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FUNDAÇÃO DE APOIO À ESCOLA TÉCNICA
Centro de Ensino Técnico e Profissionalizante
Quintino
ESCOLA TÉCNICA ESTADUAL REPÚBLICA
DEPARTAMENTO DE MECÂNICA
HIGIENE E SEGURANÇA
NO TRABALHO
Engº Mário L. C. Almeida
HISTÓRICO 1
Quando estudamos documentos relacionados à Segurança do Trabalho
vemos algumas referências aos riscos profissionais.
Hipócrates, quatro séculos antes de Cristo, fez menção à existência de
moléstias entre mineiros e metalúrgicos. Plínio, o Velho, no início da Era
Cristã, descreveu moléstias do pulmão e envenenamento entre mineiros, pelo
manuseio do enxofre e do zinco. Galeno, no século II, citou moléstias
profissionais entre trabalhadores das ilhas do Mediterrâneo.
Georgius Agrícola (forma latina de Georg Bauer). Médico, era estudioso de
todos os aspectos da mineralogia e da indústria metalúrgica e iniciou um
estudo de 25 anos que culminou na sua obra-prima publicada
postumamente: “De re metallica” (1556), um tratado de mineralogia e
metalurgia. O tratado, com doze capítulos, inclui 292 gravuras em madeira
cuidadosamente entalhadas e estuda problemas relacionados à extração e à
fundição da prata e do ouro. A obra discute acidentes do trabalho e doenças
comuns entre mineiros, destacando-se a “asma dos mineiros”, provocada por
poeiras que Agrícola denominava “corrosivas”. A descrição dos sintomas
indica que se tratava de silicose.
Ainda no século XVI, Paracelso escreveu a primeira monografia sobre a
relação entre trabalho e doença: “Von Der Birgsucht Und Anderen Bergrank
Heiten”. Nela foram mostrados os sintomas da intoxicação pelo mercúrio.
Em 1700 publicou-se na Itália “De Morbis Artificum Dia Triba” do médico
Bernardino Ramazzini, “o pai da medicina do trabalho”. Nessa obra foram
descritas cerca de cem profissões e os riscos específicos de cada uma delas.
Descrições baseadas nas observações clínicas do autor que sempre
perguntava aos pacientes: ”Qual a sua ocupação ?”.
Com a invenção da máquina de fiar, ocorreu na Inglaterra a Revolução
Industrial. Até aí, o artesão era dono dos seus meios de produção. O alto
custo das máquinas não mais permitiu que o artesão as possuísse. Quando
os capitalistas viram as chances de lucro, decidiram comprar máquinas e
empregar pessoas para fazê-las funcionar. Surgiram assim as primeiras
fábricas de tecidos e, com elas, o Capital e o Trabalho.
Com o advento das máquinas a vapor, a indústria, que não precisava mais
dos rios para fazer as máquinas movimentarem-se, veio para as cidades,
onde havia farta mão-de-obra.
No crescimento desenfreado das fábricas não havia cuidados quanto à saúde
da mão-de-obra, constituída de homens, mulheres e crianças. Chegou-se ao
cúmulo de se vender crianças para suprir a mão de obra. No final do século
XVIII, a indústria inglesa ofereceu melhores salários mas causou problemas
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
3
ocupacionais sérios: altos índices de acidentes e de moléstias profissionais
eram causados pelo trabalho em máquinas sem proteção, pelo trabalho
executado em ambientes fechados onde a ventilação era precária e o ruído
atingia limites altíssimos e pela inexistência de limites de horas de trabalho.
Em 1802 o Parlamento Britânico aprovou a 1ª lei de proteção ao
trabalhador: a “Lei de Saúde e Moral dos Aprendizes”, que estabeleceu o
limite de 12 horas de trabalho por dia, proibiu o trabalho noturno, obrigou
os empregadores a lavar as paredes das fábricas duas vezes por ano e tornou
obrigatória a ventilação destas.
Três décadas mais tarde, uma comissão parlamentar de inquérito sobre
doenças do trabalho elaborou um relatório que concluía: “Diante desta
Comissão desfilou longa procissão de trabalhadores - homens e mulheres,
meninas, abobalhados, doentes, deformados, degradados na sua qualidade
humana. Cada um deles era a evidência de uma vida arruinada, um quadro
vivo de uma crueldade humana do homem para com o homem, uma impiedosa
condenação daqueles legisladores que, quando em suas mãos detinham poder
imenso, abandonaram os fracos à capacidade dos fortes”.
A denúncia da Comissão fez com que, em 1833, surgisse a 1ª lei realmente
eficiente de proteção ao trabalhador: a “Lei das Fábricas” (Factory Act).
Criava restrições às empresas têxteis em que fosse usada a força hidráulica
ou a vapor; proibia o trabalho noturno aos menores de 18 anos e limitava as
horas de trabalho destes a 12 por dia e 60 por semana; as fábricas eram
obrigadas a ter escolas, que seriam freqüentadas pelos trabalhadores
menores de 13 anos; a idade mínima para o trabalho era de 9 anos, e um
médico devia atestar que o desenvolvimento físico da criança correspondia à
sua idade.
Em 1867 incluiu-se nesta lei mais moléstias e estipulou-se a proteção das
máquinas e a ventilação mecânica para o controle de poeiras; proibiu-se a
ingestão de alimentos nos ambientes sob atmosferas nocivas da fábrica.
Foi na Grã-Bretanha onde primeiro foram registradas medidas em atenção à
boa saúde do trabalhador. Lá foi criado o 1º órgão fiscalizador do Ministério
do Trabalho para apurar doenças profissionais e realizar exames médicos
pré-admissionais e periódicos.
A evolução da Revolução Industrial resultou no aparecimento dos serviços de
saúde ocupacional em vários países europeus. Na França, em 1946, tornou-
se obrigatória a existência de serviços de saúde ocupacional em
estabelecimentos, industriais ou comerciais, onde trabalhassem mais de dez
pessoas. Mais recentemente, na Espanha e em Portugal, outras leis
obrigaram à criação de serviços de saúde ocupacional em empresas com
mais de quinhentos trabalhadores.
Nos Estados Unidos os serviços de saúde ocupacional não existiam até a
entrada em vigor de leis sobre indenizações em casos de acidente de
trabalho. Por isso, os empregadores estabeleceram, no início deste século, os
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
4
primeiros serviços de saúde ocupacional com o principal objetivo de reduzir
o custo das indenizações.
Em meados do século a importância da proteção dos trabalhadores atingiu a
Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial de
Saúde (OMS). Assim, a 43ª Conferência Internacional do Trabalho
estabeleceu a “Recomendação para os serviços de saúde ocupacional, 1959”
que determinava serem objetivos dos serviços de saúde ocupacional
instalados em um estabelecimento de trabalho, ou em suas proximidades:
1- Proteger os trabalhadores contra riscos à sua saúde, que possam
decorrer do seu trabalho ou das condições em que este é realizado.
2- Contribuir para o ajustamento físico e mental do trabalhador,
obtido especialmente pela adaptação do trabalho aos
trabalhadores, e pela colocação destes em atividades profissionais
para as quais tenham aptidões.
3- Contribuir para o estabelecimento e a manutenção do mais alto
grau possível de bem-estar físico e mental dos trabalhadores.
No Brasil as estatísticas sobre doenças profissionais e sobre acidentes do
trabalho eram tão alarmantes que o Governo Federal baixou a portaria
3.237, de 17 de julho de 1972, que tornou obrigatória a existência de
Serviços de Medicina do Trabalho e de Engenharia de Segurança do
Trabalho em todas as empresas com mais de cem trabalhadores. A Lei nº
6.514, de 22 de dezembro de 1977 e as normas regulamentadoras aprovadas
pela portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978 dão continuidade à legislação
de proteção ao trabalhador brasileiro.
Atualmente são trinta e duas as normas regulamentadoras do trabalho
urbano:
NR – 01 - Disposições Gerais
NR – 02 - Inspeção Prévia
NR – 03 - Embargo ou interdição
NR – 04 - Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e
Medicina do Trabalho – SESMT
NR – 05 - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA
NR – 06 - Equipamento de proteção Individual – EPI
NR – 07 - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional –
PCMSO
NR – 08 - Edificações
NR – 09 - Programa de prevenção de riscos ambientais – PPRA
NR – 10 - Instalações e serviços em eletricidade
NR – 11 - Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de
materiais
NR – 12 -Máquinas e equipamentos
NR – 13 - Caldeiras e vasos de pressão
NR – 14 - Fornos
NR – 15 - Atividades e operações insalubres
NR – 16 - Atividades e operações perigosas
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
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NR – 17 - Ergonomia
NR – 18 - Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da
construção
NR – 19 - Explosivos
NR – 20 - Líquidos combustíveis e inflamáveis
NR – 21 - Trabalho a céu aberto
NR – 22 - Trabalhos subterrâneos
NR – 23 - Proteção contra incêndios
NR – 24 - Condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho
NR – 25 - Resíduos industriais
NR – 26 - Sinalização de segurança
NR – 27 - Registro profissional do técnico de segurança do trabalho no
Ministério do Trabalho e da Previdência Social
NR – 28 - Fiscalização e penalidades
NR – 29 - Trabalho Portuário
NR - 30 - Trabalho Aquaviário
NR – 31 – Trabalhos em Espaços Confinados *
NR – 32 - Trabalho em Estabelecimentos de Assistência à Saúde *
NR – 33 - Trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura, Exploração
Florestal e Pesca *
Mais cinco regulamentam o trabalho rural:
NRR – 1 – Disposições Gerais
NRR – 2 – Serviço Especializado em Prevenção de Acidentes do
Trabalho Rural – SEPATR
NRR – 3 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho
Rural – CIPATR
NRR – 4 – Equipamentos de Prevenção Individual
NRR – 5 – Produtos Químicos
* em desenvolvimento
ACIDENTES DO TRABALHO 2
2.1 - ACIDENTES DO TRABALHO
Os acidentes no trabalho causam, em qualquer comunidade, prejuízos que
são um sério obstáculo ao desenvolvimento sócio-econômico de um país
porque debilitam o trabalhador, restringem a sua capacidade de produção
além de poderem causar danos às máquinas, equipamentos e instalações de
uma empresa.
Para se determinar e combater as causas dos acidentes do trabalho é
necessário, primeiramente, conhecermos as definições de acidente do
trabalho.
2.1.1 - CONCEITO LEGAL
No Brasil, o Decreto nº 61.784 de 28 de novembro de 1967, em seu Art. 3º
assim define acidente de trabalho:
2.1.2 - CONCEITO PREVENCIONISTA
De acordo com o conceito prevencionista:
Ex.: A queda de um objeto do empilhamento mal feito, sem vítima.
No conceito legal o legislador se interessou em definir o acidente para
proteger o trabalhador acidentado garantindo-lhe o pagamento do salário
enquanto estiver impossibilitado de trabalhar, ou indenizando-o quando
houver lesão incapacitante permanente. O conceito prevencionista, alerta-
nos que o ferimento é apenas uma das conseqüências do acidente, pois o
acidente pode ocorrer sem provocar lesões.
Estatísticas mostram que em cada 300 acidentes do trabalho, 272 são
acidentes sem lesões, 27 são acidentes que causam lesões leves e apenas 1
causa lesões graves.
Acidente do Trabalho será aquele que ocorrer pelo exercício do trabalho, a
serviço da empresa, provocando lesão corporal, perturbação funcional ou
doença que cause a morte ou a perda ou redução permanente ou
temporária, da capacidade para o trabalho.
Acidente do Trabalho é um fato inesperado, não planejado, que interrompe
ou interfere num processo normal de trabalho, resultando em lesão e/ou
danos materiais e/ou perda de tempo.
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
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Como não podemos prever se de um acidente vai resultar, ou não, uma
lesão no trabalhador, concluímos que devemos tentar evitar todo e qualquer
tipo de acidente.
2.1.3 - CASOS CONSIDERADOS COMO ACIDENTES DO TRABALHO
• O acidente sofrido no local e no horário do trabalho em conseqüência
de:
a. ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiros
ou companheiros de trabalho;
b. ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de
disputa relacionada ao trabalho;
c. ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiros
ou de companheiro de trabalho;
d. ato de pessoa privada do uso da razão;
e. desabamento, inundações, incêndio e outros casos fortuitos ou
decorrentes de força maior;
• A doença proveniente de contaminação acidental do empregado no
exercício de sua atividade;
• O acidente sofrido pelo segurado, ainda que fora do local e horário de
trabalho:
a. na execução de ordem ou na realização de serviço sob a
autoridade da empresa;
b. na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe
evitar prejuízo ou proporcionar proveito;
c. em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando
financiada por estar dentro de seus planos para melhor
capacitação da mão-de-obra, independentemente do meio de
locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do
segurado;
d. no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para
aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo
de propriedade do segurado.
Entende-se como percurso o trajeto usual da residência ou do local de
refeição para o trabalho, ou deste para aqueles, locomovendo-se o
empregado a pé ou valendo-se de transporte da empresa ou próprio ou da
condução normal. O Decreto estabelece ainda, que no período destinado à
refeição ou descanso, ou por ocasião de satisfação de outra necessidade
fisiológica, no local ou durante o horário de trabalho, o empregado será
considerado a serviço da empresa.
Para fins legais, equipara-se ainda ao acidente do trabalho:
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
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• doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada
pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e
constante da relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da
Previdência Social.
• doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em
função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele
se relacione diretamente.
Segundo a legislação em vigor, doença profissional é aquela inerente a
determinado ramo de atividade.
Podem ser relacionadas como doenças do trabalho, resultantes das
condições especiais em que a atividade se realiza: a epilepsia, quando
decorre de um acidente de trabalho; a lepra, quando o trabalho obriga o
contato permanente com hansenianos; o câncer, quando o trabalhador está
sujeito às poeiras ou trabalho em ambiente cancerígeno; a neurose, quando
a sua manifestação ocorre ao tempo do trabalho ou é atribuída às condições
em que ele se realiza.
A doença profissional ou do trabalho, para que se equipare a o acidente do
trabalho, deverá acarretar incapacidade temporária ou permanente para o
trabalho.
Não são consideradas como doença do trabalho:
• a doença degenerativa;
• a inerente ao grupo etário;
• a que não produza incapacidade laborativa;
• a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em
que ela se desenvolva salvo comprovação de que é resultante de
exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho.
IMPORTANTE: Todo o acidente do trabalho, por mais leve que seja, deverá
ser comunicado à empresa, que providenciará a CAT - Comunicação de
Acidente do Trabalho, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em
caso de morte, de imediato.
