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Ética Profissional em Serviço Social

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Julia Stolf

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Indaial – 2021
Ética Profissional em 
serviço social
Profª. Vera Lúcia Hoffmann Pieritz
2a Edição
Impresso por:
Copyright © UNIASSELVI 2021
Elaboração:
Profª. Vera Lúcia Hoffmann Pieritz
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
P618e
 Pieritz, Vera Lúcia Hoffmann
 Ética profissional em serviço social. / Vera Lúcia Hoffmann Pieritz. – 
Indaial: UNIASSELVI, 2021.
 227 p.; il.
 ISBN 978-65-5663-542-2
 ISBN Digital 978-65-5663-537-8
1. Ética e Serviço Social. – Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
 
CDD 170
aPresentação
Caro acadêmico!
Iniciamos os estudos de Ética Profissional em Serviço Social. 
Entraremos no mundo intrínseco do relacionamento e do comportamento 
humano e suas regras de conduta, no qual trabalharemos a questão 
da formação dos princípios morais e éticos dos homens que vivem em 
sociedade. Portanto, esta disciplina aborda a compreensão dos significados 
dos princípios norteadores da ética, além de propiciar um conhecimento dos 
fundamentos ético-morais do exercício profissional do Assistente Social e 
promover uma reflexão e uma discussão sobre as questões ético-morais, na 
relação indivíduo e sociedade. 
Esta disciplina pretende, também, fomentar o debate sobre as 
diversas dimensões ético-morais da vida social e profissional, promover uma 
consciência crítica referente aos valores e princípios norteadores do exercício 
profissional e apresentar os fundamentos e significados do código de ética 
dos Assistentes Sociais.
Para que você possa compreender estes conceitos de ética, valores e 
moral e os assuntos pertinentes às questões éticas do cotidiano profissional 
do Assistente Social, proporcionaremos uma reflexão acerca do espaço da 
ética na relação indivíduo e sociedade, de modo que você possa trabalhar 
estes conceitos, permitindo que os mesmos interajam nas dimensões ético-
morais da vida social e profissional.
De modo prático, sobre os assuntos abordados, esta disciplina será 
dividida em três unidades principais.
Na Unidade 1, proporcionaremos uma reflexão dos “fundamentos 
e principais características da ética”, em que destacaremos os sentidos da 
ética, refletindo sobre a problemática da moralidade e ética, o significado e a 
formação do sujeito ético-moral, como também desvelaremos os fundamentos 
éticos. Aprofundaremos os conhecimentos acerca da ética na vida cotidiana, 
buscando compreender as diferenças da ética e moral, como também 
elucidar as questões relativas à consciência moral no desenvolvimento 
humano e à conduta moral do ser humano, refletindo sobre o bem e o mal, 
o certo e o errado. Ampliaremos a percepção referente aos valores e a moral, 
proporcionando um momento de discussão a respeito da essência da moral 
e dos valores e princípios morais. Discorreremos sobre a questão da ética 
na atualidade, perpassando por algumas questões polêmicas referente à 
ética na contemporaneidade, além de fazer algumas reflexões sobre a ética, 
a liberdade e o compliance.
Na segunda unidade, você conhecerá os fundamentos ético-morais 
do exercício profissional dos Assistentes Sociais; promoverá a reflexão e 
discussão sobre as questões ético-morais na relação indivíduo e sociedade; 
fomentará o debate sobre as diversas dimensões ético-morais da vida social 
e profissional e promoverá uma consciência crítica referente aos valores e 
princípios norteadores do exercício profissional do Assistente Social.
No Tópico 1, abordaremos, com detalhes, a natureza, o significado 
e as características fundamentais da ética profissional, além de trabalhar as 
questões relativas ao cotidiano da prática profissional e das finalidades ético-
morais da reprodução social.
No Tópico 2, trabalharemos como se processa o espaço da ética 
na relação indivíduo versus sociedade, no qual perpassamos por alguns 
aspectos históricos da construção ética-moral da sociedade. Demonstramos, 
ainda, a inter-relação natural do comportamento moral entre os homens, 
principalmente na questão da construção subjetiva do homem, ou seja, o 
homem como ser individual.
No Tópico 3, trabalharemos os vários aspectos das relações entre o 
trabalho, a ética e o ser social, verificando as relações éticas no mundo do 
trabalho.
No Tópico 4, abordaremos a questão da ética profissional do serviço 
social e seu projeto ético-político, no qual se trabalhou como se processam as 
intervenções éticas na prática profissional do Assistente Social e seu objeto 
de trabalho, as expressões da questão social.
Na terceira unidade, você compreenderá os fundamentos e 
significados do código de ética dos Assistentes Sociais. Além de ter um link 
com os Conselhos de Fiscalização do Serviço Social.
No Tópico 1, abordaremos os principais fundamentos e significados 
do código de ética dos Assistentes Sociais. 
No Tópico 2, abordaremos uma discussão referente aos direitos 
e deveres gerais do Assistente Social. Direitos e deveres assegurados pelo 
Código de Ética do Assistente Social.
No Tópico 3, somente apresentaremos, na íntegra, o Código de Ética 
do Assistente Social.
No Tópico 4, apresentaremos os diversos Conselhos de Fiscalização 
do Serviço Social, o CFESS – Conselho Federal do Serviço Social e o CRESS – 
Conselho Regional do Serviço Social.
Prontos para começar a compreender o significado da ética 
profissional em serviço social?
Então, mãos à obra!
Bons estudos, e sucesso!
 Profª. Vera Lúcia Hoffmann Pieritz
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela 
um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro 
que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você 
terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complemen-
tares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
LEMBRETE
 Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que 
está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso 
material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o 
material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um forma-
to mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagra-
mação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para 
diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar 
dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institu-
cionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar 
seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de De-
sempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
sumário
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA ............ 1 
TÓPICO 1 — OS SENTIDOS DA ÉTICA .......................................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................................3
2 A PROBLEMÁTICA DA MORALIDADE E ÉTICA ..................................................................... 4
3 O SIGNIFICADO, FUNDAMENTOS E A FORMAÇÃO DO SUJEITO ÉTICO-MORAL ....... 8
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 21
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 23
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA ...... 25
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 25
2 COMPREENDENDO AS DIFERENÇAS DA ÉTICA E MORAL ............................................ 27
3 A ESSÊNCIA DA MORAL .............................................................................................................. 34
4 OS VALORES E PRINCÍPIOS MORAIS ..................................................................................... 37
5 A CONSCIÊNCIA E O SENSO MORAL NO DESENVOLVIMENTO HUMANO ............. 40
5.1 OS ESTÁGIOS DA CONSCIÊNCIA ÉTICA E MORAL: AS ETAPAS DA 
 EVOLUÇÃO HUMANA.............................................................................................................. 43
5.1.1 Primeiro estágio: medo, punição e obediência ............................................................... 45
5.1.2 Segundo estágio: recompensa ............................................................................................ 46
5.1.3 Terceiro estágio: aprovação social ..................................................................................... 48
5.1.4 Quarto estágio: manutenção da ordem social ................................................................. 49
5.1.5 Quinto estágio: proteção do bem-estar coletivo .............................................................. 50
5.1.6 Sexto estágio: zelo pelos princípios éticos universais .................................................... 52
6 A CONDUTA MORAL: O BEM E O MAL, O CERTO E O ERRADO ................................... 54
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 63
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 66
TÓPICO 3 — A QUESTÃO DA ÉTICA NA ATUALIDADE ........................................................ 69
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 69
2 ALGUMAS QUESTÕES POLÊMICAS SOBRE A ÉTICA NA
 CONTEMPORANEIDADE ............................................................................................................. 70
2.1 OS DILEMAS NO ÂMBITO DA FAMÍLIA ............................................................................... 73
2.2 REFLEXÕES SOBRE A SOCIEDADE CIVIL ............................................................................. 74
2.3 PONDERAÇÕES SOBRE OS DILEMAS DO ESTADO .......................................................... 75
3 REFLEXÕES SOBRE A ÉTICA E LIBERDADE ........................................................................... 76
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 83
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 88
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 90
REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................... 91
UNIDADE 2 – A ÉTICA E OS FUNDAMENTOS DA PRÁTICA PROFISSIONAL
 DO ASSISTENTE SOCIAL ..................................................................................... 93
TÓPICO 1 – OS FUNDAMENTOS ÉTICO-MORAIS DO EXERCÍCIO
 PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL ......................................................... 95
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 95
2 A NATUREZA E OS FUNDAMENTOS DA ÉTICA PROFISSIONAL ................................... 95
3 O SIGNIFICADO DA ÉTICA PROFISSIONAL ......................................................................... 97
4 ÉTICA, O COTIDIANO E A PRÁTICA PROFISSIONAL ........................................................ 99
LEITURA COMPLEMENTAR 1 ....................................................................................................... 102
LEITURA COMPLEMENTAR 2 ....................................................................................................... 103
RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 107
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 109
TÓPICO 2 – O ESPAÇO DA ÉTICA NA RELAÇÃO INDIVÍDUO E SOCIEDADE ............ 111
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 111
2 AS BASES HISTÓRICAS DA SOCIEDADE NA CONSTRUÇÃO DA ÉTICA .................. 111
LEITURA COMPLEMENTAR 1 ....................................................................................................... 114
LEITURA COMPLEMENTAR 2 ....................................................................................................... 115
RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 120
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 121
TÓPICO 3 – A RELAÇÃO ENTRE TRABALHO, SER SOCIAL E ÉTICA .............................. 123
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 123
2 O QUE É TRABALHO? ................................................................................................................... 123
3 A ÉTICA DO TRABALHO ............................................................................................................. 124
LEITURA COMPLEMENTAR 1 ....................................................................................................... 127
LEITURA COMPLEMENTAR 2 ....................................................................................................... 128
RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 131
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 133
TÓPICO 4 – A ÉTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL E SEU
 PROJETO ÉTICO-POLÍTICO.................................................................................... 135 
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 135
2 AS INTERVENÇÕES ÉTICAS NA PRÁTICA PROFISSIONAL DO
 ASSISTENTE SOCIAL ................................................................................................................... 135
3 O OBJETO DA PRÁTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL ........................... 136
LEITURA COMPLEMENTAR ......................................................................................................... 141
RESUMO DO TÓPICO 4...................................................................................................................153
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 155
UNIDADE 3 – O CÓDIGO DE ÉTICA DOS ASSISTENTES SOCIAIS BRASILEIROS
 E OS CONSELHOS DE FISCALIZAÇÃO .......................................................... 157
TÓPICO 1 – FUNDAMENTOS E SIGNIFICADOS DO CÓDIGO DE ÉTICA
 DOS ASSISTENTES SOCIAIS ................................................................................. 159
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 159
2 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO CÓDIGO DE ÉTICA ................................................... 160
2.1 LIBERDADE ................................................................................................................................ 160
2.2 DIREITOS HUMANOS .............................................................................................................. 162
2.3 CIDADANIA ............................................................................................................................... 164
2.4 DEMOCRACIA ........................................................................................................................... 166
2.5 EQUIDADE E JUSTIÇA SOCIAL ............................................................................................. 167
2.6 RESPEITO À DIVERSIDADE .................................................................................................... 168
2.7 PLURALISMO ............................................................................................................................. 169
2.8 PROJETO PROFISSIONAL ....................................................................................................... 170
2.9 MOVIMENTOS SOCIAIS .......................................................................................................... 171
2.10 QUALIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS....................................................................... 172
2.11 INDISCRIMINAÇÃO ............................................................................................................... 173
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 175
RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 180
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 184
TÓPICO 2 – DOS DIREITOS E DAS RESPONSABILIDADES GERAIS DO
 ASSISTENTE SOCIAL ............................................................................................... 187
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 187
2 DOS DIREITOS GERAIS DO ASSISTENTE SOCIAL ............................................................ 187
3 DOS DEVERES GERAIS DO ASSISTENTE SOCIAL ............................................................. 188
4 O QUE O ASSISTENTE SOCIAL NÃO PODE FAZER ............................................................ 189
RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 191
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 192
TÓPICO 3 – O CÓDIGO DE ÉTICA DO ASSISTENTE SOCIAL BRASILEIRO .................. 193
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 193
2 O CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DOS/DAS ASSISTENTES SOCIAIS ................ 196
RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 209
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 210
TÓPICO 4 – OS CONSELHOS DE FISCALIZAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL ...................... 211
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 211
2 CFESS – CONSELHO FEDERAL DO SERVIÇO SOCIAL ...................................................... 211
3 CRESS – CONSELHO REGIONAL DE SERVIÇO SOCIAL ................................................... 214
4 OUTRAS ENTIDADES CORRELACIONADAS AO SERVIÇO SOCIAL ........................... 216
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 217
RESUMO DO TÓPICO 4................................................................................................................... 223
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 224
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................... 225
1
UNIDADE 1 — 
FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS 
CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• aprofundar os conhecimentos acerca dos sentidos da ética;
• compreender a problemática da moralidade e ética;
• desvelar o significado e a formação do sujeito ético-moral; 
• ampliar a percepção referente aos fundamentos éticos; 
• perceber as nuances da ética na vida cotidiana; 
• compreender as diferenças da ética e moral; 
• elucidar a consciência moral no desenvolvimento humano; 
• refletir sobre a conduta moral, o bem e o mal, o certo e o errado; 
• desenvolver uma compreensão sobre os valores e a moral; 
• perceber a essência da moral; 
• compreender os valores e princípios morais; 
• elucidar a questão da ética na atualidade;
• compreender algumas questões polêmicas sobre a ética na 
contemporaneidade; 
• fazer reflexões sobre a ética e a liberdade;
• elucidar o compliance no cotidiano profissional.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – OS SENTIDOS DA ÉTICA
TÓPICO 2 – A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA
 COTIDIANA 
TÓPICO 3 – A QUESTÃO DA ÉTICA NA ATUALIDADE
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
2
3
TÓPICO 1 — 
UNIDADE 1
OS SENTIDOS DA ÉTICA
FIGURA 1 – OS DIVERSOS SENTIDOS DA ÉTICA
FONTE: <https://www.previsc.com.br/etica/images/etica.png>. Acesso em: 3 nov. 2020.
“Ética é a concepção dos princípios que eu escolho, moral é a sua prática”.
Mario Sergio Cortella 
1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico, neste tópico, será realizada uma discussão acerca dos 
sentidos da ética, perpassando por uma reflexão a respeito da problemática da 
moralidade e ética, desvelando o significado e a formação do sujeito ético-moral 
e seus fundamentos éticos. 
Ofereceremos subsídios a você, para compreender a questão da ética na 
vida cotidiana, apresentando elementos para elucidar as diferenças da ética e 
moral, pois isso se torna vital para que possamos viver e conviver em sociedade.
Nessa discussão, outro aspecto fundamental é a questão relativa à 
consciência moral no desenvolvimento humano, para que o ser humano possa 
desenvolver uma vida diga e respeitosa perante a sociedade a qual faz parte, já 
que a conduta moral do ser humano faz toda a diferença no desenvolvimento de 
sua qualidade de vida, refletindo na sua dignidade, pois é importante sabermos 
o que faz bem ou mal, o que é certo e errado em nossas ações cotidianas perante 
nossosgrupos sociais, bem como diante de toda a sociedade. 
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
4
Realizaremos uma discussão acerca dos valores e da moral, desmistificando 
suas características, conceitos e diferenças, para, assim, podermos verificar como é 
importante decodificar a essência da moral e dos valores e princípios morais na vida 
de cada cidadão brasileiro. Todos nós temos uma concepção e desenvolvimento de 
vida diferente, todos nós temos uma visão de mundo diferente e, por fim, todos nós 
temos uma base moral advinda dos laços familiares diferentes uns dos outros, isso 
gera o nosso comportamento ético perante a sociedade a qual pertencemos.
Por fim, verificaremos, ainda neste tópico, algumas questões relativas à 
ética na atualidade, discutindo e refletindo algumas questões polêmicas da ética 
no cotidiano da vida em sociedade, além de fazer algumas reflexões referentes à 
ética, à liberdade e ao compliance.
Vamos lá, compreender sobre os sentidos da ética!
2 A PROBLEMÁTICA DA MORALIDADE E ÉTICA
No que tange às questões relativas à ética e à moralidade, nota-se que ambas 
estão atreladas implicitamente na própria condição de ser, do agir das pessoas 
mediante o meio social em que vivem e convivem cotidianamente. A consciência 
moral do certo e do errado, do bem e do mal é formada pela composição histórica 
dos nossos costumes e das nossas ações em sociedade, formando uma moralidade 
e uma ética implícita nas ações do ser humano e refletida no seu convívio social.
Nesse sentido, pode-se expor que a moral e a ética estão presentes 
na nossa vida o tempo todo, pois nossas decisões cotidianas estão repletas de 
valores morais e éticos, segundo Tavares (2013, p. 4) “no nosso dia a dia, a ética 
tem presença garantida, porque ela faz parte do ser humano em todas as suas 
atividades, funções, espaço, ou seja, na família, no trabalho, no lazer, enfim, onde 
o ser humano interage com outro, a ética aí se faz presente”.
Então, a questão da ética e da moral está além dos seus conceitos preeminentes, 
já que é um conceito vivo, moldando-se no nosso comportamento diário que permuta 
o conceito para a prática das relações humanas e sociais, pois, na visão de Tomelin e 
Tomelin (2002, p. 89) “a ética é uma das áreas da filosofia que investiga sobre o agir 
humano na convivência com os outros [...]” e, assim, nosso comportamento ético e 
moral são objetos do estudo da própria filosofia, que busca investigar a racionalidade 
do comportamento humano perante a sociedade e procura compreender os princípios 
fundamentais dos seres humanos que permeiam a nossa vida cotidiana.
Ressalva-se ainda que a ética, segundo Cunha (2011, p. 140), é o “ramo 
do conhecimento cuja finalidade é estabelecer os melhores critérios para o agir”. 
Critérios estes, que são estabelecidos socialmente e que norteiam o convívio 
do ser humano em sociedade, pois a ética é compreendida como “normas e 
princípios que dizem respeito ao comportamento do indivíduo no grupo social a 
que pertence” (GUIMARÃES, 2016, p. 377). 
TÓPICO 1 — OS SENTIDOS DA ÉTICA
5
De acordo com Leyser (2018, p. 3), “na linguagem comum, frequentemente 
utilizamos as palavras ética e moral (e antiético e imoral) de forma intercambiável. 
Isto é, falamos da pessoa ou ato como ético ou moral”. 
Segundo Solomon (2006, p. 12), “estudar ética não é escolher entre o bem 
e o mal, mas é se sentir confortável diante da complexidade moral”, buscando 
aprofundar o conhecimento acerca do nosso agir perante a sociedade em que 
vivemos, faz-se necessário realizar um estudo das nossas atitudes éticas e morais, 
para, assim, podermos refletir e entender essas questões balizares das nossas 
atitudes e comportamentos. 
Mediante esse contexto inicial, Pieritz (2013, p. 3) expõe que:
Com relação aos problemas éticos e morais do comportamento 
humano, observamos que a ética não é facilmente explicável, ao sermos 
indagados, mas todos nós sabemos o que é, pois está diretamente 
relacionada aos nossos costumes e às ações em sociedade, ou seja, ao 
nosso comportamento, ao nosso modo de vida e de convivência com 
os outros integrantes da sociedade.
Assim, pode-se expor que é na convivência humana e social que refletimos os 
nossos valores éticos e morais, que foram construídos historicamente na sociedade 
e grupo social da qual fazemos parte, esses valores éticos e morais são concebidos 
de acordo com a visão de mundo de cada um, dentro do seu contexto social, pois 
cada um de nós possui uma visão do que é o bem e o mal, do que é certo e errado. 
Leyser (2018, p. 4) nos complementa expondo que:
Quando falamos de pessoas como sendo morais ou éticas, geralmente 
queremos dizer que elas são pessoas boas, e quando falamos delas 
como sendo imorais ou antiéticas, queremos dizer que elas são 
pessoas más. Quando nos referimos a certas ações humanas como 
sendo morais, éticas, imorais ou antiéticas, queremos dizer que elas 
estão certas ou erradas. A simplicidade dessas definições, contudo, 
termina aqui, pois como definimos uma ação certa ou errada ou uma 
pessoa boa ou má? Quais são os padrões humanos pelos quais tais 
decisões podem ser tomadas? Estas são as questões mais difíceis que 
constituem a maior parte do estudo da moralidade [...].
Contudo, essa consciência moral do ser humano, segundo Pieritz (2013, 
p. 4), “é determinada por um consenso coletivo e social, ou seja, o conjunto da 
sociedade é que formula e compõe as normas de conduta que o regem”. Permitindo, 
assim, um regramento comportamental empírico, ditado pelos comportamentos 
éticos e morais e pelos regramentos e normativas institucionais, balizados em 
regras e normas legais do legislativo, executivo e judiciário. Todas as normas de 
comportamento social se encontram balizadas na Constituição Federal.
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
6
Caro acadêmico, na esfera dos regramentos e normativas institucionais, 
convido-lhe a aprofundar os seus conhecimentos relativos aos princípios e valores 
constitucionais. Nesse sentido, sugerimos a leitura dos Artigos 1º, 3º e 5º da Constituição 
da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988. Acesse o site: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm.
DICAS
Segundo Leyser (2018, p. 4), “o importante é lembrar aqui que moral, ética, 
imoral e antiético signifi cam, essencialmente, o bom, o certo, o mau e o errado, 
com frequência dependendo se alguém está se referindo às próprias pessoas ou 
as suas ações”.
Então, nessa discussão, acerca da problemática da moralidade e da 
ética, estamos oferecendo subsídios para compreender que existem dois lados 
da mesma moeda, quando falamos do comportamento ético e moral dos seres 
humanos, essas direções podem ser observadas e compreendidas no Quadro 1, 
que expõe os dois campos dos problemas teóricos da ética e da moral. Vejamos!
QUADRO 1 – CAMPOS DO PROBLEMA TEÓRICO DA ÉTICA E DA MORAL
CAMPOS CARACTERÍSTICAS
PROBLEMAS GERAIS E 
FUNDAMENTAIS
Tais como:
• Liberdade; 
• Consciência;
• Bem e Mal; 
• Valor; 
• Lei e outros.
PROBLEMAS 
ESPECÍFICOS
Na aplicação concreta, como 
os problemas da:
• Ética profi ssional; 
• De ética política; 
• De ética sexual; 
• De ética matrimonial; 
• De bioética etc.
FONTE: Adaptado de Valls (2003, p. 8)
Deste modo, destaca-se que a ética e a moral permeiam em nossas vidas 
cotidianas, desde nossas ações mais fundamentais e básicas, que é o processo 
de decisão do que é o certo e o errado a se fazer, dos nossos valores e princípios 
morais, até nas ações mais específi cas, que estão refl etidas no nosso modo 
operante de fazer as coisas e se relacionar com o outro em sociedade.
CARACTERÍSTICAS
TÓPICO 1 — OS SENTIDOS DA ÉTICA
7
Resumindo, a questão da ética e moral é a base norteadora das nossas 
relações humanas e sociais, pois, é mediante esses princípios que agimos no meio 
social em que vivemos e convivemos com o outro.
Acadêmico, esse é um bom questionamento, não achas? 
Vale refletirmoso seguinte!
Os problemas éticos são os mesmos problemas morais? 
Vejamos: devemos compreender que a problemática da ética e da moral 
possuem características genéricas que as distinguem uma da outra, como podem 
verificar suas diferenças e aspectos comuns no Quadro 2.
QUADRO 2 – CARACTERÍSTICAS GENÉRICAS DA MORAL E DA ÉTICA
QUESTÃO
CARACTERÍSTICAS
ESPECÍFICAS COMUNS
MORAL
• A moral se caracteriza pelos PRO-
BLEMAS DA VIDA COTIDIANA. 
• A moral faz pensar as 
CONSEQUÊNCIAS GRUPAIS, 
adverte para normas culturalmente 
formuladas ou pode estar 
fundamentado num princípio ético.
• O que há de 
comum entre elas 
é fazer o homem 
pensar sobre a 
RESPONSABILI-
DADE das 
consequências de 
suas ações.
Contudo, como saber o que é certo e errado? Se estamos fazemos o bem ou o mal? 
FIGURA – O QUE É CERTO E ERRADO?
FONTE: <https://pt.vecteezy.com/arte-vetorial/428683-escolha-moral-etica-nos-negocios-e-
tentacao>. Acesso em: 24 nov. 2020.
IMPORTANTE
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
8
ÉTICA
• A ética faz pensar sobre 
as CONSEQUÊNCIAS 
UNIVERSAIS, sempre 
priorizando a vida presente e 
futura, local e global.
• A ética pode, desta forma, pautar 
o comportamento moral.
FONTE: Adaptado de Tomelin e Tomelin (2002, p. 90)
Assim, pode-se verificar que na desmistificação das propriedades 
conceituais da ética e da moral, observamos que ambas possuem características 
genéricas e comuns, tanto na ética como na moral é a questão da responsabilidade 
das consequências de nossas ações que refletem o nosso agir perante a sociedade 
em que estamos inseridos, sejam elas de âmbito micro (grupo intrafamiliar e 
amizades pessoais) ou macro (regional, comunitário, empresarial e social).
Segundo Leyser (2018, p. 3):
A moralidade reivindica nossas vidas. Faz reivindicações sobre cada 
um de nós que são mais fortes do que as reivindicações da lei e tem 
prioridade sobre o interesse próprio. Como seres humanos que vivem 
no mundo, temos deveres e obrigações básicas. Há certas coisas que 
devemos fazer e certas coisas que não devemos fazer. Em outras palavras, 
há uma dimensão ética da existência humana. Como seres humanos, 
experimentamos a vida em um mundo de bem e mal e entendemos 
certos tipos de ações em termos de certo e errado. A própria estrutura da 
existência humana dita que devemos fazer escolhas. A ética nos ajuda 
a usar nossa liberdade de maneira responsável e a compreender quem 
somos. E, a ética dá direção em nossa luta por responder às perguntas 
fundamentais que questionam como devemos viver nossas vidas e 
como podemos fazer escolhas certas.
Nesse sentido, tanto a ética como os princípios morais nos devem auxiliar na 
reflexão sobre a responsabilidade das consequências advindas de nossas ações perante 
o meio familiar e social a que vivemos e convivemos, norteando as nossas decisões de 
fazermos o que é certo ou errado, o que faz bem ou mal para nós e para o outro.
3 O SIGNIFICADO, FUNDAMENTOS E A FORMAÇÃO DO 
SUJEITO ÉTICO-MORAL 
Agora, realizaremos uma reflexão a respeito do campo da ética em si, 
perpassando pelo seu significado e como se dá a formação do sujeito ético-
moral. Assim, poder-se-á desmistificar as características conceituais da ética, para 
podermos compreender como a ética permeia a nossa vida cotidiana em sociedade. 
Pronto? Vamos lá!
TÓPICO 1 — OS SENTIDOS DA ÉTICA
9
Segundo Pieritz (2013, p. 5, grifos nossos):
Todos os homens fazem parte de uma sociedade, de um grupo social, 
portando, podemos dizer que os homens em sociedade convivem em 
grupo. Cada grupo social possui diferentes características culturais 
e morais, como, por exemplo: os povos indígenas, os orientais, os 
africanos, os alemães, os franceses, os italianos, os americanos, os 
brasileiros, entre muitos outros. Cada sociedade possui suas normas 
de conduta comportamental e seus princípios morais, ou seja, cada 
grupo social constituiu o que é certo e errado, o que é o bem e o mal 
para o seu povo, portanto, nem sempre o que é certo para nós pode ser 
certo para outro grupo social e vice-versa.
Importante compreendermos que se fazemos parte de uma comunidade, de 
um grupo social ou grupo familiar, ou seja, de uma sociedade, devemos entender 
que todos nós somos diferentes e possuímos valores e princípios éticos e morais 
diferenciados, sendo que cada etnia possui seu próprio jeito de ser e conviver, 
instituindo regras sociais, políticas, econômicas e jurídicas de convivência.
Então, caro acadêmico, a compreensão do que é certo e errado e do que 
é fazer o bem ou o mal para um grupo ou etnia, pode ser diferente para a outra 
composição social. Tudo depende da formação dos valores e princípios éticos 
e morais sócio-históricos da comunidade a que pertencemos. Segundo Tavares 
(2013, p. 3), “a ética e a moral são os condutores para a sustentabilidade de 
uma sociedade mais humana, mais justa, mais igualitária. É o bem comum que 
subsidia as condições para as condutas morais, para a manutenção de valores que 
coadunam com o interesse coletivo”.
Demostramos, assim, que de acordo com o desenvolvimento sócio-
histórico dos valores e princípios éticos e morais de um determinado grupo social, 
essa comunidade em si, desenvolve seu próprio jeito de ser, seu comportamento 
social e moral, formatando socialmente sua tradição, costumes, hábitos e cultura. 
Vejamos, na Figura 2, um exemplo visual da diversidade cultural do povo 
brasileiro:
“[...] Existem algumas sociedades indígenas em que a mãe, ao dar à luz, 
embrenha-se na mata sozinha e se o filho não for perfeito, segundo os seus princípios 
morais, ela o abandona a sua própria sorte. À luz de nossos princípios morais, esta ação 
seria considerada um crime de abandono” (PIERITZ, 2013, p. 6).
INTERESSANTE
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
10
FIGURA 2 – DIVERSIDADE CULTURAL
FONTE: <https://definicao.net/wp-content/uploads/2019/05/diversidade-cultural-1.jpg>. 
Acesso em: 4 nov. 2020.
Se você quiser saber mais sobre o comportamento moral desses grupos 
sociais/povos, pesquise, na internet, a cultura de cada povo. Assim, você poderá observar 
as diferenças culturais de cada um e identificar seus princípios morais. 
DICAS
Agora que você já compreendeu que cada grupo social possui uma 
composição diferente de costumes e valores éticos e morais, e que ele foi construído 
historicamente pelos integrantes do seu provo, resta compreender o significado 
intrínseco da ética. 
Nesse sentido, indagamos:
TÓPICO 1 — OS SENTIDOS DA ÉTICA
11
Vejamos!
De acordo com Leyser (2018, p. 3, grifos nossos):
Ética vem do termo grego ethike que provém de ethos, que por sua 
vez deriva de duas matizes distintas, uma que designa costumes 
normativos e outra que ensina constância do comportamento, hábito 
ou caráter. Na verdade, o termo ethos é uma transposição metafórica 
de um termo que denota a morada dos animais (VAZ, 2006). Os gregos 
antigos ao fazerem essa transposição queriam se referir ao mundo 
humano, quanto aos seus costumes e o próprio agir humano que 
constituiria sua morada e, simultaneamente, seu caráter.
Nesse sentido, Tomelin e Tomelin (2002, p. 89) complementam expondo 
que “a palavra ética provém do grego ethos e significa hábitos, costumes e se 
refere à morada de um povo ou sociedade. A palavra moral provém do latim 
morális e significa costume, conduta”. Demonstrando que:
 
A principal função da ética é sugerir qual o melhor comportamento 
que cada pessoa ou grupo social tem ou venha a ter. Indicando o que 
é certo ou errado, o que é bom ou mau. Porém, este comportamento 
sempre partirá do ponto de vista dos princípios morais de cada 
sociedade, ou seja, seu grupo social. A ética auxilia no esclarecimento e 
na explicação da realidade cotidiana de cada povo, procurando sempre 
elaborar seus conceitos conforme o comportamento correspondente 
de cada grupo social (PIERITZ, 2013, p. 7).
Assim, pode-se compreender que a ética reflete os hábitos e costumes gerais 
de uma sociedade,suas normativas e convenções, que fora institucionalizada 
pelo coletivo social, e a moral é a forma que conduzimos nossos atos perante o 
outro, ou seja, é a conduta em si. 
Desse modo, o Quadro 3 apresenta a definição de ética.
QUADRO 3 – O QUE É ÉTICA?
ÉTICA é:
• ESTUDO DOS JUÍZOS de apreciação que se referem à conduta 
humana, do ponto de vista do bem e do mal.
• Conjunto de NORMAS E PRINCÍPIOS que norteiam a boa 
conduta do ser humano.
FONTE: Adaptado de Houaiss (2009, p. 324)
Vázquez (2005, p. 20) complementa expondo que “o ético transforma-se 
assim numa espécie de legislador do comportamento moral dos indivíduos ou da 
comunidade”, em outros termos, a ética verifica a conduta dos homens em sociedade, 
pois “a ética é teoria, investigação ou explicação de um tipo de experiência humana 
ou forma de comportamento dos homens [...]” (VÁZQUEZ, 2005, p. 21). 
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
12
De tal modo, que “o valor de ética está naquilo que ela explica – o fato 
real daquilo que foi ou é –, e não no fato de recomendar uma ação ou uma atitude 
moral” (PIERITZ, 2013, p. 7), pois, a ética está posta para nos explicar o nosso agir 
junto à comunidade e grupo social em que vivemos e convivemos.
Ética é a ciência da conduta humana, segundo o bem e o mal, com 
vistas à felicidade. É a ciência que estuda a vida do ser humano, sob o 
ponto de vista da qualidade da sua conduta. Disto precisamente trata 
a Ética, da boa e da má conduta e da correlação entre boa conduta e 
felicidade, na interioridade do ser humano. A Ética não é uma ciência 
teórica ou especulativa, mas uma ciência prática, no sentido de que 
se preocupa com a ação, com o ato humano (ALONSO; LÓPEZ; 
CASTRUCCI, 2006, p. 3).
No entanto, a ética é considerada uma ciência que estuda a conduta 
humana, suas normas e comportamentos reais, para proporcionar a melhoria da 
qualidade de vida dos seres humanos. 
Salienta-se ainda que “existem grandes transformações históricas 
no decorrer dos tempos em nossa sociedade. Com estas mudanças, o nosso 
comportamento também muda e, consequentemente, os nossos princípios morais 
também” (PIERITZ, 2013, p. 7). 
Essas transformações sociais ao longo da história da humanidade advêm 
da própria existência humana, pelas suas relações sociais com o outro, pois a ética 
vem demostrando pelo seu estudo e regulação, que determinadas ações e atitudes 
morais devam ser revistas e adaptadas à nova realidade social, pois estamos em 
constantes transformações humanas e sociais. 
Outro fator que não podemos esquecer, segundo Pieritz (2013, p. 7), “é a 
questão de julgar o comportamento dos outros grupos sociais, pois a realidade 
cotidiana destes foi formada por outro conjunto de normas e princípios morais, 
diferente dos nossos. Mesmo que em alguns aspectos esses princípios se pareçam 
com os nossos”. 
Após, estas breves reflexões sobre a ética, vale ressaltar que se pode definir 
a ética sobre três vertentes, expostas no Quadro 4, vejamos!
 
QUADRO 4 – VERTENTES DO CONCEITO DE ÉTICA
A ética é 
DESCRITIVA
Que corresponde a JUÍZO DE VALOR, ou seja, quem tem 
boa conduta pode ser considerado como uma pessoa ética, 
ou seja, uma pessoa virtuosa e íntegra.
Enquanto quem não condiz com as expectativas sociais pode 
ser considerado ‘sem ética’.
TÓPICO 1 — OS SENTIDOS DA ÉTICA
13
Nesse sentido, a ética assume uma ideia simplista reduzida a 
um VALOR SOCIAL, ou apenas um adjetivo.
A ética é 
PRESCRITIVA
A ética como “SISTEMA DE NORMAS MORAIS ou a um 
CÓDIGO DE DEVERES” (SOUR, 2011, p. 19), ou seja, os 
padrões morais que deveriam conduzir categorias sociais ou 
organizações passam a se chamar de CÓDIGO DE ÉTICA.
Nesse sentido de prescrição a ética e moral tornam-se 
SINÔNIMO INDISTINGUÍVEL.
A ética é 
REFLEXIVA
Que corresponde à TEORIA DE UM ESTUDO 
SISTEMÁTICO como objeto de INVESTIGAÇÃO que, ao 
transitar por diferentes áreas, pode ser considerada como:
• ÉTICA FILOSÓFICA – que reflete sobre a melhor maneira 
de viver (ideais morais).
• ÉTICA CIENTÍFICA – que estuda, observa, descreve e 
explica os fatos morais (a moralidade como fenômeno).
FONTE: Adaptado de Tavares (2013, p. 7)
Prezado acadêmico, segundo Tavares (2013, p. 7, grifos nossos): 
“A ética filosófica quer refletir sobre a maneira de viver”.
“A ética científica quer observar e descrever a maneira de viver”.
IMPORTANTE
No que tange aos ideais éticos, principalmente a investigação dos seus fun-
damentos, da sua essência, devemos compreender que a ética está além das normas 
socialmente constituídas, pois existem muitos elementos norteadores do compor-
tamento humano, podemos apresentar na Figura 3 algumas de suas características 
balizares, para assim elucidar o que compõe o conceito holístico da ética.
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
14
FIGURA 3 – CARACTERÍSTICAS BALIZARES DA ÉTICA
FONTE: A autora
Todas essas características expostas na Figura 3, fundamentam a essência 
da ética humana como um todo, numa visão holística, pois, como já discorremos 
anteriormente, a ética faz com que o ser humano reflita e indague sobre seus atos, 
comportamentos e costumes, para, assim, poder agir no seu meio social.
Outro aspecto pertinente nesse debate sobre as concepções do conceito da 
ética, vem da indagação de Valls (2003, p. 43) em que ele faz esta provocação para 
podermos refletir sobre o nosso comportamento ético: “será que agir moralmente 
significaria agir de acordo com a própria consciência?”
Será?
Vejamos:
A ética não se restringe somente a normas e leis instituídas pelos poderes 
legislativos, executivos e judiciário! 
A ética vai além das normativas impostas, pois leva em consideração a construção 
histórica do comportamento humano em sociedade, sua conduta, hábitos e costumes.
IMPORTANTE
TÓPICO 1 — OS SENTIDOS DA ÉTICA
15
É salutar compreender que o nosso agir deve ser consciente e estar 
conectado com a realidade do mundo em que vivemos, ou seja, precisamos 
perceber em que contexto social, político e econômico estamos, quais são as 
regas e normativas vigentes, quais são nossos direitos e deveres, quais são as 
nossas responsabilidades e obrigações, para assim podermos agir coerentemente, 
respeitando as convenções socialmente construídas.
De tal modo, são as nossas escolhas que refletem a nossa conduta, do certo 
e errado, do bem e do mal, do ético ou do antiético. 
Assim, mediante essa reflexão, ampliamos a percepção relativa ao 
significado da ética, no qual, pode-se perceber que a ética oportuniza uma reflexão 
do nosso jeito de viver e conviver historicamente em sociedade, compreendendo 
os nossos costumes de hoje, de ontem e como poderá se moldar amanhã.
Para encerrarmos o Tópico 1, convidamos você, acadêmico, a fazer a 
leitura do texto Ética e moral de Sandro Denis. 
ÉTICA E MORAL
Sandro Denis
Existe alguma confusão entre o Conceito de Moral e o Conceito de Ética. 
A etimologia destes termos ajuda a distingui-los, sendo que Ética vem do grego 
ethos, que significa modo de ser, e Moral tem sua origem no latim, que vem de 
“mores”, significando costumes.
Esta confusão pode ser resolvida com o estudo em paralelo dos 
dois temas, sendo que, Moral é um conjunto de normas que regulam o 
comportamento do homem em sociedade, essas normas são adquiridas pela 
educação, pela tradição e pelo cotidiano. É a “ciência dos costumes”. A Moral 
tem caráter normativo e obrigatório.
Já a Ética é “conjunto de valores que orientam o comportamento do 
homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, 
assim, o bem-estar social”, ou seja, Ética é a forma que o homem deve se 
comportar no seu meio social.
A Moral sempre existiu, pois todo ser humano possui a consciência 
Moral que o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. Surgindo 
realmente quando o homem passou a fazer parte de agrupamentos, isto é, 
surgiu nas sociedades primitivas, nas primeiras tribos. A Ética teria surgido com 
Sócrates, pois se exige maiorgrau de cultura. Ela investiga e explica as normas 
morais, pois leva o homem a agir não só por tradição, educação ou hábito, mas 
principalmente por convicção e inteligência. Ou seja, enquanto a Ética é teórica e 
reflexiva, a Moral é eminentemente prática. Uma completa a outra.
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
16
Em nome da amizade, deve-se guardar silêncio diante do ato de um 
traidor? Em situações como essa, os indivíduos se deparam com a necessidade 
de organizar o seu comportamento por normas que se julgam mais apropriadas 
ou mais dignas de ser cumpridas. Tais normas são aceitas como obrigatórias e, 
desta forma, as pessoas compreendem que têm o dever de agir desta ou daquela 
maneira. O comportamento é o resultado de normas já estabelecidas, não sendo, 
então, uma decisão natural, pois todo comportamento sofrerá um julgamento. 
A diferença prática entre Moral e Ética é que esta é o juiz das morais, assim, 
Ética é uma espécie de legislação do comportamento Moral das pessoas.
Ainda podemos dizer que a ética é um conjunto de regras, princípios 
ou maneiras de pensar que guiam ou chamam para si a autoridade de guiar, as 
ações de um grupo em particular ou, também, o estudo da argumentação sobre 
como nós devemos agir.
A simples existência da moral não significa a presença explícita de uma 
ética, entendida como filosofia moral, pois é preciso uma reflexão que discuta, 
problematize e interprete o significado dos valores morais.
Podemos dizer, a partir dos textos de Platão e Aristóteles, que, no 
Ocidente, a ética ou filosofia moral se inicia com Sócrates.
Para Sócrates, o conceito de ética iria além do 
senso comum da sua época, o corpo seria a prisão 
da alma, que é imutável e eterna. Existiria um “bem 
em si” próprios da sabedoria da alma e que podem 
ser rememorados pelo aprendizado. Esta bondade 
absoluta do homem tem relação a uma ética anterior 
à experiência, pertencente à alma e que o corpo para a 
reconhecer terá que ser purificado.
Aristóteles subordina sua ética à política, 
acreditando que, na monarquia e na aristocracia, 
encontrara-se a alta virtude, já que esta é um 
TÓPICO 1 — OS SENTIDOS DA ÉTICA
17
privilégio de poucos indivíduos. Também diz que na prática ética, nós somos 
o que fazemos, ou seja, o homem é moldado à medida que faz escolhas éticas e 
sofre as influências dessas escolhas.
O Mundo Essencialista é o mundo da contemplação, ideia compartilhada 
pelo filósofo grego Aristóteles. No pensamento filosófico dos antigos, os seres 
humanos aspiram ao bem e à felicidade, que só podem ser alcançados pela 
conduta virtuosa. Para a ética essencialista, o homem era visto como um ser 
livre, sempre em busca da perfeição. Esta, por sua vez, seria equivalente aos 
valores morais que estariam inscritos na essência do homem. Dessa forma, para 
ser ético, o homem deveria entrar em contato com a própria essência, a fim de 
alcançar a perfeição.
Costuma-se resumir a ética dos antigos ou ética essencialista, em três 
aspectos: 1) o agir em conformidade com a razão; 2) o agir em conformidade com 
a Natureza e com o caráter natural de cada indivíduos; e 3) a união permanente 
entre ética (a conduta do indivíduo) e política (valores da sociedade). A ética 
era uma maneira de educar o sujeito moral (seu caráter) no intuito de propiciar 
a harmonia entre ele e os valores coletivos, sendo ambos virtuosos.
Com o cristianismo romano, através de São 
Tomás de Aquino e Santo Agostinho, incorpora-se a 
ideia de que a virtude se define a partir da relação 
com Deus e não com a cidade ou com os outros. Deus, 
nesse momento, é considerado o único mediador 
entre os indivíduos. As duas principais virtudes são 
a fé e a caridade.
Através deste cristianismo, afirma-se na ética 
o livre-arbítrio, sendo que o primeiro impulso da 
liberdade se dirige para o mal (pecado). O homem 
passa a ser fraco, pecador, dividido entre o bem e o mal. O auxílio para a melhor 
conduta é a lei divina. A ideia do dever surge nesse momento. Com isso, a ética 
passa a estabelecer três tipos de conduta; a moral ou ética (baseada no dever), a 
imoral ou antiética e a indiferente à moral.
As profundas transformações que o mundo 
sofre a partir do século XVII, com as revoluções 
religiosas, por meio de Lutero; científica, com 
Copérnico e filosófica, com Descartes, oprimem um 
novo pensamento na era Moderna, caracterizada 
pelo Racionalismo Cartesiano – agora a razão é o 
caminho para a verdade e para chegar a ela é preciso 
um discernimento, um método. Em oposição à fé, 
surge o poder exclusivo da razão de discernir, 
distinguir e comparar. Esse é um marco na história 
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
18
da humanidade que, a partir daí, acolhe um novo caminho para se chegar ao 
saber: o saber científico, que se baseia num método e o saber sem método é 
mítico ou empírico.
A ética moderna traz à tona o conceito de que 
os seres humanos devem ser tratados sempre como 
fim da ação e nunca como meio para alcançar seus 
interesses. Essa ideia foi contundentemente defendida 
por Immannuel Kant. Ele afirmava que: “não existe 
bondade natural. Por natureza somos egoístas, 
ambiciosos, destrutivos, agressivos, cruéis, ávidos de 
prazeres que nunca nos saciam e pelos quais matamos, 
mentimos, roubamos”.
De acordo com esse pensamento, para nos tornarmos seres morais, era 
necessário nos submetermos ao dever. Essa ideia é herdada da Idade Média na 
qual os cristãos difundiram a ideologia de que o homem era incapaz de realizar o 
bem por si próprio. Por isso, ele deve obedecer aos princípios divinos, cristalizan-
do, assim, a ideia de dever. Kant afirma que se nos deixarmos levar por nossos 
impulsos, apetites, desejos e paixões não teremos autonomia ética, pois a Natu-
reza nos conduz pelos interesses de tal modo que usamos as pessoas e as coisas 
como instrumentos para o que desejamos. Não podemos ser escravos do desejo.
No século XIX, Friedrich Hegel traz uma nova 
perspectiva complementar e não abordada pelos 
filósofos da Modernidade. Ele apresenta a perspectiva 
Homem – Cultura e História, sendo que a ética 
deve ser determinada pelas relações sociais. Como 
sujeitos históricos culturais, nossa vontade subjetiva 
deve ser submetida à vontade social, das instituições 
da sociedade. Desta forma, a vida ética deve ser 
“determinada pela harmonia entre vontade subjetiva 
individual e a vontade objetiva cultural”.
Através desse exercício, interiorizamos os valores culturais de tal 
maneira que passamos a praticá-los instintivamente, ou seja, sem pensar. Se 
isso não ocorrer, é porque esses valores devem estar incompatíveis com a nossa 
realidade e, por isso, devem ser modificados. Nesta situação, podem ocorrer 
crises internas entre os valores vigentes e a transgressão deles.
Já, na atualidade, o conceito de ética se fundiu nestas duas correntes de 
pensamento: A ética praxista, cuja visão o homem tem a capacidade de julgar, 
ele não é totalmente determinado pelas leis da natureza, nem possui uma 
consciência totalmente livre. O homem tem uma corresponsabilidade frente as 
suas ações.
TÓPICO 1 — OS SENTIDOS DA ÉTICA
19
A ética Pragmática, com raízes na apropriação de coisas e espaços, na 
propriedade, tem como desafio a alteridade (misericórdia, responsabilização, 
solidariedade), para transformar o Ter, o Saber e o Poder em recursos éticos para 
a solidariedade, contribuindo para a igualdade entre os homens: “distribuição 
equitativa dos bens materiais, culturais e espirituais”.
O homem é visto como sujeito histórico-social, e como tal, sua ação não 
pode mais ser analisada fora da coletividade. Por isso, a ética ganha novamente 
um dimensionamento político: uma ação eticamente boa é politicamente boa 
e contribui para o aumento da justiça, distribuição igualitária do poder entre 
os homens. Na ética pragmática, o homem é politicamente ético, – “todos os 
aspectos da condição humana têm alguma relação com a política” – há uma 
corresponsabilidadeem prol de uma finalidade social: a igualdade e a justiça 
entre os homens.
Na Contemporaneidade, Nietzsche atribui a 
origem dos valores éticos, não à razão, mas à emoção. 
Para ele, o homem forte é aquele que não reprime 
seus impulsos e desejos, que não se submete à moral 
demagógica e repressora. Para coroar essa mudança 
radical de conceitos, surge Freud com a descoberta 
do inconsciente, instância psíquica que controla 
o homem, burlando sua consciência para trazer à 
tona a sexualidade represada e que o neurotiza. Em 
momento algum Freud afirma dever o homem viver 
de acordo com suas paixões, apenas buscar equilibrar e conciliar o id com o 
super ego, ou seja, o ser humano deve tentar equilibrar a paixão e a razão.
Hoje, em uma era em que cada vez mais se fala 
de globalização, da qual somos todos funcionários 
e insumos de produção, o conhecimento de nossa 
cultura passa inevitavelmente pelo conhecimento de 
outras culturas. Entretanto, essa tarefa antropológica 
não é suficiente para o homem comum superar a crise 
da ética atual conhecendo o outro e suas necessidades 
para se chegar a sua convivência harmônica. Ao 
contrário, ser feliz hoje é dominar progresso técnico e 
científico, ser feliz é ter. Não há mais espaço para uma 
ética voltada para uma comunidade. Hoje se aposta no 
individualismo, no consumo, na rapidez de produção.
No momento histórico em que vivemos, existe um problema ético-político 
grave. Forças de dominação tem se consolidado nas estruturas sociais e econômicas, 
mas através da crítica e no esclarecimento da sociedade, seria possível desvelar 
a dissimulação ideológica que existe nos vários discursos da cultura humana, 
sabendo disso, essas mesmas forças têm procurado controlar a mídia.
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
20
Em lugar da felicidade pura e simples, há a obrigação do dever e a 
ética fundamenta-se em seguir normas. Trata-se da “Ética da Obediência”. 
Que impede o Homem de pensar e descobrir uma nova maneira de se ver, e 
assim encontrar uma saída em relação ao conformismo de massa que está na 
origem da banalidade do mal, do mecanismo infernal em que estão ausentes o 
pensamento e a liberdade do agir.
Assim determina Vásquez (1998) ao citar Moral como um “sistema de 
normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações 
mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que 
estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livres e 
conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, 
externa ou impessoal”.
Enfim, Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. O homem, 
com seu livre arbítrio, vai formando seu meio ambiente ou o destruindo, ou 
ele apoia a natureza e suas criaturas ou ele subjuga tudo que pode dominar, e 
assim ele se forma no bem ou no mal neste planeta.
FONTE: Adaptado de <Http://Circulocubico.Wordpress.Com/2008/04/04/Tica-E-Moral/>. 
Acesso em: 17 nov. 2020.
21
Neste tópico, você aprendeu que:
• Propiciamos uma compreensão da problemática da moralidade e ética, 
verificamos que a consciência moral do certo e do errado, do bem e do mal é 
formada pela composição histórica dos nossos costumes e das nossas ações 
em sociedade.
• A moral e a ética estão presentes na nossa vida cotidiana o tempo todo, pois 
nossas decisões diárias estão repletas de valores morais e éticos.
• A questão da ética e da moral está além dos seus conceitos postos, já que é um 
conceito vivo, moldando-se no nosso comportamento diário que permuta o 
conceito para a prática das relações humanas e sociais. 
• O nosso comportamento ético e moral é objeto do estudo da filosofia, que 
procura investigar a racionalidade do comportamento humano perante a 
sociedade, procurando compreender os princípios fundamentais dos seres 
humanos, que permeiam a nossa vida cotidiana.
• É na convivência humana e social que refletimos os nossos valores éticos e 
morais, e que eles foram construídos historicamente na sociedade e grupo 
social da qual fazemos parte. 
• Esses valores éticos e morais são concebidos de acordo com a visão de mundo 
de cada um, dentro do seu contexto social, pois cada um de nós possui uma 
visão do que é o bem e o mal, do que é certo e errado.
• A ética e a moral permeiam em nossas vidas cotidianas, desde nossas ações 
mais fundamentais e básicas, que é o processo de decisão do que é o certo e o 
errado a se fazer, dos nossos valores e princípios morais, até nas ações mais 
específicas, que estão refletidas no nosso modo operante de fazer as coisas e 
se relacionar com o outro em sociedade.
• A ética e a moral são a base norteadora das nossas relações humanas e sociais, 
pois é mediante esses princípios que agimos no meio social em que vivemos 
e convivemos com o outro.
• No que tange às propriedades conceituais da ética e da moral, ambas possuem 
características genéricas e comuns, mas tanto na ética como na moral é a 
questão da responsabilidade das consequências de nossas ações que refletem 
o nosso agir perante a sociedade em que estamos inseridos, sejam elas de 
âmbito micro (grupo intrafamiliar e amizades pessoais) ou macro (regional, 
comunitário, empresarial e social).
RESUMO DO TÓPICO 1
22
• Tanto a ética como os princípios morais nos devem auxiliar na reflexão sobre 
a responsabilidade das consequências advindas de nossas ações perante o 
meio familiar e social em que vivemos e convivemos.
• Fazemos parte de uma comunidade, de um grupo social ou grupo familiar, 
ou seja, de uma sociedade, a qual devemos entender que todos nós somos 
diferentes e possuímos valores e princípios éticos e morais diferenciados, 
sendo que cada etnia possui seu próprio jeito de ser e conviver, instituindo 
regras sociais, políticas, econômicas e jurídicas de convivência.
• A concepção do certo e errado, do fazer o bem ou o mal para um grupo 
ou etnia, pode ser diferente para a outra composição social. Tudo depende 
da formação dos valores e princípios éticos e morais sócio-históricos da 
comunidade a que pertencemos.
• De acordo com o desenvolvimento sócio-histórico dos valores e princípios 
éticos e morais de um determinado grupo social, essa comunidade em 
si, desenvolve seu próprio jeito de ser, seu comportamento social e moral, 
formatando socialmente sua tradição, costumes, hábitos e cultura.
• A ética reflete os hábitos e costumes gerais de uma sociedade, suas normativas 
e convenções, que fora institucionalizada pelo coletivo social, e a moral é a 
forma que conduzimos nossos atos perante o outro, ou seja, é a conduta em si.
• A ética está posta para explicar o nosso agir junto à comunidade e grupo 
social em que vivemos e convivemos.
• A ética é considerada uma ciência que estuda a conduta humana, suas normas 
e comportamentos reais, para proporcionar a melhoria da qualidade de vida 
dos seres humanos.
23
1 Na atualidade, o que tange às questões relativas à ética e à moralidade, 
vimos que ambos os conceitos fazem parte do dia a dia das populações 
civilizadas e ambas estão atreladas implicitamente na própria condição de 
ser, do agir das pessoas mediante o meio social em que vivem e convivem 
cotidianamente. A consciência moral do certo e do errado, do bem e do mal é 
formada pela composição histórica dos nossos costumes e das nossas ações 
em sociedade, formando, assim, uma moralidade e uma ética implícita nas 
ações do ser humano e refletida no seu convívio social. Sobre o conceito de 
ética, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Ética é o ramo do conhecimento cuja finalidade é estabelecer os melhores 
critérios para o agir. Critérios que são estabelecidos socialmente e 
que norteiam o convívio do ser humano em sociedade, pois a ética 
é compreendida como as normas e princípios que dizem respeito ao 
comportamento do indivíduo no grupo social a que pertence.
b) ( ) Ética é o ramo do conhecimento cuja finalidade é estabelecer os 
princípios de fragilidades do comportamento humano e os critériospara o agir. Critérios que são estabelecidos pela Constituição Federativa 
do Brasil.
c) ( ) Ética é o ramo do conhecimento da psicologia que estuda os desvios de 
conduta dos cidadãos na sociedade, assim como as formas de tratamento.
d) ( ) Ética é o ramo do conhecimento que estuda e define as formas de agir e 
princípios transmitidos pelas diversas religiões existentes. Busca trazer 
os conceitos puramente na visão filosófica das religiões.
2 A ética é um dos grandes valores que as pessoas têm e, por isso, vemos, 
na atualidade, uma população desacreditada em diversas áreas como as 
políticas, bancárias, entre outras que, historicamente, trazem condições 
conflitantes com os bons costumes e diretrizes éticas das pessoas. Com 
base no exposto, analise as sentenças a seguir:
I - Estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana, do 
ponto de vista do bem e do mal.
II - Conjunto de normas e princípios que norteiam a boa conduta do ser 
humano.
