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Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” 
www.institutodeteologialogos.com.br | contato@institutodeteologialogos.com.br 
 
 
 
MISSIOLOGIA 
 
 
 
2 
 
INSTITUTO DE TEOLOGIA LOGOS 
PREPARANDO CRISTÃOS PARA A DEFESA DA FÉ 
CURSOS DE TEOLOGIA 100% Á DISTÂNCIA 
 
 
 
 
 DISCIPLINA. 
MISSIOLOGIA 
(Organizado pelo Setor Acadêmico do ITL) 
 
 
 
 
BRASIL, MA 
Versão 2021 
 
 
Instituto de Teologia Logos – “Preparando cristãos para a defesa da fé!” 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
3 
 
Pesquisa e Organização do Conteúdo: 
Instituto de Teologia Logos, EA 
Gráficos, Edição e Finalização: 
Instituto de Teologia Logos, EEG 
 
 
 
 
DADOS DE CATALOGAÇÃO INTERNA DA PUBLICAÇÃO – DCIP 
CÓDIGO DCIP: 001-021-2021-1 
CÓDIGO DISCIPLINA: ITLON21 
 
LOGOS, Instituto de Teologia (ORG). MISSIOLOGIA. 
MARANHÃO: PUBLICAÇÕES ITL, 2021. 107 pgs. 
 
 
 
 
Instituto de Teologia Logos – Diretoria de Ensino 
Barra do Corda - MA - Brasil - 65950-000 
(99) 98433-5387 | institutodeteologialogos@hotmail.com 
 
mailto:institutodeteologialogos@hotmail.com
 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
4 
SUMÁRIO 
 
1 - MISSIOLOGIA E TEOLOGIA .................................................................................................... 9 
1.1. CONCEITUANDO A MISSÃO........................................................................................................ 10 
1.2. DEFINIÇÕES GENERALIZADAS DE MISSÕES .................................................................................... 11 
1.3. UM DEFINIÇÃO DE MISSÕES ...................................................................................................... 12 
1.4. O CONCEITO DE MISSÕES NA CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER ................................................... 12 
1.5. O CONCEITO DE MISSÕES EM JOÃO CALVINO ............................................................................... 14 
1.6. CONCEITUANDO EVANGELIZAÇÃO ............................................................................................... 15 
1.7. OS MOTIVOS PARA MISSÕES..................................................................................................... 16 
1.8. ETIMOLOGIA DE MISSIOLOGIA.................................................................................................... 17 
1.9. QUADRO ETIMOLÓGICO............................................................................................................ 18 
1.10. APLICAÇÃO DA MISSIOLOGIA ..................................................................................................... 18 
1.11. DONALD MC GAVRAN-O PAI DA MISSIOLOGIA ............................................................................. 18 
2 - A BÍBLIA E AS MISSÕES ....................................................................................................... 21 
2.1. A BÍBLIA NA EVANGELIZAÇÃO DO MUNDO ................................................................................... 21 
2.2. O MANDATO DA EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL ................................................................................ 21 
2.3. A MENSAGEM DA EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL............................................................................... 22 
2.4. O PODER PARA A EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL ............................................................................... 22 
2.5. ANÁLISE EXEGÉTICA ................................................................................................................. 23 
2.6. DIFERENÇA ENTRE MISSÃO CENTRÍPETA E MISSÃO CENTRÍFUGA ....................................................... 24 
2.7. PRINCÍPIOS GERAIS DE MISSÕES ................................................................................................. 26 
2.8. EXTENSÃO DO PLANO DE MISSÕES.............................................................................................. 27 
3 - AS MISSÕES E SEU PROPÓSITO DE GLORIFICAR A DEUS ...................................................... 29 
3.1. O AMOR DE DEUS É A BASE PARA O NOSSO AMOR ........................................................................ 30 
3.2. A CENTRALIDADE DE DEUS NA VIDA DA IGREJA.............................................................................. 31 
3.3. A GLORIFICAÇÃO DE DEUS É O ALVO DE MISSÕES .......................................................................... 32 
4 - HISTÓRIA DE MISSÕES ........................................................................................................ 35 
4.1. COMEÇA O TRABALHO MISSIONÁRIO .......................................................................................... 35 
4.2. O PRIMEIRO DECLÍNIO MISSIONÁRIO .......................................................................................... 36 
4.3. O PRIMEIRO DESPERTAMENTO MISSIONÁRIO ............................................................................... 36 
4.4. SURGEM NOVAS IGREJAS MISSIONÁRIAS ...................................................................................... 38 
4.5. AS 10 ONDAS DE PERSEGUIÇÕES ................................................................................................ 38 
4.6. O SEGUNDO DECLÍNIO MISSIONÁRIO .......................................................................................... 38 
4.7. O SEGUNDO DESPERTAMENTO MISSIONÁRIO ............................................................................... 41 
4.8. O PAPEL DA IGREJA MORAVIANA ............................................................................................... 42 
4.9. O TERCEIRO DECLÍNIO MISSIONÁRIO........................................................................................... 42 
 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
5 
4.10. PRINCIPAIS SOCIEDADES E SEUS MISSIONÁRIOS ............................................................................. 43 
4.11. PREOCUPAÇÃO SOCIAL OCUPA O LUGAR DE MISSÕES ..................................................................... 44 
4.12. O TERCEIRO DESPERTAMENTO MISSIONÁRIO ................................................................................ 45 
4.13. CONFERÊNCIAS NACIONAIS E MUNDIAIS ...................................................................................... 46 
5 - A NATUREZA DA TAREFA MISSIONÁRIA ............................................................................. 48 
5.1. TERRITÓRIOS NÃO-ALCANÇADOS OU POVOS NÃO-ALCANÇADOS ...................................................... 48 
5.2. DEFINIÇÃO DE POVOS NÃO-ALCANÇADOS .................................................................................... 49 
5.3. A ESPERANÇA DO ANTIGO TESTAMENTO: TODAS AS FAMÍLIAS SERÃO ABENÇOADAS ............................ 49 
5.4. A PRIORIDADE DE PAULO POR POVOS NÃO-ALCANÇADOS .............................................................. 51 
5.5. A VISÃO DE JOÃO SOBRE A TAREFA MISSIONÁRIA .......................................................................... 52 
5.6. COMO A DIVERSIDADE MAGNÍFICA A GLÓRIA DE DEUS ................................................................... 53 
6 - A NECESSIDADE DAS MISSÕES ............................................................................................ 56 
6.1. INCLUSIVISMO ........................................................................................................................ 56 
6.2. PERSEVERANÇA DIVINA ............................................................................................................ 57 
6.3. EXCLUSIVISMO (RESTRITIVISMO) ................................................................................................57 
6.4. HÁ NECESSIDADE DE CONSCIÊNCIA DA FÉ EM CRISTO? ................................................................... 59 
6.5. A NECESSIDADE DA REDENÇÃO DE CRISTO PARA A SALVAÇÃO .......................................................... 60 
6.6. “ABAIXO DO CÉU NÃO EXISTE NENHUM OUTRO NOME” ................................................................ 61 
6.7. COMO CRERÃO NELE? ............................................................................................................. 63 
7 - MISSÕES TRANSCULTURAIS ................................................................................................ 66 
7.1. O QUE É CULTURA? ................................................................................................................. 66 
7.2. TRANSCULTURAÇÃO ................................................................................................................. 67 
7.3. ETNOCENTRISMO .................................................................................................................... 67 
7.4. ACULTURAÇÃO........................................................................................................................ 67 
7.5. CHOQUE CULTURAL ................................................................................................................. 71 
7.6. O MISSIONÁRIO TRANSCULTURAL E O SEU PREPARO ...................................................................... 72 
7.7. TIPOLOGIA DA EVANGELIZAÇÃO .................................................................................................. 74 
7.8. A TEORIA DO EVANGELISMO DE VIZINHANÇA ................................................................................ 75 
7.9. A RELAÇÃO ENTRE CRISTO E A CULTURA ...................................................................................... 76 
8 - ANTROPOLOGIA MISSIONÁRIA .......................................................................................... 81 
8.1. DEFININDO ANTROPOLOGIA ...................................................................................................... 81 
8.2. ANTROPOLOGIA FÍSICA ............................................................................................................. 81 
8.3. ANTROPOLOGIA CULTURAL ....................................................................................................... 81 
8.4. O QUE A ANTROPOLOGIA NOS ENSINA? ...................................................................................... 82 
8.5. A CULTURA E SUAS DIVISÕES ..................................................................................................... 82 
8.6. O PROBLEMA DO RELATIVISMO CULTURAL ................................................................................... 85 
9 - JANELA 10/40 ..................................................................................................................... 87 
9.1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES ................................................................................................. 87 
 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
6 
9.2. RAZÕES PARA FOCALIZARMOS A JANELA 10/40 ............................................................................ 87 
9.3. DEFINIÇÕES IMPORTANTES ........................................................................................................ 88 
9.4. “OS TRÊS MUNDOS” ............................................................................................................... 89 
9.5. TRADUÇÃO DA BÍBLIA – UM GRANDE DESAFIO! ............................................................................ 90 
10 - O DESAFIO DAS MISSÕES URBANAS ............................................................................... 92 
10.1. CARACTERÍSTICAS DO HOMEM URBANO ...................................................................................... 92 
10.2. PROBLEMAS DO HOMEM URBANO ............................................................................................. 93 
10.3. OBSTÁCULOS PARA O CRESCIMENTO DAS IGREJAS URBANAS ............................................................ 95 
10.4. ESTRATÉGIAS DE EVANGELIZAÇÃO URBANA ................................................................................ 101 
10.5. A MOTIVAÇÃO PARA AS MISSÕES URBANAS............................................................................... 104 
10.6. DECISÕES IMPORTANTES PARA A IGREJA .................................................................................... 105 
10.7. PRINCÍPIOS RELEVANTES A MISSIOLOGIA URBANA ....................................................................... 106 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
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APRESENTAÇÃO 
 
Seja bem-vindo(a), caro(a) aluno(a)! 
Parabéns pela sua decisão de transformação, pois isso também 
mostra o quanto você está compromissado em contribuir com a 
transformação da igreja e da sociedade onde você está inserido. 
O Instituto de Teologia Logos estará acompanhando você durante 
todo este processo, pois “os homens se educam juntos, na transformação 
do mundo”. 
Os materiais produzidos oferecem linguagem simples, completa e de 
rápida assimilação, contribuindo para o seu desenvolvimento bíblico, 
teológico e ministerial, para desenvolver competências e habilidades e 
aplicar os conceitos, fundamentos e prática na sua área ministerial, 
possibilitando você atuar em favor do Reino de Deus com mais excelência. 
Nosso objetivo com este material é levar você a aprofundar-se no 
conteúdo, possibilitar o desenvolvimento da sua autonomia em busca de 
outros conhecimentos necessários para a sua formação bíblica, teológica 
e ministerial. 
Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento e 
construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize todos os 
materiais didáticos e recursos pedagógicos que disponibilizamos para 
você. Acesse regularmente a Área do Aluno, participe no grupo online 
com o tutor online que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e 
auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar 
com tranquilidade e segurança sua trajetória acadêmica. 
 
 
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AULA 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
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1 - MISSIOLOGIA E TEOLOGIA 
Quando olhamos para a Igreja Evangélica Brasileira e o movimento missionário atual, 
percebemos como ao longo dos anos teologia e missão tem andado por caminhos 
diferentes, completamente divorciados. Trata-se de uma dicotomia que precisa ser 
corrigida. Nós precisamos das duas: Precisamos da teologia, pois ela nos dá o 
embasamento para a tarefa missionária, e é especialmente importante por causa da 
dependência que a igreja tem dela para medir os nossos esforços com o padrão divino. E 
precisamos da missiologia pois ela é o meio pelo qual Deus faz nascer a Igreja, ela é 
resultado da ação não somente de Deus ao enviar seu Filho ao mundo como também do 
esforço de irmãos que divulgam o Evangelho de Cristo. 
Missiologia é a soma de duas palavras: do latim, “missione” significando função ou 
poder que se confere a alguém para fazer algo, encargo, incumbência; e do grego, “logia”, 
que significa estudo, conhecimento. Portanto, podemos definir Missiologia como a ciência 
queestuda os diferentes aspectos da missão que Deus deu ao homem. 
Carlos Del Pino, em seu artigo "Missiologia e Educação Teológica", diz que a “nossa 
educação teológica não tem se preocupado com o aspecto missiológico e missionário na 
formação dos nossos alunos", reforçando o fato de que existe, mesmo que inconsciente, 
uma tentativa de divorciar a Missiologia da Teologia. 
Esta dicotomia trás algumas implicações para a vida da igreja: 
 Dificuldades para identificar de maneira global a "obra de Deus", que acaba 
sendo confundida com a manutenção do status quo, dando a entender que o 
Reino de Deus está contido em uma estrutura eclesiástica. 
 As prioridades ministeriais são via de regra, voltadas para dentro, a fim de 
satisfazer todas as necessidades que foram criadas “em nome de Deus” dentro 
das estruturas eclesiásticas, em prejuízo da missão integral. 
 O treinamento dos líderes sempre se torna diferenciado, pastores e missionários 
não tem a mesma excelência em seu preparo acadêmico. 
Com o objetivo de romper com este dualismo entre teologia e missiologia, vamos 
abordar o tema sob 5 perspectivas: 
1. Perspectiva Teológica: Estudaremos a conceituação da tarefa missionária da 
Igreja e os fundamentos teológicos, abordando os diversos pressupostos que 
sustentam uma teologia reformada de missões. 
2. Perspectiva Cultural: É praticamente impossível transmitir uma mensagem do 
evangelho que faça sentido em situações transculturais sem que seus 
 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
10 
comunicadores conheçam os receptores da mensagem em seu ambiente cultural 
e histórico e sem que conheçam a si mesmos. Portanto, nossa proposta aqui 
objetiva mostrar a importância em se determinar os pontos de tensão cultural a 
partir de uma abordagem natural (não crítica) dos costumes, cosmologias e 
cosmovisões comuns em diferentes povos. 
3. Perspectiva Urbana: Nesta parte do curso, estudaremos as cidades e seus 
desafios para as missões; desafiando os alunos a desenvolve ruma estratégia para 
o ministério urbano, focalizando os desafios sociais e espirituais que o ambiente 
provoca. Examina diversos modelos de ministérios urbanos, inclusive através de 
estudos de campo, e fornece critérios para a elaboração de um ministério bíblico 
de impacto na cidade. 
4. Perspectiva Bíblica: Nosso objetivo aqui é estudar de maneira panorâmica as 
bases bíblicas do Antigo e Novo Testamentos de Missões. A matéria apresenta a 
Bíblia como o relato da "história da salvação" e como inspirada por Deus para o 
desempenho da Igreja no mundo. 
5. Perspectiva Histórica: Analisaremos o desenvolvimento e a expansão da fé cristã 
ao longo dos séculos, compreendendo os seus principais personagens, métodos e 
povos alcançados. 
1.1. Conceituando a Missão 
A questão da definição e conceituação da missão, há muito tem sido uma das 
questões mais discutidas no estudo da missiologia. Nem sempre tem havido consenso 
sobre o que se deve entender por missões. O que é missão? Qual é a sua natureza? Quais 
os objetivos das missões cristãs? A considerar os diferentes pressupostos teológicos, uma 
gama muito grande de respostas pode ser dada a estas questões. 
Não obstante, este ser um assunto controvertido, ele é também muito importante 
para a igreja e para os cristãos individuais. Como pode a igreja ser o que deve ser e fazer o 
que deve fazer se não tiver uma clara compreensão acerca do seu propósito na sociedade 
e no mundo? 
Desde o começo da História da Igreja muitas derivações de termos têm aparecido nas 
traduções latinas procedentes do verbo grego ‘apostolein’, significando ‘a arte de exercer 
o apostolado, o ofício de um apóstolo’. As palavras mais usadas são: Missio e Missiones. A 
terminologia ‘Missio’ somente veio a aparecer no século XVI quando as ordens de monge 
Jesuítas e Carmelitas enviaram ao novo mundo de então centenas de missionários. Inácio 
de Loyola e Jacob Loyonez consistentemente empregaram o termo ‘Missio’. Eles, os 
jesuitas foram os primeiros a utilizarem a terminologia “Missão”, como a propagação da fé 
 
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Cristã entre os povos não-cristãos, ou seja, a disseminação da fé entre os povos não-
católicos (os protestantes foram vistos como indivíduos a serem alcançados). Este sentido 
estava intimamente associado com a expansão colonial do mundo ocidental aos demais 
povos (atualmente chamado de terceiro mundo). 
Desde meados do século XX, vários sentidos têm sido aplicados ao termo “Missão”, 
alguns mais estreitos, outros, mais amplos. É importante que iniciemos nosso curso de 
missiologia dando alguns conceitos de missão. 
1.2. Definições Generalizadas de Missões 
Em sua obra Mission Theology: An Introduction, o missiólogo Karl Muller apresenta 
uma lista com os seguintes de conceitos: 
1. Missão é o envio de missionários para um designado território; 
2. Missão tem a ver com as atividades realizadas por tais missionários; 
3. Missão é a área geográfica aonde os missionários realizam seus ministérios; 
4. Missão é a agência missionária responsável pela logística e pelo envio dos 
missionários aos seus respectivos campos; 
5. Missão é a propagação do evangelho aos povos não alcançados; 
6. Missão é o centro do qual os missionários irradiam o evangelho; 
7. Missão é uma série de serviços religiosos com o propósito de despertar vocações 
missionárias; 
8. Missão é a propagação da fé Cristã; 
9. Missão é a expansão do reino de Deus; 
10. Missão é a conversão dos povos pagãos; 
11. Missão é a plantação de novas igrejas. 
Dr. Antônio José nos informa que até o século XVI, o termo “Missão”, foi usado 
exclusivamente com referência à doutrina trinitária, isto é, ao papel da trindade na história 
da redenção. O envio do filho pelo Pai, e por sua vez, o envio do Espírito Santo pelo Pai e 
pelo Filho, cuja interpretação missiológica deu origem à doutrina chamada na história de 
“Filioque”. Esta interpretação, contanto que aceita como doutrina básica da Igreja Cristã, 
foi um dos motivos da cisão do Cristianismo medieval no ano de 1054. 
 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
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1.3. Um Definição de Missões 
Em seu sentido mais amplo, a missão é tudo o que a igreja faz a serviço do Reino de 
Deus (Missões no plural). Em sentido mais restrito, contudo, a missão refere-se à atividade 
missionária, a pregação do evangelho entre povos e culturas em cujo meio ele não é 
conhecido (Missão no singular). A seguir, duas definições: 
J.H. Bavinck define assim: 
Missões é aquela atividade da igreja, essencialmente nada mais do que a atividade de 
Cristo, realizada por meio da igreja, pela qual a igreja, neste período intermediário, chama 
os povos da terra ao arrependimento e à fé em Cristo, de modo que se tornem seus 
discípulos e, pelo batismo, sejam incorporados a comunhão daqueles que esperam a vinda 
do Reino 
Carlos Del Pino, em artigo publicado diz que “a missão da igreja não pode ser algo 
independente de Deus e de Cristo, como se a igreja pudesse realizá-la por si só”. É 
exatamente este o ponto da definição de Bavinck quando ele diz que “Missões é aquela 
atividade da igreja, essencialmente nada mais do que a atividade de Cristo” 
Bosch nos oferece também uma definição de missão: 
A missão constitui um ministério multifacetado em termos de testemunho e serviço, 
justiça, cura, reconciliação, paz, evangelização, comunhão, implantação de igrejas, 
contextualização, etc..Inlcusive o intentode arrolar algumas dimensões da missão, porém 
está repleto de perigo, porque de novo sugere que nos é possível definir o que é infinito. 
Quem quer que sejamos, espreita-nos a tentação de enclausurar a Missio Dei nos estreitos 
confins de nossas próprias predileções, voltando, necessariamente, à unilateralidade e ao 
reducionismo.” 
Labieno Palmeira dá sua definição de missões: 
Fazer missões é procurar estar em sintonia com Deus, empenhando-se ao máximo 
para ver o que Deus vê, ouvir o que Deus ouve e conhecer como Deus conhece, e não 
apenas isto, é estar disponível para descer onde Deus quer descer, livrar aqueles que Deus 
deseja libertar e fazer subir aqueles que Deus deseja levar para a terra que mana leite e 
mel 
1.4. O Conceito de Missões na Confissão de Fé de 
Westminster 
A Confissão de Fé de Westminster, no seu capítulo XXXV, que trata do “DO AMOR DE 
DEUS E DAS MISSÕES, assim prescreve: 
 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
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I. Em seu amor infinito e perfeito - e tendo provido no pacto da graça, pela mediação 
e sacrifício do Senhor Jesus Cristo, um caminho de vida e salvação suficiente e adaptado a 
toda a raça humana decaída como está - Deus determinou que a todos os homens esta 
salvação de graça seja anunciada no Evangelho. (Ref. Jo.3:16; I Tim.4:10; Mc.16:15). - A 
Universalidade do Evangelho (Inclusivista) 
II. No Evangelho Deus proclama o seu amor ao mundo, revela clara e plenamente o 
único caminho da salvação, assegura vida eterna a todos quantos verdadeiramente se 
arrependem e crêem em Cristo, e ordena que esta salvação seja anunciada a todos os 
homens, a fim de que conheçam a misericórdia oferecida e, pela ação do Seu Espírito, a 
aceitem como dádiva da graça. ( ef. Jo.3:16 e 14:6; At.4:12; I Jo.5:12; Mc.16:15; Ef.2:4,8,9.) 
- A Necessidade da Fé Consciente, ou seja, há uma posição restritivista quanto ao 
destino daqueles que nunca ouviram falar de Jesus. 
 III. As Escrituras nos asseguram que os que ouvem o Evangelho e aceitam 
imediatamente os seus misericordiosos oferecimentos, gozam os eternos benefícios da 
salvação: porém, os que continuam impenitentes e incrédulos agravam a sua falta e são os 
únicos culpados pela sua perdição. ( Ref. Jo.5:24 e 3:18.) - A certeza do Sucesso na 
Pregação. 
O ponto aqui é o seguinte: Como pode a igreja em geral, e o cristão individual, estar 
segura de que não está assumindo uma obra que é intrinsecamente impossível de ser 
realizada? W.G.T. Shedd, D.D. (1820 – 1894) diz que “a pregação do evangelho encontra 
sua justificação, sua sabedoria, e seu triunfo, somente na atitude e relação com o infinito e 
todo-poderoso Deus que a sustenta” 
Sobre a certeza do sucesso da Igreja na pregação, Kuiper assim se expressa: 
A fé salvadora não é dom do evangelista ao seu ouvinte não salvo; "é dom de Deus" 
(Efésios 2:8). Nenhum evangelista jamais deu fé em Cristo a uma única alma. Ela é 
produzida nos corações humanos pelo Espírito Santo, pois "ninguém pode dizer: Jesus é o 
Senhor" senão pelo Espírito Santo" (1 Coríntios 12:3). Nenhum pecador jamais foi 
convertido por um evangelista; o autor da conversão é Deus 
IV. A Comissão por Jesus Cristo: Visto não haver outro caminho de salvação a não ser 
o revelado no Evangelho e visto que, conforme o usual método de graça divinamente 
estabelecido, a fé vem pelo ouvido que atende à Palavra de Deus, Cristo comissionou a sua 
Igreja para ir por todo o mundo e ensinar a todas as nações. Todos os crentes, portanto, 
têm por obrigação sustentar as ordenanças religiosas onde já estiverem estabelecidas e 
contribuir, por meio de suas orações e ofertas e por seus esforços, para a dilatação do 
Reino de Cristo por todo o mundo. ( Ref. Jo.14:6; At.4:12; Rom.10:17; Mt.28:19,20; I 
Cor.4:2; II Cor.9:6,7,10. ) 
 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
14 
1.5. O Conceito de Missões em João Calvino 
Veremos um pouco mais adiante e de maneira mais detalhada, a visão que o 
reformador tinha de missões. Por hora, basta apenas uma síntese do seu pensamento 
missionário. Uma crítica que tem sido levantada à Calvino e à outros reformadores, é que 
os mesmos não possuíam uma visão missionária. 
Veja o que Gustav Warneck escreveu: 
Nós perdemos com os Reformadores não apenas a ação missionária, mas mesmo a 
idéia de missões... [em parte] porque perspectivas teológicas fundamentais deles evitaram 
que dessem a suas atividades, e mesmo a seus pensamentos, uma direção missionária. 
Missiólogos mais recentes, como Ralph D. Winter, perpetua o erro de Warneck. Ele 
afirma: 
A despeito do fato de que os protestantes ganharam no fronte político, e, em grande 
medida, alcançaram a capacidade de reformular sua própria tradição cristã, eles nem 
mesmo falaram sobre missões, e aquele período terminou com a expansão católica 
européia nos sete mares, tanto política como religiosa. 
Mas o que realmente querem estes críticos dizer quando afirmam desinteresse dos 
reformadores por missões? Qual conceito tinham eles de missões e por qual padrão 
estavam julgado os reformadores? 
É certo que Calvino não escreveu, entre suas muitas obras teológicas, nenhum 
tratado sobre missões, mas é certo também que ninguém pode afirmar que ele tenha 
escrito algo contra a idéia de missões. O ponto que precisa ser ressaltado aqui é que se 
Calvino não escreveu especificamente um tratado sobre missões, isso não significa dizer 
que ele não possuía visão missionária. 
Entre os Reformadores, nenhum tem falado com mais clareza do que João Calvino a 
respeito de toda a questão do alcance da mensagem da fé cristã. Calvino apela repetidas 
vezes aos crentes a mostrarem interesse por seu próximo descrente. No contexto da época 
(século XVI), descrentes eram as pessoas simples do rebanho católico ou aquele que se 
livrara da dominação romana, mas não aderira à Reforma. As admoestações de Calvino são 
aplicáveis a todas as situações em que o crente se torna vizinho de um descrente. Em um 
sermão sobre 1 Timóteo 2.5,6, Segundo comenta Forbes, Calvino declara: “Quando vemos 
homens destruindo-se, não tendo Deus sido tão gracioso para juntá-los a nós pela fé do 
evangelho, devemos apiedar-nos deles e esforçarnos para trazê-los ao caminho reto.” 
Veja ainda a visão missionária de Calvino em suas palavras lembradas por Forbes: 
Nosso Senhor Jesus Cristo foi feito um como nós, e sofreu a morte para que pudesse 
tornar-se um advogado e mediador entre Deus e nós, e abrir um caminho pelo qual 
 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
15 
possamos chegar a Deus. Aqueles que não se empenham em trazer seu próximo e 
descrentes ao caminho da salvação mostram abertamente que não têm em conta a honra 
de Deus, e que tentam diminuir o imenso poder de seu império, e estabelecem limites 
para que Ele não possa governar todo o mundo, de igual modo obscurecem a virtude e 
morte de nosso Senhor Jesus Cristo e diminuem a dignidade dada a Ele pelo Pai. 
Em um sermão baseado em I Timóteo 2.3-5, Calvino demonstra a preocupação que 
os cristãos precisam ter com os descrentes. Conforme Forbes, Calvino assim afirma: 
Portanto, podemos estar cada vez mais certos de que Deus nos aceita e fortalece 
dentre seus filhos, se nos empenharmos em trazer aqueles que estão afastados dele. 
Confortemo-nos e tenhamos coragem neste chamado: embora haja nestes tempos um 
grande desamparo, e embora pareçamos ser miseráveis criaturas completamente 
arraigadas e condenadas, ainda assim devemos labutar tanto quanto possível para atrairaqueles que estão afastados da salvação. E, acima de todas as coisas, oremos a Deus por 
eles, esperando pacientemente que Ele se digne mostrar boa vontade para com eles, assim 
como tem mostrado para conosco. 
Calvino ensinou com firmeza que a Salvação é dom de Deus somente para os seus 
eleitos. Não obstante, isto não o impede de insistir para que os membros da igreja 
procurem trazer um grande número de pessoas a Cristo. Parker, elucidando o pensamento 
de Calvino sobre a igreja, registra a seguinte declaração de Calvino em um sermão sobre 
Isaías 53.12: 
Se desejamos pertencer à igreja e ser reconhecidos como rebanho de Deus, devemos 
admitir que isto ocorre porque Jesus Cristo é o nosso Redentor. Não receemos ir a Ele em 
grande número, e cada um de nós traga seu próximo, considerando que Ele é suficiente 
para salvar a todos. 
Calvino entendia que os cristãos têm a grande responsabilidade de espalhar as Boas 
Novas do Evangelho. Ele escreve: “porque é nossa obrigação proclamar a bondade de Deus 
para todas as nações... a obra não pode ser escondida em um canto, mas proclamada em 
todos os lugares”. Deus poderia ter escolhido outros meios, no entanto, ele escolheu 
“empregar a ação de homens” para a pregação do Evangelho. 
1.6. Conceituando Evangelização 
No debate contemporâneo entre missão e evangelização, a maioria dos missiólogos 
sustentam a visão que evangelização é um indispensável componente da missão da igreja. 
Missão, dizem eles, inclui tudo o que a igreja é chamada por Deus para fazer no mundo 
visando a manifestação de sua glória. Evangelização refere-se ao específico processo de 
espalhar as boas novas acerca de Jesus Cristo como a salvação de Deus aos povos. 
 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
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O missiólogo J. D. Douglas em seu livro Let the Earth Hear His Voice apresenta-nos a 
definição do pacto de Lausanne (1974) sobre evangelização: 
Evangelizar é espalhar as boas novas que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e 
ressuscitou da morte segundo as Escrituras, e que agora, ele concede perdão dos pecados 
e o Dom do Espírito para todos que se arrependem e crêem. Portanto, evangelização é a 
proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o propósito de 
persuadir as pessoas a vir a Ele pessoalmente e assim ser reconciliado com Deus. Jesus 
continua ainda convidando a todos para seguí-lo, negar a si mesmos, tomar a sua cruz e 
identificar a si mesmos com a comunidade dos remidos. O resultado do evangelismo inclui 
obediência a Cristo, incorporação na vida da igreja, e responsável serviço para o mundo. 
Orlando Costas, conhecido teólogo latino-americano, afirma: 
Evangelizar é participar de uma ação transformadora, isto é, as boas-novas da 
salvação. Neste sentido, a evangelização não é um conceito, mas sim uma tarefa dinâmica, 
encarnada primeiro na vida e ação salvífica de Jesus Cristo. Portanto, ela não pode ser 
reduzida a uma fórmula verbal. Evangelizar é reproduzir pelo poder do Espírito Santo a 
salvação que foi revelada em Jesus Cristo. 
John Stott, em sua obra The Biblical Basis of Evangelism, comenta: 
O tema central dos evangelhos e das cartas apostólicas é a natureza e o significado de 
Jesus Cristo. Ele é o Deus encarnado, o Messias esperado, o Senhor do universo. Através 
dele Deus tem pessoalmente entrado na história e provido salvação 
1.7. Os Motivos Para Missões 
Roger Greenway nos ajuda a entender por que devemos fazer missões. 
Motivos Errados 
Devemos admitir que sempre houve pessoas que ingressaram no trabalho do Senhor 
por razões equivocadas. Até os missionários que têm os motivos corretos podem cometer 
erros. At 13.13, At 15.37-40 e 2Tm 4.10. 
Podem existir motivos errados escondidos nas mentes dos mais sinceros 
missionários. 
 O desejo de ser admirado e louvado por outros 
 A busca por “auto-realização”, sem levar em consideração o esvaziar-se a si 
mesmo (Fp 2.5-7); 
 A busca por aventura e excitação; 
 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
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 A ambição em expandir a glória e influência de uma igreja ou denominação em 
particular, ou mesmo de um país; 
 A fuga das situações desagradáveis do lar; 
 A esperança de sucesso profissional após um curto período de serviço 
missionário. 
 A culpa e o anseio pela paz com Deus por meio do serviço missionário. 
Motivos Corretos 
Os motivos corretos para missões são ensinados na Palavra de Deus e aplicados nos 
corações dos crentes por meio do Espírito Santo. 
 O desejo de que Deus seja adorado e sua glória conhecida entre todos os povos 
da terra: A glória de Deus diz respeito a tudo o que foi revelado sobre ele: seu 
nome, sua santidade, seu poder, seu amor por meio de Jesus Cristo, sua 
misericórdia, sua graça e sua justiça. Entretanto, mais de três bilhões de pessoas 
no mundo não adoram ao verdadeiro Deus. Este pensamento é que inspira os 
missionários! Eles sentem uma divina compulsão em pregar o evangelho 1Co 
9.16. 
 O desejo de obedecer a Deus por amor e gratidão, por meio do cumprimento da 
Comissão de Cristo: “Ide fazei discípulos de todas as nações”. (Mt 28.19): O amor 
genuíno por Deus produz obediência à sua Palavra cf.: Jo 14.15; A obediência 
cristã toma forma e o povo de Deus é ungido com o Espírito Santo a servi-lo 
numa variedade de ministérios 1Co 12.4,5; Ef 3.10. 
 O desejo ardente de usar todos os meios legítimos para salvar os perdidos e 
ganhar não-crentes para a fé em Cristo: A paixão missionária pela glória de Deus 
é acompanhada pela paixão pelas pessoas que, por ignorância e descrença, 
estão morrendo em seus pecados. 
 A preocupação de que as igrejas cresçam e se multipliquem e de que o reino de 
Cristo seja estendido por meio de palavras e ações que proclamem a compaixão 
e a justiça de Cristo a um mundo de sofrimento e injustiça. 
1.8. Etimologia de Missiologia 
Missiologia origina-se dos termos Logia (estudo) e Missio (vem do substantivo 
“missione”), o qual, por sua vez, vem do verbo “mittere” que significa enviar. 
“Enviar” (português) ou “Mittere” (latim) é igual a “Apostellô” (grego). Tanto 
“Mittere” (latim) quanto “Apostellô” significam “Enviar”. 
 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
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O quê significa exatamente o verbo Enviar? 
Enviar é “1. Expedir, remeter; 2. Encaminhar, conduzir; 3. Mandar (alguém) numa 
missão” (Aurélio). 
Apóstolo  Missionário  Enviado 
Grego  Latim  Português 
1.9. Quadro Etimológico 
Língua Verbo Substantivo Significado Equivalente 
Grego Apostellô Apóstolo Enviar Apóstolo 
Latim Mittere Missione Enviar Missio 
Português Enviar Enviado Enviar Missionário 
 
