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História Antiga: Mundo Greco-Romano O mundo Grego Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Profa. Dra. Andrea Borelli Revisão Textual: Prof. Ms. Claudio Brites. 5 Atenção Para um bom aproveitamento do curso, leia o material teórico atentamente antes de realizar as atividades. É importante também respeitar os prazos estabelecidos no cronograma. Nesta unidade, vamos tratar da civilização grega, cujas descobertas perduram até hoje. Os gregos são fundamentais para compreendermos a contemporaneidade, o seu teatro e sua arte são patrimônios inestimáveis da humanidade, a sua filosofia e política influenciaram grande parte do pensamento do Ocidente. O mundo Grego · Introdução · As Civilizações Minoica e Micênica · A Grécia Continental · A vida cotidiana · Arte e Arquitetura 6 Unidade: O mundo Grego Contextualização Fonte: W ikim edia C om m ons Diante de tamanha perfeição, é impossível deixar de lembrar dos Jogos Olímpicos e de tantas outras contribuições deixadas pela antiga civilização grega. Vamos discutir, nesta unidade, os aspectos mais relevantes da Grécia Antiga, considerada “o berço da civilização ocidental”. 7 Introdução A Grécia Antiga é chamada de o berço da civilização ocidental, devido as suas contribuições em áreas com a política, filosofia, artes e tantas outras. Há cerca de 2.500 anos, os gregos criaram instituições e um modo de vida que serviram de inspiração a outros povos – os romanos, por exemplo, admiravam a arte produzida pelos gregos. Além disso, eles foram os responsáveis pelo conceito da democracia, pela ideia dos Jogos Olímpicos e por muitas contribuições na área das ciência e da filosofia. Os gregos antigos viviam na Grécia Continental, onde se encontram as ilhas gregas, também na região da atual Turquia e em colônias espalhadas ao redor da costa do mar Mediterrâneo. Além disso, habitavam a Itália, a África do Norte e o extremo oeste da França. A Grécia Continental é um território montanhoso, quase completamente cercado pelo Mar Mediterrâneo e tem invernos amenos e verões longos, quentes e secos . As Civilizações Minoica e Micênica A civilização minoica floresceu durante a Idade do Bronze na ilha de Creta – entre 2000 a.C. e 1500 a.C. Os minoicos ficaram conhecidos por sua arte, arquitetura e por sua contribuição significativa para o desenvolvimento da civilização da Europa Ocidental. O arqueólogo Sir Arthur Evans foi o grande responsável pela redescoberta desta civilização com suas escavações na região do antigo palácio de Cnossos, entre 1900-1905. Evans descobriu grandes ruínas que confirmavam os relatos antigos –literários e mitológicos – da existência de uma civilização bastante sofisticada na ilha. Foi Evans que cunhou o termo minoica em referência ao lendário Rei Minos. Os assentamentos minoicos, túmulos e cemitérios foram encontrados em toda Creta, mas os principais eram Cnossos, Faistos, Malia e Zakros . Fo nt e: c aç em da riu .c om 8 Unidade: O mundo Grego Fonte: Wikimedia Commons Em cada um desses locais foram encontradas grandes estruturas com dois ou três andares cobrindo vários milhares de metros quadrados onde parece ter funcionado um centro administrativo, comercial, religioso e possivelmente político. A relação de poder entre esses centros, que ficaram conhecidos como palácios, e da ilha como um todo não é clara devido à falta de evidências arqueológicas e literárias. Parece claro, porém, que os palácios exerciam algum tipo de controle em particular na coleta e no armazenamento de materiais como vinho, azeite, cereais, metais preciosos e cerâmica. A ausência de fortificações nos assentamentos sugere uma coexistência relativamente pacífica entre as diferentes comunidades; contudo, a presença de armas – tais como espadas, punhais, armaduras e capacetes – também sugere que confrontos entre os grupos locais devem ter existido. Os palácios eram estruturas monumentais com grandes salas, colunatas, escadas, espaços religiosos, sistemas de drenagem, áreas de armazenamento e espaços para espetáculos públicos. A complexidade desses palácios e sua delicada decoração indicam, como dito anteriormente, uma sociedade bastante desenvolvida e sofisticada. As touradas eram representadas