III - Tem caráter normativo e obrigatório e são definidos pelas leis existentes 
nos países.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
AUTOATIVIDADE
24
25
TÓPICO 2 — 
UNIDADE 1
A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL 
NA VIDA COTIDIANA
FIGURA 4 – A ÉTICA E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
FONTE: <https://gestaodesegurancaprivada.com.br/etica-moral-e-cidadania-o-que-sao/>. 
Acesso em: 4 nov. 2020.
“Na ética o mal é uma consequência do bem, assim na realidade da 
alegria nasce a tristeza. Ou a lembrança da felicidade passada é a angústia de 
hoje, ou as agonias que são têm sua origem nos êxtases que poderiam ter siso”.
Edgar Allan Poe
1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico, agora que já compreendes os diversos sentidos 
conceituais da ética, suas principais características e fundamentos, sua 
problemática junto às questões da moral e a formação do sujeito ético-moral, 
chegou o momento para desvelar e compreender as nuances relativas à ética e à 
moral na vida cotidiana do ser humano em sociedade.
Vamos relembrar!
26
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
FIGURA 5 – PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DE ÉTICA E MORAL
FONTE: A autora
Pautados nas supracitadas características, este tópico trabalhará os 
conhecimentos relativos à ética e à moral na vida do dia a dia das pessoas, que 
vivem e convivem em grupos sociais, buscando compreender as diferenças entre 
a ética e a moral, como também esclarecer as questões da consciência moral no 
desenvolvimento humano e a conduta moral do ser humano, refletindo sobre 
o bem e o mal, o certo e o errado, ou seja, as responsabilidades individuais e 
coletivas do agir humano. 
Assim, aprofundaremos o nosso conhecimento acerca dos Fundamentos 
ontológico-sociais da dimensão ético-moral da vida social e seu rebatimento na 
ética profissional.
Acadêmico, neste tópico, ainda desenvolveremos uma análise referente 
aos valores e à moral, proporcionando um momento de discussão a respeito da 
essência da moral e dos valores e princípios morais.
FIGURA 6 – VALORES MORAIS E SUA IMPORTÂNCIA NA SOCIEDADE
FONTE: <http://meon.com.br/files/media/originals/maos_unidas_representando_os_valores_
morais.jpg>. Acesso em: 4 nov. 2020.
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
27
“Mesmo que tenham filosofias diferentes, as religiões defendem valores 
semelhantes para a conduta ética e trazem a mesma mensagem de amor, 
compaixão e perdão”.
Dalai Lama
Demonstrando assim, sua importância para a sociedade em que estamos 
inseridos, pois a intensão aqui é desvelar os conceitos e características pertinentes 
aos valores e virtudes morais, evidenciando que eles é que formam os princípios 
norteadores da ética, como já estudamos anteriormente.
Vamos lá, acadêmico, compreender sobre a ética, valores, princípios e a 
moral na vida cotidiana das pessoas!
2 COMPREENDENDO AS DIFERENÇAS DA ÉTICA E MORAL 
Para iniciarmos esta discussão, faz-se necessário sedimentar os diversos 
aspectos conceituais que proporcionam o entendimento das diferenças entre 
a ética e a moral. Nesse sentido, pode-se dizer que “a ética estuda e investiga 
o comportamento moral dos seres humanos e essa moral é constituída pelos 
diferentes modos de viver e agir dos homens em sociedade, que é formada por 
suas diretrizes morais da vida cotidiana, transformando-se no decorrer dos 
tempos” (PIERITZ, 2013, p. 19). 
Demostrando, assim, que a ética e a moral permeiam em nosso agir 
perante a sociedade, desde o estudo do comportamento até a sua prática real 
cotidiana das relações humanas e sociais. 
Afinal, o que é a moral?
Segundo Aranha e Martins (2003, p. 301, grifos nossos): 
A moral vem do Latim mos, moris, que significa “costume”, “maneira 
de se comportar regulada pelo uso”, e de moralis, morale, adjetivo 
referente ao que é “relativo aos costumes”. Portanto, podemos 
considerar que a moral é “um conjunto de regras de conduta admitidas 
em determinada época ou por um grupo de pessoas.
Vejamos, no Quadro 5, o que Cunha (2011) nos expõe sobre o que é a ética 
e a moral:
QUADRO 5 – O QUE É A ÉTICA E MORAL
ÉTICA é:
• Ciência cujo objetivo é a moral.
• Ramo do conhecimento cuja finalidade é estabelecer os 
melhores critérios para o agir. 
28
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
MORAL é: 
• Conjunto de regras e princípios morais.
• A dimensão ideal da moralidade.
• Relativo à dignidade, ao decoro e à honra.
FONTE: Adaptado de Cunha (2011, p. 140-196)
Diante desta visão conceitual de ética e moral, ficou demonstrado que 
ambos estão correlacionados a uma ciência, um estudo do comportamento e 
das normas de conduta, e que esse conjunto de regras e princípios éticos-morais 
propiciem a honra, o decoro e a dignidade da pessoa humana.
No entanto, segundo Cunha (2011, p. 197), a moralidade é um “processo 
social costumeiro, concernente à melhor forma de comportamento”. Sendo que 
esta conduta moral só é possível, se tiver um estudo dos hábitos e costumes do 
homem em sociedade no seu convívio histórico-social. É a ética que realiza esta 
ciência das dimensões morais, propiciando transparecer nos diversos códigos 
de condutas, regramentos e legislações como devemos proceder e se comportar 
perante o meio social em que vivemos e convivemos.
Essa é uma condição socialmente construída ao longo da história da 
humanidade. Sendo aprimorada conforme o desenvolvimento humano. Depois 
dessas reflexões iniciais, já podemos buscar elementos que apresentem algumas 
diferenças entre a ética e a moral. Vejamos:
QUADRO 6 – DIFERENÇAS ENTRE ÉTICA E MORAL
FONTE: <https://bit.ly/39MHBlE>. Acesso em: 3 dez. 2020.
ÉTICA MORAL
• É a ciência que estuda a moral.
• É a reflexão sistemática sobre o 
comportamento moral.
• É a parte da filosofia que trata da 
reflexão dos princípios universais 
da humanidade.
• São os valores humanos universais 
e fundamentais.
• É a teoria do comportamento moral.
• É a compreensão subjetiva do ato 
moral.
• É o modo de viver e agir de cada 
povo, em cada cultura.
• É o conjunto de normas, prescrição e 
valores reguladores da ação cotidiana.
• Varia no tempo e no espaço.
• São os valores concernentes ao bem 
e ao mal, permitindo ou proibindo.
• Conjunto de normas e regras regu-
ladoras da relação entre os homens 
de uma determinada comunidade.
• Nasce da necessidade de ajudar 
cada membro aos interesses 
coletivos do grupo.
FONTE: Adaptado de Tomelin e Tomelin (2002, p. 89-90)
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
29
O quadro das diferenças entre a ética e a moral, só comprova o que já 
colocamos até o presente momento, de que o comportamento ético-moral é 
estudado como ciência, para proporcionar melhor qualidade de vida ao cidadão 
brasileiro e mundial. 
Então, demonstramos que é a nossa consciência das obrigações e deveres 
morais,ou seja, o caráter e o modo de ser dos homens em sociedade que formam 
a ética. Assim, compreendemos que a ética é a ciência que procura estudar e 
compreender as nuances relativas aos princípios morais, que são constituídos 
historicamente.
Já a moral retrata nossos costumes e hábitos cotidianos, pois seu caráter é 
social e está pautado na história, cultura e natureza dos seres humanos, pois a moral 
está compreendida como um conjunto de normativas, regras, leis, regulamentos 
e princípios que são instituídos pelo coletivo social, mas individualizada na 
consciência dos homens e mulheres que vivem e convivem em sociedade.
Então, destacamos que moral são princípios comportamentais adquiridos 
com a herança histórica da humanidade e preservados pelas pessoas que vivem 
em grupos sociais. 
Assim, no Quadro 7 demostraremos um balanço comparativo da ética e 
moral, do que estudamos até agora. 
QUADRO 7 – BALANÇO COMPARATIVO ENTRE ÉTICA E MORAL
FONTE: A autora
Esse balanço comparativo entre a ética e a moral demonstra que as duas 
estão amplamente conectadas, mas apresentam sutis diferenças, porque a ética 
denota um conceito subjetivo e teórico sobre a consciência das regras sociais, 
já a moral se apresenta mais de cunho prático e objetivo, proporcionando uma 
tratativa da conduta humana por intermédio de regras e códigos de condutas 
socialmente constituídos.
30
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
A ética sempre procurará conhecer as formas das tratativas do bem e do 
mal no âmbito holístico, do coletivo social, já a moral busca tratar o agir humano 
de forma individualizada, tratando o certo e o errado nos seus regulamentos e 
normas institucionalizadas. 
Contudo, ressalva-se que os seres humanos não nascem com os 
conhecimentos éticos e postura moral, eles se tornam éticos no decorrer do seu 
desenvolvimento intelectual ao longo de sua história e colocam seus princípios 
morais de acordo com o empoderamento de suas conotações e convívio sociais. 
É na socialização e interação com o outro em sociedade que construímos a nossa 
postura ética individual e profissional.
Vale destacar ainda que a ética é aprendida pelo estudo do comportamento 
humano em sociedade, e a moral necessita ser imposta pelos regramentos sociais 
de convívio humano. A ética é manifestada a partir do interior das pessoas, de sua 
consciência, já a moral expressa-se no exterior do indivíduo, na conduta dos seus atos. 
Como vivemos em constantes transformações humanas e sociais, 
percebe-se que a ética e a moral sempre estarão em evolução, aprimorando-se 
constantemente, pois o comportamento humano muda e suas regras de conduta 
também mudam ao longo da história.
Na prática da vida cotidiana, como se apresentam as questões éticas e 
morais? 
Convidamos você a refletir sobre algumas situações do dia a dia, 
demostrado em algumas charges, para refletir sobre o nosso comportamento 
ético-moral. Vejamos!
FIGURA 7 – ÉTICA
Lembre-se que um dia a escravidão já foi considerada um comportamento 
“normal” e hoje a escravidão é considerada um crime. Demostrando, assim, que as regras 
mudam conforme a mudança do comportamento e normativas socialmente constituídas. 
INTERESSANTE
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
31
FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/431641945509586866/>. Acesso em: 20 jun. 2020.
FIGURA 8 – UM SÁBADO QUALQUER
FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/455637687295581746/>. Acesso em: 20 jun. 2020.
FIGURA 9 – MOISÉS CHARGES E CARTOONS
FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/716283515704220437/>. Acesso em: 20 jun. 2020.
32
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
FIGURA 10 – ÉTICA E MORAL: CONCEITOS, DIFERENÇAS E EXEMPLOS
FONTE: <https://bit.ly/3odSAc7>; <https://bit.ly/3mqnsp1>. Acesso em: 20 jun. 2020.
As charges apresentadas anteriormente demostram algumas situações, 
muitas vezes, corriqueiras em nosso convívio social da vida cotidiana, que nem 
nos damos conta, desvirtuando os preceitos ético-morais socialmente constituídos. 
Se você parar para pensar um pouco, em cinco minutos, quantas situações 
similares aparecem em sua mente? Muitas, com certeza! 
Levando-nos a refletir sobre outra questão, o outro lado dessa moeda 
ética-moral, a ausência e os contrários à ética e à moral.
Nesse sentido, discutiremos agora os sentidos inversos da moral e da 
ética, mas, antes, verifique sua terminologia no Quadro 8.
QUADRO 8 – AUSÊNCIA E CONTRÁRIOS A ÉTICA E A MORAL
FONTE: A autora
Assim, podemos compreender que quando falamos da ausência de alguma 
coisa, estamos nos referindo a falta, a deficiência, a carência e a insuficiência. 
Levando esses conceitos supracitados para a ética e a moral, pode-se 
perceber que essa ausência denota:
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
33
• Na ética: uma pessoa aética, ou seja, um indivíduo que não possui ou é 
deficiente da consciência do coletivo, dos atos e costumes gerais do meio 
em que vive e convive. Possui insuficiência ou carência da compreensão dos 
estudos históricos da composição dos juízos de valores.
o Aqui a palavra-chave é a consciência do todo. 
• Na moral: uma pessoa amoral, ou seja, um indivíduo que não possui ou é 
deficiente na forma que conduz seus atos perante a sociedade que vive e 
convive, pele simples fato de lhe faltar a compreensão de como agir perante 
os regramentos impostos. Possuindo assim, insuficiência ou carência na sua 
forma de agir, na sua atitude e conduta, na sua aplicação da norma, pois não 
a compreende.
o Aqui a palavra-chave é a atitude individual. 
Já quando falamos na questão das pessoas que são contrárias a alguma 
coisa, estamos nos referindo a seres humanos que são adversos, antagônicos, 
avessos, desfavoráveis e opostos a alguma situação. 
Repassando esses conceitos supracitados para a ética e a moral, pode-se 
perceber que essas atitudes contrárias a alguma coisa denotam:
• Na ética: uma pessoa antiética, ou seja, um indivíduo que possui argumentos 
no sentido contrário da consciência coletiva do que é certo e errado, do que 
é fazer o bem ou o mal, demostrando estar em oposição aos atos e costumes 
gerais da sociedade em que está inserido, como também é avesso ao estudo 
dos juízos de valores constituído historicamente.
o Aqui a palavra-chave é a contrariedade. 
• Na moral: uma pessoa imoral, ou seja, um indivíduo que não segue as regras 
de conduta socialmente constituídas pelo coletivo social, pelo seu livre 
arbítrio. É fazer, ser oposto ou querer o contrário das normas. São avessas a 
qualquer código de conduta, por consciência de querer contrariá-la.
o Aqui a palavra-chave é a atitude consciente. 
Por fim, agora que aprofundamos nosso conhecimento acerca dos dois 
lados desta moeda ética-moral, é importante sedimentarmos esses conhecimentos 
adquiridos numa síntese conceitual. 
Assim, segue o quadro síntese para a sua reflexão final das concepções e 
diferenças da ética e moral.
34
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
QUADRO 9 – SÍNTESE DAS PRINCIPAIS CATEGORIAS DA ÉTICA E MORAL
FONTE: A autora
Nessa síntese das categorias analíticas da ética e moral, pode-se perceber 
as nuances relativas às diferenças e semelhanças entre elas, mas o principal é 
que ambas estudam e regulam o nosso agir pessoal e profissional e que são 
constituídas historicamente nas relações humanas e sociais.
3 A ESSÊNCIA DA MORAL 
Aqui realizaremos um debate entorno da essência da moral, mas com 
embasamentos éticos para a vida cotidiana das pessoas que vivem em sociedade, 
procurando desvelar o cerne e coração dessa questão da moral do ser humano. 
Segundo Pieritz (2013, p. 35), “partimos do entendimento de que todo 
homem pode ser considerado um ser ético e que nossas raízes éticas advêm da 
nossa própria história por meio do trabalho”, assim, pode-se questionar como se 
dá a sua forma de ser e conviver com o outro. Em outros termos, indaga-se: 
• Qual a natureza da moraldo ser humano? 
• Por que a moral é necessária para a vida cotidiana? 
• E como a moral é? 
Partimos do princípio de que sabemos que “a (re)produção da vida social 
coloca necessidades de interação entre os homens, modos de ser constitutivos da 
cultura, produtos do trabalho, tais como a linguagem, os costumes, os hábitos, as 
atividades simbólicas, religiosas, artísticas e políticas” (BARROCO, 2000, p. 25). 
Diante deste contexto, no Quadro 10, apresentaremos alguns exemplos 
dessa necessidade humana de interação e contato com os outros.
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
35
QUADRO 10 – EXEMPLOS DAS NECESSIDADES DE INTERAÇÃO ENTRE OS HOMENS PARA A 
REPRODUÇÃO DA VIDA COTIDIANA
QUESTÃO DE 
NECESSIDADE 
PARA A 
REPRODUÇÃO DA 
VIDA COTIDIANA
CARACTERÍSTICAS BÁSICAS
LINGUAGEM, 
HÁBITOS E 
COSTUMES
• Observa-se que toda região do Brasil, como no 
mundo, desenvolve-se ao longo de suas próprias 
histórias diversos grupos, que são ligados por seus 
costumes e hábitos da vida cotidiana, tais como: 
O O nosso tipo de comida. 
o O estilo de vida.
o As atitudes.
• A qual, estes costumes e hábitos propiciam a 
determinação do nosso convívio social. Desenvolvendo 
assim, uma linguagem e dialeto próprio.
ATIVIDADES 
SIMBÓLICAS
• Aqui o lúdico de uma realidade abstrata e simbólica 
positivada, denotam um aspecto muito importante 
para o desenvolvimento das pessoas, para assim 
poderem se espelhar naquela atividade.
• Pois, a simples aplicação de leituras de histórias 
de conto de fadas serve para o desenvolvimento 
emocional de crianças. 
ARTÍSTICA
• As cenas representativas dos atos da vida cotidiana 
reforçam aspectos intrínsecos da personalidade das 
pessoas.
• Assim, qualquer atividade artística, como por 
exemplo a dança, a pintura, o teatro exercem sobre 
o ser humanos, a possibilidade do desenvolvimento 
criativo e a liberação do imaginário.
FONTE: A autora
De acordo com o conjunto de possibilidades e necessidades de cada grupo 
socialmente constituído, ter-se-á a criação e desenvolvimento dos valores, seja 
individual ou coletivos, institucionalizando um padrão do que é considerado 
certo ou errado, bom ou mau. 
Então, o que poderemos considerar como configurações de ser da moral?
Vejamos!
Barroco (2000, p. 25-26) expõe que:
36
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
[...] o campo da moral é um espaço de criação e realização de normas e 
deveres, de atitudes, desejos e sentimentos de valor. Na vida cotidiana, 
julgamos as ações práticas como corretas ou incorretas; fazemos juízo 
de valor sobre nosso comportamento e dos outros; nos deparamos com 
situações em que ficamos em dúvida sobre a melhor escolha; projetamos 
nossa vida a partir de valores que julgamos positivos e negamos as 
ações que se orientam por valores que consideramos negativos.
Nesse cenário da vida cotidiana da nossa existência, observa-se pessoas 
“que não respeitam as normas de conduta da sociedade em que vivem, por 
isso, elas possuem um comportamento imoral ou antiético, ou seja, negam as 
normas e diretrizes morais constituídas e legitimadas pela própria sociedade” 
(PIERITZ, 2013, p. 36). Demostrando, assim, que existem os dois lados da moeda 
do comportamento moral, os que são adeptos do comportamento ético-moral e os 
contrários a ele, demostrando a liberdade da escolha da conduta humana.
Assim, de acordo com Barroco (2000, p. 26): 
Todos esses julgamentos, sentimentos, escolhas e desejos constituem o 
campo da moral; referem-se a valores, normas e deveres que orientam o 
comportamento dos indivíduos em sociedade, reproduzindo um dever 
ser que possa fazer parte do seu ethos, de seu caráter, determinando 
sua consciência moral, influenciando as escolhas, os projetos, as ações 
práticas dirigidas à realização do que se considera bom. É também 
no âmbito da moral que falamos do senso moral, pois se considera 
que os indivíduos estão socializados quando têm capacidade para se 
autodeterminar em face de situações de conflito, podem distinguir o 
que é bom e o que não é, podem ser responsabilizados pelos seus atos.
Complementando, Pieritz (2013, p. 38) expõe que se pode perceber “que 
a moral sugere, constantemente, a valorização de nossas ações e de nossos 
comportamentos em sociedade, mas é a moral que determina quais são os nossos 
direitos e deveres perante a sociedade em que vivemos”. Assim, regulando o 
nosso agir perante o grupo social a que pertencemos. 
Todavia, salienta-se que tanto os direitos como os deveres e obrigações 
socialmente constituídos, denotam responsabilidade sobre os atos praticados, pois 
ambos estão diretamente associados ao nosso modo de ser e conviver em sociedade. 
Que responsabilidades são estas? 
São as responsabilidades sobre nossos:
• sentimentos; 
• escolhas; 
• desejos; 
• atitudes; 
• posicionamentos diante da realidade; 
• juízo de valor; 
• senso moral; 
• consciência moral.
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
37
Em outros termos, somos responsáveis diretos por todos os nossos 
atos, sejam de ação ou omissão. Segundo Pieritz (2013, p. 39), “não podemos 
esquecer que a moral, seus hábitos, princípios e costumes são constituídos 
em sociedade e no decorrer de nossa história. Essas construções são baseadas 
no dia a dia das relações sociais que compõem a produção e reprodução da 
vida em sociedade”. O qual, compreendemos que todas as pessoas possuem 
consciência e responsabilidade sobre os atos que praticam no seu cotidiano, tanto 
individualmente como socialmente. 
4 OS VALORES E PRINCÍPIOS MORAIS 
Realizaremos, neste momento, uma discussão relativa aos valores e 
princípios morais, o qual, é importante, neste primeiro momento, segundo 
Pieritz (2013, p. 39), “compreender o significado de valor, pois ao refletir sobre 
ética, também falamos dos nossos valores e virtudes e, consequentemente, no 
comportamento dos homens”. Sendo que, ao discutirmos as questões éticas-
morais, estamos nos reportando diretamente à “vida moral dos homens, e esta 
moralidade social é permeada de valores, valores estes também constituídos em 
sociedade” (PIERITZ, 2013, p. 39). 
No entanto, o que pode ser considerado um valor dos princípios morais? 
Vejamos!
José Paulo Netto coloca-nos que Agnes Heller menciona que “valor é tudo 
aquilo que contribui para explicar e para enriquecer o ser genérico do homem, 
entendendo como ser genérico um conjunto de atributos que constituiriam a 
essência humana” (PAULO NETTO,1999 apud BONETTI et al., 2010, p. 22-23). 
Nesse sentido, valor é aquele atributo essencial do comportamento ético-
moral, que explica a subjetividade humana, suas preferências e modo de ser. 
Esses atributos na perspectiva de Heller são: 
QUADRO 11 – ATRIBUTOS NA PERSPECTIVA DE HELLER
OBJETIVAÇÃO
• Que expressa prioritariamente por intermédio do 
trabalho.
• Que proporciona sair do subjetivo e passar para o 
real e concreto.
SOCIALIDADE
• Que se expressa com a convivência com o outro, em 
grupo.
• Aprendizagem com o outro.
• Assimilação de normas sociais.
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UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
CONSCIÊNCIA
• Tomar ciência dos fatos ou de alguma coisa.
• Reconhecimento da realidade.
• Descoberta de algo.
• Capacidade de perceber as coisas.
UNIVERSALIDADE
• Universal.
• O todo.
• Fazer parte de um determinado grupo.
LIBERDADE • Livre-arbítrio.
FONTE: Adaptado de Paulo Netto (1999 apud BONETTI et al., 2010, p. 23)
Entretanto, você sabe as diferenças entre os valores e os princípios? 
Destacaremos as nuances relativas às concepções conceituais dos valores e dos 
princípios, para poder visualizar suas diferenças.
• Valores: é o sentido intrínseco da moral e do comportamento, o seu conjunto 
de qualidades individuais, que transmite o modo de ser das pessoas, ou seja, 
cada um de nós possuímos subjetividades que alimentam a conduta humana 
em sociedade, propiciando a definição da personalidade e preferência das 
pessoas. Por exemplo, a humildade,bondade, respeito e assim por diante.
• Princípios: são os parâmetros, preceitos, normas, leis e marcos de referência 
universais, que definem as regras de conduta social e consente a medição 
das consequências do comportamento humano. É um pressuposto que está 
conectado diretamente à nossa consciência e modo de agir. Por exemplo, o 
princípio da igualdade, imparcialidade, moralidade, liberdade etc.
Mediante esse debate, pôde-se compreender que “a ética é formada pelo 
estudo e investigação do comportamento e dos juízos de valores, estabelecendo 
ponderações de valor para o que está de acordo ou não com as normas e regras de 
convivência dos homens em sociedade” (PIERITZ, 2013, p. 41), demostrando que 
são os valores e princípios ético-morais que moldam a postura comportamental 
do ser humano. 
No entanto, o que são os valores sociais?
Segundo Pieritz (2013, p. 41, grifos nossos):
“Estes atributos, segundo muitos estudiosos, são os elementos constitutivos do 
ser humano, do ser social” (PIERITZ, 2013, p. 41).
IMPORTANTE
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
39
Diariamente, analisamos e fazemos julgamentos de valores tanto 
de coisas como dos seres humanos. Por exemplo, “Aquela flor tem 
muitos espinhos, pode me machucar”. “Este sabonete é ruim para 
mim, pois me dá alergia”. “Este chocolate é ruim, pois derrete fácil”. 
“Gosto muito daquele chocolate, porque é muito gostoso”. “Acho que 
a Samanta agiu bem ao ajudar você no trabalho de aula”. “Aquele 
profissional é competente”. Essas afirmações se referem ao juízo de 
valor da realidade em que estamos inseridos, pois quando partimos 
do fato que a flor, o sabonete, o chocolate, a moça e o profissional 
existem realmente, atribuímos algumas qualidades a eles, que podem 
nos atrair ou repelir.
É a qualidade que empregamos as coisas e ações, que definem seus 
valores. 
No nosso dia a dia, de acordo com Pieritz (2013, p. 41), “empregamos 
diversos tipos de valores, tais como: utilidade, estético, afetividade, do bem e mal, 
religiosos, aspectos econômicos, sociais e políticos”. 
Vejamos, agora, nas Figuras 11 e 12, alguns exemplos de virtudes ou 
valores humanos, como também de princípios e valores.
FIGURA 11 – EXEMPLOS DE VIRTUDES OU VALORES HUMANOS
FONTE: < https://demodelando.files.wordpress.com/2014/05/valores.gif?w=450&h=217>. 
Acesso em: 4 nov. 2020.
FIGURA 12 – EXEMPLOS DE PRINCÍPIOS E VALORES
FONTE: <http://www.kipique.com.br/imagens/vantagens.jpg>. Acesso em: 4 nov. 2020.
40
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
5 A CONSCIÊNCIA E O SENSO MORAL NO DESENVOLVIMENTO 
HUMANO 
Agora, adentraremos numa breve discussão da gênese da consciência e 
do senso moral, discutindo a questão da necessidade deles no desenvolvimento 
humano em sociedade. 
Para isso, ofereceremos subsídios relativos às origens, constituição, formação, 
geração ou bases e princípios fundamentais da existência humana, em outros 
termos, a gênese da consciência e do senso moral do homem que vive e convive em 
sociedade, aquilo que nos possibilita sermos considerados seres humanos.
Contudo, é salutar lembrar de um velho ditado popular, no qual expõe 
que “O homem é homem, porque é um ser racional!”. “A questão não é tão 
simples assim, pois não podemos dizer que a ética só depende da razão e que a 
racionalidade é o seu fator constituinte” (PIERITZ, 2013, p. 21). 
Esta racionalidade advém da consciência e empoderamento dos valores 
e princípios éticos-morais adquiridos no decorrer da história da humanidade e 
refletem diretamente no senso e na consciência moral do ser humano. 
Entretanto, antes de tudo, precisamos compreender o significado das 
ações ético-morais na vida dos seres humanos, indagando se o simples 
fato de pensar e estabelecer normas de conduta da realidade cotidiana 
pode ser compreendido como a realização de uma atividade prática em 
sua vida, ou seria possível que a vida dos homens fosse estabelecida 
apenas por sua racionalidade ou pela composição de regras, normas e 
valores sociais? (PIERITZ, 2013, p. 21-22).
Lembre-se que nós seres humanos vivemos num mundo real, palpável, 
pulsante e em constantes transformações, e que constantemente estamos 
estabelecendo novas e diversas relações com a própria natureza, este contato 
propicia sua própria transformação, modificando-a de acordo com suas 
necessidades reais de sobrevivência.
Segundo Pieritz (2013, p. 22):
Os seres humanos estão ligados à natureza e dela dependem para 
se constituírem como seres sociais, pois, à medida que utilizam sua 
consciência sobre a natureza, desenvolvem necessidades práticas 
de sobrevivência, ou seja, não basta apenas pensar e observar, faz-
se necessário que os homens ajam sobre sua realidade cotidiana, 
realizem seus desejos e vontades e transformem a sua vida conforme 
suas necessidades e as necessidades de sua sociedade.
Nesse sentido, Marx e Engels (1987, p. 22) nos colocam que:
[...] o primeiro pressuposto de toda existência humana e, portanto, de 
toda história, é que os homens devem estar em condições de viver para 
poder fazer história, mas para viver, antes de tudo comer, beber, ter 
habitação, vestir-se e algumas coisas a mais. O primeiro ato histórico 
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
41
é, portanto, a produção dos meios que permitam a satisfação destas 
necessidades, a produção da própria vida material, e de fato este é um 
ato histórico, uma condição fundamental de toda a história, que ainda 
hoje, como há milhares de anos, deve ser cumprida todos os dias e 
todas as horas, simplesmente para manter os homens vivos.
De tal modo, a realização de nossas atividades e necessidades humanas é 
entendida como um fato social, que é historicamente constituído, este fato relativo 
à relação e convívio social, torna-se primordial para compreendermos a própria 
existência humana. 
Agora, aprofundaremos nosso conhecimento acerca da própria existência 
da ética na nossa vida cotidiana. Para isso, a filósofa Marilena Chauí, agracia-nos 
com uma linda reflexão, apresentando-nos algumas situações da vida cotidiana 
trazendo um debate relativo ao senso moral e à consciência moral. 
QUADRO 12 – REFLEXÃO DA EXISTÊNCIA ÉTICA
NOSSOS SENTIMENTOS E NOSSAS AÇÕES EXPRIMEM NOSSO 
SENSO MORAL
SITUAÇÕES 
de vida
• VIVEMOS CERTAS SITUAÇÕES, ou sabemos que foram 
vividas por outros, como situações de extrema aflição e 
angústia, situações felizes e de prazer.
• Denotando a consciência destas situações advindas dos fatos 
históricos vividos pelo homem, a qual, buscamos no espirar 
e moldar.
• Situações como essas - mais dramáticas ou menos dramáticas 
– de alegria e de tristeza – de sucessos e fracasso - surgem 
sempre em nossas vidas.
DECISÕES
 na vida
• NOSSAS DÚVIDAS quanto à DECISÃO CERTA A TOMAR 
não manifestam nosso senso moral, mas também põem a 
prova nossa consciência moral, pois exigem que decidamos 
o que fazer, que justifiquemos para nós mesmos e para os 
outros as razões de nossas decisões e que assumimos todas 
as consequências delas, porque somos responsáveis por 
nossas opções.
• Quantas vezes, levados por algum impulso incontrolável ou 
por alguma emoção forte (medo, orgulho, ambição, vaidade, 
covardia), fazemos alguma coisa que, depois, sentimos 
vergonha, remorso, culpa. Gostaríamos de voltar atrás no 
tempo e agir de modo diferente. 
• Esses sentimentos também exprimem nosso SENSO 
MORAL.
42
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
SENSO MORAL CONSCIÊNCIA MORAL
Conjunto de SENTIMENTOS de 
indignação, de administração ou de 
responsabilidade por nossa conduta 
ou de outros.
MANEIRA como avaliamos a conduta 
e a ação de outras pessoas.
Conjunto de AVALIAÇÕES de 
conduta que nos levam a tomar 
decisões por nós mesmos, a agir em 
conformidade com elas e a responder 
por elas.
CAPACIDADE DE DECIDIR o 
que fazer, de justificar as razões 
de nossas decisões e de assumir as 
consequências delas.
O senso moral e a consciênciamoral referem-se a:
• VALORES de justiça, honradez, espírito de sacrifício, integridade, 
generosidade.
• SENTIMENTOS provocados pelos valores, de admiração, vergonha, culpa, 
remorso, contentamento, cólera, amor, dúvida, medo.
• DECISÕES que conduzem a ações com consequências para nós e para os 
outros. 
Embora os conteúdos dos valores variem, podemos notar que estão se referindo 
a um valor mais profundo, mesmo que apenas subentendido: o bom ou o bem. 
O SENSO E A CONSCIÊNCIA MORAL dizem respeito a 
valores, sentimentos, intenções, decisões e ações referidos ao bem e ao mal e 
ao desejo de felicidade.
Dizem respeito às relações que mantemos com os outros e, portanto, 
NASCEM E EXISTEM COMO PARTE DA NOSSA VIDA SUBJETIVA.
 JUÍZO DE FATO Dizem o porquê as coisas são o que são, como são e por 
que são.
JUÍZO DE 
VALOR
São avaliações sobre coisas, pessoas e situações, e são 
proferidos na moral, nas artes, na política, na religião. Se 
referem ao que devem ser.
AGENTE 
MORAL
Homem, dotado de razão, capaz de ver, julgar e agir na 
realidade em que está inserido.
A EXISTÊNCIA ÉTICA é constituída por dois polos internamente relacionados: 
• o AGENTE ou O SUJEITO moral (o homem); e 
• os VALORES MORAIS ou os FINS ÉTICOS. 
Além disso, é constituída também pelos MEIOS MORAIS.
FONTE: Adaptado de Chauí (2016, p. 312 e 319)
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
43
No quadro anterior, a filósofa Marilena Chauí (2016) expõe com sensatez 
como as nossas emoções, anseios, ações e sentimentos exprimem o nosso senso 
ético-moral nas diversas situações da vida cotidiana, além de desmistificas as 
nuances relativas à consciência e senso moral. 
No senso e na consciência moral dos seres humano estão estampados 
nossas intenções e desígnios, como também nossos valores, emoções e sentimentos, 
relativos à concepção do bem e do mal.
5.1 OS ESTÁGIOS DA CONSCIÊNCIA ÉTICA E MORAL: AS 
ETAPAS DA EVOLUÇÃO HUMANA
Refletiremos, agora, a questão da classificação dos estágios da consciência 
ética e do julgamento moral dos seres humanos, desvelando e buscando 
compreender as etapas e níveis da evolução humana. 
Primeiramente, vejamos o que Alves (2017, p. 1) indaga nessa discussão: 
• “Como nos tornamos seres morais?”
• “Como aprendemos distinguir entre o certo e o errado?” 
Alves (2017, p. 1) complementa, expondo que “as respostas filosóficas são 
tão díspares quanto interessantes”. 
Agostinho afirmava que já nascemos depravados e inclinados a 
naturalmente escolher o mal, enquanto Rousseau contesta que 
originalmente o ser humano é bom, mas nos corrompemos mediante 
o contato social. Mais tarde, em uma abordagem psicodinâmica, Freud 
dava explicações, como a repressão das pulsões (a influência do superego) 
para a origem da moral. O psicólogo Jean Piaget deu um grande passo ao 
notar que a formação moral é construída e difere entre a construção da 
moralidade extrínseca e a internalizada (ALVES, 2017, p. 1).
Assim, tudo depende da consciência que o ser humano tem dos seus 
próprios atos e ações perante o meio em que vive e convive, e que eles são 
constituídos historicamente pela sua socialização junto a outras pessoas que estão 
ao seu entorno. 
Nesse sentido, Aveline (2019, p. 1) expõe que “o psicólogo norte-
americano Lawrence Kohlberg (1981) afirma que o desenvolvimento moral do 
ser humano tem seis estágios, mas, atualmente, são poucos os que alcançam o 
patamar mais elevado”. Esses estágios da consciência ética são desenvolvidos 
durante o percurso histórico da evolução humana e psicológica de qualquer 
pessoa, independentemente de raça, cultura ou etnia.
Complementando, Alves (2017, p. 1) expõe que:
44
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
Em um notável experimento, Kohlberg (1981) descobriu que a 
construção da moral ocorre por estágios, paralelos aos estágios 
desenvolvimentais então estudados por Piaget. Ainda mais, para uma 
criança atingir certo estágio de desenvolvimento moral, deveria antes 
alcançar um estágio intelectual que a permitisse assimilar as questões 
morais e produzir seu próprio raciocínio.
De tal modo, pode-se considerar que a base destes seis estágios da 
consciência ética e do julgamento moral dos seres humanos se encontra na fase do 
desenvolvimento intelectual do mesmo, para assim possibilitar o discernimento 
e compreensão dos fatos e das coisas, possibilitando seu empoderamento do 
intelecto e tomadas de decisão, do que é certo ou errado, do que é fazer o bem 
ou o mal. Vale frisar que “os seis estágios também coexistem entre si. A vida é 
contraditória. Cada pessoa possui vários níveis de motivos para agir corretamente, 
e diversos tipos de definição do que é correto” (AVELINE, 2019, p. 1).
Logo, Aveline (2019, p. 1) expõe que “em cada indivíduo ou grupo 
social, há alguns níveis de consciência ética que predominam sobre os outros”, 
possibilitando, assim, que todos nós possamos ser diferentes, pois temos o livre 
arbítrio da escolha do caminho que desejamos seguir, mediante o desenvolvimento 
da nossa consciência ética e moral. Na Figura 9, serão expostos os seis estágios 
da consciência ética e do julgamento moral que foram propostos por Lawrence 
Kohlberg (1981), o qual demostrarão as motivações que levam para cada nível e 
estágio do desenvolvimento humano.
 
FIGURA 13 – KOHLBERG E OS ESTÁGIOS DA CONSCIÊNCIA ÉTICA
FONTE: <https://www.filosofiaesoterica.com/Kohlberg (1981)-e-os-estagios-da-consciencia-etica/>. 
Acesso em: 6 nov. 2020. 
Contudo, antes de aprofundar nossos conhecimentos acerca de cada um 
destes seis estágios da consciência ética e moral que foram propostos por Kohlberg 
(1981), devemos compreender que eles foram classificados em três grandes níveis, 
que são denominados de pré-convencional, convencional e pós-convencional.
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
45
QUADRO 13 – CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS NÍVEIS DOS ESTÁGIOS DA CONSCIÊNCIA ÉTICA E 
MORAL PROPOSTOS POR KOHLBERG (1981)
Nível 1 ou A Nível 2 ou B Nível 3 ou C
Raciocínio e Moralidade
PRÉ-CONVENCIONAL
Raciocínio e Moralidade 
CONVENCIONAL
Raciocínio e Moralidade 
PÓS-CONVENCIONAL
Nível PRÉ-MORAL, 
estágio mais básico e 
inferior
Estágio 1 e 2
Nível da CONFORMI-
DADE com os papéis 
sociais
Estágio 3 e 4
Nível da ACEITAÇÃO 
dos princípios morais 
universais
Estágio 5 e 6
Sem código de conduta Leal as regras e normas Raciocinam para 
melhorar o mundo
• Ainda não 
compreende o que 
é certo e errado, o 
que é fazer o bem e 
o mal.
• Não teve 
internalização 
das normas e 
convenções sociais.
• Segue as regras 
e as normas de 
condutas socialmente 
constituídos pela 
sociedade que estão 
inseridas.
• Teve plena 
internalização das 
normas e convenções 
sociais. 
• Não se baseia nos 
padrões dos outros.
• Baseia-se nos seus 
princípios individuais 
abstratos. 
FONTE: A autora
Agora que observamos que os seus estágios são classificados em três 
grandes níveis, convido-lhes a compreender cada um desses seis estágios da 
consciência ética e moral que foram propostos por Kohlberg (1981).
5.1.1 Primeiro estágio: medo, punição e obediência 
Esse primeiro estágio da consciência ética e do julgamento moral dos seres 
humanos, que foi proposto por Kohlberg (1981), busca compreender o nível mais 
básico da consciência, do raciocínio do intelecto da própria evolução humana. 
De acordo com a pirâmide de Kohlberg (1981), a ação do ser humano 
é “motivada pelo medo da punição e pela obediência” (AVELINE, 2019, p. 1, 
grifos nossos), como também, está considerada no primeiro nível da classificação 
geral, possuindo um raciocínio e moralidade consideradas pré-convencionais, 
conforme exposto no Quadro 13.
46
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
Nesse primeiro nível, as pessoas ainda não compreendem o que é certo e 
errado, o que é fazer o bem e o mal. Como também, não tiveram a internalização 
das normas e convenções sociais instituídas legalmente e que nãoseguem um 
código de conduta. Esse primeiro estágio da consciência e raciocínio da evolução 
humana, foi denominado como a fase do medo, punição e obediência, pois, 
segundo Alves (2017, p. 1), “as consequências das ações determinam o certo e 
o errado”, e, de acordo com Aveline (2019, p. 1, grifos nossos) “a ação certa é a 
ação que não é punida”, pois “a prioridade é não ser punido, e por isso há uma 
obediência. A ação errada é aquela que recebe castigo. Se não houver castigo, não 
haverá consciência de que algo errado foi feito” (AVELINE, 2019, p. 1).
Assim, pode-se verificar que a base da pirâmide está norteada por 
orientações de obediência, para, assim, evitar a punição, demostrando que o 
medo de não obedecer ao socialmente posto, gera temor do castigo que possa ter, 
e assim segue com um comportamento de obediência, pois tem medo que seja 
descoberto algo considerado errado pela sociedade que vive e convive. 
As questões desse primeiro estágio são as seguintes:
• Se não obedecer, serei punido ou castigado?
• Quais serão as consequências de minha ação ou omissão?
Desse modo, segundo Carvalho (2011, p. 1), no Estágio um, “a criança 
obedece literalmente a regra, pois sua interpretação é que, obedecer a autoridade 
é evitar castigo. Cumpre, portanto, por obediência ao adulto e para não sofrer 
sanções, nesse caso, o castigo.”
Salienta-se que são as consequências das ações que demostram o 
comportamento em si, a ação comportamental, ou seja, não é a ação que 
predomina, e sim o medo das consequências que a ação poderá gerar. Gerando 
obediência por medo de punição e castigo. 
A palavra aqui é obediência à regra posta!
5.1.2 Segundo estágio: recompensa
O segundo estágio da consciência ética e moral das pessoas no seu convívio 
social, que foi sugerido por Kohlberg (1981), busca também compreender o nível 
basilar da consciência, do raciocínio do intelecto da própria evolução do ser humano. 
Segundo a pirâmide de Kohlberg (1981), a ação do ser humano é “motivada 
pela obtenção e recompensa” (AVELINE, 2019, p. 1, grifos nossos), como também, 
está considerada no primeiro nível da classificação geral, possuindo um raciocínio 
e moralidade consideradas pré-convencionais, conforme exposto no Quadro 13.
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
47
Reforça-se que nesse primeiro nível, os indivíduos ainda não compreendem 
o que é certo e errado, o que é fazer o bem e o mal. Como também não tiveram a 
internalização das normas e convenções sociais instituídas legalmente e que não 
seguem um código de conduta. 
Vale salientar, que neste estágio da evolução do intelecto e comportamento 
humano, foi denominado como a fase da recompensa, pois, segundo Alves (2017, 
p. 1), no estágio dois, as ações estão pautadas no “hedonismo instrumental ingênuo. 
O individualismo e a transação passam a serem consideradas”. “A ação correta é 
definida como ‘aquela que serve aos interesses de cada um’. O objetivo é obter uma 
recompensa. Ocorre aqui o ‘toma lá, dá cá’. Vale a negociação caso a caso, a troca de 
favores, o apoio mútuo em ações de curto prazo” (AVELINE, 2019, p. 1).
Esse desejo imediato da realização individual do prazer é compreendido 
como um instrumento egocêntrico do ser humano, para sua própria satisfação. 
No segundo estágio da consciência ética e moral das pessoas no seu convívio 
social, a orientação comportamental aponta para o contentamento dos próprios 
desejos ou de outros. 
As questões do segundo estágio são as seguintes:
• O que posso ganhar ou obter com minha ação ou omissão?
• O que ganho em troca?
Assim, as ações humanas, no seu convívio social, estão pautadas no prazer 
individual, desprovida de malícia, e na transação ou negociação de barganha para 
conseguir o que deseja — ações única e exclusivamente para satisfação pessoal. 
Segundo Carvalho (2011, p. 1), esse segundo estágio denota que o ser 
humano “age pelo próprio interesse (individualismo), [pois] a obediência consiste 
em fazer só aquilo que lhe interessa e até na relação com os outros não é movido 
por respeito ou por lealdade, mas pelo interesse de ‘uma mão lava a outra’, uma 
troca de favores”. 
Vejamos seus significados:
Hedonismo – “Tendência a considerar que o prazer individual e imediato é a finalidade da 
vida” (FERREIRA, 2008, p. 448, grifos nossos).
Ingênuo – “Sem malícia, franco. Em que há inocência, pureza, singelo, pueril” (FERREIRA, 
2008, p. 478, grifos nossos).
Egocêntrico – “Que ou quem refere tudo ao próprio eu. Egoísta (FERREIRA, 2008, p. 334, 
grifos nossos).
NOTA
48
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
Nesse sentido, ressalva-se que, o objetivo desse comportamento é a 
reciprocidade restrita em obter uma recompensa. 
A palavra aqui é buscar recompensa!
5.1.3 Terceiro estágio: aprovação social
O terceiro estágio da consciência ética e do julgamento moral dos seres 
humanos, que foi proposto por Kohlberg (1981), denota que tenhamos um 
raciocínio ético-moral convencional, pois propicia ser um nível conectado com a 
conformidade dos papéis sociais, ou seja, a lealdade dos homens com as regras e 
normas socialmente constituídas. 
De acordo com a pirâmide de Kohlberg (1981), a ação do ser humano é 
“motivada pela aprovação social” (AVELINE, 2019, p. 1, grifos nossos), como 
também está considerada no segundo nível da classificação geral, possuindo 
um raciocínio e moralidade consideradas convencionais, conforme exposto no 
Quadro 13.
Ressalva-se que nesse segundo nível, as pessoas procuram seguir as 
regras e as normas de condutas socialmente constituídos pelo grupo social a qual 
faz parte. São leais às regras e normas. 
Neste sentido, esse terceiro estágio da consciência e raciocínio da evolução 
humana foi denominado como a fase da aprovação social, pois, segundo Alves 
(2017, p. 1, grifos nossos), este é o estágio das “relações interpessoais. [Onde 
existe] o ideal de ‘bom garoto’, ou seja, o que agrada aos outros é bom”.
Aveline (2019, p. 1) complementa expondo que, neste terceiro estágio: 
A criança (ou o adulto) demonstra ter bom caráter. É a etapa do “bom 
garoto”. A meta é a aprovação social, ou o apoio sincero dos mais 
velhos e dos mais poderosos. Aqui vale a frase “faça aos outros o que 
gostaria que eles lhe fizessem”. A pessoa desenvolve um sentido de 
justiça e reciprocidade. A compaixão é compreendida e até certo ponto 
vivenciada. Também pode ocorrer um conformismo: mas existe um 
sentido de compromisso ético verdadeiro (grifos nossos).
Segundo Aveline (2019, p. 1, grifos nossos), “os dois estágios iniciais da moralidade 
humana são chamados de ‘pré-convencionais’, porque neles não há um código de conduta. 
As ações são vistas de modo mais ou menos isolados. Predomina o casuísmo”.
IMPORTANTE
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
49
Demostrando que nas relações interpessoais, buscar ser considerado uma 
boa pessoa é um bom negócio, para ter um convívio social pleno e ser aprovado 
socialmente. 
Aqui, procuramos nos orientar pelos valores socialmente constituídos, 
manter-nos íntegros, conforme as normativas, regras e legislações vigentes, mas, 
sempre no intuito de agradar o grupo social a que fazemos parte, e não pelo 
simples fato de seguir as normas. 
As questões desse terceiro estágio permeiam em:
• Se seguir as normas sociais, estou agradando e sou aprovado socialmente?
• Como sou considerado nas minhas relações interpessoais, agrado a todos?
• Será que tenho bom caráter, se sigo fielmente a legislação vigente?
De tal modo que nossa atitude em relação às ações humanas deva estar 
pautada nas normativas socialmente constituídas, e que nos orientam se podemos 
ser considerados bons ou maus seres humanos, e se assim agradamos e somos 
aprovados socialmente.
Vale salientar que, as ações que agradam o coletivo são consideradas 
boas, e que o caráter humano é reconhecido por estes atos compartilhados e 
positivados nas relações interpessoais. A palavra aqui é agradar o outro!5.1.4 Quarto estágio: manutenção da ordem social
No quarto estágio da consciência ética-moral das pessoas que vivem e 
convivem em sociedade, que foi apresentado por Kohlberg (1981), o qual é possível 
propiciar a você, que este estágio do raciocínio da ética e da moral é convencional, 
para demostrar que este nível está conectado com a harmonia dos papéis sociais, 
ou seja, a lealdade dos homens com as regras e normas socialmente constituídas. 
Segundo a pirâmide de Kohlberg (1981), a ação do ser humano é “motivada 
pela manutenção da ordem social” (AVELINE, 2019, p. 1, grifos nossos) e está 
considerada no segundo nível da classificação geral, possuindo um raciocínio e 
moralidade consideradas convencionais, conforme exposto no Quadro 13.
Pontua-se que nesse segundo nível, os seres humanos procuram seguir as 
regras e as normas de condutas socialmente constituídos pela sociedade em que 
vivem e convivem. São leais às regras e normas. 
Assim sendo, este quarto estágio da consciência e raciocínio da evolução 
humana, foi denominado como a fase da manutenção da ordem social, pois, de 
acordo com Aveline (2019, p. 1, grifos nossos) “o quarto estágio é o da Lei e da 
Ordem. Nesse ponto o respeito ao líder, ao chefe, ao professor, é algo central. O 
50
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
importante é cumprir o dever. Cabe respeitar as normas e obedecer às autoridades 
– sem questioná-las”. Importante salientar que é a “autoridade [que] mantém a 
ordem social. Atitude deontológica, cumprir os deveres” (ALVES, 2017, p. 1).
Pode-se destacar que nesta etapa, o nosso comportamento social é 
orientado pelas normas, leis, regras e ordem social. Procurando manter os 
valores e princípios socialmente constituídos. 
Aqui, é a manutenção das leis e normas e o respeito às lideranças que 
propiciam a promoção do bem-estar social da população, já que as questões do 
quarto estágio estão em torno das seguintes indagações:
• Se seguir as normas vigentes, estou mantendo a ordem e o bem-estar social?
• Será que estou respeitando minhas lideranças e suas decisões?
• Estou cumprindo meus deveres e minhas obrigações sociais?
Ainda, torna-se importante refletirmos na questão da Lei e da Ordem, pois:
 
Quem está nesse estágio realmente acredita que a lei, a ordem social, a 
justiça e outros valores são reais, são partes do gênero humano, neste 
sentido o correto é cumprir seu dever na sociedade, preservar a ordem 
social, e manter o bem-estar da sociedade ou do grupo (CARVALHO, 
2011, p. 1, grifos nossos).
Aqui, o importante sempre será o cumprimento da Lei e da Ordem, 
cumprindo nossos deveres e obrigações para com a sociedade em que fazemos 
parte, além de respeitar os processos decisórios de nossos gestores, pois assim, 
proporcionaremos a promoção do bem-estar social. 
As palavras aqui são respeito e cumprimento das leis, da ordem e da 
liderança!
5.1.5 Quinto estágio: proteção do bem-estar coletivo
Este quinto estágio da consciência ética e do julgamento moral dos seres 
humanos, que foi proposto por Kohlberg (1981), busca compreender a questão do 
raciocínio e da moralidade no âmbito pós-convencional, no nível da aceitação dos 
princípios morais universais, em que os seres humanos procuram raciocinar para 
melhorar a qualidade de vida no mundo. 
De acordo com Aveline (2019, p. 1, grifos nossos), “As etapas três e quatro são 
chamadas de ‘convencionais’, porque nelas o indivíduo é sinceramente leal às normas e 
às orientações coletivas”.
IMPORTANTE
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
51
Portanto, de acordo com a pirâmide de Kohlberg (1981), a ação do ser 
humano, no quinto estágio, é “motivada pela proteção do bem-estar coletivo” 
(AVELINE, 2019, p. 1, grifos nossos) e está considerada no terceiro nível da 
classificação geral, possuindo um raciocínio e moralidade consideradas pós-
convencional, conforme exposto no Quadro 13.
É importante destacar que, no terceiro nível da classificação geral da 
pirâmide de Kohlberg (1981), devemos compreender que as pessoas já possuem 
plena internalização das normas e convenções sociais, e que não se baseiam nos 
padrões dos outros, mas se baseiam nos seus princípios individuais abstratos. 
Aqui, no terceiro nível, devemos partir do princípio de que “agora as crianças 
ou adultos respeitam às normas, leis e convenções, mas ao mesmo tempo enxergam 
além delas e procuram aprimorá-las” (AVELINE 2019, p. 1, grifos nossos). 
Vale fazermos uma reflexão!
Prezado acadêmico, reflita conosco o que Sigmund Freud (2005, p. 53, 
grifos nossos) escreveu:
[…] Não é necessário ser um anarquista para ver que as leis e as normas 
não podem ser consideradas como algo sagrado ou inquestionável, 
ou para compreender que elas são com frequência formuladas de 
modo inadequado e ferem o nosso sentido de justiça, ou virão a ser 
injustas dentro de algum tempo, e que, considerando a lentidão das 
autoridades, muitas vezes o único meio de corrigir estas leis tolas 
é tendo a coragem de violá-las. Além disso, se desejamos manter o 
respeito pelas leis e normas, é aconselhável só promulgá-las quando 
se pode vigiar e saber se são obedecidas.
Você conseguiu observar na fala de Freud (2005), que as leis e normas 
podem ser reformuladas e modificadas no decorrer da própria evolução humana, 
por conta da transformação social? Que elas podem ter sido feitas de formas 
equivocadas, não atingindo seu propósito? Que podem ter perdido sua validade, 
por conta do tempo de promulgação? 
Que bom que você compreendeu essa questão! Pois, isso é fundamental 
para compreender este estágio, como o sexto também.
Nesse sentido, este quinto estágio da consciência e raciocínio da evolução 
humana, foi denominado como a fase da proteção do bem-estar coletivo, pois, 
na visão de Aveline (2019, p. 1, grifos nossos), esta é uma fase que demonstra o 
“desenvolvimento ético, [onde] o indivíduo percebe que as leis e os costumes 
estabelecidos podem ser injustos. [E], quando necessário, ele busca uma mudança 
para melhor. Faz isso através de meios legítimos, democráticos, moralmente 
aceitáveis, eticamente responsáveis”. Demonstrando que é possível realizar a 
mudança normativa, desde que devidamente justificada e legal, pois quem está 
nesta fase, consegue enxergar além das normativas postas, pois procura aprimorar 
o contrato social posto.
52
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
Aqui, neste estágio, as pessoas se orientam pela melhoria constante do 
contrato social e suas normativas institucionalizadas, procurando o exercício 
do respeito aos direitos civis, sociais e individuais, no intuito de protegê-las e 
verificarem sua eficácia, para angariar a promoção do bem-estar do coletivo social. 
Segundo Alves (2017, p. 1), o contrato social é compreendido como 
“acordos democraticamente alcançados sobre se os valores são bons, cabendo ao 
indivíduo determinar o certo e o errado dentro dos parâmetros desses valores”. 
Nessa concepção, esse aprimoramento legislativo do contrato social 
denota os seguintes questionamentos:
• Será que podemos ir além do contrato social instituído, tendo uma visão 
ampliada de sua eficácia e propor aprimoramento, quando necessário?
• Como podemos exercer nossa cidadania para proteger o bem-estar coletivo?
Já Carvalho (2011, p. 1) complementa expondo que as pessoas desse 
estágio possuem uma “visão que no mundo as pessoas são diferentes, têm 
opiniões, direitos e valores também diferentes e o correto é apoiar os direitos, 
valores e contratos jurídicos de uma sociedade, mesmo quando estão em conflito 
com as normas concretas do grupo”. Ou seja, procuram ir além do socialmente 
posto, para poder contribuir a melhoria de qualidade vida dos cidadãos, pois 
entendem que somos todos diferentes. 
As palavras aqui são proteção do bem-estar coletivo e melhoria do 
contrato social.
5.1.6 Sexto estágio: zelo pelos princípios éticos universais
Por fim, o sexto e último estágio da consciênciaética-moral das pessoas, 
que foi apresentado por Kohlberg (1981), procurou presentar uma reflexão 
relativa ao raciocínio e à moralidade no âmbito pós-convencional, no nível da 
aceitação dos princípios morais universais, em que os seres humanos procuram 
raciocinar para melhorar a qualidade de vida no mundo. 
Exemplos desse nível de moral (assim como do sexto nível) são Mahatma 
Gandhi, na Índia, Martin Luther King, nos Estados Unidos e, no Brasil, Chico Mendes, o 
defensor da Floresta Amazônica. Os três líderes sociais deram um exemplo de altruísmo 
e foram assassinados precisamente por defenderem ideais nobres e uma ética superior, 
contrariando as estruturas da ignorância organizada. Na quinta etapa, busca-se um contrato 
social eficiente e justo para todos (AVELINE 2019, p. 1).
