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2 
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA 
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA 
SECRETARIA DE GESTÃO E ENSINO EM SEGURANÇA PÚBLICA 
DIRETORIA DE ENSINO E PESQUISA 
 
COORDENAÇÃO-GERAL DE ENSINO 
COORDENAÇÃO DE ENSINO A DISTÂNCIA 
 
CONTEUDISTA 
Carlos Antônio Borges 
 
REVISÃO DE CONTEÚDO 
Thiago César Fagundes Santos 
Victória Pereira de Vasconcelos de Abreu 
 
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA 
Ardmon dos Santos Barbosa 
Márcio Raphael Nascimento Maia 
 
SETOR DE CRIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO 
 
PROGRAMAÇÃO E EDIÇÃO 
Ozandia Castilho Martins 
Vinícius Alves de Sousa 
 
DESIGNER 
Ozandia Castilho Martins 
Vinícius Alves de Sousa 
Zulmiro José Machado Filho 
 
DESIGNER INSTRUCIONAL 
Luana Manuella de Sales Mendes 
 
 
 
 
 
 3 
SUMÁRIO 
 
APRESENTAÇÃO DO CURSO ................................................................................................................5 
DIVISÃO DOS MÓDULOS: .....................................................................................................................7 
OBJETIVOS DO CURSO ...........................................................................................................................7 
MÓDULO 1 – SISTEMA NACIONAL DE TRÂNSITO .......................................................................8 
APRESENTAÇÃO DO MÓDULO .......................................................................................................8 
OBJETIVOS DO MÓDULO ..................................................................................................................9 
DIVISÃO DAS AULAS ........................................................................................................................ 10 
AULA 1 – COMPOSIÇÃO DO SISTEMA NACIONAL DE TRÂNSITO .................................. 11 
AULA 2 – COMPETÊNCIAS DOS ÓRGÃOS E ENTIDADES COMPONENTES DO 
SISTEMA DOS ÓRGÃOS NORMATIVOS .................................................................................... 13 
AULA 3 – ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA .............................. 25 
FINALIZANDO ..................................................................................................................................... 26 
MÓDULO 2 – INFRAÇÕES DE TRÂNSITO...................................................................................... 28 
APRESENTAÇÃO DO MÓDULO .................................................................................................... 28 
OBJETIVOS DO MÓDULO ............................................................................................................... 28 
DIVISÃO DAS AULAS ........................................................................................................................ 29 
AULA 1 – TIPIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO DE TRÂNSITO .......................................................... 30 
AULA 2 – COMPETÊNCIAS PARA A FISCALIZAÇÃO .............................................................. 32 
AULA 3 – COMPLEXIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DE INFRAÇÕES DE TRÂNSITO ... 34 
AULA 4 – CONEXÃO COM CRIMES DE TRÂNSITO ................................................................ 56 
AULA 5 – ESCLARECENDO OUTRAS QUESTÕES .................................................................... 62 
TRÂNSITO DE MOTOCICLETA ENTRE VEÍCULOS PARADOS ............................................. 64 
OBRIGATORIEDADE DO TACÓGRAFO ........................................................................................... 71 
PAÍSES SIGNATÁRIOS DA CONVENÇÃO DE VIENA OU COM ACORDOS DE 
RECIPROCIDADE ................................................................................................................................ 77 
FINALIZANDO ..................................................................................................................................... 80 
 
 
 
 4 
MÓDULO 3 – PENALIDADES E MEDIDAS ADMINISTRATIVAS .............................................. 82 
APRESENTAÇÃO DO MÓDULO .................................................................................................... 82 
AULA 1 – CONCEITO DE AUTORIDADE E DE AGENTE DA AUTORIDADE ..................... 84 
AULA 2 – PENALIDADES ................................................................................................................. 85 
AULA 3 – MEDIDAS ADMINISTRATIVAS ................................................................................... 91 
AULA 4 – ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA .............................. 98 
FINALIZANDO ................................................................................................................................... 100 
MÓDULO 4 – PROCESSO ADMINISTRATIVO DE TRÂNSITO ............................................... 102 
APRESENTAÇÃO DO MÓDULO .................................................................................................. 102 
AULA 1 – DO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO DE TRÂNSITO À IMPOSIÇÃO DA 
PENALIDADE ..................................................................................................................................... 104 
AULA 2 - ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA PARA A 
EFETIVIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO ................................................................. 109 
FINALIZANDO ................................................................................................................................... 115 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................. 117 
CRÉDITOS ........................................................................................................................................... 120 
 
 
 
 
 5 
APRESENTAÇÃO DO CURSO 
 
A legislação de trânsito muda constantemente e envolve muitas questões, 
como as que se deslocam nas vias públicas em sentidos e direções diversas. Nesse 
contexto, o profissional de segurança pública na área de trânsito precisa de 
conhecimentos específicos e de reciclagem de conhecimentos com frequência diante 
dessas mudanças no âmbito da lei e nos diversos órgãos que atuam nessa área. 
Um trânsito harmonioso e seguro depende do empenho de todos os 
envolvidos nesse processo. 
Os profissionais que fazem parte do Sistema Único de Segurança Pública 
(Susp) necessitam de comprometimento, integração e capacitação, pois são as 
pessoas responsáveis a assegurar o seguinte direito: “direito de todos e dever dos 
órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito” (art. 1º, § 2º do 
Código de Trânsito Brasileiro – CTB). 
 
 
Figura 1: Trânsito 
Fonte: Do conteudista. 
 
O propósito do presente curso é aplicar a legislação de trânsito diante das 
infrações administrativas. Para isso há a necessidade de dominar conhecimentos da 
estrutura e dos órgãos e entidades competentes do sistema de trânsito, dos tipos de 
https://www.canva.com/photos/MADGyQKi_ic-landscape-photography-of-cars/
 
 
 
 6 
condutas infratoras previstas no CTB e as providências que devem ser adotadas pelo 
profissional de segurança, e por fim, do processo administrativo em todas as suas 
etapas, desde a autuação à punição do infrator. 
 
 
Figura 2: Estrada 
Fonte: Do conteudista. 
 
 
 
Figura 3: Vias 
Fonte: Do conteudista. 
 
 
https://www.canva.com/photos/MADGvpSdMlQ-road-in-between-green-tree-under-white-clouds-and-blue-sky/
https://www.canva.com/photos/MADGx6bK2AA-parked-gray-car/
 
 
 
 7 
DIVISÃO DOS MÓDULOS: 
 
Este curso é composto pelos seguintes módulos: 
 
- Módulo 1 – Sistema Nacional de Trânsito; 
- Módulo 2 – Infrações de trânsito; 
- Módulo 3 – Penalidades e medidas administrativas; 
- Módulo 4 – Processo administrativo de trânsito. 
 
 
OBJETIVOS DO CURSO 
 
Ao final do estudo deste curso, você será capaz de: 
 
-Identificar a composição do Sistema Nacional de Trânsito (SNT); 
-Diferenciar as competências dos órgãos e entidades componentes do SNT, 
aplicando-asao trabalho desenvolvido por sua corporação, integrante do Sistema 
Único de Segurança Pública; 
-Enquadrar comportamentos infratores das regras de circulação e conduta à correta 
tipificação descrita nos artigos de 162 a 255 do CTB; 
-Adotar medidas administrativas previstas na legislação quando da autuação de 
infração de trânsito, de acordo com a competência do profissional de segurança, 
diferenciando-a da que afeta à autoridade de trânsito; 
-Compreender o desenvolvimento do processo administrativo de trânsito desde o 
cometimento da infração até punição do infrator, bem como as atribuições do 
profissional de segurança neste processo. 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20Art.%207%C2%BA%20Comp%C3%B5em%20o%20Sistema%20Nacional%20de%20Tr%C3%A2nsito%20os%20seguintes%20%C3%B3rg%C3%A3os%20e%20entidades%3A
 
 
 
 8 
MÓDULO 1 – SISTEMA NACIONAL DE TRÂNSITO 
 
APRESENTAÇÃO DO MÓDULO 
 
O Sistema Nacional de Trânsito é composto por órgãos e entidades das esferas 
da administração pública Federal, Estadual e Municipal, desempenhando atribuições 
integradas e harmônicas entre si, para o desenvolvimento da Política Nacional de 
Trânsito objetivando a segurança, a fluidez, o conforto, a defesa ambiental e a 
educação para o trânsito, bem como a fiscalização do seu cumprimento. 
 
 
Figura 4: Semáforo 
Fonte: Do conteudista. 
 
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), esse sistema pode ser 
definido como: 
“o conjunto de órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal 
e dos Municípios que tem por finalidade o exercício das atividades de 
planejamento, administração, normatização, pesquisa, registro e 
licenciamento de veículos, formação, habilitação e reciclagem de condutores, 
educação, engenharia, operação do sistema viário, policiamento, 
fiscalização, julgamento de infrações e de recursos e aplicação de 
penalidades” (CTB, art. 5º). 
https://www.canva.com/photos/MAAm7J_bDH4-traffic-lights/
 
 
 
 9 
 
 
Figura 5: Condução 
Fonte: Do conteudista. 
 
Cada órgão desempenha atividades específicas, de acordo com a natureza 
(normativa, executiva, fiscalizadora ou recursal) e nos limites da sua competência 
legal. Contudo, a legislação possibilita ampliar o alcance da fiscalização de trânsito 
através da celebração de convênios de cooperação técnica entre os órgãos e 
entidades executivas do Sistema Nacional de Trânsito. 
 
OBJETIVOS DO MÓDULO 
 
Ao final do estudo desse módulo, você será capaz de: 
 
- Enumerar os órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de 
Trânsito; 
- Identificar as competências de cada órgão, relacionando-as à sua atuação 
como profissional de segurança pública; 
- Compreender a ampliação da competência para a fiscalização de trânsito, por 
meio da celebração de convênios entre os órgãos componentes do sistema, com o 
objetivo de aumentar a eficiência e a segurança para os usuários da via pública. 
 
https://www.canva.com/photos/MADQ5D6gKv0-pov-of-man-driving-car/
 
 
 
 10 
DIVISÃO DAS AULAS 
 
Este módulo compreende as seguintes aulas: 
 
Aula 1 – Composição do Sistema Nacional de Trânsito; 
Aula 2 – Competências dos órgãos e entidades componentes do sistema; 
Aula 3 – Atuação do profissional de segurança pública. 
 
 
 
 
 11 
AULA 1 – COMPOSIÇÃO DO SISTEMA NACIONAL DE TRÂNSITO 
 
Os órgãos que compõem o Sistema Nacional de Trânsito (CTB, art. 7º) podem 
ser assim apresentados, de acordo com as funções desempenhadas para alcance 
dos objetivos do referido sistema: 
 
1. ÓRGÃOS NORMATIVOS E CONSULTIVOS: 
a) Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN); 
b) Conselhos Estaduais de Trânsito (CETRAN); 
c) Conselho de Trânsito do Distrito Federal (CONTRANDIFE). 
 
2. ÓRGÃOS EXECUTIVOS: 
a) De trânsito: 
a1) Departamento Nacional de Trânsito (SENATRAN) – União; 
a2) Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) – Estados e DF; 
a3) Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) – municípios 1 
 
1 Nomenclatura exemplificativa, podendo sofrer alterações de acordo com a lei orgânica do município, bem como 
estabelecer a sua estrutura administrativa como secretaria, superintendência, autarquia, dentre outras. 
A lei nº 9.503 no seu Art. 7º do CTB, dispõe (In verbis): 
 
Compõem o Sistema Nacional de Trânsito os seguintes órgãos e entidades: 
 
I - o Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN, coordenador do Sistema e 
órgão máximo normativo e consultivo; 
 
II - os Conselhos Estaduais de Trânsito - CETRAN e o Conselho de Trânsito do 
Distrito Federal - CONTRANDIFE, órgãos normativos, consultivos e 
coordenadores; 
 
III - os órgãos e entidades executivos de trânsito da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios; 
 
IV - os órgãos e entidades executivos rodoviários da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios; 
 
V - a Polícia Rodoviária Federal; 
 
VI - as Polícias Militares dos Estados e do Distrito Federal; e 
 
VII - as Juntas Administrativas de Recursos de Infrações - JARI. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm
 
 
 
 12 
b) Rodoviários: 
b1) Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) – União; 
b2) Departamento de Estradas de Rodagem (DER) 2 - Estados e DF; 
b3) Órgão Rodoviário Municipal – Municípios. 
 
3. ÓRGÃOS E AGENTES FISCALIZADORES 
a) Polícia Rodoviária Federal (PRF) – União 
b) Polícias Militares (PM) – Estados e DF 
c) Agentes do DETRAN / DER 
d) Agentes Municipais (convênio) 
 
 
 
4. ÓRGÃOS RECURSAIS 
Juntas Administrativas de Recursos de Infração (JARI) 
 
 
2 Nomenclatura exemplificativa, podendo sofrer alterações de acordo com a organização administrativa do 
Estado da Federação. Por exemplo, em Goiás é denominado Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes 
(Goinfra). 
 
 
 
 
 13 
 
Figura 6: Fotografia 
Fonte: Marcelo Camargo/Agência Brasil. 
 
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2019-06/plataforma-da-rodoviaria-e-interditada-por-
risco-de-desabamento-1581292376-1 
AULA 2 – COMPETÊNCIAS DOS ÓRGÃOS E ENTIDADES COMPONENTES DO 
SISTEMA DOS ÓRGÃOS NORMATIVOS 
 
 
 
Tanto o CONTRAN, em nível nacional, como o CETRAN/CONTRANDIFE, no 
âmbito da unidade da federação brasileira em que tem sede, desempenham 
harmonicamente as funções normativas, consultivas e coordenadoras para alcance 
dos objetivos da Política Nacional de Trânsito (conforme Resolução nº 514/2014-
CONTRAN). 
 
As competências do Conselho Nacional de Trânsito estão estabelecidas no 
art. 12 do Código de Trânsito Brasileiro*, ou seja, o estabelecimento de normas 
regulamentares expressamente delegadas pela Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 
1997 (CTB), estabelecido por meio de resoluções, tem destaque nesse meio. 
Estas resoluções são resultado das constantes transformações e evoluções 
dos equipamentos e dispositivos de segurança dos veículos e também a necessidade 
de se adequar a sociedade em que se vive. Hoje, mais de oitocentas resoluções já 
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2019-06/plataforma-da-rodoviaria-e-interditada-por-risco-de-desabamento-1581292376-1
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2019-06/plataforma-da-rodoviaria-e-interditada-por-risco-de-desabamento-1581292376-1
file:///C:/Users/danilo.moreira/Downloads/RESOLUÇÃO%20CONTRAN%20Nº%20514,%20DE%2018%20DE%20DEZEMBRO%20DE%202014%20(diariofiscal.com.br)
file:///C:/Users/danilo.moreira/Downloads/RESOLUÇÃO%20CONTRAN%20Nº%20514,%20DE%2018%20DE%20DEZEMBRO%20DE%202014%20(diariofiscal.com.br)
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm
 
 
 
 14 
foram modificadas e encontram-se ainda dezenas que permanecem ativas desde 
antes do CTB (1998) entrar em ação. Assim, torna-se mais importante perceber que 
a atuação do profissional de segurança pública na área de trânsito exige constante 
atualização para estar a par dessas atualizações. 
O CONTRAN também é responsável por responder consultas que chegam até 
ele em relaçãoà aplicação da legislação de trânsito. A sede encontra-se em Brasília, 
é comandado pelo Ministro de Estado da Infraestrutura e composto pelos seguintes 
representantes: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7: Representantes 
Fonte: SCD/EaD/Segen. 
 
 
Pensando no contexto de que o trânsito é um assunto completo e requer 
conhecimentos específicos de quem trabalha com ele, o CONTRAN passou a 
disponibilizar Câmaras Temáticas, que contam com especialistas nos assuntos 
técnicos e tem como objetivo estudar o assunto e oferecer sugestões, com 
fundamentos técnicos, para auxiliar na tomada de decisões do colegiado. São elas: 
 
 
 
 15 
Figura 8: Representantes 
Fonte: SCD/EaD/Segen. 
 
As competências dos Conselhos Estaduais de Trânsito e do Conselho de 
Trânsito do Distrito Federal estão estabelecidas no art. 14 do Código de Trânsito 
Brasileiro e possuem as mesmas competências que o CONTRAN em nível da unidade 
federativa em que têm circunscrição. Porém, com o poder normativo vinculado a ele, 
a extensão é bem menor, pois as regulamentações do CONTRAN são válidas em todo 
o território nacional. Com isso, o CETRAN/CONTRADIFE não tem o poder de criar 
normas diferentes do que foi definido pelo CONTRAN. 
O CETRAN/CONTRANDIFE também é responsável por responder questões 
em relação à aplicação da legislação de trânsito e constitui-se em grau de recurso, ou 
seja, a parte que perdeu a ação, não se conformou e faz o requerimento de nova 
apreciação, do julgamento das penalidades aplicadas pelos órgãos executivos e 
fiscalizadores dos Estados ou municípios. Ao contrário do CONTRAN, esse órgão 
também julga os recursos contra decisões dos órgãos executivos de trânsito nas 
situações de inaptidão permanente, verificadas nos exames realizados para a 
aquisição da Carteira Nacional de Habilitação. 
 
Você pode conferir mais informações sobre a gestão e 
operacionalização das atividades do CETRAN/CONTRANDIFE, como também 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%2014.%20Compete,na%20esfera%20administrativa.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%2014.%20Compete,na%20esfera%20administrativa.
 
 
 
 16 
as diretrizes para produção do seu regimento interno na Resolução nº 
688/2017-CONTRAN. 
 
DOS ÓRGÃOS EXECUTIVOS DE TRÂNSITO 
 
O Departamento Nacional de Trânsito tem as competências definidas no art. 
19 do CTB, em especial na atividade de emissão dos documentos de habilitação do 
condutor de veículo automotor (Permissão Para Dirigir, Carteira Nacional De 
Habilitação e Permissão Internacional Para Conduzir Veículo) e dos documentos de 
registro e licenciamento anual de veículo, de acordo com que o DETRAN dos 
Estados/DF transmite. 
 
Os Registros Nacionais de Carteira de Habilitação (RENACH), de 
veículos (RENAVAM) e de infrações de trânsito (RENAINF) também são 
atividades organizadas e mantidas pelo SENATRAN. A organização da 
estatística geral de trânsito no território nacional e a organização de 
projetos e programas para combater a violência no trânsito e estimular a 
educação, engenharia, administração, policiamento e fiscalização de trânsito é 
de responsabilidade também do mesmo órgão. 
 
O Departamento Estadual de Trânsito tem as competências definidas no art. 
22 do CTB e suas principais atribuições são: 
 
(a) a realização do processo de concessão da CNH, desde o funcionamento 
dos centros de formação de condutores (CFC), emissão das licenças de 
aprendizagem para os candidatos à habilitação, realização dos exames escritos e 
práticos de direção veicular, emissão da Permissão para Dirigir (PD), da Autorização 
para Conduzir Ciclomotor (ACC) e da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), desde 
que atendidos os requisitos previstos na legislação de trânsito, conforme delegação 
do SENATRAN, acima referida; 
(b) a aplicação das penalidades de suspensão do direito de dirigir e de 
cassação da CNH/PD, obedecido ao devido processo administrativo, devendo tais 
medidas ser comunicadas ao SENATRAN para anotações no RENACH; 
https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/19239245/do1-2017-08-16-resolucao-n-688-de-15-de-agosto-de-2017-19239081
https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/19239245/do1-2017-08-16-resolucao-n-688-de-15-de-agosto-de-2017-19239081
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2019.%20Compete%20ao%20%C3%B3rg%C3%A3o%20m%C3%A1ximo%20executivo%20de%20tr%C3%A2nsito%20da%20Uni%C3%A3o%3A
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2019.%20Compete%20ao%20%C3%B3rg%C3%A3o%20m%C3%A1ximo%20executivo%20de%20tr%C3%A2nsito%20da%20Uni%C3%A3o%3A
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2019.%20Compete%20ao%20%C3%B3rg%C3%A3o%20m%C3%A1ximo%20executivo%20de%20tr%C3%A2nsito%20da%20Uni%C3%A3o%3A
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2019.%20Compete%20ao%20%C3%B3rg%C3%A3o%20m%C3%A1ximo%20executivo%20de%20tr%C3%A2nsito%20da%20Uni%C3%A3o%3A
 
 
 
 17 
(c) as providências relacionadas ao registro e licenciamento de veículos 
automotores, conforme delegação do SENATRAN, acima referida (vistoria, 
emplacamento, transferência de propriedade, verificação das condições de segurança 
veicular, baixa definitiva do registro, emissão do Certificado de Registro e do 
Certificado de Licenciamento Anual, dentre outras); 
(d) executar a fiscalização de trânsito, autuar infrações de trânsito, aplicar 
medidas administrativas e penalidades cabíveis na área de competência do Estado (a 
seguir especificada). 
Houve uma inovação, proposta pelo Código de Trânsito Brasileiro ao dividir a 
competência da fiscalização com os municípios. Antes de 1998, o Município tinha 
os encargos de pavimentação, sinalização, manutenção e operação das vias públicas 
e o Estado fazia a fiscalização do seu uso e o recolhimento dos valores das multas 
aplicadas, ou seja, o município tinha o ônus e o Estado, o bônus. 
Com a correção dessa divergência, o CTB separou as competências da 
fiscalização do Estado e do município nas vias urbanas municipais, ficando 
estabelecida a competência do DETRAN para a fiscalização das infrações 
relacionadas à regularidade da documentação de veículos e condutores e das 
condições de segurança dos veículos. Você verá mais informações sobre essa 
questão no módulo 2 – Infrações de trânsito. 
O órgão executivo municipal tem as competências definidas no art. 24 do 
CTB e suas atribuições de destaque são: 
(a) planejar, regulamentar e operar o trânsito de pessoas, veículos e 
animais nas vias públicas do município, por meio do sistema de sinalização e 
dispositivos de controle viário (semáforos, reguladores de velocidade, fiscalização por 
câmeras, dentre outros), podendo, inclusive, implementar sistema de 
estacionamento rotativo pago; 
(b) registrar e licenciar veículos de propulsão humana e de tração animal 
(bicicletas, carroças e similares) e emitir autorização para conduzi-los, fiscalizando, 
autuando e aplicando penalidades decorrentes de infrações de trânsito relativas a 
estes veículos; 
(c) executar a fiscalização de trânsito, autuar infrações de trânsito, aplicar 
medidas administrativas e penalidades cabíveis na área de competência do município 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2024.%20Compete%20aos%20%C3%B3rg%C3%A3os%20e%20entidades%20executivos%20de%20tr%C3%A2nsito%20dos%20Munic%C3%ADpios%2C%20no%20%C3%A2mbito%20de%20sua%20circunscri%C3%A7%C3%A3o%3A%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Reda%C3%A7%C3%A3o%20dada%20pela%20Lei%20n%C2%BA%2013.154%2C%20de%202015)
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2024.%20Compete%20aos%20%C3%B3rg%C3%A3os%20e%20entidades%20executivos%20de%20tr%C3%A2nsito%20dos%20Munic%C3%ADpios%2C%20no%20%C3%A2mbito%20de%20sua%20circunscri%C3%A7%C3%A3o%3A%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Reda%C3%A7%C3%A3o%20dada%20pela%20Lei%20n%C2%BA%2013.154%2C%20de%202015)18 
(circulação, estacionamento, parada, excesso de peso, dimensões e lotação dos 
veículos). 
 
A Resolução nº 066/1998-CONTRAN tornou mais detalhada a distribuição de 
competências entre Estado e município para a fiscalização de trânsito nas vias 
públicas urbanas, na qual você, profissional de segurança pública, pode separar as 
infrações de trânsito que cabem originalmente ao órgão no qual você atua. Existem 
algumas infrações de trânsito que são, ao mesmo tempo, de competência do Estado 
e do município, por exemplo: deixar o condutor ou passageiro de usar o cinto de 
segurança (CTB, art. 167); disputar corrida (CTB, art. 173); desobedecer às ordens 
vindas da autoridade competente de trânsito ou de seus agentes (CTB, art. 195). 
Figura 9: Fiscalização em vias urbanas 
Fonte: Do conteudista. 
 
 
Devido ao fato do Distrito Federal não ser dividido em territórios e 
administrações municipais, ou seja, ser uma unidade de federação sui generis, o 
DETRAN/DF terá competência ampla para fiscalização de trânsito, abrangendo, 
também, as responsabilidades previstas no art. 24 do CTB. É o que estabelece o § 1º 
do art. 24 do CTB: “As competências relativas a órgão ou entidade municipal serão 
exercidas no Distrito Federal por seu órgão ou entidade executivo de trânsito”. 
Para entender melhor: 
Distribuição da competência para fiscalização em vias urbanas 
ESTADO MUNICÍPIO 
Regularidade da documentação de 
veículos e condutores e das condições de 
segurança dos veículos 
 
Uso da via: circulação, estacionamento e 
parada, excesso de peso, dimensões e 
lotação dos veículos 
 
Ex: falta de CNH, exame médico vencido, 
licenciamento atrasado, veículo sem 
equipamento obrigatório. 
Ex: avanço de sinal, excesso de 
velocidade, contramão de direção, 
estacionamento em local proibido. 
 
https://drive.google.com/file/d/0B6s4dqs3dWUWQzZ0bjZoRFZKVHc/view?resourcekey=0--x_nb1xwvZFYhTSffHIFDA
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=%C2%A0%C2%A0%20Art.%20167.%20Deixar%20o%20condutor%20ou%20passageiro%20de%20usar%20o%20cinto%20de%20seguran%C3%A7a%2C%20conforme%20previsto%20no%20art.%2065%3A
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%20173.%20%C2%A0Disputar%20corrida%3A%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Reda%C3%A7%C3%A3o%20dada%20pela%20Lei%20n%C2%BA%2012.971%2C%20de%202014)%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Vig%C3%AAncia)
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%20195.%20Desobedecer%20%C3%A0s%20ordens%20emanadas%20da%20autoridade%20competente%20de%20tr%C3%A2nsito%20ou%20de%20seus%20agentes%3A
 
 
 
 19 
 
Figura 10: Vagas Reservadas 
Fonte: Valter Campanato/Agência Brasil 
 
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-01/multa-para-quem-estaciona-em-vagas-
reservadas-aumenta-140-1581289761 
 
DOS ÓRGÃOS EXECUTIVOS RODOVIÁRIOS 
 
Diferentemente dos órgãos executivos de trânsito, em que a distribuição das 
competências é estabelecida em artigos diferentes conforme os níveis federal, 
estadual e municipal (CTB, art. 19, 22 e 24, respectivamente), a definição das 
responsabilidades dos órgãos executivos rodoviários é a mesma, independente da 
atuação do poder público. Isso acontece porque no que diz respeito à operação e 
fiscalização de trânsito nas estradas e rodovias, as competências não são distribuídas 
em mais de um órgão executivo. 
Assim, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, os 
Departamentos de Estradas de Rodagem (ou outra denominação similar, conforme 
o Estado) e os órgãos rodoviários municipais (onde houver, pois dificilmente algum 
município terá uma estrutura exclusiva para o trânsito urbano e outra para o trânsito 
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-01/multa-para-quem-estaciona-em-vagas-reservadas-aumenta-140-1581289761
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-01/multa-para-quem-estaciona-em-vagas-reservadas-aumenta-140-1581289761
 
 
 
 20 
rodoviário) têm as competências definidas no art. 21 do CTB. Suas atribuições de 
maior destaque são: 
 
(a) planejar, regulamentar e operar o trânsito de pessoas, veículos e 
animais nas rodovias sob seu domínio, por meio do sistema de sinalização e 
dispositivos de controle viário (semáforos, reguladores de velocidade, fiscalização por 
câmeras, dentre outros); 
(b) executar a fiscalização de trânsito, autuar infrações de trânsito, aplicar 
medidas administrativas e penalidades cabíveis em sua extensão de atribuição 
operacional; 
(c) vistoriar veículos que necessitem de autorização especial para transitar 
e estabelecer os requisitos técnicos a serem observados para a circulação (veículos 
com mais de uma unidade tracionada, de dimensões excedentes à capacidade da 
rodovia, dentre outros). 
 