Na Bíblia, o vocábulo Missionário, aparece na forma grega Apóstolo 
1.10. Aplicação da Missiologia 
A missiologia aplica-se ao estudo de missões nos seus mais variados aspectos. A 
saber: Cultura, Geografia, Pesquisar, Estratégias, Análise, Antropologia, Definições, Etc. 
A. Diferença entre Missiólogo e Missionário. 
 Missiólogo. Aquele que copila, organiza, analisa, interpreta a realidade dos 
movimentos de evangelização e cria estratégias e métodos para que o 
mundo seja alcançado pelo Evangelho. Isto é bem mais do que simplesmente 
dizer: “missiólogo é aquele que se aplica ao estudo e pesquisa de missões”. 
 Missionário. Aquele que é enviado para plantar igrejas onde ainda não há 
testemunhas, com todas as suas funções: pregação, ensino, assistência 
social, e adoração; e para tal, ele irá atravessar barreiras lingüísticas, 
culturais e/ou geográficas.1.11. Donald Mc Gavran-O Pai da Missiologia 
Nasceu na Índia em 1897. Filho e neto de missionário, Mc Gravan iniciou sua carreira 
em Harda, na Índia, como Superintendente de uma escola de missões, na Sociedade 
Missionária Cristã Unida. 
 
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MISSIOLOGIA 
 
 
 
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Mais tarde serviu em outros cargos como na Educação e Saúde. 
Nos anos 30 voltou para os E.U.A. onde cursou o Doutorado em Filosofia, na 
Universidade de Colúmbia. Mc Gravan percebera de há muito que a obra realizada pelos 
missionários estava seguindo bem pouco do sentido de alcançar o alvo de evangelização 
mundial, e ansiava para que fossem feitas pesquisas a fim de se desenvolver novos 
métodos e estratégias missionárias. 
Em 1961 fundou o Instituto de Crescimento da Igreja. Mc Gravan estudou as 
atividades evangelísticas, a fim de descobrir princípios e metodologias que resultassem no 
melhor crescimento da Igreja. 
Sua tese é que as ciências sociais podem se associar à tarefa missionária. A pesquisa e 
análise têm condições de remover obstáculos ao crescimento da Igreja. 
Para Donald Mc Gravan e seus discípulos, a real incorporação dos convertidos na 
Igreja (e não necessariamente o número de decisões) era o fator-chave na avaliação da 
metodologia missionária. 
Ele definiu 2 Estágios do Cristianismo: 
1. Discipulado. Que abrange os passos a serem dados para a pessoa se tornar 
cristã 
2. Aperfeiçoamento. Sendo o crescimento na vida cristã. 
A pesquisa tornou-se o principal instrumento de Gravan. Baseado nela concluiu que 
os métodos tradicionais de evangelização em massa contribuem muito pouco para o 
crescimento real da Igreja. 
Em virtude de seus escritos e suas idéias inovadoras, Mc Gravan tem estado no 
centro dos debates a respeito da estratégia missionária. 
Ele “perturbou” completamente a antiga, tradicional e grandemente improdutiva 
metodologia missionária que dominou todas as missões, antes de 1955. 
Em muitos aspectos, sua importância não se encontra tanto na exatidão de suas 
respostas, mas nas questões significativas que levantou e na maneira como (mais que 
qualquer outro!) ele levou o estudo das missões de simples cursos introdutórios em 
algumas escolas cristãs para um nível de estudo profissional abrangente, em todo o 
Mundo. 
 
 
 
 
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AULA 
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2 - A BÍBLIA E AS MISSÕES 
2.1. A Bíblia na Evangelização do Mundo 
Sem a Bíblia a evangelização dos povos seria inconcebível. A Bíblia coloca sobre nós a 
responsabilidade de evangelizar o mundo, dá-nos um evangelho a proclamar, diz-nos como 
faze-lo e declara-se o poder de Deus para cada crente. 
Além disso, e fato notável na História, tanto na passada como na contemporânea, 
que o grau de compromisso da igreja com a evangelização do mundo é proporcional ao 
grau de sua convicção sobre a autoridade da Bíblia. 
Sempre que o cristão perde sua confiança na Bíblia, eles também perdem o seu zelo 
pelo evangelismo. Inversamente, sempre que estão convencidos sobre a Bíblia, estão 
determinados sobre o evangelismo. 
Vejamos três razões porque a Bíblia é indispensável à evangelização do mundo. 
2.2. O Mandato da Evangelização Mundial 
Em primeiro lugar a Bíblia nos dá o mandato da evangelização. Há aproximadamente 
4.000 anos atrás, Deus chamou a Abraão e fez uma aliança com ele, prometendo não 
apenas abençoá-lo, mas também abençoar através da sua posteridade, todas as famílias 
da Terra (Gn 12.1-4). Este texto é uma das principais bases da missão cristã; pois os 
descendentes de Abraão (através de quem, todas as famílias da Terra estão sendo 
abençoadas) são: Cristo e o povo de Cristo! Se pela fé pertencemos à Cristo, somos filhos 
espirituais de Abraão (Gl 3.7) e temos uma responsabilidade com a humanidade. Deste 
modo, os profetas vetereotestamentário profetizam como Deus faria deste Cristo, o 
Herdeiro e a Luz das nações (SL 2.8; Is 42.6; 49.6). 
Quando Jesus veio, ele endossou estas promessas. É certo que durante o seu 
ministério terreno ficou restrito às “ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10.6; 15.24) 
mas, Ele profetizou que muitos viriam “do Ocidente e do Oriente e tomariam lugares à 
mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus” (Mt 8.11; Lc 13.29). Mas ainda, em 
antecipação de Sua ressurreição e ascensão Ele fez tremenda reivindicação de que “toda a 
autoridade no céu e na Terra” LHE fora dada (Mt 28.18). Foi em conseqüência de Sua 
autoridade universal que Ele ordeno aos seus seguidores que fizessem discípulos de todas 
as nações, batizando-as em sua nova comunidade e ensinando a todos a Sua doutrina (Mt 
28.19). Isto os cristãos primitivos começaram a fazer depois de o Espírito Santo haver 
descido sobre eles; tornaram-se verdadeiras “testemunhas” de Jesus, entronizando a Sua 
direita e concedendo-lhe a mais alta posição, a fim de que toda a língua confessasse o Seu 
 
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senhorio (Fp 2 ). Eles desejaram que Jesus recebesse a honra devida ao Seu nome. Além 
disso, Ele retornaria em glória, para salvar, julgar e reinar. Portanto, o que deveria 
preencher os espaços em sua vida? A missão mundial da Igreja! O fim da história ao virá 
depois que o Evangelho alcançasse o fim da Terra (Veja Mt 24.14; 28.20; At 1.8). 
2.3. A Mensagem da Evangelização Mundial 
Em segundo lugar, a Bíblia nos dá a mensagem para a evangelização do mundo. 
Evangelizar é divulgar a Boas Novas de que Jesus morreu pelos nossos pecados e 
ressuscitou entre os mortos, segundo as Escrituras. E como Senhor e Rei, Ele oferece 
perdão dos pecados e dom libertador do Espírito a todos que crêem e se arrependem. 
A nossa mensagem vem da Bíblia. Não a inventamos. Ela nos foi confiada como um 
depósito e nós, como bons “despenseiros”, devemos distribuí-la (1 Co 4). 
Os apóstolos expressaram este único evangelho de diversos modos: ora sacrifical (o 
derramamento e a aspersão do sangue de Cristo), ora messiânico (o surgimento do 
governo prometido por Deus), ora legal (o juiz pronunciado a justificação do injusto), ora 
pessoal (o Pai reconciliando seus filhos desviados) e ora salvifico (o libertador celestial 
vindo para resgatar os desamparados). 
Assim como a Ordem, a Mensagem nos foi dada pelo próprio Cristo. Ele nos disse: 
“Ide e pregai o meu evangelho”... 
2.4. O Poder Para a Evangelização Mundial 
Em terceiro lugar, a Bíblia nos dá o Poder para a evangelização do mundo. Leia 
cuidadosamente Lc 24.49 e At 1.8. 
Sabemos que nossos recursos humanos são fracos em comparação com a magnitude 
da Tarefa. Sabemos também, quão blindadas são as barreiras do coração do homem. Pior 
ainda, conhecemos a realidade, a maldade e o poder pessoal do diabo, e dos demônios sob 
seu comando. A Bíblia diz-nos que “o mundo jaz no maligno” (I Jo 5.19), assim, até que 
sejam libertados e transportados para o Seu reino, todos os homens e mulheres são 
escravos de Satanás. Além disso vemos seu poder no mundo contemporâneo-nas trevas da 
idolatria, na devoção de deuses vãos, no materialismo, na violência, agressão, etc... E ainda 
mais, Paulo escrevendo aos Coríntios (II Co 4.4) ele afirma que “o deus deste século cegou 
o entendimento dos incrédulos para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glóriade Cristo, o qual é a glória de Deus”. 
Se Satanás está dominando a mente das pessoas, se as mentes humanas estão cegas 
como poderão chegar à verdade? Somente pela Palavra de Deus! Pois Ele mesmo disse 
 
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que “de trevas resplandecerá a luz” que brilhou em nossos corações para a iluminação do 
conhecimento da glória de Deus na face de Cristo (II Co 4.6). 
Se Satanás cega as mentes das pessoas, e Deus ilumina seus corações, em que 
podemos nós contribuir para esse encontro? Paulo chega a conclusão entre os versículos 4 
e 6 que descrevem as atividades de Deus e de Satanás, o verso 5 descreve a obra do 
evangelista: “pregamos a Cristo Jesus como Senhor”. Considerando que a luz que o diabo 
quer evitar que as pessoas vejam e que Deus faz brilhar nelas é o evangelho, então é 
melhor que preguemos! 
É a pregação do Evangelho o meio estabelecido por Deus para que o príncipe das 
trevas seja derrotado e a luz jorre nos corações das pessoas. Há poder no evangelho de 
Deus! Poder para salvação de vidas. Confira Rm 1.16; 10. 13,14; 
Sem a Bíblia a evangelização do mundo é impossível. Pois, sem a Bíblia não temos 
nenhum evangelho para levar às nações. A Bíblia é a base de missões, assim como missões 
é a base da Bíblia. É a Bíblia Sagrada que nos dá o Mandato, a Mensagem e o Poder que 
precisamos para a evangelização mundial. Leia Mt 28. 18-20; Mc 16.15-18; Lc 24.45-48; At 
1.8; e Jo 15.16; 20.21. 
Façamos nossas as palavras de Paulo: “...ai de mim se não anunciar o Evangelho!” 
2.5. Análise Exegética 
Analisemos Mt 28.19,20 exegeticamente. No original grego estes versículos estão 
assim: poreuthentes oun Matheutésate panta ta ethne. Vejamos agora, os respectivos 
significados destas palavras. 
POREUTHENTES. Deveis ir! Ou Ide! Note o imperativo. É uma ordem. Este é o 
verdadeiro sentido do que lemos. Foi assim que soou aos ouvidos dos discípulos. 
Hoje, porém, muitos tratam estas palavras de Jesus, como se fossem um “pedido de 
favor” que Ele nos fez, ou então, como se estas palavras tivessem importância somente no 
passado, para os primeiros comissionados. É exatamente por isso que a evangelização dos 
povos está tão atrasada. Falta reconhecimento da ordem e pronta obediência! 
Por que os muçulmanos, que começaram a pregar cerca de 600 anos depois do 
Apóstolo Paulo, já alcançaram 1/5 da população mundial, enquanto nós evangélicos, 
temos apenas 550 milhões aproximadamente? Será erro de cálculo? Ou de Estratégia? 
Será falta de dinheiro? 
Não! É falta de Fé! De Amor! De Obediência! De Compromisso com Deus e com Sua 
Palavra. Obediência, vêm antes de estratégias, métodos ou dinheiro. Ao ouvir Jesus falar, 
seus discípulos não receberam suas palavras com o sentido de: “Olha, talvez seja bem que 
 
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vocês comecem a pregar, primeiro em Jerusalém e depois em todo o mundo”. Não! Foram 
palavras fortes como de um general, passando ordens aos seus subalternos, os quais não 
podem questionar, senão simplesmente obedecer. 
Foi assim que Paulo recebeu esta ordem, pois ele respondeu: “Porque, se anuncio o 
Evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta esta obrigação, e ai de mim se 
não anunciar o Evangelho.” (I Co 9.16). 
OUN. Portanto ou Pois. É uma palavra de ligação. 
MATHEUTÉSATE. Fazei discípulos, ou seguidores, ou aprendizes. (Também 
imperativo). 
PANTA–TA. A todos. De modo que, até agora, este versículo fica assim: “Ide, e fazei 
discípulos de todos os ethne”. A palavra ethne merece atenção especial. 
ETHNE. “Nação”. Desde os séc. XV e XVI, a palavra ETHNE vem sendo traduzida para 
algumas línguas ocidentais apenas com o significado de NAÇÃO. O que não é errado. 
Todavia, a palavra ETHNE deriva-se de “ETHNOS”, que é um termo grego usado para 
designar o vocábulo “povo” ou “gente”. 
POVO ou GENTE. O vocábulo Ethne é geratriz da palavra “Etnia”. Etnia é um grupo 
humano que se relaciona entre si por fatores como língua, religião, raça, moradia, 
ocupação, classe social, modo de vida, modo de vestir, ou não. Ou seja, um povo! 
Sendo assim, o versículo fica bem traduzido deste modo: “Ide, pois, e fazei discípulos 
de todos os povos.” 
A origem das raças, deu-se na confusão das línguas na Torre de Babel (Gn 1.7,8). Se o 
propósito de Jesus é restaurar todas as coisas (Cl 1.20); então é natural que a maldição de 
Babel também seja, de certa forma, desfeita espiritualmente. A divisão de raças tem sido 
motivo de orgulho, inimizade e guerras entre os povos. O único caminho para que as 
nações voltem a falar a “mesma língua”, é Jesus, pois, a Palavra de Deus torna-se um 
“idioma Internacional”, uma vez que é um elo de ligação espiritual que rompe os laços de 
divisão e proporciona a verdadeira paz. 
2.6. Diferença entre Missão Centrípeta e Missão Centrífuga 
Existe grande diferença entre os métodos que Deus deu a Israel e os que Ele deu à 
Igreja para o cumprimento de suas respectivas missões. 
A. Missão Centrípeta. Israel devia ser como um “Imã” e atrair para Deus os outros 
povos e nações. Os filhos de Israel deviam ser sacerdotes santos que revelassem Jeová, o 
Único Deus Verdadeiro, a todas as nações, e mediadores que levassem a Deus. Em outras 
 
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palavras, os povos deveriam se convergir à Israel para conhecerem o seu Deus. A natureza 
da missão de Israel era centrípeta. Observe a figura abaixo. 
 
NAÇÕES NAÇÕES NAÇÕES 
    
NAÇÕES  ISRAEL  NAÇÕES 
    
NAÇÕES NAÇÕES NAÇÕES 
 
B. Missão Centrífuga. A igreja também tem um chamado para o ministério sacerdotal 
(II Co 5.16-19; I Pe 2.9,10). Contudo, a natureza de sua missão é centrífuga. 
Diferentemente de Israel, não se requer da Igreja que esteja parada, quieta, e 
simplesmente “atraia” os outros povos Ao seu Deus. Requer-se que vá a outras gentes e as 
ganhe para Cristo. Depois de ganhas, estas, por sua vez, devem formar extensões da Igreja 
em seu próprio país. A seguir, esse povo mesmo levará a cabo missões centrífugas, saindo 
a pregar. É isto que manda a Grande Comissão. É assim que ensina a Geografia Missionária 
de Jesus. Veja Mt 28.18,19 e At 1.8. Observe o diagrama abaixo: 
 
 
JERUSALÉM 
“Tanto quanto” 
 
  
JUDÉIA 
“Simultaneamente” 
 IGREJA  
SAMARIA 
“Ao mesmo 
tempo” 
  
 
CONFINS DA TERRA 
“Concomitantemente” 
 
 
Antes de ser assenso ao Céu, Jesus disse aos seus discípulos que ele (após receberem 
o Espírito Santo) seriam suas testemunhas tanto quanto em Jerusalém, assim como na 
Judéia, Samaria e nos confins da Terra. Jesus não disse que só depois de alcançarem um 
lugar é que deveriam passar para o outro. Ele disse “tanto quanto”, ou seja, ao mesmo 
tempo; simultaneamente; concomitantemente. 
Esta é uma descrição perfeita da natureza centrífuga da missão da Igreja! 
 
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2.7. Princípios Gerais de Missões 
Missões é tão antiga quanto à existência do homem. Missões nasceu no “coração de 
Deus”. Missões nasceu no ÉDEN. Missões nasceu no AMOR DE DEUS! 
 Deus é amor (1 Jo 4.16); 
 Deus nos ama (Jo 3.16); 
 Deus nos ama porque é sustentador de tudo e de todas as coisas (Sl 42.1,2); 
 Deus nos ama porque é Criador (Gn 1 e 2). 
A. A Origem de Missões. O Jardim do Éden foi o palco da: 
 Criação (Gn 1 e 2). 
 Tentação (Gn 3.1-5). Queda do Homem (Gn 3.6,7). 
 Vergonha e separação (Gn 3.8b) 
 Juízo de Deus (Gn 3.9-23). 
Mas o Éden também foi o palco de: 
 Missões (Gn 3.15) 
O versículo 15 contém a primeira promessa implícita do plano salvífico de Deus para 
a redenção da humanidade. É uma profecia que contém duas predições: 
1. Prediz o conflito espiritual entre a “semente da mulher” (isto é, Jesus Cristo) e a 
“semente da serpente” (isto é, Satanás); Confira em Is 7.14; Mt 1.1-16; Ap 12.9 e 
20.2. Deus promete aqui, que Cristo nasceria de uma mulher; que seria “ferido” 
(ao ser crucificado); mas que ressuscitaria dentre os mortos para destruir 
completamente (“ferir”) a Satanás, o pecado e a morte, bem como, para salvar a 
humanidade (Veja Is 53.5; Mt 1.20-23; Rm 5.18,19; I Jo 3.8 e Ap 20.10). 
2. Prediz a vitória final de Deus (e do povo de Deus!) contra Satanás e o mal (Jo 
12.33; At 26.18; e Rm 16.20). 
Esta promessa de Gn 3.15 é chamada de “Promessa Messiânica”. Aqui está a origem 
de Missões. 
O homem pecou, e conseqüentemente, distanciou-se de Deus. O homem tornou-se o 
“Objeto de Missões”. Para que ele pudesse ser reconciliado novamente com Deus, era 
necessário que Jesus fosse “enviado” ao Mundo. Confira em II Co 5.17; Lc 22.53; Jo 1.1-14; 
3.16; e Hb 2.14,15. 
 