em muitos afrescos e, ao que tudo indica, os touros eram considerados sagrados. Tal fato pode ter sido um dos fatores do surgimento da lenda de Teseu e o Minotauro, tão popular na mitologia grega clássica. Fonte: Wikimedia Commons 9 A cerâmica cretense foi encontrada por todo o Mediterrâneo, desde vasilhas ultrafinas e delicadas até grandes jarros de armazenamento, os pithoi. Os vasos eram, inicialmente, produzidos à mão, contudo, por conta da necessidade de tornar o processo mais rápido, foi introduzida a roda de oleiro. Os vasos eram, a princípio, decorados com desenhos geométricos, mas com o tempo surgiram imagens de flores, plantas e da vida marinha. Pithoi – Museu do Louvre Fonte: Wikimedia Commons Os magníficos afrescos das paredes e dos pisos dos palácios também revelam a admiração que os cretenses tinham pela vida marinha e pela natureza de maneira geral, além de nos permitir observar as práticas religiosas, comunitárias e funerárias deles. Os Golfinhos – Palácio de Cnossos Fonte: Wikimedia Commons 10 Unidade: O mundo Grego O termo micênico é utilizado para definir a arte e a cultura da Grécia entre 1600-1100. O nome vem da cidade de Micenas, no Peloponeso, onde existiu uma fortificação. Micenas é citada por Homero como a capital do rei Agamenon, que liderou os gregos na Guerra de Tróia A cidade ganhou notoriedade por meio das escavações de Heinrich Schliemann que, em meados de 1870, trouxe à luz objetos que pareciam pertencer ao palácio de Agamenon – como descrito por Homero. A riqueza dos sepultamentos de Micenas atesta o crescimento e desenvolvimento na região de uma poderosa sociedade que perdurou por quatro séculos – em especial nas cidades de Micenas, Tirinto, Tebas e Atenas. Os artesões locais produziam objetos de cerâmica e bronze, bem como outros itens de luxo: joias, vasos feitos de metais preciosos e ornamentos de vidro. O comércio micênico estendeu-se por todo o mundo mediterrâneo, como podemos observar a partir dos vasos encontrados por toda essa região que, provavelmente, serviam para transportar azeite, vinho e outros produtos. Além de comerciantes competentes, os micênicos eram guerreiros ferozes e grandes engenheiros que projetaram e construíram pontes, muralhas, fortificações, sistemas de drenagem e de irrigação. Ao que tudo indica, a estrutura política dessas cidades era a de uma monarquia autocrática. O governante, que ficou conhecido como o wanax, administrava o seu território por meio de uma estrutura hierárquica de funcionários e uma classe especial de sacerdotes e sacerdotisas. As pessoas eram divididas em um sistema de classes elaborado e a escravidão era amplamente praticada. Fonte: Wikimedia Commons Mascara de Agamêmnon Fonte: Wikimedia Commons 11 As ruínas de Micenas e de Tirinto fazem parte do Patrimônio Cultural da Humanidade. Entre as ruínas de Micenas, destacam-se as áreas de sepultamento estabelecidas na encosta sul da colina, que incluem a Sepultura Circular B e a Sepultura Circular A. O palácio foi construído na parte mais alta do terreno e era rodeado por enormes paredes, construídas em três etapas distintas. O palácio foi abandonado no final do século XII a.C. e uma série de edifícios foram danificados por um incêndio de grandes proporções. No entanto, o local continuou a ser ocupado até 498 a.C., momento em que o viajante grego Pausânias visitou Micenas, no 2º século d.C., declarando que o local estava abandonado. No final do século XIII a.C., no entanto, a Grécia continental assistiu ao declínio das cidades e da cultura micênica. A Grécia Continental O colapso final da civilização micênica por volta de 1100 a.C. marcou o fim da Idade do Bronzedo Egeu e o início de um período de grave depressão econômica. O próximo século e meio (de 1050 a cerca de 900 a.C.), conhecido na arte como o período Protogeométrico, representou o início da recuperação. As colônias gregas se estabeleceram na costa oeste da Ásia Menor e na costa norte do mar Egeu. Os laços comerciais com o Oriente próximo foram restabelecidos e houve um aumento gradual da riqueza. A produção da cerâmica e a metalurgia voltaram a ganhar força neste contexto e vários objetos deste estilo foram encontrados no Mediterrâneo, atestando o crescimento do comércio. O