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2 PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA MINISTÉRIO DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA SECRETARIA DE GESTÃO E ENSINO EM SEGURANÇA PÚBLICA DIRETORIA DE ENSINO E PESQUISA COORDENAÇÃO-GERAL DE ENSINO COORDENAÇÃO DE ENSINO A DISTÂNCIA CONTEUDISTA Carlos Antônio Borges REVISÃO DE CONTEÚDO Thiago César Fagundes Santos Victória Pereira de Vasconcelos de Abreu COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Ardmon dos Santos Barbosa Márcio Raphael Nascimento Maia SETOR DE CRIAÇÃO E DESENVOLVIMENTO PROGRAMAÇÃO E EDIÇÃO Ozandia Castilho Martins Vinícius Alves de Sousa DESIGNER Ozandia Castilho Martins Vinícius Alves de Sousa Zulmiro José Machado Filho DESIGNER INSTRUCIONAL Luana Manuella de Sales Mendes 3 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DO CURSO ................................................................................................................5 DIVISÃO DOS MÓDULOS: .....................................................................................................................7 OBJETIVOS DO CURSO ...........................................................................................................................7 MÓDULO 1 – SISTEMA NACIONAL DE TRÂNSITO .......................................................................8 APRESENTAÇÃO DO MÓDULO .......................................................................................................8 OBJETIVOS DO MÓDULO ..................................................................................................................9 DIVISÃO DAS AULAS ........................................................................................................................ 10 AULA 1 – COMPOSIÇÃO DO SISTEMA NACIONAL DE TRÂNSITO .................................. 11 AULA 2 – COMPETÊNCIAS DOS ÓRGÃOS E ENTIDADES COMPONENTES DO SISTEMA DOS ÓRGÃOS NORMATIVOS .................................................................................... 13 AULA 3 – ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA .............................. 25 FINALIZANDO ..................................................................................................................................... 26 MÓDULO 2 – INFRAÇÕES DE TRÂNSITO...................................................................................... 28 APRESENTAÇÃO DO MÓDULO .................................................................................................... 28 OBJETIVOS DO MÓDULO ............................................................................................................... 28 DIVISÃO DAS AULAS ........................................................................................................................ 29 AULA 1 – TIPIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO DE TRÂNSITO .......................................................... 30 AULA 2 – COMPETÊNCIAS PARA A FISCALIZAÇÃO .............................................................. 32 AULA 3 – COMPLEXIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DE INFRAÇÕES DE TRÂNSITO ... 34 AULA 4 – CONEXÃO COM CRIMES DE TRÂNSITO ................................................................ 56 AULA 5 – ESCLARECENDO OUTRAS QUESTÕES .................................................................... 62 TRÂNSITO DE MOTOCICLETA ENTRE VEÍCULOS PARADOS ............................................. 64 OBRIGATORIEDADE DO TACÓGRAFO ........................................................................................... 71 PAÍSES SIGNATÁRIOS DA CONVENÇÃO DE VIENA OU COM ACORDOS DE RECIPROCIDADE ................................................................................................................................ 77 FINALIZANDO ..................................................................................................................................... 80 4 MÓDULO 3 – PENALIDADES E MEDIDAS ADMINISTRATIVAS .............................................. 82 APRESENTAÇÃO DO MÓDULO .................................................................................................... 82 AULA 1 – CONCEITO DE AUTORIDADE E DE AGENTE DA AUTORIDADE ..................... 84 AULA 2 – PENALIDADES ................................................................................................................. 85 AULA 3 – MEDIDAS ADMINISTRATIVAS ................................................................................... 91 AULA 4 – ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA .............................. 98 FINALIZANDO ................................................................................................................................... 100 MÓDULO 4 – PROCESSO ADMINISTRATIVO DE TRÂNSITO ............................................... 102 APRESENTAÇÃO DO MÓDULO .................................................................................................. 102 AULA 1 – DO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO DE TRÂNSITO À IMPOSIÇÃO DA PENALIDADE ..................................................................................................................................... 104 AULA 2 - ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA PARA A EFETIVIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO ................................................................. 109 FINALIZANDO ................................................................................................................................... 115 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................. 117 CRÉDITOS ........................................................................................................................................... 120 5 APRESENTAÇÃO DO CURSO A legislação de trânsito muda constantemente e envolve muitas questões, como as que se deslocam nas vias públicas em sentidos e direções diversas. Nesse contexto, o profissional de segurança pública na área de trânsito precisa de conhecimentos específicos e de reciclagem de conhecimentos com frequência diante dessas mudanças no âmbito da lei e nos diversos órgãos que atuam nessa área. Um trânsito harmonioso e seguro depende do empenho de todos os envolvidos nesse processo. Os profissionais que fazem parte do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) necessitam de comprometimento, integração e capacitação, pois são as pessoas responsáveis a assegurar o seguinte direito: “direito de todos e dever dos órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito” (art. 1º, § 2º do Código de Trânsito Brasileiro – CTB). Figura 1: Trânsito Fonte: Do conteudista. O propósito do presente curso é aplicar a legislação de trânsito diante das infrações administrativas. Para isso há a necessidade de dominar conhecimentos da estrutura e dos órgãos e entidades competentes do sistema de trânsito, dos tipos de https://www.canva.com/photos/MADGyQKi_ic-landscape-photography-of-cars/ 6 condutas infratoras previstas no CTB e as providências que devem ser adotadas pelo profissional de segurança, e por fim, do processo administrativo em todas as suas etapas, desde a autuação à punição do infrator. Figura 2: Estrada Fonte: Do conteudista. Figura 3: Vias Fonte: Do conteudista. https://www.canva.com/photos/MADGvpSdMlQ-road-in-between-green-tree-under-white-clouds-and-blue-sky/ https://www.canva.com/photos/MADGx6bK2AA-parked-gray-car/ 7 DIVISÃO DOS MÓDULOS: Este curso é composto pelos seguintes módulos: - Módulo 1 – Sistema Nacional de Trânsito; - Módulo 2 – Infrações de trânsito; - Módulo 3 – Penalidades e medidas administrativas; - Módulo 4 – Processo administrativo de trânsito. OBJETIVOS DO CURSO Ao final do estudo deste curso, você será capaz de: -Identificar a composição do Sistema Nacional de Trânsito (SNT); -Diferenciar as competências dos órgãos e entidades componentes do SNT, aplicando-asao trabalho desenvolvido por sua corporação, integrante do Sistema Único de Segurança Pública; -Enquadrar comportamentos infratores das regras de circulação e conduta à correta tipificação descrita nos artigos de 162 a 255 do CTB; -Adotar medidas administrativas previstas na legislação quando da autuação de infração de trânsito, de acordo com a competência do profissional de segurança, diferenciando-a da que afeta à autoridade de trânsito; -Compreender o desenvolvimento do processo administrativo de trânsito desde o cometimento da infração até punição do infrator, bem como as atribuições do profissional de segurança neste processo. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20Art.%207%C2%BA%20Comp%C3%B5em%20o%20Sistema%20Nacional%20de%20Tr%C3%A2nsito%20os%20seguintes%20%C3%B3rg%C3%A3os%20e%20entidades%3A 8 MÓDULO 1 – SISTEMA NACIONAL DE TRÂNSITO APRESENTAÇÃO DO MÓDULO O Sistema Nacional de Trânsito é composto por órgãos e entidades das esferas da administração pública Federal, Estadual e Municipal, desempenhando atribuições integradas e harmônicas entre si, para o desenvolvimento da Política Nacional de Trânsito objetivando a segurança, a fluidez, o conforto, a defesa ambiental e a educação para o trânsito, bem como a fiscalização do seu cumprimento. Figura 4: Semáforo Fonte: Do conteudista. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), esse sistema pode ser definido como: “o conjunto de órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que tem por finalidade o exercício das atividades de planejamento, administração, normatização, pesquisa, registro e licenciamento de veículos, formação, habilitação e reciclagem de condutores, educação, engenharia, operação do sistema viário, policiamento, fiscalização, julgamento de infrações e de recursos e aplicação de penalidades” (CTB, art. 5º). https://www.canva.com/photos/MAAm7J_bDH4-traffic-lights/ 9 Figura 5: Condução Fonte: Do conteudista. Cada órgão desempenha atividades específicas, de acordo com a natureza (normativa, executiva, fiscalizadora ou recursal) e nos limites da sua competência legal. Contudo, a legislação possibilita ampliar o alcance da fiscalização de trânsito através da celebração de convênios de cooperação técnica entre os órgãos e entidades executivas do Sistema Nacional de Trânsito. OBJETIVOS DO MÓDULO Ao final do estudo desse módulo, você será capaz de: - Enumerar os órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito; - Identificar as competências de cada órgão, relacionando-as à sua atuação como profissional de segurança pública; - Compreender a ampliação da competência para a fiscalização de trânsito, por meio da celebração de convênios entre os órgãos componentes do sistema, com o objetivo de aumentar a eficiência e a segurança para os usuários da via pública. https://www.canva.com/photos/MADQ5D6gKv0-pov-of-man-driving-car/ 10 DIVISÃO DAS AULAS Este módulo compreende as seguintes aulas: Aula 1 – Composição do Sistema Nacional de Trânsito; Aula 2 – Competências dos órgãos e entidades componentes do sistema; Aula 3 – Atuação do profissional de segurança pública. 11 AULA 1 – COMPOSIÇÃO DO SISTEMA NACIONAL DE TRÂNSITO Os órgãos que compõem o Sistema Nacional de Trânsito (CTB, art. 7º) podem ser assim apresentados, de acordo com as funções desempenhadas para alcance dos objetivos do referido sistema: 1. ÓRGÃOS NORMATIVOS E CONSULTIVOS: a) Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN); b) Conselhos Estaduais de Trânsito (CETRAN); c) Conselho de Trânsito do Distrito Federal (CONTRANDIFE). 2. ÓRGÃOS EXECUTIVOS: a) De trânsito: a1) Departamento Nacional de Trânsito (SENATRAN) – União; a2) Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) – Estados e DF; a3) Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) – municípios 1 1 Nomenclatura exemplificativa, podendo sofrer alterações de acordo com a lei orgânica do município, bem como estabelecer a sua estrutura administrativa como secretaria, superintendência, autarquia, dentre outras. A lei nº 9.503 no seu Art. 7º do CTB, dispõe (In verbis): Compõem o Sistema Nacional de Trânsito os seguintes órgãos e entidades: I - o Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN, coordenador do Sistema e órgão máximo normativo e consultivo; II - os Conselhos Estaduais de Trânsito - CETRAN e o Conselho de Trânsito do Distrito Federal - CONTRANDIFE, órgãos normativos, consultivos e coordenadores; III - os órgãos e entidades executivos de trânsito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; IV - os órgãos e entidades executivos rodoviários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; V - a Polícia Rodoviária Federal; VI - as Polícias Militares dos Estados e do Distrito Federal; e VII - as Juntas Administrativas de Recursos de Infrações - JARI. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm 12 b) Rodoviários: b1) Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) – União; b2) Departamento de Estradas de Rodagem (DER) 2 - Estados e DF; b3) Órgão Rodoviário Municipal – Municípios. 3. ÓRGÃOS E AGENTES FISCALIZADORES a) Polícia Rodoviária Federal (PRF) – União b) Polícias Militares (PM) – Estados e DF c) Agentes do DETRAN / DER d) Agentes Municipais (convênio) 4. ÓRGÃOS RECURSAIS Juntas Administrativas de Recursos de Infração (JARI) 2 Nomenclatura exemplificativa, podendo sofrer alterações de acordo com a organização administrativa do Estado da Federação. Por exemplo, em Goiás é denominado Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra). 13 Figura 6: Fotografia Fonte: Marcelo Camargo/Agência Brasil. https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2019-06/plataforma-da-rodoviaria-e-interditada-por- risco-de-desabamento-1581292376-1 AULA 2 – COMPETÊNCIAS DOS ÓRGÃOS E ENTIDADES COMPONENTES DO SISTEMA DOS ÓRGÃOS NORMATIVOS Tanto o CONTRAN, em nível nacional, como o CETRAN/CONTRANDIFE, no âmbito da unidade da federação brasileira em que tem sede, desempenham harmonicamente as funções normativas, consultivas e coordenadoras para alcance dos objetivos da Política Nacional de Trânsito (conforme Resolução nº 514/2014- CONTRAN). As competências do Conselho Nacional de Trânsito estão estabelecidas no art. 12 do Código de Trânsito Brasileiro*, ou seja, o estabelecimento de normas regulamentares expressamente delegadas pela Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 (CTB), estabelecido por meio de resoluções, tem destaque nesse meio. Estas resoluções são resultado das constantes transformações e evoluções dos equipamentos e dispositivos de segurança dos veículos e também a necessidade de se adequar a sociedade em que se vive. Hoje, mais de oitocentas resoluções já https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2019-06/plataforma-da-rodoviaria-e-interditada-por-risco-de-desabamento-1581292376-1 https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2019-06/plataforma-da-rodoviaria-e-interditada-por-risco-de-desabamento-1581292376-1 file:///C:/Users/danilo.moreira/Downloads/RESOLUÇÃO%20CONTRAN%20Nº%20514,%20DE%2018%20DE%20DEZEMBRO%20DE%202014%20(diariofiscal.com.br) file:///C:/Users/danilo.moreira/Downloads/RESOLUÇÃO%20CONTRAN%20Nº%20514,%20DE%2018%20DE%20DEZEMBRO%20DE%202014%20(diariofiscal.com.br) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm 14 foram modificadas e encontram-se ainda dezenas que permanecem ativas desde antes do CTB (1998) entrar em ação. Assim, torna-se mais importante perceber que a atuação do profissional de segurança pública na área de trânsito exige constante atualização para estar a par dessas atualizações. O CONTRAN também é responsável por responder consultas que chegam até ele em relaçãoà aplicação da legislação de trânsito. A sede encontra-se em Brasília, é comandado pelo Ministro de Estado da Infraestrutura e composto pelos seguintes representantes: Figura 7: Representantes Fonte: SCD/EaD/Segen. Pensando no contexto de que o trânsito é um assunto completo e requer conhecimentos específicos de quem trabalha com ele, o CONTRAN passou a disponibilizar Câmaras Temáticas, que contam com especialistas nos assuntos técnicos e tem como objetivo estudar o assunto e oferecer sugestões, com fundamentos técnicos, para auxiliar na tomada de decisões do colegiado. São elas: 15 Figura 8: Representantes Fonte: SCD/EaD/Segen. As competências dos Conselhos Estaduais de Trânsito e do Conselho de Trânsito do Distrito Federal estão estabelecidas no art. 14 do Código de Trânsito Brasileiro e possuem as mesmas competências que o CONTRAN em nível da unidade federativa em que têm circunscrição. Porém, com o poder normativo vinculado a ele, a extensão é bem menor, pois as regulamentações do CONTRAN são válidas em todo o território nacional. Com isso, o CETRAN/CONTRADIFE não tem o poder de criar normas diferentes do que foi definido pelo CONTRAN. O CETRAN/CONTRANDIFE também é responsável por responder questões em relação à aplicação da legislação de trânsito e constitui-se em grau de recurso, ou seja, a parte que perdeu a ação, não se conformou e faz o requerimento de nova apreciação, do julgamento das penalidades aplicadas pelos órgãos executivos e fiscalizadores dos Estados ou municípios. Ao contrário do CONTRAN, esse órgão também julga os recursos contra decisões dos órgãos executivos de trânsito nas situações de inaptidão permanente, verificadas nos exames realizados para a aquisição da Carteira Nacional de Habilitação. Você pode conferir mais informações sobre a gestão e operacionalização das atividades do CETRAN/CONTRANDIFE, como também https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%2014.%20Compete,na%20esfera%20administrativa. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%2014.%20Compete,na%20esfera%20administrativa. 16 as diretrizes para produção do seu regimento interno na Resolução nº 688/2017-CONTRAN. DOS ÓRGÃOS EXECUTIVOS DE TRÂNSITO O Departamento Nacional de Trânsito tem as competências definidas no art. 19 do CTB, em especial na atividade de emissão dos documentos de habilitação do condutor de veículo automotor (Permissão Para Dirigir, Carteira Nacional De Habilitação e Permissão Internacional Para Conduzir Veículo) e dos documentos de registro e licenciamento anual de veículo, de acordo com que o DETRAN dos Estados/DF transmite. Os Registros Nacionais de Carteira de Habilitação (RENACH), de veículos (RENAVAM) e de infrações de trânsito (RENAINF) também são atividades organizadas e mantidas pelo SENATRAN. A organização da estatística geral de trânsito no território nacional e a organização de projetos e programas para combater a violência no trânsito e estimular a educação, engenharia, administração, policiamento e fiscalização de trânsito é de responsabilidade também do mesmo órgão. O Departamento Estadual de Trânsito tem as competências definidas no art. 22 do CTB e suas principais atribuições são: (a) a realização do processo de concessão da CNH, desde o funcionamento dos centros de formação de condutores (CFC), emissão das licenças de aprendizagem para os candidatos à habilitação, realização dos exames escritos e práticos de direção veicular, emissão da Permissão para Dirigir (PD), da Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC) e da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), desde que atendidos os requisitos previstos na legislação de trânsito, conforme delegação do SENATRAN, acima referida; (b) a aplicação das penalidades de suspensão do direito de dirigir e de cassação da CNH/PD, obedecido ao devido processo administrativo, devendo tais medidas ser comunicadas ao SENATRAN para anotações no RENACH; https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/19239245/do1-2017-08-16-resolucao-n-688-de-15-de-agosto-de-2017-19239081 https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/19239245/do1-2017-08-16-resolucao-n-688-de-15-de-agosto-de-2017-19239081 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2019.%20Compete%20ao%20%C3%B3rg%C3%A3o%20m%C3%A1ximo%20executivo%20de%20tr%C3%A2nsito%20da%20Uni%C3%A3o%3A https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2019.%20Compete%20ao%20%C3%B3rg%C3%A3o%20m%C3%A1ximo%20executivo%20de%20tr%C3%A2nsito%20da%20Uni%C3%A3o%3A https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2019.%20Compete%20ao%20%C3%B3rg%C3%A3o%20m%C3%A1ximo%20executivo%20de%20tr%C3%A2nsito%20da%20Uni%C3%A3o%3A https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2019.%20Compete%20ao%20%C3%B3rg%C3%A3o%20m%C3%A1ximo%20executivo%20de%20tr%C3%A2nsito%20da%20Uni%C3%A3o%3A 17 (c) as providências relacionadas ao registro e licenciamento de veículos automotores, conforme delegação do SENATRAN, acima referida (vistoria, emplacamento, transferência de propriedade, verificação das condições de segurança veicular, baixa definitiva do registro, emissão do Certificado de Registro e do Certificado de Licenciamento Anual, dentre outras); (d) executar a fiscalização de trânsito, autuar infrações de trânsito, aplicar medidas administrativas e penalidades cabíveis na área de competência do Estado (a seguir especificada). Houve uma inovação, proposta pelo Código de Trânsito Brasileiro ao dividir a competência da fiscalização com os municípios. Antes de 1998, o Município tinha os encargos de pavimentação, sinalização, manutenção e operação das vias públicas e o Estado fazia a fiscalização do seu uso e o recolhimento dos valores das multas aplicadas, ou seja, o município tinha o ônus e o Estado, o bônus. Com a correção dessa divergência, o CTB separou as competências da fiscalização do Estado e do município nas vias urbanas municipais, ficando estabelecida a competência do DETRAN para a fiscalização das infrações relacionadas à regularidade da documentação de veículos e condutores e das condições de segurança dos veículos. Você verá mais informações sobre essa questão no módulo 2 – Infrações de trânsito. O órgão executivo municipal tem as competências definidas no art. 24 do CTB e suas atribuições de destaque são: (a) planejar, regulamentar e operar o trânsito de pessoas, veículos e animais nas vias públicas do município, por meio do sistema de sinalização e dispositivos de controle viário (semáforos, reguladores de velocidade, fiscalização por câmeras, dentre outros), podendo, inclusive, implementar sistema de estacionamento rotativo pago; (b) registrar e licenciar veículos de propulsão humana e de tração animal (bicicletas, carroças e similares) e emitir autorização para conduzi-los, fiscalizando, autuando e aplicando penalidades decorrentes de infrações de trânsito relativas a estes veículos; (c) executar a fiscalização de trânsito, autuar infrações de trânsito, aplicar medidas administrativas e penalidades cabíveis na área de competência do município https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2024.%20Compete%20aos%20%C3%B3rg%C3%A3os%20e%20entidades%20executivos%20de%20tr%C3%A2nsito%20dos%20Munic%C3%ADpios%2C%20no%20%C3%A2mbito%20de%20sua%20circunscri%C3%A7%C3%A3o%3A%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Reda%C3%A7%C3%A3o%20dada%20pela%20Lei%20n%C2%BA%2013.154%2C%20de%202015) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2024.%20Compete%20aos%20%C3%B3rg%C3%A3os%20e%20entidades%20executivos%20de%20tr%C3%A2nsito%20dos%20Munic%C3%ADpios%2C%20no%20%C3%A2mbito%20de%20sua%20circunscri%C3%A7%C3%A3o%3A%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Reda%C3%A7%C3%A3o%20dada%20pela%20Lei%20n%C2%BA%2013.154%2C%20de%202015)18 (circulação, estacionamento, parada, excesso de peso, dimensões e lotação dos veículos). A Resolução nº 066/1998-CONTRAN tornou mais detalhada a distribuição de competências entre Estado e município para a fiscalização de trânsito nas vias públicas urbanas, na qual você, profissional de segurança pública, pode separar as infrações de trânsito que cabem originalmente ao órgão no qual você atua. Existem algumas infrações de trânsito que são, ao mesmo tempo, de competência do Estado e do município, por exemplo: deixar o condutor ou passageiro de usar o cinto de segurança (CTB, art. 167); disputar corrida (CTB, art. 173); desobedecer às ordens vindas da autoridade competente de trânsito ou de seus agentes (CTB, art. 195). Figura 9: Fiscalização em vias urbanas Fonte: Do conteudista. Devido ao fato do Distrito Federal não ser dividido em territórios e administrações municipais, ou seja, ser uma unidade de federação sui generis, o DETRAN/DF terá competência ampla para fiscalização de trânsito, abrangendo, também, as responsabilidades previstas no art. 24 do CTB. É o que estabelece o § 1º do art. 24 do CTB: “As competências relativas a órgão ou entidade municipal serão exercidas no Distrito Federal por seu órgão ou entidade executivo de trânsito”. Para entender melhor: Distribuição da competência para fiscalização em vias urbanas ESTADO MUNICÍPIO Regularidade da documentação de veículos e condutores e das condições de segurança dos veículos Uso da via: circulação, estacionamento e parada, excesso de peso, dimensões e lotação dos veículos Ex: falta de CNH, exame médico vencido, licenciamento atrasado, veículo sem equipamento obrigatório. Ex: avanço de sinal, excesso de velocidade, contramão de direção, estacionamento em local proibido. https://drive.google.com/file/d/0B6s4dqs3dWUWQzZ0bjZoRFZKVHc/view?resourcekey=0--x_nb1xwvZFYhTSffHIFDA https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=%C2%A0%C2%A0%20Art.%20167.%20Deixar%20o%20condutor%20ou%20passageiro%20de%20usar%20o%20cinto%20de%20seguran%C3%A7a%2C%20conforme%20previsto%20no%20art.%2065%3A https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%20173.%20%C2%A0Disputar%20corrida%3A%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Reda%C3%A7%C3%A3o%20dada%20pela%20Lei%20n%C2%BA%2012.971%2C%20de%202014)%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Vig%C3%AAncia) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%20195.