INTERESSANTE
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
53
Nesse sentido, a pirâmide de Kohlberg (1981) demonstra que a ação 
do ser humano, no sexto estágio, é “motivada pelo zelo dos princípios éticos 
universais” (AVELINE, 2019, p. 1, grifos nossos) e está considerada no terceiro 
nível da classificação geral, possuindo um raciocínio e moralidade consideradas 
pós-convencional, conforme exposto no Quadro 13.
Vale frisar que neste terceiro nível da classificação geral da pirâmide de 
Kohlberg (1981), é importante compreender que as pessoas já possuem plena 
internalização das normas e convenções sociais, e que não se baseiam nos padrões 
dos demais cidadãos, mas baseiam-se nos seus princípios individuais abstratos. 
Portanto, neste terceiro nível, partiremos do princípio de que “agora as 
crianças ou adultos respeitam as normas, leis e convenções, mas ao mesmo tempo 
enxergam além delas e procuram aprimorá-las” (AVELINE, 2019, p. 1, grifos nossos). 
Assim, o sexto estágio da consciência e raciocínio da evolução humana, foi 
denominado como a fase do zelo dos princípios éticos universais, pois, segundo 
Aveline (2019, p. 1), “na sexta etapa de desenvolvimento moral, o indivíduo – 
ou o povo – vive os princípios universais da consciência ética. Hoje são pouco 
numerosos os seres humanos firmemente estabelecidos neste estágio. São os 
precursores. Preparam o futuro. Abrem o caminho”. 
As questões do sexto e último estágio estão em torno das seguintes 
indagações:
• Qual o caminho que podemos trilhar para zelar os princípios éticos universais?
• Com podemos aprimorar os preceitos éticos e morais, para ir além do 
socialmente posto?
Aqui, nesta fase, as pessoas se orientam pelos princípios éticos universais, 
a qual procuram zelar pelos valores éticos-morais ao longo da história da 
humanidade. Lembre-se que a ética reflete os hábitos e costumes gerais de 
uma sociedade, suas normativas e convenções, que fora institucionalizada pelo 
coletivo social, e a moral é a forma que conduzimos nossos atos perante o outro, 
ou seja, é a conduta em si. 
Alves (2017, p. 1) coloca-nos que “os princípios de justiça e ética são parte da 
consciência, sendo questões de escolhas individuais dentro de princípios axiológicos 
universais, mesmo que contra as leis e regras socialmente estabelecidas”. Vale 
lembrar que “a pessoa desenvolve um padrão moral baseado nos direitos humanos 
universais. Quando confrontado com um conflito entre a lei e a consciência, a 
pessoa seguirá a consciência, ainda que essa decisão envolva risco pessoal, e tem a 
capacidade de ver-se no lugar do outro” (CARVALHO, 2011, p. 1).
Assim, somos incitados a zelar por esta consciência dos princípios éticos 
e de justiça universais que refletem as nossas condutas na sociedade em que 
estamos inseridos. 
54
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
Lembre-se de que estamos aqui para melhorar o mundo em que vivemos, 
mas precisamos compreender e zelar os nossos valores e princípios éticos-morais 
que foram historicamente concebidos pelo coletivo social. 
As palavras aqui são zelo dos valores e princípios éticos-moras e 
universais, pois a ética é para o coletivo social, para todos.
6 A CONDUTA MORAL: O BEM E O MAL, O CERTO E O 
ERRADO 
No que tange a nossa conduta moral, em relação ao fazer o bem ou o mal, 
em fazer o certo ou o errado, pode-se dizer que chegamos agora num dilema, pois 
no nosso próprio comportamento ético-moral é a nossa consciência, das coisas e 
dos fatos, que irá determinar o caminho a seguir, pois indaga-se:
• Como saber o que devemos fazer? Para que lado ir?
• O que é certo ou errado perante a sociedade? 
• O que é fazer o bem e como evitar o mal?
Respondendo a esses três questionamentos, Valls (2003, p. 67-68) expõe que:
Agir eticamente é agir de acordo com o bem. A maneira de como se 
definirá o que seja este bem, é um segundo problema, mas a opção 
entre o bem e o mal, distinção levantada já há alguns milênios, parece 
continuar válida. [...] Neste sentido, poderíamos continuar dizendo 
que uma pessoa ética é aquela que age sempre a partir da alternativa 
bem ou mal, isto é, aquela que resolveu pautar seu comportamento 
por uma tal opção, uma tal disjunção. E quem não vive dessa maneira, 
optando sempre, não vive eticamente.
Prezado acadêmico, para Kohlberg (1981) “nem todos progrediam por esses 
estágios. Somente uns poucos (citou Gandhi, Thoureau e Martin Luther King) chegam ao 
Estágio 6, mas todos em potencial podem alcançar esses estágios, que progridem conforme 
a idade” (ALVES, 2017, p. 1). De acordo com Carvalho (2011, p. 1): 
Kohlberg (1981) acreditava que estes níveis e estágios ocorrem 
numa sequência:
• Antes dos nove anos, a maioria das crianças seguem 
caminhos pré-convencionais (nível 1).
• Na primeira adolescência, eles raciocinam de uma maneira 
mais convencional (nível 2). A maioria no Estágio 3, com 
apenas sinais dos Estágios 2 e 4.
• No início da fase adulta, um pequeno número de indivíduos 
arrazoa (raciocinam) de maneira pós-convencional.
IMPORTANTE
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
55
Assim, se agirmos no intuito de fazer o bem, estamos agindo com uma 
postura ética-moral, ela proporcionará uma conduta direcionada para o certo, 
mas sempre pautada no que fora instituído socialmente. Então, pode-se dizer 
que os seres humanos são aquelas pessoas que desenvolvem uma conduta ou um 
comportamento baseado em alternativas, podendo escolher em fazer o bem ou o 
mal, que quem faz o bem é considerado ético, e quem faz o mal é antiético.
De acordo com Pieritz (2013, p. 23-24):
Para efetuarmos um julgamento concreto sobre alguma situação da 
vida em sociedade, devemos nos pautar sobre todos os pressupostos 
éticos daquela sociedade em si, ou seja, seus princípios morais e seus 
costumes. Entretanto, sem esquecer que o que todo ser humano busca 
em suas ações cotidianas na sociedade é fazer sempre e somente o bem, 
pois é por causa e em nome deste bem maior que eles realizam tudo.
De tal modo, que necessitamos compreender a realidade social, política 
e econômica do grupo social a que pertencemos, principalmente seus preceitos 
éticos-morais para, assim, podermos tomar a decisão de que postura teremos em 
relação aos outros que vivem e convivem conosco.
[Pois], sempre que uma decisão ou uma escolha deve ser feita com 
relação ao comportamento, a decisão moral será aquela que trabalha 
para a criação de confiança e integridade nos relacionamentos. Deve 
aumentar a capacidade dos indivíduos para cooperar, e aumentar a 
sensação de autorrespeito no indivíduo. Atos que criam desconfiança, 
suspeita e mal-entendidos, que constroem barreiras e destroem a 
integridade, são imorais. Eles diminuem o senso de autorrespeito
do indivíduo e, ao invés de produzir uma capacidade de trabalhar 
juntos, separam as pessoas e rompem a capacidade de comunicação 
(KIRKENDALL, 1961, p. 6).
Nesse sentido, é importante compreender que:
Todas as nossas ações possuem um propósito, ou seja, um fim. Este 
fim somente é alcançado quando os homens realizam uma atividade 
para alcançá-lo, vão em busca de seus objetivos e metas. Portanto, serealmente existe um motivo que visa tudo o que fazemos, este fim só 
poderá ser realizado se nós, seres humanos, o realizarmos através de 
ações/atividades. Elas, por sua vez, sempre estão na busca constante 
da realização do bem e da verdade e procurando a felicidade e o prazer 
(PIERITZ, 2013, p. 24).
Neste contexto indaga-se: o que é a moralidade?
A moralidade, segundo Cunha (2011, p. 197), é compreendida como o 
“processo social costumeiro, concernente à melhor forma de comportamento”. A qual, 
exprime a qualidade do comportamento moral do cidadão, suas regras e princípios. 
Nesse sentido, segundo Pieritz (2013, p. 35), “a moralidade dos homens é 
um reflexo direto do modo de ser e conviver em sociedade, no qual o caráter, os 
sentimentos e os costumes determinam o seu comportamento individual e social, 
que foi ou está sendo perpetuado num espaço de tempo”.
56
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
Assim, adentramos na questão do princípio da moralidade, mas você 
sabe o que é um princípio? 
Um princípio, segundo Ferreira (2008, p. 654), é “o momento ou local 
ou trecho em que algo tem origem.” Então, pode-se expor que o princípio da 
moralidade exprime a origem do comportamento moral de nossa sociedade 
ou grupo social, pois, o princípio da moralidade denota que as pessoas estão 
vinculadas pelas normas e diretrizes do comportamento moral. É o agir segundo 
os preceitos éticos e morais socialmente constituídos.
Caro acadêmico, sugerimos que faça a leitura do texto de Israel Alexandria, 
intitulado Ética e moral uma reflexão sobre a ética e os padrões de moralidade ocidental.
ÉTICA E MORAL 
UMA REFLEXÃO SOBRE A ÉTICA E OS PADRÕES DE MORALIDADE 
OCIDENTAL
Israel Alexandria
1 A MORALIDADE ENQUANTO OBJETO DA ÉTICA
Gosto não se discute. Correntemente essa frase é utilizada quando se quer 
estabelecer a ideia de que gosto é algo radicalmente subjetivo e imutável. Ora, 
a imensa variedade de sujeitos com preferências e opiniões distintas entre si e o 
fato de um mesmo sujeito mudar de preferências e opiniões fazem prova de que a 
complexa estrutura psíquica humana é capaz de aprender e de modificar o que se 
aprendeu. Subjetividade não combina com imutabilidade, logo a frase em questão 
é contraditória.
Diz-se também que personalidade vem da natureza. Quando atribuímos 
à natureza a existência de alguma coisa, estamos simplesmente dizendo que esta 
coisa não foi criada pela cultura, nasce-se com ela. Não há necessidade de aprender 
o que é natural. O natural é inato. Essa coisa chamada personalidade é inerente 
à pessoa. Pessoa e personalidade vêm da mesma palavra: persona. Ninguém 
nasce pessoa. Ninguém se refere a um bebê como "aquela pessoa", pois sabe-se 
que personalidade tem a ver com um sistema mais ou menos definido de gostos, 
preferências que se vai adquirindo com o tempo.
Embora as preferências e as condições que formam a personalidade sejam 
tão subjetivas e mutáveis, há uma constante que não podemos desprezar. É o 
princípio do prazer. Todo ser dotado de sensibilidade tem a propensão natural 
de afastar o que lhe está associado à dor e buscar o que lhe é prazeroso. O gato 
morde o homem que lhe pisa a cauda e o vegetal cresce em direção ao sol. Para o 
gato é bom que não lhe pisem na cauda. Para a planta, é bom crescer em direção 
ao sol. O ser humano não foge a essa regra. O bebê humano é capaz de manifestar 
sua percepção de prazer e dor e essa capacidade não se perde com a idade. O que 
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
57
muda é a forma como se dá essa manifestação e o objeto do prazer ou o da dor 
que, por sua vez, dependem das circunstâncias. O que permanece imutável é o 
fato de os sujeitos estarem sempre buscando o que lhes parece bom, e afastando o 
que lhes parece mal. É sobre esses dois conceitos que trata a ética.
A ética é uma ciência comprometida com a busca aprofundada das relações 
entre o homem e os conceitos de bem e de mal. Trata-se de uma ciência da qual 
não podemos nos esquivar, pois o bem e o mal, o certo e o errado impregnam 
nossa conduta prática. Embora a maioria não pense no assunto, o comportamento 
humano é uma contínua resposta às questões éticas. É nesse ponto que nasce a 
distinção entre ética e moral.
O dicionarista e pensador Nicola Abbagnano (1901-1990) afirma que moral 
é "atinente à conduta" (1982, p. 652) enquanto a ética é "a ciência com vistas a dirigir 
e disciplinar a mesma conduta" (1982, p. 360). A moral seriam as regras práticas 
e a ética, o fundamento teórico da moral. Dizem-se moral aristotélica, moral 
kantiana para enfatizar os respectivos aspectos práticos; ética aristotélica, ética 
kantiana estariam mais relacionados aos seus aspectos teóricos. Alguns autores, 
entretanto, ressaltam que, embora haja uma infinidade de morais: moral cristã, 
moral judaica, moral platônica, moral kantiana etc., a ética seria uma só. É que, 
sendo esta uma ciência, trabalha apenas com conceitos universais. Basicamente, 
são três os modelos de moralidade: aristocrático, utilitarista e kantiano.
2 A MORAL ARISTOCRÁTICA
A moral aristocrática visa fazer com que o indivíduo se aproxime, cada vez 
mais, de um homem ideal e transcendente. Nesse sentido, são morais aristocráticas 
a moral judaica, baseada no modelo de homem de fé (Abraão), a moral cristã, no 
amor ao próximo (Jesus), a moral platônica, no ascetismo (filósofo-rei), a moral 
budista, na eliminação dos desejos (Buda).
Na maioria das vezes, esses modelos ideais são apenas descrições sem 
referências a nomes de personagens históricos. A moral aristocrática propõe que 
cada indivíduo seja dotado das virtudes adequadas (a palavra virtude vem de 
virtu, que significa força) para imitar o modelo ou um ideal de vida proposto. A 
felicidade plena é obtida quando o indivíduo realiza o ideal proposto. Quanto 
mais virtuoso for o indivíduo, maior o seu grau de felicidade.
Sócrates (470-399 a.C.) inventou o ideal cínico (palavra derivada de canino), 
cuja principal virtude é o desprezo às comodidades, às riquezas e às convenções 
sociais, enfim a tudo aquilo que afasta o homem da simplicidade natural de que 
dão exemplo os animais (no caso o cão). Cínico é aquele que vive o descaramento 
da vida canina. Relata-se que Sócrates caminhava nos mercados apenas para saber 
do que ele não precisava. Outros curiosos relatos envolvendo Diógenes, tais como 
o da "visita do imperador", "a mão e a cuia", "a lanterna" etc. indicam que este teria 
sido o maior cínico da história.
58
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
Platão (428-348 a.C.) propôs o ideal asceta. A prática da ascese consiste 
em viver na contemplação do mundo das ideias ao tempo que se afasta de tudo 
o que é corpóreo. "É evidente que o trabalho do filósofo consiste em se ocupar 
mais particularmente que os demais homens em afastar sua alma do contato 
com o corpo" (PLATÃO, 1999, p. 125). O sábio educa-se para a morte, ou seja, 
para o dia em que sua alma se separará definitivamente do corpo, migrando 
para o outro mundo.
Aristóteles (384-322 a.C.) definia o homem ideal como aquele que consegue 
pôr em prática tanto a sua animalidade natural como a sua sociabilidade natural, 
pois o homem é um animal social por natureza. "Mesmo quando não precisam 
da ajuda dos outros, os homens continuam desejando viver em sociedade" 
(ARISTÓTELES, s.d., s.p.). Reprimir a animalidade ou a sociabilidade distancia o 
homem da felicidade. Para encontrar um termo médio entre essas duas naturezas, 
o homem vale-se da razão.
Os estoicos são outro exemplo de moral aristocrática. No século IV a.C., 
acredita-se que o nome estoico tenha sido inspirado no local onde Zenão de Cício 
(335-263 a.C.) ensinava: os pórticos (stoa, em grego). Costuma-se atribuir a razão 
do surgimento dessa doutrina ao fato da cidade de Atenas haver perdido sua 
independência para os macedônicos, prolongada depois pelo império romano. 
O estoicismo foi uma espécie de refúgio espiritual,uma via filosófica para se 
conseguir a independência em nível individual. Não obstante, o estoicismo 
atravessou séculos, sendo adotado pelos cristãos e até pelo imperador romano 
Marco Aurélio (121-180 d.C.). Segundo os estoicos, nenhum evento acontece por 
acaso (teoria da necessidade). Até mesmo o trajeto de uma folha que se desprende 
da árvore já foi milimetricamente traçado pelo Logos, princípio inteligente do 
cosmos. O ideal de sabedoria estoica é a completa apatia: indiferença-acomodação 
diante dos acontecimentos da vida, é o que revela Sêneca (4 a.C. 65 d.C.) um dos 
expoentes do estoicismo.
Toda a vida é uma escravidão. É preciso, pois, acostumar-se à sua condição, 
queixando-se o menos possível e não deixando escapar nenhuma das vantagens que 
ela possa oferecer: nenhum destino é tão insuportável que uma alma razoável não 
encontre qualquer coisa para consolo. Vê-se frequentemente um terreno diminuto 
prestar-se, graças ao talento do arquiteto, às mais diversas e incríveis aplicações, e 
um arranjo hábil torna habitável o menor canto. Para vencer os obstáculos, apela 
à razão: verás abrandar-se o que resistia, alargar-se o que era apertado e os fardos 
tornarem-se mais leves sobre os ombros que saberão suportá-los (1973, p. 216).
Não se interprete indiferença por alienação: um sábio pode engajar-se na 
vida política até mesmo porque estava escrito. Nesse ponto, os povos muçulmanos 
parecem estar em franco acordo com a doutrina estoica pois regularmente repetem 
a expressão maktub (estava escrito), particípio passado do verbo catab (escrever). A 
virtude do sábio é o controle absoluto de suas emoções. Segundo sua parenética 
(termo que diz respeito aos aconselhamentos práticos), quando as circunstâncias 
tornam impossível o controle das emoções, é aconselhável a prática do suicídio.
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
59
Epicuro de Samos (341-270 a.C.) criou o modelo de sábio epicurista: o 
homem que pratica plenamente a virtude da ataraxia (despreocupação; ausência 
de aborrecimentos, de dores ou medos).
Nem a posse das riquezas nem a abundância das coisas nem a obtenção 
de cargos ou o poder produzem a felicidade e a bem-aventurança; produzem-
na a ausência de dores, a moderação nos afetos e a disposição de espírito que se 
mantenha nos limites impostos pela natureza.
A ausência de perturbação e de dor são prazeres estáveis; por seu turno, 
o gozo e a alegria são prazeres de movimento, pela sua vivacidade. Quando 
dizemos, então, que o prazer é fim, não queremos referir-nos aos prazeres 
dos intemperantes ou aos produzidos pela sensualidade, como creem certos 
ignorantes, que se encontram em desacordo conosco ou não nos compreendem, 
mas ao prazer de nos acharmos livres de sofrimentos do corpo e de perturbações 
da alma (EPICURO, 1993, p. 25).
Efetivamente, a ideia de que os epicuristas pregavam a volúpia do corpo 
é falsa. Eles praticavam uma espécie de otimismo profilático que se aproxima 
muito do famoso "jogo do contente" da personagem Poliana. Eram iconoclastas 
em relação aos mitos sobre morte, religião e política. Isolados em jardins afastados 
das agitações da vida citadina, cultivavam a amizade (a prática de viver em 
seletos círculos de amigos era considerada condição fundamental na vida do sábio 
epicurista). O modus vivendi de Epicuro e seus discípulos foi chamado de áurea 
mediocritas (mediocridade dourada) por Horácio.
3 A MORAL UTILITARISTA
A moral utilitarista caracteriza-se pela ausência do transcendente e de 
modelos a priori a serem imitados. Todas as ações devem ser medidas pelo bem 
maior para o maior número.
Ao definir o utilitarismo, o filósofo irlandês Francis Hutcheson (1694-1746) 
assim se expressa: "a melhor ação é aquela que produz a maior felicidade ao maior 
número de pessoas". O utilitarismo é a moral dos números. 
Nicolau Maquiavel (1469-1527), pensador italiano, tem sobre si a culpa de 
haver defendido que os fins justificam os meios embora, segundo o Dicionário de 
Filosofia de Abbagnano (1962, p. 614), tal máxima tenha origem jesuíta. A injustiça 
que recai sobre Maquiavel vem da dificuldade que se tem de separar o mero 
descrever e o opinar. Ele tinha horror a governos de ocasiões, golpes sucessivos, 
casuísmos, enfim à política do dia a dia que tanto permeava a agitada vida nos 
bastidores políticos de Florença. Em O Príncipe ele faz uma descrição em forma 
de aconselhamento, com base em seus conhecimentos de história, da conduta 
do governante que pretende permanecer no poder por um tempo relativamente 
longo, mas chega mesmo a confessar que, para atingir tal permanência, o ideal 
60
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
seria que as coisas não ocorressem da forma como a história demonstrara. Não 
obstante, a tradição nos legou o termo maquiavélico como designativo de um 
modelo que se firmou como um dos marcantes exemplos de moral utilitarista: a 
que visa um maior número de dias no poder.
Thomas Hobbes (1588-1679), filósofo inglês, parte do princípio de que 
quanto menor for o número de invasões, mortes violentas e desapossamentos 
mútuos, mais feliz será a espécie humana. Esta condição só pode ser arranjada 
com a existência de um contrato social e de um Leviatã. Vamos explicar melhor: 
para Hobbes, o homem é, naturalmente, o lobo do homem (homo homini lupus), 
ou seja, não é um ser naturalmente cordial e sociável, não está naturalmente 
aparelhado para sentir-se incomodado com a dor alheia quando sua sobrevivência 
está em jogo. "Se dois homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo que é 
impossível ela ser gozada por ambos, eles se tornam inimigos" (HOBBES, 1651, 
p. 43). Relegados ao estado de natureza, os homens promovem uma guerra de 
todos contra todos (bellum omnium contra omnes), guerra inútil porque põe em risco 
a própria conservação humana. Os homens, portanto, perceberam e admitiram 
entre si a vantagem em cada um reprimir sua animalidade natural em prol de 
uma mútua convivência pacífica, bem mais útil, produtiva, confortável e segura. 
A civilização nasce desse contrato social. Essa nova situação, entretanto, só pode 
ser mantida com a existência de um Leviatã (monstro amedrontador e forte) que 
se expressa preferencialmente na figura de um rei, comandante autoritário e único 
que gera em todos o sentimento generalizado de medo da punição, garantindo 
assim a continuidade do estado civil.
A base da moral utilitária de Hobbes sofreu inúmeras críticas, a principal 
partiu de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo suíço, que via na animalidade 
humana não lobos e sim cordeiros. Tais quais cordeiros livres, os homens, no 
estado de natureza, vivem em plena felicidade. Foi a civilização que fez com que 
muitos cordeiros se tornassem violentos e pensassem ser lobos. A soberania do 
Leviatã não é desejável porque além de retirar do homem a sua liberdade natural 
impossibilita a construção de uma liberdade civil, que só é possível quando a 
vontade geral é soberana. A conquista da liberdade civil estaria na reeducação 
por meio de leis "corderiais" que, metaforicamente, fizessem com que os cordeiros 
reconhecessem que são cordeiros.
Ainda a respeito da dicotomia lobo/cordeiro, há outras observações 
curiosas. Para Frederich Nietzsche (1844-1900), filósofo alemão, a natureza 
produz homens-lobos e homens-cordeiros e não podemos ignorar que lobos 
estão aparelhados para devorar cordeiros. Quando só restarem lobos, as forças 
naturais produzirão superlobos que devorarão antigos lobos numa progressão 
infinita de vidas cada vez mais fortes. A moral nietzschiana é a da exuberância da 
força e do vitalismo das potências naturais ou super-humanas. É uma moral que 
pretende ir além do bem e do mal (se é que isso é possível). Nietzsche afirma que 
dicotomia entre bem e mal não passa de invencionice resultante do ressentimento 
e da fraqueza dos cordeiros. "Toda moral é [...] uma espécie de tirania contra a 
'natureza' e também contra a 'razão'" (NIETZSCHE, 1886,p. 110).
TÓPICO 2 — A ÉTICA, VALORES, PRINCÍPIOS E A MORAL NA VIDA COTIDIANA
61
Michel Foucault (1926-1984) diria que lobos e cordeiros habitam cada um 
de nós e ambos teriam desenvolvido estratégias de sobrevivência que tornariam 
extremamente complexa a luta entre os dois, uma complexidade tal que o cordeiro, 
em determinados momentos, poderia estar sob a condição de ataque. Nesse caso, 
a questão moral só poderia ser definida dentro de um contexto muito específico 
onde se levariam em conta os sujeitos envolvidos, suas estratégias, suas relações 
de poder... Foucault é o criador da microética.
4 A MORAL KANTIANA
A moral kantiana é a concebida por Immanuel Kant (1724-1804), filósofo 
prussiano. Sua intuição principal foi que o indivíduo deve estar livre para agir "não 
em virtude de qualquer outro motivo prático ou de qualquer vantagem futura, 
mas em virtude da ideia de dignidade de um ser racional que não obedece a outra 
lei senão àquela que ele mesmo simultaneamente se dá" (KANT, 1785, p. 16). A 
ação moral exige a autonomia do agente. Ser autônomo é obedecer a si mesmo 
ou ao que vem de dentro. É o inverso do heterônomo (o que obedece a ordem do 
outro, obedece ao que vem de fora). Não se pode falar em ética sem autonomia 
pois a ação heterônoma (cuja vontade vem de fora) não é uma ação ética. A moral 
aristocrática e a utilitarista não são eticamente válidas porque dependem de algo 
exterior: a primeira, de ideais transcendentes e a segunda, de ideais imanentes.
Para realizar a autonomia, a ação moral deve obedecer apenas ao 
imperativo categórico: o bom senso interior que todos nós temos de perceber 
que não somos instrumentos e sim agentes. Nunca instrumentalizar o homem é 
a exigência maior do imperativo categórico. Kant fornece uma regra para saber se 
uma decisão nossa obedece ou não ao imperativo categórico: indague a si mesmo 
se a razão que te faz agir de determinada maneira pode ser convertida em lei 
universal, válida para todos os homens. Se não puder, esta tua ação não é digna 
de um ser racional, não é eticamente boa porque falta-te a autonomia, estás agindo 
premido por circunstâncias exteriores a ti. O bem ético é um bem em si mesmo.
Ao realçar a exigência da autonomia da ação moral, Kant desperta a 
questão da liberdade ética. O conceito de liberdade ética parte da distinção 
entre ação reflexa e ação deliberada. A ação deliberada é aquela que resulta de 
uma decisão, de uma escolha, é o mesmo que ação autônoma. A ação reflexa 
é "instintiva", independe da vontade do agente. Apenas as ações deliberadas 
podem ser analisadas sob o ponto de vista ético. Voltemos ao exemplo do gato 
que morde o homem que lhe pisou a cauda. O gato tentou afastar o que lhe 
era um mal, mas não podemos dizer que ele escolheu morder o homem. Logo, 
não se pode dizer que o gato agiu de forma imoral ou antiética. A questão da 
liberdade ética pode ser assim resumida: Levando-se em conta que somos 
animais e ocasionalmente agimos de forma reflexa, em que condições nossa 
ação pode ser considerada uma ação deliberada?
62
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
Henri Bergson (1859-1941) e Jean-Paul Sartre (1905-1980) respondem a 
essa pergunta de forma radical: O livre-arbítrio é a qualidade que melhor define 
o homem. A própria condição humana exige que todo ato humano seja um ato de 
escolha, seja uma ação deliberada. O homem está condenado à liberdade porque 
nunca pode decidir não escolher. Diante da consciência de que nos vemos forçado 
a realizar algo por imposição exterior, passamos a ter liberdade de escolher entre 
entregar-se à ação ou ir de encontro a ela.
FONTE: Adaptado de <http://ialexandria.sites.uol.com.br/textos/israel_textos/etica_e_moral.htm>. 
Acesso em: 20 jun. 2020.
63
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• A ética e a moral permeiam em nosso agir perante a sociedade, desde o estudo 
do comportamento, até a sua prática real cotidiana das relações humanas e 
sociais.
• A ética e a moral estão correlacionadas a uma ciência, um estudo do 
comportamento e das normas de conduta.
• A moral retrata nossos costumes e hábitos cotidianos, pois seu caráter é social 
e está pautado na história, cultura e natureza dos seres humanos.
• A moral está compreendida como um conjunto de normativas, regras, leis, 
regulamentos e princípios, que são instituídos pelo coletivo social, mas 
individualizada na consciência dos homens e mulheres que vivem e convivem 
em sociedade.
• A moral são princípios comportamentais adquiridos com a herança histórica 
da humanidade e preservadas pelas pessoas que vivem em grupos sociais.
• O balanço comparativo entre a ética e a moral demonstrou que as duas estão 
amplamente conectadas, mas apresentam sutis diferenças, porque a ética 
denota um conceito subjetivo e teórico sobre a consciência das regras sociais, 
já a moral se apresenta mais de cunho prático e objetivo, proporcionando uma 
tratativa da conduta humana por intermédio de regras e códigos de condutas 
socialmente constituídos.
• A ética sempre procurará conhecer as formas das tratativas do bem e do mal 
no âmbito holístico, do coletivo social, já a moral busca tratar o agir humano 
de forma individualizada, tratando o certo e o errado nos seus regulamentos 
e normas institucionalizadas.
• Os seres humanos não nascem com os conhecimentos éticos e postura moral, 
eles se tornam éticos no decorrer do seu desenvolvimento intelectual ao longo 
de sua história.
• A ética é aprendida pelo estudo do comportamento humano em sociedade, e 
a moral necessita ser imposta pelos regramentos sociais de convívio humano. 
• A ética é manifestada a partir do interior das pessoas, de sua consciência, já a 
moral expressa-se no exterior do indivíduo, na conduta dos seus atos.
• Uma pessoa aética, é um indivíduo que não possui ou é deficiente da 
consciência do coletivo, dos atos e costumes gerais do meio em que vive 
e convive. Possui insuficiência ou carência da compreensão dos estudos 
históricos da composição dos juízos de valores. 
64
• Uma pessoa amoral, é um indivíduo que não possui ou é deficiente na forma 
que conduz seus atos perante a sociedade que vive e convive, pele simples 
fato de lhe faltar a compreensão de como agir perante os regramentos 
impostos. Possuindo, assim, insuficiência ou carência na sua forma de agir, 
na sua atitude e conduta, na sua aplicação da norma, pois não a compreende. 
• Uma pessoa antiética, é um indivíduo que possui argumentos no sentido 
contrário da consciência coletiva do que é certo e errado, do que é fazer o 
bem ou o mal. Demostrando estar em oposição aos atos e costumes gerais da 
sociedade em que está inserido, como também é avesso ao estudo dos juízos 
de valores constituído historicamente. 
• Uma pessoa imoral, é um indivíduo que não segue as regras de conduta 
socialmente constituídas pelo coletivo social, pelo seu livre arbítrio. É fazer, 
ser oposto ou querer o contrário das normas. São avessas a qualquer código 
de conduta, por consciência de querer contrariá-la. 
• Fizemos uma breve discussão da gênese da consciência e do senso moral, 
discutindo a questão da necessidade deles no desenvolvimento humano em 
sociedade.
• Estudamos a questão da classificação dos estágios da consciência ética e do 
julgamento moral dos seres humanos, desvelando e buscando compreender 
as etapas e níveis da evolução humana.
• A base dos seis estágios da consciência ética e do julgamento moral dos 
seres humanos se encontra na sua fase do desenvolvimento intelectual, 
para possibilitar o discernimento e compreensão dos fatos e das coisas, 
possibilitando seu empoderamento do intelecto e tomadas de decisão, do que 
é certo ou errado, do que é fazer o bem, ou o mal. 
• Os seis estágios da consciência ética e moral que foram propostos por Kohlberg 
(1981), são:
o Primeiro estágio: medo, punição e obediência: denominado como a fase do 
medo, punição e obediência, que está norteada por orientações de obediência, 
para,assim, evitar a punição, demostrando que o medo de não obedecer ao 
socialmente posto, gera temor do castigo que possa ter, e assim segue com 
um comportamento de obediência, pois tem medo de ser descoberto que 
possa ter feito algo considerado errado pela sociedade que vive e convive. 
o Segundo estágio: recompensa: denominado como a fase da recompensa, 
estão pautadas no prazer individual, desprovida de malícia, e na transação 
ou negociação de barganha para conseguir o que deseja. Ações única e 
exclusivamente para satisfação pessoal. O objetivo desse comportamento é a 
reciprocidade restrita em obter uma recompensa. 
o Terceiro estágio: aprovação social: denominado como a fase da aprovação 
social, demostrando que nas relações interpessoais, buscar ser considerado 
uma boa pessoa é um bom negócio, para ter um convívio social pleno e 
ser aprovado socialmente. Aqui, procuramos nos orientar pelos valores 
65
socialmente constituídos, buscando mantê-los íntegros, conforme as 
normativas, regras e legislações vigentes, mas sempre no intuito de agradar 
o grupo social a que fazemos parte, não pelo simples fato de seguir as 
normas. As ações que agradam o coletivo são consideradas boas, e que o 
caráter humano é reconhecido por estes atos compartilhados e positivados 
nas relações interpessoais. 
o Quarto estágio: manutenção da ordem social: denominado como a fase da 
manutenção da ordem social, pois, nesta etapa, o nosso comportamento 
social é orientado pelas normas, leis, regras e ordem social. Procura manter os 
valores e princípios socialmente constituídos. Aqui, é a manutenção das leis 
e normas e o respeito às lideranças que propiciam a promoção do bem-estar 
social da população, pois, o importante, aqui, sempre será o cumprimento 
da lei e da ordem, cumprindo nossos deveres e obrigações com a sociedade 
em que fazemos parte, além de respeitar os processos decisórios de nossos 
gestores, pois assim proporcionaremos a promoção do bem-estar social. 
o Quinto estágio: proteção do bem-estar coletivo: denominado como a fase 
da proteção do bem-estar coletivo, demonstrando que é possível realizar 
a mudança normativa, desde que devidamente justificada e legal, quem 
está nesta fase, consegue enxergar além das normativas postas, pois 
procuram aprimorar o contrato social posto. Aqui, neste estágio, as pessoas 
se orientam pela melhoria constante do contrato social e suas normativas 
institucionalizadas, procurando o exercício do respeito aos direitos civis, 
sociais e individuais, no intuito de protegê-las e verificarem sua eficácia, para 
angariar a promoção do bem-estar do coletivo social. As pessoas procuram 
ir além do socialmente posto, para poder contribuir a melhoria da qualidade 
de vida dos cidadãos, pois entendem que somos todos diferentes. 
o Sexto estágio: zelo pelos princípios éticos universais: denominado como 
a fase do zelo pelos princípios éticos universais, cujas pessoas se orientam 
pelos princípios éticos universais, a qual procuram zelar por esses valores 
éticos-morais ao longo da história da humanidade, pois se lembra que a 
ética reflete os hábitos e costumes gerais de uma sociedade, suas normativas 
e convenções, que fora institucionalizada pelo coletivo social, a moral é a 
forma que conduzimos nossos atos perante o outro, ou seja, é a conduta em 
si. Assim, somos incitados a zelar por esta consciência dos princípios éticos 
e de justiça universais que refletem as nossas condutas na sociedade em que 
estamos inseridos.
66
1 A ética e a moral muitas vezes são confundidas em sua definição, mas 
tem nuances importantes a serem entendidas pelos profissionais. Todos 
precisamos estar cientes que precisamos viver em sociedade e por isso 
mesmo precisamos agir de forma moral e termos uma ética a zelar. Sobre 
os conceitos de ética e moral, associe os itens, utilizando o código a seguir:
I- Ética
II- Moral.
( ) É a ciência que estuda a moral. 
( ) É o conjunto de normas, prescrição e valores reguladores da ação 
cotidiana.
( ) É a reflexão sistemática sobre o comportamento moral.
( ) Conjunto de normas e regras reguladoras da relação entre os homens de 
uma determinada comunidade.
( ) Retrata nossos costumes e hábitos cotidianos, pois seu caráter é social e 
está pautado na história, cultura e natureza dos seres humanos
( ) É a parte da filosofia que trata da reflexão dos princípios universais da 
humanidade.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) I – II – I – II – II – I .
b) ( ) II – I – II – I – I – I .
c) ( ) I – II – II – II – II – I.
d) ( ) II – II – I – I – II – II.
2 Assistimos constantemente nos telejornais situações relacionadas a 
descaminhos que diversas pessoas têm na sociedade, como roubos, subornos, 
perversões diversas acometidas contra o outrem, situações muitas vezes 
corriqueiras em nosso convívio social da vida cotidiana, que nem damos conta, 
desvirtuando os preceitos éticos-morais socialmente constituídos. Sobre estes 
conceitos, associe os itens apresentados, utilizando o código a seguir:
I - Aético.
II - Amoral.
III - Antiético.
IV - Imoral.
( ) Ausência de ética.
( ) Contrário a ética.
( ) Contrário a moral. 
( ) Ausência de moral.
AUTOATIVIDADE
67
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) IV – I – III – II.
b) ( ) II – I – III – IV.
c) ( ) I – III – IV – II.
d) ( ) III – II – I – I V.
68
69
TÓPICO 3 — 
UNIDADE 1
A QUESTÃO DA ÉTICA NA ATUALIDADE
FIGURA 14 – DILEMAS ÉTICOS
FONTE: <http://arquidiocesebh.org.br/noticias/etica-entre-o-conhecimento-e-a-acao/amp/>. 
Acesso em: 5 nov. 2020.
“Os axiomas éticos são encontrados e testados não muito diferentemente 
dos axiomas da ciência. A verdade aparece com o teste da experiência”. 
Albert Einstein
1 INTRODUÇÃO
Prezado acadêmico, neste tópico, realizaremos uma reflexão dos dilemas 
éticos que vivemos no nosso cotidiano da vida pessoal e profissional, discutindo 
a questão da ética na atualidade, perpassando por algumas questões polêmicas 
sobre a ética na contemporaneidade, além de fazer algumas reflexões sobre a 
ética, a liberdade e o compliance.
 Também procuraremos abordar a questão do livre-arbítrio, da escolha 
e suas consequências e responsabilidades, para, assim, perceber a liberdade 
como uma das capacidades humanas, bem como algumas questões consideradas 
polêmicas referentes à ética, como a ética na atualidade, na família, na sociedade 
civil e no estado.
Vamos lá, mas antes, reflita!
“Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há 
ninguém que explica e ninguém que não entenda”.
Cecília Meireles
70
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
2 ALGUMAS QUESTÕES POLÊMICAS SOBRE A ÉTICA NA 
CONTEMPORANEIDADE 
Acadêmico, neste momento, refletiremos sobre algumas polêmicas e 
dilemas éticos na contemporaneidade. 
Antes, vejamos o que Valls (2003, p. 70) nos apresenta:
 [...] a ética foi reduzida a algo de privado. [...] Ora, nos tempos da 
grande filosofia, a justiça e todas as demais virtudes éticas referiam-
se ao universal (no caso, ao povo ou à polis), eram virtudes políticas, 
sociais. Numa formulação de grande filosofia, poderíamos dizer que o 
lema máximo de ética é o bem comum. E se hoje a ética ficou reduzida 
ao particular, ao privado, isto é um mau sinal.
Sob este bem comum, na visão de Valls (2003), estamos saindo das 
concepções universais, do todo, para um comportamento individualizado, 
privado, centralizando nossas ações aos fatos particulares de nossa vida em 
sociedade e não somente no contexto ético-moral universal.
Assim, segundo Pieritz (2013, p. 49-50):
Não se pode esquecer que os valores, os hábitos e os princípios formam 
a consciência moral dos seres humanos, e esta consciência moral torna-
se um fator preocupante nos dias de hoje, pois os indivíduos possuem 
suas responsabilidades individuais e coletivas perante a sociedade em 
que vivem, contudo, muitas vezes, o dever ético respalda muito mais 
no indivíduodo que na coletividade, mesmo que os valores éticos 
sejam constituídos pela sociedade como um todo.
Denotando, assim, que o ser humano está muito mais preocupado com 
seus direitos e deveres individuais, deixando, muitas vezes, o coletivo de lado, 
lembre-se de que os princípios éticos-morais foram constituídos pelo coletivo 
social a que pertencemos. Assim, o nosso agir individual continua pautado nessas 
normativas sociais universais. 
Agora, questionamos:
• O que é ter uma vida ética nos dias de hoje? 
• Você conhece alguns dilemas éticos?
Antes de responder, vejamos alguns exemplos dos dilemas éticos e 
morais que vivenciamos em nossa sociedade nos tempos de hoje: 
Dilemas éticos e morais:
• compliance;
• as formas de reprodução humana, como a reprodução assistida;
• o aborto;
• a inteligência artificial;
TÓPICO 3 — A QUESTÃO DA ÉTICA NA ATUALIDADE
71
• a clonagem;
• a corrupção, sonegação;
• a transfusão de sangue nos pacientes de certas religiões;
• o suicídio assistido – eutanásia;
• os alimentos transgênicos, que são geneticamente modificados.
• ter filhos apenas como um meio de ganhar alguma coisa;
• filho órfão já na concepção, por intermédio da reprodução humana além da 
vida de um dos pais, a fertilização in vitro;
• a substituição do ser humano pela tecnologia;
• cirurgia robótica;
• terapias alternativas;
• a histerectomia.
Poderíamos estender esta lista de exemplos, mas não é o caso, o importante 
é fazer com que você compreenda que a nossa sociedade está permeada por 
dilemas éticos-morais, nas mais diversas esferas, e que eles são frutos do livre-
arbítrio das escolhas humanas.
Nesse sentido, Valls (2003, p. 71) expõe que “a liberdade se realiza 
eticamente dentro das instituições históricas e sociais, tais como a família, a 
sociedade civil e o Estado”. Portanto, possuímos a liberdade de escolher fazer o 
certo ou o errado, fazer o bem ou o mal, mas sempre pautados pelos princípios 
éticos-morais universais do nosso contexto social. Muitas vezes adentramos num 
dilema, indagando-nos a qual caminho devemos seguir?
Compreendemos que um dilema é “uma situação difícil, na qual é preciso 
escolher entre duas alternativas contraditórias ou antagônicas ou insatisfatórias” 
(FERREIRA, 2008, p. 319). Essas situações de conflito, em que temos que escolher 
é realmente um grande dilema ético-moral para a humanidade, pois sempre 
teremos vários caminhos a percorrer, mas sempre devemos fazer três indagações 
antes de agirmos, como:
Convidamos você a fazer um exercício de reflexão!
Atividade: pegue um bloco de anotações e coloque, no mínimo, cinco dilemas éticos e 
morais que você possa detectar no seu bairro, município e estado.
Esta atividade é para você poder refletir sobre eles com seus colegas no próximo encontro!
Boa reflexão e debate!
UNI
72
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
• Eu quero fazer ou não?
• Eu devo fazer ou não?
• Eu posso fazer ou não?
Esses questionamentos ajudarão no posicionamento da nossa postura 
ética-moral, colaborando no esclarecimento do dilema das escolhas que podemos 
ou devemos fazer. 
Vale ressaltar que, nos dilemas das escolhas éticas-morais, perpassam três 
questões fundamentais, que são os dilemas dos valores, destinatários e meios. 
Vejamos!
• Dilema dos valores: aqui, apresentam-se os conflitos dos valores éticos-
morais, ou seja, as escolhas dos valores éticos, de ser ético ou antiético. Este 
é o dilema da escolha de seguir ser leal, de honrar o compromisso, de ser 
solidário, tolerante ou não. Ser justo ou injusto. Ser honesto ou desonesto. 
Também são os vários caminhos a seguir, por exemplo: honrar o nosso 
compromisso de pagar uma conta, uma dívida ou com este mesmo recurso, 
colaborar com a melhoria de qualidade de vida de uma família em situação 
de vulnerabilidade social, deixando, assim, de cumprir com um compromisso 
pessoal para amparar o outro.
• Dilema dos destinatários: são aqueles dilemas e situações difíceis 
correlacionadas com as pessoas que irão se beneficiar com a ação da tomada 
de decisão, ou não. É relacionada aos agentes envolvidos, cuja situação 
conflitante está na escolha do destinatário da ação ou omissão, ou seja, quem 
será beneficiado ou prejudicado.
• Dilema dos meios: aqui, o fator gerador da escolha da alternativa contraditória 
está única e exclusivamente na maneira de se alcançar o resultado desejado, ou 
seja, o meio, mecanismos e instrumentos utilizados para realizar a atividade e 
atingir seu fim. Esses meios são classificados por sua validação e legitimidade 
ética-moral.
Esses dilemas, concernentes aos valores, destinatários e meios, devem ter 
por premissa o coletivo social, ou seja, devem prevalecer os interesses universais 
sobre os grupais e individuais, mesmo se as instâncias destes grupos menores 
possam ser feridas. 
Nesse processo de tomada de decisão individual ou coletiva, ainda temos 
mais dois aspectos a compreender, que são os sensos do dever e da importância 
da decisão a ser tomada:
• Senso do dever: denota uma ética relacionada ao cumprimento dos deveres, 
tarefas e obrigações, ou seja, a consciência do dever de fazer ou não fazer 
alguma coisa.
• Senso da importância: transmite uma ética permeada pelo seu desígnio, 
propósito e razão, denotando para que resultados queremos ter com nossa 
ação ou omissão, e qual a importância desses resultados para a vida cotidiana.
TÓPICO 3 — A QUESTÃO DA ÉTICA NA ATUALIDADE
73
Assim, os sensos do dever e da importância da decisão a ser tomada são 
muito importantes nessa discussão dos dilemas éticos-morais que vivenciamos 
o tempo todo, para podermos mediar o nosso comportamento nas relações 
humanas e sociais.
2.1 OS DILEMAS NO ÂMBITO DA FAMÍLIA
Agora, realizaremos uma breve reflexão de algumas questões polêmicas 
sobre a ética na contemporaneidade no âmbito da família, oferecendo um 
momento para retratar as situações difíceis e algumas indagações que permeiam 
em nossa sociedade contemporânea. 
Iniciaremos essa discussão a partir de alguns questionamentos, vejamos!
QUADRO 14 – INDAGAÇÕES REFLEXIVAS SOBRE A FAMÍLIA
INDAGAÇÕES REFLEXIVAS SOBRE A FAMÍLIA
Em relação à família, hoje se colocam de maneira muito aguda as questões das 
exigências éticas do amor.
O amor não tem de ser LIVRE?
O que dizer então da noção tradicional do amor livre?
Ele é realmente livre?
E como definir, hoje, o que seja a VERDADEIRA FIDELIDADE, sem identificá-
la como formas criticáveis de possessividade masculina ou feminina?
Como fundamentar, a partir dos progressos das ciências humanas, os 
compromissos do amor, como se expressam na resolução (no sim) matrimonial?
E como desenvolver uma nova ética para as novas formas de relacionamento 
heterossexual?
E como fundamentar hoje as preferências por formas de vida celibatária, casta 
ou homossexual?
Fonte https://www.cubatel.com/blog/actualidad/cuando-llegara-el-nuevo-codigo-de-familia-
-a-cuba/
FONTE: Adaptado de Valls (2003, p. 71)
74
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
São tantas indagações, certo!
Pois bem! É assim mesmo! Já que estamos em constantes transformações 
humanas e sociais e essas mudanças refletem diretamente na relação entre pais e 
filhos e nas composições e configurações das novas estruturas familiares. 
Não trataremos das configurações familiares aqui, pois a intensão é 
somente demostrar que existe uma série de dilemas e indagações inerente à própria 
existência do homem na terra, principalmente nas suas relações intrafamiliares.
Neste contexto, podemos observar que:
As transformações histórico-sociais exigem, hoje, igualmente 
reformulações nas doutrinas tradicionais éticas sobre o relacionamento 
dos pais com os filhos. Novos problemas surgiram com a presença 
maior da escola e dos meios de comunicação na vida diária dos filhos. 
As figuras tradicionais, paterna e materna, não exigem, hoje, uma nova 
reflexão sobre os direitos e os deveres dos pais e dos filhos? Em especial, 
a reflexão sobre a dominaçãodas chamadas minorias sociais chamou a 
atenção para a necessidade de novas formas de relacionamento dentro 
do próprio casal. O feminismo, ou a luta pela libertação da mulher, 
traz em si exigências éticas, que até agora não encontraram talvez as 
formulações adequadas, justas e fortes. A libertação da mulher, a 
libertação de todos os grupos oprimidos, é uma exigência ética, das mais 
atuais. E, como lembraria Paulo Freire, em seu Pedagogia do Oprimido, 
a libertação não se dá pela simples troca de papéis: a libertação da 
mulher liberta igualmente o homem (VALLS, 2003, p. 72).
Assim, pode-se perceber que os valores e princípios éticos e morais vão 
sendo renovados e reconfigurados conforme a própria evolução humana na terra, 
pois a humanidade vem se transformando ao longo da sua história.
2.2 REFLEXÕES SOBRE A SOCIEDADE CIVIL
O objetivo, aqui, é fazer algumas reflexões polêmicas da ética-moral do 
dia a dia da sociedade civil, aprofundando o conhecimento acerca dos dilemas 
concernentes ao mundo do trabalho e à propriedade.
Convidamos você a compreender mais essas novas configurações familiares. 
Nesse sentido, procure pesquisar sobre o tema e leve os resultados de sua pesquisa para o 
seu próximo encontro de sua turma.
No entanto, procure debater esse assunto à luz dos princípios éticos e morais já estudados.
DICAS
TÓPICO 3 — A QUESTÃO DA ÉTICA NA ATUALIDADE
75
Nesse sentido, Valls (2003, p. 72) expõe o seguinte:
Como falar de ética num país onde a propriedade é um privilégio 
tão exclusivo de poucos? E não é um problema ético a própria falta 
de trabalho, o desemprego, para não falar das formas escravizadoras 
de trabalho, com salários de fome, nem da dificuldade de uma 
autorrealização no trabalho, quando a maioria não recebe as condições 
mínimas de preparação para ele, e depois não encontram, no sistema 
capitalista, as mínimas oportunidades para um trabalho criativo e 
gratificante? Num país de analfabetos, falar de ética é sempre pensar 
em revolucionar toda a situação vigente.
Pieritz (2013, p. 51) expõe que nesse contexto se faz “necessário algumas 
reformas políticas e éticas, no que tange às regras de conduta referente ao 
modo de aquisição da propriedade e do trabalho. Essa reforma deve partir da 
reformulação dos nossos princípios morais e éticos e através da vontade política 
de nossos governantes”. 
 Ainda, segundo Valls (2003, p. 73):
Crítica atual insiste muito mais, agora, sobre a injustiça que reside no fato 
de só alguns possuírem os meios da riqueza, e a crítica à propriedade se 
reduz sempre mais apenas aos meios de produção. [...] A propriedade 
particular aparece agora, nas doutrinas éticas, principalmente como 
uma forma de extensão da personalidade humana, como extensão 
do seu corpo, como forma de aumentar sua segurança pessoal, e de 
afirmar a sua autodeterminação sobre as coisas do mundo.
2.3 PONDERAÇÕES SOBRE OS DILEMAS DO ESTADO 
Proporcionaremos, agora, uma reflexão de algumas questões polêmicas 
sobre o comportamento ético-moral na contemporaneidade relativo ao Estado. 
O Estado denota “ser muito mais complexo, pois os ideais políticos são um tanto 
mais complicados de se compreender” (PIERITZ, 2013, p. 51). 
Sobretudo, quando abordamos da questão liberdade. De acordo com Valls 
(2003, p. 74): 
Prezado acadêmico, convidamos-lhes a compreender mais essas novas 
configurações do mundo do trabalho e suas relações trabalhistas. Assim, procure 
pesquisar os dilemas profissionais da profissão que você está exercendo hoje, e leve os 
resultados de sua pesquisa para o próximo encontro de sua turma.
Contudo, procure debater esse assunto à luz dos princípios éticos e morais já estudados.
DICAS
76
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
[...] a liberdade do indivíduo só se completa como liberdade do cidadão 
de um Estado livre e de direito. As leis, a Constituição, as declarações 
de direitos, definição dos poderes, a divisão destes poderes para evitar 
abusos, e a própria prática das eleições periódicas aparecem hoje como 
questões éticas fundamentais. Ninguém é livre, numa ditadura [...].
Assim, indaga-se: qual é a função do Estado? 
Valls (2003, p. 75) complementa expondo que “os Estados que existem de 
fato são a instância do interesse comum universal, acima das classes e dos interesses 
egoístas privados e de pequenos grupos. [...] Em outras palavras, o Estado real 
resolve o problema das classes, ou serve a um dos lados, na luta de classes?”.
3 REFLEXÕES SOBRE A ÉTICA E LIBERDADE
Primeiramente, gostaríamos de contar a história A águia e a galinha, uma 
adaptação da fábula contada por Leonardo Boff no livro a Águia e a galinha.
A ÁGUIA E A GALINHA
Numa tarde sonolenta de verão, voltava um criador de cabras do alto 
de uma planura verde. Quando passava ao pé de uma montanha, encontra 
um ninho de águias todo estraçalhado. Semicoberta por gravetos, havia uma 
jovem águia ferida na cabeça, parecia morta. Era uma águia-harpia brasileira, 
ameaçada de extinção no Brasil.
Recolheu a águia com cuidado e pensou em levá-la ao seu vizinho, que 
empalhava animais. Ele ficou admirado por se tratar de uma águia-harpia. 
Também supôs que estivesse morta e a colocou ternamente debaixo de uma cesta.
Na manhã seguinte, teve grata surpresa. Percebeu que a águia mexia 
levemente. Havia feridas em várias partes do corpo e a águia estava cega.
Sentiu muita pena da jovem águia. Por misericórdia, quase quis sacrificá-
la. Até encontrava razões para isso, visto que matam muitos animais pequenos, 
especialmente macacos, preguiças, lebres e patos. Sabia que, na Austrália, as 
águias são mortas às centenas por serem prejudiciais aos cangurus e outros 
animais pequenos.
Pensou muito, mas lembrou-se da tradição espiritual de Buda e veio-lhe 
à mente: “escolha a vida e viverá”.
TÓPICO 3 — A QUESTÃO DA ÉTICA NA ATUALIDADE
77
Por todos esses argumentos, decidiu preservá-la e tratá-la com carinho. 
Todo dia partia-lhe pedaços de pão e carne e a alimentava com dificuldade. 
Depois de um ano, começou a perceber que os sentidos despertavam para a 
vida. Primeiro os ouvidos. Depois, começou a se mover por si mesma. Andava 
pela sala e pelo jardim. Recuperou sua voz, mas continuava cega. Os olhos são 
tudo para uma águia. Seu olhar vê oito vezes mais que o olho humano.
Por fim, o empalhador decidiu colocá-la junto às galinhas. Durante dois 
anos circulava cega entre elas. Andava com dificuldade, pois suas garras não 
foram feitas para andar. Eis que um dia, a águia começou a enxergar. Depois de 
três anos de paciente cuidado, ela recuperara seu corpo de águia, porém, vivia 
como uma galinha.
Certo dia, um casal de águias passou por ali. Deu voos rasantes. Ao 
perceber as águias no céu, a águia-galinha espalmava as asas e sacudia a cauda. 
Seu coração de águia voltava a pulsar aos poucos.
Passado algum tempo, o empalhador recebeu a visita de um naturalista, 
que ficou perplexo ao ver a águia-galinha. Decidiram fazer um teste. O 
empalhador colocou-a no braço e falou-lhe: 
— Águia, nunca deixará de ser águia, estenda suas asas e voe. Vendo 
as galinhas, a águia deixou-se cair pesadamente. Fizeram nova tentativa, no 
terraço de sua casa, mas não funcionou.
Aí ambos se lembraram da importância do sol para uma águia e a 
levaram no alto da montanha, de frente para o sol. O empalhador sustentou 
fortemente a águia sob o olhar confiante do naturalista e disse: 
— Águia, você é amiga da montanha, filha do sol, eu lhe suplico: 
desperte de seu sono! Revele sua força interior. Abra suas asas e voe para o alto!
A águia ergueu-se soberba sobre o próprio corpo, abriu as longas asas, 
esticou o pescoço e alçou voo. Voou na direção do sol nascente. Voou até fundir-
se no azul do firmamento.
FONTE: BOFF, L. A águia e a galinha. In: TOMELIN, J. F.; TOMELIN, K. N. Do mito para a razão: 
uma dialética do saber. 2. ed. Blumenau: Nova Letra, 2002. p.129-130.