 
 
Figura 11: Transporte de Cargas 
Fonte: Marcelo Camargo/Agência Brasil 
 
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2021-06/caminhoes-transporte-de-cargas-
1622564437 
 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2021.%20Compete%20aos%20%C3%B3rg%C3%A3os%20e%20entidades%20executivos%20rodovi%C3%A1rios%20da%20Uni%C3%A3o%2C%20dos%20Estados%2C%20do%20Distrito%20Federal%20e%20dos%20Munic%C3%ADpios%2C%20no%20%C3%A2mbito%20de%20sua%20circunscri%C3%A7%C3%A3o%3A
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2021-06/caminhoes-transporte-de-cargas-1622564437
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2021-06/caminhoes-transporte-de-cargas-1622564437
 
 
 
 21 
DAS POLÍCIAS MILITARES DOS ESTADOS E DO DISTRITO FEDERAL 
 
A competência da Polícia Militar é estabelecida no art. 23, inciso III do 
CTB, nestes termos: “executar a fiscalização de trânsito, quando e conforme 
convênio firmado, como agente do órgão ou entidade executivos de trânsito 
ou executivos rodoviários, concomitantemente com os demais agentes 
credenciados” (grifo nosso). 
Para o conhecimento de algum policial militar que cuidadosamente chegou até 
este ponto do texto, podemos dizer que a Polícia Militar não tem nenhuma 
competência originária para a fiscalização administrativa do trânsito em nosso 
país! Além de dividir a competência do Estado para a fiscalização do trânsito com o 
município nas vias urbanas, o CTB tirou essa responsabilidade da Polícia Militar. 
Assim, se for conveniente e viável para a administração pública, o DETRAN e 
os departamentos estaduais de estradas de rodagem estaduais podem: 
 
(a) constituir estrutura de fiscalização própria; 
(b) aproveitar as décadas de trabalho desenvolvido e de formação profissional 
da Polícia Militar nesta área de atuação estatal, por meio de convênio, em razão do 
qual agirá por delegação e em nome do órgão executivo responsável pela 
fiscalização de trânsito, de acordo com as atribuições estabelecidas nos artigos 21 
e 22 do CTB, anteriormente analisados. 
Como os órgãos executivos e a corporação militar estão no mesmo campo de 
atuação do Estado/DF, os recursos materiais e logísticos tornam-se convergentes em 
proveito do interesse público em celebrar os convênios de cooperação técnica e 
mesmo ocorrendo à celebração do convênio, nada impede que o órgão executivo 
insira ou mantenha ao mesmo tempo a fiscalização por meio de agentes do próprio 
órgão, como ocorre, por exemplo, no Distrito Federal. 
Percebe-se a atuação de batalhões de trânsito urbano nas maiores cidades do 
Brasil e a atuação de batalhões rodoviários nas rodovias e estradas estaduais por 
causa dos convênios explicados acima. Isso acontece de acordo com a estruturação 
orgânica da Polícia Militar. 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2023.%20Compete%20%C3%A0s%20Pol%C3%ADcias%20Militares%20dos%20Estados%20e%20do%20Distrito%20Federal%3A
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2023.%20Compete%20%C3%A0s%20Pol%C3%ADcias%20Militares%20dos%20Estados%20e%20do%20Distrito%20Federal%3A
 
 
 
 22 
DA POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL 
 
A Polícia Rodoviária Federal temas competências definidas no art. 20 do 
CTB. Destacam-se as seguintes atribuições: 
(a) realizar o patrulhamento ostensivo, ou seja, de maneira evidente, 
executando operações relacionadas com a segurança pública; 
(b) aplicar e arrecadar as multas impostas por infrações de trânsito, as 
medidas administrativas decorrentes e os valores obtidos de estada e remoção de 
veículos; 
(c) efetuar levantamento dos locais de acidentes de trânsito; 
(d) assegurar a livre circulação nas rodovias federais. 
 
Figura 12: Operação Policial 
Fonte: Elza Fiúza/Agência Brasil 
 
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-06/policia-faz-operacao-para-
desocupar-hotel-em-brasilia-1581289761-8 
 
A PRF tem a competência procedente para a fiscalização de trânsito nas 
rodovias e estradas federais por meio de convênio com o órgão executivo 
rodoviário, podendo, assim, agir em nome próprio, sem a necessidade de convênio 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2020.%20Compete%20%C3%A0%20Pol%C3%ADcia%20Rodovi%C3%A1ria%20Federal%2C%20no%20%C3%A2mbito%20das%20rodovias%20e%20estradas%20federais%3A
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2020.%20Compete%20%C3%A0%20Pol%C3%ADcia%20Rodovi%C3%A1ria%20Federal%2C%20no%20%C3%A2mbito%20das%20rodovias%20e%20estradas%20federais%3A
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-06/policia-faz-operacao-para-desocupar-hotel-em-brasilia-1581289761-8
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-06/policia-faz-operacao-para-desocupar-hotel-em-brasilia-1581289761-8
 
 
 
 23 
com o DNIT (que também tem competência para esta fiscalização, conforme art. 21, 
VI do CTB). 
Também existe outra diferença em relação ao funcionamento, a polícia militar 
junto ao órgão da PRF – conforme disciplinado na Portaria nº 132 de 
14/02/2011/Ministério da Justiça – é responsável por atribuir penalidades. 
Outra distinção da Polícia Militar está no funcionamento, junto à estrutura 
organizacional da PRF, pois, quem é responsável por impor penalidades, deve 
oferecer ao infrator o regular exercício do direito de defesa. 
 
DOS ÓRGÃOS DE RECURSO 
 
Estabelece o art. 16 do CTB: 
 
“Junto a cada órgão ou entidade executivos de trânsito ou rodoviário 
funcionarão Juntas Administrativas de Recursos de Infrações – JARI, 
órgãos colegiados responsáveis pelo julgamento dos recursos 
interpostos contra penalidades por eles impostas”. 
 
As competências das Juntas Administrativas de Recursos de Infrações, que 
atuam junto aos órgãos que têm atribuição legal para fiscalizar e conferir penalidades 
que foram decorrentes de infração de trânsito, em grau de primeira instância 
administrativa, são as seguintes: 
 
(a) julgar os recursos que foram pedidos pelos infratores; 
(b) solicitar ao órgão responsável pela aplicação da penalidade, caso 
necessário, informações complementares relativas aos recursos, objetivando 
uma melhor análise da situação recorrida; 
(c) encaminhar aos órgãos e entidades executivas de trânsito e executivas 
rodoviárias informações sobre problemas observados nas autuações e 
apontados em recursos que se repitam sistematicamente (CTB, art. 17). 
 
Caso ocorra o indeferimento do recurso e o infrator não concordar com a 
decisão tomada pela JARI, ele poderá, dentro do prazo legal estabelecido, solicitar 
um segundo recurso à instância administrativa superior. Você verá mais informações 
sobre esse assunto no módulo 4 – Processo administrativo de trânsito. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=%C2%A0%C2%A0%20Art.%2017.%20Compete%20%C3%A0s%20JARI%3A
 
 
 
 24 
Você pode consultar mais informações sobre a composição, 
organização e funcionamento e também as diretrizes para elaboração do 
regimento interno da JARI na Resolução nº 357/2010-CONTRAN. 
 
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-contran/resolucoes/resolucao_contran_357_10.pdf
 
 
 
 25 
AULA 3 – ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA 
 
Na aula anterior, você estudou as atribuições de cada órgão integrante do 
Sistema Nacional de Trânsito e suas competências estabelecidas pelo CTB, com isso, 
podemos especificar a atuação dos seguintes profissionais de segurança pública: 
- Policiais rodoviários federais: 
tem como função fiscalizar o trânsito de veículos, pessoas e animais nas rodovias e 
estradas federais podendo ser o órgão que tem direito de autuar todas as infrações 
previstas no CTB; 
- Agentes municipais de trânsito: 
(a) fiscalizam as vias urbanas do município onde estão lotados, principalmente as 
infrações relacionadas ao uso da via (circulação, estacionamento, parada, excesso 
de peso, dimensões e lotação dos veículos); 
(b) fiscalizam as rodovias e estradas municipais (onde houver) com direito de autuar 
todas as infrações previstas no CTB; 
- Policiais militares: 
(a) fiscalizam as vias urbanas do município onde estão inseridos, focando, 
principalmente, nas infrações relacionadas à regularidade da documentação de 
veículos e condutores e das condições de segurança dos veículos (conforme 
convênio com o DETRAN); 
(b) fiscalizam o trânsito de veículos, pessoas e animais nas rodovias e estradas 
estaduais com direito de autuar todas as infrações previstas no CTB (conforme 
convênio com o DER – ou equivalente). 
 
O Código de Trânsito Brasileiro prevê, em seu art. 25, que os órgãos e 
entidades executivos do Sistema Nacional de Trânsito poderão celebrar convênio, 
delegando suas atividades, visando uma maior eficiência e segurança para os 
usuários da via. 
A competência para fiscalizar infrações de trânsito nas vias urbanas do 
município pode ser ampliada tanto para os agentes de trânsito, como para os policiais 
militares, se houver interesse dos participantes do processo. Até mesmo nos 
municípios que não tenham estrutura organizacional, logística e humana, pode ser 
 
 
 
 26 
feita a delegação das atribuições para a Polícia Militar, sem haver necessidade da 
participação de agentes de trânsito na competência municipal. 
Também é prevista a delegação de competências entre o órgão executivo 
rodoviário e o de trânsito, mesmo não acontecendo com frequência, em qualquer 
esfera de organização, seja federal, estadual ou municipal. 
O CTB, em seu art. 7º-A, também prevê a possibilidade de convênio entre a 
autoridade portuária (ou a entidade que tenha licença no porto organizado) e os 
órgãos executivos do município e do Estado, juridicamente interessados, para 
facilitar a autuação por descumprimento da legislação de trânsito, podendo ser 
definido para toda a área física do porto organizado, inclusive, nas áreas dos terminais 
alfandegados, nas estações de transbordo, nas instalações portuárias públicas de 
pequeno porte e nos respectivos estacionamentos ou vias de trânsito internas. 
O art. 25-A do CTB estabelece também que os agentes dos órgãos policiais da 
Câmara dos deputados e do Senado Federal, se houver convênio com entidades de 
trânsito que possuam demarcações sobre a via, podem aplicar a atuação de infração 
e enviá-las ao órgão competente. Isso acontece nos casos em que a infração que foi 
cometida nos arredores do Congresso Nacional ou nos locais que também são de sua 
responsabilidade e que comprometam de alguma maneira os serviços lá prestados ou 
coloque em risco a segurança das pessoas ou do patrimônio das Casas Legislativas. 
 
FINALIZANDO 
 
Neste módulo, você estudou que: 
- O Sistema Nacional de Trânsito é o conjunto dos órgãos e entidades da 
administração pública federal, estadual e municipal que têm por finalidade alcançar os 
objetivos da Política Nacional de Trânsito. Estes órgãos desempenham funções 
específicas: (a) normativas (CONTRAN, CETRAN e CONTRANDIFE); (b) 
executivas (SENATRAN, DETRAN, DER, dentre outros); fiscalizadoras (Polícia 
Rodoviária Federal e Polícia Militar); recursais (JARI). Apesar das funções serem 
específicas,são interdependentes para harmonia de todo o sistema. 
- Cada órgão componente do Sistema Nacional de Trânsito tem as 
competências definidas no Código de Trânsito Brasileiro (artigos de 12 a 24). A 
maior dificuldade de compreensão das competências pode ocorrer nas vias urbanas 
municipais, onde há atuação de mais de um órgão executivo (estadual e municipal). 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%207o-A,12.058%2C%20de%202009)
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2025-A.%20%C2%A0Os,14.071%2C%20de%202020)%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Vig%C3%AAncia)
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2012.%20Compete%20ao%20CONTRAN%3A
 
 
 
 27 
Apesar disso, o CTB e a Resolução nº 066/1998-CONTRAN fazem o papel de 
regularizar a distribuição das competências, assim sintetizada: ao Estado cabe 
fiscalizar a regularidade da documentação de veículos e condutores e das condições 
de segurança dos veículos e ao munícipio cabe fiscalizar o uso da via (circulação, 
estacionamento e parada, excesso de peso, dimensões e lotação dos veículos). 
- O profissional de segurança pública, na fiscalização de trânsito, atua de 
acordo com a competência definida para o órgão no qual está inserido. Porém, 
visando maior eficiência e segurança para os usuários da via, é prevista a celebração 
de convênio entre os órgãos executivos de trânsito e rodoviários, o que pode tornar 
mais abrangente a fiscalização à totalidade das infrações de trânsito em vias urbanas 
municipais, em rodovias e estradas. 
 
 
 
 
 28 
MÓDULO 2 – INFRAÇÕES DE TRÂNSITO 
 
Apresentação do módulo 
 
O profissional de segurança pública, em seu dia a dia de trabalho com a 
fiscalização de trânsito encontra muitas informações que devem ser processadas para 
que seu trabalho seja mais eficaz. 
Você irá aprender algumas considerações pertinentes à tipificação das 
condutas humanas que descumprem as normas gerais de circulação e 
conduta, previstas nos artigos 26 a 67 do Código de Trânsito Brasileiro. É 
importante estar atento a esse conteúdo, pois é necessário saber como 
enquadrar, de modo correto e legalizado, o infrator para a sua efetiva 
penalização. 
 
Também é necessário que você tenha atenção em relação a competência do 
órgão executivo, ao qual o profissional de segurança pública se vincula e pelo qual 
age, se a autuação for realizada na fiscalização da via pública urbana, onde, conforme 
visto na Aula 3 do módulo 1, há atuação de mais de um órgão executivo ao mesmo 
tempo. 
Algumas infrações de trânsito são complexas em sua distinção, o que necessita 
um conhecimento adequado de outras disposições no CTB e, algumas vezes, em 
resoluções do CONTRAN. 
Outras infrações podem ter conexão com crimes de trânsito, o que também 
exige uma análise atenciosa, para que as providências adotadas pelo profissional de 
segurança pública não omitam o devido tratamento e repressão pelo sistema judiciário 
nacional. 
 
Objetivos do módulo 
 
Ao final do estudo desse módulo, você será capaz de: 
- Tipificar infrações de trânsito para correto enquadramento nos atos de seu 
registro; 
- Distinguir as competências para a fiscalização de trânsito, de acordo com o 
órgão no qual atua o profissional de segurança pública; 
- Esclarecer pontos que são complexos em relação a determinadas infrações 
de trânsito e a possibilidade de existir conexão com crimes de trânsito. 
 
 
 
 29 
DIVISÃO DAS AULAS 
 
Este módulo compreende as seguintes aulas: 
Aula 1 – Tipificação de infração de trânsito; 
Aula 2 – Competências para a fiscalização; 
Aula 3 – Complexidade da caracterização de infrações de trânsito; 
Aula 4 – Conexão com crimes de trânsito; e 
Aula 5 – Esclarecendo outras questões. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 30 
AULA 1 – TIPIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO DE TRÂNSITO 
 
Toda norma geral de circulação e conduta, prevista nos artigos de 26 a 67 
do CTB, quando descumprida, gera a ocorrência de infração de trânsito, prevista 
nos artigos de 162 a 255 do Código de Trânsito Brasileiro. Dessa forma, quando o 
condutor não cumpre a norma de conduta prevista no art. 28 do CTB (o condutor 
deverá, a todo o momento, ter domínio de seu veículo, dirigindo-o com atenção e 
cuidados indispensáveis à segurança do trânsito) ocorre o enquadramento na 
infração de trânsito do art. 169 do CTB (dirigir sem atenção ou sem os cuidados 
indispensáveis à segurança: infração – leve; penalidade – multa). 
Tipificação de infração de trânsito é a exata correspondência entre 
a conduta observada pelo profissional de segurança pública e a sua previsão 
em dispositivo legal no CTB. Exemplo disso é a conduta de avançar o sinal 
amarelo do semáforo, na direção de veículo automotor, é infração prevista no 
art. 208 do CTB (avançar o sinal vermelho do semáforo: infração – gravíssima; 
penalidade – multa), mas avançar sinal amarelo do semáforo é infração de 
trânsito? Sim. Mas não corresponde à exata previsão do art. 208, pois o sinal 
vermelho é elemento essencial para ocorrer à infração de trânsito. 
Observe a seguinte pergunta: Como o condutor do veículo deve agir ao se 
deparar com o sinal amarelo do semáforo? A resposta é: O condutor deve parar o 
veículo. A exceção é se não for possível parar em condições seguras. O sinal 
amarelo indica o término do direito de passagem, sendo permitido prosseguir em 
movimento apenas quando o semáforo indica a luz verde (conforme Manual Brasileiro 
de Sinalização de Trânsito, vol. V, p. 25). 
Desse modo, qual será a correta tipificação da infração de trânsito quando o 
condutor, ao invés de parar o veículo, acelera e avança o sinal amarelo do semáforo? 
Segundo o art. 269, segunda parte, do CTB (dirigir [...] sem os cuidados 
indispensáveis à segurança: infração – leve; penalidade – multa). 
Neste módulo, você aprenderá sobre a caracterização das infrações de trânsito 
e as providências adequadas de como registrar a infração (autuação). Você verá mais 
informações sobre isso no Módulo 4 - Processo administrativo de trânsito. 
Para que você possa melhor entender o conceito de tipificação de infração 
de trânsito, veja abaixo um brinquedo infantil de encaixe de formas geométricas, que 
 
 
 
 31 
busca desenvolver em bebês e crianças as habilidades de motricidade, 
reconhecimento de cores e coordenação motora: 
 
Figura 13: Brinquedo Infantil 
Fonte: Companhia dos Brinquedos. 
 
Observe que na tampa branca (em formato de flor), no limite superior do 
recipiente azul, estão dispostas sete figuras geométricas vazadas para entrada do 
correspondente bloco colorido de diferentes formas. Somente será possível a entrada 
do bloco colorido ao interior do brinquedo se for exatamente encaixado na figura 
geométrica vazada. 
Agora imagine que as figuras geométricas vazadas que estão na tampa branca 
são as infrações de trânsito previstas no CTB e considere que cada bloco colorido é 
a conduta que vai ser observada pelo agente de trânsito. Assim, quando ocorre o 
encaixe perfeito no bloco colorido na figura vazada, pode ser constatado que houve 
ali a tipificação correta da conduta conforme está previsto na lei. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 32 
AULA 2 – COMPETÊNCIAS PARA A FISCALIZAÇÃO 
 
Você estudou no conteúdo da aula 2 do módulo 1 que a Resolução nº 
066/1998-CONTRAN distribuiu detalhadamente as competências entre Estado e 
município para a fiscalização de trânsito nas vias públicas urbanas. Agora você verá 
abaixo essa resolução, em formato de tabela, juntamente com as infrações de trânsito 
previstas no CTB. Na primeira coluna encontra-se o “código de infração” (informação 
essencial que o agente precisa saber para decretar o auto da infração), na segunda 
coluna encontra-se a “descrição da infração” e na terceira coluna a informação de 
quem é o responsável pela competência, o Estado ou o município.Veja: 
Quadro 1: Extrato de trechos da resolução nº 066/1998-CONTRAN 
Fonte: Do conteudista. 
 
É importante lembrar que quando se fala da fiscalização em rodovias e 
estradas, sejam estaduais ou federais, não há distribuição dessa competência. O 
responsável pela atuação das infrações de trânsito previstas no CTB poderá ser tanto 
a polícia militar quanto a polícia rodoviária federal. 
Foi organizado pelo CONTRAN o Manual Brasileiro de fiscalização de trânsito 
– Volume I – infrações de competência municipal, nele encontram-se as normas 
editadas para orientar a atuação dos agentes municipais de trânsito urbano 
(competência do município). 
Por meio da Resolução nº 561/2015, foi instituído o Manual Brasileiro de 
Fiscalização de Trânsito – Volume II – Infrações de competência dos órgãos e 
entidades executivos estaduais de trânsito, que sofrera alterações pela Resolução 
TABELA DE DISTRIBUIÇÃO DE COMPETÊNCIA - FISCALIZAÇÃO DE TRÂNSITO, APLICAÇÃO DAS 
MEDIDAS ADMINISTRATIVAS PENALIDADES CABÍVEIS E ARRECADAÇÃO DE MULTAS APLICADAS 
 
CÓDIGO 
INFRAÇÃO 
DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO COMPETÊN-
CIA 
501 - 0 Dirigir veículo sem possuir Carteira Nacional de 
Habilitação ou Permissão para Dirigir. 
ESTADO 
502 - 9 Dirigir veículo com Carteira Nacional de Habilitação 
ou Permissão para Dirigir cassada ou com suspensão 
do direito de dirigir. 
ESTADO 
521 - 5 Dirigir ameaçando os pedestres que estejam 
atravessando a via pública, ou os demais veículos. 
ESTADO E 
MUNICÍPIO 
522 - 3 Usar o veículo para arremessar água ou detritos 
sobre os pedestres ou veículos. 
MUNICÍPIO 
523 - 1 Atirar do veículo ou abandonar na via pública objetos 
ou substâncias. 
MUNICÍPIO 
 
https://drive.google.com/file/d/0B6s4dqs3dWUWQzZ0bjZoRFZKVHc/view?resourcekey=0--x_nb1xwvZFYhTSffHIFDA
https://drive.google.com/file/d/0B6s4dqs3dWUWQzZ0bjZoRFZKVHc/view?resourcekey=0--x_nb1xwvZFYhTSffHIFDA
https://www.gov.br/prf/pt-br/concurso-2021/resolucoes/R561-15
 
 
 
 33 
CONTRAN nº 858/2021, de 15 de outubro de 2021. Nele encontram-se as normas 
que auxiliarão especialmente os policiais militares e os agentes estaduais de trânsito 
na fiscalização do trânsito urbano (competência do Estado). 
Já os policiais rodoviários da União e dos Estados podem consultar qualquer 
um dos manuais acima, pois sua competência envolve todas as infrações de trânsito 
previstas no CTB, independentemente de ser da competência estadual ou municipal. 
O manual de fiscalização é importante, pois há nele todas as 
informações e instruções que vão orientar o trabalho do agente na hora de 
autuar condutas infratoras. Algumas dessas informações são: código de 
enquadramento, tipificação, amparo legal, natureza da infração, penalidade, 
pontuação, previsão ou não de medida administrativa, competência para a 
fiscalização, informação de quem é o infrator e demais requisitos que garantirão 
a regularidade do registro do cometimento da infração de trânsito. 
 
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-contran/resolucoes/resolucao-389-2011-1.pdf
 
 
 
 34 
AULA 3 – COMPLEXIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DE INFRAÇÕES DE 
TRÂNSITO 
 
GENERALIDADES 
 
O art. 161 do Código de Trânsito Brasileiro conceitua infração de 
trânsito como a inobservância de qualquer preceito do CTB ou da 
legislação complementar, ou seja, qualquer falta de obediência ao que se 
espera do condutor, pode levá-lo às penalidades e às medidas administrativas 
indicadas em cada artigo de infração e às punições quando há crime de trânsito. 
Assim, infração de trânsito é toda conduta humana, comportamento ou 
omissão desenvolvida em veículo – pelo condutor ou passageiro – ou na condição de 
pedestre. Desta forma, contém elementos objetivos que deverão ser analisados pelo 
profissional de segurança pública para que a adequada tipificação no artigo de 
infração de trânsito seja feita de modo correto. 
Por serem elementos objetivos, o profissional de segurança pública não 
deve questionar nunca a motivação do cometimento da infração de trânsito 
(exceto que o infrator queira voluntariamente se justificar). Por exemplo, se o condutor 
avançou o sinal vermelho, deve ser evitado que você faça alguma pergunta como “Por 
que você avançou o sinal vermelho?”. Independente da resposta, seja por 
desatenção, vontade própria ou por não ter visto o agente de trânsito, não será motivo 
para interferir na autuação que você fará, nem na penalidade, pois a infração de 
trânsito é comportamento e não intenção. 
Ainda sobre a intenção do infrator, uma vez, em aula do Curso de Gestão de 
Trânsito da Universidade Estadual de Goiás, fui questionado por uma agente 
municipal de trânsito de Goiânia: “O condutor de veículo, ao se aproximar de posto de 
combustível situado em esquina de cruzamento semaforizado, percebendo que o 
semáforo fechará antes da sua passagem, entra no posto de combustível e sai pela 
via perpendicular, está cometendo infração de trânsito?”. 
Respondi: “Não. Onde no CTB é proibido entrar e sair de posto de combustível 
sem abastecer?” Ela retrucou: “Mas a intenção dele não foi a de avançar o sinal 
vermelho, não parando no local e no tempo apropriado?” Completei: “Mas você não 
autua intenção e sim comportamento. E se o condutor quer avançar o sinal vermelho, 
mas ao ver o agente de trânsito nas proximidades, resolve parar, comete infração de 
trânsito também?”. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%20161.%20%C2%A0Constitui,de%202020)%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Vig%C3%AAncia)
 
 
 
 35 
É importante também você ter a orientação de que cada conduta 
corresponde a uma infração de trânsito. A mesma conduta não pode gerar 
tipificação em dois artigos diferentes de infração de trânsito. Por exemplo: 
quando o veículo está estacionado na contramão de direção e com umas das 
rodas sobre calçada, após a comprovação que houve infração de 
estacionamento irregular, o agente de trânsito vai tipificar a mais específica à 
situação, no caso art. 181, XV do CTB (estacionar o veículo na contramão de 
direção). Se optar pelo art. 181, VIII do CTB (estacionar o veículo no passeio), 
a autuação estará suficiente, desde que seja apenas nesta tipificação. O que 
não pode ser feito é autuar nos dois artigos de infração, pois cada conduta 
corresponde a uma infração de trânsito. 
 
Em casos de infrações de trânsito em momentos diferentes, mas em sequência, 
não será aplicada a regra estudada acima. Por exemplo, se a pessoa avança o sinal 
vermelho e, em seguida, estaciona na área delimitada para embarque/desembarque 
de transporte coletivo, isso contará como duas infrações, pois são dois 
comportamentos diferentes: art. 208 (avançar o sinal vermelho do semáforo) e art. 
181, XIII (onde houver sinalização horizontal delimitadora de ponto de embarque ou 
desembarque de passageiros de transporte coletivo), respectivamente. 
 