%20Desobedecer%20%C3%A0s%20ordens%20emanadas%20da%20autoridade%20competente%20de%20tr%C3%A2nsito%20ou%20de%20seus%20agentes%3A 19 Figura 10: Vagas Reservadas Fonte: Valter Campanato/Agência Brasil https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-01/multa-para-quem-estaciona-em-vagas- reservadas-aumenta-140-1581289761 DOS ÓRGÃOS EXECUTIVOS RODOVIÁRIOS Diferentemente dos órgãos executivos de trânsito, em que a distribuição das competências é estabelecida em artigos diferentes conforme os níveis federal, estadual e municipal (CTB, art. 19, 22 e 24, respectivamente), a definição das responsabilidades dos órgãos executivos rodoviários é a mesma, independente da atuação do poder público. Isso acontece porque no que diz respeito à operação e fiscalização de trânsito nas estradas e rodovias, as competências não são distribuídas em mais de um órgão executivo. Assim, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, os Departamentos de Estradas de Rodagem (ou outra denominação similar, conforme o Estado) e os órgãos rodoviários municipais (onde houver, pois dificilmente algum município terá uma estrutura exclusiva para o trânsito urbano e outra para o trânsito https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-01/multa-para-quem-estaciona-em-vagas-reservadas-aumenta-140-1581289761 https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-01/multa-para-quem-estaciona-em-vagas-reservadas-aumenta-140-1581289761 20 rodoviário) têm as competências definidas no art. 21 do CTB. Suas atribuições de maior destaque são: (a) planejar, regulamentar e operar o trânsito de pessoas, veículos e animais nas rodovias sob seu domínio, por meio do sistema de sinalização e dispositivos de controle viário (semáforos, reguladores de velocidade, fiscalização por câmeras, dentre outros); (b) executar a fiscalização de trânsito, autuar infrações de trânsito, aplicar medidas administrativas e penalidades cabíveis em sua extensão de atribuição operacional; (c) vistoriar veículos que necessitem de autorização especial para transitar e estabelecer os requisitos técnicos a serem observados para a circulação (veículos com mais de uma unidade tracionada, de dimensões excedentes à capacidade da rodovia, dentre outros). Figura 11: Transporte de Cargas Fonte: Marcelo Camargo/Agência Brasil https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2021-06/caminhoes-transporte-de-cargas- 1622564437 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2021.%20Compete%20aos%20%C3%B3rg%C3%A3os%20e%20entidades%20executivos%20rodovi%C3%A1rios%20da%20Uni%C3%A3o%2C%20dos%20Estados%2C%20do%20Distrito%20Federal%20e%20dos%20Munic%C3%ADpios%2C%20no%20%C3%A2mbito%20de%20sua%20circunscri%C3%A7%C3%A3o%3A https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2021-06/caminhoes-transporte-de-cargas-1622564437 https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2021-06/caminhoes-transporte-de-cargas-1622564437 21 DAS POLÍCIAS MILITARES DOS ESTADOS E DO DISTRITO FEDERAL A competência da Polícia Militar é estabelecida no art. 23, inciso III do CTB, nestes termos: “executar a fiscalização de trânsito, quando e conforme convênio firmado, como agente do órgão ou entidade executivos de trânsito ou executivos rodoviários, concomitantemente com os demais agentes credenciados” (grifo nosso). Para o conhecimento de algum policial militar que cuidadosamente chegou até este ponto do texto, podemos dizer que a Polícia Militar não tem nenhuma competência originária para a fiscalização administrativa do trânsito em nosso país! Além de dividir a competência do Estado para a fiscalização do trânsito com o município nas vias urbanas, o CTB tirou essa responsabilidade da Polícia Militar. Assim, se for conveniente e viável para a administração pública, o DETRAN e os departamentos estaduais de estradas de rodagem estaduais podem: (a) constituir estrutura de fiscalização própria; (b) aproveitar as décadas de trabalho desenvolvido e de formação profissional da Polícia Militar nesta área de atuação estatal, por meio de convênio, em razão do qual agirá por delegação e em nome do órgão executivo responsável pela fiscalização de trânsito, de acordo com as atribuições estabelecidas nos artigos 21 e 22 do CTB, anteriormente analisados. Como os órgãos executivos e a corporação militar estão no mesmo campo de atuação do Estado/DF, os recursos materiais e logísticos tornam-se convergentes em proveito do interesse público em celebrar os convênios de cooperação técnica e mesmo ocorrendo à celebração do convênio, nada impede que o órgão executivo insira ou mantenha ao mesmo tempo a fiscalização por meio de agentes do próprio órgão, como ocorre, por exemplo, no Distrito Federal. Percebe-se a atuação de batalhões de trânsito urbano nas maiores cidades do Brasil e a atuação de batalhões rodoviários nas rodovias e estradas estaduais por causa dos convênios explicados acima. Isso acontece de acordo com a estruturação orgânica da Polícia Militar. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2023.%20Compete%20%C3%A0s%20Pol%C3%ADcias%20Militares%20dos%20Estados%20e%20do%20Distrito%20Federal%3A https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2023.%20Compete%20%C3%A0s%20Pol%C3%ADcias%20Militares%20dos%20Estados%20e%20do%20Distrito%20Federal%3A 22 DA POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL A Polícia Rodoviária Federal temas competências definidas no art. 20 do CTB. Destacam-se as seguintes atribuições: (a) realizar o patrulhamento ostensivo, ou seja, de maneira evidente, executando operações relacionadas com a segurança pública; (b) aplicar e arrecadar as multas impostas por infrações de trânsito, as medidas administrativas decorrentes e os valores obtidos de estada e remoção de veículos; (c) efetuar levantamento dos locais de acidentes de trânsito; (d) assegurar a livre circulação nas rodovias federais. Figura 12: Operação Policial Fonte: Elza Fiúza/Agência Brasil https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-06/policia-faz-operacao-para- desocupar-hotel-em-brasilia-1581289761-8 A PRF tem a competência procedente para a fiscalização de trânsito nas rodovias e estradas federais por meio de convênio com o órgão executivo rodoviário, podendo, assim, agir em nome próprio, sem a necessidade de convênio https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2020.%20Compete%20%C3%A0%20Pol%C3%ADcia%20Rodovi%C3%A1ria%20Federal%2C%20no%20%C3%A2mbito%20das%20rodovias%20e%20estradas%20federais%3A https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2020.%20Compete%20%C3%A0%20Pol%C3%ADcia%20Rodovi%C3%A1ria%20Federal%2C%20no%20%C3%A2mbito%20das%20rodovias%20e%20estradas%20federais%3A https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-06/policia-faz-operacao-para-desocupar-hotel-em-brasilia-1581289761-8 https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-06/policia-faz-operacao-para-desocupar-hotel-em-brasilia-1581289761-8 23 com o DNIT (que também tem competência para esta fiscalização, conforme art. 21, VI do CTB). Também existe outra diferença em relação ao funcionamento, a polícia militar junto ao órgão da PRF – conforme disciplinado na Portaria nº 132 de 14/02/2011/Ministério da Justiça – é responsável por atribuir penalidades. Outra distinção da Polícia Militar está no funcionamento, junto à estrutura organizacional da PRF, pois, quem é responsável por impor penalidades, deve oferecer ao infrator o regular exercício do direito de defesa. DOS ÓRGÃOS DE RECURSO Estabelece o art. 16 do CTB: “Junto a cada órgão ou entidade executivos de trânsito ou rodoviário funcionarão Juntas Administrativas de Recursos de Infrações – JARI, órgãos colegiados responsáveis pelo julgamento dos recursos interpostos contra penalidades por eles impostas”. As competências das Juntas Administrativas de Recursos de Infrações, que atuam junto aos órgãos que têm atribuição legal para fiscalizar e conferir penalidades que foram decorrentes de infração de trânsito, em grau de primeira instância administrativa, são as seguintes: (a) julgar os recursos que foram pedidos pelos infratores; (b) solicitar ao órgão responsável pela aplicação da penalidade, caso necessário, informações complementares relativas aos recursos, objetivando uma melhor análise da situação recorrida; (c) encaminhar aos órgãos e entidades executivas de trânsito e executivas rodoviárias informações sobre problemas observados nas autuações e apontados em recursos que se repitam sistematicamente (CTB, art. 17). Caso ocorra o indeferimento do recurso e o infrator não concordar com a decisão tomada pela JARI, ele poderá, dentro do prazo legal estabelecido, solicitar um segundo recurso à instância administrativa superior. Você verá mais informações sobre esse assunto no módulo 4 – Processo administrativo de trânsito. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=%C2%A0%C2%A0%20Art.%2017.%20Compete%20%C3%A0s%20JARI%3A 24 Você pode consultar mais informações sobre a composição, organização e funcionamento e também as diretrizes para elaboração do regimento interno da JARI na Resolução nº 357/2010-CONTRAN. https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-contran/resolucoes/resolucao_contran_357_10.pdf 25 AULA 3 – ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA Na aula anterior, você estudou as atribuições de cada órgão integrante do Sistema Nacional de Trânsito e suas competências estabelecidas pelo CTB, com isso, podemos especificar a atuação dos seguintes profissionais de segurança pública: - Policiais rodoviários federais: tem como função fiscalizar o trânsito de veículos, pessoas e animais nas rodovias e estradas federais podendo ser o órgão que tem direito de autuar todas as infrações previstas no CTB; - Agentes municipais de trânsito: (a) fiscalizam as vias urbanas do município onde estão lotados, principalmente as infrações relacionadas ao uso da via (circulação, estacionamento, parada, excesso de peso, dimensões e lotação dos veículos); (b) fiscalizam as rodovias e estradas municipais (onde houver) com direito de autuar todas as infrações previstas no CTB; - Policiais militares: (a) fiscalizam as vias urbanas do município onde estão inseridos, focando, principalmente, nas infrações relacionadas à regularidade da documentação de veículos e condutores e das condições de segurança dos veículos (conforme convênio com o DETRAN); (b) fiscalizam o trânsito de veículos, pessoas e animais nas rodovias e estradas estaduais com direito de autuar todas as infrações previstas no CTB (conforme convênio com o DER – ou equivalente). O Código de Trânsito Brasileiro prevê, em seu art. 25, que os órgãos e entidades executivos do Sistema Nacional de Trânsito poderão celebrar convênio, delegando suas atividades, visando uma maior eficiência e segurança para os usuários da via. A competência para fiscalizar infrações de trânsito nas vias urbanas do município pode ser ampliada tanto para os agentes de trânsito, como para os policiais militares, se houver interesse dos participantes do processo. Até mesmo nos municípios que não tenham estrutura organizacional, logística e humana, pode ser 26 feita a delegação das atribuições para a Polícia Militar, sem haver necessidade da participação de agentes de trânsito na competência municipal. Também é prevista a delegação de competências entre o órgão executivo rodoviário e o de trânsito, mesmo não acontecendo com frequência, em qualquer esfera de organização, seja federal, estadual ou municipal. O CTB, em seu art. 7º-A, também prevê a possibilidade de convênio entre a autoridade portuária (ou a entidade que tenha licença no porto organizado) e os órgãos executivos do município e do Estado, juridicamente interessados, para facilitar a autuação por descumprimento da legislação de trânsito, podendo ser definido para toda a área física do porto organizado, inclusive, nas áreas dos terminais alfandegados, nas estações de transbordo, nas instalações portuárias públicas de pequeno porte e nos respectivos estacionamentos ou vias de trânsito internas. O art. 25-A do CTB estabelece também que os agentes dos órgãos policiais da Câmara dos deputados e do Senado Federal, se houver convênio com entidades de trânsito que possuam demarcações sobre a via, podem aplicar a atuação de infração e enviá-las ao órgão competente. Isso acontece nos casos em que a infração que foi cometida nos arredores do Congresso Nacional ou nos locais que também são de sua responsabilidade e que comprometam de alguma maneira os serviços lá prestados ou coloque em risco a segurança das pessoas ou do patrimônio das Casas Legislativas. FINALIZANDO Neste módulo, você estudou que: - O Sistema Nacional de Trânsito é o conjunto dos órgãos e entidades da administração pública federal, estadual e municipal que têm por finalidade alcançar os objetivos da Política Nacional de Trânsito. Estes órgãos desempenham funções específicas: (a) normativas (CONTRAN, CETRAN e CONTRANDIFE); (b) executivas (SENATRAN, DETRAN, DER, dentre outros); fiscalizadoras (Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar); recursais (JARI). Apesar das funções serem específicas,são interdependentes para harmonia de todo o sistema. - Cada órgão componente do Sistema Nacional de Trânsito tem as competências definidas no Código de Trânsito Brasileiro (artigos de 12 a 24). A maior dificuldade de compreensão das competências pode ocorrer nas vias urbanas municipais, onde há atuação de mais de um órgão executivo (estadual e municipal). https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%207o-A,12.058%2C%20de%202009) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2025-A.%20%C2%A0Os,14.071%2C%20de%202020)%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Vig%C3%AAncia) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9503Compilado.htm#:~:text=Art.%2012.%20Compete%20ao%20CONTRAN%3A 27 Apesar disso, o CTB e a Resolução nº 066/1998-CONTRAN fazem o papel de regularizar a distribuição das competências, assim sintetizada: ao Estado cabe fiscalizar a regularidade da documentação de veículos e condutores e das condições de segurança dos veículos e ao munícipio cabe fiscalizar o uso da via (circulação, estacionamento e parada, excesso de peso, dimensões e lotação dos veículos). - O profissional de segurança pública, na fiscalização de trânsito, atua de acordo com a competência definida para o órgão no qual está inserido. Porém, visando maior eficiência e segurança para os usuários da via, é prevista a celebração de convênio entre os órgãos executivos de trânsito e rodoviários, o que pode tornar mais abrangente a fiscalização à totalidade das infrações de trânsito em vias urbanas municipais, em rodovias e estradas. 28 MÓDULO 2 – INFRAÇÕES DE TRÂNSITO Apresentação do módulo O profissional de segurança pública, em seu dia a dia de trabalho com a fiscalização de trânsito encontra muitas informações que devem ser processadas para que seu trabalho seja mais eficaz. Você irá aprender algumas considerações pertinentes à tipificação das condutas humanas que descumprem as normas gerais de circulação e conduta, previstas nos artigos 26 a 67 do Código de Trânsito Brasileiro. É importante estar atento a esse conteúdo, pois é necessário saber como enquadrar, de modo correto e legalizado, o infrator para a sua efetiva penalização. Também é necessário que você tenha atenção em relação a competência do órgão executivo, ao qual o profissional de segurança pública se vincula e pelo qual age, se a autuação for realizada na fiscalização da via pública urbana, onde, conforme visto na Aula 3 do módulo 1, há atuação de mais de um órgão executivo ao mesmo tempo. Algumas infrações de trânsito são complexas em sua distinção, o que necessita um conhecimento adequado de outras disposições no CTB e, algumas vezes, em resoluções do CONTRAN. Outras infrações podem ter conexão com crimes de trânsito, o que também exige uma análise atenciosa, para que as providências adotadas pelo profissional de segurança pública não omitam o devido tratamento e repressão pelo sistema judiciário nacional. Objetivos do módulo Ao final do estudo desse módulo, você será capaz de: - Tipificar infrações de trânsito para correto enquadramento nos atos de seu registro; - Distinguir as competências para a fiscalização de trânsito, de acordo com o órgão no qual atua o profissional de segurança pública; - Esclarecer pontos que são complexos em relação a determinadas infrações de trânsito e a possibilidade de existir conexão com crimes de trânsito. 29 DIVISÃO DAS AULAS Este módulo compreende as seguintes aulas: Aula 1 – Tipificação de infração de trânsito; Aula 2 – Competências para a fiscalização; Aula 3 – Complexidade da caracterização de infrações de trânsito; Aula 4 – Conexão com crimes de trânsito; e Aula 5 – Esclarecendo outras questões. 30 AULA 1 – TIPIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO DE TRÂNSITO Toda norma geral de circulação e conduta, prevista nos artigos de 26 a 67 do CTB, quando descumprida, gera a ocorrência de infração de trânsito, prevista nos artigos de 162 a 255 do Código de Trânsito Brasileiro. Dessa forma, quando o condutor não cumpre a norma de conduta prevista no art. 28 do CTB (o condutor deverá, a todo o momento, ter domínio de seu veículo, dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito) ocorre o enquadramento na infração de trânsito do art. 169 do CTB (dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança: infração – leve; penalidade – multa). Tipificação de infração de trânsito é a exata correspondência entre a conduta observada pelo profissional de segurança pública e a sua previsão em dispositivo legal no CTB. Exemplo disso é a conduta de avançar o sinal amarelo do semáforo, na direção de veículo automotor, é infração prevista no art. 208 do CTB (avançar o sinal vermelho do semáforo: infração – gravíssima; penalidade – multa), mas avançar sinal amarelo do semáforo é infração de trânsito? Sim. Mas não corresponde à exata previsão do art. 208, pois o sinal vermelho é elemento essencial para ocorrer à infração de trânsito. Observe a seguinte pergunta: Como o condutor do veículo deve agir ao se deparar com o sinal amarelo do semáforo? A resposta é: O condutor deve parar o veículo. A exceção é se não for possível parar em condições seguras. O sinal amarelo indica o término do direito de passagem, sendo permitido prosseguir em movimento apenas quando o semáforo indica a luz verde (conforme Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito, vol. V, p. 25). Desse modo, qual será a correta tipificação da infração de trânsito quando o condutor, ao invés de parar o veículo, acelera e avança o sinal amarelo do semáforo? Segundo o art. 269, segunda parte, do CTB (dirigir [...] sem os cuidados indispensáveis à segurança: infração – leve; penalidade – multa). Neste módulo, você aprenderá sobre a caracterização das infrações de trânsito e as providências adequadas de como registrar a infração (autuação). Você verá mais informações sobre isso no Módulo 4 - Processo administrativo de trânsito. Para que você possa melhor entender o conceito de tipificação de infração de trânsito, veja abaixo um brinquedo infantil de encaixe de formas geométricas, que 31 busca desenvolver em bebês e crianças as habilidades de motricidade, reconhecimento de cores e coordenação motora: Figura 13: Brinquedo Infantil Fonte: Companhia dos Brinquedos. Observe que na tampa branca (em formato de flor), no limite superior do recipiente azul, estão dispostas sete figuras geométricas vazadas para entrada do correspondente bloco colorido de diferentes formas. Somente será possível a entrada do bloco colorido ao interior do brinquedo se for exatamente encaixado na figura geométrica vazada. Agora imagine que as figuras geométricas vazadas que estão na tampa branca são as infrações de trânsito previstas no CTB e considere que cada bloco colorido é a conduta que vai ser observada pelo agente de trânsito. Assim, quando ocorre o encaixe perfeito no bloco colorido na figura vazada, pode ser constatado que houve ali a tipificação correta da conduta conforme está previsto na lei. 32 AULA 2 – COMPETÊNCIAS PARA A FISCALIZAÇÃO Você estudou no conteúdo da aula 2 do módulo 1 que a Resolução nº 066/1998-CONTRAN distribuiu detalhadamente as competências entre Estado e município para a fiscalização de trânsito nas vias públicas urbanas. Agora você verá abaixo essa resolução, em formato de tabela, juntamente com as infrações de trânsito previstas no CTB. Na primeira coluna encontra-se o “código de infração” (informação essencial que o agente precisa saber para decretar o auto da infração), na segunda coluna encontra-se a “descrição da infração” e na terceira coluna a informação de quem é o responsável pela competência, o Estado ou o município.Veja: Quadro 1: Extrato de trechos da resolução nº 066/1998-CONTRAN Fonte: Do conteudista. É importante lembrar que quando se fala da fiscalização em rodovias e estradas, sejam estaduais ou federais, não há distribuição dessa competência. O responsável pela atuação das infrações de trânsito previstas no CTB poderá ser tanto a polícia militar quanto a polícia rodoviária federal. Foi organizado pelo CONTRAN o Manual Brasileiro de fiscalização de trânsito – Volume I – infrações de competência municipal, nele encontram-se as normas editadas para orientar a atuação dos agentes municipais de trânsito urbano (competência do município). Por meio da Resolução nº 561/2015, foi instituído o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito – Volume II – Infrações de competência dos órgãos e entidades executivos estaduais de trânsito, que sofrera alterações pela Resolução TABELA DE DISTRIBUIÇÃO DE COMPETÊNCIA - FISCALIZAÇÃO DE TRÂNSITO, APLICAÇÃO DAS MEDIDAS ADMINISTRATIVAS PENALIDADES CABÍVEIS E ARRECADAÇÃO DE MULTAS APLICADAS CÓDIGO INFRAÇÃO DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO COMPETÊN- CIA 501 - 0 Dirigir veículo sem possuir Carteira Nacional de Habilitação ou Permissão para Dirigir. ESTADO 502 - 9 Dirigir veículo com Carteira Nacional de Habilitação ou Permissão para Dirigir cassada ou com suspensão do direito de dirigir. ESTADO 521 - 5 Dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública, ou os demais veículos. ESTADO E MUNICÍPIO 522 - 3 Usar o veículo para arremessar água ou detritos sobre os pedestres ou veículos. MUNICÍPIO 523 - 1 Atirar do veículo ou abandonar na via pública objetos ou substâncias. MUNICÍPIO https://drive.google.com/file/d/0B6s4dqs3dWUWQzZ0bjZoRFZKVHc/view?resourcekey=0--x_nb1xwvZFYhTSffHIFDA https://drive.google.com/file/d/0B6s4dqs3dWUWQzZ0bjZoRFZKVHc/view?resourcekey=0--x_nb1xwvZFYhTSffHIFDA https://www.gov.br/prf/pt-br/concurso-2021/resolucoes/R561-15 33 CONTRAN nº 858/2021, de 15 de outubro de 2021. Nele encontram-se as normas que auxiliarão especialmente os policiais militares e os agentes estaduais de trânsito na fiscalização do trânsito urbano (competência do Estado). Já os policiais rodoviários da União e dos Estados podem consultar qualquer um dos manuais acima, pois sua competência envolve todas as infrações de trânsito previstas no CTB, independentemente de ser da competência estadual ou municipal. O manual de fiscalização é importante, pois há nele todas as informações e instruções que vão orientar o trabalho do agente na hora de autuar condutas infratoras. Algumas dessas informações são: código de enquadramento, tipificação, amparo legal, natureza da infração, penalidade, pontuação, previsão ou não de medida administrativa, competência para a fiscalização, informação de quem é o infrator e demais requisitos que garantirão a regularidade do registro do cometimento da infração de trânsito. https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-contran/resolucoes/resolucao-389-2011-1.pdf 34 AULA 3 – COMPLEXIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DE INFRAÇÕES DE TRÂNSITO GENERALIDADES O art. 161 do Código de Trânsito Brasileiro conceitua infração de trânsito como a inobservância de qualquer preceito do CTB ou da legislação complementar, ou seja, qualquer falta de obediência ao que se espera do condutor, pode levá-lo às penalidades e às medidas administrativas indicadas em cada artigo de infração e às punições quando há crime de trânsito. Assim, infração de trânsito é toda conduta humana, comportamento ou omissão desenvolvida em veículo – pelo condutor ou passageiro – ou na condição de pedestre. Desta forma, contém elementos objetivos que deverão ser analisados pelo profissional de segurança pública para que a adequada tipificação no artigo de infração de trânsito seja feita de modo correto. Por serem elementos objetivos, o profissional de segurança pública não deve questionar nunca a motivação do cometimento da infração de trânsito (exceto que o infrator queira voluntariamente se justificar). Por exemplo, se o condutor avançou o sinal vermelho, deve ser evitado que você faça alguma pergunta como “Por que você avançou o sinal vermelho?”. Independente da resposta, seja por desatenção, vontade própria ou por não ter visto o agente de trânsito, não será motivo para interferir na autuação que você fará, nem na penalidade, pois a infração de trânsito é comportamento e não intenção. Ainda sobre a intenção do infrator, uma vez, em aula do Curso de Gestão de Trânsito da Universidade Estadual de Goiás, fui questionado por uma agente municipal de trânsito de Goiânia: “O condutor de veículo, ao se aproximar de posto de combustível situado em esquina de cruzamento semaforizado, percebendo que o semáforo fechará antes da sua passagem, entra no posto de combustível e sai pela via perpendicular, está cometendo infração de trânsito?”. Respondi: “Não. Onde no CTB é proibido entrar e sair de posto de combustível sem abastecer?” Ela retrucou: “Mas a intenção dele não foi a de avançar o sinal vermelho, não parando no local e no tempo apropriado?” Completei: “Mas você não autua intenção e sim comportamento. E se o condutor quer avançar o sinal vermelho, mas ao ver o agente de trânsito nas proximidades, resolve parar, comete infração de trânsito também?”. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%20161.%20%C2%A0Constitui,de%202020)%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Vig%C3%AAncia) 35 É importante também você ter a orientação de que cada conduta corresponde a uma infração de trânsito. A mesma conduta não pode gerar tipificação em dois artigos diferentes de infração de trânsito. Por exemplo: quando o veículo está estacionado na contramão de direção e com umas das rodas sobre calçada, após a comprovação que houve infração de estacionamento irregular, o agente de trânsito vai tipificar a mais específica à situação, no caso art. 181, XV do CTB (estacionar o veículo na contramão de direção). Se optar pelo art. 181, VIII do CTB (estacionar o veículo no passeio), a autuação estará suficiente, desde que seja apenas nesta tipificação. O que não pode ser feito é autuar nos dois artigos de infração, pois cada conduta corresponde a uma infração de trânsito. Em casos de infrações de trânsito em momentos diferentes, mas em sequência, não será aplicada a regra estudada acima. Por exemplo, se a pessoa avança o sinal vermelho e, em seguida, estaciona na área delimitada para embarque/desembarque de transporte coletivo, isso contará como duas infrações, pois são dois comportamentos diferentes: art. 208 (avançar o sinal vermelho do semáforo) e art. 181, XIII (onde houver sinalização horizontal delimitadora de ponto de embarque ou desembarque de passageiros de transporte coletivo), respectivamente. CARACTERIZAÇÃO DE INFRAÇÕES DE TRÂNSITO COMPLEXAS Artigos 163 e 164 – entregar a direção ou permitir a posse de veículo Estes dois artigos se referem a infrações de trânsito que não são cometidas pelo condutor, mas sim pelo proprietário do veículo automotor fiscalizado (conforme nome que tem no documento de licenciamento anual). A conduta prevista no art. 163 (entregar a direção do veículo a pessoa nas condições previstas no art. 162) exige que no momento da infração haja a presença do proprietário dentro do veículo no momento da abordagem. Já na conduta prevista no art. 164 (permitir que pessoa nas condições referidas nos incisos do art. 162 tome posse do veículo automotor e passe a conduzi-lo na via), o proprietário do veículo não está presente no momento da abordagem, mas comparece, logo em seguida, ao local da fiscalização. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%20181.%20Estacionar%20o%20ve%C3%ADculo%3A http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%20163.%20Entregar%20a%20dire%C3%A7%C3%A3o%20do%20ve%C3%ADculo%20a%20pessoa%20nas%20condi%C3%A7%C3%B5es%20previstas%20no%20artigo%20anterior%3A36 Estas infrações ressaltam a responsabilidade do proprietário de veículo em verificar o atendimento das exigências legais para que seu veículo seja conduzido na via pública por outra pessoa. É obrigação do proprietário se certificar, previamente, se o condutor é possui CNH e se está na validade, se a categoria da habilitação corresponde ao veículo que será dirigido, se precisa usar lentes corretivas ou óculos, dentre outras obrigações. Não pode ser usada como justificativa para a situação flagrada na fiscalização a desculpa: “Eu não sabia que ele não era habilitado para dirigir”, pois é dever do proprietário se certificar. Para a fiscalização destas duas infrações é necessário, primeiramente, identificar em qual das situações previstas no art. 162 o condutor do veículo fiscalizado cometeu: -Sem possuir Carteira Nacional de Habilitação, Permissão para Dirigir ou Autorização para Conduzir Ciclomotor (art. 162, I); -Com Carteira Nacional de Habilitação, Permissão para Dirigir ou Autorização para Conduzir Ciclomotor cassada ou com suspensão do direito de dirigir (art. 162, II); -Com Carteira Nacional de Habilitação ou Permissão para Dirigir de categoria diferente da do veículo que esteja conduzindo (art. 162, III); -Com validade da Carteira Nacional de Habilitação vencida há mais de trinta dias (art. 162, V); -Sem usar lentes corretoras de visão, aparelho auxiliar de audição, de prótese física ou as adaptações do veículo impostas por ocasião da concessão ou da renovação da licença para conduzir (art. 162, VI). A autuação da infração do art. 163 – bem como do art. 164 – deve ser realizada após a autuação do condutor do veículo na disposição específica do art. 162 que foi infringida, inclusive, quando o proprietário é autuado, deve constar a anotação da autuação do condutor do veículo, conforme consta nas fichas do Manual Brasileiro de Fiscalização – Volume II (Resolução nº 561/2015-CONTRAN). Nesta situação, há duas condutas que devem ser autuadas: uma relativa ao condutor do veículo e outra ao proprietário legal. E se o proprietário legal (conhecedor das consequências do seu ato) não comparecer ao local da fiscalização? Daí você deve autuar o condutor e reter o veículo até a apresentação de condutor habilitado. É importante que você esteja atento à identificação deste condutor habilitado, pois pode acontecer do proprietário do veículo 37 comparecer para retirar o veículo sem se identificar, e, se isso acontecer, o proprietário pode ser autuado na disposição do art. 164 infringida. Você também precisa observar se existem outras pessoas dentro do veículo, pois entre essas pessoas pode ser que uma delas seja o proprietário (conhecedor das consequências do seu ato) que se nega a dizer que é o dono para não ser punido. Pode acontecer também da pessoa se apresentar como sendo o proprietário, mas seu nome não constar no certificado de licenciamento anual do veículo. Nesse caso, você faz a autuação do condutor, mas pode ocorrer de ser invalidada a autuação do proprietário por incompatibilidade de identificação entre condutor e proprietário, em grau de defesa prévia ou de recurso. Também pode acontecer de o proprietário do veículo ser o próprio condutor sem habilitação (bem como nas outras situações previstas no art. 162). Neste caso, será autuado o condutor na disposição do art. 162, I (ou em outra disposição deste artigo). Artigo 165 – embriaguez ao volante Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência é uma das infrações de trânsito que as consequências geram danos severos ao condutor e a sociedade geral. * A confirmação da alteração da capacidade psicomotora por causa do uso de álcool, para efeito de comprovação instantânea (no momento da fiscalização), acontece por meio de um dos seguintes procedimentos que serão realizados no condutor de veículo automotor (conforme art. 3º, III e IV da Resolução nº 432/2013- CONTRAN): - Teste em aparelho destinado à medição do teor alcoólico no ar alveolar (etilômetro ou bafômetro); - Verificação dos sinais que indiquem a alteração da capacidade psicomotora do condutor (em formulário impresso ou digital) que acompanhará o auto de infração (AI). Se não tiver como realizar algum dos procedimentos acima, também poderão ser utilizados prova testemunhal, imagem, vídeo ou qualquer outro meio que comprove, mas nos procedimentos de fiscalização deve ser priorizada a utilização do teste com etilômetro. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%20163.%20Entregar%20a%20dire%C3%A7%C3%A3o%20do%20ve%C3%ADculo%20a%20pessoa%20nas%20condi%C3%A7%C3%B5es%20previstas%20no%20artigo%20anterior%3A https://www.direitohd.com/res4322013 https://www.direitohd.com/res4322013 38 Se for utilizado o bafômetro para a comprovação da infração, a autuação deve ser feita quando as medidas forem iguais ou superioras a 0,05 mg/L (miligrama de álcool por litro de sangue). Em todas as medições é descontado o erro máximo admissível, para efeito de medição considerada para a fiscalização (previsto no Anexo I da citada resolução - Tabela de Valores Referenciais para Etilômetro), que pode variar de 0,04 mg/L até 0,16 mg/L. Assim, se a medição realizada pelo etilômetro for igual ou inferior a 0,04 mg/L, não será considerada infração de trânsito, mas se a medição for igual ou superior a 0,34 mg/L, além da infração de trânsito, haverá também a comprovação do crime do art. 306 do CTB. Você verá mais informações na Aula 4 – Conexão com crimes de trânsito, neste módulo. Caso o condutor se recuse a fazer o teste do bafômetro ele estará sujeito, além da autuação no art.165 (com suporte nos sinais que indiquem a alteração da capacidade psicomotora do condutor, consignados em formulário específico), ao enquadramento na disposição do art. 165-A do CTB, que prevê: “recusar-se a ser submetidos a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa, na forma estabelecida pelo art. 277”. Orientações médicas para fiscalização sem etilômetro de condutores alcoolizados – 2007 Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo- SENATRAN/filmes-denatran Nota: embora as referências legais, no filme, tratem da Resolução nº 206/2006 (revogada pela Resolução nº 432/2013, em vigor), as orientações expressas continuam atuais, sem conflitos com a legislação em vigor. Art. 166 – confiar ou entregar a direção de veículo a pessoa sem condições de dirigi-lo com segurança Assim como ocorre nas infrações dos artigos 163 e 164, este artigo se refere à outra infração de trânsito que também não é cometida pelo condutor, mas pelo proprietário do veículo automotor fiscalizado (conforme nome constante no documento de licenciamento anual). O diferencial aqui é que ela está relacionada a atitude do proprietário tanto de confiar a direção (ausente no momento da abordagem), como a de entregar a direção (presente no veículo) a pessoa que, mesmo habilitada, por seu estado físico ou psíquico, não estiver em condições de dirigi-lo com segurança. https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/filmes-denatran https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/filmes-denatran http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%20163.%20Entregar%20a%20dire%C3%A7%C3%A3o%20do%20ve%C3%ADculo%20a%20pessoa%20nas%20condi%C3%A7%C3%B5es%20previstas%20no%20artigo%20anterior%3A 39 A autuação da infração do art. 166 deve ser realizada após a autuação do condutor do veículo na disposição de um destes artigos de infração: - Art. 165 – dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência; - Art.169 – dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança; - Art. 252, III – dirigir o veículo com incapacidade física ou mental temporária que comprometa a segurança do trânsito. Exemplo: condutor com braço ou perna imobilizados por conta de fraturas, condutor emocionalmente perturbado ou sob efeito de medicamentos que comprometam a direção do veículo. Quando o proprietário é autuado, deve constar a anotação da autuação do condutor do veículo, conforme consta na ficha do Manual Brasileiro de Fiscalização – Volume II (Resolução nº 561/2015-CONTRAN). Nesse caso, serão autuadas duas condutas: uma relativa ao condutor do veículo e outra ao proprietário legal. As mesmas observações relativas à identificação do proprietário de veículo, consignadas no estudo da infração dos artigos 163 e 164, estudadas anteriormente, são válidas para essa situação. Art. 168 – transporte de crianças como passageiras Estabelece o art.168 do CTB: “Transportar crianças em veículo automotor sem observância das normas de segurança especiais estabelecidas neste Código; Infração - gravíssima; Penalidade - multa; Medida administrativa - retenção do veículo até que a irregularidade seja sanada”. Para que você entenda sobre as normas de segurança relativas ao assunto é necessário compreender a disposição do art. 64 do CTB: “As crianças com idade inferior a 10 (dez) anos que não tenham atingido 1,45 m (um metro e quarenta e cinco centímetros) de altura devem ser transportadas nos bancos traseiros, em dispositivo de retenção adequado para cada idade, peso e altura, salvo exceções relacionadas a tipos específicos de veículos regulamentados pelo Contran”. Para que isso seja cumprido, o CONTRAN, por meio da Resolução nº 819, de 17 de março de 2021 disciplinou a matéria. Analisando o seu conteúdo podem ser observadas as seguintes orientações: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=Art.%20165.%C2%A0%20Dirigir%20sob%20a%20influ%C3%AAncia%20de%20%C3%A1lcool%20ou%20de%20qualquer%20outra%20subst%C3%A2ncia%20psicoativa%20que%20determine%20depend%C3%AAncia%3A%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Reda%C3%A7%C3%A3o%20dada%20pela%20Lei%20n%C2%BA%2011.705%2C%20de%202008) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%20Art.%20169.%20Dirigir%20sem%20aten%C3%A7%C3%A3o%20ou%20sem%20os%20cuidados%20indispens%C3%A1veis%20%C3%A0%20seguran%C3%A7a%3A http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20Art.%20252.%20Dirigir%20o%20ve%C3%ADculo%3A https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-contran-n-819-de-17-de-marco-de-2021-310089618 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-contran-n-819-de-17-de-marco-de-2021-310089618 40 - Crianças com até 1 ano de idade ou com peso até 13 kg devem ser transportadas no banco traseiro no dispositivo de retenção “bebê conforto”; - Crianças com idade superior a 1 ano até 4 anos ou com peso entre 9 e 18 kg devem ser transportadas no banco traseiro no dispositivo de retenção “cadeirinha”; - Crianças com idade superior a 4 anos até 7,5 anos ou com até 1,44 m de altura e peso entre 15 e 36 kg devem ser transportadas no banco traseiro no dispositivo “assento de elevação”; - Crianças com idade superior a 7,5 anos até 10 anos serão transportadas no banco traseiro utilizando o cinto de segurança do veículo; - As crianças com idade superior a 10 anos ou que tenham atingido 1,45 m podem ser transportadas no banco dianteiro utilizando o cinto de segurança do veículo; - Ainda podem ser transportadas no banco dianteiro as crianças menores de 10 anos: (a) quando o veículo for composto exclusivamente de banco dianteiro; (b) quando a quantidade de crianças com menos de 10 anos exceder a lotação do banco traseiro; (c) quando o veículo for composto originalmente (fabricado) de cintos de segurança subabdominais (dois pontos) nos bancos traseiros. As exigências relacionadas ao sistema de retenção, no transporte de crianças com até sete anos e meio de idade, não se aplicam aos veículos: - De transporte coletivo de passageiros; - De aluguel (alínea “d” do inciso III do art. 96 do CTB); - De transporte remunerado individual de passageiros; - De transporte de escolares; - Demais veículos com peso bruto total superior a 3,5 t (caminhões, ônibus e micro-ônibus). Em caso de autuação desta infração, deverá ser anotada no campo “observações” a ocasião em que foi comprovada a irregularidade. Por exemplo: “criança maior de quatro anos sendo transportada em cadeirinha”. Se possível, você deve identificar e anotar neste campo o nome da criança que estava sendo transportada irregularmente. 41 Art. 173 – disputar corrida O art. 173 do CTB disciplina: “Disputar corrida: Infração - gravíssima; Penalidade - multa (dez vezes), suspensão do direito de dirigir [...]; Medida administrativa - recolhimento do documento de habilitação e remoção do veículo”. Para que essa infração seja autuada, tem que haver, no mínimo, dois veículos, pois ninguém disputa consigo mesmo, sempre se precisa de outra pessoa. Essa disputa é uma conduta eventual, aleatória, circunstancial do momento em que um condutor é desafiado por outro, de maneira clara ou explícita. Se essa disputa ocorrer com prévio agendamento ou organização estará caracterizada a infração em outro artigo que será analisado em seguida. Se a autuação for feita abordando os participantes no momento da disputa, é preciso fazer referência no campo “observações” do AIT (Auto de Infração de Trânsito) do auto do outro veículo que foi autuado, para que não restem dúvidas do cometimento da infração de que havia mais de um veículo participando da disputa. Quando a autuação for feita sem abordagem, quando os participantes saem do lugar, é possível coletar dados de identificação de apenas um veículo envolvido. Assim, você deverá descrever isso no campo “observações” do AI, pelo menos, alguns dados do outro veículo envolvido, como, por exemplo, marca, modelo e cor. Art. 174 – competição na via pública sem permissão da autoridade Diferente da infração do artigo visto anteriormente, nesta ocorre um evento previamente organizado, sem a permissão da autoridade competente. É o que disciplina o art. 174 do CTB: “Promover, na via, competição, eventos organizados, exibição e demonstração de perícia em manobra de veículo, ou deles participar, como condutor, sem permissão da autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via”. Quando vai ser realizada a prática de competições esportivas ou treinos são necessárias as seguintes formalidades legais constantes do art. 67 do CTB: “As provas ou competições desportivas, inclusive seus ensaios, em via aberta à circulação, só poderão ser realizadas mediante prévia permissão da autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via e dependerão de: I - autorização expressa da respectiva confederação desportiva ou de entidades estaduais a ela filiadas; II - caução ou fiança para cobrir possíveis danos materiais à via; III - contrato de seguro contra riscos e acidentes em favor de terceiros; IV - prévio recolhimento do valor correspondente aos custos operacionais em que o órgão ou entidade permissionária incorrerá”. 42 É autuada nessa infração a pessoa que promove, organiza e dela participa sem que sejam realizadas as formalidades exigidas. Porém, por se tratar de uma infração de responsabilidade da pessoa física ou jurídica (sem relação com o veículo autuado), os promotores e organizadores do evento, o agente não recolhe o documento de habilitação e nem remove o veículo. Art. 178 – Veículo envolvido em acidente de trânsito sem vítima Esta infração de trânsito, na maioria das vezes, é cometida por incompreensão ou interpretação errada das regras. Prevê o art. 178 do CTB: “Deixar o condutor, envolvido em acidente sem vítima, de adotarprovidências para remover o veículo do local, quando necessária tal medida para assegurar a segurança e a fluidez do trânsito” (grifos nossos). A maioria das pessoas que ao conduzir o veículo se envolvem em acidente de trânsito acha que deve manter o carro na mesma posição até que a “perícia” seja feita e esse pensamento não procede. Só se deve manter o veículo naquela situação se houver acidente de trânsito com vítima (seja fatal ou não). Nesse caso é necessária a realização da perícia no local do crime para definição da responsabilidade do condutor pelo evento ocorrido (morte ou lesão corporal). Inclusive, caso o condutor envolvido neste evento retire o veículo do local do acidente, estará passível de ser autuado na infração do art. 176, III do CTB. Porém, quando é um acidente de trânsito sem vítima, não existem indícios de cometimento de crime e, por isso, não será realizada perícia no local. O que haverá é um ilícito civil, ou seja, uma ação culpável, que pode ter reparação ou indenização, que interessa somente aos envolvidos e não ao meio coletivo. Existem outras formas de garantir o exercício de seus direitos, como, por exemplo, fotos, filmagens, testemunhas, dentre outras. Desse modo, os condutores envolvidos são obrigados a fazer a retirada imediata dos veículos, quando estão perturbando ou atrapalhando a fluidez normal da via, o que pode ocasionar outros acidentes. Os condutores que não retirarem seus veículos do local em um acidente de trânsito sem vítima estarão correndo o risco de serem autuados na infração do art.1778 do CTB. Essa infração de trânsito só não irá ocorrer caso o acidente tenha http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=Art.%20176.%20Deixar%20o%20condutor%20envolvido%20em%20acidente%20com%20v%C3%ADtima%3A 43 acontecido em uma via de pouco movimento e os veículos parados não interfiram na movimentação normal do trânsito. Nessa situação os envolvidos no acidente devem sinalizar corretamente o local com dispositivos adequados (ligar o pisca alerta e colocar o triângulo de sinalização ou equipamento similar a uma distância mínima de 30 metros da parte traseira do veículo, conforme Resolução nº 036/1998- CONTRAN), enquanto aguardam, por exemplo, o atendente da seguradora ou do órgão público responsável para registrar a ocorrência. Artigos 181 e 182 – estacionamento e parada Em relação a este artigo, é necessário que você aprenda a conceituar e a diferenciar o que é parada, estacionamento e operação de carga e descarga. Para isso, vamos ao CTB, Anexo I – Dos conceitos e definições: - Parada: imobilização do veículo com a finalidade e pelo tempo estritamente necessário para efetuar embarque ou desembarque de passageiros; - Estacionamento: imobilização de veículos por tempo superior ao necessário para embarque ou desembarque de passageiros; - Operação de carga e descarga - imobilização do veículo, pelo tempo estritamente necessário ao carregamento ou descarregamento de animais ou carga, na forma disciplinada pelo órgão ou entidade executivo de trânsito competente com circunscrição sobre a via. A diferença entre os dois primeiros conceitos, parada e estacionamento, não tem relação com o condutor estar ou não dentro do veículo, nem se o motor está ou não funcionando. Muitas pessoas, de modo incorreto, entendem que se o motorista estiver dentro do veículo com o motor ligado, ele está apenas parado. Na verdade, o que vai distinguir parada de estacionamento são a motivação e o tempo que ficou imóvel. Assim, a parada é quando o veículo fica imóvel na via para o embarque ou desembarque imediato de passageiros no tempo reservado para isso. Se esse tempo é usado para esperar o passageiro chegar, é estacionamento (sem importar se o condutor está na direção ou o motor está ligado). Tudo o que excede o tempo de parada, é configurado como estacionamento. No caso de um ônibus que estivesse imóvel na via para que, por exemplo, vinte passageiros embarquem, logo depois, após o último passageiro, saia do local, 44 configura-se que durante o tempo que ficou imóvel é considerado parada, pois o tempo foi utilizado unicamente para embarque. Se o motorista descesse do ônibus para ajudar alguém com necessidades especiais para embarcar, o veículo continuaria parado e não estacionado, pois logo após o último passageiro embarcar, ele saiu da via. Se o veículo fica parado na via e não é para embarque ou desembarque imediato de passageiros é considerado estacionamento irregular e é passível de ser autuado no art. 181 do CTB, em um dos vinte pontos que disciplinam situações específicas. Figura 14: Uso do Farol Fonte: José Cruz/Agência Brasil https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-07/uso-do-farol-baixo-durante-o-dia-sera- obrigatorio-em-rodovia-1582359320-1 Se o veículo fica parado na via que é destinada para embarque e desembarque imediato de passageiros é considerado parada irregular e passível de ser autuado no art. 182 do CTB, em um dos onze incisos que disciplinam situações específicas. O art. 47 do CTB trata de: “Quando proibido o estacionamento na via, a parada deverá restringir-se ao tempo indispensável para embarque ou desembarque de passageiros, desde que não interrompa ou perturbe o fluxo de veículos ou a locomoção de pedestres”. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=Art.%20176.%20Deixar%20o%20condutor%20envolvido%20em%20acidente%20com%20v%C3%ADtima%3A https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-07/uso-do-farol-baixo-durante-o-dia-sera-obrigatorio-em-rodovia-1582359320-1 https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2016-07/uso-do-farol-baixo-durante-o-dia-sera-obrigatorio-em-rodovia-1582359320-1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20Art.%20182.%20Parar%20o%20ve%C3%ADculo%3A 45 Desta forma, quando na via tiver uma placa de sinalização vertical de “proibido estacionar”, o veículo pode fazer uma parada para embarcar ou desembarcar passageiros e não será uma infração de trânsito prevista no art. 181 do CTB. Essa mesma permissão não existe se for o caso de uma operação de carga e descarga, mesmo que seja, por exemplo, de duas caixas de produtos, pois conforme parágrafo único do art. 47 do CTB: “A operação de carga ou descarga será regulamentada pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via e é considerada estacionamento”, ou seja, onde é proibido o estacionamento de veículos é também proibido carga e descarga de produtos e animais, independentemente do tempo gasto na operação. Já quando tiver a placa de sinalização vertical e de “proibido parar e estacionar”, são proibidas as operações de estacionamento e de parada no trecho que a placa se encontra. Dessa forma, se o veículo insiste em estacionar na área, está passível de autuação no art. 181, XIX (em locais e horários de estacionamento e parada proibidos pela sinalização / placa - Proibido Parar e Estacionar); se o veículo insiste em parar com a função de desembarque de passageiro estará passível de autuação no art. 182, X (em local e horário proibidos especificamente pela sinalização / placa - Proibido Parar). Sobre a posição do veículo ao estacionar, tratando-se de veículo motorizado de duas rodas, será feita em posição perpendicular à guia da calçada (meio-fio) e junto a ela, exceto quando houver sinalização que determine outra condição. Figura 15: Alinhamento do veículo de duas rodas ao estacionar Fonte: Do conteudista. 46 Já os demais veículos motorizados deverão ser posicionados no sentido do fluxo, paralelo ao bordo da pista de rolamento e junto à guia da calçada (meio- fio), admitidas as exceções devidamente sinalizadas. Figura 16: Alinhamento dos demais veículos ao estacionar Fonte: Do conteudista. Dessa forma, se houver sinalização delimitandoa posição do estacionamento (por exemplo, em escama, na diagonal) esta deverá ser adotada. Não havendo sinalização específica, as motocicletas e similares serão estacionadas na posição perpendicular em relação ao meio-fio e os demais veículos na posição paralela (lateral) em relação ao meio-fio. Quem procede incorretamente em relação à sinalização do estacionamento ou, na falta de sinalização, em posição já convencionada, o condutor estará sujeito a ser autuado na disposição do art. 181, IV do CTB (estacionar o veículo em desacordo com as posições estabelecidas neste Código). Art. 218 – Excesso de velocidade Trata o art. 218 do CTB que é infração “transitar em velocidade superior à máxima permitida para o local, medida por instrumento ou equipamento hábil, em rodovias, vias de trânsito rápido, vias arteriais e demais vias”. Em seguida, o CTB traz três diferentes níveis de gradação da conduta, da seguinte forma: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=Art.%20218.