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Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Unidade 1
Fundamentos da Administração e Contexto Organizacional
Aula 1
Contextualização histórica sobre a administração e suas principais teorias
Introdução
Olá, estudante! Nesta aula, você estudará o pensamento administrativo, as teorias clássica,
cientí�ca e burocrática. 
Uma teoria é um conjunto de pressupostos, hipóteses que ajudam a explicar algo. Sua utilidade
dependerá do quanto consegue explicar e solucionar os problemas existentes e proporcionar
uma base para planejamento. Você vai perceber, no decorrer dos estudos, que de certa forma
cada teoria complementa a outra, seja por ampliar a visão ou por abordar novos ângulos para a
resolução dos problemas. É preciso conhecê-las para uma tomada de decisão acertada
(LACOMBE, 2009). 
Após a leitura desta aula, você terá uma visão mais abrangente da administração.
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Cronologia e evolução sobre o pensamento administrativo: teoria clássica e
administração cientí�ca
Fica mais simples compreender o mundo no qual vivemos quando conhecemos a sua evolução
“Nada surgiu da noite para o dia. Copiamos muita coisa dos nossos antepassados,
adaptando e aperfeiçoando para as necessidades atuais o que eles faziam”
(LACOMBE, 2009, p. 95).
E isso acontece com tudo.  
Na Figura 1, você poderá visualizar as principais teorias da administração. Neste momento,
focaremos apenas as teorias da administração cientí�ca, da burocracia e a clássica. 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 1 | Principais teorias do pensamento administrativo. Fonte: adaptada de Chiavenato (2020, p. 13).
Com a industrialização acelerada em decorrência da Revolução Industrial, os processos
organizacionais se tornaram bastante complexos. Era preciso entender melhor as organizações
e os processos produtivos para que tudo funcionasse assertivamente de acordo com os padrões
da época. Foi assim que surgiram os primeiros experimentos e que foram sistematizados, no
início do século XX, os primeiros conceitos de administração, que são chamados de clássicos.  
Alguns estudiosos se destacaram: Frederick Winslow Taylor foi o pioneiro, cujo foco era a
produtividade, evitando o desperdício; Henry Ford desenvolveu e implementou a linha de
montagem; Max Weber concentrou seus estudos na burocracia, e Henri Fayol tinha como ponto
central o processo administrativo, além de aumentar a e�ciência da indústria, mas por meio da
organização e da utilização dos princípios gerais da Administração (AFFONSO, 2018).  
Escola Clássica 
A Escola Clássica se desdobra em duas orientações distintas, conforme veremos na Figura 2: 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 2 | Escola Clássica. Fonte: adaptada de Chiavenato (2022, p. 31).
Vamos saber um pouco mais a respeito de cada uma delas a seguir:  
Teoria da Administração Cientí�ca: foi criada nos Estados Unidos, com base nos trabalhos
de Taylor. Era uma escola formada por engenheiros. Seu foco era ampliar a produtividade
por meio da e�ciência dos operários. A grande atenção era no método de trabalho, por isso
o estudo do que é chamado de “tempos e movimentos”, ou seja, do tempo para a
realização de alguma tarefa e do “tempo padrão” para isso. Foi o que formou a Organização
Racional do Trabalho (ORT) (CHIAVENATO, 2022). Nesse período houve contribuições
também de alguns seguidores, a saber, Frank e Lillian Gilbreth, Henry Gantt e Hugo
Münsterberg. 
Teoria Clássica da Administração: foi criada na França, tendo como início os trabalhos de
Henry Fayol. O ponto central era a estrutura. A ideia era aumentar a e�ciência da
organização, mas trabalhando com a estrutura (anatomia) e o funcionamento (�siologia)
da organização.   
Teoria da burocracia 
A teoria da burocracia se baseava na racionalidade, ou seja
“na adequação dos meios aos objetivos (�ns) pretendidos, a �m de garantir a máxima
e�ciência no alcance dos objetivos” (CHIAVENATO, 2022, p. 106). 
O que você responderia à pergunta “Na sua opinião, o que é burocracia?” É provável que você
pense em vários papéis e em demora na tomada de decisões; ou seja, se tiver burocracia,
esqueça, vai demorar. 
Por mais que seja isso que pensamos quando se fala em burocracia, Weber tem um conceito
diferente do assunto:
“a burocracia é a organização e�ciente por excelência e de�ne nos mínimos detalhes
como as coisas deverão ser feitas” (CHIAVENATO, 2022, p. 110). 
--- 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Em tempo, de certa forma, tudo o que sabemos atualmente a respeito da administração e
aplicamos nas organizações é consequência do trabalho desses pensadores (AFFONSO, 2018). 
Essas teorias são aplicadas atualmente, com as adaptações necessárias considerando a
evolução do mercado, das interações humanas e da tecnologia. 
Teoria Clássica de Fayol. Princípios cientí�cos de Taylor
A partir deste momento vamos falar da administração cientí�ca, que tem este nome justamente
por conta de tentar aplicar métodos da ciência ao estudo da administração, com o intuito de
aumentar a e�ciência industrial. Taylor utilizou a observação e a mensuração quando em seus
estudos cronometrou a atividade dos operários para a checagem da produtividade. A intenção
era encontrar a melhor maneira de fazer e, assim, ensinar aos demais operários o mesmo
padrão. Para a época, isso foi uma verdadeira revolução. Ainda hoje podemos ver pro�ssionais
com suas pranchetas no chão de fábrica fazendo marcações com o mesmo objetivo de Taylor:
melhorar a produtividade.  
E você, já se deparou com algum pro�ssional desempenhando essa tarefa? 
Taylor também pensou acerca da divisão do trabalho, considerando os operários que nada
sabiam a respeito do processo de produção, pois assim seria mais fácil ensiná-los a fazer um
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pedacinho do produto do que ensiná-los a fazer o produto inteiro (como faziam os artesãos).
Taylor também ajudou a instaurar o pagamento por produtividade.  
Conheça na Figura 3 os princípios da administração cientí�ca: 
Figura 3 | Princípios da administração cientí�ca. Fonte: adaptada de Chiavenato (2021, p. 63).
Já Fayol acreditava que toda organização tem funções básicas, conforme pode ser observado na
Figura 4: 
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Figura 4 | Funções básicas da administração. Fonte: adaptada de Maximiano (2015, p. 50).
Ele de�niu o ato de administrar como prever (“visualizar o futuro e pensar no plano de ação”),
organizar (“estruturar todos os órgãos necessários ao funcionamento da empresa”), comandar
(“dirigir e orientar o pessoal”), coordenar (“ligar, unir, harmonizar todos os atos e esforços
coletivos”) e controlar (“veri�car que tudo ocorra de acordo com as regras estabelecidas e as
ordens dadas”) (CHIAVENATO, 2022, p. 57). Podemos visualizar o esquema na Figura 5: 
Figura 5 | Conceituação da administração. Fonte: adaptada de Chiavenato (2022, p. 57).
Fayol criou os princípios gerais da administração, pois queria distanciar toda e qualquer ideia de
rigidez, assim
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PARA ENGENHEIROS
“tudo é questão de medida, ponderação e bom senso” (CHIAVENATO, 2022, p. 59).
Para ele, toda ciência deve se basear em princípios e leis.  
Vamos conhecer esses princípios, segundo Fayol, na Figura 6:
Figura 6 | Princípios gerais da administração, de acordo com Fayol. Fonte: adaptada de Affonso (2018, p. 81-83).
Quanta coisa interessante o Fayol pensou, não é mesmo?  
Retomando a Teoria da Burocracia, Chiavenato (2022) nos mostra algumas de suas
características, que veremos na Figura 7: 
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Figura 7 | Características da burocracia. Fonte: adaptada de Chiavenato (2022).
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Mas, em muitas das situações, a utilização da burocracia proposta por Weber trouxe um exagero
de normas e regulamentos impessoais e que não correspondem à agilidade e à �exibilidadedas
organizações modernas (LACOMBE, 2009). 
Observou-se também que há algumas consequências imprevistas, ou melhor, indesejadas, as
quais levam à ine�ciência da burocracia. Vamos conhecê-las na Figura 8: 
Figura 8 | Disfunções da burocracia. Fonte: adaptada de Chiavenato (2022, p. 114-115).
A teoria da burocracia, como proposta por Weber, foi de grande valia e funcionou
adequadamente na era industrial, sobretudo nas grandes organizações que atuavam em um
cenário estável, sem grandes mudanças. Ela proporcionava controles adequados (para a época)
para a administração, e proporcionou um grande avanço, considerando as formas vigentes à
época (LACOMBE, 2009). 
Você reconhece alguma das práticas que vimos neste bloco? Já as viu em alguma empresa? 
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PARA ENGENHEIROS
Teoria da burocracia
Quando estudamos as teorias da administração, percebemos que, de modo geral, cada uma
surgiu em decorrência de algum problema empresarial que ocorria à época. Se analisarmos por
esse aspecto, perceberemos que todas as teorias foram bem-sucedidas, já que proporcionaram
algum tipo de solução para o problema apresentado na ocasião. Além disso, para todas as
teorias, o foco de certa maneira era melhorar a produtividade, mas cada uma atentou-se a uma
das seis variáveis básicas, conforme Figura 9
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PARA ENGENHEIROS
Figura 9 | Variáveis básicas. Fonte: adaptada de Chiavenato (2022).
Com o avançar dos estudos você pôde observar que todas as teorias, de certa forma, focaram
alguma dessas variáveis básicas. Por ora, o foco das teorias que estudamos foram a tarefa e a
estrutura. 
Essa questão ainda hoje nos é demandada. Sempre se pensa em melhorar a produtividade nas
empresas. Se você trabalha no setor de produção, pode ser que já tenha visto algum colega com
uma prancheta e um cronometro (como o Taylor fazia), ou é você mesmo que faz essa atividade
na empresa para pensar em possibilidades de melhorar a e�ciência do trabalho. 
Hoje, também, continuamos fazendo uso das funções administrativas de prever, organizar,
comandar, coordenar e controlar. É o que fazemos diariamente (ou que deveríamos fazer). Isto é,
você precisa ter um objetivo, seja ele pessoal ou pro�ssional, assim como a organização em que
você trabalha tem seus objetivos estratégicos. A nós caberá organizar e gerenciar todos os
recursos necessários para que consigamos alcançar nossos objetivos, sem esquecer, é claro, de
vamos avaliar se estamos indo bem ou não. São os controles fundamentais para que a
administração seja de fato assertiva, a�nal, perceber que algo não está saindo exatamente como
o planejado pode indicar o momento de pensar em mudar de estratégia.  
Podemos pensar também na teoria da burocracia: apesar das metodologias ágeis muito faladas,
ainda hoje ela é extremamente presente em nossa rotina. Imagine que você precise fazer um
protocolo na prefeitura da sua cidade para que façam algum serviço. Talvez exista um excesso
de burocracia.  
Também temos re�exo da burocracia na empresa. Pensa em quantas vezes você precisou
formalizar alguma decisão por e-mail, ou pedir aprovação de vários colegas para conseguir
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
implementar ou realizar alguma atividade, uma mudança de processo. Imagine, no setor de
compras da empresa em que você trabalha, se todos os colaboradores pudessem fazer
solicitações de compra, independentemente de valores, sem precisar de aprovação alguma.
Pense no caos que seria. Ainda bem que foram criadas políticas e normas. O único problema
ocorre quando burocratizamos demais o que não teria necessidade de tanta burocracia. E essa é
a grande questão: o discernimento, o senso crítico. 
Outro ponto que os autores comentam e que é imprescindível para todo e qualquer pro�ssional
são as habilidades essenciais para o desempenho administrativo, Chiavenato (2021, p. 3) indica
três habilidades, que veremos na Figura 10: 
Figura 10 | Habilidades imprescindíveis para os pro�ssionais. Fonte: adaptada de Chiavenato (2021, p. 3).
Essa é a grande questão: como é que você se avalia em cada uma dessas habilidades? Já parou
para pensar sobre isso? Se não, esse é o convite para você.  
Videoaula: Contextualização histórica sobre a administração e suas
principais teorias
Este conteúdo é um vídeo!
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no
aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet.
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Neste vídeo será apresentada uma visão panorâmica, porém breve, das teorias clássica, da
administração cientí�ca e da burocracia. Será apresentado um overview a respeito das questões
mais relevantes de cada uma delas. Você será convidado a pensar a respeito da utilização dos
princípios dessas teorias atualmente.  
Saiba mais
O �lme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, é um clássico atemporal. Traz o trabalhador
na linha de produção da época. 
Ford também tem uma participação marcante na história. Na obra indicada a seguir você
poderá conhecê-lo melhor. 
 Introdução à Teoria Geral da Administração: uma visão abrangente da moderna
administração das organizações. 
Cada vez mais precisamos estar atentos para desenvolver nossas hard e soft skills. Você já
ouviu falar desses termos? Nesta leitura, você conhecerá melhor esses conceitos. 
 Soft Skills: o que é e por que preciso desenvolvê-las. 
Referências
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597027525/epubcfi/6/30[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter02]!/4/236/1:104[196%2C0.]
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597027525/epubcfi/6/30[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter02]!/4/236/1:104[196%2C0.]
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597027525/epubcfi/6/30[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter02]!/4/236/1:104[196%2C0.]
https://blog.anhanguera.com/soft-skills/?utm_source=google&utm_medium=cpc&utm_campaign=AEDU::L3::Performance::CursosLTV::MaximizeConversionValue::PIM&gclid=EAIaIQobChMI34OexZS2-gIVsUFIAB3aVwgpEAAYAyAAEgLMQ_D_BwE&gclsrc=aw.ds
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Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
AFFONSO, L. M. F. Teorias da Administração. Porto Alegre: SAGAH, 2018. 
CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração: uma visão abrangente da moderna
administração das organizações. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2020. 
CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração: uma visão abrangente da moderna
administração das organizações. Edição Compacta. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 
CHIAVENATO, I. Teoria Geral da Administração. 8. ed. Barueri: Atlas, 2021. 
LACOMBE, Francisco José Masset. Teoria Geral da Administração. São Paulo: Saraiva, 2009. 
MAXIMIANO, A. C. A. Fundamentos da Administração: introdução à teoria geral e aos processos
da administração. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2015. 
Aula 2
Principais abordagens da administração
Introdução
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Olá, estudante! Nesta aula conheceremos mais algumas teorias, e você vai perceber que as
teorias humanista, neoclássica e contingencial foram riquíssimas e trouxeram inúmeras
contribuições para as organizações, sendo utilizadas até hoje.  
Se antes observávamos o foco em tarefas e estrutura, a partir do surgimento dessas teorias o
foco passou a ser as pessoas – o que foi uma revolução à época. Com base nos experimentos
realizados, percebeu-se que os trabalhadores não eram motivados apenas pelos fatores
externos. Neste ponto começam a surgir teorias a respeito da motivação,como a da Hierarquia
das Necessidades, do Maslow, e a dos Dois Fatores, de Herzberg (SILVA, 2013).  
Abordagens contemporâneas da administração
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
As abordagens contemporâneas da administração representam a administração de atualmente.
É possível dizer que utilizamos diversos aspectos que foram estudados durante cada uma das
teorias apresentadas a seguir.  
Escola Humanista  
A Escola Humanista é composta pelas teorias das relações humanas, comportamental,
estruturalista e do desenvolvimento organizacional.  
Oliveira (2012) nos aponta que o surgimento da Escola Humanista se deu principalmente devido
às críticas relacionadas à Escola Clássica, cujo foco maior era dado às tarefas e processos,
deixando de lado o indivíduo.  
Teoria das relações humanas 
Como sabemos, nesse caso o foco maior são as pessoas. Enxerga-se a organização como um
grupo de pessoas, um grupo social. Mayo foi um grande destaque dessa época por conta da
experiência de Hawthorne, que foi de grande valia para a iniciação desta teoria (consulte no boxe
Saiba Mais a sugestão de leitura para você conhecer mais acerca dessa experiência). Porém,
houve outros pesquisadores que trouxeram contribuições pertinentes:  
Chester Barnard: defendia que a cooperação somente é alcançada quando há um equilíbrio
entre os esforços feitos pelos indivíduos e os benefícios oferecidos pelas empresas. 
Kurt Lewin: estudou as dinâmicas de grupo, os estilos de liderança (autoritária ou
autocrática, democrática ou participativa e liberal) nas organizações. É também um dos
fundadores da Psicologia Social, que muito contribui até os dias de hoje na gestão
administrativa.  
Teoria comportamental 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
É também conhecida como teoria behaviorista, e tem as pessoas como ênfase. Seu foco é
entender a in�uência do comportamento dentro das organizações. Percebe-se que as pessoas
têm outras necessidades além das �nanceiras, representadas pelo salário (CHIAVENATO,
2022).  
Essa teoria está fundamentada no comportamento individual, então, os gestores precisam
entender o comportamento para conseguir estimular a motivação dos funcionários, para
melhorar, assim, a qualidade de vida. Dois psicólogos tiveram grande destaque nessa teoria:
Maslow e Herzberg.   
Teoria estruturalista 
Caracteriza-se pelos seguintes elementos: análise da administração considerando tanto os
fatores internos quanto os externos, controláveis ou não pelas organizações, possibilitando uma
melhor análise comparativa das organizações; integração de outras áreas de conhecimento à
administração, como a antropologia, �loso�a e psicanálise; ampliação do campo de análise das
organizações (OLIVEIRA, 2012).   
Teoria do desenvolvimento organizacional – DO 
Seu objetivo é
“mudar as pessoas e a natureza e qualidade de suas relações de trabalho. Sua ênfase
está na mudança da cultura da organização. Em princípio, o DO é uma mudança
organizacional planejada” (CHIAVENATO, 2020b, p. 201).  
Para isso, há algumas técnicas que podem ser utilizadas nas organizações, como o diagnóstico
da situação atual, o plano de ação e a avaliação das mudanças (CHIAVENATO, 2020b)  
Teoria neoclássica  
Surgiu na década de 1950, como
“uma rea�rmação dos princípios clássicos devidamente atualizados e
redimensionados para a sua época, mas sem ser exageradamente prescritiva ou
normativa” (CHIAVENATO, 2022, p. 61).
Também �cou conhecida como Escola do Processo Administrativo.  
Teoria contingencial  
Tem como ênfase o ambiente. Chiavenato (2022, p. 68) traz uma frase que resume muito bem
essa teoria:
“Tudo é relativo, tudo é contingente, nada é absoluto, e não existe uma única e
exclusiva melhor maneira de administrar ou de organizar. Tudo depende das
condições do contexto ambiental no qual as empresas vivem e operam”.  
É incrível como essas teorias nos trazem elementos tão atuais e reais, não é mesmo? Nunca se
falou tanto sobre a humanização, seja das empresas ou dos processos, como hoje. Também,
diante de um mundo completamente disruptivo, ágil, cheio de transformações, o conceito da
teoria contingencial é mais real do que nunca, ou seja, administrar em um contexto como esse é
extremamente desa�ador e exige cada vez mais dos pro�ssionais. Por isso, esteja sempre
preparado e não deixe de buscar desenvolvimento. 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Teorias estruturalista: das relações humanas e comportamental
Escola Humanista  
Teoria das relações humanas 
No Quadro 1 vamos conhecer as contribuições da teoria das relações humanas. 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Quadro 1 | Contribuições da teoria das relações humanas. Fonte: adaptado de Oliveira (2012, p. 62-65), Chiavenato (2020, p.
55) e Leite (2020, p. 39).
Como vemos, uma das contribuições dessa teoria foi o estudo da liderança, e foram
identi�cados três tipos de liderança: a autocrática, que ocorre quando as decisões estão
centralizadas no líder; a liberal, quando o líder delega as decisões para as equipes; e a
democrática, na qual o líder orienta os colaboradores e também participa das decisões
(CHIAVENATO, 2020). Nesse contexto, observamos também a importância da comunicação,
a�nal, o líder precisará se comunicar com seus colaboradores. Soma-se a isso tudo a
criatividade, que proporcionará aos colaboradores novas ideias e novas maneiras de se
relacionar.  
Teoria comportamental 
A seguir, conheceremos mais as contribuições de Maslow e Herzberg. 
Maslow: com a sua teoria da hierarquia das necessidades, conhecida também como a
Pirâmide de Maslow, acreditava que a motivação seria alcançada conforme fossem
atendidas as necessidades considerando a hierarquia mostrada na Figura 1: 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 1 | Pirâmide de Maslow. Fonte: adaptada de Oliveira (2012).
 No Quadro 2, temos mais detalhes de cada uma dessas necessidades.  
Disciplina
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Quadro 2 | Exemplos de necessidades da Pirâmide de Maslow. Fonte: adaptado de Oliveira (2012, p. 69) e Chiavenato (2022).
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Para Maslow, o indivíduo precisaria atender às suas necessidades �siológicas para depois se
preocupar em atender às necessidades de segurança, e assim por diante, até chegar ao topo da
pirâmide, em que sua preocupação será em atender às necessidades de autorrealização
(CHIAVENATO, 2022).  
Herzberg: criou a teoria dos dois fatores (condições de trabalho e relações interpessoais)
para explicar o comportamento das pessoas dentro do ambiente de trabalho, conforme
veremos na Figura 2 a seguir. 
Figura 2 | Teoria dos dois fatores. Fonte: adaptada de Chiavenato (2022, p. 193).
A grande questão que Herzberg identi�cou foi que a ausência dos fatores higiênicos causava
insatisfação nos funcionários, mas, apenas salários altos, por exemplo, não eram su�cientes
para a satisfação e a motivação dos funcionários. Conclui-se que os fatores higiênicos são
condições básicas para que o ambiente de trabalho seja minimamente satisfatório e mesmo
motivador. Ou seja, é preciso equilíbrio entre os fatores higiênicos e os motivacionais.  
Teoria estruturalista 
Na Figura 3 descobriremos as principais contribuições dessa teoria, que serão mais bem
detalhadas em outra oportunidade. 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 3 | Contribuições da teoria dos dois fatores. Fonte: adaptada de Oliveira (2012, p. 76-78).