CARACTERIZAÇÃO DE INFRAÇÕES DE TRÂNSITO COMPLEXAS 
Artigos 163 e 164 – entregar a direção ou permitir a posse de veículo 
Estes dois artigos se referem a infrações de trânsito que não são cometidas 
pelo condutor, mas sim pelo proprietário do veículo automotor fiscalizado (conforme 
nome que tem no documento de licenciamento anual). 
A conduta prevista no art. 163 (entregar a direção do veículo a pessoa nas 
condições previstas no art. 162) exige que no momento da infração haja a presença 
do proprietário dentro do veículo no momento da abordagem. Já na conduta prevista 
no art. 164 (permitir que pessoa nas condições referidas nos incisos do art. 162 tome 
posse do veículo automotor e passe a conduzi-lo na via), o proprietário do veículo 
não está presente no momento da abordagem, mas comparece, logo em seguida, ao 
local da fiscalização. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%20181.%20Estacionar%20o%20ve%C3%ADculo%3A
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%20163.%20Entregar%20a%20dire%C3%A7%C3%A3o%20do%20ve%C3%ADculo%20a%20pessoa%20nas%20condi%C3%A7%C3%B5es%20previstas%20no%20artigo%20anterior%3A36 
Estas infrações ressaltam a responsabilidade do proprietário de veículo em 
verificar o atendimento das exigências legais para que seu veículo seja conduzido 
na via pública por outra pessoa. É obrigação do proprietário se certificar, previamente, 
se o condutor é possui CNH e se está na validade, se a categoria da habilitação 
corresponde ao veículo que será dirigido, se precisa usar lentes corretivas ou óculos, 
dentre outras obrigações. Não pode ser usada como justificativa para a situação 
flagrada na fiscalização a desculpa: “Eu não sabia que ele não era habilitado para 
dirigir”, pois é dever do proprietário se certificar. 
Para a fiscalização destas duas infrações é necessário, primeiramente, 
identificar em qual das situações previstas no art. 162 o condutor do veículo fiscalizado 
cometeu: 
-Sem possuir Carteira Nacional de Habilitação, Permissão para Dirigir ou 
Autorização para Conduzir Ciclomotor (art. 162, I); 
-Com Carteira Nacional de Habilitação, Permissão para Dirigir ou Autorização 
para Conduzir Ciclomotor cassada ou com suspensão do direito de dirigir (art. 162, 
II); 
-Com Carteira Nacional de Habilitação ou Permissão para Dirigir de categoria 
diferente da do veículo que esteja conduzindo (art. 162, III); 
-Com validade da Carteira Nacional de Habilitação vencida há mais de trinta 
dias (art. 162, V); 
-Sem usar lentes corretoras de visão, aparelho auxiliar de audição, de 
prótese física ou as adaptações do veículo impostas por ocasião da concessão ou 
da renovação da licença para conduzir (art. 162, VI). 
A autuação da infração do art. 163 – bem como do art. 164 – deve ser 
realizada após a autuação do condutor do veículo na disposição específica do art. 
162 que foi infringida, inclusive, quando o proprietário é autuado, deve constar a 
anotação da autuação do condutor do veículo, conforme consta nas fichas do Manual 
Brasileiro de Fiscalização – Volume II (Resolução nº 561/2015-CONTRAN). Nesta 
situação, há duas condutas que devem ser autuadas: uma relativa ao condutor do 
veículo e outra ao proprietário legal. 
E se o proprietário legal (conhecedor das consequências do seu ato) não 
comparecer ao local da fiscalização? Daí você deve autuar o condutor e reter o veículo 
até a apresentação de condutor habilitado. É importante que você esteja atento à 
identificação deste condutor habilitado, pois pode acontecer do proprietário do veículo 
 
 
 
 37 
comparecer para retirar o veículo sem se identificar, e, se isso acontecer, o proprietário 
pode ser autuado na disposição do art. 164 infringida. 
Você também precisa observar se existem outras pessoas dentro do veículo, 
pois entre essas pessoas pode ser que uma delas seja o proprietário (conhecedor das 
consequências do seu ato) que se nega a dizer que é o dono para não ser punido. 
Pode acontecer também da pessoa se apresentar como sendo o proprietário, 
mas seu nome não constar no certificado de licenciamento anual do veículo. Nesse 
caso, você faz a autuação do condutor, mas pode ocorrer de ser invalidada a autuação 
do proprietário por incompatibilidade de identificação entre condutor e proprietário, em 
grau de defesa prévia ou de recurso. 
Também pode acontecer de o proprietário do veículo ser o próprio condutor 
sem habilitação (bem como nas outras situações previstas no art. 162). Neste caso, 
será autuado o condutor na disposição do art. 162, I (ou em outra disposição deste 
artigo). 
 
Artigo 165 – embriaguez ao volante 
Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que 
determine dependência é uma das infrações de trânsito que as consequências geram 
danos severos ao condutor e a sociedade geral. * 
A confirmação da alteração da capacidade psicomotora por causa do uso 
de álcool, para efeito de comprovação instantânea (no momento da fiscalização), 
acontece por meio de um dos seguintes procedimentos que serão realizados no 
condutor de veículo automotor (conforme art. 3º, III e IV da Resolução nº 432/2013-
CONTRAN): 
- Teste em aparelho destinado à medição do teor alcoólico no ar alveolar 
(etilômetro ou bafômetro); 
- Verificação dos sinais que indiquem a alteração da capacidade psicomotora 
do condutor (em formulário impresso ou digital) que acompanhará o auto de infração 
(AI). 
Se não tiver como realizar algum dos procedimentos acima, também poderão 
ser utilizados prova testemunhal, imagem, vídeo ou qualquer outro meio que 
comprove, mas nos procedimentos de fiscalização deve ser priorizada a utilização do 
teste com etilômetro. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%20163.%20Entregar%20a%20dire%C3%A7%C3%A3o%20do%20ve%C3%ADculo%20a%20pessoa%20nas%20condi%C3%A7%C3%B5es%20previstas%20no%20artigo%20anterior%3A
https://www.direitohd.com/res4322013
https://www.direitohd.com/res4322013
 
 
 
 38 
Se for utilizado o bafômetro para a comprovação da infração, a autuação 
deve ser feita quando as medidas forem iguais ou superioras a 0,05 mg/L (miligrama 
de álcool por litro de sangue). Em todas as medições é descontado o erro máximo 
admissível, para efeito de medição considerada para a fiscalização (previsto no Anexo 
I da citada resolução - Tabela de Valores Referenciais para Etilômetro), que pode 
variar de 0,04 mg/L até 0,16 mg/L. Assim, se a medição realizada pelo etilômetro for 
igual ou inferior a 0,04 mg/L, não será considerada infração de trânsito, mas se a 
medição for igual ou superior a 0,34 mg/L, além da infração de trânsito, haverá 
também a comprovação do crime do art. 306 do CTB. Você verá mais informações 
na Aula 4 – Conexão com crimes de trânsito, neste módulo. 
Caso o condutor se recuse a fazer o teste do bafômetro ele estará sujeito, além 
da autuação no art.165 (com suporte nos sinais que indiquem a alteração da 
capacidade psicomotora do condutor, consignados em formulário específico), ao 
enquadramento na disposição do art. 165-A do CTB, que prevê: “recusar-se a ser 
submetidos a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar 
influência de álcool ou outra substância psicoativa, na forma estabelecida pelo art. 
277”. 
Orientações médicas para fiscalização sem etilômetro de condutores 
alcoolizados – 2007 
Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-
SENATRAN/filmes-denatran 
Nota: embora as referências legais, no filme, tratem da Resolução nº 206/2006 
(revogada pela Resolução nº 432/2013, em vigor), as orientações expressas 
continuam atuais, sem conflitos com a legislação em vigor. 
 
Art. 166 – confiar ou entregar a direção de veículo a pessoa sem condições de 
dirigi-lo com segurança 
Assim como ocorre nas infrações dos artigos 163 e 164, este artigo se refere à 
outra infração de trânsito que também não é cometida pelo condutor, mas pelo 
proprietário do veículo automotor fiscalizado (conforme nome constante no documento 
de licenciamento anual). O diferencial aqui é que ela está relacionada a atitude do 
proprietário tanto de confiar a direção (ausente no momento da abordagem), como a 
de entregar a direção (presente no veículo) a pessoa que, mesmo habilitada, por seu 
estado físico ou psíquico, não estiver em condições de dirigi-lo com segurança. 
 
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/filmes-denatran
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/filmes-denatran
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%20163.%20Entregar%20a%20dire%C3%A7%C3%A3o%20do%20ve%C3%ADculo%20a%20pessoa%20nas%20condi%C3%A7%C3%B5es%20previstas%20no%20artigo%20anterior%3A
 
 
 
 39 
A autuação da infração do art. 166 deve ser realizada após a autuação do 
condutor do veículo na disposição de um destes artigos de infração: 
- Art. 165 – dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância 
psicoativa que determine dependência; 
- Art.169 – dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à 
segurança; 
- Art. 252, III – dirigir o veículo com incapacidade física ou mental temporária 
que comprometa a segurança do trânsito. Exemplo: condutor com braço ou perna 
imobilizados por conta de fraturas, condutor emocionalmente perturbado ou sob efeito 
de medicamentos que comprometam a direção do veículo. 
Quando o proprietário é autuado, deve constar a anotação da autuação do 
condutor do veículo, conforme consta na ficha do Manual Brasileiro de Fiscalização 
– Volume II (Resolução nº 561/2015-CONTRAN). Nesse caso, serão autuadas duas 
condutas: uma relativa ao condutor do veículo e outra ao proprietário legal. 
As mesmas observações relativas à identificação do proprietário de veículo, 
consignadas no estudo da infração dos artigos 163 e 164, estudadas anteriormente, 
são válidas para essa situação. 
 
Art. 168 – transporte de crianças como passageiras 
Estabelece o art.168 do CTB: “Transportar crianças em veículo automotor sem 
observância das normas de segurança especiais estabelecidas neste Código; Infração 
- gravíssima; Penalidade - multa; Medida administrativa - retenção do veículo até que 
a irregularidade seja sanada”. 
Para que você entenda sobre as normas de segurança relativas ao assunto é 
necessário compreender a disposição do art. 64 do CTB: “As crianças com idade 
inferior a 10 (dez) anos que não tenham atingido 1,45 m (um metro e quarenta e cinco 
centímetros) de altura devem ser transportadas nos bancos traseiros, em dispositivo 
de retenção adequado para cada idade, peso e altura, salvo exceções relacionadas a 
tipos específicos de veículos regulamentados pelo Contran”. 
Para que isso seja cumprido, o CONTRAN, por meio da Resolução nº 819, de 
17 de março de 2021 disciplinou a matéria. Analisando o seu conteúdo podem ser 
observadas as seguintes orientações: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=Art.%20165.%C2%A0%20Dirigir%20sob%20a%20influ%C3%AAncia%20de%20%C3%A1lcool%20ou%20de%20qualquer%20outra%20subst%C3%A2ncia%20psicoativa%20que%20determine%20depend%C3%AAncia%3A%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Reda%C3%A7%C3%A3o%20dada%20pela%20Lei%20n%C2%BA%2011.705%2C%20de%202008)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%20169.%20Dirigir%20sem%20aten%C3%A7%C3%A3o%20ou%20sem%20os%20cuidados%20indispens%C3%A1veis%20%C3%A0%20seguran%C3%A7a%3A
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20Art.%20252.%20Dirigir%20o%20ve%C3%ADculo%3A
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-contran-n-819-de-17-de-marco-de-2021-310089618
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-contran-n-819-de-17-de-marco-de-2021-310089618
 
 
 
 40 
- Crianças com até 1 ano de idade ou com peso até 13 kg devem ser 
transportadas no banco traseiro no dispositivo de retenção “bebê conforto”; 
- Crianças com idade superior a 1 ano até 4 anos ou com peso entre 9 e 18 
kg devem ser transportadas no banco traseiro no dispositivo de retenção 
“cadeirinha”; 
- Crianças com idade superior a 4 anos até 7,5 anos ou com até 1,44 m de 
altura e peso entre 15 e 36 kg devem ser transportadas no banco traseiro no 
dispositivo “assento de elevação”; 
- Crianças com idade superior a 7,5 anos até 10 anos serão transportadas no 
banco traseiro utilizando o cinto de segurança do veículo; 
- As crianças com idade superior a 10 anos ou que tenham atingido 1,45 m 
podem ser transportadas no banco dianteiro utilizando o cinto de segurança do 
veículo; 
- Ainda podem ser transportadas no banco dianteiro as crianças menores de 
10 anos: (a) quando o veículo for composto exclusivamente de banco dianteiro; (b) 
quando a quantidade de crianças com menos de 10 anos exceder a lotação do 
banco traseiro; (c) quando o veículo for composto originalmente (fabricado) de cintos 
de segurança subabdominais (dois pontos) nos bancos traseiros. 
As exigências relacionadas ao sistema de retenção, no transporte de crianças 
com até sete anos e meio de idade, não se aplicam aos veículos: 
- De transporte coletivo de passageiros; 
- De aluguel (alínea “d” do inciso III do art. 96 do CTB); 
- De transporte remunerado individual de passageiros; 
- De transporte de escolares; 
- Demais veículos com peso bruto total superior a 3,5 t (caminhões, ônibus e 
micro-ônibus). 
Em caso de autuação desta infração, deverá ser anotada no campo 
“observações” a ocasião em que foi comprovada a irregularidade. Por exemplo: 
“criança maior de quatro anos sendo transportada em cadeirinha”. Se possível, você 
deve identificar e anotar neste campo o nome da criança que estava sendo 
transportada irregularmente. 
 
 
 
 
 
 
 
 41 
Art. 173 – disputar corrida 
 
O art. 173 do CTB disciplina: “Disputar corrida: Infração - gravíssima; 
Penalidade - multa (dez vezes), suspensão do direito de dirigir [...]; Medida 
administrativa - recolhimento do documento de habilitação e remoção do veículo”. 
Para que essa infração seja autuada, tem que haver, no mínimo, dois 
veículos, pois ninguém disputa consigo mesmo, sempre se precisa de outra pessoa. 
Essa disputa é uma conduta eventual, aleatória, circunstancial do momento em que 
um condutor é desafiado por outro, de maneira clara ou explícita. Se essa disputa 
ocorrer com prévio agendamento ou organização estará caracterizada a infração em 
outro artigo que será analisado em seguida. 
Se a autuação for feita abordando os participantes no momento da disputa, é 
preciso fazer referência no campo “observações” do AIT (Auto de Infração de Trânsito) 
do auto do outro veículo que foi autuado, para que não restem dúvidas do 
cometimento da infração de que havia mais de um veículo participando da disputa. 
Quando a autuação for feita sem abordagem, quando os participantes saem do 
lugar, é possível coletar dados de identificação de apenas um veículo envolvido. 
Assim, você deverá descrever isso no campo “observações” do AI, pelo menos, alguns 
dados do outro veículo envolvido, como, por exemplo, marca, modelo e cor. 
 
Art. 174 – competição na via pública sem permissão da autoridade 
Diferente da infração do artigo visto anteriormente, nesta ocorre um evento 
previamente organizado, sem a permissão da autoridade competente. É o que 
disciplina o art. 174 do CTB: “Promover, na via, competição, eventos organizados, 
exibição e demonstração de perícia em manobra de veículo, ou deles participar, como 
condutor, sem permissão da autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via”. 
Quando vai ser realizada a prática de competições esportivas ou treinos são 
necessárias as seguintes formalidades legais constantes do art. 67 do CTB: 
“As provas ou competições desportivas, inclusive seus ensaios, em via aberta 
à circulação, só poderão ser realizadas mediante prévia permissão da 
autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via e dependerão de: 
I - autorização expressa da respectiva confederação desportiva ou de 
entidades estaduais a ela filiadas; 
II - caução ou fiança para cobrir possíveis danos materiais à via; 
III - contrato de seguro contra riscos e acidentes em favor de terceiros; 
IV - prévio recolhimento do valor correspondente aos custos operacionais em 
que o órgão ou entidade permissionária incorrerá”. 
 
 
 
 
 42 
É autuada nessa infração a pessoa que promove, organiza e dela participa sem 
que sejam realizadas as formalidades exigidas. Porém, por se tratar de uma infração 
de responsabilidade da pessoa física ou jurídica (sem relação com o veículo autuado), 
os promotores e organizadores do evento, o agente não recolhe o documento de 
habilitação e nem remove o veículo. 
 
Art. 178 – Veículo envolvido em acidente de trânsito sem vítima 
Esta infração de trânsito, na maioria das vezes, é cometida por incompreensão 
ou interpretação errada das regras. 
Prevê o art. 178 do CTB: “Deixar o condutor, envolvido em acidente 
sem vítima, de adotarprovidências para remover o veículo do local, quando 
necessária tal medida para assegurar a segurança e a fluidez do trânsito” 
(grifos nossos). 
 
A maioria das pessoas que ao conduzir o veículo se envolvem em acidente de 
trânsito acha que deve manter o carro na mesma posição até que a “perícia” seja feita 
e esse pensamento não procede. Só se deve manter o veículo naquela situação se 
houver acidente de trânsito com vítima (seja fatal ou não). Nesse caso é necessária a 
realização da perícia no local do crime para definição da responsabilidade do condutor 
pelo evento ocorrido (morte ou lesão corporal). Inclusive, caso o condutor envolvido 
neste evento retire o veículo do local do acidente, estará passível de ser autuado na 
infração do art. 176, III do CTB. 
Porém, quando é um acidente de trânsito sem vítima, não existem indícios 
de cometimento de crime e, por isso, não será realizada perícia no local. O que haverá 
é um ilícito civil, ou seja, uma ação culpável, que pode ter reparação ou indenização, 
que interessa somente aos envolvidos e não ao meio coletivo. Existem outras formas 
de garantir o exercício de seus direitos, como, por exemplo, fotos, filmagens, 
testemunhas, dentre outras. Desse modo, os condutores envolvidos são obrigados a 
fazer a retirada imediata dos veículos, quando estão perturbando ou 
atrapalhando a fluidez normal da via, o que pode ocasionar outros acidentes. 
Os condutores que não retirarem seus veículos do local em um acidente de 
trânsito sem vítima estarão correndo o risco de serem autuados na infração do 
art.1778 do CTB. Essa infração de trânsito só não irá ocorrer caso o acidente tenha 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=Art.%20176.%20Deixar%20o%20condutor%20envolvido%20em%20acidente%20com%20v%C3%ADtima%3A
 
 
 
 43 
acontecido em uma via de pouco movimento e os veículos parados não interfiram na 
movimentação normal do trânsito. Nessa situação os envolvidos no acidente devem 
sinalizar corretamente o local com dispositivos adequados (ligar o pisca alerta e 
colocar o triângulo de sinalização ou equipamento similar a uma distância mínima de 
30 metros da parte traseira do veículo, conforme Resolução nº 036/1998- CONTRAN), 
enquanto aguardam, por exemplo, o atendente da seguradora ou do órgão público 
responsável para registrar a ocorrência. 
 
Artigos 181 e 182 – estacionamento e parada 
Em relação a este artigo, é necessário que você aprenda a conceituar e a 
diferenciar o que é parada, estacionamento e operação de carga e descarga. Para 
isso, vamos ao CTB, Anexo I – Dos conceitos e definições: 
- Parada: imobilização do veículo com a finalidade e pelo tempo estritamente 
necessário para efetuar embarque ou desembarque de passageiros; 
- Estacionamento: imobilização de veículos por tempo superior ao 
necessário para embarque ou desembarque de passageiros; 
- Operação de carga e descarga - imobilização do veículo, pelo tempo 
estritamente necessário ao carregamento ou descarregamento de animais ou 
carga, na forma disciplinada pelo órgão ou entidade executivo de trânsito competente 
com circunscrição sobre a via. 
A diferença entre os dois primeiros conceitos, parada e estacionamento, não 
tem relação com o condutor estar ou não dentro do veículo, nem se o motor está ou 
não funcionando. Muitas pessoas, de modo incorreto, entendem que se o motorista 
estiver dentro do veículo com o motor ligado, ele está apenas parado. Na verdade, o 
que vai distinguir parada de estacionamento são a motivação e o tempo que ficou 
imóvel. 
Assim, a parada é quando o veículo fica imóvel na via para o embarque ou 
desembarque imediato de passageiros no tempo reservado para isso. Se esse 
tempo é usado para esperar o passageiro chegar, é estacionamento (sem importar 
se o condutor está na direção ou o motor está ligado). Tudo o que excede o tempo de 
parada, é configurado como estacionamento. 
No caso de um ônibus que estivesse imóvel na via para que, por exemplo, vinte 
passageiros embarquem, logo depois, após o último passageiro, saia do local, 
 
 
 
 44 
configura-se que durante o tempo que ficou imóvel é considerado parada, pois o 
tempo foi utilizado unicamente para embarque. Se o motorista descesse do ônibus 
para ajudar alguém com necessidades especiais para embarcar, o veículo continuaria 
parado e não estacionado, pois logo após o último passageiro embarcar, ele saiu da 
via. 
Se o veículo fica parado na via e não é para embarque ou desembarque 
imediato de passageiros é considerado estacionamento irregular e é passível de ser 
autuado no art. 181 do CTB, em um dos vinte pontos que disciplinam situações 
específicas. 
 
Figura 14: Uso do Farol 
Fonte: José Cruz/Agência Brasil 
 
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-07/uso-do-farol-baixo-durante-o-dia-sera-
obrigatorio-em-rodovia-1582359320-1 
 
 
Se o veículo fica parado na via que é destinada para embarque e desembarque 
imediato de passageiros é considerado parada irregular e passível de ser autuado no 
art. 182 do CTB, em um dos onze incisos que disciplinam situações específicas. 
O art. 47 do CTB trata de: “Quando proibido o estacionamento na via, a parada 
deverá restringir-se ao tempo indispensável para embarque ou desembarque de 
passageiros, desde que não interrompa ou perturbe o fluxo de veículos ou a 
locomoção de pedestres”. 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=Art.%20176.%20Deixar%20o%20condutor%20envolvido%20em%20acidente%20com%20v%C3%ADtima%3A
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-07/uso-do-farol-baixo-durante-o-dia-sera-obrigatorio-em-rodovia-1582359320-1
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-07/uso-do-farol-baixo-durante-o-dia-sera-obrigatorio-em-rodovia-1582359320-1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20Art.%20182.%20Parar%20o%20ve%C3%ADculo%3A
 
 
 
 45 
Desta forma, quando na via tiver uma placa de sinalização vertical 
de “proibido estacionar”, o veículo pode fazer uma parada para embarcar 
ou desembarcar passageiros e não será uma infração de trânsito prevista 
no art. 181 do CTB. 
Essa mesma permissão não existe se for o caso de uma operação de carga e 
descarga, mesmo que seja, por exemplo, de duas caixas de produtos, pois conforme 
parágrafo único do art. 47 do CTB: “A operação de carga ou descarga será 
regulamentada pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via e é considerada 
estacionamento”, ou seja, onde é proibido o estacionamento de veículos é também 
proibido carga e descarga de produtos e animais, independentemente do tempo 
gasto na operação. 
Já quando tiver a placa de sinalização vertical e de “proibido parar 
e estacionar”, são proibidas as operações de estacionamento e de parada 
no trecho que a placa se encontra. Dessa forma, se o veículo insiste em 
estacionar na área, está passível de autuação no art. 181, XIX (em locais e horários 
de estacionamento e parada proibidos pela sinalização / placa - Proibido Parar e 
Estacionar); se o veículo insiste em parar com a função de desembarque de 
passageiro estará passível de autuação no art. 182, X (em local e horário proibidos 
especificamente pela sinalização / placa - Proibido Parar). 
Sobre a posição do veículo ao estacionar, tratando-se de veículo motorizado 
de duas rodas, será feita em posição perpendicular à guia da calçada (meio-fio) e 
junto a ela, exceto quando houver sinalização que determine outra condição. 
 
Figura 15: Alinhamento do veículo de duas rodas ao estacionar 
Fonte: Do conteudista. 
 
 
 
 
 46 
Já os demais veículos motorizados deverão ser posicionados no sentido do 
fluxo, paralelo ao bordo da pista de rolamento e junto à guia da calçada (meio-
fio), admitidas as exceções devidamente sinalizadas. 
 
Figura 16: Alinhamento dos demais veículos ao estacionar 
Fonte: Do conteudista. 
 
Dessa forma, se houver sinalização delimitandoa posição do estacionamento 
(por exemplo, em escama, na diagonal) esta deverá ser adotada. Não havendo 
sinalização específica, as motocicletas e similares serão estacionadas na posição 
perpendicular em relação ao meio-fio e os demais veículos na posição paralela 
(lateral) em relação ao meio-fio. 
Quem procede incorretamente em relação à sinalização do estacionamento ou, 
na falta de sinalização, em posição já convencionada, o condutor estará sujeito a ser 
autuado na disposição do art. 181, IV do CTB (estacionar o veículo em desacordo com 
as posições estabelecidas neste Código). 
 
Art. 218 – Excesso de velocidade 
 
Trata o art. 218 do CTB que é infração “transitar em velocidade superior à 
máxima permitida para o local, medida por instrumento ou equipamento hábil, em 
rodovias, vias de trânsito rápido, vias arteriais e demais vias”. 
Em seguida, o CTB traz três diferentes níveis de gradação da conduta, da 
seguinte forma: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=Art.%20218.%C2%A0%20Transitar%20em%20velocidade%20superior%20%C3%A0%20m%C3%A1xima%20permitida%20para%20o%20local%2C%20medida%20por%20instrumento%20ou%20equipamento%20h%C3%A1bil%2C%20em%20rodovias%2C%20vias%20de%20tr%C3%A2nsito%20r%C3%A1pido%2C%20vias%20arteriais%20e%20demais%20vias%3A%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Reda%C3%A7%C3%A3o%20dada%20pela%20Lei%20n%C2%BA%2011.334%2C%20de%202006)%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Vide%20ADI%20n%C2%BA%203951)
 
 
 
 47 
- Quando a velocidade for superior à máxima em até 20% (vinte por cento) a 
infração é de natureza média; 
- Quando a velocidade for superior à máxima em mais de 20% (vinte por cento) 
até 50% (cinquenta por cento) a infração é de natureza grave; 
- Quando a velocidade for superior à máxima em mais de 50% (cinquenta por 
cento) a infração é de natureza gravíssima, com fator multiplicador 3 sobre o valor 
da multa e suspensão do direito de dirigir, independente da pontuação acumulada 
até então. 
A Resolução nº 798/2020-CONTRAN trata das exigências mínimas para a 
fiscalização da velocidade de veículos automotores com relação aos tipos de 
medidores de velocidade (requisitos metrológicos e técnicos), orientações para 
instalação, operação e monitoramento, os dados necessários para ser uma infração, 
os locais de fiscalização e sua prévia sinalização, bem como estabelece o erro máximo 
admissível de 7% que será descontado para efeito do cálculo da velocidade 
considerada para a fiscalização. 
Hoje em dia, contamos com dois equipamentos medidores de velocidade: o fixo 
e o portátil. O fixo pertence ao órgão executivo de trânsito ou rodoviário e o portátil é 
usado por agentes de trânsito ou policiais. 
Os profissionais de segurança que utilizarão o equipamento portátil para 
fiscalização devem estar por dentro do conteúdo da resolução, saber como manusear 
os equipamentos, que podem ser instalados em viatura caracterizada estacionada, 
em tripé, suportes fixos ou manuais, utilizar como objeto de controle em via ou em 
ponto específico e que tenha limite de velocidade igual ou superior a 60 km/h. 
Os equipamentos portáteis só podem ser utilizados por autoridades de 
trânsito ou seus agentes quando estão exercendo sua função, devidamente 
uniformizados, em ações de fiscalização, o operador e o equipamento 
devem estar em local visível, sem placas, árvores, postes, passarelas, 
pontes, viadutos, marquises ou qualquer outro objeto que impeça sua 
visibilidade. 
 
Art. 232 – Documentos de porte obrigatório 
Estabelece o art. 232 do CTB: “Conduzir veículo sem os documentos de porte 
obrigatório referidos neste Código”. 
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-798-de-2-de-setembro-de-2020-276446814
 
 
 
 48 
Segundo a Resolução nº 205/2006-CONTRAN, os documentos de porte 
obrigatório do condutor do veículo são: 
- Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC), Permissão para Dirigir (PD) ou 
Carteira Nacional de Habilitação (CNH), no original; 
- Certificado de Registro e Licenciamento Anual (CRLV), no original. 
 
