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CONTABILIDADE BÁSICA Fabiana Tramontin Bonho Notas explicativas Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Esclarecer o que são notas explicativas. Explicar como eram as notas antes das Normas Internacionais de Contabilidade. Estabelecer como são as notas explicativas conforme a NTG 1.000 (R1) para pequenas e médias empresas. Introdução As demonstrações contábeis devem ser preparadas e apresentadas de acordo com normas de órgãos regulamentadores, a fim de servirem com qualidade a todos os usuários. Assim, buscando resolver o desafio entre qualidade e quantidade de informações, as notas explicativas surgiram como complemento necessário dessas demonstrações. Neste capítulo, você vai estudar o conceito de notas explicativas, vai verificar como eram antes das Normas Internacionais de Contabilidade e vai explicar seu uso na contabilidade das pequenas e médias empresas (PMEs), conforme a NTG 1.000 (R1). O que são notas explicativas As notas explicativas oferecem informações complementares àquelas apresen- tadas no balanço patrimonial e nas demonstrações de resultado, de resultado abrangente, de lucros ou prejuízos acumulados (se apresentada), de mutações do patrimônio líquido e de fl uxos de caixa. Fornecem descrições narrativas e detalhes de itens apresentados nessas demonstrações, versando sobre situações não suficientemente evidenciadas ou esclarecidas. A função deste complemento é oferecer informações que esclareçam dúvidas quanto às operações que da empresa durante o ano. Marion (2006) diz que as notas explicativas são uma das formas de eviden- ciação ou disclosure e trazem informações complementares com o objetivo de enriquecer os relatórios e evitar que eles se tornem enganosos. Almeida (2005), afirma que as notas explicativas constituem informações para que os leitores tenham perfeito entendimento sobre as demonstrações contábeis. Neves e Viceconti (2006, p. 384) reforçam esse caráter complementar e esclarecedor ao estabelecer que “[...] as notas explicativas (NE) complemen- tam as demonstrações financeiras, esclarecendo os métodos e os critérios utilizados para avaliação do patrimônio e os elementos que contribuíram para a formação do resultado”. Bruni e Famá (2006, p. 142) esclarecem: As notas explicativas correspondem a um complemento das demonstrações contábeis, que, geralmente, detalham as informações contidas nesses relatórios de forma a esclarecer a situação patrimonial e dos resultados do exercício. Podem ser expressas sob a forma descritiva ou sob a forma de quadros analíticos. Podem, também, englobar outras demonstrações contábeis, caso sejam necessárias para um melhor esclarecimento das demonstrações financeiras. As notas explicativas também podem ser empregadas para descrever práticas contábeis empregadas pela empresa, fornecer explicações adicionais sobre determinadas contas ou operações específicas e, também, destacar a composição e os detalhes de certas contas. Assim, o objetivo principal das notas explicativas é apresentar informa- ções que, geralmente por conta de sua natureza não quantitativa, o corpo da demonstração não consegue expressar. Outro aspecto importante a ser consi- derado na formação desse conceito é que elas servem também para expandir as informações sobre fatos ocorridos que, de alguma forma, impactaram ou podem impactar na avaliação da companhia (MACHADO; NUNES, 2006). A melhor elaboração das notas explicativas é aquela que atinge o objetivo das demonstrações, ou seja, que, ao acrescentar informações relevantes e imperceptíveis quando apenas os números são examinados, contribui para a análise e avaliação de quem está apreciando os relatórios. A Resolução do CFC 1.185/09 — NBC TG 26 (R5), que trata da apresentação das demonstrações, faz menção à forma de estruturar as referidas notas explicativas e o que deve constar das mesmas. Assim, as notas explicativas devem oferecer informações sobre as bases de elaboração das demonstrações contábeis e das práticas utilizadas; divulgando as informações exigidas que não tenham sido apresentadas em outras partes do documento, mas sejam relevantes para compreendê-lo. Notas explicativas2 Apesar de não serem consideradas uma demonstração contábil, essas notas têm fundamental importância no conjunto da obra, pelo fato de trazerem à luz uma interpretação das informações contidas nas demonstrações. As notas explicativas devem ser apresentadas na seguinte ordem: 1. resumo das principais práticas contábeis utilizadas; 2. informações de auxílio aos itens apresentados nas demonstrações con- tábeis, na ordem em que cada uma é apresentada e na ordem em que cada conta aparece na demonstração; 3. quaisquer outras divulgações. Além disso, as empresas devem divulgar, no resumo das principais polí- ticas contábeis, a base de mensuração utilizada em sua elaboração e outras práticas que sejam relevantes para a compreensão do balanço. Também devem ser informados os critérios para julgamentos e estimativas empregados nas práticas da entidade e que tenham repercussão mais significativa sobre os valores reconhecidos nas demonstrações contábeis. Ainda, as notas explicativas devem informar sobre os principais pressu- postos frente ao futuro e a fontes importantes de incerteza das estimativas na data de divulgação, sempre que exista risco significativo de que provoquem modificação material nos valores contabilizados de ativos e passivos durante o próximo exercício financeiro. Também são necessárias informações que permitam aos usuários das demonstrações contábeis avaliarem seus objetivos, políticas e processos de gestão de capital. Assim, as entidades devem divulgar (na extensão em que isso não tiver sido feito em outro lugar no balanço): a) dados quantitativos resumidos sobre os valores classificados no patrimônio líquido; b) objetivos, políticas e processos de gerenciamento de sua obrigação de recompra ou resgate dos instrumentos quando requeridas a fazê-lo pelos detentores desses instrumentos, incluindo quaisquer alterações em relação a período anterior; c) fluxo de caixa de saída esperado na recompra ou no resgate dessa classe de instrumentos financeiros; d) informação sobre como esse fluxo de caixa foi determinado. 3Notas explicativas Com as notas explicativas, compõe-se o conjunto das demonstrações con- tábeis, que devem ser elaboradas em comprimento às exigências das Normas Brasileiras de Contabilidade. Outras divulgações em notas explicativas, conforme a resolução do CFC 1.185/09 — NBC TG 26 (R5) (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2017, documento on- line): 137. A entidade deve divulgar nas notas explicativas: (a) o montante de dividendos propostos ou declarados antes da data em que as demonstrações contábeis foram autorizadas para serem emitidas e não reconhecido como uma distribuição aos proprietários durante o período abrangido pelas demonstrações contábeis, bem como o respectivo valor por ação ou equivalente; (b) a quantia de qualquer dividendo preferencial cumulativo não re- conhecido. 138. A entidade deve divulgar, caso não for divulgado em outro local entre as informações publicadas com as demonstrações contábeis, as seguintes informações: (a) o domicílio e a forma jurídica da entidade, o seu país de registro e o endereço da sede registrada (ou o local principal dos negócios, se diferente da sede registrada); (b) a descrição da natureza das operações da entidade e das suas prin- cipais atividades; (c) o nome da entidade controladora e a entidade controladora do grupo em última instância; (d) se uma entidade constituída por tempo determinado, informação a respeito do tempo de duração. Notas explicativas e normas internacionais de contabilidade O setor público não possui obrigatoriedade na elaboração de notas explicativas. Em 2000, foi promulgada a Lei de Responsabilidade Fiscal – (LRF) (LC 101) que reforçou a necessidade de reconhecimento da despesa porcompetência (art. 50, II). No tocante às notas explicativas, somente as previu para os balanços Notas explicativas4 trimestrais do Banco Central do Brasil. A falta de exigência de notas explicativas nas principais leis que regem a contabilidade aplicada ao setor público desmotivou sua elaboração por parte dos contadores que atuavam nessa área. Em 2008, o Conselho Federal de Contabilidade - (CFC) emitiu as primeiras normas brasileiras de contabilidade aplicadas ao setor público, e, em 2016 as atualizou. Essas normas, que foram emitidas em contexto de alinhamento às IPSAS (normas internacionais de contabilidade aplicadas ao setor público), preencheram uma lacuna que existia na legislação do CFC e passaram a exigir a elaboração de notas explicativas nas demonstrações contábeis públicas. Portanto, desde a vigência da NBC T 16.6 (R1), os profissionais da contabilidade do setor público devem apresentar as notas explicativas como parte integrante das demonstrações contábeis. É mais antiga esta exigência para os profissionais que atuam no setor privado, pois a lei societária (Lei Federal nº. 6.404/76) prevê expressamente notas explicativas para essas demonstrações contábeis, em seu artigo 176. Art. 176 da Lei Federal nº. 6.404/76 (BRASIL, 1976, documento on-line): § 4º As demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício. § 5º As notas explicativas devem: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I — apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações financeiras e das práticas contábeis específicas selecionadas e aplicadas para negócios e eventos significativos; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II — divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adota- das no Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte das demonstrações financeiras; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) III — fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstrações financeiras e consideradas necessárias para uma apre- sentação adequada; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) IV — indicar: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, especialmente estoques, dos cálculos de depreciação, amortização e exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender a perdas prováveis na realização de elementos do ativo; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 5Notas explicativas A CVM — Comissão de Valores Mobiliários, a fim de orientar as empre- sas de capital aberto ou que possuem títulos negociados na bolsa de valores, também se manifestou sobre a importância das notas explicativas ao emitir o OFIC-CIRC 309/86, que reza o seguinte: Sendo a evidenciação (disclosure) um dos objetivos básicos da Contabi- lidade, de modo a garantir aos usuários informações completas e confi- áveis sobre a situação financeira e os resultados da companhia, as notas explicativas que integram as demonstrações financeiras devem apresentar informações quantitativas de maneira ordenada e clara. As notas explica- tivas deverão discriminar, com clareza e objetividade, os esclarecimentos necessários ao correto entendimento do conteúdo das demonstrações fi- nanceiras, a partir dos itens previstos no § 5º do art. 176 da Lei nº 6.404/76. Todas as responsabilidades não ref letidas nas demonstrações financeiras serão evidenciadas em notas ou em quadros demonstrativos. Os quadros demonstrativos deverão ser utilizados para discriminar investimentos rele- vantes, arrendamento mercantil, garantias, empréstimos e financiamentos e outras informações em que haja predominância do aspecto quantitativo. (COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS, 1986, documento on-line). Neves e Viceconti (2006, p. 609) elucidam o conteúdo mínimo das notas explicativas exigido pela CVM — Comissão de Valores Mobiliários, destacando, a identificação das subsidi-árias; informações sobre o patrimônio b) os investimentos em outras sociedades, quando relevantes (art. 247, parágrafo único); (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) o aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avalia- ções (art. 182, § 3o ); (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) d) os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias pres- tadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) e) a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) f) o número, espécies e classes das ações do capital social; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) g) as opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) h) os ajustes de exercícios anteriores (art. 186, § 1º); e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) i) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que te- nham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Notas explicativas6 líquido; lucro ou prejuízo líquido das empresas do grupo; créditos e obrigações envolvendo investidoras, coligadas e controladas; dentre outras informações relevantes para que o usuário da informação contábil tenha uma visão ampla dos negócios existentes entre empresas de um mesmo grupo econômico. Com o advento das Leis nº. 11.638/07 e 11.941/09, as notas explicativas passaram a ter maior importância para o conjunto de demonstrações con-tábeis, devido à convergência das normas brasileiras de contabilidade com os padrões internacionais do IFRS, em que se contempla a contabilidade societária. São importantes principalmente para os usuários externos da con-tabilidade (bancos, acionistas, investidores, etc.) que não tem conhecimento das operações da empresa em dado período. Nessa época, o CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis) passou a emitir os seus pronunciamentos, também orientando as companhias a divulgar, em notas explicativas, as in-formações que completam as demonstrações contábeis, gerando informações adicionais de suma importância. Assim, atualmente, as informações contábeis devem ser plenamente desenvolvidas conforme os padrões contábeis aceitos internacionalmente, os denominados IFRS (Internacional Financial Reporting Standards) no sentido de que se tenha o mínimo de divergências futuras, num processo que busca a conciliação dos sistemas contábeis dos diversos países (FRATTI; NAIDON, 2011). O processo de convergência das normas internacionais de contabilidade tem o envolvimento de diversos organismos em nível mundial, como o IASB (International Accounting Standards Board) órgão responsável pela intro-dução das IFRS, relatórios financeiros que objetivam a comparabilidade das informações contábeis produzidas pelas empresas situadas em países distintos, permitindo a compreensão e interpretação dos dados gerados por entidades de diferentes economias e tradições (NIYAMA, 2010). Conforme Hungarato et al. (2004), com a internacionalização da contabili-dade, tendem a minimizar-se as diferenças entre as demonstrações contábeis pelas empresas em todos os países que adotaram essas normas, principalmente as companhias estrangeiras que investem no Brasil e agora podem adotar uma única visão da contabilidade, aplicada aqui e em seu país de origem. 7Notas explicativas Notas explicativas para pequenas e médias empresas As pequenas e médias empresas (PMEs) aderiram às IFRS após o CPC aprovar e o Conselho Federal de Contabilidade homologar a resolução nº. 1.255/09, aprovada pela NBC TG 1000 (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2009). Assim, o CPC emitiu a norma para PMEs em separado, para aplicação às demonstrações contábeis para fins gerais de empresas de pequeno e médio porte, conjunto composto por sociedades fechadase sociedades às quais não sejam requeridas prestações públicas de suas contas (COMITÊ DE PRO- NUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2009). Atualmente a contabilidade brasileira passa por um processo de convergência às normas internacionais de contabilidade. Nesse sentido, o CFC editou, entre outras tantas, a Resolução nº. 1.255/09, aprovando a NBC TG 1.000 (R1) - Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas. Em seu item 3.17, temos a identificação do conjunto completo das demonstrações contábeis que essas entidades devem elaborar, contemplando, na letra “f”, a inclusão das notas explicativas. Os itens 8.1 e seguintes dispõem sobre a sua estruturação: O item 8.1, da NTG 1000 (R1), dispõe sobre os princípios subjacentes às informações nas notas explicativas e como apresentá-las. As notas devem conter informa-ções adicionais àquelas apresentadas no balanço patrimonial, na demonstração do resultado, na demonstração do resultado abrangente, na demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados (se apresentada), na demonstração das mutações do patrimônio líquido e na demonstração dos fluxos de caixa. Além disso, devem fornecer descrições narrativas e detalhes sobre itens que não se qualificam para reconhecimento nessas demonstrações. A norma refere, ainda, que, além das exigências desta seção, quase todas as outras seções exigem divulgações que são normalmente contempladas pelas notas explicativas. Estrutura das notas explicativas Segundo o item 8.2, as notas explicativas devem: (a) apresentar informações acerca das bases de elaboração das demonstrações contábeis e das práticas contábeis específicas utilizadas, de acordo com os itens 8.5 a 8.7; (b) divulgar as informações exigidas por esta norma que não tenham sido apresentadas em outras partes das demonstrações contábeis; e (c) prover informações que não tenham sido apresentadas em outras partes das demonstrações contábeis, mas que sejam relevantes para sua compreensão. Notas explicativas8 Dispõe o item 8.3, que a entidade deve, tanto quanto seja praticável, apre- sentar as notas explicativas de forma sistemática. Deve, ainda, indicar em cada item das demonstrações contábeis, a referência com a respectiva informação nas notas explicativas. No item 8.4, a norma faz referência à ordem que em que a entidade nor- malmente deve apresentar as notas explicativas: (a) declaração de que as demonstrações contábeis foram elaboradas em con- formidade com esta norma (ver item 3.3); (b) resumo das principais práticas contábeis utilizadas (ver item 8.5); (c) informações de auxílio aos itens apresentados nas demonstrações contá- beis, na ordem em que cada demonstração é apresentada e na ordem em que cada conta é apresentada na demonstração; (d) quaisquer outras divulgações. Divulgação das práticas contábeis O item 8.5 estipula que a entidade deve divulgar no resumo as principais práticas contábeis: (a) a base de mensuração utilizada na elaboração das demonstrações contábeis; (b) as outras práticas contábeis utilizadas que sejam relevantes para a com- preensão das demonstrações contábeis. Informação sobre julgamento Segundo o item 8.6, a entidade deve divulgar, no resumo das principais práticas contábeis ou em outras notas explicativas, os julgamentos, separadamente daqueles envolvendo estimativas (ver item 8.7), que a administração utilizou no processo de aplicação das práticas contábeis da entidade e que exerçam efeito mais signifi cativo nos valores reconhecidos nas demonstrações contábeis. Informação sobre principais fontes de incerteza das estimativas A entidade deve divulgar, nas notas explicativas, conforme o item 8.7, infor- mações sobre os principais pressupostos relativos ao futuro e outras fontes importantes de incerteza das estimativas na data de divulgação, que ofereçam 9Notas explicativas risco signifi cativo de provocar modifi cação material nos valores contabilizados de ativos e passivos durante o próximo exercício fi nanceiro. Com respeito a esses ativos e passivos, as notas explicativas devem incluir detalhes sobre: sua natureza; seus valores contabilizados ao final do período de divulgação. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) colocou recentemente em Audiência Pública a ITG 1.000 que trata do Modelo Contábil Simplificado para Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. A ITG 1.000 visa desobrigar esse grupo de empresas da adoção da NBC TG .1000 (R1) — Contabilidade para PME (equivalente ao IFRS para PME). No entanto, menciona como demonstrações contábeis obrigatórias, além do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, também as notas explicativas. Para as microempresas e empresas de pequeno porte, conforme a ITG 1.000, há algumas situações mínimas que precisam ser consideradas em notas explicativas, mas é recomendável que sejam atendidas outras situações relevantes para a correta interpretação da posição patrimonial da entidade. Assim, as notas explicativas devem incluir, no mínimo: declaração explícita e não reservada de conformidade com a ITG 1.000; descrição resumida das operações da entidade e suas principais atividades; referência às principais práticas contábeis adotadas na elaboração das demons- trações contábeis; descrição resumida das políticas contábeis significativas utilizadas pela entidade; descrição resumida das contingências passivas, quando houver; qualquer outra informação relevante para a adequada compreensão das demons- trações contábeis. Fonte: Zafra (2017); Conselho Federal de Contabilidade (2012, documento on-line). Assim, com base nos textos legais mencionados e de acordo com os novos entendimentos do próprio CFC, podemos afirmar que, desde a implantação do IFRS no Brasil, não existem mais demonstrações contábeis que não devam ser complementadas por notas explicativas. Essas passam a ser de elaboração obrigatória para todas as entidades, independentemente de porte, atividade ou forma de tributação. Notas explicativas10 O item 39 da ITG 1.000 estabelece a divulgação mínima de informações que a microempresa e a empresa de pequeno porte devem fazer por meio de notas explicativas, relacionando aquelas que, em geral, devem ser evidenciadas juntamente com as demonstrações contábeis anuais. ALMEIDA, M. C. Curso básico de contabilidade. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2005. BRASIL. Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 17 dez. 1976. BRUNI, A. L.; FAMÁ, R. A contabilidade empresarial: com aplicações na HP 12C e Excel. São Paulo: Atlas, 2006. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Ofício-Circular/CVM/PTE/nº 309/86 de 17.12.86. Disponível em: <http://sistemas.cvm.gov.br/port/atos/oficios/OF_CIRC_CVM_PTE_309. asp>. Acesso em: 16 dez. 2018. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico PME: conta- bilidade para pequenas e médias empresas: Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade — The International Financial Reporting Standard for Small and Medium- -sized Entities (IFRS for SMEs). Brasília: CPC, 2009. Disponível em: <http://portalcfc.org. br/wordpress/wp-content/uploads/2012/12/CPC_PME.pdf>. Acesso em: 16 dez. 2018. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução CFC nº. 1.255/09. Brasília: CFC, 2009. Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/Res_1255.pdf>. Acesso em: 18 set. de 2018. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução CFC nº. 1.418/12 (ITG 1000). Brasília, 5 de dezembro de 2012. Brasília: CFC, 2012. FRATTI, M. L.; NAIDON, R. Adoção das normas internacionais nas pequenas empresas na percepção dos escritórios contábeis de Santa Maria. 2011. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Ciências Contábeis) — Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2011. HUNGARATO, A. et al. Uma Contribuição para entendimento das notas explicativas das em- presas brasileiras do setor elétrico de distribuição sob a ótica da contabilidade societária. In: SIMPÓSIO FUCAPE DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA,2., 2004, Vitória. Anais...Vitória: FUCAPE, 2004. MACHADO, N. P.; NUNES, M. S. A evidenciação das informações contábeis: sua importân- cia para o usuário externo. Business Review, Unifin, Porto Alegre, v. 1, n. 1, p. 111–121, 2006. 11Notas explicativas MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2006. NEVES, S.; VICECONTI, P. E. V. Contabilidade básica. 13. ed. São Paulo: Frase Editora, 2006. NIYAMA, J. K. Contabilidade internacional. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010. ZAFRA, N. IFRS: contabilidade para microempresa, empresa de pequeno porte, pe- quenas e medias empresas (NBC TG 1.000 — PME), (ITG 1.000 — ME, EPP). A.I.C., 2017. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. NBC TG 1000 (R1) – Contabilidade para pequenas e médias empresas. 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CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas Internacionais de Contabilidade para o Setor Público. Brasília: CFC, 2010. Notas explicativas12 Conteúdo: ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO Leuter Duarte Cardoso Junior Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Apresentar a origem do modelo de Fleuriet. Conceituar contas cíclicas e erráticas. Contextualizar a ocorrência de necessidade líquida de capital de giro. Introdução O capital de giro (CDG) é um dos elementos que influenciam as decisões estratégicas de uma organização e é alvo de muito estudos acadêmicos. O mundo está globalizado há décadas, e a competividade empresarial é o resultado desse fenômeno. Por essa razão, há uma preocupação por parte dos acadêmicos e gestores em aplicar análises e modelos sofisticados na área financeira. Assim, neste capítulo, você vai estudar o modelo tradicional de análise financeira, muito comum na literatura. Na sequência, você vai compreender o modelo de Fleuriet, que tem uma perspectiva distinta da tradicional, propondo uma análise dinâmica, que considera os ciclos operacional e financeiro da empresa. Por fim, você vai aprender sobre os contextos em que ocorre a necessidade líquida de CDG. 1 Modelo tradicional versus modelo de Fleuriet No modelo tradicional de análise econômico-fi nanceira, a análise está con- centrada nos índices decorrentes das demonstrações fi nanceiras. Assim, haverá uma relação lógica entre as contas fi nanceiras e contábeis, com o propósito de apresentar a condição fi nanceira da organização. Para o modelo tradicional, é importante destacar o conceito de capital de giro líquido (CGL). O CGL é resultado da diferença entre as contas patrimoniais de curto prazo. Assim, o resultado será a diferença entre as contas presentes no ativo circulante e as dívidas presentes no passivo circulante. Com esse conceito, é possível analisar a liquidez da empresa para o curto prazo. Nesse contexto, pode-se diferenciar o CDG e o CGL. O CDG corresponde aos recursos do ativo circulante, enquanto o CGL será a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante. Essa conceituação é fundamental para compreender as bases do modelo tradicional e depois distingui-lo do modelo de Fleuriet. Com a noção clara do CDG, é possível avançar o estudo dos aspectos de liquidez da empresa. Ao considerar as contas circulantes do balanço patrimo- nial, conseguimos medir a liquidez por meio dos seguintes índices: Liquidez corrente = (Ativo circulante) / (Passivo circulante) Liquidez seca = (Ativo circulante – Estoques) / (Passivo circulante) Liquidez imediata = (Disponível) / (Passivo circulante) Esses índices demonstram a capacidade do ativo circulante para honrar com as dívidas do passivo circulante. Quanto maior for o índice, melhor será a situação de liquidez da empresa para honrar as obrigações do passivo circulante. Por essa razão, uma empresa solvente, normalmente, terá bons índices de liquidez. Embora o modelo tradicional seja utilizado em larga escala e por diversos estudiosos e profissionais da área financeira, ele sofre algumas críticas de ordem metodológica. Para Fleuriet, Kehdy e Blanc (2003), as contas patrimo- niais no modelo tradicional são classificadas de forma inadequada. O correto seria uma classificação considerando os ciclos que ocorrem nas operações da organização. Dessa forma, a análise financeira ocorreria por meio de um modelo dinâmico. É desse entendimento que partem os estudos de Michel Fleuriet, que resul- taram no modelo de Fleuriet. Este tem como propósito realizar uma análise financeira não estática. No modelo de Fleuriet, as contas do balanço patrimonial são reclassificadas em função da análise, que é voltada aos ciclos decorrentes das operações que ocorrem dentro de uma organização. Conforme os estudos de Theiss Júnior e Wilhelm (2000), o modelo de Fleuriet fornece medidas mais apuradas para a sensibilidade da empresa sobre as variações financeiras. Dentro dessa perspectiva, é proposto no modelo analisar os ciclos da empresa, para obter uma visão mais exata do desempenho operacional, econômico e financeiro ao longo do tempo. Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet2 2 Contas patrimoniais no modelo dinâmico de Fleuriet Nas análises fi nanceiras tradicionais, as contas são classifi cadas em circulantes e não circulantes. No modelo dinâmico, as contas passam a ganhar um novo caráter e, por isso, elas serão classifi cadas em operacionais (cíclicas), fi nanceiras (erráticas) e não circulantes (não cíclicas). No Quadro 1, observa-se a nova classifi cação das contas patrimoniais conforme a metodologia de Fleuriet. Fonte: Adaptado de Rocha, Klann e Hein (2010). Ativo Passivo Ativo circulante Passivo circulante - Contas erráticas: - Contas erráticas: Caixa Empréstimos e financiamentos Bancos Debêntures Aplicações financeiras Dividendos a pagar - Contas cíclicas: - Contas cíclicas: Clientes Fornecedores Estoques Obrigações tributárias Ativo não circulante Passivo não circulante - Contas não cíclicas - Contas não cíclicas Realizável a longo prazo Exigível a longo prazo Investimentos Imobilizado Patrimônio líquido (não cíclico) Quadro 1. Balanço patrimonial na perspectiva de Fleuriet As contas erráticas no ativo circulante são aquelas que envolvem o lado financeiro da empresa, como: caixa, bancos, aplicações financeiras, entre outras. Estas estarão vinculadas às atividades financeiras da organização no curto prazo. No ativo circulante, haverá também as contas cíclicas, ligadas às atividades operacionais, como as contas clientes, estoques, entre outras. Por fim, há o ativo não circulante, considerado como não cíclico. As contas 3Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet que normalmente o compõem são: realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. No lado do passivo, haverá as contas classificadas como erráticas, cíclicas e não cíclicas. As contas do passivo circulante ligadas a dívidas e compromissos com as instituições financeiras e outros credores financeiros no curto prazo serão classificadas como erráticas.Por exemplo, as contas empréstimos, finan- ciamento, debêntures e dividendos a pagar serão consideradas como erráticas. As obrigações do passivo circulante decorrentes das atividades operacionais serão classificadas como cíclicas. Nesse sentido, as contas fornecedor e salários a pagar serão entendidas como cíclicas no passivo circulante. Estas existem em função das operações e atividades afins da organização. O passivo não circulante e o patrimônio líquido serão classificados como não cíclicos. Essas contas têm uma rotatividade baixa ou até mesmo são per- manentes na empresa. Por esse motivo, serão consideradas como não cíclicas na análise financeira dinâmica do modelo. No modelo tradicional, considera-se apenas as contas circulante e não circulante. Já no modelo dinâmico, as contas são desmembradas em operacional, financeira e não circulante. Trata-se de uma nova forma de interpretar a dinâmica do ciclo operacional das organizações. Segundo Vieira (2008), a nova classificação das contas patrimoniais con- sidera os ciclos financeiro e econômico de uma organização. Esses ciclos são dinâmicos — por exemplo, uma mudança nas políticas de estocagem ou nas contas a pagar ou receber vai acarretar novos ciclos dentro da empresa. Na Figura 1, pode-se analisar os respectivos ciclos. Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet4 Figura 1. Ciclo financeiro e ciclo econômico. Fonte: Vieira (2008, p. 75). Conforme apresentado na Figura 1, o ciclo econômico corresponde ao período que a mercadoria permanece estocada até ser vendida. Já o ciclo financeiro será o intervalo de tempo entre o pagamento dos fornecedores e o recebimento das vendas. Esses ciclos representam as atividades operacionais (ciclo operacional) da empresa com seus stakeholders. Com o entendimento conceitual das contas patrimoniais e dos ciclos fi- nanceiro e econômico no modelo de Fleuriet, pode-se avançar para a análise dos indicadores econômicos e financeiros do modelo de Fleuriet. Estes são um meio de evidenciar a situação financeira de uma organização. Indicadores econômicos e financeiros do modelo de Fleuriet Os principais indicadores econômicos e fi nanceiros do modelo de Fleuriet são: CDG, necessidade de capital de giro (NCG) e saldo da tesouraria (ST). Cada um desses indicadores vai revelar a situação de liquidez da empresa no curto e no longo prazo. Para uma compreensão clara desses indicadores, vamos analisá-los em princípio de forma isolada. A NCG será a diferença entre o ativo circulante cíclico (operacional) e o passivo circulante cíclico (operacional). Assim, a equação 1 representa a NCG: NCG = Ativo circulante operacional – Passivo circulante operacional (1) O resultado será entendido da seguinte forma: a) um resultado positivo indica que as saídas de caixa ocorrem antes das entradas, e, por esse motivo, será necessário financiar o CDG por meio 5Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet da contratação de empréstimos ou financiamento (capital de terceiros) ou com recursos próprios da empresa; b) se o resultado for negativo, significa que o fluxo de caixa operacional é positivo, ou seja, as entradas de caixa ocorrem antes das saídas. Esse é um cenário favorável, e não haverá necessidade para captação de empréstimos e financiamentos ou injeção de recursos por parte dos sócios ou acionistas. Para Assaf Neto (2014), o resultado desse indicador será a quantidade de recursos necessários para financiar o ciclo das principais operações em- presariais, isto é, os ciclos de comercialização, compras e estocagem. Para Matarazzo (2003, p. 338), “[...] a necessidade de capital de giro é a chave para a administração financeira de uma empresa”. O CDG é entendido como os recursos permanentes da organização neces- sários para cobrir as NCGs. O CDG é obtido pela subtração das fontes de longo prazo (passivo não circulante e patrimônio líquido) pelas aplicações de longo prazo (ativo não circulante). A equação 2 é utilizada para o cálculo do CDG. CDG = (Passivo não cíclico + Patrimônio líquido) – (Ativo não cíclico) (2) Os resultados serão interpretados da seguinte forma: a) quando o resultado é positivo, entende-se que há fontes de longo prazo (passivo não circulante e patrimônio líquido) para cobrir as NCGs; b) quando o resultado é negativo, não há fontes de longo prazo suficientes para financiar as NCGs. Nessa condição, a empresa deverá buscar alternativas na sua estrutura financeira. O ST é a diferença entre o CDG e a NCG. Esse resultado será obtido pela subtração do ativo circulante errático pelo valor do passivo circulante errático. Esse saldo será calculado por meio da equação 3. ST = Ativo circulante financeiro – Passivo circulante financeiro (3) A interpretação desse resultado é descrita a seguir. a) Quando o ST tem um resultado negativo, a empresa vai utilizar as fontes de curto prazo (empréstimos e financiamento) para cobrir a sua NCG; assim, haverá uma quantidade maior do capital de terceiros na Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet6 empresa. Uma consequência dessa situação é o aumento das despesas onerosas (financeiras). b) Quanto maior o resultado, melhor será a situação da empresa, pois haverá uma menor dependência do capital de terceiros, e isso vai resultar em despesas onerosas menores e endividamento reduzido. Nessa situação, a empresa tem recursos de curto prazo suficientes para financiar as suas operações. Segundo Viera (2008, p. 86), “[…] quando os recursos de longo prazo originários do capital de giro não são suficientes para satisfazer à demanda operacional de recursos representada pela necessidade de capital de giro, a empresa precisa utilizar fonte de curto prazo, com o objetivo de complementar o financiamento das suas atividades”. O ST poderá ser utilizado como complemento. 3 Administração financeira do capital de giro líquido Com as análises e estudos verifi cados até este momento, pode-se perceber a importância da liquidez dentro das empresas. Sendo assim, uma análise mais crítica sobre o CDG é necessária, uma vez que ele está intimamente ligado ao grau de liquidez e solvência de uma organização. Para Vieira (2008), o CGL é uma medida da folga financeira da empresa para honrar as obrigações computadas no passivo circulante. Sob o aspecto da liquidez, entende-se que, quanto maior for o CGL, melhor será a situação financeira da empresa no curto prazo. O CGL será o resultado da diferença entre as contas do ativo circulante e do passivo circulante. A equação 4 representa o CGL. CGL = Ativo circulante – Passivo circulante (4) O resultado dessa equação poderá ser positivo, negativo ou nulo. Cada resultado vai indicar a situação financeira da empresa. Nas Figuras 2, 3 e 4 são apresentadas as três situações possíveis. Na situação apresentada na Figura 7Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet 2, o CGL é nulo, assim, os bens e direitos do ativo circulante são iguais às obrigações do passivo circulante. Figura 2. Capital de giro líquido nulo. Fonte: Adaptada de Assaf Neto e Silva (2002). Na Figura 3, pode-se observar uma situação financeira favorável, na qual o CGL é positivo. Figura 3. Capital de giro líquido positivo. Fonte: Adaptada de Assaf Neto e Silva (2002). O resultado positivo indica que o CDG é próprio, e, por essa razão, o ativo circulante é superior às obrigações existentes no passivo circulante para o mesmo período. Essa é uma situação financeira favorável e representa uma boa capacidade para o financiamento das dívidas com capital próprio. Quando o resultado é negativo, conforme mostra a Figura 4, o CGL no curto prazo é financiado pelo capital de terceiros (empréstimos e financiamentos), e o ativo circulante é inferior às obrigações presentes no passivo circulante. Essa é uma situação de alerta: o endividamento cresceu e as despesas também, assim, a solvência poderá ficar comprometida no longo prazo. Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet8 Figura4. Capital de giro líquido negativo. Fonte: Adaptada de Assaf Neto e Silva (2002). O CDG na análise financeira poderá ser classificado como fixo ou variável. Segundo Assaf Neto e Silva (2002), o CDG fixo será a quantidade necessária para manter o ativo circulante e garantir as operações da organização. O CDG variável corresponde aos recursos extraordinários para atender às necessidades sazonais, como antecipação das compras de insumo, maiores volumes de vendas em alguns períodos ou contingências não previstas. Conforme Matarazzo (2003, p. 337), a NCG “[...] é não só um conceito fundamental para a análise da empresa do ponto de vista financeiro, ou seja, análise de caixa, mas também de estratégias de financiamento, crescimento e lucratividade”. Sob esse contexto, entende-se que o CDG é um dos elementos que vão delinear o planejamento estratégico e operacional das organizações. Uma administração eficaz do CGL vai garantir uma solidez financeira, bem como resultados prósperos ao longo do tempo. Por conta disso, dimensionar e avaliar corretamente as fontes de financiamento será estratégico e vital. Para Matarazzo (2003), existem diferentes fontes de financiamento, como: capital circulante próprio; empréstimos e financiamentos bancários de longo prazo; empréstimos bancários de curto prazo; duplicatas descontadas. 9Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet Estas são as principais formas para financiar as NCGs, e cada uma delas tem suas peculiaridades para prazos, despesas e volumes. O uso dessas fontes deverá contribuir para ganhos positivos nos ciclos econômico e financeiro. Assim, a empresa terá condições suficientes para manter uma boa saúde financeira no curto e no longo prazo. A gestão do CDG é uma tarefa estratégica e que merece uma atenção ímpar, para proporcionar resultados econômicos e financeiros positivos, bem como criar valor para os negócios da empresa no curto e no longo prazo. Logo, a compreensão do modelo dinâmico de Fleuriet e as ferramentas para análise das necessidades líquidas do CDG ganham maior relevância. ASSAF NETO, A. Finanças corporativas e valor. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2014. ASSAF NETO, A.; SILVA, C. A. T. Administração do capital de giro. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2002. FLEURIET, M.; KEHDY, R.; BLANC, G. O modelo Fleuriet: a dinâmica financeira das empresas brasileiras. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. MATARAZZO, D. C. Análise financeira de balanços: abordagem básica e gerencial. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003. ROCHA, I.; KLANN, R. C.; HEIN, N. Utilização do modelo Fleuriet na análise da gestão do capital de giro de empresas brasileiras do setor de siderurgia. In: CONGRESSO BRASI- LEIRO DE CUSTOS, 17., 2010, Belo Horizonte. Anais eletrônicos [...]. Disponível em: https:// anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/download/835/835. Acesso em: 26 abr. 2020. THEISS JÚNIOR, F.C.; WILHELM, P.P.H. Análise do capital de giro: modelo Fleuriet versus modelo tradicional. In: ENCONTRO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, 24., 2000, Florianópolis. Anais […]. Florianópolis: ENANPAD, 2000. VIEIRA, M. V. Administração estratégica de capital de giro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008. Leitura recomendada MARQUES, J. A. V. C.; BRAGA, R. Análise dinâmica do capital de giro: o modelo Fleuriet. Revista de Administração de Empresas, v. 35, nº. 3, p. 49–63, mai./jun. 1995. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rae/v35n3/a07v35n3.pdf. Acesso em: 26 abr. 2020. Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet10 Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun- cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. 11Gestão do capital de giro: modelo de Fleuriet CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA II Filipe Martins da Silva Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer o conceito e a estrutura das notas explicativas. � Descrever a evidenciação das contas patrimoniais e de resultado nas notas explicativas. � Explicar a obrigatoriedade das notas explicativas como parte inte- grante das demonstrações contábeis. Introdução Neste capítulo, você vai conhecer as notas explicativas e qual seu objetivo, entender a importância das notas explicativas e como elas se interligam com as demonstrações contábeis, além de conhecer as informações obrigatórias que devem conter nelas. É muito importante compreender a importância de sua divulgação, pois sua finalidade é tornar mais claras as informações divulgadas pelas companhias. Sendo assim, as empresas são obrigadas a divulgar tais notas explicativas, pois, utilizando unicamente as demonstrações contábeis, nem todas as informações podem ser claras. Além disso, será apresentado um exemplo real de uma nota explicativa publicada, além de apresentar a legislação que a regulamenta e a torna obrigatória para as empresas. Notas explicativas: conteúdo e conceito O objetivo da contabilidade é fornecer informações úteis para que seus usuários possam tomar decisões, para isso são utilizadas as demonstrações contábeis. Ainda assim, os números por si só são insuficientes, para levar ao interessado das informações detalhes das operações ocorridas na empresa. As demonstrações contábeis devem ser complementadas por notas explicativas, quadros analíticos ou outras demonstrações contábeis necessárias à plena avaliação da situação e da evolução patrimonial da empresa (GELBCKE et al., 2018). Para complementar essas informações, a legislação prevê as notas explicativas. Elas se utilizam de textos, gráficos, quadros, entre outros recursos que são utiliza- dos para compreender aspectos relativos a determinados conjuntos de contas das demonstrações contábeis, e devem ser exibidas após a apresentação das demons- trações contábeis publicadas pela empresa, sendo parte integrante do conjunto completo das demonstrações contábeis (RIBEIRO, 2013). As notas explicativas são definidas nos parágrafos 4º e 5º do artigo 176 da Lei nº. 6.404/1976: “§ 4º As demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício” (BRASIL, 1976, documento on-line). Além do mencionado, as notas explicativas devem tratar também dos seguintes itens: 1. critérios de avaliação de estoques; 2. cálculos de depreciação; 3. critérios para constituição de perdas e provisões; 4. investimentos em outras sociedades; 5. obrigações de longo prazo, os credores, data de vencimento, juros; 6. número de ações que compões o capital social (GELBCKE et al., 2018). O CPC 26 (R1) (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2011, documento on-line) também disciplina as informações que devem conter nas notas explicativas, em seus itens 77 a 80A, como demonstrado a seguir: 77. A entidade deve divulgar, seja no balanço patrimonial seja nas notas explicativas, rubricas adicionais às contas apresentadas (subclassificações), classificadas de forma adequada às operações da entidade. 