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2.8. Extensão do Plano de Missões 
O ponto culminante do plano salvífico e de redenção é a morte vicária de Cristo, e a 
extensão deste plano é a Grande Comissão. 
Após sua ressurreição, Jesus comissionou seus discípulos (e a nós também!) a 
continuarem a propagação do Evangelho (Jo 20.19-23). Isto é a Grande Comissão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3 - AS MISSÕES E SEU PROPÓSITO DE 
GLORIFICAR A DEUS 
Tendo já conceituado a Missão, precisamos agora tratar da questão sobre a a 
prioridade ou principal missão da igreja. Qual é a Missão principal e última da Igreja? 
Muitos missiólogos afirmam que a prioridade última da igreja é evangelizar e fazer missões 
ao redor do mundo. Quem não ouviu a famosa frase atribuída a Alexandre Duff: “A Igreja 
que não evangeliza não é evangélica”?. Dizer que a tarefa principal da igreja é evangelizar 
não encontra respaldo nas Escrituras e óbviamente, também não encontra eco na teologia 
reformada de missões. Se por “prioridade” queremos dizer “o alvo último” da igreja, nossa 
resposta deve ser “não”. Como reformados entendemos que a obra missionária não é o 
alvo último da igreja. 
Martyn Lloyd-Jones assim se expressa: 
O objetivo supremo desta obra é glorificar a Deus. Esse é o ponto central. Esse ;é o 
objetivo que deve dominar e sobrepujar todos os demais. O primeiro objetivo da pregação 
do evangelho não é salvar almas; É GLORIFICAR A DEUS. Não se tolerará que nenhuma 
outra coisa, por melhor que seja nem por mais nobre, usurpe esse primeiro lugar. 
Neste ponto de nosso curso de missiologia, vamos ver á luz da Palavra de Deus, que é 
o culto a Deus e não a obra missionária, deve ser a preocupação principal da igreja do 
Senhor. Conforme vemos nos argumentos de John Piper, “o desafio missionário existe e 
persiste porque o culto pleno a Deus ainda não existe”. O culto é o alvo último da igreja. O 
culto a Deus deve ter prioridade na igreja, não a obra missionária, porque Deus é último, e 
não o ser humano. 
Quando esta era terminar e representantes de toda raça, tribo e nação se dobrarem 
diante do Cordeiro de Deus, a obra missionária não mais exisitirá na igreja. Mas existirá o 
louvor e a adoração. Permanecerá na igreja o culto. ( Paixão de Deus por sua própria glória 
: Isaías 48:9-11 ). O homem natural busca a sua própria glória, mas Deus, a sua. 
A adoração é o combustível e a meta das missões. É a meta das missões porque nelas 
simplesmente procuramos levar as nações ao júbilo inflamado da glória de Deus. O alvo 
das missões é a alegria dos povos na grandiosidade de Deus. “Reina o Senhor. Regozije-se 
a terra, alegrem-se as muitas ilhas” (Sl 97.1). “Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te os 
povos todos. Alegrem-se e exultem as gentes” (Sl 67.3-4). Quando a chama da adoração 
arder com o calor da verdadeira excelência de Deus, a luz das missões brilhará para os 
povos mais remotos da terra. ( Ef 1:4-6; cf 12-14; Sl 106:7,8; Rm 9:17; Ex. 14:4,17,18; Ez 
36:22,23,32) 
 
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Por mais que queiramos afirmar a prioridade da obra missionária, creio que uma 
análise honesta da revelação bíblica leve à conclusão que o culto é o fim último da igreja e 
o desejo máximo de Deus para toda a humanidade. A primeira pergunta do Catecismo de 
Westminster diz: “Qual é o fim principal do ser humano?” E a resposta acertada é: “O fim 
principal do ser humano é glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre.” É dentro desta 
perspectiva reformada e bíblica maior da prioridade última da glória de Deus que nossa 
reflexão a respeito da obra missionária se encontra. 
Missões começam e terminam na adoração. Há alguns pontos a serem destacados 
com relação a isso: 
3.1. O Amor de Deus é a Base Para o Nosso Amor 
A ordem bíblica da evangelização dos povos, precisa ser vista no contexto do deleite 
divino. Não podemos nos esquecer que o motivo por trás de todas as ações deve objetivar 
agradar a Deus (Sl 115:3; Is. 48:9-11). Deus tem prazer nele mesmo. Esta última afirmação 
por nos soar um tanto estranha, mas vamos buscar entender o que isso significa. Deus nos 
ensina que nosso objetivo supremo deve ser amá-lo e glorificá-lo para sempre, como, 
então, isso poderia ser diferente para ele mesmo? O fundamento para nosso deleite em 
ver Deus glorificado é seu próprio deleite em ser glorificado. Deus é central e supremo em 
todas as suas afeições. Não há rivais para a soberania de Deus em seu próprio coração. 
Deus não é um idólatra. 
Isso tudo pode nos parecer um tanto confuso, talvez porque nunca tenhamos parado 
para pensar desse modo. O coração mais apaixonado por Deus em todo o universo é o 
coração do próprio Deus. Essa verdade sela a convicção de que adoração é o combustível e 
o objetivo de missões. O amor de Deus por si mesmo é justo, pois ele é justo, é reto, é 
amor. Podemos ver de modo claro essa paixão da qual estamos falando em Isaías 48.9-11: 
“Por amor do meu nome, retardarei a minha ira e por causa da minha honra me 
conterei para contigo, para que te não venha a exterminar. Eis que te acrisolei, mas disso 
não resultou prata; provei-te na fornalha da aflição. Por amor de mim, por amor de mim, é 
que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a dou a 
outrem.” 
As expressões desse texto deixam claro que Deus agiu “por amor do seu nome”, por 
amor de si mesmo ele não exterminou o povo de Israel. É isso, também, o que demonstra 
uma série de outros textos. Deus escolheu seu povo para sua glória (Ef 1.46); nos criou 
para sua glória (Is 43.6-7); libertou Israel do Egito para sua glória (Sl 106.7-8); Jesus disse 
que responde às orações para que o nome de Deus seja glorificado (Jo 14.13); Jesus nos 
acolheu para a glória de Deus (Rm 15.7); o plano de Deus é encher a terra com o 
 
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conhecimento da glória do Senhor (Hc 2.14). Esses e tantos outros textos da palavra de 
Deus não deixam dúvida de que Deus ama a si mesmo, e esse deve ser também o nosso 
objetivo e nossa motivação para missões. Por esse motivo é que... 
3.2. A Centralidade de Deus na Vida da Igreja 
Quando as pessoas não estão maravilhadas pela grandiosidade de Deus, como 
poderão ser enviadas para proclamar a mensagem: “grande é o SENHOR e mui digno de 
ser louvado, temível mais que todos os deuses” (Sl 96.4)? É essencial que em missões haja 
centralidade de Deus na vida da igreja. 
A paixão por Deus no culto precede a oferta de Deus na pregação. Não podemos 
pregar com convicção aquilo que não estimamos com paixão. “Quando a chama do culto 
queima com o calor da verdadeira dignidade de Deus, a luz da obra missionária brilhará até 
os povos mais distantes da terra” Quando a paixão por Deus está fraca, o zelo por missões 
certamente será fraco também. As igrejas que não exaltam a majestade e a beleza de Deus 
dificilmente poderão acender um desejo afervescente para “anunciar entre as nações a 
sua glória” (Salmo 96.3). O zelo pela glória de Deus no culto é a grande força motivadora 
para a obra missionária. 
John Piper, cita o seguinte pronunciamento de Andrew Murray há mais que cem 
anos: 
Enquanto buscamos a Deus sobre por que, com tantos milhões de cristãos, o 
verdadeiro exército de Deus que está combatendo os exércitos da escuridão é tão 
pequeno, a única resposta é C falta de coragem e entusiasmo. O entusiasmo pelo reino de 
Deus está faltando. E isto é porque há tão pouco entusiasmo pelo Rei. 
Ninguém poderá se dispor à causa missionária se não experimentar a magnificiência 
de Cristo (Apocalipse 15.3-4; cf. Salmos 9.11; 18.49; 45.17; 57.9; 96.10; 105.1; 108.3; e 
Isaías: 12.4; 49.6; 55.5) 
Quero acrescentar ao que Piper e Carriker já disseram que, Calvino também tem este 
foco em sua teologia de missões. Para ele tudo na vida deve ser vivido para a glória de 
Deus. Para Calvino, o fator que deveria motivar as missões mundiais era a glória de Deus. 
Charles Chaney escreve sobre Calvino: “o fato de que a glória de Deus era o motivo 
primordial nas primeiras missões protestantes e isto ter se tornado, mais tarde, uma parte 
vital do pensamento e atividade missionárias, pode ser traçado diretamente em direção à 
teologia de Calvino.” 
Precisamos nos voltar para o Todo-Poderoso e buscar a sua glorificação em primeiro 
lugar. Deus deve estar no centro de toda e qualquer atividade da igreja. Missões não são o 
 
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primeiro e o último, Deus o é. Essa verdade é a vida da inspiração e da perseverança 
missionária. O missionário William Carey, chamado de “Pai das missões modernas”, foi 
enviado para a Índia em 1793 e expressou assim essa conexão: 
Quando eu deixei a Inglaterra minha esperança na conversão da Índia era muito 
forte, mas, em meio a tantos obstáculos, ela poderia morrer a não ser que fosse 
sustentada por Deus: Eu tenho a Deus e sua palavra é verdadeira. Apesar de as 
superstições dos pagãos serem milhares de vezes mais fortes do que eles e o exemplo dos 
europeus milhares de vezes pior; embora eu tenha sido abandonado e perseguido por 
todos, ainda assim esta é minha Fé, firmada na certeza da palavra, que se elevará acima de 
todos os obstáculos e superará cada provação. A causa de Deus irá triunfar. 
William Carey e milhares como ele têm sido movidos pela visão de um grande e 
triunfante Deus. Isso significa ter Deus no centro da vida. A centralidade de Deus deve ser 
evidente na vida da igreja e isso é motivação para realização de missões. 
3.3. A Glorificação de Deus é o Alvo de Missões 
O culto é o alvo da obra missionária simplesmente porque nosso propósito é levar as 
nações a regozijarem-se em Deus e glorificá-Lo acima de tudo. O alvo da obra missionária é 
a alegria dos povos na grandeza de Deus (Salmo 97.1; 67.3-4; cf. 47.1; 66.1; 72. 11, 17; 
86.9; 102.15; 117.1; e Isaías 25.6-9; 52.15; 56.7; 66.18-19). 
Penso que o culto a Deus como o alvo da obra missionária já se tornou patente como 
decorrente de toda a nossa reflexão até este momento. Mas há um aspecto desta verdade 
que precisamos explorar mais. É o seguinte: O culto a Deus como alvo da obra missionária 
ajuda a entender a própria definição da obra missionária. Pois a obra missionária enfatiza a 
prioridade de alcançar povos, ou etnias não alcançadas. Isto se evidencia na repetida 
descrição bíblica da tarefa missionária em termos de etnias (Mateus 24.14; 28.18-20; 
Romanos 15.19-21). 
Que a estratégia bíblica seja de alcançar especialmente as etnias não alcançadas é 
claro em Romanos 15.19-21. Para muitos cristãos, talvez até a maioria, esta estratégia não 
parece muito lógica. Antes alcançar todos os indivíduos ao nosso alcance e semelhantes 
culturalmente a nós, que procurar alcançar representantes de etnias que podem ser 
geográfica ou culturalmente distantes. Parece uma questão de mordomia de esforços. 
A obra missionária começa e termina com o culto prestado à glória de Deus. Começa, 
porque somente o culto genuíno e profundo pode motivar adequadamente a igreja para 
assumir sua vocação missionária. E termina, porque o alvo último e o fim principal de toda 
humanidade é glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre. E na obra missionária, procuramos 
levar as nações à mesma alegria e exaltação que caracteriza o nosso culto a Deus. 
 
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Portanto, quando afirmamos que a obra missionária é a prioridade penúltima na igreja não 
estamos diminuindo a sua importância. Estamos meramente fazendo o que devemos, 
maximizando a tarefa de glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre. E assim, enxergamos a 
verdadeira importância da obra missionária, certamente acima de outras atividades na 
igreja, isto é estender e diversificar, e assim intensificar o culto que glorifica e goza Deus 
entre todas as nações da terra (Apocalipse 5.9-10; 7.9-10). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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4 - HISTÓRIA DE MISSÕES 
Na história da Igreja, há uma linha de progressão na atividade missionária que vem 
desde o seu início no ano 30 d.C. Linha esta, que é desenhada pela ausência e presença de 
iniciativas missionárias na Igreja de Cristo na proporção em que o tempo foi de passado. 
4.1. Começa o Trabalho Missionário 
Os dois últimos mandamentos de Jesus aos seus discípulos: a) Ficar em Jerusalém até 
serem batizados no Espírito Santo; b) Ir por todo o mundo pregando o Evangelho. 
Ao colocarem estes mandamentos em práticas, os 120 discípulos que estavam em 
Jerusalém por volta do anos 30 d.C., deram o INÍCIO TERRENAL de Missões, ou seja, o início 
Humano, Histórico e Geográfico. 
O Apóstolo Pedro, após o Pentecostes, evangelizou com poder os estrangeiros que 
estavam na cidade naquele dia (At 2.14); 
João e Pedro, pregaram no Sinédrio e no Templo para todos os religiosos da época e 
às autoridades (At.3.12; 4.8); 
Estevão, um Diácono, também marcou o início daIgreja Primitiva com suas 
poderosas mensagens e os sinais que se seguiam e, principalmente, com o seu testemunho 
face ao martírio a que foi vítima. 
Por fim, a Igreja de modo geral, pregava o Evangelho (At. 6.7); 
A. Resultado do Trabalho. “Alguns dos Pardos, Medas, Elamitas e outros povos que 
viviam para além de Jerusalém, nas terras orientais do Império Romano e que ouviam no 
dia de Pentecostes a primeira mensagem pregada por Pedro, se converteram ao Evangelho 
e levaram as boas novas aos seus conterrâneos. As evidências para que tal tenha ocorrido 
é a constatação de que em períodos posteriores podiam ser encontradas igrejas 
estabelecidas nos lugares de origem daqueles povos (At 2.9, 10, 11 e 41)”. 
“Alguns dos prosélitos, pessoas não descendentes de judeus, mas que renunciavam 
ao paganismo, aceitavam a lei judaica, recebendo o rito da circuncisão e vivendo em 
outras províncias romanas, ouviram e aceitaram a mensagem do Evangelho pregada por 
Pedro e tornaram-se portadores das boas novas entre seus irmãos usando como púlpito a 
sinagoga, principal foco religioso dos judeus fora de Israel (At. 2.14 e 41). 
“Todos estes discípulos fizeram o primeiro instante da atividade missionária da 
Igreja” 
 
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4.2. O Primeiro Declínio Missionário 
Motivo: Falta de zelo missionário. 
Aparentemente estava tudo certo com a primeira igreja. Havia conversões em massa 
Perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. 
Havia temos em cada crente. Havia sinais e prodígios. (...) A Igreja era respeitada e 
admirada pelo povo. Mas apesar de tudo isso, havia algo errado com a Igreja de Jerusalém: 
“Era poderosa na fé e no testemunho, pura no seu caráter e abundante no amor. 
Entretanto, o seu singular defeito era a falta de zelo missionário. Permaneceu em seu 
território, quando devia ter saído para outras terras e outros povos. Veja At.1.8. 
4.3. O Primeiro Despertamento Missionário 
A. A perseguição leva a Igreja a fazer a Obra Missionária. Ao serem dispersos, os 
cristãos pregavam por todos os lugares que passavam. A dispersão, por causa da 
perseguição, deu-se exatamente, pelos lugares que Jesus falara, ou seja, pela geografia 
missionária de Jesus. 
B. O Resultado do Despertamento. Segundo historiadores, a igreja iniciou realmente 
por Jerusalém, Judéia, Samaria, depois por Cessaréia, etc. Vejamos: 
1. Leste. Foram por Damasco e Edessa, entrando na Mesopotâmia. 
2. Sul. Foram por Bostra e Petra, entrando na Arábia. 
3. Oeste. Foram por Alexandria e Cartago, entrando no Norte da África. 
4. Norte. Foram por Antioquia, entrando na Armênia e Bitina. 
Alcançaram ainda a Espanha, Galácia (sul da França) e Grã-Bretanha e depois os 
confins. 
C. Evidências do Despertamento. “Os novos crentes iam formando igrejas locais e ao 
mesmo tempo tornavam-se missionários entre o seu povo e de outros lugares”. 
A propagação do Evangelho aumentava a cada dia. O total de crentes por volta do 
segundo século é estimado em meio milhão de pessoas. 
A eficácia do trabalho evangelístico se deu a partir de 3 fatores, somados, é claro, 
com o poder do Espírito Santo, a saber: 
1. O testemunho informal. 
2. A capacidade intelectual de alguns crentes. 
3. A morte dos cristãos. 
 
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O testemunho informal se manifesta a partir da vida diária dos crentes, caracterizada 
pelo amor. 
A capacidade intelectual de alguns crentes que defendiam a fé com argumentos 
racionais e bem desenvolvidos foi algo incontestável, pois o Cristianismo não era como as 
demais religiões cheias de ritos e mágicas; é claro, substancial, profundo e tem a ver com a 
realidade existencial do ser humano. Ganham destaque pessoas como Paulo, Orígenes, 
Tertuliano, Justino Mártir e outros. 
A morte de alguns cristãos, praticada pelos imperadores romanos somou para 
aumento do Cristianismo, pois, a coragem dos crentes ante a execução consistia num 
poderoso testemunho Tertuliano disse: “O sangue dos mártires é a semente da Igreja.” 
D. O Trabalho dos Primeiros Missionários. Além de Pedro, Paulo, Apolo, Filipe, 
Barnabé, Silas, Marcos, Lucas e muitos outros crentes que desempenharam atividades 
missionárias, a tradição judaica conta que... 
 Mateus foi para a Etiópia. 
 André, para a região dos citas, ao norte da Europa. 
 Bartolomeu, para a Arábia e Índia. 
 Tomé, para a Índia. 
 Paulo, Barnabé e equipe, foram trabalhar entre os gentios e nos lugares mais 
distantes do império romano como por exemplo Galácia, Macedônia, Acaia e 
Ásia. 
 Edésio e Frumentio (no 4º Séc.), sobreviventes de um naufrágio no Mar 
Vermelho, perto da Etiópia, foram levados escravos para a corte real daquele 
país e logo conseguiram liberdade para pregar o evangelho e houve 
conversões. 
 Gregório (213) evangelizou a Capadócia e se tornou líder da Igreja local 
(dizem que quando assumiu a igreja só havia 17 crentes na cidade, mas 
quando morreu só tinha 17 pagãos!). 
A MORTE DE POLICARPO 
Policarpo, pastor de Esmirna, desenvolveu um ministério evangelístico tão intenso 
que foi acusado de ser “o destruidor dos deuses pagãos”, por isto foi queimado em 
praça pública. Sua igreja constava de escravos, aristocratas locais e membros do 
quadro de assistentes do procônsul. 
 
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A morte de policarpo sensibilizou a sociedade da Ásia Menor a ponto de provocar um 
abrandamento das perseguições por algum tempo, permitindo que os menos 
corajosos declarassem abertamente sua fé em Cristo e os não-crentes se 
convertessem. 
Havia também o trabalho de muitos outros pregadores anônimos que constituíam 
um grande exército que marchavam em todas as direções pregando a Palavra (At. 8.4) 
4.4. Surgem Novas Igrejas Missionárias 
A Igreja de Jerusalém deixou de ser a ÚNICA. Cada nova igreja ou congregação 
formada pelos primeiros missionários, era também uma igreja missionária. Destacamos: 
Antioquia, Éfeso, Roma, Alexandria e Cartago, todavia, há outras. 
4.5. As 10 Ondas de Perseguições 
Era de se esperar que o intenso trabalho missionário resultasse um aumento de 
perseguições. Registramos, dessa época, o mais doloroso período. 
Imperador Época (d.C.) 
Nero 64 
Trajano 64 
Adriano 117-138 
Antônio 138-211 
Marco Aurélio 161-180 
Sétimo Severo 193-211 
Máximo 235-238/9 
Décio 249-251 
Valeriano 253-260 
Diocleciano 234-305 
 
4.6. O Segundo Declínio Missionário 
Motivo: Discussões teológicas, disputas e aceitação do acordo romano. 
Questões doutrinárias existiram na Igreja desde o início. Aconteceram por várias 
razões: por causa de conceitos do judaísmo diferentes do Cristianismo; por causa de 
elementos gregos na Igreja muito voltados à contemplação filosófica, etc. 
 
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A Igreja enredou-se em complicadas questões que obscureciam a simplicidade do 
Evangelho. Os crentes começaram a se ocupar mais com questões doutrinárias e filosóficas 
do que com o Evangelho. A Igreja internamente estava envolvida com discussões 
teológicas e disputas de poder, e ainda vivendo sob um clima de perseguições. 
Enquanto isso, por volta do terceiro séc., o Império Romano começou a declinar. As 
constantes invasões dos povos bárbaros ameaçavam-no em muito. 
Foi dentro deste contexto que em 313 d.C., o Imperador Constantinodisse ter visto 
no céu uma cruz sobre a qual estava escrito a seguinte frase em latim “IN HOC SIGNO 
VINCES”, que quer dizer: “por este sinal vencerás”. Imediatamente adotou a cruz como o 
seu estandarte e publicou em decreto tornando o Cristianismo como a Religião Oficial do 
Império Romano. 
Na verdade, a intenção de Constantino era utilizar o ímpeto cristão para ir até os 
“povos bárbaros”, convertê-los ao Cristianismo e assim ficarem sob o domínio romano! 
O ACORDO 
Se a Igreja aceitasse a proposta do imperador, ela ganharia a proteção do Imperador 
e acabariam as perseguições. A igreja seria protegida pelo Estado. Ela ganharia ainda 
a Prosperidade do Império. Em contrapartida, a fé seria usada para “amansar” os 
povos bárbaros e consolidar o império romano. 
Depois do acordo assinado, foi instituído o culto ao imperador. Agora a Igreja 
venerava mais ao homem do que a Deus. Que acordo infeliz! 
Quanto aos povos, eram dominados pela força do exército romano e “amansados” 
pela religião cristã. Tornavam-se cristãos à força; e a Igreja “abençoava a tirania dos 
imperadores”. O resultado foram as conversões em massa. Por exemplo, Alemanha, 
Hungria, Suécia, Islândia, Groelândia, Tchecoslováquia, Polônia, Índia, etc. 
Assim a Igreja de Roma consolidara-se a Igreja Católica Universal. Mas, na verdade, a 
Igreja desviou-se do caminho que deveria seguir. 
Durante 5 séculos a Igreja utilizou os mosteiros para objetivos missionários. 
Nasceram várias ORDENS de Franciscanos, Dominicanos, Benetidinos, Jesuítas e outros. No 
séc. 17 foi criada a SAGRADA CONGREGAÇÃO para propagação da fé. 
A. Principais Missionários Católicos. Úfilas, Martinho de Tours, Patrício, Columba, 
Niniamo, Agostinho, Bonifácio, Metódio, Domingos, Francisco de Assis, Las Casas, 
Francisco Xavier, etc. 
 
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B. Remanescente. Nem todos estavam de acordo com o rumo que a Igreja tomava. 
Aconteceram vários movimentos de reforma, por exemplo, na França em 1110, 1155 e 
1170, na Inglaterra em 1324 com João Wyclif, na Tchecoslováquia com João Huss (1369-
1445), na Itália com Jerônimo Savonarola (1452), com os anabatistas por toda a Idade 
Média e com Erasmo (1466 –1536). 
C. Os Reformadores. Nomes como Calvino, Melanchton, Zwinglio e Martinho Lutero, 
são comuns quando o assunto é Reforma Protestante. 
Foi Martinho Lutero quem liderou a maior Reforma Protestante no séc. XVI. Contudo, 
pouco se falava de missões estrangeiras, por 3 razões básicas: 
1. Os cristãos ainda lutavam pela conservação de suas vidas (por causa das 
perseguições). O Protestantismo só teve sua sobrevivência assegurada em 1648, 
com o Tratado de WESTFÁLIA. 
2. Divergências Teológicas e controvérsias infindáveis por parte dos Protestantes; 
3. Ensinamentos contrários à pregação do Evangelho em todo o mundo. John 
Gerhard (1637), pregava que a ordem da Grande Comissão era exclusiva dos 
Apóstolos. Quem tentasse agir contra o pensamento geral deparava-se com a 
reprovação da liderança da Igreja, como é o caso de Von Welz, da Áustria, em 
1664, cognominado “agitador missionário”. 
D. Iniciativas Missionárias dos Protestantes. Em meio a ausência de uma atividade 
missionária estruturada e permanente, os protestantes fizeram algumas tentativas, 
vejamos: 
 Na Suécia, em 1559, o rei Gustavo Vasa incentivou o evangelismo aos povos 
lapões, ainda pagãos, que viviam em seu território; 
 Igrejas Holandesas e Inglesas mandavam missionários capelães nas suas 
Companhias; 
 Um livro cristão escrito por Hugo Grotius (1583 –1645), foi usado por marinheiros 
holandeses para evangelizarem o extremo oriente da Ásia; 
 Hans Ungnad Sonneck, um crente alemão esperava um grupo que tentou penetrar 
entre os muçulmanos; 
 Venceslau Budowitz conseguiu converter um turco em Constantinopla; 
 Um cristão chamado Justiniano Von Welz foi ao Suriname, América do Sul, sem o 
apoio de nenhuma Igreja; 
 Em 1555, quando a França tentava dominar o Brasil, Calvino mandou 2 
missionários e 14 seminaristas no grupo de franceses hunguenotes que vieram 
 
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para o Rio de Janeiro. Entretanto, a missão deles fracassou por causa da forte 
perseguição do Almirante católico Villegnon. 
4.7. O Segundo Despertamento Missionário 
Movimentos Espirituais Impulsionaram as Missões. 
A. O Puritanismo. Surgiu entre os protestantes da Inglaterra, a partir de 1657. 
Pregavam contra o sistema anglicano da Rainha Elisabete, contra os aparatos cerimoniais, 
conservados do catolicismo e o estilo de governo eclesiástico. Eram estudiosos da Bíblia, 
buscavam viver uma vida dedicada a Deus e dando testemunho aos homens. 
B. O Pietismo. O movimento pietista surgiu com grande intensidade na 
Universidade de Halle, na Alemanha. Foi liderado por Filipe Spener (1635-1705) e Augusto 
Francke (1663-1727). 
C. Principais Missionários. Adoniran Judson (enviado para a Birmânia); John Taylor 
Jones (Tailândia); George Dana Boardmam (Birmânia); Issacher Robert (China-1846); Lottie 
Moon (China-1873), Wullian Bagby e esposa (Brasil –1881), Zacarias e Kate Taylor (Brasil-
1882). 
D. Outras Iniciativas Missionárias. 
 Sociedade Missionária De Basiléia, fundada em 1815, na Suíça 
 Em 1821 fundou-se a Missão Da Dinamarca. 
 Na França foi formada em 1822 a Sociedade Missionária De Paris. 
 Em 1842 surgiu na Alemanha, a Sociedade Missionária De Berlim. 
 Em 1828 formou-se a Sociedade Missionária Renana. 
 Em 1842, a Missão Norueguesa. 
 Em 1877, entre os presbiterianos foi fundada a Sociedade De Evangelização 
Chinesa. Um dos missionários mais famosos foi Hudson Taylor (foi ele quem criou 
o conceito de CONTEXTUALIZAÇÃO); depois de muitos anos na China, criou sua 
própria missão, estando muito doente na Inglaterra, a Missão Do Interior Da China, 
considerada posteriormente, a maior missão do mundo. 
 Inúmeras sociedades, grupos e organizações missionárias surgiram no mundo 
nesse período, em conseqüência, quase todas as igrejas protestantes até 1914, 
participavam da causa missionária. 
 
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4.8. O Papel da Igreja Moraviana 
Na antiga Morávia (Tchecoslováquia), havia um movimento espiritual que envolvia 
mais de 400 igrejas. Depois de muito sofrer com a perseguição da igreja católica, um nobre 
chamado Conde ZINZENDORF (1700-1760), começou a incentivar os irmãos ao trabalho 
missionário, principalmente depois de saber que a missão estava prestes a ser 
abandonada. No dia 21 de agosto de 1732 começou o célebre trabalho missionário dos 
irmãos Moravianos. “Sob a direção de Zinzendorf, esta igreja foi tomada de uma paixão 
missionária que jamais a abandonaria. A igreja chegou a ter um missionário no estrangeiro 
para cada 92 membros. Entre os anos 1732 e 1760, 226 missionários morávios entraram 
em países estrangeiros, estabelecendo igrejas.” 
A. Evangelistas percorrem o Mundo. “Quando a idade da razão despontava no séc 18 
e o fervor cristão declinava, Deus utilizou determinados homens que, através de suas 
poderosas mensagens, conduziram os crentes a um novo movimento do Espírito Santo que 
os impulsionaram a realizar a obra missionária.” 
Homens comuns, como nós, porém, homens que fizeram renúncias, experimentaram 
privações, sofreram danos, percas, dores... contudo, não foram “desobedientes à visão 
celestial”. 
Homens como João Wesley, George Whitefild, Jomathan Edwards, e outros. 
Estes homens deixaram “rastro de fogo” em seus países e no exterior, alémde serem 
espelhos para outros evangelistas itinerantes de séculos seguintes. Nomes como o de 
Charles A. Spurgeon, Charles Finney, Dwight L Moody, Billy Sunday, e no século vinte, Billy 
Grahan e Luis Palau, etc. 
O trabalho destes evangelistas itinerantes atravessou o grande século missionário, 
em quase todos (se não em todos!) os Continentes. 
Os resultados destes movimentos foram maravilhosos para as missões pois, serviram 
para amadurecer o conceito de salvação individual e da conversão pessoal de cada 
indivíduo, ao contrário das “conversões em massa”, realizada pela Igreja Católica em 
séculos anteriores. 
A formação de Sociedades Missionárias (quase todas as igrejas de então, se 
envolveram com Missões Transculturais) e o extraordinário trabalho da Igreja da Morávia 
(os moravianos realizaram uma vigília ininterrupta de oração por quase 100 anos). 
4.9. O Terceiro Declínio Missionário 
Motivo: Liberalismo cristão e preocupação social. 
 
