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Capítulo V Fluidização Sumário 5.1. Introdução 5.2. Condições de fluidização; 5.3. Velocidade mínima de fluidização; 5.4. Tipos de fluidização; 5.5 Expansão de leitos fluidização; 5.6. Aplicação da fluidização; 5.7 Fluidização contínua; 5.7.1. Tipos de transporte; 5.7.1.1. Transporte Pneumático; 5.7.1.2. Transporte hidraúlico; Introdução Fluidização • É a sustentação de partículas soltas por um fluido com velocidade ascendentes o que acontece a partir de um determinado valor; • Ocorre quando um fluxo ascendente de fluido escoa através de um leito de partículas e adquire velocidade suficiente para manter as partículas em suspensão sem que sejam arrastadas junto com o fluido; • S Sem fluxo Com fluxo L1 L2 (e1) (e2) Fluidização • Quando um líquido ou um gás passa a uma velocidade muito lenta por meio de um leito de partículas sólida, as partículas não se movem e a diferença de pressão é dada pela equação de Ergun: (5.1) ∆P – Diferença de pressão do leito fluidizado µ - Viscosidade Ɛ - Porosidade ou fracção de volume de vazio no leito sólido Ф – Esfericidade Vp – volume da partícula Sp – Área específica da partícula simples Fluidização • Se a velocidade do fluido é aumentada com regularidade e a resistência das partículas individuais, aumentar eventualmente, as partículas começam a mover-se e tornam-se suspensas no fluido. A fluidização é empregue em: • Secagem • Mistura • Revestimento de partículas • Aglomeração de pós • Aquecimento e resfriamento de sólidos • Congelamento • Torresfação de café • Pirólise Vantagem da fluidização • Alta mistura dos sólidos ( homogeneização rápida) • A área superficial das partículas sólidas ficam completamente disponíveis para transferência de calor e de massa. Etapas da fluidização • 0 → A : aumento da velocidade e da queda de pressão do fluido; • A→ B: o leito está iniciando a fluidização; • B → C: com o aumento da velocidade, há uma queda leve da pressão devido à mudança repentina da porosidade de leito; • C → D: O log( -∆P) varia linearmente com log(V) até o ponto D ; • D → : Após o ponto D, as partículas começam a ser carregadas pelo fluido e perde-se a funcionalidade do sistema. Log(-∆P) B D A . . . C . . . . . . . . . . . . . 0 logV Vmf Va Etapas de fluidização • log(∆P) • B. D • A . c . • . . • . . • . . • . . 0 logvVaVmf Exemplo da aplicação de fluidização em resfriamento de sólidos Velocidade mínima de fluidização • O leito somente fluidizará a partir de um certo valor de velocidade do fluido ascendente. Essa velocidade é definida como a velocidade mínima de fluidização (Vmf); • Quando atinge-se Vmf, a força da pressão (Fp) e a de empuxo (Fe) se igualam a força do peso das partículas do leito (Fg); Logo: Fp + Fe = Fg Fg Fp Fe sabe-se que: • (5.2) • Fazendo Fp +Fe = Fg uma equação para a velocidade mínima de fluidização pode ser obtida por fixação da diferença de pressão igual ao peso do leito por unidade de área da secção transversal capaz de deslocar a força da boia para o fluido: • (5.3) Velocidade mínima de fluidização • Na fluidização incipiente (inicial) a porosidade é a porosidade mínima de fluidização e é representado por: (5.4) Assim a equação de Ergun para a diferença de pressão de leito comprimido pode ser reajustado: (5.5) Aplicando o ponto para fluidização incipiente obtem-se (5.6) Vmf para regime laminar Para partículas muito pequena em que o fluxo é laminar isto é para um NRe menor que 1 (Re<1) a velocidade mínima de fluidização torna-se: (5.7) Vmf para regime turbulento • No entanto a fluidização também é utilizada para partículas mais largas que 1 mm como no leito fluidizado da combustão do carvão • Para partículas de tamanho muito grande o termo de fluxo laminar torna-se negligenciável e a velocidade mínima de fluidização varia com a raiz quadrada do tamanho da a partícula isto é: • Para NRe > 1000 • (5.8) Cont. • Para NRe baixo a velocidade mínima ou terminal (uf) e a velocidade mínima de fluidização (vom) de fluidização ambas variam com o diâmetro ao quadrado pela diferença das densidades • e 1/µ Tal que a razão das velocidades dependam principalmente da fracção do vazio na fluidização mínima: (5.9) Porosidade minima da fluidização • Para partículas esféricas, a porosidade mínima de fluidização é Ɛm= 0,45; • Para determinar a porosidade mínima de fluidização usam-se as seguintes relações: • A velocidade final ou terminal é 50 vezes a velocidade mínima de fluidização, tal que o leito que fluidize a 10mm/s podia provavelmente ser operado com velocidade acima dos 400mm/s com poucas partículas arrastadas com o gás de saida. Porosidade minima da fluidização • Com uma larga distribuição de tamanho de partículas haveria um maior transporte ou arrato dos finos do que partículas de tamanho médio em que a maior parte pode ser recuperada por filtro