, estava novamente disposto a servir. E Deus, que é um Deus paciente, não despediu seu profeta fugitivo. Pelo contrário, deu-lhe novas ordens, as quais Elias cumpriu. Chegou o dia em que Deus mandou buscá-lo com um carro de fogo para a sua presença (2Rs 2.11). O que podemos aprender com Elias? E� pocas de desânimo e sentimento de frustração – quem não as conhece? Talvez você tenha começado com muito ânimo em um novo emprego. Não mediu esforços para realizar o trabalho a contento do empregador. Aceitou horas extras de trabalho sem relutância. Tudo estava encaminhado para uma promoção. Esperava-se um avanço e um salário melhor, tão logo houvesse uma vaga. Talvez um salário de secretária-chefe, depois de muito tempo de salário mı́nimo. O merecimento e sua aptidão eram evidentes para todos. Mas houve aquele caso do “pistolão”. Um amigo do patrão tinha uma �ilha sem grandes aptidões para o cargo. Mas com aquele “jeitinho” ela foi colocada no gabinete-chefe com um salário e tanto. Agora se apodera de você um profundo desânimo. Então foi tudo em vão? Ainda vale a pena se esforçar? Onde �ica Deus nisso tudo? Ou o caso daquele namoro. O rapaz amava aquela linda criatura de todo o coração. Mas ele era um pouco inibido, tı́mido e introvertido. Por enquanto só implorava com os olhos, querendo dar a entender: “Quer se casar comigo? Eu te amo muito!” Inesperadamente aparece outro rapaz. Seu jeito desinibido e agradável conquista todo mundo. Suas brincadeiras provocam alegria e satisfação. Seu jeito simpático e extrovertido cativa. Ele corteja a mesma moça, tão amada pelo rapaz introvertido, e acaba se casando com ela. O rapaz tı́mido vê isso tudo sem ter coragem de interferir. Como isso é triste e como dói! Amor rejeitado ou até ridicularizado é um dos piores sofrimentos da alma. E um sofrimento crônico. Não quer sarar. Pode arruinar uma vida inteira ou até levar ao suicı́dio. Há muitas outras situações que nos levam para o desânimo, a depressão e o desespero. Como enfrentá-las? Elias, na realidade, pouco fez para vencer sua depressão. Foi Deus quem agiu, providenciando-lhe alimento e água, oferecendo uma “terapia ocupacional” (fê-lo andar durante quarenta dias), ouvindo-o e levando-o a ver objetivamente o problema. O motivo pelo qual seu problema foi relatado na Bı́blia não é, portanto, a demonstração de uma pessoa magnı́�ica que, sem vacilar, enfrenta as adversidades da vida. O mérito de Elias não foi o de encarar com fé e coragem a rainha Jezabel, mas o de derramar seu coração perante Deus. Elias, em sua depressão e desânimo, recorreu ao diálogo com Deus, mesmo que queixoso. E� nosso privilégio poder procurar Deus em tudo o que se passa conosco Também com as nossas queixas e decepções na vida da fé. Sugestões práticas: Desespero, desânimo e depressão são sentimentos profundos que di�icultam a vida. Ser cristão não signi�ica ter a garantia de não precisar enfrentá-las. Pelo contrário: aquele que, por causa de Jesus, leva a vida a sério, muitas vezes é confrontado com situações que o levam à angústia. Quando isso acontecer em sua vida, procure fazer o seguinte: Ore, pedindo a Deus que a raiz do desânimo seja descoberta Isso é muito importante, pois há situações em que a causa da depressão é de origem �isiológica (algum mau funcionamento do organismo). No caso de Elias, o esgotamento fı́sico muito contribuiu para o seu colapso nervoso. Lembremo-nos de que ele correu apressadamente muitos quilômetros, do Monte Carmelo até a cidade de Jezreel. Depois, ainda andou sem parar até o sul do paı́s e mais um dia no deserto. E� claro que estava completamente exausto. Há pessoas que imediatamente atribuem qualquer sentimento negativo ao diabo, sejam pensamentos tristes ou qualquer desânimo que os assalte. Todavia estes sentimentos podem ser consequência de um estômago irritado, de um esgotamento fı́sico, da falta de sono ou de uma disfunção hormonal. Nosso estado fı́sico in�lui muito em nosso estado psı́quico. E� importante, pois, saber se há alguma coisa em nosso corpo que possa ser a origem do distúrbio emocional. Outra raiz do desânimo é o pecado. Vamos enumerar a seguir pelo menos quatro atitudes pecaminosas que podem levar ao desânimo: Desobediência a Deus (por exemplo, falta de disposição para perdoar; falta de amor ao próximo; inércia ou rebeldia em executar as tarefas propostas por Deus; discordância com os planos de Deus); Indiferença, comodidade, inversão de prioridades, leitura bı́blica desleixada e vida de oração irregular; Orgulho (não subordinar-se aos planos de Deus); Falta de sinceridade (a pessoa não procura saber o que realmente há dentro dela em relação a Deus). Ore a Deus rogando por força para se comunicar com os irmãos na fé quando você for assaltado por pensamentos de suicídio Quando surgem os pensamentos de autodestruição, a ajuda de outras pessoas cristãs é muito importante. A pessoa neste estado depressivo ou de grande desânimo tem a sensação de estar afundando em um abismo. E� muito difı́cil sair desse estado sozinho. Um pensamento suicida pode ter, como todos os pensamentos depressivos, causas �isiológicas (disfunções orgânicas, stress), mas toda vez que ele aparece é necessário que se faça uma revisão da vida. Deve-se fazer uma análise em busca de rancores e sentimento de vingança. Estes sentimentos, quando recalcados ou cultivados, mesmo inconscientemente, muitas vezes provocam pensamentos suicidas. Pode ser que tenha ocorrido uma grande injustiça na vida de alguém, sem que houvesse possibilidade de vingança ou de eliminação positiva. Um impulso vingativo, não podendo manifestar-se contra o provocador, volta-se contra a própria pessoa, em forma de autoagressão. O resultado disso são pensamentos suicidas, que podem ser tão violentos que a pessoa, mesmo não querendo, é arrastada por um poder irresistı́vel a colocar um �im nasua vida. O seguidor de Jesus não precisa se vingar. Deus, que é justiça, cuidará do seu caso. Ao cristão é ordenado apenas orar a oração do nosso Mestre: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34). Os pensamentos de rancor e de vingança podem ser vencidos e transformados em oração pelos que nos ofendem e magoam. A desobediência a esse mandamento é uma das grandes causadoras da depressão e do desânimo na vida cristã. Ore para que Deus conceda um campo de batalha adequado e revele o que deve ser feito O trabalho é um remédio e�iciente para ajudar a vencer a dor, principalmente no caso de amor rejeitado. O fato de sentir-se realizado em outro setor da vida, que traz satisfação e reconhecimento, é uma grande ajuda para enfrentar a dor da alma. Há muitas atividades que podem trazer consolo contra a tristeza e o desânimo. Algumas delas são: Praticar música (cantar ou tocar um instrumento). Muitos desânimos chegam a desfazer-se quando preenchemos o nosso tempo com a música. Lemos na Bı́blia que o rei Saul sentia alı́vio da sua melancolia quando Davi tocava harpa (1Sm 16.23). O ditado popular diz: “Quem canta seus males espanta”; Praticar um esporte (ou ao menos fazer caminhadas rápidas diariamente); Fazer visitas a amigos doentes, presos ou pessoas necessitadas; Ler um bom livro; Procurar solidarizar-se com uma pessoa triste (é um dos melhores remédios contra a própria tristeza); Terapia especializada com médico ou psiquiatra pode tornar- se necessária. Procurar auxı́lios tais não é falta de fé em Deus. Também não é motivo de vergonha. Depressão é doença como qualquer outra; Orar demoradamente, seguindo a sugestão do Salmo 62.8: ... derrame diante dele o seu coração. Peça a Deus que lhe dê amigos. E vá ao encontro de pessoas, principalmente entre irmãos na fé Nós, seres humanos, precisamos de amigos. Através deles e do sentimento de aceitação mútua é que adquirimos autocon�iança, novos impulsos e novo ânimo. A convivência com eles transforma gradativamente o nosso estado de ânimo. Devemos e podemos orar por amigos que nos apoiem nas horas de escuridão, mas não devemos nos esquecer de que amizades precisam ser conquistadas e cultivadas e que, para termos amigos, nós precisamos, em primeiro lugar, ser amigos. Amizade entre as pessoas é um presente maravilhoso de Deus. Quem achou um amigo achou um tesouro: ... há amigo mais chegado do que um irmão (Pv 18.24). Ore, pedindo a Deus que lhe encaminhe leituras que o ajudem ao passar pelo “vale da sombra da morte” Há livros que realmente são bons amigos e que falam conosco. Contêm conselhos úteis que nos fazem bem, ou simplesmente nos distraem. Podem ainda abrir-nos novos horizontes, de tal forma que deixamos de nos preocupar tanto com nós mesmos, passando a admirar a grande criação de Deus ou a enxergar os problemas dos outros e da humanidade. E� maravilhoso observar que, às vezes, Deus providencia um livro para nós muito tempo antes de necessitamos dele. Chegamos até a esquecê-lo, algumas vezes; mas Deus, na hora certa, nos lembra dele, e ali Deus nos mostra exatamente o que precisamos saber. Ore para que Deus lhe envie uma ou mais pessoas afetuosas que tenham tempo e paciência para ouvi-lo e compreender seus anseios Deus mandou um anjo a Elias para lhe dizer o que deveria fazer. Existem também mensageiros de Deus, em forma de seres humanos, que têm a palavra certa para nós. Um grupo de ajuda importante é o cı́rculo bı́blico, no qual a Bı́blia é estudada em conjunto, onde se ora e canta. Deus faz raiar sobre nós novamente o sol, afugentando as trevas da escuridão. Decore ou memorize versículos bíblicos e cantos espirituais Cantar, como já vimos, pode ser um grande auxı́lio em tempos de depressão. Muitos dos hinos espirituais nasceram em tempos difı́ceis e, dessa forma, podem nos consolar em nossas di�iculdades. Uma música muito cantada em nossos dias é da autoria do pastor pernambucano Nelson Monteiro da Mota, que, aos 47 anos, a compôs em um momento de desânimo violento, quando chegava a pensar em abandonar o ministério: Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, Segura na mão de Deus e vai. Se as tristezas desta vida quiserem te sufocar, Segura na mão de Deus e vai. Segura na mão de Deus, segura na mão ele Deus, Pois ela, ela te sustentará. Não temas, segue adiante e não olhes para trás, Segura na mão de Deus e vai. Se a jornada é pesada e te cansas na caminhada, Segura na mão de Deus e vai. Orando, jejuando, con�iando e confessando, Segura na mão de Deus e vai. O Espírito do Senhor sempre te revestirá, Segura na mão de Deus e vai. Jesus Cristo prometeu que jamais te deixará, Segura na mão de Deus e vai.4 Para que a nossa alma tenha alimento e refrigério em épocas difı́ceis, é muito bom que tenhamos na memória hinos cristãos. Deus pode nos lembrar deles em ocasiões quando necessitamos de seu conforto. Também é verdade que pensamentos tristes precisam de um lugar em nós para criar raı́zes e crescer. Uma maneira para não lhes dar espaço exagerado e oportunidades de se alastrar é preencher nossa vida com coisas de valor. Dessa maneira os pensamentos negativos não terão campo para se �irmar. Como vimos, memorizar e saber de cor versı́culos da Bı́blia e hinos com uma mensagem confortadora são um bom recurso para preencher o nosso interior. Resumo e estímulos para as nossas orações Resumindo o que foi dito acima, quando você estiver melancólico, deprimido, frustrado, desanimado ou até desesperado, então ore: Que lhe seja revelada a raiz desta dor; Que encontre irmãos e irmãs na fé que o ajudem a sair da solidão; Que encontre um novo ramo de atividade; Que encontre o hino certo para o seu consolo; Que encontre uma leitura ou um diálogo orientador, esclarecedor e confortante; Que Jesus o liberte de todo rancor e espı́rito de vingança; Que consiga orar pelos seus inimigos, abençoando-os; Que sabendo: “Só fere quem está ferido”, cresça uma grande misericórdia em seu coração por aqueles que o prejudicam, magoam ou ridicularizam; Que surja uma oportunidade para fazer o bem àquele que lhe fez mal. 5 A oração de Daniel A oração intercessória de arrependimento – Ah! S�����! Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos, nós temos pecado e cometido iniquidades. Procedemos mal e fomos rebeldes, afastando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos. Não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome falaram aos nossos reis, aos nossos príncipes, aos nossos pais e a todo o povo da terra. A ti, ó S�����, pertence a justiça, mas a nós cabe o corar de vergonha, como hoje se vê, a saber, aos homens de Judá, aos moradores de Jerusalém, a todo o Israel, tanto os de perto como os de longe, em todas as terras para onde os expulsaste, por causa das transgressões que cometeram contra ti. Ó S�����, a nós pertence o corar de vergonha, aos nossos reis, aos nossos príncipes e aos nossos pais, porque temos pecado contra ti. Ao S�����, nosso Deus, pertence a misericórdia e o perdão, pois nos rebelamos contra ele e não obedecemos à voz do S�����, nosso Deus, para andarmos nas suas leis, que nos deu por meio dos seus servos, os profetas. Sim, todo o Israel transgrediu a tua lei e se desviou, deixando de ouvir a tua voz. Por isso, as maldições que estão escritas na Lei de Moisés, servo de Deus, e que foram con�irmadas com juramento, se derramaram sobre nós, porque pecamos contra ti. Ele con�irmou a sua palavra, que falou contra nós e contra os nossos juízes que nos julgavam, e fez vir sobre nós um grande mal. Nunca antes, debaixo do céu, havia acontecido algo como o que aconteceu com Jerusalém! Como está escrito na Lei de Moisés, todo este mal nos sobreveio. Mas mesmo assim não temos implorado o favor do S�����, nosso Deus, para nos convertermos das nossas iniquidades e nos aplicarmos à tua verdade. O S����� tinha preparado esse mal e o fez cairsobre nós, pois o S�����, nosso Deus, é justo em tudo o que faz, e nós não obedecemos à sua voz. – Ó S�����, nosso Deus, que tiraste o teu povo da terra do Egito com mão poderosa e adquiriste a fama que tens até o dia de hoje, nós temos pecado e cometido iniquidade. Ó S�����, segundo todas as tuas justiças, afasta a tua ira e o teu furor da tua cidade de Jerusalém, do teu santo monte, porque, por causa dos nossos pecados e por causa das iniquidades de nossos pais, Jerusalém e o teu povo se tornaram objeto de deboche para todos os que estão ao redor de nós. E agora, ó nosso Deus, ouve a oração e as súplicas do teu servo. Por amor do S�����, faze resplandecer o teu rosto sobre o teu santuário, que está abandonado. Inclina, ó Deus meu, os ouvidos e ouve! Abre os olhos e olha para a nossa desolação e para a cidade que é chamada pelo teu nome! Lançamos as nossas súplicas diante de ti não porque con�iamos em nossas justiças, mas porque con�iamos em tuas muitas misericórdias. Ó S�����, ouve! Ó S�����, perdoa! Ó S�����, atende-nos e age! Não te demores, por amor de ti mesmo, ó meu Deus, porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome. (Dn 9.4-19) O motivo da oração de Daniel O povo de Israel formou-se a partir de Abraão, ao qual Deus prometeu uma grande descendência. Deus cuidou de maneira bem especial desse povo para educá-lo e torná-lo uma fonte de bênçãos para o mundo. Além da sua proteção, Deus lhes deu os seus mandamentos, para que pudessem viver uma vida plena e em alegria. Uma dessas leis determinava que esse povo não adotasse outros deuses. Somente o Criador dos céus e da terra devia ser adorado. Mas o povo judeu, convivendo com povos pagãos, esquecia-se da ordem de Deus e praticava a idolatria. O profeta Jeremias foi, entre outros, incumbido de admoestar os hebreus (Jr 25.8-11) para que se arrependessem e voltassem a Deus. Avisou-os de que Deus os castigaria se não ouvissem. Mas o povo zombou de Jeremias e até o maltratou (Jr 37 e 38). Consequência: o rei da Babilônia, Nabucodonosor, atacou, sitiou e tomou a cidade de Jerusalém. Mas a realidade foi esta: O S����� entregou nas mãos dele Jeoaquim, rei de Judá, e alguns dos utensílios da Casa de Deus (Dn 1.2) Nabucodonosor não tardou em levar presos todos os judeus que supunha poderem ser-lhe úteis. Entre as pessoas cativas estava um rapaz de uns catorze anos, chamado Daniel. Este nome signi�ica: “Deus é o meu juiz”. O moço, apesar de tão jovem, decidiu terminantemente ser �iel a seu Deus e aos seus mandamentos. Isso não era fácil naquela terra pagã. Mas logo, posto à prova pelo rei, decidiu em seu coração: pre�iro morrer do que pecar! Olhando para a vida de Daniel, vemos que ele se manteve �iel a essa decisão em todas as tentações e tribulações. Perguntamo-nos: De onde Daniel recebeu tanta força para resistir ao pecado? A Bı́blia nos dá pelo menos duas “pistas”. Uma delas torna-se Clara nesta canção infantil: Daniel orava a Deus três vezes ao dia e por isso na a�lição Deus o socorria...5 (veja Dn 6.11) A segunda pista achamos no livro de Daniel 9.2, onde lemos que ele estudava a Palavra de Deus. O contato intensivo com as Sagradas Escrituras o tornou �irme e �iel. Foi em um desses seus estudos que Daniel achou a promessa de que o cativeiro duraria setenta anos: Assim diz o S�����: “Logo que se cumprirem para a Babilônia setenta anos, atentarei para vocês e cumprirei a promessa que �iz a vocês, trazendo-os de volta a este lugar” (Jr 29.10). Nessa promessa Daniel apoiou-se em suas orações, implorando pela libertação do seu povo do cativeiro. Daniel, apesar de ter sido um membro importante do governo Babilônico, sofria intensamente por seu povo estar na escravidão, em meio a povos que não conheciam o Deus verdadeiro. Isso é algo que também nos impressiona na vida de Daniel: mesmo não tendo transgredido as leis de Deus, compartilhava da culpa coletiva do seu povo (Dn 9.3-5), intercedendo por ele, como se a culpa fosse sua. Ele observou como o povo estava sofrendo, pois não demorou em descobrir o quanto era inútil eles adorarem deuses feitos por mãos humanas. Reconheceram que há um só Deus verdadeiro, digno de ser louvado. O povo sentia, amargamente, o exı́lio e a saudade da terra natal. Da terra que o próprio Deus lhes havia dado. Da terra na qual seus mandamentos vigoravam. Da terra onde os uniam os mesmos laços e costumes e onde adoravam o mesmo Deus. Temos um depoimento deste sofrimento no Salmo 137.1-6: Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores queriam que fôssemos alegres, dizendo: “Cantem para nós um dos cânticos de Sião”. Mas como poderíamos entoar um cântico ao S����� em terra estranha? Se eu me esquecer de você, ó Jerusalém, que a minha mão direita se resseque. Que a minha língua �ique colada ao céu da boca, se eu não me lembrar de você, se eu não preferir Jerusalém à minha maior alegria. Vendo a situação calamitosa do seu povo, Daniel dirigiu-se ao seu Deus para buscá-lo em oração e súplica. Pediu que Deus lhe perdoasse os pecados. Intercedeu pelo seu povo. Três vezes por dia recolhia-se em seu quarto, que tinha as janelas abertas para Jerusalém, para orar (Dn 6.10). O que podemos aprender com Daniel? Daniel orava a Deus com regularidade e �idelidade, independentemente de di�iculdades ou até pena de morte (Dn 6.11) Deus não determina quantas vezes por dia devemos falar com ele, nem quanto tempo. Mas certa regularidade na vida de oração é aconselhável. Ajuda-nos a superar momentos, dias e meses em que, devido a circunstâncias adversas, não acharı́amos tempo ou mesmo vontade de orar. A nossa alma foge facilmente deste trabalho de oração. Por isso convém certa disciplina. O problema também é que Satanás está muito interessado em despistar-nos do momento de oração. Induz-nos a pensar em muitos afazeres e responsabilidades que sempre nos parecem muito mais importantes do que a oração. Erroneamente a oração parece-nos trabalho secundário para Cristo, aconselhável para doentes, debilitados ou que nada mais importante têm a fazer. Mas a oração não tem nada de passividade. E� uma atividade muitas vezes cansativa, porque é ativa, dinâmica e de grande repercussão na obra de Deus. Assim lemos em Tiago 5.16: Muito pode, por sua e�icácia, a súplica do justo. Que maravilhosa promessa! Muito pode realizar a sua oração, caro leitor! A oração não é um momento lı́rico em que falamos com Deus, mas sim uma arma poderosa para vencer Satanás (veja Ef 6.13-18). E� maravilhoso, além disso, que para Deus não importa se nossa oração se compõe de palavras bonitas e pensamentos muito lógicos. Deus, como em todo trabalho para o seu Reino, olha para a nossa �idelidade (Sl 101.6; Cl 4.2; Ef 6.18; 1Ts 5.17). Daniel permanecia �iel à fé do seu povo e orava todos os dias. Isso demonstra que Daniel amava Deus, já que gostava de se comunicar regularmente com ele! Essa regra não mudou: quem ama Jesus, ora e fala com Jesus. O amor caracteriza-se, normalmente, pela necessidade de comunicar-se com quem se ama. O nosso amor a Jesus pode ser evidenciado também pela intensidade com que nos dirigimos a ele em nossa vida diária: Termômetro do meu amor por Jesus Se olharmos para a nossa vida, veremos con�irmado o que foi dito: em épocas quando temos um grande amor por Jesus e quando o nosso coração bate fervorosamente por ele, oramos muito. Mas nas épocas em que quase o esquecemos e o nosso amor esfria, oramos pouco. Muitas vezes desculpamos a pobreza da nossa vida de oração com a falta de tempo. Mas será que o problema não está na falta de amor a Jesus? Aquele que ama sempre acha um tempinho para comunicar-se com o amado. Quando isso não acontece, ocorre o distanciamento. Mas então a saudade começa a brotar, crescer e clamar dentro daquele que ama,até que, vencido pela força da saudade e o desejo ardente de reencontrar o amado, deixa tudo para trás e corre para reencontrá-lo. (Veja Ct 3.1-4). Como é isso em nossas vidas? Será que o desejo ardente de nos comunicarmos com Jesus clama em nós quando nos distanciamos dele? Se for o caso, corramos a seus braços abertos que nos esperam ansiosos, assim como o pai espera pelo �ilho perdido! (Lc 15.20). Pode ser que não sintamos nossa alma clamar pela presença de Jesus. Então percebemos quão pobre é o nosso amor por aquele que nos justi�icou perante o Santo Deus, para que tivéssemos vida eterna. Se for assim, peçamos ao nosso Mestre que nos dê mais amor por ele, assim como aquele pai pediu por fé no poder de Jesus (Mc 9.24). Muitas vezes o nosso desamor provém do fato de nos esquecermos do que o nosso Salvador fez por nós. Daniel estudava atentamente a Palavra de Deus (Dn 9.2) O estudo da Palavra de Deus nos leva a conhecê-lo. Vendo e analisando o agir de Deus na vida das pessoas da Bı́blia, começamos a vê-lo como ele é: misericordioso, compassivo, justo, zeloso e amoroso. Assim começamos a identi�icar e reconhecer suas ações, nas nossas vidas, pois ele sempre foi, é e será o mesmo (Hb 13.8). Daniel conhecia Deus. Observamos isso logo nas primeiras palavras que disse em sua oração (Dn 9.4): Ah! S�����! Daniel não via Deus como “Pronto-Socorro para Problemas”, mas como “Senhor”, do qual era servo. O Senhor manda e o servo obedece, executa. Acontece muitas vezes de acharmos que somos os senhores e que Deus é o servo que deve executar nossas ordens. Será que não consideramos o Senhor só como o “quebra-galho” para os nossos problemas? Deus: Grande (v. 4) Temível (v. 4) Que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam (v. 4) Em teu nome [os profetas] falaram (v. 6) A quem pertence a justiça (v. 7) Contra o qual pecamos (v. 8) A quem pertence a misericórdia e perdão (v. 9) Que deu suas leis (v. 10) Que fala (v. 11) Que faz sobrevir o mal (v. 12) Que fez milagres (v. 15) Cheio de poder (v. 15) O que se ira (v. 16) O que castiga o pecado (v. 16) Justo (v. 16) Amoroso (v. 19) O estudo da Palavra de Deus também nos leva a conhecer as promessas de Deus para conosco. Estudando a Sagrada Escritura, Daniel encontrou no livro de Jeremias a promessa de que Deus levaria seu povo e volta para Jerusalém após setenta anos e cativeiro. Foi nessa palavra que ele baseou sua oração e súplica: ... entendi, pelos livros, [não havia ainda a Bı́blia completa com os sessenta e seis livros, mas somente alguns] que, de acordo com o que o S����� havia falado ao profeta Jeremias, a desolação de Jerusalém iria durar setenta anos (Dn 9.2). Muitas outras promessas na Bı́blia foram escritas para nós. Embora Deus não atenda todos os seus desejos (tal não seria a nossa felicidade), ele realiza todas as suas promessas! Podemos con�iar nelas com toda certeza. Por exemplo, na que se refere aos membros da nossa famı́lia: – Creia no Senhor Jesus e você será salvo – você e toda a sua casa (At 16.31). Quando e como Deus cumprirá essa promessa, devemos deixar aos seus cuidados. A nós compete crer e esperar a sua realização. Temor a Deus Daniel tinha profundo respeito para com Deus. Vemos isso pela maneira como se dirigia a ele: Ah! S�����! Deus grande e temível [...]; A ti, ó S�����, pertence a justiça, mas a nós o corar de vergonha [...] porque temos pecado contra ti (Dn 9.4,7, 8b). Vemos que Daniel realmente levou o poder de Deus a sério e o buscou humildemente. E� verdade: podemos nos chegar a Deus como crianças se chegam ao pai, com con�iança e sem medo. Não, todavia, como crianças mal- educadas e desrespeitosas. E� necessário procurar o relacionamento correto com Deus, pois ora sentimo-nos tão tı́midos e amedrontados perante o grande e santo Deus, em cujas mãos está a decisão de nos manter ou tirar a vida, ora agimos como se ele, seus mandamentos e sua vontade não existissem. Assim muitas vezes preferimos agir contra a vontade de Deus – por exemplo, mentindo para não ofender o vizinho, quando deverı́amos dizer a verdade. Ou permitimos que a santidade de Deus seja desrespeitada através de gracejos e palavras sórdidas de baixo calão. Damos mais valor à opinião de pessoas do que à vontade do Santo Deus. Humildade Daniel não se coloca acima de ninguém. Olhando para a sua oração, vemos que ele não apela para méritos próprios, para sua �idelidade, perseverança na oração e observância das leis de Deus. Con�ia somente na �idelidade da aliança, no amor e misericórdia de Deus. Nós dependemos totalmente da misericórdia divina. A nossa grande alegria é que podemos viver junto dele como crianças: falando com ele e pedindo. Mas o grande perigo é que o nosso pedir se transforma, em exigir. Essa mudança na nossa atitude perante Deus é altamente desastrosa. Há certos indı́cios que acusam essa alteração no nosso relacionamento com Cristo. Ela ocorre ao reagirmos rebeldemente quando ele não satisfaz um de nossos desejos, quando deixamos de ir aos cultos, de ler a Bı́blia, de orar e de procurar a comunhão com irmãos cristãos. Nossa decepção no momento em que Deus responde de maneira diferente da que nós esperávamos (uma ajuda, uma solução) torna evidente o quanto imaginávamos ter merecido o presente que pedimos. Essa nossa atitude evidencia uma posição cristã errada em suas bases mais profundas. E ela é consequência da ignorância que temos da nossa situação real perante Deus. Não é muito difı́cil admitir que somos pecadores. Um pouco mais difı́cil é admitir que somos egoı́stas, orgulhosos, ciumentos, impuros, covardes, irritantes, insatisfeitos. Mas muito mais difı́cil é reconhecer que somos totalmente dependentes da graça de Cristo e que, independentemente dele, nada somos com nossos dons, estudos e inteligência. Aquele que compreendeu que vive somente da graça e de mais nada, isto é, aquele que compreendeu que recebeu o que na realidade não merecia e a que não tem direito algum – este nada exige de Deus. Arrependimento Daniel identi�ica-se com seu povo e relaciona com profunda dor os pecados cometidos: ... temos pecado e cometido iniquidades. Procedemos mal e fomos rebeldes, afastando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos. Não demos ouvidos aos teus servos, os profetas [...] temos pecado contra ti. [...] pois nos rebelamos contra ele e não obedecemos à voz do S�����, nosso Deus... (Dn 9.5s, 8-10). Há pessoas que acham que muitas lágrimas, choro e soluços signi�icam “arrependimento sincero”. Não há dúvida de que o arrependimento pode ser acompanhado por estas manifestações de tristeza, dependendo do tipo de temperamento da pessoa. Contudo, o arrependimento é muito mais atitude do que um sentimento em relação a si mesmo. Arrependimento, no fundo, não é outra coisa senão “mudança de direção”. Arrepender-se de seus pecados signi�ica deixar de conviver bem com eles, passando a odiá-los verdadeiramente. Quando o general sı́rio Naamã teve um encontro com Deus, ele exclamou: ... porque este seu servo nunca mais oferecerá holocausto nem sacri�ício a outros deuses... (2Rs 5.17). A tristeza, a vergonha de ter ofendido Deus e o desejo ardente de nunca mais querer voltar a desobedecer a ele ou entristecê-lo com determinado pecado – isto é o que e Bı́blia chama de arrependimento. O arrependimento não pode faltar em nossos pensamentos e orações, pois é o ponto de partida para Deus agir em nós. Em 1 João 1.9, Deus deu uma maravilhosa promessa para aquele que se arrepende: Se confessarmos os nossos pecados, ele é �iel e justo para nos perdoar os pecados e nos puri�icar de toda injustiça. A fé sempre implica esse arrependimento. A fé que não o contém é somente intelectual, emotiva e um produto de nossa mente. Não somos justi�icados pela fé sem arrependimento, ela não nos liga a Deus. Quando Jesus começou a pregar o Evangelho, iniciou com estas palavras: “... arrependam-se e creiam no evangelho” (Mc1.15). Nosso arrependimento é o vasilhame onde Deus deposita o presente da fé. Jamais usará outro recipiente! Além do nosso arrependimento e do desejo sincero de um novo começo; há ocasiões em que é preciso reti�icar o erro. Isso ocorre principalmente quando alguém �icou prejudicado por nossa causa (veja Lc 19.8; E� x 22). A con�issão de pecados bem concreta frente a outras pessoas pode ser uma ajuda de fé. Daniel foi muito concreto ao confessar: ... temos pecado e cometido iniquidades. Procedemos mal e fomos rebeldes, afastando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos; Não demos ouvidos aos teus servos, os profetas [...] não obedecemos... (Dn 9.5s, 10). Lembrar-se das bênçãos de Deus Daniel não se esqueceu das muitas bênçãos que seu povo recebera de Deus: O� S�����, nosso Deus, que tiraste o teu povo da terra do Egito com mão poderosa... (Dn 9.15). Nós somos muito esquecidos e facilmente desanimados. Por isso é necessário que sempre nos lembremos das bênçãos de Deus, das suas obras realizadas nas nossas vidas. Daniel primeiramente colocou perante Deus toda a tristeza do seu coração. Depois chegou à conclusão de que a educação severa de Deus fora mais do que merecida. Mas não deixou que este fosse seu último pensamento, levantando-se desanimado e triste. Continuou lembrando-se dos grandes feitos de Deus com seu povo e de suas grandes misericórdias. Isso lhe deu a coragem de, apesar dos muitos pecados, suplicar pela ajuda de Deus. Esse deve ser também o caminho em nossas orações. Comumente o pecado é subestimado. Para muitos o pecado tem somente o sentido de errar, falhar. Consequentemente dizem: “Errar é humano, é compreensı́vel. Por isso devemos ser tolerantes. Compreender tudo signi�ica perdoar tudo”. Mas o pecado não é somente uma fraqueza humana que não se precisa levar tão a sério. Pecar signi�ica, em primeiro lugar, separar-se de Deus. Por isso, o pecado sempre tem consequências. O pecado também nos separa do nosso próximo. Quando uma �lor é separada da sua raiz por um corte, isso para a �lor não signi�ica somente um engano lamentável, mas a sentença de morte. Ela murchará e morrerá. O pecado conduz à morte eterna, isto é, a eterna separação de Deus. Em português temos diversos sinônimos e signi�icados para o termo “pecado”: a. Iniquidade – Signi�ica não reconhecer igualmente o direito do próximo; ser injusto; b. Culpa – Tem o sentido de uma dívida que deverá ser paga; c. Vício – É compreendido como estar preso a uma paixão condenável; d. Crime – É uma lesão proposital ao próximo; e. Maldade – Qualidade ou caráter de mau; f. Perversidade – per-verso = o lado errado, o contrário do natural; g. Injustiça – Compreende tirania, falta de justiça. O Novo Testamento foi traduzido do grego para o português. Na lı́ngua original da segunda parte da Bı́blia há também palavras bem signi�icativas, para deixar claro o que Deus diz ser o pecado: 1. Hamartía – Este termo é encontrado oitenta e oito vezes no Novo Testamento. Signi�ica errar o alvo. O alvo de cada ser humano nos é mostrado em Efésios 1.12: ... a �im de sermos para louvor da sua glória... Para tal fomos criados! O sentido da nossa existência é estar à disposição de Jesus, testemunhar dele, executar com alegria as suas ordens e em tudo viver dependente dele. Onde há esta disposição: “Senhor Jesus, dispõe de mim!”, é acertado o alvo. Muitos, porém, erram este alvo. Vivem para si e para seus prazeres. O ponto central da sua existência orgulhosa é seu engrandecimento, seu poder, seu bem-estar, sua felicidade em detrimento de outros. Mas, como isso, tudo é pervertido e perde o seu sentido! A vida torna-se um “vegetar” e não um real “viver”. Começam a aparecer os pecados. Justamente para isso Jesus veio ao mundo: tirar os nossos pecados e conduzir-nos ao alvo certo. Em João 1.29 lemos: No dia seguinte, vendo que Jesus vinha em sua direção, João disse: – Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! No texto grego é usada a expressão “HAMARTI�AN TOU CO� SMOU”, que signi�ica: “O pecado do cosmo, de todo o mundo”. Sim, tanto os meus quanto os seus pecados, Jesus os tirou e Ievou-os para a cruz! Recebeu o castigo de tudo aquilo que acontece quando erramos o alvo. Jesus diz: “... eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10.10). Signi�ica: Jesus dá mais do que necessário. Acaba com a vida sem sentido e nos presenteia com verdadeira vida, uma vida plena e realizada. 