Nesta história da águia e a galinha, podemos verificar que a vida é feita 
de escolhas, e elasnos conduzirão para o nosso destino, mas a essência humana 
fala mais alto, ou seja, os valores e princípios éticos e morais são os nossos guias 
de comportamento e são eles que revelam a nossa força interior.
78
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
Caro acadêmico, faça como a águia, abra suas asas e voe para o alto! Tenha 
seu livre-arbítrio em suas escolhas! Compreendendo seus princípios éticos-
morais para ter um comportamento socialmente condizente com os preceitos 
preestabelecidos. 
Afinal, o que é esta tal liberdade?
QUADRO 15 – O QUE É LIBERDADE?
O que é a liberdade?
Luísa Guimarães
Liberdade é um conceito encarado 
com bastante controvérsia. Um assunto que 
é discutido por muitos, os quais procuram 
uma resposta que parece inalcançável. 
Sempre foi, é, e penso que sempre será, 
uma das maiores questões da humanidade. 
Somos livres ou é uma mera ilusão? Temos 
limites e o outro tem limites?
Todos procuramos a liberdade, sendo que a falta desta apresenta uma das mais 
temíveis ameaças. Será que somos realmente livres?
 O livre arbítrio é um apelo a essa liberdade, que se traduz no direito de agir 
de segundo própria vontade, na sensação de não depender de ninguém e no prazer 
de poder escolher, analisando antes as hipóteses que se encontram ao nosso dispor e 
ponderando sobre a nossa decisão final.
Este é um tema que, mesmo podendo não parecer, é bastante complexo, até para 
alguns filósofos. Ninguém aparenta ter a capacidade para responder à “simples” questão: 
O que é a liberdade? uma pergunta intrigante que revela a complexidade de toda uma 
realidade com a qual não estamos habituados a conviver. Quando fazemos este tipo de 
questões a nós próprios, apercebemo-nos de que talvez não prestemos a devida atenção 
à maioria dos assuntos que nos rodeiam, dos mais simples aos mais labirínticos e, por 
vezes, desprezamo-los quando, na verdade, podem ser dos mais importantes.
A liberdade está intimamente relacionada com a Ética uma vez que, agindo 
livremente, nós devemos ser responsabilizados pelos nossos atos e por isso devemos 
comportarmo-nos, em sociedade, da melhor forma para que ninguém seja prejudicado.
Este é um assunto que deve ser discutido por todos nós para que possamos ter 
um contacto mais cuidado e atento com as diferentes realidades que dão vida ao nosso 
mundo e para que possamos entender o outro e agir da melhor forma.
FONTE: <https://osraciociniosdeninguem.blogspot.com/2019/04/o-que-e-liberdade_22.html>. 
Acesso em: 25 jun. 2020.
Assim, compreendemos que a liberdade é uma capacidade humana de 
tomar decisões perante os grupos sociais a que pertencemos, pois, segundo 
Pieritz (2013, p. 52):
TÓPICO 3 — A QUESTÃO DA ÉTICA NA ATUALIDADE
79
 Devemos sempre partir do princípio de que a ética denota regras, 
normas e responsabilidades, mas também não podemos esquecer que 
a ética é um espaço de reflexão sobre a nossa vida cotidiana. Esta vida, 
que está pautada nos alicerces da moral humana em sociedade, deve 
também supor que todos os homens sejam livres.
A partir disso tudo, o que é liberdade?
QUADRO 16 – LIBERDADE
FONTE: <https://bit.ly/36ztu13>. Acesso em: 18 nov. 2020.
A LIBERDADE é:
• A capacidade de determinar.
• A posse das próprias faculdades.
• Poder agir segundo próprio discernimento.
• É o direito de fazer tudo quando quanto as leis permitem.
• A obediência à lei que nós mesmos nos prescrevemos.
• A faculdade de só obedecer a leis externas às quais pude dar o meu 
assentimento.
• A segurança tranquila no exercício do direito.
FONTE: Adaptado de Cunha (2011, p. 185)
Pieritz (2013, p. 52) complementa expondo que:
Quantas vezes tivemos o sentimento de estarmos presos, ou seja, 
não tendo liberdade para fazer aquilo que realmente desejamos; 
ou simplesmente poder escolher entre uma ou mais opções; ou 
ainda sentir-se livre para querer realizar as nossas mais subjetivas 
necessidades, tais como: escolher uma boa comida, comprar aquela 
roupa desejada, fazer aquele curso desejado e não imposto pela família 
ou sociedade, andar de bicicleta, fazer um esporte etc. 
Nesse contexto, observemos, no Quadro 17 e no texto a seguir, alguns 
aspectos importantes referentes à liberdade e às concepções da ética:
80
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
Liberdade e ética
Liberdade e ética, binômio fascinante. A mentalidade medíocre vê 
apenas uma face do ser humano. A mentalidade sábia vê o ser humano em 
todos os seus aspectos. A mediocridade é disjuntiva: liberdade ou ética, ética ou 
liberdade. A sabedoria é conjuntiva: liberdade com ética é ética com liberdade. A 
visão estreita fragmenta o ser humano. A visão ampla é arquitetônica. Engloba 
liberdade e ética. 
Liberdade e ética possuem reciprocidade positiva. Intercomunicam-
se e se interfecundam. A liberdade acelera a ética e a ética tonifica a liberdade. 
Interligadas, estimulam a “mútua criação”.
A ética pressupõe a liberdade. A pedra, a planta, o animal e o 
homem coagido não exercem ato ético, porque não dispõem de liberdade 
para a atividade ética. Por outra parte, sem ética, a liberdade pode adotar 
procedimentos tortuosos. A liberdade requisita referenciais éticos para mover-
se com legitimidade. A ética oferece balizas aos passos livres. Valores éticos 
são flechas que apontam rumos à liberdade. A ética sinaliza trânsito aberto ou 
fechado para a arrancada da liberdade.
Liberdade e ética não são infalíveis. Podem tropeçar no percurso da 
vida. Estão sujeitas a falhas e a deformações. O eticismo é vazio de sentido. 
O autoritarismo ético veta inovações. A ética negativa proíbe iniciativas 
QUADRO 17 – CONCEITO DE ÉTICA
FONTE: <https://bit.ly/36ztu13>. Acesso em: 18 nov. 2020.
A ÉTICA é:
• A moral individual ou subjetiva, por oposição à moral social.
• A filosofia da moral.
• É a ciência cujo objeto é a moral.
• O ramo do conhecimento cuja finalidade é estabelecer os melhores critérios 
para o agir.
FONTE: Adaptado de Cunha (2011, p. 140)
Vejamos, agora, uma breve leitura sobre a liberdade e a ética.
Boa leitura!
TÓPICO 3 — A QUESTÃO DA ÉTICA NA ATUALIDADE
81
construtivas e condena atitudes lícitas. O fundamentalismo ético revela 
rigorismo patológico. Por outra parte, o libertarismo torna ilimitável pretensões 
abusivas da liberdade. E não leva em conta a liberdade e os direitos dos outros. 
Também a liberdade pode ensandecer na irracionalidade.
A ética ditatorial avisa: “Aqui mando eu”. E a liberdade destemperada 
ameaça: “Sou livre e faço o que quero”. Ora, a ética tem a função de encaminhar 
a liberdade, e não de bloqueá-la arbitrariamente. E, por sua vez, a liberdade nem 
sempre pode justificar-se a si mesma, porque acerta, mas também desacerta. 
Não basta ser livre para ter o direito de fazer tudo o que é executável. Com 
liberdade fazem-se maravilhas, mas também se faz o pior. Se bastasse ser livre 
para agir retamente, então matar com liberdade, estuprar com liberdade e 
rapinar dinheiro público com liberdade seriam procedimentos legítimos, mas 
são execráveis. Apesar de livres, são totalmente imorais. Pico della Mirandola, 
protagonista do “humanismo orgulhoso”, confessa que se pode fazer “uso 
funesto da livre escolha”. Todo ser humano honesto reconhece que o direito à 
liberdade não sanciona ações criminosas praticadas livremente.
Sartre mostra que a liberdade é inerente ao ser humano. E, ao mesmo 
tempo, aponta o caráter ético da liberdade ao escrever que o “homem é livre 
porque, lançado no mundo, é responsável por tudo quanto fizer”. A liberdade 
possibilita a ética, e a ética salvaguarda a liberdade. Liberdade madura não 
dispensa a ética, e ética lúcida não amordaça a liberdade. O sujeito humano 
unifica, em si, liberdade e ética. Não se deve divorciá-las. Há que mantê-las 
organicamente articuladas.
Orientar eticamente a liberdade não é aprisioná-la, mas consolidá-la. 
O mundo atual pede mais liberdade e mais ética. Juntas, contribuem para 
que a humanidade seja autônoma e justa. Sem liberdade, a humanidadeé 
submetida à escravidão. E, sem ética, é submetida a crueldades repugnantes. 
Rousseau diz que “só a liberdade moral torna o homem senhor de si mesmo”. A 
humanidade, quanto mais livre, deve ser mais ética. E quanto mais ética, deve 
ser mais livre. E concretizemos, com o pensamento e as mãos, a utopia de uma 
nova humanidade livremente ética e eticamente livre.
“O que mais irrita um tirano é a impossibilidade de pôr a ferros também o 
pensamento do homem”. 
Poul Volarey.
FONTE: Adaptado de <http://www.qir.com. br/?p=6180>. Acesso em: 18 nov. 2020.
De acordo com Pieritz (2013, p. 54): 
Sabemos que todos os homens necessitam de liberdade. Os animais 
também precisam dela. A liberdade pode ser entendida como um 
processo de poder fazer escolhas. Estas escolhas devem ser sempre 
pautadas sobre os nossos princípios morais e éticos, para que, assim, 
não possamos prejudicar os outros.
82
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
Barroco (2000, p. 54) complementa expondo que: 
A liberdade como capacidade humana é, portanto, o fundamento de 
ética. Assim, agir eticamente, em seu sentido mais profundo, é agir 
com liberdade, é poder escolher conscientemente entre alternativas, 
é ter condições objetivas para criar alternativas e escolhas. Por sua 
importância na vida humana, a liberdade é também um valor, algo 
que valorizamos positivamente, de acordo com as possibilidades 
de cada momento histórico. Por tudo isso, podemos perceber que a 
liberdade é também uma questão ética das mais importantes, pois 
nem todos os indivíduos sociais têm condições de escolher e de criar 
novas alternativas de escolha.
Nesse contexto, Pieritz (2013, p. 54) expõe ainda que:
O formato da vida em que estamos inseridos demonstra a situação 
de que os homens estão sempre tomando decisões sobre onde, como, 
para onde, o que estão fazendo ou vão realizar. A nossa própria 
existência pode ser considerada instável e incerta, porque mudamos 
de opinião o tempo todo. O mundo está em constante transformação 
e, por consequência, os nossos hábitos e costumes também, devido ao 
fato de que os seres humanos estão o tempo todo em movimento.
Segundo Pieritz (2013, p. 54), “não sabemos se choverá amanhã ou fará sol, 
não sabemos realmente o que pode acontecer no dia seguinte e nem o caminho 
que vamos tomar daqui para frente”.
De acordo com Tomelin e Tomelin (2002, p. 128): 
Posso existir se constitui a cada dia, pois o homem não é algo pronto e 
acabado, é um ser em movimento e que tem possibilidades de escolha. O 
nosso existir revela uma escolha. Uma escolha de nossos pais, ao terem 
um filho e uma escolha nossa, de optarmos todos os dias pela vida.
Ainda, de acordo com Pieritz (2013, p. 54):
Podemos compreender que somos livres, temos o poder de escolha 
entre as inúmeras possibilidades que o universo nos proporciona. 
Só que não podemos esquecer que toda escolha denota uma 
responsabilidade, não vivemos isolados, mas numa sociedade e, 
perante ela, podemos, de certa maneira, influenciar os outros conforme 
as nossas próprias escolhas.
Vale ressaltar que toda escolha que fazemos determinará a nossa própria 
existência junto ao grupo social que fazemos parte. 
Por fim, de acordo com Pieritz (2013, p. 55): 
A moral, por meio das normas de conduta, determina como devemos 
agir perante a sociedade em que vivemos. E se devemos agir deste modo, 
conforme as diretrizes morais e éticas, é porque existe a possibilidade de 
as pessoas fazerem o contrário, ou seja, não agirem conforme as normas 
de conduta preestabelecidas pela sociedade. [...] Temos a liberdade 
de escolha, pois muitas vezes nos indagamos se realmente devemos 
obedecer ou não a estas regras, pois cabe a cada um de nós decidirmos o 
que é certo ou errado, o que é fazer o bem ou o mal. É claro, esta decisão 
deve ser tomada à luz de nossos valores e princípios éticos, que foram e 
são constituídos pela sociedade como um todo. 
TÓPICO 3 — A QUESTÃO DA ÉTICA NA ATUALIDADE
83
Prezado acadêmico, para encerrar a Unidade 1, trazemos uma leitura 
complementar sobre o compliance, aqui, está apenas uma síntese, um extrato 
do artigo completo estará disponível para você, quando estudares o Estudo 
Transversal VI – Compliance.
Boa Leitura!
Msc. Dra. Vera Lucia Hoffmann Pieritz
Compliance é um termo que tem tido grande repercussão nos últimos anos, 
principalmente pelos fatos que têm ocorrido nos meios políticos e com as suas 
relações com as empresas. O termo Compliance possui a sua origem do inglês do 
verbo to comply, que conforme o Dicionário Collins define, é agir conforme ou 
de acordo com uma regra definida, uma norma interna, um comando ou uma 
instrução passada. 
Os princípios e ideias-bases do compliance surgem com a evolução da 
sociedade moderna e a industrialização, e esses princípios foram amadurecendo 
conforme surgiam casos/escândalos que chocavam a comunidade ou, ainda, por 
questões políticas relacionadas a controles necessários para o bem-estar da população.
Conforme destacado por Ribeiro e Diniz (2015, p. 87), compliance tem como 
o âmbito o foco empresarial e é uma expressão que se volta para as “ferramentas 
de concretização da missão, da visão e dos valores de uma empresa”. As autoras 
ainda complementam que “Não se pode confundir o Compliance com o mero 
cumprimento de regras formais e informais, sendo o seu alcance bem mais amplo”.
Conforme a ABBI – FEBRABAN (2019), um dos primeiros documentos que 
iniciou a ideia de programas de Compliance teve sua origem nos Estados Unidos, no 
ano de 1913, quando fora criado o Federal Reserve System (Banco Central dos EUA), 
o qual teve como foco principal desenvolver um sistema financeiro mais estável, 
seguro e adequado às leis americanas, evitando assim fraudes no sistema bancário. 
LEITURA COMPLEMENTAR
84
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
Com a promulgação no congresso Brasileiro da Lei nº 12.846/2013 (Lei 
Anticorrupção Empresarial – também conhecida como LAC), o termo Compliance 
vem sendo mais utilizado por nós, brasileiros, e somente mais recentemente devido 
aos problemas de escândalos em nível político, que gerou como consequência 
uma nova visão jurídica tanto em nível empresarial como político, gerando 
uma conscientização para uma nova realidade jurídica nacional de repressão à 
corrupção.
Apesar dessa nova empreitada empresarial e jurídica, vimos o Compliance 
amadurecendo no país de forma consistente há alguns anos, com as agências 
reguladoras, Banco Central e leis criadas para regular questões nos mais variados 
âmbitos e que trabalham para proteger a população, as empresas e os integrantes 
dos governos sobre a égide da ética e boa governança das ações como um todo.
Para controlar e gerir todas essas questões legais e desenvolver a política 
de compliance nas organizações, elas têm desenvolvido o conceito de Governança 
Corporativa e a sua eficiência deve se basear:
[...] numa análise criteriosa da adequação dos processos, da cultura 
e da disciplina organizacional, recursos humanos e tecnologia, e 
na aplicação de controles rigorosos, preventivos e detectivos no 
gerenciamento dos Riscos. Deve pautar-se, ainda, em uma atuação 
conjunta com os gestores na avaliação, gestão e monitoração dos 
mecanismos de medição de informações de desempenho (ABBI – 
FEBRABAN, 2019, p. 8).
Conforme Perez e Brizoti (2016), ABBI – Febraban (2019), Ribeiro e Diniz 
(2015), ao desenvolver uma política de compliance, a organização trabalha o dever 
de respeitar, de estar em conformidade (conforme terminologia utilizada na ISO 
9000 e em meios jurídicos) para fazer cumprir por todos os seus funcionários e 
colaboradores tanto os regulamentos internos da organização, como os externos, 
leis e diretrizes de mercado que podem ser uma regulação – fiscal-financeiro-
contábil, sempre com transparência e ética, conforme são os preceitos determinantes 
às atividades em que a organização empresarial desenvolve os seus trabalhos.
Temos diversas referênciasque citam as principais leis, normas e 
regulamentos, que um compliance deve se basear dependendo da área de ação 
da organização. Assim, as principais são apresentadas no Quadro 1. 
QUADRO 1 – EXEMPLOS DE POLÍTICAS, NORMAS INTERNAS, LEIS PARA REFERÊNCIA AO 
COMPLIANCE
Políticas e Normas internas – produzidas pela organização:
• Códigos de Conduta.
• Política de Segurança Corporativa. 
• Normas Internas.
• Normas ISSO.
• Termos de Responsabilidade.
TÓPICO 3 — A QUESTÃO DA ÉTICA NA ATUALIDADE
85
• Termos de Confidencialidade.
• Termos de Aceitação e Uso. 
• Políticas de Responsabilidade Social e Ambiental etc.
Legislação Nacional e Regulamentar – Leis, Decretos, Portarias, Resoluções, 
Instruções Normativas, Pareceres: 
• Lei Anticorrupção Brasileira (12.846/2013).
• Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011).
• Lei de Conflito de Interesses (Lei nº 12.813/2013).
• Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016).
• Lei das S.A. (6.404/1976). 
• Código de Processo Civil (13.105/2015). 
• Código Civil (10.406/2002).
• Lei de Informática e Automação (8.248/1991). 
• Lei do Desenvolvimento e Inclusão Social (13.146/2015).
• Leis e normas que regulamentam Condomínios residenciais e comerciais etc.
Regulação de Mercado Nacional e Internacional: 
• Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC. 
• Instruções Normativas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
• Instruções Normativas da RFB (Receita Federal Brasileira).
• Instruções Normativas Setoriais (ANS, ANSINE, IBAMA, INSS etc.). 
• Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária CONAR. 
• Práticas exigidas, baseadas na Lei Norte-Americana FCPA (Foreign Corrupt 
Practices Act) anticorrupção.
• Diretrizes da OCDE sobre governança corporativa para empresas de 
controle estatal etc.
Normativas Técnicas Nacionais e Internacionais – produzidas por Entidades 
e Institutos: 
• Normas Técnicas ABNT NBR – ISO/IEC e as internacionais.
• Norma IFRS (International Financial Reporting Standards) para práticas de 
contabilidade em padrão internacional.
• Norma COPC® (Metodologia para gestão de Call Center). 
• Padrão Normativo MPS-br (Modelo para qualidade definido como 
“Melhoria de Processos do Software Brasileiro” – baseado nas normas ISO/
IEC 12207 e ISO/IEC 15504 e compatível com o CMMI). 
• Padrão PMBOOK (Project Management Body of Knowledge): guia baseado 
em um conjunto de práticas para a gestão de projetos, organizado pelo 
instituto PMI.
• Padrão PCI DSS (Payment Card Industry Data Secutity Standart) é um 
amplo requerimento para quem opera cartões de crédito.
86
UNIDADE 1 — FUNDAMENTOS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ÉTICA 
• Requisitos Normativos BM&FBOVESPA Supervisão de Mercados 
(BSM). 
• Padrão Normativo CERFLOR para manejo florestal (CERFLOR conta com 
acervo normativo, e utiliza normas internacionalmente aceitas como as 
Diretrizes para auditorias de sistema de gestão (ABNT NBR ISO 19011): 
• NBR 14789:2012 – Manejo Florestal – Princípios, Critérios e Indicadores 
para Plantações Florestais.
• NBR 14790:2014 – Manejo Florestal – Cadeia de Custódia (baseada na PEFC 
ST 2002:2013).
• NBR 14792 – NBR 14793:2008 – NBR 15789:2013 – NBR 16789:2014 – NBR 
15753:2009 – NBR 17790:2014 etc. 
FONTE: Adaptado de Perez e Brizoti (2016, p. 9 -11)
Como você pôde ver no Quadro 1, são muitos os marcos legais nos quais 
uma organização precisa se aprofundar para desenvolver o setor de Compliance, e 
esse quadro só traz uma amostra para o seu conhecimento ao iniciar a trabalhar, 
se esse for o seu caso.
Assim, o desenvolvimento do compliance dentro das organizações 
empresariais deve envolver todos os seus funcionários e gestores para 
desenvolverem um trabalho ético e reto, mas nessa visão está claro que o exemplo 
precisa vir de cima, dos diretores e executivos das empresas, como também 
ressalta a responsabilidade apregoada na lei anticorrupção.
Com relação aos controles internos e à estrutura da organização, Peres e 
Brizoti (2016, p. 11) descrevem:
A Estrutura da Organização (EO) deve apresentar quatro categorias de 
objetivos, o que permite às organizações se concentrar em diferentes 
aspectos dos controles internos (CI), como segue: 
Segurança – Esse aspecto está relacionado aos processos operacionais, 
de divulgação e de conformidade, promovendo a avaliação contínua 
de riscos e sua gestão, nas medidas preventivas de proteção, dos 
ambientes corporativos, das tecnologias empregadas, da segurança das 
informações, dos recursos humanos e na manutenção da continuidade 
dos negócios para a perenidade da organização. 
Operacional – Esse aspecto relaciona-se à eficácia e à eficiência das 
operações da empresa, inclusive as metas de desempenho financeiro e 
operacional e a salvaguarda de perdas de ativos. 
Divulgação – Esse aspecto relaciona-se a divulgações financeiras e 
não financeiras, internas e externas, podendo abranger os requisitos 
de confiabilidade, oportunidade, transparência ou outros termos 
estabelecidos pelas autoridades normativas, órgãos normatizadores 
reconhecidos, ou às políticas internas da organização. 
Conformidade – Esse aspecto relaciona-se ao cumprimento de leis, 
normas e regulamentações às quais a organização está sujeita.
TÓPICO 3 — A QUESTÃO DA ÉTICA NA ATUALIDADE
87
Logo, o compliance deve ser trabalhado constantemente para mitigar 
futuros problemas devido a possíveis desvios que possam ocorrer, e em grandes 
organizações, mesmo os pequenos desvios podem gerar prejuízos enormes em 
diversas frentes para o negócio.
A Gestão de Compliance, trabalhando em conjunto com as outras áreas 
da organização, formam os pilares da Governança Corporativa, bem como um 
Sistema de Controles Internos e externos efetivos desenvolvem um sistema 
robusto de compliance empresarial, dando maior segurança jurídica ao negócio.
Podemos concluir que o desenvolvimento das práticas de Compliance 
permitem que as organizações, conforme expresso por Peres e Brizoti (2016), 
permite identificar de forma proativa os possíveis desvios operacionais e de 
conduta humana, permitindo assim serem corrigidos, de modo que sejam 
minimizados os impactos no negócio, seja por perda de tempo, falhas em 
processos, desvios financeiros e, principalmente, de imagem no mercado.
FONTE: PIERITZ, V. L. H. Compliance. Indaial: Uniasselvi, 2020.
88
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• Estamos saindo das concepções universais, do todo, para um comportamento 
individualizado, privado, centralizando nossas ações aos fatos particulares 
de nossa vida em sociedade e não somente no contexto ético-moral universal.
• O ser humano está muito mais preocupado com seus direitos e deveres 
individuais, deixando, muitas vezes, o coletivo de lado, mas lembre-se de 
que os princípios éticos-morais foram constituídos pelo coletivo social a 
que pertencemos e assim, o nosso agir individual continua pautado nessas 
normativas sociais universais.
• Alguns exemplos dos dilemas éticos e morais que vivenciamos em nossa 
sociedade nos tempos de hoje, tais como: compliance; as formas de reprodução 
humana, como a reprodução assistida; o aborto; a inteligência artificial; a 
clonagem; a corrupção, sonegação; a transfusão de sangue nos pacientes de 
certas religiões; o suicídio assistido – eutanásia; os alimentos transgênicos, que 
são geneticamente modificados; ter filhos apenas como um meio de ganhar 
alguma coisa; filho órfão já na concepção, por intermédio da reprodução 
humana além da vida de um dos pais, a fertilização in vitro; a substituição 
do ser humano pela tecnologia; cirurgia robótica; terapias alternativas; e a 
histerectomia.
• Possuímos a liberdade de escolher fazer o certo ou o errado, fazer o bem ou o 
mal, mas sempre pautados pelos princípios éticos-morais universais do nosso 
contexto social. Muitas vezes adentramos num dilema, indagando-nos a qual 
caminho devemos seguir?
• Situações de conflito em que temos que escolher é realmente um grande 
dilema ético-moral para a humanidade, pois sempre teremos várioscaminhos 
a percorrer, mas sempre devemos fazer três indagações antes de agirmos: 
o Eu quero fazer ou não? 
o Eu devo fazer ou não?
o Eu posso fazer ou não?
• Os dilemas das escolhas éticas-morais perpassam três questões fundamentais, 
que são os dilemas dos valores, destinatários e meios. 
• O dilema dos valores apresenta os conflitos dos valores éticos-morais, 
ou seja, as escolhas dos valores éticos, de ser ético ou antiético, e que este 
é o dilema da escolha de seguir ser leal, de honrar o compromisso, de ser 
solidário, tolerante ou não. Ser justo ou injusto. Ser honesto ou desonesto. 
Também são os vários caminhos a seguir, como por exemplo: horar o nosso 
89
compromisso de pagar uma conta, uma dívida ou, com este mesmo recurso, 
colaborar com a melhoria de qualidade de vida de uma família em situação 
de vulnerabilidade social. Deixando assim de cumprir com um compromisso 
pessoal para amparar o outro.
• O Dilema dos destinatários são aqueles dilemas e situações difíceis 
correlacionadas às pessoas que irão se beneficiar com a ação da tomada de 
decisão, ou não. É relacionada aos agentes envolvidos, em que, a situação 
conflitante está na escolha do destinatário da ação ou omissão, ou seja, quem 
será beneficiado ou prejudicado.
• No dilema dos meios o fator gerador da escolha da alternativa contraditória 
está única e exclusivamente na maneira de se alcançar o resultado desejado, ou 
seja, o meio, mecanismos e instrumentos utilizados para realizar a atividade e 
atingir seu fim. Esses meios são classificados por sua validação e legitimidade 
ética-moral.
• Os dilemas concernentes aos valores, destinatários e meios, devem ter por 
premissa o coletivo social, ou seja, deve prevalecer os interesses universais 
sobre os grupais e individuais, mesmo se as instâncias destes grupos menores 
possam ser feridas.
• Nesse processo de tomada de decisão individual ou coletiva, ainda temos 
mais dois outros aspectos a compreender, que são os sensos do dever e da 
importância da decisão a ser tomada:
o Senso do dever: denota uma ética relacionada ao cumprimento dos 
deveres, tarefas e obrigações, ou seja, a consciência do dever de fazer ou 
não fazer alguma coisa.
o Senso da importância: transmite uma ética permeada pelo seu desígnio, 
propósito e razão, denotando para que resultados queremos ter com 
nossa ação ou omissão, e qual a importância destes resultados para a vida 
cotidiana.
• Os sensos do dever e da importância da decisão a ser tomada são muito 
importantes na discussão dos dilemas éticos-morais que vivenciamos o tempo 
todo, para podemos mediar o nosso comportamento nas nossas relações 
humanas e sociais.
Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem 
pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
90
1 A humanidade e as pessoas neste limiar de século estão vivenciando diversos 
limites éticos tanto em nível pessoal como na própria convivência em grupos. 
Isso nos traz diversos dilemas vivenciais que geram conflitos pessoais. 
Disserte sobre o tema Dilemas e conflitos pessoais na contemporaneidade.
AUTOATIVIDADE
91
REFERÊNCIAS
ALONSO, F.; LOPEZ, F. G.; CASTRUCCI, P. L. Curso de ética em administração. 
São Paulo: Atlas, 2006. 
ALVES, L. M. Os estágios morais de Kohlberg (1981). Ensaios e Notas, 2017. 
Disponível em: https://wp.me/pHDzN-3To. Acesso em: 20 jul. 2020.
ARANHA, M. L. A.; MARTINS, M. H. P. Temas de filosofia. 3. ed. São Paulo: 
Moderna, 2005.
AVELINE, C. C. Kohlberg (1981) e os estágios da consciência ética: compreendendo 
as etapas da evolução humana. Filosofia Esotérica. 2019. Disponível em: https://
www.filosofiaesoterica.com/Kohlberg (1981)-e-os-estagios-da-consciencia-etica/. 
Acesso em: 2 jul. 2020.
BARROCO, M. L. S. Ética e sociedade. Brasília: CFESS, 2000.
BITTENCOURT, S. Comentários à lei anticorrupção: Lei nº 12.846, de 1 de 
agosto de 2013. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014.
BONETTI, D. A. et al. Serviço social e ética: convite a uma nova práxis. 11. ed. 
São Paulo: Cortez, 2010.
BRASIL, Lei ordinária nº 12.846, de 1 de agosto de 2013. Dispõe sobre a respon-
sabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a 
administração pública, nacional ou estrangeira, e dá outras providências. Disponí-
vel em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/ lei/l12846.htm. 
Acesso em: 18 nov. 2020.
CARVALHO, F. A ética segundo Kohlberg (1981). 2011. Disponível em: https://
blogdoenem.com.br/a-etica-segundo-Kohlberg (1981)-filosofia-enem/. Acesso 
em: 25 jul. 2020.
CHAUÍ, M. Iniciação à filosofia. São Paulo: Ática, 2016.
CUNHA, S. S. Dicionário Compacto de Direito. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
FERREIRA, A. B. H. Miniaurélio: o minidicionário da Língua portuguesa. 7. ed. 
Curitiba: Ed. Positivo, 2008.
FREUD, S. No ensaio The Question of Lay Analysis. In: FREUD, S. (Org.). The 
Question of Lay-Analysis: an Introduction to Psycho-Analysis 1947. London: 
Imago Publishing Co, 2005. Disponível em: http://www.yorku.ca/dcarveth/
LayAnalysis.pdf. Acesso em: 18 nov. 2020.
92
GUIMARÃES, D. T. Dicionário Técnico Jurídico. 19. ed. São Paulo: Rideel, 2016.
HOUAISS, A. Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 
2009.
KIRKENDALL, L. A. Premarital intercourse and interpersonal relationships. New 
York: Julian Press, 1961. Disponível em: https://goo.gl/8W46Tk. Acesso em: 18 ago. 
2020.
KOHLBERG, L. Essays On Moral Development. Volume 1. The Philosophy Of 
Moral Development. São Francisco, Harper & Row, 1981. 
LEYSER, K. D. dos S. Ética. Indaial: Uniasselvi, 2018.
PIERITZ, V. L. H. Compliance. Indaial: Uniasselvi, 2020.
PIERITZ, V. L. H. Ética profissional em serviço social. Indaial: Uniasselvi, 2013.
SOLOMON, R. C. Ética e excelência. Cooperação e integridade nos negócios. 
São Paulo: Civilização Brasileira, 2006.
TAVARES, F. R. Ética, política e sociedade. Indaial: Uniasselvi, 2013.
TOMELIN, J. F.; TOMELIN, K. N. Do mito para a razão: uma dialética do saber. 
2. ed. Blumenau: Nova Letra, 2002. p. 89-90.
VALLS, A. L. M. O que é ética. São Paulo: Brasiliense, 2003.
VÁZQUEZ, A. S. Ética. 26. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
93
UNIDADE 2
A ÉTICA E OS FUNDAMENTOS 
DA PRÁTICA PROFISSIONAL DO 
ASSISTENTE SOCIAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade tem por objetivos:
•	 conhecer	 os	 fundamentos	 ético-morais	 do	 exercício	 profissional	 do	
Assistente	Social;
•	 promover	 a	 reflexão	 e	 discussão	 sobre	 as	 questões	 ético-morais,	 na	
relação	indivíduo	e	sociedade;
•	 fomentar	 o	 debate	 sobre	 as	 diversas	 dimensões	 ético-morais	 da	 vida	
social	e	profissional;
•	 promover	 uma	 consciência	 crítica	 referente	 aos	 valores	 e	 princípios	
norteadores	do	exercício	profissional.
A	Unidade	2	está	dividida	em	quatro	tópicos.	Ao	final	de	cada	um	deles,	você	
terá	a	oportunidade	de	fixar	seus	conhecimentos,	 realizando	as	atividades	
propostas.
TÓPICO 1 – OS FUNDAMENTOS ÉTICO-MORAIS DO EXERCÍCIO 
PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL 
TÓPICO 2 – O ESPAÇO DA ÉTICA NA RELAÇÃO INDIVÍDUO E 
SOCIEDADE
TÓPICO	3	 –		A	RELAÇÃO	ENTRE	TRABALHO,	SER	SOCIAL	E	ÉTICA
TÓPICO 4 – A ÉTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL E SEU 
PROJETO ÉTICO-POLÍTICO
94
95
TÓPICO 1
OS FUNDAMENTOS ÉTICO-MORAIS DO EXERCÍCIO 
PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Com	 a	 própria	 evolução	 histórica	 da	 humanidade,	 pode-se	 dizer	 que,	
hoje	em	dia,	quando	tratamos	das	questões	éticas	e	morais,	estamos	falando	que	
o	comportamento	social	dos	homens	vem	atravessando	todos	os	espaços	da	vida	
social	do	mesmo.	Pautando-se	neste	comportamento	que	vem	se	transformando	
constantemente,	 encontramos	 muitos	 desafios	 no	 exercício	 profissional	 do	
Assistente	Social.	
Neste	 tópico,	 abordaremos,	 com	 detalhes,	 a	 natureza	 e	 as	 características	
fundamentais	 da	 ética	 profissional,	 além	 de	 trabalhar	 as	 questões	 relativasao	
cotidiano	da	prática	profissional	e	das	finalidades	ético-morais	da	reprodução	social.
2 A NATUREZA E OS FUNDAMENTOS DA ÉTICA PROFISSIONAL
Sabe-se	que	o	principal	problema	da	ética	é	a	definição	do	que	é	 certo	
ou	errado,	bom	ou	mau,	e	que	todos	os	homens	desejam	fazer	o	bem	e	a	justiça,	
observando	sempre	que	esta	problemática	permeia	toda	a	história	da	humanidade.	
Compreendemos	que	“fazer	o	bem”	pode	ser	considerado	uma	virtude	social.
Porém, o que é fazer o bem?
Todos	 os	 nossos	 atos,	 que	 permeiam	 nosso	 comportamento	 social,	
são	 frutos	diretos	 e	 indiretos	 de	uma	 consciência	 social	 e	 esta,	 por	 sua	 vez,	 é	
constituída	sobre	os	valores,	princípios	e	hábitos	morais	do	povo	que	a	compõe.
Existe	uma	ligação	química	e	muito	forte	no	modo	comportamental	subjetivo	
de	cada	homem,	com	relação	à	sociedade	em	que	vive,	pois	se	nossas	ações	visam,	
constantemente,	 fazer	 o	bem	perante	os	outros,	 então,	 estamos	 sendo	 eticamente	
bons	sem,	necessariamente,	ser	bom	ou	mau	para	alguém	ou	vice	e	versa.
Contudo,	devemos	compreender	que	não	existe	um	bem	ou	mal	absoluto,	
pois	 as	 diversas	 subjetividades	 humanas	 apresentam	 inúmeras	 diferenças,	 ou	
seja,	a	subjetividade	é	relativa	de	acordo	com	a	visão	de	mundo	e	sociedade	de	
cada	ser	humano.
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
96
Neste	 contexto,	 observa-se	 que	 a	 ética	 trabalha	 e	 avalia	 as	 diferentes	
alternativas	de	preferência	dos	homens	que	vivem	em	sociedade,	principalmente	
no	que	tange	à	indicação	do	que	devemos	realmente	fazer,	ou	não,	em	vez	do	que	
devíamos	ter	feito,	ou	não,	pois	não	podemos	deixar	de	lado	que	todos	os	atos	
dos	homens	que	vivem	em	sociedade	possuem	suas	restrições	e	consequências.	
Estas,	por	sua	vez,	devem	ser	avaliadas	constantemente,	principalmente	no	que	
tange	à	questão	da	escolha	entre	as	diversas	alternativas	que	estão	postas	pela	
própria	sociedade	em	que	vivemos.
Portanto,	compreende-se	que	a	ética	avalia	as	diversas	escolhas	conscientes	
dos	homens	e	trabalha	com	as	consequências	subjetivas	de	cada	ser	humano	em	
sociedade.	Estas	escolhas	e	suas	consequências	podem	ser	consideradas	objeto	da	
prática	profissional	do	Assistente	Social.	Como	expõe	Barroco	2008a,	p.	67:
[...]	a	ética	profissional	é	um	modo	particular	de	objetivação	da	vida	
ética.	Suas	particularidades	se	inscrevem	na	relação	entre	o	conjunto	
complexo	 de	 necessidades	 que	 legitimam	 a	 profissão	 na	 divisão	
sociotécnica	 do	 trabalho,	 conferindo-lhe	 determinadas	 demandas	
[...].	Ou	seja,	estas	demandas,	fruto	direto	das	escolhas	subjetivas	dos	
homens	e	suas	consequências,	é	que	legitima	o	agir	ético	profissional	
do	Assistente	Social.	Pois,	a	consciência	moral	é	formada	pelos	valores	
culturais	de	uma	determinada	sociedade,	e	estes	são	legitimados	pela	
própria	 sociedade,	ou	 seja,	pelos	 seus	 integrantes.	No	qual,	 criam	e	
recriam	constantemente	novas	necessidades,	papéis	e	valores	sociais.
Neste	sentido,	segundo	Barroco	(2008a,	p.	68),	o		“ethos	profissional	é	um	
modo	de	ser	constituído	na	relação	complexa	entre	as	necessidades	socioeconômicas	
e	ídeo-culturais	e	a	possibilidade	de	escolha	inseridas	nas	ações	ético-morais,	o	
que	aponta	para	sua	diversidade,	mutabilidade	e	contraditoriedade.”
Assim,	observa-se	que	a	ética	profissional	do	Assistente	Social	está	recheada	
de	conflitos	e	contradições	sociais	que	se	remodelam	ao	passar	dos	tempos.
AUTOATIVIDADE
Baseado(a)	nas	informações	adquiridas	até	o	presente	momento,	forme	
uma	equipe,	de	no	máximo	quatro	acadêmicos,	e	escreva	quais	os	principais	
CONFLITOS	e	CONTRADIÇÕES	SOCIAIS	que	os	seres	humanos	enfrentam	
na	atualidade.
TÓPICO 1 | UNIDADE 2
97
Podemos,	 assim,	 compreender	 que,	 o	 conhecimento	 concebido	 pelos	
homens	propicia	o	seu	modo	de	vida	e	de	convivência	em	sociedade,	pois	buscam,	
constantemente,	seus	fundamentos	e	suas	posturas	críticas	da	realidade	em	que	
estão	 inseridos,	 além	 de	 transformar	 sua	 própria	 realidade.	 Complementando,	
Lukacs	(apud	BARROCO,	2008b,	p.	16)	expõe	que:
[...]	o	homem	torna-se	um	ser	que	dá	respostas	precisamente	na	medida	
em	que	–	paralelamente	ao	desenvolvimento	 social	 e	 em	proporção	
crescente	–	ele	generaliza,	transformando	em	perguntas	seus	próprios	
carecimentos	e	suas	possibilidades	de	satisfazê-los;	e	quando,	em	sua	
resposta	ao	carecimento	que	a	provoca,	funda	e	enriquece	a	própria	
atividade	com	tais	mediações	bastante	articuladas.	De	modo	que	não	
apenas	a	resposta,	mas	também	a	pergunta	é	um	pouco	imediato	na	
consequência	que	guia	a	atividade.	
Podemos	 compreender,	 então,	 que	 a	 ética	 supõe	 a	 compreensão	 e	
análise	da	subjetividade	do	seres	humanos	e	de	suas	relações	sociais,	através	da	
formação	da	práxis	humana	como	um	todo	e	não	somente	compreendida	como	a	
formação	de	um	conhecimento,	ou	seja,	a	ética	está	baseada	nos	relacionamentos,	
comportamentos	e	práticas	sociais	tanto	dos	homens	quanto	das	mulheres	em	seu	
convívio	cotidiano,	no	qual	forma	uma	consciência	moral	global.
3 O SIGNIFICADO DA ÉTICA PROFISSIONAL
Agora,	prezados(as)	acadêmicos(as)	iremos	estudar	diversos	significados	
da	ética	na	práxis	profissional	do	Assistente	Social.
De	acordo	com	Sá	(2001,	p.	129):
[...]	a	expressão	profissão provém do Latim professione,	do	substantivo	
professio,	que	teve	diversas	acepções	naquele	idioma,	mas	foi	empregado	
por	Cícero	como	“ação	de	fazer	profissão	de”.	O	conceito	de	profissão,	
na	atualidade,	aquele	que	aceito,	representa:	“trabalho	que	se	pratica	
com	habitualidade	a	serviço	de	terceiros”,	ou	seja,”‘prática	constante	
de	um	ofício”.
ESTUDOS FU
TUROS
Você verá, no Tópico 3, A Relação entre Trabalho, Ser Social e Ética, uma reflexão 
mais profunda referente à ética no trabalho.
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
98
O que vem a ser, então, a ética profissional?
Segundo	Brites	e	Sales	(2000,	p.	8):
A	ética	das	profissões	não	está	dissociada	do	contexto	sociocultural	e	
do	debate	filosófico.	A	ética	profissional	guarda	uma	profunda	relação	
com	a	ética	social	e,	consequentemente,	com	os	projetos	sociais.	Não	
há,	portanto,	um	hiato	entre	a	ética	profissional	e	a	ética	social,	pois	
seria	cindir	a	própria	vida	do	homem	na	sua	totalidade,	isto	é,	em	seus	
diversos	pertencimentos:	trabalho,	gênero,	família,	ideologia,	cultura,	
desejos	etc.	Na	verdade,	é	o	“homem	inteiro”,	na	acepção	lukacsiana,	
que	 participa	 da	 cotidianidade.	 Isto	 significa	 que	 o	 homem,	 no	
processo	de	produção	de	sua	vida	material	e	cultural,	constrói	valores	
que	 passam	 nortear	 as	 relações	 consigo	 mesmo	 e	 com	 os	 outros	
homens,	 constituindo-se,	 assim,	 como	 sujeito	 ético	 no	 processo	 de	
sociabilidade.
Observamos,	então,	que	a	constituição	de	um	homem,	enquanto	indivíduo,	
só	pode	ser	feita	por	meio	de	suas	relações	com	os	outros.	E	é	nesta	interação	social	
que	o	 indivíduo	 forma	sua	consciência	moral,	além	de	constituir	 seus	anseios,	
desejos	e	sonhos,	fazendo	suas	escolhas	de	certo	ou	errado	perante	a	sociedade	em	
que	vive.	Assim,	pode-se	dizer	que	é	por	meio	da	ética	que	o	homem	é	um	ser	de	
consciência,	pois	valora	seus	atos	de	forma	autônoma	e	responsável,	qualificando	
e	enriquecendo	todo	o	processo	complexo	de	produção	e	reprodução	humana.
Partindo	 deste	 entendimento,	 verificamos	 que	 a	 ética	 proporciona	
maior	visibilidade	no	 esclarecimento	da	direção	 social	 e,	 em	consequência,	da	
qualificação	da	prática	profissional	de	uma	determinada	sociedade,	ou	seja,	por	
meio	da	ética,	existe	todo	um	posicionamento	social	que	forma	e	determina	seus	
valores,	hábitos	e	princípios	e	estes,	por	sua	vez,	compõem	as	normas	e	diretrizes	
profissionais	daquela	comunidade.
Nesta	perspectiva,	Brites	e	Sales	(2000,	p.	9)	colocam-nos	que:
[...]	a	ética	profissional	tem	a	ver	com	a	imagem	que	a	profissão	quer	que	
seja	reconhecida	pela	sociedade.	[...]	Em	outras	palavras,	a	profissão	
constrói,	historicamente,	uma	identidade	e	adquire	uma	legitimidade	
social	tanto	a	partir	da	explicação	da	função	social	da	profissão	quanto	
dos	contornos	éticos	que	assume	otrabalho	profissional.	Esse	processo	
é	 atravessado	 por	 contradições	 e	 tensões	 que	 envolvem	 disputas	
políticas	 e	 ideológicas	 na	 sociedade.	 Não	 esqueçamos	 que	 o	 nosso	
exercício	profissional	 realiza-se	numa	sociedade	capitalista,	 logo,	há	
demandas	 diferenciadas	 ou	 entendimentos	 diversos	 do	 que	 seja	 a	
função	social	da	profissão,	no	que	concerne	aos	interesses	das	classes	
em	relação.	Desse	modo,	há	vários	projetos	societários	em	confronto	
e	o	posicionamento	da	categoria,	ao	qual	nos	referimos,	expressando	
exatamente	a	opção	por	um	determinado	projeto	social.
TÓPICO 1 | UNIDADE 2
99
AUTOATIVIDADE
Tudo	isto	nos	leva	a	fazer	a	seguinte	indagação:	Será	que	quando	estou	
exercendo	minhas	atividades	laborais,	estou	reforçando	diretamente	um	projeto	
ético de sociedade? Reflita	esta	questão	em	um	dos	encontros	presenciais.
4 ÉTICA, O COTIDIANO E A PRÁTICA PROFISSIONAL
“A	cabeça	da	gente	é	uma	só	e	as	coisas	que	há	e	que	estão	para	haver	
são	demais	de	muitas,	muito	maiores	diferentes,	e	a	gente	tem	de	necessitar	de	
aumentar	a	cabeça,	para	o	total.”	(Guimarães	Rosa)
Conforme	 a	 frase	 de	 Guimarães	 Rosa,	 é	 a	 partir	 da	 totalidade,	 que	
podemos	 entender	 as	 particularidades	 subjetivas	 de	 cada	 ser	 humano,	 pois	 é	
a	sociedade	como	um	todo	que	 forma	e	constitui	 todos	os	nossos	princípios	e	
valores	ético-morais.
Contudo, quais as correlações entre o Código de Ética, o projeto 
profissional do Assistente Social e sua práxis?
O	que	deve	ficar	bem	claro	aqui	é	que	o	objeto	da	prática	profissional	se	dá	
no	dia	a	dia	de	nossa	sociedade,	ou	seja,	são	nos	diversos	modos	comportamentais	
dos	 homens	 que	 se	 formam	 as	 questões	 sociais,	 ou	 seja,	 o	 objeto	 da	 práxis	
profissional	do	Assistente	Social.
O que é esta tal de questão social?
Pois	bem,	a	questão	social,	a	priori,	forma-se	na	relação	direta	do	trabalho 
versus capital,	principalmente	na	formação	moral	do	trabalhador	(classe	operária),	
perante	 a	 sociedade,	 o	 qual	 almeja	 ser	 reconhecido	 como	 tal	 por	 parte	 dos	
detentores	do	capital	(os	patrões),	ou	seja,	é	nas	contradições	deste	relacionamento	
(trabalhador	x	patrão)	que	se	forma	o	objeto	de	trabalho	do	Assistente	Social.	Esta	
contradição	é	estabelecida	diretamente	na	produção,	reprodução	e	apropriação	
da	 riqueza	 constituída	 em	 sociedade,	 ou	 seja,	 os	 trabalhadores,	 por	 meio	 do	
trabalho,	produzem	a	riqueza,	em	contrapartida,	os	patrões	apropriam-se	dela.	
Portando,	nesta	dinâmica,	o	trabalhador	não	tem	muitas	vezes	a	possibilidade	de	
usufruir	e	obter	as	riquezas	que	produziu.
Complementando,	 Iamamoto	 (1997,	 p.	 14)	 define	 o	 objeto	 do	 Serviço	
Social	nos	seguintes	termos:
Os	 assistentes	 sociais	 trabalham	 com	 a	 questão	 social	 nas	 suas	
mais	 variadas	 expressões	 quotidianas,	 tais	 como	 os	 indivíduos	
as	 experimentam	 no	 trabalho,	 na	 família,	 na	 área	 habitacional,	 na	
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
100
saúde,	 na	 assistência	 social	 pública	 etc.	 Questão	 social	 que	 sendo	
desigualdade	é	também	rebeldia,	por	envolver	sujeitos	que	vivenciam	
as	 desigualdades	 e	 a	 ela	 resistem,	 se	 opõem.	 É	 nesta	 tensão	 entre	
produção	da	desigualdade	 e	 produção	da	 rebeldia	 e	 da	 resistência,	
que	 trabalham	os	 assistentes	 sociais,	 situados	nesse	 terreno	movido	
por	 interesses	 sociais	distintos,	 aos	 quais	não	 é	possível	 abstrair	 ou	
deles	 fugir	porque	 tecem	a	vida	em	sociedade.	 [...]	a	questão	social,	
cujas	 múltiplas	 expressões	 são	 o	 objeto	 do	 trabalho	 cotidiano	 do	
Assistente	Social.
Voltando	à	questão	principal,	pode-se	observar	que	a	vida	cotidiana	dos	
seres	humanos	denota	certa	alienação	dos	mesmos	ao	sistema	societal	que	estão	
inseridos,	ou	seja,	devemos	saber	distinguir	as	nossas	ações	de	prática	profissional	
das	atividades	cotidiana	em	que	estamos	envolvidos.	De	acordo	com	Heller	(apud	
BRITES;	SALES,	2000,	p.	69):	
[...]	 o	 cotidiano	 é	 o	 território	 da	 espontaneidade,	 das	 motivações	
efêmeras	 e	 particulares,	 da	 fixação	 repetitiva	 do	 ritmo	 e	 da	 rigidez	
do	 modo	 de	 vida.	 Consequentemente,	 o	 pensamento	 cotidiano	 é	
um	 pensamento	 fixado,	 tão	 somente,	 na	 experiência,	 na	 dimensão	
empírica	da	realidade	e	dos	acontecimentos	da	vida;	logo,	pragmático	e	
ultrageneralizador,	assentado	na	unidade	imediata	entre	pensamento	e	
ação.	Opera,	portanto,	corretamente,	num	nível	de	aproblematicidade	
em	detrimento	da	razão	e	das	intimações	humano-genéricas.
Contudo, o que é alienação?
Compreendemos	que	é	por	meio	do	trabalho	que	se	forma	a	consciência	
moral	 dos	 homens,	 denotando	 a	 sua	 sobrevivência	 social.	 Porém,	 como	 esta	
atividade	laboral	pode	ser	considerada	uma	alienação	de	sua	própria	constituição	
moral?
Podemos	 considerar	 que	 a	 alienação	 proporciona	 uma	 diminuição	 da	
capacidade	do	agir	 consciente	dos	 seres	humanos,	ou	 seja,	 os	homens,	muitas	
vezes,	não	 conseguem	assimilar	o	 seu	próprio	 comportamento	e	 suas	atitudes	
perante	sua	própria	produção	e	reprodução	social,	no	qual	acabam	bloqueando	
sua	autonomia	de	agir.
No	 que	 tange	 à	 alienação	 social,	 podemos	 citar	 que	 muitas	 vezes	 os	
seres	humanos	não	se	dão	conta	que	são	eles	que	produzem	as	riquezas	de	sua	
sociedade,	por	meio	de	suas	atividades	laborativas.	Diante	disto,	apresentam	duas	
posturas,	tais	como:	veem	este	processo	de	produção	de	riquezas	como	uma	ação	
natural	e	espontânea	ou	rejeitam	esta	situação,	verificando	que	nós	possuímos	
muito	mais	capacidades	de	julgamento	do	que	simplesmente	acatar	tudo	o	que	
vem	dos	donos	do	capital	(os	patrões).
TÓPICO 1 | UNIDADE 2
101
Nos	dois	casos,	de	acordo	com	Brites	e	Sales	(2000,	p.	69)		“a	sociedade	é	o	
outro (alienus), algo	externo	a	nós,	separado	de	nós,	diferente	de	nós	e	com	poder	
total	ou	nenhum	poder	sobre	nós.”
Segundo	Brites	e	Sales	(2000,	p.	69):
No	 debate	 da	 práxis	 profissional,	 vemos,	 então,	 as	 possibilidades	
de	 atuação	 dos	 assistentes	 sociais,	 consideradas	 particularmente,	
inseridas	 nas	 contradições	 e	 tensões	 do	 cotidiano,	 mas	 vincadas	 e	
içadas	pelo	projeto	ético-político	profissional	–	uma	vez	assimiladas	
com	consciência	as	suas	exigências	–	ao	plano	do	humano	genérico.	
A	riqueza	e	desafios	das	situações	radicalmente	humanas	posta	pelo	
exercício	profissional	listam	aqueles	a	se	orientar	e	conduzir	sua	vida	
pela	vida	da	eticidade;	 logo,	a	se	posicionar	diante	de	alternativas	e	
a	realizar	escolhas,	postas	na	esfera	do	cotidiano,	submetendo	a	sua	
particularidade	ao	genérico.
Heller	(apud	BRITES;	SALES,	2000,	p.	69)	expõe	ainda	que:
[...]	 quanto	maior	 é	 a	 importância	 da	moralidade,	 do	 compromisso	
pessoal,	 da	 individualidade	 e	 do	 risco	 (que	 vão	 sempre	 juntos)	 na	
decisão	 acerca	 de	 uma	 alternativa	 dada,	 tanto	mais	 facilmente	 essa	
decisão	eleva-se	acima	da	cotidianidade	e	tanto	menos	se	pode	falar	
de	uma	decisão	cotidiana.
Então,	pode-se	observar	que	não	existe	um	divisor	entre	o	comportamento	
cotidiano	 e	 do	 não	 cotidiano,	 pois	 o	 desenvolvimento	 da	 práxis	 profissional	
está	interligado	com	a	convivência	do	dia	a	dia	do	grupo	social	em	que	estamos	
inseridos,	 ou	 seja,	 o	 trabalho	 profissional	 do	Assistente	 Social	 se	 dá	 sobre	 as	
questões	sociais	advindas	deste	convívio	em	sociedade.	Contudo,	não	podemos	
confundir	que	 a	prática	profissional	 seja	 também	as	 atividades	 cotidianas	que	
realizamos,	 pois	 estas	 se	 transformam	 na	 práxis	 profissional	 só	 quando	 nós	
tomamos	consciência	deste	fato.
No	 entanto,	 de	 acordo	 com	 Brites	 e	 Sales	 (2000,	 p.	 70)	 “a	 práxis	 aqui	
reivindicada	decorre	de	uma	construção	coletiva	expressa	na	direção	social	do	
projeto	 ético-político	 do	 Serviço	 Social	 e	 que	 ganha	 tessitura	 e	 substância	 por	
meio	da	adesão	consciente	e	crítica	aos	princípios	e	valores	presentes	no	código	
de	ética	dos	assistentes	coletivos	desenvolvidos	país	afora”.
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
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LEITURA COMPLEMENTAR 1
ÉTICA NO COTIDIANO
A.Augusta	Soares
[...]O	 nosso	 país	 está	 [sempre]	 nos	 chamando	para	 comparecermos	 às	
urnas,	período	de	mudanças	políticas	[...].
Período	 propício	 para	 questionamentos,	 principalmente	 sob	 um	 aspecto	
cultural	importante:	a	Ética	em	nosso	cotidiano	e	as	consequências	de	nossas	ações.
Vivemos	em	sociedade,	influenciamos	e	somos	influenciados,	através	da	
mídia	escrita	e	falada	(rádio,	TV,	jornais,	propagandas	e	revistas),	convivemos	e	
interagimos	socialmente,	portanto,	cabe	pensarmos	e	respondermos,	intimamente,	
a	seguinte	pergunta:	
Como agimos em nosso cotidiano perante os Outros?
Trata-se	 de	 uma	 pergunta	 fácil	 de	 ser	 formulada,	 mas	 difícil	 de	 ser	
respondida.	Está	intimamente	ligada	à	questão	ÉTICA	e,	consequentemente,	ao	
julgamento	do	caráter	moral	de	uma	determinada	pessoa.
Sabemos	que	a	ética	está	presente	em	todos	os	povos,	 independente	de	
raça.	Ela	é	um	conjunto	de	regras,	princípios,	formas	de	pensar	e	se	expressar.
