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INTRODUÇÃO
AO DIREITO
PROF. EFREN FERNANDEZ
POUSA JUNIOR
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA
Prof. Efren Fernandez Pousa Junior
INTRODUÇÃO
AO DIREITO
Marília/SP
2023
“A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma 
ação integrada de suas atividades educacionais, visando à 
geração, sistematização e disseminação do conhecimento, 
para formar profissionais empreendedores que promovam 
a transformação e o desenvolvimento social, econômico e 
cultural da comunidade em que está inserida.
Missão da Faculdade Católica Paulista
 Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo.
 www.uca.edu.br
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma 
sem autorização. Todos os gráficos, tabelas e elementos são creditados à autoria, 
salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a 
emissão de conceitos.
Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior
INTRODUÇÃO AO DIREITO
PROF. EFREN FERNANDEZ POUSA JUNIOR
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 5
SUMÁRIO
CAPÍTULO 01
CAPÍTULO 02
CAPÍTULO 03
CAPÍTULO 04
CAPÍTULO 05
CAPÍTULO 06
CAPÍTULO 07
CAPÍTULO 08
CAPÍTULO 09
CAPÍTULO 10
CAPÍTULO 11
CAPÍTULO 12
CAPÍTULO 13
09
18
28
37
51
58
67
80
90
102
113
126
140
AS RELAÇÕES SOCIAIS: ORIGENS E 
CONCEITOS DO ESTADO DE DIREITO
NOÇÃO DE DIREITO E CONCEITOS JURÍDICOS 
FUNDAMENTAIS
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO E A 
NATUREZA OBJETIVA DA NORMA
PESSOAS NATURAIS E PESSOAS JURÍDICAS
NACIONALIDADE E CIDADANIA NO DIREITO 
ATUAL
DOMICÍLIO DAS PESSOAS FÍSICAS E 
JURÍDICAS
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS NA 
ATUAL CONSTITUIÇÃO
DIVISÕES DO DIREITO: PÚBLICO E PRIVADO
NOÇÕES BÁSICAS DE DIREITO CIVIL: 
PARTICULARIDADES DO DIREITO 
EMPRESARIAL
NOÇÕES BÁSICAS DE DIREITO 
CONSTITUCIONAL
NOÇÕES BÁSICAS DE DIREITO 
ADMINISTRATIVO
NOÇÕES BÁSICAS DE DIREITO TRABALHISTA
NOÇÕES BÁSICAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INTRODUÇÃO AO DIREITO
PROF. EFREN FERNANDEZ POUSA JUNIOR
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 6
SUMÁRIO
CAPÍTULO 14
CAPÍTULO 15
151
161
NOÇÕES BÁSICAS DE DIREITO PENAL
NOÇÕES BÁSICAS DE DIREITO DO 
CONSUMIDOR
INTRODUÇÃO AO DIREITO
PROF. EFREN FERNANDEZ POUSA JUNIOR
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 7
INTRODUÇÃO
Por primeiro, há de se destacar que este trabalho não tem o intuito de analisar um 
determinado tema específico do Direito, muito menos abordar, de forma pontual e 
completa, as diretrizes objetivas de um dado ramo jurídico. 
Na verdade, de forma bastante entusiástica e inovadora nos empenharemos para 
realizar um “sobrevoo” por toda a Ciência Jurídica, partindo dos conceitos básicos 
do Direito, até chegarmos à especialidade de alguns de seus ramos mais modernos, 
justamente como ocorrerá com o Direito do Consumidor.
Neste sentido, para que isso aconteça, precisaremos partir da análise de institutos 
basilares, apresentando ao leitor, inicialmente, uma visão ampla de conceitos do Direito 
(capítulos 01 ao 04), de modo que possamos, mais adiante, passar a discutir algumas 
peculiaridades aplicáveis a ramos específicos, previamente selecionados (capítulos 
09 ao 15).
Prefacialmente, precisamos entender que a Ciência Jurídica representa um campo 
de estudos mais amplo que o próprio Direito, vez que, aquela, é composta pela junção 
de conhecimentos advindos das mais variadas Ciências, inclusive de base propedêutica 
(enciclopédica) e epistemológica (que formaliza seus conceitos a partir de suas próprias 
‘raízes’) e que tem como função precípua a criação de normas jurídicas (substantivas 
e adjetivas) capazes de organizar a convivência pacífica em sociedade.
Aliás, nos capítulos iniciais, Você terá a oportunidade de perceber que o Direito 
Brasileiro, entendido a partir da gênese, da evolução e da adaptação de institutos 
fundamentais criados pelo Direito Romano, criou entre nós a chamada Teoria Geral do 
Direito, fazendo com que ele, hoje, só possa ser entendido, segundo os mais variados 
conceitos de cada ramo específico a que se vincula, mas, desde que entendidos os 
antigos conceitos de base romanística.
Como decorrência, para que possamos traçar qualquer raciocínio jurídico ‘consistente’, 
sempre tenha em mente algumas premissas básicas: 
(1) que nosso Direito pátrio amolda-se ao sistema normativo conhecido como civil 
law, que tem como fonte primeira a norma e, preferencialmente, dentre suas espécies 
normativas, a lei; 
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(2) que os ramos do Direito brasileiro têm visões pré definidas de alcance e aplicação 
de suas regras, de modo que, para compreendê-los, será necessário analisá-los em 
razão do viés com que se predispõem a tutelar as relações jurídicas. Portanto, se 
público (Direito Penal, por exemplo), pressupõe-se um raciocínio jurídico diferente 
daquele necessário para que se possa entender um outro ramo de viés privado (Direito 
Civil, por exemplo). Vide capítulo 08; 
(3) que, independentemente do ramo jurídico analisado, a Constituição Federal 
representa a norma hipotética fundamental e, portanto, os conceitos ali entabulados 
delimitam campos muito mais amplos que aqueles advindos de outras espécies 
normativas, vez que representam os desígnios protetivos almejados pela sociedade. 
Aliás, fazendo com que o Direito Constitucional passe a ser a base de todos os demais 
ramos do Direito. Vide capítulos 05, 07 e 10.
Todos os outros temas e assuntos que serão abordados neste trabalho foram 
escolhidos detalhadamente, objetivando fornecer a Você certa amplitude, mas ao 
mesmo tempo certa profundidade, pontuadas as peculiaridades de cada ramo jurídico 
selecionado.
Neste sentido, esperamos que esta obra possa se consolidar num verdadeiro manual, 
dotado de ‘generalizações’, ao mesmo tempo em que se torne um roteiro prático para 
aqueles que desejam se aventurar nos ramos do Direito destacados.
Bons estudos!
Efren Fernandez Pousa Junior.
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CAPÍTULO 1
AS RELAÇÕES SOCIAIS: 
ORIGENS E CONCEITOS 
DO ESTADO DE DIREITO
1.1. Relações sociais: Homem versus Natureza
Antes de adentrarmos ao estudo das relações Homem e Direito, é essencial uma 
análise de que no universo existem duas espécies de realidades: uma natural, ou do 
“mundo dado” e outra cultural, ou da “realidade humana”, constituída pela verdade 
histórica, ou formalizada pelo “mundo construído”.
O puramente ‘natural’, objetivamente falando, representante das coisas cuja 
participação humana seria desnecessária, ou nas palavras de Miguel Reale: … 
representam coisas, cujo nascimento não requer nenhuma participação de nossa 
inteligência, ou de nossa vontade. (REALE, 1998, pág. 24).
Noutro viés, a realidade humana, cultural ou histórica precisará ser construída, já 
que representa tudo aquilo a ser acrescentado à Natureza, cuja fundação ocorre com 
a formação das normas de conduta, dentre elas a essencial norma jurídica, todas 
visando alcançar determinados fins ou objetivos em dado ‘espaço e tempo’.
A junção daquilo que é ‘dado’ com aquilo que é ‘construído’ nos leva a descobrir, e buscar 
atingir, determinadas finalidades que conectam os homens a seus comportamentos, 
por meio dos chamados “Elementos de Estado”, capacitando-os a organizarem-se, 
governarem-se e, por fim, estabelecerem uma relação útil e necessária que atinja a 
natureza democrática no mundo real.
Esta interrelação necessária, que se formaliza, via de regra, naturalmente, será 
consubstanciada nas leis, que comandam ambas as esferas do real, mas também 
na natureza das coisas, sob pena de não conseguirmos fundamentar as normas que 
explicam nosso ‘mundo dado’. 
Destaque-se, ademais, que as relações sociais, além de fundamentadas nas ‘normas 
jurídicas’, vinculam-se, intrinsecamente, às leis morais, de modo que, apenas quando 
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fundidas serãocapazes de possibilitar a compreensão e evolução do mundo e da 
cultura humana, formalizando-se, efetivamente, o mundo “construído”. 
A evolução social, portanto, fundamenta-se tanto nas ‘leis físico-naturais’ (natureza), 
como nas leis culturais (formuladas), o que nos leva, novamente, a reconhecer a 
sabedoria da assertiva do professor Reale: a realidade constitui-se, então de dois 
mundos complementares: o do natural e o do cultural, do dado e do construído, do 
cru e do cozido (REALE, 1998, pág. 24).
1.1.1. Cultura
O termo cultura tem em sua acepção literal a correlação de dois essencialmente 
importantes: o termo ‘kultur’ e o termo ‘civilização’. Neste sentido, Miguel Reale assevera: 
A Cultura representa o conjunto de tudo aquilo que, nos planos 
material e espiritual, o homem constrói sobre a base da natureza, 
quer para modificá-la, quer para modificar a si mesmo. (REALE, 1998, 
pág. 25).
A cultura, portanto, desde os primórdios da vida humana, conecta-se a uma busca 
incessante por ‘valores’, ou seja, nada mais é que a própria valoração da existência do 
indivíduo, exatamente quando este opta segundo as posições dos fins que almeja. Há 
neste momento uma adaptação do “dado” ao “construído” (passagem do natural para 
o cultural), alterando as significações anteriores e adquirindo-se uma nova dimensão 
de realidade social.
Em termos de evolução civilizatória, vários foram os ciclos culturais pelos quais o 
homem precisou passar para fortalecer o caráter democrático atual das civilizações. 
E, portanto, utilizando-se da mesma técnica, usualmente utilizada pelas ciências para 
a composição dos gêneros e espécies, há de se concluir que a cultura designa um 
gênero dentro do qual a civilização representa apenas uma espécie. 
Nesta mesma linha de reconhecimento evolutivo, acrescente-se, por exemplo, a 
postura de Hannah Arendt quando estabeleceu a importante relação de necessidade 
entre o ‘espaço público’ (o Estado) e o processo de desenvolvimento de direitos (em 
especial dos direitos humanos), fixando as bases e traçando os limites da interação 
civilizatória. 
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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Título: Johanna Arendt em 1933. 
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b1/Hannah_Arendt_1933.jpg
Justamente por isso que a este espaço somente se terá acesso pleno por meio 
da cidadania, outra característica decorrente da cultura como evolução social, 
caracterizando-se como um dos primeiros direitos humanos e do qual derivam todos 
os demais modernamente fixados. 
A cidadania, portanto, como decorrência da cultura, vem superar a mera ideia 
conceptiva de ‘kultur’ e aperfeiçoar a ideia de ‘civilização’, já que a todo tempo vem 
impondo aos cidadãos aquilo que a própria Arendt cristalizou em sua célebre afirmação: 
não basta o direito a ter direitos incentivando uma constante evolutiva cultural e que 
traz consigo a força de evocação da solidariedade nas relações internacionais. Neste 
sentido, a advogada Claudia Carneiro Peixoto acrescenta: 
De uma parte, afirma-se a importância do vínculo institucional – a 
nacionalidade – com o Estado-nação para que se possa exercer 
os direitos de cidadania. Por outro lado, nas relações entre nações, 
soberanas e independentes, espera-se a construção de vínculos de 
solidariedade para que se possa pensar seriamente na construção 
da paz. (PEIXOTO & LOBATO, 2013, pág. 66).
Aliás, a evolução cultural pela cidadania conseguiu provar que hoje civilizações sem 
direitos efetivamente incorporados na realidade social, por exemplo de experiências 
totalitárias, mostram-se totalmente impossibilitadas de exigir contraprestação social, 
até porque a ordem jurídica moderna impõe uma ligação pacífica entre o cidadão e 
o ente estatal a que se submete.
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b1/Hannah_Arendt_1933.jpg
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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1.1.2. Leis físico-matemáticas e as leis culturais
Ao contrário da ideia de ‘valoração’ que fizemos transparecer quando analisamos 
no tópico anterior a questão da ‘cultura’, em relação à exatidão e rigorismo aplicável 
às leis naturais (físico-matemáticas), encontra-se um elemento fulcral diferenciador 
de ambas: a maleabilidade. 
A primeira, ‘cultura’, tem em sua realidade a evolução subjetiva, aplicável sob dado 
espaço e tempo, enquanto a segunda, ‘natural’, tem dentre seus elementos componentes 
o mesmo regramento das ciências objetivas, que descrevem e que, em regra, formulam 
leis que representam a síntese de um fato natural.
Isso não significa que estas leis físico-matemáticas não sejam determinadas por 
opções valorativas, mas como são condicionadas a pressupostos teóricos rígidos, via 
de regra, suas relações pautam-se em relações objetivas.
Estas diferenciações são essenciais para que mais adiante possamos diferenciar as 
‘leis naturais’ e as ‘leis jurídicas’, segundo as peculiaridades de cada esfera da realidade 
social - a lei natural subordinando-se aos fatos da Natureza, enquanto a cultura e 
consequentemente a lei jurídica, impondo-se aos fatos que com ela se confrontarem.
Assim, pode-se constatar que a sociedade moderna representa a soma da realidade 
cultural e dos fatos naturais, modificando-se através dos tempos e das influências que 
alteram o espaço social de épocas para épocas. Estas ciências capazes de organizar 
o patrimônio da cultura são as chamadas ciências culturais, produto da atividade 
criadora do homem, exatamente como acontece com o gênero Ciências Jurídicas e 
sua espécie nominada por Direito.
A proximidade do Direito à teoria dos valores, enquadra-o como de natureza axiológica, 
além de disciplinar as formas de conduta com base na norma, estabelecendo uma 
natureza finalística sobre a ordenação dos comportamentos humanos, enquadrando-o, 
também sob a ótica da natureza teleológica.
1.2. Ciências Exatas e Ciências Humanas: a questão das Ciências Jurídicas e do 
‘positivismo’
Uma lei cultural jurídica influenciará a sociedade pela imposição de determinadas 
posturas cogentes aos seus indivíduos, ou seja, de forma obrigatória, impor-lhes-á 
certos comportamentos pautados nas normas que produzirem.
Objetivamente dizendo, as Ciências Exatas pretendem explicar a realidade, inclusive 
a social, por meio de uma formulação precisa e rigorosa dos fatos. Assim, por meio 
de formulações abstratas buscará encontrar, com objetividade, a realidade que deva 
se impor aos elementos componentes do grupos sociais.
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Alguns estudiosos costumam dizer que as leis físico-matemáticas, advindas das 
ciências exatas, devem ser consideradas ‘neutras’, já que simplesmente retratam 
estruturas estáticas dos fatos, enquanto as ciências humanas representam os próprios 
fatos captados nas relações subjetivas dos indivíduos, consideradas, portanto, cinéticas.
Vários são, portanto, os campos do saber que direcionam o mundo da cultura 
e quando nos referimos, especificamente, às ciências sociais e ao Direito há de se 
destacar a característica que lhe é patente: o positivismo jurídico, 
Isso porque, segundo tal diretriz, os direitos na modernidade não preexistiriam às 
formas de legislação entabuladas pelos indivíduos ou grupos, vez que necessário 
sejam expressamente produzidos pela coleção de regras ‘explícitas’ que possam 
consubstanciar a totalidade do Direito de uma dada comunidade.
O positivismo, portanto, representa a tese segundo a qual os indivíduos só possuem 
direitos jurídicos na medida em que estes tenham sido criados por decisões políticas 
ou práticas sociais expressas.
Desafortunadamente, alguns aspectos desta questão de tutela do cidadão pela via 
do Direito confrontam-se com o momento normativo da Ética aplicável (teoria geral 
dos comportamentos sociais obrigatórios), além das enunciações de juízos de valores 
das leis culturais diversasque também se apegam à observação dos fatos, como 
ocorre com a Sociologia, Economia, Filosofia, História, etc., cujas conclusões podem 
influir na ordenação dos comportamentos sociais e na adequação dos meios aos fins
Noutro sentido, graças às ciências culturais, em especial ao Direito, os indivíduos 
vêm adquirindo consciência da irrenunciabilidade de determinados valores universais 
(inatos), denominados de invariantes axiológicas, como ocorre com os direitos e 
garantias fundamentais (dignidade da pessoa humana, livre associação, meio ambiente 
sustentável, etc), demonstrando que a experiência jurídica continua sendo uma 
experiência ética, ainda que garantida por uma conduta que declara ser permitida ou 
não a que denominaremos mais adiante em nossos estudos por sanção.
ANOTE ISSO
O porquê das expressões latinas utilizadas no Direito? 
Dificultar que os plebeus pudessem ter acesso às leis e impedir o abuso que já era 
perpetrado pelos pontífices e patrícios. Essa condição dava enormes poderes de 
manipulação e repressão aos plebeus. 
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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Extraído de SANT’ANNA, 2018, pág. 31.
1.3. A evolução do Estado e as tutelas de direitos dos cidadãos 
Em termos históricos, é com o início da Idade Moderna e o fim do Feudalismo que 
inovações sociais passam a romper com a antiga visão de mundo e com a sociedade 
hierarquizada, fundada em privilégios de nascença. 
Igualmente, a noção de predestinação divina entraria em decadência, demarcando-
se o início do avanço da modernidade contra o mundo de algumas supostas verdades 
absolutas (ciências naturais e direito natural), erigindo-se outro mundo, agora baseado 
nas evoluções sociais e na cultura dos povos, fundamentado através de um direito 
“posto” e que viria, num futuro próximo, ser “positivado” pelas ciências sociais. 
O desenvolvimento de uma consciência histórica, a reconhecer as desigualdades, 
promoveria mudanças acentuadas nas concepções de política, cultura e de Estado, 
incentivando o desenvolvimento do “Direito” como Ciência e promovendo o início da 
chamada Era dos Direitos. 
Os estudiosos ainda costumam apontar como causa desta íntima interconexão do 
Estado com o Direito a Revolução Inglesa (1640), ocorrida num contexto de sociedade 
europeia, em que se destacou a busca por “novos direitos”, ainda que atrelada ao 
caráter essencialmente burguês dos protagonistas, já que o parlamento era dominado 
por esta burguesia que, mediante fins próprios, insurgira-se contra os desmandos do 
Rei Carlos II, liderados por Oliver Cromwell. 
Aponta-se, pois, a Revolução Gloriosa como sendo a primeira revolução burguesa que 
rompeu com as relações pré-capitalistas, formando seu próprio exército revolucionário 
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e cujas promoções ocorriam por ‘mérito’ e as altas patentes não mais eram exclusivas 
dos nobres. 
Justamente por isso, ao fim do conturbado período republicano que seguiu-se à 
Revolução (1660) o parlamento decidiu ‘re-instituir’ a monarquia, limitando os poderes 
de mando do rei, fundamentando as diretrizes sociais sob a seguinte premissa “o rei 
reina, mas não governa”. 
A partir daí o “liberalismo”, resultante da Revolução, além de limitar o poder real, 
passou a proteger os direitos civis, criando a chamada ‘Carta de Direitos’, ou “Bill of 
Rights”, lançando as bases políticas que viriam a alicerçar o capitalismo industrial. 
Além da Revolução Inglesa, as revoluções Americana e Francesa, também instalaram, 
definitivamente, a burguesia no poder, consolidando o modelo de submissão geral 
à Constituição. A partir daí, o direito natural passou a ser positivado como direito à 
liberdade, à igualdade, à propriedade privada e à segurança e resistência à opressão, 
concepção liberal da cidadania, cuja doutrina ficou conhecida como “laissez-faire” 
(deixe acontecer).
O poder, agora nas mãos da burguesia, desconsiderou que as classes despossuídas 
também participaram da Revolução, suprimindo a esperança de fazer nascer um 
“mundo mais justo”, que abarcasse os anseios de todos e para todos. Apesar disso, 
o Estado passou a cada vez mais limitar os direitos naturais do homem (aqueles que 
a burguesia considerava universais).
Em termos científicos, passa a ocorrer a tentativa de transformação das ‘ciências 
da natureza’ em ‘ciências da razão e da experimentação’, prenunciando a sistemática 
do método científico experimental. 
Mantinha-se, porém, um modelo de justiça que refletia na disputa entre a ‘burguesia 
ascendente’ e o ‘absolutismo decadente’, em que a idéia de direito natural, baseado 
na metafísica, opunha-se ao direito do privilégio divino, de origem religiosa, mas que 
ainda não conseguia formular-se por meio de um método racional de tutela de direitos.
Destacam-se como incentivadores da ideia de tutela de direitos a ‘Declaração 
de Direitos do Homem e do Cidadão’ francesa e a ‘Bill of Rights’, norte americana, 
que almejavam estender os direitos básicos não somente aos reconhecidamente 
considerados cidadãos, mas a todos os indivíduos, além de tripartir os poderes políticos 
em Executivo, Legislativo e Judiciário.
1.4. O Direito e sua conexão ao simbolismo valorativo
Vimos, portanto, que ‘cidadania’, ‘direitos humanos’ e ‘Estado Democrático de Direito’ 
são conceitos interdependentes, assim considerados desde a Idade Moderna e até 
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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as atuais concepções do Direito moderno. Aliás, vimos que os ‘direitos humanos’ 
legitimaram o Estado Democrático por meio da legalidade, enquanto a cidadania atuou 
como base de participação política na formação dos Estados.
Hoje, a cidadania, como valor fundamental do Estado de Direito, deve ser tomada 
como princípio geral para implementação de políticas públicas, possibilitando sua 
fruição integral aos mais diversos aspectos da sociedade, sejam eles sociais, políticos 
e econômicos. 
Ocorre que, alguns conceitos utilizados no Direito são representativos de todas 
estas acepções existentes desde os tempos pré-históricos e que funcionam, ainda 
hoje, como formas de se equilibrar a “abstração” e o “concreto” das relações dos 
indivíduos em uma sociedade.
O Direito atual, que é originário do Direito Romano (753 a.C.), faz menção a 
conteúdos históricos que ainda hoje representam o poder simbólico dos direitos que 
estruturam todos os corpos jurídicos do ocidente. Destacamos, dentre inúmeros outros, 
a expressividade e origem dos termos: Vara, Foro e Justiça.
a. Vara - expressão de origem romana antiga, representativa de uma “fasces”, 
espécie de bastão utilizado para abrir caminho na multidão e dar passagem aos 
magistrados, pretores (urbanos e peregrinos), questores, censores, jurisconsultos 
e edis curuis. Com o passar dos tempos, passou a ser a insígnia dos magistrados 
e demonstrava à população seu cargo e respeito com que deveria ser tratado. 
No Brasil, a “vara” deveria ser trazida pelo magistrado quando andasse pelas 
vilas coloniais, sob pena de ser multado pela Coroa portuguesa, quando fosse 
abordado sem ela;
b. Foro - representa o conceito de praça pública que na Roma antiga era utilizada 
para o comércio de produtos, para a assembleia, ou sessão de julgamentos, 
funcionando como uma espécie de fórum;
c. Justiça - ou “Iustitia”, como divindade romana que representa o “jus”, o que a 
divindade proclama como certo e que o cidadão em sua verticalidade (abaixo) 
deve adotar como perfeitamente aceito (rectum). Os olhos vendados da deusa 
demonstram que a concepção de ‘direito’ representa mais que um mero agir, mas 
sim um equilíbrio entre a abstração do justo (balança) e o concreto (espada), 
fundamentando a imparcialidade. (SANT’ANNA, 2018, pág. 30).
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Título: Deusa da Justiça.
Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/53/JMR-Memphis1.jpghttps://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/53/JMR-Memphis1.jpg
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CAPÍTULO 2
NOÇÃO DE DIREITO E 
CONCEITOS JURÍDICOS 
FUNDAMENTAIS
2.1. Direito e Moral
Já vimos no capítulo anterior que o Direito, em tese, deve representar tudo aquilo 
que é direito, não torto, reto, o que nos leva numa acepção interpretativa a ‘tudo aquilo 
que é legítimo e certo’, ou seja, aquilo que fundamenta o padrão representativo dos 
‘valores’ de convivência harmoniosa da sociedade. 
Tecnicamente, por sua vez, apresenta-se o conjunto sistematizado de regras 
obrigatórias, de princípios, de normas e de comandos jurídicos (institutos) que 
determinam e padronizam os comportamentos sociais.
Noutro aspecto, ainda que funcione como, essencialmente, “direcionadora 
comportamental”, a Moral tem caráter subjetivo e manifesta-se de maneira intrínseca 
às posturas dos cidadãos. Por isso, ainda que pretenda harmonizar-se com o bem 
comum, assim como as regras do Direito, tem imposição social bastante restrita 
e suas formas de punição pelo descumprimento das “regras” não passam de mera 
desaprovação, escárnio ou apartação.
A Moral, portanto, como diretriz subjetiva, possível do intrínseco do indivíduo, nem 
sequer poderá ser considerada uma “regra”, vez que lhe falta a característica essencial 
das normas do Direito - a coerção.
Assim, assevera o professor Miguel Reale: o Direito não é algo de diverso da Moral, 
mas é uma parte desta, armada de garantias específicas (REALE, 1998, pág. 42). E, neste 
sentido, a Moral encontra-se associada aos valores estabelecidos coletivamente, por 
cada grupo social, a partir da consciência individual de seus membros, que também 
buscam distinguir o bem do mal, os atos de violência dos atos de paz. 
Os princípios morais, portanto, tal como a honestidade, o respeito e a bondade, 
determinam o sentido “correicional” de cada cidadão, vez que representam os valores 
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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universais que regem sua conduta, assim como as inter-relações (harmoniosas) de 
seu convívio em sociedade. 
Acontece que estes valores de satisfação pessoal e de valoração subjetiva, que a 
princípio deveriam se confundir com as diretrizes do campo jurídico, nem sempre com 
elas se misturam, ou seja, existe um campo da Moral que não se confunde, nem se 
mescla, com o campo jurídico e por isso, o Direito tutela muita coisa que não é moral. 
Dentro do campo do Direito, portanto, muitas de suas diretrizes se não são ‘imorais’ 
(o que está fora da Moral), são pelo menos ‘amorais’ (o que é indiferente à Moral) o 
que incentivou os doutrinadores a representar, esquematicamente, Moral e Direito 
como dois círculos.
Numa primeira acepção seriam dois círculos secantes, ambos internos ao campo 
da Ética, em que haveria uma zona comum demarcada pelo Direito e pela Moral, 
externalizada, de um lado por uma zona com regras de Direito e não morais, e de 
outro, uma zona com regras morais e não de Direito. A esta formulação a doutrina 
nominou Teoria dos Círculos Secantes e representa, modernamente, a concepção 
pragmática das relações entre o Direito e a Moral. 
Título: Representação da Teoria dos círculos secantes.
Fonte: Elaboração do Autor.
De outra forma, uma representação em que os círculos encontram-se alocados 
de forma concêntrica, a demonstrar que tudo que pertencente ao Direito também 
pertence à Moral, passou a ser estudada pela nomenclatura de Teoria dos Círculos 
Concêntricos, correspondendo à concepção ideal das relações entre o Direito e Moral, 
tese que, aliás, não necessariamente condiz com a verdade, cuja conclusão foi muito 
bem refinada pelo professor Miguel Reale em seu raciocínio: 
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Existe o desejo incoercível de que o Direito tutele só o “lícito moral”, 
mas, por mais que os homens se esforcem neste sentido, apesar de 
todas as providências cabíveis , sempre permanece um resíduo de 
imoral tutelado pelo Direito. Grifamos. (REALE, 1998, pág. 43).
Título: Representação da Teoria dos círculos concêntricos.
Fonte: Elaboração do Autor.
ANOTE ISSO
A “Teoria dos Círculos Secantes” é atribuída ao jurista francês Claude Du Pasquier e 
consiste na ideia de que Direito e Moral são círculos secantes, ou seja, uma parte do 
universo jurídico também está contida em uma parte do universo moral. No entanto, 
há partes do universo jurídico que não estão contidas na moral, e vice-versa. Desse 
modo, por essa teoria, nem tudo o que é moral é jurídico; e nem tudo o que é 
jurídico é moral. Há um espaço de independência para as duas realidades. 
Para maiores esclarecimentos sobre o tema acesse: https://evertonneves.
wordpress.com/2011/04/01/relacao-entre-direito-e-moral/
Acesso em 09/10/23.
2.2. Juízos de valoração: regras jurídicas de conduta e as sanções 
Já dizia Abraham Lincoln: o que é justo do ponto de vista legal pode não o ser do 
ponto de vista moral. 
A valoração do justo não tem correlação direta com o cumprimento espontâneo ou 
obrigatório das regras sociais. E daí a necessidade da força, manifestamente jurídica, 
na imposição dos imperativos da norma, o que se dá por meio do Direito. Noutro 
sentido, impossível conceber-se um ato moral forçado e fruto da coação, até porque 
será ele sempre evidenciado pela espontaneidade. 
https://evertonneves.wordpress.com/2011/04/01/relacao-entre-direito-e-moral/
https://evertonneves.wordpress.com/2011/04/01/relacao-entre-direito-e-moral/
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Para parte da doutrina brasileira, o Direito tende a funcionar como uma condução 
coercitiva da conduta humana, ou seja, é por meio da norma, que o Direito “impõe” aos 
cidadãos o cumprimento das obrigações. Reale nos aponta que a Moral é incoercível, 
mas o Direito sempre coercível (REALE, 1988, pág. 46) o que nos leva a concluir que 
o Direito positivado reduziu-se hoje à soma de norma e coação, ou do justo com a 
força, simbolizado pela Deusa Justitia, que estudamos anteriormente, quando busca 
equilibrar numa das mãos uma espada e noutra uma balança. 
Tendo em vista que a Moral não tem meios efetivos para impor sanções aos 
seus descumpridores, até porque intrínsecos e subjetivos os regramentos que dela 
emanam, o Direito passa a assumir a guarda daquilo que é também imposto pela Moral, 
complementando-a com as sanções efetivas e a coação, de modo a, coercitivamente, 
obrigar o indivíduo a cumprir o estatuído na norma. 
Neste sentido, pontual e esclarecedora a colocação do professor Fábio Ramos da 
Universidade de São Paulo, no sentido de que: 
O Direito é expressão normativa do moralmente instituído, seguindo 
a tradição romana e vinculando-se com o positivismo. Tanto que, 
enquanto ramo das Ciências Humanas, o Direito é Positivista, 
circunscrito ao poder da coerção, que resulta da força das normas e 
dos costumes, opondo-se ao Direito Natural, que é considerado como 
resultante da natureza dos homens e suas relações (mais próximo 
da Moral), considerando as necessidades coletivas e individuais, 
independentemente das convenções ou interpretações do Direito 
Positivo (“normas postas” em dado espaço e tempo). (RAMOS, 2012, 
fls. s/n).
2.2.1. Direito positivo 
Representa o conjunto de regras jurídicas materializadas e em vigor num determinado 
país e numa determinada época. Alguns estudiosos também o chamam de “direito 
posto”. A professora Maria Helena Diniz assim o conceitua:
O direito positivo é o conjunto de normas estabelecidas pelo poder 
político que se impõem e regulam a vida social de um dado povo em 
determinada época. (DINIZ, Maria Helena, 1998, pág. 243).
2.2.2. Direito natural 
Representa a ideia abstrata de direito, ou seja, aquilo que corresponde ao sentimento 
de justiça da comunidade. Novamente Diniz nos esclarece:
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O direito natural, imanente à natureza humana, independe do legislador 
humano. As demais normas, construídas pelos legisladores, são 
aplicações dos primeiros princípios naturais às contingências da vida, 
mas não são naturais, embora derivem do direito natural. O direito 
natural abrange todas as normas de moralidade, inclusive as normas 
positivas, enquanto aceitáveis ou toleráveis pela moral.(DINIZ, Maria 
Helena, 1998, pág. 37).
2.3. Ética e cumprimento das regras sociais 
Toda norma ética deverá ser estruturada como juízos do “dever-ser”, sendo uns mais 
rígidos que outros. A norma jurídica, por exemplo, caracteriza-se pela ‘imperatividade’, 
enquanto a norma moral pela ‘faculdade’. 
Diz-se, portanto, que a Moral é autônoma, ao passo que o Direito é heterônomo. 
Autonomia representa liberdade de escolha, ou seja, inexiste imposição de terceiro no 
sentido de que uma dada conduta deva, obrigatoriamente, acontecer. Já a heteronomia 
representa a imposição, independentemente do querer dos obrigados, ou de suas 
opiniões em relação às obrigações, já que precisam comportar-se da maneira 
entabulada, sem oportunidade de análise. Inegável, pois, que o Direito representa em 
si uma ordenação heterônoma e coercível das condutas humanas. 
Justamente por isso que, em termos científicos, o gênero Ética se locupleta por 
meio das três espécies de conduta: 
a. segundo o Direito - a regra mais objetiva possível – ainda que em determinadas 
hipóteses possa ter pequenas poções de subjetividade;
b. segundo os Costumes - regras socialmente escolhidas e aplicadas, de maneira 
reiterada, por determinado lapso temporal e em um dado local;
c. segundo a Moral - a “regra” mais subjetiva possível do intrínseco do indivíduo. Na 
verdade, nem chega a ser uma regra (daí as aspas), vez que lhe falta verdadeira 
qualidade da coerção.
2.4. Direito como coação 
Duas são as teorias sociais efetivamente aceitas no tocante à utilização da força 
advinda do Direito. A primeira delas, mais antiga e mais radical, destacou-se pela 
sua proximidade com a coação como forma de regulação pela norma, enquanto a 
segunda tem revelado que existe a “possibilidade” de coação, já o Direito retrata uma 
ordenação coercível da conduta humana. 
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A primeira, à qual já nos referimos anteriormente, reduz o Direito à somatória fria e 
objetiva de dois fatores: a norma e a coação, exatamente como defendeu o jusfilósofo 
Hans Kelsen em em positivismo normativo. 
Postura que, aliás, é hoje bastante afrontada no sentido de informar que o Direito 
não necessariamente precisará da coação como forma essencial de sua locupletação. 
O cumprimento espontâneo do Direito, inclusive pela via extrajudicial, como veremos 
a seguir, nos autoriza a afirmar que tem se reduzido bastante o número de litígios que 
geram conflitos sujeitos a decisões judiciais. 
A segunda teoria, por sua vez, em termos de compatibilidade do Direito com a força, 
oferece a ele uma alternativa em potencial como garantia de execução das normas. 
Assim, toda vez que se revelem insuficientes as formas que levem os interessados 
a cumpri-las, o Direito se utilizará da ordenação coercível para implementar suas 
condições. 
O professor Miguel Reale coteja uma teoria à outra, manifestando-se no seguinte 
sentido: 
A diferença está apenas em um adjetivo (coercível), mas é fundamental. 
Para uns a força (coação) está sempre presente no mundo jurídico, 
é imanente a ele e, portanto, inseparável dele. Para outros, a coação 
no Direito não é efetiva, mas potencial, representando como que uma 
segunda linha de garantia da execução da norma, quando se revelam 
insuficientes os motivos que, comumente, levam os interessados a 
cumpri-la. (REALE, 1998, pág. 48).
2.5. Direito na modernidade: formas de solução dos conflitos
Antes de adentrarmos ao estudo dos “conflitos”, propriamente ditos, e de suas 
consequentes formas solucionadoras, interessante que pontuemos alguns institutos 
afeitos à Teoria Geral do Direito. Essencial, pois, conceituarmos jurisdição, processo, 
procedimento, direito de ação e de defesa, direito material e processual e direitos 
indisponíveis.
Destarte, jurisdição representa a própria conexão latina dos termos “juris + dictio”, 
ou seja, dizer o Direito, ou ainda, a aplicação do Direito aos casos concretos. O Estado 
assume a postura daquele que exerce a “jurisdição”, justamente quando provocado 
pelo ajuizamento de uma demanda, sendo o processo mero instrumento de conteúdo 
sobre o qual exercerá esta função jurisdicional. 
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Processo, portanto, representa um conjunto de atos de acusação e defesa, por meio 
do qual uma das partes componentes da relação jurídica, considerando-se lesada 
(Autor) por ato cometido, utilizando-se da cogência do Poder Judiciário, pleiteia em 
face da outra parte, que se defende por meio de todas as formas admitidas em Direito 
(Réu), a solução do litígio (querela) que se instaurou entre elas. 
Portanto, o processo se efetiva sob um dissídio (pretensão resistida), a que se 
convencionou chamar, tecnicamente, por litígio, cujas partes (Autor e Réu) submetem-
se à decisão do Estado-Juiz, mediante uma instrumentalização sistemática de todos 
os atos processuais estabelecidos por meio da ação, atos que se sucedem segundo 
um procedimento, ou rito, entabulado pelo direito processual ao qual se amoldou.
 A partir daí a jurisdição se consubstanciará em forma de decisão, formulada 
com base no chamado julgamento, que cristaliza a postura assumida pelo Estado 
(Poder Judiciário, em regra) em relação ao, presumidamente, considera correto e, 
preferencialmente, justo, a ser aplicado no caso real.
Pacífico, pois, que processo não se confunde com procedimento, já que este 
representa a forma como se ‘desdobram’ os atos processuais dentro do processo. 
Aliás, em capítulos futuros, poderemos verificar, por exemplo, que o processo do trabalho 
deverá ser sempre mais célere que o processo civil, uma vez que este apresenta-se 
com maior rigor formal (instrumentalidade), enquanto aquele orienta-se por princípios 
menos complexos, afeitos à verdade real, visando dar maior rapidez (celeridade) à 
solução dos conflitos (natureza alimentar das decisões).
Quanto à possibilidade de transacionar determinados direitos colocados à disposição 
dos cidadãos, a doutrina os divide em direitos Indisponíveis, quando considerados 
insuscetíveis de serem negociados entre as partes, como ocorre, por exemplo, com 
o direito à liberdade pessoal, o direito de punir do Estado, os direitos de família, os 
direitos trabalhistas, etc. Já os direitos disponíveis representam aqueles suscetíveis à 
negociação, via de regra, atinentes às relações jurídicas regidas pelo Direito Civil, Dir. 
Comercial e Dir. Empresarial, fundados na autonomia da vontade das partes.
Por fim, há de se destacar que o direito material representa o corpo de normas 
que disciplinam as relações jurídicas referentes aos chamados “bens da vida”, ou seja, 
aqueles que formalizam e pactuam as relações e utilidades da vida. São exemplos 
de instrumentos normativos que elencam regras de direito material o Código Civil 
e o Código Penal. Já o direito processual, como vimos anteriormente, representa 
o complexo de normas e princípios que regem o “método” de trabalho jurisdicional 
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realizado pelo Estado-Juiz no instrumento de ação movida pelo demandante e de defesa 
realizado pelo demandado. São exemplos de instrumentos normativos que elencam 
regras de direito processual, o Código de Processo Civil e o Código de Processo Penal.
2.5.1. Soluções de conflitos pela via extrajudicial
O método de solução extrajudicial dos conflitos ocorrerá sem a participaçãodireta 
do Poder Judiciário na apreciação e solução do caso em discussão, ou seja, as partes 
buscarão utilizar-se de alternativas amigáveis e pacíficas que, fundadas no consenso 
e despojadas de contenciosidades, possam afastar uma solução por imposição.
A mediação, a conciliação e a negociação (seja direta ou profissional) são todas 
consideradas ‘formas pacíficas’, que se fundam no consenso existente entre as partes 
e que têm o firme propósito de resolver “amigavelmente” as divergências, com boa-fé 
e vontade. São, portanto, consideradas autocompositivas, vez que não ocorrem por 
meio da atuação de um terceiro indivíduo. Na verdade, as partes atuam de maneira 
‘neutra’, na escolha da melhor solução para elas próprias. Ao contrário, quando um 
terceiro, ainda que atuando extrajudicialmente, por exemplo, numa Câmara Arbitral, 
determinar a quem o direito pleiteado deva ser concedido, diante estaremos de uma 
solução pela via heterocompositiva, justamente como ocorre nas arbitragens.
Neste sentido, o art. 165 do Código de Processo Civil assevera:
§ 2º. O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em 
que não houver vínculo anterior entre as partes, poderá sugerir 
soluções para o litígio, sendo vedada a utilização de qualquer tipo 
de constrangimento ou intimidação para que as partes conciliem;
§ 3º. O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que 
houver vínculo anterior entre as partes, auxiliará aos interessados a 
compreender as questões e os interesses em conflito, de modo que 
eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por 
si próprios, soluções consensuais que gerem benefícios mútuos. 
Grifamos.
De forma objetiva, vejamos algumas das características de cada uma das formas 
extrajudiciais de solução dos conflitos:
a. Negociação - mecanismo voluntário de resolução autocompositiva em que as 
próprias partes, sem intervenção direta de terceiro, discutem acerca de seus 
impasses e criam, sponte propria, possíveis soluções. A abordagem pode ser 
tanto formal, em que geralmente um profissional apenas acompanha o desenrolar 
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das negociações (profissional), ou informal, quando as próprias partes chegam 
ao consenso de forma colaborativa.
b. Mediação - mecanismo voluntário e confidencial de resolução autocompositiva, 
formalizado pela figura de um Mediador imparcial, em que duas ou mais pessoas 
físicas ou jurídicas buscam obter uma solução consensual que possibilite preservar 
o relacionamento entre as partes. Resguardadas as informações sigilosas, poderá 
ser aplicada em conflitos oriundos de diversos tipos de interesses como nos 
casos de questões trabalhistas e comerciais, locais ou de relações internacionais, 
questões empresariais, conflitos que envolvam questões ambientais, etc. ou 
dos mercados comuns, em empresas, conflitos familiares e educacionais, meio 
ambiente e relações internacionais;
c. Conciliação - mecanismo voluntário e confidencial de resolução autocompositiva, 
formalizado pela figura de um Conciliador, que além de aproximar as partes, 
aconselha e “contribui com sugestões” para um acordo. Funciona como pessoa 
neutra que após treinamento específico, age como facilitador do acordo, criando 
um ambiente de negociação propício ao entendimento mútuo. Também é a forma 
preferida de resolução de conflitos no nosso sistema processual (principalmente 
trabalhista);
d. Arbitragem - mecanismo voluntário e confidencial de resolução heterocompositiva, 
formalizado mediante o acordo de vontades celebrado entre pessoas capazes, 
que preferem submeter-se à solução dos eventuais conflitos por meio de ‘Árbitros’ 
previamente escolhidos pelas partes e capacitados a prolatar decisões definitivas 
e irrecorríveis (sentença arbitral). Atualmente disciplinada pela Lei 9.307/96, 
formata uma sistemática jurídica em que pessoas físicas ou jurídicas, buscam, 
voluntariamente, uma solução definitiva do conflito, desde que o objeto litigioso 
recaia sobre direito patrimonial disponível. decisão definitiva e irrecorrível. 