O CTB, no parágrafo único do art. 133, afirma que o porte do CRLV será 
dispensado, se no momento da fiscalização, possa ter acesso ao sistema 
informatizado para verificar se o veículo está licenciado. 
Existe também uma novidade na legislação, de acordo com a Resolução nº 
788/2020-CONTRAN, que foi a emissão do Certificado de Registro e Licenciamento 
de Veículo em meio eletrônico (CRLV-e), que substitui o CRLV em meio físico e pode 
ser acessado do aparelho de telefone celular. 
Para a prática de direção veicular é utilizado o veículo do Centro de 
Formação de Condutores (CFC) e, além da documentação acima referida, são 
necessários: 
- Do instrutor: Carteira de Instrutor expedida no DETRAN vinculada ao CFC 
constante no processo de habilitação; 
- Do aprendiz: Licença para Aprendizagem de Direção Veicular (LADV) e 
carteira de identidade (art. 8º da Resolução nº 789/2020-CONTRAN). 
Se o condutor tiver tirado alguma licença em curso especializado para 
condução de determinados veículos, ele deve obrigatoriamente estar com o 
comprovante em sua posse, até que isso seja inserido no RENACH e na sua CNH. 
Esta exigência se refere à condução dos veículos de: 
- Transporte coletivo de passageiros; 
- Transporte de escolares; 
- Transporte de produtos perigosos; 
- Emergência; 
- Transporte de carga indivisível. 
 
Art. 244 – Infrações relativas a motocicletas, motonetas e ciclomotores 
O art. 244 diz respeito às infrações de trânsito específicas cometidas na 
condução de motocicletas, motonetas e ciclomotores. 
https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=104256
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-788-de-18-de-junho-de-2020-263185347
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-788-de-18-de-junho-de-2020-263185347
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-contran/resolucoes/resolucao7892020r.pdf/view
 
 
 
 49 
É importante você saber que a distinção entre motocicleta e motoneta é apenas 
em seu conceito, pois não existem variações nas penalidades. 
De acordo com o Anexo I do CTB motocicleta é o “veículo automotor de duas 
rodas, com ou sem side-car, dirigido por condutor em posição montada” (grifo nosso) 
e a motoneta é o “veículo automotor de duas rodas, dirigido por condutor em posição 
sentada” (grifo nosso). Diferente da motocicleta, a motoneta não pode carregar 
agrupada a ela um carro lateral (side-car) para transportar passageiros ou cargas. 
Em relação ao ciclomotor (veículo de duas ou três rodas, com motor de 
combustão interna, que cilindrada não exceda a 50 centímetros cúbicos - 3,05 
polegadas cúbicas - e sua velocidade máxima de fabricação não exceda a 50 km/h), 
o documento de habilitação próprio para conduzi-lo é a ACC (autorização para 
conduzir ciclomotor). 
O CTB também estabelece para os ciclomotores alguns limites: devem ser 
conduzidos pela direita da pista, de preferência no centro da faixa mais à direita ou na 
margem direita. Quando não houver acostamento ou faixa exclusiva para eles, é 
proibida a sua circulação nas vias de trânsito rápido e sobre as calçadas das vias 
urbanas (art. 57), como também a sua circulação em rodovias sem acostamento (§ 2º 
do art. 244). 
A Resolução nº 940/2022-CONTRAN orienta o uso do capacete para 
condutor e passageiro de motocicletas, motonetas, ciclomotores, triciclos motorizados 
e quadriciclos motorizados, de acordo com a norma técnica NBR7471 do Instituto 
Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO). 
Se algum condutor ou passageiro estiver sem capacete de proteção na 
cabeça (ou levar pendurado no braço, ou usar capacete de ciclista ou de construção 
civil) em motocicleta, motoneta ou ciclomotor podem ser autuados no art. 244, I 
(condutor) e 244, II (passageiro). Nesta situação, a infração é de natureza 
gravíssima, com determinação de suspensão do direitode dirigir 
(independentemente da pontuação) e o veículo ficará retido até a apresentação do 
capacete regulamentado. 
Caso o condutor esteja utilizando capacete regulamentado, que não tenha 
viseira, mas sem usar os óculos de proteção adequados (ou utilizando somente 
óculos de sol ou de correção visual), também poderá ser autuado no art. 244, X. Nesta 
situação, a infração é de natureza média. Caso o passageiro esteja utilizando 
capacete regulamentado, que não tenha viseira, mas sem usar os óculos de 
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-contran-n-940-de-28-de-marco-de-2022-390285259
 
 
 
 50 
proteção adequados (ou utilizando somente óculos de sol ou de correção visual) 
pode ser autuado no art. 244, XI. Nesta situação, a infração é de natureza média. 
Se o condutor e/ou passageiro estiverem usando um capacete motociclístico 
que não corresponda ao modelo regulamentado pela citada resolução (fora das 
especificações regulamentadas), a autuação deverá ser feita no art. 230, X do CTB: 
conduzir veículo com equipamento obrigatório em desacordo com o estabelecido pelo 
CONTRAN (conforme orientação constante no art. 4º, I da Resolução nº 940/2022). 
Nesta situação, a infração é de natureza grave. Será feita uma única autuação, 
mesmo que os dois ocupantes estejam com o capacete fora do padrão, pois, neste 
caso, não há condutas distintas para condutor e para passageiro. 
Em todas as situações explicadas acima, o veículo ficará retido até a 
apresentação de um capacete regulamentado e/ou óculos de proteção apropriados. 
Se o condutor e/ou o passageiro estiverem utilizando um capacete, dentro do 
padrão NBR7471, mas com a viseira ou óculos de proteção levantados, bem como 
estiverem com o capacete na cabeça, sem a devida fixação da cinta jugular no seu 
engate ou desajustada, pode ser autuado no art. 169 (segunda parte) do CTB: dirigir 
[...] sem os cuidados indispensáveis à segurança (conforme orientação constante no 
art. 4º, II da Resolução nº 940/2022). Nesta situação, a infração é de natureza leve e 
o veículo ficará retido até o abaixamento da viseira, colocação adequada dos óculos 
de proteção ou ajuste devido da cinta jugular. Será feita uma única autuação, pois, 
neste caso, não há condutas distintas para condutor e para passageiro. 
 
Art. 252 – Calçado inadequado e uso de telefone celular 
O ponto IV do art. 252 do CTB estabelece a infração de trânsito de dirigir veículo 
“usando calçado que não se firme nos pés ou que comprometa a utilização dos 
pedais”. 
Independente da forma como o veículo é conduzido, se for constatado que o 
condutor utiliza calçado irregular (aqueles que não se firmem aos pés, não possuam 
formato que envolva o calcanhar, como chinelos e sandálias sem alças traseiras) será 
autuado. 
Calçado que compromete a utilização dos pedais é aquele que, firme no pé, 
por seu formato, altura ou composição, prejudica a perfeita utilização dos comandos, 
como sandálias plataformas ou de salto muito fino. Nesse caso para ser constatada a 
 
 
 
 51 
infração de não conduzir o veículo de forma correta, é preciso que o agente comprove 
se o condutor estava cometendo freadas e arrancadas bruscas, trajetória irregular no 
deslocamento, dentre outras. Se o veículo estiver sendo conduzido normalmente e 
com segurança, não há como autuar a infração de trânsito. 
E dirigir descalço é infração de trânsito? Não. O CTB não traz esse 
elemento como infração. Se não há explicitamente uma regra proibindo o 
condutor de estar descalço, entende-se por lógica que é permitido. 
As motocicletas e similares, então podem ser pilotadas pelo condutor 
descalço? Nesse ponto há uma importante discussão. 
Apesar de existir um corrente relevante de estudiosos que considera ser 
permitida a condução de motocicleta enquanto descalço, existem opiniões contrárias 
a esse entendimento. Contudo, majoritariamente, considera-se que a ausência de 
calçados não implicará autuação por infração de trânsito. 
 
CORRENTE MAJORITÁRIA: SIM! 
 
Fundamento: É possível dirigir descalço, haja vista a inexistência de vedação para 
essa conduta. Para fins do curso em análise, adotaremos esse posicionamento; 
portanto, não será considerada infração. 
O CTB nada diz a respeito de dirigir ou pilotar descalço. No entanto, é extremamente 
recomendável que um calçado seja utilizado principalmente quando falamos de 
motocicletas, uma vez que, em acidentes, as sequelas podem ser bem mais graves 
caso se esteja descalço. 
Leia mais: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/dirigir-descalco-vai-dar-multa-veja-o-
que-diz-a-lei-e-se-surpreenda/1803468453 
 
CORRENTE MINORITÁRIA: NÃO! 
 
Fundamento: Em relação à utilização de motocicletas, motonetas e ciclomotores, o 
conteudista filia-se a essa visão; portanto, não devem ser pilotados com o condutor 
descalço. Isso porque a permissão por não haver proibição não se aplica a estes 
veículos. 
https://www.jusbrasil.com.br/artigos/dirigir-descalco-vai-dar-multa-veja-o-que-diz-a-lei-e-se-surpreenda/1803468453
https://www.jusbrasil.com.br/artigos/dirigir-descalco-vai-dar-multa-veja-o-que-diz-a-lei-e-se-surpreenda/1803468453
 
 
 
 52 
A justificativa é que os pés descalços podem vir a tocar o motor aquecido e esse 
contato gerar uma desconcentração e desequilíbrio no piloto, além de poder prender 
os dedos nas engrenagens do veículo e estas situações podem provocar um acidente 
de trânsito. Assim, o condutor que dirige motocicleta e afins descalço pode ser 
autuado por “dirigir [...] sem os cuidados indispensáveis à segurança” (CTB, art. 169). 
Apesar desse conteudista advogar essa vertente, não adotaremos a posição de que 
deva ser considerada infração nesse momento, haja vista entendimento contrário da 
fiscalização em geral. 
 
Com relação à infração de trânsito de dirigir veículo “utilizando-se de fones nos 
ouvidos conectados a aparelhagem sonora ou de telefone celular” (grifos nossos – 
inciso VI do art. 252) há algumas particularidades pra você observar. 
Partindo de uma análise gramatical na lei, pode-se perceber que estão 
indicadas duas condutas diferentes no mesmo artigo: 
 (a) dirigir o veículo utilizando-se de fones nos ouvidos conectados a 
aparelhagem sonora (cd-player, gravador, rádios e outros aparelhos, móveis ou 
instalados no veículo); e 
(b) dirigir o veículo utilizando-se de telefone celular. 
 
Em relação à primeira situação, é considerada infração se o condutor transita 
com os dois fones de ouvidos conectados a um aparelho sonoro que não seja 
um celular. Se for utilizado apenas um fone, não é infração. Para que você faça a 
autuação correta é necessária à abordagem do infrator, conforme procedimentos 
definidos no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito – Volume I, código de 
enquadramento 736-61. 
Já em relação a segunda situação, é proibido utilizar o telefone celular em 
qualquer uma das situações a seguir: (a) o condutor atende o telefone celular, 
retirando a mão do volante ao levá-lo ao ouvido; (b) o passageiro atende o telefone 
celular e leva o aparelho ao ouvido do condutor; (c) o condutor utiliza fone ou fones 
conectados ao telefone celular; (d) o condutor utiliza o telefone celular no viva-voz ou 
em equipamento sonoro com transferência da ligação via bluetooth; (e) o condutor 
utiliza o telefone celular em qualquer das opções de mensagem, vídeo ou fotografia, 
bem como em outros aplicativos. 
 
 
 
 53 
Mesmo assim, nem todas as formas acima são possíveis do agente averiguar. 
O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito, na ficha de orientação referente ao 
código de enquadramento 736-62, estabelece a necessidade de abordagem do 
infrator quando for visualizado o uso do fone para comprovar se está conectado ao 
aparelho de telefone celular. “A imobilização (interrupção) temporária do trânsito 
é definida como a interrupção de marcha do veículo para atender circunstância 
momentânea do trânsito, por exemplo,a parada no semáforo ou engarrafamento, não 
podendo ser confundido com parada ou estacionamento. 
Portanto, o motorista que parar no semáforo ou num engarrafamento não 
poderá fazer uso do seu celular, já que ainda se encontra em trânsito com o seu 
veículo, devendo estar atento a condução do seu veículo e aos demais na via, 
prezando pela segurança.” 
 
Saiba mais... 
Utilizar o celular enquanto dirige, além de perigoso, é infração de trânsito – sobre isso 
ninguém tem dúvida. Mas e se isso ocorrer com o veículo parado aguardando a 
abertura do semáforo, é infração? 
Dados mostram que a utilização de celular na direção de veículo aumenta em até 
400% a probabilidade de ocorrência de acidente. Tal conduta caracteriza infração de 
trânsito prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), em pelo menos dois 
dispositivos: 
 
Previsão legal 
Art. 252. Dirigir o veículo: 
VI – utilizando-se de fones nos ouvidos conectados a aparelhagem sonora ou de 
telefone celular; 
Infração – média; 
Penalidade – multa. 
 
 
 
 
 54 
Parágrafo único. A hipótese prevista no inciso V caracterizar-se-á como infração 
gravíssima no caso de o condutor estar segurando ou manuseando telefone celular. 
 
V – com apenas uma das mãos, exceto quando deva fazer sinais regulamentares de 
braço, mudar a marcha do veículo, ou acionar equipamentos e acessórios do veículo; 
Conduta infracional 
Apesar disso, a maioria dos condutores têm dúvidas de COMO seria possível atender 
a uma ligação, por exemplo, sem que esteja praticando um ato infracional. 
Ao consultar a legislação de trânsito, concluímos que, estando na direção de um 
veículo, a única hipótese de fazer uso do celular, sem que incorra numa infração de 
trânsito, seria com o veículo ESTACIONADO. 
A respeito disso, o que seria um estacionamento, segundo a legislação de 
trânsito? 
 
ESTACIONAMENTO – imobilização de veículos por tempo superior ao necessário 
para embarque ou desembarque de passageiros. 
Observe que o conceito de estacionamento, pelo CTB, independe de o veículo estar 
com o motor funcionando ou não. 
Essa Informação é de grande importância para evitar equívocos conforme um que 
aconteceu em 2018, na cidade de Rio das Ostras/RJ, quando um agente fiscalizador 
autuou uma condutora que havia imobilizado o veículo à margem da via, em local 
permitido, para atender à uma ligação no celular. 
O entendimento daquele agente foi de que se o condutor NÃO desligou o motor, 
não ficou caracterizado o estacionamento, mas uma imobilização circunstancial do 
trânsito, como a que ocorre quando o semáforo fica no vermelho. O caso citado 
constitui uma excepcionalidade, um EQUÍVOCO praticado por um determinado 
agente e, obviamente, difere do entendimento dos demais. 
 
 
 
 55 
Contudo, se o condutor quiser aproveitar aquela rápida imobilização, enquanto 
embarca ou desembarca um passageiro, para ajustar o GPS no celular, por exemplo, 
aí sim estará caracterizada a infração prevista no parágrafo único do art. 252 do CTB. 
Do mesmo modo, atender a uma ligação no viva-voz (sem segurar ou manusear o 
celular), enquanto aguarda a abertura do semáforo, poderá ser autuado pelo inciso VI 
do art. 252 do CTB. 
Ambas as situações anteriormente citadas (embarque ou desembarque de 
passageiros; imobilização ao semáforo) são consideradas, pela legislação de trânsito, 
como IMOBILIZAÇÃO TEMPORÁRIA – aquela que acontece para atender a uma 
circunstância momentânea do trânsito. 
E nesses casos, não há dúvida quanto ao cometimento da conduta infracional. Veja a 
ficha do Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT): 
 
Imagem: MBFT 
Fonte: https://www.autoescolaonline.net/condutor-multado-por-utilizar-celular-enquanto-
aguarda-o-semaforo-abrir/ 
 
 
https://www.autoescolaonline.net/condutor-multado-por-utilizar-celular-enquanto-aguarda-o-semaforo-abrir/
https://www.autoescolaonline.net/condutor-multado-por-utilizar-celular-enquanto-aguarda-o-semaforo-abrir/
 
 
 
 56 
AULA 4 – CONEXÃO COM CRIMES DE TRÂNSITO 
 
Existem infrações de trânsito que estão conectadas com crimes de trânsito, 
conforme consta nos artigos de 302 a 312 do CTB. Essa relação pode ser direta, se 
houve infração, ocorreu o crime e de forma indireta, ou seja, em algumas 
circunstâncias, pode haver também um crime. 
Você verá abaixo a relação das infrações com os crimes de trânsito: 
 
Dirigir sem possuir habilitação 
A infração de trânsito do art. 162, I do CTB (dirigir veículo sem possuir 
Carteira Nacional de Habilitação, Permissão para Dirigir ou Autorização para 
Conduzir Ciclomotor) nem sempre terá incidência no crime do art. 309 do 
CTB (dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida Permissão para 
Dirigir ou Habilitação [...], gerando perigo de dano). 
Isso acontece porque para ser crime tem que gerar algum perigo de dano. 
No caso de o condutor sem habilitação, por não ter conhecimentos e habilidades 
suficientes para conduzir, coloca em risco a segurança e o patrimônio de outras 
pessoas. Geralmente pode ser com arrancadas ou freadas bruscas, a realização de 
manobras de forma errada, curvas e conversões perigosas, subindo na calçada ou no 
canteiro central, avançando o sinal vermelho, comprovando, assim, sua falta de 
domínio e colocando em risco a integridade dele e de outras pessoas. Ao ser 
abordado, o condutor, será autuado na infração de trânsito do art. 162, I e 
conduzido à delegacia de polícia competente para as providências de natureza 
criminal, pois a autuação administrativa não elimina as providências de natureza 
criminal (CTB, art. 256, § 1º). 
Se o condutor dirige sem habilitação, mas conduz de forma adequada, com 
domínio sobre as normas de circulação, não colocando em risco a segurança e o 
patrimônio de outras pessoas, não estará cometendo crime e sim apenas infração 
de trânsito do art. 162, I. 
 
Dirigir com o documento de habilitação cassado 
A infração de trânsito do art. 162, II do CTB (dirigir veículo com Carteira 
Nacional de Habilitação, Permissão para Dirigir ou Autorização para Conduzir 
 
 
 
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Ciclomotor cassada [...]) nem sempre terá incidência no crime do art. 309 do CTB 
(dirigir veículo automotor, em via pública, [...]se cassado o direito de dirigir, gerando 
perigo de dano). 
As regras orientadas no tópico anterior, de gerar perigo de dano, se aplicam a 
esta situação também. Perceba que dificilmente alguém que tenha carteira de 
habilitação, mas tenha sido cassado, perderá a capacidade e domínio de conduzir o 
veículo, pois suas experiências continuam as mesmas. Quem tem a CNH cassada 
perde definitivamente o direito de dirigir e, como tal, é considerado inabilitado, e 
será crime se for percebido que sua condução está gerando perigo de dano. Já quem 
foi autuado neste mesmo art. 162, II por ter o documento de habilitação suspenso 
pode incidir em outro tipo penal, que você verá abaixo. 
 
Dirigir com o documento de habilitação suspenso 
A infração de trânsito do art. 162, II (dirigir veículo com Carteira Nacional de 
Habilitação [...] ou Autorização para Conduzir Ciclomotor [...] com suspensão do direito 
de dirigir) terá incidência direta no crime do art. 307 do CTB (violar a suspensão 
[...] para dirigir veículo automotor imposta com fundamento neste Código). 
Neste caso, a situação de gerar perigo de dano não é o elemento que irá 
transformas a infração em crime de trânsito, conforme é tratado no art. 309 do CTB. 
Quem for autuado no art. 162, II, do CTB por dirigir com a habilitação suspensa, 
deve ser conduzido à delegacia de polícia competente para as providências em 
relação ao seu crime. 
Você estudará melhor a distinção entre cassação e suspensão de habilitação 
no Módulo III – Penalidades e medidas administrativas. 
 
Entregar ou permitir a direção de veículo em determinadas circunstâncias 
As infrações de trânsito do art. 163 c/c (combinado com) art. 162, I (entregar 
a direção do veículo a pessoa quenão possui CNH, PD ou ACC), do art. 163 c/c art. 
162, II (entregar a direção do veículo a pessoa com CNH, PD ou ACC cassada ou 
com suspensão do direito de dirigir), do art. 164 c/c art. 162, I (permitir que pessoa 
que não possui CNH, PD ou ACC tome posse do veículo automotor e passe a conduzi-
lo na via), do art. 164 c/c art. 162, II (permitir que pessoa com CNH, PD ou ACC 
cassada ou com suspensão do direito de dirigir tome posse do veículo automotor e 
 
 
 
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passe a conduzi-lo na via), do art. 166 (confiar ou entregar a direção de veículo a 
pessoa que, mesmo habilitada, por seu estado físico ou psíquico, não estiver em 
condições de dirigi-lo com segurança), todos do CTB, terão incidência direta no 
crime do art. 310 do CTB (permitir, confiar ou entregar a direção de veículo automotor 
à pessoa não habilitada, com habilitação cassada ou com o direito de dirigir suspenso, 
ou, ainda, a quem, por seu estado de saúde, física ou mental, ou por embriaguez, não 
esteja em condições de conduzi-lo com segurança). 
As infrações citadas no parágrafo acima já foram discutidas na Aula 3 deste 
módulo. Qualquer dúvida retorne à aula para esclarecer melhor o assunto. 
 
Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa 
A infração de trânsito do art. 165 do CTB (dirigir sob a influência de álcool ou 
de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência) nem sempre 
terá incidência no crime do art. 306 do CTB (conduzir veículo automotor com 
capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra 
substância psicoativa que determine dependência). 
No caso do condutor fazer o teste do bafômetro para comprovar a infração 
e a medida do aparelho for igual ou superior a 0,34 mg/L, vai ser autuado por 
infração de trânsito do art. 165 e será conduzido a delegacia de polícia. Se a 
medição for entre 0,05 mg/L e 0,33 mg/L, o condutor está cometendo apenas 
infração de trânsito conforme o mesmo artigo e o veículo será retido até que tenha 
um condutor com habilitação para retirar o carro e a habilitação do infrator é recolhida 
pelo agente. 
Em caso de recusa do condutor em realizar o teste do bafômetro, o infrator, 
além da autuação no art. 165-A, será conduzido à delegacia de polícia, no caso de 
apresentar sinais de alteração da capacidade psicomotora do condutor, conforme 
Resolução nº 432/2013-CONTRAN, feito em formulário específico* e com o relato de 
testemunhas para o procedimento policial. 
Pode ser realizado um exame clínico feito pelo médico perito avaliador ou 
testes laboratoriais feitos pelo Instituto Médico Legal, em caso de ser constatada a 
embriaguez ou uso de substâncias psicoativas, também pode ser confirmado por 
imagens de vídeo, pela prova testemunhal ou por outros meios admitidos 
legalmente, dando o direito à contraprova do infrator. 
 
 
 
 
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Disputar corrida ou promover ou participar de competição 
As infrações de trânsito do art. 173 (disputar corrida) e do art. 174 (promover, 
na via, competição, eventos organizados, exibição e demonstração de perícia em 
manobra de veículo, ou deles participar, como condutor, sem permissão da autoridade 
de trânsito com circunscrição sobre a via), ambos do CTB, nem sempre terão 
incidência no crime do art. 308 do CTB (participar, na direção de veículo automotor, 
em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística ou ainda de exibição 
ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada pela 
autoridade competente, gerando situação de risco à incolumidade pública ou 
privada). 
 
Figura 17: Faixa de Pedestres 
Fonte: Marcelo Camargo/Agência Brasil. 
 
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2021-04/pedestres-atravessam-faixa-em-brasilia-ha-
24-anos-capital-1618947377 
 
O que acontece é que para ser crime tem que haver risco à segurança pública 
ou privada. Tem relação com garantir o bem-estar e segurança de pessoas ou de bens 
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2021-04/pedestres-atravessam-faixa-em-brasilia-ha-24-anos-capital-1618947377
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2021-04/pedestres-atravessam-faixa-em-brasilia-ha-24-anos-capital-1618947377
 
 
 
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em situação que possa ameaçar essa seguridade, o que pode acontecer com corridas 
e competições em via pública. 
Então se a conduta dos infratores coloca em risco outras pessoas que estejam 
nas proximidades, seja assistindo o evento ou que estejam se deslocando em via 
pública, o crime é constatado, mesmo que não haja danos físicos ou materiais. Os 
participantes, ao serem abordados, serão autuados na infração de trânsito do art. 
173 ou 174 e serão conduzidos à delegacia de polícia. 
 
Acidente de trânsito com vítimas 
A infração de trânsito do art. 176, I do CTB (deixar o condutor envolvido em 
acidente com vítima de prestar ou providenciar socorro à vítima, podendo fazê-lo) terá 
incidência direta no crime do art. 304 do CTB (deixar o condutor do veículo, na 
ocasião do acidente, de prestar imediato socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo 
diretamente, por justa causa, deixar de solicitar auxílio da autoridade pública). 
Assim, quem é autuado no art. 176, I do CTB deve ser, em seguida, conduzido 
à delegacia de polícia competente para as providências de natureza criminal. 
Já a infração de trânsito do art. 176, III do CTB (deixar o condutor envolvido em 
acidente com vítima de preservar o local, de forma a facilitar os trabalhos da polícia e 
da perícia) nem sempre terá incidência no crime do art. 312 do CTB (inovar 
artificiosamente, em caso de acidente automobilístico com vítima, na pendência do 
respectivo procedimento policial preparatório, inquérito policial ou processo penal, o 
estado de lugar, de coisa ou de pessoa, a fim de induzir a erro o agente policial, o 
perito, ou juiz). A não ser que os envolvidos tentem adulterar o local e alterar a 
dinâmica dos fatos e as conclusões a que se possam chegar a respeito da 
responsabilidade pela ocorrência dos danos causados, à vida e ao patrimônio. Neste 
caso, a conduta, além de infração de trânsito, configura o crime do art. 312 do CTB. 
Em relação ao condutor do outro veículo, que não esteja envolvido no acidente 
de trânsito, mas que se recuse a prestar socorro, quando o agente de trânsito solicitar, 
está passível a ser autuado na infração do art. 177 do CTB (deixar o condutor de 
prestar socorro à vítima de acidente de trânsito quando solicitado pela autoridade e 
seus agentes) e de ser conduzido à delegacia de polícia em razão do crime previsto 
no art. 135 do Código Penal (deixar de prestar assistência quando possível fazê-lo 
sem risco pessoal, [...] a pessoa inválida ou ferida [...], ou não pedir, nesses casos, o 
socorro da autoridade pública). 
 
 
 
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Figura 18: Forte Chuva 
Fonte: Fernando Frazão/Agência Brasil. 
 
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2019-12/forte-chuva-fez-cidade-do-rio-entrar-em-
estagio-de-atencao-1582308267 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2019-12/forte-chuva-fez-cidade-do-rio-entrar-em-estagio-de-atencao-1582308267
https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2019-12/forte-chuva-fez-cidade-do-rio-entrar-em-estagio-de-atencao-1582308267
 
 
 
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AULA 5 – ESCLARECENDO OUTRAS QUESTÕES 
 
 
Vale lembrar que a legislação de trânsito muda constantemente, como 
também sempre estão passando por mudanças a circulação de pessoas e 
veículos nas vias públicas. 
 
O conhecimento das pessoas também passa por transformações, 
principalmente com as informações que recebemos diariamente de diversos meios de 
comunicação, principalmente com a internet, que hoje acaba sendo uma forma muito 
prática de estar por dentro da legislação de trânsito. Também podemos nos 
aperfeiçoar em relação às mudanças nos noticiários da TV, nos jornais diários e 
revistas que sempre estão se atualizando para levar informações e discussões sobre 
o direito fundamentalde ir e vir. Estudar o Código de Trânsito Brasileiro e sua 
legislação complementar deve fazer parte da busca por conhecimento do profissional 
de segurança pública. 
 