A	palavra	de	origem	grega	pode	ser	traduzida,	dentro	da	sociedade,	como	
propriedade	de	caráter.
Ser	ético	envolve	integridade,	honestidade	em	qualquer	situação,	coragem	
para	assumir	seus	erros	e	decisões,	tolerância,	flexibilidade,	humildade,	posturas	
e	procedimentos	que	não	causem	prejuízo	ao	meio	social	em	que	está	inserido.	É	
estar	tranquilo	com	a	consciência	pessoal,	cumprindo	com	os	valores	no	espaço	
em	que	vive,	ou	seja,	onde	mora,	trabalha,	estuda	e	convive	socialmente.
A ética	reflete	diretamente	sobre	as	ações,	diferentemente	de	MORAL,	que	
estabelece	regras	para	garantir	a	ordem	social,	sem	levar	em	conta	as	fronteiras	
geográficas.	Mas	é	através	da	ética	que	o	indivíduo	é	levado	a	refletir,	questionar,	
percorrer	sobre	todas	as	causas	e	consequências	de	suas	ações	no	exercício	de	uma	
PROFISSÃO,	postura	que	deve	ser	iniciada	antes	mesmo	da	prática	profissional,	
a	que	está	se	propondo	a	exercer.
Ser	ético,	ter	postura	ética,	é	fazer	algo	que	te	beneficie	e,	no	mínimo,	não	
prejudique	o	“outro”,	ou	o	meio	social	em	que	convive.
 
FONTE: SOARES, A. Augusta. Ética no cotidiano. Disponível em: <http://www.revistafatosregionais.
com.br/conteudo/edicao-002/etica-no-cotidiano.html>. Acesso em: 25 fev. 2009. 
TÓPICO 1 | UNIDADE 2
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LEITURA COMPLEMENTAR 2
ÉTICA E PROFISSIONALISMO
Maria	Elizabete	Silva	D`Elia
Ética	e	profissionalismo	deveriam	andar	de	mãos	dadas,	principalmente,	
num	mundo	em	que	qualidade	é	sobrevivência.
Deveria	 ser	 algo	 implícito,	 explícito	 e	 matéria	 obrigatória	 do	 Ensino	
Fundamental	ao	Superior.
Mesmo	que	haja,	atualmente,	um	movimento	de	resgate	da	ética	e	discussão	
sobre	a	sua	importância	em	todos	os	segmentos	da	sociedade,	a	distância	entre	o	
discurso	e	a	prática	é	ainda	muito	grande.
Como	 profissionais	 de	 desenvolvimento	 humano,	 um	 dos	 nossos	
compromissos	 é	 trazer	 sempre	 à	 tona	 a	 Ética,	mostrando-a	 de	 forma	 simples,	
didática,	como	prática	diária	em	nossa	casa,	escritório,	grupo,	comunidade	e	a	
sociedade	como	um	todo.
A	Ética	permeia	todas	as	relações	e	colabora	decisivamente	para	o	bem-
estar	individual,	coletivo	e	também	atua	diretamente	na	“ecologia”	do	ambiente	
e	do	universo.
Empresas	 e	 profissionais	 vencedores	 têm	 expresso	 em	 sua	 missão	 e	
“tatuado”	 nas	 atitudes	 o	 valor	 da	 ética,	 como	 característica	 primordial	 para	 o	
sucesso	e	felicidade.	
Por	ser	a	Ética	um	assunto	complexo,	amplo	e	de	entendimento	subjetivo,	
uma	 grande	 maioria	 associa	 seu	 entendimento	 e	 prática	 como	 algo	 distante,	
filosófico,	de	responsabilidade	do	governo,	da	Sociedade,	isentando-se	de	trazê-la	
para	o	seu	cotidiano	e	para	o	âmbito	da	sua	responsabilidade,	enquanto	cidadão.
Quando	deixamos	à	Ética	num	plano	muito	filosófico,	abrimos	mão	do	
nosso	poder	de	praticá-la	e	passamos	a	colocar	“a	culpa”	da	falta	de	ética	no	país,	
nos	governantes,	nas	leis,	ou	seja,	sempre	no	“outro”.
O	 grande	 desafio	 é	 colocar	 a	 Ética	 como	 parte	 do	 nosso	 “ritual	 de	
qualidade	diária”.	Quando	nos	cuidamos,	nos	respeitamos,	respeitamos	o	outro,	
o	meio	ambiente,	estamos	praticando	a	Ética.
O	Conceito	que	está	na	nossa	esfera	de	atuação	e	que	pode	ser	exercitado	
24	horas	por	dia	é	entender	Ética	como	“o	bem	comum”.
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
104
Quando	 queremos	 saber	 se	 algo	 ou	 alguma	 atitude	 é	 ética,	 basta	 que	
questionemos	se	ela	atende	ao	bem	comum.	Se	a	resposta	for	SIM,	a	ética	está	
presente.
Esclarecendo	o	sentido	de	Bem	comum	para	situações	do	dia	a	dia:
●	 É	bom	para	a	empresa	e	para	o	cliente?
●	 É	bom	para	o	profissional	e	para	a	empresa?
●	 É	bom	para	a	empresa,	para	os	profissionais,	para	os	clientes,	para	a	sociedade,	
para	o	meio	ambiente?
Se	só	um	dos	lados	for	beneficiado,	não	houve	ética.
Logo,	entende-se	que	o	bem	comum	passa	pela	negociação	ganha-ganha,	
pelo	diálogo,	pela	transparência.
E	esses	quesitos	fazem	parte	hoje	do	que	se	exige	de	um	profissional.
Dentro	 do	 nosso	 cotidiano,	 há	 zonas	 claras	 de	 entendimento	 coletivo,	
sobre	situações	que	são	entendidas	como	falta	de	ética.	Exemplos:
●	 Falar	mal	da	empresa	e/ou	de	alguém	da	empresa	para	o	cliente.
●	 Reclamar	de	salário	ou	de	condições	de	trabalho	para	o	cliente.
●	 Fazer	confidências	da	vida	pessoal	para	o	cliente.
●	 Pedir	algo	para	o	cliente	(favor,	presente,	empréstimo	etc.).
●	 Revelar	informações	confidenciais	para	ter	favoritismo	ou	demonstrar	poder.
●	 Legislar	em	causa	própria,	por	ter	acesso	a	dados	de	salário	da	empresa,	por	
conta	da	função.
-	Aceitar	presentes,	para	favorecer	um	fornecedor	ou	cliente.
-	Sabotar	informações,	por	questões	pessoais.
-	 Prejudicar	 a	 equipe,	 os	 pares,	 por	 “fazer	 fofocas”	 pessoais	 e/ou	
profissionais.
-	Outros	similares.
Há	outras	situações,	consideradas	cinzentas,	que	são	também	antiéticas,	
mas	que	podem	gerar	dúvidas.	Exemplos:
●	 Avançar	o	 limite	 saudável	 entre	 relação	“amistosa”	 com	o	 cliente	para	uma	
relação	próxima	e	privada.
TÓPICO 1 | UNIDADE 2
105
●	 Não	colaborar	com	uma	ideia	ou	projeto,	por	“não	gostar”	do	dono	da	ideia.
●	 Tratar	 com	parcialidade	pessoas	da	 equipe	 ou	pares,	 simplesmente,	 por	 ter	
mais	afinidade	pessoal.
●	 Abrir	mão	de	contribuir	com	a	qualidade	de	relacionamento	do	seu	ambiente.
●	 Ficar	passivo	e/ou	concordar	com	críticas	feitas	a	colegas	e/ou	a	procedimentos	
da	empresa.
●	 Utilizar	mala	direta	da	empresa	e/ou	dados	do	negócio,	para	fins	particulares.
●	 Usar	para	fins	particulares	materiais	da	empresa	(papel,	impressora,	disquete	
etc.).
●	 Usar	telefone	da	empresa,	sem	reembolsar	despesas,	para	responder	recados	
de	celular	particulares,	para	ligações	interurbanas	etc.
●	 Usar	Internet	para	fins	particulares,	sem	autorização	do	Coordenador/Gerente.
●	 Outras	situações	similares.
Outro	direcionamento	que	confirma	se	há	ou	não	ética	é	o	exercício	diário	
da	missão	e	valores	da	empresa	em	que	atua	e	dos	próprios	valores	como	pessoa.
Profissionalismo	é	a	simbiose	entre	competência	técnica	e	humana.
E	sem	ética,	é	impossível	ter	competência	humana.
Esses	princípios	devem	estar	presentes	na	conduta	diária,	junto	a	clientes,	
equipe,	coordenadores,	gerentes,	Diretoria,	parceiros.
Ética	dá	lucro	e	faz	bem	a	todos.
Se	tivermos	dúvida	de	alguma	situação,	o	diálogo	é	sempre	bem-vindo.
O	 Clube	 Rotary	 dá	 uma	 excelente	 contribuição	 sobre	 Ética	 nos	 seus	
princípios.	Podemos	também	nos	inspirar	nos	valores	que	pregam,	que	se	baseiam	
em	três	perguntas:
É bom? 
É verdade? 
É justo?
A	ajuda	coletiva	e	o	respeito	mútuo	são	 irmãos	gêmeos	da	ética	e,	sem	
dúvida,	podem	ser	a	diretriz	para	o	bem-estar	e	para	a	ecologia	do	nosso	planeta.
FONTE: D’ELIA, Maria Elizabete Silva. Ética e profissionalismo. Disponível em: <www.betedelia.
com.br>. Acesso em: 25 fev. 2009.
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
106
DICAS
Para um melhor aprendizado, sugerimos a leitura do seguinte artigo e do livro. 
Assista, também, ao filme indicado.
● Artigo: Questão Social: Objeto do Serviço Social? De Ednéia Maria Machado. Disponível 
em: <http://www.ssrevista.uel.br/c_v2n1_quest.htm>.
● Livro:COUTO, Wanderley. O 
que é alienação. São Paulo: 
Brasiliense, 1992.
● Filme: Conduta de Risco
● Livro: BRITES, Cristina Maria; SALES, 
Mione Apolinário. Ética e práxis 
profissional. 2. ed. Brasília: CFESS, 
2000.
107
RESUMO DO TÓPICO 1
Abordamos, neste tópico, as questões fundamentais da ética, no 
que tange ao exercício profissional do Assistente Social. Assim, tratamos os 
seguintes assuntos:
	Hoje	em	dia,	quando	tratamos	das	questões	éticas	e	morais,	estamos	falando	
que	o	comportamento	social	dos	homens	vem	atravessando	todos	os	espaços	
da	vida	social	do	mesmo,	ao	longo	de	sua	história.
	Verificamos	que	o	principal	problema	da	ética	é	a	definição	do	que	é	certo	ou	
errado,	bom	ou	mau,	e	que	todos	os	homens	desejam	fazer	o	bem	e	a	justiça.	
	Compreendemos	que	“fazer	o	bem”	pode	ser	considerado	uma	virtude	social.
	Todos	os	nossos	atos,	que	permeiam	nosso	comportamento	social,	são	frutos	
diretos	e	indiretos	de	uma	consciência	social	e,	esta,	por	sua	vez,	constituída	
sobre	os	valores,	princípios	e	hábitos	morais	do	povo	que	a	compõe.
	Não	existe	um	bem	ou	mal	absoluto,	pois	as	diversas	subjetividades	humanas	
apresentam	inúmeras	diferenças,	ou	seja,	a	subjetividade	é	relativa	de	acordo	
com	a	visão	de	mundo	e	sociedade	de	cada	ser	humano.
	Compreendemos	que	a	ética	avalia	as	diversas	escolhas	conscientes	dos	homens	
e	trabalha	com	as	consequências	subjetivas	de	cada	ser	humano	em	sociedade.	
	Estas	escolhas	e	suas	consequências	podem	ser	consideradas	objeto	da	prática	
profissional	do	Assistente	Social.	
	Observamos	 que	 a	 ética	 profissional	 do	Assistente	 Social	 está	 recheada	 de	
conflitos	e	contradições	sociais	que	se	remodelam	ao	passar	dos	tempos.
	A	ética	está	baseada	nos	relacionamentos,	comportamentos	e	práticas	sociais	
tanto	 dos	 homens	 como	 das	 mulheres	 em	 seu	 convívio	 cotidiano,	 no	 qual	
forma	uma	consciência	moral	global.
	Observamos	que	a	constituição	de	um	homem,	enquanto	indivíduo,	só	pode	ser	
feita	por	meio	de	suas	relações	com	os	outros	em	sociedade.	E	é	nesta	interação	
social	que	o	 indivíduo	forma	sua	consciência	moral,	além	de	constituir	seus	
anseios,	desejos	e	sonhos.	
108
	A	ética	proporciona	maior	visibilidade	no	esclarecimento	da	direção	social	e,	
em	consequência,	da	qualificação	da	prática	profissional	de	uma	determinada	
sociedade,	ou	 seja,	por	meio	da	ética,	 existe	 todo	um	posicionamento	 social	
que	forma	e	determina	seus	valores,	hábitos	e	princípios	e	estes,	por	sua	vez,	
compõem	as	normas	e	diretrizes	profissionais	do	homem.
	É	a	partir	da	totalidade	que	podemos	entender	as	particularidades	subjetivas	
de	cada	ser	humano,	pois	é	a	sociedade	como	um	todo	que	forma	e	constitui	
todos	os	nossos	princípios	e	valores	ético-morais.
	O	 objeto	 da	 prática	 profissional	 se	 dá	 no	 dia	 a	 dia	 de	 nossa	 sociedade,	 ou	
seja,	 são	nos	diversos	modos	comportamentais	dos	homens,	que	 se	 formam	
as	questões	sociais	e	estas,	por	sua	vez,	são	o	objeto	da	práxis	profissional	do	
Assistente	Social.
	A	questão	social	forma-se	na	relação	direta	do	trabalho versus capital.
	A	vida	 cotidiana	dos	 seres	humanos	denota	 certa	 alienação	dos	mesmos	ao	
sistema	societal	que	estão	inseridos,	pois,	muitas	vezes,	os	seres	humanos	não	
se	dão	conta	que	são	eles	que	produzem	as	riquezas	de	sua	sociedade,	por	meio	
de	suas	atividades	laborativas.
	Verificamos	 que	 o	 trabalho	 profissional	 do	Assistente	 Social	 se	 dá	 sobre	 as	
questões	 sociais	 advindas	 do	 convívio	 em	 sociedade.	 Contudo,	 as	 nossas	
atividades	 cotidianas	 se	 transformam	 na	 práxis	 profissional	 só	 quando	 nós	
tomamos	consciência	deste	fato.
109
AUTOATIVIDADE
Em	equipe,	de	no	máximo	quatro	acadêmicos,	liste	todas	as	questões	sociais	
que	 conseguirem	 identificar.	 Em	 seguida,	 realizem	 um	 debate,	 no	 grande	
grupo,	sobre	esse	tema.
110
111
TÓPICO 2
O ESPAÇO DA ÉTICA NA RELAÇÃO INDIVÍDUO E 
SOCIEDADE
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste	tópico,	trabalhar-se-á	como	se	processa	o	espaço	da	ética	na	relação	
indivíduo versus	sociedade,	no	qual	perpassaremos	por	alguns	aspectos	históricos	
da	construção	ética-moral	da	sociedade.	Assim,	segundo	Barroco	(2008b,	p.	19):
[...]	 é nesse	 processo	 histórico	 que	 são	 tecidas	 as	 possibilidades	 de	
o	 homem	 se	 comportar	 como	 um	 ser	 ético:	 enquanto	 o	 animal	 se	
relaciona	 com	 a	 natureza	 a	 partir	 do	 instinto,	 o	 ser	 social	 passa	 a	
construir	 mediações	 –	 cada	 vez	 mais	 articuladas	 –,	 ampliando	 seu	
domínio	sobre	a	natureza	e	sobre	si	mesmo.	Desse	modo,	sem	deixar	
de	se	relacionar	com	a	natureza	–	pois	precisa	dela	para	se	manter	vivo	
–,	vai	moldando	sua	natureza	social.
Demonstrando,	ainda,	a	 inter-relação	natural	do	comportamento	moral	
entre	os	homens,	principalmente	na	questão	da	construção	subjetiva	do	homem,	
ou	seja,	o	homem	como	tal,	ser	individual.
2 AS BASES HISTÓRICAS DA SOCIEDADE NA CONSTRUÇÃO 
DA ÉTICA
Pelo	 comportamento	 humano	 e,	 principalmente,	 por	 meio	 de	 seu	 modo	
de	ser,	hábitos	e	costumes	é	que	determinamos	e	consolidamos	nossa	moral	e,	por	
conseguinte,	a	ética.	A	sua	constituição	advém	historicamente	das	relações	do	dia	a	
dia	de	cada	ser	humano	que	vive	em	sociedade.
Complementando,	Barroco	(2008b,	p.	20)	escreve	que:
A	história	não	é	uma	abstração	dotada	de	uma	existência	independente	
dos	homens.	Os	homens	reais	–	entre	suas	relações	entre	si	e	com	a	
natureza	–	são	os	portadores	da	objetividade sócio-histórica.	E	nesse	
sentido	pode-se	dizer	que	o	ser	social	 fundamenta-se	em	categorias 
ontológico-sociais,	 pois	 os	 modos de ser	 que	 o	 caracterizam	 são	
construções	 sócio-históricas	 que	 se	 interdeterminam	 de	 forma	
complexa	e	contraditória,	em	seu	processo	de	constituição.
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
112
Então,	podemos	compreender	que	o	homem social	nasce	da	natureza	e	
de	 sua	 inter-relação	 com	os	 outros	de	 sua	 espécie,	 em	que	 suas	habilidades	 e	
aptidões	são	desenvolvidas	por	ele	no	decorrer	de	seu	processo	de	humanização,	
ou	seja,	é	o	próprio	homem	o	autor	e	produto	da	sua	construção.
FIGURA 7 – FRASE REFLEXIVA
FONTE: A autora
Nesta	 perspectiva,	 podemos	 citar	 que	 o	 homem	 desenvolve	 suas	
capacidades	de	forma	consciente	e	livre.	E,	por	meio	do	trabalho,	ele	é	capaz	de	
transformar	a	natureza,	em	consequência	ao	seu	meio	e	a	si	próprio,	mantendo	
sua	própria	vida	em	sociedade.	Então,	podemos	dizer	que	“[...]	o	trabalho	é,	antes	
de	tudo,	em	termos	genéricos,	o	ponto	de	partida	da	humanização	do	homem,	do	
refinamento	de	suas	faculdades,	processo	do	qual	não	se	deve	esquecer	o	domínio	
sobre	si	mesmo”	(LUKÁCS	apud	BARROCO,	2008b,	p.	21).
Portanto,	a	sociabilidade humana	pode	ser	compreendida	como	o	berço	
da	constituição	do	homem	social	ou	ser	social,	pois	é	por	meio	de	nossas	atividades	
humanas	 que	 nos	 constituímos	 como	 homens	 e,	 assim,	 nos	 perpetuamos	
historicamente.
De	 acordo	 com	 Barroco	 (2008b,	 p.	 22)	 “constituir-se	 cada	 vez	 mais	
socialmente	quer	dizer	dominar	a	natureza,	criar	novas	alternativas,	dar	respostas	
sociais,	 e	daí	decorre	 a	 transformação	de	 todos	os	 sentidos	humanos.”	 Isto	 só	
pode	 ser	 viável,	 se	 o	 homem	 tiver	 consciência	 de	 seus	 atos	 e	 de	 sua	 própria	
transformação	social.
Contudo, qual o papel da consciência humana na prática profissional 
dos mesmos?
Antes	 de	 tudo,	 precisamos	 compreender	 o	 significado	 da	 consciência	
humana.	 Portanto,	 segundo	 Cavalcanti	 (2007,	 p.	 2)	 para	 Susan	 Greenfield,	
pesquisadora	da	Universidade	de	Oxford:	
TÓPICO 2 | UNIDADE 2
113
A	consciência	não	é	um	lampejo,	mas	um	contínuo	de	conexões	dos	
seus	[...]	[...]	neurônios,	que	vão	ocorrendo	do	momento	em	que	você	
nasce	 até	 o	 fim	 da	 experiência,	 seu	 cérebro	 faz	 uma	 representação	
mental	que	é	armazenada	da	sua	vida.	A	cada	nova	em	sua	memória.	
Ao	comer	uma	comida	diferente,	por	exemplo,	surgiria	uma	mudança	
nas	 conexões	 do	 seu	 cérebro.	 Quanto	 mais	 o	 mundo	 passa	 a	 ter	
significado	para	você,	mais	conexõessão	feitas	em	seu	cérebro.	
Ou	 seja,	 é	 por	 meio	 da	 constituição	 de	 consciência	 que	 analisamos,	
calculamos	e	aspiramos	ideias,	realizando	um	processo	de	escolha	do	que	pode	ou	
não	ser	feito,	do	que	é	bom	ou	não	para	nós	e	para	os	outros.	Então,	se	partirmos	
do	princípio	de	que	a	nossa	constituição	ético-moral	advém	do	trabalho,	podemos	
assim	dizer	que	a	nossa	prática	profissional	só	se	processa	quando	a	realizamos	
de	forma	consciente	em	prol	da	realização	do	bem.
Portanto,	por	meio	da	transformação	consciente	da	natureza,	o	homem	cria	
sempre	novas	alternativas	de	valorações	em	seu	processo	de	escolha	e	tomada	de	
decisões,	pois	as	realizam	conscientemente,	por	meio	de	comparações	do	certo	e	
errado,	do	fazer	o	bem	ou	o	mal.
Assim,	Barroco	(2008b,	p.	25-26)	expõe	que:
[...]	quando	os	homens	transformam	um	dado	elemento	da	natureza,	
por	exemplo,	um	pedaço	de	madeira	criando	fogo	ou	um	instrumento	
de	 trabalho,	 passa	 a	 instituir	 alternativas	 antes	 inexistentes.	 Os	
instrumentos	de	trabalho	não	modificam	apenas	a	atividade	humana;	
transformam	toda	a	vida	dos	homens,	instituindo	novas	possibilidades.	
No	caso	do	fogo,	alteram-se	todos	os	sentidos	–	pois	com	o	alimento	
cozido,	por	exemplo,	o	paladar,	o	tato,	o	olfato	etc.	são	modificados;	
atendem-se	 a	 necessidades,	 pois	 é	 possível	 aquecer-se	 com	 o	 fogo;	
criam-se	 hábitos	 culturais,	 desencadeando	 novos	 sentimentos	 e	
comportamentos;	a	natureza	já	não	se	apresenta	como	um	mistério;	o	
homem	se	vê	como	sujeito	de	sua	transformação.
Acarretando,	 assim,	 para	 o	 homem,	 a	 possibilidade	 de	 realizar	 suas	
escolhas	de	forma	livre	e	consciente.	E	estas	escolhas	podem	ser	consideradas	a	
constituição	da	liberdade humana.
Para	Lukács	(apud	BARROCO	2008b,	p.	26):
A	 liberdade,	 bem	 como	 sua	 possibilidade,	 não	 é	 algo	 dado	 por	
natureza,	não	é	um	dom	do	“alto”	e	nem	sequer	uma	parte	integrante	
–	 de	 origem	misteriosa	 –	 do	 ser	 humano.	 É	 o	 produto	 da	 própria	
atividade	 humana,	 que	 decerto	 sempre	 atinge	 concretamente	
alguma	coisa	diferente	daquilo	que	se	propusera,	mas	que	nas	suas	
consequências	dilata	–	objetivamente	e	de	modo	contínuo	–	o	espaço	
no	qual	a	liberdade	se	torna	possível.	
Finalizando,	podemos	observar	que	a	liberdade	de	escolha	dos	homens	
proporciona	autonomia.	E	esta	autonomia	denota	que	o	 ser	humano	é	um	ser	
livre,	tendo	plena	consciência	em	suas	escolhas.	Portanto,	por	meio	do	trabalho,	
o	ser	humano	se	constitui	um	homem	consciente	e	livre.
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LEITURA COMPLEMENTAR 1
“DECIFRA-ME OU TE DEVORO”: O ENIGMA DA ESFINGE
Maria	Lúcia	Silva	Barroco
Na	 tragédia	 grega	 clássica	 Édipo Rei,	 escrita	 por	 Sófocles,	 Édipo	 se	
encaminha	para	Tebas,	 quando	uma	esfinge,	monstro	que	devora	 a	 todos	que	
não	conseguem	decifrar	seus	enigmas,	profere-lhe	um	enigma.	De	sua	resposta	
depende	a	vida	da	cidade	e	também	o	seu	destino	[...].
Antes	de	se	deparar	com	a	esfinge,	Édipo	já	consultara	o	oráculo,	forma	
de	comunicação	com	os	deuses	através	de	uma	consulta	que	também	deve	ser	
decifrada.	No	caso	de	Édipo,	o	oráculo	 já	dissera	a	seu	pai,	Laio,	que	seu	filho	
o	mataria	e	se	casaria	com	a	própria	mãe,	ou	seja,	com	a	mulher	de	Laio.	Para	
evitar	este	destino	trágico,	Laio	abandonara	Édipo	nas	montanhas,	com	os	pés	
atravessados	por	um	ferro	e	ligados	por	uma	tira	de	couro	(daí	seu	nome	Édipo,	
que	significa	“pés	inchados”).
Adotado	por	Pólipo,	Édipo,	já	adulto,	resolve	consultar	o	oráculo	sobre	sua	
origem.	O	oráculo	repete	a	previsão	anterior:	Édipo	mataria	o	pai	e	se	casaria	com	
a	mãe.	Édipo	foge	de	Pólipo	para	que	não	se	cumprisse	o	destino.	No	caminho	
para	Tebas,	encontra	Laio	e,	numa	briga,	mata	o	rei	e	sua	comitiva.	Em	seguida,	
encontra	 a	 esfinge,	 que	 lhe	propõe	 o	 enigma	que	nenhum	homem	conseguira	
responder	até	então:	“Qual	é	o	ser	que	anda	de	manhã	com	quatro	patas,	no	meio	
do	dia	com	duas	e	à	noite	com	três	e	que,	contrariamente	à	lei	mais	geral,	é	mais	
fraco	quando	tem	mais	pernas?”.	Édipo	responde:	“É	o	homem	que	engatinha	
quando	criança,	quando	adulto	usa	suas	duas	pernas	e	quando	velho	usa	uma	
bengala”.	Diante	disso,	a	esfinge	morre	e	os	tebanos	reconhecem	Édipo	como	rei,	
oferecendo-lhe	a	viúva	de	Laio	como	esposa.
Passados	muitos	anos,	uma	peste	assola	a	cidade	e	o	oráculo	novamente	
é	consultado.	Quando	Édipo	indaga	sobre	as	causas	da	peste,	obtém	a	resposta	
de	que	a	morte	de	Laio	não	fora	vingada	e	que	o	responsável	era	ele,	Édipo.	Ao	
descobrir	que	matara	o	próprio	pai	e	que	Jocasta,	sua	mulher,	é	sua	mãe,	Édipo	
arranca	os	olhos	com	uma	joia	de	Jocasta,	que	se	enforca.	Então	sai,	cego,	errante	
pelo	mundo,	acompanhado	por	uma	de	suas	filhas,	Antígona.
Assim,	Édipo	não	teve	êxito	em	suas	sucessivas	tentativas	de	fugir	do	seu	
destino.	Determinado	pelos	deuses,	o	destino	não	pode	ser	transformado	pelos	
homens,	como	bem	mostra	Sófocles.	Porém,	é	parte	da	natureza	humana,	dizem	
também	os	mitos,	questionar	o	poder	dos	deuses;	por	isso,	mesmo	que	a	palavra	
divina	seja	revelada	através	do	oráculo,	os	humanos	sempre	buscam	um	desvio	
desse	caminho	“predestinado”.
Mais	adiante,	veremos	como	tudo	isso	tem	a	ver	com	a	concepção	ética	
dos	gregos,	herança	fundamental	da	civilização	ocidental.
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E	você,	acredita	em	destino?
FONTE: BARROCO, Maria Lúcia Silva. Ética: fundamentos sócio-históricos. 6. ed. São Paulo: 
Cortez, 2008. p. 47-48.
Agora,	prezado(a)	acadêmico(a),	vamos	verificar	no	texto	a	seguir	a	questão	
da	discussão	em	torno	de	uma	ética	universal	para	toda	a	sociedade	contemporânea.
	Então	leia	com	atenção	esta	leitura	complementar	2,	pois	ela	propiciará	
um	panorama	geral	desta	ética	universal.
LEITURA COMPLEMENTAR 2
ÉTICA E SOCIEDADE: EM BUSCA DE UMA ÉTICA UNIVERSAL
José	Carlos	S.	de	Mesquita
ÉTICA:	 Do	 grego,	 ETHOS.	 Significa	 costumes,	 extrai-se	 Ética.	 Do	 latim,	
MORES.	Donde	moral.	Ciência	da	moral.	"Estudo	dos	juízos	de	apreciação	referente	
à	conduta	humana	suscetível	de	qualificação	do	ponto	de	vista	do	bem	e	do	mal,	seja	
relativamente	a	determinada	sociedade,	seja	de	modo	absoluto."¹.	"Em	outras	palavras,	
ética	e	moral	referem-se	ao	conjunto	de	costumes	tradicionais	de	uma	sociedade."²
INTRODUÇÃO
A	Ética	moral,	enquanto	ciência	que	estuda	as	virtudes	da	humanidade,	vem	
sendo	especulada	desde	os	tempos	antigos	até	os	nossos	dias,	pelos	mais	ilustres	
filósofos	como	Sócrates,	Platão,	Aristóteles,	Rousseau,	Kant,	Hegel,	Kierkegaard	
e	outros.	Contudo,	sabemos	que	o	primeiro	código	ético,	enquanto	regras	a	serem	
cumpridas,	data,	segundo	a	Bíblia,	dos	tempos	do	antigo	testamento	com	os	Dez	
Mandamentos,	mas	mesmo	assim	 já	havia	quem	os	 transgredia.	Ainda	dentro	
de	uma	visão	bíblica,	 entende-se	 que	o	descumprimento	das	 leis	divinas,	 tem	
origem	desde	a	criação	da	terra	com	Adão	e	Eva.	Há	quem	fale	que	o	contraste	de	
moralidade	hoje,	reflete	o	pecado	cometido	no	início	dos	tempos.
Numa	 abordagem	 mais	 filosófica,	 comentaremos	 sobre	 o	 ético	 na	
concepção	de	alguns	filósofos,	fazendo	entre	eles	uma	relação	de	modo	a	deixar	
claras	 as	 divergências	 e	 convergências	 de	 pensamentos	 no	 que	 tange	 as	 suas	
concepções	de	Ética.	Abordaremos	também,	a	partir	de	um	prisma	mais	social,	as	
desigualdades	de	pensamento	que	legitimam	a	relativização	do	comportamento	
ético,	desde	as	sociedades	gregas,	fazendo	uma	reflexão	histórica	nas	épocas	que	
mais	transpareceu	o	amoral.	Ainda	numa	visão	sociológica,	analisaremos	alguns	
fatores	que	 fortalecem	o	descaso	da	virtude	moral	 com	as	 sociedades	de	hoje.	
Entraremos	no	Brasil	de	64	relembrando	a	mobilização	e	o	sofrimento	dos	contras-
1.		HOLANDA,	Aurélio	B.	de.	Novo	dicionário	da	língua	portuguesa.
2	.	CHAUÍ,	Marilena.		Convite	à	filosofia,	p.	340.	
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ditadura	por	uma	realidade	social	igualitária	e	chegaremos	até	o	Brasil	dos	anos	
90	 abordando	verdadeiros	 exemplos	de	 cidadania	 expressa	na	mobilização	da	
sociedade	por	uma	política	Ética.
A ÉTICA E SOCIEDADE: Em buscade uma Ética universal
A	ÉTICA	como	"[...]	reflexão	científica,	filosófica	e	até	teológica	[...]"³	,	vem	
sendo	estudada	desde	a	antiguidade	pelos	mais	renomados	filósofos.	Sócrates,	
consagrado	"fundador	da	moral"4,	destacou-se	nesta	área	da	filosofia	por	buscar	
em	suas	indagações,	a	convicção	pessoal	dos	transeuntes	para	obter	uma	melhor	
compreensão	da	justiça.	Sócrates	acreditava	nas	leis,	mas	como	pensador	capaz	de	
pôr	em	prova	o	próprio	subjetivo,	às	questionava,	gerando	um	descontentamento	
aos	conservadores	gregos	da	época.	A	condenação	de	Sócrates	a	beber	veneno	
ainda	 é	 um	 questionamento,	 cuja	 resposta	 possa	 estar	 nas	 entrelinhas	 dos	
argumentos	conservadores	do	poder:	"[...]	as	leis	existiam	para	serem	obedecidas	
e	não	para	serem	justificadas."5
Já	Platão	(427-347	a.C.),	admirável	discípulo	de	Sócrates,	articulava	em	suas	
inspirações	teóricas	a	ideia	de	se	encontrar	a	felicidade	no	centro	das	questões	éticas.	
A	sabedoria	para	Platão,	não	está	expressa	no	 saber	pelo	 saber,	ou	melhor,	não	 se	
identifica	o	sábio	pela	sua	grandeza	de	conhecimentos	teóricos,	mas	pela	sua	grandeza	
de	virtudes.	O	homem	virtuoso	tende	a	encontrar	e	contemplar	o	mundo	ideal.
Aristóteles	(384-322	a.C.),	também	pensador	da	Grécia	antiga,	fundamentou	
maior	parte	de	 seu	postulado	 teórico	no	 empirismo	onde,	 baseado	no	 tipo	de	
sociedade,	desenvolveu	algumas	obras	que	enfocam	as	questões	éticas	daquele	
tempo:	Ética	a	Eudemo,	Ética	a	Nicômaco	e	uma	Magna	Moral.	Aristóteles	não	
descarta	a	relação	entre	Ser	e	o	Bem,	porém	enfatiza	que	não	é	um	único	bem,	
mas	vários	bens,	e	que	esse	bem	deve	variar	de	acordo	com	a	complexidade	do	
ser.	Para	o	homem,	por	exemplo,	há	a	necessidade	de	se	ter	vários	bens,	para	que	
este	possa	alcançar	a	felicidade	humana.	A	virtude	em	Aristóteles	está	entre	os	
melhores	dos	bens.
Com	 o	 cristianismo,	 percebemos	 que	 se	 encerra	 o	 papel	 da	 filosofia	
moral	enquanto	determinante	do	que	é	ou	não	ético.	As	ações	humanas	agora	
se	norteiam	na	divindade	de	um	único	Deus,	e	não	mais	no	politeísmo	como	na	
cultura	grega.	O	ético	 reflete	agora	a	 consciência	 interior	de	cada	um,	é	o	que	
estabelece	o	coração	do	 indivíduo.	Em	coerência	com	essa	visão	cristã	de	ação	
moral,	Rousseau,	 já,	por	volta	do	século	XVIII,	argumenta	que	a	moralidade	é	
obra	divina.	O	agir	naturalmente	dentro	dos	mais	puros	princípios	éticos,	reflete	
a	existência	de	Deus	em	nossos	corações.	Em	Rousseau,	ao	obedecermos	ao	dever	
externo,	estamos	obedecendo	aos	nossos	corações.	Para	ele,	os	homens	nascem	
puros	e	bons,	a	sociedade	é	quem	os	corrompe.
"[...]	se	o	dever	parece	ser	uma	imposição	e	uma	obrigação	externa,	imposta	
3.	Álvaro	L.	M.	VALLS,	O	que	é	Ética,	p.	7.
4.	Id.	Ibid.,	p.	17.
5.	Idem.
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por	Deus	aos	humanos,	é	porque	nossa	bondade	foi	pervertida	pela	sociedade	
quando	criou	a	propriedade	privada	e	os	interesses	privados	[...]".6
Em	oposição	a	essa	concepção,	encontramos	Kant	no	final	do	séc.	XVIII.	
Kant	se	contrapõe	a	Rousseau	por	negar	a	existência	da	"bondade	natural"7.	Nos	
corações	 dos	 homens	 só	 existem	 sentimentos	 negativos	 e	 para	 conseguirmos	
superar	 todos	 esses	 males,	 devemos	 almejar	 uma	 Ética	 racional	 e	 universal	
identificada	no	dever	moral.
Ao	 contrário	 de	 Rousseau	 e	 Kant,	 vamos	 encontrar	Hegel,	 que	 encara	
a	 questão	 Ética	 de	 outro	 prisma.	 Opondo-se	 ao	 argumento	 do	 coração	 como	
determinante	da	vontade	individual	de	Rousseau,	e	a	da	moral	racional	de	Kant,	
Hegel	diz	que	somos	seres	indissociáveis.
O	ser	humano	é	histórico	e	vive	o	coletivo	em	todas	as	suas	ações,	associado	
aos	seus	costumes	e	as	suas	manifestações	culturais.	É	por	esse	ângulo	que	Hegel	
argumenta	 sobre	 a	 vontade	 coletiva	que	guia	nossas	 ações	 e	 comportamentos.	A	
família,	o	trabalho,	a	escola,	as	artes,	a	religião	etc.	norteiam	nossos	atos	morais	e	
determinam	 o	 cumprimento	 do	 dever.	 É	 também	por	 essa	 linha	 de	 pensamento	
que	tentaremos	direcionar	nosso	raciocínio	enfocando	as	relações	éticas	no	contexto	
político-social,	expondo	a	relativização	do	comportamento	ético	nos	últimos	tempos.
A	Ética,	como	conjunto	de	normas	e	valores	que	regem	uma	sociedade	
deve	necessariamente	 refletir	a	consciência	e	as	ações	desse	povo,	assim	como	
trazer	consigo	o	tipo	de	organização	que	alimenta	essa	sociedade.	Acreditamos	
na	 universalidade	 do	 comportamento	 e	 das	 ações	 éticas,	 assim	 como	 na	 sua	
transformação	 relativa	 às	 transformações	 das	 sociedades	 que	 as	 impera,	 mas	
se	voltarmos	às	sociedades	da	Grécia	antiga	e	fizermos	o	percurso	histórico	até	
os	 nossos	 dias,	 vamos	 encontrar	 diversidade	 de	 virtudes	 e	 comportamentos,	
ao	 ponto	 de	 colocarmos	 em	 cheque	 essa	 virtude	 que	 tanto	 sonhamos	 para	
todos.	Se	analisarmos	a	educação	espartana	e	a	ateniense,	ambas	vividas	numa	
mesma	época,	e	entrarmos	no	feudalismo	e	verificar	o	contraste	entre	os	servos	
e	os	 senhores	 feudais,	os	dogmas	da	 Igreja	enquanto	posicionamento	do	clero	
como	meio	de	conservar	seu	poder	em	detrimento	à	vida	dos	que	questionavam	
tais	dogmas,	 continuar	 caminhando	até	o	 séc.	XVIII	 e	nos	depararmos	com	as	
injustiças	 sociais	 nas	 quais	 a	miserável	 classe	 proletariada	 subordinava-se	 em	
plena	revolução	industrial,	trabalhando	14	a	15	horas	por	dia,	sem	restrição	de	cor,	
raça,	sexo	e	idade,	com	alguns	ficando	até	neuróticos	em	decorrência	do	volume	
de	trabalho	que	havia,	e	tudo	para	beneficiar	um	pequeno	grupo	de	capitalistas	
que	emergia	em	detrimento	à	vida	dos	necessitados.	Nesse	caso,	seria	essa	a	Ética	
do	 capitalismo?	E	 no	 caso	do	 clero,	 a	 Ética	 da	 Igreja?	 Sim,	 certamente,	mas	 é	
importante	também	refletirmos	sobre	o	lado	moral	e	o	princípio	Ético	universal	
idealizado	por	Kant.	Os	costumes	e	as	regras	morais	impostas	pelo	clero	na	idade	
média	e	pelos	capitalistas	no	sec.	XVIII,	não	refletiam	com	certeza,	a	consciência	
da	maioria	da	população,	de	 suas	 respectivas	 épocas,	nem	 tão	pouco,	o	dever	
moral	dos	submissos	não	atendia	e	nem	atende	aos	interesses	dos	dominadores.
6.	CHAUÍ,	Marilena,	Convite	à	filosofia,	p.	344.
7.	Idem.
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Hoje,	à	beira	do	século	XXI,	ainda	nos	deparamos	com	situações	que	fogem	
aos	 anseios	de	uma	Ética	universal,	 onde	pessoas	 injustiçadas	perdem	a	vida,	
morrem	de	fome,	passam	as	piores	necessidades	e	situações	de	constrangimento	
por	serem	negras	ou	pobres.	 Instituições	como	a	 família,	 Igreja	e	organizações	
culturais	ainda	cultivam	no	seio	de	suas	atividades	valores	representativos	de	uma	
Ética	padrão	e	de	valores	condizentes	com	a	noção	humanitária	de	vida,	porém	por	
outro	lado,	sentimos	na	pele	ações	de	uma	minoria	que	infringe	as	normas	legais	
e	ultrapassam	as	barreiras	do	Ético	na	ânsia	de	adquirir	ou	conservar	seu	poder.	
Em	apoio	e	como	cúmplice	deste	processo	de	decadência	moral,	encontramos	os	
meios	de	comunicação	de	massa.	Com	enorme	força	de	poder	de	conscientização,	
eles	 funcionam	 de	 maneira	 a	 levar	 aos	 lares	 da	 sociedade,	 as	 situações	 mais	
ilusórias	e	pervertidas	do	social,	 fazendo	com	que	seu	público	caia	no	abismo	
do	amoral.	Lamentavelmente,	a	televisão	como	meio	de	comunicação	que	atinge	
em	maior	proporção	a	população	em	todas	as	camadas,	desponta	na	frente	como	
meio	que	mais	distorce	a	realidade	e	infiltra	na	população	a	ideologia	dominante,	
quando	ao	invés	disso,	poderia	utilizar	tal	poder	no	sentido	de	esclarecer,	educar	
e	conscientizar	a	população,	almejando	uma	sociedade	igualitária	onde	o	branco,	
o	negro,	o	rico	e	o	pobre	tenham	direitos	iguais.
Particularmente,	o	Brasil	dos	últimos	50	anos	enfrentou	algumas	altas	e	
baixas	no	que	tange	à	liberdade	de	vida	de	maneira	digna.	A	que	mais	repercutiu	
foi	 o	 golpe	 de	 64	 que	 originou	 o	 despertar	 da	 comunidade	 estudantil	 e	 da	
sociedade	 em	 geral	 para	 questões	 primárias	 como	 liberdade	 e	 democracia.	A	
repressão	originada	pelo	golpe	sacrificou	toda	uma	geração	com	todos	os	meios	
possíveis	de	tortura	e	constrangimento.Uns	mortos,	outros	torturados	e	outros	
para	não	serem	mortos	ou	presos	passaram	a	viver	no	exílio,	mesmo	assim	não	
escapavam	das	perseguições.	Os	quase	10	mil	brasileiros	que	viviam	no	exterior,	
principalmente	 na	 América	 latina,	 não	 se	 intimidaram	 com	 essas	 repressões,	
mesmo	exilados	em	países	diferentes,	formaram	uma	corrente	contraditadura	não	
deixando	o	espírito	do	patriotismo	morrer.	Pessoas	como	Paulo	Freire,	Gilberto	
Gil,	Herbert	de	Souza	e	outros,	trouxeram	do	exílio	verdadeiras	lições	de	vida	e	
conhecimentos,	contribuindo	com	a	educação,	cultura	e	dando	sua	participação	
de	solidariedade	humana.	Está	expresso	aí	nas	ações	dessa	gente	o	verdadeiro	
significado	de	comprometimento	moral	com	a	sociedade.
Hoje,	final	da	década	de	90,	sentimos	que	alcançamos	algumas	melhorias	
na	sociedade,	principalmente	no	que	tange	à	conscientização	de	uns	poucos	para	
as	questões	morais	que	norteiam	a	sensibilidade	do	homem	às	situações	críticas	
e	polêmicas	da	sociedade.	Projetos	como	a	“Ação	da	cidadania	contra	a	miséria	
e	pela	vida”	e	a	própria	tentativa	de	dar	um	basta	na	corrupção	política	do	país,	
resgatou	a	confiança	do	povo	para	um	Brasil	melhor	onde	habita	o	dever	do	valor	
moral	e	de	uma	postura	socialmente	Ética
Com	 certeza,	 disparidades	 sociais	 são	 vividas	 em	 todo	 o	 mundo.	 A	
existência	de	dominantes	e	dominados	parece	ser	o	requisito	principal	para	se	
viver	em	sociedade.	Mas	estamos	caminhando	para	essa	superação,	e	certamente,	
a	educação	é	a	melhor	maneira	de	montarmos	a	nossa	estratégia	no	sentido	de	
alcançarmos	uma	padronização	nas	ações	e	comportamentos	dos	homens.
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DICAS
Para compreendermos melhor o que acabamos de estudar, sugerimos que você 
realize a seguinte leitura e assista ao filme indicado:
● BARROCO, Maria Lúcia Silva. Ética: 
fundamentos sócio-históricos. 6. ed. 
v.4 São Paulo: Cortez, 2008. 
● A PROCURA DA FELICIDADE. 
Gênero: Drama. 
Tempo de Duração: 117 minutos. 
Ano de Lançamento (EUA): 2006. 
Site Oficial: <www. aprocurada
felicidade.com.br>.
Direção: Gabriele Muccino. 
Elenco: Will Smith (Chris Gardner), 
Jaden Smith (Christopher), entre 
outros.
O	ideal	seria	alcançarmos	o	idealismo	kantiano,	de	uma	Ética	universal	onde	
todos	sejam	norteados	pelos	mesmos	princípios	e	eticamente	puros.	Entendemos	que	
isso	há	de	ser	conseguido	aos	poucos	dentro	de	um	processo	educativo	e	cauteloso.	
A	 nosso	 ver,	 é	 somente	 através	 da	 educação,	 que	 conseguiremos	 concretizar	 o	
nosso	projeto	de	"homenização"	e	de	adquirirmos	essa	conscientização	política.
BIBLIOGRAFIA
VALLS,	Álvaro	L.	M.	O que é Ética,	Coleção	primeiros	passos,	3.	ed.	São	Paulo:	
Brasiliense,	1989.	
SOUZA,	Herbert	de	&	RODRIGUES,	Carla.	Ética e cidadania.	Coleção	polêmica,	
4.	ed.	Moderna,	1994.	
RIOS,	Terezinha	Azevedo.	Ética e competência.	Coleção	questões	da	nossa	época.	
V.16.	2.	ed.	São	Paulo:	Cortez,	1994.
CHAUÍ,	Marilena.	Convite à filosofia in filosofia moral.	São	Paulo:	Ática,	1994.
FONTE: MESQUITA, José Carlos S. de. Ética e sociedade: em busca de uma ética universal. 
Disponível em: <http://www.doutrina.linear.nom.br/cientifico/Filosofia/%C9TICA%20E%20SO-
CIEDADE.htm>. 
120
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, trabalhou-se como se processa o espaço da ética na 
relação indivíduo versus sociedade, abordando alguns aspectos históricos da 
construção ético-moral dos homens em sociedade. Demonstrando que:
	É	pelo	comportamento	humano	e,	principalmente,	por	meio	de	seu	modo	de	
ser,	hábitos	e	costumes	que	determinamos	e	consolidamos	nossa	moral	e,	por	
conseguinte,	a	ética.	
	Esta	constituição	advém	da	história	de	cada	ser	humano	que	vive	em	sociedade.
	O	homem	social	nasce	da	natureza	e	de	sua	inter-relação	com	os	outros	de	sua	
espécie,	em	que	suas	habilidades	e	aptidões	são	desenvolvidas	no	decorrer	de	
seu	processo	de	humanização.
	É	o	próprio	homem	o	“autor	e	produto”	de	sua	construção.	
	O	homem	desenvolve	suas	capacidades	de	forma	consciente	e	livre.	
	Por	meio	do	trabalho,	o	homem	é	capaz	de	transformar	a	natureza,	o	seu	meio	
e	a	si	próprio,	mantendo	sua	própria	vida	em	sociedade.	
	A	sociabilidade	humana	pode	ser	compreendida	como	o	berço	da	constituição	
do homem social ou ser social.	
	É	por	meio	de	nossas	atividades	humanas	que	nos	constituímos	como	homens,	
perpetuando-nos	historicamente.
	É	 por	 meio	 da	 constituição	 de	 consciência	 que	 analisamos,	 calculamos	 e	
aspiramos	ideias,	realizando	um	processo	de	escolha	do	que	pode	ou	não	ser	
feito,	do	que	é	bom	ou	não	para	nós	e	para	os	outros.	
	O	 homem	 tem	 a	 possibilidade	 de	 realizar	 suas	 escolhas	 de	 forma	 livre	 e	
consciente.	E	estas	escolhas	podem	ser	consideradas	a	constituição	da	liberdade	
humana.
	A	liberdade	de	escolha	dos	homens	proporciona	autonomia.	
	A	autonomia	dos	homens	denota	que	o	 ser	humano	é	um	ser	 livre	 e	 tem	o	
poder	de	escolha.
	As	escolhas	humanas	devem	ser	sempre	conscientes.	
	É	por	meio	do	trabalho	que	o	ser	humano	se	constitui	um	homem	consciente	e	
livre.
121
AUTOATIVIDADE
 Baseado(a)	na	afirmação	que	“O	homem	é	que	escreve	sua	própria	história”,	
responda:
a)	O	que	você	compreende	por	SOCIABILIDADE	HUMANA?	
b)	O	que	você	compreende	por	liberdade	incondicional	e	livre-arbítrio?
c)	A	partir	do	conceito	de	 liberdade,	 interprete	o	ditado:	“Se	eu	não	for	por	
mim	mesmo,	quem	será	por	mim?	Se	eu	for	apenas	por	mim,	que	serei	eu?	
Se	não	agora	–	quando?”
d)	Qual	 o	 papel	 da	 CONSCIÊNCIA	HUMANA	na	 prática	 profissional	 dos	
homens?	Justifique.
122
123
TÓPICO 3
A RELAÇÃO ENTRE TRABALHO, SER SOCIAL E ÉTICA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste	 tópico,	prezado(a)	acadêmico(a),	 iremos	desvendar	as	questões	do	
mundo	do	trabalho,	e	como	o	homem,	enquanto	um	ser	social	se	comporta	e	se	
desenvolve	como	ser	social	por	intermédio	do	trabalho,	além	de	verificarmos	como	
a	ética	está	envolvida	neste	processo.
O	processo	de	trabalho	é	atividade	dirigida	com	o	fim	de	criar	valores	
de	uso,	de	apropriar	os	elementos	naturais	às	necessidades	humanas;	
é	 condição	 necessária	 do	 intercâmbio	 material	 entre	 o	 homem	 e	 a	
natureza;	é	condição	natural	e	eterna	da	vida	humana,	sem	depender,	
portanto,	de	qualquer	forma	dessa	vida,	sendo	antes	comum	a	todas	as	
suas	formas	sociais.	(MARX,	1987,	p.	27).
Verificamos	que	a	ética	e	o	trabalho	podem	ser	considerados	uma	extensão	
do	 exercício	 profissional,	 que	denota	uma	 ação	 real,	 concreta,	 transformadora	
da	realidade	da	sociedade	em	que	estamos	inseridos.	A	ética	e	o	trabalho	vêm	
se	transformando	historicamente,	pois	nossos	costumes,	princípios	e	hábitos	se	
transformam	no	decorrer	dos	tempos.		
Neste	contexto,	abordaremos	vários	aspectos	das	relações	entre	o	trabalho,	
a	ética	e	o	ser	social.
2 O QUE É TRABALHO?
Pode-se	 compreender	 que	 é	 por	 meio	 do	 trabalho	 dos	 homens	 que	 a	
sociedade	 se	 forma,	 se	 organiza	 tanto	 política,	 econômica	 e	 socialmente.	 É	 o	
trabalho	que	estrutura	as	nossas	relações	sociais.	O	trabalho	se	torna	fundamental	
para	o	desenvolvimento	dos	princípios	ético-morais	de	uma	sociedade,	pois	é	ele	
que	medeia	 todas	as	nossas	 relações.	Em	outras	palavras,	o	 trabalho	é	a	mola	
propulsora	da	vida	em	comunidade.
De	acordo	com	Gonçalves	e	Wyse	(1997,	p.	61-62):	
O	 trabalho	pode	ser	visto	como	 lugar	de	autorrealização	do	homem,	
extensão	de	sua	personalidade,	espaço	de	criatividade,	onde	ele	fala	de	
si,	mostra-se	diante	do	seu	grupo	social,	expressa	sua	identidade,	presta	
um	serviço	social	e	contribui	para	o	bem	comum.	Mas	também	pode	
ser	 encarado	 como	 uma	maldição,	 lugar	 de	 tortura,	 suportado	 pela	
necessidade	do	salário	ao	final	do	mês.
124
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
Por	 meio	 do	 trabalho,	 desenvolvemos	 vínculos	 tanto	 sociais	 como	
comunitários	com	as	outras	pessoas.	Estas	relações	sociais	podem	ser	consideradas	
a	base	fundamental	à	própria	vida	dos	seres	humanos.
Segundo	Tomelin	e	Tomelin	(2002,	p.	118)	“através	do	trabalho,	o	homem	
se	diferenciou	dos	outros	animais,	produzindobens	e	transformando	a	natureza.	
Pelo	trabalho	o	homem	fundamentou	a	sua	vida	cultural	e	a	civilização.	Para	os	
outros	animais,	o	trabalho	visa	satisfação	imediata	e	instintiva,	sem	acúmulo	de	
saberes”.
Complementando,	Aranha	e	Martins	(2003,	p.	24)	colocam-nos	que:
O	trabalho	humano	é	uma	ação	transformadora	da	realidade,	dirigida	
por	 finalidades	 conscientes.	 Ao	 reproduzir	 técnicas	 já	 usadas	 e	 ao	
inventar	outras	novas,	a	ação	humana	se	torna	fonte	de	ideias	e,	portanto,	
experiência	 propriamente	 dita.	 Por	 isso	 dizemos	 que	 o	 animal	 não	
trabalha	–	mesmo	quando	cria	resultados	materiais	com	essa	atividade	
–,	pois	sua	ação	não	é	deliberada,	intencional.	Dessa	forma,	o	animal	
não	produz	propriamente	 sua	 existência,	 apenas	 a	 conserva	 agindo	
instintivamente	ou,	quando	se	trata	de	animal	de	maior	complexidade	
orgânica,	resolvendo	problemas	por	meio	da	inteligência	concreta.	[...]	
Esses	atos	visam	a	defesa,	a	procura	de	alimentos	e	de	abrigo.	Assim,	
não	devemos	pensar	que	o	castor,	ao	construir	o	dique,	e	o	João-de-
barro,	a	sua	casinha,	estejam	“trabalhando”.
Portanto,	pode-se	observar	que	quando	o	homem	transforma	a	natureza	
por	meio	do	trabalho,	ele	próprio	está	se	transformando.
IMPORTANTE
Lembra da história do LOLO BARNABÉ, de Eva Furnari, que você leu na Unidade 
1 deste Caderno? O mesmo demonstra claramente esta transformação da natureza. Então, 
aproveite para rever a história. (FURNARI, Eva. Lolo Barnabé. São Paulo: Moderna, 2000).
3 A ÉTICA DO TRABALHO
Com	a	evolução	humana	e,	em	consequência,	com	a	evolução	da	própria	
sociedade,	observamos	que,	por	intermédio	do	trabalho,	começou	a	surgir	uma	
nova	concepção	de	classe	social,	denominada	burguesia,	a	qual	desenvolve	novos	
hábitos,	princípios	e	valores	morais	perante	a	sociedade,	mediando,	diretamente,	
as	relações	sociais	entre	todos	os	seres	humanos.
TÓPICO 3 | UNIDADE 2
125
Estes	 novos	 interesses,	 que	 dependem	 diretamente	 do	 trabalho	 e	 do	
desenvolvimento	 de	 uma	 produção	 que	 garanta	 a	 expansão	 do	 comércio,	
na	 produção	 incondicional	 de	 novas	 riquezas,	 acabaram	 exigindo,	 dos	 seres	
humanos,	 uma	 dedicação	 exclusiva	 ao	 trabalho,	 no	 intuito	 de	 angariar	maior	
produtividade	e	prosperidade	dos	detentores	do	capital.	De	acordo	com	Gonçalves	
e	Wyse	 (1997,	 p.	 23),	 “a	 nova	 classe	 em	 ascensão	 tem	 como	 característica	 as	
virtudes	de	laboriosidade,	honradez,	puritanismo,	amor	à	pátria	e	à	 liberdade,	
em	contraposição	aos	vícios	da	aristocracia	–	desprezo	ao	trabalho,	ociosidade,	
libertinagem”.