A CAT deverá ser preenchida em seis vias, com a seguinte destinação:
• 1ª via - ao INSS;
• 2ª via - à empresa;
• 3ª via - ao segurado ou dependente;
• 4ª via - ao sindicato de classe do trabalhador;
• 5ª via - ao Sistema Único de Saúde-SUS;
• 6ª via - à Delegacia Regional do Trabalho.
A entrega das vias da CAT compete ao emitente da mesma, cabendo a este
comunicar ao segurado ou seus dependentes em qual Agência da
Previdência Social foi registrada.
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
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A Comunicação de Acidente do Trabalho deverá ser feita pela empresa, ou na
falta desta o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical
competente, o médico assistente ou qualquer autoridade pública.
No caso de doença profissional ou do trabalho, considera-se como dia do
acidente a data da comunicação desta à empresa ou, na sua falta, a da
entrada do pedido do benefício no INSS, a partir de quando serão devidas as
prestações cabíveis.
No final deste capítulo, você encontrará um formulário de CAT
2.1.3.1 - DIFERENÇA ENTRE DOENÇA EACIDENTE DO TRABALHO
Entre o acidente do trabalho e a doença profissional há uma tênue diferença
que, muitas vezes, é impossível descobrir.
- O acidente pode ser provocado intencionalmente pelo empregado.
- O acidente acontece de modo instantâneo e violento.
- A doença pode ser simulada mas não pode ser criada pelo empregado.
Tem uma duração. Não aparece num momento, provocando a lesão
corporal, ou a perturbação funcional, ou a morte. Ela se apresenta
internamente num processo silencioso.
- A causa do acidente-tipo é externa.
2.2 – CAUSAS DOS ACIDENTES DO TRABALHO
Do ponto de vista prevencionista, causa de acidente é qualquer fator que, se
fosse eliminado, teria evitado o acidente. As causas dos acidentes podem
decorrer de fatores pessoais ou materiais.
O reconhecimento das causas pode ser fácil, como no caso de um degrau
quebrado de uma escada, ou difícil, quando se precisa determinar as causas
de uma seqüência em cadeia que originaram o acidente. Pode-se dizer que a
maioria dos acidentes tem mais de uma causa.
As causas fundamentais dos acidentes do trabalho são classificadas como
atos inseguros, condições inseguras e fatores pessoais de insegurança.
2.2.1 – ATOS INSEGUROS
Atos inseguros são as ações ou omissões, maneiras pelas quais o
trabalhador se expõe, voluntariamente ou não, a riscos de acidentes.
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
10
Responsáveis por 80% dos acidentes, os atos inseguros mais comuns são:
- Brincadeiras em serviço (ofender, distrair, assustar, discutir, jogar
objetos, gritar, etc.);
- Desconhecimento das regras de segurança ou dos métodos seguros
de trabalho;
- Emprego incorreto das ferramentas ou de ferramentas sabidamente
defeituosas;
- Excesso de confiança dos que se julgam imunes a acidentes;
- Fadiga física ou mental, que pode prejudicar os reflexos normais do
trabalhador.
- Falta de habilidade para o desempenho da atividade (pode ocorrer
por treinamento insuficiente);
- Levantamento de cargas de forma imprópria;
- Negligência, como no caso do trabalhador que não usa os EPI’s
recomendados;
- Permanecer sob cargas suspensas ou em locais perigosos, junto a
máquinas ou à passagem de veículos;
- Remover dispositivos de proteção ou alterar o seu funcionamento,
tornando-os ineficientes;
- Realizar operações para as quais não esteja devidamente
autorizado;
- Trabalhar, sem necessidade, com equipamento em movimento ou
perigoso (manutenção, reparo e lubrificação de máquinas em
movimento e realização de trabalhos em equipamentos elétricos
energizados);
- Usar vestimentas inadequadas (salto alto, mangas compridas,
gravatas soltas, cabelos compridos soltos, anéis, pulseiras, etc.);
- Uso inadequado de equipamentos (sobrecarregar veículos,
andaimes, etc.);
- Velocidades perigosas (operar máquinas em suas velocidades
limites ou em velocidades inseguras, pular de locais elevados, atirar
materiais ao invés de transportá-los, etc.).
Não são considerados como atos inseguros os que emanarem da chefia ou as
ações realizadas em obediência às instruções de superiores. Estes casos
devem ser considerados como condições inseguras.
2.2.2 – CONDIÇÕES INSEGURAS
São responsáveis por 18% dos acidentes.
Exemplos de condições inseguras:
Condições inseguras de um ambiente de trabalho são as falhas, defeitos,
irregularidades técnicas, carências de dispositivos de segurança, e outras
que põem em risco a integridade física ou a saúde do trabalhador ou a
própria segurança das instalações e equipamentos.
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
11
- Arranjos físicos e arrumações perigosas (empilhamento perigoso,
armazenagem irregular ou perigosa, passagens obstruídas, etc.);
- Condições defeituosas dos equipamentos (grosseiro, cortante,
corroído, fraturado, de qualidade inferior, etc.);
- Condições precárias das instalações físicas (escadas, tubulações,
rampas, instalações e pisos escorregadios, corroídos,
sobrecarregados, mal conservados ou quebrados);
- Construções ou projetos inseguros;
- Equipamentos de proteção defeituosos ou mal sinalizados
(extintores descarregados ou com a carga vencida);
- Iluminação ou ventilação incorreta ou inadequada;
- Má distribuição de horários e tarefas;
- Material mal identificado ou não identificado;
- Proteção mecânica ou elétrica inadequada (falta de aterramento em
instalações elétricas);
- Operações e processos perigosos;
- Riscos naturais provenientes de irregularidades e instabilidades dos
solos, intempéries, animais selvagens (nos trabalhos externos ou “a
céu aberto”).
 
Importante: Não devemos confundir a condição insegura com o risco
inerente de certas operações industriais. Por exemplo: a corrente elétrica é
um risco inerente aos serviços que envolvem eletricidade. Instalações
elétricas mal feitas ou improvisadas, fios expostos, etc., são condições
inseguras.
2.2.3 – FATOR PESSOAL DE INSEGURANÇA
A caracterização do fator pessoal de insegurança não é fácil, exigindo o
exame apurado das circunstâncias em que ocorreu o acidente. O fator
pessoal de insegurança, como o ato inseguro, não é necessariamente
causado pelo trabalhador acidentado, podendo ser provocado por terceiros.
Os fatores pessoais de insegurança predominantes são:
- Alcoolismo ou uso de substâncias tóxicas ou de drogas;
- Conhecimento ou treinamento insuficiente;
- Defeito físico ou incapacidade física para o serviço executado
(principalmente órgãos do sentido);
- Desconhecimento do risco ou de práticas seguras para a execução
do serviço;
- Desrespeito às instituições e normas de segurança;
- Falta de interesse pela atividade que desempenha;
- Má interpretação do perigo;
- Nervosismo ou excesso de confiança;
Fator pessoal de insegurança é a característica mental ou física que leva o
trabalhador à prática do ato inseguro.
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
12
- Preocupação com outros problemas;
- Problemas de saúde não tratados (mentais e nervosos);
- Problemas diversos de ordem social;
- Problemas familiares.
2.3 - CONSEQÜÊNCIAS DOS ACIDENTES DO TRABALHO
Muitas vezes, pior que o próprio acidente são as suas conseqüências. Todos
perdem. Perde o empregador, com a perda da mão-de-obra, de material, de
equipamentos, de tempo, e, conseqüentemente, com a elevação dos custos
operacionais. Perde o governo, com o número crescente de inválidos e
dependentes da Previdência Social. Perde o empregado, que fica incapacitado
temporária ou permanentemente para o trabalho, de forma total ou parcial, e
a sua família que passa a ter o padrão de vida afetado pela falta dos ganhos
normais.
Um acidente do trabalho pode levar o trabalhador a se ausentar da empresa
por apenas algumas horas, quando é chamado de acidente sem afastamento .
É o que ocorre, por exemplo, quando o acidente resulta num pequeno corte
no dedo, e o trabalhador retorna em seguida.
Outras vezes, um acidente pode deixar o trabalhador impedido de realizar
suas atividades por dias seguidos, ou meses, ou de forma definitiva. Se o
trabalhador não retornar ao trabalho imediatamente ou até a jornada
seguinte temos o chamado acidente com afastamento , que pode resultar:
a) Na incapacidade temporária , que é a perda da capacidade para o
trabalho por um período limitado de tempo, após o qual o
trabalhador retorna às suas atividades normais.
b) Na incapacidade total e permanente , que é a invalidez para o
trabalho.
c) Na incapacidade parcial permanente , que é a diminuição, para o
resto da vida, da capacidade física total para o trabalho
desenvolvido. É o que acontece, por exemplo, quando ocorre a
perda de um dedo ou de uma vista.
2.3.1 - PREJUÍZOS IMEDIATOS PARA O GOVERNO
a) Pagamento, através do INSS, de benefícios previdenciários ao
trabalhador acidentado ou a seus dependentes.
b) pagamento de despesas médico-hospitalares no tratamento do
acidentado, inclusive com o fornecimento de próteses.
c) despesas com a reabilitação profissional do trabalhador acidentado.
d) assistência reeducativa e readaptativa profissional: Reeducativa
quando, depoisda assistência, o funcionário retorna para a mesma função;
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
13
readaptativa quando, após a assistência, o funcionário vai para outra
função.
Os principais benefícios concedidos pela Previdência Social, através do INSS
quando da ocorrência de acidentes do trabalho são: (Regulamento dos
“Benefícios da Previdência Social” aprovado pelo decreto no. 2.172, de
05/03/97)
• Reabilitação Profissional: Serviço que o INSS coloca à disposição de seus
segurados, inclusive aposentados e dependentes. Tem como objetivo
proporcionar aos segurados e dependentes incapacitados (parcial ou
totalmente), os meios indicados para a (re)educação e (re)adaptação
profissional e social, de modo que possam voltar a participar do mercado
de trabalho. O atendimento é feito por uma equipe multidisciplinar, que
envolve médicos, assistentes sociais, psicólogos, sociólogos,
fisioterapeutas, entre outros. O serviço é extensivo aos dependentes, de
acordo com as disponibilidades técnico-financeiras do INSS.
• Auxílio-doença: Beneficio previdenciário devido ao segurado que ficar
temporariamente incapacitado para o seu trabalho ou atividade habitual
por mais de 15 dias consecutivos. A empresa paga os primeiros 15 dias
de afastamento. O INSS paga a partir do 16° dia de afastamento. O valor
do auxílio doença acidentário corresponde a 91% do salário de benefício.
O auxílio-doença deixa de ser pago:
• quando o segurado recupera a capacidade para o trabalho;
• quando este benefício se transformar em aposentadoria por invalidez;
• quando o segurado solicita e tem a concordância da perícia do INSS;
• quando o segurado volta voluntariamente ao trabalho.
OBS.: Não são devidas as prestações relativas ao acidente do trabalho:
• ao empregado doméstico;
• ao contribuinte individual;
• ao facultativo.
• Auxílio-acidente: benefício que é concedido, como indenização, ao
segurado empregado, trabalhador avulso, segurado especial e ao médico
residente que estiver recebendo auxílio-doença, quando a consolidação
das lesões decorrentes de acidente de trabalho resultarem em seqüela
definitiva que implique redução da capacidade para o trabalho e/ou
impossibilite o desempenho da atividade exercida na época do acidente. O
auxílio-acidente será devido a partir do dia imediato ao da cessação do
auxílio-doença. O seu valor corresponde a 50% do salário de benefício que
deu origem ao auxílio doença do segurado, corrigido até o mês anterior ao
do início do auxílio acidente e será devido até a véspera de início de
qualquer aposentadoria ou até a data do óbito do segurado.
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
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• Aposentadoria por invalidez: É o benefício a que tem direito o segurado
que, estando ou não recebendo auxílio-doença, for considerado incapaz
para o trabalho e não sujeito à reabilitação para o exercício de atividade
que lhe garanta a subsistência. Não é concedida aposentadoria por
invalidez ao segurado que, ao filiar-se ao Regime Geral de Previdência
Social, já era portador da doença ou da lesão que geraria o benefício,
salvo quando a incapacidade decorreu de progressão ou agravamento
dessa doença ou lesão.
A aposentadoria por invalidez começa a ser paga:
- a contar do dia imediato ao da cessação do auxílio-doença, caso o
segurado o esteja recebendo.
- Para o segurado que não recebe auxílio-doença:
- para o segurado empregado a partir do 16º dia de afastamento da
atividade ou a partir da data da entrada do requerimento, se entre o
afastamento e a entrada do requerimento decorrerem mais de 30
dias.
- para os demais segurados a partir da data do início da incapacidade
ou;
- a partir da data da entrada do requerimento, quando requerido após
o 30º dia do afastamento da atividade.
A aposentadoria por invalidez deixa de ser paga:
• quando o segurado recupera a capacidade para o trabalho;
• quando o segurado volta voluntariamente ao trabalho;
• quando o segurado solicita e tem a concordância da perícia médica do
INSS.
O valor da aposentadoria por invalidez é 100% do salário de benefício,
caso o segurado não estivesse recebendo auxílio-doença. Se o segurado
necessitar de assistência permanente de outra pessoa, a critério da
perícia médica, o valor será aumentado em 25% a partir da data de sua
solicitação.
• Aposentadoria especial - É o benefício a que tem direito o segurado, que
tiver trabalhado durante 15, 20 ou 25 anos, conforme o caso, sujeito a
condições especiais que prejudiquem a sua saúde ou integridade física. O
segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, efetiva exposição
aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes
prejudiciais a saúde ou integridade física, pelo período equivalente ao
exigido para a concessão do benefício.
Considera-se tempo de trabalho, os períodos correspondentes ao exercício
de atividade permanente e habitual (não ocasional nem intermitente),
durante toda a jornada de trabalho.
A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será
feita em formulário próprio do INSS, preenchido pela empresa ou seu
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
15
preposto com base em laudo técnico de condições ambientais de
trabalho, expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança
do trabalho, nos termos da legislação trabalhista.
O INSS exige carência para este benefício:
• 180 contribuições mensais para o segurado inscrito a partir de
25.07.91;
• Os inscritos até 24.07.91 devem obedecer a uma tabela progressiva
de carência.
A aposentadoria especial começa a ser paga:
Para o segurado empregado:
• a partir da data do desligamento do emprego, quando requerida até
90 dias após o desligamento.
