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Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 2 INSTITUTO DE TEOLOGIA LOGOS PREPARANDO CRISTÃOS PARA A DEFESA DA FÉ CURSOS DE TEOLOGIA 100% Á DISTÂNCIA DISCIPLINA. MISSIOLOGIA (Organizado pelo Setor Acadêmico do ITL) BRASIL, MA Versão 2021 Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 3 Pesquisa e Organização do Conteúdo: Instituto de Teologia Logos, EA Gráficos, Edição e Finalização: Instituto de Teologia Logos, EEG DADOS DE CATALOGAÇÃO INTERNA DA PUBLICAÇÃO – DCIP CÓDIGO DCIP: 001-021-2021-1 CÓDIGO DISCIPLINA: ITLON21 LOGOS, Instituto de Teologia (ORG). MISSIOLOGIA. MARANHÃO: PUBLICAÇÕES ITL, 2021. 107 pgs. Instituto de Teologia Logos – Diretoria de Ensino Barra do Corda - MA - Brasil - 65950-000 (99) 98433-5387 | institutodeteologialogos@hotmail.com mailto:institutodeteologialogos@hotmail.com Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 4 SUMÁRIO 1 - MISSIOLOGIA E TEOLOGIA .................................................................................................... 9 1.1. CONCEITUANDO A MISSÃO........................................................................................................ 10 1.2. DEFINIÇÕES GENERALIZADAS DE MISSÕES .................................................................................... 11 1.3. UM DEFINIÇÃO DE MISSÕES ...................................................................................................... 12 1.4. O CONCEITO DE MISSÕES NA CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER ................................................... 12 1.5. O CONCEITO DE MISSÕES EM JOÃO CALVINO ............................................................................... 14 1.6. CONCEITUANDO EVANGELIZAÇÃO ............................................................................................... 15 1.7. OS MOTIVOS PARA MISSÕES..................................................................................................... 16 1.8. ETIMOLOGIA DE MISSIOLOGIA.................................................................................................... 17 1.9. QUADRO ETIMOLÓGICO............................................................................................................ 18 1.10. APLICAÇÃO DA MISSIOLOGIA ..................................................................................................... 18 1.11. DONALD MC GAVRAN-O PAI DA MISSIOLOGIA ............................................................................. 18 2 - A BÍBLIA E AS MISSÕES ....................................................................................................... 21 2.1. A BÍBLIA NA EVANGELIZAÇÃO DO MUNDO ................................................................................... 21 2.2. O MANDATO DA EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL ................................................................................ 21 2.3. A MENSAGEM DA EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL............................................................................... 22 2.4. O PODER PARA A EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL ............................................................................... 22 2.5. ANÁLISE EXEGÉTICA ................................................................................................................. 23 2.6. DIFERENÇA ENTRE MISSÃO CENTRÍPETA E MISSÃO CENTRÍFUGA ....................................................... 24 2.7. PRINCÍPIOS GERAIS DE MISSÕES ................................................................................................. 26 2.8. EXTENSÃO DO PLANO DE MISSÕES.............................................................................................. 27 3 - AS MISSÕES E SEU PROPÓSITO DE GLORIFICAR A DEUS ...................................................... 29 3.1. O AMOR DE DEUS É A BASE PARA O NOSSO AMOR ........................................................................ 30 3.2. A CENTRALIDADE DE DEUS NA VIDA DA IGREJA.............................................................................. 31 3.3. A GLORIFICAÇÃO DE DEUS É O ALVO DE MISSÕES .......................................................................... 32 4 - HISTÓRIA DE MISSÕES ........................................................................................................ 35 4.1. COMEÇA O TRABALHO MISSIONÁRIO .......................................................................................... 35 4.2. O PRIMEIRO DECLÍNIO MISSIONÁRIO .......................................................................................... 36 4.3. O PRIMEIRO DESPERTAMENTO MISSIONÁRIO ............................................................................... 36 4.4. SURGEM NOVAS IGREJAS MISSIONÁRIAS ...................................................................................... 38 4.5. AS 10 ONDAS DE PERSEGUIÇÕES ................................................................................................ 38 4.6. O SEGUNDO DECLÍNIO MISSIONÁRIO .......................................................................................... 38 4.7. O SEGUNDO DESPERTAMENTO MISSIONÁRIO ............................................................................... 41 4.8. O PAPEL DA IGREJA MORAVIANA ............................................................................................... 42 4.9. O TERCEIRO DECLÍNIO MISSIONÁRIO........................................................................................... 42 Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 5 4.10. PRINCIPAIS SOCIEDADES E SEUS MISSIONÁRIOS ............................................................................. 43 4.11. PREOCUPAÇÃO SOCIAL OCUPA O LUGAR DE MISSÕES ..................................................................... 44 4.12. O TERCEIRO DESPERTAMENTO MISSIONÁRIO ................................................................................ 45 4.13. CONFERÊNCIAS NACIONAIS E MUNDIAIS ...................................................................................... 46 5 - A NATUREZA DA TAREFA MISSIONÁRIA ............................................................................. 48 5.1. TERRITÓRIOS NÃO-ALCANÇADOS OU POVOS NÃO-ALCANÇADOS ...................................................... 48 5.2. DEFINIÇÃO DE POVOS NÃO-ALCANÇADOS .................................................................................... 49 5.3. A ESPERANÇA DO ANTIGO TESTAMENTO: TODAS AS FAMÍLIAS SERÃO ABENÇOADAS ............................ 49 5.4. A PRIORIDADE DE PAULO POR POVOS NÃO-ALCANÇADOS .............................................................. 51 5.5. A VISÃO DE JOÃO SOBRE A TAREFA MISSIONÁRIA .......................................................................... 52 5.6. COMO A DIVERSIDADE MAGNÍFICA A GLÓRIA DE DEUS ................................................................... 53 6 - A NECESSIDADE DAS MISSÕES ............................................................................................ 56 6.1. INCLUSIVISMO ........................................................................................................................ 56 6.2. PERSEVERANÇA DIVINA ............................................................................................................ 57 6.3. EXCLUSIVISMO (RESTRITIVISMO) ................................................................................................57 6.4. HÁ NECESSIDADE DE CONSCIÊNCIA DA FÉ EM CRISTO? ................................................................... 59 6.5. A NECESSIDADE DA REDENÇÃO DE CRISTO PARA A SALVAÇÃO .......................................................... 60 6.6. “ABAIXO DO CÉU NÃO EXISTE NENHUM OUTRO NOME” ................................................................ 61 6.7. COMO CRERÃO NELE? ............................................................................................................. 63 7 - MISSÕES TRANSCULTURAIS ................................................................................................ 66 7.1. O QUE É CULTURA? ................................................................................................................. 66 7.2. TRANSCULTURAÇÃO ................................................................................................................. 67 7.3. ETNOCENTRISMO .................................................................................................................... 67 7.4. ACULTURAÇÃO........................................................................................................................ 67 7.5. CHOQUE CULTURAL ................................................................................................................. 71 7.6. O MISSIONÁRIO TRANSCULTURAL E O SEU PREPARO ...................................................................... 72 7.7. TIPOLOGIA DA EVANGELIZAÇÃO .................................................................................................. 74 7.8. A TEORIA DO EVANGELISMO DE VIZINHANÇA ................................................................................ 75 7.9. A RELAÇÃO ENTRE CRISTO E A CULTURA ...................................................................................... 76 8 - ANTROPOLOGIA MISSIONÁRIA .......................................................................................... 81 8.1. DEFININDO ANTROPOLOGIA ...................................................................................................... 81 8.2. ANTROPOLOGIA FÍSICA ............................................................................................................. 81 8.3. ANTROPOLOGIA CULTURAL ....................................................................................................... 81 8.4. O QUE A ANTROPOLOGIA NOS ENSINA? ...................................................................................... 82 8.5. A CULTURA E SUAS DIVISÕES ..................................................................................................... 82 8.6. O PROBLEMA DO RELATIVISMO CULTURAL ................................................................................... 85 9 - JANELA 10/40 ..................................................................................................................... 87 9.1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES ................................................................................................. 87 Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 6 9.2. RAZÕES PARA FOCALIZARMOS A JANELA 10/40 ............................................................................ 87 9.3. DEFINIÇÕES IMPORTANTES ........................................................................................................ 88 9.4. “OS TRÊS MUNDOS” ............................................................................................................... 89 9.5. TRADUÇÃO DA BÍBLIA – UM GRANDE DESAFIO! ............................................................................ 90 10 - O DESAFIO DAS MISSÕES URBANAS ............................................................................... 92 10.1. CARACTERÍSTICAS DO HOMEM URBANO ...................................................................................... 92 10.2. PROBLEMAS DO HOMEM URBANO ............................................................................................. 93 10.3. OBSTÁCULOS PARA O CRESCIMENTO DAS IGREJAS URBANAS ............................................................ 95 10.4. ESTRATÉGIAS DE EVANGELIZAÇÃO URBANA ................................................................................ 101 10.5. A MOTIVAÇÃO PARA AS MISSÕES URBANAS............................................................................... 104 10.6. DECISÕES IMPORTANTES PARA A IGREJA .................................................................................... 105 10.7. PRINCÍPIOS RELEVANTES A MISSIOLOGIA URBANA ....................................................................... 106 Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 7 APRESENTAÇÃO Seja bem-vindo(a), caro(a) aluno(a)! Parabéns pela sua decisão de transformação, pois isso também mostra o quanto você está compromissado em contribuir com a transformação da igreja e da sociedade onde você está inserido. O Instituto de Teologia Logos estará acompanhando você durante todo este processo, pois “os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem simples, completa e de rápida assimilação, contribuindo para o seu desenvolvimento bíblico, teológico e ministerial, para desenvolver competências e habilidades e aplicar os conceitos, fundamentos e prática na sua área ministerial, possibilitando você atuar em favor do Reino de Deus com mais excelência. Nosso objetivo com este material é levar você a aprofundar-se no conteúdo, possibilitar o desenvolvimento da sua autonomia em busca de outros conhecimentos necessários para a sua formação bíblica, teológica e ministerial. Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize todos os materiais didáticos e recursos pedagógicos que disponibilizamos para você. Acesse regularmente a Área do Aluno, participe no grupo online com o tutor online que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória acadêmica. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 8 AULA 01 Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 9 1 - MISSIOLOGIA E TEOLOGIA Quando olhamos para a Igreja Evangélica Brasileira e o movimento missionário atual, percebemos como ao longo dos anos teologia e missão tem andado por caminhos diferentes, completamente divorciados. Trata-se de uma dicotomia que precisa ser corrigida. Nós precisamos das duas: Precisamos da teologia, pois ela nos dá o embasamento para a tarefa missionária, e é especialmente importante por causa da dependência que a igreja tem dela para medir os nossos esforços com o padrão divino. E precisamos da missiologia pois ela é o meio pelo qual Deus faz nascer a Igreja, ela é resultado da ação não somente de Deus ao enviar seu Filho ao mundo como também do esforço de irmãos que divulgam o Evangelho de Cristo. Missiologia é a soma de duas palavras: do latim, “missione” significando função ou poder que se confere a alguém para fazer algo, encargo, incumbência; e do grego, “logia”, que significa estudo, conhecimento. Portanto, podemos definir Missiologia como a ciência queestuda os diferentes aspectos da missão que Deus deu ao homem. Carlos Del Pino, em seu artigo "Missiologia e Educação Teológica", diz que a “nossa educação teológica não tem se preocupado com o aspecto missiológico e missionário na formação dos nossos alunos", reforçando o fato de que existe, mesmo que inconsciente, uma tentativa de divorciar a Missiologia da Teologia. Esta dicotomia trás algumas implicações para a vida da igreja: Dificuldades para identificar de maneira global a "obra de Deus", que acaba sendo confundida com a manutenção do status quo, dando a entender que o Reino de Deus está contido em uma estrutura eclesiástica. As prioridades ministeriais são via de regra, voltadas para dentro, a fim de satisfazer todas as necessidades que foram criadas “em nome de Deus” dentro das estruturas eclesiásticas, em prejuízo da missão integral. O treinamento dos líderes sempre se torna diferenciado, pastores e missionários não tem a mesma excelência em seu preparo acadêmico. Com o objetivo de romper com este dualismo entre teologia e missiologia, vamos abordar o tema sob 5 perspectivas: 1. Perspectiva Teológica: Estudaremos a conceituação da tarefa missionária da Igreja e os fundamentos teológicos, abordando os diversos pressupostos que sustentam uma teologia reformada de missões. 2. Perspectiva Cultural: É praticamente impossível transmitir uma mensagem do evangelho que faça sentido em situações transculturais sem que seus Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 10 comunicadores conheçam os receptores da mensagem em seu ambiente cultural e histórico e sem que conheçam a si mesmos. Portanto, nossa proposta aqui objetiva mostrar a importância em se determinar os pontos de tensão cultural a partir de uma abordagem natural (não crítica) dos costumes, cosmologias e cosmovisões comuns em diferentes povos. 3. Perspectiva Urbana: Nesta parte do curso, estudaremos as cidades e seus desafios para as missões; desafiando os alunos a desenvolve ruma estratégia para o ministério urbano, focalizando os desafios sociais e espirituais que o ambiente provoca. Examina diversos modelos de ministérios urbanos, inclusive através de estudos de campo, e fornece critérios para a elaboração de um ministério bíblico de impacto na cidade. 4. Perspectiva Bíblica: Nosso objetivo aqui é estudar de maneira panorâmica as bases bíblicas do Antigo e Novo Testamentos de Missões. A matéria apresenta a Bíblia como o relato da "história da salvação" e como inspirada por Deus para o desempenho da Igreja no mundo. 5. Perspectiva Histórica: Analisaremos o desenvolvimento e a expansão da fé cristã ao longo dos séculos, compreendendo os seus principais personagens, métodos e povos alcançados. 1.1. Conceituando a Missão A questão da definição e conceituação da missão, há muito tem sido uma das questões mais discutidas no estudo da missiologia. Nem sempre tem havido consenso sobre o que se deve entender por missões. O que é missão? Qual é a sua natureza? Quais os objetivos das missões cristãs? A considerar os diferentes pressupostos teológicos, uma gama muito grande de respostas pode ser dada a estas questões. Não obstante, este ser um assunto controvertido, ele é também muito importante para a igreja e para os cristãos individuais. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade e no mundo? Desde o começo da História da Igreja muitas derivações de termos têm aparecido nas traduções latinas procedentes do verbo grego ‘apostolein’, significando ‘a arte de exercer o apostolado, o ofício de um apóstolo’. As palavras mais usadas são: Missio e Missiones. A terminologia ‘Missio’ somente veio a aparecer no século XVI quando as ordens de monge Jesuítas e Carmelitas enviaram ao novo mundo de então centenas de missionários. Inácio de Loyola e Jacob Loyonez consistentemente empregaram o termo ‘Missio’. Eles, os jesuitas foram os primeiros a utilizarem a terminologia “Missão”, como a propagação da fé Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 11 Cristã entre os povos não-cristãos, ou seja, a disseminação da fé entre os povos não- católicos (os protestantes foram vistos como indivíduos a serem alcançados). Este sentido estava intimamente associado com a expansão colonial do mundo ocidental aos demais povos (atualmente chamado de terceiro mundo). Desde meados do século XX, vários sentidos têm sido aplicados ao termo “Missão”, alguns mais estreitos, outros, mais amplos. É importante que iniciemos nosso curso de missiologia dando alguns conceitos de missão. 1.2. Definições Generalizadas de Missões Em sua obra Mission Theology: An Introduction, o missiólogo Karl Muller apresenta uma lista com os seguintes de conceitos: 1. Missão é o envio de missionários para um designado território; 2. Missão tem a ver com as atividades realizadas por tais missionários; 3. Missão é a área geográfica aonde os missionários realizam seus ministérios; 4. Missão é a agência missionária responsável pela logística e pelo envio dos missionários aos seus respectivos campos; 5. Missão é a propagação do evangelho aos povos não alcançados; 6. Missão é o centro do qual os missionários irradiam o evangelho; 7. Missão é uma série de serviços religiosos com o propósito de despertar vocações missionárias; 8. Missão é a propagação da fé Cristã; 9. Missão é a expansão do reino de Deus; 10. Missão é a conversão dos povos pagãos; 11. Missão é a plantação de novas igrejas. Dr. Antônio José nos informa que até o século XVI, o termo “Missão”, foi usado exclusivamente com referência à doutrina trinitária, isto é, ao papel da trindade na história da redenção. O envio do filho pelo Pai, e por sua vez, o envio do Espírito Santo pelo Pai e pelo Filho, cuja interpretação missiológica deu origem à doutrina chamada na história de “Filioque”. Esta interpretação, contanto que aceita como doutrina básica da Igreja Cristã, foi um dos motivos da cisão do Cristianismo medieval no ano de 1054. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 12 1.3. Um Definição de Missões Em seu sentido mais amplo, a missão é tudo o que a igreja faz a serviço do Reino de Deus (Missões no plural). Em sentido mais restrito, contudo, a missão refere-se à atividade missionária, a pregação do evangelho entre povos e culturas em cujo meio ele não é conhecido (Missão no singular). A seguir, duas definições: J.H. Bavinck define assim: Missões é aquela atividade da igreja, essencialmente nada mais do que a atividade de Cristo, realizada por meio da igreja, pela qual a igreja, neste período intermediário, chama os povos da terra ao arrependimento e à fé em Cristo, de modo que se tornem seus discípulos e, pelo batismo, sejam incorporados a comunhão daqueles que esperam a vinda do Reino Carlos Del Pino, em artigo publicado diz que “a missão da igreja não pode ser algo independente de Deus e de Cristo, como se a igreja pudesse realizá-la por si só”. É exatamente este o ponto da definição de Bavinck quando ele diz que “Missões é aquela atividade da igreja, essencialmente nada mais do que a atividade de Cristo” Bosch nos oferece também uma definição de missão: A missão constitui um ministério multifacetado em termos de testemunho e serviço, justiça, cura, reconciliação, paz, evangelização, comunhão, implantação de igrejas, contextualização, etc..Inlcusive o intentode arrolar algumas dimensões da missão, porém está repleto de perigo, porque de novo sugere que nos é possível definir o que é infinito. Quem quer que sejamos, espreita-nos a tentação de enclausurar a Missio Dei nos estreitos confins de nossas próprias predileções, voltando, necessariamente, à unilateralidade e ao reducionismo.” Labieno Palmeira dá sua definição de missões: Fazer missões é procurar estar em sintonia com Deus, empenhando-se ao máximo para ver o que Deus vê, ouvir o que Deus ouve e conhecer como Deus conhece, e não apenas isto, é estar disponível para descer onde Deus quer descer, livrar aqueles que Deus deseja libertar e fazer subir aqueles que Deus deseja levar para a terra que mana leite e mel 1.4. O Conceito de Missões na Confissão de Fé de Westminster A Confissão de Fé de Westminster, no seu capítulo XXXV, que trata do “DO AMOR DE DEUS E DAS MISSÕES, assim prescreve: Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 13 I. Em seu amor infinito e perfeito - e tendo provido no pacto da graça, pela mediação e sacrifício do Senhor Jesus Cristo, um caminho de vida e salvação suficiente e adaptado a toda a raça humana decaída como está - Deus determinou que a todos os homens esta salvação de graça seja anunciada no Evangelho. (Ref. Jo.3:16; I Tim.4:10; Mc.16:15). - A Universalidade do Evangelho (Inclusivista) II. No Evangelho Deus proclama o seu amor ao mundo, revela clara e plenamente o único caminho da salvação, assegura vida eterna a todos quantos verdadeiramente se arrependem e crêem em Cristo, e ordena que esta salvação seja anunciada a todos os homens, a fim de que conheçam a misericórdia oferecida e, pela ação do Seu Espírito, a aceitem como dádiva da graça. ( ef. Jo.3:16 e 14:6; At.4:12; I Jo.5:12; Mc.16:15; Ef.2:4,8,9.) - A Necessidade da Fé Consciente, ou seja, há uma posição restritivista quanto ao destino daqueles que nunca ouviram falar de Jesus. III. As Escrituras nos asseguram que os que ouvem o Evangelho e aceitam imediatamente os seus misericordiosos oferecimentos, gozam os eternos benefícios da salvação: porém, os que continuam impenitentes e incrédulos agravam a sua falta e são os únicos culpados pela sua perdição. ( Ref. Jo.5:24 e 3:18.) - A certeza do Sucesso na Pregação. O ponto aqui é o seguinte: Como pode a igreja em geral, e o cristão individual, estar segura de que não está assumindo uma obra que é intrinsecamente impossível de ser realizada? W.G.T. Shedd, D.D. (1820 – 1894) diz que “a pregação do evangelho encontra sua justificação, sua sabedoria, e seu triunfo, somente na atitude e relação com o infinito e todo-poderoso Deus que a sustenta” Sobre a certeza do sucesso da Igreja na pregação, Kuiper assim se expressa: A fé salvadora não é dom do evangelista ao seu ouvinte não salvo; "é dom de Deus" (Efésios 2:8). Nenhum evangelista jamais deu fé em Cristo a uma única alma. Ela é produzida nos corações humanos pelo Espírito Santo, pois "ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor" senão pelo Espírito Santo" (1 Coríntios 12:3). Nenhum pecador jamais foi convertido por um evangelista; o autor da conversão é Deus IV. A Comissão por Jesus Cristo: Visto não haver outro caminho de salvação a não ser o revelado no Evangelho e visto que, conforme o usual método de graça divinamente estabelecido, a fé vem pelo ouvido que atende à Palavra de Deus, Cristo comissionou a sua Igreja para ir por todo o mundo e ensinar a todas as nações. Todos os crentes, portanto, têm por obrigação sustentar as ordenanças religiosas onde já estiverem estabelecidas e contribuir, por meio de suas orações e ofertas e por seus esforços, para a dilatação do Reino de Cristo por todo o mundo. ( Ref. Jo.14:6; At.4:12; Rom.10:17; Mt.28:19,20; I Cor.4:2; II Cor.9:6,7,10. ) Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 14 1.5. O Conceito de Missões em João Calvino Veremos um pouco mais adiante e de maneira mais detalhada, a visão que o reformador tinha de missões. Por hora, basta apenas uma síntese do seu pensamento missionário. Uma crítica que tem sido levantada à Calvino e à outros reformadores, é que os mesmos não possuíam uma visão missionária. Veja o que Gustav Warneck escreveu: Nós perdemos com os Reformadores não apenas a ação missionária, mas mesmo a idéia de missões... [em parte] porque perspectivas teológicas fundamentais deles evitaram que dessem a suas atividades, e mesmo a seus pensamentos, uma direção missionária. Missiólogos mais recentes, como Ralph D. Winter, perpetua o erro de Warneck. Ele afirma: A despeito do fato de que os protestantes ganharam no fronte político, e, em grande medida, alcançaram a capacidade de reformular sua própria tradição cristã, eles nem mesmo falaram sobre missões, e aquele período terminou com a expansão católica européia nos sete mares, tanto política como religiosa. Mas o que realmente querem estes críticos dizer quando afirmam desinteresse dos reformadores por missões? Qual conceito tinham eles de missões e por qual padrão estavam julgado os reformadores? É certo que Calvino não escreveu, entre suas muitas obras teológicas, nenhum tratado sobre missões, mas é certo também que ninguém pode afirmar que ele tenha escrito algo contra a idéia de missões. O ponto que precisa ser ressaltado aqui é que se Calvino não escreveu especificamente um tratado sobre missões, isso não significa dizer que ele não possuía visão missionária. Entre os Reformadores, nenhum tem falado com mais clareza do que João Calvino a respeito de toda a questão do alcance da mensagem da fé cristã. Calvino apela repetidas vezes aos crentes a mostrarem interesse por seu próximo descrente. No contexto da época (século XVI), descrentes eram as pessoas simples do rebanho católico ou aquele que se livrara da dominação romana, mas não aderira à Reforma. As admoestações de Calvino são aplicáveis a todas as situações em que o crente se torna vizinho de um descrente. Em um sermão sobre 1 Timóteo 2.5,6, Segundo comenta Forbes, Calvino declara: “Quando vemos homens destruindo-se, não tendo Deus sido tão gracioso para juntá-los a nós pela fé do evangelho, devemos apiedar-nos deles e esforçarnos para trazê-los ao caminho reto.” Veja ainda a visão missionária de Calvino em suas palavras lembradas por Forbes: Nosso Senhor Jesus Cristo foi feito um como nós, e sofreu a morte para que pudesse tornar-se um advogado e mediador entre Deus e nós, e abrir um caminho pelo qual Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 15 possamos chegar a Deus. Aqueles que não se empenham em trazer seu próximo e descrentes ao caminho da salvação mostram abertamente que não têm em conta a honra de Deus, e que tentam diminuir o imenso poder de seu império, e estabelecem limites para que Ele não possa governar todo o mundo, de igual modo obscurecem a virtude e morte de nosso Senhor Jesus Cristo e diminuem a dignidade dada a Ele pelo Pai. Em um sermão baseado em I Timóteo 2.3-5, Calvino demonstra a preocupação que os cristãos precisam ter com os descrentes. Conforme Forbes, Calvino assim afirma: Portanto, podemos estar cada vez mais certos de que Deus nos aceita e fortalece dentre seus filhos, se nos empenharmos em trazer aqueles que estão afastados dele. Confortemo-nos e tenhamos coragem neste chamado: embora haja nestes tempos um grande desamparo, e embora pareçamos ser miseráveis criaturas completamente arraigadas e condenadas, ainda assim devemos labutar tanto quanto possível para atrairaqueles que estão afastados da salvação. E, acima de todas as coisas, oremos a Deus por eles, esperando pacientemente que Ele se digne mostrar boa vontade para com eles, assim como tem mostrado para conosco. Calvino ensinou com firmeza que a Salvação é dom de Deus somente para os seus eleitos. Não obstante, isto não o impede de insistir para que os membros da igreja procurem trazer um grande número de pessoas a Cristo. Parker, elucidando o pensamento de Calvino sobre a igreja, registra a seguinte declaração de Calvino em um sermão sobre Isaías 53.12: Se desejamos pertencer à igreja e ser reconhecidos como rebanho de Deus, devemos admitir que isto ocorre porque Jesus Cristo é o nosso Redentor. Não receemos ir a Ele em grande número, e cada um de nós traga seu próximo, considerando que Ele é suficiente para salvar a todos. Calvino entendia que os cristãos têm a grande responsabilidade de espalhar as Boas Novas do Evangelho. Ele escreve: “porque é nossa obrigação proclamar a bondade de Deus para todas as nações... a obra não pode ser escondida em um canto, mas proclamada em todos os lugares”. Deus poderia ter escolhido outros meios, no entanto, ele escolheu “empregar a ação de homens” para a pregação do Evangelho. 