Destaque-se que, uma vez escolhida a arbitragem como forma de solução de 
conflitos, as partes estarão impedidas de recorrer à Justiça questionando o 
mérito das sentenças arbitrais.
2.5.2. Soluções de conflitos pela via judicial
O método baseado na intervenção do Judiciário será sempre heterocompositivo, 
ainda que a solução ocorra pela via consensual. Modernamente, representa a forma 
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mais tradicionalmente aceita na sistemática brasileira (o brasileiro ainda confia mais 
na chancela do Estado como garante).
É o método pelo qual o Poder Judiciário, representado por seus Órgãos (todo ente 
individual, ou coletivo, capaz de fazer jurisdição) decidirá com base nas provas e 
documentos a ele apresentados como solucionará a lide.
Quando comparado às formas autocompositivas, o modelo heterocompositivo 
judicial pode ser considerado moroso e formalista, além de esteiado em posições 
doutrinárias e jurisprudenciais, por vezes, desatualizadas e minoritárias, mas que terão 
de ser obedecidas em função do princípio constitucional da livre convicção do Juiz.
Esquematicamente, a sistemática brasileira de solução dos conflitos pode ser assim 
desenhada:
Título: Sistemática de solução de conflitos
Fonte: Elaboração do Autor.
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CAPÍTULO 3
INTRODUÇÃO AO ESTUDO 
DO DIREITO E A NATUREZA 
OBJETIVA DA NORMA
3.1. Noções elementares de Direito e o tridimensionalismo
Em sua acepção mais leiga, o Direito representa a ordem estabelecida numa sociedade. 
Muitas vezes, o homem comum o confunde com a própria lei. Tecnicamente, estas 
impressões não podem ser aceitas. Aliás, o Direito também supera a mera expectativa 
daquilo que é reto, conforme, justo, exatamente como vimos no capítulo anterior. 
Direito é mais que tudo isso. Direito é uma Ciência! e, portanto, adaptada a um 
método e linguagem próprios.
Justamente por isso, a melhor explicação para o Direito, reconhecido como um 
ramo das Ciências Sociais e incorporado às Ciências Jurídicas, ainda se pauta nos 
ensinamentos do insigne jurista Miguel Reale e em sua formulação intitulada Teoria 
Tridimensional do Direito.
Por meio dela, o professor apontou como elementos fundantes à dialética jurídica 
três quesitos indissociáveis que formatam um tripé lógico de silogismo. São eles: fato, 
valor e norma. Por meio desta formulação, constatou e provou que o Direito não pode 
ser analisado sem a conexão (necessária) de todos estes elos e que não pode ser 
entendido se todos eles não estiverem integrados entre si, ou seja, envolvendo-se de 
maneira dinâmica, capacitado a alcançar um resultado científico “justo” (satisfatório). 
Ademais, insta salientar que este aperfeiçoamento teórico, implementado pela 
Teoria Tridimensional, amoldou-se perfeitamente a uma subteoria, também bastante 
conhecida, denominada Teoria da Unicidade do Direito.
Isso porque, entendeu ele, não ser possível vislumbrar a norma como sendo o 
próprio Direito, mas sim o produto da dialética dele com fatos sociais relevantes e 
valores almejados pela sociedade,em dado tempo e momento histórico.
Sinteticamente, seu conceito técnico-jurídico, aponta que o Direito representa uma 
dimensão normativa, ou seja, tem ordenação por meio de uma norma jurídica, que 
somada à dimensão fática, imposta pela realidade histórico-cultural da sociedade 
vigente, adere-se à dimensão axiológica (ou valorativa), para verificar , na composição 
sistemática, o valor do, supostamente, “justo social”.
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Título: Advogado e Filósofo Miguel Reale.
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f6/Miguel_Reale_%281962%29.tif/lossy-page1-320px-Miguel_Reale_%281962%29.tif.jpg3.1.1. A linguagem do Direito: linguagem “leiga” e linguagem técnica (legal e do 
jurista)
Cada Ciência possui a sua linguagem na forma de se exprimir e com o Direito não 
é diferente. Em termos de vocabulário jurídico costuma-se estruturar o Direito da 
seguinte maneira:
a. linguagem jurídica - sempre universal, ou seja, determina o que os conceitos 
representam em quaisquer países do mundo, resguardadas as peculiaridades 
de cada sistema normativo admitido (civil law ou common law), a exemplo do 
termo lei acolhido no Brasil, ou do termo “law” adotado nos EUA;
b. português jurídico - representa a adaptação dos termos técnico-jurídicos à 
língua dos países em que estão sendo aplicados. Ainda que dois países falem 
a mesma língua (português, por exemplo), geralmente, para cada país tem a 
sua nomenclatura (vulgarmente chamado de “juridiquês”). Demonstra como 
fazemos a exposição de nossas regras jurídicas pátrias, por exemplo: No Brasil, 
nem toda norma é lei;
c. redação forense - representa a exposição textual de escrita com fluência um 
texto jurídico. Representa justamente a forma como expõe um candidato numa 
avaliação dissertativa de ingresso no serviço público, por meio de concurso 
público, ou a forma como o Exame da OAB deseja que o candidato se manifeste 
na 2ª fase. 
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f6/Miguel_Reale_%281962%29.tif/lossy-page1-320px-Miguel_Reale_%281962%29.tif.jpg
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Destaque-se que cada ramo do Direito tem um estilo de escrita que lhe é peculiar, por 
exemplo, o Direito Processual Trabalhista é mais objetivo, direto, informal em função 
de sua oralidade, enquanto o Direito Processual Civil é mais formal e instrumental, 
depreendendo-se disso que onde quer que exista uma Ciência, existirá, sempre, para 
ela uma linguagem correspondente.
Muitas vezes também, uma linguagem utilizada pelo leigo poderá causar certa 
‘incompreensão técnica’ em função de seu desvirtuamento axiológico jurídico. Assim, 
quando um cidadão comum aponta um juiz como ‘incompetente’, pensa nele como uma 
pessoa despreparada ou sem conhecimento, quando na verdade, tecnicamente, ser 
incompetente apenas faria com que ele não pudesse ser admitido a fazer juridição no 
caso em concreto, pois lhe faltaria enquadramento (material, territorial, ou jurisdicional) 
na medida de sua jurisdição. 
Doutra forma, ainda que tecnicamente correta, a linguagem jurídica poderá se 
diferenciar em relação ao órgão prolator da manifestação. Assim, a linguagem da 
lei, como instrumento normativo advindo do Poder Legislativo (linguagem técnico-
normativa) diferencia-se da linguagem do Juiz, quando este prolata uma sentença, 
por exemplo, fundamentada e motivada, já que expõe à sua maneira e dentro de seu 
próprio senso de “justo”, amparado pelo princípio constitucional do juízo natural e de 
sua livre convicção sua linguagem técnico-judicial. 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
A linguagem jurídica muitas vezes tende a ser rebuscada e prolixa. A boa técnica, 
porém, aconselha que se evitem as expressões clichês, casos em que ocorre a 
figura de linguagem conhecida por “pedantismo jurídico”. O professor Eduardo 
Sabbag em sua obra denominada: “Português jurídico” menciona o uso dos 
clichês na redação forense, através da utilização de “frases feitas, preciosismos ou 
arcaísmos” usados de modo corriqueiro e sem a devida atenção dos operadores do 
Direito. Trata-se de palavras que são desnecessariamente utilizadas, ou utilizadas 
de forma inconveniente. Por exemplo, numa situação em que o advogado expondo 
ao Ministro da Corte que ele “sabe mais” que seu par de instância inferior assim se 
manifestou: “O douto julgador a quo, ainda que de conhecimento ilibado, demonstra 
desconhecer que o nobre Ministro desta Colenda Corte Superior sobeja magnitude e 
discernimento acentuados sobre exatamente tudo a que possa se referir o tema em 
questão ora recorrido…” A linguagem se tornou maçante, de difícil compreensão, de 
extrema ostentação e exibição de conceitos que talvez o advogado nem possua.
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3.1.2. O método no Direito
Se dissemos acima que todas as Ciências têm sua linguagem, igualmente todas 
têm suas formas de verificação de seus pressupostos e fundamentos. Com o Direito 
não é diferente, pois, se-lhe aplica o método jurídico.
O conhecimento jurídico se faz pela soma de método jurídico, que representa o rigor 
técnico, ou o modo racional de se analisar as relações jurídicas, com linguagem técnica 
que representa a terminologia especializada com que se expõem os fatos jurídicos.
Como sem método não há Ciência, pode-se afirmar que no estudo do Direito várias 
outras Ciências autônomas, sejam elas sociais, exatas ou biológicas, serão responsáveis 
por compor um arcabouço maior denominado de “Ciências Jurídicas”.
Assim acontece quando se agrega Sociologia e Direito, criando-se a Sociologia 
Jurídica, Medicina e Direito do Trabalho, criando-se a Medicina do Trabalho, Psicologia 
e Direito, criando-se a Psicologia Forense, dentre inúmeras outras que venham 
complementar em termos de linguagem e método o sistema de conhecimentos 
jurídicos que passará a ter fundamentos estabelecidos nestas outras múltiplas fontes 
de informação.
3.2. Fontes do Direito
As “fontes do Direito” consubstanciam-se por meio de várias espécies normativas 
que designam o lugar de onde “brotam”, ou “nascem”, regras jurídicas. Estas fontes 
jurídicas, por sua vez, direcionam cada ramo ao qual se submetem, ou seja, cada 
ramo jurídico possui suas fontes específicas, capazes de implementar direitos e 
obrigações no mundo real, resguardando limites e condições aos que a elas se 
submetem. 
Mais especificamente, pode-se dizer que toda obrigação, emanada de um determinado 
ramo jurídico, só se formaliza por meio de suas respectivas fontes jurídicas.
Deste modo, a Constituição (alguns a chamam de norma hipotética fundamental) 
será sempre a fonte original de todos os ramos jurídicos, formalizando-se como 
irradiadora de todo o sistema normativo brasileiro, ainda que por vezes seja considerada 
essencialmente simbólica, ou de pouca aplicabilidade real..
Isto quer dizer que o sistema jurídico, que funciona com base nas variáveis 
instrumentais e simbólicas, decorre da própria força normativo-efetiva da legislação, 
garantida por meio destas mesmas variáveis. Assim já nos manifestamos:
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Na função simbólica do Direito, portanto, haveria uma conexão, 
apenas, relativamente clara entre expressão e conteúdo da norma 
(caráter ambíguo, mediato e impreciso), enquanto na função 
instrumental ocorreria um direcionamento da conduta para fins fixos, 
partindo-se para um significado imediato e manifesto da norma. 
(POUSA JR., 2014, pág. 
3.2.1. Norma jurídica como gênero e lei como espécie
Norma não é sinônimo de legislação. Existe sim, “subsunção” de uma sobre a outra.
Existirá sempre um conjunto maior de conceitos, aplicáveis a um dado ramo do 
Direito, ao qual denominaremos norma jurídica aplicável, cujo subconjunto se compõe 
de diversas espécies normativas (por exemplo, instruções normativas, regulamento 
da empresa, normas regulamentadoras, medidas provisórias, súmulas, orientações 
jurisprudenciais, contratos, decretos, convenções internacionais etc.) incluindo dentre 
estas a própria “lei”, ou “legislação”, aliás, a espécie preferencialmente admitida no 
sistema brasileiro das fontes.
O Brasil admite, preferencialmente, a lei (legislação positivada), escrita e criada pelo 
Poder Legislativo, para fundamentar seus negócios jurídicos, suas relações jurídicas, 
inclusive as decisões em que o Estado precise tutelar seus indivíduos.
Sinteticamente, duas são as conclusões a que se pode chegar:
a. das fontes jurídicas emanam regras jurídicas, que são direitos eobrigações 
impostos aos indivíduos de uma sociedade em dado tempo;
b. que a norma jurídica se constitui pelo conjunto de várias espécies normativas, 
inclusive tendo dentro de si a lei como uma espécie normativa.
ANOTE ISSO
A doutrina costuma chamar de “formal” o Direito Processual Civil, pois considera-o 
muito instrumental, rígido, com regras que se não cumpridas com severo rigor 
técnico viciará (invalidará) o ato jurídico produzido. Já os ramos considerados 
“flexíveis”, como acontece com o Direito Trabalhista, ou até mesmo com o Direito 
Penal (o que a princípio poderá não parecer) necessitarão de menos formalismo 
para sua implementação, visto que se apegam a um outro princípio do Direito, 
tão importante quanto o da instrumentalidade das formas, chamado de princípio 
da “verdade real” em que valerá mais a prova colhida por meio da oitiva de uma 
testemunha que aquilo que estiver escrito em um documento, por exemplo, o que 
estiver registrado na Carteira de Trabalho do empregado.
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3.2.2. Fontes materiais
As fontes materiais são aquelas que se apresentam num momento “pré-jurídico”, ou 
seja, aquelas em que não se está a tratar efetivamente de uma espécie normativa, mas 
de “fatores ou eventos” que intervêm no nascimento das futuras espécies normativas.
Dentre inúmeras outras, pode-se destacar como fontes materiais a influência dos 
movimentos sociais, dos planos econômicos, dos debates políticos, eventos que inspiram 
e motivam o legislador na feitura das espécies normativas e em suas regras jurídicas.
3.2.3. Fontes formais
Cada ramo do Direito possuirá suas próprias fontes específicas, por vezes advindas 
do Poder Legislativo (chamadas de parlamentares), às vezes advindas do Poder 
Executivo (chamadas de técnicas), ou emanadas do Poder Judiciário (chamadas 
de jurisprudenciais). Para alguns acrescentam-se, ainda, ao direito pátrio, as fontes 
produzidas pelo Direito Internacional, quando possíveis de serem aplicadas dentro do 
território brasileiro.
As fontes formais relacionam-se a um momento “jurídico”, ou seja, é por meio delas 
que surgem as regras orientadoras das condutas dos indivíduos na sociedade, segundo 
as vontades do povo no espaço/tempo em que são formuladas, emoldurando todo o 
arcabouço jurídico de regras, direitos e obrigações que serão aplicados através, por 
exemplo, de decisões prolatadas pelo Estado. 
A doutrina costuma subdividir estas fontes formais em autônomas e heterônomas.
ANOTE ISSO
Se pensarmos na normatividade das regras trabalhistas, verificaremos que 
a pressão exercida pelos trabalhadores na busca de melhores condições de 
labor, através de movimentos grevistas, na defesa de reivindicações legítimas, 
como redução ou suspensão de jornadas de trabalho, são ambas situações que 
certamente incentivarão a produção de uma espécie normativa no futuro e são, 
portanto, fontes materiais do Direito.
3.2.3.1. Autônomas
As fontes formais autônomas fundamentam regras que advêm da imediata 
participação dos destinatários na produção das normas jurídicas incrementadas, ou 
seja, o próprio produtor da norma será o beneficiário direto da norma que elaborou.
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São chamadas de fontes não estatais, pois, ainda que haja fiscalização do Estado 
nos limites de sua criação, quem delas se utilizam são as partes envolvidas em sua 
produção, como ocorre por exemplo nas Convenções Coletivas de Trabalho, nos 
Contratos de Trabalho, ou nos Regulamentos de empresas, etc. 
Além disso, já que todas estas regras objetivam tutelar os próprios elaboradores 
dos instrumentos produzidos, juridicamente, serão consideradas de “efeitos interparts”, 
uma vez que somente aos envolvidos aplicam-se os direitos e obrigações que delas 
emanam.
3.2.3.2. Heterônomas
As fontes formais heterônomas são aquelas espécies normativas cuja produção 
não se caracteriza pela imediata utilização pelos produtores como destinatários finais 
da norma produzida, ou seja, estas espécies normativas serão criadas para beneficiar 
quaisquer indivíduos da sociedade e que delas necessitem.
São, portanto, espécies normativas com diretrizes de origem estatal, direcionadas não 
só aos seus produtores, mas também a quaisquer outras pessoas que delas possam 
se utilizar. Neste sentido, são reconhecidas como regras de efeitos “erga-omnes”, vez 
que a todos os envolvidos, sejam os elaboradores ou não, serão aplicados os direitos 
e obrigações que delas emanam.
3.3. Estruturação básica da Norma Jurídica
A “norma jurídica” é resultado da coexistência de diferentes espécies normativas 
produzidas por fontes estatais (Ministério da Saúde, por exemplo), ou fontes não estatais 
(Empregador, por exemplo). Aliás, as ‘não estatais’, destacam-se na regulamentação 
das relações laborais, ao formularem-se, por exemplo, as Convenções Coletivas de 
Trabalho, ou os Acordos Coletivos de Trabalho pelas entidades sindicais.
Assim, para os diversos ramos do Direito, o sistema jurídico brasileiro apresenta-se 
sob a forma de uma “plurinormatividade”, característica que além de demonstrar que 
os ramos se subdividem, classificando-se em direito público e direito privado, também 
mostra que podem diferenciar-se quando analisados em relação aos regramentos 
de proteção dos cidadãos, ora acentuando o caráter ‘individual”, ora acentuando o 
caráter “coletivo” de tutelas. 
Subdividem-se em:
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a. parlamentares - por exemplo a Constituição Federal de 1988, as Emendas à 
Constituição, as leis ordinárias, as leis complementares, etc.;
b. judiciais - como as súmulas, súmulas vinculantes, orientações jurisprudenciais, 
sentenças normativas etc.;
c. técnicas - como no caso de instruções normativas, normas regulamentadoras, 
portarias administrativas, etc.;
d. internacionais - em relação aos ordenamentos jurídicos externos, e às relações 
internacionais, a Constituição Federal priorizou o princípio da independência 
nacional e da igualdade entre os Estados. Convenções da OIT e Tratados de 
direitos humanos, sempre submetidos às regras jurídicas para sua admissão 
ao corpo nacional e, portanto, podem funcionar como fontes formais, ainda 
que alienígenas. 
3.3.1. Heteronomia
A heteronomia representa um conceito apto à formalização de ‘sujeição’. Em havendo, 
numa relação jurídica, duas partes que se confrontam, a decisão do Estado, quanto a 
que deverá ser seguida, por exemplo, impõe a ambos a obrigação de que esta vontade, 
entabulada por este terceiro, seja cumprida.
Opõe-se, portanto, ao conceito de ‘autonomia’, em que o indivíduo possui livre arbítrio 
para expressar sua com a vontade estabelecida.
A heteronomia não se confunde com a cogência, esta impositivamente atribuída 
quando não cumprida a decisão. Entendimentos diferentes da interpretação e 
aplicabilidade da norma levam a posicionamentos diversos das partes, cada qual 
defendendo sua postura, até que em dado momento a solução as sujeite ao cumprimento 
obrigacional, seja ele ‘voluntário,’ ou ‘impositivo’, este materializado pela via da cogência. 
3.3.2. Bilateralidade atributiva
Determinadas relações jurídicas ocorrem mediante a manifestação de pelo menos 
duas partes. Aliás, majoritariamente, as relações jurídicas assim estabelecem-se, ou 
seja, de forma bilateral, ainda que o Direito admita, em raras situações, as relações 
jurídicas unilaterais.
Quando ocorre a interação entre dois ou mais sujeitos de direito e cada qual 
manifesta sua postura intersubjetiva e proporcional em relação ao outro formaliza-
se a chamada bilateralidade. E mais, quando cada uma destas partes admite e 
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assume um posicionamento que defende como atributo valorativo daquilo que almeja, 
submetendo-o às regras deDireito e decisão do Estado, implementa-se na relação a 
chamada bilateralidade atributiva.
A bilateralidade atributiva representa, portanto, uma das características da ‘norma 
jurídica’ e que a diferencia, em essência, da ‘regra moral’; esta, unilateral, já que inexiste 
sanção efetiva por seu descumprimento (o coerção das regras morais poderá ser 
motivado pelo medo das consequências que decorrem de sua violação); aquela, bilateral, 
pois, além de determinar um comportamento a seguir (heteronomia), determina uma 
sanção (impositiva e cogente) em caso de descumprimento, ou inadimplemento 
(omissão), daí se dizer do caráter bilateral-atributivo da norma jurídica.
3.3.3. Cogência
Sanção e coação (cogência) não se confundem. A explicação da professora Maria 
Helena Diniz é clara neste sentido:
A sanção é uma consequência jurídica prevista pela norma jurídica; a 
coação é sua aplicação efetiva, segundo processos legais; é o modo 
de concretizar-se da sanção. Exemplificativamente, a multa contratual 
é a sanção e a cobrança judicial desta multa é a coação. Grifamos. 
(DINIZ, Maria Helena, 1998, pág. 367).
Via de regra, a norma jurídica terá eficácia independente da necessidade do uso 
da intimidação que obrigue o cidadão a cumpri-la por meio da força ou da violência, 
porém em havendo resistência ao cumprimento a cogência, por meio da coação física 
ou psíquica poderá ser acionada como mecanismo de coatividade. 
Há de se destacar, porém, que a professora Maria Helena, noutro sentido, prefere o 
termo atributividade como representativo deste elemento específico da norma jurídica, 
vez que entende não ser a coercibilidade um de seus caracteres essenciais, mas sim 
um elemento contingente, vez que surge em dependência da vontade (eventual) do 
lesado pela violação de exercê-la ou cumpri-la. Assim expõe:
Impossível definir a norma jurídica pela coatividade, que é elemento 
que não lhe pertence. O elemento essencial específico passou a ser a 
atributividade, que é a qualidade inerente à norma jurídica de atribuir 
a quem seria lesado por sua eventual violação, a faculdade de exigir 
do violador, por meio do poder competente, o cumprimento dela ou 
a reparação do mal sofrido. (DINIZ, Maria Helena, 1998, pág. 371).
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CAPÍTULO 4
PESSOAS NATURAIS E 
PESSOAS JURÍDICAS
4.1. Pessoa Natural
A conceituação mais singela de “pessoa natural” pode ser entabulada pela legislação 
civil, em seu art. 1º do Código Civil, como sendo, ‘todo ser humano capaz de direitos 
e obrigações na esfera civil’. Neste sentido, destacamos que somente a ‘pessoa física’, 
componente da espécie humana, enquadra-se na autêntica denominação de sujeitos 
de direitos (indivíduo capaz de raciocinar sobre os objetos do mundo real e, de forma 
livre, agir, optar, sobre as maneiras de dominação que possam lhe ser impostas), 
dotados de personalidade jurídica.
Ademais, tratando-se de pessoas físicas, representam-se, em essência, como entes 
‘para os quais’ decorrem as normas jurídicas, sendo tutelados de tal sorte que jamais 
poderão se submenter a quaisquer formas de discriminação, seja em razão da idade, 
do sexo, da cor, da raça, da nacionalidade, etc.
Segundo aponta o professor Sílvio de Salvo Venosa, assim como as pessoas jurídicas 
(conjunto formado por pessoas e ‘patrimônio’), as pessoas físicas também possuem 
personalidade jurídica, que nasce a partir do momento em que a sua personalidade 
civil passa a ter projeção, e se submeter, às consequências no mundo real. Assim 
assevera:
A personalidade jurídica da pessoa natural é projeção da personalidade 
íntima, psíquica de cada um; é projeção social da personalidade 
psíquica, com consequências jurídicas. (VENOSA, 2005, pág. 149).
4.1.1. Personalidade jurídica como gênero e personalidade civil como característica 
da pessoa física
Não se confundam as acepções técnico-jurídicas: personalidade jurídica, 
personalidade civil e capacidade civil. 
A personalidade jurídica representa a amplitude de proteção do ente que se está a 
tutelar por meio do Direito, portanto, a personalidade civil do indivíduo será tutelada 
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de forma tão ampla quanto à própria personalidade jurídica das pessoas jurídicas 
devidamente constituídas.
O Direito, tecnicamente, ainda peca em muitas de suas formulações, quando utiliza 
a mesma nomenclatura para representar o gênero e a espécie à qual se refere. De 
tal modo que, quando tratamos aqui da personalidade jurídica, nos referimos à tutela 
dada tanto às pessoas físicas, como jurídicas.
Ademais, também não se pode confundir a personalidade jurídica da pessoa física 
com sua capacidade civil. Como especificaremos no tópico seguinte, a personalidade 
jurídica da pessoa civil, que por comodidade a doutrina nomeia por personalidade civil, 
no caso das pessoas físicas, terá início, sempre, a partir do nascimento com vida, 
tendo a lei colocado a salvo os direitos do nascituro desde sua concepção. Assim 
apresenta-se o art. 2º do Código Civil, ora colacionado, complementado pelos art. 11 
e 12 da mesmo diploma legal, in verbis:
Art. 2º. A personalidade civil da pessoa começa do nascimento 
com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do 
nascituro.
Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da 
personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o 
seu exercício sofrer limitação voluntária.
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da 
personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras 
sanções previstas em lei. Grifamos.
Acrescente-se que não basta o mero ‘nascimento’ (separação do feto do ventre da 
mãe) para o início da personalidade, mas sim que nascimento seja acompanhado da 
prova de vida do nascituro (movimentos, grunhidos, respiração, etc.). Não se confunda, 
também, a viabilidade humana (digna), como no caso de fetos anencéfalos em que se 
autoriza a possibilidade de aborto pela mãe, com a forma humana viável, já que, num 
passado remoto, a conformação copórea do feto podia ser utilizada como elemento 
autorizativo, ou não, da existência de personalidade humana (negação que era conhecida 
no Direito Romano por monstrum vel prodigium).
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Título; Nascituro. Feto humano de 7 semanas.
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/53/9-Week_Human_Embryo_from_Ectopic_Pregnancy.jpg
 
A existência da pessoa física termina com a morte, segundo o art. 6º do Código 
Civil, in verbis:
Art. 6º. A existência da pessoa natural termina com a morte; 
presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a 
lei autoriza a abertura de sucessão definitiva.
Duas são as formas em que poderão acontecer: de forma natural ou presumida:
a. morte real ou natural: ocorre quando o corpo da pessoa natural é encontrado 
e possível a lavratura do respectivo Atestado de óbito após o devido exame;
b. morte presumida: dá-se a presunção da ocorrência do óbito em razão de não 
se poder encontrar o corpo. Assim esclarece o art. 7º da lei substantiva civil:
Art. 7º. Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de 
ausência: I - se for extremamente provável a morte de quem estava 
em perigo de vida; II - se alguém, desaparecido em campanha ou 
feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término 
da guerra. Parágrafo único. A declaração da morte presumida, 
nesses casos, somente poderá ser requerida depois de esgotadas 
as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável 
do falecimento.
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/53/9-Week_Human_Embryo_from_Ectopic_Pregnancy.jpg
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No caso do inciso I, a hipótese será reconhecida pela catástrofe extremamente 
provávelde ter acontecido em virtude do perigo de vida em que se encontrava o 
cidadão (incêndios, naufrágios, terremotos, maremotos, etc.). Já no caso do inciso 
II, o desaparecido em guerras (ou similares), feito prisioneiro, não for encontrado em 
até dois anos após o fim da guerra.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
O Código Civil Brasileiro estabelece o início da personalidade civil da pessoa natural, 
mas põe a salvo desde a concepção, os direitos do nascituro. A partir destes 
regramentos alguns outros conceitos conexos passam a ser essenciais para seus 
estudos. Vejamos:
CONCEPTURO: é aquele ser que ainda não foi concebido, mas que, potencialmente, 
pode vir a ser.
NASCITURO: é aquele ser já concebido, mas ainda não nascido e que tem, portanto, 
expectativas de direitos, que se concretizarão com o nascimento com vida. 
NATIMORTO: para alguns nado-morto. É a denominação dada ao feto que morreu 
dentro do útero, ou durante o parto. Sendo a morte ocorrida antes da expulsão, ou 
de sua extração completa do corpo materno, após a vigésima semana de gestação 
(lembrando que algumas ‘normas médicas’ estabelecem este limite temporal na 24ª 
semana de gravidez).
A partir destes conceitos, desde 2007, o STJ reconhece o recebimento de alimentos 
gravídicos pelo nascituro, independentemente do tempo gestacional, ou do 
reconhecimento da paternidade dentro do ventre. Além disso, é também possível 
que o nascituro, caso venha a óbito em reazão de acidente, receba o seguro DPVAT. 
4.1.2. Capacidade e incapacidade civil
Determinar-se a capacidade civil, ou não, do indivíduo, só pode ter uma razão: - ser 
objeto precípuo de proteção do ser humano individualizado como pessoa natural e 
tutelada pelo Direito.
Aliás, o art. 878, parágrafo único do revogado Código de Processo Civil (CPC) de 
1973, já admitia expressamente a proteção do nascituro, autorizando-lhe fosse nomeado 
um curador ao ventre, em dadas circunstâncias, condição hoje ainda possível desde 
que requerida pela via judicial, em função da revogação total desta particularidade 
pelo CPC de 2015.
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Como vimos anteriormente, a capacidade é um atributo da personalidade e, portanto 
a capacidade civil, um atributo da personalidade civil do indivíduo. Assim, a pessoa 
física ou pessoa natural, que é o ser humano considerado como sujeito de direitos 
e obrigações, tem personalidade jurídica, aptidão para adquirir direitos e contrair 
obrigação, como tem capacidade jurídica civil (de fato e de direito).
A capacidade civil de direito, é intrínseca ao ser humano, ou seja, todo cidadão, 
nascido com vida, passará, automaticamente, à condição de titular de direitos e 
obrigações, de modo que nenhuma norma pátria poderá tolher-lhe tal capacidade, 
extinguindo-se, apenas com a morte desta pessoa (natural ou presumida).
Já a capacidade civil de fato, representa a aptidão do cidadão para exercer 
pessoalmente os atos da vida civil, podendo ser suprimida, inclusive temporariamente, 
pela norma. Como a capacidade de fato pressupõe a capacidade para o exercício dos 
atos civis, é necessário que estejam presentes a vontade e a consciência à existência 
esta modalidade. E assim, há de se concluir que esta capacidade de fato inexiste sem 
que presente a capacidade de direito.
Em relação às incapacidades, a legislação as divide em absolutas e relativas. Senão 
vejamos:
a. absolutas: aos absolutamente incapazes fica vedado o exercício de direitos, sob 
pena de que seus atos sejam considerados eivados de nulidade absoluta. O art. 3º 
do Código Civil aponta como absolutamente incapazes de exercer pessoalmente 
os atos da vida civil os menores de dezesseis anos. Em incapacidades absolutas 
a vontade do incapaz será desprezada e aceita a de seu representante - 
“representação”;
b. relativas: os relativamente incapazes poderão praticar determinados atos da vida 
civil por meio de assistência legal e seus atos, se praticados, serão considerados 
anuláveis. Em incapacidades relativas, a vontade dos relativamente incapazes não 
será desprezada, mas deverá ser acompanhada da vontade de seu Assistente. 
O art. 4º do Código Civil aponta como relativamente incapazes de exercer, sem 
assistência, os atos da vida civil, ipsis litteris: 
Art. 4º. São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de 
os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; III - aqueles que, por 
causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; 
IV - os pródigos. Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será 
regulada por legislação especial. Grifamos.
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
O pródigo, indivíduo que é interditado em razão de sua compulsão por gastar 
excessivamente não poderá praticar pessoalmente atos que importem manipulação 
financeira de valores, como os que ocorrem assunção de dívidas, compra e 
venda de bens, outorga de garantias, mas poderá, por exemplo, casar-se sem a 
necessidade de concordância ou acompanhamento de seu Assistente. 
4.1.3. Aquisição da capacidade civil por emancipação
Emancipação representa a cessação da incapacidade civil em razão da prática de 
atos jurídicos diversos à forma com que aconteceria de maneira ordinária. O art. 5º 
do Código Civil aponta as hipóteses em que cessará a incapacidade:
Art. 5º. A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando 
a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. 
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: I - pela 
concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante 
instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou 
por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos 
completos; II - pelo casamento; III - pelo exercício de emprego público 
efetivo; IV - pela colação de grau em curso de ensino superior; V - pelo 
estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de 
emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos 
completos tenha economia própria.
Do inciso I do parágrafo único do art. 5º do CC, acima colacionado, depreende-se 
que a incapacidade em razão da idade poderá se extinguir antes da maioridade civil, 
desde que por autorização dos representantes legais, ou por sentença judicial, se o 
menor tiver 16 anos completos e seja ouvido seu tutor. Com a emancipação o menor 
de 18 anos passa a ter a mesma capacidade do indivíduo que já tem 18 anos.
A emancipação quando operada na forma da lei torna-se irrevogável e definitiva, mas 
poderá ser anulada se constituída sob vícios do consentimento (erro, dolo, coação) 
ou realizada com o intuito de prejudicar o menor.
As formas de emancipação podem ser divididas sob duas espécies:
a. voluntária - ocorre pela concessão dos pais, ou de um deles mediante instrumento 
público, independentemente de homologação judicial, extinguindo-se o poder 
familiar (antigo pátrio poder) fazendo cessar sua condição de pupilo;
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b. legal - hipóteses elencadas no próprio art. 5º do CC e que conduzem a situações 
legais objetivas que, ao ocorrerem, formalizarão a emancipação. São elas: o 
casamento, o exercício de emprego público efetivo, a colação de grau em curso 
superior e o estabelecimento civil ou comercial com recursos próprios, desde 
que o menor de 16 anos consiga sobreviver com esta economia.
4.2. Pessoas Jurídicas de direito privado
Já vimos anteriormente que a personalidade jurídica como gênero aplica suas 
diretrizes tanto sobre a pessoa física (personalidade civil), ou sobre a pessoa jurídica 
(personalidade jurídica, quando, aliás, demonstramos, confundirem-se gênero e espécie).
Trataremos agora do que chama a doutrina por pessoa moral, a quem, tecnicamente, 
os sistemas de Direito considera como algonão físico (intangível) e que tem existência 
que não se confunde com a de seus membros componentes,compondo-se, pois, numa 
simples ficção dada pelo Direito (fictio juris).
Assim as palavras do mestre Miguel Reale:
Preferiu Savigny ver no conceito de pessoa jurídica mais um exemplo 
de de fictio juris, existente apenas como artifício técnico imposto 
pelas necessidades da vida em comum. Não existe como entidade 
dotada de existência própria, mas como elemento técnico, uma 
conceituação ficta, mediante a qual os juristas podem coordenar 
normas jurídicas distintas, para disciplinar a responsabilidade 
resultante do ato associativo.(REALE, 1998, pág. 234).
Não se confunde, aliás, a possibilidade de responsabilidade pessoal dos sócios por 
dívidas decorrentes da empresa, quando ocorre, por exemplo, a desconsideração da 
personalidade jurídica, com a existência autônoma das pessoas físicas que compõem 
a jurídica.
Na verdade, como explica uma outra corrente doutrinária, as pessoas jurídicas 
devem ser consideradas instituições, que por sua vez formatam-se por dois tipos 
de unidades, uma física e uma finalística, que imprime ordem à primeira. E assim, 
novamente, exemplifica o professor Miguel Reale, dando sentido à construção teórica:
Uma sociedade comercial existe porque nele se reúnem duas ou mais 
pessoas dirigidas pela ideia de fundar uma empresa. O elemento 
nuclear da instituição é a ideia que congrega e inspira aqueles que 
se dedicam à mesma tarefa, conjugando esforços diversos visando 
a um fim determinado. (REALE, 1998, pág. 236).
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As pessoas jurídicas costumam ser classificadas pela doutrina quanto à:
1. amplitude de sua atuação:
a. de direito público (interno - União, Estados, Distrito Federal e Municípios; 
externo - ONU, OIT, OEA, etc.);
b. de direito privado (sociedades empresárias, associações, sindicatos, partidos 
políticos, etc);
2. sua nacionalidade:
a. nacionais (quando possuem sua sede/matriz localizada no Brasil);
b. estrangeiras (quando a sede/matriz localiza-se no exterior);
3. sua estruturação interna:
a. de pessoas (quando fundamentadas no elemento humano - sócios pessoas 
físicas);
b. de capital (quando fundamentadas no elemento patrimonial).
A existência da pessoa jurídica somente poderá ocorrer quando comprovada a licitude 
de seus fins e a observância das condições legais para sua instituição e funcionamento. As 
pessoas jurídicas de direito público constituem-se por meio de leis ou tratados internacionais, 
geralmente em decorrência de fatos históricos, enquanto as de direito privado surgem com 
as devidas inscrições de atos constitutivos junto aos respectivos órgãos competentes , 
por exemplo, a Junta Comercial do Estado de sua localização.
Como se vê, as pessoas jurídicas de direito privado podem ser divididas em duas 
grandes categorias: as civis e as econômicas ou mercantis. As ‘associações’ e as 
‘fundações’ serão consideradas entidades de fins não econômicos, enquanto as 
‘sociedades empresárias’ e as ‘sociedades simples’ (que não empreendem atividades 
empresariais) serão consideradas de fins econômicos. Vejamos as diferenciações em 
relação a cada uma delas.
ANOTE ISSO
Determinadas pessoas jurídicas necessitam de autorização especial para existir. 
Assim acontece, por exemplo, com empresas de seguros e instituições bancárias, 
de forma que para iniciarem suas atividades, além da inscrição de seus atos 
constitutivos no Registro competente, precisarão, previamente, obter a autorização 
do Estado. 
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4.2.1. Fundações e Associações
As fundações representam pessoas jurídicas de direito privado, cuja organização 
delimita-se em torno de um patrimônio específico e direcionado a finalidade pré 
determinada. 
São criadas por escritura pública, ou atos testamentais, ou seja, implementadas por 
atos inter vivos ou mortis causa quanto à destinação e maneira com que seu patrimônio 
será administrado. Isso, porém, não significa que seus estatutos fundacionais não 
possam ser alterados, já que, mediante autorização de ⅔ dos membros gestores 
manifestando-se a favor, será permitida, após a aprovação do Ministério Público, nova 
dotação.
O patrimônio das fundações, via de regra, também será inalienável, exceto se 
comprovada a necessidade de alterações (compra e venda de bens) para sua própria 
subsistência, mas desde que as negociações patrimoniais sejam autorizadas por 
meio de processo judicial e que tenha havido concordância do Ministério Público 
neste sentido.
O encerramento das atividades fundacionais ocorrerá quando houver impossibilidade, 
inutilidade ou ilicitude da sua existência, incorporando-se o patrimônio existente a 
outras fundações que possam ter fins semelhantes àquela que está sendo extinta.
Já as associações, que também representam pessoas jurídicas de direito privado, 
são formadas pela união de pessoas que almejam, sem finalidade lucrativa, atingir 
fins sociais em prol de seus próprios membros e de terceiros (culturais, educacionais, 
religiosos, esportivos, etc.).
Ainda que haja a possibilidade de que os seus membros tenham vantagens especiais 
(remidos), segundo o próprio Código Civil, a qualidade de associado será intransmissível 
aos seus herdeiros (salvo disposição expressa nos Estatutos). 
Noutro sentido, caso comprovada falta ética do associado na administração da 
Associação, este poderá ser excluído de seus quadros, desde que lhe seja conferido 
o direito de defesa e que, ainda assim, por meio de assembleia convocada para tal 
fim, seja-lhe imputada a pena de exclusão com comprovação de justa causa.
4.2.2. Sociedades empresárias
As sociedades empresariais, cujas atividades serão exercidas pelos empresários 
individuais, ou por empresas (sejam constituídas de forma regular ou irregular), 
apresentam-se sob a forma de uma das seguintes espécies:
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1. Personificadas:
a. limitada (LTDA., art. 1052 a 1087 do CC);
b. comandita por ações (art. 1090 a 1092 do CC);
c. nome coletivo (art. 1039 a 1044 do CC);
d. comandita simples (art. 1045 a 1051 do CC);
e. sociedade anônima (S.A., art. 1088 e 1089 do CC e Lei 6404/76, atualizada 
por diversas legislações até 2022).
6. Não Personificadas:
a. sociedade em conta de participação (art. 991 a 996 do CC);
b. sociedade comum (irregular ou de fato, art. 986 a 990 do CC).
Sinteticamente, pode-se destacar alguns pontos específicos sobre cada uma delas:
1. sociedades em nome coletivo, espécie em que todos os sócios responderão 
ilimitadamente, ainda que de forma subsidiária; 
2. sociedades em comandita simples, espécie em que os sócios, ditos 
“comanditados” (que ingressam com o capital e trabalho) assumirão a função 
gerencial da empresa e responderão ilimitadamente pelas obrigações, ao passo 
que os sócios, ditos “comanditários”, responderão apenas pela integralização 
das cotas adquiridas e no limite destas;
3. sociedades limitadas, constituídas sob a forma de pessoas (modalidade em que 
a cessão das cotas sociais fica adstrito à concordância dos sócios) ou de capital 
(modalidade com livre acesso societário); poderá se utilizar em seu nome de “firma” 
ou “denominação”, sempre seguida do ramo empresarial e da expressão “Ltda.”. 
Tem capital social composto pela somatória dos recursos trazidos pelos sócios 
à empresa, sempre expressos em moeda nacional atual. O poder de mando da 
empresa será dos ‘sócios’ que possuírem o maior número de cotas e as decisões 
serão tomadas por “assembleias” ou “reuniões” (composição de até 10 sócios). 
Quanto à responsabilidade social, cada sócio responderá pela integralização do 
capital subscrito e, solidariamente, pelo capital não integralizado, respondendo 
a sociedade, como um todo, de forma ilimitada por todas as obrigações que 
assumir. Por fim, a sua dissoluçãopoderá ser total ou parcial e ocorrerá por 
vontade dos sócios, morte de um ou mais deles, decurso do prazo estipulado, 
falência e impossibilidade de execução do objeto social proposto.
4. sociedades anônimas e em comandita por ações. Também chamadas de 
sociedades institucionais e em ambos os casos serão formadas por sociedades 
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empresariais e de capital (impessoalidade dos sócios, pois são acionistas), terão 
seu capital social dividido na forma de “ações”, livremente negociadas em bolsa 
ou não (sendo abertas ou fechadas, respectivamente), e a responsabilidade dos 
sócios acionistas ficará sempre limitada à integralização das ações subscritas. 
Especificamente, as sociedades em comandita por ações têm como nome a 
“firma”, acompanhada do nome de seu diretor, ou denominação, mas tanto num 
caso como noutro, deverá sempre ser acompanhado da expressão “comandita 
por ações”.