Teoria do desenvolvimento organizacional 
Alguns autores não a consideram uma teoria, mas sim uma consequência da teoria
comportamental (OLIVEIRA, 2012). Na Figura 4, vamos conhecer as contribuições decorrentes
dessa teoria. 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 4 | Contribuições da teoria do desenvolvimento organizacional. Fonte: adaptada de Oliveira (2012, p. 81-82).
Teoria neoclássica 
Essa teoria entende a administração nas organizações como um processo contínuo e cíclico,comportando quatro funções administrativas:  
Planejamento: é o momento no qual se de�nem os objetivos que almeja alcançar e em que
pensa as ações requeridas para alcançá-los. O objetivo representa a visão de futuro da
organização.  
Organização: fase em que se divide o trabalho organizacional que precisará ser realizado. 
Direção: é a fase em que se coordena o trabalho, as atividades de cada pessoa envolvida
no processo, garantindo que cada uma desempenhe adequadamente suas atribuições para
que os objetivos organizacionais sejam alcançados. 
Controle: é o momento no qual se avaliam os resultados. O que foi planejado, foi de fato
realizado? Em caso negativo, haverá necessidade de ações de correção ou se pensará em
novas ações ou algum outro ajuste?  
Teoria da contingência 
Do ponto de vista dessa teoria, entende-se que, diante do contexto em que vivemos atualmente,
com as mudanças cada vez mais rápidas, é preciso saber se adaptar ao ambiente no qual se
está inserido, ser ágil na tomada de decisões, aproveitando as oportunidades e minimizando as
ameaças decorrentes do ambiente. assim como as empresas, nós também, como indivíduos e
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
pro�ssionais, precisamos estar atentos e buscando desenvolvimento, aprendendo novas
habilidades para sair da zona de conforto.  
E você, utiliza esses conceitos no seu dia a dia?  
Teorias neoclássica e contingencial
Bem, é bastante informação, não? Todos os temas vistos são importantes para a organização.
Conhecendo um pouco mais das teorias e dos instrumentos de cada uma delas, você consegue
percebê-los na organização em que você atua? Caso você não esteja trabalhando neste
momento, você pode fazer esse exercício de identi�car os instrumentos conversando com algum
parente ou amigo que trabalhe em uma organização, ou mesmo escolhendo uma das marcas
que você mais admira e pesquisando a respeito dela, o que acha?  
Ainda hoje há uma preocupação em entender o comportamento nas organizações, para que de
fato os colaboradores possam gerar melhores resultados e ter uma convivência harmônica,
favorecendo, assim, o bom clima organizacional.  
Cada vez mais as organizações, na expectativa de reter os melhores talentos –  e de atraí-los –,
têm buscado alternativas para entender melhor o que de fato motiva seus colaboradores. Muitas
organizações, percebendo as necessidades de seus colaboradores, têm investido e muito em
melhores benefícios até então pouco (ou nunca) vistos, como possibilidade de home o�ce,
horário de trabalho �exível, auxílio pet e auxílio viagem, entre outros. E não para por aí: as
organizações têm percebido também que apenas os benefícios, sejam eles monetários ou não,
não são mais su�cientes para deixar o colaborador satisfeito. Os colaboradores estão
valorizando a questão do equilíbrio entre vida pessoal e pro�ssional, e não estão mais dispostos
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
a atuar em ambientes tóxicos que não ofereçam possibilidade de crescimento e
desenvolvimento de carreira. Novos tempos exigem novos pensamentos e novas estratégias.
Percebe a in�uência da teoria contingencial?  
Quando pensamos na estrutura organizacional formal e informal, precisamos nos atentar à
comunicação, que faz parte das contribuições da teoria das relações humanas. Você já imaginou
�car um dia sem se comunicar? Pense, por exemplo, se seu celular fosse “con�scado” por um
dia. Como seria para você? Um verdadeiro caos, não é? E na empresa não é diferente.
“Toda organização funciona a partir dos processos de comunicação” (CHIAVENATO,
2022, p. 230).
E isso apenas é possível quando a equipe esteja de certa forma conectada e integrada. Além do
mais, a
“comunicação é fundamental para o funcionamento coeso, integrado e consistente de
qualquer organização” (CHIAVENATO, 2022, p. 230). 
A comunicação organizacional é composta por: comunicação institucional (que tem como foco
comunicar a imagem da empresa para os diversos públicos, que se con�gurará na reputação),
comunicação interna (voltada para os colaboradores), comunicação administrativa (quando
comunica aos colaboradores suas normas, processos e políticas) e comunicação mercadológica
(quando se comunica com os clientes). Con�ra os exemplos práticos da Figura 5: 
Figura 5 | Exemplos de comunicação organizacional. Fonte: adaptada de Kunsch (2019) e Chiavenato (2022).
Outro aspecto extremamente importante é a comunicação entre os colaboradores, entre os
pares. A depender do estilo de comunicação suas interações podem ser bastante diferentes.  
Vivemos na Era Digital, em que há uma grande ruptura: se antes apenas a empresa se
comunicava com os seus stakeholders, atualmente, por meio das redes sociais, por exemplo,
qualquer pessoa pode entrar em contato com a empresa para expressar suas opiniões e
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
compartilhá-la com mais consumidores, assim como é possível entrar em contato diretamente
com os colaboradores e mesmo com os diretores. 
Todas essas relações são in�uenciadas pela cultura organizacional, que representa “o jeito de
ser da organização”, a sua identidade, seus valores. 
Percebeu os impactos da comunicação dentro da organização?  
São muitas contribuições que as teorias estudadas nessa aula trazem para a Administração. Por
isso, propomos a seguinte re�exão: você já imaginou como seria se todos esses pensadores não
tivessem feitos seus estudos e nos deixado essa herança? Por isso, quando você chegar em
algum lugar, procure descobrir a história daquele lugar, o que já foi criado, desenvolvido, o que
funcionou, o que pode ser melhorado ou o que pode ser implementado. Não dá para apagar um
histórico, e podemos ganhar tempo aproveitando os estudos e as experiências que já foram
realizadas. 
Videoaula: Principais abordagens da administração
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Neste vídeo será apresentada uma breve introdução das teorias neoclássica e contingencial,
assim como da Escola Humanista e os instrumentos que foram desenvolvidos na ocasião, como
liderança, criatividade e cultura organizacional. Você será convidado a pensar a respeito das
in�uências dessa escola atualmente. O foco será a comunicação, que de certa forma interage
com todos os demais instrumentos e é fundamental para o bom desempenho da organização. 
Saiba mais
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Você percebeu quantas informações interessantes temos ao estudar um pouco as Teorias
da Administração? Tratando da Escola Humanista, na obra a seguir, você poderá conhecer
as principais contribuições de cada idealizador, assim como o ano em que essas
contribuições surgiram e os instrumentos que resultaram dessas teorias, além das críticas.
É um estudo muito proveitoso. 
 Teoria Geral da Administração.  
Elton Mayo teve uma participação bastante relevante na Escola Humanística, com o seu
experimento de Hawthorne, realizado no período de 1924 a 1932 e que se dividiu em quatro
etapas. Esta leitura, ajudará você a conhecer as particularidades de cada uma dessas
etapas:  
 Teorias da Administração.
Referências
https://login.vitalsource.com/?redirect_uri=https%3A%2F%2Fintegrada.minhabiblioteca.com.br%2Freader%2Fbooks%2F9788522474998%2Fpageid%2F73&brand=integrada.minhabiblioteca.com.br
https://plataforma.bvirtual.com.br/Account/Login?redirectUrl=%2FLeitor%2FPublicacao%2F3789%2Fpdf%2F0%3F%3Fcode%3D5K8p2IABZjA5LRdc7O%2FX9R1TfXJnpc5n9sDhFNdwYtKIcsqYmyW4wUaqgcmr4pEqfr1MUjJOpdsSczGMMiqWDA
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
CHIAVENATO, I. Recursos Humanos: o capital humano das organizações. 11. ed. São Paulo:
Atlas, 2020. 
CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da Administração: uma visão abrangente da moderna
administração das organizações. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2020b. 
CHIAVENATO, I. Comportamento Organizacional:a dinâmica de sucesso das organizações. 4. ed.
São Paulo: Atlas, 2022. 
COOPER, A. A. Como ser um líder. Trad. Marcelo Cintra Barbão. São Paulo: Cengage Learning:
Editora Senac Rio de Janeiro, 2012. 
KUNSCH, M. M. K. Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas. São
Caetano do Sul: Difusão, 2019. 
LEITE, L. S. Psicologia Comportamental. São Paulo: Érica, 2020. 
OLIVEIRA, D. de P. R. de. Teoria Geral da Administração. Edição compacta. 2. ed. São Paulo: Atlas,
2012. 
SILVA, R. O. Teorias da Administração. 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013.
Aula 3
Fundamentos gerais sobre administração
Introdução
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Olá, estudante! Nesta aula, você aprenderá alguns conceitos gerais da ciência administrativa,
quais são e como ocorrem os processos administrativos e, por �m, como gerir esse conjunto de
ideias e tarefas, utilizando técnicas de planejamento e controle.  
Você vai perceber que a administração faz parte do cotidiano, e que gerimos nossa vida
pro�ssional e pessoal utilizando suas especí�cas teorias. Como você responderia à pergunta
“você julga ser um bom administrador?”  
Após a leitura desta aula, você conhecerá mais o que é a administração, e poderá avaliar, com
base nesse conhecimento, se você é um ou não um bom administrador na jornada da sua
carreira e da sua vida.  
Conceitos gerais da administração
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Vamos iniciar entendendo melhor os conceitos que tratam da administração. A palavra tem
origem no latim:
“ad (direção, tendência para) e minister (subordinação ou obediência) e signi�ca
aquele que realiza uma função sob controle de outrem, isto é, aquele que presta um
serviço a outro” (CHIAVENATO, 2020b, p. 10). 
Maximiano (2019, p. 13), por sua vez, indica que a palavra administração foi criada pelos
romanos e seu signi�cado, rerum curatio, representava “tomar conta das coisas”. Diz ainda que
atualmente temos inúmeras palavras que representam esse mesmo signi�cado, como
gerenciamento, liderança, gestão e coordenação, entre outras. Mas, a�nal, o que seria “tomar
conta das coisas”? Bem, você pode tomar conta de você, de seus horários, da sua família, da sua
casa, de uma empresa, de uma cidade. Nesse contexto, podemos dizer que esse “tomar conta”
representa os objetivos que almejamos alcançar, as estratégias e os recursos dos quais
precisaremos para alcançá-los, ou seja, é de�nir o que será feito, ou para onde se deseja ir, de
que maneira estamos pensando em chegar até lá (alcançar o objetivo) e quais recursos serão
necessários (por recursos podemos entender tempo, equipamentos, local, pessoas,
investimentos, informações) ou seja, de forma bem genérica: a administração é tudo isso!  
Em tempo, você percebeu que não há necessariamente a obrigatoriedade de ser formado
exclusivamente em Administração para ser um administrador? 
Lacombe (2015, p. 52) ensina que a administração tradicionalmente pode ser de�nida como
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
“um conjunto de princípios e normas que tem por objetivo planejar, organizar, dirigir,
coordenar e controlar os esforços de um grupo de indivíduos que se associam para
atingir um resultado comum”. 
Maximiano (2021, p. 4) nos ensina que
“a administração é o processo ou atividade de tomar decisões sobre recursos e
objetivos”
e explica o processo administrativo, que é composto por cinco decisões principais, também
conhecidas como processos ou funções, a saber: o planejamento, a organização, a liderança, a
execução e o controle, conforme podemos na Figura 1: 
Figura 1 | Processo administrativo. Fonte: Maximiano (2021, p. 4).
Ou seja, considerando esse ensinamento, podemos concluir de uma visão simplista que a
atividade dos administradores é, resumidamente, planejar, organizar, fazer, controlar e liderar.
Essa é a descrição da administração enquanto processo ou atividade. Esse conceito vem como
herança da Escola Clássica, ou melhor, de Fayol (MAXIMIANO, 2021). 
Destacando apenas duas das atividades administrativas herdadas da Escola Clássica, o
planejamento é
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
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“o processo de tomar e executar decisões sobre o futuro. Os planos são a resultante
do processo de planejamento […]. Os planos são guias para a ação no futuro”
(MAXIMIANO, 2019, p. 160).
O controle é a função administrativa que tem por objetivo mensurar e melhorar a performance
dos colaboradores, para garantir que os objetivos sejam alcançados (LACOMBE, 2015).  
Assim, controlar signi�ca fazer acompanhamento ou medição de algo, analisar os resultados
alcançados com os projetados e, se necessário, pensar em ações corretivas (LACOMBE, 2015).
Isso signi�ca dizer que inicialmente é feito o planejamento, no qual serão de�nidos os objetivos
e, em seguida, deve ser realizado o controle, para checar se o que foi planejado está de fato
sendo executado conforme o previsto e se os resultados esperados estão sendo alcançados. É
interessante realizar o controle em diversos momentos a �m de que, se identi�cado que as
ações traçadas no planejamento não estão sendo assertivas, talvez seja hora de pensar no plano
B. Tudo isso necessita ser organizado e executado, com liderança.  
E você, imaginava que a administração fosse um conceito tão complexo e tão trivial ao mesmo
tempo?  
Processos administrativos
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
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O processo administrativo se inicia pelo planejamento, que é o momento no qual há a de�nição
dos objetivos da organização, assim como as políticas, os procedimentos e os métodos que
deverão ser utilizados para alcançar os objetivos. Para que o planejamento seja assertivo, deve-
se ter o conhecimento a respeito do ambiente no qual a organização está inserida, estímulo à
criatividade e incentivo a novas ideias. Logo, o planejamento dá suporte às demais etapas do
processo administrativo. O planejamento se trata do
“processo de estabelecer objetivos e decidir a maneira como alcançá-los”
(CHIAVENATO, 2020a, p. 104). 
Chiavenato (2020a) ainda nos ensina que o processo de planejamento tem seis passos, que
vamos conhecer na Figura 2: 
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Figura 2 | Passos do planejamento. Fonte: adaptada de Chiavenato (2020a, p. 106).
O planejamento é formado por três níveis, conforme poderemos veri�car na Figura 3: 
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Figura 3 | Níveis do planejamento. Fonte: adaptada de Chiavenato (2020, p. 111).
Para realizar um bom planejamento, é fundamental que se conheça a organização. É preciso
saber sua missão, visão, o microambiente, seus objetivos básicos e, principalmente, os fatores
críticos de sucesso. Ressalta-se que, ainda que o planejamento tenha o foco no futuro, ele deve
ser contínuo e permanente, e de preferência contemplando o máximo de pessoas possível em
seu desenvolvimento e execução (CHIAVENATO, 2020a).  
O controle é a função administrativa que monitora e avalia atividades e resultados alcançados
para assegurar que planejamento, organização e direção sejam bem-sucedidos (CHIAVENATO,
2020b). 
O processo de controle é composto por quatro etapas. Vamos conhecê-las:  
Estabelecer os objetivos ou padrões de desempenho: inicialmente, deve-se de�nir os
objetivos ou padrões que se almeja conquistar ou mesmo manter. Há alguns tipos de
padrão: 
Padrões de quantidade: como a quantidade de colaboradores, o volume de produção, total
das vendas, rotação do estoque, quantidade de acidentes, absenteísmo etc. 
Padrões de qualidade: índices da manutenção das máquinas e dos equipamentos,
qualidade dos produtos oferecidos pela organização, entre outros. 
Padrões de tempo: como, tempo padrão da produção, tempo de preparação do pedido dos
clientes etc. 
Padrões de custo: alguns exemplos são custo de estocagem, custo de aquisição de
materiais, relação do custo-benefício de um equipamento, custos diretos e indiretos, entre
outros.   
Avaliar ou mensurar o desempenhoatual: para fazer a mensuração de desempenho atual,
deve-se ter conhecimento ou dados que indiquem qual foi o desempenho obtido em
períodos passados. 
Comparar o desempenho atual com os objetivos ou padrões já estabelecidos: a ideia é
fazer a análise do desempenho que se tem no momento. Pode-se levar em consideração
duas situações: 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Resultados: ocorre quando a análise comparativa se dá ao termino da operação. Então, a
mensuração já é realizada quando o produto, por exemplo está acabado, no �nal da linha.  
Desempenho: ocorre quando a aferição é realizada concomitantemente ao processo da
operação.
Agir corretivamente para corrigir as possíveis anormalidades ou desvios: trata-se de manter
a operação com base nos padrões que foram estabelecidos previamente.  
Trata-se de um processo cíclico e repetitivo:
“o controle deve ser visualizado como um processo sistêmico em que cada etapa
in�uencia e é in�uenciada pelas demais” (CHIAVENATO, 2020a, p. 305). 
Veja na Figura 4 alguns exemplos de controle, por nível: 
Figura 4 | Tipos de controle. Fonte: adaptada de Chiavenato (2020a, p. 321).
Com o que estudou até este momento, você já pode pensar em inúmeros controles para fazer e,
com isso, melhorar sua performance.  
Planejamento e controle
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Você percebeu que a administração de certo modo está no nosso dia a dia, desde as coisas mais
simples até as mais complexas? Considere que você vai organizar um churrasco para sua família
e amigos. Por mais que seja um churrasco no sistema em que cada um leva o que vai consumir,
precisará de algum planejamento, por exemplo, de�nir quem são os convidados, onde vai ser,
quando vai ser, em que horário, se vai precisar contratar um churrasqueiro ou se alguém �cará
responsável pela churrasqueira etc.  
Vamos pensar em você e nos seus estudos: você deve ter um planejamento para os seus
estudos, certo? Logo, precisa se organizar para conseguir dar conta de todas as atividades e não
perder nenhuma delas. Você pode ter uma agenda, fazer as anotações no seu celular, em um
planner, no seu caderno, en�m, cada um tem um método com o qual consegue alcançar os
resultados esperados. Nessa situação, por meio das atividades avaliativas você pode veri�car se
está conseguindo assimilar o conteúdo ou não.  
No seu trabalho, você também precisa aplicar os conceitos da administração. Caso você precise
se deslocar da sua casa até o seu local de trabalho, precisa se organizar e fazer um
planejamento para conseguir chegar a tempo. Qual a distância? Há possibilidade de trânsito,
congestionamento? E se você for de ônibus ou metrô, qual linha precisará pegar? Quais os
horários? Que horas precisa acordar para chegar ao ponto ou à estação a tempo? E se tem �lhos,
esse planejamento se torna um pouco mais complexo, porque você precisa organizar todas as
suas atribuições com a rotina das crianças também. Isso sem contar as suas atribuições, as
tarefas diárias que você realiza no seu trabalho.  
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Quando imaginamos a administração em uma empresa, é preciso pensar em estratégias para
aproveitar ao máximo os recursos que estão disponíveis, assim como usufruir as oportunidades
que o mercado nos oferece (LACOMBE, 2015), e isso somente é possível se trabalharmos com
planejamento, organização, execução, controle e liderança.  
Vimos que o planejamento trata do futuro, certo? E o que será que o futuro nos reserva? Não
temos como saber, o que sabemos é que certamente será diferente do hoje. E como se preparar?
Não deixando de buscar conhecimento, e não somente da sua área de atuação – isso ajudará a
aumentar seu repertório. Além disso, é importante investir no desenvolvimento das soft skills
(que são as competências comportamentais). Assim, você estará um pouco mais bem
preparado para esse futuro desconhecido que em breve chegará.  
Talvez você não tenha percebido o quanto a administração in�uencia sua vida. Será que
conseguimos viver sem a administração? Pode ser que não. O grande desa�o, seja na vida
pessoal ou na pro�ssional, é inovar, fazer melhorias no processo administrativo, buscando
melhorar a maneira de fazer o planejamento.  
Encerramos mais uma aula, esperando que ela tenha motivado você, e que você se sinta
animado para cuidar do seu planejamento de vida e de carreira.
Videoaula: Fundamentos gerais sobre administração
Este conteúdo é um vídeo!
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aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet.
Neste vídeo serão apresentados os conceitos de administração e de processo administrativo,
que envolve planejar, organizar, executar, controlar e liderar. 
Você será convidado a re�etir a respeito de como está administrando sua carreira e sua vida, e a
pensar em estratégias para melhorar ainda mais essa gestão, sendo protagonista. 
Saiba mais
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Os fatores críticos de sucesso (FCS) são bastante importantes no processo de
planejamento. No texto indicado a seguir, o autor explica alguns conceitos e trata de sua
experiência. 
Fatores Críticos de Sucesso: o que são e como de�ni-los?
Nesta leitura, você aprenderá um pouco mais acerca das ações corretivas, que são
bastante importantes. 
 Administração nos Novos Tempos: os novos horizontes em administração. 
Referências
https://thomazribas.com/gestao/fatores-criticos-de-sucesso
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597025729/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:40
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597025729/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:40
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
CHIAVENATO, I. Administração nos Novos Tempos: os novos horizontes em administração. 4. ed.
São Paulo: Atlas, 2020a. 
CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração: uma visão abrangente da moderna
administração das organizações. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2020b.  
LACOMBE, F; HEILBORN, G. Administração: princípios e tendências. 3. ed. São Paulo: Saraiva,
2015. 
MAXIMIANO, A. C. A. ADM por Competências: você gestor. São Paulo: Atlas, 2019. 
MAXIMIANO, A. C. A. Teoria Geral da Administração: da revolução urbana à revolução digital. 8.
ed. Rio de Janeiro: Atlas, 2021.  
Aula 4
Empresas
Introdução
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Olá, estudante! Nesta aula, você aprenderá alguns conceitos interessantes: organização e
métodos, metas e objetivos para atuação estratégica e, para �nalizar, a organização como
sistema aberto. 
Você aprenderá que a organização, como um sistema aberto, também recebe in�uências do
ambiente externo e precisa estar preparada para lidar com as adversidades que acontecem a
cada dia, sobretudo em um mundo cada vez mais frágil, incerto, não linear, em constante
mudança e incompreensível, o que nos deixa ansiosos. Esse é o signi�cado do Mundo BANI –
acrônimo das palavras em inglês brittle, anxious, nonlinear, incomprehensible, que signi�ca frágil,
ansioso, não linear, incompreensível –, criado em 2018 pelo futurista e antropólogo Jamais
Cascio (MENVIE, [s. d.]). Esse conceito de certa forma re�ete o mundo em que estamos
inseridos atualmente. 