1.6. Conceituando Evangelização No debate contemporâneo entre missão e evangelização, a maioria dos missiólogos sustentam a visão que evangelização é um indispensável componente da missão da igreja. Missão, dizem eles, inclui tudo o que a igreja é chamada por Deus para fazer no mundo visando a manifestação de sua glória. Evangelização refere-se ao específico processo de espalhar as boas novas acerca de Jesus Cristo como a salvação de Deus aos povos. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 16 O missiólogo J. D. Douglas em seu livro Let the Earth Hear His Voice apresenta-nos a definição do pacto de Lausanne (1974) sobre evangelização: Evangelizar é espalhar as boas novas que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou da morte segundo as Escrituras, e que agora, ele concede perdão dos pecados e o Dom do Espírito para todos que se arrependem e crêem. Portanto, evangelização é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o propósito de persuadir as pessoas a vir a Ele pessoalmente e assim ser reconciliado com Deus. Jesus continua ainda convidando a todos para seguí-lo, negar a si mesmos, tomar a sua cruz e identificar a si mesmos com a comunidade dos remidos. O resultado do evangelismo inclui obediência a Cristo, incorporação na vida da igreja, e responsável serviço para o mundo. Orlando Costas, conhecido teólogo latino-americano, afirma: Evangelizar é participar de uma ação transformadora, isto é, as boas-novas da salvação. Neste sentido, a evangelização não é um conceito, mas sim uma tarefa dinâmica, encarnada primeiro na vida e ação salvífica de Jesus Cristo. Portanto, ela não pode ser reduzida a uma fórmula verbal. Evangelizar é reproduzir pelo poder do Espírito Santo a salvação que foi revelada em Jesus Cristo. John Stott, em sua obra The Biblical Basis of Evangelism, comenta: O tema central dos evangelhos e das cartas apostólicas é a natureza e o significado de Jesus Cristo. Ele é o Deus encarnado, o Messias esperado, o Senhor do universo. Através dele Deus tem pessoalmente entrado na história e provido salvação 1.7. Os Motivos Para Missões Roger Greenway nos ajuda a entender por que devemos fazer missões. Motivos Errados Devemos admitir que sempre houve pessoas que ingressaram no trabalho do Senhor por razões equivocadas. Até os missionários que têm os motivos corretos podem cometer erros. At 13.13, At 15.37-40 e 2Tm 4.10. Podem existir motivos errados escondidos nas mentes dos mais sinceros missionários. O desejo de ser admirado e louvado por outros A busca por “auto-realização”, sem levar em consideração o esvaziar-se a si mesmo (Fp 2.5-7); A busca por aventura e excitação; Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 17 A ambição em expandir a glória e influência de uma igreja ou denominação em particular, ou mesmo de um país; A fuga das situações desagradáveis do lar; A esperança de sucesso profissional após um curto período de serviço missionário. A culpa e o anseio pela paz com Deus por meio do serviço missionário. Motivos Corretos Os motivos corretos para missões são ensinados na Palavra de Deus e aplicados nos corações dos crentes por meio do Espírito Santo. O desejo de que Deus seja adorado e sua glória conhecida entre todos os povos da terra: A glória de Deus diz respeito a tudo o que foi revelado sobre ele: seu nome, sua santidade, seu poder, seu amor por meio de Jesus Cristo, sua misericórdia, sua graça e sua justiça. Entretanto, mais de três bilhões de pessoas no mundo não adoram ao verdadeiro Deus. Este pensamento é que inspira os missionários! Eles sentem uma divina compulsão em pregar o evangelho 1Co 9.16. O desejo de obedecer a Deus por amor e gratidão, por meio do cumprimento da Comissão de Cristo: “Ide fazei discípulos de todas as nações”. (Mt 28.19): O amor genuíno por Deus produz obediência à sua Palavra cf.: Jo 14.15; A obediência cristã toma forma e o povo de Deus é ungido com o Espírito Santo a servi-lo numa variedade de ministérios 1Co 12.4,5; Ef 3.10. O desejo ardente de usar todos os meios legítimos para salvar os perdidos e ganhar não-crentes para a fé em Cristo: A paixão missionária pela glória de Deus é acompanhada pela paixão pelas pessoas que, por ignorância e descrença, estão morrendo em seus pecados. A preocupação de que as igrejas cresçam e se multipliquem e de que o reino de Cristo seja estendido por meio de palavras e ações que proclamem a compaixão e a justiça de Cristo a um mundo de sofrimento e injustiça. 1.8. Etimologia de Missiologia Missiologia origina-se dos termos Logia (estudo) e Missio (vem do substantivo “missione”), o qual, por sua vez, vem do verbo “mittere” que significa enviar. “Enviar” (português) ou “Mittere” (latim) é igual a “Apostellô” (grego). Tanto “Mittere” (latim) quanto “Apostellô” significam “Enviar”. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 18 O quê significa exatamente o verbo Enviar? Enviar é “1. Expedir, remeter; 2. Encaminhar, conduzir; 3. Mandar (alguém) numa missão” (Aurélio). Apóstolo Missionário Enviado Grego Latim Português 1.9. Quadro Etimológico Língua Verbo Substantivo Significado Equivalente Grego Apostellô Apóstolo Enviar Apóstolo Latim Mittere Missione Enviar Missio Português Enviar Enviado Enviar Missionário Na Bíblia, o vocábulo Missionário, aparece na forma grega Apóstolo 1.10. Aplicação da Missiologia A missiologia aplica-se ao estudo de missões nos seus mais variados aspectos. A saber: Cultura, Geografia, Pesquisar, Estratégias, Análise, Antropologia, Definições, Etc. A. Diferença entre Missiólogo e Missionário. Missiólogo. Aquele que copila, organiza, analisa, interpreta a realidade dos movimentos de evangelização e cria estratégias e métodos para que o mundo seja alcançado pelo Evangelho. Isto é bem mais do que simplesmente dizer: “missiólogo é aquele que se aplica ao estudo e pesquisa de missões”. Missionário. Aquele que é enviado para plantar igrejas onde ainda não há testemunhas, com todas as suas funções: pregação, ensino, assistência social, e adoração; e para tal, ele irá atravessar barreiras lingüísticas, culturais e/ou geográficas.1.11. Donald Mc Gavran-O Pai da Missiologia Nasceu na Índia em 1897. Filho e neto de missionário, Mc Gravan iniciou sua carreira em Harda, na Índia, como Superintendente de uma escola de missões, na Sociedade Missionária Cristã Unida. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 19 Mais tarde serviu em outros cargos como na Educação e Saúde. Nos anos 30 voltou para os E.U.A. onde cursou o Doutorado em Filosofia, na Universidade de Colúmbia. Mc Gravan percebera de há muito que a obra realizada pelos missionários estava seguindo bem pouco do sentido de alcançar o alvo de evangelização mundial, e ansiava para que fossem feitas pesquisas a fim de se desenvolver novos métodos e estratégias missionárias. Em 1961 fundou o Instituto de Crescimento da Igreja. Mc Gravan estudou as atividades evangelísticas, a fim de descobrir princípios e metodologias que resultassem no melhor crescimento da Igreja. Sua tese é que as ciências sociais podem se associar à tarefa missionária. A pesquisa e análise têm condições de remover obstáculos ao crescimento da Igreja. Para Donald Mc Gravan e seus discípulos, a real incorporação dos convertidos na Igreja (e não necessariamente o número de decisões) era o fator-chave na avaliação da metodologia missionária. Ele definiu 2 Estágios do Cristianismo: 1. Discipulado. Que abrange os passos a serem dados para a pessoa se tornar cristã 2. Aperfeiçoamento. Sendo o crescimento na vida cristã. A pesquisa tornou-se o principal instrumento de Gravan. Baseado nela concluiu que os métodos tradicionais de evangelização em massa contribuem muito pouco para o crescimento real da Igreja. Em virtude de seus escritos e suas idéias inovadoras, Mc Gravan tem estado no centro dos debates a respeito da estratégia missionária. Ele “perturbou” completamente a antiga, tradicional e grandemente improdutiva metodologia missionária que dominou todas as missões, antes de 1955. Em muitos aspectos, sua importância não se encontra tanto na exatidão de suas respostas, mas nas questões significativas que levantou e na maneira como (mais que qualquer outro!) ele levou o estudo das missões de simples cursos introdutórios em algumas escolas cristãs para um nível de estudo profissional abrangente, em todo o Mundo. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 20 AULA 02 Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 21 2 - A BÍBLIA E AS MISSÕES 2.1. A Bíblia na Evangelização do Mundo Sem a Bíblia a evangelização dos povos seria inconcebível. A Bíblia coloca sobre nós a responsabilidade de evangelizar o mundo, dá-nos um evangelho a proclamar, diz-nos como faze-lo e declara-se o poder de Deus para cada crente. Além disso, e fato notável na História, tanto na passada como na contemporânea, que o grau de compromisso da igreja com a evangelização do mundo é proporcional ao grau de sua convicção sobre a autoridade da Bíblia. Sempre que o cristão perde sua confiança na Bíblia, eles também perdem o seu zelo pelo evangelismo. Inversamente, sempre que estão convencidos sobre a Bíblia, estão determinados sobre o evangelismo. Vejamos três razões porque a Bíblia é indispensável à evangelização do mundo. 2.2. O Mandato da Evangelização Mundial Em primeiro lugar a Bíblia nos dá o mandato da evangelização. Há aproximadamente 4.000 anos atrás, Deus chamou a Abraão e fez uma aliança com ele, prometendo não apenas abençoá-lo, mas também abençoar através da sua posteridade, todas as famílias da Terra (Gn 12.1-4). Este texto é uma das principais bases da missão cristã; pois os descendentes de Abraão (através de quem, todas as famílias da Terra estão sendo abençoadas) são: Cristo e o povo de Cristo! Se pela fé pertencemos à Cristo, somos filhos espirituais de Abraão (Gl 3.7) e temos uma responsabilidade com a humanidade. Deste modo, os profetas vetereotestamentário profetizam como Deus faria deste Cristo, o Herdeiro e a Luz das nações (SL 2.8; Is 42.6; 49.6). Quando Jesus veio, ele endossou estas promessas. É certo que durante o seu ministério terreno ficou restrito às “ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10.6; 15.24) mas, Ele profetizou que muitos viriam “do Ocidente e do Oriente e tomariam lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus” (Mt 8.11; Lc 13.29). Mas ainda, em antecipação de Sua ressurreição e ascensão Ele fez tremenda reivindicação de que “toda a autoridade no céu e na Terra” LHE fora dada (Mt 28.18). Foi em conseqüência de Sua autoridade universal que Ele ordeno aos seus seguidores que fizessem discípulos de todas as nações, batizando-as em sua nova comunidade e ensinando a todos a Sua doutrina (Mt 28.19). Isto os cristãos primitivos começaram a fazer depois de o Espírito Santo haver descido sobre eles; tornaram-se verdadeiras “testemunhas” de Jesus, entronizando a Sua direita e concedendo-lhe a mais alta posição, a fim de que toda a língua confessasse o Seu Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 22 senhorio (Fp 2 ). Eles desejaram que Jesus recebesse a honra devida ao Seu nome. Além disso, Ele retornaria em glória, para salvar, julgar e reinar. Portanto, o que deveria preencher os espaços em sua vida? A missão mundial da Igreja! O fim da história ao virá depois que o Evangelho alcançasse o fim da Terra (Veja Mt 24.14; 28.20; At 1.8). 2.3. A Mensagem da Evangelização Mundial Em segundo lugar, a Bíblia nos dá a mensagem para a evangelização do mundo. Evangelizar é divulgar a Boas Novas de que Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou entre os mortos, segundo as Escrituras. E como Senhor e Rei, Ele oferece perdão dos pecados e dom libertador do Espírito a todos que crêem e se arrependem. A nossa mensagem vem da Bíblia. Não a inventamos. Ela nos foi confiada como um depósito e nós, como bons “despenseiros”, devemos distribuí-la (1 Co 4). Os apóstolos expressaram este único evangelho de diversos modos: ora sacrifical (o derramamento e a aspersão do sangue de Cristo), ora messiânico (o surgimento do governo prometido por Deus), ora legal (o juiz pronunciado a justificação do injusto), ora pessoal (o Pai reconciliando seus filhos desviados) e ora salvifico (o libertador celestial vindo para resgatar os desamparados). Assim como a Ordem, a Mensagem nos foi dada pelo próprio Cristo. Ele nos disse: “Ide e pregai o meu evangelho”... 2.4. O Poder Para a Evangelização Mundial Em terceiro lugar, a Bíblia nos dá o Poder para a evangelização do mundo. Leia cuidadosamente Lc 24.49 e At 1.8. Sabemos que nossos recursos humanos são fracos em comparação com a magnitude da Tarefa. Sabemos também, quão blindadas são as barreiras do coração do homem. Pior ainda, conhecemos a realidade, a maldade e o poder pessoal do diabo, e dos demônios sob seu comando. A Bíblia diz-nos que “o mundo jaz no maligno” (I Jo 5.19), assim, até que sejam libertados e transportados para o Seu reino, todos os homens e mulheres são escravos de Satanás. Além disso vemos seu poder no mundo contemporâneo-nas trevas da idolatria, na devoção de deuses vãos, no materialismo, na violência, agressão, etc... E ainda mais, Paulo escrevendo aos Coríntios (II Co 4.4) ele afirma que “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glóriade Cristo, o qual é a glória de Deus”. Se Satanás está dominando a mente das pessoas, se as mentes humanas estão cegas como poderão chegar à verdade? Somente pela Palavra de Deus! Pois Ele mesmo disse Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 23 que “de trevas resplandecerá a luz” que brilhou em nossos corações para a iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo (II Co 4.6). Se Satanás cega as mentes das pessoas, e Deus ilumina seus corações, em que podemos nós contribuir para esse encontro? Paulo chega a conclusão entre os versículos 4 e 6 que descrevem as atividades de Deus e de Satanás, o verso 5 descreve a obra do evangelista: “pregamos a Cristo Jesus como Senhor”. Considerando que a luz que o diabo quer evitar que as pessoas vejam e que Deus faz brilhar nelas é o evangelho, então é melhor que preguemos! É a pregação do Evangelho o meio estabelecido por Deus para que o príncipe das trevas seja derrotado e a luz jorre nos corações das pessoas. Há poder no evangelho de Deus! Poder para salvação de vidas. Confira Rm 1.16; 10. 13,14; Sem a Bíblia a evangelização do mundo é impossível. Pois, sem a Bíblia não temos nenhum evangelho para levar às nações. A Bíblia é a base de missões, assim como missões é a base da Bíblia. É a Bíblia Sagrada que nos dá o Mandato, a Mensagem e o Poder que precisamos para a evangelização mundial. Leia Mt 28. 18-20; Mc 16.15-18; Lc 24.45-48; At 1.8; e Jo 15.16; 20.21. Façamos nossas as palavras de Paulo: “...ai de mim se não anunciar o Evangelho!” 2.5. Análise Exegética Analisemos Mt 28.19,20 exegeticamente. No original grego estes versículos estão assim: poreuthentes oun Matheutésate panta ta ethne. Vejamos agora, os respectivos significados destas palavras. POREUTHENTES. Deveis ir! Ou Ide! Note o imperativo. É uma ordem. Este é o verdadeiro sentido do que lemos. Foi assim que soou aos ouvidos dos discípulos. Hoje, porém, muitos tratam estas palavras de Jesus, como se fossem um “pedido de favor” que Ele nos fez, ou então, como se estas palavras tivessem importância somente no passado, para os primeiros comissionados. É exatamente por isso que a evangelização dos povos está tão atrasada. Falta reconhecimento da ordem e pronta obediência! Por que os muçulmanos, que começaram a pregar cerca de 600 anos depois do Apóstolo Paulo, já alcançaram 1/5 da população mundial, enquanto nós evangélicos, temos apenas 550 milhões aproximadamente? Será erro de cálculo? Ou de Estratégia? Será falta de dinheiro? Não! É falta de Fé! De Amor! De Obediência! De Compromisso com Deus e com Sua Palavra. Obediência, vêm antes de estratégias, métodos ou dinheiro. Ao ouvir Jesus falar, seus discípulos não receberam suas palavras com o sentido de: “Olha, talvez seja bem que Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 24 vocês comecem a pregar, primeiro em Jerusalém e depois em todo o mundo”. Não! Foram palavras fortes como de um general, passando ordens aos seus subalternos, os quais não podem questionar, senão simplesmente obedecer. Foi assim que Paulo recebeu esta ordem, pois ele respondeu: “Porque, se anuncio o Evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta esta obrigação, e ai de mim se não anunciar o Evangelho.” (I Co 9.16). OUN. Portanto ou Pois. É uma palavra de ligação. MATHEUTÉSATE. Fazei discípulos, ou seguidores, ou aprendizes. (Também imperativo). PANTA–TA. A todos. De modo que, até agora, este versículo fica assim: “Ide, e fazei discípulos de todos os ethne”. A palavra ethne merece atenção especial. ETHNE. “Nação”. Desde os séc. XV e XVI, a palavra ETHNE vem sendo traduzida para algumas línguas ocidentais apenas com o significado de NAÇÃO. O que não é errado. Todavia, a palavra ETHNE deriva-se de “ETHNOS”, que é um termo grego usado para designar o vocábulo “povo” ou “gente”. POVO ou GENTE. O vocábulo Ethne é geratriz da palavra “Etnia”. Etnia é um grupo humano que se relaciona entre si por fatores como língua, religião, raça, moradia, ocupação, classe social, modo de vida, modo de vestir, ou não. Ou seja, um povo! Sendo assim, o versículo fica bem traduzido deste modo: “Ide, pois, e fazei discípulos de todos os povos.” A origem das raças, deu-se na confusão das línguas na Torre de Babel (Gn 1.7,8). Se o propósito de Jesus é restaurar todas as coisas (Cl 1.20); então é natural que a maldição de Babel também seja, de certa forma, desfeita espiritualmente. A divisão de raças tem sido motivo de orgulho, inimizade e guerras entre os povos. O único caminho para que as nações voltem a falar a “mesma língua”, é Jesus, pois, a Palavra de Deus torna-se um “idioma Internacional”, uma vez que é um elo de ligação espiritual que rompe os laços de divisão e proporciona a verdadeira paz. 2.6. Diferença entre Missão Centrípeta e Missão Centrífuga Existe grande diferença entre os métodos que Deus deu a Israel e os que Ele deu à Igreja para o cumprimento de suas respectivas missões. A. Missão Centrípeta. Israel devia ser como um “Imã” e atrair para Deus os outros povos e nações. Os filhos de Israel deviam ser sacerdotes santos que revelassem Jeová, o Único Deus Verdadeiro, a todas as nações, e mediadores que levassem a Deus. Em outras Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 25 palavras, os povos deveriam se convergir à Israel para conhecerem o seu Deus. A natureza da missão de Israel era centrípeta. Observe a figura abaixo. NAÇÕES NAÇÕES NAÇÕES NAÇÕES ISRAEL NAÇÕES NAÇÕES NAÇÕES NAÇÕES B. Missão Centrífuga. A igreja também tem um chamado para o ministério sacerdotal (II Co 5.16-19; I Pe 2.9,10). Contudo, a natureza de sua missão é centrífuga. Diferentemente de Israel, não se requer da Igreja que esteja parada, quieta, e simplesmente “atraia” os outros povos Ao seu Deus. Requer-se que vá a outras gentes e as ganhe para Cristo. Depois de ganhas, estas, por sua vez, devem formar extensões da Igreja em seu próprio país. A seguir, esse povo mesmo levará a cabo missões centrífugas, saindo a pregar. É isto que manda a Grande Comissão. É assim que ensina a Geografia Missionária de Jesus. Veja Mt 28.18,19 e At 1.8. Observe o diagrama abaixo: JERUSALÉM “Tanto quanto” JUDÉIA “Simultaneamente” IGREJA SAMARIA “Ao mesmo tempo” CONFINS DA TERRA “Concomitantemente” Antes de ser assenso ao Céu, Jesus disse aos seus discípulos que ele (após receberem o Espírito Santo) seriam suas testemunhas tanto quanto em Jerusalém, assim como na Judéia, Samaria e nos confins da Terra. Jesus não disse que só depois de alcançarem um lugar é que deveriam passar para o outro. Ele disse “tanto quanto”, ou seja, ao mesmo tempo; simultaneamente; concomitantemente. Esta é uma descrição perfeita da natureza centrífuga da missão da Igreja! Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 26 2.7. Princípios Gerais de Missões Missões é tão antiga quanto à existência do homem. Missões nasceu no “coração de Deus”. Missões nasceu no ÉDEN. Missões nasceu no AMOR DE DEUS! Deus é amor (1 Jo 4.16); Deus nos ama (Jo 3.16); Deus nos ama porque é sustentador de tudo e de todas as coisas (Sl 42.1,2); Deus nos ama porque é Criador (Gn 1 e 2). A. A Origem de Missões. O Jardim do Éden foi o palco da: Criação (Gn 1 e 2). Tentação (Gn 3.1-5). Queda do Homem (Gn 3.6,7). Vergonha e separação (Gn 3.8b) Juízo de Deus (Gn 3.9-23). Mas o Éden também foi o palco de: Missões (Gn 3.15) O versículo 15 contém a primeira promessa implícita do plano salvífico de Deus para a redenção da humanidade. É uma profecia que contém duas predições: 1. Prediz o conflito espiritual entre a “semente da mulher” (isto é, Jesus Cristo) e a “semente da serpente” (isto é, Satanás); Confira em Is 7.14; Mt 1.1-16; Ap 12.9 e 20.2. Deus promete aqui, que Cristo nasceria de uma mulher; que seria “ferido” (ao ser crucificado); mas que ressuscitaria dentre os mortos para destruir completamente (“ferir”) a Satanás, o pecado e a morte, bem como, para salvar a humanidade (Veja Is 53.5; Mt 1.20-23; Rm 5.18,19; I Jo 3.8 e Ap 20.10). 2. Prediz a vitória final de Deus (e do povo de Deus!) contra Satanás e o mal (Jo 12.33; At 26.18; e Rm 16.20). Esta promessa de Gn 3.15 é chamada de “Promessa Messiânica”. Aqui está a origem de Missões. O homem pecou, e conseqüentemente, distanciou-se de Deus. O homem tornou-se o “Objeto de Missões”. Para que ele pudesse ser reconciliado novamente com Deus, era necessário que Jesus fosse “enviado” ao Mundo. Confira em II Co 5.17; Lc 22.53; Jo 1.1-14; 3.16; e Hb 2.14,15. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 27 2.8. Extensão do Plano de Missões O ponto culminante do plano salvífico e de redenção é a morte vicária de Cristo, e a extensão deste plano é a Grande Comissão. Após sua ressurreição, Jesus comissionou seus discípulos (e a nós também!) a continuarem a propagação do Evangelho (Jo 20.19-23). Isto é a Grande Comissão. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 28 AULA 03 Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 29 3 - AS MISSÕES E SEU PROPÓSITO DE GLORIFICAR A DEUS Tendo já conceituado a Missão, precisamos agora tratar da questão sobre a a prioridade ou principal missão da igreja. Qual é a Missão principal e última da Igreja? Muitos missiólogos afirmam que a prioridade última da igreja é evangelizar e fazer missões ao redor do mundo. Quem não ouviu a famosa frase atribuída a Alexandre Duff: “A Igreja que não evangeliza não é evangélica”?. Dizer que a tarefa principal da igreja é evangelizar não encontra respaldo nas Escrituras e óbviamente, também não encontra eco na teologia reformada de missões. Se por “prioridade” queremos dizer “o alvo último” da igreja, nossa resposta deve ser “não”. Como reformados entendemos que a obra missionária não é o alvo último da igreja. Martyn Lloyd-Jones assim se expressa: O objetivo supremo desta obra é glorificar a Deus. Esse é o ponto central. Esse ;é o objetivo que deve dominar e sobrepujar todos os demais. O primeiro objetivo da pregação do evangelho não é salvar almas; É GLORIFICAR A DEUS. Não se tolerará que nenhuma outra coisa, por melhor que seja nem por mais nobre, usurpe esse primeiro lugar. Neste ponto de nosso curso de missiologia, vamos ver á luz da Palavra de Deus, que é o culto a Deus e não a obra missionária, deve ser a preocupação principal da igreja do Senhor. Conforme vemos nos argumentos de John Piper, “o desafio missionário existe e persiste porque o culto pleno a Deus ainda não existe”. O culto é o alvo último da igreja. O culto a Deus deve ter prioridade na igreja, não a obra missionária, porque Deus é último, e não o ser humano. Quando esta era terminar e representantes de toda raça, tribo e nação se dobrarem diante do Cordeiro de Deus, a obra missionária não mais exisitirá na igreja. Mas existirá o louvor e a adoração. Permanecerá na igreja o culto. ( Paixão de Deus por sua própria glória : Isaías 48:9-11 ). O homem natural busca a sua própria glória, mas Deus, a sua. A adoração é o combustível e a meta das missões. É a meta das missões porque nelas simplesmente procuramos levar as nações ao júbilo inflamado da glória de Deus. O alvo das missões é a alegria dos povos na grandiosidade de Deus. “Reina o Senhor. Regozije-se a terra, alegrem-se as muitas ilhas” (Sl 97.1). “Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te os povos todos. Alegrem-se e exultem as gentes” (Sl 67.3-4). Quando a chama da adoração arder com o calor da verdadeira excelência de Deus, a luz das missões brilhará para os povos mais remotos da terra. ( Ef 1:4-6; cf 12-14; Sl 106:7,8; Rm 9:17; Ex. 14:4,17,18; Ez 36:22,23,32) Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 30 Por mais que queiramos afirmar a prioridade da obra missionária, creio que uma análise honesta da revelação bíblica leve à conclusão que o culto é o fim último da igreja e o desejo máximo de Deus para toda a humanidade. A primeira pergunta do Catecismo de Westminster diz: “Qual é o fim principal do ser humano?” E a resposta acertada é: “O fim principal do ser humano é glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre.” É dentro desta perspectiva reformada e bíblica maior da prioridade última da glória de Deus que nossa reflexão a respeito da obra missionária se encontra. Missões começam e terminam na adoração. Há alguns pontos a serem destacados com relação a isso: 3.1. O Amor de Deus é a Base Para o Nosso Amor A ordem bíblica da evangelização dos povos, precisa ser vista no contexto do deleite divino. Não podemos nos esquecer que o motivo por trás de todas as ações deve objetivar agradar a Deus (Sl 115:3; Is. 48:9-11). Deus tem prazer nele mesmo. Esta última afirmação por nos soar um tanto estranha, mas vamos buscar entender o que isso significa. Deus nos ensina que nosso objetivo supremo deve ser amá-lo e glorificá-lo para sempre, como, então, isso poderia ser diferente para ele mesmo? O fundamento para nosso deleite em ver Deus glorificado é seu próprio deleite em ser glorificado. Deus é central e supremo em todas as suas afeições. Não há rivais para a soberania de Deus em seu próprio coração. Deus não é um idólatra. Isso tudo pode nos parecer um tanto confuso, talvez porque nunca tenhamos parado para pensar desse modo. O coração mais apaixonado por Deus em todo o universo é o coração do próprio Deus. Essa verdade sela a convicção de que adoração é o combustível e o objetivo de missões. O amor de Deus por si mesmo é justo, pois ele é justo, é reto, é amor. Podemos ver de modo claro essa paixão da qual estamos falando em Isaías 48.9-11: “Por amor do meu nome, retardarei a minha ira e por causa da minha honra me conterei para contigo, para que te não venha a exterminar. Eis que te acrisolei, mas disso não resultou prata; provei-te na fornalha da aflição. Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a dou a outrem.” As expressões desse texto deixam claro que Deus agiu “por amor do seu nome”, por amor de si mesmo ele não exterminou o povo de Israel. É isso, também, o que demonstra uma série de outros textos. Deus escolheu seu povo para sua glória (Ef 1.46); nos criou para sua glória (Is 43.6-7); libertou Israel do Egito para sua glória (Sl 106.7-8); Jesus disse que responde às orações para que o nome de Deus seja glorificado (Jo 14.13); Jesus nos acolheu para a glória de Deus (Rm 15.7); o plano de Deus é encher a terra com o Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãospara a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 31 conhecimento da glória do Senhor (Hc 2.14). Esses e tantos outros textos da palavra de Deus não deixam dúvida de que Deus ama a si mesmo, e esse deve ser também o nosso objetivo e nossa motivação para missões. Por esse motivo é que... 3.2. A Centralidade de Deus na Vida da Igreja Quando as pessoas não estão maravilhadas pela grandiosidade de Deus, como poderão ser enviadas para proclamar a mensagem: “grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado, temível mais que todos os deuses” (Sl 96.4)? É essencial que em missões haja centralidade de Deus na vida da igreja. A paixão por Deus no culto precede a oferta de Deus na pregação. Não podemos pregar com convicção aquilo que não estimamos com paixão. “Quando a chama do culto queima com o calor da verdadeira dignidade de Deus, a luz da obra missionária brilhará até os povos mais distantes da terra” Quando a paixão por Deus está fraca, o zelo por missões certamente será fraco também. As igrejas que não exaltam a majestade e a beleza de Deus dificilmente poderão acender um desejo afervescente para “anunciar entre as nações a sua glória” (Salmo 96.3). O zelo pela glória de Deus no culto é a grande força motivadora para a obra missionária. John Piper, cita o seguinte pronunciamento de Andrew Murray há mais que cem anos: Enquanto buscamos a Deus sobre por que, com tantos milhões de cristãos, o verdadeiro exército de Deus que está combatendo os exércitos da escuridão é tão pequeno, a única resposta é C falta de coragem e entusiasmo. O entusiasmo pelo reino de Deus está faltando. E isto é porque há tão pouco entusiasmo pelo Rei. Ninguém poderá se dispor à causa missionária se não experimentar a magnificiência de Cristo (Apocalipse 15.3-4; cf. Salmos 9.11; 18.49; 45.17; 57.9; 96.10; 105.1; 108.3; e Isaías: 12.4; 49.6; 55.5) Quero acrescentar ao que Piper e Carriker já disseram que, Calvino também tem este foco em sua teologia de missões. Para ele tudo na vida deve ser vivido para a glória de Deus. Para Calvino, o fator que deveria motivar as missões mundiais era a glória de Deus. Charles Chaney escreve sobre Calvino: “o fato de que a glória de Deus era o motivo primordial nas primeiras missões protestantes e isto ter se tornado, mais tarde, uma parte vital do pensamento e atividade missionárias, pode ser traçado diretamente em direção à teologia de Calvino.” Precisamos nos voltar para o Todo-Poderoso e buscar a sua glorificação em primeiro lugar. Deus deve estar no centro de toda e qualquer atividade da igreja. Missões não são o Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 32 primeiro e o último, Deus o é. Essa verdade é a vida da inspiração e da perseverança missionária. O missionário William Carey, chamado de “Pai das missões modernas”, foi enviado para a Índia em 1793 e expressou assim essa conexão: Quando eu deixei a Inglaterra minha esperança na conversão da Índia era muito forte, mas, em meio a tantos obstáculos, ela poderia morrer a não ser que fosse sustentada por Deus: Eu tenho a Deus e sua palavra é verdadeira. Apesar de as superstições dos pagãos serem milhares de vezes mais fortes do que eles e o exemplo dos europeus milhares de vezes pior; embora eu tenha sido abandonado e perseguido por todos, ainda assim esta é minha Fé, firmada na certeza da palavra, que se elevará acima de todos os obstáculos e superará cada provação. A causa de Deus irá triunfar. William Carey e milhares como ele têm sido movidos pela visão de um grande e triunfante Deus. Isso significa ter Deus no centro da vida. A centralidade de Deus deve ser evidente na vida da igreja e isso é motivação para realização de missões. 3.3. A Glorificação de Deus é o Alvo de Missões O culto é o alvo da obra missionária simplesmente porque nosso propósito é levar as nações a regozijarem-se em Deus e glorificá-Lo acima de tudo. O alvo da obra missionária é a alegria dos povos na grandeza de Deus (Salmo 97.1; 67.3-4; cf. 47.1; 66.1; 72. 11, 17; 86.9; 102.15; 117.1; e Isaías 25.6-9; 52.15; 56.7; 66.18-19). Penso que o culto a Deus como o alvo da obra missionária já se tornou patente como decorrente de toda a nossa reflexão até este momento. Mas há um aspecto desta verdade que precisamos explorar mais. É o seguinte: O culto a Deus como alvo da obra missionária ajuda a entender a própria definição da obra missionária. Pois a obra missionária enfatiza a prioridade de alcançar povos, ou etnias não alcançadas. Isto se evidencia na repetida descrição bíblica da tarefa missionária em termos de etnias (Mateus 24.14; 28.18-20; Romanos 15.19-21). Que a estratégia bíblica seja de alcançar especialmente as etnias não alcançadas é claro em Romanos 15.19-21. Para muitos cristãos, talvez até a maioria, esta estratégia não parece muito lógica. Antes alcançar todos os indivíduos ao nosso alcance e semelhantes culturalmente a nós, que procurar alcançar representantes de etnias que podem ser geográfica ou culturalmente distantes. Parece uma questão de mordomia de esforços. A obra missionária começa e termina com o culto prestado à glória de Deus. Começa, porque somente o culto genuíno e profundo pode motivar adequadamente a igreja para assumir sua vocação missionária. E termina, porque o alvo último e o fim principal de toda humanidade é glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre. E na obra missionária, procuramos levar as nações à mesma alegria e exaltação que caracteriza o nosso culto a Deus. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 33 Portanto, quando afirmamos que a obra missionária é a prioridade penúltima na igreja não estamos diminuindo a sua importância. Estamos meramente fazendo o que devemos, maximizando a tarefa de glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre. E assim, enxergamos a verdadeira importância da obra missionária, certamente acima de outras atividades na igreja, isto é estender e diversificar, e assim intensificar o culto que glorifica e goza Deus entre todas as nações da terra (Apocalipse 5.9-10; 7.9-10). Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 34 AULA 04 Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 35 4 - HISTÓRIA DE MISSÕES Na história da Igreja, há uma linha de progressão na atividade missionária que vem desde o seu início no ano 30 d.C. Linha esta, que é desenhada pela ausência e presença de iniciativas missionárias na Igreja de Cristo na proporção em que o tempo foi de passado. 4.1. Começa o Trabalho Missionário Os dois últimos mandamentos de Jesus aos seus discípulos: a) Ficar em Jerusalém até serem batizados no Espírito Santo; b) Ir por todo o mundo pregando o Evangelho. Ao colocarem estes mandamentos em práticas, os 120 discípulos que estavam em Jerusalém por volta do anos 30 d.C., deram o INÍCIO TERRENAL de Missões, ou seja, o início Humano, Histórico e Geográfico. O Apóstolo Pedro, após o Pentecostes, evangelizou com poder os estrangeiros que estavam na cidade naquele dia (At 2.14); João e Pedro, pregaram no Sinédrio e no Templo para todos os religiosos da época e às autoridades (At.3.12; 4.8); Estevão, um Diácono, também marcou o início daIgreja Primitiva com suas poderosas mensagens e os sinais que se seguiam e, principalmente, com o seu testemunho face ao martírio a que foi vítima. Por fim, a Igreja de modo geral, pregava o Evangelho (At. 6.7); A. Resultado do Trabalho. “Alguns dos Pardos, Medas, Elamitas e outros povos que viviam para além de Jerusalém, nas terras orientais do Império Romano e que ouviam no dia de Pentecostes a primeira mensagem pregada por Pedro, se converteram ao Evangelho e levaram as boas novas aos seus conterrâneos. As evidências para que tal tenha ocorrido é a constatação de que em períodos posteriores podiam ser encontradas igrejas estabelecidas nos lugares de origem daqueles povos (At 2.9, 10, 11 e 41)”. “Alguns dos prosélitos, pessoas não descendentes de judeus, mas que renunciavam ao paganismo, aceitavam a lei judaica, recebendo o rito da circuncisão e vivendo em outras províncias romanas, ouviram e aceitaram a mensagem do Evangelho pregada por Pedro e tornaram-se portadores das boas novas entre seus irmãos usando como púlpito a sinagoga, principal foco religioso dos judeus fora de Israel (At. 2.14 e 41). “Todos estes discípulos fizeram o primeiro instante da atividade missionária da Igreja” Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 36 4.2. O Primeiro Declínio Missionário Motivo: Falta de zelo missionário. Aparentemente estava tudo certo com a primeira igreja. Havia conversões em massa Perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Havia temos em cada crente. Havia sinais e prodígios. (...) A Igreja era respeitada e admirada pelo povo. Mas apesar de tudo isso, havia algo errado com a Igreja de Jerusalém: “Era poderosa na fé e no testemunho, pura no seu caráter e abundante no amor. Entretanto, o seu singular defeito era a falta de zelo missionário. Permaneceu em seu território, quando devia ter saído para outras terras e outros povos. Veja At.1.8. 4.3. O Primeiro Despertamento Missionário A. A perseguição leva a Igreja a fazer a Obra Missionária. Ao serem dispersos, os cristãos pregavam por todos os lugares que passavam. A dispersão, por causa da perseguição, deu-se exatamente, pelos lugares que Jesus falara, ou seja, pela geografia missionária de Jesus. B. O Resultado do Despertamento. Segundo historiadores, a igreja iniciou realmente por Jerusalém, Judéia, Samaria, depois por Cessaréia, etc. Vejamos: 1. Leste. Foram por Damasco e Edessa, entrando na Mesopotâmia. 2. Sul. Foram por Bostra e Petra, entrando na Arábia. 3. Oeste. Foram por Alexandria e Cartago, entrando no Norte da África. 4. Norte. Foram por Antioquia, entrando na Armênia e Bitina. Alcançaram ainda a Espanha, Galácia (sul da França) e Grã-Bretanha e depois os confins. C. Evidências do Despertamento. “Os novos crentes iam formando igrejas locais e ao mesmo tempo tornavam-se missionários entre o seu povo e de outros lugares”. A propagação do Evangelho aumentava a cada dia. O total de crentes por volta do segundo século é estimado em meio milhão de pessoas. A eficácia do trabalho evangelístico se deu a partir de 3 fatores, somados, é claro, com o poder do Espírito Santo, a saber: 1. O testemunho informal. 2. A capacidade intelectual de alguns crentes. 3. A morte dos cristãos. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 37 O testemunho informal se manifesta a partir da vida diária dos crentes, caracterizada pelo amor. A capacidade intelectual de alguns crentes que defendiam a fé com argumentos racionais e bem desenvolvidos foi algo incontestável, pois o Cristianismo não era como as demais religiões cheias de ritos e mágicas; é claro, substancial, profundo e tem a ver com a realidade existencial do ser humano. Ganham destaque pessoas como Paulo, Orígenes, Tertuliano, Justino Mártir e outros. A morte de alguns cristãos, praticada pelos imperadores romanos somou para aumento do Cristianismo, pois, a coragem dos crentes ante a execução consistia num poderoso testemunho Tertuliano disse: “O sangue dos mártires é a semente da Igreja.” D. O Trabalho dos Primeiros Missionários. Além de Pedro, Paulo, Apolo, Filipe, Barnabé, Silas, Marcos, Lucas e muitos outros crentes que desempenharam atividades missionárias, a tradição judaica conta que... Mateus foi para a Etiópia. André, para a região dos citas, ao norte da Europa. Bartolomeu, para a Arábia e Índia. Tomé, para a Índia. Paulo, Barnabé e equipe, foram trabalhar entre os gentios e nos lugares mais distantes do império romano como por exemplo Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia. Edésio e Frumentio (no 4º Séc.), sobreviventes de um naufrágio no Mar Vermelho, perto da Etiópia, foram levados escravos para a corte real daquele país e logo conseguiram liberdade para pregar o evangelho e houve conversões. Gregório (213) evangelizou a Capadócia e se tornou líder da Igreja local (dizem que quando assumiu a igreja só havia 17 crentes na cidade, mas quando morreu só tinha 17 pagãos!). A MORTE DE POLICARPO Policarpo, pastor de Esmirna, desenvolveu um ministério evangelístico tão intenso que foi acusado de ser “o destruidor dos deuses pagãos”, por isto foi queimado em praça pública. Sua igreja constava de escravos, aristocratas locais e membros do quadro de assistentes do procônsul. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 38 A morte de policarpo sensibilizou a sociedade da Ásia Menor a ponto de provocar um abrandamento das perseguições por algum tempo, permitindo que os menos corajosos declarassem abertamente sua fé em Cristo e os não-crentes se convertessem. Havia também o trabalho de muitos outros pregadores anônimos que constituíam um grande exército que marchavam em todas as direções pregando a Palavra (At. 8.4) 4.4. Surgem Novas Igrejas Missionárias A Igreja de Jerusalém deixou de ser a ÚNICA. Cada nova igreja ou congregação formada pelos primeiros missionários, era também uma igreja missionária. Destacamos: Antioquia, Éfeso, Roma, Alexandria e Cartago, todavia, há outras. 4.5. As 10 Ondas de Perseguições Era de se esperar que o intenso trabalho missionário resultasse um aumento de perseguições. Registramos, dessa época, o mais doloroso período. Imperador Época (d.C.) Nero 64 Trajano 64 Adriano 117-138 Antônio 138-211 Marco Aurélio 161-180 Sétimo Severo 193-211 Máximo 235-238/9 Décio 249-251 Valeriano 253-260 Diocleciano 234-305 4.6. O Segundo Declínio Missionário Motivo: Discussões teológicas, disputas e aceitação do acordo romano. Questões doutrinárias existiram na Igreja desde o início. Aconteceram por várias razões: por causa de conceitos do judaísmo diferentes do Cristianismo; por causa de elementos gregos na Igreja muito voltados à contemplação filosófica, etc. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 39 A Igreja enredou-se em complicadas questões que obscureciam a simplicidade do Evangelho. Os crentes começaram a se ocupar mais com questões doutrinárias e filosóficas do que com o Evangelho. A Igreja internamente estava envolvida com discussões teológicas e disputas de poder, e ainda vivendo sob um clima de perseguições. Enquanto isso, por volta do terceiro séc., o Império Romano começou a declinar. As constantes invasões dos povos bárbaros ameaçavam-no em muito. Foi dentro deste contexto que em 313 d.C., o Imperador Constantinodisse ter visto no céu uma cruz sobre a qual estava escrito a seguinte frase em latim “IN HOC SIGNO VINCES”, que quer dizer: “por este sinal vencerás”. Imediatamente adotou a cruz como o seu estandarte e publicou em decreto tornando o Cristianismo como a Religião Oficial do Império Romano. Na verdade, a intenção de Constantino era utilizar o ímpeto cristão para ir até os “povos bárbaros”, convertê-los ao Cristianismo e assim ficarem sob o domínio romano! O ACORDO Se a Igreja aceitasse a proposta do imperador, ela ganharia a proteção do Imperador e acabariam as perseguições. A igreja seria protegida pelo Estado. Ela ganharia ainda a Prosperidade do Império. Em contrapartida, a fé seria usada para “amansar” os povos bárbaros e consolidar o império romano. Depois do acordo assinado, foi instituído o culto ao imperador. Agora a Igreja venerava mais ao homem do que a Deus. Que acordo infeliz! Quanto aos povos, eram dominados pela força do exército romano e “amansados” pela religião cristã. Tornavam-se cristãos à força; e a Igreja “abençoava a tirania dos imperadores”. O resultado foram as conversões em massa. Por exemplo, Alemanha, Hungria, Suécia, Islândia, Groelândia, Tchecoslováquia, Polônia, Índia, etc. Assim a Igreja de Roma consolidara-se a Igreja Católica Universal. Mas, na verdade, a Igreja desviou-se do caminho que deveria seguir. Durante 5 séculos a Igreja utilizou os mosteiros para objetivos missionários. Nasceram várias ORDENS de Franciscanos, Dominicanos, Benetidinos, Jesuítas e outros. No séc. 17 foi criada a SAGRADA CONGREGAÇÃO para propagação da fé. A. Principais Missionários Católicos. Úfilas, Martinho de Tours, Patrício, Columba, Niniamo, Agostinho, Bonifácio, Metódio, Domingos, Francisco de Assis, Las Casas, Francisco Xavier, etc. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 40 B. Remanescente. Nem todos estavam de acordo com o rumo que a Igreja tomava. Aconteceram vários movimentos de reforma, por exemplo, na França em 1110, 1155 e 1170, na Inglaterra em 1324 com João Wyclif, na Tchecoslováquia com João Huss (1369- 1445), na Itália com Jerônimo Savonarola (1452), com os anabatistas por toda a Idade Média e com Erasmo (1466 –1536). C. Os Reformadores. Nomes como Calvino, Melanchton, Zwinglio e Martinho Lutero, são comuns quando o assunto é Reforma Protestante. Foi Martinho Lutero quem liderou a maior Reforma Protestante no séc. XVI. Contudo, pouco se falava de missões estrangeiras, por 3 razões básicas: 1. Os cristãos ainda lutavam pela conservação de suas vidas (por causa das perseguições). O Protestantismo só teve sua sobrevivência assegurada em 1648, com o Tratado de WESTFÁLIA. 2. Divergências Teológicas e controvérsias infindáveis por parte dos Protestantes; 3. Ensinamentos contrários à pregação do Evangelho em todo o mundo. John Gerhard (1637), pregava que a ordem da Grande Comissão era exclusiva dos Apóstolos. Quem tentasse agir contra o pensamento geral deparava-se com a reprovação da liderança da Igreja, como é o caso de Von Welz, da Áustria, em 1664, cognominado “agitador missionário”. D. Iniciativas Missionárias dos Protestantes. Em meio a ausência de uma atividade missionária estruturada e permanente, os protestantes fizeram algumas tentativas, vejamos: Na Suécia, em 1559, o rei Gustavo Vasa incentivou o evangelismo aos povos lapões, ainda pagãos, que viviam em seu território; Igrejas Holandesas e Inglesas mandavam missionários capelães nas suas Companhias; Um livro cristão escrito por Hugo Grotius (1583 –1645), foi usado por marinheiros holandeses para evangelizarem o extremo oriente da Ásia; Hans Ungnad Sonneck, um crente alemão esperava um grupo que tentou penetrar entre os muçulmanos; Venceslau Budowitz conseguiu converter um turco em Constantinopla; Um cristão chamado Justiniano Von Welz foi ao Suriname, América do Sul, sem o apoio de nenhuma Igreja; Em 1555, quando a França tentava dominar o Brasil, Calvino mandou 2 missionários e 14 seminaristas no grupo de franceses hunguenotes que vieram Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 41 para o Rio de Janeiro. Entretanto, a missão deles fracassou por causa da forte perseguição do Almirante católico Villegnon. 4.7. O Segundo Despertamento Missionário Movimentos Espirituais Impulsionaram as Missões. A. O Puritanismo. Surgiu entre os protestantes da Inglaterra, a partir de 1657. Pregavam contra o sistema anglicano da Rainha Elisabete, contra os aparatos cerimoniais, conservados do catolicismo e o estilo de governo eclesiástico. Eram estudiosos da Bíblia, buscavam viver uma vida dedicada a Deus e dando testemunho aos homens. B. O Pietismo. O movimento pietista surgiu com grande intensidade na Universidade de Halle, na Alemanha. Foi liderado por Filipe Spener (1635-1705) e Augusto Francke (1663-1727). C. Principais Missionários. Adoniran Judson (enviado para a Birmânia); John Taylor Jones (Tailândia); George Dana Boardmam (Birmânia); Issacher Robert (China-1846); Lottie Moon (China-1873), Wullian Bagby e esposa (Brasil –1881), Zacarias e Kate Taylor (Brasil- 1882). D. Outras Iniciativas Missionárias. Sociedade Missionária De Basiléia, fundada em 1815, na Suíça Em 1821 fundou-se a Missão Da Dinamarca. Na França foi formada em 1822 a Sociedade Missionária De Paris. Em 1842 surgiu na Alemanha, a Sociedade Missionária De Berlim. Em 1828 formou-se a Sociedade Missionária Renana. Em 1842, a Missão Norueguesa. Em 1877, entre os presbiterianos foi fundada a Sociedade De Evangelização Chinesa. Um dos missionários mais famosos foi Hudson Taylor (foi ele quem criou o conceito de CONTEXTUALIZAÇÃO); depois de muitos anos na China, criou sua própria missão, estando muito doente na Inglaterra, a Missão Do Interior Da China, considerada posteriormente, a maior missão do mundo. Inúmeras sociedades, grupos e organizações missionárias surgiram no mundo nesse período, em conseqüência, quase todas as igrejas protestantes até 1914, participavam da causa missionária. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 42 4.8. O Papel da Igreja Moraviana Na antiga Morávia (Tchecoslováquia), havia um movimento espiritual que envolvia mais de 400 igrejas. Depois de muito sofrer com a perseguição da igreja católica, um nobre chamado Conde ZINZENDORF (1700-1760), começou a incentivar os irmãos ao trabalho missionário, principalmente depois de saber que a missão estava prestes a ser abandonada. No dia 21 de agosto de 1732 começou o célebre trabalho missionário dos irmãos Moravianos. “Sob a direção de Zinzendorf, esta igreja foi tomada de uma paixão missionária que jamais a abandonaria. A igreja chegou a ter um missionário no estrangeiro para cada 92 membros. Entre os anos 1732 e 1760, 226 missionários morávios entraram em países estrangeiros, estabelecendo igrejas.” A. Evangelistas percorrem o Mundo. “Quando a idade da razão despontava no séc 18 e o fervor cristão declinava, Deus utilizou determinados homens que, através de suas poderosas mensagens, conduziram os crentes a um novo movimento do Espírito Santo que os impulsionaram a realizar a obra missionária.” Homens comuns, como nós, porém, homens que fizeram renúncias, experimentaram privações, sofreram danos, percas, dores... contudo, não foram “desobedientes à visão celestial”. Homens como João Wesley, George Whitefild, Jomathan Edwards, e outros. Estes homens deixaram “rastro de fogo” em seus países e no exterior, alémde serem espelhos para outros evangelistas itinerantes de séculos seguintes. Nomes como o de Charles A. Spurgeon, Charles Finney, Dwight L Moody, Billy Sunday, e no século vinte, Billy Grahan e Luis Palau, etc. O trabalho destes evangelistas itinerantes atravessou o grande século missionário, em quase todos (se não em todos!) os Continentes. Os resultados destes movimentos foram maravilhosos para as missões pois, serviram para amadurecer o conceito de salvação individual e da conversão pessoal de cada indivíduo, ao contrário das “conversões em massa”, realizada pela Igreja Católica em séculos anteriores. A formação de Sociedades Missionárias (quase todas as igrejas de então, se envolveram com Missões Transculturais) e o extraordinário trabalho da Igreja da Morávia (os moravianos realizaram uma vigília ininterrupta de oração por quase 100 anos). 