ou separador ciclónicos e retornam ao leito. • Para partículas largas a velocidade final é dada pela lei de Newton: (5.10) • E esta pode ser comparada com a velocidade mínima de fluidização . Isto para as esferas com NRe>1000 • Para caso de e a razão das velocidades final e mínima de fluidização que é uma razão muito mais baixa para partículas finas isto poderá ser uma desvantagem para o uso das partículas grossas no leito fluidizado; • Mais o tamanho óptimo da partícula geralmente depende de outros factor tais como o custo de moagem, a velocidade de transferência de massa e de calor do gás desejado. Tipos de fluidização Tipo de fluidização • Fluidização particulada • Fluidização Agregativa Fluidização particulada • É aquela em que no líquido o leito continua a expandir-se a medida que aumenta a velocidade e mantém o seu carácter uniforme com a intensidade da agitação das partículas à aumentar progressivamente. • Ou ainda, ocorre quando a densidade das partículas é parecida com a do fluido e o diâmetro das partículas é pequeno. Fuidização Agregativa: • Ocorre quando as densidades das partículas e do fluido são muito diferentes ou quando o diâmetro das partículas é grande; • Para um gás só se obtém uma fluidização uniforme para velocidade relativamente baixas; • A elevadas velocidades formam-se 2 fases distintas: • A fase contínua ou densa que é por vezes designada fase de emulsão; • E a fase descontínua conhecida por fase leve ou de bolhas constituem a fluidização agregativa. • Ex. Neste caso o sistema assemelha-se muito à um líquido em ebulição, com a fase leve a corresponder ao vapor e a fase densa ou contínua ao leito em ebulição. Fuidização Agregativa: • O comportamento de um leito fluidizado em bolhas depende fortemente do número e tamanho das bolhas do gás que são muitas vezes difíceis de predizer; • O tamamanho médio das partículas depende da natureza e da distribuição do tamanho das partículas, do tipo do prato distribuidor, da velocidade superficial e da profundidade do leito. Expansão do leito fluidizado • Com ambos tipos de fluidização o leito expande-se com o aumento da velocidade superficial e desde que a diferença de pressão (∆P) permaneça constante, a diferença de pressão por unidade de comprimento (∆P/L) diminui com o aumento da porosidade (Ɛ). (5.11) (5.12) Para a fluidização particulada • A expansão é uniforme e a equação de Ergun aplica-se para leitos fixosesperada para segurar leitos levemente expandidos; • Assumindo que os fluxos entre as partículas é laminar utilizando o primeiro termo da equação (5.5) obtém-se a seguinte expressão para leitos expandidos: • (5.13) • Nota- se que a equação (5.13) é similar a (5,7) para a velocidade mínima de fluidização mais agora: vo = variável independente; Ɛ (porosidade) =variável dependente A Razão pela qual: é proporcional a para velocidade mínima de fluidização. Altura do leito poroso • Quando inicia-se a fluidização, há um aumento da porosidade e da altura do leito. Essa relação é dada pela seguinte expressão: SL(1-Ɛ) = SLmf (1-Ɛmf) volume de volume de sólido Sólido no leito no leito fluidizado fixo Altura do leito expandido • A altura do leito expandido pode ser obtido através da porosidade e dos valores de comprimento e através da porosidade incipiente ( inicial) • → (5.14) Cont. • Para fluidização particuladas das partículas maiores na água a expressão do leito é esperada por ser maior que a correspondente e a equação (5.13) desde que a queda de pressão dependa parcialmente da energia cinética do fluido e um maior aumento na porosidade é necessário para o equilíbrio de uma dada percentagem do aumento da velocidade de fluidização. Cont. • Os dados da expansão podem ser correlacionados pela equação empírica proposta por: Lewis: Vo= Ɛm (5.15) equação empírica. Fluidização em bolhas • A expansão do leito aproxima-se principalmente do espaço ocupado pelas bolhas gasosas desde que a fase densa não expande significativamente com o aumento do fluxo total; • O gás flui através da fase densa e é assumido por ser a velocidade mínima de fluidização vezes a fracção do leito ocupado pela fase densa e o resto do gás que flui é arrastado ou transportado pelas bolhas sendo assim a velocidade de fluidização : • (5.16) Cont. • Onde: • fb = fracção do leito ocupado pelas bolhas • Ub = Velocidade média da bolha • A altura na fluidização incipiente será: • (5.17) • Lm = altura do leito de fluidizacção incipiente • L = altura do leito expandido Combinando as equacões (5.16) e (5.17) (5.18) Quando a velocidade média da bolha ub é muito maior que Vo o leito apenas expande –se levemente embora Vo seja variavel constante em relacao Uma equação empirica para a velociodade de bolha no leito fluidizado é : (5.19) Cont. • Alguns pós finos fluidizados por um gás exibem a fluidização particulado acima do intervalo limitado