período geométrico foi um momento de inovação e transformação na sociedade grega. A população aumentou dramaticamente e a vida urbana floresceu, trazendo com isso a superlotação populacional e as tensões políticas. A linguagem escrita ressurgiu com a adoção do alfabeto fenício, é provavelmente nesse mesmo período em que os poemas épicos de Homero, a Ilíada e a Odisseia, foram registrados. Durante esse período, o conceito de polis, a cidade- estado grega, começou a se desenhar e as colônias gregas no exterior continuaram a florescer. Além disso, novos assentamentos foram estabelecidos – em especial na região do Mar Negro e em outras localidades do Mediterrâneo, como na costa norte-africana e no sul da França. Os contatos comerciais com lugares como o Egito e Anatólia estimularam o influxo de importações e levaram à fabricação de objetos gregos com uma aparência “oriental” ou com “motivos orientais”. Ânfora – Protogeométrica Museu Britânico Fonte: Wikimedia Commons 12 Unidade: O mundo Grego As cidades-estados continuaram a florescer durante o período arcaico, apesar da agitação política e social interna. A cidade de Atenas, com sua famosa Acrópole, passou a simbolizar o mundo grego. Trata-se de uma comunidade micênica, que cresceu para se tornar a síntese da virtude grega. A evidência de ocupação humana na Acrópole de Atenas e na área em torno da Ágora remonta a 5.000 anos. Como o solo não era propício para a agricultura de grande escala, os atenienses se voltaram para o comércio e, principalmente, para o comércio marítimo. A primeira série de leis escritas da cidade foram produzidas por Drácon em 621 a.C., mas foi considerada muito severa, já que a pena para a maioria das infrações era a morte. Por esse motivo, Sólon foi chamado para modificar e revisar o conjunto. Sólon, ele próprio um aristocrata, criou uma série de leis que impactou no poder político do grupo dominante e, ao fazê-lo, lançou as bases para a democracia em Atenas. Depois do governo de Sólon, vários grupos entraram em conflito e, por fim, Pisístrato chegou ao poder. Ele reconheceu o valor das revisões de Sólon e as manteve ao longo de seu próspero governo. Seu filho, Hípias, continuou sua política, mas seu reinado tornou-se violento e em 510 a.C. ele foi retirado do poder por uma revolta local, que recebeu apoio dos espartanos. Depois da queda de Hípias, Clístenes chegou ao poder com a missão de reformar o governo e as leis. Em 507 a.C., ele instituiu uma nova forma de governo que hoje é reconhecida como Democracia. Essa nova forma de governo forneceu a estabilidade necessária para fazer de Atenas o centro cultural e intelectual do mundo antigo – uma reputação que dura até hoje. Isonomia - iguais perante a lei Democracia Ateniense Isocracia - acesso ao governo Isegoria - direito de “falar” Após derrotarem os persas na batalha de Maratona, em 490 a.C., e na batalha de Salamina, em 480 a.C., Atenas emergiu como potência principal da Grécia. Sob seus comandos, foi formada a Liga de Delos, uma aliança entre as cidades-estado para repelir novos ataques persas. Sob a liderança de Péricles, a cidade tornou-se tão poderosa que poderia efetivamente ditar as leis, os costumes e as regras de comércio aos seus vizinhos na Ática e nas ilhas do Mar Egeu. Durante o século V, conhecido como Século de Péricles, Atenas chegou a sua Era de Ouro e grandes pensadores, escritores e artistas se reuniram na cidade: Heródoto viveu e escreveu em Atenas; Sócrates ensinou no mercado; Hipócrates praticou suas ciências naturais; o escultor Phidias criou suas grandes obras para o Parthenon na Acrópole e o Templo de Zeus em Olímpia; Demócrito imaginou um universo atômico; Ésquilo, Eurípedes, Aristófanes, Sófocles escreveram suas peças famosas; e esse legado continuaria com Platão e Aristóteles. Vaso com representações funerárias Fonte: metmuseum.org 13 O poder do Império ateniense gerou conflitos com diversas cidades estado, em especial com Esparta. A Guerra do Peloponeso, 431-404 a.C., entre Atenas e Esparta, e que envolveu direta ou indiretamente toda a Grécia, terminou em desastre para Atenas. Seu império se dissolve e ela veio se tornar presa para os avanços de Felipe II, da Macedônia, que venceu os gregos na Batalha da Queroneia. Um