5. sociedade em conta de participação, aquela em que representação ocorrerá 
através do “sócio ostensivo”, ou seja, por meio deste serão realizados os negócios 
da empresa, recaindo sobre ele responsabilidade ilimitada pelas obrigações 
assumidas pelo outro, denominado “sócio oculto”, que não aparece perante 
terceiros e responde apenas perante o ostensivo e nos moldes do contrato 
formalizado entre eles.
6. sociedade comum, aquela em que inexiste registro do contrato social na Junta 
Comercial ou Registro Civil de Pessoas Jurídicas (inexistindo personalidade 
jurídica), de modo que os sócios responderão de forma ilimitada pelas dívidas 
sociais.
ANOTE ISSO
A Empresa Individual de Responsabilidade Ltda. (EIRELI) não mais existe em nosso 
ordenamento jurídico, pois o art. 980-A do CCB foi revogado após a publicação 
da Lei n° 14.195 de 26 de agosto de 2021, que determinou sua substituição pela 
Sociedade Limitada Unipessoal (SLU). A SLU é um tipo de empresa em que não há 
necessidade de um sócio para sua abertura. Ainda que tenha a palavra “sociedade” 
na sua composição é formada apenas pelo empreendedor. Além disso, a empresa 
tem limite de faturamento atrelado ao regime tributário escolhido, abrange 
profissões que não são compatíveis com o Microempreendedor Individual (MEI) e 
deixa o patrimônio do empreendedor separado do patrimônio da empresa.
4.2.2.1. Características gerais
Diversas são as peculiaridades e características das sociedades empresariais 
Algumas dizem respeito à(s):
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a. apresentação legal do nome empresarial (exclusivo e fidedigno ao ramo da 
atividade desempenhada, além de inalienável) que dependendo da forma 
assumida já traz embutida dentro de si a responsabilidade dos sócios (‘firma’ 
ou ‘razão social’ e ‘denominação’, art. 1155 do CC);
b. formas de modificação e extinção, sempre realizadas por dissolução 
legal cabíveis para cada espécie societária, obedecidos os prazos de 
duração e sob aquiescência dos sócios e fiscalização das autoridades 
responsáveis;
c. possibilidade de que o empresário possa gozar da titularidade negocial 
e processual sobre os atos delas emanados, fazendo-se representar 
administrativa ou judicialmente pela pessoa por ele designada e 
constante no contrato social, dentre outras coisas. 
4.2.2.2. Tipos e respectivas formas de constituição
De maneira geral, as sociedades empresariais têm como características básicas 
a formalização de contrato firmado entre duas ou mais pessoas (bilateralidade) e 
imposição de “averbação” de seu registro para que possa oficializar seu “nascimento” 
– no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, por exemplo, para as sociedades simples; e 
no Departamento Nacional de Registro do Comércio e Juntas Comerciais Estaduais, 
para as sociedades limitadas, órgãos responsáveis pelo registro oficial.
4.2.2.3. Domicílio
No caso do domicílio da pessoa jurídica de direito privado, será sempre considerado 
o local em que estiver situada sua sede. Neste local, no território nacional, os credores 
poderão exigir o cumprimento das obrigações avençadas pela sociedade, até porque, 
geralmente, nesta localidade estão fixadas a administração e a direção das atividades.
Caso a sociedade tenha diversos estabelecimentos, cada um será considerado 
domicílio para os atos nele praticado, mas caso a sede esteja localizada no exterior, 
seu domicílio, obrigatoriamente, será o do estabelecimento situado no Brasil a que 
se referir as obrigações contraídas no país (domicílio legal).
4.2.2.4. Modificações em suas estruturas
Qualquer modificação do contrato social deverá ser sempre arquivada e averbada 
no Registro Público de Empresas Mercantis nas seguintes condições:
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a. com consentimento de todos os sócios: caso tenha como fundamento um dos 
tópicos elencados na constituição do contrato social;
b. em todas as demais hipóteses: decididas por maioria absoluta de votos, se o 
contrato não determinar a necessidade de deliberação unânime
Quando houver modificação do contrato, por fusão da sociedade, incorporação de 
outra, ou dela por outra, transformação de um tipo para outro, ou cisão para uma ou 
mais sociedades, terá o sócio que dissentiu de quaisquer destas formas o direito de 
retirar-se da sociedade, nos ‘trinta dias subsequentes à reunião agendada para tanto’, 
aplicando-se no silêncio do contrato social, que o pagamento do valor de sua quota 
para retirada será considerada pelo montante efetivamente realizado, liquidando-se, 
com base na situação apresentada em balanço patrimonial da sociedade na data da 
resolução. Ademais, a referida quota será paga em dinheiro, no prazo de ‘noventa dias 
contados a partir da liquidação’, salvo acordo, ou estipulação contratual em contrário.
4.2.3. Sociedades simples
Dentre as atividades econômicas representadas pelas sociedades personificadas, 
encontram-se as que não são consideradas empresariais, a que a doutrina chama de 
sociedades simples, portanto, as sociedades simples, apesar de perseguirem o proveito 
econômico, não empreendem atividades empresariais. Antigamente a legislação e a 
doutrina reconheciam as sociedades simples por ‘sociedades civis’ (sociedades civis 
de médicos). legislação nos aponta algumas sociedades simples:
a. prestação de serviços: a prestação de serviços de forma direta, por profissionais 
intelectuais de natureza cientifica, literária, ou artística, ainda que com concurso 
de auxiliares ou colaboradores (art. 966, p.u. do CC);
b. empresários rurais por profissão: desde que não registrados na Junta Comercial 
por exercerem atividade de natureza familiar (art. 971 do CC). Atente-se que, 
caso o rural requeira sua inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis 
da respectiva sede onde atua será considerado “equiparado”, para todos os 
efeitos, ao “empresário” sujeito a registro;
c. cooperativas: sempre serão consideradas econômicas por determinação legal, 
independentemente de seus objetos (art. 982, p.u.). A Sociedade Cooperativa de 
Serviços tem como característica a obrigatoriedade de, no mínimo, a participação 
de 20 pessoas para sua constituição, mas no caso das cooperativas de trabalho 
07 pessoas são suficientes. A responsabilidade dos cooperados se formaliza 
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de forma limitada ou ilimitada (o sócio responde pelo valor de suas quotas ou 
responde, solidariamente, pelas obrigações sociais do negócio, respectivamente).
As sociedades simples serão registradas no Registro Civil de Pessoas 
Jurídicas (art. 998 do CC), à exceção das Sociedades de Advogados que 
serão registradas junto à própria Ordem dos Advogados do Brasil, na 
Subsecção da localidade da sociedade. 
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CAPÍTULO 5
NACIONALIDADE E CIDADANIANO DIREITO ATUAL
5.1. A nacionalidade no Direito Constitucional brasileiro
A nacionalidade representa não só o enquadramento de um indivíduo em relação 
a um Estado Nacional, como também sua submissão às regras jurídicas por ele 
entabuladas. 
Independentemente do tipo de vinculação que ocorra (pelo local de nascimento, 
ou pelo sangue da origem familiar) o indivíduo será considerado nacional quando, 
juridicamente, for considerado sujeito natural (por acessão física ou jurídica) daquele 
Estado e estrangeiro, quando, definido por exclusão à qualidade de nacional, ao indivíduo 
não puderem ser aplicadas as regras de cidadania do país em que se encontra.
O conjunto de nacionais constitui a população, um dos elementos da formação 
do Estado, ao lado de povo, de território, de governo e da soberania, de tal sorte que 
o ‘nacional’ encontra-se vinculado, atrelado, amarrado às conformações plenas de 
Estado, que, aliás, o acompanha mesmo em seus deslocamentos por outros países.
Ao contrário da reduzida apartação que impera nos dias de hoje, a História nos 
mostra que a figura do ‘estrangeiro’ sempre foi ‘estigmatizada’ perante os nacionais, 
a ponto de ser-lhe recusados alguns direitos básicos. Ainda hoje pode-se verificar 
resquícios desta condição quando determinados “indivíduos de fora” ficam impedidos 
de equipararem-se aos nacionais, em especial, quanto à sua participação direta nas 
tomadas de decisões que envolvam o Poder Público, por exemplo, na vedação de que 
possua redes de comunicação de rádio e tv, vedação de que assuma determinados 
cargos públicos ligados à segurança nacional, etc..
Sem obrigação técnica, o leigo ainda confunde alguns conceitos correlatos à 
nacionalidade, mas imiscíveis no que tange à compreensão do tema. São eles a 
população, a nação e o povo, que ora passamos a diferenciar de forma bastante objetiva:
a. população - são os indivíduos residentes num determinado território e a ele 
submetidos em razão da soberania nacional, pouco importando sejam eles 
estrangeiros ou nacionais;
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b. nação - neste caso o critério étnico-cultural se sobrepõe, tendo em vista que os 
elementos humanos compartilham desta mesma identidade social;
c. povo - geralmente vinculado à questão do ‘cidadão’, vez que representa o grupo 
de indivíduos dotados de capacidade eleitoral, seja ela ativa (para votar) ou 
passiva (para ser votado).
No que diz respeito à legislação infraconstitucional referente à nacionalidade, o 
antigo Estatuto do Estangeiro (Lei 6.815/80) foi revogado pela Lei da Migração (Lei 
13.445/17 e seu Decreto regulamentador 9.199/17).
5.2. Natureza jurídica do direito de nacionalidade
Via de regra, dada sua importância, a aquisição e perda da nacionalidade são 
matérias elencadas nas Constituições Federais dos Estados Nacionais, assim como 
a qualificação das figuras que considera como cidadãos (indivíduos aptos a exercer 
e gozar de direitos políticos).
Sob este propósito, o art. 5º da atual Constituição Federal assegura a paridade de 
direitos e garantias fundamentais (vida, igualdade, liberdade, etc.) entre nacionais e 
estrangeiros, ipsis litteris:
Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes 
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:...Grifamos.
Apesar disso, algumas restrições constitucionais quanto aos direitos dos estrangeiros 
podem ser verificadas em vários outros artigos dispersos por todo seu texto, destacando-
se os cidadãos portugueses, que em consideração à colonização, ainda têm condições 
diferenciadas de reciprocidade com o brasileiro, salvo algumas exceções apontadas 
pela própria Lei Maior. Assim o art. 12, §1º da CF/88, in verbis:
§ 1º. Aos portugueses com residência permanente no País, se houver 
reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos 
inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição. 
Grifamos.
Apesar das raras exceções ao estrangeiro, o professor Manoel Gonçalves Ferreira 
Filho destaca a possibilidade de que ele seja, em tempos de paz, demitido ou retirado 
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do território brasileiro, ainda que haja uma dificuldade legal intrínseca para que isso 
aconteça:
O art. 5º, inciso XV, abre as portas do país a qualquer pessoa e a 
seus bens, em tempo de paz, permitindo que aqui entre, permaneça 
ou daqui saia, respeitados os preceitos da lei. Acontece que a lei 
regulamentar, o chamado Estatuto do Estrangeiro (hoje Lei de 
Migração), dificulta sobremodo essa entrada, pelas exigências que 
faz. (FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves, 1999, pág. 108).
5.3. Espécies de nacionalidade e as formas de aquisição
A aquisição da nacionalidade tem regramentos constitucionais e legais, importância 
acentuada em razão de tratar-se de tema intrínseco à organização fundamental do 
Estado. 
Os requisitos para a aquisição da nacionalidade brasileira encontram-se previstos 
no art. 12 da atual Constituição Federal e duas são as espécies de nacionalidades 
admitidas no Estado brasileiro: a de origem e a adquirida. Vejamos:
a. nacionalidade de origem - representa aquela vinculada de forma primária ou 
originária em decorrência do nascimento do indivíduo ou de sua descendência 
familiar. Subdivide-se, ainda em jus solis e jus sanguinis. O primeiro atribui a 
nacionalidade àquele que nasce dentro dos limites do Estado (seja ele real ou ficto 
- uma Embaixada em território estrangeiro), enquanto o segundo admite como 
nacionais seus descendentes, em decorrência da herança sanguínea familiar. 
Historicamente os Estados europeus admitem o jus sanguinis (descendência 
sanguínea)
b. nacionalidade adquirida - também chamada de nacionalidade secundária 
representa aquela decorrente da vontade humana de obter determinada cidadania 
de forma artificial, o que se dá por meio da chamada naturalização.
Em virtude dos critérios adotados na aquisição da nacionalidade de origem, o indivíduo 
poderá ser considerado apátrida ou polipátrida. O primeiro, também chamado de 
‘heimatlos’, indica aquele que não tem pátria e portanto, ausente qualquer nacionalidade. 
A condição de apátrida poderá ocorrer como decorrência da “perda” da nacionalidade, 
ou por “incompatibilidade” de sistemas de critérios (um filho cujos pais são oriundos 
de Estado que adota o critério de jus solis que nasce num Estado que adota o jus 
sanguinis. O segundo, possui mais de uma nacionalidade, por exemplo, quando um 
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filho cujos pais são oriundos de Estado que adota o jus sanguinis e nasce num Estado 
que adotado critério do jus soli. 
Assim como a maioria dos Estados formados por imigração (o Brasil e a maioria 
dos Estados americanos) o Brasil adota como regra o critério do jus soli. 
Os estrangeiros que por meio de naturalização desejarem obter a condição de 
brasileiros naturalizados deverão fazê-lo, além de forma volitiva, com a enquadratura 
às regras da legislação infraconstitucional (Lei 6.815/80, Lei 6.964/81 e Decreto 
regulamentador 86.715/81, todos ainda vigentes). Ocorrerá de forma ordinária, quando o 
naturalizando advier de países originários de língua portuguesa e de forma extraordinária, 
quando requerida por indivíduos provenientes de quaisquer outras nacionalidades, mas 
que perfaçam condições diferenciadas determinadas pela lei, por exemplo, residência 
ininterrupta no Brasil por determinado período de tempo.
5.3.1. Brasileiros natos
Nos casos de nacionalidade de origem teremos os brasileiros natos, assim determina 
a Constituição Federal de 1988 em seu art. 12, inciso I, in verbis:
Art. 12. São brasileiros: I - natos: a) os nascidos na República 
Federativa do Brasil, ainda que depais estrangeiros, desde que estes 
não estejam a serviço de seu país; b) os nascidos no estrangeiro, de pai 
brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço 
da República Federativa do Brasil; c) os nascidos no estrangeiro de 
pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam registrados em 
repartição brasileira competente ou venham a residir na República 
Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida 
a maioridade, pela nacionalidade brasileira.
Somente a Constituição Federal é autorizada a diferenciar brasileiros natos e 
naturalizados, de modo que em seu art. 12, §§ 2º e 3º determinam-se as hipóteses 
em que haverá limitações ao naturalizado. Vejamos:
§ 2º. A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e 
naturalizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição.
§ 3º. São privativos de brasileiro nato os cargos: I - de Presidente 
e Vice-Presidente da República; II - de Presidente da Câmara dos 
Deputados; III - de Presidente do Senado Federal; IV - de Ministro do 
Supremo Tribunal Federal; V - da carreira diplomática; VI - de oficial 
das Forças Armadas. VII - de Ministro de Estado da Defesa. 
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5.3.2. Brasileiros naturalizados
Nos casos de nacionalidade secundária teremos os brasileiros naturalizados, assim 
determina a Constituição Federal de 1988 em seu art. 12, inciso II, in verbis:
Art. 12. São brasileiros: II - naturalizados: a) os que, na forma da lei, 
adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países 
de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e 
idoneidade moral; b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, 
residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze 
anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram 
a nacionalidade brasileira.
5.4. Perda da nacionalidade
A nacionalidade decorrente de processo de naturalização poderá ser ‘cancelada’ 
por sentença judicial em que ficar provada atividade nociva ao interesse nacional. Já 
a aquisição de outra nacionalidade, seja por brasileiro nato ou naturalizado, desde 
que a adquira, voluntariamente e de forma não cumulativa, fará com que a brasileira 
deixe de existir. Assim o art. 12, §4º da CF/88, ora transcrito:
§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que: I - 
tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude 
de fraude relacionada ao processo de naturalização ou de atentado 
contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; II - fizer pedido 
expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade 
brasileira competente, ressalvadas situações que acarretem apatridia. 
Em relação à renúncia da nacionalidade, nos termos do inciso II do § 4º acima, 
não impede que o interessado a readquira, nos termos da lei. Já no caso do brasileiro 
naturalizado que teve sua naturalização “cancelada”, por atividade nociva ao Estado, 
tal cancelamento poderá ser desfeito, desde que por sentença judicial prolatada em 
ação rescisória (juízo rescisorium).
Por fim, em caso de perda de naturalização voluntária, o Presidente da República 
também poderá determinar sua reaquisição, desde que as condições assim facilitem 
autorizem, além de que o indivíduo tenha domicílio fixado no Brasil.
5.4.1. Extradição
De certa forma confunde-se com um ato de expulsão, mas na extradição, um Estado 
entrega à Justiça de outro Estado um indivíduo que, ou já foi condenado (para que 
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cumpra lá a pena), ou que será acusado por um delito, presumidamente, de sua autoria 
(para que seja lá julgado).
O art. 22. da Constituição Federal aponta competir à União legislar sobre emigração e 
imigração, entrada, extradição e expulsão de estrangeiros, além de sua complementação 
pormenorizada constante da Lei de Migração já referenciada. O processamento do 
pedido e autorização da extradição requerida por Estado estrangeiro ficará a cargo 
do Supremo Tribunal Federal.
Acrescente-se, em termos de limites constitucionais, que os incisos LI e LII do art. 
5º da CF/88 também formatam vedações específicas à extradição. Vejamos:
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso 
de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado 
envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na 
forma da lei;
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político 
ou de opinião. Grifamos.
Título: Juan Carlos Ramírez Abadía sendo extraditado para enfrentar acusações nos Estados Unidos.
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/34/Juan_Carlos_Ramirez_Abadia_extradition.jpg/800px-Juan_Carlos_Ramirez_Abadia_
extradition.jpg
5.4.2. Expulsão
O art. 22 da Constituição Federal admite a expulsão do estrangeiro, jamais do 
brasileiro, mas as hipóteses autorizativas encontram-se elencadas na Lei de Migração, 
antigo Estatuto do Estrangeiro.
Diferentemente da extradição, na expulsão o estrangeiro será coativamente retirado 
do território brasileiro em decorrência da prática de ato criminoso, praticado em território 
nacional, ou execução de quaisquer outros atos que representem afronta à ordem 
interna, ou inconveniente à defesa nacional.
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/34/Juan_Carlos_Ramirez_Abadia_extradition.jpg/800px-Juan_Carlos_Ramirez_Abadia_extradition.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/34/Juan_Carlos_Ramirez_Abadia_extradition.jpg/800px-Juan_Carlos_Ramirez_Abadia_extradition.jpg
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A atual Lei de Migração também trata do tema da expulsão, mas o Presidente 
da República, por meio de decreto presidencial, poderá decidir sobre a conveniência 
e oportunidade de sua ocorrência, inclusive sobre a revogação da expulsão, com 
submissão ao Poder Judiciário de sua motivação. 
5.4.3. Deportação
Muito se assemelha também a deportação à expulsão e à extradição, mas neste caso 
a devolução coativa do estrangeiro ao exterior se dará em função de desobediência 
ao ordenamento jurídico que trata sua entrada e permanência no país. Na verdade, 
a forma irregular com que o estrangeiro entrou no Brasil é que autoriza sua retirada 
de forma coativa.
Ao estrangeiro que será deportado deverá ser concedido um prazo para que se retire 
do país, espontaneamente, porém, caso assim não o faça, o próprio Estado se incumbirá 
de impor-lhe a deportação. Destaque-se que, existindo indícios sérios de periculosidade 
do estrangeiro, o Estado deverá proceder a sua expulsão e não mais a deportação.
Por fim, fica patente que inexiste a possibilidade de brasileiro ser deportado do 
Brasil, ainda que tenha retornado irregularmente ao território nacional.
ANOTE ISSO
O ASILO POLÍTICO representa o recebimento de estrangeiro no território brasileiro, 
sem que tenha os requisitos legais de ingresso, desde que aconteça a pedido e sirva 
para evitar a punição, ou perseguição, em seu país de origem, por suposto delito 
de natureza política ou ideológica. A Constituição de 1988 prevê a concessão de 
asilo político em seu art. 4º, inciso X, que, uma vez autorizado, não possibilita mais 
ao asilado sua retirada do território nacional sem prévia autorização, sob pena de 
ser considerada renúncia e, consequentemente, impossibilitar o reingresso sob as 
condições anteriormente concedidas.
O REFÚGIO representa uma proteção legal que o Brasil oferece a cidadãos 
estrangeiros que estejam sofrendo perseguição por motivos de raça, religião, 
nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, ou ainda, que estejam sujeitos, em 
seu país, a grave e generalizada violação de direitos humanos.
Para maiores informações acesse o Portal de Imigração do Ministério da Justiça e 
da Segurança Pública.
https://portaldeimigracao.mj.gov.br/pt/dados/refugio-em-numerosAcesso em 14/10/23.
https://portaldeimigracao.mj.gov.br/pt/dados/refugio-em-numeros
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CAPÍTULO 6
DOMICÍLIO DAS PESSOAS 
FÍSICAS E JURÍDICAS
6.1. Diferenciações básicas entre “domicílio” e os termos estada, residência e 
morada
O “domicílio” representa um instituto jurídico bastante antigo, consagrado desde 
as regras fundantes do Direito Romano, conceituado como sendo o lugar em que a 
pessoa se estabelece com ânimo permanente de ficar. 
Modernamente, coube ao Direito Civil incumbir-se de pormenorizar sua definição 
e a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) formalizou-o sob a 
sistematização chamada pela doutrina de territorialidade moderada Vejamos como 
se expressa: 
Art. 7º. A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras 
sobre o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e 
os direitos de família. 
Como decorrência, domicílio (elemento psicológico) e residência (elemento material), 
quando somados, passaram a compor um conceito mais amplo chamado de domicílio, 
conforme elencam os art. 70 e 72 do CC. A partir daí, passou a ser a representação 
do local em que a pessoa natural ou jurídica, além de estabelecer sua residência, 
com ânimo definitivo, também exercerá seus negócios jurídicos e suas atividades 
profissionais de forma reiterada e constante.
Neste sentido, domicílio não se confunde com estada, morada e residência. Senão 
vejamos:
a. estada - representa a mais fraca das formas de conexão entre o indivíduo e 
o local em que se faz representar, seja juridicamente, seja para apenas morar 
ou estar. Neste caso, o Direito aponta existir mera relação de fato, ou seja, 
inexiste qualquer relação jurídica mais profunda a se estabelecer entre o local 
e o indivíduo, até porque precário, inconstante e de importância mínima em 
termos de animus definitivo. Caracteriza-se, por exemplo, quando um indivíduo, 
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hospeda-se num hotel, por prazo reduzido de tempo e de forma precária, não 
se podendo considerar ali como seu domicílio, mas como mero local de breve 
estada;
b. morada - diferentemente da estada, a morada representa o local em que a 
pessoa se estabelece com ânimo de ficar, porém provisoriamente, justamente 
como acontece durante o período de tempo em que estiver realizando trabalhos 
temporários em outras localidades de seu domicílio e mantém o aluguel de um 
apartamento para estar;
c. residência - a residência, apesar de assemelhar-se demais à morada, difere-se 
desta no que tange ao seu maior grau de estabilidade e vinculação com o local 
em que se estabelece. Aumenta-se o animus de permanência, por exemplo, ao 
adquirir um imóvel para morar com sua família, durante a semana de trabalho.
A diferenciação entre estes conceitos afeitos ao domicílio é bastante tênue e precisará 
ser analisada caso a caso, em termos do ânimo de estar, ficar ou permanecer. O ânimo 
definitivo, porém, é característica única e exclusiva do domicílio, já que considera uma 
vinculação ‘indivíduo/local’ mais complexa que a residência e maior ainda que a morada. 
Na prática, o grau de complexidade e a vinculação é que precisarão ser sopesadas 
para que se possa inferir, numa análise objetiva e casuística, qual conceito deverá ser 
admitido: residência, morada, estada ou domicílio. Estruturalmente, o domicílio tem 
natureza jurídica, enquanto a residência tem essência meramente fática.
6.2. O domicílio civil
Domicílio civil, portanto, representa o local em que o indivíduo, residindo sozinho ou 
acompanhado de sua família, estabelece-se com ânimo de manter-se definitivamente 
(animus definitivo), estabelecendo ali seu centro de atividades, inclusive profissionais 
e de negócios.
A criação da figura do domicílio civil, objetiva presumir, para efeitos jurídicos, qual 
o local em que o indivíduo, em tese, poderia ser encontrado e, consequentemente, 
considerado apto para que responda por quaisquer assuntos a ele relacionados, 
inclusive querelas judiciais. 
Acrescente-se que, ocorrendo o exercício das atividades profissionais em mais de 
uma localidade, a lei faculta que todas elas possam ser consideradas domicílios civis, 
conforme o parágrafo único do art. 72 do Código Civil, ora transcrito:
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Art. 72. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações 
concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida. Parágrafo 
único. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um 
deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem. 
Grifamos.
Ao contrário, a pessoa natural que sequer tenha residência habitual poderá ter o 
domicílio civil considerado no lugar em que for encontrada.
6.2.1. Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro (LINDB) e o domicílio: 
Lex domicilii e Lex Rei Sitae
A lex domicilii e a lex rei sitae representam dois princípios fundamentais que abordam 
a conexão do instituto do domicílio a direitos pessoais ou bens de um indivíduo, 
conforme as regras aplicadas dentro ou fora do Brasil.
Em ambas as fundamentações, portanto, o que se busca é solucionar questões sobre 
o domicílio, no Brasil, quando envolvam conflitos de normas abarcadas por diferentes 
jurisdições estrangeiras e, daí, sua intrínseca conexão com o Direito Internacional 
Privado. 
A alegação de lex domicilii surgirá, por exemplo, em questões que envolvam 
divergências de capacidade legal de uma pessoa, de estado civil, ou de capacidade 
de contratar, entre regras de dois Estados.
Exemplificativamente, o art. 7º, § 3º da LINDB dispõe que a invalidade do casamento 
será apurada pela lei do domicílio comum dos nubentes ou pela lei de seu primeiro 
domicílio conjugal, ou seja, a solução virá pela lei do local em que a parte resida com 
ânimo definitivo no Brasil.
Já a lex rei sitae aponta a necessidade de utilização da lei do país onde esteja 
localizada a coisa, como regra também adotada pela LINDB, para determinar-se o 
direito aplicável em referência a bens. 
Exemplificativamente, o § 1º do art. 8º da LINDB prevê a aplicação da lei do país em 
que for domiciliado o proprietário, quanto aos bens móveis que trouxer consigo, para 
uso pessoal, ou se destinarem a transporte para outros lugares, em razão de negócio 
mercantil, enquanto transitarem por vários lugares até chegar-se ao local de destino.
6.2.2. Outras espécies de domicílios: necessário, voluntário e de eleição
Os domicílios podem ser basicamente divididos sob três espécies: 
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a. necessário - representa a espécie em que o domicílio será fixado por lei, ou seja, 
aquele em que a própria lei presumiu como sendo o local em que o indivíduo será 
encontrado com mais facilidade, tendo em vista que ali estará ou ficará, com 
ânimo definitivo, na maior parte de seu tempo. Exemplos: local do representante 
legal do incapaz, do servidor público civil e militar, do preso, etc.
b. voluntário - representa a espécie em que as partes estabelecem, ou fixam o local 
do domicílio por meio de sua vontade livre, justa e possível. Parte da doutrina 
entende que o domicílio de eleição seria uma subespécie de domicílio voluntário, 
enquanto outra parte (e a esta nos vinculamos) entende tratar-se de modalidades 
distintas;
c. de eleição - a vontade pessoal das partes, em fixar determinado domicílio pode 
ou não estar presente, mas, certamente, sua fixação obedecerá a vontade do 
contrato escrito. Assim o art. 78 do Código Civil, in verbis: Art. 78. Nos contratos 
escritos, poderão os contratantes especificar domicílio onde se exercitem e 
cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. A existência de foro de 
eleição não impede que o credor, em ação de cobrança, prefira exercer seu direito 
de ação no foro dedomicílio do devedor, haja vista se tratar de estipulação que 
privilegia o credor, de modo que a não utilização não gera quaisquer prejuízos 
para o devedor.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
A eleição de foro especial nos contratos de locação de imóel em área urbana é 
plenamente possível, conforme expressa a permissão contida no art. 58, inciso II da 
Lei de Locações (Lei 8.245/91), segundo a qual é competente para conhecer e julgar 
tais ações o foro do lugar da situação do imóvel, salvo se outro houver sido eleito 
no contrato.
6.2.2.1. Do incapaz
O domicílio do incapaz será considerado aquele de seu Representante (incapacidade 
absoluta) ou de seu Assistente (incapacidade relativa).
No que tange ao menor incapaz, seu domicílio será o de seus pais, ou de quem 
lhe exerça o ‘poder familiar’, portanto, em havendo mudança de domicílio dos pais, 
também haverá no do menor. Em caso de impedimento dos pais, o domicílio do menor 
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incapaz será o mesmo de seus ascendentes conhecidos, conforme aponta o Código 
Civil em seu art. 1.731, in verbis: 
Art. 1731. Em falta de tutor nomeado pelos pais incumbe a tutela 
aos parentes consangüíneos do menor, por esta ordem: I - aos 
ascendentes, preferindo o de grau mais próximo ao mais remoto. 
Grifamos. 
Destaque-se que o menor incapaz, sendo-lhe falecidos ou ausentes os pais, receberá, 
por indicação prévia dos genitores (desde que não tenham sido destituídos do poder 
familiar), ou por decisão judicial, um Tutor, geralmente escolhidos dentre parentes 
mais próximos.
Caso o menor viva sob a guarda judicial de terceiro, este também será seu domicílio.
ANOTE ISSO
A CURATELA, instituto similar à Tutela, será aplicável aos maiores incapacitados 
absoluta ou relativamente a certos atos da vida civil ou à maneira de os exercer 
( art. 3º e 4º do Código Civil). Os pais podem indicar curador (testamento), mas 
inexistindo testamento a nomeação do Curador seguirá a disposição da lei - art. 
1775 do CC: cônjuge, companheiro, ascendentes, descendentes, terceiros). 
6.2.2.2. Do servidor público, do marítimo e do militar
O domicílio do ‘servidor público civil’ será representado pelo local em que exercer, 
permanente, suas funções burocráticas excluindo-se aqueles que assumem ‘cargos 
comissionados’ ou ‘cargos de gestão e confiança’ (ad nutum), pois estes continuarão 
mantendo seus domicílios em relação às suas pessoas físicas.
O estabelecimento deste domicílio especial ao servidor buscou vincular o funcionário 
público à repartição em que realiza seu ofício e desempenha suas funções, naquilo que 
diga respeito ao próprio cargo, de modo que para outras situações poderá utilizar-se 
do ‘domicílio voluntário’ ou ‘de eleição’.
Quanto ao domicílio do ‘servidor público militar’ da ativa, o domicílio será representado 
pelo local em que serve (base, quartel, etc) e funciona como base de comando. 
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Título: Domicílio do militar - sede do comando a que estiver subordinado.
Fonte:https://cdn.pixabay.com/photo/2022/06/18/08/21/soldiers-7269375_1280.jpg
Por fim, o domicílio do ‘marítimo’ será representado pelo lugar em que o navio 
estiver matriculado.
ANOTE ISSO
Não terá domicílio legal o militar’ reformado’, tendo em vista que a legislação faz 
menção expressa de que apenas o militar que se encontra em serviço ativo terá 
domicílio necessário.
6.2.2.3. Do preso
O preso que cumpre pena em estabelecimento prisional oficial, com condenação 
transitada em julgado, terá seu domicílio especial fixado no local em que cumpre a 
pena. 
Em caso de alteração de presídio ou centro de detenção, cada um dos 
estabelecimentos passará a ser seu domicílio necessário. 
Já o preso ainda não condenado por decisão transitada em julgado manterá seu 
domicílio voluntário, em função de sua pessoa física.
https://cdn.pixabay.com/photo/2022/06/18/08/21/soldiers-7269375_1280.jpg
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Título: Domicílio necessário do preso. Local em que cumpre sua pena em definitivo.
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/ba/Complexo_Penitenci%C3%A1rio_de_Gericin%C3%B3_1.jpg
6.2.2.4. Do casal
O art. 1569 do Código Civil determina como domicílio especial do casal, o domicílio 
conjugal, que será o domicílio necessário de cada cônjuge para as questões relativas 
ao casamento. Assim expõe o texto da legislação:
Art. 1.569. O domicílio do casal será escolhido por ambos os 
cônjuges, mas um e outro podem ausentar-se do domicílio conjugal 
para atender a encargos públicos, ao exercício de sua profissão, ou 
a interesses particulares relevantes. Grifamos.
ISSO ACONTECE NA PRÁTICA
Em termos de domicílio, os representantes do Estado brasileiro no exterior podem 
ter regramentos práticos diversos em razão das diretrizes jurídicas de cada país 
em que atuam. Em relação aos Embaixadores e Cônsules, o Brasil possui regras de 
conexão tradicionais sobre a lei do domicílio. Para maiores informações e detalhes 
sobre o tema, acesse o artigo publicado pela ‘Revistas da USP’, que aborda e 
explica a possibilidade de introdução de regras abertas e flexíveis nos estatutos dos 
representantes brasileiros.
https://www.revistas.usp.br/rfdusp/article/download/115502/113083/210983
Acesso em 15/10/23.
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/ba/Complexo_Penitenci%C3%A1rio_de_Gericin%C3%B3_1.jpg
https://www.revistas.usp.br/rfdusp/article/download/115502/113083/210983
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6.3. A inviolabilidade do domicílio
Em se tratando do domicílio da pessoa física em que a residência do indivíduo 
represente seu domicílio civil, há de destacar para a inviolabilidade constitucional dos 
direitos relativos à segurança pessoal. 
Tal inviolabilidade do cidadão vem consagrada no art. 5º, inciso XI da Constituição 
Federal, uma vez que veda, a quem quer que seja, sem o consentimento do morador, 
que adentre à sua residência, salvo em caso de flagrante delito, ou desastre iminente, 
ou para prestar socorro, ou durante o dia, mediante autorização judicial (mandado). 
6.4. O domicílio da pessoa jurídica
Por primeiro, há de se destacar as diferenciações quanto à pessoa jurídica de direito 
público e à pessoa jurídica de direito privado. 
As de “direito público”, que têm fundamentação no art. 75, incisos I, II e III do Código 
Civil, fixam seus domicílios nos locais em que se presume ser de maior importância 
em termos de tomadas de decisões. Vejamos:
Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: I - da União, o 
Distrito Federal; II - dos Estados e Territórios, as respectivas capitais; 
III - do Município, o lugar onde funcione a administração municipal; 
IV - das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as 
respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio 
especial no seu estatuto ou atos constitutivos. § 1º. Tendo a pessoa 
jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um 
deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. § 2º. 
Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á 
por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas 
por cada uma das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no 
Brasil, a que ela corresponder.
As de “direito privado”, que têm fundamentação no mesmo art. 75, inciso IV do Código 
Civil, terão como domicílio sempre o local de suas sedes, ou seja, onde presumidamente, 
os credores terão maior possibilidade de dar cumprimento às obrigações pactuadas, 
até porque geralmente é onde se exercem as atividades habituais, onde ocorre a 
administração centralizada (formalizada no Estatuto ou atos constitutivos).
Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos e filiais em localidades diversas, 
cada um deles será consideradoseu próprio domicílio para os atos nele praticados.
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Na prática, a sede, que representa a “Matriz” das filiais (caso haja) terá em si a 
incumbência de organizar a administração e o controle dos demais estabelecimentos, 
que cumprirão suas diretrizes. 
Caso a sede encontre-se situada no estrangeiro, seu domicílio legal será o do lugar 
do estabelecimento localizado no Brasil no que tange às obrigações contraídas no país. 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado ocorre com a inscrição 
de seus atos constitutivos no respectivo Registro, precedida, quando necessário, 
dos atos de autorização ou aprovação do Poder Público. O Contrato Social (Ltda.) 
ou o Estatuto Social (SA) são documentos que indicam a finalidade das empresas, 
seus sócios e administradores, capital social e cotas investidos (integralizados 
e a integralizar), além de diversas outras informações de impotência para a 
administração, direção e controle, inclusive das filiais.
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CAPÍTULO 7
DIREITOS E GARANTIAS 
FUNDAMENTAIS NA 
ATUAL CONSTITUIÇÃO
7.1. Diferenças entre os termos “direitos” e “garantias”
Tanto os direitos como as garantias fundamentais constitucionais representam 
‘normativas’ que possibilitam a convivência social em condições mínimas de dignidade 
e respeito. 
A atual Constituição Federal estabelece direitos e limitações não somente ao 
Estado, mas também aos próprios cidadãos, em seu Título II - “Dos Direitos e Garantias 
Fundamentais”, subdividindo-o em cinco capítulos: ‘Direitos individuais e coletivos’ (art. 
5º); ‘Direitos Sociais’ (art. 6º ao 11); ‘Nacionalidade’ (art. 12 e 13); ‘Direitos Políticos’ e 
‘Partidos Políticos’ (art. 14 ao 17).
Modernamente, os ‘direitos’ são classificados em gerações, tendo a doutrina já 
estabelecido até uma “5ª geração”, como forma de enquadrá-los e de analisá-los. 
Vejamos como se apresenta a atual ideia acerca da Teoria das Gerações dos Direitos 
Fundamentais: 
Título:Organograma com as cinco gerações de direitos fundamentais.
Fonte: Figura adaptada dos conceitos de Zouein. Acesso em 16/10/23.
https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2019/08/09/em-que-consistem-e-quais-sao-geracoes-de-direitos-fundamentais/
https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2019/08/09/em-que-consistem-e-quais-sao-geracoes-de-direitos-fundamentais/
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No ordenamento jurídico brasleiro, os direitos e garantias fundamentais, via de 
regra, aplicam-se “imediatamente” aos cidadãos, ainda que nossa Constituição atual, 
considerada programática, requeira regulação infraconstitucional dos institutos 
apontados, para que possa implantar-lhes efetividade.
Na prática, há de se apontar claras diferenciações entre os termos direitos e garantias. 
Assim, os direitos representam, em si mesmos, os bens jurídicos dos cidadãos, ou 
seja, são principais e visam a realização das pessoas. Nas palavras do professor Erival: 
Os direitos são disposições declaratórias de poder sobre determinados 
bens e pessoas. São principais e representam o poder de se realizar 
algo, porque o ordenamento jurídico possibilita. Grifamos. (OLIVEIRA, 
Erival da Silva, 2005, pág. 100).
Já as garantias representam os mecanismos de proteção dos direitos entabulados 
através das normas. As garantias formalizam-se por meio da atuação do Poder Público, 
seja na forma de vigiar e, consequentemente, punir, seja por meio das manifestações 
processuais que precisem ser realizadas na tutela dos cidadãos (ações constitucionais). 
Aliás, este meio processual constitucional, pela via de ação, ocorrerá através dos 
chamados “Remédios Constitucionais”. Neste sentido, novamente o professor Erival 
nos aclareia:
As garantias traduzem-se nos mecanismos de proteção dos cidadãos 
de exigir dos Poderes Públicos a proteção de seus direitos, bem como 
o reconhecimento de meios processuais adequados a essa finalidade, 
por exemplo, através de habeas corpus, de mandado de segurança, 
dentre outros. São acessórios, estando, pois, vinculados aos direitos. 
Grifamos. (OLIVEIRA, Erival da Silva, 2005, pág. 100).
7.2. Direitos explícitos e implícitos
O atual constitucionalismo imposto pelo Direito Constitucional Moderno tem se 
concentrado na previsão e garantia dos direitos dos cidadãos, de forma individual 
ou de forma coletiva, alcançando diversas nuances da chamada Teoria das Gerações 
dos Direitos Fundamentais.
Ademais, nem todos os direitos assegurados constitucionalmente são expostos de 
forma explícita. Aliás, não haveria como expor-se de forma exaustiva e taxativa todos 
os desdobramentos advindos das ponderações e reflexos decorrentes do regime e 
dos princípios adotados pela atual Constituição. 
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Já vimos também que nosso sistema jurídico-normativo acolhe diretrizes de ‘Tratados 
Internacionais’ de que o Brasil seja parte (após validação jurídica perante o sistema 
brasileiro), de modo que se amplia o rol de direitos individuais muito além daqueles 
expostos expressamente. 
O professor Manoel Gonçalves Ferreira Filho assevera que os direitos explicitamente 
consagrados na atual Constituição podem ser agrupados sob três características 
distintas, a depender de seu objeto imediato:
a. direito à liberdade, por exemplo, o direito de locomoção; 
b. direito à segurança, por exemplo, do indivíduo em matéria penal (garantias do 
preso);
c. direito de propriedade, por exemplo a propriedade hereditária. (FERREIRA FILHO, 
Manoel Gonçalves, 1999, pág. 291)
Sobre esta subdivisão, também já tivemos a oportunidade de nos manifestar 
em outro trabalho acerca do caráter explícito e implícito da norma, em termos de 
consagração dos seus direitos. Assim pontuamos à época:
Notadamente, aliás, duas podem ser as categorias das normas: 
explícitas e implícitas. As primeiras, explícitas, se apresentariam 
como aquelas extraídas de uma dada disposição legal (regra) 
mediante interpretação de seu conteúdo posto; as outras, implícitas, 
seriam aquelas não formuladas por autoridade normativa e que por 
isso não poderiam ser atribuídas a qualquer texto (normas destituídas 
de disposição). Neste sentido, não haveria de se falar acerca do termo 
interpretar, vez que este se refere a atribuir significado a um texto pré-
existente e como, nesta hipótese, não haveria texto posto o que se 
poderia fazer seria uma espécie diferenciada de interpretação pelos 
juristas, mediante variados procedimentos de verdadeira integração. 
Grifamos. (POUSA JR., Efren Fernandez., 2014, pág. 110).
7.3. Direitos e garantias “individuais” fundamentais
Os direitos fundamentais, sejam eles de natureza individual, sejam de natureza 
coletiva, são essenciais à pessoa humana e, por isso, chamados por alguns estudiosos 
como “direitos de base”.
Assim são denominados porque necessários para assegurar uma existência digna, 
igual e livre aos indivíduos. Apesar da presença de tais direitos na Constituição, não 
basta ao Estado reconhecê-los sob mera igualdade formal; pelo contrário, necessário 
sua materialização, para que se possa incorporá-los, verdadeiramente, à realidade social 
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e consubstanciar plena igualdade material. Assim, sobre este quesito, essencialmente 
necessário, também já expusemos:
Quando nos voltamos a entender e valorar igualdade precisamos, 
inicialmente, ter em mente o conteúdo consagrado no art. 5º, caput, 
da Constituição: todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza. Esta igualdade entre cidadãos, que vem sendo 
vislumbrada com esta mesma formatação desde as proposições do 
liberalismo clássico, apesar de tratar-se de umaespécie de igualdade 
formalmente constituída, haja vista sua manifestação explícita 
constar do texto constitucional, em algumas espécies de direitos, 
especificamente nos direitos sociais, tem sido verificada com grande 
dificuldade jurídica e factual em termos de sua implementação. 