Portanto,	o	trabalho,	hoje,	se	tornou	um	fato	social	que	determina	a	própria	
existência	do	homem	em	sociedade,	legitimando-o	como	um	ser	humano.
Segundo	Gonçalves	e	Wyse	(1997,	p.	23-24):	
Antes,	o	trabalho	sempre	foi	visto	de	forma	negativa.	Na	sua	origem,	a	
palavra	trabalho	vem	do	Latim	tripalium,	que	significa	um	instrumento	
de	tortura.	Mesmo	na	Bíblia	o	trabalho	é	proposto	como	castigo	pela	
culpa	de	Adão	e	Eva	 (nos	 termos	bíblicos,	o	homem	é	condenado	a	
trabalhar	e	a	ganhar	o	pão	com	o	suor	do	seu	rosto,	ficando	a	mulher	
condenada	ao	trabalho	de	parto).	Na	Grécia	Antiga	e	na	Idade	Média,	
[o	 trabalho]	 é	 desvalorizado	por	 estar	 reservado	 aos	 escravos	 e	 aos	
servos.	A	 sociedade	moderna	 declara	 o	 trabalho	 uma	 expressão	 de	
liberdade,	 uma	 vez	 que,	 por	 meio	 dele	 (seja	 pela	 força	 física,	 pela	
ciência,	pelas	artes)	o	homem	modifica	a	natureza,	inventa	a	técnica,	
cria	 nova	 realidade,	 enfim,	 altera	 o	 curso	 das	 coisas,	 alterando	 a	 si	
próprio	e	a	sociedade	onde	ele	vive.
Outro	 fator	 relevante	nesta	discussão	 é	 a	questão	de	que,	por	meio	do	
trabalho,	os	homens	constituem	seus	laços	sociais,	pois	começam	a	pertencer	a	
um	determinado	grupo	social,	acontecendo	de	acordo	com	o	poder	aquisitivo,	
status	 que	o	 trabalhador	obtém	por	meio	de	 seu	 trabalho,	ou	 seja,	 conforme	o	
seu	salário	e	sua	formação	do	capital,	este	trabalhador	estabelece	determinados	
vínculos	sociais,	que	determinam	a	que	classe	social	eles	pertencem.
Por	meio	do	comportamento	humano	nas	relações	de	trabalho,	e	seu	papel	
em	sociedade,	desenvolve-se	a	ética do trabalho.
IMPORTANTE
A ÉTICA DO TRABALHO consiste em entender essa atividade – o trabalho – como 
fator fundamental à construção da identidade e da realização pessoal e ao estabelecimento 
de uma ordem social, onde prevaleçam relações fundadas na dignidade, na liberdade e na 
igualdade entre os homens. (GONÇALVES; WYSE, 1997, p. 24).
126
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
Verificamos	 que	 o	 trabalho	 denota	 alguns	 valores	 morais	 que	 são	
constituídos	pela	própria	sociedade	(capitalista)	em	que	estamos	inseridos,	tais	
como:	disciplina,	obediência,	atenção	e	segurança	pessoal.	
Porém, como fica a questão da liberdade, igualdade e autonomia do 
trabalhador?
Observamos	 que,	 na	modernidade,	 a	 questão	 da	 autonomia,	 liberdade	
e	 igualdade	 entre	 os	 seres	humanos	 são	 tidas	 como	uma	 condição	da	própria	
natureza	humana.	E	que	este	valor	é	considerado	como	um	fator	necessário	para	
o	desenvolvimento	da	ética	do	trabalho.
Entretanto,	será	que,	por natureza,	os	homens	são	realmente	iguais	entre	
si? 
Historicamente,	 podemos	 observar	 que	 todos	 os	 homens	 apresentam	
muitas	diferenças,	 pois	 cada	um	possui	 um	modo	de	 vida,	 uma	 etnia	 e	 visão	
de	mundo	 diferentes,	 como:	 opção	 sexual,	 etnia,	 religião,	 força	 física,	 sonhos,	
desejos,	objetivos	de	vida,	entre	muitas	outras	diferenças,	que	são	resguardadas	
como	direito	de	igualdade	em	nossa	sociedade.	É	só	observar	o	que	prediz	a	nossa	
Constituição	Federal.
NOTA
Caro(a) acadêmico(a), para compreender melhor esta questão, sugerimos a 
releitura dos artigos 1º, 3º e 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada 
em 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.
htm>.
Segundo	Gonçalves	e	Wyse	(1997,	p.	25-26),	“na	defesa	desses	interesses,	
o	homem	moderno	 lança	Mão	de	uma	teoria	–	a	 teoria	 liberal	–	que	utiliza	os	
conceitos	de	igualdade	e	de	liberdade	natural	para	 justificar	sua	prática	social,	
sua	ordem	econômica	e	inclusive,	a	forma	de	organização	do	estado	moderno”.
Finalizando,	 podemos	 entender	 que	 esta	 teoria	 liberal,	 por	 sua	 vez,	
formula	e	regula	suas	próprias	leis	com	relação	à	economia	de	uma	sociedade,	na	
qual	estas	leis	e	normas	preconizam	um	equilíbrio	das	relações	de	mercado,	de	
compra	e	venda.
TÓPICO 3 | UNIDADE 2
127
LEITURA COMPLEMENTAR 1
TRABALHO E REALIZAÇÃO HUMANA
Silvio	Gallo
Se,	por	um	lado,	o	 trabalho	 torna-se	elemento	de	alienação	do	homem,	
não	tornando	possível	a	ele	uma	participação	ativa	na	transformação	do	objeto,	
percebemos,	 por	 outro	 lado,	 que	o	 trabalho	pode	 ser	motivo	de	 realização	do	
ser	humano.	Para	Marx,	o	homem	se	define	pela	produção.	Pelo	simples	fato	de	
o	homem	produzir,	ele	se	diferencia	dos	animais,	porque	a	realidade	humana	é	
explicada	por	fatores	reais:	produção	em	relação	ao	humano.	Por	isso,	ao	produzir	
seus	meios	de	vida,	o	homem	produz	indiretamente	sua	própria	vida,	material	e	
espiritual.	Desde	que	há	homem,	há	produção	e	desde	que	ele	produz	e	transforma	
a	natureza,	há	história.	Uma	história	real:	nem	essência	humana	indiferente	à	vida	
social,	humana	e	histórica	e	nem	existência	separada	da	essência	e,	sim,	a	essência	
que	só	pode	ser	descoberta	na	existência	social	e	histórica	dos	indivíduos.
Mas	a	essência	do	homem	nunca	se	manifestou	de	fato	ao	longo	da	história,	
porque	 sua	 existência	 sempre	 foi	 negada	 ante	 sua	 essência,	 porque	 o	 homem	
encontrou-se	sempre	alienado	ao	trabalho.	A	essência	é	concebida	no	trabalho;	
num	 trabalho	oposto	 ao	 alienado,	no	 trabalho	 criador,	 consciente	 e	 livre.	 Se	 o	
trabalho	é	fonte	de	alienação	e	não	de	criação,	o	homem	desumaniza-se.	Marx	viu	
a	essência	do	trabalho	com	os	olhos	de	um	artista.
O	 trabalho	 deve	 espelhar	 a	 atividade	 artística:	 uma	 expressão	 da	
criatividade	 e	 da	 inteligência	 humanas,que	 possibilita	 a	 transformação	 da	
natureza,	 constituindo	 uma	 fonte	 de	 prazer	 e	 alegria.	 No	mundo	 atual,	 e	 da	
forma	 como	 as	 relações	 de	 trabalho	 estão	 constituídas,	 são	 poucos	 os	 que	
podem	participar	efetivamente	da	alegria	do	trabalho.	Há	um	trabalho	maldito,	
desgastante	 e	 sofrido.	 E	 o	 próprio	Marx	 denunciou	 isso,	 dizendo	 que	 não	 há	
salário	que	possa	pagar	a	degradação	do	corpo	e	da	alma,	o	uso	do	ser	humano	
para	fins	lucrativos.
Para	que	a	história	não	seja	a	da	negação	do	homem,	precisamos	entender	
que	a	relação	existente	entre	essência	e	existência	é	uma	relação	dominada	por	
interesses	que	regem	uma	sociedade.	Trata-se,	portanto,	dos	homens	e	das	relações	
entre	eles.	No	caso	da	sociedade	capitalista,	esses	homens	são	os	burgueses,	de	
um	lado,	e	os	operários,	de	outro.	Como	vimos	anteriormente,	o	burguês	é	o	dono	
do	objeto,	e	o	operário	é	o	dono	da	força	de	produção	que	vai	transformar	o	objeto	
em	riquezas	para	a	sociedade.	Portanto,	o	homem	é	um	ser	produtor	que	produz	
e	 transforma	 os	 objetos	 e	 que	 não	 participa	 deles,	 porque	 o	 produto	 pertence	
a	outro	homem,	dominante	nas	relações	sociais.	Mas	os	homens	são	os	sujeitos	
dessas	 relações,	 e	 estas	 podem	 ser	 transformadas	 pela	 própria	 ação	 humana,	
de	modo	a	possibilitar	o	exercício	de	um	trabalho	livre	e	criativo,	expressão	da	
grandeza	humana.
128
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
O	trabalho	é,	portanto,	em	primeiro	lugar,	um	processo	de	transformação	
material	entre	a	natureza	e	o	homem.	Num	segundo	momento,	é	o	processo	pelo	
qual	 ele	 realiza,	 regula	 e	 controla	 sua	 ação	 física	de	necessidades	 e	 consumos	
produtivos.	E,	num	terceiro	momento,	o	trabalho	se	encontra	como	um	elemento	
importante	de	realização	humana,	pois	pela	ação	humana	no	trabalho	o	objeto	se	
transforma	e	o	trabalhador	também,	pois	é	da	sua	força	de	produção	que	o	objeto	
ganha	forma,	arte	e	riqueza	que	serão	marcadas	e	contempladas	pela	existência	
humana	através	dos	tempos	[...].
FONTE: GALLO, Silvio (coord.) Ética e cidadania: caminhos da filosofia. Campinas: Papirus, 1999. p. 
49.
LEITURA COMPLEMENTAR 2
A	 seguir,	 disponibilizamos	 a	 letra	 da	Música	 Construção,	 do	 cantor	 e	
compositor	Chico	Buarque	de	Hollanda.
Amou	daquela	vez	como	se	fosse	a	última
Beijou	sua	mulher	como	se	fosse	a	última
E	cada	filho	seu	como	se	fosse	o	único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu	a	construção	como	se	fosse	máquina
Ergueu	no	patamar	quatro	paredes	sólidas
Tijolo	com	tijolo	num	desenho	mágico
Seus	 olhos	 embotados	 de	 cimento	 e	
lágrima
Sentou	pra	descansar	como	se	fosse	sábado
Comeu	feijão	com	arroz	como	se	fosse	um	
príncipe
Bebeu	 e	 soluçou	 como	 se	 fosse	 um	
náufrago
Dançou	 e	 gargalhou	 como	 se	 ouvisse	
música
Tijolo	 com	 tijolo	 num	 desenho	
lógico
Seus	olhos	embotados	de	cimento	
e	tráfego
Sentou pra descansar como se 
fosse um príncipe
Comeu	 feijão	 com	arroz	 como	 se	
fosse o máximo
Bebeu	 e	 soluçou	 como	 se	 fosse	
máquina
Dançou	e	gargalhou	como	se	fosse	
o	próximo
E	tropeçou	no	céu	como	se	ouvisse	
música
E	 flutuou	 no	 ar	 como	 se	 fosse	
sábado
TÓPICO 3 | UNIDADE 2
129
E	 tropeçou	 no	 céu	 como	 se	 fosse	 um	
bêbado
E	 flutuou	 no	 ar	 como	 se	 fosse	 um	
pássaro
E	 se	 acabou	 no	 chão	 feito	 um	 pacote	
flácido
Agonizou	no	meio	do	passeio	público
Morreu	 na	 contramão	 atrapalhando	 o	
tráfego
Amou	 daquela	 vez	 como	 se	 fosse	 a	
última
Beijou	sua	mulher	como	se	fosse	a	única
E	cada	filho	como	se	fosse	o	pródigo
E atravessou a rua com seu passo 
bêbado
Subiu	a	construção	como	se	fosse	sólido
Ergueu	 no	 patamar	 quatro	 paredes	
mágicas
E	 se	 acabou	 no	 chão	 feito	 um	 pacote	
tímido
Agonizou	no	meio	do	passeio	náufrago
Morreu	na	 contramão	atrapalhando	o	
público
Amou	 daquela	 vez	 como	 se	 fosse	
máquina
Beijou	sua	mulher	como	se	fosse	lógico
Ergueu	 no	 patamar	 quatro	 paredes	
flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um 
pássaro
E	 flutuou	 no	 ar	 como	 se	 fosse	 um	
príncipe
E	 se	 acabou	 no	 chão	 feito	 um	 pacote	
bêbado
Morreu	na	 contramão	atrapalhando	o	
sábado.
FONTE: HOLLANDA, Chico Buarque de. Construção. Disponível em: <http://www.chicobuar-
que.com.br/discos/mestre.asp?pg=construcao_71.htm>. Acesso em: 18 mar. 2009.
DICAS
Para melhorar o seu entendimento sobre todos os assuntos que discutimos 
neste tópico, utilize as seguintes sugestões de leitura e filme:
● Artigo: A estrutura da vida inteira e os embaraços da alienação, de José César dos 
Santos. Disponível em: <http://www.insite.pro.br/2005/31-A%20estrutura%20da%20vida%20
inteira%20e%20os%20embara%C3%A7os%20da%20aliena%C3%A7%C3%A3o.pdf>. 
● GONÇALVES, Maria H.B; WYSE, 
Nely. Ética e trabalho. Rio de Janeiro: 
Ed. SENAC Nacional, 1997.
130
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
O DIABO VESTE PRADA 
Gênero: Comédia. 
Tempo de Duração: 109 minutos. 
Ano de Lançamento (EUA): 2006. 
Site Oficial: <www.devilwearspradamovie.com>. 
Direção: David Frankel. 
Elenco: Meryl Streep (Miranda Priestly), Anne Hathaway 
(Andrea “Andy” Sachs), Emily Blunt (Emily), Stanley 
Tucci (Nigel) entre outros.
TEMPOS MODERNOS (dir. Charles Chaplin). 
Título Original: Modern Times. 
Gênero: Comédia. 
Tempo de Duração: 87 minutos. 
Ano de Lançamento (EUA): 1936. 
Estúdio: United Artists / Charles Chaplin Productions. 
Distribuição: United Artists. 
Direção: Charles Chaplin. 
Elenco: Charles Chaplin (Trabalhador) e outros.
POESIA: “O operário em construção” de Vinicius 
de Moraes. Disponível em: <http://letras.terra.
com.br/vinicius-de-moraes/87332/>. ou
pelo livro: MORAES, Vinicius. O operário em 
construção. Don Quixote, 2001.
131
RESUMO DO TÓPICO 3
Em se tratando da relação entre trabalho, ser social e ética, demonstramos 
que:
	A	 ética	 e	 o	 trabalho	 podem	 ser	 considerados	 uma	 extensão	 do	 exercício	
profissional.	
	A	práxis	profissional	denota	ser	uma	ação	real,	concreta,	 transformadora	da	
realidade	da	sociedade	em	que	estamos	inseridos.	
	A	ética	e	o	trabalho	vêm	se	transformando	historicamente,	pois	nossos	costumes,	
princípios	e	hábitos	se	transformam	no	decorrer	dos	tempos.		
	É	por	meio	do	trabalho	dos	homens	que	a	nossa	sociedade	se	forma,	se	organiza	
tanto	política,	econômica	e	socialmente.	
	É	o	trabalho	que	estrutura	as	nossas	relações	sociais.	
	O	trabalho	se	torna	fundamental	para	o	desenvolvimento	dos	princípios	ético-
morais	de	uma	sociedade,	pois	é	ele	que	medeia	todas	as	nossas	relações	sociais.	
	O	trabalho	é	a	mola	propulsora	da	vida	em	sociedade.
	Por	meio	do	trabalho,	desenvolvemos	vínculos	tanto	sociais	como	comunitários	
com	os	outros	homens	que	também	vivem	em	sociedade.	
	As	relações	sociais	entre	os	homens	podem	ser	consideradas	a	base	fundamental	
à	própria	vida	dos	seres	humanos.
	Quando	o	homem	transforma	a	natureza	por	meio	do	trabalho,	ele	próprio	está	
se	transformando.
	Por	intermédio	do	trabalho,	começou	a	surgir	uma	nova	concepção	de	classe	
social,	denominada	burguesia,	a	qual	desenvolve	novos	hábitos,	princípios	e	
valores	morais	perante	a	sociedade,	que	medeia	diretamente	as	relações	sociais	
entre	todos	os	seres	humanos.
	Os	 interesses	 burgueses	 dependiam	 diretamente	 do	 trabalho	 e	 do	
desenvolvimento	de	uma	produção	que	garantisse	a	expansão	do	comércio	e	a	
produção	incondicional	de	novas	riquezas.	
	O	trabalho,	hoje,	tornou-se	um	fato	social	que	determina	a	própria	existência	
do	homem	em	sociedade	e	assim	o	legitima	como	um	ser	humano.
	Por	meio	do	trabalho,	os	homens	constituem	seus	laços	sociais,	pois	começam	a	
pertencer	a	um	determinado	grupo	social,	isto	acontece	de	acordo	com	o	poder	
aquisitivo,	status	que	o	trabalhador	obtém	por	meio	de	seu	trabalho.	
132
	Por	meio	do	comportamento	humano	nas	relações	do	trabalho	e	seu	papel	em	
sociedade,	desenvolve-se	a	ética do trabalho.
	Os	homens	apresentam	muitas	diferenças	entre	 si,	pois	 cada	um	possui	um	
modo	de	vida,	uma	etnia	e	visão	de	mundo	também	diferente,	como:	opção	
sexual,	 etnia,	 religião,	 força	 física,	 sonhos,	 desejos,	 objetivosde	 vida,	 entre	
muitas	outras	diferenças.	
	Estas	 diferenças	 são	 resguardadas	 como	 direito	 de	 igualdade	 em	 nossa	
sociedade.	
	Podemos	entender,	então,	que	a	teoria	liberal,	por	sua	vez,	formula	e	regula	
suas	próprias	 leis	 com	 relação	 à	 economia	de	uma	 sociedade,	na	qual	 estas	
leis	e	normas	preconizam	um	equilíbrio	das	relações	de	mercado,	de	compra	e	
venda.
133
1	 A	partir	da	leitura	dos	dois	textos	de	apoio	(Trabalho	e	realização	humana,	
de	Silvio	Gallo,	e	Construção,	de	Chico	Buarque	de	Hollanda),	reflita	sobre	
o	TRABALHO	ALIENADO	na	 sociedade	 em	que	vivemos.	Analise	 se	 as	
questões	expostas	nestes	dois	textos	estão	relacionadas	à	nossa	vida	do	dia	
a	dia	em	sociedade,	com	nossa	família,	nosso	trabalho,	nossos	amigos,	na	
escola	etc.	No	dia	de	seu	encontro	presencial,	discuta	esta	questão	com	os	
seus	colegas	de	sala	de	aula.
2	 Leia	o	texto	a	seguir:
As	mais	significantes	ações	que	afetam	o	crédito	de	um	homem	devem	
ser	consideradas.	O	som	de	teu	martelo	às	cinco	da	manhã,	ou	às	oito	da	noite,	
ouvido	 por	 um	 credor	 o	 fará	 conceder-te	 seis	meses	 a	mais	 de	 crédito;	 ele	
procurará,	porém,	por	seu	dinheiro	no	dia	seguinte,	se	te	vir	em	uma	mesa	de	
bilhar	ou	escutar	tua	voz,	em	uma	taverna,	quando	deverias	estar	no	trabalho;	
exigi-lo-á	de	ti	antes	que	possa	dispor	dele.
Isto	mostra,	além	do	mais,	que	estais	consciente	do	que	possuis;	fará	
com	 que	 pareças	 um	 homem	 tão	 cuidadoso	 quanto	 honesto	 e	 isto	 ainda	
aumentará	mais	o	teu	crédito.
(Retrato	da	Cultura	Americana,	Benjamin	Franklin)
Você	pode	perceber	que	o	texto	manifesta	valores	que	o	autor	atribui	
ao	trabalho.	Após	essa	constatação,	responda:
a)	Quais	são	esses	valores?
b)	Até	que	ponto	esses	valores	 são	 compatíveis	 com	aqueles	propostos	pela	
ética	da	modernidade	(ética	do	trabalho)?
AUTOATIVIDADE
134
135
TÓPICO 4
A ÉTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL E SEU 
PROJETO ÉTICO-POLÍTICO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Verificamos	que	o	homem	possui	uma	necessidade	de	 interagir	com	os	
outros	homens	 em	 sociedade,	pois,	 por	meio	do	 trabalho,	 o	homem	produz	 e	
reproduz	sua	vida	na	sociedade	em	que	está	inserida.	Só	assim,	os	seres	humanos	
desenvolvem	sua	cultura,	hábitos	e	costumes,	além	de	seu	poder	de	valorar	seu	
próprio	 comportamento,	decidindo	o	que	 é	 certo	ou	 errado,	 bom	ou	mau	nas	
relações	 dentro	 da	 comunidade	de	 vivência.	Desta	 relação	 advém	 as	 questões	
sociais,	 objeto	da	prática	profissional	do	Assistente	 Social,	 que	 é	 regulada	por	
meio	de	seu	projeto	ético-político.
Portanto,	prezado(a)	acadêmico(a),	agora	estudaremos	como	se	processam	
as	intervenções	éticas	dos	profissionais	do	serviço	social	e	qual	é	o	seu	objetivo	de	
sua	práxis	profissional.
2 AS INTERVENÇÕES ÉTICAS NA PRÁTICA PROFISSIONAL 
DO ASSISTENTE SOCIAL
A	 prática	 profissional	 do	 Assistente	 Social	 dos	 últimos	 anos	 ganhou	
grande	 relevância	 teórica,	 política	 e	 ética,	 após	 a	 promulgação	 do	Código de 
Ética Profissional dos Assistentes Sociais,	através	da	Resolução CFESS nº 273, 
de 13 de março de 1993 (BRASIL, 2009a). Esta resolução determina os princípios 
e valores determinantes para a prática profissional do Assistente Social, 
diretamente inseridos em seu projeto ético-político profissional.
ESTUDOS FU
TUROS
Você verá na próxima unidade um debate acerca do Código de Ética do 
Assistente Social (Resolução CFESS nº 273, de 13 de março de 1993).
136
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
O	 projeto	 ético-político	 profissional	 do	 Assistente	 Social,	 de	 acordo	
com	 Iamamoto	 (1999,	p.	 12)	 trata	de	um	“projeto	profissional	 indissociável	da	
democracia,	da	equidade,	da	liberdade,	da	defesa	do	trabalho,	dos	direitos	sociais	
e	humanos,	contestando	discriminações	de	todas	as	ordens”.
Nesta	 perspectiva,	 a	 práxis	 profissional	 do	 Assistente	 Social	 está	
permeada	 numa	 direção	 social,	 ou	 seja,	 nas	 questões	 sociais	 advindas	 das	
relações	comportamentais	dos	homens	em	sociedade,	mais	precisamente	de	suas	
contradições.
3 O OBJETO DA PRÁTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE 
SOCIAL
Como	 já	observamos	anteriormente,	o	objeto	da	prática	profissional	do	
Assistente	Social	são	as	expressões	das	questões	sociais.
Contudo, o que é uma questão social? E o que é uma expressão da 
questão social?
Podemos	compreender	que	a	questão	social	está	diretamente	vinculada	
aos	conflitos	advindos	do	capital	versus	trabalho,	ou	seja,	são	todos	os	problemas	
sociais,	políticos	e	econômicos	que	surgem	das	relações	cotidianas	do	trabalho,	
formando	as	desigualdades	sociais.
De	acordo	com	Iamamoto	e	Carvalho	(1996,	p.	77):
A	questão	social	não	é	senão	as	expressões	do	processo	de	formação	
e	 desenvolvimento	 da	 classe	 operária	 e	 de	 seu	 ingresso	 no	 cenário	
político	da	sociedade,	exigindo	seu	reconhecimento	como	classe	por	
parte	do	empresariado	e	do	Estado.	É	a	manifestação,	no	cotidiano	da	
vida	social,	da	contradição	entre	o	proletariado	e	a	burguesia,	a	qual	
passa	 a	 exigir	 outros	 tipos	 de	 intervenção	mais	 além	da	 caridade	 e	
repressão.
Teles	(1996,	p.	85),	complementa,	afirmando	que:	
[...]	a	questão	social	é	a	aporia	das	sociedades	modernas	que	põe	em	
foco	 a	 disjunção,	 sempre	 renovada,	 entre	 a	 lógica	 do	 mercado	 e	 a	
dinâmica	societária,	entre	a	exigência	ética	dos	direitos	e	os	imperativos	
de	eficácia	da	economia,	entre	a	ordem	legal	que	promete	igualdade	
e	a	realidade	das	desigualdades	e	exclusões	tramada	na	dinâmica	das	
relações	de	poder	e	dominação.
Também	se	torna	relevante	pontuarmos	que	estas	desigualdades	sociais	se	
apresentam	de	forma	diferente	no	decorrer	da	própria	história	da	humanidade,	
pois	o	modo	de	produção,	o	desenvolvimento	e	a	dinâmica	econômica,	política	
e	social	vêm	se	transformando	conforme	a	própria	evolução	do	homem	em	sua	
convivência	em	sociedade.	
TÓPICO 4 | UNIDADE 2
137
Em	cada	momento	histórico,	as	questões	sociais	vão	ganhando	novas	formas.	
Formas	estas	que	chamamos	de	expressões da questão social,	ou	seja,	a	questão	social	
sempre foi a mesma desde os tempos mais remotos da humanidade e independem de 
classe	social.	O	que	vem	mudando	são	suas	formas	de	apresentação,	pois,	de	acordo	
com	as	 transformações	do	modo	de	produção,	vão	surgindo	contradições	sociais,	
que	se	transformam	nas	diversas	formas	de	expressão	da	questão	social.
Então,	as	expressões	da	questão	social	se	apresentam	de	formas	diferentes	
conforme	 a	 classe	 social	 em	 que	 o	 homem	 está	 inserido.	 Estas	 expressões	 se	
formam	diretamente	nas	contradições	da	produção	e	apropriação	da	riqueza	que	
foi	e	é	gerada	pela	sociedade,	pois	nem	sempre	o	trabalhador	que	produz	esta	
riqueza	pode	usufruir	da	mesma.
Citamos,	 nos	 quadros	 a	 seguir,	 as	 questões	 sociais	 e	 algumas	 de	 suas	
expressões:
QUADRO 2 – QUESTÕES SOCIAIS
TRABALHO HABITAÇÃO ALIMENTO SAÚDE
SEGURANÇA EDUCAÇÃO JUSTIÇA POLÍTICA
FONTE: A autora
QUADRO 3 – EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL
QUESTÃO SOCIAL EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL
Trabalho
• a	pobreza;	
• o		trabalho	escravo;
• o		trabalho	infantil;
• o	trabalho	informal;
• o	desemprego;
• a	doença	ocupacional;
• a	inadimplência;
• entre	outros.
Família
• brigas	conjugais;
• violência	doméstica;
• delinquência	juvenil;
• pedofilia;
• estupro;
• divórcio;
• discórdias	familiares;
• entre	outros.
138
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
Habitação
• favelas;
• moradores	de	ruas;
• movimento	dos	Sem-Terra	(MST);
• reforma	agrária;
• entre	outros.
Saúde
• saúde	pública;
• alimento;
• fome;
• desnutrição;
• a	falta	de	leitos	em	hospitais;
• drogas;
• alcoolismo;
• mortalidade	infantil;
• entre	outros.
Segurança
• violência;
• a	delinquência	juvenil;
• criminalidade;
• entre	outros.
Educação
• a	baixa	escolarização;
• analfabetismo;
• entre	outros.
Justiça
• a	ineficiência	da	justiça;
• questão	da	igualdade	de	direitos	e	deveres;
• entre	outros.
Política
• analfabetismo	político;
• política	do	Idoso;
• política	da	infância	e	juventude;
• política	da	assistência	social;
• entre	outros.
FONTE: A autora
Será quea QUESTÃO SOCIAL é realmente objeto profissional do Assistente 
Social?
TÓPICO 4 | UNIDADE 2
139
Iamamoto	 (1997,	 p.	 14)	 define	 o	 objeto	do	 Serviço	 Social	 nos	 seguintes	
termos:
Os	 assistentes	 sociais	 trabalham	 com	 a	 questão	 social	 nas	 suas	
mais	 variadas	 expressões	 quotidianas,	 tais	 como	 os	 indivíduos	 as	
experimentam	 no	 trabalho,	 na	 família,	 na	 área	 habitacional,	 na	
saúde,	 na	 assistência	 social	 pública	 etc.	 Questão	 social	 que	 sendo	
desigualdade	é	também	rebeldia,	por	envolver	sujeitos	que	vivenciam	
as	 desigualdades	 e	 a	 ela	 resistem,	 se	 opõem.	 É	 nesta	 tensão	 entre	
produção	da	desigualdade	 e	 produção	da	 rebeldia	 e	 da	 resistência,	
que	 trabalham	os	 assistentes	 sociais,	 situados	nesse	 terreno	movido	
por	 interesses	 sociais	distintos,	 aos	 quais	não	 é	possível	 abstrair	 ou	
deles	fugir,	porque	tecem	a	vida	em	sociedade.	[...]	a	questão	social,	
cujas	 múltiplas	 expressões	 são	 o	 objeto	 do	 trabalho	 cotidiano	 do	
Assistente	Social.
De	acordo	com	Faleiros	(1997,	p.	37):
[...]	 a	 expressão	 questão	 social	 é	 tomada	 de	 forma	muito	 genérica,	
embora	seja	usada	para	definir	uma	particularidade	profissional.	Se	
for	entendida	como	sendo	as	contradições	do	processo	de	acumulação	
capitalista,	 seria,	 por	 sua	 vez,	 contraditório	 colocá-la	 como	 objeto	
particular	de	uma	profissão	determinada,	 já	que	se	refere	a	relações	
impossíveis	de	serem	tratadas	profissionalmente,	através	de	estratégias	
institucionais/relacionais	 próprias	 do	 próprio	 desenvolvimento	
das	 práticas	 do	 Serviço	 Social.	 Se	 forem	 as	 manifestações	 dessas	
contradições	 o	 objeto	 profissional,	 é	 preciso	 também	 qualificá-las	
para	não	colocar	em	pauta	toda	a	heterogeneidade	de	situações	que,	
segundo	Netto,	caracteriza,	justamente,	o	Serviço	Social.	
Finalizando,	podemos	afirmar	que	é	 imprescindível	que	o	serviço	social	
intervenha	 também	na	esfera	das	desigualdades	sociais,	em	suas	mais	diversas	
expressões,	 pois	 sua	 atuação	 se	 dá	 intrinsecamente	 na	 busca	 constante	 das	
transformações	da	sociedade,	através	da	luta	dos	direitos	sociais	e	de	cidadania,	
desejando	o	equilíbrio	e	a	mediação	dos	conflitos	advindos	da	relação	do	trabalho	
versus capital,	por	meio	de	diversas	políticas	sociais	do	Estado.
DICAS
Como leitura complementar deste tópico, sugiro que você leia o texto intitulado 
“A Construção do Projeto Ético-Político do Serviço Social”, de José Paulo Netto. Você pode 
encontrar este texto no seguinte site: <http://www.fnepas.org.br/pdf/servico_social_saude/
texto2-1.pdf>.
140
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
DICAS
Para aprofundarmos o nosso estudo sobre tudo o que vimos nesse tópico, 
sugiro que você leia o seguinte texto:
BENEVIDES, Maria Victoria de Mesquita. A Questão Social no Brasil. Disponível em: <http://
www.hottopos.com/vdletras3/vitoria.htm>. Acesso em: 27 mar. 2009.
BARROCO, Maria Lúcia Silva. Ética 
e serviço social: fundamentos 
ontológicos. 6. ed. São Paulo: Cortez, 
2008.
SÁ, Antônio Lopes de. Ética 
Profissional. 4. ed.. São Paulo: Atlas, 
2001.
E os seguintes livros:
TÓPICO 4 | UNIDADE 2
141
LEITURA COMPLEMENTAR 
O DEBATE SOBRE O OBJETO DO SERVIÇO SOCIAL: 
REFLEXÃO SOBRE A ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE À 
QUESTÃO SOCIAL
Andréia	Cristina	da	Silva	ALMEIDA
INTRODUÇÃO
A	grande	discussão	que	ocorre	no	campo	da	profissão	do	Serviço	Social,	
diz	respeito	a	seus	elementos	constituintes,	sendo	o	objeto,	a	teoria,	o	método	e	a	
especificada.	Vários	são	os	autores	que	discutem	as	questões,	porém	cada	qual	com	
seus	argumentos	e	defesas.
Pensar	no	objeto	do	Serviço	Social	requer	conhecimento	e	estudo	e	reflexões,	
embasadas	teoricamente	na	direção	dos	pensamentos	dos	estudiosos	referente	ao	
Serviço	Social.	A	questão	social	vem	sendo	posta	como	objeto	do	Serviço	Social	
desde	 a	 nova	 proposta	 do	 currículo	 profissional,	 marcado	 com	 vários	 debates,	
contradições	e	afinidades	entre	aqueles	que	discutem	o	referido	tema.
Aqui,	neste	breve	estudo,	trataremos	sobre	alguns	pensamentos	de	autores	
sobre	o	objeto	do	serviço	social,	levantando	sobre	as	defesas	e	contradições	postas	
nas	principais	bases	teóricas	que	o	Serviço	Social	possui	em	seu	acervo	teórico.	
Também	 elucidaremos	 a	 importância	 do	método	 de	 intervenção	 do	 assistente	
social	sobre	esse	objeto,	sendo	este	um	assunto	de	fundamental	relevância	para	
enriquecer	a	prática	profissional.
Contudo,	esse	breve	estudo,	objetiva	refletir	sobre	alguns	posicionamentos	
defendidos	 pelos	 estudiosos,	 autores	 e	 militantes	 que	 abordam	 a	 questão	 do	
objeto	do	Serviço	Social.	É	objetivo	também	desse	artigo	discutir	sobre	a	relação	
do	Serviço	Social	com	a	questão	social,	visto	que	este	fenômeno	é	colocado	como	
objeto	de	intervenção	da	profissão,	conforme	defendido	na	base	teórica	elaborada	
por	Marilda	Vilela	Iamamoto	e	demais	autores	que	apoiam	esse	pensamento.
Diante	desse	objetivo,	é	fundamental	afirmar	que	compreendemos	o	objeto	
de	intervenção	do	Serviço	Social	sendo	este	construído	e	reconstruído,	mediante	a	
intencionalidade	da	atuação	do	profissional	e	a	realidade	que	intervém,	devendo	este	
ser	desvelado,	ou	seja,	eliminado	as	impregnações	e	os	fetiches	existentes	sobre	este	
objeto.	O	objeto	do	Serviço	Social	deve	ser	desmistificado,	através	de	aproximações	
sucessivas,	saindo	do	concreto	aparente	e	indo	para	o	concreto	pensado.
Compreendemos	também	que,	pensar	nos	elementos	que	fundamentam	
o	 Serviço	 Social,	 requer	 compreender	 suas	 particularidades,	 uma	 vez	 que	 é	
imprescindível	 o	 aprofundamento	 intelectual	 da	 base	 teórica	 referente	 a	 esses	
elementos.	Assim,	é	possível	perceber	uma	precarização	do	conhecimento	teórico	
142
UNIDADE 2 | UNIDADE 2
da	profissão,	no	 interior	da	 categoria,	ficando	aparente	o	desconhecimento	do	
real	espaço	de	intervenção,	diante	das	contradições	que	operam	o	Serviço	Social.
No	circuito	dinâmico,	as	mudanças	globalizadas	do	mundo	do	trabalho,	
com	 o	 impacto	 da	 reestruturação	 produtiva,	 a	 introdução	 da	 tecnologia	 e	
da	 informatização,	 a	 consciência	 dos	 empresários	 referente	 à	 produção	 e	 ao	
trabalho,	onde	objetivam	cada	vez	mais	a	rentabilidade	do	capital.	Tais	provocam	
significantes	mudanças	na	prática	dos	profissionais,	 incluindo	o	Serviço	Social	
que	lida	diretamente	na	relação	capital	e	trabalho.
Assim,	 pensar	 o	 objeto	 da	 profissão	 do	 serviço	 social	 requer	 cautela	 e	
principalmente	 coerência	 ao	 mercado	 de	 trabalho	 que	 este	 profissional	 está	
inserido,	sem	deixar	para	traz	os	princípios	éticos	e	as	lutas	e	defesas	assumidas	
deste	profissional,	conforme	é	posto	na	legislação	que	permeia	a	profissão:	Projeto	
Ético	Político,	Código	de	Ética	e	Lei	que	Regulamente	a	Profissão.
Por	outro	lado,	o	assistente	social	necessita	ter	uma	prática	sustentada	por	
uma	teoria	calcada	em	certeza,	coerências,	compromissos	e	princípios	éticos,	para	
que	no	cotidiano	a	prática	profissional	não	se	torne	um	mero	“fazer	por	fazer”,	
distanciando	assim	de	uma	prática	com	compromisso	ético-político-social.
I - O SERVIÇO SOCIAL E SEU OBJETO
Discutir	 sobre	 o	 objeto	 de	 intervenção	 do	 Serviço	 Social	 é	 sempre	
um	grande	desafio,	uma	vez	que	as	profissões	 são	originadas	para	 atender	 às	
necessidades	dos	homens,	diante	de	um	contexto	histórico	e	de	uma	sociedade	
em	constante	movimento.
Esse	movimento	da	sociedade	traz	novas	demandas,	novas	necessidades	
sociais	 e	 consequentemente	 novas	 exigências	 profissionais,	 além	 de	 novas	
profissões,	onde	umas	emergem	e	outras	desaparecem,	num	movimento	dialético.	
O	Serviço	Social	nessa	lógica	vem	ao	longo	de	sua	história,	principalmente	após	
o	movimento	de	reconceituação,	um	lugar	de	destaque	nas	discussões,	debates	e	
reflexões	acerca	da	sua	composição.
Tratando,	mais	especificamente	do	objeto	do	Serviço	Social,	muitas	são	as	
divergências	e	debates	entre	os	autores,	uns	defendem	que	a	profissão	não	possui	
um	objeto	próprio	como	afirma	Montaño	(2007,	p.	136)	que	define	da	seguinteforma:	“...	o	Serviço	Social	não	possui	um	objeto	de	conhecimento	próprio”	outros	
debatem	dizendo	que	o	Serviço	Social	possui	um	objeto	específico,	como	afirma	
Iamamoto.	(2000,	p.	62).
O	 objeto	 de	 trabalho	 (...)	 é	 a	 questão	 social.	 É	 ela	 em	 suas	 múltiplas	
expressões,	 que	 provoca	 a	 necessidade	 da	 ação	 profissional	 junto	 à	 criança	 e	
ao	adolescente,	 ao	 idoso,	 a	 situações	de	violência	 contra	 a	mulher,	 à	 luta	pela	
terra	etc.	Essas	expressões	da	questão	social	são	a	matéria-prima	ou	o	objeto	do	
trabalho	profissional.
TÓPICO 4 | UNIDADE 2
143
Também,	 nessa	 direção	 a	 questão	 social	 é	 afirmada	 como	 posto	 por	
Yasbeck	(1999,	p.	91)	“é	a	matéria-prima	e	a	justificativa	da	constituição	do	espaço	
do	Serviço	Social	na	divisão	sociotécnica	do	trabalho	e	na	construção/atribuição	
da	identidade	da	profissão”.
Também	essa	defesa	é	apresentada	por	Guerra	(2000)	que	destaca	que	o	
aparecimento	do	Serviço	Social	como	profissão	surge	com	o	agravamento	das	
expressões	da	questão	social.	“O	Serviço	Social,	sendo	um	trabalho,	e	como	tal	
de	natureza	não	liberal,	tem	nas	questões	sociais	a	base	de	sustentação	da	sua	
profissionalidade	e	sua	 intervenção	se	realiza	pela	mediação	organizacional	
de	 instituições	 públicas,	 privadas	 ou	 entidades	 de	 cunho	 filantrópico.”	
(GUERRA,	p.	18).
Nas	 perspectivas	 de	 outros	 autores,	 como	 Ezequiel	 Ander-Egg	 (apud,	
MONTAÑO,	 2007,	 p.	 132)	 concede	 que	 haja	 efetivamente	 um	 objeto	 próprio	
do	 Serviço	 Social,	 no	 entanto,	 este	 é	 construído	 pelo	 profissional	 por	 meio	 da	
sua	 perspectiva	 interdisciplinar,	 por	 outro	 lado,	 a	 autora	 Josefa	 Batista	 (apud,	
MONTAÑO,	2000,	p.	132)	contradiz,	afastando	a	“qualquer	hipótese	no	sentido	
da	apropriação	pelo	Serviço	Social,	ao	nível	do	real,	de	um	fenômeno	social	que	
seja	 de	 sua	 única	 e	 especifica	 competência,	 como	 se	 fosse	 possível	 um	 divisão	
real	do	real”	Sobre	a	perspectiva	de	Ezequiel	Ander-Egg,	a	construção	do	objeto	
do	 Serviço	 Social,	 também	 é	defendida	por	 Bachelard	 (apud	MONTAÑO	2007,	
p.	 133)	onde	defende	a	 ideia	de	que	o	“objeto	é	 construído”	por	 cada	profissão	
a	 partir	 de	 determinada	 “perspectiva”,	 que	 lhe	 outorgaria	 sua	 especificidade.	
Essa	 especificidade,	 compreendida	 como	 “formas	 particulares	 assumidas	 pela	
disciplina	nesta	relação,	é	o	próprio	projeto	na	sua	totalidade”	(BATISTA	LOPES,	
apud	MONTAÑO,	2007,	p.	133).	A	autora	ainda	afirma	que	“só	 identificando	a	
especificidade	identifica-se	o	objeto”.
Percebe-se,	 portanto,	 na	 ideia	 de	 Batista	 Lopes,	 compreende	 que	 as	
realidades	 como	 resultantes	 de	 um	 processo	 de	 construção,	 tornam-se	 objeto	
do	 Serviço	 Social	 quando	 este	 propõe	 a	 essas	 realidades,	 uma	 relação	 de	
conhecimentos	e	intervenção,	sempre	direcionados	por	uma	perspectiva.	(idem:	
p.	134).
Diante	dessa	defesa	da	autora,	na	direção	da	construção	do	objeto	diante	
de	uma	“perspectiva”,	 existe	uma	discussão	em	que	Carlos	Montaño	 (2007,	p.	
134)	define	da	seguinte	forma:	
Na	medida	em	que	se	entende	que	o	objeto	de	estudo	e	intervenção	de	uma	
dada	profissão	é	construído	a	partir	de	certa	“perspectiva”	esta	é	construída	a	partir	
de	uma	relação	que	o	sujeito	estabelece	com	a	realidade,	mediada	pelo	projeto	
profissional	e	na	medida	em	que	se	suponha	que	esta	dita	“perspectiva”	própria	a	
cada	profissão,	demarca	sua	“especificidade”,	então	estará	se	realizando	também	
um	“recorte”	da	realidade.	Recorte	este	que,	no	entanto,	poderá	nesta	perspectiva	
“reconstruir”	a	totalidade	do	real	desde	que	se	trabalhe	interdisciplinarmente.
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Na	 direção	 de	 um	 trabalho	 interdisciplinar,	 soma-se	 a	 essa	 ideia,	 as	
defesas	de	Mitjavila,	 (apud,	MONTAÑO,	2007,	p.	 132)	 em	que	o	 “trabalhador	
social	constrói	um	objeto	próprio	a	partir	de	um	ponto	de	vista	interdisciplinar”.
	Em	síntese,	 são	várias	as	discussões	pertinentes	ao	Serviço	Social,	que	
percorrem	sobre	seu	objeto,	sua	especificidade,	suas	teorias,	sendo	que	cada	autor	
apresenta	 suas	 ideias	 e	 suas	defesas,	 contribuindo	para	um	debate	 com	muita	
riqueza,	que	nos	propicia	refletir	sobre	tais	elementos	pertinentes	a	essa	profissão.
O	Serviço	Social	compreendido	como	uma	profissão	que	tem	uma	função	
social,	inserida	na	divisão	social	do	trabalho,	de	caráter	sociopolítico,	interventivo	
e	crítico,	é	imprescindível	conhecer,	discutir	sobre	qual	objeto	se	debruça,	ou	seja,	
qual	o	objeto	de	trabalho	a	profissão	nos	dias	de	hoje?
 
Tais	 questionamentos	 são	 debatidos	 desde	 o	 início	 do	 Serviço	 Social	
no	 Brasil	 (1937)	 onde	 definiu	 o	 homem	 caracterizado	 como	 pobre,	 favelado,	
marginalizado,	 dentre	 outros,	 como	 sendo	 o	 objeto	 de	 sua	 intervenção,	 cuja	
finalidade	da	profissão	era	moldá-lo,	enquadrá-lo	na	filosofia	neotomista.
Posteriormente	a	esse	período,	a	profissão	pôde	perceber	que	essa	ideia	de	
homem	era	equivocada,	transferindo	a	ele	uma	noção	de	resultado	das	situações	
que	exigia	a	intervenção	do	Serviço	Social	e	não	objeto	dessa	profissão.
Na	década	de	70,	pós-movimento	de	reconceituação,	e	com	as	manifestações	
populares	contra	a	ditadura,	o	Serviço	Social	na	busca	do	seu	objeto	de	intervenção,	
equivocadamente	 define	 a	 transformação	 social,	 sendo	 o	 real	 objeto	 de	 sua	
intervenção.	Com	esse	equívoco,	que	não	se	efetivou,	foi	possível	a	profissão	buscar,	
então,	à	aproximação	com	as	lutas	e	defesas	dos	interesses	das	classes	subalternas	e	
excluídas	pelo	capitalismo,	o	que	permanece	até	os	dias	de	hoje.
Nessa	 lógica,	no	processo	de	 reconceituação	o	Serviço	Social	 orientado	
pela	lógica	da	teoria	marxista,	se	apropria	da	questão	social,	como	objeto	de	sua	
intervenção.
Tal	discussão,	ainda	presente	nos	dias	de	hoje,	é	compreendido	por	alguns	
autores	 de	 formas	distintas,	 o	 que	 enriquece	 a	 teoria	 do	 Serviço	 Social	 frente	 a	
discussões	de	seu	objeto.
II - A INTERVENÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NAS EXPRESSÕES DA 
QUESTÃO SOCIAL – DEFENDIA COMO OBJETO DO SERVIÇO SOCIAL
A	 questão	 social,	 compreendida	 como	 um	 fenômeno	 que	 emerge	 no	
século	XIX,	com	a	era	da	industrialização,	concomitante	com	a	pauperização,	na	
contradição	do	modo	de	produção	capitalista,	onde	uma	parcela	da	sociedade	
(trabalhadores)	 produz	 a	 riqueza,	 enquanto	 outra	 parcela	 (capitalistas)	 se	
apropria	dela,	na	qual	o	trabalhador	não	usufrui	da	riqueza	que	produz.
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Discutir	 sobre	 a	 questão	 social	 nos	 obriga	 entender	 o	 seu	 conceito,	
onde	nos	apropriamos	das	explicações	apresentada	por	Iamamoto	(2000)	que	é	
considerada	uma	das	concepções	mais	difundidas	do	Serviço	Social.
A	 questão	 social	 não	 é	 senão	 as	 expressões	 do	 processo	 da	 formação	
e	 desenvolvimento	 da	 classe	 operária	 e	 de	 seu	 ingresso	 no	 cenário	 político	 da	
sociedade,	exigindo	seu	reconhecimento	como	classe	por	parte	do	empresariado	
e	do	Estado.	É	a	manifestação,	no	cotidiano	da	vida	social,	da	contradição	entre	o	
proletariado	e	a	burguesia,	a	qual	passa	a	exigir	outros	tipos	de	intervenção	mais	
além	da	caridade	e	repressão.	(CARVALHO;	IAMAMOTO,	2000,	p.	77).
Nesse	 contexto,	 é	possível	 contextualizar	 a	 questão	 social	 não	 somente	
diante	das	desigualdades	sociais,	mas	também	perante	o	processo	de	resistência	
das	lutas	dos	movimentos	dos	trabalhadores,	ou	seja,	das	classes	subalternas,	em	
busca	da	garantia	dos	seus	direitos.
Pensando	na	questão	social,	também	tratamos	de	refletir	sobre	aspectos	
da	 pobreza,	 favelização,	 fome,	 analfabetismo,	 trabalho	 escravo,	 violência,	
desemprego,	 trabalho	 infantil,	 dentre	 outros,	 que	 são	 consideradas	 expressões	
da	questão	social,	provocada	por	um	modelo	econômico	totalmente	excludente	e	
desigual.	Marilda	Iamamoto	(2000,	p.	38)	afirma	que	tais	expressões	da	questão	
social	 “vêm	afetando	não	 só	os	direitos	 sociais,	mas	o	próprio	direito	à	vida”,	
mesmo	com	os	esforços	e	lutas	dos	movimentos	das	classes	subalternas	em	busca	
de	impedir	que	esse	quadroagrave	e	se	amplie.
Tratando	da	questão	social	e	o	serviço	social,	nos	apropriamos,	mais	uma	
vez,	das	reflexões	de	Iamamoto	(2000)	que	afirma	que	o	assistente	social	trabalha	
diretamente	com	as	expressões	da	questão	social	nas	mais	variadas	expressão	do	
cotidiano,	ou	seja,	nas	diversas	áreas	de	atuação	profissional:	saúde,	educação,	
habitação,	criança	e	adolescente,	dentre	outras.	Afirma	ainda	que	esse	fenômeno	
é	 “a	 matéria-prima	 do	 trabalho	 profissional,	 sendo	 a	 prática	 profissional	
compreendida	como	uma	especialização	do	trabalho	participe	de	um	processo	de	
trabalho”.	(IAMAMOTO,	2000,	p.	59).
É	nesse	contexto	que	ocorre	a	intervenção	do	assistente	social,	diante	desse	
cenário	de	acúmulo	de	capital	em	que	poucos	têm	acesso	e	muitos	vendem	sua	
força	de	trabalho,	para	sobreviver,	ou	seja,	uma	relação	desigual	entre	capital	e	
trabalho,	caracterizado	como	um	campo	de	tensão	e	desconforto,	na	qual	exige	o	
envolvimento	do	Assistente	Social,	apreendendo	formas	de	mediar	essa	relação.
Um	fator	de	fundamental	importância	nessa	discussão	é	compreender	que	a	
questão	social	como	“lócus”	de	trabalho	do	Serviço	Social,	traz	para	este	profissional,	
grandes	desafios	em	sua	atuação.	Tais	desafios	referem-se	às	diversas	expressões	
manifestadas	na	vida	individual	e/ou	coletiva	dos	sujeitos,	e	que	de	certa	forma,	
estes	sujeitos	se	rebelam	com	resistências	e	rebeldias,	como	forma	de	manifestação	
contraria	as	tais	expressões.	É	aí	que	se	exige	do	assistente	social	alguns	requisitos	
do	assistente	social	a	fim	mediar	essa	relação	entre	capital	e	trabalho.
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Esse	 sujeito	 é	 o	 principal	 elemento	 para	 demonstrar	 os	 agravantes	 que	
a	 questão	 social	 provoca	 na	 vida	 individual	 e	 coletiva,	 violando	 seus	 direitos,	
desprotegendo-os	de	uma	vida	com	segurança	de	renda,	de	alimentação,	de	saúde,	
de	educação,	de	segurança	pública,	enfim	de	segurança	de	uma	vida	com	digna.
Pensar	 na	 intervenção	 do	 Serviço	 Social,	 tendo	 como	 objeto	 a	 questão	
social,	é	 relevante	aclarar	qual	o	posicionamento	necessário	desse	profissional,	
diante	do	direcionamento	de	sua	prática.	Compreendo	que	a	partir	da	década	de	
70,	a	categoria	profissional,	na	perspectiva	de	ruptura	com	o	conservadorismo,	
“propõe	colocar	a	profissão	a	serviço	dos	interesses	dos	explorados	e	dominados,	
buscando	 novos	 fundamentos,	 novos	 conteúdos	 e	 objetivos	 e	 novas	 bases	 de	
legitimação	da	ação	profissional”.	(SILVA,	2007,	p.	15).
Diante	disso,	o	profissional	é	possibilitado	a	construir	ações	no	horizonte	
dos	 interesses	 das	 classes	 subalternas,	 com	 inovações	 e	 com	 perspectivas	 de	
criação	de	um	espaço	profissional	renovado,	que	desmistifica	a	sua	neutralidade	
diante	das	ações	profissionais.
Reconhecemos	que	para	essa	propensa	“ruptura”	com	o	conservadorismo,	é	
necessário	que	profissionais	capacitados	para	criar	outras	formas	de	desvelamento	
da	 realidade,	 das	 expressões	 da	 questão	 social,	 apreender	 a	 questão	 social	 é	
também	captar	as	múltiplas	formas	de	pressão	social,	de	inversão	e	de	reinversão	
da	vida,	construídas	no	cotidiano,	pois	é	no	presente	que	estão	sendo	recriadas	
as	novas	 formas	de	viver,	que	apontam	um	futuro	que	está	sendo	germinado.	
(IAMAMOTO,	2000,	p.	28).
Nessa	 direção,	 ressaltamos	 que	 dar	 conta	 das	 expressões	 da	 questão	
social	requer	muito	mais	que	os	instrumentos	práticos,	já	utilizados	no	cotidiano	
profissional,	 como:	 técnicas,	 reuniões,	 entrevistas,	 dentre	 outros,	 mas	 sim	
conhecimentos,	acúmulo	de	saberes,	novas	habilidades,	além	da	capacidade	de	
manter	 envolver	 sistematicamente	 com	os	debates	 referentes	 às	 expressões	da	
questão	social	e	as	proposições	relativas	às	políticas	sociais,	compreendido	uma	
exigência	fundamental	dada	ao	assistente	social.
A	 apropriação	de	 conhecimento	deve	 ser	um	exercício	 constante	 como	
suporte	para	o	profissional	desvelar	a	realidade	da	qual	o	individuo	vive,	além	
de	apresentar	novas	propostas	de	superação	da	desigualdade	social,	“solidárias	
ao	modo	de	 vida	 daqueles	 que	 a	 vivenciam,	 não	 só	 como	vitimas,	mas	 como	
sujeitos	que	lutam	pela	preservação	e	conquista	da	sua	vida,	da	humanidade.”	
(IAMAMOTO,	2000,	p.	75).
O	 conhecimento	 da	 realidade	 em	 que	 essa	 profissão	 intervém	 é	
fundamental,	pois	“se	não	 tem	domínio	da	realidade	que	é	objeto	do	 trabalho	
profissional,	como	é	possível	construir	propostas	de	ações	inovadoras?	Construí-
las,	com	base	em	quê?”	(IAMAMOTO,	2000,	p.	41)	[...]	o	conhecimento	não	é	só	
um	verniz	que	se	sobrepõe	superficialmente	à	prática	profissional,	podendo	ser	
dispensado:	mas	é	um	meio	pelo	qual	é	possível	decifrar	a	realidade	e	clarear	a	
condução	do	trabalho	a	ser	realizado.	(IAMAMOTO,	2000,	p.	63).
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Os	 assistentes	 sociais	 são	 profissionais	 capazes	 de	 manter	 um	 acervo	
de	 informações	 e	 saberes	 suficientes	 para	 conhecer	 como	 essas	 expressões	 da	
questão	social	se	manifestam	e	como	o	individuo	experimenta	tais	expressões	em	
seu	cotidiano.