Figura 19: Circulação de Pessoas 
Fonte: Marcelo Camargo/Agência Brasil. 
 
Pensando na quantidade de informações vindas de diversos veículos 
comunicativos, algumas questões em relação ao funcionamento da legislação podem 
 
 
 
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gerar dúvidas e o profissional de segurança pública precisa estar atento para que seu 
trabalho esteja sempre atualizado. Veja abaixo algumas dessas dúvidas: 
 
Autuação em trânsito 
Quais as infrações previstas no CTB que podem ser autuadas em trânsito 
(sem que o agente precise abordar o infrator)? 
As infrações são aquelas que não foram estabelecidas uma medida 
administrativa que tenha “por objetivo prioritário a proteção à vida e à 
incolumidade física da pessoa” (CTB, art. 269, § 1º). Se tiver no CTB uma medida 
corretiva, como, por exemplo, não utilizar o cinto de segurança (art.167), o agente não 
pode autuar a infração para depois penalizar o condutor, pois o que é previsto nesse 
caso é reter o veículo até que o infrator coloque o cinto. 
Desta forma, podem ser autuadas em trânsito, dentre outras infrações: a 
utilização do telefone celular pelo condutor na direção do veículo (art. 252, VI); o 
avanço do sinal vermelho (art. 208); os excessos de velocidade em via pública 
previstos no art. 218; as ultrapassagens, conversões e retornos indevidos (arts. 202, 
203, 205, 206, 207 e 211). Isto porque, nestes casos, não se encontram previstas no 
CTB medidas administrativas de caráter corretivo. 
No entanto, o ideal é que o agente de trânsito aborde o condutor do veículo 
para constatar a infração de trânsito, pois a abordagem é uma atitude pedagógica 
para o infrator, com o intuito de gerar uma reflexão ao ser autuado, prevenindo que 
ele tenha a mesma conduta mais de uma vez. 
O profissional de segurança pública, além de estar por dentro das medidas 
administrativas de cada infração, precisa estar atento ao que diz o Manual Brasileiro 
de Fiscalização de Trânsito (Volumes I e II). Nele estão todos os procedimentos 
específicos que deve tomar em casos de: possível sem abordagem, mediante 
abordagem e os procedimentos. Você verá mais informações sobre isto no Módulo 4. 
A conclusão é: Podem ser autuadas em trânsito todas as infrações que não 
tenham previsão de medida administrativa corretiva da conduta do infrator, mas se no 
artigo da infração houver uma medida administrativa com o objetivo de proteger a vida 
e a segurança física da pessoa, esta medida deve ser adotada obrigatoriamente. 
 
 
 
 
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Trânsito de motocicleta entre veículos parados 
Ao motociclista é permitido percorrer entre veículos parados no trânsito? 
Analisando o art. 211 do CTB, pode-se, de modo errado, pensar que não, pois 
ele diz: “Ultrapassar veículos em fila, parados em razão de sinal luminoso, cancela, 
bloqueio viário parcial ou qualquer outro obstáculo, com exceção dos veículos não 
motorizados: Infração – grave; Penalidade – multa”. 
Porém, um estudo feito do CTB nesse ponto, nos leva ao art. 56 que foi vetado, 
mas estabelecia que “É proibida ao condutor de motocicleta, motonetas e ciclomotores 
a passagem entre veículos de filas adjacentes ou entre a calçada e veículos de fila 
adjacente a ela”. O artigo foi vetado pelo Presidente da República justificando que “ao 
proibir o condutor de motocicletas e motonetas à passagem entre veículos de filas 
adjacentes, o dispositivo restringe sobremaneira a utilização deste tipo de veículo que, 
em todo o mundo, é largamente utilizado como forma de garantir maior agilidade de 
deslocamento (...)”. Então, não é infração de trânsito a motocicleta ou motoneta 
transitar entre veículos parados em fila ou entre os veículos e a calçada. 
Se fosse proibido, os congestionamentos se tornariam ainda maiores, pois os 
veículos de duas rodas não poderiam trafegar entre os carros parados, ocupariam o 
espaço para um automóvel, perdendo a capacidade fluidez das vias públicas urbanas. 
Em relação aos motociclistas transitarem entre veículos em movimento, há um 
descumprimento do que estabelece no § 1º do art. 29 do CTB: “As normas de 
ultrapassagem prevista nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do inciso X e ‘a’ e ‘b’ do inciso XI aplicam-
se à transposição de faixas, que pode ser realizada tanto pela faixa da esquerda como 
pela da direita”. Se isso ocorrer, o condutor pode ser enquadrado na infração prevista 
no art. 169: “dirigir [...] sem os cuidados indispensáveis à segurança”. Desta forma, 
são aplicáveis às motocicletas e motonetas as regras de ultrapassagem de veículo e 
de transposição de faixas de circulação previstas no art. 29, incisos X, XI, XII e seu § 
1º. 
A conclusão é que é permitida a condução de motocicleta e motoneta entre 
veículos parados no trânsito. Com relação aos ciclomotores há que ser observada a 
regra do art. 57, ou seja, conduzi-los no bordo direito da pista de rolamento. 
 
 
 
 
 
 
 
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Motocicletas lado a lado 
Duas motocicletas transitando lado a lado, na mesma faixa de trânsito, 
cometem infração do art. 188 do CTB (transitar ao lado de outro veículo, 
interrompendo ou perturbando o trânsito)? 
Não. Para que haja esta infração é necessário que, além de estarem lado a 
lado, haja a interrupção ou perturbação do fluxo de trânsito da via. 
Desta forma, duas motocicletas podem transitar uma ao lado da outra, 
respeitada a devida distância de segurança lateral entre elas, tanto em rodovias 
quanto em via urbana, desde que estejam na mesma faixa de trânsito. 
A ultrapassagem de um motociclista isolado ou de uma dupla de motociclistas, 
por parte de outros veículos, irá obedecer às disposições dos incisos X e XI do art. 29 
do CTB. 
Porém, três motocicletas deslocando na mesma faixa de trânsito caracterizam 
a infração de “dirigir [...] sem os cuidados indispensáveis à segurança” (art. 169), pois, 
neste caso, haverá um necessário descuido da distância de segurança lateral entre 
estes veículos em deslocamento. 
A conclusão é que duas motocicletas que transitam lado a lado, na mesma faixa 
de circulação, em via urbana ou em rodovia, não cometem infração de trânsito. 
 
Autuação de embriaguez ao volante sem disponibilidade de bafômetro 
O agente de trânsito pode autuar a infração do art. 165 do CTB por meio do 
relatório de comprovação da alteração da capacidade psicomotora do condutor (termo 
de constatação de alcoolemia), sem primeiro solicitar a submissão ao teste do 
bafômetro? 
No ano de 2006, quando o condutor de veículo automotor que estivesse 
envolvido num acidente de trânsito ou que durante a fiscalização levantasse suspeita 
por estar dirigindo alcoolizado, se recusava a fazer os testes de alcoolemia previstos 
na vigência da Resolução nº 081/1998-CONTRAN, não eram penalizados com 
consequências administrativas previstas na legislação de trânsito (art. 165 do CTB). 
Porém, o CTB sofreu mudanças para que evitasse essa impunidade, por meio 
da Lei nº 11.275, de 06 de fevereiro de 2006 – reafirmada depois pela Lei nº 12.760, 
de 20 de dezembro de 2012 - ao estabelecer que o condutor de veículo automotor, 
naquelas situações, poderá ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro 
 
 
 
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procedimento que, por meios técnicos ou científicos, permita certificar se o condutor 
ingeriu álcool ou outra substância psicoativa que determine dependência. Também 
previu que a infração do art. 165 poderá ser certificada com outras provas, como 
imagem, vídeo, constatação de sinais que indiquem alteração da capacidade 
psicomotora ou produção de outras provas em direito admitidas (CTB, art. 277 e § 2º). 
Com base na disposição de lei, o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), 
por meio da Resolução nº 432/2013, determinou que a confirmação da alteração da 
capacidade psicomotora, em razão da influência de álcool ou de outra substânciapsicoativa que determine dependência, teria constatação por, pelo menos, um dos 
seguintes procedimentos a serem realizados no condutor de veículo automotor: 
a) exame de sangue; 
b) exames realizados por laboratórios especializados, indicados pelo órgão ou 
entidade de trânsito competente ou pela Polícia Judiciária, em caso de consumo de 
outras substâncias psicoativas que determinem dependência; 
c) teste em aparelho destinado à medição do teor alcoólico no ar alveolar 
(etilômetro); 
d) verificação dos sinais que indiquem a alteração da capacidade psicomotora 
do condutor. 
 
A mesma resolução estabeleceu um relatório que serve de guia para 
constatação dos sinais de alteração da capacidade psicomotora pelo agente da 
autoridade de trânsito, onde estão descritos aspectos relativos à aparência, atitude, 
orientação, memória, capacidade motora e verbal (previstos no anexo II da citada 
resolução). 
Existe uma polêmica em relação à necessidade de haver recusa do condutor 
à realização do teste do bafômetro, para, assim, buscar outras formas de poder 
caracterizar a infração. Fazendo uma análise do § 2º do art. 3º da resolução, é 
indicado que existe essa necessidade quando fala: “nos procedimentos de 
fiscalização deve-se priorizar a utilização do teste com etilômetro”. 
Em relação a caracterização do crime que consta no art. 306 do CTB, foram 
acrescentados como prova, sinais que indiquem alteração da capacidade psicomotora 
mediante exame clínico, perícia, vídeo, testemunhas ou outros meios admitidos 
legalmente, dando o direito à contraprova. Antes apenas eram considerados para 
comprovação de concentração igual ou superior a 0,34mg de álcool por litro de ar 
https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=250598
 
 
 
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alveolar (teste etilômetro) ou de 6 decigramas de álcool por litro de sangue (exame 
sanguíneo). 
A conclusão é que na apuração do cometimento da infração do art. 165 do CTB, 
o agente de trânsito deve proporcionar, inicialmente, os meios necessários para a 
realização do teste do bafômetro. Havendo recusa do infrator e caso exista um 
conjunto de sinais que denote a alteração da capacidade psicomotora, será 
preenchido o devido relatório de constatação de embriaguez, que caso seja 
comprovado cabem todas as consequências legais, tal como se fosse aplicado o teste 
do bafômetro. 
 
Segunda via de auto de infração 
A segunda via do auto de infração de trânsito (AIT) deve ser entregue ao 
condutor/proprietário quando ele comete infração e se recusa a assinar? 
A assinatura do condutor/infrator, devidamente identificado no auto de infração, 
constitui, além de notificação da autuação, recibo da segunda via a ser entregue. 
Mesmo quando o condutor/infrator se recusar a assinar o auto de infração de 
trânsito ele terá direito de receber a segunda via. É preciso colocar no campo 
ASSINATURA DO CONDUTOR/INFRATOR a expressão “recusou-se a assinar” ou 
“optou por não assinar”. 
Além do mais, é importante a entrega da segunda via principalmente nestas 
situações: a) os casos de autuação de infração de estacionamento (CTB, art. 181), 
em que o condutor não é identificado (ausente), devendo a segunda via ser colocada 
junto ao veículo; b) as autuações em que houver recolhimento de documentação de 
veículo e/ou de seu condutor, nas quais a segunda via servirá como contrarrecibo, 
sendo entregue ao condutor mesmo se houver recusa de sua assinatura. 
Podemos notar que existe uma má interpretação do usuário do sistema de 
trânsito em relação a sua assinatura do auto de infração. Ao contrário do que se 
pensa, ela não representa uma admissão de culpa ou confissão que cometeu a 
infração e também não impede que os recursos legais cabíveis sejam tomados. Na 
verdade, é uma garantia para o infrator, pois quando assina e recebe a segunda via, 
terá a segurança que impede a inovação no auto de infração ou mesmo a correção 
de uma irregularidade formal que venha a ser constatada depois. 
A conclusão que se pode tirar é que uma via do AIT será utilizada pelo órgão 
ou entidade de trânsito para os procedimentos administrativos de aplicação das 
 
 
 
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penalidades previstas no CTB e a outra via deverá ser entregue ao condutor, quando 
se tratar de autuação com abordagem, ainda que este se recuse a assiná-lo 
(Resolução nº 561/2015-CONTRAN, item 7. Autuação). 
 
Viseira escura no capacete motociclístico 
Ao condutor de motocicleta é permitido o uso de viseira escura? 
Sim, desde que utilizada durante o dia e que nela não tenha qualquer tipo de 
película. A Resolução nº 203/2006-CONTRAN, art. 3º, § 4º, estabelece que “no 
período noturno, é obrigatório o uso de viseira padrão cristal”. Se a viseira do capacete 
é escura e utilizando a noite, o condutor deve utilizar os óculos de proteção 
apropriados sem lentes escuras e mantendo a viseira (escura) do capacete totalmente 
levantada. 
Quanto à aposição de película na viseira do capacete ou nos óculos de 
proteção, este procedimento é totalmente proibido, nos termos do § 5º do art. 3º da 
citada resolução. 
Com relação aos condutores que têm restrição de correção visual, devidamente 
anotada na Carteira Nacional de Habilitação, estes deverão ser utilizados 
simultaneamente com os óculos de proteção. Da mesma forma, se o condutor optar 
por utilizar óculos de sol durante o dia, estes deverão ser utilizados simultaneamente 
com os óculos de proteção ou utilizados com a viseira do capacete totalmente 
abaixada. Porém, se a viseira escura, sem nenhuma película, é utilizada à noite, fica 
comprovada a infração prevista no art. 169 do CTB: “dirigir [...] sem os cuidados 
indispensáveis à segurança”. 
A conclusão é que ao condutor de motocicleta é permitido o uso de viseira 
escura, sem colocação de película, durante o dia, sendo incorreta autuação de 
infração de trânsito neste caso. 
 
Remoção de veículos 
Como deve ser efetivada a remoção de veículos conforme previsão do CTB? 
O Código de Trânsito Brasileiro decreta no art. 271 que “o veículo será 
removido, nos casos previstos neste código, para o depósito fixado pelo órgão ou 
entidade competente [...]”, não tratou a forma que esta medida administrativa deve ser 
feita. Em relação a isso, no parágrafo único do artigo, tem referência somente a 
 
 
 
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“despesas com remoção”, do que se conclui a possibilidade de guinchamento, por 
meio de caminhão guincho. 
Entendemos que esta remoção pode ser feita de acordo com o poder conferido 
ao agente do poder público, realizando-a através de guincho ou por intermédio do 
condutor/infrator, se ele se propõe a fazê-la e se houver certeza de que ele irá 
conduzir o veículo ao pátio do órgão competente. Para isto, o condutor deve ser 
habilitado, estar com a CNH dentro do prazo e possuir também o certificado de registro 
e licenciamento do veículo. Os documentos ficam provisoriamente com o agente de 
trânsito até que o veículo chegue ao pátio do órgão e sejam devolvidos. 
É necessário esclarecer que, em situações normais, o agente de trânsito não 
deve dirigir o veículo removido para o pátio do órgão, pois, desta forma, assumirá 
a responsabilidade civil e administrativa por danos ou acidentes eventualmente 
ocorridos no trajeto entre o local da fiscalização e o pátio do órgão. O agente também 
não deve acompanhar a remoção dentro do veículo, mesmo com o consentimento 
do condutor/infrator, e sim acompanhá-lo com o seu veículo de fiscalização. 
Dessa forma, a conclusão é que fica a critério do agente de trânsito fiscalizador 
da remoção, quando determinada pelo CTB, e poderá ser realizada por guincho ou 
através do próprio condutor/infrator, quando habilitado e quando demonstrada a 
certeza de que ele conduzirá o veículo ao pátio do órgão competente. 
 
Prazo de carência da carteira provisória 
A carência de trinta dias do vencimento da CNH, para a caracterização da 
infração do art. 162, V do CTB, também se aplica à Permissão para Dirigir?Conforme infração prevista no art. 162, V do CTB (dirigir veículo com validade 
da Carteira Nacional de Habilitação vencida há mais de trinta dias), ocorre quando 
chega o 31º dia de vencimento do documento. A lei concedeu o prazo de trinta dias 
para que a CNH seja renovada, prazo também que se encerra a validade do exame 
de aptidão física e mental do condutor. O período é de dez anos para condutor com 
menos de 50 anos, de cinco anos para condutor com mais de 50 anos e menos de 70 
anos e de três anos para o condutor com 70 anos ou mais (CTB, art. 147, § 2º). 
Se analisarmos ao pé da letra a lei, essa carência de 30 dias é aplicada 
somente em relação à CNH e não em relação à Permissão para Dirigir. Porém, o 
CONTRAN, pacificando esta discussão, na Resolução n.º 789, de 18 de junho de 
2020 ampliou o prazo também de 30 dias para essa situação, mas é importante saber 
 
 
 
 70 
que conforme § 5º do art. 28: “Para efeito de fiscalização, dirigir veículo portando PPD 
vencida há mais de trinta dias constitui infração de trânsito prevista no inciso I do art. 
162 do CTB” (grifo nosso). 
A conclusão é que o condutor que tenha CNH ou Permissão para dirigir vencida 
há mais de 30 dias, comete infração de trânsito capitulada no art. 162, I e no art. 162, 
V do CTB. 
 
Prática de direção em rodovia 
O candidato à habilitação pode ter aulas de prática de direção em rodovias? 
Sim, pois não há proibição expressa no Código de Trânsito Brasileiro 
quanto à realização destas aulas em rodovias, o qual, no seu art. 158 estabelece 
que “a aprendizagem só poderá realizar-se: I – nos termos, horários e locais 
estabelecidos pelo órgão executivo de trânsito [...]”. 
A Resolução nº 789/2020-CONTRAN, que trata das normas sobre o processo 
de formação de condutores de veículos automotores e elétricos, não foi categórica em 
proibir a prática de direção veicular em rodovias. 
Cabe ao Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) estabelecer condições 
para o processo de formação de condutores no Estado em que atua, conforme 
estabelecido no art. 22, II do CTB: “realizar, fiscalizar e controlar o processo de 
formação, de aperfeiçoamento, de reciclagem e de suspensão de condutores e 
expedir e cassar Licença de Aprendizagem, Permissão para Dirigir e Carteira 
Nacional de Habilitação, mediante delegação do órgão máximo executivo de trânsito 
da União”. Desse modo, cada órgão executivo de trânsito pode elaborar os termos 
e condições para a realização da instrução de prática de direção veicular em 
rodovias, inclusive nas federais, pois não cabe ao órgão executivo rodoviário da 
União tratar de assuntos relativos ao processo de habilitação, nem estabelecer 
normas pertinentes à aprendizagem. 
Porém, os agentes que fiscalizam o cumprimento da legislação de trânsito em 
relação à aprendizagem – seja em rodovias ou vias urbanas – devem exigir: 
1) Do aprendiz condutor: licença de aprendizagem de direção veicular 
(LADV) e documento de identidade com foto; 
2) Do instrutor: credencial de instrutor emitida pelo órgão executivo de 
trânsito; 
 
 
 
 71 
3) Do veículo: identificação conforme o art. 154 do CTB e atendimento de 
outras exigências legais (CRLV em dia, duplo comando de freios e embreagem e 
demais equipamentos obrigatórios). 
A conclusão é que não existe, na legislação de trânsito em vigor, proibição 
expressa quanto à realização da instrução de prática de direção veicular em rodovias. 
Ao contrário, esta instrução deve ser incentivada, pois a formação do futuro condutor 
exige experiências de aprendizagem também na via rural, capacitando o motorista 
para bem dirigir neste ambiente. 
 
Obrigatoriedade do tacógrafo 
Quais os veículos que, obrigatoriamente, devem utilizar tacógrafo? 
As informações em relação à obrigatoriedade do uso de registrador 
instantâneo inalterável de velocidade e tempo (tacógrafo) estão presentes em 
artigo do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), da legislação complementar e na 
Resolução nº 014/1998-CONTRAN e podem ser resumidas nas seguintes situações: 
1) Para veículos de transporte e condução de escolares e nos de 
transporte de passageiros com mais de dez lugares que realizem transporte 
remunerado de pessoas (CTB, art. 105, II e Res. 014/1998, art. 1º, I, 21); 
2) Para veículos de transporte de carga (caminhão e caminhão-trator) com 
peso bruto total (PBT) superior a 4.536 kg fabricados a partir de 01/01/1999 (CTB, 
art. 105, II e Res. 014/1998, art. 6º, II); 
3) Para veículos de transporte de carga que conduzem produtos 
perigosos, independentemente do peso bruto total ou da capacidade máxima de 
tração do veículo (Decreto n.º 96.044/1988, art. 5º). 
Assim, não estão obrigados a instalar tacógrafo os veículos de transporte de 
passageiros ou de uso misto, registados na categoria particular e que não 
realizem transporte remunerado de pessoas (Res. 014/1998, art. 2º, III, “b”), como 
também os veículos de carga com capacidade máxima de tração (CMT) inferior a 
19 toneladas fabricados até 31/12/1990 (Res. 014/1998, art. 2º, III, “a”). 
A conclusão é que a exigência do tacógrafo se faz nos veículos de transporte 
de carga com PBT superior a 4.536 kg fabricados a partir de 1999, aos veículos de 
transporte de escolares, aos veículos de transporte de passageiros com mais de dez 
lugares e aos veículos de transporte de carga que conduzem produtos perigosos. 
 
 
 
 72 
Prazo de carência do licenciamento anual 
Quando que o veículo não se encontra “devidamente licenciado” (art. 230, V do 
CTB)? 
Da mesma forma que acontece com os documentos de habilitação em que há 
o período de 30 dias para a renovação, a legislação de trânsito também estabeleceu 
um prazo para o licenciamento anual de veículos. 
A Resolução n.º 664/86-CONTRAN, em seu art. 11, estabelece que “será 
também considerado ‘sem estar devidamente licenciado’ o veículo encontrado 
circulando com o CRLV sem o lançamento da liquidação integral da obrigação 
tributária [...] quando decorridos 10 (dez) dias do prazo fixado para vencimento da 3ª 
cota ou equivalente [..]”. 
Se o IPVA for parcelado, para efeito de fiscalização do art. 230, V do CTB, 
considera-se o prazo final de vencimento da última parcela, mais os dez dias 
seguintes. Desta forma, não comete infração, por exemplo, o veículo que está com a 
segunda parcela atrasada, pois ela pode ser paga juntamente com a terceira parcela, 
quitando sua dívida. 
 Porém, se a primeira parcela não for paga (demonstrando o atraso do 
licenciamento do ano anterior), essa carência não é considerada e fica comprovada a 
infração, fazendo com o que o infrator responda administrativamente, sofrendo 
autuação de natureza gravíssima e tendo o veículo removido para que a regularização 
seja efetuada. 
A conclusão é que comete infração de trânsito (capitulada no art. 230, V do 
CTB) o veículo que esteja circulando com mais de dez dias do vencimento do 
licenciamento ou do vencimento da última cota (quando o IPVA for parcelado). 
 
Tolerância em autuação de embriaguez ao volante 
Existe tolerância em relação aos limites que caracterizam a infração de trânsito 
do art. 165 do CTB (dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância 
psicoativa que determine dependência) e o crime de trânsito do art. 306 do CTB 
(conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da 
influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência)? 
É importante esclarecer que o § 1º do art. 306 do CTB fala das circunstâncias 
que caracterizam o crime de embriaguez ao volante e estabeleceu que as condutas 
 
 
 
 73 
devem ser constatadas quando há concentração igual ou superior a 6 decigramas 
de álcool por litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por 
litro de ar alveolar. O § 3º do mesmo artigo estabeleceu que o CONTRAN resolverá 
sobre a equivalência entre os distintos testes de alcoolemia ou toxicológicos paraefeito de caracterização do crime tipificado. 
A Resolução nº 432/2013-CONTRAN, que tratou sobre os procedimentos a 
serem adotados pelas autoridades de trânsito e seus agentes na fiscalização do 
consumo de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência, 
para aplicação do disposto nos arts. 165, 276, 277 e 306 da Lei nº 9.503, de 23 de 
setembro de 1997, estabeleceu no seu art. 6º, II que a infração de trânsito do art. 165 
do CTB será caracterizada por “teste de etilômetro com medição realizada igual ou 
superior a 0,05 miligrama de álcool por litro de ar alveolar expirado (0,05 mg/L), 
descontado o erro máximo admissível [...]” (grifo nosso) e no seu art. 7º, II, definiu 
que o crime previsto no art. 306 do CTB será caracterizado por “teste de etilômetro 
com medição realizada igual ou superior a 0,34 miligrama de álcool por litro de ar 
alveolar expirado (0,34 mg/L), descontado o erro máximo admissível [...]” (grifo 
nosso). 
Desta forma, o erro máximo admissível (ou margem de erro) é a variação na 
medição realizada, uma vez que não é praticada com a máxima precisão possível. 
Não se trata de tolerância, como liberalidade da lei ou da autoridade administrativa, 
mas sim de aspectos relativos à normatização metrológica feita em nosso país pelo 
Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO). 
Existe um erro máximo admitido nas medições de velocidade, de peso, de 
transmitância luminosa de vidros e outros materiais aplicados nas áreas envidraçadas 
de veículos e de níveis de embriaguez, dentre outros. 
Assim, a resolução, no parágrafo único do art. 4º esclareceu que “do resultado 
do etilômetro (medição realizada) deverá ser descontada margem de tolerância, que 
será o erro máximo admissível, conforme legislação metrológica, de acordo com a 
“Tabela de Valores Referenciais para Etilômetro” constante no Anexo I” (conforme 
tabela abaixo). 
No tocante ao erro máximo admissível, conforme Regulamento Técnico 
Metrológico (Portaria n.º 06/2002 do INMETRO), deverão ser descontados do valor 
medido pelo aparelho etilômetro (bafômetro) os seguintes referenciais: 
a) 0,032 mg/L para as medições realizadas inferiores a 0,40 mg/L; 
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-contran/resolucoes/resolu-o-uo-432-2013c.pdf
 
 
 
 74 
b) 8% para as medições realizadas entre 0,40 mg/L e 2,000 mg/L, inclusive; 
c) 30% para medições maiores que 2,000 mg/L. 
 
TABELA DE ERRO MÁXIMO E VALOR A SER DESCONTADO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Assim, será aplicada a seguinte fórmula: 
 
Quando o valor considerado for positivo (a partir de 0,01 mg/L) estará 
caracterizada a infração de trânsito, nos termos do art. 276 do CTB, alterado pela Lei 
nº 12.760/2012: “qualquer concentração de álcool por litro de sangue ou por litro 
de ar alveolar sujeita o condutor às penalidades previstas no art. 165 deste Código” 
(grifos nossos). É o que ocorre nos valores medidos a partir de 0,05 mg/L, com a 
aplicação da referida fórmula: 0,05 – 0,04 = 0,01 mg/L. 
Valor medido Erro máximo 
De 0,01 a 0,50 mg/L 0,04 
De 0,51 a 0,63 mg/L 0,05 
De 0,64 a 0,75 mg/L 0,06 
De 0,76 a 0,88 mg/L 0,07 
De 0,89 a 1,00 mg/L 0,08 
De 1,01 a 1,13 mg/L 0,09 
De 1,14 a 1,25 mg/L 0,10 
De 1,26 a 1,38 mg/L 0,11 
De 1,39 a 1,50 mg/L 0,12 
De 1,51 a 1,63 mg/L 0,13 
De 1,64 a 1,75 mg/L 0,14 
De 1,76 a 1,88 mg/L 0,15 
De 1,89 a 2,00 mg/L 0,16 
De 2,01 a 2,03 mg/L 0,61 
De 2,04 a 2,06 mg/L 0,62 
Valor medido – erro máximo = valor considerado 
 
 
 
 75 
Quando o valor medido for igual ou superior a 0,35 mg/L estará caracterizado, 
além da infração de trânsito, o crime previsto no art. 306 do CTB: 0,34 – 0,04 = 0,30 
mg/L. 
A conclusão é que na verificação do índice de alcoolemia do condutor, o agente 
deve diminuir da medição realizada pelo bafômetro o erro máximo admitido pela 
legislação metrológica. Se o resultado da operação for positivo (igual ou maior que 
0,01) estará caracterizada a infração de trânsito do art. 165 do CTB. Se o resultado 
da operação for igual ou superior a 0,30 mg/L, estará caracterizado também o crime 
de embriaguez ao volante (art. 306 do CTB). 
 