Grifamos. (POUSA JR., Efren Fernandez., 2014, pág. 113).
Portanto, somente em termos de uma igualdade material haveria possibilidade 
de falarmos em proteção de certos grupos sociais, até porque a igualdade formal 
(positivada em artigos da Constituição de forma explícita) apesar de possuir força 
normativa, não tem conseguido garantir que todos os cidadãos brasileiros possam ter 
as mesmas condições de participação social e de oportunidades dentro da sociedade, 
formatando grupos de indivíduos descartados no interior do processo de nivelamento 
por distribuição ou redistribuição de direitos.
Assim, para que haja validade legal e eficácia jurídica deverá sempre ocorrer uma 
coexistência entre igualdade formal e igualdade material, em meio a um processo de 
aperfeiçoamento de fases, em que se supere a mera etapa da igualdade formal e se 
possa ser assegurada a igualdade material do grupo tutelado. 
Essencial, pois, a interferência direta do Estado na implementação de direitos 
e garantias, de modo a se conseguir superar ‘ofensas lacunosas’, implementar 
‘substantividade ao ser humano’ e, por fim, fazer uma ‘análise avaliatória’ de quais 
direitos (como e em que grau) deverão ser sopesados dentro do processo.
Algumas características dos direitos fundamentais, em termos de sua substantividade 
(materialização) podem, em essência, ser levantados com base em:
a. historicidade - direitos fundamentais serão sempre formados como produto de 
evolução histórica - “relação espaço x tempo” a que já nos referimos anteriormente;
b. imprescritibilidade e inalienabilidade - jamais deixam de ser exigíveis pelo desuso 
e são intransferíveis e inegociáveis;
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c. irrenunciabilidade - o ser humano não poderá abdicar ou desistir da possibilidade 
de exercer um direito fundamental;
d. universalidade - impossível que um direito fundamental não seja concedido a uma 
dada parcela da população (restrição), no que tange à condição de ser humano.
7.3.1. Direito à vida
Ao subdividimos os direitos fundamentais, talvez o mais importante dos direitos 
individuais, de resguardo da própria existência do cidadão e do exercício de todos os 
demais direitos que lhe são dependentes, seja o direito à vida.
A par da problemática filosófica do conceito de “vida”, tanto ele quanto o de “morte”, 
representam hoje institutos bem definidos e fundamentados na seara jurídica. 
Em relação ao conceito de ‘vida’, já tratamos anteriormente, quando falamos acerca 
do “início da personalidade da pessoa física”,. Quanto ao conceito jurídico de ‘morte’ 
é a Medicina Legal quem lhe dá sustentação. 
A morte, juridicamente falando, somente será constatada por meio de exame clínico-
médico em que se detecte a paralisação da respiração e da circulação de sangue no 
corpo humano, além de outros sinais evidenciadores do término das funções vitais 
do organismo. 
Em relação à morte e às suas garantias constitucionais, o Direito brasileiro proíbe a 
eutanásia (morte por homicídio piedoso) e a ortotanásia (morte por eutanásia passiva 
- o médico deixa de prolongar, artificialmente, a vida de um doente terminal, desligando 
os aparelhos médicos de sustentação da vida). 
Além disso, a legislação também proíbe a venda de órgãos humanos, tipificando-a 
crime de afronta à integridade física do cidadão. A lei 10.211/01 foi quem regulamentou 
a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para finalidades terapêuticas.
A Constituição também veda, expressamente, a aplicação de ‘pena de morte’ , salvo 
em caso de guerra declarada (ato formal), cujos crimes estão previstos no Código 
Penal Militar. 
Por fim, há de se destacar que caberá ao Estado a tutela da vida de forma integral, 
ou seja, a vida não poderá ser protegida somente em seus aspectos materiais diretos 
(homicídio) e aspectos materiais indiretos (tortura, proteção da vida intrauterina, etc.), 
mas também em relação aos atributos imateriais, que atinjam as diretrizes morais do 
cidadão (dano moral, imagem, assédio, etc.) que a ela possam se referir.
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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ANOTE ISSO
Para efeitos de transplantes, a morte, como cessação objetiva da vida, deverá ser 
evidenciada após o término das funções vitais do organismo e não manutenção 
artificial das funções respiratórias e de circulação. Nos casos sobre transplantes, a 
Lei nº 9.434/97 e seu Decreto Regulamentador nº 9.175/17, são mais rigorosos, já 
que exigem a verificação da morte encefálica.
7.3.2. Direito à igualdade: “igualdade material” e “igualdade formal”
Já vimos anteriormente que a Constituição Federal preocupou-se mais com a igualdade 
em seu sentido jurídico-formal que em seu sentido material. Apesar disso, declarou em seu 
art. 5º, inciso I, que: “Homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”, acrescentando 
em vários momentos do texto constitucional as regras de igualdade material. 
Convém destacarmos que o processo de igualdade sempre acontecerá dentro do 
chamado fenômeno da competição, que implanta oportunidades de satisfação das 
necessidades fundamentais de um grupo, passando a se formar outro, em função do 
nivelamento feito pela sociedade analisada e pela discricionariedade hermenêutica, 
capaz de transformar o dever-ser constitucional em, efetivamente, um ser. 
Em cada fenômeno de satisfação alcançado surgiria um novo grupo em condições 
de igualdade material (com certa estabilidade) e outro com membros desiguais que 
tornariam a buscar, futuramente, o equilíbrio social.
Para que este processo se configure, deverão ser levadas em consideração as 
“particularidades” que desigualam os indivíduos, no sentido de propiciar condições que 
busquem realizar a igualização das condições desiguais, não somente perante a lei, 
mas perante as dimensões valorativas da justiça, como parâmetro de escopo social 
e político e enquanto princípio de oportunidades e condições reais de vida.
Justamente por isso, os Intérpretes da norma e as Autoridades Públicas (Estado) 
não poderão aplicar as leis e os atos administrativos aos casos reais de modo que 
criem ou aumentem as desigualdades. Ademais, o próprio particular (cidadão) também 
não poderá utilizar-se de ‘condutas discriminatórias’, desigualadoras, sob pena de ser 
responsabilizado nas esferas civil e criminal pelo Direito.
Por fim, normas constitucionais programáticas, ainda mais quando meramente 
formais, limitam-se a traçar princípios utópicos no interesse de grupos específicos 
e, ainda hoje, continuam a representar normas sem quaisquer valores concretos de 
igualdade, muito menos de equidade, para a sociedade brasileira.
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Comparativamente falando, a igualdade representa o ‘dar’ às pessoas as mesmas 
oportunidades, enquanto a equidade representa o ‘dar’ às pessoas, na medida de suas 
necessidades, ou seja, a equidade adapta as oportunidades e as deixam “mais justas”.
As duas gravuras as seguir colacionadas (que na verdade são de autoria desconhecida 
- por múltipla autoria) muito bem representam as tênues diferenciações entre os termos 
equidade e igualdade, que por vezes ora se aproximam do termo liberdade (faculdade), 
ora se aproximam do termo realidade (possível).
Título: Equidade x Igualdade - “realidade” e “liberdade”.
Fonte: Adaptado de outras imagens da internet. Autoria desconhecida por multi autoria.
7.3.3. Direito à liberdade de locomoção
Vimos pela imagem acima que o conceito de liberdade se amplia com a evolução 
de conceitos pelo cidadão, mas também poderá se reduzir, se na realidade, houvero 
estreitamento de sua relação com o conhecimento.
Exatamente neste sentido o professor Erival assevera:
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A liberdade, em sentido genérico, tem vinculação estreita com o 
conhecimento. O conteúdo da liberdade se amplia com a evolução 
da humanidade; portanto, a liberdade é uma conquista constante. 
(OLIVEIRA, Erival da Silva, 2005, pág. 102).
A liberdade de locomoção que, por sua vez, consiste no direito de ir, vir e ficar do 
cidadão (jus manendi, ambulandi e eundi ultro citroque), encontra-se consubstanciada 
na atual Constituição em seu art. 5º, inciso XV, além de manifestar-se, quanto à sua 
garantia, no inciso LXVIII, ambos a seguir transcritos:
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, 
podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer 
ou dele sair com seus bens. Grifamos.
LXVIII - conceder-se-á “habeas-corpus” sempre que alguém sofrer ou 
se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade 
de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Grifamos.
Assim, fica claro que a CF/88 tutela o cerceamento ao direito de ir e vir do cidadão 
por meio do remédio constitucional chamado habeas corpus, além de impedir o 
cerceamento à livre locomoção, em tempos de paz, do cidadão que queira entrar, 
sair ou permanecer no território nacional com seus bens.
Título: Em tempos de guerra a CF/88 autoriza restrições à liberdade de locomoção.
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/99/LE_Eithne_Operation_Triton.jpg/1024px-LE_Eithne_Operation_Triton.jpg
7.3.4. Direito à liberdade de consciência
Representa modalidade de liberdade do pensamento e, portanto, inviolável, em 
respeito ao foro íntimo do cidadão. Por dizer respeito à consciência do indivíduo, não 
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/99/LE_Eithne_Operation_Triton.jpg/1024px-LE_Eithne_Operation_Triton.jpg
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está sujeita ao controle do Estado, exceto naquilo que extrapolar as convicções de 
ordem ideológica da sociedade. 
A liberdade de crença também pertence, como espécie, ao conjunto das ‘liberdades 
de consciência’, já que também representa uma liberdade de foro íntimo, mas no que 
atine às questões referentes à natureza religiosa.
Destaque-se que a liberdade de agir segundo suas convicções e crenças (inclusive 
religiosas) não faculta ao indivíduo o direito de alegá-las para exonerar-se da obrigação 
imposta pela lei a toda a sociedade, exceto se a norma autorizá-lo ao cumprimento 
de determinada prestação alternativa. Assim, o jovem de 18 anos, do sexo masculino, 
que por convicção religiosa, recusar-se a cumprir o serviço militar obrigatório, poderá 
ter acolhida sua pretensão, desde que cumpra outra obrigação imposta pelo Estado.
A partir da CF/88 consagrou, também, a liberdade de culto, bem como os locais 
de seu exercício e suas liturgias, todas condições fixadas nos moldes da legislação 
infraconstitucional. A Constituição anterior ficava aquém desta amplitude, já que a 
liberdade religiosa estava submetida apenas ao respeito da ordem pública e bons 
costumes. 
7.4. Direitos e garantias “coletivas” fundamentais
As liberdades de expressão “coletivas” nada mais são que modalidades de direitos 
individuais, representados em grupos de indivíduos. Desta forma, tanto a liberdade de 
reunião, como a liberdade de associação, pressupõem uma pluralidade de pessoas 
para que possam ser exercidas.
7.4.1. Direito à liberdade de associação e de reunião
A liberdade de associação, desde que para fins lícitos e pacíficos, é assegurada 
pela CF/88 em seu art. 5º, incisos XVII a XXI, in verbis:
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a 
de caráter paramilitar; XVIII - a criação de associações e, na forma 
da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada 
a interferência estatal em seu funcionamento; XIX - as associações 
só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades 
suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o 
trânsito em julgado; XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se 
ou a permanecer associado; XXI - as entidades associativas, quando 
expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus 
filiados judicial ou extrajudicialmente .Grifamos.
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A liberdade de associação foi reconhecida em nosso ordenamento constitucional 
a partir da Constituição de 1891, quando a partir do fortalecimento do Estado Liberal 
na Europa passou a ocorrer a reivindicação popular pelo direito de se expressar 
coletivamente, passando a transformar-se em um dos pontos fundamentais do 
pensamento liberal francês.
Desde a década de 1950, no Brasil, as associações passaram a gozar de legitimidade 
para postularem em juízo, ou fora dele, direitos de seus associados, independentemente 
de autorização em assembleia geral, bastando a existência de cláusula específica 
autorizativa em seus estatutos associativos (legitimação ativa). 
Quanto ao seu encerramento, nenhuma associação poderá ser dissolvida, a não 
ser por decisão judicial transitada em julgado.
ANOTE ISSO
A CF/88 veda expressamente a criação de associações de caráter paramilitar, 
que são órgãos particulares estruturados de forma bélica e à semelhança das 
Forças Armadas Nacionais. Utilizam-se do poder de coerção, restrito do Estado, 
em suas manifestações, afrontando diretamente a ordem social e democrática 
do país. A Constituição proíbe também a utilização pelos partidos políticos de 
organização paramilitar em seu art. 17, §4º: § 4º. - É vedada a utilização pelos 
partidos políticos de organização paramilitar.
Em relação à liberdade de reunião, por exemplo uma passeata, a CF/88 assegura 
no art. 5º, inciso XVI, que será permitida a agregação pública de pessoas, de forma 
descontínua e previamente organizada e divulgada, com finalidade objetiva, desde que 
para fins pacíficos e lícitos, sem uso de armas.
A contrario sensu, a liberdade de reunião em locais fechados será garantida pela 
Constituição de maneira implícita, desde que autorizada pela autoridade competente, 
justamente para que não frustre outra reunião que, eventualmente, já tivesse sido 
convocada para aquela mesma localidade.
A reunião, aliás, para ser considerada como tal, precisará ser composta por um 
agrupamento ‘organizado’, com direção e diretriz de mando e objeto, ou seja, englobando 
pessoas com uma intenção comum e não agrupadas em decorrência de mero evento 
fortuito.
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Sob tais caracterizações, associação e reunião não se confundem. Se o agrupamento 
adota laços duradouros, permanentes, há associação, porém se o agrupamento é 
passageiro e ocorre de forma descontínua, há reunião.
Título: Liberdade de reunião em praça pública.
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/3/30/T01_19233951.jpg
7.4.2. Direito à liberdade sindical
Um sindicato representa uma associação de ‘trabalhadores’ ou de ‘empregadores’ 
(sindicato profissional e patronal, respectivamente) que se constitui para defender os 
interesses sociais, econômicos e profissionais relacionados com a atividade laboral dos 
seus integrantes. Extrai-se da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), especificamente 
do art. 511, sua definição:
Associação para fins de estudo, defesa e coordenação dos seus 
interesses econômicos ou profissionais de todos os que, como 
empregadores, empregados, agentes ou trabalhadores autônomos ou 
profissionais liberais exerçam, respectivamente, a mesma atividade 
ou profissão ou atividades ou profissões similares ou conexas. 
Grifamos.
A liberdade sindical faculta ao indivíduo aderir a determinada entidade sindical ou 
não, inclusive hoje, após a Reforma Trabalhistade 2017, autoriza-se ou não, o desconto 
do imposto sindical anual (1 dia de trabalho por ano) do salário do trabalhador. Esta 
garantia vem elencada no art. 8º da CF/88, conforme a seguir se colaciona:
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/pt/3/30/T01_19233951.jpg
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Art. 8º. É livre a associação profissional ou sindical, observado o 
seguinte: I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a 
fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, 
vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização 
sindical; II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em 
qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, 
na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou 
empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um 
Município; III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses 
coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais 
ou administrativas; IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, 
em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, 
para custeio do sistema confederativo da representação sindical 
respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei; V - 
ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato; 
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações 
coletivas de trabalho; VII - o aposentado filiado tem direito a votar e 
ser votado nas organizações sindicais; VIII - é vedada a dispensa do 
empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo 
de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, 
até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave 
nos termos da lei.
A organização sindical no Brasil, estampadas, todas as regras do art. 8º da CF/88, 
acima colacionado,funda-se, atualmente, sob três pilares básicos: a unicidade sindical, 
a sindicalização por categoria e base territorial mínima.
7.4.3. Direito de greve
Reconhece também a atual Constituição Federal o direito de greve em seu art. 9º, 
in verbis:
Art. 9º. É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores 
decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que 
devam por meio dele defender. § 1º. A lei definirá os serviços ou 
atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades 
inadiáveis da comunidade. § 2º. Os abusos cometidos sujeitam os 
responsáveis às penas da lei. 
A situação de greve representa a paralisação, mediante suspensão voluntária, 
temporária e pacífica, total ou parcial, da prestação de serviços ao empregador. A 
greve na iniciativa privada encontra previsão também na Lei 7.783/89, conhecida 
como “Lei de Greve”. 
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Durante greve de atividades essenciais, os empregadores e trabalhadores ficarão 
obrigados a entrar em acordo e, durante o movimento paredista, garantirem a prestação 
de serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade 
(art. 11 da Lei 7.783/89). Necessidades inadiáveis da comunidade são aquelas que uma 
vez não atendidas coloquem em perigo iminente a sobrevivência, saúde ou segurança 
da população.
Não sendo garantido pelos empregadores e grevistas o atendimento das necessidades 
inadiáveis da comunidade, caberá ao Poder Público fazê-lo.
O direito de greve não poderá restringir o direito de trabalhar daquele que assim 
opte, vez que a lei lhe assiste este direito e o Estado deverá garantir-lhe.
Título: A greve como um direito de coação do empregado ao empregador e aceito pelo Estado.
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6f/Greve_dos_bancarios_do_Brasil_de_2010.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6f/Greve_dos_bancarios_do_Brasil_de_2010.jpg
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CAPÍTULO 8
DIVISÕES DO DIREITO: 
PÚBLICO E PRIVADO
8.1. Diretrizes e fundamentos sobre a divisão do Direito: direito “público” e direito 
“privado” 
Pode-se afirmar que o Direito divide-se em dois grandes campos autônomos (os 
públicos e os privados), mas que também se subdivide em relação aos ramos e aos 
conteúdos que visa tutelar (materiais ou processuais) . 
Esta divisão, porém, servirá apenas para fins didáticos, já que na verdade, o “Direito 
é uno”, visto que se compõe de uma série de regras intrincadas (entre si) que não 
podem formalizar verdadeira “justiça” se, e quando, analisadas de forma estanque.
Com base nesta sistemática de divisão do Direito moderno e dadas as características 
de cada um dos ramos hoje existentes, há a possibilidade de que se entenda, com 
base em suas peculiaridades, como deve, verdadeiramente, ser aplicado no mundo 
real, ou seja, analisar o Direito como um todo significa poder vislumbrá-lo, ao mesmo 
tempo que partilhado, que seja formulado como um todo indissociável.
Mas, esta metódica divisão não era tão pormenorizada quando surgiu. A primeira 
grande divisão do Direito, ocorrida dentre os espaços romanos, o dividiam apenas 
em dois grandes grupos: os públicos e os privados, segundo a destinação que lhes 
era objetivada.
Assim, quando tutelava os interesse dos particulares (privatum) propunha-se a 
proteger os interesses de cada indivíduo, essencialmente pautado nas relações de 
‘autonomia da vontade’ das partes, ao passo que ao ser utilizado para garantir o 
interesse público (publicum jus) pautava-se em critérios de utilidades públicas e em 
relação às coisas do Estado.
Resumindo, quando uma norma de Direito assegura bens essenciais a toda a 
sociedade, caracteriza-se uma relação de “direito público”, mas quando duas pessoas 
tratam-se de ‘igual para igual’ e exigem um do outro direitos e obrigações recíprocas, 
forma-se entre eles uma relação intersubjetiva, caracterizada por regras de direito 
privado. 
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8.2. Direito objetivo e direito subjetivo
O direito objetivo representa o conjunto de normas de conduta aplicáveis aos 
cidadãos em determinado espaço e tempo, ou seja, representa o “como agir”, que 
na expressividade latina se descreve por norma agendi, que pode ser exemplificado 
pelo direito à abertura de herança, pelos herdeiros, em caso de falecimento dos 
genitores.
Já o direito subjetivo significa a “faculdade de agir” segundo uma dada regra normativa, 
que também faz-se representar pela expressão latina facultas agendi. Complementando 
o mesmo exemplo anterior: … formalizado todo o processo de herança, caberá a um 
dos herdeiros receber seu quinhão hereditário, ou não, inclusive cabe-lhe a opção de 
dispor da forma que quiser quanto ao direito que lhe pertence. Locupleta-se a facultas 
agendi nesta segunda situação narrada.
Nas palavras da professora Maria Helena Diniz o ‘direito objetivo’: 
Representa o complexo de normas jurídicas que regem o 
comportamento humano, prescrevendo uma sanção no caso de sua 
violação.(DINIZ, Maria Helena, 1998, pág. 273).
E acrescenta quanto ao ‘direito subjetivo’:
Representa a permissão dada por meio da norma jurídica válida 
para fazer, ou não fazer, alguma coisa, para ter ou não ter algo, ou 
ainda, a autorização para exigir, por meio dos órgãos competentes do 
poder público, ou por meio de processos legai, em caso de prejuízo 
causado por violação da norma, o cumprimento da norma infringida 
ou a reparação do mal sofrido. (DINIZ, Maria Helena, 1998, pág. 273).
O direito subjetivo pode, ainda, subdividir-se em duas espécies: (1) comum de 
existência e (2) de defesa de direitos. Ambas, representam o direito autorizativo para 
agir ou para exigir algo, ou seja, o titular passa a ter direito a um determinado ato face 
em face do destinatário. Na primeira espécie, haverá permissão direta para fazer (ou 
não fazer), de ter(ou não ter) alguma coisa, “sem violação de preceito normativo” (típico 
potestas agendi), enquanto na segunda, já houve afronta à norma e tal violação é que 
autorizaria o lesado a agir em forma de ‘resistência’, fazendo cessar o ato ilícito, ou 
reclamar pela reparação do dano, inclusive podendo requerer a imposição de sanções 
aos causadores da violação da norma.
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 8.3. Direito material e direito processual
O direito material, também chamado de ‘direito substantivo’, representa a 
consubstanciação dos direitos em si, ou seja, formatam o próprio bem jurídico tutelado, 
ou os “bens da vida”. Representa, pois, o próprio interesse primário do indivíduo e, 
portanto, cria normas de conduta que levam à busca do interesse público e à paz social.
Lado outro, o direito processual, também chamado de ‘direito adjetivo’, representa a 
forma como os bens jurídicos desenvolvem-se nas relações processuais. O ambiente 
em que os ‘bens da vida’ são colocados em discussão receberá o nome de ”processo”. 
Enquanto o mecanismo que possibilita o andamento destes atos processuais que 
compõem o processo, será chamado de ação.
O direito processual apenas regulamenta o tramitar do direito material, ou seja, 
o processual regulamenta a “forma”, enquanto o material visualiza o “bem jurídico”.
8.4. Subdivisões do direito positivo brasileiro: ‘internacional privado’ e ‘interno’
No âmbito jurídico, o positivismo é visto como o direito imposto pela vontade do 
ser humano, ou seja, o “direito posto”, o “direito positivado” e, por isso, elimina, em sua 
gênese, quaisquer hipóteses de envolvimento do místico, do divino, em suas ações 
formuladoras.
Título: Gravura pintada a mão do Rei João sem Terra assinando a Magna Carta de 1215, uma das primeiras demonstrações de direito positivado da 
História.
Fonte:https://commons.wikimedia.org/wiki/File:A_Chronicle_of_England_-_Page_226_-_John_Signs_the_Great_Charter.jpg
Questões morais, formulações advindas da Natureza, ou da razão humana (sob 
a condição da Moral), exatamente como defendeu (e ainda defendem, hoje, os 
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:A_Chronicle_of_England_-_Page_226_-_John_Signs_the_Great_Charter.jpg
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naturalistas) o “jusnaturalismo”, não são mais tão aceitas na realidade moderna. A 
partir da formação “kelseniana” (criada pelo jusfilósofo Hans Kelsen), adotada no Brasil, 
o Direito passou a ser exercido de forma ‘objetiva’, baseando-se em fatos comprovados 
e no racionalismo científico.
Há de se destacar, também, que este direito positivo brasileiro não se aplica apenas 
aos aspectos geográficos de nossos limites territoriais, mas também, em razão da 
competência que lhe é atribuída, a toda uma zona de incidência de poder político do 
Estado brasileiro em que se manifesta e é aceito.
 Neste sentido, nosso direito ‘posto’ passou a ter soberania jurídica, também, sob o 
mar territorial, em nossas Embaixadas dispersas pelo mundo, em nossas aeronaves e 
em nossos navios, sempre obedecendo-se as regras do Direito Internacional (público 
e privado) que lhe devam ser cotejadas.
Assim, as regras do Direito Internacional Público, regem relações distintas daquelas 
aplicadas pelo direito interno, ao estabelecerem diretrizes aplicadas aos particulares que 
estão fora do território de seus respectivos Estados. Enquanto o Direito Internacional 
Privado, contrário senso, objetiva solucionar os conflitos e satisfazer os interesses 
de indivíduos pertencentes a nações diversas e sistemas jurídicos distintos, dentro 
do nosso território nacional.
Nestas linhas de atuação, em que se busca disciplinar as relações jurídicas em 
casos de conflito de normas de dois ordenamentos jurídicos internacionais distintos, 
aponta o professor Miguel Reale que: 
O Direito Internacional Privado não possui regras que disciplinem as 
relações entre as pessoas, mas sim regras destinadas a determinar 
quais as regras que devem ser aplicadas para disciplinar aquelas 
relações. (REALE, 1998, pág. 356).
Vejamos a seguir alguns ramos do Direito interno e as diretrizes das normas que 
conectam os indivíduos nacionais e seu Estado, sabendo-se, agora, que estas regras 
internas não têm por objetivo as mesmas diretrizes que se formatam pelo Direito 
Internacional.
8.4.1. Alguns ramos pertencentes ao direito público
O Direito compõe-se por normas de ordem pública e por normas de ordem privada. 
Em se tratando dos ramos submetidos ao interesse público, a mera alegação de que o 
interesse protegido seria o do Estado não é suficiente para definir sua amplitude de ação. 
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Todavia, se a esta característica somarmos a da imperatividade das decisões 
(obrigatoriedade inafastável) e, ainda a constatação de que em suas relações uma 
das partes será sempre o governo, que exerce seu poder de mando, pode-se admitir, 
como mais profundidade, que o direito público torna-se um direito de subordinação 
ao interesse público e com primados de justiça distributiva (relação de subordinação 
tanto política, quanto jurídica, entre o governante e seus governados).
Neste sentido, a advogada Samantha Stacciarini formaliza em seu artigo, acerca 
da justiça distributiva: 
É nesta linha de pensamento que a justiça distributiva ou justiça 
em sentido estrito, revela-se na distribuição de funções elevadas de 
governo, da honra, do mérito das pessoas, de dinheiro, da fixação de 
critérios sobre tributos, distribuição de cargos, ou de outras coisas 
que devem ser divididas entre os membros da sociedade política, 
visto que a participação de uma pessoa pode acontecer de maneira 
igual ou desigual à de outra. (STACCIARINI, 2007, pág. 270).
Dentre inúmeros outros ramos do direito público, destacaremos algumas 
características específicas do Direito Constitucional, do Direito Administrativo, do 
Direito Tributário e do Direito Penal. Senão vejamos. 
8.4.1.1. Direito Constitucional
Representa o ramo do Direito que objetiva o estudo da ordem jurídica do Estado, 
trazendo um conjunto de regras jurídicas supremas, princípios e normas fundamentais 
acerca da forma e estrutura do Estado, do Governo, sobre direitos e garantias dos 
indivíduos, o modo de aquisição e exercício do poder, o estabelecimento de órgãos 
estatais e aos limites de sua atuação, dentre inúmeros outros que estudaremos em 
capítulos específicos mais adiante. 
Quanto ao formalismo, tem como regra fundamental a Constituição Federal de 1988, 
além da aplicação subsidiária das regras constantes nas Constituições Estaduais e 
das Leis Orgânicas dos Municípios.
O Brasil admite um sistema de Direito Constitucional escrito (uma das característica 
afeitas ao sistema civil law), ao contrário da Grã-Bretanha, que o admite de forma, 
preferencialmente, costumeira e pautada em usos e costumes, reiteradamente 
observados (uma das características afeitas ao sistema common law). 
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Título: Modelo da atual Constituição Federal em mãos do leitor.
Fonte:https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Constitui%C3%A7%C3%A3o_Federal_(32587331477).jpg
8.4.1.2. Direito Administrativo
Representa o ramo do Direito que tem por objetivo analisar as regras e os princípios 
que regulamentam o funcionamento da Administração Pública e a sua relação com 
a coletividade, visando a satisfação do interesse público.
‘Atos da Administração’ e ‘atos administrativos’ são conceituações essenciais para 
se compreender a amplitude e os limites da Administração Pública, que representa o 
conjunto de órgãos que visam a concretização dos interesses do Estado.
Além disso, o Direito administrativo presta-se à concretização das funções 
administrativas do Estado, bem como a manutenção e proteção dos bens dominicais 
que representamo patrimônio do Poder Público.
Concluindo, como de forma certeira sempre bem aponta o Prof. Reale: 
O Direito Administrativo tem por objeto o sistema de princípios e 
regras, relativos à realização de serviços públicos, destinados à 
satisfação de um interesse que, de maneira direta e prevalecente, é 
o do próprio Estado. (REALE, 1998, pág. 347)
8.4.1.3. Direito Tributário
Representa o ramo do Direito que tem por objeto estudar o conjunto de regras e 
princípios que regulam a criação, arrecadação, e fiscalização dos tributos, orientando 
a relação jurídica que se forma entre o particular (contribuinte) e o Estado (Fisco).
O Direito Tributário possui farto número de diretrizes advindas da CF/88, sem prejuízo 
das regras constantes na Lei nº 5.172 de 25/10/66, conhecida como Código Tributário 
Nacional (CTN). 
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Constitui%C3%A7%C3%A3o_Federal_(32587331477).jpg
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Além disso, presente a questão da ‘plurinormatividade’ também na seara tributária, 
diversas outras espécies normativas, como as ‘Instruções Normativas da Receita 
Federal’ e as ‘Instruções do INSS’, também compõem o amplo arcabouço jurídico 
necessário a dar ao Direito Tributário efetividade e aplicação adequadas.
Assim, segundo define o art. 3º do CTN, in verbis:
Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou 
cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato 
ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa 
plenamente vinculada. Grifamos.
Portanto, podemos dizer que “tributo” é gênero, que tem em si três espécies: 
impostos, taxas e contribuições de melhoria, conforme nos aponta o próprio CTN e a 
cujas peculiaridades nos atentaremos em capítulos futuros.
8.4.1.4. Direito Penal
Representa o ramo do direito público que tem por objeto de estudo o conjunto 
de normas jurídicas, criadas pelo Poder Legislativo, que desestimula determinadas 
práticas, comissivas e omissivas, de conduta humana, mas que, se implementadas, 
ensejarão a comutação de penas (restritivas de direito e privativas de liberdade) aos 
‘autores’ dos fatos reconhecidos como tipos penais.
A ameaça de imposição destas “penas” (inclusive pela mera “tentativa” quanto 
à realização do delito) diferencia o Direito Penal de vários outros ramos, já se este 
requisito sancionador; aqui, tem maior poder de penalização, em razão da afronta ao 
“direito da liberdade de ir e vir” concedido como fundamental a todo indivíduo.
Destacando-se que, o fato típico cometido poderá ensejar, após devido processo 
legal, a imposição da pena como decorrência da infração cometida e de sua valoração 
judicial. 
Em termos de afronta aos bens jurídicos almejados pela sociedade, poderão os 
tipos penais tipificarem-se sob modalidades mais gravosas, quando serão chamados 
de crimes, ou sob modalidades menos ofensivas, quando serão chamados de 
contravenções.
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8.4.2. Alguns ramos pertencentes ao direito privado
Ao contrário do que vimos ocorrer nas relações de interesse público, nas relações 
de direito privado, não há direito de subordinação, mas sim de coordenação e, portanto, 
consubstancia um conjunto de ramos subordinados à justiça comutativa (justiça que 
nasce de acordo com a lei produzida pelas próprias partes).
Novamente quem nos aclareia é a advogada Samantha Stacciarini quando pondera 
em seu artigo, acerca da justiça comutativa: 
A justiça corretiva ou comutativa se configura como a outra espécie de justiça em 
sentido estrito, parcial ou relativa, porém desempenha um papel corretivo nas relações 
entre as pessoas. Tais relações subdividem-se em voluntárias e involuntárias, as quais 
caracterizam o âmbito de aplicação da justiça corretiva. (STACCIARINI, 2007, pág. 274).
Dentre inúmeros outros ramos do direito privado, destacaremos algumas 
características específicas do Direito Civil e do Direito Empresarial. Senão vejamos. 
8.4.2.1. Direito Civil
É o ramo do direito privado que tem por objeto de estudo regras e princípios que 
regulam as relações jurídicas entre os indivíduos (autonomia da vontade) desde a 
aquisição da “personalidade jurídica” (da pessoa física - pessoa natural; ou jurídica 
- pessoa moral, como já vimos em capítulos anteriores), seja pelo nascimento, seja 
pela constituição, até a sua morte ou extinção.
Abrange, também, por meio da Lei 10.406 de 2002, conhecida como “Código Civil 
Brasileiro” (CCB) o estudo dos direitos decorrentes das relações obrigacionais, contratos, 
direitos reais, direito de família e direitos sucessórios.
ANOTE ISSO
A abordagem da Lei 6.404/76, Lei das S.A., é essencial para complementar seus 
estudos sobre o Direito Civil e sua conexão com a Legislação Empresarial. Ao 
analisá-la não deixe de perpassar pelos seguintes tópicos: constituição empresarial; 
títulos emitidos; classificação das ações; classificação dos acionistas, deveres 
e direitos; valores mobiliários (debêntures e bônus de subscrição); órgãos da 
sociedade e dissolução.
Para acessar a referida leigislação:https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
L6404compilada.htm
Acesso em 21/10/23.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm
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8.4.2.2. Direito Empresarial
O Direito Empresarial, como sub ramo do Direito Civil, já esteve representado pelo 
vetusto Direito Comercial.
Assim, toda a regulamentação dos chamados “atos de comércio” e fundamentações 
sobre as “sociedades” tinham como fio condutor a Lei 556 de 1.850, conhecida como 
“Código Comercial”; norma que, aliás, encontra-se vigente até hoje, naqueles pontos 
em que inexistiu derrogação – que representa uma revogação parcial dum instrumento 
normativo, ou seja, apenas algumas partes do diploma legal teriam sido retiradas do 
sistema norteador de normas vigentes.
Basicamente, o Direito Empresarial representa o ramo do direito privado que regula 
a atividade econômica organizada da empresa, por meio de regras, normas e princípios 
empresariais, submetidas às diretrizes de um elemento subjetivo, reconhecido como 
empresário (pessoa física ou jurídica).
ISTO ESTÁ NA REDE
O surgimento de novas leis empresariais e as frequentes alterações nas leis 
de natureza empresarial vigentes, com destaque para a Lei n° 14.195/2021, 
demonstram a dinamicidade das normas jurídicas empresariais para o atendimento 
das necessidades do meio empresarial, identificando-se que as alterações 
promovidas nos últimos anos apresentam fortes traços desburocratizantes, que 
sinalizam para a consolidação de um novo período do Direito Empresarial no país.
Para maiores esclarecimentos sobre o tema acesse:https://taddeiventura.com.br/o-
direito-empresarial-no-brasil-apos-20-anos-do-codigo-civil-de-2002/
Acesso em 21/10/23.
8.4.3. O Direito do Trabalho como um ramo misto
Foi somente a partir do ano de 1.930 que surgiu no Brasil a ideia de concretização 
de tutelas dos trabalhadores Tal período ficou conhecido como de “Oficialização” do 
Direito do Trabalho (governo Getúlio Vargas) e, por isso, teve muitos de seus efeitos 
estendidos até os dias de hoje. À época, por exemplo, diversos órgãos e institutos foram 
criados, como por exemplo a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, 
do Departamento Nacional do Trabalho, das Juntas de Conciliação de Julgamento, etc..
Atualmente, pode-se conceituar o Direito do Trabalho como um ramo autônomo do 
Direito, cujo objetivo é o de assegurar condições dignas de labor e garantia da proteção 
https://taddeiventura.com.br/o-direito-empresarial-no-brasil-apos-20-anos-do-codigo-civil-de-2002/
https://taddeiventura.com.br/o-direito-empresarial-no-brasil-apos-20-anos-do-codigo-civil-de-2002/
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do trabalhador em relação às diretrizes emanadas do empregador, ou seja, representa 
o conjunto de institutos, princípios e regras, aplicáveis às pactuações individuais e 
coletivas, capazes de regular as relações de trabalho.
Aliás, parte da doutrina moderna entende ser ele pertencente ao ramo do Direito 
Privado, enquanto outros entendem tratar-se de um ramo híbrido, simultaneamente 
Público e Privado, cuja caracterização tem peculiaridades que o liga a ambos. 
Hoje, majoritariamente, os estudiosos do tema entendem que o Direito do Trabalho 
não consegue enquadrar-se, exclusivamente, em um dos ramos divisores do Direito, 
nem somente público, nem somente privado, caracterizando-o como uma espécie de 
Direito Misto ou Híbrido no que se refere à sua natureza. 
Cria-se, a partir daí, a chamada Teoria Eclética do Direito do Trabalho, que enquadra 
o Direito Laboral, ao mesmo tempo, como um ‘direito público’, cuja prevalência se dá às 
diretrizes advindas das normas do Estado e como um ‘direito privado’, cujas regras são 
livres aos contratantes, de modo que possam escolher suas diretrizes e demonstrar 
suas vontades, logicamente, obedecendo os parâmetros legais preestabelecidos, já 
que o Estado, em algum momento no passado, impôs seus limites.
Título: Período de Oficialização do Direito do Trabalho. Vargas ficou conhecido como “pai dos pobres” por promover leis trabalhistas e por seu carisma com 
a população.
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/83/Get%C3%BAlio_Vargas_e_crian%C3%A7as_na_Quinta_da_Boa_Vista_Semana_
da_P%C3%A1tria_1943.jpg/800px-Get%C3%BAlio_Vargas_e_crian%C3%A7as_na_Quinta_da_Boa_Vista_Semana_da_P%C3%A1tria_1943.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/83/Get%C3%BAlio_Vargas_e_crian%C3%A7as_na_Quinta_da_Boa_Vista_Semana_da_P%C3%A1tria_1943.jpg/800px-Get%C3%BAlio_Vargas_e_crian%C3%A7as_na_Quinta_da_Boa_Vista_Semana_da_P%C3%A1tria_1943.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/83/Get%C3%BAlio_Vargas_e_crian%C3%A7as_na_Quinta_da_Boa_Vista_Semana_da_P%C3%A1tria_1943.jpg/800px-Get%C3%BAlio_Vargas_e_crian%C3%A7as_na_Quinta_da_Boa_Vista_Semana_da_P%C3%A1tria_1943.jpg
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CAPÍTULO 9
NOÇÕES BÁSICAS DE DIREITO 
CIVIL: PARTICULARIDADES DO 
DIREITO EMPRESARIAL
9.1. Unificação do Direito Civil e o antigo Código Comercial de 1850
Já pontuamos em capítulos anteriores que desde o ano de 2002, praticamente 
toda a regulamentação sobre “atos de comércio” e “sociedades empresárias” (como 
eram chamadas pelo Código Comercial) teriam sido retiradas do sistema de normas 
pelo Código Civil Brasileiro (CC).
Destaque-se que alguns pontos do Código Comercial mantêm-se vigentes até hoje, 
constantes da chamada Teoria da Empresa, que se fundamenta no CC sob capítulos 
intitulados “Do Empresário” e “Da Sociedade”, fazendo surgir novas conceituações 
para empresa, empresário, atividades não empresariais, sociedade empresariais, etc.
9.2. As atividades empresariais no atual Código Civil
Podemos objetivamente dizer que empresa representa a atividade econômica 
organizada responsável pela produção ou circulação de bens ou serviços, enquanto 
empresário representa todo aquele que exerce as atividades e os desígnios desta 
empresa, tendo como características: 
a. o profissionalismo: domínio pleno das informações sobre seus produtos ou 
serviços;
b. responsabilidade: pelas atividades de movimentação de seus bens (corpóreos 
e incorpóreos) e serviços, de forma eficaz e ao mesmo tempo, de forma 
socialmente relevante;
c. finalidade lucrativa: produção de excedentes, especialmente financeiros, 
acompanhada de responsabilidade empresarial;
d. gerenciamento da organização de forma sistêmica: conhecimento pleno de outros 
fatores alheios à sistemática empresarial (externos) como capital, matéria prima, 
mão de obra, tecnologia, controle, legislações, etc..
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9.2.1. Sociedades “empresárias” e sociedades “não empresárias”
As sociedades empresárias, cujas atividades serão exercidas por ‘empresários 
individuais’, ou por ‘empresas’ (sejam constituídas sob a forma de sociedades regulares 
ou irregulares), apresentam-se, segundo as regras insculpidas no CC/02, sob uma das 
seguintes espécies:
a. limitada (LTDA., art. 1052 a 1087 do CC);
b. comandita por ações (art. 1090 a 1092 do CC);
c. nome coletivo (art. 1039 a 1044 do CC);
d. comandita simples (art. 1045 a 1051 do CC);
e. sociedade anônima (S.A., art. 1088 e 1089 do CC e Lei 6404/76, atualizada por 
diversas legislações até 2023);
f. sociedade em conta de participação (art. 991 a 996 do CC);
g. sociedade comum (irregular ou de fato, art. 986 a 990 do CC). 
Classificação diversa aponta, ainda, a divisão das sociedades em personificadas 
e não personificadas. Enquanto as sociedades personificadas representam aquelas 
que possuem personalidade jurídica, adquirida por seu registro no órgão competente, 
ou seja, têm personalidade jurídica oficializada, as sociedades não personificadas 
representam aquelas que não possuem a formalização legal e, portanto, não se 
encontram devidamente registradas e aptas a receberem benesses do Estado.
Consideram-se não personificadas as sociedades em “conta de participação” e as 
“sociedades comuns”. 
Destaque-se que nas sociedades em conta de participação, a representação ocorrerá 
através do chamado “sócio ostensivo”, de modo que, por meio deste indivíduo serão 
implementados os negócios da empresa, recaindo sobre ele a responsabilidade ilimitada 
pelas obrigações assumidas pelo outro sócio, denominado, “sócio oculto”, já que ‘não 
aparece’ perante terceiros de modo a responder, apenas, perante o ostensivo e nos 
moldes do contrato formalizado entre ambos.
Já na sociedade comum, inexistirá qualquer registro do contrato social, seja na 
‘Junta Comercial’, seja no ‘Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas’, inexistindo, 
pois, personalidade jurídica constituída, fazendo com que os sócios respondam de 
forma ilimitada pelas dívidas que contraírem em nome da sociedade.