dos elementos mais importantes da cidade de Atenas era a sua acrópole, termo que em grego significa cidade alta. A maioria das cidades-estado da Grécia Antiga tinham uma acrópole em seu centro, normalmente em uma colina, onde eram construídos os prédios mais importantes e para onde as pessoas podiam fugir em caso de ataque. Entretanto, a acrópole mais famosa de todas era a de Atenas. Mapa da Acrópole Fonte: plato-dialogues.org Explore Assista ao documentário de Costa Gavras sobre a Acrópole: » http://youtu.be/aGitmYl6U90 A Acrópole ateniense é o lar de um dos edifícios mais famosos do mundo: o Parthenon. Esse templo foi construído para a deusa Atená e é o maior e mais importante edifício nessa acrópole. 14 Unidade: O mundo Grego Parthenon Fonte: Steve Swayne/Wikimedia Commons Mármores do Parthenon – Phidias - Museu Britânico. Fonte: Wikimedia Commons Explore Assista a um vídeo do Museu Britânico sobre os Mármores do Parthenon (em inglês): http://www.britishmuseum.org/explore/galleries/ancient_greece_and_ rome/room_18_greece_parthenon_scu.aspx A adoração não acontecia no interior do templo, pois este era considerado a moradia do deus. Os sacrifícios e outros rituais aconteciam em altares ao ar livre. 15 O Parthenon foi ricamente decorado com esculturas. O escultor Phidias produziu uma imensa estátua de Atená Parthenos que, segundo a lenda, foi coberta com ouro. O Parthenon é um edifício com características dóricas e jônicas. Havia oito colunas na frente do prédio e dezessete de cada lado, a decoração estava organizada em três elementos: dois frontões triangulares em cada extremidade, painéis denominados metopes ao redor da parede externa e um friso de pedra esculpida na parte externa do edifício. Uma das primeiras estruturas construídas na acrópole foi o templo para Athena Nike, que era utilizado para solicitar/agradecer por vitórias militares. O templo foi destruído quando os persas atacaram os edifícios da acrópole, em 480 a.C., e um novo templo foi construído durante a época da Guerra do Peloponeso. O Propileus era a entrada da acrópole e funcionava como um portão que estava entre o mundo dos seres humanos e a terra dos deuses na acrópole. Trata-se de um edifício impressionante que foi projetado para atrair a atenção de quem se aproximasse dele. Trata-se de uma construção em dois níveis diferentes por causa do terreno irregular. O Erecteu era um templo construído para Athena Polias e para Poseidon- Erechtheus. O edifício deve a sua forma incomum à irregularidade do terreno – há uma diferença de três metros entre o lado ocidental e o oriental. A parte oriental do edifício foi dedicado à Athena Polias, enquanto a parte ocidental serviu ao culto de Poseidon; além disso, existiam altares de Hefáistos e Voutos, irmão do Rei Erechtheus. Na fachada sul do templo encontram-se as Karyatides, uma estrutura com seis estátuas femininas em vez de colunas para suportar o telhado. Criada por Alkamemes ou Kallimachos, as estátuas foram nomeadas Karyatides em homenagem às jovens deKaryes de Lacônia, que adoravam a deusa Ártemis. Juntamente com Atenas, Esparta era uma das cidades-estado mais conhecidas da Grécia Antiga. Esparta era governada por dois reis e um Conselho de Anciões, também existia uma assembleia de cidadãos que não tinha poder concreto, mas deveria ser consultada em diversos assuntos. Fonte: greece-athens.com Fonte: odysseus.culture.gr Propileus Fonte: Dorieo21 / Wikimedia Commons Erecteu 16 Unidade: O mundo Grego Durante o século V, Esparta era uma cidade muito poderosa, principalmente devido ao seu exército, muito temido por outros gregos. A criação de soldados eficientes era o objetivo da educação espartana e todos os cidadãos do sexo masculino faziam parte do exército. Hoplita espartano Fonte: De Agostini / Getty Images Embora cada homem espartano tivesse uma fazenda, ele passava boa parte de seu tempo se preparando para a guerra. O infanticídio era uma prática organizada e gerida pelo Estado espartano. Todas as crianças espartanas eram levadas perante um conselho de inspetores e examinadas para a detecção de possíveis defeitos físicos; aquelas consideradas “imperfeitas” eram deixadas para morrer. Para testar a saúde dos bebês espartanos, eles eram frequentemente