Após a leitura desta aula, você conhecerá mais a respeito do que é de fato uma organização, e
conseguirá determinar objetivos e metas de forma assertiva. 
Conceitos sobre organização e métodos
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Organização, objetivos e metas 
A organização é a
“ordenação e o agrupamento de atividades e recursos, visando o alcance dos
objetivos e resultados estabelecidos” (OLIVEIRA, 2019, p. 63). 
Também podemos entender a organização como
“o estabelecimento da estrutura formal de autoridade, por meio da qual as
subdivisões de trabalho são integradas, de�nidas e coordenadas para o objetivo
almejado”(CHIAVENATO, 2021, p. 89)
ou seja, nesse contexto a organização representa a forma como se estrutura a empresa. 
Por método podemos entender a direção escolhida para se alcançar algum objetivo. É usado na
elaboração de modelos que sejam capazes de viabilizar maior produtividade, além de redução de
custos. Os métodos também podem auxiliar na descoberta de maneiras para reduzir o tempo da
produção (LLATAS, 2012). 
Todas as organizações precisam de objetivos para seguir adiante. Os objetivos inclusive são um
passo imprescindível para o planejamento das estratégias das organizações. Vamos começar
entendendo do que se tratam os objetivos. 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Objetivos referem-se aos resultados futuros que se almeja conquistar. Deve-se pensar em um
período no qual uma organização pretende se dedicar a alcançar esse objetivo.  
Para que os objetivos sejam alcançados devem ser desdobrados em metas, ou seja, para cada
objetivo pode-se ter inúmeras metas (FERREIRA, 2020). As metas são
“alvos a atingir no curto prazo […] as metas mais comuns são: produção mensal,
faturamento mensal, cobrança diária, entre outras” (CHIAVENATO, 2021, p. 179).
Conforme vamos concluindo as metas, vamos chegando mais perto de ter o objetivo concluído
com sucesso. 
As organizações trabalham com alguns objetivos ao mesmo tempo e, por conta disso,  
[…] os objetivos precisam ser escalonados em uma ordem gradativa de importância,
relevância ou prioridade em uma hierarquia de objetivos, em função de sua
contribuição à organização como um todo. (CHIAVENATO, 2021, p. 176)   
Ressalta-se que cada uma das organizações tem a sua hierarquia de objetivos.   
Enfoque sistêmico 
A seguir, veremos o pensamento ou o enfoque sistêmico, que é primordial na moderna
administração (MAXIMIANO, 2015).  
Para começar, vamos entender as origens. A Teoria dos Sistemas (TS) é um braço da Teoria
Geral de Sistemas (TGS) que teve início em 1960 com as pesquisas realizadas pelo biólogo
alemão Ludwig von Bertalanffy, que na realidade não buscava solucionar um problema especí�co
ou buscar soluções práticas, mas elaborar teoria e conceitos que pudessem ser aplicados na
realidade empírica (CHIAVENATO, 2022). 
Maximiano (2015, p. 67) nos ensina que sistema é
“um todo complexo ou organizado; é um conjunto de partes ou elementos que
formam um todo unitário ou complexo”
ou seja, trata-se de “um conjunto de partes que interagem e funcionam como um todo”.  
Quando falamos em sistema, precisamos entender que contempla:   
[…] um conjunto de entidades chamadas partes, elementos ou componentes, alguma
espécie de relação ou interação entre as partes; a visão de uma entidade nova e
distinta, criada por essa relação, em um nível sistêmico de análise. (MAXIMIANO,
2015, p. 67)  
Assim, os sistemas podem ser classi�cados quanto a seus componentes (em físicos ou
conceituais) e quanto à sua natureza (em fechados ou abertos), conforme veremos na Figura 1: 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 1 | Classi�cação dos sistemas. Fonte: adaptada de Maximiano (2015, p. 67) e Chiavenato (2022, p. 238).
Após essas de�nições, você consegue visualizar a complexidade dos sistemas, especialmente
os abertos?
Metas e objetivos: de�nições e aplicações estratégicas
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
OSM (organização, sistemas e métodos) 
OSM é a análise de cada uma das atividades da organização, de modo que possa encontrar
oportunidades de melhoria dos processos e, assim, maximizar os resultados. Para tal, utilizam-
se algumas ferramentas como o organograma, o �uxograma e os formulários.  
Na Figura 2, vamos entender as cinco etapas que constituem o método de trabalho de um
analista de OSM (organização, sistemas e métodos).
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 2 | Etapas do método. Fonte: adaptada de Llatas (2012, p. 92).
Tudo começa com a identi�cação de uma falha ou problema, e em seguida faz-se o
levantamento dos dados por meio de, por exemplo, documentação existente e �uxos de
processos. Na análise crítica realiza-se o estudo das possíveis soluções para resolver o
problema inicial. Na construção do novo modelo será desenhado o novo processo, um novo
desenho organizacional, talvez uma nova distribuição de tarefas entre a equipe, e deve haver
preparação para a etapa de implementação. Depois de tudo pronto, deve-se buscar as
aprovações da proposta de melhoria. É preciso pensar em indicadores para monitorar se o “novo”
método está funcionando (LLATAS, 2011).  
Objetivos SMART 
Anteriormente você percebeu a importância de se ter de�nido os objetivos e metas, certo? Para
que sejam assertivos você pode fazer uso de uma ferramenta, os objetivos SMART, um acrônimo
que signi�ca: speci�c (especí�co), measurable (mensurável), achievable (alcançável), realistic
(realista) e time (tempo). Veja na Figura 3 a seguir. 
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Figura 3 | Objetivos SMART. Fonte: elaborada pela autora.
Os objetivos e metas são imprescindíveis para qualquer organização, sobretudo quando
pensamos nos sistemas abertos, porque a organização apenas conseguirá se destacar em seu
mercado de atuação a partir de um planejamento estratégico bem de�nido. 
Estrutura dos sistemas 
Vamos conhecer a estrutura dos sistemas: todo e qualquer sistema pode ser caracterizado como
um conjunto de componentes ou elementos interdependentes que se dividem em três: entradas,
processos e saída (MAXIMIANO, 2015), conforme se verá na Figura 4: 
Figura 4 | Estruturas do sistema. Fonte: adaptada de Maximiano (2015).
Entradas: elemento também conhecido como input, representa o início do processo. É o
que proporciona o material, a informação para a operação do sistema (CHIAVENATO,
2022). 
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Processos: componente que pode ser encontrado na literatura como processamento,
processador ou transformador. É o throughput. Representa a etapa em que os insumos do
input são transformados em algum produto, por exemplo. 
Saída: é o output e se trata do resultado de todo esse processo: o produto já pronto e
�nalizado.  
Chiavenato (2022, p. 239) acrescenta ainda:  
Retroação: também pode ser encontrada na literatura como retroalimentação,
retroinformação (feedback) ou alimentação de retorno, e signi�ca o controle. É a
comparação entre a saída e o padrão que foi estabelecido no início do processo para
garantir a sua qualidade.  
Ambiente: será a fonte de energia, materiais e de informação ao sistema. O sistema e o
ambiente são inter-relacionados e interdependentes, estão em constante interação, uma
vez que o sistema recebe os insumos, ou seja, as entradas desse ambiente, e depois de
processá-las, devolve a saída ao ambiente.   
Quando existe algum problema com seu produto ou seu serviço, é fundamental analisar a
entrada e o processamento. Será que seus insumos são de qualidade? Ou será que no
processamento existe algum problema pontual nos processos que são realizados? É preciso
analisar. Cada caso é um caso. E é neste momento que você se torna um pro�ssional
diferenciado: quando tem competência para fazer esse tipo de análise. A partir dela, você
também pode aplicar a inovação. Você pode sugerir, por exemplo, a melhoria de algum processo,
pode misturar alguns insumos (se for o caso), ou pode tentar usar outros tipos de insumo. Você
já pensou sobre isso?  
Organização como sistema aberto
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Objetivos nas organizações e na vida pessoal 
Para que as organizações desfrutem do sucesso é fundamental que tenham determinados seus
objetivos e metas. A�nal, eles serão a base para o planejamento estratégico da organização. E
quando não se tem um direcionamento qualquer lugar em que se chegue estará bom. Mas
sabemos que não é bem assim.  
A administração é extremamente democrática e traz bastante conhecimento, os quais podemos
aplicar também em nossas vidas. Esse é o caso dos objetivos e metas.Assim como nas
organizações, é fundamental que tenhamos traçado algum objetivo e algumas metas para nossa
vida pessoal. É importante que você pense em objetivos para curto, médio e longo prazos. O que
você almeja alcançar no �nal do ano? E daqui a três anos? Vai depender muito do seu momento
de vida. Não há certo nem errado, cada pessoa tem seu sonho e almeja alcançar algo. O que
acha de parar por um minuto e re�etir a respeito de seus objetivos? Você os tem? Se não tiver, o
que acha de pensar em pelo menos dois objetivos? Pode pensar neles considerando, por
exemplo, as áreas da sua vida, como objetivos para a pro�ssão, ou objetivos para saúde –
considere as áreas que julgar relevante. E não se esqueça de que seus objetivos e metas
precisam ser SMART. 
Organização como sistema 
Anteriormente, você observou que as organizações podem ser consideradas um exemplo de
sistema de trabalho? Isso porque transmutam os recursos e os transformam em produtos ou
serviços, conforme se vê na Figura 5: 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 5 | Organização como sistema. Fonte: adaptada de Maximiano (2015, p. 4).
Podemos dizer também que a sua turma na faculdade faz parte de um sistema. A entrada são os
estudantes, você e seus colegas; os processos são as aulas a que você está assistindo, as
atividades que está realizando; e na saída temos a sua formação e empregabilidade. Você
conseguiu perceber a existência do sistema?  
Vamos pensar na empresa em que você atua. Consegue visualizar na prática toda essa estrutura
dos sistemas? Caso negativo, separe um momento para pensar nisso e fazer as ponderações
que julgar relevantes.  
Se você não estiver trabalhando nesse momento, não tem problema; você pode escolher uma
marca que admire ou uma empresa da qual é cliente e imaginar que você está sendo contratado
como consultor de lá. Que recomendações você faria?  
Finalizamos mais um bloco, e esperamos que você tenha gostado e que possa utilizar seus
novos aprendizados em sua carreira ou em sua vida pessoal. 
Videoaula: Empresas
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Neste vídeo será apresentada uma breve introdução a respeito da organização como um sistema
aberto, assim como os objetivos e metas. Você será convidado a pensar acerca da complexidade
das organizações, e a aplicar os objetivos e metas em sua rotina. 
Saiba mais
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Temos ouvido muito os termos Mundo VUCA e Mundo BANI. Você já os ouviu? Indicamos um
artigo que trata desse assunto: 
 Mundo BANI: conheça o conceito e esteja preparado para ele.
Referências
https://menvie.com.br/mundo-bani/#:~:text=O%20Mundo%20BANI%20(Brittle%2C%20Anxious,80%2C%20durante%20a%20Guerra%20Fria
https://menvie.com.br/mundo-bani/#:~:text=O%20Mundo%20BANI%20(Brittle%2C%20Anxious,80%2C%20durante%20a%20Guerra%20Fria
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
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CHIAVENATO, I. Teoria Geral da Administração. 8. ed. Barueri: Atlas, 2021. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559770649/epubc�/6/2[%3Bvnd.vs
t.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:2. Acesso em: 8 dez. 2022. 
CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração: uma visão abrangente da moderna
administração das organizações. Edição compacta. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597027525/epubc�/6/2[%3Bvnd.vs
t.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:2. Acesso em: 8 dez. 2022. 
FERREIRA, P. C. Planejamento Estratégico. Curitiba: Contentus, 2020. Disponível em:
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/186917/pdf/0?
code=rHQpBqQHOzeicm8MLwrs/KeYS5NAbbK66wkUQaQm0Vi43jIRk8AAlckl4oGlIi56auZlDx1qJ
0fApmuzF5mGog. Acesso em: 8 dez. 2022. 
LLATAS, M. V. OSM: organização, sistemas e métodos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2012.
Disponível e: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/3014/pdf/0?
code=/8G2mUjTJLTwVIJt6M0z5WaR9fbEWOzp3EdWLbMSJ3mrQZKjsWcGis4cRunjwM3cGs/+dg
KyfNq+JMbXfHkdRg==. Acesso em: 8 dez. 2022. 
MAXIMIANO, A. C. A. Fundamentos da Administração: introdução à teoria geral e aos processos
da administração. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2015. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2751-
7/epubc�/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:1. Acesso em: 8 dez. 2022.  
MENVIE. Mundo BANI: conheça o conceito e esteja preparado para ele. [s. d.]. Disponível em:
https://menvie.com.br/mundo-
bani/#:~:text=O%20Mundo%20BANI%20(Brittle%2C%20Anxious,80%2C%20durante%20a%20Guer
ra%20Fria. Acesso em: 3 out. 2022.  
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559770649/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5d!/4/2/2%4051:2
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559770649/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5d!/4/2/2%4051:2
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597027525/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5d!/4/2/2%4051:2
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597027525/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5d!/4/2/2%4051:2
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/186917/pdf/0?code=rHQpBqQHOzeicm8MLwrs/KeYS5NAbbK66wkUQaQm0Vi43jIRk8AAlckl4oGlIi56auZlDx1qJ0fApmuzF5mGog
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/186917/pdf/0?code=rHQpBqQHOzeicm8MLwrs/KeYS5NAbbK66wkUQaQm0Vi43jIRk8AAlckl4oGlIi56auZlDx1qJ0fApmuzF5mGog
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/186917/pdf/0?code=rHQpBqQHOzeicm8MLwrs/KeYS5NAbbK66wkUQaQm0Vi43jIRk8AAlckl4oGlIi56auZlDx1qJ0fApmuzF5mGog
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/3014/pdf/0?code=/8G2mUjTJLTwVIJt6M0z5WaR9fbEWOzp3EdWLbMSJ3mrQZKjsWcGis4cRunjwM3cGs/+dgKyfNq+JMbXfHkdRg==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/3014/pdf/0?code=/8G2mUjTJLTwVIJt6M0z5WaR9fbEWOzp3EdWLbMSJ3mrQZKjsWcGis4cRunjwM3cGs/+dgKyfNq+JMbXfHkdRg==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/3014/pdf/0?code=/8G2mUjTJLTwVIJt6M0z5WaR9fbEWOzp3EdWLbMSJ3mrQZKjsWcGis4cRunjwM3cGs/+dgKyfNq+JMbXfHkdRg==
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2751-7/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5d!/4/2/2%4051:1
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2751-7/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5d!/4/2/2%4051:1
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Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
OLIVEIRA, D. de P. R. de. Sistemas, Organização e Métodos: uma abordagem gerencial. 21. ed.
São Paulo: Atlas, 2019.
Aula 5
Revisão da unidade
Fundamentos da administração
Teorias da administração 
O estudo das teorias nos ajuda a compreender a evolução de muitas atividades e processos que
temos e com os quais convivemos atualmente. Você já imaginou se os pensadores de
antigamente não tivessem iniciado os estudos? Como estaríamos?  
Vamos, então, resgatar nossos estudos tratando das principais teorias da administração.  
Escola clássica 
Teoria da administração cientí�ca 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Foi criada nos Estados Unidos com o foco de ampliar a produtividade por meio da e�ciência dos
operários (CHIAVENATO, 2022). 
Teoria clássica da administração 
Foi criada na França. A ideia era aumentar a e�ciência da organização, mas trabalhando com a
estrutura (anatomia) e o funcionamento (�siologia) da organização.  
Fayol de�niu o ato de administrar como prever, organizar, comandar, coordenar e controlar
(CHIAVEANTO, 2022, p. 57), como podemos melhor visualizar na Figura 1: 
Figura 1 | Conceituação da administração. Fonte:adaptada de Chiavenato (2022, p. 57).
Fayol criou os princípios gerais da administração porque queria distanciar toda e qualquer ideia
de rigidez; assim
“tudo é questão de medida, ponderação e bom senso” (CHIAVENATO, 2022, p. 59).
Para ele, toda ciência deve se basear em princípios e leis. Veja na Figura 2: 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 2 | Princípios gerais da administração, de acordo com Fayol. Fonte: adaptada de Affonso (2018, p. 81-83).
Teoria da burocracia 
Baseava-se na racionalidade, ou seja
“na adequação dos meios aos objetivos (�ns) pretendidos, a �m de garantir a máxima
e�ciência no alcance dos objetivos” (CHIAVENATO, 2022, p. 106).
Na Figura 3 você verá algumas das características: 
Figura 3 | Características da burocracia. Fonte: adaptada de CHIAVENATO (2022).
Você percebe a burocracia no seu dia a dia?  
Escola humanista 
Com o desenvolvimento, surgiu a percepção de que era preciso observar melhor os operários, e
com essa intenção surge a Escola humanista, que trouxe inúmeras contribuições para nós,
conforme veremos na Figura 4: 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 4 | Escola humanista. Fonte: elaborada pela autora.
Planejamento, controle e organização como sistema 
A administração está presente em nossas vidas, independentemente da pro�ssão que
escolhemos. Você já se deu conta disso?  
Maximiano (2021, p. 4) nos ensina que
“a administração é o processo ou atividade de tomar decisões sobre recursos e
objetivos”.  
Pode-se dizer que o planejamento é o início do processo administrativo. Vamos conhecer os
passos a seguir: 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
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Figura 5 | Passos do planejamento. Fonte: adaptada de Chiavenato (2020a, p. 106).
Se não podemos medir, não conseguimos administrar. Por isso, o controle é utilizado para
auxiliar a checar se o que foi planejado está de fato sendo realizado. Caso haja algo errado, é
necessário pensar em estratégias para minimizar os impactos.  
Pode ser que analisando alguns dos controles existentes, a organização perceba que está se
distanciando de seus objetivos; se isso ocorrer, poderá pensar em métodos que ajudem a
melhorar a produtividade e a reduzir os custos, retomando, assim, o percurso para atingir as
metas traçadas. Pode auxiliar na descoberta de maneiras para reduzir o tempo da produção
(LLATAS, 2012), por exemplo. 
Com isso é fácil observar a organização como um sistema aberto, que é uma das classi�cações
de sistema, conforme a Figura 6. 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 6 | Classi�cação dos sistemas quanto aos seus componentes e sua natureza. Fonte: adaptada de Maximiano (2015, p.
67) e Chiavenato (2022, p. 238).
Por meio da Figura 6, notamos que os sistemas podem ser classi�cados quanto aos seus
componentes (ou constituição) em concretos ou abstratos; e quanto à sua natureza, em abertos
ou fechados. Cada um desses tipos possíveis de sistema tem seu propósito, objetivos e
responsável. Destacamos que o sistema aberto permite mais adaptação aos ambientes internos
e externos, moldando-se a cada mudança ocorrida. Os impactos e in�uências ocorrem em mão
dupla: o que ocorre nos ambientes, afeta e in�uencia o sistema, e vice-versa.   
Há algum tema que você estudou e que utiliza no seu dia a dia? 
Videoaula: Revisão da unidade
Disciplina
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Neste vídeo serão apresentados alguns dos temas que tratamos na Unidade 4. Dentre eles,
retomaremos algumas das teorias: teoria clássica, administração cientí�ca, teoria da burocracia,
teorias neoclássica e contingencial, além dos conceitos gerais da administração e do processo
administrativo, metas e objetivos e organização como sistema aberto. 
Estudo de caso
Durante as nossas aulas, você deve ter percebido que a administração é extremamente
importante e faz parte de nossas vidas, independentemente de qual seja a sua pro�ssão ou área
de atuação.  
As teorias estudadas nos ajudam a entender como se deu o desenvolvimento das organizações
e das formas de trabalho, e atualmente ainda utilizamos muitos dos conceitos e das ferramentas
desenvolvidas em outras épocas. 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
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Vimos também que há algumas habilidades imprescindíveis para o desempenho administrativo.
Chiavenato (2021, p. 3) indica três habilidades. Vamos relembrá-las?  
Técnicas: estão relacionadas ao uso do conhecimento. Por exemplo, para realizar as suas
atribuições, suas atividades, o que você precisa saber? Trata-se do desenvolvimento das
hard skills. 
Humanas: facilidade em trabalhar com pessoas. Por mais que você não goste, ou pre�ra
trabalhar sozinho, em algum momento precisará interagir com outros colegas ou com
clientes. Por exemplo: trabalho em equipe e interação com os demais colegas. Trata-se de
desenvolver as soft skills. 
Conceituais: relacionam-se com a visão da organização como um todo. Se você tem a
intenção de ser gestor, precisa se dedicar a desenvolver essas habilidades. Exemplo:
habilidade para perceber oportunidades que ninguém mais percebe, facilidade em de�nir
estratégias.  
Podemos utilizar os conceitos e práticas da administração tanto na sua vida pro�ssional quanto
no pessoal. A próxima atividade é um convite para pensar no seu planejamento de carreira. Você
já pensou a esse respeito?  
Para realizar a atividade, precisamos buscar os conceitos da administração, dos processos
administrativos, de metas e objetivos. Mas, também, precisaremos ter em mente e levar em
consideração outros conceitos, relacionados às teorias, como os seguintes: 
A burocracia: será que para você alcançar seus objetivos precisa se atentar a alguma
questão burocrática que temos atualmente?  
A escola humanista: a qual nos faz lembrar das interações com os grupos, dos estilos de
liderança, dos níveis hierárquicos, dos fatores que nos motivam, dentre outros fatores. 
A teoria contingencial: pela qual “tudo é relativo, tudo é contingente, nada é absoluto, e não
existe uma única e exclusiva melhor maneira de administrar ou de organizar. Tudo depende
das condições do contexto ambiental no qual as empresas vivem e operam” (CHIAVENATO,
2022, p. 68).   
Diante disso tudo, é fundamental analisar o ambiente no qual estamos inseridos. Quais as forças
e as fraquezas desse ambiente, quais as oportunidades e as ameaças? Como posso minimizar
essas ameaças e aproveitar as oportunidades? O primeiro passo é ter consciência delas.
Re�ita
Vamos re�etir a respeito de sua carreira?  
Quais são seus objetivos? 
O que precisa desenvolver para alcançá-los? 