78. O detalhamento proporcionado nas subclassificações depende dos re- quisitos dos Pronunciamentos Técnicos, Interpretações e Orientações do CPC e da dimensão, natureza e função dos montantes envolvidos. Os fatores estabelecidos no item 58 também são usados para decidir as bases a se utilizar para tal subclassificação. As divulgações variam para cada item, por exemplo: (a) os itens do ativo imobilizado são segregados em classes de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 27 — Ativo Imobilizado; (b) as contas a receber são segregadas em montantes a receber de clientes comerciais, contasa receber de partes relacionadas, pagamentos antecipados e outros montantes; Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração2 (c) os estoques são segregados, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 16 — Estoques, em classificações tais como mercadorias para revenda, insumos, materiais, produtos em processo e produtos acabados; (d) as provisões são segregadas em provisões para benefícios dos empregados e outros itens; e (e) o capital e as reservas são segregados em várias classes, tais como capital subscrito e integralizado, prêmios na emissão de ações e reservas. 79. A entidade deve divulgar o seguinte seja no balanço patrimonial, seja na demonstração das mutações do patrimônio líquido ou nas notas explicativas: (a) para cada classe de ações do capital: (i) a quantidade de ações autorizadas; (ii) a quantidade de ações subscritas e inteiramente integralizadas, e subscritas mas não integralizadas; (iii) o valor nominal por ação, ou informar que as ações não têm valor nominal; (iv) a conciliação entre as quantidades de ações em circulação no início e no fim do período; (v) os direitos, preferências e restrições associados a essa classe de ações, incluindo restrições na distribuição de dividendos e no reembolso de capital; (vi) ações ou quotas da entidade mantidas pela própria entidade (ações ou quotas em tesouraria) ou por controladas ou coligadas; e (vii) ações reservadas para emissão em função de opções e contratos para a venda de ações, incluindo os prazos e respectivos montantes; e (b) uma descrição da natureza e da finalidade de cada reserva dentro do patrimônio líquido. 80. A entidade sem capital representado por ações, tal como uma sociedade de responsabilidade limitada ou um truste, deve divulgar informação equivalente à exigida no item 79(a), mostrando as alterações durante o período em cada categoria de participação no patrimônio líquido e os direitos, preferências e restrições associados a cada categoria de instrumento patrimonial. 80A. Se a entidade tiver reclassificado (a) um instrumento financeiro com opção de venda classificado como ins- trumento patrimonial, ou (b) um instrumento que impõe à entidade a obrigação de entregar à contraparte um valor pro rata dos seus ativos líquidos (patrimônio líquido) somente na liquidação da entidade e é classificado como instrumento patrimonial entre os passivos financeiros e o patrimônio líquido, ela deve divulgar o montante reclassificado para dentro e para fora de cada categoria (passivos financeiros ou patrimônio líquido), e o momento e o motivo dessa reclassificação. A seguir, na Figura 1, é apresentado o exemplo de uma nota explicativa real publicada em um jornal de grande circulação. É importante destacar que as notas explicativas são publicadas juntamente com as demais demonstrações contábeis, como o balanço patrimonial, porém está sendo apresentado na Figura 1 apenas as notas explicativas publicadas. 3Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração Fi gu ra 1 . E xe m pl o de n ot as e xp lic at iv as p ub lic ad as . Fo nt e: N ot as e xp lic at iv as (2 01 8, p . 1 9) . Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração4 O CPC PME (R1, CPC, 2009, p. 34–35) também determina as notas ex- plicativas, e em seus itens 8.2 a 8.7, da seção 8 tratam sobre o assunto, como se segue: 8.2 As notas explicativas devem: (a) apresentar informações acerca das bases de elaboração das demonstrações contábeis e das práticas contábeis específicas utilizadas, de acordo com os itens 8.5 a 8.7; (b) divulgar as informações exigidas por este Pronunciamento que não tenham sido apresentadas em outras partes das demonstrações contábeis; e (c) prover informações que não tenham sido apresentadas em outras partes das demonstrações contábeis, mas que sejam relevantes para compreendê-las. 8.3 A entidade deve, tanto quanto seja praticável, apresentar as notas ex- plicativas de forma sistemática. A entidade deve indicar em cada item das demonstrações contábeis a referência com a respectiva informação nas notas explicativas. 8.4 A entidade normalmente apresenta as notas explicativas na seguinte ordem: (a) declaração de que as demonstrações contábeis foram elaboradas em conformidade com este Pronunciamento; (b) resumo das principais práticas contábeis utilizadas (ver item 8.5); (c) informações de auxílio aos itens apresentados nas demonstrações con- tábeis, na ordem em que cada demonstração é apresentada, e na ordem em que cada conta é apresentada na demonstração; e (d) quaisquer outras divulgações. Divulgação das práticas contábeis 8.5 A entidade deve divulgar no resumo das principais práticas contábeis: (a) a base de mensuração utilizada na elaboração das demonstrações contá- beis; (b) as outras práticas contábeis utilizadas que sejam relevantes para a com- preensão das demonstrações contábeis. Informação sobre julgamento 8.6 A entidade deve divulgar, no resumo das principais práticas contábeis ou em outras notas explicativas, os julgamentos, separadamente daqueles envolvendo estimativas (ver item 8.7), que a administração utilizou no pro- cesso de aplicação das práticas contábeis da entidade e que possuem efeito mais significativo nos valores reconhecidos nas demonstrações contábeis. Informação sobre as principais fontes de incerteza das estimativas 8.7 A entidade deve divulgar, nas notas explicativas, informações sobre os principais pressupostos relativos ao futuro, e outras fontes importantes de incerteza das estimativas na data de divulgação, que tenham risco significa- tivo de provocar modificação material nos valores contabilizados de ativos e passivos durante o próximo exercício financeiro. Com respeito a esses ativos e passivos, as notas explicativas devem incluir detalhes sobre: (a) sua natureza; e (b) seus valores contabilizados ao final do período de divulgação. 5Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração Pode-se observar que a finalidade das notas explicativas é proporcionar aos usuários um melhor entendimento das demonstrações contábeis apresentadas, tendo um caráter de apresentar informações descritivas, informando critérios de avaliação, mudanças de políticas e práticas contábeis, detalhamento de grupos do balanço, como imobilizado, que podem ser objetos de análises mais específicas (PADOVEZE, 2017). Deve-se entender que as notas explicativas são complementares às demons- trações contábeis, ajudando a compreensão mais detalhada das demonstrações contábeis e do funcionamento da empresa, porém são fundamentais para a análise das demonstrações financeiras pelos usuários externos, uma vez que explicitam as práticas contábeis e os critérios que foram utilizados, além de evidenciar informações de itens que não estão reconhecidos nas demonstrações contábeis, mas que poderão impactar na tomada de decisão, sendo assim, uma ferramenta de cunho estratégico. Mesmo as notas explicativas exercendo papel complementar às demonstra- ções contábeis é obrigatória divulgação, pois em um mercado cada vez mais globalizado e competitivo, as empresas precisam ter uma maior consciência além de cumprir o que está estabelecido nas legislação vigentes, e ao mesmo tempo estabelecer um diferencial e se comunicar diretamente com seus usuá- rios externos, compreender suas necessidades e se elas estão sendo atendidas, assegurando que eles tenham acesso às informações que necessitam (SAIBA como as notas..., 2018). Junto com as demonstrações contábeis, além das notas explicativas, também é pu- blicado o relatório da administração, sendo este relatório um texto preparado pelos gestores da empresa para avaliar o desempenho da organização. Ele traz informações corporativas e setoriais relacionadas ao ramo de atividade, análise financeira e outras informações que a administração julga de interesse para os seus acionistas e público em geral. Também pode ser denominado relatório da diretoria. Fonte: Desenvolve SP (2019). Notas explicativas:conteúdo informativo e elaboração6 Características das informações contábeis e estrutura das notas explicativas Conforme as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) T. 1, que trata das características qualitativas das demonstrações contábeis, toda demonstração contábil deve ter atributos que tornem as demonstrações contábeis úteis para os usuários (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2008), como as listadas a seguir. � Compreensibilidade: todas as informações contábeis devem ser en- tendidas por todos os usuários, e para esse fim é preciso que usuários tenham um conhecimento razoável dos negócios, atividades econômicas e contabilidade, e a disposição de estudar as informações com razoável conhecimento. Mas mesmo que uma informação seja de difícil com- preensão, não deve ser excluída das informações contábeis. � Relevância: para serem úteis, as informações deve ser relevantes, ou seja, influenciar as decisões econômicas dos usuários, ajudando-os a avaliar o impacto de eventos passados, presentes ou futuros. � Materialidade: a relevância das informações é afetada pela sua natureza e materialidade. Ou seja, uma informação é material se a sua omissão ou distorção puder influenciar as decisões econômicas dos usuários, tomadas com base nas demonstrações contábeis. � Confiabilidade: para ser útil, a informação deve ser confiável, ou seja, deve estar livre de erros ou vieses relevantes e representar adequada- mente aquilo que se propõe a representar (CFC, 2008). Porém, para atender as quatro características mencionadas na NBC TG Estrutura Conceitual (CFC, 2008), a empresa também deve, segundo essa mesma norma, proceder com os seguintes critérios. � Representação adequada: para ser confiável, a informação deve re- presentar adequadamente as transações e outros eventos que ela diz representar. Ou seja, o balanço patrimonial deve representar adequa- damente a situação patrimonial da empresa na data da apresentação. � Primazia da essência sobre a forma: para que a informação represente corretamente é necessário que essas transações sejam contabilizadas de acordo com a sua essência e realidade econômica, e não meramente sua forma legal, ou seja, não basta seguir a lei, deve representar sua essência. 7Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração � Neutralidade: para ser confiável, a informação contida nas demons- trações contábeis deve ser neutra, isto é, imparcial, não induzindo o usuário para uma tomada de decisão. � Prudência: os preparadores de demonstrações contábeis se deparam com incertezas que inevitavelmente envolvem certos eventos e circuns- tâncias, tais como a possibilidade de recebimento de contas a receber de liquidação duvidosa, que devem ser apresentadas. � Integridade: para ser confiável, a informação constante das demons- trações contábeis deve ser completa, pois uma omissão pode tornar uma informação falsa. � Comparabilidade: os usuários devem poder comparar as demonstrações contábeis de uma entidade ao longo do tempo, evitando alterações de critérios e avaliações que possam distorcer essa comparação. Ou seja, as notas explicativas devem atender a esses quesitos. A CPC 26 (R1) aprovada pela Deliberação CVM nº 676/2011 (2011, documento on-line), estabelece o que segue: 112. As notas explicativas devem: (a) apresentar informação acerca da base para a elaboração das demonstrações contábeis e das políticas contábeis específicas utilizadas, de acordo com os itens 117 a 124; (b) divulgar a informação requerida pelos Pronunciamentos Técnicos, Orien- tações e Interpretações do CPC que não tenha sido apresentada nas demons- trações contábeis; e (c) prover informação adicional que não tenha sido apresentada nas demons- trações contábeis, mas que seja relevante para sua compreensão. 113. As notas explicativas devem ser apresentadas, tanto quanto seja praticável, de forma sistemática. Cada item das demonstrações contábeis deve ter referên- cia cruzada com a respectiva informação apresentada nas notas explicativas. Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração8 Santos e Veiga (2014) complementam que a ordem de apresentação das notas explicativas deve ser: 1. contexto operacional; 2. declaração quanto à base de preparação das demonstrações contábeis; 3. bases de avaliação de ativos e passivos e práticas contábeis aplicadas; 4. informações adicionais para itens apresentados nas demonstrações contábeis; 5. contingências e outras divulgações de caráter financeiro; 6. divulgações não financeiras, tais como riscos financeiros da entidade. Cabe ressaltar segundo Iudícibus e Marion (2009) que as notas explicativas podem ser complementadas por quadros analíticos suplementares, apresentados dentro das próprias notas. Tais quadros apresentam detalhamento de infor- mações, como composição e tipos de ação do capital social, taxas de juros e prazos de vencimento de empréstimo, garantias de longo prazo, composição do estoque e imobilizado, entre outras. Para Iudícibus e Marion (2009), são exemplos de informações contidas nos quadros analíticos: � Composição dos estoques: será apresentado os valores de matéria-prima, produtos em andamento, produtos acabados, material de embalagem, peças de reposição, almoxarifado, entre outros que a empresa possa vir a possuir. � Composição do imobilizado: serão apresentados valores de terrenos, edifícios, máquinas, veículos, a depreciação acumulada individualizada por bem, construções em andamento, importação em andamento, entre outros. � Projetos em execução: descrição dos projetos que estão em andamento, informando prazo de entrega, capacidade de produção, comparação entre custos estimados e custos reais, financiamentos para executar o projeto, entre outros. 9Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração O § 5º do art. 176 da Lei das Sociedades por Ações (BRASIL, 1976, docu- mento on-line) regula as notas que devem ser incluídas, que são: I — apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações financeiras e das práticas contábeis específicas selecionadas e aplicadas para negócios e eventos significativos; II — divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adotadas no Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte das demons- trações financeiras; III — fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstra- ções financeiras e consideradas necessárias para uma apresentação adequada; e IV — indicar: a) os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, especial- mente estoques, dos cálculos de depreciação, amortização e exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender a perdas prováveis na realização dos elementos do ativo; b) os investimentos em outras sociedades, quando relevantes (art. 247, pa- rágrafo único); c) o aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações (art. 182, § 3º); d) os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes; e) a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo; f) o número, espécies e classes das ações do capital social; g) as opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício; h) os ajustes de exercícios anteriores (art. 186, § 1º); i) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia. O relatório da diretoria é aplicado em companhias de grande porte e de capital aberto. As demais companhias, conforme a legislação vigente, devem apresentar um relatório informando aos acionistas que, de acordo com a legislação e os estatutos sociais, estão sendo apresentadas as demonstrações contábeis. Fonte: Santos e Veiga (2014). Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração10 Informações constantes nas notas explicativas As notas explicativasnão possuem grandes complexidades em sua elabora- ção. A NBC TG 1000 (CFC, 2009) apresenta um passo a passo que deve ser considerado em sua elaboração. Ao elaborar o balanço patrimonial, a entidade deve apresentar as seguintes informações: 1. a classificação do ativo imobilizado da entidade; 2. demonstração dos valores do grupo contas a receber, destacando os valores relativos a partes relacionadas e recebíveis gerados por receitas não faturadas; 3. composição dos estoques da empresa, demonstrando separadamente seus valores relativos ao seu objetivo, isto é, mantidos para venda, produção ou bens de consumo; 4. os valores dos fornecedores e contas a pagar, demonstrando separa- damente os valores a pagar para fornecedores, partes relacionadas e encargos incorridos; 5. provisões para benefícios a empregados e outras provisões, como trabalhistas; 6. a composição do patrimônio líquido, destacando os grupos que o com- põe, como reserva de lucros. Caso a entidade tenha seu capital social na forma de ações, ou seja, so- ciedade anônima, a NBC TG (R1) 1000 (CFC, 2016) determina que entidade deve divulgar: 1. a quantidade de ações autorizadas; 2. a quantidade de ações subscritas, integralizadas e não integralizadas; 3. o valor nominal por ação; 4. ações que não tenham valor nominal; 5. descriminação da quantidade de ações em circulação no início e no fim do exercício; 11Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração 6. direitos, preferências e restrições associados a essas classes, incluindo restrições na distribuição de dividendos ou de lucros e no reembolso do capital; 7. ações da entidade em posse da própria entidade ou por controladas e coligadas; 8. ações reservadas para emissão em função de opções e contratos para a venda de ações, incluindo os termos e montantes; 9. descrição de cada reserva incluída no patrimônio líquido. Porém, caso a entidade tenha seu capital representado em forma de quo- tas, ou seja, sociedade limitada, deve divulgar informações equivalentes às exigidas pela Sociedade Anônima, isto é, descrever as alterações ocorridas no patrimônio líquido no exercício; descrição do ativo ou grupo de ativos e passivos; o valor contabilizado dos ativos ou o valor contabilizado desses ativos e passivos. Exemplos de dados divulgados em notas explicativas As notas explicativas são obrigatórias para todas as empresas de todos os portes, inclusive para pequenas e médias empresas, fazendo parte do conjunto completo do conjunto das demonstrações contábeis elaboradas (SANTOS; VEIGA, 2014). A seguir, no Quadro 1, são apresentados alguns exemplos de dados que obrigatoriamente devem contar nas notas explicativas, caso a entidade possua tais movimentações. Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração12 Fonte: Adaptado de Santos et al. (2015). Dados a serem divulgados Exemplos Políticas contábeis Avaliações utilizadas no ativo e passivo, como custo histórico, custo corrigido, valor de realização, valor justo ou valor recuperável. Fontes de incertezas das estimativas Alguns ativos e passivos exigem uma estimativa de efeitos incertos no futuro, como ausência de preços de mercado, passando a ser necessário estimar o valor recuperável de um imobilizado; obsolescência tecnológica nos estoques; provisões sujeitas a resultado de litígio no futuro. Capital Descrição de elementos qualitativos sobre as políticas de gestão do capital; objetivos monetários da gestão do capital. Outras divulgações Montante de dividendos propostos, quantidade de dividendo preferencial, forma jurídica de entidade, endereço da sede, natureza das operações, se é entidade constituída com tempo determinado ou não. Quadro 1. Exemplos de informações divulgadas em notas explicativas Acesse o link para saber mais a respeito das notas explicativas. https://qrgo.page.link/3EuH 13Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração Nota 01 — Sumários das práticas contábeis As principais práticas contábeis adotadas pela sociedade são: a) Estoques — são avaliados ao custo médio de aquisição ou de produção, estando reduzidos, mediante a provisão evidenciada ao valor de mercado ou de realização, quando inferiores ao custo. b) Ativo imobilizado — é registrado ao custo de aquisição ou construção, reduzido da depreciação acumulada. As depreciações são calculadas pelo método linear, com base em taxas que levam em consideração a vida útil econômica dos bens, segundo parâmetros estabelecidos pela legislação tributária ou com base em laudo técnico de peritos avaliadores. As taxas de depreciação são as seguintes: � edifícios: 4%; � máquinas, equipamentos, instalações e móveis: 10%; � veículos e equipamentos de informática: 20%. c) Investimento — as participações relevantes em coligadas e controladas são ava- liadas pelo método de equivalência patrimonial. As demais participações em outras sociedades são registradas pelo custo de aquisição menos a provisão para perdas permanentes. d) Empréstimo e financiamentos — são atualizados pelas variações monetárias in- corridas até a data do balanço, e os respectivos juros transcorridos devem estar provisionadas. As variações monetárias e os juros são apropriados em despesas financeiras. e) Impostos de rendas e contribuições sociais — são calculados e contabilizados com base nas alíquotas vigentes no exercício a que se referem as demonstrações contábeis. Nota 02 — Responsabilidade e contingências Devem ser relacionados e, se for o caso, comentados os processos, contingências fiscais e reclamações trabalhistas que envolvem responsabilidade contingente da empresa. Deve-se reservar uma provisão para riscos fiscais e outras contingências no valor correspondente à perda provável máxima no caso de resultado negativo nessa pendência. Nota 03 — Empréstimos e financiamentos Descrevem-se os empréstimos e financiamentos efetuados pela empresa para a execução de projetos e capital de giro, as entidades concessoras, a data de resgate, os juros praticados, as garantidas oferecidas e demais detalhes considerados relevantes. Nota 04 — Capital Faz-se uma demonstração da composição do capital social (número de ações ordinárias e preferenciais para sociedades anônimas, ou quotas para sociedades limitadas), valor nominal e da distribuição dos dividendos. Nota 05 — Ajuste de exercícios anteriores Relacionam-se as ações referente ao ajuste de exercícios anteriores e seus efeitos sobre as demonstrações contábeis do exercício. Fonte: Quintana (2009). Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração14 Todas essas informações, em conjunto com as demonstrações contábeis, compreendem um resumo das políticas contábeis aplicadas pela empresa, bem como necessárias para a avaliação da situação patrimonial, financeira e econômica da entidade por parte dos gestores, investidores e acionistas (SANTOS, VEIGA; 2014). BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília, DF: 1976. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm. Acesso em: 17 abr. 2019. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Deliberação CVM nº. 488, de 03 de outubro de 2005. Aprova o pronunciamento do IBRACON NPC n. 27 sobre Demonstrações Contábeis — apresentação e divulgações. Rio de Janeiro, 2005. Disponível em: http:// www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/deliberacoes/anexos/0400/deli488.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Deliberação CVM nº. 496, de 03 de janeiro de 2006. Prorroga a entrada em vigor da Deliberação CVM nº. 488, de 03 de outubro de 2005, que aprovou o pronunciamento do IBRACON NPC nº. 27 sobre Demonstrações Contábeis — apresentação e divulgações. Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: http:// www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/deliberacoes/anexos/0400/deli496.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico CPC 26 (R1): apresentaçãodas demonstrações contábeis. 2011. Disponível em: http://static. cpc. aatb.com.br/Documentos/312_CPC_26_R1_rev%2013.pdf. Acesso em: 17 abr. 2019. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico PME: conta- -bilidade para pequenas e médias empresas. 2009. Disponível em: http://static.cpc. aatb.com.br/Documentos/392_CPC_PMEeGlossario_R1_rev%2011_alt.pdf. Acesso em: 17 abr. 2019. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE — CFC. Normas Brasileiras de Contabilidade NBC T 1: estrutura conceitual para a elaboração e apresentação das demonstrações contábeis. Brasília, DF, 2008a. Disponível em: http://www.portaldecontabilidade.com. br/nbc/t1.htm. Acesso em: 17 abr. 2019. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE — CFC. Normas Brasileiras de Contabilidade NBC TG 1000: contabilidade para pequenas e médias empresas. Brasília, DF, 2009. Disponível em: http://www.portaldecontabilidade.com.br/nbc/NBC-TG-1000.htm. Acesso em: 17 abr. 2019. 15Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE — CFC. Normas Brasileiras de Contabilidade NBC TG 1000 (R1), de 21 de outubro de 2016. Altera a NBC TG 1000 que dispõe sobre a contabilidade para pequenas e médias empresas. Brasília, DF, 2016. Disponível em: http://www.contabilistassl.com.br/s-n/noticias-descricao.php?id_=OTQ2NzU0ODA- -1NDI=&o=fc9dc22ccbf2965c1a1d85a3cbd28b7350bdb810c1e057a784da89fe6bfb 769aa23f5bc5b4ddf58276c13c4cb08b499dc9277c4de4570429963e77e6e9ebfc84. Acesso em: 17 abr. 2019. DESENVOLVE SP. Relatório da administração. Disponível em: https://www.desen-volvesp. com.br/institucional/transparencia/prestacao-de-contas/relatorio-da--administracao/. Acesso em: 17 abr. 2019. GELBCKE, E. R. et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2018. IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. Contabilidade comercial. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2009. NOTAS explicativas. Jornal do Comércio, 29 mar./01 abr. 2018. 2. Caderno, p. 19. PADOVEZE, C. L. Manual de contabilidade básica: contabilidade introdutória e inter- -mediária. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2017. QUINTANA, A. C. Fluxo de caixa: demonstrações contábeis — de acordo com a lei 11.638/07. Curitiba: Juruá, 2009. RIBEIRO, O. M. Contabilidade básica fácil. 29. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. SAIBA como as notas explicativas podem ser estratégicas na contabilidade da empresa. 2018. Disponível em: https://www.classecontabil.com.br/saiba-como-as-notas-explica- -tivas-podem-ser-estrategicas-na-contabilidade-da-empresa/. Acesso em: 17 abr. 2019. SANTOS, F. A.; VEIGA, W. E. Contabilidade: com ênfase em micro, pequenas, e médias empresas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2014. SANTOS, J. L. et al. Manual de práticas contábeis: aspectos societários e tributários. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2015. Leituras recomendadas BOHRER IBAÑEZ, M. (coord.). Contabilidade para pequenas e médias empresas. 2. ed. Porto Alegre: CRCRS, 2011. Disponível em: http://www.crcrs.org.br/arquivos/livros/ livro_contabilidadePME.pdf. Acesso em: 17 abr. 2019. MONTOTO, E. Contabilidade geral e avançada esquematizado. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. NOTAS explicativas às demonstrações financeiras. Disponível em: http://www.portal- -decontabilidade.com.br/guia/notasexplicativas.htm. Acesso em: 17 abr. 2019. Notas explicativas: conteúdo informativo e elaboração16 CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA II Filipe Martins da Silva Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Definir a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA). � Descrever os elementos que compõem a estrutura da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. � Explicar o impacto, no balanço patrimonial, da constituição e reversão de reservas, dos ajustes de exercícios anteriores e do reconhecimento da distribuição de lucros. Introdução Neste capítulo, você conhecerá a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA) e compreenderá como ocorre a sua movimentação, quais contas a compõem e a importância dos itens da sua compo- sição — como, por exemplo, dividendos, que é a remuneração dos acionistas e sócios das empresas. O lucro obtido pela empresa nem sempre é integralmente distri- buído; muitas vezes, ele é reinvestido na própria empresa. Através da DLPA, será possível acompanhar a movimentação do lucro e distinguir a sua destinação. Além disso, você também conhecerá, com base na legislação vigente, quais são as reservas de lucro que uma entidade pode criar, os seus objetivos, e de que forma a empresa pode calcular seus dividendos. O que é a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados? Para um acionista que deseja conhecer a situação da empresa em que está investindo, quanto maior o número de informações, melhores e mais exatas serão as suas interpretações, conclusões e, consequentemente, as suas tomadas de decisões. Para isso, além do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, a empresa conta também com a DLPA, que contribui para a compreensão da situação econômica e financeira da empresa, além de explicitar a destinação dos lucros da companhia. A DLPA tem por finalidade apresentar as movimentações ocorridas na conta de lucros ou prejuízos acumulados, evidenciando as alterações ocorridas no saldo desta conta. Uma vez que inúmeras operações que se processam nesta conta fazem com que o lucro líquido do exercício, constante da demonstração do resultado do exercício, seja diferente do saldo final da conta de lucros ou prejuízos acumulados, a DLPA constitui-se, então, imperativa na apresentação de tais modificações (GELBCKE et al., 2018). A conta de lucros ou prejuízos acumulados, apresentada pela DLPA, pode ser obtida também pela demonstração das mutações do patrimônio líquido, a qual inclui uma coluna específica para evidenciar as movimentações que transitaram pela conta de lucros ou prejuízos acumulados. Segundo Padoveze (2017), a DLPA tem por objetivo apresentar as seguintes informações: � os lucros ainda não distribuídos ou transferidos; � os lucros ou prejuízos ocorridos no exercício; � as transferências para reservas e lucros distribuídos; � a absorção dos prejuízos de exercícios anteriores por novos lucros; � os prejuízos acumulados de exercícios anteriores não absorvidos por lucros. O art. 286 do Decreto nº. 9.580, de 22 de novembro de 2018, determina a obrigatoriedade da apuração da DLPA: Ao fim de cada período de apuração, o contribuinte deverá apurar o lucro líquido por meio da elaboração, em observância às disposições da lei comer- cial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do período de apuração e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (BRASIL, 2018, documento on-line). Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas2 Em seu item 6.5, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) PME define que a DLPA deve conter: (a) lucros ou prejuízos acumulados no início do período contábil. (b) dividendos ou outras formas de lucro declarados e pagos ou a pagar du- rante o período. (c) ajustes nos lucros ou prejuízos acumulados em razão de correção de erros de períodos anteriores. (d) ajustes nos lucros ou prejuízos acumulados em razão de mudanças de práticas contábeis. (e) lucros ou prejuízos acumulados no fim do período contábil (CPC, 2009, p. 35). O CPC-PME (R1) complementa, em seu item 3.18, que se as únicas alterações no patrimônio líquido durante os períodos para os quais as demonstrações contábeis são apresentadas derivarem do resultado, de distribuição de lucro, de correção de erros de períodos anteriores e de mudanças de políticas contábeis, a entidade pode apresentar a DLPA no lugar da demonstração do resultado abrangente (DRA) e da demonstração das mutações do patrimônio líquido (MONTOTO, 2018). O § 2º do art. 186 da Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (BRASIL, 1976),também reforça que a DLPA pode ser substituída pela demonstração das mutações do patrimônio líquido. A DLPA poderá ser incluída na demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elaborada e divulgada pela companhia, visto que esta não inclui somente o movimento da conta de lucros ou prejuízos acumulados, mas também o de todas as demais contas do patrimônio líquido (MONTOTO, 2018). O art. 286 do Decreto nº. 9.580/2018 (BRASIL, 2018) determina a obriga- toriedade da DLPA para as sociedades limitadas. Montoto (2018) ressalta que a DLPA não faz parte do conjunto de demonstrações exigido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) no CPC 26 (R1), itens 10 e 11 (CPC, 2011), para as empresas de grande porte, mas a Lei nº. 6.404/1976 e o CPC-PME sim. De acordo com o art. 186, § 2º da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976), a DLPA deverá apresentar as seguintes informações: � o saldo do início do período e os ajustes de exercícios anteriores; � as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício; � as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período. 3Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas O plano de contas pode apresentar as duas contas: “lucros acumulados” (credora) e “prejuízos acumulados” (devedora). O saldo credor representa a parcela do resultado da empresa não destinada especificamente. O saldo devedor representa o saldo dos resultados negativos da empresa, e deverá ser compensado com lucros futuros (MONTOTO, 2018). A DLPA é constituída de forma ordenada e racional, explicitando todas as movimentações ocorridas com a conta lucros ou prejuízos acumulados — e esta, por sua vez, no balanço patrimonial, é apresentada no patrimônio líquido da empresa. O ponto de partida da DLPA é o saldo inicial — isto é, o valor constante na conta lucros ou prejuízos acumulados no início do exercício da empresa — até o saldo final — o valor que encerra o exercício —, elencando de maneira clara e sucinta todas as operações que tenham refletido na conta de lucros ou prejuízos acumulados. A DLPA apresenta as retenções de lucros, as distribuições de lucros aos sócios, os ajustes de exercícios anteriores, os saldos ainda não destinados, entre outros itens cujas causas e efeitos dos registros e do saldo são de grande importância para o público interessado na empresa. Para efeito de publicação, deve-se incluir nessa demonstração as operações ocorridas no exercício anterior para fins de comparação. Ela é elaborada após terem sido realizados todos os ajustes e procedimentos de encerramento contábil, ou seja, após a finalização do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício. É importante ressaltar que a Lei nº. 11.638, de 28 de dezembro de 2007 (BRASIL, 2007), não permite a manutenção do saldo na conta de lucros ou prejuízos acumulados para as companhias abertas e de grande porte, pois todos os lucros existentes devem ter uma destinação ao final do exercício, podendo ser distribuídos na forma de dividendos ou juros sobre capital próprio para os sócios ou acionistas, ou, também, ser transferidos para o capital social ou reservas de lucros. Cabe destacar que o CPC PME (para pequenas e médias empresas) conserva a manutenção do saldo da conta de lucros acumulados, por se tratar de empresas de pequeno e médio porte (PADOVEZE, 2017). A supressão do termo “lucros acumulados”, ao lado de "prejuízos acumula- dos”, evidencia que os lucros acumulados até 2007 tiveram que ser destinados nas demonstrações de 2008 e que não é mais possível deixar de destinar todo o lucro de um exercício. Se ocorrer de o resultado do exercício ser negativo, este será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nesta ordem. A partir da publicação da Lei nº. 11.638/2007, não poderá haver saldo de "lucros acumulados" no patrimônio líquido. Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas4 Isso não significa que durante um exercício os balanços patrimoniais inter- mediários não possam ter saldos na conta de lucros ou prejuízos acumulados. Essa conta não desapareceu da contabilidade. Contudo, seu saldo terá que ser completamente utilizado (destinado) ao final de cada exercício. Ou seja, o saldo final da DLPA não deve ser positivo, porque entende-se que todo lucro que a empresa auferir deverá ser destinado, seja pela distribuição de lucros ou pela destinação para reservas (MONTOTO, 2018). Analisando as informações geradas pela DLPA, é possível observar em quais períodos a empresa obteve maior lucro e maior prejuízo, e a extensão de crescimento possível da empresa. Conhecer com detalhes suas reservas de lucros significa conhecer as perspectivas da empresa para o futuro e ter uma análise detalhada de suas possibilidades de expansão — se há como investir em novos produtos, instalações ou até mesmo outras filiais com os resultados obtidos. Além do mencionado, é possível efetuar uma análise global do resul- tado, isto é, verificar o desempenho das estratégias aplicadas na empresa com o objetivo de obtenção de lucro, analisando se existe um alinhamento entre as equipes da empresa, e, de posse da DLPA, verificar se existem pontos que devam ser alterados para estimular o crescimento da empresa e o aumento do lucro (INSTITUTO COACHING FINANCEIRO, c2016). Em relação às atribuições da assembleia geral ordinária, segundo o art. 132 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976), ela é obrigatoriamente convocada anualmente nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social para: � tomar as contas dos administradores, examinar, discutir e votar as demonstrações financeiras; � deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos; � eleger os administradores e os membros do conselho fiscal, quando for o caso; � aprovar a correção da expressão monetária do capital social; � aprovar o orçamento de capital para a constituição da reserva de retenção de lucros. Para as demais deliberações sociais, deverá ser convocada uma assembleia geral extraordinária, conforme dispõe o art. 131 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976). Fonte: Santos et al. (2015, p.76). 5Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas Componentes estruturais da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados A DLPA é um relatório contábil que tem por finalidade evidenciar o saldo inicial da conta lucros ou prejuízos acumulados, os ajustes de exercícios anteriores, as reversões de reservas, o lucro líquido do exercício e a destinação de lucro (RIBEIRO, 2009). A estrutura que deve ser seguida na sua apresentação e publicação está apresentada no Quadro 1. Fonte: Adaptado de Padoveze (2017). DLPA Saldo no início do período Ajuste de exercícios anteriores Saldo ajustado Reversão de reservas Lucro líquido do exercício Saldo à disposição da assembleia geral ordinária/extraordinária Destinações Reserva legal Reserva estatutária Reserva de lucros a realizar Reserva de contingências Dividendo obrigatório Saldo final Quadro 1. Estrutura da DLPA Em relação à estrutura, cada item apresentado é obrigatório e possui uma finalidade, como será explicado a seguir. Saldo início do período: corresponde ao saldo da conta prejuízos acumu- lados constante do balanço de encerramento do exercício anterior. Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas6 Ajustes de exercícios anteriores: a Lei das Sociedades por Ações (Lei das SAs) (BRASIL, 1976), define que o lucro do exercício não pode ter movimen- tações que tenham origem de erros de exercícios anteriores, pois o resultado do período não refletiria o real resultado das operações ocorridas no período; para isso, tais erros, chamados de ajustes de exercícios anteriores, devem ser lançados diretamente na conta de lucros ou prejuízosacumulados, sem afetar o resultado do período (GELBCKE et al., 2018). Sobre esse assunto, o § 1º do art. 186 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976) estabelece que como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas decorrentes de efeitos de mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determi- nado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes. Segundo Quintana (2009), os ajustes permitidos pela legislação são: 1. mudança de critérios contábeis: são retificações de valores causadas por mudanças de critérios contábeis, como por exemplo alteração do cálculo da depreciação e da apuração do estoque (caso tais mudanças sejam relevantes, deverão ser apresentadas em notas explicativas); 2. retificação de erros de exercícios anteriores: erro na escrituração contábil que não pode ser lançado no exercício atual porque provocaria mudanças relevantes no resultado do exercício vigente, como por exemplo despesas ou receitas lançadas a maior ou menor. Saldo ajustado: corresponde ao saldo inicial da conta prejuízos acumu- lados, adicionado ou subtraído (dependendo do caso) do valor do ajuste de exercícios anteriores. Lucros ou prejuízos do exercício: corresponde ao lucro ou prejuízo lí- quido apurado no exercício e devidamente na demonstração do resultado do exercício (GELBCKE et al., 2018). O lucro (ou prejuízo) líquido do exercício corresponde ao valor que fica à disposição dos sócios para ser retirado em forma de distribuição de lucro ou para ser reinvestido no negócio. Com base nesse valor é possível encontrar o lucro por ação, que representa o valor do lucro para cada ação da empresa, sendo obtido pela divisão do lucro total pelo número de ações que a empresa possui (QUINTANA, 2009). Reversão de reservas: uma movimentação que pode ocorrer na conta de lucros ou prejuízos acumulados é a reversão de reservas. Essa movimentação ocorre pois, após as reservas de lucros constituídas terem concluído seu objetivo de constituição e não terem sido utilizadas para aumento de capital ou para compensar prejuízos, elas deverão ser revertidas para a conta de lucros ou prejuízos acumulados. As reversões de reservas são informações relevantes, 7Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas porque frequentemente passam a ser incluídas no cálculo dos dividendos a distribuir. A Lei das SAs (BRASIL, 1976), determina que os ajustes de exer- cícios anteriores não devem afetar o resultado normal do presente exercício, devendo ser registrados diretamente na conta de lucros ou prejuízos acumu- lados, no patrimônio líquido. A reversão de reservas deve ter a identificação de sua origem. São revertidas para a conta de lucros ou prejuízos acumulados somente as reservas de lucros, pois só essas tiveram origem nessa conta e podem, assim, retornar para a sua origem (GELBCKE et al., 2018). Saldo à disposição: esse saldo corresponde ao saldo inicial da conta prejuí- zos acumulados; mais, ou menos, os ajustes de exercícios anteriores; mais lucro líquido do exercício, ou menos prejuízo líquido do exercício; mais reversão de reservas. Esse montante fica à disposição da assembleia (no caso de sociedade por ações) ou dos sócios (nos outros tipos de sociedade). Destinações para reservas de lucros: é a forma pela qual foi destinado o lucro líquido do exercício, seja distribuído para os acionistas e sócios, ou retido pela empresa em forma de constituição de reservas de lucros, como por exemplo a reserva legal (SANTOS; VEIGA, 2014). As reservas de lucros são constituídas pela transferência do lucro da companhia, definido no § 4º do art. 182 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976), não sendo permitido reter lucros sem justificativa, como por exemplo manter na conta de lucros acumulados, como era antes da promulgação da Lei nº. 11.941, de 27 de maio de 2009 (BRASIL, 2009). O art. 199 da Lei nº. 6.404/1976 determina que o saldo das reservas de lucros, exceto as para contingências, de incentivos fiscais e de lucros a realizar, não poderá ultrapassar o capital social (BRASIL, 1976). São exemplos de reservas de lucros: a) Reserva legal: a finalidade da reserva legal é criar um fundo para que a empresa possa suportar prejuízos ou acumular recursos para cresci- mento futuro, podendo aumentar seu capital com recursos próprios, como está no art. 193, § 2º da Lei nº. 6.404/1976 (MONTOTO, 2018). b) Reserva estatutária: as reservas estatutárias são constituídas por deter- minação do estatuto da companhia, como destinação de uma parcela dos lucros do exercício, e não podem restringir o pagamento do dividendo obrigatório (SANTOS; SCHMIDT, 2009). c) Reserva de contingências: o art. 195 da Lei nº. 6.404/1976 determina que a empresa poderá destinar parte do lucro líquido à formação de reserva para compensar possíveis prejuízos futuros, desde que seja provável e com valor estimado (BRASIL, 1976). Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas8 d) Reserva de retenção de lucros: o art. 195–A da Lei nº. 6.404/1976 determina que a assembleia geral poderá, por proposta dos órgãos da administração, deliberar reter parcela do lucro líquido do exercício prevista em orçamento de capital por ela previamente aprovado, desde que possua justificativa, e poderá durar até 5 exercício e ser revisado anualmente, se a duração for superior a um exercício (BRASIL, 1976). e) Reserva de lucros a realizar: o art. 197 da Lei nº. 6.404/1976 determina que, se no exercício o valor do dividendo obrigatório calculado for superior ao valor do lucro líquido do exercício realizado, ou seja, que seja financeiro, poderá ser constituída a reserva de lucros a realizar (BRASIL, 1976). f) Reserva de incentivos fiscais: o art. 195–A da Lei nº. 6.404/1976 de- termina que a assembleia poderá destinar para a reserva de incentivos fiscais a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos (BRASIL, 1976). Dividendos: dividendo é a remuneração do acionista pela sua participação no capital social da empresa. Seu montante a ser distribuído é fixado no estatuto da companhia, mas caso o estatuto seja omisso no percentual de sua distribuição, o valor a ser distribuído será de 50% do lucro da companhia. A DLPA deverá informar o valor do dividendo que dever ser distribuído, deixando claro quanto o acionista irá receber de dividendo da empresa (QUINTANA, 2009). Para conhecer o valor do dividendo por ação, indicado na DLPA, basta dividir o valor dos respectivos dividendos a serem distribuídos pelo número de ações em circulação que compõem o capital da entidade. Os dividendos devem ser apresentados a débito de lucros acumulados e a crédito de dividendos a pagar, no passivo circulante (GELBCKE et al., 2018). Caso a empresa possua diferentes tipos de ações, cada tipo de ação deve ter um dividendo atrelado a si, tendo suas formas de cálculo informadas em notas explicativas (RIBEIRO, 2009). O art. 201 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976), define que a companhia somente pode pagar dividendos com base nos valores da conta de lucro líquido do exercício, de lucros acumulados e de re- serva de lucros, ressaltando que o seu pagamento implica na responsabilidade solidária dos administradores, que deverão repor à caixa social a importância distribuída, sem prejuízo da ação penal que no caso couber. Juros sobre capital próprio: corresponde a uma outra forma de pagamento concedido ao sócio ou acionista, pago pela empresa como remuneração pelos 9Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas valores por eles investidos na composição do capital da própria empresa. Embora não seja obrigatório, grande parte das empresas e, principalmente, das sociedades anônimas de capital aberto, tem remunerado os acionistas com o pagamento de juros sobre o capital próprio (RIBEIRO, 2009). Saldo no fim do exercício: com advento daLei nº. 11.638/2007 e da Medida Provisória nº. 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº. 11.941/2009, a conta lucros acumulados terá o seu saldo zerado no último dia do exercício social. Assim, somente haverá saldo no final do exercício na DLPA quando houver saldo na conta prejuízos acumulados (MONTOTO, 2018). A reserva de lucros para expansão tem por objetivo atender a projetos de investimento e expansão. A companhia poderá reter parte dos lucros do exercício. Essa retenção deverá estar justificada com o respectivo orçamento de capital aprovado pela assembleia geral, tendo sua base legal definida pela Lei nº. 6.404/1976, art. 196 (BRASIL, 1976). Também pode ser chamada de reserva de retenção de lucros (MONTOTO, 2018). Impacto patrimonial das movimentações das reservas de lucros e dos lucros acumulados As reservas de lucros são a parte dos lucros retidos, ao final de cada exercício, no patrimônio líquido das companhias para finalidades específicas, conforme previsto no § 4º do art. 182 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976), sendo sua constituição efetivada por disposição da lei ou por proposta dos órgãos da administração (MONTOTO, 2018). Pela Lei das SAs (BRASIL, 1976), classificam-se como reservas de lucros: Reserva legal: a reserva legal deverá ser constituída mediante destinação de 5% do lucro líquido do exercício, antes de qualquer outra destinação. Esta reserva será constituída, obrigatoriamente, pela companhia, até que seu valor atinja 20% do capital social realizado, quando então deixará de ser acrescida. (SANTOS; SCHMIDT, 2009). Exemplo de cálculo: Uma empresa foi constituída com um capital social de R$ 200.000,00. Em seu primeiro ano, a empresa obteve um lucro de R$ 500.000,00, e com base no lucro foi constituída a reserva legal de R$ 25.000,00, representando 5% do lucro do ano. O lançamento contábil será o seguinte: Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas10 D: Lucros acumulados (PL) C: Reserva legal (PL) Valor: R$ 25.000,00 Reserva estatutária: o estatuto poderá criar reservas desde que indique a sua finalidade e os critérios para a sua determinação, e estabeleça um limite máximo, tanto do percentual do lucro líquido quanto do valor máximo que a reserva possa atingir (MONTOTO, 2018). Exemplo: uma empresa tem definido em seu estatuto a constituição de uma reserva estatutária, que representa 4% do seu lucro líquido. Como neste ano a empresa obteve um lucro de R$ 500.000,00, o valor da reserva será de R$ 20.000,00. D: Lucros acumulados (PL) C: Reserva estatutária (PL) Valor: R$ 20.000,00 Reserva para contingências: de acordo com o art. 195 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976), a assembleia geral poderá, por proposta dos órgãos de admi- nistração, destinar parte do lucro líquido à formação de reserva com a finali- dade de compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável, cujo valor possa ser estimado. São exemplos de perdas futuras as cheias, secas, geadas ou outros fenômenos naturais que afetem os estoques ou instalações da empresa, gerando perda efetiva de bens, ou devido à paralização temporária das atividades (SANTOS; SCHMIDT, 2009). Exemplo de cálculo: uma empresa agropecuária de plantação de soja obteve em um determinado ano um lucro líquido de R$ 500.000,00. Devido ao risco de sua atividade, a empresa destinou 20% do seu lucro (R$ 100.000,00) para a reserva de contingências. O lançamento contábil será o seguinte: D: Lucros acumulados (PL) C: Reserva de contingência (PL) Valor: R$ 100.000,00 Reserva de lucros a realizar: quando o valor do dividendo obrigatório a ser distribuído for superior ao valor do lucro realizado, isto é, a parcela do lucro líquido que foi realizada monetariamente (lucro financeiro), a assembleia poderá destinar o excesso à reserva de lucros a realizar. Desta forma evita-se a distribuição de lucros sobre a parcela de lucro não realizada financeiramente. No exercício em que o montante do dividendo obrigatório, calculado nos 11Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas termos do estatuto ou do art. 202 da Lei das SAs (BRASIL, 1976), ultrapassar a parcela realizada do lucro líquido do exercício, a assembleia geral poderá, por proposta dos órgãos da administração, destinar o excesso à constituição de reserva de lucros a realizar (SANTOS; SCHMIDT, 2009). Exemplo de cálculo: em um determinado ano, a empresa obteve um lucro de R$ 200.000,00, porém R$ 130.000,00 são referentes a lucros de operações que não se realizaram financeiramente (R$ 80.000,00 de equivalência patrimonial e R$ 50.000,00 de lucro de vendas que serão recebidas no longo prazo). A empresa teve R$ 130.000,00 de lucros não realizados. Além disso, a empresa terá que distribuir R$ 95.000,00 de dividendos. Devido a essa situação, a empresa deverá criar a reserva de lucros a realizar no valor de R$ 25.000,00, que consiste no valor dos dividendos de R$ 95.000,00 subtraído dos lucros realizados de R$ 70.000,00 (lucro de R$ 200.000,00 – lucros não realizados de R$ 130.000,00). O lançamento será o seguinte: D: Lucros acumulados (PL) C: Reserva de lucros a realizar (PL) Valor: R$ 25.000,00 Reserva de incentivos fiscais: essa reserva é constituída a partir dos valores lançados no resultado que têm por origem subvenções governamentais (doações recebidas pelo governo), o que consiste em assistência dada pelo governo na forma de transferências de recursos a uma entidade em troca do cumprimento de condições relacionadas à sua atividade. Exemplo de cálculo: Uma empresa obteve um terreno do governo estadual no valor de R$ 3.000.000,00, onde irá instalar uma fábrica. O lançamento será o seguinte: D: Terreno (ativo não circulante) C: Subvenção a apropriar (passivo não circulante) Valor: R$ 3.000.000,00 Após a conclusão da construção da fábrica, se ela estiver pronta para pro- duzir, a empresa deverá transportar para o resultado o valor da subvenção, que será depreciado de acordo com o Decreto nº. 9.580/2018 (BRASIL, 2018), que consiste em 4% ao ano, ou seja, R$ 120.000,00 ao ano. O cálculo do valor da subvenção é igual ao cálculo aplicado para a depreciação, ou seja, é aplicado o mesmo percentual da depreciação ao valor do bem, porém este valor é transportado ao resultado em forma de receita. O lançamento será o seguinte: Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas12 D: Subvenção a apropriar (passivo não circulante) C: Receita de doação (DRE) Valor: R$ 120.000,00 A subvenção é apropriada a uma receita diferida que será transferida para o resultado conforme a utilização do bem pela empresa. O valor transferido é o mesmo do valor da receita de doação, ou seja, seu cálculo é igual ao efetuado na depreciação (MONTOTO, 2018). O valor da subvenção que for transferido para o resultado virará a reserva - isto caso a empresa obtenha lucro no exercício. O lançamento será o seguinte: D: Lucros acumulados (PL) C: Reserva de incentivos fiscais (PL) Valor: R$ 120.000,00 Cálculo de dividendos No caso de sociedades empresárias limitadas, a proposta de destinação de lucro deverá ser estabelecida no contrato social. Entretanto, tratando-se de sociedade anônima, a Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976), determina que a administração deva propor, na data do balanço, a destinação do resultado, inclusive dividendos. Portanto, a destinação do resultado deverá ser contabi- lizada na data do balanço, pressupondo-se a sua aprovação pela assembleia (MONTOTO, 2018). Dividendo é o montante do lucro que se divide pelo número de ações; em outras palavras, o rendimento proporcionado pela ação. Os dividendos representam destinações do lucro líquido do exercício, de lucros acumulados ou de reserva de lucros para os acionistas da sociedade. O estatuto social regulará a forma de distribuição dos dividendos, sempre em consonância com a Lei das SAs. Conheça melhor a sociedadeanônima e a distribuição de dividendos acessando o link a seguir. https://goo.gl/Yc9uEa 13Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas Já o dividendo obrigatório é devido a todas as ações, quer sejam ordinárias ou preferenciais. Foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela mesma Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976), visando a evitar que lucros fossem retidos indefinidamente pela companhia em detrimento da distribuição de dividendos almejada pelos acionistas minoritários (SANTOS; SCHMIDT, 2009). Sua base de cálculo é definida no art. 202 da Lei nº. 6.404/1976 e suas alterações: I — metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos se- guintes valores: a) importância destinada à constituição da reserva legal (art. 193 da Lei das SAs); e b) importância destinada à formação da reserva para contingências (art. 195 da Lei das SAs) e reversão da mesma reserva formada em exercícios anteriores; II — o pagamento do dividendo determinado nos termos do item I poderá ser limitado ao montante do lucro líquido do exercício que tiver sido realizado, desde que a diferença seja registrada como reserva de lucros a realizar (art. 197 da Lei das SAs); III — os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deve- rão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização (Redação dada pela Lei nº. 10.303/2001, art. 202) (BRASIL, 1976, documento on-line). Montoto (2018) afirma que o dividendo fixado livremente pelo estatuto, em caso de omissão, representará 50% do lucro líquido ajustado; e o dividendo obrigatório não poderá ser inferior a 25% do lucro líquido, quando definido no estatuto. A seguir, no Quadro 2, é apresentado um exemplo de cálculo de dividendo. Descrição Valor (=) Lucro líquido do exercício R$ 11.200,00 (–) Prejuízos acumulados (R$ 5.940,00) (–) Reserva legal constituída no exercício (R$ 560,00) (+) Reversão de reserva de contingência (R$ 400,00) (–) Reserva de contingência constituída no exercício (R$ 800,00) Quadro 2. Exemplo de cálculo de dividendo (Continua) Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas14 Fonte: Adaptado de Santos e Schmidt (2009). Descrição Valor (=) Lucro líquido ajustado antes da reserva de lucros a realizar R$ 3.500,00 (×) Percentual estabelecido para dividendos (estatuto omisso) 50% (=) Dividendo obrigatório antes da reserva de lucros a realizar R$ 1.750,00 (–) Reserva de lucros a realizar constituída no exercício R$ 0,00 (+) Reversão de reserva de lucros a realizar R$ 1.000,00 (=) Dividendo obrigatório R$ 2.750,00 Número de ações 9.000 ações (=) Dividendo obrigatório por ação R$ 0,3056 Quadro 2. Exemplo de cálculo de dividendo BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto nº. 9.580, de 22 de novembro de 2018. Regulamenta a tributação, a fiscalização, a arrecadação e a administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Brasília, DF: 2018. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Decreto/D9580.htm#art4. Acesso em: 29 mar. 2019. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília, DF: 1976. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm. Acesso em: 29 mar. 2019. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº. 6.385, de 7 de dezembro de 1976 e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Brasília, DF: 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638. htm. Acesso em: 29 mar. 2019. (Continuação) 15Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 11.941, de 27 de maio de 2009. Altera a legis- lação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários; concede remissão nos casos em que especifica; institui regime tributário de transição, alterando o Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972... Brasília, DF: 2009. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm. Acesso em: 29 mar. 2019. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico CPC 26 (R1): apresentação das demonstrações contábeis. 2011. Disponível em: http://static.cpc. aatb.com.br/Documentos/312_CPC_26_R1_rev%2013.pdf. Acesso em: 29 mar. 2019. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico PME: contabilidade para pequenas e médias empresas. 2009. Disponível em: https://cfc.org.br/wp-content/ uploads/2016/02/CPC_PME.pdf. Acesso em: 29 mar. 2019. GELBCKE, E. R. et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2018. INSTITUTO COACHING FINANCEIRO. Saiba o que é DLPA — Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados. c2016. Disponível em: https://www.coachfinanceiro.com/portal/ saiba-o-que-e-dlpa-demonstracao-dos-lucros-ou-prejuizos-acumulados/. Acesso em: 29 mar. 2019. MONTOTO, E. Contabilidade geral e avançada esquematizado. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. PADOVEZE, C. L. Manual de contabilidade básica: contabilidade introdutória e interme- diária. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2017. QUINTANA, A. C. Fluxo de caixa: demonstrações contábeis — de acordo com a lei 11.638/07. Curitiba: Juruá, 2009. RIBEIRO, O. M. Contabilidade básica fácil. 26. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. SANTOS, F. A.; VEIGA, W. E. Contabilidade: com ênfase em micro, pequenas, e médias empresas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2014. SANTOS, J. L. et al. Manual de práticas contábeis: aspectos societários e tributários. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2015. SANTOS, J. L.; SCHMIDT, P. Contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2009. Leituras recomendadas BASSO, I. P. Contabilidade geral básica. 4. ed. Ijuí: Unijuí, 2011. RIOS, R. P.; MARION, J. C. Contabilidade avançada: de acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) e Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS). São Paulo: Atlas, 2017. S/A Sociedade Anônima: distribuição de dividendos. Disponível em: http://www. normaslegais.com.br/guia/clientes/sociedade-anonima-dividendos.htm. Acesso em: 30 mar. 2019. Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados: ajustes e constituição de reservas16 CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA II Filipe Martins da Silva Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 Demonstração do resultado abrangente Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Analisar a legislação que determina a elaboração da demonstração do resultado abrangente. � Descrever a estrutura da demonstração do resultado abrangente. � Elaborar um exemplo de elaboração da demonstração do resultado abrangente, destacando os procedimentos para elaboração. Introdução Neste capítulo, você irá conhecer a demonstração do resultado abran- gente (DRA), identificar quais são as movimentações que devem ser apre- sentadas nessa demonstração e conhecer a legislação que a regulamenta. Também será apresentada a importância da inclusão dessa demonstração para a companhia e quais informações ela apresenta para a tomada de decisão da companhia. Além disso, você vai ver, na prática, a elaboração de uma DRA e compreender a diferença entre o resultado líquido do exercício, apresentado na DRE, e o resultado abrangente. O que é DRA? Considerando as variáveis que influenciam a tomada de decisão, as demons- trações contábeis agem como uma importante ferramenta capaz de oferecer informações estratégicas aos usuários. Nesse sentido, o Pronunciamento Téc- nico CPC 26 (R1) considera que as demonstrações contábeis devem fornecer informações paraatender as necessidades dos usuários externos que não se encontram em condições de requerer relatórios específicos para atender às suas necessidades particulares, ou seja, as demonstrações contábeis devem apresentar com fidedignidade a situação patrimonial, financeira e de desem- Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 penho de uma entidade, auxiliando na tomada de decisões (FERREIRA; LEMES; LEMES, 2015). A Lei nº. 6.404/76 (e suas alterações) define em seu artigo 176 que o conjunto de demonstrações contábeis que a companhia deve apresentar são o balanço patrimonial, demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados, demonstração do resultado do exercício, demonstração dos fluxos de caixa e, caso seja companhia aberta, a demonstração do valor adicionado. Porém, o CPC 26 (R1) — Apresentação das Demonstrações Contábeis, define em seu item 10 que o conjunto de demonstrações contábeis que a companhia deve apresentar são o balanço patrimonial, demonstração do resultado do exercício, demonstração do resultado abrangente (DRA), demonstração das mutações do patrimônio líquido, notas explicativas. Esse CPC apresenta uma nova demons- tração: a DRA. Ou seja, embora a DRA não esteja prevista na Lei nº. 6.404/76, tem sua obrigatoriedade vinculada à Resolução CFC nº. 1.185/2009 e ao CPC nº. 26 (R1), item 81A ao 105. Resolução CVM 106, de 23 de maio de 2022, tornou obrigatória a DRA para as companhias abertas, como se segue: I — aprovar e tornar obrigatório, para as companhias abertas, o Pronuncia- mento Técnico CPC 26(R1) Apresentação das Demonstrações Contábeis, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis — CPC (COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS, 2011). Já o CPC PME define o conjunto completo de demonstrações contábeis a serem publicadas sendo: O conjunto completo de demonstrações contábeis da entidade deve incluir todas as seguintes demonstrações: (a) balanço patrimonial ao final do período; (b) demonstração do resultado do período de divulgação; (c) demonstração do resultado abrangente do período de divulgação. A demons- tração do resultado abrangente pode ser apresentada em quadro demonstrativo próprio ou dentro das mutações do patrimônio líquido. A demonstração do resultado abrangente, quando apresentada separadamente, começa com o resul- tado do período e se completa com os itens dos outros resultados abrangentes; (d) demonstração das mutações do patrimônio líquido para o período de divulgação; (e) demonstração dos fluxos de caixa para o período de divulgação; (f) notas explicativas, compreendendo o resumo das políticas contábeis sig- nificativas e outras informações explanatórias. 3.18 Se as únicas alterações no patrimônio líquido durante os períodos para os quais as demonstrações contábeis são apresentadas derivarem do resul- tado, de distribuição de lucro, de correção de erros de períodos anteriores e Demonstração do resultado abrangente2 Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 de mudanças de políticas contábeis, a entidade pode apresentar uma única demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados no lugar da demonstração do resultado abrangente e da demonstração das mutações do patrimônio líquido. 3.19 Se a entidade não possui nenhum item de outro resultado abrangente em nenhum dos períodos para os quais as demonstrações contábeis são apresen- tadas, ela pode apresentar apenas a demonstração do resultado (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, [2011?]). O CPC PME complementa, em seus itens 2.43, 2.44 e 2.45, que resultado abrangente é: 2.43 O resultado abrangente total é a diferença aritmética entre todas as receitas e todas as despesas. Ele não é um elemento separado das demons- trações contábeis, e não é necessário um princípio específico para o seu reconhecimento. O resultado abrangente total é a soma do Resultado com os Outros Resultados Abrangentes. 2.44 O Resultado é a diferença aritmética entre receitas e despesas outras que não as receitas e as despesas que este Pronunciamento classifica como itens de Outros Resultados Abrangentes. Ele não é um elemento separado das demonstrações contábeis, e não é necessário um princípio específico de reconhecimento para ela. 2.45 Este Pronunciamento não permite o reconhecimento de itens no balanço patrimonial que não atendam às definições de ativos ou passivos, independen- temente de resultarem da aplicação da noção comumente chamada “confronto entre receitas e despesas” para a mensuração do lucro ou do prejuízo (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, [2011?]). O CPC 26 (R1) estabelece em seus tópicos 81A a 105 que, além da DRE, as empresas deverão elaborar a DRA. A DRA é elaborada a partir do Resultado Líquido da DRE com os outros resultados abrangentes, que correspondem ao total da modificação no patrimônio líquido, que não tenha origem de movimentações no capital social, distribuição de lucros e compra de ações. Enquanto a DRE se associa aos fatores internos e prováveis e são reflexos da ação dos gestores, A DRA se associa aos fatores externos e possíveis, não sendo reflexo da ação dos gestores e sim do mercado (SANTOS; VEIGA, 2014). De acordo com a Resolução CFC nº. 1.185/2009, item 7, a DRA irá apre- sentar o resultado abrangente, que é a mutação que ocorre no patrimônio líquido durante um período que resulta de transações e outros eventos que não derivados de transações com os sócios, registrando os ganhos e as perdas economicamente incorridos, mas de possível reversão futura, ou seja, resultado abrangente é aquele que abrange as variações futuras de receitas e despesas 3Demonstração do resultado abrangente Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 que já estão registradas no ativo ou no passivo, mas ainda não afetaram o resultado (MARCELINO, 2015). O resultado abrangente se refere às mudanças ocorridas no patrimônio líquido de uma empresa em um determinado período, oriundas das movi- mentações que não são relacionadas aos proprietários, como investimentos realizados por eles e distribuição de resultados (COELHO; CARVALHO, 2007). Conforme Rios e Marion (2017), são exemplos de resultados abrangentes: a) mudanças por reavaliações de ativos; b) ganhos ou perdas atuariais; c) ganhos ou perdas em decorrência de conversão das demonstrações contábeis em moeda estrangeira; d) ganhos ou perdas na avaliação de ativos financeiros disponíveis para venda. A DRA deve, no mínimo, incluir as seguintes rubricas: a) resultado líquido do período; b) cada item dos outros resultados abrangentes classificados conforme sua natureza; c) parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas reco- nhecida por meio do método de equivalência patrimonial; d) resultado abrangente do período (SILVA, 2017). Esses resultados abrangentes compreendem itens de receita e despesa (incluindo ajustes de reclassificação) que não são reconhecidos na demons- tração do resultado como requeridos ou permitidos pelos pronunciamentos, interpretações e orientações emitidos pelo CPC. O CPC 26 (R1) apresenta de forma detalhada alguns exemplos de ajustes, ganhos e perdas que devem ser considerados quando da elaboração da DRA, enquanto as International Financial Reporting Standards (IFRS) estabelecem que o resultado abrangente deve ser demonstrado logo após a DRE, no Brasil a DRA deve ser elaborada como uma demonstração à parte, podendo ainda ser apresentada dentro da demonstração das mutações do patrimônio líquido (SILVA, 2017). Qual a diferença entre DRE e DRA? A DRE traz valores realizados pelo regime de competência, que passaram pelo resultado; engloba todos os itens de receitas e despesas reconhecidos no período; enquanto a DRA traz alterações em itens do patrimônio líquido, que está incluso no balanço patrimonial, que ainda não passaram pelo resultado, mas que poderão passar em períodos futuros. Demonstração do resultado abrangente4 Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 A demonstração de resultados abrangentes é uma importanteferramenta de análise gerencial, pois atualiza o capital próprio dos sócios, por meio do registro no patrimônio líquido (e não no resultado) das receitas e despesas incorridas, porém de realização financeira “incerta”, uma vez que decorrem de investimentos de longo prazo, sem data prevista de resgate ou outra forma de alienação (GELBKE et al., 2018). Observe na Figura 1 um fluxograma que mostra a composição do lucro abrangente. Figura 1. Composição do lucro abrangente. (PL, patrimônio líquido). Fonte: Adaptada de Coelho e Carvalho (2007). - + + + + Receitas operacionais do período Lucro operacional corrente Despesas operacionais do período Itens extraordinários Lucro corrente Efeitos acumulados de mudanças de PCGA em períodos anteriores Lucro líquido Ajustes acumulados de exercícios anteriores Lucro abrangente Outras variações do PL não provenientes dos proprietários A Figura 1, segundo Coelho e Carvalho (2007), explica a composição do lucro líquido acrescido pelos ajustes de exercícios anteriores e outras variações do patrimônio líquido não originadas de transações dos proprietários, dando origem ao resultado abrangente. Segundo Marcelino (2015), o resultado abrangente tende a demonstrar os ajustes realizados no patrimônio líquido como se fosse um lucro da empresa, porém, caso não haja informações a serem inseridas na DRA não é necessário elaborá-la, desde que tal fato seja divulgado em notas explicativas. Marcelino (2015) complementa que a DRA representa um indicador do desempenho das atividades da empresa, bem como a de seus administradores, apresentando operações independentes das ações dos sócios, respeitando o princípio da competência, e atualizando o capital próprio, considerando as receitas e des- pesas incorridas que são de realização financeira incerta. 5Demonstração do resultado abrangente Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 O conceito de lucro líquido é ligado ao funcionamento da empresa, pois é influenciado pelas mudanças ocorridas nos ativos líquidos decorrentes de sua atividade, seja ela principal ou não. Já o lucro abrangente possui uma visão mais ampla de lucro, considerando movi- mentações que podem impactar o resultado no futuro, com o propósito de melhor avaliar empresas no mercado de capitais. Fonte: Coelho e Carvalho (2007). Componentes e estrutura da DRA De acordo com o próprio CPC 26 (R1), a DRA pode ser apresentada dentro da DMPL, em relatório próprio ou juntamente com a DRE, iniciando logo após a última linha (resultado líquido do exercício). Em caso de relatório próprio, o valor inicial será o resultado líquido do exercício apurado na DRA (SANTOS; VEIGA, 2014). O Quadro 1 apresenta o modelo da estrutura da DRA. Fonte: Adaptado de Conselho Regional de Contabilidade do Paraná ([2011]). DRA 20X1 20X0 Resultado líquido do período (+–) Ganhos/perdas de conversão das demonstrações contábeis (+–) Ganhos/perdas atuariais (benefícios a empregados) (+–) Mudanças nos valores justos de instrumentos de hedge (+–) Parcela de outros resultados abrangentes (coligadas, controladas e controladas em conjunto, contabilizadas pelo MEP) (=) Resultado abrangente total Participação no resultado abrangente Controladores Não controladores Quadro 1. Estrutura da DRA Demonstração do resultado abrangente6 Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 Segundo Santos et al. (2015), a DRA deverá apresentar, no mínimo, as seguintes rubricas: � resultado líquido do exercício; � outros resultados abrangentes; � parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas re- conhecidas por meio da equivalência patrimonial; � resultado abrangente do período; � resultado do período atribuível à participação de não controladores, sócios da controladora e detentores do capital da própria empresa. O item 82A do CPC 26 determina que: Outros resultados abrangentes classificados por natureza e agrupados naquelas que, de acordo com outros pronunciamentos: (i) não serão reclassificados subsequentemente para o resultado do período; (ii) serão reclassificados subsequentemente para o resultado do período, quando condições específicas forem atendidas; Participação em outros resultados abrangentes de coligadas e empreendi- mentos controlados em conjunto contabilizados pelo método da equivalência patrimonial, separadas pela participação nas contas que, de acordo com outros pronunciamentos: Não serão reclassificadas subsequentemente para o resultado do período; Serão reclassificadas subsequentemente para o resultado do período, quando condições específicas forem atendidas (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, [2013]). São contas que compõe os outros resultados abrangentes (SANTOS et al., 2015): � Reserva de reavaliação: essa reserva é transferida para a conta de lucros ou prejuízos acumulados na medida em que o ativo imobilizado ou intangível é utilizado (depreciação, amortização ou exaustão) ou quando é baixado. As variações da reserva de reavaliação devem ser informadas na conta de outros resultados abrangentes, quando permitida por lei. � Ganhos e perdas na conversão das demonstrações contábeis: o montante acumulado deve ser apresentado em conta específica e separado do patrimônio líquido, intitulado de ajustes de conversão acumulados, até que ocorra a baixa da entidade no exterior, quando tais ajustes serão reconhecidos no resultado. 7Demonstração do resultado abrangente Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 � Ganhos e perdas atuariais em planos de pensão: os ganhos ou perdas nos planos de benefícios dos empregados são registrados em conta específica de outros resultados abrangentes, e deverão ser transferidos para a conta de lucros ou prejuízos acumulados quando tais ganhos ou perdas se realizarem. � Ajustes de avaliação patrimonial na mensuração a valor justo de ativos financeiros disponíveis para venda: conforme o parágrafo 3º do artigo 182 da Lei nº. 11.638/2007, será classificado como ajustes de avaliação patrimonial as reduções ou aumentos de valores atribuídos ao ativo, enquanto não computadas no resultado do exercício. � Ajustes de avaliação patrimonial referente à efetiva parcela de ganhos ou perdas de instrumentos de hedge em hedge de fluxo de caixa: hedge são instrumentos financeiros de proteção contra as oscilações inespe- radas do mercado de ações. Essas variações são classificadas como resultado abrangente. Santos et al. (2015) complementam que os outros resultados abrangentes podem ser apresentados líquidos dos seus efeitos tributários ou com o valor antes do efeitos tributários, sendo apresentado em montante único o efeito tributário desses componentes. Já o CPC PME cita, em seu item 5.1, que a apresentação do resultado abrangente é composta por duas demonstrações: a demonstração do resultado do exercício e a DRA, sendo que na DRE contém todos os itens de receita e despesa reconhecidos no período, exceto aqueles que são reconhecidos no resultado abrangente conforme permitido ou exigido por este pronunciamento. Em seu item 5.4, o CPC PME define que: A demonstração do resultado abrangente deve iniciar com a última linha da demonstração do resultado; em sequência devem constar todos os itens de outros resultados abrangentes, a não ser que este Pronunciamento exija de outra forma. Este Pronunciamento fornece tratamento distinto para as seguintes circunstâncias: (a) os efeitos de correção de erros e mudanças de políticas contábeis são apresentados como ajustes retrospectivos de períodos anteriores ao invés de como parte do resultado no período em que surgiram; e (b) três tipos de outros resultados abrangentes são reconhecidos como parte do resultado abrangente, fora da demonstração do resultado, quando ocorrem: (i) alguns ganhos e perdas provenientes da conversão de demonstrações contábeis de operação no exterior; (ii) alguns ganhos e perdas atuariais; (iii) algumas mudanças nos valores justos de instrumentosde hedge (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, [2011?]). Demonstração do resultado abrangente8 Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 O CPC cita alguns fatos que merecem ser contabilizados na DRA, con- forme Quadro 2. CPC 01 (R1) — Redução ao valor recuperável de ativos O montante das perdas por desvalorização e o montante das reversões de perdas por desvalorização reconhecido, durante o período. CPC 02 (R2) — Efeitos das mudanças nas taxas de câmbio e conversão de demonstrações contábeis Variações cambiais. CPC 04 (R1) — Ativo intangível Variação na reserva de reavaliação quando permitidas legalmente. CPC 15 (R1) — Combinação de negócios Deve ser reconhecido nas demonstrações do adquirente quando incorrer resultados abrangentes na adquirida. CPC 19 (R1) — Investimento em empreendimento controlado em conjunto (joint venture) O empreendedor reconhece a parte que lhe cabe, os resultados abrangentes da entidade controlada em conjunto. CPC 27 — Ativo imobilizado Variação na reserva de reavaliação quando permitida legalmente. CPC 32 — Tributos sobre o lucro Diferenças de câmbio sobre ativos ou passivos de tributo estrangeiro diferido. CPC 33 (R1) — Benefícios a empregados Os ganhos e as perdas atuariais reconhecidos fora do resultado do exercício. CPC 36 (R3) — Demonstrações consolidadas Se a controladora perde o controle de controlada, ela deve contabilizar todos os valores reconhecidos como outros resultados abrangentes em relação àquela controlada nas mesmas bases que seriam requeridas se a controladora tivesse diretamente alienado os ativos e passivos da controlada que lhes deram origem. Quadro 2. Pronunciamentos versus fatos a serem reconhecidos com resultados abran- gentes (Continua) 9Demonstração do resultado abrangente Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 Fonte: Adaptado de Melo (2012). CPC 48 — Instrumentos financeiros: reconhecimento e mensuração Ajuste de avaliação patrimonial relativo a ganhos e perdas na remensuração de ativos financeiros disponíveis para venda e de instrumentos de hedge de fluxo de caixa. Quadro 2. Pronunciamentos versus fatos a serem reconhecidos com resultados abran- gentes (Continuação) Conforme o Quadro 2, segundo Melo (2012), estas contas devem compor a DRA devendo ser evidenciadas na demonstração, ressaltando que sua omissão ou não divulgação pode ocasionar perdas de informações importantes tanto para a entidade como para seus usuários. Existem grupos de contas que podem se referir tanto à DRE quanto à DRA e se rela- cionam tanto a operações continuadas como de não continuadas, e que se existirem esses grupos de contas, devem ser divulgados em separado, tanto na DRE e DRA, como informado no item 97 do CPC 26 (R1). Os itens são os seguintes: a) reduções do estoque ou imobilizado a seu valor realizável fixo ou valor recuperável, bem como suas reversões; b) constituição ou reversões de provisões de gastos com reestruturação das atividades; c) baixas de bens do ativo imobilizado; d) baixas de investimentos; e) unidades operacionais descontinuadas; f) soluções de litígios; g) outras reversões de provisões diversas. Elaboração da DRA Agora vamos elaborar uma DRA. Para dar início ao processo, consideremos os seguintes dados: uma determinada empresa, no ano de 2018, apurou um lucro líquido: R$ 272.000,00, cujos sócios controladores detêm 92% de participação, enquanto os não controladores detêm 8%; a variação do hedge (instrumento Demonstração do resultado abrangente10 Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 financeiro) foi reduzida em R$ 60.000,00; resultado de equivalência patri- monial das controladas no valor de R$ 30.000,00; e a empresa teve um ajuste de conversão para moeda estrangeira das demonstrações contábeis no valor de R$ 200.600,00. Considerando a estrutura apresentada anteriormente no Quadro 3, temos o seguinte. DRA 2018 Resultado líquido do período 272.000,00 (+) Ganhos de conversão das demonstrações contábeis 200.600,00 (–) Mudanças nos valores justos de instrumentos de hedge – 60.000,00 (+) Parcela de outros resultados abrangentes (coligadas, controladas e controladas em conjunto, contabilizadas pelo MEP) 30.000,00 (=) Resultado abrangente total 442.600,00 Participação no resultado abrangente Controladores 407.192,00 Não controladores 35.408,00 Quadro 3. Exemplo de DRA Conforme visto no Quadro 3, o resultado líquido do exercício é o valor que foi encontrado na DRE; já o valor da conversão das demonstrações contábeis é positivo, pois nesse o valor é um ganho, já a mudança nos valores de hedge reduziu, por isso é um valor negativo; e a equivalência patrimonial é positiva, pois ocorreu um lucro nas controladas, o que equivale em um aumento nos investimentos. O total do resultado abrangente é de R$ 442.600,00. Como a participação dos controladores representa 92% do resultado abrangente total, se obtém R$ 407.192,00, enquanto os 8% restante, pertencentes aos não controladores, representa R$ 35.408,00. É importante destacar que O CPC 26 (R1) apresenta um modelo de DRA sendo apresentada em conjunto com a DMPL, como se segue no Quadro 4. 11Demonstração do resultado abrangente Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as de c ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n- tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o Sa ld os in ic ia is 1. 00 0. 00 80 .0 00 30 0. 00 0 0 27 0. 00 0 1. 65 0. 00 0 15 8. 00 0 18 08 .0 0 Au m en to de c ap ita l 50 0. 00 –5 0. 00 0 –1 00 .0 00 35 0. 00 0 32 .0 00 38 2. 00 0 G as to s c om em iss ão de a çõ es –7 .0 00 –7 .0 00 –7 .0 00 O pç õe s ou to rg ad as re co nh ec id as 30 .0 00 30 .0 00 30 .0 00 Aç õe s e m te so ur ar ia ad qu iri da s -2 0. 00 0 -2 0. 00 0 -2 0. 00 0 Q ua dr o 4. D RA a pr es en ta da ju nt am en te c om a D M PL (C on tin ua ) Demonstração do resultado abrangente12 Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as de c ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n- tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o Aç õe s e m te so ur ar ia ve nd id as 60 .0 00 60 .0 00 60 .0 00 D iv id en do s –1 62 .0 00 –1 62 .0 00 –1 3. 20 0 –1 75 .2 00 Tr an sa çõ es d e ca pi ta l c om os s óc io s 25 1. 00 0 18 .8 00 26 9. 80 0 Lu cr o líq ui do do p er ío do 25 0. 00 0 25 0. 00 0 22 .0 00 27 2. 00 0 Aj us te s in st ru m en to s fin an ce iro s –6 0. 00 0 –6 0. 00 0 -6 0. 00 0 Q ua dr o 4. D RA a pr es en ta da ju nt am en te c om a D M PL (C on tin ua ) (C on tin ua çã o) 13Demonstração do resultado abrangente Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as de c ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n-tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o Tr ib ut os so br e aj us te s in st ru m en to s fin an ce iro s 20 .0 00 20 .0 00 20 .0 00 Eq ui va lê nc ia pa tr im on ia l so br e ga nh os ab ra ng en te s de c ol ig ad as 24 .0 00 24 .0 00 6 .0 00 6. 00 0 30 .0 00 Aj us te s d e co nv er sã o do p er ío do 26 0. 00 0 26 0. 00 0 26 0. 00 0 Q ua dr o 4. D RA a pr es en ta da ju nt am en te c om a D M PL (C on tin ua ) (C on tin ua çã o) Demonstração do resultado abrangente14 Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as de c ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n- tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o Tr ib ut os so br e aj us te s de c on ve rs ão do p er ío do –9 0. 00 0 -9 0. 00 0 -9 0. 00 0 O ut ro s re su lta do s ab ra ng en te s 15 4. 00 0 6. 00 0 16 0. 00 0 Re cl as sif i- ca çã o pa ra re su lta do — a ju st es in st ru m en to s fin an ce iro s 10 .6 00 10 .6 00 10 .6 00 Q ua dr o 4. D RA a pr es en ta da ju nt am en te c om a D M PL (C on tin ua ) (C on tin ua çã o) 15Demonstração do resultado abrangente Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 Fo nt e: A da pt ad o de C om itê d e Pr oc un ci am en to s C on tá be is ([2 01 1? ]). Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as de c ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n- tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o Re su lta do ab ra ng en te to ta l 41 4. 60 0 28 .0 00 44 2. 60 0 Co ns tit ui çã o de re se rv as 14 0. 00 0 –1 40 .0 00 Re al iz aç ão de re se rv a de re av al ia çã o 78 .8 00 –7 8. 80 0 Tr ib ut os so br e a re al iz aç ão da re se rv a de re av al ia çã o –2 6. 80 0 26 .8 00 Sa ld os fi na is 1. 50 0. 00 93 .0 00 34 0. 00 0 0 38 2. 60 0 2. 31 5. 60 0 20 4. 80 0 2. 52 0. 