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A. Alguns líderes de Igrejas Evangélicas nos EUA e Europa, começaram a fazer uma 
concepção liberal de Cristianismo, no início do séc. 20. Deu-se, então, o começo de um 
novo desenvolvimento teológico e eclesiástico que viria a trazer grandes conseqüências no 
futuro. 
No aspecto missionário, o liberalismo gerou o seguinte quadro: 
1. O liberalismo não tinha mais certeza que Jesus era a última Palavra de Deus ao 
homem; 
2. O fato de se ter o título de missionário não significava que a pessoa cria na 
interpretação da Bíblia e que corajosamente defendia as doutrinas principais da 
fé. 
3. O liberal não aceitava a proclamação exclusiva da salvação através de Jesus. Era 
mais simpático com as outras religiões, sugerindo até uma síntese das religiões. 
4. Esta nova concepção teológica mandava completamente a compreensão da 
Grande Comissão. 
5. Havia mudança e redução na propaganda missionária, tão aceitável no séc. 19. 
Pietismo gerou uma grande influência missionária, tornando-se o berço do 
primeiro esforço genuíno missionário da reforma. 
4.10. Principais Sociedades e Seus Missionários 
A primeira foi a Sociedade Para Propagação do Evangelho, fundada em 1649, na Nova 
Inglaterra, (EUA), pelo Pr. congregacional John Eliot, que fora enviado pela Igreja 
Congregacional da Inglaterra para evangelizar os índios da América do Norte. 
A Sociedade Para a Promoção do Conhecimento Cristão (SPCK), liderada por Thomas 
Bray, foi fundada em 1698 pela Igreja Anglicana da Inglaterra. 
Marcou o início das “missões inglesas”, estabeleceu bases na Índia; um dos seus 
principais missionários foi Christian Friedrich Schwartz (1724-1798), serviu 48 anos na 
Índia. 
Pelos idos de 1700, foi fundada a Sociedade Escocesa Para Propagação do 
Conhecimento Cristão. 
David Brainerd (1718-1877) foi enviado para trabalhar entre as tribos de índios 
nômades nos EUA. 
Alexander Duff foi para a Índia em 1830 (levou 18 anos para ganhar 33 indianos para 
Cristo). 
 
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Em 1701, anglicanos e outras igrejas evangélicas da Inglaterra se uniram e formaram 
a Sociedade Para Propagação do Evangelho em Terras Estrangeiras (SPG). 
Objetivo: Prestar apoio aos missionários na América do Norte e Índias Ocidentais. Em 
pouco tempo enviaram mais de 350 missionários. 
Em 1705, em Halle, Alemanha, os pietistas criaram a Missão DANISH-HALLE, cujo 
líder foi Franz Lutkens. 
Destacam-se Bartholomeu Ziegenbald e Henry Plutschau, enviados para Tranquebar, 
Índia. 
Os anglicanos ingleses formaram em 1799 outra missão, a Sociedade Missionária da 
Igreja (CMS). 
William (Guilherme) Carey contribuiu muito para que, em 1792, na Inglaterra, um 
grupo de pastores fundassem a Sociedade Batista Missionária. 
O primeiro missionário comissionado foi John Thomas, que era um médico da 
esquadra real e que permaneceu na Índia depois de seu pedido de serviço, a fim de 
trabalhar como médico-missionário. Wuillian Carey voluntariou-se para auxilia-lo, e foi 
para lá em 1793 e trabalharam juntos por 41 anos. 
Em Londres, os Congregacionais, fundaram em 1795 a Sociedade Missionária De 
Londres. 
Principais missionários: Roberto Moffat (África do Sul-1816); David Livingstone (África 
do Sul-1871), Robert Morrison foi o 1º missionário protestante enviado à China; (Chegou 
em Cantão em 1807). 
Em 1797 foi fundada a Sociedade Missionária Holandesa. Evangelizaram basicamente 
na Indonésia e, como em nenhuma outra parte do mundo, conseguiram a conversão de 
muçulmanos. 
Em 1810, os congregacionais e presbiterianos norte-americanos formaram a Junta 
América Para As Missões Estrangeiras (AMERICAN BOARD). 
No ano de 1817, os batistas norte-americanos fundaram a Junta Americana Dos 
Missionários Batistas. 
4.11. Preocupação Social Ocupa o Lugar de Missões 
Este assunto provocou muito impacto no final do séc. 19 e início do séc 20. A questão 
social passou a ser mais enfatizada do que a relação individual entre o crente e Deus. 
Muitos líderes cristãos aderiram ao chamado “Evangelho Social”. 
 
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A maior expressão deste tipo de “Evangelho” veio à tona anos mais tarde, na América 
Latina com a Teologia da Libertação. 
4.12. O Terceiro Despertamento Missionário 
A. Cristãos Voluntários X Liberais. Em reação ao liberalismo, surgiu nos EUA uma 
nova geração de missionários profundamente determinados a manter uma fé pura e 
confiar na dependência total de Deus. Eles partiram para um intenso tablado de 
evangelismo, até mesmo aos próprios cristãos nominais, em seu país e também na Europa 
e América Latina. 
Depois disso, os Estados Unidos passaram a ser nação com o maior número de 
missionários atuando em todo o mundo. Estes novos missionários, na maioria, eram 
formados em Institutos Bíblicos e Faculdades Cristãs. Apareceram nos fins do séc 19 e 
limiar do séc 20. 
B. Nasce o Movimento Voluntário Estudantil. “Foi nessa nova onda missionária que 
nasceu nos EUA o Movimento Voluntário Estudantil em 1886. Perdurou por 50 anos e 
enviou mais de 20 mil estudantes para o campo missionário no exterior, a maioria norte-
americanos. Os mais conhecidos desses estudantes foram Carlos T Studd, J.E.K. Studd, 
Robert Wilder, Joseph H. Oldham, Robert E. Speer, W. Tempe Cairdener, Samuel Zwemer, 
William Pacon, Fletcher Brockmam e E. Stanley Jones.” 
C. Nasce a Aliança Bíblica Universitária (ABU). Quem criou a ABU foi C. Stacey Woods, 
em 1943, nos EUA. O objetivo da ABU é promover missões nos “campus” das 
Universidades. 
Na UFJF, funciona um núcleo da ABU que está ligada a ABU da Região Centro-Oeste. 
D. Nasce a Associação Evangélica das Missões Estrangeiras. Esta associação foi 
fundada depois da 2ª G.G.M, nos EUA. Contrária ao liberalismo, recebeu o apoio da 
maioria das missões da sua época. 
E. Novas Sociedades e Agências Missionárias. Nessa época muitas outras 
organizações missionárias começaram a surgir no mundo, tais como: a Missão para o 
Interior do Sudão (SIM); a Cruzada de Evangelização Mundial; O Ministério de Cruzadas 
Além-Mar e etc. 
Em conseqüência do movimento estudantil e destas novas agências missionárias, 
muitos países outrora fechados ao Evangelho, foram alcançados. 
F. O Movimento Pentecostal. Nos idos de 1910, aconteceram em diferentes lugares 
dos EUA movimentos de renovação espiritual entre igrejas protestantes tradicionais: 
 
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presbiterianos, congregacionais, batistas, metodistas, etc. Esse movimento ficou sendo 
chamado de Movimento Pentecostal. 
As igrejas protestantes que haviam aceitado o Batismo no Espírito Santo, não 
podendo mais permanecer no seio de suas denominações e possuindo vários missionários 
no campo, razão pela qual necessitavam de uma autoridade executiva e organização, 
formaram em 1914 as Assembléias de Deus norte-americanas. 
Dentro desse entusiasmo missionário do Movimento Pentecostal destacam-se os 
suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, que vieram dos EUA para o Brasil em 1910, e se 
instalaram na cidade de Belém do Pará. Ali, em 1911, logo após a não aceitação do 
batismo no Espírito Santo pela Igreja Batista (como aconteceu nos EUA), formaram, 
juntamente com um grupo de irmãos, a Missão de Fé Apostólica, que em 1918, veio a se 
chamar Assembléia de Deus. 
4.13. Conferências Nacionais e Mundiais 
A partir do século 19 em quase todos os países onde havia trabalhos missionários 
protestantes aconteceram conferências missionárias com a participação de diferentes 
sociedades missionárias que motivaram a realização de Conferências Missionárias 
Nacionais e a formação de Comitês e Missões. 
Depois da primeira realizada na Índia em 1855, cada vez mais foram sendo realizadas 
conferências, agências e sociedades missionárias a realizarem juntas grandes conferências 
mundiais de missões, hoje chamadas de Congressos Mundiais de Evangelização. Já foram 
realizados 13 desses Congressos Mundiais. Os que foram considerados mais importantes 
são: o de Edimburgo, na Escócia, em 1910, e o de Lausanne, na Suíça, em 1974. 
A nível regional, os envolvidos com a tarefa missionária também têm-se unido em 
conferências. Como é o caso do Congresso sobre Evangelismo no Pacífico Sul, em 1968; o 
Congresso Missionário para Estudantes de toda a Ásia, em 1973; a Consulta sobre Missões 
em toda a Ásia em 1973; a Associação de Missões n Ásia, em 1975; e o COIBAM (Congresso 
Latino –Americano sobre Missões) realizado em São Paulo, em 1987. 
Muitas outras Consultas Globais, reuniões denominacionais e regionais com o 
objetivo de tratar de assuntos missionários estão planejadas ao redor do mundo. 
Nos últimos 50 anos da História de Missões, pôde-se constatar que naquelas áreas do 
mundo tidas como “campo missionário”, a Igreja tem florescido, e hoje, estão se tornando 
“base de envio de missionários”. 
“Trabalhemos enquanto é dia, pois a noite vem, quando ninguém mais pode 
trabalhar...”. 
 
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AULA 
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5 - A NATUREZA DA TAREFA 
MISSIONÁRIA 
Qual é a tarefa das missões cristãs? Se toda a raça humana está sob condenação por 
causa do pecado e excluídas da vida eterna (Ef 2.2-3, 12; 4.17; 5.6) e se invocar a Jesus é 
sua única esperança para a comunhão eterna e jubilosa com Deus, então podemos 
entender que se amamos estas pessoas, devemos fazer missões? Amor pelos perdidos é 
uma elevada e sublime motivação para a obra missionária. Sem isso perdemos a doce 
humildade de repartir um tesouro que recebemos de graça. Mas a compaixão pelas 
pessoas não pode ser separada do amor a Deus. John Piper nos fornece um motivo 
adicional do porquê o amor aos perdidos não pode ser o nosso combustível em missões. 
Ele afirma que é impossível amar verdadeiramente aos “perdidos”, pois não conseguimos 
cultivar um amor profundo por alguém que conhecemos somente por meio de fotos ou 
quando colocados, de um modo mais geral, como uma nação ou um povo, ou algo tão 
vago como “todos os perdidos”. 
Vejamos então o que a Escritura nos ensina sobre a natureza da obra missionária: 
5.1. Territórios Não-Alcançados ou Povos Não-Alcançados 
Desde 1974, a tarefa das missões tem sido focalizada crescentemente na 
evangelização de povos não-alcançados em oposição à evangelização de territórios não-
alcançados. Naquele ano, no Congresso de Evangelização Mundial de Lausanne, Ralph 
Winter acusou o empreendimento missionário ocidental do que ele chamou de “cegueira 
dos povos”. Desde aquele tempo, ele e outros têm pressionado incessantemente a 
focalização do “grupo de pessoas” no planejamento da maioria das igrejas e organizações 
similares voltadas para as missões. A “verdade destrutiva” que ele revelou em Lausanne foi 
esta: apesar de o evangelho ter chegado a todos os países do mundo, quatro de cada cinco 
não-cristãos estão ainda excluídos da pregação do evangelho devido não a barreiras 
geográficas, mas a barreiras culturais e lingüísticas. 
Por que esse fato não mais é amplamente conhecido? Receio que toda nossa 
exultação pelo fato de todos os países terem sido transpostos permitiu que muitos 
supusessem que todas as culturas também foram alcançadas. Esse mal-entendido é uma 
doença tão disseminada que merece um nome especial. Vamos chamá-la “cegueira dos 
povos”, isto é, cegueira para a existência de povos separados dentro de países – uma 
cegueira, posso acrescentar, que parece mais predominante nos Estados Unidos e entre os 
missionários norte-americanos do que em qualquer outro. 
 
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A mensagem de Winter serviu como um alerta para a igreja de Cristo, reorientando 
seu pensamento para que as missões fossem vistas como a tarefa de evangelização dos 
povos nãoalcançados e não meramente como a tarefa de evangelização de mais 
territórios. Extraordinariamente, nos 15 anos seguintes, o empreendimento missionário 
respondeu a esse chamado. Em 1989, Winter foi capaz de escrever: “Agora que o conceito 
de Povos Não Alcançados foi aceito amplamente, é possível elaborar planos 
imediatamente... com muito maior confiança e precisão”. 
5.2. Definição de Povos Não-Alcançados 
O chamado de Deus para missões não pode ser definido em termos de atingir outras 
culturas para aumentar o número de indivíduos salvos. Antes, a vontade de Deus para 
missões é que cada grupo de pessoas seja alcançado com o testemunho de Cristo, e que as 
pessoas sejam chamadas, em seu nome, de todas as nações. Assim é demonstrada a 
soberania de Deus entre todas as nações. Somos comissionados para cumprir essa tarefa. 
Se a tarefa de missões é alcançar todos os grupos de pessoas não-alcançados do 
mundo, necessitamos ter idéia do que significa “alcançado”, de modo que as pessoas 
chamadas para a tarefa missionária da igreja conheçam quais os grupos de pessoas a que 
devem se dirigir e quais deixar. Paulo deve ter tido alguma idéia do que significava 
“alcançado”, quando disse em Romanos 15.23: “ ...não tendo já campo de atividade nestas 
regiões”. Ele deve ter entendido o que significava completar a tarefa missionária, quando 
afirmou em Romanos 15.19: “desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho 
divulgado o evangelho de Cristo”. Ele sabia que sua obra estava concluída naquela região. 
Eis por que ele dirigiu-se à Espanha. O Encontro dos Povos Não-Alcançados de 1982, a que 
nos referimos anteriormente, definiu “nãoalcançados” desta forma: Um grupo de pessoas 
não-alcançadas é “um grupo de pessoas dentro do qual não há comunidade nativa de 
crentes cristãos capazes de evangelizá-los”. Assim, um grupo seria alcançado quando os 
esforços da missão tiverem estabelecido uma igreja nativa que tenha força e recurso para 
evangelizar o restante do grupo. (Ap 5:9; 7:9; 10:11; 11:9; 13:7; 14:6; 17:15) 
5.3. A Esperança do AntigoTestamento: Todas as Famílias 
Serão Abençoadas 
Essa é uma promessa presente no Antigo Testamento. Na verdade, o Antigo 
Testamento está repleto de promessas e expectativas de que Deus será, um dia, adorado 
por nações de todo o mundo. Fundamental para a visão missionária do Novo Testamento 
foi a promessa que Deus fez a Abraão em Gênesis 12.1-3: 
 
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Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e 
vai para a terra que te mostrarei; de ti farei urna grande nação, e te abençoarei, e te 
engrandecerei o nome. Sê tu urna bênção! Abençoarei os que te abençoarem e 
amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra. 
Essa promessa de benção universal às “famílias” da terra é essencialmente repetida 
em Gênesis 18.18; 22.18; 26.4 e 28.14. Em 12.3 e 28.14 a frase hebraica para “todas as 
famílias” (kol mishpahot) é traduzida no grego do Antigo Testamento por pasai hai phulai. 
A palavra phulai significa “tribos” em muitos contextos. Porém mishpaha pode ser, e 
usualmente é, menor que uma tribo. Por exemplo, quando Acã pecou, Israel é investigado 
em ordem decrescente de tamanho: primeiro por tribo, em seguida por mishpaha 
(família) e por fim por pessoa (Js 7.14). 
Assim, a bênção de Abraão decorre do propósito divino de alcançar eqüitativamente 
pequenos agrupamentos de pessoas. Não precisamos definir esses grupos com precisão 
para sentir o impacto dessa promessa. 
A palavra hebraica para o termo "família" dá a idéia de uma tenda, um grupo não de 
muitas pessoas. Podemos, por meio disso, afirmar que a promessa de alcançar cada tribo, 
povo ou nação já está presente no Antigo Testamento. O evangelho não é apenas para as 
grandes nações, mas para os pequenos grupos de pessoas também, como as tribos. Isso 
deixa claro que nosso empenho evangelístico deve ser muito maior, pois temos o 
mandamento de alcançar não somente as nações, mas os pequenos grupos que as 
formam. 
O que podemos concluir de Gênesis 12.3 e de seu uso no Novo Testamento é que o 
propósito de Deus para o mundo é a bênção de Abraão, ou seja, que a salvação alcançada 
por Jesus Cristo, a semente de Abraão, possa alcançar todos os grupos étnicos do mundo. 
Isso acontecerá quando as pessoas de cada grupo colocarem sua fé em Jesus Cristo e 
tornarem-se "filhas de Abraão" e "herdeiros da promessa" (Gl 3.7,29). 
Há vários textos que expressam a esperança de que todas as nações louvem ao 
Senhor: 
 "Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós 
o rosto; para que se conheça na terra o teu caminho e, em todas as nações, a tua 
salvação. Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te os povos todos. Alegrem-se e 
exultem as gentes, pois julgas os povos com equidade e guias na terra as nações. 
Louvem-te os povos, ó Deus; louvem-te os povos todos" (Sl 67.1-5). 
 "E todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam" (Sl 72.11). 
 
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 "Subsista para sempre o seu nome e prospere enquanto resplandecer o sol; nele 
sejam abençoados todos os homens, e as nações lhe chamem bem-aventurado" 
(Sl 72.17). 
 Há outros textos que expressam a esperança das nações, anunciando os planos 
do salmista em fazer sua parte para tornar a grandeza de Deus conhecida entre 
elas: 
 “Glorificar-te-ei, pois, entre os gentios, ó SENHOR, e cantarei louvores ao teu 
nome” (Sl 18.49). 
 "Render-te-ei graças entre os povos; cantar-te-ei louvores entre as nações" (Sl 
57.9). 
 "Render-te-ei graças entre os povos, ó SENHOR! Cantar-te-ei louvores entre as 
nações" (Sl 108.3). 
Esses textos deixam clara a responsabilidade do povo de Deus em proclamar a sua 
glória entre as nações. O povo de Deus deve ser canal de bênção para todas as famílias. 
5.4. A Prioridade de Paulo por Povos Não-Alcançados 
Isso é notavelmente confirmado em Romanos 15. Aqui se torna evidente que Paulo 
via o seu chamado especificamente missionário para alcançar cada vez mais grupos de 
pessoas e não apenas mais e mais indivíduos gentios. 
Em Romanos 15.8-9 Paulo afirma o duplo propósito para a vinda de Cristo: “Digo, 
pois, que Cristo foi constituído ministro da circuncisão [isto é, tornou-se encarnado como 
um judeu], em prol da verdade de Deu, para [1] confirmar as promessas feitas aos nossos 
pais; e para que [2] os gentios (ta ethne) glorifiquem a Deus por causa da sua 
misericórdia”. Portanto, o primeiro propósito para a vinda de Cristo foi provar que Deus é 
verdadeiro e fiel em manter, por exemplo, as promessas feitas a Abraão. E o segundo, foi 
para que as nações pudessem glorificar a Deus por sua misericórdia. 
Esses dois propósitos sobrepõem-se, uma vez que, claramente, uma das promessas 
feitas aos patriarcas foi que a bênção de Abraão viria a “todas as famílias da terra”. Isso 
está em perfeita harmonia com o que vimos na esperança do Antigo Testamento. Israel é 
abençoado para que as nações possam ser abençoadas (Sl 67). De igual modo, Cristo vem a 
Israel para que as nações possam receber misericórdia e dar glória a Deus. 
 
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5.5. A Visão de João sobre a Tarefa Missionária 
A visão da tarefa missionária nos escritos do apóstolo João confirma que a percepção 
de Paulo sobre a esperança do Antigo Testamento de alcançar todos os povos não era 
única entre os apóstolos. O que transparece do Apocalipse e do Evangelho de João é uma 
visão que admite a tarefa missionária principal de alcançar grupos de pessoas, não apenas 
indivíduos gentios. 
O texto decisivo é Apocalipse 5.8-10. João teve um vislumbre do clímax da redenção 
com a adoração de pessoas redimidas diante do trono de Deus. A composição daquele 
grupo é essencial. 
Os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos... entoavam novo cântico, 
dizendo: “Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu 
sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação, e para 
o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra”. 
A visão missionária por trás dessa cena é que a tarefa da igreja é reunir os redimidos 
a crerem no evangelho, as quais ele redimiu pela morte de seu Filho. O desígnio da 
redenção prescreve o desígnio da estratégia da missão. E o desígnio da redenção ( a 
redenção de Cristo, versículo 9) é universal, pois se estende a todos os povos, e definitivo, 
uma vez que efetivamente redime alguns de cada um desses povos. Portanto, a tarefa 
missionária é reunir os redimidos de todos os povos por meio da pregação do evangelho. ( 
João 10:16; 11;51,52, Ap 5:9 ) V. Uma Casa de Oração para Todas as Nações. 
Outro indicador do modo como Jesus imaginava os propósitos missionários universais 
de Deus vem de Marcos 11.17. Quando Jesus limpa o templo, ele cita Isaías 56.7: 
Não está escrito: “A minha casa será chamada cada de oração para todas as nações”? 
A razão disso ser importante para nós é que ela mostra Jesus buscando no Antigo 
Testamento (exatamente como ele faz em Lucas 24.45-47) para interpretar os propósitos 
universais de Deus. Ele cita Isaías 56.7, que, em hebraico, diz explicitamente: “A minha 
casa será chamada casa de oração para todos os povos ( kol ha’ ammim). “Assim está 
escrito” no VT - Sl 22:27 cf. At 1:8; Lc 24:47. 
O significado de grupo de pessoas é inconfundível. A posição de Isaías não é que todo 
indivíduo gentio tinha o direitode permanecer na presença de Deus, mas que haja 
convertidos de “todos os povos” que entrarão no templo para adorar. O fato de Jesus estar 
familiarizado com essa esperança do Antigo Testamento e ter baseado suas expectativas 
universais referindo-se a ela (Mc 11.17; Lc 24.45-47), sugere que devemos interpretar sua 
 
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“Grande Comissão” nesta mesma direção – a mesma que encontramos nos escritos de 
Paulo e João. 
5.6. Como a Diversidade Magnífica a Glória de Deus 
O grande objetivo de Deus é sustentar e demonstrar a glória de seu nome para o 
regozijo de seu povo entre todas as nações. A questão agora é: "Por que Deus mantém o 
objetivo de mostrar sua glória por meio da obra missionária entre todas as pessoas do 
mundo. Corno o objetivo missionário serve melhor ao propósito de Deus?" Refletindo 
bib1icamente sobre o assunto, quatro respostas emergem: 
1. Primeiro, há uma beleza e poder no louvor que vem da unidade na diversidade, 
que é maior do que aquele vindo da unidade exclusiva. O Salmo 96.3-4 conecta a 
evangelização das pessoas com a qualidade de louvor de que Deus é merecedor. 
“Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas. 
Porque grande é o Senhor e muito digno de ser louvado, temível mais que todos 
os deuses”. Observe a palavra “porque”. A grandeza extraordinária do louvor que 
o Senhor deve receber é a base e o ímpeto da nossa missão. 
2. Segundo, a fama, grandeza e valor de um objeto de beleza aumenta em 
proporção à diversidade daqueles que reconhecem sua beleza. Se uma obra de 
arte é considerada excelente por um grupo de pessoas pequeno e de mesma 
opinião e por ninguém mais, a arte com toda certeza não é verdadeiramente 
grande. Suas qualidades são tais que não alcançam as profundezas universais de 
nossos corações, mas apenas as tendências provinciais. Porém, se uma obra de 
arte continua ganhando cada vez mais admiradores, não somente através de 
culturas mas também de décadas e séculos, então sua grandeza é 
irresistivelmente manifesta. 
Assim, quando Paulo diz: “Louvai ao Senhor, vós todos os gentios, e todos os povos o 
louvem” (Rm 15.11), ele está expondo que há alguma coisa acerca de Deus que é tão 
universalmente digna de louvor, tão profundamente bela, tão compreensivelmente valiosa 
e tão profundamente satisfatória que ele encontrará admiradores apaixonados em todo 
grupo diverso de pessoas no mundo. A sua verdadeira grandeza será manifesta na 
amplitude da diversidade daqueles que percebem e apreciam a sua beleza. Sua excelência 
será mostrada para ser mais alta e mais profunda que as preferências limitadas que nos 
fazem felizes a maior parte do tempo. 
Seu apelo será para as mais profundas, mais elevadas e mais amplas capacidades da 
alma humana. Portanto, a diversidade da fonte de admiração testificará a sua 
incomparável glória. 
 