4.9. O Terceiro Declínio Missionário Motivo: Liberalismo cristão e preocupação social. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 43 A. Alguns líderes de Igrejas Evangélicas nos EUA e Europa, começaram a fazer uma concepção liberal de Cristianismo, no início do séc. 20. Deu-se, então, o começo de um novo desenvolvimento teológico e eclesiástico que viria a trazer grandes conseqüências no futuro. No aspecto missionário, o liberalismo gerou o seguinte quadro: 1. O liberalismo não tinha mais certeza que Jesus era a última Palavra de Deus ao homem; 2. O fato de se ter o título de missionário não significava que a pessoa cria na interpretação da Bíblia e que corajosamente defendia as doutrinas principais da fé. 3. O liberal não aceitava a proclamação exclusiva da salvação através de Jesus. Era mais simpático com as outras religiões, sugerindo até uma síntese das religiões. 4. Esta nova concepção teológica mandava completamente a compreensão da Grande Comissão. 5. Havia mudança e redução na propaganda missionária, tão aceitável no séc. 19. Pietismo gerou uma grande influência missionária, tornando-se o berço do primeiro esforço genuíno missionário da reforma. 4.10. Principais Sociedades e Seus Missionários A primeira foi a Sociedade Para Propagação do Evangelho, fundada em 1649, na Nova Inglaterra, (EUA), pelo Pr. congregacional John Eliot, que fora enviado pela Igreja Congregacional da Inglaterra para evangelizar os índios da América do Norte. A Sociedade Para a Promoção do Conhecimento Cristão (SPCK), liderada por Thomas Bray, foi fundada em 1698 pela Igreja Anglicana da Inglaterra. Marcou o início das “missões inglesas”, estabeleceu bases na Índia; um dos seus principais missionários foi Christian Friedrich Schwartz (1724-1798), serviu 48 anos na Índia. Pelos idos de 1700, foi fundada a Sociedade Escocesa Para Propagação do Conhecimento Cristão. David Brainerd (1718-1877) foi enviado para trabalhar entre as tribos de índios nômades nos EUA. Alexander Duff foi para a Índia em 1830 (levou 18 anos para ganhar 33 indianos para Cristo). Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 44 Em 1701, anglicanos e outras igrejas evangélicas da Inglaterra se uniram e formaram a Sociedade Para Propagação do Evangelho em Terras Estrangeiras (SPG). Objetivo: Prestar apoio aos missionários na América do Norte e Índias Ocidentais. Em pouco tempo enviaram mais de 350 missionários. Em 1705, em Halle, Alemanha, os pietistas criaram a Missão DANISH-HALLE, cujo líder foi Franz Lutkens. Destacam-se Bartholomeu Ziegenbald e Henry Plutschau, enviados para Tranquebar, Índia. Os anglicanos ingleses formaram em 1799 outra missão, a Sociedade Missionária da Igreja (CMS). William (Guilherme) Carey contribuiu muito para que, em 1792, na Inglaterra, um grupo de pastores fundassem a Sociedade Batista Missionária. O primeiro missionário comissionado foi John Thomas, que era um médico da esquadra real e que permaneceu na Índia depois de seu pedido de serviço, a fim de trabalhar como médico-missionário. Wuillian Carey voluntariou-se para auxilia-lo, e foi para lá em 1793 e trabalharam juntos por 41 anos. Em Londres, os Congregacionais, fundaram em 1795 a Sociedade Missionária De Londres. Principais missionários: Roberto Moffat (África do Sul-1816); David Livingstone (África do Sul-1871), Robert Morrison foi o 1º missionário protestante enviado à China; (Chegou em Cantão em 1807). Em 1797 foi fundada a Sociedade Missionária Holandesa. Evangelizaram basicamente na Indonésia e, como em nenhuma outra parte do mundo, conseguiram a conversão de muçulmanos. Em 1810, os congregacionais e presbiterianos norte-americanos formaram a Junta América Para As Missões Estrangeiras (AMERICAN BOARD). No ano de 1817, os batistas norte-americanos fundaram a Junta Americana Dos Missionários Batistas. 4.11. Preocupação Social Ocupa o Lugar de Missões Este assunto provocou muito impacto no final do séc. 19 e início do séc 20. A questão social passou a ser mais enfatizada do que a relação individual entre o crente e Deus. Muitos líderes cristãos aderiram ao chamado “Evangelho Social”. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 45 A maior expressão deste tipo de “Evangelho” veio à tona anos mais tarde, na América Latina com a Teologia da Libertação. 4.12. O Terceiro Despertamento Missionário A. Cristãos Voluntários X Liberais. Em reação ao liberalismo, surgiu nos EUA uma nova geração de missionários profundamente determinados a manter uma fé pura e confiar na dependência total de Deus. Eles partiram para um intenso tablado de evangelismo, até mesmo aos próprios cristãos nominais, em seu país e também na Europa e América Latina. Depois disso, os Estados Unidos passaram a ser nação com o maior número de missionários atuando em todo o mundo. Estes novos missionários, na maioria, eram formados em Institutos Bíblicos e Faculdades Cristãs. Apareceram nos fins do séc 19 e limiar do séc 20. B. Nasce o Movimento Voluntário Estudantil. “Foi nessa nova onda missionária que nasceu nos EUA o Movimento Voluntário Estudantil em 1886. Perdurou por 50 anos e enviou mais de 20 mil estudantes para o campo missionário no exterior, a maioria norte- americanos. Os mais conhecidos desses estudantes foram Carlos T Studd, J.E.K. Studd, Robert Wilder, Joseph H. Oldham, Robert E. Speer, W. Tempe Cairdener, Samuel Zwemer, William Pacon, Fletcher Brockmam e E. Stanley Jones.” C. Nasce a Aliança Bíblica Universitária (ABU). Quem criou a ABU foi C. Stacey Woods, em 1943, nos EUA. O objetivo da ABU é promover missões nos “campus” das Universidades. Na UFJF, funciona um núcleo da ABU que está ligada a ABU da Região Centro-Oeste. D. Nasce a Associação Evangélica das Missões Estrangeiras. Esta associação foi fundada depois da 2ª G.G.M, nos EUA. Contrária ao liberalismo, recebeu o apoio da maioria das missões da sua época. E. Novas Sociedades e Agências Missionárias. Nessa época muitas outras organizações missionárias começaram a surgir no mundo, tais como: a Missão para o Interior do Sudão (SIM); a Cruzada de Evangelização Mundial; O Ministério de Cruzadas Além-Mar e etc. Em conseqüência do movimento estudantil e destas novas agências missionárias, muitos países outrora fechados ao Evangelho, foram alcançados. F. O Movimento Pentecostal. Nos idos de 1910, aconteceram em diferentes lugares dos EUA movimentos de renovação espiritual entre igrejas protestantes tradicionais: Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.brMISSIOLOGIA 46 presbiterianos, congregacionais, batistas, metodistas, etc. Esse movimento ficou sendo chamado de Movimento Pentecostal. As igrejas protestantes que haviam aceitado o Batismo no Espírito Santo, não podendo mais permanecer no seio de suas denominações e possuindo vários missionários no campo, razão pela qual necessitavam de uma autoridade executiva e organização, formaram em 1914 as Assembléias de Deus norte-americanas. Dentro desse entusiasmo missionário do Movimento Pentecostal destacam-se os suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, que vieram dos EUA para o Brasil em 1910, e se instalaram na cidade de Belém do Pará. Ali, em 1911, logo após a não aceitação do batismo no Espírito Santo pela Igreja Batista (como aconteceu nos EUA), formaram, juntamente com um grupo de irmãos, a Missão de Fé Apostólica, que em 1918, veio a se chamar Assembléia de Deus. 4.13. Conferências Nacionais e Mundiais A partir do século 19 em quase todos os países onde havia trabalhos missionários protestantes aconteceram conferências missionárias com a participação de diferentes sociedades missionárias que motivaram a realização de Conferências Missionárias Nacionais e a formação de Comitês e Missões. Depois da primeira realizada na Índia em 1855, cada vez mais foram sendo realizadas conferências, agências e sociedades missionárias a realizarem juntas grandes conferências mundiais de missões, hoje chamadas de Congressos Mundiais de Evangelização. Já foram realizados 13 desses Congressos Mundiais. Os que foram considerados mais importantes são: o de Edimburgo, na Escócia, em 1910, e o de Lausanne, na Suíça, em 1974. A nível regional, os envolvidos com a tarefa missionária também têm-se unido em conferências. Como é o caso do Congresso sobre Evangelismo no Pacífico Sul, em 1968; o Congresso Missionário para Estudantes de toda a Ásia, em 1973; a Consulta sobre Missões em toda a Ásia em 1973; a Associação de Missões n Ásia, em 1975; e o COIBAM (Congresso Latino –Americano sobre Missões) realizado em São Paulo, em 1987. Muitas outras Consultas Globais, reuniões denominacionais e regionais com o objetivo de tratar de assuntos missionários estão planejadas ao redor do mundo. Nos últimos 50 anos da História de Missões, pôde-se constatar que naquelas áreas do mundo tidas como “campo missionário”, a Igreja tem florescido, e hoje, estão se tornando “base de envio de missionários”. “Trabalhemos enquanto é dia, pois a noite vem, quando ninguém mais pode trabalhar...”. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 47 AULA 05 Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 48 5 - A NATUREZA DA TAREFA MISSIONÁRIA Qual é a tarefa das missões cristãs? Se toda a raça humana está sob condenação por causa do pecado e excluídas da vida eterna (Ef 2.2-3, 12; 4.17; 5.6) e se invocar a Jesus é sua única esperança para a comunhão eterna e jubilosa com Deus, então podemos entender que se amamos estas pessoas, devemos fazer missões? Amor pelos perdidos é uma elevada e sublime motivação para a obra missionária. Sem isso perdemos a doce humildade de repartir um tesouro que recebemos de graça. Mas a compaixão pelas pessoas não pode ser separada do amor a Deus. John Piper nos fornece um motivo adicional do porquê o amor aos perdidos não pode ser o nosso combustível em missões. Ele afirma que é impossível amar verdadeiramente aos “perdidos”, pois não conseguimos cultivar um amor profundo por alguém que conhecemos somente por meio de fotos ou quando colocados, de um modo mais geral, como uma nação ou um povo, ou algo tão vago como “todos os perdidos”. Vejamos então o que a Escritura nos ensina sobre a natureza da obra missionária: 5.1. Territórios Não-Alcançados ou Povos Não-Alcançados Desde 1974, a tarefa das missões tem sido focalizada crescentemente na evangelização de povos não-alcançados em oposição à evangelização de territórios não- alcançados. Naquele ano, no Congresso de Evangelização Mundial de Lausanne, Ralph Winter acusou o empreendimento missionário ocidental do que ele chamou de “cegueira dos povos”. Desde aquele tempo, ele e outros têm pressionado incessantemente a focalização do “grupo de pessoas” no planejamento da maioria das igrejas e organizações similares voltadas para as missões. A “verdade destrutiva” que ele revelou em Lausanne foi esta: apesar de o evangelho ter chegado a todos os países do mundo, quatro de cada cinco não-cristãos estão ainda excluídos da pregação do evangelho devido não a barreiras geográficas, mas a barreiras culturais e lingüísticas. Por que esse fato não mais é amplamente conhecido? Receio que toda nossa exultação pelo fato de todos os países terem sido transpostos permitiu que muitos supusessem que todas as culturas também foram alcançadas. Esse mal-entendido é uma doença tão disseminada que merece um nome especial. Vamos chamá-la “cegueira dos povos”, isto é, cegueira para a existência de povos separados dentro de países – uma cegueira, posso acrescentar, que parece mais predominante nos Estados Unidos e entre os missionários norte-americanos do que em qualquer outro. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 49 A mensagem de Winter serviu como um alerta para a igreja de Cristo, reorientando seu pensamento para que as missões fossem vistas como a tarefa de evangelização dos povos nãoalcançados e não meramente como a tarefa de evangelização de mais territórios. Extraordinariamente, nos 15 anos seguintes, o empreendimento missionário respondeu a esse chamado. Em 1989, Winter foi capaz de escrever: “Agora que o conceito de Povos Não Alcançados foi aceito amplamente, é possível elaborar planos imediatamente... com muito maior confiança e precisão”. 5.2. Definição de Povos Não-Alcançados O chamado de Deus para missões não pode ser definido em termos de atingir outras culturas para aumentar o número de indivíduos salvos. Antes, a vontade de Deus para missões é que cada grupo de pessoas seja alcançado com o testemunho de Cristo, e que as pessoas sejam chamadas, em seu nome, de todas as nações. Assim é demonstrada a soberania de Deus entre todas as nações. Somos comissionados para cumprir essa tarefa. Se a tarefa de missões é alcançar todos os grupos de pessoas não-alcançados do mundo, necessitamos ter idéia do que significa “alcançado”, de modo que as pessoas chamadas para a tarefa missionária da igreja conheçam quais os grupos de pessoas a que devem se dirigir e quais deixar. Paulo deve ter tido alguma idéia do que significava “alcançado”, quando disse em Romanos 15.23: “ ...não tendo já campo de atividade nestas regiões”. Ele deve ter entendido o que significava completar a tarefa missionária, quando afirmou em Romanos 15.19: “desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo”. Ele sabia que sua obra estava concluída naquela região. Eis por que ele dirigiu-se à Espanha. O Encontro dos Povos Não-Alcançados de 1982, a que nos referimos anteriormente, definiu “nãoalcançados” desta forma: Um grupo de pessoas não-alcançadas é “um grupo de pessoas dentro do qual não há comunidade nativa de crentes cristãos capazes de evangelizá-los”. Assim, um grupo seria alcançado quando os esforços da missão tiverem estabelecido uma igreja nativa que tenha força e recurso para evangelizar o restante do grupo. (Ap 5:9; 7:9; 10:11; 11:9; 13:7; 14:6; 17:15) 5.3. A Esperança do AntigoTestamento: Todas as Famílias Serão Abençoadas Essa é uma promessa presente no Antigo Testamento. Na verdade, o Antigo Testamento está repleto de promessas e expectativas de que Deus será, um dia, adorado por nações de todo o mundo. Fundamental para a visão missionária do Novo Testamento foi a promessa que Deus fez a Abraão em Gênesis 12.1-3: Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 50 Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei urna grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu urna bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra. Essa promessa de benção universal às “famílias” da terra é essencialmente repetida em Gênesis 18.18; 22.18; 26.4 e 28.14. Em 12.3 e 28.14 a frase hebraica para “todas as famílias” (kol mishpahot) é traduzida no grego do Antigo Testamento por pasai hai phulai. A palavra phulai significa “tribos” em muitos contextos. Porém mishpaha pode ser, e usualmente é, menor que uma tribo. Por exemplo, quando Acã pecou, Israel é investigado em ordem decrescente de tamanho: primeiro por tribo, em seguida por mishpaha (família) e por fim por pessoa (Js 7.14). Assim, a bênção de Abraão decorre do propósito divino de alcançar eqüitativamente pequenos agrupamentos de pessoas. Não precisamos definir esses grupos com precisão para sentir o impacto dessa promessa. A palavra hebraica para o termo "família" dá a idéia de uma tenda, um grupo não de muitas pessoas. Podemos, por meio disso, afirmar que a promessa de alcançar cada tribo, povo ou nação já está presente no Antigo Testamento. O evangelho não é apenas para as grandes nações, mas para os pequenos grupos de pessoas também, como as tribos. Isso deixa claro que nosso empenho evangelístico deve ser muito maior, pois temos o mandamento de alcançar não somente as nações, mas os pequenos grupos que as formam. O que podemos concluir de Gênesis 12.3 e de seu uso no Novo Testamento é que o propósito de Deus para o mundo é a bênção de Abraão, ou seja, que a salvação alcançada por Jesus Cristo, a semente de Abraão, possa alcançar todos os grupos étnicos do mundo. Isso acontecerá quando as pessoas de cada grupo colocarem sua fé em Jesus Cristo e tornarem-se "filhas de Abraão" e "herdeiros da promessa" (Gl 3.7,29). Há vários textos que expressam a esperança de que todas as nações louvem ao Senhor: "Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o rosto; para que se conheça na terra o teu caminho e, em todas as nações, a tua salvação. Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te os povos todos. Alegrem-se e exultem as gentes, pois julgas os povos com equidade e guias na terra as nações. Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te os povos todos" (Sl 67.1-5). "E todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam" (Sl 72.11). Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 51 "Subsista para sempre o seu nome e prospere enquanto resplandecer o sol; nele sejam abençoados todos os homens, e as nações lhe chamem bem-aventurado" (Sl 72.17). Há outros textos que expressam a esperança das nações, anunciando os planos do salmista em fazer sua parte para tornar a grandeza de Deus conhecida entre elas: “Glorificar-te-ei, pois, entre os gentios, ó SENHOR, e cantarei louvores ao teu nome” (Sl 18.49). "Render-te-ei graças entre os povos; cantar-te-ei louvores entre as nações" (Sl 57.9). "Render-te-ei graças entre os povos, ó SENHOR! Cantar-te-ei louvores entre as nações" (Sl 108.3). Esses textos deixam clara a responsabilidade do povo de Deus em proclamar a sua glória entre as nações. O povo de Deus deve ser canal de bênção para todas as famílias. 5.4. A Prioridade de Paulo por Povos Não-Alcançados Isso é notavelmente confirmado em Romanos 15. Aqui se torna evidente que Paulo via o seu chamado especificamente missionário para alcançar cada vez mais grupos de pessoas e não apenas mais e mais indivíduos gentios. Em Romanos 15.8-9 Paulo afirma o duplo propósito para a vinda de Cristo: “Digo, pois, que Cristo foi constituído ministro da circuncisão [isto é, tornou-se encarnado como um judeu], em prol da verdade de Deu, para [1] confirmar as promessas feitas aos nossos pais; e para que [2] os gentios (ta ethne) glorifiquem a Deus por causa da sua misericórdia”. Portanto, o primeiro propósito para a vinda de Cristo foi provar que Deus é verdadeiro e fiel em manter, por exemplo, as promessas feitas a Abraão. E o segundo, foi para que as nações pudessem glorificar a Deus por sua misericórdia. Esses dois propósitos sobrepõem-se, uma vez que, claramente, uma das promessas feitas aos patriarcas foi que a bênção de Abraão viria a “todas as famílias da terra”. Isso está em perfeita harmonia com o que vimos na esperança do Antigo Testamento. Israel é abençoado para que as nações possam ser abençoadas (Sl 67). De igual modo, Cristo vem a Israel para que as nações possam receber misericórdia e dar glória a Deus. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 52 5.5. A Visão de João sobre a Tarefa Missionária A visão da tarefa missionária nos escritos do apóstolo João confirma que a percepção de Paulo sobre a esperança do Antigo Testamento de alcançar todos os povos não era única entre os apóstolos. O que transparece do Apocalipse e do Evangelho de João é uma visão que admite a tarefa missionária principal de alcançar grupos de pessoas, não apenas indivíduos gentios. O texto decisivo é Apocalipse 5.8-10. João teve um vislumbre do clímax da redenção com a adoração de pessoas redimidas diante do trono de Deus. A composição daquele grupo é essencial. Os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos... entoavam novo cântico, dizendo: “Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação, e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra”. A visão missionária por trás dessa cena é que a tarefa da igreja é reunir os redimidos a crerem no evangelho, as quais ele redimiu pela morte de seu Filho. O desígnio da redenção prescreve o desígnio da estratégia da missão. E o desígnio da redenção ( a redenção de Cristo, versículo 9) é universal, pois se estende a todos os povos, e definitivo, uma vez que efetivamente redime alguns de cada um desses povos. Portanto, a tarefa missionária é reunir os redimidos de todos os povos por meio da pregação do evangelho. ( João 10:16; 11;51,52, Ap 5:9 ) V. Uma Casa de Oração para Todas as Nações. Outro indicador do modo como Jesus imaginava os propósitos missionários universais de Deus vem de Marcos 11.17. Quando Jesus limpa o templo, ele cita Isaías 56.7: Não está escrito: “A minha casa será chamada cada de oração para todas as nações”? A razão disso ser importante para nós é que ela mostra Jesus buscando no Antigo Testamento (exatamente como ele faz em Lucas 24.45-47) para interpretar os propósitos universais de Deus. Ele cita Isaías 56.7, que, em hebraico, diz explicitamente: “A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos ( kol ha’ ammim). “Assim está escrito” no VT - Sl 22:27 cf. At 1:8; Lc 24:47. O significado de grupo de pessoas é inconfundível. A posição de Isaías não é que todo indivíduo gentio tinha o direitode permanecer na presença de Deus, mas que haja convertidos de “todos os povos” que entrarão no templo para adorar. O fato de Jesus estar familiarizado com essa esperança do Antigo Testamento e ter baseado suas expectativas universais referindo-se a ela (Mc 11.17; Lc 24.45-47), sugere que devemos interpretar sua Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 53 “Grande Comissão” nesta mesma direção – a mesma que encontramos nos escritos de Paulo e João. 5.6. Como a Diversidade Magnífica a Glória de Deus O grande objetivo de Deus é sustentar e demonstrar a glória de seu nome para o regozijo de seu povo entre todas as nações. A questão agora é: "Por que Deus mantém o objetivo de mostrar sua glória por meio da obra missionária entre todas as pessoas do mundo. Corno o objetivo missionário serve melhor ao propósito de Deus?" Refletindo bib1icamente sobre o assunto, quatro respostas emergem: 1. Primeiro, há uma beleza e poder no louvor que vem da unidade na diversidade, que é maior do que aquele vindo da unidade exclusiva. O Salmo 96.3-4 conecta a evangelização das pessoas com a qualidade de louvor de que Deus é merecedor. “Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas. Porque grande é o Senhor e muito digno de ser louvado, temível mais que todos os deuses”. Observe a palavra “porque”. A grandeza extraordinária do louvor que o Senhor deve receber é a base e o ímpeto da nossa missão. 2. Segundo, a fama, grandeza e valor de um objeto de beleza aumenta em proporção à diversidade daqueles que reconhecem sua beleza. Se uma obra de arte é considerada excelente por um grupo de pessoas pequeno e de mesma opinião e por ninguém mais, a arte com toda certeza não é verdadeiramente grande. Suas qualidades são tais que não alcançam as profundezas universais de nossos corações, mas apenas as tendências provinciais. Porém, se uma obra de arte continua ganhando cada vez mais admiradores, não somente através de culturas mas também de décadas e séculos, então sua grandeza é irresistivelmente manifesta. Assim, quando Paulo diz: “Louvai ao Senhor, vós todos os gentios, e todos os povos o louvem” (Rm 15.11), ele está expondo que há alguma coisa acerca de Deus que é tão universalmente digna de louvor, tão profundamente bela, tão compreensivelmente valiosa e tão profundamente satisfatória que ele encontrará admiradores apaixonados em todo grupo diverso de pessoas no mundo. A sua verdadeira grandeza será manifesta na amplitude da diversidade daqueles que percebem e apreciam a sua beleza. Sua excelência será mostrada para ser mais alta e mais profunda que as preferências limitadas que nos fazem felizes a maior parte do tempo. Seu apelo será para as mais profundas, mais elevadas e mais amplas capacidades da alma humana. Portanto, a diversidade da fonte de admiração testificará a sua incomparável glória. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 54 3. Terceiro, a força, a sabedoria e amor de um líder são magnificados em proporção à diversidade de pessoas que ele pode inspirar para segui-lo com alegria. Se você pode liderar somente um grupo pequeno e uniforme de pessoas, suas qualidades de liderança não são tão grandes como as que teria se pudesse conquistar seguidores de um grande grupo de pessoas muito diferentes. O entendimento de Paulo do que está acontecendo em sua obra missionária entre as nações é que Cristo está demonstrando sua grandeza, conquistando obediência de todos os povos do mundo: “Porque não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas que Cristo fez por meu intermédio, para conduzir os gentios à obediência, por palavra e por obras” magnificada à medida que cada vez mais pessoas diferentes decidem seguir a cristo. É a grandeza de Cristo. Ele está mostrando-se superior a todos os outros líderes. 4. Por focalizar todos os grupos de pessoas no mundo, Deus eliminou o orgulho etnocêntrico e recolocou todos os povos sob sua livre graça, em vez de qualquer característica que possam ter. O objetivo de Deus em toda a história é sustentar e demonstrar sua glória para o regozijo dos redimidos de cada tribo, povo, língua e nação. Seu objetivo é a alegria de seu povo, porque “Deus é mais glorificado em nós quando nós estamos mais satisfeitos nele”. A maior boa-nova em todo o mundo é que o objetivo de Deus é ser glorificado, e o objetivo do homem estar satisfeito não são probabilidades, mas verdades da Palavra de Deus. A igreja deve engajar-se com o Senhor da glória em sua causa. É nosso grande privilégio alcançar com ele, no maior movimento da história, a reunião dos eleitos "de toda tribo, língua, povo e nação" até que se complete o número dos eleitos e todo Israel seja salvo, e o Filho do homem desça com poder e grande glória, como Rei dos reis e Senhor dos senhores, e a terra esteja cheia de sua glória, assim como as águas cobrem o mar para sempre e sempre. Então, a soberania de Cristo será manifesta a todos, e ele entregará o Reino a Deus, o Pai, e Deus será tudo em todos. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 55 AULA 06 Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 56 6 - A NECESSIDADE DAS MISSÕES Questão para debate: Há pessoas devotas em outras religiões, as quais confiam humildemente na graça de Deus que conhecem por meio da Revelação geral (Rm 1:19-21) e assim recebem a salvação eterna? As Pessoas Devem Ouvir o Evangelho de Jesus Cristo para Serem Salvas? Quem nunca fez uma destas perguntas: “os que jamais ouviram o Evangelho estão perdidos?”; ou então “os índios vão ser salvos?”