Além disso, dentre as atividades econômicas representadas pelas sociedades 
personificadas, encontram-se as que não serão consideradas empresariais, às quais a 
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doutrina chamará de sociedades simples. A legislação nos aponta algumas sociedades 
simples:
a. as prestadores de serviços: ocorrem quando há a prestação de serviços de forma 
direta, por profissionais intelectuais de natureza científica, literária, ou artística, 
ainda que com concurso de auxiliares ou colaboradores (art. 966, p.u. do CC);
b. os empresários rurais por profissão: desde que não registrados na Junta Comercial 
por exercerem atividade de natureza familiar (art. 971 do CC). Atente-se que, 
caso o rural requeira sua inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis 
da respectiva sede onde atua passará a ser considerado “equiparado”, para 
todos os efeitos, ao empresário;
c. os cooperados: as cooperativas sempre serão consideradas ‘não empresárias’ 
por determinação legal, independentemente de seus objetos, já que possuem 
natureza civil e não estão sujeitas à falência.
ANOTE ISSO
Assim como ocorre no Direito do Trabalho, em que o “empregador” por assumir o 
‘risco do negócio’ mantém o poder de direção da empresa tal qual lhe convier (art. 
2º da CLT), no Direito Empresarial, o “empresário” é quem, com base em situações 
de ‘empreendedorismo’ (instrumentalização para o bom atuar profissional), ‘atuação 
econômica direcionada’ (escolher as melhores vantagens negociais) e ‘busca da 
lucratividade’ (obter diferenciais financeiros, vedadas práticas ilegais e abusivas de 
mercado, como por exemplo, o monopólio), atuará com liberdade individual plena 
na livre iniciativa econômica de sua empresa.Destaque-se existir mais uma classificação, a qual subdivide as sociedades em 
contratuais e institucionais. 
Neste sentido, as contratuais, pautadas em contratos privados, representam-se pelas: 
a. sociedades em nome coletivo: espécie em que todos os sócios responderão 
ilimitadamente, ainda que de forma subsidiária, pelas dívidas que tenham 
contraído;
b. sociedades em comandita simples: espécie em que os sócios, ditos 
“comanditados” (que ingressam com o capital e trabalho) assumirão a função 
gerencial da empresa e responderão ilimitadamente pelas obrigações, ao passo 
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em que os sócios, ditos “comanditários”, responderão apenas pela integralização 
das cotas adquiridas e no limite destas;
c. sociedades limitadas: constituídas sob a forma de pessoas (modalidade em 
que a cessão das cotas sociais fica adstrito à concordância dos sócios) ou de 
capital (modalidade com livre acesso societário). Poderá se utilizar em seu nome 
social da “firma”, ou da “denominação”, sempre seguida do ramo empresarial 
e da expressão “Ltda.”. Seu capital social será composto pela somatória dos 
recursos trazidos pelos sócios à empresa, sempre expressos em termos da 
moeda nacional atual. O poder de mando caberá ao sócio que possuir o maior 
número de cotas e as decisões serão tomadas por “assembleias” ou “reuniões”. 
Quanto à responsabilidade social, cada sócio responderá pela integralização do 
‘capital subscrito’ e, solidariamente, pelo ‘capital não integralizado’, respondendo 
a sociedade, como um todo, de forma ilimitada, por todas as obrigações que 
assumir. Por fim, sua dissolução poderá ser ‘total’ ou ‘parcial’ e ocorrerá por 
vontade dos sócios, morte de um, ou mais deles, decurso do prazo estipulado, 
falência e impossibilidade de execução do objeto social proposto.
Já as sociedades institucionais, representam-se pelas:
a. sociedades anônimas: regramentos entabulados na Lei 6.404/76, conhecida 
como “Lei das S.A.”, que traça diretrizes sobre constituição, títulos emitidos, 
classificação das ações, classificação dos acionistas (seus deveres e seus 
direitos), valores mobiliários, órgãos compositivos e formas de dissolução;
b. comanditas por ações: têm como nome social a “firma”, cuja expressão deverá 
ser acompanhada do nome de seu diretor, ou “denominação”, mas tanto num 
caso como noutro, deverá sempre ser acompanhado da expressão “comandita 
por ações”.
As sociedades institucionais (ambas) serão formadas por sociedades empresariais 
e de capital (impessoalidade dos sócios, pois são acionistas), terão seu capital social 
dividido na forma de “ações”, livremente negociadas em bolsa, ou não, sendo chamadas 
de abertas ou fechadas, respectivamente, enquanto a responsabilidade dos sócios 
acionistas ficará sempre limitada à integralização das ‘ações subscritas’.
Esquematicamente, nos dias atuais, as sociedades brasileiras podem ser assim 
representadas:
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Título: Estruturação das espécies societárias no Código Civil de 2002.
Fonte: Elaboração do Autor.
9.2.2. Modificações nas estruturas das sociedades: transformação. incorporação, 
cisão e fusão
Por primeiro, há de se destacar que quaisquer modificações dos contratos sociais 
deverão ser sempre arquivadas e averbadas no Registro Público de Empresas Mercantis 
sob as seguintes condições:
a. com consentimento de todos os sócios: caso tenha como fundamento em um 
dos tópicos elencados na constituição (ou aditamentos) do contrato social;
b. em todas as demais hipóteses: decididas por maioria absoluta de votos, se o 
contrato não determinar a necessidade de deliberação unânime.
Quando houver modificação do contrato social, por ‘fusão’ de sociedades; 
‘incorporação’ de outra, ou dela por outra; ‘transformação’ de um tipo para outro 
societário ou; ‘cisão’ para uma ou mais sociedades, terá o sócio que dissentiu o direito 
de retirar-se da sociedade, nos trinta dias subsequentes à reunião agendada para tanto.
No silêncio do contrato social, o pagamento do valor de sua quota para retirada 
será considerado pelo montante efetivamente realizado, liquidando-se, com base na 
situação apresentada em balanço patrimonial da sociedade na data da resolução. 
Ademais, a referida quota será paga em dinheiro, no prazo de noventa dias, contados 
a partir da liquidação, salvo acordo, ou estipulação contratual em contrário.
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Destaquemos, pois, algumas características das espécies de modificações nas 
estruturas das sociedades a que nos referimos:
a. Transformação: operação pela qual a sociedade passa de um tipo societário 
para outro, sem que ocorra dissolução ou liquidação;
b. Incorporação: operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por 
outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo todas aprová-
la na forma estabelecida para os respectivos tipos societários de cada qual;
c. Fusão: operação pela qual se unem duas ou mais sociedades (fusionadas) para 
formar uma nova (fundida), que lhes sucederá nas obrigações e direitos, ocorrendo 
a extinção das sociedades que se uniram e surgindo uma nova sociedade;
d. Cisão: operação pela qual a sociedade transfere uma parte (parcelas) de seu 
patrimônio para uma ou mais sociedades constituídas (ou já existentes) para 
realizarem finalidades específicas. Extingue-se a companhia cindida, se a cisão 
for total, ou o seu capital social será dividido, proporcionalmente, entre cindida 
e cisionada, se a cisão for parcial.
9.3. Características das sociedades empresariais 
De maneira geral, as sociedades empresariais têm como características básicas a 
formalização de seu contrato, firmado entre duas ou mais pessoas (bilateralidade), além 
da imposição de “averbação” de seu registro, de modo a oficializar seu “nascimento” 
(constituição).
9.3.1. Registro
O registro representa ato essencial e necessário à regularização societária, mediante 
a oficialização e publicidade da formalização junto aos órgãos responsáveis. 
A “averbação” do registro consubstancia-se numa ocorrência legal para que possa 
materializar-se a formalização de seu “nascimento”, ou constituição, seja perante 
o Registro Civil das Pessoas Jurídicas, para as ‘sociedades simples’, ou perante o 
Departamento Nacional de Registro do Comércio, para ‘outras espécies’, ou, ainda, 
nas Juntas Comerciais Estaduais para as ‘sociedades limitadas’.
9.3.2. Outras características das sociedades empresárias 
Algumas outras características das sociedades empresárias podem ser destacadas 
e dizem respeito à(s): 
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a. nomeação empresarial: a apresentação legal do “nome empresarial”, 
preferencialmente exclusivo, fidedigno ao ramo da atividade desempenhada e 
inalienável, que, dependendo da forma assumida, já traz embutida dentro de si 
a responsabilidade dos sócios. Representa-se por meio de firma ou razão social 
e denominação, conforme aponta o art. 1155 do CC;
b. formas de modificação e extinção: modificar ou formalizar a extinção societária 
somente poderá ocorrer sob as condições legais cabíveis para cada espécie, 
por exemplo, obedecer os prazos de sua duração;
c. possibilidade de que o empresário possa gozar da titularidade negocial e 
processual: todo sócio, a princípio, será considerado responsável pelos atos 
emanados das sociedades e de seus representantes legais, inclusive os gerentes, 
que poderão assumir responsabilidades administrativas e judiciais interinamente, 
conforme autorização da pessoa devidamente elencada para tanto e desde que 
assim conste no contrato social. 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
O princípio da autonomia empresarial determina que o patrimônio da pessoa jurídica 
jamais poderá se misturar com o patrimônio das pessoas físicasdos sócios. 
Apenas em casos excepcionais, autorizados por decisão judicial, os patrimônios 
poderão ser unificados para garantia de direitos dos credores. Tal instituto, aplicável 
na seara empresarial, é conhecido como incidente de “Desconsideração da 
Personalidade Jurídica”, ou IDPJ, cujos regramentos encontram-se delineados no 
Código de Processo Civil. 
9.4. Falência e Recuperação Judicial da empresa
Falência representa o procedimento judicial em que se constata que os ativos de 
uma empresa não são suficientes para quitar as dívidas que ela contraiu. Na verdade 
formaliza-se a “quebra” da empresa por ter se tornado, verdadeiramente, insolvente-
inadimplente.
Atualmente, a regulamentação, tanto da Recuperação Judicial, quanto da Falência, 
encontram amparo na Lei 11.101/05 e ‘nova’ Lei da Recuperação, a Lei 14.112/20.
Assim, a Falência poderá ser decretada pela manifestação, em juízo, do próprio 
devedor, de seu cônjuge, ou quaisquer outros herdeiros, ou representantes legais 
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do patrimônio social (inclusive o Inventariante durante o processo de inventário) e, 
preferencialmente, por quaisquer credores da massa falida. 
Comumente, será o não cumprimento do pactuado em procedimento de Recuperação 
Judicial (fase preliminar da falência, autorizada judicialmente, em que se busca a 
manutenção das atividades empresariais por negociações com os credores) que 
ensejará a decretação da Falência, que deverá ser requerida na forma da Lei.
Há de se destacar que algumas atividades e pessoas não estarão sujeitas à 
decretação da Falência. Aponte-se, dentre outras, as seguintes:
a. empresas públicas e sociedade de economia mista;
b. instituições bancárias e financeiras;
c. operadoras de planos de saúde;
d. cooperativas de crédito financeiro;
e. empresas de consórcios;
f. empresas de seguros e previdência complementar.
Processualmente, o local competente para distribuição da ação de Recuperação 
Judicial (em que, eventualmente, tramitará a falência) será o do local em que o devedor 
mantiver suas principais atividades, ou tenha seu principal estabelecimento ou, até 
mesmo, aquele determinado pela lei, tornando-se, este, para efeitos processuais, o 
juízo prevento.
Após a decretação da Falência, eventuais ações judiciais que estejam em andamento 
em face do devedor serão atraídas pelo chamado “juízo universal”, exceto as trabalhistas 
e de natureza fiscal, que terão tramitação normal “até” a liquidação de sentença, quando 
deverão ser habilitadas no juízo da falência como ‘créditos preferenciais’.
A partir do momento da decretação da Falência, ou do deferimento da Recuperação 
Judicial, ocorrerá a suspensão de todas as ações e execuções que tramitam em face 
do devedor pelo prazo de 180 dias (stay period).
9.4.1. Conceito e requisitos da recuperação judicial
A Recuperação’, como forma judicial de se evitar a Falência empresarial, representa-
se pela tomada de medidas que objetivem a reorganização societária, tanto em termos 
de reformulação econômica, como em termos de adaptação administrativa e financeira 
a novos padrões, vez que, nas condições de endividamento em que se encontrava, a 
empresa não conseguiria mais cumprir com seus pagamentos básicos de tributos, 
empregados, fornecedores, credores, etc..
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Neste sentido, a empresa ‘recuperanda’ precisará submeter-se a uma série de atos 
processuais, segundo o rito procedimental estabelecido na legislação civil.
Destaque-se que não existe mais a figura do ‘Síndico’, ora substituída pela do 
“Administrador”, pessoa de confiança do juízo, nomeado pelo Juiz natural (competente) 
e que o auxilia em todo o processo sob sua direta supervisão, preferencialmente 
escolhido dentre advogados, ou pessoas habilitadas e de saber nas áreas contábeis, 
econômicas, de administração empresarial, etc. 
Estes profissionais auxiliares receberão por suas atuações em forma de honorários, 
sempre que elaborarem atos que consolidem informações ao juízo, fiscalizem as 
atitudes dos devedores e credores, ou arrecadem valores afeitos à empresa, tudo em 
prol da recuperação empresarial.
9.4.2. Procedimento da recuperação
São considerados requisitos essenciais para a autorização da Recuperação Judicial, 
dentre outros, (1) que a empresa requerente exerça suas atividades há mais de dois 
anos de forma regular e (2) que não tenha falido e, se o foi, estejam declaradas 
extintas, por sentença transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes.
Além disso, no critério objetivo, a lei exige que a empresa não tenha, há menos de 
cinco anos, obtido outra concessão de recuperação judicial.
Quanto à forma, a Recuperação deverá ser dividida em três fases distintas, segundo 
a lei: postulatória deliberatória e executória. As duas primeiras representam uma 
conexão direta de desígnios, sendo a primeira, caracterizada pela apresentação do 
‘requerimento’ do benefício pela sociedade em crise, enquanto a segunda objetiva a 
discussão e a aprovação do “plano de reorganização”. Ato contínuo, a fase de execução 
formaliza-se por meio da ‘fiscalização do cumprimento do plano’ que foi aprovado nas 
fases antecedentes.
Em relação às decisões que deverão ser tomadas durante o processamento da 
Recuperação, será responsável a Assembleia Geral pelas votações, composta pelos 
credores cujos nomes constam da lista de credores publicada no processo.
O voto de cada credor será proporcional ao valor do seu crédito admitido na 
Recuperação, contudo, a lei os divide em ‘classes’. Assim o art. 41 da Lei 11.101/05:, 
ipsis litteris:
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Art. 41. A assembleia-geral será composta pelas seguintes classes de 
credores: I – titulares de créditos derivados da legislação do trabalho 
ou decorrentes de acidentes de trabalho; II – titulares de créditos com 
garantia real; III – titulares de créditos quirografários, com privilégio 
especial, com privilégio geral ou subordinados. IV - titulares de créditos 
enquadrados como microempresa ou empresa de pequeno porte. 
Título: Fases do pedido de Recuperação Judicial.
Fonte: Elaboração do Autor.
9.4.3. Convolação da Recuperação em Falência
Quando a Recuperação Judicial não for efetivada, ou sequer aceita após sua 
distribuição judicial, o processo se transformará em um “processo de Falência”. 
A convolação ocorrerá quando os credores deliberarem, em aprovação com ‘maioria 
simples’, que a situação de crise econômica, financeira ou patrimonial da sociedade 
devedora, por ser considerada extremamente gravosa, não comporta esforço de 
reorganização. 
Poderá ainda ser convolada quando não houver a apresentação do ‘plano de 
recuperação’, pelo devedor, no prazo de sessenta dias, a contar da data da publicação 
da decisão que deferir o processamento da Recuperação, prazo que, aliás, não poderá 
ser prorrogado.
Por fim, a convolação também ocorrerá, caso já tenha sido apresentado o ‘plano 
de recuperação’, mas a Assembleia dos Credores, o rejeite com base motivada, seja 
porque assim fundamentou tecnicamente, seja porque foi descumprido quanto às 
regras que ali foram estabelecidas.
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ISTO ESTÁ NA REDE
Empresas adaptadas ao Simples Nacional também podem utilizar-se das benesses 
da Recuperação Judicial e da Falência. Assim ocorre com as Microempresas (ME) e 
as Empresas de Pequeno Porte (EPP). Quando a crise atingir uma microempresa ou 
uma empresa de pequeno porte, o procedimento seguirá normas especiais tratadas 
na seção V do capítulo III da Lei 11.101/05 (Plano de Recuperação Simplificado). 
Nele, não será necessário, por exemplo, a criação de ‘Assembleia Geral de Credores’ 
e a aprovação, ou não, do plano ficará a cargo exclusivo do juiz.
9.4.4. Causas da falênciaA Falência poderá ser requerida em função dos chamados “atos de falência”, ou 
em função da “impontualidade no pagamento das obrigações”, em especial, quando o 
devedor, em processos de execução (empresa executada), deixar de pagar, depositar 
ou nomear bens à penhora, em relação às dívidas fixadas nos autos.
Exemplificativamente, os atos de falência ocorrerão quando houver a venda de bens 
da empresa com a utilização de meios fraudulentos, quando retardar pagamentos por 
litigância de má-fé, quando deixar de cumprir as regras estabelecidas na Recuperação, 
dentre outras inúmeras situações.
9.4.5. Procedimento da falência
Após requerida a Falência, o devedor deverá ser citado para, em dez dias, apresentar 
sua defesa, na forma de contestação. Além disso, caso a motivação tenha por 
fundamento a ‘impontualidade’ deverá depositar a quantia devida, acrescida da correção 
monetária, juros e honorários advocatícios, na defesa. 
Por se tratar de uma ação, cujo procedimento apega-se, essencialmente, à justiça civil, 
da declaração que julgá-la procedente, ou seja, decretando-se a falência, caberá agravo, 
mas da decisão que declarar a improcedência do pedido de falência caberá apelação. 
Assim o art. 100 da lei 11.101/05, in verbis: Art. 100. Da decisão que decreta a falência 
cabe agravo, e da sentença que julga a improcedência do pedido cabe apelação.
9.4.6. Efeitos da falência
Dois são os efeitos básicos da decretação da falência. O primeiro deles diz respeito 
à suspensão do exercício de direito de retenção sobre os bens objetos de arrecadação; 
o outro, a vedação ao sócio do direito de retirar-se da composição da sociedade falida.
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Sem prejuízo, o falido deverá prestar informações ao Administrador, apresentando-
lhe os livros obrigatórios, no momento e no local indicado. Além disso, não poderá 
ausentar-se do local em que se processa a Falência, salvo autorização judicial e deverá 
comparecer a todos os atos em que seja indispensável sua presença. 
Resumindo, a partir da decretação, o falido não mais poderá exercer quaisquer 
atividades empresariais enquanto não for novamente habilitado pelo juízo, cabendo-
lhe, apenas, vistoriar e acompanhar os atos realizados pelo Administrador.
9.4.7. Pedido de restituição
O pedido de restituição representa uma prática bastante comum durante o procedimento 
da falência em que terceiros requerem ao juízo a entrega de seus bens, os quais não 
pertencem ao devedor, mas estavam em seu poder na data da decretação da ‘quebra’.
O pedido deverá ser devidamente instruído com documentos aptos e será autuado 
‘em separado’ ao processo principal da Falência. A partir do despacho que reconhecer 
seu recebimento, será aberto prazo de cinco dias para que se manifestem os credores 
e o Administrador sobre tal requisição. 
Da sentença que julgar o pedido caberá apelação, nos moldes do art. 90 da Lei 
11.101/05, in verbis:
Art. 90. Da sentença que julgar o pedido de restituição caberá 
apelação sem efeito suspensivo. Parágrafo único. O autor do pedido 
de restituição que pretender receber o bem ou a quantia reclamada 
antes do trânsito em julgado da sentença prestará caução.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Em 2021 entrou em vigor a Lei 14.112/20, que reformulou a antiga Lei de 
Recuperação Judicial e Falências - Lei 11.101/2005. A lei manteve a condição 
de não permitir que algumas sociedades ou empresas requeiram a recuperação 
judicial. São exemplos: empresas públicas e sociedades de economia mista; 
instituições financeiras públicas ou privadas; cooperativas de crédito, consórcios, 
entidades de previdência complementar; sociedades operadoras de planos de 
assistência à saúde, sociedades seguradoras, sociedades de capitalização e outras 
entidades legalmente equiparadas às anteriores.
Acesse a legislação:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14112.htm
Acessadas em 24/10/23.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11101.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14112.htm
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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CAPÍTULO 10
NOÇÕES BÁSICAS DE 
DIREITO CONSTITUCIONAL
10.1. Conceito e objeto de uma Constituição
O professor Manoel Gonçalves Ferreira Filho traça no início de sua obra referenciada 
o conceito de “Constituição Total”, conforme ele próprio delineia:
Aplicado ao Estado, o termo “Constituição” em sua acepção geral pode 
designar a sua organização fundamental total, quer social, quer política, 
quer jurídica, quer econômica. E na verdade tem ele sido empregado 
– às vezes – para nomear a integração de todos esses aspectos – a 
Constituição total ou integral. Grifamos. (FERREIRA FILHO, 1999, pág. 
11).
Dito isso, fica claro que a “Constituição”, em sua acepção plena, não poderá ser 
entendida de forma desvinculada de toda a sistemática social. 
O próprio professor, mais adiante, arremata suas colocações preliminares e aborda a 
questão da necessidade de que a Constituição deva ser entendida sob uma ‘concepção 
jurídica’, concatenada a uma ‘concepção filosófica’, passando a formalizá-la sob os 
parâmetros do Direito Constitucional contemporâneo, nos seguintes termos:
(...) sistema de normas jurídicas, escritas ou costumeiras, que regula 
a forma do Estado, a forma de seu governo, o modo de aquisição e 
o exercício do poder, o estabelecimento de seus órgãos, os limites 
de sua ação, os direitos fundamentais do homem e as respectivas 
garantias. Em síntese, a Constituição é o conjunto de normas que 
organiza os elementos constitutivos do Estado. Grifamos. (FERREIRA 
FILHO, 1999, pág. 38).
Em termos jurídicos, pode-se afirmar que a Constituição formata um conjunto de 
regras que organiza os elementos constitutivos do Estado, envolvendo e entabulando 
direitos e garantias (às vezes utópicos), valorados pelos desígnios sociais em dado 
espaço e tempo.
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Aliás, esta abordagem sistemática reconhece ‘fatores históricos’ na feitura das 
Constituições, vez que passam a conter elementos cujas estruturas institucionais 
determinantes e regulamentadoras da ordem jurídica e política estabeleceram-se em 
períodos de tempo e em locais específicos, que lhes imprime um caráter acentuadamente 
objetivo.
Título: Constituição da República Federativa do Brasil promulgada em 1988 ao lado da Bandeira Nacional.
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/63/Bandeira_do_Brasil_Constiti%C3%A7%C3%A3o_do_Brasil.JPG/800px-Bandeira_do_Brasil_
Constiti%C3%A7%C3%A3o_do_Brasil.JPG
Historicamente, há de se destacar que o constitucionalismo moderno surgiu em meio 
às mudanças advindas das Revoluções Inglesa, Francesa e Norte Americana a partir 
do século XVII, na Europa, decorrência do crescimento da ‘burguesia’ e adensamento 
das cidades, o que, aliás, teria intensificado, grandemente, a influência econômica nas 
diretrizes elencadas nas Constituições modernas.
Neste contexto, mais adiante, se apresentaria o “Estado Social” (início do Século XX), 
intensificando-se a produção de instrumentos normativos pautados na proteção do 
cidadão. Destaquem-se as Constituições, ‘Mexicana’ de 1.917 e de ‘Weimar’ de 1.919, 
ambas codificadas em documentos ‘formais’ e ‘escritos’, com cunho de acentuada 
tutela social. 
Determinante ainda se destacar que, em termos históricos, a Segunda Guerra Mundial 
faz surgir a tendência do chamado neoconstitucionalismo, representado inicialmente na 
Constituição Italiana de 1947 e na Constituição alemã de 1949, que deram início a um 
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/63/Bandeira_do_Brasil_Constiti%C3%A7%C3%A3o_do_Brasil.JPG/800px-Bandeira_do_Brasil_Constiti%C3%A7%C3%A3o_do_Brasil.JPG
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/63/Bandeira_do_Brasil_Constiti%C3%A7%C3%A3o_do_Brasil.JPG/800px-Bandeira_do_Brasil_Constiti%C3%A7%C3%A3o_do_Brasil.JPGINTRODUÇÃO AO DIREITO
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novo modelo de compreensão das necessidades sociais e de interpretação do Direito 
Constitucional, vez que fundamentadas em regras essenciais à sociedade, ou seja, 
em regras que só poderiam ter validade quando advindas das diretrizes entabuladas 
numa verdadeira Constituição, preferencialmente, positivada. 
Do ponto de vista filosófico, o neoconstitucionalismo passou a representar a superação 
de posições adotadas pelos ‘jusnaturalistas’ e pelo ‘positivismo arcaico’ do século XIX, 
passando a exigir do Direito Constitucional que se concentrasse na ‘previsão e garantia 
dos direitos dos cidadãos’, individualmente tutelados, ou em coletividade, alcançando 
as nuances evolutivas da chamada Teoria das Gerações de Direitos Fundamentais, 
que, aliás, foram aplicadas à CF/88 (e daí o ‘apelido’ de Constituição Cidadã).
Assim, aliás, arremata o professor Pedro Lenza, in verbis:
O texto de 1988, por sua vez, muito embora já tivesse sido insinuado 
nos textos de 1946 e na Carta de 1967, consagra a proteção aos 
direitos de terceira geração ou dimensão, marcados pelo lema 
da solidariedade ou fraternidade, evidenciando, assim, os direitos 
transindividuais. (LENZA, 2012, pág. 54).
ANOTE ISSO
A Magna Carta Libertatum do ano de 1215, ficou conhecida por formalizar traços 
mais ‘objetivos’ para o ‘constitucionalismo inglês’, vez que era considerada como 
um verdadeiro esboço de “Constituição” ao estabelecer limitações ao poder do Rei 
e fundamentar a garantia ao direito de propriedade da burguesia. Tal instrumento 
normativo, aliás, ensejaria, após a Revolução Inglesa de 1688, a implementação de 
diversas prerrogativas aos parlamentares, formalizando instrumentos subsequentes 
que ficariam consubstanciados num só elemento conhecido como Bill of Rights, ou 
a “Carta de Direitos”, ainda que, desafortunadamente, estivesse, por ora, direcionada 
em grande monta à tutela de uma classe específica: a burguesia europeia.
10.2. Conceito e objetividades do Direito Constitucional Moderno
Como já apontado em capítulo anterior, o Direito Constitucional configura-se como 
um ramo do direito público, de natureza fundamental e que aborda, objetivamente, 
a organização e funcionamento do Estado, seus elementos primários, além do 
estabelecimento de bases para toda a estrutura política necessária à concessão e 
contenção do poder.
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Na sistemática de decomposição do Direito em ramos, ainda que considerado uno 
em termos de aplicabilidade, há de se destacar que o Direito Constitucional supera em 
importância todos os demais ramos jurídicos, vez que, pautando-se na Constituição, 
contém em si o chamado dogma da completude, pois comporta em seu conteúdo 
orientações direcionadoras para todos os demais ramos jurídicos.
Apesar disso, segundo aponta o próprio Direito Constitucional, as normas constantes 
da atual Constituição Federal, por vezes podem ser implementadas na prática e por 
vezes não, já que levam em seu bojo características como o: (1) programatismo: as 
metas são estabelecidas, mas muitas vezes não se consegue implementá-las, já 
que, praticamente, inalcançáveis por questões políticas; (2) dirigismo estatal: o texto 
constitucional fixa regras para que se possa dirigir as ações governamentais, que 
podem não acontecer por diversas questões).
Apesar disso, a estas características o professor Lenza conecta a condição do 
chamado “constitucionalismo do futuro”, correlacionando as diretrizes e valores da 
CF/88 com os valores do “por vir”, como a ‘participação’, o ‘consenso’, a ‘integração’, 
a ‘universalização’, dentre outros. Assim pontua:
O constitucionalismo do futuro, sem dúvida terá de consolidar os 
chamados direitos humanos de terceira geração, incorporando à 
ideia de constitucionalismo social os valores do constitucionalismo 
fraternal e de solidariedade, avançando e estabelecendo um 
equilíbrio entre o constitucionalismo moderno e alguns excessos do 
contemporâneo. (LENZA, 2012, pág. 60).
10.3. Classificação das Constituições
Dois grandes campos de pensamentos podem fundamentar as diretrizes 
constitucionais, um dos chamados positivistas e outro dos naturalistas.
 O entendimento dos chamados “positivistas”, defendem a postura de que as 
Constituições devam ser entabuladas como poder de direito, ou seja, documentos 
presentes no ordenamento jurídico com as características do rigor formal e da escrita, 
sob pena de carecerem de validade e eficiência.
Já os chamados “naturalistas”, aceitam a possibilidade de que as Constituições 
estejam permeadas de conceitos de fato, com direitos intrínsecos aos cidadãos, ou 
seja, pautadas em algo acima do ordenamento codificado, como decorrentes de leis 
superiores, que não precisariam estar no conjunto normativo para situarem o homem 
como centro de todo o Direito.
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A atual Constituição Federal Brasileira, promulgada em outubro de 1988, fundamenta-
se sob a somatória das diretrizes destes dois pensamentos e dentre as classificações 
existentes, as mais recorrentes na atualidade podem ser sistematizadas segundo os 
parâmetros a seguir apresentados.
10.3.1. Classificação quanto à forma de apresentação: escritas e não escritas
As Constituições, segundo sua “forma de apresentação”, podem ser enquadradas 
de duas maneiras distintas:
a. não escritas;
b. escritas. 
As Constituições não escritas, chamadas também de costumeiras, ou consuetudinárias, 
geralmente não são codificadas num documento único, pelo contrário, via de regra, 
baseiam-se nos costumes, jurisprudências, convocações, ou textos esparsos, que 
foram se consolidando numa ideia mais ampla com o passar do tempo.
Estas fontes, aliás, podem se fundamentar em textos que nem sequer sejam 
expressamente apresentados e cuja produção remonte a séculos de história. O 
melhor exemplo de Constituição não-escrita ainda recai sobre a Constituição Inglesa, 
fundamentada em vários documentos dispersos, somados aos costumes arraigados 
pelos cidadãos. 
Já as Constituições escritas, também chamadas de sistematizadas, ou expressas, 
são compostas por um conjunto de regras codificadas, geralmente entabuladas num 
documento único, caracterizando-se, na modernidade, pela aplicação em sociedades 
evoluídas politicamente e com alto escalão jurídico.
10.3.2. Classificação quanto à forma de elaboração: dogmáticas e históricas
Outra análise das Constituições pode ser feita em relação à ‘forma de sua elaboração’, 
dividindo-as sob duas formulações:
a. dogmáticas;
b. históricas. 
Basicamente, esta divisão observa dois paradigmas: (1) o órgão constituinte e (2) 
o tempo de sua concepção.
Justamente por isso, as Constituições dogmáticas, via de regra, serão escritas, já que 
a fundamentação de sua teoria política será sistematizada por um órgão constituinte, 
que tomará por base os princípios políticos, sociais e jurídicos vigentes no momento 
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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de sua elaboração. Neste sentido, a atual Constituição do Brasil pode ser considerada 
dogmática. 
Já as Constituições históricas representam-se como frutos de uma concepção 
lenta, contínua e gradual dos mais diversos fatores que compõem a história de um 
determinado grupo social. Caracterizam-se, via de regra, pelas tradições e modos de 
agir, que vão se adaptando à estrutura social dos agrupamentos humanos. Destaque-
se que a atual Constituição dos Estados Unidos pode ser considerada histórica.
Constituições dogmáticas, portanto, podem ser consideradas muito mais realistas 
em termos de seus desígnios, já que, além de representar de forma momentânea a 
realidade sistematizada, mostra para a sociedade quais seriam as dimensões política, 
cultural, social, filosófica, antropológica, etc, almejadas.10.3.3. Classificação quanto à forma de criação: promulgadas e outorgadas
Em relação à ‘forma como foram produzidas’, ou seja, como ocorreu a gênese da 
positivação constitucional, poderão ser divididas em:
a. promulgadas;
b. outorgadas.
As Constituições promulgadas, também chamadas de democráticas, ou populares, 
representam aquelas submetidas a votação e escrutínio popular. Representam-se, pois, 
por documentos produzidos por um órgão coletivo, composto por representantes do 
povo e do Estado, que reunidos em ‘Assembleia Nacional Constituinte’ criam-nas pelo 
chamado “Poder Constituinte Originário”. 
Nesta ocasião, deputados e senadores reunidos numa formação conjunta e 
específica (assemelhada à ideia de Congresso Nacional, que representa a soma das 
duas casas legislativas federais) elaboraram a nova Constituição, estabelecendo seus 
fundamentos e objetivos. 
Acrescente-se que as Constituições brasileiras de 1891, 1934, 1946 e a atual de 
1988 são exemplos de modelos promulgados.
Já as Constituições outorgadas representam aquelas que foram elaboradas sem 
a participação do povo e impostas por governantes (ou ditadores), sem submetê-las 
a um processo democrático na escolha, sequer, dos Constituintes.
Levam o nome de “Cartas” Constitucionais e o Brasil já se submeteu a documentos 
outorgados nos anos de 1824 (D. Pedro I), 1937 (Getúlio Vargas), 1967 (Regime Militar) 
e 1969 (Junta Militar).
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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10.3.4. Classificação quanto à sua alterabilidade: rígidas, flexíveis e semirrígidas
Segundo sua mutabilidade, ou seja, a forma com que podem ser alteradas e o grau 
de dificuldades e imposições para que isso possa acontecer, as Constituições podem 
ser enquadradas sob três formas distintas:
a. rígidas;
b. flexíveis;
c. semirrígidas. 
As Constituições rígidas, também chamadas de inalteráveis, ou de “núcleo duro”, 
para que possam ser modificadas, necessitarão ser submetidas a processos solenes 
e sob exigências formais especiais. Tais procedimentos, muito mais complexos que 
aqueles aplicáveis à legislação ordinária, torna a alteração constitucional bastante 
difícil de ocorrer.
A Constituição Brasileira de 1988 é um exemplo de Constituição rígida, já que tem 
quórum privilegiado de emenda, 3/5 dos membros, em dois turnos, das duas casas do 
Congresso Nacional, para sua aprovação (ART. 60, §2º da CF/88). Acrescente-se que 
a Constituição norte-americana também formaliza um modelo de constituição rígida.
As Constituições flexíveis, também chamadas de não-rígidas, ou plásticas, 
representam aquelas que podem ser alteradas por procedimento comum, o mesmo 
utilizado para as leis ordinárias e, portanto, poderão ser aprovadas por maioria simples 
(art. 47 da CF/88).
Por fim, as Constituições semirrígidas, pouco utilizadas hoje em dia, contêm uma 
parte rígida e outra com certa alterabilidade, como já se apresentava a Constituição do 
Império de 1824, ao prever em seu art. 178, que a modificação das regras materialmente 
constitucionais deveria ocorrer por procedimento especial, enquanto as modificações 
das regras formalmente constitucionais poderiam ocorrer por procedimento comum.
10.3.5. Classificação quanto à extensão: sintéticas e analíticas
Segundo ao seu tamanho, as Constituições podem ser analisadas, em relação à 
extensão, sob duas formas distintas: 
a. sintéticas;
b. analíticas.
As Constituições sintéticas, também chamadas de concisas contêm reduzido 
número de artigos, vez que apresentam apenas os princípios e as normas gerais 
referentes à estrutura do Estado, ou seja, seus artigos são dispostos de forma resumida, 
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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com conteúdo constitucional ‘material’, em regra, justamente como acontece com a 
Constituição dos Estados Unidos, que possui apenas trinta e quatro artigos, sete do 
texto originário e vinte e sete de emendas constitucionais.
Já as Constituições analíticas, também chamadas de prolixas, caracterizam-se 
pelo extenso e minucioso conteúdo dos artigos, possuindo normas constitucionais 
‘materiais e formais’, regulamentando diversos assuntos que digam respeito à formação, 
funcionamento e destinação do Estado, como por exemplo o direito ao meio ambiente, 
dos índios, da família, da seguridade social, etc., justamente como acontece com 
nossa atual Constituição.
Topologicamente, a atual Constituição Federal conta, até outubro de 2023, com 
250 artigos em sua parte permanente e mais 123 artigos na parte transitória (Ato das 
Disposições Constitucionais Transitórias), totalizando 373 artigos. Além disso, conta 
até esta mesma data com 131 emendas constitucionais.
ISTO ESTÁ NA REDE
História das Constituições. Além das formas tradicionais de se classificar uma 
Constituição, a doutrina ainda utiliza uma outra para especificar aquelas que não 
podem ser alteradas: são as denominadas Constituições imutáveis, que somente 
poderão ser completamente substituídas com a feitura de uma nova, por meio 
de um novo Poder Constituinte, formalizadas em sua integralidade. Existem ainda 
as Constituições super-rígidas, que além de exigirem um procedimento mais 
complexo para sua alteração possuem partes imutáveis pelo legislador ordinário, 
ou seja, funcionam como cláusulas pétreas, exatamente como ocorre com nossa 
atual Constituição. Para aprofundamento de seu estudo sobre as modernas 
classificações das Constituições assista ao vídeo a seguir.
https://www.youtube.com/watch?v=w32l54DgwqE
10.4. Poder Constituinte Originário e Poder Constituinte Derivado
A discussão entre as formas do Poder Constituinte encontra guarida na assertiva de 
que não podemos simplesmente elaborar uma Constituição sem conceber um poder. 
Assim sendo, o Poder Constituinte representa o poder criado para elaborar, modificar 
ou complementar a Constituição, além de se fundamentar como um ‘poder político’.
Segundo o moderno Direito Constitucional, exige-se que o Poder Constituinte atue 
em dois momentos bastante objetivos, em função dos fatos ocorridos: em forma 
de (1) Poder Constituinte Originário, ou fundacional e como (2) Poder Constituinte 
https://www.youtube.com/watch?v=w32l54DgwqE
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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Derivado, ou decorrente, que se caracteriza pelo poder responsável por executar as 
mudanças e reformas no texto constitucional já vigente, desdobrando-se em poder 
de revisão (revisor) e poder de emenda (reformador).
O Poder Constituinte Originário, conhecido como poder genuíno, representa-se como 
aquele inaugural em termos de diretrizes básicas do Estado, ou seja, constitui o poder 
capacitado a elaborar uma nova Constituição, formulando a ordem jurídica e política 
do Estado, seja iniciando as diretrizes para a formação de um novo regramento, seja 
rompendo com a ordem constitucional anterior.
A doutrina costuma apontá-lo como um ‘poder autônomo’, já que tira fundamento 
de si próprio, não se alicerçando em nenhum outro, ou subordinando-se a qualquer 
limite material, nem formal, de diretriz precedente, vez que será ele quem deliberará 
sobre a maneira de se tornar efetivo. 
E assim, ao não encontrar limites no Direito já positivado e por não dever-lhe 
obediência, também pode ser caracterizado como ‘soberano’ e ‘ilimitado’, haja vista 
que não se encontra condicionado às diretrizes normativas anteriores.
Em relação ao Poder Constituinte Derivado, ao contrário do Originário, que é 
considerado ilimitado e autônomo, o decorrente não deixa de existir quando cumprida 
a função de criação da Constituição, ou seja, fica dormente, até que sua necessidade 
seja acionada pelo Estado.
Já dissemos anteriormente que a própria doutrina o divide em duas subespécies:
a. poder de revisão (revisor, mas a CF/88 só autorizou a utilização do mecanismo 
revisional uma única vez, decorridos cinco anos da sua promulgação);
b. poder de emenda (reformador,que poderá ocorrer a qualquer tempo, desde que 
obedecidos os limites constitucionais constantes do art. 60, §4º da CF/88). 
Como fonte limitadora do poder reformador, o art. 60 da atual Constituição, formalizou 
as chamadas cláusulas pétreas, reconhecendo que os direitos fundamentais e seus 
instrumentos de garantia, ficarão impedidos de revisão pelo legislador ordinário, 
aceitando apenas reforma por meio do Poder Constituinte Derivado.
ANOTE ISSO
A origem da doutrina constitucional apega-se à formação do Poder Constituinte, 
que por sua vez remonta à Antiguidade. Há mais de vinte séculos, na Grécia Antiga, 
destacaram-se as chamadas “Lei de Licurgo”, em Esparta e as “Leis de Drácon e 
Sólon”, em Atenas, ambas procurando disciplinar a vida dos cidadãos. Nesta época 
tais leis já tinham especial destaque em relação às demais e possuíam hierarquia 
superior em relação aos atos normativos comuns.
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10.5. Componentes do Estado Federal Brasileiro: União, Estados, Municípios, 
Distrito Federal e Territórios Federais
Já vimos anteriormente que o “Estado Nacional” será representado pela Pessoa 
Jurídica de Direito Público que, organizado política e administrativamente compõe-se 
de uma “população” (povo), assentada num “espaço geográfico delimitado” (território) 
e comandada por um “governo autônomo e soberano” (soberania) em suas decisões, 
que objetiva o interesse público e o bem comum de seus cidadãos.
O Estado brasileiro, portanto, representa-se por meio de seu “Estado Nacional” 
(Federação), caracterizada pela união indissolúvel de coletividades públicas (Estados 
Membros, Municípios, Distrito Federal e Territórios (não existentes no momento)) dotadas 
de autonomia político-constitucional (autonomias federativas), como expressões do 
Direito Constitucional.
Assim, existe no Estado brasileiro uma repartição constitucional de competências e, 
portanto, várias unidades políticas em que cada uma delas exerce suas funções típicas.
Assim fazendo, o Brasil assumiu a forma de um Estado Federativo em 1889, com a 
Proclamação da República, condição que passou a constar já da primeira Constituição 
que lhe foi posterior, a de 1891.
 Desta forma, a União representa a soberania nacional, com capacidade política 
para atuar em nome da República, seja interna, ou externamente (perante Estados 
Estrangeiros) na garantia de direitos e obrigações dos cidadãos. Tem seu Poder 
Legislativo representado pelo Congresso Nacional, composto pela ‘Câmara dos 
Deputados’ (Deputados Federais - representantes do “povo”, = cidadãos de cada Estado 
que os elegeram) e pelo ‘Senado Federal’ (Senadores da República - representantes dos 
“Estados” que os elegeram). O Poder Executivo, fundado nos desígnios do Presidente 
e Vice-Presidente da República. O Poder Judiciário será composto, com toda sua 
complexidade, em Justiça Federal e Justiça Especializada Federal (Justiça do Trabalho, 
Justiça Militar, etc.), conforme os art. 101 a 124 da CF/88.
