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CONTABILIDADE 
BÁSICA
Fabiana Tramontin Bonho
Notas explicativas
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Esclarecer o que são notas explicativas.
 Explicar como eram as notas antes das Normas Internacionais de 
Contabilidade.
 Estabelecer como são as notas explicativas conforme a NTG 1.000 
(R1) para pequenas e médias empresas.
Introdução
As demonstrações contábeis devem ser preparadas e apresentadas de 
acordo com normas de órgãos regulamentadores, a fim de servirem com 
qualidade a todos os usuários. Assim, buscando resolver o desafio entre 
qualidade e quantidade de informações, as notas explicativas surgiram 
como complemento necessário dessas demonstrações. 
Neste capítulo, você vai estudar o conceito de notas explicativas, vai 
verificar como eram antes das Normas Internacionais de Contabilidade e 
vai explicar seu uso na contabilidade das pequenas e médias 
empresas (PMEs), conforme a NTG 1.000 (R1). 
O que são notas explicativas
As notas explicativas oferecem informações complementares àquelas apresen-
tadas no balanço patrimonial e nas demonstrações de resultado, de resultado 
abrangente, de lucros ou prejuízos acumulados (se apresentada), de mutações 
do patrimônio líquido e de fl uxos de caixa.
Fornecem descrições narrativas e detalhes de itens apresentados nessas 
demonstrações, versando sobre situações não suficientemente evidenciadas 
ou esclarecidas. A função deste complemento é oferecer informações que 
esclareçam dúvidas quanto às operações que da empresa durante o ano. 
Marion (2006) diz que as notas explicativas são uma das formas de eviden-
ciação ou disclosure e trazem informações complementares com o objetivo 
de enriquecer os relatórios e evitar que eles se tornem enganosos. 
Almeida (2005), afirma que as notas explicativas constituem informações para 
que os leitores tenham perfeito entendimento sobre as demonstrações contábeis. 
Neves e Viceconti (2006, p. 384) reforçam esse caráter complementar e 
esclarecedor ao estabelecer que “[...] as notas explicativas (NE) complemen-
tam as demonstrações financeiras, esclarecendo os métodos e os critérios 
utilizados para avaliação do patrimônio e os elementos que contribuíram para 
a formação do resultado”.
Bruni e Famá (2006, p. 142) esclarecem: 
As notas explicativas correspondem a um complemento das demonstrações 
contábeis, que, geralmente, detalham as informações contidas nesses relatórios 
de forma a esclarecer a situação patrimonial e dos resultados do exercício. Podem 
ser expressas sob a forma descritiva ou sob a forma de quadros analíticos. Podem, 
também, englobar outras demonstrações contábeis, caso sejam necessárias para 
um melhor esclarecimento das demonstrações financeiras. As notas explicativas 
também podem ser empregadas para descrever práticas contábeis empregadas pela 
empresa, fornecer explicações adicionais sobre determinadas contas ou operações 
específicas e, também, destacar a composição e os detalhes de certas contas. 
Assim, o objetivo principal das notas explicativas é apresentar informa-
ções que, geralmente por conta de sua natureza não quantitativa, o corpo da 
demonstração não consegue expressar. Outro aspecto importante a ser consi-
derado na formação desse conceito é que elas servem também para expandir 
as informações sobre fatos ocorridos que, de alguma forma, impactaram ou 
podem impactar na avaliação da companhia (MACHADO; NUNES, 2006). 
A melhor elaboração das notas explicativas é aquela que atinge o objetivo 
das demonstrações, ou seja, que, ao acrescentar informações relevantes e 
imperceptíveis quando apenas os números são examinados, contribui para a 
análise e avaliação de quem está apreciando os relatórios.
A Resolução do CFC 1.185/09 — NBC TG 26 (R5), que trata da 
apresentação das demonstrações, faz menção à forma de estruturar as 
referidas notas explicativas e o que deve constar das mesmas.
Assim, as notas explicativas devem oferecer informações sobre as bases de 
elaboração das demonstrações contábeis e das práticas utilizadas; divulgando as 
informações exigidas que não tenham sido apresentadas em outras partes do 
documento, mas sejam relevantes para compreendê-lo.
Notas explicativas2
Apesar de não serem consideradas uma demonstração contábil, essas notas 
têm fundamental importância no conjunto da obra, pelo fato de trazerem à 
luz uma interpretação das informações contidas nas demonstrações. As notas 
explicativas devem ser apresentadas na seguinte ordem:
1. resumo das principais práticas contábeis utilizadas;
2. informações de auxílio aos itens apresentados nas demonstrações con-
tábeis, na ordem em que cada uma é apresentada e na ordem em que
cada conta aparece na demonstração;
3. quaisquer outras divulgações.
Além disso, as empresas devem divulgar, no resumo das principais polí-
ticas contábeis, a base de mensuração utilizada em sua elaboração e outras 
práticas que sejam relevantes para a compreensão do balanço. Também devem 
ser informados os critérios para julgamentos e estimativas empregados nas 
práticas da entidade e que tenham repercussão mais significativa sobre os 
valores reconhecidos nas demonstrações contábeis.
Ainda, as notas explicativas devem informar sobre os principais pressu-
postos frente ao futuro e a fontes importantes de incerteza das estimativas na 
data de divulgação, sempre que exista risco significativo de que provoquem 
modificação material nos valores contabilizados de ativos e passivos durante 
o próximo exercício financeiro.
Também são necessárias informações que permitam aos usuários das
demonstrações contábeis avaliarem seus objetivos, políticas e processos de 
gestão de capital. Assim, as entidades devem divulgar (na extensão em que 
isso não tiver sido feito em outro lugar no balanço): 
a) dados quantitativos resumidos sobre os valores classificados no
patrimônio líquido;
b) objetivos, políticas e processos de gerenciamento de sua obrigação de
recompra ou resgate dos instrumentos quando requeridas a fazê-lo
pelos detentores desses instrumentos, incluindo quaisquer alterações
em relação a período anterior;
c) fluxo de caixa de saída esperado na recompra ou no resgate dessa classe 
de instrumentos financeiros;
d) informação sobre como esse fluxo de caixa foi determinado.
3Notas explicativas
Com as notas explicativas, compõe-se o conjunto das demonstrações con-
tábeis, que devem ser elaboradas em comprimento às exigências das Normas 
Brasileiras de Contabilidade.
Outras divulgações em notas explicativas, conforme a resolução do CFC 1.185/09 — 
NBC TG 26 (R5) (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2017, documento on-
line):
137. A entidade deve divulgar nas notas explicativas:
(a) o montante de dividendos propostos ou declarados antes da data
em que as demonstrações contábeis foram autorizadas para serem
emitidas e não reconhecido como uma distribuição aos proprietários
durante o período abrangido pelas demonstrações contábeis, bem como 
o respectivo valor por ação ou equivalente;
(b) a quantia de qualquer dividendo preferencial cumulativo não re-
conhecido.
138. A entidade deve divulgar, caso não for divulgado em outro local
entre as informações publicadas com as demonstrações contábeis, as
seguintes informações: 
(a) o domicílio e a forma jurídica da entidade, o seu país de registro
e o endereço da sede registrada (ou o local principal dos negócios, se
diferente da sede registrada);
(b) a descrição da natureza das operações da entidade e das suas prin-
cipais atividades; 
(c) o nome da entidade controladora e a entidade controladora do grupo
em última instância;
(d) se uma entidade constituída por tempo determinado, informação
a respeito do tempo de duração.
Notas explicativas e normas internacionais 
de contabilidade
O setor público não possui obrigatoriedade na elaboração de notas 
explicativas.
 Em 2000, foi promulgada a Lei de Responsabilidade Fiscal – (LRF) (LC 
101) que reforçou a necessidade de reconhecimento da despesa porcompetência 
(art. 50, II). No tocante às notas explicativas, somente as previu para os balanços
Notas explicativas4
trimestrais do Banco Central do Brasil. A falta de exigência de notas explicativas 
nas principais leis que regem a contabilidade aplicada ao setor público desmotivou 
sua elaboração por parte dos contadores que atuavam nessa área. 
Em 2008, o Conselho Federal de Contabilidade - (CFC) emitiu as 
primeiras normas brasileiras de contabilidade aplicadas ao setor público, e, 
em 2016 as atualizou. Essas normas, que foram emitidas em contexto de 
alinhamento às IPSAS (normas internacionais de contabilidade aplicadas ao 
setor público), preencheram uma lacuna que existia na legislação do CFC e 
passaram a exigir a elaboração de notas explicativas nas demonstrações 
contábeis públicas.
Portanto, desde a vigência da NBC T 16.6 (R1), os profissionais da 
contabilidade do setor público devem apresentar as notas explicativas como 
parte integrante das demonstrações contábeis.
É mais antiga esta exigência para os profissionais que atuam no setor 
privado, pois a lei societária (Lei Federal nº. 6.404/76) prevê expressamente 
notas explicativas para essas demonstrações contábeis, em seu artigo 176.
Art. 176 da Lei Federal nº. 6.404/76 (BRASIL, 1976, documento on-line):
§ 4º As demonstrações serão complementadas por notas explicativas e 
outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para 
esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício. 
§ 5º As notas explicativas devem: (Redação dada pela Lei nº 11.941, 
de 2009)
I — apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações 
financeiras e das práticas contábeis específicas selecionadas e aplicadas 
para negócios e eventos significativos; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
II — divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adota-
das no Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte
das demonstrações financeiras; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 
III — fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias
demonstrações financeiras e consideradas necessárias para uma apre-
sentação adequada; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
IV — indicar: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
a) os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais,
especialmente estoques, dos cálculos de depreciação, amortização e
exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos
ajustes para atender a perdas prováveis na realização de elementos do 
ativo; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
5Notas explicativas
A CVM — Comissão de Valores Mobiliários, a fim de orientar as empre-
sas de capital aberto ou que possuem títulos negociados na bolsa de valores, 
também se manifestou sobre a importância das notas explicativas ao emitir o 
OFIC-CIRC 309/86, que reza o seguinte: 
Sendo a evidenciação (disclosure) um dos objetivos básicos da Contabi-
lidade, de modo a garantir aos usuários informações completas e confi-
áveis sobre a situação financeira e os resultados da companhia, as notas 
explicativas que integram as demonstrações financeiras devem apresentar 
informações quantitativas de maneira ordenada e clara. As notas explica-
tivas deverão discriminar, com clareza e objetividade, os esclarecimentos 
necessários ao correto entendimento do conteúdo das demonstrações fi-
nanceiras, a partir dos itens previstos no § 5º do art. 176 da Lei nº 6.404/76. 
Todas as responsabilidades não ref letidas nas demonstrações financeiras 
serão evidenciadas em notas ou em quadros demonstrativos. Os quadros 
demonstrativos deverão ser utilizados para discriminar investimentos rele-
vantes, arrendamento mercantil, garantias, empréstimos e financiamentos 
e outras informações em que haja predominância do aspecto quantitativo. 
(COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS, 1986, documento on-line).
Neves e Viceconti (2006, p. 609) elucidam o conteúdo mínimo das notas 
explicativas exigido pela CVM — Comissão de Valores Mobiliários, 
destacando, a identificação das subsidi-árias; informações sobre o patrimônio 
b) os investimentos em outras sociedades, quando relevantes (art. 247, 
parágrafo único); (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
c) o aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avalia-
ções (art. 182, § 3o ); (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
d) os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias pres-
tadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes; 
(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 
e) a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações 
a longo prazo; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
f) o número, espécies e classes das ações do capital social; (Incluído 
pela Lei nº 11.941, de 2009)
g) as opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício;
(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)
h) os ajustes de exercícios anteriores (art. 186, § 1º); e (Incluído pela Lei
nº 11.941, de 2009) 
i) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que te-
nham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os
resultados futuros da companhia. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).
Notas explicativas6
líquido; lucro ou prejuízo líquido das empresas do grupo; créditos e 
obrigações envolvendo investidoras, coligadas e controladas; dentre outras 
informações relevantes para que o usuário da informação contábil tenha 
uma visão ampla dos negócios existentes entre empresas de um mesmo 
grupo econômico.
Com o advento das Leis nº. 11.638/07 e 11.941/09, as notas 
explicativas passaram a ter maior importância para o conjunto de 
demonstrações con-tábeis, devido à convergência das normas brasileiras 
de contabilidade com os padrões internacionais do IFRS, em que se 
contempla a contabilidade societária. São importantes principalmente para 
os usuários externos da con-tabilidade (bancos, acionistas, investidores, 
etc.) que não tem conhecimento das operações da empresa em dado 
período. Nessa época, o CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis) 
passou a emitir os seus pronunciamentos, também orientando as 
companhias a divulgar, em notas explicativas, as in-formações que 
completam as demonstrações contábeis, gerando informações adicionais de 
suma importância.
Assim, atualmente, as informações contábeis devem ser plenamente 
desenvolvidas conforme os padrões contábeis aceitos internacionalmente, 
os denominados IFRS (Internacional Financial Reporting Standards) no 
sentido de que se tenha o mínimo de divergências futuras, num processo que 
busca a conciliação dos sistemas contábeis dos diversos países (FRATTI; 
NAIDON, 2011). 
O processo de convergência das normas internacionais de contabilidade 
tem o envolvimento de diversos organismos em nível mundial, como o 
IASB (International Accounting Standards Board) órgão responsável pela 
intro-dução das IFRS, relatórios financeiros que objetivam a 
comparabilidade das informações contábeis produzidas pelas empresas 
situadas em países distintos, permitindo a compreensão e interpretação dos 
dados gerados por entidades de diferentes economias e tradições 
(NIYAMA, 2010).
Conforme Hungarato et al. (2004), com a internacionalização da 
contabili-dade, tendem a minimizar-se as diferenças entre as demonstrações 
contábeis pelas empresas em todos os países que adotaram essas normas, 
principalmente as companhias estrangeiras que investem no Brasil e agora 
podem adotar uma única visão da contabilidade, aplicada aqui e em seu país 
de origem.
7Notas explicativas
Notas explicativas para pequenas 
e médias empresas
As pequenas e médias empresas (PMEs) aderiram às IFRS após o CPC aprovar e 
o Conselho Federal de Contabilidade homologar a resolução nº. 1.255/09, aprovada
pela NBC TG 1000 (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2009).
Assim, o CPC emitiu a norma para PMEs em separado, para aplicação às 
demonstrações contábeis para fins gerais de empresas de pequeno e médio 
porte, conjunto composto por sociedades fechadase sociedades às quais não 
sejam requeridas prestações públicas de suas contas (COMITÊ DE PRO-
NUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2009). 
Atualmente a contabilidade brasileira passa por um processo de 
convergência às normas internacionais de contabilidade. Nesse sentido, o 
CFC editou, entre outras tantas, a Resolução nº. 1.255/09, aprovando a NBC 
TG 1.000 (R1) - Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas. Em seu 
item 3.17, temos a identificação do conjunto completo das demonstrações 
contábeis que essas entidades devem elaborar, contemplando, na letra “f”, 
a inclusão das notas explicativas. Os itens 8.1 e seguintes dispõem sobre a sua 
estruturação:
O item 8.1, da NTG 1000 (R1), dispõe sobre os princípios subjacentes às 
informações nas notas explicativas e como apresentá-las. As notas devem conter 
informa-ções adicionais àquelas apresentadas no balanço patrimonial, na 
demonstração do resultado, na demonstração do resultado abrangente, na 
demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados (se apresentada), na 
demonstração das mutações do patrimônio líquido e na demonstração dos 
fluxos de caixa. 
Além disso, devem fornecer descrições narrativas e detalhes sobre itens 
que não se qualificam para reconhecimento nessas demonstrações. A norma 
refere, ainda, que, além das exigências desta seção, quase todas as outras seções 
exigem divulgações que são normalmente contempladas pelas notas 
explicativas.
Estrutura das notas explicativas 
Segundo o item 8.2, as notas explicativas devem: 
(a) apresentar informações acerca das bases de elaboração das demonstrações 
contábeis e das práticas contábeis específicas utilizadas, de acordo com
os itens 8.5 a 8.7; 
(b) divulgar as informações exigidas por esta norma que não tenham sido
apresentadas em outras partes das demonstrações contábeis; e
(c) prover informações que não tenham sido apresentadas em outras partes das
demonstrações contábeis, mas que sejam relevantes para sua compreensão. 
Notas explicativas8
Dispõe o item 8.3, que a entidade deve, tanto quanto seja praticável, apre-
sentar as notas explicativas de forma sistemática. Deve, ainda, indicar em cada 
item das demonstrações contábeis, a referência com a respectiva informação 
nas notas explicativas. 
No item 8.4, a norma faz referência à ordem que em que a entidade nor-
malmente deve apresentar as notas explicativas:
(a) declaração de que as demonstrações contábeis foram elaboradas em con-
formidade com esta norma (ver item 3.3); 
(b) resumo das principais práticas contábeis utilizadas (ver item 8.5); 
(c) informações de auxílio aos itens apresentados nas demonstrações contá-
beis, na ordem em que cada demonstração é apresentada e na ordem em 
que cada conta é apresentada na demonstração; 
(d) quaisquer outras divulgações. 
Divulgação das práticas contábeis 
O item 8.5 estipula que a entidade deve divulgar no resumo as principais 
práticas contábeis:
(a) a base de mensuração utilizada na elaboração das demonstrações contábeis; 
(b) as outras práticas contábeis utilizadas que sejam relevantes para a com-
preensão das demonstrações contábeis. 
Informação sobre julgamento 
Segundo o item 8.6, a entidade deve divulgar, no resumo das principais práticas 
contábeis ou em outras notas explicativas, os julgamentos, separadamente 
daqueles envolvendo estimativas (ver item 8.7), que a administração utilizou 
no processo de aplicação das práticas contábeis da entidade e que exerçam 
efeito mais signifi cativo nos valores reconhecidos nas demonstrações contábeis. 
Informação sobre principais fontes de incerteza 
das estimativas
A entidade deve divulgar, nas notas explicativas, conforme o item 8.7, infor-
mações sobre os principais pressupostos relativos ao futuro e outras fontes 
importantes de incerteza das estimativas na data de divulgação, que ofereçam 
9Notas explicativas
risco signifi cativo de provocar modifi cação material nos valores contabilizados 
de ativos e passivos durante o próximo exercício fi nanceiro. Com respeito a 
esses ativos e passivos, as notas explicativas devem incluir detalhes sobre:
 sua natureza;
 seus valores contabilizados ao final do período de divulgação.
O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) colocou recentemente em 
Audiência Pública a ITG 1.000 que trata do Modelo Contábil Simplificado para 
Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. A ITG 1.000 visa desobrigar 
esse grupo de empresas da adoção da NBC TG .1000 (R1) — Contabilidade 
para PME (equivalente ao IFRS para PME). No entanto, menciona como 
demonstrações contábeis obrigatórias, além do balanço patrimonial e da 
demonstração do resultado do exercício, também as notas explicativas.
Para as microempresas e empresas de pequeno porte, conforme a ITG 1.000, há 
algumas situações mínimas que precisam ser consideradas em notas explicativas, 
mas é recomendável que sejam atendidas outras situações relevantes para a correta 
interpretação da posição patrimonial da entidade. 
Assim, as notas explicativas devem incluir, no mínimo:
 declaração explícita e não reservada de conformidade com a ITG 1.000; 
 descrição resumida das operações da entidade e suas principais atividades; 
 referência às principais práticas contábeis adotadas na elaboração das demons-
trações contábeis; 
 descrição resumida das políticas contábeis significativas utilizadas pela entidade; 
 descrição resumida das contingências passivas, quando houver; 
 qualquer outra informação relevante para a adequada compreensão das demons-
trações contábeis.
Fonte: Zafra (2017); Conselho Federal de Contabilidade (2012, documento on-line).
Assim, com base nos textos legais mencionados e de acordo com os novos 
entendimentos do próprio CFC, podemos afirmar que, desde a implantação 
do IFRS no Brasil, não existem mais demonstrações contábeis que não devam 
ser complementadas por notas explicativas. Essas passam a ser de elaboração 
obrigatória para todas as entidades, independentemente de porte, atividade 
ou forma de tributação.
Notas explicativas10
O item 39 da ITG 1.000 estabelece a divulgação mínima de informações 
que a microempresa e a empresa de pequeno porte devem fazer por meio de 
notas explicativas, relacionando aquelas que, em geral, devem ser evidenciadas 
juntamente com as demonstrações contábeis anuais.
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Técnicas do Setor Público: NBC TSP 01 a 05. Brasília: CFC, 2016.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas Internacionais de 
Contabilidade para o Setor Público. Brasília: CFC, 2010.
Notas explicativas12
Conteúdo:
ADMINISTRAÇÃO 
DO CAPITAL DE 
GIRO 
Leuter Duarte Cardoso Junior 
Gestão do capital de giro: 
modelo de Fleuriet 
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Apresentar a origem do modelo de Fleuriet.
  Conceituar contas cíclicas e erráticas.
  Contextualizar a ocorrência de necessidade líquida de capital de giro.
Introdução
O capital de giro (CDG) é um dos elementos que influenciam as decisões 
estratégicas de uma organização e é alvo de muito estudos acadêmicos. 
O mundo está globalizado há décadas, e a competividade empresarial 
é o resultado desse fenômeno. Por essa razão, há uma preocupação 
por parte dos acadêmicos e gestores em aplicar análises e modelos 
sofisticados na área financeira.
Assim, neste capítulo, você vai estudar o modelo tradicional de 
análise financeira, muito comum na literatura. Na sequência, você vai 
compreender o modelo de Fleuriet, que tem uma perspectiva distinta 
da tradicional, propondo uma análise dinâmica, que considera os ciclos 
operacional e financeiro da empresa. Por fim, você vai aprender sobre os 
contextos em que ocorre a necessidade líquida de CDG.
1 Modelo tradicional versus modelo de Fleuriet
No modelo tradicional de análise econômico-fi nanceira, a análise está con-
centrada nos índices decorrentes das demonstrações fi nanceiras. Assim, haverá 
uma relação lógica entre as contas fi nanceiras e contábeis, com o propósito de 
apresentar a condição fi nanceira da organização. Para o modelo tradicional, é 
importante destacar o conceito de capital de giro líquido (CGL).
O CGL é resultado da diferença entre as contas patrimoniais de curto 
prazo. Assim, o resultado será a diferença entre as contas presentes no ativo 
circulante e as dívidas presentes no passivo circulante. Com esse conceito, é 
possível analisar a liquidez da empresa para o curto prazo. 
Nesse contexto, pode-se diferenciar o CDG e o CGL. O CDG corresponde 
aos recursos do ativo circulante, enquanto o CGL será a diferença entre o 
ativo circulante e o passivo circulante. Essa conceituação é fundamental para 
compreender as bases do modelo tradicional e depois distingui-lo do modelo 
de Fleuriet.
Com a noção clara do CDG, é possível avançar o estudo dos aspectos de 
liquidez da empresa. Ao considerar as contas circulantes do balanço patrimo-
nial, conseguimos medir a liquidez por meio dos seguintes índices: 
  Liquidez corrente = (Ativo circulante) / (Passivo circulante) 
  Liquidez seca = (Ativo circulante – Estoques) / (Passivo circulante)
  Liquidez imediata = (Disponível) / (Passivo circulante)
Esses índices demonstram a capacidade do ativo circulante para honrar 
com as dívidas do passivo circulante. Quanto maior for o índice, melhor 
será a situação de liquidez da empresa para honrar as obrigações do passivo 
circulante. Por essa razão, uma empresa solvente, normalmente, terá bons 
índices de liquidez. 
Embora o modelo tradicional seja utilizado em larga escala e por diversos 
estudiosos e profissionais da área financeira, ele sofre algumas críticas de 
ordem metodológica. Para Fleuriet, Kehdy e Blanc (2003), as contas patrimo-
niais no modelo tradicional são classificadas de forma inadequada. O correto 
seria uma classificação considerando os ciclos que ocorrem nas operações 
da organização. Dessa forma, a análise financeira ocorreria por meio de um 
modelo dinâmico. 
É desse entendimento que partem os estudos de Michel Fleuriet, que resul-
taram no modelo de Fleuriet. Este tem como propósito realizar uma análise 
financeira não estática. No modelo de Fleuriet, as contas do balanço patrimonial 
são reclassificadas em função da análise, que é voltada aos ciclos decorrentes 
das operações que ocorrem dentro de uma organização. 
Conforme os estudos de Theiss Júnior e Wilhelm (2000), o modelo de 
Fleuriet fornece medidas mais apuradas para a sensibilidade da empresa sobre 
as variações financeiras. Dentro dessa perspectiva, é proposto no modelo 
analisar os ciclos da empresa, para obter uma visão mais exata do desempenho 
operacional, econômico e financeiro ao longo do tempo. 
Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet2
2 Contas patrimoniais no modelo dinâmico de 
Fleuriet
Nas análises fi nanceiras tradicionais, as contas são classifi cadas em circulantes 
e não circulantes. No modelo dinâmico, as contas passam a ganhar um novo 
caráter e, por isso, elas serão classifi cadas em operacionais (cíclicas), fi nanceiras 
(erráticas) e não circulantes (não cíclicas). No Quadro 1, observa-se a nova 
classifi cação das contas patrimoniais conforme a metodologia de Fleuriet. 
 Fonte: Adaptado de Rocha, Klann e Hein (2010). 
Ativo Passivo 
Ativo circulante Passivo circulante 
- Contas erráticas: - Contas erráticas:
Caixa Empréstimos e financiamentos 
Bancos Debêntures 
Aplicações financeiras Dividendos a pagar 
- Contas cíclicas: - Contas cíclicas: 
Clientes Fornecedores 
Estoques Obrigações tributárias 
Ativo não circulante Passivo não circulante 
- Contas não cíclicas - Contas não cíclicas
Realizável a longo prazo Exigível a longo prazo 
Investimentos 
Imobilizado Patrimônio líquido (não cíclico) 
 Quadro 1. Balanço patrimonial na perspectiva de Fleuriet 
As contas erráticas no ativo circulante são aquelas que envolvem o lado 
financeiro da empresa, como: caixa, bancos, aplicações financeiras, entre 
outras. Estas estarão vinculadas às atividades financeiras da organização no 
curto prazo. No ativo circulante, haverá também as contas cíclicas, ligadas 
às atividades operacionais, como as contas clientes, estoques, entre outras. 
Por fim, há o ativo não circulante, considerado como não cíclico. As contas 
3Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet
que normalmente o compõem são: realizável a longo prazo, investimentos, 
imobilizado e intangível. 
No lado do passivo, haverá as contas classificadas como erráticas, cíclicas e 
não cíclicas. As contas do passivo circulante ligadas a dívidas e compromissos 
com as instituições financeiras e outros credores financeiros no curto prazo 
serão classificadas como erráticas.Por exemplo, as contas empréstimos, finan-
ciamento, debêntures e dividendos a pagar serão consideradas como erráticas.
 As obrigações do passivo circulante decorrentes das atividades operacionais 
serão classificadas como cíclicas. Nesse sentido, as contas fornecedor e salários 
a pagar serão entendidas como cíclicas no passivo circulante. Estas existem 
em função das operações e atividades afins da organização. 
O passivo não circulante e o patrimônio líquido serão classificados como 
não cíclicos. Essas contas têm uma rotatividade baixa ou até mesmo são per-
manentes na empresa. Por esse motivo, serão consideradas como não cíclicas 
na análise financeira dinâmica do modelo.
No modelo tradicional, considera-se apenas as contas circulante e não circulante. Já 
no modelo dinâmico, as contas são desmembradas em operacional, financeira e não 
circulante. Trata-se de uma nova forma de interpretar a dinâmica do ciclo operacional 
das organizações. 
Segundo Vieira (2008), a nova classificação das contas patrimoniais con-
sidera os ciclos financeiro e econômico de uma organização. Esses ciclos são 
dinâmicos — por exemplo, uma mudança nas políticas de estocagem ou nas 
contas a pagar ou receber vai acarretar novos ciclos dentro da empresa. Na 
Figura 1, pode-se analisar os respectivos ciclos. 
Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet4
Figura 1. Ciclo financeiro e ciclo econômico.
Fonte: Vieira (2008, p. 75).
Conforme apresentado na Figura 1, o ciclo econômico corresponde ao 
período que a mercadoria permanece estocada até ser vendida. Já o ciclo 
financeiro será o intervalo de tempo entre o pagamento dos fornecedores e o 
recebimento das vendas. Esses ciclos representam as atividades operacionais 
(ciclo operacional) da empresa com seus stakeholders. 
Com o entendimento conceitual das contas patrimoniais e dos ciclos fi-
nanceiro e econômico no modelo de Fleuriet, pode-se avançar para a análise 
dos indicadores econômicos e financeiros do modelo de Fleuriet. Estes são 
um meio de evidenciar a situação financeira de uma organização.
Indicadores econômicos e financeiros do modelo de 
Fleuriet
Os principais indicadores econômicos e fi nanceiros do modelo de Fleuriet 
são: CDG, necessidade de capital de giro (NCG) e saldo da tesouraria (ST). 
Cada um desses indicadores vai revelar a situação de liquidez da empresa 
no curto e no longo prazo. Para uma compreensão clara desses indicadores, 
vamos analisá-los em princípio de forma isolada. 
A NCG será a diferença entre o ativo circulante cíclico (operacional) e o 
passivo circulante cíclico (operacional). Assim, a equação 1 representa a NCG: 
NCG = Ativo circulante operacional – Passivo circulante operacional (1)
O resultado será entendido da seguinte forma: 
a) um resultado positivo indica que as saídas de caixa ocorrem antes das 
entradas, e, por esse motivo, será necessário financiar o CDG por meio 
5Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet
da contratação de empréstimos ou financiamento (capital de terceiros) 
ou com recursos próprios da empresa;
b) se o resultado for negativo, significa que o fluxo de caixa operacional 
é positivo, ou seja, as entradas de caixa ocorrem antes das saídas. Esse 
é um cenário favorável, e não haverá necessidade para captação de 
empréstimos e financiamentos ou injeção de recursos por parte dos 
sócios ou acionistas. 
Para Assaf Neto (2014), o resultado desse indicador será a quantidade 
de recursos necessários para financiar o ciclo das principais operações em-
presariais, isto é, os ciclos de comercialização, compras e estocagem. Para 
Matarazzo (2003, p. 338), “[...] a necessidade de capital de giro é a chave para 
a administração financeira de uma empresa”.
O CDG é entendido como os recursos permanentes da organização neces-
sários para cobrir as NCGs. O CDG é obtido pela subtração das fontes de longo 
prazo (passivo não circulante e patrimônio líquido) pelas aplicações de longo 
prazo (ativo não circulante). A equação 2 é utilizada para o cálculo do CDG. 
CDG = (Passivo não cíclico + Patrimônio líquido) – (Ativo não cíclico) (2)
Os resultados serão interpretados da seguinte forma:
a) quando o resultado é positivo, entende-se que há fontes de longo prazo 
(passivo não circulante e patrimônio líquido) para cobrir as NCGs; 
b) quando o resultado é negativo, não há fontes de longo prazo suficientes 
para financiar as NCGs. Nessa condição, a empresa deverá buscar 
alternativas na sua estrutura financeira. 
O ST é a diferença entre o CDG e a NCG. Esse resultado será obtido pela 
subtração do ativo circulante errático pelo valor do passivo circulante errático. 
Esse saldo será calculado por meio da equação 3. 
ST = Ativo circulante financeiro – Passivo circulante financeiro (3)
A interpretação desse resultado é descrita a seguir. 
a) Quando o ST tem um resultado negativo, a empresa vai utilizar as 
fontes de curto prazo (empréstimos e financiamento) para cobrir a sua 
NCG; assim, haverá uma quantidade maior do capital de terceiros na 
Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet6
empresa. Uma consequência dessa situação é o aumento das despesas 
onerosas (financeiras).
b) Quanto maior o resultado, melhor será a situação da empresa, pois haverá 
uma menor dependência do capital de terceiros, e isso vai resultar em 
despesas onerosas menores e endividamento reduzido. Nessa situação, 
a empresa tem recursos de curto prazo suficientes para financiar as 
suas operações. 
Segundo Viera (2008, p. 86), “[…] quando os recursos de longo prazo originários do 
capital de giro não são suficientes para satisfazer à demanda operacional de recursos 
representada pela necessidade de capital de giro, a empresa precisa utilizar fonte de 
curto prazo, com o objetivo de complementar o financiamento das suas atividades”. 
O ST poderá ser utilizado como complemento. 
3 Administração financeira do capital de giro 
líquido
Com as análises e estudos verifi cados até este momento, pode-se perceber a 
importância da liquidez dentro das empresas. Sendo assim, uma análise mais 
crítica sobre o CDG é necessária, uma vez que ele está intimamente ligado ao 
grau de liquidez e solvência de uma organização. 
Para Vieira (2008), o CGL é uma medida da folga financeira da empresa 
para honrar as obrigações computadas no passivo circulante. Sob o aspecto 
da liquidez, entende-se que, quanto maior for o CGL, melhor será a situação 
financeira da empresa no curto prazo. 
O CGL será o resultado da diferença entre as contas do ativo circulante e 
do passivo circulante. A equação 4 representa o CGL.
 CGL = Ativo circulante – Passivo circulante (4)
O resultado dessa equação poderá ser positivo, negativo ou nulo. Cada 
resultado vai indicar a situação financeira da empresa. Nas Figuras 2, 3 e 4 
são apresentadas as três situações possíveis. Na situação apresentada na Figura 
7Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet
2, o CGL é nulo, assim, os bens e direitos do ativo circulante são iguais às 
obrigações do passivo circulante.
Figura 2. Capital de giro líquido nulo.
Fonte: Adaptada de Assaf Neto e Silva (2002).
Na Figura 3, pode-se observar uma situação financeira favorável, na qual 
o CGL é positivo.
Figura 3. Capital de giro líquido positivo.
Fonte: Adaptada de Assaf Neto e Silva (2002).
O resultado positivo indica que o CDG é próprio, e, por essa razão, o ativo 
circulante é superior às obrigações existentes no passivo circulante para o 
mesmo período. Essa é uma situação financeira favorável e representa uma 
boa capacidade para o financiamento das dívidas com capital próprio. 
Quando o resultado é negativo, conforme mostra a Figura 4, o CGL no curto 
prazo é financiado pelo capital de terceiros (empréstimos e financiamentos), 
e o ativo circulante é inferior às obrigações presentes no passivo circulante. 
Essa é uma situação de alerta: o endividamento cresceu e as despesas também, 
assim, a solvência poderá ficar comprometida no longo prazo. 
Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet8
Figura4. Capital de giro líquido negativo.
Fonte: Adaptada de Assaf Neto e Silva (2002).
O CDG na análise financeira poderá ser classificado como fixo ou variável. Segundo 
Assaf Neto e Silva (2002), o CDG fixo será a quantidade necessária para manter o ativo 
circulante e garantir as operações da organização. O CDG variável corresponde aos 
recursos extraordinários para atender às necessidades sazonais, como antecipação das 
compras de insumo, maiores volumes de vendas em alguns períodos ou contingências 
não previstas.
Conforme Matarazzo (2003, p. 337), a NCG “[...] é não só um conceito 
fundamental para a análise da empresa do ponto de vista financeiro, ou seja, 
análise de caixa, mas também de estratégias de financiamento, crescimento e 
lucratividade”. Sob esse contexto, entende-se que o CDG é um dos elementos 
que vão delinear o planejamento estratégico e operacional das organizações. 
Uma administração eficaz do CGL vai garantir uma solidez financeira, bem 
como resultados prósperos ao longo do tempo. Por conta disso, dimensionar 
e avaliar corretamente as fontes de financiamento será estratégico e vital. 
Para Matarazzo (2003), existem diferentes fontes de financiamento, como: 
  capital circulante próprio;
  empréstimos e financiamentos bancários de longo prazo; 
  empréstimos bancários de curto prazo; 
  duplicatas descontadas.
9Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet
Estas são as principais formas para financiar as NCGs, e cada uma delas 
tem suas peculiaridades para prazos, despesas e volumes. O uso dessas fontes 
deverá contribuir para ganhos positivos nos ciclos econômico e financeiro. 
Assim, a empresa terá condições suficientes para manter uma boa saúde 
financeira no curto e no longo prazo.
A gestão do CDG é uma tarefa estratégica e que merece uma atenção ímpar, 
para proporcionar resultados econômicos e financeiros positivos, bem como 
criar valor para os negócios da empresa no curto e no longo prazo. Logo, a 
compreensão do modelo dinâmico de Fleuriet e as ferramentas para análise 
das necessidades líquidas do CDG ganham maior relevância.
ASSAF NETO, A. Finanças corporativas e valor. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
ASSAF NETO, A.; SILVA, C. A. T. Administração do capital de giro. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
FLEURIET, M.; KEHDY, R.; BLANC, G. O modelo Fleuriet: a dinâmica financeira das empresas 
brasileiras. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. 
MATARAZZO, D. C. Análise financeira de balanços: abordagem básica e gerencial. 6. ed. 
São Paulo: Atlas, 2003.
ROCHA, I.; KLANN, R. C.; HEIN, N. Utilização do modelo Fleuriet na análise da gestão do 
capital de giro de empresas brasileiras do setor de siderurgia. In: CONGRESSO BRASI-
LEIRO DE CUSTOS, 17., 2010, Belo Horizonte. Anais eletrônicos [...]. Disponível em: https://
anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/download/835/835. Acesso em: 26 abr. 2020.
THEISS JÚNIOR, F.C.; WILHELM, P.P.H. Análise do capital de giro: modelo Fleuriet versus 
modelo tradicional. In: ENCONTRO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO 
EM ADMINISTRAÇÃO, 24., 2000, Florianópolis. Anais […]. Florianópolis: ENANPAD, 2000.
VIEIRA, M. V. Administração estratégica de capital de giro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
Leitura recomendada
MARQUES, J. A. V. C.; BRAGA, R. Análise dinâmica do capital de giro: o modelo Fleuriet. 
Revista de Administração de Empresas, v. 35, nº. 3, p. 49–63, mai./jun. 1995. Disponível em: 
http://www.scielo.br/pdf/rae/v35n3/a07v35n3.pdf. Acesso em: 26 abr. 2020.
Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet10
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11Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet
CONTABILIDADE 
INTERMEDIÁRIA II
Filipe Martins da Silva
Notas explicativas: 
conteúdo informativo 
e elaboração
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer o conceito e a estrutura das notas explicativas.
 � Descrever a evidenciação das contas patrimoniais e de resultado nas 
notas explicativas.
 � Explicar a obrigatoriedade das notas explicativas como parte inte-
grante das demonstrações contábeis.
Introdução
Neste capítulo, você vai conhecer as notas explicativas e qual seu objetivo, 
entender a importância das notas explicativas e como elas se interligam 
com as demonstrações contábeis, além de conhecer as informações 
obrigatórias que devem conter nelas.
É muito importante compreender a importância de sua divulgação, 
pois sua finalidade é tornar mais claras as informações divulgadas pelas 
companhias. Sendo assim, as empresas são obrigadas a divulgar tais notas 
explicativas, pois, utilizando unicamente as demonstrações contábeis, 
nem todas as informações podem ser claras.
Além disso, será apresentado um exemplo real de uma nota explicativa 
publicada, além de apresentar a legislação que a regulamenta e a torna 
obrigatória para as empresas.
Notas explicativas: conteúdo e conceito
O objetivo da contabilidade é fornecer informações úteis para que seus usuários 
possam tomar decisões, para isso são utilizadas as demonstrações contábeis. 
Ainda assim, os números por si só são insuficientes, para levar ao interessado 
das informações detalhes das operações ocorridas na empresa.
As demonstrações contábeis devem ser complementadas por notas explicativas, 
quadros analíticos ou outras demonstrações contábeis necessárias à plena avaliação 
da situação e da evolução patrimonial da empresa (GELBCKE et al., 2018).
Para complementar essas informações, a legislação prevê as notas explicativas. 
Elas se utilizam de textos, gráficos, quadros, entre outros recursos que são utiliza-
dos para compreender aspectos relativos a determinados conjuntos de contas das 
demonstrações contábeis, e devem ser exibidas após a apresentação das demons-
trações contábeis publicadas pela empresa, sendo parte integrante do conjunto 
completo das demonstrações contábeis (RIBEIRO, 2013). As notas explicativas 
são definidas nos parágrafos 4º e 5º do artigo 176 da Lei nº. 6.404/1976: “§ 4º As 
demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros quadros 
analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação 
patrimonial e dos resultados do exercício” (BRASIL, 1976, documento on-line).
Além do mencionado, as notas explicativas devem tratar também dos 
seguintes itens:
1. critérios de avaliação de estoques;
2. cálculos de depreciação;
3. critérios para constituição de perdas e provisões;
4. investimentos em outras sociedades;
5. obrigações de longo prazo, os credores, data de vencimento, juros;
6. número de ações que compões o capital social (GELBCKE et al., 2018).
O CPC 26 (R1) (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 
2011, documento on-line) também disciplina as informações que devem conter 
nas notas explicativas, em seus itens 77 a 80A, como demonstrado a seguir:
77. A entidade deve divulgar, seja no balanço patrimonial seja nas notas 
explicativas, rubricas adicionais às contas apresentadas (subclassificações), 
classificadas de forma adequada às operações da entidade.
78. O detalhamento proporcionado nas subclassificações depende dos re-
quisitos dos Pronunciamentos Técnicos, Interpretações e Orientações do 
CPC e da dimensão, natureza e função dos montantes envolvidos. Os fatores 
estabelecidos no item 58 também são usados para decidir as bases a se utilizar 
para tal subclassificação. As divulgações variam para cada item, por exemplo:
(a) os itens do ativo imobilizado são segregados em classes de acordo com o 
Pronunciamento Técnico CPC 27 — Ativo Imobilizado;
(b) as contas a receber são segregadas em montantes a receber de clientes 
comerciais, contasa receber de partes relacionadas, pagamentos antecipados 
e outros montantes;
Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração2
(c) os estoques são segregados, de acordo com o Pronunciamento Técnico 
CPC 16 — Estoques, em classificações tais como mercadorias para revenda, 
insumos, materiais, produtos em processo e produtos acabados;
(d) as provisões são segregadas em provisões para benefícios dos empregados 
e outros itens; e
(e) o capital e as reservas são segregados em várias classes, tais como capital 
subscrito e integralizado, prêmios na emissão de ações e reservas.
79. A entidade deve divulgar o seguinte seja no balanço patrimonial, seja na 
demonstração das mutações do patrimônio líquido ou nas notas explicativas:
(a) para cada classe de ações do capital:
(i) a quantidade de ações autorizadas;
(ii) a quantidade de ações subscritas e inteiramente integralizadas, e subscritas 
mas não integralizadas;
(iii) o valor nominal por ação, ou informar que as ações não têm valor nominal;
(iv) a conciliação entre as quantidades de ações em circulação no início e no 
fim do período;
(v) os direitos, preferências e restrições associados a essa classe de ações, 
incluindo restrições na distribuição de dividendos e no reembolso de capital;
(vi) ações ou quotas da entidade mantidas pela própria entidade (ações ou 
quotas em tesouraria) ou por controladas ou coligadas; e
(vii) ações reservadas para emissão em função de opções e contratos para a 
venda de ações, incluindo os prazos e respectivos montantes; e
(b) uma descrição da natureza e da finalidade de cada reserva dentro do 
patrimônio líquido.
80. A entidade sem capital representado por ações, tal como uma sociedade de 
responsabilidade limitada ou um truste, deve divulgar informação equivalente 
à exigida no item 79(a), mostrando as alterações durante o período em cada 
categoria de participação no patrimônio líquido e os direitos, preferências e 
restrições associados a cada categoria de instrumento patrimonial.
80A. Se a entidade tiver reclassificado
(a) um instrumento financeiro com opção de venda classificado como ins-
trumento patrimonial, ou
(b) um instrumento que impõe à entidade a obrigação de entregar à contraparte 
um valor pro rata dos seus ativos líquidos (patrimônio líquido) somente na 
liquidação da entidade e é classificado como instrumento patrimonial entre 
os passivos financeiros e o patrimônio líquido, ela deve divulgar o montante 
reclassificado para dentro e para fora de cada categoria (passivos financeiros 
ou patrimônio líquido), e o momento e o motivo dessa reclassificação.
A seguir, na Figura 1, é apresentado o exemplo de uma nota explicativa real 
publicada em um jornal de grande circulação. É importante destacar que as 
notas explicativas são publicadas juntamente com as demais demonstrações 
contábeis, como o balanço patrimonial, porém está sendo apresentado na 
Figura 1 apenas as notas explicativas publicadas.
3Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração
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9)
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Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração4
O CPC PME (R1, CPC, 2009, p. 34–35) também determina as notas ex-
plicativas, e em seus itens 8.2 a 8.7, da seção 8 tratam sobre o assunto, como 
se segue:
8.2 As notas explicativas devem:
(a) apresentar informações acerca das bases de elaboração das demonstrações 
contábeis e das práticas contábeis específicas utilizadas, de acordo com os 
itens 8.5 a 8.7;
(b) divulgar as informações exigidas por este Pronunciamento que não tenham 
sido apresentadas em outras partes das demonstrações contábeis; e
(c) prover informações que não tenham sido apresentadas em outras partes 
das demonstrações contábeis, mas que sejam relevantes para compreendê-las. 
8.3 A entidade deve, tanto quanto seja praticável, apresentar as notas ex-
plicativas de forma sistemática. A entidade deve indicar em cada item das 
demonstrações contábeis a referência com a respectiva informação nas notas 
explicativas.
8.4 A entidade normalmente apresenta as notas explicativas na seguinte ordem:
(a) declaração de que as demonstrações contábeis foram elaboradas em 
conformidade com este Pronunciamento;
(b) resumo das principais práticas contábeis utilizadas (ver item 8.5);
(c) informações de auxílio aos itens apresentados nas demonstrações con-
tábeis, na ordem em que cada demonstração é apresentada, e na ordem em 
que cada conta é apresentada na demonstração; e
(d) quaisquer outras divulgações.
Divulgação das práticas contábeis
8.5 A entidade deve divulgar no resumo das principais práticas contábeis:
(a) a base de mensuração utilizada na elaboração das demonstrações contá-
beis;
(b) as outras práticas contábeis utilizadas que sejam relevantes para a com-
preensão das demonstrações contábeis.
Informação sobre julgamento
8.6 A entidade deve divulgar, no resumo das principais práticas contábeis 
ou em outras notas explicativas, os julgamentos, separadamente daqueles 
envolvendo estimativas (ver item 8.7), que a administração utilizou no pro-
cesso de aplicação das práticas contábeis da entidade e que possuem efeito 
mais significativo nos valores reconhecidos nas demonstrações contábeis. 
Informação sobre as principais fontes de incerteza das estimativas
8.7 A entidade deve divulgar, nas notas explicativas, informações sobre os 
principais pressupostos relativos ao futuro, e outras fontes importantes de 
incerteza das estimativas na data de divulgação, que tenham risco significa-
tivo de provocar modificação material nos valores contabilizados de ativos e 
passivos durante o próximo exercício financeiro. Com respeito a esses ativos 
e passivos, as notas explicativas devem incluir detalhes sobre:
(a) sua natureza; e
(b) seus valores contabilizados ao final do período de divulgação.
5Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração
Pode-se observar que a finalidade das notas explicativas é proporcionar aos 
usuários um melhor entendimento das demonstrações contábeis apresentadas, 
tendo um caráter de apresentar informações descritivas, informando critérios 
de avaliação, mudanças de políticas e práticas contábeis, detalhamento de 
grupos do balanço, como imobilizado, que podem ser objetos de análises mais 
específicas (PADOVEZE, 2017).
Deve-se entender que as notas explicativas são complementares às demons-
trações contábeis, ajudando a compreensão mais detalhada das demonstrações 
contábeis e do funcionamento da empresa, porém são fundamentais para a 
análise das demonstrações financeiras pelos usuários externos, uma vez que 
explicitam as práticas contábeis e os critérios que foram utilizados, além de 
evidenciar informações de itens que não estão reconhecidos nas demonstrações 
contábeis, mas que poderão impactar na tomada de decisão, sendo assim, uma 
ferramenta de cunho estratégico.
Mesmo as notas explicativas exercendo papel complementar às demonstra-
ções contábeis é obrigatória divulgação, pois em um mercado cada vez mais 
globalizado e competitivo, as empresas precisam ter uma maior consciência 
além de cumprir o que está estabelecido nas legislação vigentes, e ao mesmo 
tempo estabelecer um diferencial e se comunicar diretamente com seus usuá-
rios externos, compreender suas necessidades e se elas estão sendo atendidas, 
assegurando que eles tenham acesso às informações que necessitam (SAIBA 
como as notas..., 2018).
Junto com as demonstrações contábeis, além das notas explicativas, também é pu-
blicado o relatório da administração, sendo este relatório um texto preparado pelos 
gestores da empresa para avaliar o desempenho da organização. Ele traz informações 
corporativas e setoriais relacionadas ao ramo de atividade, análise financeira e outras 
informações que a administração julga de interesse para os seus acionistas e público 
em geral. Também pode ser denominado relatório da diretoria. 
Fonte: Desenvolve SP (2019).
Notas explicativas:conteúdo informativo e elaboração6
Características das informações contábeis e 
estrutura das notas explicativas
Conforme as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) T. 1, que trata das 
características qualitativas das demonstrações contábeis, toda demonstração 
contábil deve ter atributos que tornem as demonstrações contábeis úteis para 
os usuários (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008), como 
as listadas a seguir.
 � Compreensibilidade: todas as informações contábeis devem ser en-
tendidas por todos os usuários, e para esse fim é preciso que usuários 
tenham um conhecimento razoável dos negócios, atividades econômicas 
e contabilidade, e a disposição de estudar as informações com razoável 
conhecimento. Mas mesmo que uma informação seja de difícil com-
preensão, não deve ser excluída das informações contábeis.
 � Relevância: para serem úteis, as informações deve ser relevantes, ou 
seja, influenciar as decisões econômicas dos usuários, ajudando-os a 
avaliar o impacto de eventos passados, presentes ou futuros.
 � Materialidade: a relevância das informações é afetada pela sua natureza 
e materialidade. Ou seja, uma informação é material se a sua omissão 
ou distorção puder influenciar as decisões econômicas dos usuários, 
tomadas com base nas demonstrações contábeis.
 � Confiabilidade: para ser útil, a informação deve ser confiável, ou seja, 
deve estar livre de erros ou vieses relevantes e representar adequada-
mente aquilo que se propõe a representar (CFC, 2008).
Porém, para atender as quatro características mencionadas na NBC TG 
Estrutura Conceitual (CFC, 2008), a empresa também deve, segundo essa 
mesma norma, proceder com os seguintes critérios.
 � Representação adequada: para ser confiável, a informação deve re-
presentar adequadamente as transações e outros eventos que ela diz 
representar. Ou seja, o balanço patrimonial deve representar adequa-
damente a situação patrimonial da empresa na data da apresentação.
 � Primazia da essência sobre a forma: para que a informação represente 
corretamente é necessário que essas transações sejam contabilizadas de 
acordo com a sua essência e realidade econômica, e não meramente sua 
forma legal, ou seja, não basta seguir a lei, deve representar sua essência.
7Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração
 � Neutralidade: para ser confiável, a informação contida nas demons-
trações contábeis deve ser neutra, isto é, imparcial, não induzindo o 
usuário para uma tomada de decisão.
 � Prudência: os preparadores de demonstrações contábeis se deparam 
com incertezas que inevitavelmente envolvem certos eventos e circuns-
tâncias, tais como a possibilidade de recebimento de contas a receber 
de liquidação duvidosa, que devem ser apresentadas.
 � Integridade: para ser confiável, a informação constante das demons-
trações contábeis deve ser completa, pois uma omissão pode tornar 
uma informação falsa.
 � Comparabilidade: os usuários devem poder comparar as demonstrações 
contábeis de uma entidade ao longo do tempo, evitando alterações de 
critérios e avaliações que possam distorcer essa comparação.
Ou seja, as notas explicativas devem atender a esses quesitos. A CPC 26 
(R1) aprovada pela Deliberação CVM nº 676/2011 (2011, documento on-line), 
estabelece o que segue: 
112. As notas explicativas devem:
(a) apresentar informação acerca da base para a elaboração das demonstrações 
contábeis e das políticas contábeis específicas utilizadas, de acordo com os 
itens 117 a 124;
(b) divulgar a informação requerida pelos Pronunciamentos Técnicos, Orien-
tações e Interpretações do CPC que não tenha sido apresentada nas demons-
trações contábeis; e
(c) prover informação adicional que não tenha sido apresentada nas demons-
trações contábeis, mas que seja relevante para sua compreensão. 
113. As notas explicativas devem ser apresentadas, tanto quanto seja praticável, 
de forma sistemática. Cada item das demonstrações contábeis deve ter referên-
cia cruzada com a respectiva informação apresentada nas notas explicativas.
Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração8
Santos e Veiga (2014) complementam que a ordem de apresentação das 
notas explicativas deve ser:
1. contexto operacional;
2. declaração quanto à base de preparação das demonstrações contábeis;
3. bases de avaliação de ativos e passivos e práticas contábeis aplicadas;
4. informações adicionais para itens apresentados nas demonstrações 
contábeis;
5. contingências e outras divulgações de caráter financeiro;
6. divulgações não financeiras, tais como riscos financeiros da entidade.
Cabe ressaltar segundo Iudícibus e Marion (2009) que as notas explicativas 
podem ser complementadas por quadros analíticos suplementares, apresentados 
dentro das próprias notas. Tais quadros apresentam detalhamento de infor-
mações, como composição e tipos de ação do capital social, taxas de juros e 
prazos de vencimento de empréstimo, garantias de longo prazo, composição 
do estoque e imobilizado, entre outras. Para Iudícibus e Marion (2009), são 
exemplos de informações contidas nos quadros analíticos:
 � Composição dos estoques: será apresentado os valores de matéria-prima, 
produtos em andamento, produtos acabados, material de embalagem, 
peças de reposição, almoxarifado, entre outros que a empresa possa 
vir a possuir.
 � Composição do imobilizado: serão apresentados valores de terrenos, 
edifícios, máquinas, veículos, a depreciação acumulada individualizada 
por bem, construções em andamento, importação em andamento, entre 
outros.
 � Projetos em execução: descrição dos projetos que estão em andamento, 
informando prazo de entrega, capacidade de produção, comparação 
entre custos estimados e custos reais, financiamentos para executar o 
projeto, entre outros.
9Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração
O § 5º do art. 176 da Lei das Sociedades por Ações (BRASIL, 1976, docu-
mento on-line) regula as notas que devem ser incluídas, que são:
I — apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações 
financeiras e das práticas contábeis específicas selecionadas e aplicadas para 
negócios e eventos significativos;
II — divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adotadas no 
Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte das demons-
trações financeiras;
III — fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstra-
ções financeiras e consideradas necessárias para uma apresentação adequada; e 
IV — indicar:
a) os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, especial-
mente estoques, dos cálculos de depreciação, amortização e exaustão, de 
constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender 
a perdas prováveis na realização dos elementos do ativo;
b) os investimentos em outras sociedades, quando relevantes (art. 247, pa-
rágrafo único);
c) o aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações 
(art. 182, § 3º);
d) os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias prestadas 
a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes;
e) a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a 
longo prazo;
f) o número, espécies e classes das ações do capital social;
g) as opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício;
h) os ajustes de exercícios anteriores (art. 186, § 1º);
i) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham, 
ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados 
futuros da companhia.
O relatório da diretoria é aplicado em companhias de grande porte e de capital aberto. 
As demais companhias, conforme a legislação vigente, devem apresentar um relatório 
informando aos acionistas que, de acordo com a legislação e os estatutos sociais, estão 
sendo apresentadas as demonstrações contábeis.
Fonte: Santos e Veiga (2014).
Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração10
Informações constantes nas notas explicativas
As notas explicativasnão possuem grandes complexidades em sua elabora-
ção. A NBC TG 1000 (CFC, 2009) apresenta um passo a passo que deve ser 
considerado em sua elaboração. Ao elaborar o balanço patrimonial, a entidade 
deve apresentar as seguintes informações:
1. a classificação do ativo imobilizado da entidade;
2. demonstração dos valores do grupo contas a receber, destacando os 
valores relativos a partes relacionadas e recebíveis gerados por receitas 
não faturadas;
3. composição dos estoques da empresa, demonstrando separadamente 
seus valores relativos ao seu objetivo, isto é, mantidos para venda, 
produção ou bens de consumo;
4. os valores dos fornecedores e contas a pagar, demonstrando separa-
damente os valores a pagar para fornecedores, partes relacionadas e 
encargos incorridos;
5. provisões para benefícios a empregados e outras provisões, como 
trabalhistas;
6. a composição do patrimônio líquido, destacando os grupos que o com-
põe, como reserva de lucros.
Caso a entidade tenha seu capital social na forma de ações, ou seja, so-
ciedade anônima, a NBC TG (R1) 1000 (CFC, 2016) determina que entidade 
deve divulgar:
1. a quantidade de ações autorizadas;
2. a quantidade de ações subscritas, integralizadas e não integralizadas;
3. o valor nominal por ação;
4. ações que não tenham valor nominal;
5. descriminação da quantidade de ações em circulação no início e no 
fim do exercício;
11Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração
6. direitos, preferências e restrições associados a essas classes, incluindo 
restrições na distribuição de dividendos ou de lucros e no reembolso 
do capital;
7. ações da entidade em posse da própria entidade ou por controladas e 
coligadas;
8. ações reservadas para emissão em função de opções e contratos para 
a venda de ações, incluindo os termos e montantes;
9. descrição de cada reserva incluída no patrimônio líquido.
Porém, caso a entidade tenha seu capital representado em forma de quo-
tas, ou seja, sociedade limitada, deve divulgar informações equivalentes às 
exigidas pela Sociedade Anônima, isto é, descrever as alterações ocorridas 
no patrimônio líquido no exercício; descrição do ativo ou grupo de ativos e 
passivos; o valor contabilizado dos ativos ou o valor contabilizado desses 
ativos e passivos.
Exemplos de dados divulgados em notas explicativas
As notas explicativas são obrigatórias para todas as empresas de todos os 
portes, inclusive para pequenas e médias empresas, fazendo parte do conjunto 
completo do conjunto das demonstrações contábeis elaboradas (SANTOS; 
VEIGA, 2014). A seguir, no Quadro 1, são apresentados alguns exemplos 
de dados que obrigatoriamente devem contar nas notas explicativas, caso a 
entidade possua tais movimentações.
Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração12
Fonte: Adaptado de Santos et al. (2015).
Dados a serem 
divulgados
Exemplos
Políticas 
contábeis
Avaliações utilizadas no ativo e passivo, como 
custo histórico, custo corrigido, valor de 
realização, valor justo ou valor recuperável.
Fontes de 
incertezas das 
estimativas
Alguns ativos e passivos exigem uma estimativa de efeitos 
incertos no futuro, como ausência de preços de mercado, 
passando a ser necessário estimar o valor recuperável de 
um imobilizado; obsolescência tecnológica nos estoques; 
provisões sujeitas a resultado de litígio no futuro.
Capital
Descrição de elementos qualitativos sobre 
as políticas de gestão do capital; objetivos 
monetários da gestão do capital.
Outras 
divulgações
Montante de dividendos propostos, quantidade de 
dividendo preferencial, forma jurídica de entidade, 
endereço da sede, natureza das operações, se é entidade 
constituída com tempo determinado ou não.
Quadro 1. Exemplos de informações divulgadas em notas explicativas
Acesse o link para saber mais a respeito das notas explicativas.
https://qrgo.page.link/3EuH
13Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração
Nota 01 — Sumários das práticas contábeis
As principais práticas contábeis adotadas pela sociedade são:
a) Estoques — são avaliados ao custo médio de aquisição ou de produção, estando 
reduzidos, mediante a provisão evidenciada ao valor de mercado ou de realização, 
quando inferiores ao custo.
b) Ativo imobilizado — é registrado ao custo de aquisição ou construção, reduzido 
da depreciação acumulada. As depreciações são calculadas pelo método linear, 
com base em taxas que levam em consideração a vida útil econômica dos bens, 
segundo parâmetros estabelecidos pela legislação tributária ou com base em 
laudo técnico de peritos avaliadores. As taxas de depreciação são as seguintes:
 � edifícios: 4%; 
 � máquinas, equipamentos, instalações e móveis: 10%;
 � veículos e equipamentos de informática: 20%.
c) Investimento — as participações relevantes em coligadas e controladas são ava-
liadas pelo método de equivalência patrimonial. As demais participações em 
outras sociedades são registradas pelo custo de aquisição menos a provisão para 
perdas permanentes.
d) Empréstimo e financiamentos — são atualizados pelas variações monetárias in-
corridas até a data do balanço, e os respectivos juros transcorridos devem estar 
provisionadas. As variações monetárias e os juros são apropriados em despesas 
financeiras.
e) Impostos de rendas e contribuições sociais — são calculados e contabilizados 
com base nas alíquotas vigentes no exercício a que se referem as demonstrações 
contábeis.
Nota 02 — Responsabilidade e contingências
Devem ser relacionados e, se for o caso, comentados os processos, contingências 
fiscais e reclamações trabalhistas que envolvem responsabilidade contingente da 
empresa. Deve-se reservar uma provisão para riscos fiscais e outras contingências 
no valor correspondente à perda provável máxima no caso de resultado negativo 
nessa pendência.
Nota 03 — Empréstimos e financiamentos
Descrevem-se os empréstimos e financiamentos efetuados pela empresa para a 
execução de projetos e capital de giro, as entidades concessoras, a data de resgate, os 
juros praticados, as garantidas oferecidas e demais detalhes considerados relevantes. 
Nota 04 — Capital
Faz-se uma demonstração da composição do capital social (número de ações ordinárias 
e preferenciais para sociedades anônimas, ou quotas para sociedades limitadas), valor 
nominal e da distribuição dos dividendos.
Nota 05 — Ajuste de exercícios anteriores
Relacionam-se as ações referente ao ajuste de exercícios anteriores e seus efeitos sobre 
as demonstrações contábeis do exercício.
Fonte: Quintana (2009).
Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração14
Todas essas informações, em conjunto com as demonstrações contábeis, 
compreendem um resumo das políticas contábeis aplicadas pela empresa, 
bem como necessárias para a avaliação da situação patrimonial, financeira 
e econômica da entidade por parte dos gestores, investidores e acionistas 
(SANTOS, VEIGA; 2014).
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. 
Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília, DF: 1976. Disponível em: http://www. 
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm. Acesso em: 17 abr. 2019.
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Deliberação CVM nº. 488, de 03 de outubro 
de 2005. Aprova o pronunciamento do IBRACON NPC n. 27 sobre Demonstrações 
Contábeis — apresentação e divulgações. Rio de Janeiro, 2005. Disponível em: http://
www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/deliberacoes/anexos/0400/deli488.pdf. 
Acesso em: 26 mar. 2019.
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Deliberação CVM nº. 496, de 03 de janeiro 
de 2006. Prorroga a entrada em vigor da Deliberação CVM nº. 488, de 03 de outubro de 
2005, que aprovou o pronunciamento do IBRACON NPC nº. 27 sobre Demonstrações 
Contábeis — apresentação e divulgações. Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: http://
www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/deliberacoes/anexos/0400/deli496.pdf. 
Acesso em: 26 mar. 2019.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico CPC 26 (R1): 
apresentaçãodas demonstrações contábeis. 2011. Disponível em: http://static. cpc.
aatb.com.br/Documentos/312_CPC_26_R1_rev%2013.pdf. Acesso em: 17 abr. 2019. 
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico PME: conta-
-bilidade para pequenas e médias empresas. 2009. Disponível em: http://static.cpc. 
aatb.com.br/Documentos/392_CPC_PMEeGlossario_R1_rev%2011_alt.pdf. Acesso 
em: 17 abr. 2019.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE — CFC. Normas Brasileiras de Contabilidade 
NBC T 1: estrutura conceitual para a elaboração e apresentação das demonstrações 
contábeis. Brasília, DF, 2008a. Disponível em: http://www.portaldecontabilidade.com. 
br/nbc/t1.htm. Acesso em: 17 abr. 2019.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE — CFC. Normas Brasileiras de Contabilidade 
NBC TG 1000: contabilidade para pequenas e médias empresas. Brasília, DF, 2009. 
Disponível em: http://www.portaldecontabilidade.com.br/nbc/NBC-TG-1000.htm. 
Acesso em: 17 abr. 2019.
15Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE — CFC. Normas Brasileiras de Contabilidade 
NBC TG 1000 (R1), de 21 de outubro de 2016. Altera a NBC TG 1000 que dispõe sobre a 
contabilidade para pequenas e médias empresas. Brasília, DF, 2016. Disponível em: 
http://www.contabilistassl.com.br/s-n/noticias-descricao.php?id_=OTQ2NzU0ODA-
-1NDI=&o=fc9dc22ccbf2965c1a1d85a3cbd28b7350bdb810c1e057a784da89fe6bfb 
769aa23f5bc5b4ddf58276c13c4cb08b499dc9277c4de4570429963e77e6e9ebfc84. 
Acesso em: 17 abr. 2019.
DESENVOLVE SP. Relatório da administração. Disponível em: https://www.desen-volvesp.
com.br/institucional/transparencia/prestacao-de-contas/relatorio-da--administracao/. 
Acesso em: 17 abr. 2019.
GELBCKE, E. R. et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades. 
3. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. Contabilidade comercial. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
NOTAS explicativas. Jornal do Comércio, 29 mar./01 abr. 2018. 2. Caderno, p. 19.
PADOVEZE, C. L. Manual de contabilidade básica: contabilidade introdutória e inter-
-mediária. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
QUINTANA, A. C. Fluxo de caixa: demonstrações contábeis — de acordo com a lei 
11.638/07. Curitiba: Juruá, 2009.
RIBEIRO, O. M. Contabilidade básica fácil. 29. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
SAIBA como as notas explicativas podem ser estratégicas na contabilidade da empresa. 
2018. Disponível em: https://www.classecontabil.com.br/saiba-como-as-notas-explica-
-tivas-podem-ser-estrategicas-na-contabilidade-da-empresa/. Acesso em: 17 abr. 2019.
SANTOS, F. A.; VEIGA, W. E. Contabilidade: com ênfase em micro, pequenas, e médias 
empresas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
SANTOS, J. L. et al. Manual de práticas contábeis: aspectos societários e tributários. 
3. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
Leituras recomendadas
BOHRER IBAÑEZ, M. (coord.). Contabilidade para pequenas e médias empresas. 2. ed. 
Porto Alegre: CRCRS, 2011. Disponível em: http://www.crcrs.org.br/arquivos/livros/
livro_contabilidadePME.pdf. Acesso em: 17 abr. 2019.
MONTOTO, E. Contabilidade geral e avançada esquematizado. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 
2018.
NOTAS explicativas às demonstrações financeiras. Disponível em: http://www.portal-
-decontabilidade.com.br/guia/notasexplicativas.htm. Acesso em: 17 abr. 2019.
Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração16
CONTABILIDADE 
INTERMEDIÁRIA II
Filipe Martins da Silva
Demonstração de lucros 
ou prejuízos acumulados: 
ajustes e constituição 
de reservas
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Definir a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA).
 � Descrever os elementos que compõem a estrutura da demonstração 
de lucros ou prejuízos acumulados.
 � Explicar o impacto, no balanço patrimonial, da constituição e reversão 
de reservas, dos ajustes de exercícios anteriores e do reconhecimento 
da distribuição de lucros.
Introdução
Neste capítulo, você conhecerá a demonstração de lucros ou prejuízos 
acumulados (DLPA) e compreenderá como ocorre a sua movimentação, 
quais contas a compõem e a importância dos itens da sua compo-
sição — como, por exemplo, dividendos, que é a remuneração dos 
acionistas e sócios das empresas.
O lucro obtido pela empresa nem sempre é integralmente distri-
buído; muitas vezes, ele é reinvestido na própria empresa. Através da 
DLPA, será possível acompanhar a movimentação do lucro e distinguir 
a sua destinação. Além disso, você também conhecerá, com base na 
legislação vigente, quais são as reservas de lucro que uma entidade 
pode criar, os seus objetivos, e de que forma a empresa pode calcular 
seus dividendos.
O que é a demonstração de lucros ou prejuízos 
acumulados?
Para um acionista que deseja conhecer a situação da empresa em que está 
investindo, quanto maior o número de informações, melhores e mais exatas 
serão as suas interpretações, conclusões e, consequentemente, as suas tomadas 
de decisões. Para isso, além do balanço patrimonial e da demonstração do 
resultado do exercício, a empresa conta também com a DLPA, que contribui 
para a compreensão da situação econômica e financeira da empresa, além de 
explicitar a destinação dos lucros da companhia. 
A DLPA tem por finalidade apresentar as movimentações ocorridas na conta 
de lucros ou prejuízos acumulados, evidenciando as alterações ocorridas no 
saldo desta conta. Uma vez que inúmeras operações que se processam nesta 
conta fazem com que o lucro líquido do exercício, constante da demonstração 
do resultado do exercício, seja diferente do saldo final da conta de lucros ou 
prejuízos acumulados, a DLPA constitui-se, então, imperativa na apresentação 
de tais modificações (GELBCKE et al., 2018). 
A conta de lucros ou prejuízos acumulados, apresentada pela DLPA, pode 
ser obtida também pela demonstração das mutações do patrimônio líquido, 
a qual inclui uma coluna específica para evidenciar as movimentações que 
transitaram pela conta de lucros ou prejuízos acumulados. Segundo Padoveze 
(2017), a DLPA tem por objetivo apresentar as seguintes informações: 
 � os lucros ainda não distribuídos ou transferidos;
 � os lucros ou prejuízos ocorridos no exercício;
 � as transferências para reservas e lucros distribuídos;
 � a absorção dos prejuízos de exercícios anteriores por novos lucros;
 � os prejuízos acumulados de exercícios anteriores não absorvidos por 
lucros.
O art. 286 do Decreto nº. 9.580, de 22 de novembro de 2018, determina a 
obrigatoriedade da apuração da DLPA:
Ao fim de cada período de apuração, o contribuinte deverá apurar o lucro 
líquido por meio da elaboração, em observância às disposições da lei comer-
cial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do período de 
apuração e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (BRASIL, 
2018, documento on-line).
Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas2
Em seu item 6.5, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) PME 
define que a DLPA deve conter:
(a) lucros ou prejuízos acumulados no início do período contábil.
(b) dividendos ou outras formas de lucro declarados e pagos ou a pagar du-
rante o período.
(c) ajustes nos lucros ou prejuízos acumulados em razão de correção de erros 
de períodos anteriores.
(d) ajustes nos lucros ou prejuízos acumulados em razão de mudanças de
práticas contábeis.
(e) lucros ou prejuízos acumulados no fim do período contábil (CPC, 2009,
p. 35).
O CPC-PME (R1) complementa, em seu item 3.18, que se as únicas 
alterações no patrimônio líquido durante os períodos para os quais as 
demonstrações contábeis são apresentadas derivarem do resultado, de 
distribuição de lucro, de correção de erros de períodos anteriores e de 
mudanças de políticas contábeis, a entidade pode apresentar a DLPA no 
lugar da demonstração do resultado abrangente (DRA) e da demonstração 
das mutações do patrimônio líquido (MONTOTO, 2018).
O § 2º do art. 186 da Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (BRASIL, 
1976),também reforça que a DLPA pode ser substituída pela demonstração das 
mutações do patrimônio líquido. A DLPA poderá ser incluída na demonstração 
das mutações do patrimônio líquido, se elaborada e divulgada pela companhia, 
visto que esta não inclui somente o movimento da conta de lucros ou prejuízos 
acumulados, mas também o de todas as demais contas do patrimônio líquido 
(MONTOTO, 2018).
O art. 286 do Decreto nº. 9.580/2018 (BRASIL, 2018) determina a obriga-
toriedade da DLPA para as sociedades limitadas. Montoto (2018) ressalta que 
a DLPA não faz parte do conjunto de demonstrações exigido pelo Conselho 
Federal de Contabilidade (CFC) no CPC 26 (R1), itens 10 e 11 (CPC, 2011), 
para as empresas de grande porte, mas a Lei nº. 6.404/1976 e o CPC-PME 
sim. De acordo com o art. 186, § 2º da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976), a 
DLPA deverá apresentar as seguintes informações: 
 � o saldo do início do período e os ajustes de exercícios anteriores;
 � as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício;
 � as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros
incorporada ao capital e o saldo ao fim do período.
3Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas
O plano de contas pode apresentar as duas contas: “lucros acumulados” 
(credora) e “prejuízos acumulados” (devedora). O saldo credor representa 
a parcela do resultado da empresa não destinada especificamente. O saldo 
devedor representa o saldo dos resultados negativos da empresa, e deverá ser 
compensado com lucros futuros (MONTOTO, 2018). 
A DLPA é constituída de forma ordenada e racional, explicitando todas as 
movimentações ocorridas com a conta lucros ou prejuízos acumulados — e 
esta, por sua vez, no balanço patrimonial, é apresentada no patrimônio líquido 
da empresa. O ponto de partida da DLPA é o saldo inicial — isto é, o valor 
constante na conta lucros ou prejuízos acumulados no início do exercício da 
empresa — até o saldo final — o valor que encerra o exercício —, elencando 
de maneira clara e sucinta todas as operações que tenham refletido na conta 
de lucros ou prejuízos acumulados. 
A DLPA apresenta as retenções de lucros, as distribuições de lucros aos 
sócios, os ajustes de exercícios anteriores, os saldos ainda não destinados, 
entre outros itens cujas causas e efeitos dos registros e do saldo são de grande 
importância para o público interessado na empresa. Para efeito de publicação, 
deve-se incluir nessa demonstração as operações ocorridas no exercício anterior 
para fins de comparação. Ela é elaborada após terem sido realizados todos os 
ajustes e procedimentos de encerramento contábil, ou seja, após a finalização 
do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício.
É importante ressaltar que a Lei nº. 11.638, de 28 de dezembro de 2007 
(BRASIL, 2007), não permite a manutenção do saldo na conta de lucros ou 
prejuízos acumulados para as companhias abertas e de grande porte, pois todos 
os lucros existentes devem ter uma destinação ao final do exercício, podendo 
ser distribuídos na forma de dividendos ou juros sobre capital próprio para 
os sócios ou acionistas, ou, também, ser transferidos para o capital social ou 
reservas de lucros. Cabe destacar que o CPC PME (para pequenas e médias 
empresas) conserva a manutenção do saldo da conta de lucros acumulados, 
por se tratar de empresas de pequeno e médio porte (PADOVEZE, 2017).
A supressão do termo “lucros acumulados”, ao lado de "prejuízos acumula-
dos”, evidencia que os lucros acumulados até 2007 tiveram que ser destinados 
nas demonstrações de 2008 e que não é mais possível deixar de destinar todo 
o lucro de um exercício. Se ocorrer de o resultado do exercício ser negativo, 
este será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas 
de lucros e pela reserva legal, nesta ordem. A partir da publicação da Lei nº. 
11.638/2007, não poderá haver saldo de "lucros acumulados" no patrimônio 
líquido. 
Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas4
Isso não significa que durante um exercício os balanços patrimoniais inter-
mediários não possam ter saldos na conta de lucros ou prejuízos acumulados. 
Essa conta não desapareceu da contabilidade. Contudo, seu saldo terá que ser 
completamente utilizado (destinado) ao final de cada exercício. Ou seja, o 
saldo final da DLPA não deve ser positivo, porque entende-se que todo lucro 
que a empresa auferir deverá ser destinado, seja pela distribuição de lucros 
ou pela destinação para reservas (MONTOTO, 2018).
Analisando as informações geradas pela DLPA, é possível observar em 
quais períodos a empresa obteve maior lucro e maior prejuízo, e a extensão 
de crescimento possível da empresa. Conhecer com detalhes suas reservas de 
lucros significa conhecer as perspectivas da empresa para o futuro e ter uma 
análise detalhada de suas possibilidades de expansão — se há como investir 
em novos produtos, instalações ou até mesmo outras filiais com os resultados 
obtidos. Além do mencionado, é possível efetuar uma análise global do resul-
tado, isto é, verificar o desempenho das estratégias aplicadas na empresa com 
o objetivo de obtenção de lucro, analisando se existe um alinhamento entre 
as equipes da empresa, e, de posse da DLPA, verificar se existem pontos que 
devam ser alterados para estimular o crescimento da empresa e o aumento do 
lucro (INSTITUTO COACHING FINANCEIRO, c2016).
Em relação às atribuições da assembleia geral ordinária, segundo o art. 132 da Lei nº. 
6.404/1976 (BRASIL, 1976), ela é obrigatoriamente convocada anualmente nos quatro 
primeiros meses seguintes ao término do exercício social para:
 � tomar as contas dos administradores, examinar, discutir e votar as demonstrações 
financeiras;
 � deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de 
dividendos;
 � eleger os administradores e os membros do conselho fiscal, quando for o caso;
 � aprovar a correção da expressão monetária do capital social;
 � aprovar o orçamento de capital para a constituição da reserva de retenção de lucros.
Para as demais deliberações sociais, deverá ser convocada uma assembleia geral 
extraordinária, conforme dispõe o art. 131 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976).
Fonte: Santos et al. (2015, p.76).
5Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas
Componentes estruturais da demonstração de 
lucros ou prejuízos acumulados
A DLPA é um relatório contábil que tem por finalidade evidenciar o saldo inicial 
da conta lucros ou prejuízos acumulados, os ajustes de exercícios anteriores, 
as reversões de reservas, o lucro líquido do exercício e a destinação de lucro 
(RIBEIRO, 2009). A estrutura que deve ser seguida na sua apresentação e 
publicação está apresentada no Quadro 1.
Fonte: Adaptado de Padoveze (2017).
DLPA
Saldo no início do período
Ajuste de exercícios anteriores
Saldo ajustado
Reversão de reservas
Lucro líquido do exercício
Saldo à disposição da assembleia geral ordinária/extraordinária
Destinações
Reserva legal
Reserva estatutária
Reserva de lucros a realizar
Reserva de contingências
Dividendo obrigatório
Saldo final
Quadro 1. Estrutura da DLPA
Em relação à estrutura, cada item apresentado é obrigatório e possui uma 
finalidade, como será explicado a seguir.
Saldo início do período: corresponde ao saldo da conta prejuízos acumu-
lados constante do balanço de encerramento do exercício anterior.
Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas6
Ajustes de exercícios anteriores: a Lei das Sociedades por Ações (Lei das 
SAs) (BRASIL, 1976), define que o lucro do exercício não pode ter movimen-
tações que tenham origem de erros de exercícios anteriores, pois o resultado 
do período não refletiria o real resultado das operações ocorridas no período; 
para isso, tais erros, chamados de ajustes de exercícios anteriores, devem ser 
lançados diretamente na conta de lucros ou prejuízosacumulados, sem afetar 
o resultado do período (GELBCKE et al., 2018). Sobre esse assunto, o § 1º do 
art. 186 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976) estabelece que como ajustes 
de exercícios anteriores serão considerados apenas decorrentes de efeitos de 
mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determi-
nado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes. 
Segundo Quintana (2009), os ajustes permitidos pela legislação são: 
1. mudança de critérios contábeis: são retificações de valores causadas 
por mudanças de critérios contábeis, como por exemplo alteração do 
cálculo da depreciação e da apuração do estoque (caso tais mudanças 
sejam relevantes, deverão ser apresentadas em notas explicativas); 
2. retificação de erros de exercícios anteriores: erro na escrituração contábil 
que não pode ser lançado no exercício atual porque provocaria mudanças 
relevantes no resultado do exercício vigente, como por exemplo despesas 
ou receitas lançadas a maior ou menor.
Saldo ajustado: corresponde ao saldo inicial da conta prejuízos acumu-
lados, adicionado ou subtraído (dependendo do caso) do valor do ajuste de 
exercícios anteriores.
Lucros ou prejuízos do exercício: corresponde ao lucro ou prejuízo lí-
quido apurado no exercício e devidamente na demonstração do resultado do 
exercício (GELBCKE et al., 2018). O lucro (ou prejuízo) líquido do exercício 
corresponde ao valor que fica à disposição dos sócios para ser retirado em 
forma de distribuição de lucro ou para ser reinvestido no negócio. Com base 
nesse valor é possível encontrar o lucro por ação, que representa o valor do 
lucro para cada ação da empresa, sendo obtido pela divisão do lucro total pelo 
número de ações que a empresa possui (QUINTANA, 2009).
Reversão de reservas: uma movimentação que pode ocorrer na conta de 
lucros ou prejuízos acumulados é a reversão de reservas. Essa movimentação 
ocorre pois, após as reservas de lucros constituídas terem concluído seu objetivo 
de constituição e não terem sido utilizadas para aumento de capital ou para 
compensar prejuízos, elas deverão ser revertidas para a conta de lucros ou 
prejuízos acumulados. As reversões de reservas são informações relevantes, 
7Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas
porque frequentemente passam a ser incluídas no cálculo dos dividendos a 
distribuir. A Lei das SAs (BRASIL, 1976), determina que os ajustes de exer-
cícios anteriores não devem afetar o resultado normal do presente exercício, 
devendo ser registrados diretamente na conta de lucros ou prejuízos acumu-
lados, no patrimônio líquido. A reversão de reservas deve ter a identificação 
de sua origem. São revertidas para a conta de lucros ou prejuízos acumulados 
somente as reservas de lucros, pois só essas tiveram origem nessa conta e 
podem, assim, retornar para a sua origem (GELBCKE et al., 2018). 
Saldo à disposição: esse saldo corresponde ao saldo inicial da conta prejuí-
zos acumulados; mais, ou menos, os ajustes de exercícios anteriores; mais lucro 
líquido do exercício, ou menos prejuízo líquido do exercício; mais reversão de 
reservas. Esse montante fica à disposição da assembleia (no caso de sociedade 
por ações) ou dos sócios (nos outros tipos de sociedade).
Destinações para reservas de lucros: é a forma pela qual foi destinado 
o lucro líquido do exercício, seja distribuído para os acionistas e sócios, ou 
retido pela empresa em forma de constituição de reservas de lucros, como por 
exemplo a reserva legal (SANTOS; VEIGA, 2014). As reservas de lucros são 
constituídas pela transferência do lucro da companhia, definido no § 4º do art. 
182 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976), não sendo permitido reter lucros 
sem justificativa, como por exemplo manter na conta de lucros acumulados, 
como era antes da promulgação da Lei nº. 11.941, de 27 de maio de 2009 
(BRASIL, 2009). O art. 199 da Lei nº. 6.404/1976 determina que o saldo das 
reservas de lucros, exceto as para contingências, de incentivos fiscais e de 
lucros a realizar, não poderá ultrapassar o capital social (BRASIL, 1976). São 
exemplos de reservas de lucros: 
a) Reserva legal: a finalidade da reserva legal é criar um fundo para que 
a empresa possa suportar prejuízos ou acumular recursos para cresci-
mento futuro, podendo aumentar seu capital com recursos próprios, 
como está no art. 193, § 2º da Lei nº. 6.404/1976 (MONTOTO, 2018). 
b) Reserva estatutária: as reservas estatutárias são constituídas por deter-
minação do estatuto da companhia, como destinação de uma parcela dos 
lucros do exercício, e não podem restringir o pagamento do dividendo 
obrigatório (SANTOS; SCHMIDT, 2009). 
c) Reserva de contingências: o art. 195 da Lei nº. 6.404/1976 determina 
que a empresa poderá destinar parte do lucro líquido à formação de 
reserva para compensar possíveis prejuízos futuros, desde que seja 
provável e com valor estimado (BRASIL, 1976).
Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas8
d) Reserva de retenção de lucros: o art. 195–A da Lei nº. 6.404/1976 
determina que a assembleia geral poderá, por proposta dos órgãos da 