Habilitação de estrangeiro 
Como proceder com relação ao documento de habilitação do estrangeiro ou 
do brasileiro habilitado em outro país? 
A Resolução nº 360/2010, de 29 de setembro de 2010, do CONTRAN, 
revogada pela nº. 933/2022 estabelece as situações em que o condutor de veículo 
automotor natural de país estrangeiro com habilitação em seu país, quando 
amparado por convenções ou acordos internacionais ratificados e aprovados 
pelo governo brasileiro ou pela adoção do Princípio da Reciprocidade (conforme 
relação abaixo), desde que possa ser passível de responsabilização, está autorizado 
a dirigir veículo automotor no Brasil. 
O estrangeiro poderá dirigir no território nacional, pelo prazo máximo de 180 
dias, portando a carteira de habilitação estrangeira dentro do prazo de validade, 
acompanhada de documento de identificação. Após o prazo de 180 (cento e oitenta) 
dias de presença regular no Brasil, pretendendo continuar a dirigir veículo automotor 
no âmbito territorial brasileiro, deverá submeter-se aos Exames de Aptidão Física e 
Mental e Avaliação Psicológica, nos termos do artigo 147 do CTB, respeitada a sua 
categoria, com vistas à obtenção da Carteira Nacional de Habilitação. Os países 
signatários, ou seja, assinantes, da Convenção de Viena sobre Tráfego Rodoviário 
também podem emitir a Permissão Internacional para Dirigir (ou Licença 
Internacional de Condução), documento que, por si só, possibilita dirigir veículo 
automotor nas vias públicas brasileiras (Figura 20). 
O condutor de veículo automotor, nativo de país estrangeiro e nele habilitado, 
em estadia regular, desde que penalmente condenável no Brasil, detentor de 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=Art.%20147.%C2%A0%20O%20candidato%20%C3%A0%20habilita%C3%A7%C3%A3o,Vide%20Lei%20n%C2%BA%2014.071%2C%20de%202020)
 
 
 
 76 
habilitação não reconhecida pelo Governo brasileiro (países que não constam na 
relação abaixo), poderá dirigir no território nacional mediante a troca da sua 
habilitação de origem pela habilitação nacional junto ao órgão ou entidade executiva 
de trânsito dos Estados ou do Distrito Federal e ser aprovado nos Exames de Aptidão 
Física e Mental, Avaliação Psicológica e de Direção Veicular, respeitada a sua 
categoria de habilitação, com vistas à obtenção da Carteira Nacional de Habilitação. 
Ao cidadão brasileiro habilitado no exterior serão aplicadas as regras 
estabelecidas para os estrangeiros habilitados em países signatários de acordos 
internacionais ou habilitados em país cuja habilitação não é reconhecida pelo governo 
brasileiro, respectivamente, comprovando que mantinha residência normal naquele 
país por um período não inferior a 06 (seis) meses, quando do momento da expedição 
da habilitação. 
O estrangeiro não habilitado, com estadia regular no Brasil, pretendendo 
habilitar-se para conduzir veículo automotor no Território Nacional, deverá satisfazer 
todas as exigências previstas na legislação de trânsito brasileira em vigor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 20: Permissão Internacional de Direção 
Fonte: Detran. 
 
 
 
 
 77 
Países signatários da Convenção de Viena ou com acordos de reciprocidade 
 
País Reconhecimento 
África do Sul Convenção de Viena 
Albânia Convenção de Viena 
Alemanha Convenção de Viena 
Anguilla Reciprocidade 
Angola Reciprocidade 
Arábia Saudita Convenção de Viena 
Argélia Reciprocidade 
Argentina Outros tratados 
Armênia Convenção de Viena 
Austrália Reciprocidade 
Áustria Convenção de Viena 
Azerbaijão Convenção de Viena 
Bahamas Convenção de Viena 
Barém Convenção de Viena 
Bélgica Convenção de Viena 
Bermudas Reciprocidade 
Bielo-Rússia (Belarus) Convenção de Viena 
BolíviaOutros tratados 
Bósnia-Herzegovina Convenção de Viena 
Bulgária Convenção de Viena 
Cabo Verde Reciprocidade 
Canadá Reciprocidade 
Catar Convenção de Viena 
Cazaquistão Convenção de Viena 
Cayman Reciprocidade 
Ceuta e Melilha Reciprocidade 
Chile Outros tratados 
Cingapura Reciprocidade 
Colômbia Reciprocidade 
Congo Convenção de Viena 
Coréia do Sul Reciprocidade 
Costa do Marfim Convenção de Viena 
Costa Rica Reciprocidade 
Croácia Convenção de Viena 
Cuba Convenção de Viena 
Dinamarca Convenção de Viena 
El Salvador Reciprocidade 
Emirados Árabes Unidos Convenção de Viena 
Equador Reciprocidade 
 
 
 
 78 
Escócia Reciprocidade 
Eslovênia Convenção de Viena 
Espanha Reciprocidade 
Estados Unidos Reciprocidade 
Estônia Convenção de Viena 
Filipinas Convenção de Viena 
Finlândia Convenção de Viena 
França Convenção de Viena 
Gabão Reciprocidade 
Gana Reciprocidade 
Geórgia Convenção de Viena 
Gibraltar Reciprocidade 
Grã-Bretanha Reciprocidade 
Grécia Reciprocidade/Convenção de Viena 
Groenlândia Convenção de Viena 
Guadalupe Convenção de Viena 
Guatemala Reciprocidade 
Guiana Convenção de Viena 
Guiana Francesa Convenção de Viena 
Guiné-Bissau Reciprocidade 
Haiti Reciprocidade 
Holanda Reciprocidade/Convenção de Viena 
Honduras Reciprocidade 
Hungria Convenção de Viena 
Ilha de Pitcairn Reciprocidade 
Ilha Norfolk Reciprocidade 
Ilhas Aland Convenção de Viena 
Ilhas Cayman Reciprocidade 
Ilhas Cocos (Keeling) Reciprocidade 
Ilhas Cook Reciprocidade 
Ilhas do Canal Reciprocidade 
Ilhas Geórgia e Sandwich do Sul Reciprocidade 
Ilhas Virgens (Gb) Reciprocidade 
Ilhas Wallis e Futuna Convenção de Viena 
Indonésia Reciprocidade 
Inglaterra Reciprocidade 
Ira ou Iran Convenção de Viena 
Iraque Convenção de Viena 
Iria Ocidental Convenção de Viena 
Irlanda do Norte Reciprocidade 
Israel Convenção de Viena 
Itália Convenção de Viena 
 
 
 
 79 
Kuwait Convenção de Viena 
Letônia Convenção de Viena 
Libéria Convenção de Viena 
Líbia Reciprocidade 
Lituânia Convenção de Viena 
Luxemburgo Convenção de Viena 
Macedônia Convenção de Viena 
Malvinas ou Ilhas Falkland Reciprocidade 
Marrocos Convenção de Viena 
Martinica Convenção de Viena 
Mayotte Convenção de Viena 
México Reciprocidade 
Moçambique Reciprocidade 
Moldávia (Moldova) Convenção de Viena 
Mônaco Convenção de Viena 
Mongólia Convenção de Viena 
Montenegro Convenção de Viena 
Montserrat Reciprocidade 
Namíbia Reciprocidade 
Nicarágua Reciprocidade 
Níger Convenção de Viena 
Niue Reciprocidade 
Noruega Convenção de Viena 
Nova Caledônia Convenção de Viena 
Nova Zelândia Reciprocidade 
Nueva Esparta Reciprocidade 
País de Gales Reciprocidade 
Panamá Reciprocidade 
Paquistão Convenção de Viena 
Paraguai Outros tratados 
Peru Outros tratados/Convenção de Viena 
Polinésia Francesa Convenção de Viena 
Polônia Convenção de Viena 
Porto Rico Convenção de Viena 
Portugal Reciprocidade/Convenção de Viena 
Quênia Convenção de Viena 
Quirguízia Convenção de Viena 
Reino Unido Reciprocidade 
República Centroafricana Convenção de Viena 
República Democrática do Congo Convenção de Viena 
República Dominicana Reciprocidade 
República Eslovaca Convenção de Viena 
 
 
 
 80 
República Tcheca Convenção de Viena 
Reunião Convenção de Viena 
Romênia Convenção de Viena 
Rússia Convenção de Viena 
Saara Ocidental Convenção de Viena 
Saint-Pierre e Miquelon Convenção de Viena 
San Marino Convenção de Viena 
Santa Helena Reciprocidade 
São Tomé e Príncipe Reciprocidade 
Seicheles (Seychelles) Convenção de Viena 
Senegal Convenção de Viena 
Sérvia Convenção de Viena 
Suécia Convenção de Viena 
Suíça Convenção de Viena 
Svalbard Convenção de Viena 
Tadjiquistão Convenção de Viena 
Terras Austrais e Antártica Reciprocidade 
Território Britânico na Antártica Reciprocidade 
Território Britânico no Oceano Indico Reciprocidade 
Timor Convenção de Viena 
Toquelau Reciprocidade 
Tunísia Convenção de Viena 
Turcas e Caicos (Turks e Caicos) Reciprocidade 
Turcomenistão (Turcomênia) Convenção de Viena 
Turquia Convenção de Viena 
Ucrânia Convenção de Viena 
Uruguai Outros tratados/Convenção de Viena 
Uzbequistão Convenção de Viena 
Venezuela Reciprocidade 
Vietnam Convenção de Viena 
Zimbábue Convenção de Viena 
 
 
Finalizando 
 
Neste módulo, você estudou que: 
- Cada infração de trânsito prevista nos artigos de 162 a 255 do CTB equivale 
a cada norma geral de circulação e conduta prevista nos artigos de 26 a 67. 
Tipificação de infração de trânsito é a relação direta entre a conduta que o agente 
percebeu e o que é previsto no CTB. 
 
 
 
 81 
- A Resolução nº 066/1998-CONTRAN detalhou a distribuição de 
competências entre Estado e município em relação à fiscalização de trânsito em 
vias públicas urbanas. Quando se fala de fiscalizar rodovias e estradas, federais ou 
estaduais, o profissional de segurança pública pode agir levando em conta todas as 
infrações de trânsito que o CTB prevê. Para orientar melhor o trabalho que será 
desenvolvido pelo profissional de segurança pública, direcionando como devem ser 
feitas as autuações, por exemplo, existe o Manual Brasileiro de Fiscalização de 
Trânsito (Volumes I e II), instituídos por meio das Resoluções nº 389/2011 e nº 
985/2022, que abordam diversas instruções e informações detalhadas para cada 
infração de trânsito. Consulte sempre que necessário. 
- Infração de trânsito é conduta humana, isto é, o comportamento que tem o 
condutor, passageiro ou pedestre. Você, profissional de segurança pública, deve 
analisar todos os elementos objetivos para tipificar as infrações de trânsito. Você 
também estudou as análises de cada infração de trânsito detalhadamente. 
- Algumas infrações de trânsito se conectam com crimes de trânsito, 
previstos nos artigos de 302 a 312 do CTB. O profissional de segurança pública deve 
agir para penalizar administrativamente o infrator e dar o encaminhamento ao sistema 
policial e judiciário para tratar das condutas que são crimes de trânsito. 
 
https://www.gov.br/transportes/pt-br/pt-br/assuntos/transito/conteudo-contran/resolucoes/mbvt20222.pdf
https://www.gov.br/transportes/pt-br/pt-br/assuntos/transito/conteudo-contran/resolucoes/mbvt20222.pdf
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%C2%A0%20Art.%20302.%20Praticar%20homic%C3%ADdio%20culposo%20na%20dire%C3%A7%C3%A3o%20de%20ve%C3%ADculo%20automotor%3A
 
 
 
 82 
MÓDULO 3 – PENALIDADES E MEDIDAS ADMINISTRATIVAS 
 
Apresentação do módulo 
 
O profissional de segurança pública no exercício de suas funções de 
fiscalização de trânsito, após constatar o cometimento da infração, precisa tomar as 
providências que a legislação determina. 
Com isso, as consequências, que podem ser imediatas ou posteriores, serão 
geradas para o infrator e o profissional além de autuar, precisa tomar providências 
corretivas (se o CTB indicar) e providências posteriores relacionadas à 
penalização pelo órgão responsável. 
Para isto, a legislação estabeleceu, como consequências da infração, 
providências que a autoridade de trânsito irá tomar para punir a conduta infratora 
e dos agentes de trânsito responsáveis pela fiscalização, que “terão por objetivo 
prioritário a proteção à vida e à incolumidade física da pessoa” (CTB, art. 269, § 1º). 
Neste contexto, você irá analisar neste módulo as penalidades e 
medidas administrativas previstas nos artigos de 256 a 279 do CTB, para que 
perceba as atribuições do dirigente do órgão de trânsito e se situe da 
responsabilidade do profissional de segurança pública ao identificar o 
cometimento da infração de trânsito com providências corretivas e preventivas. 
 
Objetivos do módulo 
 
Ao final do estudo desse módulo, você será capaz de: 
- Conceituar autoridade e agente da autoridade de trânsito; 
- Diferenciar as providências que são do órgão de trânsito e do agente da 
autoridade detrânsito diante do cometimento de infração de trânsito tipificada no CTB; 
- Compreender a responsabilidade do profissional de segurança pública para a 
efetiva punição do infrator e das outras ações que lhe cabem para proteção da vida e 
da segurança pública dos usuários das vias públicas do país. 
 
 
 
 
 83 
Divisão das aulas 
 
Este módulo compreende as seguintes aulas: 
Aula 1 – Conceito de autoridade e de agente da autoridade; 
Aula 2 – Penalidades; 
Aula 3 – Medidas administrativas; 
Aula 4 – Atuação do profissional de segurança pública. 
 
 
 
 
 84 
AULA 1 – CONCEITO DE AUTORIDADE E DE AGENTE DA AUTORIDADE 
 
Para compreender a abrangência e a finalidade das penalidades e medidas 
administrativas previstas no CTB é necessário sabermos os seus conceitos, conforme 
o Anexo I – Dos conceitos e definições. 
Autoridade de trânsito é o dirigente máximo de órgão ou entidade 
executivo integrante do Sistema Nacional de Trânsito ou pessoa por ele 
expressamente credenciada. 
São autoridades de trânsito os presidentes do CONTRAN, do SENATRAN, do 
DNIT, do órgão executivo de trânsito municipal, do órgão executivo rodoviário 
estadual, dentre outras. Estes dirigentes são os responsáveis pela aplicação da 
penalidade relacionada à infração de trânsito cometida pelo infrator. Porém, nem 
todos os órgãos de trânsito aplicam penalidades, como, por exemplo, JARI, 
CONTRAN, SENATRAN, CETRAN. 
A aplicação da penalidade é atribuição do órgão de trânsito que tem 
domínio sobre a via para exercer a fiscalização de trânsito. 
Agente da autoridade de trânsito é a pessoa, civil ou policial militar, 
credenciada pela autoridade de trânsito para o exercício das atividades de 
fiscalização, operação, policiamento de trânsito ou patrulhamento. 
Assim, todos os servidores, civis e militares que atuam diretamente ou por 
meio do competente convênio, junto a órgão ou entidade, componente do Sistema 
Nacional de Trânsito, exercendo atividades de fiscalização do cumprimento das 
disposições da legislação de trânsito, que podem gerar atribuição de penalidades 
a condutas infratoras, são agentes da autoridade de trânsito. 
Estes servidores são encarregados das autuações por cometimento de 
infração de trânsito e a adoção das providências determinadas pela legislação 
(você verá adiante) no exercício da fiscalização de trânsito. 
Esta distinção entre autoridade e agente é apenas conceitual, no sentido de 
definir a competência para adoção de penalidades e de medidas administrativas 
previstas no CTB. Não pode ser confundido (e nem tem intervenção) com o conceito 
de autoridade de polícia administrativa (civil, militar, sanitária, de postura). 
Em resumo, ao órgão de trânsito compete a penalização do infrator; ao agente 
da autoridade de trânsito compete a fiscalização e suas providências imediatas. 
 
 
 
 
 85 
AULA 2 – PENALIDADES 
 
Disposições gerais 
 
O art. 256 do CTB estabelece que a autoridade de trânsito, dentro das suas 
competências e áreas de domínio, deverá aplicar às infrações previstas no CTB as 
seguintes penalidades: 
Figura 21: Art. 256 CTB 
Fonte: SCD/EaD/Segen. 
 
O CTB também definiu a responsabilidade pelo cometimento da infração de 
trânsito: 
- O proprietário sempre é o responsável pela infração referente a prévia 
regularização e preenchimento das formalidades e condições exigidas para o 
trânsito do veículo, conservação e manutenção de suas características, 
componentes, agregados, habilitação legal e compatível de seus condutores, quando 
for exigido. Também devem ser observadas outras disposições (§ 3º do art. 257): 
como conduzir veículo com licenciamento atrasado (art. 230, V), transitar com o 
veículo emitindo excesso de fumaça (art. 231, III), transitar com o veículo com falta de 
simbologia necessária à sua identificação, quando exigida pela legislação (art. 237 – 
de transporte de produto perigoso); 
 
 
 
 86 
- O condutor é responsável pelas infrações em consequência de atos 
praticados na direção do veículo (§ 3º do art. 257), como, por exemplo, avançar o 
sinal vermelho do semáforo (art. 208), estacionar em local proibido (art. 181), transitar 
com velocidade superior à estabelecida para a via (art. 218). 
 
Advertência por escrito 
A advertência por escrito é a forma mais branda de punição do infrator. 
Antes das alterações legislativas na Lei nº 14.071/2020, a advertência por escrito era 
tida como uma medida mais educativa, considerando o histórico do infrator, dentro do 
previa o CTB. 
Nos termos em vigor (CTB, art. 267), “deverá ser imposta a penalidade de 
advertência por escrito à infração de natureza leve ou média, passível de ser punida 
com multa, caso o infrator não tenha cometido nenhuma outra infração nos últimos 12 
(doze) meses”. 
Desta forma, os critérios passaram a ser mais objetivos, caso o infrator não 
tenha histórico de infração nos últimos doze meses e que a infração cometida seja de 
natureza leve ou média. O infrator que recebe uma advertência por escrito não tem 
obrigação de pagar valor da multa nem recebe a pontuação da infração cometida em 
sua habilitação. 
 
Multa 
A penalidade de multa é o pagamento em dinheiro do valor da infração de 
trânsito que foi cometida, de acordo com sua gravidade e nos termos do art. 258 do 
CTB: 
 - Infração de natureza gravíssima, punida com multa no valor de R$ 293,47 
(duzentos e noventa e três reais e quarenta e sete centavos); 
- Infração de natureza grave, punida com multa no valor de R$ 195,23 (cento 
e noventa e cinco reais e vinte e três centavos); 
- Infração de natureza média, punida com multa no valor de R$ 130,16 (cento 
e trinta reais e dezesseis centavos); 
- Infração de natureza leve, punida com multa no valor de R$ 88,38 (oitenta e 
oito reais e trinta e oito centavos). 
Todas as infrações de trânsito têm a previsão de pagamento de multa como 
penalidade. Algumas infrações de natureza gravíssima, a lei prevê o fator 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14071.htm
 
 
 
 87 
multiplicador, pois entende como necessário elevar o valor a ser pago como forma 
de reprimir o infrator a cometer condutas que causem danos perigosos à sociedade 
(§ 2º do art. 258). Exemplos: dirigir veículo de categoria diferente da CNH (art. 162, 
III) – multa (2 vezes) = R$ 586,94; dirigir sem CNH (art. 162, I) – multa (3 vezes) = 
R$ 880,41; deixar o condutor envolvido em acidente com vítima de prestar ou 
providenciar socorro à vítima, podendo fazê-lo (art. 176, I) – multa (5 vezes) = R$ 
1.476,35; dirigir veículo sob influência de álcool (art. 165) – multa (10 vezes) = R$ 
2.934,70. 
O CTB oferece ao infrator a possibilidade de desconto de 20% do valor da 
multa, caso ela seja paga até a data do vencimento (CTB, art. 284). Este pagamento 
não significa reconhecimento de culpa pelo infrator, pois mesmo paga com desconto, 
pode acontecer de ter devolução em caso de provimento do recurso à JARI ou a 
instância superior. 
 
Suspensão do direito de dirigir 
Em relação à penalidade que suspende o direito de dirigir, o que ocorre é que 
para cada infração de trânsito cometida é computado os seguintes números de pontos 
na habilitação (CTB, art. 259): 
- Gravíssima - 7 pontos; 
- Grave - 5 pontos; 
- Média - 4 pontos; 
- Leve - 3 pontos. 
A suspensão do direito de dirigir será aplicada por acúmulo de pontos (art. 
261, I) sempre que o infrator atingir, nos últimos 12 meses: 
- 20 pontos, caso constem duas ou mais infrações gravíssimas no seu 
prontuário; 
- 30 pontos, caso conste uma infração gravíssima no seu prontuário; 
- 40 pontos, caso não conste infração gravíssima no seu prontuário ou se 
trate de condutor que exerce atividade remunerada ao veículo, 
independentemente da natureza das infrações cometidas. 
Nestes casos, o prazo de suspensão pode variar de seis meses a um ano, 
ao final do processo administrativo, de acordo com a decisão da autoridade de 
trânsito,assegurado ao infrator amplo direito de defesa (CTB, art. 265). Se no período 
 
 
 
 88 
de 12 meses após a suspensão o infrator novamente vier a ter seu direito de dirigir 
suspenso, o prazo pode variar de oito meses a dois anos. 
A suspensão do direito de dirigir também pode ser aplicada, 
independentemente do acúmulo de pontos, quando o infrator comete uma infração 
de trânsito que tem previsão específica da penalidade de suspensão do direito 
de dirigir (art. 261, II). Exemplos: dirigir veículo sob influência de álcool (art. 165), 
dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública (art. 170), 
disputar corrida (art. 173), utilizar-se de veículo para demonstrar ou exibir manobra 
perigosa, mediante arrancada brusca (art. 175). Neste caso, não serão contabilizados 
os pontos destas infrações para uma contagem posteriormente. Se o infrator cumprir 
a penalidade dessas infrações, está livre dos pontos. 
Nestes casos, o prazo de suspensão pode variar de dois a oito meses 
(exceto para as infrações que têm previsão de prazo definido), ao final do processo 
administrativo, assegurado ao infrator amplo direito de defesa. Se no período de 12 
meses após esta suspensão, o infrator vier a ter uma nova suspensão (reincidência), 
o prazo pode variar de oito meses a dois anos. 
Infrações de trânsito que têm previsão de prazo definido no CTB: 
-Dirigir veículo sob influência de álcool (art. 165) – 12 meses; 
-Recusar-se a ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro 
procedimento que permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa 
(art. 165-A) – 12 meses; 
-Conduzir veículo para o qual seja exigida habilitação nas categorias C, D ou E 
sem realizar o exame toxicológico (art. 165-B) – 3 meses; 
-Usar qualquer veículo para, deliberadamente, interromper, restringir ou 
perturbar a circulação na via sem autorização do órgão ou entidade de trânsito com 
circunscrição sobre ela (art. 253-A) – 12 meses. 
Quando ocorrer a suspensão do direito de dirigir, a Carteira Nacional de 
Habilitação será devolvida a seu titular imediatamente após cumprida a penalidade 
e o curso de reciclagem do infrator (§ 2º do art. 261). O início do prazo de 
suspensão começa a contar quando o infrator entrega a Carteira Nacional de 
Habilitação ao órgão executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal (DETRAN). 
Se um infrator tem a suspensão do direito de dirigir por acúmulo de pontos, são 
eliminados os pontos computados para uma contagem posteriormente, porém se a 
suspensão foi aplicada por causa do cometimento de infração com previsão 
 
 
 
 89 
específica, a pontuação das infrações anteriores não é eliminada, elas ficam sendo 
computados pelos últimos 12 meses (§ 3º do art. 261). 
A Resolução nº 723/2018-CONTRAN (com as alterações implementadas pela 
Resolução nº 844/2021-CONTRAN) tratam sobre a padronização do procedimento 
administrativo para imposição das penalidades de suspensão do direito de dirigir e de 
cassação do documento de habilitação, bem como sobre o curso preventivo de 
reciclagem, para a qual você deve recorrer para maiores informações sobre o assunto. 
 
Cassação do documento de habilitação 
Segundo o art. 263 do CTB, a cassação do documento de habilitação (CNH e 
ACC) acontecerá: 
- Quando, suspenso o direito de dirigir, o infrator conduzir qualquer veículo; 
- No caso de reincidência, no prazo de doze meses, das infrações previstas no inciso 
III do art. 162 e nos artigos 163, 164, 165, 173, 174 e 175; 
- Quando condenado judicialmente por delito de trânsito (artigos 302 a 312 do 
CTB). 
Após dois anos da cassação da CNH/ACC, o infrator poderá solicitar sua 
reabilitação, submetendo-se a todos os exames necessários à habilitação, na 
forma estabelecida pelo CONTRAN (conforme Resolução nº 789/2020). Já a 
cassação da Permissão para Dirigir (carteira provisória) será efetivada se, no seu 
período de validade (um ano), o condutor tiver cometido uma infração de natureza 
grave ou gravíssima ou for reincidente em infração de natureza média. Em caso 
de ser efetivada a cassação da PD, o candidato deverá reiniciar todo o processo de 
habilitação (§§ 2º, 3º e 4º do art. 148 do CTB). 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 22: Suspensão e cassação 
Fonte: Do conteudista. 
Entenda melhor... 
Diferenças entre suspensão e cassação do direito de dirigir 
Característica Suspensão Cassação 
Perda do direito de 
dirigir 
Temporária Definitiva 
Prazo da penalidade Variável: de 2 meses a 2 anos Fixo: 2 anos 
Retomada do direito 
Passagem do prazo e curso de 
reciclagem 
Novo processo de 
habilitação 
 
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-contran/resolucoes/resolucao7232018.pdf
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-contran-n-844-de-9-de-abril-de-2021-313215020
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-789-de-18-de-junho-de-2020-263185648
 
 
 
 90 
Frequência obrigatória em curso de reciclagem 
Conforme art. 268 do CTB, o infrator será submetido a curso de reciclagem, na 
forma estabelecida pelo CONTRAN: 
- Quando suspenso do direito de dirigir; 
- Quando se envolver em acidente grave para o qual tenha contribuído, 
independentemente de processo judicial; 
- Quando condenado judicialmente por delito de trânsito; 
- A qualquer tempo, se for constatado que o condutor está colocando em risco 
a segurança do trânsito. 
A Lei nº 14.071/2020 inovou o CTB, pois estabeleceu para o condutor que 
exerce atividade remunerada ao veículo, a possibilidade de frequentar curso 
preventivo de reciclagem do infrator quando atingida a contagem de 30 pontos 
no período de doze meses (§ 5º do art. 261). Após concluir o curso, o condutor terá 
seus pontos eliminados, para fins da contagem posteriormente (§ 6º do art. 261), não 
podendo mais pelos próximos doze meses escolher fazer o curso (§ 7º do art. 261). A 
medida impede, preventivamente, o alcance de 40 pontos no período de doze meses, 
com a suspensão do direito de dirigir e a perda das condições de sustento 
proporcionada pela atividade remunerada. 
A Resolução nº 789/2020-CONTRAN consolida normas sobre o processo de 
formação de condutores de veículos automotores e elétricos, inclusive dos cursos de 
reciclagem do infrator (ordinário e preventivo), para a qual você deve recorrer para 
maiores informações sobre o assunto. 
 Antes da criação da Lei nº 13.281/2016, havia previsão da penalidade 
“apreensão do veículo”, quando este poderia ficar imobilizado em pátio do 
órgão competente por até 30 dias, independentemente de regularização de 
suas pendências. A citada lei revogou as disposições desta penalidade, 
anteriormente prevista no art. 262 do CTB. Contudo, não foi feita a devida 
supressão da penalidade nos seguintes artigos de infração do CTB: 173, 174, 
175, 184-III, 210, 229, 230-I a VI, 231-VI, 234, 238, 239, 244-VI a IX e 253 
(razão pela qual devem ser desconsideradas estas referências por perda de 
sua eficácia). 
 