40 0 Q ua dr o 4. D RA a pr es en ta da ju nt am en te c om a D M PL (C on tin ua çã o) Demonstração do resultado abrangente16 Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 Conforme observado no Quadro 4, segundo o CPC 26 (R1), foi adicionado na DMPL a coluna de participação dos não controladores no patrimônio líquido das controladas (destacada em amarelo), já que essa participação passa, a partir da adoção deste CPC, a ser apresentada dentro do patrimônio líquido como um todo, após a identificação do patrimônio líquido dos sócios da entidade controladora. O CPC 26 (R1) complementa que todas as mutações patrimoniais, que não as transações de capital com os sócios, integram a DRA, classificando as mutações do patrimônio líquido que são formadas por dois conjuntos de valores: transações de capital com os sócios (na sua qualidade de proprietários) e resultado abrangente total. E o resultado abrangente total é formado, por sua vez, de três componentes: o resultado líquido do período, os outros resultados abrangentes e o efeito de reclassificações dos outros resultados abrangentes para o resultado do período. O CPC 26 (R1) complementa que tanto o resultado líquido do período quanto os outros resultados abrangentes sejam evidenciados com relação a quanto pertence aos sócios da entidade controladora e quanto aos sócios não controladores nas controladas. No exemplo a seguir, esses valores ficam automaticamente divulgados, lembrando que é vedada a apresentação da demonstração do resultado abrangente apenas na demonstração das mutações do patrimônio líquido. Divulgação das movimentações de ajustes de reclassificações na DRA Conforme o item 93 do CPC 26 (R1), os ajustes que ocorrem nas reserva de reavaliação (quando permitida pela legislação vigente) ou de ganhos e perdas atuariais de planos de benefício devem ser reconhecidos como outros resul- tados abrangentes e não devem ser reclassificados para o resultado líquido em períodos subsequentes. As mutações na reserva de reavaliação podem ser transferidas para reserva de lucros retidos (ou prejuízos acumulados), na medida em que o ativo é utilizado. Por exemplo, o ganho realizado na alie- -nação de ativo financeiro disponível para venda é reconhecido no resultado quando de sua baixa. Esse ganho pode ter sido reconhecido como ganho não realizado nos outros resultados abrangentes do período corrente ou de períodos anteriores. Dessa forma, os ganhos não realizados devem ser deduzidos dos outros resultados abrangentes no período em que os ganhos realizados são reconhecidos no resultado líquido do período, evitando que esse mesmo ganho seja reconhecido em duplicidade (VALOR ONLINE, 2016). 17Demonstração do resultado abrangente Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 No momento em que ocorre a realização contábil dos itens registrados como outros resultados abrangentes (por exemplo, baixa de investimentos em companhias no exterior, ou quando operação anteriormente prevista e sujeita a hedge de fluxo de caixa afetar o resultado líquido do exercício, etc.), configura-se a necessidade de divulgação dos ajustes de reclassificação. Consideram-se reclassificações quando ocorrem: 1. baixa de investimentos em entidades no exterior; 2. baixas de ativos financeiros disponíveis para venda; 3. quando a operação sujeita a hedge de fluxo de caixa afeta o resultado do período, como, por exemplo, a venda projetada ocorrer (SANTOS et al., 2015). A entidade pode optar por apresentar os ajustes de reclassificação em notas explicativas, porém, deve apresentar os itens de outros resultados abrangentes após os respectivos ajustes de reclassificação (GELBCKE et al., 2018). Tais ajustes devem ser incluídos no respectivo componente dos outros resultados abrangentes no período que ocorrer a reclassificação. Porém, não são considerados como reclassificações as mutações ocorridas nas reservas de reavaliação e ganhos e perdas nos planos de benefícios para empregados, pois ambos são registrados como outros resultados abrangentes e, posteriormente, serão reclassificados para a conta de lucros ou prejuízos acumulados, não afetando o resultado do exercício. Tais ajustes são necessários para evitar dupla contagem quando a entidade registrar o ganho ou a perda no resultado do exercício no momento da baixa dos respectivos ativos e, portanto, a DRA compreende todos os componentes da DRE, pois em sua elaboração é incluído o resultado do exercício e outros resultados abrangentes (SANTOS et al., 2015). BRASIL. Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília, DF: Presidência da República, 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/LEIS/L6404consol.htm. Acesso em: 12 abr. 2019. Demonstração do resultado abrangente18 Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 COELHO, A. C.; CARVALHO, L. N. Análise conceitual de lucro abrangente e lucro ope- racional corrente: evidências no setor financeiro brasileiro. Brazilian Business Review, v. 4, n. 2, 2007. Disponívelem: https://www.redalyc.org/html/1230/123016621003/. Acesso em: 12 abr. 2019. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS. Resolução CVM nº 106, de 20 de maio de 2022. Aprova a Consolidação do Pronunciamento Técnico CPC 26(R1) do Comitê de Pronun- ciamentos Contábeis – CPC, que trata da Apresentação das Demonstrações Contábeis. Brasília, DF: Comissão de Valores Mobiliários, 2022. Disponível em: https://conteudo. cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/resolucoes/anexos/100/resol106.pdf. Acesso em: 19 set. 2022. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico CPC 26 (R1). [Bra- sília, DF]: Comitê de Pronunciamentos Contábeis, [2013]. 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São Paulo: Saraiva, 2018. 19Demonstração do resultado abrangente Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 RIOS, R. P.; MARION, J. C. Contabilidade avançada: de acordo com as normas brasileiras de contabilidade (NBC) e normas internacionais de contabilidade (IFRS). São Paulo: Atlas, 2017. SANTOS, F. A.; VEIGA, E. E. Contabilidade: com ênfase em micro, pequenas, e médias empresas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2014. SANTOS, J. L. et al. Manual de práticas contábeis: aspectos societários e tributários. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2015. SILVA, A. A. Estrutura, análise e interpretação das demonstrações contábeis. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2017. VALOR ONLINE. Demonstração do Resultado Abrangente: DRA. 2017. Disponível em: https://www.valor.srv.br/matTecs/matTecsIndex.php?idMatTec=419. Acesso em: 12 abr. 2019. Leituras recomendadas CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO RIO GRANDE DO SUL. Contabilidade para pequenas e médias empresas. 2. ed. 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Demonstração do resultado abrangente20 Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 Identificação interna do documento KNVW7Z9RXY-FADXAO1 Nome do arquivo: C16_Demonstracao_resultado_abrangente_Final_2022091914040635 34780.pdf Data de vinculação à solicitação: 19/09/2022 14:04 Aplicativo: 627168 CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA II Filipe Martins da Silva Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer o conceito e a legislação que orientam a elaboração da demonstração das mutações do patrimônio líquido. � Explicar a estrutura da demonstração das mutações do patrimônio líquido. � Desenvolver um modelo de demonstração das mutações do patri- mônio líquido com base na escrituração das contas envolvidas. Introdução Neste capítulo, você irá conhecer a demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL), as movimentações que ela apresenta, bem como sua importância para as empresas. Será apresentado um passo a passo para sua elaboração, além da descrição de sua estrutura e a compreensão de suas diferenças em relação à demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA). Conceito de demonstração das mutações do patrimônio líquido A demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) é obrigatória, segundo o CPC 26 (R1), norma do Comitê de Pronunciamentos Contábeis que orienta a apresentação das demonstrações contábeis. O item 106 dessa norma determina que empresa deve apresentar a DMPL informando o re- Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 sultado abrangente do período; os efeitos da aplicação retrospectiva ou da reapresentação retrospectiva para cada componente do patrimônio líquido, de acordo com o pronunciamento técnico CPC 23; e, para cada componente do patrimônio líquido, a conciliação do saldo no início e final do período, demonstrando separadamente (no mínimo) as mutações decorrentes: do resul- tado líquido; de cada item dos outros resultados abrangentes; e de transações com os proprietários realizadas na condição de proprietário, demonstrando separadamente suas integralizações e as distribuições realizadas, bem como modificações nas participações em controladas que não implicaram perda do controle (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2011). A Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976) só exige a DLPA; a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) exige a DMPL para as SAs. de capital aberto; o CPC 26 (R1) exige a DMPL para todas as sociedades de grande porte; e o CPC-PME exige a DMPL para todas as sociedades de pequeno e médio porte; porém, se as únicas alterações que ocorrerem no PL tiverem origem nos lucros e prejuízos acumulados, podem elaborar apenas a DLPA (MONTOTO, 2018). A DMPL possui grande utilidade para as médias e grandes empresas, mas menor importância para as pequenas, dado que estas possuem uma quantidade reduzida de transações no PL (FERRONATO, 2011). Segundo Gelbcke e outros autores (2018), a DMPL é útil, pois: [...] fornece a movimentação ocorrida durante o exercício nas diversas con- tas componentes do patrimônio líquido, como reservas de capital, opções outorgadas, ações em tesouraria, reservas de lucros, resultados abrangentes, etc. Ainda, faz clara indicação do fluxo de uma conta para outra e indica a origem e o valor de cada acréscimo ou diminuição no patrimônio líquido durante o exercício. Trata-se, portanto, de informação que complementa os demais dados constantes do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício. É particularmente importante para as empresas que tenham seu patrimôniolíquido formado por diversas contas e mantenham com elas inúmeras transações. Se comparada com a DLPA, a importância da DMPL torna-se mais acentuada, pois além de evidenciar a movimentação de todas as contas do patrimônio líquido, e não somente de lucros ou prejuízos acumulados, também indica claramente a formação e a utilização de todas as reservas, e não apenas das originadas por lucros. Serve, inclusive, para melhor compreensão sobre o cálculo dos dividendos obrigatórios (GELBCKE et al., 2018, p. 619). Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração2 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 A DMPL apresenta e evidencia a mutação do PL em termos globais, ou seja, apresentando as novas integralizações de capital que podem ocorrer na empresa: resultado do exercício, ajustes de exercícios anteriores e dividendos; além de apresentar as mutações internas, que consistem em incorporações de reservas ao capital, transferências de lucros acumulados para reservas e vice-versa (GELBCKE et al., 2018). Com as modificações introduzidas pela Lei nº. 11.941, de 27 de maio de 2009 (BRASIL, 2009), na Lei nº. 6.404/1976, a conta de lucros ou prejuízos acumulados não pode mais ter saldos positivos, o que consistiria em lucros sem destinação (MONTOTO, 2018). Entretanto, não se deve pensar que os lucros retidos em forma de reserva correspondem a valores financeiros disponíveis, pois uma pequena empresa pode acumular uma quantidade significativa de lucros retidos e não possuir recursos disponíveis, e vice-versa (FERRONATO, 2011). Historicamente, a DMPL não é exigida pela Lei nº. 6.404/1976, mesmo após a Lei nº. 11.638, de 28 de dezembro de 2007 (BRASIL, 2007), e a Lei nº. 11.941/2009. Porém, pela instrução normativa nº. 59/1986 (COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS, 1986), em seu art. 1º, tornou-se obrigatória a apresentação da DMPL (MONTOTO, 2018). Instrução nº. 59/1986 da CVM, que trata da DMPL, determina, em seus arts. 1º, 2º e 3º, que: Art. 1º — As companhias abertas deverão elaborar e publicar, como parte integrante de suas demonstrações financeiras, a demonstração das mutações do patrimônio líquido, referida ao artigo 186, § 2º “in fine”, da Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Art. 2º — A demonstração das mutações do patrimônio líquido, referida no artigo anterior, contemplará, no mínimo, os itens contidos no modelo suge- rido em anexo à presente Instrução, segregados em colunas, discriminando: 1. descrição das mutações; 2. capital realizado atualizado; 3. reservas de capital; 4. reservas de reavaliação; 5. reservas de lucros; 6. lucros ou prejuízos acumulados; 7. ações em tesouraria; e 8. total do patrimônio líquido. Art. 3º — Na coluna de “descrição das mutações” serão explicitadas as altera- ções ocorridas no período abrangido pela demonstração, de modo a evidenciar com clareza e de forma sucinta a natureza das mutações e seus fundamentos (CVM, 1986, p. 1). 3Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 O CPC 26 (R1) (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2011), no entanto, que representa um pronunciamento técnico sobre procedi- mentos da contabilidade em relação às demonstrações financeiras no Brasil, determinou a obrigatoriedade da DMPL para todas as sociedades anônimas de capital aberto, fechado e de grande porte (MONTOTO, 2018). O item 10 do CPC 26 (R1) determina que: O conjunto completo de demonstrações contábeis inclui:(a) balanço patrimo- nial ao final do período; (b1) demonstração do resultado do período; (b2) demonstração do resultado abrangente do período; (c) demonstração das mutações do patrimônio líquido do período; (d) demonstração dos fluxos de caixa do período; (e) notas explicativas, compreendendo as políticas contábeis significativas e outras informações elucidativas; (Alterada pela Revisão CPC 08) (ea) informações comparativas com o período anterior, conforme especificado nos itens 38 e 38A; (Incluída pela Revisão CPC 03) (f) balanço patrimonial do início do período mais antigo, comparativamente apresentado, quando a entidade aplicar uma política contábil retrospectiva- mente ou proceder à reapresentação retrospectiva de itens das demonstrações contábeis, ou quando proceder à reclassificação de itens de suas demonstrações contábeis de acordo com os itens 40A a 40D; e (Alterada pela Revisão CPC 03) (f1) demonstração do valor adicionado do período, conforme Pronunciamento Técnico CPC 09, se exigido legalmente ou por algum órgão regulador ou mesmo se apresentada voluntariamente. (Alterada pela Revisão CPC 03) A entidade pode usar outros títulos nas demonstrações em vez daqueles usados neste Pronunciamento Técnico, desde que não contrarie a legislação societária brasileira vigente (CPC, 2011, documento on-line). A seguir, no Quadro 1, é apresentado o modelo da estrutura da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração4 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as de c ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n- tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o Sa ld os in ic ia is Au m en to de c ap ita l G as to s c om em iss ão de a çõ es O pç õe s ou to rg ad as re co nh ec id as Aç õe s e m te so ur ar ia ad qu iri da s Q ua dr o 1. E st ru tu ra d a D M PL (C on tin ua ) 5Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as de c ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n- tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o Aç õe s e m te so ur ar ia ve nd id as D iv id en do s Tr an sa çõ es de c ap it al co m o s só ci os Lu cr o líq ui do do p er ío do Aj us te s in st ru m en to s fin an ce iro s Q ua dr o 1. E st ru tu ra d a D M PL (C on tin ua ) (C on tin ua çã o) Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração6 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as de c ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n- tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o Tr ib ut os so br e aj us te s in st ru m en to s fin an ce iro s Eq ui va lê nc ia pa tr im on ia l so br e ga nh os ab ra ng en te s de c ol ig ad as Aj us te s d e co nv er sã o do p er ío do Q ua dr o 1. E st ru tu ra d a D M PL (C on tin ua ) (C on tin ua çã o) 7Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as dec ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n- tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o Tr ib ut os so br e aj us te s de c on ve rs ão do p er ío do O ut ro s re su lt ad os ab ra ng en te s Re cl as sif i- ca çã o pa ra re su lta do — a ju st es in st ru m en to s fin an ce iro s Q ua dr o 1. E st ru tu ra d a D M PL (C on tin ua ) (C on tin ua çã o) Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração8 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Fo nt e: A da pt ad o de C PC (2 01 1) . Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as de c ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n- tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o Re su lt ad o ab ra ng en te to ta l Co ns tit ui çã o de re se rv as Re al iz aç ão de re se rv a de re av al ia çã o Tr ib ut os so br e a re al iz aç ão da re se rv a de re av al ia çã o Sa ld os fi na is Q ua dr o 1. E st ru tu ra d a D M PL (C on tin ua çã o) 9Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Como observado no Quadro 1, estes são exemplos de mutações do PL. Po- rém, nem todas as movimentações alteram o seu valor, pois algumas alterações são apenas reclassificações. O Quadro 2 exemplifica essas movimentações. Fonte: Adaptado de Gelbcke et al. (2018). Alteram o valor do PL Não alteram o valor do PL � Acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício. � Redução por dividendos. � Redução por pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio. � Acréscimo por reavaliação de ativos (quando permitida por lei). � Acréscimo por doações e subvenções para investimentos recebidos (após transitarem pelo resultado). � Acréscimo por subscrição e integralização de capital. � Acréscimo pelo recebimento de valor que exceda o valor nominal das ações integralizadas ou o preço de emissão das ações sem valor nominal. � Acréscimo pelo valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição. � Acréscimo por prêmio recebido na emissão de debêntures (após transitar pelo resultado). � Redução por ações próprias adquiridas ou acréscimo por sua venda. � Acréscimo ou redução por ajustes de exercícios anteriores. � Redução por reversão da reserva de lucros a realizar para a conta de dividendos a pagar. � Acréscimo ou redução por outros resultados abrangentes. � Redução por gastos na emissão de ações. � Ajuste de avaliação patrimonial. � Ganhos ou perdas acumulados na conversão, etc. � Aumento de capital com utilização de lucros e reservas. � Apropriações do lucro líquido do exercício, por meio da conta de lucros. � Acumulados, para a formação de reservas, como reserva legal, reserva de lucros a realizar, reserva para contingência e outras. � Reversões de reservas patrimoniais para a conta de lucros ou prejuízos acumulados. � Compensação de prejuízos com reservas, etc. Quadro 2. Movimentações do patrimônio líquido na DMPL Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração10 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Provisões: são acréscimos de exigibilidade que reduzem o PL, e cujos valores ou prazos não são ainda totalmente definidos. Representam, assim, estimativas de valores a desembolsar que, apesar de financeiramente ainda não efetivadas, derivam de fatos geradores contábeis já ocorridos (como o risco por garantias oferecidas em produtos já vendidos). Reservas: correspondem a valores oriundos dos sócios ou de terceiros que não representam aumento de capital ou que se originam de lucros não distribuídos aos proprietários (reservas de lucros). Não possuem qualquer característica de exigibilidade imediata ou remota. Fonte: Adaptado de Gelbcke et al. (2018). Componentes e movimentações da demonstração das mutações do patrimônio líquido No balanço patrimonial, a diferença entre o valor dos ativos e o dos passivos representa o PL, que é o valor contábil pertencente aos acionistas ou sócios (GELBCKE et al., 2018). O PL está descrito no art. 178; § 2º. Inciso III, da Lei nº. 6.404/1976 alterado pela Lei nº. 11.941/2009, e diz o seguinte: “III — patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados” (Incluído pela Lei nº. 11.941/2009) (BRASIL, 1976, documento on-line). A DMPL apresenta as modificações ocorridas nas contas do PL. Existem fatos contábeis que provocam aumentos ou reduções do PL. Também são apresentados na demonstração os ajustes que tenham origem em erros ou mudanças de critérios contábeis, que não devem ser lançados na demonstração do resultado do exercício (DRE) do exercício corrente (MONTOTO, 2018). O CPC PME (R1) trata sobre a DMPL nos itens 6.2 e 6.3, que são os seguintes: 6.2 A demonstração das mutações do patrimônio líquido apresenta o resultado da entidade para um período contábil; outros resultados abrangentes para o período; os efeitos das mudanças de práticas contábeis e correção de erros reconhecidos no período; os valores investidos pelos sócios; e os dividendos e outras distribuições para os sócios na sua capacidade de sócios durante o período. 11Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Informação a ser apresentada na demonstração das mutações do patrimônio líquido: 6.3 A demonstração das mutações do patrimônio líquido inclui as seguintes informações: (a) o resultado e os outros resultados abrangentes do período, demonstrando separadamente o montante total atribuível aos proprietários da entidade controladora e a participação dos não controladores; (b) para cada componente do patrimônio líquido, os efeitos da aplicação retrospectiva ou correção retrospectiva reconhecida de acordo com a Seção 10 — Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro; (c) para cada componente do patrimônio líquido, a conciliação entre o saldo no início e no final do período, evidenciando separadamente as alterações decorrentes: (i) do resultado do período; (ii) de outros resultados abrangentes; (iii) dos valores de investimentos realizados pelos sócios e dividendos e outras distribuições para eles na sua capacidade de sócios, demonstrando separadamente ações ou quotas emitidas de transações com ações ou quotas em tesouraria; de dividendos e outras distribuições aos sócios; e de alterações nas participações em controladas que não resultem em perda de controle (CPC, 2009, p. 28). A seguir, alguns exemplos de movimentações da DMPL. Ajustes de exercícios anteriores: podem ser receitas ou ganhos não lançados por esquecimento, que aumentam o PL; ou despesas ou perdas não lançadas pelo mesmo motivo, que reduzem o PL (MONTOTO, 2018). Em caso de despesas que não foram lançadas, o lançamento reduz o PL; já em caso de receitas, o lançamento o aumenta. Aquisições de ações da própria empresa: as ações da companhia que forem adquiridas pela própria sociedade são denominadas ações em tesouraria. A aquisição de açõesde emissão própria e sua alienação são transações de capital da companhia com seus sócios, não devendo afetar o resultado. As ações em tesouraria são classificadas em contas retificadoras do PL. Não é permitido às companhias (abertas ou fechadas) adquirir suas próprias ações a não ser quando houver: (a) operações de resgate, reembolso ou amortizações de ações; (b) aquisição para permanência em tesouraria ou cancelamento, desde que até o valor do saldo de lucros ou reservas (exceto a legal) e sem diminuição do capital social ou recebimento dessas ações por doação; (c) aquisição para diminuição do capital (limitado às restrições legais). As ações em tesouraria são classificadas em contas retificadoras do PL. Essas operações com as próprias ações estão previstas no art. 30 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976). Em se Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração12 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 tratando de companhia aberta, deverão ser obedecidas as normas expedidas pela CVM contidas nas Instruções CVM nº. 567/15 (GELBCKE et al., 2018). Essa movimentação reduz o valor do PL. Aumento de capital: o investimento efetuado na companhia pelos acionis-tas é representado pelo capital social, abrangendo não só as parcelas entregues pelos acionistas como também os valores obtidos pela sociedade e que, por decisões dos proprietários, foram incorporados ao capital social, na forma de dinheiro ou de outros bens (GELBCKE et al., 2018). Os valores de reserva de lucros ou reservas de capital também podem ser utilizados para aumentar o valor do capital (MONTOTO, 2018). Compensação de prejuízos com reservas: prejuízos devem ser obriga- -toriamente compensados, em primeiro lugar, pelo saldo da conta de lucros acumulados, e, em seguida, pelo saldo de quaisquer reservas de lucros, sendo a última, a reserva legal (MONTOTO, 2018). Como ambas as contas são do PL, essa movimentação não altera o valor do PL, por tratar-se apenas de uma reclassificação. Constituição de reservas de lucros: as reservas de lucros são as constituí-das pela apropriação de lucros da companhia, como previsto pelo § 4º do art. 182 da Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976). Conforme § 6º do art. 202 dessa lei, adicionado pela Lei nº. 10.303, de 31 de outubro de 2001 (BRASIL, 2001), caso ainda existam lucros remanescentes, após a segregação para pagamentos dos dividendos obrigatórios e após a destinação para reservas de lucros, estes tam- bém devem ser distribuídos em forma de dividendos (GELBCKE et al., 2018). Como ambas as contas são do PL, essa movimentação não altera o seu valor. Distribuição de dividendos: é a remuneração dos sócios ou acionistas na forma da distribuição dos lucros auferidos pela empresa (PADOVEZE, 2017). Por tratar-se de destruição do lucro da empresa, essa movimentação reduz o PL. Lucro líquido do exercício: um lançamento credor na conta de lucros ou prejuízos acumulados no PL é lançado no crédito nesta conta, tendo origem na apuração do resultado do exercício (MONTOTO, 2018). Essa movimentação aumenta o valor do PL. 13Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Prejuízos acumulados: apresenta os resultados negativos da empresa, que não foram compensados ainda (BARBOSA, 2013). Por tratar-se de um resul- tado negativo da atividade da empresa, o valor irá reduzir o PL. A partir da vigência da Lei nº. 11.638/2007, foi extinta a possibilidade de manutenção e apresentação de saldos a título de lucros acumulados no balanço patrimonial, mas apenas para o caso das sociedades por ações (GELBCKE et al., 2018). Reservas de capital: as reservas de capital são constituídas de valores rece- bidos pela companhia e que não transitam pelo resultado como receitas, por referirem-se a valores destinados a reforço de seu capital, sem terem como contrapartidas qualquer esforço da empresa em termos de entrega de bens ou de prestação de serviços (GELBCKE et al., 2018). Essa movimentação aumenta o valor do PL. Cabe ressaltar que, segundo o art. 200 da Lei nº. 6.404/1976, as reservas de capital somente poderão ser utilizadas para: “(I) absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros; (II) resgate, reembolso ou compra de ações; (III) resgate de partes beneficiárias; (IV) incorporação ao capital social; e (V) pagamento de dividendo a ações preferenciais, quando essa vantagem lhes for assegurada” (BRASIL, 1976, documento on-line). Reversão de reservas: consiste em desfazer uma reserva de lucros, após seu objetivo ter sido atingido. A reversão de reservas de lucros deve ser sempre feita para conta de lucros ou prejuízos acumulados (MONTOTO, 2018). Como ambas as contas são do PL, essa movimentação não altera o seu valor, por tratar-se apenas de uma reclassificação. É importante destacar que o termo lucros acumulados — existindo simul- taneamente com o termo prejuízos acumulados — existia até o ano de 2007. A partir de 2008 o valor de lucros acumulados deveria ser destinado, e esta destinação ser apresentada nas demonstrações de 2008. Isto, porém, não sig- nifica que nas demonstrações intermediárias (ou seja, aquelas emitidas antes do fechamento do exercício) ele não possa existir, mas ao final do exercício seu saldo deverá ser completamente destinado (MONTOTO, 2018). Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração14 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Não é permitido às companhias (abertas ou fechadas) adquirir suas próprias ações a não ser quando houver: � operações de resgate, reembolso ou amortizações de ações; � aquisição para permanência em tesouraria ou cancelamento, desde que até o valor do saldo de lucros ou reservas (exceto a legal) e sem diminuição do capital social ou recebimento dessas ações por doação; � aquisição para diminuição do capital (limitado às restrições legais). As ações em tesouraria são classificadas em contas retificadoras do PL. Essas ope rações com as próprias ações estão previstas no art. 30 da Lei nº. 6.404/1976 (BRA- SIL, 1976). Em se tratando de companhia aberta, deverão ser obedecidas as normas expedidas pela CVM contidas nas Instruções CVM nº. 10/1980 (BRASIL, 1980) e nº. 268/1997 (BRASIL, 1997). Fonte: Adaptado de Gelbcke et al. (2018). Elaboração da demonstração das mutações do patrimônio líquido Para elaborar a DMPL, deve-se apresentar, de forma sumária e coordenada, a movimentação ocorrida durante o exercício nas contas ou subgrupos do PL; isto é, capital social, reservas de capital, reservas de lucros, lucros ou prejuízos acumulados, etc. Essa movimentação deve ser extraída dos registros contábeis (GELBCKE et al., 2018). O ideal é elaborar uma planilha utilizando uma coluna para cada uma das contas ou subgrupo do PL da empresa e abrir uma coluna para o PL total, que representa a soma dos saldos ou transações de todas as contas e subgrupos individuais. O Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) (CPC, 2011) introduziu a necessidade da apresentação de três colunas específicas na estrutura da DMPL: outros resultados abrangentes (onde serão incluídos todos os saldos das contas que representam outros resultados abrangentes), PL dos sócios da companhia e participação dos não controladores no PL das controladas (GELBCKE et al., 2018). As transações e seus valores são transcritos nas colunas respectivas, de forma coordenada. Por exemplo: se temos um aumento de capital com lucros e reservas, na linha correspondente a essa transação transcreve-se o acrés- cimo na coluna de capital social pelo valor do aumento, e, na mesma linha, 15Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 as reduções nas contas de reservas e lucros utilizadas no aumento de capital, pelos valores correspondentes (GELBCKE et al., 2018). Especificamente, a preparação da DMPLconsiste nos seguintes proce- dimentos: abrir um papel de trabalho, ou uma planilha eletrônica, dividido em colunas, e transcrever, no topo de cada coluna, os nomes das contas ou subgrupos. A primeira coluna deve ser destinada à descrição da natureza das transações, e a coluna final, para o PL total (GELBCKE et al., 2018). Ressalta-se que os dados para a elaboração da DMPL são extraídos do livro razão, considerando-se apenas as contas que compõem o PL, e analisando-se as movimentações ocorridas durante o exercício em cada uma das contas (RIBEIRO, 2013). Padoveze (2017) destaca que a DMPL é uma importante fonte de pesquisa para a elaboração da demonstração dos fluxos de caixa, por possibilitar a separação das contas do PL que efetivamente representam movimentações financeiras daquelas cujas movimentações apenas podem ser consideradas reclassificações de salto. � Aumento de capital social em dinheiro. � Lucro líquido da empresa, que é a fonte inicial de geração de caixa na conta de lucros acumulados. � Distribuição e o pagamento de lucros ocorridas na empresa. As demais movimentações não envolvem caixa, possuindo um sentido econômico, e não financeiro, na companhia, e têm o objetivo de registrar movimentações de cunho contábil e jurídico (PADOVEZE, 2017). De posse dessas informações é possível iniciar o processo de elaboração da DMPL. De forma prática, a estruturação corresponde à elaboração de uma tabela composta por todas as contas que formam o PL da empresa, sendo que a última coluna corresponde ao resultado total e possibilita uma visão completa de como os recursos da empresa estão sendo aplicados durante o exercício social, o que é essencial para se ter mais controle do capital da organização (DMPL, 2018). Exemplo de demonstração das mutações do patrimônio líquido comentada A seguir, no Quadro 3, será apresentado um modelo de DMPL elaborada de acordo com o CPC 26 (R1). Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração16 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as de c ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n- tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o Sa ld os in ic ia is 1. 00 0. 00 80 .0 00 30 0. 00 0 0 27 0. 00 0 1. 65 0. 00 0 15 8. 00 0 1. 80 8. 00 A um en to de c ap ita l 50 0. 00 –5 0. 00 0 –1 00 .0 00 35 0. 00 0 32 .0 00 38 2. 00 0 G as to s co m em is sã o de a çõ es –7 .0 00 –7 .0 00 –7 .0 00 O pç õe s ou to rg ad as re co nh ec id as 30 .0 00 30 .0 00 30 .0 00 A çõ es e m te so ur ar ia ad qu iri da s -2 0. 00 0 -2 0. 00 0 -2 0. 00 0 Q ua dr o 3. E xe m pl o de D M PL e la bo ra da (C on tin ua ) 17Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as de c ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n- tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o A çõ es e m te so ur ar ia ve nd id as 60 .0 00 60 .0 00 60 .0 00 D iv id en do s –1 62 .0 00 –1 62 .0 00 –1 3. 20 0 –1 75 .2 00 Tr an sa çõ es d e ca pi ta l c om os só ci os 25 1. 00 0 18 .8 00 26 9. 80 0 Lu cr o líq ui do do p er ío do 25 0. 00 0 25 0. 00 0 22 .0 00 27 2. 00 0 A ju st es in st ru m en to s fin an ce iro s –6 0. 00 0 –6 0. 00 0 -6 0. 00 0 Q ua dr o 3. E xe m pl o de D M PL e la bo ra da (C on tin ua ) (C on tin ua çã o) Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração18 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as de c ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n- tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o Tr ib ut os so br e aj us te s in st ru m en to s fin an ce iro s 20 .0 00 20 .0 00 20 .0 00 Eq ui va lê nc ia pa tr im on ia l so br e ga nh os ab ra ng en te s de c ol ig ad as 24 .0 00 24 .0 00 6 .0 00 6. 00 0 30 .0 00 A ju st es d e co nv er sã o do p er ío do 26 0. 00 0 26 0. 00 0 26 0. 00 0 Q ua dr o 3. E xe m pl o de D M PL e la bo ra da (C on tin ua ) (C on tin ua çã o) 19Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as de c ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n- tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o Tr ib ut os so br e aj us te s de c on ve rs ão do p er ío do –9 0. 00 0 -9 0. 00 0 -9 0. 00 0 O ut ro s re su lta do s ab ra ng en te s 15 4. 00 0 6. 00 0 16 0. 00 0 Re cl as si fi- ca çã o pa ra re su lta do — a ju st es in st ru m en to s fin an ce iro s 10 .6 00 10 .6 00 10 .6 00 Q ua dr o 3. E xe m pl o de D M PL e la bo ra da (C on tin ua ) (C on tin ua çã o) Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração20 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Fo nt e: A da pt ad o de C PC (2 01 1) . Ca pi ta l so ci al in te gr a- liz ad o Re se rv as de c ap it al , op çõ es ou to rg ad as e aç õe s em te so ur ar ia Re se rv as de lu cr os (2 ) Lu cr os o u pr ej uí zo s ac um ul ad os O ut ro s re su l- ta do s ab ra n- ge nt es (3 ) PL d os s ó- ci os d a co n- tr ol ad or a Pa rt ic ip a- çã o d os nã o co n- tr ol ad or es no P L da s co nt ro la da s PL c on - so lid ad o Re su lta do ab ra ng en te to ta l 41 4. 60 0 28 .0 00 44 2. 60 0 Co ns tit ui çã o de re se rv as 14 0. 00 0 –1 40 .0 00 Re al iz aç ão de re se rv a de re av al ia çã o 78 .8 00 –7 8. 80 0 Tr ib ut os so br e a re al iz aç ão da re se rv a de re av al ia çã o –2 6. 80 0 26 .8 00 Sa ld os fi na is 1. 50 0. 00 93 .0 00 34 0. 00 0 0 38 2. 60 0 2. 31 5. 60 0 20 4. 80 0 2. 52 0. 40 0 Q ua dr o 3. E xe m pl o de D M PL e la bo ra da (C on tin ua çã o) 21Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 O CPC 26 (R1) elenca as seguintes observações sobre o Quadro 3: a) O patrimônio líquido consolidado (últimacoluna) evoluiu de $ 1.808.000 para $ 2.520.400 em função de apenas dois conjuntos de fatores: as transações de capital com os sócios ($ 269.800) e o resultado abrangente ($ 442.600). O resultado abrangente é formado de três componentes: resultado líquido do período ($ 272.000), outros resultados abrangentes ($ 160.000) e o efeito de reclassificação ($ 10.600). É interessante notar que as reclassificações para o resultado do período não alteram o patrimônio líquido total da entidade, mas, por aumentarem ou diminuírem o resultado líquido, precisam ter a contrapartida evidenciada. No exemplo dado, há a transferência de $ 10.600 de prejuízo que constava como outros resultados abrangentes para o resultado do período. Imediatamente antes da transferência, o resultado líquido era de $ 260.600, que, diminuído do prejuízo de $ 10.600 agora reconhecido no resultado, passou a $ 250.000; e o saldo dos outros resultados abrangentes, que estava em $ 404.000, passou para $ 414.600. Assim, a transferência do prejuízo de $ 10.600 dos outros resultados abrangentes para o resultado do período não muda, efetivamente, o total do patrimônio líquido, mas como o resultado líquido é mostrado pelo valor diminuído dessa importância, é necessário recolocá-la na mutação do patrimônio líquido. b) Na demonstração do resultado do período, a última linha será mostrada por $ 272.000, porque, a partir desse Pronunciamento Técnico CPC 26 — Apresentação das Demonstrações Contábeis, o lucro líquido consolidado do período é o global, incluindo a parte pertencente aos não controladores no resultado das controladas; mas é obrigatória a evidenciação de ambos os valores: o pertencente aos sócios da controladora e o pertencente aos que são sócios apenas nas controladas, como se vê na mutação acima ($ 250.000 e$ 22.000, respectivamente nas antepenúltima e penúltima colunas). c) O Pronunciamento exige a mesma evidenciação quanto ao resultado abran- gente total, o que está evidenciado também no exemplo acima: $ 414.600 é a parte dos sócios da controladora e $ 28.000 é a parte dos sócios não contro- ladores nas controladas, totalizando $ 442.600 para o período. d) As mutações que aparecem após o resultado abrangente total correspondem a mutações internas do patrimônio líquido, e não alteram, efetivamente, o seu total. Esse conjunto poderia, inclusive, ser intitulado “mutações internas do patrimônio líquido” ou nome semelhante, ou ficar sem título como está no próprio exemplo (CPC, 2011, documento on-line). Para compreender melhor a DMPL, acesse o link a seguir. https://goo.gl/pBbzxT Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração22 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Complementando os comentários efetuados para o Quadro 3, ressalta-se que a coluna de lucros ou prejuízos acumulados evidencia as informações que seriam divulgadas pela demonstração de lucros ou prejuízos acumula- dos (DLPA), prevista na Lei nº. 6.404/1976 (BRASIL, 1976). De qualquer forma, devido à CVM e à resolução do Conselho Federal de Contabilidade, determinou-se a inclusão da DLPA na DMPL, passando a ser considerada uma demonstração contábil obrigatória (GELBCKE et al., 2018). BARBOSA, R. Contabilidade geral de bolso: resumo dos tópicos mais importantes para concursos públicos. São Paulo: Método, 2013. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília, DF: 1976. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm. Acesso em: 26 mar. 2019. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 10.303, de 31 de outubro de 2001. Altera e acrescenta dispositivos na Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que dispõe sobre as Sociedades por Ações e na Lei nº. 6.385, de 7 de dezembro de 1976 que dispõe sobre o mercado de valores mobiliários e cria a Comissão de Valores Mobiliários. Brasília, DF: 2001. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LEIS_2001/L10303.htm. Acesso em: 26 mar. 2019. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº. 6.385, de 7 de dezembro de 1976 e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Brasília, DF: 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638. htm. Acesso em: 26 mar. 2019. BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº. 11.941, de 27 de maio de 2009. Altera a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários; concede remissão nos casos em que especifica; institui regime tributário de transição, alterando o Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972... Brasília, DF: 2009. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm. Acesso em: 26 mar. 2019. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Instrução CVM nº. 59, de 22 de dezembro de 1986. Dispõe sobre a obrigatoriedade de elaboração e publicação da demonstração das mutações do patrimônio líquido pelas companhias abertas. Rio de Janeiro, 1986. Disponível em: http://www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/instrucoes/ane- -xos/001/inst059.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019. 23Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico CPC 26 (R1): apresentação das demonstrações contábeis. 2011. Disponível em: http://static.cpc. aatb.com.br/Documentos/312_CPC_26_R1_rev%2013.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico PME: contabilidade para pequenas e médias empresas. 2009. Disponível em: http://static.cpc.aatb.com.br/ Documentos/392_CPC_PMEeGlossario_R1_rev%2011_alt.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019. DMPL: o que é e qual o seu papel. BLB Brasil Blog, 06 fev. 2018. Disponível em: https:// www.blbbrasil.com.br/blog/dmpl/. Acesso em: 26 mar. 2019. FERRONATO, A. J. Gestão contábil-financeira de micro e pequenas empresas: sobrevivência e sustentabilidade. São Paulo: Atlas, 2011. GELBCKE, E. R. et al. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2018. MONTOTO, E. Contabilidade geral e avançada esquematizado. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. PADOVEZE, C. L. Manual de contabilidade básica: contabilidade introdutória e intermediária. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2017. RIBEIRO, O. M. Contabilidade básica fácil. 29. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. Leituras recomendadas BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto nº. 9.580, de 22 de novembro de 2018. Regulamenta a tributação, a fiscalização, a arrecadação e a administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Brasília, DF: 2018. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Decreto/D9580.htm#art4. Acesso em: 26 mar. 2019. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Instrução CVM nº. 10, de 14 de fevereiro de 1980. Dispõe sobre a aquisição por companhias abertas de ações de sua própria emissão, para cancelamento ou permanência em tesouraria, e respectiva alienação. Rio de Janeiro, 1980. Disponível em: http://www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/legislacao/ instrucoes/anexos/001/inst010consolid.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Instrução CVM nº. 268, de 13 de novembro de 1997. Altera o limite previsto no art. 3º da Instrução CVM nº. 10, de 14 de fevereiro de 1980. Rio de Janeiro, 1997. Disponível em: http://www.cvm.gov.br/export/sites/cvm/ legislacao/instrucoes/anexos/200/inst268.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019. RIOS, R. P.; MARION, J. C. Contabilidade avançada: de acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) e Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS). São Paulo: Atlas, 2017. Demonstração das mutaçõesdo patrimônio líquido técnicas de elaboração24 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 SANTOS, F. A.; VEIGA, W. E. Contabilidade: com ênfase em micro, pequenas, e médias empresas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2014. SINDICATO DOS CONTABILISTAS DE PIRACICABA E REGIÃO (SINCOP). Demonstração das mutações do patrimônio líquido: demonstra a movimentação nas diversas contas que compõe o patrimônio líquido. c2015. Disponível em: http://www.sincop.com.br/ capa.asp?infoid=3817. Acesso em: 26 mar. 2019. 