Já os Estados Federados representam os entes detentores de autonomia e não 
soberania, já que em sua administração política e administrativa submetem-se às 
regras emanadas da União Federal, ainda que possa haver momentos em que existirá 
competência ‘exclusiva’ de atribuições a estes Estados Membros.
Seu Legislativo será composto pela ‘Assembleia Legislativa Estadual’, representada 
pelos Deputados Estaduais, que variam em número de elementos em função do número 
de eleitores de cada Estado. 
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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O Poder Executivo faz-se representar pelo Governador e Vice Governador do Estado 
e seu Poder Judiciário representa-se de forma residual em relação aos limites de 
competência das Justiças Especializadas Federais, conforme os art. 125 e 126 da 
CF/88 (Justiça Comum (Cível e Criminal)).
Por fim, os Municípios (e à sua semelhança o Distrito Federal), também representam 
entes políticos detentores de autonomia. Não possuem Constituição, mas elaboram 
suas ‘Leis Orgânicas Municipais’ e ‘Lei Orgânica Distrital’, respectivamente. 
O Poder Legislativo dos Municípios será representado pelos Vereadores que 
exercerão seus poderes nas respectivas ‘Câmaras Municipais’. O número de Vereadores 
dependerá da população municipal, conforme aponta o art. 29, inciso IV da CF/88. 
Já no Distrito Federal, a função legislativa será exercida pelos Deputados Distritais 
na ‘Câmara Legislativa’. 
O Poder Executivo será exercido pelo Prefeito e seu Vice, mas em se tratando do 
Distrito Federal será o Governador e seu Vice que representarão o Poder Executivo. 
Por fim, destaque-se que não existe Poder Judiciário em nível municipal e distrital.
Em relação aos Territórios Federais, atualmente representam apenas uma 
possibilidade jurídica, vez que o art. 15 do ADCT da CF/88 extinguiu os últimos 
existentes, podendo, todavia, sejam criados outros a qualquer momento, desde que 
fundamentados no princípio da autonomia administrativa, mas não política.
,
Título: Vista aérea da Praça dos Três Poderes e Esplanada do Ministérios em Brasília/Brasil.
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cf/Fotos_produzidas_pelo_Senado_%2836736219051%29.jpg/1024px-Fotos_produzidas_pelo_
Senado_%2836736219051%29.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cf/Fotos_produzidas_pelo_Senado_%2836736219051%29.jpg/1024px-Fotos_produzidas_pelo_Senado_%2836736219051%29.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cf/Fotos_produzidas_pelo_Senado_%2836736219051%29.jpg/1024px-Fotos_produzidas_pelo_Senado_%2836736219051%29.jpg
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CAPÍTULO 11
NOÇÕES BÁSICAS DE 
DIREITO ADMINISTRATIVO
11.1. Origem, conceito e objeto do Direito Administrativo
O Direito Administrativo, como um dos ramos do direito público, funciona como o 
regrador de toda a Administração Pública, baseado nos princípios constitucionais, 
essencialmente consagrados na CF/88 - legalidade, moralidade, publicidade, etc. - 
mas, em especial, sob dois outros que lhe são fundantes e que transmitem suas 
diretrizes básicas: o do interesse público (tanto o primário como o secundário) e o 
da supremacia da Admiistração.
O professor Helly Lopes Meirelles conceitua o “Direito Administrativo” nos seguintes 
termos: 
O Direito Administrativo representa o conjunto harmônico de 
princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes, e as atividades 
públicas tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente os 
fins desejados pelo Estado. Grifamos. (MEIRELLES, 2004, pág. 40).
Atualmente, o Direito Administrativo formata-se como um ramo autônomo, mas 
antigamente, confundia-se com o Direito Civil, que até hoje mantém-se, essencialmente, 
‘patrimonialista’ e que atua com base na autonomia da vontade das partes, ou seja, 
ainda persiste certa afinidade de interesses entre ambos os ramos. 
Mas foi a partir do séc. XVIII, na França, que o Direito Administrativo passou a 
insculpir-se com diretrizes próprias e especializadas, passando a funcionar como um 
paradigma para regimes democráticos e republicanos que despontavam, sujeitando, 
a partir daí, não somente o povo, mas também o Estado, às regras que ele próprio 
produzia.
Acerca da hermenêutica jurídica, tema que já tratamos anteriormente, diferenciando-
se a ‘interpretação’ da ‘integração’ das normas administrativas, especificamente, quando 
analisadas sob o olhar do ‘Direito Administrativo’, há de se ponderar alguns diferenciais, 
a seguir destacados:
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a. os ‘atos administrativos’ e os ‘atos da Administração’, desde sua origem, já têm 
em si a presunção de legitimidade, exceto se o contrário for-lhes provado;
b. o interesse público deverá prevalecer sobre o interesse privado, garantidos os 
direitos individuaisdos cidadãos;
c. a Administração Pública por, presumidamente, agir no interesse público, observados 
os parâmetros da lei, poderá atuar com certa margem de discricionariedade 
(oportunidade e conveniência) em suas tomadas de decisões.
No mais, todas as fontes normativas do Direito Administrativo continuam se 
balizando pelas regras gerais de Direito, aliás, elencadas no próprio Código Civil e na 
Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, ou seja, as ‘regras administrativas’ 
também se manifestam, essencialmente, sob a forma de fontes heterônomas; sejam 
elas parlamentares, judiciais, ou internacionais.
11.2. Administração Pública
Basicamente, a Administração Pública realiza seus atos por meio das pessoas 
consagradas, diferentemente, pela legislação civil. Assim, ora atua por meio das 
‘Pessoas Jurídicas de Direito Público’ (regra), formalizando os chamados “atos da 
Administração”, ora atua por meio das ‘Pessoas Jurídicas de Direito Privado’ (exceção), 
que investidas das funções públicas atuam por meio de permissões, concessões ou 
autorizações para a realização de ‘serviços públicos’; nestes casos, formalizando os 
chamados “atos administrativos”.
Noutro sentido, a estrutura do Estado, formada pela empresas ligadas a ele é ‘una’, 
centralizada nas mãos do Poder Público, ainda que existam contornos diferenciadores 
no que tange às suas formas de atuação. 
Assim, essencialmente, os atos de execução do interesse público serão concretizados 
por órgãos da Administração Pública, ainda que subdivididos de forma direta, ou 
indireta, numa relação pautada em termos de sua maior, ou menor, proximidade com 
a figura do próprio Estado.
11.2.1. Administração Pública e Governo
Não se confundem os termos que compõem a estrutura do Estado. O Governo 
representa aquele que define as atribuições políticas a serem seguidas, sempre 
mediante atos de sua “soberania”, ou “autonomia”, tendo sempre como referencial 
direto o interesse público. Já a Administração Pública representa-se por meio de 
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órgãos que gerenciam os atos de execução e concretização das diretrizes políticas 
tomadas pelo Governo.
A Administração Pública, portanto, conceituada como o “gênero” (vide figura a seguir) 
abarca dentre de si as “espécies” compostas por pessoas jurídicas de direito público e 
de privado, criadas com a finalidade precípua de prestar serviços públicos à coletividade. 
Diz-se, portanto, que os serviços essenciais serão prestados diretamente pelas 
pessoas públicas, enquanto os serviços de utilidade pública poderão ser prestados, 
indiretamente, pelas pessoas privadas, sempre investidas da função pública.
11.2.2. Administração direta e indireta
Quando os serviços forem prestados de forma centralizada e desconcentrada 
a Administração Pública é que assumirá a responsabilidade direta da execução, 
inexistindo a possibilidade de transferência ao particular. Nestas situações, diz-se que 
executará suas funções típicas, consubstanciando-se, em sua plenitude, a nomeada 
Administração Pública Direta.
Título: A Receita Federal do Brasil como órgão da Administração Direta.
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/99/Ag%C3%AAncia_da_Receita_Federal_de_Sousa_%28PB%29.jpg/800px-Ag%C3%AAncia_da_
Receita_Federal_de_Sousa_%28PB%29.jpg
Noutro sentido, se a Administração for composta por pessoas jurídicas de direito 
“público” ou de capital “privado”, com personalidades jurídicas próprias, criadas por 
lei e com finalidades específicas, exercendo funções atípicas do Estado, formata-se 
a chamada Administração Pública Indireta. 
Aliás, quando estas atividades forem transferidas a terceiros (particulares), que 
realizam, por exemplo, atividades econômicas em prol de toda a sociedade, exatamente 
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/99/Ag%C3%AAncia_da_Receita_Federal_de_Sousa_%28PB%29.jpg/800px-Ag%C3%AAncia_da_Receita_Federal_de_Sousa_%28PB%29.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/99/Ag%C3%AAncia_da_Receita_Federal_de_Sousa_%28PB%29.jpg/800px-Ag%C3%AAncia_da_Receita_Federal_de_Sousa_%28PB%29.jpg
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como se públicos fossem, haverá mera transferência estrutural, já que a responsabilidade 
continuará sendo sempre da pessoa jurídica de direito público à qual se vinculou.
Título: Estrutura base da Administração Pública.
Fonte: Elaboração do Autor.
11.2.2.1. Desconcentração e Descentralização
A desconcentração, ao contrário da descentralização, mantém a condição de atuação 
direta do próprio Estado, com exclusividade, na busca do bem comum, ainda que não 
se possa confundir com a administração centralizada do Poder Público.
 A desconcentração da Administração, via representação indireta, autoriza, apenas, a 
formalização do agir por outros órgãos públicos (pessoas jurídicas de direito público), 
ou seja, quanto à transferência da execução das funções típicas do Estado. Também 
não se pode confundir com o particular que não seja considerado concessionário 
de um serviço público, já que nestas condições, ainda que privado, estaria autorizado 
pelo Estado a exercer a função pública.
Na verdade, o que ocorre, nada mais é que a transferência da competência de 
Autoridade superior para Autoridade de grau inferior, sem que essa transferência seja 
possível de ocorrer ao particular que age no interesse privado (puro). Exemplificativamente, 
ocorrerá quando o Ministério da Educação assume em seu nome a responsabilidade 
de executar os atos de competência da União.
Destaque-se, portanto, que a responsabilidade será da pessoa jurídica de direito 
público (no caso do exemplo, da União) e não de seus órgãos que lhe são meras 
subdivisões estruturais (no caso exemplificado, o Ministério da Educação). 
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Ao contrário, na descentralização a entidade pública transfere os serviços para 
outra unidade autônoma para que exerçam os serviços sob controle administrativo 
ou de tutela.
Estes órgãos da Administração “Indireta” assumirão os serviços públicos, que serão 
realizados por meio de autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades 
de economia mista, passando a atuar “ao lado” do Estado.
Aliás, já destacamos alhures que no caso de instituições privadas, que não 
representam, objetivamente, a Administração, poderão estes participar, de forma 
cooperativa, em situações peculiares como concessionárias, permissionárias e 
autorizatárias de serviços públicos.
Resumindo, a centralização do poder do Estado e a execução de suas funções essenciais, 
não se confunde com a descentralização e a desconcentração na realização do interesse 
público, de modo que na descentralização, a entidade transferirá serviços públicos para 
outras entidades autônomas, enquanto na desconcentração a entidade pública distribuirá 
serviços entre seus próprios ‘departamentos,’ ou seja, seus ‘órgãos subalternos’.
11.2.2.2. Fundações públicas, autarquias, sociedades de economia mista e 
empresas públicas
Pode-se afirmar que a Administração Pública Indireta compõe-se de autarquias, 
fundações “públicas”, sociedades de economia mista e empresas públicas, aliás, estas 
duas últimas, comporão um grupo denominado por “entidades paraestatais”. Vejamos, 
brevemente, algumas de suas peculiaridades:
a. autarquia: entidade de direito público com personalidade jurídica e patrimônio 
próprios, que objetiva a execução de atividades de interesse direto (destacadas) 
da Administração Direta. Representa o próprio “braço” do Estado e apesar de 
responder diretamente por seus atos, o Poder que a criou poderá assumir a 
responsabilidade, de forma subsidiária, em casos de sua inadimplência, ou 
até mesmo de extinção da própria autarquia. Exemplo: Instituto Nacional de 
Seguridade Social - INSS. Assim o art. 5º do Decreto Lei200/67, inciso I, in 
verbis: Art. 5º. Para os fins desta lei, considera-se: I - Autarquia - o serviço 
autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, 
para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para 
seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. 
Grifamos.
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b. fundação pública: pessoa jurídica composta por patrimônio personalizado e 
destacado de seu fundador, direcionada a finalidade específica e dirigida por 
Administradores ou Curadores, admitidos em conformidade com seus Estatutos. 
Será sempre criada por lei, mas autoriza-se sua criação por escritura pública, 
desde que haja autorização expressa para tanto. Em regra, possuem destinação 
a fins culturais, científicos, artísticos, literários, ou de tutela transindividual. 
Exemplo: Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente de SP 
- Fundação Casa. A doutrina admite, ainda, a criação das chamadas “autarquias 
fundacionais”,ou “fundações governamentais”, que apesar da personalidade 
jurídica de direito público estariam sujeitas ao controle administrativo de 
particulares e do Estado, simultaneamente (Fundação Padre Anchieta). Assim 
o art. 5º do Decreto Lei 200/67, inciso IV, in verbis: Art. 5º. Para os fins desta 
lei considera-se: IV - Fundação Pública - a entidade dotada de personalidade 
jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de autorização 
legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam execução por 
órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio 
próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado 
por recursos da União e de outras fontes. Grifamos.
c. sociedade de economia mista: representa uma empresa de capital público e 
particular, em simultaneidade, ou seja, tem direção estatal, mas também se rege 
como pessoa jurídica de direito privado, o que lhe consagra personalidade jurídica 
assemelhada a de direito privado. Deverá ser representada sob a forma de uma 
sociedade anônima (S.A.) com maioria de ações votantes nas mãos do Poder 
Público (50% + 1 ação), de modo que não se sujeitará à Recuperação Judicial 
ou à Falência, mas seus bens poderão ser penhorados, já que se submeterão a 
procedimento específico de liquidação extrajudicial, a tramitar perante a Comissão 
de Valores Mobiliários (CVM) e não perante o Poder Judiciário, capacitado a 
analisar, apenas as liquidações judiciais. Exemplo: Banco do Brasil - BB. A pessoa 
jurídica que a controla (no caso do BB, a União) responderá, subsidiariamente, 
por suas obrigações (art. 242 da Lei 6.404/76 - Lei das S.A.). Assim o art. 5º do 
Decreto Lei 200/67, inciso III, in verbis: Art. 5º. Para os fins desta lei considera-se: 
III - Sociedade de Economia Mista - a entidade dotada de personalidade jurídica 
de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob 
a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em 
sua maioria à União ou a entidade da Administração Indireta. Grifamos. 
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d. empresa pública: representa a empresa de capital inteiramente público, 
criada mediante lei e dedicada a atividades econômicas, ou serviços públicos, 
condicionados ao relevante interesse público nacional e à segurança nacional, 
tendo porém personalidade jurídica assemelhada a de direito privado. Exemplo: 
Caixa Econômica Federal - CEF. Poderá ser revestida de qualquer forma admitida 
em lei, inclusive de S.A. Enquanto seus bens móveis e rendas são regidos pelo 
direito privado, seus bens imóveis são regidos pelo direito público e, portanto, 
podem ser “afetados” (destinação do bem público à satisfação das necessidades 
coletivas estatais). Assim o art. 5º do Decreto Lei 200/67, inciso II, in verbis: Art. 
5º. Para os fins desta lei considera-se: II - Empresa Pública - a entidade dotada 
de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e capital 
exclusivo da União, criado por lei para a exploração de atividade econômica que 
o Governo seja levado a exercer por força de contingência ou de conveniência 
administrativa, podendo revestir-se de qualquer das formas admitidas em Direito.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Desde a década de 1990 o Brasil utiliza-se das teorias norte-americana e inglesa 
sobre as chamadas “Agências Executivas e Reguladoras”, cuja finalidade seria 
descentralizar os serviços exclusivos do Estado, buscando aperfeiçoamento e 
melhoria mediante aplicação de investimentos de iniciativa privada. As chamadas 
Agências Executivas foram criadas pela Lei 9.649/98 e aperfeiçoadas pelo 
Decreto Regulamentador 2.487/98, enquanto as Agências Reguladoras, ainda 
hoje, vêm sofrendo alterações importantes em sua forma de implementação. 
Assim como aconteceu por meio da Lei 10.871/20 que classificou a natureza 
das atividades destas Agências ao regime jurídico de cargo público, dispondo 
que a criação e organização de carreiras e cargos seriam os mesmos das 
autarquias. Citem-se como exemplos de Agências Executivas: Instituto Nacional 
de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro), Agência Nacional do 
Desenvolvimento do Amazonas (ADA) e a Agência Nacional do Desenvolvimento 
do Nordeste (Adene). Já como Agências Reguladoras: a Agência Nacional de 
Telecomunicações (Anatel), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a 
Agência Nacional do Petróleo ANP. 
Maiores informações em:https://uxcomex.com.br/2023/05/quais-as-agencias-
reguladoras-do-brasil/
Acesso em 29/10/23.
https://uxcomex.com.br/2023/05/quais-as-agencias-reguladoras-do-brasil/
https://uxcomex.com.br/2023/05/quais-as-agencias-reguladoras-do-brasil/
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11.2.3. Princípios específicos da Administração Pública
Além dos princípios constitucionais de base, cabíveis a todos os ramos do Direito, 
a Administração Pública reger-se-á pelos seguintes princípios especializados, a seguir 
elencados.
11.2.3.1. Supremacia do interesse público
A Administração Pública tem como função precípua o atendimento ao interesse público, 
de modo que o Administrador ficará impedido de agir em seu próprio interesse.
Neste sentido, o interesse público deverá prevalecer sobre o interesse individual, desde 
que respeitadas as garantias constitucionais e os direitos tutelados pela norma suprema, 
em especial, os direitos da personalidade. Em caso de descumprimento, o Estado arcará 
com as indenizações devidas, quando for o caso.
11.2.3.2. Presunção de legalidade ou de veracidade (legitimidade)
A Administração Pública, em regra, representa-se pelo dever de agir (e não só pelo 
poder agir), de modo que, dentro de sua competência (oportunidade e conveniência), 
deverá ater-se ao determinado pela norma, em especial, a lei.
Apesar disso, todos os atos administrativos (lato sensu) e as decisões administrativas 
estarão sempre sujeitos à submissão do Poder Judiciário (art. 5º, inc. XXXV da CF/88). 
Isto quer dizer que, a Administração não poderá ‘transigir’ com o particular senão nos 
casos expressamente permitidos pela lei, quando com este poderá, inclusive, convencionar 
acerca da finalidade de atendimento ao interesse público desta ou daquela maneira 
(concessionárias de serviços públicos, por exemplo). 
Caso contrário, se assim o fizer, incorrendo na prática conhecida por desvio de finalidade, 
representativo de seu abuso de poder e capaz de impor-lhe o desfazimento do ato em 
decorrência de sua nulidade.
Justamente por isso os ‘atos administrativos’ deverão ser sempre justificados mediante 
a chamada ‘motivação pública’, que representa a indicação expressa dos fundamentos de 
fato e de direito que lhes garantam a existência e para que possam subsistir. 
11.2.3.3. AutotutelaA Administração Pública poderá corrigir os atos emanados de seus representantes, seja 
‘revogando’ os inoportunos (irregulares), seja ‘anulando’ os ilegais, desde que respeitado o 
direito adquirido, constitucionalmente consagrado no art. 5º da CF/88 e indenizados os 
cidadãos prejudicados, se for o caso.
Desta forma, a Administração deverá agir com bom senso, de modo proporcional na 
realização de seus desígnios (razoabilidade), além de tratar todos seus administrados, 
desde que em situações idênticas, de modo igual e impor-lhes as mesmas condições. 
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11.2.3.4. Continuidade dos serviços públicos
Pelo princípio da continuidade, os serviços públicos não poderão ser interrompidos, 
especialmente os essenciais. Além disso, os serviços deverão dirigir-se a toda a coletividade 
que esteja sob sua responsabilidade, sempre com técnica e rigor atualizados em relação 
ao fornecimento.
11.3. Atos administrativos e Atos da Administração: diferenciações básicas
Os atos administrativos, lato sensu, dividem-se, estruturalmente, em dois grupos: os 
“atos da Administração” (típicos) e os “atos administrativos” (stricto sensu).
 Os atos administrativos típicos surgirão quando a Administração Pública atuar no uso 
pleno de seus poderes estatais, caracterizando-se a realização dos ‘atos de império’ do 
Estado e, por isso, passarão a ser considerados como atos da Administração.
Nestes casos, estatui-se um desnível entre as partes pactuantes, em termos de poder 
decisório, estando a Administração em postura hierarquicamente superior em relação 
aos particulares, caracterizando-se a superioridade da Administração em relação ao 
Administrado (supremacia).
Já os atos administrativos atípicos (stricto sensu) representarão aqueles que não 
envolvem poderes estatais de “império”, inexistindo hierarquia entre as partes, de modo 
que mantêm-se no mesmo nível de poder decisório e, por isso, serão chamados de atos 
administrativos.
Destaque-se que, a Administração ao realizar meros atos de gestão comercial de seus 
bens, pactuando com particulares, por exemplo, a manutenção elétrica de um prédio 
público, formalizará com eles meros atos administrativos. 
11.4. Bens públicos: autorização, permissão e concessão de uso
Os bens públicos podem ser divididos sob três formas: bens de uso comum do povo, 
bens de uso especial e bens dominiais. 
de uso comum representam aqueles que todos os cidadãos podem utilizar (ruas e 
praças), enquanto os de uso especial destinam-se às instalações para realização dos 
serviços públicos (escolas públicas) e os dominiais (ou dominicais) representam aqueles 
que apesar de pertencerem ao acervo público a Administração ainda não lhes deu 
destinação especial. 
Os bens públicos, eventualmente, podem ser utilizados pelos particulares, mediante 
pactuações especiais firmadas entre estes e a Administração, sob três formas distintas:
a. autorização de uso: utilização que auxilia interesses particulares em eventos 
temporários e, portanto, com caráter unilateral e discricionário, podendo ser revogado 
a qualquer momento, ainda que tal precariedade não impeça sua pactuação de 
forma onerosa. Geralmente ocorrerá por prazo determinado, o que, aliás, poderá 
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ensejar indenização ao lesado que tiver a revogação do instrumento antecipada 
sem motivo justificado.
b. permissão de uso: difere-se da autorização apenas porque auxilia interesses públicos, 
mas com menor grau de precariedade para utilização. Ocorrerá, via de regra, por meio 
de procedimento licitatório, o que gera ao permissionário um “dever” de utilização.
c. concessão de uso: utilização mais formal, via de regra, pactuada por meio de 
contrato escrito e licitação (cumulativos), que tem por objeto a utilização pública, 
com certa permanência, de bem público objetivamente descrito, exigindo-se, por 
vezes, autorização legislativa. 
11.4.1. Formação de bens do patrimônio público
Em relação aos bens públicos, além das determinações constitucionais, várias outras 
normas especiais também poderão entabular seus limites, justamente como acontece 
com as ‘águas públicas de uso comum’, pertencentes à União (‘mar territorial’).
Neste sentido, o art. 20 da CF/88 aponta quais são os bens da União, enquanto o art. 
26 aponta os bens dos Estados Membros, ambos artigos a seguir colacionados:
Art. 20. São bens da União: I - os que atualmente lhe pertencem e os 
que lhe vierem a ser atribuídos; II - as terras devolutas indispensáveis 
à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das 
vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas 
em lei; III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos 
de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites 
com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele 
provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais; IV 
- as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; 
as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, 
destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas 
áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, 
e as referidas no art. 26, II; V - os recursos naturais da plataforma 
continental e da zona econômica exclusiva; VI - o mar territorial; VII 
- os terrenos de marinha e seus acrescidos; VIII - os potenciais de 
energia hidráulica; IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo; 
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e 
pré-históricos; XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. 
Grifamos.
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: I - as águas 
superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, 
ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da 
União; II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no 
seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou 
terceiros; III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; IV 
- as terras devolutas não compreendidas entre as da União. Grifamos.
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Além destes bens públicos assegurados pela norma jurídica, o Poder Público poderá 
adquirir outros, por meio da compra, receber por meio de doações, ou incorporar 
por meio de ‘desapropriação’ (com pagamento retributivo) ou de ‘confisco’ (sem 
indenização).
Destaque-se que os bens públicos não se submetem à usucapião por particulares, 
enquanto o contrário será permitido, ou seja, há possibilidade de que a Administração 
Pública possa usucapir imóveis de pessoas privadas. 
11.4.2. Alienação de bens públicos
Existe a possibilidade, segundo a lei, de que os bens públicos sejam alienados, 
porém, para que possam ser vendidos, alugados, trocados, doados, etc, haverá sempre 
a necessidade de que tais atos submetam-se ao procedimento de licitação.
Muitas das vezes este procedimento deverá ser precedido de avaliação e, em muitas 
outras situações, haverá necessidade de submissão à apreciação legislativa para 
autorização preliminar.
ANOTE ISSO
Uma forma muito pouco conhecida de alienação de bem público é conhecida como 
investidura. Tal forma de cessão vem elencada na Lei das Licitações (Lei 8.666/93) 
em seu art. 17 e acontecerá quando após a realização de uma obra pública tenha 
ocorrido a “sobra” de um pequeno pedaço de terra inservível à construção realizada. 
Este pedaço de terreno poderá ser alienado “por investidura” ao confrontante (dono 
da terra limítrofe), mediante prévia avaliação.
11.5. Agentes públicos
Se tomarmos a mesma parametrização utilizada em todos os capítulos anteriores, 
qual seja, a de que sempre existirá um “gênero” que abarca em si suas respectivas 
“espécies”, aqui, no estudo dos agentes públicos, também será possível estabelecermostal correlação.
Assim, o “gênero” agentes públicos passará a representar, dentro de si, várias 
espécies de trabalhadores vinculados à Administração Pública, evidenciando-se três 
categorias distintas em relação às pessoas físicas nomeadas para executarem funções 
estatais, seja de forma definitiva, seja de forma transitória. E, neste sentido, as funções 
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ocupadas dividem as pessoas em: (1) agentes políticos, (2) servidores públicos e (3) 
particulares colaboradores da Administração Pública.
11.5.1. Agentes políticos, servidores públicos e particulares em colaboração com 
o Poder Público
Os agentes políticos representam os titulares de cargos estruturais componentes do 
Governo, ou seja, são pessoas investidas de poderes para que atuem na organização 
política do país. 
Nas palavras da professora Maria Sylvia compreende aqueles que atuam nas 
atividades de direção e ‘co-legislativas’, que implicam a fixação de metas, de diretrizes, 
ou de planos governamentais (PIETRO, 2001, pág. 423).
Na verdade, o vínculo dos agentes políticos com a Administração Pública não decorre 
de natureza profissional, mas sim da natureza política em que passam a atuar ao lado 
Estado, na execução das prerrogativas que lhes foram impostas pela Constituição, 
ou pelas leis.
Novamente a Professora Maria Sylvia nos esclarece: 
São, portanto, agentes políticos, no Direito brasileiro, apenas os chefes 
dos Poderes Executivos federal, estadual e municipal, os Ministros e 
Secretários de Estado, além de Senadores, Deputados e Vereadores. 
Grifamos. (PIETRO, 2001, pág. 423).
No caso dos agentes políticos suas investiduras se darão por meio de eleição, exceto 
para aqueles cujas investiduras ocorrem por livre escolha dos Chefes do Executivo, 
quando dar-se-ão por nomeação.
Já os servidores públicos representam as pessoas físicas que prestam serviços 
não eventuais à Administração Direta (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), 
às autarquias e às fundações públicas, todos entes administrados por parâmetros de 
direito público.
Nestas condições, as características básicas dos servidores públicos passam a ser: (1) 
o profissionalismo (vinculação em razão de seus conhecimentos profissionais, via de regra, 
comprovados por perícia, ou concurso público, de modo que possam exercer as funções 
atinentes ao ‘cargo’ ou ‘emprego’, com perfeição técnica, após contratação ou aprovação; 
(2) a não eventualidade (inexiste dependência a acontecimento incerto ou eventual, já que 
a relação jurídica estabelecida com o Estado pré- fixa as condições de seu atuar em razão 
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das funções afeitas ao cargo a que se propôs e que serão mantidas durante toda sua 
investidura); (3) a dependência de relacionamento (os servidores públicos não possuem 
autonomia no cargo, ainda que possam vir a ter estabilidade nele, de modo que seus 
comportamentos e ações serão sempre prescritos pela Administração.
Por fim, os particulares em colaboração com o Poder Público representam outra 
espécie de agentes, mas que executam serviços públicos sem que percam as qualidades 
dos particulares. Via de regra, serão remunerados pelas atividades desenvolvidas em 
prol do Estado, mas também poderão ser prestadas a título gratuito, ainda que não 
formalizem vínculo trabalhista com ele. 
A modalidade mais comum de particulares convocados para atuar em nome da 
Administração e no interesse público são os ‘mesários’ em épocas de eleições, enquanto 
os particulares delegados podem ser representados pelos ‘notários’ de Cartórios de 
Registros Públicos. 
11.5.2. Cargo, função e emprego 
A doutrina costuma apontar a seguinte correlação: todos os cargos têm uma função, 
mas nem todas as funções decorrem de um cargo. Nesta linha de raciocínio, cargo, 
função e emprego são institutos que não se confundem. 
O cargo representa o ‘posto’, enquanto o quadro de servidores de cada entidade será 
formado pelas respectivas funções. Ao mesmo tempo, o emprego não se confunde 
com nenhuma destas conceituações, vez que representa a própria relação estabelecida 
pelo Poder Público com aquelas pessoas físicas submetidas às relações “celetistas” 
(Consolidação das Leis do Trabalho). Neste sentido, as Sociedades de Economia 
Mista (Banco do Brasil) e as Empresas Públicas (Caixa Econômica Federal) admitem 
“empregados celetistas”.
Destaque-se que em relação aos ‘cargos’ eles poderão ser divididos em efetivos 
(duradouros) ou em comissão (precários, já que duram enquanto houver interesse 
das partes - ad nutum).
No que tange às ‘funções’ exercidas pelos servidores, a carreira será representada 
por uma composição de classes existentes dentro de um serviço escalonado, a qual, 
aliás, se almeja evoluir durante a contratação. Não se confunde, pois, com a lotação, que 
representa o número de servidores previstos para uma dada e determinada repartição, 
nem tampouco se confunde com vacância que representa cargo sem ocupante, ou 
seja, em que não houve provimento (preenchimento do cargo) por servidores.
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CAPÍTULO 12
NOÇÕES BÁSICAS DE 
DIREITO TRABALHISTA
12.1. Direito do Trabalho como um ramo eclético
Inexiste consenso entre os doutrinadores especialistas na área trabalhista quanto 
à classificação do Direito do Trabalho amoldar-se como um ramo do ‘direito público’, 
ou como um ramo do ‘direito privado’.
É certo porém, que a chamada Teoria Eclética do Direito o enquadrou em ambos, 
ou seja, tal qual um ramo que atua como direito público, cuja prevalência se dá às 
diretrizes advindas das normas do Estado, ao mesmo tempo em que atua como 
um ramo do direito privado, cujas regras são de livre estipulação aos contratantes 
(empregados e empregadores), que escolhem suas diretrizes e demonstram seus 
desígnios na relação laboral, desde que, logicamente, obedeçam os parâmetros legais 
preestabelecidos pelo Estado.
Assim, admitida a autonomia da vontade como a teoria jurídica que se apega às 
relações estabelecidas entre os sujeitos da relação, à que a doutrina convencionou 
chamar de Teoria Subjetiva do Direito, combinada com a formulação em que o Estado 
se sobrepõe a vontade das partes, nomeada, doutrinariamente, por Teoria Objetiva do 
Direito, está a criar-se no Direito do Trabalho um ‘tertius genus’, ou seja, uma mescla 
composta da junção de características de ambas as formulações, formatando uma 
terceira modalidade a que a doutrina pátria, majoritariamente, convencionou chamar 
por Teoria Social do Direito.
12.1.1. Direito misto e a Teoria do Direito Social
O Direito do Trabalho, segundo a Teoria do Direito Social, também será considerado 
um ramo eclético, em termos de sua classificação. Justamente porque, em dado 
momento aparenta-se mais com um ramo de direito privado e ora mais com um ramo 
do direito público, cuja interação o consagra como um ramo misto.
Assim, teria a natureza similar a de um Direito ligado ao ramo dos Direitos Públicos, 
por exemplo, o Direito Penal, quando o analisarmos nas hipóteses de justa causa 
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cometidas pelos empregados, funcionado com clara tutela impositiva e de cunho 
sancionador vertical (art. 482 da CLT), ao mesmo tempo em que se assemelha aos 
ramos afeitos à autonomia da vontade das partes, como ocorre com o Direito Civil, 
quando avaliza negociações, possíveis e viáveis, estabelecidas, rotineiramente, entre 
empregado e empregador, durante a vigência do pacto laboral, cuja aparência lhe 
transfere clara feição de tutela horizontal (art. 443 da CLT).
Aliás, já nos manifestamos, em várias outras oportunidades, no sentido de entender 
que o Direito do Trabalho não consegue enquadrar-se, exclusivamente, em um dos ramos 
divisores do Direito, nem somenteao público, nem somente ao privado, caracterizando-o 
como uma espécie de Direito Híbrido no que tange à sua natureza jurídica.
12.1.2. Tutelas individuais e tutelas coletivas
O Direito do Trabalho, sob o viés da proteção individualizada do trabalhador (de efeitos 
interparts), representa apenas uma das suas facetas, justamente porque aponta de 
forma individual quem estará agindo e a quem se estará protegendo, acompanhando 
a tendência aceita pelos ramos do direito privado. 
Noutro viés, é sabido que a proteção dos trabalhadores, também ocorre de forma 
transindividual, por meio das chamadas Entidades Sindicais (Sindicatos, Federações, 
Confederações e Centrais Sindicais), formalizando faceta diversa, desta vez de tutela 
coletiva (de efeitos erga omnes), que o aproxima das regras aplicáveis aos ramos 
ligados ao direito público.
Acrescentem-se, ainda, outras medidas protetoras da relação laboral, ainda que 
não direcionadas, objetivamente, às partes envolvidas, mas sim às formas de labor, 
justamente como acontece nos ‘Programas de Prevenção de Acidentes e Segurança 
do Trabalho’ (PPRA, PCMSO, LTCAT, etc.), ou por meio das ‘ações da fiscalização do 
Ministério Público do Trabalho’ (Termos de Ajustamento de Condutas - TAC), ou seja, 
na verdade, o Direito do Trabalho implemeta melhorias nas condições sociais de todos 
os envolvidos, ainda que de forma reflexiva, às relações laborais, indo muito além da 
via individual e muito além da via coletiva.
12.2. Diferenciações entre ‘trabalho’ e ‘emprego’ pensadas sob a evolução histórica 
das tutelas laborais
O trabalho pode ser conceituado como o reflexo do esforço humano na transformação 
da natureza, conseguido por meio de desenvolvimento físico ou mental em que se 
almeja um fim específico e determinado. 
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Com outra amplitude, o emprego representa uma relação estável, duradoura, pautada 
no binômio “direitos-obrigações”, pactuada entre duas partes distintas que compõem 
a relação laboral: 
a. o empregador (ou Reclamada, na via judicial);
b. o empregado (ou Reclamante, na via judicial).
Lembremos, ainda, que o trabalho representa, na concepção matemática dos 
conjuntos, o gênero, vez que comporta dentro de si várias espécies de labor (diz-se, 
matematicamente, estão contidas), dentre as quais há de se destacar o emprego e, 
consequentemente, o empregado.
Historicamente, no Brasil, a implementação de direitos aos trabalhadores, alçando-
os ao status de “empregados”, somente teve início por volta do ano de 1930, período 
a que se convencionou chamar de “Oficialização do Direito do Trabalho”, ainda que 
a autonomia da própria ‘Justiça Obreira’ somente viesse a ocorrer no ano de 1941.
Numa breve análise retrospectiva da evolução mundial, em termos de labor, há de se 
constatar que inexistia qualquer preocupação com os trabalhadores nas sociedades 
escravistas da Antiguidade, até porque o escravo sequer era considerado “ser humano”, 
sendo tratado como “objeto” ou “coisa”, pertencente a um “dono”, que lhe impunha 
severas condições de agir. Desta forma, não havia proteção alguma, inexistia qualquer 
forma precária de tutela laboral e, portanto, as formas de trabalho realizadas não se 
submetiam a quaisquer regras de proteção.
Já na ‘Europa Medieval’, após um salto temporal considerável, percebe-se que singelas 
formas de tutela laboral passaram a ser implementadas à classe dos trabalhadores 
escravizados. 
Surgem, então, os servos, que em meio ao contexto do feudalismo e, ainda que 
fossem mantidos os escravos, passam a se destacar por meio de suas castas, que 
protegiam seus semelhantes (iguais corporativos), passando a receber ‘contrapartidas’, 
via de regra “não pecuniárias”, como forma de retribuição às atividades prestadas aos 
senhores feudais. 
Ainda que de baixa efetividade protetiva, a ‘sociedade escravista’ e a ‘sociedade 
servil’, recebiam benesses, consagrando-se um surgimento precário de direito protetivo 
- ‘Direito do Trabalho’ - ainda que bastante ineficaz e incapaz de garantir proteção 
mínima para uma vida digna do trabalhador e sua família.
Numa evolução natural, estes servos passariam a unir-se por meio das chamadas 
Corporações de Ofícios, desenvolvendo seus trabalhos ‘intelectuais’ e ‘manuais’ de 
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forma institucional-associativa, cuja decorrência direta foi o surgimento dos primeiros 
instrumentos normativos de proteção das classes trabalhadoras. Surgem, pois, os 
primórdios do Direito do Trabalho ‘positivado’.
 Afloram-se no contexto europeu dos 1700 as ideias decorrentes do socialismo e 
implementam-se as chamadas lutas de classes, ambas formas básicas de superação 
das dificuldades sociais que vinham ocorrendo até então. 
Assim, em plena Revolução Industrial, por volta de 1820, as formas de proteção 
do trabalho intensificaram-se, culminando no início dos anos 1900 com a criação 
dos chamados Estados Sociais (Welfare States), interventores diretos nas tutelas 
protetivas dos hipossuficientes. 
Surgem, a partir daí, trabalhadores com discernimento político, não atuando mais 
como meros mecanicistas nas atividades laborais diárias, despontando-se a figura do 
proletário, aquele que tem consciência política e, portanto, fundamentos para questionar 
as regras dos empregadores e impor-lhes seus desígnios.
Mais adiante, a partir da década de 1990, os Estados Liberais redespontam por 
todo o mundo, incluindo-se o Brasil. Recrudescem-se os ideais de um mercado sem 
regras (agora chamado de neoliberal), o que levaria à moderna adaptação do Direito do 
Trabalho ao sistema difuso de proteção, que assegura aos trabalhadores a premissa 
de que as relações tutelares ocorram sob a forma: “tudo para todos”.
12.3. Teoria da remuneração
A remuneração representa o gênero, que comporta dentro de si, numa de suas 
facetas, o chamado salário, ou seja, a remuneração representa a soma de ganhos 
obtidos pelo empregado, apurados em um dado período de tempo, em correlação ao 
pactuado contratualmente e prestados no período mensal, computando-se, inclusive, 
eventuais valores recebidos de terceiros na forma de gorjetas.
Especificamente, o salário representa o pagamento realizado pelo empregador, ao 
empregado, em troca da contraprestação laboral por este realizada, seja pago em 
forma de pecúnia (salário fixo), seja pago em forma de utilidades (salário in natura). 
Além disso, a própria CLT consagra em seu art. 457, §1º que integrarão o salário, 
além das importâncias salariais (fixas e em utilidades) as gratificações legais e as 
comissões pagas pelo empregador.
Esquematicamente, a remuneração pode ser apresentada da seguinte maneira: 
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“REMUNERAÇÃO = salário + gorjetas legais + consectários salariais (horas extras, 
adicional noturno, etc.) + consectários indenizatórios (prêmios, abonos, etc.)”, conforme 
se depreende do gráfico a seguir colacionado:
Título: Teoria da Remuneração.
Fonte: Elaboração do Autor.
12.3.1. Alterações pós-Reforma e reflexos no que tange à remuneração
 Antes da Reforma Trabalhista, o §1º do art. 457 da CLT estabelecia que poderiam 
integrar o salário, não somente a importância fixa do ‘salário-base’, mas também verbas 
salariais representativas das comissões, gratificações, diárias de viagem e abonos (que 
eram submetidos a determinadas condições para sua concessão na condição salarial). 
Diferentemente, após a entrada em vigor das regras formalizadas pela Reforma, tais 
verbas passaram a integrar o salário com natureza diversa (indenizatória), de modo 
que enquadram-se hoje como consectários indenizatórios, ou seja, que não geram 
mais os reflexos em outras rubricas.
Neste sentido, há de se reconhecer postura ‘pró-empregador’ no que tange às 
alterações produzidas em 2017, contrariando o que ocorria antes e que,certamente, 
garantia maiores rendimentos aos trabalhadores.
12.3.2. Adicionais legais
Os adicionais representam consectários de natureza salarial (em oposição a ‘natureza 
indenizatória’) mas não se confundem com o próprio salário fixo, pago ao trabalhador. 
Doutra forma, juntos, compõem parte da chamada remuneração.
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Neste mesmo sentido, dada sua natureza ‘salarial’, os adicionais refletirão em 
outras verbas trabalhistas, inclusive nos cálculos para recolhimentos de FGTS e das 
contribuições previdenciárias ao INSS. 
A legislação trabalhista aponta diversas espécies de adicionais legais incidentes 
sobre o salário, sendo que cada qual surgirá em função das condições especiais de 
labor realizado. 
Assim, trabalhar em jornadas noturnas ensejará ‘adicional noturno’, em condições 
de afronta à higidez física, poderá ensejar ‘adicional de insalubridade’, duas formas 
representativas dos adicionais, cujas hipóteses, em sendo implementadas, farão com 
que suas valorações sejam inseridas no cômputo da expressão ‘remuneratória’ (vide 
gráfico da Teoria da Remuneração). 
12.3.2.1. Horas Extraordinárias
A chamada ‘hora extra’, representa uma extrapolação da jornada ordinária, 
parametrizada no art. 57 da CLT, representada pela suplementação extraordinária de 
duas horas, além das oito diárias, normalmente possíveis. 