. Em nossas classes de escolas dominicais, ou nas conversas sobre evangelismo e missões, sempre surgem dúvidas como essas. Normalmente nossas respostas são muito evasivas, se é que temos alguma. Não refletimos sequer nas implicações que elas possam vir a ter. Teólogos, pastores e seminaristas fazem a mesma indagação e procuram investigar o assunto sob uma perspectiva bíblica, teológica e filosófica. Três pontos de vista sobre o destino dos não-evangelizados. 6.1. Inclusivismo Alguns teólogos acreditam que mesmo aquelas pessoas que nunca ouviram o evangelho podem ser salvas. Se, através da criação – revelação geral – vierem a crer em Deus, ainda que não conheçam a Jesus, serão redimidas de seus pecados. Dizem que qualquer religião pode ser um instrumento útil para aproximar a pessoa de Deus. Isso é chamado de “inclusivismo”, porque Deus inclui todos em sua graça, antes de excluí-las no julgamento. Mas a fundamentação bíblica desse ponto de vista é muito questionável. Este posicionamento é fruto da ambiência pós-moderna e do mundo globalizado. Ricardo Barbosa explica este ponto: Vivemos o risco de um novo modelo de intolerância. Afirmar a centralidade da obra de Cristo já pode ser visto como preconceito.Uma das contradições da cultura pós- moderna e globalizada é sua capacidade de romper fronteiras e preconceitos, tornando-a mais inclusiva e, ao mesmo tempo, criar outras fronteiras e preconceitos, tornando-a extremamente exclusiva e violenta. Nas últimas décadas, a civilização ocidental tem feito um enorme esforço para diminuir as distâncias entre as raças, romper com os preconceitos e a discriminação sociais e criaruma sociedade menos violenta e mais aberta à inclusão das minorias O que o chamado inclusivismo defende é que uma tolerância perigosa para o cristianismo. Como bem afirmou James Houston, o que ele chamou de uma nova forma de fundamentalismo, o da “democracia liberal”, que impõe sobre nós a obrigação de aceitar e Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 57 admirar tudo aquilo que contraria princípios e valores que fazem parte da consciência cristã. Esta tolerância oriunda do cenário globalizado, também agora está questionando a questão da centralidade da morte e ressurreição de Cristo para a vida e a necessidade das pessoas ouvirem sobre Cristo para serem salvas. Imagino que, mais cedo do que pensamos, enfrentaremos uma forte resistência à afirmação bíblica de que Jesus é “o caminho”, “a verdade”, “a vida”, de que ele é “o único Senhor”, de que “não há salvação fora dele” e de que ele é o “único que pode perdoar nossos pecados”. Todas essas afirmações são, por si, uma agressão ao espírito “democrático” da sociedade pós- moderna. Como vamos ver no terceiro ponto de vista sobre a necessidade de se ouvir sobre Jesus, afirmar a exclusividade de Cristo implica na negação e rejeição de qualquer outro nome que possa nos reconciliar com Deus, e isso soa como um preconceito, uma forma de discriminação inaceitável. Afirmar que a Bíblia é a Palavra de Deus e que só ela traz a revelação do propósito redentor de Jesus é também uma afirmação que pode ser considerada preconceituosa, uma vez que nega todas as outras formas de revelação. 6.2. Perseverança Divina Outros dizem que ninguém será salvo com base no conhecimento que possam ter de Deus através da natureza. No entanto, chegam ao absurdo de afirmar que, logo após a morte, aqueles que nunca ouviram o Evangelho terão uma oportunidade de dizer “sim” ou “não” a Jesus. Deus concederá a todos os homens a chance de ouvir o evangelho e optar, ou não, pela redenção trazida por Jesus. Tomam por base alguns textos difíceis de 1 Pedro (como o cap. 3: 18ss). Dão ao seu ponto de vista o nome de “perseverança divina” ou “evangelismo post-mortem” 6.3. Exclusivismo (Restritivismo) Há também os teólogos que ensinam não haver qualquer oportunidade de salvação para o homem, se não existir conhecimento de Cristo e uma resposta pessoal e consciente ao seu chamado. Essa posição é conhecida como “exclusivismo”; às vezes também “restritivismo”. Para que alguém seja salvo, é fundamental ouvir o Evangelho nesta vida e fazer uma decisão por Jesus. Essa é a interpretação que mais parece se afinar ao ensino geral das Escrituras Sagradas. Essas três opiniões têm alguns pontos interessantes de semelhança bem como diferenças. Como já foi observado, todas as três afirmam que a salvação em Jesus é a palavra final bem como a singularidade dessa salvação. O restritivismo e o inclusivismo concordam, numa posição contrária à defendida pela perseverança divina, que nosso destino já está selado no momento da morte e que não existe nenhuma oportunidade de salvação após ela. O restritivismo e a perseverança divina concordam, contrariamente ao Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 58 inclusivismo, que o conhecimento da mensagem do evangelho é uma condição necessária para a salvação. Mas discordam sobre se a mensagem deve ser apresentada por um agente humano antes da morte. O inclusivismo diverge das duas outras opiniões ao sustentar que Deus concede salvação mesmo onde o Evangelho é desconhecido. O inclusivismo e a perseverança divina afirmam que Deus, em Jesus Cristo, torna a salvação disponível a todas as pessoas que já viveram, ao passo que o restritivismo nega isso. Deve-se observar que há outras opiniões quanto ao destino dos nãoevangelizados que não estamos discutindo aqui. Podem ser resumidas assim: Alguns advogam um completo agnosticismo, dizendo que nós não temos informação bíblica suficiente para justificar uma conclusão sobre o assunto. Alguns teólogos católicos romanos propõem uma versão da evangelização postmortem chamada de teoria da opção final. Eles crêem que Cristo encontra todas as pessoas no momento em que estão morrendo – não depois da morte – dandolhes uma oportunidade de conversão. Alguns, como John R. W. Stott, são otimistas de que Deus irá salvar a grande maioria da raça humana, muito embora eles não saibam como Deus irá realizar isso. Isto é, eles se recusam a tomar uma posição quanto ao método que Deus usa para salvar os não-evangelizados, embora afirmem que Ele o faz. Outros, como J. I. Packer, têm uma posição mais pessimista, asseverando que, embora talvez seja possível que Deus proveja um meio de salvação para alguns dos não-evangelizados, o melhor é permanecer negando essa possibilidade. Isto é, pode ser que Deus o faça, mas não temos razão para pensar que Ele o fará. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 59 RESTRITIVISMO INCLUSIVISMO PERSEVERANÇA DIVINA OU EVANGELISMO POST-MORTEM Definição: Deus não provê salvação para aqueles que não ouvem acerca de Jesus e, conseqüentemente, não crêem nEle antes da morte. Definição: Os não-evangelizados podem vir a ser salvos, se responderem a Deus em fé, baseados na revelação que possem. Definição: Os não-evangelizados recebem uma oportunidade de crer em Jesus depois da morte. Textos-chaves: Jo 14.6 At 4.12 1Jo 5.11-12 Textos-chaves: Jo 12.32 At 10.43 1Tm 4.10 Textos-chaves: Jo 3.18 1Pe 3.18 – 4.6 Representantes: Agostinho João Calvino Jonathan Edwards Carl Henry R. C. Sproul Ronald Nash Representantes: Justino Mártir John Wesley C. S. Lewis Clark Pinnock Wolfhart Pannenberg John Sanders Representantes: Clemente de Alexandria George MacDonald Donald Bloesch George Lindbeck Stephen Davis Gabriel Fackre OBS: Todos os representantes mencionados desses pontos de vista concordam que Jesus é único Salvador. A supremacia de Deus nas missões é confirmada biblicamente pela afirmação da supremacia de seu Filho, Jesus Cristo. É uma verdade surpreendente do Novo Testamento que, desde a encarnação do Filho de Deus, toda fé salvadora deve, dali por diante, se fixar nele. Isso nem sempre foi verdade, por isso aqueles tempos eram chamados “tempos da ignorância” (At 17.30). Mas agora é e Cristo tornou-se o centro consciente da missão da igreja. O objetivo das missões é levar “graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé, entre todos os gentios” (Rm 1.5). Isso é mais uma coisa nova que ocorreu com a vinda de Cristo. A vontade de Deus é glorificar seu Filho, fazendo-o foco consciente de toda a fé salvadora. 6.4. Há Necessidade de Consciência da Fé em Cristo? Poderia alguma pessoa ser salva sem que tivesse sido evangelizada e tivesse consciência de ter obtido salvação cm Cristo Jesus? Alguns evangélicos afirmam somente que não sabem responder a essa pergunta, enquanto outros dizem que Cristo é o único meio de salvação, mas que salva alguns que nunca ouviram dele por meio de uma fé que não tem a Cristo como foco consciente. Será, então, realmente necessário que as pessoas ouçam de Cristo para que sejam salvas? Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 60 Esse tipo de pensamento elimina a idéia de urgência naevangelização. Se as pessoas podem ser salvas sem que tenham ouvido de Cristo, por que sair por aí evangelizando, fazendo missões? Deus salvará aqueles que quer de um modo ou de outro. Mas não é isso o que nos ensina a Palavra de Deus. Haverá um inferno de tormento consciente para aqueles que possuem uma fé cujo foco não seja o Senhor Jesus Cristo. Veja o que diz Daniel 12.2: "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno". Apren demos ainda que haverá um castigo eterno: “A sua pá, ele a tem na mão e limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha em logo inextinguível" (Mt 3.12); "...se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno" (Mt 18.8). O fogo é eterno, sem fim. Não há como negar sua existência. O inferno é uma terrível realidade. Por quê? Porque os infinitos horrores do inferno têm o objetivo de demonstrar o infinito valor da glória de Deus, a qual eles rejeitaram. A compreensão bíblica da justiça do inferno é um claro testemunho de que o pecado deixou de glorificar a Deus. Se não houver fé consciente no Senhor Jesus, o resultado será o castigo eterno. 6.5. A Necessidade da Redenção de Cristo para a Salvação Há pessoas que podem ser salvas de outras maneiras do que pela eficácia da obra de Cristo? As outras religiões e as provisões que elas oferecem são suficientes para levar as pessoas à felicidade eterna com Deus? Os seguintes textos bíblicos levam-nos a crer que a redenção de Cristo é necessária para a salvação de todo aquele que é salvo. Não há salvação fora daquela que Cristo conquistou com sua morte e ressurreição. Se pela ofensa de um, e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundancia da graça e o dom da justiça, reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de um só muitos se tornarão justos. ( Rm 5:17-19 ) O aspecto fundamental aqui é a universidade da obra de Cristo, ou seja, não se limita meramente aos judeus. A obra de Cristo, o segundo Adão, corresponde à obra do primeiro Adão. Assim como o pecado de Adão leva à condenação de toda a humanidade que se uniu a ele como seu cabeça, assim a obediência a Cristo conduz à justiça de toda a Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 61 humanidade que está unida a ele como seu cabeça – “os que recebem a abundância da graça” (v. 17). A obra de Cristo na obediência da cruz é retratada como a resposta divina para a condição de toda a raça humana. ( Cf.: I Co 15:21-23; I Tm 2:5; Ap 5:9-10; At 4:12; Rm 3:23-25 ) 6.6. “Abaixo do Céu não Existe Nenhum Outro Nome” A razão dessa mensagem salvar é que ela proclama o nome que salva-o de Jesus. Pedro disse que Deus visitou os gentios “a fim de construir dentre eles um povo para o seu nome” (At 15.14). É evidente, pois, que a proclamação pela qual Deus escolhe um povo para o seu nome seria a mensagem que depende do nome do seu Filho Jesus. Isso é, na verdade, o que vimos na pregação de Pedro na casa de Cornélio. O sermão atinge seu clímax com estas palavras sobre Jesus: “Por meio de seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados” (At 10.43). A necessidade implícita de ouvir a aceitar o nome de Jesus que vemos na história de Cornélio é tornada explicita em Atos 4.12, no clímax de outro sermão de Pedro, desta vez perante os líderes judeus em Jerusalém. A situação por trás dessa famosa declaração é que o Jesus ressurreto curou um homem por meio de Pedro e João. O homem era coxo de nascença, mas se levantou e correu pelo Templo louvando a Deus. Juntou-se uma multidão e Pedro pregou. Sua mensagem tornou evidente que o que estava em jogo aqui não era meramente um fenômeno religioso. Aquilo dizia respeito a qualquer um no mundo. Então, de acordo com Atos 4.1, os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus vieram e prenderam Pedro e João, colocando-os em um cárcere até o dia seguinte. Na manhã seguinte as autoridades, os anciãos e os escribas reuniram-se e interrogaram Pedro e João. No curso do interrogatório, Pedro expôs a implicação do senhorio universal de Jesus: “Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. Precisamos sentir a força dessa alegação universal atentando para as várias expressões muito seriamente. A razão de não haver salvação em nenhum outro é que “abaixo do céu não existe nenhum outro nome (não apenas nenhum outro nome em Israel, mas nenhum outro nome abaixo do céu, incluindo o céu sobre a Grécia, Roma, Espanha etc), dado entre os homens (não apenas entre os judeus, mas entre todos os humanos de todos os lugares), pelo qual importa que sejamos salvos”. Essas duas frases, “abaixo do céu” e “entre os homens”, reforçam a alegação da universalidade em sua extensão mais plena. Porém, há ainda aqui mais coisas que precisamos ver. Geralmente a interpretação dos comentaristas de Atos 4.12 é que, sem a crença em Jesus, uma pessoa não pode ser Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 62 salva. Em outras palavras, Atos 4.12 é visto como um texto essencial para responder à indagação de que aqueles que nunca ouviram o evangelho de Jesus podem ser salvos. Mas Clark Pinnock representa outros que dizem que “Atos .12 não diz coisa alguma sobre *essa questão]. ... ele não faz nenhuma observação sobre o destino do pagão. Embora essa seja uma questão de grande importância para nós não há ninguém a respeito de quem Atos 4.12 expresse um julgamento, quer positivo ou negativo”. Pelo contrário, o que Atos 4.12 diz é que “a salvação em sua plenitude é disponível à humanidade somente porque Deus, na pessoa de seu Filho Jesus, proveu-a”. Em outras palavras, o versículo afirma que a salvação vem somente por meio da obra de Jesus e não apenas pela fé em Jesus. Sua obra pode beneficiar aqueles que têm um relacionamento particularmente com Deus sem ele, por exemplo, com fundamento na revelação geral na natureza. O problema com a interpretação de Pinnock é que ela não considera o verdadeiro significado da focalização de Pedro sobre o “nome” de Jesus. “Abaixo do céu não existe nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos”. Pedro está dizendo alguma coisa a mais do que não haver outra fonte de poder salvador e que você pode ser salvo por algum outro nome. O fato de dizer que “não existe nenhum outro nome” significa que somos salvos por invocar o nome do Senhor Jesus. Invocar seu nome é a nossa entrada na comunhão com Deus. Se alguém é salvo por Jesus incógnito, não pode falar que foi salvo por seu nome. Observamos anteriormente que Pedro afirmou em Atos 10.43: “Por meio de seu nome, todo o que nele crê recebe remissão de pecados”. O nome de Jesus é o foco da fé e do arrependimento. A fim de crer em Jesus para obter o perdão dos pecados, você deve crer em seu nome. O que significa que você precisa ouvir a respeito. Dele e saber que ele é um homem especial que fez uma obra salvadora especifica e levantou-se dentre os mortos. A finalidade de Atos 4.12 para as missões é tornada explicita pelo modo como Paulo colocoua questão do “nome do Senhor” Jesus em Romanos 10.13-15. Voltaremos a essa passagem agora e veremos que as missões são essenciais precisamente porque “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” Algo de imenso significado histórico aconteceu com a vinda do Filho de Deus ao mundo. Tão grande foi o significado desse evento que o foco da fé salvadora, desde então, teve seu centro em Jesus somente. Tão repleto estava Cristo da revelação de Deus e de todas as esperanças do povo de Deus que, desde então, seria urna desonra para ele que a fé salvadora repousasse em qualquer outro que não nele. Havia uma verdade que não estava completa e claramente revelada antes da vinda de Cristo. Essa verdade, agora Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 63 revelada, é chamada de mistério de Cristo, porque é a verdade, vinda por meio do evangelho, o qual está sobre Cristo. O evangelho não é a revelação de que as nações já pertencem ao Senhor. Ele é o instrumento para trazer as nações para o estado de salvação. O mistério de Cristo está acontecendo por meio da pregação do evangelho. Portanto, ninguém pode ser salvo se não tiver ouvido o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. 6.7. Como Crerão Nele? Vimos que há necessidade da consciência de fé em Cristo para salvação e de que há somente um mediador entre Deus e os homens, e estes não podem ser salvos sem ter ouvido de Jesus. Se há necessidade de ouvir, é preciso que haja quem pregue. Em Romanos 9.30-10.21, o apóstolo Paulo apresenta Jesus como sendo o foco da fé salvadora. É nesse contexto que ele cita o profeta Joel: "... acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo" (10.9); e, depois, como cita Isaías 28.16: “Todo aquele que nele crê não será confundido" (10.11). Paulo quer deixar claro que nessa nova era da história da redenção, Jesus é o objetivo e o clímax do ensino do Antigo Testamento e, então, é o Mediador entre o homem e Deus como objeto da fé salvadora. A seqüência de versos é muito familiar e com freqüência é citada em relação á obra missionária: "Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!" (Km 10.14-15). Mas como esses versículos se encaixam na linha de pensamento de Paulo. Por que no seu inicio há a expressão "porém"? Por que o verso seguinte (16) começa assim: “Mas nem todos obedeceram ao evangelho"? A resposta parece ser a seguinte: O "porém" no inicio do verso 14 e o "mas" no inicio do verso 16 apontam para o fato de que a série de questões nos versos 14 e 15 são realmente o relato de que Deus já havia trabalhado para trazer, sob essas condições, o chamado para a salvação no Senhor Jesus. Portanto, o ponto principal nos versos 14-16 é que, embora Deus tenha providenciado os pré-requisitos para o chamado no Senhor, eles, entretanto, não obedeceram. O que fica claro é que o povo do Antigo Testamento pôde ouvir de Jesus, ou da promessa da sua vinda, mas não deu crédito á Palavra de Deus. Eles também ouviram do evangelho. A salvação já implicava na necessidade de ouvir sobre Cristo, e nele crer. Mas para que isso aconteça, é preciso que alguém pregue. É necessário que os pregadores do evangelho sejam enviados. Isso é a realização da obra missionária. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 64 Jesus Cristo é o foco consciente da fé salvadora. Não há meio de as pessoas serem salvas, senão por intermédio de sua obra expiatória. É preciso que as pessoas ouçam a mensagem do evangelho e creiam em Jesus para que sejam salvas. Nesse contexto, a igreja possui a função de pregar o evangelho, de levar a mensagem de salvação ás pessoas. Essa é uma grande responsabilidade, pois sabemos que não há como ser salvo sem ouvir o evangelho do Senhor Jesus Cristo. "E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?" Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 65 AULA 07 Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 66 7 - MISSÕES TRANSCULTURAIS O prefixo “trans” deriva-se do Latim e significa “movimento para além de”, ou “através de. Sendo assim, em linhas gerais, missões transculturais é transpor uma cultura para levar a mensagem do universal do Evangelho. Segundo Larry Patê, missões transculturais, “é a proclamação do amor de Deus, que ultrapassa fronteiras culturais, raciais e lingüísticas”. A mensagem do Evangelho não pode se restringir a uma só cultura, mas ter alcance abrangente, em todos os quadrantes da Terra, onde quer que haja uma etnia que ainda não a tenha ouvido. O Evangelho está acima de nossas concepções humanas e deve valer-se dos elementos étnicos de cada cultura para ser proclamado. É preciso descobrir o “approach” de cada cultura, ou sejam os seus pontos de aproximação, para comunicar de maneira adequada as verdades do Evangelho. Não é o Evangelho que se curva a cultura, mas esta se curva ao Evangelho. Isto é fazer missões transculturais. 7.1. O Que é Cultura? Para muitos, a palavra “cultura” significa o grau de estudos de uma pessoa. Por isso, é comum ouvirmos alguém falar: “Fulano de Tal tem muita cultura”. Quase todas as pessoas fazem esta associação da cultura com o nível intelectual ou de instrução de alguém. Mas cultura não é isto. Cultura é, segundo a definição do dicionário Aurélio, “o complexo de comportamento, das crenças, das instituições e doutros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade”. Na Antropologia, o termo cultura é visto sempre em associação com outro termo, a saber: sociedade. Para um antropólogo, cultura “é o conjunto de comportamentos e idéias característicos de um povo, que se transmite de uma geração a outra e que resulta da socialização e aculturação verificadas no decorrer de sua história”. Assim sendo, cultura “é o modo de agir”, e o termo sociedade designa o “grupo de indivíduos que compartilham de um mesmo modo de agir”. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 67 Precisamos entender bem claramente que cada povo tem o seu próprio “Padrão de Cultura”, que é a amalgama de todos os valores passados de geração a geração em cada sociedade desde os seus primórdios. É o padrão cultural de cada povo que determina qual a “orientação cultural” que cada povo segue. Ou seja, a orientação cultural é que norteia o modo de viver de cada indivíduo dentro de sua etnia. 7.2. Transculturação Transculturação “é o processo de transformação cultural caracterizado pela influência de elementos de outra cultura, com a perda ou alteração dos já existentes” M. Dicionário Aurélio). Note, na definição do termo, o seguinte “... é a influência de elementos de outra cultura, com a perda ou alteração dos já existentes”. O missionário transculturaldeve tomar muito cuidado para não exercer este papel. O papel do missionário não é alterar ou mudar os valores de uma cultura. O seu compromisso é com os Princípios Bíblicos. Estes, sim, podem exercer influência e até mesmo alterar situações contrárias à fé cristã, que deverão ser resolvidas no próprio contexto cultural, sem que seja necessário “importar” ou “adaptar” modelos de outros padrões de culturas. 7.3. Etnocentrismo Etnocentrismo é “uma tendência a ver a nossa própria cultura como maneira universal de comportamento”. O missionário não pode se deixar levar por esta atitude. Entretanto, isso às vezes acontece; acontece, porque somos tão inconscientes de como nossas vidas são guiadas pela nossa cultura e idioma, que de repente, descobrimos que é mais difícil do que pensávamos aceitar uma outra cultura. Embora, reconhecendo o que possa ser considerado comportamento apropriado em outra cultura, apegamo-nos ao que consideramos “normal” e “natural”. Achamos que a nossa maneira de fazer as coisas é “superior” e “correta”. Quando isto acontece com um missionário no seu campo de trabalho, é reflexo de que ele não teve uma boa aculturação. 7.4. Aculturação Já vimos que cada povo tem o seu próprio padrão de cultura, e também que as culturas diferem na língua, na forma de ver o mundo, na valorização da conduta e em Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 68 muitos outros aspectos. Quando alguém tenta comunicar uma mensagem a uma pessoa de outra cultura, um emaranhado de coisas impede que esta mensagem seja bem compreendida. É como se houvesse um bloqueio entre a fonte e o receptor. Este bloqueio realmente existe e é chamado de barreira, ou rede cultural. A solução eficaz para o problema da “rede-cultural”, é o missionário intercultural “passar pela rede”, ou seja, ele deve assimilar a cultura do povo onde missiona; Ele deve se esforçar ao máximo em aprender o idioma local e comunicar, na língua desse povo, a mensagem do Evangelho; E para isso, ele deve usar as normas de conduta deste povo, bem como seu sistema de símbolos. O missionário tem que deixar a sua dimensão e entrar na dimensão do povo em que atua utilizando os próprios recursos deles para se fazer compreendido. Este processo é chamado de aculturação. A. Estratégia de Aculturação. A Cosmovisão Para atravessar uma “rede cultural” e alcançar uma cultura de forma eficaz com o Evangelho, é importante desenvolver uma estratégia funcional. O missionário deve saber em que pontos as culturas se diferem. Tem de reconhecer os princípios a serem aplicados, mas deve saber como aculturar-se no grupo que deseja alcançar. Para conseguir isso, deve saber que o centro de toda cultura e seu gerador primário, é a COSMOVISÃO. Cosmovisão é o conjunto de princípios, símbolos e valores que um povo tem como verdades para a sua realidade. Esses valores, por sua vez, hão de gerar um conjunto de normas aceitas como condutas normais desse povo. A ilustração abaixo exemplifica isto: Certo missionário perguntou ao chefe de uma tribo africana se podia levar sua família para viver nessa aldeia. O chefe perguntou o motivo. Então o missionário lhe disse que tinha uma mensagem importante para o povo. – Qual a mensagem?-perguntou o chefe. – Eu lhe contarei a mensagem se permitir que minha família e eu vivamos com o seu povo durante dois anos.