administração, deliberar reter parcela do lucro líquido do exercício 
prevista em orçamento de capital por ela previamente aprovado, 
desde que possua justificativa, e poderá durar até 5 exercício e 
ser revisado anualmente, se a duração for superior a um exercício 
(BRASIL, 1976).
e) Reserva de lucros a realizar: o art. 197 da Lei nº. 6.404/1976 determina 
que, se no exercício o valor do dividendo obrigatório calculado for 
superior ao valor do lucro líquido do exercício realizado, ou seja, que 
seja financeiro, poderá ser constituída a reserva de lucros a realizar 
(BRASIL, 1976).
f) Reserva de incentivos fiscais: o art. 195–A da Lei nº. 6.404/1976 de-
termina que a assembleia poderá destinar para a reserva de incentivos 
fiscais a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou subvenções 
governamentais para investimentos (BRASIL, 1976).
Dividendos: dividendo é a remuneração do acionista pela sua participação 
no capital social da empresa. Seu montante a ser distribuído é fixado no 
estatuto da companhia, mas caso o estatuto seja omisso no percentual de sua 
distribuição, o valor a ser distribuído será de 50% do lucro da companhia. 
A DLPA deverá informar o valor do dividendo que dever ser distribuído, 
deixando claro quanto o acionista irá receber de dividendo da empresa 
(QUINTANA, 2009).
Para conhecer o valor do dividendo por ação, indicado na DLPA, basta 
dividir o valor dos respectivos dividendos a serem distribuídos pelo número 
de ações em circulação que compõem o capital da entidade. Os dividendos 
devem ser apresentados a débito de lucros acumulados e a crédito de dividendos 
a pagar, no passivo circulante (GELBCKE et al., 2018).
Caso a empresa possua diferentes tipos de ações, cada tipo de ação deve 
ter um dividendo atrelado a si, tendo suas formas de cálculo informadas em 
notas explicativas (RIBEIRO, 2009). O art. 201 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 
1976), define que a companhia somente pode pagar dividendos com base nos 
valores da conta de lucro líquido do exercício, de lucros acumulados e de re-
serva de lucros, ressaltando que o seu pagamento implica na responsabilidade 
solidária dos administradores, que deverão repor à caixa social a importância 
distribuída, sem prejuízo da ação penal que no caso couber. 
Juros sobre capital próprio: corresponde a uma outra forma de pagamento 
concedido ao sócio ou acionista, pago pela empresa como remuneração pelos 
9Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas
valores por eles investidos na composição do capital da própria empresa. 
Embora não seja obrigatório, grande parte das empresas e, principalmente, 
das sociedades anônimas de capital aberto, tem remunerado os acionistas com 
o pagamento de juros sobre o capital próprio (RIBEIRO, 2009).
Saldo no fim do exercício: com advento daLei nº. 11.638/2007 e da Medida 
Provisória nº. 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº. 11.941/2009, 
a conta lucros acumulados terá o seu saldo zerado no último dia do exercício 
social. Assim, somente haverá saldo no final do exercício na DLPA quando 
houver saldo na conta prejuízos acumulados (MONTOTO, 2018).
A reserva de lucros para expansão tem por objetivo atender a projetos de investimento e 
expansão. A companhia poderá reter parte dos lucros do exercício. Essa retenção deverá 
estar justificada com o respectivo orçamento de capital aprovado pela assembleia geral, 
tendo sua base legal definida pela Lei nº. 6.404/1976, art. 196 (BRASIL, 1976). Também 
pode ser chamada de reserva de retenção de lucros (MONTOTO, 2018).
Impacto patrimonial das movimentações das 
reservas de lucros e dos lucros acumulados
As reservas de lucros são a parte dos lucros retidos, ao final de cada exercício, 
no patrimônio líquido das companhias para finalidades específicas, conforme 
previsto no § 4º do art. 182 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976), sendo 
sua constituição efetivada por disposição da lei ou por proposta dos órgãos 
da administração (MONTOTO, 2018). Pela Lei das SAs (BRASIL, 1976), 
classificam-se como reservas de lucros:
Reserva legal: a reserva legal deverá ser constituída mediante destinação 
de 5% do lucro líquido do exercício, antes de qualquer outra destinação. 
Esta reserva será constituída, obrigatoriamente, pela companhia, até que 
seu valor atinja 20% do capital social realizado, quando então deixará de ser 
acrescida. (SANTOS; SCHMIDT, 2009). Exemplo de cálculo: Uma empresa 
foi constituída com um capital social de R$ 200.000,00. Em seu primeiro 
ano, a empresa obteve um lucro de R$ 500.000,00, e com base no lucro foi 
constituída a reserva legal de R$ 25.000,00, representando 5% do lucro do 
ano. O lançamento contábil será o seguinte:
Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas10
D: Lucros acumulados (PL)
C: Reserva legal (PL)
Valor: R$ 25.000,00
Reserva estatutária: o estatuto poderá criar reservas desde que indique a 
sua finalidade e os critérios para a sua determinação, e estabeleça um limite 
máximo, tanto do percentual do lucro líquido quanto do valor máximo que a 
reserva possa atingir (MONTOTO, 2018). Exemplo: uma empresa tem definido 
em seu estatuto a constituição de uma reserva estatutária, que representa 4% do 
seu lucro líquido. Como neste ano a empresa obteve um lucro de R$ 500.000,00, 
o valor da reserva será de R$ 20.000,00. 
D: Lucros acumulados (PL)
C: Reserva estatutária (PL)
Valor: R$ 20.000,00
Reserva para contingências: de acordo com o art. 195 da Lei nº. 6.404/1976 
(BRASIL, 1976), a assembleia geral poderá, por proposta dos órgãos de admi-
nistração, destinar parte do lucro líquido à formação de reserva com a finali-
dade de compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de 
perda julgada provável, cujo valor possa ser estimado. São exemplos de perdas 
futuras as cheias, secas, geadas ou outros fenômenos naturais que afetem os 
estoques ou instalações da empresa, gerando perda efetiva de bens, ou devido 
à paralização temporária das atividades (SANTOS; SCHMIDT, 2009). 
Exemplo de cálculo: uma empresa agropecuária de plantação de soja obteve 
em um determinado ano um lucro líquido de R$ 500.000,00. Devido ao risco 
de sua atividade, a empresa destinou 20% do seu lucro (R$ 100.000,00) para 
a reserva de contingências. O lançamento contábil será o seguinte:
D: Lucros acumulados (PL)
C: Reserva de contingência (PL)
Valor: R$ 100.000,00
Reserva de lucros a realizar: quando o valor do dividendo obrigatório 
a ser distribuído for superior ao valor do lucro realizado, isto é, a parcela do 
lucro líquido que foi realizada monetariamente (lucro financeiro), a assembleia 
poderá destinar o excesso à reserva de lucros a realizar. Desta forma evita-se a 
distribuição de lucros sobre a parcela de lucro não realizada financeiramente. 
No exercício em que o montante do dividendo obrigatório, calculado nos 
11Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas
termos do estatuto ou do art. 202 da Lei das SAs (BRASIL, 1976), ultrapassar 
a parcela realizada do lucro líquido do exercício, a assembleia geral poderá, 
por proposta dos órgãos da administração, destinar o excesso à constituição 
de reserva de lucros a realizar (SANTOS; SCHMIDT, 2009).
Exemplo de cálculo: em um determinado ano, a empresa obteve um lucro de 
R$ 200.000,00, porém R$ 130.000,00 são referentes a lucros de operações que 
não se realizaram financeiramente (R$ 80.000,00 de equivalência patrimonial 
e R$ 50.000,00 de lucro de vendas que serão recebidas no longo prazo). A 
empresa teve R$ 130.000,00 de lucros não realizados.
Além disso, a empresa terá que distribuir R$ 95.000,00 de dividendos. 
Devido a essa situação, a empresa deverá criar a reserva de lucros a realizar no 
valor de R$ 25.000,00, que consiste no valor dos dividendos de R$ 95.000,00 
subtraído dos lucros realizados de R$ 70.000,00 (lucro de R$ 200.000,00 – 
lucros não realizados de R$ 130.000,00). O lançamento será o seguinte:
D: Lucros acumulados (PL)
C: Reserva de lucros a realizar (PL)
Valor: R$ 25.000,00
Reserva de incentivos fiscais: essa reserva é constituída a partir dos 
valores lançados no resultado que têm por origem subvenções governamentais 
(doações recebidas pelo governo), o que consiste em assistência dada pelo 
governo na forma de transferências de recursos a uma entidade em troca do 
cumprimento de condições relacionadas à sua atividade. 
Exemplo de cálculo: Uma empresa obteve um terreno do governo estadual 
no valor de R$ 3.000.000,00, onde irá instalar uma fábrica. O lançamento 
será o seguinte: 
D: Terreno (ativo não circulante)
C: Subvenção a apropriar (passivo não circulante)
Valor: R$ 3.000.000,00
Após a conclusão da construção da fábrica, se ela estiver pronta para pro-
duzir, a empresa deverá transportar para o resultado o valor da subvenção, que 
será depreciado de acordo com o Decreto nº. 9.580/2018 (BRASIL, 2018), que 
consiste em 4% ao ano, ou seja, R$ 120.000,00 ao ano. O cálculo do valor da 
subvenção é igual ao cálculo aplicado para a depreciação, ou seja, é aplicado 
o mesmo percentual da depreciação ao valor do bem, porém este valor é 
transportado ao resultado em forma de receita. O lançamento será o seguinte:
Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas12
D: Subvenção a apropriar (passivo não circulante)
C: Receita de doação (DRE)
Valor: R$ 120.000,00
A subvenção é apropriada a uma receita diferida que será transferida para 
o resultado conforme a utilização do bem pela empresa. O valor transferido 
é o mesmo do valor da receita de doação, ou seja, seu cálculo é igual ao 
efetuado na depreciação (MONTOTO, 2018). O valor da subvenção que for 
transferido para o resultado virará a reserva - isto caso a empresa obtenha 
lucro no exercício. O lançamento será o seguinte:
D: Lucros acumulados (PL)
C: Reserva de incentivos fiscais (PL)
Valor: R$ 120.000,00
Cálculo de dividendos
No caso de sociedades empresárias limitadas, a proposta de destinação de 
lucro deverá ser estabelecida no contrato social. Entretanto, tratando-se de 
sociedade anônima, a Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976), determina que a 
administração deva propor, na data do balanço, a destinação do resultado, 
inclusive dividendos. Portanto, a destinação do resultado deverá ser contabi-
lizada na data do balanço, pressupondo-se a sua aprovação pela assembleia 
(MONTOTO, 2018).
Dividendo é o montante do lucro que se divide pelo número de ações; 
em outras palavras, o rendimento proporcionado pela ação. Os dividendos 
representam destinações do lucro líquido do exercício, de lucros acumulados 
ou de reserva de lucros para os acionistas da sociedade. O estatuto social 
regulará a forma de distribuição dos dividendos, sempre em consonância 
com a Lei das SAs.
Conheça melhor a sociedadeanônima e a distribuição de dividendos acessando o 
link a seguir.
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13Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas
Já o dividendo obrigatório é devido a todas as ações, quer sejam ordinárias 
ou preferenciais. Foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela mesma 
Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976), visando a evitar que lucros fossem retidos 
indefinidamente pela companhia em detrimento da distribuição de dividendos 
almejada pelos acionistas minoritários (SANTOS; SCHMIDT, 2009). Sua 
base de cálculo é definida no art. 202 da Lei nº. 6.404/1976 e suas alterações:
I — metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos se-
guintes valores: 
a) importância destinada à constituição da reserva legal (art. 193 da Lei das 
SAs); e 
b) importância destinada à formação da reserva para contingências (art. 195 da 
Lei das SAs) e reversão da mesma reserva formada em exercícios anteriores;
II — o pagamento do dividendo determinado nos termos do item I poderá ser 
limitado ao montante do lucro líquido do exercício que tiver sido realizado, 
desde que a diferença seja registrada como reserva de lucros a realizar (art. 
197 da Lei das SAs); 
III — os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e 
se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deve-
rão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização (Redação 
dada pela Lei nº. 10.303/2001, art. 202) (BRASIL, 1976, documento on-line).
Montoto (2018) afirma que o dividendo fixado livremente pelo estatuto, em 
caso de omissão, representará 50% do lucro líquido ajustado; e o dividendo 
obrigatório não poderá ser inferior a 25% do lucro líquido, quando definido 
no estatuto. A seguir, no Quadro 2, é apresentado um exemplo de cálculo de 
dividendo.
Descrição Valor
(=) Lucro líquido do exercício R$ 11.200,00
(–) Prejuízos acumulados (R$ 5.940,00)
(–) Reserva legal constituída no exercício (R$ 560,00)
(+) Reversão de reserva de contingência (R$ 400,00)
(–) Reserva de contingência constituída no exercício (R$ 800,00)
Quadro 2. Exemplo de cálculo de dividendo
(Continua)
Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas14
Fonte: Adaptado de Santos e Schmidt (2009).
Descrição Valor
(=) Lucro líquido ajustado antes da 
reserva de lucros a realizar
R$ 3.500,00
(×) Percentual estabelecido para 
dividendos (estatuto omisso)
50%
(=) Dividendo obrigatório antes da 
reserva de lucros a realizar
R$ 1.750,00
(–) Reserva de lucros a realizar constituída no exercício R$ 0,00
(+) Reversão de reserva de lucros a realizar R$ 1.000,00
(=) Dividendo obrigatório R$ 2.750,00
Número de ações 9.000 ações
(=) Dividendo obrigatório por ação R$ 0,3056
Quadro 2. Exemplo de cálculo de dividendo
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto nº. 9.580, de 22 de novembro de 2018. 
Regulamenta a tributação, a fiscalização, a arrecadação e a administração do Imposto 
sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Brasília, DF: 2018. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Decreto/D9580.htm#art4. 
Acesso em: 29 mar. 2019.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. 
Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília, DF: 1976. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm. Acesso em: 29 mar. 2019.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. 
Altera e revoga dispositivos da Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº. 
6.385, de 7 de dezembro de 1976 e estende às sociedades de grande porte disposições 
relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Brasília, DF: 2007. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.
htm. Acesso em: 29 mar. 2019.
(Continuação)
15Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 11.941, de 27 de maio de 2009. Altera a legis-
lação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários; concede 
remissão nos casos em que especifica; institui regime tributário de transição, alterando o 
Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972... Brasília, DF: 2009. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm. Acesso em: 29 mar. 2019.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico CPC 26 (R1): 
apresentação das demonstrações contábeis. 2011. Disponível em: http://static.cpc.
aatb.com.br/Documentos/312_CPC_26_R1_rev%2013.pdf. Acesso em: 29 mar. 2019.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico PME: contabilidade 
para pequenas e médias empresas. 2009. Disponível em: https://cfc.org.br/wp-content/
uploads/2016/02/CPC_PME.pdf. Acesso em: 29 mar. 2019.
GELBCKE, E. R. et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades. 
3. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
INSTITUTO COACHING FINANCEIRO. Saiba o que é DLPA — Demonstração dos Lucros ou 
Prejuízos Acumulados. c2016. Disponível em: https://www.coachfinanceiro.com/portal/
saiba-o-que-e-dlpa-demonstracao-dos-lucros-ou-prejuizos-acumulados/. Acesso em: 
29 mar. 2019.
MONTOTO, E. Contabilidade geral e avançada esquematizado. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 
2018.
PADOVEZE, C. L. Manual de contabilidade básica: contabilidade introdutória e interme-
diária. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
QUINTANA, A. C. Fluxo de caixa: demonstrações contábeis — de acordo com a lei 
11.638/07. Curitiba: Juruá, 2009.
RIBEIRO, O. M. Contabilidade básica fácil. 26. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
SANTOS, F. A.; VEIGA, W. E. Contabilidade: com ênfase em micro, pequenas, e médias 
empresas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
SANTOS, J. L. et al. Manual de práticas contábeis: aspectos societários e tributários. 3. 
ed. São Paulo: Atlas, 2015.
SANTOS, J. L.; SCHMIDT, P. Contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2009.
Leituras recomendadas
BASSO, I. P. Contabilidade geral básica. 4. ed. Ijuí: Unijuí, 2011.
RIOS, R. P.; MARION, J. C. Contabilidade avançada: de acordo com as Normas Brasileiras 
de Contabilidade (NBC) e Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS). São Paulo: 
Atlas, 2017.
S/A Sociedade Anônima: distribuição de dividendos. Disponível em: http://www.
normaslegais.com.br/guia/clientes/sociedade-anonima-dividendos.htm. Acesso em: 
30 mar. 2019.
Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas16
CONTABILIDADE 
INTERMEDIÁRIA II
Filipe Martins da Silva
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
Demonstração do 
resultado abrangente
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Analisar a legislação que determina a elaboração da demonstração 
do resultado abrangente.
 � Descrever a estrutura da demonstração do resultado abrangente.
 � Elaborar um exemplo de elaboração da demonstração do resultado 
abrangente, destacando os procedimentos para elaboração.
Introdução
Neste capítulo, você irá conhecer a demonstração do resultado abran-
gente (DRA), identificar quais são as movimentações que devem ser apre-
sentadas nessa demonstração e conhecer a legislação que a regulamenta. 
Também será apresentada a importância da inclusão dessa demonstração 
para a companhia e quais informações ela apresenta para a tomada de 
decisão da companhia. Além disso, você vai ver, na prática, a elaboração 
de uma DRA e compreender a diferença entre o resultado líquido do 
exercício, apresentado na DRE, e o resultado abrangente.
O que é DRA?
Considerando as variáveis que influenciam a tomada de decisão, as demons-
trações contábeis agem como uma importante ferramenta capaz de oferecer 
informações estratégicas aos usuários. Nesse sentido, o Pronunciamento Téc-
nico CPC 26 (R1) considera que as demonstrações contábeis devem fornecer 
informações paraatender as necessidades dos usuários externos que não se 
encontram em condições de requerer relatórios específicos para atender às 
suas necessidades particulares, ou seja, as demonstrações contábeis devem 
apresentar com fidedignidade a situação patrimonial, financeira e de desem-
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
penho de uma entidade, auxiliando na tomada de decisões (FERREIRA; 
LEMES; LEMES, 2015).
A Lei nº. 6.404/76 (e suas alterações) define em seu artigo 176 que o 
conjunto de demonstrações contábeis que a companhia deve apresentar são 
o balanço patrimonial, demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados, 
demonstração do resultado do exercício, demonstração dos fluxos de caixa 
e, caso seja companhia aberta, a demonstração do valor adicionado. Porém, o 
CPC 26 (R1) — Apresentação das Demonstrações Contábeis, define em seu 
item 10 que o conjunto de demonstrações contábeis que a companhia deve 
apresentar são o balanço patrimonial, demonstração do resultado do exercício, 
demonstração do resultado abrangente (DRA), demonstração das mutações do 
patrimônio líquido, notas explicativas. Esse CPC apresenta uma nova demons-
tração: a DRA. Ou seja, embora a DRA não esteja prevista na Lei nº. 6.404/76, 
tem sua obrigatoriedade vinculada à Resolução CFC nº. 1.185/2009 e ao CPC 
nº. 26 (R1), item 81A ao 105. Resolução CVM 106, de 23 de maio de 2022, 
tornou obrigatória a DRA para as companhias abertas, como se segue:
I — aprovar e tornar obrigatório, para as companhias abertas, o Pronuncia-
mento Técnico CPC 26(R1) Apresentação das Demonstrações Contábeis, 
emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis — CPC (COMISSÃO 
DE VALORES MOBILIÁRIOS, 2011).
Já o CPC PME define o conjunto completo de demonstrações contábeis a 
serem publicadas sendo:
O conjunto completo de demonstrações contábeis da entidade deve incluir 
todas as seguintes demonstrações:
(a) balanço patrimonial ao final do período;
(b) demonstração do resultado do período de divulgação;
(c) demonstração do resultado abrangente do período de divulgação. A demons-
tração do resultado abrangente pode ser apresentada em quadro demonstrativo 
próprio ou dentro das mutações do patrimônio líquido. A demonstração do 
resultado abrangente, quando apresentada separadamente, começa com o resul-
tado do período e se completa com os itens dos outros resultados abrangentes; 
(d) demonstração das mutações do patrimônio líquido para o período de 
divulgação; 
(e) demonstração dos fluxos de caixa para o período de divulgação;
(f) notas explicativas, compreendendo o resumo das políticas contábeis sig-
nificativas e outras informações explanatórias. 
3.18 Se as únicas alterações no patrimônio líquido durante os períodos para 
os quais as demonstrações contábeis são apresentadas derivarem do resul-
tado, de distribuição de lucro, de correção de erros de períodos anteriores e 
Demonstração do resultado abrangente2
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
de mudanças de políticas contábeis, a entidade pode apresentar uma única 
demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados no lugar da demonstração do 
resultado abrangente e da demonstração das mutações do patrimônio líquido. 
3.19 Se a entidade não possui nenhum item de outro resultado abrangente em 
nenhum dos períodos para os quais as demonstrações contábeis são apresen-
tadas, ela pode apresentar apenas a demonstração do resultado (COMITÊ DE 
PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, [2011?]).
O CPC PME complementa, em seus itens 2.43, 2.44 e 2.45, que resultado 
abrangente é:
2.43 O resultado abrangente total é a diferença aritmética entre todas as 
receitas e todas as despesas. Ele não é um elemento separado das demons-
trações contábeis, e não é necessário um princípio específico para o seu 
reconhecimento. O resultado abrangente total é a soma do Resultado com os 
Outros Resultados Abrangentes. 
2.44 O Resultado é a diferença aritmética entre receitas e despesas outras 
que não as receitas e as despesas que este Pronunciamento classifica como 
itens de Outros Resultados Abrangentes. Ele não é um elemento separado 
das demonstrações contábeis, e não é necessário um princípio específico de 
reconhecimento para ela.
2.45 Este Pronunciamento não permite o reconhecimento de itens no balanço 
patrimonial que não atendam às definições de ativos ou passivos, independen-
temente de resultarem da aplicação da noção comumente chamada “confronto 
entre receitas e despesas” para a mensuração do lucro ou do prejuízo (COMITÊ 
DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, [2011?]).
O CPC 26 (R1) estabelece em seus tópicos 81A a 105 que, além da DRE, as 
empresas deverão elaborar a DRA. A DRA é elaborada a partir do Resultado 
Líquido da DRE com os outros resultados abrangentes, que correspondem 
ao total da modificação no patrimônio líquido, que não tenha origem de 
movimentações no capital social, distribuição de lucros e compra de ações. 
Enquanto a DRE se associa aos fatores internos e prováveis e são reflexos 
da ação dos gestores, A DRA se associa aos fatores externos e possíveis, não 
sendo reflexo da ação dos gestores e sim do mercado (SANTOS; VEIGA, 2014).
De acordo com a Resolução CFC nº. 1.185/2009, item 7, a DRA irá apre-
sentar o resultado abrangente, que é a mutação que ocorre no patrimônio 
líquido durante um período que resulta de transações e outros eventos que 
não derivados de transações com os sócios, registrando os ganhos e as perdas 
economicamente incorridos, mas de possível reversão futura, ou seja, resultado 
abrangente é aquele que abrange as variações futuras de receitas e despesas 
3Demonstração do resultado abrangente
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
que já estão registradas no ativo ou no passivo, mas ainda não afetaram o 
resultado (MARCELINO, 2015).
O resultado abrangente se refere às mudanças ocorridas no patrimônio 
líquido de uma empresa em um determinado período, oriundas das movi-
mentações que não são relacionadas aos proprietários, como investimentos 
realizados por eles e distribuição de resultados (COELHO; CARVALHO, 2007). 
Conforme Rios e Marion (2017), são exemplos de resultados abrangentes:
a) mudanças por reavaliações de ativos;
b) ganhos ou perdas atuariais;
c) ganhos ou perdas em decorrência de conversão das demonstrações 
contábeis em moeda estrangeira;
d) ganhos ou perdas na avaliação de ativos financeiros disponíveis para 
venda.
A DRA deve, no mínimo, incluir as seguintes rubricas:
a) resultado líquido do período;
b) cada item dos outros resultados abrangentes classificados conforme 
sua natureza;
c) parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas reco-
nhecida por meio do método de equivalência patrimonial;
d) resultado abrangente do período (SILVA, 2017).
Esses resultados abrangentes compreendem itens de receita e despesa 
(incluindo ajustes de reclassificação) que não são reconhecidos na demons-
tração do resultado como requeridos ou permitidos pelos pronunciamentos, 
interpretações e orientações emitidos pelo CPC. O CPC 26 (R1) apresenta 
de forma detalhada alguns exemplos de ajustes, ganhos e perdas que devem 
ser considerados quando da elaboração da DRA, enquanto as International 
Financial Reporting Standards (IFRS) estabelecem que o resultado abrangente 
deve ser demonstrado logo após a DRE, no Brasil a DRA deve ser elaborada 
como uma demonstração à parte, podendo ainda ser apresentada dentro da 
demonstração das mutações do patrimônio líquido (SILVA, 2017).
Qual a diferença entre DRE e DRA? A DRE traz valores realizados pelo 
regime de competência, que passaram pelo resultado; engloba todos os itens de 
receitas e despesas reconhecidos no período; enquanto a DRA traz alterações 
em itens do patrimônio líquido, que está incluso no balanço patrimonial, que 
ainda não passaram pelo resultado, mas que poderão passar em períodos futuros.
Demonstração do resultado abrangente4
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
A demonstração de resultados abrangentes é uma importanteferramenta 
de análise gerencial, pois atualiza o capital próprio dos sócios, por meio do 
registro no patrimônio líquido (e não no resultado) das receitas e despesas 
incorridas, porém de realização financeira “incerta”, uma vez que decorrem 
de investimentos de longo prazo, sem data prevista de resgate ou outra forma 
de alienação (GELBKE et al., 2018). Observe na Figura 1 um fluxograma que 
mostra a composição do lucro abrangente.
Figura 1. Composição do lucro abrangente. (PL, patrimônio líquido). 
Fonte: Adaptada de Coelho e Carvalho (2007).
-
+
+
+
+
Receitas
operacionais
do período
Lucro
operacional
corrente
Despesas
operacionais
do período Itens
extraordinários
Lucro
corrente
Efeitos acumulados 
de mudanças de 
PCGA em períodos 
anteriores
Lucro
líquido
Ajustes 
acumulados de 
exercícios 
anteriores
Lucro
abrangente
Outras 
variações do PL 
não provenientes 
dos proprietários
A Figura 1, segundo Coelho e Carvalho (2007), explica a composição do 
lucro líquido acrescido pelos ajustes de exercícios anteriores e outras variações 
do patrimônio líquido não originadas de transações dos proprietários, dando 
origem ao resultado abrangente. 
Segundo Marcelino (2015), o resultado abrangente tende a demonstrar os 
ajustes realizados no patrimônio líquido como se fosse um lucro da empresa, 
porém, caso não haja informações a serem inseridas na DRA não é necessário 
elaborá-la, desde que tal fato seja divulgado em notas explicativas. Marcelino 
(2015) complementa que a DRA representa um indicador do desempenho das 
atividades da empresa, bem como a de seus administradores, apresentando 
operações independentes das ações dos sócios, respeitando o princípio da 
competência, e atualizando o capital próprio, considerando as receitas e des-
pesas incorridas que são de realização financeira incerta.
5Demonstração do resultado abrangente
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
O conceito de lucro líquido é ligado ao funcionamento da empresa, pois é influenciado 
pelas mudanças ocorridas nos ativos líquidos decorrentes de sua atividade, seja ela 
principal ou não. 
Já o lucro abrangente possui uma visão mais ampla de lucro, considerando movi-
mentações que podem impactar o resultado no futuro, com o propósito de melhor 
avaliar empresas no mercado de capitais. 
Fonte: Coelho e Carvalho (2007).
Componentes e estrutura da DRA
De acordo com o próprio CPC 26 (R1), a DRA pode ser apresentada dentro da 
DMPL, em relatório próprio ou juntamente com a DRE, iniciando logo após a 
última linha (resultado líquido do exercício). Em caso de relatório próprio, o 
valor inicial será o resultado líquido do exercício apurado na DRA (SANTOS; 
VEIGA, 2014). O Quadro 1 apresenta o modelo da estrutura da DRA.
Fonte: Adaptado de Conselho Regional de Contabilidade do Paraná ([2011]).
DRA 20X1 20X0
Resultado líquido do período
(+–) Ganhos/perdas de conversão das demonstrações contábeis
(+–) Ganhos/perdas atuariais (benefícios a empregados)
(+–) Mudanças nos valores justos de instrumentos de hedge
(+–) Parcela de outros resultados abrangentes (coligadas, 
controladas e controladas em conjunto, contabilizadas pelo MEP)
(=) Resultado abrangente total
Participação no resultado abrangente
Controladores
Não controladores
Quadro 1. Estrutura da DRA
Demonstração do resultado abrangente6
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
Segundo Santos et al. (2015), a DRA deverá apresentar, no mínimo, as 
seguintes rubricas:
 � resultado líquido do exercício;
 � outros resultados abrangentes;
 � parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas re-
conhecidas por meio da equivalência patrimonial;
 � resultado abrangente do período;
 � resultado do período atribuível à participação de não controladores, 
sócios da controladora e detentores do capital da própria empresa.
O item 82A do CPC 26 determina que:
Outros resultados abrangentes classificados por natureza e agrupados naquelas 
que, de acordo com outros pronunciamentos:
(i) não serão reclassificados subsequentemente para o resultado do período;
(ii) serão reclassificados subsequentemente para o resultado do período, 
quando condições específicas forem atendidas;
Participação em outros resultados abrangentes de coligadas e empreendi-
mentos controlados em conjunto contabilizados pelo método da equivalência 
patrimonial, separadas pela participação nas contas que, de acordo com outros 
pronunciamentos:
Não serão reclassificadas subsequentemente para o resultado do período; 
Serão reclassificadas subsequentemente para o resultado do período, quando 
condições específicas forem atendidas (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS 
CONTÁBEIS, [2013]).
São contas que compõe os outros resultados abrangentes (SANTOS et 
al., 2015):
 � Reserva de reavaliação: essa reserva é transferida para a conta de lucros 
ou prejuízos acumulados na medida em que o ativo imobilizado ou 
intangível é utilizado (depreciação, amortização ou exaustão) ou quando 
é baixado. As variações da reserva de reavaliação devem ser informadas 
na conta de outros resultados abrangentes, quando permitida por lei.
 � Ganhos e perdas na conversão das demonstrações contábeis: o montante 
acumulado deve ser apresentado em conta específica e separado do 
patrimônio líquido, intitulado de ajustes de conversão acumulados, até 
que ocorra a baixa da entidade no exterior, quando tais ajustes serão 
reconhecidos no resultado.
7Demonstração do resultado abrangente
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
 � Ganhos e perdas atuariais em planos de pensão: os ganhos ou perdas 
nos planos de benefícios dos empregados são registrados em conta 
específica de outros resultados abrangentes, e deverão ser transferidos 
para a conta de lucros ou prejuízos acumulados quando tais ganhos ou 
perdas se realizarem.
 � Ajustes de avaliação patrimonial na mensuração a valor justo de ativos 
financeiros disponíveis para venda: conforme o parágrafo 3º do artigo 
182 da Lei nº. 11.638/2007, será classificado como ajustes de avaliação 
patrimonial as reduções ou aumentos de valores atribuídos ao ativo, 
enquanto não computadas no resultado do exercício.
 � Ajustes de avaliação patrimonial referente à efetiva parcela de ganhos 
ou perdas de instrumentos de hedge em hedge de fluxo de caixa: hedge 
são instrumentos financeiros de proteção contra as oscilações inespe-
radas do mercado de ações. Essas variações são classificadas como 
resultado abrangente.
Santos et al. (2015) complementam que os outros resultados abrangentes 
podem ser apresentados líquidos dos seus efeitos tributários ou com o valor 
antes do efeitos tributários, sendo apresentado em montante único o efeito 
tributário desses componentes.
Já o CPC PME cita, em seu item 5.1, que a apresentação do resultado 
abrangente é composta por duas demonstrações: a demonstração do resultado 
do exercício e a DRA, sendo que na DRE contém todos os itens de receita 
e despesa reconhecidos no período, exceto aqueles que são reconhecidos no 
resultado abrangente conforme permitido ou exigido por este pronunciamento. 
Em seu item 5.4, o CPC PME define que:
A demonstração do resultado abrangente deve iniciar com a última linha 
da demonstração do resultado; em sequência devem constar todos os itens 
de outros resultados abrangentes, a não ser que este Pronunciamento exija 
de outra forma. Este Pronunciamento fornece tratamento distinto para as 
seguintes circunstâncias: (a) os efeitos de correção de erros e mudanças de 
políticas contábeis são apresentados como ajustes retrospectivos de períodos 
anteriores ao invés de como parte do resultado no período em que surgiram; 
e (b) três tipos de outros resultados abrangentes são reconhecidos como parte 
do resultado abrangente, fora da demonstração do resultado, quando ocorrem:
(i) alguns ganhos e perdas provenientes da conversão de demonstrações 
contábeis de operação no exterior;
(ii) alguns ganhos e perdas atuariais;
(iii) algumas mudanças nos valores justos de instrumentosde hedge (COMITÊ 
DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, [2011?]).
Demonstração do resultado abrangente8
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
O CPC cita alguns fatos que merecem ser contabilizados na DRA, con-
forme Quadro 2.
CPC 01 (R1) — Redução ao 
valor recuperável de ativos
O montante das perdas por 
desvalorização e o montante das 
reversões de perdas por desvalorização 
reconhecido, durante o período.
CPC 02 (R2) — Efeitos das 
mudanças nas taxas de 
câmbio e conversão de 
demonstrações contábeis
Variações cambiais.
CPC 04 (R1) — Ativo 
intangível
Variação na reserva de reavaliação 
quando permitidas legalmente.
CPC 15 (R1) — Combinação 
de negócios
Deve ser reconhecido nas demonstrações 
do adquirente quando incorrer 
resultados abrangentes na adquirida.
CPC 19 (R1) — Investimento 
em empreendimento 
controlado em conjunto 
(joint venture)
O empreendedor reconhece a parte que 
lhe cabe, os resultados abrangentes da 
entidade controlada em conjunto.
CPC 27 — Ativo imobilizado
Variação na reserva de reavaliação 
quando permitida legalmente.
CPC 32 — Tributos 
sobre o lucro
Diferenças de câmbio sobre ativos ou 
passivos de tributo estrangeiro diferido.
CPC 33 (R1) — Benefícios 
a empregados
Os ganhos e as perdas atuariais 
reconhecidos fora do resultado do exercício.
CPC 36 (R3) — 
Demonstrações 
consolidadas
Se a controladora perde o controle de 
controlada, ela deve contabilizar todos 
os valores reconhecidos como outros 
resultados abrangentes em relação àquela 
controlada nas mesmas bases que seriam 
requeridas se a controladora tivesse 
diretamente alienado os ativos e passivos 
da controlada que lhes deram origem.
Quadro 2. Pronunciamentos versus fatos a serem reconhecidos com resultados abran-
gentes
(Continua)
9Demonstração do resultado abrangente
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
Fonte: Adaptado de Melo (2012).
CPC 48 — Instrumentos 
financeiros: reconhecimento 
e mensuração
Ajuste de avaliação patrimonial relativo a 
ganhos e perdas na remensuração de ativos 
financeiros disponíveis para venda e de 
instrumentos de hedge de fluxo de caixa.
Quadro 2. Pronunciamentos versus fatos a serem reconhecidos com resultados abran-
gentes
(Continuação)
Conforme o Quadro 2, segundo Melo (2012), estas contas devem compor a 
DRA devendo ser evidenciadas na demonstração, ressaltando que sua omissão 
ou não divulgação pode ocasionar perdas de informações importantes tanto 
para a entidade como para seus usuários.
Existem grupos de contas que podem se referir tanto à DRE quanto à DRA e se rela-
cionam tanto a operações continuadas como de não continuadas, e que se existirem 
esses grupos de contas, devem ser divulgados em separado, tanto na DRE e DRA, 
como informado no item 97 do CPC 26 (R1). Os itens são os seguintes:
a) reduções do estoque ou imobilizado a seu valor realizável fixo ou valor recuperável, 
bem como suas reversões;
b) constituição ou reversões de provisões de gastos com reestruturação das atividades;
c) baixas de bens do ativo imobilizado;
d) baixas de investimentos;
e) unidades operacionais descontinuadas;
f) soluções de litígios;
g) outras reversões de provisões diversas.
Elaboração da DRA
Agora vamos elaborar uma DRA. Para dar início ao processo, consideremos os 
seguintes dados: uma determinada empresa, no ano de 2018, apurou um lucro 
líquido: R$ 272.000,00, cujos sócios controladores detêm 92% de participação, 
enquanto os não controladores detêm 8%; a variação do hedge (instrumento 
Demonstração do resultado abrangente10
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
financeiro) foi reduzida em R$ 60.000,00; resultado de equivalência patri-
monial das controladas no valor de R$ 30.000,00; e a empresa teve um ajuste 
de conversão para moeda estrangeira das demonstrações contábeis no valor 
de R$ 200.600,00. Considerando a estrutura apresentada anteriormente no 
Quadro 3, temos o seguinte.
DRA 2018
Resultado líquido do período 272.000,00
(+) Ganhos de conversão das demonstrações contábeis 200.600,00
(–) Mudanças nos valores justos de instrumentos de hedge – 60.000,00
(+) Parcela de outros resultados abrangentes (coligadas, 
controladas e controladas em conjunto, contabilizadas pelo MEP)
30.000,00
(=) Resultado abrangente total 442.600,00
Participação no resultado abrangente
Controladores 407.192,00
Não controladores 35.408,00
Quadro 3. Exemplo de DRA
Conforme visto no Quadro 3, o resultado líquido do exercício é o valor que 
foi encontrado na DRE; já o valor da conversão das demonstrações contábeis 
é positivo, pois nesse o valor é um ganho, já a mudança nos valores de hedge 
reduziu, por isso é um valor negativo; e a equivalência patrimonial é positiva, 
pois ocorreu um lucro nas controladas, o que equivale em um aumento nos 
investimentos. O total do resultado abrangente é de R$ 442.600,00. Como 
a participação dos controladores representa 92% do resultado abrangente 
total, se obtém R$ 407.192,00, enquanto os 8% restante, pertencentes aos não 
controladores, representa R$ 35.408,00.
É importante destacar que O CPC 26 (R1) apresenta um modelo de DRA 
sendo apresentada em conjunto com a DMPL, como se segue no Quadro 4.
11Demonstração do resultado abrangente
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
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13Demonstração do resultado abrangente
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
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Demonstração do resultado abrangente14
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
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15Demonstração do resultado abrangente
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Demonstração do resultado abrangente16
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
Conforme observado no Quadro 4, segundo o CPC 26 (R1), foi adicionado 
na DMPL a coluna de participação dos não controladores no patrimônio 
líquido das controladas (destacada em amarelo), já que essa participação 
passa, a partir da adoção deste CPC, a ser apresentada dentro do patrimônio 
líquido como um todo, após a identificação do patrimônio líquido dos sócios 
da entidade controladora. 
O CPC 26 (R1) complementa que todas as mutações patrimoniais, que 
não as transações de capital com os sócios, integram a DRA, classificando 
as mutações do patrimônio líquido que são formadas por dois conjuntos de 
valores: transações de capital com os sócios (na sua qualidade de proprietários) 
e resultado abrangente total. E o resultado abrangente total é formado, por sua 
vez, de três componentes: o resultado líquido do período, os outros resultados 
abrangentes e o efeito de reclassificações dos outros resultados abrangentes 
para o resultado do período. 
O CPC 26 (R1) complementa que tanto o resultado líquido do período 
quanto os outros resultados abrangentes sejam evidenciados com relação 
a quanto pertence aos sócios da entidade controladora e quanto aos sócios 
não controladores nas controladas. No exemplo a seguir, esses valores ficam 
automaticamente divulgados, lembrando que é vedada a apresentação da 
demonstração do resultado abrangente apenas na demonstração das mutações 
do patrimônio líquido.
Divulgação das movimentações de ajustes de 
reclassificações na DRA
Conforme o item 93 do CPC 26 (R1), os ajustes que ocorrem nas reserva de 
reavaliação (quando permitida pela legislação vigente) ou de ganhos e perdas 
atuariais de planos de benefício devem ser reconhecidos como outros resul-
tados abrangentes e não devem ser reclassificados para o resultado líquido 
em períodos subsequentes. As mutações na reserva de reavaliação podem 
ser transferidas para reserva de lucros retidos (ou prejuízos acumulados), na 
medida em que o ativo é utilizado. Por exemplo, o ganho realizado na alie-
-nação de ativo financeiro disponível para venda é reconhecido no resultado 
quando de sua baixa. Esse ganho pode ter sido reconhecido como ganho não 
realizado nos outros resultados abrangentes do período corrente ou de períodos 
anteriores. Dessa forma, os ganhos não realizados devem ser deduzidos dos 
outros resultados abrangentes no período em que os ganhos realizados são 
reconhecidos no resultado líquido do período, evitando que esse mesmo ganho 
seja reconhecido em duplicidade (VALOR ONLINE, 2016).
17Demonstração do resultado abrangente
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
No momento em que ocorre a realização contábil dos itens registrados 
como outros resultados abrangentes (por exemplo, baixa de investimentos 
em companhias no exterior, ou quando operação anteriormente prevista e 
sujeita a hedge de fluxo de caixa afetar o resultado líquido do exercício, etc.), 
configura-se a necessidade de divulgação dos ajustes de reclassificação.
Consideram-se reclassificações quando ocorrem:
1. baixa de investimentos em entidades no exterior;
2. baixas de ativos financeiros disponíveis para venda;
3. quando a operação sujeita a hedge de fluxo de caixa afeta o resultado 
do período, como, por exemplo, a venda projetada ocorrer (SANTOS 
et al., 2015).
A entidade pode optar por apresentar os ajustes de reclassificação em notas 
explicativas, porém, deve apresentar os itens de outros resultados abrangentes 
após os respectivos ajustes de reclassificação (GELBCKE et al., 2018).
Tais ajustes devem ser incluídos no respectivo componente dos outros 
resultados abrangentes no período que ocorrer a reclassificação. Porém, não 
são considerados como reclassificações as mutações ocorridas nas reservas de 
reavaliação e ganhos e perdas nos planos de benefícios para empregados, pois 
ambos são registrados como outros resultados abrangentes e, posteriormente, 
serão reclassificados para a conta de lucros ou prejuízos acumulados, não 
afetando o resultado do exercício.
Tais ajustes são necessários para evitar dupla contagem quando a entidade 
registrar o ganho ou a perda no resultado do exercício no momento da baixa 
dos respectivos ativos e, portanto, a DRA compreende todos os componentes 
da DRE, pois em sua elaboração é incluído o resultado do exercício e outros 
resultados abrangentes (SANTOS et al., 2015).
BRASIL. Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. 
Brasília, DF: Presidência da República, 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov. 
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Demonstração do resultado abrangente18
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
COELHO, A. C.; CARVALHO, L. N. Análise conceitual de lucro abrangente e lucro ope-
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Acesso em: 12 abr. 2019.
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Resolução CVM nº 106, de 20 de maio de 2022. 
Aprova a Consolidação do Pronunciamento Técnico CPC 26(R1) do Comitê de Pronun-
ciamentos Contábeis – CPC, que trata da Apresentação das Demonstrações Contábeis. 
Brasília, DF: Comissão de Valores Mobiliários, 2022. Disponível em: https://conteudo.
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em: 19 set. 2022.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico CPC 26 (R1). [Bra-
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COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico PME contabilidade 
para pequenas e médias empresas. [Brasília, DF]: Comissão de Pronunciamentos Contábeis, 
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CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução CFC nº. 1.185/2009. Aprova a NBC 
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FERREIRA, L. V.; FORTI, C. A. B.; LEMES, S. Qualidade informativa do lucro líquido e do 
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GELBCKE, E. R. et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades 
de acordo com as normas internacionais e do CPC. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
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MONTOTO, E. Contabilidade geral e avançada: esquematizado. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 
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19Demonstração do resultado abrangente
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
RIOS, R. P.; MARION, J. C. Contabilidade avançada: de acordo com as normas brasileiras 
de contabilidade (NBC) e normas internacionais de contabilidade (IFRS). São Paulo: 
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SANTOS, F. A.; VEIGA, E. E. Contabilidade: com ênfase em micro, pequenas, e médias 
empresas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
SANTOS, J. L. et al. Manual de práticas contábeis: aspectos societários e tributários. 3. 
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SILVA, A. A. Estrutura, análise e interpretação das demonstrações contábeis. 5. ed. São 
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VALOR ONLINE. Demonstração do Resultado Abrangente: DRA. 2017. Disponível em: 
https://www.valor.srv.br/matTecs/matTecsIndex.php?idMatTec=419. Acesso em: 12 
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Leituras recomendadas
CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO RIO GRANDE DO SUL. Contabilidade para 
pequenas e médias empresas. 2. ed. Porto Alegre: Conselho Regional de Contabilidade 
do Rio Grande do Sul, 2011. Disponível em: http://www.crcrs.org.br/arquivos/livros/
livro_contabilidadePME.pdf. Acesso em: 12 abr. 2019.
PADOVEZE, C. L. Manual de contabilidade básica: contabilidade introdutória e interme-
diária. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
PINHEIRO, L. T.; MACEDO, R. P.; VILAMAIOR, A. G. Lucro líquido versus lucro abrangente: 
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Demonstração do resultado abrangente20
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1
Nome do arquivo: 
C16_Demonstracao_resultado_abrangente_Final_2022091914040635
34780.pdf
Data de vinculação à solicitação: 19/09/2022 14:04
Aplicativo: 627168
CONTABILIDADE 
INTERMEDIÁRIA II
Filipe Martins da Silva
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
Demonstração das 
mutações do patrimônio 
líquido técnicas 
de elaboração
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Reconhecer o conceito e a legislação que orientam a elaboração da 
demonstração das mutações do patrimônio líquido.
 � Explicar a estrutura da demonstração das mutações do patrimônio 
líquido.
 � Desenvolver um modelo de demonstração das mutações do patri-
mônio líquido com base na escrituração das contas envolvidas.
Introdução
Neste capítulo, você irá conhecer a demonstração das mutações do 
patrimônio líquido (DMPL), as movimentações que ela apresenta, bem 
como sua importância para as empresas. Será apresentado um passo 
a passo para sua elaboração, além da descrição de sua estrutura e a 
compreensão de suas diferenças em relação à demonstração de lucros 
ou prejuízos acumulados (DLPA).
Conceito de demonstração das mutações do 
patrimônio líquido
A demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) é obrigatória, 
segundo o CPC 26 (R1), norma do Comitê de Pronunciamentos Contábeis 
que orienta a apresentação das demonstrações contábeis. O item 106 dessa 
norma determina que empresa deve apresentar a DMPL informando o re-
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
sultado abrangente do período; os efeitos da aplicação retrospectiva ou da 
reapresentação retrospectiva para cada componente do patrimônio líquido, 
de acordo com o pronunciamento técnico CPC 23; e, para cada componente 
do patrimônio líquido, a conciliação do saldo no início e final do período, 
demonstrando separadamente (no mínimo) as mutações decorrentes: do resul-
tado líquido; de cada item dos outros resultados abrangentes; e de transações 
com os proprietários realizadas na condição de proprietário, demonstrando 
separadamente suas integralizações e as distribuições realizadas, bem como 
modificações nas participações em controladas que não implicaram perda do 
controle (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2011). 
A Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976) só exige a DLPA; a Comissão de 
Valores Mobiliários (CVM) exige a DMPL para as SAs. de capital aberto; o 
CPC 26 (R1) exige a DMPL para todas as sociedades de grande porte; e o 
CPC-PME exige a DMPL para todas as sociedades de pequeno e médio porte; 
porém, se as únicas alterações que ocorrerem no PL tiverem origem nos lucros 
e prejuízos acumulados, podem elaborar apenas a DLPA (MONTOTO, 2018). 
A DMPL possui grande utilidade para as médias e grandes empresas, mas 
menor importância para as pequenas, dado que estas possuem uma quantidade 
reduzida de transações no PL (FERRONATO, 2011).
Segundo Gelbcke e outros autores (2018), a DMPL é útil, pois:
[...] fornece a movimentação ocorrida durante o exercício nas diversas con-
tas componentes do patrimônio líquido, como reservas de capital, opções 
outorgadas, ações em tesouraria, reservas de lucros, resultados abrangentes, 
etc. Ainda, faz clara indicação do fluxo de uma conta para outra e indica a 
origem e o valor de cada acréscimo ou diminuição no patrimônio líquido 
durante o exercício. Trata-se, portanto, de informação que complementa 
os demais dados constantes do balanço patrimonial e da demonstração do 
resultado do exercício. É particularmente importante para as empresas que 
tenham seu patrimôniolíquido formado por diversas contas e mantenham 
com elas inúmeras transações. 
Se comparada com a DLPA, a importância da DMPL torna-se mais acentuada, 
pois além de evidenciar a movimentação de todas as contas do patrimônio 
líquido, e não somente de lucros ou prejuízos acumulados, também indica 
claramente a formação e a utilização de todas as reservas, e não apenas das 
originadas por lucros. Serve, inclusive, para melhor compreensão sobre o 
cálculo dos dividendos obrigatórios (GELBCKE et al., 2018, p. 619).
Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração2
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
A DMPL apresenta e evidencia a mutação do PL em termos globais, ou 
seja, apresentando as novas integralizações de capital que podem ocorrer na 
empresa: resultado do exercício, ajustes de exercícios anteriores e dividendos; 
além de apresentar as mutações internas, que consistem em incorporações 
de reservas ao capital, transferências de lucros acumulados para reservas e 
vice-versa (GELBCKE et al., 2018). Com as modificações introduzidas pela 
Lei nº. 11.941, de 27 de maio de 2009 (BRASIL, 2009), na Lei nº. 6.404/1976, 
a conta de lucros ou prejuízos acumulados não pode mais ter saldos positivos, 
o que consistiria em lucros sem destinação (MONTOTO, 2018). Entretanto, 
não se deve pensar que os lucros retidos em forma de reserva correspondem a 
valores financeiros disponíveis, pois uma pequena empresa pode acumular uma 
quantidade significativa de lucros retidos e não possuir recursos disponíveis, 
e vice-versa (FERRONATO, 2011).
Historicamente, a DMPL não é exigida pela Lei nº. 6.404/1976, mesmo 
após a Lei nº. 11.638, de 28 de dezembro de 2007 (BRASIL, 2007), e a Lei nº. 
11.941/2009. Porém, pela instrução normativa nº. 59/1986 (COMISSÃO DE 
VALORES MOBILIÁRIOS, 1986), em seu art. 1º, tornou-se obrigatória a 
apresentação da DMPL (MONTOTO, 2018). Instrução nº. 59/1986 da CVM, 
que trata da DMPL, determina, em seus arts. 1º, 2º e 3º, que:
Art. 1º — As companhias abertas deverão elaborar e publicar, como parte 
integrante de suas demonstrações financeiras, a demonstração das mutações 
do patrimônio líquido, referida ao artigo 186, § 2º “in fine”, da Lei nº. 6.404, 
de 15 de dezembro de 1976.
Art. 2º — A demonstração das mutações do patrimônio líquido, referida no 
artigo anterior, contemplará, no mínimo, os itens contidos no modelo suge-
rido em anexo à presente Instrução, segregados em colunas, discriminando:
1. descrição das mutações;
2. capital realizado atualizado;
3. reservas de capital;
4. reservas de reavaliação;
5. reservas de lucros;
6. lucros ou prejuízos acumulados;
7. ações em tesouraria; e
8. total do patrimônio líquido.
Art. 3º — Na coluna de “descrição das mutações” serão explicitadas as altera-
ções ocorridas no período abrangido pela demonstração, de modo a evidenciar 
com clareza e de forma sucinta a natureza das mutações e seus fundamentos 
(CVM, 1986, p. 1).
3Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
O CPC 26 (R1) (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 
2011), no entanto, que representa um pronunciamento técnico sobre procedi-
mentos da contabilidade em relação às demonstrações financeiras no Brasil, 
determinou a obrigatoriedade da DMPL para todas as sociedades anônimas 
de capital aberto, fechado e de grande porte (MONTOTO, 2018). O item 10 
do CPC 26 (R1) determina que:
O conjunto completo de demonstrações contábeis inclui:(a) balanço patrimo-
nial ao final do período;
(b1) demonstração do resultado do período;
(b2) demonstração do resultado abrangente do período;
(c) demonstração das mutações do patrimônio líquido do período;
(d) demonstração dos fluxos de caixa do período;
(e) notas explicativas, compreendendo as políticas contábeis significativas e 
outras informações elucidativas; (Alterada pela Revisão CPC 08)
(ea) informações comparativas com o período anterior, conforme especificado 
nos itens 38 e 38A; (Incluída pela Revisão CPC 03)
(f) balanço patrimonial do início do período mais antigo, comparativamente 
apresentado, quando a entidade aplicar uma política contábil retrospectiva-
mente ou proceder à reapresentação retrospectiva de itens das demonstrações 
contábeis, ou quando proceder à reclassificação de itens de suas demonstrações 
contábeis de acordo com os itens 40A a 40D; e (Alterada pela Revisão CPC 03)
(f1) demonstração do valor adicionado do período, conforme Pronunciamento 
Técnico CPC 09, se exigido legalmente ou por algum órgão regulador ou 
mesmo se apresentada voluntariamente. (Alterada pela Revisão CPC 03) 
A entidade pode usar outros títulos nas demonstrações em vez daqueles 
usados neste Pronunciamento Técnico, desde que não contrarie a legislação 
societária brasileira vigente (CPC, 2011, documento on-line).
A seguir, no Quadro 1, é apresentado o modelo da estrutura da demonstração 
de lucros ou prejuízos acumulados.
Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração4
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
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Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração6
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7Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração
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Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração8
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9Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
Como observado no Quadro 1, estes são exemplos de mutações do PL. Po-
rém, nem todas as movimentações alteram o seu valor, pois algumas alterações 
são apenas reclassificações. O Quadro 2 exemplifica essas movimentações.
Fonte: Adaptado de Gelbcke et al. (2018).
Alteram o valor do PL
Não alteram o 
valor do PL
 � Acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo 
líquido do exercício.
 � Redução por dividendos.
 � Redução por pagamento ou crédito de juros sobre 
o capital próprio.
 � Acréscimo por reavaliação de ativos (quando 
permitida por lei).
 � Acréscimo por doações e subvenções para 
investimentos recebidos (após transitarem pelo 
resultado).
 � Acréscimo por subscrição e integralização de 
capital.
 � Acréscimo pelo recebimento de valor que exceda o 
valor nominal das ações integralizadas ou o preço 
de emissão das ações sem valor nominal.
 � Acréscimo pelo valor da alienação de partes 
beneficiárias e bônus de subscrição.
 � Acréscimo por prêmio recebido na emissão de 
debêntures (após transitar pelo resultado).
 � Redução por ações próprias adquiridas ou 
acréscimo por sua venda.
 � Acréscimo ou redução por ajustes de exercícios 
anteriores.
 � Redução por reversão da reserva de lucros a realizar 
para a conta de dividendos a pagar.
 � Acréscimo ou redução por outros resultados 
abrangentes.
 � Redução por gastos na emissão de ações.
 � Ajuste de avaliação patrimonial.
 � Ganhos ou perdas acumulados na conversão, etc.
 � Aumento de 
capital com 
utilização de 
lucros e reservas.
 � Apropriações do 
lucro líquido do 
exercício, por 
meio da conta de 
lucros.
 � Acumulados, para 
a formação de 
reservas, como 
reserva legal, 
reserva de lucros 
a realizar, reserva 
para contingência 
e outras.
 � Reversões 
de reservas 
patrimoniais para 
a conta de lucros 
ou prejuízos 
acumulados.
 � Compensação 
de prejuízos com 
reservas, etc.
Quadro 2. Movimentações do patrimônio líquido na DMPL
Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração10
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
Provisões: são acréscimos de exigibilidade que reduzem o PL, e cujos valores ou 
prazos não são ainda totalmente definidos. Representam, assim, estimativas de valores 
a desembolsar que, apesar de financeiramente ainda não efetivadas, derivam de fatos 
geradores contábeis já ocorridos (como o risco por garantias oferecidas em produtos 
já vendidos).
Reservas: correspondem a valores oriundos dos sócios ou de terceiros que não 
representam aumento de capital ou que se originam de lucros não distribuídos aos 
proprietários (reservas de lucros). Não possuem qualquer característica de exigibilidade 
imediata ou remota. 
Fonte: Adaptado de Gelbcke et al. (2018).
Componentes e movimentações da 
demonstração das mutações do 
patrimônio líquido
No balanço patrimonial, a diferença entre o valor dos ativos e o dos passivos 
representa o PL, que é o valor contábil pertencente aos acionistas ou sócios 
(GELBCKE et al., 2018). O PL está descrito no art. 178; § 2º. Inciso III, da 
Lei nº. 6.404/1976 alterado pela Lei nº. 11.941/2009, e diz o seguinte: “III — 
patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de 
avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos 
acumulados” (Incluído pela Lei nº. 11.941/2009) (BRASIL, 1976, documento 
on-line).
A DMPL apresenta as modificações ocorridas nas contas do PL. Existem 
fatos contábeis que provocam aumentos ou reduções do PL. Também são 
apresentados na demonstração os ajustes que tenham origem em erros ou 
mudanças de critérios contábeis, que não devem ser lançados na demonstração 
do resultado do exercício (DRE) do exercício corrente (MONTOTO, 2018). 
O CPC PME (R1) trata sobre a DMPL nos itens 6.2 e 6.3, que são os seguintes:
6.2 A demonstração das mutações do patrimônio líquido apresenta o resultado 
da entidade para um período contábil; outros resultados abrangentes para o 
período; os efeitos das mudanças de práticas contábeis e correção de erros 
reconhecidos no período; os valores investidos pelos sócios; e os dividendos 
e outras distribuições para os sócios na sua capacidade de sócios durante o 
período.
11Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
Informação a ser apresentada na demonstração das mutações do patrimônio 
líquido: 
6.3 A demonstração das mutações do patrimônio líquido inclui as seguintes 
informações:
(a) o resultado e os outros resultados abrangentes do período, demonstrando 
separadamente o montante total atribuível aos proprietários da entidade 
controladora e a participação dos não controladores;
(b) para cada componente do patrimônio líquido, os efeitos da aplicação 
retrospectiva ou correção retrospectiva reconhecida de acordo com a Seção 
10 — Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro;
(c) para cada componente do patrimônio líquido, a conciliação entre o saldo 
no início e no final do período, evidenciando separadamente as alterações 
decorrentes:
(i) do resultado do período;
(ii) de outros resultados abrangentes;
(iii) dos valores de investimentos realizados pelos sócios e dividendos e 
outras distribuições para eles na sua capacidade de sócios, demonstrando 
separadamente ações ou quotas emitidas de transações com ações ou quotas 
em tesouraria; de dividendos e outras distribuições aos sócios; e de alterações 
nas participações em controladas que não resultem em perda de controle 
(CPC, 2009, p. 28).
A seguir, alguns exemplos de movimentações da DMPL.
Ajustes de exercícios anteriores: podem ser receitas ou ganhos não lançados 
por esquecimento, que aumentam o PL; ou despesas ou perdas não lançadas 
pelo mesmo motivo, que reduzem o PL (MONTOTO, 2018). Em caso de 
despesas que não foram lançadas, o lançamento reduz o PL; já em caso de 
receitas, o lançamento o aumenta.
Aquisições de ações da própria empresa: as ações da companhia que forem 
adquiridas pela própria sociedade são denominadas ações em tesouraria. A 
aquisição de açõesde emissão própria e sua alienação são transações de capital 
da companhia com seus sócios, não devendo afetar o resultado. As ações em 
tesouraria são classificadas em contas retificadoras do PL. Não é permitido 
às companhias (abertas ou fechadas) adquirir suas próprias ações a não ser 
quando houver: (a) operações de resgate, reembolso ou amortizações de ações; 
(b) aquisição para permanência em tesouraria ou cancelamento, desde que 
até o valor do saldo de lucros ou reservas (exceto a legal) e sem diminuição 
do capital social ou recebimento dessas ações por doação; (c) aquisição para 
diminuição do capital (limitado às restrições legais). As ações em tesouraria são 
classificadas em contas retificadoras do PL. Essas operações com as próprias 
ações estão previstas no art. 30 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976). Em se 
Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração12
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
tratando de companhia aberta, deverão ser obedecidas as normas expedidas 
pela CVM contidas nas Instruções CVM nº. 567/15 (GELBCKE et al., 2018). 
Essa movimentação reduz o valor do PL.
Aumento de capital: o investimento efetuado na companhia pelos acionis-tas 
é representado pelo capital social, abrangendo não só as parcelas entregues 
pelos acionistas como também os valores obtidos pela sociedade e que, por 
decisões dos proprietários, foram incorporados ao capital social, na forma de 
dinheiro ou de outros bens (GELBCKE et al., 2018). Os valores de reserva de 
lucros ou reservas de capital também podem ser utilizados para aumentar o 
valor do capital (MONTOTO, 2018).
Compensação de prejuízos com reservas: prejuízos devem ser obriga-
-toriamente compensados, em primeiro lugar, pelo saldo da conta de lucros 
acumulados, e, em seguida, pelo saldo de quaisquer reservas de lucros, sendo 
a última, a reserva legal (MONTOTO, 2018). Como ambas as contas são do 
PL, essa movimentação não altera o valor do PL, por tratar-se apenas de uma 
reclassificação.
Constituição de reservas de lucros: as reservas de lucros são as constituí-das 
pela apropriação de lucros da companhia, como previsto pelo § 4º do art. 182 
da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976). Conforme § 6º do art. 202 dessa lei, 
adicionado pela Lei nº. 10.303, de 31 de outubro de 2001 (BRASIL, 2001), caso 
ainda existam lucros remanescentes, após a segregação para pagamentos dos 
dividendos obrigatórios e após a destinação para reservas de lucros, estes tam-
bém devem ser distribuídos em forma de dividendos (GELBCKE et al., 2018). 
Como ambas as contas são do PL, essa movimentação não altera o seu valor. 
Distribuição de dividendos: é a remuneração dos sócios ou acionistas na forma 
da distribuição dos lucros auferidos pela empresa (PADOVEZE, 2017). Por 
tratar-se de destruição do lucro da empresa, essa movimentação reduz o PL.
Lucro líquido do exercício: um lançamento credor na conta de lucros ou 
prejuízos acumulados no PL é lançado no crédito nesta conta, tendo origem na 
apuração do resultado do exercício (MONTOTO, 2018). Essa movimentação 
aumenta o valor do PL.
13Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
Prejuízos acumulados: apresenta os resultados negativos da empresa, que 
não foram compensados ainda (BARBOSA, 2013). Por tratar-se de um resul-
tado negativo da atividade da empresa, o valor irá reduzir o PL. A partir da 
vigência da Lei nº. 11.638/2007, foi extinta a possibilidade de manutenção e 
apresentação de saldos a título de lucros acumulados no balanço patrimonial, 
mas apenas para o caso das sociedades por ações (GELBCKE et al., 2018). 
Reservas de capital: as reservas de capital são constituídas de valores rece-
bidos pela companhia e que não transitam pelo resultado como receitas, por 
referirem-se a valores destinados a reforço de seu capital, sem terem como 
contrapartidas qualquer esforço da empresa em termos de entrega de bens ou 
de prestação de serviços (GELBCKE et al., 2018). Essa movimentação aumenta 
o valor do PL. Cabe ressaltar que, segundo o art. 200 da Lei nº. 6.404/1976, 
as reservas de capital somente poderão ser utilizadas para: “(I) absorção de 
prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros; (II) 
resgate, reembolso ou compra de ações; (III) resgate de partes beneficiárias; 
(IV) incorporação ao capital social; e (V) pagamento de dividendo a ações 
preferenciais, quando essa vantagem lhes for assegurada” (BRASIL, 1976, 
documento on-line).
Reversão de reservas: consiste em desfazer uma reserva de lucros, após seu 
objetivo ter sido atingido. A reversão de reservas de lucros deve ser sempre 
feita para conta de lucros ou prejuízos acumulados (MONTOTO, 2018). Como 
ambas as contas são do PL, essa movimentação não altera o seu valor, por 
tratar-se apenas de uma reclassificação.
É importante destacar que o termo lucros acumulados — existindo simul-
taneamente com o termo prejuízos acumulados — existia até o ano de 2007. 
A partir de 2008 o valor de lucros acumulados deveria ser destinado, e esta 
destinação ser apresentada nas demonstrações de 2008. Isto, porém, não sig-
nifica que nas demonstrações intermediárias (ou seja, aquelas emitidas antes 
do fechamento do exercício) ele não possa existir, mas ao final do exercício 
seu saldo deverá ser completamente destinado (MONTOTO, 2018).
Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração14
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
Não é permitido às companhias (abertas ou fechadas) adquirir suas próprias ações a 
não ser quando houver:
 � operações de resgate, reembolso ou amortizações de ações;
 � aquisição para permanência em tesouraria ou cancelamento, desde que até o valor 
do saldo de lucros ou reservas (exceto a legal) e sem diminuição do capital social 
ou recebimento dessas ações por doação;
 � aquisição para diminuição do capital (limitado às restrições legais).
As ações em tesouraria são classificadas em contas retificadoras do PL. Essas ope 
rações com as próprias ações estão previstas no art. 30 da Lei nº. 6.404/1976 (BRA-
SIL, 1976). Em se tratando de companhia aberta, deverão ser obedecidas as normas 
expedidas pela CVM contidas nas Instruções CVM nº. 10/1980 (BRASIL, 1980) e nº. 
268/1997 (BRASIL, 1997). 
Fonte: Adaptado de Gelbcke et al. (2018).
Elaboração da demonstração das mutações 
do patrimônio líquido
Para elaborar a DMPL, deve-se apresentar, de forma sumária e coordenada, a 
movimentação ocorrida durante o exercício nas contas ou subgrupos do PL; 
isto é, capital social, reservas de capital, reservas de lucros, lucros ou prejuízos 
acumulados, etc. Essa movimentação deve ser extraída dos registros contábeis 
(GELBCKE et al., 2018).
O ideal é elaborar uma planilha utilizando uma coluna para cada uma das 
contas ou subgrupo do PL da empresa e abrir uma coluna para o PL total, que 
representa a soma dos saldos ou transações de todas as contas e subgrupos 
individuais. O Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) (CPC, 2011) introduziu 
a necessidade da apresentação de três colunas específicas na estrutura da 
DMPL: outros resultados abrangentes (onde serão incluídos todos os saldos 
das contas que representam outros resultados abrangentes), PL dos sócios 
da companhia e participação dos não controladores no PL das controladas 
(GELBCKE et al., 2018).
As transações e seus valores são transcritos nas colunas respectivas, de 
forma coordenada. Por exemplo: se temos um aumento de capital com lucros 
e reservas, na linha correspondente a essa transação transcreve-se o acrés-
cimo na coluna de capital social pelo valor do aumento, e, na mesma linha, 
15Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
as reduções nas contas de reservas e lucros utilizadas no aumento de capital, 
pelos valores correspondentes (GELBCKE et al., 2018).
Especificamente, a preparação da DMPLconsiste nos seguintes proce-
dimentos: abrir um papel de trabalho, ou uma planilha eletrônica, dividido 
em colunas, e transcrever, no topo de cada coluna, os nomes das contas ou 
subgrupos. A primeira coluna deve ser destinada à descrição da natureza das 
transações, e a coluna final, para o PL total (GELBCKE et al., 2018).
Ressalta-se que os dados para a elaboração da DMPL são extraídos do livro 
razão, considerando-se apenas as contas que compõem o PL, e analisando-se 
as movimentações ocorridas durante o exercício em cada uma das contas 
(RIBEIRO, 2013).
Padoveze (2017) destaca que a DMPL é uma importante fonte de pesquisa 
para a elaboração da demonstração dos fluxos de caixa, por possibilitar a 
separação das contas do PL que efetivamente representam movimentações 
financeiras daquelas cujas movimentações apenas podem ser consideradas 
reclassificações de salto.
 � Aumento de capital social em dinheiro.
 � Lucro líquido da empresa, que é a fonte inicial de geração de caixa na 
conta de lucros acumulados.
 � Distribuição e o pagamento de lucros ocorridas na empresa.
As demais movimentações não envolvem caixa, possuindo um sentido 
econômico, e não financeiro, na companhia, e têm o objetivo de registrar 
movimentações de cunho contábil e jurídico (PADOVEZE, 2017). De posse 
dessas informações é possível iniciar o processo de elaboração da DMPL. De 
forma prática, a estruturação corresponde à elaboração de uma tabela composta 
por todas as contas que formam o PL da empresa, sendo que a última coluna 
corresponde ao resultado total e possibilita uma visão completa de como os 
recursos da empresa estão sendo aplicados durante o exercício social, o que é 
essencial para se ter mais controle do capital da organização (DMPL, 2018).
Exemplo de demonstração das mutações do 
patrimônio líquido comentada
A seguir, no Quadro 3, será apresentado um modelo de DMPL elaborada de 
acordo com o CPC 26 (R1).
Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração16
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
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21Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
O CPC 26 (R1) elenca as seguintes observações sobre o Quadro 3:
a) O patrimônio líquido consolidado (últimacoluna) evoluiu de $ 1.808.000 
para $ 2.520.400 em função de apenas dois conjuntos de fatores: as transações 
de capital com os sócios ($ 269.800) e o resultado abrangente ($ 442.600). 
O resultado abrangente é formado de três componentes: resultado líquido do 
período ($ 272.000), outros resultados abrangentes ($ 160.000) e o efeito de 
reclassificação ($ 10.600). É interessante notar que as reclassificações para 
o resultado do período não alteram o patrimônio líquido total da entidade, 
mas, por aumentarem ou diminuírem o resultado líquido, precisam ter a 
contrapartida evidenciada. No exemplo dado, há a transferência de $ 10.600 
de prejuízo que constava como outros resultados abrangentes para o resultado 
do período. Imediatamente antes da transferência, o resultado líquido era 
de $ 260.600, que, diminuído do prejuízo de $ 10.600 agora reconhecido no 
resultado, passou a $ 250.000; e o saldo dos outros resultados abrangentes, 
que estava em $ 404.000, passou para $ 414.600. Assim, a transferência do 
prejuízo de $ 10.600 dos outros resultados abrangentes para o resultado do 
período não muda, efetivamente, o total do patrimônio líquido, mas como
o resultado líquido é mostrado pelo valor diminuído dessa importância, é 
necessário recolocá-la na mutação do patrimônio líquido.
b) Na demonstração do resultado do período, a última linha será mostrada 
por $ 272.000, porque, a partir desse Pronunciamento Técnico CPC 26 —
Apresentação das Demonstrações Contábeis, o lucro líquido consolidado 
do período é o global, incluindo a parte pertencente aos não controladores 
no resultado das controladas; mas é obrigatória a evidenciação de ambos os 
valores: o pertencente aos sócios da controladora e o pertencente aos que são 
sócios apenas nas controladas, como se vê na mutação acima ($ 250.000 e$ 
22.000, respectivamente nas antepenúltima e penúltima colunas).
c) O Pronunciamento exige a mesma evidenciação quanto ao resultado abran-
gente total, o que está evidenciado também no exemplo acima: $ 414.600 é a 
parte dos sócios da controladora e $ 28.000 é a parte dos sócios não contro-
ladores nas controladas, totalizando $ 442.600 para o período.
d) As mutações que aparecem após o resultado abrangente total correspondem 
a mutações internas do patrimônio líquido, e não alteram, efetivamente, o seu 
total. Esse conjunto poderia, inclusive, ser intitulado “mutações internas do 
patrimônio líquido” ou nome semelhante, ou ficar sem título como está no 
próprio exemplo (CPC, 2011, documento on-line).
Para compreender melhor a DMPL, acesse o link a seguir.
https://goo.gl/pBbzxT
Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração22
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
Complementando os comentários efetuados para o Quadro 3, ressalta-se 
que a coluna de lucros ou prejuízos acumulados evidencia as informações 
que seriam divulgadas pela demonstração de lucros ou prejuízos acumula-
dos (DLPA), prevista na Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976). De qualquer 
forma, devido à CVM e à resolução do Conselho Federal de Contabilidade, 
determinou-se a inclusão da DLPA na DMPL, passando a ser considerada uma 
demonstração contábil obrigatória (GELBCKE et al., 2018).
BARBOSA, R. Contabilidade geral de bolso: resumo dos tópicos mais importantes para 
concursos públicos. São Paulo: Método, 2013.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. 
Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília, DF: 1976. Disponível em: http://www. 
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm. Acesso em: 26 mar. 2019.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 10.303, de 31 de outubro de 2001. Altera 
e acrescenta dispositivos na Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que dispõe sobre 
as Sociedades por Ações e na Lei nº. 6.385, de 7 de dezembro de 1976 que dispõe sobre 
o mercado de valores mobiliários e cria a Comissão de Valores Mobiliários. Brasília, DF: 
2001. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LEIS_2001/L10303.htm. 
Acesso em: 26 mar. 2019.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. 
Altera e revoga dispositivos da Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº. 
6.385, de 7 de dezembro de 1976 e estende às sociedades de grande porte disposições 
relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Brasília, DF: 2007. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638. 
htm. Acesso em: 26 mar. 2019.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 11.941, de 27 de maio de 2009. Altera 
a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários; 
concede remissão nos casos em que especifica; institui regime tributário de transição, 
alterando o Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972... Brasília, DF: 2009. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm. Acesso 
em: 26 mar. 2019.
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Instrução CVM nº. 59, de 22 de dezembro de 
1986. Dispõe sobre a obrigatoriedade de elaboração e publicação da demonstração 
das mutações do patrimônio líquido pelas companhias abertas. Rio de Janeiro, 1986. 
Disponível em: http://www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/instrucoes/ane-
-xos/001/inst059.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019. 
23Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico CPC 26 (R1): 
apresentação das demonstrações contábeis. 2011. Disponível em: http://static.cpc. 
aatb.com.br/Documentos/312_CPC_26_R1_rev%2013.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico PME: contabilidade 
para pequenas e médias empresas. 2009. Disponível em: http://static.cpc.aatb.com.br/
Documentos/392_CPC_PMEeGlossario_R1_rev%2011_alt.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019.
DMPL: o que é e qual o seu papel. BLB Brasil Blog, 06 fev. 2018. Disponível em: https://
www.blbbrasil.com.br/blog/dmpl/. Acesso em: 26 mar. 2019.
FERRONATO, A. J. Gestão contábil-financeira de micro e pequenas empresas: sobrevivência 
e sustentabilidade. São Paulo: Atlas, 2011.
GELBCKE, E. R. et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades. 
3. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
MONTOTO, E. Contabilidade geral e avançada esquematizado. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 
2018.
PADOVEZE, C. L. Manual de contabilidade básica: contabilidade introdutória e intermediária. 
10. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
RIBEIRO, O. M. Contabilidade básica fácil. 29. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
Leituras recomendadas
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto nº. 9.580, de 22 de novembro de 2018. 
Regulamenta a tributação, a fiscalização, a arrecadação e a administração do Imposto 
sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Brasília, DF: 2018. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Decreto/D9580.htm#art4. 
Acesso em: 26 mar. 2019.
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Instrução CVM nº. 10, de 14 de fevereiro 
de 1980. Dispõe sobre a aquisição por companhias abertas de ações de sua própria 
emissão, para cancelamento ou permanência em tesouraria, e respectiva alienação. Rio 
de Janeiro, 1980. Disponível em: http://www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/
instrucoes/anexos/001/inst010consolid.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019.
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Instrução CVM nº. 268, de 13 de novembro 
de 1997. Altera o limite previsto no art. 3º da Instrução CVM nº. 10, de 14 de fevereiro de 
1980. Rio de Janeiro, 1997. Disponível em: http://www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/
legislacao/instrucoes/anexos/200/inst268.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019.
RIOS, R. P.; MARION, J. C. Contabilidade avançada: de acordo com as Normas Brasileiras 
de Contabilidade (NBC) e Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS). São Paulo: 
Atlas, 2017.
Demonstração das mutaçõesdo patrimônio líquido técnicas de elaboração24
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
SANTOS, F. A.; VEIGA, W. E. Contabilidade: com ênfase em micro, pequenas, e médias 
empresas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
SINDICATO DOS CONTABILISTAS DE PIRACICABA E REGIÃO (SINCOP). Demonstração 
das mutações do patrimônio líquido: demonstra a movimentação nas diversas contas 
que compõe o patrimônio líquido. c2015. Disponível em: http://www.sincop.com.br/
capa.asp?infoid=3817. Acesso em: 26 mar. 2019.
25Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1
Nome do arquivo: 
C08_Demonstracao_mutacoes_patrimonio_liquido_tecnicas_2022100
41018434565098.pdf
Data de vinculação à solicitação: 04/10/2022 10:18
Aplicativo: 630535
DEMONSTRAÇÕES 
CONTÁBEIS 
Adriana Greco Ferreira
Visão integrada das 
demonstrações contábeis
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar a integração do balanço patrimonial, da demonstração do 
resultado do exercício e da demonstração do fluxo de caixa.
  Especificar os efeitos das principais decisões nas demonstrações 
contábeis.
  Aplicar as análises horizontal e vertical para a interpretação da situação 
econômica e financeira das empresas.
Introdução
As demonstrações contábeis apresentam informações úteis e fidedignas 
que refletem as operações realizadas pelas entidades em determinado 
período. Cada uma delas apresenta suas finalidades próprias e permite 
compreender a situação econômica e financeira das entidades. Os usuários 
das informações contábeis precisam conhecer cada uma das demonstra-
ções, bem como compreender como a análise conjunta pode fornecer 
informações úteis para o alcance de seus diferentes objetivos. Portanto, 
as demonstrações contábeis são ferramentas imprescindíveis para a 
avaliação e o planejamento futuro, uma vez que permitem a identificação 
de riscos e potencialidades de retorno da entidade.
Neste capítulo, você estudará a integração do balanço patrimonial, 
da demonstração do resultado do exercício (DRE) e da demonstração 
do fluxo de caixa (DFC), conhecerá os efeitos das principais decisões 
nas demonstrações contábeis e aprenderá como aplicar as análises 
horizontal e vertical para a interpretação da situação econômica e 
financeira das empresas.
Integração das demonstrações contábeis
As demonstrações contábeis representam os efeitos patrimoniais e fi nancei-
ros, o desempenho e o fl uxo de caixa da entidade de maneira estruturada e 
simplifi cada aos usuários das informações (acionistas, sócios, administradores, 
funcionários, consumidores, fornecedores e instituições fi nanceiras). Elas 
fornecem informações fi dedignas e relevantes para a análise e a avaliação 
na tomada de decisão, visando ao atendimento das necessidades de todos os 
interessados. A administração da entidade é responsável pela elaboração das 
demonstrações contábeis, que devem estar em conformidade com as normas 
contábeis vigentes e a estrutura conceitual.
De acordo com o item 10 da NBC TG 26 (Resolução CFC nº. 1.185, de 
28 de agosto de 2009), o conjunto completo das demonstrações contábeis 
consiste em (CFC, 2009):
  balanç o patrimonial ao final do perí odo;
  demonstraç ã o do resultado do perí odo;
  demonstraç ã o do resultado abrangente do perí odo;
  demonstraç ã o das mutaç õ es do patrimô nio lí quido do perí odo;
  demonstraç ã o dos fluxos de caixa do período;
  demonstração do valor adicionado do período, se exigido legalmente 
ou apresentado de forma voluntária; 
  notas explicativas, compreendendo um resumo das políticas contábeis 
significativas e outras informações explanatórias; 
  balanço patrimonial no início do período mais antigo, comparativa-
mente apresentado, quando a entidade aplica uma política contábil 
retroativamente ou procede à reapresentação de itens das demonstrações 
contábeis, ou, ainda, quando procede à reclassificação de itens de suas 
demonstrações contábeis.
Além disso, as empresas publicam as notas explicativas, as quais compre-
endem o resumo das políticas contábeis significativas e outras informações 
relevantes.
Visão integrada das demonstrações contábeis2
De acordo com Borinelli e Pimentel (2017), as demonstrações contábeis são resultantes 
do processo contábil, que consiste em:
  colher dados referentes às transações realizadas pela entidade por meio de docu-
mentação comprobatória;
  analisar, mensurar e registrar as transações em conformidade com a estrutura 
conceitual e as normas contábeis;
  gerar relatórios que contenham informações contábeis decorrentes dos processos 
anteriores;
  divulgar as demonstrações contábeis aos diferentes usuários, atendendo às exi-
gências legais.
Apesar de as demonstrações contábeis apresentarem finalidades diferentes, 
elas se complementam e são consistentes entre si; ou seja, é possível associar os 
dados de uma demonstração contábil com as outras. O balanço patrimonial é a 
demonstração que serve como base para a elaboração das demais. De acordo 
com Borinelli e Pimentel (2017), a partir dele, cada uma das demonstrações 
contábeis acrescenta outros aspectos na evidenciação, permitindo aos usuários 
uma visão detalhada e completa sobre a entidade. 
De acordo com o art. 178 da Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, o balanço 
patrimonial tem como função evidenciar, de forma qualitativa e quantitativa, a 
situação patrimonial e financeira da entidade (BRASIL, 1976). Sua posição é 
estática, pois apresenta o patrimônio da companhia em um determinado período. 
O balanço patrimonial é composto por ativo, passivo e patrimônio líquido. 
No grupo do ativo, tem-se os bens e direitos da entidade, e as aplicações de 
recurso estão à disposição da entidade. O grupo do balanço passivo representa 
as obrigações e as origens de recursos da entidade, e o patrimônio líquido 
constitui o capital próprio da entidade.
Dentro do balanço patrimonial ativo, tem-se o ativo circulante, que corres-
ponde às disponibilidades financeiras, aos bens e aos direitos realizáveis até 
o fim do exercício seguinte, dos quais, de acordo com o CPC 26 (COMITÊ 
DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2011), espera-se que:
  sejam realizados, vendidos ou consumidos durante o ciclo operacional 
da entidade;
  estejam mantidos com a finalidade de negociação;
3Visão integrada das demonstrações contábeis
  que sejam realizados até 12 meses após a data de encerramento do 
balanço patrimonial;
  estejam em caixa e equivalente de caixa.
Entende-se por caixa o dinheiro em papel-moeda (numerário em espécie) 
e os depósitos bancários de livre movimentação. Os equivalentes de caixa 
constituem os valores financeiros de disponibilidade imediata (no máximo, 
3 meses de resgate) e de alta liquidez, que estão sujeitos a um insignificante 
risco de mudança de valor, como aplicações financeiras e aplicações ban-
cárias, por exemplo.
Como o balanço patrimonial é um relatório estático, não é possível 
compreender a evolução do caixa e equivalente de caixa entre os períodos. 
Assim, a DFC, que pertence à dinâmica patrimonial, complementa o balanço 
patrimonial, apresentando e explicando as variações ocorridas no caixa e 
equivalente de caixa. A DFC permite que os usuários das demonstrações 
contábeis avaliem a capacidade de geração de caixa e equivalente de caixa, 
o tempo e o grau de segurança de geração dos recursos financeiros e a 
necessidade de liquidez da companhia.
O balanço patrimonial passivo constitui os recursos consumidos pela 
entidade para a geração de fluxo de caixa futuros. Ou seja, compreende as 
origens de recursos representadas pelas obrigações da entidade (SANTOS et 
al., 2015). De acordo com o CPC 26 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS 
CONTÁBEIS, 2011), o patrimôniolíquido constitui o interesse residual nos 
ativos da entidade após a dedução de todos os passivos. Por esse motivo, ele 
deve evidenciar os valores resultantes de ajuste de avaliação patrimonial 
decorrentes da avaliação de ativos e passivos a valores de mercado.
Vale ressaltar também que o patrimônio líquido corresponde ao valor de 