25Demonstração das mutações do patrimônio líquido técnicas de elaboração Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Identificação interna do documento 8EDZTPZ5OE-Q9STZY1 Nome do arquivo: C08_Demonstracao_mutacoes_patrimonio_liquido_tecnicas_2022100 41018434565098.pdf Data de vinculação à solicitação: 04/10/2022 10:18 Aplicativo: 630535 DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Adriana Greco Ferreira Visão integrada das demonstrações contábeis Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar a integração do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração do fluxo de caixa. Especificar os efeitos das principais decisões nas demonstrações contábeis. Aplicar as análises horizontal e vertical para a interpretação da situação econômica e financeira das empresas. Introdução As demonstrações contábeis apresentam informações úteis e fidedignas que refletem as operações realizadas pelas entidades em determinado período. Cada uma delas apresenta suas finalidades próprias e permite compreender a situação econômica e financeira das entidades. Os usuários das informações contábeis precisam conhecer cada uma das demonstra- ções, bem como compreender como a análise conjunta pode fornecer informações úteis para o alcance de seus diferentes objetivos. Portanto, as demonstrações contábeis são ferramentas imprescindíveis para a avaliação e o planejamento futuro, uma vez que permitem a identificação de riscos e potencialidades de retorno da entidade. Neste capítulo, você estudará a integração do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício (DRE) e da demonstração do fluxo de caixa (DFC), conhecerá os efeitos das principais decisões nas demonstrações contábeis e aprenderá como aplicar as análises horizontal e vertical para a interpretação da situação econômica e financeira das empresas. Integração das demonstrações contábeis As demonstrações contábeis representam os efeitos patrimoniais e fi nancei- ros, o desempenho e o fl uxo de caixa da entidade de maneira estruturada e simplifi cada aos usuários das informações (acionistas, sócios, administradores, funcionários, consumidores, fornecedores e instituições fi nanceiras). Elas fornecem informações fi dedignas e relevantes para a análise e a avaliação na tomada de decisão, visando ao atendimento das necessidades de todos os interessados. A administração da entidade é responsável pela elaboração das demonstrações contábeis, que devem estar em conformidade com as normas contábeis vigentes e a estrutura conceitual. De acordo com o item 10 da NBC TG 26 (Resolução CFC nº. 1.185, de 28 de agosto de 2009), o conjunto completo das demonstrações contábeis consiste em (CFC, 2009): balanç o patrimonial ao final do perí odo; demonstraç ã o do resultado do perí odo; demonstraç ã o do resultado abrangente do perí odo; demonstraç ã o das mutaç õ es do patrimô nio lí quido do perí odo; demonstraç ã o dos fluxos de caixa do período; demonstração do valor adicionado do período, se exigido legalmente ou apresentado de forma voluntária; notas explicativas, compreendendo um resumo das políticas contábeis significativas e outras informações explanatórias; balanço patrimonial no início do período mais antigo, comparativa- mente apresentado, quando a entidade aplica uma política contábil retroativamente ou procede à reapresentação de itens das demonstrações contábeis, ou, ainda, quando procede à reclassificação de itens de suas demonstrações contábeis. Além disso, as empresas publicam as notas explicativas, as quais compre- endem o resumo das políticas contábeis significativas e outras informações relevantes. Visão integrada das demonstrações contábeis2 De acordo com Borinelli e Pimentel (2017), as demonstrações contábeis são resultantes do processo contábil, que consiste em: colher dados referentes às transações realizadas pela entidade por meio de docu- mentação comprobatória; analisar, mensurar e registrar as transações em conformidade com a estrutura conceitual e as normas contábeis; gerar relatórios que contenham informações contábeis decorrentes dos processos anteriores; divulgar as demonstrações contábeis aos diferentes usuários, atendendo às exi- gências legais. Apesar de as demonstrações contábeis apresentarem finalidades diferentes, elas se complementam e são consistentes entre si; ou seja, é possível associar os dados de uma demonstração contábil com as outras. O balanço patrimonial é a demonstração que serve como base para a elaboração das demais. De acordo com Borinelli e Pimentel (2017), a partir dele, cada uma das demonstrações contábeis acrescenta outros aspectos na evidenciação, permitindo aos usuários uma visão detalhada e completa sobre a entidade. De acordo com o art. 178 da Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, o balanço patrimonial tem como função evidenciar, de forma qualitativa e quantitativa, a situação patrimonial e financeira da entidade (BRASIL, 1976). Sua posição é estática, pois apresenta o patrimônio da companhia em um determinado período. O balanço patrimonial é composto por ativo, passivo e patrimônio líquido. No grupo do ativo, tem-se os bens e direitos da entidade, e as aplicações de recurso estão à disposição da entidade. O grupo do balanço passivo representa as obrigações e as origens de recursos da entidade, e o patrimônio líquido constitui o capital próprio da entidade. Dentro do balanço patrimonial ativo, tem-se o ativo circulante, que corres- ponde às disponibilidades financeiras, aos bens e aos direitos realizáveis até o fim do exercício seguinte, dos quais, de acordo com o CPC 26 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2011), espera-se que: sejam realizados, vendidos ou consumidos durante o ciclo operacional da entidade; estejam mantidos com a finalidade de negociação; 3Visão integrada das demonstrações contábeis que sejam realizados até 12 meses após a data de encerramento do balanço patrimonial; estejam em caixa e equivalente de caixa. Entende-se por caixa o dinheiro em papel-moeda (numerário em espécie) e os depósitos bancários de livre movimentação. Os equivalentes de caixa constituem os valores financeiros de disponibilidade imediata (no máximo, 3 meses de resgate) e de alta liquidez, que estão sujeitos a um insignificante risco de mudança de valor, como aplicações financeiras e aplicações ban- cárias, por exemplo. Como o balanço patrimonial é um relatório estático, não é possível compreender a evolução do caixa e equivalente de caixa entre os períodos. Assim, a DFC, que pertence à dinâmica patrimonial, complementa o balanço patrimonial, apresentando e explicando as variações ocorridas no caixa e equivalente de caixa. A DFC permite que os usuários das demonstrações contábeis avaliem a capacidade de geração de caixa e equivalente de caixa, o tempo e o grau de segurança de geração dos recursos financeiros e a necessidade de liquidez da companhia. O balanço patrimonial passivo constitui os recursos consumidos pela entidade para a geração de fluxo de caixa futuros. Ou seja, compreende as origens de recursos representadas pelas obrigações da entidade (SANTOS et al., 2015). De acordo com o CPC 26 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2011), o patrimôniolíquido constitui o interesse residual nos ativos da entidade após a dedução de todos os passivos. Por esse motivo, ele deve evidenciar os valores resultantes de ajuste de avaliação patrimonial decorrentes da avaliação de ativos e passivos a valores de mercado. Vale ressaltar também que o patrimônio líquido corresponde ao valor de mercado das ações da entidade ou ao montante decorrente de possível venda dos seus ativos líquidos ou da entidade como um todo, considerando-se o princípio de continuidade (BORINELLI; PIMENTEL, 2017). Assim, pode-se dizer que o patrimônio líquido pode ser considerado o montante de recursos que pode ser reivindicado pelos acionistas ou quotistas. De maneira geral, o patrimônio líquido é composto por: recursos próprios dos acionistas ou quotistas decorrentes de investimen- tos realizados para a obtenção de ações, quotas ou outras participações (capital social); evolução natural da entidade que acarreta a geração de lucros ou pre- juízos no exercício. Visão integrada das demonstrações contábeis4 A Lei nº. 11.638, de 28 de dezembro de 2007, determinou que não mais existirá a conta “lucros ou prejuízos acumulados”, que compunha anteriormente o patrimônio líquido das entidades (BRASIL, 2007). A partir dessa lei, a conta “prejuízos acumulados” está prevista nesse grupo do balanço patrimonial. O lucro do período deverá ser destinado como reserva, aumento de capital social ou distribuição de dividendos. A geração de lucros ou prejuízos no exercício apresentada no patrimônio líquido advém da DRE, a qual confronta as receitas, os custos e as despesas apurados, segundo o regime de competência, evidenciando o resultado líquido (lucro ou prejuízo) da entidade. Portanto, a DRE é uma demonstra- ção completa que tem por finalidade mostrar o desempenho (resultado) da entidade em determinado período. De acordo com a legislação, a maioria das entidades deve elaborar e di- vulgar seus resultados, no mínimo, uma vez ao ano. Para as companhias de capital aberto, é obrigatória a apresentação a cada trimestre. Entretanto, sob o ponto de vista gerencial, as entidades costumam apurar e acompanhar seus resultados mensalmente. Para os gestores, é vital o conhecimento da natureza dos seus gastos e das suas receitas para a melhor tomada de decisão, a fim de maximizar o desempenho organizacional. Se a entidade apurar lucro líquido, ela poderá distribuí-lo por meio de dividendos aos acionistas no exercício social. Assim, nessa transação, a conta “dividendos a pagar” terá efeito no passivo circulante da entidade (balanço patrimonial). Efeitos das principais decisões nas demonstrações contábeis Conhecer a estrutura das demonstrações contábeis é tão importante quanto compreender as principais decisões que os usuários das informações poderão obter por meio delas. Sabe-se que essas demonstrações apresentam diferentes 5Visão integrada das demonstrações contábeis fi nalidades e que, ao mesmo tempo, elas se complementam, pois os dados informados no balanço patrimonial estão também presentes na DRE e na DFC. Por esse motivo, recomenda-se a análise dessas demonstrações de maneira conjunta, e não de forma isolada. Antes de analisar as demonstrações contábeis, os usuários devem conhecer detalhadamente o negócio e o mercado de atuação da entidade. Esses fatores contribuem para uma melhor avaliação nas decisões tomadas de investimento e de financiamento. O balanço patrimonial mostra a situação patrimonial e financeira da enti- dade. Por meio dessa demonstração, o usuário conhece todos os bens, direitos e obrigações, conhecendo a posição patrimonial da entidade em determinado período. Ou seja, pode-se visualizar como a entidade distribui seus recursos entre os ativos (circulante ou não circulante). Dependendo do setor, a entidade pode ter alto valor em imobilizado, no entanto, outros setores podem apresentar alto valor no ativo realizável a longo prazo. Por meio do balanço patrimonial, o usuário pode avaliar a estrutura de capital da entidade: terceiros (passivo) e capital próprio (patrimônio líquido). Com base na sua distribuição, é possível avaliar o endividamento da companhia. Ou seja, consegue-se identificar a dependência de recursos de terceiros ou de capital próprio para a aquisição de recursos. Se a entidade utilizar capital de terceiros, os usuários podem conhecer a composição dos vencimentos dos recursos de terceiros (curto ou longo prazo). Decisões inadequadas de estrutura de capital podem acarretar um alto custo de capital, o que tornaria difícil a escolha de investimentos aceitáveis. Uma boa gestão tem por objetivo a diminuição do custo de capital da entidade, visando a encontrar facilmente investimentos aceitáveis que maximizem a riqueza dos proprietários (sócios e acionistas). Visão integrada das demonstrações contábeis6 A análise do balanço patrimonial permite conhecer a capacidade de pa- gamento da entidade, isto é, se há condições financeiras de cumprir os com- promissos assumidos, bem como se há equilíbrio financeiro e necessidade de investimento em capital de giro. O capital de giro consiste nos recursos que serão utilizados para suprir as necessidades financeiras da entidade ao longo do tempo. Esses recursos se encontram no caixa, nas contas a receber, no estoque, etc. Pode-se dizer que são os montantes necessários para que as atividades da empresa ocorram. A DRE mensura o desempenho da entidade em um determinado período. Assim, os usuários podem verificar se a geração de resultados (positivos ou negativos) são consistentes ao longo do tempo. A partir da DRE, é possível verificar as contas (receitas, custos e despesas) que impactaram no resultado líquido do período. Os percentuais de custos e despesas em relação às receitas são mensurados, a fim de identificar os maiores gastos ocorridos no exercício e buscar maneiras de minimizá-los. Dessa forma, a entidade consegue otimizar o desempenho da entidade. As empresas que possuem diferentes unidades de negócio podem, por meio da DRE, compreender a origem da receita (natureza do produto ou do serviço). Ademais, se estão localizadas em diferentes localidades, conseguem identificar as áreas com maiores ou menores receitas. É importante ressaltar que determinados setores são impactados pela sazonalidade. Assim, por meio da DRE, consegue-se visualizar as oscilações do resultado ao longo do tempo. A DRE permite, portanto, avaliar se a maior parte do resultado da entidade é originária das atividades fins (venda de produtos ou prestação de serviços) ou de outras atividades, como, por exemplo, venda de ativo imobilizado e receita de equivalência patrimonial. Outra informação que a entidade e os usuários conseguem analisar por meio da DRE é o montante de impostos que incidiram sobre a receita e o resultado. A carga tributária ainda é um valor considerado alto pelas entidades, sendo responsável pela redução de margem destas. 7Visão integrada das demonstrações contábeis A estrutura da DRE permite a análise de diferentes níveis de resultados (bruto, operacional e líquido). A margem bruta representa o resultado imediato da entidade com suas atividades. Nesse nível, o usuário pode identificar a representatividade dos custos das mercadorias ou dos ser- viços prestados. A margem operacional mede o resultado operacional da entidade. Aqui, é possível avaliar o montante das despesas realizadas no período, ou seja, como elas impactaram sobre a receita líquida. Por último, a margem líquida compreende o resultado líquido da entidade após a dedução dos impostos e dos tributos. Em geral, os investidores analisam essa margem, pois entidades que apresentam excelentes resultados podem gerar altos retornos. O usuário pode combinar os dados apresentados no balanço patrimonial com a DRE, e, por meio dessas demonstrações, os acionistas e sócios analisam a relação entre a rentabilidade e os recursos (ativo e patrimônio líquido) da entidade. Isso permite que elesmensurem o grau, de modo a saber se receberão alguma remuneração em relação aos recursos aplicados. A administração das entidades precisa controlar e otimizar o seu ciclo empresarial (desde o processo de gestão de estoques até a concessão de crédito aos clientes decorrente das vendas dos produtos ou serviços). Assim, eles utilizam tanto a DRE como o balanço patrimonial para mensurar indicadores de atividade. Com isso, eles conseguem gerenciar as oscilações ocorridas no capital de giro da entidade. A DFC permite que os usuários avaliem se a capacidade de geração de recursos financeiros da entidade é consistente ao longo do tempo e se a entidade está consumindo mais caixa, em vez de gerar. Além disso, por meio dela é possível compreender as atividades (operacional, financeira e de investimento) que estão gerando ou consumindo caixa e equivalentes de caixa da entidade. Ou seja, por meio da DFC, é possível ver o potencial de geração de caixa futuro para saldar compromissos com terceiros, pagar dividendos e sanar empréstimos obtidos. Desse modo, a DFC permite que os usuários avaliem o valor presente dos fluxos futuros de caixa. Além disso, em conjunto com as demonstra- ções contábeis, ajuda a analisar as mudanças nos ativos líquidos de uma entidade e a calcular a taxa de conversão de lucro em caixa, bem como sua Visão integrada das demonstrações contábeis8 estrutura financeira (liquidez e solvência) e sua capacidade para modificar valores e prazos dos fluxos de caixa, permitindo adaptação às mudanças e oportunidades (SANTOS; SCHMIDT, 2011). A DRE mostra a eficiência operacional de uma entidade sob o regime de competência, independentemente das entradas e saídas de caixa. A DFC mostra a eficácia operacional de uma entidade sob o regime de caixa. Dessa forma, ao analisar as duas demonstrações, o usuário verifica o estado financeiro da entidade sob os dois regimes. Aplicação das análises horizontal e vertical para a interpretação da situação econômica e financeira da empresa Para auxiliar os usuários na análise das demonstrações contábeis, podem ser aplicadas técnicas para compreender as tendências de uma conta ou grupo de contas de maneira rápida e simples, a fi m de compará-las entre si e entre diferentes exercícios. Essas técnicas são as chamadas análises horizontal e vertical. A análise horizontal é uma técnica para examinar a evolução histórica dos valores que compõem o patrimônio da entidade e evidenciar a relação de cada conta das demonstrações contábeis em períodos consecutivos. A comparação é feita por meio da visão horizontal dos percentuais ao longo dos períodos nas demonstrações. Para a análise horizontal, estabelece-se uma base de referência (período inicial em relação ao final), considerando o exercício das contas consideradas na análise. Para o cálculo do percentual, utiliza-se a seguinte fórmula: Análise horizontal % = [(Valor da conta final (ano 2)/Valor da conta inicial (ano 1)) – 1] × 100 9Visão integrada das demonstrações contábeis Exemplo 1 Uma companhia industrial apresentou o seguinte balanço patrimonial no ano 2, em reais (Quadro 1): Ano 1 Ano 2 Análise horizontal Ativo 31.200 35.500 13,78% Circulante 21.900 24.490 11,83% Disponível 5.350 6.400 19,63% Duplicatas a receber 6.950 7.200 3,60% Estoque 9.600 10.890 13,44% Não circulante 9.300 11.010 18,39% Realizável em longo prazo 1.260 1.480 17,46% Investimento 2.380 3.570 50,00% Imobilizado 3.720 4.460 19,89% Intangível 1.940 1.500 −22,68% Passivo + patrimônio líquido 31.200 35.500 13,78% Circulante 5.660 6.320 11,66% Fornecedores 2.630 2.720 3,42% Impostos a recolher 1.420 1.740 22,54% Salários a pagar 1.610 1.860 15,53% Não circulante 5.800 4.200 –27,59% Empréstimos e financiamentos 5.800 4.200 –27,59% Patrimônio líquido 19.740 24.980 26,55% Capital social 14.800 14.800 0,00% Reservas de lucros 4.940 10.180 106,07% Quadro 1. Balanço patrimonial referente ao Exemplo 1 Visão integrada das demonstrações contábeis10 Com base no balanço patrimonial acima, pode-se exemplificar o cálculo das seguintes contas (Quadro 2): Ativo Ano 1 Ano 2 Análise horizontal Disponível 5.350 6.400 [(6.400/5.350) – 1] × 100 = 19,63% Duplicatas a receber 6.950 7.200 [(7.200/6.950) – 1] × 100 = 3,60% Estoque 9.600 10.890 [(10.890/9.600) – 1] × 100 = 13,44% Quadro 2. Cálculo das contas referentes ao Exemplo 1 A análise horizontal permite ver as maiores oscilações nas contas e nos grupos de contas. Diante das informações fornecidas pelo balanço patrimonial, o usuário pode perceber que houve aumento no ativo circulante, em virtude do crescimento do disponível (19,63%) e dos estoques (13,44%). Houve também crescimento no ativo não circulante, em consequência do aumento de 50% em investimentos e 19,89% no ativo imobilizado. Vale ressaltar que, apesar do crescimento do ativo não circulante, o intangível diminuiu 22,68%, que pode ter sido amortizado ou vendido. Sobre o passivo, observa-se aumento de 11,66% no passivo circulante e redução de 27,59% no passivo não circulante. No passivo circulante, há aumento de impostos a recolher de 22,54% e 15,53% em salários a pagar. Pode-se inferir que a redução do passivo não circulante ocorreu devido à amortização do empréstimo de longo prazo. O aumento de 26,55% no patrimônio líquido deve-se ao aumento das reservas de lucros de 106,07%. A empresa também apurou a seguinte DRE no ano 2, em reais (Quadro 3): Demonstração do resultado do exercício Ano 1 Ano 2 Análise horizontal Receita operacional líquida 75.000 106.000 41,33% (–) Custo das mercadorias vendidas (36.000) (55.120) 53,11% (=) Resultado bruto 39.000 50.880 30,46% (–) Despesas comerciais (12.000) (18.160) 51,33% Quadro 3. DRE referente ao Exemplo 1 (Continua) 11Visão integrada das demonstrações contábeis Com base na DRE acima, pode-se exemplificar o cálculo das seguintes contas (Quadro 4): Demonstração do resultado do exercício Ano 1 Ano 2 Análise horizontal Receita operacional líquida 75.000 106.000 [(106.000/75.000) – 1] × 100 = 41,33% (–) Custo das mercadorias vendidas (36.000) (55.120) [(55.120/36.000) – 1] × 100 = 53,11% (=) Resultado bruto 39.000 50.880 [(50.880/39.000) – 1] × 100 = 30,46% Quadro 4. Cálculo das contas referentes ao Exemplo 1 Pode-se verificar, por meio da da análise horizontal da DRE do ano 2, que houve aumento de 41,33% na receita operacional líquida e de 53,11% no custo das mercadorias vendidas. As despesas comerciais tiveram um aumento (51,33%), assim como as despesas gerais e administrativas (42,71%). Houve Demonstração do resultado do exercício Ano 1 Ano 2 Análise horizontal (–) Despesas gerais e administrativas (14.000) (19.980) 42,71% (–/+) Outras receitas e despesas (7.640) (6.760) –11,52% (=) Resultado antes das receitas e despesas financeiras 5.360 5.980 11,57% (–) Despesa financeira (4.000) (5.000) 25,00% (+) Receita financeira 5.000 6.000 20,00% = Resultado antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social 6.360 6.980 9,75% (–) Despesa com IR e CSLL (1.420) (1.740) 22,54% (=) Lucro líquido do exercício 4.940 5.240 6,07% Quadro 3. DRE referente ao Exemplo 1 (Continuação) Visão integrada das demonstrações contábeis12 uma redução de 11,52% em outras receitas e despesas e um aumento de 22,54% na despesa com IRRJ e CSLL, em virtude do aumento do resultado antes dos impostos. Portanto, a empresa aumentou seu resultado líquido em 6,07%. A análise vertical tem por objetivo determinar o percentual de cada conta em relação ao todo que ela faz parte. No balanço patrimonial, a base é o ativo total e o total do passivo e do patrimônio líquido, e, na DRE, receita operacional líquida. Essa análise envolve uma visão de cima para baixo nas colunas das demonstrações, indicando resultados em efeito cascata. Observe que a análise vertical apresenta o quanto cada conta é importante em relação à demonstração financeira à qual pertence. Ao comparar percentuais da própria entidade em períodos anteriores,o usuário consegue inferir se há contas com proporções anormais. A análise vertical pode ser calculada da seguinte forma: Análise vertical = (Conta desejada/conta base) × 100 Exemplo 2 Uma companhia industrial apresentou o seguinte balanço patrimonial no ano 2, em reais (Quadro 5): Ano 1 Análise vertical Ano 2 Análise vertical Ativo 31.200 100,00% 35.500 100,00% Circulante 21.900 70,19% 24.490 68,99% Disponível 5.350 17,15% 6.400 18,03% Duplicatas a receber 6.950 22,28% 7.200 20,28% Estoque 9.600 30,77% 10.890 30,68% Não circulante 9.300 29,81% 11.010 31,01% Realizável em longo prazo 1.260 4,04% 1.480 4,17% Investimento 2.380 7,63% 3.570 10,06% Imobilizado 3.720 11,92% 4.460 12,56% Intangível 1.940 6,22% 1.500 4,23% Quadro 5. Balanço patrimonial referente ao Exemplo 2 (Continua) 13Visão integrada das demonstrações contábeis Com base no balanço patrimonial acima, pode-se exemplificar o cálculo das seguintes contas (Quadro 6): Ano 1 Análise vertical Ano 2 Análise vertical Ativo 31.200 100,00% 35.500 100,00% Circulante 21.900 (21.900/31.200) × 100 = 70,19% 24.490 (24.490/35.500) × 100 = 68,99% Disponível 5.350 (5.350/31.200) × 100 = 17,15% 6.400 (6.400/35.500) × 100 = 18,03% Duplicatas a receber 6.950 (6.950/31.200) × 100 = 22,28% 7.200 (7.200/35.500) × 100 = 20,28% Estoque 9.600 (9.600/31.200) × 100 = 30,77% 10.890 (10.890/35.500) × 100 = 30,68% Quadro 6. Cálculo das contas referentes ao Exemplo 2 Ano 1 Análise vertical Ano 2 Análise vertical Passivo + patrimônio líquido 31.200 100,00% 35.500 100,00% Circulante 5.660 18,14% 6.320 17,80% Fornecedores 2.630 8,43% 2.720 7,66% Impostos a recolher 1.420 4,55% 1.740 4,90% Salários a pagar 1.610 5,16% 1.860 5,24% Não circulante 5.800 18,59% 4.200 11,83% Empréstimos e financiamentos 5.800 18,59% 4.200 11,83% Patrimônio líquido 19.740 63,27% 24.980 70,37% Capital social 14.800 47,44% 14.800 41,69% Reservas de lucros 4.940 15,83% 10.180 28,68% Quadro 5. Balanço patrimonial referente ao Exemplo 2 (Continuação) Visão integrada das demonstrações contábeis14 Por meio da análise vertical da empresa, pode-se perceber que, no ano 1, o ativo circulante representa 70,19% sobre o ativo total, composto por 30,77% do estoque, 22,28% das duplicatas a receber e 17,15% de disponível. No ano 2, o ativo circulante ainda apresenta uma participação (68,99%) representativa em relação ao ativo total, e suas contas praticamente mantiveram a distribuição apresentada no ano 1. O ativo não circulante é responsável por 28,91% sobre o ativo total, e pode-se dizer que o imobilizado possui o maior percentual (11,92%). No ano 2, esse grupo não apresenta aumento considerável, entretanto, observa-se o aumento dos investimentos e pode-se afirmar que o imobilizado mantém a sua distribuição. No ano 1, o passivo circulante representa 18,14% em relação ao total do passivo e do patrimônio líquido, e o ativo não circulante, 18,59%. Em relação ao ano 2, esses grupos tiveram pequena redução (17,80% e 11,83%, respectiva- mente), em virtude da redução na conta de fornecedores e da amortização de empréstimos financeiros em longo prazo. O patrimônio líquido é responsável por 63,27% sobre o total no ano 1, composto por 47,44% do capital social e 15,83% da reserva de lucros. No ano 2, houve aumento desse grupo, em consequência do aumento da reserva de lucros. A empresa também apurou a seguinte DRE no ano 2, em reais (Quadro 7): Demonstração do resultado do exercício Ano 1 Análise vertical Ano 2 Análise vertical Receita operacional líquida 75.000 100,00% 106.000 100,00% (–) Custo das mercadorias vendidas (36.000) –48,00% (55.120) –52,00% (=) Resultado bruto 39.000 52,00% 50.880 48,00% (–) Despesas comerciais (12.000) –16,00% (18.160) –17,13% (–) Despesas gerais e administrativas (14.000) –18,67% (19.980) –18,85% (–/+) Outras receitas e despesas (7.640) –10,19% (6.760) –6,38% (=) Resultado antes das receitas e despesas financeiras 5.360 7,15% 5.980 5,64% (–) Despesa financeira (4.000) –5,33% (5.000) –4,72% (+) Receita financeira 5.000 6,67% 6.000 5,66% Quadro 7. DRE referente ao Exemplo 2 (Continua) 15Visão integrada das demonstrações contábeis Com base na DRE acima, pode-se exemplificar o cálculo das seguintes contas (Quadro 8): Demonstração do resultado do exercício Ano 1 Análise vertical Ano 2 Análise vertical Receita opera- cional líquida 75.000 100,00% 106.000 100,00% (–) Custo das mercadorias vendidas (36.000) (–36.000/75.000)/100 = –48,00% (55.120) (–55.120/106.000)/100 = –52,00% (=) Resultado bruto 39.000 (–39.000/75.000)/100 = 52,00% 50.880 (50.880/106.000)/100 = 48,00% Quadro 8. Cálculo das contas referentes ao Exemplo 2 Na análise vertical da DRE do ano 1, pode-se observar que o custo da mercadoria vendida é responsável por 48,00% da receita operacional líquida, acarretando margem bruta de 52,00%. No ano 2, o custo da mercadoria vendida teve um leve aumento, representando 52,00% da receita operacional líquida, o que diminuiu a margem bruta (48,00%). No ano 1, as despesas representam 44,85% (16% das despesas com vendas, 18,67% de despesas gerais e admi- Demonstração do resultado do exercício Ano 1 Análise vertical Ano 2 Análise vertical = Resultado antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social 6.360 8,48% 6.980 6,58% (–) Despesa com IR e CSLL (1.420) –1,89% (1.740) –1,64% (=) Lucro líquido do exercício 4.940 6,59% 5.240 4,94% Quadro 7. DRE referente ao Exemplo 2 (Continuação) Visão integrada das demonstrações contábeis16 nistrativas e 10,19% de outras receitas e despesas). No ano seguinte, há uma pequena redução nessas contas, em virtude da queda percentual das outras receitas e despesas. Diante desses dados, a empresa apurou uma margem líquida de 6,59% no ano 1 e de 4,94% no ano 2. BORINELLI, M. L.; PIMENTEL, R. C. Contabilidade para gestores, analistas e outros pro- fissionais: de acordo com os pronunciamentos do CPC e IFRS. São Paulo: Atlas, 2017. BRASIL. Lei no. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Diário Oficial da União, 17 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm. Acesso em: 14 ago. 2019. BRASIL. Lei no. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divul- gação de demonstrações financeiras. Diário Oficial da União, 28 dez. 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm. Acesso em: 14 ago. 2019. CFC. Resolução no. 1.185/09. Diário Oficial da União, 15 set. 2009. Disponível em: http:// www.cfc.org.br/sisweb/sre/docs/RES_1185.doc. Acesso em: 14 ago. 2019. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 26 (R1): apresentação das Demonstra- ções Contábeis. 2011. Disponível em: http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/312_ CPC_26_R1_rev%2013.pdf. Acesso em: 14 ago. 2019. SANTOS, J. L. et al. Manual de práticas contábeis: aspectos societários e tributários. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2015. SANTOS, J. L.; SCHMIDT, P. Contabilidade societária. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2011. Leituras recomendadas PADOVEZE, C. L. Introdução à contabilidade: com abordagem para não contadores. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2015. SOUZA, A. F. Análise financeira das demonstrações contábeis na prática. São Paulo: Tre- visan Editora, 2015. 17Visão integrada das demonstrações contábeis DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Adriana Greco Ferreira Identificação interna do documento Demonstrações do fluxo de caixa Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Diferenciar o lucro contábil do lucro financeiro. � Explicar o que são as atividades operacionais, de investimento e de financiamento da demonstração dos fluxos de caixa. � Elaborar uma demonstração de fluxo de caixa. Introdução A demonstraçãodos fluxos de caixa (DFC) proporciona aos usuários avaliar a capacidade de geração de recursos financeiros e compreender as atividades que estão gerando ou consumindo caixa e equivalentes de caixa da entidade. Assim, para que os usuários tenham informações sobre as entradas e saídas de caixa capazes de suportar as operações da entidade, torna-se extremamente importante a elaboração e a análise da DFC da entidade. Neste capítulo, você vai estudar sobre a DFC, incluindo o lucro contábil e o lucro financeiro. Será discutida classificação das contas em atividades operacionais, de investimento e de financiamento, e descrito como ocorre o processo de elaboração da DFC pelos métodos direto e indireto. Diferença entre lucro contábil e lucro financeiro A DFC mostra as entradas (recebimentos) e as saídas (pagamentos) ocorridas no caixa e equivalentes de caixa da entidade em determinado período. O caixa compreende o numerário em espécie e os depósitos bancários de livre movi- Identificação interna do documento mentação (Banco Conta Movimento). Já os equivalentes de caixa consistem em aplicações financeiras de curto prazo (no máximo, três meses de resgate) e alta liquidez, prontamente conversíveis em caixa, sujeitas a um insignificante risco de mudança e valor. A DFC permite que os usuários das demonstrações contábeis avaliem a capacidade de geração de caixa e equivalente de caixa, o tempo e o grau de segurança de geração dos recursos financeiros e a neces- sidade de liquidez da companhia. Os investimentos em ações de outras empresas devem ser excluídos de equivalentes de caixa, exceto se elas forem ações preferenciais resgatáveis, cujo prazo esteja definido e atenda à definição de curto prazo (até três meses de resgate). O art. 176 da Lei nº. 6.404, de 15 de dezembro de 1976, tornava voluntária a elaboração e a publicação da DFC para as sociedades anônimas de capital fechado com patrimônio líquido inferior a R$ 2 milhões (BRASIL, 1976). Porém, por meio da Lei nº. 11.638, de 28 de dezembro de 2007, a DFC foi regulamentada para as companhias brasileiras, determinando-se a obriga- toriedade de elaboração e publicação dessa demonstração às sociedades por ações, sejam elas abertas ou fechadas (BRASIL, 2007). No Brasil, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, por meio do pronunciamento CPC 03 (R2) — Demonstração dos fluxos de caixa, estipula e trata das diretrizes sobre a elaboração e a divulgação da DFC. A DFC considera o regime de caixa, ou seja, apropria as receitas e despesas no momento do recebimento e do pagamento, respectivamente. Com isso, a contabilidade apura o lucro ou prejuízo financeiro da companhia. Por sua vez, a demonstração do resultado do exercício (DRE) utiliza o regime de competência, ou seja, apropria as receitas e despesas independentemente do recebimento ou pagamento em dinheiro, apurando lucro ou prejuízo contábil. Portanto, a empresa pode apresentar lucro líquido em um determinado período, Demonstrações do fluxo de caixa2 Identificação interna do documento mas não ter lucro financeiro, uma vez que a entidade pode ter mais saídas (despesas) do que recebimentos (receita) de caixa. A DFC, em conjunto com as demonstrações contábeis, permite a avaliação das mudanças nos ativos líquidos de uma entidade, de sua estrutura financeira (liquidez e solvência) e de sua capacidade para modificar valores e prazos dos fluxos de caixa, permitindo adaptação às mudanças e oportunidades, conforme lecionam Santos e Schmidt (2011). Ainda conforme os autores, a DFC possibilita aos usuários avaliar e comparar o valor presente dos fluxos futuros de caixa de diferentes entidades. Ademais, melhora a comparabilidade dos relatórios de desempenho operacional, pois reduz os efeitos recorrentes de diferentes tratamentos contábeis para as mesmas transações e eventos. Classificação das contas na demonstração de fluxo de caixa Para demonstrar as movimentações ocorridas no caixa e equivalente de caixa, a contabilidade segrega essas movimentações em grupos de atividade, em função da natureza da transação que as originou. Dessa forma, tem-se: � fluxo de caixa das atividades operacionais; � fluxo de caixa das atividades de investimento; � fluxo de caixa das atividades de financiamento. A evidenciação das movimentações segregadas nesses três tipos de ativi- dades proporciona aos usuários avaliar o impacto das atividades sob o ponto de vista financeiro e patrimonial da organização, conforme apontam Bori- nelli e Pimentel (2017). Por esse motivo, é essencial a adequada classificação das transações ocorridas no caixa e equivalente de caixa, para dar clareza e transparência à DFC. A soma do caixa gerado ou consumido em cada uma das atividades resulta na variação total de caixa e equivalente de caixa do período, que deve refletir o balanço patrimonial — isto é, a comparação entre o saldo inicial e final dos valores de caixa e equivalente de caixa. 3Demonstrações do fluxo de caixa Identificação interna do documento Uma companhia industrial apresentou os seguintes saldos de caixa e equivalentes de caixa em 31/12/2017 e 31/12/2018: Contas 31/12/2017 31/12/2018 Disponível R$ 85.000,00 R$ 97.000,00 Aplicação financeira de alta liquidez — R$ 15.000,00 Caixa e equivalente de caixa R$ 85.000,00 R$ 112.000,00 Pode-se notar que a diferença entre os dois períodos é de R$ 27.000,00 (R$ 112.000,00 − R$ 85.000,00). Dessa forma, a soma dos fluxos de caixa das atividades operacional, de investimento e de financiamento deverá ser também de R$ 27.000,00. Fluxo de caixa das atividades operacionais Representa pagamentos e recebimentos derivados da geração de lucro das operações da entidade. Em virtude disso, o fluxo de caixa das atividades ope- racionais está relacionado diretamente às transações que ocorreram na DRE e no balanço patrimonial (ativo circulante e passivo circulante). Os aumentos do fluxo de caixa das atividades operacionais são provenientes das receitas e das movimentações ocorridas no ativo circulante. As diminuições de caixa estão associadas às despesas e às movimentações no passivo circulante. De acordo com o CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CON- TÁBEIS, 2010), o valor referente ao fluxo de caixa de atividades operacionais é um indicador importante para as companhias identificarem se possuem fluxo de caixa suficiente para amortizar empréstimos, manter sua capacidade operacional, pagar dividendos e juros sobre capital próprio e realizar novos investimentos sem a necessidade de obter financiamento com fontes externas. Com base no CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2010), são listados abaixo alguns exemplos de transações que aumentam o fluxo de caixa das atividades operacionais: � venda de mercadorias ou prestação de serviços à vista; � recebimento de clientes oriundos das vendas de mercadorias ou pres- tação de serviços; � recebimento decorrente de seguradora de prêmios e sinistros, anuidades e outros benefícios da apólice; Demonstrações do fluxo de caixa4 Identificação interna do documento � recebimento decorrente de contratos mantidos para negociação imediata ou disponíveis para venda futura; � recebimento de royalties, honorários e comissões; � recebimento de juros provenientes de empréstimos concedidos ou apli- cações financeiras; � recebimento de dividendos e juros sobre capital próprio pela participação em outras organizações. Ainda com base no CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CON- TÁBEIS, 2010), são apresentados abaixo alguns exemplos de transações que diminuem o fluxo de caixa das atividades operacionais: � compra de serviços, matérias-primas ou mercadorias à vista; � pagamentos diversos a fornecedores de mercadorias, matérias-primas e serviços; � pagamento de salários e benefícios a empregados; � pagamento de impostos e contribuições ao governo, exceto se forem identificados como atividade de financiamento ou de investimento; � adiantamento a fornecedores de mercadorias e serviços;� pagamento de contratos mantidos para negociação imediata ou dispo- níveis para venda futura; � pagamento de juros dos financiamentos obtidos. Fluxo de caixa das atividades de investimento É composto por entradas e saídas de caixa relacionados com ativos realizáveis a longo prazo, como investimento, imobilizado, intangível e ativos financeiros em instrumento de capital e em instrumentos de dívida não classificados como equivalentes de caixa, conforme leciona Almeida (2018). Dessa forma, pode-se dizer que são transações realizadas com a finalidade de gerar lucro e fluxo de caixa futuro. Com base no CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2010), abaixo são listados alguns exemplos de transações que aumentam o fluxo de caixa das atividades de investimento: � recebimento proveniente de venda de ativo imobilizado, intangível e outros ativos de longo prazo; � recebimento por liquidação de adiantamento ou empréstimos realizados a terceiros, exceto aqueles realizados por instituições financeiras. 5Demonstrações do fluxo de caixa Identificação interna do documento Ainda com base no CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CON- TÁBEIS, 2010), abaixo são apresentados alguns exemplos de transações que diminuem o fluxo de caixa das atividades de investimento: � aquisição à vista de ativos imobilizado, intangível e outros ativos de longo prazo; � adiantamentos de caixa e empréstimos realizados a terceiros, exceto aqueles realizados por instituições financeiras; � pagamento referente à aquisição de instrumentos patrimoniais ou ins- trumentos de dívidas de outras organizações e participações societárias em joint ventures, exceto se o recebimento for referente a títulos consi- derados como equivalentes de caixa e aqueles mantidos para negociação imediata ou futura; � pagamento proveniente de contratos futuros, a termo, de opção e swap, exceto quando os contratos forem mantidos para negociação imediata ou venda futura, ou os recebimentos forem classificados como atividades de financiamento. Quando um contrato for contabilizado como hedge (proteção) e sua posição for identificável, os fluxos de caixa do contrato devem ser classificados da mesma maneira que foram classificados os fluxos de caixa da posição que estiver sendo protegida (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2010, documento on-line). Fluxo de caixa das atividades de financiamento São movimentações que resultam em mudança no tamanho e na composição do capital próprio e do capital de terceiros da organização (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2010). As operações nesse fluxo estão relacionadas com as operações registradas no passivo não circulante e no Demonstrações do fluxo de caixa6 Identificação interna do documento patrimônio líquido. Dessa forma, a análise do fluxo de caixa das atividades de financiamento permite que a entidade identifique o caixa necessário para manter o seu negócio a longo prazo. Quando a geração de caixa advinda das atividades operacionais não for suficiente para cobrir as necessidades de recursos para as atividades de investimento, a entidade tende a buscar recursos por meio de empréstimos e financiamentos (atividade de financiamento). Com base no CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2010), abaixo são listados alguns exemplos de transações que aumentam o fluxo de caixa das atividades de financiamento: � recebimento referente à emissão de ações ou outros instrumentos patrimoniais; � recebimento de empréstimos adquiridos junto a instituições financeiras; � integralização de capital em dinheiro por parte dos acionistas. Ainda com base no CPC 03 (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CON- TÁBEIS, 2010), abaixo são apresentados alguns exemplos de transações que diminuem o fluxo de caixa das atividades de financiamento: � amortização de empréstimos e financiamentos; � pagamento de juros sobre capital próprio e dividendos; � aquisição a prazo de ativos imobilizado, intangível e de investimento. Conforme mencionado anteriormente, as atividades são influenciadas por transações ocorridas no balanço patrimonial. As atividades operacionais estão relacionadas ao ativo circulante e ao passivo circulante. As atividades de investimento estão ligadas ao ativo não circulante (realizável a longo prazo, 7Demonstrações do fluxo de caixa Identificação interna do documento investimento, imobilizado e intangível), e as atividades de financiamento são relacionadas ao passivo não circulante e ao patrimônio líquido, conforme apresentado na Figura 1. Figura 1. Integração das atividades do fluxo de caixa com o balanço patrimonial. Fonte: Borinelli e Pimentel (2017, p. 262). Algumas operações podem ser classificadas em mais de um grupo de atividades. Por exemplo, duplicatas descontadas podem ser consideradas como atividade de financiamento ou operacional. Portanto, para melhor compreender as nuances en- volvidas nessas operações, é importante consultar o CPC 03 — Demonstração dos fluxos de caixa. Para fins de DFC, a contabilidade só registra as transações que impactam o caixa. Entretanto, existem transações que não afetam caixa ou equivalentes de Demonstrações do fluxo de caixa8 Identificação interna do documento caixa. Elas devem ser explicitadas em notas explicativas, para que os usuários das demonstrações contábeis tenham conhecimento sobre essas operações. Além disso, elas devem ser excluídas da DFC. Borinelli e Pimentel (2017) apontam as seguintes operações que não afetam o caixa ou equivalente de caixa: � vendas a prazo cujo recebimento seja realizado em períodos subsequentes; � depreciação, amortização e exaustão; � resultado de equivalência patrimonial; � aquisição de entidade por meio de emissão de ações; � perda para créditos de liquidação duvidosa; � provisões ou reconhecimentos de passivos trabalhistas, tributários ou civis; � conversão de dívida em aumento de capital. Elaboração da demonstração de fluxo de caixa Existem dois métodos para elaboração da DFC: direto e indireto. No método direto, a contabilidade utiliza as movimentações financeiras para demonstrar o caixa gerado ou consumido em determinado período. No método indireto, inicia-se a partir do lucro contábil, que é então ajustado para evidenciar o efeito de caixa ocorrido. É importante ressaltar que somente o fluxo de caixa das atividades operacionais é tratado de maneira diferente quando há elaboração pelos métodos direto e indireto. Método direto São demonstradas as entradas e saídas brutas de dinheiro, evidenciando a procedência do dinheiro e onde ele foi gasto. É um método de fácil compreensão e que não exige conhecimentos contábeis específicos. A seguir, o Quadro 1 mostra o modelo da DFC pelo método direto. 