2. Parábasis – Esta palavra é encontrada sete vezes no Novo Testamento e signi�ica transgressão, passar pela linha divisória proibida. Aparece pela primeira vez em Romanos 2.23: “Você, que se gloria na lei, desonra a Deus pela transgressão da lei?” Nas Olimpı́adas da Grécia Antiga havia um esporte de jogo de disco. Em volta do desportista desenhava-se um cı́rculo no chão. Se ele, jogando o disco, cruzasse a linha estabelecida, era desclassi�icado. Podia até jogar o disco mais longe do que os outros; contudo, seu esforço era declarado inválido. Perdem o galardão, o prêmio, por ultrapassar a linha traçada. Deus traçou limites em nossa vida. No pensar, no olhar, no falar e na conduta. Devemos estar e �icar dentro dos limites. Jesus disse que, se um homem casado olhar para outra mulher, com intenção impura, ele perante Deus praticou adultério. Ultrapassou o limite determinado por Deus. Será condenado (Mt 5.28s). Passando além do limite traçado por Deus com palavras, a consequência é a mesma (Mt 5.22). Também o vaidoso passa do marco divisório. Para ele é dito: “não terão nenhuma recompensa junto do Pai de vocês, que está nos céus” (Mt 6.1). Eis aqui uma lista, embora não completa, daqueles que ultrapassaram a linha divisória: “Ou vocês não sabem que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não se enganem: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem afeminados, nem homossexuais, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o Reino de Deus” (1Co 6.9s). São poucos os que se importam com a “PARA� BASIS”, a transgressão da linha divisória traçada por Deus. Por isso, nunca chegam a “corar de vergonha”, como aconteceu com Daniel. Para dizer mais uma vez: sem o arrependimento sincero e profundo não há o presente da fé, não há o presente da graça que inclui o perdão completo. O mártir alemão Bonhoeffer falou certa vez da “graça barata”. E� justamente a graça que tantos querem adquirir. A graça do Deus que “fecha um olho”, que é “bonzinho”. Mas esta graça barata não é oferecida na Bı́blia. E� um engano do homem que imagina um Deus à sua maneira. 3. Parakoé – Esta palavra aparece três vezes na Bı́blia. Signi�ica desobedecer. E� citada em Romanos 5.19: Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos. A palavra “muitos” aqui tem o sentido de “as multidões”, ou seja, “todos”. Desde que Adão e Eva desobedeceram a Deus, o veneno do pecado passou não somente para muitos, mas para todos os seus descendentes. Já na criança vemos esta atitude de rebeldia. Por isso a educação dos �ilhos é tão difı́cil. Desde cedo se mostra o caráter envenenado pela desobediência. Jesus foi o único dentre a humanidade que foi absolutamente obediente ao seu Pai Celeste. Lemos em Filipenses 2.8s: ... tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome. E� o nome “Jesus, o Salvador”. Quem invocar este nome será salvo (Rm 10.13). Com seu ato de obediência até a cruz, cobriu toda a desobediência da humanidade. Louvado seja ele por isso! 4. Paraptooma – Esta palavra signi�ica ofensa e é encontrada seis vezes no Novo Testamento. Por exemplo, em Romanos 5.15: Mas o dom gratuito não é como a ofensa. Porque, se muitos morreram pela ofensa de um só, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foramabundantes sobre muitos! A Bı́blia nos diz que não devemos usar o nome de Deus em vão: Não tome o nome do S�����, seu Deus, em vão, porque o S����� não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão (E� x 20.7). Na conversa animada, entre risos e gargalhadas, muitas vezes é dito: “O� meu Deus!”, “O� Jesus!” Isso ofende Deus. Ele não permite que seu nome seja usado por brincadeira ou em frases supersticiosas. Embora nas benzeduras se use o nome de Deus e de Jesus, não se espera a ajuda de Deus, mas sim das frases decoradas e dos ritos aplicados ao doente. O livro de Deuteronômio 18.10-14 fala disso e diz que é “abominação ao Senhor”. A palavra “abominação” signi�ica: o que é detestável, horrı́vel. O que é santo não deve ser objeto de piadas que tornam a consciência e as atitudes cada vez mais insensı́veis. Faz parte do desrespeito a Deus não estudar sua Palavra. E uma grave ofensa contra Deus não dar atenção à sua Palavra, não tendo interesse em ouvi-la. Para aquele, porém, que se entristece com as ofensas cometidas e quer mudar sua atitude é dito que “muito mais a graça de Deus” pode cobrir nossa vida, que foi tão desrespeitosa perante ele. Para cobri-la, Jesus tinha que morrer na cruz. Também aqui não houve “graça barata”. Toda ofensa tinha que receber seu justo castigo. Mas Jesus o sofreu para salvar “muitos”, isto é, as “multidões”, ou seja, “todos”. 5. Ágnoia – Encontramos esta palavra quatro vezes no Novo Testamento. Signi�ica ignorância. Achamo-la pela primeira vez em Atos 3.17: – E agora, irmãos, eu sei que vocês �izeram isso por ignorância (assassinando Jesus), como também as suas autoridades o �izeram. A ignorância é culposa quando é possı́vel saber qual é a vontade de Deus. Também na jurisdição humana, o desconhecer das leis de um paı́s não isenta a pessoa culpada do castigo. Por exemplo: alguém vem do interior e não conhece a maneira como as metrópoles organizam seu trânsito. Ele deve informar-se por que há canaletas exclusivas para o trânsito de coletivos. Não perguntando e transitando por essas ruas, pode tomar-se culpado por um eventual acidente. A desculpa diante do juiz: “Mas eu não sabia que essas ruas eram exclusivas para ônibus!” não o deixará impune. Novamente aqui deve acontecer em todos nós o “corar de vergonha”. Existem as diretrizes e sinais de Deus na Bı́blia. Mas o nosso exagerado apego às muitas novidades do mundo nos faz esquecer ou ignorar as regras estabelecidas por Deus, seu plano com o mundo e com o nosso futuro. Em Efésios 4.18 também encontramos o termo agnoia: ... tendo o seu entendimento obscurecido, separados da vida que Deus concede, por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração (ênfase acrescentada). Andamos na escuridão do caminho pecaminoso, longe da comunhão com Deus, por causa da ignorância. Este versı́culo nos revela a origem da ignorância: a dureza dos nossos corações. 6. Atáktoos – Esta palavra aparece três vezes: 1 Tessalonicenses 5.14; 2 Tessalonicenses 3.6 e 3.11. Signi�ica: desordenados, insubmissos, indisciplinados. O veneno do pecado manifesta-se de maneira especial no ser humano e é designado com estas palavras. Não quer ser submisso a ninguém, muito menos a Deus. Deus mandou seu Filho para o mundo, para que vı́ssemos como Deus tinha concebido a imagem do homem. Jesus em tudo era submisso ao seu Pai Celeste. Quando foi da vontade do Pai Celeste que trabalhasse como carpinteiro até os trinta anos, Jesus concordou. Se foi da vontade de Deus que primeiramente o Evangelho fosse anunciado somente às ovelhas perdidas do povo do Israel, Jesus estava plenamente de acordo com esta ordem (Mt 15.24). Ele disse: “... o Filho nada pode fazer por si mesmo, senão somente aquilo que vê o Pai fazer; porque tudo o que este �izer, o Filho também faz” (Jo 5.19). Em tudo Jesus obedecia ao Pai, vivendo totalmente dependente dele. Jesus nos deixou o exemplo para que procedêssemos assim também: ... deixando exemplo para que vocês sigam os seus passos (1Pe 2.21). A vida submissa perante Deus abrange todos os setores da nossa vida, inclusive a nossa conduta. Nosso vestir, nosso comer e beber, nossas palavras e atos não devem ser empecilho nem para outros, nem para nós mesmos no nosso crescimento de fé. Para ter desenvolvimento espiritual é necessário observar Romanos 12.1s: Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o seu corpo como sacri�ício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês. E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Deus tem um plano maravilhoso para cada um de nós. Ele cuida com carinho das suas criaturas. Proporciona-nos mil bênçãos e alegrias. A ausência do agradecimento a Deus por sua proteção, seu amor, sua salvação, sua guarda, sua vontade que nos levou à existência é motivo para que a mente se obscureça e escolha caminhos de perversidade (Rm 1.21). Em 1 Tessalonicenses 5.18 lemos: Em tudo, deem graças, porque esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus. Quem agradece a Deus presta honra e louvor ao Altı́ssimo. Aquele que agradece por tudo sempre recebe novos presentes. Nenhum �io de cabelo, diz Jesus, cai da nossa cabeça sem a vontade do Pai. Isso quer dizer que as coisas mı́nimas em nossa vida são observadas e guiadas por Deus. Nossa ingratidão, nossa revolta, nosso “não estar de acordo” com a vontade de Deus levam-nos a ser indisciplinados e, com isso, inclinados ao pecado. 7. Adikia – Esta palavra é citada vinte e duas vezes e signi�ica: injustiça, iniquidade. No Novo Testamento a lemos pela primeira vez em Lucas 13.27: “... afastem-se de mim, vocês todos que praticam o mal”. Por ser Deus absolutamente justo, ele condena toda injustiça: E quem �izer injustiça receberá em troca a injustiça feita. E nisto ninguém será tratado com parcialidade (Cl 3.25). A justiça é demonstrada com este sı́mbolo: uma mulher com seus olhos vendados, segurando uma balança em uma mão e uma espada na outra. Isso signi�ica: “Eu, a justiça, não olho se a pessoa é rica ou pobre, poderosa ou não. Coloco na balança acusação e defesa. Onde eu achar culpa, minha espada entra em ação”. Olhando pelo mundo, parece-nos que o sı́mbolo da justiça tem outra aparência: piscar os olhos debaixo da venda, pesar com pesos falsos na balança e envolver a espada em algodão. Porém a justiça divina continua sendo como sempre foi: Ele mesmo julga o mundo com justiça... (Sl 9.8). Nesta lei não há exceção: Não se enganem: de Deus não se zomba. Pois aquilo que a pessoa semear, isso também colherá (Gl 6.7). Jesus predisse que a injustiça sempre aumentaria no mundo: “E, por se multiplicar a maldade, o amor se esfriará de quase todos” (Mt 24.12). Onde não há justiça tudo se desfaz. Tudo entra em um estado de podridão; tudo se decompõe. Seja na famı́lia, no comércio ou na polı́tica. A consequência sempre é o julgamento e o devido castigo: “Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres” (Mt 24.28). Sugestões práticas: Assuma, junto com a sua própria culpa, a culpa coletiva. Interceda perante Deus também a respeito das tribulações, di�iculdades e pecados do grupo, da comunidade, do povo e do mundo. Você não é um membro isolado, mas parte de um todo. Exemplo: se você acha que há muitas coisas erradas em sua igreja, não ponha a culpa só no pastor ou no presidente. Você é um membro desse organismo doente. E talvez também você não esteja sendo aquele membro sempre positivo e saudável interiormente do qual a obra de Deus necessita. Seja corajoso e não esconda sua vida de oração. Isso não quer dizer que você precisa ostensivamente dobrar as mãos para chamar atenção. Mas você não deve esconder o precioso tesouro. Procure ter horários e tempo pré-estabelecido para a oração. Inicie a oração enumerando e lembrando-se de tudo o que Deuslhe fez. Esta é uma boa maneira de abrir seu coração à gratidão e ao novo ânimo. A alegria aumenta consideravelmente em nós quando consideramos as muitas bênçãos recebidas e os cuidados que Deus nos dispensa. Isso se nos lembrarmos de que nada merecemos e que tudo, tudo é graça. Estude atenciosamente a Palavra de Deus. Em relação a cada verdade que entende, faça uma oração: louvando, agradecendo, intercedendo ou pedindo. Coloque a vontade de Deus acima da vontade das pessoas com quem convive, acima do seu bem-estar e da sua própria vontade. Chegue a Deus pedindo, mas nunca exigindo. Quando você estiver sem vontade de ler a Bı́blia, de ir à igreja, de orar ou de ter comunhão com os irmãos, procure identi�icar o motivo que o está impedindo de receber bênçãos divinas. Lembre-se de que, com Jesus, você sempre pode começar de novo. A única condição é o seu sincero arrependimento e a fé em Seu amor. Em vista do seu relacionamento com Deus, tenha o cuidado de zelar pela sua vida e que toda e qualquer sujeira que manchou sua alma durante o dia seja logo removida. Confesse seus pecados a Deus, sem esconder nada. Resumo e estímulos para a nossa oração Ao pedir perdão para si ou interceder pelos pecados do seu próximo, seus conhecidos ou pelo seu povo, então ore: Que Deus conceda um arrependimento sincero e profundo. Que haja um “corar de vergonha”. Que de maneira alguma, aqui e agora, haja lugar para super�icialidades; Que o arrependimento demonstre, na vida prática, que aconteceu uma mudança de direção; Que você tenha a coragem de testemunhar, não permitindo que seja profanado o nome de Deus ou ridicularizadas as coisas santas da sua fé; Que nunca se coloque orgulhosamente acima do outro; Que nunca julgue alguém, rebaixando-o; Que possa crer nas promessas de Deus que se referem à sua vida ou de sua famı́lia, mesmo que a concretização demore; Que seja movido a orar frequentemente durante o dia; Que se lembre de quantas bênçãos já recebeu de Deus; Que seja motivado a ler diariamente a Bı́blia; Que não se esqueça de que pode pedir tudo de Deus, sem exigir nada por méritos que pense ter; agradecendo a ele, por atender seu pedido. 6 A oração de Jonas Um grito de angústia “Na minha angústia, clamei ao S�����, e ele me respondeu; do ventre do abismo, gritei, e tu ouviste a minha voz. Pois me lançaste nas profundezas, no coração dos mares, e a corrente das águas me cercou; todas as tuas ondas e as tuas vagas passaram sobre mim. Então eu disse: ‘Estou excluído da tua presença; será que tornarei a ver o teu santo templo?’” “As águas me cercaram até a alma, o abismo me rodeou; e as algas se enrolaram na minha cabeça. Desci até os fundamentos dos montes; desci até a terra, cujos ferrolhos se fecharam atrás de mim para sempre. Tu, porém, �izeste a minha vida subir da sepultura, ó S�����, meu Deus! Quando, dentro de mim, desfalecia a minha alma, eu me lembrei do S�����; e subiu a ti a minha oração, no teu santo templo. Os que adoram ídolos vãos abandonam aquele que lhes é misericordioso. Mas, com a voz do agradecimento, eu te oferecerei sacri�ício; o que prometi cumprirei. Ao S����� pertence a salvação!” (Jn 2.2-9) O motivo da oração de Jonas Jonas foi um profeta judeu. Ele recebeu a ordem de Deus para pregar o arrependimento na poderosa e grande capital do império assı́rio: Nı́nive. Jonas não concordava com Deus em salvar o povo daquela cidade. Pelo contrário, ele esperava ansiosamente pela hora do castigo que Deus prometeu aos habitantes daquela terra, caso não se arrependessem. Os assı́rios, na verdade, eram muito desumanos. Além disso, cobiçavam a terra natal de Jonas, a Palestina. A reação de fuga do profeta a esta ordem, portanto, nos parece compreensı́vel. Ele tomou um navio e viajou em direção oposta a Nı́nive, para Társis, um porto na Espanha. A maldade do povo assı́rio não nos é descrita detalhadamente na Bı́blia. Mas pela história da humanidade sabemos que a idolatria, a lascı́via e a crueldade caracterizavam esse povo em suas guerras e polı́tica. Eram os seus pecados que tanto desagradavam a Deus. Quando lemos os acontecimentos com Jonas e todos os passos que ele tomou contra a vontade de Deus, �icamos tentados a recriminá-lo e dizer: “Que absurdo, Jonas, fugir de Deus!” Mas nos esquecemos de que também em nós existe um “Jonas” que não concorda com os pensamentos de Deus e não quer o que Deus quer. Na viagem, uma terrı́vel tempestade atacou o navio, no qual Jonas tranquilamente dormia, enquanto fugia de Deus. Mas seu sossego acabou. Antes de saber direito o que estava acontecendo, encontrou-se – vivo! – no interior de um grande peixe. Isso lhe parece impossı́vel, caro leitor? Não, para Deus nada é impossı́vel! Além disso, a ciência e as notı́cias nos informam: A baleia azul (Balae noptera) é o maior animal do mundo. Apesar de alcançar o comprimento de trinta metros e pesar até 150 mil quilos, é incapaz de engolir um ser humano. Alimenta-se de pequenos peixes. Mas existe um tipo de baleia, a baleia Pott (Plyretes macrocefalos), que é bem capaz de fazê-lo. Alcança vinte e três metros de comprimento, e já foram achados no seu interior três peixes inteiros, dos quais um media dois metros de comprimento. No ano de 1958 um homem chamado Bajuem, da ilha de Sumatra, foi pescar no Oceano I�ndico. Houve uma tempestade e ele desapareceu. Pouco tempo depois foi achada uma grande baleia morta na praia e quando os homens a abriram, encontraram o Sr. Bajuem dentro dela – vivo! Essa notı́cia foi divulgada pelo jornal Japan Harvest. Mas Jonas certamente nunca tinha se preocupado em estudar a vida dos peixes. E seu desespero ao encontrar-se dentro de um deles foi imenso. Sabemos por experiência que, quanto mais difı́cil o arrependimento, mais duro e espinhoso é o caminho que nos leva de volta a Deus. Jonas ainda poderia ter voltado atrás no porto de Jope. Ainda poderia ter voltado depois de comprada a passagem. Ainda havia tempo de correr para os braços de Deus no momento em que o navio se aprontava para partir. Quantas oportunidades perdidas! Como é isso na nossa vida? Será que nós voltamos arrependidos a Deus na primeira, na segunda ou na terceira oportunidade? Ou temos que ser jogados no mar dos sofrimentos antes de voltar para ele? Jonas achou novamente o caminho de volta para Deus. O desespero de ser jogado no mar e engolido por um peixe foi a maneira que Deus usou para salvá-lo – tanto das águas quanto do seu pecado. Dentro do peixe Jonas começou a orar. Começou angustiado, mas terminou cantando. Podemos deduzir isso da expressão com que Jonas termina sua oração: “Com a voz do agradecimento eu te oferecerei sacrifı́cio”. Sendo assim, todo o peixe estava cheio de cânticos de louvor! A oração de Jonas se compõe de palavras e pensamentos de diversos Salmos, dos quais Jonas se lembrou na hora do desespero. Se você tiver interesse em descobrir quais os Salmos que Jonas usou na sua oração, compare: O que podemos aprender com a oração de Jonas? A oração de Jonas é o ponto central de toda a narração da sua vida. Ela re�lete a “mudança de direção” para o arrependimento. Jonas de repente descobre quem ele é e quem é Deus. “Há quem critique que Jonas nem mencionou o peixe em sua oração. Mas nós achamos que Jonas não pensava em nada mais a não ser em Deus, que poderia salvá-lo. O fato de que Jonas descobriu os objetivos de Deus em tudo que lhe aconteceu é o que mais nos impressiona nesta oração”.6 Não, Jonas não tem queixas contra Deus. Sua única preocupação é a de obter o perdão de Deus, porque ele experimentou o mais terrı́vel desespero: saber-se distante de Deus. Muitas pessoas acreditam que os obstáculos e abismos que surgem em nossa vida sejam simplesmente falta de sorte. Mas a verdade é bem outra. Feliz a pessoa cujos olhos Deus abre para que ela veja os abismos da perdição eterna! Pois só aquele que realmente se coloca sob o juı́zo de Deus, com desespero e humildade, pode recebera graça de Jesus e ser absolvido. Martinho Lutero disse: “Cristo jamais se tornará doce para ti, se antes não sentiste teu próprio amargor”.7 Veja este processo na oração de Jonas: 1. Desespero: “Estou excluı́do (= jogado fora) da tua presença”. 2. Alegria: Tu, porém, �izeste a minha vida subir da sepultura, ó S�����, meu Deus!” [...] Ao S����� pertence a salvação! (Jn 2.6, 2.9) Vemos na vida de Jonas como ele se tornou um instrumento de Deus. Isso depois de passar pela morte do seu “eu” (observe sua expressão: “subir da sepultura a minha vida”). Estas etapas não só fazem parte do caminho extraordinário de Jonas, mas descrevem o caminho de cada seguidor de Cristo. “Eu quero ser, Senhor amado, como um vaso nas mãos do oleiro. Quebra a minha vida e faze-a de novo. Eu quero ser um vaso novo”8 Esse “quebrar” não é nada romântico. Sentir a ira e santidade de Deus é como passar por entre muitas lanças e espadas. Mas depois ocorre o mesmo que aconteceu com Jonas: Deus ordenou que o peixe cuspisse Jonas. Signi�ica: Deus o tirou do abismo e o salvou. Depois desta experiência Jonas foi para Nı́nive e fez o que Deus ordenara. Podemos aprender de Jonas pelo menos seis coisas: 1. Jonas não teve vergonha de expor perante Deus a sua situação desesperadora, causada por sua desobediência. 2. Jonas não exigiu ajuda de Deus, apesar de ser profeta. Não acusou Deus. Não resmungou. Não se queixou do agir de Deus. Não desculpou seu fracasso. Jonas só estava preocupado em arrepender-se e voltar para Deus. 3. Jonas lembrou-se de Deus e dos Salmos, que ele certamente conhecia muito bem. Isso só aconteceu porque Jonas tinha contato com Deus e estudava sua Palavra. Ninguém é capaz de se lembrar de algo que nunca ouviu ou aprendeu antes. 4. Jonas creu que Deus o escutava e via em qualquer lugar. Antes disso, ainda não o sabia tão bem, caso contrário não teria fugido. Mas o fato de ele orar com tanta seriedade, de dentro do peixe, nos mostra ter ele descoberto que Deus está em todo e qualquer lugar. 5. Jonas arrependeu-se profundamente e falou de si como sendo um dos que que adoram ídolos vãos abandonam aquele que lhes é misericordioso (Jn 2.8). Isso ele falou porque tinha preferido consultar sua própria vontade em vez de fazer a vontade de Deus. 6. Em Jonas já brotava o sentimento de gratidão a Deus antes de Deus agir (veja o versı́culo 9 do capı́tulo 2). A gratidão, pelo que tudo indica, foi no momento em que Deus agiu, pois ele, a seguir, livrou Jonas da barriga do peixe. Sugestões práticas: Admita perante Deus seu pecado quando cometido por um sofrimento que você mesmo provocou, desobedecendo, ou porque não perguntou em tudo pela vontade divina. Deus só começa a agir quando chegamos à conclusão de Davi (Sl 51.4): Pequei contra ti, contra ti somente... E� verdade que nem sempre Deus nos livra logo das circunstâncias em que fomos parar devido ao nosso pecado. Mas com certeza ele nos ajudará a suportar a dor e fará com que nos tornemos, apesar de tudo, um instrumento de bênçãos. Não se desculpe quando você tiver fracassado em uma tarefa que Deus lhe propôs. A culpa está em você e no fato de não ter procurado Deus. A culpa nunca é de Deus, você pode ter certeza disso. Parta sempre do princı́pio de que Deus é justo e bom e sem erro algum. Este princı́pio é absolutamente certo e o ajudará a achar as verdadeiras origens do fracasso. Estude a Bı́blia e decore versı́culos. O Espı́rito Santo fará com que você se lembre deles quando sua mente estiver tão perturbada, angustiada ou cansada a ponto de não poder formular palavras próprias. Lembre-se de que Deus está em qualquer lugar e que ele sempre está perto. Procure viver de tal maneira que isso seja uma alegria, e não algo incômodo para você. Reconheça que servir ao próprio eu, ou a outras pessoas ou poderes, também é um tipo de hidrolatria que o separa de Deus. Agradeça a Deus por ele ouvir você sempre com misericórdia e ter poder para agir quando achar por bem fazê-lo. Resumo e estímulos para a nossa oração: Se uma desobediência, um pecado que você cometeu, o deixou em uma escuridão espiritual, então ore para que Deus revele qual foi o seu caminho de desobediência. (Será que uma disciplina tão severa foi necessária porque você fugiu de Deus, como Jonas o fez?); confessando, arrependido, os seus pecados a Jesus Cristo; que seja lembrado, pelo Espı́rito Santo, da palavra da Bı́blia que você necessita; que lhe seja concedida a fé, para que possa crer no perdão divino; que não entrem no coração dúvidas a respeito do amor de Deus. Que você não duvide do coração de Deus quando não compreende a mão dele a guiá-lo; que sempre seja lembrado de que Deus, sacri�icando seu próprio Filho para nos salvar, somente tem pensamentos de amor para conosco; que lhe seja concedida a graça de poder agradecer a Deus por tudo. 7 A oração de Simeão Esperando o cumprimento de uma promessa de Deus “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel.” (Lc 2.29-32) O motivo da oração de Simeão Desde o nascimento de Jesus haviam-se passado mais de quarenta dias. Os ecos dos coros celestiais desapareceram entre as regiões montanhosas de Belém. Os pastores voltaram para seus rebanhos meditando naquilo que tinham visto e ouvido. A estrebaria, onde o menino nascera, servia novamente de abrigo para os animais. Provavelmente José alugara uma casa no pequeno lugarejo de Belém, onde Maria e o menino teriam mais conforto. No oitavo dia após o nascimento, o menino fora circuncidado e recebera o nome de Jesus, conforme a instrução do anjo Gabriel. E depois de mais 33 dias, José e Maria viajaram para o templo de Jerusalém, obedecendo a outra lei de Moisés (Lv 12.1-6). Maria e José obedeceram a Deus quando foram designados para ser, nesta terra, os pais de seu Filho. Obedeceram ao imperador romano, escrevendo seus nomes na lista do recenseamento. Obedeceram ao anjo Gabriel, dando ao menino o nome de Jesus. Agora, em Jerusalém, dirigiram-se ao templo para obedecer a uma lei dada por Deus ao povo de Israel. A ordem era a realização de uma cerimônia de duas partes a serem executadas após o nascimento do menino. Neste ritual os pais entregavam a criança ao sacerdote, como sinal de consagração do primogênito a Deus (Ex 13.2). Este lhes devolvia o �ilho após uma oração e o cumprimento das ordens de Deus, próprias do dia da consagração (veja Nm 18.15s). Mas antes de realizar-se o ato religioso, isto é, no momento em que Maria e José entraram no templo, sucedeu algo muito estranho. Um velho homem lhes veio alegremente ao encontro e estendeu as mãos demonstrando o desejo de tomar o menino em seus braços. Admirada, Maria atendeu ao pedido do ancião. Não sabia por que aquele homem, certamente de aspecto nobre, tinha este desejo. Simeão (este era seu nome) havia esperado (com certeza) por muitos e muitos anos, pelo dia em que fosse trazida certa criança ao templo. Não conhecia o nome dela, e nem o da famı́lia. Mas ele sabia que aquela criança era o Filho de Deus prometido, ou seja, o Messias. Seu povo esperara sua chegada por séculos e séculos. Certamente os últimos anos na vida deste ancião tinham sido preenchidos, quase por completo, com essa espera, pois o espı́rito Santo prometera a Simeão que não morreria antes de ver o Cristo. Finalmente o grande dia havia chegado. Um dia como qualquer outro. Uma criança, aparentemente como qualquer outra, foi levada para o templo. O acontecimento da primeira vinda de Jesus passou despercebido naquele lugar – mas não para Simeão. Isso porque ele estava constantemente vigiando e cuidando para que não perdesse a hora. E como ele estava atento à voz de Deus, soube imediatamente que aquele menino era o Cristo. O velho Simeão estremeceu de emoçãoquando Maria colocou o menino Jesus em seus braços. Ele sabia (pois Deus de antemão o havia revelado) que estava vendo o Salvador, o Rei sobre todos os reis, o Senhor sobre todos os senhores. A alegria no coração de Simeão transbordou. Começou a louvar a Deus e orou, agradecendo a este Deus que lhe concedera a graça de viver este momento da vinda do Salvador. O Salvador, pelo qual o povo de Israel ardentemente havia esperado. O Salvador, cuja chegada passara quase despercebida, pois as pessoas que por ele esperavam tinham a respeito do Messias uma concepção que não se enquadrava nas condições em que Jesus veio. Mas Simeão estava muito atento à voz de Deus e, por isso, ao ver o Cristo, orou e louvou a Deus. O que podemos aprender com a oração de Simeão? A paciência de esperar A espera em nossa vida às vezes parece não ter �im. Minutos de espera parecem ter a dimensão de horas. Olhamos para o relógio, desejando que o tempo passe mais depressa. Todos sabem que dez horas de alegria parecem passar mais depressa do que dez minutos de espera ansiosa. Esperar põe à prova nossa paciência. Mesmo uma pessoa de gênio calmo irrita-se tendo que esperar por muito tempo. Ficamos agitados e tensos. Um esposo espera por sua esposa que, em uma loja, está procurando e escolhendo um novo vestido. Uma criança conta os dias esperando o Natal ou seu aniversário. O aluno espera pelo �im do ano escolar para gozar suas férias. A esposa espera pelo marido que, aparentemente, se atrasou pelo caminho para o almoço. Na �ila do SUS e diante do posto de saúde, contamos dez vezes as pessoas que ainda estão na nossa frente e a �ila parece não diminuir. O rapaz ou a moça espera encontrar um parceiro de vida que possa amar. O empregado espera pelo aumento do salário; o patrão espera pelo aumento do movimento de seus negócios. Mas esperar não é algo passivo. Pessoas que esperam são pessoas atentas: quer se trate do nascimento de um �ilho, no resultado de um exame de laboratório ou de vestibular, de uma visita querida e importante, ou da espera no hospital, no aeroporto ou na rodoviária – sempre aquele que espera está atento, pronto para agir quando possı́vel, esperando e propondo novos começos e mudanças. A espera produz ansiedades e estado de alerta. Vigias são pessoas que estão prontas para assumir os acontecimentos que poderão ocorrer. Simeão foi um vigia constante. Ansiosamente esperava pela chegada do Messias e foi ricamente abençoado por Deus nesta espera paciente. A maneira de esperar Lendo a história e a oração de Simão, temos logo diante de nós a imagem de uma pessoa bondosa e equilibrada. Como ele se tornou assim? Considerando que deve ter passado por um longo perı́odo de espera, poderı́amos supor que tivesse se tornado um homem amargurado e nervoso. Geralmente quem espera sofre e se agita. A Bı́blia não nos diz por quanto tempo Simeão teve que esperar. Podemos supor que sua espera durou praticamente toda a vida. Certamente ele esperou muito mais tempo do que nós normalmente temos que esperar. A forma como esperamos tem uma grande in�luência sobre o nosso caráter. Os perı́odos de espera têm in�luência sobre nós, nos moldam. Tornam-nos impacientes ou pacientes. Intranquilos ou tranquilos. Aquilo que fazemos enquanto esperamos, e como reagimos interiormente a cada momento de espera, são fatores muito importantes na nossa formação. Nossas atitudes, pensamentos e orações, nas épocas de espera, são fatores muito decisivos. Podemos nos tornar nervosos, agitados, chatos e impacientes, mas também podemos aprender a ser calmos, pacientes e serenos. Isso depende de nós e da maneira como canalizamos a nossa angústia e tensão. A palavra “paciência” na lı́ngua grega tem o signi�icado de “�icar debaixo de um peso”. A nossa natureza tende a desfazer-se de um peso o mais rápido possı́vel. Por isso, na maioria das vezes, as épocas de espera nos trazem tão poucas bênçãos. O tempo em que Deus nos faz esperar não é um tempo que ele não soube planejar bem e aproveitar melhor. Não! A época de espera é uma época tão importante para o nosso desenvolvimento espiritual como a época do casulo para a formação da borboleta o ato de esperar nos transforma e nos molda. Seu efeito em nossa vida depende, em grande parte, de nós. A Bı́blia nos lembra de que o rei Saul, por não querer esperar, perdeu seu lugar de rei de Israel (1Sm 13.11-14). Nesse acontecimento vemos bem claramente como se pode aproveitar mal uma época de espera. Simeão sabia que a promessa recebida iria realizar-se na sua vida. Dele, que tanto havia esperado pelo seu Salvador, sem esmorecer, realmente podemos aprender muito. Nossa atitude em épocas de espera pode ser um bom ou um mau testemunho O tempo de espera não é somente um processo importante para nós mesmos. Também é um testemunho diante do mundo incrédulo. O mundo nos observa e percebe nossa atitude durante as épocas de espera. Uma espera comum a todos os seguidores de Jesus é a espera pela vinda de Cristo. Ela é longa e ansiosa. Mas, conforme a nossa conduta, talvez possa servir de estı́mulo para os outros. O que ocorre facilmente é que “embarcamos” nas esperanças ou frustrações deste mundo, em vez de atrair outros para uma nova esperança. Por isso mesmo a comunhão dos cristãos é tão importante. E� lá que encontramos outras pessoas com as mesmas esperanças. A importância da espera conjunta dos cristãos se mostra, por exemplo, quando olhamos para Tomé. Chorando em casa, sozinho, não �icou esperando junto com os outros apóstolos, e assim perdeu a primeira visita de Jesus (Jo 20.24-27). Simeão, apesar de idoso, visitava o templo frequentemente. Ele bem que podia ter �icado em casa descansando, mas assim teria perdido a visita de Jesus. Seguindo esse pensamento, chegamos a aprender algo mais de Simeão: É bom estarmos na casa onde a Palavra de Deus é anunciada Muitas coisas na nossa vida não nos separam de Deus propriamente, mas tomam o tempo preciso em que poderı́amos estar recebendo as bênçãos de Deus. Assim, por exemplo, não é pecado ir passear ou ir à piscina no domingo pela manhã. Mas como eu não posso estar na igreja e no clube ao mesmo tempo, preciso optar. E a minha escolha, com certeza, revelará a minha prioridade. Deus, em sua Palavra, deu uma promessa maravilhosa para aqueles que visitam a casa onde é testemunhada a Palavra de Deus: ... em todo lugar onde eu �izer celebrar a memória do meu nome, virei até vocês e os abençoarei (E� x 20.24). Mas, mesmo assim, preferimos, muitas vezes, as alegrias pequenas e passageiras, às alegrias eternas que provêm de Deus. Simeão estava no templo na hora em que o menino foi trazido. Ele estava ali, �iel no seu lugar, quando �inalmente a promessa se cumpriu. A esperança de Simeão baseava-se na Palavra de Deus Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação (Lc 2.29s – ênfase acrescentada). Para entender bem a expressão de Simeão, é importante lembrar que Deus prometera o Salvador. As pessoas que nasceram e viveram antes do nascimento de Jesus não tinham um Salvador, ou seja, não sabiam de Jesus. Elas possuı́am a promessa, sim. O povo de Israel recebia o perdão antecipadamente na esperança de que a promessa se cumpriria. Por isso, naquele tempo, eram sacri�icados animais inocentes em sinal de que alguém inocente morreria pelas suas culpas. Mas o desejo pela vinda do Salvador era grande e ardente. Por enquanto, enviavam “as contas dos seus pecados” a Deus, que prometeu liquidá-las. Mas ainda não tinha vindo ninguém para pagá- las. Tendo isso em mente, entendemos a grande alegria de Simeão ao ver a criança, que liquidaria a dı́vida dele e a de todo o povo. Nossa fé, para não vacilar, precisa de muito mais do que conhecimento geral de que Deus é amor. E� verdade que todas as promessas se enquadram nesta grande verdade, mas é preciso que aceitemos e creiamosem promessas bem especı́�icas de Deus, como: a promessa do perdão dos pecados – 1 João 1.9; a promessa da vida eterna – João 5.24; a promessa da vinda de Jesus – 1 Tessalonicenses 4.16; a promessa de que Deus tem um plano para as nossas vidas – Efésios 2.10. Não se deixar in�luenciar por incompreensão e zombaria Simeão não se deixou in�luenciar por zombarias. Podemos imaginar que Simeão teve que enfrentar muita incompreensão por parte de pessoas que viviam ao seu redor. Certamente diziam: “Simeão, deixe de sonhar! Não seja um entusiasta! Fanatismo não resolve. Seja realista como nós: para nós vale o que vemos e temos agora! O mundo sempre foi assim com seus problemas! Esperar por alguém que vai resolvê-los e engajar-se ativamente na realização da esperança é bobagem!” Contudo a esperança de Simeão não foi abalada. Sabia que o que Deus prometeu, ele o cumprirá. Assim, �icou a esperar o dia em que a promessa de Deus teria o seu pleno cumprimento. Nós, seguidores de Jesus, talvez também tenhamos que enfrentar zombarias, incompreensão de pessoas que não conhecem Jesus. Zombam de nós, tentam nos diminuir e nos punem. A Bı́blia nos avisa em 2 Pedro 3.3s que: Antes de tudo, saibam que, nos últimos dias, virão escarnecedores com as suas zombarias, andando segundo as próprias paixões e dizendo: “Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais morreram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação”. A espera do cristão não é ilusão; é, pela fé, participação na realização dos planos de Deus. Diante dessa perspectiva �icamos amedrontados e facilmente a nossa esperança poderá desfazer-se na hora do perigo. E� por isso que precisamos de palavras concretas de Deus em relação àquilo que esperamos. Elas nos servem como cajado e bastão nas montanhas das di�iculdades. São alimento para a nossa alma. Esperanças concretizadas e bênçãos recebidas devem nos levar ao louvor ... Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus... (Lc 2.28). Depois de tantos anos de espera, é muito compreensı́vel que o coração de Simeão se enchesse de louvor a Deus ao receber o Menino-Messias em seus braços. Foi Deus quem o ajudara nos muitos anos de espera até esse momento feliz. Foi Deus quem o abençoara com o cumprimento maravilhoso da promessa. Agora chegou o momento em que Simeão queria agradecer a Deus e honrá-lo de todo o coração. Certamente você se lembra de muitas bênçãos e alegrias que Deus lhe proporcionou na sua vida. Deus tem feito grandes coisas por nós, e por isso estamos alegres: O S����� é a minha força e o meu cântico, porque ele me salvou. Nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação... (Sl 118.14s). Nós agradecemos e honramos a Deus quando o louvamos como Simeão fez. Nós lhe agradecemos com a nossa vida, sendo ela justa e piedosa como foi a vida de Simeão (Lc 2.25). Nós agradecemos a Deus com o nosso testemunho e os nossos hinos. Agradecemos também por meio do nosso engajamento cristão pelos pobres e marginalizados, pelos que sofrem com a opressão e a injustiça. Há muitas maneiras de demonstrar a Deus a nossa gratidão. A oração e a resposta adequada no momento em que se realiza algo que muito esperamos Uma esperança se cumpre. Talvez com uma pessoa querida, um �ilho, um emprego desejado, saúde, novas revelações no crescimento espiritual, mais entendimento dos pensamentos de Deus com a nossa vida. Então a resposta do cristão é a oração de louvor e agradecimento. Simeão orou. Ele rendeu louvor a Deus. Testemunhou de Jesus como sendo o Filho de Deus. Falou das grandes esperanças que se realizariam por meio daquele menino. Como é isso em nossas vidas? A maioria das pessoas sabe o que fazer quando estão desesperadas e desiludidas: clamam pela ajuda de Deus, mesmo que, antes, pouco ou nada tivessem se interessado por ele. Da mesma maneira, deverı́amos saber logo o que fazer quando somos abençoados e quando nossa esperança se realizou. Devemos louvar a Deus, adorando-o. Sugestões práticas: 9 Espere pacientemente e sem esmorecer pela hora de Deus agir. Peça a Deus que lhe ensine a ser paciente. Procure preencher os perı́odos de espera na sua vida com coisas que o enriqueçam interiormente. Lembre-se sempre de que os perı́odos de espera não são épocas inúteis em sua vida. Permita que Deus lhe mostre a maneira correta de “�icar debaixo do peso”, para que não sucumba na amargura, mas que amadureça na fé e na esperança. Lembre-se de que a sua maneira de esperar (se com paciência, lamentações, queixas ou con�iança) será um testemunho da sua vida espiritual. Procure frequentar lugares onde encontre irmãos na fé, para, juntos, louvarem a Deus e aprenderem mais da sua Palavra. E� importante que sua esperança não se �irme em emoções ou em algo que alguém lhe disse sobre Deus. Procure saber pessoalmente o que Deus tem a lhe dizer e nisso creia de todo o coração. Não se deixe in�luenciar por pessoas que zombam da sua esperança. Agradeça e louve a Deus por tudo que ele já tem feito e está fazendo em sua vida. A oração deve preceder a tudo o que você realiza, enquanto realiza e após sua realização. Deus deve estar no começo, no meio e no �im de tudo o que pensamos ou fazemos. Resumo e estímulo para a nossa oração: Se você tem que esperar, ore para que: o seu esperar seja baseado naquilo que Deus prometeu lhe dar; Deus lhe conceda a paciência para esperar sem esmorecer; o tempo de espera seja preenchido com valores espirituais, ações em favor do próximo; o tempo de espera se torne um testemunho de Jesus Cristo; zombaria e deboche dos incrédulos não desfaçam a sua esperança; você não se esqueça de louvar e agradecer a Deus quando sua esperança se cumprir. 8 O Pai Nosso A oração modelo “– Portanto, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus, santi�icado seja o teu nome; venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém]!’ “ (Mt 6.9-13) O motivo da oração de Jesus Sempre que Jesus estava na Galileia, muita gente se reunia em torno dele. Muitos vinham para ser curados. Outros apareciam por curiosidade. Alguns, porém, não o queriam abandonar mais. Seguiam- no para todos os lugares. Essas pessoas foram chamadas de “discı́pulos” de Jesus. Certo dia Jesus subiu para uma pequena montanha. Quando seus discı́pulos se juntaram a ele, começou a ensiná-los. A esses ensinamentos mais tarde deu-se o nome de “Sermão do Monte”. Poderia, no entanto, também ser chamada de “A constituição do Reino de Deus na Terra”. Pelas regras ali estabelecidas ele pretende governar este mundo, caso seja aceito como Senhor e Salvador. Uma das partes mais importantes desse Sermão do Monte é a oração- modelo que Jesus ensinou a seus discı́pulos. A essa oração deu-se o nome de “Pai Nosso” ou de “Oração do Senhor”. Compõe-se de três partes: a invocação, as sete preces e a adoração. O que podemos aprender com a oração de Jesus? Podemos orar, chamando Deus de “Pai” Jesus ensinou a orar assim: “Pai nosso”. Os judeus tinham tanto respeito para com Deus que não pronunciavam o nome “Javé”, ao lerem a Bı́blia. Substituı́am-no na leitura por Adonai (que signi�ica: Senhor). Assim, compreendemos que os ensinamentos de Jesus eram revolucionários para seus discı́pulos. Chamar o Santo Deus de “Pai”? Sim, este é um privilégio dos �ilhos de Deus! Todos os seres humanos são criaturas de Deus. Criaturas amadas, mas apenas criaturas. Não fazem parte dos �ilhos de Deus. Mesmo assim, ousada ou ignorantemente, dizem ao justo e santo Deus: “Pai nosso, que estás nos céus...” – Mas esse direito só pertence aos seguidores de Jesus. No Evangelho de João 1.12 lemos: ... a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos �ilhos de Deus, a saber, aosque creem no seu nome... Deus deseja ser chamado de “Pai” pelos seguidores de Jesus. Com isso quer mostrar-nos que cuida da nossa vida. Ele tem um plano maravilhoso para cada um de nós e quer compartilhar de todas as nossas pequenas e grandes preocupações. Devemos honrar o nome de Deus A primeira petição da oração ensinada por Jesus é: “Santi�icado seja o teu nome”. Lutero era da opinião de que o nome de Deus já é santo e que esta petição expressa que seu nome se tome santo em nós também, pois os �ilhos de Deus são seus representantes neste mundo. Filhos têm um a responsabilidade para com o nome da sua famı́lia. Por meio do seu comportamento, palavras e ações contribuem para o nome digno do seu lar. Filhos que vivem uma vida egoı́sta, que são mentirosos, ladrões ou farristas, são uma vergonha para a famı́lia e sujam o seu nome. Os �ilhos de Deus desonram o nome dele com palavras e ações quando não vivem condignamente. Se orarmos para que Deus nos tire somente de uma situação difı́cil, aonde fomos levados pela nossa imprudência, sem o �irme propósito de sermos cautelosos no futuro, a nossa oração não estará honrando o nome de Deus. Se olharmos para nossas próprias orações, veremos que quase nunca aparece essa primeira petição. Di�icilmente chegamos a orar: “Senhor, faze com a minha vida tudo o que tu queres, para que ela te honre e te glori�ique. O essencial não é eu casar ou não, ter saúde ou não, ter dinheiro ou não, ter �ilhos ou não. Importa que a minha vida te honre! Importa, ó Deus- Pai, que o teu nome seja santi�icado por meio de mim!” O poeta Tersteegen expressou esse desejo com as seguintes palavras: Toma em mim morada, que eu, santi�icado, seja templo a ti Sagrado. Vem iluminar-me, que, com alegria, sempre te honre, em noite e dia. E, Senhor, onde for, veja a ti presente, Deus onipotente!10 Devemos orar para que as forças de Deus operem neste mundo Continuou Jesus ensinando os discı́pulos e disse: “Venha o teu reino”. Atualmente Satanás ainda quer impor seu governo. Por isso há guerras, injustiças, ódio e fome. Deus deseja implantar seu Reino neste mundo, para que haja paz, justiça e amor. Pedindo que venha o seu Reino, devemos saber que Deus quer implantá-lo primeiro em nosso coração. Nossa existência deve ser totalmente consagrada a ele e governada por ele. Quando isso ocorre, nossa vida recebe outro sentido: tornamo-nos embaixadores em nome de Cristo e representantes dele em todos os setores. Quando pedimos “venha o teu reino”, também estamos pedindo que ele venha aos corações dos outros por meio de você e de mim. A�inal, o que entendemos com a expressão “Reino de Deus”? O Reino de Deus acontece onde Jesus Cristo está governando. E� o lugar onde ele reina. Onde governa seu amor e sua vontade. Nos governos do mundo tudo é centrado no fator poder. Só no reino de Jesus não é assim, nele não há lugar para o ódio, para a competição, a ganância, o egoı́smo e o orgulho: “... amem os seus inimigos...” (Mt 5.44) Abençoem aqueles que perseguem vocês; abençoem e não amaldiçoem (Rm 12.14). O Reino de Deus está em todo e qualquer lugar onde há pessoas dispostas a receber seu perdão e onde elas se dispõem a viver e transmitir o Evangelho. Ele está onde há pessoas que se deixam guiar pelo amor de Deus em todas as situações. O Reino de Deus está onde as pessoas deixam de pensar, em primeiro lugar, em si mesmas e nos seus próprios interesses, abrindo-se para os outros, repartindo seu tempo, força e dinheiro. Nesta oração, “venha o teu reino”, pedimos primeiramente, a Deus que ele governe em nós e arranque do nosso interior todo tipo de idolatria escondida. Pedimos a Deus que tire do centro da nossa vida as coisas que ainda determinam as nossas ações: orgulho, ambição, preguiça, acomodação, trabalho, sexo, esporte, amizade, televisão, etc. Quando pedimos que o Reino de Deus venha para dentro de nós, estamos pedindo que Deus modi�ique nossa vida de acordo com os seus planos. Pedimos que crie padrões novos dentro de nós em relação ao que é bom ou mau, prioritário ou secundário na nossa vida. Se orarmos a Deus que seu Reino venha, então nós mesmos temos que estar dispostos a permitir que Deus reine em tudo. Jesus Cristo quer que seus seguidores realizem sua vontade em todas as áreas de suas vidas: na escola, no trabalho, em casa, no governo. Seja na hora de fazer uma compra, de calcular o imposto ou na hora de formular uma nova lei. Este Reino, que Deus invisivelmente começa em seus seguidores, somente é o começo do Reino que há de vir. Por enquanto Deus constrói no silêncio. Mas chegará o dia em que ele reinará visivelmente neste mundo! E para que ele venha o mais breve possı́vel, nós trabalhamos com Cristo e para Cristo. Por isso em todas as igrejas do mundo se ora: “Venha o teu reino”. Isso é diferente de pedir que, com a ajuda de Deus, este mundo se transforme por meio das nossas próprias forças. Mas é assim que muitas pessoas interpretam este pedido. O dia chegará em que Jesus há de reinar visivelmente. Então essa oração será atendida plenamente e haverá paz no mundo (Is 2.2-4). Devemos orar para que a vontade de Deus seja feita neste mundo No céu a vontade de Deus é feita sempre imediatamente e com alegria. Novamente citamos Tersteegen: ... querubins prostrados são-lhe servos consagrados. Santo, santo, santo – vem cantando em hino todo o exército divino.11 Que assim aconteça também no mundo, este é o sentido da terceira oração do Pai Nosso. Na Bı́blia lemos muitas vezes sobre a vontade de Deus que se deve realizar no mundo. Eis aqui algumas citações das Sagradas Escrituras: “E a vontade de quem me enviou é esta: que eu não perca nenhum de todos os que ele me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.39). Pois a vontade de Deus é a santi�icação de vocês (1Ts 4.3). Em tudo, deem graças, porque esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus (1Ts 5.18). Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos (1Pe 2.15). ... para que, no tempo que lhes resta na carne, vocês não vivam mais de acordo com as paixões humanas, mas segundo a vontade de Deus (1Pe 4.2). Nestes versı́culos vemos como Deus é. Agora sabemos qual é o desejo mais ardente do seu coração. Ele nunca desiste de uma pessoa. Nunca ignora alguém. Preocupa-se com todos com in�inita paciência e bondade. Não há pessoa neste mundo que não se ache incluı́da nos pensamentos e no plano de salvação de Deus. O nosso pedido de que a sua vontade aconteça é uma participação ativa da vontade santa de Deus. O querer que aconteça a vontade de Deus e o querer fazer a vontade de Deus trazem muitas consequências para a nossa vida. Quando Deus realiza seus planos aqui no mundo, ele começa conosco e em nós. Ele transforma a nossa vida de tal forma que a sua vontade não seja mais para nós uma pedra de tropeço. Pelo contrário, ele passa a ser o centro do nosso próprio pensamento, do nosso agir, dos nossos impulsos; medida e limite para as nossas ações e atitudes. Essa transformação mostra-se nesta disposição: ... agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu... (Sl 40.8). Devemos pedir a Deus que oriente e dirija as coisas práticas da nossa vida A quarta petição refere-se ao nosso sustento: “O pão nosso de cada dia nos dá hoje”. E� valioso observar o seguinte esquema: A ORAÇÃO DE JESUS (As sete petições) 1. Relacionada com o NOME DE DEUS: “Santi�icado seja o teu nome”. 2. Relacionada com o REINO DE DEUS: “Venha o teu Reino”. 3. Relacionada com a VONTADE DE DEUS: “Seja feita a tua vontade”. 4. Relacionada com o PA�O DE CADA DIA: “O pão nosso de cada dia nos dá hoje”. 5. Relacionada com a nossa SALVAÇA�O: “Perdoa-nos as nossas dı́vidas”. 6. Relacionada com nossa PROTEÇA�O: “Não nos deixes cair em tentação”. 7. Relacionada com a nossa LIBERTAÇA�O: “Mas livra-nos do mal”. Vemos que o pedido pelo pão diário está nomeio das outras preces que se referem a coisas espirituais. Embora a petição pelo pão de cada dia seja um pedido importante, Jesus não a colocou em primeiro lugar. Para a maioria dos contemporâneos de Jesus, a única preocupação de suas vidas era ter dinheiro su�iciente para a comida, vestimenta e moradia. Naquele tempo já se conheciam impostos, juros, bancos e promissórias. Mas não era conhecido o preenchimento de formulário de imposto de renda, apólices, seguros de vida e correção monetária. A complicada engrenagem da organização �inanceira de hoje é um monstro. Foi criada para dominar outro monstro, também criado pelo mundo hodierno: o materialismo, o desejo de adquirir sempre mais, o melhor e o mais moderno. Esse pensamento excitado por uma propaganda sutil e astuta implanta nos cérebros humanos a convicção: “Quanto mais você tem, do mais luxuoso, mais feliz será!”. Isso é engano! Pedindo o “pão nosso de cada dia”, hoje muitos acham que aı́ se incluem mobı́lia luxuosa, televisão de tela grande, piscina térmica e um automóvel do último tipo. A pergunta é: quando pedimos o pão nosso de cada dia, será que pedimos que Deus nos conceda o necessário de que precisamos hoje? Ou pedimos pelo supér�luo porque queremos ter a mesma casa e o mesmo luxo que o nosso vizinho tem? Cada um deve responder essa pergunta para si mesmo. Podemos estar em perigo de pedir e acumular demais. Quando isso acontece, nos falta sensatez. Também há o perigo de pedirmos pouco. Então somos carentes na fé a respeito da bondade de Deus. Deus quer nos preservar de preocupações. Por isso só nos mostra o passo seguinte, e não já os cem passos que vêm depois. E� sempre hoje que devemos con�iar nele! Deus, que nos deu a vida, também cuidará da nossa vida no futuro. E� claro que Deus não quer que sejamos preguiçosos ou tolos. Há muitas passagens na Bı́blia que se referem ao homem prudente (veja Mt 7.24 e 10.16). Martinho Lutero nos ensina como deve ser compreendida a oração “o pão nosso de cada dia nos dá hoje”, quando pergunta: “Que signi�ica o pão de cada dia?”, e responde: “Tudo o que pertence ao sustento e às necessidades da vida, como comida, bebida, vestes, calçados, casa, campos, gado, dinheiro, bens, cônjuge �iel, �ilhos piedosos, empregados �iéis, superiores piedosos e �iéis, bom governo, bom tempo, paz, saúde, disciplina, honra, leais amigos, bons vizinhos e coisas semelhantes”.12 No Pai Nosso não aparece a palavra “eu”. Se pedimos “o pão nosso”, isso também signi�ica: não só para mim. Deus quer dar a todos. Consequentemente precisamos repartir com todos. Caso contrário, a culpa do pão que falta é nossa, não de Deus! Podemos orar para que nossos pecados sejam perdoados Em toda a oração do Pai Nosso, não há uma só palavrinha desnecessária. Também a palavrinha “e”, entre a quarta e a quinta petição, tem sua função: “o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa- nos as nossas dívidas”. Essa ligação é proposital. Jesus quer nos mostrar que o perdão é tão importante quanto o pão de cada dia. Da mesma maneira como o nosso corpo necessita do pão, a nossa alma necessita do perdão. E da mesma maneira como o corpo adoece com a falta de alimento, a alma adoece com a falta de perdão. Jesus nos oferece seu perdão. Ele quer jogar as nossas transgressões nas profundezas do mar: Ele voltará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar (Mq 7.19). Além disso, Deus quer colocar, como diz Corrie ten Boom, um aviso: “PROIBIDO PESCAR!” Eis o pronunciamento divino a esse respeito: Eu, eu mesmo, sou o que apago as suas transgressões por amor de mim; dos pecados que você cometeu não me lembro (Is 43.25). Sim, Jesus quer nos dar o seu perdão. Mas há uma condição para tal: nós também devemos perdoar àqueles que nos �izeram mal! Essa exigência de Jesus e muito lógica. Como pode Jesus puri�icar o nosso coração se nós retemos rancor dentro dele? Seria plantar trigo no meio de espinhos. Não! Jesus quer ver seus seguidores livres de ressentimentos e pensamentos de vingança; pensamentos e sentimentos estes que nos deixam tão infelizes. Perdoar, disse alguém, é devolver ao outro o direito de ser feliz. E poderı́amos prosseguir: perdoando, nós mesmos reencontramos a paz e a felicidade. Deus quer que nós perdoemos porque ele nos perdoa. Jesus sabe que o rancor faz adoecer a nossa alma. O Senhor mesmo cuidará para que a justiça seja feita (Rm 12.19). Ele sabe do motivo que levou alguém a agir contra nós. A nós, seus seguidores, cabe cumprir sua ordem: “Portanto, se você estiver trazendo a sua oferta ao altar e lá se lembrar que o seu irmão tem alguma coisa contra você, deixe diante do altar a sua oferta e vá primeiro reconciliar-se com o seu irmão; e então volte e faça a sua oferta” (Mt 5.23s). Jesus, como vemos, deseja que nós mesmos procuremos aquele que tem algo contra nós. Pessoas que agem dessa forma testemunham que Cristo não exige algo sem dar muito mais. Experimente! Você será abençoado com novas revelações divinas transbordantes de paz e profunda alegria! A partir desta quinta petição somos levados a examinar a nossa disposição de perdoar. Será que resta algum ressentimento ou rancor contra outra pessoa? Levanta-se em nosso coração, de vez em quando, esta ameaça contra aquele que pecou contra nós: “Isso qualquer dia você me paga”? Jesus leva muito a sério o nosso perdão ao próximo. Por isso uniu-o ao pedido de perdão dos nossos pecados. Nós sempre podemos procurar o perdão dos nossos pecados perante Deus. Mas ele espera que perdoemos aqueles que agiram injusta ou maldosamente conosco. Se perdoamos e desejamos tudo de bom para aquele que nos ofendeu – e isso de coração sincero – então podemos chegar-nos a Deus para pedir perdão dos nossos pecados – e também o receberemos! Perdoar o outro é mais fácil se considerarmos, que “só fere quem está ferido”. Se aquela pessoa, que tanto nos magoou, vivesse na presença de Deus e tivesse paz consigo mesma, não teria procedido assim. O fato de ela viver tão longe de Deus deve despertar a nossa misericórdia e o desejo de que seja salva. Quando desejamos perdoar o próximo, mas não conseguimos vencer nossa amargura, uma boa proposta é fazer um bem àquele que nos ofendeu. Em todo caso, podemos orar por ele. O escritor Rosegger nos dá o seguinte conselho de como vencer o rancor contra o próximo: Se o outro o entristece e amargura enche seu coração, faça um bem para ele – depressa! e mágoa e rancor passarão.13 Muitas pessoas não sabem por que devem pedir perdão. Acham que não �izeram mal algum. Pensam assim porque desconhecem o que Deus considera pecado. Se você ainda não conseguiu reconhecer que é pecador, abra a Bı́blia em 1 Corı́ntios 13.4-7. Coloque o nome Jesus em lugar da palavra “amor”. Dessa maneira verá como Jesus é. Em seguida coloque o seu próprio nome em lugar da palavra “amor” – e verá como você não é, e como deveria ser para poder estar na presença de Deus. Essa passagem bı́blica é só um dos muitos “espelhos” que nos mostram nossa real “aparência”! Quem se olhar no “espelho” da Palavra de Deus verá o quanto necessita do perdão de Deus! Devemos orar para que Deus nos proteja, a �im de que não caiamos no pecado ao sermos tentados “E não nos deixes cair em tentação”. A sexta petição do Pai Nosso geralmente é compreendida como um pedido feito no sentido de solicitar a Deus que evite qualquer tentação em nossa vida. Porém no mundo estamos sujeitos a tentações. Não há como fugir dessa realidade. O signi�icado da petição é outro: pedimos a Deus para não cairmos quando a tentação nos seduzir a pecar. Somos, por natureza, fracos e inclinados a desobedecer a Deus. Por isso, nessa oração pedimos para não cairmos no pecado na hora da tentação. Nossa vida neste mundo é uma escola. Em uma escola há testes e provas, cujo objetivo é mostrar os conhecimentosadquiridos pelo aluno durante o ano letivo. As tentações são os testes da nossa vida. Eles mostram a Deus (e também a nós) em que situação espiritual estamos. Lemos em Deuteronômio 13.3: Porque o S�����, seu Deus, está pondo vocês à prova, para saber se vocês amam o S�����, seu Deus, de todo o coração e de toda a alma (ênfase acrescentada). Deus quer que diante do mundo invisı́vel (anjos e demônios) se tornem conhecidas as intenções do nosso coração. Deus quer que se torne evidente se o amamos de verdade, a ele e a sua palavra, se o colocamos acima de tudo, ou se a nossa felicidade pessoal e os nossos desejos próprios prevalecem. Por esse motivo Deus permite que Satanás e, às vezes, também pessoas nos coloquem em circunstância de tentação. Quando Jesus foi tentado por Satanás, tornou-se manifesto que em tudo o Filho de Deus colocava a vontade do Pai Celeste em primeiro lugar. E nós, quando somos tentados, como agimos? Se um aluno revela bons conhecimentos no exame e excelente aproveitamento nas lições dadas durante o ano, ele recebe no boletim a nota máxima ou talvez um prêmio. Assim o difı́cil exame valeu-lhe uma recompensa. E� exatamente isso que a Bı́blia nos diz a respeito das tentações: Bem- aventurado é aquele que suporta com perseverança a provação. Porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam (Tg 1.12). Sob “coroa da vida” é compreendido um galardão celestial, ou seja, um prêmio valioso e eterno. Signi�ica: participação no governo de Deus na eternidade. “Ao vencedor, darei o direito de sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com o meu Pai no seu trono” (Ap 3.21). Não estamos agora falando da salvação, que é um dom gratuito, dado pela fé. Referimo-nos à glori�icação que Deus dará no céu a seus �ilhos, de acordo com sua �idelidade e obediência aqui na terra (con�ira Lc 19.17-19). O fato de nos tornarmos �ilhos de Deus não depende de nós. E� um presente de Deus, que somente temos que “aceitar”. Mas depende de nós a “classe” em que conseguimos chegar na Escola de Deus. Muitos �ilhos de Deus permanecem sempre no “1º ano”. Outros chegam a fazer a “faculdade”, como Moisés, José e o profeta Daniel. Não que uns �ilhos tenham mais valor que outros, mas os que estudam com perseverança na escola de Deus adquirem mais em conhecimentos e sabedoria das coisas divinas (con�ira 1Jo 2.12-14). Esta sabedoria, é oportuno lembrar, nada tem a ver com o grau de instrução escolar. Deus escolhe, muitas vezes, incultos, os que nada são aos olhos do mundo (1Co 1.26- 29). Não desanimemos na hora da provação. Continuemos pedindo que Deus nos auxilie a �icar �irmes e a não dar ouvidos a Satanás. Se pararmos para pensar, veremos que Deus é um Deus maravilhoso. Ele permite a tentação para nos fazer crescer e, ao mesmo tempo, nos auxilia maravilhosamente a vencer a prova, se con�iarmos nele e quisermos obedecê-lo. Um bom professor não evita que o aluno enfrente os testes, porém lhe dá o preparo necessário. Também o acompanha durante os exames. E� exatamente isso o que Deus faz quando somos tentados. Devemos nos lembrar aqui da promessa que achamos no Antigo Testamento, também válida para nós: Hoje vocês estão se preparando para lutar contra os seus inimigos. Que o coração de vocês não desfaleça. Não tenham medo, não tremam, nem �iquem apavorados diante deles, porque o S�����, o Deus de vocês, é quem os acompanha e vai lutar por vocês contra os seus inimigos, para que vocês sejam salvos (Dt 20.3s). E no Novo Testamento nos é assegurado: ... mas Deus é �iel e não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar; pelo contrário, juntamente com a tentação proverá livramento, para que vocês a possam suportar (1Co 10.13). Por isso, para nós não há dúvida de que Deus está preocupado conosco na hora da prova. Ele não quer nos ver cair! Que sejamos pessoas como Jó, em cuja �irmeza Deus podia con�iar (veja Jó 1). Se olharmos atentamente para a tentação de Jesus (Mc 1.12) veremos que Jesus venceu. Como? Vivendo constantemente na presença do Pai. Isso não é fácil. Satanás coloca todos os seus terrı́veis e astutos mecanismos em ação para nos afastar de Deus. Ele conhece muito bem os nossos pontos fracos. E nós? Será que os conhecemos? Se assim fosse, seria mais fácil estarmos prevenidos. Muitas vezes queremos atrair pessoas para Jesus dizendo: “Aceite Jesus e você será sempre feliz!” Jesus nunca disse isso. Pelo contrário, ele disse: “... tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24 – compare At 14.22)! Há trechos em nossa vida que são como uma estreitı́ssima trilha em região montanhosa. O caminho indicado por Jesus é estreito. A� direita e à esquerda há abismos profundos. Frente ao perigo da tentação nossa alma estremece de medo. Sabemos que um passo em falso nos fará cair no abismo do pecado. Mas o nosso consolo é a promessa de Jesus justamente nesta situação: “... jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo 10.28). A nossa resposta a essa maravilhosa promessa poderá ser este hino: Com Tua mão segura bem a minha, pois eu tão fraco sou, ó Salvador, que não me atrevo a dar nem um só passo sem Teu amparo, meu Jesus, Senhor. Com Tua mão segura bem a minha e, sempre mais unido a Ti, Jesus, ó, traze-me; que nunca me desvie de ti, Senhor, a minha Vida e Luz. Com tua mão segura bem a minha e pelo mundo alegre seguirei. Mesmo onde as sombras caem mais escuras, Teu rosto vendo, nada temerei. E, se chegar à beira deste rio que tu por mim quiseste atravessar, com tua mão segura bem a minha e sobre a morte eu hei de triunfar Quando voltares esses céus rompendo, segura bem a minha mão, Senhor, E, meu Jesus, ó leva-me contigo, Para onde eu goze Teu eterno amor.14 Uma sugestão: decore este hino, ore ou cante-o quando a escuridão cair na sua vida! Devemos orar para sermos protegidos quando Satanás nos acusar e assaltar A sétima petição, “livra-nos do mal”, refere-se a Satanás. Ele é a origem de todo o mal. Ele quer nos arrastar para o pecado, separando-nos de Deus. Ele nos acusa dia e noite. Se, por exemplo, um seguidor de Jesus, descuidando-se, diz uma mentira, imediatamente Satanás apresenta- se a Deus, reclamando-o para si (con�ira Ap 12.10). Tal cristão estaria perdido se Jesus não intercedesse por ele (con�ira Hb 7.25). A justiça divina, como sempre, faz um julgamento absolutamente justo. Constata a culpa e a dı́vida, mas também vê a respectiva quitação cravada na cruz: “Pago pelo sangue de Jesus”. Eis o que a Bı́blia nos diz: Cancelando o escrito de dívida que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, cravando-o na cruz (Cl 2.14). Por isso a acusação de Satanás será rejeitada na base da justiça. Assim somos libertados do mal. Se oramos: “Livra-nos do mal”, devemos nos lembrar, com profunda gratidão, do que Jesus fez e faz por nos! Devemos orar expressando o nosso desejo de que Deus seja honrado e glori�icado “Pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre.” Jesus sempre quis que seu Pai fosse enaltecido. Era este o sentido de sua vida: glori�icar o Pai. Também o sentido da nossa vida e o motivo da nossa felicidade, para ser verdadeiro e eterno, deve ser a glori�icação de Deus (veja Ef 1.12). Muitos �ilmes e romances querem nos fazer pensar que a felicidade sexual, pro�issional ou afetiva é o único sentido e objetivo da nossa vida. Mas acima de toda felicidade e realização, que Deus certamente quer presentear-nos aqui na terra, estão a alegria e o engajamento pela expansão do Reino de Deus; que o poder divino se manifeste e que a glória de Deus seja vista e experimentada por todos primeiramente em nosso coração e depois no mundo! E� ele quem deve reinar sobre tudo o que criou. Ao falarmos do poder de Deus, devemos estar cientes de que ele realmente tem o desejo e a possibilidade de nos atender. Meditando sobre a glóriade Deus, somos levados a adorá-lo, pois sua sabedoria é ilimitada. Seus pensamentos de amor são mais profundos que o mar e mais altos que o céu. Seus planos para conosco e com toda a humanidade são in�initamente gloriosos! Ele realizará seus planos, porque não há nada nem ninguém que possa deter a vontade de Deus. Honre, louve e adore a Deus, por ele ser um Deus assim! Como terminar a oração “Amém”. Isso signi�ica: “Assim seja”. Esta palavra reúne as petições feitas. Examinando-as agora, devemos re�letir se o atendimento traz a Deus honra e glória. Procedendo assim, compreendemos que, com a oração do Pai Nosso, queremos entrar em comunhão com Deus em todos os setores da nossa vida. Também desejamos que em nós aumente o poder do seu Reino. Assim a nossa vida entra em harmonia com Deus. Uma felicidade transbordante enche o nosso coração. Uma felicidade muito diferente da felicidade deste mundo. Uma felicidade que não depende das coisas externas. Uma felicidade que não é fundamentada em coisas passageiras, mas na �idelidade e no amor do nosso Deus! Sugestões práticas: Esteja sempre ciente do mandamento de representar seu Pai Celeste no mundo. Ele quer ser honrado por meio de você. Procure orar conscientemente cada parte da oração que Jesus ensinou. Procure pedir em sua oração, cada vez mais, por coisas que visem glori�icar a Deus e edi�icar o seu Reino. O que você precisa será acrescentado, creia! Peça primeiro a Deus que ele lhe dê o querer para executar as suas ordens. Depois peça que ele aja em você no sentido de ter forças para executá-las. Por exemplo, é muito mais fácil perdoar alguém depois que realmente queremos fazê-lo. Resumo e estímulos para a nossa oração Se você é um seguidor de Jesus, então ore: Como se estivesse falando a um pai querido, um pai que muito ama e quer o melhor para você; como um dos �ilhos de Deus que em tudo quer ser obediente; Que Deus o use como mensageiro e que seus poderes celestiais se manifestem também por meio de você aqui no mundo; Que o Pai Celeste também lhe conceda o dar o melhor de si na sua pro�issão, no seu lar, na escola e na sua ação comunitária, para que outros sintam concretamente o amor de Deus por meio de você; Que tenha a disposição de perdoar aqueles que pecaram contra você; Que Deus o perdoe, quando pecou contra ele; Que tudo o que pedir e �izer seja para a honra de Deus; Agradecendo a Deus se ele o guardou e protegeu em tentações, dando-lhe forças para vencê-las; Agradecendo a Deus que, por intermédio de Jesus Cristo, revelou que ele é o seu Pai Celeste. 