mercado das ações da entidade ou ao montante decorrente de possível venda 
dos seus ativos líquidos ou da entidade como um todo, considerando-se o 
princípio de continuidade (BORINELLI; PIMENTEL, 2017). Assim, pode-se 
dizer que o patrimônio líquido pode ser considerado o montante de recursos 
que pode ser reivindicado pelos acionistas ou quotistas.
De maneira geral, o patrimônio líquido é composto por:
  recursos próprios dos acionistas ou quotistas decorrentes de investimen-
tos realizados para a obtenção de ações, quotas ou outras participações 
(capital social);
  evolução natural da entidade que acarreta a geração de lucros ou pre-
juízos no exercício.
Visão integrada das demonstrações contábeis4
A Lei nº. 11.638, de 28 de dezembro de 2007, determinou que não mais existirá a conta 
“lucros ou prejuízos acumulados”, que compunha anteriormente o patrimônio líquido 
das entidades (BRASIL, 2007). A partir dessa lei, a conta “prejuízos acumulados” está 
prevista nesse grupo do balanço patrimonial. O lucro do período deverá ser destinado 
como reserva, aumento de capital social ou distribuição de dividendos.
A geração de lucros ou prejuízos no exercício apresentada no patrimônio 
líquido advém da DRE, a qual confronta as receitas, os custos e as despesas 
apurados, segundo o regime de competência, evidenciando o resultado 
líquido (lucro ou prejuízo) da entidade. Portanto, a DRE é uma demonstra-
ção completa que tem por finalidade mostrar o desempenho (resultado) da 
entidade em determinado período.
De acordo com a legislação, a maioria das entidades deve elaborar e di-
vulgar seus resultados, no mínimo, uma vez ao ano. Para as companhias de 
capital aberto, é obrigatória a apresentação a cada trimestre. Entretanto, sob 
o ponto de vista gerencial, as entidades costumam apurar e acompanhar seus 
resultados mensalmente. Para os gestores, é vital o conhecimento da natureza 
dos seus gastos e das suas receitas para a melhor tomada de decisão, a fim de 
maximizar o desempenho organizacional. 
Se a entidade apurar lucro líquido, ela poderá distribuí-lo por meio de dividendos aos 
acionistas no exercício social. Assim, nessa transação, a conta “dividendos a pagar” terá 
efeito no passivo circulante da entidade (balanço patrimonial).
Efeitos das principais decisões nas 
demonstrações contábeis
Conhecer a estrutura das demonstrações contábeis é tão importante quanto 
compreender as principais decisões que os usuários das informações poderão 
obter por meio delas. Sabe-se que essas demonstrações apresentam diferentes 
5Visão integrada das demonstrações contábeis
fi nalidades e que, ao mesmo tempo, elas se complementam, pois os dados 
informados no balanço patrimonial estão também presentes na DRE e na DFC. 
Por esse motivo, recomenda-se a análise dessas demonstrações de maneira 
conjunta, e não de forma isolada.
Antes de analisar as demonstrações contábeis, os usuários devem conhecer 
detalhadamente o negócio e o mercado de atuação da entidade. Esses fatores 
contribuem para uma melhor avaliação nas decisões tomadas de investimento e 
de financiamento.
O balanço patrimonial mostra a situação patrimonial e financeira da enti-
dade. Por meio dessa demonstração, o usuário conhece todos os bens, direitos 
e obrigações, conhecendo a posição patrimonial da entidade em determinado 
período. Ou seja, pode-se visualizar como a entidade distribui seus recursos 
entre os ativos (circulante ou não circulante). Dependendo do setor, a entidade pode 
ter alto valor em imobilizado, no entanto, outros setores podem apresentar alto 
valor no ativo realizável a longo prazo. 
Por meio do balanço patrimonial, o usuário pode avaliar a estrutura de 
capital da entidade: terceiros (passivo) e capital próprio (patrimônio líquido). 
Com base na sua distribuição, é possível avaliar o endividamento da companhia. 
Ou seja, consegue-se identificar a dependência de recursos de terceiros ou 
de capital próprio para a aquisição de recursos. Se a entidade utilizar capital 
de terceiros, os usuários podem conhecer a composição dos vencimentos dos 
recursos de terceiros (curto ou longo prazo).
Decisões inadequadas de estrutura de capital podem acarretar um alto 
custo de capital, o que tornaria difícil a escolha de investimentos aceitáveis. 
Uma boa gestão tem por objetivo a diminuição do custo de capital da entidade, 
visando a encontrar facilmente investimentos aceitáveis que maximizem a 
riqueza dos proprietários (sócios e acionistas).
Visão integrada das demonstrações contábeis6
A análise do balanço patrimonial permite conhecer a capacidade de pa-
gamento da entidade, isto é, se há condições financeiras de cumprir os com-
promissos assumidos, bem como se há equilíbrio financeiro e necessidade de 
investimento em capital de giro.
O capital de giro consiste nos recursos que serão utilizados para suprir as necessidades 
financeiras da entidade ao longo do tempo. Esses recursos se encontram no caixa, nas 
contas a receber, no estoque, etc. Pode-se dizer que são os montantes necessários 
para que as atividades da empresa ocorram. 
A DRE mensura o desempenho da entidade em um determinado período. 
Assim, os usuários podem verificar se a geração de resultados (positivos ou 
negativos) são consistentes ao longo do tempo. A partir da DRE, é possível 
verificar as contas (receitas, custos e despesas) que impactaram no resultado 
líquido do período. Os percentuais de custos e despesas em relação às receitas 
são mensurados, a fim de identificar os maiores gastos ocorridos no exercício e 
buscar maneiras de minimizá-los. Dessa forma, a entidade consegue otimizar 
o desempenho da entidade.
As empresas que possuem diferentes unidades de negócio podem, por 
meio da DRE, compreender a origem da receita (natureza do produto ou do 
serviço). Ademais, se estão localizadas em diferentes localidades, conseguem 
identificar as áreas com maiores ou menores receitas. É importante ressaltar 
que determinados setores são impactados pela sazonalidade. Assim, por meio 
da DRE, consegue-se visualizar as oscilações do resultado ao longo do tempo.
A DRE permite, portanto, avaliar se a maior parte do resultado da entidade 
é originária das atividades fins (venda de produtos ou prestação de serviços) ou 
de outras atividades, como, por exemplo, venda de ativo imobilizado e receita 
de equivalência patrimonial. Outra informação que a entidade e os usuários 
conseguem analisar por meio da DRE é o montante de impostos que incidiram 
sobre a receita e o resultado. A carga tributária ainda é um valor considerado 
alto pelas entidades, sendo responsável pela redução de margem destas.
7Visão integrada das demonstrações contábeis
A estrutura da DRE permite a análise de diferentes níveis de resultados 
(bruto, operacional e líquido). A margem bruta representa o resultado 
imediato da entidade com suas atividades. Nesse nível, o usuário pode 
identificar a representatividade dos custos das mercadorias ou dos ser-
viços prestados. A margem operacional mede o resultado operacional da 
entidade. Aqui, é possível avaliar o montante das despesas realizadas no 
período, ou seja, como elas impactaram sobre a receita líquida. Por último, 
a margem líquida compreende o resultado líquido da entidade após a 
dedução dos impostos e dos tributos. Em geral, os investidores analisam 
essa margem, pois entidades que apresentam excelentes resultados podem 
gerar altos retornos. O usuário pode combinar os dados apresentados no 
balanço patrimonial com a DRE, e, por meio dessas demonstrações, os 
acionistas e sócios analisam a relação entre a rentabilidade e os recursos 
(ativo e patrimônio líquido) da entidade. Isso permite que elesmensurem 
o grau, de modo a saber se receberão alguma remuneração em relação aos 
recursos aplicados.
A administração das entidades precisa controlar e otimizar o seu ciclo 
empresarial (desde o processo de gestão de estoques até a concessão de crédito 
aos clientes decorrente das vendas dos produtos ou serviços). Assim, eles 
utilizam tanto a DRE como o balanço patrimonial para mensurar indicadores 
de atividade. Com isso, eles conseguem gerenciar as oscilações ocorridas 
no capital de giro da entidade.
A DFC permite que os usuários avaliem se a capacidade de geração de 
recursos financeiros da entidade é consistente ao longo do tempo e se a entidade 
está consumindo mais caixa, em vez de gerar. Além disso, por meio dela é 
possível compreender as atividades (operacional, financeira e de investimento) 
que estão gerando ou consumindo caixa e equivalentes de caixa da entidade. 
Ou seja, por meio da DFC, é possível ver o potencial de geração de caixa 
futuro para saldar compromissos com terceiros, pagar dividendos e sanar 
empréstimos obtidos. 
Desse modo, a DFC permite que os usuários avaliem o valor presente 
dos fluxos futuros de caixa. Além disso, em conjunto com as demonstra-
ções contábeis, ajuda a analisar as mudanças nos ativos líquidos de uma 
entidade e a calcular a taxa de conversão de lucro em caixa, bem como sua 
Visão integrada das demonstrações contábeis8
estrutura financeira (liquidez e solvência) e sua capacidade para modificar 
valores e prazos dos fluxos de caixa, permitindo adaptação às mudanças e 
oportunidades (SANTOS; SCHMIDT, 2011).
A DRE mostra a eficiência operacional de uma entidade sob o regime de competência, 
independentemente das entradas e saídas de caixa. A DFC mostra a eficácia operacional 
de uma entidade sob o regime de caixa. Dessa forma, ao analisar as duas demonstrações, 
o usuário verifica o estado financeiro da entidade sob os dois regimes.
Aplicação das análises horizontal e vertical para 
a interpretação da situação econômica 
e financeira da empresa
Para auxiliar os usuários na análise das demonstrações contábeis, podem 
ser aplicadas técnicas para compreender as tendências de uma conta ou 
grupo de contas de maneira rápida e simples, a fi m de compará-las entre 
si e entre diferentes exercícios. Essas técnicas são as chamadas análises 
horizontal e vertical.
A análise horizontal é uma técnica para examinar a evolução histórica dos 
valores que compõem o patrimônio da entidade e evidenciar a relação de cada 
conta das demonstrações contábeis em períodos consecutivos. A comparação 
é feita por meio da visão horizontal dos percentuais ao longo dos períodos 
nas demonstrações.
Para a análise horizontal, estabelece-se uma base de referência (período 
inicial em relação ao final), considerando o exercício das contas consideradas 
na análise. Para o cálculo do percentual, utiliza-se a seguinte fórmula:
Análise horizontal % = [(Valor da conta final (ano 2)/Valor da 
conta inicial (ano 1)) – 1] × 100
9Visão integrada das demonstrações contábeis
Exemplo 1
Uma companhia industrial apresentou o seguinte balanço patrimonial no ano 2, 
em reais (Quadro 1):
Ano 1 Ano 2
Análise 
horizontal
Ativo 31.200 35.500 13,78%
Circulante 21.900 24.490 11,83%
Disponível 5.350 6.400 19,63%
Duplicatas a receber 6.950 7.200 3,60%
Estoque 9.600 10.890 13,44%
Não circulante 9.300 11.010 18,39%
Realizável em longo prazo 1.260 1.480 17,46%
Investimento 2.380 3.570 50,00%
Imobilizado 3.720 4.460 19,89%
Intangível 1.940 1.500 −22,68%
Passivo + patrimônio líquido 31.200 35.500 13,78%
Circulante 5.660 6.320 11,66%
Fornecedores 2.630 2.720 3,42%
Impostos a recolher 1.420 1.740 22,54%
Salários a pagar 1.610 1.860 15,53%
Não circulante 5.800 4.200 –27,59%
Empréstimos e financiamentos 5.800 4.200 –27,59%
Patrimônio líquido 19.740 24.980 26,55%
Capital social 14.800 14.800 0,00%
Reservas de lucros 4.940 10.180 106,07%
Quadro 1. Balanço patrimonial referente ao Exemplo 1
Visão integrada das demonstrações contábeis10
Com base no balanço patrimonial acima, pode-se exemplificar o cálculo 
das seguintes contas (Quadro 2):
Ativo Ano 1 Ano 2 Análise horizontal
Disponível 5.350 6.400 [(6.400/5.350) – 1] × 100 = 19,63%
Duplicatas a receber 6.950 7.200 [(7.200/6.950) – 1] × 100 = 3,60%
Estoque 9.600 10.890 [(10.890/9.600) – 1] × 100 = 13,44%
Quadro 2. Cálculo das contas referentes ao Exemplo 1
A análise horizontal permite ver as maiores oscilações nas contas e nos 
grupos de contas. Diante das informações fornecidas pelo balanço patrimonial, 
o usuário pode perceber que houve aumento no ativo circulante, em virtude do 
crescimento do disponível (19,63%) e dos estoques (13,44%). Houve também 
crescimento no ativo não circulante, em consequência do aumento de 50% em 
investimentos e 19,89% no ativo imobilizado. Vale ressaltar que, apesar do 
crescimento do ativo não circulante, o intangível diminuiu 22,68%, que pode 
ter sido amortizado ou vendido. Sobre o passivo, observa-se aumento de 11,66% 
no passivo circulante e redução de 27,59% no passivo não circulante. No passivo 
circulante, há aumento de impostos a recolher de 22,54% e 15,53% em salários a 
pagar. Pode-se inferir que a redução do passivo não circulante ocorreu devido à 
amortização do empréstimo de longo prazo. O aumento de 26,55% no patrimônio 
líquido deve-se ao aumento das reservas de lucros de 106,07%.
A empresa também apurou a seguinte DRE no ano 2, em reais (Quadro 3):
Demonstração do resultado do exercício Ano 1 Ano 2
Análise 
horizontal
Receita operacional líquida 75.000 106.000 41,33%
(–) Custo das mercadorias vendidas (36.000) (55.120) 53,11%
(=) Resultado bruto 39.000 50.880 30,46%
(–) Despesas comerciais (12.000) (18.160) 51,33%
Quadro 3. DRE referente ao Exemplo 1
(Continua)
11Visão integrada das demonstrações contábeis
Com base na DRE acima, pode-se exemplificar o cálculo das seguintes 
contas (Quadro 4):
Demonstração do 
resultado do exercício
Ano 1 Ano 2 Análise horizontal
Receita operacional 
líquida
75.000 106.000 [(106.000/75.000) – 1] × 100 = 41,33%
(–) Custo das mercadorias 
vendidas
(36.000) (55.120) [(55.120/36.000) – 1] × 100 = 53,11%
(=) Resultado bruto 39.000 50.880 [(50.880/39.000) – 1] × 100 = 30,46%
Quadro 4. Cálculo das contas referentes ao Exemplo 1
Pode-se verificar, por meio da da análise horizontal da DRE do ano 2, 
que houve aumento de 41,33% na receita operacional líquida e de 53,11% no 
custo das mercadorias vendidas. As despesas comerciais tiveram um aumento 
(51,33%), assim como as despesas gerais e administrativas (42,71%). Houve 
Demonstração do resultado do exercício Ano 1 Ano 2
Análise 
horizontal
(–) Despesas gerais e administrativas (14.000) (19.980) 42,71%
(–/+) Outras receitas e despesas (7.640) (6.760) –11,52%
(=) Resultado antes das receitas e despesas 
financeiras
5.360 5.980 11,57%
(–) Despesa financeira (4.000) (5.000) 25,00%
(+) Receita financeira 5.000 6.000 20,00%
= Resultado antes do Imposto de Renda 
e da Contribuição Social
6.360 6.980 9,75%
(–) Despesa com IR e CSLL (1.420) (1.740) 22,54%
(=) Lucro líquido do exercício 4.940 5.240 6,07%
Quadro 3. DRE referente ao Exemplo 1
(Continuação)
Visão integrada das demonstrações contábeis12
uma redução de 11,52% em outras receitas e despesas e um aumento de 22,54% 
na despesa com IRRJ e CSLL, em virtude do aumento do resultado antes dos 
impostos. Portanto, a empresa aumentou seu resultado líquido em 6,07%.
A análise vertical tem por objetivo determinar o percentual de cada conta em 
relação ao todo que ela faz parte. No balanço patrimonial, a base é o ativo total e 
o total do passivo e do patrimônio líquido, e, na DRE, receita operacional líquida. 
Essa análise envolve uma visão de cima para baixo nas colunas das demonstrações, 
indicando resultados em efeito cascata. Observe que a análise vertical apresenta 
o quanto cada conta é importante em relação à demonstração financeira à qual 
pertence. Ao comparar percentuais da própria entidade em períodos anteriores,o usuário consegue inferir se há contas com proporções anormais. 
A análise vertical pode ser calculada da seguinte forma:
Análise vertical = (Conta desejada/conta base) × 100
Exemplo 2
Uma companhia industrial apresentou o seguinte balanço patrimonial no ano 2, 
em reais (Quadro 5):
Ano 1
Análise 
vertical
Ano 2
Análise 
vertical
Ativo 31.200 100,00% 35.500 100,00%
Circulante 21.900 70,19% 24.490 68,99%
Disponível 5.350 17,15% 6.400 18,03%
Duplicatas a receber 6.950 22,28% 7.200 20,28%
Estoque 9.600 30,77% 10.890 30,68%
Não circulante 9.300 29,81% 11.010 31,01%
Realizável em longo prazo 1.260 4,04% 1.480 4,17%
Investimento 2.380 7,63% 3.570 10,06%
Imobilizado 3.720 11,92% 4.460 12,56%
Intangível 1.940 6,22% 1.500 4,23%
Quadro 5. Balanço patrimonial referente ao Exemplo 2
(Continua)
13Visão integrada das demonstrações contábeis
Com base no balanço patrimonial acima, pode-se exemplificar o cálculo 
das seguintes contas (Quadro 6):
Ano 1 Análise vertical Ano 2 Análise vertical
Ativo 31.200 100,00% 35.500 100,00%
Circulante 21.900 (21.900/31.200) × 
100 = 70,19% 
24.490 (24.490/35.500) × 
100 = 68,99%
Disponível 5.350 (5.350/31.200) × 100 = 
17,15%
6.400 (6.400/35.500) × 100 = 
18,03%
Duplicatas a 
receber
6.950 (6.950/31.200) × 100 = 
22,28%
7.200 (7.200/35.500) × 100 = 
20,28%
Estoque 9.600 (9.600/31.200) × 100 = 
30,77%
10.890 (10.890/35.500) × 100 = 
30,68%
Quadro 6. Cálculo das contas referentes ao Exemplo 2
Ano 1
Análise 
vertical
Ano 2
Análise 
vertical
Passivo + patrimônio líquido 31.200 100,00% 35.500 100,00%
Circulante 5.660 18,14% 6.320 17,80%
Fornecedores 2.630 8,43% 2.720 7,66%
Impostos a recolher 1.420 4,55% 1.740 4,90%
Salários a pagar 1.610 5,16% 1.860 5,24%
Não circulante 5.800 18,59% 4.200 11,83%
Empréstimos e financiamentos 5.800 18,59% 4.200 11,83%
Patrimônio líquido 19.740 63,27% 24.980 70,37%
Capital social 14.800 47,44% 14.800 41,69%
Reservas de lucros 4.940 15,83% 10.180 28,68%
Quadro 5. Balanço patrimonial referente ao Exemplo 2
(Continuação)
Visão integrada das demonstrações contábeis14
Por meio da análise vertical da empresa, pode-se perceber que, no ano 1, o 
ativo circulante representa 70,19% sobre o ativo total, composto por 30,77% do 
estoque, 22,28% das duplicatas a receber e 17,15% de disponível. No ano 2, o 
ativo circulante ainda apresenta uma participação (68,99%) representativa em 
relação ao ativo total, e suas contas praticamente mantiveram a distribuição 
apresentada no ano 1. O ativo não circulante é responsável por 28,91% sobre 
o ativo total, e pode-se dizer que o imobilizado possui o maior percentual 
(11,92%). No ano 2, esse grupo não apresenta aumento considerável, entretanto, 
observa-se o aumento dos investimentos e pode-se afirmar que o imobilizado 
mantém a sua distribuição.
No ano 1, o passivo circulante representa 18,14% em relação ao total do 
passivo e do patrimônio líquido, e o ativo não circulante, 18,59%. Em relação 
ao ano 2, esses grupos tiveram pequena redução (17,80% e 11,83%, respectiva-
mente), em virtude da redução na conta de fornecedores e da amortização de 
empréstimos financeiros em longo prazo. O patrimônio líquido é responsável 
por 63,27% sobre o total no ano 1, composto por 47,44% do capital social 
e 15,83% da reserva de lucros. No ano 2, houve aumento desse grupo, em 
consequência do aumento da reserva de lucros.
A empresa também apurou a seguinte DRE no ano 2, em reais (Quadro 7):
Demonstração do 
resultado do exercício
Ano 1
Análise 
vertical
Ano 2
Análise 
vertical
Receita operacional líquida 75.000 100,00% 106.000 100,00%
(–) Custo das mercadorias vendidas (36.000) –48,00% (55.120) –52,00%
(=) Resultado bruto 39.000 52,00% 50.880 48,00%
(–) Despesas comerciais (12.000) –16,00% (18.160) –17,13%
(–) Despesas gerais e administrativas (14.000) –18,67% (19.980) –18,85%
(–/+) Outras receitas e despesas (7.640) –10,19% (6.760) –6,38%
(=) Resultado antes das receitas e 
despesas financeiras
5.360 7,15% 5.980 5,64%
(–) Despesa financeira (4.000) –5,33% (5.000) –4,72%
(+) Receita financeira 5.000 6,67% 6.000 5,66%
Quadro 7. DRE referente ao Exemplo 2
(Continua)
15Visão integrada das demonstrações contábeis
Com base na DRE acima, pode-se exemplificar o cálculo das seguintes 
contas (Quadro 8):
Demonstração 
do resultado 
do exercício
Ano 1 Análise vertical Ano 2 Análise vertical
Receita opera-
cional líquida
75.000 100,00% 106.000 100,00%
(–) Custo das 
mercadorias 
vendidas
(36.000) (–36.000/75.000)/100 
= –48,00% 
(55.120) (–55.120/106.000)/100 
= –52,00%
(=) Resultado 
bruto
39.000 (–39.000/75.000)/100 
= 52,00%
50.880 (50.880/106.000)/100 
= 48,00%
Quadro 8. Cálculo das contas referentes ao Exemplo 2
Na análise vertical da DRE do ano 1, pode-se observar que o custo da 
mercadoria vendida é responsável por 48,00% da receita operacional líquida, 
acarretando margem bruta de 52,00%. No ano 2, o custo da mercadoria vendida 
teve um leve aumento, representando 52,00% da receita operacional líquida, 
o que diminuiu a margem bruta (48,00%). No ano 1, as despesas representam 
44,85% (16% das despesas com vendas, 18,67% de despesas gerais e admi-
Demonstração do 
resultado do exercício
Ano 1
Análise 
vertical
Ano 2
Análise 
vertical
= Resultado antes do Imposto de 
Renda e da Contribuição Social
6.360 8,48% 6.980 6,58%
(–) Despesa com IR e CSLL (1.420) –1,89% (1.740) –1,64%
(=) Lucro líquido do exercício 4.940 6,59% 5.240 4,94%
Quadro 7. DRE referente ao Exemplo 2
(Continuação)
Visão integrada das demonstrações contábeis16
nistrativas e 10,19% de outras receitas e despesas). No ano seguinte, há uma 
pequena redução nessas contas, em virtude da queda percentual das outras 
receitas e despesas. Diante desses dados, a empresa apurou uma margem 
líquida de 6,59% no ano 1 e de 4,94% no ano 2.
BORINELLI, M. L.; PIMENTEL, R. C. Contabilidade para gestores, analistas e outros pro-
fissionais: de acordo com os pronunciamentos do CPC e IFRS. São Paulo: Atlas, 2017.
BRASIL. Lei no. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por 
Ações. Diário Oficial da União, 17 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm. Acesso em: 14 ago. 2019.
BRASIL. Lei no. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei 
no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, 
e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divul-
gação de demonstrações financeiras. Diário Oficial da União, 28 dez. 2007. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm. Acesso 
em: 14 ago. 2019.
CFC. Resolução no. 1.185/09. Diário Oficial da União, 15 set. 2009. Disponível em: http://
www.cfc.org.br/sisweb/sre/docs/RES_1185.doc. Acesso em: 14 ago. 2019.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 26 (R1): apresentação das Demonstra-
ções Contábeis. 2011. Disponível em: http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/312_
CPC_26_R1_rev%2013.pdf. Acesso em: 14 ago. 2019.
SANTOS, J. L. et al. Manual de práticas contábeis: aspectos societários e tributários. 3. 
ed. São Paulo: Atlas, 2015.
SANTOS, J. L.; SCHMIDT, P. Contabilidade societária. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2011.
Leituras recomendadas
PADOVEZE, C. L. Introdução à contabilidade: com abordagem para não contadores. 2. 
ed. São Paulo: Cengage Learning, 2015.
SOUZA, A. F. Análise financeira das demonstrações contábeis na prática. São Paulo: Tre-
visan Editora, 2015.
17Visão integrada das demonstrações contábeis
DEMONSTRAÇÕES 
CONTÁBEIS 
Adriana Greco Ferreira
Identificação interna do documento
Demonstrações do 
fluxo de caixa
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Diferenciar o lucro contábil do lucro financeiro.
 � Explicar o que são as atividades operacionais, de investimento e de 
financiamento da demonstração dos fluxos de caixa.
 � Elaborar uma demonstração de fluxo de caixa.
Introdução
A demonstraçãodos fluxos de caixa (DFC) proporciona aos usuários 
avaliar a capacidade de geração de recursos financeiros e compreender 
as atividades que estão gerando ou consumindo caixa e equivalentes 
de caixa da entidade. Assim, para que os usuários tenham informações 
sobre as entradas e saídas de caixa capazes de suportar as operações da 
entidade, torna-se extremamente importante a elaboração e a análise 
da DFC da entidade.
Neste capítulo, você vai estudar sobre a DFC, incluindo o lucro 
contábil e o lucro financeiro. Será discutida classificação das contas 
em atividades operacionais, de investimento e de financiamento, e 
descrito como ocorre o processo de elaboração da DFC pelos métodos 
direto e indireto.
Diferença entre lucro contábil 
e lucro financeiro
A DFC mostra as entradas (recebimentos) e as saídas (pagamentos) ocorridas 
no caixa e equivalentes de caixa da entidade em determinado período. O caixa 
compreende o numerário em espécie e os depósitos bancários de livre movi-
Identificação interna do documento
mentação (Banco Conta Movimento). Já os equivalentes de caixa consistem 
em aplicações financeiras de curto prazo (no máximo, três meses de resgate) e 
alta liquidez, prontamente conversíveis em caixa, sujeitas a um insignificante 
risco de mudança e valor. A DFC permite que os usuários das demonstrações 
contábeis avaliem a capacidade de geração de caixa e equivalente de caixa, o 
tempo e o grau de segurança de geração dos recursos financeiros e a neces-
sidade de liquidez da companhia.
Os investimentos em ações de outras empresas devem ser excluídos de equivalentes 
de caixa, exceto se elas forem ações preferenciais resgatáveis, cujo prazo esteja definido 
e atenda à definição de curto prazo (até três meses de resgate).
O art. 176 da Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, tornava voluntária 
a elaboração e a publicação da DFC para as sociedades anônimas de capital 
fechado com patrimônio líquido inferior a R$ 2 milhões (BRASIL, 1976). 
Porém, por meio da Lei nº. 11.638, de 28 de dezembro de 2007, a DFC foi 
regulamentada para as companhias brasileiras, determinando-se a obriga-
toriedade de elaboração e publicação dessa demonstração às sociedades por 
ações, sejam elas abertas ou fechadas (BRASIL, 2007). No Brasil, o Comitê 
de Pronunciamentos Contábeis, por meio do pronunciamento CPC 03 (R2) 
— Demonstração dos fluxos de caixa, estipula e trata das diretrizes sobre a 
elaboração e a divulgação da DFC.
A DFC considera o regime de caixa, ou seja, apropria as receitas e despesas 
no momento do recebimento e do pagamento, respectivamente. Com isso, a 
contabilidade apura o lucro ou prejuízo financeiro da companhia. Por sua 
vez, a demonstração do resultado do exercício (DRE) utiliza o regime de 
competência, ou seja, apropria as receitas e despesas independentemente do 
recebimento ou pagamento em dinheiro, apurando lucro ou prejuízo contábil. 
Portanto, a empresa pode apresentar lucro líquido em um determinado período, 
Demonstrações do fluxo de caixa2
Identificação interna do documento
mas não ter lucro financeiro, uma vez que a entidade pode ter mais saídas 
(despesas) do que recebimentos (receita) de caixa.
A DFC, em conjunto com as demonstrações contábeis, permite a avaliação 
das mudanças nos ativos líquidos de uma entidade, de sua estrutura financeira 
(liquidez e solvência) e de sua capacidade para modificar valores e prazos 
dos fluxos de caixa, permitindo adaptação às mudanças e oportunidades, 
conforme lecionam Santos e Schmidt (2011). Ainda conforme os autores, a 
DFC possibilita aos usuários avaliar e comparar o valor presente dos fluxos 
futuros de caixa de diferentes entidades. Ademais, melhora a comparabilidade 
dos relatórios de desempenho operacional, pois reduz os efeitos recorrentes 
de diferentes tratamentos contábeis para as mesmas transações e eventos. 
Classificação das contas na demonstração 
de fluxo de caixa
Para demonstrar as movimentações ocorridas no caixa e equivalente de caixa, 
a contabilidade segrega essas movimentações em grupos de atividade, em 
função da natureza da transação que as originou. Dessa forma, tem-se:
 � fluxo de caixa das atividades operacionais;
 � fluxo de caixa das atividades de investimento; 
 � fluxo de caixa das atividades de financiamento.
A evidenciação das movimentações segregadas nesses três tipos de ativi-
dades proporciona aos usuários avaliar o impacto das atividades sob o ponto 
de vista financeiro e patrimonial da organização, conforme apontam Bori-
nelli e Pimentel (2017). Por esse motivo, é essencial a adequada classificação 
das transações ocorridas no caixa e equivalente de caixa, para dar clareza e 
transparência à DFC.
A soma do caixa gerado ou consumido em cada uma das atividades resulta 
na variação total de caixa e equivalente de caixa do período, que deve refletir 
o balanço patrimonial — isto é, a comparação entre o saldo inicial e final 
dos valores de caixa e equivalente de caixa.
3Demonstrações do fluxo de caixa
Identificação interna do documento
Uma companhia industrial apresentou os seguintes saldos de caixa e equivalentes de 
caixa em 31/12/2017 e 31/12/2018:
Contas 31/12/2017 31/12/2018
Disponível R$ 85.000,00 R$ 97.000,00
Aplicação financeira de alta liquidez — R$ 15.000,00
Caixa e equivalente de caixa R$ 85.000,00 R$ 112.000,00
Pode-se notar que a diferença entre os dois períodos é de R$ 27.000,00 (R$ 112.000,00 
− R$ 85.000,00). Dessa forma, a soma dos fluxos de caixa das atividades operacional, 
de investimento e de financiamento deverá ser também de R$ 27.000,00.
Fluxo de caixa das atividades operacionais
Representa pagamentos e recebimentos derivados da geração de lucro das 
operações da entidade. Em virtude disso, o fluxo de caixa das atividades ope-
racionais está relacionado diretamente às transações que ocorreram na DRE 
e no balanço patrimonial (ativo circulante e passivo circulante). Os aumentos 
do fluxo de caixa das atividades operacionais são provenientes das receitas e 
das movimentações ocorridas no ativo circulante. As diminuições de caixa 
estão associadas às despesas e às movimentações no passivo circulante.
De acordo com o CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CON-
TÁBEIS, 2010), o valor referente ao fluxo de caixa de atividades operacionais 
é um indicador importante para as companhias identificarem se possuem 
fluxo de caixa suficiente para amortizar empréstimos, manter sua capacidade 
operacional, pagar dividendos e juros sobre capital próprio e realizar novos 
investimentos sem a necessidade de obter financiamento com fontes externas.
Com base no CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 
2010), são listados abaixo alguns exemplos de transações que aumentam o 
fluxo de caixa das atividades operacionais:
 � venda de mercadorias ou prestação de serviços à vista;
 � recebimento de clientes oriundos das vendas de mercadorias ou pres-
tação de serviços;
 � recebimento decorrente de seguradora de prêmios e sinistros, anuidades 
e outros benefícios da apólice;
Demonstrações do fluxo de caixa4
Identificação interna do documento
 � recebimento decorrente de contratos mantidos para negociação imediata 
ou disponíveis para venda futura;
 � recebimento de royalties, honorários e comissões;
 � recebimento de juros provenientes de empréstimos concedidos ou apli-
cações financeiras; 
 � recebimento de dividendos e juros sobre capital próprio pela participação 
em outras organizações.
Ainda com base no CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CON-
TÁBEIS, 2010), são apresentados abaixo alguns exemplos de transações que 
diminuem o fluxo de caixa das atividades operacionais:
 � compra de serviços, matérias-primas ou mercadorias à vista;
 � pagamentos diversos a fornecedores de mercadorias, matérias-primas 
e serviços;
 � pagamento de salários e benefícios a empregados;
 � pagamento de impostos e contribuições ao governo, exceto se forem 
identificados como atividade de financiamento ou de investimento;
 � adiantamento a fornecedores de mercadorias e serviços;� pagamento de contratos mantidos para negociação imediata ou dispo-
níveis para venda futura; 
 � pagamento de juros dos financiamentos obtidos.
Fluxo de caixa das atividades de investimento
É composto por entradas e saídas de caixa relacionados com ativos realizáveis 
a longo prazo, como investimento, imobilizado, intangível e ativos financeiros 
em instrumento de capital e em instrumentos de dívida não classificados 
como equivalentes de caixa, conforme leciona Almeida (2018). Dessa forma, 
pode-se dizer que são transações realizadas com a finalidade de gerar lucro 
e fluxo de caixa futuro.
Com base no CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 
2010), abaixo são listados alguns exemplos de transações que aumentam o 
fluxo de caixa das atividades de investimento:
 � recebimento proveniente de venda de ativo imobilizado, intangível e 
outros ativos de longo prazo;
 � recebimento por liquidação de adiantamento ou empréstimos realizados 
a terceiros, exceto aqueles realizados por instituições financeiras.
5Demonstrações do fluxo de caixa
Identificação interna do documento
Ainda com base no CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CON-
TÁBEIS, 2010), abaixo são apresentados alguns exemplos de transações que 
diminuem o fluxo de caixa das atividades de investimento:
 � aquisição à vista de ativos imobilizado, intangível e outros ativos de 
longo prazo;
 � adiantamentos de caixa e empréstimos realizados a terceiros, exceto 
aqueles realizados por instituições financeiras;
 � pagamento referente à aquisição de instrumentos patrimoniais ou ins-
trumentos de dívidas de outras organizações e participações societárias 
em joint ventures, exceto se o recebimento for referente a títulos consi-
derados como equivalentes de caixa e aqueles mantidos para negociação 
imediata ou futura; 
 � pagamento proveniente de contratos futuros, a termo, de opção e swap, 
exceto quando os contratos forem mantidos para negociação imediata ou 
venda futura, ou os recebimentos forem classificados como atividades 
de financiamento.
Quando um contrato for contabilizado como hedge (proteção) e sua posição for 
identificável, os fluxos de caixa do contrato devem ser classificados da mesma maneira 
que foram classificados os fluxos de caixa da posição que estiver sendo protegida 
(COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2010, documento on-line).
Fluxo de caixa das atividades de financiamento
São movimentações que resultam em mudança no tamanho e na composição 
do capital próprio e do capital de terceiros da organização (COMITÊ DE 
PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2010). As operações nesse fluxo estão 
relacionadas com as operações registradas no passivo não circulante e no 
Demonstrações do fluxo de caixa6
Identificação interna do documento
patrimônio líquido. Dessa forma, a análise do fluxo de caixa das atividades 
de financiamento permite que a entidade identifique o caixa necessário para 
manter o seu negócio a longo prazo.
Quando a geração de caixa advinda das atividades operacionais não for suficiente para 
cobrir as necessidades de recursos para as atividades de investimento, a entidade tende a 
buscar recursos por meio de empréstimos e financiamentos (atividade de financiamento).
Com base no CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 
2010), abaixo são listados alguns exemplos de transações que aumentam o 
fluxo de caixa das atividades de financiamento:
 � recebimento referente à emissão de ações ou outros instrumentos 
patrimoniais;
 � recebimento de empréstimos adquiridos junto a instituições financeiras; 
 � integralização de capital em dinheiro por parte dos acionistas.
Ainda com base no CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CON-
TÁBEIS, 2010), abaixo são apresentados alguns exemplos de transações que 
diminuem o fluxo de caixa das atividades de financiamento:
 � amortização de empréstimos e financiamentos;
 � pagamento de juros sobre capital próprio e dividendos; 
 � aquisição a prazo de ativos imobilizado, intangível e de investimento.
Conforme mencionado anteriormente, as atividades são influenciadas 
por transações ocorridas no balanço patrimonial. As atividades operacionais 
estão relacionadas ao ativo circulante e ao passivo circulante. As atividades 
de investimento estão ligadas ao ativo não circulante (realizável a longo prazo, 
7Demonstrações do fluxo de caixa
Identificação interna do documento
investimento, imobilizado e intangível), e as atividades de financiamento são 
relacionadas ao passivo não circulante e ao patrimônio líquido, conforme 
apresentado na Figura 1.
Figura 1. Integração das atividades do fluxo de caixa com o balanço patrimonial.
Fonte: Borinelli e Pimentel (2017, p. 262).
Algumas operações podem ser classificadas em mais de um grupo de atividades. 
Por exemplo, duplicatas descontadas podem ser consideradas como atividade de 
financiamento ou operacional. Portanto, para melhor compreender as nuances en-
volvidas nessas operações, é importante consultar o CPC 03 — Demonstração dos 
fluxos de caixa.
Para fins de DFC, a contabilidade só registra as transações que impactam o 
caixa. Entretanto, existem transações que não afetam caixa ou equivalentes de 
Demonstrações do fluxo de caixa8
Identificação interna do documento
caixa. Elas devem ser explicitadas em notas explicativas, para que os usuários 
das demonstrações contábeis tenham conhecimento sobre essas operações. 
Além disso, elas devem ser excluídas da DFC.
Borinelli e Pimentel (2017) apontam as seguintes operações que não afetam 
o caixa ou equivalente de caixa:
 � vendas a prazo cujo recebimento seja realizado em períodos 
subsequentes;
 � depreciação, amortização e exaustão;
 � resultado de equivalência patrimonial;
 � aquisição de entidade por meio de emissão de ações;
 � perda para créditos de liquidação duvidosa;
 � provisões ou reconhecimentos de passivos trabalhistas, tributários ou 
civis; 
 � conversão de dívida em aumento de capital.
Elaboração da demonstração 
de fluxo de caixa
Existem dois métodos para elaboração da DFC: direto e indireto. No método 
direto, a contabilidade utiliza as movimentações financeiras para demonstrar 
o caixa gerado ou consumido em determinado período. No método indireto, 
inicia-se a partir do lucro contábil, que é então ajustado para evidenciar o efeito 
de caixa ocorrido. É importante ressaltar que somente o fluxo de caixa das 
atividades operacionais é tratado de maneira diferente quando há elaboração 
pelos métodos direto e indireto.
Método direto
São demonstradas as entradas e saídas brutas de dinheiro, evidenciando a 
procedência do dinheiro e onde ele foi gasto. É um método de fácil compreensão 
e que não exige conhecimentos contábeis específicos. A seguir, o Quadro 1 
mostra o modelo da DFC pelo método direto.
9Demonstrações do fluxo de caixa
Identificação interna do documento
Fonte: Adaptado de Santos e Schmidt (2011).
Fluxo de caixa das atividades operacionais:
Venda de mercadorias e serviços (+)
Pagamento de fornecedores (-)
Salários e encargos sociais dos empregados (-)
Dividendos recebidos (+)
Impostos e outras despesas legais (+)
Recebimento de seguros (+)
Caixa líquido das atividades operacionais (+/-)
Fluxo de caixa das atividades de investimento:
Venda de imobilizado (+)
Aquisição de imobilizado (-)
Aquisição de outras empresas (-)
Caixa líquido das atividades de investimento (+/-)
Fluxo de caixa das atividades de financiamento:
Empréstimos líquidos tomados (+)
Pagamento de leasing (-)
Emissão de ações (+)
Caixa líquido das atividades de financiamento (+/-)
Aumento/diminuição líquido de caixa e equivalente de caixa
Caixa e equivalentes de caixa — início do ano
Caixa e equivalentes de caixa — final do ano
Quadro 1. Modelo DFC pelo método direto
Exemplo 1
Uma companhia industrial começou suas atividades em janeiro de 2018 
e, ao final desse mês, apresentou o seguinte balanço patrimonial, em reais 
(Quadro 2):
Demonstrações do fluxo de caixa10
Identificação interna do documento
Quadro 2. Balanço patrimonial referente ao Exemplo1
Ativo circulante 1.360,00
Caixa e bancos 1.200.000
Estoque 100.000
Duplicatas a receber 60.000
Ativo não circulante 290.000
Investimentos 200.000
Ações de outras empresas 200.000
Imobilizado 90.000
Móveis e utensílios 100.000
(-) Depreciação acumulada (10.000)
Total ativo 1.650.000
Passivo circulante 410.000
Fornecedores 110.000
Empréstimos bancários 300.000
Patrimônio líquido 1.240.000
Capital social 1.240.000
Total passivo + patrimônio líquido 1.650.000
Nesse mês, a empresa teve as seguintes operações adicionais:
 � receita bruta de vendas no valor de R$ 360.000,00;
 � custo das mercadorias vendidas no valor de R$ 280.000,00;
 � despesa com salários e encargos de funcionários no valor de R$ 70.000,00.
No método direto, são analisadas as movimentações (aumento e dimi-
nuição) de caixa e equivalente de caixa. Inicialmente, são consideradas as 
movimentações que impactaram as atividades operacionais, como recebimento 
de clientes e pagamento de fornecedores e de salários. 
A companhia vendeu R$ 360.000,00, porém, esse valor não entrou em 
caixa, pois há duplicatas a receber no valor de R$ 60.000,00. Para fins de fluxo 
de caixa, o recebimento de clientes deverá ter exclusão desse valor. Assim, o 
recebimento de clientes será de R$ 300.000,00 (R$ 360.000,00 − R$ 60.000,00).
11Demonstrações do fluxo de caixa
Identificação interna do documento
Para cálculo do pagamento de fornecedores, devem ser considerados os 
custos das mercadorias vendidas, de fornecedores e de estoque. Os dois pri-
meiros serão somados, excluindo-se o último, pois o estoque não foi convertido 
em dinheiro. Assim, o valor será:
 � Pagamento de fornecedores = Custo das mercadorias vendidas + 
Fornecedores − Estoque
 � Pagamento de fornecedores = R$ 280.000,00 + 110.000,00 − R$ 
100.000,00
 � Pagamento de fornecedores = R$ 290.000,00
Com base nessas informações, o fluxo de caixa das atividades operacionais 
será:
 � (+) Recebimento de clientes R$ 300.000,00
 � (–) Pagamento de fornecedores (R$ 290.000,00)
 � (–) Pagamento de salários (R$ 70.000,00)
 � Caixa consumido pelas atividades operacionais (R$ 60.000,00)
O fluxo de caixa das atividades de investimento apresentou a aquisição de 
móveis e utensílios e de ações de outras empresas:
 � (–) Aquisição de móveis e utensílios (R$ 100.000,00)
 � (–) Aquisição de ações de outras empresas (R$ 200.000,00)
 � Caixa consumido pelas atividades de investimento (R$ 300.000,00)
O fluxo de caixa das atividades de financiamento apresentou o impacto da 
realização do capital social em dinheiro e da aquisição de empréstimo bancário:
 � (+) Realização do capital social em dinheiro R$ 1.240.000,00
 � (+) Aquisição de empréstimo bancário R$ 300.000,00
 � Caixa gerado pelas atividades de financiamento R$ 1.540.000,00
Diante das informações acima, a companhia tem a seguinte DFC pelo método 
direto, em reais (Quadro 3):
Demonstrações do fluxo de caixa12
Identificação interna do documento
Fluxo de caixa das atividades operacionais
(+) Recebimento de clientes
(-) Pagamento de fornecedores
(-) Pagamento de salários
Caixa consumido pelas atividades operacionais
300.000,00
(290.000)
(70.000)
(60.000)
Fluxo de caixa das atividades de investimento
(-) Aquisição de móveis e utensílios
(-) Aquisição de ações de outras empresas
(100.000)
(200.000)
Caixa consumido pelas atividades de investimento (300.000)
Fluxo de caixa das atividades de financiamento
(+) Realização de capital social em dinheiro
(+) Aquisição de empréstimo bancário
1.240.000
300.000
Caixa gerado pelas atividades de financiamento 1.540.000
Aumento líquido de caixa e equivalentes de caixa 1.180.000
Saldo inicial de caixa e equivalentes de caixa —
Saldo final de caixa e equivalentes de caixa 1.180.000
Variação de caixa e equivalentes de caixa 1.180.000
Quadro 3. DFC pelo método direto referente ao Exemplo 1
Método indireto
Há reconciliação entre o lucro líquido e o caixa gerado pelas operações. Para 
isso, deve-se ajustar o lucro líquido aos efeitos dos eventos que não afetaram 
o caixa do exercício, como:
 � mudanças ocorridas no período nos estoques e nas contas a pagar e 
a receber;
 � itens que não impactam caixa, como depreciação, provisão, impostos 
diferidos, variações cambiais não realizadas, resultado de equivalência 
patrimonial em investimentos e participação de minoritários, quando existir; 
 � todos os outros itens cujos efeitos sobre o caixa sejam fluxos de caixa 
decorrentes das atividades de investimento ou de financiamento.
Após a reconciliação, são analisadas as variações ocorridas nas contas do 
ativo circulante e do passivo circulante. Dessa maneira, de acordo com Santos 
13Demonstrações do fluxo de caixa
Identificação interna do documento
e Schmidt (2011), é possível verificar o quanto do lucro líquido do exercício 
(aspecto econômico) efetivamente gerou impacto no caixa (aspecto financeiro).
No Quadro 4, pode-se visualizar o modelo de DFC pelo método indireto.
Fonte: Adaptado de Santos e Schmidt (2011).
Fluxo de caixa das atividades operacionais:
Lucro líquido
Depreciação e amortização (+)
Provisão para devedores duvidosos (+)
Aumento/diminuição em fornecedores (+/-)
Aumento/diminuição em contas a receber (+/-)
Aumento/diminuição em estoques (+/-)
Caixa líquido das atividades operacionais (+/-)
Fluxo de caixa das atividades de investimento:
Venda de imobilizado (+)
Aquisição de imobilizado (-)
Aquisição de outras empresas (-)
Caixa líquido das atividades operacionais (+/-)
Fluxo de caixa das atividades de financiamento:
Empréstimos líquidos tomados (+)
Pagamento de leasing (-)
Emissão de ações (+)
Caixa líquido das atividades de financiamento (+/-)
Aumento/diminuição líquido de caixa e equivalente de caixa 
Caixa e equivalentes de caixa — início do ano
Caixa e equivalentes de caixa — final do ano
Quadro 4. Modelo DFC pelo método indireto
O método indireto permite aos usuários das demonstrações contábeis 
a avaliação da parte do lucro que está se transformando em caixa a cada 
período e a identificação dos itens que são responsáveis pela geração e pelo 
consumo de caixa. Apesar de ambos os métodos serem aceitos, a DFC pelo 
método indireto é mais utilizada pelas empresas no Brasil.
Demonstrações do fluxo de caixa14
Identificação interna do documento
Exemplo 2
Uma companhia industrial apresentou o seguinte balanço patrimonial em 31 
de dezembro de 2018 (Quadro 5):
31/12/2018 31/12/2017 Variação
Ativo circulante 45.900 46.900 (1.000)
Caixa 2.900 5.900 (3.000)
Bancos Conta Movimento 4.000 5.000 (1.000)
Estoque 18.000 16.000 2.000
Duplicatas a receber 21.000 20.000 1.000
Ativo não circulante 48.000 42.000 6.000
Investimentos 34.000 28.000 6.000
Investimentos avaliados por 
equivalência patrimonial
34.000 28.000 6.000
Imobilizado 14.000 14.000 0
Máquinas e equipamentos 18.000 16.000 2.000
(-) Depreciação acumulada (4.000) (2.000) (2.000)
Total ativo 93.900 88.900 5.000
Passivo circulante 47.060 48.000 (940)
Fornecedores 24.000 48.000 (24.000)
Empréstimos bancários 20.000 — 20.000
Imposto a recolher 3.060 — 3.060
Patrimônio líquido 46.840 40.900 5.940
Capital social 38.000 32.000 6.000
Reservas de lucros 8.840 8.900 (60)
Total passivo + 
patrimônio líquido
93.900 88.900 5.000
Quadro 5. Balanço patrimonial referente ao Exemplo 2
15Demonstrações do fluxo de caixa
Identificação interna do documento
31/12/2018
Receita bruta 78.000
(-) Custo das mercadorias vendidas (52.000)
(+) Resultado bruto 26.000
(-) Despesas com depreciação (2.000)
(-) Despesas com pessoal (14.000)
(-) Despesas com aluguel (7.000)
(+) Receita com equivalência patrimonial 6.000
+ Resultado antes do Imposto de Renda 
(IR) e da Contribuição Social (CSLL)
9.000
(-) Despesa com IR e CSLL (3.060)
(+) Lucro líquido do exercício 5.940
É importante ressaltar os seguintes eventos:
 � o empréstimo bancário foi contratado em 31 de dezembro de 2018;
 � o aumento de capital foi realizado com reserva de lucros;
 � IR e CSLL a recolher foram considerados como atividadeoperacional.
No método indireto, é preciso começar pela reconciliação do lucro líquido 
do exercício, com movimentações que não afetaram o caixa da empresa. 
Pode-se perceber, por meio da DRE, que somente depreciação e receita 
de equivalência patrimonial não impactaram caixa e equivalente de caixa. 
Assim, tem-se:
 � Lucro líquido do exercício R$ 5.940,00
 � (+) Depreciação R$ 2.000,00
 � (–) Receita de equivalência patrimonial (R$ 6.000,00)
Além disso, por meio do balanço patrimonial, pode-se notar as seguintes 
movimentações que impactam o fluxo de caixa das atividades operacionais: 
redução de fornecedores e aumento de clientes, de estoques e de impostos 
a recolher. Portanto, o fluxo de caixa das atividades operacionais pode ser 
demonstrado da seguinte forma:
Demonstrações do fluxo de caixa16
Identificação interna do documento
 � Lucro líquido do exercício R$ 5.940,00
 � (+) Depreciação R$ 2.000,00
 � (–) Receita de equivalência patrimonial (R$ 6.000,00)
 � (–) Aumento de clientes (R$ 1.000,00)
 � (–) Aumento de estoques (R$ 2.000,00)
 � (–) Redução de fornecedores (R$ 24.000,00)
 � (+) Aumento de impostos a recolher R$ 3.060,00
 � Caixa consumido pelas atividades operacionais (R$ 22.000,00)
No fluxo de caixa das atividades de investimentos, é possível visualizar que 
houve compra de máquinas e equipamentos (aumento do imobilizado no 
balanço patrimonial). Com isso, tem-se: 
 � (–) Aquisição de máquinas e equipamentos (R$ 2.000,00)
 � Caixa consumido pelas atividades de investimento (R$ 2.000,00)
No fluxo de caixa das atividades de financiamento, nota-se que a empresa 
adquiriu empréstimo bancário no valor de R$ 20.000,00:
 � (+) Aquisição de empréstimo bancário R$ 20.000,00
 � Caixa gerado pelas atividades de financiamento R$ 20.000,00
Com base nessas informações, tem-se a seguinte DFC pelo método indireto 
(Quadro 6):
Fluxo de caixa das atividades operacionais
Lucro líquido 5.940,00
(+) Depreciação 2.000,00
(-) Receita de equivalência patrimonial (6.000,00)
(-) Aumento de clientes (1.000,00)
(-) Aumento de estoques (2.000,00)
(-) Redução de fornecedores (24.000,00)
(+) Aumento impostos a recolher 3.060,00
Quadro 6. DFC pelo método indireto referente ao Exemplo 2
(Continua)
17Demonstrações do fluxo de caixa
Identificação interna do documento
Percebe-se que há uma diminuição líquida de caixa e equivalentes de caixa 
no valor de R$ 4.000,00. Vale lembrar que esse valor corresponde à variação do 
caixa e equivalentes de caixa encontrada no balanço patrimonial (R$ 4.000,00).
ALMEIDA, M. C. Contabilidade intermediária em IFRS e CPC. São Paulo: Atlas, 2018.
BORINELLI, M. L.; PIMENTEL, R. C. Contabilidade para gestores, analistas e outros pro-
fissionais: de acordo com os pronunciamentos do CPC e IFRS. São Paulo: Atlas, 2017.
BRASIL. Lei no. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por 
Ações. Diário Oficial da União, 17 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm. Acesso em: 14 ago. 2019.
BRASIL. Lei no. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei no 
6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende 
às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de de-
monstrações financeiras. Diário Oficial da União, 28 dez. 2007. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm. Acesso em: 14 ago. 2019.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 03 (R2): demonstração dos fluxos 
de caixa. 2010. Disponível em: http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/
Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=34. Acesso em: 14 ago. 2019.
SANTOS, J. L.; SHMIDT, P. Contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2011.
Caixa consumido pelas atividades operacionais 22.000,00
Fluxo de caixa das atividades de investimento
(-) Aquisição de empréstimo bancário (2.000,00)
Caixa gerado pelas atividades de investimento (2.000,00) 
 Fluxo de caixa das atividades de financiamento
(-) Aquisição de empréstimo bancário 20.000,00
Caixa gerado pelas atividades de financiamento 20.000,00
Diminuição líquida de caixa e equivalentes de caixa (4.000,00)
Quadro 6. DFC pelo método indireto referente ao Exemplo 2
(Continuação)
Demonstrações do fluxo de caixa18
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http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=34
http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=34
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Nome do arquivo: 
C11_Demonstracoes_fluxo_caixa_FINAL_202306211153193964350.
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Data de vinculação à solicitação: 21/06/2023 11:53 
Aplicativo: 671116 
CONTABILIDADE 
SOCIOAMBIENTAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Descrever os critérios de elaboração da Demonstração do Valor Adicionado.
 > Elaborar uma Demonstração do Valor Adicionado.
 > Analisar as informações da Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque 
social.
Introdução
A distribuição da riqueza gerada pelas empresas a partir das suas operações passou 
a ser apresentada mais claramente pela Demonstração do Valor Adicionado (DVA), 
uma demonstração contábil que tem como objetivo demonstrar a riqueza gerada 
pela empresa e distribuída para a sociedade em que está inserida.
Neste capítulo, você vai conhecer as principais normas contábeis que versam 
sobre as regras de elaboração da DVA e as informações contidas nessa demons-
tração por meio de uma lente socioambiental. Além disso, verá um exemplo de 
duas empresas para compreender na prática como as empresas estão realizando 
a divulgação do valor adicionado.
Conceitos e critérios da DVA
Iniciamos o estudo da DVA com algumas definições e conceitos legais impor-
tantes. Segundo a Lei das Sociedades por Ações (LSA), a DVA será obrigatória 
Demonstração do 
Valor Adicionado sob 
o enfoque social
Ronaldo Akiyoshi Nagai
apenas para as companhias abertas (BRASIL, 1976, documento on-line, grifo 
nosso):
Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na 
escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, 
que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as 
mutações ocorridas no exercício:
I - balanço patrimonial;
II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados;
III - demonstração do resultado do exercício; e
IV – demonstração dos fluxos de caixa; e 
V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado (incluído pela Lei 
11.638/07).
Outro ponto importante diz respeito à introdução do demonstrativo no 
escopo da LSA. Por meio da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, a DVA 
é inclusa no rol das demonstrações obrigatórias, em linha com os principais 
movimentos da harmonização das normas contábeis brasileiras (BRGAAP) 
com as normas internacionais (IFRS) e com o crescimento da importância do 
balanço social, impulsionado pela demanda da sociedade civil organizada. 
Tendo em vista que a DVA evidencia a geração de riqueza e seu efeito para a 
sociedade, o demonstrativo se tornou um elemento importante que compõe 
os relatórios de responsabilidade social das empresas.
O formato da demonstração não é explicitado na LSA, mas o art. 188 
determina o conteúdo mínimo que deverá ser apresentado (BRASIL, 1976, 
documento on-line):
Art. 188. As demonstrações referidas nos incisos IV e V do caput do art. 176 desta 
Lei indicarão, no mínimo:
[...]
II – demonstração do valor adicionado – o valor da riqueza gerada pela companhia, 
a sua distribuição entre os elementos que contribuíram para a geração dessa 
riqueza, tais como empregados, financiadores, acionistas, governo e outros, bem 
como a parcela da riqueza não distribuída.
A literalidade do referido artigo já nos fornece indícios importantes acerca 
do objetivo da DVA, o qual demonstra o valor de riqueza gerada pela compa-
nhia e a sua distribuição entre algumas daspartes interessadas envolvidas 
no cotidiano e contexto das organizações. Tais matérias ficam reservadas 
aos diplomas infralegais e/ou complementares, tais como o pronunciamento 
contábil CPC 09 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis e a norma NBC TG 09.
O CPC 09, além de estabelecer os critérios de elaboração e apresentação 
do DVA, fornece algumas definições importantes. Por exemplo, o valor adicio-
Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social2
nado representa a riqueza criada pela empresa, de forma geral medida pela 
diferença entre o valor das vendas e os insumos adquiridos de terceiros. O 
CPC 09 também inclui o valor adicionado recebido em transferência, ou seja, 
produzido por terceiros e transferido à entidade (COMITÊ DE PRONUNCIAMEN-
TOS CONTÁBEIS, 2008). E, de acordo com o item 10 do CPC 09, os conceitos 
macroeconômicos são a base da DVA, pois pode-se dizer que a técnica de 
elaboração dessa demonstração nos permite aferir a contribuição que uma 
organização teria na formação do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Já para algumas partes interessadas, como acionistas, credores, forne-
cedores e colaboradores da organização, a DVA permite o conhecimento de 
informações de natureza econômica e social e a avaliação do papel que uma 
organização desempenha (ou tem o potencial de desempenhar) em uma 
comunidade, servindo como instrumento de grande utilidade pela sociedade. 
A DVA traz dados que transpassam as divulgações de vendas e lucros, sendo 
um dos pilares do Balanço Social divulgado pelas companhias. Veja a seguir 
as contribuições da DVA.
 � Capacidade de geração do valor de cada organização e forma em que 
são distribuídas entre os atores da sociedade.
 � Fornecimento de dados e informações para suportar ou contribuir 
para o cálculo do PIB, bem como de indicadores econômico-sociais.
 � Fornecimento de dados da contribuição de desenvolvimento social de 
um município, região ou comunidade.
Em um contexto no qual a geração de valor agregado é primordial 
na tomada de decisões para a implantação ou continuidade de um 
negócio, a DVA seria, em tese, a demonstração ideal para que a contabilidade 
pudesse cumprir a sua função social. Imagine que você seja um administrador 
público de um município de médio porte no interior de seu estado. Então, 
recebe o pedido de isenção fiscal de duas empresas que pretendem se instalar 
em sua cidade e são apresentadas a você e sua equipe nas reuniões com os 
representantes as informações do projeto, o plano de crescimento, o balanço 
patrimonial, os dados financeiros atuais, entre tantas outras informações. Ambas 
as empresas parecem sólidas do ponto de vista financeiro e têm projetos de 
interesse para o município. Podemos nos perguntar se o balanço social — e nele 
incluso a DVA — poderia nos dar mais informações sobre qual empresa tem, de 
fato, contribuído mais com o recolhimento de tributos, distribuição da riqueza 
para os empregados (e, logo, para a população local que será empregada nesse 
novo empreendimento).
Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social 3
Veja como a DVA poderia servir como o critério de desempate na avaliação 
das empresas para a concessão de benefícios municipais, pois, por meio 
dela, o administrador público pode verificar facilmente o valor adicionado 
para cada parte interessada (acionistas, funcionários, governo, etc.). Além 
disso, em um cenário ideal, por que não pensarmos que a DVA poderia ser o 
principal critério na avaliação para o estabelecimento de novos negócios em 
determinada região? Afinal, os benefícios que uma organização pode trazer 
vão além das “últimas linhas” do lucro líquido em uma Demonstração do 
Resultado do Exercício (DRE), estando relacionadas ao potencial de geração 
de riqueza e desenvolvimento socioeconômico daquela comunidade.
Elaboração da DVA
Para compreendermos a forma de elaboração da DVA, será dividido o demons-
trativo em dois grandes blocos de informações: o da “formação da riqueza” 
e o da “distribuição da riqueza” da entidade, os quais, por sua vez, serão 
subdivididos em outras categorias de acordo com a origem dessa riqueza e 
o destino dado à riqueza gerada.
DVA: formação da riqueza
Genericamente, pode-se segregar a formação da riqueza em dois subgru-
pos: a gerada pela própria entidade e a recebida de terceiros. A primeira é 
o resultado das vendas de mercadorias, produtos e serviços descontados 
os insumos adquiridos de terceiros. Perceba que tanto as vendas como as 
compras de insumos são aferidos pelos valores brutos, ou seja, incluídos os 
tributos (PIS, Cofins, ICMS, IPI, ISS). A prática é coerente com o propósito da 
demonstração, pois a DVA evidencia mais adiante a parcela da riqueza gerada 
pela entidade distribuída ao governo na forma dos tributos.
A DVA busca em sua elaboração informações de outros demonstrativos e 
relatórios da contabilidade, portanto, além da riqueza gerada a partir das suas 
atividades corriqueiras da empresa (como receita com vendas e prestação de 
serviços), há a necessidade de serem considerados eventuais saldos de ajustes 
reconhecidos contabilmente pela entidade, os quais impactam o resultado do 
período em análise. Segundo o CPC 09, as perdas e a recuperação de valores 
ativos (ajustes a valor presente de estoques, carteira de contas a receber 
e dos ativos imobilizados, reversões de provisão e perdas por impairment, 
etc.), as depreciações, as amortizações, as exaustões, as provisões para 
créditos de liquidação duvidosa (PCLD, conhecido também como provisões 
Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social4
para devedores duvidosos — PDD), bem como outras receitas que não são 
fruto de atividade regular da empresa devem ser considerados na aferição da 
riqueza formada pela entidade. No caso específico da depreciação, amorti-
zação e exaustão, serão denominados de “retenções” e posicionados abaixo 
do valor adicionado bruto (conforme demonstrado no item 4 do Quadro 1). 
Assim, pode-se resumir e esquematizar a formação da riqueza da entidade 
nos blocos de informações apresentados no Quadro 1.
Quadro 1. Estrutura da DVA e valor adicionado líquido 
Descrição Saldo contábil X0 Saldo contábil X1
1. Receitas
1.1. Vendas de mercadorias, 
produtos e serviços (incluídos 
os valores dos tributos)
1.2. Outras receitas
1.3. Provisão para créditos de 
liquidação duvidosos
2. Insumos adquiridos de 
terceiros
2.1. Custos das mercadorias, 
produtos e serviços (incluídos 
os valores dos tributos)
2.2. Energia, água, luz, serviços 
tomados de terceiros, etc.
2.3. Perda, recuperação de 
valores ativos 
2.4. Outros
3. Valor adicionado bruto 
(1. – 2.)
4. Retenções (depreciações, 
amortizações e exaustões)
5. Valor adicionado líquido 
(3. – 4.)
A segunda parte da formação da riqueza é representada pelos valores ad-
quiridos de terceiros, que são os de bens e serviços que a empresa utiliza para 
Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social 5
produzir suas receitas operacionais, como custo das mercadorias vendidas, 
materiais, energia ou serviços de terceiros, entre outros. Na sequência desse 
rol de geração de riqueza, encontra-se o valor adicionado recebido em trans-
ferência (item 6 do Quadro 2), composto pelas receitas de juros, resultados de 
equivalência patrimonial (podendo representar saldos positivos e negativos, 
dependendo do resultado aferido nas empresas coligadas e controladas) e 
outras receitas advindas, como, por exemplo, aluguéis recebidos, dividendos 
(quando o investimento é avaliado ao custo), direitos de franquia, entre outros 
(COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2008). Os valores recebidos em 
transferência são somados ao valor adicionado líquido, resultando no valor 
adicionado a distribuir (Quadro 2).
Quadro 2. Estrutura da DVA e valor adicionado a distribuir
Descrição Saldo contábil X0 Saldo contábil X1
1. Receitas
1.1. Vendas de mercadorias, 
produtos e serviços (incluídos 
os valores dos tributos)
1.2. Outras receitas
1.3. Provisão para créditos deliquidação duvidosos
2. Insumos adquiridos de 
terceiros
2.1. Custos das mercadorias, 
produtos e serviços (incluídos 
os valores dos tributos)
2.2. Energia, água, luz, serviços 
tomados de terceiros, etc.
2.3. Perda, recuperação de 
valores ativos 
2.4. Outras
3. Valor adicionado bruto (1. 
– 2.)
4. Retenções (depreciações, 
amortizações e exaustões)
Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social6
5. Valor adicionado líquido (3. 
– 4.)
6. Valor adicionado recebido 
em transferência
6.1. Resultado de equivalência 
patrimonial
6.2. Receitas financeiras
6.3. Outras receitas
7. Valor adicionado a distribuir 
(5. + 6.)
O “valor adicionado a distribuir” apurado no item 7 do Quadro 2 repre-
senta a riqueza gerada, que é a “contribuição ao PIB” que essa entidade está 
proporcionando. Perceba que a elaboração desse bloco de informações na 
DVA não é complexa, mas é preciso apenas ter cuidado com as linhas de 
vendas e aquisição de insumos e demais custos, os quais devem sempre ser 
reconhecidos pelos seus saldos brutos (incluídos os tributos), pois estes serão 
distribuídos no segundo bloco de informações da DVA.
Às receitas de venda e aos custos de mercadorias, produtos e ser-
viços, bem como aos demais insumos (energia, água, luz, serviços 
tomados) devem ser reconhecidos incluídos os tributos. Isso difere de como é 
apresentado na DRE, na qual são deduzidos os tributos incidentes sobre vendas 
ou prestação de serviços.
Para a elaboração da DVA, é necessário conhecer alguns conceitos 
contábeis relacionados a outros pronunciamentos contábeis divul-
gados pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Veja a seguir alguns 
conceitos citados ao longo desta seção.
 � CPC 01: redução ao valor recuperável de ativos. O imparment test citado no 
item 2.3 dos Quadros 1 e 2.
 � CPC 12: ajuste ao valor presente. Assim como no impairment test, serão re-
gistrados no item 2.3 dos Quadros 1 e 2.
 � CPC 18: investimento em coligada, em controlada e em empreendimento 
controlado em conjunto. Traz normas relevantes para compreender a equi-
Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social 7
valência patrimonial (item 6.1 do Quadro 2) e a receita de dividendos quando 
o investimento é avaliado pelo método de custo (item 6.3 do Quadro 2).
Acesse a categoria “Documentos emitidos” no site do Comitê de Pronuncia-
mentos Contábeis para saber mais. 
DVA: distribuição da riqueza
Na seção anterior você viu como e em quais montantes a entidade gera riqueza. 
Veja agora a distribuição desse valor entre todas as partes relacionadas à 
entidade.
Inicialmente, será delimitada a distribuição da riqueza gerada em quatro 
“grupos de destinatários”, apresentados a seguir.
1. Pessoal: são os valores destinados aos colaboradores da entidade, 
reconhecidos no resultado da empresa na forma de remuneração 
direta, benefícios e FGTS pagos aos funcionários. Neste grupo, são 
consolidados os valores pagos a título de salário, gratificação nata-
lina, hora extra, vale-alimentação, assistência médica, auxílio-creche, 
benefícios educacionais diversos, transporte e remuneração variável, 
como participação nos lucros, bônus, comissões, entre outros.
2. Impostos, taxas e contribuições: valores destinados ao Estado (go-
verno) reconhecidos no resultado da empresa na forma de impostos 
e contribuições pagas (IRPJ, CSLL), contribuições previdenciárias (de 
responsabilidade do empregador, ou seja, o INSS patronal) e demais 
encargos. Em relação aos tributos sobre produção, circulação de mer-
cadorias e prestação de serviços como ICMS, IPI, PIS, Cofins e ISS, 
deve-se reconhecer somente a parcela efetivamente recolhida, que, nos 
casos dos tributos não-cumulativos, é a diferença entre os créditos e 
débitos apurados pela empresa. Os impostos, taxas e contribuições são 
apresentados conforme o ente da federação destinatário dos tributos:
 ■ federal — referente aos tributos devidos à União, como IRPJ, CSLL, 
CIDE, PIS, Cofins, IOF, ITR;
 ■ estadual — referente aos tributos devidos ao Estado, como ICMS, 
IPVA, ITCMD;
 ■ municipal — referente aos tributos devidos ao município, como ISS, 
IPTU, ITBI.
Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social8
3. Remuneração de capitais de terceiros: valores pagos na forma de 
remuneração do capital de terceiros que compreendem os juros, alu-
guéis e outros valores, como royalties, franquias, direitos autorais, etc.
4. Remuneração de capital próprio: referem-se aos valores pagos na 
forma de remuneração de capital dos próprios acionistas da entidade, 
compreendendo os juros sobre capital próprio e dividendos, além da 
parcela retida na própria entidade.
Os tributos não-cumulativos (sob a sistemática de apuração de 
créditos na compra de insumos e de débitos na realização das ven-
das) devem ser registrados pelos valores líquidos, ou seja, representando os 
montantes efetivamente recolhidos ao Estado.
Caso haja dúvidas em relação à alocação dos impostos, taxas e 
contribuições em cada ente federativo durante a preparação dessa 
parte da DVA, você poderá checar os seguintes dispositivos da Constituição 
Federal de 1988.
 � Art. 153: impostos, taxas e contribuições de competência da União.
 � Art. 155: impostos, taxas e contribuições de competência dos Estados e do 
Distrito Federal.
 � Art. 156: impostos, taxas e contribuições de competência dos municípios.
Tem-se, então, a seguinte estrutura neste bloco que chamamos de “dis-
tribuição da riqueza”, apresentada no Quadro 3.
Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social 9
Quadro 3. Estrutura da DVA e distribuição do valor adicionado
Descrição Saldo contábil X0 Saldo contábil X1
8. Valor adicionado a distribuir
8.1. Pessoal 
8.1.1. Remuneração direta
8.1.2. Benefícios
8.1.3. FGTS
8.2. Impostos, taxas e 
contribuições
8.2.1. Federais
8.2.2. Estaduais
8.2.3. Municipais
8.3. Remuneração de capitais 
de terceiros
8.3.1. Juros 
8.3.2. Aluguéis 
8.3.3. Outros
8.4. Remuneração de capitas 
próprios
8.4.1. Juros sobre capital 
próprio (JCP)
8.4.2. Dividendos
8.4.3. Lucros retidos e 
prejuízos do exercício
Os grupos apresentados no Quadro 3, tanto na geração de riqueza como 
na sua distribuição da riqueza gerada, foram estruturados com base no 
CPC 09 e representam o mínimo de abertura e evidenciação requerido pelo 
pronunciamento. A estrutura, contudo, não é rígida, e subgrupos ou classi-
ficações adicionais poderão ser propostos a depender da necessidade de 
transparência da divulgação do setor ou atividade. Por exemplo, o próprio 
CPC 09 apresenta um modelo específico para instituições financeiras em 
Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social10
que, no bloco de informações referentes à geração de riqueza, adiciona a 
linha denominada “Despesa de intermediação financeira”, relevante para 
a atividade dessas instituições. Da mesma forma, no caso das instituições 
de seguro e previdência, há a necessidade de evidenciação da variação das 
chamadas “Provisões técnicas”, típicas das operações de seguro.
DVA sob o enfoque social
Vimos que a DVA possui papel relevante na evidenciação da riqueza adicionada 
por uma entidade na sociedade em que está inserida. Tal fato é corroborado pela 
NBC T 15, que inclui a DVA no rol de informações a serem divulgadas no Balanço 
Social (CFC, 2004). O Item 15.1.2 da norma define “as informações de natureza 
social e ambiental a geração de riqueza; os recursos humanos; a interação da 
entidade com o ambiente externo; e a interação com o meio ambiente. A gera-
ção de riqueza, por sua vez, deve ser apresentada conforme a Demonstração 
de Valor Adicionado [...]” (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2004, p. 3).
A seguir, você verá de forma prática como empresas que são referências 
na divulgação do Balanço Social tratam e apresentam a DVA no seu conjunto 
de informações disponibilizadas à sociedade. Para este exemplo, serão uti-
lizadas as demonstrações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária 
(Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento 
(MAPA) (Figura 1).
Figura 1. DVA da Embrapa 2019.
Fonte: Adaptada de Embrapa (2019).
Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social 11
A DVA do exercício de 2019 apurou um valor adicionado total a distribuir 
o montante de R$ 3,2 bilhões, dos quais quase a totalidade foi aplicada na 
remuneração direta de pessoal e pagamento de benefícios. O mesmo cenário 
se repetiu em 2018. É interessante analisar esse exemplo, pois o valor adi-
cionado disponível para distribuição é menor do que o valor distribuído ao 
pessoal. Veja que a Embrapa aferiu prejuízo nos exercícios de 2018 e 2019, o 
que não significa que ela deixou de cumprir o seu papel social e o seu objetivo 
como empresa estratégica de pesquisa no âmbito da administração pública 
federal e, para tanto, conta com um corpo técnico altamente especializado 
de técnicos e pesquisadores.
Apesar do prejuízo financeiro, a Embrapa teve resultados expressivos 
em termos de pesquisa, apresentado no Balanço Social como “tecnologias 
transferidas à sociedade”. Para cada R$ 1 aplicado pela Embrapa (por exemplo, 
nos salários, como visto na Figura 1), há um retorno de aproximadamente R$ 
12,29 em benefícios transferidos à sociedade em forma de pesquisa, melhoria 
da tecnologia no campo, treinamentos e capacitações. Volta-se, então, à 
questão proposta no início deste capítulo: uma organização deve ser avaliada 
estritamente pela lente do lucro econômico-financeiro? Veja a importância da 
DVA no contexto do balanço social no caso da empresa Petrobras (Figura 2).
Figura 2. DVA da Petrobras para 2019.
Fonte: Petrobras (2020, p. 8).
Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social12
A Petrobras assume o protagonismo na economia brasileira. Segundo 
Bicalho e Tavares (2014), a participação do setor de óleo e gás no PIB brasi-
leiro é estimado em 13%. Além disso, estima-se que uma queda de 10% dos 
investimentos na Petrobras pode representar de -0,1 a -0,5% no PIB brasileiro.
Diferente do caso da Embrapa, os tributos representam a maior fatia da 
destinação da riqueza gerada pela Petrobras (48% em 2019, e 47% em 2018), 
seguido das instituições financeiras e fornecedores (19% em 2019, e 24% em 
2018), representados pelo pagamento de juros às instituições financeiras, 
além de aluguéis e arrendamentos. Considerando a relevância da companhia 
na economia brasileira, como apresentado anteriormente, pode-se imaginar 
a perda de arrecadação tributária que a União, os Estados e os municípios 
poderiam registrar no caso de a Petrobras passar por um período de resul-
tados ruins? Como consequência, de que maneira essas perdas potenciais 
de arrecadação dos entes da federação poderiam impactar o financiamento 
dos programas sociais e das operações cotidianas dos entes?
Alguns municípios, por exemplo, possuem grande dependência das opera-
ções da Petrobras, em termos de arrecadação tributária ou na movimentação 
da economia, pelo consumo de produtos e serviços da região, ou contratando 
a população local (gerando empregos diretos e indiretos, o que também po-
tencializa o consumo de produtos e serviços do município). Veja como a DVA 
pode ajudar a visualizar tais informações e, caso fosse possível a elaboração 
da DVA de forma regionalizada, tal como sugerida pelo CPC 09 em seu item 
13: “A DVA elaborada por segmento (tipo de clientes, atividades, produtos, 
área geográfica e outros) pode representar informações ainda mais valiosas 
no auxílio da formulação de predições e, enquanto não houver um pronun-
ciamento específico do CPC sobre segmentos, sua divulgação é incentivada” 
(COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2008, p. 3). Seria possível elaborar, 
por exemplo, um mapa de dependência e vulnerabilidades dos municípios 
e comunidades e, dessa forma, atuarmos junto aos municípios para que 
diversifiquem as suas fontes de receita? Estas são questões importantes que 
podem ser levantadas pela DVA sob o enfoque social, e este é um campo a 
ser explorado pela contabilidade.
Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social 13
De acordo com reportagem de Nunes (2020), cidades como Macaé, 
Campos dos Goytacazes e Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, so-
frem os impactos da Covid-19 e a redução das atividades da Petrobras após a 
reestruturação que a empresa vem sofrendo. As demonstrações financeiras, 
relatórios anuais e demais demonstrativos preparados pela empresa dificilmente 
apontariam tais consequências sociais nos municípios e regiões em que atuam 
da forma como a DVA pode apontar. Levanta-se a questão se os Balanços Sociais, 
neles inclusa a DVA de forma regionalizada poderiam melhorar o diagnóstico 
desse fenômeno?
A obrigatoriedade da DVA ainda é recente para as companhias de capital 
aberto e, portanto, não abrange todas as entidades brasileiras. Espera-se, 
contudo, que a DVA possa contribuir substancialmente para a elaboração de 
políticas públicas em todos os níveis da federação. Espera-se ela seja cada 
vez mais utilizada nos relatórios socioambientais das empresas não apenas 
por obrigação, mas também pelo intuito de divulgar esse demonstrativo, 
pois a DVA tem muito a contribuir para a tomada de decisão e divulgação de 
informações de interesse à sociedade. 
Referências
BICALHO, R.; TAVARES, F. B. Impactos do setor de petróleo na economia brasileira: 
grandes números do setor de petróleo e gás. Rio de Janeiro: Grupo de Economia de 
Energia, Instituto de Economia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2014. 35 p.
BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. 
Brasília: Presidência da República, 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/l6404compilada.htm. Acesso em: 15 dez. 2020.
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico CPC 09: demons-
tração do valor adicionado. Brasília: CFC, 2008. 17 p. Disponível em: http://static.cpc.
aatb.com.br/Documentos/175_CPC_09_rev%2014.pdf. Acesso em: 15 dez. 2020.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução nº 1.003, de 19 de agosto de 2004. 
Aprova a NBC T 15 – Informações de natureza social e ambiental. Brasília: CFC, 2004. 
8 p. Disponível em: https://www1.cfc.org.br/sisweb/sre/docs/RES_1003.doc. Acesso 
em: 15 dez. 2020.
EMBRAPA. Acesso à informação | Demonstrações contábeis. Embrapa, Brasília, 2019. Dis-
ponível em: https://www.embrapa.br/acessoainformacao/demonstracoes-contabeis. 
Acesso em: 15 dez. 2020.
NUNES, F. Cidades do petróleo têm nova onda de dificuldades. CNN Brasil, São Paulo, 
2 nov. 2020. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/business/2020/11/02/cidades-
-do-petroleo-tem-nova-onda-de-dificuldades. Acesso em: 15 dez. 2020.
PETROBRAS. Demonstrações Financeiras 2019. Rio de Janeiro: Petrobras, 2019. 163 p. 
Disponível em: https://www.investidorpetrobras.com.br/resultados-e-comunicados/
central-de-resultados/. Acesso em: 15 dez. 2020.
Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social14
Leituras recomendadas
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: 
Presidência da República, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 15 dez. 2020.
BRASIL. Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei 
no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e 
estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divul-
gação de demonstrações financeiras. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm. Acesso em: 15 dez. 2020.
DOCUMENTOS Emitidos: Pronunciamentos. Comitê de Pronunciamentos Contábeis, 
Brasília, 2019. Disponível em: http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pro-
nunciamentos. Acesso em: 15 dez. 2020.
IUDÍCIBUS, S. Análise de balanços. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2017. 280 p.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos 
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da 
publicação do material. No entanto,a rede é extremamente dinâmica; suas 
páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores 
declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou 
integralidade das informações referidas em tais links.
Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social 15
GESTÃO DE 
CUSTOS 
INDUSTRIAIS
Gustavo Antoni
Índices de endividamento, 
de rotação, de rentabilidade 
e de lucratividade
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Listar os principais índices de endividamento, rotação, rentabilidade 
e lucratividade.
 � Identificar o endividamento de uma empresa baseado nos relatórios 
contábeis.
 � Apurar os índices de rentabilidade e de lucratividade de uma empresa.
Introdução
A análise da saúde financeira de uma empresa inicia pela avaliação dos 
demonstrativos contábeis. A tomada de decisão gerencial precisa de 
informações que vão além dos dados obtidos diretamente dos relatórios. 
Para obter informações sólidas e relevantes, é necessário saber quais dados 
precisam ser analisados, de acordo com a visão que se deseja obter. Esses 
dados analisados de forma mais minuciosa formam índices de desempenho.
Os índices podem informar sobre o endividamento da empresa, ou 
como os recursos e o capital giram nas atividades operacionais. Podem 
também fornecer informações fundamentais para o sócios, investidores 
e acionistas da empresa, como a rentabilidade e a lucratividade.
Este texto aborda a análise de índices de endividamento, rotação, 
rentabilidade e lucratividade de uma empresa, sendo que tal análise é 
feita com base nos dados dos demonstrativos contábeis.
Índices de endividamento
Os índices de endividamento revelam o grau de endividamento da empresa. 
A análise desse indicador pode mostrar a política de obtenção de recursos da 
empresa, isto é, podemos avaliar se a empresa financia o seu ativo com recursos 
próprios ou de terceiros e em que proporção (TÉLES, 2003). 
Continue a leitura para conhecer os índices de endividamento geral (EG) 
e de composição do endividamento (CE), os quais são determinados a partir 
de dados extraídos do balanço patrimonial.
Índice de endividamento geral
O índice de endividamento geral (EG) é calculado dividindo-se a soma do passivo 
circulante (PC) e do passivo não circulante (PNC) pelo ativo total da empresa e 
multiplicando o valor por 100, para obtenção do valor percentual. Confira a equação:
Segundo Limeira et al. (2012), este índice demonstra o grau de endivi-
damento de uma empresa, ou seja, identifica se a empresa depende mais do 
capital próprio ou do capital de terceiros para financiar o seu ativo. Quanto 
maior o valor do EG, maior é a dependência de empréstimos ou capital de 
terceiros, logo, maior é o risco oferecido aos bancos na concessão de créditos.
Composição do endividamento
O índice de composição do endividamento (CE) é calculado dividindo-se 
o valor do passivo circulante (PC) pela soma do passivo circulante e não 
circulante (PNC), multiplicando-se o valor por 100, para obtenção do valor 
percentual. Confira a equação:
O índice da composição do endividamento mostra a política adotada pela 
empresa para captação de recursos de terceiros, ou seja, se a empresa forma 
sua dívida com maior porcentagem no curto prazo ou no longo prazo. Se a 
maior parte das dívidas for de curto prazo, maior é o risco que a empresa 
oferece aos seus credores. Se as dívidas tiverem perfil predominante de longo 
Gestão de custos industriais148
prazo, a empresa tem uma situação mais confortável, o que indica uma boa 
política de captação de recursos (LIMEIRA et al., 2012).
Para saber mais sobre índices de endi-
vidamento, leia o texto Como calcular o 
índice de endividamento da sua empresa, 
disponível em:
https://goo.gl/ukIC4J
Índices de rotação
Os índices de rotação, também conhecidos como indicadores de prazo 
médio, demonstram quanto tempo algumas verbas do patrimônio levam para 
girar durante o exercício (LIMEIRA et al., 2012). A análise dos prazos médios 
permite conhecer a estratégia de compra e venda da empresa e analisar se os 
recursos estão sendo bem administrados. Confira a gora o que são o prazo 
médio de compras (PMC), o prazo médio de estoques (PME) e o prazo médio 
de recebimentos (PMR).
Prazo médio de compras
O prazo médio de compras (PMC) é calculado dividindo-se o valor da 
conta “Fornecedores” do balanço patrimonial pelo montante de compras, e 
multiplicando o valor por 360, para obtenção do prazo em dias, como mostra 
a equação a seguir.
Este índice também é conhecido por prazo médio de pagamento e de-
monstra qual o tempo médio que a empresa leva para pagar seus fornecedores 
em função de compras de matérias-primas ou mercadorias. Quanto maior o 
valor do PMC, melhor será a situação da empresa, pois estará financiando seu 
giro com recursos de longo prazo e menos onerosos (LIMEIRA et al., 2012).
149Índices de endividamento, de rotação, de rentabilidade e de lucratividade
Prazo médio de estoques
O prazo médio de estoques (PME) é calculado dividindo-se o valor da conta 
“Estoques” do balanço patrimonial pelo custo das mercadorias vendidas 
obtido na DRE, e multiplicando o valor por 360, para obtenção do prazo em 
dias. Confira a equação:
O PME mostra quantos dias a empresa leva para girar seus estoques, em função das 
vendas, e qual o prazo médio entre a compra e a venda de mercadorias.
Prazo médio de recebimentos
O prazo médio de recebimentos (PMR) é calculado dividindo-se o valor da 
conta “Clientes” do balanço patrimonial pela receita líquida obtida na DRE, 
e multiplicando o valor por 360, para obtenção do prazo em dias. Veja na 
equação a seguir:
O PMR evidencia o tempo que a empresa leva para receber dos seus clien-
tes. Quanto menor for este tempo, melhor para a empresa, pois os recursos 
de clientes reduzem a necessidade de capital de giro, podendo gerar até uma 
folga no caixa (LIMEIRA et al., 2012).
Índices de rentabilidade
Os índices de rentabilidade têm por objetivo avaliar a empresa quanto ao seu 
desempenho final, pois a rentabilidade é o resultado das decisões tomadas 
Gestão de custos industriais150
pelos gestores e expressa, em termos econômico-financeiros, o grau do êxito 
atingido (LIMEIRA et al., 2012).
A seguir, você vai conhecer os índices de retorno sobre o patrimônio líquido 
(ROE ou RPL) e o retorno sobre o investimento (ROI ou RI), os quais são 
calculados com dados obtidos do balanço patrimonial e da DRE.
Retorno sobre o patrimônio líquido
O índice de retorno sobre o patrimônio líquido (RPL), ou taxa de retorno sobre 
o patrimônio líquido, é calculado dividindo-se o lucro líquido do exercício 
pelo patrimônio líquido, como mostra a equação:
O retorno sobre o patrimônio líquido mede a rentabilidade do capital 
próprio investido na empresa, ou seja, mede o quanto o patrimônio líquido 
cresceu em função do resultado do período. Esse índice é conhecido como 
return on equity (ROE), que, mesmo sendo uma expressão em inglês, é utilizada 
no mercado nacional (LIMEIRA et al., 2012). 
O retorno sobre o patrimônio líquido é o indicador mais importante para quem investe 
em uma empresa, pois, através dele, pode-se avaliar a remuneração do capital próprio 
e comparar com outras opções de investimento.
Retorno sobre o investimento
O índice de retorno sobre o investimento (RI), ou taxa de retorno sobre o 
investimento (TRI), é calculado dividindo-se o lucro líquido do exercício pelo 
ativo total. Confira a equação:
151Índices de endividamento, de rotação, de rentabilidade e de lucratividade
O retorno sobre o investimento (ROI) indica o quanto a empresa recebe 
de retorno sobre o investimento total. Esse índice permite avaliar o payback, 
ou o tempo que leva para recuperar os investimentos realizados na empresa 
(LIMEIRA et al., 2012).
Índices de lucratividade
Os índices de lucratividade têm por objetivo avaliar as margens geradas no 
resultado da empresa, tanto do ponto de vista doproduto quanto da eficiência 
do negócio (LIMEIRA et al., 2012).
Confira agora o que é a margem bruta de lucro, a margem operacional de 
lucro e a margem líquida de lucro, as quais são calculadas com dados obtidos 
da DRE.
Margem bruta de lucro
A margem bruta de lucro (MB) é calculada dividindo-se o lucro bruto do 
exercício pelo total de vendas líquidas, ou receita líquida, e multiplicando o 
valor por 100, para obtenção do valor percentual. Veja na equação:
Conforme Limeira et al. (2012), a margem bruta representa a lucratividade 
do produto, mercadoria ou serviço prestado pela empresa e mostra o percentual 
remanescente do faturamento, após a dedução dos custos, para cobrir despesas 
operacionais e gerar lucro. Se calcularmos a margem bruta conforme a equa-
ção e obtivermos, por exemplo, um valor de 70%, isso significa que 70% da 
receita líquida é lucro e 30% é custo, das mercadorias vendidas, dos produtos 
vendidos, ou dos serviços prestados (MARION, 2015).
Gestão de custos industriais152
Margem operacional de lucro
A margem operacional de lucro (MO) é calculada dividindo-se o lucro 
operacional do exercício pelo total de vendas líquidas, ou receita líquida, e 
multiplicando o valor por 100, para obtenção do valor percentual. A equação 
usada é:
A margem operacional avalia o retorno operacional da empresa em relação ao fatura-
mento líquido e mede a eficiência operacional da empresa na sua atividade principal, 
ou atividade-fim.
Margem líquida de lucro
A margem líquida de lucro (ML) é calculada dividindo-se o lucro líquido 
do exercício pelo ativo total e multiplicando o valor por 100, para obtenção 
do valor percentual. Confira a equação:
A margem líquida quantifica a lucratividade obtida pela empresa ou o 
retorno líquido. O que diferencia a margem líquida da margem operacional é 
que a primeira deduz do próprio lucro operacional o resultado das atividades 
não operacionais, o Imposto de Renda e a contribuição social.
153Índices de endividamento, de rotação, de rentabilidade e de lucratividade
TÉLES, C. C. Análise dos demonstrativos contábeis: índices de endividamento. Belém, 
2003. Disponível em: <http://www.peritocontador.com.br/artigos/colaboradores/
Artigo_-__ndices_de_Endividamento.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2017.
Gestão de custos industriais154
Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício e Demonstração do 
Resultado Abrangente 
Exercícios de Fixação 
 