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3. Terceiro, a força, a sabedoria e amor de um líder são magnificados em proporção 
à diversidade de pessoas que ele pode inspirar para segui-lo com alegria. Se você 
pode liderar somente um grupo pequeno e uniforme de pessoas, suas qualidades 
de liderança não são tão grandes como as que teria se pudesse conquistar 
seguidores de um grande grupo de pessoas muito diferentes. 
O entendimento de Paulo do que está acontecendo em sua obra missionária entre as 
nações é que Cristo está demonstrando sua grandeza, conquistando obediência de todos 
os povos do mundo: “Porque não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre 
aquelas que Cristo fez por meu intermédio, para conduzir os gentios à obediência, por 
palavra e por obras” magnificada à medida que cada vez mais pessoas diferentes decidem 
seguir a cristo. É a grandeza de Cristo. Ele está mostrando-se superior a todos os outros 
líderes. 
4. Por focalizar todos os grupos de pessoas no mundo, Deus eliminou o orgulho 
etnocêntrico e recolocou todos os povos sob sua livre graça, em vez de qualquer 
característica que possam ter. 
O objetivo de Deus em toda a história é sustentar e demonstrar sua glória para o 
regozijo dos redimidos de cada tribo, povo, língua e nação. Seu objetivo é a alegria de seu 
povo, porque “Deus é mais glorificado em nós quando nós estamos mais satisfeitos nele”. 
A maior boa-nova em todo o mundo é que o objetivo de Deus é ser glorificado, e o 
objetivo do homem estar satisfeito não são probabilidades, mas verdades da Palavra de 
Deus. 
A igreja deve engajar-se com o Senhor da glória em sua causa. É nosso grande 
privilégio alcançar com ele, no maior movimento da história, a reunião dos eleitos "de toda 
tribo, língua, povo e nação" até que se complete o número dos eleitos e todo Israel seja 
salvo, e o Filho do homem desça com poder e grande glória, como Rei dos reis e Senhor 
dos senhores, e a terra esteja cheia de sua glória, assim como as águas cobrem o mar para 
sempre e sempre. Então, a soberania de Cristo será manifesta a todos, e ele entregará o 
Reino a Deus, o Pai, e Deus será tudo em todos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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6 - A NECESSIDADE DAS MISSÕES 
Questão para debate: Há pessoas devotas em outras religiões, as quais confiam 
humildemente na graça de Deus que conhecem por meio da Revelação geral (Rm 1:19-21) 
e assim recebem a salvação eterna? As Pessoas Devem Ouvir o Evangelho de Jesus Cristo 
para Serem Salvas? 
Quem nunca fez uma destas perguntas: “os que jamais ouviram o Evangelho estão 
perdidos?”; ou então “os índios vão ser salvos?”. Em nossas classes de escolas dominicais, 
ou nas conversas sobre evangelismo e missões, sempre surgem dúvidas como essas. 
Normalmente nossas respostas são muito evasivas, se é que temos alguma. Não refletimos 
sequer nas implicações que elas possam vir a ter. Teólogos, pastores e seminaristas fazem 
a mesma indagação e procuram investigar o assunto sob uma perspectiva bíblica, teológica 
e filosófica. 
Três pontos de vista sobre o destino dos não-evangelizados. 
6.1. Inclusivismo 
Alguns teólogos acreditam que mesmo aquelas pessoas que nunca ouviram o 
evangelho podem ser salvas. Se, através da criação – revelação geral – vierem a crer em 
Deus, ainda que não conheçam a Jesus, serão redimidas de seus pecados. Dizem que 
qualquer religião pode ser um instrumento útil para aproximar a pessoa de Deus. Isso é 
chamado de “inclusivismo”, porque Deus inclui todos em sua graça, antes de excluí-las no 
julgamento. Mas a fundamentação bíblica desse ponto de vista é muito questionável. 
Este posicionamento é fruto da ambiência pós-moderna e do mundo globalizado. 
Ricardo Barbosa explica este ponto: 
Vivemos o risco de um novo modelo de intolerância. Afirmar a centralidade da obra 
de Cristo já pode ser visto como preconceito.Uma das contradições da cultura pós-
moderna e globalizada é sua capacidade de romper fronteiras e preconceitos, tornando-a 
mais inclusiva e, ao mesmo tempo, criar outras fronteiras e preconceitos, tornando-a 
extremamente exclusiva e violenta. Nas últimas décadas, a civilização ocidental tem feito 
um enorme esforço para diminuir as distâncias entre as raças, romper com os preconceitos 
e a discriminação sociais e criaruma sociedade menos violenta e mais aberta à inclusão 
das minorias 
O que o chamado inclusivismo defende é que uma tolerância perigosa para o 
cristianismo. Como bem afirmou James Houston, o que ele chamou de uma nova forma de 
fundamentalismo, o da “democracia liberal”, que impõe sobre nós a obrigação de aceitar e 
 
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admirar tudo aquilo que contraria princípios e valores que fazem parte da consciência 
cristã. Esta tolerância oriunda do cenário globalizado, também agora está questionando a 
questão da centralidade da morte e ressurreição de Cristo para a vida e a necessidade das 
pessoas ouvirem sobre Cristo para serem salvas. Imagino que, mais cedo do que 
pensamos, enfrentaremos uma forte resistência à afirmação bíblica de que Jesus é “o 
caminho”, “a verdade”, “a vida”, de que ele é “o único Senhor”, de que “não há salvação 
fora dele” e de que ele é o “único que pode perdoar nossos pecados”. Todas essas 
afirmações são, por si, uma agressão ao espírito “democrático” da sociedade pós-
moderna. Como vamos ver no terceiro ponto de vista sobre a necessidade de se ouvir 
sobre Jesus, afirmar a exclusividade de Cristo implica na negação e rejeição de qualquer 
outro nome que possa nos reconciliar com Deus, e isso soa como um preconceito, uma 
forma de discriminação inaceitável. Afirmar que a Bíblia é a Palavra de Deus e que só ela 
traz a revelação do propósito redentor de Jesus é também uma afirmação que pode ser 
considerada preconceituosa, uma vez que nega todas as outras formas de revelação. 
6.2. Perseverança Divina 
Outros dizem que ninguém será salvo com base no conhecimento que possam ter de 
Deus através da natureza. No entanto, chegam ao absurdo de afirmar que, logo após a 
morte, aqueles que nunca ouviram o Evangelho terão uma oportunidade de dizer “sim” ou 
“não” a Jesus. Deus concederá a todos os homens a chance de ouvir o evangelho e optar, 
ou não, pela redenção trazida por Jesus. Tomam por base alguns textos difíceis de 1 Pedro 
(como o cap. 3: 18ss). Dão ao seu ponto de vista o nome de “perseverança divina” ou 
“evangelismo post-mortem” 
6.3. Exclusivismo (Restritivismo) 
Há também os teólogos que ensinam não haver qualquer oportunidade de salvação 
para o homem, se não existir conhecimento de Cristo e uma resposta pessoal e consciente 
ao seu chamado. Essa posição é conhecida como “exclusivismo”; às vezes também 
“restritivismo”. Para que alguém seja salvo, é fundamental ouvir o Evangelho nesta vida e 
fazer uma decisão por Jesus. Essa é a interpretação que mais parece se afinar ao ensino 
geral das Escrituras Sagradas. 
Essas três opiniões têm alguns pontos interessantes de semelhança bem como 
diferenças. Como já foi observado, todas as três afirmam que a salvação em Jesus é a 
palavra final bem como a singularidade dessa salvação. O restritivismo e o inclusivismo 
concordam, numa posição contrária à defendida pela perseverança divina, que nosso 
destino já está selado no momento da morte e que não existe nenhuma oportunidade de 
salvação após ela. O restritivismo e a perseverança divina concordam, contrariamente ao 
 
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inclusivismo, que o conhecimento da mensagem do evangelho é uma condição necessária 
para a salvação. Mas discordam sobre se a mensagem deve ser apresentada por um 
agente humano antes da morte. O inclusivismo diverge das duas outras opiniões ao 
sustentar que Deus concede salvação mesmo onde o Evangelho é desconhecido. O 
inclusivismo e a perseverança divina afirmam que Deus, em Jesus Cristo, torna a salvação 
disponível a todas as pessoas que já viveram, ao passo que o restritivismo nega isso. 
Deve-se observar que há outras opiniões quanto ao destino dos nãoevangelizados 
que não estamos discutindo aqui. Podem ser resumidas assim: 
 Alguns advogam um completo agnosticismo, dizendo que nós não temos 
informação bíblica suficiente para justificar uma conclusão sobre o assunto. 
 Alguns teólogos católicos romanos propõem uma versão da evangelização 
postmortem chamada de teoria da opção final. Eles crêem que Cristo encontra 
todas as pessoas no momento em que estão morrendo – não depois da morte – 
dandolhes uma oportunidade de conversão. 
 Alguns, como John R. W. Stott, são otimistas de que Deus irá salvar a grande 
maioria da raça humana, muito embora eles não saibam como Deus irá realizar 
isso. Isto é, eles se recusam a tomar uma posição quanto ao método que Deus 
usa para salvar os não-evangelizados, embora afirmem que Ele o faz. 
 Outros, como J. I. Packer, têm uma posição mais pessimista, asseverando que, 
embora talvez seja possível que Deus proveja um meio de salvação para alguns 
dos não-evangelizados, o melhor é permanecer negando essa possibilidade. Isto 
é, pode ser que Deus o faça, mas não temos razão para pensar que Ele o fará. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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RESTRITIVISMO INCLUSIVISMO 
PERSEVERANÇA DIVINA OU 
EVANGELISMO POST-MORTEM 
Definição: 
Deus não provê salvação para 
aqueles que não ouvem acerca 
de Jesus e, conseqüentemente, 
não crêem nEle antes da morte. 
Definição: 
 Os não-evangelizados podem vir 
a ser salvos, se responderem a 
Deus em fé, baseados na 
revelação que possem. 
Definição: 
Os não-evangelizados recebem 
uma oportunidade de crer em 
Jesus depois da morte. 
Textos-chaves: 
Jo 14.6 
At 4.12 
1Jo 5.11-12 
 
Textos-chaves: 
Jo 12.32 
At 10.43 
1Tm 4.10 
Textos-chaves: Jo 
3.18 
1Pe 3.18 – 4.6 
Representantes: 
Agostinho 
João Calvino 
Jonathan Edwards 
Carl Henry 
R. C. Sproul 
Ronald Nash 
 
Representantes: 
Justino Mártir 
John Wesley 
C. S. Lewis 
Clark Pinnock 
Wolfhart Pannenberg 
John Sanders 
Representantes: 
Clemente de Alexandria 
George MacDonald 
Donald Bloesch 
George Lindbeck 
Stephen Davis 
Gabriel Fackre 
 
OBS: Todos os representantes mencionados desses pontos de vista concordam que 
Jesus é único Salvador. 
A supremacia de Deus nas missões é confirmada biblicamente pela afirmação da 
supremacia de seu Filho, Jesus Cristo. É uma verdade surpreendente do Novo Testamento 
que, desde a encarnação do Filho de Deus, toda fé salvadora deve, dali por diante, se fixar 
nele. Isso nem sempre foi verdade, por isso aqueles tempos eram chamados “tempos da 
ignorância” (At 17.30). Mas agora é e Cristo tornou-se o centro consciente da missão da 
igreja. O objetivo das missões é levar “graça e apostolado por amor do seu nome, para a 
obediência por fé, entre todos os gentios” (Rm 1.5). Isso é mais uma coisa nova que 
ocorreu com a vinda de Cristo. A vontade de Deus é glorificar seu Filho, fazendo-o foco 
consciente de toda a fé salvadora. 
6.4. Há Necessidade de Consciência da Fé em Cristo? 
Poderia alguma pessoa ser salva sem que tivesse sido evangelizada e tivesse 
consciência de ter obtido salvação cm Cristo Jesus? Alguns evangélicos afirmam somente 
que não sabem responder a essa pergunta, enquanto outros dizem que Cristo é o único 
meio de salvação, mas que salva alguns que nunca ouviram dele por meio de uma fé que 
não tem a Cristo como foco consciente. Será, então, realmente necessário que as pessoas 
ouçam de Cristo para que sejam salvas? 
 
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Esse tipo de pensamento elimina a idéia de urgência naevangelização. Se as pessoas 
podem ser salvas sem que tenham ouvido de Cristo, por que sair por aí evangelizando, 
fazendo missões? Deus salvará aqueles que quer de um modo ou de outro. Mas não é isso 
o que nos ensina a Palavra de Deus. 
Haverá um inferno de tormento consciente para aqueles que possuem uma fé cujo 
foco não seja o Senhor Jesus Cristo. Veja o que diz Daniel 12.2: "Muitos dos que dormem 
no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror 
eterno". Apren demos ainda que haverá um castigo eterno: “A sua pá, ele a tem na mão e 
limpará completamente a sua eira; recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha 
em logo inextinguível" (Mt 3.12); "...se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar corta-o e 
lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos 
ou dois pés, seres lançado no fogo eterno" (Mt 18.8). O fogo é eterno, sem fim. Não há 
como negar sua existência. 
O inferno é uma terrível realidade. Por quê? Porque os infinitos horrores do inferno 
têm o objetivo de demonstrar o infinito valor da glória de Deus, a qual eles rejeitaram. A 
compreensão bíblica da justiça do inferno é um claro testemunho de que o pecado deixou 
de glorificar a Deus. Se não houver fé consciente no Senhor Jesus, o resultado será o 
castigo eterno. 
6.5. A Necessidade da Redenção de Cristo para a Salvação 
Há pessoas que podem ser salvas de outras maneiras do que pela eficácia da obra de 
Cristo? As outras religiões e as provisões que elas oferecem são suficientes para levar as 
pessoas à felicidade eterna com Deus? Os seguintes textos bíblicos levam-nos a crer que a 
redenção de Cristo é necessária para a salvação de todo aquele que é salvo. Não há 
salvação fora daquela que Cristo conquistou com sua morte e ressurreição. 
Se pela ofensa de um, e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que 
recebem a abundancia da graça e o dom da justiça, reinarão em vida por meio de um só, a 
saber, Jesus Cristo. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens 
para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os 
homens para a justificação que dá vida. Porque, como pela desobediência de um só 
homem muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de um só 
muitos se tornarão justos. ( Rm 5:17-19 ) 
O aspecto fundamental aqui é a universidade da obra de Cristo, ou seja, não se limita 
meramente aos judeus. A obra de Cristo, o segundo Adão, corresponde à obra do primeiro 
Adão. Assim como o pecado de Adão leva à condenação de toda a humanidade que se 
uniu a ele como seu cabeça, assim a obediência a Cristo conduz à justiça de toda a 
 
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humanidade que está unida a ele como seu cabeça – “os que recebem a abundância da 
graça” (v. 17). A obra de Cristo na obediência da cruz é retratada como a resposta divina 
para a condição de toda a raça humana. ( Cf.: I Co 15:21-23; I Tm 2:5; Ap 5:9-10; At 4:12; 
Rm 3:23-25 ) 
6.6. “Abaixo do Céu não Existe Nenhum Outro Nome” 
 A razão dessa mensagem salvar é que ela proclama o nome que salva-o de Jesus. 
Pedro disse que Deus visitou os gentios “a fim de construir dentre eles um povo para o seu 
nome” (At 15.14). É evidente, pois, que a proclamação pela qual Deus escolhe um povo 
para o seu nome seria a mensagem que depende do nome do seu Filho Jesus. 
Isso é, na verdade, o que vimos na pregação de Pedro na casa de Cornélio. O sermão 
atinge seu clímax com estas palavras sobre Jesus: “Por meio de seu nome, todo aquele que 
nele crê recebe remissão de pecados” (At 10.43). A necessidade implícita de ouvir a aceitar 
o nome de Jesus que vemos na história de Cornélio é tornada explicita em Atos 4.12, no 
clímax de outro sermão de Pedro, desta vez perante os líderes judeus em Jerusalém. 
A situação por trás dessa famosa declaração é que o Jesus ressurreto curou um 
homem por meio de Pedro e João. O homem era coxo de nascença, mas se levantou e 
correu pelo Templo louvando a Deus. Juntou-se uma multidão e Pedro pregou. Sua 
mensagem tornou evidente que o que estava em jogo aqui não era meramente um 
fenômeno religioso. Aquilo dizia respeito a qualquer um no mundo. 
Então, de acordo com Atos 4.1, os sacerdotes, o capitão do templo e os saduceus 
vieram e prenderam Pedro e João, colocando-os em um cárcere até o dia seguinte. Na 
manhã seguinte as autoridades, os anciãos e os escribas reuniram-se e interrogaram Pedro 
e João. No curso do interrogatório, Pedro expôs a implicação do senhorio universal de 
Jesus: “Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro 
nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. 
Precisamos sentir a força dessa alegação universal atentando para as várias 
expressões muito seriamente. A razão de não haver salvação em nenhum outro é que 
“abaixo do céu não existe nenhum outro nome (não apenas nenhum outro nome em 
Israel, mas nenhum outro nome abaixo do céu, incluindo o céu sobre a Grécia, Roma, 
Espanha etc), dado entre os homens (não apenas entre os judeus, mas entre todos os 
humanos de todos os lugares), pelo qual importa que sejamos salvos”. Essas duas frases, 
“abaixo do céu” e “entre os homens”, reforçam a alegação da universalidade em sua 
extensão mais plena. 
Porém, há ainda aqui mais coisas que precisamos ver. Geralmente a interpretação 
dos comentaristas de Atos 4.12 é que, sem a crença em Jesus, uma pessoa não pode ser 
 
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salva. Em outras palavras, Atos 4.12 é visto como um texto essencial para responder à 
indagação de que aqueles que nunca ouviram o evangelho de Jesus podem ser salvos. Mas 
Clark Pinnock representa outros que dizem que “Atos .12 não diz coisa alguma sobre *essa 
questão]. ... ele não faz nenhuma observação sobre o destino do pagão. Embora essa seja 
uma questão de grande importância para nós não há ninguém a respeito de quem Atos 
4.12 expresse um julgamento, quer positivo ou negativo”. Pelo contrário, o que Atos 4.12 
diz é que “a salvação em sua plenitude é disponível à humanidade somente porque Deus, 
na pessoa de seu Filho Jesus, proveu-a”. Em outras palavras, o versículo afirma que a 
salvação vem somente por meio da obra de Jesus e não apenas pela fé em Jesus. Sua obra 
pode beneficiar aqueles que têm um relacionamento particularmente com Deus sem ele, 
por exemplo, com fundamento na revelação geral na natureza. 
O problema com a interpretação de Pinnock é que ela não considera o verdadeiro 
significado da focalização de Pedro sobre o “nome” de Jesus. “Abaixo do céu não existe 
nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos”. Pedro está dizendo alguma 
coisa a mais do que não haver outra fonte de poder salvador e que você pode ser salvo por 
algum outro nome. O fato de dizer que “não existe nenhum outro nome” significa que 
somos salvos por invocar o nome do Senhor Jesus. Invocar seu nome é a nossa entrada na 
comunhão com Deus. Se alguém é salvo por Jesus incógnito, não pode falar que foi salvo 
por seu nome. 
Observamos anteriormente que Pedro afirmou em Atos 10.43: “Por meio de seu 
nome, todo o que nele crê recebe remissão de pecados”. O nome de Jesus é o foco da fé e 
do arrependimento. A fim de crer em Jesus para obter o perdão dos pecados, você deve 
crer em seu nome. O que significa que você precisa ouvir a respeito. Dele e saber que ele é 
um homem especial que fez uma obra salvadora especifica e levantou-se dentre os 
mortos. 
A finalidade de Atos 4.12 para as missões é tornada explicita pelo modo como Paulo 
colocoua questão do “nome do Senhor” Jesus em Romanos 10.13-15. Voltaremos a essa 
passagem agora e veremos que as missões são essenciais precisamente porque “todo 
aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em 
quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não 
há quem pregue?” 
Algo de imenso significado histórico aconteceu com a vinda do Filho de Deus ao 
mundo. Tão grande foi o significado desse evento que o foco da fé salvadora, desde então, 
teve seu centro em Jesus somente. Tão repleto estava Cristo da revelação de Deus e de 
todas as esperanças do povo de Deus que, desde então, seria urna desonra para ele que a 
fé salvadora repousasse em qualquer outro que não nele. Havia uma verdade que não 
estava completa e claramente revelada antes da vinda de Cristo. Essa verdade, agora 
 
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revelada, é chamada de mistério de Cristo, porque é a verdade, vinda por meio do 
evangelho, o qual está sobre Cristo. 
O evangelho não é a revelação de que as nações já pertencem ao Senhor. Ele é o 
instrumento para trazer as nações para o estado de salvação. O mistério de Cristo está 
acontecendo por meio da pregação do evangelho. Portanto, ninguém pode ser salvo se 
não tiver ouvido o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. 
6.7. Como Crerão Nele? 
Vimos que há necessidade da consciência de fé em Cristo para salvação e de que há 
somente um mediador entre Deus e os homens, e estes não podem ser salvos sem ter 
ouvido de Jesus. Se há necessidade de ouvir, é preciso que haja quem pregue. 
Em Romanos 9.30-10.21, o apóstolo Paulo apresenta Jesus como sendo o foco da fé 
salvadora. É nesse contexto que ele cita o profeta Joel: "... acontecerá que todo aquele que 
invocar o nome do SENHOR será salvo" (10.9); e, depois, como cita Isaías 28.16: “Todo 
aquele que nele crê não será confundido" (10.11). Paulo quer deixar claro que nessa nova 
era da história da redenção, Jesus é o objetivo e o clímax do ensino do Antigo Testamento 
e, então, é o Mediador entre o homem e Deus como objeto da fé salvadora. 
A seqüência de versos é muito familiar e com freqüência é citada em relação á obra 
missionária: "Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão 
naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como 
pregarão se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que 
anunciam coisas boas!" (Km 10.14-15). 
Mas como esses versículos se encaixam na linha de pensamento de Paulo. Por que no 
seu inicio há a expressão "porém"? Por que o verso seguinte (16) começa assim: “Mas nem 
todos obedeceram ao evangelho"? 
A resposta parece ser a seguinte: O "porém" no inicio do verso 14 e o "mas" no inicio 
do verso 16 apontam para o fato de que a série de questões nos versos 14 e 15 são 
realmente o relato de que Deus já havia trabalhado para trazer, sob essas condições, o 
chamado para a salvação no Senhor Jesus. Portanto, o ponto principal nos versos 14-16 é 
que, embora Deus tenha providenciado os pré-requisitos para o chamado no Senhor, eles, 
entretanto, não obedeceram. 
O que fica claro é que o povo do Antigo Testamento pôde ouvir de Jesus, ou da 
promessa da sua vinda, mas não deu crédito á Palavra de Deus. Eles também ouviram do 
evangelho. A salvação já implicava na necessidade de ouvir sobre Cristo, e nele crer. Mas 
para que isso aconteça, é preciso que alguém pregue. É necessário que os pregadores do 
evangelho sejam enviados. Isso é a realização da obra missionária. 
 
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Jesus Cristo é o foco consciente da fé salvadora. Não há meio de as pessoas serem 
salvas, senão por intermédio de sua obra expiatória. É preciso que as pessoas ouçam a 
mensagem do evangelho e creiam em Jesus para que sejam salvas. Nesse contexto, a igreja 
possui a função de pregar o evangelho, de levar a mensagem de salvação ás pessoas. Essa 
é uma grande responsabilidade, pois sabemos que não há como ser salvo sem ouvir o 
evangelho do Senhor Jesus Cristo. "E como crerão naquele de quem nada ouviram? E 
como ouvirão, se não há quem pregue?" 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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7 - MISSÕES TRANSCULTURAIS 
O prefixo “trans” deriva-se do Latim e significa “movimento para além de”, ou 
“através de. Sendo assim, em linhas gerais, missões transculturais é transpor uma cultura 
para levar a mensagem do universal do Evangelho. 
Segundo Larry Patê, missões transculturais, “é a proclamação do amor de Deus, que 
ultrapassa fronteiras culturais, raciais e lingüísticas”. 
A mensagem do Evangelho não pode se restringir a uma só cultura, mas ter alcance 
abrangente, em todos os quadrantes da Terra, onde quer que haja uma etnia que ainda 
não a tenha ouvido. 
O Evangelho está acima de nossas concepções humanas e deve valer-se dos 
elementos étnicos de cada cultura para ser proclamado. É preciso descobrir o “approach” 
de cada cultura, ou sejam os seus pontos de aproximação, para comunicar de maneira 
adequada as verdades do Evangelho. 
Não é o Evangelho que se curva a cultura, mas esta se curva ao Evangelho. Isto é 
fazer missões transculturais. 
7.1. O Que é Cultura? 
Para muitos, a palavra “cultura” significa o grau de estudos de uma pessoa. Por isso, é 
comum ouvirmos alguém falar: “Fulano de Tal tem muita cultura”. Quase todas as pessoas 
fazem esta associação da cultura com o nível intelectual ou de instrução de alguém. Mas 
cultura não é isto. 
Cultura é, segundo a definição do dicionário Aurélio, “o complexo de 
comportamento, das crenças, das instituições e doutros valores espirituais e materiais 
transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade”. 
Na Antropologia, o termo cultura é visto sempre em associação com outro termo, a 
saber: sociedade. 
Para um antropólogo, cultura “é o conjunto de comportamentos e idéias 
característicos de um povo, que se transmite de uma geração a outra e que resulta da 
socialização e aculturação verificadas no decorrer de sua história”. Assim sendo, cultura “é 
o modo de agir”, e o termo sociedade designa o “grupo de indivíduos que compartilham de 
um mesmo modo de agir”. 
 
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Precisamos entender bem claramente que cada povo tem o seu próprio “Padrão de 
Cultura”, que é a amalgama de todos os valores passados de geração a geração em cada 
sociedade desde os seus primórdios. 
É o padrão cultural de cada povo que determina qual a “orientação cultural” que 
cada povo segue. Ou seja, a orientação cultural é que norteia o modo de viver de cada 
indivíduo dentro de sua etnia. 
7.2. Transculturação 
Transculturação “é o processo de transformação cultural caracterizado pela 
influência de elementos de outra cultura, com a perda ou alteração dos já existentes” M. 
Dicionário Aurélio). 
Note, na definição do termo, o seguinte “... é a influência de elementos de outra 
cultura, com a perda ou alteração dos já existentes”. 
O missionário transculturaldeve tomar muito cuidado para não exercer este papel. O 
papel do missionário não é alterar ou mudar os valores de uma cultura. O seu 
compromisso é com os Princípios Bíblicos. Estes, sim, podem exercer influência e até 
mesmo alterar situações contrárias à fé cristã, que deverão ser resolvidas no próprio 
contexto cultural, sem que seja necessário “importar” ou “adaptar” modelos de outros 
padrões de culturas. 
7.3. Etnocentrismo 
Etnocentrismo é “uma tendência a ver a nossa própria cultura como maneira 
universal de comportamento”. 
O missionário não pode se deixar levar por esta atitude. Entretanto, isso às vezes 
acontece; acontece, porque somos tão inconscientes de como nossas vidas são guiadas 
pela nossa cultura e idioma, que de repente, descobrimos que é mais difícil do que 
pensávamos aceitar uma outra cultura. Embora, reconhecendo o que possa ser 
considerado comportamento apropriado em outra cultura, apegamo-nos ao que 
consideramos “normal” e “natural”. Achamos que a nossa maneira de fazer as coisas é 
“superior” e “correta”. Quando isto acontece com um missionário no seu campo de 
trabalho, é reflexo de que ele não teve uma boa aculturação. 
7.4. Aculturação 
Já vimos que cada povo tem o seu próprio padrão de cultura, e também que as 
culturas diferem na língua, na forma de ver o mundo, na valorização da conduta e em 
 
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muitos outros aspectos. Quando alguém tenta comunicar uma mensagem a uma pessoa 
de outra cultura, um emaranhado de coisas impede que esta mensagem seja bem 
compreendida. É como se houvesse um bloqueio entre a fonte e o receptor. Este bloqueio 
realmente existe e é chamado de barreira, ou rede cultural. 
A solução eficaz para o problema da “rede-cultural”, é o missionário intercultural 
“passar pela rede”, ou seja, ele deve assimilar a cultura do povo onde missiona; Ele deve se 
esforçar ao máximo em aprender o idioma local e comunicar, na língua desse povo, a 
mensagem do Evangelho; E para isso, ele deve usar as normas de conduta deste povo, bem 
como seu sistema de símbolos. 
O missionário tem que deixar a sua dimensão e entrar na dimensão do povo em que 
atua utilizando os próprios recursos deles para se fazer compreendido. 
Este processo é chamado de aculturação. 
A. Estratégia de Aculturação. 
A Cosmovisão 
Para atravessar uma “rede cultural” e alcançar uma cultura de forma eficaz com o 
Evangelho, é importante desenvolver uma estratégia funcional. 
O missionário deve saber em que pontos as culturas se diferem. Tem de reconhecer 
os princípios a serem aplicados, mas deve saber como aculturar-se no grupo que deseja 
alcançar. Para conseguir isso, deve saber que o centro de toda cultura e seu gerador 
primário, é a COSMOVISÃO. 
Cosmovisão é o conjunto de princípios, símbolos e valores que um povo tem como 
verdades para a sua realidade. 
Esses valores, por sua vez, hão de gerar um conjunto de normas aceitas como 
condutas normais desse povo. A ilustração abaixo exemplifica isto: 
Certo missionário perguntou ao chefe de uma tribo africana se podia levar sua família 
para viver nessa aldeia. O chefe perguntou o motivo. Então o missionário lhe disse que 
tinha uma mensagem importante para o povo. 
– Qual a mensagem?-perguntou o chefe. 
– Eu lhe contarei a mensagem se permitir que minha família e eu vivamos com o seu 
povo durante dois anos.-respondeu o missionário. 
O chefe concordou. Nesses dois anos o missionário e sua família aprenderam a língua 
do povo, aprenderam a cultivar a terra, cozinhar, comer e comportar-se como o povo 
dessa aldeia. Por outro lado, todos observavam os estrangeiros com grande curiosidade, 
 