-respondeu o missionário. O chefe concordou. Nesses dois anos o missionário e sua família aprenderam a língua do povo, aprenderam a cultivar a terra, cozinhar, comer e comportar-se como o povo dessa aldeia. Por outro lado, todos observavam os estrangeiros com grande curiosidade, Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 69 especialmente no princípio. Viam-nos orar. Percebiam como amavam os filhos e como faziam amigos entre o povo. Passados os dois anos, a aldeia toda decidiu dar uma festa especial para que o missionário comunicasse a sua importante mensagem. O povo havia aprendido a amá-lo e a respeita-lo. Estava realmente desejoso de saber porque ele havia deixado sua própria terra para viver entre eles durante esses dois anos. Quando o missionário se levantou e começou a falar na língua do povo, todos ficaram atentos à verdade. Ele começou pelo princípio, exatamente como os anciãos faziam à noite, ao contarem suas histórias em volta das fogueiras. Contou-lhes a história de um homem especial enviado por Deus. Hora e meia mais tarde, o missionário acabou de apresentar sua mensagem, e ficou esperando que o chefe falasse, como de costume. O chefe fez algumas perguntas sobre os espíritos malignos para o missionário, o qual respondeu a cada uma delas usando a Palavra de Deus. O povo resolveu voltar na noite seguinte para ouvir mais. E assim foi por quatro noites consecutivas. No final da mensagem da quarta noite. O chefe se pôs se pé e declarou que queria seguir o modo de vida de Cristo. O chefe foi o primeiro a ser batizado. Em pouco tempo, a aldeia inteira aceitou “o modo de vida de Cristo”! O êxito deste missionário se deu porque ele conseguiu penetrar na cosmovisão do povo. Ou seja, ele construiu uma plataforma na mentalidade deste povo, de onde ele podia verdadeiramente falar e ser ouvido. E por causa do seu proceder todos os naturais chegaram a ser cristãos. Se o missionário tivesse começado a pregar logo assim que chegou, sem antes atravessar a “rede cultural”, ou seja, sem aculturar-se; sem entender qual era o conjunto de valores do povo, sem entrar na cosmovisão do povo, para aí então, compreender quais as normas de conduta deste povo e assim poder pregar o evangelho, ele não teria bem sucedido. Talvez depois desses dois anos ele tivesse apenas um pequeno grupo de convertidos, ou nenhum. Observe a figura abaixo: COSMOVISÃO SISTEMA DE VALORES NORMAS DE CONDUTA Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 70 A Cosmovisão de certo povo é a sua percepção básica de como as coisas são e de como chegaram a ser assim. A cosmovisão é o coração de uma cultura! B. Princípios de Aculturação. Através de bons princípios de aculturação o missionário transcultural, pode diminuir muito o choque cultural. No próximo ponto falaremos sobre este choque, agora vejamos alguns destes princípios de aculturação. Seguir as Normas de Conduta da Cultura Hóspede. Em geral, o processo de aculturação requer de 2 a 5 anos. Para o missionário, quanto mais tempo puder passar com o povo adotado, melhor. Quando um obreiro transcultural entre pela primeira vez noutra cultura, o faz no nível das “normas de conduta”. Sua compreensão do “sistema de valores” e da “cosmovisão” dessa cultura é mínima. O missionário precisa aprender a comer, vestir, dormir, viajar, receber visitas e fazer muitas outras coisas exatamente como o povo da cultura local faz. Agindo da maneira do povo, logo o missionário compreenderá os valores em que se baseiam essas normas de conduta. Aprenderá não somente a compreendê-los, mas também ele próprio começará a adotar muitos desses valores, que começarão a ter sentido para ele. Quanto mais o missionário adotar as normas de conduta do povo, tanto mais se convencerão de que ele os respeita e se interessa por eles. Contribuir para que o Evangelho Transforme a Cosmovisão do Povo. Não é suficiente mudanças apenas nas “normas de conduta” do povo. A pregação do Evangelho precisa atingir a sua “cosmovisão” e seu “sistema de valores”. Enquanto isso não acontecer, o Evangelho não terá penetradorealmente na sociedade. É possível o missionário conseguir persuadir algumas pessoas a se comportarem de acordo com o exemplo que lhes dá. Podem até ir à Igreja e participar das atividades cristãs, contudo, quando se encontram enfermas, ou atemorizadas por maus espíritos, recorrem à feitiçaria, ao espiritismo ou a outras atividades não cristãs. A esse tipo de conduta dá-se o nome de Sincretismo, que é uma mistura de Cristianismo com outras religiões. O povo inclui o Cristianismo em suas formas de culto, suas crenças religiosas; não o segue como o único caminho verdadeiro. A única maneira de vencer o sincretismo é fazer com que o Evangelho penetre na cosmovisão e no sistema de valores da sociedade. O povo precisa crer no Evangelho de tal maneira que alcancem uma perspectiva cristã e não mais pratiquem suas antigas formas de cultos e sacrifícios. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 71 Traçar o perfil dos Valores básicos da Cultura Hospedeira. Tendo aprendido a maior parte das normas de conduta da cultura que o hospeda, o missionário começará a entender os valores básicos do povo. Isto lhe dará um quadro mais claro de como comunicar o evangelho a esse povo. Julgar a Própria Conduta Social, Moral e Religiosa Segundo as Normas da Cultura Hospedeira. O missionário tem que evitar o Etnocentrismo a todo custo. Não deve julgar as normas de conduta da cultura local segundo suas normas culturais. Antes, deve aprender a ver sua própria conduta de acordo com o sentido que lhe dá, a cultura local. Aguardar o Momento Certo para Começar a Pregar. Um dos erros mais comuns que os missionários cometem é começar a pregar logo que chegam na cova cultura. Certo missionário enviado ao Japão, logo que chegou lá, contratou um intérprete e deu início a uma campanha de evangelização. Ao fazer o primeiro apelo no final do culto, todos levantaram as mãos indicando aceitar a Jesus. No segundo culto aconteceu o mesmo. O missionário concluiu que tanta gente estava se convertendo que não podia dar tempo à aprendizagem da língua japonesa. Pregou durante um ano inteiro através do mesmo intérprete antes de saber a verdade do fato. Cada vez que ele pedia que as pessoas que quisessem aceitar a Cristo levantassem as mãos, o intérprete simplesmente mandava que todos levantassem as mãos! De modo que os ouvintes levantavam as mãos não para aceitarem a Jesus, mas sim, para que o pregador não perdesse o prestígio e também porque o intérprete lhes dizia que o fizessem. Podemos concluir que, enquanto o processo de aculturação não estiver bem avançado, o missionário não poderá comunicar a mensagem de maneira que o povo possa recebe-lo. 7.5. Choque Cultural Se o missionário usar como seu “guia” os princípios e a estratégia de aculturação apresentadas no ponto anterior, ele conseguirá superar bem o choque cultural. O choque cultural é um sentimento de confusão e desorientação que a pessoa enfrenta quando se muda para outra cultura. A causa desse choque é exatamente a mudança de normas culturais. A intensidade do choque dependerá, da diferença entre a cultura de origem e a cultura hóspede do missionário. Dependerá também, da personalidade e do preparo do missionário. (Assunto do próximo ponto!). Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 72 Já vimos o que é o choque cultural, sua causa e intensidade, agora veremos alguns sintomas deste choque. A. Sintomas do Choque Cultural. Sensação de Desorientação. É comum a pessoa sentir certo incômodo e certa sensação de desorientação, bem como ansiedade nervosa. Principalmente se ela não entende a língua local. Desejo de Isolar-se. Dada a dificuldade de comunicação com o natural, e a não possibilidade de se comunicar com pessoas de sua cultura, então surge uma vontade de ficar só. Comparação das Culturas. O iniciado constantemente nota diferenças entre a sua cultura e a que o hospeda deve cuidar-se para não se exceder em freqüentes comparações, pois as pessoas que o cerca podem se sentir ofendidas. Menosprezo pelas Normas Culturais. Sensação de Estar Preso. Sentimento de Hostilidade. Sensação de Autodesprezo. Sensação de Fracasso. Perda da Visão Espiritual. A lista de sintomas apresentada não é necessariamente progressiva. Mas é um conjunto de reações normais que ocorrem quando uma pessoa entra numa nova cultura. O missionário pode não sentir todos estes sintomas, nesta mesma seqüência e intensidade, mas certamente há de experimentar pelo menos um deles. Quanto mais o missionário transcultural compreender a cultura em questão e a tarefa que tem pela frente, menos será o efeito que o choque cultural terá sobre ele e sua família. 7.6. O Missionário Transcultural e o Seu Preparo O missionário transcultural precisa receber um treinamento específico antes de sair para o campo. Não significa o envio de alguém, sem que este alguém não tenha recebido um preparo (o mínimo que seja), nas seguintes áreas: A. Preparo Lingüístico. missionário precisa saber pelo menos, qual o idioma falado no seu “campo-alvo”. O ideal é que ele saiba falar antes mesmo da partida. E não apenas o idioma, mas também as peculiaridades da língua do país que vai trabalhar. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 73 Este preparo exige tempo, estudo e determinação; antes e depois da ida do missionário para o campo, pois ele não termina com a chegada do mesmo, pelo contrário, deve ser intensificado; porque o missionário vai precisar de um domínio completo da língua, bem como de uma boa fluência e também conhecimento de expressões idiomáticas e regionalismos (e neste caso, quanto mais ele souber, melhor). Quando se faz uma tradução de um idioma para outro, nem sempre há palavras correspondentes entre esses idiomas. O missionário que tem um bom conhecimento do idioma para o qual se faz a tradução, saberá, então, nesta ocasião: valer-se da “equivalência dinâmica” para poder transmitir a sua mensagem de maneira inteligível aos seus ouvintes. Por isso que o missionário necessita de um bom preparo lingüístico, para poder dar “contemporaneidade” à Bíblia, no país onde missiona. B. Preparo Teológico. Importante frisar, quando mencionamos “preparo teológico”, que não basta ao missionário, ter meros conhecimentos de conceitos sistemáticos da Bíblia e querer transporta-los de uma realidade para outra. É preciso que estes conceitos tenham correspondências práticas na vida de quem os ensina, especialmente no campo missionário; onde poderá haver circunstâncias que exigirão “provas” daquilo que se prega. Em outras palavras, o missionário deve viver o que prega e pregar o que vive. Toda boa teoria que não for aprovada, não passa de uma “boa teoria”. O ensino bíblico não pode ficar apenas no campo teórico. Se não for acompanhado de evidências terá pouco resultado. Leis Tg 1.22; etc. Não basta ao missionário ter conhecimento teológico. Este preparo deve reverstir-se da visão transcultural para que ele possa encontrar em cada etnia o instrumento próprio para aplicar os ensinos na vida do povo. Para o missionário ensinar as verdades bíblicas em outra cultura, ele precisa contar com o momento adequado e a estratégia certa. C. Preparo Transcultural. Costumes são mutáveis e diferem de uma região para a outra. O missionário precisa conhecer os costumas do povo que vai trabalhar, para que o choque cultural não gere efeitos negativos. Uma questão séria é a do vestuário. O quadro muda de país para país; e deregião para região. O missionário precisa ter bastante equilíbrio para não exportar costumes de sua cultura para a do povo adotado; nem tão pouco quando retornar à sua pátria, importar costumes do campo onde missiona para i seu país de origem que sejam incompatíveis com o seu “modus vivendi”. A área de costumes inclui também, hábitos alimentares, ética à mesa, convivência familiar, etc; que diferem de uma cultura para a outra. Os costumes mudam, mas os princípios bíblicos são imutáveis. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 74 7.7. Tipologia da Evangelização “Nosso mundo hoje, é muito mais complexo do que o mundo dos crentes da Igreja Primitiva. Atualmente há mais línguas, mas países, mais grupos étnicos do que quando a Igreja Primitiva foi tão eficaz na evangelização intercultural. Nessa época não era preciso passaporte, nem vistos, e o grego era um idioma comum falado por muita gente. Hoje, as distâncias entre as cidades, são muito maiores, tanto geográfica quanto culturalmente. Se desejamos ser “missionários” eficazes, devemos aprender tudo quanto podemos acerca das diferenças e de como superar as barreiras que se apresentam para uma comunicação eficaz do evangelho”. Buscando criar meios e estratégias para a evangelização mundial, o estadista de missões Ralf Winter (U.S. Center), criou um esquema com base nas distâncias culturais entre o missionário e seus ouvintes. “O homem precisa criar formas de controlar sua realidade para compreendê-la e modificá-la. Exemplo: Metro-Distância; Hora-Tempo.” Com Missões também é assim. É de grande valia para nós, compreender-mos o conceito de “Distância Cultural”; ou seja, o quanto uma cultura é “distante” (diferente) da outra! Ralf Winter separou a Evangelização em três etapas: E-0, E-1, E-2, E-3. A. E-0. Evangelização E-0, significa uma evangelização com barreira cultural 0! Isto é, sem nenhuma distância cultural entre o emissor e o receptor. Isto ocorre quando um verdadeiro cristão ganha para Cristo “cristão nominais”. Neste caso não existem barreiras culturais, nem religiosas, nem geográfica, nem de tipo algum. B. E –1. Evangelização E-1 é ganhar para Cristo pessoas da própria cultura do evangelista, mas que ainda não “nasceram de novo”. Por exemplo, quando um crente pentecostal leva ao Senhor alguém de sua própria cultura que é católico romano. A cultura é igual, mas a religião é diferente. C. E-2. Evangelização E-2 é ganhar para Cristo pessoas que pertencem a culturas diferentes, mas similares à do evangelista. As culturas desses povos não são exatamente iguais, porém, podem ser bastante aproximadas, até o ponto de falarem a mesma língua materna. Temos dois exemplos bíblicos. O primeiro, são os samaritanos. Embora fossem à semelhança dos judeus, inclusive na língua, pois falavam o aramaico, contudo, havia profundos preconceitos históricos e culturais que eram verdadeiras barreiras, entre esses dois grupos étnicos, a ponto de não se comunicarem um com o outro (Jo 4). Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 75 De maneira que, quando Filipe começou um avivamento entre os samaritanos, ele estava fazendo E-2! O segundo exemplo, é quando os judeus helenitas começaram a estabelecer igrejas entre os gregos (At. 19.20). Eles cruzaram uma barreira de grande preconceito religioso e racial para ganhar os gregos para Jesus, e o fizeram numa língua diferente da sua. A evangelização do tipo E-2 é uma evangelização intercultural. Quando a barreira idiomática ou a cultural, ou ambas, são suficientemente grandes que requeiram uma igreja em meio ao povo evangelizado, então temos uma evangelização intercultural. Uma grande parte da evangelização intercultural registrada na Bíblia é do tipo E-2. D. E-3. Evangelização E-3 é ganhar para o Senhor, membros de uma cultura muito distante. Neste caso não existe nenhuma semelhança cultural entre o emissor e o receptor. Isto é, entre o evangelista e o povo evangelizado. O fator chave a ser considerado é a distância cultural. 7.8. A Teoria do Evangelismo de Vizinhança Alguns pensam que a evangelização de certa parte do mundo é de responsabilidade única dos crentes dessas regiões. Os que assim pensam, não são favoráveis à evangelização do tipo E-3 (ou seja, não são favoráveis a missões transculturais!). Há até mesmo quem considera E-3 desnecessária. Isto porque acreditam (às vezes até inconscientemente) no pensamento conhecido como “teoria do evangelismo da vizinhança”. As pessoas que acreditam no evangelismo de vizinhança deduzem que, uma vez que há alguns crentes em determinada região do mundo, basta que estes “evangelizem seus vizinhos” (evangelização do tipo E-0 e E-1) uma vez que estão culturalmente próximos, assim, não se faz necessário o envio de missionários (para se fazer E-3!) e em pouco tempo o mundo todo terá sido evangelizado. Entretanto, estas pessoas se esquecem que para se fazer E-1 é necessário que antes se faça E-3! Foi assim com Jesus. Ele realizou E-0, E-1 e também E-2 (no caso de Jo 4!), antes porém, realizou E-3, porque foi ENVIADO de um outro “País” e precisou aculturar-se à cultura judaica antes de começar a pregar o Evangelho! Como vimos anteriormente, o missionário precisa transpor uma barreira cultural, geográfica ou lingüística para poder ministrar o Evangelho. Foi exatamente isto que Jesus fez... é por esta razão que David Livingstone disse a frase que já citamos anteriormente, mas que vem a propósito: “Deus tinha um único filho e fez dele um missionário”. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 76 Seguindo estes padrões de evangelização, concluímos que se um evangelista sair fazendo E-1, em um determinado momento ele vai encontrar uma barreira (seja ela geográfica, cultural ou lingüística), ao transpor esta barreira estará fazendo E-2 e mesmo E- 3. Exemplificando: Suponhamos que eu queira divulgar o Evangelho em todo o mundo, mas sem sair da minha cidade natal, Juiz de Fora; sem fazer missões transculturais. Então, eu evangelizo o meu “vizinho” e dou-lhe a incumbência de ganhar o seu e de passar-lhe a mesma tarefa. Logo, logo teremos evangelizado todos os bairros de Juiz de Fora e o último “vizinho”, ganhou alguém do estado do Rio de Janeiro. E lá no Rio o evangelho foi passando de “vizinho a vizinho” até chegar em São Paulo, depois no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Até aqui só houve E-1. Então, o “vizinho” da última cidade do Rio Grande do Sul, que faz fronteira com o Uruguai, vai da mesma forma como foi feito até agora, tenta evangelizar o seu vizinho. Só que este seu “vizinho” uruguaio fala outra língua, tem outros costumes, enfim, tem outra cultura e pertence a outro grupo étnico, diferente do Brasil. Isto que dizer que o “vizinho” crente se deparou com uma barreira cultural, geográfica e lingüística. Se ele pretende realmente ganhar o uruguaio para Jesus, então terá de transpor estas barreiras e a única maneira é fazendo Missões Transculturais! (Neste caso E-2). Outro exemplo que pode ser dado é o caso da Igreja do Paquistão. É composta, na sua maioria, de ex-hindus, os quais não conseguem testemunhar para seus vizinhos muçulmanos (97%) geograficamente próximos, porém, muito distantes culturalmente. Neste caso também, o “evangelismo de vizinhança” não funciona. Poderia ter citado ainda o caso de uma Igreja no Sul da Índia (País que sofre com a desigualdade social por causa da sua divisão em “Castas!”), ou o da Igreja de Batak, na Indonésia,entretanto creio que já ficou bem claro que só se faz E-1 se antes, for feito E-3. “A igreja saudável e no centro da vontade de Deus é aquela que segue seu Senhor e faz tal qual ele fez...”. 7.9. A Relação Entre Cristo e a Cultura H. R. Niebuhr classificou em cinco categorias as perspectivas defendidas por vários teólogos acerca da relação entre Cristo e a Cultura: Cristo contra a Cultura Segundo esse posicionamento, o conceito de “mundo” é amplamente negativo e o cristão é desafiado a escolher entre servir a Cristo ou servir ao mundo. Cristo, aqui, está em franca oposição ao mundo. Amplamente defendida por Tertuliano (c. 155-220), esta posição rejeita qualquer vínculo com as manifestações culturais (esportes, músicas, teatro Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 77 e até mesmo a filosofia) por entender que o cristianismo não pode ser preterido sob quaisquer argumentos. Qualquer tentativa de um diálogo entre Cristo e a Cultura seria visto por Tertuliano como uma afronta aos ensinos de Cristo. Niebuhr apresenta três problemas teológicos com essa postura: (1) a conceituação de pecado como algo de cunho eminentemente social, em detrimento da consideração daquilo que se passa na alma do homem; (2) a há uma tendência ao legalismo, visto ser necessário e quase que inevitável que inúmeras regras sejam estabelecidas para se tentar definir o alcance do termo “cultura”; (3) há uma tendência na concepção do dualismo metafísico, como se o mundo fosse governado por dois deuses. Esta posição contra a cultura é considerada como sendo uma posição radical. Cristo da Cultura Para os defensores dessa posição, não há qualquer tensão entre a cultura e Cristo. Na verdade, afirmam, o que há é uma grande concordância entre ambos. Cristo é o próprio Messias social, e sua vida é o maior exemplo do empreendimento humano. Por isso a sua vida, enquanto Deus encarnado, deve ser transmitida às diferentes culturas e gerações. Cristo é explicado ou entendido à luz das diferentes manifestações culturais. Assim, os gnósticos procuraram uma conciliação entre o evangelho e as idéias gnósticas; os evolucionistas do séc. XIX interpretaram as doutrinas à luz da evolução das espécies. Hoje há tentativas de se conciliar o evangelho com a psiquiatria, psicologia, física, objetivando- se mostrar a harmonia entre ambos. A observação de Niebuhr é importante: não é que o cristão deva deixar o mundo, mas que deva permitir a presença de Cristo em todas as esferas sociais, pois, no final das contas, o mundo pertence a Cristo. Dentre os problemas com esta posição, Niebuhr lembra o perigo de Cristo ser abandonado, a fim de que as próprias manifestações culturais prevaleçam. Talvez essa é considerada uma posição radical. Cristo acima da Cultura Cristo é tanto concebido como sendo Deus como sendo homem; ele é Senhor, mas também é o Logos feito carne. Ele participa da cultura, mas está acima da cultura. Há uma espécie de síntese na compreensão do Cristo. Há aqui uma tendência na preservação dos aspectos culturais como legítimos elementos divinos. Nesse sentido a lei de Cristo é identificada ou considerada como sendo a lei da igreja; o senhorio de Cristo é representado ou equiparado com os seus pseudos sucessores. Há sempre alguém nesse sistema tentando fazer uma síntese no relacionamento de Cristo com algum aspecto social, desde que tal síntese siga o pensamento particular de quem a elabora. Assim pode ser visto o pensamento de Tomás de Aquino, assim pode ser visto o argumento moderno sobre o que é de Deus e o que é de César. Esta posição é considerada por Niebuhr como sendo sinteticista. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 78 Cristo e a Cultura em Paradoxo A posição dualista que rejeita a tentativa de síntese das duas esferas e afirma a cidadania dupla do cristão, constitui-se na abordagem denominada “Cristo e a Cultura em Paradoxo”. O cristão possui duas cidadanias, ele é membro da Cidade do Homem e da Cidade de Deus. Sendo esferas diferentes de atuação, com propósitos diferentes, não há porque uma reger ou atacar a outra. Aqui o que se enfatiza é que a graça está em Deus e o pecado está no homem. A graça de Deus não está na cultura nem no cristão, mas o que ocorre é que deve ser feita distinção entre as esferas da criação e da redenção. Como a cultura jamais será um meio de encontrar a Deus, a abordagem “Cristo da Cultura” está descartada, por outro lado, a cultura não pode ser objeto de desprezo, porque ela não promete salvar ou redimir, isso elimina também a abordagem “Cristo Contra a Cultura”. O prazer que advém do envolvimento no trabalho, na vida familiar, na educação, nas artes ou no lazer, é um dom criacional de Deus e não redentivo. Essa visão foi iniciada por Agostinho, recuperada por Lutero e apoiada por Calvino. Calvino sustentava que a sociedade não precisa ser explicitamente cristã para ser justa e cheia de virtudes civis, pois que a lei moral de Deus está escrita nas consciências humanas. Niebuhr identifica Lutero, Kierkegaard, Marcião e Paulo de Tarso como possíveis exemplos dessa posição. Cristo, o Transformador da Cultura Aqueles que sabem que este mundo nunca será transformado numa utopia pelo progresso humano e que, estão ansiosos por ver a mão de Deus nos avanços científicos, da medicina, das artes, e do conhecimento em geral, constituem-se na abordagem denominada “Cristo o Transformador da Cultura”. Os participantes dessa visão não querem ser apenas observadores, porém agentes de mudança, agentes transformacionais do mundo no qual estão inseridos, fazendo-o melhor. São aqueles que realmente crêem na soberania de Deus em todos os aspectos da vida do homem, aqueles que crêem que, embora decaído, o mundo continua sendo objeto do amor e do interesse de Deus. Três são as convicções teológicas que sustentam essa visão: 1) a importância da doutrina da criação (graça comum e a imago Dei): “o mundo é o teatro da glória de Deus”; 2) a humanidade é caída: porém a depravação total não se constitui no mal ontológico, isto é, o homem não é mal meramente porque é humano; e 3) o mundo aguarda completa redenção, podemos ter vitórias parciais ocasionais enquanto aguardamos a volta de Cristo. Há duas esferas distintas e Deus age em ambas: o transformador não adora e nem odeia a cultura. Alinham-se com essa abordagem Agostinho, Calvino e a tradição reformada. A proposta de abordagem que Horton faz, e que podemos abraçar é combinar os paradigmas “Cristo e a Cultura em Paradoxo” e “Cristo o Transformador da Cultura” para que os cristãos possam somar as vantagens de cada um. Nessa combinação o cristão reconheceria que esse mundo é do Senhor, e, contudo, aqui não é o seu lugar, ainda. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 79 A proporção que alcançamos maturidade, descobrimos que algumas de nossas regras precisam ceder ao machado do tempo. Contudo, como igreja de Cristo, temos pontos absolutos, intocáveis e não negociáveis, que não comprometeremos jamais. Estes estão enraizados solidamente na Palavra de Deus, são nossa doutrina e alicerce. O cristão precisa estar pronto para entrar numa outra cultura sem rejeitá-la, mas também não pode se render totalmente a ela. A tensão cultural vivida pela igreja é natural e reflete o choque entre coisas eternas e imutáveis, e portanto, divinas, e coisas temporais e humanas. As Boas Novas foram implementadas num contexto cultural, e o seu Autor utilizou-se fortementedeste elemento. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 80 AULA 08 Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 81 8 - ANTROPOLOGIA MISSIONÁRIA 8.1. Definindo Antropologia Você sabe o que é Antropologia? Há várias definições desta palavra: “É a ciência natural cujo objeto é o estudo e a classificação dos caracteres físicos dos grupos humanos”. Krober a define como “a ciência dos grupos humanos, seu comportamento e as suas produções”. Há quem diga que é “a ciência da cultura humana”. Em linhas gerais, “Antropologia é o estudo do ser humano”. A Antropologia abrange uma esfera de estudo muito ampla. Divide-se em duas grandes áreas: Antropologia Física e Antropologia Cultural. 8.2. Antropologia Física É o seguimento da Antropologia que estuda os primatas, a genética, a evolução, as mudanças do corpo e as descrições das características dos povos. A Antropologia Física, no estudo da espécie humana, registra a evolução e a diferenciação dos tipos raciais. A raça humana pode ser dividida em três grupos étnicos principais: negróide, mongolóide e causóide. Para uma investigação exata dos tipos raciais e sua classificação desenvolveu –se uma técnica de mensuração. No que diz respeito à aplicação dessa técnica ao esqueleto e ao homem vivo, usa-se também o termo Antropometria. O estudo do homem fóssil ou pré-histórico representa uma especialização paleontológica no vasto no campo da Antropologia Física. 