Videoaula: Resolução do estudo de caso
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Conseguiu realizar essa atividade? Não existe um padrão de resposta, temos uma sugestão.  
Para iniciar, vamos rever os passos do planejamento: 
Figura 5 | Passos do planejamento. Fonte: adaptada de Chiavenato (2020a, p. 106).
Uma das primeiras atividades é de�nir os objetivos. Você já tem um objetivo de carreira? Pense
nele. 
Em seguida, você deve pensar na sua situação atual. Neste ponto apresentamos uma ferramenta
bastante interessante que utilizamos na administração para fazer o diagnóstico de situação
atual: a análise SWOT, criada na década de 1960. Com ela, conseguimos analisar os ambientes
interno e externo. No caso do planejamento de carreira, no ambiente interno, vamos considerar
as suas forças e pontos a desenvolver. Lembra de quando falamos das habilidades
imprescindíveis para os pro�ssionais (técnicas, humanas e conceituais)? A ideia é você pensar
nelas.Já no ambiente externo, vamos analisar o mercado de trabalho. Na sua área de atuação, quais
são as perspectivas para o futuro da pro�ssão? É uma atividade que vai desaparecer com os
avanços tecnológicos? Existem possibilidades de surgir novas pro�ssões? Há muitas
oportunidades de trabalho? Com base nessas informações você conseguirá identi�car as
ameaças e as oportunidades. Você pode preencher um quadro como o mostrado a seguir com
as suas informações: 
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Figura 7 | Análise SWOT. Fonte: elaborada pela autora.
Depois de preencher essa ferramenta, você terá em mãos o diagnóstico da sua situação
pro�ssional atual.  
Então, você precisa trazer seu objetivo de carreira e pensar no que você precisa fazer para
conseguir alcançar esse objetivo, considerando os ambientes interno e externo. 
A ideia é montar um plano de ação, para isso há outra ferramenta, também utilizada na
administração e que você pode aplicar no seu caso, assim como a análise SWOT. É o 5W2H, das
palavras em inglês: what (o quê?), why (por quê?), where (onde?), when (quando?), who (quem?),
how (como?) e how much (quanto custa?).  
Você pode preencher essas informações conforme a Figura 8: 
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Figura 8 | 5W2H. Fonte: elaborada pela autora.
Disciplina
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PARA ENGENHEIROS
Você já tem seu planejamento montado, basta começar a colocá-lo em prática, e é interessante
pensar em alguma maneira de fazer o controle. Será que você está realizando as atividades no
prazo determinado? Se sim, excelente. Se não, precisa pensar acerca das causas que impediram
de realizar o planejado, e em alternativas para solucionar o problema.  
Esperamos que tenha gostado da atividade e que ela possa ajudar no seu desenvolvimento. 
Resumo visual
Escola Clássica 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Fonte: elaborada pela autora.
Fonte: elaborada pela autora.
Escola humanista 
Disciplina
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PARA ENGENHEIROS
Fonte: elaborada pela autora.
Processo administrativo
Fonte: Maximiano (2021, p. 4).
Níveis de planejamento 
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PARA ENGENHEIROS
Fonte: adaptada de Chiavenato (2020, p. 111).
Controle: de�nição e etapas 
Fonte: elaborada pela autora.
Etapas do método de trabalho de um analista de OSM 
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Fonte: adaptada de Llatas (2012, p. 92).
Sistemas
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Fonte: adaptada de Maximiano (2015, p. 67) e Chiavenato (2022, p. 238).
Referências
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
AFFONSO, L. M. F. Teorias da Administração. Porto Alegre: SAGAH, 2018. 
CHIAVENATO, I. Administração nos Novos Tempos: os novos horizontes em administração. 4. ed.
São Paulo: Atlas, 2020a. 
CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração: uma visão abrangente da moderna
administração das organizações. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2020b.  
CHIAVENATO, I. Teoria Geral da Administração. 8. ed. Barueri: Atlas, 2021. 
CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração: uma visão abrangente da moderna
administração das organizações. Edição Compacta. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 
LLATAS, M. V.OSM: organização, sistemas e métodos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2012.
Disponível e: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/3014/pdf/0?
code=/8G2mUjTJLTwVIJt6M0z5WaR9fbEWOzp3EdWLbMSJ3mrQZKjsWcGis4cRunjwM3cGs/+dg
KyfNq+JMbXfHkdRg==. Acesso em: 8 dez. 2022. 
MAXIMIANO, A. C. A. Fundamentos da Administração: introdução à teoria geral e aos processos
da administração. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2015. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2751-
7/epubc�/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:1. Acesso em: 8 dez. 2022.  
MAXIMIANO, A. C. A. Teoria Geral da Administração: da revolução urbana à revolução digital. 8.
ed. Rio de Janeiro: Atlas, 2021.  
,
Unidade 2
Planejamento e Organização Empresarial
Aula 1
Planejamento empresarial
Introdução
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/3014/pdf/0?code=/8G2mUjTJLTwVIJt6M0z5WaR9fbEWOzp3EdWLbMSJ3mrQZKjsWcGis4cRunjwM3cGs/+dgKyfNq+JMbXfHkdRg==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/3014/pdf/0?code=/8G2mUjTJLTwVIJt6M0z5WaR9fbEWOzp3EdWLbMSJ3mrQZKjsWcGis4cRunjwM3cGs/+dgKyfNq+JMbXfHkdRg==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/3014/pdf/0?code=/8G2mUjTJLTwVIJt6M0z5WaR9fbEWOzp3EdWLbMSJ3mrQZKjsWcGis4cRunjwM3cGs/+dgKyfNq+JMbXfHkdRg==
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2751-7/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5d!/4/2/2%4051:1
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-216-2751-7/epubcfi/6/2%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5d!/4/2/2%4051:1
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Olá, estudante! Nesta aula, você vai compreender um pouco mais sobre planejamento. Você
perceberá que somos fortemente in�uenciados pelos acontecimentos ao nosso redor e que
alguns eventos ocorrem sem nosso controle, mas somos diretamente atingidos. Outras vezes,
nós conseguimos controlar ou nos preparar para imprevistos, caso aconteçam. Para entender
melhor o momento em que vivemos e nos prepararmos para o amanhã, seja nos negócios ou na
nossa própria vida, a aplicação do planejamento é essencial. A análise e o conhecimento do
ambiente, o que pode ajudar e o que pode atrapalhar, o que uma empresa ou pessoa tem de
positivo e o que precisa melhorar, são fatores-chave nas decisões tomadas para trilhar o
caminho de forma correta hoje para chegar ao objetivo de�nido amanhã.  
Preparado? Então vamos começar! 
Planejamento empresarial (estratégico, tático e operacional)
Disciplina
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O planejamento é um processo
“que pessoas ou organizações usam para administrar suas relações com o futuro”
(MAXIMIANO, 2007, p. 175).
Ou seja, planejar é olhar para o hoje pensando no amanhã. Imagine que você sonha em ter seu
próprio negócio. Quanto é necessário investir? Onde será a empresa? Quais serviços serão
ofertados? As respostas darão um direcionamento às ações futuras do seu negócio.  
O planejamento começa com a análise do ambiente em que nos encontramos. Esse ambiente é
composto por ambiente externo e ambiente interno, e serão identi�cadas ameaças,
oportunidades, pontos fortes e pontos fracos. Existe uma ferramenta muito útil nesse processo,
chamada matriz SWOT (strenghts – forças, weaknesses – fraquezas, opportunities –
oportunidades, threats – ameaças) como pode ser observado na Figura 1. 
Disciplina
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Figura 1 | Matriz SWOT. Fonte: adaptada de Shutterstock.
Com a utilização da SWOT �ca mais simples traçar objetivos e estratégias.  
No entanto, é importante que você saiba que o planejamento empresarial segue uma hierarquia
baseada nos níveis organizacionais, e dessa forma temos o planejamento estratégico, o tático e
o operacional. 
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 2 | O planejamento e os níveis organizacionais. Fonte: elaborada pela autora.
O nível estratégico envolve a alta gerência. É formado por presidente ou CEO, vice-presidente e
diretores. Nesse nível ocorre o planejamento estratégico, o que envolve a organização como um
todo, de�nindo os objetivos organizacionais a longo prazo, bem como a estratégia da
organização nesse período. Normalmente, o tempo para o longo prazo é estimado entre três e
cinco anos, mas esse tempo pode variar para mais ou menos, de acordo com o setor de atuação
da empresa. Existem setores que �cam obsoletos mais rapidamente, como é o caso de
empresas que atuam fortemente com tecnologia, por exemplo, empresas de celulares.  
Do nível estratégico seguimos para o nível tático, que é formado pelos departamentos e as �liais
da empresa, tendo como base a média de um a três anos para execução. O planejamento nesse
nível segue as diretrizes de�nidasno planejamento estratégico, e são de�nidos novos objetivos e
estratégias dentro de cada departamento. Por exemplo, o departamento de marketing vai criar
objetivos e estratégias voltados ao marketing para que a organização consiga conquistar seu
objetivo estratégico. O mesmo deve ocorrer com os outros departamentos, como logística,
produção, RH etc.  
O próximo nível, chamado de operacional ou funcional, é a parte do planejamento no qual são
elaborados os planos de ação; isto é, as estratégias de�nidas no planejamento estratégico e no
tático são colocadas em prática. É o nível composto pelos colaboradores de cada área de uma
empresa. Pode ter duração semestral a um ano, mas também pode ocorrer de ser bimestral ou
trimestral.
Swot
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Sabendo que o planejamento é um processo e que ele ocorre em diferentes níveis
organizacionais, vamos comentar um pouco mais da análise do ambiente.  
A análise do ambiente permite que sejam identi�cadas oportunidades para criação ou para
melhoria de um produto ou serviço. Também permite que sejam visualizadas as principais
ameaças que a empresa pode enfrentar em seu mercado. E, mesmo que as nossas decisões
estejam pautadas no que está acontecendo agora, no momento presente, entender como está o
ambiente que cerca a empresa é nos preparar para o amanhã com mais estabilidade para lidar
com os imprevistos que podem acontecer.  
Embora não seja possível controlar o que ocorre nos ambientes legal, econômico, político,
geográ�co, tecnológico e sociocultural, somos afetados de forma direta ou indireta. A taxa Selic,
por exemplo, é um mecanismo econômico que interfere na forma como fazemos um
�nanciamento. Portanto, antes de realizar um �nanciamento é interessante veri�car o valor da
Selic e se a tendência é ela aumentar ou diminuir. No entanto, mesmo que se decida fazer ou não
o �nanciamento, não cabe nós aumentar ou diminuir essa taxa, não temos controle sobre ela.
Mas entendendo o que acontece quando ela está alta ou baixa será possível agir de forma a
diminuir ameaças.  
A Figura 3 mostra as principais áreas que devem ser consideradas na análise do ambiente.
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Figura 3 | Principais áreas para análise do ambiente. Fonte: elaborada pela autora.
Além da análise do ambiente externo é importante olhar para o ambiente interno, ou seja, dentro
da empresa, e identi�car o que é positivo e o que pode melhorar.  
Depois de identi�cadas as ameaças e as oportunidades, os pontos fortes e os pontos fracos, é
chegado o momento de pensar nas estratégias.  
O conceito de estratégia teve origem há mais de três mil anos com o general Sun Tzu, que
escreveu o livro Arte da Guerra, e está relacionada à competição. 
Existem três tipos de estratégia, criadas por Michael Porter (1989) e conhecidas como
estratégias genéricas porque podem ser aplicadas a qualquer tipo de negócio. São elas:
estratégia de diferenciação, estratégia de liderança em custos e estratégia de foco.  
A estratégia de diferenciação busca um diferencial competitivo, que pode ser algo diferente em
relação ao produto, um atendimento diferenciado, qualidade superior. Nessa estratégia se
considera oferecer algo de valor ao cliente, algo que ele pague a mais para ter, se for o caso.  
A estratégia de liderança em custo está baseada em oferecer o mesmo produto ou serviço que
os concorrentes oferecem, mas com um custo mais baixo. Esse custo envolve todos os custos,
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inclusive os operacionais da empresa, como produção e logística. O ponto central da estratégia
de liderança em custo é atrair os consumidores sensíveis ao preço. 
 A estratégia de foco ou enfoque está relacionada à atuação direta em um grupo de
consumidores com um per�l bem de�nido e com características especi�cas.  
É possível utilizar cada uma das estratégias genéricas de forma isolada ou combiná-las, como
pode ser observado no Quadro 1. 
Quadro 1 | As estratégias genéricas. Fonte: Porter (1989, p. 10).
Portanto, a de�nição das estratégias, que faz parte do processo de planejamento e que envolve a
análise do ambiente para de�nição dos objetivos e das estratégias, é essencial no alcance dos
resultados esperados pelos gestores.  
Estruturação das estratégias
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Após alguns anos de formados, três amigos resolveram empreender, criando a LMJ Engenharia e
Consultoria. Luciana é engenheira civil, Mauro, engenheiro elétrico, e Juliana, engenheira de
produção. A empresa foi criada em 2020 e atua com projetos, reformas e construções
residenciais. No �nal do ano de 2022, após um dos amigos ler uma matéria tratando de uma
casa feita de papelão, criada pelo estúdio Fiction Factory de Amsterdã, surgiu a ideia de atuar no
segmento de projetos sustentáveis e talvez conseguir representação para a aplicação do modelo
no Brasil. A casa, chamada de Wikkelhouse, é formada por 24 camadas de �bra virgem de
papelão sobre o molde de uma casa. O nome vem do verbo holandês “wikkelen” cujo signi�cado
é envolver (A CASA…, 2016). 
Pensando nisso, os três amigos realizaram a análise do ambiente e �zeram uso da matriz SWOT,
identi�cando ameaças, oportunidades, pontos fortes e fracos. 
Ao analisar o ambiente externo, os amigos perceberam que esse tipo de produto utiliza um
sistema próprio, que envolve a aplicação de tecnologia para a fabricação do material, e que para
desenvolver algo similar no Brasil envolverá tempo e muita pesquisa. Para comercializar o
produto, será necessário entrar em contato com a empresa para analisar as condições de uma
possível parceria. Em relação ao ambiente político legal, o cenário mundial encontra-se em
transformação, assim como o cenário nacional, pois 2022 é ano eleitoral. No entanto, no cenário
econômico, a in�ação está crescendo, a taxa Selic está alta, a taxa de juros aumentou, mas
existem planos da iniciativa pública e da privada que favorecem o �nanciamento tanto para
empresas como para pessoas que querem adquirir ou reformar seus imóveis. As pessoas estão
saindo mais de casa, mas com o poder de compra menor. Tem crescido a preocupação com o
meio ambiente e com ações que são mais sustentáveis, e muito disso se deve ao aumento de
pessoas que estão aderindo ao veganismo ou se tornando vegetarianas, por exemplo. No
entanto, o setor de construção civil é um setor que teve bons índices. Em relação ao ambiente
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natural, a casa de papelão é ecológica, sustentável e tem vida útil de 50 anos. É resistente a frio e
a calor. Já analisando o ambiente interno, a empresa dos três amigos é nova no mercado,
portanto não é conhecida, e os três sócios têm pouca experiência. No entanto, os três têm muita
vontade de fazer acontecer e estão de olho nas lacunas do mercado, e são muito elogiados pelos
projetos já realizados pela e�ciência na entrega e na qualidade do atendimento.  
Após essa análise os amigos aplicaram a matriz SWOT: 
Figura 4 | Aplicação da matriz SWOT. Fonte: adaptada de Shutterstock.
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Com a aplicação da SWOT, os amigos visualizaram as principais ameaças, oportunidades,
pontos fortes e fracos, e de�niram que a estratégia utilizada será o enfoque na diferenciação,
oferecendo soluções inteligentes e sustentáveis, pois de acordo com o quadro das estratégias
genéricas de Porter, a vantagem competitiva visa à diferenciação e o escopo competitivo é um
alvo estreito, são pessoas que querem morar bem, com conforto, segurança e design, mas em
alinhamento com o meio ambiente, de forma sustentável. 
Quadro 2 | As estratégias genéricas. Fonte: adaptado de Porter (1989, p. 10).
Videoaula: Planejamento empresarial
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Se o mercadoestá em constante transformação, uma empresa precisa, primeiro, compreender
as mudanças que estão acontecendo e acompanhar o ritmo do mercado para permanecer
saudável e competitiva. E como se preparar para ser competitiva? Simples, planejando!
Aprendendo a analisar o mercado, identi�cando oportunidades, ameaças, pontos fortes e fracos
e criando as melhores estratégias. É isso que nós vamos aprender nesta aula. Certamente sua
visão a respeito de planejamento vai mudar!  
Está preparado? Bons estudos! 
Saiba mais
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Leia o artigo “A Matriz SWOT e suas Subdimensões: Uma Proposta de Inovação Conceitual” para
entender um pouco mais a utilização da ferramenta SWOT.  
Referências
https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/12580
https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/12580
https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/12580
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A CASA de papelão que revoluciona a arquitetura tradicional. Revista Exame, 25 jun. 2016.
Disponível em:  https://exame.com/casual/a-casa-de-papelao-que-revoluciona-a-arquitetura-
tradicional/. Acesso em: 5 out. 2022. 
CHIAVENATO, Idalberto. Administração: teoria, processo e prática. 5. ed. São Paulo: Manole,
2014. 
MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Introdução à administração. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007.  
PORTER, Michael. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. 16.
ed. Rio de Janeiro: Campus, 1989. 
Aula 2
Desenhos organizacional e departamental
Introdução
https://exame.com/casual/a-casa-de-papelao-que-revoluciona-a-arquitetura-tradicional/
https://exame.com/casual/a-casa-de-papelao-que-revoluciona-a-arquitetura-tradicional/
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Olá, estudante! Nesta aula você vai compreender como está estruturada uma organização, ou
seja, quais os principais cargos e departamentos, e como esse conjunto de processos e de
pessoas se conectam uns com os outros. Vamos conhecer conceitos dos tipos de organização e
seus desenhos de estrutura e cargos. Vamos tratar dos principais departamentos de uma
organização e sua relação com o direcionamento da empresa como um todo. A�nal, você já
aprendeu que o planejamento é algo que começa na alta direção e perpassa toda a organização
em diferentes níveis.  
Bons estudos!  
Desenho organizacional
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Usamos os termos “organização” e “empresa” como se fossem sinônimos, mas existe uma
pequena diferença. Organização é um agrupamento de pessoas que tem um objetivo especí�co.
Portanto, uma empresa é um tipo de organização. A associação dos moradores de um bairro,
uma ONG (organização não governamental) também são, mas empresas são o principal tipo de
organização.  
Toda empresa precisa de uma estrutura na qual estão organizados cargos, funções e
departamentos, para que funcione de maneira e�ciente e e�caz (MAXIMIANO, 2007). Essa
estrutura é o que chamamos de desenho organizacional. O desenho organizacional envolve todo
o processo para que qualquer organização funcione.  
De acordo com Chiavenato (2014), o desenho organizacional cumpre quatro funções especí�cas:
constitui uma estrutura básica, na qual são de�nidos a hierarquia (verticalização) e os
departamentos (horizontalização), que de�nem os cargos e suas respectivas funções, como
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mecanismo de operação, que envolve a descrição de cargos, procedimentos e rotinas, o que o
funcionário deve ou não fazer; mecanismos de decisão, que trata das decisões gerenciais e das
relações de poder; e por �m, os mecanismos de coordenação entre as partes, que se refere à
gestão de equipes, pessoas e processos. Essas quatro funções ocorrem de forma simultânea.  
Cada uma dessas quatro funções leva a quatro características que o desenho organizacional
deve ter: diferenciação, formalização, centralização e integração. 
Quadro 1 | As funções e características do desenho organizacional. Fonte: adaptado de Chiavenato (2014).
A diferenciação é a divisão do trabalho em departamentos e níveis hierárquicos. Ela pode ser
horizontal, que engloba os departamentos, e vertical, representada pela hierarquia, a escala de
autoridade.  
A formalização são as regras e regulamentos que tratam de quando, como e por que as tarefas
devem ser realizadas. Quanto maior a formalização, mais a empresa se torna burocrática e
rotinizada.  
A centralização está relacionada à distribuição da autoridade para tomar decisões, partindo do
nível institucional ou estratégico com pouca ou nenhuma delegação para o nível intermediário.
Quanto maior a centralização, mais decisões se concentram no topo da hierarquia, e há maior
dependência. Quanto maior a descentralização, mais a autoridade é distribuída e mais
autonomia as partes têm para a tomada de decisão. As Figuras 1 e 2 mostram como ocorre o
processo de decisão em organizações centralizadas e nas organizações descentralizadas.  
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Figura 1 | Organização centralizada. Fonte: adaptada de Chiavenato (2014).
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Figura 2 | Organização descentralizada. Fonte: adaptada de Chiavenato (2014).
Na organização descentralizada as decisões são tomadas pelos gestores de nível institucional e
dos de nível hierárquico inferior. No entanto, antes de executar algumas decisões, o nível
hierárquico inferior precisa consultar seu superior e em outras não, ou seja, os gestores de nível
intermediário, que está abaixo do institucional, têm autoridade para decidir sobre algumas
tarefas e atividades principalmente no que se refere ao seu departamento ou setor.  
A última característica do desenho organizacional é a integração, que corresponde ao
entrosamento entre as partes da organização e possibilita que tarefas maiores sejam
fragmentadas em menores. As formas mais comuns de integração em uma organização são a
hierarquia administrativa, a departamentalização, a assessoria, comissões e forças-tarefas,
regras e procedimentos, objetivos e planos e o arranjo físico. A integração permite maior
agilidade nos processos, mas para funcionar de forma e�ciente e e�caz gera um custo maior.  
Além do desenho organizacional, que exige que suas quatro características estejam
acontecendo de forma simultânea, a amplitude do controle é outro ponto que precisa ser
mencionado. Ela pode ser observada tanto em organizações centralizadas como em
organizações descentralizadas, e está relacionada à tomada de decisão na organização
in�uenciada pelo seu tamanho. Organizações de maior porte, que têm mais cargos e funções,
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normalmente têm amplitude maior, o que resulta em uma alta organização. As que têm menor
amplitude de controle são consideradas organizações achatadas (MAXIMIANO, 2007).  