9 Salve-me, Senhor! Pedro enfrenta o perigo Logo a seguir, Jesus fez com que os discípulos entrassem no barco e fossem adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões. E, tendo despedido as multidões, ele subiu ao monte, a �im de orar sozinho. Ao cair da tarde, lá estava ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a uma boa distância da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário. De madrugada, Jesus foi até onde eles estavam, andando sobre o mar. Os discípulos, porém, vendo-o andar sobre o mar, �icaram apavorados e gritaram: – É um fantasma! E, tomados de medo, gritaram. Mas Jesus imediatamente lhes disse: “– Coragem! Sou eu. Não tenham medo!” Então Pedro disse: – Se é o Senhor mesmo, mande que eu vá até aí, andando sobre as águas. Jesus disse: “– Venha!” E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas e foi até Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a afundar, gritou: – Salve-me, Senhor! E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, o segurou e disse: “– Homem de pequena fé, por que você duvidou?” Subindo ambos para o barco, o vento cessou. E os que estavam no barco o adoraram, dizendo: – Verdadeiramente o senhor é o Filho de Deus! (Mt 14.22-33) O motivo da oração de Pedro A multidão havia presenciado um milagre. Mais de cinco mil pessoas tinham sido alimentadas por Jesus com apenas cinco pães e dois peixes. Vendo tais coisas, começaram a perceber que ele não era um ser humano comum. Andava pelo paı́s pregando com poder e autoridade. Curava enfermos, expulsava demônios, ressuscitava mortos, operava muitos milagres. Os que acompanhavam Jesus �icavam cada vez mais entusiasmados. Chegaram a querer torná-lo rei de Israel. Também os apóstolos estavam ansiosos para que isso acontecesse. Certamente estavam sonhando com a possibilidade de morarem algum dia no palácio real. Imaginavam os cargos governamentais que ocupariam como amigos e seguidores do rei (veja Jo 6.15 e Mc 9.34) e como, então, mudariam as estruturas deste povo até então oprimido pelos romanos, devolvendo-lhe a liberdade e os seus direitos! Jesus olhava para o povo que o aclamava. Olhava também para seus discı́pulos. Não havia entre eles um sequer que houvesse compreendido sua missão aqui na terra. De maneira alguma perceberam que ele precisava primeiro ser cruci�icado, antes de ser coroado como rei do mundo. Ao anoitecer, despediu a multidão. Mandou seus discı́pulos tomarem o barco e irem para o outro lado do lago. Jesus queria encontrá-los mais tarde. Queria �icar sozinho para orar. Enquanto Jesus falava com seu Pai Celeste, os discı́pulos enfrentavam uma terrı́vel tempestade no grande lago de Genezaré. Já não sabiam o que fazer. O pequeno barco estava prestes a afundar. Os discı́pulos estavam amedrontados e com medo de morrer: Era entre três e seis horas da madrugada. Os discı́pulos, exaustos de tanto remar, viram alguém andando por sobre a água. Vinha ao encontro deles gritaram de pavor. Mas aquele que andava por sobre as águas não era um fantasma. Era Jesus. Ouvindo os gritos desesperados, acalmou-os (Mt 14.27). Pedro era um homem impulsivo e de reações rápidas. Ao ver Jesus ali, andando sobre as águas agitadas, seu coração transbordou de alegria por ser seguidor de alguém tão poderoso. Pediu que Jesus o chamasse. Jesus atendeu ao desejo de Pedro. Este, então, andando sobre as águas, assustou-se com a própria coragem. Sua fé de criança, cheia e con�iança, foi sendo rapidamente substituı́da pelas dúvidas do adulto. Sobreveio-lhe o medo. O que estava fazendo era contra a lei da natureza. Era impossı́vel. Desviou seu olhar de Jesus e começou a olhar para a água escura e turbulenta sobre a qual estava andando. E assim, de repente, começou a afundar, gritando desesperado: Salve-me, Senhor! Jesus tinha acompanhado as reações de Pedro desde o momento do seu primeiro entusiasmo. Viu-o, agora, vacilando e afundando. Mas estava pronto para socorrê-lo. O que podemos aprender com Pedro? Quem de nós não sabe o que signi�ica ter certeza de que algo dará certo, para depois descobrir que tudo saiu errado? Quem de nós já não deu um passo de fé e depois vacilou? Creio que todos nós descobrimos ou vamos descobrir, como Pedro, que muitas vezes pensamos estar con�iando em Deus, quando, na verdade, estamos con�iando em nós mesmos. Inicialmente temos coragem e ânimo. Mas tão logo percebemos quão grandes são os perigos e as di�iculdades da vida, parando para olhar o tamanho das “ondas da vida” que vêm ao nosso encontro, desanimamos e nos desesperamos. Entramos em crise. As ondas de problemas podem ser diversas: estar desempregado, sem moradia, sem recursos, estar doente, falido, passar por uma crise matrimonial ou de famı́lia. Não ter forças para conviver com uma pessoa. Não conseguir educar os �ilhos ou manter o padrão de vida almejado. Não ter mais terra para plantar. Não ter alguém para amar. Sentir-se só, deprimido e angustiado. Buscar respostas e não encontrá-las. Sentir-se inválido, como se toda a vida não tivesse o menor sentido. Ter a impressão de não signi�icar nada para ninguém; não ser amado por ninguém. A solidão leva sempre ao desânimo. Sim, os problemas são diversos, mas todos nos amedrontam e fazem- nos sentir o quanto somos pequenos e fracos. Pedro também se sentiu assim. Por isso gritou: Salve-me! E Jesus o salvou. Estapequena oração de Pedro fez com que tudo em sua vida mudasse. Guiado por Jesus, alcançou o barco e foi salvo. Lemos que Jesus prontamente lhe estendeu a mão! Isto quer dizer: logo, e com vontade de ajudar. Jesus também está ao nosso lado enquanto lutamos nas “águas da vida”. Ele está pronto a nos socorrer quando assim o pedimos. Ele permite sentirmos medo de afundar para descobrirmos que nada podemos sem sua presença e sua ajuda. Essa descoberta é vital para nós. Dela depende abrirmos o nosso coração às bênçãos de Jesus ou não. Os passos para reconhecermos o quanto precisamos de Jesus geralmente são estes que também Pedro trilhou. Primeiro sonhamos, con�iantes, com o êxito. Depois avançamos decididos no caminho à nossa frente. Mas logo descobrimos os perigos e a insegurança a que somos expostos. Então �icamos receosos, inseguros e, �inalmente, desesperados. Deixamos de olhar para Jesus e afundamos no mar dos problemas. Esse pode ser um processo lento e gradativo, do qual quase não nos damos conta, até sentimos “a água no pescoço”. Mas pode também ocorrer rapidamente. O �inal é sempre o mesmo: nossa alma grita por socorro. Pedro, em seu desespero, dirigiu-se ao endereço certo: Jesus! Nós, muitas vezes, mesmo na maior a�lição, ainda tentamos achar socorro e ajuda em outro lugar. Pedro poderia ter pedido socorro aos companheiros. Poderia ter pedido uma corda para segurar-se. A�inal, eles poderiam lhe oferecer a segurança de um barco próximo, enquanto Jesus se encontrava longe do barco, aparentemente sem recursos. Que tipo de ajuda Jesus poderia lhe prestar? Mas Pedro, apesar da sua pequena fé, já havia descoberto o poder de Jesus. E, por isso, dirigiu-se a ele em primeiro lugar. Por isso podemos aprender com Pedro o seguinte: Pedro reconheceu sua fraqueza Pedro não se envergonhou de chamar por Jesus. Não fez de conta que tudo estava bem, para não passar vergonha diante dos outros discı́pulos que o haviam visto tão seguro de si. Não insistiu em enfrentar o mar por conta própria. Ele podia tê-lo feito, a�inal, era um pescador, homem forte e experimentado na água. Mas ele não pensou em mais nada a não ser em Jesus. E isso foi sua salvação. Seja qual for o seu problema, caro leitor, recorra agora a Cristo. Este agora terá consequências em sua vida. Pode poupar-lhe muito sofrimento e amargura. Há pessoas que lamentam os caminhos espinhosos em suas vidas. Perguntam, queixando-se: “O que �iz para sofrer assim?” A resposta de Deus muitas vezes é: “Você não foi logo até Jesus. Procurou remover seus problemas sozinho. Tomou suas decisões sem Jesus”. E� claro que há em nossa vida muitos sofrimentos que nos sobrevém sem a nossa culpa direta ou indireta, como a morte de alguma pessoa querida ou o nascimento de uma criança especial. A estes não nos referimos aqui. Referimo-nos a sofrimentos que nós mesmos provocamos. Há muitos deles. Mas não é fácil enxergar e admitir esse fato. Devemos nos questionar quanto à participação que temos na ocorrência de cada sofrimento em nossas vidas e na vida de nossos semelhantes. Assim, por exemplo: Problema: O estudante não passou no vestibular, apesar de tê-lo pedido tanto a Deus. O casamento não deu certo. A mãe de famı́lia está doente. Sinto-me tão só! Pergunte a si mesmo: Estudei tanto quanto devia? Perguntei pela opinião de Jesus nesta decisão? Cuidei su�icientemente da minha saúde? Cultivei boas amizades, fui ao encontro de outras pessoas, dei algo de mim? Aprendi a preencher o meu tempo com atividades valiosas? Estas são somente algumas situações-problema. Há uma in�inidade delas. Para aclararmos os nossos pensamentos é necessário re�letirmos sobre a causa dos con�litos, que é a melhor maneira de enfrentá-los. Como é bom saber que Deus está conosco! Em um casamento infeliz, por exemplo, quando o nosso grito de socorro é: “Jesus, salva-me do desespero!” Mas este grito deve ser seguido de uma oração sincera de arrependimento por ter tornado decisões sem Jesus. Geralmente Jesus não nos tira de um casamento infeliz, assim como tirou Pedro da água. Mas ele nos afastará do desespero e da infelicidade. Certamente verterá o nosso sofrimento em ensinamentos, em um crescimento na fé e em bênçãos, o que é o mais importante na nossa vida, muito mais importante do que “ser feliz”! (veja Sl 73.23- 26). Jesus sempre ouve a nossa oração Sim, Jesus sempre nos atende em nossas a�lições, se bem que, muitas vezes, de maneira diferente do que imaginávamos ou querı́amos. Isso porque o alvo do caminho de Deus com as nossas vidas é o preparo para a eternidade. A a�lição, seja ela consequência ou não de nossos erros, pode converter-se em uma bênção quando nos leva a orar. Há alguns anos o Globo Repórter mostrou a vida de algumas crianças, vı́timas da Talidomida (um medicamento que mães tomavam contra o enjoo durante o perı́odo de gravidez e que impede o desenvolvimento normal dos membros do feto). Muitos pais agiam com estas crianças como se fossem seres inúteis ou até como se tivessem problemas mentais. Tratavam-nas como bebês anormais. Não procuravam desenvolver suas potencialidades. Mas havia uma famı́lia japonesa que pensava de modo diferente. Ela tinha um menino, vı́tima da Talidomida. Seu nome, pelo que lembro, era Takashi. Takashi não tinha braços, mas tinha uma mente saudável e pais que o amavam muito. Assim, foi educado como se fosse um menino igual a todos os outros: tinha que se vestir sozinho, comer, ir à escola e tudo o mais. O �ilme mostrava, de maneira comovente, o crescimento e o desenvolvimento de Takashi. Muitas vezes os irmãos choravam frente às di�iculdades que esta educação apresentava. Mas os pais permaneceram �irmes. Dedicaram amor e tempo, paciência e energia in�inita àquela criança. Vendo a situação de Takashi, como ele sofria para conseguir pôr seu boné com os toquinhos de braços que tinha, achei seus pais por demais severos e duros. Mas, observando os frutos dessa educação para a autonomia e comparando Takashi com outras crianças com o mesmo problema, vi o quanto ele era privilegiado. As outras crianças não tinham sido educadas dessa forma. Eram poupadas de todo esforço. Não precisavam suportar zombarias na escola pública. Não precisavam se levantar sozinhas quando caı́am, como Takashi era obrigado a fazer. Mas que tipo de adultos se tornaram? Adultos sem condições de sobreviver sozinhos, complexados, infelizes, dependentes. Takashi, no entanto, tornou-se um adulto perfeitamente capaz de viver de forma independente e realizada. Após estas re�lexões, teremos coragem de a�irmar que os pais de Takashi lhe deram uma educação errônea e desumana? Ele não pensava assim. Reconhecia a intenção dos pais. Certamente via suas lágrimas quando esperavam longamente até que ele colocasse um casaco, o que outras crianças fazem em dez segundos. Nós talvez não entendamos os meios que Jesus usa para nos educar. Mas sabemos que ele o faz com imenso amor. Somos defeituosos e especiais como Takashi, só que não em consequência da Talidomida, mas do pecado. Como podemos ser felizes e agradecer a Deus por ele nos amar com sabedoria e providência como o �izeram os pais de Takashi? Ele nos ama e educa apesar da nossa rebeldia, das nossas acusações e da nossa descon�iança: O medo, a dor e a tristeza não são castigos de Deus, mas são sentimentos que alertam. Essa a�irmação parece um tanto tola, não é? Mas é verdadeira. Você já teve a oportunidade de ver uma pessoa leprosa queimar-se terrivelmente? Isso é comum acontecer. Por quê? A pessoa com lepra perde a sensação de dor em virtude da destruição dos nervos nos membros acometidos. Dessa forma, pode sofrer uma grave queimadura, porque não sente dor. A sensação desagradável de sentir uma dor faz com que procuremos tirar o mais rápido possı́vel a nossa mão do fogo. Não fosse essa reação, sofrerı́amos queimaduras graves. Da mesma maneira, a dor da alma, a tristeza e outrossentimentos podem mostrar que estamos longe de Deus e servem para nos proteger da perdição eterna. Não fossem eles, nós pecarı́amos continuamente contra Deus sem sentir que os nossos pecados estão nos separando dele eternamente. Nunca nos arrependerı́amos. Nunca buscarı́amos seu perdão. O medo no coração de Pedro fê-lo recorrer a Jesus. Se não sentisse medo, afundaria e morreria sem, na verdade, perceber o que estava acontecendo. Talvez haja tristeza, desânimo ou desespero em seu coração. Esses sintomas estão aı́ para lhe mostrar que há algo errado com você mesmo, na sua convivência com outros ou no mundo. Tenha o “re�lexo” correto frente à dor. Vá correndo a Jesus. Se houver culpa, ele irá perdoá-lo. Se a culpa for de outro, ore por ele e peça-lhe que o guarde para permanecer �irme na fé. Muitas vezes as coisas em nossa vida são tão emaranhadas, complicadas e cheias de a�lições que já não podemos ver claramente onde está a culpa, e muito menos como sair das di�iculdades. Sentimo-nos como Pedro frente às ondas agitadas, na escuridão da noite, impotente contra a força do vento. E� justamente para estes momentos que encontramos na Bı́blia o exemplo da oração de Pedro: Salve-me, Senhor! (Mt 14.30) Quando clamamos por Jesus ele nos ouve. A respeito desse acontecimento com Pedro lemos no Evangelho de Mateus: E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, o segurou... (Mt 14.31). Também lemos na Bı́blia: A ti clamaram e escaparam; con�iaram em ti e não foram envergonhados (Sl 22.5). As provações e a�lições em nossa vida um dia acabam. E a história contı́nua: Subindo ambos para o barco, o vento cessou (Mt 14.32). Assim foi com Pedro e assim é na nossa vida. Pedro teve que constatar que, apesar do seu entusiasmo por Jesus, era um homem de pequena fé. Também nós temos muito a aprender com Jesus. Isso nem sempre é fácil e agradável. Muitas vezes nos comportamos como crianças que, no perı́odo de aula, só pensam nas férias. Não querem estudar. Não querem aprender. Só pensam em brincar e divertir-se. Mas pais e professores prudentes sabem que a aprendizagem é necessária! Ela continuou com Pedro. E, o processo de aprendizagem continua conosco. Enquanto vivemos podemos aprender com Cristo a ter mais paciência e amor concreto ao próximo, crer nos planos de Deus e con�iar totalmente e sempre no amor e na presença de Deus. A nossa vida está repleta de oportunidades para aprendermos a fazer a vontade de Deus em um mundo no qual Satanás ainda tem poder. E Satanás não perde tempo para armar suas ciladas. Mas Jesus está conosco. E sempre nos dá tempos de refrigério. Presenteia-nos com pequenas e grandes alegrias todos os dias, para nos animar e fortalecer. Cabe a nós abrir os olhos e enxergá-las. Cabe a nós ver o poder de Deus nas pequenas coisas: um táxi que chega na hora certa; a repentina lembrança de algo importante que havı́amos esquecido, na hora oportuna; uma carta de amigos; um dia ensolarado; uma rosa desabrochando ou um pedaço de pão fresquinho na mesa do café. Há tantas alegrias nas nossas vidas que, às vezes, já nem as percebemos. Épocas de di�iculdades e desespero são oportunidades de decisão e crescimento espiritual nas nossas vidas. Isso acontece quando, por meio delas, chegamos a experimentar o poder de Jesus, adorando-o como Deus verdadeiro, como o �izeram os discı́pulos quando Jesus entrou no barco, pois, neste momento, cessou a tempestade. O sofrimento e o desespero, no entanto, não são pı́lulas milagrosas que nos levam para mais perto de Jesus de maneira automática. A nossa reação frente ao sofrimento é a decisão que nos leva a Jesus ou para longe dele. O sofrimento só se converterá em bênçãos nas nossas vidas se olharmos e recorrermos a Jesus, experimentando sua �idelidade e seu poder. No calor do sol a cera derrete, mas na mesma temperatura o barro endurece. Depende do material. Há pessoas que acham um “sim” para os caminhos de Deus em sua vida, e se achegam a ele. Outros dizem “não” e se afastam ainda mais de Deus. Sugestões práticas: Con�ie nas promessas de Deus. Dê atenção ao que ele diz em sua Palavra Os discı́pulos não precisariam ter se desesperado na tempestade se tivessem se lembrado de que Jesus os mandara “para o outro lado do Iago” (Mc 6.45) e que, portanto, os faria chegar lá. Se acreditássemos na palavra de Deus, que diz serem seus pensamentos diferentes dos nossos, sendo pensamentos de bem e não de mal, não duvidarı́amos tanto dele ao não compreendemos os seus caminhos: Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos são mais altos do que os pensamentos de vocês (Is 55.9); Eu é que sei que pensamentos tenho a respeito de vocês, diz o S�����. São pensamentos de paz e não de mal, para dar-lhes um futuro e uma esperança (Jr 29.11). Procure ver Jesus em cada acontecimento e em cada pessoa em sua vida Se os discı́pulos tivessem feito isso ao verem algo que lhes parecia um fantasma, teriam evitado um enorme susto. Vamos aprender a ver o nosso Deus atrás de todas as coisas e a compreender o que Deus nos quer dizer com elas. Vamos procurar ouvir sua voz em todas as situações: “– Sou eu. Não tenham medo!” (Jo 6.20). Não desvie seus olhos de Jesus Se Pedro não tivesse olhado para as grandes ondas, para o furor da tempestade, nem pensado na impossibilidade de um homem andar em cima da água, ele não teria afundado. Teria visto Jesus fazer o que era humanamente impossı́vel e, em comunhão com ele, feito o mesmo. Se você chegar a se afastar de Jesus e compreender que só ele pode salvá-lo (seja do pecado, do vazio em seu coração ou de qualquer outra situação), não hesite, não espere. Não ligue para as outras pessoas, porque a sua paz com Deus vale muito mais do que a opinião de milhares delas. Não deixe Satanás convencê-lo de que é pecador demais para chegar a Jesus. Não dê ouvidos a nada e a ninguém! Corra para Jesus! Lembre-se de que, muito antes de você procurar Jesus, ele já está esperando para socorrê-lo. Se algum dia vier a sentir e experimentar como você é fraco e pequeno, não desanime. Agradeça a Deus por ter descoberto a verdadeira situação da sua vida, antes que fosse tarde. Ele está pronto para agir, pois sua força opera nos fracos (2Co 12.9). Vá com todas as coisas logo para Cristo. Jesus não quer ser o “estepe” no carro da nossa vida. Ele quer ser a “direção”. Acredite que não há pecado que Jesus não queira perdoar, como também não há problema que ele não possa resolver. Resumo e estímulos para as nossas orações Se você está em perigo ou grandes di�iculdades, então ore: para que Jesus o ajude neste tempo difı́cil; para que Deus fortaleça sua fé para que possa vencer as di�iculdades; para que tenha força su�iciente para mudar o que pode ser mudado e para suportar o que, de momento, não pode ser modi�icado; para que possa con�iar nas promessas do Senhor, mesmo que lhe pareça tudo perdido, escuro e como em um beco sem saı́da; para que os problemas não o levem para mais longe, mas mais perto de Deus (pense na cera e no barro no calor do sol!); para que Jesus perdoe seus pecados, seja em pensamentos, palavras, atos ou por omissões; louvando e adorando, quando a tempestade em sua vida silenciar e voltar a bonança. 10 Jesus no Getsêmani Uma oração de angústia frente ao poder de Satanás E, saindo, Jesus foi, como de costume, para o monte das Oliveiras; e os discípulos o acompanharam. Chegando ao lugar escolhido, Jesus lhes disse: “– Orem, para que vocês não caiam em tentação”. Ele, por sua vez, se afastou um pouco, e, de joelhos, orava, dizendo: “– Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua”. Então lhe apareceu um anjo do céu que o confortava. E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o suor dele se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra. Levantando-se da oração,Jesus foi até onde os discípulos estavam, e os encontrou dormindo de tristeza. E disse: “– Por que vocês estão dormindo? Levantem-se e orem, para que não caiam em tentação”. (Lc 22.39-46) O motivo da oração de Jesus no Getsêmani “–Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua”. Era quinta-feira à noite. Entre os discı́pulos sentados à mesa com Jesus reinava um silêncio constrangedor. Todos se sentiam apreensivos frente àquilo que Jesus acabara ele dizer: “... um de vocês vai me trair” (Mt 26.21). Mas não sabiam de quem Jesus estava falando. Cada um perguntava a si mesmo se era capaz de tornar-se um traidor. Logo depois estariam no Jardim Getsêmani, para onde Jesus os levaria do após o jantar. Quando Judas saiu da sala, os discı́pulos imaginaram que ele tivesse uma tarefa a cumprir por ordem de Jesus e que, por isso, não podia acompanhá-los. No entanto, Judas se retirara para falar com o sumo- sacerdote. Recebeu, em troca da sua traição, uma quantia em dinheiro, que correspondia ao preço da compra de um escravo. Muitos pensam que o pecado de Judas resume-se apenas no fato de ele ter recebido dinheiro para mostrar onde Jesus se encontrava. Essa explicação nos parece simples demais. E� verdade que Judas amava as moedas de prata (veja Jo 12.6) e que Satanás o tentou justamente em seu ponto mais fraco. Mas quem resolve denunciar alguém somente por dinheiro não se suicida quando o denunciado é preso. Para alguém chegar ao suicı́dio precisa ter um motivo mais forte. Judas tinha um motivo convincente: os acontecimentos desenrolaram-se de forma bem diferente do que ele havia calculado. Vamos tentar uma interpretação dos pensamentos de Judas. Ele havia descoberto, no decorrer dos três anos e meio em que seguia Jesus, ser este o Messias. Mas Jesus havia proibido que seus discı́pulos falassem isso para alguém (Mt 16.20). Jesus sabia que essa informação, chegando aos fariseus, seria uma acusação mortal contra ele. Alguém denominar-se o Filho de Deus, para os judeus signi�icava a maior blasfêmia e motivo de pena de morte. Então o tempo de anunciar o Evangelho seria curto demais. Judas, pois, �icou esperando calado a coroação de Jesus como rei. Mas agora havia se cansado de esperar em silêncio. Resolveu agir por conta própria. Certamente pensou serem os dias festivos, quando vinham tantas pessoas para Jerusalém, a época ideal para a manifestação de Jesus como rei poderoso. Uma parte do povo já o tinha saudado com entusiasmo, clamando: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas! (Mt 21.9). Neste caso, sem dúvida, iria tornar-se ministro da fazenda, visto que já agora era tesoureiro entre os discı́pulos. Foi assim que se viu tentado a procurar o sumo sacerdote para lhe falar o que Jesus havia dito de si: que era o Filho de Deus. Caifás, ouvindo tal informação da boca de um dos seguidores de Jesus, de repente teve uma acusação concreta contra Jesus: a blasfêmia contra Deus! E� claro que Judas não hesitou em levar os soldados para o lugar onde Jesus estava. Ele queria presenciar o momento em que o Mestre, forçado agora pelas circunstâncias, forjadas inteligentemente por um dos seus seguidores, se manifestaria como Filho de Deus, Rei de Israel, assentando-se depois no trono de Davi em Jerusalém. Podemos supor que Maria, mãe de Jesus, durante a visita a Nazaré, lhes contou que o anjo Gabriel, o enviado especial de Deus, lhe havia dito: Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo. Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai (Lc 1.32). Jesus não mais poderia esquivar-se desta manifestação! Ele, Judas, obrigaria Jesus, diante da sua prisão, a declarar-se o Messias esperado. Então se seguiria sua coroação. Judas, apesar de tudo o que Jesus havia dito aos discı́pulos a respeito de seu sofrimento futuro, não tinha entendido a missão do Mestre. Talvez porque estivesse muitas vezes ausente das reuniões, a �im de cuidar de negócios, pois sabemos que ele amava o dinheiro. Além disso, não era honesto em suas transações �inanceiras (Jo 12.6). Quando Judas viu que seu plano, tão astuto, havia falhado, desesperou-se. E, vendo Jesus amarrado e sendo levado embora pelos soldados, sem se defender, suicidou-se. Não esperou que Jesus o perdoasse. Essa falta de con�iança no amor e na misericórdia de Jesus foi o maior pecado de Judas. Ele devia ter conhecido seu Mestre o su�iciente para saber que não há pecado que Jesus não queira perdoar. E Jesus? Ele lutou desesperadamente contra Satanás a nosso favor, naquela noite de quinta-feira no Getsêmani. Não sei se você, caro leitor, já fez a experiência de sentir o poder de Satanás, um poder certamente atenuado por causa da presença de Jesus, mas ainda su�icientemente forte para nos apavorar. Jesus estava sozinho quando enfrentou Satanás. Ele havia pedido aos seus discı́pulos que orassem com ele, mas eles não o �izeram. Por isso, devemos ser gratos a Jesus por ter morrido na cruz por nós, aniquilando o prı́ncipe do mal para que pudéssemos ser salvos. Quanto aos discı́pulos, podemos ver claramente no que resultou sua falta de vigilância na oração. Quando o perigo sobreveio, eles fugiram (Mt 26.56). Muitas vezes não podemos ver tão claramente as consequências das nossas falhas, como no caso dos discı́pulos. Todavia, é certo que deixamos de receber muitas bênçãos e proteção de Deus nas tentações, por estarmos dormindo espiritualmente ou preenchendo nossas vidas com outras coisas em vez de vigiarmos e orarmos. Jesus cumpriu o que se propusera: morrer por nós na cruz. Até fez questão de ser castigado pelos nossos pecados lucidamente e não anestesiado (que era o propósito do vinagre oferecido: evitar o sofrimento). Resistiu também à última tentação de Satanás, que, não tendo ainda desistido de impedir a salvação da humanidade, novamente utilizou-se de pessoas. Através de suas zombarias, tentou induzir Jesus a descer da cruz antes de declarar “está consumado” (veja Mt 27.39-40). Contudo, Jesus cumpriu sua tarefa. Levou sobre si todos os pecados da humanidade. Recebeu o castigo que a justiça divina exigia em vista dos pecados. Depois exclamou: “– Está consumado!” (Jo 19.30). Jesus sabia que agora pagara todos os pecados do passado, do presente e do futuro. Com isso também os meus e os seus pecados estão liquidados e a nossa nota de débito perante Deus está cravada na cruz (Cl 2.14)! Louvado seja o nosso Senhor Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, de eternidade a eternidade! O que podemos aprender com a oração de Jesus? Jesus orou para que a vontade de Deus fosse feita Jesus é o Mestre. Nós somos os seus discı́pulos. Discı́pulos fazem o possı́vel para aprender o máximo do seu mestre. Se Jesus colocou sua vontade em segundo plano, com ele devemos aprender a fazer o mesmo. Mas para que possamos orar assim de coração, é necessário que algo mude completamente em nossa vida. A realização da vontade de Deus deve ser o objetivo da nossa existência. Enquanto só vivermos para realizar os nossos desejos, arquitetando a nossa vida a nosso modo, nunca poderemos orar: “Não se faça a minha vontade, e, sim, a tua”. A disposição de querer fazer apenas o que Jesus quer é a condição que Jesus coloca para nos tornarmos seus seguidores. Assim ele diz: “– Se alguém vem a mim e não me ama mais do que ama o seu pai, a sua mãe, a sua mulher, os seus �ilhos, os seus irmãos, as suas irmãs e até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.26). Jesus expôs a Deus os seus próprios desejos “– Pai, se queres, afasta de mim este cálice.” Sim, nós podemos expor perante Deus os nossos anseios. Ele quer nos presentear e alegrar. Mas em tudo que pedimos e desejamos, a vontade dele deve prevalecer. Muitas vezes concordamos em fazê-lo na teoria, mas na prática deixamos de viver como deverı́amos. Encontrei uma moça que disse: “Quero realizar a vontade de Deus em tudo, desde que eleme dê um marido. Eu fui feita para casar e não suporto viver uma vida de solteira. Se Deus não começar a agir, eu mesma vou dar um jeito...”