1. (CONTADOR/CFC/ADAPTADA) Relacione os grupos do Ativo apresentados, na primeira 
coluna, com as suas respectivas propriedades, na segunda coluna, e, em seguida, assinale a 
opção CORRETA. 
 
(1) Ativo Circulante ( ) Ativos mantidos para uso na produção ou fornecimento de 
mercadorias ou serviços, para aluguel a outros ou para fins 
administrativos, e que se espera utilizar por mais de um 
período. 
(2) Investimentos ( ) Ativos que serão realizados, vendidos ou consumidos no 
decurso normal do ciclo operacional da entidade, mantidos 
essencialmente com o propósito de ser negociado. 
(3) Imobilizado ( ) Ativos não monetários, sem substância física ,identificáveis, 
controlados e geradores de benefícios econômicos futuros, tais 
como: projeto e implantação de novos processos ou sistemas. 
(4) Intangível ( ) Ativos mantidos para obtenção de rendas ou para valorização 
do capital ou para ambas, tais como: terrenos mantidos para 
valorização de capital a longo prazo e não para venda a curto 
prazo no curso ordinário dos negócios 
A sequência CORRETA é: 
a) 1, 2, 3, 4. 
b) 1, 3, 2, 4. 
c) 3, 1, 4, 2. 
d) 3, 4, 1, 2. 
Solução da questão 
Ao correlacionar uma coluna com a outra, temos a seguinte definição: 
✓ Ativos mantidos para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços 
para aluguel a outros ou para fins administrativos e que se espera utilizar por mais de 
um período. Esta é a definição do Imobilizado, ou seja (3); 
✓ Ativos que serão realizados vendidos consumidos no decurso normal do operacional da 
entidade mantidos essencialmente com propósito de ser negociados. Corresponde a 
(1) ativo circulante; 
✓ Ativos não monetários sem substâncias físicas identificáveis controlados e geradores 
de benefícios econômicos futuros tais como: projeto e implantação de novos processos 
ou sistemas. Está definido pela NBC TG 04 (R4). Corresponde a Intangível (4); 
 