Figura 3 | Organização achatada. Fonte: adaptado de Chiavenato (2014) e Freepik.
Observe que na organização achatada o número de níveis é reduzido, mas a abrangência de
controle é maior. 
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Figura 4 | Organização alta. Fonte: adaptada de Chiavenato (2014) e Freepik.
Por outro lado, em uma organização empresarial do tipo Alta, os níveis hierárquicos se
multiplicam, mas com baixa abrangência de controle.  
Não há forma correta ou errada de organizar uma empresa, mas o desenho organizacional se
constitui base para que a organização se desenvolva. A de�nição a respeito da amplitude do
controle auxilia na decisão acerca do tipo de estrutura que a organização terá. 
Tipos de organização (linear, funcional e linha staff)
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Além do desenho organizacional, existem três tipos básicos de estrutura organizacional:
organização linear, funcional e linha-staff. 
A organização linear é a mais simples e considera que cada superior tem autoridade sobre os
subordinados. Tem suas origens na divisãodos antigos exércitos e da igreja na Idade Média.
Entre o superior e o subordinado há uma linha direta marcada pela autoridade e
responsabilidade. O subordinado tem suas funções, é responsável por elas e deve respeitar as
ordens e prestar contas ao seu superior, que tem autoridade. A comunicação, nessa forma de
organização, é linear, respeitando a hierarquia existente. Tem o formato de pirâmide, e as
decisões são centralizadas. A grande vantagem dessa estrutura é sua simplicidade e facilidade
de compreensão das funções dentro da organização. Indicada para pequenas empresas ou para
empresas cujo ambiente é instável (CHIAVENATO, 2014). Por outro lado, a che�a nessa
organização linear pode ser generalista e austera.  
No segundo tipo, a organização funcional, o desenho de cargos e funções se dá pela
especialização das funções. Esse tipo de organização foi bastante defendido por Taylor, que
criou o que conhecemos como a Administração Cientí�ca, compreendendo a administração
pelas funções, ou seja, mais pessoas fazendo parte do mesmo processo produzem mais que
uma única pessoa que faz todo o processo. Nesse tipo de organização a autoridade pode estar
dividida por tarefas, o que faz com que uma mesma pessoa possa ser gerenciada por pessoas
diferentes em diferentes processos, porque a autoridade está na função e não apenas na
posição (hierarquia). 
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A organização por staff surgiu da mistura da estrutura linear com a funcional, devido à
complexidade das tarefas e demandas no mercado. Na organização linha-staff, surge a
importância dos processos de serviços, como consultorias e assessorias para que as tarefas
sejam cumpridas com e�ciência e e�cácia de acordo com os objetivos traçados.  
Os tipos de organização e o desenho organizacional são formas de estruturar uma organização
como um todo, envolvendo diretrizes, processos e funções. O desenho organizacional está
relacionado ao nível institucional ou estratégico de uma organização. E há, ainda, o desenho
departamental ou departamentalização, que é a forma como estão distribuídos os
departamentos em uma empresa, seguindo o desenho organizacional. A departamentalização
ocorre no nível intermediário da organização.  
Figura 5 | Níveis e desenhos organizacionais. Fonte: adaptada de Chiavenato (2014).
No nível estratégico, presidente e diretores têm a função de de�nir objetivos e acompanhar o
desempenho da organização, no nível intermediário os gerentes distribuem as funções, que
moldam os departamentos, e no nível operacional se dá a execução das tarefas, que podem
ocorrer por meio de supervisão ou autogestão (MAXIMIANO, 2007).  
Os principais tipos de departamentalização em uma empresa são: 
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Funcional: os cargos são criados por funções. É indicado para ambientes estáveis, com
tarefas rotineiras. 
Por produtos e serviços: envolve o agrupamento de atividades de acordo com os
resultados da empresa. É uma estrutura de departamentalização muito utilizada por
indústrias, empresas que trabalham com larga escala produtiva.  
Por base territorial: é utilizada por empresas que cobrem grandes áreas geográ�cas.
Indicada para área de produção e de vendas. 
Por clientela: separa os departamentos com foco no tipo de cliente que é atendido. Por
exemplo, uma loja de departamentos que vende para crianças, homens e mulheres.  
Por processo: o desenho dos cargos se dá pela sequência produtiva. É bastante utilizado
na base operacional ou na linha de produção.  
Por projeto: esse tipo de desenho de cargos exige �exibilidade, porque está relacionado
aos tipos de projetos que são desenvolvidos. Uma empresa que atua com consultoria em
engenharia, por exemplo, pode ter separados os cargos que atuam com planejamento de
obra e outro com execução dos projetos já aprovados.  
Matricial: é a combinação da estrutura funcional com a de produtos e serviços, por meio da
criação de matrizes, ou seja, departamentos e células.  
Quadro 2 | Exemplo de departamentalização matricial. Fonte: adaptado de Chiavenato (2014).
Obviamente, a depender do tipo de departamentalização adotado a empresa pode enfrentar
problemas na implantação e na manutenção, pois sabemos que a organização é reconhecida
como um sistema aberto, que sofre in�uência de ambientes internos e externos e os in�uencia.
Assim, o Quadro 3 demonstra quais são as vantagens e desvantagens de se adotar os vários
tipos que existem. 
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Quadro 3 | Vantagens e desvantagens dos tipos de departamentalização. Fonte: adaptado de Chiavenato (2014).
O desenho departamental está relacionado ao tipo de organização e, também, ao tipo de
negócio, porque há negócios cujo mercado é mais dinâmico, e outros cujo mercado é mais
estável. Essas condições interferem diretamente no desenho dos departamentos e funções.
Além disso, é importante lembrar que a departamentalização deve estar de acordo com o
desenho organizacional, que é a estrutura básica da organização.
Formas de departamentalização (funcional, por produtos, serviços,
processos, clientes, outros)
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Imagine a seguinte situação: você pretende empreender e começa a planejar como será sua
empresa. Pensa que tipo de serviços vai oferecer, o per�l do cliente que vai atender, quantas
pessoas serão necessárias para executar o serviço, o tempo que leva para executar o serviço, o
valor que será cobrado, entre outras coisas. Você pensa em cada etapa até que a empresa esteja
funcionando.  
Perceba que antes de dar início à sua empresa você precisou planejar e analisar como seria essa
empresa. 
Provavelmente você já deve ter ouvido que uma empresa tem a “cara de seu dono”. Isso porque
toda empresa é estabelecida com base nos valores e crenças de quem a cria. E esses valores
vão aparecer na forma como a empresa é estruturada e gerenciada.  
Para facilitar ainda mais o seu entendimento, vamos contar a história de José, que fez um curso
de eletricista e começou a prestar serviços de reparos e assistência elétrica em residências.
Muito prestativo, organizado e competente, o serviço de José rapidamente foi ganhando fama, e
com isso veio a oportunidade de prestar serviços para uma rede de condomínios na cidade onde
ele mora. Até então José atuava sozinho, mas com a oportunidade, viu a necessidade de ampliar
seus serviços e abrir uma empresa. Para isso, ele precisou contratar mais pro�ssionais e
estruturar a empresa. Considerando a forma como José trabalha, suas crenças e valores,
analisando o mercado e o tipo de serviço, e aplicando o desenho organizacional, temos uma
empresa centralizada, do tipo linear, com amplitude achatada porque apesar de ter crescido na
prestação de serviços e contratação de pessoas, ainda é uma empresa pequena e as principais
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decisões são tomadas por José. A departamentalização foi pensada utilizando o padrão
clientela misturada com projetos, porque cada serviço é um projeto executado de acordo com o
tipo de cliente: condomínios, residências e empresas. O desenho organizacional da empresa de
José pode ser visto na Figura 6.  
Figura 6 | Desenho organizacional da empresa de José. Fonte: elaborada pela autora.
José comanda a empresa. Ele é o responsável pela captação de clientes e direcionamento dos
serviços para cada uma das áreas de atendimento dos projetos que chegam à empresa:
residências, condomínios e empresas. Cada uma dessas áreas tem um supervisor que comanda
sua equipe, responsável pela execução dos serviços. 
A aplicação do desenho organizacional e departamental proporcionou a José mais clareza nas
operações da sua empresa e mais agilidade na prestação dos serviços. Como a empresa ainda é
pequena, José atua de forma a centralizar as decisões. Mas, se a empresa expandir e o mercado
continuar aquecido, a tendência é que essa estrutura seja modi�cada, com a criação de novos
cargos e a descentralizaçãodas decisões por parte de José, que passará a delegar funções à
medida que a empresa progredir. Porém, no momento, a estrutura organizacional desenhada
está funcionando. 
Videoaula: Desenhos organizacional e departamental
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Antes de ser criada e depois que já está no mercado, qualquer empresa precisa de planejamento
para iniciar suas atividades e mantê-las. Mas, além do planejamento, é necessário pensar como
será essa empresa em termos de gestão, de estrutura, de cargos, funções e departamentos.
Como serão tomadas as decisões? Como estará desenhada a hierarquia empresarial? Como
serão os departamentos? Todas essas questões precisam ser respondidas para que a empresa
esteja estruturada ao nascer, crescer e se manter no mercado. 
Saiba mais
Em Departamentalização e assimetria de poder nas organizações públicas, leia da página 25 a
28 o tópico “A departamentalização em uma perspectiva crítica”, para compreender um pouco
mais a respeito do uso estratégico da departamentalização. Depois leia da página 48 à 52 o
tópico “A estrutura das organizações públicas pesquisadas: a PGFN e a SRTb”, para saber mais
acerca da estrutura organizacional de instituições públicas.  
Referências
https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/32063/Caio%20Gon%c3%a7alves%20Amorim%20-%20Disserta%c3%a7%c3%a3o%20Vers%c3%a3o%20Final%20%5b1%5d.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/32063/Caio%20Gon%c3%a7alves%20Amorim%20-%20Disserta%c3%a7%c3%a3o%20Vers%c3%a3o%20Final%20%5b1%5d.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/32063/Caio%20Gon%c3%a7alves%20Amorim%20-%20Disserta%c3%a7%c3%a3o%20Vers%c3%a3o%20Final%20%5b1%5d.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/32063/Caio%20Gon%c3%a7alves%20Amorim%20-%20Disserta%c3%a7%c3%a3o%20Vers%c3%a3o%20Final%20%5b1%5d.pdf?sequence=1&isAllowed=y
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CHIAVENATO, I. Administração: teoria, processo e prática. 5. ed. São Paulo: Manole, 2014. 
MAXIMIANO, A. C. A. Introdução à administração. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
Aula 3
Modelagem do trabalho, direção, gerência e supervisão
Introdução
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Olá, estudante! As transformações que vêm ocorrendo no mundo impactam diretamente a forma
como as organizações são geridas. O modelo de gestão pode interferir justamente nos
resultados da empresa. Por isso, compreender a modelagem do trabalho, o estilo de direção e o
tipo de liderança que está em execução ajuda a corrigir falhas e a melhorar os resultados.  
Na aula de hoje, você compreenderá como está estruturada a liderança dentro de uma
organização. Também será possível conhecer os estilos de direção e tipos de liderança, além de
entender o que é necessário para o trabalho de supervisão.   
Preparado? Então, vamos começar!  
Modelagem do trabalho
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Além do desenho da organização, que compreende o modo como ocorrerá a gestão,
normalmente o nível gerencial é formado por executivos, gerentes, supervisores e funcionários
operacionais. Essa estrutura gerencial está alinhada aos níveis organizacionais: estratégico,
tático e operacional. Para que esses níveis estejam alinhados e os objetivos traçados no
planejamento sejam alcançados, a empresa precisa ser gerida de forma e�ciente e e�caz, ou
seja, seguindo processos e respeitando o desenho de cargos e funções. Isso acontece por meio
do processo administrativo, que envolve planejar, organizar, dirigir e controlar. A gestão está
diretamente ligada ao conceito de modelagem do trabalho, isto é, à forma como são atribuídas e
devem ser realizadas as tarefas operacionais, respeitando o desenho organizacional existente
(setor; divisão; unidade de negócio; sede ou �lial). Portanto, a função de todo gestor,
independentemente do nível da organização em que atua, requer algumas competências, ou seja,
quali�cações para ocupar o cargo de maneira produtiva.  
As competências gerenciais essenciais envolvem o conhecimento, as habilidades e as atitudes.
O conhecimento inclui todas as técnicas e as informações que o gerente precisa conhecer e
dominar, as quais são necessárias para o desempenho de seu cargo. Por exemplo um diretor de
projetos residenciais na área de engenharia hidráulica que só atuou em empresas tem mais
competência para trabalhar em organizações do que em residências, mas pode desenvolver as
habilidades técnicas necessárias para intervir com maestria na área residencial. Além desse
conhecimento, todo gestor deve possuir as habilidades básicas: técnica, humana e conceitual. A
habilidade técnica corresponde à capacidade de usar ferramentas e procedimentos, técnicas e
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conhecimentos especializados relacionados à sua área de atuação. Quanto maior a facilidade
em desempenhar uma tarefa especí�ca, mais habilidades técnicas um gestor terá. A habilidade
humana (ou pessoal) é a facilidade que um gestor tem de se relacionar com pessoas ou grupos.
Ou seja, é a forma de se comunicar, entendendo, motivando e liderando indivíduos e equipes. A
habilidade conceitual é o talento para coordenar e integrar todos os interesses e atividades da
organização por meio da análise e interpretação das situações.Além do conhecimento e das
habilidades, fazem parte das competências gerenciais as atitudes. É a partir delas que os
gestores interpretam e avaliam a realidade da organização. As atitudes estão totalmente
relacionadas à cultura organizacional. Ou seja, grande parte do que se refere ao modo como
ocorrerá uma ação ou outra estará associada aos valores e crenças da empresa.  
Na Figura 1, a seguir, é possível observar os elementos que constituem as competências
gerenciais. 
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Figura 1 | Competências gerenciais. Fonte: adaptada de Chiavenato (2014).
Note que embora todas as habilidades essenciais sejam necessárias para a gestão, cada uma
delas está relacionada a um nível organizacional. Isto é, em cada um dos três níveis, é exigida
com maior ênfase uma das três habilidades, como pode ser observado no Quadro 1, a seguir.
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Quadro 1 | Habilidades do administrador e os níveis organizacionais. Fonte: adaptado de Maximiano (2007).
De todas as habilidades gerenciais, a habilidade humana é a única diretamente relacionada à
forma como ocorrerá a liderança. E, para ser um bom gestor, é necessário conhecer sobre
direção e liderança.
Estilos de direção
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Toda empresa faz parte de um sistema social, porque produz com recursos do meio (recursos
materiais, ou seja, matéria-prima, ou recursos humanos, isto é, os colaboradores da organização)
e os devolve à sociedade como produtos ou serviços, empregando as pessoas.  
A maneira como a gestão acontece numa organização vem se alterando com o tempo. Mas o
estilo é basicamente marcado pela forma como os gestores entendem o comportamento
humano. Será que um operário é motivado pelo mesmo estímulo que motiva um gerente? Caso
você tenha levado em consideração apenas o dinheiro como base para a sua análise,
provavelmente a resposta é “sim”. No entanto, o ambiente de trabalho, horários �exíveis, pacote
de benefícios e outros fatores são algumas vantagens que podem ser mais importantes do que o
valor do salário. Isso acontece porque o que motiva o ser humano varia de pessoa para pessoa.
A motivação é um processo interno com base em estímulos externos. Ou seja, a pessoa
identi�ca algo no ambiente que aciona algum valor nela mesma, o que pode setornar um
elemento motivador ou não. A motivação, embora individual, pode ser acionada por agentes do
ambiente e se apresentar como uma forte aliada no processo de gestão. De acordo com
Herzberg, citado por Lacombe e Heilborn (2014), são dois os fatores que motivam pessoas
dentro de organizações: os fatores motivacionais, que estão relacionados aos aspectos pessoais
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de realização pro�ssional, considerados fatores internos; e os fatores ambientais ou higiênicos,
considerados fatores externos, como tipo de supervisão, status, salário. 
Além da motivação, a conexão líder e liderado também pode ser observada em situações
relacionadas à autoridade, ou seja, quando a equipe respeita e executa, e quando apenas
executa. Observando essas diferenças, o pesquisador Douglas McGregor, citado por Lacombe e
Heilborn (2014), analisou a relação de liderança em empresas e obteve o que �cou conhecido
como teoria X e teoria Y.  
Na teoria X, os administradores não acreditam nas pessoas e impõem forte dependência dos
subordinados quanto à che�a. Nesse estilo de direção, pressupõe-se que a pessoa tem aversão
ao trabalho e, por isso, precisa ser coagida e ameaçada com a chance de sofrer uma demissão,
por exemplo, além de ser recompensada de forma material, se �zer um bom trabalho (LACOMBE;
HEILBORN, 2014). Já na teoria Y, entende-se que a pessoa aceita responsabilidades e deve ser
motivada em função de necessidades especí�cas (LACOMBE; HEILBORN, 2014). 
Figura 2 | Direção e teorias X e Y. Fonte: Raimundo (2016, p. 91)
O estudo de McGregor, que data da década de 1960, citado por Lacombe e Heilborn (2014),
propõe a compreensão da direção numa organização, e toda direção exige que o papel do líder
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se faça presente. Como liderança, vamos compreender a capacidade de in�uência que uma
pessoa tem sobre outra para a execução de tarefas.  
Um líder deve inspirar con�ança, ser inteligente, perceptivo e decisivo para ter melhores
condições de liderar com sucesso. De acordo com Lacombe e Heilborn (2014, p. 346)
“os líderes in�uenciam as pessoas por meio do poder de que dispõem”.
O poder, nesse caso, pode ser dividido em: como controlar ou como in�uenciar pessoas. A
liderança pode ser estudada de acordo com o comportamento do líder ou dos liderados
(CHIAVENATO, 2014).  
Isso acarreta três estilos de liderança: autocrática, democrática e liberal. Na liderança
autocrática, o líder é quem fornece as diretrizes, sem qualquer participação do grupo; sua
postura é dominadora e no momento de tecer elogios e/ou críticas ao trabalho dos membros, o
foco acaba sendo direcionado ao âmbito pessoal. É o líder quem determinará a tarefa, �cará
responsável por executá-la e será o companheiro de trabalho, caso a atividade seja efetuada em
conjunto. Na liderança democrática, as diretrizes são debatidas e decididas pelo grupo, que é
estimulado e assistido pelo líder. A divisão das tarefas �ca a critério do próprio grupo, e cada
membro pode escolher os seus companheiros de trabalho. O líder procura ser um membro
normal do grupo, em espírito, sem encarregar-se necessariamente de tarefas. Além disso, o líder
deve ser objetivo em seus feedbacks e se limitar aos fatos nas críticas e elogios. Na liderança
liberal, existe a liberdade para as decisões dos grupos ou individuais, com participação mínima
do líder. A divisão das tarefas e a escolha dos companheiros de trabalho é feita pelo grupo, sem
a participação do líder, que não faz nenhuma tentativa de avaliar ou de regular o curso dos
acontecimentos. O líder apenas faz comentários irregulares sobre as atividades dos membros
quando perguntado (CHIAVENATO, 2014). Não existe um estilo melhor que outro, e di�cilmente
um líder terá apenas um estilo de liderança. É comum, na prática, a utilização dos três tipos de
liderança, o que poderá variar de acordo com a situação, as pessoas envolvidas e a tarefa que
será realizada. O mesmo líder pode tanto mandar cumprir uma ordem quanto consultar os
subordinados antes de tomar uma decisão. Isso variará de acordo com quem está na liderança e
com as circunstâncias e atividades em questão. 
Cabe ainda falarmos da supervisão, que aparece no último nível organizacional, o nível
operacional. O supervisor é aquele que acompanha as tarefas na linha de operação ou produção
e sua principal função é representar seu superior (gerente) na execução das tarefas junto ao nível
operacional. Seu conhecimento é bastante técnico e sua autoridade é restrita. Ou seja, o
supervisor tem a função de comandar e interferir no andamento das tarefas, mas até o ponto em
que essa autoridade não se sobreponha às decisões que devem ser tomadas por seu superior, o
gerente. A supervisão envolve tanto o conhecimento técnico como a habilidade de lidar com
pessoas (RAIMUNDO, 2016).  
Tipos de liderança, principais características da supervisão
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Vou apresentar a você Mariana, engenheira civil, e Juliana, sua sócia. Mariana e Juliana têm uma
empresa chamada MJ Engenharia, que presta consultoria em reformas de prédios residenciais.  
A organização está no mercado há quatro anos e é formada por: Juliana, que também é
engenheira civil, além de ser encarregada de supervisionar as obras e cuidar das �nanças; pelo
seu marido, Caio Henrique, outro engenheiro, o qual cuida dos fornecedores e da compra dos
materiais necessários para as obras, bem como da contratação de terceiros (pedreiros,
eletricistas, pintores); e pela própria Mariana, que é responsável pelo marketing e atua junto aos
clientes. Como o �uxo de trabalho tem aumentado, percebeu-se a necessidade de contratar um
pro�ssional para atuar diretamente com Mariana, especi�camente na área de vendas, mas que
também terá interação com Caio Henrique, marido de Mariana, e com Juliana. 
O desenho organizacional da MJ Engenharia está assim: 
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Figura 3 | Desenho organizacional da empresa MJ Engenharia. Fonte: elaborada pela autora.
Pensando no per�l e nas competências que o novo pro�ssional deve apresentar, Mariana, Caio
Henrique e Juliana conversaram e de�niram que o candidato precisa ser engenheiro, conhecer os
procedimentos para a reforma de apartamentos, possuir boa comunicação e ser proativo.  Dessa
forma, contrataram uma empresa para divulgar a vaga, dando início ao processo de seleção.