• a partir da data da entrada do requerimento, quando não houver
desligamento do emprego ou quando for requerida após 90 dias do
desligamento.
Para o trabalhador avulso:
• a partir da data da entrada do requerimento.
O valor da aposentadoria especial é 100% do salário de benefício.
O aposentado por tempo de contribuição, especial ou idade pelo Regime
Geral de Previdência Social que permanecer ou retornar à atividade
sujeita a este regime, não fará jus a prestação alguma da Previdência
Social em decorrência do exercício dessa atividade, exceto ao salário
família, salário maternidade e à reabilitação profissional.
• Pensão por morte: É o benefício a que têm direito os dependentes do
segurado que falecer.
Há três classes de dependentes:
• Classe I: o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não
emancipado, de qualquer condição, menor de 21 anos ou inválido;
• Classe II: os pais;
• Classe III: o irmão, não emancipado, de qualquer condição, menor de
21 anos ou inválido.
Observações: Por determinação judicial proferida em Ação Civil Pública
também fará jus a pensão por morte quando requerida por companheiro
ou companheira homossexual.
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
16
A condição de invalidez do dependente maior de 21 anos deverá ser
atestada pela perícia do INSS.
Enteados e tutelados equiparam-se a filhos.
Havendo dependentes de uma classe, os dependentes da classe seguinte
perdem o direito à pensão por morte. Também perde o direito ao
benefício o dependente que passar à condição de emancipado.
A pensão por morte começa a ser paga:
• a partir da data do óbito do segurado, se requerida até 30 dias do
falecimento;
• a partir da data do requerimento, se requerida após 30 dias do
falecimento;
• a partir da data da decisão judicial, quando se tratar de morte
presumida.
A pensão por morte deixa de ser paga:
• Pelo falecimento do pensionista;
• Pela extinção da cota do último pensionista;
• Se quem recebe a pensão é o filho ou o irmão, o benefício deixa de ser
pago quando esse dependente se torna emancipado, ou completa 21
anos (a menos que seja inválido);
• Se quem recebe a pensão é inválido, o benefício deixa de ser pago
cessar a invalidez.
O valor da pensão por morte corresponde a 100% do valor da
aposentadoria que o segurado recebia quandofaleceu ou 100% da
aposentadoria por invalidez a que teria direito na data do óbito.
Todos os benefícios baseiam-se no salário-beneficio (SB) que é igual:
- à média aritmética simples dos 80% maiores salários de
contribuição, corrigidos monetariamente, a partir do mês 07/94 -
para os inscritos até 28/11/99
- à média aritmética simples dos maiores salários de contribuição
correspondentes a 80% de todo o período contributivo - para os
inscritos a partir de 29/11/99
Observação: O trabalhador que sofrer acidente de trabalho tem garantia da
manutenção do contrato de trabalho até 12 meses após a cessação do
acidente do trabalho.
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
17
2.3.1.1 – A DOENÇA E O ACIDENTE DO TRABALHO NO CONTRATO DE
EXPERIÊNCIA E NO AVISO PRÉVIO
Se, durante o contrato de experiência o empregado adoecer, a empresa
pagará os primeiros 15 dias e ele entrará em auxílio-doença no INSS, do qual
não sairá antes de vencidos os 90 dias do contrato.
Se, a doença se aparecer no 80° dia do contrato, a empresa deverá pagar
apenas os 10 dias que faltam para o contrato terminar. O doente
desempregado deverá passar a receber, de imediato, o auxílio-doença.
De acordo com o Pleno do Tribunal Superior do Trabalho “O contrato por
prazo determinado não tem seu termo prorrogado em virtude de licença
médica do empregado, salvo se houver prévia estipulação das partes
contratantes” (AC-TP 1975/85, DOU de 8/11/85).
Se, o empregado adoecer ou se acidentar no 20º dia do aviso prévio, a
empresa deverá pagar-lhe os 10 dias restantes e o contrato ficará rescindido.
O INSS deverá, de imediato, conceder-lhe o auxílio-doença. Porém, se a
doença se apresentar no 10° dia do aviso prévio, a empresa pagará os
primeiros 15 dias e o empregado entrará em auxílio-doença. No trigésimo dia
do aviso prévio o contrato estará rescindido de acordo com o artigo 489 da
CLT.
 PREVIDÊNCIA SOCIAL
 INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
1. Emitente
 1.Empregador 2.Sindicato 3.Médico 4.Segurado ou dependente
 5.Autoridade Pública
COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO - CAT 2. Tipo de CAT
 1. Início 2.Reabertura 3.Comunicação de óbito em _____/_____/______
3.Razão Social/Nome 4.Tipo 1.CNPJ 2.CEI 3.CPF 4.NIT 5.CNAE
Em
pr
eg
ad
or
Em
pr
eg
ad
or
6.Endereço Rua/Av/Nº/Compl Bairro CEP 7.Município 8.UF 9.Telefone
10.Nome 11.Nome da mãe
12.Data do Nasci. 13.Sexo
1.Masc 3.Fem
14.Estado civil
1.solteiro 2.Casado 3.Viúvo 4.Sep. judic. 5.Outro 6.IGN
15.CTPS série Data de emissão 16.UF
17.Carteira de identidade Data Orgão Exped. 18. UF 19.PIS/PASEP 20.Remuneração mensal
21.Endereço Rua/Av/Nº/Compl Bairro CEP 22.Município 23.UF 24.TelefoneAc
id
en
ta
do
Ac
id
en
ta
do
25.Nome da ocupação 26. CBO 27. Filiação à Previdência Social
1.Empregado 2. Trab. Avulso 7. Seg. Especial 8.Médico resid.
28. Aposentado?
1.Sim 2.Não
29. Área
1.Urbana 2.Rural
30.Data do acidente 31. Hora do Acidente 32. Após quantas horas de trabalho? 33. Houve afastamento?
1.Sim 2.Não
34. Último dia trabalhado
35.Local do acidente 36. CNPJ 37.Município do local do acidente 38.UF 39.Especif. do local do acidente
40. Parte(s) do corpo atingida(s) 41.Agente causador
42. Descrição da situação geradora do acidente ou doença 43.Houve registro policial?
1. Sim 2. Não
Ac
ide
nt
e 
ou
 d
oe
nç
a
Ac
ide
nt
e 
ou
 d
oe
nç
a
44.Houve morte?
1. Sim 2. Não
45. Nome
46.Endereço Rua/Av/Nº/Compl Bairro CEP 47.Município 48.UF Telefone
49. Nome
I -
 E
MI
TE
NT
E
I -
 E
MI
TE
NT
E
Te
ste
m
un
ha
s
Te
ste
m
un
ha
s
50.Endereço Rua/Av/Nº/Compl Bairro CEP 51.Município 52.UF Telefone
_____________________________
Local e data
____________________________________
Assinatura e carimbo do emitente
53.Unidade de atendimento médico 54.Data 55.Hora
At
en
di
m
en
to
At
en
di
m
en
to
56.Houve internação?
1. Sim 2. Não 57.Duração provável do tratamento________ dias.
58.Deverá o acidentado afastar-se do trabalho durante o tratamento?
1. Sim 2. Não
Le
sã
o
Le
sã
o
59.Descrição e natureza da lesão
60.Diagnóstico provável 61. CID - 10
II 
– 
At
es
ta
do
 M
éd
ico
II 
– 
At
es
ta
do
 M
éd
ico
Di
ag
nó
st
ico
Di
ag
nó
st
ico
62.Observações
_____________________________
Local e data
____________________________________
Assinatura e carimbo do médico com CRM
63.Recebida em _____/_____/_____
64.Código da unidade 65.Número do acidente
66. É reconhecido o direito do segurado à habilitação de benefício acidentário?
1.Sim 2.Não
67.Tipo
1.Típico 2.Doença 3.Trajeto
68. Matrícula do servidor
III
-IN
SS
III
-IN
SS
_____________________________
Matrícula
________________________________
Assinatura do servidor
Notas:
1. A inexatidão das declarações desta
comunicação implicará nas sanções
previstas nos artigos 171 e 299 do
Código Penal
2. A Comunicação de Acidente do
Trabalho deverá ser feita até o 1º dia
útil após o acidente, sob pena de
multa, na forma prevista no art. 22 da
Lei nº 8213/91.
A COMUNICAÇÃO DO ACIDENTE É OBRIGATÓRIA, MESMO NO CASO EM QUE NÃO HAJA AFASTAMENTO DO TRABALHO
RISCOS AMBIENTAIS 3
Como visto no capítulo anterior, os riscos de operação, como por exemplo,
máquinas desprotegidas, pisos escorregadios e empilhamentos precários são
chamados de condições inseguras.
As condições inseguras relativas ao ambiente de trabalho, como por
exemplo, a presença de vapores tóxicos no processo de trabalho, o calor
intenso ou o frio excessivo, são chamados de riscos ambientais.
Assim, definimos:
Estes riscos podem afetar o trabalhador de imediato ou a longo prazo,
provocando acidentes com lesões ou doenças do trabalho.
A ocorrência das doenças do trabalho dependerá sempre da ação simultânea
de fatores relativos ao agente ambiental, à atividade profissional e a
susceptibilidade do indivíduo ao agente ambiental. Por causa disto, estes
três fatores deverão ser sempre estudados em conjunto para uma análise
real do risco que os agentes ambientais oferecem à saúde dos trabalhadores.
A legislação obriga que os riscos ambientais sejam eliminados ou
minimizados em sua intensidade ou exposição e assegura aos trabalhadores
a percepção de adicionais por insalubridade de até 40% sobre o salário
mínimo sempre que a concentração, a intensidade ou a exposição aos
agentes nocivos exceder os limites de tolerância determinados na NR-15-
Atividades e Operações Insalubres.
3.1 – AGENTES AMBIENTAIS
Os fatores que originam as doenças do trabalho são chamados agentes
ambientais e são classificados, de acordo com a sua natureza e forma de
atuação no organismo humano como agentes físicos, agentes químicos,
agentes biológicos, agentes ergonômicos e os riscos de acidentes (mecânicos).
3.2 - RISCOS FÍSICOS
Os riscos físicos, causados pelos AGENTES FÍSICOS, normalmente estão
relacionados com os equipamentos utilizados no processo produtivo. São
RISCOS AMBIENTAIS são os riscos existentes nos ambientes de trabalho
capazes de causar danos à saúde do trabalhador em função de sua
natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição.
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L. C. Almeida
20
eles: os ruídos, as vibrações mecânicas, as radiações ionizantes e as não
ionizantes, o frio ou o calor extremo, as pressões anormais e a umidade.
3.2.1 - O Ruído
Embora seja o risco profissional mais freqüente na indústria, nem sempre
recebe a atenção que merece. O ruído produz redução da capacidade
auditiva do trabalhador e sua exposição intensa e prolongada atua
desfavoravelmente sobre o estado emocional do indivíduo.
3.2.2 - As Vibrações Mecânicas
De relativa freqüência na indústria, a vibração mecânica é subdividida em
duas categorias: vibrações localizadas e vibrações de corpo inteiro.
As vibrações localizadas são características de operações com ferramentas
manuais elétricas ou pneumáticas e podem produzir, a longo prazo,
alterações neuro-vascularesnas mãos dos trabalhadores, problemas nas
articulações das mãos e braços além da osteoporose (perda da substância
óssea).
As vibrações de corpo inteiro, a que estão sujeitos os operadores de grandes
máquinas e motoristas de caminhões e tratores, podem produzir problemas
na coluna vertebral, dores lombares, além de haver suspeita de causarem
lesões nos rins.
3.2.3 - As Radiações ionizantes e não-ionizantes
As radiações são chamadas ionizantes porque produzem, nos materiais
sobre os quais incidem, a subdivisão de partículas inicialmente neutras em
partículas eletricamente carregadas. São provenientes de materiais
radioativos como os raios Alfa, Beta e Gama ou são produzidas
artificialmente em equipamentos como o de raios X. A sua manipulação deve
obedecer a rigorosas normas de segurança e de proteção individual.
Os raios Alfa e Beta possuem menor poder de penetração nos organismos e
oferecem menor risco; mas os raios X e Gama, de natureza eletromagnética,
possuem alto poder de penetração e podem causar a anemia, a leucemia, o
câncer e outras alterações genéticas que podem comprometer fisicamente
gerações futuras.
As radiações não-ionizantes são as de natureza eletromagnética e os seus
efeitos dependem de fatores como a duração, a intensidade de exposição, o
comprimento de onda, etc.
Como exemplo temos:
- Radiação infravermelha, ou calor radiante. É encontrada em siderúrgicas,
metalúrgicas, na fabricação do vidro e em trabalhos ao ar livre onde os
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L. C. Almeida
21
operários ficam expostos à radiação solar. Além da sobrecarga térmica
imposta ao trabalhador pode causar queimaduras e catarata.
- A radiação ultravioleta é encontrada em operações com solda elétrica,
fusão de metais e no controle de qualidade de peças com lâmpadas
especiais. Além de estar relacionada ao câncer de pele, pode causar
queimaduras, eritema e conjuntivite.
- A radiação laser é utilizada largamente na indústria, nos trabalhos
topográficos e geodésicos, na medicina e nas telecomunicações. Os
principais efeitos são as queimaduras na pele e nos olhos que variam de
gravidade de acordo com a intensidade e a duração da exposição.
- As microondas são produzidas em instalações de radiotransmissão e de
radar e utilizadas em telecomunicações, alguns processos de secagem de
materiais. De acordo com a intensidade das estações de transmissão ou
com a energia liberada nos processos de secagem, os operadores podem
estar sujeitos à catarata, ao superaquecimento dos órgãos internos,
hipertensão, alterações no sistema nervoso central, aumento da atividade
da glândula tireóide, etc.
3.2.4 - Temperaturas extremas
São as condições térmicas rigorosas em que são realizadas diversas
atividades profissionais.
O calor extremo é responsável por uma série de problemas que afetam a
saúde e o rendimento do trabalhador como a intermação ou insolação, a
prostração térmica, a desidratação e as câimbras de calor.
O frio intenso pode provocar o enregelamento dos membros, a hipotermia
(queda da temperatura do núcleo do corpo) além de lesões na epiderme do
trabalhador, conhecidas como ulcerações de frio.
3.2.5 - Pressões Anormais
Encontradas em trabalhos submersos ou realizados abaixo do nível do lençol
freático. Dos problemas que mais comumente afetam os trabalhadores
sujeitos a pressões elevadas, está a embolia.
As principais medidas de controle aos riscos físicos são os Equipamentos de
Proteção Coletiva (EPC’s) e Individual (EPI’s) a sinalização eficiente.