8.3. Antropologia Cultural O seguimento da Antropologia que estuda as culturas pré-históricas, a etnologia, folclore, a organização social, a cultura e a personalidade, a aculturação e a aplicação da Antropologia aos problemas humanos. Na análise dos modelos padrões de vida e do comportamento humano nas diversas culturas, o antropólogo deve procurar respostas para três perguntas principais: 1. Quais as funções dos vários aspectos duma cultura, isto é, comida, abrigo, transporte, organização da família, crenças religiosas, línguas, valores, etc.? Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 82 2. O que faz um membro de uma sociedade agir como age? Em outras palavras, por que todos não agem da mesma maneira? Quais são as normas que determinam a conduta dos membros de uma sociedade? 3. Quais os fatores que determinam a conservação de certos aspectos culturais e a substituição de outros com o decorrer do tempo? Como podemos perceber, não é suficiente apenas analisar os tipos de vestimenta ou comida de um povo, mas precisamos analisar também quem usa esta ou aquela roupa e porque a usa. 8.4. O Que a Antropologia nos Ensina? A Antropologia tem feito muitas contribuições ao conhecimento de nós mesmos e de outros seres humanos. Podemos resumir algumas dessas contribuições básicas da seguinte maneira: 1. O comportamento humano não é ilógico ou efetuado ao acaso, mas segue modelos culturais definidos. 2. As partes que formam o padrão de comportamento de uma cultura são interligados. 3. A maneira como os diferentes povos seguem e pensam pode tomar formas bastante variadas de cultura para cultura. “Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da Terra por tua possessão” (Sl 2.8). 8.5. A Cultura e Suas Divisões Relembremos a definição de Cultura, segundo o dicionário Aurélio: Cultura é “o complexo de comportamento, das crenças, das instituições e doutros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade”. Há muitas partes da nossa cultura que supomos serem tão lógicas, tão naturais e até mesmo universais, que nem estamos conscientes delas, realizando-as automaticamente. Devemos, todavia, lembrarmo-nos de que outros povos têm diferentes maneiras, (e às vezes bem diferentes!) de considerar um mesmo assunto. Podemos classificar a cultura em diferentes seguimentos: Material; Social; Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 83 Religiosa; Lingüística; Estética; Musical; Artística, etc. Interessante traçarmos um paralelo entre estes seguimentos da Cultura para analisa- los cuidadosamente. Vejamos alguns casos: A. A Cultura Material em Relação à Cultura Social. O dinheiro e a riqueza são desejados pelo homem, não só porque possuem valor em si, mas também porque proporcionam um status diferente diante de uma sociedade. Um homem rico é um homem importante, respeitado. A riqueza proporciona segurança, poder e prestígio (a não ser se foi adquirida de forma ilícita!) A tendência natural do homem de querer possuir tal status produz uma influência inevitável da cultura material sobre a cultura social. Veja que exemplo interessante, de um fato ocorrido entre os índios do Canadá. Na tribo dos índios “Atapascam”, no norte do Canadá, antigamente, quando o clima era muito frio e a vida, conseqüentemente, muito difícil, uma mulher tinha dois ou três maridos. A escassez de alimentos e a difícil economia não proporcionavam condições para um homem sustentar numa pessoa e a respectiva prole. Mas aconteceu um fato que mudou radicalmente este sistema. Os homens daquela tribo adquiriram espingardas, e se tornou bem mais fácil conseguir caça. Então podiam matar animais maiores, e houve abundância de alimentos. A partir de então, os homens podiam sustentar suas respectivas famílias e eles é que passaram a ter duas ou três esposas. Concluindo, a espingarda, que é um bom material, mudou a cultura social. B. A Cultura Material em Relação à Cultura Religiosa. A influência do material é forte, até mesmo na vida religiosa. Isso nos traz mais uma vez à revelação da verdadeira essência da natureza humana. Na Suíça (o “Banco do Mundo”), eles dizem não “precisar” de Deus, afinal, têm uma economia estabilizada, etc. Já, no Brasil, muitos vão aos centros espíritas com o propósito de conseguir êxito nos negócios ou mesmo para ganhar na Loteria Papa–tudo, Tele-Sena, etc., e quiçá, num jogo de futebol. A razão dessa procura religiosa é meramente econômica! Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 84 Em contrapartida, observamos que pessoas que possuem poucos recursos financeiros, ou que já tiveram muito e perderam tudo, são mais abertas para uma experiência genuinamente religiosa. C. A Cultura Material e a Missão Cristã. Nós sabemos que Deus está interessado no indivíduo inteiro, tanto na sua parte espiritual como na física. No entanto, acontece que, não poucas vezes, temos separado estas duas partes essenciais do ser humano, pensando que Deus só está interessado na parte espiritual. Essa não é a mensagem que a Bíblia nos transmite. Vemos em toda a Palavra de Deus a importância que é dada ao homem total. Por isso, é dever das missões transmitir essa mensagem, de um modo que penetre na vida toda do homem e da sociedade. Uma segunda razão por que deve ser assim, é o fato comprovado de que a cultura de um homem convertido vai mudando e melhorando dentro do seu pensamento e da sua sociedade. O missionário tem o dever de levar o homem à expressão mais perfeita possível de sua fé em Jesus Cristo, numa nova vida nele.Os costumes e a Cultura do missionário são irrelevantes e sem sentido para um homem de outra cultura, mas o missionário, mesmo assim, deve ajudar o novo homem em Cristo e avaliar sua vida e buscar uma expressão certa do Cristianismo. O Espírito Santo e um estudo profundo da Bíblia, mostrarão o que os novos cristãos devem rejeitar e o que devem reter e/ou melhorar para a glória de Deus, na sua própria cultura. A cultura não é simplesmente um aglomerado de traços e características, nem tão pouco um amontoado de conhecimentos. Cada parte distinta da cultura se interliga às demais de forma que resulta num funcionamento sistemático da sociedade-a sociedade organizada. O poder salvador do Evangelho manifesta-se pelas boas obras e não pelos costumes, especialmente numa experiência transcultural. Acima de tudo, está o amor, que deverá ser expresso de maneira prática e convincente, o único meio de atrair homens para Cristo. Pense nisso, caro aluno: se você diz para alguém (de qualquer cultura que seja!), que Jesus salva, o seu interlocutor quererá saber como e quererá provas disso na sua própria vida. “... e entoavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhes os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus, os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação, e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra.” (Ap 5.9,10) Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 85 8.6. O Problema do Relativismo Cultural Em decorrência dos estudos antropológicos efetuados até o momento presente, alguns antropólogos estão dizendo que há relativismo cultural. “Se os esquimós matam os velhos que não podem mais trabalhar, por que não fazer o mesmo também?” “Se pode haver liberdade sexual em algumas tribos da África, por que não podemos tê-la também?” “Tudo é relativo”. A Bíblia tem muito a dizer sobre isso. Deus conhece os diferentes valores de cada cultura. Ele reconhece também as oportunidades de casa povo, a revelação que este tem recebido de Deus. Ele mesmo se revela de diferentes maneiras, em diferentes culturais. Sobre isso, Don Richardson fala em seu livro “O Fator Melquisedeque”. Recomendo-o para sua leitura! Em Lc 12.48 também se diz: “Mas o que não a soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. “A qualquer que muito foi dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou muito mais se lhe pedirá”. Paulo também sabia que os valores de cada cultura eram diferentes e que alguns costumes eram relativos e outros não (I Co 16.3). Ele exigiu que Timóteo se circuncidasse (At. 16.3) e deixou Tito sem circuncisão (Gl 2.3). Não foi incoerência na conduta do apóstolo, mas um reconhecimento bíblico de que há níveis de valores de uma cultura para outra e mesmo dentro de uma mesma cultura. A Bíblia deixa muitos costumes e regras em aberto para que a própria pessoa, dentro da sua respectiva cultura, escolha, escolha o melhor. Outros mandamentos são fixos para todas as pessoas na face da Terra. A Bíblia diz que não podemos matar, nem por atos nem por pensamento. Em todas as culturas isto é pecado (mesmo na dos esquimós!). A Bíblia também proíbe a vaidade, que é um sentimento íntimo manifesto de maneiras diferentes em cada cultura. E assim por diante. Há outros atos que são meros costumes (como maneira de se vestir-que varia de cultura para cultura-de se saudar, etc.) e, portanto, são deixados à livre decisão de cada um, dentro do seu “padrão cultural”, sem que a Bíblia os regulamente. Talvez o discernimento sobre estas coisas seja uma das tarefas mais importantes e difíceis do missionário. Por isso ele tem de, em primeiro lugar, conhecer profundamente a Bíblia e o que ela realmente ensina sobre tais coisas. Ele tem de conhecer também a sua própria cultura para poder compreender as razões básicas das suas próprias reações e pensamentos. Além disso, ele tem de conhecer de maneira “êmica” (isto é, de dentro da cultura –não de fora) a cultura dentro da qual vai trabalhar, para poder transmitir o verdadeiro ensino da Palavra de Deus, separando-o das práticas da sua própria cultura. Temos de levar a Palavra de Deus aos outros povos, não a nossa cultura e nossos costumes! Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 86 AULA 09 Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 87 9 - JANELA 10/40 9.1. Considerações Preliminares É provável que você já tenha ouvido ou lido alguma coisa sobre a janela 10/40. Mas, você sabe exatamente o que é? Sabe porque ela é assim chamada? Ou quais os países que a compõem? Dada a importância do assunto, não poderíamos terminar esta apostila sem falarmos a respeito. Todavia, daremos apenas uma pincelada. Incentivamos aos alunos que prossigam na pesquisa e na atualização de informações alusivas ao tema proposto. A. Quanto ao Nome. A pronúncia correta do nome é “JANELA 10/40” (dez-quarenta) E não “dez-por-quarenta”. Antigamente era chamada de “Cinturão de resistência”. B. Quanto à Localização. Está localizada entre as LATITUDES 10º e 40º norte do Equador. Abrange desde o Norte da África, Oriente Médio e Ásia. C. Realidades da Janela. A janela tem em vista a maior parte das áreas do mundo com necessidades físicas e espirituais. A maioria dos países do “Mundo A” estão aqui localizados, e também, a maioria dos governos que se opõem ao Cristianismo, e ainda, os três maiores blocos religiosos do Mundo: Islamismo, Hinduísmo e Budismo. 9.2. Razões Para Focalizarmos a Janela 10/40 Vejamos quais as três razões básicas pelas quais devemos focalizar a evangelização nesta área. A. Primeira Razão. A Primeira Razão é fundamental razão pela qual devemos enfatizar a evangelização na Janela 10/40 é por causa do significado bíblico e histórico desta área. A Bíblia começa com a explicação que Adão e Eva foram colocados por Deus no “Jardim do Éden”, lugar onde é hoje o “coração da Janela 10/40”. O plano de Deus expresso em Gn 1.26 é que o homem teria domínio sobre a terra e deveria preenchê-la. Mas quando Adão e Eva pecaram contra Deus, perderam seu domínio sobre a terra.Com o comportamento pecaminoso do homem sempre crescente. Deus resolveu intervir e julgou a terra com o “Dilúvio”. Depois, os homens vieram estabelecer seu novo intento para dominar: construíram a “Torre de Babel”. Essa obra também ocorreu no “coração da Janela 10/40”, e foi feita como uma provocação a Deus (Gn 11.3). Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 88 Novamente, Deus estendeu sua mão como julgamento. O resultado foi a introdução de línguas, separação de povos, e, formação de nações. Cristo nasceu em Israel, país que compõe a Janela 10/40. Viveu uma vida perfeita, morreu sacrificialmente na cruz e ergueu-se triunfante sobre a morte. A Igreja primitiva anunciou isto, mas foi somente após as viagens missionárias do Apóstolo Paulo que a proclamação ocorreu mais além da Janela 10/40. Sem dúvida, é uma área de significado bíblico e histórico. B. Segunda Razão. A Segunda razão, é porque ali vive o maior número de povos não- alcançados do mundo. Dentro da Janela 10/40 está 1/3 da área total da Terra, 2/3 da população mundial; cerca de 3 bilhões de pessoas. Nesta área estão, estatisticamente, as pessoas mais pobres do mundo,vivendo, ou melhor, sobrevivendo, em estado de absoluta miséria. Sessenta e dois países formam a Janela 10/40. Dos quais, 37 estão totalmente dentro do “retângulo” da Janela 10/40. Dos 62 países 18 são completamente “fechados” ao Evangelho. Isto representa um total de 97% dos povos inalcançados. C. Terceira Razão. A Terceira Razão, é a presença das três maiores religiões de grande domínio no mundo. A maioria dos adeptos do Islamismo, Hinduísmo e Budismo, vive na Janela 10/40. A presença Islã é desde o Norte da África até o Oriente-Médio, perfazendo um total de 700 milhões de pessoas. Nós devemos fazer o máximo possível para mostrar aos muçulmanos que o grande profeta descrito ao Alcorão, não é Maomé, mas sim Jesus Cristo. No meio da Janela 10/40 está a Índia, e o hinduísmo também constitui um total de 700 milhões de pessoas. À direita da Janela 10/40, temos a China que é o mundo budista. Há 1,2 bilhões de chineses que estão precisando desesperadamente de Jesus. Eles representam o maior bloco “identificável” da Janela 10/40. Na verdade, todo o Mundo necessita do Evangelho. Mas, em nenhum outro lugar é tão gigante esta necessidade. 9.3. Definições Importantes Há algumas definições que nos ajudam a melhor entendermos a matéria. Povo. Povo é o conjunto de indivíduos sujeitos às mesmas leis; Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 89 País. É o território ocupado por uma determinada população. É o espaço geográfico que uma população habita. Estado. É “uma sociedade organizada sob a forma de governantes e governados, com território delimitado e dispondo de poder próprio para promover o bem de seus membros, isto é, o bem público”. População. Sentido quantitativo; abrange todos os que residem num território, além da chamada “população flutuante”, isto é, pessoas que estão de passagem pelo país, ou que nele reside temporariamente. Nação. É o povo socialmente organizado e consciente de seus objetivos comuns. É o povo e o conjunto de suas instituições sociais, línguas, usos e costumes. Pátria. É o país onde nascemos e ao qual estamos emocionalmente ligados. Tudo o que vimos até agora são definições da Sociologia. Mas ainda falta definir um termo muito importante: Povo não-alcançado ou “inalcançado”. Também são empregados os termos, “povo-fronteiriço”, ou “povo-escondido”. Esta terminologia serve para designar um povo etnolingüístico sem nenhuma comunidade nativa de cristãos com número e recursos suficientes para evangelizar seu próprio povo sem nenhuma assistência externa (transcultural). Segundo os pesquisadores, existem cerca de 11.286 grupos étnicos, ou seja, povos, na Terra. 9.4. “Os Três Mundos” MUNDO A. Não Evangelizado (1%). São nações e povos no mundo menos evangelizado. Aquelas nações e povos que são menos de 50% evangelizados. MUNDO B. Não Cristão, porém Evangelizado (8,5%). São nações e povos no mundo não-cristão evangelizado. Aquelas nações que são mais de 50%$ evangelizadas e menos de 60% cristãos. MUNDO C. Mundo Cristão (incluindo nominais) (90,1%). São nações e povos no mundo cristão. Aquelas nações e povos que são mais do que 60% cristãos professos. Isto inclui todos os cristãos nominais e filiados de todas as tradições eclesiológicas e não somente os protestantes. A grande maioria dos países do Mundo A, estão na Janela 10/40. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 90 9.5. Tradução da Bíblia – Um Grande Desafio! Segundo os pesquisadores, existem no Planeta cerca de 6528 línguas. 4% (cerca de 276) possuem a Bíblia Inteira. 10% (cerca de 676) possuem o Novo Testamento. 819% (cerca de 1199) possuem Porções da Bíblia. 5% (cerca de 336) são línguas quase extintas. 62% (cerca de 4041) não possuem nem um versículo da Bíblia traduzido. Uma grande parte destas línguas são de países da Janela 10/40. Dos 24.000 povos do Mundo, cerca de 12.000 ainda são povos não-alcançados. Uma grande parte também está na Janela 10/40. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 91 AULA 10 Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 92 10 - O DESAFIO DAS MISSÕES URBANAS 10.1. Características do Homem Urbano Características Psico-sociais Anonimato – Esta é a primeira característica descrita por Cox no seu clássico "A cidade secular" ao se referir à face da cidade. Em geral as pessoas se horrorizam diante da impessoalidade e pela perda da identidade que a cidade traz. Pessoas podem perder toda sua identidade personalidade no meio da correria diária, e dos intermináveis números. "Solidão é indubitavelmente um sério problema na cidade”. Alienação – Neste caso, percebe-se que a pessoa não passa de um número, e que os encontros normalmente são feitos de forma esporádica e sem desejo de aproximação. O homem urbano se distancia facilmente do outro. A falta de intimidade e distanciamento nos grandes centros e grupos. Você pode morar no mesmo prédio e não conhecer quem mora em frente à sua casa. Exemplo pastor do Rio de Janeiro que mudou-se par ao interior por medo da alienação da grande cidade. Isolamento – Diante da constante mobilização, as pessoas são sempre muito diferente mesmo na vizinhança. Muitas estão constantemente se mudando. Alguém por perto não significa "proximidade". Despersonalização – individuo tratado como número e coisa. Tente acessar seu banco, sua conta na internet. Você estará sendo sempre identificado pelo número que tem. A Bíblia diz que mais vale o bom nome do que as muitas riquezas, mas na cidade, mais vale um bom número. A atmosfera impessoal dos grandes centros urbano, produzindo uma terrível solidão. Os lugares de maior solidão no mundo não são “o deserto Saara e a Amazônia, “ mas sim os grandes centros urbanos. Pessoas que moram nos grandes complexos de apartamentos não conhecem seus vizinhos e raramente conversam entre si. Proximidade geográfica, por si só, não produz comunhão ou relacionamentos fraternos ( Sl 25.16 ). Características Morais e Religiosas Ele tem a tendência a ser um cristão nominal. Ele é tendente a ter padrões morais relaxados. Ele tem inclinação à auto-suficiência. Pós-moderno. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 93 Características Cívicas e Políticas Ele tem a consciência política mais acentuada. Ele tem a tendência de ser influenciado por grupos de pressão. 10.2. Problemas do Homem Urbano Problemas Econômicos O grande êxodo rural tem inchado as cidades, provocando o baixo nível econômico de vida. O desemprego tem crescido e consequentemente as pessoas têm apelado para o emprego informal. A habitação não tem sido suficiente para todos, ocasionando o surgimento de casebres e favelas. O saneamento básico não tem acompanhado esta expansão rápida e descontrolada. Epidemias têm surgido com mais facilidades. ( Dados da FGV mostram que 33% da população brasileira é constituida de miseráveis e que para erradicar a pobreza bastaria apenas a contribuição de R$14,00 por cidadão que está acima da linha da pobreza). São Paulo também tem grande quantidade de favelas e asestimativas mais recentes indicam que há na cidade 2018 favelas cadastradas, nas quais vivem aproximadamente 1.160.516 habitantes. (Rocinha é a maior favela do Rio de Janeiro contando com mais de 60.000 habitantes). A migração da população rural para o espaço urbano em busca de trabalho, nem sempre bem remunerado, aliada à histórica dificuldade do poder público em criar políticas habitacionais adequadas são fatores que têm levado ao crescimento dos domicílios em favelas. Dados do Ministério das Cidades, apoiados nos números do Censo 2000 do IBGE, apontam que entre 1991 e 2000, enquanto a taxa de crescimento domiciliar foi de 2,8%, a de domicílios em favelas foi de 4,8% ao ano. Entre 1991 e 1996 houve um aumento de 16,6% (557 mil) do número de domicílios em favelas; entre 1991 e 2000 o aumento foi de 22,5% (717 mil). Dentro deste aspecto, vale citar a influência que Calvino teve na área social em Genebra. Tal influência e contribuição levou Graham a considerar Calvino como o teólogo de maior influência para o contexto urbano de sua época, ao defender que "todo empreendimento humano está marcado com o mal, contudo isto nos impulsiona com o propósito de fazer o evangelho relevante na cidade de comércio na qual vivemos e trabalhamos.". Dentre o muito que foi conseguido pela participação marcante do reformador em Genebra na área sócio-econômica podemos destacar 12 itens: Assistência social aos necessitados sem discriminação de nacionalidade. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 94 Ajuda e cuidado com a saúde popular através de um programa de visita médica domiciliar. Esforços do governo na capacitação profissional. Combate ao desemprego com oferta de trabalho pelo governo. Ênfase no amparo aos pobres, idosos e desamparados. Luta contra a insolência do luxo em relação aos pobres. Exemplo de simplicidade por parte dos reformadores-líderes públicos. Limitação dos juros nos empréstimos. Forte combate à especulação. Ataque frontal à escravidão. Combate a bebedice e proliferação das tavernas. Grande esforço na educação de todos. Problemas Sociais ou Violência Urbana Crimes contra a vida: homicídio - assassinato, infanticídio, aborto ,latrocínio (assassinato com objetivo de roubo), lesão corporal (ataque à integridade física de outra pessoa) Crimes contra a honra: injúria (ofensa verbal, escrita ou encenada), calúnia (falsa atribuição de cometimento de crime a alguém), difamação (propagação desabonadora contra a boa fama de alguém). Crimes contra o patrimônio: furto (subtração de coisa alheia), roubo (subtração de coisa alheia mediante violência), dano (danificação de coisa alheia), extorsão (extorsão mediante seqüestro Crimes contra os costumes: estupro, corrupção de menores (indução de menor a práticas sexuais), rapto de mulher. Problemas na Família A desintegração da família tem aumentado com os meios de comunicação, incentivando a infidelidade conjugal. Os filhos pequenos, muitas vezes, ficam sós ou com pessoas que não têm condições de educá-los, enquanto os pais trabalham fora. Separações de casais têm crescido e se tornado algo comum. “A Igreja é chamada a assumir a sociedade urbana, não por oportunismo religioso, mas por vocação (...) Seu papel consiste em criar o povo de Deus a partir da cidade”. Problemas Psicológicos Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 95 Estes e outros problemas acarretam a instabilidade emocional. As pessoas sentem-se inseguras, ficam ansiosas, aumenta a incidência da depressão. Problemas Espirituais e Morais Nunca ocorreu com tão grande intensidade a proliferação de seitas religiosas. Muitas fazem promessas vãs, mais confundindo do que ajudando. Seitas espiritualistas têm recebido mais credibilidade. O esoterismo ganha cada vez mais adeptos. Pessoas, sem estruturas emocional e espiritual, tornam-se facilmente presas do alcoolismo, de drogas inaláveis e injetáveis e outros vícios desagregadores. A corrupção sexual aumenta e quadrilhas se organizam a fim de aliciar menores para o “turismo sexual”. Cidade é cenário de luta espiritual. Milhares de pessoas são vitimas de religiões falsas, de seitas e grupos espiritualistas, em busca de sentido e identificação. Problemas Educacionais Nem todos têm acesso a boas escolas. E quando têm, a necessidade de trabalhar fora do lar bem cedo impede de continuarem os estudos. A pessoa de pouca leitura e reflexão pode ser mais facilmente manipulada pelos meios de comunicação de massa, os quais podem influenciar com uma cultura enlatada as pessoas. 10.3. Obstáculos Para o Crescimento das Igrejas Urbanas Nós concordamos que a evangelização é um imperativo de Cristo para a sua igreja, contudo, não são poucas às vezes que nos sentimos impotentes, desanimados e vencidos diante de tamanha responsabilidade. De fato, mesmo cônscios de nosso dever, da assistência divina e dos frutos, ainda assim, não deixamos de reconhecer as barreiras que se levantam e nos intimidam ou amedrontam quando pensamos em evangelizar. Precisamos reconhecer barreiras reais e contrapô-las com os recursos dispostos por Deus ao nosso alcance. Se muitas forem as barreiras, suficiente e superior será o auxílio divino para transpô-las, nos concedendo vitórias e nos fazendo efetivos instrumentos de proclamação das Boas Novas da Salvação em Jesus Cristo. Diabo Satanás, com seus anjos maus, procura impedir o crescimento da igreja em qualquer lugar. John T. Mueller exemplifica as artimanhas destes inimigos da igreja de Cristo: continuamente procuram destruí-la por investidas em geral (Mt 16.18); tentam impedir que os ouvintes recebam a Palavra de Deus (Lc 8.12); disseminam doutrina errônea (Mt 13.35; 1 Tm 4. 1s); e Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 96 incitam perseguições ao reino de Cristo (Ap 12.7 [...] No intuito de arruinar a igreja, o diabo causa transtornos também ao estado político (1Cr 21.1; 1 Rs 22.21-22), e ao estado doméstico (1 Tm 4.1-3; 1 Co 7.5; Jó 1.11-19). A Relativização de Absolutos Vivemos dias em que os absolutos são descartados. A verdade tornou-se subjetiva e pessoal, cada um tem sua própria verdade. A liberdade individual e a felicidade pessoal são o alvo buscado e a justificativa de qualquer meio para se alcançar este fim. A nossa cultura perdeu a perspectiva de que existe uma lei moral transcendental que se aplica a todos e que rege o próprio equilíbrio das partes. Diz o insensato no seu coração: não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem. (Salmo 14.1) “O Cristianismo é a única história que faz o nosso mundo ter sentido, que age como guia moral, que nos enche com uma esperança confiante dos nossos futuros individuais e o futuro da nossa raça e o deste mundo”, entretanto, a História Cristã perdeu seu significado para o homem moderno. Entrementes, a relativização de absolutos, ou seja, você decide o que é verdadeiro segundo suas próprias concepções, tem rodeado e até mesmo invadido a igreja. Muitas das nossas convicções e fundamentos sobre os quais lançávamos princípios de vida estão abalados e sob suspeição. As incertezas sobre o teor da mensagem do Evangelho nos fazem recuar. Será que de fato cremos numa verdade? Ela poderá mudar derrubar os muros da incredulidade? Já não nos sentimos tão seguros quanto ao conteúdo de nossa pregação. Como combater a incerteza com incertezas?