Treze pessoas foram entrevistadas. Dentre esses candidatos, os recrutadores �caram em dúvida
entre dois. O primeiro, Luciano, mostrava ter conhecimento, habilidade, mas lhe faltava atitude. O
segundo, Mauro, apresentava conhecimento, atitude, mas lhe faltava habilidade. Infelizmente não
foi possível encontrar um candidato com todas as competências requeridas, mas os
recrutadores perceberam que um dos dois selecionados tinha vontade de aprender e estava
disposto a se desenvolver. Diante disso, escolheram Mauro, que tinha conhecimento, atitude,
mas ainda precisava melhorar sua habilidade de comunicação. Mariana e Juliana decidiram que
treinariam essa habilidade, o que foi conversado e explicado ao candidato. Ficou de�nido, então,
que Mauro, o novo pro�ssional, passaria por um período de experiência de três meses. Nesse
período, o foco seria direcionado ao desenvolvimento da habilidade de comunicação. Durante o
esse tempo, Mariana �cou responsável pelo treinamento e percebeu que Mauro estava cada vez
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mais disposto a aprender e a se desenvolver. Mariana sugeriu algumas leituras e exercícios, os
quais Mauro realizou prontamente. Apesar de gostar das atividades cumpridas, Mariana também
quis saber a opinião do pro�ssional, perguntando-lhe como estava se sentindo durante o tempo
de experiência. O feedback foi positivo, assim como os resultados depois dos três meses. Logo,
Mauro foi efetivamente contratado. 
Em relação aos estilos de liderança, podemos perceber que Mariana apresenta o estilo de
liderançademocrático, pois as diretrizes foram decididas em conjunto por ela e por Mauro, que
foi estimulado e assistido pela líder. Já Juliana tem um estilo mais liberal, pois seu foco está
mais voltado para as decisões estratégicas da empresa, portanto ela con�a no trabalho da sócia
e a deixa agir da maneira que acredite ser mais pertinente, desde que apresente resultados. Ou
seja, ela não vê a necessidade de estar presente para acompanhar o processo de
desenvolvimento. Enquanto isso, Juliana cuida de outras atividades. Esse modo de operação
também revela a modelagem do trabalho, ou seja, as tarefas que cada um cumpre dentro de sua
função.  
Com a contratação de Mauro, a hierarquia da empresa passa a ter três níveis, como pode ser
observado na Figura 4, a seguir. Assim, o desenho organizacional da empresa, após a
contratação, �cou da seguinte forma: 
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Figura 4 | Desenho organizacional da empresa MJ Engenharia após contratação. Fonte: elaborada pela autora.
Caio Henrique ocupa o segundo nível, está diretamente ligado à direção de Mariana e Juliana e
ainda não conta com outras pessoas em sua equipe. Por se tratar de uma empresa pequena,
alguns níveis repetem pro�ssionais. Mas com o passar do tempo e diante da ampliação da
empresa, a ideia é que a instituição cresça em pessoas, hierarquia, processos e faturamento.  
Ao fazer parte da empresa, Mauro passou a ser subordinado à Mariana no nível dois. As tarefas
que Mauro começou a executar, dentro do departamento de vendas, passaram a ser
supervisionadas por Mariana. A ideia é que, ao longo do tempo, outro pro�ssional faça parte da
equipe e, assim, Mauro passe a executar a supervisão.  
Em relação à teoria X e à teoria Y, a MJ Engenharia está mais próxima da teoria Y do que da
teoria X, porque Mariana tem um estilo participativo e democrático de liderança, enquanto
Juliana, embora adote um estilo mais liberal, respeita as decisões e o estilo de sua sócia. 
Videoaula: Modelagem do trabalho, direção, gerência e supervisão
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Tão importante como planejar e estruturar uma organização é escolher as pessoas que farão
parte dela, gerenciando-as para alcançar os melhores resultados. No vídeo a seguir, você
conhecerá as competências essenciais a todo gerente, os diferentes tipos de direção e os
modelos de liderança. Também será possível entender sobre modelagem do trabalho e saber
quais são as características da supervisão. Está preparado? Então aperta o play e vem comigo! 
Saiba mais
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PARA ENGENHEIROS
Para aprofundar seu entendimento sobre os assuntos estudados até este momento, faça a
leitura do artigo A gestão de competências gerenciais e a contribuição da aprendizagem
organizacional: a experiência de três empresas australianas. Você compreenderá mais detalhes
sobre as competências gerenciais. Um dos casos analisados é o de uma empresa de
engenharia.  
Referências
https://www.scielo.br/j/ram/a/ps96WR3XPyNW7PpHYhbqPNC/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/ram/a/ps96WR3XPyNW7PpHYhbqPNC/?lang=pt
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PARA ENGENHEIROS
BITENCOURT, C. A gestão de competências gerenciais e a contribuição da aprendizagem
organizacional: a experiência de três empresas australianas. RAM – Revista de Administração
Mackenzie, ano 3, n. 1, p. 135-157. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/ram/a/ps96WR3XPyNW7PpHYhbqPNC/?format=pdf&lang=pt. Acesso
em: 26 out. 2022. 
CHIAVENATO, I. Administração: teoria, processo e prática. 5. ed. São Paulo: Manole, 2014. 
LACOMBE, F.; HEILBORN, G. Administração: princípios e tendências. São Paulo: Saraiva, 2014.  
MAXIMIANO, A. C. A. Introdução à administração. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007. 
RAIMUNDO, C. Administração e economia para engenharia. Londrina: Editora e Distribuidora
Educacional S.A., 2016.  
Aula 4
Controle da ação empresarial
Introdução
https://www.scielo.br/j/ram/a/ps96WR3XPyNW7PpHYhbqPNC/?format=pdf&lang=pt
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Olá, estudante! Tudo bem? Espero que sim! As mudanças que ocorrem no mundo interferem na
gestão das organizações em seus diferentes níveis. A observação e a análise dessas mudanças
resultam na identi�cação de oportunidades e de ameaças, que serão transformadas em
objetivos, estratégias e ações. No entanto, além de planejar, é preciso executar. E, para saber se
os resultados estão dentro do esperado, é importante efetuar os controles estratégico, tático e
operacional, ou seja, o controle das ações em cada um dos níveis da organização. Além disso,
também se mostra necessário o uso de alguns padrões de desempenho que ajudam a identi�car
o que deve ser ajustado ou melhorado. Tudo isso precisa ser considerado em termos de
execução e, também, de custos, pois é essencial que a empresa tenha consciência de seus
custos e despesas organizacionais. Esse será o assunto da nossa aula.  
Espero que você esteja preparado. Vamos começar!  
Controle estratégico, tático e operacional
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O planejamento é de extrema importância para qualquer organização, a�nal, se não sei para onde
quero ir, qualquer caminho me servirá. Um caminho pode ser mais longo, porém mais estável;
outro pode ser mais curto, mas repleto de obstáculos. Se eu tenho conhecimento dos dois,
posso escolher qual trilhar ou até mesmo criar um novo trajeto, se necessário. Isso é planejar.
Mas, depois de realizar o planejamento, de�nir o responsável por cada ação e veri�car se a tarefa
está sendo executada, é necessário efetuar o controle. 
Você já sabe que o controle faz parte do processo da administração, o qual, resumidamente,
envolve planejar, organizar, dirigir e controlar (CHIAVENATO, 2014). Em sua essência, o controle
trata da mensuração e avaliação dos processos administrativos
“de forma a promover ações que podem ser preventivas ou corretivas, ao longo de
sua necessidade de aplicação” (RAIMUNDO, 2016, p. 103). 
O controle serve para identi�car possíveis falhas nos processos em cada um dos níveis
organizacionais. Dessa forma, temos diferentes tipos de controle: o estratégico, o tático e o
operacional, como pode ser observado no Quadro 1, a seguir. 
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Quadro 1 | Os níveis do controle na organização. Fonte: adaptado de Chiavenato (2014).
O controle permite o monitoramento do que foi pensado e está sendo colocado em prática nos
diferentes níveis organizacionais. Para isso, algumas etapas devem ser seguidas: 
1. De�nição dos critérios de desempenho, os quais podem ser tangíveis ou intangíveis.  Os
mais comuns são padrões de quantidade, qualidade, tempo e custo, que podem ser
utilizados sozinhos ou combinados.  
2. Avaliação de desempenho, na qual é comum a comparação com padrões preestabelecidos
de acordo com a unidade de medida escolhida. Por exemplo, em geral, uma empresa que
fabrica �os de aço leva em média duas horas para produzir 100 mil metros do produto.
Contudo, a empresa Alfa está levando três horas para produzir o mesmo tipo de produto e a
mesma metragem. Então é feita uma comparação entre o padrão e o que está sendo
executado, na intenção de encontrar o que pode estar causando a diferença para mais ou
para menos (no caso do exemplo, para mais tempo). Cabe ainda mencionar que a medição
também é possível por meio de um critério que avalia a média da própria empresa e os
seus resultados atuais. 
3. Aplicação de ações corretivas, que consistem em ações necessárias para corrigir o que
não está dentro do padrão de desempenho de�nido. No caso da Alfa, por exemplo, o
motivo foi um problema na máquina e a falta de comunicação entre o funcionário
responsável e o supervisor. Contudo, vamos supor que os critérios de desempenho
escolhidos (tempo e quantidade) estivessem dentro dopadrão de performance. Se isso
tivesse ocorrido na Alfa, não seria necessária a ação corretiva, mas sim a preventiva, ou
seja, observar o que deu certo e manter esse padrão, para que o nível de produção continue
o mesmo. 
O controle no nível estratégico trata de ações macro, ou seja, que envolvem a empresa como um
todo, como o planejamento estratégico. Por isso, é algo que acontece no longo prazo e permite
que a organização veri�que se a projeção para a lucratividade está sendo cumprida, bem como
outros indicativos, como o Retorno sobre o Investimento (ROI). A avaliação do desempenho no
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nível estratégico da organização tem o objetivo de analisar se os objetivos traçados estão sendo
conquistados. 
Padrões de desempenho
Também faz parte do controle, já no nível tático ou intermediário, a questão que envolve os
custos e as despesas organizacionais. Mas é importante que você saiba a diferença entre custos
e despesas. Custo é aquilo que é gasto com a produção de algum bem ou serviço, como matéria-
prima, mão de obra. As despesas estão relacionadas à manutenção do negócio, como aluguel,
internet. 
Os principais tipos de controle �nanceiro são o controle orçamentário, o orçamento de custos e a
contabilidade de custos. O controle orçamentário diz respeito ao monitoramento e à avaliação de
ações ligadas ao lucro, para maximizar os resultados. O orçamento de custos cuida de todos os
valores que serão aplicados no processo produtivo. E a contabilidade de custos analisa todos os
valores de forma geral dentro da organização, com foco direcionado aos custos �xos
(necessários para a produção, independentemente do volume produzido) e aos custos variáveis
(que têm relação com a atividade da empresa em seus níveis). Dessa forma, o que se busca é o
ponto de equilíbrio, ou seja, o ponto no qual o que saiu se equipara ao que entrou no que se
refere aos valores, ou seja, quando o gasto é igualado com a renda (RAIMUNDO, 2016).  
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Os demonstrativos contábeis, cabe enfatizar, permitem a avaliação de diferentes elementos de
uma empresa, como o aspecto patrimonial e o �nanceiro, o que pode direcionar as decisões e
ajudar na avaliação do desempenho, optando, por exemplo, pela manutenção ou ajuste das
ações em prática (MARION; RIBEIRO, 2017; MARTINS, 2018).  
Toda essa parte que envolve os custos e despesas, a qual tem início no nível tático, será ainda
mais detalhada no controle operacional, junto com outras questões importantes, como custo-
padrão, controle de estoque, programação de produção, automação, controle de qualidade
(CHIAVENATO, 2014; RAIMUNDO, 2016).  
No nível de controle operacional, o que será observado são as atividades diárias da organização
e o que está relacionado a elas, de modo imediatista. É preciso considerar cada “tarefa de forma
minuciosa, pois cada fato não observado pode desencadear resultados negativos, re�etindo
diretamente nos objetivos da empresa” (RAIMUNDO, 2016, p. 107).  
O controle operacional acontece de três formas:  
Pré-controle: compreende as ações que antecedem o plano de controle, normalmente
geradas com dados que estão disponíveis na própria empresa, como orçamentos,
descrição de cargos, treinamento. 
Controle simultâneo: como o próprio nome indica, acontece de forma simultânea a outras
atividades, reuniões do staff, alimentação dos sistemas de dados e informações que estão
sendo realizadas, o que permite que ações corretivas sejam efetuadas de maneira
imediata.  
Controle por retroação: envolve a análise de documentos, como pesquisas, relatórios de
auditoria e de desempenho, com o objetivo de veri�car como está o momento atual da
empresa em suas atividades diárias.  
Todos os tipos de controle, em seus diferentes níveis, seguem o mesmo processo, que abrange:
o estabelecimento dos padrões utilizados, a avaliação do desempenho, a comparação do
desempenho com o padrão e as ações corretivas.  
A Figura 1, a seguir, ilustra como ocorre o ciclo de controle e desempenho de forma geral. 
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Figura 1 | Ciclo de controle. Fonte: adaptada de Chiavenato (2014).
Logo, esse �uxo operacional permite que ações corretivas e preventivas sejam avaliadas e
implementadas, com a intenção de alcançar e manter a qualidade dos produtos, do sistema de
entrega ao cliente, do controle dos custos e despesas e da maximização do lucro. 
Custos organizacionais
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PARA ENGENHEIROS
Após prestar alguns serviços e ver a demanda aumentar, Mateus fundou a Nave, empresa de
engenharia mecânica que já possui três anos de existência. O ponto central dessa instituição é a
prestação de serviço na manutenção de equipamentos de linha de produção do setor
automotivo. A empresa atualmente conta com 14 colaboradores, que estão distribuídos como
mostra o desenho organizacional a seguir: 
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Figura 2 | Desenho organizacional da empresa Nave. Fonte: elaborada pela autora.
Mateus, que ocupa a direção da empresa, responde pelo controle no nível estratégico. Carla,
Pedro, Renato e Carlos, que estão no nível intermediário, são responsáveis pelo controle no nível
tático. E Lúcia, Joana, Lucas e Maurício, que estão no nível operacional, são encarregados do
controle operacional. Joana, Lucas e Maurício também atuam como supervisores em suas
respectivas áreas de trabalho, pois têm sob sua responsabilidade outros colaboradores. Cada
um tem sua função dentro da estrutura.  
Mateus, no nível institucional, elaborou o planejamento estratégico da empresa para três anos,
projeto que está para vencer em poucos meses. O planejamento para os três anos seguintes está
em andamento. Para desenvolvê-lo, Mateus precisa de informações sobre o desempenho da
empresa, as quais ele vem acompanhando por meio de relatórios dos gerentes de cada área, que
estão no segundo nível. Cada gerente de área fez o seu planejamento anual de acordo com o
planejamento estratégico, e o fará novamente assim que Mateus �nalizar o projeto. Os
supervisores atuam na gestão das atividades que precisam ser realizadas para que o
planejamento se cumpra. E, nesse nível, em que estão envolvidas as atividades diárias da
empresa, é onde mais impasses estão surgindo.  
Recentemente, a Nave teve um problema com o orçamento de alguns itens para a manutenção
num serviço executado, e um dos colaboradores levou muito mais tempo que o prometido para
�nalizar a atividade, diferença que o cliente não quis aceitar. Mas este não é qualquer cliente, é
um dos consumidores dos serviços da empresa. Carla, a responsável pelo departamento de
�nanças fez um mapeamento comparativo dos custos e das despesas do mesmo período,
revendo todos os relatórios de custos, orçamentos e despesas, e constatou que houve um
aumento no custo e nas despesas, bem maior do que o esperado. Os padrões de desempenho
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
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escolhidos foram o tempo e o custo. E, após a avaliação, foi averiguado que, se continuar assim,
em pouco mais de três meses a empresa corre o risco de operar no vermelho (apresentar
prejuízo operacional). Para corrigir o problema identi�cado, foi implementada uma auditoria, que
veri�cará cada procedimento da empresa, principalmente no orçamento e na execução. Para
diminuir os custos, Lúcia, do departamento de compras, está cotando novos fornecedores e
atuando em conjunto, de forma paralela com o departamento de �nanças, marketing e execução,
o que pode ser caracterizado como um controle simultâneo. Tudo isso gerará um relatório das
ações diárias, semanais e mensais, as quais vão compor o controle por retroação.  
Com o controle nos níveis tático e operacional, Mateus terá condições de fechar o planejamento
com a de�nição real e precisa dos objetivos e metas da Nave para os próximos três anos, além
de acompanhar o que funcionou ou não, levando em consideração as metas e objetivos já
traçados,fazendo cumprir o controle estratégico. Assim a Nave poder seguir de forma mais
segura. 
É importante lembrar que o controle, em quaisquer níveis, é composto pelo estabelecimento de
padrões, avaliação do desempenho, comparação do desempenho com o padrão e ação
corretiva. 
Videoaula: Controle da ação empresarial
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Planejar, estruturar e dirigir uma organização são ações muito importantes. Mas para que isso
ocorra de forma satisfatória, é necessário o acompanhamento dos resultados por meio do
controle e dos padrões de desempenho em cada nível organizacional. Na aula de hoje, você
conhecerá os tipos de controle, os padrões de desempenho e a relação desses fatores com os
custos e as despesas da organização. Está preparado? Então aperta o play e vem comigo! 
Saiba mais
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Para aprofundar seu entendimento sobre os assuntos estudados até este momento, faça a
leitura, da página 19 à 25, da dissertação Implementação de dashboards para controle
orçamentário: o caso da escola da defensoria. Por meio do conteúdo sugerido, será possível
compreender mais detalhes sobre controle, gastos, despesas e desempenho.  
Referências
https://dspace.mackenzie.br/bitstream/handle/10899/27910/CATARINE%20ANDREA%20DOS%20SANTOS.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://dspace.mackenzie.br/bitstream/handle/10899/27910/CATARINE%20ANDREA%20DOS%20SANTOS.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://dspace.mackenzie.br/bitstream/handle/10899/27910/CATARINE%20ANDREA%20DOS%20SANTOS.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://dspace.mackenzie.br/bitstream/handle/10899/27910/CATARINE%20ANDREA%20DOS%20SANTOS.pdf?sequence=1&isAllowed=y
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
CHIAVENATO, I. Administração: teoria, processo e prática. 5. ed. São Paulo: Manole, 2014. 
MARION, J. C.; RIBEIRO, O. M. Introdução à contabilidade gerencial. 3. ed. São Paulo: Saraiva,
2017. 
MARTINS, E. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2018. 
RAIMUNDO, C. Administração e economia para engenharia. Londrina: Editora e Distribuidora
Educacional S.A., 2016.  
SANTOS, C. A. dos. Implementação de dashboards para controle orçamentário: o caso da escola
da defensoria. 2019. 62 f. Dissertação (Mestrado em Controladoria e Finanças Empresariais) –
Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo.
Disponível em:
https://dspace.mackenzie.br/bitstream/handle/10899/27910/CATARINE%20ANDREA%20DOS%2
0SANTOS.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 10 nov. 2022. 
Aula 5
Revisão da unidade
O planejamento e a organização empresarial
https://dspace.mackenzie.br/bitstream/handle/10899/27910/CATARINE%20ANDREA%20DOS%20SANTOS.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://dspace.mackenzie.br/bitstream/handle/10899/27910/CATARINE%20ANDREA%20DOS%20SANTOS.pdf?sequence=1&isAllowed=y
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
A administração envolve a ação de planejar, organizar, dirigir e controlar. Ou seja, além de
planejar, é necessário organizar a empresa, isto é, de�nir a sua estrutura básica por cargos e
departamentos, cuidar da direção, compreendendo como são e como podem ser gerenciados os
estilos de liderança, e, por �m, usar mecanismos de controle e padrões de desempenho para
poder fazer os ajustes essenciais, caso a performance esteja tomando um rumo diferente do
previsto, ou manter a rota, se tudo estiver conforme o planejado. A seguir, vamos relembrar os
conceitos mais importantes que estudamos nesta unidade de aprendizagem. 
Planejamento 
O mundo em que vivemos está em constante transformação, e as mudanças interferem direta e
indiretamente no planejamento e na organização empresarial. A observação e a análise dessas
mudanças resultam na identi�cação de oportunidades e de ameaças, que poderão gerar
objetivos, estratégias e ações. O ambiente organizacional pode ser dividido em ambiente externo
e ambiente interno, por meio dos quais são detectados, além de ameaças e oportunidades,
pontos fortes e pontos fracos. No ambiente externo, identi�camos ameaças e oportunidades, e
no ambiente interno, pontos fortes e pontos fracos. Como ferramenta de auxílio para a realização
dessa tarefa, é possível fazer uso da Matriz SWOT. 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 1 | Matriz SWOT. Fonte: adaptada de Shutterstock.
Assim, depois da identi�cação das ameaças e das oportunidades, dos pontos fortes e dos
pontos fracos, chega o momento de pensar nas estratégias. Existem três tipos de estratégia,
conhecidas como estratégias genéricas, já que podem ser aplicadas a qualquer tipo de negócio,
as quais foram criadas por Michael Porter (1989). São elas: estratégia de diferenciação,
estratégia de liderança em custos e estratégia de foco.   
Organização 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Além do planejamento, toda empresa precisa de uma estrutura básica na qual estão organizados
cargos, funções e departamentos. Essa estrutura é o desenho organizacional, que acontece no
nível estratégico e no qual são de�nidos a hierarquia (verticalização) e os departamentos
(horizontalização). Por sua vez, a departamentalização ocorre no nível intermediário. Como
departamentalização entendem-se as principais atividades da organização, dentro de seus
respectivos cargos ou áreas de atuação, como marketing, RH, etc. Com os cargos e funções
de�nidos, é preciso que seja exercida a liderança em diferentes níveis. Para isso, a função de
todo gestor exige o que chamamos de competências gerenciais, formadas por conhecimentos,
atitudes e habilidades.   
Direção 
Toda empresa precisa de direção, que é representada pela liderança. Vamos considerar como
liderança a capacidade de in�uência que uma pessoa tem sobre outra para a execução de
tarefas. Um líder deve inspirar con�ança, ser inteligente, perceptivo e decisivo, a �m de que tenha
mais condições de liderar com sucesso. A liderança pode acontecer com base em três estilos:
autocrático, democrático e liberal. No primeiro, o foco é direcionado ao líder, no segundo, há um
equilíbrio entre líder e liderados, e, no último, a ênfase está voltada aos colaboradores.   