banhados em vinho em vez de água. Outra prática era ignorá-los caso chorassem, assim aprendiam a não temer a escuridão ou a solidão. O homem se tornava um soldado quando tinha 20 anos, entretanto, o treinamento do menino começava muito antes, quando deixava sua casa de família com 7 anos e passava a viver em uma escola militar. Separados de suas famílias e alojados em barracas comuns, os jovens soldados eram instruídos nas artes da guerra, da caça e do atletismo. Aos 12, passavam a ser privados de todas as roupas, exceto por um manto vermelho, e obrigados a dormir e sobreviver fora dos acampamentos. Para prepará-los para a vida militar, os meninos soldados eram incentivados até mesmo a roubar comida, mas, caso descobertos, eram seriamente punidos. Assim como se esperava que todos os homens espartanos fossem soldados, esperava-se que as mulheres fossem mães de soldados. As meninas espartanas permaneciam com seus pais, mas eram submetidas a uma educação rigorosa e a um programa de treinamento físico. As meninas praticavam dança, ginástica, lançamento de dardo e do disco, tais exercícios eram necessários para torná-las fortes fisicamente para a maternidade. 17 Mães espartanas diziam aos seus filhos antes de partirem para a batalha: “Volte com seu escudo, ou sobre ele”; já que os mortos espartanos eram levados para casa em seus escudos, pois só um covarde iria deixar cair seu escudo e fugir. As cidades gregas enfrentaram problemas externos com vários estados, como o Império Persa. Os persas tentaram estender seu controle sobre os gregos na Ásia Menor, na chamadas Guerras Médicas. A Pérsia conquistou diversas colônias gregas, mas em 499 a.C. as populações dessas colônias se revoltaram, então Atenas enviou tropas para apoiar a revolta. O imperador Dario da Pérsia esmagou a revolta rapidamente e decidiu punir os gregos por ajudar as colônias. Dario preparou sua tropas para invadir a Grécia e o primeiro contato entre os dois exércitos aconteceu na planície de Maratona. O exército ateniense foi bem treinado e atacou os persas de forma profissional e organizada, o que surpreendeu o grande, mas organizado, exército persa, que fugiu. Os atenienses ganharam o primeiro confronto da guerra e empurraram os persas para fora da Grécia. O imperador persa Dario nunca mais voltou a atacar os gregos; mas seu filho, o Imperador Xerxes, voltou a atacar os gregos em 480 a.C. As forças persas encontraram uma força grega no Desfiladeiro das Termópilas, uma área montanhosa que dava acesso a maior parte do território grego. Durante dois dias, 7.000 gregos contiveram o avanço dos persas, contudo, segundo a tradição, um traidor mostrou um caminho alternativo para os exércitos de Xerxes, que atacaram as forças gregas desavisadas. Os hoplitas espartanos, comandados por Leônidas, contiveram o avanço persa para que os aliados gregos pudessem escapar em segurança. Os persas invadiram a Grécia continental e, ainda em 480 a.C., incendiaram e saquearam a Acrópole de Atenas. Enquanto a cidade queimava, os atenienses procuraram refúgio na Ilha de Salamina. Os navios gregos manobraram como se estivessem fugindo, contudo, viraram-se rapidamente e atacaram os navios persas. Os persas foram pegos de surpresa e perderam mais de metade de sua grande frota naval. Mais uma vez, foram obrigados a recuar. Em 479 a.C., o exército espartano liderado por Pausanias ganhou a Batalha de Plateia, completando a derrota dos persas na Grécia continental. Fonte: G.dallorto / Wikimedia Commons Escudo Espartano 18 Unidade: O mundo Grego Fonte: Juan José Moral / Wikimedia Commons O fim das Guerras Médicas marcou o início do período clássico. Nesse período, Atenas alcançou o auge no que diz respeito à política e cultura: o pleno desenvolvimento do sistema democrático sob Péricles; a construção do Parthenon na Acrópole; a criação das tragédias de Sófocles, Ésquilo e Eurípides; e a fundação das escolas filosóficas de Sócrates e Platão. No final do século V, a Guerra do Peloponeso, entre Atenas e Esparta, causou destruição em todo o mundo grego; após a rendição dos atenienses, a democracia foi restaurada. Durante o século IV, Atenas, Esparta e Tebas disputavam o domínio político da Grécia. A paz foi finalmente estabelecida quando