 
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-789-de-18-de-junho-de-2020-263185648
 
 
 
 91 
AULA 3 – MEDIDAS ADMINISTRATIVAS 
 
Disposições gerais 
 
O art. 269 do CTB estabelece que a autoridade de trânsito ou seus agentes, 
nas competências estabelecidas e dentro de sua limitação, deverão adotar as 
seguintes medidas administrativas: 
Figura 23: Art. 269 CTB 
Fonte: SCD/EaD/Segen. 
 
As medidas administrativas, normalmente adotadas por agentes da 
autoridade de trânsito (embora também possam ser realizadas pelo dirigente do 
órgão), são atividades essencialmente desenvolvidas durante a fiscalização de 
trânsito e têm “por objetivo prioritário a proteção à vida e à incolumidade física da 
pessoa” (§ 1º do art. 269). 
Quando adotadas, as medidas administrativas não impedem a aplicação das 
penalidades impostas por infrações de trânsito estabelecidas no CTB, possuindo 
caráter complementar a estas (§ 2º do art. 269).92 
Retenção do veículo 
Retenção do veículo é a ação de impedir a circulação do veículo autuado 
por infração de trânsito (no próprio local da fiscalização ou em pátio específico) até 
que seja providenciada a regularização do que motivou a infração. O veículo 
poderá ser retido nos casos expressos no CTB. Exemplos: art. 162, I (dirigir veículo 
sem possuir CNH), art. 165 (dirigir sob a influência de álcool), art. 168 (transportar 
criança em veículo automotor sem cumprimento das normas de segurança especiais 
estabelecidas no CTB), art. 221 (portar no veículo placas de identificação que não 
estejam de acordo com as especificações e modelos estabelecidos pelo CONTRAN). 
Quando a irregularidade puder ser resolvida no local da infração, o veículo 
será liberado assim que regularizada (§ 1º do art. 270). Exemplo: o veículo em que 
criança de 9 anos é transportada no banco dianteiro, será liberado quando a criança 
for devidamente acomodada no banco traseiro. 
Quando não for possível resolver a falha no local da infração, o veículo, 
deverá ser liberado para condutor regularmente habilitado, mediante recolhimento do 
Certificado de Licenciamento Anual, contra apresentação de recibo, assinalando-se 
ao condutor prazo razoável, em no máximo 30 dias, para regularizar a situação (§ 
2º do art. 270). Não sendo apresentado condutor habilitado no local da infração, o 
veículo será removido ao depósito do órgão, ficando o responsável sujeito ao 
pagamento de taxas e despesas com remoção e estada (§ 2º do art. 270). 
O Certificado de Licenciamento Anual será devolvido ao condutor no órgão 
ou entidade aplicadores das medidas administrativas, tão logo o veículo seja 
apresentado à autoridade devidamente regularizado (§ 3º do art. 270). 
Se não for feita a regularização dentro do prazo estabelecido será registrada 
uma restrição administrativa no Registo Nacional de Veículos Automotores pelo 
órgão responsável. Essa restrição será retirada após ser comprovada a regularização 
(§ 6º do art. 270). Se o veículo for flagrado nas ruas mesmo com o registro de restrição, 
o veículo será recolhido no depósito do órgão (§ 7º do art. 270). 
O agente da autoridade pode não reter o carro imediatamente, quando for 
veículo de transporte coletivo que esteja com passageiros no seu interior ou veículo 
que esteja transportando produto perigoso ou perecível, caso ofereça condições 
seguras de circular em via pública (§ 5º do art. 270). 
 
 
 
 
 
 93 
Remoção do veículo 
Remoção do veículo é a ação de retirar o veículo de um local e levá-lo a outro, 
para não bloquear a via, quando o veículo estiver estacionado de modo irregular ou 
para regularizar alguma situação no veículo. Conforme art. 271 do CTB, o veículo 
será removido, nos casos previstos, para o depósito fixado pelo órgão 
competente que tenha domínio sobre a via. Exemplos: art. 181, I (estacionado na 
esquina), art. 230, VI (conduzir veículo com qualquer uma das placas de identificação 
sem condições de legibilidade e visibilidade), art. 233 (deixar de efetuar o registro de 
veículo no prazo de trinta dias, junto ao órgão executivo de trânsito). Não caberá 
remoção nos casos em que a irregularidade for resolvida no local da infração (§ 9º do 
art. 271). 
A devolução do veículo removido só acontecerá com o pagamento de 
multas, taxas e despesas com remoção e estada, além de outras taxas previstas 
na legislação específica (§ 1º do art. 271) e só pode ser devolvido se for feito reparo 
de qualquer componente ou equipamento obrigatório que não esteja em perfeito 
estado de funcionamento (§ 2º do art. 271). Se este reparo precisar de algo que não 
possa ser realizado no depósito, a autoridade responsável pela remoção liberará o 
veículo, na forma transportada, por meio de autorização, marcando prazo para 
reapresentação (§ 3º do art. 271). 
O proprietário ou o condutor deverá ser notificado, no momento da 
remoção do veículo, sobre como deve proceder para ter o veículo devolvido e que 
pode ser levado a leilão caso não procurado ou não regularizada a situação (§ 5º do 
art. 271). Se o proprietário ou condutor do veículo não esteja presente no momento 
da remoção, a autoridade de trânsito tem que enviar notificação para o proprietário do 
veículo no prazo de até dez dias (§ 6º do art. 271). 
O pagamento das despesas de remoção e estada será pago pelos dias 
contados em que o veículo permanecer no depósito, tendo como prazo máximo seis 
meses. 
O veículo removido que o proprietário não for buscá-lo no prazo de sessenta 
dias, contados a partir do dia da remoção, será avaliado e levado a leilão, que 
acontece, de preferência, por meio eletrônico (CTB, art. 328). 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=Art.%20328.%20O,13.160%2C%20de%202015)
 
 
 
 94 
A única situação de estacionamento irregular que não tem previsão da 
medida administrativa “remoção do veículo” é a de estacionar na contramão 
de direção (art. 181, XV)? 
Isto porque o caminhão guincho para remover o veículo irregularmente 
estacionado, estaria também com a direção e o estacionamento do veículo de 
reboque na mesma irregularidade, com potencial risco de acidente de trânsito. 
 
Recolhimento da CNH/PD 
O art. 272 do CTB estabelece: “O recolhimento da Carteira Nacional de 
Habilitação e da Permissão para Dirigir dar-se-á mediante recibo, além dos casos 
previstos neste Código, quando houver suspeita de sua inautenticidade ou 
adulteração” (grifo nosso). Inautêntico é o documento falso; adulterado é o 
documento autêntico (verdadeiro) que sofreu algum acréscimo ou mudança de uma 
informação que não consta no cadastro de condutores habilitados. 
Os casos previstos de recolhimento da CNH/PD são: art. 162, V (dirigir veículo 
com validade da Carteira Nacional de Habilitação vencida há mais de trinta dias), art. 
165 (dirigir sob a influência de álcool), art. 165-A (recusar-se a ser submetido a teste 
que permita certificar influência de álcool), art. 170 (dirigir ameaçando os pedestres 
que estejam atravessando a via pública), art. 173 (disputar corrida), art. 176, I (deixar 
de prestar socorro à vítima (quando possível) se o condutor estiver envolvido em 
acidente de trânsito), art. 244, I (Conduzir motocicleta sem usar capacete de 
segurança). 
 
Recolhimento do Certificado de Registro e do Certificado de Licenciamento 
Anual 
De acordo com o art. 273 do CTB, o recolhimento do Certificado de Registro 
pode acontecer por meio de recibo, além dos casos previstos, quando: 
- Houver suspeita de inautenticidade ou adulteração; 
- Se, alienado o veículo, não for transferida sua propriedade no prazo de 
trinta dias (veículo alienado é quando uma pessoa oferece o veículo como garantia 
de um empréstimo ou financiamento). 
 
 
 
 95 
Caso previsto de recolhimento do certificado de registro: art. 240 (quando o 
responsável deixa de promover a baixa do registro de veículo irrecuperável ou 
definitivamente desmontado). 
Contudo, estas situações dificilmente serão constatadas na fiscalização de 
trânsito porque o certificado de registro não é documento de porte obrigatório 
definido pela Resolução nº 205/2006-CONTRAN. 
Com relação ao Certificado de Licenciamento Anual, documento de porte 
obrigatório, estabelece o art. 274 do CTB que este será recolhido, por meio de recibo, 
além dos casos previstos, quando: 
- Houver suspeita de inautenticidade ou adulteração; 
- Se o prazo de licenciamento estiver vencido (art. 230, V); 
- No caso de retenção do veículo, se a irregularidade não puder ser resolvida 
no local. 
Caso previsto de recolhimento do certificado de licenciamento anual: art. 240 
(o responsável deixar de promover a baixa do registro de veículo irrecuperável ou 
definitivamente desmontado). 
No caso de documento em meio digital (CRLV-e), a medida administrativa 
será realizada por meio de anotação no Registro Nacional de Veículos Automotores 
(§ 5º do art.269 do CTB). 
 
Transbordo do excesso de carga 
O art. 275 do CTB estabelece que com o transbordo da carga com peso 
excedente (constatada nas autuações do art. 231, V), o veículo pode seguir 
normalmente e serão efetuadas as despesas ao proprietário do veículo, sem 
prejuízo de multa aplicável. A comprovação do excesso de peso pode ser feita pela 
balança rodoviária ou também pela nota fiscal ou manifesto de carga. 
O veículo será recolhido ao depósito do órgão competente caso não possa 
atender a esta necessidade e será liberado após resolver a irregularidade e pagar as 
despesas com remoção e estada. 
 
Realização de teste de dosagem de alcoolemia 
O art. 276 do CTB estabelece que qualquer concentração de álcool por litro de sangue 
ou por litro de ar alveolar pode penalizar o condutor, conforme previsto no art. 165. 
 
 
 
 96 
O condutor de veículo automotor envolvido em acidente de trânsito ou que 
for alvo de fiscalização de trânsito poderá ser submetido a teste, exame clínico, 
perícia ou outro procedimento que, por meios técnicos ou científicos, na forma 
disciplinada pela Resolução nº 432/2013-CONTRAN, permita comprovar a influência 
de álcool ou outra substância psicoativa que determine dependência (CTB, art. 277). 
Você estudou anteriormente, na aula 3 do Módulo 2 todas as disposições 
referentes a essa questão. Caso ainda reste dúvida, você pode voltar e revisar o 
conteúdo. 
 
Recolhimento de animais 
O inciso X do art. 269 do CTB estabelece o recolhimento de animais que se 
encontrem soltos nas vias e na faixa de domínio das vias de circulação, devolvendo-
os aos seus proprietários após o pagamento devido de multas e encargos. 
Esta medida tem como objetivo prevenir a ocorrência de acidentes de 
trânsito, incluindo a proteção destes animais, prevenção de prejuízos materiais e a 
proteção da segurança dos usuários da via pública. Aos animais que forem recolhidos 
aplicam-se as mesmas condições relacionadas à remoção de veículos (pagamento 
das despesas com o recolhimento, multa e estada), às questões sanitárias e também 
a possibilidade de leilão, caso não seja buscado resolução pelo proprietário no prazo 
de 60 dias (§ 4º do art. 269). 
 
Realização de exames 
O inciso XI do art. 269 do CTB prevê a possibilidade de realização dos exames 
de aptidão física, mental, de legislação, de prática de primeiros socorros e de direção 
veicular. Os exames do candidato à Carteira Nacional de Habilitação poderão ser 
reaplicados em caso de indícios de fraude ou outras irregularidades no processo. 
A Resolução nº 789/2020-CONTRAN trata das questões relativas à aplicação 
dos exames e outros requisitos necessários ao processo de habilitação do condutor 
de veículo automotor. 
Apesar de esta medida administrativa ser da competência do agente da 
autoridade, não tem como ser aplicada em situações reais, pois não é previamente 
listada como providência a ser tomada em nenhum dos artigos de infração de 
trânsito, como também não tem condições de ser aplicada no ambiente da 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%C2%A0%20Art.%20269.%20A%20autoridade%20de%20tr%C3%A2nsito%20ou%20seus%20agentes%2C%20na%20esfera%20das%20compet%C3%AAncias%20estabelecidas%20neste%20C%C3%B3digo%20e%20dentro%20de%20sua%20circunscri%C3%A7%C3%A3o%2C%20dever%C3%A1%20adotar%20as%20seguintes%20medidas%20administrativas%3A
 
 
 
 97 
fiscalização. Esse processo administrativo será estabelecido de modo correto na 
habilitação do futuro condutor (ou em outra situação que seja necessária), por meio 
de decisão da autoridade responsável. 
 
 
 
 98 
AULA 4 – ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA 
 
Em relação às aulas 2 e 3 desse módulo, você verá um resumo das diferenças 
entre penalidades e medidas administrativas no gráfico abaixo: 
Figura 24: Suspensão e cassação 
Fonte: Do conteudista. 
 
O profissional de segurança pública, lotado no órgão de trânsito integrante 
da estrutura do Sistema Nacional de Trânsito (CTB, art. 7º) ou credenciado pela 
autoridade de trânsito para o exercício das atividades de fiscalização, operação, 
policiamento de trânsito ou patrulhamento, em resultado de convênio apropriado, não 
tem atribuição para a aplicação de penalidades. Em resumo, o profissional de 
segurança pública, não pode aplicar penalidades. Ele desenvolve uma atividade 
preliminar na fiscalização, que vai dar início ao procedimento administrativo de 
aplicação da penalidade ao infrator: a autuação da infração de trânsito. Essa 
atribuição será melhor analisada no Módulo 4 deste curso – Processo administrativo 
de trânsito. 
Desta forma, sua atuação estará definida nas prescrições de cada artigo de 
infração de trânsito do CTB (artigos de 162 a 255 do CTB), detalhadas nas fichas de 
procedimentos definidas no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito – 
Volume I (infrações de competência municipal - Resolução nº 389/2011-CONTRAN) 
e no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito – Volume II (infrações de 
competência dos órgãos e entidades executivos estaduais de trânsito - Resolução nº 
561/2015-CONTRAN), relacionadas à previsão de medidas administrativas. 
Entenda melhor... 
Distinção entre penalidade e medida administrativa 
Referencial Penalidade Medida administrativa 
Ocasião 
Procede de atividade 
administrativa do órgão 
Procede de atividade 
operacional 
Competência Autoridade de trânsito (órgão) 
Autoridade de trânsito ou 
agente da autoridade 
Finalidade Punitiva Preventiva, corretiva 
Previsão 
Em todos os artigos de 
infração de trânsito 
Em alguns artigos de infração 
de trânsito 
 
 
 
 
 99 
Se no artigo de infração não houver indicação de medida administrativa que 
tenha o objetivo de correção da irregularidade, o profissional de segurança pública 
fará apenas a autuação da infração de trânsito (registro do seu cometimento), mas 
se houver previsão de medida administrativa, é necessário estar atento ao que 
prescreve cada ficha de procedimentos. 
Se o infrator constatar que a autuação da infração foi realizada em trânsito 
(sem abordagem do condutor), quando a legislação determinava abordagem do 
condutor, estará comprovado irregularidade na autuação, o que pode gerar o 
cancelamento do seu registro, em grau de defesa prévia ou de recurso apropriado (à 
JARI ou à instância superior). 
Em resumo, os artigos de infração de trânsito que não têm previsão de 
medida administrativa podem ser autuados sem abordagem do condutor 
(autuação em trânsito); os artigos com previsão de medida administrativa devem 
ser autuados de acordo com os procedimentos definidos no Manual Brasileiro 
de Fiscalização de Trânsito (abordagem do condutor). 
Desse modo, fica claro que a fiscalização de trânsito não tem o objetivo apenas 
de punir o infrator, mas também de garantir um trânsito seguro para condutores, 
passageiros e pedestres. 
 
O profissional de segurança pública deve estar atento à adoção da medida 
administrativa prevista em cada artigo de infração de trânsito, principalmente 
para os iniciantes nesta função. Vale relembrar que a legislação de trânsito 
sofre mudanças constantemente, o que exige que o profissional esteja sempre 
se atualizando. Isso vale para quem já experiente na função exercida. 
 
E com relação à autuação de estacionamento irregular (art. 181 do CTB), em 
que é prevista a medida administrativa de remoção do veículo (exceto inciso XV – na 
contramão de direção), a autuação da infração de trânsito sem a remoção do veículo 
é irregular? Não. No caso de veículo estacionado sem a presença do condutor, 
normalmente, não há necessidade de medida corretiva com o objetivo de proteger a 
vida e a segurança física da pessoa. Além do mais, se não remover o veículo não 
estará causando nenhum prejuízo ao condutor, pelo contrário, estará isentando- o das 
despesas de remoção e estada, sendo considerada injusta qualquer alegação (em100 
grau de recurso ou defesa prévia) de que o seu veículo deveria ser removido da via, 
conforme previa o CTB, mas não foi. 
Da mesma forma acontece nas autuações de estacionamento irregular em que 
o condutor está dentro do veículo ou nas proximidades e pode retirá-lo do local 
estacionado, logo após ser autuado, sem que o veículo precise obrigatoriamente ser 
removido. Nesse caso também não faz sentido que ele argumente (e seja deferido em 
grau de recurso ou defesa) que seu veículo não foi removido como é previsto no CTB. 
 
 
FINALIZANDO 
 
Neste módulo, você estudou que: 
 
- Autoridade de trânsito é o chefe máximo de órgão ou entidade executivo 
integrante do Sistema Nacional de Trânsito, a quem cabe tomar providências com o 
objetivo de penalizar efetivamente quem comete infração de trânsito. Ao agente da 
autoridade de trânsito (profissional de segurança pública) cabe realizar atividades 
de fiscalização, operação, policiamento ostensivo de trânsito ou patrulhamento e 
também tomar às medidas para garantir proteção à vida e à segurança física dos 
usuários das vias públicas nacionais. 
- As penalidades por infração de trânsito, a cargo da autoridade de trânsito, 
estão previstas nos artigos de 256 a 268 do CTB. São elas: advertência por escrito, 
multa, suspensão do direito de dirigir, cassação do documento de habilitação e 
frequência obrigatória em curso de reciclagem. 
- As medidas administrativas, a cargo da autoridade de trânsito ou de seus 
agentes, são decorrentes das atividades de fiscalização de trânsito e, por isto, na 
maioria das vezes são adotadas por eles. Sua finalidade principal é a proteção à vida 
e à segurança física da pessoa. Estão previstas nos artigos de 269 a 279 do CTB: 
remoção e retenção do veículo, recolhimento dos documentos de habilitação do 
condutor e de registro/licenciamento de veículo, transbordo de carga excedente, teste 
de alcoolemia, recolhimento de animais e realização de exames. 
- O profissional de segurança pública não pode aplicar penalidades. Sua 
atuação está definida nas prescrições de cada artigo de infração de trânsito 
relacionadas à previsão de medidas administrativas. Para isto, deverá se atentar às 
fichas de procedimentos definidas no Manual Brasileiro de Fiscalização de 
 
 
 
 101 
Trânsito. Se no artigo de infração não houver previsão de medida administrativa 
para a correção de irregularidade, o profissional de segurança pública realizará 
apenas a autuação da infração de trânsito. Se houver previsão de medida 
administrativa, é necessário estar atento às prescrições determinadas em cada ficha 
de procedimentos, de acordo com o artigo de infração autuado. 
 
 
 
 
 102 
MÓDULO 4 – PROCESSO ADMINISTRATIVO DE TRÂNSITO 
 
Apresentação do módulo 
 
O profissional de segurança pública é responsável por adotar as providências 
que a legislação de trânsito determinada ao ser cometida alguma infração de trânsito. 
Para que o trabalho de punição do infrator seja feito de modo correto como 
previsto no CTB, o profissional de segurança pública tem que seguir um 
roteiro que começa com o registro da infração de trânsito. Depois da autuação, 
os passos seguintes são necessários para que o infrator tenha seu direito de 
defesa e acompanhe todo o processo administrativo, do começo ao fim, ou 
seja, da autuação até a penalidade que será imposta pelo órgão competente. 
Neste caminho a ser percorrido serão analisadas questões relativas à 
regularidade do auto de infração, à correta tipificação da infração de trânsito e 
adoção de providências prescritas pela legislação, dentre outras questões. Isto 
reforça a importância do trabalho do profissional de segurança pública para que, ao 
final do caminho, a legislação de trânsito seja efetivamente aplicada. Caso contrário, 
se forem notadas irregularidades do processo de autuação que foi feito pelo 
profissional de segurança pública ou nos procedimentos feitos pelos órgãos de 
trânsito, todo o trabalho desenvolvido pode ser invalidado, fazendo com que os 
esforços tenham sido em vão, perdendo recursos materiais para alcançar os objetivos 
da Política Nacional de Trânsito. 
 
Objetivos do módulo 
 
Ao final desse módulo, você será capaz de: 
- Compreender todo o desenvolvimento do processo administrativo de 
penalização do infrator: desde o registro do cometimento da infração de trânsito, o 
processamento dos recursos apropriados até a efetiva aplicação da penalidade; 
- Identificar os requisitos indispensáveis para preenchimento do auto de 
infração de trânsito, para evitar o seu cancelamento em grau de defesa prévia ou 
recursos apropriados; 
- Compreender a responsabilidade do profissional de segurança pública para a 
efetiva aplicação da legislação de trânsito para alcançar os objetivos da Política 
Nacional de Trânsito. 
 
 
 
 
 103 
Divisão das aulas 
 
Este módulo compreende as seguintes aulas: 
 
Aula 1 – Do cometimento da infração de trânsito à imposição da penalidade; 
Aula 2 – Atribuições do profissional de segurança pública para a efetividade do 
processo administrativo. 
 
 
 
 
 104 
AULA 1 – DO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO DE TRÂNSITO À IMPOSIÇÃO DA 
PENALIDADE 
 
Autuação 
É o início do processo para efetuar a penalidade devida ao infrator. É o ato 
administrativo de registro do cometimento da infração, formalizado por meio da 
lavratura do Auto de Infração de Trânsito (AIT). 
O AIT é a ferramenta que permite que a autoridade de trânsito aplique a 
penalidade, portanto precisa estar perfeitamente preenchida de acordo com as 
disposições do art. 280 do CTB e outras disposições regulamentares, contendo todo 
o registro dos fatos que aconteceram para fundamentar a escrita do auto. Você verá 
melhor todos os elementos que são indispensáveis na hora de preencher na aula 
seguinte. 
De acordo com o § 2º do art. 280 do CTB, a infração de trânsito deverá ser 
comprovada por declaração do agente da autoridade de trânsito (por meio 
do preenchimento do auto de infração em formulário de papel ou dispositivo 
tecnológico apropriado – talão eletrônico), por aparelho eletrônico (medidores 
e controladores de velocidade, fotossensores em semáforo), por equipamento 
audiovisual (câmeras de vídeo monitoramento) ou qualquer outro meio 
tecnologicamente disponível, previamente regulamentado pelo CONTRAN. 
O agente da autoridade de trânsito competente, para emitir corretamente o 
auto, pode ser servidor civil, estatuário ou celetista, também pode ser policial militar 
designado pela autoridade de trânsito que tem domínio sobre a via. Deve estar 
devidamente uniformizado, conforme padrão da instituição e no regular exercício de 
suas funções. O veículo utilizado na fiscalização também deverá estar 
caracterizado. Essas diretrizes são baseadas na disposição do § 4º do art. 280 do 
CTB e regulamentação constante do Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito – 
Volume II. 
 
Notificação da autuação 
Após a autuação, o passo seguinte é a notificação da autuação. É o ato 
administrativo que informa ao proprietário do veículo que foi emitido um AIT por 
causa da infração de trânsito cometida e que ele poderá ser penalizado de acordo 
com a legislação em vigor. 
 
 
 
 105 
O órgão de trânsito competente, após verificar a regularidade e a 
consistência do auto de infração irá emitir a notificação da autuação ao 
proprietário do veículo em até 30 dias após a infração (CTB, art. 281, II). Este 
prazo é contado pela data da entrega da notificação e não pela data que o 
infrator recebeu. 
 
Com a notificação da autuação, o proprietário do veículo tem a 
possibilidade de indicar o real infrator, caso a infração tenha sido cometido por 
outra pessoa que não o proprietário. Esse procedimento é feito em formulário 
específico na própria notificação, dentro do prazo estabelecido, acompanhado do 
documento de habilitação do condutor infrator e do documento de identificaçãodo 
proprietário do veículo. 
Com a notificação da autuação, o proprietário do veículo ou o condutor infrator 
pode apresentar defesa prévia (ou defesa da autuação, conforme conceituação na 
Resolução nº 619/2016-CONTRAN). O prazo para isso não pode passar de 30 dias 
contando da data de emissão da notificação de autuação (CTB, art. 281-A). 
O auto de infração de trânsito valerá como notificação da autuação quando 
for assinado pelo condutor e este for o proprietário do veículo ou o principal condutor 
identificado. Isso acontece quando está presente a data do término do prazo para a 
apresentação da defesa da autuação, conforme § 5º do art. 3º da Resolução nº 
619/2016-CONTRAN. 
 
É preciso você saber que a defesa da autuação não é recurso contra a 
imposição de penalidade. A defesa é apresentada no órgão responsável por 
aplicar a penalidade, onde será analisada de acordo com os requisitos de 
consistência e regularidade do auto de infração (nos termos do art. 281, I do 
CTB), como correta tipificação, presença das informações indispensáveis, 
endereço completo, ausência de rasuras no preenchimento, dentre outros. 
 
Caso a defesa prévia não seja apresentada no prazo estabelecido, será 
aplicada a penalidade e emitida uma notificação ao proprietário do veículo ou ao 
infrator, no prazo máximo de 180 dias, contado da data do cometimento da infração, 
por remessa postal ou por qualquer outro meio tecnológico que assegure que a 
pessoa está ciente da penalidade que sofrerá (CTB, art. 282). Em caso de 
 
 
 
 106 
apresentação da defesa prévia em tempo hábil, o prazo para a notificação da 
penalidade será de 360 dias (§ 6º do art. 282). 
O auto de infração de trânsito será cancelado caso a defesa da autuação seja 
aceita, o registro será arquivado e a autoridade de trânsito comunicará ao proprietário 
do veículo a decisão (§ 1º do art. 9º da Resolução nº 619/2016-CONTRAN). 
 