Controle 
O controle serve para identi�car possíveis falhas nos processos em cada um dos níveis
organizacionais. Dessa forma, temos diferentes tipos de controle: o estratégico, o tático e o
operacional. Todos os tipos de controle, em seus níveis distintos, seguem o mesmo processo, o
qual envolve: o estabelecimento dos padrões utilizados, a avaliação do desempenho, a
comparação do desempenho com o padrão e as ações corretivas.  
Como foi possível observar, o processo de administração abrange o planejamento, a
organização, a direção e o controle. Todas essas etapas, embora explicadas separadamente
neste conteúdo, acontecem de forma contínua e, em alguns momentos, de modo simultâneo.
Espero que você tenha compreendido todo o processo e que possa aplicá-lo de maneira e�ciente
e e�caz. 
Videoaula: Revisão da unidade
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Na videoaula a seguir serão abordados os aspectos gerais sobre o processo de gestão
organizacional por meio de uma revisão de todo o conteúdo estudado nesta unidade de
aprendizagem. Você relembrará conceitos relacionados a planejamento, estratégias, desenho
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organizacional, departamentalização, modelagem do trabalho, estilos de liderança e tipos de
controle, incluindo o controle �nanceiro. 
Estudo de caso
Como aprendemos, a administração é um processo que envolve o planejamento, a organização,
a direção e o controle. Em nossas aulas, pudemos conhecer mais detalhes sobre esses
conceitose seus respectivos desdobramentos. Agora, chegou o momento de colocar tais
conceitos em prática. Para isso, vou contar a história de Murilo, recém-formado em Engenharia
de Produção. Murilo sempre gostou bastante de tecnologia e, enquanto ainda era aluno na
graduação, começou a fazer estágio numa empresa de softwares. Como Murilo sempre gostou
de pesquisar e era observador, logo percebeu que havia uma lacuna na criação e utilização da
tecnologia de informação para pequenos e médios empresários. Diante disso, ele começou a
investigar mais a fundo esse mercado e descobriu que em sua cidade natal havia um número
signi�cativo de pequenos empreendedores que precisavam de suporte para a gestão, mais
especi�camente de suporte tecnológico. Murilo, então, passou a pensar na possibilidade de
criação de uma empresa especializada na área em questão. Conversou com Lucas, que foi seu
professor, e com Maria, que foi sua colega. Os dois deram suas respectivas opiniões e, depois de
muitas análises, projeções e conversas, Murilo, após �nalizar o estágio, os convidou para fundar
a SmartSoft. Lucas e Murilo atuariam como diretores e consultores de negócio, e Maria, como
diretora �nanceira. A empresa cresceu e em seis meses, além de Murilo, Lucas e Maria, já
contava com outros pro�ssionais no time: Pedro, do marketing; Renato, do RH; Carlos, de
projetos; Luca, na contabilidade; e Célia, no suporte tecnológico. Murilo percebeu que, além do
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suporte tecnológico, muitos de seus clientes também tinham interesse no desenvolvimento de
aplicativos. Apostando na demanda e na oportunidade identi�cada, contratou João e Maurício
para trabalharem na área de aplicativos.  
Semanalmente a empresa toda se reúne com a diretoria, que gosta de ouvir sobre os desa�os de
cada área e de propor novos objetivos. Tanto Murilo como Lucas são bem abertos ao diálogo.
Pensando no crescimento dos pedidos e na estrutura da empresa, Murilo decide contratar um
consultor. Suponha que você seja o consultor de planejamento e organização empresarial
contratado por Murilo para ajudar na organização da SmartSoft. Sua tarefa é:  
Montar o desenho organizacional e departamental da empresa. 
De�nir os cargos e funções.  
Determinar o tipo de organização.  
Identi�car o estilo de liderança de Murilo e Lucas. 
Escolher o padrão de desempenho mais indicado para medir a performance da SmartSoft. 
Re�ita
Para a resolução desse estudo de caso, considere os elementos essenciais para a estruturação
de uma organização, os tipos de organização, os tipos de liderança e os padrões de
desempenho. Uma sugestão é observar esses elementos em empresas que você conhece ou
atua. Dentre os fatos que você constatou, o que pode ser aplicado à realidade da SmartSoft? 
Videoaula: Resolução do estudo de caso
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Como um consultor de empresas, você deve entender como a organização funciona. Então, o
primeiro passo é reler o texto apresentado, atentando-se às informações compartilhadas sobre a
empresa e seus membros. 
Em seguida, você deve extrair as informações do texto para começar a desenvolver o desenho
organizacional e departamental da SmartSoft. Ao montá-lo, leve em consideração que Murilo
está pensando no crescimento estruturado da empresa, o que signi�ca que, à medida que a
demanda for aumentando, a empresa também deverá aumentar sua estrutura.  
O desenho organizacional e departamental da SmartSoft �cará bem semelhante ao que você
pode observar na Figura 2, que também mostra os níveis de controle. 
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 Figura 2 | Desenho organizacional e departamental da SmartSoft. Fonte: elaborada pela autora.
Quanto aos cargos e funções, destacamos que na direção temos Lucas e Murilo, responsáveis
pela elaboração do planejamento estratégico. No departamento de �nanças, temos Maria,
responsável pela área �nanceira, e, abaixo dela, está Luca, encarregado da contabilidade da
empresa. Pedro ocupa a área de marketing, elaborando as campanhas de comunicação e
atuando timidamente com as vendas, setor que necessita de contratação. Renato cuida do RH,
admitindo e desenvolvendo os colaboradores. Carlos comanda a área de projetos, selecionando
os projetos e ajustando o que for necessário para a aprovação, e, sob sua direção, estão Célia,
Maurício e João, responsáveis, respectivamente, pelos projetos de suporte tecnológico e
aplicativos.  
A SmartSoft é uma organização alta, com três níveis, e descentralizada do tipo staff, em virtude
da complexidade das tarefas e demandas no mercado. Na organização linha-staff, surge a
importância dos processos de serviços, como consultorias e assessorias, para que as tarefas
sejam cumpridas com e�ciência e e�cácia, de acordo com os objetivos traçados. 
Como Lucas e Murilo têm um estilo de liderança que mescla o liberal com o democrático, o
melhor uso da amplitude organizacional é na forma de uma empresa descentralizada, em que o
nível intermediário tem poder para decidir algumas coisas. Mas a decisão �nal é sempre do nível
estratégico, ou seja, de Murilo e Lucas.  
Em relação aos padrões de desempenho, como o foco da empresa é voltado à prestação de
serviços tanto para a criação e manutenção de suporte tecnológico quanto para o
desenvolvimento de aplicativos para pequenas e médias empresas, foram escolhidos como
indicadores o tempo gasto e a qualidade dos serviços realizados. As reuniões semanais que já
vinham acontecendo são importantes para discutir sobre o que está funcionando e o que não
deu certo. E, a cada mês, são avaliados os custos e as despesas, bem como o capital para
investimento futuro. O critério é a quantidade de projetos executados com êxito no período.  
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Com o desenho organizacional e departamental da SmartSoft de�nido, bem como os estilos de
liderança e os padrões de desempenho, a empresa poderá crescer de maneira estruturada, ou
seja, preparada para as demandas do mercado, como deseja Murilo. 
Espero que você tenha gostado deste estudo de caso e que os saberes trabalhados nesta
proposta de resolução possam cooperar para o seu desenvolvimento pro�ssional.  
Bons estudos!
Resumo visual
Na �gura a seguir, esquematizamos como ocorre o processo de gestão de uma organização e as
suas respectivas etapas.  
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Fonte: elaborada pela autora.
Referências
A CASA de papelão que revoluciona a arquitetura tradicional. Exame, 25 jun. 2016. Disponível em:
https://exame.com/casual/a-casa-de-papelao-que-revoluciona-a-arquitetura-tradicional/. Acesso
em: 5 out. 2022. 
CHIAVENATO, I. Administração: teoria, processo e prática. 5. ed. São Paulo: Manole, 2014. 
LACOMBE, F.; HEILBORN, G. Administração: princípios e tendências. São Paulo: Saraiva, 2014.  
https://exame.com/casual/a-casa-de-papelao-que-revoluciona-a-arquitetura-tradicional/
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MARION, J. C.; RIBEIRO, O. M. Introdução à contabilidade gerencial. 3. ed. São Paulo: Saraiva,
2017. 
MARTINS, E. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2018. 
MAXIMIANO, A. C. A. Introdução à administração. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007. 
PORTER, M. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. 16. ed. Rio
de Janeiro: Campus, 1989. 
RAIMUNDO, C. Administração e economia para engenharia. Londrina: Editora e Distribuidora
Educacional S.A., 2016.  
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Unidade 3
Conceitos Gerais e Fundamentos sobre Microeconomia
Aula 1
Contextualização histórica sobre a economia
Introdução
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A evolução do pensamento econômico ocorreu em paralelo ao desenvolvimento do capitalismo,
tornando-o mais complexo à medida que foi sendo objeto de crítica dos novos economistasque
surgiam. A riqueza deste debate faz parte dessa aula em linhas gerais, na qual serão abordadas
as principais ideias e seu respectivo contexto histórico. 
Os paradigmas em destaque passaram a divergir em diversos temas, especialmente no que diz
respeito ao papel do Estado e aos objetivos de longo prazo da política econômica, temas
relevantes na atualidade. A partir de decisões tomadas pelos formuladores econômicos,
empresas e consumidores tendem a moldar seus comportamentos, com impactos agregados
que são importantes para o crescimento sustentado a longo prazo. 
Dessa maneira, você será introduzido a conceitos-chave, com impactos positivos em sua rotina
pro�ssional, que invariavelmente está vinculada a temas econômicos, mesmo que de maneira
indireta.  
Contextualização histórica e evolução do pensamento econômico
A economia sempre fez parte da história, pois trata de questões que são concernentes à vida
humana. Como produzir aquilo que é necessário à vida? Quanto deve ser produzido? Quem
produzirá e como será repartido?  
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Essas e outras questões dizem respeito às necessidades de produção e reprodução da vida
material, portanto, inerentes à existência humana, da pré-história ao mundo contemporâneo. Mas
a economia como disciplina acadêmica tem uma história mais recente, misturando-se, todavia,
com a história do sistema capitalista, mundialmente dominante ao menos nos últimos três
séculos. 
O objeto que nos interessa, no entanto, é mais recente e ganha corpo no processo de transição
entre os modos de produção feudal e de mercado, ou seja, a partir do surgimento do capitalismo,
na esteira da crise que levou ao �m do feudalismo europeu, dominante por aproximadamente 10
séculos – do �m do Império Romano à queda de Constantinopla (SAES; SAES, 2013). Em vez de
produzir para subsistência apenas, os seres humanos passam a produzir para trocar como
objetivo principal, transformando o lucro comercial no objetivo �nal. 
O mercantilismo surgiu como uma primeira aproximação acerca do funcionamento dos
mercados, de maneira mais organizada e estruturada. Em busca de metais preciosos (ouro e
prata), sinal de riqueza e distinção entre os séculos XV e XVII, essas ideias juntaram-se a
objetivos de expansão comercial para além do território europeu. Associados aos Estado
Absoluto Monárquico, as companhias comerciais cortaram oceanos com objetivo de ampliar os
mercados, inclusive colonizando os continentes africano, asiático e americano. Em paralelo aos
mercantilistas, na França, país em grande ascensão comercial no século XVIII, autores
conhecidos como �siocratas deram outras explicações para a origem da riqueza; esta estaria
ligada à produção agrícola. 
Embora pioneiras, essas ideias ainda não conseguiam criar um sistema teórico com capacidade
explicativa mais profunda. Essa tarefa coube, pela primeira vez, ao �lósofo moral e pastor
anglicano Adam Smith, tido como o pai da economia, que como ciência, aliás, nasce como
Economia Política. A Riqueza das Nações (1776), sua principal obra, foi produzida sob intensa
in�uência do iluminismo francês e do liberalismo inglês de John Locke.  
O fundamento geral era a defesa da liberdade individual, principalmente aquela que se refere ao
funcionamento e�ciente dos mercados, coordenados por uma “mão invisível” (HUNT, 1981).
Smith deu corpo a uma tradição teórica de economistas políticos, cuja teoria do valor-trabalho os
coloca no mesmo grupo dos clássicos, apesar das diferenças muitas vezes irreconciliáveis.
David Ricardo, Thomas Malthus e Karl Marx são alguns desses, entre outros de menor
relevância. 
A evolução do pensamento econômico se ampliou ao longo do século XIX, fazendo surgir um
outro grupo relevante cujo objeto central era a crítica à ideia de valor gerado pelo trabalho. A
chamada “revolução marginalista” (HUNT, 1981) substituiu o trabalho pela utilidade na
explicação do valor, introduzindo a matemática mais so�sticada na ciência econômica e lhe
retirando o complemento “política”, passando a chamá-la apenas de economia. Formava-se
nesse contexto a escola Neoclássica de pensamento econômico, dominante até a Grande
Depressão dos anos 1930. 
Em resposta a essa crise, o economista britânico John Maynard Keynes propôs a maior atuação
do Estado na economia, contribuindo não apenas com o �m da maior crise já registrada, mas
com o longo ciclo de crescimento e prosperidade econômicos que se observaria após a Segunda
Guerra Mundial. Cabe destacar ainda que, a partir de Keynes, em termos metodológicos passou-
se a separar a micro da macroeconomia, dadas as diferenças nas dinâmicas de cada uma. 
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Da fase pré-cientí�ca até o século XX
O século XX foi marcado por con�itos intensos, tanto no campo militar e geopolítico como
também no campo das ideias, principalmente econômicas.  
A disputa entre mercados livres ou regulados, capitalismo ou socialismo, esquerda e direita,
foram as principais palavras do vocabulário político. 
Em meio aos estragos causados pela Primeira Guerra Mundial, a crise iniciada pela quebra da
Bolsa de Nova York em 1929 varreu o emprego, quebrou empresas e abalou a con�ança no
sistema de livre mercado. Defendido desde antes de Adam Smith, e reelaborado com
argumentos técnicos no �nal do século XIX pelo marginalismo, o laissez-faire (não intervenção
do Estado), não conseguiu tirar o mundo da crise. Soma-se a isso ideias intervencionistas que
vinham produzindo efeitos econômicos positivos, embora verdadeiras catástrofes políticas e
sociais. O nazifascismo à extrema direita e o socialismo real na extrema esquerda remodelaram
a forma de organização econômica em seus países, tendo como elemento central a intervenção
do Estado. 
A respeito desse tema, todavia, cabe um resumo sintético da história do capitalismo que,
inclusive, ajuda a desfazer mal-entendidos. É importante lembrar que a dicotomia Estado versus
mercado é falsa; o Estado moderno, parlamentar e baseado em leis escritas, é um produto da
sociedade de mercado, também conhecida como sociedade burguesa. Os processos
revolucionários dos séculos XVII e XVIII, primeiro na Inglaterra e depois na França, acabaram
com os direitos feudais, eliminaram por meio da violência a nobreza e seus regimentos,
transformando o Estado Absoluto em Estado Parlamentar. Portanto, o Estado como o
conhecemos é produto do capitalismo e, portanto, atua a favor da manutenção do status quo. 
Feita essa necessária explicação, tem-se condições para compreender o papel do keynesianismo
em meio à Depressão econômica e suas ideias intervencionistas. Antes de Keynes lançar sua
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obra principal, A Teoria Geral do Juro do Emprego e do Dinheiro (1936), que produziria mais uma
revolução no pensamento econômico, os EUA, por meio do New Deal (amplo programa de
investimentos públicos na indústria, construção e agricultura, entre outros setores), vinha
fazendo aquilo que Keynes organizaria depois em termos teóricos. Franklin D. Roosevelt, eleito
com a promessa de retirar o país da recessão, iniciou um amplo programa de compras públicas e
reorganização do sistema �nanceiro e industrial, além de ter ampliado os programas quase
inexistentes de políticas sociais e emprego para população afetada pela crise. Ou seja, o Estado
tinha um papel decisivo no processo de recuperação econômica e nem por isso era preciso
descon�ar que o projeto norte-americano era anticapitalista ou antiliberal. Ao contrário, foi
exatamente para preservar esses valores que o Estado interveio, pois na Europa, nazifascistas e
socialistas apresentavam alternativas com perspectivas de suplantação do capitalismo liberal.
Deve-se apenas lembrar que o nazifascismo, embora contra as instituições liberais, não é contra
o capitalismo; já o socialismo tem como objetivo central a abolição da propriedade privada e
este é um elemento essencial para separá-los do nazifascismo, a despeito da tentativa de alguns
grupos de colocá-losdo mesmo lado por compartilharem alguns nomes. 
Foi com objetivo de retirar a economia da depressão, mas preservar suas instituições e valores
liberais, que Keynes propôs o papel anticíclico do Estado. Em linhas gerais, o objetivo era
entender os motivos do investimento, ou seja, o que provoca os empresários capitalistas a fazê-
lo. No entanto, em casos de expectativas negativas quanto ao futuro, eles deixariam de investir,
aprofundando o desemprego e a crise. 
Nesse caso, caberia ao Estado ampliar os investimentos produtivos e fazer o ciclo econômico se
reerguer novamente (KEYNES, 1983). Pode-se dizer que com essas ideias, Keynes e seus
seguidores criaram uma escola de pensamento, revolucionando a teoria econômica.
A partir de Keynes e período recente
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A partir da compreensão do papel do Estado na economia, um importante agente econômico
com capacidade de atuar no sentido contrário ao ciclo – e isto serve também para períodos de
muito aquecimento, o que poderia levar a pressões in�acionárias caso não houvesse intervenção
– pode-se compreender melhor como funcionam as políticas econômicas em meio às crises.  
Um caso observado mundialmente foi o da pandemia de covid-19, em que a atuação do Estado,
seja para criar barreiras na contenção do vírus, seja para sustentação da renda como
consequência, foi de extrema relevância. O apoio �nanceiro garantido a consumidores e famílias
por meio de linhas de crédito ou mesmo por políticas de transferência de renda permitiram o
funcionamento, ainda que parcial, de alguns setores-chave da economia, evitando uma completa
paralisação e aprofundamento da crise social.  
No Brasil, por exemplo, o Congresso Nacional pressionou o governo federal para ampliação do
valor e alcance da política chamada de “auxílio emergencial”, pela qual famílias de baixa renda
passaram a receber um benefício de transferência direta de renda no período em que precisaram
se isolar em casa. Junto disso observou-se apoio por meio de crédito à folha de pagamentos das
empresas, além de facilitação para parcelamento de tributos e renegociação de
dívidas/contratos com o sistema �nanceiro. Ou seja, foi coordenado um programa amplo de
sustentação da demanda agregada, evitando com isso um tombo ainda maior do que a queda de
4,1% do PIB em 2020, de acordo com o IBGE. 
As medidas descritas, contudo, trouxeram efeitos colaterais com os quais todos os governos vão
ter que lidar nos próximos anos: os dé�cits públicos. Para garantir o funcionamento das
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economias, governos ampliaram seus dé�cits e seus endividamentos, piorando a solvência das
contas públicas e ampliando a percepção de risco futuro. Adicionalmente, a desorganização das
cadeias produtivas provocada pela pandemia e a pressão de demanda por alimentos elevou a
taxa de in�ação na maior parte dos países, obrigando os Bancos Centrais a elevarem os juros
para conter o nível de preços. Em linhas gerais, os re�exos de medidas �scais e monetárias mais
�exíveis ainda serão sentidos nos próximos anos, e por essa razão é preciso compreender os
limites de atuação do Estado na economia. 
Caso o Estado utilize instrumentos econômicos em excesso pode gerar mais prejuízos do que
benefícios, e Keynes não ignorou tal contradição. Por essa razão argumentou em favor da
expansão �scal mais intensa exatamente em momentos de crise mais aguda, quando as
expectativas dos agentes precisam ser guiadas para evitar colapso maior. A disciplina e a
responsabilidade, portanto, são aliadas decisivas para que o Estado possa continuar atuando. 
Pode-se dizer, em última análise, que o paradigma keynesiano, portanto, intervencionista, segue
tendo importante papel na formulação de políticas econômicas. Isso, porém, não invalida
argumentos favoráveis à e�ciência produzida pelo livre mercado, desenvolvidos ao longo do
processo de consolidação do capitalismo e formulados com profundidade pela economia
clássica de Adam Smith. Pode-se dizer, assim, que os diferentes paradigmas são
complementares.
Videoaula: Contextualização histórica sobre a economia
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Neste vídeo você vai compreender o histórico das principais ideias econômicas ainda em disputa
atualmente. As diferentes abordagens, embora divirjam em diversos aspectos, contribuem para
uma visão mais ampla e complexa da realidade, fornecendo os instrumentos mais assertivos
para políticas econômicas e�cientes. Serão abordados os três principais paradigmas: clássico,
neoclássico e keynesiano. Essas ideias foram importantes para fundação da teoria econômica,
além do surgimento de outros autores que, apoiados nesses paradigmas, construíram teorias
inovadoras e originais.
Saiba mais
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Há alguns livros de história do pensamento econômico que são clássicos, mas em geral a
maioria trata da trajetória apresentada nesta aula e, portanto, são importantes fontes de
consulta. 
O livro História Econômica Geral (SAES; SAES, 2013) disponível na bibliogra�a desta aula,
apresenta um histórico aprofundado dos principais eventos históricos que contribuíram para o
desenvolvimento da teoria econômica. 
Algumas ferramentas e fontes de dados são relevantes para compreensão da atividade
econômica mundial e do Brasil. Entre elas destacamos:  
Fundo Monetário Internacional (apesar de esse conteúdo estar em língua inglesa, você
pode utilizar a opção de tradução automática do seu navegador, se preferir).  
Banco Central do Brasil. 
IBGE. 
IPEADATA. 
Referências
https://login.vitalsource.com/?redirect_uri=https%3A%2F%2Fintegrada.minhabiblioteca.com.br%2Freader%2Fbooks%2F9788502212565%2Fpageid%2F0&brand=integrada.minhabiblioteca.com.br
https://www.imf.org/en/Publications/WEO/Issues/2022/07/26/world-economic-outlook-update-july-2022
https://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries
https://sidra.ibge.gov.br/home/pmc/brasil
http://www.ipeadata.gov.br/Default.aspx
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HUNT, E. K. História do pensamento econômico. Rio de Janeiro: Campus, 1981. 