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especialmente no princípio. Viam-nos orar. Percebiam como amavam os filhos e como 
faziam amigos entre o povo. 
Passados os dois anos, a aldeia toda decidiu dar uma festa especial para que o 
missionário comunicasse a sua importante mensagem. O povo havia aprendido a amá-lo e 
a respeita-lo. Estava realmente desejoso de saber porque ele havia deixado sua própria 
terra para viver entre eles durante esses dois anos. 
Quando o missionário se levantou e começou a falar na língua do povo, todos ficaram 
atentos à verdade. Ele começou pelo princípio, exatamente como os anciãos faziam à 
noite, ao contarem suas histórias em volta das fogueiras. Contou-lhes a história de um 
homem especial enviado por Deus. Hora e meia mais tarde, o missionário acabou de 
apresentar sua mensagem, e ficou esperando que o chefe falasse, como de costume. O 
chefe fez algumas perguntas sobre os espíritos malignos para o missionário, o qual 
respondeu a cada uma delas usando a Palavra de Deus. O povo resolveu voltar na noite 
seguinte para ouvir mais. E assim foi por quatro noites consecutivas. No final da mensagem 
da quarta noite. O chefe se pôs se pé e declarou que queria seguir o modo de vida de 
Cristo. O chefe foi o primeiro a ser batizado. Em pouco tempo, a aldeia inteira aceitou “o 
modo de vida de Cristo”! 
O êxito deste missionário se deu porque ele conseguiu penetrar na cosmovisão do 
povo. Ou seja, ele construiu uma plataforma na mentalidade deste povo, de onde ele 
podia verdadeiramente falar e ser ouvido. E por causa do seu proceder todos os naturais 
chegaram a ser cristãos. 
Se o missionário tivesse começado a pregar logo assim que chegou, sem antes 
atravessar a “rede cultural”, ou seja, sem aculturar-se; sem entender qual era o conjunto 
de valores do povo, sem entrar na cosmovisão do povo, para aí então, compreender quais 
as normas de conduta deste povo e assim poder pregar o evangelho, ele não teria bem 
sucedido. Talvez depois desses dois anos ele tivesse apenas um pequeno grupo de 
convertidos, ou nenhum. 
Observe a figura abaixo: 
 
 
 
COSMOVISÃO 
 
 
 SISTEMA DE VALORES 
NORMAS DE CONDUTA 
 
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A Cosmovisão de certo povo é a sua percepção básica de como as coisas são e de 
como chegaram a ser assim. 
A cosmovisão é o coração de uma cultura! 
B. Princípios de Aculturação. Através de bons princípios de aculturação o missionário 
transcultural, pode diminuir muito o choque cultural. No próximo ponto falaremos sobre 
este choque, agora vejamos alguns destes princípios de aculturação. 
Seguir as Normas de Conduta da Cultura Hóspede. Em geral, o processo de 
aculturação requer de 2 a 5 anos. Para o missionário, quanto mais tempo puder passar 
com o povo adotado, melhor. Quando um obreiro transcultural entre pela primeira vez 
noutra cultura, o faz no nível das “normas de conduta”. Sua compreensão do “sistema de 
valores” e da “cosmovisão” dessa cultura é mínima. 
O missionário precisa aprender a comer, vestir, dormir, viajar, receber visitas e fazer 
muitas outras coisas exatamente como o povo da cultura local faz. Agindo da maneira do 
povo, logo o missionário compreenderá os valores em que se baseiam essas normas de 
conduta. Aprenderá não somente a compreendê-los, mas também ele próprio começará a 
adotar muitos desses valores, que começarão a ter sentido para ele. 
Quanto mais o missionário adotar as normas de conduta do povo, tanto mais se 
convencerão de que ele os respeita e se interessa por eles. 
Contribuir para que o Evangelho Transforme a Cosmovisão do Povo. Não é 
suficiente mudanças apenas nas “normas de conduta” do povo. A pregação do Evangelho 
precisa atingir a sua “cosmovisão” e seu “sistema de valores”. Enquanto isso não 
acontecer, o Evangelho não terá penetradorealmente na sociedade. 
É possível o missionário conseguir persuadir algumas pessoas a se comportarem de 
acordo com o exemplo que lhes dá. Podem até ir à Igreja e participar das atividades cristãs, 
contudo, quando se encontram enfermas, ou atemorizadas por maus espíritos, recorrem à 
feitiçaria, ao espiritismo ou a outras atividades não cristãs. 
A esse tipo de conduta dá-se o nome de Sincretismo, que é uma mistura de 
Cristianismo com outras religiões. O povo inclui o Cristianismo em suas formas de culto, 
suas crenças religiosas; não o segue como o único caminho verdadeiro. 
A única maneira de vencer o sincretismo é fazer com que o Evangelho penetre na 
cosmovisão e no sistema de valores da sociedade. O povo precisa crer no Evangelho de tal 
maneira que alcancem uma perspectiva cristã e não mais pratiquem suas antigas formas 
de cultos e sacrifícios. 
 
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Traçar o perfil dos Valores básicos da Cultura Hospedeira. Tendo aprendido a 
maior parte das normas de conduta da cultura que o hospeda, o missionário começará a 
entender os valores básicos do povo. Isto lhe dará um quadro mais claro de como 
comunicar o evangelho a esse povo. 
Julgar a Própria Conduta Social, Moral e Religiosa Segundo as Normas da 
Cultura Hospedeira. O missionário tem que evitar o Etnocentrismo a todo custo. Não 
deve julgar as normas de conduta da cultura local segundo suas normas culturais. Antes, 
deve aprender a ver sua própria conduta de acordo com o sentido que lhe dá, a cultura 
local. 
Aguardar o Momento Certo para Começar a Pregar. Um dos erros mais comuns 
que os missionários cometem é começar a pregar logo que chegam na cova cultura. 
Certo missionário enviado ao Japão, logo que chegou lá, contratou um intérprete e 
deu início a uma campanha de evangelização. Ao fazer o primeiro apelo no final do culto, 
todos levantaram as mãos indicando aceitar a Jesus. No segundo culto aconteceu o 
mesmo. O missionário concluiu que tanta gente estava se convertendo que não podia dar 
tempo à aprendizagem da língua japonesa. 
Pregou durante um ano inteiro através do mesmo intérprete antes de saber a 
verdade do fato. Cada vez que ele pedia que as pessoas que quisessem aceitar a Cristo 
levantassem as mãos, o intérprete simplesmente mandava que todos levantassem as 
mãos! De modo que os ouvintes levantavam as mãos não para aceitarem a Jesus, mas sim, 
para que o pregador não perdesse o prestígio e também porque o intérprete lhes dizia que 
o fizessem. 
Podemos concluir que, enquanto o processo de aculturação não estiver bem 
avançado, o missionário não poderá comunicar a mensagem de maneira que o povo possa 
recebe-lo. 
7.5. Choque Cultural 
Se o missionário usar como seu “guia” os princípios e a estratégia de aculturação 
apresentadas no ponto anterior, ele conseguirá superar bem o choque cultural. 
O choque cultural é um sentimento de confusão e desorientação que a pessoa 
enfrenta quando se muda para outra cultura. 
A causa desse choque é exatamente a mudança de normas culturais. 
A intensidade do choque dependerá, da diferença entre a cultura de origem e a 
cultura hóspede do missionário. Dependerá também, da personalidade e do preparo do 
missionário. (Assunto do próximo ponto!). 
 
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Já vimos o que é o choque cultural, sua causa e intensidade, agora veremos alguns 
sintomas deste choque. 
A. Sintomas do Choque Cultural. 
Sensação de Desorientação. É comum a pessoa sentir certo incômodo e certa 
sensação de desorientação, bem como ansiedade nervosa. Principalmente se ela não 
entende a língua local. 
Desejo de Isolar-se. Dada a dificuldade de comunicação com o natural, e a não 
possibilidade de se comunicar com pessoas de sua cultura, então surge uma vontade de 
ficar só. 
Comparação das Culturas. O iniciado constantemente nota diferenças entre a sua 
cultura e a que o hospeda deve cuidar-se para não se exceder em freqüentes 
comparações, pois as pessoas que o cerca podem se sentir ofendidas. 
Menosprezo pelas Normas Culturais. 
Sensação de Estar Preso. 
Sentimento de Hostilidade. 
Sensação de Autodesprezo. 
Sensação de Fracasso. 
Perda da Visão Espiritual. 
A lista de sintomas apresentada não é necessariamente progressiva. Mas é um 
conjunto de reações normais que ocorrem quando uma pessoa entra numa nova cultura. 
O missionário pode não sentir todos estes sintomas, nesta mesma seqüência e 
intensidade, mas certamente há de experimentar pelo menos um deles. 
Quanto mais o missionário transcultural compreender a cultura em questão e a 
tarefa que tem pela frente, menos será o efeito que o choque cultural terá sobre ele e sua 
família. 
7.6. O Missionário Transcultural e o Seu Preparo 
O missionário transcultural precisa receber um treinamento específico antes de sair 
para o campo. Não significa o envio de alguém, sem que este alguém não tenha recebido 
um preparo (o mínimo que seja), nas seguintes áreas: 
A. Preparo Lingüístico. missionário precisa saber pelo menos, qual o idioma falado no 
seu “campo-alvo”. O ideal é que ele saiba falar antes mesmo da partida. E não apenas o 
idioma, mas também as peculiaridades da língua do país que vai trabalhar. 
 
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Este preparo exige tempo, estudo e determinação; antes e depois da ida do 
missionário para o campo, pois ele não termina com a chegada do mesmo, pelo contrário, 
deve ser intensificado; porque o missionário vai precisar de um domínio completo da 
língua, bem como de uma boa fluência e também conhecimento de expressões idiomáticas 
e regionalismos (e neste caso, quanto mais ele souber, melhor). 
Quando se faz uma tradução de um idioma para outro, nem sempre há palavras 
correspondentes entre esses idiomas. O missionário que tem um bom conhecimento do 
idioma para o qual se faz a tradução, saberá, então, nesta ocasião: valer-se da 
“equivalência dinâmica” para poder transmitir a sua mensagem de maneira inteligível aos 
seus ouvintes. Por isso que o missionário necessita de um bom preparo lingüístico, para 
poder dar “contemporaneidade” à Bíblia, no país onde missiona. 
B. Preparo Teológico. Importante frisar, quando mencionamos “preparo teológico”, 
que não basta ao missionário, ter meros conhecimentos de conceitos sistemáticos da 
Bíblia e querer transporta-los de uma realidade para outra. É preciso que estes conceitos 
tenham correspondências práticas na vida de quem os ensina, especialmente no campo 
missionário; onde poderá haver circunstâncias que exigirão “provas” daquilo que se prega. 
Em outras palavras, o missionário deve viver o que prega e pregar o que vive. 
Toda boa teoria que não for aprovada, não passa de uma “boa teoria”. O ensino 
bíblico não pode ficar apenas no campo teórico. Se não for acompanhado de evidências 
terá pouco resultado. Leis Tg 1.22; etc. 
Não basta ao missionário ter conhecimento teológico. Este preparo deve reverstir-se 
da visão transcultural para que ele possa encontrar em cada etnia o instrumento próprio 
para aplicar os ensinos na vida do povo. Para o missionário ensinar as verdades bíblicas em 
outra cultura, ele precisa contar com o momento adequado e a estratégia certa. 
C. Preparo Transcultural. Costumes são mutáveis e diferem de uma região para a 
outra. O missionário precisa conhecer os costumas do povo que vai trabalhar, para que o 
choque cultural não gere efeitos negativos. 
Uma questão séria é a do vestuário. O quadro muda de país para país; e deregião 
para região. O missionário precisa ter bastante equilíbrio para não exportar costumes de 
sua cultura para a do povo adotado; nem tão pouco quando retornar à sua pátria, importar 
costumes do campo onde missiona para i seu país de origem que sejam incompatíveis com 
o seu “modus vivendi”. 
A área de costumes inclui também, hábitos alimentares, ética à mesa, convivência 
familiar, etc; que diferem de uma cultura para a outra. 
Os costumes mudam, mas os princípios bíblicos são imutáveis. 
 
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7.7. Tipologia da Evangelização 
“Nosso mundo hoje, é muito mais complexo do que o mundo dos crentes da Igreja 
Primitiva. Atualmente há mais línguas, mas países, mais grupos étnicos do que quando a 
Igreja Primitiva foi tão eficaz na evangelização intercultural. Nessa época não era preciso 
passaporte, nem vistos, e o grego era um idioma comum falado por muita gente. Hoje, as 
distâncias entre as cidades, são muito maiores, tanto geográfica quanto culturalmente. Se 
desejamos ser “missionários” eficazes, devemos aprender tudo quanto podemos acerca 
das diferenças e de como superar as barreiras que se apresentam para uma comunicação 
eficaz do evangelho”. 
Buscando criar meios e estratégias para a evangelização mundial, o estadista de 
missões Ralf Winter (U.S. Center), criou um esquema com base nas distâncias culturais 
entre o missionário e seus ouvintes. 
“O homem precisa criar formas de controlar sua realidade para compreendê-la e 
modificá-la. Exemplo: Metro-Distância; Hora-Tempo.” Com Missões também é assim. 
É de grande valia para nós, compreender-mos o conceito de “Distância Cultural”; ou 
seja, o quanto uma cultura é “distante” (diferente) da outra! 
Ralf Winter separou a Evangelização em três etapas: E-0, E-1, E-2, E-3. 
A. E-0. Evangelização E-0, significa uma evangelização com barreira cultural 0! Isto é, 
sem nenhuma distância cultural entre o emissor e o receptor. Isto ocorre quando um 
verdadeiro cristão ganha para Cristo “cristão nominais”. Neste caso não existem barreiras 
culturais, nem religiosas, nem geográfica, nem de tipo algum. 
B. E –1. Evangelização E-1 é ganhar para Cristo pessoas da própria cultura do 
evangelista, mas que ainda não “nasceram de novo”. Por exemplo, quando um crente 
pentecostal leva ao Senhor alguém de sua própria cultura que é católico romano. A cultura 
é igual, mas a religião é diferente. 
C. E-2. Evangelização E-2 é ganhar para Cristo pessoas que pertencem a culturas 
diferentes, mas similares à do evangelista. As culturas desses povos não são exatamente 
iguais, porém, podem ser bastante aproximadas, até o ponto de falarem a mesma língua 
materna. 
Temos dois exemplos bíblicos. O primeiro, são os samaritanos. Embora fossem à 
semelhança dos judeus, inclusive na língua, pois falavam o aramaico, contudo, havia 
profundos preconceitos históricos e culturais que eram verdadeiras barreiras, entre esses 
dois grupos étnicos, a ponto de não se comunicarem um com o outro (Jo 4). 
 
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De maneira que, quando Filipe começou um avivamento entre os samaritanos, ele 
estava fazendo E-2! 
O segundo exemplo, é quando os judeus helenitas começaram a estabelecer igrejas 
entre os gregos (At. 19.20). Eles cruzaram uma barreira de grande preconceito religioso e 
racial para ganhar os gregos para Jesus, e o fizeram numa língua diferente da sua. 
A evangelização do tipo E-2 é uma evangelização intercultural. Quando a barreira 
idiomática ou a cultural, ou ambas, são suficientemente grandes que requeiram uma igreja 
em meio ao povo evangelizado, então temos uma evangelização intercultural. Uma grande 
parte da evangelização intercultural registrada na Bíblia é do tipo E-2. 
D. E-3. Evangelização E-3 é ganhar para o Senhor, membros de uma cultura muito 
distante. Neste caso não existe nenhuma semelhança cultural entre o emissor e o 
receptor. Isto é, entre o evangelista e o povo evangelizado. 
O fator chave a ser considerado é a distância cultural. 
7.8. A Teoria do Evangelismo de Vizinhança 
Alguns pensam que a evangelização de certa parte do mundo é de responsabilidade 
única dos crentes dessas regiões. Os que assim pensam, não são favoráveis à 
evangelização do tipo E-3 (ou seja, não são favoráveis a missões transculturais!). Há até 
mesmo quem considera E-3 desnecessária. Isto porque acreditam (às vezes até 
inconscientemente) no pensamento conhecido como “teoria do evangelismo da 
vizinhança”. 
As pessoas que acreditam no evangelismo de vizinhança deduzem que, uma vez que 
há alguns crentes em determinada região do mundo, basta que estes “evangelizem seus 
vizinhos” (evangelização do tipo E-0 e E-1) uma vez que estão culturalmente próximos, 
assim, não se faz necessário o envio de missionários (para se fazer E-3!) e em pouco tempo 
o mundo todo terá sido evangelizado. Entretanto, estas pessoas se esquecem que para se 
fazer E-1 é necessário que antes se faça E-3! Foi assim com Jesus. Ele realizou E-0, E-1 e 
também E-2 (no caso de Jo 4!), antes porém, realizou E-3, porque foi ENVIADO de um 
outro “País” e precisou aculturar-se à cultura judaica antes de começar a pregar o 
Evangelho! 
Como vimos anteriormente, o missionário precisa transpor uma barreira cultural, 
geográfica ou lingüística para poder ministrar o Evangelho. Foi exatamente isto que Jesus 
fez... é por esta razão que David Livingstone disse a frase que já citamos anteriormente, 
mas que vem a propósito: “Deus tinha um único filho e fez dele um missionário”. 
 
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Seguindo estes padrões de evangelização, concluímos que se um evangelista sair 
fazendo E-1, em um determinado momento ele vai encontrar uma barreira (seja ela 
geográfica, cultural ou lingüística), ao transpor esta barreira estará fazendo E-2 e mesmo E-
3. Exemplificando: 
Suponhamos que eu queira divulgar o Evangelho em todo o mundo, mas sem sair da 
minha cidade natal, Juiz de Fora; sem fazer missões transculturais. Então, eu evangelizo o 
meu “vizinho” e dou-lhe a incumbência de ganhar o seu e de passar-lhe a mesma tarefa. 
Logo, logo teremos evangelizado todos os bairros de Juiz de Fora e o último “vizinho”, 
ganhou alguém do estado do Rio de Janeiro. E lá no Rio o evangelho foi passando de 
“vizinho a vizinho” até chegar em São Paulo, depois no Paraná, Santa Catarina e Rio 
Grande do Sul. Até aqui só houve E-1. Então, o “vizinho” da última cidade do Rio Grande 
do Sul, que faz fronteira com o Uruguai, vai da mesma forma como foi feito até agora, 
tenta evangelizar o seu vizinho. Só que este seu “vizinho” uruguaio fala outra língua, tem 
outros costumes, enfim, tem outra cultura e pertence a outro grupo étnico, diferente do 
Brasil. Isto que dizer que o “vizinho” crente se deparou com uma barreira cultural, 
geográfica e lingüística. Se ele pretende realmente ganhar o uruguaio para Jesus, então 
terá de transpor estas barreiras e a única maneira é fazendo Missões Transculturais! 
(Neste caso E-2). 
Outro exemplo que pode ser dado é o caso da Igreja do Paquistão. É composta, na 
sua maioria, de ex-hindus, os quais não conseguem testemunhar para seus vizinhos 
muçulmanos (97%) geograficamente próximos, porém, muito distantes culturalmente. 
Neste caso também, o “evangelismo de vizinhança” não funciona. 
Poderia ter citado ainda o caso de uma Igreja no Sul da Índia (País que sofre com a 
desigualdade social por causa da sua divisão em “Castas!”), ou o da Igreja de Batak, na 
Indonésia,entretanto creio que já ficou bem claro que só se faz E-1 se antes, for feito E-3. 
“A igreja saudável e no centro da vontade de Deus é aquela que segue seu Senhor e 
faz tal qual ele fez...”. 
7.9. A Relação Entre Cristo e a Cultura 
H. R. Niebuhr classificou em cinco categorias as perspectivas defendidas por vários 
teólogos acerca da relação entre Cristo e a Cultura: 
Cristo contra a Cultura 
Segundo esse posicionamento, o conceito de “mundo” é amplamente negativo e o 
cristão é desafiado a escolher entre servir a Cristo ou servir ao mundo. Cristo, aqui, está 
em franca oposição ao mundo. Amplamente defendida por Tertuliano (c. 155-220), esta 
posição rejeita qualquer vínculo com as manifestações culturais (esportes, músicas, teatro 
 
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e até mesmo a filosofia) por entender que o cristianismo não pode ser preterido sob 
quaisquer argumentos. Qualquer tentativa de um diálogo entre Cristo e a Cultura seria 
visto por Tertuliano como uma afronta aos ensinos de Cristo. Niebuhr apresenta três 
problemas teológicos com essa postura: (1) a conceituação de pecado como algo de cunho 
eminentemente social, em detrimento da consideração daquilo que se passa na alma do 
homem; (2) a há uma tendência ao legalismo, visto ser necessário e quase que inevitável 
que inúmeras regras sejam estabelecidas para se tentar definir o alcance do termo 
“cultura”; (3) há uma tendência na concepção do dualismo metafísico, como se o mundo 
fosse governado por dois deuses. Esta posição contra a cultura é considerada como sendo 
uma posição radical. 
Cristo da Cultura 
Para os defensores dessa posição, não há qualquer tensão entre a cultura e Cristo. Na 
verdade, afirmam, o que há é uma grande concordância entre ambos. Cristo é o próprio 
Messias social, e sua vida é o maior exemplo do empreendimento humano. Por isso a sua 
vida, enquanto Deus encarnado, deve ser transmitida às diferentes culturas e gerações. 
Cristo é explicado ou entendido à luz das diferentes manifestações culturais. Assim, os 
gnósticos procuraram uma conciliação entre o evangelho e as idéias gnósticas; os 
evolucionistas do séc. XIX interpretaram as doutrinas à luz da evolução das espécies. Hoje 
há tentativas de se conciliar o evangelho com a psiquiatria, psicologia, física, objetivando-
se mostrar a harmonia entre ambos. A observação de Niebuhr é importante: não é que o 
cristão deva deixar o mundo, mas que deva permitir a presença de Cristo em todas as 
esferas sociais, pois, no final das contas, o mundo pertence a Cristo. Dentre os problemas 
com esta posição, Niebuhr lembra o perigo de Cristo ser abandonado, a fim de que as 
próprias manifestações culturais prevaleçam. Talvez essa é considerada uma posição 
radical. 
Cristo acima da Cultura 
Cristo é tanto concebido como sendo Deus como sendo homem; ele é Senhor, mas 
também é o Logos feito carne. Ele participa da cultura, mas está acima da cultura. Há uma 
espécie de síntese na compreensão do Cristo. Há aqui uma tendência na preservação dos 
aspectos culturais como legítimos elementos divinos. Nesse sentido a lei de Cristo é 
identificada ou considerada como sendo a lei da igreja; o senhorio de Cristo é 
representado ou equiparado com os seus pseudos sucessores. Há sempre alguém nesse 
sistema tentando fazer uma síntese no relacionamento de Cristo com algum aspecto 
social, desde que tal síntese siga o pensamento particular de quem a elabora. Assim pode 
ser visto o pensamento de Tomás de Aquino, assim pode ser visto o argumento moderno 
sobre o que é de Deus e o que é de César. Esta posição é considerada por Niebuhr como 
sendo sinteticista. 
 
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Cristo e a Cultura em Paradoxo 
A posição dualista que rejeita a tentativa de síntese das duas esferas e afirma a 
cidadania dupla do cristão, constitui-se na abordagem denominada “Cristo e a Cultura em 
Paradoxo”. O cristão possui duas cidadanias, ele é membro da Cidade do Homem e da 
Cidade de Deus. Sendo esferas diferentes de atuação, com propósitos diferentes, não há 
porque uma reger ou atacar a outra. Aqui o que se enfatiza é que a graça está em Deus e o 
pecado está no homem. A graça de Deus não está na cultura nem no cristão, mas o que 
ocorre é que deve ser feita distinção entre as esferas da criação e da redenção. Como a 
cultura jamais será um meio de encontrar a Deus, a abordagem “Cristo da Cultura” está 
descartada, por outro lado, a cultura não pode ser objeto de desprezo, porque ela não 
promete salvar ou redimir, isso elimina também a abordagem “Cristo Contra a Cultura”. O 
prazer que advém do envolvimento no trabalho, na vida familiar, na educação, nas artes 
ou no lazer, é um dom criacional de Deus e não redentivo. Essa visão foi iniciada por 
Agostinho, recuperada por Lutero e apoiada por Calvino. Calvino sustentava que a 
sociedade não precisa ser explicitamente cristã para ser justa e cheia de virtudes civis, pois 
que a lei moral de Deus está escrita nas consciências humanas. Niebuhr identifica Lutero, 
Kierkegaard, Marcião e Paulo de Tarso como possíveis exemplos dessa posição. 
Cristo, o Transformador da Cultura 
Aqueles que sabem que este mundo nunca será transformado numa utopia pelo 
progresso humano e que, estão ansiosos por ver a mão de Deus nos avanços científicos, da 
medicina, das artes, e do conhecimento em geral, constituem-se na abordagem 
denominada “Cristo o Transformador da Cultura”. Os participantes dessa visão não 
querem ser apenas observadores, porém agentes de mudança, agentes transformacionais 
do mundo no qual estão inseridos, fazendo-o melhor. São aqueles que realmente crêem na 
soberania de Deus em todos os aspectos da vida do homem, aqueles que crêem que, 
embora decaído, o mundo continua sendo objeto do amor e do interesse de Deus. Três 
são as convicções teológicas que sustentam essa visão: 1) a importância da doutrina da 
criação (graça comum e a imago Dei): “o mundo é o teatro da glória de Deus”; 2) a 
humanidade é caída: porém a depravação total não se constitui no mal ontológico, isto é, o 
homem não é mal meramente porque é humano; e 3) o mundo aguarda completa 
redenção, podemos ter vitórias parciais ocasionais enquanto aguardamos a volta de Cristo. 
Há duas esferas distintas e Deus age em ambas: o transformador não adora e nem odeia a 
cultura. Alinham-se com essa abordagem Agostinho, Calvino e a tradição reformada. A 
proposta de abordagem que Horton faz, e que podemos abraçar é combinar os paradigmas 
“Cristo e a Cultura em Paradoxo” e “Cristo o Transformador da Cultura” para que os 
cristãos possam somar as vantagens de cada um. Nessa combinação o cristão reconheceria 
que esse mundo é do Senhor, e, contudo, aqui não é o seu lugar, ainda. 
 
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A proporção que alcançamos maturidade, descobrimos que algumas de nossas regras 
precisam ceder ao machado do tempo. Contudo, como igreja de Cristo, temos pontos 
absolutos, intocáveis e não negociáveis, que não comprometeremos jamais. Estes estão 
enraizados solidamente na Palavra de Deus, são nossa doutrina e alicerce. O cristão precisa 
estar pronto para entrar numa outra cultura sem rejeitá-la, mas também não pode se 
render totalmente a ela. A tensão cultural vivida pela igreja é natural e reflete o choque 
entre coisas eternas e imutáveis, e portanto, divinas, e coisas temporais e humanas. As 
Boas Novas foram implementadas num contexto cultural, e o seu Autor utilizou-se 
fortementedeste elemento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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8 - ANTROPOLOGIA MISSIONÁRIA 
8.1. Definindo Antropologia 
Você sabe o que é Antropologia? 
Há várias definições desta palavra: “É a ciência natural cujo objeto é o estudo e a 
classificação dos caracteres físicos dos grupos humanos”. Krober a define como “a ciência 
dos grupos humanos, seu comportamento e as suas produções”. Há quem diga que é “a 
ciência da cultura humana”. Em linhas gerais, “Antropologia é o estudo do ser humano”. 
A Antropologia abrange uma esfera de estudo muito ampla. Divide-se em duas 
grandes áreas: Antropologia Física e Antropologia Cultural. 
8.2. Antropologia Física 
É o seguimento da Antropologia que estuda os primatas, a genética, a evolução, as 
mudanças do corpo e as descrições das características dos povos. 
A Antropologia Física, no estudo da espécie humana, registra a evolução e a 
diferenciação dos tipos raciais. A raça humana pode ser dividida em três grupos étnicos 
principais: negróide, mongolóide e causóide. Para uma investigação exata dos tipos raciais 
e sua classificação desenvolveu –se uma técnica de mensuração. No que diz respeito à 
aplicação dessa técnica ao esqueleto e ao homem vivo, usa-se também o termo 
Antropometria. 
O estudo do homem fóssil ou pré-histórico representa uma especialização 
paleontológica no vasto no campo da Antropologia Física. 
8.3. Antropologia Cultural 
O seguimento da Antropologia que estuda as culturas pré-históricas, a etnologia, 
folclore, a organização social, a cultura e a personalidade, a aculturação e a aplicação da 
Antropologia aos problemas humanos. 
Na análise dos modelos padrões de vida e do comportamento humano nas diversas 
culturas, o antropólogo deve procurar respostas para três perguntas principais: 
1. Quais as funções dos vários aspectos duma cultura, isto é, comida, abrigo, 
transporte, organização da família, crenças religiosas, línguas, valores, etc.? 
 