3.3 - RISCOS QUÍMICOS
Os riscos químicos são causados por AGENTES QUÍMICOS, encontrados nas
formas sólida, líqüida ou gasosa e que penetram no corpo humano por três
vias básicas: a via respiratória, a cutânea e a digestória.
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L. C. Almeida
22
O grau de toxidade de um agente químico vai depender do seu estado físico,
da sua solubilidade, do seu PH e da via de penetração no organismo.
Algumas substâncias são inflamáveis ou apresentam risco de explosão
quando em determinada proporção no ar atmosférico, ameaçando a
integridade física do trabalhador.
Quanto ao seu estado físico, os agentes químicos podem ser:
• Sólidos, como as poeiras, de origem mineral (a de sílica produz a silicose),
vegetal (a fibra de algodão produz a bissinose) ou animal, como as
provenientes do pelo ou do couro de animais.
• Os agentes em estado líqüido, constituídos por ácidos e solventes. Podem
causar danos ao sistema respiratório quando em suspensão no ar, além
de queimaduras e irritações quando em contato com a pele.
• A maioria das exposições aos agentes químicos na indústria se dá quando
estes se encontram na forma gasosa. Os agentes mais comuns são o
dióxido de enxofre, os óxidos de nitrogênio, o monóxido de carbono e os
vapores de solventes. De efeitos bastante diversos, chegam a causar a
morte, mesmo em pequenas concentrações, como no caso do ácido
cianídrico.
Quando em suspensão ou dispersão no ar, são chamados de contaminantes
atmosféricos e são classificados em:
- Aerodispersóides, como são chamadas as poeiras, os fumos, as fumaças,
as névoas e as neblinas;
- Gases;
- Vapores.
Segundo a reação causada no organismo humano podemos dividir, a grosso
modo, os contaminantes atmosféricos em:
1. Irritantes, os que têm a propriedade de produzir inflamação nos tecidos
com os quais entram em contato (amônia, ácido sulfídrico e cloro);
2. Anestésicos, que apresentam ação depressiva no sistema nervoso central
(acetona, éteres e álcoois);
3. Asfixiantes, que podem provocar asfixia por reduzir a concentração de
oxigênio no ar ou por interferir no processo de absorção de oxigênio no
sangue ou tecidos (Metano, Hélio, Cianuretos, Hidrogênio e Nitrogênio);
4. Intoxicantes Sistêmicos, que tanto causam as lesões agudas como as
crônicas:
a) podem causar lesões nos órgãos (tetracloreto de carbono e cloreto
de vinila),
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L. C. Almeida
23
b) lesões no sistema formador do sangue (benzeno, tolueno e xileno),
c) lesões no sistema nervoso (álcoois metílico e etílico);
5. Compostos tóxicos inorgânicos, que são sais de não metais (cianureto de
sódio ou de potássio, compostos de arsênico, e fluoretos) e metais tóxicos,
que podem produzir dermatoses, alterações no sistema nervoso central,
câncer, além de intoxicações graves (chumbo, mercúrio, cádmio,
manganês, cromo, etc).
6. Material particulado, que são as poeiras, fumos e névoas que não foram
classificadas como contaminantes sistêmicos. Podem ser classificadas
como:
a) Poeiras produtoras de fibroses, que causam endurecimento e perda
de flexibilidade dos tecidos pulmonares como a poeira de sílica, que
causa a silicose, e a poeira de amianto, causadora de asbestose.
b) Poeiras inertes, as que ficam retidas nos pulmões e só apresentam
problemas quando presentes em grandes concentrações, como a
dos sais complexos de alumínio e a do carvão.
c) Partículas alergizantes e irritantes, podem atuar na pele, como a
poeira da caviúna, de partículas de óleo de castanha de caju, de
cromatos, etc., ou no sistema respiratório como pólens, e as poeiras
das sementes de mamona.
Como principais medidas de controle temos a mudança de processo, a
mudança de matérias-primas, o enclausuramento do processo, a ventilação
local adequada, os exames médicos freqüentes, os Equipamentos de
Proteção Coletiva e Individual e a sinalização eficiente.
3.4 - RISCOS BIOLÓGICOS
Causadores dos riscos biológicos, os AGENTES BIOLÓGICOS são
microorganismos invisíveis a olho nu que podem estar presentes na
atmosfera do ambiente de trabalho ou podem ser transmitidos por outros
seres vivos. Provocam doenças, mau cheiro, deterioração de alimentos, etc.
São eles os Vírus, as Bactérias, os Protozoários, os Fungos, os Parasitas e os
Bacilos.
Entre as doenças profissionais causadas por agentes biológicos estão a
tuberculose, a brucelose, o tétano, a malária, a febre tifóide, a febre amarela
e o carbúnculo.
As medidas de controle mais comuns nos ambientes onde há o risco
biológico são avacinação; a esterilização; o confinamento do processo; a
rigorosa higiene pessoal, das roupas e dos ambientes de trabalho; os
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L. C. Almeida
24
Equipamentos de Proteção Coletiva; a ventilação adequada e o controle
médico permanente.
3.5 - RISCOS ERGONÔMICOS
Os RISCOS ERGONÔMICOS são aqueles relacionados a fatores fisiológicos e
psicológicos. Dentre eles destacamos o esforço físico intenso; o levantamento
e o transporte manual de cargas; a necessidade de posturas inadequadas; a
atenção, a preocupação e a responsabilidade; os controles rígidos de
produtividade; os ritmos excessivos de trabalho; os trabalhos em turnos e os
noturnos; as jornadas de trabalho prolongadas; a monotonia; a
repetitividade além de outras situações causadoras de fadiga física e/ou
psíquica.
Das medidas de controle no caso dos riscos ergonômicos citamos a
conscientização dos riscos, o projeto de máquinas e equipamentos
perfeitamente adaptados ao operário, o treinamento adequado, a assistência
médico psicológica do empregado, a adoção de ritmos e posições adequadas
de trabalho, as pausas durante a jornada de trabalho, etc.
3.6 - RISCOS DE ACIDENTES
Os RISCOS DE ACIDENTES (mecânicos) estão relacionados aos
equipamentos utilizados e às condições físicas do local de trabalho, como por
exemplo:
- Arranjo físico inadequado,
- A eletricidade,
- Probabilidade de incêndio ou explosão,
- Armazenamento inadequado,
- Sinalização inadequada ou deficiente,
- Animais peçonhentos e outras situações de risco que poderão contribuir
para a ocorrência de acidentes.
Para controlar os riscos de acidentes devemos estudar arranjos físicos mais
adequados, utilizar Equipamentos de Proteção Coletiva, SÓ utilizar
ferramentas na função para a qual elas foram projetadas e eliminá-las
quando defeituosas, determinar os níveis ideais de iluminamento de cada
ambiente de trabalho, treinar o pessoal no combate aos princípios de
incêndio, além de manter uma sinalização de segurança eficiente.
Higiene e Segurança no Trabalho - Mário L. C. Almeida
CLASSIFICAÇÃO DOS PRINCIPAIS RISCOS OCUPACIONAIS EM GRUPOS, DE ACORDO COM A SUA
NATUREZA E A PADRONIZAÇÃO DAS CORES CORRESPONDENTES (NR-05)
Grupo 1:
Verde
Riscos Físicos
Grupo 2:
Vermelho
Riscos Químicos
Grupo 3:
Marrom
Riscos Biológicos
Grupo 4:
Amarelo
Riscos Ergonômicos
Grupo 5:
Azul
Riscos de Acidentes
Ruídos Poeiras Vírus Esforços físicos
intensos
Arranjo físico
inadequado
Vibrações Fumos Bactérias
Levantamento e
transporte manual de
pesos
Máquinas e
equipamentos sem
proteção
Radiações ionizantes Névoas Protozoários Exigência de posturas
inadequadas
Ferramentas
inadequadas ou
defeituosas
Radiações
Não-ionizantes Neblinas Fungos Controles rígidos de
produtividade
Iluminação
inadequada
Frio Gases Parasitas Imposição de ritmos
excessivos Eletricidade
Calor Vapores Bacilos Trabalhos em turnos
ou noturnos
Probabilidade de
incêndio ou explosão
Pressões Anormais
Substâncias,
compostos ou
produtos químicos em
geral
Jornadas de trabalho
prolongadas
Armazenamento
inadequado
Umidade Monotonia e
repetitividade Animais peçonhentos
Outras situações
causadoras de stress
físico e/ou psíquico
Outras situações de
risco que poderão
contribuir para a
ocorrência de
acidentes
A CIPA E SUAS ATRIBUIÇÕES 4
4.1 - O SESMT - SERVIÇO ESPECIALIZADO EM ENGENHARIA
DE SEGURANÇA E EM MEDICINA DO TRABALHO
De acordo com a NR-04, as empresas privadas ou públicas, os órgãos
públicos da administração direta, da indireta e dos poderes Legislativo e
Judiciário que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT), deverão manter, obrigatoriamente, Serviços Especializados
em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho - SESMT, com a
finalidade de promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no
local de trabalho.
O SESMT é composto por Engenheiros de Segurança, Médicos do Trabalho,
Enfermeiros do Trabalho, Técnicos de Segurança do Trabalho e Auxiliares de
Enfermagem do Trabalho; e o número de seus componentes varia em função
do grau de risco da atividade econômica e do número de funcionários da
empresa, conforme o quadro de dimensionamento dos SESMT.
Para fins de dimensionamento, nos canteiros de obras e nas frentes de
trabalho com menos de mil empregados, situados num mesmo Estado,
Território ou Distrito Federal, os Engenheiros de Segurança, os Enfermeiros
e Médicos do Trabalho poderão ficar centralizados. Para os Técnicos de
Segurança do Trabalho e os Auxiliares de Enfermagem do Trabalho, o
dimensionamento será feito conforme o quadro II da NR-04, anexo.
Pela NR-04, as empresas obrigadas a constituir os SESMT deverão exigir,
dos profissionais que os integram, comprovação de que satisfazem os
seguintes requisitos:
a) Engenheiro de Segurança do Trabalho – Engenheiro ou Arquiteto
portador de certificado de conclusão do curso de especialização em
Engenharia de Segurança do Trabalho, em nível de pós-graduação;
b) Médico do Trabalho – Médico portador do certificado de conclusão
de curso de especialização em Medicina do Trabalho, em nível de
pós-graduação, ou portador de certificado de residência médica em
área de concentração em saúde do trabalhador ou denominação
equivalente, reconhecida pela Comissão Nacional de Residência
Médica, do Ministério da Educação, ambos ministrados por
universidade ou faculdade que mantenha curso de graduação em
medicina.
O SESMT,
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L.C. Almeida
27
c) Enfermeiro do Trabalho – Enfermeiro portador de certificado de
conclusão de curso de especialização em Enfermagem do Trabalho,
em nível de pós-graduação, ministrado por universidade ou
faculdade que mantenha curso de graduação em enfermagem;
d) Auxiliar de Enfermagem do Trabalho – Auxiliar de enfermagem ou
técnico de enfermagem portador de certificado de conclusão de
curso de qualificação de Auxiliar de Enfermagem do Trabalho,
ministrado por instituição especializada reconhecida e autorizada
pelo Ministério da Educação.
e) Técnico de Segurança do Trabalho – Técnico portador de
comprovação de Registro Profissional expedido pelo Ministério do
Trabalho.
4.2 - A CIPA - COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE
ACIDENTES
A NR-05 determina que as empresas privadas, as públicas, os órgãos de
economia mista, os órgãos de administração direta e indireta, as instituições
beneficentes, as associações recreativas, cooperativas, bem como outras
instituições que admitam trabalhadores como empregados, deverão
constituir e manter em regular funcionamento, por estabelecimento, uma
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA.
Aplicam-se ainda as disposições da NR-05 aos trabalhadores avulsos e às
entidades que lhes tomem serviços.
A CIPA tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do
trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a
preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador.
A empresa que possuir, em um mesmo município, dois ou mais
estabelecimentos deverá garantir a integração das CIPAs e dos designados
com o objetivo de harmonizar as políticas de segurança e saúde do trabalho.
As empresas instaladas em centros comerciais ou industriais estabelecerão
mecanismos de integração das CIPAs para promover o desenvolvimento das
ações de prevenção de acidentes e doenças decorrentes do ambiente e das
instalações de uso coletivo.
A CIPA é composta por representantes do empregador e dos empregados e o
número de seus componentes variará de acordo com o grau de risco e com o
número de funcionários da empresa, ressalvadas as alterações disciplinadas
em atos normativos para setores econômicos específicos.
AVISO:
O texto acima está baseado na NR-04 em vigor em fevereiro de 2001.
Quando o escrevemos, a Norma Regulamentadora estava sendo modificada.
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L.C. Almeida
28
Os representantes do empregador, titulares e suplentes serão por ele
designados. Os representantes dos empregados, titulares e suplentes, serão
eleitos em escrutínio secreto,com mandato de um ano, permitida uma
reeleição.
O empregador designará, anualmente, dentre os seus representantes, o
Presidente da CIPA. O Vice-Presidente da CIPA será escolhido, dentre os
seus titulares pelos representantes dos empregados.
Empossados os membros da CIPA, a empresa deverá protocolizar, em até 10
dias, na unidade descentralizada do Ministério do Trabalho, cópias das atas
de eleição e de posse e o calendário anual das reuniões ordinárias.
É vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa do empregado eleito para
cargo de direção de CIPAs desde o registro de sua candidatura até um ano
após o final de seu mandato.
Das atribuições da CIPA, destacamos:
a) identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o mapa de
riscos, com assessoria do SESMT, onde houver; bem como participar
das discussões promovidas pelo empregador, para avaliar os impactos
de alterações no ambiente e processo de trabalho relacionados à
segurança e saúde dos trabalhadores;
b) divulgar aos trabalhadores e promover o cumprimento das Normas
Regulamentadoras, bem como cláusulas de acordos e convenções
coletivas de trabalho, relativas à segurança e saúde no trabalho;
c) elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução
de problemas de segurança e saúde no trabalho e participar da
implementação e do controle da qualidade das medidas de prevenção
necessárias, bem como da avaliação das prioridades de ação nos locais
de trabalho;
d) realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de
trabalho para identificar situações que venham a trazer riscos para a
segurança e saúde dos trabalhadores;
e) requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a paralisação
de máquina ou setor onde considere haver risco grave e iminente à
segurança e saúde dos trabalhadores;
f) colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO e PPRA e de
outros programas relacionados à segurança e saúde no trabalho;
g) participar, em conjunto com o SESMT, onde houver, ou com o
empregador da análise das causas das doenças e acidentes de
trabalho e propor medidas de solução dos problemas identificados;
h) requisitar à empresa as cópias das CAT emitidas e analisar as
informações sobre questões que tenham interferido na segurança e
saúde dos trabalhadores;
i) promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a
Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT e
participar, em conjunto com a empresa, de Campanhas de Prevenção
da AIDS.