✓ Ativos mantidos para a obtenção de rendas ou desvalorização do capital ou para ambas 
tais como: terrenos mantidos para valorização de capital a longo prazo e não para 
venda a curto prazo no curso ordinário dos negócios. Corresponde a Investimentos 
(2). Alternativa correta: C. 
 
2. (CONTADOR/CFC/ADAPTADA) Uma sociedade empresária apurou, no exercício de 20X1, um 
lucro líquido de R$120.000,00. O saldo do Patrimônio Líquido, antes do registro do resultado 
e da respectiva destinação, era de R$188.000,00, assim distribuído: 
✓ Capital Social R$150.000,00 
✓ Reserva de Ágio na Emissão de Ações R$2.000,00 
✓ Reserva Legal R$26.000,00 
✓ Reserva Estatutária R$10.000,00 
De acordo com a Lei no 6.404/76, o valor a ser registrado em Reserva Legal, como destinação 
do lucro líquido apurado em 20X1, é de: 
a) R$4.000,00, uma vez que o saldo da Reserva Legal está limitado a 20% do Capital Social. 
b) R$6.000,00, uma vez que a reserva legal deve corresponder a 5% do lucro líquido do exercício 
antes de qualquer outra destinação. 
c) R$7.000,00, pois a companhia poderá deixar de constituir a reserva legal no exercício em que 
o saldo dessa reserva, acrescido do montante das demais reservas de lucro, exceder 30% do 
capital social. 
d) R$9.000,00, pois a companhia poderá deixar de constituir a reserva legal no exercício em que 
o saldo dessa reserva, acrescido do montante das reservas de capital, exceder 30% do capital 
social. 
Solução da questão 
A reserva legal tem por objetivo proteger o capital social da empresa e representa uma 
conta do subgrupo da reserva de lucro. 
 De acordo com a Lei 6.404/76 e suas atualização no art. 193 menciona que serão 
destinados 5% do lucro líquido para constituição desta reserva, e ainda, estabelece dois limites 
para saldo da reserva legal. 
O primeiro é chamado de limite obrigatório, pois deve ser compulsoriamente observado, 
de forma que não exceda a 20% (vinte por cento) do capital social realizado. 
O segundo é o limite facultativo, pois, se a companhia desejar, poderá constituir a 
reserva legal ainda que este limite seja ultrapassado. 
Segundo a lei, a companhia poderá deixar de constituir a reserva legal quando o saldo dessa 
reserva, acrescido do montante das reservas de capital, não exceder o valor de 30% do capital 
social. 
• Capital social R$ 150.000,00 x 20% = R$ 30.000,00 
• Saldo não pode ultrapassar R$ 30.000,00 
• Saldo anterior reserva legal = R$ 26.000,00 
• Valor a ser registrado = R$ 4.000,00 
 