. Essa moça, na realidade, não quer que a vontade de Deus seja feita na sua vida, mas a vontade dela. Todos nós temos partes do nosso ser que queremos governar sozinhos. Concordamos em obedecer a Deus em tudo, menos “nisso” ou “naquilo”. Dessa maneira diminuı́mos suas bênçãos em nossas vidas. Jesus foi obediente. Assim devemos querer ser. Jesus dirigiu-se ao Pai, na certeza de receber ajuda Percebendo Jesus que Satanás se aproximava, recorreu logo a seu Pai Celeste. Nós também devemos agir assim. Na oração de Jesus vemos como veio um anjo do céu para servir-lhe. Ainda hoje o anjo do S����� acampa-se ao redor dos que o temem e os livra (Sl 34.7). Também nós podemos contar com Deus: ainda hoje ele envia seus anjos para nos proteger contra o diabo e seus demônios. Martinho Lutero costumava orar pela manhã: “Teu santo anjo seja comigo, para que o mau adversário não se apodere de mim”.15 Todo aquele que se coloca à disposição de Jesus vai, mais cedo ou mais tarde, conhecer o poder de Satanás. Os con�litos vêm. Os problemas aparecem. A tristeza nos assalta. Desânimo e cansaço se manifestam. Satanás ataca, elabora planos muito sutis para destruir o trabalho dos seguidores de Jesus. Satanás é incrivelmente astuto, possuidor de grandes poderes. Isso nos assustaria muito, não soubéssemos que estamos sob o cuidado de Deus, não só poderoso como Satanás, mas Todo-Poderoso. Ele dispõe de milhares e milhares de anjos. O salmista do Salmo 104 descobriu esta fonte de proteção poderosa, pois disse: Fazes a teus anjos ventos e a teus ministros, labaredas de fogo (v.4). Deus está observando todos os “estratagemas de Satanás”. Sua astúcia, esperteza e os ardis que arma, Deus os permite. Mas, com Deus, há a oportunidade de sermos fortalecidos na luta da fé. Ele interfere no momento certo. Nunca se atrasa com seu poderoso auxı́lio. Assim, até Satanás tem que servir a Deus (mesmo não querendo!), no sentido de ser instrumento para nos tornar fortes na fé, perseverantes e pacientes (veja Rm 5.3-4 e Tg 1.21). Jesus procurou ajuda de oração Essa ajuda de oração, de irmãos na fé, em épocas de tribulação é um presente que Deus nos dá. Nem todos os seguidores de Jesus são tão sonolentos como o foram os discı́pulos no Getsêmani. Deus proverá pessoas dispostas a nos ajudar na oração, se orarmos por isso. Importante é que, nas nossas comunidades, sejamos pessoas dispostas a prestar auxı́lio de intercessão. Oferecer esta ajuda para alguém é uma tarefa muito importante no serviço de Deus. Ele quer nos ensinar a executar bem essa tarefa, mas para tal teremos que nos aperfeiçoar em atividades como: Não sermos fofoqueiros (pois quem, em uma situação problemática da vida, pediria ajuda de intercessão a uma pessoa que gosta de comentar a vida alheia?); Sermos con�idenciais e sigilosos, mostrando respeito pela vida particular dos outros; Sermos �iéis (e não como os discı́pulos que dormiam enquanto deveriam estar lutando com Jesus em oração); Cultivarmos o contato diário com Deus (pois, se não tenho comunhão com ele, como posso chegar e rogar a ele por alguém?); Sermos perseverantes (Deus não nos prometeu mandar a ajuda sempre de imediato. A Bı́blia fala de muitas pessoas que precisaram esperar muito pela resposta de Deus). Deus sempre nos conforta na tribulação Jesus foi confortado. Paulo foi consolado. Pedro foi ajudado. E muitos outros podem testemunhar ter experimentado o consolo e a força de Deus em perı́odos difı́ceis, seja por anjos (At 27.23s), ou por pessoas queridas, cartas, livros ou diretamente por meio da própria Palavra de Deus. Procuremos esse consolo de Deus e digamos con�iantes e decididos (embora com todo respeito pela santidade de Deus) como Jacó: – Não o deixarei ir se você não me abençoar (Gn 32.26b). Muitas vezes �icamos sem o consolo de Deus por não acreditarmos nele ou por não o procurarmos com sinceridade. Se procuramos Deus e seu consolo de todo o coração, acharemos o que procuramos. Deus mesmo o prometeu quando disse: Vocês me buscarão e me acharão quando me buscarem de todo o coração (Jr 29.13). Jesus tinha o ardente desejo de salvar a humanidade Também nós, que somos seguidores de Jesus, deverı́amos ter o desejo que o nosso próximo fosse salvo. Deverı́amos nos preocupar com aqueles que não sabem nada do Redentor. Como isso acontece conosco? Estamos dispostos a auxiliar para que outras pessoas conheçam Cristo? Jesus, apesar de pedir ajuda de intercessão, fez questão de conversar a sós com o Pai A nossa oração a sós com o Pai Celeste é extremamente importante. Há coisas que não se pode orar em conjunto. Antes de Jesus ensinar a orar o Pai Nosso, havia ensinado seus discı́pulos a entrarem em seus quartos e fecharem as portas, para orar. Deus quer que creiamos em conjunto, mas Deus também deseja a comunhão somente entre ele e cada um de nós (compare At 12.12 com Mt 6.6). Sugestões práticas: Lembre-se sempre de que o Tentador não medirá esforços para fazer com que não cumpra as tarefas que Deus destinou a você. O diabo certamente não tem nada contra você ir à igreja e orar de vez em quando. Mas no momento em que você decidir obedecer a Deus de todo o coração e em todas as circunstâncias e em todos os momentos, Satanás começará a agir. Ele agirá de múltiplas maneiras, mas sempre tendo em vista os pontos fracos que você tem e que ele muito bem conhece. Lembre-se de que Satanás pode agir por meio de pessoas, inclusive daquelas que parecem bem intencionadas ou até religiosas. Não foi à toa que Jesus nos alertou para �icarmos vigiando e orando. Peça a Deus que lhe conceda querer que a vontade dele aconteça, pois mesmo o nosso querer vem de Deus (Fp 2.13). Nós, por nós mesmos, não somos nem conseguimos nada eterno. Que nunca a nossa vontade, por melhor que ela possa parecer, prevaleça contra a vontade de Deus, pois as obras que não são ordenadas por Deus são sempre obras mortas (Hb 9.14). Elas só nos custam força e tempo, sem construı́rem nada de valor no serviço de Deus (Ef 2.10), limitam-se a mero ativismo. Não se envergonhe de dizer a Deus os seus próprios desejos. Ele os conhece mas, falando com ele, aos poucos se aclararão ideias, planos e disposições. Deus é um Pai que ama e deseja presentear seus �ilhos! Procure pedir coisas a Deus que estejam relacionadas com o plano divino de salvação e com as tarefas que ele deseja dar na edi�icação do seu Reino. Enquanto pedimos a Deus apenas coisas que visam aumentar o nosso bem-estar, somos crianças na fé em Cristo. Eis aqui alguns exemplos das coisas por que você pode pedir a Deus e que com toda certeza serão ouvidas, por serem pedidos em nome de Jesus, ou seja, de acordo com a vontade dele: que em você esteja acesa a chama do amor para com as pessoas perdidas no pecado; que ocorra a conversão entre pessoas do seu cı́rculo de conhecidos e amigos, pelos quais pode e deve orar incessantemente; que seu exemplo de vida cristã facilite às pessoas acharem o caminho da salvação; que Deus retire da sua vida di�iculdades que o estão impedindo de trabalhar para o Senhor; que a vontade de Deus tenha sempre prioridade diante da sua própria vontade; que Jesus esteja ao seu lado e agindo enquanto você estiver convidando uma pessoa a vir a ele; que você não deixe de agir quando alguém necessita da sua oração ou da sua ajuda; que não seja covarde quando Deus lhe der uma oportunidade de testemunhar de Jesus; que você �ique �irme nas horas de tentação; que seja �iel a Jesus quando pessoas zombarem de você por causa da sua fé, e que sinta responsabilidade por tudo que se refere ao serviço de Deus; Procure ajuda de oração com irmãos na fé. Procure ser alguém para quem as pessoas; sintam disposição de chegar com seus pedidos de oração e seus problemas. Lembre-se de que a intercessãonão é um entretenimento agradável e cômodo, mas um trabalho difı́cil, ao qual Satanás se opõe veementemente. Não permita que ele o desvie desse trabalho. Não pense que Deus depende de nossas intercessões para agir. Mas como teria sido bom se os discı́pulos tivessem participado da luta de Jesus orando! Jesus nos chama para orar, não porque não consiga fazer o trabalho sozinho. Ele nos convida para sermos seus cooperadores. Ele quer nos dar a alegria de participar do seu trabalho, que é de valor eterno. Pense em como é maravilhoso o fato de Deus querer usar suas orações para conseguir a vitória na luta interior ou exterior de um irmão na fé; para poupar uma experiência dolorosa a outra pessoa ou para realizar o desejo de um terceiro. Pela oração, súplica e intercessão você, desde já, está governando com Jesus. A Bı́blia nos diz isso com essas palavras: ... e com ele nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo Jesus (Ef 2.6). Não abra mão do seu tempo de oração a sós com Deus! Cultive essa comunhão com ele. Ele quer presentear-lhe muito, pessoalmente! Resumo e estímulo para a nossa oração Se você está notando que o poder do mal o assalta, seja por pensamentos maldosos, ciumentos ou impuros, ou mesmo por falatórios mentirosos ou ainda por pessoas que querem fazer um mal a você, então ore: que encontre irmãos na fé que levem seu problema a sério, não deixando você sozinho na luta; que não esteja dormindo espiritualmente enquanto é tempo de orar e vigiar, para não cair no pecado quando a tentação se aproxima; não só uma vez, mas continuadamente, quando a avalanche das tentações voltar com forças dobradas. (Nisso recorra também aos Salmos, que lhe darão uma forte ajuda na oração!); que possa orar, inteiramente à disposição de Jesus, a frase do Mestre: “Não se faça a minha vontade, e, sim, a tua”; que aquilo que faz parte do Reino de Deus esteja sempre em primeiro plano na sua vida; que nunca se esqueça de que Deus é Todo-Poderoso, e as maldades são apenas poderosas; que sempre seja lembrado de que Deus somente consente nestes assaltos de maldade para enriquecê-lo na fé, aumentando sua vivência espiritual; agradecendo a Jesus por ele ter se sujeitado aos ataques do mal para poder nos compreender; louvando e adorando a Deus quando as forças do mal forem por ele vencidas e você novamente repousar em paz. 11 A oração sacerdotal de Cristo Um modelo de intercessão “– Pai, é chegada a hora. Glori�ica o teu Filho, para que o Filho glori�ique a ti, assim como lhe deste autoridade sobre toda a humanidade, a �im de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Eu te glori�iquei na terra, realizando a obra que me deste para fazer. E agora, ó Pai, glori�ica-me contigo mesmo com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo. Manifestei o teu nome àqueles que me deste do mundo. Eram teus, tu os deste a mim, e eles têm guardado a tua palavra. Agora eles reconhecem que todas as coisas que me tens dado provêm de ti, porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, verdadeiramente reconheceram que saí de ti e creram que tu me enviaste. – É por eles que eu peço; não peço pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e, neles, eu sou glori�icado. Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, enquanto eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um. Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste; eu os protegi e nenhum deles se perdeu, exceto o �ilho da perdição, para se cumprir a Escritura. Mas agora vou para junto de ti e isto falo no mundo para que eles tenham a minha alegria completa em si mesmos. Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou. Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou. Santi�ica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E a favor deles eu me santi�ico, para que eles também sejam santi�icados na verdade. – Não peço somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por meio da palavra que eles falarem, a �im de que todos sejam um. E como tu, ó Pai, estás em mim e eu em ti, também eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes transmiti a glória que me deste, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a �im de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim. – Pai, a minha vontade é que, onde eu estou, também estejam comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu. Eu, porém, te conheci, e também estes reconheceram que tu me enviaste. Eu lhes �iz conhecer o teu nome e ainda o farei conhecer, a �im de que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles esteja” (João 17) O motivo da oração sacerdotal de Cristo O dia antes da cruci�icação estava repleto de acontecimentos importantes. Durante a tarde, Pedro e João haviam feito os preparativos para a celebração da Páscoa (Lc 22.12). A páscoa judaica é uma festa realizada em memória da emigração dos judeus do Egito, e comemorada por eles até os dias de hoje. Jesus também quis festejá-la com seus discı́pulos, para estar com eles pela última vez antes da sua morte. Além disso, queria dar-lhes importantes avisos. Aconselhou-os a servirem e perdoarem uns aos outros. Para demonstrar a atitude que seus seguidores deveriam ter entre si, lavou os pés dos discı́pulos, fazendo-se ele próprio servo deles. Já antes havia falado sobre a necessidade de haver amor (isto é, disposição de sacri�icar-se) entre seus seguidores (Jo 12.34s). Informou-os sobre o Espı́rito Santo (o Consolador) que, juntamente com Jesus e o Pai, faria morada naqueles que querem amá-lo e obedecer-lhe (Jo 14.16-23). Agora, nesta noite, Jesus instituiu a Santa Ceia, que até hoje celebramos em sua memória. Depois de terem jantado foram para o Jardim do Getsêmani. Porém, antes de chegarem ao Monte das Oliveiras, Jesus parou para orar. Sua oração encontra-se guardada no Evangelho de João, capı́tulo 17. E� uma oração de intercessão por seus seguidores, por aqueles que ainda estão longe de Deus e para que todos cheguem a glori�icá-lo. Nesta sua oração achamos valiosas sugestões para as nossas orações de intercessão. E� uma oração muito rica e profunda. Para compreendê- la em sua totalidade seria necessário um longo estudo, o qual daria assunto para um livro à parte. A análise desta oração foge ao objetivo deste livro. Queremos apenas contemplar algumas frases para dar inı́cio à nossa aprendizagem de como Jesus falava com seu Pai, intercedendo por todos nós. 16 O que nos ensina a intercessão de Jesus? A oração de Jesus é tão ampla que supera todas as nossas intercessões. Lendo-a; �icamos constrangidos e emocionados com o grande amor que Jesus demonstrou ao interceder dessa forma por nós, junto ao Pai. E isso em um momento em que seria compreensı́vel estar ele pensando em si e no seu sofrimento. Sua oração é impregnada de profundo amor pelos seres humanos. Além disso, tem outra caracterı́stica: é uma oração feita por alguém que deseja ser mediador. Se olharmos ao nosso redor e para a situação do nosso mundo, logo veremos que este carece muito de mediadores. Mediadores são pessoas que se empenham e se esforçam para constituir a paz entre as pessoas e aumentar a compreensão de um pelo outro, que procuram unir as pessoas e superar divergências. Um mediador é alguém que se preocupa com aqueles que se desentenderam.Ele é como uma ponte sobre um rio: une dois lados opostos. Ajuda duas crianças que estão brigando a resolverem seu problema com um “desculpe-me, agora entendo”. Signi�ica também ajudar dois membros de uma igreja que divergem entre si por um pequeno desentendimento, levando-os a reconhecer que erraram. Ser mediador é procurar encorajá-los a resolver divergências por meio de argumentos objetivos e imparciais e levá-los a se aceitarem novamente. O papel do mediador não é fácil. Exige muita força interior, muito bom senso, muita renúncia e sacrifı́cio. Em geral, aqueles que estão brigados com outra pessoa não querem reconciliar-se, não querem renunciar às suas opiniões, não querem voltar atrás, não querem pensar com objetividade sobre o assunto. Lidar com o orgulho e egoı́smo dos seres humanos é um trabalho exaustivo que requer muita paciência. Favorecer a união entre dois ou mais indivı́duos ou, pelo menos, a compreensão pelo ser diferente do outro é algo que pouquı́ssimas pessoas se dispõem a fazer. Magoar com crı́ticas destrutivas, julgar, fazer comentários negativos e espalhar o mal, isso é mais comum acontecer. Poucas vezes nos dispomos a ser pontes entre pessoas que por razões de personalidade ou gênios diferentes não conseguem entender-se. E� muito difı́cil ser objetivo e imparcial, analisando uma questão com justiça. Isso tem consequências sérias. As discórdias aumentam e as inimizades tornam-se mais graves. Formam-se “panelinhas” de pessoas com opiniões iguais; outras são excluı́das. Jesus foi e é o melhor mediador de todos os tempos. Ele sempre foi absolutamente imparcial, objetivo, sincero e justo. Por outro lado, cheio de amor, compaixão e misericórdia para com todos. Ele tornou- se o único mediador entre o Deus Santo e o homem pecador. Que tarefa difı́cil! Por um lado Jesus sabe que o pecado é terrı́vel e que os envolvidos com ele não podem, de maneira alguma, estar perto de Deus. Por outro, ele ama os pecadores que, seduzidos por Satanás e vı́timas do próprio egoı́smo, estão longe do seu Criador. Nesta oração podemos ver como Jesus atua como mediador sacerdotal entre Deus e nós. Respeita absolutamente a santidade de Deus e aceita suas leis. Ao mesmo tempo procura levar para Deus a nossa situação e os nossos problemas. Tem pleno conhecimento dos passos a serem tomados para que possa haver uma reconciliação. Faz de si mesmo uma ponte de união entre Deus e nós. Dispõe-se para isso porque foi o único meio possı́vel para que tanto a justiça quanto o amor de Deus tivessem suas reivindicações atendidas. Assim Jesus, o nosso único mediador, trouxe-nos uma alegria verdadeira e perene, isto é: que nunca muda, a alegria de saber que fomos reconciliados com Deus. A reconciliação, por sua vez, leva a união, harmonia e paz. Tudo isso temos o privilégio de poder experimentar por causa da intercessão sacerdotal de Jesus Cristo. Aprendemos que Jesus não é somente o nosso Salvador, mas também o nosso Mestre. Eis o que podemos aprender com a sua oração: O nosso grande desejo deveria ser que sempre mais pessoas conheçam Jesus “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). Assim pediu Jesus ao Pai, e assim devemos nós pedir também. E, da mesma forma como Jesus se fez ponte entre Deus e a humanidade, nós devemos servir de ponte entre as pessoas e Jesus. Ele quer que trabalhemos com ele e por ele. Com isso se realiza o nosso crescimento espiritual, ou seja, a melhora da nossa obediência. Pois o cristão cresce quando obedece. E quando obedece, cresce. Não há outra forma de sair da situação de “�ilhinhos em Cristo” e tornar-se um “pai” ou “mãe” em Cristo (con�ira 1Jo 2.14). Há outro motivo pelo qual Deus permite nossa ação junto dele: ele quer nos alegrar! O trabalho para Cristo pode não ser fácil, mas a alegria se manifesta, pois, para ele, o trabalho tem uma dimensão eterna. Não é um trabalho inútil e logo esquecido. Trabalhar com Jesus signi�ica trabalhar em obras que não se desfazem, nem mesmo na eternidade! Nós temos a responsabilidade de levar pessoas a aceitarem a salvação que Jesus realizou na cruz. A palavra responsabilidade tem aqui um duplo sentido. Por um lado, quer expressar que a realização desta tarefa é uma ordem de Jesus: “... serão minhas testemunhas” (At 1.8). Mas signi�ica também que levar pessoas a Cristo é algo que exige muito cuidado e amor. Somos responsáveis por levar a mensagem da melhor maneira possı́vel. Não sem falhar ou errar, mas conscientes de estarmos trabalhando com pessoas amadas por Deus. Quando falamos a alguém de Jesus, realmente algo acontece. Não é a mesma coisa que falar sobre alguma �iloso�ia, o que, sem dúvida, pode ser interessante. Quando começamos a falar de Jesus, devemos estar cientes de pelo menos três coisas: essa ação implica em vida ou morte eterna; Deus mobiliza forças ou anjos para lutar por aquele a quem falamos de Jesus; Satanás mobiliza suas “tropas”, ou seja, os demônios, para impedir a vitória de Jesus. Sendo assim, nunca devemos iniciar tal tarefa sem pedir com seriedade o auxı́lio do nosso Senhor. Se formos sozinhos, isto é, sem Jesus, talvez esta pessoa possa até “converter-se”, mas não o fará pelo poder de Cristo, que lhe dá vida nova, mas por meio do nosso poder de persuasão. Tal conversão dura, no máximo, até as primeiras provações aparecerem. Então o novo convertido desiste do caminho da fé. Nossa maneira de ser no dia a dia pode facilitar ou impedir pessoas de crerem em Jesus. Muitas vezes nós, cristãos, estamos tão preocupados em mostrar e desenvolver o lado espiritual, que nos esquecemos completamente do lado humano. Tornamo-nos pessoas bitoladas e de pouco diálogo quando o assunto não é a Bı́blia. Um dia minha �ilha disse: “Papai, se você não tivesse conhecimentos de psicologia, quı́mica, fı́sica e de saúde, e nós não tivéssemos falado sobre isso e tudo o mais, tornando-nos amigos, acho que teria sido mais difı́cil para mim sentir vontade de saber como é, na realidade, uma vida com Jesus”. E� importante mostrarmos interesse pelo que nossos �ilhos, amigos, vizinhos ou conhecidos estudam ou do que gostam. Para aquele que ama o Criador, tudo o que ele criou pode ser interessante, sejam os átomos, os bacilos ou as substâncias quı́micas. E todo aquele que procura Deus pode achá-lo em todas coisas que ele criou. Em uma cidade vivia um homem marginal, chamado Billy. Após ter levado uma vida cheia de pecados, Billy encontrou Jesus. A partir deste momento amou-o de todo o coração. Em tudo o que lia e ouvia, encontrava algo que o fazia louvar a seu Senhor. O mesmo acontecia na sala de espera do dentista. Aguardando sua vez para ser atendido, lia sua Bı́blia. Cada vez que encontrava algo sobre o amor de Jesus, Billy não conseguia deixar de exclamar: “Mas isto é maravilhoso! Louvado seja Deus!” O dentista, em seu consultório, sentiu-se embaraçado com seu cliente, pois este, além de ler a Bı́blia, fazia tais exclamações em voz alta. Tinha receio de espantar outros clientes. Na próxima consulta ofereceu-lhe um livro de geogra�ia, pensando: “Se eu conseguir entretê-lo com outra leitura, estarei livre das suas exclamações embaraçosas”. Billy aceitou o livro e logo começou a ler. O dentista, aliviado, teve alguns momentos de trabalho sossegado. Mas não por muito tempo. Pois de novo se ouviu a costumeira exclamação de Billy: “Mas isto é maravilhoso! Louvado seja Deus!” O dentista espiou para ver se Billy tinha voltado a ler sua Bı́blia. Mas ele, com o livro de geogra�ia na mão, o recebeu com um sorriso feliz, dizendo: “Oh, doutor! Desculpe se eu o atrapalhei, mas acontece que li algo de maravilhoso em seu livro. Li que o mar em alguns lugares alcança mais de onze mil metros de profundidade; e a Bı́blia diz que Deus quer lançar os nossos pecados nas profundezas do mar (Mq 7.19). O senhor acha que Satanás ainda tem chance deachar os meus pecados e de me acusar, se Deus os jogou em um mar tão profundo? Nunca, Doutor! Por isso, louvado seja Deus, que jogou os meus pecados em um lugar onde jamais alguém os pode achar!” Esse acontecimento nos mostra como podemos estar abertos e interessados por muitas coisas que nos rodeiam e que, de maneira natural, revelam o Criador. Procuremos nos entrosar nas conversas, nos interesses e ocupações dos outros. Encontremos as pessoas onde elas estão. Vamos rir com elas. Conversemos com elas. Sejamos um elemento positivo entre elas, um elemento com quem se sintam bem. Nós também precisamos de amizade e alegria entre amigos, descontração e aconchego. Mas mesmo entre amigos o nosso testemunho pode provocar reações negativas. A Palavra de Deus é realmente uma loucura para os que não a compreendem (1Co 1.18). Compreender a Palavra é uma graça. A� s vezes não podemos evitar passar por “carolas” e “fanáticos” para quem não pode compreender nossa intenção sincera de oferecer o presente que é Jesus. Mas também acontece, frequentemente, que só falamos de Jesus, mas não vivemos os seus ensinamentos. Não tentamos compreender, amar e acompanhar uma pessoa para Cristo, antes queremos pressioná-la e arrastá-la e o nosso fervor missionário é mal compreendido. Tenha o cuidado de nunca pressionar uma pessoa espiritualmente, ou seja, forçá-la a ouvir de Jesus ou a tomar uma decisão a favor dele! Só garrafa é que se enche sem antes perguntar! Devemos orar para que Deus nos guarde de sermos uma pedra de tropeço. Por isso, precisamos ter muito contato com ele, ler sua palavra e orar, para reconhecermos sua voz entre tantas outras. Ter o ardente desejo de levar pessoas para Cristo não nos dá o direito de exigir delas uma decisão por Jesus. Nem mesmo quando estamos absolutamente convictos de que seria a melhor coisa para a sua vida. Seria como forçar uma �lor a abrir-se antes da época determinada pelo Criador, ou como quebrar um ovo antes do tempo de um pintinho nascer. A �lor deve abrir-se e o pintinho sair do ovo no seu devido tempo. O desabrochar da vida espiritual deve ser esperado com oração e paciência. Há muitas pessoas que se afastaram de Deus por terem sido forçadas a um nascimento prematuro de vida cristã, o que violentou suas almas. Procuremos evangelizar as pessoas contando a elas, em primeiro lugar, aquilo que Deus oferece ao homem: seu amor e perdão. Muitas vezes deixamos de atrai-las para Cristo por preferirmos assustá-las com ameaças. O mediador deve usar o amor, e nunca o terror, para atrair uma alma ao Salvador. Isso vale, em primeiro lugar, para os evangelistas. Depois de uma evangelização na qual o pregador falou muito pouco do amor de Cristo, mas muito dos horrores do inferno, um participante ao sair disse para o outro: “Puxa, durante a pregação de hoje eu parecia estar ouvindo o estalar do fogo no inferno, cheirando até o enxofre.” Que não seja assim o nosso método de evangelizar! Isso não signi�ica que devemos omitir-nos de falar da gravidade da perdição. Em absoluto! Quem rejeita Cristo será condenado. Existe o inferno! Contudo, a palavra “Evangelho” é boa nova, e não uma mensagem ameaçadora. Não devemos nos esquecer de orar pelas pessoas que já aceitaram Jesus “– É por eles que eu peço; não peço pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (Jo 17.9). Depois de falar com Deus sobre a obra de salvação da humanidade e de pedir ao Pai Celeste que todas as pessoas cheguem a conhecê-lo, Jesus ora por aqueles que já lhe pertencem. Queremos e devemos também aqui aprender com ele. Os nossos irmãos na fé necessitam da nossa oração. E� errôneo pensar que todos os problemas se resolvem de imediato quando aceitamos Jesus. Acabou-se, isto sim, a separação de Deus por causa do pecado. Contudo, continuamos a viver em um mundo cheio de tensões. O diabo continua agindo neste mundo. E nós também vivemos no mundo, mesmo não vivendo à maneira do mundo. Jesus nos ensina o que devemos pedir para o nosso irmão na fé: “Não peço que os tires do mundo (pois aqui ainda têm muito o que aprender e fazer!), mas que os guardes do mal” (Jo 17.15). Essa oração é realmente uma oração de amor. Essa preocupação de Jesus também deve ser a nossa. Também em relação aos nossos amigos e conhecidos que estão conosco no caminho da fé. Por exemplo, se levássemos realmente a sério essa preocupação, os cartões de aniversário ou Natal que escrevemos seriam bem diferentes. Não escreverı́amos de maneira super�icial: “Que você seja muito feliz e que todos os seus desejos se realizem...”, mas: “Que Deus lhe dê as forças necessárias para vencer todas as tribulações. Que você possa aprender tudo o que Deus quer lhe ensinar. Que não seja vencido pelo mal”. Este seria um desejo de aniversário para o nosso irmão na fé conforme os pensamentos de Jesus. O nosso maior interesse deve ser a glória de Deus “– Pai, é chegada a hora. Glori�ica o teu Filho, para que o Filho glori�ique a ti...” (Jo 17.1). Muitas vezes pedimos a Deus que abençoe o nosso trabalho ou que nos dê os dons para uma determinada tarefa. Trabalhamos exaustivamente no serviço de Deus. Mas, no fundo, fazemos muita coisa para a nossa glória, e não para a glória de Deus. E se fracassamos por um ou outro motivo, �icamos frustrados e tristes. Não porque Deus não foi glori�icado, mas por nosso trabalho e esforço não terem trazido os frutos esperados. Se o nosso trabalho nos traz realização, isso é motivo para agradecer a Deus. Ele deseja a nossa felicidade. Mas o mais importante é que tenha sido feito para a glória de Deus. Jesus, em tudo o que fazia, tinha em mente a glória do Pai Celeste: “Eu te glori�iquei na terra, realizando a obra que me deste para fazer” (Jo 17.4). Se aprendermos de Jesus e nos treinarmos conscientemente a fazer tudo para a glória de Deus, a nossa vida alcançará o seu pleno sentido. O apóstolo Paulo aconselhou: Portanto, se vocês comem, ou bebem ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus (1Co 10.31). Cada �ilho é um representante e mensageiro da sua famı́lia. Também é o portador do nome da sua famı́lia, seja para a honra ou para a desonra. Assim, cada um dos �ilhos de Deus é o portador do nome de Cristo, igualmente para a honra ou desonra deste nome. O destino, o conteúdo, o sentido da vida dos cristãos é glori�icar a Deus. E o supremo alvo da nossa existência em tudo o que dizemos ou fazemos. Também devemos tê-lo em mente quando oramos pelos nossos irmãos na fé. Sugestões práticas: Procure conscientemente ser um mediador. Alguém que não separa pessoas com suas palavras e atitudes, mas que as une. Ser mediador é um dom, e nem todos nós o temos. Mas podemos pedir e desenvolver esse dom. Podemos ser mediadores na famı́lia, na escola, no trabalho, entre os vizinhos, no estudo bı́blico – en�im, há inúmeras oportunidades para sê-lo. Um passo para tal é procurar não tomar partido nem opinar precipitadamente. E� necessário compreender e ponderar, dialogar e fazer prevalecer argumentos objetivos em vez de sentimentos e emoções. Outro passo consiste em observarmos as nossas palavras e atitudes. Somos o tipo de pessoa que “joga lenha” no fogo das discordâncias, ou somos alguém que se esforça para apagá-lo, procurando estabelecer paz e harmonia? E� claro que o fogo da discordância não pode ser apagado com mentiras ditas em favor da paz. Pessoas que amam a paz às vezes têm a tendência de até sacri�icar a verdade em favor da paz. Mas a verdade não admite meios-termos. A mentira, seja por qual motivo for, sempre é erro. Jesus procurou a paz sem nunca ter faltado com a verdade. Temos muito a aprender dele. Por isso: Leia os Evangelhos atentamente. Procure analisar as maneiras de Jesus agir e falar, com relação a esse traço da sua personalidade que estamos focalizando, ou seja: em relação a seu dom de servir de mediador. Ore para que Deus lhe ensine a ser um mediadorentre as pessoas. Peça que ele lhe faça ver de que maneira está agindo e falando. Se está unindo ou desunindo. Se está construindo ou demolindo. Agradeça a Jesus todos os dias, de preferência de manhã (para que sua alma já tenha, cedo, algo para alegrar-se!), pelo fato de ele ter sido mediador entre Deus e você. Se Jesus não o tivesse sido, não haveria chance, nem para você, nem para mim, de escapar do domı́nio de Satanás. Ore �ielmente por aqueles que ainda não possuem a certeza da salvação, para que encontrem o caminho para Cristo. Essa oração é um compromisso que você tem perante Deus em relação às outras pessoas, das quais é devedor (veja Rm 1.14). Ore para que Deus o use como propagador do seu Evangelho, seja por testemunho, atitudes ou pregação. Ore para que possa levar o Evangelho de Cristo: de maneira adequada (sem se apressar, sem se omitir); para aquelas pessoas que Deus encaminhou a você; na hora determinada por Deus; com o Espı́rito Santo agindo por meio de você. Peça a Deus que o torne uma pessoa amiga e sempre mais compreensiva, pronta para demonstrar seu amor com ações práticas no dia a dia. As pessoas a serem evangelizadas não são iguais. Não pensemos em alcançar qualquer tipo de pessoa. Quando encontramos alguém para quem não temos o “leite” adequado, vamos encaminhá-lo para outro irmão na fé, ou orar para que Deus o encaminhe para a pessoa certa. Não importa quem faça o trabalho para Deus, importa que seja feito. Isso requer humildade e o reconhecimento das nossas limitações naturais. Agradeça que, de uma maneira ou de outra, você participa no trabalho de Deus, seja como pai, como mãe, como professora, como aluna, como faxineira ou como pregador. Todo trabalho feito para Deus é eterno e importante, se for feito para a glória dele. Fale do Evangelho como algo que Deus quer oferecer, e não como algo com que quer ameaçar. Deus quer atrair pessoas para si. Não quer que venham empurradas ou pressionadas. Nossa tarefa é anunciar e testemunhar o Evangelho, não convencer pessoas. Essa é a tarefa do Espı́rito Santo. Contudo não devemos omitir que existe uma perdição eterna para aquele que rejeita Jesus. Faça uma lista das pessoas pelas quais você quer e deve orar, incluindo aquelas que já aceitaram Jesus. Seja perseverante na oração. Seja um cristão responsável por outros cristãos, pela sua igreja, pelo estudo bı́blico, pelas situações e as decisões do seu paı́s. E� muito importante nos lembrarmos de que tudo na nossa vida, todas as nossas ações e pensamentos devem visar a glória de Deus. A nossa vida sofrerá uma modi�icação gradativa na medida em que a glória de Deus tomar o primeiro lugar. Resumo e estímulos para a nossa intercessão Sendo do seu conhecimento que pessoas ainda não têm contato com Deus, que seus irmãos na fé estão em situações difı́ceis ou ainda não estão vivendo decididamente para a glória de Deus, então ore: que aqueles que ainda não têm a certeza da salvação achem o caminho para Cristo; que Deus o ajude, seja pelo seu testemunho pessoal, seja pela propagação da Palavra da Bı́blia, para ser um mediador entre eles e Cristo; que Deus lhe conceda amor e paciência com aqueles que vivem indiferentes para com Jesus e o anúncio do Evangelho; que Deus conceda aos seus irmãos e irmãs na fé força para suportar os fardos e sabedoria para solucionar seus problemas; que todos os cristãos sejam sempre mais unidos com Cristo e entre si; que Deus lhe mostre como pode ajudar concretamente o outro que está em di�iculdades e necessidades; que tudo o que �izer seja para honrar, louvar e glori�icar a Deus. E que essa atitude seja também o alvo do seu irmão na fé. 12 As três orações de Jesus na cruz Orando em extrema a�lição e dor “– Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34) “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mc 15.34) “– Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lc 23.46) As orações de Jesus na cruz Jesus falou sete vezes quando estava cravado na cruz. Eis aqui suas palavras: 1. “– Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lc 23.34) 2. “– Em verdade lhe digo que hoje você estará comigo no paraíso.” (Lc 23.43) 3. “– Mulher, eis aí o seu �ilho [...] Eis aí a sua mãe.” (Jo 19.26s) 4. “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mc 15.34) 5. “– Tenho sede!” (Jo 19.28) 6. “– Está consumado!” (Jo 19.30) 7. “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.” (Lc 23.46) Três desses pronunciamentos foram orações de Jesus a seu Pai Celeste. São orações em situação de muitas dores e extrema a�lição. Durante três anos e meio Jesus havia passado pela Judeia, Samaria e Galileia. Em muitos lugares havia pregado a maravilhosa mensagem do Evangelho. Além de ter sido pregador, havia curado doentes, alimentado famintos e ensinado como compreender e viver a Palavra de Deus. Rapidamente o número de seus adeptos havia crescido. O entusiasmo dos ouvintes fora grande. Dentro deles nascera a esperança de que, �inalmente, teria chegado um profeta capaz de solucionar com poder divino os problemas socio-econômicos