%C2%A0%20Transitar%20em%20velocidade%20superior%20%C3%A0%20m%C3%A1xima%20permitida%20para%20o%20local%2C%20medida%20por%20instrumento%20ou%20equipamento%20h%C3%A1bil%2C%20em%20rodovias%2C%20vias%20de%20tr%C3%A2nsito%20r%C3%A1pido%2C%20vias%20arteriais%20e%20demais%20vias%3A%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Reda%C3%A7%C3%A3o%20dada%20pela%20Lei%20n%C2%BA%2011.334%2C%20de%202006)%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%C2%A0%20(Vide%20ADI%20n%C2%BA%203951) 47 - Quando a velocidade for superior à máxima em até 20% (vinte por cento) a infração é de natureza média; - Quando a velocidade for superior à máxima em mais de 20% (vinte por cento) até 50% (cinquenta por cento) a infração é de natureza grave; - Quando a velocidade for superior à máxima em mais de 50% (cinquenta por cento) a infração é de natureza gravíssima, com fator multiplicador 3 sobre o valor da multa e suspensão do direito de dirigir, independente da pontuação acumulada até então. A Resolução nº 798/2020-CONTRAN trata das exigências mínimas para a fiscalização da velocidade de veículos automotores com relação aos tipos de medidores de velocidade (requisitos metrológicos e técnicos), orientações para instalação, operação e monitoramento, os dados necessários para ser uma infração, os locais de fiscalização e sua prévia sinalização, bem como estabelece o erro máximo admissível de 7% que será descontado para efeito do cálculo da velocidade considerada para a fiscalização. Hoje em dia, contamos com dois equipamentos medidores de velocidade: o fixo e o portátil. O fixo pertence ao órgão executivo de trânsito ou rodoviário e o portátil é usado por agentes de trânsito ou policiais. Os profissionais de segurança que utilizarão o equipamento portátil para fiscalização devem estar por dentro do conteúdo da resolução, saber como manusear os equipamentos, que podem ser instalados em viatura caracterizada estacionada, em tripé, suportes fixos ou manuais, utilizar como objeto de controle em via ou em ponto específico e que tenha limite de velocidade igual ou superior a 60 km/h. Os equipamentos portáteis só podem ser utilizados por autoridades de trânsito ou seus agentes quando estão exercendo sua função, devidamente uniformizados, em ações de fiscalização, o operador e o equipamento devem estar em local visível, sem placas, árvores, postes, passarelas, pontes, viadutos, marquises ou qualquer outro objeto que impeça sua visibilidade. Art. 232 – Documentos de porte obrigatório Estabelece o art. 232 do CTB: “Conduzir veículo sem os documentos de porte obrigatório referidos neste Código”. https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-798-de-2-de-setembro-de-2020-276446814 48 Segundo a Resolução nº 205/2006-CONTRAN, os documentos de porte obrigatório do condutor do veículo são: - Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC), Permissão para Dirigir (PD) ou Carteira Nacional de Habilitação (CNH), no original; - Certificado de Registro e Licenciamento Anual (CRLV), no original. O CTB, no parágrafo único do art. 133, afirma que o porte do CRLV será dispensado, se no momento da fiscalização, possa ter acesso ao sistema informatizado para verificar se o veículo está licenciado. Existe também uma novidade na legislação, de acordo com a Resolução nº 788/2020-CONTRAN, que foi a emissão do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo em meio eletrônico (CRLV-e), que substitui o CRLV em meio físico e pode ser acessado do aparelho de telefone celular. Para a prática de direção veicular é utilizado o veículo do Centro de Formação de Condutores (CFC) e, além da documentação acima referida, são necessários: - Do instrutor: Carteira de Instrutor expedida no DETRAN vinculada ao CFC constante no processo de habilitação; - Do aprendiz: Licença para Aprendizagem de Direção Veicular (LADV) e carteira de identidade (art. 8º da Resolução nº 789/2020-CONTRAN). Se o condutor tiver tirado alguma licença em curso especializado para condução de determinados veículos, ele deve obrigatoriamente estar com o comprovante em sua posse, até que isso seja inserido no RENACH e na sua CNH. Esta exigência se refere à condução dos veículos de: - Transporte coletivo de passageiros; - Transporte de escolares; - Transporte de produtos perigosos; - Emergência; - Transporte de carga indivisível. Art. 244 – Infrações relativas a motocicletas, motonetas e ciclomotores O art. 244 diz respeito às infrações de trânsito específicas cometidas na condução de motocicletas, motonetas e ciclomotores. https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=104256 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-788-de-18-de-junho-de-2020-263185347 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-788-de-18-de-junho-de-2020-263185347 https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-contran/resolucoes/resolucao7892020r.pdf/view 49 É importante você saber que a distinção entre motocicleta e motoneta é apenas em seu conceito, pois não existem variações nas penalidades. De acordo com o Anexo I do CTB motocicleta é o “veículo automotor de duas rodas, com ou sem side-car, dirigido por condutor em posição montada” (grifo nosso) e a motoneta é o “veículo automotor de duas rodas, dirigido por condutor em posição sentada” (grifo nosso). Diferente da motocicleta, a motoneta não pode carregar agrupada a ela um carro lateral (side-car) para transportar passageiros ou cargas. Em relação ao ciclomotor (veículo de duas ou três rodas, com motor de combustão interna, que cilindrada não exceda a 50 centímetros cúbicos - 3,05 polegadas cúbicas - e sua velocidade máxima de fabricação não exceda a 50 km/h), o documento de habilitação próprio para conduzi-lo é a ACC (autorização para conduzir ciclomotor). O CTB também estabelece para os ciclomotores alguns limites: devem ser conduzidos pela direita da pista, de preferência no centro da faixa mais à direita ou na margem direita. Quando não houver acostamento ou faixa exclusiva para eles, é proibida a sua circulação nas vias de trânsito rápido e sobre as calçadas das vias urbanas (art. 57), como também a sua circulação em rodovias sem acostamento (§ 2º do art. 244). A Resolução nº 940/2022-CONTRAN orienta o uso do capacete para condutor e passageiro de motocicletas, motonetas, ciclomotores, triciclos motorizados e quadriciclos motorizados, de acordo com a norma técnica NBR7471 do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO). Se algum condutor ou passageiro estiver sem capacete de proteção na cabeça (ou levar pendurado no braço, ou usar capacete de ciclista ou de construção civil) em motocicleta, motoneta ou ciclomotor podem ser autuados no art. 244, I (condutor) e 244, II (passageiro). Nesta situação, a infração é de natureza gravíssima, com determinação de suspensão do direitode dirigir (independentemente da pontuação) e o veículo ficará retido até a apresentação do capacete regulamentado. Caso o condutor esteja utilizando capacete regulamentado, que não tenha viseira, mas sem usar os óculos de proteção adequados (ou utilizando somente óculos de sol ou de correção visual), também poderá ser autuado no art. 244, X. Nesta situação, a infração é de natureza média. Caso o passageiro esteja utilizando capacete regulamentado, que não tenha viseira, mas sem usar os óculos de https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-contran-n-940-de-28-de-marco-de-2022-390285259 50 proteção adequados (ou utilizando somente óculos de sol ou de correção visual) pode ser autuado no art. 244, XI. Nesta situação, a infração é de natureza média. Se o condutor e/ou passageiro estiverem usando um capacete motociclístico que não corresponda ao modelo regulamentado pela citada resolução (fora das especificações regulamentadas), a autuação deverá ser feita no art. 230, X do CTB: conduzir veículo com equipamento obrigatório em desacordo com o estabelecido pelo CONTRAN (conforme orientação constante no art. 4º, I da Resolução nº 940/2022). Nesta situação, a infração é de natureza grave. Será feita uma única autuação, mesmo que os dois ocupantes estejam com o capacete fora do padrão, pois, neste caso, não há condutas distintas para condutor e para passageiro. Em todas as situações explicadas acima, o veículo ficará retido até a apresentação de um capacete regulamentado e/ou óculos de proteção apropriados. Se o condutor e/ou o passageiro estiverem utilizando um capacete, dentro do padrão NBR7471, mas com a viseira ou óculos de proteção levantados, bem como estiverem com o capacete na cabeça, sem a devida fixação da cinta jugular no seu engate ou desajustada, pode ser autuado no art. 169 (segunda parte) do CTB: dirigir [...] sem os cuidados indispensáveis à segurança (conforme orientação constante no art. 4º, II da Resolução nº 940/2022). Nesta situação, a infração é de natureza leve e o veículo ficará retido até o abaixamento da viseira, colocação adequada dos óculos de proteção ou ajuste devido da cinta jugular. Será feita uma única autuação, pois, neste caso, não há condutas distintas para condutor e para passageiro. Art. 252 – Calçado inadequado e uso de telefone celular O ponto IV do art. 252 do CTB estabelece a infração de trânsito de dirigir veículo “usando calçado que não se firme nos pés ou que comprometa a utilização dos pedais”. Independente da forma como o veículo é conduzido, se for constatado que o condutor utiliza calçado irregular (aqueles que não se firmem aos pés, não possuam formato que envolva o calcanhar, como chinelos e sandálias sem alças traseiras) será autuado. Calçado que compromete a utilização dos pedais é aquele que, firme no pé, por seu formato, altura ou composição, prejudica a perfeita utilização dos comandos, como sandálias plataformas ou de salto muito fino. Nesse caso para ser constatada a 51 infração de não conduzir o veículo de forma correta, é preciso que o agente comprove se o condutor estava cometendo freadas e arrancadas bruscas, trajetória irregular no deslocamento, dentre outras. Se o veículo estiver sendo conduzido normalmente e com segurança, não há como autuar a infração de trânsito. E dirigir descalço é infração de trânsito? Não. O CTB não traz esse elemento como infração. Se não há explicitamente uma regra proibindo o condutor de estar descalço, entende-se por lógica que é permitido. As motocicletas e similares, então podem ser pilotadas pelo condutor descalço? Nesse ponto há uma importante discussão. Apesar de existir um corrente relevante de estudiosos que considera ser permitida a condução de motocicleta enquanto descalço, existem opiniões contrárias a esse entendimento. Contudo, majoritariamente, considera-se que a ausência de calçados não implicará autuação por infração de trânsito. CORRENTE MAJORITÁRIA: SIM! Fundamento: É possível dirigir descalço, haja vista a inexistência de vedação para essa conduta. Para fins do curso em análise, adotaremos esse posicionamento; portanto, não será considerada infração. O CTB nada diz a respeito de dirigir ou pilotar descalço. No entanto, é extremamente recomendável que um calçado seja utilizado principalmente quando falamos de motocicletas, uma vez que, em acidentes, as sequelas podem ser bem mais graves caso se esteja descalço. Leia mais: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/dirigir-descalco-vai-dar-multa-veja-o- que-diz-a-lei-e-se-surpreenda/1803468453 CORRENTE MINORITÁRIA: NÃO! Fundamento: Em relação à utilização de motocicletas, motonetas e ciclomotores, o conteudista filia-se a essa visão; portanto, não devem ser pilotados com o condutor descalço. Isso porque a permissão por não haver proibição não se aplica a estes veículos. https://www.jusbrasil.com.br/artigos/dirigir-descalco-vai-dar-multa-veja-o-que-diz-a-lei-e-se-surpreenda/1803468453 https://www.jusbrasil.com.br/artigos/dirigir-descalco-vai-dar-multa-veja-o-que-diz-a-lei-e-se-surpreenda/1803468453 52 A justificativa é que os pés descalços podem vir a tocar o motor aquecido e esse contato gerar uma desconcentração e desequilíbrio no piloto, além de poder prender os dedos nas engrenagens do veículo e estas situações podem provocar um acidente de trânsito. Assim, o condutor que dirige motocicleta e afins descalço pode ser autuado por “dirigir [...] sem os cuidados indispensáveis à segurança” (CTB, art. 169). Apesar desse conteudista advogar essa vertente, não adotaremos a posição de que deva ser considerada infração nesse momento, haja vista entendimento contrário da fiscalização em geral. Com relação à infração de trânsito de dirigir veículo “utilizando-se de fones nos ouvidos conectados a aparelhagem sonora ou de telefone celular” (grifos nossos – inciso VI do art. 252) há algumas particularidades pra você observar. Partindo de uma análise gramatical na lei, pode-se perceber que estão indicadas duas condutas diferentes no mesmo artigo: (a) dirigir o veículo utilizando-se de fones nos ouvidos conectados a aparelhagem sonora (cd-player, gravador, rádios e outros aparelhos, móveis ou instalados no veículo); e (b) dirigir o veículo utilizando-se de telefone celular. Em relação à primeira situação, é considerada infração se o condutor transita com os dois fones de ouvidos conectados a um aparelho sonoro que não seja um celular. Se for utilizado apenas um fone, não é infração. Para que você faça a autuação correta é necessária à abordagem do infrator, conforme procedimentos definidos no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito – Volume I, código de enquadramento 736-61. Já em relação a segunda situação, é proibido utilizar o telefone celular em qualquer uma das situações a seguir: (a) o condutor atende o telefone celular, retirando a mão do volante ao levá-lo ao ouvido; (b) o passageiro atende o telefone celular e leva o aparelho ao ouvido do condutor; (c) o condutor utiliza fone ou fones conectados ao telefone celular; (d) o condutor utiliza o telefone celular no viva-voz ou em equipamento sonoro com transferência da ligação via bluetooth; (e) o condutor utiliza o telefone celular em qualquer das opções de mensagem, vídeo ou fotografia, bem como em outros aplicativos. 53 Mesmo assim, nem todas as formas acima são possíveis do agente averiguar. O Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito, na ficha de orientação referente ao código de enquadramento 736-62, estabelece a necessidade de abordagem do infrator quando for visualizado o uso do fone para comprovar se está conectado ao aparelho de telefone celular. “A imobilização (interrupção) temporária do trânsito é definida como a interrupção de marcha do veículo para atender circunstância momentânea do trânsito, por exemplo,a parada no semáforo ou engarrafamento, não podendo ser confundido com parada ou estacionamento. Portanto, o motorista que parar no semáforo ou num engarrafamento não poderá fazer uso do seu celular, já que ainda se encontra em trânsito com o seu veículo, devendo estar atento a condução do seu veículo e aos demais na via, prezando pela segurança.” Saiba mais... Utilizar o celular enquanto dirige, além de perigoso, é infração de trânsito – sobre isso ninguém tem dúvida. Mas e se isso ocorrer com o veículo parado aguardando a abertura do semáforo, é infração? Dados mostram que a utilização de celular na direção de veículo aumenta em até 400% a probabilidade de ocorrência de acidente. Tal conduta caracteriza infração de trânsito prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), em pelo menos dois dispositivos: Previsão legal Art. 252. Dirigir o veículo: VI – utilizando-se de fones nos ouvidos conectados a aparelhagem sonora ou de telefone celular; Infração – média; Penalidade – multa. 54 Parágrafo único. A hipótese prevista no inciso V caracterizar-se-á como infração gravíssima no caso de o condutor estar segurando ou manuseando telefone celular. V – com apenas uma das mãos, exceto quando deva fazer sinais regulamentares de braço, mudar a marcha do veículo, ou acionar equipamentos e acessórios do veículo; Conduta infracional Apesar disso, a maioria dos condutores têm dúvidas de COMO seria possível atender a uma ligação, por exemplo, sem que esteja praticando um ato infracional. Ao consultar a legislação de trânsito, concluímos que, estando na direção de um veículo, a única hipótese de fazer uso do celular, sem que incorra numa infração de trânsito, seria com o veículo ESTACIONADO. A respeito disso, o que seria um estacionamento, segundo a legislação de trânsito? ESTACIONAMENTO – imobilização de veículos por tempo superior ao necessário para embarque ou desembarque de passageiros. Observe que o conceito de estacionamento, pelo CTB, independe de o veículo estar com o motor funcionando ou não. Essa Informação é de grande importância para evitar equívocos conforme um que aconteceu em 2018, na cidade de Rio das Ostras/RJ, quando um agente fiscalizador autuou uma condutora que havia imobilizado o veículo à margem da via, em local permitido, para atender à uma ligação no celular. O entendimento daquele agente foi de que se o condutor NÃO desligou o motor, não ficou caracterizado o estacionamento, mas uma imobilização circunstancial do trânsito, como a que ocorre quando o semáforo fica no vermelho. O caso citado constitui uma excepcionalidade, um EQUÍVOCO praticado por um determinado agente e, obviamente, difere do entendimento dos demais. 55 Contudo, se o condutor quiser aproveitar aquela rápida imobilização, enquanto embarca ou desembarca um passageiro, para ajustar o GPS no celular, por exemplo, aí sim estará caracterizada a infração prevista no parágrafo único do art. 252 do CTB. Do mesmo modo, atender a uma ligação no viva-voz (sem segurar ou manusear o celular), enquanto aguarda a abertura do semáforo, poderá ser autuado pelo inciso VI do art. 252 do CTB. Ambas as situações anteriormente citadas (embarque ou desembarque de passageiros; imobilização ao semáforo) são consideradas, pela legislação de trânsito, como IMOBILIZAÇÃO TEMPORÁRIA – aquela que acontece para atender a uma circunstância momentânea do trânsito. E nesses casos, não há dúvida quanto ao cometimento da conduta infracional. Veja a ficha do Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (MBFT): Imagem: MBFT Fonte: https://www.autoescolaonline.net/condutor-multado-por-utilizar-celular-enquanto- aguarda-o-semaforo-abrir/ https://www.autoescolaonline.net/condutor-multado-por-utilizar-celular-enquanto-aguarda-o-semaforo-abrir/ https://www.autoescolaonline.net/condutor-multado-por-utilizar-celular-enquanto-aguarda-o-semaforo-abrir/ 56 AULA 4 – CONEXÃO COM CRIMES DE TRÂNSITO Existem infrações de trânsito que estão conectadas com crimes de trânsito, conforme consta nos artigos de 302 a 312 do CTB. Essa relação pode ser direta, se houve infração, ocorreu o crime e de forma indireta, ou seja, em algumas circunstâncias, pode haver também um crime. Você verá abaixo a relação das infrações com os crimes de trânsito: Dirigir sem possuir habilitação A infração de trânsito do art. 162, I do CTB (dirigir veículo sem possuir Carteira Nacional de Habilitação, Permissão para Dirigir ou Autorização para Conduzir Ciclomotor) nem sempre terá incidência no crime do art. 309 do CTB (dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida Permissão para Dirigir ou Habilitação [...], gerando perigo de dano). Isso acontece porque para ser crime tem que gerar algum perigo de dano. No caso de o condutor sem habilitação, por não ter conhecimentos e habilidades suficientes para conduzir, coloca em risco a segurança e o patrimônio de outras pessoas. Geralmente pode ser com arrancadas ou freadas bruscas, a realização de manobras de forma errada, curvas e conversões perigosas, subindo na calçada ou no canteiro central, avançando o sinal vermelho, comprovando, assim, sua falta de domínio e colocando em risco a integridade dele e de outras pessoas. Ao ser abordado, o condutor, será autuado na infração de trânsito do art. 162, I e conduzido à delegacia de polícia competente para as providências de natureza criminal, pois a autuação administrativa não elimina as providências de natureza criminal (CTB, art. 256, § 1º). Se o condutor dirige sem habilitação, mas conduz de forma adequada, com domínio sobre as normas de circulação, não colocando em risco a segurança e o patrimônio de outras pessoas, não estará cometendo crime e sim apenas infração de trânsito do art. 162, I. Dirigir com o documento de habilitação cassado A infração de trânsito do art. 162, II do CTB (dirigir veículo com Carteira Nacional de Habilitação, Permissão para Dirigir ou Autorização para Conduzir 57 Ciclomotor cassada [...]) nem sempre terá incidência no crime do art. 309 do CTB (dirigir veículo automotor, em via pública, [...]se cassado o direito de dirigir, gerando perigo de dano). As regras orientadas no tópico anterior, de gerar perigo de dano, se aplicam a esta situação também. Perceba que dificilmente alguém que tenha carteira de habilitação, mas tenha sido cassado, perderá a capacidade e domínio de conduzir o veículo, pois suas experiências continuam as mesmas. Quem tem a CNH cassada perde definitivamente o direito de dirigir e, como tal, é considerado inabilitado, e será crime se for percebido que sua condução está gerando perigo de dano. Já quem foi autuado neste mesmo art. 162, II por ter o documento de habilitação suspenso pode incidir em outro tipo penal, que você verá abaixo. Dirigir com o documento de habilitação suspenso A infração de trânsito do art. 162, II (dirigir veículo com Carteira Nacional de Habilitação [...] ou Autorização para Conduzir Ciclomotor [...] com suspensão do direito de dirigir) terá incidência direta no crime do art. 307 do CTB (violar a suspensão [...] para dirigir veículo automotor imposta com fundamento neste Código). Neste caso, a situação de gerar perigo de dano não é o elemento que irá transformas a infração em crime de trânsito, conforme é tratado no art. 309 do CTB. Quem for autuado no art. 162, II, do CTB por dirigir com a habilitação suspensa, deve ser conduzido à delegacia de polícia competente para as providências em relação ao seu crime. Você estudará melhor a distinção entre cassação e suspensão de habilitação no Módulo III – Penalidades e medidas administrativas. Entregar ou permitir a direção de veículo em determinadas circunstâncias As infrações de trânsito do art. 163 c/c (combinado com) art. 162, I (entregar a direção do veículo a pessoa quenão possui CNH, PD ou ACC), do art. 163 c/c art. 162, II (entregar a direção do veículo a pessoa com CNH, PD ou ACC cassada ou com suspensão do direito de dirigir), do art. 164 c/c art. 162, I (permitir que pessoa que não possui CNH, PD ou ACC tome posse do veículo automotor e passe a conduzi- lo na via), do art. 164 c/c art. 162, II (permitir que pessoa com CNH, PD ou ACC cassada ou com suspensão do direito de dirigir tome posse do veículo automotor e 58 passe a conduzi-lo na via), do art. 166 (confiar ou entregar a direção de veículo a pessoa que, mesmo habilitada, por seu estado físico ou psíquico, não estiver em condições de dirigi-lo com segurança), todos do CTB, terão incidência direta no crime do art. 310 do CTB (permitir, confiar ou entregar a direção de veículo automotor à pessoa não habilitada, com habilitação cassada ou com o direito de dirigir suspenso, ou, ainda, a quem, por seu estado de saúde, física ou mental, ou por embriaguez, não esteja em condições de conduzi-lo com segurança). As infrações citadas no parágrafo acima já foram discutidas na Aula 3 deste módulo. Qualquer dúvida retorne à aula para esclarecer melhor o assunto. Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa A infração de trânsito do art. 165 do CTB (dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência) nem sempre terá incidência no crime do art. 306 do CTB (conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência). No caso do condutor fazer o teste do bafômetro para comprovar a infração e a medida do aparelho for igual ou superior a 0,34 mg/L, vai ser autuado por infração de trânsito do art. 165 e será conduzido a delegacia de polícia. Se a medição for entre 0,05 mg/L e 0,33 mg/L, o condutor está cometendo apenas infração de trânsito conforme o mesmo artigo e o veículo será retido até que tenha um condutor com habilitação para retirar o carro e a habilitação do infrator é recolhida pelo agente. Em caso de recusa do condutor em realizar o teste do bafômetro, o infrator, além da autuação no art. 165-A, será conduzido à delegacia de polícia, no caso de apresentar sinais de alteração da capacidade psicomotora do condutor, conforme Resolução nº 432/2013-CONTRAN, feito em formulário específico* e com o relato de testemunhas para o procedimento policial. Pode ser realizado um exame clínico feito pelo médico perito avaliador ou testes laboratoriais feitos pelo Instituto Médico Legal, em caso de ser constatada a embriaguez ou uso de substâncias psicoativas, também pode ser confirmado por imagens de vídeo, pela prova testemunhal ou por outros meios admitidos legalmente, dando o direito à contraprova do infrator. 59 Disputar corrida ou promover ou participar de competição As infrações de trânsito do art. 173 (disputar corrida) e do art. 174 (promover, na via, competição, eventos organizados, exibição e demonstração de perícia em manobra de veículo, ou deles participar, como condutor, sem permissão da autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via), ambos do CTB, nem sempre terão incidência no crime do art. 308 do CTB (participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística ou ainda de exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada pela autoridade competente, gerando situação de risco à incolumidade pública ou privada). Figura 17: Faixa de Pedestres Fonte: Marcelo Camargo/Agência Brasil. https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2021-04/pedestres-atravessam-faixa-em-brasilia-ha- 24-anos-capital-1618947377 O que acontece é que para ser crime tem que haver risco à segurança pública ou privada. Tem relação com garantir o bem-estar e segurança de pessoas ou de bens https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2021-04/pedestres-atravessam-faixa-em-brasilia-ha-24-anos-capital-1618947377 https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2021-04/pedestres-atravessam-faixa-em-brasilia-ha-24-anos-capital-1618947377 60 em situação que possa ameaçar essa seguridade, o que pode acontecer com corridas e competições em via pública. Então se a conduta dos infratores coloca em risco outras pessoas que estejam nas proximidades, seja assistindo o evento ou que estejam se deslocando em via pública, o crime é constatado, mesmo que não haja danos físicos ou materiais. Os participantes, ao serem abordados, serão autuados na infração de trânsito do art. 173 ou 174 e serão conduzidos à delegacia de polícia. Acidente de trânsito com vítimas A infração de trânsito do art. 176, I do CTB (deixar o condutor envolvido em acidente com vítima de prestar ou providenciar socorro à vítima, podendo fazê-lo) terá incidência direta no crime do art. 304 do CTB (deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar imediato socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar de solicitar auxílio da autoridade pública). Assim, quem é autuado no art. 176, I do CTB deve ser, em seguida, conduzido à delegacia de polícia competente para as providências de natureza criminal. Já a infração de trânsito do art. 176, III do CTB (deixar o condutor envolvido em acidente com vítima de preservar o local, de forma a facilitar os trabalhos da polícia e da perícia) nem sempre terá incidência no crime do art. 312 do CTB (inovar artificiosamente, em caso de acidente automobilístico com vítima, na pendência do respectivo procedimento policial preparatório, inquérito policial ou processo penal, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, a fim de induzir a erro o agente policial, o perito, ou juiz). A não ser que os envolvidos tentem adulterar o local e alterar a dinâmica dos fatos e as conclusões a que se possam chegar a respeito da responsabilidade pela ocorrência dos danos causados, à vida e ao patrimônio. Neste caso, a conduta, além de infração de trânsito, configura o crime do art. 312 do CTB. Em relação ao condutor do outro veículo, que não esteja envolvido no acidente de trânsito, mas que se recuse a prestar socorro, quando o agente de trânsito solicitar, está passível a ser autuado na infração do art. 177 do CTB (deixar o condutor de prestar socorro à vítima de acidente de trânsito quando solicitado pela autoridade e seus agentes) e de ser conduzido à delegacia de polícia em razão do crime previsto no art. 135 do Código Penal (deixar de prestar assistência quando possível fazê-lo sem risco pessoal, [...] a pessoa inválida ou ferida [...], ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública). 