9Demonstrações do fluxo de caixa Identificação interna do documento Fonte: Adaptado de Santos e Schmidt (2011). Fluxo de caixa das atividades operacionais: Venda de mercadorias e serviços (+) Pagamento de fornecedores (-) Salários e encargos sociais dos empregados (-) Dividendos recebidos (+) Impostos e outras despesas legais (+) Recebimento de seguros (+) Caixa líquido das atividades operacionais (+/-) Fluxo de caixa das atividades de investimento: Venda de imobilizado (+) Aquisição de imobilizado (-) Aquisição de outras empresas (-) Caixa líquido das atividades de investimento (+/-) Fluxo de caixa das atividades de financiamento: Empréstimos líquidos tomados (+) Pagamento de leasing (-) Emissão de ações (+) Caixa líquido das atividades de financiamento (+/-) Aumento/diminuição líquido de caixa e equivalente de caixa Caixa e equivalentes de caixa — início do ano Caixa e equivalentes de caixa — final do ano Quadro 1. Modelo DFC pelo método direto Exemplo 1 Uma companhia industrial começou suas atividades em janeiro de 2018 e, ao final desse mês, apresentou o seguinte balanço patrimonial, em reais (Quadro 2): Demonstrações do fluxo de caixa10 Identificação interna do documento Quadro 2. Balanço patrimonial referente ao Exemplo1 Ativo circulante 1.360,00 Caixa e bancos 1.200.000 Estoque 100.000 Duplicatas a receber 60.000 Ativo não circulante 290.000 Investimentos 200.000 Ações de outras empresas 200.000 Imobilizado 90.000 Móveis e utensílios 100.000 (-) Depreciação acumulada (10.000) Total ativo 1.650.000 Passivo circulante 410.000 Fornecedores 110.000 Empréstimos bancários 300.000 Patrimônio líquido 1.240.000 Capital social 1.240.000 Total passivo + patrimônio líquido 1.650.000 Nesse mês, a empresa teve as seguintes operações adicionais: � receita bruta de vendas no valor de R$ 360.000,00; � custo das mercadorias vendidas no valor de R$ 280.000,00; � despesa com salários e encargos de funcionários no valor de R$ 70.000,00. No método direto, são analisadas as movimentações (aumento e dimi- nuição) de caixa e equivalente de caixa. Inicialmente, são consideradas as movimentações que impactaram as atividades operacionais, como recebimento de clientes e pagamento de fornecedores e de salários. A companhia vendeu R$ 360.000,00, porém, esse valor não entrou em caixa, pois há duplicatas a receber no valor de R$ 60.000,00. Para fins de fluxo de caixa, o recebimento de clientes deverá ter exclusão desse valor. Assim, o recebimento de clientes será de R$ 300.000,00 (R$ 360.000,00 − R$ 60.000,00). 11Demonstrações do fluxo de caixa Identificação interna do documento Para cálculo do pagamento de fornecedores, devem ser considerados os custos das mercadorias vendidas, de fornecedores e de estoque. Os dois pri- meiros serão somados, excluindo-se o último, pois o estoque não foi convertido em dinheiro. Assim, o valor será: � Pagamento de fornecedores = Custo das mercadorias vendidas + Fornecedores − Estoque � Pagamento de fornecedores = R$ 280.000,00 + 110.000,00 − R$ 100.000,00 � Pagamento de fornecedores = R$ 290.000,00 Com base nessas informações, o fluxo de caixa das atividades operacionais será: � (+) Recebimento de clientes R$ 300.000,00 � (–) Pagamento de fornecedores (R$ 290.000,00) � (–) Pagamento de salários (R$ 70.000,00) � Caixa consumido pelas atividades operacionais (R$ 60.000,00) O fluxo de caixa das atividades de investimento apresentou a aquisição de móveis e utensílios e de ações de outras empresas: � (–) Aquisição de móveis e utensílios (R$ 100.000,00) � (–) Aquisição de ações de outras empresas (R$ 200.000,00) � Caixa consumido pelas atividades de investimento (R$ 300.000,00) O fluxo de caixa das atividades de financiamento apresentou o impacto da realização do capital social em dinheiro e da aquisição de empréstimo bancário: � (+) Realização do capital social em dinheiro R$ 1.240.000,00 � (+) Aquisição de empréstimo bancário R$ 300.000,00 � Caixa gerado pelas atividades de financiamento R$ 1.540.000,00 Diante das informações acima, a companhia tem a seguinte DFC pelo método direto, em reais (Quadro 3): Demonstrações do fluxo de caixa12 Identificação interna do documento Fluxo de caixa das atividades operacionais (+) Recebimento de clientes (-) Pagamento de fornecedores (-) Pagamento de salários Caixa consumido pelas atividades operacionais 300.000,00 (290.000) (70.000) (60.000) Fluxo de caixa das atividades de investimento (-) Aquisição de móveis e utensílios (-) Aquisição de ações de outras empresas (100.000) (200.000) Caixa consumido pelas atividades de investimento (300.000) Fluxo de caixa das atividades de financiamento (+) Realização de capital social em dinheiro (+) Aquisição de empréstimo bancário 1.240.000 300.000 Caixa gerado pelas atividades de financiamento 1.540.000 Aumento líquido de caixa e equivalentes de caixa 1.180.000 Saldo inicial de caixa e equivalentes de caixa — Saldo final de caixa e equivalentes de caixa 1.180.000 Variação de caixa e equivalentes de caixa 1.180.000 Quadro 3. DFC pelo método direto referente ao Exemplo 1 Método indireto Há reconciliação entre o lucro líquido e o caixa gerado pelas operações. Para isso, deve-se ajustar o lucro líquido aos efeitos dos eventos que não afetaram o caixa do exercício, como: � mudanças ocorridas no período nos estoques e nas contas a pagar e a receber; � itens que não impactam caixa, como depreciação, provisão, impostos diferidos, variações cambiais não realizadas, resultado de equivalência patrimonial em investimentos e participação de minoritários, quando existir; � todos os outros itens cujos efeitos sobre o caixa sejam fluxos de caixa decorrentes das atividades de investimento ou de financiamento. Após a reconciliação, são analisadas as variações ocorridas nas contas do ativo circulante e do passivo circulante. Dessa maneira, de acordo com Santos 13Demonstrações do fluxo de caixa Identificação interna do documento e Schmidt (2011), é possível verificar o quanto do lucro líquido do exercício (aspecto econômico) efetivamente gerou impacto no caixa (aspecto financeiro). No Quadro 4, pode-se visualizar o modelo de DFC pelo método indireto. Fonte: Adaptado de Santos e Schmidt (2011). Fluxo de caixa das atividades operacionais: Lucro líquido Depreciação e amortização (+) Provisão para devedores duvidosos (+) Aumento/diminuição em fornecedores (+/-) Aumento/diminuição em contas a receber (+/-) Aumento/diminuição em estoques (+/-) Caixa líquido das atividades operacionais (+/-) Fluxo de caixa das atividades de investimento: Venda de imobilizado (+) Aquisição de imobilizado (-) Aquisição de outras empresas (-) Caixa líquido das atividades operacionais (+/-) Fluxo de caixa das atividades de financiamento: Empréstimos líquidos tomados (+) Pagamento de leasing (-) Emissão de ações (+) Caixa líquido das atividades de financiamento (+/-) Aumento/diminuição líquido de caixa e equivalente de caixa Caixa e equivalentes de caixa — início do ano Caixa e equivalentes de caixa — final do ano Quadro 4. Modelo DFC pelo método indireto O método indireto permite aos usuários das demonstrações contábeis a avaliação da parte do lucro que está se transformando em caixa a cada período e a identificação dos itens que são responsáveis pela geração e pelo consumo de caixa. Apesar de ambos os métodos serem aceitos, a DFC pelo método indireto é mais utilizada pelas empresas no Brasil. Demonstrações do fluxo de caixa14 Identificação interna do documento Exemplo 2 Uma companhia industrial apresentou o seguinte balanço patrimonial em 31 de dezembro de 2018 (Quadro 5): 31/12/2018 31/12/2017 Variação Ativo circulante 45.900 46.900 (1.000) Caixa 2.900 5.900 (3.000) Bancos Conta Movimento 4.000 5.000 (1.000) Estoque 18.000 16.000 2.000 Duplicatas a receber 21.000 20.000 1.000 Ativo não circulante 48.000 42.000 6.000 Investimentos 34.000 28.000 6.000 Investimentos avaliados por equivalência patrimonial 34.000 28.000 6.000 Imobilizado 14.000 14.000 0 Máquinas e equipamentos 18.000 16.000 2.000 (-) Depreciação acumulada (4.000) (2.000) (2.000) Total ativo 93.900 88.900 5.000 Passivo circulante 47.060 48.000 (940) Fornecedores 24.000 48.000 (24.000) Empréstimos bancários 20.000 — 20.000 Imposto a recolher 3.060 — 3.060 Patrimônio líquido 46.840 40.900 5.940 Capital social 38.000 32.000 6.000 Reservas de lucros 8.840 8.900 (60) Total passivo + patrimônio líquido 93.900 88.900 5.000 Quadro 5. Balanço patrimonial referente ao Exemplo 2 15Demonstrações do fluxo de caixa Identificação interna do documento 31/12/2018 Receita bruta 78.000 (-) Custo das mercadorias vendidas (52.000) (+) Resultado bruto 26.000 (-) Despesas com depreciação (2.000) (-) Despesas com pessoal (14.000) (-) Despesas com aluguel (7.000) (+) Receita com equivalência patrimonial 6.000 + Resultado antes do Imposto de Renda (IR) e da Contribuição Social (CSLL) 9.000 (-) Despesa com IR e CSLL (3.060) (+) Lucro líquido do exercício 5.940 É importante ressaltar os seguintes eventos: � o empréstimo bancário foi contratado em 31 de dezembro de 2018; � o aumento de capital foi realizado com reserva de lucros; � IR e CSLL a recolher foram considerados como atividadeoperacional. No método indireto, é preciso começar pela reconciliação do lucro líquido do exercício, com movimentações que não afetaram o caixa da empresa. Pode-se perceber, por meio da DRE, que somente depreciação e receita de equivalência patrimonial não impactaram caixa e equivalente de caixa. Assim, tem-se: � Lucro líquido do exercício R$ 5.940,00 � (+) Depreciação R$ 2.000,00 � (–) Receita de equivalência patrimonial (R$ 6.000,00) Além disso, por meio do balanço patrimonial, pode-se notar as seguintes movimentações que impactam o fluxo de caixa das atividades operacionais: redução de fornecedores e aumento de clientes, de estoques e de impostos a recolher. Portanto, o fluxo de caixa das atividades operacionais pode ser demonstrado da seguinte forma: Demonstrações do fluxo de caixa16 Identificação interna do documento � Lucro líquido do exercício R$ 5.940,00 � (+) Depreciação R$ 2.000,00 � (–) Receita de equivalência patrimonial (R$ 6.000,00) � (–) Aumento de clientes (R$ 1.000,00) � (–) Aumento de estoques (R$ 2.000,00) � (–) Redução de fornecedores (R$ 24.000,00) � (+) Aumento de impostos a recolher R$ 3.060,00 � Caixa consumido pelas atividades operacionais (R$ 22.000,00) No fluxo de caixa das atividades de investimentos, é possível visualizar que houve compra de máquinas e equipamentos (aumento do imobilizado no balanço patrimonial). Com isso, tem-se: � (–) Aquisição de máquinas e equipamentos (R$ 2.000,00) � Caixa consumido pelas atividades de investimento (R$ 2.000,00) No fluxo de caixa das atividades de financiamento, nota-se que a empresa adquiriu empréstimo bancário no valor de R$ 20.000,00: � (+) Aquisição de empréstimo bancário R$ 20.000,00 � Caixa gerado pelas atividades de financiamento R$ 20.000,00 Com base nessas informações, tem-se a seguinte DFC pelo método indireto (Quadro 6): Fluxo de caixa das atividades operacionais Lucro líquido 5.940,00 (+) Depreciação 2.000,00 (-) Receita de equivalência patrimonial (6.000,00) (-) Aumento de clientes (1.000,00) (-) Aumento de estoques (2.000,00) (-) Redução de fornecedores (24.000,00) (+) Aumento impostos a recolher 3.060,00 Quadro 6. DFC pelo método indireto referente ao Exemplo 2 (Continua) 17Demonstrações do fluxo de caixa Identificação interna do documento Percebe-se que há uma diminuição líquida de caixa e equivalentes de caixa no valor de R$ 4.000,00. Vale lembrar que esse valor corresponde à variação do caixa e equivalentes de caixa encontrada no balanço patrimonial (R$ 4.000,00). ALMEIDA, M. C. Contabilidade intermediária em IFRS e CPC. São Paulo: Atlas, 2018. BORINELLI, M. L.; PIMENTEL, R. C. Contabilidade para gestores, analistas e outros pro- fissionais: de acordo com os pronunciamentos do CPC e IFRS. São Paulo: Atlas, 2017. BRASIL. Lei no. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Diário Oficial da União, 17 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/leis/l6404consol.htm. Acesso em: 14 ago. 2019. BRASIL. Lei no. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de de- monstrações financeiras. Diário Oficial da União, 28 dez. 2007. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm. Acesso em: 14 ago. 2019. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 03 (R2): demonstração dos fluxos de caixa. 2010. Disponível em: http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/ Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=34. Acesso em: 14 ago. 2019. SANTOS, J. L.; SHMIDT, P. Contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2011. Caixa consumido pelas atividades operacionais 22.000,00 Fluxo de caixa das atividades de investimento (-) Aquisição de empréstimo bancário (2.000,00) Caixa gerado pelas atividades de investimento (2.000,00) Fluxo de caixa das atividades de financiamento (-) Aquisição de empréstimo bancário 20.000,00 Caixa gerado pelas atividades de financiamento 20.000,00 Diminuição líquida de caixa e equivalentes de caixa (4.000,00) Quadro 6. DFC pelo método indireto referente ao Exemplo 2 (Continuação) Demonstrações do fluxo de caixa18 Identificação interna do documento http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=34 http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=34 Identificação interna do documento Identificação interna do documento Identificação interna do documento Identificação interna do documento Nome do arquivo: C11_Demonstracoes_fluxo_caixa_FINAL_202306211153193964350. pdf Data de vinculação à solicitação: 21/06/2023 11:53 Aplicativo: 671116 CONTABILIDADE SOCIOAMBIENTAL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Descrever os critérios de elaboração da Demonstração do Valor Adicionado. > Elaborar uma Demonstração do Valor Adicionado. > Analisar as informações da Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social. Introdução A distribuição da riqueza gerada pelas empresas a partir das suas operações passou a ser apresentada mais claramente pela Demonstração do Valor Adicionado (DVA), uma demonstração contábil que tem como objetivo demonstrar a riqueza gerada pela empresa e distribuída para a sociedade em que está inserida. Neste capítulo, você vai conhecer as principais normas contábeis que versam sobre as regras de elaboração da DVA e as informações contidas nessa demons- tração por meio de uma lente socioambiental. Além disso, verá um exemplo de duas empresas para compreender na prática como as empresas estão realizando a divulgação do valor adicionado. Conceitos e critérios da DVA Iniciamos o estudo da DVA com algumas definições e conceitos legais impor- tantes. Segundo a Lei das Sociedades por Ações (LSA), a DVA será obrigatória Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social Ronaldo Akiyoshi Nagai apenas para as companhias abertas (BRASIL, 1976, documento on-line, grifo nosso): Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I - balanço patrimonial; II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III - demonstração do resultado do exercício; e IV – demonstração dos fluxos de caixa; e V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado (incluído pela Lei 11.638/07). Outro ponto importante diz respeito à introdução do demonstrativo no escopo da LSA. Por meio da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, a DVA é inclusa no rol das demonstrações obrigatórias, em linha com os principais movimentos da harmonização das normas contábeis brasileiras (BRGAAP) com as normas internacionais (IFRS) e com o crescimento da importância do balanço social, impulsionado pela demanda da sociedade civil organizada. Tendo em vista que a DVA evidencia a geração de riqueza e seu efeito para a sociedade, o demonstrativo se tornou um elemento importante que compõe os relatórios de responsabilidade social das empresas. O formato da demonstração não é explicitado na LSA, mas o art. 188 determina o conteúdo mínimo que deverá ser apresentado (BRASIL, 1976, documento on-line): Art. 188. As demonstrações referidas nos incisos IV e V do caput do art. 176 desta Lei indicarão, no mínimo: [...] II – demonstração do valor adicionado – o valor da riqueza gerada pela companhia, a sua distribuição entre os elementos que contribuíram para a geração dessa riqueza, tais como empregados, financiadores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela da riqueza não distribuída. A literalidade do referido artigo já nos fornece indícios importantes acerca do objetivo da DVA, o qual demonstra o valor de riqueza gerada pela compa- nhia e a sua distribuição entre algumas daspartes interessadas envolvidas no cotidiano e contexto das organizações. Tais matérias ficam reservadas aos diplomas infralegais e/ou complementares, tais como o pronunciamento contábil CPC 09 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis e a norma NBC TG 09. O CPC 09, além de estabelecer os critérios de elaboração e apresentação do DVA, fornece algumas definições importantes. Por exemplo, o valor adicio- Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social2 nado representa a riqueza criada pela empresa, de forma geral medida pela diferença entre o valor das vendas e os insumos adquiridos de terceiros. O CPC 09 também inclui o valor adicionado recebido em transferência, ou seja, produzido por terceiros e transferido à entidade (COMITÊ DE PRONUNCIAMEN- TOS CONTÁBEIS, 2008). E, de acordo com o item 10 do CPC 09, os conceitos macroeconômicos são a base da DVA, pois pode-se dizer que a técnica de elaboração dessa demonstração nos permite aferir a contribuição que uma organização teria na formação do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Já para algumas partes interessadas, como acionistas, credores, forne- cedores e colaboradores da organização, a DVA permite o conhecimento de informações de natureza econômica e social e a avaliação do papel que uma organização desempenha (ou tem o potencial de desempenhar) em uma comunidade, servindo como instrumento de grande utilidade pela sociedade. A DVA traz dados que transpassam as divulgações de vendas e lucros, sendo um dos pilares do Balanço Social divulgado pelas companhias. Veja a seguir as contribuições da DVA. � Capacidade de geração do valor de cada organização e forma em que são distribuídas entre os atores da sociedade. � Fornecimento de dados e informações para suportar ou contribuir para o cálculo do PIB, bem como de indicadores econômico-sociais. � Fornecimento de dados da contribuição de desenvolvimento social de um município, região ou comunidade. Em um contexto no qual a geração de valor agregado é primordial na tomada de decisões para a implantação ou continuidade de um negócio, a DVA seria, em tese, a demonstração ideal para que a contabilidade pudesse cumprir a sua função social. Imagine que você seja um administrador público de um município de médio porte no interior de seu estado. Então, recebe o pedido de isenção fiscal de duas empresas que pretendem se instalar em sua cidade e são apresentadas a você e sua equipe nas reuniões com os representantes as informações do projeto, o plano de crescimento, o balanço patrimonial, os dados financeiros atuais, entre tantas outras informações. Ambas as empresas parecem sólidas do ponto de vista financeiro e têm projetos de interesse para o município. Podemos nos perguntar se o balanço social — e nele incluso a DVA — poderia nos dar mais informações sobre qual empresa tem, de fato, contribuído mais com o recolhimento de tributos, distribuição da riqueza para os empregados (e, logo, para a população local que será empregada nesse novo empreendimento). Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social 3 Veja como a DVA poderia servir como o critério de desempate na avaliação das empresas para a concessão de benefícios municipais, pois, por meio dela, o administrador público pode verificar facilmente o valor adicionado para cada parte interessada (acionistas, funcionários, governo, etc.). Além disso, em um cenário ideal, por que não pensarmos que a DVA poderia ser o principal critério na avaliação para o estabelecimento de novos negócios em determinada região? Afinal, os benefícios que uma organização pode trazer vão além das “últimas linhas” do lucro líquido em uma Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), estando relacionadas ao potencial de geração de riqueza e desenvolvimento socioeconômico daquela comunidade. Elaboração da DVA Para compreendermos a forma de elaboração da DVA, será dividido o demons- trativo em dois grandes blocos de informações: o da “formação da riqueza” e o da “distribuição da riqueza” da entidade, os quais, por sua vez, serão subdivididos em outras categorias de acordo com a origem dessa riqueza e o destino dado à riqueza gerada. DVA: formação da riqueza Genericamente, pode-se segregar a formação da riqueza em dois subgru- pos: a gerada pela própria entidade e a recebida de terceiros. A primeira é o resultado das vendas de mercadorias, produtos e serviços descontados os insumos adquiridos de terceiros. Perceba que tanto as vendas como as compras de insumos são aferidos pelos valores brutos, ou seja, incluídos os tributos (PIS, Cofins, ICMS, IPI, ISS). A prática é coerente com o propósito da demonstração, pois a DVA evidencia mais adiante a parcela da riqueza gerada pela entidade distribuída ao governo na forma dos tributos. A DVA busca em sua elaboração informações de outros demonstrativos e relatórios da contabilidade, portanto, além da riqueza gerada a partir das suas atividades corriqueiras da empresa (como receita com vendas e prestação de serviços), há a necessidade de serem considerados eventuais saldos de ajustes reconhecidos contabilmente pela entidade, os quais impactam o resultado do período em análise. Segundo o CPC 09, as perdas e a recuperação de valores ativos (ajustes a valor presente de estoques, carteira de contas a receber e dos ativos imobilizados, reversões de provisão e perdas por impairment, etc.), as depreciações, as amortizações, as exaustões, as provisões para créditos de liquidação duvidosa (PCLD, conhecido também como provisões Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social4 para devedores duvidosos — PDD), bem como outras receitas que não são fruto de atividade regular da empresa devem ser considerados na aferição da riqueza formada pela entidade. No caso específico da depreciação, amorti- zação e exaustão, serão denominados de “retenções” e posicionados abaixo do valor adicionado bruto (conforme demonstrado no item 4 do Quadro 1). Assim, pode-se resumir e esquematizar a formação da riqueza da entidade nos blocos de informações apresentados no Quadro 1. Quadro 1. Estrutura da DVA e valor adicionado líquido Descrição Saldo contábil X0 Saldo contábil X1 1. Receitas 1.1. Vendas de mercadorias, produtos e serviços (incluídos os valores dos tributos) 1.2. Outras receitas 1.3. Provisão para créditos de liquidação duvidosos 2. Insumos adquiridos de terceiros 2.1. Custos das mercadorias, produtos e serviços (incluídos os valores dos tributos) 2.2. Energia, água, luz, serviços tomados de terceiros, etc. 2.3. Perda, recuperação de valores ativos 2.4. Outros 3. Valor adicionado bruto (1. – 2.) 4. Retenções (depreciações, amortizações e exaustões) 5. Valor adicionado líquido (3. – 4.) A segunda parte da formação da riqueza é representada pelos valores ad- quiridos de terceiros, que são os de bens e serviços que a empresa utiliza para Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social 5 produzir suas receitas operacionais, como custo das mercadorias vendidas, materiais, energia ou serviços de terceiros, entre outros. Na sequência desse rol de geração de riqueza, encontra-se o valor adicionado recebido em trans- ferência (item 6 do Quadro 2), composto pelas receitas de juros, resultados de equivalência patrimonial (podendo representar saldos positivos e negativos, dependendo do resultado aferido nas empresas coligadas e controladas) e outras receitas advindas, como, por exemplo, aluguéis recebidos, dividendos (quando o investimento é avaliado ao custo), direitos de franquia, entre outros (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2008). Os valores recebidos em transferência são somados ao valor adicionado líquido, resultando no valor adicionado a distribuir (Quadro 2). Quadro 2. Estrutura da DVA e valor adicionado a distribuir Descrição Saldo contábil X0 Saldo contábil X1 1. Receitas 1.1. Vendas de mercadorias, produtos e serviços (incluídos os valores dos tributos) 1.2. Outras receitas 1.3. Provisão para créditos deliquidação duvidosos 2. Insumos adquiridos de terceiros 2.1. Custos das mercadorias, produtos e serviços (incluídos os valores dos tributos) 2.2. Energia, água, luz, serviços tomados de terceiros, etc. 2.3. Perda, recuperação de valores ativos 2.4. Outras 3. Valor adicionado bruto (1. – 2.) 4. Retenções (depreciações, amortizações e exaustões) Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social6 5. Valor adicionado líquido (3. – 4.) 6. Valor adicionado recebido em transferência 6.1. Resultado de equivalência patrimonial 6.2. Receitas financeiras 6.3. Outras receitas 7. Valor adicionado a distribuir (5. + 6.) O “valor adicionado a distribuir” apurado no item 7 do Quadro 2 repre- senta a riqueza gerada, que é a “contribuição ao PIB” que essa entidade está proporcionando. Perceba que a elaboração desse bloco de informações na DVA não é complexa, mas é preciso apenas ter cuidado com as linhas de vendas e aquisição de insumos e demais custos, os quais devem sempre ser reconhecidos pelos seus saldos brutos (incluídos os tributos), pois estes serão distribuídos no segundo bloco de informações da DVA. Às receitas de venda e aos custos de mercadorias, produtos e ser- viços, bem como aos demais insumos (energia, água, luz, serviços tomados) devem ser reconhecidos incluídos os tributos. Isso difere de como é apresentado na DRE, na qual são deduzidos os tributos incidentes sobre vendas ou prestação de serviços. Para a elaboração da DVA, é necessário conhecer alguns conceitos contábeis relacionados a outros pronunciamentos contábeis divul- gados pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Veja a seguir alguns conceitos citados ao longo desta seção. � CPC 01: redução ao valor recuperável de ativos. O imparment test citado no item 2.3 dos Quadros 1 e 2. � CPC 12: ajuste ao valor presente. Assim como no impairment test, serão re- gistrados no item 2.3 dos Quadros 1 e 2. � CPC 18: investimento em coligada, em controlada e em empreendimento controlado em conjunto. Traz normas relevantes para compreender a equi- Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social 7 valência patrimonial (item 6.1 do Quadro 2) e a receita de dividendos quando o investimento é avaliado pelo método de custo (item 6.3 do Quadro 2). Acesse a categoria “Documentos emitidos” no site do Comitê de Pronuncia- mentos Contábeis para saber mais. DVA: distribuição da riqueza Na seção anterior você viu como e em quais montantes a entidade gera riqueza. Veja agora a distribuição desse valor entre todas as partes relacionadas à entidade. Inicialmente, será delimitada a distribuição da riqueza gerada em quatro “grupos de destinatários”, apresentados a seguir. 1. Pessoal: são os valores destinados aos colaboradores da entidade, reconhecidos no resultado da empresa na forma de remuneração direta, benefícios e FGTS pagos aos funcionários. Neste grupo, são consolidados os valores pagos a título de salário, gratificação nata- lina, hora extra, vale-alimentação, assistência médica, auxílio-creche, benefícios educacionais diversos, transporte e remuneração variável, como participação nos lucros, bônus, comissões, entre outros. 2. Impostos, taxas e contribuições: valores destinados ao Estado (go- verno) reconhecidos no resultado da empresa na forma de impostos e contribuições pagas (IRPJ, CSLL), contribuições previdenciárias (de responsabilidade do empregador, ou seja, o INSS patronal) e demais encargos. Em relação aos tributos sobre produção, circulação de mer- cadorias e prestação de serviços como ICMS, IPI, PIS, Cofins e ISS, deve-se reconhecer somente a parcela efetivamente recolhida, que, nos casos dos tributos não-cumulativos, é a diferença entre os créditos e débitos apurados pela empresa. Os impostos, taxas e contribuições são apresentados conforme o ente da federação destinatário dos tributos: ■ federal — referente aos tributos devidos à União, como IRPJ, CSLL, CIDE, PIS, Cofins, IOF, ITR; ■ estadual — referente aos tributos devidos ao Estado, como ICMS, IPVA, ITCMD; ■ municipal — referente aos tributos devidos ao município, como ISS, IPTU, ITBI. Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social8 3. Remuneração de capitais de terceiros: valores pagos na forma de remuneração do capital de terceiros que compreendem os juros, alu- guéis e outros valores, como royalties, franquias, direitos autorais, etc. 4. Remuneração de capital próprio: referem-se aos valores pagos na forma de remuneração de capital dos próprios acionistas da entidade, compreendendo os juros sobre capital próprio e dividendos, além da parcela retida na própria entidade. Os tributos não-cumulativos (sob a sistemática de apuração de créditos na compra de insumos e de débitos na realização das ven- das) devem ser registrados pelos valores líquidos, ou seja, representando os montantes efetivamente recolhidos ao Estado. Caso haja dúvidas em relação à alocação dos impostos, taxas e contribuições em cada ente federativo durante a preparação dessa parte da DVA, você poderá checar os seguintes dispositivos da Constituição Federal de 1988. � Art. 153: impostos, taxas e contribuições de competência da União. � Art. 155: impostos, taxas e contribuições de competência dos Estados e do Distrito Federal. � Art. 156: impostos, taxas e contribuições de competência dos municípios. Tem-se, então, a seguinte estrutura neste bloco que chamamos de “dis- tribuição da riqueza”, apresentada no Quadro 3. Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social 9 Quadro 3. Estrutura da DVA e distribuição do valor adicionado Descrição Saldo contábil X0 Saldo contábil X1 8. Valor adicionado a distribuir 8.1. Pessoal 8.1.1. Remuneração direta 8.1.2. Benefícios 8.1.3. FGTS 8.2. Impostos, taxas e contribuições 8.2.1. Federais 8.2.2. Estaduais 8.2.3. Municipais 8.3. Remuneração de capitais de terceiros 8.3.1. Juros 8.3.2. Aluguéis 8.3.3. Outros 8.4. Remuneração de capitas próprios 8.4.1. Juros sobre capital próprio (JCP) 8.4.2. Dividendos 8.4.3. Lucros retidos e prejuízos do exercício Os grupos apresentados no Quadro 3, tanto na geração de riqueza como na sua distribuição da riqueza gerada, foram estruturados com base no CPC 09 e representam o mínimo de abertura e evidenciação requerido pelo pronunciamento. A estrutura, contudo, não é rígida, e subgrupos ou classi- ficações adicionais poderão ser propostos a depender da necessidade de transparência da divulgação do setor ou atividade. Por exemplo, o próprio CPC 09 apresenta um modelo específico para instituições financeiras em Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social10 que, no bloco de informações referentes à geração de riqueza, adiciona a linha denominada “Despesa de intermediação financeira”, relevante para a atividade dessas instituições. Da mesma forma, no caso das instituições de seguro e previdência, há a necessidade de evidenciação da variação das chamadas “Provisões técnicas”, típicas das operações de seguro. DVA sob o enfoque social Vimos que a DVA possui papel relevante na evidenciação da riqueza adicionada por uma entidade na sociedade em que está inserida. Tal fato é corroborado pela NBC T 15, que inclui a DVA no rol de informações a serem divulgadas no Balanço Social (CFC, 2004). O Item 15.1.2 da norma define “as informações de natureza social e ambiental a geração de riqueza; os recursos humanos; a interação da entidade com o ambiente externo; e a interação com o meio ambiente. A gera- ção de riqueza, por sua vez, deve ser apresentada conforme a Demonstração de Valor Adicionado [...]” (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE, 2004, p. 3). A seguir, você verá de forma prática como empresas que são referências na divulgação do Balanço Social tratam e apresentam a DVA no seu conjunto de informações disponibilizadas à sociedade. Para este exemplo, serão uti- lizadas as demonstrações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento (MAPA) (Figura 1). Figura 1. DVA da Embrapa 2019. Fonte: Adaptada de Embrapa (2019). Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social 11 A DVA do exercício de 2019 apurou um valor adicionado total a distribuir o montante de R$ 3,2 bilhões, dos quais quase a totalidade foi aplicada na remuneração direta de pessoal e pagamento de benefícios. O mesmo cenário se repetiu em 2018. É interessante analisar esse exemplo, pois o valor adi- cionado disponível para distribuição é menor do que o valor distribuído ao pessoal. Veja que a Embrapa aferiu prejuízo nos exercícios de 2018 e 2019, o que não significa que ela deixou de cumprir o seu papel social e o seu objetivo como empresa estratégica de pesquisa no âmbito da administração pública federal e, para tanto, conta com um corpo técnico altamente especializado de técnicos e pesquisadores. Apesar do prejuízo financeiro, a Embrapa teve resultados expressivos em termos de pesquisa, apresentado no Balanço Social como “tecnologias transferidas à sociedade”. Para cada R$ 1 aplicado pela Embrapa (por exemplo, nos salários, como visto na Figura 1), há um retorno de aproximadamente R$ 12,29 em benefícios transferidos à sociedade em forma de pesquisa, melhoria da tecnologia no campo, treinamentos e capacitações. Volta-se, então, à questão proposta no início deste capítulo: uma organização deve ser avaliada estritamente pela lente do lucro econômico-financeiro? Veja a importância da DVA no contexto do balanço social no caso da empresa Petrobras (Figura 2). Figura 2. DVA da Petrobras para 2019. Fonte: Petrobras (2020, p. 8). Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social12 A Petrobras assume o protagonismo na economia brasileira. Segundo Bicalho e Tavares (2014), a participação do setor de óleo e gás no PIB brasi- leiro é estimado em 13%. Além disso, estima-se que uma queda de 10% dos investimentos na Petrobras pode representar de -0,1 a -0,5% no PIB brasileiro. Diferente do caso da Embrapa, os tributos representam a maior fatia da destinação da riqueza gerada pela Petrobras (48% em 2019, e 47% em 2018), seguido das instituições financeiras e fornecedores (19% em 2019, e 24% em 2018), representados pelo pagamento de juros às instituições financeiras, além de aluguéis e arrendamentos. Considerando a relevância da companhia na economia brasileira, como apresentado anteriormente, pode-se imaginar a perda de arrecadação tributária que a União, os Estados e os municípios poderiam registrar no caso de a Petrobras passar por um período de resul- tados ruins? Como consequência, de que maneira essas perdas potenciais de arrecadação dos entes da federação poderiam impactar o financiamento dos programas sociais e das operações cotidianas dos entes? Alguns municípios, por exemplo, possuem grande dependência das opera- ções da Petrobras, em termos de arrecadação tributária ou na movimentação da economia, pelo consumo de produtos e serviços da região, ou contratando a população local (gerando empregos diretos e indiretos, o que também po- tencializa o consumo de produtos e serviços do município). Veja como a DVA pode ajudar a visualizar tais informações e, caso fosse possível a elaboração da DVA de forma regionalizada, tal como sugerida pelo CPC 09 em seu item 13: “A DVA elaborada por segmento (tipo de clientes, atividades, produtos, área geográfica e outros) pode representar informações ainda mais valiosas no auxílio da formulação de predições e, enquanto não houver um pronun- ciamento específico do CPC sobre segmentos, sua divulgação é incentivada” (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2008, p. 3). Seria possível elaborar, por exemplo, um mapa de dependência e vulnerabilidades dos municípios e comunidades e, dessa forma, atuarmos junto aos municípios para que diversifiquem as suas fontes de receita? Estas são questões importantes que podem ser levantadas pela DVA sob o enfoque social, e este é um campo a ser explorado pela contabilidade. Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social 13 De acordo com reportagem de Nunes (2020), cidades como Macaé, Campos dos Goytacazes e Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, so- frem os impactos da Covid-19 e a redução das atividades da Petrobras após a reestruturação que a empresa vem sofrendo. As demonstrações financeiras, relatórios anuais e demais demonstrativos preparados pela empresa dificilmente apontariam tais consequências sociais nos municípios e regiões em que atuam da forma como a DVA pode apontar. Levanta-se a questão se os Balanços Sociais, neles inclusa a DVA de forma regionalizada poderiam melhorar o diagnóstico desse fenômeno? A obrigatoriedade da DVA ainda é recente para as companhias de capital aberto e, portanto, não abrange todas as entidades brasileiras. Espera-se, contudo, que a DVA possa contribuir substancialmente para a elaboração de políticas públicas em todos os níveis da federação. Espera-se ela seja cada vez mais utilizada nos relatórios socioambientais das empresas não apenas por obrigação, mas também pelo intuito de divulgar esse demonstrativo, pois a DVA tem muito a contribuir para a tomada de decisão e divulgação de informações de interesse à sociedade. Referências BICALHO, R.; TAVARES, F. B. Impactos do setor de petróleo na economia brasileira: grandes números do setor de petróleo e gás. Rio de Janeiro: Grupo de Economia de Energia, Instituto de Economia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2014. 35 p. BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília: Presidência da República, 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/l6404compilada.htm. Acesso em: 15 dez. 2020. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico CPC 09: demons- tração do valor adicionado. Brasília: CFC, 2008. 17 p. Disponível em: http://static.cpc. aatb.com.br/Documentos/175_CPC_09_rev%2014.pdf. Acesso em: 15 dez. 2020. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução nº 1.003, de 19 de agosto de 2004. Aprova a NBC T 15 – Informações de natureza social e ambiental. Brasília: CFC, 2004. 8 p. Disponível em: https://www1.cfc.org.br/sisweb/sre/docs/RES_1003.doc. Acesso em: 15 dez. 2020. EMBRAPA. Acesso à informação | Demonstrações contábeis. Embrapa, Brasília, 2019. Dis- ponível em: https://www.embrapa.br/acessoainformacao/demonstracoes-contabeis. Acesso em: 15 dez. 2020. NUNES, F. Cidades do petróleo têm nova onda de dificuldades. CNN Brasil, São Paulo, 2 nov. 2020. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/business/2020/11/02/cidades- -do-petroleo-tem-nova-onda-de-dificuldades. Acesso em: 15 dez. 2020. PETROBRAS. Demonstrações Financeiras 2019. Rio de Janeiro: Petrobras, 2019. 163 p. Disponível em: https://www.investidorpetrobras.com.br/resultados-e-comunicados/ central-de-resultados/. Acesso em: 15 dez. 2020. Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social14 Leituras recomendadas BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Presidência da República, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 15 dez. 2020. BRASIL. Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divul- gação de demonstrações financeiras. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm. Acesso em: 15 dez. 2020. DOCUMENTOS Emitidos: Pronunciamentos. Comitê de Pronunciamentos Contábeis, Brasília, 2019. Disponível em: http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pro- nunciamentos. Acesso em: 15 dez. 2020. IUDÍCIBUS, S. Análise de balanços. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2017. 280 p. Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto,a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Demonstração do Valor Adicionado sob o enfoque social 15 GESTÃO DE CUSTOS INDUSTRIAIS Gustavo Antoni Índices de endividamento, de rotação, de rentabilidade e de lucratividade Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Listar os principais índices de endividamento, rotação, rentabilidade e lucratividade. � Identificar o endividamento de uma empresa baseado nos relatórios contábeis. � Apurar os índices de rentabilidade e de lucratividade de uma empresa. Introdução A análise da saúde financeira de uma empresa inicia pela avaliação dos demonstrativos contábeis. A tomada de decisão gerencial precisa de informações que vão além dos dados obtidos diretamente dos relatórios. Para obter informações sólidas e relevantes, é necessário saber quais dados precisam ser analisados, de acordo com a visão que se deseja obter. Esses dados analisados de forma mais minuciosa formam índices de desempenho. Os índices podem informar sobre o endividamento da empresa, ou como os recursos e o capital giram nas atividades operacionais. Podem também fornecer informações fundamentais para o sócios, investidores e acionistas da empresa, como a rentabilidade e a lucratividade. Este texto aborda a análise de índices de endividamento, rotação, rentabilidade e lucratividade de uma empresa, sendo que tal análise é feita com base nos dados dos demonstrativos contábeis. Índices de endividamento Os índices de endividamento revelam o grau de endividamento da empresa. A análise desse indicador pode mostrar a política de obtenção de recursos da empresa, isto é, podemos avaliar se a empresa financia o seu ativo com recursos próprios ou de terceiros e em que proporção (TÉLES, 2003). Continue a leitura para conhecer os índices de endividamento geral (EG) e de composição do endividamento (CE), os quais são determinados a partir de dados extraídos do balanço patrimonial. Índice de endividamento geral O índice de endividamento geral (EG) é calculado dividindo-se a soma do passivo circulante (PC) e do passivo não circulante (PNC) pelo ativo total da empresa e multiplicando o valor por 100, para obtenção do valor percentual. Confira a equação: Segundo Limeira et al. (2012), este índice demonstra o grau de endivi- damento de uma empresa, ou seja, identifica se a empresa depende mais do capital próprio ou do capital de terceiros para financiar o seu ativo. Quanto maior o valor do EG, maior é a dependência de empréstimos ou capital de terceiros, logo, maior é o risco oferecido aos bancos na concessão de créditos. Composição do endividamento O índice de composição do endividamento (CE) é calculado dividindo-se o valor do passivo circulante (PC) pela soma do passivo circulante e não circulante (PNC), multiplicando-se o valor por 100, para obtenção do valor percentual. Confira a equação: O índice da composição do endividamento mostra a política adotada pela empresa para captação de recursos de terceiros, ou seja, se a empresa forma sua dívida com maior porcentagem no curto prazo ou no longo prazo. Se a maior parte das dívidas for de curto prazo, maior é o risco que a empresa oferece aos seus credores. Se as dívidas tiverem perfil predominante de longo Gestão de custos industriais148 prazo, a empresa tem uma situação mais confortável, o que indica uma boa política de captação de recursos (LIMEIRA et al., 2012). Para saber mais sobre índices de endi- vidamento, leia o texto Como calcular o índice de endividamento da sua empresa, disponível em: https://goo.gl/ukIC4J Índices de rotação Os índices de rotação, também conhecidos como indicadores de prazo médio, demonstram quanto tempo algumas verbas do patrimônio levam para girar durante o exercício (LIMEIRA et al., 2012). A análise dos prazos médios permite conhecer a estratégia de compra e venda da empresa e analisar se os recursos estão sendo bem administrados. Confira a gora o que são o prazo médio de compras (PMC), o prazo médio de estoques (PME) e o prazo médio de recebimentos (PMR). Prazo médio de compras O prazo médio de compras (PMC) é calculado dividindo-se o valor da conta “Fornecedores” do balanço patrimonial pelo montante de compras, e multiplicando o valor por 360, para obtenção do prazo em dias, como mostra a equação a seguir. Este índice também é conhecido por prazo médio de pagamento e de- monstra qual o tempo médio que a empresa leva para pagar seus fornecedores em função de compras de matérias-primas ou mercadorias. Quanto maior o valor do PMC, melhor será a situação da empresa, pois estará financiando seu giro com recursos de longo prazo e menos onerosos (LIMEIRA et al., 2012). 