Para	 tanto,	 compreende-se	 que	 o	 conjunto	 de	 conhecimentos,	 teórico-
metodológico	 e	 empírico	 são	 elementos	 fundamentais	 para	 descobrir	 novas	
formas	de	desvelamento	da	realidade,	bem	como	criar	em	seu	cotidiano,	espaços	
democráticos	 e	 participativos,	 pois	 é	 imprescindível	 a	 necessidade	 de	 um	
profissional	com	conhecimentos	e	habilidades	aprimorados,	visto	que	este	deve	
ser	apropriado	em	seu	cotidiano,	iluminando	e	aprimorando	sua	intervenção,	e	
também	contribuir	para	a	leitura	da	realidade	em	que	está	inserida.
Para	tanto,	o	processo	de	desvelamento	da	realidade	requer	conhecimento	
e	capacidade	profissional,	além	de	envolvimento	com	o	sujeito	e/ou	grupo	em	que	
está	ser	relacionando,	podendo	exemplificar	com	o	trabalho	do	assistente	social	no	
campo	da	política	de	assistência	social,	mais	especificamente	no	CRAS	–	Centro	de	
Referência	de	Assistência	Social,	localizado	em	um	território	onde	os	indivíduos	
se	 encontram	 em	 situação	 de	 vulnerabilidade	 social,	 exigindo	 do	 profissional	
conhecimento	da	realidade,	das	necessidades	e	das	expectativas	da	comunidade	
local,	e	para	tal	conhecimento	se	faz	necessário	envolvimento,	Iamamoto,	Marilda	
V.,	O Serviço Social na contemporaneidade:	trabalho	e	formação	profissional,	3º	
ed.;	São	Paulo,	Cortez,	2000,	p.	75,	articulação,	compromisso	ético-político,	além	
de	capacidade	de	apresentar	junto	a	essa	comunidade,	propostas	de	superação	da	
realidade	vivenciada	e	novas	alternativas	de	superação.
Importante	salientar	que,	na	perspectiva	de	apontar	novas	propostas	de	
superação	das	expressões	da	questão	social,	requer	do	profissional	a	capacidade	
de	 acompanhar	 o	movimento	 da	 sociedade,	 que	 se	 altera	 e	 apresenta,	 a	 cada	
momento,	novas	características	e	necessidades	diferenciadas,	vivenciadas	pelos	
sujeitos	 e	 pelo	 coletivo,	 alterando	 também	 o	 direcionamento	 metodológico	 e	
intelectual	 do	 profissional,	 ou	 seja,	 requer	 do	 assistente	 social	 novos	 olhares,	
novos	 conhecimentos	 e	 novas	 práticas,	 conforme	 a	 realidade	 e	 o	 momento	
histórico	em	que	está	intervindo.
Para	tanto	o	assistente	social	deve	se	apresentar	como	um	agente	político	
crítico,	 capacitado,	 informado,	 culto	 e	 crítico,	 deixando	 de	 ser	 somente	 um	
mero	executor	das	ações,	e	assumindo	um	papel	de	propositor	de	propostas	de	
superação	das	expressões	da	sociedade	que	se	manifesta	na	vida	dos	sujeitos.
Diante	dessas	requisições,	se	faz	necessário	o	rompimento	o	teoricismo,	
bem	como	romper	com	“o	fazer	por	fazer”,	compreendendo	que	prática	e	a	teoria	
são	condições	que	requer	a	apropriação	um	da	outra.
“A	 teoria	 do	 Serviço	 Social	 como	 “sistematização	 abstrata	 que	 deve	
ser	 remetida	 ao	 campo	das	Ciências	 Sociais	 ou	do	marxismo,	 em	particular,	 e	
entendem	que	o	nível	do	conhecimento	do	ser	social,	objeto	da	construção	teórica,	
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é	o	mesmo	nível	de	 intervenção	da	 ação	profissional,	 ficando	desautorizadaa	
separação	metodologia	do	conhecimento	e	metodologia	da	ação”.	(SILVA,	2007).
Contudo,	é	justo	afirmar	que	tais	competências,	configuram-se	como	um	
dos	elementos	essenciais	para	novas	respostas	profissionais,	capaz	de	construir	
espaços	 democráticos,	 e	 incentivar,	 bem	 como	 fortalecer,	 lutas	 e	 movimentos	
sociais,	direcionados	a	conquistas	de	uma	sociedade	justa	e	democrática.
III - O ASSISTENTE SOCIAL E O MÉTODO DE DESVELAMENTO DA 
REALIDADE
Diante	do	contexto	da	necessidade	de	acumulo	de	saberes,	envolvimento	
profissional,	 enfim	uma	prática	pensada,	 rumo	à	 construção	de	possibilidades	
em	descobrir	 e	 conhecer	 a	 realidade	da	qual	 está	 intervindo,	 é	 imprescindível	
abordarmos	sobre	o	método	na	qual	possibilitará	o	alcance	desse	objetivo.
Para	 tanto,	 é	 necessário	 ir	 além	 do	 que	 é	 “visível”,	 ou	 seja,	 buscar	
aprofundar,	 conhecer,	 apreender	 os	 fenômenos,	 para	 que	 de	 fato	 conheça	 a	
realidade	que	irá	intervir,	assim	o	assistente	social	precisa	incorporar	um	método	
de	trabalho,	na	qual	possa	lhe	dar	respostas	a	estes	questionamentos.
Nessa	direção,	o	autor	Reinaldo	Nobre	Pontes	(1995,	p.	16)	destaca,	para	a	
ação	profissional	se	manter	dentro	do	estatuto	de	profissional	idade,	tem	que	compor	
o	suporte	de	um	corpo	de	conhecimento	científico,	expresso	na	seguinte	matriz:
1 – a teoria social traz	 no	 seu	 bojo	 um	 método,	 um	 arcabouço	 categorial	
organizadamente	articulado,	propiciador	de	um	conhecimento	do	ser	social,	bem	
como	da	possibilidade	de	captação	de	direções	a	serem	assumidas	na	intervenção	
no	real;
2 – o projeto de sociedade constitui	a	utopia	(LÖWY,	1987),	que	se	deseja	atingir,	
ou	melhor,	 a	direção	 teleológica	que	busca	a	 construção	de	uma	ordem	social	
superior.	É,	portanto,	uma	dimensão	de	natureza	eminentemente	teórico-política;
3 – o projeto profissional não	 se	 identifica	 com	o	 anterior,	 como	querem	alguns	
segmentos	da	profissão,	porque	esta	dimensão	ilumina	a	especificidade	mesma	da	
profissão;	sua	inserção	socioconstitutiva;	sua	particularidade	em	face	da	divisão	
sociotécnica	 do	 trabalho;	 a	 complexa	 relação	 entre	 demanda	 institucional	 e	
demanda	profissional;	as	perspectivas	teórico-metodológicas	próprias	dos	vários	
projetos	profissionais	particularizados	no	 interior	da	profissão;	as	perspectivas	
historicamente	 construídas	 pelos	 profissionais	 no	 direcionamento	 político-
institucional	da	área	de	intervenção	privilegiada	no	âmbito	das	políticas	sociais;	
a	assistência	social;
4 – o instrumental teórico-técnico de	intervenção	constitui	o	corpo	de	conhecimento	
imediatamente	ligado	à	dimensão	operativa	propriamente	dita	da	profissão.
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Esses	 são	 os	 domínios	 necessários,	 compreendido	 pelo	 autor,	 para	
propiciar	ao	assistente	social	um	plano	cognitivo-operativo	em	sua	atuação,	o	que	
também	depende	do	projeto	societário	que	o	profissional	apresenta,	sendo	esses	
elementos	fundamentais	para	direcionar	a	atuação	profissional.
Portanto,	a	mediação	possibilita	o	profissional	ir	além	da	operacionalização,	
conhecer	as	particularidades	dessa	realidade,	desvelando	o	que	se	está	“oculto”,	
além	de	revelar	os	nexos	entre	a	teoria	e	a	prática	profissional,	pois	o	conhecimento	
adquirido	na	ação	cotidiana,	no	campo	empírico	não	traz	um	conhecimento	pronto	
e	acabado,	 requer	 ser	 sustentado	por	embasamento	da	 teoria,	 compreendendo	
assim	 que	 o	 conhecimento	 empírico	 se	 constrói,	 traduz,	 codifica	 e	 decodifica	
um	conjunto	de	questões	que	se	colocam	à	prática	profissional	em	determinado	
momento	(BAPTISTA,	1986:	4),	e	dela	extrai	um	saber.
	O	 cotidiano	deve	 ser	 compreendido	 como	um	espaço	 a	 ser	 explorado	
como	“campo	de	conhecimento”,	onde	o	assistente	social	possa	desenvolver	suas	
ações,	sob	uma	prática	pensada,	com	possibilidades	da	construção	do	“novo”	e	
da	apropriação	de	saberes.
Para	 tanto,	 a	 ação	 profissional	 perante	 o	 seu	 objeto,	 requer	 um	método	
de	 trabalho	 que	 possibilite	 sair	 do	 concreto,	 daquilo	 que	 está	 aparente,	 visível,	
e	 limitado,	 possibilitando	 a	 reconstrução desse	 objeto.	 Perante	 a	 esse	 contexto,	 é	
necessário	conhecer	as	categorias	de	analise	que	o	Assistente	Social	se	apropria	para	
decodificar	o	seu	objeto	de	trabalho,	visto	que	a	mediação	é	a	categoria	principal	
da	pratica	do	Assistente	Social,	compreendida	como:	“componente	estrutural	do	
ser	social”	(PONTES,	1995,	p.	77)	e	ainda	“expressões	históricas	das	relações	que	
o	homem	edificou	 com	a	natureza	 e	 consequentemente	das	 relações	 sociais	daí	
decorrentes,	nas	várias	formações	sócio-humanas	que	a	historia	registrou”.
Também	 definida	 por	 LuKács	 (apud	 PONTES,	 1995,	 p.	 79),	 a	 categoria	
medição	na	dimensão	ontológica:	Pontes,	Reinaldo	Vieira,	Mediação	e	Serviço	Social,	
São	Paulo,	Cortez	Editora;	Belém,	Pa:	Universidade	da	Amazônia,	1995,	p.	17.
Suguihiro,	 Vera.	 L.	 T.	 A	 ação	 investigativa	 na	 prática	 cotidiana	 do	
Assistente	 Social,	 disponível	 em:	 <http://www.ssrevista.uel.br/c_v2n1_invest.
htm>.	Acesso	em:	29	jul.	2009.
Não	pode	existir	nem	na	natureza,	nem	na	sociedade	nenhum	objeto	que	
neste	sentido	[...]	não	seja	mediato,	não	seja	resultado	de	mediações.	Deste	ponto	
de	 vista,	 a	mediação	 é	 uma	 categoria	 objetiva,	 ontológica,	 que	 tem	 que	 estar	
presente	em	qualquer	realidade,	independente	do	sujeito	(1979).
E	 ainda,	 segundo	 Pontes	 (1995,	 p.	 95).	 A	 categoria	 mediação	 foi	
introduzida	no	discurso	profissional	inicialmente	pela	via	da	análise	política,	na	
sua	articulação	no	bojo	das	políticas	sociais	e	de	uma	inserção	sócio-profissional.	
A	pressão	das	demandas	postas	pela	realidade	à	profissão	pode-se	afirmar,	foi	
a	geradora	da	discussão	metodológica	da	mediação	enquanto	categoria	teórica.	
150
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Na	questão	da	mediação	perante	os	debates	dos	autores	de	Serviço	Social,	
Reinaldo	Nobre	Pontes	(1995),	em	seu	livro	Mediação e Serviço Social, apresenta as 
ideias	de	Faleiros	que,	 aponta	uma	preocupação	 com	o	 “teoricismo”,	 ou	 seja,	 a	
categoria	mediação	discutida	entre	os	 intelectuais,	mas	que	não	 chega	à	prática	
profissional,	como	afirma	nesse	trecho:	O	que	mais	me	intriga	na	discussão	desta	
categoria	(mediação)	é	que	ela	não	passa	a	fazer	parte	da	análise	de	nenhum	objeto	
da	prática	profissional,	ela	é	usada	por	intelectuais,	não	se	incorporando	no	cabedal	
da	prática,	o	que,	aliás,	é	uma	das	características	do	teoricismo	dito	reconceituado,	
que	é	incapaz	de	incorporar	esta	categoria	na	prática.	(FALEIROS,	1992).
 
Assim,	 diante	 dessa	 citação	 de	 Faleiros,	 compreende-se	 que,	 devemos	
evitar	sim	o	“teoricismo”,	mas	também	por	outro	lado	o	“pratiquismo”,	que	deve	
ser	abolido	na	profissão,	pois	as	necessidades	atuais	requerem	um	profissional	
que	 ofereça	 uma	 prática	 pensada,	 com	 embasamento	 teórico,	 desmistificando	
o	velho	pensamento	de	que	“teoria	e	prática	não	se	combinam”	ou	“na	prática	
é	outra	coisa”,	mostrando	uma	ideia	que	a	prática	não	se	apropria	da	teoria,	e	
nem	vice-versa,	assim,	nesta	direção,	deve-se	buscar	uma	apropriação	de	saberes	
profissionais,	na	qual	a	discussão	sobre	mediação	é	elemento	primordial.
Perante	a	categoria	mediação,	ainda	são	necessários	estudos,	pesquisas,	
que	possibilitem	a	ampliação	da	base	teoria	sobre	esse	assunto,	pois,	sabe-se	que	
somente	no	final	da	década	de	80,	se	inicia	uma	discussão	mais	avançada	sobre	
Pontes,	Reinaldo	Vieira,	Mediação	e	Serviço	Social,	 São	Paulo,	Cortez	Editora;	
Belém,	Pa:	Universidade	da	Amazônia,	1995,	p.	95,	esse	tema,	onde	até	os	dias	de	
hoje,	a	discussão	é	ainda	tímida,	porém,	percebe-se	mais	presente,	nas	propostas	
de	aquisição	de	novos	saberes	profissionais.	As	categorias	mediação	na	prática	
do	 Serviço	 Social	 são	 imprescindíveis	 e	 necessárias,	 a	 fim	 de	 possibilitar	 um	
pensamento	crítico	profissional,	a	qualidade	nas	respostas	oferecidas	à	realidade	
que	 intervém,	 a	melhor	 compreensão	 da	 totalidade	 do	 objeto,	 a	 possibilidade	
de	 sair	 do	 imediatismo,do	 visível	 e	 ir	 para	 uma	 prática	 pensada,	 embasada	
teoricamente	e	com	possibilidade	de	construção	de	novos	conhecimentos.
Em	síntese,	as	categorias	são	elementos	fundamentais	para	desmistificarem,	
explicarem	e	reconstruírem	o	objeto	de	intervenção,	como	afirma	Iamamoto	(2000,	
p.	 191),	 é	 meio	 de	 “detectar	 as	 dimensões	 da	 universalidade,	 particularidade	 e	
singularidade	na	análise	dos	fenômenos	presentes	no	contexto	da	prática	profissional.”
Assim,	a	categoria	mediação	é	um	elemento	fundamental	para	conhecer	
o	objeto	de	intervenção	em	sua	totalidade,	bem	como	reconstruir	o	objeto	através	
de	uma	prática	pensada,	saindo	do	imediato,	do	visível,	do	aparente.
V- CONSIDERAÇÕES FINAIS
Compreendo	que	 em	 se	 tratando	do	objeto	do	 serviço	 social,	 a	 relação	
dessa	profissão	com	a	questão	social	vem	sendo	afirmada	desde	o	currículo	de	
1982,	porém	com	muita	ênfase	nos	pressupostos	das	novas	diretrizes	curriculares	
de	1996,	uma	vez	que	a	questão	social	é	defendida	como	fundamento	do	processo	
TÓPICO 4 | UNIDADE 2
151
histórico	da	profissão,	porém	tal	afirmação	requer	precaução	e	maior	discussão	
para	ser	defendidas	nos	diversos	processos	de	trabalho	do	Serviço	Social.
Compreendo	que	a	 relação	do	 serviço	 social	 com	a	questão	 social,	 não	
deve	ser	vista	como	um	posicionamento	único	e	acabado,	pois	é	uma	discussão	
que	deve	acompanhar	o	movimento	da	própria	realidade,	aonde	novas	demandas	
e	novas	atribuições	vai	surgindo	à	profissão.
Assim	entendo	que	os	assistentes	sociais	trabalham	com	as	expressões	da	
questão	social	em	seu	cotidiano,	trabalham	também	diretamente	com	os	sujeitos	
que	 vivenciam	 as	 expressões	 da	 questão	 social,	 que	 requer	 um	 profissional	
criativo,	competente,	e	que	desvele	as	expressões	da	questão	social,	como	também	
desvele	quais	as	alternativas,	opções	e	caminhos	para	revertê-la.
As	demandas	que	o	Serviço	Social	tem	foco	a	atender	são	diversas,	portanto	
todas	emergidas	do	sistema	capitalista,	onde	a	divisão	de	classe	tem	sido	cada	
vez	mais	fortalecida	e	diferenciada.	Assim	o	profissional	tem	várias	dimensões	
para	atender	as	necessidades	que	esse	sujeito,	grupos,	comunidades,	enfim	esse	
público	requer,	como	a	organização	em	grupos	para	o	acesso	e	defesa	dos	direitos	
civis,	 sociais	 e	 políticos;	 a	melhoria	 das	 condições	 de	 vida	 da	 comunidade;	 a	
ampliação	de	espaços	democráticos	e	participativos,	dentre	outros.
Para	isso,	busca-se	um	profissional	capacitado,	criativo	e	comprometido,	a	
fim	de	romper	com	o	feitiço	da	caridade,	da	ajuda,	do	filantropismo.	O	trabalho	do	
assistente	social	está	interligado	às	relações	sociais	vigentes	nessa	sociedade,	onde	
o	desenvolvimento	capitalista	traz	muitas	alterações	na	realidade	em	que	intervém.
Em	fim,	 compreendo	que	a	profissão	 tem	sua	 intervenção	direcionada,	
principalmente,	pelos	parâmetros	 ético-políticos	 coletivamente	 construídos,	 na	
direção	de	afirmação	dos	direitos	sociais,	e	para	a	contribuição	de	uma	sociedade	
que	supere	a	questão	social	como	matéria	de	trabalho,	a	fim	de	se	conquistas	uma	
sociedade	mais	justa	e	igualitária.
BIBLIOGRAFIA
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contemporânea,	questão	social	e	serviço	social.	Brasília.	Ed.	Da	UnB.	Centro	de	
Educação	Aberta,	Continuada	a	Distância,	1999.
CAPACITAÇÃO em serviço social e política social: módulo	 2	 :	 reprodução	
social,	trabalho	e	serviço	social.	Brasília:	Ed.	da	UnB,	Centro	de	Educação	Aberta,	
Continuada	a	Distância,	1999.
GUERRA,	Yolanda.	Instrumentalidade do processo de trabalho e serviço social.	
In	Serviço	Social	e	Sociedade.	São	Paulo:	Cortez,	n.	62,	Ano	XX,	março	2000,	p.	
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UNIDADE 2 | UNIDADE 2
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__________.	 Relações Sociais e Serviço Social no Brasil:	 esboço	 de	 uma	
interpretação	 histórico-metodológico.	 13.	 ed.	 São	 Paulo,	 Cortez;	 (Lima,	 Peru):	
CELATS,	2000.
MONTAÑO,	Carlos.	A natureza do serviço social,	São	Paulo,	Cortez,	2007.	
NETO,	José	P.	Ditadura e serviço social:	uma	analise	do	Serviço	Social	no	Brasil	
pós	64,	12.	ed.,	São	Paulo,	Cortez,	2008.
__________.	Capitalismo monopolista e serviço social,	6.	ed.,	São	Paulo,	Cortez,	
2007.
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do	projeto	profissional	de	ruptura,	4.	ed.,	São	Paulo,	Cortez,	2007.
SUGUIHIRO,	Vera.	L.T.	A	ação	 investigativa	na	prática	cotidiana	do	assistente	
social.	Disponível	em:	<http://www.ssrevista.uel.br/c_v2n1_invest.htm>.	Acesso	
em:	29	jul.	2009.
FONTE: ALMEIDA, Andreia Cristina da Silva. O debate sobre o objeto do serviço social: reflexão 
sobre a atuação do serviço social frente à questão social. Disponível em: <http://intertemas.
unitoledo.br/revista/index.php/ETIC/article/viewFile/2167/2347>. Acesso em: 20 set. 2011.
153
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico trabalhamos as questões éticas do profissional do Serviço 
Social e seu projeto ético-político. Para tanto, abordamos os seguintes assuntos:
●	 Verificamos	que	o	homem	possui	uma	necessidade	de	interagir	com	os	outros	
homens,	em	sociedade.	
● É	por	meio	do	trabalho	que	o	homem	produz	e	reproduz	sua	vida	na	sociedade	
em	que	está	inserido.	
● Só	por	meio	da	 interação	social	os	seres	humanos	desenvolvem	sua	cultura,	
hábitos	e	costumes.	
● Da	relação	dos	homens	em	sociedade	é	que	advém	as	questões	sociais,	objeto	
da	prática	profissional	do	Assistente	Social,	regulada	por	meio	de	seu	projeto	
ético-político.
●	 O	Código	de	Ética	do	Assistente	Social,	Resolução	CFESS	nº	273,	de	13	de	março	
de	1993	(BRASIL, 2009a), determina	os	princípios	e	valores	determinantes	para	
a	prática	profissional	do	Assistente	Social,	que	estão	diretamente	inseridos	em	
seu	projeto	ético-político	profissional.
● A	práxis	profissional	do	Assistente	Social	está	permeada	nas	questões	sociais	
advindas	 das	 relações	 comportamentais	 dos	 homens	 em	 sociedade,	 mais	
precisamente,	de	suas	contradições.
● A	questão	social	está	diretamente	vinculada	aos	conflitos	advindos	do	capital	
versus	trabalho.	
● Todos	os	problemas	sociais,	políticos	e	econômicos,	que	surgem	das	relações	
cotidianas	do	trabalho,	formam	as	desigualdades	sociais.
● As	 desigualdades	 sociais	 apresentam-se	 de	 forma	 diferente	 no	 decorrer	 da	
própria	história	da	humanidade,	pois	o	modo	de	produção,	o	desenvolvimento	
e	a	dinâmica	econômica,	política	 e	 social	vêm	se	 transformando	conforme	a	
própria	evolução	do	homem	em	sua	convivência	em	sociedade.	
● Em	cada	momento	histórico,	as	questões	sociais	vão	ganhando	novas	formas,	
que	chamamos	de	expressões da questão social.	
154
● A	 questão	 social	 sempre	 foi	 a	 mesma	 desde	 os	 tempos	 mais	 remotos	 da	
humanidade,	independentemente	da	classe	social.	
● Conforme	 as	 transformações	 do	 modo	 de	 produção,	 surgem	 contradições	
sociais	e	estas,	por	sua	vez,	se	transformam	nas	diversas	formas	de	expressão	
da	questão	social.
● O	serviço	social	 intervém	na	esfera	das	desigualdades	sociais,	em	suas	mais	
diversas	expressões,	pois	sua	atuação	se	dá	intrinsecamente	na	busca	constante	
das	transformações	da	sociedade.
● Com	a	práxis	profissional,	o	Assistente	Social	vem	buscando	sempre	o	equilíbrio	
e	a	mediação	dos	conflitos	advindos	da	relação	do	trabalho	versus	capital.
155
●		Reflita	e	debata	no	grande	grupo,	a	partir	de	sua	própria	experiência,	sobre	
as	suas	escolhas	e	projetos	individuais,	além	de	expor	o	que	você	espera	da	
sociedade	em	que	vive.
AUTOATIVIDADE
156
157
UNIDADE 3
O CÓDIGO DE ÉTICA DOS 
ASSISTENTES SOCIAIS BRASILEIROS E 
OS CONSELHOS DE FISCALIZAÇÃO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade tem por objetivos:
•		apresentar	 os	 fundamentos	 e	 significados	 do	 Código	 de	 Ética	 dos	
Assistentes	Sociais;
•	 apresentar	 conteúdosde	 ligação	 com	 os	 Conselhos	 de	 Fiscalização	 do	
Serviço	Social.
A	Unidade	3	está	dividida	em	quatro	tópicos.	Ao	final	de	cada	um	deles,	você	
terá	a	oportunidade	de	fixar	 seus	conhecimentos,	 realizando	as	atividades	
propostas.
TÓPICO	1	–	 FUNDAMENTOS	E	SIGNIFICADOS	DO	CÓDIGO	DE	ÉTICA	
DOS ASSISTENTES SOCIAIS
TÓPICO	2	–	 DOS	DIREITOS	 E	DAS	RESPONSABILIDADES	GERAIS	DO	
ASSISTENTE SOCIAL
TÓPICO	3	 –	 O	CÓDIGO	DE	ÉTICA	DO	ASSISTENTE	SOCIAL	BRASILEIRO
TÓPICO 4 – OS CONSELHOS DE FISCALIZAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL
158
159
TÓPICO 1
FUNDAMENTOS E SIGNIFICADOS DO CÓDIGO 
DE ÉTICA DOS ASSISTENTES SOCIAIS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
A Conduta Profissional do Assistente deverá	ser	regida	por	seu	Código 
de Ética,	especialmente,	pelos	seguintes	princípios	e	valores:
QUADRO 4 – PRINCÍPIOS E VALORES FUNDAMENTAIS DO CÓDIGO DE ÉTICA DO 
ASSISTENTE SOCIAL
FONTE: A autora
Além	 destes	 princípios	 e	 valores	 morais	 que	 determinam	 o	 modus 
operandi	 dos	Assistentes	 Sociais,	 o	 código	 de	 ética	 do	Assistente	 Social	 possui	
onze	 princípios	 fundamentais	 que	 norteiam	 sua	 prática	 profissional,	 no	 qual	
trataremos	a	seguir	cada	um	deles.
Princípios e Valores Fundamentais 
do Código de Ética do
Assistente Social
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
160
2 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO CÓDIGO DE ÉTICA
São	princípios	fundamentais	do	Código	de	Ética:
QUADRO 5 – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO CÓDIGO DE ÉTICA DO ASSISTENTE 
SOCIAL
Princípios Fundamentais 
do Código de Ética do
Assistente Social
Liberdade Respeito	à	Diversidade
Direitos Humanos Pluralismo
Cidadania
Projeto	Profissional
Democracia
Movimentos Sociais
Indiscriminação
Equidade	e	Justiça	Social
Qualidade	dos	serviços
prestados 
FONTE: A autora
2.1 LIBERDADE
FIGURA 8 – REPRESENTAÇÃO DO SENTIMENTO DE LIBERDADE
FONTE: Disponível em: <www.casaldogalo.com>. Acesso em: 25 
fev. 2009.
TÓPICO 1 | UNIDADE 3
161
“Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas 
políticas a ela inerentes – autonomia, emancipação e plena expansão dos 
indivíduos sociais”. (BRASIL,	2009a)
Observamos,	na	Unidade	2	deste	Livro	Didático,	que	todo	homem	pode	
fazer	suas	escolhas	de	forma	livre	e	consciente,	em	que	podem	ser	consideradas	a	
constituição	da	liberdade humana.
A	 liberdade	 é	 constituída	 no	 relacionamento	 direto	 entre	 os	 homens	
em	sociedade,	por	meio	de	suas	atividades	humanas.	Podemos	considerar	que	
o	ser	humano	é	um	ser	 livre	e	 tem	o	poder	de	escolha,	desde	que	seja	sempre	
consciente.	Portanto,	por	meio	do	trabalho,	o	ser	humano	se	constitui	um	homem	
consciente	e	livre.
IMPORTANTE
“LIBERDADE, essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém 
que explique, e ninguém que a entenda.” (Cecília Meireles)
Contudo, o que é liberdade?
No	que	 tange	à	questão	de	 liberdade,	vejamos	o	que	prediz	Tomelin	 e	
Tomelin	(2002,	p.	127),	quando	tratam	desta	questão	em	seu	livro	“Do	mito	para	
a	razão:	uma	dialética	do	saber”.
Você,	por	muitas	vezes,	deve	ter	se	sentido	preso,	sem	liberdade	para	
sair	de	casa	ou	fazer	o	que	quer.	Ou	que,	muitas	vezes,	ao	ser	livre	para	
querer,	 acabam-se	querendo	o	que	os	outros	querem	que	 se	queira.	
[...]	A	liberdade	sempre	foi	uma	questão	fundamental	na	história	da	
humanidade.	 Todos	 nós	 queremos	 ser	 livres.	 Através	 da	 história,	
percebemos	 que	 muitas	 pessoas	 tiveram	 que	 pagar	 um	 preço	 alto	
pela	 sua	 liberdade.	Muitos	 queimados	 em	 fogueiras,	 outros	 presos,	
perseguidos	 e	 torturados.	 Todos	 necessitam	 de	 liberdade.	 Até	 os	
animais.	Você	já	reparou	como	o	cachorro	fica	feliz	quando	o	soltamos	
para correr?
Podemos	assim	compreender	que	a	liberdade é um poder de escolhas.
Nesta	perspectiva,	observamos	que	a	existência	do	ser	humano,	nas	suas	
relações	cotidianas,	acaba	revelando	escolhas,	ou	seja,	todos	os	dias	escolhemos	
entre	inúmeras	possibilidades	postas	pela	sociedade,	o	que	é	bom	ou	mau	para	
nós	e	para	os	outros.	Assim,	podemos	considerar	que	todo	homem	é	livre	para	
escolher,	por	si	só,	uma	determinada	possibilidade	e	renunciar	outras.
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
162
Não	 podemos	 esquecer	 de	 que	 vivemos	 em	 sociedade,	 portanto,	 todas	
as	 nossas	 escolhas,	 direta	 ou	 indiretamente,	 influenciarão	 os	 demais	 membros	
da	 comunidade	 em	 que	 estamos	 inseridos.	As	 nossas	 decisões	 refletem	 também	
diretamente	sobre	nós,	ou	seja,	se	por	ventura	eu	decidir	não	mais	estudar	e	trabalhar,	
isso	influenciará	diretamente	a	minha	vida	e	a	da	minha	família	e	dos	amigos.	
Nesta	 perspectiva,	 Tomelin	 e	 Tomelin	 (2002,	 p.	 128)	 expõem	 que	 “[...]	
quando	 escolho,	 torno-me	 humano,	 e	 escolho	 não	 apenas	 a	mim,	mas	 a	 toda	
humanidade.	Nossas	escolhas	é	que	determinarão	o	nosso	existir”.
Partindo	desta	premissa,	os	profissionais	do	Serviço	Social	tomam	como 
uma de suas bases fundamentais, para a práxis profissional, a LIBERDADE,	
conforme	 estabelecido	 no	 Código	 de	 Ética	 que	 regulamenta	 sua	 profissão	
(BRASIL,	1997).	Podemos	observar	que	a	liberdade	é	tida	como	um	valor	ético,	
que	 determina,	 como	 um	 todo,	 a	 atuação	 profissional	 do	 Assistente	 Social,	
principalmente	na	tratativa	das	demandas	políticas,	buscando,	constantemente,	
autonomia,	 desenvolvimento	 e	 emancipação	 dos	 indivíduos	 que	 vivem	 em	
sociedade,	procurando	sempre	melhorar	sua	qualidade	de	vida.
2.2 DIREITOS HUMANOS
FIGURA 9 – DIREITOS HUMANOS
FONTE: Disponível em: <www.pedrowilson.com.br>. Acesso em: 25 fev. 2009.
“Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do 
autoritarismo.”	(BRASIL,	2009a).
Outro	princípio	fundamental	do	Código	de	Ética	Profissional	do	Assistente	
Social	é a defesa e conservação incondicional dos direitos humanos.	Direitos,	
estes,	inscritos	na	Declaração	Universal	dos	Direitos	Humanos	(ONU,	2009),	que	
foi	promulgada	pela	ONU	–	Organização	das	Nações	Unidas,	em	1948.
TÓPICO 1 | UNIDADE 3
163
DICAS
Como sugestão, entre no site da ONU/Brasil – Nações Unidas no Brasil, seu link 
é: <http://www.onu-brasil.org.br> , e procure mais informações referente a este assunto.
Conforme	 o	 preâmbulo	 desta	 declaração,	 o	 Assistente	 Social,	 em	 sua	
prática	profissional,	deve	desenvolver	atividades	laborais	a	partir	das	seguintes	
considerações:
CONSIDERANDO	 que	 o	 reconhecimento	 da	 dignidade	 inerente	
a	 todos	 os	 membros	 da	 família	 humana	 e	 seus	 direitos	 iguais	 e	
inalienáveis	é	o	fundamento	da	liberdade,	da	justiça	e	da	paz	no	mundo,	
CONSIDERANDO	 que	 o	 desprezo	 e	 o	 desrespeito	 pelos	 direitos	 do	
homem	resultaram	em	atos	bárbaros	que	ultrajaram	a	consciência	da	
Humanidade,	e	que	o	advento	de	um	mundo	em	que	os	homens	gozem	
de	liberdade	de	palavra,	de	crença	e	da	liberdade	de	viverem	a	salvo	do	
temor	e	da	necessidade,	CONSIDERANDO	ser	essencial	que	os	direitos	
do	homem	sejam	protegidos	pelo	 império	da	 lei,	para	que	o	homem	
não	seja	compelido,	como	último	recurso,	à	rebelião	contra	a	tirania	e	a	
opressão,	CONSIDERANDO	ser	essencial	promover	o	desenvolvimento	
de	relações	amistosas	entre	as	nações,	CONSIDERANDO	que	os	povos	
das	Nações	Unidas	reafirmaram,	na	Carta,	sua	fé	nos	direitos	do	homem	
e	da	mulher,	e	que	decidiram	promover	o	progresso	social	e	melhores	
condições	de	vida	em	uma	liberdade	mais	ampla,	CONSIDERANDO	
que	os	Estados	Membros	se	comprometeram	a	promover,	em	cooperação	
com	as	Nações	Unidas,	o	 respeito	universal	 aos	direitos	 e	 liberdades	
fundamentais	do	homem	e	a	observância	desses	direitos	e	liberdades,	
CONSIDERANDO	 que	 uma	 compreensão	 comum	 desses	 direitos	 e	
liberdades	é	da	mais	alta	importância	para	o	pleno	cumprimento	desse	
compromisso.	(ONU,	2009,	p.	1).
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Versão	Popular	de	Frei	Betto
	Todos	nascemos	livres	e	somos	iguais	em	dignidade	e	direitos.
	Todos	temos	direitos	à	vida,	à	liberdade	e	à	segurança	pessoal	e	social.
	Todos	temos	direito	de	resguardar	a	casa,	a	família	e	a	honra.
	Todos	temos	direito	ao	trabalho	digno	e	bem	remunerado.
	Todos	temos	direito	ao	descanso,ao	lazer	e	às	férias.
	Todos	temos	direito	à	saúde	e	assistência	médica	e	hospitalar.
	Todos	temos	direito	à	instrução,	à	escola,	à	arte	e	à	cultura.
	Todos	temos	direito	ao	amparo	social	na	infância	e	na	velhice.
	Todos	temos	direito	à	organização	popular,	sindical	e	política.
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
164
	Todos	temos	direito	de	eleger	e	ser	eleito	às	funções	de	governo.
	Todos	temos	direito	à	informação	verdadeira	e	correta.
	Todos	temos	direito	de	ir	e	vir,	mudar	de	cidade,	de	Estado	ou	país.
	Todos	temos	direito	de	não	sofrer	nenhum	tipo	de	discriminação.
	Ninguém	pode	ser	torturado	ou	linchado.	Todos	somos	iguais	perante	a	lei.
	Ninguém	pode	ser	arbitrariamente	preso	ou	privado	do	direito	de	defesa.
	Toda	pessoa	é	inocente	até	que	a	justiça,	baseada	na	lei,	prove	o	contrário.
	Todos	temos	liberdade	de	pensar,	de	nos	manifestar,	de	nos	reunir	e	de	crer.
	Todos	temos	direito	ao	amor	e	aos	frutos	do	amor.
	Todos	temos	o	dever	de	respeitar	e	proteger	os	direitos	da	comunidade.
	Todos	temos	o	dever	de	lutar	pela	conquista	e	ampliação	destes	direitos.
FONTE: DHNET. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Disponível em: <http://www.
dhnet.org.br/direitos/deconu/textos/integra.htm>. Acesso em: 26 mar. 2009.
Portanto,	podemos	dizer	que	os	direitos	humanos	norteiam	a	base	ética	
profissional	 do	Assistente	 Social,	 pois	 estes	 desenvolvem	 suas	 atividades	 com	
base	na	 liberdade,	 igualdade,	 justiça	e	paz	do	mundo	e	na	defesa	dos	direitos	
fundamentais	 dos	 seres	 humanos,	 procurando	 sempre	 promover	 o	 progresso	
social	e	a	ampliação	da	qualidade	de	vida	de	cada	cidadão.
2.3 CIDADANIA
FIGURA 10 – CIDADANIA
FONTE: Disponível em: <www.vivaterra.org.br>. Acesso em: 26 mar. 2009.
TÓPICO 1 | UNIDADE 3
165
“Ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial 
de toda a sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis sociais e políticos 
das classes trabalhadoras.” (BRASIL,	2009a).
Podemos	entender	que,	cidadania é um conjunto de direitos e deveres 
que	denotam	e	fundamentam	as	condições	do	comportamento	de	cada	indivíduo	
em	 relação	à	 sociedade,	 ou	 seja,	 a	 cidadania	designa	normas	de	 conduta	para	
o	convívio	social,	determinando	nossas	obrigações	e	direitos	perante	os	outros	
integrantes	da	nossa	sociedade.
Ser	 cidadão	é	 respeitar	 e	participar	das	decisões	da	 sociedade,	para	
melhorar	 suas	 vidas	 e	 a	 de	 outras	 pessoas.	 Ser	 cidadão	 é	 nunca	
esquecer	 das	 pessoas	 que	 mais	 necessitam.	 A	 cidadania	 deve	 ser	
divulgada	através	de	instituições	de	ensino	e	meios	de	comunicação,	
para	o	bem-estar	e	desenvolvimento	da	nação.
A	cidadania	consiste	desde	o	gesto	de	não	jogar	papel	na	rua,	não	pichar	
os	muros,	respeitar	os	sinais	e	placas,	respeitar	os	mais	velhos	(assim	
como	todas	as	outras	pessoas),	não	destruir	telefones	públicos,	saber	
dizer	obrigado,	desculpe,	por	favor	e	bom-dia	quando	necessário	[...],	
até	saber	lidar	com	o	abandono	e	a	exclusão	das	pessoas	necessitadas,	
o	 direito	 das	 crianças	 carentes	 e	 outros	 grandes	 problemas	 que	
enfrentamos	em	nosso	país.
“A	 revolta	 é	 o	 último	 dos	 direitos	 a	 que	 deve	 um	 povo	 livre	 para	
garantir	os	interesses	coletivos:	mas	é	também	o	mais	imperioso	dos	
deveres	 impostos	 aos	 cidadãos.”	 Juarez	 Távora	 -	 Militar	 e	 político	
brasileiro.	(WEB	CIÊNCIA,	2009,	p.	1)
Podemos	observar	três	dimensões	da	cidadania:
 
	Cidadania civil:	são	aqueles	direitos	advindos	da	liberdade	de	cada	indivíduo,	
como,	 por	 exemplo:	 o	 livre-arbítrio	 para	 expressar	 nossos	 pensamentos;	 o	
direito	de	propriedade	(venda	e	compra	de	um	imóvel,	um	bem	ou	serviço);	
entre	outros.	
	Cidadania política:	podemos	considerar	que	a	cidadania	política	se	legitima	
quando	os	homens	 exercem	seu	poder	político	de	 eleger	 e	 ser	 eleito	para	o	
exercício	 do	 poder	 político,	 independentemente	 da	 instituição	 pública	 ou	
privada	na	qual	venha	exercer	suas	atribuições.
	Cidadania social: compreendida como o conjunto de direitos concernentes ao 
conforto	de	cada	cidadão,	no	que	tange	à	sua	vida	econômica	e	social,	ou	seja,	
do	seu	bem-estar	social.
E	é	nesta	perspectiva	da	garantia	dos	direitos	e	deveres	de	cada	cidadão,	
que	o	Assistente	Social	desenvolve	sua	prática	profissional.
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
166
2.4 DEMOCRACIA
FIGURA 11 – DEMOCRACIA
FONTE: Disponível em: <www.mises.org.br>. Acesso em: 16 mar. 
2009.
“Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização da 
participação política e da riqueza socialmente produzida.” (BRASIL,	2009a).
Podemos	considerar	que	a	democracia	nada	mais	é	do	que	um	sistema	
de	governo,	no	qual	o	povo	governa	para	sua	própria	sociedade.	Este	sistema	de	
governo	democrático	possui	 formatos	diferentes	nas	diversas	sociedades,	pois,	
em	cada	uma,	 existem	 regas	 e	normas	diferentes	 e	 isto	 acontece	por	 causa	da	
constituição	dos	princípios	ético-morais	de	cada	localidade.
Então,	podemos	dizer	que,	num	governo	democrático,	o	povo	determina	
suas	relações	de	poder	sobre	os	demais	integrantes,	mas,	mesmo	assim,	podemos	
distinguir	a	democracia	em	duas	formas	distintas:
	Democracia direta:	na	qual	o	povo	decide	diretamente,	por	meio	de	referendo/
plebiscito,	se	aceita	ou	não	determinadas	questões	políticas	e	administrativas	
de	sua	localidade,	Estado	ou	país.
	Democracia indireta:	nesta,	o	povo	participa	democraticamente,	por	meio	do	
voto,	elegendo	seu	representante	político,	ou	seja,	uma	pessoa	que	os	represente	
nas	diversas	esferas	governamentais,	para	tomar	decisões	cabíveis	em	nome	do	
povo	que	os	elegeu.
Outro	 fator	 que	 não	 podemos	 esquecer	 é	 que,	 quando	 falamos	 em	
democracia,	 também	 falamos	 de	 distribuição	 democrática,	 das	 riquezas	
socialmente	produzidas	por	meio	do	trabalho	dos	homens.
TÓPICO 1 | UNIDADE 3
167
Assim,	 o	 Assistente	 Social	 possui	 a	 premissa	 de	 defender,	
incondicionalmente,	a	democracia	política,	econômica	e	social	da	sociedade,	na	
qual	desenvolve	suas	atividades	por	meio	da	socialização	direta	dos	direitos	de	
participação	democrática	em	todas	as	esferas	de	poder.
2.5 EQUIDADE E JUSTIÇA SOCIAL
FIGURA 12 – EQUIDADE
FONTE: Disponível em: <www.sericosocialhoje.blogsport.com>. 
Acesso em: 26 mar. 2009.
“Posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure 
universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas 
sociais, bem como, sua gestão democrática.” (BRASIL,	2009a).
Podemos	 dizer	 que	 a	 equidade	 nada	 mais	 é	 do	 que	 fazer	 justiça	 com	
imparcialidade,	pois	 todos	os	 seres	humanos	possuem	direitos	 e	deveres	perante	
a	 sociedade	em	que	vivem.	Estes	direitos,	por	 sua	vez,	denotam	um	conjunto	de	
princípios	morais,	que	acabam	igualando	todos	os	homens	de	uma	mesma	sociedade.
IMPORTANTE
Equidade é a igualdade de direitos entre os iguais.
Contudo,	devemos	tomar	cuidado,	pois	muita	gente	pensa	que	equidade	
é	sinônimo	de	igualdade,	mas	não	é	bem	assim,	pois	a	equidade	é	vista	por	dois	
prismas:
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
168
	Equidade horizontal:	denota	que	existe	um	tratamento	igualitário	para	todos	
os	indivíduos,	ou	seja,	não	há	distinção,	pois	o	problema	a	ser	resolvido	é	o	
mesmo,	independentemente	da	classe	social.
	Equidade vertical:	 denota	 que	 existem	 tratamentos	 diferentes	 para	
determinados	 grupos	 sociais,	 ou	 seja,	 dependendo	 da	 situação	 social	 do	
homem,	o	mesmo	problema	é	tratado	de	forma	diferente.
Então,	podemos	dizer	que	a	prática	profissional	do	Assistente	Social	se	
processa	 na	 garantia	 da	 equidade	 e	 da	 justiça	 social,	 procurando	 assegurar	 a	
universalidade	de	direitos	e	o	acesso	aos	bens	produzidos	por	meio	do	trabalho	a	
todos	os	indivíduos,	sem	distinção	de	cor,	raça,	etnia	e	classe	social.
2.6 RESPEITO À DIVERSIDADE
FIGURA 13 – DIVERSIDADE
FONTE: Disponível em: <www.planetaeducacao.com.br>. Acesso em: 26 
mar. 2009.
“Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando 
o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminadose 
à discussão das diferenças.” (BRASIL,	2009a).
Conforme	 exposto	 nesta	 citação	 do	 Código	 de	 Ética	 Profissional	 do	
Assistente	 Social,	 podemos	 observar	 que	 outro	 princípio	 fundamental	 de	 sua	
práxis	profissional	se	processa	na	mediação	direta	com	todos	os	indivíduos	de	
uma	determinada	sociedade,	com	intuito	de	eliminar	toda	e	qualquer	forma	de	
preconceito	e	discriminação,	seja	ele	racial,	étnico,	cultural,	religioso	entre	outros,	
além	 de	 incentivar,	 constantemente,	 o	 respeito	 às	 diferenças	 e	 diversidades	
humanas.
Entretanto, o que é diversidade?
Pois	bem,	ao	tratarmos	da	questão	da	diversidade,	devemos,	primeiramente,	
compreender	o	significado	de	tolerância,	porque	a	diversidade	denota	que	todos	
os	homens	devem	aceitar	e	compreender	as	diferenças	humanas.
TÓPICO 1 | UNIDADE 3
169
IMPORTANTE
Nenhum homem na face da Terra é igual a outro homem.
Neste	sentido,	podemos	compreender	que	o	respeito	à	diversidade	humana	
não	significa	apenas	tolerar	o	outro,	mas	respeitá-lo	como	ele	realmente	é.
Devemos olhar o outro, por meio dos olhos dele e não por meio dos 
nossos olhos,	ou	seja,	devem-se	compreender	as	diferenças	do	outro,	ver	como	
ele	realmente	é,	qual	são	seus	princípios	e	valores	morais.	Nunca	devemos	ver	o	
outro	a	partir	de	nossa	visão	de	mundo,	de	nossos	valores	morais,	pois,	assim,	
acabamos	prejulgando-o.
Assim,	podemos	afirmar	que	o	respeito	às	diferenças	humanas	também	
pode	 ser	 compreendido	 como	 o	 respeito	 às	 diversas	 identidades	 que	 compõe	
uma	 sociedade,	pois	 cada	 ser	humano	possui	 sua	 singularidade,	 ou	 seja,	 suas	
características	pessoais.
2.7 PLURALISMO
FIGURA 14 – PLURALISMO
FONTE: Disponível em: <www.lacoctelera.com>. Acesso em: 26 
mar. 2009.
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
170
“Garantia do pluralismo, através do respeito às correntes profissionais 
democráticas existentes e suas expressões teóricas, e compromisso com o 
constante aprimoramento intelectual.”	(BRASIL,	2009a).
Podemos	 compreender	 que	 o	pluralismo é reconhecer a existência da 
diversidade humana.	 Diversidade	 que	 pode	 ser	 cultural,	 religiosa,	 política,	
econômica,	ambiental	e	social.
IMPORTANTE
Não existe uma realidade única e absoluta.
O	pluralismo	denota	que	não	existe	somente	uma	concepção	conceitual,	
ou	seja,	existem	várias	referências	e	doutrinas	conceituais,	pois,	como	abordamos	
anteriormente,	 todos	 os	 seres	 humanos	 são	 diferentes,	 possuem	 diversas	
subjetividades,	que	denotam	visões	de	mundo	diferenciadas,	ou	seja,	sobre	um	
mesmo	fato,	uma	mesma	realidade	poderá	suscitar	diversas	opiniões,	diversos	
conceitos,	porque	cada	homem	analisa	um	fato	conforme	sua	constituição	moral.	
Nesta	perspectiva,	pode-se	dizer	que	a	prática	profissional	do	Assistente	
Social	deve,	constantemente,	buscar	e	garantir	o	pluralismo	conceitual,	para	seu	
constante	aperfeiçoamento	pessoal	e	intelectual.
2.8 PROJETO PROFISSIONAL
FIGURA 15 – PROJETO PROFISSIONAL
FONTE: Disponível em: <www.cress-ms.org.br>. Acesso em: 26 mar. 2009.
TÓPICO 1 | UNIDADE 3
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“Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção 
de uma nova ordem societária, sem dominação-exploração de classe, etnia e 
gênero.”	(BRASIL,	2009a).
Com	 relação	 ao	 projeto	 profissional	 do	 Assistente	 Social,	 podemos	 citar	
que	 o	 mesmo	 possui	 um	 caráter	 sociopolítico,	 crítico	 e	 interventivo,	 que	 vem,	
historicamente,	 utilizando	 um	 instrumental	 técnico	 operativo	 multidisciplinar,	
para	análise	e	intervenção	junto	às	inúmeras	expressões	da	questão	social,	como	na	
educação,	justiça,	saúde,	lazer,	previdência,	habitação,	assistência	social,	entre	outros.	
O	 Assistente	 Social	 busca	 sempre	 prestar	 seus	 serviços	 em	 prol	 do	
desenvolvimento	e	da	construção	de	uma	sociedade	mais	justa,	igualitária	e	sem	
discriminação	e	exploração	das	classes	sociais	e	suas	diversidades.
ESTUDOS FU
TUROS
Você verá mais adiante, em outra disciplina, a questão do instrumental técnico 
operativo do Assistente Social.
DICAS
Como sugestão, leia o artigo: A Construção do Projeto Ético-Político do Serviço 
Social, por José Paulo Netto. Disponível em: <http://www.fnepas.org.br/pdf/servico_social_
saude/texto2-1.pdf>.
2.9 MOVIMENTOS SOCIAIS
FIGURA 16 – MOVIMENTOS SOCIAIS
FONTE: Disponível em: <www.spsoul.blogspot.com>. Acesso em: 26 mar. 2009.
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
172
“Articulação com os movimentos de outras categorias profissionais que 
partilhem dos princípios deste Código e com a luta geral dos trabalhadores.” 
(BRASIL,	2009a).
Porém, o que é um movimento social?
Podemos	compreender	que	um	movimento	social	denota	a	organização	
de	um	grupo	social	que	possue	 interesses	comuns,	que,	de	 forma	estruturada,	
busca	desenvolver	suas	atividades,	conforme	suas	finalidades	e	objetivos.	
Conforme	Gohn	(1995,	p.	44),	movimentos	sociais:
[...]	 são	 ações	 coletivas	 de	 caráter	 sociopolítico,	 construídas	 por	
atores	sociais	pertencentes	a	diferentes	classes	e	camadas	sociais.	Eles	
politizam	suas	demandas	e	criam	um	campo	político	de	força	social	
na	 sociedade	 civil.	 Suas	 ações	 estruturam-se	 a	 partir	 de	 repertórios	
criados	 sobre	 temas	 e	 problemas	 em	 situações	 de:	 conflitos,	 litígios	
e	 disputas.	 As	 ações	 desenvolvem	 um	 processo	 social	 e	 político-
cultural	que	cria	uma	identidade	coletiva	ao	movimento,	a	partir	de	
interesses	em	comum.	Esta	identidade	decorre	da	força	do	princípio	
da	solidariedade	e	é	construída	a	partir	da	base	referencial	de	valores	
culturais	e	políticos	compartilhados	pelo	grupo.
DICAS
Como sugestão, leia o artigo: O Papel dos Movimentos Sociais na Construção de 
Outra Sociabilidade, de Sandra Maria Marinho Siqueira. Disponível em: <http://www.anped.
org.br/reunioes/25/excedentes25/sandramariamarinhosiqueirat03.rtf>.
Nesta	 perspectiva,	 os	 assistentes	 sociais	 também	 desenvolvem	 suas	
atividades	 laboratoriais	 em	 prol	 da	 articulação	 e	 mediação	 constante	 entre	 a	
sociedade	civil,	os	diversos	movimentos	sociais	e	o	Estado.
2.10 QUALIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS
FIGURA 17 – QUALIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS
FONTE: Disponível em: <www.verzani.com.br>. Acesso em: 26 mar. 2009.
TÓPICO 1 | UNIDADE 3
173
“Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e 
com aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional.” 
(BRASIL,	2009a).
Esta	questão	é	indiscutível,	pois	todo	trabalho,	produto	ou	prestação	de	
serviço	 deve	 ter,	 como	 premissa,	 a	 qualidade,	 ou	 seja,	 todo	 profissional	 deve	
exercer	sua	profissão	com	ética,	responsabilidade	e	qualidade.	
Por	 meio	 de	 seu	 desempenho	 profissional,	 o	 Assistente	 Social	
proporcionará,	ao	seu	público-alvo,	possibilidades	de	melhoria	de	qualidade	de	
vida,	além	de	mediar,	com	serenidade	e	propriedade,	as	expressões	da	questão	
social,	objeto	de	seu	trabalho.
2.11 INDISCRIMINAÇÃO
FIGURA 18 – INDISCRIMINAÇÃO
FONTE: Disponível em: <www.infinitoemaisalem.blogs.sapo.pt>. Aces-
so em: 26 mar. 2009.
“Exercício do Serviço Social sem ser discriminado, nem discriminar, 
por questões de inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, 
opção sexual, idade e condição física.”	(BRASIL,	2009a).
Para	 entendermos	 esta	 questão	 da	 indiscriminação,	 faz-se	 necessário	
compreendermos	o	significado	de	preconceito.
Então, o que é preconceito?
Bem,	 o	 preconceito	 pode	 ser	 compreendido	 como	 uma	 atitude,	 um	
julgamento	de	valores,	formação	de	juízo	ou	ideias	preconcebidas,	a	partir	do	qual	
nós	recriminamos	ou	rotulamos	uma	situação,	lugares,	pessoas,	objetos	e	culturas,	
conforme	nossos	valores	ético-morais,	ou	seja,	nós,	seres	humanos,	geralmente	
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
174
quando	nos	deparamos	com	“o	diferente”,	o	repulsamos	e	discriminamos,	sem,	
muitas	vezes,	conhecer	melhor	a	pessoa	ou	situação	que	estamos	julgando.
Existem	muitas	 formas	de	discriminação	ou	preconceito,	mas	podemos	
citar	que	hoje,	na	sociedade	em	que	vivemos,	as	questões	raciais,	sociais,	sexuais	
e	religiosas	sãoas	principais	formas	de	preconceito	que	enfrentamos.
Finalizando,	podemos	expor	que	o PRECONCEITO HUMANO leva os 
homens a agirem de forma violenta, acarretando discriminação e marginalização 
dos homens.
NOTA
Caro(a) acadêmico(a), para aprofundar os seus conteúdos com relação aos 
princípios e valores gerais dos cidadãos brasileiros, sugerimos a releitura dos artigos 1º, 3º e 
5º da Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm>.
DICAS
Como sugestão, leia o seguinte livro:
BONETTI, Dilséia Adeodata et al. Serviço social e ética: convite a uma nova práxis. 11ª Edição. 
São Paulo: Cortez, 2010.
TÓPICO 1 | UNIDADE 3
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LEITURA COMPLEMENTAR
ÉTICA PROFISSIONAL
Edite Jendreick Franke
[...]
No	momento	em	que	se	diz	que	o	Brasil	está	passando	por	uma	crise	ética,	
oportuno	se	faz	falar	sobre	a	Ética Profissional.
Necessário se faz lembrar que, quem não tem ética pessoal, não terá 
ética profissional.
A	palavra	Ética,	do	grego	ethos, designa:
	os	costumes;
	a	condução	da	vida;
	as	regras	de	comportamento.
A	Ética	é	o	estudo	da	moralidade	do	agir	humano;	é	o	estudo	da	bondade	
ou	da	maldade	dos	atos	humanos,	a	retidão	dos	atos	humanos	frente	à	ordem	
moral.
É	justificada	pela	Moral enquanto	esta	estabelece	regras	que	são	assumidas	
pela	pessoa,	como	uma	forma	de	garantir	o	bem	viver,	um	agir	segundo	o	bem,	
remetendo	 estas	 regras	 ao	 agir	 humano,	 aos	 comportamentos	 cotidianos,	 às	
escolhas	existenciais	[...]
[...]	a	Ética se	coloca	como	um	questionamento	sobre	o	agir,	uma	reflexão	
sobre	o	que	é	preciso	fazer,	uma	procura	pelo	que	é	bom	ou	justo.