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2. O que faz um membro de uma sociedade agir como age? Em outras palavras, por 
que todos não agem da mesma maneira? Quais são as normas que determinam a 
conduta dos membros de uma sociedade? 
3. Quais os fatores que determinam a conservação de certos aspectos culturais e a 
substituição de outros com o decorrer do tempo? 
Como podemos perceber, não é suficiente apenas analisar os tipos de vestimenta ou 
comida de um povo, mas precisamos analisar também quem usa esta ou aquela roupa e 
porque a usa. 
8.4. O Que a Antropologia nos Ensina? 
A Antropologia tem feito muitas contribuições ao conhecimento de nós mesmos e de 
outros seres humanos. Podemos resumir algumas dessas contribuições básicas da seguinte 
maneira: 
1. O comportamento humano não é ilógico ou efetuado ao acaso, mas segue 
modelos culturais definidos. 
2. As partes que formam o padrão de comportamento de uma cultura são 
interligados. 
3. A maneira como os diferentes povos seguem e pensam pode tomar formas 
bastante variadas de cultura para cultura. 
“Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da Terra por tua 
possessão” (Sl 2.8). 
8.5. A Cultura e Suas Divisões 
Relembremos a definição de Cultura, segundo o dicionário Aurélio: Cultura é “o 
complexo de comportamento, das crenças, das instituições e doutros valores espirituais e 
materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade”. 
Há muitas partes da nossa cultura que supomos serem tão lógicas, tão naturais e até 
mesmo universais, que nem estamos conscientes delas, realizando-as automaticamente. 
Devemos, todavia, lembrarmo-nos de que outros povos têm diferentes maneiras, (e às 
vezes bem diferentes!) de considerar um mesmo assunto. 
Podemos classificar a cultura em diferentes seguimentos: 
 Material; 
 Social; 
 
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 Religiosa; 
 Lingüística; 
 Estética; 
 Musical; 
 Artística, etc. 
Interessante traçarmos um paralelo entre estes seguimentos da Cultura para analisa-
los cuidadosamente. Vejamos alguns casos: 
A. A Cultura Material em Relação à Cultura Social. O dinheiro e a riqueza são 
desejados pelo homem, não só porque possuem valor em si, mas também porque 
proporcionam um status diferente diante de uma sociedade. Um homem rico é um 
homem importante, respeitado. A riqueza proporciona segurança, poder e prestígio (a não 
ser se foi adquirida de forma ilícita!) 
A tendência natural do homem de querer possuir tal status produz uma influência 
inevitável da cultura material sobre a cultura social. Veja que exemplo interessante, de um 
fato ocorrido entre os índios do Canadá. 
Na tribo dos índios “Atapascam”, no norte do Canadá, antigamente, quando o clima 
era muito frio e a vida, conseqüentemente, muito difícil, uma mulher tinha dois ou três 
maridos. A escassez de alimentos e a difícil economia não proporcionavam condições para 
um homem sustentar numa pessoa e a respectiva prole. Mas aconteceu um fato que 
mudou radicalmente este sistema. Os homens daquela tribo adquiriram espingardas, e se 
tornou bem mais fácil conseguir caça. Então podiam matar animais maiores, e houve 
abundância de alimentos. A partir de então, os homens podiam sustentar suas respectivas 
famílias e eles é que passaram a ter duas ou três esposas. Concluindo, a espingarda, que é 
um bom material, mudou a cultura social. 
B. A Cultura Material em Relação à Cultura Religiosa. A influência do material é forte, 
até mesmo na vida religiosa. Isso nos traz mais uma vez à revelação da verdadeira essência 
da natureza humana. 
Na Suíça (o “Banco do Mundo”), eles dizem não “precisar” de Deus, afinal, têm uma 
economia estabilizada, etc. Já, no Brasil, muitos vão aos centros espíritas com o propósito 
de conseguir êxito nos negócios ou mesmo para ganhar na Loteria Papa–tudo, Tele-Sena, 
etc., e quiçá, num jogo de futebol. A razão dessa procura religiosa é meramente 
econômica! 
 
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Em contrapartida, observamos que pessoas que possuem poucos recursos 
financeiros, ou que já tiveram muito e perderam tudo, são mais abertas para uma 
experiência genuinamente religiosa. 
C. A Cultura Material e a Missão Cristã. Nós sabemos que Deus está interessado no 
indivíduo inteiro, tanto na sua parte espiritual como na física. No entanto, acontece que, 
não poucas vezes, temos separado estas duas partes essenciais do ser humano, pensando 
que Deus só está interessado na parte espiritual. Essa não é a mensagem que a Bíblia nos 
transmite. Vemos em toda a Palavra de Deus a importância que é dada ao homem total. 
Por isso, é dever das missões transmitir essa mensagem, de um modo que penetre na vida 
toda do homem e da sociedade. 
Uma segunda razão por que deve ser assim, é o fato comprovado de que a cultura de 
um homem convertido vai mudando e melhorando dentro do seu pensamento e da sua 
sociedade. 
O missionário tem o dever de levar o homem à expressão mais perfeita possível de 
sua fé em Jesus Cristo, numa nova vida nele.Os costumes e a Cultura do missionário são 
irrelevantes e sem sentido para um homem de outra cultura, mas o missionário, mesmo 
assim, deve ajudar o novo homem em Cristo e avaliar sua vida e buscar uma expressão 
certa do Cristianismo. O Espírito Santo e um estudo profundo da Bíblia, mostrarão o que os 
novos cristãos devem rejeitar e o que devem reter e/ou melhorar para a glória de Deus, na 
sua própria cultura. 
A cultura não é simplesmente um aglomerado de traços e características, nem tão 
pouco um amontoado de conhecimentos. Cada parte distinta da cultura se interliga às 
demais de forma que resulta num funcionamento sistemático da sociedade-a sociedade 
organizada. 
O poder salvador do Evangelho manifesta-se pelas boas obras e não pelos costumes, 
especialmente numa experiência transcultural. Acima de tudo, está o amor, que deverá ser 
expresso de maneira prática e convincente, o único meio de atrair homens para Cristo. 
Pense nisso, caro aluno: se você diz para alguém (de qualquer cultura que seja!), que 
Jesus salva, o seu interlocutor quererá saber como e quererá provas disso na sua própria 
vida. 
“... e entoavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhes os 
selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus, os que procedem de 
toda tribo, língua, povo e nação, e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e 
reinarão sobre a terra.” (Ap 5.9,10) 
 
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8.6. O Problema do Relativismo Cultural 
Em decorrência dos estudos antropológicos efetuados até o momento presente, 
alguns antropólogos estão dizendo que há relativismo cultural. “Se os esquimós matam os 
velhos que não podem mais trabalhar, por que não fazer o mesmo também?” “Se pode 
haver liberdade sexual em algumas tribos da África, por que não podemos tê-la também?” 
“Tudo é relativo”. 
A Bíblia tem muito a dizer sobre isso. Deus conhece os diferentes valores de cada 
cultura. Ele reconhece também as oportunidades de casa povo, a revelação que este tem 
recebido de Deus. Ele mesmo se revela de diferentes maneiras, em diferentes culturais. 
Sobre isso, Don Richardson fala em seu livro “O Fator Melquisedeque”. Recomendo-o para 
sua leitura! 
Em Lc 12.48 também se diz: “Mas o que não a soube, e fez coisas dignas de açoites, 
com poucos açoites será castigado. “A qualquer que muito foi dado, muito se lhe pedirá, e 
ao que muito se lhe confiou muito mais se lhe pedirá”. 
Paulo também sabia que os valores de cada cultura eram diferentes e que alguns 
costumes eram relativos e outros não (I Co 16.3). Ele exigiu que Timóteo se circuncidasse 
(At. 16.3) e deixou Tito sem circuncisão (Gl 2.3). Não foi incoerência na conduta do 
apóstolo, mas um reconhecimento bíblico de que há níveis de valores de uma cultura para 
outra e mesmo dentro de uma mesma cultura. 
A Bíblia deixa muitos costumes e regras em aberto para que a própria pessoa, dentro 
da sua respectiva cultura, escolha, escolha o melhor. Outros mandamentos são fixos para 
todas as pessoas na face da Terra. A Bíblia diz que não podemos matar, nem por atos nem 
por pensamento. Em todas as culturas isto é pecado (mesmo na dos esquimós!). A Bíblia 
também proíbe a vaidade, que é um sentimento íntimo manifesto de maneiras diferentes 
em cada cultura. E assim por diante. Há outros atos que são meros costumes (como 
maneira de se vestir-que varia de cultura para cultura-de se saudar, etc.) e, portanto, são 
deixados à livre decisão de cada um, dentro do seu “padrão cultural”, sem que a Bíblia os 
regulamente. 
Talvez o discernimento sobre estas coisas seja uma das tarefas mais importantes e 
difíceis do missionário. Por isso ele tem de, em primeiro lugar, conhecer profundamente a 
Bíblia e o que ela realmente ensina sobre tais coisas. Ele tem de conhecer também a sua 
própria cultura para poder compreender as razões básicas das suas próprias reações e 
pensamentos. Além disso, ele tem de conhecer de maneira “êmica” (isto é, de dentro da 
cultura –não de fora) a cultura dentro da qual vai trabalhar, para poder transmitir o 
verdadeiro ensino da Palavra de Deus, separando-o das práticas da sua própria cultura. 
Temos de levar a Palavra de Deus aos outros povos, não a nossa cultura e nossos 
costumes! 
 
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9 - JANELA 10/40 
9.1. Considerações Preliminares 
É provável que você já tenha ouvido ou lido alguma coisa sobre a janela 10/40. Mas, 
você sabe exatamente o que é? Sabe porque ela é assim chamada? Ou quais os países que 
a compõem? 
Dada a importância do assunto, não poderíamos terminar esta apostila sem falarmos 
a respeito. Todavia, daremos apenas uma pincelada. Incentivamos aos alunos que 
prossigam na pesquisa e na atualização de informações alusivas ao tema proposto. 
A. Quanto ao Nome. A pronúncia correta do nome é “JANELA 10/40” (dez-quarenta) 
E não “dez-por-quarenta”. 
Antigamente era chamada de “Cinturão de resistência”. 
B. Quanto à Localização. Está localizada entre as LATITUDES 10º e 40º norte do 
Equador. Abrange desde o Norte da África, Oriente Médio e Ásia. 
C. Realidades da Janela. A janela tem em vista a maior parte das áreas do mundo com 
necessidades físicas e espirituais. A maioria dos países do “Mundo A” estão aqui 
localizados, e também, a maioria dos governos que se opõem ao Cristianismo, e ainda, os 
três maiores blocos religiosos do Mundo: Islamismo, Hinduísmo e Budismo. 
9.2. Razões Para Focalizarmos a Janela 10/40 
Vejamos quais as três razões básicas pelas quais devemos focalizar a evangelização 
nesta área. 
A. Primeira Razão. A Primeira Razão é fundamental razão pela qual devemos 
enfatizar a evangelização na Janela 10/40 é por causa do significado bíblico e histórico 
desta área. 
A Bíblia começa com a explicação que Adão e Eva foram colocados por Deus no 
“Jardim do Éden”, lugar onde é hoje o “coração da Janela 10/40”. 
O plano de Deus expresso em Gn 1.26 é que o homem teria domínio sobre a terra e 
deveria preenchê-la. Mas quando Adão e Eva pecaram contra Deus, perderam seu domínio 
sobre a terra.Com o comportamento pecaminoso do homem sempre crescente. Deus 
resolveu intervir e julgou a terra com o “Dilúvio”. Depois, os homens vieram estabelecer 
seu novo intento para dominar: construíram a “Torre de Babel”. Essa obra também 
ocorreu no “coração da Janela 10/40”, e foi feita como uma provocação a Deus (Gn 11.3). 
 
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Novamente, Deus estendeu sua mão como julgamento. O resultado foi a introdução de 
línguas, separação de povos, e, formação de nações. 
Cristo nasceu em Israel, país que compõe a Janela 10/40. Viveu uma vida perfeita, 
morreu sacrificialmente na cruz e ergueu-se triunfante sobre a morte. 
A Igreja primitiva anunciou isto, mas foi somente após as viagens missionárias do 
Apóstolo Paulo que a proclamação ocorreu mais além da Janela 10/40. 
Sem dúvida, é uma área de significado bíblico e histórico. 
B. Segunda Razão. A Segunda razão, é porque ali vive o maior número de povos não-
alcançados do mundo. 
Dentro da Janela 10/40 está 1/3 da área total da Terra, 2/3 da população mundial; 
cerca de 3 bilhões de pessoas. Nesta área estão, estatisticamente, as pessoas mais pobres 
do mundo,vivendo, ou melhor, sobrevivendo, em estado de absoluta miséria. 
Sessenta e dois países formam a Janela 10/40. Dos quais, 37 estão totalmente dentro 
do “retângulo” da Janela 10/40. Dos 62 países 18 são completamente “fechados” ao 
Evangelho. Isto representa um total de 97% dos povos inalcançados. 
C. Terceira Razão. A Terceira Razão, é a presença das três maiores religiões de grande 
domínio no mundo. A maioria dos adeptos do Islamismo, Hinduísmo e Budismo, vive na 
Janela 10/40. 
A presença Islã é desde o Norte da África até o Oriente-Médio, perfazendo um total 
de 700 milhões de pessoas. 
Nós devemos fazer o máximo possível para mostrar aos muçulmanos que o grande 
profeta descrito ao Alcorão, não é Maomé, mas sim Jesus Cristo. 
No meio da Janela 10/40 está a Índia, e o hinduísmo também constitui um total de 
700 milhões de pessoas. 
À direita da Janela 10/40, temos a China que é o mundo budista. 
Há 1,2 bilhões de chineses que estão precisando desesperadamente de Jesus. Eles 
representam o maior bloco “identificável” da Janela 10/40. 
Na verdade, todo o Mundo necessita do Evangelho. Mas, em nenhum outro lugar é 
tão gigante esta necessidade. 
9.3. Definições Importantes 
Há algumas definições que nos ajudam a melhor entendermos a matéria. 
Povo. Povo é o conjunto de indivíduos sujeitos às mesmas leis; 
 
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País. É o território ocupado por uma determinada população. É o espaço geográfico 
que uma população habita. 
Estado. É “uma sociedade organizada sob a forma de governantes e governados, 
com território delimitado e dispondo de poder próprio para promover o bem de seus 
membros, isto é, o bem público”. 
População. Sentido quantitativo; abrange todos os que residem num território, além 
da chamada “população flutuante”, isto é, pessoas que estão de passagem pelo país, ou 
que nele reside temporariamente. 
Nação. É o povo socialmente organizado e consciente de seus objetivos comuns. É o 
povo e o conjunto de suas instituições sociais, línguas, usos e costumes. 
Pátria. É o país onde nascemos e ao qual estamos emocionalmente ligados. Tudo o 
que vimos até agora são definições da Sociologia. 
Mas ainda falta definir um termo muito importante: Povo não-alcançado ou 
“inalcançado”. 
Também são empregados os termos, “povo-fronteiriço”, ou “povo-escondido”. Esta 
terminologia serve para designar um povo etnolingüístico sem nenhuma comunidade 
nativa de cristãos com número e recursos suficientes para evangelizar seu próprio povo 
sem nenhuma assistência externa (transcultural). 
Segundo os pesquisadores, existem cerca de 11.286 grupos étnicos, ou seja, povos, 
na Terra. 
9.4. “Os Três Mundos” 
MUNDO A. Não Evangelizado (1%). São nações e povos no mundo menos 
evangelizado. Aquelas nações e povos que são menos de 50% evangelizados. 
MUNDO B. Não Cristão, porém Evangelizado (8,5%). São nações e povos no mundo 
não-cristão evangelizado. Aquelas nações que são mais de 50%$ evangelizadas e menos de 
60% cristãos. 
MUNDO C. Mundo Cristão (incluindo nominais) (90,1%). São nações e povos no 
mundo cristão. Aquelas nações e povos que são mais do que 60% cristãos professos. Isto 
inclui todos os cristãos nominais e filiados de todas as tradições eclesiológicas e não 
somente os protestantes. A grande maioria dos países do Mundo A, estão na Janela 10/40. 
 
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9.5. Tradução da Bíblia – Um Grande Desafio! 
Segundo os pesquisadores, existem no Planeta cerca de 6528 línguas. 
 4% (cerca de 276) possuem a Bíblia Inteira. 
 10% (cerca de 676) possuem o Novo Testamento. 
 819% (cerca de 1199) possuem Porções da Bíblia. 
 5% (cerca de 336) são línguas quase extintas. 
 62% (cerca de 4041) não possuem nem um versículo da Bíblia traduzido. Uma 
grande parte destas línguas são de países da Janela 10/40. 
Dos 24.000 povos do Mundo, cerca de 12.000 ainda são povos não-alcançados. Uma 
grande parte também está na Janela 10/40. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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10 - O DESAFIO DAS MISSÕES URBANAS 
10.1. Características do Homem Urbano 
Características Psico-sociais 
 Anonimato – Esta é a primeira característica descrita por Cox no seu clássico "A 
cidade secular" ao se referir à face da cidade. Em geral as pessoas se horrorizam 
diante da impessoalidade e pela perda da identidade que a cidade traz. Pessoas 
podem perder toda sua identidade personalidade no meio da correria diária, e 
dos intermináveis números. "Solidão é indubitavelmente um sério problema na 
cidade”. 
 Alienação – Neste caso, percebe-se que a pessoa não passa de um número, e 
que os encontros normalmente são feitos de forma esporádica e sem desejo de 
aproximação. O homem urbano se distancia facilmente do outro. A falta de 
intimidade e distanciamento nos grandes centros e grupos. Você pode morar no 
mesmo prédio e não conhecer quem mora em frente à sua casa. Exemplo pastor 
do Rio de Janeiro que mudou-se par ao interior por medo da alienação da 
grande cidade. 
 Isolamento – Diante da constante mobilização, as pessoas são sempre muito 
diferente mesmo na vizinhança. Muitas estão constantemente se mudando. 
Alguém por perto não significa "proximidade". 
 Despersonalização – individuo tratado como número e coisa. Tente acessar seu 
banco, sua conta na internet. Você estará sendo sempre identificado pelo 
número que tem. A Bíblia diz que mais vale o bom nome do que as muitas 
riquezas, mas na cidade, mais vale um bom número. 
A atmosfera impessoal dos grandes centros urbano, produzindo uma terrível solidão. 
Os lugares de maior solidão no mundo não são “o deserto Saara e a Amazônia, “ mas sim 
os grandes centros urbanos. Pessoas que moram nos grandes complexos de apartamentos 
não conhecem seus vizinhos e raramente conversam entre si. Proximidade geográfica, por 
si só, não produz comunhão ou relacionamentos fraternos ( Sl 25.16 ). 
Características Morais e Religiosas 
Ele tem a tendência a ser um cristão nominal. 
Ele é tendente a ter padrões morais relaxados. 
Ele tem inclinação à auto-suficiência. 
Pós-moderno. 
 
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Características Cívicas e Políticas 
Ele tem a consciência política mais acentuada. 
Ele tem a tendência de ser influenciado por grupos de pressão. 
10.2. Problemas do Homem Urbano 
Problemas Econômicos 
O grande êxodo rural tem inchado as cidades, provocando o baixo nível econômico 
de vida. O desemprego tem crescido e consequentemente as pessoas têm apelado para o 
emprego informal. A habitação não tem sido suficiente para todos, ocasionando o 
surgimento de casebres e favelas. O saneamento básico não tem acompanhado esta 
expansão rápida e descontrolada. Epidemias têm surgido com mais facilidades. ( Dados da 
FGV mostram que 33% da população brasileira é constituida de miseráveis e que para 
erradicar a pobreza bastaria apenas a contribuição de R$14,00 por cidadão que está acima 
da linha da pobreza). 
São Paulo também tem grande quantidade de favelas e asestimativas mais recentes 
indicam que há na cidade 2018 favelas cadastradas, nas quais vivem aproximadamente 
1.160.516 habitantes. (Rocinha é a maior favela do Rio de Janeiro contando com mais de 
60.000 habitantes). 
A migração da população rural para o espaço urbano em busca de trabalho, nem 
sempre bem remunerado, aliada à histórica dificuldade do poder público em criar políticas 
habitacionais adequadas são fatores que têm levado ao crescimento dos domicílios em 
favelas. Dados do Ministério das Cidades, apoiados nos números do Censo 2000 do IBGE, 
apontam que entre 1991 e 2000, enquanto a taxa de crescimento domiciliar foi de 2,8%, a 
de domicílios em favelas foi de 4,8% ao ano. Entre 1991 e 1996 houve um aumento de 
16,6% (557 mil) do número de domicílios em favelas; entre 1991 e 2000 o aumento foi de 
22,5% (717 mil). 
Dentro deste aspecto, vale citar a influência que Calvino teve na área social em 
Genebra. Tal influência e contribuição levou Graham a considerar Calvino como o teólogo 
de maior influência para o contexto urbano de sua época, ao defender que "todo 
empreendimento humano está marcado com o mal, contudo isto nos impulsiona com o 
propósito de fazer o evangelho relevante na cidade de comércio na qual vivemos e 
trabalhamos.". Dentre o muito que foi conseguido pela participação marcante do 
reformador em Genebra na área sócio-econômica podemos destacar 12 itens: 
 Assistência social aos necessitados sem discriminação de nacionalidade. 
 
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 Ajuda e cuidado com a saúde popular através de um programa de visita médica 
domiciliar. 
 Esforços do governo na capacitação profissional. 
 Combate ao desemprego com oferta de trabalho pelo governo. 
 Ênfase no amparo aos pobres, idosos e desamparados. 
 Luta contra a insolência do luxo em relação aos pobres. 
 Exemplo de simplicidade por parte dos reformadores-líderes públicos. 
 Limitação dos juros nos empréstimos. 
 Forte combate à especulação. 
 Ataque frontal à escravidão. 
 Combate a bebedice e proliferação das tavernas. 
 Grande esforço na educação de todos. 
Problemas Sociais ou Violência Urbana 
 Crimes contra a vida: homicídio - assassinato, infanticídio, aborto ,latrocínio 
(assassinato com objetivo de roubo), lesão corporal (ataque à integridade física 
de outra pessoa) 
 Crimes contra a honra: injúria (ofensa verbal, escrita ou encenada), calúnia (falsa 
atribuição de cometimento de crime a alguém), difamação (propagação 
desabonadora contra a boa fama de alguém). 
 Crimes contra o patrimônio: furto (subtração de coisa alheia), roubo (subtração 
de coisa alheia mediante violência), dano (danificação de coisa alheia), extorsão 
(extorsão mediante seqüestro 
 Crimes contra os costumes: estupro, corrupção de menores (indução de menor 
a práticas sexuais), rapto de mulher. 
Problemas na Família 
A desintegração da família tem aumentado com os meios de comunicação, 
incentivando a infidelidade conjugal. Os filhos pequenos, muitas vezes, ficam sós ou com 
pessoas que não têm condições de educá-los, enquanto os pais trabalham fora. 
Separações de casais têm crescido e se tornado algo comum. 
“A Igreja é chamada a assumir a sociedade urbana, não por oportunismo religioso, 
mas por vocação (...) Seu papel consiste em criar o povo de Deus a partir da cidade”. 
Problemas Psicológicos 
 
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Estes e outros problemas acarretam a instabilidade emocional. As pessoas sentem-se 
inseguras, ficam ansiosas, aumenta a incidência da depressão. 
Problemas Espirituais e Morais 
Nunca ocorreu com tão grande intensidade a proliferação de seitas religiosas. Muitas 
fazem promessas vãs, mais confundindo do que ajudando. Seitas espiritualistas têm 
recebido mais credibilidade. O esoterismo ganha cada vez mais adeptos. Pessoas, sem 
estruturas emocional e espiritual, tornam-se facilmente presas do alcoolismo, de drogas 
inaláveis e injetáveis e outros vícios desagregadores. A corrupção sexual aumenta e 
quadrilhas se organizam a fim de aliciar menores para o “turismo sexual”. Cidade é cenário 
de luta espiritual. Milhares de pessoas são vitimas de religiões falsas, de seitas e grupos 
espiritualistas, em busca de sentido e identificação. 
Problemas Educacionais 
Nem todos têm acesso a boas escolas. E quando têm, a necessidade de trabalhar fora 
do lar bem cedo impede de continuarem os estudos. A pessoa de pouca leitura e reflexão 
pode ser mais facilmente manipulada pelos meios de comunicação de massa, os quais 
podem influenciar com uma cultura enlatada as pessoas. 
10.3. Obstáculos Para o Crescimento das Igrejas Urbanas 
Nós concordamos que a evangelização é um imperativo de Cristo para a sua igreja, 
contudo, não são poucas às vezes que nos sentimos impotentes, desanimados e vencidos 
diante de tamanha responsabilidade. De fato, mesmo cônscios de nosso dever, da 
assistência divina e dos frutos, ainda assim, não deixamos de reconhecer as barreiras que 
se levantam e nos intimidam ou amedrontam quando pensamos em evangelizar. 
Precisamos reconhecer barreiras reais e contrapô-las com os recursos dispostos por 
Deus ao nosso alcance. Se muitas forem as barreiras, suficiente e superior será o auxílio 
divino para transpô-las, nos concedendo vitórias e nos fazendo efetivos instrumentos de 
proclamação das Boas Novas da Salvação em Jesus Cristo. 
Diabo 
Satanás, com seus anjos maus, procura impedir o crescimento da igreja em qualquer 
lugar. John T. Mueller exemplifica as artimanhas destes inimigos da igreja de Cristo: 
 continuamente procuram destruí-la por investidas em geral (Mt 16.18); 
 tentam impedir que os ouvintes recebam a Palavra de Deus (Lc 8.12); 
 disseminam doutrina errônea (Mt 13.35; 1 Tm 4. 1s); e 
 
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 incitam perseguições ao reino de Cristo (Ap 12.7 [...] No intuito de arruinar a 
igreja, o diabo causa transtornos também ao estado político (1Cr 21.1; 1 Rs 
22.21-22), e ao estado doméstico (1 Tm 4.1-3; 1 Co 7.5; Jó 1.11-19). 
A Relativização de Absolutos 
Vivemos dias em que os absolutos são descartados. A verdade tornou-se subjetiva e 
pessoal, cada um tem sua própria verdade. A liberdade individual e a felicidade pessoal são 
o alvo buscado e a justificativa de qualquer meio para se alcançar este fim. A nossa cultura 
perdeu a perspectiva de que existe uma lei moral transcendental que se aplica a todos e 
que rege o próprio equilíbrio das partes. Diz o insensato no seu coração: não há Deus. 
Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem. (Salmo 14.1) 
“O Cristianismo é a única história que faz o nosso mundo ter sentido, que age como 
guia moral, que nos enche com uma esperança confiante dos nossos futuros individuais e o 
futuro da nossa raça e o deste mundo”, entretanto, a História Cristã perdeu seu significado 
para o homem moderno. 
Entrementes, a relativização de absolutos, ou seja, você decide o que é verdadeiro 
segundo suas próprias concepções, tem rodeado e até mesmo invadido a igreja. Muitas 
das nossas convicções e fundamentos sobre os quais lançávamos princípios de vida estão 
abalados e sob suspeição. As incertezas sobre o teor da mensagem do Evangelho nos 
fazem recuar. Será que de fato cremos numa verdade? Ela poderá mudar derrubar os 
muros da incredulidade? Já não nos sentimos tão seguros quanto ao conteúdo de nossa 
pregação. Como combater a incerteza com incertezas?“Devemos ter certeza de que nossa fé é de fato a verdade”. Para tanto, o 
conhecimento e estudo da Palavra de Deus é a fonte que nos prepara para que possamos 
estar “sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança 
que há em vós”. (1 Pedro 3.15b), assim, “...procurai, com diligência, cada vez maior, 
confirmar a vossa vocação e eleição...” (2 Pedro 1.10a). 
Ausência de Credibilidade da Igreja 
Boa parte da população está decepcionada com erros diversos em igrejas como a 
exploração financeira, escândalos de líderes religiosos, o legalismo de certas igrejas que 
impõem aos seus adeptos leis humanas muito rígidas, tirando-lhes a alegria de viver.: 
Outra barreira que enfrentamos na evangelização urbana é o discurso da incoerência. A 
igreja tem desassociado a pregação do testemunho. A ética cristã tem se tornado 
extremamente maleável, adequando-se às circunstâncias. Os escândalos estão nos deixam 
constrangidos – porém, não envergonhados ou arrependidos – a nós já não pertence mais 
o “corar de vergonha” (Daniel 9.7b) 
 
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O evangelho está desacreditado porque perdemos o crédito de nosso 
comportamento perante a sociedade. É certo que não somos perfeitos e ao olharmos para 
o passado, veremos manchas na História que até hoje são evocadas e simplesmente nos 
enchemos de desculpas. Devemos assumir os erros que se registraram nos anais da 
história, atitudes humanas desprovidas de aprovação divina. 
Mas, ao mesmo tempo em que devemos assumir nossos erros passados, devemos, 
também, tomar atitudes no presente para coroar o futuro, viver como luz do mundo e sal 
da terra, a fim de que os homens vejam nossas boas obras e glorifiquem a Deus (Mateus 
5.13-16). 
A Perda da Linguagem Comum 
A comunicação é uma importante conexão entre as pessoas e para que ela se efetive 
o transmissor da mensagem deve se fazer entender pelo seu receptor, ou seja, minhas 
palavras devem estar adequadas à linguagem do ouvinte. Como costumamos dizer: “agora, 
estamos falando a mesma língua” - referência ao fato de terem se entendido. Isto, porém, 
tem se perdido nos dias atuais. “Mais e mais pessoas são biblicamente analfabetas” – 
incluindo o meio evangélico. Devemos ter a sensibilidade para fazermo-nos entender na 
pregação, na proclamação de uma mensagem universal que é “para todos as nações, 
tribos, povos e línguas” em qualquer tempo ou lugar. 
Devemos nos questionar sobre tais barreiras, reconhece-las tão somente não é 
suficiente, é preciso preparar-se para enfrenta-las, e temos recursos para isto, como 
afirma o apóstolo Paulo: “porque as armas de nossa milícia não são carnais e sim 
poderosas em Deus, para destruir fortalezas; anulando nós, sofismas e toda altivez que se 
levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência 
de Cristo”. (2 Coríntios 10.4,5). Sendo, pois, praticantes da Palavra e não somente ouvintes 
(Tiago 1.22) o nosso testemunho falará mais alto que nossas palavras e esta é uma 
linguagem que todos compreendem, vida coerente. 
Reação de Condenação 
Quando nos sentimos acuados reagimos condenando a todos. A parábola do fariseu e 
do publicano (Lucas 18.9-14) ilustra o cuidado que devemos ter em relação a julgarmo-nos 
melhores do que outros. Se do “lado de fora” sentimos o cheirinho de enxofre nos 
“pecadores” e agradecemos a Deus por não sermos como eles, um perigoso sinal nos 
alerta contra a vaidade e arrogância espirituais. Não devemos julgar nossos inimigos, 
antes, amá-los. Se fosse possível tirar uma fotografia da realidade espiritual da alma 
humana e guardássemos a nossa, antes da conversão, veríamos que somos tal qual 
aqueles que desprezamos ou condenamos. 
 