Esparta, apoiada pela Pérsia, ganhou o controle da região. Na segunda metade do século, a Grécia dividida ficou a mercê do poderoso estado macedónio de Filipe II e de Alexandre, o Grande. Depois de conquistar boa parte do oriente, Alexandre morreu na Babilônia em 323. Na época de sua morte, o helenismo havia atingido grande parte do mundo conhecido e o período clássico tinha acabado. A vida cotidiana A vida na Grécia antiga era muito diferente para homens e mulheres. Enquanto dos homens era esperado que participassem ativamente da vida pública de sua cidade; esperava-se que as mulheres levassem sua vida na esfera privada, como esposas e mães, centrando-se nos cuidados com a casa. A escravidão era característica central da vida na Grécia. Famílias de alguma riqueza tinham escravos para realizar as tarefas domésticas, para ir às compras no mercado e até mesmo para ajudar a educar os filhos. 19 No entanto, a vida diária em Esparta era um pouco diferente da maioria das outras cidades- estado, pois as mulheres levavam uma vida mais ativa devido ao treinamento que recebiam. Em Esparta, as famílias também tinham escravos, mas esses pertenciam à cidade como um todo, ao invés de famílias individuais. A maioria das casas gregas era pequena com um jardim murado ou quintal no meio. A casa era feita e seca ao sol, em tijolos de barro, tinha um telhado de telhas de barro e pequenas janelas sem vidro com persianas de madeira para proteger do sol quente. A maior parte do que sabemos vem principalmente de textos e imagens. Fonte: Adaptado de ancientgreece.co.uk Gregos ricos tinham muitos escravos – às vezes 50 – que faziam todo o trabalho duro na fazenda, nos campos, nas oficinas e nas casas. As mulheres casadas ficavam em casa a maior parte do tempo e dedicavam grande parte de seu dia a fiações e à tecelagem. Os escravos cuidavam ainda dos filhos e preparavam todos os alimentos consumidos pelos habitantes da casa. Em Atenas, apenas as mulheres pobres iam às compras sozinhas. As mulheres ricas sempre estavam em companhia de um escravo ou de um companheiro do sexo masculino, elas saiam de casa apenas acompanhadas – na maioria das vezes para visitar amigas. As mulheres pobres trabalhavam ao lado de seus maridos, saiam para buscar água e para lavar a família em um córrego. As famílias gregas iniciavam seu dia, geralmente, com um café da manhã composto de pão embebido em vinho e frutas. O almoço geralmente era depão e queijo. No jantar, comiam mingau feito de cevada com queijo, peixe, legumes, ovos e frutas. As refeições podiam incluir nozes, figos e bolos adoçados com mel. Só os ricos comiam carne, incluindo coelho, veados e javalis. O polvo era o fruto do mar favorito dos gregos. Os ricos sempre comiam em casa, apenas escravos e pessoas pobres comiam em público. A oliveira era a árvore mais valiosa na Grécia. As pessoas comiam a fruta, mas também esmagavam azeitonas para fazer azeite. Eles usavam esse óleo para cozinhar, em lâmpadas de óleo e cosméticos. 20 Unidade: O mundo Grego Arte e Arquitetura Arquitetura Arquitetos gregos eram especialmente cuidadosos com a precisão e a excelência das obras que construíam e essas são as principais características da arte grega em geral. Embora os gregos antigos tenham erigido diversos tipos de edifícios, o templo é a construção que melhor exemplifica os objetivos e métodos da arquitetura grega. O templo tipicamente era construído em um plano retangular, com uma ou mais fileiras de colunas que cercavam o centro do prédio por todos os lados. A estrutura vertical do templo dependia da ordem em que estava sendo construída, um arranjo fixo de formas unificadas por princípios de simetria e harmonia. Geralmente, havia um pronau, uma espécie de varanda, e um opisthodomos, uma varanda na parte de trás do prédio. Os elementos superiores do templo eram geralmente feitos de madeira e de tijolos, e a plataforma onde o edifício era construído era feita de alvenaria. As colunas eram esculpidas em pedra local, geralmente calcário, mas em Atenas muitos templos utilizaram o mármore. A retirada e o transporte de mármore e de calcário eram caros, e muitas vezes constituíam o principal custo para erigir um templo. No canteiro de obras, os escultores davam aos