149Índices de endividamento, de rotação, de rentabilidade e de lucratividade Prazo médio de estoques O prazo médio de estoques (PME) é calculado dividindo-se o valor da conta “Estoques” do balanço patrimonial pelo custo das mercadorias vendidas obtido na DRE, e multiplicando o valor por 360, para obtenção do prazo em dias. Confira a equação: O PME mostra quantos dias a empresa leva para girar seus estoques, em função das vendas, e qual o prazo médio entre a compra e a venda de mercadorias. Prazo médio de recebimentos O prazo médio de recebimentos (PMR) é calculado dividindo-se o valor da conta “Clientes” do balanço patrimonial pela receita líquida obtida na DRE, e multiplicando o valor por 360, para obtenção do prazo em dias. Veja na equação a seguir: O PMR evidencia o tempo que a empresa leva para receber dos seus clien- tes. Quanto menor for este tempo, melhor para a empresa, pois os recursos de clientes reduzem a necessidade de capital de giro, podendo gerar até uma folga no caixa (LIMEIRA et al., 2012). Índices de rentabilidade Os índices de rentabilidade têm por objetivo avaliar a empresa quanto ao seu desempenho final, pois a rentabilidade é o resultado das decisões tomadas Gestão de custos industriais150 pelos gestores e expressa, em termos econômico-financeiros, o grau do êxito atingido (LIMEIRA et al., 2012). A seguir, você vai conhecer os índices de retorno sobre o patrimônio líquido (ROE ou RPL) e o retorno sobre o investimento (ROI ou RI), os quais são calculados com dados obtidos do balanço patrimonial e da DRE. Retorno sobre o patrimônio líquido O índice de retorno sobre o patrimônio líquido (RPL), ou taxa de retorno sobre o patrimônio líquido, é calculado dividindo-se o lucro líquido do exercício pelo patrimônio líquido, como mostra a equação: O retorno sobre o patrimônio líquido mede a rentabilidade do capital próprio investido na empresa, ou seja, mede o quanto o patrimônio líquido cresceu em função do resultado do período. Esse índice é conhecido como return on equity (ROE), que, mesmo sendo uma expressão em inglês, é utilizada no mercado nacional (LIMEIRA et al., 2012). O retorno sobre o patrimônio líquido é o indicador mais importante para quem investe em uma empresa, pois, através dele, pode-se avaliar a remuneração do capital próprio e comparar com outras opções de investimento. Retorno sobre o investimento O índice de retorno sobre o investimento (RI), ou taxa de retorno sobre o investimento (TRI), é calculado dividindo-se o lucro líquido do exercício pelo ativo total. Confira a equação: 151Índices de endividamento, de rotação, de rentabilidade e de lucratividade O retorno sobre o investimento (ROI) indica o quanto a empresa recebe de retorno sobre o investimento total. Esse índice permite avaliar o payback, ou o tempo que leva para recuperar os investimentos realizados na empresa (LIMEIRA et al., 2012). Índices de lucratividade Os índices de lucratividade têm por objetivo avaliar as margens geradas no resultado da empresa, tanto do ponto de vista doproduto quanto da eficiência do negócio (LIMEIRA et al., 2012). Confira agora o que é a margem bruta de lucro, a margem operacional de lucro e a margem líquida de lucro, as quais são calculadas com dados obtidos da DRE. Margem bruta de lucro A margem bruta de lucro (MB) é calculada dividindo-se o lucro bruto do exercício pelo total de vendas líquidas, ou receita líquida, e multiplicando o valor por 100, para obtenção do valor percentual. Veja na equação: Conforme Limeira et al. (2012), a margem bruta representa a lucratividade do produto, mercadoria ou serviço prestado pela empresa e mostra o percentual remanescente do faturamento, após a dedução dos custos, para cobrir despesas operacionais e gerar lucro. Se calcularmos a margem bruta conforme a equa- ção e obtivermos, por exemplo, um valor de 70%, isso significa que 70% da receita líquida é lucro e 30% é custo, das mercadorias vendidas, dos produtos vendidos, ou dos serviços prestados (MARION, 2015). Gestão de custos industriais152 Margem operacional de lucro A margem operacional de lucro (MO) é calculada dividindo-se o lucro operacional do exercício pelo total de vendas líquidas, ou receita líquida, e multiplicando o valor por 100, para obtenção do valor percentual. A equação usada é: A margem operacional avalia o retorno operacional da empresa em relação ao fatura- mento líquido e mede a eficiência operacional da empresa na sua atividade principal, ou atividade-fim. Margem líquida de lucro A margem líquida de lucro (ML) é calculada dividindo-se o lucro líquido do exercício pelo ativo total e multiplicando o valor por 100, para obtenção do valor percentual. Confira a equação: A margem líquida quantifica a lucratividade obtida pela empresa ou o retorno líquido. O que diferencia a margem líquida da margem operacional é que a primeira deduz do próprio lucro operacional o resultado das atividades não operacionais, o Imposto de Renda e a contribuição social. 153Índices de endividamento, de rotação, de rentabilidade e de lucratividade TÉLES, C. C. Análise dos demonstrativos contábeis: índices de endividamento. Belém, 2003. Disponível em: <http://www.peritocontador.com.br/artigos/colaboradores/ Artigo_-__ndices_de_Endividamento.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2017. Gestão de custos industriais154 Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício e Demonstração do Resultado Abrangente Exercícios de Fixação 1. (CONTADOR/CFC/ADAPTADA) Relacione os grupos do Ativo apresentados, na primeira coluna, com as suas respectivas propriedades, na segunda coluna, e, em seguida, assinale a opção CORRETA. (1) Ativo Circulante ( ) Ativos mantidos para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros ou para fins administrativos, e que se espera utilizar por mais de um período. (2) Investimentos ( ) Ativos que serão realizados, vendidos ou consumidos no decurso normal do ciclo operacional da entidade, mantidos essencialmente com o propósito de ser negociado. (3) Imobilizado ( ) Ativos não monetários, sem substância física ,identificáveis, controlados e geradores de benefícios econômicos futuros, tais como: projeto e implantação de novos processos ou sistemas. (4) Intangível ( ) Ativos mantidos para obtenção de rendas ou para valorização do capital ou para ambas, tais como: terrenos mantidos para valorização de capital a longo prazo e não para venda a curto prazo no curso ordinário dos negócios A sequência CORRETA é: a) 1, 2, 3, 4. b) 1, 3, 2, 4. c) 3, 1, 4, 2. d) 3, 4, 1, 2. Solução da questão Ao correlacionar uma coluna com a outra, temos a seguinte definição: ✓ Ativos mantidos para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços para aluguel a outros ou para fins administrativos e que se espera utilizar por mais de um período. Esta é a definição do Imobilizado, ou seja (3); ✓ Ativos que serão realizados vendidos consumidos no decurso normal do operacional da entidade mantidos essencialmente com propósito de ser negociados. Corresponde a (1) ativo circulante; ✓ Ativos não monetários sem substâncias físicas identificáveis controlados e geradores de benefícios econômicos futuros tais como: projeto e implantação de novos processos ou sistemas. Está definido pela NBC TG 04 (R4). Corresponde a Intangível (4); ✓ Ativos mantidos para a obtenção de rendas ou desvalorização do capital ou para ambas tais como: terrenos mantidos para valorização de capital a longo prazo e não para venda a curto prazo no curso ordinário dos negócios. Corresponde a Investimentos (2). Alternativa correta: C. 2. (CONTADOR/CFC/ADAPTADA) Uma sociedade empresária apurou, no exercício de 20X1, um lucro líquido de R$120.000,00. O saldo do Patrimônio Líquido, antes do registro do resultado e da respectiva destinação, era de R$188.000,00, assim distribuído: ✓ Capital Social R$150.000,00 ✓ Reserva de Ágio na Emissão de Ações R$2.000,00 ✓ Reserva Legal R$26.000,00 ✓ Reserva Estatutária R$10.000,00 De acordo com a Lei no 6.404/76, o valor a ser registrado em Reserva Legal, como destinação do lucro líquido apurado em 20X1, é de: a) R$4.000,00, uma vez que o saldo da Reserva Legal está limitado a 20% do Capital Social. b) R$6.000,00, uma vez que a reserva legal deve corresponder a 5% do lucro líquido do exercício antes de qualquer outra destinação. c) R$7.000,00, pois a companhia poderá deixar de constituir a reserva legal no exercício em que o saldo dessa reserva, acrescido do montante das demais reservas de lucro, exceder 30% do capital social. d) R$9.000,00, pois a companhia poderá deixar de constituir a reserva legal no exercício em que o saldo dessa reserva, acrescido do montante das reservas de capital, exceder 30% do capital social. Solução da questão A reserva legal tem por objetivo proteger o capital social da empresa e representa uma conta do subgrupo da reserva de lucro. De acordo com a Lei 6.404/76 e suas atualização no art. 193 menciona que serão destinados 5% do lucro líquido para constituição desta reserva, e ainda, estabelece dois limites para saldo da reserva legal. O primeiro é chamado de limite obrigatório, pois deve ser compulsoriamente observado, de forma que não exceda a 20% (vinte por cento) do capital social realizado. O segundo é o limite facultativo, pois, se a companhia desejar, poderá constituir a reserva legal ainda que este limite seja ultrapassado. Segundo a lei, a companhia poderá deixar de constituir a reserva legal quando o saldo dessa reserva, acrescido do montante das reservas de capital, não exceder o valor de 30% do capital social. • Capital social R$ 150.000,00 x 20% = R$ 30.000,00 • Saldo não pode ultrapassar R$ 30.000,00 • Saldo anterior reserva legal = R$ 26.000,00 • Valor a ser registrado = R$ 4.000,00 Alternativa correta: A. Demonstração do Resultado do Exercício 1. (CONTADOR/CFC) Uma Sociedade Empresária apresentou, em 31.12.20X5, os seguintes saldos em suas contas de resultado, antes da apuração do resultado do período. Contas Saldos em 31.12.20X5 Custo das Mercadorias Vendidas R$154.575,00 Despesas Administrativas R$86.121,00 Despesas com Vendas R$77.288,00 Despesas Financeiras R$15.458,00 Perdas com Operações Descontinuadas R$48.581,00 Receita Bruta de Vendas R$662.466,00 Receitas Financeiras R$13.249,00 Tributos sobre Vendas R$39.749,00 Vendas Canceladas R$17.666,00 De acordo com NBC TG 26 (R3) – Apresentação das Demonstrações Contábeis, com base nos saldos apresentados e desconsiderando-se os aspectos tributários, é CORRETO afirmar que: a) O Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro é de R$287.067,00. b) O Resultado Antes das Receitas e Despesas Financeiras é de R$605.051,00. c) O Lucro das Operações Continuadas é de R$236.277,00. d) O Lucro Bruto é de R$450.476,00. Solução da questão De acordo com a NBC TG 26 (R5) no item 82, alínea(ea), além dos itens requeridos em outras normas, a demonstração do resultado do período deve, no mínimo, incluir as seguintes rubricas, obedecendo também as determinações legais: [...] (ea) um único valor para o total de operações descontinuadas, conforme NBC TG 31(R3); Logo, no item 1 da NBC TG 31 (R3), é informado que a contabilização de ativos não circulantes mantidos para venda (colocados à venda) é apresentada e divulgada de forma segregada nas operações descontinuadas. Sendo assim, a DRE será apresentada da seguinte forma de acordo com as NBCs.: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 31.12.20X5 Operações em continuidade Receita Bruta 662.466,00 (-) Deduções da Receita (57.415,00) Tributos sobre Vendas (39.749,00) Vendas Canceladas (17.666,00) (=) Receita Líquida 605.051,00 (-) Custo da Mercadorias Vendidas (154.575,00) (=) Lucro bruto 450.476,00 (-) Despesas Operacionais (163.409,00) Despesas com Vendas (77.288,00) Despesas administrativas (86.121,00) (=) Lucro antes do Resultado Financeiro 287.067,00 Resultado Financeiro (2.209,00) (+) Receitas Financeiras 13.249,00 (-) Despesas Financeiras (15.458,00) (=) Lucro antes dos tributos 284.858,00 (-) Provisão para IR e CS - (=) Lucro das Operações Continuadas 284.858,00 Operações descontinuadas (48.581,00) (-) Perdas das Operações Descontinuadas (48.581,00) (=) Lucro Líquido do Período 236.277,00 Alternativa correta: D. 2. (Auditor Júnior/REFAP/ADAPTADA) A Cia. Planalto S/A apresentou, em 31/12/20X6, após descontar o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro, um lucro líquido de R$ 259.000,00. O estatuto social da empresa estabelece os seguintes percentuais de participações: • das debêntures: 10% • dos empregados: 10% • dos administradores: 10% • das partes beneficiárias: 10% Com base nos dados acima, e considerando-se apenas essas informações, o lucro líquido do exercício, em reais, após as participações, será: (a) 103.600,00 (b) 155.400,00 (c) 169.930,00 (d) 188.811,00 (e) 209.970,00 Solução da questão Para encontrar a resposta dessa questão, o leitor tem que conhecer os artigos 187 inciso VI, 189 e 190 da lei 6.404/76 com suas alterações. Essas participações e contribuições devem ser contabilizadas na própria data do balanço, debitando-se as contas respectivas de participações em resultados e creditando-se as contas no Passivo Circulante. A forma de cálculo das participações está descrita no artigo 189 da Lei das Sociedades por Ações, estabelecendo que serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o imposto sobre a renda. Já o artigo 190 da citada lei, define que as participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiarias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Observa-se que nesse artigo, o legislador deixou de mencionar as participações das debêntures, mas, conforme exposto no art. 187, os mesmos seriam incluídos antes dos empregados. Desta forma, os cálculos das participações não serão feitos sobre o mesmo valor, pois se calcula primeiramente a participação das debêntures; do lucro restante, após deduzir a participação das debêntures, calcula-se a participação dos empregados; do lucro agora remanescente, aos administradores, e do saldo remanescente calcula -se, as partes beneficiárias. Assim, a base de cálculo, extra contábil, ficará da seguinte forma: Lucro antes das participações ................................................. R$259.000,00 (-) Debêntures – 10% ............................................................... (R$ 25.900,00) (=) Base de cálculo para as participações dos empregados – .............................................................. R$ 233.100,00 (-) empregados – 10% ............................................................. (R$ 23.310,00) (=) Base de cálculo para as participações dos administradores .......................................................... R$ 209.790,00 (-) Administradores – 10% ....................................................... (R$ 20.979,00) (=) Base de cálculo para as partes beneficiárias ...................... R$ 188.811,00 (-) Partes beneficiárias – 10% ................................................. (R$ 18.881,10). Após efetuar o cálculo das participações extra contábil, o responsável poderá continuar a elaborar a DRE, então: Lucro antes das participações ............................................... R$ 259.000,00 (-) Participações ................................................................... (R$ 89.070,00) (-) Debêntures ..................................................................... R$ 25.900,00 (-) Empregados ................................................................... R$ 23.310,00 (-) Administradores ............................................................ R$ 20.979,00 (-) Partes beneficiárias ....................................................... R$ 18.881,00 (=) Lucro líquido ................................................................... R$ 169.930,00 Alternativa correta: C. Demonstração do Resultado Abrangente 1. (CONTADOR/CFC/ADAPTADA) De acordo com a NBC TG 26 (R5) – Apresentação das Demonstrações Contábeis, são exemplos de informações apresentadas na Demonstração do Resultado Abrangente, EXCETO: a) Ajustes de conversão do período. b) Aumento de capital em dinheiro. c) Equivalência patrimonial sobre ganhos abrangentes de coligadas. d) Realização da reserva de reavaliação. Solução da questão De acordo com a Apêndice A da NBC TG 26 (R5), o resultado abrangente é a mutação que ocorre no patrimônio líquido durante um período resultante de transações e outros eventos, que não derivados de transações com os sócios na sua qualidade de proprietários. Alternativa letra: B. 2. (CONTADOR/CFC/ADAPTADA) Uma sociedade empresária apresentou, em 31.12.20X2, as seguintes informações: CONTAS SALDOS Ajuste Credor de Avaliação Patrimonial R$400,00 Ajuste Credor de Conversão do Período R$400,00 Aumento do Capital Social R$1.600,00 Custo da Mercadoria Vendida R$2.400,00 Despesa com IRPJ e CSLL R$80,00 ICMS Incidentes sobre Vendas R$400,00 Receita Bruta de Vendas R$4.000,00 Receitas Financeiras R$800,00 Com base nessas informações, assinale a opção que apresenta o Resultado Abrangente Total do Período. a) R$2.320,00. b) R$2.720,00. c) R$3.520,00. d) R$4.320,00. Solução da questão Analisando as informações, elaboramos a DRA, abaixo: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE – DRA RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO 1.920,00 OUTROS RESULTADOS ABRANGENTES 800,00 Ganhos e perdas derivados de conversão de Demonstrações Contábeis de Operações no exterior 400,00 Ajuste de avaliação patrimonial 400,00 RESULTADO ABRANGENTE DO PERÍODO 2.720,00 Alternativa correta: B. Exercícios Extras: Exercícios sobre Balanço Patrimonial – CPC26 e Seção 4 CPC PME 1. (CONTADOR/CFC/2015.1) Em relação aos efeitos contábeis referentes aos registros das transações de uma empresa no mês de fevereiro de 2015, julgue os itens abaixo como Verdadeiros (V) ou Falsos (F) e, em seguida, assinale a opção CORRETA. I. O pagamento do aluguel do mês anterior, na data de vencimento, diminuiu o Ativo e o Passivo e não gerou nenhuma mudança no Patrimônio Líquido. II. A compra à vista de mercadorias não alterou o total do Ativo, não alterou o total do Passivo e não gerou nenhuma mudança no Patrimônio Líquido. III. A aquisição de ações de emissão da própria empresa, à vista, diminuiu o Ativo, não alterou o Passivo Exigívele aumentou o Patrimônio Líquido. A sequência CORRETA é: a) F, F, V. b) F, V, F. c) V, F, V. d) V, V, F. 2. (CONTADOR/CFC/2015.1) Relacione os grupos de contas do Balanço Patrimonial de uma indústria, apresentados na primeira coluna, às contas, na segunda coluna, e, em seguida, assinale a opção CORRETA. (1) Patrimônio Líquido ( ) Obras de Arte (2) Imobilizado ( ) Ações de Emissão Própria em Tesouraria (3) Investimentos ( ) Reserva de Incentivos Fiscais (4) Intangível ( ) Marcas e Patentes A sequência CORRETA é: a) 3,3,1,3. b) 2,3,2,3. c) 3,1,1,4. d) 2,1,2,4. 3. (Exame de suficiência 2013-2 Q 08) Assinale a opção que apresenta apenas contas de natureza devedora passíveis de integrar o Ativo de uma empresa comercial. a) Adiantamentos a Clientes; Provisão para Riscos Fiscais; Credores por Financiamentos; Imposto de Renda Incidente sobre salários. b) Ágio na Emissão de Ações; Alienação de Bônus de Subscrição; Doações e Subvenções para Investimentos; Reservas de Incentivos Fiscais. c) Depósitos Restituíveis e Valores Vinculados; Depósitos a Prazo Fixo; Prêmios de Seguros a Apropriar; Comissões e Prêmios Pagos Antecipadamente. d) Perdas Estimadas na Realização de Créditos; Perdas por Redução ao Valor de Mercado; Ajuste a Valor Presente de Clientes e Depreciação Acumulada. 4. (CONTADOR/CFC/2016.1) Assinale a opção que apresenta apenas contas classificadas no Ativo Não Circulante. a) Ações de Emissão Própria em Tesouraria, Marcas e Patentes, Duplicatas a Receber a Longo Prazo. b) Duplicatas a Receber a Longo Prazo, Propriedades para Investimento e Imóveis de Uso. c) Imóveis de Uso, Ações de Emissão Própria em Tesouraria, Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata. d) Marcas e Patentes, Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata e Propriedades para Investimento. 5. (Exame de suficiência 2011-1 Q 04) Uma determinada sociedade empresária, em 31.12.2010, apresentou os seguintes saldos: Caixa R$ 6.500,00 Bancos Conta Movimento R$ 14.000,00 Capital Social R$ 20.000,00 Custo das Mercadorias Vendidas R$ 56.000,00 Depreciação Acumulada R$ 1.500,00 Despesas Gerais R$ 23.600,00 Fornecedores R$ 9.300,00 Duplicatas a Receber em 60 dias R$ 20.900,00 Equipamentos R$ 10.000,00 Reserva de Lucros R$ 3.000,00 Estoque de Mercadorias R$ 4.000,00 Receitas de Vendas R$ 97.700,00 Salários a Pagar R$ 3.500,00 Após a apuração do Resultado do Período e antes da sua destinação, o total do Patrimônio Líquido e o total do Ativo Circulante são, respectivamente: a) R$37.100,00 e R$41.400,00. b) R$37.100,00 e R$46.100,00. c) R$41.100,00 e R$45.400,00. d) R$41.100,00 e R$50.400,00. Solução: BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO DRE Ativo Circulante Passivo Circulante Receitas de Vendas 97.700, 00 Caixa 6.500,0 0 Fornecedore s 9.300,0 0 Custo das Mercadorias Vendidas 56.000, 00 Bancos Conta Movimento 14.000, 00 Salários a Pagar 3.500,0 0 Despesas Gerais 23.600, 00 Duplicatas a Recebe 20.900, 00 Resultado do Período 18.100, 00 Estoque de Mercadorias 4.000,0 0 Patrimônio Líquido Total Circulante 45.400, 00 Capital Social 20.000, 00 Reserva de Lucros 3.000,0 0 Equipamentos 10.000, 00 Lucros Ac 18.100, 00 (conta transitória) Depreciação Acumulada - 1.500,0 0 Total PL 41.100, 00 D lucro ac c dividendos a pagar c reservas total do Ativo 53.900, 00 total do Passivo 53.900, 00 6. (CONTADOR/CFC/2015.2) Uma Sociedade Empresária iniciou suas atividades em 2.1.2014 e, ao final do ano, apresentou os saldos abaixo. Contas Saldos em 31.12.2014 Ações de Emissão Própria em Tesouraria R$2.239,00 Caixa e Equivalente de Caixa R$57.583,00 Capital a Integralizar R$24.592,00 Capital Subscrito R$331.991,00 Contas a Pagar R$8.067,00 Depreciação Acumulada R$62.896,00 Dividendos a Pagar R$174.272,00 Duplicatas a Receber R$170.875,00 Duplicatas a Receber de Longo Prazo R$56.960,00 Estoque de Mercadorias para Revenda R$282.985,00 Financiamentos a Pagar de Longo Prazo R$113.915,00 Fornecedores R$202.663,00 Imóveis de Uso R$405.339,00 Reserva Estatutária R$51.384,00 Reserva Legal R$13.170,00 Salários a Pagar R$65.766,00 Títulos a Receber R$23.551,00 Com base nos saldos apresentados, é CORRETO afirmar que: a) o valor do Ativo Circulante é de R$537.233,00. b) o valor do Ativo Não Circulante é de R$401.642,00. c) o valor do Passivo Circulante é de R$276.496,00. d) o valor do Patrimônio Líquido é de R$369.714,00. Solução: BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO Ativo Circulante 534.994,00 Passivo Circulante 450.768,00 Caixa e Eq Caixa 57.583,00 Contas a Pagar 8.067,00 Duplicatas a Receber 170.875,00 Dividendos a Pg 174.272,00 Estoque de Mercadorias 282.985,00 Fornecedores 202.663,00 Títulos a Receber 23.551,00 Salários a Pagar 65.766,00 Passivo Não Circulante 113.915,00 Financiamentos a Pagar 113.915,00 Ativo Não Circulante 399.403,00 Patrimônio Líquido 369.714,00 Dupl Rec 56.960,00 Capital Subscrito 331.991,00 Imóveis de uso 405.339,00 Ações em Tesouraria - 2.239,00 Depreciação Acumulada - 62.896,00 Capital a Integralizar - 24.592,00 Reserva Estatutária 51.384,00 Reserva Legal 13.170,00 7. (CONTADOR/CFC/2015.1) Uma Sociedade Empresária apresentou, em 31.12.2014, os seguintes saldos: Banco Conta Movimento R$22.900,00 Caixa R$135.000,00 Capital Subscrito R$225.000,00 Custo das Mercadorias Vendidas R$113.400,00 Depreciação Acumulada R$1.300,00 Despesa com Depreciação R$900,00 Despesa com Férias R$4.500,00 Despesa com FGTS R$5.400,00 Despesa com Salários R$36.000,00 Estoques R$11.500,00 Fornecedores R$83.100,00 ICMS a Recolher R$7.900,00 ICMS sobre Vendas R$49.700,00 Máquinas e Equipamentos R$56.600,00 Móveis e Utensílios R$62.000,00 Despesa de Tributos sobre o Lucro R$1.100,00 Receita Bruta de Vendas de Mercadorias R$207.500,00 Receita Financeira R$7.700,00 Salários a Pagar R$6.500,00 Veículos R$40.000,00 Com base nas informações acima, após a apuração e antes da destinação do resultado do exercício, é CORRETO afirmar que o valor do: a) Ativo Circulante é de R$176.900,00. b) Ativo Não Circulante é de R$157.300,00. c) Passivo Circulante é de R$89.600,00. d) Patrimônio Líquido é de R$230.300,00. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO Receita Bruta de Vendas de Mercadorias 207.500,00 - ICMS sobre Vendas 49.700,00 = Receita Líquida de Vendas 157.800,00 - Custo das Mercadorias Vendidas 113.400,00 = Lucro bruto 44.400,00 - Despesa com Salários 36.000,00 - Despesa com Férias 4.500,00 - Despesa com FGTS 5.400,00 - Despesa com Depreciação 900,00 = Resultado antes das Rec e Desp Financeiras - 2.400,00 + Receita Financeira 7.700,00 = Resultado antes dos tributos sobre o lucro 5.300,00 - Despesa de Tributos sobre o Lucro 1.100,00 = lucro líquido do exercício 4.200,00 BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO Ativo Circulante 169.400,00 Passivo Circulante 97.500,00 Caixa 135.000,00 Fornecedores 83.100,00 Banco Conta Movimento 22.900,00 ICMS a Recolher 7.900,00 Estoques 11.500,00 Salários a Pagar 6.500,00 Passivo Não Circulante - Ativo Não Circulante 157.300,00 Patrimônio Líquido 229.200,00 Máquinas e Equipamentos 56.600,00 Capital Subscrito 225.000,00 Móveis e Utensílios 62.000,00 Lucros Acumulados 4.200,00 Veículos 40.000,00 Depreciação Acumulada - 1.300,00 Totaldo Ativo 326.700,00 Total do Passivo 326.700,00 Exercícios sobre DRE e DRA – CPC26 e Seção 5 CPC PME 8. (BACHAREL 2013 – 1 Q 4) Com os saldos das contas de resultado apresentados abaixo, elabore a Demonstração de Resultado. Custo das Mercadorias Vendidas R$ 78.530,00 Despesa com Tributos Sobre o Lucro R$ 17.577,00 Despesas Administrativas R$ 13.740,00 Despesas com Vendas R$ 43.510,00 Despesas Financeiras R$ 3.720,00 Despesas Gerais R$ 21.820,00 ICMS Incidente Sobre Vendas R$ 16.450,00 Outras Despesas Operacionais R$ 2.120,00 Receita Bruta de Vendas R$ 235.000,00 Receita de Equivalência Patrimonial R$ 3.450,00 Receitas Financeiras R$ 1.780,00 Vendas Canceladas R$ 1.750,00 Com base na Demonstração de Resultados elaborada, assinale a opção CORRETA. a) O Resultado Antes dos Tributos Sobre o Lucro é de R$58.590,00. b) O Resultado Líquido do Período é de R$37.563,00. c) O valor da Receita Líquida de Vendas é de R$220.250,00. d) O valor do Lucro Bruto é de R$156.470,00. Solução: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Receita Bruta de Vendas R$ 235.000,00 ICMS Incidente Sobre Vendas R$ 16.450,00 Vendas Canceladas R$ 1.750,00 = Receita Líquida de Vendas R$ 216.800,00 Custo das Mercadorias Vendidas R$ 78.530,00 = LUCRO BRUTO R$ 138.270,00 Despesas com Vendas R$ 43.510,00 Despesas Gerais R$ 21.820,00 Despesas Administrativas R$ 13.740,00 Outras Despesas Operacionais R$ 2.120,00 Receita de Equivalência Patrimonial R$ 3.450,00 = Resultado antes das Rec e Desp Financeiras R$ 60.530,00 Despesas Financeiras R$ 3.720,00 Receitas Financeiras R$ 1.780,00 = Resultado antes do TSL R$ 58.590,00 Despesa com Tributos Sobre o Lucro R$ 17.577,00 = Resultado Líquido do Exercício R$ 41.013,00 9. (BACHAREL 2013 – 1 Q 09) Uma sociedade empresária apresentava, ao final do ano de 2012, as seguintes movimentações de contas patrimoniais e de resultado para a elaboração da Demonstração do Resultado e Demonstração do Resultado Abrangente do período: Contas Patrimoniais e de Resultado Movimentação Natureza da Movimentação Ajustes de Avaliação Patrimonial de Instrumentos Financeiros Classificados como Disponíveis para Venda R$ 18.000,00 Credora Custo dos Produtos Vendidos R$ 270.000,00 Devedora Despesas Administrativas R$ 42.000,00 Devedora Despesas com Vendas R$ 60.000,00 Devedora Despesas Financeiras R$ 48.000,00 Devedora Equivalência Patrimonial sobre Resultados Abrangentes de Coligadas R$ 15.000,00 Credora Receita de Equivalência Patrimonial R$ 25.000,00 Credora Receita com Vendas de Produtos R$ 600.000,00 Credora Receitas Financeiras R$ 36.000,00 Credora Tributos sobre Ajustes de Instrumentos Financeiros classificados como Disponíveis para Venda R$ 6.000,00 Devedora Tributos sobre o Lucro R$ 55.000,00 Devedora Tributos sobre Vendas R$ 96.000,00 Devedora Na Demonstração do Resultado do período, o Lucro Líquido é igual a: a) R$84.000,00. b) R$90.000,00. c) R$105.000,00. d) R$117.000,00 Solução: cpv - 270.000,00 Desp adm - 42.000,00 Desp c/ vendas - 60.000,00 Desp Financeiras - 48.000,00 REP 25.000,00 Rec com vendas 600.000,00 Rec Financ 36.000,00 Tributos sobre lucro - 55.000,00 Tributos sobre vendas - 96.000,00 lucro do período 90.000,00 10. (BACHAREL 2012 2 Q 1) Uma sociedade empresária apresentou os seguintes saldos: Contas Saldo Atual Ajuste a Valor Presente - Contas a Receber R$35.000,00 Caixa R$100.000,00 Capital Social R$120.000,00 Contas a Receber R$380.000,00 Contas a Receber - Longo Prazo R$120.000,00 Custo das Mercadorias Vendidas R$540.000,00 Décimo Terceiro e Encargos a Pagar R$160.500,00 Depreciação Acumulada R$20.000,00 Despesas Administrativas R$45.000,00 Despesas Pagas Antecipadamente - Seguros a Apropriar R$24.000,00 Despesas com Vendas R$19.050,00 Estoque R$90.000,00 Férias e Encargos a Pagar R$130.000,00 Fornecedores R$251.400,00 ICMS a Recolher R$57.000,00 Imobilizado R$200.000,00 Impostos Incidentes sobre Venda R$185.850,00 Receita de Vendas R$900.000,00 Receita Financeira R$30.000,00 Considerando os dados, o total dos saldos credores é de: a) R$1.611.900,00. b) R$1.648.900,00. c) R$1.668.900,00. d) R$1.703.900,00. Solução: Ajuste a valor pres 35.000,00 Deprec Acumuladas 20.000,00 Capital Social 120.000,00 Dec ter e enc 160.500,00 Fér a pg 130.000,00 Fornec 251.400,00 icms a reco 57.000,00 Rec Vendas 900.000,00 Rec Financ 30.000,00 Total 1.703.900,00 Gabarito da lista de Exercícios Extra: 1 d 2 c 3 c 4 b 5 c 6 d 7 b 8 a 9 b 10 d LABORATÓRIO CONTÁBIL Conteúdo: Ramon Alberto Cunha de Faria Pablo Rojas Coordenador F224l Faria, Ramon Alberto Cunha de. Laboratório contábil [recurso eletrônico] / Ramon Alberto Cunha de Faria; coordenação: Pablo Rojas. – Porto Alegre: SAGAH, 2016. Editado como livro impresso em 2016. ISBN 978-85-69726-23-4 1. Contabilidade. I. Título. CDU 657 Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 © SAGAH EDUCAÇÃO S.A., 2016 Colaboraram nesta edição: Coordenador técnico: Pablo Rojas Capa e projeto gráfico: Equipe SAGAH Imagem da capa: Shutterstock Editoração: Kaka Silocchi Reservados todos os direitos de publicação à SAGAH EDUCAÇÃO S.A., uma empresa do GRUPO A EDUCAÇÃO S.A Av. Jerônimo de Ornelas, 670 - Santana 90040-340 - Porto Alegre, RS Fone: (51) 3027-7000 Fax: (51) 3027-7070 É proibida a duplicação deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônicos, mecânicos, gravação, fotocópia, distribuição na Web e outros), sem permissão expressa da empresa. 102 INTRODUÇÃO As Demonstrações de Lucros e Prejuízos são instituídas por Lei para acompanhar as destinações do lucro e suas compensações com prejuízos acumulados. Em geral ele é utilizado em paralelo com o Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Líquido. Ambos fornecem as informações necessárias para entender as mudanças ocorridas no Patrimônio Líquido da empresa. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Ao final desta unidade você deverá ser capaz de: • Entender os conceitos e legislações sobre as Demonstrações de Lucro ou Prejuízo - DLPA e Demonstrações de Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL; • Compreender a utilidade das Demonstrações de Lucro ou Prejuízo - DLPA e Demonstrações de Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL; • Elaborar a Demonstração de Lucro ou Prejuízo - DLPA e Demonstração de Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL. CONCEITOS SOBRE O DEMONSTRATIVO DOS LUCROS E PREJUÍZOS ACUMULADOS - DLPA O Demonstrativo de Lucros e Prejuízos Acumulados é essencialmente contábil, e tem finalidade de mostrar a quem foi destinado o lucro líquido apurado no ano calendário ou exercício social, geralmente apurados em 31 de dezembro. Após a promulgação da lei nº 11.638/2007, que alterou somente a alínea “d” do parágrafo 2º da lei nº 6.404/1976, extinguindo a conta de lucros e Prejuízos acumulados do Patrimônio Líquido, ao qual o DLPA evidencia. “Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. (...) 103 § 2º No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos: (...) d) patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados”. Portanto a lei nº 11.638/2007 ainda manteve sua obrigatoriedade de apresentação do demonstrativo para que se possa evidenciar o saldo inicial dos prejuízos acumulados (casotenha), ajustes de períodos anteriores, reversões de reservas e a apuração do lucro líquido e sua destinação. ESTRUTURA DO DLPA Sua estrutura está contida no artigo 186 da lei nº 6.404/1976, que diz: “Art. 186. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discriminará: I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial; II - as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício; III - as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período. § 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes. § 2º A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social e poderá ser incluída na demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elaborada e publicada pela companhia”. MODELO DO DEMONSTRATIVO DE LUCROS E PREJUÍZOS ACUMULADOS - DLPA Vemos neste exemplo a destinação integral do lucro do exercício. 104 EMPRESA XYZ 1. Saldo no início do período 2. Ajustes de exercícios anteriores 3. Saldo ajustado 4. Lucrou ou prejuízo do exercício 5. Reversões de reservas 50.000,00 50.000,00 2.500,00 27.500,00 20.000,00 6. Saldo a disposição Reservas para contingencias 7. Destinação do exercício Outras reservas Reserva legal Dividendos p/ ação Reservas estatutárias Juros s/ Capital Próprio Saldo final do exercício CONCEITOS SOBRE O DEMONSTRATIVO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO – DMPL O Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Líquido, apresenta todas as ocorrências nas contas do patrimônio líquido de um determinado período. Não há um modelo nem padrão que a lei nº 6.404/1976 estipula para as empresas elaborarem, porém todas as informações contidas no DLPA devem constar neste relatório, além é claro de todas as movimentações das contas do patrimônio líquido. Quando há fluxos de informações de uma conta de patrimônio para outra, devem ser evidenciadas através de notas explicativas. Não há embasamento legal para a estruturação e elaboração da DMPL, ficando a cargo da empresa determinar os recursos a serem utilizados. No entanto os dados que a empresa terá de extrair estão contidos no livro razão. 105 MODELO DE ELABORAÇÃO DO DEMONSTRATIVO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO - DMPL Capital social Reserva de capital Reserva de lucros Ajust. Avaliação patrimonial Ações em tesouraria Prejuizo acumulado Lucros a destinar TOTAISDescrição Saldo em 31 / 12 / XXXX *Reserva legal *Reserva legal Aumento de capital Aumento de capital *Dividendos *Dividendos *Reservas de lucro *Reservas de capital *Juros sobre o capital próprio *Juros sobre o capital próprio Lucro ou prejuizo do exercício Lucro ou prejuizo do exercício Saldo em 31 / 12 / XXX1 Saldo em 31 / 12 / XXX2 Reversão de reserva Reversão de reserva Destinação do exercício Destinação do exercício Fonte: RIBEIRO, Osni Moura – Contabilidade Intermediaria. – 2. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2009. REFERÊNCIAS REIS, A. C. de R. Demonstrações contábeis: Estrutura e análise. São Paulo: Saraiva, 2003. RIBEIRO, O. M. Contabilidade intermediaria. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA Conteúdo: Ramon Alberto Cunha de Faria Pablo Rojas Coordenador 136 Demonstração dos Fluxos de Caixa Exercícios de Fixação Demonstração dos Fluxos de Caixa 1.(CONTADOR/CFC/) Uma Sociedade Empresária comercial apresentou os seguintes dados para elaboração da Demonstração dos Fluxos de Caixa relativa ao ano de 20X1: Entradas de Caixa Recebimento por vendas de mercadorias à vista ..................................... R$120.000,00 Recebimento por venda de imóvel registrado como Ativo Imobilizado .... R$50.000,00 Recebimento por integralização de capital ............................................... R$140.000,00 Saídas de Caixa Pagamento a fornecedores por compra de mercadorias ........................... R$90.000,00 Pagamento de despesas administrativas .................................................... R$16.000,00 Pagamento por aquisição de veículo para uso ........................................... R$72.000,00 Pagamento do valor principal de empréstimo bancário .......................... R$120.000,00 O saldo de Caixa e Equivalentes de Caixa era de R$12.800,00, em 31.12.20X0. Considerando- se apenas as informações apresentadas e de acordo com a NBC TG 03 (R3) – DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA, em relação à Demonstração dos Fluxos de Caixa é CORRETO afirmar que: a) o caixa líquido gerado pelas Atividades Operacionais é de R$14.000,00. b) o caixa líquido gerado pelas Atividades de Investimento é de R$68.000,00. c) o caixa líquido consumido pelas Atividades de Financiamento é de R$120.000,00. d) o caixa líquido consumido por todas as atividades em conjunto é de R$12.000,00. Solução da questão A DFC tem por objetivo fornecer as informações das entradas e saídas de caixa e do equivalente a caixa da companhia. De acordo com as informações fornecidas nesta questão, devemos elaborar o Fluxo de Caixa pelo método direto. Vejamos: DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA MÉTODO DIRETO ATIVIDADE OPERACIONAL (+) Recebimento por vendas de mercadorias à vista R$ 120.000,00 (-) Pagamento a fornecedores por compra de mercadorias R$ (90.000,00) (-) Pagamento de despesas administrativas R$ (16.000,00) CAIXA GERADO NA ATIVIDADE OPERACIONAL R$ 14.000,00 ATIVIDADES DE INVESTIMENTO (+) Recebimento por venda de imóvel registrado como Ativo Imobilizado R$ 50.000,00 (-) Pagamento por aquisição de veículo para uso R$ (72.000,00) CAIXA CONSUMIDO NA ATIVIDADE DE INVESTIMENTO R$ (22.000,00) ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO (+) Recebimento por integralização de capital R$ 140.000,00 (-) Pagamento do valor principal de empréstimo bancário R$ (120.000,00) CAIXA GERADO NA ATIVIDADES DE INVESTIMENTO R$ 20.000,00 SALDO ANO ANTERIOR R$ 12.800,00 VARIAÇÃO DO CAIXA GERADO NO ANO R$ 12.000,00 SALDO FINAL DE CAIXA R$ 24.800,00 Alternativa correta: A. 2. (ANALISTA/ADAPTADA) Uma sociedade empresária apresentou os seguintes dados para elaboração da Demonstração dos Fluxos de Caixa: Exercício 20X6 R$ mil ❖ aquisição a vista de software ................................................. 131 ❖ pagamento de financiamentos .............................................. 153 ❖ redução da conta clientes ...................................................... 200 ❖ aumento de contas de fornecedores ..................................... 390 ❖ obtenção de empréstimos bancários ...................................... 900 ❖ resultado do exercício (lucro) ............................................... 1.062 ❖ aquisição de imobilizado a vista .......................................... 1.268 Considerando somente as informações da tabela, qual o valor do saldo final do caixa. a) R$1.400 b) R$1.600 c) R$1.100 d) R$1.450 e) R$1.000. Solução da questão Com base nos dados fornecidos nesta questão, elaboramos o DFC pelo método indireto, também conhecido como método de conciliação. Demonstração Dos Fluxos de Caixa Fluxo Operacional: Resultado Líquido ..................................................................................1.062 Variação do ativo circulante (+) redução de clientes ............................................................................ 200 Variação do passivo circulante (+) Aumento Fornecedores ..................................................................... 390 (=) Caixa gerado pela atividade operacional ........................................ 1.652 Fluxo Investimento: (-) Aquisição de software ........................................................................ (131) (-) Aquisição de imobilizado ............................................................... -(1.268) (=) Caixa consumido pela atividade investimento (1.399) Fluxo Financiamento: (-) Pagamento de financiamento ............................................................. (153) (+) Obtenção de empréstimo bancário .................................................... 900 (=) Caixa gerado pela atividade financiamento ..................................... 747 (=) saldo inicial do caixa/equivalente caixa ................................................. 0 (=) saldo final do caixa/equivalente caixa ............................................ 