Destaque-se que, atualmente, sua pactuação poderá ocorrer mediante acordo escrito, 
firmado entre empregador e empregado, mantidas as hipóteses perpetradas por meio 
de Convenção Coletiva ou Acordo Coletivo de Trabalho.
12.3.2.2. Noturno
Outro adicional bastante utilizado diz respeito àquele recebido quando o trabalhador 
atua durante a jornada noturna. Nestas situações, o respectivo adicional precisará ser 
adaptado ao contexto em que ocorra, ou seja, segundo o horário da atuação laboral. 
Isto porque, trabalhadores urbanos possuem um determinado lapso de tempo 
considerado “noturno”, representativo da chamada ‘jornada noturna urbana’, enquanto 
trabalhadores rurais enquadram-se noutros padrões para a consideração da chamada 
‘jornada noturna rural’.
Assim, de acordo com a CLT, no trabalho noturno urbano admitir-se-á como ‘hora’ 
noturna o correspondente a 52 minutos e 30 segundos (hora ficta), computada entre 
as 22h00min de um dia e 05h00min do dia seguinte, acrescida em seu valor de “20% 
sobre a hora normal” a título de adicional noturno.
Diferentemente, em se tratando de trabalho noturno rural considerar-se-á como 
‘hora’ noturna o correspondente a 60 minutos (hora real), computada nos seguintes 
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interregnos, a depender da atividade realizada: (1) agricultura: jornada noturna das 21:00 
horas às 5:00 horas; pecuária: jornada noturna das 20:00 horas às 4:00 horas. Em 
ambas as hipóteses rurais, a remuneração da ‘hora noturna’ será paga com acréscimo 
de “25 % sobre o valor da hora normal”.
12.3.2.3. Insalubridade e periculosidade
Quando analisamos os adicionais de insalubridade e de periculosidade é necessário 
atentar-se à existência de afrontas à higidez física do trabalhador.
 Neste sentido, a insalubridade ocorrerá quando as atividades ou operações que, 
por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a 
agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados na norma, em razão da 
‘natureza e da intensidade do agente’, além do ‘tempo de exposição’ aos seus efeitos.
Assim, o exercício do trabalho em condições insalubres, garantirá ao trabalhador 
o direito a receber o chamado adicional de insalubridade, que será considerado em 
níveis mínimo, médio e máximo de 10%, 20%, ou 40%, respectivamente, aplicados 
sobre o valor do salário mínimo.
Já a periculosidade ocorrerá quando as atividades ou operações consideradas 
pela lei como perigosas, ou periculosas, por sua natureza ou métodos de trabalho, 
impliquem risco acentuado, no contato permanente com:
(1) inflamáveis, energia ou explosivos;
(2) roubos, ou outras espécies de violência física, durante as atividades profissionais 
de segurança pessoal, ou patrimonial;
(3) atividades profissionais do motociclista, em vias públicas de alta circulação 
de veículos.
Em todas as situações ficará garantido aos empregados o direito ao referido adicional, 
cujo valor será de 30%, aplicado diretamente sobre seu salário contratual.
12.4. Contrato de Trabalho
O contrato de trabalho representa o ‘instrumento jurídico’ por meio do qual o 
empregado pactua com o empregador uma relação de subordinação (poder diretivo), 
de confiança (fidúcia), de contrapartida remuneratória (salário), formalizado através de 
um acordo (consenso), seja tácito (verbal), ou expresso (escrito), referente às regras 
aplicáveis à relação de emprego.
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Assim, formatam-se os art. 442 e 443 da CLT que definem as características do 
“contrato de trabalho”, ipsis litteris:
Art. 442 caput. Contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou 
expresso, correspondente à relação de emprego.
Art. 443 caput. O contrato individual de trabalho poderá ser acordado 
tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito, por prazo 
determinado, ou indeterminado, ou para prestação de trabalho 
intermitente. Grifamos.
Caracteriza-se a figura do empregado como o ente pessoa física (não existe 
empregado pessoa jurídica), que realiza um determinado labor sob a seguinte quesitação: 
subordinação, habitualidade, onerosidade, pessoalidade, pessoa física.
Depreende-se, portanto, que somente a pessoa física poderá atuar como empregado, 
além do que somente a pessoa, especificamente, contratada poderá submeter-se ao 
objeto avençado, sem que haja possibilidade de sua ‘substituição’ por outro trabalhador 
(pessoalidade).
Doutro lado, a CLT assevera, em seu art. 2º, que a ‘teoria da empresa’ funcionará 
como balizadora da definição de empregador e, neste sentido, o define, à semelhança do 
empresário, como sendo a empresa, individual (pessoa natural) ou coletiva (sociedade 
empresária), que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e 
dirige a prestação pessoal dos serviços.
Por fim, quanto à duração, os contratos de trabalho poderão ser acordados por 
prazo determinado (art. 443, §2º da CLT), de forma intermitente (art. 443, §3º da CLT) 
ou por prazo indeterminado, como regra geral (art. 443, caput da CLT).
12.4.1. Por prazo indeterminado, como regra
O contrato de trabalho padroniza-se, via de regra, por meio de uma relação permanente, 
derivada do ‘princípio da constância das relações de emprego’, de modo que não se 
extingue pela prática de um só ato, ou pelo mero cumprimento isolado de obrigações, 
viabilizando-se garantia social ao trabalhador (art. 442 da CLT).
12.4.2. Por prazo determinado e suas hipóteses legais
As possibilidades de contratação por prazo determinado encontram-se elencadas 
no §2º do art. 443 da CLT e, excepcionalmente, só poderão ser admitidas quando se 
tratarem de:
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(1) serviços cuja natureza ou transitoriedade justifiquem a predeterminação do 
prazo (trabalhador temporário);
(2) atividades empresariais de caráter transitório (obras de engenharia);
(3) pactuação sob a modalidade de experiência (contrato de experiência). 
Ademais, a legislação obreira assegura que entre dois contratos a termo deverá existir, 
pelo menos, um lapso temporal mínimo de seis meses, caso contrário o contrato se 
transformará em modalidade por prazo indeterminado, assim expõe o art. 452 da CLT. 
Ademais, caso haja o rompimento antecipado de um contrato de trabalho firmado 
a termo, seja por vontade do empregador, seja por vontade do empregado, aquele que 
ensejou a antecipação arcará com uma benesse à parte contrária (multaindenizatória) 
em função da surpresa gerada.
12.5. Verbas rescisórias
Representam as verbas que deverão ser pagas ao empregado em decorrência 
da rescisão de seu contrato de trabalho, sem que tenha havido qualquer uma das 
hipóteses de justa causa elencadas no art. 482 da CLT.
12.5.1. Aviso prévio
Aviso prévio representa a notificação realizada pelo empregador ao empregado, ou 
vice-versa, em que uma das partes informa à outra de que não tem mais a intenção de 
manter o vínculo empregatício firmado. Representa, pois, um ato unilateral de vontade 
que objetiva extinguir o contrato de trabalho.
Tem por finalidade “auxiliar” na redução do efeito surpresa causado à parte a quem 
foi apresentado, seja facilitando a recolocação junto a outro empregador (quando o 
empregado foi ‘despedido’), seja encontrando nova mão de obra que possa assumir 
a vaga que surgiu (quando o empregado ‘demitiu-se’).
O recibo de aviso prévio representa o momento da comunicação da rescisão do 
contrato de trabalho, que seguido por determinado lapso temporal (mínimo de 30 e 
máximo de 90 dias, a depender da modalidade) levará à extinção da relação laboral.
A falta de concessão do aviso por parte do ‘empregador’ ensejará ao empregado o 
direito de receber os salários correspondentes ao período, garantindo-se sua integração 
ao tempo total de serviços prestados, enquanto a falta por parte do ‘empregado’ dará 
ao empregador o direito de descontar os dias faltantes, correspondentes ao respectivo 
prazo.
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Assim, esquematicamente, representam-se as possibilidades de concessão do aviso 
prévio:
Título: Formas de concessão do Aviso Prévio.
Fonte: Elaboração do Autor.
12.5.2. Férias 
As férias representam-se por meio de um binômio de atos, ou seja, fundamentam 
uma tutela de proteção à higidez física do trabalhador com seu descanso, mas também 
uma forma de garantia de sobrevivência digna em razão de seu pagamento, como 
reflexo da interrupção do contrato de trabalho. 
O empregado locupletará seu direito às férias após 12 meses consecutivos de vínculo 
com o empregador (período aquisitivo) e as gozará nos 12 meses subsequentes a 
este período, chamado agora de período concessivo.
Além de contemplação legal, as férias anuais também são garantidas pela 
Constituição Federal em seu art. 7º, inc. XVII, garantindo-se ao trabalhador, além do 
descanso, o acréscimo mínimo de ⅓ sobre a remuneração.
Já o pagamento de férias proporcionais acontecerá sempre que houver despedida 
(sem justa causa), ou pedido de demissão do trabalhador, que o receberá em relação 
aos meses laborados (art. 146, parágrafo único, art. 147 da CLT) na proporcionalidade 
de 1/12 (um duodécimo) por cada mês de serviço, desde que a fração mensal seja 
‘superior’ a quatorze dias trabalhados.
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12.5.3. Décimo terceiro salário proporcional
Representa uma verba salarial, devida aos empregados e aposentados, paga em 
forma de gratificação, computada em função do ano civil trabalhado, em duas parcelas, 
sendo que a primeira deverá ocorrer entre o dia 1º de fevereiro e 30 de novembro do 
ano civil e a segunda até o dia 20 de dezembro. 
O cálculo do 13º salário se dará pela divisão da remuneração integral por 12 e a 
multiplicação do resultado pelo número de meses trabalhados. No caso do pagamento 
do 13º salário proporcional (duodécimos), o empregado que tiver mais de 15 faltas 
‘não justificadas’ no mês poderá ter descontada fração de 1/12 avos relativa a este 
período.
12.5.4. Saldo de salário
Representa os dias trabalhados no mês em que ocorra a rescisão contratual, isto 
porque, em regra, o pagamento de salários não poderá superar o interregno máximo 
de trinta dias (art. 459, §1º da CLT).
Em caso de dispensa por justa causa, em conjunto com as férias vencidas e não 
pagas, compõem as duas únicas verbas a que farão jus os empregados dispensados 
sob tal condição.
12.5.5. Fundo de garantia e multa fundiária
O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço representa uma verba de natureza 
indenizatória, composta pelos depósitos realizados mensalmente pelos empregadores 
em conta específica dos empregados, aberta, automaticamente, após o registro do 
contrato, junto à Caixa Econômica Federal, no montante de 8% do valor do salário 
bruto do empregado.
A lei aponta que existem duas oportunidades em que poderá haver soerguimento 
do FGTS: 
(1) durante a vigência do contrato de trabalho em casos de dispensa pelo empregador;
(2) após a extinção do contrato de trabalho em determinados casos, por exemplo, 
quando da obtenção da aposentadoria. 
O empregado não poderá sacar o FGTS se for dispensado por justa causa, ou se 
ele próprio pedir demissão e nestes casos formar-se-á a chamada conta inativa.
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Existem, ainda, algumas hipóteses, em decorrência de casos fortuitos, ou de força 
maior, que possibilitam aos empregados, soerguer os valores antecipadamente, seja 
durante a vigência do contrato de trabalho, seja na rescisão deste.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
São causas de levantamento/saque do FGTS após a extinção do contrato de 
trabalho: a. Demissão pelo empregador sem justa causa do empregado e rescisão 
indireta (despedida indireta); b. Rescisão do contrato por culpa recíproca ou força 
maior; c. Rescisão do contrato por extinção total ou parcial da empresa; d. Término 
do contrato por prazo determinado (contratos a termo); e. Aposentadoria; f. Ter 
o titular da conta vinculada idade igual ou superior a 70 anos (compulsória); g. 
Suspensão do trabalho avulso; h. Falecimento do trabalhador (para os dependentes 
e sucessores constantes de certidão do INSS); i. Permanência da conta sem 
depósito por 3 anos ininterruptos, contas inativas, para os contratos rescindidos até 
13/7/1990 e, para os demais, a permanência do trabalhador por igual período fora 
do regime do FGTS. 
São causas de levantamento/saque do FGTS durante a vigência do contrato de 
trabalho: a. Necessidade pessoal, urgente e grave, decorrente de desastre natural 
causado por chuvas ou inundações que tenham atingido a área de residência 
do trabalhador, quando a situação de emergência ou o estado de calamidade 
pública forem assim reconhecidos, por meio de portaria do governo federal; b. 
Quando o trabalhador ou seu dependente for portador do vírus HIV; c. Quando o 
trabalhador ou seu dependente for acometido de neoplasia maligna (câncer); d. 
Quando o trabalhador ou seu dependente estiver em estágio terminal, em razão 
de doença grave, e possuir conta cujo saldo seja decorrente do complemento dos 
planos econômicos, quando formalizada a adesão até 30/12/2003; e. Aquisição da 
casa própria; f. Pagamento de parte do valor das prestações de financiamento do 
Sistema Financeiro da Habitação.
12.6. Extinção do contrato de trabalho
As formas de extinção dos contratos de trabalho estão previstas na CLT, no Título 
IV, Capítulo V, referenciadas dentre os art. 477 e 486, nas seguintes hipóteses:
(a) decisão do empregado;
(b) decisão do empregador;
(c) por vontade de ambos.
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12.6.1. Por “pedido de demissão” do empregado 
Em casos de extinção do contrato de trabalho por desejo do empregado, a doutrina 
entende por acolher a nomenclatura, “pedido de demissão”. Representam hipóteses em 
que o empregado não mais pretende continuar no trabalho e, portanto, almeja rescindir 
seu contrato de trabalho por vontade própria. 
Nestes casos, deverá pré avisar seu empregador (concedendo-lhe aviso prévio) para 
que faça jus a receber as seguintes verbas: saldo de salário, 13º salário proporcional, férias 
proporcionais mais um terço.
Mas nos casos em que a extinção do contrato tenha ocorrido por extrapolação de 
limites pelo empregador,necessária a enquadratura da hipótese a uma das ocorrências 
elencadas no art. 483 da CLT (rescisão indireta). São causas viáveis à requisição do 
rompimento: (1) exigências de serviços superiores às forças do empregado, (2) exigência 
de trabalhos proibidos por lei, ou contrários aos bons costumes, além de alheios aos 
desígnios do contrato firmado e (3) rigor excessivo (contra o empregado) nas regras de 
cumprimento das diretrizes pactuadas no contrato.
12.6.2. Por “despedimento” do empregador
Caracteriza-se a modalidade de extinção do contrato de trabalho pelo empregador 
quando seu empregado for por ele dispensado ou “despedido”, tendo cometido hipótese 
de justa causa ou não.
Nas dispensas “por justa causa” o empregado age sob circunstâncias que apontam 
para as hipóteses do art. 482 da CLT, havendo quebra de affectio entre empregado e 
empregador, tornando impossível a continuidade da relação empregatícia. 
Nestes casos o empregado somente terá direito ao saldo de salário, incluindo horas 
extras e adicionais aplicados sobre os dias trabalhados e às férias vencidas e não pagas. 
Já nos despedimentos “sem justa causa”, ou seja, sem que o empregado tenha 
cometido alguma falta grave entabulada no referido art. 482 da CLT e que pudesse implicar 
diretamente na não continuidade da relação empregatícia, fará jus às seguintes verbas: 
aviso prévio, férias proporcionais mais um terço, férias vencidas e não pagas, 13º salário 
proporcional, levantamento dos depósitos do FGTS, multa de 40% sobre os depósitos do 
FGTS.
12.6.3. Por vontade de ambos
A extinção do contrato de trabalho também pode ocorrer quando ambas as partes a 
motivam, ou seja, dão causa ao término da pactuação. Duas são as hipóteses em que 
isso poderá ocorrer: 
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(1) acordo entre as partes, modalidade contemplada pela Reforma Trabalhista de 2017 
(distrato) em que tanto o empregador quanto o empregado ‘acordam’ em rescindir o contrato 
de forma amigável e extrajudicial. Assim, o art. 484-A da CLT, passou a regulamentar a 
modalidade sob as seguintes condições: (a) as verbas trabalhistas serão pagas pela metade 
em relação ao aviso prévio indenizado e à multa fundiária (20%); (b) na integralidade, serão 
pagas todas as demais verbas trabalhistas; (c) a movimentação da conta vinculada do 
trabalhador no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço ficará limitada ao saque de 80% 
do valor dos depósitos já consignados; (d) ficará obstada a requisição das parcelas de 
seguro-desemprego pelo empregado 
(2) culpa recíproca, modalidade em que ambos, empregador e empregado, cometem 
faltas graves mutuamente entre si. Nesse caso, o empregado terá direito a: (a) saldo de 
salário; (b) férias vencidas com terço constitucional; (c) 50% das férias proporcionais 
com terço constitucional; (d) 50% do aviso prévio; (e) 50% do décimo terceiro salário 
proporcional; (f) soerguimento do FGTS com multa de 20%.
Figura: Modalidades de extinção do contrato de trabalho.
Fonte: Elaboração do Autor.
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CAPÍTULO 13
NOÇÕES BÁSICAS DE 
DIREITO TRIBUTÁRIO
13.1. Diretrizes sobre o Sistema Constitucional Tributário
O Direito Tributário possui farto número de diretrizes advindas da CF/88, sem prejuízo 
das regras constantes na Lei nº 5.172/66, conhecida como Código Tributário Nacional 
(CTN). 
Também presente a questão da plurinormatividade na seara tributária, diversas 
outras espécies normativas, como as ‘Instruções Normativas da Receita Federal’ e 
as ‘Instruções do INSS’ comporão o amplo arcabouço jurídico necessário a dar-lhe 
efetividade e aplicação adequadas.
O professor Eduardo Sabbag é quem nos conceitua Direito Tributário, nos seguintes 
termos:
O Direito Tributário é uma disciplina componente do Direito Público, 
tendo natureza obrigacional, pois se refere à relação de crédito e débito 
que nasce entre sujeitos da relação jurídica (direito das obrigações). 
destacando-se no pólo ativo (credor) os entes tributantes: pessoas 
jurídicas de Direito Público interno, também conhecidas como 
“Fiscos”, isto é, União, Estados, Municípios e o Distrito Federal; já 
no pólo passivo (devedor), encontra-se a figura do “contribuinte”, 
representado pelas pessoas físicas ou jurídicas. (SABBAG, 2005, 
pág. 19).
13.2. Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar
A CF/88 impõe limites ao poder de tributar, que, na verdade, representam verdadeiras 
vedações à invasão do patrimônio dos possíveis devedores. 
Aliás, tal peculiaridade caracteriza-se como uma exceção à regra tributária, já que 
ela buscará, a todo o tempo, criar um cenário facilitador à constrição patrimonial de 
bens do devedor e futuro Contribuinte.
Na prática, fixada a obrigação tributária, o Fisco avançará sobre o patrimônio do 
Contribuinte e, de forma compulsória, o obrigará ao recolhimento dos “tributos”, cujos 
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valores serão direcionados ao Estado, para que deles se utilizem no interesse público 
e na implementação do bem comum.
As limitações ao poder de tributar advêm dos princípios e das imunidades 
constitucionais tributárias e têm seus regramentos entabulados nos art. 150 a 152 
da CF/88.
13.2.1. Imunidades
As imunidades, apresentam-se quando a Constituição veda a possibilidade de se 
estabelecer a cobrança de tributos, nas seguintes condições: 
(1) de um ente federativo sobre o outro (situação que a doutrina reconhece como 
“imunidade recíproca”);
(2) quando ocorrerem situações determinadas pela própria Lei Maior em que, 
anteriormente, havia estabelecido uma “hipótese de incidência”, mas ao reavaliá-
las decide-se que tais obrigações estarão dispensadas de pagamento sob 
determinadas condições.
No caso da imunidade recíproca (art. 9º, IV, “a” do CTN) estipula-se que ficará 
impossibilitada a tributação sobre patrimônio, renda ou serviços uns dos outros 
entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), objetivando-se, o 
resguardo do ‘pacto federativo’, ou seja, a união íntegra dos membros e dos poderes 
que representam, sem que um invada a competência do outro.
Por sua vez, as imunidades tributárias específicas recairão sobre as seguintes 
hipóteses: 
(1) templos de qualquer culto (também chamada de “imunidade religiosa” – art. 9º, 
IV, “b” do CTN) no que diz respeito apenas às propriedades físicas dos templos 
e garantia aos cultos, não alcançando outros valores relacionados; 
(2) livros, revistas, periódicos, ou outros papéis impressos (também chamada de 
“imunidade de imprensa” – art. 9º, IV, “d” do CTN) e objetiva facilitar e proteger 
a liberdade de expressão e da cultura, garantindo-se a livre circulação das 
informações; 
(3) partidos políticos e entidades sindicais (art. 9º, IV, “c” do CTN) e objetiva 
incentivar a pluralidade política e a tutela laboral a todos os que necessitarem 
dos representantes coletivos legitimados;
(4) limitações ao tráfego, no território nacional, de pessoas ou de mercadorias, por 
meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, que possam inviabilizar a livre 
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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circulação, não incentivar a livre concorrência e, consequentemente, inviabilizar 
o comércio com o aumento dos preços dos produtos (art. 9º, III do CTN).
13.2.2. Isenção
A isenção representa uma hipótese de exclusão do crédito tributário, ou seja, 
representa uma modalidade legal que determinará a ‘supressão’ do crédito. A lei 
específica que conceder a isenção deverá traçar as condições e os requisitos exigidos 
para a sua concessão, os tributos aos quais se aplica e, sendo temporária, o prazo 
de sua duração.
Acrescente-se que, todo tributo, seja de que espécie for, precisará ter previsão em 
lei (princípio da legalidade estrita), cujo conteúdo deverá ser publicadoanteriormente 
ao surgimento de seus ‘fatos geradores’, de modo que possam ser cobrados nos 
percentuais determinados pela própria legislação.
13.2.3. Não incidência
A não incidência será apontada quando for impossível enquadrar-se à Constituição, 
ou à legislação, determinada situação ocorrida concretamente, ou seja, não representa 
situação do ‘mundo real’ passível de qualquer tributação.
Esquematicamente, temos portanto que:
Isenção - sempre decorrerá por imposição de “lei”, jamais da 
Constituição.
Não incidência tributária, ocorrerá sempre que não for possível 
enquadrar o caso concreto ao fato gerador formulado pela 
legislação.
Imunidade, se atém, única e exclusivamente, às hipóteses 
advindas de direta determinação constitucional.
Título: Hipóteses de dispensa do pagamento de tributos. 
Fonte: Elaboração do Autor.
13.3. Tributo como gênero e suas espécies
Segundo define o art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis:
Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda 
ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato 
ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa 
plenamente vinculada. Grifamos.
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A doutrina pátria majoritária reconhece ao tributo cinco espécies afeitas (Teoria 
Pentapartida): impostos, taxas, contribuições de melhoria, contribuições especiais e 
empréstimos compulsórios.
Antes de analisar as espécies tributárias, lembre-se de que toda espécie para que 
possa ser criada deverá submeter-se ao “princípio da legalidade”, ou seja, instituída 
por meio de lei.
13.3.1. Impostos
A definição de impostos encontra respaldo no art. 16 do CTN, destacando-se tratar 
de tributo cobrado sem que seja necessária contraprestação ao contribuinte em relação 
ao que recolheu, ou seja, havendo seu enquadramento ao fato gerador delineado pela lei, 
obrigatório o recolhimento pelo sujeito passivo da obrigação tributária e desnecessário 
que o Estado lhe entregue algo em troca. 
Neste sentido: Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação 
independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte. Grifamos.
Acrescente-se que a modalidade impostos tem diretrizes diversas em relação à sua 
incidência, seja sobre a renda, seja sobre o consumo do cidadão. Serão classificados 
como impostos diretos, quando incidirem diretamente sobre a renda de uma pessoa, ou 
como impostos indiretos, quando incidem sobre o consumo de produtos ou serviços, 
quando serão cobrados “em cascata”.
São entabulados como Impostos de competência da União: a. importação de 
produtos estrangeiros (II); b. exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou 
nacionalizados (IE); c. produtos industrializados (IPI); d. operações de crédito, câmbio 
e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF); e. renda e proventos de 
qualquer natureza (IR); f. propriedade territorial rural (ITR); g. grandes fortunas, nos 
termos de lei complementar (IGF); h. Impostos Extraordinários.
São entabulados como impostos de competência dos Estados: a. operações relativas 
à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual 
e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem 
no exterior (ICMS); b. propriedade de veículos automotores (IPVA); c. transmissão 
causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos (ITCMD).
E, por fim, são entabulados como impostos de competência dos Municípios: a. 
propriedade predial e territorial urbana (IPTU); b. serviços de qualquer natureza, não 
compreendidos como fatos geradores do ICMS, definidos em lei complementar (ISS); 
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c. transmissão “intervivos”, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por 
natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, 
bem como cessão de direitos a sua aquisição (ITBI).
13.3.2. Taxas
Já em relação às taxas, ao contrário dos impostos, trata-se de uma espécie tributária 
cuja cobrança estará sempre vinculada a uma atuação estatal, caracterizando-se pelo 
recolhimento relativo à ‘contraprestação’ que financie um determinado ‘serviço público’. 
Segundo a CF/88, art. 145, II e no CTN no art. 77, in verbis:
As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal 
ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, 
têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a 
utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, 
prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição.
As taxas poderão ser cobradas por todos os entes federativos, sejam elas de serviços 
(água e esgoto) ou de utilização (fiscalização para o funcionamento regular de um 
estabelecimento).
ANOTE ISSO
Não confunda o “poder de polícia” com o “poder da polícia”. Considera-se “exercício 
do poder de polícia’, o de fiscalizar, quando desempenhado pelo órgão competente 
e nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de 
atividade que a lei tenha como discricionária (em que haja margem de liberdade 
na atuação), ao ocorrer sem abuso ou desvio de poder. Já o “Poder da Polícia” 
representa a aplicação do poder da Polícia Civil ou Militar na investigação e 
contenção de delitos.
13.3.3. Contribuições de melhoria
A espécie tributária denominada contribuição de melhoria também representa uma 
cobrança que poderá realizar-se por meio da União, dos Estados Membros, do Distrito 
Federal ou dos Municípios, porém sempre em decorrência da construção de uma “obra 
pública” e desde que esta proporcione “valorização” do imóvel do contribuinte tributado.
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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Assim, apesar de tratar-se de uma modalidade que enseja contrapartida do Estado, 
para que exista o recolhimento sua vinculação precisará ocorrer na dimensão calculada 
do “custo da obra valorizada”.
O art. 81 do CTN dispõe que o valor a ser cobrado dos contribuintes poderá pautar-se 
(1) no valor total da obra pública, rateado entre os beneficiados diretos da construção, 
ou (2) que, pelo menos, cubra os custos da obra realizada, através do acréscimo do 
valor que resultar para cada imóvel.
A valorização do bem é pressuposto essencial para a instituição da contribuição 
de melhoria, não bastando a existência da obra pública, mas que ela que esta tenha 
implementado valorização econômica do imóvel do Contribuinte.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se manifestou sobre este assunto das 
contribuições de melhoria no seguinte sentido: o fato gerador da contribuição de 
melhoria não é a consumação da obra pública, mas, sim, a “valorização imobiliária 
decorrente da obra”. Esta não pode ser presumida. Compete à Fazenda Pública 
o ônus de prová-la. A conclusão adveio da 2ª Turma do Superior Tribunal de 
Justiça, que negou ao Município de Santa Cruz do Sul (RS) direito à cobrança 
da contribuição. Vide Agravo 119.055-3 do STJ.
13.3.4. Empréstimos compulsórios
Os empréstimos compulsórios representam uma modalidade de tributo cuja 
competência será exclusiva da União e, segundo o art. 148 da CF/88, só poderá 
instituí-lo por meio de lei complementar.
Em termos de ocorrência os empréstimos compulsórios serão cobrados quando 
houver necessidade:
a. de se atender às despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, 
de guerra externa ou sua iminência;
b. de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional.
Por se tratar, em tese, de um “empréstimo”, tomado pelo Estado do Contribuinte, 
mas de forma compulsória e em certa quantidade de dinheiro, tal “resgate” deverá 
acontecer em prazo determinado, estabelecido pela legislação que o autorizou.
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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ANOTE ISSO
Temos como exemplo emblemático de ‘Empréstimos Compulsórios’ aquele criado 
no Governo Collor que atingiu a poupança de todos os brasileiros. Mas nesse 
caso o tributo foi criado de forma ilegítima, pois não havia calamidade, guerra ou 
investimento, mas sim um desequilíbrio do cenário econômico, além de que foi 
instituído por meio de uma ‘Medida Provisória’ e não por ‘Lei Complementar’. Até 
então, foi o único caso registrado, desde a promulgação da Constituição de 1988. 
Para maiores esclarecimentos sobre o tema acesse: https://www.politize.com.br/
emprestimo-compulsorio/ 
Acesso em 01/11/23.
13.3.5. Contribuições especiais
As contribuições especiais representam uma modalidade de tributo previstas nos 
art. 149 e 149-A da CF/88 e que têm por objetivo: 
(1) o financiamento de atividades específicas relacionadas a determinadas classes 
de pessoas, coletivamente representadas. São também chamadas de contribuições 
‘parafiscais’ e subdividem-se em: 
a. contribuições de intervenção no domínio econômico - exemplo: CIDE combustível;
b. contribuições das categorias profissionais ou corporativas - exemplo: contribuições 
à OAB;
c. contribuições para o financiamento de benefícios decorrentes da Previdência 
Social, a exemplo das contribuições previdenciárias (contribuições sociais), que 
financiam os ‘direitos sociais’ como a educação, saúde, moradia, lazer, etc. 
Via de regra serão instituídas pela União, mas a depender da espécie, poderá ser 
instituída pelos Estados Membros, pelos Municípios e até mesmo pelo Distrito Federal 
(COSIP - contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública).
13.4. Relação jurídico-tributária
Representam os atos processuais que compõem a sequência lógica da relação 
jurídica de natureza tributária. Apresentam-se, temporalmente, sob a seguinte ordem: 
a. hipótese de incidência;
b. fato gerador;
c. obrigação tributária;
d. lançamento tributário;
e. crédito tributário;
https://www.politize.com.br/emprestimo-compulsorio/
https://www.politize.com.br/emprestimo-compulsorio/
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f. suspensão, extinção e exclusão do crédito tributário.
13.4.1. Hipótese de incidência e Fato gerador
Hipótese de incidência representa a ocorrência em abstrato de uma situação 
capaz de gerar um fato gerador que se tornará passível de cobrança tributária. Assim, 
iImplementando-se determinada situação no mundo real que se amolde ao fato elencado 
na legislação tributária como apto a gerar a cobrança de tributos, faculta-se ao Fisco 
enquadrá-lo no fato gerador que iniciará o procedimento de cobrança.
Portanto, a ‘hipótese de incidência’ não se confunde com o Fato gerador, que 
representa o termo técnico de enquadratura do texto legal à situação real, ainda que, 
mesmo havendo fato gerador, possa não acontecer a exigência do respectivo ônus 
ao contribuinte, quando estivermos diante de situações que representam hipóteses 
de “isenção” ou de “imunidades” tributárias.
O conceito de ‘fato gerador’ encontra-se capitulado no art. 4º do CTN. Assim, 
ocorrido o enquadramento, decorrente da natureza jurídica de cada espécie, apto 
a gerar obrigações tributárias, pouco importará a ‘denominação’ que se lhe dê, ou 
a ‘determinação das partes’ constantes na relação jurídica entabulada, sequer a 
‘destinação do produto’, ou a ‘arrecadação’ advinda da cobrança tributária, para sua 
existência.
Assim, especificamente, nos aponta o referido artigo, ipsis litteris:
A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato 
gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-
la: I - a denominação e demais características formais adotadas pela 
lei; II - a destinação legal do produto da sua arrecadação.
13.4.2. Obrigação tributária: sujeito ativo e passivo
Em relação aos tributos, inexistirá faculdade quanto ao pagamento, ou seja, ‘não 
há opção’ de recolhimento pelo sujeito passivo, já que a partir do momento em que 
se enquadra nas condições estabelecidas pelo fato gerador, torna-se Contribuinte 
e, consequentemente, “obriga-se” a pagá-los ao sujeito ativo (Fisco), logicamente, 
excetuadas as hipóteses de imunidade ou isenção.
 Quanto ao cumprimento da obrigação, o pagamento pelo ‘sujeito passivo’ deverá 
ser realizado em pecúnia, ou seja, em moeda ou outro valor que nela se possa exprimir, 
como aponta o CTN em seu art. 3º, anteriormente colacionado.
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Ademais, o próprio CTN destaca, expressamente, que qualquer prestação do sujeito 
passivo ao Estado, em relação ao valor que recolheu de forma impositiva, afasta a 
existência de ‘ilícito’ que possa ensejar sanção ao Fisco, já que basta a enquadratura 
na legislação para a cobrança de forma cogente. 
13.4.3. Lançamento e Crédito tributários
A doutrina costuma pontuar que o surgimento do crédito tributário somente se 
formalizará quando houver a ligação entre a hipótese de incidência e seu fato gerador 
com o lançamento tributário por meio do chamado “nexo de causalidade obrigacional”.
O lançamento tributário, portanto, não se confunde com o fato gerador, haja vista 
que este servirá para fixar o momento do “nascimento da obrigação” estabelecida 
pela hipótese de incidência, enquanto aquele representa o ato administrativo capaz 
de formalizar e regulamentar, de forma cogente, o crédito tributário, consubstanciado 
na obrigação de pagamento do tributo.
Sempre que houver a fixação da obrigação (nexo), o ato administrativo do “lançamento” 
se fará necessário para a consequente formalização do crédito tributário em prol do 
Estado.
Título: Atos processuais que compõem a relação jurídico-tributária.
Fonte: Elaboração do Autor.
Resumindo: cada espécie tributária, concretizada sua hipótese de incidência e 
amoldada ao fato gerador, obrigará o sujeito passivo a, após seu devido reconhecimento 
pelo ato de lançamento, recolher o valor apontado pela norma (base de cálculo e alíquota 
específicas) em favor do erário público, ou seja, implementar o crédito tributário pela 
obrigação tributária que lhe foi imposta de forma compulsória.
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13.5. Hipóteses de suspensão, exclusão e extinção do crédito tributário
Inúmeras são as situações em que o crédito tributário não subsistirá, seja porque, 
temporariamente, não poderá ser cobrado, seja porque inexiste a possibilidade de 
cobrança, seja porque as imposições legais chegaram ao seu fim.
As seis hipóteses de suspensão da “exigibilidade” do crédito tributário vêm elencadas 
no art. 151 do CTN e representam situações em que o sujeito passivo ainda possui 
a obrigação tributária de quitar o montante devido. Contudo, ocorrida uma destas 
situações, sua obrigatoriedade encontra-se suspensa.
As hipóteses suspensivas, segundo a legislação tributária, formalizam-se em: I - 
moratória; II - o depósito do seu montante integral; III - as reclamações e os recursos, 
nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV - a concessão 
de medida liminar em mandado de segurança; V – a concessão de medida liminar 
ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Assim como nas hipóteses suspensivas de moratória, ou reclamações, nos 
parcelamentos, salvo disposição de lei em contrário, o crédito tributário 
restabelecido não exclui a incidência de juros e multas durante o período suspenso. 
Atente-se, porém, que no caso do parcelamento a própria lei específica, que 
estabeleceu suas regras, poderá isentar o contribuinte do pagamento de juros e 
multa, desde que assim a lei concessiva, expressamente, autorize.
Já as hipóteses de exclusão do crédito tributário encontram-se elencadas no art. 
175 e seguintes do CTN. Na verdade, a exclusão funcionará na relação tributáriacomo 
uma “benesse” (uma ajuda, um favor), vez que semelhante às formas de extinção, fará 
com que o crédito simplesmente desapareça por isenção, ou anistia.
Assim o art. 175 do CTN e seu parágrafo único, ipsis litteris:
Art. 175. Excluem o crédito tributário: I - a isenção; II - a anistia. 
Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o 
cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação 
principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. Grifamos.
A anistia, diz respeito apenas às penalidades pecuniárias, ou seja, ocorrerá apenas 
o perdão das multas, ou penalidades acessórias.
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Por fim, as hipóteses de extinção do crédito tributário, que representam a forma 
ordinária de se encerrar a obrigação e o crédito tributário, vêm elencadas no art. 156 
do CTN, in verbis:
Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; II - a compensação; 
III - a transação; IV - remissão; V - a prescrição e a decadência; VI 
- a conversão de depósito em renda; VII - o pagamento antecipado 
e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 
150 e seus §§ 1º e 4º; VIII - a consignação em pagamento, nos 
termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX - a decisão administrativa 
irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que 
não mais possa ser objeto de ação anulatória; X - a decisão judicial 
passada em julgado; XI – a dação em pagamento em bens imóveis, 
na forma e condições estabelecidas em lei. Grifamos.
Resumidamente, as formas extintivas do crédito, via de regra, recaem sobre o 
pagamento em si, ou seja, em alguma forma de desembolso do valor devido, ainda que 
por ato futuro, como acontece nos casos da compensação, da dação em pagamento, 
ou da consignação em pagamento. 
Além destas formas, também existem a transação, que representa o acordo firmado 
por meio de concessões mútuas entre as partes, no sentido de extinguir a dívida, ou 
a remissão, que ocorre sempre que a autoridade administrativa, autorizada por lei, 
perdoar o contribuinte quanto ao pagamento de tributo específico. 
Por fim, as decisões administrativas, não passíveis de recursos e as decisões judiciais 
transitadas em julgado formalizam a extinção do crédito tributário.
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CAPÍTULO 14
NOÇÕES BÁSICAS 
DE DIREITO PENAL
14.1. Conceito de Direito Penal
Representa o ramo do direito público que tem por objetivo o estudo das normas 
jurídicas criadas, preferencialmente, pelo Poder Legislativo, a exemplo do Código 
Penal (CP/40) e de outras normas heterônomas de cunho sancionador, que busquem 
desestimular determinadas ações ou omissões delitivas, sob a ameaça da imposição 
de pena.
Sob tal fundamento, o indivíduo que afronta os bens jurídicos tutelados pela lei 
penal, realizará uma conduta vedada pelo Direito Penal, ‘tipificando’ uma infração 
penal, gênero do qual são espécies o crime e as contravenções penais. 
A própria legislação diferencia o termo crime, que também poderá ser chamado 
de delito, de uma mera contravenção, aplicando ao agente transgressor, em cada 
modalidade, penas diferenciadas. 
Há de se destacar, preliminarmente, que por ser considerada uma conduta ilícita 
menos ofensiva, segundo os parâmetros sociais, a contravenção penal, também 
chamada de crime-anão, representa um ilícito de menor gravidade ou de menor potencial 
lesivo.
14.2. Crimes e contravenções penais
A Lei de Introdução do Código Penal (DL 3.914/41) em seu art. 1º fixou a regra de 
que poderá ser atribuído ao autor de um “crime” as penas de reclusão, detenção, ou 
multa, enquanto ao agente que praticar a “contravenção penal” poderão ser impostas 
as penas de prisão simples ou multa.
Em relação aos crimes, o art. 5º, inciso XXXIX da CF/88 assim estatui: não há crime 
sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal, em cópia fiel ao 
texto constante do art. 1º do Código Penal de 1940.
Tecnicamente, o conceito de crime representa um acontecimento humano, 
enquadrado como fato típico e antijurídico, ou seja, formata uma situação que se 
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amolda, perfeitamente, ao descrito pela lei penal como ‘reprovável’ e que tenha repulsa 
social capaz de gerar uma sanção, que estará presente caso o agente criminoso possa 
ser considerado culpável e punível nas condições em que praticou o delito.
Em relação ao fato típico, a doutrina o subdivide em quatro elementos intrínsecos: 
(a) conduta: representa a vontade, seja ela ativa ou passiva, decorrente do 
comportamento humano positivo ou negativo (ação ou omissão). Inexiste punição em 
relação à mera intenção no Direito brasileiro (intenção não se confunde com tentativa); 
(b) resultado: considerado a reformulação, alteração, modificação do mundo exterior 
em decorrência da conduta delitiva praticada; 
(c) Nexo de causalidade: representa o elo de ligação entre a conduta do agente e 
resultado criminoso produzido; 
(d) Tipicidade: adaptação perfeita da conduta praticada à definição da lei, que a 
considere crime.
Em relação ao fato antijurídico, condição representativa de sua ilicitude, consiste 
na verificação de que o comportamento praticado não encontra adaptação permissiva 
que possa perdoá-lo ou afastá-lo. E, portanto, a conduta não estaria acobertada por 
nenhuma causa que caracterize uma excludente de ilicitude.
Aliás, o art. 23 do CP/40 discrimina as as chamadas excludentes de ilicitude: (a) 
legítima defesa, (b) estado de necessidade, (c) estrito cumprimento do dever legal, (d) 
exercício regular do direito.
Um outro fator bastante importante, em termos de ilícito penal, diz respeito à 
possibilidade de aplicação da sanção, ou não, ao agente criminoso. Esta análise tomará 
por base outro instituto denominado culpabilidade, que apontará ao autor do delito, 
condições para que possa assumir a pena. 
Assim, apesar de haver a reprovação do agente pela expressividade da lei, haverá de 
se analisar se viável (ou não) que a vontade da norma seja obedecida, em decorrência 
da vontade do agente ao praticar o delito. 
O CP/40 considera como elementos da culpabilidade do agente:
(a) a imputabilidade: que indica a capacidade de responder pelo caráter ilícito do 
fato e de determinar-se de acordo com este durante a prática do ato; 
(b) a potencial consciência da ilicitude: condições de perceber a ilicitude do fato 
praticado, no momento que o realizou; 
(c) a inexigibilidade de conduta diversa: impossibilidade de exigir-se do agente, nas 
circunstâncias em que ocorreu o fato, que tivesse agido com outro comportamento.
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Título: Gravura de um crime de roubo nos anos 1900.
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/15/A_man_pleads_for_mercy_with_his_left_arm_as_he_is_robbed_and_Wellcome_V0041545.
jpg/800px-A_man_pleads_for_mercy_with_his_left_arm_as_he_is_robbed_and_Wellcome_V0041545.jpg
Já no que tange às contravenções penais representam infrações consideradas 
‘menos graves’ pelo legislador, em aval ao entendimento social. Encontram-se elencadas 
na Lei 3.688/41 e tipificam, por exemplo, a prática do jogo do bicho, a direção perigosa 
de veículo automotor (ainda que hoje o Código de Trânsito Brasileiro tenha regramento 
próprio), a perturbação do sossego, o mau trato de animais, etc.. 