e polı́ticos do paı́s. A vida do povo judeu havia se tornado insuportável debaixo do jugo romano. A perspectiva de uma possı́vel intervenção e mudança por parte de Jesus animava os oprimidos. Estavam certos de que um homem capaz de ressuscitar mortos, de curar doentes ou de alimentar cinco mil pessoas com cinco pães e dois peixes era a pessoa ideal para ser seu rei. Foi esta esperança que levou muitos a aclamarem Jesus como o Messias esperado, quando ele entrava em Jerusalém, montado em um burrinho. Não demorou muito, os sonhos e as esperanças se des�izeram. Jesus não correspondeu às expectativas do povo extasiado. Já antes o próprio João Batista, que com tanto entusiasmo anunciara Jesus, teve dúvidas a respeito deste (veja Mt 11.3). Muitos dos seus seguidores o abandonaram. Chegou o dia em que Jesus teve que perguntar aos seus amigos mais ı́ntimos, aos doze: “– Será que vocês também querem se retirar?” (Jo 6.67). As multidões estavam simplesmente decepcionadas e desiludidas. Não só aqueles que esperavam mudanças polı́ticas, mas também os religiosos, em especial um grupo entre eles, os chamados “fariseus”. Estes assumiram a função de cuidar meticulosamente da observância das leis de Moisés. Essas leis, santas e boas (Rm 7.12), foram modi�icadas e interpretadas por eles de acordo com suas opiniões e seus interesses. O fato de Jesus desrespeitar essas emendas ou regulamentos religiosos os irava profundamente. Haviam esperado o apoio de Jesus, em vista da sabedoria por ele demonstrada. Mas as esperanças deles também foram desfeitas. Por isso nasceu o ódio contra esse Jesus, que não se enquadrava no seu sistema religioso e lhes deu motivo su�iciente para quererem matá-lo (Jo 5.16-18). A ira explodiu quando ouviram que Jesus dizia ser o Filho de Deus. Quando o sumo sacerdote perguntou: Você é o Cristo, o Filho do Deus Bendito? Jesus respondeu: “– Eu sou” (Mc 14.61s). Esse testemunho causou reação violenta no sumo sacerdote, que rasgou suas vestes para tornar visı́vel o seu protesto máximo. Perguntou ao Sinédrio: Vocês ouviram a blasfêmia. Qual é o parecer de vocês? E todos o julgaram réu de morte (Mc 14.64). Desas maneira, Jesus foi abandonado tanto pelos lı́deres religiosos quanto pelo povo, que, alguns dias antes, o aclamara euforicamente como rei. Agora, esse mesmo povo gritava com igual intensidade e êxtase: – Cruci�ique-o! (Mc 15.14). A desilusão transformara-se em ódio. Fanaticamente o haviam seguido (Jo 6.14s). Fanaticamente agora queriam sua morte. Todos estavam presos em seus próprios desejos e pensamentos, todos eles cegos e surdos para a mensagem de Jesus. Sobretudo a inveja dos fariseus foi motivo para o condenarem. Jesus atraı́a o povo para si, e eles estavam perdendo seu renome (Mc 15.10). Finalmente, com mentiras, conseguiram do governador Pôncio Pilatos a determinação judicial de que Jesus fosse cruci�icado. Osinimigos alegraram-se da vitória que obtiveram. Diante da cruz, os principais sacerdotes e os escribas debochavam dele e riam com desprezo (Mt 27.41). Foi nesta situação que Jesus orou: “– Pai, perdoa- lhes, porque não sabem a que fazem”. Depois de orar assim, atendeu ao pedido do malfeitor e cuidou da própria mãe, entregando-a aos cuidados do seu discı́pulo João. Então fez a segunda prece: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Finalmente, poucos minutos antes de morrer, orou pela terceira vez na cruz: “– Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lc 23.46). O que podemos aprender com as orações de Jesus? “– Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.” (Lc 23.34) Assim também pode acontecer conosco: fazemos o melhor possı́vel por alguém, dedicamos nosso tempo, damos bons conselhos, empregamos dinheiro e muito esforço pessoal para ajudá-lo. Mas as nossas boas intenções são colocadas em dúvida ou até ridicularizadas. Sentimos a ingratidão. Até acham que é a nossa obrigação ajudar sem parar. Acontece que �ilhos, durante anos, recebem muito carinho e amor dos pais. Estes se privam de coisas agradáveis, sacri�icando-se para custear os estudos dos �ilhos. Depois, residindo em outra cidade, eles nem ao menos um cartão postal escrevem! Nada de gratidão. Talvez até digam: “Não �izeram mais que sua obrigação!” Uma lavadeira foi informada pelos professores de que seu �ilho era muito inteligente e que tinha vocação para estudar na universidade. A viúva não dispunha dos meios para custear os estudos do �ilho, mas decidiu fazer tudo para consegui-los. Aceitou ainda mais roupas para lavar. Muitas vezes suas mãos ardiam e sangravam. Contudo ela sorria, dizendo: “Que importa! Meu �ilho deve se formar!” No dia da formatura, da qual nada �icou sabendo, a mãe passou pela rua. Na cabeça levava uma trouxa de roupa lavada. E vendo no outro lado da rua o �ilho com os seus colegas recém-formados, ela lhe acenou alegremente. Os amigos do jovem perguntaram: “Quem é esta mulher que o cumprimenta tão amavelmente?” Ele, corando de vergonha em vista da sua mãe estar tão pobremente trajada e de chinelos, disse: “Não sei quem é. Deve ter-me confundido com um de seus fregueses”. E a mãe ouviu isso... Quando damos ou fazemos tudo por alguém e ele responde com ingratidão, facilmente se levantam em nós revolta e rancor. Neste momento devemos nos lembrar da oração do nosso Mestre e o que diz a Bı́blia a respeito da sua atitude nesta situação: Pois ele, quando insultado, não revidava com insultos; quando maltratado, não fazia ameaças, mas se entregava àquele que julga retamente (1Pe 2.23). Antes do exemplo de Jesus não existia na Bı́blia uma orientação tão clara, uma diretriz de como devemos proceder quando injustiçados ou ultrajados. Houve, por exemplo, o caso do rei Davi com um tal de Simei. Este o amaldiçoou, atirando-lhe pedras (2Sm 16.6s). O rei Davi perdoou Simei, mas, antes de morrer, pediu ao seu �ilho, Salomão, que vingasse o ultraje. Mais tarde Simei foi executado (1Rs 2.8s). O perdão do rei Davi foi somente perdão temporário, e não de�initivo. Sem dúvida nós necessitávamos de um exemplo de como responder a ofensas ou difamações. Foi Jesus quem nos deu: Porque para isto mesmo vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando exemplo para que vocês sigam os seus passos (1Pe 2.21). Nas tribos africanas e indı́genas existia a vingança do sangue. Se alguém era assassinado por um membro de outra tribo, alguém desta tribo tinha que ser morto pela tribo adversária. Novamente a primeira tribo era obrigada a matar alguém de outra, vingando a morte. Com o passar do tempo, as duas tribos exterminavam-se mutuamente. Quando a tribo pagã dos saxões na Germânia aceitou o cristianismo, todos os membros foram batizados em um rio. Aconteceu que um dos chefes, na hora da imersão, fez questão de estender seu punho para fora da água. Perguntado pelo motivo do seu procedimento; respondeu: “Quero ser cristão e obedecer às ordens de Cristo, mas esta mão somente se submeterá a ele depois de ter feito vingança a um inimigo que me ofendeu”. O cristão abre mão da vingança e do ódio. Só assim poderá começar uma convivência nova. Acaba o “estar de mal” com alguém. Foi este o exemplo que Jesus nos deu com sua oração na cruz. Estêvão foi o primeiro mártir cristão (At 7). Apedrejado por fanáticos, ele orou na hora da morte e agiu de acordo com o exemplo do Mestre: – Senhor, não os condenes por causa deste pecado! (At 7.60). Vemos que Estêvão seguiu os passos de Jesus. “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mc 15.34) Foi em sua segunda oração que Jesus fez essa pergunta. Sabemos que Deus não respondeu ao seu Filho. Em outra ocasião foi diferente. Certa vez, rodeado por muita gente, Jesus orou também em voz alta: “Pai, glori�ica o teu nome” (Jo 12.28). Imediatamente veio a resposta de Deus, audı́vel a todos os presentes: Eu já o glori�iquei e ainda o glori�icarei (Jo 12.28). Por que Deus não respondeu à sua pergunta na cruz? Certamente, porque quis que nós mesmos déssemos resposta. Ela deve ser: “Jesus, teu Pai Celeste, que com amor te cercou e sempre estava unido contigo, separou-se de ti na hora do teu sofrimento e morte por nossa causa, para que a separação entre Deus e nós fosse eliminada. O nosso pecado nos afastaria eternamente de Deus. Ser separado de Deus signi�ica estar nas trevas, na desgraça, no desespero e na perdição. Jesus, tu trocaste de lugar conosco. Tu foste separado de Deus, para que nós passássemos a estar unidos com ele. Tu foste pobre para que nós sejamos ricos (2Co 8.9). Tu sofreste a morte para que nós tenhamos a vida. Tu sentiste a profunda amargura da separação de Deus, para que nós possamos nos alegrar: Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus (Rm 8.38s)” A� resposta que devemos dar a Jesus em vista da sua pergunta a Deus, imediatamente une-se uma profunda gratidão ao nosso Salvador! Jesus não foi obrigado a passar por esta separação de Deus na cruz (Jo 10.13). Ele o fez voluntariamente para que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus (Cl 1.20). “– Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.” (Lc 23.46) Foi com esta oração nos lábios que Jesus morreu. Novamente, foi Estêvão o primeiro a lembrar-se das palavras de Jesus no momento da sua morte. Mais uma vez seguiu o exemplo do seu Mestre e orou: – Senhor Jesus, recebe o meu espírito (At 7.59). E� possı́vel que pessoas vivam sem Deus. O mundo oferece tantas novidades e distrações. Muitos acham que viver em comunhão com Deus é completamente desnecessário. Dizem: “Não está correndo tudo muito bem sem Deus? Ele lá, eu cá. Não necessito dele”. Porém, quem vive sem Deus também morre sem Deus! E isso é terrı́vel! Não há palavras para descrever o desespero de uma alma que não tem lar eterno. Há seguidores de Jesus que também passam por muitas dores na hora da sua morte. O sofrimento fı́sico não para diante da porta dos lares cristãos, mas seu espı́rito repousa em Deus. Alegrem-se desde já, porque aquilo em que creram tornar-se-á visı́vel. E mais uma vez apontamos para o primeiro mártir da igreja cristã, Estêvão. No momento da sua morte, ele orou: – Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à direita de Deus (At 7.56). Sem dúvida, muito lhe doı́am as pedradas e seu sofrimento era cruel. Mas a paz e a alegria na alma de Estêvão superavam tudo isso. Sabia que estava na presença de Jesus. Todo seguidor de Jesus tem esse privilégio! Sabe que sua própria morte, por assim dizer, já aconteceu. O aguilhão da morte, seu espinho, não existe mais! (Con�ira 1Co 15.55-57).Continua, talvez, o medo do sofrimento, a dor da separação dos entes queridos e da agonia da morte; mas não há mais nada que o separe de Deus e sua graça. Sugestões práticas: Procure não fazer uma imagem própria de Jesus a partir de seus desejos e aspirações As pessoas da época de Jesus sofreram uma grande decepção em relação a ele. Isso ocorre conosco todas as vezes em que, motivados pelos nossos desejos e apoiados na nossa lógica, construı́mos uma imagem falsa de Jesus. Ficamos esperando coisas que ele nunca prometeu. Revoltamo-nos quando não age como supomos devesse agir, isto é, de acordo com os nossos pensamentos. Convém nos lembrarmos que os pensamentos dele são diferentes dos nossos (Is 55.8s) e que, sendo Deus, ele excede o nosso entendimento. Se assim �izermos, não �icaremos decepcionados quando não corresponder às nossas expectativas, muitas vezes egoı́stas e longe de serem santi�icadas. Procure, conscientemente, ser grato a Deus e às pessoas que lhe fazem bem A gratidão faz brotarem e crescerem as �lores da alegria. Acostume-se a agradecer também a seus pais, �ilhos, amigos professores, vizinhos, lixeiros, médicos, enfermeiros, motoristas de ônibus e ao pastor da sua comunidade. Todos eles são seres humanos que se alegram com o nosso reconhecimento. Jesus vê seu empenho. Ele vê seu sacrifı́cio por alguém e alegra-se. Sendo assim, não é tão importante que as pessoas agradeçam a você. A aprovação de Jesus a respeito da dedicação ao seu próximo é muito mais importante para o cristão do que a gratidão por parte dos outros. Lembre-se de que o cristão pode depositar sempre, ao pé da cruz, sentimentos de rancor ressentimento, ódio ou vingança Jesus nos deu este mandamento para nos proteger do veneno mortı́fero desses sentimentos destruidores. Talvez você não consiga livrar-se de uma vez; então coloque-os ao pé da cruz em oração toda vez que tornarem a aparecer. Resumo e estímulos para as nossas orações Se a amargura invadir o seu coração; se a ingratidão recebida o faz sofrer; se sua capacidade de suportar injustiças chegar ao limite; se o medo da morte e de muitas dores corporais o abalarem, então ore: para que aquele que tanto o ofendeu e maltratou também ache a salvação ou cresça na santi�icação; para que a misericórdia por quem o feriu seja maior do que a amargura no seu coração; para que seja lembrado de quanto Jesus o ama, mesmo que sinta que ninguém dos seus conhecidos dá importância a você; para que na sua vida nunca falte a gratidão e a lembrança de que Jesus trocou de lugar com você, que ele foi desamparado por Deus para que você possa ser unido com Deus; para que, pensando na sua morte, desde já agradeça por saber qual será o seu lugar: nos braços de Jesus! Que guarde na memória que, assim como ele esperou por Estêvão, também está esperando por mim na glória eterna. 13 Paulo ora pelos Efésios Uma oração por crescimento espiritual Por isso, também eu, tendo ouvido a respeito da fé que vocês têm no Senhor Jesus e do amor para com todos os santos, não cesso de dar graças por vocês, mencionando-os nas minhas orações. Peço ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, que conceda a vocês espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele. Peço que ele ilumine os olhos do coração de vocês, para que saibam qual é a esperança da vocação de vocês, qual é a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual é a suprema grandeza do seu poder sobre nós... (Ef 1.15-19) O motivo da oração de Paulo O apóstolo Paulo estava preso na cidade de Roma. Contudo, tinha a liberdade de alugar uma casa para si. Um soldado romano sempre o acompanhava (At 28.16,30). A prisão de Paulo durou dois anos. Esse tempo ele também aproveitou para escrever cartas para várias comunidades. Podemos supor que a Carta aos Efésios tenha sido escrita nessa época. Os efésios eram os habitantes da cidade de E� feso, na qual o apóstolo Paulo havia anunciado o Evangelho (At 19.10). A comunidade havia crescido bem espiritualmente. A fé e o amor atuantes entre eles tornaram-se conhecidos em outras igrejas (Ef 1.15s). Foi com base na maturidade espiritual dos seus membros que Paulo lhes escreveu uma carta a respeito das mais profundas verdades divinas. Ele tinha um grande carinho por todas as comunidades que viu nascer. Mas nem sempre podia presenteá-las com as novas revelações divinas que recebera, como tanto desejava. Isso porque certas comunidades não “cresciam” espiritualmente. Depois de terem “nascido” em Cristo, permaneciam “crianças em Cristo”, às quais não podia dar alimento forte. Isso aconteceu com membros da igreja na cidade de Corinto: Eu, porém, irmãos, não pude falar a vocês como a pessoas espirituais, e sim como a pessoas carnais, como a crianças em Cristo. Eu lhes dei leite para beber; não pude alimentá-los com comida sólida, porque vocês ainda não podiam suportar. Nem ainda agora podem, porque vocês ainda são carnais (1Co 3.1s). Mas a comunidade de E� feso estava espiritualmente apta para entender novas revelações de Deus. Consequentemente, o apóstolo Paulo escreveu-lhes esta carta que contém revelações maravilhosas e preciosas. Também comunicou que estava orando por eles. Desejava que continuassem crescendo espiritualmente. 1. O objetivo agora é focalizar as cinco petições de Paulo em favor da comunidade de E� feso. Lemos ter Paulo orado que Deus concedesse a eles: 2. o espı́rito de sabedoria; 3. revelação de Deus e dos seus planos, para que pudessem conhecê-lo como deveriam; 4. abertura de mente para conhecerem a esperança para a qual Deus os chamara; 5. o pleno conhecimento das riquezas que tinham recebido de Cristo; 6. o conhecimento do imenso poder de Deus que age naqueles que nele creem. O motivo da oração de Paulo foi, portanto, o crescimento espiritual da igreja de Cristo em E� feso. O crescimento espiritual só vem de Deus. Mas cabe ao homem aceitar, promover e desenvolvê-lo. Quem não quer participar ativamente do seu crescimento e do crescimento dos outros é como um agricultor que diz: “Não vou adubar a terra. Deus dá a vida e o crescimento e, portanto, as plantinhas podem muito bem crescer sem o meu esforço”. O que podemos aprender com a oração de Paulo pela comunidade de Éfeso? Todos nós que recebemos a vida espiritual de Deus estamos ansiosos e desejosos por crescimento espiritual em nós e na nossa comunidade. Vamos, pois, estudar como proceder para que esse crescimento se efetue. O apóstolo Paulo desejou o crescimento espiritual da comunidade de E� feso. Depois ele orou, pedindo cinco bênçãos concretas de Deus. Por �im agiu, escrevendo a carta. Já sabemos que todo crescimento vem de Deus. O apóstolo Paulo a�irma isso quando escreve na Carta aos Corı́ntios: Eu plantei, Apolo (outro servo de Deus) regou, mas o crescimento veio de Deus (1Co 3.6 – ênfase acrescentada). Meditemos a seguir sobre cada petição separadamente: Primeira petição: Peço ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, que conceda a vocês espírito de sabedoria... Sabedoria e inteligência são dons distintos no ser humano, embora muitas vezes apareçam juntos. Ser inteligente signi�ica compreender facilmente qualquer explicação ou processo mental, ter percepção lúcida e clara dos problemas colocados. E� a “... qualidade ou capacidade de [...] resolver situações problemáticas novas, mediante reestruturação de dados perceptivos”.17 A sabedoria é um dos grandes presentes de Deus ao ser humano. Ter inteligência é bom. Possuir sabedoria é muito melhor. A inteligência é uma manifestação da mente; a sabedoria, do espı́rito. Para compreendermos a Palavra de Deus, necessitamos de sabedoria. Sem ela não podemos aconselhar outras pessoas espiritualmente, ou tomar decisões de acordo com a vontade de Deus. Mas como obtê-la? A Bı́blia nos dá a resposta: Se, porém, algum de vocês necessita de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá com generosidade esem reprovações, e ela lhe será concedida (Tg 1.5). Em Jesus Cristo habita toda a plenitude da sabedoria divina. Na Bı́blia podemos acabar o confronto entre a inteligência e a sabedoria. Certa vez os fariseus, homens muito eruditos e inteligentes, �izeram uma pergunta a Jesus. Ela fora formulada tão bem que todas as respostas seriam comprometedoras. Mas, cheio de sabedoria, Jesus deu uma resposta que contornava a armadilha astuta. Leia este acontecimento em Mateus 22.21. Paulo sabia que Deus está pronto a nos dar sua sabedoria. Por isso dirigiu-se a ele, pedindo sabedoria para a comunidade de E� feso. Nós igualmente podemos orar por ela. Segunda petição: ... e de revelação no pleno conhecimento dele. “Tudo aquilo que sabemos e compreendemos de Deus foi-nos por ele mesmo revelado” (Jacob Kroeker).18 Essa verdade é importante na nossa vida cristã! Protege-nos e liberta-nos de todo fanatismo religioso. Impede que, com excesso de zelo e demasiada insistência, queiramos incutir uma verdade cristã em qualquer pessoa. Não devemos querer impor nossas convicções cristãs. Não podemos esperar ou exigir que os outros tenham de Deus a mesma compreensão que nós temos. Nem podemos achar que somos donos de toda a verdade. O próprio apóstolo Paulo admite: Porque agora vemos como num espelho, de forma obscura; (os espelhos antigamente eram de cobre, e, portanto, pouco nı́tidos), depois (no céu) veremos face a face. Agora meu conhecimento é incompleto; depois conhecerei como também sou conhecido (1Co 13.12). E� verdade que devemos permanecer �irmes e serenos naquilo que cremos. Devemos testemunhar sobre o que Deus fez nas nossas vidas e o que sabemos dele, mas não querendo convencer a todo custo. O próprio Espı́rito Santo encarrega-se disso, no momento certo e da maneira certa. Conhecer Deus como Pai Celeste é o maior e mais importante acontecimento na vida humana. Mas é um acontecimento que não se pode forçar ou exigir. Acontece exatamente no momento em que Deus nos faz compreender quem realmente é Jesus Cristo. O conhecimento de Deus como Pai que nos deu a vida eterna não é, entretanto, a única informação que podemos ter sobre ele. Podemos também conhecê-lo como Rei poderoso (Sl 47.6-8), como amigo (E� x 33.11 e Sl 127.2), como conselheiro (Sl 73.24), bondoso (Sl 31.19) e de in�inita paciência (Rm 15.5). Podemos conhecê-lo como um Deus severo (Rm 1.18), justo (Dt 32.4) e santo (Is 6.3). Como um Deus autor de grandes e maravilhosas obras em nossas vidas e no mundo (Jr 29.11). Deus se preocupa com cada um de nós. Jesus nos a�irmou que o nosso Pai Celeste não se esquece de um só dos passarinhos ou um só de nossos �ios de cabelo (signi�ica dar atenção aos mı́nimos acontecimentos na vida) (Lc 12.6s). Feliz aquele que descobriu que Deus cuida dele a cada dia da sua vida, até nos detalhes! Que Deus tem prazer em compartilhar das ocorrências mais insigni�icantes. Ele sabe de tudo o que nos acontece e quer usá-lo para o nosso crescimento e o nosso bem. Realmente Deus cuida tão carinhosamente de você e de mim como se fôssemos as únicas pessoas na face deste planeta! Mesmo antes de criar o mundo, Deus pensou em você e em como atraı́-lo para si (Ef 1.4). Conhece também o perı́odo em que você viveria aqui na terra (Mt 6.27). Conhece os dons com os quais você poderá servi-lo (1Pe 4.10). Além disso, quer nos suprir de tudo o que nos falta para podermos estar na sua santa presença (Rm 8.32). Por isso, deu-nos Jesus. Ele supera as nossas de�iciências de tal maneira que nos tornemos perfeitos perante Deus. Então, ao olhar para nós, já não nos vê sujos e imperfeitos, mas identi�icados com Cristo e, portanto, sem condenação (Rm 8.1). Por isso, todos os dias podemos orar: “Pai Celeste, nada me falta perante ti, para poder estar na tua santa presença! Tudo o que me faltava para ser agradável a ti, tu mesmo o presenteaste a mim por meio do teu Filho amado!” (1Co 1.5; 2Co 9.15 e Rm 8.32). Terceira petição: ... ilumine os olhos do coração de vocês, para que saibam qual é a esperança da vocação de vocês. O ser humano é alma, espı́rito e corpo. Com a alma ele pode querer, sentir e pensar. Com o espírito pode ligar-se com Deus. E com o corpo coloca-se em contato com o meio-ambiente. E é por meio do corpo, com os seus cinco sentidos, que percebemos as coisas ao nosso redor. Perdendo-os, não podemos nos relacionar com o mundo. O nosso espı́rito também possui órgãos de sentido. Tem “olhos para ver e ouvidos para ouvir”. Com estes “olhos” e “ouvidos” pode perceber as realidades divinas. No livro de Isaı́as lemos: ... desperta-me o ouvido para que eu ouça..., e O S����� Deus me abriu os ouvidos (Is 50.4s). Em Apocalipse 3.18 lemos a advertência: “Aconselho que você compre de mim [...] colírio para ungir os olhos, a �im de que você possa ver”. Muitos seres humanos são cegos e surdos espiritualmente. Jesus mencionou essa triste situação dizendo: “Ouvindo, vocês ouvirão e de modo nenhum entenderão; vendo, vocês verão e de modo nenhum perceberão. Porque o coração deste povo está endurecido; ouviram com os ouvidos tapados e fecharam os olhos; para não acontecer que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados” (Mt 13.14s). Ser “surdo” e “cego” espiritualmente signi�ica não ver, ouvir ou entender nada das manifestações divinas. Signi�ica permanecer indiferente às verdades sobre Deus (2Co 4.4) ou encará-las como loucura (1Co 2.14). O nosso espı́rito não é a nossa alma. Não entende as coisas por meio de raciocı́nio, mas por meio de revelações. Pelo espı́rito, como já foi dito, podemos ter ligação com Deus. Caracteriza-se pelo fato de ser destituı́do de sentimentos. Por isso a conversão a Cristo não depende de sentimentos. E� engano pensar que aquele que chora mais na hora da “conversão” “converte-se melhor”. Conversão ou renascimento se dá por meio daquilo que cremos, e não daquilo que sentimos. O sentimento pode ou não acompanhar o momento do renascimento. O renascimento ocorre no espı́rito, e não na alma. Esta, sim, sente. O nosso espı́rito deve lembrá-la e informá-la sobre o que Deus está lhe revelando. O nosso espı́rito pode estar quebrantado (Sl 51.17) e se alegrar (Lc 1.47). Pode exultar (Lc 10.21), agitar-se (Jo 11.33) e angustiar-se (Jo 13.21). Contudo, são os impulsos que tocam a nossa alma. Por isso o fruto, isto é, a consequência de uma vida espiritual, entre outras manifestações, é alegria e paz (Gl 5.22). O ser humano tem como sı́mbolo o santuário do Antigo Testamento. O átrio era franqueado a todos. O Santuário, onde estavam os sacerdotes, era iluminado pelo candelabro. O santı́ssimo era escuro, não havia janelas. Lá Moisés recebia as revelações divinas. Comunicava-as aos sacerdotes, depois as transmitiam para o povo. O nosso espı́rito recebe as revelações divinas e as transmite para a nossa alma e esta, para o corpo (conferir 1Ts 5.23, onde a sequência de espı́rito, alma e corpo é observada). Quem quer crescer espiritualmente não deve se deixar governar pelos seus sentimentos. Vale aqui o que avisa 2 Corı́ntios 4.18: ... na medida em que não olhamos para as coisas que se veem (ou sentem), mas para as que não se veem (ou sentem). Todo dia, de preferência pela manhã, você deve se lembrar de tudo o que Jesus fez por você e tudo o que recebeu dele. Se você está triste, apesar de ter aceitado e querer obedecer a Cristo, isso não signi�ica que você renasceu pouco. Isso não existe. Ou se vive, ou não se vive. Também na vida cristã. O que pode estar ocorrendo na sua vida é que você está dando muita atenção ao que está sentindo, e não àquilo que Deus disse. Então o seu espı́rito deve informar sua alma a respeito disso. O rei Davi agia assim. Constantemente recordava-se dos feitos de Deus. No Salmo 63.5-6 lemos: ... a minha boca te louva, no meu leito, quando de ti me recordo e em ti medito, durante as vigílias da noite. Tambémoutros salmistas procuraram animar e consolar sua alma para que se alegrasse: Bendiga, minha alma, o S�����, e não se esqueça de nem um só de seus bene�ícios (Sl 103.2). Ao ler os Salmos é interessante observar este “sobe e desce” dos sentimentos. Ora os salmistas estão desanimados, ora lembram-se novamente daquilo que Deus signi�ica para eles. Lembram-se do poder e da misericórdia do Senhor. Assim acontece na nossa vida. Ora podemos sentir a presença de Deus, ora não sentimos nada. Neste caso podemos agir como o salmista que se dirige a si mesmo dizendo: Por que você está abatida, ó minha alma? Por que se perturba dentro de mim? Espere em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu (Sl 42.5). Aqui vemos a luta da fé. Por um lado, os sentimentos de uma alma abatida e desanimada; por outro, o espı́rito, com sua fé no Deus verdadeiro e vivo (veja também Sl 27.14 e 57.8). O apóstolo Paulo, nessa petição, pede que se iluminem os olhos espirituais dos membros da comunidade de E� feso, para que eles percebam o seu chamado. Entre os planos de Deus também se encontra o chamado da igreja de Cristo. Isso se dará quando se der a plenitude dos gentios (Rm 11.25), ou seja, quando o crescente número dos seguidores de Cristo tiver alcançado a totalidade dos que Deus quer salvar, cumprir-se-á o que foi dito em 1 Tessalonicenses 4.16-17: Porque o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que �icarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Esse glorioso acontecimento é a esperança dos cristãos: esperam pelo chamado do Senhor a �im de estar para sempre com ele! Muitos não sabem dessa esperança ou não se lembram dela. A consequência é o sono espiritual, isto é, o desinteresse pela causa de Deus. E� realmente necessário lembrar-se deste chamado! Ele está muito próximo a acontecer! Com essa esperança no coração, aquilo que é mundano não possui mais atração! A�inal, o mundo pecaminoso, com os seus encantos passageiros, o que pode ele oferecer em troca de tal oferta de Deus? A igreja, que é o corpo de Cristo, executará os planos de Deus na eternidade futura. Feliz aquele que, com olhos abertos, sabe nitidamente do privilégio de ser chamado por Cristo no dia da sua vinda! Quem orar por um coração de olhos abertos receberá esse conhecimento. Vamos aprender com o apóstolo Paulo a orar para que Deus dê a nós e aos outros seguidores de Jesus estes olhos abertos para a esperança do seu chamado! Quarta petição: ... para que saibam [...] qual é a riqueza da glória da sua herança nos santos... Herança é um bem ou conjunto de bens que se transmite de alguém para alguém. Mas, então, quais são os bens transmitidos de Deus e para quem? A resposta está no Evangelho de João 17.22 e 24: “Eu (Jesus) lhes (aos membros da minha igreja) transmiti a glória que me deste”; “– Pai, a minha vontade é que, onde eu estou, também estejam comigo os que me deste...” A riqueza da glória da sua herança nos santos refere-se à herança que Jesus receberá. E� a sua igreja. Foi o Pai Celeste quem a deu ao seu Filho: ... o deu à igreja (Ef 1.22). Ao ver a “riqueza” da igreja de Cristo, lembremo-nos da sua antiga “pobreza”, antes de pertencer à herança de Cristo. Esta pobreza é descrita em 1 Corı́ntios 6.9s, onde lemos de impuros, de idólatras, de ladrões, de avarentos, de roubadores, para depois seguir: Alguns de vocês eram assim. Mas vocês foram lavados, foram santi�icados, foram justi�icados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus (v.11). Sim, fomos lavados pelo sangue de Cristo! Ele o derramou por todos nós na cruz. Assim fomos salvos por ele, que não se envergonhou de nos chamar de irmãos. E ainda mais: fez morada em nós! (Hb 2.11 e Jo 14.23). Com isso nós nos tornamos imensamente ricos e gloriosos. E isso tudo, somente por graça! Não existe mérito algum da nossa parte. A fé só precisa aceitar esses riquı́ssimos presentes. E essa igreja, embora no mundo ainda revestida com tanta fraqueza, é a riqueza da herança do nosso Senhor Jesus Cristo e será imensamente gloriosa no futuro. Uma riqueza que ele mesmo presenteou! Quinta petição: “(...) e qual a suprema grandeza do seu poder” Esta é a quinta petição do apóstolo Paulo nesta oração. Esta tem o sentido de que Deus aja nas pessoas, fazendo-as ver que ele realmente é Todo-Poderoso. Nós, cristãos, o confessamos na con�issão da fé: “Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso”. Mas cremos nisso verdadeiramente? O problema mais difı́cil para nós, os �ilhos de Deus, na realidade não é o de suportar uma a�lição, mas o fato de, às vezes, nos sentirmos abandonados por Deus no sofrimento. Esse sentimento de abandono e dúvida tem origem na nossa falta de con�iança no amor e poder de Deus. No momento em que cremos no seu poder, muda nossa atitude frente ao sofrimento. Sabemos que agora tudo está nas mãos de Deus. Ele sempre entra em ação. Ou ameniza ou elimina os nossos sofrimentos ou nos dá a força para suportá-los com o coração em paz. Uma palavra do Papa João XXIII o diz da seguinte forma: “Quem crê não teme. Não age precipitadamente. Não tem inclinação pessimista. Não é nervoso. Crer – isso traz a serenidade que vem de Deus”. Realmente, quem chega a conhecer a suprema grandeza do poder de Deus, que quer agir em nós, viverá em paz, mesmo que rodeado de muitas agitações e desa�ios. O maravilhoso é, que, sendo seguidores de Jesus, por determinação de Deus, a herança de Cristo, também compartilhamos, desde já, do seu poder. Não de um poder egoı́sta, que procura os próprios interesses, mas do poder de vencer, de ajudar, de crescer e testemunhar. Por isso podemos contar com o mesmo poder de Jesus, baseado nas suas promessas. Podemos: Dizer a uma pessoa arrependida sinceramente e desejosa de perdão que Jesus perdoou os seus pecados (Jo 20.23); Negar a certeza do perdão a pessoas que não querem arrepender-se ou que não querem perdoar o seu próximo (Jo 20.23; Mc 11.26); Enfrentar as acusações dos demônios em relação a pecados já perdoados, garantindo que Deus já não se lembra deles (Is 43.25); Vencer as nossas preocupações, não com super�icialidade e fazendo pouco caso do sofrimento humano, mas com con�iança em Deus, que disse: Porque eu, o S�����, seu Deus, o tomo pela mão, direita, e lhe digo: “Não tenha medo, pois eu o ajudarei” (Is 41.13); Enfrentar a morte com serenidade, porque Jesus venceu o poder da morte (1Co 15.55-57); Enfrentar e vencer sempre o medo que sobrevém a cada pessoa, porque Jesus garantiu que venceu o mundo (Jo 16.33); Ordenar a Satanás que se afaste de nós com suas tentações (Mt 4.10). Sim, o seguidor de Jesus tem todas as armas para sair-se vitorioso. Aqui no mundo ele tem, o tempo todo, a oportunidade de exercitar-se no seu manejo. Não será perfeito enquanto estiver aqui. Mas um dia será. As pessoas do mundo nada sabem do poder que Jesus delega aos seus. Não sabem da tristeza que estes sentem quando tornam a cair. Tampouco sabem da alegria de sempre ter uma nova chance com Jesus. A vida com Cristo é uma vida movimentada e dinâmica. Uma vida cheia de surpresas, desa�ios, lutas e experiências