da velocidade próximas do ponto de fluidização mínima; • Com aumento da velocidade o leito expande- se uniformemente até que as bolhas comecem a cair gradualmente para formar uma altura mínima. Aplicacões da fluidização • O uso extensivo da fluidização começou na indústria de petróleo com desenvolvimento do leito do fluido de agente catalítico fraccionário; • A fluidização é utilizada em outros processos catalíticos a sintese do nitrilo de acrilo e para o transporte de reações sólido- gás; • Há um maior interesse no leito fluidizado da combustão do carvão como um significado da combustão do custo do boile e a diminuição da emissão dos poluentes; • Os leitos fluidizados são também utilizados para secagem fina de sólido e a adsorção de gases. Principais vantagens da fluidização são as seguintes: 1. o sólido é vigorosamente agitado pelo fluido passando através do leito ; 2. a mistura de sólido assegura que não haja praticamente gradiente de temperatura no leito embora haja bastantes reacções exortémicas ou endotémica; 3. o movimento violento dos sólidos também dá altas velocidades de transferência de calor para a parede ou tubos emersos no leito. Desvantagens • A principal desvantagem da fluidização gás solidos é o contacto irregular do gás e do sólido; • A maior parte do gás passa através do leito como bolhas e directamente contacta apenas uma pequena quantidade de sólido num fino revestimento conhecido como a mancha a volta da bolha. Fluidização contínua • É o arrasto das particulas ao longo do percurso; • Quando a velocidade do fluido através do leito torna-se bastante grande todas as partículas são arratadas num fluido e são transportadas através dele para obter a fluidização contínua; • A sua principal aplicação é no transporte dos sólidos de um ponto ao outro numa instalação de processamento. Tipos de transporte na fluidização contínua • Pneumático • Hidraúlico Transporte pneumático • O fluido num transportador pneumático é um gás geralmente ar; • Fluindo a velocidade entre 15 a 30 m/s (50 e 100fts/s ) em tubos em série de 50 a 400mm de diâmetro (2 a 16 in); • Neste meio de transportes existem dois principais tipos de sistemas: Sistemas de pressão negativa e sistema de pressão positiva. SISTEMAS DE PRESSÃO NEGATIVA (VÁCUO) • são comumente mais utilizados para materiais de vários formatos que transportam para um único ponto de recepção. • Não haverá problemas no transporte se, ocorrer pequenas diferenças de pressão no processo de transporte. • As válvulas rotativas e parafusos também podem ser utilizadas neste tipo de sistemas e ficam menos caro do que no sistema de pressão positiva. • A diferença é que haverá necessidade de um volume de ar maior e os filtros de ar deve estar sob vácuo na operação. • Este sistema é vantagioso para transferência de sólidos de pontos multiplos de canalização. Sistemas de Pressão Positiva • É o melhor com uma simples entrada de estado e um ou mais pontos de distribuição; • A maior parte dos transportadores pneumáticos operam sob pressão positiva com um soprador ou compressor cuja a alimentação é o ar ou ocasionalmente o azoto numa pressão de 1 a 5 atm da garganta do sistema; • A razão entre sólido e gás é geralmente mais elevado que no sistema de vácuo. Cont. • Algumas vezes o gás e recirculado para o soprador ou compressor a entrada do sistema fechado para conservar o gás desejado ou prevenir a perda do pó para a atmosfera; • A queda de pressão ou a diferença de pressão necessária para passar somente através de um sistema de transportador pneumático é pequena mas aumenta consideravelmente; • Quando a energia adicional passa ser fornecida para elevar e remover os sólidos; • Esta energia adicional fornecida por um balanço de energia mecânica baseia –se na equação: Cont. (5.20) r: Razão de massa entre sólido e gás EAs; : Energia adicional Vsa: Velocidade do sólido a entrada Vsb: Velocidade do sólido a saida ρs: Densidade do sólido Cont. • A energia adicional (EAs) é fornecida pelo ar e transmitida por partículas sólidas através da acção das forças de resistência entre o ar e o sólido; • Eas É um termo de trabalho e pode aparecer no balanco de energia mecânica. : Transporte hidraúlico • As partículas mais pequenas de cerca de 50 micrometro de diâmetro sedimentam-se mais lentamente e são prontamente suspensas no movimento do líquido; • As partículas mais longas são mais difíceis de suspender e quando o diâmetro for 0,25mm ou maior, uma velocidade de líquido completamente maior é necessário para manter as partículas em movimento especialmente em tubos horizontais. Cont. • A velocidade crítica Vc a baixo da qual as partículas sedimentar-se-ão encontra-se entre 1 e 5 m/s dependendo da diferença de densidade entre os sólidos e do tamanho do tubo; • As velocidades críticas são maiores num tubo grande que num tubo pequeno.