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L.C. Almeida
29
A empresa deverá promover treinamento para os membros da CIPA, titulares
e suplentes, antes da posse. O treinamento, em primeiro mandato, será
realizado no prazo máximo de 30 dias, contados a partir da data da posse e
deverá contemplar, no mínimo, os seguintes itens:
a) estudo do ambiente, das condições de trabalho, bem como dos riscos
originados do processo produtivo;
b) metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças do
trabalho;
c) noções sobre acidentes e doenças do trabalho decorrentes de
exposição aos riscos existentes na empresa;
d) noções sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida - AIDS, e
medidas de prevenção;
e) noções sobre as legislações trabalhista e previdenciária relativas à
segurança e saúde no trabalho;
f) princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de controle dos
riscos;
g) organização da CIPA e outros assuntos necessários ao exercício das
atribuições da Comissão.
O treinamento terá carga horária de vinte horas, distribuídas em no máximo
oito horas diárias e será realizado durante o expediente normal da empresa.
4.3 - O MAPA DE RISCOS 
O Mapa de Riscos tem como objetivos:
a) reunir as informações para estabelecer o diagnóstico da situação de
segurança e saúde no trabalho na empresa;
b) possibilitar, durante a sua elaboração, a troca e divulgação de
informações entre os trabalhadores, além de estimular sua
participação nas atividades de prevenção.
As etapas de elaboração do mapa de riscos são:
a) conhecer o processo de trabalho no local analisado:
- os trabalhadores: número, sexo, idade, treinamentos profissionais e
de segurança e saúde, jornada;
- os instrumentos e materiais de trabalho;
- as atividades exercidas;
- o ambiente.
a) identificar os riscos existentes no local analisado, conforme a tabela de
classificação dos principais riscos ocupacionais;
b) identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia:
- medidas de proteção coletiva;
- medidas de organização do trabalho;
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30
- medidas de proteção individual;
- medidas de higiene e conforto: banheiro, lavatórios, vestiários,
armários, bebedouro, refeitório, área de lazer.
c) identificar os indicadores de saúde:
- queixas mais freqüentes e comuns entre os trabalhadores expostos aos
mesmos riscos;
- acidentes de trabalho ocorridos;
- doenças profissionais diagnosticadas;
- causas mais freqüentes de ausência ao trabalho.
e) conhecer os levantamentos ambientais já realizados no local;
O Mapa de Riscos será elaborado sobre o layout da empresa, indicando
através de círculos:
- o grupo a que pertence o risco, de acordo com a cor padronizada na
tabela;
- dentro do círculo deve ser anotado o número de trabalhadores expostos
ao risco;
- também deve ser anotada dentro do círculo a especificação do agente (por
exemplo: químico - sílica, hexano, ácido clorídrico; ou ergonômico -
repetitividade, ritmo excessivo);
- a intensidade do risco deve ser representada por círculos de tamanhos
proporcionalmente diferentes, de acordo com a percepção dos
trabalhadores.
O Mapa de Riscos, completo ou setorial, deverá ser afixado em cada local
analisado, de forma claramente visível e de fácil acesso para os
trabalhadores.
No caso das empresas da indústria da construção, o Mapa de Riscos do
estabelecimento deverá ser realizado por etapa de execução dos serviços,
devendo ser revisto sempre que um fato novo modificar a situação de riscos
estabelecida.
4.4 – O PCMSO - PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE
SAÚDE OCUPACIONAL
De acordo com a NR-07, o Programa de Controle Médico de Saúde
Ocupacional - PCMSO deve considerar as questões incidentes sobre o
indivíduo e a coletividade de trabalhadores.
O PCMSO tem caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos
agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive de natureza subclínica,
além da constatação da existência de casos de doenças profissionais ou
danos irreversíveis á saúde dos trabalhadores.
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31
O PCMSO deve ser planejado e implantado com base nos riscos à saúde dos
trabalhadores, especialmente os identificados nas avaliações previstas nas
demais NR’s.
Quanto ao PCMSO, compete ao empregador:
a) garantir a sua elaboração e implementação, e zelar pela sua eficácia;
b) custear todos os procedimentos a ele relacionados;
c) indicar, dentre os médicos do SESMT, um coordenador responsável pela
sua execução;
d) no caso da empresa estar desobrigada de manter médico do trabalho
deverá o empregador indicar médico do trabalho não empregado da
empresa para o coordenar;
e) inexistindo médico do trabalho na localidade, o empregador poderá
contratar médico de outra especialidade.
Compete ao médico coordenador:
a) realizar os exames médicos previstos ou encarregar os mesmos a
profissional médico familiarizado com os princípios da patologia
ocupacional e suas causas, bem como com o ambiente, as condições de
trabalho e os riscos a que está ou será exposto cada trabalhador da
empresa a ser examinado;
b) encarregar-se dos exames complementares previstos na NR-07,
profissionais e/ou entidades devidamente capacitados, equipados e
qualificados.
O PCMSO deve incluir, entre outros, a realização obrigatória dos exames
médicos admissional, periódico, de retorno ao trabalho, de mudança de
função e demissional.
Os exames de que trata o parágrafo anterior compreendem a avaliação
clínica, abrangendo anamnese ocupacional e exame físicoe mental além de
exames complementares, realizados de acordo com os termos especificados
na NR, e seus anexos.
A avaliação clínica deverá obedecer à periodicidade prevista:
- O exame médico admissional deverá ser realizado antes que o trabalhador
assuma suas atividades;
- O exame médico periódico, de acordo com os intervalos de tempo abaixo
discriminados:
a) para trabalhadores expostos a riscos ou situações de trabalho que
impliquem no desencadeamento ou agravamento de doença
ocupacional, ou para os portadores de doenças crônicas, os exames
deverão ser repetidos:
I) a cada ano ou a intervalos menores, a critério do médico;
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L.C. Almeida
32
II) de acordo com a NR-15, para os trabalhadores sob condições
hiperbáricas;
b) para os demais trabalhadores:
I) anual, quando menores de 18 e maiores de 45 anos de idade;
II) a cada 2 anos, para os trabalhadores entre 18 e 45 anos;
O exame médico de retorno ao trabalho deverá ser realizado no primeiro dia
da volta ao trabalho de trabalhador ausente por mais de 30 dias por motivo
de doença ou acidente, de natureza ocupacional ou não, ou parto.
O exame médico de mudança de função será realizado antes da mudança. A
NR-07, entende por mudança de função a alteração de atividade, posto de
trabalho ou setor que implique na exposição do trabalhador a risco diferente
do que estava exposto antes da mudança.
O exame médico demissional será realizado até a data da homologação,
desde que o último exame médico ocupacional tenha sido realizado há mais
de:
- 135 dias para as empresas de grau de risco 1 e 2, segundo o Quadro 1 da
NR-04 (Classificação Nacional de Atividades Econômicas);
- 90 dias para as empresas de grau de risco 3 e 4, de acordo com o mesmo
quadro.
Para cada exame médico realizado o médico emitirá o Atestado de Saúde
Ocupacional - ASO, em duas vias. A primeira via ficará arquivada no local de
trabalho, à disposição da fiscalização do trabalho. A segunda será entregue
ao trabalhador, mediante recibo na primeira via.
O ASO deverá conter no mínimo:
a) nome do trabalhador, número de registro de sua entidade, e sua função;
b) os riscos ocupacionais específicos existentes na atividade do empregado,
conforme instruções da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho -
SSST.
c) indicação dos procedimentos médicos aos quais foi submetido o
trabalhador, incluindo exames complementares e a data em que foram
realizados;
d) o nome do médico coordenador, quando houver, com respectivo CRM;
e) definição de apto ou inapto para a função específica que o trabalhador vai
exercer, exerce ou exerceu ;
f) nome do médico encarregado do exame e endereço ou forma de contato;
g) data, assinatura do médico encarregado do exame e carimbo com a sua
inscrição no Conselho Regional de Medicina.
Os dados obtidos nos exames médicos, incluindo exames complementares,
as conclusões e as medidas aplicadas serão registrados em prontuário
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L.C. Almeida
33
individual, que ficará sob a responsabilidade do médico coordenador do
PCMSO. Os prontuários deverão ser guardados por 20 anos após o
desligamento do trabalhador da empresa.
Um relatório anual discriminará o número e a natureza dos exames médicos,
incluindo avaliações clínicas e exames complementares, estatísticas de
resultados considerados anormais, assim como o planejamento para o
próximo ano. Este relatório será apresentado e discutido na CIPA, e sua
cópia anexada ao livro de atas daquela Comissão.
As empresas desobrigadas de indicar médico coordenador ficam dispensadas
de elaborar o relatório anual.
Verificada, através da avaliação clínica do trabalhador e/ou dos exames
constantes da NR-07, exposição excessiva ao risco, mesmo sem qualquer
sintomatologia ou sinal clínico, deverá o trabalhador ser afastado do local de
trabalho, ou do risco, até que esteja normalizado o indicador biológico de
exposição e que medidas de controle tenham sido adotadas nos ambientes
de trabalho.
Constatada a ocorrência ou o agravamento de doenças profissionais ou
verificadas disfunções de órgão ou sistema biológico, mesmo sem
sintomatologia, caberá ao médico coordenador ou encarregado:
a) solicitar a emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho - CAT;
b) afastar o trabalhador da exposição ao risco, ou do trabalho;
c) encaminhar o trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de
nexo causal, avaliação de incapacidade e definição da conduta
previdenciária em relação ao trabalho.
d) orientar o empregador quanto à adoção de medidas de controle no local
de trabalho.
Todo o estabelecimento deverá estar equipado com material necessário à
prestação de primeiros socorros, manter esse material guardado em local
adequado, e sob os cuidados de pessoa treinada para esse fim.
4.5 – PPRA - PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS
AMBIENTAIS
A NR-09 obriga a elaboração do Programa de Prevenção de Riscos
Ambientais – PPRA, através da antecipação do reconhecimento, da avaliação
e do controle da ocorrência de riscos ambientais existentes, ou que venham
a existir, no ambiente de trabalho, considerando a proteção do meio-
ambiente e dos recursos naturais.
O PPRA é desenvolvido sob a responsabilidade do empregador, com a
participação dos trabalhadores e sua profundidade depende das
características dos riscos e das necessidades de controle.
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L.C. Almeida
34
A NR-09 considera riscos ambientais os agentes físicos, químicos e
biológicos, existentes nos ambientes de trabalho, que causam danos à saúde
do trabalhador.
Consideram-se agentes físicos as formas de energia a que possam estar
expostos os trabalhadores, como vibrações, pressões anormais,
temperaturas extremas, ruído, radiações ionizantes e não ionizantes, infra-
som e ultra-som.
Consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos ou produtos
que penetram no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras,
fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que sejam absorvidos através
da pele ou por ingestão.
Consideram-se agentes biológicos as bactérias, fungos, bacilos, parasitas,
protozoários, vírus, entre outros.
O PPRA deve conter a seguinte estrutura:
a) planejamento anual com metas, prioridades e cronograma indicando os
prazos para desenvolvimento das etapas e cumprimento das suas metas;
b) estratégia e metodologia de ação;
c) forma de registro, manutenção e divulgação dos dados;
d) periodicidade e forma de avaliação do seu desenvolvimento.
Deve ser efetuada, pelo menos uma vez ao ano, uma análise global do PPRA
para avaliação do desenvolvimento e estabelecimento de novas metas e
prioridades.
O PPRA deve estar descrito num documento-base, cujas alterações e
complementações são discutidas na CIPA.
O PPRA inclui as seguintes etapas:
a) antecipação e reconhecimento dos riscos;
b) estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle;
c) avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores;
d) implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia;
a) monitoramento da exposição aos riscos;
b) registro e divulgação dos dados.
A elaboração, implementação, acompanhamento e avaliação do PPRA são
feitas pelo SESMT ou por pessoa ou equipe de pessoas capazes de
desenvolver o disposto na NR-09.
A antecipação envolve a análise dos métodos de trabalho das instalações
novas ou da modificação dos existentes, identificando os riscos e
introduzindo medidas para sua eliminação.
O reconhecimento dos riscos ambientais consta de:
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L.C. Almeida
35
a) sua identificação;
b) determinação e localização das fontes geradoras;
c) identificação das trajetórias e dos meios de propagação dos agentes no
ambiente de trabalho;
d) identificação das funções e do número de trabalhadores expostos;
e) caracterização das atividades e do tipo de exposição;
f) obtenção de dados existentes na empresa, que indicam comprometimento
da saúde decorrente do trabalho;
g) danos à saúde relacionados aos riscos identificados, disponíveis naliteratura técnica;
h) descrição das medidas de controle existentes.
A avaliação quantitativa é realizada para:
a) comprovar o controle da exposição ou a inexistência dos riscos
identificados na etapa de reconhecimento;
b) dimensionar a exposição dos trabalhadores;
c) subsidiar o equacionamento das medidas de controle.
São adotadas medidas para a eliminação ou a minimização dos riscos
ambientais sempre que verificadas uma das seguintes situações:
a) identificação, na fase de antecipação, de risco potencial à saúde;
b) constatação, na fase de reconhecimento, de risco evidente à saúde;
c) quando os resultados das avaliações quantitativas excedem os valores
previstos na NR-15 ou, na ausência destes, os valores de exposição
adotados pela American Conference of Governmental Industrial
Higyenists, ou aqueles que forem estabelecidos, desde que mais rigorosos;
d) quando fica caracterizado o nexo causal entre danos à saúde dos
trabalhadores e o trabalho desenvolvido.
O estudo, desenvolvimento e implantação de medidas de proteção coletiva
obedece à seguinte hierarquia:
a) medidas que eliminam ou reduzem a formação de agentes prejudiciais à
saúde;
b) medidas que previnem a liberação desses agentes no ambiente;
c) medidas que reduzem a concentração desses agentes no ambiente.
A implantação de medidas de caráter coletivo deve ser acompanhada do
treinamento dos trabalhadores quanto aos procedimentos que asseguram a
sua eficiência e de informação sobre as limitações de proteção que oferecem.