com Jesus e com as pessoas. En�im, uma vida que vale a pena ser vivida! Vamos falar dela às pessoas, toda vez que Deus ordenar. Sobretudo, guardemos acesa em nós a chama de alegria, pois a grandeza do poder de Deus nos assegura a herança gloriosa de Jesus Cristo. Sugestões práticas: Estude a Carta aos Efésios atenciosa e repetidamente Esta carta contém “alimento forte”, que lhe dará crescimento espiritual. Passo a passo, procure colocar em prática tudo aquilo que Deus lhe revela. As mais maravilhosas revelações não têm valor quando não as aplicamos na vida. Memorize oudecore as cinco petições de Paulo, fazendo de cada uma delas a sua própria oração O crescimento espiritual depende completamente de Deus Mas cabe a nós orar e vigiar para não impedirmos o nosso crescimento espiritual pela nossa conduta – e talvez o crescimento dos outros também. E� um engano pensar que o cristão não precisa trabalhar consigo mesmo! Além disso, precisamos dos outros para nos corrigir e orientar. Não somos “do mundo”, é verdade. Mas estamos no mundo. Isso signi�ica que agimos e vivemos aqui como seres humanos que carecem de qualidades pessoais como qualquer outro. Resumo e estímulos para a nossa oração Se você deseja crescer espiritualmente e também almeja que seus irmãos e irmãs na fé tenham crescimento espiritual, então ore: que Deus lhe dê o espı́rito da sabedoria; que os problemas se tornem transparentes; que compreenda por que e para que podem servir esses acontecimentos na sua vida; que Deus lhe dê a capacidade de ajudar os outros a crescerem espiritualmente; que Deus lhe faça saber sempre mais como ele é e o que ele pensa sobre este ou aquele problema; que você tenha “olhos do espı́rito” abertos para descobrir e alegrar-se na grande esperança que tem por pertencer à igreja de Cristo e por saber que será chamado no dia do arrebatamento; que possa dar sempre mais valor ao fato de que, por graça, você pertence à herança gloriosa de Jesus; que sempre seja lembrado em todas as suas di�iculdades: “Para meu Deus nada é impossı́vel!” 14 Outra oração pelos Efésios Em busca de fortalecimento espiritual Portanto, eu peço que não desanimem por causa das minhas tribulações em favor de vocês, pois isso é motivo de honra para vocês. Por essa razão, eu me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toda a família, nos céus e na terra, recebe o nome. Peço a Deus que, segundo a riqueza da sua glória, conceda a vocês que sejam fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito, no íntimo de cada um. E assim, pela fé, que Cristo habite no coração de vocês, estando vocês enraizados e alicerçados em amor. Isto para que, com todos os santos, vocês possam compreender qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que vocês �iquem cheios de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer in�initamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém! (Ef 3.13-21) O motivo da segunda oração do apóstolo Paulo pelos efésios Já fazia anos que Paulo estava na prisão. Primeiramente na cidade de Cesareia e, depois, em Roma. Certamente a prisão prolongada deprimia as comunidades cristãs, que amavam o apóstolo Paulo. E� provável terem suportado, continuamente, as zombarias dos habitantes não cristãos de E� feso. Estes ridicularizavam a situação humilhante de Paulo e a aparente impotência de Deus, que tardava em libertar o seu servo. Sem dúvida os cristãos de E� feso se lembravam do poder de Deus, que havia libertado o apóstolo Pedro da prisão. Mas, à medida que o tempo passava, sua fé ia deixando de resistir às provações. Talvez tivessem procurado uma explicação e chegado à conclusão de que Deus era su�icientemente forte para libertar um dos seus servos do poder do rei Herodes, que, a�inal, era um governador insigni�icante; mas libertar alguém da mão dos poderosos romanos, superava, quem sabe, os recursos de Deus? E� provável que os cristãos de E� feso tivessem tais pensamentos, pois Paulo escreve em sua carta: Portanto, eu peço que não desanimem por causa das minhas tribulações em favor de vocês e Eu o estou enviando [Tı́quico] a vocês com esta �inalidade: para que conheçam a nossa situação e para que ele console o coração de vocês (Ef 3.13 e 6.22). Em todo caso, o apóstolo Paulo �icou sabendo da situação dos seus irmãos entristecidos de E� feso. Para consolá-los enviou-lhes uma mensagem, comunicando que estava orando por eles, a �im de serem fortalecidos espiritualmente. Esta oração tem sido chamada de “O Pai Nosso do Apóstolo Paulo”. Realmente há paralelos com a “Oração do Senhor”. O Pai Nosso compõe-se de três partes: a invocação, as sete petições e a adoração. O “Pai Nosso do Apóstolo Paulo”, ou seja, a oração que ele escreveu para os efésios, é quase idêntico na sua estrutura: a invocação, as seis petições e a adoração. Nessa oração, todos os pedidos têm como objetivo o fortalecimento espiritual. O fortalecimento da vida com Deus dos seus irmãos e irmãs na fé, em E� feso, é, portanto, o conteúdo desta oração de Paulo. O que podemos aprender com a oração do apóstolo Paulo? Primeira parte: invocação Por essa razão, eu me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toda a família, nos céus e na terra, recebe o nome (Ef 3.14s). Deus é amor. Amor quer presentear e alegrar. Deus, por ser amor e querer revelar-se a muitos, chamou as criaturas à existência. Deseja presenteá-las com alegria e vida eterna. Deus é a origem de toda a vida. Por isso ele tem o nome de Pai. Foi uma grande famı́lia que Deus criou, tanto no céu quanto na terra. E este é o signi�icado das palavras de quem toda a família, nos céus e na terra, recebe o nome. Segunda parte: as seis petições Primeira petição Peço a Deus que, segundo a riqueza da sua glória, conceda a vocês que sejam fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito, no íntimo de cada um (Ef 3.16). Deus sempre é o doador de tudo o que temos. Ele tudo fez e tudo criou. Tudo que somos e possuı́mos, espiritual e �isicamente, vem das suas mãos. Por nós mesmos nada somos e nada temos para oferecer. Dependemos dele em tudo. Sendo assim, compreendemos por que o apóstolo Paulo se dirige a Deus pedindo que dê aos seus irmãos aquilo que lhes faltava. O apóstolo apelou para a riqueza e a glória de Deus, e com isso estendeu um enorme vasilhame para receber muitas bênçãos de Deus. Quais são os presentes que Deus quer nos dar? Há uma in�inidade deles e é impossı́vel enumerá-los. Mas alguns deles, e dos quais carecemos, são: A certeza de que somos amados por Deus como somos – o que leva a uma grande �irmeza, convicção e autoaceitação (Jo 6.37); A alegria de sermos salvos do poder maligno de Satanás – o que nos leva à felicidade (1Jo 5.18); A certeza de que nada nos separa de Deus (nem morte, nem acontecimentos da vida, nem os espı́ritos do mal, nem outros governadores ou poderes, nem o presente, nem o futuro) – o que nos traz paz (Rm 8.38); A certeza de que estamos sendo lentamente transformados na imagem de Cristo já aqui na terra, obra esta que será completada no dia da ressurreição – o que dá sentido à nossa vida (Rm 12.1s); A grande esperança de vermos Deus, face a face – fato que nos dá nova coragem para viver (Ap 22.4); A promessa da que seremos semelhantes a Deus – que leva a uma alegria, independentemente daquilo que nos rodeia, e resiste a todas as tristezas deste mundo que, sem dúvida, existem (1Jo 3.2). Lembremo-nos da primeira oração do apóstolo Paulo pelos seus irmãos e irmãs na fé, em E� feso. Ele pediu que lhes fosse dada sabedoria. Agora, na segunda oração, pede por força. E� importante observarmos esta sequência. De que nos adianta ter muita força, não sabendo como empregá-la? De que nos serve um carro superpotente, se não soubermos dirigi-lo? Primeiro necessitamos de entendimento espiritual. Depois, das forças espirituais. O apóstolo Paulo conhece essa força pela própria experiência. Mas sabe também qual é a condição para recebê-la. Então ele [Jesus] me disse: “A minha graça é o que basta para você, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2Co 12.9). Quem sabe que é fraco e imperfeito perante Deus recorre a Jesus, quaisquer que sejam as circunstâncias, para dele recebera força. Dependendo de Cristo em todas as situações, recebemos dele a vitória em todas as di�iculdades. E� o Espı́rito Santo quem nos lembra de vivermos sempre dependentes de Jesus. Deste modo seremos fortalecidos na fé no nosso ı́ntimo, isto é: na nossa existência, no nosso coração, ou seja, “no homem interior”. Segunda petição E assim, pela fé, que Cristo habite no coração de vocês (Ef 3.17). Sabemos que o apóstolo Paulo está orando pelos membros da comunidade de E� feso, que já aceitaram Jesus como seu Senhor e Salvador. Quando pede que Jesus habite nos seus corações, ele não está pedindo pela experiência do renascimento. Mas pede que Jesus preencha suas vidas cada vez mais. Está pedindo que a presença e o poder de Jesus Cristo se expandam para todos os setores das suas vidas. Cada ser humano existe porque algum dia nasceu. E� criatura de Deus. Mas ser criatura de Deus não é o mesmo que ser �ilho de Deus. Para o cristão, ser um dos �ilhos de Deus signi�ica ter tido a experiência do segundo nascimento (Jo 3.3). Ocorre no momento em que alguém, pela fé, aceita Cristo como Senhor e Salvador da sua vida. Nesse memento Jesus se implanta, se identi�ica com ele: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos �ilhos de Deus. (Jo 1.12). Não hesitemos agora em deixar Jesus governar como Senhor em todos os setores da nossa vida! Cristo quer estar em nosso pensar, olhar, falar, comer, beber, trabalhar e cantar. Quer decidir sobre o nosso dinheiro, as nossas leituras e as nossas conversas. Quer decidir sobre os �ilmes e novelas que podemos ou não podemos ver; a roupa que convém usar. Quer também decidir a maneira e onde devemos servir-lhe; se, e com quem, devemos nos casar. Quer decidir onde vamos morar e trabalhar. Quer decidir as nossas horas de atividade e de descanso. Isso, não por ser ele um ditador cruel, mas para que tenhamos uma vida plena, cheia de luz interior e uma felicidade que permanece! Já o rei Davi descobriu como as ordens de Deus são boas e dignas de serem cumpridas e o expressou assim (Sl 19.7-10): A lei do S����� é perfeita e restaura a alma; o testemunho do S����� é �iel e dá sabedoria aos simples. Os preceitos do S����� são retos e alegram o coração; o mandamento do S����� é puro e ilumina os olhos. O temor do S����� é límpido e permanece para sempre; os juízos do S����� são verdadeiros e todos igualmente, justos. São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. E pediu: As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, S�����, rocha minha e redentor meu! (Sl 19.14). Feliz é aquele que abre seu coração totalmente para Cristo e que se dispõe a obedecer em tudo às suas ordens! O “implantar” de Cristo, ou seja, a sua “identi�icação” na existência daqueles que o aceitaram, acontece no instante da conversão e depende da nossa fé. Por meio da “implantação” ou do seu “faremos nele morada” (Jo 14.23), nós, que antes não tı́nhamos vida espiritual, passamos a tê-la. O “habitar” de Cristo, a expansão dele em nós, no entanto, não é instantânea, mas gradativa. E um processo que dura a vida inteira e depende da nossa obediência. Há pessoas nas quais Cristo conseguiu implantar-se. Mas ele ainda tem pouco lugar para habitar. Na verdade todos temos algum cantinho no coração em que Jesus ainda não habita. Sendo sinceros, somos obrigados a admitir esse fato. Talvez esses cantinhos escondidos não sejam tão evidentes para os outros. Por isso não julguemos os nossos irmãos na fé, quando percebemos lugares ainda não habitados por Jesus. Talvez certos problemas ainda não solucionados os impeçam de dar mais espaço em seus corações para Jesus. Pode ser que eles sofram de cargas hereditárias, estejam fracos ou doentes, ou algo mais di�iculta este processo. Só Jesus os conhece e os pode julgar. Quanto a nós, façamos como o apóstolo Paulo! Oremos para que Cristo “habite” em seus corações, pela fé. Mas não peçamos só por eles. Todos nós precisamos muito que Jesus estenda, desenvolva e alargue o seu poder nas nossas vidas! Terceira petição: E assim, pela fé, que Cristo habite no coração de vocês, estando vocês enraizados e alicerçados em amor (Ef 3.17). Uma das coisas que diferencia um poste de uma árvore é que a árvore está arraigada, ou seja, enraizada na terra. O que diferencia, entre outros, o navio de uma casa, é que a casa está alicerçada sobre um fundamento �irme. O amor de Cristo é igualado à terra de inesgotável fecundidade, bem como ao alicerce inabalável em todas as tempestades da vida. Nós não devemos ser apenas postes inertes colocados na terra, que, além de mortos, cedem e talvez caiam frente a pressões e tormentas. Também não devemos ser navios que ora sobem, ora descem, ora viram em consequência das violentas ondas do mar. Devemos e podemos ser como árvores que procuram enraizar-se na terra o mais �irme possı́vel. Assim estaremos arraigados e seguros no amor de Deus. Este amor nos vai alimentar e nutrir, de sorte que não secamos com as adversidades, mas produzimos frutos (veja Sl 1.3). Os frutos da nossa vida (nossos pensamentos, ações e também sentimentos), se receberem a “seiva nutritiva” da Palavra de Deus, terão, sem dúvida, o sabor desse amor. Alicerçados no fundamento eterno que é Jesus Cristo, e construı́dos sobre ele, estamos seguros como o homem cuja casa construı́da na rocha não tombou quando a tempestade veio e a chuva caiu (veja Mt 7.24). Que seja também na nossa vida assim, como diz o hino (baseado em Sl 125.1):19 Os que con�iam no Senhor, são como o monte de Sião. Firmes para sempre permanecem, Firmes para sempre no Senhor. Firmes para sempre no Evangelho, �irmes para sempre no amor. Os que con�iam no Senhor! Os que con�iam no Senhor! Quarta petição Isto para que, com todos os santos, vocês possam compreender qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade [do amor e do poder de Deus] (Ef 3.18-19). A palavra “santos” tem sido muitas vezes mal entendida, interpretada e ensinada. A Bı́blia chama de “santos” os seguidores de Cristo. Não porque eles sejam santos e puros em si, mas porque Jesus o é. Na Segunda Carta aos Corı́ntios (1.22) lemos que Deus, como o nosso dono, pôs sua marca em nós e nos concedeu, como garantia., o Espı́rito Santo: ... que também pôs o seu selo em nós e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração. Por isso, apesar de todas as fraquezas, temos parte nele em tudo. Temos comunhão de bens com Jesus! Neste sentido os cristãos são “santos”, porque Cristo se identi�icou com os seus seguidores. Imerecidamente e, por graça, Deus nos chama de “santos”, por ver em nós o seu Filho amado, que é Santo. Fazendo nós parte da santidade divina, o nosso desejo deve ser o de conhecer sempre melhor o amor e o poder de Deus. Ele é imenso e vasto demais para os nossos pequenos corações. Contudo, os �ilhos de Deus devem compreender a “largura” do amor do Pai Celeste. Esse amor é tão largo que cobre todos os nossos pecados. A justiça divina teria que nos condenars se avistasse só o pecado na nossa vida. Mas Deus permitiu que seu Filho morresse na cruz e, assim, cobrisse todas as nossas transgressões: Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, cujo pecado é coberto (Sl 32.1). Tiago escreveu na sua carta que o pecador arrependido, por sua fé em Jesus Cristo, experimentará que Deus cobrirá multidão de pecados (5.20). Também os seus pecados, caro leitor, Deus quer cobrir! Então nada mais o acusa perante Deus e sua alma repousa em paz! O “comprimento” do amor de Deus inicia no dia do nosso nascimento e se estende até o dia da nossa morte. Todos os dias somos acompanhados pelo amor de Deus. A Bı́blia diz que o amor de Deus é longânimo (2Pe 3.9). O amor de Deus tem tal “altura” que nos eleva até o céu. Todas as religiões esforçam-se por conseguir atingir regiões celestes.Porém não conseguem. Mas o amor do nosso Deus nos ergue à presença dele. Ele estende sua mão e diz: “Meu �ilho, dê-me o seu coração” (Pv 23.26 - NVI). Quem entregar-se ao amor de Deus experimentará isso: que lhe será concedida a graça de estar com ele na eternidade; “...e a profundidade”. Nós só podemos compreender três dimensões: largura, comprimento e altura. Porém no amor de Deus existe mais uma, a profundidade. Isso signi�ica: também nas profundezas, no paı́s da morte, age o amor de Deus. Aqueles que já morreram não estão excluı́dos do amor de Deus. Ele os alcança também naquelas profundezas. Quem não teve a oportunidade de ouvir ou compreender o Evangelho quando em vida, depois, no paı́s da morte, o ouvirá. Por exemplo: as crianças pequenas, os pagãos nunca visitados, e todos os habitantes do mundo que morreram antes que a boa nova fosse anunciada – a eles é pregado o amor de Deus no Evangelho de Jesus Cristo. O apóstolo Pedro sabia disso e escreveu na sua primeira carta: Pois, para este �im, o evangelho foi pregado também a mortos (1Pe 4.6 – con�ira 1Pe 3.18-20). Avistamos assim o amor de Deus nas suas quatro dimensões. Como somos fortalecidos espiritualmente! Quinta petição ... e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento (Ef 3.19). Tudo no nosso mundo tem limites. Nada, nada é ilimitado. O tempo de que dispomos para viver, trabalhar, dormir, comer, passear, conversar... é limitado. O espaço que percorremos ou onde vivemos, nossa força, nossa paciência, nossa alegria – tudo, tudo é limitado. Tudo tem um começo e um �im. Assim não acontece com o amor de Cristo para conosco. Nele não há limites. Não termina diante da nossa vida pecaminosa, diante das nossas fraquezas, diante da nossa miséria, diante do nosso orgulho e diante do nosso apego aos bens materiais. Jesus nunca perde a paciência conosco. Ele não desanima, mesmo que o entristeçamos em muitas ocasiões. Ele continua a nos segurar em suas mãos, embora tropecemos tantas vezes. De modo nenhum merecemos este amor! Nada �izemos para ser amados de tal maneira! Por isso seu grande amor é tão difı́cil de ser entendido por nós. Existe uma parte na Bı́blia que fala só do amor. E� o capı́tulo 13 da Primeira Carta aos Corı́ntios. Substituindo sempre a palavra “amor” por “Jesus”, chegamos a conhecer o amor de Cristo por nós: “Jesus é paciente e bondoso. Jesus não arde em ciúmes, não se envaidece, não é orgulhoso, não se conduz de forma inconveniente, não busca os seus interesses, não se irrita, não se ressente do mal. Jesus não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade” (1Co 13.4-6). Se nos deixarmos amar por Jesus, começaremos a amá-lo também. O amor de Jesus nos transforma. Antes egoı́stas, tornamo-nos pessoas que se doam. Como uma �lor que desabrocha à luz do sol, assim o nosso ı́ntimo se abre para ele. Martinho Lutero traduziu a frase: “Conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento” por: “Amar Cristo é melhor do que todo o saber”. Realmente, o que nos faz semelhantes a Cristo não é o nosso grau de instrução, mas o amor que lhe temos. Este amor faz crescer e fortalecer a nossa vida espiritual. Sexta petição ... para que vocês �iquem cheios de toda a plenitude de Deus (Ef 3.19). No texto original grego encontramos aqui a palavra “plérooma”. Nosso termo “pleno” certamente encontra aqui sua raiz etimológica. A palavra “plenitude” encerra o pensamento: inteiramente, completo, superabundante, preenchido, totalmente, integralmente e amplo. Não nos parece exagerada a sexta petição do apóstolo Paulo nesta oração? Pois ele pede “toda a plenitude de Deus”. E� como desejar encher um buraco na areia da praia com o imenso mar. Como o nosso coração, tão pequeno, poderia acolher a abundância do amor de Deus, sua sabedoria e seu poder? Um sábio, A� ngelo Silésius, disse: “Deus, por ser grande, com grandes dádivas quer nos presentear. Que pena termos um coração tão pequeno para as abrigar!” Os presentes de Deus para nós realmente são superabundantes! Basta nos lembrarmos da promessa divina de 1 João 3.2: Amados, agora somos �ilhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é. Imaginem só: semelhantes a Deus! Depois, em Apocalipse 22.5: Então já não haverá noite, e não precisarão de luz de lamparina, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão para todo o sempre. Vejam só: reinar com Deus! E em Apocalipse 3.21: ... darei o direito de sentar-se comigo no meu trono. Olhem só: não só um banquinho em um canto do céu Deus destina a você, mas um lugar no centro do céu, no trono de Cristo! Signi�ica: compartilhar na realização dos seus planos nas eternidades! Ao nos lembrarmos de que a Igreja é o corpo de Cristo (Ef 1.23), começamos a compreender que nós compartilhamos tudo com ele e devemos nos identi�icar com Cristo e com a sua glória! Terceira parte: adoração A nossa mente não pode captar ou imaginar os presentes da plenitude divina! Só nos resta a adoração. E� o que acontece com o apóstolo Paulo. Ele não continua a pedir. Termina sua oração com adoração: Ora, àquele que é poderoso para fazer in�initamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém! As palavras na parte da adoração – conforme o seu poder que opera em nós – lembram-nos da palavra em Filipenses 1.6: Estou certo de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus. Deus começa sua obra de fé em nós revelando-nos seu Filho em nosso espı́rito. Deus também completa a sua obra conosco assentando-nos junto com seu Filho no trono da sua glória. A única coisa que nos cabe fazer é não duvidar desse querer e poder de Deus e não resistir ao amor de Deus. A única coisa necessária é obedecer-lhe. A ele seja a glória. Pode ser que o apóstolo Paulo tenha pensado aqui no seu passado. Ele foi um perseguidor de cristãos. Arrastava-os para o cárcere e alegrava-se com a sua morte. Mas o poder de Deus o transformou. Agora ele queria viver somente para a glória de Deus na igreja de Cristo. Essa vitória de Deus na sua vida (o apóstolo Paulo sabia disso muito bem) também se realizará, embora em diferentes setores, na vida dos demais. Porque ninguém consegue resistir sempre ao amor e ao poder de Deus. ... por todas as gerações, para todo o sempre. O povo judeu certa vez gritou: “Cruci�ica esse Jesus!” Mas chegará o dia em que saudarão com júbilo o Filho de Deus, exclamando: Bendito o que vem em nome do Senhor! (Mt 21.9) Então o amor de Deus terá triunfado também entre o povo judeu. Depois todos os povos dirão: Venham, subamos ao monte do S����� e ao templo do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas. Porque de Sião sairá a lei, e a Palavra do Senhor, de Jerusalém” (Is 2.3). Finalmente todos os povos obedecerão a Deus porque reconhecerão que não há outro Deus senão o Pai do Senhor Jesus Cristo. Assim todas as gerações, vendidas pelo eterno amor de Deus, O adorarão e lhe renderão louvor e glória, de eternidade a eternidade. “Amém”: signi�ica “Assim seja!” Com essa palavra, que re�lete todas as seis petições, o apóstolo Paulo expressa sua esperança de que Deus o atenderá. Espera que tudo o que pediu se realize. Meditando sobre essas maravilhosas realidades, a nossa força espiritual é grandemente fortalecida. Ela é nutrida e alimentada pelo saber do amor e poder de Deus. Esse amor se manifesta a nós por meio do seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Sugestões práticas: Se você está desanimado com a aparente falta do poder de Deus, ou por causa do desprezo de pessoas em virtude da esperança que tem em Jesus, então faça da oração de Paulo asua oração. Coloque “me”, “meu”, “eu” em lugar de “vós”, “vossos”, “vos”. Vale também para você o que Deus disse a Josué: Não foi isso que eu ordenei? Seja forte e corajoso! Não tenha medo, nem �ique assustado, porque o S�����, seu Deus, estará com você por onde quer que você andar (1.9). Nunca deixe de con�iar no amor de Deus. Aceite o que ele destina a você. Agradeça por tudo! Não se resigne. Aceitar é uma atitude completamente diferente de resignar-se. Aceitar signi�ica dizer: “Sim, minha situação neste momento é esta. Quero encará-la, e não fugir. E quero abrir as minhas mãos para aceitar o que o meu Pai Celeste me manda.” Resignar-se, ao contrário, signi�ica: “Sim, esta é a minha situação. Vou tentar sofrer o menos possı́vel e acomodar-me. Meu caso não tem solução, mesmo.” Aceitar todos os caminhos de Deus não é fácil. A atitude de nos rendermos a Deus e à sua vontade é a mais difı́cil de aprender. Mas é este o aprendizado mais necessário na nossa vida! Para cada seguidor de Jesus chega a hora em que deve optar entre a realização da vontade de Deus e sua própria vontade. Que a nossa decisão seja a mesma do Mestre: “... não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lc 22.42). Feliz aquele que diz sim à vontade de Deus! Feliz aquele que, como Jó, descobre que Deus inspira canções de louvor durante a noite (Jó 35.10), ou seja, durante a escuridão da provação. O apóstolo Paulo preocupou-se com os seus irmãos na fé Ele agiu, orando por eles e escrevendo-lhes. A consequência foi o fortalecimento espiritual deles. Siga o exemplo de Paulo. Demonstre interesse pelos problemas dos outros. Se você pode ajudar, não hesite em perder um capı́tulo importante da novela, um bom �ilme, um jogo ou qualquer outra coisa de que gosta. Escreva a alguém que necessita de ajuda, ore por ele ou visite-o. Procure conscientizar-se de que Deus não tem limitações como nós Faça como o apóstolo Paulo, que pediu segundo a riqueza e glória de Deus. Leia todos os dias a sua Bíblia com o coração voltado para Deus, pronto para descobrir os tesouros da fé. Resumo e estímulos para a nossa oração Se você deseja que sua vida espiritual seja fortalecida, e igualmente a dos seguidores de Cristo em sua comunidade, então ore: agradecendo pelo privilégio de pertencer à famı́lia de Deus; agradecendo por Deus lhe haver revelado quem é o Filho Jesus Cristo; que sua vida espiritual seja cada vez mais fortalecida; que em nenhuma situação você duvide da presença, do amor e do poder de Deus; que Cristo habite e governe todos os setores da sua vida: famı́lia, trabalho, lazer, comprar, pensar, olhar e falar; que seja de tal modo enraizado na comunhão com Cristo que nenhuma tempestade possa arrastá-lo para o pecado; que seja tão alicerçado no amor de Cristo que nenhum medo diante do futuro ou mesmo da morte o faça vacilar na fé; que em todas as situações da sua vida você saiba como o amor de Deus é largo, comprido, alto e profundo; que Deus vença em você a resistência, a dúvida, a incredulidade referente à realização do maravilhoso plano de Deus para a sua vida e para a igreja de Cristo; que Deus continue a abençoá-lo, já que os presentes dele são inesgotáveis; que o poder de Deus opere cada dia em você, no seu próximo, nos povos, trans�igurando-os à semelhança de Jesus Cristo. 15 Paulo intercede pelos cristãos de Colossos Orando por uma vida cristã saudável Por esta razão, também nós, desde o dia em que soubemos disso, não deixamos de orar por vocês e de pedir que transbordem do pleno conhecimento da vontade de Deus, em toda a sabedoria e entendimento espiritual. Dessa maneira, poderão viver de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, fruti�icando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus. Assim, vocês serão fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e paciência, com alegria, dando graças ao Pai, que os capacitou a participar da herança dos santos na luz.” (Cl 1.9-12) Por que Paulo ora pelos colossenses? A cidade de Colossos localizava-se na A� sia Menor, em uma região que hoje pertence à Turquia. Distava duzentos quilômetros de E� feso. Em Colossos havia um pequeno número de cristãos que se havia formado a partir da visita e pregação de Epafras, um dos cooperadores do apóstolo Paulo. Onde Cristo começa a agir, também Satanás não demora a entrar em ação. Este, pois, levou à cidade de Colossos homens que iriam introduzir ensinos sectários. Tais propagadores ensinaram que os anjos eram dignos de veneração. Ensinavam também a guarda do sábado e a abstenção de certos alimentos (Cl 2.16-18). A essência de sua crença consiste em dizer que somente a fé em Jesus era insu�iciente para a salvação. Por isso acrescentaram mais algumas leis a serem observadas a �im de que os Colossenses se tornassem plenamente agradáveis a Deus. Epafras �icou abalado com a inquietante confusão provocada pelo falso ensino. Viajou para Roma, onde procurou a orientação do apóstolo Paulo e, embora este não conhecesse pessoalmente aquela comunidade, colocou-o a par das ocorrências. Juntos eles intercederam a Deus pelos Colossenses. Oraram em vista dos perigosos sectários que se haviam in�iltrados na comunidade. Sua oração contém sete petições, guardadas nesta Carta de Paulo. Ele e Epafras pediram a Deus que os membros da comunidade de Colossos: transbordassem de pleno conhecimento da vontade de Deus; transbordassem de sabedoria e entendimento espiritual; tivessem a graça de viver uma vida digna de um seguidor de Cristo; pudessem viver uma vida agradável a Deus; suas obras fossem frutos espirituais de sua vida cristã, e não obras realizadas no sentido de completar sua salvação; crescessem no conhecimento de Deus compreendendo a inutilidade da: benevolência dos anjos para que estes transmitissem um conhecimento mais profundo de Deus. observância de leis como as da guarda do sábado ou da abstenção de certos alimentos para completar a justi�icação perante Deus. fossem fortalecidos por meio do poder de Cristo em todas as fraquezas (perseverança longanimidade e alegria). Após terem pedido a Deus o que desejavam ardentemente para a comunidade em questão, não deixaram de agradecer por tudo o que seus membros já haviam recebido de Deus. O que nos ensina esta oração de Paulo? A palavra “seita” é de origem latina: “secta”. Comumente derivada de “sectare”, que signi�ica “cortar”. Compreendendo a palavra “seita” dessa maneira, dirı́amos que signi�ica algo cortado, isto é, separado. Neste caso a separação seria a das igrejas cristãs originais. Mais correto talvez seja, derivá-la do latim “sequor”, que signi�ica “seguir”. Sectários seriam, então, pessoas que seguem alguém. Convém sempre levantar a pergunta: Estarão eles seguindo Jesus Cristo e seus ensinamentos? Se assim não for, estarão seguindo ideologias ou pessoas e, portanto, sujeitos a erros e enganos fundamentais. Olhando para a situação dos colossenses, vemos que em nosso contexto atual o aparecimento e a in�iltração de seitas nas comunidades cristãs não é novidade. A existência de sectários (adeptos de uma seita) é tão antiga quanto à existência da comunidade cristã. A criação de seitas é uma das armas mais sutis e, por isso, mais perigosas, de Satanás. Isso porque seus adeptos, em vez de condenar na Bı́blia (o que logo alarma os cristãos) a estudam e a conhecem aparentemente muito bem. Mas, em lugar de serem iluminados pelo Espı́rito Santo, para que compreendessem a Bı́blia, introduzem nela e nas suas pregações suas próprias ideias. Esse estratagema é o maior sucesso de Satanás. Nem a mais cruel perseguição cristã conseguiu levar tantas pessoas a desistirem do caminho verdadeiro, como a expansão das seitas, pois todo aquele que não estiver �irmemente enraizado no Evangelho de Cristo (que prega a salvação somente pela graça) é uma presa fácil para essa cilada do demônio. E� humano querercontribuir com algo para salvação, seja pela observância de leis, pela encarnação, ou algo mais. Mas é o caminho errado. Certo homem que esperava sua salvação de Jesus levava sempre consigo, por via das dúvidas, um livrinho no qual anotava suas boas ações. Indagado se julgava que estas boas obras o ajudariam para sua salvação, respondeu: “Bem, eu creio em Jesus, mas em todo caso...” Este “mas em todo caso...”, que parece tão inofensivo, anula a salvação que Cristo para esta pessoa. E como se um pequeno comprimido de veneno fosse colocado em uma jarra de água pura. Mesmo sendo pequeno, tornaria a jarra inteiramente mortı́fera. A Bı́blia nos diz que há apenas dois caminhos para chegar a Deus: ou pelo cumprimento de todas as leis divinas durante a vida toda (Lv 18.5; Tg 2.10), ou pela aceitação do presente da salvação que Deus nos ofereceu por meio de Jesus (Rm 3.24). O primeiro caminho é inacessı́vel para nós. Só uma pessoa o trilhou irrepreensivelmente: Jesus (Jo 8.46). O segundo caminho é o que temos que escolher. E ele é simples. E� o caminho da “fé somente”. Mas Satanás coloca nele armadilhas. A principal é fazer as pessoas ignorarem as palavras: “Presenteado por graça”. Ele incute nas pessoas a ideia de que elas precisam participar, pelo menos um pouco, do pagamento e da efetivação da salvação. Mas toda vez que passamos por algo, esse algo deixa de ser presente. Se a salvação deixa de ser um presente para nós, então já não estamos mais no caminho da fé. Cuidado, caro leitor, com aquele “mas em todo caso...” na sua vida! Você provavelmente não leva consigo um caderninho para anotar as coisas que lhe parecem torná-lo mais digno perante Deus. Mas todos nós corremos o risco de praticar algumas coisas, ou deixar de praticar outras, para comprar de Deus pelo menos uma parte da salvação. Então não mais vivemos pela “graça somente”. Aqui vale o que lemos em Gálatas 5.4 Vocês que procuram justi�icar-se pela lei estão separados de Cristo; vocês caíram da graça de Deus. Aparecerão boas obras em nossa vida como consequência de uma fé viva. Tiago diz que uma fé sem obras é morta (2.17). E na quinta petição do apóstolo Paulo pede especialmente por obras ou frutos que não devem nem podem faltar na vida do cristão, como consequência de uma vida com Deus. Contudo, só este fundamento o cristão pode ter: Jesus é que nos salva (At 4.12) e Jesus é o que nos capacita andarmos juntos (Jo 15.5). Só necessitamos dele. A seguir, analisaremos as sete preces do apóstolo Paulo e seu agradecimento. Primeira petição: ... que transbordem do pleno conhecimento da vontade de Deus (Cl 1.9). A vontade de Deus, segundo a Bı́blia, é: 1. ... que deseja que todos sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1Tm 2.4). O amor de Deus quer reunir todos os seres humanos como integrantes de uma grande famı́lia na eternidade. E nós, os seus seguidores, somos chamados a participar da concretização desse desejo. A nossa participação consiste em pregar o Evangelho de Jesus Cristo, orar pelo próximo e agir conforme a vontade de Deus. 2. Que o povo judeu se torne um povo missionário do mundo. Deus prometeu a Abraão: Em você serão benditas todas as famílias da terra (Gn 12.3). E Jesus disse à mulher samaritana: “... a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22). Parece-nos impossı́vel que esta vontade de Deus para o povo de Israel possa cumprir-se algum dia. O próprio profeta Ezequiel diz do seu povo que eles têm coração de pedra (36.26). De fato, até hoje o povo judeu de maneira alguma quer aceitar Jesus como seu Messias. Porém, ... os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis (Rm 11.29). Por isso, o mesmo profeta, inspirado por Deus, disse: Tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Porei dentro de vocês o meu Espírito e farei com que andem nos meus estatutos [...] Vocês serão o meu povo, e eu serei o seu Deus (Ez 36.26-28). 