Alternativa correta: A. 
 
Demonstração do Resultado do Exercício 
1. (CONTADOR/CFC) Uma Sociedade Empresária apresentou, em 31.12.20X5, os seguintes 
saldos em suas contas de resultado, antes da apuração do resultado do período. 
Contas Saldos em 31.12.20X5 
Custo das Mercadorias Vendidas R$154.575,00 
Despesas Administrativas R$86.121,00 
Despesas com Vendas R$77.288,00 
Despesas Financeiras R$15.458,00 
Perdas com Operações Descontinuadas R$48.581,00 
Receita Bruta de Vendas R$662.466,00 
Receitas Financeiras R$13.249,00 
Tributos sobre Vendas R$39.749,00 
Vendas Canceladas R$17.666,00 
De acordo com NBC TG 26 (R3) – Apresentação das Demonstrações Contábeis, com base 
nos saldos apresentados e desconsiderando-se os aspectos tributários, é CORRETO afirmar que: 
a) O Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro é de R$287.067,00. 
b) O Resultado Antes das Receitas e Despesas Financeiras é de R$605.051,00. 
c) O Lucro das Operações Continuadas é de R$236.277,00. 
d) O Lucro Bruto é de R$450.476,00. 
Solução da questão 
De acordo com a NBC TG 26 (R5) no item 82, alínea(ea), além dos itens requeridos em 
outras normas, a demonstração do resultado do período deve, no mínimo, incluir as seguintes 
rubricas, obedecendo também as determinações legais: 
[...] 
(ea) um único valor para o total de operações descontinuadas, conforme NBC TG 31(R3); 
Logo, no item 1 da NBC TG 31 (R3), é informado que a contabilização de ativos não 
circulantes mantidos para venda (colocados à venda) é apresentada e divulgada de forma 
segregada nas operações descontinuadas. Sendo assim, a DRE será apresentada da seguinte 
forma de acordo com as NBCs.: 
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 31.12.20X5 
Operações em continuidade 
Receita Bruta 662.466,00 
(-) Deduções da Receita (57.415,00) 
Tributos sobre Vendas (39.749,00) 
Vendas Canceladas (17.666,00) 
(=) Receita Líquida 605.051,00 
(-) Custo da Mercadorias Vendidas (154.575,00) 
(=) Lucro bruto 450.476,00 
(-) Despesas Operacionais (163.409,00) 
Despesas com Vendas (77.288,00) 
Despesas administrativas (86.121,00) 
(=) Lucro antes do Resultado Financeiro 287.067,00 
Resultado Financeiro (2.209,00) 
(+) Receitas Financeiras 13.249,00 
(-) Despesas Financeiras (15.458,00) 
(=) Lucro antes dos tributos 284.858,00 
(-) Provisão para IR e CS - 
(=) Lucro das Operações Continuadas 284.858,00 
Operações descontinuadas (48.581,00) 
(-) Perdas das Operações Descontinuadas (48.581,00) 
(=) Lucro Líquido do Período 236.277,00 
Alternativa correta: D. 
 