Quando comprovada a inviabilidade técnica da adoção de medidas de
proteção coletiva, ou quando estas não forem suficientes ou encontrarem-se
em fase de estudo, planejamento ou implantação, ou ainda em caráter
complementar ou emergencial, devem ser adotadas outras medidas,
obedecendo à seguinte hierarquia:
a) medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho;
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L.C. Almeida
36
b) utilização de equipamento de proteção individual - EPI.
A utilização de EPI deve considerar as Normas Legais em vigor e envolver:
a) seleção de EPI adequado ao risco e à atividade exercida,
considerando a eficiência e o conforto oferecido, segundo avaliação do
usuário;
b) treinamento dos trabalhadores quanto à utilização e às limitações de
proteção do EPI;
c) estabelecimento de normas para o fornecimento, o uso, a guarda, a
higienização, a conservação, a manutenção e a reposição do EPI;
d) caracterização das atividades dos trabalhadores, com a identificação
dos EPI's utilizados para os riscos ambientais.
O PPRA estabelece critérios de avaliação da eficácia das medidas de proteção
implantadas considerando os dados obtidos nas avaliações realizadas e no
PCMSO.
O empregador deve manter um registro de dados, de forma a constituir um
histórico técnico e administrativo do desenvolvimento do PPRA. Esses dados
devem ser mantidos por um período de 20 anos e estar sempre disponíveis
aos trabalhadores ou seus representantes e às autoridades competentes.
É responsabilidade do empregador estabelecer, implementar e assegurar o
cumprimento do PPRA como atividade permanente da empresa.
É responsabilidade dos trabalhadores:
a) colaborar e participar na implantação e execução do PPRA;
b) seguir as orientações recebidas nos treinamentos do PPRA;
c) informar ao seu superior ocorrências que impliquem riscos à saúde.
Os trabalhadores têm o direito de apresentar propostas e receber
informações que assegurem proteção aos riscos ambientais identificados
pelo PPRA.
Os empregadores devem informar aos trabalhadores dos riscos ambientais
que possam originar nos locais de trabalho e dos meios para preveni-los ou
protegerem-se dos mesmos.
Quando vários empregadores realizam simultaneamente atividades no
mesmo local de trabalho devem executar ações integradas para aplicar as
medidas previstas no PPRA visando a proteção de todos os trabalhadores
expostos aos riscos ambientais gerados.
O conhecimento que os trabalhadores têm dos processos de trabalho e dos
riscos ambientais presentes devem ser considerados, assim como o Mapa de
Riscos, na execução do PPRA.
O empregador deve garantir que, na ocorrência de riscos ambientais que
coloquem em situação de risco um ou mais trabalhadores, os mesmos
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L.C. Almeida
37
possam interromper imediatamente as suas atividades, comunicando o fato
ao seu superior para as providências.
4.6 - INSPEÇÃO DE SEGURANÇA
Tipicamente preventiva, a inspeção de segurança é uma forma antiga e
bastante eficaz de se evitar acidentes. Ela possibilita a determinação dos
riscos e de seus meios preventivos antes da ocorrência dos acidentes, para
podermos propor medidas que impeçam a ação desses riscos.
De acordo com a freqüência, as inspeções podem ser:
a) Rotineiras, quando estabelecidas por normas de segurança ou por
procedimentos de trabalho. Ex.: Cordas, escadas, ferramentas manuais.
b) Periódicas, quando efetuadas, conforme prévia programação, em
intervalos regulares. Podem ser diárias, anuais, quinzenais, etc. Visam
apontar riscos previstos que possam surgir de quando em quando devido
a desgastes, exposição, etc. Ex.: Extintores, caldeiras, elevadores.
c) Eventuais quando caracterizadas por ato espontâneo, não planejado. Não
têm dia certo ou período estabelecido. Devem ser feitas em conjunto com
o pessoal do SESMT.
Para impedir as situações de risco e as condições inseguras encontradas
pelas inspeções de segurança, elaboramos um Relatório de Inspeção. Neste
relatório, que deve ser conciso, são anotadas as condições inseguras e são
abordados os pontos principais da inspeção: condições de meio-ambiente,
equipamentos de combate a incêndios, EPI’s, EPC’s, máquinas, ferramentas,
equipamentos, veículos, etc. O relatório aponta com clareza o tipo de risco a
ser corrigido. Riscos susceptíveis de correção imediata assim como os que
implicam em perigo imediato devem ser resolvidos no ato da inspeção.
Nunca deverá ser arquivado um Relatório de Inspeção que contenha
recomendações ou medidas pendentes de execução.
4.7 - INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES
A CIPA tem como uma das mais importantes atribuições a de investigar os
acidentes para que eles não se repitam. Uma investigação de acidentes bem
feita tem grande importância na prevenção de acidentes futuros.
Para essa investigação os membros da CIPA devem estar aptos a apurar o
que teria ocorrido para provocar o acidente. A experiência dos membros do
SESMT, bem como a de todos os trabalhadores da empresa, ajudará, com
certeza, a descobrir a melhor medida de controle a ser adotada.
Quanto maior a quantidade das fontes de informação e pesquisa, melhor
será o resultado da investigação. Para isso as empresas devem manter
Higiene e Segurança do Trabalho – Mário L.C. Almeida
38
arquivos de dados estatísticos sobre segurança do trabalho para que todos
tenham acesso às informações.
Quando investigamos um acidente devemos seguir algumas diretrizes:
investigar o acidente imediatamente após a sua ocorrência; obter os fatos;
registrar o ocorrido em relatório, analisar os fatos sem preconceitos, propor
medidas para que o fato não se repita.
Para encontrar as causas dos acidentes devemos analisá-los com as
seguintes perguntas: “o que?”, “porque?”, “quando?”, “onde?”, “com quem?”,
“como?” o acidente ocorreu e para isso necessitamos saber: nome do
acidentado; idade; ocupação; seção em que trabalha; descrição do acidente;
parte do corpo atingida.
Durante a investigação são apurados os fatores básicos: o agente da lesão,
fatores pessoais, o tipo de acidente, as condições inseguras e os atos
inseguros.
Os agentes da lesão são as máquinas, peças ou materiais em processo, os
produtos químicos, a eletricidade, os pisos, as escadas, as ferramentas, etc.
Os tipos de acidente são as batidas contra, as batidas por, a queda de
objetos ou de pessoas, os contatos com temperaturas extremas ou com a
eletricidade, a prensagem entre objetos, etc.
COLETIVA e INDIVIDUAL 5
5.1 – DEFINIÇÃO
É importante observar que oE.P.I. não evita o acidente, mas impede ou
atenua uma lesão sofrida pelo trabalhador como conseqüência de um
acidente.
 O E.P.I. adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e
funcionamento, deve ser fornecido pela empresa aos empregados,
gratuitamente, nas seguintes circunstâncias:
a) sempre que as medidas de proteção coletiva forem tecnicamente inviáveis
ou não oferecerem completa proteção contra os riscos de acidentes do
trabalho e/ou de doenças profissionais e do trabalho;
b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas;
c) para atender às situações de emergência.
As recomendações ao empregador, quanto ao E.P.I. adequado ao risco
existente em determinada atividade, são de competência do SESMT ou da
CIPA, caso a empresa esteja desobrigada de manter o SESMT. Nas empresas
desobrigadas de manterem CIPA, cabe ao empregador, mediante orientação
técnica, fornecer e determinar o E.P.I. adequado.
O E.P.I., de fabricação nacional ou estrangeira, só poderá ser colocado à
venda, comercializado ou utilizado, quando possuir Certificado de Aprovação
– CA, expedido pelo Ministério do Trabalho e da Administração – MTA.
O fabricante é responsável pela manutenção da mesma qualidade do E.P.I.-
padrão que deu origem ao CA.
5.2 - EXIGÊNCIAS LEGAIS FEITAS À EMPRESA E AO
EMPREGADO
Obriga-se a Empresa, quanto ao E.P.I., a:
a) adquirir o tipo adequado à atividade do empregado;
EQUIPAMENTOS de PROTEÇÃO
Conforme estipulado na NR-06, Equipamento de Proteção Individual é todo
o dispositivo de uso individual, de fabricação nacional ou estrangeira,
destinado a proteger a saúde e a integridade física do trabalhador.
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
40
b) fornecer ao empregado somente E.P.I. aprovado pelo MTA e de
fabricantes cadastrados no DNSST/MTA;
c) treinar o trabalhador sobre seu uso adequado;
d) tornar obrigatório o seu uso;
e) substituí-lo, imediatamente, quando danificado ou extraviado;
f) responsabilizar-se pela sua higienização e manutenção periódicas;
g) comunicar ao MTA qualquer irregularidade observada no E.P.I..
Obriga-se o empregado, quanto ao E.P.I., a:
a) usá-lo apenas para a finalidade a que se destina;
b) responsabilizar-se por sua guarda e conservação;
c) comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio
para o uso.
5.3 - RELAÇÃO DOS E.P.I.s MAIS COMUNS E SUA
UTILIZAÇÃO
5.3.1 - PROTEÇÃO PARA A CABEÇA
a) Protetores faciais destinados à proteção dos olhos e
da face contra lesões ocasionadas por partículas,
respingos, vapores de produtos químicos e radiações
luminosas intensas;
b) Óculos de segurança para trabalhos em que haja o
risco de ferimentos nos olhos, provenientes de:
impacto de partículas; respingos de líquidos
agressivos e metais em fusão; irritação por poeiras ou
pela ação de radiações perigosas;
c) Máscaras para soldadores nos trabalhos de soldagem e corte ao arco
elétrico;
d) Capacetes de segurança para proteção do crânio nos trabalhos sujeitos a:
agentes meteorológicos; impactos provenientes de quedas ou projeção de
objetos; queimaduras ou choque elétrico.
 Óculos de Segurança
Protetores Faciais
Capacete de Segrança
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
41
5.3.2 - PROTEÇÃO PARA OS MEMBROS SUPERIORES
Luvas e/ou mangas de proteção e/ou
cremes protetores devem ser usados em
trabalhos onde haja perigo de lesão
provocada por: materiais ou objetos
escoriantes, abrasivos, cortantes ou
perfurantes; produtos químicos corrosivos,
cáusticos, tóxicos, alergênicos, oleosos,
graxos, solventes orgânicos e derivados de
petróleo; materiais ou objetos aquecidos;
choque elétrico; radiações perigosas; frio e
agentes biológicos.
5.3.3 - PROTEÇÃO PARA OS MEMBROS INFERIORES
• calçados de proteção contra riscos
de origem mecânica; impermeáveis,
para trabalhos em locais úmidos,
lamacentos ou encharcados;
resistentes a agentes químicos
agressivos; contra riscos de origem
térmica; contra radiações perigosas;
contra agentes biológicos; contra
riscos de origem elétrica;
• perneiras de proteção contra riscos
de origem mecânica; contra riscos de origem
térmica; contra radiações perigosas;
5.3.4 - PROTEÇÃO CONTRA QUEDAS COM DIFERENÇA DE NÍVEL
a) Cintos de segurança para trabalhos realizados em altura superior a 2
(dois) metros, onde haja risco de queda;
b) Trava-quedas de segurança acoplado ao cinto de segurança ligado a um
cabo de segurança independente, para trabalhos realizados com
movimentação vertical em andaimes suspensos de qualquer tipo.
c) Cadeiras suspensas para trabalhos em alturas em que haja necessidade
de deslocamento vertical, quando a natureza do trabalho assim o indicar;
5.3.5 - PROTEÇÃO AUDITIVA
Protetores auriculares e abafadores, para
trabalhos realizados em locais onde o nível
de ruído seja superior a 85 dB (A), para
oito horas de exposição contínua. (NR-15,
Anexos 1 e 2)
Luvas de Segurança
Protetor auricular e abafador de ruído
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
42
5.3.6 - PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA
Para exposições a agentes ambientais em concentrações prejudiciais à saúde
do trabalhador, de acordo com os limites estabelecidos na NR-15:
a) respiradores contra poeiras, para trabalhos que implicam na produção de
poeiras;
b) máscaras para trabalhos de limpeza por abrasão, através do jateamento
de areia;
c) respiradores e máscaras de filtro químico para a exposição a agentes
químicos prejudiciais à saúde;
d) aparelhos de isolamento (autônomos ou de adução de ar), para locais de
trabalho onde o teor de oxigênio seja inferior a 18% em volume.
5.3.7 - PROTEÇÃO PARA O TRONCO
Aventais, jaquetas, capas e outras vestimentas especiais de proteção para
trabalhos nos quais haja perigo de lesões provocadas por: riscos de origem
térmica; riscos de origem radioativa; riscos de origem mecânica; agentes
químicos; agentes meteorológicos; umidade.
5.3.8 - PROTEÇÃO PARA O CORPO INTEIRO
Aparelhos de isolamento (autônomos ou de adução de ar) para locais de
trabalho onde haja exposição a agentes químicos absorvíveis pela pele, pelas
vias respiratória e digestiva, ou prejudiciais à saúde.
5.3.9 - PROTEÇÃO PARA A PELE
Cremes Protetores para prevenir contra riscos de agentes químicos
absorvíveis pela pele.
A NR-06 determina ainda que todo o empregado deve trabalhar calçado,
ficando proibido o uso de tamancos ou chinelos. As sandálias só serão
utilizadas, em casos especiais, quando a autoridade do MTE permitir-lhes o
uso e se comprovado que, pela atividade desenvolvida, não oferecem riscos à
integridade física do trabalhador.
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43
TABELA I:
LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDO CONTÍNUO OU INTERMITENTE
(NR-15, Anexo 1)
NÍVEL DE
RUÍDO dB (A)
MÁXIMA EXPOSIÇÃO
DIÁRIA PERMISSÍVEL
85 8 horas
86 7 horas
87 6 horas
88 5 horas
89 4 horas e 30 minutos
90 4 horas
91 3 horas e 30 minutos
92 3 horas
93 2 horas e 40 minutos
94 2 horas e 15 minutos
95 2 horas
96 1 hora e 45 minutos
98 1 hora e 15 minutos
100 1 hora
102 45 minutos
104 35 minutos
105 30 minutos
106 25 minutos
108 20 minutos
110 15 minutos
112 10 minutos
114 8 minutos
115 7 minutos
Observações:
1. Ruído de Impacto é aquele que
apresenta picos de energia
acústica de duração inferior a 1
(um) segundo, a intervalos
superiores a 1 (um) segundo.
2. Entende-se por Ruído Contínuo
ou Intermitente, para fins de
aplicação de Limites de
Tolerância, o ruído que não seja
ruído de impacto.