61 Figura 18: Forte Chuva Fonte: Fernando Frazão/Agência Brasil. https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2019-12/forte-chuva-fez-cidade-do-rio-entrar-em- estagio-de-atencao-1582308267 https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2019-12/forte-chuva-fez-cidade-do-rio-entrar-em-estagio-de-atencao-1582308267 https://agenciabrasil.ebc.com.br/foto/2019-12/forte-chuva-fez-cidade-do-rio-entrar-em-estagio-de-atencao-1582308267 62 AULA 5 – ESCLARECENDO OUTRAS QUESTÕES Vale lembrar que a legislação de trânsito muda constantemente, como também sempre estão passando por mudanças a circulação de pessoas e veículos nas vias públicas. O conhecimento das pessoas também passa por transformações, principalmente com as informações que recebemos diariamente de diversos meios de comunicação, principalmente com a internet, que hoje acaba sendo uma forma muito prática de estar por dentro da legislação de trânsito. Também podemos nos aperfeiçoar em relação às mudanças nos noticiários da TV, nos jornais diários e revistas que sempre estão se atualizando para levar informações e discussões sobre o direito fundamentalde ir e vir. Estudar o Código de Trânsito Brasileiro e sua legislação complementar deve fazer parte da busca por conhecimento do profissional de segurança pública. Figura 19: Circulação de Pessoas Fonte: Marcelo Camargo/Agência Brasil. Pensando na quantidade de informações vindas de diversos veículos comunicativos, algumas questões em relação ao funcionamento da legislação podem 63 gerar dúvidas e o profissional de segurança pública precisa estar atento para que seu trabalho esteja sempre atualizado. Veja abaixo algumas dessas dúvidas: Autuação em trânsito Quais as infrações previstas no CTB que podem ser autuadas em trânsito (sem que o agente precise abordar o infrator)? As infrações são aquelas que não foram estabelecidas uma medida administrativa que tenha “por objetivo prioritário a proteção à vida e à incolumidade física da pessoa” (CTB, art. 269, § 1º). Se tiver no CTB uma medida corretiva, como, por exemplo, não utilizar o cinto de segurança (art.167), o agente não pode autuar a infração para depois penalizar o condutor, pois o que é previsto nesse caso é reter o veículo até que o infrator coloque o cinto. Desta forma, podem ser autuadas em trânsito, dentre outras infrações: a utilização do telefone celular pelo condutor na direção do veículo (art. 252, VI); o avanço do sinal vermelho (art. 208); os excessos de velocidade em via pública previstos no art. 218; as ultrapassagens, conversões e retornos indevidos (arts. 202, 203, 205, 206, 207 e 211). Isto porque, nestes casos, não se encontram previstas no CTB medidas administrativas de caráter corretivo. No entanto, o ideal é que o agente de trânsito aborde o condutor do veículo para constatar a infração de trânsito, pois a abordagem é uma atitude pedagógica para o infrator, com o intuito de gerar uma reflexão ao ser autuado, prevenindo que ele tenha a mesma conduta mais de uma vez. O profissional de segurança pública, além de estar por dentro das medidas administrativas de cada infração, precisa estar atento ao que diz o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (Volumes I e II). Nele estão todos os procedimentos específicos que deve tomar em casos de: possível sem abordagem, mediante abordagem e os procedimentos. Você verá mais informações sobre isto no Módulo 4. A conclusão é: Podem ser autuadas em trânsito todas as infrações que não tenham previsão de medida administrativa corretiva da conduta do infrator, mas se no artigo da infração houver uma medida administrativa com o objetivo de proteger a vida e a segurança física da pessoa, esta medida deve ser adotada obrigatoriamente. 64 Trânsito de motocicleta entre veículos parados Ao motociclista é permitido percorrer entre veículos parados no trânsito? Analisando o art. 211 do CTB, pode-se, de modo errado, pensar que não, pois ele diz: “Ultrapassar veículos em fila, parados em razão de sinal luminoso, cancela, bloqueio viário parcial ou qualquer outro obstáculo, com exceção dos veículos não motorizados: Infração – grave; Penalidade – multa”. Porém, um estudo feito do CTB nesse ponto, nos leva ao art. 56 que foi vetado, mas estabelecia que “É proibida ao condutor de motocicleta, motonetas e ciclomotores a passagem entre veículos de filas adjacentes ou entre a calçada e veículos de fila adjacente a ela”. O artigo foi vetado pelo Presidente da República justificando que “ao proibir o condutor de motocicletas e motonetas à passagem entre veículos de filas adjacentes, o dispositivo restringe sobremaneira a utilização deste tipo de veículo que, em todo o mundo, é largamente utilizado como forma de garantir maior agilidade de deslocamento (...)”. Então, não é infração de trânsito a motocicleta ou motoneta transitar entre veículos parados em fila ou entre os veículos e a calçada. Se fosse proibido, os congestionamentos se tornariam ainda maiores, pois os veículos de duas rodas não poderiam trafegar entre os carros parados, ocupariam o espaço para um automóvel, perdendo a capacidade fluidez das vias públicas urbanas. Em relação aos motociclistas transitarem entre veículos em movimento, há um descumprimento do que estabelece no § 1º do art. 29 do CTB: “As normas de ultrapassagem prevista nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do inciso X e ‘a’ e ‘b’ do inciso XI aplicam- se à transposição de faixas, que pode ser realizada tanto pela faixa da esquerda como pela da direita”. Se isso ocorrer, o condutor pode ser enquadrado na infração prevista no art. 169: “dirigir [...] sem os cuidados indispensáveis à segurança”. Desta forma, são aplicáveis às motocicletas e motonetas as regras de ultrapassagem de veículo e de transposição de faixas de circulação previstas no art. 29, incisos X, XI, XII e seu § 1º. A conclusão é que é permitida a condução de motocicleta e motoneta entre veículos parados no trânsito. Com relação aos ciclomotores há que ser observada a regra do art. 57, ou seja, conduzi-los no bordo direito da pista de rolamento. 65 Motocicletas lado a lado Duas motocicletas transitando lado a lado, na mesma faixa de trânsito, cometem infração do art. 188 do CTB (transitar ao lado de outro veículo, interrompendo ou perturbando o trânsito)? Não. Para que haja esta infração é necessário que, além de estarem lado a lado, haja a interrupção ou perturbação do fluxo de trânsito da via. Desta forma, duas motocicletas podem transitar uma ao lado da outra, respeitada a devida distância de segurança lateral entre elas, tanto em rodovias quanto em via urbana, desde que estejam na mesma faixa de trânsito. A ultrapassagem de um motociclista isolado ou de uma dupla de motociclistas, por parte de outros veículos, irá obedecer às disposições dos incisos X e XI do art. 29 do CTB. Porém, três motocicletas deslocando na mesma faixa de trânsito caracterizam a infração de “dirigir [...] sem os cuidados indispensáveis à segurança” (art. 169), pois, neste caso, haverá um necessário descuido da distância de segurança lateral entre estes veículos em deslocamento. A conclusão é que duas motocicletas que transitam lado a lado, na mesma faixa de circulação, em via urbana ou em rodovia, não cometem infração de trânsito. Autuação de embriaguez ao volante sem disponibilidade de bafômetro O agente de trânsito pode autuar a infração do art. 165 do CTB por meio do relatório de comprovação da alteração da capacidade psicomotora do condutor (termo de constatação de alcoolemia), sem primeiro solicitar a submissão ao teste do bafômetro? No ano de 2006, quando o condutor de veículo automotor que estivesse envolvido num acidente de trânsito ou que durante a fiscalização levantasse suspeita por estar dirigindo alcoolizado, se recusava a fazer os testes de alcoolemia previstos na vigência da Resolução nº 081/1998-CONTRAN, não eram penalizados com consequências administrativas previstas na legislação de trânsito (art. 165 do CTB). Porém, o CTB sofreu mudanças para que evitasse essa impunidade, por meio da Lei nº 11.275, de 06 de fevereiro de 2006 – reafirmada depois pela Lei nº 12.760, de 20 de dezembro de 2012 - ao estabelecer que o condutor de veículo automotor, naquelas situações, poderá ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro 66 procedimento que, por meios técnicos ou científicos, permita certificar se o condutor ingeriu álcool ou outra substância psicoativa que determine dependência. Também previu que a infração do art. 165 poderá ser certificada com outras provas, como imagem, vídeo, constatação de sinais que indiquem alteração da capacidade psicomotora ou produção de outras provas em direito admitidas (CTB, art. 277 e § 2º). Com base na disposição de lei, o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), por meio da Resolução nº 432/2013, determinou que a confirmação da alteração da capacidade psicomotora, em razão da influência de álcool ou de outra substânciapsicoativa que determine dependência, teria constatação por, pelo menos, um dos seguintes procedimentos a serem realizados no condutor de veículo automotor: a) exame de sangue; b) exames realizados por laboratórios especializados, indicados pelo órgão ou entidade de trânsito competente ou pela Polícia Judiciária, em caso de consumo de outras substâncias psicoativas que determinem dependência; c) teste em aparelho destinado à medição do teor alcoólico no ar alveolar (etilômetro); d) verificação dos sinais que indiquem a alteração da capacidade psicomotora do condutor. A mesma resolução estabeleceu um relatório que serve de guia para constatação dos sinais de alteração da capacidade psicomotora pelo agente da autoridade de trânsito, onde estão descritos aspectos relativos à aparência, atitude, orientação, memória, capacidade motora e verbal (previstos no anexo II da citada resolução). Existe uma polêmica em relação à necessidade de haver recusa do condutor à realização do teste do bafômetro, para, assim, buscar outras formas de poder caracterizar a infração. Fazendo uma análise do § 2º do art. 3º da resolução, é indicado que existe essa necessidade quando fala: “nos procedimentos de fiscalização deve-se priorizar a utilização do teste com etilômetro”. Em relação a caracterização do crime que consta no art. 306 do CTB, foram acrescentados como prova, sinais que indiquem alteração da capacidade psicomotora mediante exame clínico, perícia, vídeo, testemunhas ou outros meios admitidos legalmente, dando o direito à contraprova. Antes apenas eram considerados para comprovação de concentração igual ou superior a 0,34mg de álcool por litro de ar https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=250598 67 alveolar (teste etilômetro) ou de 6 decigramas de álcool por litro de sangue (exame sanguíneo). A conclusão é que na apuração do cometimento da infração do art. 165 do CTB, o agente de trânsito deve proporcionar, inicialmente, os meios necessários para a realização do teste do bafômetro. Havendo recusa do infrator e caso exista um conjunto de sinais que denote a alteração da capacidade psicomotora, será preenchido o devido relatório de constatação de embriaguez, que caso seja comprovado cabem todas as consequências legais, tal como se fosse aplicado o teste do bafômetro. Segunda via de auto de infração A segunda via do auto de infração de trânsito (AIT) deve ser entregue ao condutor/proprietário quando ele comete infração e se recusa a assinar? A assinatura do condutor/infrator, devidamente identificado no auto de infração, constitui, além de notificação da autuação, recibo da segunda via a ser entregue. Mesmo quando o condutor/infrator se recusar a assinar o auto de infração de trânsito ele terá direito de receber a segunda via. É preciso colocar no campo ASSINATURA DO CONDUTOR/INFRATOR a expressão “recusou-se a assinar” ou “optou por não assinar”. Além do mais, é importante a entrega da segunda via principalmente nestas situações: a) os casos de autuação de infração de estacionamento (CTB, art. 181), em que o condutor não é identificado (ausente), devendo a segunda via ser colocada junto ao veículo; b) as autuações em que houver recolhimento de documentação de veículo e/ou de seu condutor, nas quais a segunda via servirá como contrarrecibo, sendo entregue ao condutor mesmo se houver recusa de sua assinatura. Podemos notar que existe uma má interpretação do usuário do sistema de trânsito em relação a sua assinatura do auto de infração. Ao contrário do que se pensa, ela não representa uma admissão de culpa ou confissão que cometeu a infração e também não impede que os recursos legais cabíveis sejam tomados. Na verdade, é uma garantia para o infrator, pois quando assina e recebe a segunda via, terá a segurança que impede a inovação no auto de infração ou mesmo a correção de uma irregularidade formal que venha a ser constatada depois. A conclusão que se pode tirar é que uma via do AIT será utilizada pelo órgão ou entidade de trânsito para os procedimentos administrativos de aplicação das 68 penalidades previstas no CTB e a outra via deverá ser entregue ao condutor, quando se tratar de autuação com abordagem, ainda que este se recuse a assiná-lo (Resolução nº 561/2015-CONTRAN, item 7. Autuação). Viseira escura no capacete motociclístico Ao condutor de motocicleta é permitido o uso de viseira escura? Sim, desde que utilizada durante o dia e que nela não tenha qualquer tipo de película. A Resolução nº 203/2006-CONTRAN, art. 3º, § 4º, estabelece que “no período noturno, é obrigatório o uso de viseira padrão cristal”. Se a viseira do capacete é escura e utilizando a noite, o condutor deve utilizar os óculos de proteção apropriados sem lentes escuras e mantendo a viseira (escura) do capacete totalmente levantada. Quanto à aposição de película na viseira do capacete ou nos óculos de proteção, este procedimento é totalmente proibido, nos termos do § 5º do art. 3º da citada resolução. Com relação aos condutores que têm restrição de correção visual, devidamente anotada na Carteira Nacional de Habilitação, estes deverão ser utilizados simultaneamente com os óculos de proteção. Da mesma forma, se o condutor optar por utilizar óculos de sol durante o dia, estes deverão ser utilizados simultaneamente com os óculos de proteção ou utilizados com a viseira do capacete totalmente abaixada. Porém, se a viseira escura, sem nenhuma película, é utilizada à noite, fica comprovada a infração prevista no art. 169 do CTB: “dirigir [...] sem os cuidados indispensáveis à segurança”. A conclusão é que ao condutor de motocicleta é permitido o uso de viseira escura, sem colocação de película, durante o dia, sendo incorreta autuação de infração de trânsito neste caso. Remoção de veículos Como deve ser efetivada a remoção de veículos conforme previsão do CTB? O Código de Trânsito Brasileiro decreta no art. 271 que “o veículo será removido, nos casos previstos neste código, para o depósito fixado pelo órgão ou entidade competente [...]”, não tratou a forma que esta medida administrativa deve ser feita. Em relação a isso, no parágrafo único do artigo, tem referência somente a 69 “despesas com remoção”, do que se conclui a possibilidade de guinchamento, por meio de caminhão guincho. Entendemos que esta remoção pode ser feita de acordo com o poder conferido ao agente do poder público, realizando-a através de guincho ou por intermédio do condutor/infrator, se ele se propõe a fazê-la e se houver certeza de que ele irá conduzir o veículo ao pátio do órgão competente. Para isto, o condutor deve ser habilitado, estar com a CNH dentro do prazo e possuir também o certificado de registro e licenciamento do veículo. Os documentos ficam provisoriamente com o agente de trânsito até que o veículo chegue ao pátio do órgão e sejam devolvidos. É necessário esclarecer que, em situações normais, o agente de trânsito não deve dirigir o veículo removido para o pátio do órgão, pois, desta forma, assumirá a responsabilidade civil e administrativa por danos ou acidentes eventualmente ocorridos no trajeto entre o local da fiscalização e o pátio do órgão. O agente também não deve acompanhar a remoção dentro do veículo, mesmo com o consentimento do condutor/infrator, e sim acompanhá-lo com o seu veículo de fiscalização. Dessa forma, a conclusão é que fica a critério do agente de trânsito fiscalizador da remoção, quando determinada pelo CTB, e poderá ser realizada por guincho ou através do próprio condutor/infrator, quando habilitado e quando demonstrada a certeza de que ele conduzirá o veículo ao pátio do órgão competente. Prazo de carência da carteira provisória A carência de trinta dias do vencimento da CNH, para a caracterização da infração do art. 162, V do CTB, também se aplica à Permissão para Dirigir?Conforme infração prevista no art. 162, V do CTB (dirigir veículo com validade da Carteira Nacional de Habilitação vencida há mais de trinta dias), ocorre quando chega o 31º dia de vencimento do documento. A lei concedeu o prazo de trinta dias para que a CNH seja renovada, prazo também que se encerra a validade do exame de aptidão física e mental do condutor. O período é de dez anos para condutor com menos de 50 anos, de cinco anos para condutor com mais de 50 anos e menos de 70 anos e de três anos para o condutor com 70 anos ou mais (CTB, art. 147, § 2º). Se analisarmos ao pé da letra a lei, essa carência de 30 dias é aplicada somente em relação à CNH e não em relação à Permissão para Dirigir. Porém, o CONTRAN, pacificando esta discussão, na Resolução n.º 789, de 18 de junho de 2020 ampliou o prazo também de 30 dias para essa situação, mas é importante saber 70 que conforme § 5º do art. 28: “Para efeito de fiscalização, dirigir veículo portando PPD vencida há mais de trinta dias constitui infração de trânsito prevista no inciso I do art. 162 do CTB” (grifo nosso). A conclusão é que o condutor que tenha CNH ou Permissão para dirigir vencida há mais de 30 dias, comete infração de trânsito capitulada no art. 162, I e no art. 162, V do CTB. Prática de direção em rodovia O candidato à habilitação pode ter aulas de prática de direção em rodovias? Sim, pois não há proibição expressa no Código de Trânsito Brasileiro quanto à realização destas aulas em rodovias, o qual, no seu art. 158 estabelece que “a aprendizagem só poderá realizar-se: I – nos termos, horários e locais estabelecidos pelo órgão executivo de trânsito [...]”. A Resolução nº 789/2020-CONTRAN, que trata das normas sobre o processo de formação de condutores de veículos automotores e elétricos, não foi categórica em proibir a prática de direção veicular em rodovias. Cabe ao Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) estabelecer condições para o processo de formação de condutores no Estado em que atua, conforme estabelecido no art. 22, II do CTB: “realizar, fiscalizar e controlar o processo de formação, de aperfeiçoamento, de reciclagem e de suspensão de condutores e expedir e cassar Licença de Aprendizagem, Permissão para Dirigir e Carteira Nacional de Habilitação, mediante delegação do órgão máximo executivo de trânsito da União”. Desse modo, cada órgão executivo de trânsito pode elaborar os termos e condições para a realização da instrução de prática de direção veicular em rodovias, inclusive nas federais, pois não cabe ao órgão executivo rodoviário da União tratar de assuntos relativos ao processo de habilitação, nem estabelecer normas pertinentes à aprendizagem. Porém, os agentes que fiscalizam o cumprimento da legislação de trânsito em relação à aprendizagem – seja em rodovias ou vias urbanas – devem exigir: 1) Do aprendiz condutor: licença de aprendizagem de direção veicular (LADV) e documento de identidade com foto; 2) Do instrutor: credencial de instrutor emitida pelo órgão executivo de trânsito; 71 3) Do veículo: identificação conforme o art. 154 do CTB e atendimento de outras exigências legais (CRLV em dia, duplo comando de freios e embreagem e demais equipamentos obrigatórios). A conclusão é que não existe, na legislação de trânsito em vigor, proibição expressa quanto à realização da instrução de prática de direção veicular em rodovias. Ao contrário, esta instrução deve ser incentivada, pois a formação do futuro condutor exige experiências de aprendizagem também na via rural, capacitando o motorista para bem dirigir neste ambiente. Obrigatoriedade do tacógrafo Quais os veículos que, obrigatoriamente, devem utilizar tacógrafo? As informações em relação à obrigatoriedade do uso de registrador instantâneo inalterável de velocidade e tempo (tacógrafo) estão presentes em artigo do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), da legislação complementar e na Resolução nº 014/1998-CONTRAN e podem ser resumidas nas seguintes situações: 1) Para veículos de transporte e condução de escolares e nos de transporte de passageiros com mais de dez lugares que realizem transporte remunerado de pessoas (CTB, art. 105, II e Res. 014/1998, art. 1º, I, 21); 2) Para veículos de transporte de carga (caminhão e caminhão-trator) com peso bruto total (PBT) superior a 4.536 kg fabricados a partir de 01/01/1999 (CTB, art. 105, II e Res. 014/1998, art. 6º, II); 3) Para veículos de transporte de carga que conduzem produtos perigosos, independentemente do peso bruto total ou da capacidade máxima de tração do veículo (Decreto n.º 96.044/1988, art. 5º). Assim, não estão obrigados a instalar tacógrafo os veículos de transporte de passageiros ou de uso misto, registados na categoria particular e que não realizem transporte remunerado de pessoas (Res. 014/1998, art. 2º, III, “b”), como também os veículos de carga com capacidade máxima de tração (CMT) inferior a 19 toneladas fabricados até 31/12/1990 (Res. 014/1998, art. 2º, III, “a”). A conclusão é que a exigência do tacógrafo se faz nos veículos de transporte de carga com PBT superior a 4.536 kg fabricados a partir de 1999, aos veículos de transporte de escolares, aos veículos de transporte de passageiros com mais de dez lugares e aos veículos de transporte de carga que conduzem produtos perigosos. 72 Prazo de carência do licenciamento anual Quando que o veículo não se encontra “devidamente licenciado” (art. 230, V do CTB)? Da mesma forma que acontece com os documentos de habilitação em que há o período de 30 dias para a renovação, a legislação de trânsito também estabeleceu um prazo para o licenciamento anual de veículos. A Resolução n.º 664/86-CONTRAN, em seu art. 11, estabelece que “será também considerado ‘sem estar devidamente licenciado’ o veículo encontrado circulando com o CRLV sem o lançamento da liquidação integral da obrigação tributária [...] quando decorridos 10 (dez) dias do prazo fixado para vencimento da 3ª cota ou equivalente [..]”. Se o IPVA for parcelado, para efeito de fiscalização do art. 230, V do CTB, considera-se o prazo final de vencimento da última parcela, mais os dez dias seguintes. Desta forma, não comete infração, por exemplo, o veículo que está com a segunda parcela atrasada, pois ela pode ser paga juntamente com a terceira parcela, quitando sua dívida. Porém, se a primeira parcela não for paga (demonstrando o atraso do licenciamento do ano anterior), essa carência não é considerada e fica comprovada a infração, fazendo com o que o infrator responda administrativamente, sofrendo autuação de natureza gravíssima e tendo o veículo removido para que a regularização seja efetuada. A conclusão é que comete infração de trânsito (capitulada no art. 230, V do CTB) o veículo que esteja circulando com mais de dez dias do vencimento do licenciamento ou do vencimento da última cota (quando o IPVA for parcelado). Tolerância em autuação de embriaguez ao volante Existe tolerância em relação aos limites que caracterizam a infração de trânsito do art. 165 do CTB (dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência) e o crime de trânsito do art. 306 do CTB (conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência)? É importante esclarecer que o § 1º do art. 306 do CTB fala das circunstâncias que caracterizam o crime de embriaguez ao volante e estabeleceu que as condutas 73 devem ser constatadas quando há concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar. O § 3º do mesmo artigo estabeleceu que o CONTRAN resolverá sobre a equivalência entre os distintos testes de alcoolemia ou toxicológicos paraefeito de caracterização do crime tipificado. A Resolução nº 432/2013-CONTRAN, que tratou sobre os procedimentos a serem adotados pelas autoridades de trânsito e seus agentes na fiscalização do consumo de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência, para aplicação do disposto nos arts. 165, 276, 277 e 306 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, estabeleceu no seu art. 6º, II que a infração de trânsito do art. 165 do CTB será caracterizada por “teste de etilômetro com medição realizada igual ou superior a 0,05 miligrama de álcool por litro de ar alveolar expirado (0,05 mg/L), descontado o erro máximo admissível [...]” (grifo nosso) e no seu art. 7º, II, definiu que o crime previsto no art. 306 do CTB será caracterizado por “teste de etilômetro com medição realizada igual ou superior a 0,34 miligrama de álcool por litro de ar alveolar expirado (0,34 mg/L), descontado o erro máximo admissível [...]” (grifo nosso). Desta forma, o erro máximo admissível (ou margem de erro) é a variação na medição realizada, uma vez que não é praticada com a máxima precisão possível. Não se trata de tolerância, como liberalidade da lei ou da autoridade administrativa, mas sim de aspectos relativos à normatização metrológica feita em nosso país pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO). Existe um erro máximo admitido nas medições de velocidade, de peso, de transmitância luminosa de vidros e outros materiais aplicados nas áreas envidraçadas de veículos e de níveis de embriaguez, dentre outros. Assim, a resolução, no parágrafo único do art. 4º esclareceu que “do resultado do etilômetro (medição realizada) deverá ser descontada margem de tolerância, que será o erro máximo admissível, conforme legislação metrológica, de acordo com a “Tabela de Valores Referenciais para Etilômetro” constante no Anexo I” (conforme tabela abaixo). No tocante ao erro máximo admissível, conforme Regulamento Técnico Metrológico (Portaria n.