 
 
2. (Auditor Júnior/REFAP/ADAPTADA) A Cia. Planalto S/A apresentou, em 31/12/20X6, após 
descontar o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro, um lucro líquido de R$ 
259.000,00. O estatuto social da empresa estabelece os seguintes percentuais de 
participações: 
• das debêntures: 10% 
• dos empregados: 10% 
• dos administradores: 10% 
• das partes beneficiárias: 10% 
Com base nos dados acima, e considerando-se apenas essas informações, o lucro líquido do 
exercício, em reais, após as participações, será: 
(a) 103.600,00 
(b) 155.400,00 
(c) 169.930,00 
(d) 188.811,00 
(e) 209.970,00 
Solução da questão 
Para encontrar a resposta dessa questão, o leitor tem que conhecer os artigos 187 inciso 
VI, 189 e 190 da lei 6.404/76 com suas alterações. Essas participações e contribuições devem 
ser contabilizadas na própria data do balanço, debitando-se as contas respectivas de 
participações em resultados e creditando-se as contas no Passivo Circulante. 
A forma de cálculo das participações está descrita no artigo 189 da Lei das Sociedades por 
Ações, estabelecendo que serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos 
acumulados e a provisão para o imposto sobre a renda. 
Já o artigo 190 da citada lei, define que as participações estatutárias de empregados, 
administradores e partes beneficiarias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com 
base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. 
Observa-se que nesse artigo, o legislador deixou de mencionar as participações das 
debêntures, mas, conforme exposto no art. 187, os mesmos seriam incluídos antes dos 
empregados. 
Desta forma, os cálculos das participações não serão feitos sobre o mesmo valor, pois se 
calcula primeiramente a participação das debêntures; do lucro restante, após deduzir a 
participação das debêntures, calcula-se a participação dos empregados; do lucro agora 
remanescente, aos administradores, e do saldo remanescente calcula -se, as partes beneficiárias. 
 
 
 
 
 
 
Assim, a base de cálculo, extra contábil, ficará da seguinte forma: 
Lucro antes das participações ................................................. R$259.000,00 
(-) Debêntures – 10% ............................................................... (R$ 25.900,00) 
(=) Base de cálculo para as participações 
 dos empregados – .............................................................. R$ 233.100,00 
(-) empregados – 10% ............................................................. (R$ 23.310,00) 
(=) Base de cálculo para as participações 
 dos administradores .......................................................... R$ 209.790,00 
(-) Administradores – 10% ....................................................... (R$ 20.979,00) 
(=) Base de cálculo para as partes beneficiárias ...................... R$ 188.811,00 
(-) Partes beneficiárias – 10% ................................................. (R$ 18.881,10). 
 
Após efetuar o cálculo das participações extra contábil, o responsável poderá continuar a 
elaborar a DRE, então: 
Lucro antes das participações ............................................... R$ 259.000,00 
(-) Participações ................................................................... (R$ 89.070,00) 
 (-) Debêntures ..................................................................... R$ 25.900,00 
 (-) Empregados ................................................................... R$ 23.310,00 
 (-) Administradores ............................................................ R$ 20.979,00 
 (-) Partes beneficiárias ....................................................... R$ 18.881,00 
(=) Lucro líquido ................................................................... R$ 169.930,00 
 Alternativa correta: C. 
 
 
Demonstração do Resultado Abrangente 
1. (CONTADOR/CFC/ADAPTADA) De acordo com a NBC TG 26 (R5) – Apresentação das 
Demonstrações Contábeis, são exemplos de informações apresentadas na Demonstração 
do Resultado Abrangente, EXCETO: 
a) Ajustes de conversão do período. 
b) Aumento de capital em dinheiro. 
c) Equivalência patrimonial sobre ganhos abrangentes de coligadas. 
d) Realização da reserva de reavaliação. 
Solução da questão 
De acordo com a Apêndice A da NBC TG 26 (R5), o resultado abrangente é a mutação que 
ocorre no patrimônio líquido durante um período resultante de transações e outros eventos, 
que não derivados de transações com os sócios na sua qualidade de proprietários. 
Alternativa letra: B. 
 
2. (CONTADOR/CFC/ADAPTADA) Uma sociedade empresária apresentou, em 31.12.20X2, as 
seguintes informações: 
CONTAS SALDOS 
Ajuste Credor de Avaliação Patrimonial R$400,00 
Ajuste Credor de Conversão do Período R$400,00 
Aumento do Capital Social R$1.600,00 
Custo da Mercadoria Vendida R$2.400,00 
Despesa com IRPJ e CSLL R$80,00 
ICMS Incidentes sobre Vendas R$400,00 
Receita Bruta de Vendas R$4.000,00 
Receitas Financeiras R$800,00 
Com base nessas informações, assinale a opção que apresenta o Resultado Abrangente Total do 
Período. 
a) R$2.320,00. 
b) R$2.720,00. 
c) R$3.520,00. 
d) R$4.320,00. 
Solução da questão 
Analisando as informações, elaboramos a DRA, abaixo: 
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE – DRA 
RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO 1.920,00 
OUTROS RESULTADOS ABRANGENTES 800,00 
Ganhos e perdas derivados de conversão de Demonstrações Contábeis 
de Operações no exterior 
400,00 
Ajuste de avaliação patrimonial 400,00 
RESULTADO ABRANGENTE DO PERÍODO 2.720,00 
 
Alternativa correta: B. 
 
Exercícios Extras: 
 
Exercícios sobre Balanço Patrimonial – CPC26 e Seção 4 CPC PME 
 
 
1. (CONTADOR/CFC/2015.1) Em relação aos efeitos contábeis referentes 
aos registros das transações de uma empresa no mês de fevereiro de 
2015, julgue os itens abaixo como Verdadeiros (V) ou Falsos (F) e, em 
seguida, assinale a opção CORRETA. 
I. O pagamento do aluguel do mês anterior, na data de vencimento, diminuiu o 
Ativo e o Passivo e não gerou nenhuma mudança no Patrimônio Líquido. 
II. A compra à vista de mercadorias não alterou o total do Ativo, não alterou o 
total do Passivo e não gerou nenhuma mudança no Patrimônio Líquido. 
III. A aquisição de ações de emissão da própria empresa, à vista, diminuiu o 
Ativo, não alterou o Passivo Exigívele aumentou o Patrimônio Líquido. 
A sequência CORRETA é: 
a) F, F, V. 
b) F, V, F. 
c) V, F, V. 
d) V, V, F. 
 
 
2. (CONTADOR/CFC/2015.1) Relacione os grupos de contas do Balanço 
Patrimonial de uma indústria, apresentados na primeira coluna, às contas, 
na segunda coluna, e, em seguida, assinale a opção CORRETA. 
(1) Patrimônio Líquido ( ) Obras de Arte 
(2) Imobilizado ( ) Ações de Emissão Própria em Tesouraria 
(3) Investimentos ( ) Reserva de Incentivos Fiscais 
(4) Intangível ( ) Marcas e Patentes 
 
A sequência CORRETA é: 
a) 3,3,1,3. 
b) 2,3,2,3. 
c) 3,1,1,4. 
d) 2,1,2,4. 
 
 
3. (Exame de suficiência 2013-2 Q 08) Assinale a opção que apresenta 
apenas contas de natureza devedora passíveis de integrar o Ativo de uma 
empresa comercial. 
a) Adiantamentos a Clientes; Provisão para Riscos Fiscais; Credores por 
Financiamentos; Imposto de Renda Incidente sobre salários. 
b) Ágio na Emissão de Ações; Alienação de Bônus de Subscrição; Doações e 
Subvenções para Investimentos; Reservas de Incentivos Fiscais. 
c) Depósitos Restituíveis e Valores Vinculados; Depósitos a Prazo Fixo; Prêmios 
de Seguros a Apropriar; Comissões e Prêmios Pagos Antecipadamente. 
d) Perdas Estimadas na Realização de Créditos; Perdas por Redução ao Valor 
de Mercado; Ajuste a Valor Presente de Clientes e Depreciação Acumulada. 
 
 
 
4. (CONTADOR/CFC/2016.1) Assinale a opção que apresenta apenas 
contas classificadas no Ativo Não Circulante. 
a) Ações de Emissão Própria em Tesouraria, Marcas e Patentes, Duplicatas a 
Receber a Longo Prazo. 
b) Duplicatas a Receber a Longo Prazo, Propriedades para Investimento e 
Imóveis de Uso. 
c) Imóveis de Uso, Ações de Emissão Própria em Tesouraria, Aplicações 
Financeiras de Liquidez Imediata. 
d) Marcas e Patentes, Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata e 
Propriedades para Investimento. 
 
 
5. (Exame de suficiência 2011-1 Q 04) Uma determinada sociedade 
empresária, em 31.12.2010, apresentou os seguintes saldos: 
 
Caixa R$ 6.500,00 
Bancos Conta Movimento R$ 14.000,00 
Capital Social R$ 20.000,00 
Custo das Mercadorias Vendidas R$ 56.000,00 
Depreciação Acumulada R$ 1.500,00 
Despesas Gerais R$ 23.600,00 
Fornecedores R$ 9.300,00 
Duplicatas a Receber em 60 dias R$ 20.900,00 
Equipamentos R$ 10.000,00 
Reserva de Lucros R$ 3.000,00 
Estoque de Mercadorias R$ 4.000,00 
Receitas de Vendas R$ 97.700,00 
Salários a Pagar R$ 3.500,00 
 
Após a apuração do Resultado do Período e antes da sua destinação, o total do 
Patrimônio Líquido e o total do Ativo Circulante são, respectivamente: 
 
a) R$37.100,00 e R$41.400,00. 
b) R$37.100,00 e R$46.100,00. 
c) R$41.100,00 e R$45.400,00. 
d) R$41.100,00 e R$50.400,00. 
 
 
 
Solução: 
BALANÇO PATRIMONIAL 
ATIVO PASSIVO DRE 
Ativo Circulante 
Passivo 
Circulante Receitas de Vendas 
97.700,
00 
Caixa 
6.500,0
0 
Fornecedore
s 
9.300,0
0 
Custo das Mercadorias 
Vendidas 
56.000,
00 
Bancos Conta 
Movimento 
14.000,
00 
Salários a 
Pagar 
3.500,0
0 Despesas Gerais 
23.600,
00 
Duplicatas a 
Recebe 
20.900,
00 Resultado do Período 
18.100,
00 
Estoque de 
Mercadorias 
4.000,0
0 
 Patrimônio Líquido 
Total Circulante 
45.400,
00 Capital Social 
20.000,
00 
 
Reserva de 
Lucros 
3.000,0
0 
Equipamentos 
10.000,
00 Lucros Ac 
18.100,
00 (conta transitória) 
Depreciação 
Acumulada 
-
1.500,0
0 Total PL 
41.100,
00 D lucro ac 
 c dividendos a pagar 
 c reservas 
total do Ativo 
53.900,
00 
total do 
Passivo 
53.900,
00 
 
6. (CONTADOR/CFC/2015.2) Uma Sociedade Empresária iniciou suas 
atividades em 2.1.2014 e, ao final do ano, apresentou os saldos abaixo. 
Contas Saldos em 31.12.2014 
Ações de Emissão Própria em Tesouraria R$2.239,00 
Caixa e Equivalente de Caixa R$57.583,00 
Capital a Integralizar R$24.592,00 
Capital Subscrito R$331.991,00 
Contas a Pagar R$8.067,00 
Depreciação Acumulada R$62.896,00 
Dividendos a Pagar R$174.272,00 
Duplicatas a Receber R$170.875,00 
Duplicatas a Receber de Longo Prazo R$56.960,00 
Estoque de Mercadorias para Revenda R$282.985,00 
Financiamentos a Pagar de Longo Prazo R$113.915,00 
Fornecedores R$202.663,00 
Imóveis de Uso R$405.339,00 
Reserva Estatutária R$51.384,00 
Reserva Legal R$13.170,00 
Salários a Pagar R$65.766,00 
Títulos a Receber R$23.551,00 
 
Com base nos saldos apresentados, é CORRETO afirmar que: 
 
a) o valor do Ativo Circulante é de R$537.233,00. 
b) o valor do Ativo Não Circulante é de R$401.642,00. 
c) o valor do Passivo Circulante é de R$276.496,00. 
d) o valor do Patrimônio Líquido é de R$369.714,00. 
 
Solução: 
BALANÇO PATRIMONIAL 
ATIVO PASSIVO 
Ativo Circulante 534.994,00 Passivo Circulante 450.768,00 
Caixa e Eq Caixa 57.583,00 Contas a Pagar 8.067,00 
Duplicatas a Receber 170.875,00 Dividendos a Pg 174.272,00 
Estoque de Mercadorias 282.985,00 Fornecedores 202.663,00 
Títulos a Receber 23.551,00 Salários a Pagar 65.766,00 
 Passivo Não Circulante 113.915,00 
 Financiamentos a Pagar 113.915,00 
Ativo Não Circulante 399.403,00 Patrimônio Líquido 369.714,00 
Dupl Rec 56.960,00 Capital Subscrito 331.991,00 
Imóveis de uso 405.339,00 Ações em Tesouraria - 2.239,00 
Depreciação Acumulada - 62.896,00 Capital a Integralizar - 24.592,00 
 Reserva Estatutária 51.384,00 
 Reserva Legal 13.170,00 
 
 
 
 
7. (CONTADOR/CFC/2015.1) Uma Sociedade Empresária apresentou, em 
31.12.2014, os seguintes saldos: 
 
Banco Conta Movimento R$22.900,00 
Caixa R$135.000,00 
Capital Subscrito R$225.000,00 
Custo das Mercadorias Vendidas R$113.400,00 
Depreciação Acumulada R$1.300,00 
Despesa com Depreciação R$900,00 
Despesa com Férias R$4.500,00 
Despesa com FGTS R$5.400,00 
Despesa com Salários R$36.000,00 
Estoques R$11.500,00 
Fornecedores R$83.100,00 
ICMS a Recolher R$7.900,00 
ICMS sobre Vendas R$49.700,00 
Máquinas e Equipamentos R$56.600,00 
Móveis e Utensílios R$62.000,00 
Despesa de Tributos sobre o Lucro R$1.100,00 
Receita Bruta de Vendas de Mercadorias R$207.500,00 
Receita Financeira R$7.700,00 
Salários a Pagar R$6.500,00 
Veículos R$40.000,00 
 
Com base nas informações acima, após a apuração e antes da destinação 
do resultado do exercício, é CORRETO afirmar que o valor do: 
a) Ativo Circulante é de R$176.900,00. 
b) Ativo Não Circulante é de R$157.300,00. 
c) Passivo Circulante é de R$89.600,00. 
d) Patrimônio Líquido é de R$230.300,00. 
 
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO 
Receita Bruta de Vendas de Mercadorias 207.500,00 
 - ICMS sobre Vendas 49.700,00 
 = Receita Líquida de Vendas 157.800,00 
 - Custo das Mercadorias Vendidas 113.400,00 
 = Lucro bruto 44.400,00 
 - Despesa com Salários 36.000,00 
 - Despesa com Férias 4.500,00 
 - Despesa com FGTS 5.400,00 
 - Despesa com Depreciação 900,00 
 = Resultado antes das Rec e Desp Financeiras - 2.400,00 
 + Receita Financeira 7.700,00 
 = Resultado antes dos tributos sobre o lucro 5.300,00 
 - Despesa de Tributos sobre o Lucro 1.100,00 
 = lucro líquido do exercício 4.200,00 
 
 
BALANÇO PATRIMONIAL 
ATIVO PASSIVO 
Ativo Circulante 169.400,00 Passivo Circulante 97.500,00 
Caixa 135.000,00 Fornecedores 83.100,00 
Banco Conta Movimento 22.900,00 ICMS a Recolher 7.900,00 
Estoques 11.500,00 Salários a Pagar 6.500,00 
 
 Passivo Não Circulante - 
 
Ativo Não Circulante 157.300,00 Patrimônio Líquido 229.200,00 
Máquinas e Equipamentos 56.600,00 Capital Subscrito 225.000,00 
Móveis e Utensílios 62.000,00 Lucros Acumulados 4.200,00 
Veículos 40.000,00 
Depreciação Acumulada - 1.300,00 
 
Totaldo Ativo 326.700,00 Total do Passivo 326.700,00 
 
 
 
 
 
 
Exercícios sobre DRE e DRA – CPC26 e Seção 5 CPC PME 
 
 
8. (BACHAREL 2013 – 1 Q 4) Com os saldos das contas de resultado 
apresentados abaixo, elabore a Demonstração de Resultado. 
 
Custo das Mercadorias Vendidas R$ 78.530,00 
Despesa com Tributos Sobre o Lucro R$ 17.577,00 
Despesas Administrativas R$ 13.740,00 
Despesas com Vendas R$ 43.510,00 
Despesas Financeiras R$ 3.720,00 
Despesas Gerais R$ 21.820,00 
ICMS Incidente Sobre Vendas R$ 16.450,00 
Outras Despesas Operacionais R$ 2.120,00 
Receita Bruta de Vendas R$ 235.000,00 
Receita de Equivalência Patrimonial R$ 3.450,00 
Receitas Financeiras R$ 1.780,00 
Vendas Canceladas R$ 1.750,00 
 
Com base na Demonstração de Resultados elaborada, assinale a opção 
CORRETA. 
 
a) O Resultado Antes dos Tributos Sobre o Lucro é de R$58.590,00. 
b) O Resultado Líquido do Período é de R$37.563,00. 
c) O valor da Receita Líquida de Vendas é de R$220.250,00. 
d) O valor do Lucro Bruto é de R$156.470,00. 
 
 
Solução: 
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 
Receita Bruta de Vendas R$ 235.000,00 
ICMS Incidente Sobre Vendas R$ 16.450,00 
Vendas Canceladas R$ 1.750,00 
 = Receita Líquida de Vendas R$ 216.800,00 
Custo das Mercadorias Vendidas R$ 78.530,00 
 = LUCRO BRUTO R$ 138.270,00 
Despesas com Vendas R$ 43.510,00 
Despesas Gerais R$ 21.820,00 
Despesas Administrativas R$ 13.740,00 
Outras Despesas Operacionais R$ 2.120,00 
Receita de Equivalência Patrimonial R$ 3.450,00 
 = Resultado antes das Rec e Desp Financeiras R$ 60.530,00 
Despesas Financeiras R$ 3.720,00 
Receitas Financeiras R$ 1.780,00 
 = Resultado antes do TSL R$ 58.590,00 
Despesa com Tributos Sobre o Lucro R$ 17.577,00 
 = Resultado Líquido do Exercício R$ 41.013,00 
 
 
 
 
 
9. (BACHAREL 2013 – 1 Q 09) Uma sociedade empresária apresentava, ao 
final do ano de 2012, as seguintes movimentações de contas patrimoniais 
e de resultado para a elaboração da Demonstração do Resultado e 
Demonstração do Resultado Abrangente do período: 
Contas Patrimoniais e de Resultado Movimentação 
Natureza da 
Movimentação 
Ajustes de Avaliação Patrimonial de 
Instrumentos Financeiros 
Classificados como Disponíveis para 
Venda R$ 18.000,00 Credora 
Custo dos Produtos Vendidos R$ 270.000,00 Devedora 
Despesas Administrativas R$ 42.000,00 Devedora 
Despesas com Vendas R$ 60.000,00 Devedora 
Despesas Financeiras R$ 48.000,00 Devedora 
Equivalência Patrimonial sobre 
Resultados Abrangentes de Coligadas R$ 15.000,00 Credora 
Receita de Equivalência Patrimonial R$ 25.000,00 Credora 
Receita com Vendas de Produtos R$ 600.000,00 Credora 
Receitas Financeiras R$ 36.000,00 Credora 
Tributos sobre Ajustes de 
Instrumentos Financeiros classificados 
como Disponíveis para Venda R$ 6.000,00 Devedora 
Tributos sobre o Lucro R$ 55.000,00 Devedora 
Tributos sobre Vendas R$ 96.000,00 Devedora 
 
Na Demonstração do Resultado do período, o Lucro Líquido é igual a: 
 
a) R$84.000,00. 
b) R$90.000,00. 
c) R$105.000,00. 
d) R$117.000,00 
 
Solução: 
cpv - 270.000,00 
Desp adm - 42.000,00 
Desp c/ vendas - 60.000,00 
Desp Financeiras - 48.000,00 
REP 25.000,00 
Rec com vendas 600.000,00 
Rec Financ 36.000,00 
Tributos sobre lucro - 55.000,00 
Tributos sobre vendas - 96.000,00 
lucro do período 90.000,00 
 
 
 
10. (BACHAREL 2012 2 Q 1) Uma sociedade empresária apresentou os 
seguintes saldos: 
 
Contas Saldo Atual 
Ajuste a Valor Presente - Contas a Receber R$35.000,00 
Caixa R$100.000,00 
Capital Social R$120.000,00 
Contas a Receber R$380.000,00 
Contas a Receber - Longo Prazo R$120.000,00 
Custo das Mercadorias Vendidas R$540.000,00 
Décimo Terceiro e Encargos a Pagar R$160.500,00 
Depreciação Acumulada R$20.000,00 
Despesas Administrativas R$45.000,00 
Despesas Pagas Antecipadamente - Seguros a Apropriar R$24.000,00 
Despesas com Vendas R$19.050,00 
Estoque R$90.000,00 
Férias e Encargos a Pagar R$130.000,00 
Fornecedores R$251.400,00 
ICMS a Recolher R$57.000,00 
Imobilizado R$200.000,00 
Impostos Incidentes sobre Venda R$185.850,00 
Receita de Vendas R$900.000,00 
Receita Financeira R$30.000,00 
 
 
Considerando os dados, o total dos saldos credores é de: 
a) R$1.611.900,00. 
b) R$1.648.900,00. 
c) R$1.668.900,00. 
d) R$1.703.900,00. 
Solução: 
Ajuste a valor pres 35.000,00 
Deprec Acumuladas 20.000,00 
Capital Social 120.000,00 
Dec ter e enc 160.500,00 
Fér a pg 130.000,00 
Fornec 251.400,00 
icms a reco 57.000,00 
Rec Vendas 900.000,00 
Rec Financ 30.000,00 
Total 1.703.900,00 
 
Gabarito da lista de Exercícios Extra: 
1 d 
2 c 
3 c 
4 b 
5 c 
6 d 
7 b 
8 a 
9 b 
10 d 
 
LABORATÓRIO 
CONTÁBIL
Conteúdo:
Ramon Alberto 
Cunha de Faria
Pablo Rojas
Coordenador
F224l Faria, Ramon Alberto Cunha de.
Laboratório contábil [recurso eletrônico] / Ramon Alberto Cunha de Faria; 
coordenação: Pablo Rojas. – Porto Alegre: SAGAH, 2016.
Editado como livro impresso em 2016.
ISBN 978-85-69726-23-4
1. Contabilidade. I. Título. 
CDU 657
Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094
© SAGAH EDUCAÇÃO S.A., 2016
Colaboraram nesta edição:
Coordenador técnico: Pablo Rojas
Capa e projeto gráfico: Equipe SAGAH
Imagem da capa: Shutterstock
Editoração: Kaka Silocchi
Reservados todos os direitos de publicação à
SAGAH EDUCAÇÃO S.A., uma empresa do GRUPO A EDUCAÇÃO S.A
Av. Jerônimo de Ornelas, 670 - Santana
90040-340 - Porto Alegre, RS
Fone: (51) 3027-7000 Fax: (51) 3027-7070
É proibida a duplicação deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer 
formas ou por quaisquer meios (eletrônicos, mecânicos, gravação, fotocópia, 
distribuição na Web e outros), sem permissão expressa da empresa.
102
INTRODUÇÃO
As Demonstrações de Lucros e Prejuízos são instituídas por Lei para 
acompanhar as destinações do lucro e suas compensações com prejuízos 
acumulados. Em geral ele é utilizado em paralelo com o Demonstrativo 
das Mutações do Patrimônio Líquido. Ambos fornecem as informações 
necessárias para entender as mudanças ocorridas no Patrimônio Líquido da 
empresa.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
Ao final desta unidade você deverá ser capaz de:
• Entender os conceitos e legislações sobre as Demonstrações de Lucro 
ou Prejuízo - DLPA e Demonstrações de Mutações do Patrimônio Líquido - 
DMPL;
• Compreender a utilidade das Demonstrações de Lucro ou Prejuízo - DLPA e 
Demonstrações de Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL;
• Elaborar a Demonstração de Lucro ou Prejuízo - DLPA e Demonstração de 
Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL.
CONCEITOS SOBRE O DEMONSTRATIVO DOS 
LUCROS E PREJUÍZOS ACUMULADOS - DLPA
O Demonstrativo de Lucros e Prejuízos Acumulados é essencialmente 
contábil, e tem finalidade de mostrar a quem foi destinado o lucro líquido 
apurado no ano calendário ou exercício social, geralmente apurados em 31 
de dezembro.
Após a promulgação da lei nº 11.638/2007, que alterou somente a alínea 
“d” do parágrafo 2º da lei nº 6.404/1976, extinguindo a conta de lucros e 
Prejuízos acumulados do Patrimônio Líquido, ao qual o DLPA evidencia.
“Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do 
patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a 
análise da situação financeira da companhia.
 (...)
103
§ 2º No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos:
(...)
d) patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes 
de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos 
acumulados”.
Portanto a lei nº 11.638/2007 ainda manteve sua obrigatoriedade de 
apresentação do demonstrativo para que se possa evidenciar o saldo inicial 
dos prejuízos acumulados (casotenha), ajustes de períodos anteriores, 
reversões de reservas e a apuração do lucro líquido e sua destinação.
ESTRUTURA DO DLPA
Sua estrutura está contida no artigo 186 da lei nº 6.404/1976, que diz:
“Art. 186. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discriminará:
I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção 
monetária do saldo inicial;
II - as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício;
III - as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros 
incorporada ao capital e o saldo ao fim do período.
§ 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os 
decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro 
imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a 
fatos subsequentes.
§ 2º A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o 
montante do dividendo por ação do capital social e poderá ser incluída na 
demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elaborada e publicada 
pela companhia”.
MODELO DO DEMONSTRATIVO DE LUCROS 
E PREJUÍZOS ACUMULADOS - DLPA
Vemos neste exemplo a destinação integral do lucro do exercício.
104
EMPRESA XYZ
1. Saldo no início do período 
2. Ajustes de exercícios anteriores 
3. Saldo ajustado 
4. Lucrou ou prejuízo do exercício 
5. Reversões de reservas
50.000,00
50.000,00
2.500,00
27.500,00
20.000,00
6. Saldo a disposição
Reservas para contingencias
7. Destinação do exercício 
Outras reservas 
Reserva legal
Dividendos p/ ação
Reservas estatutárias 
Juros s/ Capital Próprio
Saldo final do exercício
CONCEITOS SOBRE O DEMONSTRATIVO DAS 
MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO – DMPL
O Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Líquido, apresenta todas as 
ocorrências nas contas do patrimônio líquido de um determinado período.
Não há um modelo nem padrão que a lei nº 6.404/1976 estipula para as 
empresas elaborarem, porém todas as informações contidas no DLPA devem 
constar neste relatório, além é claro de todas as movimentações das contas 
do patrimônio líquido. Quando há fluxos de informações de uma conta de 
patrimônio para outra, devem ser evidenciadas através de notas explicativas.
Não há embasamento legal para a estruturação e elaboração da DMPL, 
ficando a cargo da empresa determinar os recursos a serem utilizados. No 
entanto os dados que a empresa terá de extrair estão contidos no livro razão. 
105
MODELO DE ELABORAÇÃO DO DEMONSTRATIVO DAS 
MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO - DMPL
Capital social
Reserva de 
capital
Reserva de 
lucros
Ajust. 
Avaliação 
patrimonial
Ações em 
tesouraria
Prejuizo 
acumulado
Lucros a 
destinar TOTAISDescrição
Saldo em 31 / 12 / XXXX
*Reserva legal
*Reserva legal
Aumento de capital
Aumento de capital
*Dividendos
*Dividendos
*Reservas de lucro
*Reservas de capital
*Juros sobre o capital próprio
*Juros sobre o capital próprio
Lucro ou prejuizo do exercício
Lucro ou prejuizo do exercício
Saldo em 31 / 12 / XXX1
Saldo em 31 / 12 / XXX2
Reversão de reserva
Reversão de reserva
Destinação do exercício
Destinação do exercício
Fonte: RIBEIRO, Osni Moura – Contabilidade Intermediaria. – 2. Ed. – São Paulo: Saraiva, 
2009.
REFERÊNCIAS
REIS, A. C. de R. Demonstrações contábeis: Estrutura e análise. São Paulo: 
Saraiva, 2003.
RIBEIRO, O. M. Contabilidade intermediaria. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
CONTABILIDADE 
TRIBUTÁRIA
Conteúdo:
Ramon Alberto
Cunha de Faria
Pablo Rojas
Coordenador
136
Demonstração dos Fluxos de Caixa 
Exercícios de Fixação 
 
Demonstração dos Fluxos de Caixa 
1.(CONTADOR/CFC/) Uma Sociedade Empresária comercial apresentou os seguintes dados para 
elaboração da Demonstração dos Fluxos de Caixa relativa ao ano de 20X1: 
Entradas de Caixa 
Recebimento por vendas de mercadorias à vista ..................................... R$120.000,00 
Recebimento por venda de imóvel registrado como Ativo Imobilizado .... R$50.000,00 
Recebimento por integralização de capital ............................................... R$140.000,00 
Saídas de Caixa 
Pagamento a fornecedores por compra de mercadorias ........................... R$90.000,00 
Pagamento de despesas administrativas .................................................... R$16.000,00 
Pagamento por aquisição de veículo para uso ........................................... R$72.000,00 
Pagamento do valor principal de empréstimo bancário .......................... R$120.000,00 
 
O saldo de Caixa e Equivalentes de Caixa era de R$12.800,00, em 31.12.20X0. Considerando-
se apenas as informações apresentadas e de acordo com a NBC TG 03 (R3) – DEMONSTRAÇÃO 
DOS FLUXOS DE CAIXA, em relação à Demonstração dos Fluxos de Caixa é CORRETO afirmar que: 
a) o caixa líquido gerado pelas Atividades Operacionais é de R$14.000,00. 
b) o caixa líquido gerado pelas Atividades de Investimento é de R$68.000,00. 
c) o caixa líquido consumido pelas Atividades de Financiamento é de R$120.000,00. 
d) o caixa líquido consumido por todas as atividades em conjunto é de R$12.000,00. 
 
Solução da questão 
A DFC tem por objetivo fornecer as informações das entradas e saídas de caixa e do 
equivalente a caixa da companhia. De acordo com as informações fornecidas nesta questão, 
devemos elaborar o Fluxo de Caixa pelo método direto. Vejamos: 
DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA 
MÉTODO DIRETO 
ATIVIDADE OPERACIONAL 
(+) Recebimento por vendas de mercadorias à vista R$ 120.000,00 
(-) Pagamento a fornecedores por compra de mercadorias R$ (90.000,00) 
(-) Pagamento de despesas administrativas R$ (16.000,00) 
CAIXA GERADO NA ATIVIDADE OPERACIONAL R$ 14.000,00 
ATIVIDADES DE INVESTIMENTO 
(+) Recebimento por venda de imóvel registrado como Ativo Imobilizado R$ 50.000,00 
(-) Pagamento por aquisição de veículo para uso R$ (72.000,00) 
CAIXA CONSUMIDO NA ATIVIDADE DE INVESTIMENTO R$ (22.000,00) 
ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO 
(+) Recebimento por integralização de capital R$ 140.000,00 
(-) Pagamento do valor principal de empréstimo bancário R$ (120.000,00) 
CAIXA GERADO NA ATIVIDADES DE INVESTIMENTO R$ 20.000,00 
SALDO ANO ANTERIOR R$ 12.800,00 
VARIAÇÃO DO CAIXA GERADO NO ANO R$ 12.000,00 
SALDO FINAL DE CAIXA R$ 24.800,00 
 
Alternativa correta: A. 
 
2. (ANALISTA/ADAPTADA) Uma sociedade empresária apresentou os seguintes dados para 
elaboração da Demonstração dos Fluxos de Caixa: 
Exercício 20X6 R$ mil 
❖ aquisição a vista de software ................................................. 131 
❖ pagamento de financiamentos .............................................. 153 
❖ redução da conta clientes ...................................................... 200 
❖ aumento de contas de fornecedores ..................................... 390 
❖ obtenção de empréstimos bancários ...................................... 900 
❖ resultado do exercício (lucro) ............................................... 1.062 
❖ aquisição de imobilizado a vista .......................................... 1.268 
 
 
 
 
Considerando somente as informações da tabela, qual o valor do saldo final do caixa. 
a) R$1.400 
b) R$1.600 
c) R$1.100 
d) R$1.450 
e) R$1.000. 
 
Solução da questão 
Com base nos dados fornecidos nesta questão, elaboramos o DFC pelo método indireto, 
também conhecido como método de conciliação. 
Demonstração Dos Fluxos de Caixa 
Fluxo Operacional: 
Resultado Líquido ..................................................................................1.062 
Variação do ativo circulante 
(+) redução de clientes ............................................................................ 200 
Variação do passivo circulante 
(+) Aumento Fornecedores ..................................................................... 390 
(=) Caixa gerado pela atividade operacional ........................................ 1.652 
Fluxo Investimento: 
(-) Aquisição de software ........................................................................ (131) 
(-) Aquisição de imobilizado ............................................................... -(1.268) 
(=) Caixa consumido pela atividade investimento (1.399) 
 
Fluxo Financiamento: 
(-) Pagamento de financiamento ............................................................. (153) 
(+) Obtenção de empréstimo bancário .................................................... 900 
 
(=) Caixa gerado pela atividade financiamento ..................................... 747 
(=) saldo inicial do caixa/equivalente caixa ................................................. 0 
(=) saldo final do caixa/equivalente caixa ............................................ 1.000 
Alternativa correta: E. 
 
 
 
 
Lista Extra de Exercícios: 
 
Exercícios sobre DFC – CPC03 e Seção 7 CPC PME 
1. (Exame de suficiência 2012-1 Q 09) Uma sociedade empresária 
apresentou o Balanço Patrimonial a seguir, ao qual foi acrescida uma 
coluna de variação, e também a Demonstração do Resultado do período 
encerrado em 31.12.2011: 
 
 
Balanço Patrimonial 
31.12.2011 31.12.2010 Variação 
ATIVO CIRCULANTE R$322.000,00 R$230.000,00 R$92.000,00 
Caixa R$57.500,00 R$23.000,00 R$34.500,00 
Duplicatas a Receber R$195.500,00 R$161.000,00 R$34.500,00 
Estoques R$69.000,00 R$46.000,00 R$23.000,00 
ATIVO NÃO CIRCULANTE R$115.000,00 - R$115.000,00 
Imobilizado R$126.500,00 - R$126.500,00 
(-) Depreciação Acumulada (R$11.500,00) - (R$11.500,00) 
TOTAL DO ATIVO R$437.000,00 R$230.000,00 R$207.000,00 
PASSIVO CIRCULANTE R$184.000,00 R$46.000,00 R$138.000,00 
Fornecedores R$142.600,00 R$46.000,00 R$96.600,00 
Imposto de Renda e 
Contribuição Social a Pagar R$41.400,00 - R$41.400,00 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO R$253.000,00 R$184.000,00 R$69.000,00 
Capital R$184.000,00 R$184.000,00 - 
Reservas de Lucros R$69.000,00 - R$69.000,00 
TOTAL PASSIVO + PL R$437.000,00 R$230.000,00 R$207.000,00 
 
Demonstração do Resultado 
Vendas Líquidas R$391.000,00 
Custo da Mercadoria Vendida (R$207.000,00) 
Resultado Bruto R$184.000,00 
Despesas com Vendas (R$4.600,00) 
Despesas com Pessoal (R$57.500,00) 
Despesas com Depreciação (R$ 11.500,00) 
Resultado antes dos tributos sobre o Lucro R$ 110.400,00 
Tributos sobre o Lucro (R$ 41.400,00) 
Resultado Líquido do Período R$ 69.000,00 
Na Demonstração dos Fluxos de Caixa elaborada a partir dos dados 
apresentados, as atividades operacionais geraram caixa no valor de: 
 
a) R$59.800,00. 
b) R$82.800,00. 
c) R$138.000,00. 
d) R$161.000,00. 
 
 
Solução: 
Lucro Líquido do Exercício 69.000,00 
Despesa com Depreciação 11.500,00 
Lucro Ajustado 80.500,00 
Variação do Contas a Receber - 34.500,00 
Variação dos Estoques - 23.000,00 
Variação dos Fornecedores 96.600,00 
Variação em Impostos a Pg 41.400,00 
Caixa gerado atv operacional 161.000,00 
 
Caixa da atividade de investimento 126.500,00 
 
Caixa ativid Financiamento - 
 
Caixa gerado no período 34.500,00 
 
 
 
2. (Exame de suficiência 2011-1 Q 10) Uma sociedade empresária 
apresentou, no exercício de 2010, uma variação positiva no saldo de caixa 
e equivalentes de caixa no valor de R$18.000,00. Sabendo-se que o caixa 
gerado pelas atividades operacionais foi de R$28.000,00 e o caixa 
consumido pelas atividades de investimento foi de R$25.000,00, as 
atividades de financiamento: 
 
a) geraram um caixa de R$21.0000,00. 
b) consumiram um caixa de R$15.000,00. 
c) consumiram um caixa de R$21.000,00. 
d) geraram um caixa de R$15.000,00. 
 
 
Solução: 
 
Operacionais 28.000,00 Caixa do período = OP + INV + FIN 
Investimento - 25.000,00 18.000 = 28.000 - 25.000 + FIN 
Financiamento ? FIN = 15.000 
Caixa do período 18.000,00 
 
 
 
 
 
 
 
3. (CONTADOR/CFC/2017) Uma Sociedade Empresária comercial 
apresentou os seguintes dados para elaboração da Demonstração dos 
Fluxos de Caixa relativa ao ano de 2016: 
Entradas de Caixa 
Recebimento por vendas de mercadorias à vista R$120.000,00 
Recebimento por venda de imóvel registrado como Ativo Imobilizado 
R$50.000,00 
Recebimento por integralização de capital R$140.000,00 
Saídas de Caixa 
Pagamento a fornecedores por compra de mercadorias R$90.000,00 
Pagamento de despesas administrativas R$16.000,00 
Pagamento por aquisição de veículo para uso R$72.000,00 
Pagamento do valor principal de empréstimo bancário R$120.000,00 
O saldo de Caixa e Equivalentes de Caixa era de R$12.800,00, em 31.12.2015. 
Considerando-se apenas as informações apresentadas e de acordo com a 
NBC TG 03 (R3) – DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA, em relação à 
Demonstração dos Fluxos de Caixa é CORRETO afirmar que: 
a) o caixa líquido gerado pelas Atividades Operacionais é de R$14.000,00. 
b) o caixa líquido gerado pelas Atividades de Investimento é de R$68.000,00. 
c) o caixa líquido consumido pelas Atividades de Financiamento é de 
R$120.000,00. 
d) o caixa líquido consumido por todas as atividades em conjunto é de 
R$12.000,00. 
 
 
Solução: 
 
 Entradas de Caixa 
 
120.000 Op Recebimento por vendas de mercadorias à vista R$120.000,00 
 
50.000 Inv 
Recebimento por venda de imóvel registrado como Ativo 
Imobilizado R$50.000,00 
 
140.000 Fin Recebimento por integralização de capital R$140.000,00 
 
 Saídas de Caixa 
- 
90.000 Op 
Pagamento a fornecedores por compra de mercadorias 
R$90.000,00 
- 
16.000 Op Pagamento de despesas administrativas R$16.000,00 
- 
72.000 Inv Pagamento por aquisição de veículo para uso R$72.000,00 
- 
120.000 Fin 
Pagamento do valor principal de empréstimo bancário 
R$120.000,00 
 
 
Caixa gerado nas atividades Operacionais 
Op - 90.000 
Op - 16.000 
Op 120.000 
Caixa gerado 14.000 
 
 Caixa gerado/consumido nas ativ de Invest 
Inv 50.000 
Inv - 72.000 
 Consumo - 22.000 
 
 Caixa gerado/consumido nas ativ de 
Financiamento 
Fin 140.000 
Fin - 120.000 
 Geração 20.000 
 
 Todas as ativ 12.000 Caixa gerado 
 
 
 
 
4. (CONTADOR/CFC/2015.2) Uma Sociedade Empresária apresentou os 
seguintes dados que foram extraídos de sua contabilidade: 
 
Estoque em 31/12/2013 
Estoque em 31/12/2014 
Saldo de Fornecedores em 31/12/2013 
Saldo de Fornecedores em 31/12/2014 
Custo das Mercadorias Vendidas 
140.000,00 
80.000,00 
60.000,00 
20.000,00 
470.000,00 
 
A movimentação do estoque é composta por compras e baixa por vendas. Todas 
as compras foram efetuadas a prazo. A movimentação de fornecedores 
corresponde à contrapartida de compras e pagamentos. A Demonstração dos 
Fluxos de Caixa é elaborada pelo Método Direto. 
Com base nos dados apresentados, o caixa consumido para pagamento de 
fornecedores é de: 
a) R$40.000,00. 
b) R$60.000,00. 
c) R$410.000,00. 
d) R$450.000,00. 
 
Solução: 
Caixa consumido para pagamento de fornecedores 
Compras 410.000,00 
 - sd final Fornec 20.000,00 
 + sd inicial Forn 60.000,00 
Caixa consumido 450.000,00 
 
 
Gabarito: 
1. D 
2. D 
3. A 
4. D 
 
Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados e Demonstração da Mutação do 
Patrimônio Líquido 
 
Exercícios de Fixação 
 
Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados 
1. (CONTADOR/CFC) Com relação à Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – 
DLPA, julgueos itens abaixo como Verdadeiros (V) ou Falsos (F) e, em seguida, assinale a 
opção CORRETA. 
I. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL poderá ser incluída na 
Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA, a qual é mais abrangente que 
a anterior. 
II. Quando a Entidade evidenciar o resultado e sua destinação nas Notas Explicativas, está 
desobrigada de publicar a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA. 
III. A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumula dos – DLPA discriminará, entre outros, o 
saldo do início do período, as reversões de reservas de lucro e o lucro líquido do exercício. 
A sequência CORRETA é: 
a) F, F, V. 
b) F, V, F. 
c) V, F, V. 
d) V, V, F. 
Solução da questão 
Os itens I e II não estão de acordo com a Lei 6.404/76 e suas alterações, o item III é o único 
correto, visto que encontra-se em consonância o artigo 186, que dispõe: 
“Art. 186. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discriminará: 
I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do 
saldo inicial; 
II - as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício; 
III - as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e 
o saldo ao fim do período. 
§ 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos 
da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício 
anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes. 
§ 2º A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do dividendo 
por ação do capital social e poderá ser incluída na demonstração das mutações do patrimônio 
líquido, se elaborada e publicada pela companhia. ” 
Alternativa correta: A. 
2.(ANALISTA/ESAF/ADAPTADA) Analise as informações retiradas da Demonstração de Lucros 
ou Prejuízos Acumulados de uma empresa comercial referente ao período de 01.01.20X6 a 
31.12.20X6. 
 
 
 
 
 
 
Com base nestes dados, o saldo ao final do período da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados é 
de: 
 (a) R$ 1.000,00; 
(b) R$ 1.500,00; 
(c) R$ 1.400,00; 
(d) R$ 2.400,00; 
(e) Zero. 
Solução da questão 
Com as informações fornecidas na questão, elaboramos a DLPA abaixo: 
DLPA - exercício findo em 31/12/20X6 da Cia XYZ S.A (R$) 
saldo em 31 de dezembro de 20X5 0,00 
(+/-) resultado do período (700,00) 
(+) reversão de reservas de exercício anteriores 1.200,00 
(-) proposta da administração para distribuição do lucro (500,00) 
 transferências para reservas (200,00) 
 dividendos a distribuir (300,00) 
saldo em 31 de dezembro de 20X6 0,00 
Alternativa correta: E. 
 