3. Não é permitida a exposição a
níveis de ruído contínuo acima de
115 dB(A) para indivíduos que
não estejam adequadamente
protegidos.
PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS 6
O fogo é um elemento indispensável à nossa sobrevivência e ao nosso
progresso. Ele é utilizado em processos industriais e domésticos. Quando
industrializado, o fogo é gerador de energias e riquezas, fora de controle é
responsável por incêndios e destruição.
6.1 – A COMBUSTÃO
Combustão, ou simplesmente fogo, é uma reação química de oxidação rápida
em que há a geração de calor.
Para que a combustãoaconteça é necessária a combinação de alguns
elementos essenciais: o combustível, o comburente, a temperatura de ignição
ou calor e a reação em cadeia.
Combustível é qualquer substância, sólida, líqüida ou gasosa, que vai
queimar, produzindo luz e calor, e transformar-se ou servir de propagação ao
fogo.
Comburente é a substância que mantém a combustão, o gás que envolve o
combustível. O comburente mais comum é o oxigênio contido no ar
atmosférico na proporção de 21%. O ar atmosférico é respirável e alimenta a
combustão quando contém, no mínimo, 16% de oxigênio.
Temperatura de ignição ou calor é a temperatura mínima a que deve ser
aquecida uma substância, para que se inicie a combustão.
Antes de iniciar a combustão, à medida que a temperatura vai aumentando,
o combustível passa pelo Ponto de Fulgor.
Ponto de Fulgor é a temperatura a partir da qual o combustível sólido ou
líqüido começa a desprender vapores inflamáveis.
Em seguida, caso a temperatura continue a subir, o combustível alcançará o
seu Ponto de Ignição.
Ponto de Ignição é a temperatura em que os gases desprendidos do
combustível entram em combustão independentemente de qualquer fonte de
calor.
PRINCÍPIOS BÁSICOS da
CHAMAMOS INCÊNDIO AO FOGO DESCONTROLADO
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45
O Triângulo do Fogo
Reação em cadeia são as reações químicas que ocorrem quando as
moléculas de um combustível se combinam com o oxigênio e oxidam-se até
que sejam atingidos os pontos finais da combustão.
Para fins didáticos utiliza-se a figura de
um triângulo para representar os
elementos essenciais à ocorrência da
combustão.
A combustão pode ser chamada de
completa, incompleta ou espontânea.
É dita completa quando se verifica em
ambientes livres e com suprimento normal
de oxigênio.
É incompleta quando ocorre em setor
confinado e com deficiência de oxigênio.
A combustão é espontânea quando origina de reações químicas, físicas ou de
processos biológicos, sem que o combustível tenha tido contato com uma
fonte de calor.
Ex.: Auto-inflamação do celulóide, da pólvora, de blocos de Vulcaespuma , do
carvão mineral, de resíduos de algodão e de panos e estopas impregnados de
óleo de linhaça.
A transmissão do calor acontece, praticamente, de três maneiras:
- Condução, quando o calor é transmitido de um corpo para outro por
contato direto ou através de uma substância condutora de calor;
- Irradiação, quando o calor é transferido de um corpo para outro por
intermédio de ondas caloríficas que se propagam pelo espaço existente
entre os dois corpos;
- Convexão, quando o calor é transmitido através da circulação dos
vapores, tanto nos líqüidos como nos gases.
6.2 – OS PROCESSOS DE EXTINÇÃO
Para extinguir o fogo basta separar o combustível, absorver o calor ou
suprimir o oxigênio do ar atmosférico do combustível incendiado.
Na queima, a combustão só ocorre depois do combustível
ter alcançado a sua temperatura de ignição.
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
46
À ação de separar o combustível chamamos isolamento.
Ex.: Fechando-se o registro da passagem do gás de
cozinha para os queimadores notamos que o fogo se
apaga por falta de combustível.
Ao ato de absorver o calor chamamos resfriamento.
Ex.: Mergulhando-se o carvão em brasa em água fria
esta se aquece e as brasas se apagam por ausência de
calor.
Ao processo suprimir o oxigênio do ar atmosférico do
combustível incendiado damos o nome de abafamento.
Ex.: Se pegarmos uma vela acesa e a cobrirmos com uma
redoma de vidro, de modo que o ar não penetre, notaremos
que a chama da vela vai apagando lentamente, até
extinguir-se, por falta do oxigênio.
6.3 – AS CLASSES DE INCÊNDIO E OS MÉTODOS DE
COMBATE
Para efeito de estudos, quanto aos processos e elementos de extinção,
dividimos os incêndios em quatro classes: A, B, C e D.
Incêndios de Classe A são os que ocorrem em materiais de fácil combustão,
que têm a propriedade de queimar em sua superfície e profundidade, e que
deixam resíduos como: tecidos, madeira, papel, fibras, couro, borracha, etc.
Neste tipo de incêndio a melhor escolha está na retirada do calor. Utilizamos
para isso água ou soluções que a contenham em grandes proporções.
Incêndios de Classe B são os que acontecem em produtos considerados
inflamáveis, que têm a propriedade de queimar somente em sua superfície
não deixando resíduos, como: óleos, graxas, tintas, vernizes, álcoois, éter,
gorduras, ceras, solventes, gasolina, etc. Nesta classe de fogo não há
aquecimento abaixo da superfície. Não devemos, pois, utilizar a água em jato
sólido, e sim um elemento abafante como a espuma, a água em neblina, o
dióxido de carbono ou o pó químico.
Incêndios de Classe C são os que ocorrem em equipamentos elétricos
energizados, com a corrente elétrica ligada, como em motores,
transformadores, quadros de distribuição, cabos condutores, etc. Neste caso
o agente extintor não deve ser bom condutor de energia elétrica, pois o
operador pode ser, até mesmo, eletrocutado. Os extintores mais
Higiene e Segurança no Trabalho – Mário L. C. Almeida
47
recomendados aqui são os a base de dióxido de carbono ou de pó químico,
extinguindo o incêndio por abafamento. O pó químico, por deixar resíduos,
não é recomendado em incêndios em aparelhos eletrônicos de precisão.
Incêndios de Classe D são os que ocorrem em metais pirofóricos, como:
antimônio, cádmio, carbureto de cálcio, fósforo, lítio, magnésio, pó de
alumínio, potássio, selênio, sódio, titânio, zinco, zircônio, etc. Para extinguí-
los utilizamos pós especiais, que impedem a continuação das chamas, como
o grafite em pó, a limalha de ferro fundido e a areia seca.
Apresentamos a seguir um quadro resumido do que foi visto acima, com os
materiais extintores mais recomendados para cada tipo de incêndio.
CLASSES
DE
INCÊNDIO
ÁGUA ESPUMA PÓ QUÍMICO
DIÓXIDO DE
CARBONO
(CO2)
PÓ
ESPECIAL
A SIM SIM NÃO NÃO NÃO
B NÃO SIM SIM SIM NÃO
C NÃO NÃO SIM SIM NÃO
D NÃO NÃO NÃO NÃO SIM
6.4 - EQUIPAMENTOS DE COMBATE A INCÊNDIO
Chamamos de equipamentos de combate a incêndio os diversos dispositivos,
engenhos, aparelhos e peças empregados na luta contra o fogo. Esses
equipamentos constituem as instalações preventivas e protetoras, conforme
a classificação usada pelos bombeiros.
Quanto à mobilidade, as instalações são chamadas fixas quando fazem parte
da estrutura do prédio, como as redes de hidrantes, as canalizações dos
edifícios, os detetores de incêndio ou fumaça, os chuveiros automáticos -
Sprinklers, Mulsyfire e Protectospray, etc. As instalações são ditas móveis, ou
portáteis, quando podem ser deslocadas de um ponto para outro, de acordo
com a necessidade, como as viaturas, os extintores, as mangueiras de
incêndio, os esguichos, etc.
6.4.1 – OS EXTINTORES
Extintor é um aparelho que serve para apagar princípios de incêndio. Há
extintores portáteis, rebocáveis (carretas) e fixos. Estudaremos apenas
alguns dos tipos de extintores mais comuns:
a) Extintor de Água, Água-gás ou Água pressurizada (A) – São indicados,
exclusivamente, para incêndios de classe A. Podem ser de pressão
permanente ou injetada.
- O de pressão permanente é constituído de um recipiente cilíndrico
contendo água sob pressão, controlada por um manômetro.
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48
- O de pressão injetada é formado por um recipiente cilíndrico contendo
água pura. Fixada à tampa, existe uma pequena ampola contendo
CO2. Ao abrirmos a válvula da ampola o gás é liberado, pressionando a
água.
b) Extintores de Espuma (ES) – Específicos para o combate a incêndios das
classes A e B, são constituídos de um cilindro com duas câmaras, cada
uma contendo uma solução química: uma contendo água com,
geralmente, sulfato de alumínio; outra contendo bicarbonato de sódio
misturado com um estabilizador, o alcaçuz. Uma vez virado o extintor, as
duas soluções químicas se encontram e, instantaneamente, formam uma
espuma rica em gás carbônico.
c) Extintor de Pó Químico seco (PO) – Indicado para os incêndios das classes
B e C, podetambém ser usado nos incêndios de classe A, quando os
combustíveis forem fardos de algodão ou de outros materiais têxteis. Tem
na parte superior uma válvula manobrável e um aplicador de pó em
forma de funil. Externamente, fixada ao cilindro, há uma pequena ampola
de aço com CO2 e um tubo de comunicação da ampola com a parte
interna do aparelho. Abrindo-se a válvula da ampola de CO2, o gás faz o
arraste do pó existente no cilindro e a expulsão do mesmo através da
mangueira e do aplicador. Há extintores deste tipo que são pressurizados
e para entrarem em funcionamento basta que se abra a válvula de
escape. São mais eficientes que os de CO2 mas deixam resíduos, o que os
torna desaconselháveis para aplicação em instalações elétricas sensíveis
como em computadores.
d) Extintores de Dióxido de Carbono (CO2) – Indicado para os incêndios das
classes B e C, é constituído de um cilindro de aço contendo o gás sob
pressão. Tem na parte superior uma válvula, travada com um grampo de
segurança, e um aplicador de gás em forma de funil. Para funcionar,
retiramos o grampo e acionamos o gatilho (ou giramos o volante,
conforme o tipo de aparelho).
A NR-23, que trata da proteção contra incêndios, faz entre outras, as
seguintes recomendações:
a) cada extintor deve ter uma etiqueta presa ao seu bojo, protegida
convenientemente, com o número de identificação e informações sobre
a data em que foi carregado e a data de recarga;
b) os cilindros dos extintores de pressão injetada devem ser pesados
semestralmente e, se a perda de peso for superior a 10% do peso
original deve ser providenciada a sua recarga;
c) o extintor de espuma deve ser recarregado semestralmente;
d) os extintores devem ser colocados em locais de fácil visualização, de
fácil acesso, onde haja menor probabilidade do fogo bloquear o seu
acesso e nunca nas paredes das escadas;
e) os extintores não deverão ter o seu bordo superior a mais de 1,60m
acima do piso nem poderão ser cobertos por pilhas de materiais.
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6.5 – PROCEDIMENTOS BÁSICOS EM CASO DE INCÊNDIO
- Evacue toda a área. Os curiosos e as pessoas de boa vontade só
atrapalham.
- Ponha todos num lugar seguro, no andar térreo, para que todos
possam sair com segurança.
- Antes de dar combate ao fogo desligue as chaves de energia elétrica.
- Mantenha sempre a calma, atue com seriedade e NÃO TENTE SER
HERÓI !
- Ao abandonar a casa, feche todas as janelas e portas e desligue os
ventiladores para que as correntes de ar não alimentem o fogo.
- Não se fie em que alguém tenha chamado o Corpo de Bombeiros; faça-
o você mesmo !
6.5.1 - INCÊNDIOS EM QUE SE ESTÁ CONFINADO A UMA SALA
- Não tente salvar objetos, primeiro tente salvar sua vida.
- Antes de abrir uma porta, toque-a com a mão. Estando fria abra-a
com cuidado, protegendo-se atrás dela. Se estiver quente NÃO ABRA A
PORTA. Arranque o carpete próximo à porta, obstrua as frestas com
um pano molhado e afaste da mesma os materiais de fácil combustão.
- Desligue a chave elétrica geral da sala ou compartimento.
- Se encontrar todas as vias de fuga bloqueadas, refugie-se em um
banheiro, molhando a porta e vedando-a com panos e papeis
molhados. Obstrua o ralo das pias com um pano e abra totalmente
todas as torneiras para que as pias transbordem. Molhe suas roupas.
- Se ficar preso na fumaça cubra o nariz e a boca com lenço ou pano
molhado para filtrar o ar. Mova-se rente ao chão, onde o ar é mais
respirável, para alcançar a saída ou uma janela para gritar por
socorro. Abra a janela e coloque perto de si um móvel para servir de
anteparo para o calor. Atire para fora tudo o que queimar facilmente
(cortinas, tapetes, papéis, etc).
- Não se tranque em qualquer compartimento.
- Se estiver preso, tente arrombar as portas com o impacto de qualquer
objeto resistente.
- Procure alcançar o térreo usando a escada mais próxima. Não use o
elevador. Suba somente se for impossível descer.
- Se o incêndio for de grande proporção e nos andares inferiores vá para
o local mais alto e seguro possível, fechando atrás de si as portas
corta-fogo de cada andar.
CHAME O CORPO DE BOMBEIROS PARA QUALQUER
PRINCÍPIO DE INCÊNDIO, POR MENOR QUE PAREÇA SER!
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6.5.2 - SE A FRIGIDEIRA OU PANELA DE FRITURAS PEGAR FOGO
- Desligue a fonte de calor.
- Cubra a panela com a sua tampa, com uma bandeja ou com uma
toalha molhada. Não jogue água sobre a frigideira nem a leve para
uma pia ou uma janela.
6.5.3 - SE A ROUPA DE ALGUÉM PEGAR FOGO
- Se for você mesmo, role pelo chão para abafar as chamas.
- Sendo outra pessoa, deite-a no chão de qualquer modo. Cubra a área
em chamas com um tapete, um cobertor ou um casaco para que isole
as chamas do ar. Proteja o rosto da vítima e o seu próprio, usando o
casaco ou cobertor como escudo.
- Se for uma criança tomada de pânico impeça-a de correr (já que isso
aviva as chamas). Enrole-a num cobertor e isole as chamas conforme
descrito acima.
- As roupas escaldadas devem ser tocadas com cuidado pois os tecidos
quentes pioram os danos à pele do paciente. Retire as partes
escaldadas, cuidadosamente, começando pelas partes não queimadas.