A Ética não	 estabelece	 regras,	mas propõe uma reflexão sobre	 a	 ação	
humana,	sobre	sua	retidão	frente	à	ordem moral.
A Ética, espontaneamente,	gera:
1. Questionamentos: a	 ética	 nos	 leva	 a	 refletir	 sobre	 as	 normas	 ou	 regras	 de	
comportamento,	 nos	 leva	 a	 analisar	 princípios,	 valores	 que	 fundamentam	
nossa	obrigação	na	sociedade.
2. Sistematização da reflexão:	encontrada	em	teorias	ou	escolas	que	tratam	da	
moral	e	da	ética,	ou	o	conjunto	de	normas	de	grupos	específicos,	como	é	o	caso	
dos	códigos	de	ética	profissional.
3. Prática concreta: ou	a	realização	de	valores	que	exige	o	processo	de	deliberação,	
a	decisão,	a	atitude	subjacente	e	a	ação	propriamente	dita.
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
176
Toda	herança	da	reflexão	sobre	a	Ética e a Moral se	apresenta	subjacente	
à	Ética Profissional.
Isto	é,	a	Ética Profissional só	se	efetivará	se	houver	a	Ética Pessoal.
Importante identificarmos, refletirmos aqui: quem é o Sujeito Ético?
Sujeito Ético é	 todo	 ser	humano	que	 se	depara	 com	a necessidade de 
decidir,	pois	onde	há	[...]	decisões	a	serem	tomadas;	reflexões	a	serem	feitas;	e	
liberdades	a	serem	alcançadas	[...]	há	a	Ética.
A Ética não	existe	sem	a	responsabilidade.
Uma Ética de Responsabilidade é	 a	 do	 sujeito	 livre,	 autônomo,	 que	
reflete,	dotado	de	prudência,	coragem	e	convicção.
A	responsabilidade	dá	cada	vez	mais	lugar	à	interrogação	e	à	discussão	
democrática.
Assim,	 cada	 vez	 mais	 a	 Ética recorre	 à	 prudência,	 que	 é	 vigilância	 e	
previsão,	e	à	solidariedade.
A Ética profissional	pode	ser	definida	como:
A reflexão sobre	as	exigências	do	profissional	em	sua	relação:
	com	o	cliente/usuário;
	com	o	público;
	com	seus	colegas;
	com	sua	corporação;
	com	os	demais	profissionais.	(DURAND,	p.	85).
Estas exigências remetem	 ao	 conjunto	 de	 direitos	 e	 de	 obrigações	
expressos	no	Código	de	Ética	da	profissão.
A reflexão sobre	as	ações	realizadas	no	exercício	de	uma	profissão,	 [...]	
no	que	consistem	[...],	[...]	a	quem	se	destinam	[...],	[...]	para	que	se	destinam	[...],	
deve	iniciar	antes	da	prática	profissional	.
A	fase	da	escolha	profissional,	ainda	durante	a	adolescência,	muitas	vezes,	
já	deve	ser	permeada	por	esta	reflexão.
A	escolha	por	uma	profissão	é	optativa,	mas	ao	escolhê-la,	o	conjunto	de	
deveres	profissionais	passa	a	ser	obrigatório.
Geralmente,	 quando	 se	 é	 jovem,	 escolhe-se	 a	 carreira	 sem	 conhecer	
o	 conjunto	 de	 deveres	 que	 está	 prestes	 a	 assumir	 ao	 se	 tornar	 parte	 daquela	
categoria	que	escolheu.
TÓPICO 1 | UNIDADE 3
177
Toda a fase de formação profissional, [...] o aprendizado das competências 
e habilidades referentes à prática específica numa determinada área, [...] deve 
incluir a reflexão, desde antes do início dos estágios práticos.
Ao	completar	a	formação	em	nível	superior,	a	pessoa	faz	um	juramento,	
que	significa	sua	adesão	e	comprometimento	com	a	categoria	profissional	em	que	
formalmente	ingressa.
Isto	caracteriza	o	aspecto	moral	da	chamada	Ética Profissional.	Seja,	esta	
adesão,	voluntária	a	um	conjunto	de	 regras	estabelecidas	 como	sendo	as	mais	
adequadas	para	o	seu	exercício.
No	 período	 de	 formação	 e	 mesmo	 depois	 no	 decorrer	 da	 prática,	 o	
profissional	deve	estar	sempre	se	perguntando:
1.	Que	deveres	assumi?	O	que	a	entidade,	a	chefia,	e	o	usuário	esperam	de	mim?	
Estes	 deveres	 são	 compatíveis	 com	 a	 profissão?	Ou	 é	 a	 chamada	 exigência	
generalista	do	mercado?
2.	Estou	assumindo	uma	função	institucional	ou	a	profissão	mesma?
3.	Como	 estou	 conduzindo	 os	 deveres	 assumidos?	 Como	 estou	 cumprindo	
minhas	responsabilidades?	Estou	me	conduzindo	nos	valores	previstos	pelo	
Código	de	Ética	da	Profissão?
4.	O	que	devo	fazer	e	como	fazer?	Planejo,	organizo,	sistematizo,	avalio	minhas	
ações?	Que	resultados	produzo?	Em	benefício	de	quem?
5.	E	 tão	 importante	 quanto	 os	 aspectos	 acima:	 Estou	 sendo	 bom	 profissional?	
Competente,	 coerente?	 Estou	 agindo	 adequadamente	 nas	 relações	 pessoais	 e	
profissionais?	Isto	inclui:
●	 respeitar	e	exigir	respeito;
●	 atitudes	de	generosidade	e	cooperação,	trabalho	em	equipe;
●	 uma	postura	pró-ativa	(que	é	compromisso/	é	contribuir	para	o	engrandecimento	
do	trabalho);
●	 estar	 preocupado,	 com	 as	 PESSOAS,	 que	 é	 ser	 coerente	 com	 os	 deveres	
profissionais.
Acredito	na	profissão	de	Assistente	Social	 a	qual	defendi	durante	 toda	
minha	vida	de	prática	profissional	e	como	docente.
Sempre	busquei	apresentar	o	quanto	é	importante e bom ser Assistente 
Social,	e	como	se	faz	necessário	o	esmerado	preparo	profissional	e	o	compromisso	
com	a	realidade,	alvo	de	nossa	intervenção.	O	trabalho	profissional	não	permite	
acomodação	e	o	profissional	comprometido	não	se	acomoda.
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
178
Só	se	acomoda	e	se	arrisca	a	virar	fóssil	aquele	que	não	tem	amor	por	si	
mesmo	e	pelo	próximo.
O	Serviço	Social	é	uma	profissão	que	tem	sua	legitimidade	regulamentada	
em	Lei	e	fundamentada	em	seu	Código	de	Ética,	e	este	defende	a	equidade	e	a	
justiça	social.
O	 processo	 de	 renovação	 pelo	 qual	 o	 Serviço	 Social	 tem	 passado,	 no	
transcorrer	de	sua	história,	vem	compromissado	com	esses	valores	e	princípios	
que	são	defendidos	por	 seus	profissionais,	na	conquista	de	direitos	 sociais,	na	
defesa	dos	direitos	já	alcançados	e	na	ampliação	destes.	
Apegados	a	estes	valores,	não	poderemos	deixar	de	ser	Éticos.
●	 Ser	Assistente	Social	é	fazer	Serviço	Social:
A	identidade	profissional	é	construída	pelos	grupos	profissionais	de	que	
fazemos	 parte.	 Como	 o	 grupo	 existe?	 Passa	 a	 existir	 através	 das	 relações	 que	
estabelecem	seus	membros	entre	si	e	com	o	meio	em	que	vivem,	isto	é,	pela	sua	
prática,	seu	agir,	seu	trabalhar,	fazer,	pensar,	sentir	[...].
O	 indivíduo	 (Assistente	 Social)	 vai	 sendo	 representado	 previamente	
na	graduação	e	vai	assimilando	em	um	processo	interno	a	representação	desta	
identidade.
Esta	identidade	pressupõe	o	fazer,	as	práticas	de	serviço	social	que	realiza,	
mas	é	a	aceitação	da	 identidade	que	força	comportamentos,	ações	compatíveis	
com	a	profissão.	É	a	aceitação	que	 leva	a	assumir	a	postura	ética	 exigida	pela	
profissão.
Por	 isto,	 a	 identidade	precisa	 ser	 continuamente	 re-posta,	que	 significa	
“agir	como”.	Comparecer	perante	o	outro	como	portador	de	um	papel,	mas	comorepresentante	de	si	e	de	um	grupo	profissional.
●	 Ser	Assistente	Social	ético	exige:
Competência	 técnica,	 aprimoramento	 constante,	 respeito	 às	 pessoas,	
confidencialidade,	privacidade,	tolerância,	flexibilidade,	fidelidade,	envolvimento,	
afetividade,	 correção	 de	 conduta,	 boas	 maneiras,	 relações	 genuínas	 com	 as	
pessoas,	 responsabilidade,	 corresponder	 à	 confiança	 que	 lhe	 é	 depositada	 [...]	
pois	o	comportamento	ético	de	um	profissional	 reflete	em	todos	os	demais	da	
profissão.
Vale	 lembrar	 que	 comportamento	 eticamente	 adequado	 e	 sucesso	
continuado	são	indissociáveis!
TÓPICO 1 | UNIDADE 3
179
Empregabilidade	é	sinônimo	de	bom	profissional.
E	só	pode	ser	ético	profissionalmente	aquele	que	o	é	pessoalmente.
Lembro	aqui	a	passagem	de	Lucas,	que	em	seu	Capítulo	16,	traz	a	palavra	
de Jesus:
“Quem	é	fiel	nas	pequenas	coisas	também	é	fiel	nas	grandes,	e	quem	é	
injusto	nas	pequenas,	também	é	injusto	nas	grandes.”	(BRASIL,	16:10).
Obrigada,	e	vamos	em	frente	pela	Ética	agora	e	sempre!
FONTE: FRANKE, Edite Jendreick. Ética Palestra proferida na III Jornada de Estágio do Curso de 
Serviço Social da UEPG (PR), Ponta Grossa, 25 set. 2007. Disponível em: <http://www.uepg.br/
uepg_departamentos/deservi/pdf/TEXTOS%20PARA%20REFLEXAO%2002.pdf>. Acesso em: 26 
mar. 2009.
180
Com relação aos princípios fundamentais do Código de Ética dos 
Assistentes Sociais, abordamos, neste tópico, as seguintes questões:
●	 Vimos	 que	 o	 Código	 de	 Ética	 do	 Assistente	 Social	 possui	 onze	 princípios	
fundamentais	que	norteiam	sua	prática	profissional.	Estes	princípios	são:	
Liberdade: 
●	 Observamos	 que	 todo	 homem	 pode	 fazer	 suas	 escolhas	 de	 forma	 livre	 e	
consciente.	
●	 A	 liberdade	 é	 constituída	 no	 relacionamento	 direto	 entre	 os	 homens	 em	
sociedade,	por	meio	de	suas	atividades	humanas.	
●	 O	 ser	 humano	 é	 um	 ser	 livre	 e	 tem	 o	 poder	 de	 escolha,	 feita	 de	 maneira	
consciente.	
●	 Por	meio	do	trabalho,	o	ser	humano	se	constitui	um	homem	consciente	e	livre.
● A liberdade é um poder de escolhas.
●	 Vimos	que	os	profissionais	do	serviço	social	tomam	como uma de suas bases 
fundamentais, para a práxis profissional, a LIBERDADE.
●	 A	 liberdade	 é	 tida	 como	 um	 valor	 ético,	 que	 determina,	 como	 um	 todo,	 a	
atuação	profissional	do	Assistente	Social.	
Direitos Humanos:
●	 Outro	princípio	 fundamental	 do	Código	de	Ética	 Profissional	 do	Assistente	
Social	é a defesa e conservação incondicional dos direitos humanos.	
●	 Direitos	 inscritos	na	Declaração	Universal	dos	Direitos	Humanos	da	ONU	–	
Organização	das	Nações	Unidas.	
●	 Os	 direitos	 humanos	 norteiam,	 diretamente,	 a	 base	 ética	 profissional	 do	
Assistente	Social.
●	 Os	Assistentes	 Sociais	 desenvolvem	 suas	 atividades	 com	base	na	 liberdade,	
igualdade,	justiça	e	paz	do	mundo	e	na	defesa	dos	direitos	fundamentais	dos	
seres	humanos,	procurando	sempre	promover	o	progresso	social	e	a	ampliação	
da	qualidade	de	vida	de	cada	cidadão.
RESUMO DO TÓPICO 1
181
Cidadania:
● A cidadania	é	um	conjunto	de	direitos	e	deveres	que	denotam	e	fundamentam	
as	condições	do	comportamento	de	cada	indivíduo,	em	relação	à	sociedade	em	
que	está	inserido.	
●	 A	 cidadania	 designa	 normas	 de	 conduta	 para	 o	 convivio	 social,	 em	 que	
determina	nossas	obrigações	e	direitos	perrante	os	outros	integrantes	da	nossa	
sociedade.
●	 Temos	três	dimensões	da	cidadania:	civil,	política	e	social.
●	 E	é	nesta	perspectiva	da	garantia	dos	direitos	e	deveres	de	cada	cidadão,	que	o	
Assistente	Social	desenvolve	sua	prática	profissional.
Democracia:
●	 A	democracia	nada	mais	 é	do	que	um	sistema	de	governo,	no	qual	 o	povo	
governa	para	sua	própria	sociedade.	
●	 Este	sistema	de	governo	democrático	possui	formatos	diferentes	nas	diversas	
sociedades.
●	 Temos	a	democracia	direta	e	indireta.
●	 Quando	falamos	em	democracia,	também	falamos	de	distribuição	democrática	
das	riquezas	socialmente	produzidas,	por	meio	do	trabalho	dos	homens.
●	 O	 Assistente	 Social	 possui	 a	 premissa	 de	 defender	 incondicionalmente	 a	
democracia	política,	econômica	e	social	da	sociedade.	
Equidade e Justiça Social:
●	 A	equidade	nada	mais	é	do	que	fazer	justiça	com	imparcialidade.	
●	 Todos	os	seres	humanos	possuem	direitos	e	deveres	iguais	perante	a	sociedade	
em	que	vivem.	
●	 Estes	direitos,	por	sua	vez,	denotam	um	conjunto	de	princípios	morais,	que	
acabam	igualando	todos	os	homens	de	uma	mesma	sociedade.
●	 Equidade	é	a	igualdade	de	direitos	entre	os	iguais.
●	 A	prática	profissional	do	Assistente	Social	processa-se	na	garantia	da	equidade	
e	da	justiça	social,	em	que	procura	assegurar	a	universalidade	de	direitos	e	o	
acesso	aos	bens	produzidos	por	meio	do	trabalho	de	todos	os	indivíduos,	sem	
distinção	de	cor,	raça,	etnia	e	classe	social.
182
Respeito à Diversidade:
●	 Outro	 princípio	 fundamental	 da	 práxis	 profissional	 do	Assistente	 Social	 se	
processa	na	mediação	direta	 com	 todos	 os	 indivíduos	de	uma	determinada	
sociedade,	com	o	intuito	de	eliminar	toda	e	qualquer	forma	de	preconceito	e	
discriminação.
●	 A	diversidade	denota	que	todos	os	homens	devem	aceitar	e	compreender	as	
diferenças	humanas.	
●	 Nenhum	homem	na	face	da	Terra	é	igual	a	outro	homem.
●	 O	 respeito	 à	 diversidade	 humana	 não	 significa	 apenas	 tolerar	 o	 outro,	mas	
respeitá-lo	como	ele	realmente	é.
●	 Devemos	olhar	o	outro	por	meio	dos	olhos	dele	e	não	por	meio	dos	nossos	
olhos.
Pluralismo: 
●	 O	pluralismo	significa	reconhecer	a	existência	da	diversidade	humana.	
●	 A	diversidade	pode	 ser:	 cultural,	 religiosa,	 política,	 econômica,	 ambiental	 e	
social.
●	 Não	existe	uma	realidade	única	e	absoluta.
●	 O	pluralismo	denota	que	não	 existe	 somente	uma	 concepção	 conceitual,	 ou	
seja,	existem	várias	referências	e	doutrinas	conceituais.
●	 A	 prática	 profissional	 do	 Assistente	 Social	 deve,	 constantemente,	 buscar	 e	
garantir	o	pluralismo	conceitual,	para	seu	constante	aperfeiçoamento	pessoal	e	
intelectual.
Projeto Profissional:
●	 O	 projeto	 profissional	 do	Assistente	 Social	 possui	 um	 caráter	 sociopolítico,	
crítico	e	interventivo,	no	qual	vem,	historicamente,	utilizando	um	instrumental	
técnico	operativo	multidisciplinar,	para	análise	e	intervenção	junto	às	inúmeras	
expressões	da	questão	social.	
●	 O	 Assistente	 Social	 busca	 sempre	 prestar	 seus	 serviços	 em	 prol	 do	
desenvolvimento	e	da	construção	de	uma	sociedade	mais	 justa,	 igualitária	e	
sem	discriminação	e	exploração	das	classes	sociais	e	suas	diversidades.
183
Movimentos Sociais: 
●	 Um	movimento	social	denota	a	organização	de	um	grupo	social	que	possui	
interesses	 comuns,	 que,	 de	 forma	 estruturada,	 busca	 desenvolver	 suas	
atividades	conforme	suas	finalidades	e	objetivos.	
●	 Nesta	perspectiva,	os	Assistentes	Sociais	também	desenvolvem	suas	atividades	
laboratoriais,	em	prol	da	articulação	e	mediação	constante	entre	a	sociedade	
civil,	os	diversos	movimentos	sociais	e	o	Estado.	
Qualidade dos Serviços prestados:
●	 Todo	 trabalho,	produto	ou	prestação	de	 serviço	deve	 ter,	 como	premissa,	 a	
qualidade,	 ou	 seja,	 todo	 profissional	 deve	 exercer	 sua	 profissão	 com	 ética,	
responsabilidade	e	qualidade.	
Indiscriminação: 
●	 O	 preconceito	 pode	 ser	 compreendido	 como	 uma	 atitude,	 julgamento	 de	
valores,	 formação	 de	 juízo	 ou	 ideias	 preconcebidas,	 a	 partir	 do	 qual	 nós	
recriminamos	ou	rotulamos	uma	situação,	lugares,	pessoas,	objetos	e	culturas,	
conforme	nossos	valores	ético-morais.	
●	 Quando	nos	deparamos	com	“o	diferente”,	o	repulsamos	e	discriminamos,	sem,	
muitas	vezes,	conhecer	melhor	a	pessoa	ou	a	situação	que	estamos	julgando.
●	 Existem	muitas	 formas	 de	 discriminação	 ou	 preconceito.	 Hoje,	 as	 questões	
raciais,	sociais,	sexuais	e	religiosas	são	as	principais	formas	de	preconceito	que	
enfrentamos.
●	 O	preconceito	humano	leva	os	homens	a	agirem	de	forma	violenta,	acarretando	
na	discriminação	e	marginalização	dos	homens.
184Em	 grupo,	 reflitam	 sobre	 cada	 um	 dos	 onze	 Princípios	 Fundamentais	 do	
Código	 de	 Ética	 do	 Assistente	 Social.	 Em	 seguida,	 realizem	 as	 seguintes	
atividades.
1	Explique	a	frase:	“A	liberdade	é	um	poder	de	escolhas”.
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2	 Escolha	 dois	 dos	 direitos	 humanos	 expostos	 na	 Declaração	 Universal	 dos	
Direitos	Humanos	da	ONU	–	Organização	das	Nações	Unidas	–	e	explique-os.
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3	Temos	 três	dimensões	da	cidadania:	a	 civil,	 a	política	e	a	 social.	Explique	
cada	uma	delas.
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4	O	que	você	compreende	por	democracia?
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5	Equidade	é	a	igualdade	de	direitos	entre	os	iguais.	Justifique	esta	indagação.
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6		A	diversidade	denota	que	todos	os	homens	devem	aceitar	e	compreender	as	
diferenças	humanas.	Exemplifique	esta	indagação.
AUTOATIVIDADE
185
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7	Será	que	existe	uma	realidade	única	e	absoluta?	Justifique.
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8	Quando	nos	deparamos	com	“o	diferente”,	o	repulsamos	e	discriminamos,	
sem,	muitas	 vezes,	 conhecer	melhor	 a	 pessoa	 ou	 a	 situação	 que	 estamos	
julgando.	O	que	você	faria	nesta	situação,	ou	seja,	como	você	agiria	diante	
de	uma	pessoa	que	você	não	conhece?
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186
187
TÓPICO 2
DOS DIREITOS E DAS RESPONSABILIDADES GERAIS DO 
ASSISTENTE SOCIAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Observamos	que	o	Código	de	Ética	do	Assistente	Social	foi	constituído	na	
perspectiva	de	garantir	os	princípios	fundamentais	da	profissão,	além	de	dispor	
sobre	os	direitos	e	deveres	do	profissional,	mas,	também,	prediz	como	se	devem	
processar,	eticamente,	as	relações	diretas	com	os	usuários.	
Neste	 tópico,	 abordar-se-á	uma	discussão	 referente	 aos	direitos	 e	deveres	
gerais	do	Assistente	Social.	Direitos	e	deveres	assegurados	pelo	Código de Ética do 
Assistente Social - Resolução CFESS nº 273, de 13 de março de 1993 (BRASIL, 1997).
2 DOS DIREITOS GERAIS DO ASSISTENTE SOCIAL
Art. 2º - Constituem direitos do Assistente Social:
a)	garantia	e	defesa	de	suas	atribuições	e	prerrogativas,	estabelecidas	na	Lei	de	
Regulamentação	da	Profissão	e	dos	princípios	firmados	neste	Código;
b)	livre	exercício	das	atividades	inerentes	à	Profissão;
c)	 participação	 na	 elaboração	 e	 gerenciamento	 das	 políticas	 sociais,	 e	 na	
formulação	e	implementação	de	programas	sociais;
d)	inviolabilidade	do	local	de	trabalho	e	respectivos	arquivos	e	documentação,	
garantindo	o	sigilo	profissional;
e)	 desagravo	público	por	ofensa	que	atinja	a	sua	honra	profissional;
f)	 aprimoramento	profissional	de	forma	contínua,	colocando-o	a	serviço	dos	
princípios	deste	Código;
g)	pronunciamento	 em	matéria	 de	 sua	 especialidade,	 sobretudo	 quando	 se	
tratar	de	assuntos	de	interesse	da	população;
h)	ampla	 autonomia	 no	 exercício	 da	 Profissão,	 não	 sendo	 obrigado	 a	 prestar	
serviços	profissionais	incompatíveis	com	as	suas	atribuições,	cargos	ou	funções;
i)	 liberdade	na	realização	de	seus	estudos	e	pesquisas,	resguardados	os	direitos	
de	participação	de	indivíduos	ou	grupos	envolvidos	em	seus	trabalhos.	
FONTE: Brasil (2011)
188
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
Como	 vocês	 observaram,	 o	Artigo	 2	 do	Código	 de	 Ética	 do	Assistente	
Social	 compreende	que	os	direitos gerais	 do	Assistente	Social	prediz	 todas	 as	
atribuições	e	prerrogativas	que	compõe	o	regulamento	da	profissão	(Lei	n°	8.662,	
de	7	de	junho	de	1993),	garantindo-os.	
O	Assistente	 Social	poderá	 exercer	 sua	 atividade	profissional	de	 forma	
ética	 e	 livre,	 participando	 constantemente	 do	 desenvolvimento,	 elaboração	 e	
gestão	de	políticas	sociais.
Também	 é	 garantido	 o	 sigilo	 profissional	 e	 a	 dignidade	 do	Assistente	
Social,	 ou	 seja,	 não	 é	 permitido	 que	 haja	 violação	 tanto	 do	 local	 de	 trabalho	
quanto	dos	arquivos	e	documentos	provenientes	da	prática	profissional,	além	da	
segurança	à	honra	profissional	do	Assistente	Social.
Todo	 Assistente	 Social	 deve	 ter	 como	 premissa	 fundamental	 o	
constante	aprimoramento	técnico	operativo.	Buscando	sempre	novas	formas	de	
melhoramento	de	sua	prática	profissional.
Somos	 corresponsáveis	 pela	 divulgação	 direta	 dos	 assuntos	
correlacionados	à	nossa	prática,	ou	seja,	devemos	fazer	declarações	públicas	de	
matérias	pertinentes	ao	interesse	da	sociedade.
Finalizando,	 podemos	 expor	 que	 todo	 Assistente	 Social	 possui	 plena	
autonomia	e	liberdade	na	execução	de	sua	prática	profissional,	não	sendo	obrigado	
ou	coagido	a	fazer	algum	serviço	que	não	seja	pertinente	à	sua	capacidade	técnico-
operativa,	cargo	ou	função.
3 DOS DEVERES GERAIS DO ASSISTENTE SOCIAL
Art. 3º - São deveres do Assistente Social:
a)	 desempenhar	 suas	 atividades	 profissionais,	 com	 eficiência	 e	
responsabilidade,	observando	a	legislação	em	vigor;
b)	 utilizar	 seu	 número	 de	 registro	 no	 Conselho	 Regional	 no	 exercício	 da	
profissão;
c)	 abster-se,	 no	 exercício	 da	 Profissão,	 de	 práticas	 que	 caracterizem	 a	
censura,	o	cerceamento	da	liberdade,	o	policiamento	dos	comportamentos,	
denunciando	sua	ocorrência	aos	órgãos	competentes;
d)	participar	de	programas	de	socorro	à	população	em	situação	de	calamidade	
pública,	no	atendimento	e	defesa	de	seus	interesses	e	necessidades.
FONTE:	Brasil	(2011)
TÓPICO 2 | UNIDADE 3
189
Como	 exposto	 no	Artigo	 3	 do	Código	 de	 Ética	 do	Assistente	 Social,	 o	
Assistente	Social	deve	realizar	sua	prática	profissional	com	eficiência,eficácia	e	
responsabilidade,	mas	sempre	norteado	pelas	normas	e	princípios	ético-morais.
Para	atuação	da	prática	profissional,	todo	Assistente	Social	deve	se	registrar	
no	Conselho	Regional	do	Serviço	Social	(CRESS)	de	sua	região	de	atuação,	para,	
assim,	se	legitimar	enquanto	profissional.
Todo	 Assistente	 Social	 deve	 se	 abster	 da	 prática	 profissional	 que	 seja	
contra	os	princípios	fundamentais	de	sua	conduta	profissional,	ou	seja,	afastar-se	e	
denunciar,	aos	órgãos	competentes,	as	ações	que	cerceiam	os	direitos	de	liberdade,	
democracia,	cidadania,	igualdade,	direitos	humanos,	equidade	e	justiça	social.	
Devemos sempre estar prontos e aptos a participar ativamente de 
programas	e	projetos	de	socorro	emergencial	à	sociedade	que	esteja	em	situação	
de	risco,	calamidade	pública,	no	intuito	de	atender	e	defender	os	interesses	e	as	
necessidades	da	comunidade.
4 O QUE O ASSISTENTE SOCIAL NÃO PODE FAZER
Art. 4º - É vedado ao Assistente Social:
a)	transgredir	 qualquer	 preceito	 deste	 Código,	 bem	 como	 da	 Lei	 de	
Regulamentação	da	Profissão;
b)	praticar	e	ser	conivente	com	condutas	antiéticas,	crimes	ou	contravenções	
penais	na	prestação	de	serviços	profissionais,	com	base	nos	princípios	deste	
Código,	mesmo	que	estes	sejam	praticados	por	outros	profissionais;
c)	 acatar	determinação	 institucional	que	fira	os	princípios	e	diretrizes	deste	
Código;
d)	compactuar	com	o	exercício	ilegal	da	Profissão,	inclusive	nos	casos	de	estagiários	
que	exerçam	atribuições	específicas,	em	substituição	aos	profissionais;
e)	permitir	ou	exercer	a	supervisão	de	aluno	de	Serviço	Social	em	Instituições	
Públicas	ou	Privadas	que	não	tenham	em	seu	quadro	Assistente	Social	que	
realize	acompanhamento	direto	ao	aluno	estagiário;
f)	 assumir	responsabilidade	por	atividade	para	as	quais	não	esteja	capacitado	
pessoal	e	tecnicamente;
g)	substituir	profissional	que	tenha	sido	exonerado	por	defender	os	princípios	
da	ética	profissional,	enquanto	perdurar	o	motivo	da	exoneração,	demissão	
ou	transferência;
h)	pleitear	 para	 si	 ou	 para	 outrem	 emprego,	 cargo	 ou	 função	 que	 estejam	
sendo	exercidos	por	colega;
190
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
i)	 adulterar	 resultados	 e	 fazer	 declarações	 falaciosas	 sobre	 situações	 ou	
estudos	de	que	tome	conhecimento;
j)	 assinar	 ou	 publicar	 em	 seu	 nome	 ou	 de	 outrem	 trabalhos	 de	 terceiros,	
mesmo	que	executados	sob	sua	orientação.
FONTE: Brasil (2011)
Conforme	o	Artigo	4	do	Código	de	Ética	do	Assistente	Social,	observou-se	que	
o	Assistente	Social	possui	algumas	atribuições	que	não podem ser exercidas,	como:	
	não	levar	a	sério	ou	não	respeitar	o	que	prediz	o	Código	de	Ética	da	profissão	e	seu	
Regulamento;
	não	ter	posturas	antiéticas	no	seu	exercício	profissional;
	não	praticar	crimes	e	contravenções	penais,	na	realização	da	prática	profissional;
	nunca	 aceitar	 ou	praticar	 ações	 impostas,	muitas	 vezes,	 pelas	 organizações,	
que	infrinjam	as	diretrizes	do	Código	de	Ética;
	nunca	condescender	ou	aceitar	práticas	profissionais	que	sejam	ilegais,	ou	seja,	
contra	os	princípios	legais	da	profissão;
	nunca	devemos	assumir	responsabilidades	de	coisas	e	ações	que	não	estejam	
norteadas	 por	 nossas	 capacidades	 técnicas	 operativas,	 ou	 seja,	 só	 devemos	
exercer	as	atividades	das	quais	possuímos	conhecimento	técnico.
DICAS
– Para um aprofundamento destes temas, sugiro que você leia os seguintes 
livros:
SOUZA, Herbert. Ética e 
cidadania. São Paulo: Moderna, 
2000.
GALLO, Silvio. Ética e cidadania: 
caminhos da filosofia. Papirus, 
2002.
191
Observamos que o Código de Ética do Assistente Social prediz como se 
devem processar, eticamente, as relações diretas com usuários, principalmente 
no que se refere aos direitos e deveres gerais do Assistente Social. Portanto, 
neste tópico abordamos que:
	Os direitos gerais	 do	 Assistente	 Social	 predizem	 todas	 as	 atribuições	 e	
prerrogativas	que	compõe	o	regulamento	da	profissão,	garantindo-os.	
	O	Assistente	Social	poderá	exercer	sua	atividade	profissional	de	forma	ética	e	livre.	
	É	garantido	o	sigilo	profissional	e	a	dignidade	do	Assistente	Social.
	Todo	 Assistente	 Social	 deve	 ter,	 como	 premissa	 fundamental,	 o	 constante	
aprimoramento	técnico	operativo.	
	Devemos	 fazer	declarações	públicas	de	matérias	pertinentes	 ao	 interesse	da	
sociedade.
	Todo	Assistente	Social	possui	plena	autonomia	e	liberdade	na	execução	de	sua	
prática	profissional,	não	sendo	obrigado	ou	coagido	a	fazer	algum	serviço	que	
não	seja	pertinente	à	sua	capacidade	técnico-operativa,	cargo	ou	função.
	O	Assistente	Social	deve	realizar	sua	prática	profissional	com	eficiência,	eficácia	
e	responsabilidade.	
	Todo	Assistente	 Social	 deve	 se	 registrar	 no	Conselho	Regional	 do	 Serviço	
Social	(CRESS).
	Todo	Assistente	Social	deve	se	abster	da	prática	profissional	que	seja	contra	os	
princípios	fundamentais	de	sua	conduta	profissional.
	Devemos	sempre	estar	prontos	e	aptos	a	participar	ativamente	de	programas	
e	projetos	de	socorro	emergencial	à	sociedade	que	esteja	em	situação	de	risco	e	
calamidade	pública.
	O	Assistente	Social	possui	algumas	atribuições	que	não podem ser exercidas,	
como: 
	não	levar	a	sério	ou	não	respeitar	o	que	prediz	o	Código	de	Ética	da	profissão	
e	seu	Regulamento;
	não	ter	posturas	antiéticas	no	seu	exercício	profissional;
		não	praticar	crimes	e	contravenções	penais,	na	realização	da	prática	profissional;
	nunca	aceitar	ou	praticar	ações	que	infrinjam	as	diretrizes	do	Código	de	Ética;
	nunca	aceitar	práticas	profissionais	ilegais;
 
	só	devemos	exercer	as	atividades	que	possuímos	conhecimento	técnico.
RESUMO DO TÓPICO 2
192
AUTOATIVIDADE
Escreva	o	que	você	compreendeu	a	respeito	dos	direitos	e	deveres	gerais	dos	
Assistentes	Sociais.
193
TÓPICO 3
O CÓDIGO DE ÉTICA DO ASSISTENTE SOCIAL BRASILEIRO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste	tópico,	somente	apresentaremos,	na	íntegra,	o	Código	de	Ética	do	
Assistente	Social.
Mas,	 primeiramente,	 apresentamos	 uma	 síntese	 histórica	 do	 seu	
surgimento	e	adaptações.
O	 Código	 de	 Ética	 profissional	 dos	 assistentes	 sociais	 brasileiros	 já	
passou	por	 diversas	 edições	 e	 atualizações.	Agora,	 prezados	 acadêmicos,	 lhes	
apresentarei	uma	síntese	de	casa	fase.
Primeira edição: Em setembro de 1947	foi	aprovado	em	São	Paulo	pela	
Assembleia	 Geral	 da	 Associação	 Brasileira	 de	 Assistentes	 Sociais	 (ABAS), o 
primeiro Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais no Brasil – que foi 
um marco histórico para a categoria profissional do Serviço Social. Apresentava 
somente:
• os deveres fundamentais do assistente social;
• os deveres para com o beneficiário do serviço social;
• os deveres para com os colegas;
• os deveres para com a organização onde trabalha.
Segunda edição: aprovada em 8 de maio de 1965	pelo	Conselho	Federal	
de	Assistentes	 Sociais	 (CFAS),	 em	 que	 baseado	 nos	 direitos	 fundamentais	 do	
homem	e	as	exigências	do	bem	comum	da	sociedade	brasileira	institui	um	novo	
código	de	ética,	que	apresentava:
•	a	profissão;
• os deveres fundamentais do assistente social;
• o segredo profissional;
• os deveres para com as pessoas, grupos e comunidades atingidos pelo serviço 
social;
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
194
• os deveres para com os serviços empregadores;
• os deveres para com os colegas;
• as associações de classe;
• o trabalho em equipe;
• a responsabilidade e da preservação da dignidade profissional;
• a aplicação e observância do código.
Terceira edição: aprovado em 30 de janeiro de 1975,	 pelo	 Conselho	
Federal	de	Assistentes	Sociais	(CFAS),	em	que	nos	traz	toda	uma	introdução	ao	
Código	de	Ética	Profissional	do	Assistente	Social.	Esta	apresenta	os	princípios	
e	valores	fundamentais	para	a	atuação	profissional	que	são:	autodeterminação,	
participação,	subsidiariedade,	bem	comum	e	justiça	social.	Em	que	apresentou:
•	 os	direitos	e	deveres	do	assistente	social	–		em	que	se	trabalharam	os	direitos	com	
relação	ao	exercício	e	status	profissionale	os	deveres	no	que	tange	as	questões	
do	 exercício	profissional,	nas	 relações	 com	os	 clientes,	 colegas,	 entidades	de	
classe,	instituições,	comunidade,	justiça,	à	publicação	de	trabalhos	científicos,	
além	de	apontarem	o	que	o	assistente	social	não	poderia	fazer.
•	 o	segredo	profissional;
•	 as	medidas	disciplinares.
UNI
Segundo Paiva et. al (APUD BONETTI ET AL, 2010, p. 159-160), “desde a primeira 
formulação do nosso Código de ética Profissional, em 1947, até a reelaboração de 1975, 
permaneceram vigentes as mesmas concepções filosóficas assentadas no neotomismo, 
a partir das quais consagrávamos valores abstratos e metafísicos como “BEM COMUM” 
e “PESSOA HUMANA”. E somente com a reformulação de 1986 essas concepções foram 
superadas, com a explicitação de PRINCÍPIOS ÉTICOS HISTORICAMENTE SITUADOS: 
foram negados conceitos abstratos e indicada a urgência de objetivar os sujeitos históricos 
para apreender suas necessidades concretas.”
Quarta edição: aprovado em 9 de maio de 1986,	pelo	Conselho	Federal	
de	Assistentes	Sociais	(CFAS),	que	também	nos	traz	uma	breve	introdução	e	nos	
apresenta:
TÓPICO 3 | UNIDADE 3
195
•	 os	direitos	e	das	responsabilidades	gerais	do	assistente	social;
•	 o	sigilo	profissional;
•	 as	 relações	 profissionais	 (com:	 usuários,	 instituições,	 entre	 profissionais	
do	 serviço	 social,	 entidades	 da	 categoria	 e	 demais	 organizações	 da	 classe	
trabalhadora,	justiça;	
•	 a	observância,	aplicação	e	cumprimento	do	código	de	ética.
Quinta edição:	 foi	 feita	 uma	 revisão	 do	 código	 de	 ética	 em	 1991 no 
Seminário	Nacional	de	ética.
Sexta edição:	também	o	código	de	ética	foi	revisto	em	1992,	pelos	encontros	
estaduais,	além	da	7ª	CBAS,	XII	ENESS,	XX	Encontro	nacional	CFESS/CRESS.
Sétima edição:	resolução	CFESS	N.º	273/93,	de	13 março 1993, que	Institui	
o	Código	de	Ética	Profissional	dos	Assistentes	Sociais	e	dá	outras		providências,	
promulgado	pelo		Conselho	Federal	de	Serviço	Social	(CFESS).	Que	primeiramente	
apresenta	os	princípios	fundamentais	da	profissão	e	depois:
•	 os	direitos	e	das	responsabilidades	gerais	do	assistente	social;
•	 as	 relações	 profissionais,	 com	 o	 usuário,	 instituições	 empregadoras	 e	 outras,	
assistentes	 sociais	 e	 outros	 profissionais,	 entidades	 da	 categoria	 e	 demais	
organizações	da	sociedade	civil;
• 	o	sigilo	profissional.
Oitava edição: em 1996	 o	 Código	 de	 Ética	 foi	 revisitado	 e	 ampliado.	
Buscou-se	 enriquecê-lo,	 incluindo	as	 características	da	Resolução	do	CFESS	nº	
333/96,	que	incidiu	sobre	o	Art.	25	do	Código	de	Ética,	de	acordo	com	a	deliberação	
do	XXV	Encontro	Nacional	CFESS/CRESS	(Setembro	de	1996	-	Fortaleza/CE).
UNI
Nesta nova edição tivemos o intuito também de apresentar uma nova 
programação visual deste instrumento normativo, que possa propiciar uma percepção mais 
completa e imediata dos valiosos conteúdos que emanam dos artigos, alíneas e incisos aqui 
reunidos.
Assim sendo, a concepção da capa não é, em absoluto, aleatória. A figura lendária de Arthur 
Bispo do Rosário significa a homenagem do CFESS a cada usuário das políticas e serviços 
sociais, em nome do respeito, qualidade e responsabilidade nos termos dos princípios 
firmados por este Código que nossa ética profissional pretende assegurar. A imagem de Bispo 
procura ainda reconhecer e enaltecer os esforços dos vários segmentos sociais, políticos 
e profissionais que se mobilizam pelo compromisso ético com a liberdade, equidade e 
democracia.
Fonte: Conselho Federal de Serviço Social – CFESS Gestão 1996/99.
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
196
Nona edição: em	2011,	o	Código	de	ética	sofreu	nova	modificação,	pois:
A	 9ª	 edição	 do	 Código	 de	 Ética	 do/a	 Assistente	 Social	 [vem]	
Incorporando	as	alterações	discutidas	e	aprovadas	no	39º	Encontro	Nacional	
do	Conjunto	CFESS/CRESS,	realizado	em	setembro	de	2010	em	Florianópolis	
(SC),	a	nova	edição	do	documento	foi	publicada	pelo	CFESS	nesta	sexta-feira,	
11	de	fevereiro	de	2011.
[...]	As	alterações	no	Código	de	Ética	se	adéquam	às	correções	formais	e	
de	conteúdo,	conforme	consignadas	na	Resolução	CFESS	594,	de	21	de	janeiro	
de	2011,	publicada	no	Diário	Oficial	da	União	(DOU)	em	24	de	janeiro	deste	ano.
"As	correções	formais	dizem	respeito	à	incorporação	das	novas	regras	
ortográficas	da	 língua	portuguesa,	 assim	 como	à	numeração	 sequencial	dos	
princípios	fundamentais	do	Código	e,	ainda,	ao	reconhecimento	da	linguagem	
de	 gênero,	 adotando-se	 em	 todo	 o	 texto	 a	 forma	 masculina	 e	 feminina	
simultaneamente",	[...]
Além	disso,	houve	mudanças	de	nomenclatura,	com	a	substituição	do	
termo	"opção	sexual"	por	"orientação	sexual",	incluindo	ainda	no	princípio	XI	
a	"identidade	de	gênero",	quando	se	refere	ao	exercício	do	serviço	social	sem	
ser	discriminado/a	nem	discriminar	por	essa	condição.	Ainda,	a	9ª	edição	do	
Código,	 conforme	consta	da	Apresentação	à	Edição	de	2011	do	 instrumento	
normativo,	traz	alterações	que	"reafirmam	princípios	e	valores	do	Projeto	Ético-
Político	e	incorporam	avanços	nas	discussões	acerca	dos	direitos	da	população	
LGBT	pela	livre	orientação	e	expressão	sexual".
	(Código	de	Ética	do/a	Assistente	Social.	9ª	Edição	Revista	e	
Atualizada,	2011).
2 O CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DOS/DAS ASSISTENTES 
SOCIAIS
Prezados(as)	acadêmicos(as)!	Segue	na	íntegra	a	9ª EDIÇÃO REVISTA E 
ATUALIZADA	do	Código	de	Ética	profissional	do/da	assistente	social,	publicada 
em janeiro de 2011.	Que	foi	Aprovado	em	13	de	março	de	1993,	mas	segue	com	as	
alterações	introduzidas	pelas	Resoluções	CFESS	nº290/94,	293/94,	333/96	e	594/11.	
Além	do	mais,	 o	 texto	 vem	 com	 adequação	 de	LINGUAGEM DE GÊNERO,	
conforme	deliberação	do	39º	Encontro	Nacional	CFESS/CRESS.
TÓPICO 3 | UNIDADE 3
197
CÓDIGO DE ÉTICA DO ASSISTENTE SOCIAL 
RESOLUÇÃO CFESS Nº 273, DE 13 DE MARÇO DE 1993
Princípios Fundamentais
I.	Reconhecimento	 da	 liberdade	 como	 valor	 ético	 central	 e	 das	 demandas	
políticas	a	ela	 inerentes	–	autonomia,	emancipação	e	plena	expansão	dos	
indivíduos	sociais;	
II.	 Defesa	 intransigente	 dos	 direitos	 humanos	 e	 recusa	 do	 arbítrio	 e	 do	
autoritarismo;	
III.	Ampliação	e	consolidação	da	cidadania,	considerada	tarefa	primordial	de	
toda	a	sociedade,	com	vistas	à	garantia	dos	direitos	civis	sociais	e	políticos	
das	classes	trabalhadoras;	
IV.	Defesa	 do	 aprofundamento	 da	 democracia,	 enquanto	 socialização	 da	
participação	política	e	da	riqueza	socialmente	produzida;	
V.	 Posicionamento	 em	 favor	 da	 equidade	 e	 justiça	 social,	 que	 assegure	
universalidade	 de	 acesso	 aos	 bens	 e	 serviços	 relativos	 aos	 programas	 e	
políticas	sociais,	bem	como	sua	gestão	democrática;	
VI.	Empenho	na	eliminação	de	todas	as	formas	de	preconceito,	incentivando	o	
respeito	à	diversidade,	à	participação	de	grupos	socialmente	discriminados	
e	à	discussão	das	diferenças;	
VII.	Garantia	 do	 pluralismo,	 através	 do	 respeito	 às	 correntes	 profissionais	
democráticas	existentes	e	suas	expressões	teóricas,	e	compromisso	com	o	
constante	aprimoramento	intelectual;	
VIII.	Opção	por	um	projeto	profissional	vinculado	ao	processo	de	construção	
de	uma	nova	ordem	societária,	sem	dominação-exploração	de	classe,	etnia	
e	gênero;	
IX.	Articulação	 com	 os	 movimentos	 de	 outras	 categorias	 profissionais	 que	
partilhem	dos	princípios	deste	Código	e	com	a	luta	geral	dos	trabalhadores;	
X.	 Compromisso	com	a	qualidade	dos	serviços	prestados	à	população	e	com	
aprimoramento	intelectual,	na	perspectiva	da	competência	profissional;	
XI.	Exercício	 do	 Serviço	 Social	 sem	 ser	 discriminado,	 nem	 discriminar,	 por	
questões	de	inserção	de	classe	social,	gênero,	etnia,	religião,	nacionalidade,	
opção	sexual,	idade	e	condição	física.	
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
198
TÍTULO I – DISPOSIÇÕES GERAIS
Artigo 1º	-	Compete	ao	Conselho	Federal	de	Serviço	Social:	
a)	zelar	pela	observância	dos	princípios	e	diretrizes	deste	Código,	fiscalizando	
as	ações	dos	Conselhos	Regionais	e	a	prática	exercida	pelos	profissionais,	
instituições	e	organizaçõesna	área	do	Serviço	Social;	
b)	introduzir	 alteração	neste	Código,	 através	de	uma	 ampla	participação	da	
categoria,	num	processo	desenvolvido	em	ação	conjunta	com	os	Conselhos	
Regionais;	
c)	como	 Tribunal	 Superior	 de	 Ética	 Profissional,	 firmar	 jurisprudência	 na	
observância	deste	Código	e	nos	casos	omissos.	
Parágrafo único	–	Compete	aos	Conselhos	Regionais,	nas	áreas	de	suas	
respectivas	jurisdições,	zelar	pela	observância	dos	princípios	e	diretrizes	deste	
Código,	e	funcionar	como	órgão	julgador	de	primeira	instância.	
TÍTULO II – DOS DIREITOS E DAS RESPONSABILIDADES 
GERAIS DO ASSISTENTE SOCIAL
Artigo 2º	-	Constituem	direitos	do	Assistente	Social	
a)	garantia	e	defesa	de	suas	atribuições	e	prerrogativas,	estabelecidas	na	Lei	de	
Regulamentação	da	Profissão,	e	dos	princípios	firmados	neste	Código;	
b)	livre	exercício	das	atividades	inerentes	à	Profissão;	
c)	participação	 na	 elaboração	 e	 gerenciamento	 das	 políticas	 sociais,	 e	 na	
formulação	e	implementação	de	programas	sociais;	
d)	inviolabilidade	do	local	de	trabalho	e	respectivos	arquivos	e	documentação,	
garantindo	o	sigilo	profissional;	
e)	desagravo	público	por	ofensa	que	atinja	a	sua	honra	profissional;	
f)	 aprimoramento	profissional	de	forma	contínua,	colocando-o	a	serviço	dos	
princípios	deste	Código;	
g)	pronunciamento	 em	 matéria	 de	 sua	 especialidade,	 sobretudo	 quando	 se	
tratar	de	assuntos	de	interesse	da	população;	
h)	ampla	autonomia	no	exercício	da	profissão,	não	sendo	obrigado	a	prestar	
serviços	 profissionais	 incompatíveis	 com	 as	 suas	 atribuições,	 cargos	 ou	
funções;	
TÓPICO 3 | UNIDADE 3
199
i)	 liberdade	na	realização	de	seus	estudos	e	pesquisas,	resguardados	os	direitos	
de	participação	de	indivíduos	ou	grupos	envolvidos	em	seus	trabalhos.	
Artigo 3º	-	São	deveres	do	Assistente	Social:	
a)	desempenhar	suas	atividades	profissionais,	com	eficiência	e	responsabilidade,	
observando	a	legislação	em	vigor;	
b)	utilizar	 seu	 número	 de	 registro	 no	 Conselho	 Regional	 no	 exercício	 da	
Profissão;	
c)	abster-se,	 no	 exercício	 da	 Profissão,	 de	 práticas	 que	 caracterizem	 a	
censura,	o	cerceamento	da	liberdade,	o	policiamento	dos	comportamentos,	
denunciando	sua	ocorrência	aos	órgãos	competentes;	
d)	participar	de	programas	de	socorro	à	população	em	situação	de	calamidade	
pública,	no	atendimento	e	defesa	de	seus	interesses	e	necessidades.	
Artigo 4º	-	É	vedado	ao	Assistente	Social:	
a)	transgredir	 qualquer	 preceito	 deste	 Código,	 bem	 como	 da	 Lei	 de	
Regulamentação	da	Profissão;	
b)	praticar	e	ser	conivente	com	condutas	antiéticas,	crimes	ou	contravenções	
penais	na	prestação	de	serviços	profissionais,	com	base	nos	princípios	deste	
Código,	mesmo	que	estes	sejam	praticados	por	outros	profissionais;	
c)	acatar	 determinação	 institucional	 que	 fira	 os	 princípios	 e	 diretrizes	 deste	
Código;	
d)	compactuar	 com	 o	 exercício	 ilegal	 da	 Profissão,	 inclusive	 nos	 casos	 de	
estagiários	 que	 exerçam	 atribuições	 específicas,	 em	 substituição	 aos	
profissionais;	
e)	permitir	ou	exercer	a	supervisão	de	aluno	de	Serviço	Social	em	Instituições	
Públicas	ou	Privadas,	que	não	tenham	em	seu	quadro	Assistente	Social	que	
realize	acompanhamento	direto	ao	aluno	estagiário;	
f)	 assumir	responsabilidade	por	atividade	para	as	quais	não	esteja	capacitado	
pessoal	e	tecnicamente;	
g)	substituir	profissional	que	tenha	sido	exonerado	por	defender	os	princípios	
da	ética	profissional,	enquanto	pendurar	o	motivo	da	exoneração,	demissão	
ou	transferência;	
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
200
h)	pleitear	para	si	ou	para	outrem	emprego,	cargo	ou	função	que	estejam	sendo	
exercidos	por	colega;	
i)	 adulterar	 resultados	 ou	 fazer	 declarações	 falaciosas	 sobre	 situações	 ou	
estudos	de	que	tome	conhecimento;	
j)	 assinar	ou	publicar	em	seu	nome	ou	de	outrem	trabalhos	de	terceiros,	mesmo	
que	executados	sob	sua	orientação.
TÍTULO III – DAS RELAÇÕES PROFISSIONAIS
CAPÍTULO I – Das relações com os Usuários
Artigo 5º	 -	São	deveres	do	Assistente	Social	nas	suas	relações	com	os	
usuários: 
a)	contribuir	para	a	viabilização	da	participação	efetiva	da	população	usuária	
nas	decisões	institucionais;	
b)	garantir	 a	 plena	 informação	 e	 discussão	 sobre	 as	 possibilidades	 e	
consequências	das	situações	apresentadas,	respeitando	democraticamente	as	
decisões	dos	usuários,	mesmo	que	sejam	contrárias	aos	valores	e	às	crenças	
individuais	dos	profissionais	resguardados	os	princípios	deste	Código;	
c)	democratizar	as	informações	e	o	acesso	aos	programas	disponíveis	no	espaço	
institucional,	como	um	dos	mecanismos	indispensáveis	à	participação	dos	
usuários;	
d)	devolver	as	informações	colhidas	nos	estudos	e	pesquisas	aos	usuários,	no	
sentido	de	que	estes	possam	usá-las	para	o	fortalecimento	dos	seus	interesses;	
e)	informar	 à	 população	 usuária	 sobre	 a	 utilização	 de	materiais	 de	 registro	
audiovisual	 e	pesquisas	a	elas	 referentes	e	a	 forma	de	 sistematização	dos	
dados	obtidos;	
f)	 fornecer	à	população	usuária,	quando	solicitado,	informações	concernentes	ao	
trabalho	desenvolvido	pelo	Serviço	Social	e	as	suas	conclusões,	resguardado	o	
sigilo	profissional;	
g)	contribuir	 para	 a	 criação	 de	 mecanismos	 que	 venham	 desburocratizar	
a	 relação	 com	 os	 usuários,	 no	 sentido	 de	 agilizar	 e	melhorar	 os	 serviços	
prestados;	
h)	esclarecer	aos	usuários,	ao	iniciar	o	trabalho,	sobre	os	objetivos	e	a	amplitude	
de	sua	atuação	profissional;	
TÓPICO 3 | UNIDADE 3
201
Artigo 6º	-	É	vedado	ao	Assistente	Social:	
a)	exercer	sua	autoridade	de	maneira	a	limitar	ou	cercear	o	direito	do	usuário	
de	participar	e	decidir	livremente	sobre	seus	interesses;	
b)	aproveitar-se	de	situações	decorrente	da	relação	Assistente	Social-usuário,	
para	obter	vantagens	pessoais	ou	para	terceiros;	
c)	bloquear	 o	 acesso	 dos	 usuários	 aos	 serviços	 oferecidos	 pelas	 instituições,	
através	de	atitudes	que	venham	coagir	e/ou	desrespeitar	aqueles	que	buscam	o	
atendimento	de	seus	direitos.	
CAPÍTULO II – Das Relações com as Instituições Empregadoras e 
Outras
Artigo 7º	-	Constituem	direitos	do	Assistente	Social:	
a)	dispor	de	condições	de	trabalho	condignas,	sejam	em	entidade	pública	ou	
privada,	de	forma	a	garantir	a	qualidade	do	exercício	profissional;	
b)	Ter	livre	acesso	à	população	usuária;	
c)	Ter	 acesso	 a	 informações	 institucionais	 que	 se	 relacionem	 aos	 programas	
e	 políticas	 sociais,	 e	 sejam	 necessárias	 ao	 pleno	 exercício	 das	 atribuições	
profissionais;	
d)	integrar	 comissões	 interdisciplinares	 de	 ética	 nos	 locais	 de	 trabalho	 do	
profissional,	tanto	no	que	se	refere	à	avaliação	da	conduta	profissional,	como	
em	relação	às	decisões	quanto	às	políticas	institucionais.	
Artigo 8º -	São	deveres	do	Assistente	Social:	
a)	programar,	administrar,	executar	e	repassar	os	serviços	sociais	assegurados	
institucionalmente;	
b)	denunciar	falhas	nos	regulamentos,	normas	e	programas	da	instituição	em	que	
trabalha,	quando	os	mesmos	estiverem	ferindo	os	princípios	e	diretrizes	desse	
Código,	mobilizando,	inclusive,	o	Conselho	Regional,	caso	se	faça	necessário;	
c)	contribuir	para	a	alteração	da	correlação	de	forças	institucionais,	apoiando	
as	legítimas	demandas	de	interesse	da	população	usuária;	
d)	empenhar-se	na	viabilização	dos	direitos	sociais	dos	usuários,	através	dos	
programas	e	políticas	sociais;	
UNIDADE 3 | UNIDADE 3
202
e)	empregar	com	transparência	as	verbas	sob	a	sua	responsabilidade,	de	acordo	
com	os	interesses	e	necessidades	coletivas	dos	usuários.	
Artigo 9º	-	É	vedado	ao	Assistente	Social:	
a)	emprestar	 seu	 nome	 e	 registro	 profissional	 a	 firmas,	 organizações	 ou	
empresas	para	simulação	do	exercício	efetivo	do	Serviço	Social;	
b)	usar	 ou	 permitir	 o	 tráfico	 de	 influência	 para	 obtenção	 de	 emprego,	
desrespeitando	concurso	ou	processos	seletivos;	
c)	utilizar	recursos	institucionais	(pessoal	e/ou	financeiro)	para	fins	partidários,	
eleitorais	e	clientelistas.	
CAPÍTULO III – Das Relações com Assistentes

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