As penas nestes casos diferem-se daquelas aplicáveis aos agentes criminosos, vez 
que o contraventores poderão responder pelas infrações mediante o cumprimento 
das penas de: 
(1) prisão simples, cujo cumprimento ocorrerá sem o rigor penitenciário, em 
estabelecimentos especiais, ou seções especiais individualizadas, dentro dos 
estabelecimentos prisionais comuns, em regime aberto ou semiaberto, pelo período 
de no máximo cinco anos;(2) multa, com caráter pecuniário e aplicada de forma cumulativa ou não. 
14.3. Aplicação da lei penal
Ainda que as regras gerais sobre a norma jurídica, bem como sua aplicabilidade, 
possam ser encontradas na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), 
algumas peculiaridades especiais, em relação à lei penal, a diferencia das demais. 
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/15/A_man_pleads_for_mercy_with_his_left_arm_as_he_is_robbed_and_Wellcome_V0041545.jpg/800px-A_man_pleads_for_mercy_with_his_left_arm_as_he_is_robbed_and_Wellcome_V0041545.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/15/A_man_pleads_for_mercy_with_his_left_arm_as_he_is_robbed_and_Wellcome_V0041545.jpg/800px-A_man_pleads_for_mercy_with_his_left_arm_as_he_is_robbed_and_Wellcome_V0041545.jpg
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14.3.1. Vigência e revogação das leis
Segundo as regras gerais do Direito brasileiro, as leis deverão vigorar num determinado 
território, ou espaço geográfico “delimitado” (territorialidade restrita), a partir das datas 
nelas indicadas ou, na omissão, em quarenta e cinco dias após a publicação, se 
vigentes dentro do país, ou em três meses, se no exterior, conforme preceitua o artº 
1º, §1º da LINDB.
Neste mesmo sentido, a lei penal pátria também admitirá tais princípios como 
regras, prevalecendo durante a investigação, apuração, julgamento e condenação 
dos delitos, sua aplicação aos indivíduos brasileiros e estrangeiros que tiverem seus 
processos tramitando no país (Princípio da territorialidade plena).
No que tange à lei penal no espaço, a apuração e julgamento ocorrerá, em regra, no 
local da conduta (omissiva ou comissiva) do fato delituoso, podendo também ocorrer 
no local em que se produziu, ou deveria produzir-se, o resultado (art. 6º do CP/40).
Em termos de implementação dos pressupostos da norma, não se confundam os 
institutos da vigência (questão temporal da lei) que representa o momento a partir 
do qual a lei poderia ser invocada para produção de seus efeitos (geralmente, com 
a data da publicação), com estar em vigor, representativo do instante em que se 
confere à lei força vinculante, em relação aos comportamentos por ela regulados, ou 
seja, formaliza o momento em que a lei ganhará obrigatoriedade.
Isto porque, poderá existir um espaço de tempo compreendido entre a publicação da 
lei e sua entrada em vigor, denominado vacatio legis (vacância da lei), lapso temporal 
necessário à assimilação social, seja da sociedade, seja dos operadores do Direito, 
para que se adaptem às novas diretrizes impostas.
Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique 
ou revogue, inexistindo revogação pelo mero desuso. Quando uma lei for totalmente 
revogada admite-se ter havido sua ab-rogação, porém quando parcialmente revogada, 
diz-se ter havido derrogação.
Destaque-se que, pelo princípio da extraterritorialidade da aplicação da lei penal, 
também as embarcações e as aeronaves brasileiras, públicas, ou a serviço do governo 
brasileiro (onde quer que se encontrem) e as de propriedade privada (quando em alto 
mar, ou o sobrevoando) serão consideradas extensões do território brasileiro.
Além disso, destaque-se que a lei autoriza em relação ao crime de genocídio, que 
em termos de competência territorial, mesmo se cometido no exterior, poderá ter 
apuração no Brasil.
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Ao contrário, em casos de agentes que gozem de imunidades diplomáticas ou 
imunidades parlamentares ficarão submetidos à Justiça do país de origem, quanto à 
apuração e julgamento dos delitos e não da Justiça local em que ocorrerem.
14.3.2. (Ir)retroatividade da lei penal
Em regra, a lei penal rege os fatos ocorridos na sua vigência e não se aplica aos 
fatos lhe que forem anteriores (irretroativas). Porém, se a lei penal for modificada 
durante o processo, ou na execução da pena, passará a prevalecer a norma mais 
favorável ao réu, ou condenado. 
Excepcionalmente, portanto, a lei nova passará a ser aplicada aos atos jurídicos já 
terminados, se a lei posterior, de qualquer modo, favorecer o agente, hipótese em que 
será aplicada aos fatos anteriores, inclusive aos já decididos por sentença condenatória 
com trânsito em julgado, passando a ser considerada retroativa
Destaque-se que, deixando o fato delitivo de ser considerado crime (abolitio criminis), 
por lei mais moderna, não mais se aplicará a lei antiga (condenatória), ao réu ou 
condenado, já que esta condição passou a ser-lhe mais favorável, aplicando-se, também, 
a condição de retroatividade.
Resumindo, a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu.
14.3.3. Ultratividade da lei temporária e da lei excepcional
A lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue, assim a regra geral constante 
da LINDB. Exceções, porém, poderão acontecer em se tratando de leis temporárias, 
ou de leis excepcionais, espécies normativas que apresentem um “termo inicial” e 
“termo final” de sua vigência. 
As leis temporárias representam aquelas editadas para vigorar apenas até certa 
data, enquanto as leis excepcionais vigorarão enquanto durarem certas circunstâncias.
Exemplificativamente, tomemos um caso em que o Brasil declarasse guerra 
a um Estado Estrangeiro e, internamente, decretasse estado de sítio. Durante 
este lapso temporal conflituoso, leis penais excepcionais e temporárias, poderiam 
ser publicadas. Aliás, o próprio contexto mundial da pandemia do coronavírus, 
autorizou a decretação do estado de calamidade pública, formalizando entre 20/03 
e 31/12/20, conforme Decreto Legislativo, regras normativas temporárias, algumas 
delas, inclusive, de natureza penal.
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14.3.4. Normas penais em branco
Norma penal em branco representa toda a norma que, ao tipificar um crime, traz em 
seu bojo um preceito genérico, indeterminado e, sobretudo, incompleto de formulações. 
Portanto, por ser considerada imperfeita, precisará receber, nas mais variadas 
medidas, alguma complementação, o que, por vezes, ocorrerá pela utilização de uma 
outra norma já vigente, noutras vezes, caberá ao legislador originário formalizar suas 
complementações, de modo a torná-la aplicável. 
A doutrina costuma dividir as formas de complementação sob dois paradigmas: 
(1) a classificação homogênea e (2) a classificação heterogênea. 
A homogênea representa aquela cujo complemento esteja em outra lei, enquanto a 
heterogênea dar-se-á quando o complemento estiver em ato normativo diverso da lei, 
tais como, portarias, decretos, resoluções, decorrentes da interpretação do legislador 
originário.
14.4. Inimputabilidade penal: menoridade, distúrbios mentais e embriaguez 
Para que um agente possa ser responsabilizado pela conduta delitiva, de modo que 
lhe condicione a imposição de pena, deverá ser declarado imputável. 
A contrario sensu, serão consideradas pela legislação penal como condições que 
excluem a culpabilidade, fazendo com que o agente seja isentando de pena (dirimentes): 
a idade inferior a 18 anos; a doença mental, ou desenvolvimento mental incompleto, 
ou retardado; a embriaguez fortuita completa; a impossibilidade de conhecimento do 
ilícito; o erro de proibição; a coação moral irresistível, dentre outras formas.
Em relação aos menores de 18 anos, serão considerados penalmente inimputáveis 
pelo critério biológico, adotado pela atual legislação, ficando sujeitos apenas às medidas 
entabuladas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 
Aliás, mesmo que casado, ou emancipado, o agente só responderá penalmente, ao 
completar 18 anos, exceto no caso de militar, que aos 17 anos poderá ser declarado 
imputável, desde que comprovado o entendimento do caráter ilícito do fato praticado. 
Em relação aos distúrbios mentais, os doentes poderão receber tratamentosdiferenciados em razão dos níveis de inimputabilidade presentes nos casos em 
concreto. Se apontado de forma total poderá, inclusive, ensejar o cumprimento de 
pena, através das chamadas medidas de segurança.
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No que tange à embriaguez, se considerada voluntária, ou culposa, não haverá 
exclusão da imputabilidade penal, enquanto no caso da embriaguez fortuita, se completa, 
isentará o agente de pena e se incompleta, reduzirá de um a dois terços a pena.
14.5 Formas de se apenar: penas privativas de liberdade, restritivas de direito e 
multas
Ser apenado representa a condição imposta ao agente delituoso em relação à 
sua perda, ou cerceamento, quanto ao direito de ir e vir (liberdade de locomoção), ou 
ainda da afronta restritiva ao seu patrimônio financeiro, imposto pelo Poder Público, 
em decorrência de decisão prolatada pelo Judiciário.
 Nos termos do Código Penal, em seu art. 32, três podem ser as espécies de penas 
admitidas: 
(1) privativas de liberdade; 
(2) restritivas de direitos; 
(3) multas pecuniárias.
As penas privativas de liberdade poderão ser subdivididas, em termos de seus 
cumprimentos, em decorrência da gravidade do delito em: 
(a) reclusão, cabível nos delitos mais graves e que tenham maiores preceitos 
secundários (valoração temporal da pena); 
(b) detenção, cabível nos ilícitos de média gravidade; 
(c) prisão simples, cabível nos ilícitos de menor gravidade e como vimos anteriormente, 
aplicáveis nos casos de contravenções penais.
Já em relação aos regimes de cumprimento de pena, a legislação penal também 
os divide sob três modalidades:
(a) regime fechado: em que o cumprimento de pena será em estabelecimento de 
segurança máxima ou média, na prática conhecido como regime intra muralhas; 
(b) regime semiaberto: cumprimento em colônia agrícola, industrial ou similar 
(também intra muros ou cercas), mas nestes o local possibilita que apenado torne-
se, nos termos da lei, um “reeducando”, vez que tem mais possibilidades de retomar 
os benefícios da convivência social livre; 
(c) regime aberto: cumprimento da pena em “casa do albergado”, ou “estabelecimento 
adequado” (art. 97 da lei 7.210/84 - Lei de Execuções Penais), sendo que na falta 
poderá ser imposta prisão domiciliar (art. 117 da mesma lei).
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Já as penas restritivas de direitos representam uma alternatividade ao próprio 
cumprimento das privativas de liberdade, até porque, nos termos do art. art. 5º, inciso 
XLVI da CF/88, a prisão deverá ser imposta em último caso, devendo ser, sempre que 
possível, aplicado a pena substitutiva. Neste caso, serão aplicadas no momento da 
sentença de eventual condenação, após fixada a privativa de liberdade e determinação 
da substituição em decorrência do preenchimento de requisitos legais previstos no 
art. 44 do Código Penal.
Por fim, as multas pecuniárias representam a imposição ao condenado da obrigação 
de pagar determinada quantia em dinheiro, calculada na forma de dias-multa, atingindo 
seu patrimônio financeiro.
Fixam-se os dias-multa determinando-se o número de dias entre o mínimo de 10 e 
o máximo de 360 dias, atendendo-se à gravidade do crime. A partir daí, fixa-se o valor 
de cada um destes dias-multa com base no salário mínimo vigente à época.
ANOTE ISSO
O quantum da pena também refletirá no regime a cumprir-se, nos termos do art. 
33 do Código Penal. Caso a condenação seja igual, ou inferior, a quatro anos e 
o condenado seja primário, o regime será o aberto. Tratando-se de condenação 
superior a quatro anos e que não exceda de oito, tratando-se de primário, poderá 
iniciar em regime semiaberto. Se a pena for superior a oito anos, o regime inicial 
será obrigatoriamente fechado.
Título: Ilustração do “panóptico”: espécie de prisão com vigilância de 360 graus do “ambiente prisional”. 
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/11/Panopticon.jpg/800px-Panopticon.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/11/Panopticon.jpg/800px-Panopticon.jpg
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14.6. Algumas formas de extinção da punibilidade 
As causas extintivas da punibilidade representam a extinção do próprio poder punitivo 
do Estado. Na verdade, representam eventos posteriores ao fato delitivo que excluem 
do Estado o poder de punir.
Normalmente, o poder de punir se extinguiria com a total satisfação da pretensão, 
ou seja, após o cumprimento da pena imposta pelo Estado (extinção natural), mas, por 
vezes, existem outras formas extintivas apontadas pela legislação como autorizativas. 
Dentre inúmeras outras, há de se destacar: a morte do agente, a anistia, a graça e 
o indulto, além do perdão judicial. 
Em relação à morte do agente, o Juiz ao ter conhecimento de sua Certidão de Óbito, 
durante a instrução criminal, ou até mesmo durante o cumprimento da pena, deverá 
declarar extinta a punibilidade.
Sob tal hipótese, a jurisprudência tem se manifestado no sentido de que inexistirá 
trânsito em julgado, de modo que apurada a falsificação na declaração do óbito, por 
exemplo, Certidão de Óbito falsificada, em revisão criminal, será possível a retomada 
da execução, até porque, na verdade, o requisito para a extinção da punibilidade seria 
a morte real e não a referida Certidão. 
As três formas apontadas acima, a anistia, a graça e o indulto representam outras 
formas de dispensa de aplicação da lei penal e têm bastante similitude. 
No que tange à concessão da anistia, ela excluirá o crime em si, apagando a infração 
penal. Será concedida por meio de lei, abrangendo fatos e não pessoas, podendo 
ocorrer antes, ou depois, da prolação da sentença. Rescinde a condenação, mesmo 
que transitada em julgado. Aplica-se, via de regra, a crimes políticos e não abrange os 
efeitos civis decorrentes da condenação. Afastará, sempre, a condição de reincidente.
Já o indulto, exclui apenas a punibilidade e não o crime em si, pressupondo a 
condenação com trânsito em julgado. Caberá sempre ao Presidente da República 
sua concessão e poderá ser destinada a um grupo de sentenciados, ou direcionado, 
unicamente, a um condenado. Não afastará a condição de reincidente.
Em relação à graça, que se assemelha bastante ao indulto, também poderá ser 
concedida como forma de comutação a pena pelo legislador, podendo haver, inclusive, 
a substituição da pena a ser cumprida por outra mais leve.
Atualmente, é pacífica a postura de que não será possível a concessão de graça, 
anistia, ou indulto, nos crimes de tortura, terrorismo, tráfico de entorpecentes e drogas 
afins, bem como nos crimes definidos em lei como hediondos, haja vista que, além de 
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constar expressamente na CF/88, encontra fundamentação no Estatuto da Criança e 
e do Adolescente (ECA - Lei 8.072/90).
Por fim, em relação ao perdão judicial como forma de extinção da punibilidade, 
assevere-se tratar de um “favor” dado pelo julgador àquele que já sofre para além 
dos efeitos da condenação. 
No caso do perdão, será o juiz quem deverá concedê-lo, desde que o agente preencha 
os requisitos legais, perdoando-se o fato.
Por ser considerado um ato jurídico ’bilateral’, o perdão poderá ser recusado pelo 
agente, por meio, expressamente, consignado nos autos do processo e seu silêncio 
importará aceitação. 
Diferentemente das formas anteriores, o perdão judicial somente poderá ser 
concedido até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória.
Título: Em maio de 2023 o STF anulou o indulto concedido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro que extinguiu a pena imposta ao ex-deputado Daniel Silveira. 
Por maioria, o colegiado entendeu que houve “desvio de finalidade” na concessão do benefício. O ex-parlamentar responde hoje pelos crimes que lhe foramimputados.
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/de/Daniel_Silveira_%28cropped%29.jpg/800px-Daniel_Silveira_%28cropped%29.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/de/Daniel_Silveira_%28cropped%29.jpg/800px-Daniel_Silveira_%28cropped%29.jpg
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CAPÍTULO 15
NOÇÕES BÁSICAS DE 
DIREITO DO CONSUMIDOR
15.1. Legislação básica: o Código de Defesa do Consumidor
As relações de consumo, fundamentalmente, são tuteladas pelas diretrizes constantes 
na Lei 8.078/90, que estatui o chamado Código de Defesa do Consumidor, ou CDC.
 Tal legislação consumerista dispõe sobre a proteção do consumidores e deveres 
dos fornecedores de produtos e serviços, topologicamente, dividindo-se da seguinte 
maneira:
a. Título I: direitos do consumidor, políticas públicas nas relações de consumo, 
práticas comerciais e sanções administrativas (art. 1º ao art. 60);
b. Título II: crimes contra as relações de consumo, agravantes e atenuantes 
aplicáveis após a tipificação das infrações (art. 61 ao art. 80);
c. Título III: formas de defesa do consumidor em juízo (art. 81 ao art. 104-C);
d. Título IV: órgãos oficiais que compõem o Sistema Nacional de Defesa do 
Consumidor (art. 105 e art. 106 do CDC);
e. Título V: Convenção Coletiva de Consumo, consubstanciada pelas Entidades 
Civis e Associações (art. 107 e art. 108 do CDC);
f. Título VI: disposições finais que formalizam as regras de adaptação e aplicação 
dos conceitos entabulados na norma (art. 109 ao art. 119 do CDC).
15.2. Termos e conceitos essenciais do CDC
Alguns conceitos da legislação consumerista, apesar de básicos, são essenciais 
para uma verdadeira compreensão acerca do tema.
Aliás, por primeiro, há de se destacar que por tratar-se de um ramo bastante mutável, 
comumente atualizado, seja por meio de outras leis (leis esparsas ou extravagantes), 
seja através de alterações pontuais, realizadas no próprio texto do CDC, como ocorreu 
em 2.022 (Serviço de Atendimento ao Consumidor), há de se ficar bastante atento 
para que não se incorra na utilização de normativas desatualizadas.
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15.2.1. Consumidor e Fornecedor
A definição básica de consumidor, vem elencada no art. 2º do CDC nos seguintes 
termos: Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou 
serviço como destinatário final. Grifamos.
Depreende-se da definição que para ser considerado consumidor o ente precisará 
retirar o bem de circulação do mercado, exaurindo-o, ou seja, não poderá empregá-lo 
novamente na circulação em meio à sua cadeia de consumo, nem sequer para fins 
de exercício de sua própria atividade.
Por conseguinte, o consumidor representa aquele ente que esgota a atividade de 
consumo em si mesmo, vez que ele próprio adquire e realiza a função do bem, não o 
tratando como mero insumo em eventual operação posterior.
Destaque-se, ainda, que a legislação consumerista possibilitou à pessoa jurídica 
também ser considerada consumidora, desde que respeite as objetivas constantes 
da legislação, - “adquirir” ou “utilizar” o produto como consumidor final.
Apesar disso, há de se destacar que parte da doutrina, no intuito de abarcar maior 
número, em potencial, de consumidores tutelados, vem adotando a postura de que seria 
aceitável o consumo intermediário, ou seja, o reemprego do bem obtido na atividade 
do agente, reitere-se, postura, que além de minoritária no próprio meio doutrinário, 
não foi recepcionada pelos entendimentos dos Tribunais pátrios, nem tampouco pelo 
Superior Tribunal de Justiça (STJ), como a seguir se destaca.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Figura do consumidor “intermediário” para efeitos de definição do CDC. Não 
possibilidade. Postura majoritária, mas não pacífica. 
Para maiores informações sobre esta postura jurisprudencial acesse o endereço 
eletrônico do Superior Tribunal de Justiça - STJ e verifique o conteúdo da decisão 
prolatada em sede do Recurso Especial - REsp. 1.195.642/RJ. Disponível em:
https://www.stj.jus.br/websecstj/cgi/revista/REJ.cgi/ITA?seq=1194152&tipo=0&
nreg=201000943916&SeqCgrmaSessao=&CodOrgaoJgdr=&dt=20121121&format
o=HTML&salvar=false
Acesso em 02/11/23.
https://www.stj.jus.br/websecstj/cgi/revista/REJ.cgi/ITA?seq=1194152&tipo=0&nreg=201000943916&SeqCgrmaSessao=&CodOrgaoJgdr=&dt=20121121&formato=HTML&salvar=false
https://www.stj.jus.br/websecstj/cgi/revista/REJ.cgi/ITA?seq=1194152&tipo=0&nreg=201000943916&SeqCgrmaSessao=&CodOrgaoJgdr=&dt=20121121&formato=HTML&salvar=false
https://www.stj.jus.br/websecstj/cgi/revista/REJ.cgi/ITA?seq=1194152&tipo=0&nreg=201000943916&SeqCgrmaSessao=&CodOrgaoJgdr=&dt=20121121&formato=HTML&salvar=false
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Já o fornecedor tem concepção polivalente em relação à possibilidade de agentes 
que se formatam, segundo a lei. Representa-se conforme os apontamentos do art. 
12 do CDC, ora transcrito:
a. aquelas pessoas que realizam atividades de fabricação (fabricante), produção 
(produtor) e comercialização, além de construção (construtor), quando serão 
chamados pela doutrina de fornecedores reais;
b. aquelas pessoas que realizam atividades de importação (importadores de 
produto industrializado, ou in natura), quando serão chamados pela doutrina 
de fornecedores presumidos.
Independentemente do enquadramento, em ambas as situações responderão pela 
reparação dos danos causados aos consumidores pelos defeitos decorrentes dos atos 
a que se propuseram realizar.
O art. 3º do CDC reconhece ser o “fornecedor”:
Toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional 
ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que 
desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, 
construção, transformação, importação, exportação, 
distribuição ou comercialização de produtos, ou prestação 
de serviços.
Aliás, nestas condições, caberá ao fornecedor tutelar a proteção e a saúde dos adquirentes 
de seus produtos ou serviços disponibilizados no mercado de consumo, devendo, por 
exemplo, não colocar em circulação produtos ou serviços que apresentem alto grau de 
nocividade ou periculosidade, corrigir vícios de quantidade do produto ofertado, etc..
Segundo o art. 14 do CDC, o fornecedor também responderá pela reparação dos 
danos causados aos consumidores em decorrência de informações insuficientes ou 
inadequadas sobre a fruição e riscos possíveis na utilização dos bens, porém não 
responderá quando provar que o defeito inexistia quando os forneceu, ou prestou os 
serviços, tampouco quando a culpa for exclusiva do consumidor, ou de terceiros, no 
evento danoso.
15.2.2. Produtos e serviços
Os produtos representam quaisquer bens móveis ou imóveis, corpóreos ou 
incorpóreos, transferidos ao consumidor final, que tenham valor pecuniário e atendam 
às necessidades humanas, assim, basicamente, os termos do art. 3º, §1º do CDC.
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Em termos de divisão prática e conexão aos eventuais efeitos punitivos, a norma os 
diferencia em produtos duráveis, aqueles que não são consumíveis de plano, ou seja, 
têm uma utilização ‘reiterativa’, que se prolonga no tempo, por exemplo a utilização 
dum carro, enquanto os produtos não duráveis representam aqueles que se consomem 
‘imediatamente’, logo após (ou com) o primeiro uso, por exemplo, o que ocorre com 
os itens de alimentação.
O art. 18 do CDC, ao tratar da responsabilidade por vícios do produto e dos serviços, 
impõe aos fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis a obrigação 
de que respondam, solidariamente, pelos vícios de qualidade, ou quantidade, que os 
tornem impróprios ou inadequados ao consumo.
Já os serviços se formalizam por meio das atividades prestadas por alguém 
(pessoas físicas ou jurídicas) a outrem (consumidor)mediante remuneração deste 
àquele, lembrando que os ‘serviços’ ocorridos nas relações de trabalho (prestação de 
serviços dos trabalhadores autônomos), realizados mediante prestação pessoal e suas 
contraprestações em forma de remunerações, por terem caráter laboral, submetem-
se à apreciação da CLT, jamais à Justiça Comum, ou às regras insculpidas no CDC.
ANOTE ISSO
O “vício redibitório” representa aquele considerado oculto, imperceptível, de difícil 
constatação, pois o consumidor ao adquirir o produto sequer poderia imaginar 
sua existência, uma vez que, externamente, sua aparência e funcionalidade eram 
condizentes com quaisquer outros bens naquela situação.
15.2.3. Inversão do ônus probatório
Diz respeito à questão da “prova de direito alegada” em questionamentos na via 
judicial. 
Assim, presume a lei consumerista que, em havendo dificuldades do consumidor 
para materializar sua prova e, no intuito de facilitar sua tutela de direitos, o juiz poderá 
inverter a ordem normal apresentada pela Teoria Geral do Processo, que informa ter 
o ônus probatório aquele que alega seu direito (a prova do direito incumbe a quem o 
alegar).
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Assim, impõe-se que as alegações da parte considerada fraca ou hipossuficiente 
(nas relações consumeristas, será o consumidor) sejam provadas, por negativa, pelas 
partes hipersuficientes (prova da “não alegação” do consumidor).
A inversão do ônus da prova é medida, portanto, excepcional, via de regra, cabível 
nos ramos do Direito em que existe a presunção (relativa) de que um dos lados tenha 
mais condições (poder) de agir, processualmente, em relação à outra, justamente 
como ocorre nas relações de consumo.
15.2.4. Hipossuficiência do consumidor
A questão da hipossuficiência, representada pela ‘Teoria Finalista no Direito brasileiro’ 
e que o STJ encampou em sua jurisprudência, encaixa no conceito de consumidor 
“apenas” aqueles que sejam considerados realmente vulneráveis na relação jurídica.
Assim como ocorre nestas relações, em todos os demais ramos do Direito em que 
se acentuam as ‘diferenciações’ em termos de “poder da partes”, ou seja de pleitearem 
seus direitos amplamente, existirá sempre um certo desnível (desproporcionalidade) 
de forças a se considerar, cuja equivalência prática retrata-se por meio da presunção 
legal dada aos considerados “hipossuficientes”. 
Justamente por isso, numa análise valorativa de direitos, sempre que o objeto 
litigioso pender entre ambos os lados da demanda deverá o intérprete da norma, ou até 
o mesmo o julgador, decidir em prol do consumidor, tendo em vista que a legislação 
optou por colocá-lo num patamar de maiores dificuldades, ou seja, presumiu-o como 
a parte fraca.
15.3. Direitos básicos dos consumidores e a responsabilidade dos fornecedores
O art. 6º do CDC estabelece um rol bastante extenso em termos de direitos básicos 
do consumidor, com várias situações expostas num rol exemplificativo. Deste modo, 
a colação, ipsis litteris:
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: I - a proteção da vida, 
saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no 
fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou 
nocivos; II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado 
dos produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a 
igualdade nas contratações; III - a informação adequada e clara 
sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta 
de quantidade, características, composição, qualidade, tributos 
incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem; 
INTRODUÇÃO AO DIREITO
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IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos 
comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas 
e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos 
e serviços; V - a modificação das cláusulas contratuais que 
estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão 
de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; 
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, 
individuais, coletivos e difusos; VII - o acesso aos órgãos judiciários 
e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de danos 
patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada 
a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados; VIII 
- a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão 
do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério 
do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, 
segundo as regras ordinárias de experiências; IX - (Vetado); X - a 
adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral; XI - a 
garantia de práticas de crédito responsável, de educação financeira 
e de prevenção e tratamento de situações de superendividamento, 
preservado o mínimo existencial, nos termos da regulamentação, por 
meio da revisão e da repactuação da dívida, entre outras medidas; 
(Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021); XII - a preservação do mínimo 
existencial, nos termos da regulamentação, na repactuação de dívidas 
e na concessão de crédito; (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021); 
XIII - a informação acerca dos preços dos produtos por unidade de 
medida, tal como por quilo, por litro, por metro ou por outra unidade, 
conforme o caso. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021). Parágrafo 
único. A informação de que trata o inciso III do caput deste artigo 
deve ser acessível à pessoa com deficiência, observado o disposto 
em regulamento.
De uma forma bastante simples e objetiva, direitos básicos representam aquelas 
tutelas mínimas assecuratórias aos cidadãos/consumidores, no sentido de que os 
produtos e serviços colocados em circulação no mercado não poderão acarretar-lhes 
riscos à saúde ou à segurança.
Em vários outros momentos da Lei do Consumidor, o legislador preocupou-se 
em tutelar não só os consumidores, mas também as atividades em que se vêem 
envolvidos, protegendo-os com viés, muitas vezes, transindividual, em relação às 
possíveis intercorrências difusas que possam acontecer.
Exemplificativamente, o art. 14 do CDC aponta que o fornecedor responderá pela 
reparação dos danos causados aos consumidores, em decorrência de informações 
insuficientes ou inadequadas no que tange à fruição e possíveis riscos na utilização 
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de produtos e serviços, porém não responderá quando provar que o defeito inexistia 
quando os forneceu, ou quando a culpa for exclusiva do consumidor. 
O fornecedor, porém, não se eximirá da responsabilidade com a mera alegação 
de sua ignorância sobre os vícios de qualidade, ou por inadequação no trato de seus 
produtos e serviços.
Percebe-se, pois, que apesar de tratar-se de direitos “dos consumidores”, o beneficiário 
destas formulações éticas também poderá ser o ‘fornecedor’, justamente no momento 
em que passa a ter a garantia do exercício de uma atividade econômica mais segura, 
por exemplo, com a redução de riscos e com gastos não provisionados, o que poderá 
resultar-lhe em fidelização de clientes, reconhecimento social e outras benesses 
econômicas.
15.4. Reparação de danos nas relações de consumo
A solução de conflitos no que tange aos direitos e obrigações dos consumidores e 
dos fornecedores, em relações de consumo, poderá fazer-se por meio da via extrajudicial, 
ou da via judicial.
Por meio da via extrajudicial, tanto o consumidor como o fornecedor poderão, 
em tempo hábil, realizar suas defesas perante vários órgãos específicos de proteção 
das relações de consumo. A Fundação Procon - Programa de Proteção e Defesa do 
Consumidor representa uma delas. 
Título: Unidade móvel de atendimento da Fundação Procon em São Paulo.
Fonte:https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Procon_M%C3%B3vel_SP.jpg
Noutro sentido, por meioda via judicial será o Juizado Especial Cível o responsável 
por julgar as demandas em que exista litígio versando sobre as relações consumeristas.
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Procon_M%C3%B3vel_SP.jpg
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ANOTE ISSO
O atual “Juizado Especial Cível”, conhecido pelos leigos por “Juizado de Pequenas 
Causas”, será admitido a decidir sobre as relações de consumo, desde que a 
demanda se submeta aos parâmetros financeiros pertinentes à sua competência, 
ou seja, limitado ao teto financeiro de 40 (quarenta) salários mínimos. Acima deste 
parâmetro, será necessária a submissão da demanda à Justiça Comum Estadual. 
Acrescente-se que, em termos de reparação dos danos ocorridos nas relações 
de consumo, haverá a possibilidade de aplicação de alguns institutos do Código de 
Processo Civil, que por vezes não constam, expressamente, do CDC. 
Assim, por exemplo, a aplicação de multa diária em função do descumprimento 
da decisão judicial (astreintes), a multa por litigância de má-fé (quando a parte litiga 
em seu favor, sabendo que o faz de modo protelatório, ou sem buscar a verdade 
como objeto da demanda, etc.) e as ações regressivas, são todas medidas judiciais, 
plenamente cabíveis nos litígios consumeristas (CDC, art. art. 84, §4º, art. 87 e art. 88).
15.4.1. Prazos para reclamar
Para que os consumidores possam reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil 
constatação, o art. 26 do CDC, estipula os chamados prazos decadenciais. Neste 
sentido, consubstanciam-se sob os seguintes parâmetros:
a. trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis;
b. noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis, 
iniciando-se a contagem do prazo a partir da entrega efetiva do produto, ou 
término da execução dos serviços.
Em relação ao prazo prescricional, o art. 27 da legislação assevera que:
Prescreverá em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos 
causados por fato do produto ou do serviço, iniciando-se sua 
contagem a partir do conhecimento do dano e da autoria. Grifamos.
Lembrando-se que a decadência representa o instituto que “mata” o próprio direito, ou 
seja, decorrido o prazo decadencial estipulado pela lei, o direito afrontado só poderá ser 
tutelado caso nova hipótese aconteça, já que em relação àquela hipótese a legislação 
lhe previu um prazo máximo para que fosse questionada e, agora que foi atingido, o 
lesado nada fez. 
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Já a prescrição representa o prazo possível e viável em que aquele que sucumbe 
(perde) terá o direito de agir em função de sua pretensão e do seu ‘direito de ação”, 
pela via judicial.
15.4.2. Sanções administrativas
Em termos de sanções administrativas, as entidades fiscalizadoras do Estado ficarão 
responsáveis pelo controle dos atos praticados na cadeia consumerista. 
Representam, portanto, espécies de tutelas extrajudiciais, possíveis de realizar a 
apreensão, inutilização, cassação, interdição (de produtos, serviços, estabelecimentos), 
inclusive determinar a contrapropaganda para esclarecer os lesados sobre os 
desdobramentos das punições, dentre outras várias formas previstas nos art. 55 e 
56 do CDC.
Deste modo, as Autoridades Administrativas, no âmbito de suas atribuições, poderão 
aplicar, cumulativamente, inclusive, por meio de medidas judiciais que antecedam o 
‘procedimento administrativo’, suas formas de controle, acompanhadas de sanções 
de natureza civil, penal, ou outras imposições definidas em normas específicas.
15.4.3. Infrações penais
As infrações de natureza penal, por sua vez, encontram-se capituladas em forma 
de tipos penais, constantes nos art. 61 e seguintes do CDC.
E assim, punirão, por exemplo, o fornecedor que omitir sinais ou dizeres sobre a 
nocividade ou periculosidade nos produtos fornecidos, dentre uma dezena de outros 
crimes específicos que podem ser perpetrados nas relações consumeristas. 
Sem prejuízo, dos tipos penais elencados no CDC, o Código Penal poderá ser utilizado 
toda vez que os limites da lei consumerista forem ultrapassados.
15.5. Práticas comerciais abusivas e de proteção contratual
Todas as práticas consumeristas necessitarão apresentar informações precisas, ou 
formas publicitárias legítimas, em relação às ofertas veiculadas pelos fornecedores, 
seus prepostos ou seus representantes autônomos, vez que dentro da cadeia de 
representação, todos se obrigam a cumprir, integralmente, os contratos que vierem a 
ser celebrados em função destas divulgações (art. 30 e 34 do CDC).
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Assim, o CDC estabelece regras para que a publicidade possa ser facilmente 
compreendida, vedando as formas enganosas, ou abusivas, nos termos dos §§ 1º e 
2º do art. 37, in verbis: 
§1°. É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação 
de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer 
outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o 
consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, 
quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados 
sobre produtos e serviços. 
§2°. É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer 
natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, 
se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, 
desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o 
consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua 
saúde ou segurança.
Destaque-se que a própria legislação aponta ser desnecessária a inversão do ônus da 
prova em se tratando de publicidades veiculadas pelo fornecedor, tendo em vista que, 
por ter determinado, expressamente, seu conteúdo, trouxe para si o ônus probatório 
da veracidade e da correção da informação, ou comunicação publicitária, que caberá 
a ele patrocinar.
Em relação às práticas abusivas, o art. 39 do CDC estabelece vedações do fornecedor 
na entrega, ou fornecimento, de produtos ou serviços ao consumidor, traçando num 
rol bastante extenso todas as hipóteses em que incorrerá nas penas e sanções 
referenciadas no tópico anterior (infrações penais).
Nos artigos finais, abordará o CDC, as formas de se cobrarem as dívidas não pagas 
pelo consumidor, exposição pública a situações vexatórias, além de tratar do acesso 
às informações, cadastros e registros em relação aos dados pessoais armazenados 
pelo Estado, autorizando que quaisquer pessoas, por meio dos órgãos oficiais de 
defesa do consumidor, possam requerer-lhes acesso para orientação e consulta (art. 
44 do CDC).
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CONCLUSÃO
Um trabalho sobre temas tão variados, legislações tão distintas, amplas e 
especializadas, como estas que analisamos, não se encerra facilmente.
Longe de esgotarmos os temas analisados, esperamos ter conseguido traçar as 
diretrizes fundamentais dos mais variados ramos do Direito, para que você ande por 
meio de seus próprios passos na elucidação e entendimento de cada um deles. 
Basicamente, você deve ter percebido que mostramos existir, sempre, uma conexão 
de conteúdos, que liga todos os ramos do Direito, numa evidente concatenação temática 
da Ciência Jurídica (e do mundo jurídico em si) com a vida prática, formalizada por meio 
de diretrizes e decisões advindas dos mais variados aplicadores do Direito (Advogados, 
Juízes, Promotores, Especialistas de outras Ciências, etc.).
Nossas divagações, desde as ideias fundamentais acerca da constituição do 
próprio “conceito de Direito”, nos capítulos iniciais (capítulos 1 a 8) até sua máxima 
especialização, decorrente das diretrizes do “Código de Defesa do Consumidor” no 
capítulo final (capítulo 15), só demonstram quão amplo e ramificado é o arcabouço 
da seara jurídica queVocê se propôs a estudar.
Seara, aliás, muito bem sedimentada sob dois pilares distintos em termos de 
amplitude das relações (a partir de hoje, não se esqueça de analisar isso, antes de 
começar a estudar qualquer ramo jurídico): - dum lado, os ramos restritivos à autonomia 
da vontade das partes, a exemplo do Direito Civil, do Direito Empresarial, do Direito 
do Trabalho (apesar da natureza ‘híbrida’ a que nos propusemos defender no capítulo 
12), etc. e; - doutro lado, os ramos em que a natureza pública, o interesse público e, 
por fim, o bem comum, tornam-se, sempre, mais relevantes nas diretivas protetivas 
do cidadão - o Direito Penal, o Direito Constitucional, o Direito Administrativo, etc. 
Além disso, não se esqueça nunca de que o estudo do Direito, em meio a esta 
modernidade líquida, parafraseando Zygmunt Bauman, não pode ser admitido de forma 
focada (centrada) apenas em legislações de base – o CTN, o CP, o CDC, o CC, etc., 
mas necessário amoldá-las, todas, às mais diversas complexidades e Ciências afins 
(Psicologia Forense, para se entender o Direito Penal, Medicina do Trabalho para se 
entender o Direito Trabalhista, dentre inúmeros outros sub-ramos que compõem as 
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Ciências Jurídicas e que surgem a cada dia) e, portanto, essencial a aproximação do 
Direito com os mais diversos temas atuais, para que se possa entendê-lo em essência.
 Outro ponto, do qual Você não poderá mais se afastar, diz respeito ao reconhecimento 
da importância de que o “sistema” jurídico funciona de modo principiológico, de tal 
sorte que sempre haverá um objeto que fundirá em si todos os conceitos, mais variados, 
de um ramo (a sustentação da norma só ocorrerá quando houver sua adaptação aos 
princípios que regem o ramo jurídico em que se predispôs a surgir) e não será diferente 
com suas legislações. Aliás, atente-se sempre a isto e não se olvide de analisá-los 
como gênero e espécies de um todo relativo, como fizemos com os temas analisados, 
na maioria dos capítulos.
Por fim, reflita e verifique que ao longo deste estudo, buscamos observar aspectos e 
desdobramentos dos mais variados ramos do Direito, seja ele ligado à Teoria subjetiva 
do Direito, seja ele ligado à Teoria Objetiva do Direito (seria impossível, neste momento, 
retomar um a um) mas, agora que Você tem estas informações básicas, considere-se 
habilitado(a) a expandir seus conhecimentos e aplicá-los à sua realidade acadêmica 
e profissional. 
Por fim, fica o incentivo ao estudo mais aprofundado dos temas a que nos propusemos 
conversar, de modo que possam afastar eventuais dúvidas e dificuldades que Você 
venha a encontrar em sua jornada. 
Intensifique seu aprendizado e acredite! 
Prof. Efren.
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ELEMENTOS COMPLEMENTARES
LIVRO
Título: [O caso dos exploradores de caverna]
Autor: [Lon L. Fuller. Tradução de Plauto Faraco de Azevedo]
Editora: [Sérgio Antônio Fabris Editor]
Sinopse: [O caso dos exploradores de cavernas é uma 
introdução à argumentação jurídica que traz o debate sobre a 
preservação da vida e da forma como podemos criar “normas” 
sociais e, também, apresenta contornos para a análise do 
debate jurídico, do papel dos juízes e das leis na sociedade. 
Afinal a obra tem como ponto central a execução do justo e 
da equidade, que é a aplicação do direito ao caso concreto. 
E nesse diapasão que caminham todos os julgamentos e 
expressões dos juízes envolvidos no caso.]
FILME
Título: [Revolução em Dagenham]
Ano: [2010]
Sinopse: [O filme retrata a greve de 1968 nas 
fábricas da Ford em Dagenham, que interrompeu a 
produção enquanto as mulheres protestavam contra a 
discriminação sexual e lutavam por aumentos salariais. 
Segundo especialistas, foi uma ação decisiva para que 
o Parlamento Britânico aprovasse o Projeto de Paridade 
Salarial de 1970. ]
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WEB
O professor Miguel Reale, talvez o maior expoente do Direito brasileiro quando o assunto 
é Filosofia Jurídica, tratou em sua obra “Teoria Tridimensional do Direito” dos conceitos: 
fato, valor e norma, como essenciais à própria existência do Direito, ou seja, o Direito 
só existe como algo fluido e acessível ao cidadão quando presentes as três premissas 
destacadas agindo em cojunto. Em uma de suas colocações assevera: 
Mister é não olvidar que a compreensão do Direito como “fato histórico-cultural” implica 
o conhecimento de que estamos perante uma realidade essencialmente dialética, 
isto é, que não é concebível senão como “processus” cujos elementos ou momentos 
constitutivos são fato, valor e norma (Miguel Reale, in Teoria Tridimensional do Direito).
Entenda um pouco mais acerca da mundialmente famosa Teoria Tridimensional do 
Direito, fazendo a leitura do texto, cujo link segue a seguir colacionado. Boa leitura!
<https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/revistaestudosfilosoficos/art14%20
rev14.pdf>
Publicado na “Revista Estudos Filosóficos nº 14/2015”.
http://www.ufsj.edu.br/revistaestudosfilosoficos
DFIME – UFSJ - São João del-Rei-MG
Pág. 201 - 212
https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/revistaestudosfilosoficos/art14%20rev14.pdf
https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/revistaestudosfilosoficos/art14%20rev14.pdf
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INTRODUÇÃO AO DIREITO
PROF. EFREN FERNANDEZ POUSA JUNIOR
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 178
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	AS RELAÇÕES SOCIAIS: ORIGENS E CONCEITOS DO ESTADO DE DIREITO
	NOÇÃO DE DIREITO E CONCEITOS JURÍDICOS FUNDAMENTAIS
	INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO E A NATUREZA OBJETIVA DA NORMA
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	DOMICÍLIO DAS PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS
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