“Devemos ter certeza de que nossa fé é de fato a verdade”. Para tanto, o conhecimento e estudo da Palavra de Deus é a fonte que nos prepara para que possamos estar “sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós”. (1 Pedro 3.15b), assim, “...procurai, com diligência, cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição...” (2 Pedro 1.10a). Ausência de Credibilidade da Igreja Boa parte da população está decepcionada com erros diversos em igrejas como a exploração financeira, escândalos de líderes religiosos, o legalismo de certas igrejas que impõem aos seus adeptos leis humanas muito rígidas, tirando-lhes a alegria de viver.: Outra barreira que enfrentamos na evangelização urbana é o discurso da incoerência. A igreja tem desassociado a pregação do testemunho. A ética cristã tem se tornado extremamente maleável, adequando-se às circunstâncias. Os escândalos estão nos deixam constrangidos – porém, não envergonhados ou arrependidos – a nós já não pertence mais o “corar de vergonha” (Daniel 9.7b) Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 97 O evangelho está desacreditado porque perdemos o crédito de nosso comportamento perante a sociedade. É certo que não somos perfeitos e ao olharmos para o passado, veremos manchas na História que até hoje são evocadas e simplesmente nos enchemos de desculpas. Devemos assumir os erros que se registraram nos anais da história, atitudes humanas desprovidas de aprovação divina. Mas, ao mesmo tempo em que devemos assumir nossos erros passados, devemos, também, tomar atitudes no presente para coroar o futuro, viver como luz do mundo e sal da terra, a fim de que os homens vejam nossas boas obras e glorifiquem a Deus (Mateus 5.13-16). A Perda da Linguagem Comum A comunicação é uma importante conexão entre as pessoas e para que ela se efetive o transmissor da mensagem deve se fazer entender pelo seu receptor, ou seja, minhas palavras devem estar adequadas à linguagem do ouvinte. Como costumamos dizer: “agora, estamos falando a mesma língua” - referência ao fato de terem se entendido. Isto, porém, tem se perdido nos dias atuais. “Mais e mais pessoas são biblicamente analfabetas” – incluindo o meio evangélico. Devemos ter a sensibilidade para fazermo-nos entender na pregação, na proclamação de uma mensagem universal que é “para todos as nações, tribos, povos e línguas” em qualquer tempo ou lugar. Devemos nos questionar sobre tais barreiras, reconhece-las tão somente não é suficiente, é preciso preparar-se para enfrenta-las, e temos recursos para isto, como afirma o apóstolo Paulo: “porque as armas de nossa milícia não são carnais e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas; anulando nós, sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo”. (2 Coríntios 10.4,5). Sendo, pois, praticantes da Palavra e não somente ouvintes (Tiago 1.22) o nosso testemunho falará mais alto que nossas palavras e esta é uma linguagem que todos compreendem, vida coerente. Reação de Condenação Quando nos sentimos acuados reagimos condenando a todos. A parábola do fariseu e do publicano (Lucas 18.9-14) ilustra o cuidado que devemos ter em relação a julgarmo-nos melhores do que outros. Se do “lado de fora” sentimos o cheirinho de enxofre nos “pecadores” e agradecemos a Deus por não sermos como eles, um perigoso sinal nos alerta contra a vaidade e arrogância espirituais. Não devemos julgar nossos inimigos, antes, amá-los. Se fosse possível tirar uma fotografia da realidade espiritual da alma humana e guardássemos a nossa, antes da conversão, veríamos que somos tal qual aqueles que desprezamos ou condenamos. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 98 É neste tipo de arrogância que criamos uma subcultutra cristã (mera presunção) que finalmente vai mudar as coisas, pensamos nós. Nos propomos a preencher os espaços políticos, culturais, sociais para subjugar o “ímpio”, mas para isso vale tudo que estiver ao nosso alcance, seja ético ou não, seja lícito ou não, seja honesto ou verdadeiro ou não. Nos tornamos maiores tiranos do que aqueles que foram “demonizados” por nós. Devemos, como Cristãos, exercer nossa cidadania e contribuir ativa e conscientemente nossos direitos e deveres como cidadãos. Mas, também como Cristãos, devemos ter a percepção de que pertencemos uma “nacionalidade” que nos exige que vivamos segundo suas prerrogativas, como cidadãos do céu e neste exercício de cidadania a palavra amor e misericórdia estão entre os primeiros deveres. Isolamento Uma falsa idéia se opõe a uma evangelização ativa: “não pertencemos ao mundo devemos, simplesmente, nos isolar”. Somos a geração dos condomínios fechados, do shopping center, das grades de segurança, do espaço privado distante e protegido do espaço público. Reagimos, então, da mesma maneira, nos isolando em nossas casamatas (abrigos subterrâneos usados principalmente nas guerras) e criamos um novo conceito de “mosteiro social gospel” com uma placa na entrada: “proibida a entrada de estranhos”. Não devemos amar ao mundo, é certo, disse o apóstolo João, mas, também somos o sal da terra. Imaginemos se podemos temperar um feijão colocando o saleiro em frente à panela. Devemos por o sal no feijão e suas propriedades suscitarão o efeito desejado. Podemos criar espaços com certas peculiaridades, mas não nos escondermos em guetos evangélicos. Separação Uma outra barreira sutil e perigosa é a de nos separarmos das pessoas “de lá de fora” e restringir nosso círculo social aos “irmãos”. A senha poderia ser (e às vezes é), “a paz do Senhor” em caso de resposta satisfatória, então é bem vindo ao nosso meio, de outra forma, “as más conversações corrompem os bons costumes” (1 Coríntios 15.33 – interpretado fora do contexto). Olhemos para aquele que foi acusado de ser amigo de publicanos e pecadores (Lucas 7.34), que tocou em leprosos, que perdoou prostitutas, que se aproximou dos excluídos. Já tentou conversar com alguém que não te olha nos olhos? Que estranha sensação. Como podemos pregar o evangelho que tem características tão evidentes de amor, misericórdia, perdão, reconciliação, adoção, aceitação? Seria muito difícil uma família adotar uma criança órfã sem permiti-la entrar em sua casa. Nós fomos adotados e recebidos na presença do Pai, que não faz acepção de pessoas (por isso nos aceitou), como poderemos testemunhar disto praticando o oposto da mensagem? Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 99 Paganismo O paganismo está de volta á essa geração pós-moderna. As seitas e religiões espiritualistas ganham novos adeptos e seus conceitos não são questionados se verdadeiros ou sensatos, basta que faça a pessoa se sentir espiritual e se lhe é sensata e moral. Interessante notar aqueles que chamam cristãos de fanáticos e incultos, e no ápice de sua própria arrogância veneram e acreditam em superstições, pirâmides, objetos, fetiches, gnomos e duendes. São, na verdade, pessoas carentes de uma espiritualidade verdadeira e de um amor profundo, coisas que só encontrarão no Evangelho que a nós foi confiada a proclamação. A Insegurança Urbana Como já vimos, a violência tem aumentado nas cidades. Estatísticas revelam que em São Paulo no ano de 2001, os sequestros envolvendo pessoas de qualquer camada social aumentaram 600%. Assaltos nas ruas, arrombamento de residências e tráfico de drogas têm levadoas pessoas a se trancarem em suas casas e duvidarem de todos. Pelo poder da Palavra e do Espírito Santo, as pessoas são convertidas e integradas nas congregações. Porém, muitas vezes terão dificuldades para participarem de programações à noite, por falta de segurança. Ativismo O ativismo é outra barreira sutil e perigosa. Nos envolvemos em tantas atividades na igreja e ocupamos de maneira tal nosso tempo, que não nos sobra momentos de sociabilidade (muito importante no evangelismo pessoal). Falta-nos tempo para a família, parentes, vizinhos, etc. Algumas vezes, fazemos disso uma desculpa para “fugir” de determinadas atribuições. Mas, em meio à tantas “atividades inadiáveis”, somos exortados a buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça (6.33). Medo de Testemunhar Este medo pode se manifestar, por causa de algumas destas razões: Temor de ser rejeitado - ao falar de Cristo, você se expõe, define sua posição, mostra em que valores você crê. Obviamente, a possibilidade de rejeição existe, e é muito maior do que a possibilidade de ser respeitado em suas convicções cristãs. Temor de ser um fracasso - às vezes, não temos vergonha de testemunhar abertamente, mas tememos receber um "NÃO", ao tentarmos evangelizar alguém. Ou então, fracassarmos por não comunicarmos com clareza o plano da salvação. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 100 Temor de se contaminar com os incrédulos - muitas pessoas, quando se converteram, foram erradamente instruídas a não cultivarem amizades com incrédulos. O desejo de santificação é muito positivo, mas algumas pessoas tem partido para radicalismos e exageros. O crente ser sal e luz, dentro da comunidade doente (Mt 5:13-16). Devemos ter muito cuidado com o conceito de sermos separados do mundo (Jo. 17:11, 14,15). O crente deve conhecer os problemas do seu tempo, para manter conversas inteligentes. Saiba dialogar sobre outros assuntos, além da Bíblia. Paulo, em Ef. 4:17 diz: "não andeis como andam os gentios". Mesmo andando entre os incrédulos, não devemos viver como eles, mas podemos viver entre eles. Não Saber Como Comunicar o Evangelho Muitas pessoas nunca prepararam seu testemunho escrito. Outras pessoas, nunca estudaram nenhum plano bíblico para evangelização. Pode ocorrer também a falta de capacidade, de como iniciar uma conversa, que viabilize a pregação do Evangelho. Falta de Confiança Outra barreira é a falta de confiança. De certa forma, ela tem um aspecto positivo, pois nos ensina a humildade e a dependência de Deus. Outro aspecto, porém, precisa ser retirado de nossos pensamentos. Tal obra não é resultante de mero esforço humano, conseqüentemente, Aquele que nos comissionou, também nos capacitará. O apóstolo Paulo reconheceu-se fraco diante de tal missão. Escrevendo aos colossenses diz: Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado; para que eu o manifeste, como devo fazer. Cl. 4:3,4 Se esta oração partiu dos lábios deste intrépido evangelista, não necessitaríamos também orar de maneira semelhante? Conhecer nossos temores e fraquezas é o ponto de partida para todo crescimento, porque esse conhecimento nos leva a orar por nós mesmos e requer de nós reconhecer, perante os outros, que não somos de maneira alguma adequados para as tarefas para as quais Deus nos chamou. A oração humilde tem que ser nosso ponto de partida. Deus é compreensivo e gracioso e certamente suprirá nossas limitações, nos dispondo a ajuda necessária para “dissipar nosso medo e nos dar ousadia de coração e palavra”. Quando vos levarem às sinagogas e perante os governadores e as autoridades, não vos preocupeis quanto ao modo por que respondereis, nem quanto às coisas que tiverdes Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 101 de falar. Porque o Espírito vos ensinará, naquela mesma hora, as cousas que deveis dizer. (Lucas 12.11,12) 10.4. Estratégias de Evangelização Urbana Sabemos que a conversão de indivíduos ao Cristianismo, sua busca e transformação operados pela ação do Espírito Santo, se dá apenas mediante a pregação da Palavra e a aplicação interna desta feita pelo Espírito Santo. Todavia devemos ter em mente que os meios que Deus utiliza para que a sua Palavra seja coloca e aplicada no coração dos seus eleitos faz uso de vários meios diferentes. Jerram Barrs sugere o seguinte quanto a este assunto: À medida que começamos a fazer perguntas àqueles que chegaram à fé, vamos descobrindo quão fiel e pacientemente Deus trabalhou na vida deles para conduzi-los ao ponto de compromisso. Descobrimos também que Deus usa de uma infinita variedade de meios para atrair as pessoas a ele130 Deus utiliza as características peculiares de cada um dos seus eleitos para chamá-los à salvação, afinal “como uma pessoa é única, assim também o caminho que Deus usa para atrair cada pessoa a ele é único”. A seguir descreveremos algumas estratégias de evangelização que poderão ser utilizadas nas cidades. Formar Equipes de oração O nosso primeiro passo na Evangelização deve ser a humildade diante de Deus em reconhecermos quem somos e quem Deus é, e isso nos leva a reconhecer a nossa dependência do Senhor. Em outras palavras, “Começamos com um apropriado senso de humildade sobre o nosso papel e sobre nossa capacitação para o trabalho diante de nós, e essa humildade deve nos levar à oração.” A Igreja precisa sentir o desejo de orar pelos ainda não convertidos. Um outro fator peculiarmente interessante é que Deus nos colocou em ‘famílias’ e ele alegremente utiliza esse meio mais natural para a extensão de seu reino. Então, começamos a orar por aqueles com quem vivemos e amamos. Estes, acima de todos, devem ser as pessoas por quem nos importamos mais profundamente e oramos por eles. Uma outra frase interessante de Jerran Barrsé a que afirma que “Oração sincera, apaixonada, poderosa deve brotar dos nossos corações em favor daqueles a quem amamos, e daqueles cujas vidas são ligadas conosco, na teia da existência diária.” Sem dúvidas um primeiro bom motivo para orarmos é “... pela obra do Espírito Santo nos corações e mentes daqueles que nos rodeiam. Sabemos que ele pode alcançar o íntimo, trabalhar suas mentes e corações, o que não podemos fazer.” Mas, também Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 102 devemos orar para que as portas se abram para nós, proclamadores da palavra de Deus. não devemos nos esquecer nunca que “Cristo prometeu reinar sobre as nações e sobre nossa vida pessoal por amor ao evangelho. Então podemos Ter certeza de que ele responde nossas orações quando lhe pedimos para abrir as portas à medida que construímos relacionamentos com pessoas.” Por mais que as vezes pensemos que Deus demora em responder nossas orações, não podemos jamais nos esquecer das palavras de Pedro que afirma que o Senhor não retarda a sua promessa. (Cf. II Pe. 3: 8 – 9). Isso é o que nos consola e fortalece quando desanimamos na missão de pregar o Evangelho ou em alguma outra questão de ansiedade que temos no dia a dia. É preciso orar por causa da extrema dureza do coração humano (Jr 3.17; 7.24; 11.8; 16.12; 18.12). O pecador tem “coração obstinado” (Is 46.12), “tendão de ferro no pescoço” e “testa de bronze” (Is 48.12). Ele carrega uma bagagem enorme de apatia, ignorância, cegueira, loucura, incredulidade, tradicionalismo, preconceito, soberbae servidão pecaminosa. É preciso orar porque só Deus é capaz de fazer o mais difícil de todos os transplantes: “Tirarei do peito deles o coração de pedra e lhes darei um coração de carne” e “colocarei no íntimo deles um espírito novo” (Ez 11.19). Testemunho Pessoal Cada cristão em particular, por ser parte da Igreja de Deus, tem a responsabilidade de se envolver no chamado missionário que Deus deu a Igreja.139 Duas passagens em particular me que observamos os apóstolos convidando aos crentes para participarem do trabalho de evangelização. ( Cl 4:5,6; I Pe 3:15,16) É preciso viver o que se prega, senão a evangelização torna-se uma hipocrisia. Essa incoerência entre conduta e mensagem gera indignação, desprezo, zombaria, escândalo, incredulidade e rejeição. Jesus deu muita ênfase à evangelização pelo exemplo, quando declarou francamente: “Vocês são o sal da terra para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve mais para nada; é jogado fora e pisado pelas pessoas que passam” (Mt 5.13, NTLH). No mesmo Sermão do Monte, Ele ensina que “uma cidade construída sobre a montanha não fica escondida” e “não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma caixa, mas sim no candelabro, onde ela brilha para todos os que estão em casa”. Em seguida, Jesus ordena: “Assim também, a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu” (Mt 5.14- 16, CNBB e NTLH). Somos agora o que Jesus foi no passado: “Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo” (Jo 9.5). A igualdade da missão de Jesus com a de seus discípulos aparece também na Grande Comissão: “Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei” (Jo 17.18). Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 103 Aos coríntios, Paulo assume que, “como um perfume que se espalha por todos os lugares, somos usados por Deus para que Cristo seja conhecido por todas as pessoas” (2 Co 2.14, NTLH). Tornamos o evangelho conhecido mais pelo perfume do que pela palavra. Abusando da figura, é possível acrescentar: mais pelo olfato do que pela audição. Foi por isso que São Francisco de Assis disse: “Evangelize sempre; se necessário, use palavras”. Se o evangelho não alterou o nosso comportamento e continuamos iguais aos não convertidos, não temos como evangelizar, pois “a fé que não se traduz em ações é vã” (Tg 2.20) Receptividade Boa receptividade da parte dos membros é muito importante para com os visitantes à igreja. É necessário ter uma equipe treinada de recepcionistas, os quais darão atenção especial antes, durante e depois do culto aos visitantes e membros ausentes que retornam. Discretamente pode ser preenchida uma ficha com dados dos visitantes (nome, endereço, telefone, se aceita visita ou não) e esta ser entregue ao pastor ou à secretaria da igreja para que uma correspondência seja posteriormente enviada. Um cafezinho após o culto oportuniza a confraternização entre todos. Grupos Familiares É claro que os cristãos primitivos eram obrigados a fazer uso do lar, porque não lhes era permitido adquirir nenhuma propriedade, até o fim do século II. Não podiam, durante o governo de diversos imperadores, organizar grandes aglomerações públicas por causa das possíveis implicações políticas do ato. Em outras palavras, a Igreja nos três primeiros séculos de nossa era cresceu sem a ajuda de dois dos nossos mais estimados instrumentos: a evangelização de massa e a evangelização na igreja. Ao contrário disso, faziam uso do lar. No livro de Atos lemos acerca de lares usados extensivamente, como os de Jasão e Justo, de Filipe e da mãe de Marcos. Algumas vezes tratava-se de um culto devocional, outras vezes, de uma tarde de encontro e doutrinação, ou mesmo de um culto de comunhão. Podia ser também um encontro para reunir novos conversos, ou uma reunião com a casa cheia de novos interessados. Reuniões de improviso também aconteciam. O valor do lar em oposição ao culto mais formal da igreja, ou antes, como complemento dele, é óbvio. O lar possibilita fazer perguntas ao dirigente. Promove o diálogo. Torna possível distinguir as dificuldades. Facilita a comunhão. Pode, com extrema facilidade, desembocar numa ação e num serviço de caráter coletivo em que todos os diferentes membros do corpo desempenhem sua parte a contento. Igrejas iniciadas em casas é um dos modelos mais efetivos e comprovados para fazer crescer o Corpo de Cristo. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 104 Há múltiplas referências Bíblicas que apóiam o conceito da “Igreja em sua Casa”: (Atos 17:5; 16:15,32-34; 18:7; 21:8, I Co 16:19; Cl 4:15; Rm 16:5) Equipe de Visitação aos Lares Faz parte do testemunho pessoal. Porém aqui com a ênfase de ser feito periodicamente por um grupo de irmãos. Esta equipe de evangelização da igreja procurará semanalmente ir às casas dos visitantes (com dia e horário combinados) levando material de apoio, Bíblia, livretos, etc. Plantação de Igrejas O crescimento das igrejas também acontece quando são iniciados pontos de pregação. Quantas igrejas têm expandido seu trabalho abrindo pontos de pregação em bairros onde residem vários membros ou às vezes apenas uma família, usando como local uma área simples, porém adequada. Distribuição de Folhetos Ter disponíveis uma boa variedade de folhetos é o primeiro passo no hábito de distribuir folhetos. Oportunidades sem conta são perdidas porque não temos os folhetos na hora certa. Tenha folhetos no seu emprego, em sua casa, perto da porta, e na sua escrivaninha. O fato de você ter bons folhetos consigo a qualquer hora, capacitá-lo-á a aproveitar as muitas oportunidades de entregar a Palavra da Vida a uma criança, a um transeunte, a um companheiro de viagem. “Semeia pela manhã e tua semente, e à tarde não repouse a tua mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela, ou se ambas igualmente serão boas” (Ecl 11.6), 10.5. A Motivação Para as Missões Urbanas Eis aqui um último aspecto que entendo ser de vital importância: A motivação é a chave para a evangelização. Se isso ardesse em nossas almas, não haveria necessidade de tantos congressos sobre evangelização. Michael Green diz que se perguntássemos aos cristãos primitivos, por que eles não perdiam a paixão para evangelizar, responderiam: O exemplo de Deus, que tanto se preocupou a ponto de mandar o seu próprio Filho ser missionário em nosso mundo. O amor de Cristo, que nos constrange. Ele foi posto na cruz por nós. E nos diz para irmos em frente e passá-lo a outras pessoas. A evangelização é a resposta obediente ao amor de Cristo, que nos tem constrangido. O dom do Espírito, que nos é dado especificamente para dar testemunho. A tarefa de evangelização do mundo e a cooperação do Espírito Santo são as duas Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 105 características indica das por Jesus em relação à época entre a sua ascensão e a sua volta. Assim, os cristãos primitivos tinham por hábito basear a evangelização, clara e insofismavelmente, na natureza do Deus triúno. No coração dele repousa a missão. Mas havia mais três razões que os impeliam: 1. O privilégio de ser embaixador de Cristo, representante do Rei dos Reis. Nós recebemos esse ministério. Privilégio estupendo, esse! 2. A necessidade dos que não têm Cristo. Isso soa através do Novo Testamento e dos primeiros líderes da Igreja. Quando percebi que as pessoas sem Deus estãoperdidas agora e também para todo o sempre, mesmo sendo gente boa, mesmo sendo minha família e meus amigos, foi então que fiz um propósito de gastar a minha vida em contar aos outros as fabulosas Boas Novas que Jesus trouxe ao mundo. 3. Finalmente, há o tremendo prazer da tarefa em si. Ela começa no Novo Testamento e é contagiosa. Os cristãos podiam ser presos, e cantavam louvores. Podiam mandá-los calar-se e eles falavam mais ainda. Se perseguidos, na próxima cidade divulgavam a mensagem. Se levados à morte, pereciam alegres, suplicando bênçãos para os seus algozes. É por essa razão que eu não trocaria essa missão de pregar o Evangelho por nenhuma outra ocupação no mundo. Isso é um privilégio enorme. A necessidade é urgente. Nessa tarefa, o homem se realiza totalmente. Fomos criados para isso. 10.6. Decisões Importantes Para a Igreja 1. Decidir fazer uma séria pesquisa sócio-demográfica do contexto onde a igreja encontra-se inserida. 2. Decidir desenvolver um ministério centrado na comunidade, no ministério do leigo e nos dons do Espírito. 3. Decidir saturar a comunidade local com o Evangelho de Cristo. 4. Decisão de mover para fora das quatro paredes da igreja local. (abandonar a mentalidade de gueto) 5. Decisão de proclamar o evangelho pela voz e pela vida, testemunhando em palavras e em obras, na missão integral da Igreja. 6. Decisão de mover para frente, mas somente em unidade. 7. Decisão de jamais barganhar o evangelho da Graça, em nenhuma circunstância. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 106 8. Decisão de executar seriamente a tarefa da grande comissão do Senhor: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações...” (Mt 28:19). 10.7. Princípios Relevantes a Missiologia Urbana 1. O reconhecimento de que o não cumprimento à Grande Comissão constitui-se num ato de desobediência a Deus (Mateus 28:18-20); 2. A premente necessidade de contemplar que os campos estão “brancos para a ceifa” (João 4:35); 3. Ênfase em um ministério eclesiástico que priorize a tarefa de fazer novos discípulos (Atos 1:8); 4. Multiplicação de líderes leigos que possam comunicar Cristo aos não salvos (Atos 8:1-4). 5. O Princípio da evangelização através do testemunho e do evangelismo pessoal: O índice de arrefecimento da fé entre os novos convertidos alcançados por evangelização em massa tende a ser 75%. Os esforços evangelísticos como grandes cruzadas, sem as raízes fincadas na igreja local, tende a ser movimentos com forte ênfase em decisões mais do que em discipulado. 6. O Princípio da Obediência: Um comum denominador na plantação de igrejas, é o inarredável compromisso de sermos a comunidade do compromisso com a Palavra. 7. O Princípio da pluralidade de lideranças locais: Nenhum homem é a expressão da mente de Deus... A pluralidade de líderes na Igreja local salvaguarda o ministro de toda e qualquer tendência de brincar de Deus sobre a comunidade. 8. O princípio de evitar Publicidade Sensacional: É importante que a igreja novamente imite o Senhor por aproximar do mundo evitando toda a publicidade sensacional. 9. O Princípio da Mobilidade: Nós precisamos enfrentar a verdade que Igrejas falham quando elas tornam-se prisioneiras de suas próprias estruturas e perdem sua mobilidade, confinando suas atividades dentro das paredes do santuário, sem visão evangelística e sem uma influência benfazeja dentro da sociedade. 10. O Princípio de evitar quaisquer tipos de Sincretismos na tarefa de plantação de novas igrejas: Entre os inimigos da igreja incluem-se: a crença que cada um já é um cristão mesmo sem ter nascido de novo, e o relativismo moral e religioso. Roger Greenway sugere seis características que devemos ter no ministério urbano: Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 107 1. Aqueles que desejam servir na cidade devem aprender a amar a cidade. 2. Os trabalhadores cristãos devem conhecer a cidade 3. Os trabalhadores cristãos devem aprender a apreciar o corpo de Cristo existente na cidade. 4. Um trabalho bem sucedido implica em se condoer pela cidade. 5. Bons trabalhadores urbanos possuem uma paixão por evangelização profunda e genuína. 6. O trabalhador deve construir uma credibilidade genuína para ser eficaz no ministério urbano. BIBLIOGRAFIA BÁSICA BURNS, Bárbara; AZEVEDO, Décio de; CARMINATI, Paulo Barbero F. de. Costumes e Culturas: Antropologia Missionária. 3ª EDIÇÃO. São Paulo: Vida Nova, 1995. Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br MISSIOLOGIA 108 PARABÉNS!!! VOCÊ ACABOU DE LER O NOSSO CONTEÚDO! Esta apostila é exclusiva para os alunos do Instituto de Teologia Logos... Se você ainda não está estudando conosco, nós estamos lhe oferecendo uma oportunidade de fazer sua inscrição com um excelente desconto e alguns bônus especiais. 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