blocos sua forma final e os operários içavam cada uma das pedras no seu lugar. As pedras eram fixadas com o uso de argamassa e grampos de metal embutidos na pedra. O trabalho seguinte ficava para os escultores, que produziam as esculturas e decorações para o prédio. Por fim, os pintores eram contratados para decorar elementos escultóricos e arquitetônicos com detalhes pintados. Ordens arquitetônicas gregas Fonte: Adaptado de urbipedia.org 21 Escultura O período arcaico viu um rápido desenvolvimento na representação da figura humana. No início desse período, escultores começaram a esculpir figuras de homens e mulheres para uso em santuários e túmulos. As figuras masculinas eram representadas nuas, com os braços ao longo do corpo e uma perna ligeiramente à frente, em um estilo parecido ao adotado nas esculturas egípcias. As figuras femininas eram apresentadas com vestidos drapeados e na mesma posição das figuras masculinas. Como toda escultura grega, essas estátuas eram pintadas com cores fortes. Kore (figura feminina) e Kouros (figura masculina) Fonte: sailko, Mountain/Wikimedia Commons Ao final desse período, a escultura se tornou muito mais realista. Poses eram menos rígidas e mais naturais, passavam a representar o macho ideal ou a forma feminina. Poucas esculturas do período clássico sobreviveram e muito do que sabemos sobre os grandes escultores dessa época vem de cópias feitas pelos romanos. O crescente interesse pelo realismo, bem como pela idealização do corpo humano podem ser vistos em uma escultura clássica como o Discóbolo. Essa estátua foi esculpida por Myron de Tebas, por volta de 450 a.C., contudo, o que conhecemos hoje é apenas a cópia romana. O atleta foi retratado no meio do movimento, no instante em que ele está prestes a lançar o disco. 22 Unidade: O mundo Grego Outro exemplo famoso é a estátua do Cocheiro, esculpida por volta de 470 a.C. Ela é de bronze em tamanho natural e foi descoberta no grande santuário de Apolo em Delfos. O bronze era um dos materiais mais usados para fazer estátuas nesse período, no entanto, poucas estátuas de bronze sobreviveram, pois foram derretidas para produzir outros objetos. A escultura clássica atingiu se auge com Fídias e Policleto. Fídias ficou conhecido por suas esculturas dos deuses e por aquelas criadas para o Parthenon. Polyclitus ficou conhecido por suas estátuas de atletas, como O Lanceiro, que estabeleceu as medidas ideais e as proporções do corpo. A pose dessa figura, com uma perna recuada e o peso do corpo deslocado para a outra perna, continuou a ser usada ao longo da história da arte. O Discóbolo – Museu Britânico. Fonte:Wikimedia Commons O Cocheiro - Museu Arqueológico Delphi Fonte: RaminusFalcon/Wikimedia Commons O Lanceiro – Polyclitus – Museu Arqueológico Nacional de Nápoles Fonte: Polykleitos/Wikimedia Commons Além das estátuas tradicionais, existiam outras que faziam parte integrante do conjunto arquitetônico, como as faixas horizontais chamadas de frisos, que corriam acima das colunas – um exemplo é o friso que corre ao longo da parte superior externa do Parthenon. Entre 400 e 323 a.C., a influência de Atenas na arte grega diminuiu e uma variedade de estilos surgiu. O grande escultor Praxíteles introduziu um estilo suave e sutil. Em seu Hermes e Dionísio criança, esculpido por volta de 340 a.C., ele retrata os deuses em formas humanas graciosas. A escultura helenística reflete a pluralidade e a diversidade desta sociedade e retratava não apenas os adultos jovens em excelente forma física, como também as crianças e os mais velhos. Hermes e Dionísio criança. Fonte: tetraktys/Wikimedia Common 23 Duas das mais famosas esculturas da Grécia Antiga datam desse período: A Vênus de Milo, ou Afrodite de Melos, foi esculpida em mármore por um artista desconhecido. A estátua perdeu os braços, mas constitui um perfeito exemplo da idealização da forma humana. Outro exemplo é a Vitória de Samotrácia, também de um artista desconhecido. Representa a deusa grega Nike em pé na proa de um navio com suas asas abertas e sua vestimenta fluindo no vento. A Vênus de Milo – Museu do Louvre Fonte:Mattgirling/Wikimedia Commons Vitoria de Samotrácia – Museu do Louvre Fonte: Wikimedia Commons Pintura A maior parte dos exemplos de pinturas gregas que sobreviveram é encontrada em vasos. No período arcaico, a representação de figuras humanas e de animais tinham alcançado um novo patamar de realização. Foram utilizadas duas técnicas diferentes para a pintura de vasos. A primeiro técnica é chamada de figura-negra e foi inventada em Corinto em 600 a.C. Neste estilo, as figuras são pintadas de preto sob o fundo vermelho da cerâmica. Em 530 a.C., uma nova técnica surgiu, a chamada figura-vermelha. Nessa pintura, reverteu- se o esquema de cores: fundos tornaram-se pretos e as figuras, vermelhas. 