3. Que seu Filho nada mais realize diretamente na eternidade. Isso quer dizer que todo o querer de Jesus Cristo na nova terra e no novo céu, que está por vir, deverá ser realizado por intermédio da sua igreja. Como o cérebro do corpo humano não atua diretamente, mas tudo executa pelos órgãos, assim também o Cabeça da Igreja, que é Cristo, realizará os planos de Deus por meio dos seus seguidores: E sujeitou todas as coisas debaixo dos pés de Cristo e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas (Ef 1.22s; con�ira Ef 5.30 e 1Co 6.2s). A Igreja de Cristo é, portanto, o corpo de Cristo. Cada seguidor de Jesus é um membro desse corpo. Deus chama pessoas de todos os povos para fazer parte desse organismo. Todo aquele que atende ao chamado do Evangelho é incluı́do na igreja de Cristo. Todos, sem distinção de posição social, raça ou pecados cometidos. Cristo não exige “atestado de bons antecedentes”. E ninguém é obrigado a produzir em si qualquer estado de santidade que lhe dê o direito de pertencer aos �ilhos de Deus. Não, cada um pode chegar como ele é, com todas as suas de�iciências e pecados. Jesus não o deixa como é. Ele puri�ica, perdoa transforma e glori�ica a cada um que o aceite como seu Senhor pessoal. Para fazer parte da famı́lia de Deus basta arrepender- se e crer em Jesus. Por nós ele morreu e nos salvou. Deus, em seu grande amor, abriu-nos seu caminho para chegarmos à sua presença. Determinou que a incorporação de um membro do corpo de Cristo se realize prontamente, toda vez que um ser humano, com sinceridade, disser: “Senhor Jesus, dispõe de mim” (Jo 1.12; Rm 10.13). Determinou também que todo aquele que quiser obedecer a Jesus recebe o Espı́rito Santo (At 5.32), o qual o liga direta e eternamente a Jesus Cristo. Chamamos a isso de “batismo do Espı́rito Santo”, conforme 1 Corı́ntios 12.13: Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um só corpo. Isso, é claro, tem suas consequências práticas no convı́vio com o seu próximo. Atualmente, nessa época, a vontade de Deus não é a instituição do reino visı́vel aqui na terra, mas a formação da Igreja de Cristo. Quando todos os seus membros tiverem sido alcançados, ele mandará buscá-la por intermédio do seu Filho Jesus (1Ts 4.16-18; Rm 11.25). Então o Reino de Deus se manifestará visivelmente neste mundo. Por enquanto, o Reino de Deus realiza-se somente dentro de cada pessoa que aceita Jesus Cristo como o governador de sua vida, e continua oculto como Reino em nós (Cl 3.3). Mas chegará o dia em que Deus instituirá visivelmente o seu Reino neste mundo e depois na eternidade, do qual ele mesmo será governador por meio da sua igreja (Ap 3.21). Hoje Satanás ainda governa no mundo (Jo 14.30), e vemos que desgraça é o seu governo. Cada dia aumenta a maldade em nosso planeta. Quando Jesus governar, tudo será diferente. Mas Jesus não é um ditador. Não impõe o seu governo à força. Espera até as pessoas se convencerem de que realmente o querem e que o escolham de livre e espontânea vontade. 4. Que todos os povos continuamente aceitem o governo de Jesus. A vontade de Deus é que todos os povos serão salvos, como o anúncio do profeta Miqueias: Nos últimos dias, o monte do templo do S����� será estabelecido (na cidade de Jerusalém no país da Palestina, que será a sede missionária do mundo) [...] e para ele a�luirão os povos [...] e não haverá quem os atemorize, porque a boca do S����� dos Exércitos o disse (Mq 4.1, 4b). Segunda petição: ... que transbordem [...] em toda a sabedoria e entendimento espiritual” (Cl 1.9). Para compreender a vontade de Deus em relação aos judeus, à igreja de Cristo e às nações do mundo (1Co 10.32) são necessários sabedoria e entendimento espiritual. São dons divinos que devem ser pedidos. Somente o intelecto humano, mesmo sendo muito desenvolvido, não pode captar os pensamentos de Deus (1Co 2.14). O apóstolo Paulo sabia disso, e por isso orava pelos Colossenses.Terceira petição: Dessa maneira, poderão viver de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado... (Cl 1.10). Um menino de cinco anos apontou para um cavalo e disse à sua mãe: – Veja, mamãe, um cristão! – Como assim �ilho? De maneira alguma! Isso é um animal. Como você pode dizer uma coisa dessas? – E� porque os cristãos também andam cabisbaixos e têm olhar tão triste! De fato, há muitos cristãos tristes. Querem seguir de coração seu Senhor, mas não conseguem viver como um seguidor de Jesus. Isso os deixa constantemente desanimados. Como é grande, muitas vezes, o con�lito no coração do seguidor de Cristo! Nele moram, ao mesmo tempo, a grande alegria de ser �ilho de Deus e a grande preocupação de não conseguir corresponder a esse compromisso. Depois de sua oração o apóstolo Paulo mostra aos cristãos de Colossos o caminho para uma vida digna de Cristo: Também, nele, vocês receberam a plenitude [na posição perante Deus] (Cl 2.10). Na famı́lia, o �ilho tem a perfeita posição de �ilho. Nada precisa fazer para ser o �ilho da casa, pois a vida lhe foi dada pelos pais. Mesmo errando, não é despedido, como pode acontecer com um empregado. Será admoestado e educado, mas continua sendo sempre o �ilho. O mesmo acontece com aqueles que aceitaram Jesus Cristo como o seu Senhor. Ele os fez �ilhos de Deus. Com isso a posição perante Deus é perfeita. A conduta, contudo, ainda continua sendo imperfeita. A tensão entre a posição, que é perfeita (por ser graça de Deus), e a nossa conduta, que é imperfeita (por causa da nossa desobediência), acompanha o cristão na sua vida terrena. Martinho Lutero descreveu essa tensão dizendo que “nós vivemos em um desespero consolado”. De maneira alguma o cristão deve conformar-se com o desnı́vel entre sua posição e sua conduta! Aqui devemos seguir o apóstolo Paulo que escreve: Não que eu já tenha recebido isso ou já tenha obtido a perfeição [no seu porte, na sua conduta cristã], mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus (Fp 3.12). Como podemos aproximar nossa conduta imperfeita da nossa posição perfeita? O melhor método é sempre lembrar-se da posição perfeita! Isso permite elevar o procedimento sempre mais ao nı́vel da posição de �ilhos de Deus, embora o nivelamento completo da posição com a conduta cristã sempre se dê no dia da nossa ressurreição. Certa vez um rei foi passear com seu �ilho em uma aldeia. Havia chovido, e crianças que brincavam no barro da estrada convidaram o prı́ncipe a acompanhá-las. Mas este respondeu: “Filho de rei não se suja”. Este prı́ncipe, uma vez tendo compreendido sua posição de �ilho na famı́lia real e trajado vestes reais, estava disposto a adaptar sua conduta a esta posição. Quarta petição: Dessa maneira, poderão viver [...] para o seu inteiro agrado. (Cl 1.10) Em Hebreus lemos: De fato, sem fé é impossível agradar a Deus... (11.6). Deus sacri�icou seu Filho Jesus por todos os seres humanos, para que todos sejam salvos. Mas nem todos aceitaram esse presente por meio da fé. Não o pegando para si, não ou possuirão. Não o possuindo, permanecerão sob o poder de Satanás. Portanto, sem fé (sem acreditar que Cristo nos salvou pessoalmente por sua morte na cruz) é impossı́vel agradar a Deus. De nada vale uma ótima conduta e muitas boas obras, se continuamos separados de Deus. A descoberta dessa verdade transformou a vida de Martinho Lutero. Quem conhece a história da sua vida sabe como ele se empenhou para agradar a Deus. Sacri�icou sua brilhante carreira de futuro advogado e tornou-se monge. Maltratou seu corpo e disciplinou sua alma. Mas tudo isso não o “justi�icou”, ou seja, não o tornou justo e agradável perante Deus. Isso somente ocorreu quando, lendo a Carta aos Romanos, compreendeu não há outra maneira de ser justi�icado perante Deus a não ser pela fé, isto é, aceitando a justi�icação como presente. Compreendeu que não podemos comprar a salvação de Deus através de esforços ou sacrifı́cios, sejam eles religiosos ou não. Em vista disso, compreendemos o quanto o espiritismo, em todas as suas formas, desagrada a Deus. As obras realizadas para salvar-se por meio de inúmeras reencarnações podem ser bem intencionadas, e até repletas de amor ao próximo, mas elas não operam salvação. Muitos, infelizmente, creem na reencarnação, apesar de a Palavra de Deus a�irmar que o homem só morre uma única vez (Hb 9.27). Deus nos disse por meio da Bı́blia que tanto a justi�icação quanto a santi�icação são presentes seus para nós. “Ter fé” nada mais é do que aceitar esses presentes. São eles que nos transformam: ... Cristo Jesus, o qual se tornou para nós, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santi�icação e redenção... (1Co 1.30). A santi�icação e a justi�icação são realidades diferentes, apesar de terem um denominador comum: ambas são presentes de Deus. Ambas não podem ser conquistadas por esforços próprios, mas são recebidas apenas pela fé. Já falamos sobre a justi�icação, que é o processo pelo qual Deus nos torna justos perante ele. Ou seja, falando �igurativamente, é o momento em que recebemos uma “roupa nova” com a qual podemos comparecer na presença de Deus. Agora veremos o que é santi�icação. Já foi dito que ela também é um presente de Deus. Esse fato é importante. Muitos seguidores de Cristo aceitaram a justi�icação como presente, reconhecendo nada poderem fazer para adquiri-la ou merecê-la. Desejam então a santi�icação e se empenham para conquistá-la por esforço próprio. Mas essa atitude não agrada a Deus. O que agrada a Deus é, em cada tentação, contarmos com essa realidade: Salvo estou, não só da culpa do pecado, mas também do poder do pecado. Ninguém mais pode obrigar-me a pecar (cf. Rm 6.6). A “santi�icação” compreende atos contı́nuos na vida de fé, um crescimento constante e um aumento de frutos. São dádivas constantes, sempre novas. Para o cristão, em qualquer situação, está “presente o presente” da santi�icação. Apegando-se a essa festa divina, o seguidor de Cristo evitará o pecado. Mas se pecar, ele não terá se munido do presente da santi�icação. Contudo, a queda não anula a justi�icação (con�ira 1Jo 2.1s). Porém é do agrado de Deus oferecer-nos plenamente todos os seus donativos. Por isso, em sua oração, o apóstolo Paulo e Epafras pediram que os colossenses tivessem uma vida espiritual “para o seu inteiro agrado”. Quinta petição: ... fruti�icando em toda boa obra... (Cl 1.10). O apóstolo Paulo pede que a vida cristã dos membros da Comunidade dos Colossos produza frutos espirituais. Há cristãos que pensam somente nas coisas celestes. Não têm o mı́nimo interesse pelos acontecimentos deste mundo. Mas Jesus não quer que os seus seguidores vivam longe da realidade do nosso dia a dia, da mesma maneira como ele não �icou alheio às ocorrências no mundo. Permaneceu entre o povo, não só pregando, como também indo para as suas festas (Jo 2), almoçando e jantando na casa dos outros (Lc 7.36; Mt 9.10; Mc 2.15) e fazendo visitas (Mc 1.29). Muitos cristãos se esquecem de como viveu Jesus e como participou de tudo o que o rodeava. Nos Evangelhos lemos tantas vezes: “E Jesus viu”, “Jesus ouviu”, “Jesus compadeceu-se”, “Jesus estendeu a mão”, “Jesus foi para”, “Jesus começou”, “Jesus respondeu”, “Jesus entrou”, “Jesus andou”, etc. Isso é importante! E� verdade que ele dispensou tempo à oração e comunhão com o Pai Celeste, mas isso bem cedo, ou à noite, ou quando sentia necessidade de orar e quando não era solicitado e procurado pelos necessitados (veja Mt 14.22 e Mc 1.35). No mais, estava envolvido com o mundo, em função do seu próximo. Até nos seus últimos momentos de sofrimento na cruz o amor de Jesus levou-o a agir, tomando as providências para que sua mãe não �icasse desamparada depois da sua morte. Viveu com os dois pés na terra, enfrentando problemas, fazendo amizades, visitando pessoas e acariciando crianças, en�im,sempre ocupado com as di�iculdades e perguntas do próximo. Assim os seus seguidores também devem viver no mundo, sem, no entanto, ser do mundo. Quem decidiu ser um seguidor de Jesus Cristo fará a mesma descoberta: quando nasce a fé no nosso coração, nasce também o amor pelo próximo. Fé e amor sempre são gêmeos. Nunca nasce um sem o outro. A fé é o “descanse sempre”, que tudo tem e espera de Jesus. O amor é o “aja sempre”. Este entra em ação quando há sofrimento ou necessidade. Está continuamente com os olhos voltados para o outro. Quer ajudar, certi�icando-se de que sua ação corresponde à ordem do Senhor, conforme Efésios 2.10: Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus, de antemão preparou para que andássemos nelas. Assim o Cristão será um defensor e amparo para os pobres, os marginalizados, os analfabetos e os necessitados. Certamente seguirá também o exemplo do “pai dos crentes”, que foi Abraão. Este reservou o dı́zimo do seu ganho para ajudar o próximo. Para Abraão isso não foi nenhuma lei, nem obrigação, mas algo muito natural. Usou-o conforme a situação o exigia: E Abrão deu a Melquisedeque o dízimo de tudo (Gn 14.20). Certa vez um rapaz leu o capı́tulo 21 de Apocalipse, que nos fala sobre as maravilhas que nos esperam no céu. Entusiasmado com as riquezas celestiais, cantava, absorvido e emocionado: “Além do céu azul foi Jesus preparar / Um lar para dar a quem a vitória alcançar...”20. Sua mãe, sufocada no serviço, acordou-o de seus sentimentos enlevados e completou: “... mas antes deixou uma porção de coisas aqui na terra para serem feitas por você. Por favor, preciso da sua ajuda para lavar estas louças”. Onde a fé não conhece a obra do amor, ela é morta, ou seja, somente teórica. Tal fé nunca foi presente de Deus. Compõe-se de pensamentos religiosos, ideias altruı́stas, sublimes e sentimentos enlevados – mas não estabelece o contato com Deus. Porém, onde o Espı́rito Santo opera, a fé tem consequências. Haverá frutos reais para servir com amor, alegria, paz, longanimidade, bondade, �idelidade, benignidade, mansidão e domı́nio próprio (Gl 5.22s). Sexta petição: ... e crescendo no conhecimento de Deus (Cl 1.10). O apóstolo João, na sua primeira carta (2.12-14), assim caracteriza seus destinatários: Filhinhos, escrevo a vocês, porque os seus pecados são perdoados por causa do nome de Jesus. Pais, escrevo a vocês, porque conhecem aquele que existe desde o princípio. Jovens, escrevo a vocês, porque vocês têm vencido o Maligno. Filhinhos, escrevi a vocês, porque conhecem o Pai. Pais, escrevi a vocês, porque conhecem aquele que existe desde o princípio. Jovens, escrevi a vocês, porque são fortes, e a palavra de Deus permanece em vocês, e vocês já venceram o Maligno. Tanto os �ilhinhos quanto os jovens e os pais são seguidores de Jesus. Encontram-se, no entanto, em etapas diferentes de crescimento espiritual. Filhinhos em Cristo são aqueles que já sabem: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, [morra para sempre], mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Crendo nessa promessa podem ter a certeza da salvação. Sabem que seus pecados estão perdoados e tudo o que os separava de Deus foi liquidado. Sabem que são justi�icados pela fé em Jesus e que, em consequência disso, receberam a vida eterna, tomando-se �ilhos de Deus. Porém, mais do que isso, as crianças em Cristo não sabem, ainda não conseguem compreender e realizar o que a Bı́blia chama de “santi�icação”. Não conseguem acreditar e aceitar que ela também é um presente de Deus. Por isso procuram vencer as tentações com forças próprias. A consequência é que constantemente tropeçam e, às vezes, caem no caminho da fé. Desanimam fácil e continuamente. Levantam- se novamente com boas intenções. Com novo vigor, decidem opor-se a Satanás, e com todas as forças próprias de que dispõem atacam o poder do pecado. Até caı́rem novamente, pois ninguém pode resistir a Satanás, a não ser Jesus. A vida das crianças em Cristo é um constante “sobe e desce”, entre vitória e derrota. Falta-lhes o descanso em Jesus e a descoberta de que as tentações devem ser entregues a ele, uma por uma, por meio da fé. Contudo, fazem parte da famı́lia de Deus. As crianças em Cristo tornam-se jovens em Cristo à medida que neles aumenta o pleno conhecimento de Deus. Quando descobrem que em Cristo e por meio dele todas as necessidades são supridas. “Jovens em Cristo” são aqueles seguidores que já descobriram e experimentaram: Cristo não só liquidou a culpa do pecado cometido no passado, mas também venceu o poder do pecado que assalta seus seguidores no presente. Jovens em Cristo são aqueles discı́pulos de Jesus que, apesar de também sofrerem derrotas e cometerem falhas e erros, não �icam olhando continuada e demasiadamente para seus fracassos a ponto de duvidarem, às vezes, da sua salvação. Não andam sempre descon�iados e inseguros quanto ao amor e à paciência de Deus, como frequentemente o fazem as crianças em Cristo. Estas não conseguem deixar de pensar que seu comportamento in�luencia sua posição de �ilho, o que as deixa temerosas e emocionalmente instáveis. Os jovens em Cristo sabem do grande e imutável amor de Deus. Sabem que ele não altera sua posição de �ilhos em virtude de procedimentos falhos. Mas também sabem nitidamente: o Espı́rito Santo não entra em acordo de paz com pecado algum que continua a ser tolerado na vida! Jovens em Cristo são iluminados pelo saber de que “Cristo em mim! Eu nele! Estou em comunhão de bens com Cristo! Cristo identi�icou-se comigo! A sua vitória é a minha vitória. A sua morte é a minha morte. A sua ressurreição é a minha ressurreição” (Cl 2.12; 3.1; Gl 6.14; Lc 15.31). Jovens em Cristo aprenderam a contar com essa realidade e, crendo, a experimentaram: O S����� lutará por vocês; �iquem calmos (E� x 14.14). Os pais em Cristo não são necessariamente pessoas idosas, porque nem sempre o crescimento espiritual corresponde ao amadurecimento fı́sico. Um homem de 60 anos ainda pode ser uma criança em Cristo, enquanto outro de 30 anos já pode ser pai em Cristo. Os “pais (ou mães) em Cristo” “conhecem aquele que existe desde o princı́pio”. Na convivência com Cristo, chegaram a conhecê-lo de maneira muito mais ampla e profunda do que os “jovens em Cristo”. O manuseio constante das Sagradas Escrituras tornou para eles a Bı́blia cada vez mais translúcida. Temem só uma coisa na vida: o pecado. A constante vivência de fé e o conhecimento dos pensamentos de Deus em sua Palavra lhes possibilita aconselhar e ajudar outros em momentos e decisões difı́ceis. Contudo, também conhecem ainda fraquezas e falhas na sua vida. Assim, o apóstolo Paulo entrou em tal choque com Barnabé que os dois se separaram (At 15.37-39). E o mesmo apóstolo Paulo teve que censurar Pedro por �ingimento (Gl 2.11-14). Também os adultos em Cristo vivem diariamente do perdão de Jesus. Sétima petição: Assim, vocês serão fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e paciência, com alegria... (Cl 1.11). A força da glória de Deus espera poder manifestar-se na nossa vida conforme o nosso crescimento espiritual. Ele chega a nós por meio de quatro canais diferentes (At 2.42): O estudo da Palavra de Deus, tanto em particular quanto em grupo. A comunhão entre aqueles que também estão no caminho da fé. Ela existe nas reuniões de oração em casa, nos estudos Bı́blicos e na participação dos cultos na igreja, en�im, em todos os lugares onde duas ou mais pessoas se reúnem no nome de Jesus. A celebração da Santa Ceia: Ela é um sinal visı́vel e palpável da presença e do amor de Jesus para com os seus. Por meio dela Cristo beija, por assim dizer, a nossa alma. Mostra-nos quanto nos quer bem. E� também uma ocasião em que somos lembrados especialmente da sua salvação e da esperança que temosde que ele voltará para nos buscar. O convite de Jesus para participar desta “janta festiva” é a grande alegria e o privilégio dos seguidores de Jesus. A oração, tanto em particular quanto em grupo. Quando estes quatro canais não estão obstruı́dos, o poder de Deus se manifesta na vida de um cristão. Ele será grandemente fortalecido no seu caminho da fé e será uma bênção para muitos. As bênçãos recebidas nesse fortalecimento espiritual se mostram em três manifestações: Perseverança. Primeiramente no agradecer. Há cristãos que se acostumam a saber e ouvir que foram salvos. Não mais agradecem diariamente e de todo o coração por essa graça. Habituam-se a possuir o conhecimento da obra de Cristo realizada na cruz. Isso esfria o amor por Jesus e a vontade de representá-lo da melhor forma, aqui na Terra. A nossa gratidão ao Senhor deve ser constante e persistente. Longanimidade. Esse termo encerra um conjunto de atitudes interiores, como a de ser generoso, bondoso e corajoso. Testemunhar destemidamente de Cristo em todas as situações que se apresentam, não esmorecer na atividade de anunciar o evangelho, tudo isso faz parte da longanimidade. Alegria. Ela se apresenta por si e irradia naturalmente à medida que os quatro canais das bênçãos divinas se abrem ou se desobstruem. E� uma alegria diferente da que normalmente conhecemos. Uma alegria nascida da valorização do maior presente que podemos ganhar de Jesus: a paz com Deus. A perseverança, a longanimidade e a alegria não são virtudes que nós precisamos criar. Nem precisamos buscá-las de longe. São simplesmente as consequências das forças celestiais que enchem a nossa vida e que transbordam. Manifestam-se sempre uma com a outra, na diaconia, no servir ao próximo, seja em que área for. A poesia da Fonte Romana ilustra muito bem essa verdade: “Subindo a água em jogo cristalino, vai em marmórea concha se quedar. Fluindo em cascatas com o destino de em outra sem demora transbordar. Jorrando límpida, a água desce até mais outra concha preencher. Correndo e descansando reconhece: Felicidade há em dar e receber.”21 Última parte da oração: Adoração ... dando graças ao Pai, que os capacitou a participar da herança dos santos na luz (Cl 1.12). Por �im o apóstolo Paulo agradece a Deus por tudo que já tem feito pelos seus irmãos na fé: 1. ... dando graças ao Pai A gratidão é um dos fatores mais importantes na vida do seguidor de Cristo. Aos irmãos da cidade de Tessalônica o apóstolo Paulo escreve: Em tudo, deem graças, porque esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus (1Ts 5.18 – ênfase acrescentada). Certa vez uma conhecida nossa bateu o carro. Como ela havia ouvido o pastor da sua comunidade pregar sobre o texto de 1 Tessalonicenses 5.18 e como tivesse decidido agradecer por tudo, orou: “Obrigada, Jesus, porque bati o carro. Amém.” Bem, acho que todos concordam que não era bem isso que Paulo quis dizer quando escreveu: “Em tudo, deem graças” (embora Deus certamente tenha abençoado a vontade desta moça em obedecer-lhe nesse particular). Alguns anos mais tarde, essa mesma pessoa teve uma grande decepção no emprego. Dessa vez orou: “Obrigada, Jesus, porque nada me acontece sem o teu consentimento. Eu quero aceitar essa decepção. Faze com que, através dela, eu aprenda a lição que tu estás querendo me ensinar”. Não é difı́cil ver a diferença entre essas duas orações de agradecimento. Ambas feitas em momentos difı́ceis, mas em graus diferentes de crescimento espiritual. Na primeira, apesar de uma louvável disposição de obedecer, nota-se certa falta de bom senso. Na segunda já podemos ver como houve conhecimento do amor de Deus na vida desta moça, conhecimento que a fez aceitar com lágrimas, mas con�iantemente, os caminhos absolutamente incompreensı́veis de Deus. Será que Deus não está exigindo demais ao fazer o apóstolo Paulo escrever: “Em tudo, deem graças”? Não, porque Deus mesmo prometeu: todas as coisas e todos os acontecimentos da sua vida podem cooperar para o seu bem (cf. Rm 8.28s). Muitas vezes ouvimos este versı́culo e o achamos bonito, sem, no entanto, analisar se entendemos correta e biblicamente este “bem”. Se ouvimos que algo é para o nosso “bem”, logo pensamos que isso signi�ica a realização dos nossos desejos, talvez uma melhor posição social, bens materiais e felicidade pessoal. Embora Deus seja tão generoso e, muitas vezes, nos conceda o desejo do nosso coração, esse “bem” aqui aponta para outra realidade. Trata-se da transformação do nosso ser à semelhança de Jesus. E� este o “bem” supremo! E� este o objetivo que Deus tem para as nossas vidas, ao encontrarmos tantas alegrias como di�iculdades. 2. ... que os capacitou a participar da herança dos santos na luz. Foi Deus quem nos fez idôneos, isto é, capazes, aptos, hábeis para receber a herança dos santos na luz. Ele nos pensou, ele nos criou. Ele nos salvou por intermédio do seu Filho. Ele também nos transformará a sua semelhança (1Jo 3.2). Não temos, por natureza, santidade alguma em nós mesmos. Pelo contrário, no nosso ser circula constantemente o veneno mortı́fero do egoı́smo e do orgulho. Contudo Deus declarou sermos “santos” porque o “Santo”, que é o seu Filho, se identi�icou conosco. A nós, a estes santos, aos cristãos, ou seja, aos �ilhos de Deus, é destinada uma herança maravilhosa: a salvação e a glori�icação. Por salvação compreende-se a comunhão constante com Deus, também agora e na eternidade. Somos, já agora, a famı́lia de Deus, e também a seremos, em tudo aperfeiçoados, no além. Por glori�icação compreende-se o privilégio de ser cooperador de Deus. Signi�ica governar com Jesus Cristo na eternidade: ... o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão para todo o sempre (Ap 22.5). Que plano maravilhoso Deus tem conosco! Como é grande o seu amor, o seu perdão, a sua misericórdia e o seu poder, capacitando-nos a receber essa herança dos santos na luz! Aqui só resta a adoração. Por isso o apóstolo Paulo termina suas petições louvando e agradecendo a Deus. Começou pedindo e acabou adorando. Também para nós este é o caminho indicado e o alvo em nossas orações! Sugestões práticas: A nossa primeira sugestão para aquele que deseja ter uma vida espiritual saudável é: agradeça pelas bênçãos já recebidas. Diga “obrigado”! Para isso não é necessário sentir gratidão. Agradeça por saber o que Deus fez por você. Use para isso, em primeiro lugar, a memória, e só depois, se houver, o sentimento e a emoção. Agradeça: porque sua posição (= sua �iliação) é perfeita. Porque nada lhe falta para ser um dos �ilhos de Deus, depois de ter aceitado Jesus como Senhor (que manda em você) e Salvador (que livrou você do poder de Satanás). Porque é tudo por graça! (Rm 3.23s); porque será coerdeiro com Cristo na glória de Deus; porque todas as ocorrências na sua vida cooperam para o seu bem: ser transformado à semelhança de Jesus. Arrependa-se sinceramente se tiver pensado que Jesus Cristo não é completamente su�iciente para a sua salvação e santi�icação. Disponha-se de todo o coração a não voltar a cometer o mesmo erro. Leia a Bíblia, diariamente e com atenção voltada para aquilo que Deus talvez esteja querendo lhe dizer pessoalmente. Depois de meditar sobre um versı́culo, pergunte-se: “Como é isso comigo?” Se a palavra de Deus se encaixa na sua situação, então ore a esse respeito. Vá à igreja e às reuniões cristãs. Preste atenção nos cultos, mesmo que, às vezes, não lhe agradem. Deus prometeu que abençoaria e se achegaria a todos os que comparecessem ao lugar onde a memória do seu nome fosse celebrada (E� x 20.24b). Pode ser que desta vez Deus deseje falar com você por meio de uma estrofe do hino cantado, na prédica ou na liturgia. Ore, pedindo a Deus lhe ensine a viver entre as duas situações opostas em que o seguidor de Jesus é colocado: a do “descanse sempre” (fé) e a do “aja sempre” (amor). Resumo e estímulos para as nossasorações Desejando que a sua vida espiritual ou a vida espiritual dos seus irmãos e irmãs na fé seja abençoada e saudável, então ore: para que seja dado a você e aos seus irmãos na fé o espı́rito de discernimento, não permitindo que penetrem ideologias sectárias na sua vida espiritual; para que você tenha o amor, a sabedoria e as palavras certas no seu testemunho de fé; para que chegue a conhecer nitidamente o plano de Deus com o povo de Israel, com a igreja de Cristo e com todas as nações; agradecendo por sua posição perante Deus, que é perfeita pela sua graça; para que não pare de lutar enquanto a conduta imperfeita está em desnı́vel com sua posição perfeita; agradecendo por Jesus ter salvo você tanto da culpa do pecado quanto do poder do pecado; para que hoje o fruto do Espı́rito Santo se manifeste em todas as suas obras; se você é uma “criança em Cristo”, que cresça espiritualmente, para tornar-se um “jovem (uma jovem) em Cristo”. E que, �inalmente, se torne também um “adulto em Cristo”; para que a perseverança na fé, a longanimidade e a alegria possam manifestar-se na sua vida; agradecendo porque Deus o capacitou para receber a herança dos santos na luz! Senhor, ensine-nos a orar... (Lc 11.1). 1 Artur da Távola. “Mevitevendo”. (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.) 2 Hino “Ó meu Senhor Jesus”. Hinário Cantarei ao Senhor, vol. 2, nº B-131. 3 Hino “Da igreja é fundamento”. Hinário “Hinos do povo de Deus”, nº 109. 4 Hino “Se as águas do mar da vida”. Hinário Hinos do povo de Deus, nº 216. 5 Hino “Daniel”. Hinário “Crianças, vinde louvai!”, Volume 1, nº 8. 6 Brandenburg, Hans. Die kleinen Propheten (Ed. “Das lebendige Wort”.) 7 Bíblia Sagrada com re�exões de Lutero. Comentário a Is 9.6. (São Paulo: SBB, 2015.) 8 Hino “Eu quero ser”. Hinário “Hinos do povo de Deus”, Nº 421. 9 Adaptado do livro “Patterns for Prayer from the Gospels”, de V. Gilbert Beers. (Nova Jersey: Revell Company.) 10 Hino “Deus está presente”. Hinário Hinos do povo de Deus, nº 124. 11 Hino “Deus está presente”. Hinário Hinos do povo de Deus, nº 124. 12 LUTERO, Martinho. Catecismo Menor, versão popular. (São Leopoldo: Sinodal, 2002.) 13 ROSEGGER, Peter. Die Schriften des Waldschulmeisters. (Krieglach, 1875.) 14 Hino “Com tua mão segura”. Hinário Harpa Cristã, nº 33. 15 LUTERO, Martinho. Catecismo Menor, 18ª ed. 16 Adaptado do livro “Beten praktisch”, de V. Gilbert Beers. (Verlag Bibellesebund/Winterthur-Suíça.) 17 HOLANDA, Aurélio Buarque de. Dicionário Aurélio. 5ª ed. (Curitiba: positivo, 2018.) 18 Jakob Kroeker (1872-1948) foi um importante teólogo menonita, professor e evangelista que atuou na Alemanha e na Rússia. 19 Hino “Os que con�am no Senhor”. Hinário “Hinos do povo de Deus”, nº 229. 20 “Hino “Além do céu azul”. Hinário Harpa cristã”, nº 628. 21 Poema “Fonte romana” (“Römischer Brunnen”), de Rainer Maria Rilke (1875-1926), importante poeta alemão do século 20. Folha de rosto Expediente Sumário Apresentação Prefácio Introdução - Quinze modelos bíblicos de oração 1 - A oração de Eliezer - Buscando a orientação de Deus em decisões difíceis 2 - A oração de Jacó - Uma oração em situação angustiante 3 - A oração de Ana - Um gemido dos tristes e amargurados 4 - A oração de Elias - Uma explosão de desespero 5 - A oração de Daniel - A oração intercessória de arrependimento 6 - A oração de Jonas - Um grito de angústia 7 - A oração de Simeão - Esperando o cumprimento de uma promessa de Deus 8 - O Pai Nosso - A oração modelo 9 - Salve-me, Senhor! - Pedro enfrenta o perigo 10 - Jesus no Getsêmani - Uma oração de angústia frente ao poder de Satanás 11 - A oração sacerdotal de Cristo - Um modelo de intercessão 12 - As três orações de Jesus na cruz - Orando em extrema aflição e dor 13 - Paulo ora pelos Efésios - Uma oração por crescimento espiritual 14 - Outra oração pelos Efésios - Em busca de fortalecimento espiritual 15 - Paulo intercede pelos cristãos de Colossos - Orando por uma vida cristã saudável Notas