º 06/2002 do INMETRO), deverão ser descontados do valor medido pelo aparelho etilômetro (bafômetro) os seguintes referenciais: a) 0,032 mg/L para as medições realizadas inferiores a 0,40 mg/L; https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-contran/resolucoes/resolu-o-uo-432-2013c.pdf 74 b) 8% para as medições realizadas entre 0,40 mg/L e 2,000 mg/L, inclusive; c) 30% para medições maiores que 2,000 mg/L. TABELA DE ERRO MÁXIMO E VALOR A SER DESCONTADO Assim, será aplicada a seguinte fórmula: Quando o valor considerado for positivo (a partir de 0,01 mg/L) estará caracterizada a infração de trânsito, nos termos do art. 276 do CTB, alterado pela Lei nº 12.760/2012: “qualquer concentração de álcool por litro de sangue ou por litro de ar alveolar sujeita o condutor às penalidades previstas no art. 165 deste Código” (grifos nossos). É o que ocorre nos valores medidos a partir de 0,05 mg/L, com a aplicação da referida fórmula: 0,05 – 0,04 = 0,01 mg/L. Valor medido Erro máximo De 0,01 a 0,50 mg/L 0,04 De 0,51 a 0,63 mg/L 0,05 De 0,64 a 0,75 mg/L 0,06 De 0,76 a 0,88 mg/L 0,07 De 0,89 a 1,00 mg/L 0,08 De 1,01 a 1,13 mg/L 0,09 De 1,14 a 1,25 mg/L 0,10 De 1,26 a 1,38 mg/L 0,11 De 1,39 a 1,50 mg/L 0,12 De 1,51 a 1,63 mg/L 0,13 De 1,64 a 1,75 mg/L 0,14 De 1,76 a 1,88 mg/L 0,15 De 1,89 a 2,00 mg/L 0,16 De 2,01 a 2,03 mg/L 0,61 De 2,04 a 2,06 mg/L 0,62 Valor medido – erro máximo = valor considerado 75 Quando o valor medido for igual ou superior a 0,35 mg/L estará caracterizado, além da infração de trânsito, o crime previsto no art. 306 do CTB: 0,34 – 0,04 = 0,30 mg/L. A conclusão é que na verificação do índice de alcoolemia do condutor, o agente deve diminuir da medição realizada pelo bafômetro o erro máximo admitido pela legislação metrológica. Se o resultado da operação for positivo (igual ou maior que 0,01) estará caracterizada a infração de trânsito do art. 165 do CTB. Se o resultado da operação for igual ou superior a 0,30 mg/L, estará caracterizado também o crime de embriaguez ao volante (art. 306 do CTB). Habilitação de estrangeiro Como proceder com relação ao documento de habilitação do estrangeiro ou do brasileiro habilitado em outro país? A Resolução nº 360/2010, de 29 de setembro de 2010, do CONTRAN, revogada pela nº. 933/2022 estabelece as situações em que o condutor de veículo automotor natural de país estrangeiro com habilitação em seu país, quando amparado por convenções ou acordos internacionais ratificados e aprovados pelo governo brasileiro ou pela adoção do Princípio da Reciprocidade (conforme relação abaixo), desde que possa ser passível de responsabilização, está autorizado a dirigir veículo automotor no Brasil. O estrangeiro poderá dirigir no território nacional, pelo prazo máximo de 180 dias, portando a carteira de habilitação estrangeira dentro do prazo de validade, acompanhada de documento de identificação. Após o prazo de 180 (cento e oitenta) dias de presença regular no Brasil, pretendendo continuar a dirigir veículo automotor no âmbito territorial brasileiro, deverá submeter-se aos Exames de Aptidão Física e Mental e Avaliação Psicológica, nos termos do artigo 147 do CTB, respeitada a sua categoria, com vistas à obtenção da Carteira Nacional de Habilitação. Os países signatários, ou seja, assinantes, da Convenção de Viena sobre Tráfego Rodoviário também podem emitir a Permissão Internacional para Dirigir (ou Licença Internacional de Condução), documento que, por si só, possibilita dirigir veículo automotor nas vias públicas brasileiras (Figura 20). O condutor de veículo automotor, nativo de país estrangeiro e nele habilitado, em estadia regular, desde que penalmente condenável no Brasil, detentor de http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=Art.%20147.%C2%A0%20O%20candidato%20%C3%A0%20habilita%C3%A7%C3%A3o,Vide%20Lei%20n%C2%BA%2014.071%2C%20de%202020) 76 habilitação não reconhecida pelo Governo brasileiro (países que não constam na relação abaixo), poderá dirigir no território nacional mediante a troca da sua habilitação de origem pela habilitação nacional junto ao órgão ou entidade executiva de trânsito dos Estados ou do Distrito Federal e ser aprovado nos Exames de Aptidão Física e Mental, Avaliação Psicológica e de Direção Veicular, respeitada a sua categoria de habilitação, com vistas à obtenção da Carteira Nacional de Habilitação. Ao cidadão brasileiro habilitado no exterior serão aplicadas as regras estabelecidas para os estrangeiros habilitados em países signatários de acordos internacionais ou habilitados em país cuja habilitação não é reconhecida pelo governo brasileiro, respectivamente, comprovando que mantinha residência normal naquele país por um período não inferior a 06 (seis) meses, quando do momento da expedição da habilitação. O estrangeiro não habilitado, com estadia regular no Brasil, pretendendo habilitar-se para conduzir veículo automotor no Território Nacional, deverá satisfazer todas as exigências previstas na legislação de trânsito brasileira em vigor. Figura 20: Permissão Internacional de Direção Fonte: Detran. 77 Países signatários da Convenção de Viena ou com acordos de reciprocidade País Reconhecimento África do Sul Convenção de Viena Albânia Convenção de Viena Alemanha Convenção de Viena Anguilla Reciprocidade Angola Reciprocidade Arábia Saudita Convenção de Viena Argélia Reciprocidade Argentina Outros tratados Armênia Convenção de Viena Austrália Reciprocidade Áustria Convenção de Viena Azerbaijão Convenção de Viena Bahamas Convenção de Viena Barém Convenção de Viena Bélgica Convenção de Viena Bermudas Reciprocidade Bielo-Rússia (Belarus) Convenção de Viena BolíviaOutros tratados Bósnia-Herzegovina Convenção de Viena Bulgária Convenção de Viena Cabo Verde Reciprocidade Canadá Reciprocidade Catar Convenção de Viena Cazaquistão Convenção de Viena Cayman Reciprocidade Ceuta e Melilha Reciprocidade Chile Outros tratados Cingapura Reciprocidade Colômbia Reciprocidade Congo Convenção de Viena Coréia do Sul Reciprocidade Costa do Marfim Convenção de Viena Costa Rica Reciprocidade Croácia Convenção de Viena Cuba Convenção de Viena Dinamarca Convenção de Viena El Salvador Reciprocidade Emirados Árabes Unidos Convenção de Viena Equador Reciprocidade 78 Escócia Reciprocidade Eslovênia Convenção de Viena Espanha Reciprocidade Estados Unidos Reciprocidade Estônia Convenção de Viena Filipinas Convenção de Viena Finlândia Convenção de Viena França Convenção de Viena Gabão Reciprocidade Gana Reciprocidade Geórgia Convenção de Viena Gibraltar Reciprocidade Grã-Bretanha Reciprocidade Grécia Reciprocidade/Convenção de Viena Groenlândia Convenção de Viena Guadalupe Convenção de Viena Guatemala Reciprocidade Guiana Convenção de Viena Guiana Francesa Convenção de Viena Guiné-Bissau Reciprocidade Haiti Reciprocidade Holanda Reciprocidade/Convenção de Viena Honduras Reciprocidade Hungria Convenção de Viena Ilha de Pitcairn Reciprocidade Ilha Norfolk Reciprocidade Ilhas Aland Convenção de Viena Ilhas Cayman Reciprocidade Ilhas Cocos (Keeling) Reciprocidade Ilhas Cook Reciprocidade Ilhas do Canal Reciprocidade Ilhas Geórgia e Sandwich do Sul Reciprocidade Ilhas Virgens (Gb) Reciprocidade Ilhas Wallis e Futuna Convenção de Viena Indonésia Reciprocidade Inglaterra Reciprocidade Ira ou Iran Convenção de Viena Iraque Convenção de Viena Iria Ocidental Convenção de Viena Irlanda do Norte Reciprocidade Israel Convenção de Viena Itália Convenção de Viena 79 Kuwait Convenção de Viena Letônia Convenção de Viena Libéria Convenção de Viena Líbia Reciprocidade Lituânia Convenção de Viena Luxemburgo Convenção de Viena Macedônia Convenção de Viena Malvinas ou Ilhas Falkland Reciprocidade Marrocos Convenção de Viena Martinica Convenção de Viena Mayotte Convenção de Viena México Reciprocidade Moçambique Reciprocidade Moldávia (Moldova) Convenção de Viena Mônaco Convenção de Viena Mongólia Convenção de Viena Montenegro Convenção de Viena Montserrat Reciprocidade Namíbia Reciprocidade Nicarágua Reciprocidade Níger Convenção de Viena Niue Reciprocidade Noruega Convenção de Viena Nova Caledônia Convenção de Viena Nova Zelândia Reciprocidade Nueva Esparta Reciprocidade País de Gales Reciprocidade Panamá Reciprocidade Paquistão Convenção de Viena Paraguai Outros tratados Peru Outros tratados/Convenção de Viena Polinésia Francesa Convenção de Viena Polônia Convenção de Viena Porto Rico Convenção de Viena Portugal Reciprocidade/Convenção de Viena Quênia Convenção de Viena Quirguízia Convenção de Viena Reino Unido Reciprocidade República Centroafricana Convenção de Viena República Democrática do Congo Convenção de Viena República Dominicana Reciprocidade República Eslovaca Convenção de Viena 80 República Tcheca Convenção de Viena Reunião Convenção de Viena Romênia Convenção de Viena Rússia Convenção de Viena Saara Ocidental Convenção de Viena Saint-Pierre e Miquelon Convenção de Viena San Marino Convenção de Viena Santa Helena Reciprocidade São Tomé e Príncipe Reciprocidade Seicheles (Seychelles) Convenção de Viena Senegal Convenção de Viena Sérvia Convenção de Viena Suécia Convenção de Viena Suíça Convenção de Viena Svalbard Convenção de Viena Tadjiquistão Convenção de Viena Terras Austrais e Antártica Reciprocidade Território Britânico na Antártica Reciprocidade Território Britânico no Oceano Indico Reciprocidade Timor Convenção de Viena Toquelau Reciprocidade Tunísia Convenção de Viena Turcas e Caicos (Turks e Caicos) Reciprocidade Turcomenistão (Turcomênia) Convenção de Viena Turquia Convenção de Viena Ucrânia Convenção de Viena Uruguai Outros tratados/Convenção de Viena Uzbequistão Convenção de Viena Venezuela Reciprocidade Vietnam Convenção de Viena Zimbábue Convenção de Viena Finalizando Neste módulo, você estudou que: - Cada infração de trânsito prevista nos artigos de 162 a 255 do CTB equivale a cada norma geral de circulação e conduta prevista nos artigos de 26 a 67. Tipificação de infração de trânsito é a relação direta entre a conduta que o agente percebeu e o que é previsto no CTB. 81 - A Resolução nº 066/1998-CONTRAN detalhou a distribuição de competências entre Estado e município em relação à fiscalização de trânsito em vias públicas urbanas. Quando se fala de fiscalizar rodovias e estradas, federais ou estaduais, o profissional de segurança pública pode agir levando em conta todas as infrações de trânsito que o CTB prevê. Para orientar melhor o trabalho que será desenvolvido pelo profissional de segurança pública, direcionando como devem ser feitas as autuações, por exemplo, existe o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (Volumes I e II), instituídos por meio das Resoluções nº 389/2011 e nº 985/2022, que abordam diversas instruções e informações detalhadas para cada infração de trânsito. Consulte sempre que necessário. - Infração de trânsito é conduta humana, isto é, o comportamento que tem o condutor, passageiro ou pedestre. Você, profissional de segurança pública, deve analisar todos os elementos objetivos para tipificar as infrações de trânsito. Você também estudou as análises de cada infração de trânsito detalhadamente. - Algumas infrações de trânsito se conectam com crimes de trânsito, previstos nos artigos de 302 a 312 do CTB. O profissional de segurança pública deve agir para penalizar administrativamente o infrator e dar o encaminhamento ao sistema policial e judiciário para tratar das condutas que são crimes de trânsito. https://www.gov.br/transportes/pt-br/pt-br/assuntos/transito/conteudo-contran/resolucoes/mbvt20222.pdf https://www.gov.br/transportes/pt-br/pt-br/assuntos/transito/conteudo-contran/resolucoes/mbvt20222.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%C2%A0%20Art.%20302.%20Praticar%20homic%C3%ADdio%20culposo%20na%20dire%C3%A7%C3%A3o%20de%20ve%C3%ADculo%20automotor%3A 82 MÓDULO 3 – PENALIDADES E MEDIDAS ADMINISTRATIVAS Apresentação do módulo O profissional de segurança pública no exercício de suas funções de fiscalização de trânsito, após constatar o cometimento da infração, precisa tomar as providências que a legislação determina. Com isso, as consequências, que podem ser imediatas ou posteriores, serão geradas para o infrator e o profissional além de autuar, precisa tomar providências corretivas (se o CTB indicar) e providências posteriores relacionadas à penalização pelo órgão responsável. Para isto, a legislação estabeleceu, como consequências da infração, providências que a autoridade de trânsito irá tomar para punir a conduta infratora e dos agentes de trânsito responsáveis pela fiscalização, que “terão por objetivo prioritário a proteção à vida e à incolumidade física da pessoa” (CTB, art. 269, § 1º). Neste contexto, você irá analisar neste módulo as penalidades e medidas administrativas previstas nos artigos de 256 a 279 do CTB, para que perceba as atribuições do dirigente do órgão de trânsito e se situe da responsabilidade do profissional de segurança pública ao identificar o cometimento da infração de trânsito com providências corretivas e preventivas. Objetivos do módulo Ao final do estudo desse módulo, você será capaz de: - Conceituar autoridade e agente da autoridade de trânsito; - Diferenciar as providências que são do órgão de trânsito e do agente da autoridade detrânsito diante do cometimento de infração de trânsito tipificada no CTB; - Compreender a responsabilidade do profissional de segurança pública para a efetiva punição do infrator e das outras ações que lhe cabem para proteção da vida e da segurança pública dos usuários das vias públicas do país. 83 Divisão das aulas Este módulo compreende as seguintes aulas: Aula 1 – Conceito de autoridade e de agente da autoridade; Aula 2 – Penalidades; Aula 3 – Medidas administrativas; Aula 4 – Atuação do profissional de segurança pública. 84 AULA 1 – CONCEITO DE AUTORIDADE E DE AGENTE DA AUTORIDADE Para compreender a abrangência e a finalidade das penalidades e medidas administrativas previstas no CTB é necessário sabermos os seus conceitos, conforme o Anexo I – Dos conceitos e definições. Autoridade de trânsito é o dirigente máximo de órgão ou entidade executivo integrante do Sistema Nacional de Trânsito ou pessoa por ele expressamente credenciada. São autoridades de trânsito os presidentes do CONTRAN, do SENATRAN, do DNIT, do órgão executivo de trânsito municipal, do órgão executivo rodoviário estadual, dentre outras. Estes dirigentes são os responsáveis pela aplicação da penalidade relacionada à infração de trânsito cometida pelo infrator. Porém, nem todos os órgãos de trânsito aplicam penalidades, como, por exemplo, JARI, CONTRAN, SENATRAN, CETRAN. A aplicação da penalidade é atribuição do órgão de trânsito que tem domínio sobre a via para exercer a fiscalização de trânsito. Agente da autoridade de trânsito é a pessoa, civil ou policial militar, credenciada pela autoridade de trânsito para o exercício das atividades de fiscalização, operação, policiamento de trânsito ou patrulhamento. Assim, todos os servidores, civis e militares que atuam diretamente ou por meio do competente convênio, junto a órgão ou entidade, componente do Sistema Nacional de Trânsito, exercendo atividades de fiscalização do cumprimento das disposições da legislação de trânsito, que podem gerar atribuição de penalidades a condutas infratoras, são agentes da autoridade de trânsito. Estes servidores são encarregados das autuações por cometimento de infração de trânsito e a adoção das providências determinadas pela legislação (você verá adiante) no exercício da fiscalização de trânsito. Esta distinção entre autoridade e agente é apenas conceitual, no sentido de definir a competência para adoção de penalidades e de medidas administrativas previstas no CTB. Não pode ser confundido (e nem tem intervenção) com o conceito de autoridade de polícia administrativa (civil, militar, sanitária, de postura). Em resumo, ao órgão de trânsito compete a penalização do infrator; ao agente da autoridade de trânsito compete a fiscalização e suas providências imediatas. 85 AULA 2 – PENALIDADES Disposições gerais O art. 256 do CTB estabelece que a autoridade de trânsito, dentro das suas competências e áreas de domínio, deverá aplicar às infrações previstas no CTB as seguintes penalidades: Figura 21: Art. 256 CTB Fonte: SCD/EaD/Segen. O CTB também definiu a responsabilidade pelo cometimento da infração de trânsito: - O proprietário sempre é o responsável pela infração referente a prévia regularização e preenchimento das formalidades e condições exigidas para o trânsito do veículo, conservação e manutenção de suas características, componentes, agregados, habilitação legal e compatível de seus condutores, quando for exigido. Também devem ser observadas outras disposições (§ 3º do art. 257): como conduzir veículo com licenciamento atrasado (art. 230, V), transitar com o veículo emitindo excesso de fumaça (art. 231, III), transitar com o veículo com falta de simbologia necessária à sua identificação, quando exigida pela legislação (art. 237 – de transporte de produto perigoso); 86 - O condutor é responsável pelas infrações em consequência de atos praticados na direção do veículo (§ 3º do art. 257), como, por exemplo, avançar o sinal vermelho do semáforo (art. 208), estacionar em local proibido (art. 181), transitar com velocidade superior à estabelecida para a via (art. 218). Advertência por escrito A advertência por escrito é a forma mais branda de punição do infrator. Antes das alterações legislativas na Lei nº 14.071/2020, a advertência por escrito era tida como uma medida mais educativa, considerando o histórico do infrator, dentro do previa o CTB. Nos termos em vigor (CTB, art. 267), “deverá ser imposta a penalidade de advertência por escrito à infração de natureza leve ou média, passível de ser punida com multa, caso o infrator não tenha cometido nenhuma outra infração nos últimos 12 (doze) meses”. Desta forma, os critérios passaram a ser mais objetivos, caso o infrator não tenha histórico de infração nos últimos doze meses e que a infração cometida seja de natureza leve ou média. O infrator que recebe uma advertência por escrito não tem obrigação de pagar valor da multa nem recebe a pontuação da infração cometida em sua habilitação. Multa A penalidade de multa é o pagamento em dinheiro do valor da infração de trânsito que foi cometida, de acordo com sua gravidade e nos termos do art. 258 do CTB: - Infração de natureza gravíssima, punida com multa no valor de R$ 293,47 (duzentos e noventa e três reais e quarenta e sete centavos); - Infração de natureza grave, punida com multa no valor de R$ 195,23 (cento e noventa e cinco reais e vinte e três centavos); - Infração de natureza média, punida com multa no valor de R$ 130,16 (cento e trinta reais e dezesseis centavos); - Infração de natureza leve, punida com multa no valor de R$ 88,38 (oitenta e oito reais e trinta e oito centavos). Todas as infrações de trânsito têm a previsão de pagamento de multa como penalidade. Algumas infrações de natureza gravíssima, a lei prevê o fator http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14071.htm 87 multiplicador, pois entende como necessário elevar o valor a ser pago como forma de reprimir o infrator a cometer condutas que causem danos perigosos à sociedade (§ 2º do art. 258). Exemplos: dirigir veículo de categoria diferente da CNH (art. 162, III) – multa (2 vezes) = R$ 586,94; dirigir sem CNH (art. 162, I) – multa (3 vezes) = R$ 880,41; deixar o condutor envolvido em acidente com vítima de prestar ou providenciar socorro à vítima, podendo fazê-lo (art. 176, I) – multa (5 vezes) = R$ 1.476,35; dirigir veículo sob influência de álcool (art. 165) – multa (10 vezes) = R$ 2.934,70. O CTB oferece ao infrator a possibilidade de desconto de 20% do valor da multa, caso ela seja paga até a data do vencimento (CTB, art. 284). Este pagamento não significa reconhecimento de culpa pelo infrator, pois mesmo paga com desconto, pode acontecer de ter devolução em caso de provimento do recurso à JARI ou a instância superior. Suspensão do direito de dirigir Em relação à penalidade que suspende o direito de dirigir, o que ocorre é que para cada infração de trânsito cometida é computado os seguintes números de pontos na habilitação (CTB, art. 259): - Gravíssima - 7 pontos; - Grave - 5 pontos; - Média - 4 pontos; - Leve - 3 pontos. A suspensão do direito de dirigir será aplicada por acúmulo de pontos (art. 261, I) sempre que o infrator atingir, nos últimos 12 meses: - 20 pontos, caso constem duas ou mais infrações gravíssimas no seu prontuário; - 30 pontos, caso conste uma infração gravíssima no seu prontuário; - 40 pontos, caso não conste infração gravíssima no seu prontuário ou se trate de condutor que exerce atividade remunerada ao veículo, independentemente da natureza das infrações cometidas. Nestes casos, o prazo de suspensão pode variar de seis meses a um ano, ao final do processo administrativo, de acordo com a decisão da autoridade de trânsito,assegurado ao infrator amplo direito de defesa (CTB, art. 265). Se no período 88 de 12 meses após a suspensão o infrator novamente vier a ter seu direito de dirigir suspenso, o prazo pode variar de oito meses a dois anos. A suspensão do direito de dirigir também pode ser aplicada, independentemente do acúmulo de pontos, quando o infrator comete uma infração de trânsito que tem previsão específica da penalidade de suspensão do direito de dirigir (art. 261, II). Exemplos: dirigir veículo sob influência de álcool (art. 165), dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública (art. 170), disputar corrida (art. 173), utilizar-se de veículo para demonstrar ou exibir manobra perigosa, mediante arrancada brusca (art. 175). Neste caso, não serão contabilizados os pontos destas infrações para uma contagem posteriormente. Se o infrator cumprir a penalidade dessas infrações, está livre dos pontos. Nestes casos, o prazo de suspensão pode variar de dois a oito meses (exceto para as infrações que têm previsão de prazo definido), ao final do processo administrativo, assegurado ao infrator amplo direito de defesa. Se no período de 12 meses após esta suspensão, o infrator vier a ter uma nova suspensão (reincidência), o prazo pode variar de oito meses a dois anos. Infrações de trânsito que têm previsão de prazo definido no CTB: -Dirigir veículo sob influência de álcool (art. 165) – 12 meses; -Recusar-se a ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa (art. 165-A) – 12 meses; -Conduzir veículo para o qual seja exigida habilitação nas categorias C, D ou E sem realizar o exame toxicológico (art. 165-B) – 3 meses; -Usar qualquer veículo para, deliberadamente, interromper, restringir ou perturbar a circulação na via sem autorização do órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre ela (art. 253-A) – 12 meses. Quando ocorrer a suspensão do direito de dirigir, a Carteira Nacional de Habilitação será devolvida a seu titular imediatamente após cumprida a penalidade e o curso de reciclagem do infrator (§ 2º do art. 261). O início do prazo de suspensão começa a contar quando o infrator entrega a Carteira Nacional de Habilitação ao órgão executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal (DETRAN). Se um infrator tem a suspensão do direito de dirigir por acúmulo de pontos, são eliminados os pontos computados para uma contagem posteriormente, porém se a suspensão foi aplicada por causa do cometimento de infração com previsão 89 específica, a pontuação das infrações anteriores não é eliminada, elas ficam sendo computados pelos últimos 12 meses (§ 3º do art. 261). A Resolução nº 723/2018-CONTRAN (com as alterações implementadas pela Resolução nº 844/2021-CONTRAN) tratam sobre a padronização do procedimento administrativo para imposição das penalidades de suspensão do direito de dirigir e de cassação do documento de habilitação, bem como sobre o curso preventivo de reciclagem, para a qual você deve recorrer para maiores informações sobre o assunto. Cassação do documento de habilitação Segundo o art. 263 do CTB, a cassação do documento de habilitação (CNH e ACC) acontecerá: - Quando, suspenso o direito de dirigir, o infrator conduzir qualquer veículo; - No caso de reincidência, no prazo de doze meses, das infrações previstas no inciso III do art. 162 e nos artigos 163, 164, 165, 173, 174 e 175; - Quando condenado judicialmente por delito de trânsito (artigos 302 a 312 do CTB). Após dois anos da cassação da CNH/ACC, o infrator poderá solicitar sua reabilitação, submetendo-se a todos os exames necessários à habilitação, na forma estabelecida pelo CONTRAN (conforme Resolução nº 789/2020). Já a cassação da Permissão para Dirigir (carteira provisória) será efetivada se, no seu período de validade (um ano), o condutor tiver cometido uma infração de natureza grave ou gravíssima ou for reincidente em infração de natureza média. Em caso de ser efetivada a cassação da PD, o candidato deverá reiniciar todo o processo de habilitação (§§ 2º, 3º e 4º do art. 148 do CTB). Figura 22: Suspensão e cassação Fonte: Do conteudista. Entenda melhor... Diferenças entre suspensão e cassação do direito de dirigir Característica Suspensão Cassação Perda do direito de dirigir Temporária Definitiva Prazo da penalidade Variável: de 2 meses a 2 anos Fixo: 2 anos Retomada do direito Passagem do prazo e curso de reciclagem Novo processo de habilitação https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-contran/resolucoes/resolucao7232018.pdf https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-contran-n-844-de-9-de-abril-de-2021-313215020 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-789-de-18-de-junho-de-2020-263185648 90 Frequência obrigatória em curso de reciclagem Conforme art. 268 do CTB, o infrator será submetido a curso de reciclagem, na forma estabelecida pelo CONTRAN: - Quando suspenso do direito de dirigir; - Quando se envolver em acidente grave para o qual tenha contribuído, independentemente de processo judicial; - Quando condenado judicialmente por delito de trânsito; - A qualquer tempo, se for constatado que o condutor está colocando em risco a segurança do trânsito. A Lei nº 14.071/2020 inovou o CTB, pois estabeleceu para o condutor que exerce atividade remunerada ao veículo, a possibilidade de frequentar curso preventivo de reciclagem do infrator quando atingida a contagem de 30 pontos no período de doze meses (§ 5º do art. 261). Após concluir o curso, o condutor terá seus pontos eliminados, para fins da contagem posteriormente (§ 6º do art. 261), não podendo mais pelos próximos doze meses escolher fazer o curso (§ 7º do art. 261). A medida impede, preventivamente, o alcance de 40 pontos no período de doze meses, com a suspensão do direito de dirigir e a perda das condições de sustento proporcionada pela atividade remunerada. A Resolução nº 789/2020-CONTRAN consolida normas sobre o processo de formação de condutores de veículos automotores e elétricos, inclusive dos cursos de reciclagem do infrator (ordinário e preventivo), para a qual você deve recorrer para maiores informações sobre o assunto. Antes da criação da Lei nº 13.281/2016, havia previsão da penalidade “apreensão do veículo”, quando este poderia ficar imobilizado em pátio do órgão competente por até 30 dias, independentemente de regularização de suas pendências. A citada lei revogou as disposições desta penalidade, anteriormente prevista no art. 262 do CTB. Contudo, não foi feita a devida supressão da penalidade nos seguintes artigos de infração do CTB: 173, 174, 175, 184-III, 210, 229, 230-I a VI, 231-VI, 234, 238, 239, 244-VI a IX e 253 (razão pela qual devem ser desconsideradas estas referências por perda de sua eficácia). https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-789-de-18-de-junho-de-2020-263185648 91 AULA 3 – MEDIDAS ADMINISTRATIVAS Disposições gerais O art. 269 do CTB estabelece que a autoridade de trânsito ou seus agentes, nas competências estabelecidas e dentro de sua limitação, deverão adotar as seguintes medidas administrativas: Figura 23: Art. 269 CTB Fonte: SCD/EaD/Segen. As medidas administrativas, normalmente adotadas por agentes da autoridade de trânsito (embora também possam ser realizadas pelo dirigente do órgão), são atividades essencialmente desenvolvidas durante a fiscalização de trânsito e têm “por objetivo prioritário a proteção à vida e à incolumidade física da pessoa” (§ 1º do art. 269). Quando adotadas, as medidas administrativas não impedem a aplicação das penalidades impostas por infrações de trânsito estabelecidas no CTB, possuindo caráter complementar a estas (§ 2º do art. 269).92 Retenção do veículo Retenção do veículo é a ação de impedir a circulação do veículo autuado por infração de trânsito (no próprio local da fiscalização ou em pátio específico) até que seja providenciada a regularização do que motivou a infração. O veículo poderá ser retido nos casos expressos no CTB. Exemplos: art. 162, I (dirigir veículo sem possuir CNH), art. 165 (dirigir sob a influência de álcool), art. 168 (transportar criança em veículo automotor sem cumprimento das normas de segurança especiais estabelecidas no CTB), art. 221 (portar no veículo placas de identificação que não estejam de acordo com as especificações e modelos estabelecidos pelo CONTRAN). Quando a irregularidade puder ser resolvida no local da infração, o veículo será liberado assim que regularizada (§ 1º do art. 270). Exemplo: o veículo em que criança de 9 anos é transportada no banco dianteiro, será liberado quando a criança for devidamente acomodada no banco traseiro. Quando não for possível resolver a falha no local da infração, o veículo, deverá ser liberado para condutor regularmente habilitado, mediante recolhimento do Certificado de Licenciamento Anual, contra apresentação de recibo, assinalando-se ao condutor prazo razoável, em no máximo 30 dias, para regularizar a situação (§ 2º do art. 270). Não sendo apresentado condutor habilitado no local da infração, o veículo será removido ao depósito do órgão, ficando o responsável sujeito ao pagamento de taxas e despesas com remoção e estada (§ 2º do art. 270). O Certificado de Licenciamento Anual será devolvido ao condutor no órgão ou entidade aplicadores das medidas administrativas, tão logo o veículo seja apresentado à autoridade devidamente regularizado (§ 3º do art. 270). Se não for feita a regularização dentro do prazo estabelecido será registrada uma restrição administrativa no Registo Nacional de Veículos Automotores pelo órgão responsável. Essa restrição será retirada após ser comprovada a regularização (§ 6º do art. 270). Se o veículo for flagrado nas ruas mesmo com o registro de restrição, o veículo será recolhido no depósito do órgão (§ 7º do art. 270). O agente da autoridade pode não reter o carro imediatamente, quando for veículo de transporte coletivo que esteja com passageiros no seu interior ou veículo que esteja transportando produto perigoso ou perecível, caso ofereça condições seguras de circular em via pública (§ 5º do art. 270). 