Chame uma ambulância. Se a pessoa não estiver gravemente
queimada leve-a para um hospital imediatamente. Jamais tente
remover roupas carbonizadas ou queimadas de uma pessoa. Deixe
essa operação para os especialistas.
6.5.4 - INCÊNDIO NUM AUTOMÓVEL
- Pare o automóvel e faça todos os passageiros saírem.
- Se possível, desligue o cabo da bateria antes de usar o extintor.
- Se o motor pegar fogo, entreabra um pouquinho o capô e introduza o
aplicador do extintor pela abertura.
- Se o incêndio for grave, afaste-se do carro, pois o tanque de
combustível pode explodir ou a fumaça venenosa dos plásticos em
combustão podem comprometer seus pulmões.
- Se você vir alguém preso num carro em chamas tente tirar a pessoa
dali, desde que você não corra perigo.
ANEXO 1
SEGURANÇA NOS LABORATÓRIOS DE MECÂNICA
Em toda a profissão há riscos profissionais. A corrente elétrica é um risco
inerente aos serviços que envolvem a eletricidade mas nem por isso a energia
elétrica pode ser considerada uma condição insegura.
Nos nossos laboratórios de Mecânica existem algumas máquinas que podem
ser consideradas de risco.
Listamos, a seguir, algumas máquinas que lá estão, os acidentes mais
freqüentes que com elas possam acontecer e algumas recomendações para a
prevenção desses acidentes.
1 – ESMERIL:
Máquina usada para fazer desbastes e afiação das arestas cortantes de
vários tipos de ferramentas.
ACIDENTES MAIS FREQÜENTES:
- Quebra do rebolo ocasionando ferimentos graves no operador.
- Lesões graves nas mãos do operador por segurar a ferramenta com estopa
ou pano.
- Queimaduras nas mãos do operador provocadas pelo não resfriamento
das ferramentas ou por fagulhas
PREVENÇÃO E RECOMENDAÇÕES:
- Utilização de máscaras e óculos de segurança.
- Verificar se o rebolo está com a proteção para evitar que fagulhas atinjam
o operador.
- Verificar se o batente de apoio se encontra a ± 2 mm da superfície do
rebolo para evitar o esmerilhamento do dedo.
- Verificar se o material do rebolo é compatível com o material a ser
esmerilhado.
- Não utilizar luvas ou estopa ou pano para segurar a peça.
- Desligar sempre a chave elétrica antes de fazer qualquer manutenção na
máquina.
- Não utilizar suporte para fixar a peça a ser esmerilhada.
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2 – FRESADORA:
Máquina usada para produzir rasgos em peças a serem encaixadas, abrir
dentes em engrenagens, etc.
ACIDENTES MAIS FREQÜENTES:
- Lançamento da peça mal presa atingindo gravemente o operador.
- A má fixação da fresa pode fazer com que esta se rompa, lançando-se
sobre o operador.
- Embaraçamento das partes da máquina com mangas de camisas
compridas, adornos (anéis, pulseiras e etc.), cabelos compridos.
PREVENÇÃO E RECOMENDAÇÕES:
- Utilização de máscaras e óculos de segurança.
- Verificar se as peças e a fresaestão bem presas.
- Verificar se o material da fresa é compatível com o material a ser fresado.
- Como em toda a máquina rotativa, utilizar sempre roupa adequada ao
trabalho e retirar adornos que possam prender na máquina. O cabelo, se
comprido, deverá estar preso.
- Desligar sempre a chave elétrica antes de fazer qualquer manutenção na
máquina.
3 – FURADEIRA:
Máquina usada para produzir furos circulares por meio de giro de uma
ferramenta de corte
ACIDENTES MAIS FREQÜENTES:
- Lançamento da peça por força radial atingindo gravemente o operador.
- Quebra ou entortamento da broca, ferindo o operador.
- Embaraçamento das partes da máquina com mangas de camisas
compridas, adornos (anéis, pulseiras e etc.), cabelos compridos.
PREVENÇÃO E RECOMENDAÇÕES:
- Utilização de máscaras e óculos de segurança.
- Verificar se as peças e a broca estão bem presas.
- Verificar se a broca está bem afiada.
- Verificar se o material da broca é compatível com o material a ser
perfurado.
- Como em toda a máquina rotativa, utilizar sempre roupa adequada ao
trabalho e retirar adornos que possam prender na máquina. O cabelo, se
comprido, deverá estar preso.
Higiene e Segurança no Trabalho - Mário L. C. Almeida
53
- Desligar sempre a chave elétrica antes de fazer qualquer manutenção
na máquina.
4 – SERRA OPERATRIZ:
Usada para o fracionamento de materiais em pedaços.
ACIDENTES MAIS FREQÜENTES:
- Quebra da serra atingindo o operador.
- Perfuração dos dedos pelas engrenagens da máquina.
PREVENÇÃO E RECOMENDAÇÕES:
- Verificar o aperto da serra para evitar que ela se solte e quebre, ferindo o
operador.
- Proteger as engrenagens da máquina para que as mãos do operador nela
não se prendam.
- O material a ser serrado deve ser bem fixado para evitar que a serra se
quebre.
- Usar luvas para manusear o material a ser serrado.
5 – SOLDA OXI-ACETILENO:
Usada para fundir duas ou mais peças entre si, usando o oxigênio como
comburente e o acetileno como combustível.
ACIDENTES MAIS FREQÜENTES:
- Intoxicação por inalação de gases e vapores provenientes do processo de
soldagem.
- Queimaduras na visão causadas por radiações e fagulhas.
- Superaquecimento das mangueiras, provocando vazamento e incêndio.
- Explosão da linha caso esta não esteja limpa.
- Queimaduras provocadas pelo mal-uso (desatenção).
PREVENÇÃO E RECOMENDAÇÕES:
- Armazenar corretamente o cilindro de gás.
- Fechar bem o cilindro logo ao terminar o serviço.
- Não permitir o contato do cilindro com fios energizados.
- Manter as mangueiras bem afastadas da área de soldagem.
- Fazer periodicamente a limpeza da linha.
- Utilizar o maçarico corretamente.
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- Para trabalhos leves, de pequena duração, usar óculos com filtros. Em
trabalhos mais pesados usar óculos de concha dupla com perfeita
vedação contra fagulhas.
- O trabalho deve ser executado em local arejado.
6 – SOLDA ELÉTRICA:
Equipamento usado para unir duas ou mais peças entre si, com ou sem adição
de material, de modo a formar uma junção através do processo de eletrodo
revestido.
ACIDENTES MAIS FREQÜENTES:
- Choque elétrico.
- Queimaduras na visão causadas por radiações ultravioleta e
infravermelha.
- Queimaduras por respingos de material fundido.
- Intoxicação por fumos e gases provenientes da queima.
- Quedas e tropeços em fios de grande comprimento.
PREVENÇÃO E RECOMENDAÇÕES:
- Usar máscara de soldador, luvas, avental e perneiras de raspa e botinas
providas de biqueiras de aço.
- Ligar o equipamento à terra.
- Ligar o equipamento através de chave com fusíveis ou disjuntor.
- Verificar se todos os cabos condutores estão em perfeitas condições.
- Nunca colocar o porta-eletrodo sobre a peça ou sobre qualquer parte
ligada eletricamente ao circuito de soldagem.
- Não deixar os cabos condutores em áreas de circulação.
- Usar cabos com o menor comprimento possível.
- O trabalho deve ser executado em local bem ventilado.
7 – TORNO:
Máquina usada para remover material da superfície de uma peça em rotação
com o auxílio de uma ferramenta de corte.
ACIDENTES MAIS FREQÜENTES:
- Desprendimento do cavaco atingindo o operador.
- Queimaduras provocadas pelos cavacos.
- Rompimento da peça a ser torneada atingindo o operador.
- Embaraçamento das partes da máquina com mangas de camisas
compridas, adornos (anéis, pulseiras e etc.), cabelos compridos, gravatas
de visitantes.
Higiene e Segurança no Trabalho - Mário L. C. Almeida
55
- Ferimentos nos pés causados por cavacos que caem da máquina.
PREVENÇÃO E RECOMENDAÇÕES:
- Utilização de máscaras e óculos de segurança.
- Uso de sapatos de couro.
- Utilizar sempre roupa adequada ao trabalho e retirar adornos que possam
prender na máquina. O cabelo, se comprido, deverá estar preso.
- Verificar se as ferramentas e a peça estão bem presas.
- Retirar a chave “T” da placa logo após fixar a peça.
- Usar a proteção coletiva da máquina para evitar o lançamento de cavacos.
- Desligar sempre a chave elétrica antes de fazer qualquer manutenção na
máquina.
Bibliografia
TELERJ. Primeiros Socorros. Telerj, 1974
Ribeiro Fº, Leonídio Francisco. Técnicas de Segurança do Trabalho.
Cultura Editora, 1974
FINEP . Primeiros Socorros. Finep, 1979
PETROBRÁS. Primeiros Socorros. Petrobrás, 1979
PHILCO. Segurança no Trabalho. Philco, 1980
Universidade Santa Úrsula - Engenharia de Segurança do Trabalho -
Conduta em Primeiros Socorros. USU, 1982
Lima, Sérgio de Assis. Organização e Segurança no Trabalho. ETER –
Mecânica, 1997
Porto, João Venceslau. Organização e Segurança no Trabalho. ETER -
Informática, 1998
Ministério do Trabalho. Normas de Higiene e Segurança no Trabalho, 2003
Nossos agradecimentos aos professores Élio, Gérson, Joaquim, Henrique e
Raimundo , da ETER, pela colaboração no Anexo 1
Rio de Janeiro, março de 2003
	HIGIENE E SEGURANÇA NO TRABALHO
	1 - HISTÓRICO
	2 - ACIDENTES DO TRABALHO
	2.1 - ACIDENTES DO TRABALHO
	2.1.1 - CONCEITO LEGAL
	2.1.2 - CONCEITO PREVENCIONISTA
	2.1.3 - CASOS CONSIDERADOS COMO ACIDENTES DO TRABALHO
	2.1.3.1 - DIFERENÇA ENTRE DOENÇA E ACIDENTE DO TRABALHO
	2.2 – CAUSAS DOS ACIDENTES DO TRABALHO
	2.2.1 – ATOS INSEGUROS
	2.2.2 – CONDIÇÕES INSEGURAS
	2.2.3 – FATOR PESSOAL DE INSEGURANÇA
	2.3 - CONSEQÜÊNCIAS DOS ACIDENTES DO TRABALHO
	2.3.1 - PREJUÍZOS IMEDIATOS PARA O GOVERNO
	2.3.1.1 – A DOENÇA E O ACIDENTE DO TRABALHO NO CONTRATO DE EXPERIÊNCIA E NO AVISO PRÉVIO
	Comunicação de Acidente do Trabalho - CAT
	3 - RISCOS AMBIENTAIS
	3.1 – AGENTES AMBIENTAIS
	3.2 - RISCOS FÍSICOS
	3.2.1 - O Ruído
	3.2.2 - As Vibrações Mecânicas
	3.2.3 - As Radiações ionizantes e não-ionizantes
	3.2.4 - Temperaturas extremas
	3.2.5 - Pressões Anormais
	3.3 - RISCOS QUÍMICOS
	3.4 - RISCOS BIOLÓGICOS
	3.5 - RISCOS ERGONÔMICOS
	3.6 - RISCOS DE ACIDENTES
	CLASSIFICAÇÃO DOS PRINCIPAIS RISCOS, DE ACORDO COM A SUA NATUREZA
	4 - O SESMT, A CIPA E SUAS ATRIBUIÇÕES
	4.1 - O SESMT
	4.2 - A CIPA
	4.3 - O MAPA DE RISCOS
	4.4 – O PCMSO
	4.5 – PPRA
	4.6 - INSPEÇÃO DE SEGURANÇA
	4.7 - INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES
	5 - EQUIPAMENTOS de PROTEÇÃO COLETIVA e INDIVIDUAL 
	5.1 – DEFINIÇÃO
	5.2 - EXIGÊNCIAS LEGAIS FEITAS À EMPRESA E AO EMPREGADO
	5.3 - RELAÇÃO DOS E.P.I.s MAIS COMUNS E SUA UTILIZAÇÃO
	5.3.1 - PROTEÇÃO PARA A CABEÇA
	5.3.2 - PROTEÇÃO PARA OS MEMBROS SUPERIORES
	5.3.3 - PROTEÇÃO PARA OS MEMBROS INFERIORES
	5.3.4 - PROTEÇÃO CONTRA QUEDAS COM DIFERENÇA DE NÍVEL
	5.3.5 - PROTEÇÃO AUDITIVA
	5.3.6 - PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA
	5.3.7 - PROTEÇÃO PARA O TRONCO
	5.3.8 - PROTEÇÃO PARA O CORPO INTEIRO
	5.3.9 - PROTEÇÃO PARA A PELE
	LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDO CONTÍNUO OU INTERMITENTE
	6 - PRINCÍPIOS BÁSICOS da PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS
	6.1 – A COMBUSTÃO
	Combustão
	Combustível
	Comburente
	Temperatura de ignição ou calor
	Ponto de Fulgor
	Ponto de Ignição
	Reação em cadeia
	6.2 – OS PROCESSOS DE EXTINÇÃO
	isolamento.
	resfriamento.
	abafamento.
	6.3 – AS CLASSES DE INCÊNDIO E OS MÉTODOS DE COMBATE
	Classe A
	Classe B
	Classe C
	Classe D
	6.4 - EQUIPAMENTOS DE COMBATE A INCÊNDIO
	6.4.1 – OS EXTINTORES6.5 – PROCEDIMENTOS BÁSICOS EM CASO DE INCÊNDIO
	6.5.1 - INCÊNDIOS EM QUE SE ESTÁ CONFINADO A UMA SALA
	6.5.2 - SE A FRIGIDEIRA OU PANELA DE FRITURAS PEGAR FOGO
	6.5.3 - SE A ROUPA DE ALGUÉM PEGAR FOGO
	6.5.4 - INCÊNDIO NUM AUTOMÓVEL
	ANEXO 1 - SEGURANÇA NOS LABORATÓRIOS DE MECÂNICA
	1 – ESMERIL:
	2 – FRESADORA:
	3 – FURADEIRA:
	4 – SERRA OPERATRIZ:
	5 – SOLDA OXI-ACETILENO:
	6 – SOLDA ELÉTRICA:
	7 – TORNO:
	Bibliografia

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