24 Unidade: O mundo Grego A Vênus de Milo – Museu do Louvre Fonte: Wikimedia Commons Vitoria de Samotrácia – Museu do Louvre Fonte: multiplosestilos.blogspot.com.br Religiosidade Os gregos antigos acreditavam que havia um grande número de deuses e deusas que tinham o controle sobre vários aspectos da vida na Terra. Em muitas características eles se assemelhavam aos humanos: podiam ser gentis ou cruéis, apaixonavam-se uns pelos outros – e pelos humanos –, discutiam e lutavam entre si – e com os humanos. Os antigos gregos construíram grandes templos e santuários para os seus deuses, eles realizavam festivais em sua honra, com procissões, esportes, sacrifícios e competições. As histórias das façanhas dos deuses eram contadas às crianças por suas mães e para grandes audiências por bardos profissionais e contadores de histórias. Esses festivais eram uma parte muito importante da vida na Grécia antiga, e formavam uma parte central da adoração aos deuses. Eles incluíam várias competições, que eram vistas como uma outra maneira de honrar aos deuses. Alguns dos festivais mais importantes da Grécia antiga envolviam competições atlética, como os Jogos Olímpicos – que eram realizados em honra a Zeus – e os Jogos Píticos – realizados em Delfos, em honra a Apolo.Um festival em Atenas – realizado para homenagear Dionísio – envolvia uma disputa entre dramaturgos, ele levou à criação de algumas das peças mais conhecidas da Grécia antiga, escritas por pessoas como Sófocles, Eurípides e Aristófanes. 25 Deuses Zeus: Senhor dos Deuses, Senhor do Olimpo, Deus dos Céus, do Trovão e Raio. Deus da Justiça, Lei e Ordem Poseidon: Deus dos Mares, dos Terremotos e dos Cavalos. Hades: Deus do Mundo Inferior, soberano dos mortos. Hera: Rainha dos Deuses, Deusa da Família, das Mulheres e dos Nascimentos. Hestia: Deusa do fogo doméstico. Demeter: Deusa da Terra, da Agricultura, das colheitas e florestas. 26 Unidade: O mundo Grego Dioníso: Filho de Zeus e Semele, Deus do Vinho, Teatro e Êxtase Artêmis: Filha de Zeus e Leto, Deusa da Caça, da Floresta, das Montanhas e da Lua. Hermes: Filho de Zeus e Maia, Mensageiro dos Deuses, Deus do Comércio, dos Ladrões e dos Viajantes. Athena: Filha de Zeus e Metis, Deusa da Guerra, da Inteligência, da Sabedoria Ares: Filho de Zeus e Hera, Deus da Guerra e da Masculinidade Afrodite: Filha de Urano ou Zeus e Dione, Deusa da Beleza, do Amor e da Sexualidade 27 Apolo: Filho de Zeus e Leto, e irmão gêmeo de Ártemis, Deus da Beleza, da Perfeição, da Harmonia, do Equilíbrio e da Razão. Hefesto: Filho de Zeus e Hera, Deus da Tecnologia, das forjas e dos vulcões. 28 Unidade: O mundo Grego Material Complementar Olá, seguem algumas sugestões para aprofundar seus estudos. Site do Museu Britânico sobre a Grécia Antiga (em inglês): • http://www.ancientgreece.co.uk Site do Museu da Acrópole – Atenas (em inglês): • http://www.theacropolismuseum.gr/en Documentário – Construindo um império: Grécia. Documentário sobre o mundo grego produzido pelo History Channel: • http://youtu.be/ZNU-VbaOIzI Recriação da Acrópole de Atenas, produzido pelo governo grego e dirigido por Costa Gavras: • http://youtu.be/WtYQBkyfb9A Palestra de Donald Kagan (Universidade de Yale) sobre a importância do mundo antigo: • http://youtu.be/FQba5PCI3hg Você poderá assistir todo o curso introdutório sobre a Grécia Antiga no seguinte endereço: • http://oyc.yale.edu/classics/clcv-205 29 Referências ANDERSON, P. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo. 5. ed. São Paulo: Brasiliense, 2001. BORGEAUD, F. O Homem Grego. Lisboa: Presença, 1994. FINLEY, M. I. Política no Mundo Antigo. Lisboa: Edições 70, 1983. 30 Unidade: O mundo Grego Anotações