Notificação da penalidade 
Caso não seja apresentada nenhuma defesa de autuação no prazo 
estabelecido, o processo administrativo segue com o próximo passo que é a 
notificação da penalidade. É o ato administrativo que informa ao proprietário do 
veículo que foi aplicada uma penalidade pela infração cometida. 
Após o proprietário do veículo ou condutor infrator receber a notificação da 
penalidade ele pode apresentar recurso à JARI competente. Na notificação que ele 
recebe deve ter a datado prazo final para que o recurso seja apresentado, em geral 
de até 30 dias a partir da data da notificação da penalidade (§ 4º do art. 282 do CTB). 
 No mesmo prazo para apresentação do recurso à JARI, o CTB prevê a possibilidade 
de pagamento do valor da multa por 80% do seu valor (art. 284). Este pagamento 
não funciona como uma renúncia ao recurso (apenas garante o desconto), que poderá 
ser apresentado no prazo estabelecido na notificação da penalidade (§ 2º do art. 284 
do CTB). Se o recurso for aceito, o valor pago é devolvido. 
Recurso à JARI 
Recurso é um pedido formal em que o infrator apresenta ao órgão recursal 
(JARI) suas argumentações querendo justificar sua conduta ou apresentar razões 
quanto a possível irregularidade na autuação ou no desenvolvimento do 
processo administrativo de penalização do infrator, com o objetivo de invalidar o 
registro do AIT. 
 
O CTB estabelece que o recurso será interposto perante a autoridade que 
impôs a penalidade (art. 285), dentro do prazo estabelecido na notificação de 
penalidade. Recebido o pedido, a autoridade o enviará ao órgão julgador, 
dentro dos 10 dias úteis seguintes à sua apresentação e assinalará o fato no 
despacho de encaminhamento (§ 2º do art. 285). Não é necessário fazer o 
pagamento do valor da multa para apresentação do recurso (art. 286). 
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-contran-n-845-de-8-de-abril-de-2021-313198042
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-contran-n-845-de-8-de-abril-de-2021-313198042
 
 
 
 107 
No recurso à JARI, a critério da pessoa que está recorrendo, poderão ser 
alegadas as mesmas questões discutidas na defesa da autuação, quanto à 
regularidade e consistência do auto de infração de trânsito (erro de 
enquadramento, rasuras, endereço insuficiente, omissão de dado indispensável, 
dentre outros), bem como questões de mérito (justificativas para o cometimento da 
infração) e procedimentais (excesso de prazo para realização da notificação ou para 
julgamento da defesa da autuação, falta de notificação ou irregularidade na sua 
realização, descumprimento de ato normativo legal, falta de providência estabelecida 
no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito). 
Junto do pedido podem ser reunidos documentos e informações que sustentem 
seus argumentos e também fundamentações no CTB ou em resoluções do 
CONTRAN. Se por algum motivo o recurso não for julgado dentro do prazo de 30 dias, 
a autoridade que impôs a penalidade poderá conceder efeito suspensivo (§ 3º do 
art. 285). 
 
Recurso à segunda instância 
Após a JARI emitir sua decisão, ainda cabe recurso no prazo de 30 dias, 
contados a partir da notificação da decisão (CTB, art. 288). 
Normalmente, o infrator que está recorrendo, se tiver indeferido seu recurso 
pode ir atrás da instância superior. O mesmo direito é concedido também à autoridade 
que impôs a penalidade, mostrando que discorda da decisão de deferimento do 
recurso do infrator. O prazo nos dois casos é de 30 dias (§ 1º do art. 288). 
Se for o caso de recurso contra penalidade imposta por órgãos da União 
(DNIT ou PRF), o recurso será apreciado por um Colegiado Especial (composto pelo 
Coordenador-Geral da JARI, pelo Presidente da Junta que apreciou o recurso e por 
outro Presidente de Junta), conforme art. 289, I do CTB. 
Se for o caso de recurso contra penalidade imposta pelo DETRAN, DER (ou 
órgão equivalente executivo rodoviário estadual) ou órgão executivo municipal, ou 
do Distrito Federal, o recurso será apreciado pelo CETRAN ou CONTRANDIFE, 
respectivamente (CTB, art. 289, II). 
Veja a Resolução nº 299, de 04 de dezembro de 2008 que Dispõe sobre a 
padronização dos procedimentos para apresentação de defesa de autuação e 
recurso, em 1ª e 2ª instâncias, contra a imposição de penalidade de multa de trânsito. 
 
 
 
 108 
Clique em: Resolução 299.2008 (www.gov.br) 
 
A decisão tomada e registrada pelo Colegiado Especial e pelo CETRAN 
(CONTRANDIFE) encerra todo o processo administrativo de julgamento de infrações 
e penalidades (CTB, art. 290). 
 
 
 
 
 
 
 109 
AULA 2 - ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA PARA 
A EFETIVIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO 
 
Você estudou no início deste módulo que o processo de punição do infrator 
começa com o registro do cometimento da infração de trânsito, que é feita pelo 
profissional de segurança pública. Para esse registro é importante que o 
preenchimento do auto de infração seja feito da maneira correta para que os próximos 
passos do processo administrativo sejam efetivamente realizados. Esse auto será 
analisado pelo órgão responsável por aplicar a penalidade, pelo infrator ou o seu 
representante e pelos integrantes da junta de recurso e da instância superior. 
Se houver alguma falha ou irregularidade no preenchimento do auto de 
infração e for comprovado, acarretará o julgamento de insubsistência do seu 
registro e consequente arquivamento, com perda das providências e dos custos 
despendidos pela administração pública. 
Para que o trabalho desenvolvido pelo profissional de segurança pública 
alcance seus objetivos de um trânsito seguro e harmonioso para todos os usuários 
das vias públicas do país, é necessário estar atento às disposições regulamentares 
que precisam estar corretas no auto de infração. Veja a seguir: 
No CTB, estabelece o art. 280: 
“Ocorrendo infração prevista na legislação de trânsito, lavrar-se-á auto de 
infração, do qual constará: 
I - tipificação da infração; 
II - local, data e hora do cometimentoda infração; 
III - caracteres da placa de identificação do veículo, sua marca e espécie, e 
outros elementos julgados necessários à sua identificação; 
IV - o prontuário do condutor, sempre que possível; 
V - identificação do órgão ou entidade e da autoridade ou agente autuador ou 
equipamento que comprovar a infração; 
VI - assinatura do infrator, sempre que possível, valendo esta como 
notificação do cometimento da infração”. 
 
A Portaria nº 59 do SENATRAN, de 25 de outubro de 2007, estabeleceu um 
processo unificado em todo o território nacional em relação às informações que devem 
constar obrigatoriamente no auto de infração, os campos que são facultativos e a 
orientação do seu preenchimento. 
 
https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=200275#:~:text=Estabelece%20os%20campos%20de%20informa%C3%A7%C3%B5es,em%20todo%20o%20territ%C3%B3rio%20nacional.
 
 
 
 110 
De acordo com o Anexo I da portaria, o auto de infração deve conter os 
seguintes campos: 
 
BLOCO 1 – IDENTIFICAÇÃO DA AUTUAÇÃO 
CAMPO 1 – ‘CÓDIGO DO ÓRGÃO AUTUADOR’ 
Campo obrigatório. 
 
CAMPO 2 – ‘IDENTIFICAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO’ – campo que será utilizado 
para identificação exclusiva de cada autuação. 
 
Campo obrigatório. 
 
BLOCO 2 – IDENTIFICAÇÃO DO VEÍCULO 
CAMPO 1 – ‘PLACA’ 
Campo obrigatório. 
 
CAMPO 2 – ‘MARCA’ 
Campo obrigatório. 
 
CAMPO 3 – ‘ESPÉCIE’ 
Campo obrigatório. 
 
CAMPO 4 – ‘PAÍS’ 
Campo facultativo. 
 
BLOCO 3 – IDENTIFICAÇÃO DO CONDUTOR 
CAMPO 1 – ‘NOME’ – campo para registrar o nome do condutor do veículo. 
Campo facultativo para infrações registradas por sistemas automáticos metrológicos 
e não metrológicos. 
 
CAMPO 2 – ‘Nº DO REGISTRO DA CARTEIRA DE HABILITAÇÃO OU DA 
PERMISSÃO PARA DIRIGIR’ – campo para registrar o nº da CNH ou da Permissão 
para Dirigir do condutor do veículo. 
 
Campo facultativo para infrações registradas por sistemas automáticos metrológicos 
e não metrológicos. 
 
CAMPO 3 – ‘UF’ – campo para registrar a sigla da UF onde o condutor está registrado. 
Campo facultativo para infrações registradas por sistemas automáticos metrológicos 
e não metrológicos. 
 
CAMPO 4- ‘CPF’ – campo para registrar o nº do CPF do condutor do veículo. 
Campo facultativo para infrações registradas por sistemas automáticos metrológicos 
e não metrológicos. 
 
 
 
 
 111 
BLOCO 4 – IDENTIFICAÇÃO DO LOCAL, DATA E HORA DO COMETIMENTO DA 
INFRAÇÃO 
CAMPO 1 – ‘LOCAL DA INFRAÇÃO’ – campo para registrar o local onde foi 
constatada a infração (nome do logradouro ou da via, número ou marco quilométrico 
ou, ainda, anotações que indiquem pontos de referência). 
 
Campo obrigatório. 
 
CAMPO 2 – ‘DATA’ - campo para registrar o dia, mês e ano da ocorrência. 
Campo obrigatório. 
 
CAMPO 3 – ‘HORA’ – campo para registrar as horas e minutos da ocorrência. 
Campo obrigatório. 
 
CAMPO 4 – ‘CÓDIGO DO MUNICÍPIO’ – campo para registrar o código de 
identificação do município onde o veículo foi autuado. Utilizar a tabela de órgãos e 
municípios (TOM), administrada pela Receita Federal – MF. 
 
Campo obrigatório, exceto para o Distrito Federal. 
 
CAMPO 5 – ‘NOME DO MUNICÍPIO’ – campo para registrar o nome do Município 
onde foi constatada a infração. 
 
Campo obrigatório, exceto para o Distrito Federal. 
 
CAMPO 6 – ‘UF’ – campo para registrar a sigla da UF onde foi constatada a infração. 
Campo obrigatório. 
 
BLOCO 5 – TIPIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO 
CAMPO 1 – ‘CÓDIGO DA INFRAÇÃO’ – campo para registrar o código da infração 
cometida. 
Campo obrigatório. 
 
CAMPO 2 – ‘DESDOBRAMENTO DO CÓDIGO DE INFRAÇÃO’ - campo para 
registrar os desdobramentos da infração. 
 
Campo obrigatório. 
 
CAMPO 3 – ‘DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO’ – campo para descrever de forma clara a 
infração cometida. 
 
Campo obrigatório. 
 
CAMPO 4 – ‘EQUIPAMENTO/INSTRUMENTO DE AFERIÇÃO UTILIZADO’ – campo 
para registrar o equipamento ou instrumento de medição utilizado, indicando o 
número, o modelo e a marca. 
 
 
 
 
 112 
Campo obrigatório para infrações verificadas por equipamentos de fiscalização. 
 
CAMPO 5 – ‘MEDIÇÃO REALIZADA’ – campo para registrar a medição realizada 
(velocidade, carga, alcoolemia, emissão de poluentes, etc). 
 
Campo obrigatório para infrações verificadas por equipamentos de fiscalização. 
 
CAMPO 6 – ‘LIMITE REGULAMENTADO’ – campo para registrar o limite permitido. 
 
Campo obrigatório para infrações verificadas por equipamentos de fiscalização. 
 
CAMPO 7 – ‘VALOR CONSIDERADO’ – campo para registrar o valor considerado 
para autuação. 
 
Campo obrigatório para infrações verificadas por equipamentos de fiscalização. 
 
CAMPO 8 – ‘OBSERVAÇÕES’ – campo destinado ao registro de informações 
complementares relacionadas à infração. 
 
Campo obrigatório. 
 
BLOCO 6 – IDENTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE OU AGENTE AUTUADOR 
CAMPO 1 – ‘NÚMERO DE IDENTIFICAÇÃO’ – campo para identificar a autoridade 
ou agente autuador (registro, matrícula, outros). 
Campo obrigatório. 
 
CAMPO 2 – ‘ASSINATURA DA AUTORIDADE OU AGENTE AUTUADOR’ 
Campo facultativo para infrações registradas por sistemas automáticos metrológicos 
e não metrológicos. 
 
BLOCO 7 – IDENTIFICAÇÃO DO EMBARCADOR OU EXPEDIDOR 
CAMPO 1 – ‘NOME’ – campo para registrar o nome do embarcador ou expedidor 
infrator. 
Campo facultativo. 
 
CAMPO 2 – ‘CPF’ ou ‘CNPJ’ 
 
Campo facultativo. 
 
BLOCO 8 – IDENTIFICAÇÃO DO TRANSPORTADOR 
CAMPO 1 – ‘NOME’ – campo para registrar o nome do transportador infrator. 
Campo facultativo. 
 
CAMPO 2 – ‘CPF’ ou ‘CNPJ’ 
 
 
 
 
 113 
Campo facultativo. 
 
BLOCO 9 - ASSINATURA DO INFRATOR OU CONDUTOR 
CAMPO 1 – ‘ASSINATURA’ – campo para assinatura do infrator ou condutor. 
Campo facultativo para infrações registradas por sistemas automáticos metrológicos 
e não metrológicos. 
 
Se na hora do preenchimento do auto de infração o profissional de segurança 
pública deixa de anotar um ou mais campos que a portaria considera como 
obrigatório, esse documento pode ser invalidado por inconsistência. 
 
A Resolução nº 561/2015-CONTRAN (Manual Brasileiro de Fiscalização de 
Trânsito – Volume II) estabelece as seguintes orientações que os profissionais que 
exercem a fiscalização de trânsito devem exercer: 
 - Não é permitida a lavratura do AIT por solicitação de terceiros. A única 
exceção é se o órgão ou entidade de trânsito que esteja fiscalizando as normas de 
circulação e conduta identifique a infração e informe ao agente que está fazendo a 
abordagem. Neste caso, o agente que verificou a infração deverá confirmar a 
autuação no AIT. 
- O AIT traduz um ato vinculado na forma da Lei, não havendo limitações com 
relação a sua lavratura. 
- O agente de trânsito deve priorizar suas ações no sentido de não permitir que 
aconteçam infrações de trânsito, devendo tratar a todos com educação e respeito, 
sem que deixe de tomar as providências que a lei determina. 
- No AIT não poderá conter rasura, emenda, uso de corretivo ou qualquer 
tipo de adulteração. O seu preenchimento se dará com letra legível, 
preferencialmente, com caneta esferográfica de tinta azul. 
- Poderá ser utilizado o talão eletrônico para o registro da infração conforme 
regulamentação específica. 
- O agente só poderá registrar uma infração por auto. Se for constatada mais 
de uma infração que possua em seu código a mesma raiz (três primeiros dígitos), 
considerar apenas uma infração, como, por exemplo, veículo sem equipamento 
obrigatório e com equipamento obrigatório ineficiente/inoperante, utilizar o código 663-
71 e descrever no campo ‘Observações’ a situação constatada (sem o pneu de estepe 
e com o extintor de incêndio vazio). 
 
 
 
 114 
- As infrações podem ser concorrentes ou concomitantes. As infrações 
concorrentes são aquelas que ao cometer uma infração já imagina o cometimento 
de outra, como, por exemplo, veículo sem as placas (art. 230, IV), por falta de registro 
(art. 230, V). Nesse caso, o agente deve fazer um único AIT com base no art. 230, V.Já as infrações concomitantes são aquelas em que ao cometer uma infração não 
exige que outra tenha sido cometida, como, por exemplo, dirigir veículo com a CNH 
vencida há mais de trinta dias (art. 162, V) e de categoria diferente para a qual é 
habilitado (art. 162, III). Nesses casos, o agente deverá emitir dois AIT diferentes. 
-O agente de trânsito, sempre que possível, deverá abordar o condutor do 
veículo para constatar a infração. A exceção são os casos que a infração pode ser 
comprovada sem precisar da abordagem. Para isto, o Manual estabelece três 
situações: a primeira é a “possível sem abordagem” que significa que a infração 
pode ser constatada sem a abordagem do condutor; o segundo caso é “mediante 
abordagem” que significa que a infração só pode ser constatada se houver a 
abordagem do condutor; e por fim, o caso três é “vide procedimentos” que significa 
que, em alguns casos, existem situações específicas para abordagem do condutor. 
 Se o profissional de segurança pública no momento da abordagem deixar de 
adotar uma providência para abordagem do condutor e estiver no Manual Brasileiro 
de Fiscalização de Trânsito que precisa ser feita a abordagem, o AIT pode ser 
invalidado por irregularidade. 
O trabalho de registro do cometimento de infração de trânsito pelo profissional 
de segurança pública deve ser embasado nas disposições do CTB, das resoluções 
do CONTRAN e nas orientações constantes do Manual Brasileiro de Fiscalização de 
Trânsito (volumes I e II). 
 
Para a tipificação da infração, a Portaria nº 59/2007-SENATRAN estabelece 
o registro do código da infração e seu desdobramento (que podem ser 
coletados na citada portaria ou no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito 
na ficha de procedimentos para cada infração relatada) e a descrição da 
infração. 
 
Embora a portaria não tenha estabelecido o enquadramento no dispositivo do 
CTB infringido, o art. 280, I do CTB se refere à tipificação como a exata 
correspondência entre a conduta observada pelo agente e a sua previsão no CTB. 
 
 
 
 115 
Por isto, caso não haja campo específico para anotação do dispositivo do CTB no auto 
de infração utilizado por sua corporação, é conveniente anotar no campo “observação” 
o artigo da infração constatada, porque de acordo com a hierarquia das leis, uma 
portaria ou resolução não pode desobrigar prescrição estabelecida em lei federal. 
Se o preenchimento do AIT for feito manualmente em formulário de papel, 
deve ser observado um cuidado especial na grafia das seguintes letras na hora de 
registrar a placa do veículo: D, O e Q; U e V; I e L; M e W; E e F; Y, K e R; S e Z. O 
mesmo cuidado deve ser observado no preenchimento do código da infração e seu 
desdobramento, pois um erro na sequência da numeração pode gerar a inconsistência 
entre o código/desdobramento, a descrição e a tipificação da infração. O mesmo 
cuidado também tem que ter na hora de escrever o nome e o código do município de 
cometimento da infração. 
As infrações de estacionamento devem ser registradas com o local exato: 
nome da rua, quadra/lote (ou número) e setor. As infrações de avanço de sinal 
vermelho precisam da indicação das ruas que compõem o cruzamento e do setor. As 
infrações de excesso de velocidade necessitam, além do trecho da via em que foi 
medida, o sentido de circulação (norte-sul, por exemplo). 
 
Quando são utilizados os talões eletrônicos, fica mais fácil para o profissional 
de segurança pública, pois os dados já estão registrados no aparelho e pode 
ser programado para encerrar o procedimento e lançar todos os dados que são 
obrigatórios numa autuação e também ajuda na questão de erros e rasuras, 
porque as informações não são escritas e sim digitadas. 
 
Finalizando 
 
Neste módulo, você estudou que: 
- Processo administrativo de trânsito é o caminho a ser percorrido desde o 
cometimento da infração de trânsito até a efetiva punição do infrator. Ele se inicia 
com a autuação, que é o registro do cometimento da infração pelo profissional de 
segurança pública, passa pelas notificações de autuação e de penalidade, com as 
quais são abertos os acessos à defesa da autuação e o recurso à JARI, 
respectivamente. Por fim, caso o infrator não tenha recorrido, ainda lhe resta o recurso 
 
 
 
 116 
à segunda instância, com o qual se encerra o processo administrativo de julgamento 
de infrações e penalidades. Esgotados os recursos, a penalidade será aplicada. 
- A efetiva punição do infrator se inicia com o registro do cometimento da 
infração de trânsito pelo profissional de segurança pública. O preenchimento do auto 
de infração de trânsito é de fundamental importância para que as outras etapas 
aconteçam. Portanto, é importante estar atento às disposições regulamentares que 
orienta a lavratura do AIT para que todo o processo administrativo alcance seu 
objetivo, em especial as disposições do art. 280 do CTB, a Portaria nº 59/2007-
SENATRAN e as prescrições para fiscalização de trânsito constantes no Manual 
Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (volumes I e II). 
 
 
 
 
 
 117 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
BRASIL. Lei n° 9.503, de 23 de setembro de 1997. Institui o Código de Trânsito 
Brasileiro. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9503Compilado.htm. Acesso em 24 de maio 
de 2021. 
BRASIL. Lei nº 13.675, de 11 de junho de 2018. Disciplina a organização e o 
funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, nos termos do § 7º 
do art. 144 da Constituição Federal; cria a Política Nacional de Segurança Pública e 
Defesa Social (PNSPDS); institui o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP); 
altera a Lei Complementar nº 79, de 7 de janeiro de 1994, a Lei nº 10.201, de 14 de 
fevereiro de 2001, e a Lei nº 11.530, de 24 de outubro de 2007; e revoga dispositivos 
da Lei nº 12.681, de 4 de julho de 2012. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm. Acesso em 
12 de abril de 2021 
CONTRAN. Resolução nº 66, de 23 de setembro de 1998. Institui tabela de 
distribuição de competência dos órgãos executivos de trânsito. Disponível em: 
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-
SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 20 de abril de 2021. 
CONTRAN. Resolução n° 205, de 20 de outubro de 2006. Dispõe sobre os 
documentos de porte obrigatório e dá outras providências. Disponível em: 
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-
SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 04 de maio de 2021. 
CONTRAN. Resolução n° 299, de 04 de dezembro de 2008. Dispõe sobre a 
padronização dos procedimentos para apresentação de defesa de autuação e 
recurso, em 1ª e 2ª instâncias, contra a imposição de penalidade de multa de trânsito. 
Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-
SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 19 de maio de 2021. 
CONTRAN. Resolução n° 357, de 02 de agosto de 2010. Estabelece diretrizes para a 
elaboração do Regimento Interno das Juntas Administrativas de Recursos de 
Infrações – JARI. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-
br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 21 de abril 
de 2021. 
CONTRAN. Resolução n° 389, de 14 de junho de 2011. Referenda a deliberação nº 
112 de 28 de junho de 2011, do Presidente do Conselho Nacional de Trânsito - 
CONTRAN, publicada no Diário Oficial da União de 29 de junho de 2011, que altera o 
prazo estipulado no art. 3º da Resolução nº 371, de 10 de dezembro de 2010, que 
aprova o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito – Volume I – Infrações de 
competência municipal, incluindo as concorrentes dos órgãos e entidades estaduais 
 
 
 
 118 
de trânsito e rodoviários. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-
br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 22 de abril 
de 2021. 
CONTRAN. Resolução n° 432, de 23 de janeiro de 2013.Dispõe sobre os 
procedimentos a serem adotados pelas autoridades de trânsito e seus agentes na 
fiscalização do consumo de álcool ou de outra substância psicoativa que determine 
dependência, para aplicação do disposto nos arts. 165, 276, 277 e 306 da Lei nº 9.503, 
de 23 de setembro de 1997 – Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Disponível em: 
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-
SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 25 de abril de 2021. 
CONTRAN. Resolução n° 453, de 26 de setembro de 2013. Disciplina o uso de 
capacete para condutor e passageiro de motocicletas, motonetas, ciclomotores, 
triciclos motorizados e quadriciclos motorizados. Disponível em: 
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-
SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 07 de maio de 2021. 
CONTRAN. Resolução n° 514, de 18 de dezembro de 2014. Dispõe sobre a Política 
Nacional de Trânsito, seus fins e aplicação, e dá outras providências. Disponível em: 
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-
SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 14 de abril de 2021. 
CONTRAN. Resolução n° 561, de 15 de outubro de 2015. Aprova o Manual Brasileiro 
de Fiscalização de Trânsito, Volume II – Infrações de competência dos órgãos e 
entidades executivos estaduais de trânsito e rodoviários. Disponível em: 
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-
SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 22 de abril de 2021. 
CONTRAN. Resolução n° 619, de 06 de setembro de 2016. Estabelece e normatiza 
os procedimentos para a aplicação das multas por infrações, a arrecadação e o 
repasse dos valores arrecadados, nos termos do inciso VIII do art. 12 da Lei nº 9.503, 
de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro – CTB, e dá 
outras providências. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-
br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 17 de 
maio de 2021. 
CONTRAN. Resolução n° 688, de 15 de agosto de 2017. Estabelece diretrizes para a 
elaboração do Regimento Interno, gestão e operacionalização das atividades dos 
Conselhos Estaduais de Trânsito (CETRAN) e do Conselho de Trânsito do Distrito 
Federal (CONTRANDIFE). Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-
br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 18 de abril 
de 2021. 
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran
 
 
 
 119 
CONTRAN. Resolução n° 723, de 06 de fevereiro de 2018. Referendar a Deliberação 
CONTRAN nº 163, de 31 de outubro de 2017, que dispõe sobre a uniformização do 
procedimento administrativo para imposição das penalidades de suspensão do direito 
de dirigir e de cassação do documento de habilitação, previstas nos arts. 261 e 263, 
incisos I e II, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), bem como sobre o curso 
preventivo de reciclagem. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-
br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 10 de 
maio de 2021. 
CONTRAN. Resolução n° 788, de 18 de junho de 2020. Referenda a Deliberação 
CONTRAN nº 180, de 30 de dezembro de 2019, que dispõe sobre os requisitos para 
emissão do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo em meio eletrônico 
(CRLV-e). Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-
br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 05 de 
maio de 2021. 
CONTRAN. Resolução n° 789, de 18 de junho de 2020. Consolida normas sobre o 
processo de formação de condutores de veículos automotores e elétricos. Disponível 
em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-
SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 11 de maio de 2021. 
CONTRAN. Resolução n° 798, de 02 de setembro de 2020. Dispõe sobre requisitos 
técnicos mínimos para a fiscalização da velocidade de veículos automotores, elétricos, 
reboques e semirreboques. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-
br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 03 de 
maio de 2021. 
CONTRAN. Resolução n° 819, de 17 de março de 2021. Dispõe sobre o transporte de 
crianças com idade inferior a dez anos que não tenham atingido 1,45 m (um metro e 
quarenta e cinco centímetros) de altura no dispositivo de retenção adequado. 
Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-
SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 28 de abril de 2021. 
SENATRAN. Portaria nº 59, de 25 de outubro de 2007. Estabelece os campos de 
informações que deverão constar do Auto de Infração, os campos facultativos e o 
preenchimento, para fins de uniformização em todo o território nacional. Disponível 
em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-
SENATRAN/portarias-2007-SENATRAN. Acesso em 21 de maio de 2021. 
 
 
 
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/portarias-2007-denatran
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/portarias-2007-denatran
 
 
 
 120 
CRÉDITOS 
 
Carlos Antonio Borges 
 
Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Goiás – 1994. Especialista em 
Educação pela Academia de Polícia Militar de Goiás – 1989. Foi Comandante do 
Batalhão de Trânsito em Goiânia – 2004/2007, Comandante da Academia de Polícia 
Militar – 2007/2008 e 2015/2016, Comandante do Policiamento Rodoviário – 
2013/2015, Conselheiro Representante da PMGO no Conselho Estadual de Trânsito 
– 2009/2012, Subcomandante Geral da PMGO – 2016/2018 e Superintendente da 
Academia Estadual de Segurança Pública / SSPGO – 2018.

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