93 Remoção do veículo Remoção do veículo é a ação de retirar o veículo de um local e levá-lo a outro, para não bloquear a via, quando o veículo estiver estacionado de modo irregular ou para regularizar alguma situação no veículo. Conforme art. 271 do CTB, o veículo será removido, nos casos previstos, para o depósito fixado pelo órgão competente que tenha domínio sobre a via. Exemplos: art. 181, I (estacionado na esquina), art. 230, VI (conduzir veículo com qualquer uma das placas de identificação sem condições de legibilidade e visibilidade), art. 233 (deixar de efetuar o registro de veículo no prazo de trinta dias, junto ao órgão executivo de trânsito). Não caberá remoção nos casos em que a irregularidade for resolvida no local da infração (§ 9º do art. 271). A devolução do veículo removido só acontecerá com o pagamento de multas, taxas e despesas com remoção e estada, além de outras taxas previstas na legislação específica (§ 1º do art. 271) e só pode ser devolvido se for feito reparo de qualquer componente ou equipamento obrigatório que não esteja em perfeito estado de funcionamento (§ 2º do art. 271). Se este reparo precisar de algo que não possa ser realizado no depósito, a autoridade responsável pela remoção liberará o veículo, na forma transportada, por meio de autorização, marcando prazo para reapresentação (§ 3º do art. 271). O proprietário ou o condutor deverá ser notificado, no momento da remoção do veículo, sobre como deve proceder para ter o veículo devolvido e que pode ser levado a leilão caso não procurado ou não regularizada a situação (§ 5º do art. 271). Se o proprietário ou condutor do veículo não esteja presente no momento da remoção, a autoridade de trânsito tem que enviar notificação para o proprietário do veículo no prazo de até dez dias (§ 6º do art. 271). O pagamento das despesas de remoção e estada será pago pelos dias contados em que o veículo permanecer no depósito, tendo como prazo máximo seis meses. O veículo removido que o proprietário não for buscá-lo no prazo de sessenta dias, contados a partir do dia da remoção, será avaliado e levado a leilão, que acontece, de preferência, por meio eletrônico (CTB, art. 328). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=Art.%20328.%20O,13.160%2C%20de%202015) 94 A única situação de estacionamento irregular que não tem previsão da medida administrativa “remoção do veículo” é a de estacionar na contramão de direção (art. 181, XV)? Isto porque o caminhão guincho para remover o veículo irregularmente estacionado, estaria também com a direção e o estacionamento do veículo de reboque na mesma irregularidade, com potencial risco de acidente de trânsito. Recolhimento da CNH/PD O art. 272 do CTB estabelece: “O recolhimento da Carteira Nacional de Habilitação e da Permissão para Dirigir dar-se-á mediante recibo, além dos casos previstos neste Código, quando houver suspeita de sua inautenticidade ou adulteração” (grifo nosso). Inautêntico é o documento falso; adulterado é o documento autêntico (verdadeiro) que sofreu algum acréscimo ou mudança de uma informação que não consta no cadastro de condutores habilitados. Os casos previstos de recolhimento da CNH/PD são: art. 162, V (dirigir veículo com validade da Carteira Nacional de Habilitação vencida há mais de trinta dias), art. 165 (dirigir sob a influência de álcool), art. 165-A (recusar-se a ser submetido a teste que permita certificar influência de álcool), art. 170 (dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública), art. 173 (disputar corrida), art. 176, I (deixar de prestar socorro à vítima (quando possível) se o condutor estiver envolvido em acidente de trânsito), art. 244, I (Conduzir motocicleta sem usar capacete de segurança). Recolhimento do Certificado de Registro e do Certificado de Licenciamento Anual De acordo com o art. 273 do CTB, o recolhimento do Certificado de Registro pode acontecer por meio de recibo, além dos casos previstos, quando: - Houver suspeita de inautenticidade ou adulteração; - Se, alienado o veículo, não for transferida sua propriedade no prazo de trinta dias (veículo alienado é quando uma pessoa oferece o veículo como garantia de um empréstimo ou financiamento). 95 Caso previsto de recolhimento do certificado de registro: art. 240 (quando o responsável deixa de promover a baixa do registro de veículo irrecuperável ou definitivamente desmontado). Contudo, estas situações dificilmente serão constatadas na fiscalização de trânsito porque o certificado de registro não é documento de porte obrigatório definido pela Resolução nº 205/2006-CONTRAN. Com relação ao Certificado de Licenciamento Anual, documento de porte obrigatório, estabelece o art. 274 do CTB que este será recolhido, por meio de recibo, além dos casos previstos, quando: - Houver suspeita de inautenticidade ou adulteração; - Se o prazo de licenciamento estiver vencido (art. 230, V); - No caso de retenção do veículo, se a irregularidade não puder ser resolvida no local. Caso previsto de recolhimento do certificado de licenciamento anual: art. 240 (o responsável deixar de promover a baixa do registro de veículo irrecuperável ou definitivamente desmontado). No caso de documento em meio digital (CRLV-e), a medida administrativa será realizada por meio de anotação no Registro Nacional de Veículos Automotores (§ 5º do art.269 do CTB). Transbordo do excesso de carga O art. 275 do CTB estabelece que com o transbordo da carga com peso excedente (constatada nas autuações do art. 231, V), o veículo pode seguir normalmente e serão efetuadas as despesas ao proprietário do veículo, sem prejuízo de multa aplicável. A comprovação do excesso de peso pode ser feita pela balança rodoviária ou também pela nota fiscal ou manifesto de carga. O veículo será recolhido ao depósito do órgão competente caso não possa atender a esta necessidade e será liberado após resolver a irregularidade e pagar as despesas com remoção e estada. Realização de teste de dosagem de alcoolemia O art. 276 do CTB estabelece que qualquer concentração de álcool por litro de sangue ou por litro de ar alveolar pode penalizar o condutor, conforme previsto no art. 165. 96 O condutor de veículo automotor envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trânsito poderá ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que, por meios técnicos ou científicos, na forma disciplinada pela Resolução nº 432/2013-CONTRAN, permita comprovar a influência de álcool ou outra substância psicoativa que determine dependência (CTB, art. 277). Você estudou anteriormente, na aula 3 do Módulo 2 todas as disposições referentes a essa questão. Caso ainda reste dúvida, você pode voltar e revisar o conteúdo. Recolhimento de animais O inciso X do art. 269 do CTB estabelece o recolhimento de animais que se encontrem soltos nas vias e na faixa de domínio das vias de circulação, devolvendo- os aos seus proprietários após o pagamento devido de multas e encargos. Esta medida tem como objetivo prevenir a ocorrência de acidentes de trânsito, incluindo a proteção destes animais, prevenção de prejuízos materiais e a proteção da segurança dos usuários da via pública. Aos animais que forem recolhidos aplicam-se as mesmas condições relacionadas à remoção de veículos (pagamento das despesas com o recolhimento, multa e estada), às questões sanitárias e também a possibilidade de leilão, caso não seja buscado resolução pelo proprietário no prazo de 60 dias (§ 4º do art. 269). Realização de exames O inciso XI do art. 269 do CTB prevê a possibilidade de realização dos exames de aptidão física, mental, de legislação, de prática de primeiros socorros e de direção veicular. Os exames do candidato à Carteira Nacional de Habilitação poderão ser reaplicados em caso de indícios de fraude ou outras irregularidades no processo. A Resolução nº 789/2020-CONTRAN trata das questões relativas à aplicação dos exames e outros requisitos necessários ao processo de habilitação do condutor de veículo automotor. Apesar de esta medida administrativa ser da competência do agente da autoridade, não tem como ser aplicada em situações reais, pois não é previamente listada como providência a ser tomada em nenhum dos artigos de infração de trânsito, como também não tem condições de ser aplicada no ambiente da http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9503compilado.htm#:~:text=%C2%A0%C2%A0%20Art.%20269.%20A%20autoridade%20de%20tr%C3%A2nsito%20ou%20seus%20agentes%2C%20na%20esfera%20das%20compet%C3%AAncias%20estabelecidas%20neste%20C%C3%B3digo%20e%20dentro%20de%20sua%20circunscri%C3%A7%C3%A3o%2C%20dever%C3%A1%20adotar%20as%20seguintes%20medidas%20administrativas%3A 97 fiscalização. Esse processo administrativo será estabelecido de modo correto na habilitação do futuro condutor (ou em outra situação que seja necessária), por meio de decisão da autoridade responsável. 98 AULA 4 – ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA Em relação às aulas 2 e 3 desse módulo, você verá um resumo das diferenças entre penalidades e medidas administrativas no gráfico abaixo: Figura 24: Suspensão e cassação Fonte: Do conteudista. O profissional de segurança pública, lotado no órgão de trânsito integrante da estrutura do Sistema Nacional de Trânsito (CTB, art. 7º) ou credenciado pela autoridade de trânsito para o exercício das atividades de fiscalização, operação, policiamento de trânsito ou patrulhamento, em resultado de convênio apropriado, não tem atribuição para a aplicação de penalidades. Em resumo, o profissional de segurança pública, não pode aplicar penalidades. Ele desenvolve uma atividade preliminar na fiscalização, que vai dar início ao procedimento administrativo de aplicação da penalidade ao infrator: a autuação da infração de trânsito. Essa atribuição será melhor analisada no Módulo 4 deste curso – Processo administrativo de trânsito. Desta forma, sua atuação estará definida nas prescrições de cada artigo de infração de trânsito do CTB (artigos de 162 a 255 do CTB), detalhadas nas fichas de procedimentos definidas no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito – Volume I (infrações de competência municipal - Resolução nº 389/2011-CONTRAN) e no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito – Volume II (infrações de competência dos órgãos e entidades executivos estaduais de trânsito - Resolução nº 561/2015-CONTRAN), relacionadas à previsão de medidas administrativas. Entenda melhor... Distinção entre penalidade e medida administrativa Referencial Penalidade Medida administrativa Ocasião Procede de atividade administrativa do órgão Procede de atividade operacional Competência Autoridade de trânsito (órgão) Autoridade de trânsito ou agente da autoridade Finalidade Punitiva Preventiva, corretiva Previsão Em todos os artigos de infração de trânsito Em alguns artigos de infração de trânsito 99 Se no artigo de infração não houver indicação de medida administrativa que tenha o objetivo de correção da irregularidade, o profissional de segurança pública fará apenas a autuação da infração de trânsito (registro do seu cometimento), mas se houver previsão de medida administrativa, é necessário estar atento ao que prescreve cada ficha de procedimentos. Se o infrator constatar que a autuação da infração foi realizada em trânsito (sem abordagem do condutor), quando a legislação determinava abordagem do condutor, estará comprovado irregularidade na autuação, o que pode gerar o cancelamento do seu registro, em grau de defesa prévia ou de recurso apropriado (à JARI ou à instância superior). Em resumo, os artigos de infração de trânsito que não têm previsão de medida administrativa podem ser autuados sem abordagem do condutor (autuação em trânsito); os artigos com previsão de medida administrativa devem ser autuados de acordo com os procedimentos definidos no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (abordagem do condutor). Desse modo, fica claro que a fiscalização de trânsito não tem o objetivo apenas de punir o infrator, mas também de garantir um trânsito seguro para condutores, passageiros e pedestres. O profissional de segurança pública deve estar atento à adoção da medida administrativa prevista em cada artigo de infração de trânsito, principalmente para os iniciantes nesta função. Vale relembrar que a legislação de trânsito sofre mudanças constantemente, o que exige que o profissional esteja sempre se atualizando. Isso vale para quem já experiente na função exercida. E com relação à autuação de estacionamento irregular (art. 181 do CTB), em que é prevista a medida administrativa de remoção do veículo (exceto inciso XV – na contramão de direção), a autuação da infração de trânsito sem a remoção do veículo é irregular? Não. No caso de veículo estacionado sem a presença do condutor, normalmente, não há necessidade de medida corretiva com o objetivo de proteger a vida e a segurança física da pessoa. Além do mais, se não remover o veículo não estará causando nenhum prejuízo ao condutor, pelo contrário, estará isentando- o das despesas de remoção e estada, sendo considerada injusta qualquer alegação (em100 grau de recurso ou defesa prévia) de que o seu veículo deveria ser removido da via, conforme previa o CTB, mas não foi. Da mesma forma acontece nas autuações de estacionamento irregular em que o condutor está dentro do veículo ou nas proximidades e pode retirá-lo do local estacionado, logo após ser autuado, sem que o veículo precise obrigatoriamente ser removido. Nesse caso também não faz sentido que ele argumente (e seja deferido em grau de recurso ou defesa) que seu veículo não foi removido como é previsto no CTB. FINALIZANDO Neste módulo, você estudou que: - Autoridade de trânsito é o chefe máximo de órgão ou entidade executivo integrante do Sistema Nacional de Trânsito, a quem cabe tomar providências com o objetivo de penalizar efetivamente quem comete infração de trânsito. Ao agente da autoridade de trânsito (profissional de segurança pública) cabe realizar atividades de fiscalização, operação, policiamento ostensivo de trânsito ou patrulhamento e também tomar às medidas para garantir proteção à vida e à segurança física dos usuários das vias públicas nacionais. - As penalidades por infração de trânsito, a cargo da autoridade de trânsito, estão previstas nos artigos de 256 a 268 do CTB. São elas: advertência por escrito, multa, suspensão do direito de dirigir, cassação do documento de habilitação e frequência obrigatória em curso de reciclagem. - As medidas administrativas, a cargo da autoridade de trânsito ou de seus agentes, são decorrentes das atividades de fiscalização de trânsito e, por isto, na maioria das vezes são adotadas por eles. Sua finalidade principal é a proteção à vida e à segurança física da pessoa. Estão previstas nos artigos de 269 a 279 do CTB: remoção e retenção do veículo, recolhimento dos documentos de habilitação do condutor e de registro/licenciamento de veículo, transbordo de carga excedente, teste de alcoolemia, recolhimento de animais e realização de exames. - O profissional de segurança pública não pode aplicar penalidades. Sua atuação está definida nas prescrições de cada artigo de infração de trânsito relacionadas à previsão de medidas administrativas. Para isto, deverá se atentar às fichas de procedimentos definidas no Manual Brasileiro de Fiscalização de 101 Trânsito. Se no artigo de infração não houver previsão de medida administrativa para a correção de irregularidade, o profissional de segurança pública realizará apenas a autuação da infração de trânsito. Se houver previsão de medida administrativa, é necessário estar atento às prescrições determinadas em cada ficha de procedimentos, de acordo com o artigo de infração autuado. 102 MÓDULO 4 – PROCESSO ADMINISTRATIVO DE TRÂNSITO Apresentação do módulo O profissional de segurança pública é responsável por adotar as providências que a legislação de trânsito determinada ao ser cometida alguma infração de trânsito. Para que o trabalho de punição do infrator seja feito de modo correto como previsto no CTB, o profissional de segurança pública tem que seguir um roteiro que começa com o registro da infração de trânsito. Depois da autuação, os passos seguintes são necessários para que o infrator tenha seu direito de defesa e acompanhe todo o processo administrativo, do começo ao fim, ou seja, da autuação até a penalidade que será imposta pelo órgão competente. Neste caminho a ser percorrido serão analisadas questões relativas à regularidade do auto de infração, à correta tipificação da infração de trânsito e adoção de providências prescritas pela legislação, dentre outras questões. Isto reforça a importância do trabalho do profissional de segurança pública para que, ao final do caminho, a legislação de trânsito seja efetivamente aplicada. Caso contrário, se forem notadas irregularidades do processo de autuação que foi feito pelo profissional de segurança pública ou nos procedimentos feitos pelos órgãos de trânsito, todo o trabalho desenvolvido pode ser invalidado, fazendo com que os esforços tenham sido em vão, perdendo recursos materiais para alcançar os objetivos da Política Nacional de Trânsito. Objetivos do módulo Ao final desse módulo, você será capaz de: - Compreender todo o desenvolvimento do processo administrativo de penalização do infrator: desde o registro do cometimento da infração de trânsito, o processamento dos recursos apropriados até a efetiva aplicação da penalidade; - Identificar os requisitos indispensáveis para preenchimento do auto de infração de trânsito, para evitar o seu cancelamento em grau de defesa prévia ou recursos apropriados; - Compreender a responsabilidade do profissional de segurança pública para a efetiva aplicação da legislação de trânsito para alcançar os objetivos da Política Nacional de Trânsito. 103 Divisão das aulas Este módulo compreende as seguintes aulas: Aula 1 – Do cometimento da infração de trânsito à imposição da penalidade; Aula 2 – Atribuições do profissional de segurança pública para a efetividade do processo administrativo. 104 AULA 1 – DO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO DE TRÂNSITO À IMPOSIÇÃO DA PENALIDADE Autuação É o início do processo para efetuar a penalidade devida ao infrator. É o ato administrativo de registro do cometimento da infração, formalizado por meio da lavratura do Auto de Infração de Trânsito (AIT). O AIT é a ferramenta que permite que a autoridade de trânsito aplique a penalidade, portanto precisa estar perfeitamente preenchida de acordo com as disposições do art. 280 do CTB e outras disposições regulamentares, contendo todo o registro dos fatos que aconteceram para fundamentar a escrita do auto. Você verá melhor todos os elementos que são indispensáveis na hora de preencher na aula seguinte. De acordo com o § 2º do art. 280 do CTB, a infração de trânsito deverá ser comprovada por declaração do agente da autoridade de trânsito (por meio do preenchimento do auto de infração em formulário de papel ou dispositivo tecnológico apropriado – talão eletrônico), por aparelho eletrônico (medidores e controladores de velocidade, fotossensores em semáforo), por equipamento audiovisual (câmeras de vídeo monitoramento) ou qualquer outro meio tecnologicamente disponível, previamente regulamentado pelo CONTRAN. O agente da autoridade de trânsito competente, para emitir corretamente o auto, pode ser servidor civil, estatuário ou celetista, também pode ser policial militar designado pela autoridade de trânsito que tem domínio sobre a via. Deve estar devidamente uniformizado, conforme padrão da instituição e no regular exercício de suas funções. O veículo utilizado na fiscalização também deverá estar caracterizado. Essas diretrizes são baseadas na disposição do § 4º do art. 280 do CTB e regulamentação constante do Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito – Volume II. Notificação da autuação Após a autuação, o passo seguinte é a notificação da autuação. É o ato administrativo que informa ao proprietário do veículo que foi emitido um AIT por causa da infração de trânsito cometida e que ele poderá ser penalizado de acordo com a legislação em vigor. 