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É neste tipo de arrogância que criamos uma subcultutra cristã (mera presunção) que 
finalmente vai mudar as coisas, pensamos nós. Nos propomos a preencher os espaços 
políticos, culturais, sociais para subjugar o “ímpio”, mas para isso vale tudo que estiver ao 
nosso alcance, seja ético ou não, seja lícito ou não, seja honesto ou verdadeiro ou não. Nos 
tornamos maiores tiranos do que aqueles que foram “demonizados” por nós. 
Devemos, como Cristãos, exercer nossa cidadania e contribuir ativa e 
conscientemente nossos direitos e deveres como cidadãos. Mas, também como Cristãos, 
devemos ter a percepção de que pertencemos uma “nacionalidade” que nos exige que 
vivamos segundo suas prerrogativas, como cidadãos do céu e neste exercício de cidadania 
a palavra amor e misericórdia estão entre os primeiros deveres. 
Isolamento 
Uma falsa idéia se opõe a uma evangelização ativa: “não pertencemos ao mundo 
devemos, simplesmente, nos isolar”. Somos a geração dos condomínios fechados, do 
shopping center, das grades de segurança, do espaço privado distante e protegido do 
espaço público. Reagimos, então, da mesma maneira, nos isolando em nossas casamatas 
(abrigos subterrâneos usados principalmente nas guerras) e criamos um novo conceito de 
“mosteiro social gospel” com uma placa na entrada: “proibida a entrada de estranhos”. 
Não devemos amar ao mundo, é certo, disse o apóstolo João, mas, também somos o 
sal da terra. Imaginemos se podemos temperar um feijão colocando o saleiro em frente à 
panela. Devemos por o sal no feijão e suas propriedades suscitarão o efeito desejado. 
Podemos criar espaços com certas peculiaridades, mas não nos escondermos em guetos 
evangélicos. 
Separação 
Uma outra barreira sutil e perigosa é a de nos separarmos das pessoas “de lá de fora” 
e restringir nosso círculo social aos “irmãos”. A senha poderia ser (e às vezes é), “a paz do 
Senhor” em caso de resposta satisfatória, então é bem vindo ao nosso meio, de outra 
forma, “as más conversações corrompem os bons costumes” (1 Coríntios 15.33 – 
interpretado fora do contexto). Olhemos para aquele que foi acusado de ser amigo de 
publicanos e pecadores (Lucas 7.34), que tocou em leprosos, que perdoou prostitutas, que 
se aproximou dos excluídos. 
Já tentou conversar com alguém que não te olha nos olhos? Que estranha sensação. 
Como podemos pregar o evangelho que tem características tão evidentes de amor, 
misericórdia, perdão, reconciliação, adoção, aceitação? Seria muito difícil uma família 
adotar uma criança órfã sem permiti-la entrar em sua casa. Nós fomos adotados e 
recebidos na presença do Pai, que não faz acepção de pessoas (por isso nos aceitou), como 
poderemos testemunhar disto praticando o oposto da mensagem? 
 
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Paganismo 
O paganismo está de volta á essa geração pós-moderna. As seitas e religiões 
espiritualistas ganham novos adeptos e seus conceitos não são questionados se 
verdadeiros ou sensatos, basta que faça a pessoa se sentir espiritual e se lhe é sensata e 
moral. Interessante notar aqueles que chamam cristãos de fanáticos e incultos, e no ápice 
de sua própria arrogância veneram e acreditam em superstições, pirâmides, objetos, 
fetiches, gnomos e duendes. São, na verdade, pessoas carentes de uma espiritualidade 
verdadeira e de um amor profundo, coisas que só encontrarão no Evangelho que a nós foi 
confiada a proclamação. 
A Insegurança Urbana 
Como já vimos, a violência tem aumentado nas cidades. Estatísticas revelam que em 
São Paulo no ano de 2001, os sequestros envolvendo pessoas de qualquer camada social 
aumentaram 600%. Assaltos nas ruas, arrombamento de residências e tráfico de drogas 
têm levadoas pessoas a se trancarem em suas casas e duvidarem de todos. 
Pelo poder da Palavra e do Espírito Santo, as pessoas são convertidas e integradas 
nas congregações. Porém, muitas vezes terão dificuldades para participarem de 
programações à noite, por falta de segurança. 
Ativismo 
O ativismo é outra barreira sutil e perigosa. Nos envolvemos em tantas atividades na 
igreja e ocupamos de maneira tal nosso tempo, que não nos sobra momentos de 
sociabilidade (muito importante no evangelismo pessoal). Falta-nos tempo para a família, 
parentes, vizinhos, etc. Algumas vezes, fazemos disso uma desculpa para “fugir” de 
determinadas atribuições. Mas, em meio à tantas “atividades inadiáveis”, somos exortados 
a buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça (6.33). 
Medo de Testemunhar 
Este medo pode se manifestar, por causa de algumas destas razões: 
 Temor de ser rejeitado - ao falar de Cristo, você se expõe, define sua posição, 
mostra em que valores você crê. Obviamente, a possibilidade de rejeição existe, 
e é muito maior do que a possibilidade de ser respeitado em suas convicções 
cristãs. 
 Temor de ser um fracasso - às vezes, não temos vergonha de testemunhar 
abertamente, mas tememos receber um "NÃO", ao tentarmos evangelizar 
alguém. Ou então, fracassarmos por não comunicarmos com clareza o plano da 
salvação. 
 
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 Temor de se contaminar com os incrédulos - muitas pessoas, quando se 
converteram, foram erradamente instruídas a não cultivarem amizades com 
incrédulos. O desejo de santificação é muito positivo, mas algumas pessoas tem 
partido para radicalismos e exageros. 
O crente ser sal e luz, dentro da comunidade doente (Mt 5:13-16). Devemos ter 
muito cuidado com o conceito de sermos separados do mundo (Jo. 17:11, 14,15). O crente 
deve conhecer os problemas do seu tempo, para manter conversas inteligentes. Saiba 
dialogar sobre outros assuntos, além da Bíblia. Paulo, em Ef. 4:17 diz: "não andeis como 
andam os gentios". Mesmo andando entre os incrédulos, não devemos viver como eles, 
mas podemos viver entre eles. 
Não Saber Como Comunicar o Evangelho 
Muitas pessoas nunca prepararam seu testemunho escrito. Outras pessoas, nunca 
estudaram nenhum plano bíblico para evangelização. Pode ocorrer também a falta de 
capacidade, de como iniciar uma conversa, que viabilize a pregação do Evangelho. 
Falta de Confiança 
Outra barreira é a falta de confiança. De certa forma, ela tem um aspecto positivo, 
pois nos ensina a humildade e a dependência de Deus. Outro aspecto, porém, precisa ser 
retirado de nossos pensamentos. Tal obra não é resultante de mero esforço humano, 
conseqüentemente, Aquele que nos comissionou, também nos capacitará. 
O apóstolo Paulo reconheceu-se fraco diante de tal missão. Escrevendo aos 
colossenses diz: 
Suplicai, ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, 
a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado; para que eu o 
manifeste, como devo fazer. Cl. 4:3,4 
Se esta oração partiu dos lábios deste intrépido evangelista, não necessitaríamos 
também orar de maneira semelhante? Conhecer nossos temores e fraquezas é o ponto de 
partida para todo crescimento, porque esse conhecimento nos leva a orar por nós mesmos 
e requer de nós reconhecer, perante os outros, que não somos de maneira alguma 
adequados para as tarefas para as quais Deus nos chamou. 
A oração humilde tem que ser nosso ponto de partida. Deus é compreensivo e 
gracioso e certamente suprirá nossas limitações, nos dispondo a ajuda necessária para 
“dissipar nosso medo e nos dar ousadia de coração e palavra”. 
Quando vos levarem às sinagogas e perante os governadores e as autoridades, não 
vos preocupeis quanto ao modo por que respondereis, nem quanto às coisas que tiverdes 
 
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de falar. Porque o Espírito vos ensinará, naquela mesma hora, as cousas que deveis dizer. 
(Lucas 12.11,12) 
10.4. Estratégias de Evangelização Urbana 
Sabemos que a conversão de indivíduos ao Cristianismo, sua busca e transformação 
operados pela ação do Espírito Santo, se dá apenas mediante a pregação da Palavra e a 
aplicação interna desta feita pelo Espírito Santo. Todavia devemos ter em mente que os 
meios que Deus utiliza para que a sua Palavra seja coloca e aplicada no coração dos seus 
eleitos faz uso de vários meios diferentes. Jerram Barrs sugere o seguinte quanto a este 
assunto: 
À medida que começamos a fazer perguntas àqueles que chegaram à fé, vamos 
descobrindo quão fiel e pacientemente Deus trabalhou na vida deles para conduzi-los ao 
ponto de compromisso. Descobrimos também que Deus usa de uma infinita variedade de 
meios para atrair as pessoas a ele130 
Deus utiliza as características peculiares de cada um dos seus eleitos para chamá-los 
à salvação, afinal “como uma pessoa é única, assim também o caminho que Deus usa para 
atrair cada pessoa a ele é único”. A seguir descreveremos algumas estratégias de 
evangelização que poderão ser utilizadas nas cidades. 
Formar Equipes de oração 
O nosso primeiro passo na Evangelização deve ser a humildade diante de Deus em 
reconhecermos quem somos e quem Deus é, e isso nos leva a reconhecer a nossa 
dependência do Senhor. Em outras palavras, “Começamos com um apropriado senso de 
humildade sobre o nosso papel e sobre nossa capacitação para o trabalho diante de nós, e 
essa humildade deve nos levar à oração.” A Igreja precisa sentir o desejo de orar pelos 
ainda não convertidos. 
Um outro fator peculiarmente interessante é que Deus nos colocou em ‘famílias’ e 
ele alegremente utiliza esse meio mais natural para a extensão de seu reino. Então, 
começamos a orar por aqueles com quem vivemos e amamos. Estes, acima de todos, 
devem ser as pessoas por quem nos importamos mais profundamente e oramos por eles. 
Uma outra frase interessante de Jerran Barrsé a que afirma que “Oração sincera, 
apaixonada, poderosa deve brotar dos nossos corações em favor daqueles a quem 
amamos, e daqueles cujas vidas são ligadas conosco, na teia da existência diária.” 
Sem dúvidas um primeiro bom motivo para orarmos é “... pela obra do Espírito Santo 
nos corações e mentes daqueles que nos rodeiam. Sabemos que ele pode alcançar o 
íntimo, trabalhar suas mentes e corações, o que não podemos fazer.” Mas, também 
 
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devemos orar para que as portas se abram para nós, proclamadores da palavra de Deus. 
não devemos nos esquecer nunca que “Cristo prometeu reinar sobre as nações e sobre 
nossa vida pessoal por amor ao evangelho. Então podemos Ter certeza de que ele 
responde nossas orações quando lhe pedimos para abrir as portas à medida que 
construímos relacionamentos com pessoas.” Por mais que as vezes pensemos que Deus 
demora em responder nossas orações, não podemos jamais nos esquecer das palavras de 
Pedro que afirma que o Senhor não retarda a sua promessa. (Cf. II Pe. 3: 8 – 9). Isso é o 
que nos consola e fortalece quando desanimamos na missão de pregar o Evangelho ou em 
alguma outra questão de ansiedade que temos no dia a dia. 
É preciso orar por causa da extrema dureza do coração humano (Jr 3.17; 7.24; 11.8; 
16.12; 18.12). O pecador tem “coração obstinado” (Is 46.12), “tendão de ferro no pescoço” 
e “testa de bronze” (Is 48.12). Ele carrega uma bagagem enorme de apatia, ignorância, 
cegueira, loucura, incredulidade, tradicionalismo, preconceito, soberbae servidão 
pecaminosa. 
É preciso orar porque só Deus é capaz de fazer o mais difícil de todos os transplantes: 
“Tirarei do peito deles o coração de pedra e lhes darei um coração de carne” e “colocarei 
no íntimo deles um espírito novo” (Ez 11.19). 
Testemunho Pessoal 
Cada cristão em particular, por ser parte da Igreja de Deus, tem a responsabilidade de 
se envolver no chamado missionário que Deus deu a Igreja.139 Duas passagens em 
particular me que observamos os apóstolos convidando aos crentes para participarem do 
trabalho de evangelização. ( Cl 4:5,6; I Pe 3:15,16) 
É preciso viver o que se prega, senão a evangelização torna-se uma hipocrisia. Essa 
incoerência entre conduta e mensagem gera indignação, desprezo, zombaria, escândalo, 
incredulidade e rejeição. 
Jesus deu muita ênfase à evangelização pelo exemplo, quando declarou francamente: 
“Vocês são o sal da terra para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e 
não serve mais para nada; é jogado fora e pisado pelas pessoas que passam” (Mt 5.13, 
NTLH). No mesmo Sermão do Monte, Ele ensina que “uma cidade construída sobre a 
montanha não fica escondida” e “não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de 
uma caixa, mas sim no candelabro, onde ela brilha para todos os que estão em casa”. Em 
seguida, Jesus ordena: “Assim também, a luz de vocês deve brilhar para que os outros 
vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu” (Mt 5.14-
16, CNBB e NTLH). Somos agora o que Jesus foi no passado: “Enquanto estou no mundo, 
eu sou a luz do mundo” (Jo 9.5). A igualdade da missão de Jesus com a de seus discípulos 
aparece também na Grande Comissão: “Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também 
os enviei” (Jo 17.18). 
 
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Aos coríntios, Paulo assume que, “como um perfume que se espalha por todos os 
lugares, somos usados por Deus para que Cristo seja conhecido por todas as pessoas” (2 Co 
2.14, NTLH). Tornamos o evangelho conhecido mais pelo perfume do que pela palavra. 
Abusando da figura, é possível acrescentar: mais pelo olfato do que pela audição. Foi por 
isso que São Francisco de Assis disse: “Evangelize sempre; se necessário, use palavras”. 
Se o evangelho não alterou o nosso comportamento e continuamos iguais aos não 
convertidos, não temos como evangelizar, pois “a fé que não se traduz em ações é vã” (Tg 
2.20) 
Receptividade 
Boa receptividade da parte dos membros é muito importante para com os visitantes 
à igreja. É necessário ter uma equipe treinada de recepcionistas, os quais darão atenção 
especial antes, durante e depois do culto aos visitantes e membros ausentes que 
retornam. Discretamente pode ser preenchida uma ficha com dados dos visitantes (nome, 
endereço, telefone, se aceita visita ou não) e esta ser entregue ao pastor ou à secretaria da 
igreja para que uma correspondência seja posteriormente enviada. Um cafezinho após o 
culto oportuniza a confraternização entre todos. 
Grupos Familiares 
É claro que os cristãos primitivos eram obrigados a fazer uso do lar, porque não lhes 
era permitido adquirir nenhuma propriedade, até o fim do século II. Não podiam, durante 
o governo de diversos imperadores, organizar grandes aglomerações públicas por causa 
das possíveis implicações políticas do ato. Em outras palavras, a Igreja nos três primeiros 
séculos de nossa era cresceu sem a ajuda de dois dos nossos mais estimados instrumentos: 
a evangelização de massa e a evangelização na igreja. Ao contrário disso, faziam uso do lar. 
No livro de Atos lemos acerca de lares usados extensivamente, como os de Jasão e Justo, 
de Filipe e da mãe de Marcos. 
Algumas vezes tratava-se de um culto devocional, outras vezes, de uma tarde de 
encontro e doutrinação, ou mesmo de um culto de comunhão. Podia ser também um 
encontro para reunir novos conversos, ou uma reunião com a casa cheia de novos 
interessados. Reuniões de improviso também aconteciam. 
O valor do lar em oposição ao culto mais formal da igreja, ou antes, como 
complemento dele, é óbvio. O lar possibilita fazer perguntas ao dirigente. Promove o 
diálogo. Torna possível distinguir as dificuldades. Facilita a comunhão. Pode, com extrema 
facilidade, desembocar numa ação e num serviço de caráter coletivo em que todos os 
diferentes membros do corpo desempenhem sua parte a contento. Igrejas iniciadas em 
casas é um dos modelos mais efetivos e comprovados para fazer crescer o Corpo de Cristo. 
 
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Há múltiplas referências Bíblicas que apóiam o conceito da “Igreja em sua Casa”: (Atos 
17:5; 16:15,32-34; 18:7; 21:8, I Co 16:19; Cl 4:15; Rm 16:5) 
Equipe de Visitação aos Lares 
Faz parte do testemunho pessoal. Porém aqui com a ênfase de ser feito 
periodicamente por um grupo de irmãos. Esta equipe de evangelização da igreja procurará 
semanalmente ir às casas dos visitantes (com dia e horário combinados) levando material 
de apoio, Bíblia, livretos, etc. 
Plantação de Igrejas 
O crescimento das igrejas também acontece quando são iniciados pontos de 
pregação. Quantas igrejas têm expandido seu trabalho abrindo pontos de pregação em 
bairros onde residem vários membros ou às vezes apenas uma família, usando como local 
uma área simples, porém adequada. 
Distribuição de Folhetos 
Ter disponíveis uma boa variedade de folhetos é o primeiro passo no hábito de 
distribuir folhetos. Oportunidades sem conta são perdidas porque não temos os folhetos 
na hora certa. Tenha folhetos no seu emprego, em sua casa, perto da porta, e na sua 
escrivaninha. O fato de você ter bons folhetos consigo a qualquer hora, capacitá-lo-á a 
aproveitar as muitas oportunidades de entregar a Palavra da Vida a uma criança, a um 
transeunte, a um companheiro de viagem. “Semeia pela manhã e tua semente, e à tarde 
não repouse a tua mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela, ou se ambas 
igualmente serão boas” (Ecl 11.6), 
10.5. A Motivação Para as Missões Urbanas 
Eis aqui um último aspecto que entendo ser de vital importância: A motivação é a 
chave para a evangelização. Se isso ardesse em nossas almas, não haveria necessidade de 
tantos congressos sobre evangelização. Michael Green diz que se perguntássemos aos 
cristãos primitivos, por que eles não perdiam a paixão para evangelizar, responderiam: 
 O exemplo de Deus, que tanto se preocupou a ponto de mandar o seu próprio 
Filho ser missionário em nosso mundo. 
 O amor de Cristo, que nos constrange. Ele foi posto na cruz por nós. E nos diz 
para irmos em frente e passá-lo a outras pessoas. A evangelização é a resposta 
obediente ao amor de Cristo, que nos tem constrangido. 
 O dom do Espírito, que nos é dado especificamente para dar testemunho. A 
tarefa de evangelização do mundo e a cooperação do Espírito Santo são as duas 
 
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características indica das por Jesus em relação à época entre a sua ascensão e a 
sua volta. 
Assim, os cristãos primitivos tinham por hábito basear a evangelização, clara e 
insofismavelmente, na natureza do Deus triúno. No coração dele repousa a missão. Mas 
havia mais três razões que os impeliam: 
1. O privilégio de ser embaixador de Cristo, representante do Rei dos Reis. Nós 
recebemos esse ministério. Privilégio estupendo, esse! 
2. A necessidade dos que não têm Cristo. Isso soa através do Novo Testamento e dos 
primeiros líderes da Igreja. Quando percebi que as pessoas sem Deus estãoperdidas agora e também para todo o sempre, mesmo sendo gente boa, mesmo 
sendo minha família e meus amigos, foi então que fiz um propósito de gastar a 
minha vida em contar aos outros as fabulosas Boas Novas que Jesus trouxe ao 
mundo. 
3. Finalmente, há o tremendo prazer da tarefa em si. Ela começa no Novo 
Testamento e é contagiosa. Os cristãos podiam ser presos, e cantavam louvores. 
Podiam mandá-los calar-se e eles falavam mais ainda. Se perseguidos, na próxima 
cidade divulgavam a mensagem. Se levados à morte, pereciam alegres, suplicando 
bênçãos para os seus algozes. É por essa razão que eu não trocaria essa missão de 
pregar o Evangelho por nenhuma outra ocupação no mundo. Isso é um privilégio 
enorme. A necessidade é urgente. Nessa tarefa, o homem se realiza totalmente. 
Fomos criados para isso. 
10.6. Decisões Importantes Para a Igreja 
1. Decidir fazer uma séria pesquisa sócio-demográfica do contexto onde a igreja 
encontra-se inserida. 
2. Decidir desenvolver um ministério centrado na comunidade, no ministério do 
leigo e nos dons do Espírito. 
3. Decidir saturar a comunidade local com o Evangelho de Cristo. 
4. Decisão de mover para fora das quatro paredes da igreja local. (abandonar a 
mentalidade de gueto) 
5. Decisão de proclamar o evangelho pela voz e pela vida, testemunhando em 
palavras e em obras, na missão integral da Igreja. 
6. Decisão de mover para frente, mas somente em unidade. 
7. Decisão de jamais barganhar o evangelho da Graça, em nenhuma circunstância. 
 
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8. Decisão de executar seriamente a tarefa da grande comissão do Senhor: “Ide, 
portanto, fazei discípulos de todas as nações...” (Mt 28:19). 
10.7. Princípios Relevantes a Missiologia Urbana 
1. O reconhecimento de que o não cumprimento à Grande Comissão constitui-se 
num ato de desobediência a Deus (Mateus 28:18-20); 
2. A premente necessidade de contemplar que os campos estão “brancos para a 
ceifa” (João 4:35); 
3. Ênfase em um ministério eclesiástico que priorize a tarefa de fazer novos 
discípulos (Atos 1:8); 
4. Multiplicação de líderes leigos que possam comunicar Cristo aos não salvos (Atos 
8:1-4). 
5. O Princípio da evangelização através do testemunho e do evangelismo pessoal: O 
índice de arrefecimento da fé entre os novos convertidos alcançados por 
evangelização em massa tende a ser 75%. Os esforços evangelísticos como 
grandes cruzadas, sem as raízes fincadas na igreja local, tende a ser movimentos 
com forte ênfase em decisões mais do que em discipulado. 
6. O Princípio da Obediência: Um comum denominador na plantação de igrejas, é o 
inarredável compromisso de sermos a comunidade do compromisso com a 
Palavra. 
7. O Princípio da pluralidade de lideranças locais: Nenhum homem é a expressão da 
mente de Deus... A pluralidade de líderes na Igreja local salvaguarda o ministro de 
toda e qualquer tendência de brincar de Deus sobre a comunidade. 
8. O princípio de evitar Publicidade Sensacional: É importante que a igreja 
novamente imite o Senhor por aproximar do mundo evitando toda a publicidade 
sensacional. 
9. O Princípio da Mobilidade: Nós precisamos enfrentar a verdade que Igrejas 
falham quando elas tornam-se prisioneiras de suas próprias estruturas e perdem 
sua mobilidade, confinando suas atividades dentro das paredes do santuário, sem 
visão evangelística e sem uma influência benfazeja dentro da sociedade. 
10. O Princípio de evitar quaisquer tipos de Sincretismos na tarefa de plantação de 
novas igrejas: Entre os inimigos da igreja incluem-se: a crença que cada um já é 
um cristão mesmo sem ter nascido de novo, e o relativismo moral e religioso. 
Roger Greenway sugere seis características que devemos ter no ministério urbano: 
 
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1. Aqueles que desejam servir na cidade devem aprender a amar a cidade. 
2. Os trabalhadores cristãos devem conhecer a cidade 
3. Os trabalhadores cristãos devem aprender a apreciar o corpo de Cristo existente 
na cidade. 
4. Um trabalho bem sucedido implica em se condoer pela cidade. 
5. Bons trabalhadores urbanos possuem uma paixão por evangelização profunda e 
genuína. 
6. O trabalhador deve construir uma credibilidade genuína para ser eficaz no 
ministério urbano. 
 
 
BIBLIOGRAFIA BÁSICA 
BURNS, Bárbara; AZEVEDO, Décio de; CARMINATI, Paulo Barbero F. de. Costumes e 
Culturas: Antropologia Missionária. 3ª EDIÇÃO. São Paulo: Vida Nova, 1995. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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