1.000 Alternativa correta: E. Lista Extra de Exercícios: Exercícios sobre DFC – CPC03 e Seção 7 CPC PME 1. (Exame de suficiência 2012-1 Q 09) Uma sociedade empresária apresentou o Balanço Patrimonial a seguir, ao qual foi acrescida uma coluna de variação, e também a Demonstração do Resultado do período encerrado em 31.12.2011: Balanço Patrimonial 31.12.2011 31.12.2010 Variação ATIVO CIRCULANTE R$322.000,00 R$230.000,00 R$92.000,00 Caixa R$57.500,00 R$23.000,00 R$34.500,00 Duplicatas a Receber R$195.500,00 R$161.000,00 R$34.500,00 Estoques R$69.000,00 R$46.000,00 R$23.000,00 ATIVO NÃO CIRCULANTE R$115.000,00 - R$115.000,00 Imobilizado R$126.500,00 - R$126.500,00 (-) Depreciação Acumulada (R$11.500,00) - (R$11.500,00) TOTAL DO ATIVO R$437.000,00 R$230.000,00 R$207.000,00 PASSIVO CIRCULANTE R$184.000,00 R$46.000,00 R$138.000,00 Fornecedores R$142.600,00 R$46.000,00 R$96.600,00 Imposto de Renda e Contribuição Social a Pagar R$41.400,00 - R$41.400,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO R$253.000,00 R$184.000,00 R$69.000,00 Capital R$184.000,00 R$184.000,00 - Reservas de Lucros R$69.000,00 - R$69.000,00 TOTAL PASSIVO + PL R$437.000,00 R$230.000,00 R$207.000,00 Demonstração do Resultado Vendas Líquidas R$391.000,00 Custo da Mercadoria Vendida (R$207.000,00) Resultado Bruto R$184.000,00 Despesas com Vendas (R$4.600,00) Despesas com Pessoal (R$57.500,00) Despesas com Depreciação (R$ 11.500,00) Resultado antes dos tributos sobre o Lucro R$ 110.400,00 Tributos sobre o Lucro (R$ 41.400,00) Resultado Líquido do Período R$ 69.000,00 Na Demonstração dos Fluxos de Caixa elaborada a partir dos dados apresentados, as atividades operacionais geraram caixa no valor de: a) R$59.800,00. b) R$82.800,00. c) R$138.000,00. d) R$161.000,00. Solução: Lucro Líquido do Exercício 69.000,00 Despesa com Depreciação 11.500,00 Lucro Ajustado 80.500,00 Variação do Contas a Receber - 34.500,00 Variação dos Estoques - 23.000,00 Variação dos Fornecedores 96.600,00 Variação em Impostos a Pg 41.400,00 Caixa gerado atv operacional 161.000,00 Caixa da atividade de investimento 126.500,00 Caixa ativid Financiamento - Caixa gerado no período 34.500,00 2. (Exame de suficiência 2011-1 Q 10) Uma sociedade empresária apresentou, no exercício de 2010, uma variação positiva no saldo de caixa e equivalentes de caixa no valor de R$18.000,00. Sabendo-se que o caixa gerado pelas atividades operacionais foi de R$28.000,00 e o caixa consumido pelas atividades de investimento foi de R$25.000,00, as atividades de financiamento: a) geraram um caixa de R$21.0000,00. b) consumiram um caixa de R$15.000,00. c) consumiram um caixa de R$21.000,00. d) geraram um caixa de R$15.000,00. Solução: Operacionais 28.000,00 Caixa do período = OP + INV + FIN Investimento - 25.000,00 18.000 = 28.000 - 25.000 + FIN Financiamento ? FIN = 15.000 Caixa do período 18.000,00 3. (CONTADOR/CFC/2017) Uma Sociedade Empresária comercial apresentou os seguintes dados para elaboração da Demonstração dos Fluxos de Caixa relativa ao ano de 2016: Entradas de Caixa Recebimento por vendas de mercadorias à vista R$120.000,00 Recebimento por venda de imóvel registrado como Ativo Imobilizado R$50.000,00 Recebimento por integralização de capital R$140.000,00 Saídas de Caixa Pagamento a fornecedores por compra de mercadorias R$90.000,00 Pagamento de despesas administrativas R$16.000,00 Pagamento por aquisição de veículo para uso R$72.000,00 Pagamento do valor principal de empréstimo bancário R$120.000,00 O saldo de Caixa e Equivalentes de Caixa era de R$12.800,00, em 31.12.2015. Considerando-se apenas as informações apresentadas e de acordo com a NBC TG 03 (R3) – DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA, em relação à Demonstração dos Fluxos de Caixa é CORRETO afirmar que: a) o caixa líquido gerado pelas Atividades Operacionais é de R$14.000,00. b) o caixa líquido gerado pelas Atividades de Investimento é de R$68.000,00. c) o caixa líquido consumido pelas Atividades de Financiamento é de R$120.000,00. d) o caixa líquido consumido por todas as atividades em conjunto é de R$12.000,00. Solução: Entradas de Caixa 120.000 Op Recebimento por vendas de mercadorias à vista R$120.000,00 50.000 Inv Recebimento por venda de imóvel registrado como Ativo Imobilizado R$50.000,00 140.000 Fin Recebimento por integralização de capital R$140.000,00 Saídas de Caixa - 90.000 Op Pagamento a fornecedores por compra de mercadorias R$90.000,00 - 16.000 Op Pagamento de despesas administrativas R$16.000,00 - 72.000 Inv Pagamento por aquisição de veículo para uso R$72.000,00 - 120.000 Fin Pagamento do valor principal de empréstimo bancário R$120.000,00 Caixa gerado nas atividades Operacionais Op - 90.000 Op - 16.000 Op 120.000 Caixa gerado 14.000 Caixa gerado/consumido nas ativ de Invest Inv 50.000 Inv - 72.000 Consumo - 22.000 Caixa gerado/consumido nas ativ de Financiamento Fin 140.000 Fin - 120.000 Geração 20.000 Todas as ativ 12.000 Caixa gerado 4. (CONTADOR/CFC/2015.2) Uma Sociedade Empresária apresentou os seguintes dados que foram extraídos de sua contabilidade: Estoque em 31/12/2013 Estoque em 31/12/2014 Saldo de Fornecedores em 31/12/2013 Saldo de Fornecedores em 31/12/2014 Custo das Mercadorias Vendidas 140.000,00 80.000,00 60.000,00 20.000,00 470.000,00 A movimentação do estoque é composta por compras e baixa por vendas. Todas as compras foram efetuadas a prazo. A movimentação de fornecedores corresponde à contrapartida de compras e pagamentos. A Demonstração dos Fluxos de Caixa é elaborada pelo Método Direto. Com base nos dados apresentados, o caixa consumido para pagamento de fornecedores é de: a) R$40.000,00. b) R$60.000,00. c) R$410.000,00. d) R$450.000,00. Solução: Caixa consumido para pagamento de fornecedores Compras 410.000,00 - sd final Fornec 20.000,00 + sd inicial Forn 60.000,00 Caixa consumido 450.000,00 Gabarito: 1. D 2. D 3. A 4. D Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados e Demonstração da Mutação do Patrimônio Líquido Exercícios de Fixação Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados 1. (CONTADOR/CFC) Com relação à Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA, julgueos itens abaixo como Verdadeiros (V) ou Falsos (F) e, em seguida, assinale a opção CORRETA. I. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL poderá ser incluída na Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA, a qual é mais abrangente que a anterior. II. Quando a Entidade evidenciar o resultado e sua destinação nas Notas Explicativas, está desobrigada de publicar a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA. III. A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumula dos – DLPA discriminará, entre outros, o saldo do início do período, as reversões de reservas de lucro e o lucro líquido do exercício. A sequência CORRETA é: a) F, F, V. b) F, V, F. c) V, F, V. d) V, V, F. Solução da questão Os itens I e II não estão de acordo com a Lei 6.404/76 e suas alterações, o item III é o único correto, visto que encontra-se em consonância o artigo 186, que dispõe: “Art. 186. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discriminará: I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial; II - as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício; III - as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período. § 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes. § 2º A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social e poderá ser incluída na demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elaborada e publicada pela companhia. ” Alternativa correta: A. 2.(ANALISTA/ESAF/ADAPTADA) Analise as informações retiradas da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados de uma empresa comercial referente ao período de 01.01.20X6 a 31.12.20X6. Com base nestes dados, o saldo ao final do período da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados é de: (a) R$ 1.000,00; (b) R$ 1.500,00; (c) R$ 1.400,00; (d) R$ 2.400,00; (e) Zero. Solução da questão Com as informações fornecidas na questão, elaboramos a DLPA abaixo: DLPA - exercício findo em 31/12/20X6 da Cia XYZ S.A (R$) saldo em 31 de dezembro de 20X5 0,00 (+/-) resultado do período (700,00) (+) reversão de reservas de exercício anteriores 1.200,00 (-) proposta da administração para distribuição do lucro (500,00) transferências para reservas (200,00) dividendos a distribuir (300,00) saldo em 31 de dezembro de 20X6 0,00 Alternativa correta: E. Dividendos Distribuídos RS 300,00 Prejuízo do exercício R$ 700,00 Reversão de Reserva de Exercícios Anteriores R$ 1.200,00 Transferências para Reservas R$ 200,00 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido 1. (CONTADOR JUNIOR/CESGRANRIO/ADAPTADA) Em uma companhia S/A, a DMPL, levando em conta os aspectos técnico–conceituais e as determinações da Lei Societária, NBC TG 26 R(4) e NBC TG 1.000 (R1) é considerada uma demonstração a) obrigatória, nos dizeres exclusivos da Lei das S/A. b) utilizada somente para evidenciar as mutações ocorridas nas contas de Capital Subscrito e Capital a Realizar. c) que não pode ser substituída pela DLPA em hipótese alguma. d) menos completa que a DLPA, vez que não apresenta informações sobre a distribuição do resultado. e) para evidenciar as alterações das contas de Capital Social, Reservas de Capital e de Lucros, Ajustes de Avaliação Patrimonial, Ações em Tesouraria e Lucros Prejuízos Acumulados. Solução da questão A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido -DMPL não é obrigatória pela Lei nº 6.404/76. Entretanto, a CVM através da instrução normativa nº 59/86, determina a sua publicação para as companhias abertas, assim como a NBC TG 26 (R5). Logo, a DMPL evidencia toda a movimentação ocorrida no Patrimônio Líquido em um dado período. A NBC TG 26 (R5), que trata das demonstrações contábeis, apresenta no item 106 como devem ser incluídas as seguintes informações: ▪ para cada componente do patrimônio líquido, a conciliação do saldo no início e no final do período, demonstrando-se separadamente as mutações decorrentes: (v) do resultado líquido; (vi) de cada item dos outros resultados abrangentes; (vii) de transações com os proprietários realizadas na condição de proprietário, demonstrando separadamente suas integralizações e as distribuições realizadas, bem como modificações nas participações em controladas que não implicaram perda do controle. Portanto, a alternativa correta: E. http://www.contabilbr.com/textos/contabilidade/conceito_de_patrimonio_liquido.html 2. (CONTADOR/CFC/ADAPTADA) Uma sociedade empresária, cujo Patrimônio Líquido no início do período somava R$100.000,00, apresentou, no ano de 20X1, as seguintes mutações em seu Patrimônio Líquido: Lucro Líquido do Período R$20.000,00 Destinação do lucro para reservas R$15.000,00 Destinação do lucro para dividendos obrigatórios R$5.000,00 Aquisição de ações da própria companhia R$2.000,00 Integralização de Capital em dinheiro R$9.000,00 Incorporação de Reservas ao Capital R$4.000,00 Em 31.12.20X1, o saldo do Patrimônio Líquido será: a) R$108.000,00; b) R$118.000,00; c) R$122.000,00; d) R$124.000,00. Solução da questão Analisando o total do PL em 1º.1.20X1, antes das movimentações, apresentava o valor de R$100.000,00. A partir da movimentação ocorrida, passou a apresentar R$ 122.000, conforme explicação a seguir: ▪ 20.000 (aumento do PL em virtude do lucro do período); ▪ 5.000 (diminuição do PL em virtude de transferência do lucro para dividendos a pagar); ▪ 2.000 (diminuição do PL em virtude de aquisição de ações da própria companhia) ▪ 9.000 (aumento do PL em virtude da integralização de capital); Total do PL =R$ 122.000 Alternativa correta: C. Exercícios Extra: 1. (CONTADOR/CFC/2016.2) Uma Sociedade Empresária apresentava, em 31.12.2014, os seguintes saldos nas contas do Patrimônio Líquido: Conta Saldos em R$1,00 Capital Subscrito 400.000 Capital a Integralizar 250.000 Reserva para Contingências 40.000 Reserva Legal 10.000 No ano de 2015, os seguintes eventos afetaram os saldos das contas do Patrimônio Líquido: Considerando-se os dados apresentados, assinale a opção CORRETA que apresenta a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido compatível com os eventos ocorridos entre 1º.1.2015 e 31.12.2015. Eventos Valores em R$1,00 Integralização de capital em dinheiro 200.000 Lucro do período 100.000 Destinação do lucro para Reserva Legal 5.000 Destinação do lucro para Reserva Estatutária 57.000 Destinação do lucro para Dividendos Obrigatórios 38.000 2. (CONTADOR/CFC/2016.1) Com relação à Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA, julgue os itens abaixo como Verdadeiros (V) ou Falsos (F) e, em seguida, assinale a opção CORRETA. I. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL poderá ser incluída na Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA, a qual é mais abrangente que a anterior. II. Quando a Entidade evidenciar o resultado e sua destinação nas Notas Explicativas, está desobrigada de publicar a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA. III. A Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA discriminará, entre outros, o saldo do início do período, as reversões de reservas de lucro e o lucro líquido do exercício. A sequência CORRETA é: a) F, F, V. b) F, V, F. c) V, F, V. d) V, V, F. 3. (CONTADOR/CFC/2015.2) Em relação à Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL, julgue os itens abaixo como Verdadeiros (V) ou Falsos (F) e, em seguida, assinale a opção CORRETA.I. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL é uma demonstração de apresentação obrigatória pela Lei das Sociedades por Ações. II. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL poderá substituir a Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados – DLPA, pois as informações apresentadas na DLPA fazem parte da DMPL. III. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL evidencia quais contas sofreram alterações e os respectivos montantes, que deram origem às transformações ocorridas no Patrimônio Líquido. IV. A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL deve evidenciar apenas as alterações ocorridas no Patrimônio Líquido relativas à parte dos acionistas não controladores. A sequência CORRETA é: a) F, V, F, V. b) F, V, V, F. c) V, F, F, V. d) V, F, V, F. 4. (CONTADOR/CFC/2015.1) Uma Sociedade Empresária apresentava, em 1o.1.2014, os seguintes saldos em suas contas de Patrimônio Líquido: Capital Subscrito R$500.000,00 Credora Capital a Integralizar R$150.000,00 Devedora Reserva Legal R$30.000,00 Credora Reserva de Lucros para Expansão R$50.000,00 Credora Durante o ano de 2014, essa sociedade apresentou as seguintes movimentações Integralização de capital em dinheiro no montante de R$80.000,00. Lucro Líquido do período no montante de R$120.000,00. Destinação do lucro para dividendos obrigatórios a pagar de R$65.000,00. Destinação do lucro para Reserva Legal de R$6.000,00. Destinação do lucro para Reserva de Lucros para Expansão de R$49.000,00. Considerando que houve apenas esses saldos e movimentações, o saldo do Patrimônio Líquido da empresa, em 31.12.2014, era de: a) R$565.000,00. b) R$630.000,00. c) R$865.000,00. d) R$930.000,00. Solução: Capital Subscrito Capital a Integralizar Reserva Legal Reserva de Lucros para Expansão Lucros Acumulado s Total Saldo inicial 500.000,00 - 150.000,00 30.000,00 50.000,00 430.000,00 Integralização de capital em dinheiro 80.000,00 80.000,00 Lucro Líquido do período 120.000,00 120.000,00 Destinação do lucro para dividendos obrigatórios - 65.000,00 - 65.000,00 Destinação do lucro para Reserva Legal 6.000,00 - 6.000,00 - Destinação do lucro para Reserva de Lucros para Expansão 49.000,00 - 49.000,00 - - Total 500.000,00 - 70.000,00 36.000,00 99.000,00 - 565.000,00 Gabarito: 1. C 2. A 3. A 4. A Demonstração do Valor Adicionado e Notas Explicativas Exercícios de Fixação Demonstração do Valor Adicionado. 1.(CONTADOR/PETROBRAS/ADAPTADA) A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) evidencia o(a): (a) quanto de riqueza uma empresa adicionou, de que forma essa riqueza foi distribuída e o quanto ficou retido na empresa. (b) valor adicionado originado das operações, os recursos oriundos das atividades de financiamento e o saldo de caixa resultante no final do período. (c) montante de riqueza que uma empresa adicionou, o quanto dessa riqueza foi distribuída para os agentes e acionistas e os lucros retidos pela empresa sem destinação específica. (d) receita adicionada pela empresa deduzida das despesas operacionais, exceto a financeira, e o total de lucros retidos em forma de reservas. (e) riqueza adicionada pela empresa, a distribuição dos dividendos realizada e a variação do patrimônio líquido no exercício. Solução da questão A DVA tem por objetivo demonstrar o valor da riqueza econômica gerada pelas atividades da empresa como resultante de um esforço coletivo e sua distribuição entre os elementos que contribuíram para a sua criação. Desse modo, a DVA acaba por prestar informação a todos os agentes econômicos interessados na empresa, tais como empregados, clientes, fornecedores, financiadores e governo. Assim, pode-se conhecer o quanto a empresa gerou de riqueza e como essa riqueza foi distribuída em benefício da coletividade, bem como qual foi a parcela de contribuição de cada setor da coletividade na formação dessa mesma riqueza. Salienta-se que o valor adicionado que é demonstrado na DVA corresponde à diferença entre o valor da receita de vendas e os custos dos recursos adquiridos de terceiros. Alternativa correta: A 2. (FISCAL/ICMS RJ/ADAPTADA) A Cia Petrópolis apresentava os seguintes dados para a montagem da Demonstração do Valor Adicionado em 31.12.X0: • Vendas R$ 1.000,00 (incluindo R$ 190,00 de impostos incidentes sobre vendas) • Compra de matéria-prima R$ 240,00 (incluindo R$ 80,00 de impostos recuperáveis incidentes sobre as compras) • Despesas de Salários R$ 200,00 • Despesa de Juros R$ 140,00 • Estoque inicial de matéria prima zero • Estoque final de matéria prima zero Assinale a alternativa que indique corretamente o valor adicionado a distribuir da Cia Petrópolis em 31.12.X0: (a) R$ 310,00; (b) R$ 510,00; (c) R$ 620,00; (d) R$ 650,00; (e) R$ 760,00. Solução da questão O examinador solicita a primeira parte da DVA, assim, devemos demonstrar de forma detalhada a riqueza criada pela entidade com os seus principais componentes. Para encontrarmos o valor do CMV, utilizamos a seguinte fórmula: CMV= EI+ C - EF: onde: CMV - Custo da Mercador Vendida EI - Estoque Inicial C - Compras EF- Estoque Final. CMV= 0 +240,00 - 0 Logo, o valor encontrado para o CMV é de 240,00, a partir dessa informação, vamos elaborar a DVA. Demonstração do Valor Adicionado RECEITAS ........................................................................................... 1.000,00 Receita bruta .................................................................................... 1.000,00 INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui ICMS e IPI) ............................................................................. (240,00) (-) CMV ............................................................................................ (240,00) (=) VALOR ADICIONADO BRUTO ........................................................ 760,00 (-) RETENÇÕES.......................................................................................... 0,00 (=) VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE ................................................................................... 760,00 (+) VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA ............................................................................... 0,00 (=) VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR .................................. 760,00 Alternativa correta: E Notas Explicativas 1.(CONTADOR/DPE-MT) Em 20 de fevereiro de 2014, um incêndio destruiu a fábrica de uma filial da empresa “X”, que teve perda de parte importante de suas máquinas. Em 01 de março de 2014, a administração da empresa autorizou a divulgação das demonstrações contábeis de 31 de dezembro de 2013. Assinale o posicionamento correto da empresa, em relação ao incêndio, nas demonstrações contábeis publicadas em março de 2014. a) Gerar um ajuste no patrimônio líquido das demonstrações contábeis de 31/12/2013, mas não evidenciar nas notas explicativas. b) Não gerar ajuste nas demonstrações contábeis, mas evidenciar nas notas explicativas. c) Não gerar ajustes e nem evidenciar nas notas explicativas d) Mencionar o fato no Relatório da Administração apenas. e) Divulgar um fato relevante para o mercado acionário. Solução da questão Ao analisar a assertiva, encontramoso embasamento técnico na alínea (i) do parágrafo 5º do artigo 176 da Lei 6.404/76 e nos itens 8,10 da NBC TG 24 (R1), seguem os embasamentos. Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: § 5 As notas explicativas devem: IV – indicar: i) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia. Grifo nosso. Já a NBC TG 24 (R1) aduz que: 8. A entidade deve ajustar os valores reconhecidos em suas demonstrações contábeis para que reflitam os eventos subsequentes que evidenciem condições que já existiam na data final do período contábil a que se referem às demonstrações contábeis. 10. A entidade não deve ajustar os valores reconhecidos em suas demonstrações contábeis por eventos subsequentes que são indicadores de condições que surgiram após o período contábil a que se referem às demonstrações. Grifo nosso. Alternativa correta: B. 2. (ANALISTA/ESAF/ADAPTADA) Uma empresa encerrou o exercício social em 31.12.20X0. Em janeiro de 20X1, antes de efetuar a publicação das Demonstrações Contábeis, obtém um empréstimo significativo que irá alterar a sua estrutura de capital. Qual deve ser o procedimento de evidenciação a ser seguido pela empresa para comunicar o fato? (a) Não é necessário nenhum procedimento específico; (b) Deve alterar as Demonstrações Contábeis de 31.12.20X0; (c) Apresentar exclusivamente nas Demonstrações Contábeis de 20X1; (d) Evidenciação em Nota Explicativa; (e) Apresentar como Ajuste de Exercícios Anterior Solução da questão Quando houver fatos subsequentes à data do encerramento até a sua publicação, que tenham efeitos relevantes sobre a situação patrimonial ou financeira da empresa ou ainda efeitos sobre seus resultados futuros, os mesmos deverão ser incluídos nas NEs. De acordo com a alínea (i) § 5 do artigo 176 da Lei nº 6.404/76 com as alterações da Lei 11.941/09. Alternativa correta: D. Lista Extra de Exercícios: Exercícios sobre CPC09 - DVA 1. (BACHAREL 2012 2 Q 14) Assinale a opção que apresenta exemplo de valores que reduzem o valor adicionado bruto, por estarem incluídos nos insumos adquiridos de terceiros, na Demonstração do Valor Adicionado (DVA). a) Salários de empregados, computados no custo dos produtos vendidos. b) Estoque de matéria-prima. c) Despesas com serviço de representação comercial, prestada por terceiros. d) Aluguéis de máquinas utilizadas na produção. 2. (BACHAREL 2012 1 Q 1) Uma sociedade empresária apresentou os seguintes dados para a elaboração da Demonstração do Valor Adicionado: Receita Bruta de Vendas R$800.000,00 (-) Tributos sobre as Vendas R$136.000,00 Receita Líquida R$664.000,00 (-) Custo das Mercadorias Vendidas R$498.000,00 Lucro Bruto R$166.000,00 Despesa com Pessoal R$90.000,00 Despesa com Depreciação R$8.000,00 Despesa de Juros sobre Empréstimos R$3.000,00 Resultado antes dos Tributos sobre o Lucro R$65.000,00 Imposto de Renda R$16.250,00 Contribuição Social R$5.850,00 Resultado do Período R$42.900,00 Informações adicionais: I. O custo de aquisição da mercadoria vendida foi calculado da seguinte forma: Valor da Mercadoria R$600.000,00 ICMS Recuperado R$102.000,00 Custo Aquisição R$498.000,00 II. O valor da despesa com Pessoal é composto dos seguintes gastos: Salários, Férias e 13º Salário R$65.000,00 INSS R$25.000,00 Total R$90.000,00 De acordo com a Demonstração do Valor Adicionado, elaborada a partir dos dados fornecidos, assinale a opção INCORRETA. a) O Valor adicionado a distribuir é R$192.000,00. b) O Valor adicionado a distribuir é R$294.000,00. c) O valor da remuneração de capital de terceiros é de R$3.000,00. d) O valor distribuído para pessoal é de R$65.000,00. Solução: Receita Bruta de Vendas 800.000,00 Valor da Mercadoria Vendida 600.000,00 valor adicionado bruto 200.000,00 depreciação 8.000,00 Valor adicionado líquido gerado pela empresa 192.000,00 Resposta: b 3. (Exame de suficiência 2012-1 Q 11) Na Demonstração do Valor Adicionado, a despesa com aluguel, a energia elétrica consumida no período e o resultado positivo da equivalência patrimonial são evidenciados, respectivamente, como: a) insumos adquiridos de terceiros; insumos adquiridos de terceiros e remuneração do capital próprio. b) insumos adquiridos de terceiros; remuneração do capital de terceiros e valor adicionado recebido em transferência. c) remuneração do capital de terceiros; insumos adquiridos de terceiros e valor adicionado recebido em transferência. d) remuneração do capital de terceiros; remuneração do capital de terceiros e remuneração do capital próprio. 4. (CONTADOR/CFC/2015.1) Uma Sociedade Empresária, tributada pelo lucro real, realizou as seguintes operações com mercadorias: Aquisição de 400 unidades de mercadoria pelo valor total de R$80.000,00, neste valor incluídos ICMS na alíquota de 18%; e PIS e Cofins na alíquota de 1,65% e 7,6%, respectivamente. Venda de 200 unidades de mercadoria por R$70.000,00. Sobre a venda, incidiram tributos nas alíquotas de: ICMS – 18%; PIS – 1,65%; e Cofins – 7,6%. A empresa não apresentava estoque inicial. A contribuição dessas transações para o Valor Adicionado a Distribuir, apurada em conformidade com a NBC TG 09 – Demonstração do Valor Adicionado, é de: a) R$40.900,00. b) R$37.200,00. c) R$30.000,00. d) R$21.825,00. Gabarito: 1. D 2. B 3. C 4. C Indicadores de Rentabilidade / Produtividade / Lucratividade Objetivo O objetivo geral desses quocientes é avaliar a situação Econômica da empresa. Tais índices medem, em geral, os retornos de capitais através de lucros ou receitas. Dessa forma a grande maioria desses índices relaciona elementos extraídos do balanço patrimonial com elementos da demonstração do resultado do exercício. Demonstrações Contábeis que servirão de base para cálculos dos indicadores nos exemplos: Balanço Patrimonial - 2013 Ativo Passivo + PL Ativo Circulante 35.000,00 Passivo Circulante 57.000,00 Ativo Não Circulante 61.000,00 Passivo Não Circulante 15.000,00 Realizável a Longo Prazo 16.000,00 Patrimônio Líquido 24.000,00 Investimento 12.000,00 Imobilizado 26.000,00 Intangível 7.000,00 Demonstração do Resultado do Exercício (em R$) Receita Operacional Líquida 156.000 Custo dos Produtos Vendidos (82.000) Lucro Bruto 74.000 Despesas Operacionais (29.000) Com Vendas (11.000) Gerais e Administrativas (40.000) Outras Receitas 7.000 Resultado Financeiro Líquido 15.000 Lucro Antes do IR 45.000 Imposto de Renda (10.800) Lucro Líquido 34.200 Giro do Ativo (GA) – Indica quanto a empresa obtém de receita de vendas para cada R$ 1,00 de investimento total no ativo. GA = Receita de Vendas (Líquidas) Ativo GA = 156.000 = 1,63 96.000 Onde, Receita de Vendas representa R$ 156.000, e Ativo Total R$ 96.000. Interpretação: para cada R$ 1,00 investido no ativo total da empresa, esta obtém uma receita de vendas de R$ 1,63. OBS: Alguns analistas utilizam para cálculo do GA, o Ativo Médio, que representa a média aritmética entre o valor do ativo total no balanço de encerramento do exercício anterior e no balanço de encerramento do exercício atual. “Para fins de divulgação na demonstração do resultado, a receita inclui somente os ingressos brutos de benefícioseconômicos recebidos e a receber pela entidade quando originários de suas próprias atividades. As quantias cobradas por conta de terceiros – tais como tributos sobre vendas, tributos sobre bens e serviços e tributos sobre valor adicionado não são benefícios econômicos que fluam para a entidade e não resultam em aumento do patrimônio líquido. Portanto, são excluídos da receita. Da mesma forma, na relação de agenciamento (entre o principal e o agente), os ingressos brutos de benefícios econômicos provenientes dos montantes arrecadados pela entidade (agente), em nome do principal, não resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade (agente), uma vez que sua receita corresponde tão-somente à comissão combinada entre as partes contratantes”¹. Giro do Ativo Operacional (GAOP) – Indica quanto a empresa obtém de receita de vendas para cada R$ 1,00 de investimento no seu ativo operacional. Ativo Operacional – Composto por: Ativo Circulante, Imobilizado e Intangível. O ativo Realizável á Longo Prazo, que representa os créditos a longo prazo da empresa que só se converterão em dinheiro a longo prazo e o Investimento, que representa os bens da empresa não destinados a manutenção de suas atividades serão excluídos do cálculo do ativo operacional. GAO = Receita de Vendas (Líquidas) Ativo Operacional GAOP = 156.000_______ = 2,29 35.000 + 26.000 + 7.000 Onde, Ativo Circulante representa R$ 35.000, Imobilizado representa R$ 26.000 e Intangível representa R$ 7.000. Interpretação: Para cada R$ 1,00 de investimento no ativo operacional, a empresa obtém de receita de vendas de R$ 2,29. Margem Bruta (MB) – também chamada de Lucratividade Bruta, indica a margem de lucro de uma empresa nas vendas de seus produtos. Esse índice indica a capacidade da empresa transformar as receitas de vendas em lucro bruto. MB = Lucro Bruto Receita de Vendas (Líquida) MB = 74.000 = 0,4744 (ou 47%) 156.000 Onde, Lucro Bruto representa R$ 74.000. Interpretação: Nas operações de vendas de mercadorias, a empresa tem uma margem de lucro de 47%, isto é, o lucro nas vendas corresponde a 47% da Receita de Vendas. Margem Operacional (MOP) – também chamada de Lucratividade Operacional, esse índice indica a capacidade de a empresa transformar as receitas de vendas em lucro operacional. Desse modo, seu cálculo pode ser feito mediante o uso da seguinte fórmula: MOP = Lucro Operacional Receitas de Vendas (Líquida) MOP = 45.000 = 0,2885 (ou 29%) 156.000 Onde, Lucro Operacional representa R$ 45.000. Interpretação: 29% da receita de vendas se transformam em lucro operacional. Margem Líquida (ML) – também chamada de Lucratividade Líquida, esse índice indica a capacidade da empresa transformar as receitas de vendas em lucro líquido. Seu cálculo pode ser feito mediante o uso da seguinte fórmula: ML = Lucro Líquido Receita de Vendas (Líquida) ML = 34.200 = 0,2192 (ou 22%) 156.000 Onde, Lucro Líquido representa R$ 34.200. Interpretação: 22% da receita de vendas se transformam em lucro líquido. Retorno (ou Rentabilidade ou Lucratividade) do Ativo (RA) – Também chamado de rentabilidade ou Lucratividade sobre o Investimento Total, esse índice indica quanto a empresa obtém de lucro para cada R$ 1,00 de investimento total no ativo. RA = Lucro Líquido Ativo RA = 34.200 = 0,36 (ou 36%) 96.000 Onde, Lucro Líquido representa R$ 34.200 e Ativo representa R$ 96.000. Interpretação: Para cada R$ 1,00 de investimento total do ativo, a empresa obtém R$ 0,36 de lucro líquido. De outro modo, o lucro líquido da empresa deu um retorno de 36% sobre seu investimento total no ativo. O RA também pode ser calculado utilizando a fórmula “Du Pont”: RA = ML x GA RA = 22% x 1,63 = 0,36 (ou 36%) Retorno (ou Rentabilidade) operacional do Ativo (ROA) – Indica quanto á empresa obtém de lucro operacional para cada R$ 1,00 de investimento total no ativo. ROA = MOP x GA ROA = 29% x 1,63 = 0,47 (ou 47%) Interpretação: Para cada R$ 1,00 investido no ativo total, a empresa obtém um lucro operacional de R$ 0,47. De outro modo, o lucro operacional da empresa deu um retorno de 47% sobre seu investimento total no ativo. Retorno (ou Rentabilidade) do Ativo Operacional (RAOP) – Esse índice indica quanto a empresa obtém de lucro operacional para cada R$ 1,00 de investimento no seu ativo operacional. RAOP = MOP x GAOP RAOP = 29% X 2,29 = 0,66 (ou 66%) Interpretação: Para cada R$ 1,00 investido no ativo operacional, a empresa obtém um lucro operacional de R$ 0,66. De outro modo, o lucro operacional da empresa deu um retorno de 66% sobre seu investimento no ativo operacional. Retorno (ou Rentabilidade) do Capital Próprio (RCP) – Indica o lucro líquido que os sócios obtiveram para cada R$ 1,00 que investiram no capital próprio da empresa. De outro modo, representa o retorno percentual que o lucro líquido de determinado exercício social dá sobre o investimento dos sócios da empresa. RCP = Lucro Líquido Patrimônio Líquido RCP = 34.200 = 1,42 24.000 Interpretação: Para cada R$ 1,00 investido no PL, a empresa obtém um lucro líquido de R$ 1,42. De outro modo, o lucro líquido da empresa deu um retorno de 142% sobre seu investimento PL. Exercícios 1ª Questão - Prova: IDECAN - 2013 - COREN-MA - Contador – Uma empresa comercial encerrou o exercício financeiro apresentando lucro líquido e R$ 250.000, e em seu balanço os seguintes dados: Balanço Patrimonial - 2013 Ativo R$ Passivo + PL R$ Circulante 50.000,00 Circulante 40.000,00 Disponível 50.000,00 Duplicatas a Pagar 40.000,00 Ativo Não Circulante 950.000,00 Passivo Não Circulante 610.000,00 Imobilizado 950.000,00 Financiamentos 610.000,00 Patrimônio Líquido 350.000,00 Capital 100.000,00 Reservas de Lucros 250.000,00 Total do Ativo 1.000.000,00 Total do Passivo 1.000.000,00 Considerando os dados apresentados, a empresa demonstra Taxa de Retorno de Investimentos de: (RA) R: RSA = LL / AT .... RSA = 250.000 / 1.000.000 = 0,25 A cada R$1,00 investido no Ativo, a empresa obtém, de lucro líquido, R$0,25. Pelo resultado da aplicação do indicador podemos entender que todo o investimento no ativo gera lucro de 25% do capital investido. Podemos entender também que se esse cenário permanecer pelos próximos anos, o payback é de 4 anos. 2ª Questão - Prova: CFC - 2012 - CFC - Contador - Uma sociedade empresária apresentou os seguintes indicadores nos últimos três exercícios: Indicador 2009 2010 2011 Quociente de Endividamento 1,00 2,00 3,00 Rentabilidade sobre o Patrimônio Líquido 18% 21% 24% Rentabilidade sobre o Ativo 15% 15% 15% Margem Líquida 10% 6% 5% A partir da análise dos indicadores, é correto afirmar que: http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/idecan-2013-coren-ma-contador http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/cfc-2012-cfc-contador a. A elevação do endividamento ao longo dos anos tem reduzido a rentabilidade proporcionada aos proprietários. INCORRETA – a rentabilidade do PL vem aumentando b. A taxa de retorno sobre o Ativo tem se mantido em 15% apesar da queda na margem líquida, porque a empresa tem aumentado o giro do ativo. CORRETO – pois retorno sobre o ativo também é medido pela ML (margem líquida) X GA (giro do ativo) c. Do ponto de vista dos proprietários, a empresa está a cada dia menos lucrativa e menos arriscada. INCORRETO – a empresa apresenta RSPL maior a cada ano e apresenta endividamentomaior a cada ano, o que pode aumentar o risco do negócio. d. O custo médio do capital de terceiros é inferior a 15% a.a., uma vez que a rentabilidade do Patrimônio Líquido supera a rentabilidade sobre o Ativo. INCORRETO – as informações apresentadas não são suficientes para determinar que esta afirmativa é 100% correta. 3ª Questão - Prova: CESGRANRIO - 2011 - BNDES - Profissional Básico - Ciências Contábeis Entre os indicadores econômico-financeiros abaixo, qual se relaciona à rentabilidade da empresa? a. Ativo circulante ÷ passivo circulante (indicador de liquidez) b. Ativo permanente ÷ patrimônio líquido (indicador de imobilização) c. Passivo circulante ÷ ativo total (indicador de endividamento) d. Passivo exigível total ÷ ativo total (indicador de endividamento) e. Lucro líquido no exercício ÷ ativo total médio 4ª Questão - Prova: FUNCAB - 2011 - Prefeitura de Várzea Grande - MT - Auditor de Controle Interno Com o objetivo de analisar diversas Demonstrações Contábeis de um conjunto de empresas que solicitaram financiamento, ficou decidido que inicialmente, ser iam escolhidos apenas 3 indicadores, de tal maneira que fosse possível fazer uma espécie de ranking das empresas de acordo com sua situação geral e também que não se perdessem muitas horas de trabalho nessas análises preliminares. A alternativa que apresenta indicadores que possibilitam avaliar a situação econômica e financeira das empresas, permitindo a partir dessa análise prévia descartar as empresas com menor potencial de pagamento dos financiamentos solicitados, é composta de indicadores: a. De liquidez corrente, liquidez geral e liquidez seca, pois são os indicadores determinantes para avaliar a capacidade de pagamento. b. De endividamento, pois eles é que determinarão as margens de comprometimento dos recursos totais das empresas. c. De liquidez, de endividamento e de rentabilidade, pois são um conjunto de informações que se completam para fins de obtenção de uma análise ampla. d. De liquidez, da taxa de retorno sobre o investimento e índices de atividade, pois são um conjunto de informações que se completam para fins de obtenção de uma análise ampla. e. De endividamento, de liquidez e de atividade, pois são um conjunto de informações que se completam para fins de obtenção de uma análise ampla. http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/cesgranrio-2011-bndes-profissional-basico-ciencias-contabeis http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/cesgranrio-2011-bndes-profissional-basico-ciencias-contabeis http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/funcab-2011-prefeitura-de-varzea-grande-mt-auditor-de-controle-interno http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/funcab-2011-prefeitura-de-varzea-grande-mt-auditor-de-controle-interno 5ª Questão - Prova: CESGRANRIO - 2011 - Petrobrás - Contador Júnior - 2011 - A Cia. Minesso S/A, realizando análise de investimentos em capital de giro, está estudando duas alternativas, conforme se observa abaixo. Itens Investimento ZZ em Capital de Giro Investimento YY em Capital de Giro Ativo Circulante 950.000,00 1.900.000,00 Ativo Imobilizado 3.000.000,00 3.000.000,00 Total do Ativo 3.950.000,00 4.900.000,00 Passivo Circulante 900.000,00 650.000,00 Passivo Não Circulante 550.000,00 1.750.000,00 Patrimônio Líquido 2.500.000,00 2.500.000,00 Total do Passivo 3.950.000,00 4.900.000,00 Juros 417.500 juros 775.000 Além disso, sabe-se que: • O custo de capital de curto prazo atinge 25%, e o de longo prazo atinge 35%. • A empresa apresenta um lucro operacional bruto de R$ 800.000,00. • A alíquota do IR é de 25%. Considerando exclusivamente as informações acima, o retorno, em percentual, sobre o Patrimônio Líquido dos investimentos ZZ e YY, respectivamente, foi de: a. 13,45% e 1,25% b. 12,72% e 1,18% c. 11,48% e 0,75% d. 11,22% e 0,71% e. 11,10% e 0,65% 6ª Questão - Prova: CEPERJ - 2011 - SEDUC-RJ - Professor - Administração – Determinada empresa apresentou uma venda no valor de R$ 40.000. Pagou comissão de vendas de 5% sobre a receita de venda, impostos sobre vendas de 20%, despesas administrativas de R$ 8.000 e um custo de mercadorias vendidas de R$ 15.000. Ainda pagou 30% de imposto de renda sobre o lucro líquido. Sabendo-se que a empresa apresenta um patrimônio líquido de $50.000, o retorno sobre o capital próprio, desprezando-se os arredondamentos é: a. 14% b. 10% c. 20% d. 34% e. 50% 7ª Questão - Prova: CEPERJ - 2011 - SEDUC-RJ - Professor - Administração Balanço Patrimonial - 2013 Ativo R$ Passivo + PL R$ Circulante 10.000,00 Circulante 7.000,00 Disponível 1.000,00 Duplicatas a Pagar 7.000,00 http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/cesgranrio-2011-petrobras-contador-junior-2011 http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/ceperj-2011-seduc-rj-professor-administracao http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/ceperj-2011-seduc-rj-professor-administracao Duplicatas a Receber 7.000,00 Estoques 2.000,00 Ativo Não Circulante 35.000,00 Passivo Não Circulante 7.000,00 Realizável a Longo Prazo 3.000,00 Financiamentos 7.000,00 Imobilizado 32.000,00 Patrimônio Líquido 31.000,00 Capital 31.000,00 Total do Ativo 45.000,00 Total do Passivo 45.000,00 A empresa anuncia garantir aos futuros sócios uma rentabilidade dos investimentos ou taxa interna de retorno de 33% para o próximo ano. Com base no Balanço Patrimonial acima, o valor esperado do lucro será: RSA = LL/Ativo total Se a RSA = 33% e o AT = 45.000, Logo, 33% = LL/45.000 Então, LL = 45.000 x 33% = 14.850,00 a. $3.300 b. $4.620 c. $10.230 d. $10.560 e. $14.850 9ª Questão - Prova: CESPE - 2010 - INMETRO - Analista - Ciências Contábeis - Informações contábeis da empresa X Criado pela E. I. Du Pont de Nemours and Company, como medida de desempenho gerencial, o retorno sobre os investimentos (ROI) relaciona a margem de lucro (ML) com o giro dos ativos (GA). Considerando esses indicadores contábeis e as informações da tabela acima, assinale a opção correta. Roi = rsa = ll/at === 1.º passo = LL = 100.000 – 90.000 = 10.000 LL/AT = 10.000/50.000 = 0,2 ou 20% Ga = venda/ativo ==== 100.000/50.000 = 2 Ml (margem líquida) = ll/vendas === 1.º passo = LL = 100.000 – 90.000 = 10.000 LL/vendas = 10.000/100.000 = 0,10 ou 10% = ML http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/cespe-2010-inmetro-analista-ciencias-contabeis a. O ROI é superior a 18%. b. O GA é igual a 5. c. O GA é superior a 5. d. A ML é igual a 50%. e. A ML é inferior a 5%. 10ª Questão - Prova: CESPE - 2010 - ABIN - Oficial Técnico de Inteligência - Área de Ciências Contábeis – Determinada empresa tem investimentos de R$ 6.200.000,00 em ativos circulantes e R$7.800.000,00 em ativos não circulantes. A demonstração de resultado da empresa mostra que suas receitas líquidas somam R$ 9.000.000,00; o custo dos produtos vendidos, R$ 3.700.000,00; e as despesas operacionais, excluindo-se as financeiras, R$ 1.400.000,00. Atualmente, metade de seus investimentos é financiada por terceiros, com um custo de captação de 10%. Com base na situação hipotética acima, admitindo a existência de uma alíquota de imposto de renda de 20% sobre o lucro, julgue os itens a seguir. I - O índice do retorno sobre o ativo da empresa foi de aproximadamente 23%. ( ) Certo ( X ) Errado RSA = 2560/14000 = 18,29% II - O índice do retorno sobre o patrimônio líquido foi de aproximadamente 36%. ( X ) Certo ( ) Errado RSPL = 2560/7000 = 36,57% 11ª Questão - Prova: UFPR - 2010 - UFPR - Contador - A rentabilidade de um investimento é baseada na seguinte relação: a. Margem Bruta X Capital Próprio. b. Margem Líquida X Capital Líquido. c. Margem Bruta X Capital Líquido. d. Lucro Bruto X Investimento. e. Margem Líquida X Giro do Ativo. 12ª Questão - Prova: FCC - 2010 - TCM-CE - Analista de Controle Externo- Inspeção Governamental - considere as demonstrações a seguir. Balanço Patrimonial - 2013 Ativo 2013 2012 Passivo + PL 2013 2012 Circulante 39.000 26.000 Circulante 20.500 14.000 Caixa 5.000 3.000 Fornecedores 12.000 9.200 Equivalente de Caixa 9.000,00 6.000 Salários a Pagar 1.200 800 Contas a Receber 15.000 10.000 Tributos a Pagar 2.300 1.000 Estoques 10.000 7.000 Empréstimos 5.000 3.000 http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/cespe-2010-abin-oficial-tecnico-de-inteligencia-area-de-ciencias-contabeis http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/cespe-2010-abin-oficial-tecnico-de-inteligencia-area-de-ciencias-contabeis http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/ufpr-2010-ufpr-contador http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/fcc-2010-tcm-ce-analista-de-controle-externo-inspecao-governamental http://www.questoesdeconcursos.com.br/provas/fcc-2010-tcm-ce-analista-de-controle-externo-inspecao-governamental Ativo Não Circulante 40.500 40.000 Passivo Não Circulante 7.000 5.000 Imobilizado 35.000 32.000 Empréstimos 7.000 5.000 Depreciação Acumulada (4.500) (3.000) Patrimônio Líquido 52.000 47.000 Intangível 10.000 11.000 Capital 43.000 40.000 Reserva de Capital 5.000 5.000 Reservas de Lucros 4.000 2.000 Total do Ativo 79.500 66.000 Total do Passivo 79.500 66.000 Demonstração do Resultado do Exercício (em R$) 2013 2012 Receita Operacional Bruta 180.000 130.000 Vendas de Produtos 180.000 130.000 Deduções da Receita Bruta (38.000) (26.800) Impostos Incidentes s/ vendas (36.000) (26.000) Devoluções e Abatimentos (2.000) (800) Receita Operacional Líquida 142.000 103.200 Custo dos Produtos Vendidos (119.280) (88.546) Lucro Bruto 22.720 14.654 Despesas Operacionais (19.863) (14.500) Com Vendas (6.013) (5.500) Gerais e Administrativas (5.500) (4.000) Despesas Financeiras (8.350) (5.000) Lucro Antes do IR 2.857 154 Imposto de Renda (857) (39) Lucro Líquido 2.000 115 Pede-se: 2013 e 2012 a. Giro do Ativo (GA) VENDAS/ATIVO === 2013: 142.000/79.500 = 1,78 /// 2012: 103.200/66.00 = 1,56 b. Giro do Ativo Operacional (GAOP) VENDAS/AT OPER == 2013: 142.000/79.500 = 1,78 /// 2012: 103.200/66.00 = 1,56 c. Margem Bruta (MB) LB/Vendas === 22.720/142.000 = 16% //// 2012: 14.654/103.200 = 14,2% d. Margem Operacional (MOP) LOp/Vendas === 2013: 2.857/142.000 = 2% //// 2012: 154/103.200 = 0,1% e. Margem Líquida (ML) LL/Vendas === 2013: 2.000/142.000 = 1,4% /// 2012: 115/103.200 = 0,1% f. Retorno (ou Rentabilidade ou Lucratividade) do Ativo (RA) LL/Ativo === 2013: 2.00/79.500 = 0,025 //// 2012: 115/66.000 = 0,0017 g. Retorno (ou Rentabilidade) operacional do Ativo (ROA) MOP X GA === 2013: 2%x1,78 = 0,0356 //// 2012: 0,1%x1,56 = 0,00156 h. Retorno (ou Rentabilidade) do Ativo Operacional (RAOP) MOP X GAOp === 2013: 2%x1,78 = 0,0356 //// 2012: 0,1%x1,56 = 0,00156 i. Retorno (ou Rentabilidade) do Capital Próprio (RCP) LL/PL ==== 2013: 2.000/52.000 = 3,8% /// 2012: 115/47.000 = 0,24%