105 O órgão de trânsito competente, após verificar a regularidade e a consistência do auto de infração irá emitir a notificação da autuação ao proprietário do veículo em até 30 dias após a infração (CTB, art. 281, II). Este prazo é contado pela data da entrega da notificação e não pela data que o infrator recebeu. Com a notificação da autuação, o proprietário do veículo tem a possibilidade de indicar o real infrator, caso a infração tenha sido cometido por outra pessoa que não o proprietário. Esse procedimento é feito em formulário específico na própria notificação, dentro do prazo estabelecido, acompanhado do documento de habilitação do condutor infrator e do documento de identificaçãodo proprietário do veículo. Com a notificação da autuação, o proprietário do veículo ou o condutor infrator pode apresentar defesa prévia (ou defesa da autuação, conforme conceituação na Resolução nº 619/2016-CONTRAN). O prazo para isso não pode passar de 30 dias contando da data de emissão da notificação de autuação (CTB, art. 281-A). O auto de infração de trânsito valerá como notificação da autuação quando for assinado pelo condutor e este for o proprietário do veículo ou o principal condutor identificado. Isso acontece quando está presente a data do término do prazo para a apresentação da defesa da autuação, conforme § 5º do art. 3º da Resolução nº 619/2016-CONTRAN. É preciso você saber que a defesa da autuação não é recurso contra a imposição de penalidade. A defesa é apresentada no órgão responsável por aplicar a penalidade, onde será analisada de acordo com os requisitos de consistência e regularidade do auto de infração (nos termos do art. 281, I do CTB), como correta tipificação, presença das informações indispensáveis, endereço completo, ausência de rasuras no preenchimento, dentre outros. Caso a defesa prévia não seja apresentada no prazo estabelecido, será aplicada a penalidade e emitida uma notificação ao proprietário do veículo ou ao infrator, no prazo máximo de 180 dias, contado da data do cometimento da infração, por remessa postal ou por qualquer outro meio tecnológico que assegure que a pessoa está ciente da penalidade que sofrerá (CTB, art. 282). Em caso de 106 apresentação da defesa prévia em tempo hábil, o prazo para a notificação da penalidade será de 360 dias (§ 6º do art. 282). O auto de infração de trânsito será cancelado caso a defesa da autuação seja aceita, o registro será arquivado e a autoridade de trânsito comunicará ao proprietário do veículo a decisão (§ 1º do art. 9º da Resolução nº 619/2016-CONTRAN). Notificação da penalidade Caso não seja apresentada nenhuma defesa de autuação no prazo estabelecido, o processo administrativo segue com o próximo passo que é a notificação da penalidade. É o ato administrativo que informa ao proprietário do veículo que foi aplicada uma penalidade pela infração cometida. Após o proprietário do veículo ou condutor infrator receber a notificação da penalidade ele pode apresentar recurso à JARI competente. Na notificação que ele recebe deve ter a datado prazo final para que o recurso seja apresentado, em geral de até 30 dias a partir da data da notificação da penalidade (§ 4º do art. 282 do CTB). No mesmo prazo para apresentação do recurso à JARI, o CTB prevê a possibilidade de pagamento do valor da multa por 80% do seu valor (art. 284). Este pagamento não funciona como uma renúncia ao recurso (apenas garante o desconto), que poderá ser apresentado no prazo estabelecido na notificação da penalidade (§ 2º do art. 284 do CTB). Se o recurso for aceito, o valor pago é devolvido. Recurso à JARI Recurso é um pedido formal em que o infrator apresenta ao órgão recursal (JARI) suas argumentações querendo justificar sua conduta ou apresentar razões quanto a possível irregularidade na autuação ou no desenvolvimento do processo administrativo de penalização do infrator, com o objetivo de invalidar o registro do AIT. O CTB estabelece que o recurso será interposto perante a autoridade que impôs a penalidade (art. 285), dentro do prazo estabelecido na notificação de penalidade. Recebido o pedido, a autoridade o enviará ao órgão julgador, dentro dos 10 dias úteis seguintes à sua apresentação e assinalará o fato no despacho de encaminhamento (§ 2º do art. 285). Não é necessário fazer o pagamento do valor da multa para apresentação do recurso (art. 286). https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-contran-n-845-de-8-de-abril-de-2021-313198042 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-contran-n-845-de-8-de-abril-de-2021-313198042 107 No recurso à JARI, a critério da pessoa que está recorrendo, poderão ser alegadas as mesmas questões discutidas na defesa da autuação, quanto à regularidade e consistência do auto de infração de trânsito (erro de enquadramento, rasuras, endereço insuficiente, omissão de dado indispensável, dentre outros), bem como questões de mérito (justificativas para o cometimento da infração) e procedimentais (excesso de prazo para realização da notificação ou para julgamento da defesa da autuação, falta de notificação ou irregularidade na sua realização, descumprimento de ato normativo legal, falta de providência estabelecida no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito). Junto do pedido podem ser reunidos documentos e informações que sustentem seus argumentos e também fundamentações no CTB ou em resoluções do CONTRAN. Se por algum motivo o recurso não for julgado dentro do prazo de 30 dias, a autoridade que impôs a penalidade poderá conceder efeito suspensivo (§ 3º do art. 285). Recurso à segunda instância Após a JARI emitir sua decisão, ainda cabe recurso no prazo de 30 dias, contados a partir da notificação da decisão (CTB, art. 288). Normalmente, o infrator que está recorrendo, se tiver indeferido seu recurso pode ir atrás da instância superior. O mesmo direito é concedido também à autoridade que impôs a penalidade, mostrando que discorda da decisão de deferimento do recurso do infrator. O prazo nos dois casos é de 30 dias (§ 1º do art. 288). Se for o caso de recurso contra penalidade imposta por órgãos da União (DNIT ou PRF), o recurso será apreciado por um Colegiado Especial (composto pelo Coordenador-Geral da JARI, pelo Presidente da Junta que apreciou o recurso e por outro Presidente de Junta), conforme art. 289, I do CTB. Se for o caso de recurso contra penalidade imposta pelo DETRAN, DER (ou órgão equivalente executivo rodoviário estadual) ou órgão executivo municipal, ou do Distrito Federal, o recurso será apreciado pelo CETRAN ou CONTRANDIFE, respectivamente (CTB, art. 289, II). Veja a Resolução nº 299, de 04 de dezembro de 2008 que Dispõe sobre a padronização dos procedimentos para apresentação de defesa de autuação e recurso, em 1ª e 2ª instâncias, contra a imposição de penalidade de multa de trânsito. 108 Clique em: Resolução 299.2008 (www.gov.br) A decisão tomada e registrada pelo Colegiado Especial e pelo CETRAN (CONTRANDIFE) encerra todo o processo administrativo de julgamento de infrações e penalidades (CTB, art. 290). 109 AULA 2 - ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA PARA A EFETIVIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Você estudou no início deste módulo que o processo de punição do infrator começa com o registro do cometimento da infração de trânsito, que é feita pelo profissional de segurança pública. Para esse registro é importante que o preenchimento do auto de infração seja feito da maneira correta para que os próximos passos do processo administrativo sejam efetivamente realizados. Esse auto será analisado pelo órgão responsável por aplicar a penalidade, pelo infrator ou o seu representante e pelos integrantes da junta de recurso e da instância superior. Se houver alguma falha ou irregularidade no preenchimento do auto de infração e for comprovado, acarretará o julgamento de insubsistência do seu registro e consequente arquivamento, com perda das providências e dos custos despendidos pela administração pública. Para que o trabalho desenvolvido pelo profissional de segurança pública alcance seus objetivos de um trânsito seguro e harmonioso para todos os usuários das vias públicas do país, é necessário estar atento às disposições regulamentares que precisam estar corretas no auto de infração. Veja a seguir: No CTB, estabelece o art. 280: “Ocorrendo infração prevista na legislação de trânsito, lavrar-se-á auto de infração, do qual constará: I - tipificação da infração; II - local, data e hora do cometimentoda infração; III - caracteres da placa de identificação do veículo, sua marca e espécie, e outros elementos julgados necessários à sua identificação; IV - o prontuário do condutor, sempre que possível; V - identificação do órgão ou entidade e da autoridade ou agente autuador ou equipamento que comprovar a infração; VI - assinatura do infrator, sempre que possível, valendo esta como notificação do cometimento da infração”. A Portaria nº 59 do SENATRAN, de 25 de outubro de 2007, estabeleceu um processo unificado em todo o território nacional em relação às informações que devem constar obrigatoriamente no auto de infração, os campos que são facultativos e a orientação do seu preenchimento. https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=200275#:~:text=Estabelece%20os%20campos%20de%20informa%C3%A7%C3%B5es,em%20todo%20o%20territ%C3%B3rio%20nacional. 110 De acordo com o Anexo I da portaria, o auto de infração deve conter os seguintes campos: BLOCO 1 – IDENTIFICAÇÃO DA AUTUAÇÃO CAMPO 1 – ‘CÓDIGO DO ÓRGÃO AUTUADOR’ Campo obrigatório. CAMPO 2 – ‘IDENTIFICAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO’ – campo que será utilizado para identificação exclusiva de cada autuação. Campo obrigatório. BLOCO 2 – IDENTIFICAÇÃO DO VEÍCULO CAMPO 1 – ‘PLACA’ Campo obrigatório. CAMPO 2 – ‘MARCA’ Campo obrigatório. CAMPO 3 – ‘ESPÉCIE’ Campo obrigatório. CAMPO 4 – ‘PAÍS’ Campo facultativo. BLOCO 3 – IDENTIFICAÇÃO DO CONDUTOR CAMPO 1 – ‘NOME’ – campo para registrar o nome do condutor do veículo. Campo facultativo para infrações registradas por sistemas automáticos metrológicos e não metrológicos. CAMPO 2 – ‘Nº DO REGISTRO DA CARTEIRA DE HABILITAÇÃO OU DA PERMISSÃO PARA DIRIGIR’ – campo para registrar o nº da CNH ou da Permissão para Dirigir do condutor do veículo. Campo facultativo para infrações registradas por sistemas automáticos metrológicos e não metrológicos. CAMPO 3 – ‘UF’ – campo para registrar a sigla da UF onde o condutor está registrado. Campo facultativo para infrações registradas por sistemas automáticos metrológicos e não metrológicos. CAMPO 4- ‘CPF’ – campo para registrar o nº do CPF do condutor do veículo. Campo facultativo para infrações registradas por sistemas automáticos metrológicos e não metrológicos. 111 BLOCO 4 – IDENTIFICAÇÃO DO LOCAL, DATA E HORA DO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO CAMPO 1 – ‘LOCAL DA INFRAÇÃO’ – campo para registrar o local onde foi constatada a infração (nome do logradouro ou da via, número ou marco quilométrico ou, ainda, anotações que indiquem pontos de referência). Campo obrigatório. CAMPO 2 – ‘DATA’ - campo para registrar o dia, mês e ano da ocorrência. Campo obrigatório. CAMPO 3 – ‘HORA’ – campo para registrar as horas e minutos da ocorrência. Campo obrigatório. CAMPO 4 – ‘CÓDIGO DO MUNICÍPIO’ – campo para registrar o código de identificação do município onde o veículo foi autuado. Utilizar a tabela de órgãos e municípios (TOM), administrada pela Receita Federal – MF. Campo obrigatório, exceto para o Distrito Federal. CAMPO 5 – ‘NOME DO MUNICÍPIO’ – campo para registrar o nome do Município onde foi constatada a infração. Campo obrigatório, exceto para o Distrito Federal. CAMPO 6 – ‘UF’ – campo para registrar a sigla da UF onde foi constatada a infração. Campo obrigatório. BLOCO 5 – TIPIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO CAMPO 1 – ‘CÓDIGO DA INFRAÇÃO’ – campo para registrar o código da infração cometida. Campo obrigatório. CAMPO 2 – ‘DESDOBRAMENTO DO CÓDIGO DE INFRAÇÃO’ - campo para registrar os desdobramentos da infração. Campo obrigatório. CAMPO 3 – ‘DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO’ – campo para descrever de forma clara a infração cometida. Campo obrigatório. CAMPO 4 – ‘EQUIPAMENTO/INSTRUMENTO DE AFERIÇÃO UTILIZADO’ – campo para registrar o equipamento ou instrumento de medição utilizado, indicando o número, o modelo e a marca. 112 Campo obrigatório para infrações verificadas por equipamentos de fiscalização. CAMPO 5 – ‘MEDIÇÃO REALIZADA’ – campo para registrar a medição realizada (velocidade, carga, alcoolemia, emissão de poluentes, etc). Campo obrigatório para infrações verificadas por equipamentos de fiscalização. CAMPO 6 – ‘LIMITE REGULAMENTADO’ – campo para registrar o limite permitido. Campo obrigatório para infrações verificadas por equipamentos de fiscalização. CAMPO 7 – ‘VALOR CONSIDERADO’ – campo para registrar o valor considerado para autuação. Campo obrigatório para infrações verificadas por equipamentos de fiscalização. CAMPO 8 – ‘OBSERVAÇÕES’ – campo destinado ao registro de informações complementares relacionadas à infração. Campo obrigatório. BLOCO 6 – IDENTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE OU AGENTE AUTUADOR CAMPO 1 – ‘NÚMERO DE IDENTIFICAÇÃO’ – campo para identificar a autoridade ou agente autuador (registro, matrícula, outros). Campo obrigatório. CAMPO 2 – ‘ASSINATURA DA AUTORIDADE OU AGENTE AUTUADOR’ Campo facultativo para infrações registradas por sistemas automáticos metrológicos e não metrológicos. BLOCO 7 – IDENTIFICAÇÃO DO EMBARCADOR OU EXPEDIDOR CAMPO 1 – ‘NOME’ – campo para registrar o nome do embarcador ou expedidor infrator. Campo facultativo. CAMPO 2 – ‘CPF’ ou ‘CNPJ’ Campo facultativo. BLOCO 8 – IDENTIFICAÇÃO DO TRANSPORTADOR CAMPO 1 – ‘NOME’ – campo para registrar o nome do transportador infrator. Campo facultativo. CAMPO 2 – ‘CPF’ ou ‘CNPJ’ 113 Campo facultativo. BLOCO 9 - ASSINATURA DO INFRATOR OU CONDUTOR CAMPO 1 – ‘ASSINATURA’ – campo para assinatura do infrator ou condutor. Campo facultativo para infrações registradas por sistemas automáticos metrológicos e não metrológicos. Se na hora do preenchimento do auto de infração o profissional de segurança pública deixa de anotar um ou mais campos que a portaria considera como obrigatório, esse documento pode ser invalidado por inconsistência. A Resolução nº 561/2015-CONTRAN (Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito – Volume II) estabelece as seguintes orientações que os profissionais que exercem a fiscalização de trânsito devem exercer: - Não é permitida a lavratura do AIT por solicitação de terceiros. A única exceção é se o órgão ou entidade de trânsito que esteja fiscalizando as normas de circulação e conduta identifique a infração e informe ao agente que está fazendo a abordagem. Neste caso, o agente que verificou a infração deverá confirmar a autuação no AIT. - O AIT traduz um ato vinculado na forma da Lei, não havendo limitações com relação a sua lavratura. - O agente de trânsito deve priorizar suas ações no sentido de não permitir que aconteçam infrações de trânsito, devendo tratar a todos com educação e respeito, sem que deixe de tomar as providências que a lei determina. - No AIT não poderá conter rasura, emenda, uso de corretivo ou qualquer tipo de adulteração. O seu preenchimento se dará com letra legível, preferencialmente, com caneta esferográfica de tinta azul. - Poderá ser utilizado o talão eletrônico para o registro da infração conforme regulamentação específica. - O agente só poderá registrar uma infração por auto. Se for constatada mais de uma infração que possua em seu código a mesma raiz (três primeiros dígitos), considerar apenas uma infração, como, por exemplo, veículo sem equipamento obrigatório e com equipamento obrigatório ineficiente/inoperante, utilizar o código 663- 71 e descrever no campo ‘Observações’ a situação constatada (sem o pneu de estepe e com o extintor de incêndio vazio). 114 - As infrações podem ser concorrentes ou concomitantes. As infrações concorrentes são aquelas que ao cometer uma infração já imagina o cometimento de outra, como, por exemplo, veículo sem as placas (art. 230, IV), por falta de registro (art. 230, V). Nesse caso, o agente deve fazer um único AIT com base no art. 230, V.Já as infrações concomitantes são aquelas em que ao cometer uma infração não exige que outra tenha sido cometida, como, por exemplo, dirigir veículo com a CNH vencida há mais de trinta dias (art. 162, V) e de categoria diferente para a qual é habilitado (art. 162, III). Nesses casos, o agente deverá emitir dois AIT diferentes. -O agente de trânsito, sempre que possível, deverá abordar o condutor do veículo para constatar a infração. A exceção são os casos que a infração pode ser comprovada sem precisar da abordagem. Para isto, o Manual estabelece três situações: a primeira é a “possível sem abordagem” que significa que a infração pode ser constatada sem a abordagem do condutor; o segundo caso é “mediante abordagem” que significa que a infração só pode ser constatada se houver a abordagem do condutor; e por fim, o caso três é “vide procedimentos” que significa que, em alguns casos, existem situações específicas para abordagem do condutor. Se o profissional de segurança pública no momento da abordagem deixar de adotar uma providência para abordagem do condutor e estiver no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito que precisa ser feita a abordagem, o AIT pode ser invalidado por irregularidade. O trabalho de registro do cometimento de infração de trânsito pelo profissional de segurança pública deve ser embasado nas disposições do CTB, das resoluções do CONTRAN e nas orientações constantes do Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (volumes I e II). Para a tipificação da infração, a Portaria nº 59/2007-SENATRAN estabelece o registro do código da infração e seu desdobramento (que podem ser coletados na citada portaria ou no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito na ficha de procedimentos para cada infração relatada) e a descrição da infração. Embora a portaria não tenha estabelecido o enquadramento no dispositivo do CTB infringido, o art. 280, I do CTB se refere à tipificação como a exata correspondência entre a conduta observada pelo agente e a sua previsão no CTB. 115 Por isto, caso não haja campo específico para anotação do dispositivo do CTB no auto de infração utilizado por sua corporação, é conveniente anotar no campo “observação” o artigo da infração constatada, porque de acordo com a hierarquia das leis, uma portaria ou resolução não pode desobrigar prescrição estabelecida em lei federal. Se o preenchimento do AIT for feito manualmente em formulário de papel, deve ser observado um cuidado especial na grafia das seguintes letras na hora de registrar a placa do veículo: D, O e Q; U e V; I e L; M e W; E e F; Y, K e R; S e Z. O mesmo cuidado deve ser observado no preenchimento do código da infração e seu desdobramento, pois um erro na sequência da numeração pode gerar a inconsistência entre o código/desdobramento, a descrição e a tipificação da infração. O mesmo cuidado também tem que ter na hora de escrever o nome e o código do município de cometimento da infração. As infrações de estacionamento devem ser registradas com o local exato: nome da rua, quadra/lote (ou número) e setor. As infrações de avanço de sinal vermelho precisam da indicação das ruas que compõem o cruzamento e do setor. As infrações de excesso de velocidade necessitam, além do trecho da via em que foi medida, o sentido de circulação (norte-sul, por exemplo). Quando são utilizados os talões eletrônicos, fica mais fácil para o profissional de segurança pública, pois os dados já estão registrados no aparelho e pode ser programado para encerrar o procedimento e lançar todos os dados que são obrigatórios numa autuação e também ajuda na questão de erros e rasuras, porque as informações não são escritas e sim digitadas. Finalizando Neste módulo, você estudou que: - Processo administrativo de trânsito é o caminho a ser percorrido desde o cometimento da infração de trânsito até a efetiva punição do infrator. Ele se inicia com a autuação, que é o registro do cometimento da infração pelo profissional de segurança pública, passa pelas notificações de autuação e de penalidade, com as quais são abertos os acessos à defesa da autuação e o recurso à JARI, respectivamente. Por fim, caso o infrator não tenha recorrido, ainda lhe resta o recurso 116 à segunda instância, com o qual se encerra o processo administrativo de julgamento de infrações e penalidades. Esgotados os recursos, a penalidade será aplicada. - A efetiva punição do infrator se inicia com o registro do cometimento da infração de trânsito pelo profissional de segurança pública. O preenchimento do auto de infração de trânsito é de fundamental importância para que as outras etapas aconteçam. Portanto, é importante estar atento às disposições regulamentares que orienta a lavratura do AIT para que todo o processo administrativo alcance seu objetivo, em especial as disposições do art. 280 do CTB, a Portaria nº 59/2007- SENATRAN e as prescrições para fiscalização de trânsito constantes no Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito (volumes I e II). 117 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Lei n° 9.503, de 23 de setembro de 1997. Institui o Código de Trânsito Brasileiro. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9503Compilado.htm. Acesso em 24 de maio de 2021. BRASIL. Lei nº 13.675, de 11 de junho de 2018. Disciplina a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, nos termos do § 7º do art. 144 da Constituição Federal; cria a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS); institui o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP); altera a Lei Complementar nº 79, de 7 de janeiro de 1994, a Lei nº 10.201, de 14 de fevereiro de 2001, e a Lei nº 11.530, de 24 de outubro de 2007; e revoga dispositivos da Lei nº 12.681, de 4 de julho de 2012. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm. Acesso em 12 de abril de 2021 CONTRAN. Resolução nº 66, de 23 de setembro de 1998. Institui tabela de distribuição de competência dos órgãos executivos de trânsito. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo- SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 20 de abril de 2021. CONTRAN. Resolução n° 205, de 20 de outubro de 2006. Dispõe sobre os documentos de porte obrigatório e dá outras providências. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo- SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 04 de maio de 2021. CONTRAN. Resolução n° 299, de 04 de dezembro de 2008. Dispõe sobre a padronização dos procedimentos para apresentação de defesa de autuação e recurso, em 1ª e 2ª instâncias, contra a imposição de penalidade de multa de trânsito. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo- SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 19 de maio de 2021. CONTRAN. Resolução n° 357, de 02 de agosto de 2010. Estabelece diretrizes para a elaboração do Regimento Interno das Juntas Administrativas de Recursos de Infrações – JARI. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt- br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 21 de abril de 2021. CONTRAN. Resolução n° 389, de 14 de junho de 2011. Referenda a deliberação nº 112 de 28 de junho de 2011, do Presidente do Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN, publicada no Diário Oficial da União de 29 de junho de 2011, que altera o prazo estipulado no art. 3º da Resolução nº 371, de 10 de dezembro de 2010, que aprova o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito – Volume I – Infrações de competência municipal, incluindo as concorrentes dos órgãos e entidades estaduais 118 de trânsito e rodoviários. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt- br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 22 de abril de 2021. CONTRAN. Resolução n° 432, de 23 de janeiro de 2013.Dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pelas autoridades de trânsito e seus agentes na fiscalização do consumo de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência, para aplicação do disposto nos arts. 165, 276, 277 e 306 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 – Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo- SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 25 de abril de 2021. CONTRAN. Resolução n° 453, de 26 de setembro de 2013. Disciplina o uso de capacete para condutor e passageiro de motocicletas, motonetas, ciclomotores, triciclos motorizados e quadriciclos motorizados. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo- SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 07 de maio de 2021. CONTRAN. Resolução n° 514, de 18 de dezembro de 2014. Dispõe sobre a Política Nacional de Trânsito, seus fins e aplicação, e dá outras providências. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo- SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 14 de abril de 2021. CONTRAN. Resolução n° 561, de 15 de outubro de 2015. Aprova o Manual Brasileiro de Fiscalização de Trânsito, Volume II – Infrações de competência dos órgãos e entidades executivos estaduais de trânsito e rodoviários. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo- SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 22 de abril de 2021. CONTRAN. Resolução n° 619, de 06 de setembro de 2016. Estabelece e normatiza os procedimentos para a aplicação das multas por infrações, a arrecadação e o repasse dos valores arrecadados, nos termos do inciso VIII do art. 12 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro – CTB, e dá outras providências. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt- br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 17 de maio de 2021. CONTRAN. Resolução n° 688, de 15 de agosto de 2017. Estabelece diretrizes para a elaboração do Regimento Interno, gestão e operacionalização das atividades dos Conselhos Estaduais de Trânsito (CETRAN) e do Conselho de Trânsito do Distrito Federal (CONTRANDIFE). Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt- br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 18 de abril de 2021. https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran 119 CONTRAN. Resolução n° 723, de 06 de fevereiro de 2018. Referendar a Deliberação CONTRAN nº 163, de 31 de outubro de 2017, que dispõe sobre a uniformização do procedimento administrativo para imposição das penalidades de suspensão do direito de dirigir e de cassação do documento de habilitação, previstas nos arts. 261 e 263, incisos I e II, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), bem como sobre o curso preventivo de reciclagem. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt- br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 10 de maio de 2021. CONTRAN. Resolução n° 788, de 18 de junho de 2020. Referenda a Deliberação CONTRAN nº 180, de 30 de dezembro de 2019, que dispõe sobre os requisitos para emissão do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo em meio eletrônico (CRLV-e). Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt- br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 05 de maio de 2021. CONTRAN. Resolução n° 789, de 18 de junho de 2020. Consolida normas sobre o processo de formação de condutores de veículos automotores e elétricos. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo- SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 11 de maio de 2021. CONTRAN. Resolução n° 798, de 02 de setembro de 2020. Dispõe sobre requisitos técnicos mínimos para a fiscalização da velocidade de veículos automotores, elétricos, reboques e semirreboques. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt- br/assuntos/transito/conteudo-SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 03 de maio de 2021. CONTRAN. Resolução n° 819, de 17 de março de 2021. Dispõe sobre o transporte de crianças com idade inferior a dez anos que não tenham atingido 1,45 m (um metro e quarenta e cinco centímetros) de altura no dispositivo de retenção adequado. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo- SENATRAN/resolucoes-contran. Acesso em 28 de abril de 2021. SENATRAN. Portaria nº 59, de 25 de outubro de 2007. Estabelece os campos de informações que deverão constar do Auto de Infração, os campos facultativos e o preenchimento, para fins de uniformização em todo o território nacional. Disponível em: https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo- SENATRAN/portarias-2007-SENATRAN. Acesso em 21 de maio de 2021. https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/resolucoes-contran https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/portarias-2007-denatran https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/transito/conteudo-denatran/portarias-2007-denatran 120 CRÉDITOS Carlos Antonio Borges Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Goiás – 1994. Especialista em Educação pela Academia de Polícia Militar de Goiás – 1989. Foi Comandante do Batalhão de Trânsito em Goiânia – 2004/2007, Comandante da Academia de Polícia Militar – 2007/2008 e 2015/2016, Comandante do Policiamento Rodoviário – 2013/2015, Conselheiro Representante da PMGO no Conselho Estadual de Trânsito – 2009/2012, Subcomandante Geral da PMGO – 2016/2018 e Superintendente da Academia Estadual de Segurança Pública / SSPGO – 2018.