 
 
 
 
Dividendos Distribuídos RS 300,00 
Prejuízo do exercício R$ 700,00 
Reversão de Reserva de Exercícios Anteriores R$ 1.200,00 
Transferências para Reservas R$ 200,00 
Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido 
1. (CONTADOR JUNIOR/CESGRANRIO/ADAPTADA) Em uma companhia S/A, a DMPL, levando 
em conta os aspectos técnico–conceituais e as determinações da Lei Societária, NBC TG 26 
R(4) e NBC TG 1.000 (R1) é considerada uma demonstração 
a) obrigatória, nos dizeres exclusivos da Lei das S/A. 
b) utilizada somente para evidenciar as mutações ocorridas nas contas de Capital Subscrito 
e Capital a Realizar. 
c) que não pode ser substituída pela DLPA em hipótese alguma. 
d) menos completa que a DLPA, vez que não apresenta informações sobre a distribuição do 
resultado. 
e) para evidenciar as alterações das contas de Capital Social, Reservas de Capital e de Lucros, 
Ajustes de Avaliação Patrimonial, Ações em Tesouraria e Lucros Prejuízos Acumulados. 
Solução da questão 
A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido -DMPL não é obrigatória pela Lei nº 
6.404/76. Entretanto, a CVM através da instrução normativa nº 59/86, determina a sua 
publicação para as companhias abertas, assim como a NBC TG 26 (R5). Logo, a DMPL evidencia 
toda a movimentação ocorrida no Patrimônio Líquido em um dado período. 
A NBC TG 26 (R5), que trata das demonstrações contábeis, apresenta no item 106 como 
devem ser incluídas as seguintes informações: 
▪ para cada componente do patrimônio líquido, a conciliação do saldo no início e no final 
do período, demonstrando-se separadamente as mutações decorrentes: 
(v) do resultado líquido; 
(vi) de cada item dos outros resultados abrangentes; 
(vii) de transações com os proprietários realizadas na condição de proprietário, 
demonstrando separadamente suas integralizações e as distribuições realizadas, 
bem como modificações nas participações em controladas que não implicaram 
perda do controle. 
Portanto, a alternativa correta: E. 
 
 
 
 
 
http://www.contabilbr.com/textos/contabilidade/conceito_de_patrimonio_liquido.html
2. (CONTADOR/CFC/ADAPTADA) Uma sociedade empresária, cujo Patrimônio Líquido no início 
do período somava R$100.000,00, apresentou, no ano de 20X1, as seguintes mutações em 
seu Patrimônio Líquido: 
Lucro Líquido do Período R$20.000,00 
Destinação do lucro para reservas R$15.000,00 
Destinação do lucro para dividendos obrigatórios R$5.000,00 
Aquisição de ações da própria companhia R$2.000,00 
Integralização de Capital em dinheiro R$9.000,00 
Incorporação de Reservas ao Capital R$4.000,00 
Em 31.12.20X1, o saldo do Patrimônio Líquido será: 
a) R$108.000,00; 
b) R$118.000,00; 
c) R$122.000,00; 
d) R$124.000,00. 
Solução da questão 
Analisando o total do PL em 1º.1.20X1, antes das movimentações, apresentava o valor de 
R$100.000,00. A partir da movimentação ocorrida, passou a apresentar R$ 122.000, conforme 
explicação a seguir: 
▪ 20.000 (aumento do PL em virtude do lucro do período); 
▪ 5.000 (diminuição do PL em virtude de transferência do lucro para dividendos a pagar); 
▪ 2.000 (diminuição do PL em virtude de aquisição de ações da própria companhia) 
▪ 9.000 (aumento do PL em virtude da integralização de capital); 
Total do PL =R$ 122.000 
Alternativa correta: C. 
 
 
Exercícios Extra: 
 
1. (CONTADOR/CFC/2016.2) Uma Sociedade Empresária apresentava, em 
31.12.2014, os seguintes saldos nas contas do Patrimônio Líquido: 
 
Conta Saldos em R$1,00 
Capital Subscrito 400.000 
Capital a Integralizar 250.000 
Reserva para Contingências 40.000 
Reserva Legal 10.000 
 
No ano de 2015, os seguintes eventos afetaram os saldos das contas do 
Patrimônio Líquido: 
 
Considerando-se os dados apresentados, assinale a opção CORRETA 
que apresenta a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido 
compatível com os eventos ocorridos entre 1º.1.2015 e 31.12.2015. 
 
Eventos Valores em R$1,00 
Integralização de capital em dinheiro 200.000 
Lucro do período 100.000 
Destinação do lucro para Reserva Legal 5.000 
Destinação do lucro para Reserva Estatutária 57.000 
Destinação do lucro para Dividendos 
Obrigatórios 
38.000 
 
 
2. (CONTADOR/CFC/2016.1) Com relação à Demonstração dos Lucros ou 
Prejuízos Acumulados – 
DLPA, julgue os itens abaixo como Verdadeiros (V) ou Falsos (F) e, em 
seguida, assinale a opção CORRETA. 
 
I. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL poderá ser 
incluída na Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA, a qual 
é mais abrangente que a anterior. 
II. Quando a Entidade evidenciar o resultado e sua destinação nas Notas 
Explicativas, está desobrigada de publicar a Demonstração dos Lucros ou 
Prejuízos Acumulados – DLPA. 
III. A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA discriminará, 
entre outros, o saldo do início do período, as reversões de reservas de lucro e 
o lucro líquido do exercício. 
 
A sequência CORRETA é: 
a) F, F, V. 
b) F, V, F. 
c) V, F, V. 
d) V, V, F. 
 
3. (CONTADOR/CFC/2015.2) Em relação à Demonstração das Mutações 
do Patrimônio Líquido – DMPL, julgue os itens abaixo como Verdadeiros 
(V) ou Falsos (F) e, em seguida, assinale a opção CORRETA.I. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL é uma 
demonstração de apresentação obrigatória pela Lei das Sociedades por 
Ações. 
II. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL poderá 
substituir a Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados – DLPA, 
pois as informações apresentadas na DLPA fazem parte da DMPL. 
III. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL evidencia 
quais contas sofreram alterações e os respectivos montantes, que 
deram origem às transformações ocorridas no Patrimônio Líquido. 
IV. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL deve 
evidenciar apenas as alterações ocorridas no Patrimônio Líquido 
relativas à parte dos acionistas não controladores. 
 
A sequência CORRETA é: 
a) F, V, F, V. 
b) F, V, V, F. 
c) V, F, F, V. 
d) V, F, V, F. 
 
 
 
 
4. (CONTADOR/CFC/2015.1) Uma Sociedade Empresária apresentava, 
em 1o.1.2014, os seguintes saldos em suas contas de Patrimônio Líquido: 
 
Capital Subscrito R$500.000,00 Credora 
Capital a Integralizar R$150.000,00 Devedora 
Reserva Legal R$30.000,00 Credora 
Reserva de Lucros para Expansão R$50.000,00 Credora 
 
Durante o ano de 2014, essa sociedade apresentou as seguintes 
movimentações 
 
Integralização de capital em dinheiro no montante de R$80.000,00. 
Lucro Líquido do período no montante de R$120.000,00. 
Destinação do lucro para dividendos obrigatórios a pagar de R$65.000,00. 
Destinação do lucro para Reserva Legal de R$6.000,00. 
Destinação do lucro para Reserva de Lucros para Expansão de R$49.000,00. 
 
Considerando que houve apenas esses saldos e movimentações, o saldo 
do Patrimônio Líquido da empresa, em 31.12.2014, era de: 
a) R$565.000,00. 
b) R$630.000,00. 
c) R$865.000,00. 
d) R$930.000,00. 
 
Solução: 
 
 
Capital 
Subscrito 
Capital a 
Integralizar 
Reserva 
Legal 
Reserva de 
Lucros para 
Expansão 
Lucros 
Acumulado
s Total 
Saldo inicial 
 
500.000,00 
- 
150.000,00 
 
30.000,00 
 
50.000,00 
 
430.000,00 
Integralização de capital em dinheiro 
 
80.000,00 
 
80.000,00 
Lucro Líquido do período 
 
120.000,00 
 
120.000,00 
Destinação do lucro para dividendos 
obrigatórios 
- 
65.000,00 
- 
65.000,00 
Destinação do lucro para Reserva Legal 
 
6.000,00 
- 
6.000,00 
 
- 
Destinação do lucro para Reserva de Lucros 
para Expansão 
 
49.000,00 
- 
49.000,00 
 
- 
 
 
- 
Total 
 
500.000,00 
- 
70.000,00 
 
36.000,00 
 
99.000,00 
 
- 
 
565.000,00 
 
Gabarito: 
1. C 
2. A 
3. A 
4. A 
 
 
 
 
 
Demonstração do Valor Adicionado e Notas Explicativas 
 
Exercícios de Fixação 
 
Demonstração do Valor Adicionado. 
1.(CONTADOR/PETROBRAS/ADAPTADA) A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) evidencia 
o(a): 
(a) quanto de riqueza uma empresa adicionou, de que forma essa riqueza foi distribuída e o 
quanto ficou retido na empresa. 
(b) valor adicionado originado das operações, os recursos oriundos das atividades de 
financiamento e o saldo de caixa resultante no final do período. 
(c) montante de riqueza que uma empresa adicionou, o quanto dessa riqueza foi distribuída 
para os agentes e acionistas e os lucros retidos pela empresa sem destinação específica. 
(d) receita adicionada pela empresa deduzida das despesas operacionais, exceto a financeira, e 
o total de lucros retidos em forma de reservas. 
(e) riqueza adicionada pela empresa, a distribuição dos dividendos realizada e a variação do 
patrimônio líquido no exercício. 
Solução da questão 
A DVA tem por objetivo demonstrar o valor da riqueza econômica gerada pelas atividades 
da empresa como resultante de um esforço coletivo e sua distribuição entre os elementos que 
contribuíram para a sua criação. 
Desse modo, a DVA acaba por prestar informação a todos os agentes econômicos 
interessados na empresa, tais como empregados, clientes, fornecedores, financiadores e 
governo. Assim, pode-se conhecer o quanto a empresa gerou de riqueza e como essa riqueza 
foi distribuída em benefício da coletividade, bem como qual foi a parcela de contribuição de 
cada setor da coletividade na formação dessa mesma riqueza. 
Salienta-se que o valor adicionado que é demonstrado na DVA corresponde à diferença 
entre o valor da receita de vendas e os custos dos recursos adquiridos de terceiros. 
Alternativa correta: A 
 
 
 
 
 
2. (FISCAL/ICMS RJ/ADAPTADA) A Cia Petrópolis apresentava os seguintes dados para a 
montagem da Demonstração do Valor Adicionado em 31.12.X0: 
• Vendas R$ 1.000,00 (incluindo R$ 190,00 de impostos incidentes sobre vendas) 
• Compra de matéria-prima R$ 240,00 (incluindo R$ 80,00 de impostos recuperáveis 
incidentes sobre as compras) 
• Despesas de Salários R$ 200,00 
• Despesa de Juros R$ 140,00 
• Estoque inicial de matéria prima zero 
• Estoque final de matéria prima zero 
Assinale a alternativa que indique corretamente o valor adicionado a distribuir da Cia Petrópolis 
em 31.12.X0: 
(a) R$ 310,00; 
(b) R$ 510,00; 
(c) R$ 620,00; 
(d) R$ 650,00; 
(e) R$ 760,00. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Solução da questão 
O examinador solicita a primeira parte da DVA, assim, devemos demonstrar de forma 
detalhada a riqueza criada pela entidade com os seus principais componentes. 
Para encontrarmos o valor do CMV, utilizamos a seguinte fórmula: 
CMV= EI+ C - EF: onde: 
CMV - Custo da Mercador Vendida 
EI - Estoque Inicial 
C - Compras 
EF- Estoque Final. 
CMV= 0 +240,00 - 0 
Logo, o valor encontrado para o CMV é de 240,00, a partir dessa informação, vamos elaborar a 
DVA. 
Demonstração do Valor Adicionado 
RECEITAS ........................................................................................... 1.000,00 
Receita bruta .................................................................................... 1.000,00 
INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS 
(inclui ICMS e IPI) ............................................................................. (240,00) 
 (-) CMV ............................................................................................ (240,00) 
 (=) VALOR ADICIONADO BRUTO ........................................................ 760,00 
(-) RETENÇÕES.......................................................................................... 0,00 
(=) VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO 
PELA ENTIDADE ................................................................................... 760,00 
(+) VALOR ADICIONADO RECEBIDO 
EM TRANSFERÊNCIA ............................................................................... 0,00 
 (=) VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR .................................. 760,00 
Alternativa correta: E 
 
 
 
 
 
 
 
Notas Explicativas 
1.(CONTADOR/DPE-MT) Em 20 de fevereiro de 2014, um incêndio destruiu a fábrica de uma 
filial da empresa “X”, que teve perda de parte importante de suas máquinas. 
Em 01 de março de 2014, a administração da empresa autorizou a divulgação das 
demonstrações contábeis de 31 de dezembro de 2013. Assinale o posicionamento correto da 
empresa, em relação ao incêndio, nas demonstrações contábeis publicadas em março de 2014. 
a) Gerar um ajuste no patrimônio líquido das demonstrações contábeis de 31/12/2013, mas 
não evidenciar nas notas explicativas. 
b) Não gerar ajuste nas demonstrações contábeis, mas evidenciar nas notas explicativas. 
c) Não gerar ajustes e nem evidenciar nas notas explicativas 
d) Mencionar o fato no Relatório da Administração apenas. 
e) Divulgar um fato relevante para o mercado acionário. 
Solução da questão 
Ao analisar a assertiva, encontramoso embasamento técnico na alínea (i) do parágrafo 5º 
do artigo 176 da Lei 6.404/76 e nos itens 8,10 da NBC TG 24 (R1), seguem os embasamentos. 
 
Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na 
escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que 
deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as 
mutações ocorridas no exercício: 
§ 5 As notas explicativas devem: 
IV – indicar: 
i) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou 
possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros 
da companhia. Grifo nosso. 
 
Já a NBC TG 24 (R1) aduz que: 
8. A entidade deve ajustar os valores reconhecidos em suas demonstrações 
contábeis para que reflitam os eventos subsequentes que evidenciem condições 
que já existiam na data final do período contábil a que se referem às 
demonstrações contábeis. 
10. A entidade não deve ajustar os valores reconhecidos em suas demonstrações 
contábeis por eventos subsequentes que são indicadores de condições que 
surgiram após o período contábil a que se referem às demonstrações. Grifo nosso. 
Alternativa correta: B. 
 
2. (ANALISTA/ESAF/ADAPTADA) Uma empresa encerrou o exercício social em 31.12.20X0. Em 
janeiro de 20X1, antes de efetuar a publicação das Demonstrações Contábeis, obtém um 
empréstimo significativo que irá alterar a sua estrutura de capital. Qual deve ser o 
procedimento de evidenciação a ser seguido pela empresa para comunicar o fato? 
(a) Não é necessário nenhum procedimento específico; 
(b) Deve alterar as Demonstrações Contábeis de 31.12.20X0; 
(c) Apresentar exclusivamente nas Demonstrações Contábeis de 20X1; 
(d) Evidenciação em Nota Explicativa; 
(e) Apresentar como Ajuste de Exercícios Anterior 
Solução da questão 
Quando houver fatos subsequentes à data do encerramento até a sua publicação, que 
tenham efeitos relevantes sobre a situação patrimonial ou financeira da empresa ou ainda 
efeitos sobre seus resultados futuros, os mesmos deverão ser incluídos nas NEs. De acordo com 
a alínea (i) § 5 do artigo 176 da Lei nº 6.404/76 com as alterações da Lei 11.941/09. 
Alternativa correta: D. 
 
 
Lista Extra de Exercícios: 
Exercícios sobre CPC09 - DVA 
 
1. (BACHAREL 2012 2 Q 14) Assinale a opção que apresenta exemplo de 
valores que reduzem o valor adicionado bruto, por estarem incluídos nos 
insumos adquiridos de terceiros, na Demonstração do Valor Adicionado 
(DVA). 
 
a) Salários de empregados, computados no custo dos produtos vendidos. 
b) Estoque de matéria-prima. 
c) Despesas com serviço de representação comercial, prestada por terceiros. 
d) Aluguéis de máquinas utilizadas na produção. 
 
2. (BACHAREL 2012 1 Q 1) Uma sociedade empresária apresentou os 
seguintes dados para a elaboração da Demonstração do Valor 
Adicionado: 
 
Receita Bruta de Vendas R$800.000,00 
(-) Tributos sobre as Vendas R$136.000,00 
Receita Líquida R$664.000,00 
(-) Custo das Mercadorias Vendidas R$498.000,00 
Lucro Bruto R$166.000,00 
Despesa com Pessoal R$90.000,00 
Despesa com Depreciação R$8.000,00 
Despesa de Juros sobre Empréstimos R$3.000,00 
Resultado antes dos Tributos sobre o Lucro R$65.000,00 
Imposto de Renda R$16.250,00 
Contribuição Social R$5.850,00 
Resultado do Período R$42.900,00 
 
Informações adicionais: 
 
I. O custo de aquisição da mercadoria vendida foi calculado da seguinte 
forma: 
 
Valor da Mercadoria R$600.000,00 
ICMS Recuperado R$102.000,00 
Custo Aquisição R$498.000,00 
II. O valor da despesa com Pessoal é composto dos seguintes gastos: 
 
 
Salários, Férias e 13º Salário R$65.000,00 
INSS R$25.000,00 
Total R$90.000,00 
De acordo com a Demonstração do Valor Adicionado, elaborada a partir dos 
dados fornecidos, assinale a opção INCORRETA. 
 
a) O Valor adicionado a distribuir é R$192.000,00. 
b) O Valor adicionado a distribuir é R$294.000,00. 
c) O valor da remuneração de capital de terceiros é de R$3.000,00. 
d) O valor distribuído para pessoal é de R$65.000,00. 
 
 
 
Solução: 
Receita Bruta de Vendas 800.000,00 
Valor da Mercadoria Vendida 600.000,00 
valor adicionado bruto 200.000,00 
depreciação 8.000,00 
Valor adicionado líquido gerado pela empresa 192.000,00 
Resposta: b 
 
 
 
 
 
 
 
3. (Exame de suficiência 2012-1 Q 11) Na Demonstração do Valor 
Adicionado, a despesa com aluguel, a energia elétrica consumida no 
período e o resultado positivo da equivalência patrimonial são 
evidenciados, respectivamente, como: 
 
a) insumos adquiridos de terceiros; insumos adquiridos de terceiros e 
remuneração do capital próprio. 
b) insumos adquiridos de terceiros; remuneração do capital de terceiros e valor 
adicionado recebido em transferência. 
c) remuneração do capital de terceiros; insumos adquiridos de terceiros e valor 
adicionado recebido em transferência. 
d) remuneração do capital de terceiros; remuneração do capital de terceiros e 
remuneração do capital próprio. 
 
 
 
4. (CONTADOR/CFC/2015.1) Uma Sociedade Empresária, tributada pelo 
lucro real, realizou as seguintes 
operações com mercadorias: 
 
Aquisição de 400 unidades de mercadoria pelo valor total de R$80.000,00, 
neste valor incluídos ICMS na alíquota de 18%; e PIS e Cofins na alíquota de 
1,65% e 7,6%, respectivamente. 
Venda de 200 unidades de mercadoria por R$70.000,00. 
Sobre a venda, incidiram tributos nas alíquotas de: ICMS – 18%; PIS – 1,65%; 
e Cofins – 7,6%. 
 
A empresa não apresentava estoque inicial. 
A contribuição dessas transações para o Valor Adicionado a Distribuir, 
apurada em conformidade com a NBC TG 09 – Demonstração do Valor 
Adicionado, é de: 
a) R$40.900,00. 
b) R$37.200,00. 
c) R$30.000,00. 
d) R$21.825,00. 
 
 
 
Gabarito: 
1. D 
2. B 
3. C 
4. C 
 
Indicadores de Rentabilidade / Produtividade / Lucratividade 
Objetivo 
O objetivo geral desses quocientes é avaliar a situação Econômica da empresa. Tais 
índices medem, em geral, os retornos de capitais através de lucros ou receitas. Dessa 
forma a grande maioria desses índices relaciona elementos extraídos do balanço 
patrimonial com elementos da demonstração do resultado do exercício. 
Demonstrações Contábeis que servirão de base para cálculos dos indicadores nos 
exemplos: 
Balanço Patrimonial - 2013 
Ativo Passivo + PL 
Ativo Circulante 35.000,00 Passivo Circulante 57.000,00 
Ativo Não Circulante 61.000,00 Passivo Não Circulante 15.000,00 
Realizável a Longo Prazo 16.000,00 Patrimônio Líquido 24.000,00 
Investimento 12.000,00 
Imobilizado 26.000,00 
Intangível 7.000,00 
 
Demonstração do Resultado do Exercício (em R$) 
Receita Operacional Líquida 156.000 
Custo dos Produtos Vendidos (82.000) 
Lucro Bruto 74.000 
Despesas Operacionais (29.000) 
Com Vendas (11.000) 
Gerais e Administrativas (40.000) 
Outras Receitas 7.000 
Resultado Financeiro Líquido 15.000 
Lucro Antes do IR 45.000 
Imposto de Renda (10.800) 
Lucro Líquido 34.200 
 
 Giro do Ativo (GA) – Indica quanto a empresa obtém de receita de vendas para 
cada R$ 1,00 de investimento total no ativo. 
 
GA = Receita de Vendas (Líquidas) 
 Ativo 
 
GA = 156.000 = 1,63 
 96.000 
Onde, Receita de Vendas representa R$ 156.000, e Ativo Total R$ 96.000. 
 
Interpretação: para cada R$ 1,00 investido no ativo total da empresa, esta obtém uma 
receita de vendas de R$ 1,63. 
 
OBS: Alguns analistas utilizam para cálculo do GA, o Ativo Médio, que representa a 
média aritmética entre o valor do ativo total no balanço de encerramento do exercício 
anterior e no balanço de encerramento do exercício atual. 
“Para fins de divulgação na demonstração do resultado, a receita inclui somente os 
ingressos brutos de benefícioseconômicos recebidos e a receber pela entidade quando 
originários de suas próprias atividades. As quantias cobradas por conta de terceiros – 
tais como tributos sobre vendas, tributos sobre bens e serviços e tributos sobre valor 
adicionado não são benefícios econômicos que fluam para a entidade e não resultam 
em aumento do patrimônio líquido. Portanto, são excluídos da receita. Da mesma forma, 
na relação de agenciamento (entre o principal e o agente), os ingressos brutos de 
benefícios econômicos provenientes dos montantes arrecadados pela entidade 
(agente), em nome do principal, não resultam em aumentos do patrimônio líquido da 
entidade (agente), uma vez que sua receita corresponde tão-somente à comissão 
combinada entre as partes contratantes”¹. 
 
 Giro do Ativo Operacional (GAOP) – Indica quanto a empresa obtém de receita 
de vendas para cada R$ 1,00 de investimento no seu ativo operacional. 
 
Ativo Operacional – Composto por: Ativo Circulante, Imobilizado e Intangível. O ativo 
Realizável á Longo Prazo, que representa os créditos a longo prazo da empresa que 
só se converterão em dinheiro a longo prazo e o Investimento, que representa os bens 
da empresa não destinados a manutenção de suas atividades serão excluídos do 
cálculo do ativo operacional. 
 GAO = Receita de Vendas (Líquidas) 
 Ativo Operacional 
 
 GAOP = 156.000_______ = 2,29 
 35.000 + 26.000 + 7.000 
Onde, Ativo Circulante representa R$ 35.000, Imobilizado representa R$ 26.000 e 
Intangível representa R$ 7.000. 
 
Interpretação: Para cada R$ 1,00 de investimento no ativo operacional, a empresa 
obtém de receita de vendas de R$ 2,29. 
 
 Margem Bruta (MB) – também chamada de Lucratividade Bruta, indica a 
margem de lucro de uma empresa nas vendas de seus produtos. Esse índice 
indica a capacidade da empresa transformar as receitas de vendas em lucro 
bruto. 
 
 MB = Lucro Bruto 
 Receita de Vendas (Líquida) 
 
 MB = 74.000 = 0,4744 (ou 47%) 
 156.000 
Onde, Lucro Bruto representa R$ 74.000. 
 
Interpretação: Nas operações de vendas de mercadorias, a empresa tem uma margem 
de lucro de 47%, isto é, o lucro nas vendas corresponde a 47% da Receita de Vendas. 
 
 Margem Operacional (MOP) – também chamada de Lucratividade Operacional, 
esse índice indica a capacidade de a empresa transformar as receitas de vendas 
em lucro operacional. Desse modo, seu cálculo pode ser feito mediante o uso da 
seguinte fórmula: 
 
MOP = Lucro Operacional 
 Receitas de Vendas (Líquida) 
 
MOP = 45.000 = 0,2885 (ou 29%) 
 156.000 
Onde, Lucro Operacional representa R$ 45.000. 
 
Interpretação: 29% da receita de vendas se transformam em lucro operacional. 
 
 Margem Líquida (ML) – também chamada de Lucratividade Líquida, esse índice 
indica a capacidade da empresa transformar as receitas de vendas em lucro 
líquido. Seu cálculo pode ser feito mediante o uso da seguinte fórmula: 
 
ML = Lucro Líquido 
 Receita de Vendas (Líquida) 
 
ML = 34.200 = 0,2192 (ou 22%) 
 156.000 
 Onde, Lucro Líquido representa R$ 34.200. 
 
Interpretação: 22% da receita de vendas se transformam em lucro líquido. 
 
 Retorno (ou Rentabilidade ou Lucratividade) do Ativo (RA) – Também 
chamado de rentabilidade ou Lucratividade sobre o Investimento Total, esse 
índice indica quanto a empresa obtém de lucro para cada R$ 1,00 de 
investimento total no ativo. 
 
RA = Lucro Líquido 
 Ativo 
 
RA = 34.200 = 0,36 (ou 36%) 
 96.000 
 Onde, Lucro Líquido representa R$ 34.200 e Ativo representa R$ 96.000. 
 
Interpretação: Para cada R$ 1,00 de investimento total do ativo, a empresa obtém R$ 
0,36 de lucro líquido. De outro modo, o lucro líquido da empresa deu um retorno de 36% 
sobre seu investimento total no ativo. 
 
O RA também pode ser calculado utilizando a fórmula “Du Pont”: 
 
 RA = ML x GA 
 RA = 22% x 1,63 = 0,36 (ou 36%) 
 
 
 Retorno (ou Rentabilidade) operacional do Ativo (ROA) – Indica quanto á 
empresa obtém de lucro operacional para cada R$ 1,00 de investimento total no 
ativo. 
 
ROA = MOP x GA 
ROA = 29% x 1,63 = 0,47 (ou 47%) 
 
Interpretação: Para cada R$ 1,00 investido no ativo total, a empresa obtém um lucro 
operacional de R$ 0,47. De outro modo, o lucro operacional da empresa deu um retorno 
de 47% sobre seu investimento total no ativo. 
 
 Retorno (ou Rentabilidade) do Ativo Operacional (RAOP) – Esse índice 
indica quanto a empresa obtém de lucro operacional para cada R$ 1,00 de 
investimento no seu ativo operacional. 
 
RAOP = MOP x GAOP 
RAOP = 29% X 2,29 = 0,66 (ou 66%) 
 
Interpretação: Para cada R$ 1,00 investido no ativo operacional, a empresa obtém um 
lucro operacional de R$ 0,66. De outro modo, o lucro operacional da empresa deu um 
retorno de 66% sobre seu investimento no ativo operacional. 
 
 Retorno (ou Rentabilidade) do Capital Próprio (RCP) – Indica o lucro líquido 
que os sócios obtiveram para cada R$ 1,00 que investiram no capital próprio da 
empresa. De outro modo, representa o retorno percentual que o lucro líquido de 
determinado exercício social dá sobre o investimento dos sócios da empresa. 
 
 
RCP = Lucro Líquido 
 Patrimônio Líquido 
 
 RCP = 34.200 = 1,42 
 24.000 
 
Interpretação: Para cada R$ 1,00 investido no PL, a empresa obtém um lucro líquido 
de R$ 1,42. De outro modo, o lucro líquido da empresa deu um retorno de 142% sobre 
seu investimento PL. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exercícios 
1ª Questão - Prova: IDECAN - 2013 - COREN-MA - Contador – Uma empresa comercial 
encerrou o exercício financeiro apresentando lucro líquido e R$ 250.000, e em seu 
balanço os seguintes dados: 
Balanço Patrimonial - 2013 
Ativo R$ Passivo + PL R$ 
Circulante 50.000,00 Circulante 40.000,00 
Disponível 50.000,00 Duplicatas a Pagar 40.000,00 
Ativo Não Circulante 950.000,00 Passivo Não Circulante 610.000,00 
Imobilizado 950.000,00 Financiamentos 610.000,00 
 Patrimônio Líquido 350.000,00 
 Capital 100.000,00 
 Reservas de Lucros 250.000,00 
Total do Ativo 1.000.000,00 Total do Passivo 1.000.000,00 
 
 Considerando os dados apresentados, a empresa demonstra Taxa de Retorno de 
Investimentos de: (RA) 
 
R: RSA = LL / AT .... RSA = 250.000 / 1.000.000 = 0,25 
 
A cada R$1,00 investido no Ativo, a empresa obtém, de lucro líquido, R$0,25. 
Pelo resultado da aplicação do indicador podemos entender que todo o 
investimento no ativo gera lucro de 25% do capital investido. 
Podemos entender também que se esse cenário permanecer pelos próximos 
anos, o payback é de 4 anos. 
 
2ª Questão - Prova: CFC - 2012 - CFC - Contador - Uma sociedade empresária 
apresentou os seguintes indicadores nos últimos três exercícios: 
 
Indicador 2009 2010 2011 
Quociente de Endividamento 
 
1,00 2,00 3,00 
Rentabilidade sobre o Patrimônio Líquido 18% 21% 24% 
Rentabilidade sobre o Ativo 15% 15% 15% 
Margem Líquida 10% 6% 5% 
 
A partir da análise dos indicadores, é correto afirmar que: 
 
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/idecan-2013-coren-ma-contador
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/cfc-2012-cfc-contador
a. A elevação do endividamento ao longo dos anos tem reduzido a rentabilidade 
proporcionada aos proprietários. INCORRETA – a rentabilidade do PL vem 
aumentando 
b. A taxa de retorno sobre o Ativo tem se mantido em 15% apesar da queda na 
margem líquida, porque a empresa tem aumentado o giro do ativo. CORRETO 
– pois retorno sobre o ativo também é medido pela ML (margem líquida) X 
GA (giro do ativo) 
c. Do ponto de vista dos proprietários, a empresa está a cada dia menos lucrativa 
e menos arriscada. INCORRETO – a empresa apresenta RSPL maior a cada 
ano e apresenta endividamentomaior a cada ano, o que pode aumentar o 
risco do negócio. 
d. O custo médio do capital de terceiros é inferior a 15% a.a., uma vez que a 
rentabilidade do Patrimônio Líquido supera a rentabilidade sobre o Ativo. 
INCORRETO – as informações apresentadas não são suficientes para 
determinar que esta afirmativa é 100% correta. 
 
 
 
 
3ª Questão - Prova: CESGRANRIO - 2011 - BNDES - Profissional Básico - Ciências 
Contábeis 
Entre os indicadores econômico-financeiros abaixo, qual se relaciona à rentabilidade 
da empresa? 
a. Ativo circulante ÷ passivo circulante (indicador de liquidez) 
b. Ativo permanente ÷ patrimônio líquido (indicador de imobilização) 
c. Passivo circulante ÷ ativo total (indicador de endividamento) 
d. Passivo exigível total ÷ ativo total (indicador de endividamento) 
e. Lucro líquido no exercício ÷ ativo total médio 
 
 
 
4ª Questão - Prova: FUNCAB - 2011 - Prefeitura de Várzea Grande - MT - Auditor de 
Controle Interno 
Com o objetivo de analisar diversas Demonstrações Contábeis de um conjunto de 
empresas que solicitaram financiamento, ficou decidido que inicialmente, ser iam 
escolhidos apenas 3 indicadores, de tal maneira que fosse possível fazer uma 
espécie de ranking das empresas de acordo com sua situação geral e também que 
não se perdessem muitas horas de trabalho nessas análises preliminares. A 
alternativa que apresenta indicadores que possibilitam avaliar a situação econômica 
e financeira das empresas, permitindo a partir dessa análise prévia descartar as 
empresas com menor potencial de pagamento dos financiamentos solicitados, é 
composta de indicadores: 
 
a. De liquidez corrente, liquidez geral e liquidez seca, pois são os indicadores 
determinantes para avaliar a capacidade de pagamento. 
b. De endividamento, pois eles é que determinarão as margens de comprometimento 
dos recursos totais das empresas. 
c. De liquidez, de endividamento e de rentabilidade, pois são um conjunto de 
informações que se completam para fins de obtenção de uma análise ampla. 
d. De liquidez, da taxa de retorno sobre o investimento e índices de atividade, pois 
são um conjunto de informações que se completam para fins de obtenção de uma 
análise ampla. 
e. De endividamento, de liquidez e de atividade, pois são um conjunto de informações 
que se completam para fins de obtenção de uma análise ampla. 
 
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/cesgranrio-2011-bndes-profissional-basico-ciencias-contabeis
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/cesgranrio-2011-bndes-profissional-basico-ciencias-contabeis
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/funcab-2011-prefeitura-de-varzea-grande-mt-auditor-de-controle-interno
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/funcab-2011-prefeitura-de-varzea-grande-mt-auditor-de-controle-interno
5ª Questão - Prova: CESGRANRIO - 2011 - Petrobrás - Contador Júnior - 2011 - A Cia. 
Minesso S/A, realizando análise de investimentos em capital de giro, está estudando 
duas alternativas, conforme se observa abaixo. 
 
Itens 
Investimento ZZ em Capital de 
Giro 
Investimento YY em Capital de 
Giro 
Ativo Circulante 950.000,00 1.900.000,00 
Ativo Imobilizado 3.000.000,00 3.000.000,00 
Total do Ativo 3.950.000,00 4.900.000,00 
Passivo Circulante 900.000,00 650.000,00 
Passivo Não Circulante 550.000,00 1.750.000,00 
Patrimônio Líquido 2.500.000,00 2.500.000,00 
Total do Passivo 3.950.000,00 4.900.000,00 
 Juros 417.500 juros 775.000 
 
 
Além disso, sabe-se que: 
• O custo de capital de curto prazo atinge 25%, e o de longo prazo atinge 35%. 
• A empresa apresenta um lucro operacional bruto de R$ 800.000,00. 
• A alíquota do IR é de 25%. 
 
 
 
Considerando exclusivamente as informações acima, o retorno, em percentual, 
sobre o Patrimônio Líquido dos investimentos ZZ e YY, respectivamente, foi de: 
 
a. 13,45% e 1,25% 
b. 12,72% e 1,18% 
c. 11,48% e 0,75% 
d. 11,22% e 0,71% 
e. 11,10% e 0,65% 
 
6ª Questão - Prova: CEPERJ - 2011 - SEDUC-RJ - Professor - Administração – 
Determinada empresa apresentou uma venda no valor de R$ 40.000. Pagou comissão 
de vendas de 5% sobre a receita de venda, impostos sobre vendas de 20%, despesas 
administrativas de R$ 8.000 e um custo de mercadorias vendidas de R$ 15.000. Ainda 
pagou 30% de imposto de renda sobre o lucro líquido. 
 
Sabendo-se que a empresa apresenta um patrimônio líquido de $50.000, o retorno 
sobre o capital próprio, desprezando-se os arredondamentos é: 
 
a. 14% 
b. 10% 
c. 20% 
d. 34% 
e. 50% 
 
7ª Questão - Prova: CEPERJ - 2011 - SEDUC-RJ - Professor - Administração 
 
Balanço Patrimonial - 2013 
Ativo R$ Passivo + PL R$ 
Circulante 10.000,00 Circulante 7.000,00 
Disponível 1.000,00 Duplicatas a Pagar 7.000,00 
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/cesgranrio-2011-petrobras-contador-junior-2011
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/ceperj-2011-seduc-rj-professor-administracao
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/ceperj-2011-seduc-rj-professor-administracao
Duplicatas a Receber 7.000,00 
Estoques 2.000,00 
Ativo Não Circulante 35.000,00 Passivo Não Circulante 7.000,00 
Realizável a Longo Prazo 3.000,00 Financiamentos 7.000,00 
Imobilizado 32.000,00 Patrimônio Líquido 31.000,00 
 Capital 31.000,00 
Total do Ativo 45.000,00 Total do Passivo 45.000,00 
 
 
A empresa anuncia garantir aos futuros sócios uma rentabilidade dos investimentos 
ou taxa interna de retorno de 33% para o próximo ano. Com base no Balanço 
Patrimonial acima, o valor esperado do lucro será: 
 
RSA = LL/Ativo total 
Se a RSA = 33% e o AT = 45.000, Logo, 33% = LL/45.000 
Então, LL = 45.000 x 33% = 14.850,00 
 
a. $3.300 
b. $4.620 
c. $10.230 
d. $10.560 
e. $14.850 
 
 
 
 
9ª Questão - Prova: CESPE - 2010 - INMETRO - Analista - Ciências Contábeis - 
Informações contábeis da empresa X 
 
 
Criado pela E. I. Du Pont de Nemours and Company, como medida de desempenho 
gerencial, o retorno sobre os investimentos (ROI) relaciona a margem de lucro (ML) 
com o giro dos ativos (GA). Considerando esses indicadores contábeis e as 
informações da tabela acima, assinale a opção correta. 
 
Roi = rsa = ll/at === 1.º passo = LL = 100.000 – 90.000 = 10.000 
LL/AT = 10.000/50.000 = 0,2 ou 20% 
 
Ga = venda/ativo ==== 100.000/50.000 = 2 
 
Ml (margem líquida) = ll/vendas === 1.º passo = LL = 100.000 – 90.000 = 10.000 
LL/vendas = 10.000/100.000 = 0,10 ou 10% = ML 
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/cespe-2010-inmetro-analista-ciencias-contabeis
 
a. O ROI é superior a 18%. 
b. O GA é igual a 5. 
c. O GA é superior a 5. 
d. A ML é igual a 50%. 
e. A ML é inferior a 5%. 
 
 
 
 
 
 
 
10ª Questão - Prova: CESPE - 2010 - ABIN - Oficial Técnico de Inteligência - Área de 
Ciências Contábeis – 
Determinada empresa tem investimentos de R$ 6.200.000,00 em ativos circulantes e 
R$7.800.000,00 em ativos não circulantes. A demonstração de resultado da empresa 
mostra que suas receitas líquidas somam R$ 9.000.000,00; o custo dos produtos vendidos, 
R$ 3.700.000,00; e as despesas operacionais, excluindo-se as financeiras, R$ 
1.400.000,00. 
Atualmente, metade de seus investimentos é financiada por terceiros, com um custo de 
captação de 10%. Com base na situação hipotética acima, admitindo a existência de uma 
alíquota de imposto de renda de 20% sobre o lucro, julgue os itens a seguir. 
I - O índice do retorno sobre o ativo da empresa foi de aproximadamente 23%. 
( ) Certo ( X ) Errado RSA = 2560/14000 = 18,29% 
II - O índice do retorno sobre o patrimônio líquido foi de aproximadamente 36%. 
 ( X ) Certo ( ) Errado RSPL = 2560/7000 = 36,57% 
 
 
11ª Questão - Prova: UFPR - 2010 - UFPR - Contador - A rentabilidade de um 
investimento é baseada na seguinte relação: 
 
a. Margem Bruta X Capital Próprio. 
b. Margem Líquida X Capital Líquido. 
c. Margem Bruta X Capital Líquido. 
d. Lucro Bruto X Investimento. 
e. Margem Líquida X Giro do Ativo. 
 
 
12ª Questão - Prova: FCC - 2010 - TCM-CE - Analista de Controle Externo- Inspeção 
Governamental - considere as demonstrações a seguir. 
 
Balanço Patrimonial - 2013 
Ativo 2013 2012 Passivo + PL 2013 2012 
Circulante 39.000 26.000 Circulante 20.500 14.000 
Caixa 5.000 3.000 Fornecedores 12.000 9.200 
Equivalente de Caixa 9.000,00 6.000 Salários a Pagar 1.200 800 
Contas a Receber 15.000 10.000 Tributos a Pagar 2.300 1.000 
Estoques 10.000 7.000 Empréstimos 5.000 3.000 
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/cespe-2010-abin-oficial-tecnico-de-inteligencia-area-de-ciencias-contabeis
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/cespe-2010-abin-oficial-tecnico-de-inteligencia-area-de-ciencias-contabeis
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/ufpr-2010-ufpr-contador
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/fcc-2010-tcm-ce-analista-de-controle-externo-inspecao-governamental
http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/fcc-2010-tcm-ce-analista-de-controle-externo-inspecao-governamental
Ativo Não Circulante 40.500 40.000 Passivo Não Circulante 7.000 5.000 
Imobilizado 35.000 32.000 Empréstimos 7.000 5.000 
Depreciação Acumulada (4.500) (3.000) Patrimônio Líquido 52.000 47.000 
Intangível 10.000 11.000 Capital 43.000 40.000 
 Reserva de Capital 5.000 5.000 
 Reservas de Lucros 4.000 2.000 
Total do Ativo 79.500 66.000 Total do Passivo 79.500 66.000 
 
 
 
 
 
Demonstração do Resultado do Exercício (em R$) 
 2013 2012 
Receita Operacional Bruta 180.000 130.000 
Vendas de Produtos 180.000 130.000 
Deduções da Receita Bruta (38.000) (26.800) 
Impostos Incidentes s/ vendas (36.000) (26.000) 
Devoluções e Abatimentos (2.000) (800) 
Receita Operacional Líquida 142.000 103.200 
Custo dos Produtos Vendidos (119.280) (88.546) 
Lucro Bruto 22.720 14.654 
Despesas Operacionais (19.863) (14.500) 
Com Vendas (6.013) (5.500) 
Gerais e Administrativas (5.500) (4.000) 
Despesas Financeiras (8.350) (5.000) 
Lucro Antes do IR 2.857 154 
Imposto de Renda (857) (39) 
Lucro Líquido 2.000 115 
Pede-se: 2013 e 2012 
 
a. Giro do Ativo (GA) 
VENDAS/ATIVO === 2013: 142.000/79.500 = 1,78 /// 2012: 103.200/66.00 = 1,56 
 
b. Giro do Ativo Operacional (GAOP) 
VENDAS/AT OPER == 2013: 142.000/79.500 = 1,78 /// 2012: 103.200/66.00 = 1,56 
 
c. Margem Bruta (MB) 
LB/Vendas === 22.720/142.000 = 16% //// 2012: 14.654/103.200 = 14,2% 
 
d. Margem Operacional (MOP) 
LOp/Vendas === 2013: 2.857/142.000 = 2% //// 2012: 154/103.200 = 0,1% 
 
e. Margem Líquida (ML) 
LL/Vendas === 2013: 2.000/142.000 = 1,4% /// 2012: 115/103.200 = 0,1% 
 
f. Retorno (ou Rentabilidade ou Lucratividade) do Ativo (RA) 
LL/Ativo === 2013: 2.00/79.500 = 0,025 //// 2012: 115/66.000 = 0,0017 
 
 
g. Retorno (ou Rentabilidade) operacional do Ativo (ROA) 
MOP X GA === 2013: 2%x1,78 = 0,0356 //// 2012: 0,1%x1,56 = 0,00156 
 
h. Retorno (ou Rentabilidade) do Ativo Operacional (RAOP) 
MOP X GAOp === 2013: 2%x1,78 = 0,0356 //// 2012: 0,1%x1,56 = 0,00156 
 
 
i. Retorno (ou Rentabilidade) do Capital Próprio (RCP) 
LL/PL ==== 2013: 2.000/52.000 = 3,8% /// 2012: 115/47.000 = 0,24%

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