KEYNES, J. M. A Teoria Geral do Emprego, do Juro e do Dinheiro. Trad. Mário R. da Cruz. São
Paulo: Abril Cultural, 1983. 
OLIVEIRA, R. de; GENNARI, A. M. História do Pensamento Econômico. 2. ed. São Paulo: Saraiva
Educação, 2019. 
SAES, F. A. M.; SAES, A. M. História Econômica Geral. São Paulo: Saraiva, 2013. 
Aula 2
Fundamentos gerais relacionados à economia
Introdução
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A economia é um tema central na vida de todos e assunto em todos os meios de comunicação
diariamente. Por essa razão, é fundamentalmente importante compreender as principais
relações entre os indicadores mais destacados, entre eles, oferta, demanda, preços, dinheiro etc.
Em linhas gerais, a economia está no dia a dia das pessoas e as decisões que tomamos são
baseadas em escolhas que, em geral, envolvem alguma restrição econômica. Ou seja, viajar ou
investir em um imóvel? Ir ao supermercado ou à feira? Fazer mais uma hora extra ou descansar?
Essas e outras perguntas envolvem escolhas econômicas baseadas em limites e necessidades
orçamentárias e, portanto, pautam nosso dia a dia.  
Conceitos gerais sobre economia
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As principais questões que orientam as decisões em economia são: Quem produz? Quanto se
deve produzir? Como será produzido? Para quem será produzido? Essas e outras perguntas
norteiam os agentes econômicos, sejam eles �rmas, famílias, governos ou mesmo o setor
externo. Esses agentes, por meio de decisões racionais, uma premissa fundamental nas
economias de mercado, decidem a melhor e mais e�ciente forma de alocação de seus fatores de
produção – terra,trabalho e capital – em busca de um resultado que leve em consideração a
maior capacidade de consumo incorrendo no menor custo possível. Em resumo, os agentes
racionais buscam maximizar seus interesses econômicos diante de restrições impostas pela sua
renda, o que se pode chamar de restrição orçamentária. 
Nesse sentido, o tempo todo os agentes precisam decidir, com base no cálculo econômico; os
consumidores, por exemplo, entre se desejam consumir mais de algum bem, o que
invariavelmente, incorrerá em reduzir o consumo de outro bem.  
Do ponto de vista da �rma, o raciocínio também é válido, pois o empresário deve decidir se
produz ou não mais uma unidade de certo bem ou produto, tendo como referência sua estrutura
de custos.  
A necessidade de racionalizar sobre cada decisão leva em conta as restrições impostas pela
renda, mas também pela disponibilidade de fatores de produção. Ou seja, diante de
necessidades in�nitas e crescentes, é preciso optar pela utilização mais e�ciente de recursos
escassos e, neste caso, a escassez se torna um dos principais elementos da análise econômica. 
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Um conceito-chave que explica a maneira pela qual a sociedade decide como usar seus recursos
é a curva de possibilidade de produção (CPP). Ela expressa a forma como a sociedade decide, no
caso da Figura 1, produzir alimentos ou máquinas. Intuitivamente pode-se observar que para
produzir um deve-se renunciar a outro.  
Figura 1 | Curva de Possibilidade de Produção (CPP). Fonte: Vasconcellos e Garcia (2019, p. 7).
A comunicação dos agentes econômicos se dá por meio do �uxo entre �rmas e famílias, se
supusermos uma economia fechada e sem governo, apenas para efeitos analíticos
simpli�cados. As famílias ofertam seu fator de produção (trabalho) e demandam bens e serviços
produzidos pelas �rmas. Já estas, por sua vez, demandam fatores de produção (terra e trabalho),
ofertando bens e serviços às famílias. O �uxo só está completo, todavia, quando a moeda
cumpre a função de remunerar os fatores de produção: o proprietário da terra recebe o aluguel, o
proprietário do capital recebe o lucro, e o trabalhador recebe o salário.  
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Figura 2 | Fluxo monetário da economia. Fonte: Vasconcelos e Garcia (2019, p. 10).
As relações de oferta e demanda por bens e serviços afetam os seus preços, sinalizando aos
agentes o que e quanto deve ser mais produzido ou deve ter sua produção reduzida. A economia
de mercado, portanto, é guiada pelo sinal emitido pelos preços, indicando para os agentes onde
estão as necessidades a serem supridas.  
Inicialmente trabalharemos com um modelo mais simples, em que governos e as relações com o
setor externo ainda não fazem parte da análise, mas à medida que a complexidade vai
aumentando, novos elementos vão sendo inseridos. 
Escassez e recursos produtivos
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Os termos ofertam e demanda são os mais conhecidos quando se trata de economia. A
demanda representa a quantidade que os consumidores estão dispostos a consumir dado um
nível de preços qualquer. Outros elementos além do preço também impactam as decisões de
consumo, como a renda, a moda, o gosto e a preferência dos consumidores. Fatores exógenos
aos consumidores também afetam a demanda, pois se tratamos de um tipo de alimento, o clima
e, portanto, a sazonalidade, são decisivos para a demanda; adicionam-se questões geográ�cas,
ou seja, a distância entre os bens e seus consumidores. 
Para que compreenda o comportamento da demanda isoladamente, utilizaremos um conceito-
chave, coeteris paribus, traduzido como tudo o mais constante. Ou seja, embora diversas
variáveis tenham potencial de afetar a demanda como descrito, é preciso isolá-las para que
possamos estudar uma de cada vez. Nesse caso, dizemos que caso o preço suba ou desça, a
demanda subirá ou descerá, com tudo o mais constante.  
A lei geral da demanda a�rma que há uma relação inversamente proporcional entre preço e
quantidade demanda, ou seja, se os preços subirem, os agentes tenderão a comprar menos, tudo
o mais constante; o contrário também é verdadeiro, pois se os preços se reduzem os agentes
demandam mais daquele determinado bem. Em termos matemáticos pode-se dizer que a função
de demanda é representada por: Qd = f(p) (quantidade demandada em função do preço). 
O comportamento da oferta é similar do ponto de vista do raciocínio, mas oposto no que diz
respeito ao comportamento das variáveis. Em primeiro lugar, ao pensar na oferta, é preciso
inverter a perspectiva da demanda. Nesse caso, organizamos a análise sob a perspectiva dos
consumidores; no caso da oferta a análise é elaborada sob a ótica dos empresários, isto é, de
quem oferta os bens e serviços. Nesse caso, a �rma tem como objetivo a maximização do lucro
e, portanto, quanto maior o preço maior será o desejo de ampliar a oferta. Além disso, os custos
de produção exercem pressão contrária, e caso se elevem a oferta será menor. Todavia, a lei
geral da oferta demonstra uma relação diretamente proporcional entre preço e quantidade
ofertada, em sentido oposto ao caso da demanda. Em termos matemáticos pode-se dizer que a
função de oferta é representada por: Qo = f(p) (quantidade ofertada em função do preço). Cabe
ainda destacar que os custos dos fatores de produção (terra, trabalho e capital), a
disponibilidade de tecnologia e o número de concorrentes, também são fatores que afetam as
decisões da �rma. 
A partir da análise da demanda e da oferta e seus comportamentos em sentidos inversos, pode-
se questionar: como o mercado produz e�ciência se os interesses são antagônicos? Embora os
consumidores estejam dispostos a consumir mais unidades à medida que os preços descem, e
as �rmas estejam a ofertar menos, nesse caso ambos se encontrarão em um ponto em que
todos os interesses estejam plenamente atendidos, como apresentado no Figura 3. 
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Figura 3 | Equilíbrio de mercado. Fonte: Vasconcellos e Garcia (2019, p. 48).
O ponto E representa a intersecção da curva de demanda (D) com a curva de oferta (O). O eixo
horizontal representa as quantidades de mercadorias, e o eixo vertical seus preços
correspondentes. É possível observar que no ponto B há excesso de oferta a um preço acima do
preço de equilíbrio, o que pelas forças de mercado pressiona a oferta para uma menor produção.
Já o ponto A representa uma demanda abaixo do equilíbrio, o que desestimula a �rma a produzir,
pois o preço está em um nível abaixo do buscado pela �rma. O equilíbrio E é o ponto ótimo de
e�ciência do mercado (MONTORO FILHO, 2017). 
Sistemas econômicos e �uxo monetário
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A economia é um tema presente na rotina de todos, mesmo que de maneira indireta. Oferta,
demanda, preços e custos são palavras comuns no cotidiano, dada a necessidade de se calcular
os custos de vida, pagar as contas e consumir aquilo que é necessário à vida social. Portanto,
compreender minimamente algumas principais relações e dados estatísticos é de grande
importância. 
Ao ir ao supermercado, os consumidores observam, muitas vezes, oscilações de preços e
disponibilidades de produtos intensas. Esses eventos são mais comuns com os alimentos,
especialmente os in natura, ou seja, não processados como verduras, legumes, frutas e grãos.
Sensíveis ao clima, por exemplo, esses produtos costumam re�etir imediatamente suas
condições de produção. Frios intensos, chuvas em excesso ou secas muito prolongadas são
fatores que atuam diretamente sobre a capacidade produtiva, e pouco se pode fazer contra isso. 
As condições de produção, portanto, são determinantes sobre os preços �nais, ou seja, se a
produção de algum item sofre com problemas climáticos, a produção se reduz e o preço se
eleva, tendo em vista que a demanda por aquele bem não tenha se alterado. 
Fatores sazonais, por exemplo, também devem ser considerados. Sazonalidade diz respeitoà
época típica de uma determinada atividade ou produção de algum item; o varejo funciona com
grande intensidade em datas festivas, enquanto alguns produtos são vendidos com mais
intensidade no �nal do ano em função das datas comemorativas. Castanhas e frutas
cristalizadas costumam ter seus preços mais elevados em dezembro por causa do Natal,
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
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enquanto vestuário, calçados e perfumaria têm grande demanda no Dia das Mães, no dos Pais e
no dos Namorados. 
No campo, esse movimento é percebido de diversas maneiras. No Brasil, os meses secos
costumam ser entre abril e setembro, com impactos sobre algumas culturas e, inclusive sobre a
produção de leite. Com o clima seco, há menos disponibilidade de pasto para o gado, o que
reduz sua capacidade de produzir leite e seus derivados, elevando seus preços, se tudo o mais
permanecer constante. 
Diversos outros exemplos poderiam ser dados e essa dimensão analítica contribui para
compreensão de indicadores mais complexos, inclusive do ponto de vista macroeconômico. É
comum, ao ir ao supermercado, discordar da ideia propagada nas manchetes de jornais sobre
uma suposta queda da in�ação. Mas, para entender se esta está subindo ou descendo, é preciso
ter noção da sua cesta de consumo em relação à média geral de preços. Se os produtos
consumidos por sua família são mais afetados por fatores sazonais, como destacado, é possível
que sua percepção da in�ação geral seja diferente da de outro indivíduo cuja cesta de bens foi
menos afetada. Nesse caso, a renda de cada um é determinante para de�nição do padrão de
consumo. 
Assim, �ca claro que as relações de oferta e demanda são determinantes para compreensão dos
eventos econômicos, e o sistema de preços livres é um importante guia para que se
compreendam as necessidades da sociedade em geral.
Videoaula: Fundamentos gerais relacionados à economia
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No vídeo serão abordados temas relevantes para uma primeira aproximação com a economia.
Quem produz? Como produz? E para quem produz? Essas e outras questões poderão começar a
ser respondidas a partir de conceitos-chave como oferta, demanda, preços, �uxo circular da
renda e tantos outros cujo objetivo é dar uma introdução às ideias indispensáveis para
compreensão da economia. 
Saiba mais
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Para conhecermos os assuntos econômicos, é indispensável a leitura dos cadernos de economia
dos principais jornais. Entre os especializados, deve-se destacar o Valor Econômico, tradicional
no acompanhamento do tema. 
Já o IBGE é uma das principais fontes de dados da economia brasileira. Vale a pena consultá-lo. 
Por �m, no sentido de descomplicar o discurso econômico, indicamos o portal Por quê?
Economês e �nancês em bom português.
Referências
https://valor.globo.com/
https://sidra.ibge.gov.br/home/abate/brasil
https://porque.com.br/
https://porque.com.br/
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GREMAUD, A. P.; PINHO, D. B.; VASCONCELLOS, M. A. S. D. Manual de economia: equipe de
professores da USP. São Paulo: Saraiva, 2017.  
MONTORO FILHO, A. F. Teoria Elementar do Funcionamento do Mercado. In: GREMAUD, A. P.;
PINHO, D. B.; VASCONCELLOS, M. A. S. D. Manual de economia: equipe de professores da USP.
São Paulo: Saraiva, 2017.  
SAMUELSON, P. A.; NORDHAUS, W. D. Economia. São Paulo: Grupo A, 2009.  
VARIAN, H. Microeconomia – Uma Abordagem Moderna. São Paulo: GEN Atlas, 2015. E-book.
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595155107. Acesso em:
7 de out. 2022. 
VASCONCELLOS, M. A. S. D.; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 6. ed. São Paulo: Saraiva,
2019. 
Aula 3
Introdução à microeconomia
Introdução
https://login.vitalsource.com/?redirect_uri=https%3A%2F%2Fintegrada.minhabiblioteca.com.br%2Freader%2Fbooks%2F9788595155107&brand=integrada.minhabiblioteca.com.br
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É comum analisarmos os agentes econômicos e suas interações por meio de uma economia
livre, sem barreiras e com informações disponíveis a todos.  
Os modelos abstratos da microeconomia neoclássica que, aliás, dominam os manuais de
economia, ajudam a atender um aspecto comportamental importante dos agentes, mas não
revelam toda realidade do funcionamento da economia. Nesse sentido, esta aula procura
aprofundar como os mercados realmente funcionam a partir de estruturas diversi�cadas, nos
quais muitas das vezes existem poucas empresas ofertantes e até uma única �rma controla
todo o mercado. 
Adicionalmente, alguns casos clássicos serão apresentados como evidência de
comportamentos concentradores de mercado, o que acaba por privilegiar ou defender interesses
de uns em detrimento da maioria. As estruturas de oligopólio/monopólio são as principais
formas de atuação das grandes empresas no capitalismo contemporâneo e, por essa razão, são
importantes de serem analisadas.
Estruturas de mercado
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Os modelos microeconômicos mais utilizados, portanto, o mainstream da teoria econômica, são
pautados por hipóteses consolidadas em torno do comportamento dos agentes em geral. Entre
as premissas pode-se destacar a ideia de racionalidade, em que os agentes estariam o tempo
todo sob um trade-off, conceito que, em economia, se refere a um con�ito de escolha, sendo
necessário abrir mão de A para que se tenha mais de B. No caso em questão, o trade-off ocorre
entre dois ou mais tipos de bens, a informação disponível para todos é livre e perfeita, ou seja, os
preços são conhecidos por todos e, por �m, é comum a ideia de que as �rmas operam sob livre
concorrência. Logo, haveria no mercado uma ampla concorrência promovida por um número
elevado de �rmas produzindo em condições homogêneas, com custos e tecnologia muito
próximos e no qual todas seriam price takers, isto é, tomadoras de preço.  
O grande número de concorrentes impede que apenas uma ou poucas empresas consigam
in�uenciar os preços, e todas estariam subordinadas a um preço de mercado. Em linhas gerais,
pode-se dizer que: 
As estruturas de mercado são modelos que captam aspectos inerentes de como os
mercados estão organizados. Cada estrutura de mercado destaca alguns aspectos
essenciais da interação de oferta e demanda e se baseia em algumas hipóteses e no
realce de características observadas em mercados existentes, tais como: o tamanho
das empresas, a diferenciação dos produtos, a transparência do mercado, os
objetivos dos empresários e o acesso de novas empresas, entre outras. (TROSTER,
2017, p. 211) 
Entre os modelos utilizados, a concorrência perfeita, monopólio, oligopólio e concorrência
monopolística são os principais e serão demonstrados brevemente nesta aula.  
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A estrutura denominada concorrência perfeita é uma concepção mais teórica e abstrata, pois os
mercados altamente concorrenciais existentes, na realidade, são apenas aproximações desse
modelo, posto que, em condições normais, sempre parece existir algum grau de imperfeição que
distorce o seu funcionamento. Entre suas hipóteses podemos destacar o grande número de
ofertantes e demandantes, produtos homogêneos substitutos entre si, informação completa e
perfeita e ausência de barreiras à entrada, ou seja, há livre mobilidade entre os setores produtivos
(TROSTER, 2017). 
Na estrutura monopolista, o setor é a própria �rma, pois há apenas um produtor que realiza toda
a produção. Assim, a oferta da �rma é a oferta do setor e a demanda da �rma é a demanda do
setor. É importante ressaltar que o monopólio “puro” é uma construção teórica, porque as
empresas, por maiores que sejam, concorrem entre si e o monopólio existe, em sua maioria, nos
casos de monopólio natural (o qual ocorre quando é mais baratoatender ao consumidor por um
único prestador do serviço e não pela competição entre fornecedores. É o caso de serviços de
rede que demandem vultosos investimentos, como água ou gás canalizado).  
O oligopólio, todavia, é uma estrutura de mercado mais comum no capitalismo global (inclusive
no Brasil), na indústria e no transporte aéreo e rodoviário, nos setores químico e siderúrgico e
outros. Essa estrutura de mercado se caracteriza pelo reduzido número de �rmas competindo
entre si pelos consumidores; destaca-se ainda que, “no oligopólio, tanto as quantidades
ofertadas como os preços são �xados entre as empresas por meio de conluios ou cartéis”
(VASCONCELLOS; GARCIA, 2019, p. 96). Neste ponto, é oportuno saber que o cartel é uma
organização (formal ou informal) de produtores dentro de um setor que determina a política de
preços para todas as empresas que a ela pertencem. Elas podem adotar uma política de preços
comum, agindo como monopolistas. 
Por �m, deve-se ainda mencionar a concorrência monopolística, caracterizada por uma estrutura
de mercado intermediária entre a concorrência perfeita e o monopólio, mas que não se confunde
com o oligopólio pelas seguintes características: número relativamente grande de empresas e
margem de manobra para �xação de preços não muito ampla (VASCONCELLOS; GARCIA, 2019).
Concorrência, Monopólio e oligopólio
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O mercado de fatores de produção (terra, trabalho e capital) também se con�gura de maneira
especí�ca, assim como o mercado de bens e serviços.
“Como o mercado de fatores depende da demanda de insumos pelos setores
produtores de bens e serviços, ou seja, deriva do mercado do produto, a demanda por
esses fatores é chamada de demanda derivada.” (VASCONCELLOS; GARCIA, 2019, p.
98).
Uma demanda por plástico, por exemplo, depende da indústria de brinquedos e, se houver uma
queda na demanda, a indústria também sentirá o impacto negativo. 
Seguindo o mesmo raciocínio do mercado de bens e serviços, quando há apenas um vendedor
de insumo, ele é um monopolista, e quando há poucos, é um mercado de fatores oligopolista. A
situação se altera e ganha complexidade quando se observam os demandantes desses insumos.
Quando apenas uma �rma demanda os fatores tem-se o que se chama de monopsônio; esse
caso é muito comum em situações que grandes empresas se instalam em uma cidade pequena
e demandam praticamente todos os trabalhadores, como o caso da mineradora Vale em
municípios de Minas Gerais ou do Pará. 
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Já o oligopsônio é análogo, mas se refere a poucas empresas que compram os insumos. Nesse
caso, é comum, por exemplo, o que ocorre no setor de laticínios, no qual poucas indústrias
compram de muitos produtores pecuários. De um lado, a indústria de laticínios se organiza por
meio de um oligopsônio, mas na oferta dos bens se organiza como um oligopólio. 
Há ainda o caso chamado de monopólio bilateral, quando um monopsonista na compra do fator
de produção se defronta com um monopolista na venda desse fator. Em resumo, 
Como ambas as posições são con�itantes, somente a negociação recíproca permite
a de�nição do preço. Inicialmente, concordam que a quantidade a ser transacionada
será a que ambos desejam, e que o monopolista não venderá por um preço abaixo de
p, por exemplo, e o monopsonista não pagará nenhum preço acima de p’. (TROSTER,
2017, p. 211) 
As �rmas atuam sob diferentes estruturas de mercado e, na prática, a concorrência perfeita dá
lugar à concentração de empresas, por meio de fusões, aquisições e até estratégias de mercado,
como o cartel já destacado. Diante do objetivo principal da �rma – o da maximização dos lucros
e redução dos custos –, ampliar a fatia de mercado é sempre uma das principais metas.
Portanto, pode-se dizer que o mundo real funciona mais distante da concorrência perfeita e mais
próximo dos oligopólios, sendo que não são incomuns os monopólios. No caso do Brasil, por
exemplo, a industrialização surge a partir da participação de grandes empresas oligopolistas
que, na década de 1930, concorrem com grandes oligopólios transnacionais. 
Os custos de produção, por sua vez, representam o outro dilema enfrentado pelas �rmas e, por
esta razão, os separa em custos de curto e longo prazo. No curto prazo, como ao menos um
fator de produção é �xo (como tecnologia e terras produtivas), pois di�cilmente se altera em um
curto período, o principal custo é representado pelo trabalho, tido como variável e, por isso, os
empresários sempre buscam reduzir o preço do trabalho e desburocratizar os processos de
contratação e demissão. No longo prazo, entretanto, todos os fatores de produção são variáveis
e, portanto, a estrutura de custos se altera de maneira importante.
Mercados especí�cos e estudos sobre as ações de produtores e
consumidores
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A guerra iniciada pela Rússia contra a Ucrânia em 2022 surpreendeu o mundo, seja pela crença
que havíamos superado o con�ito bélico para resolução de con�itos, ou pela extensão e
virulência da disputa que ameaça até o uso de armas nucleares. No que nos diz respeito neste
espaço, é preciso destacar o impacto que o con�ito exerceu sobre os preços de commodities em
geral, principalmente do petróleo, medido pelo barril Brent ou WTI. Como consequência da
invasão russa, o preço do óleo bruto saltou da casa dos US$ 90 no início de 2022, para mais de
US$ 120 em meados de junho de 2022, sendo que em momentos especí�cos foi até acima desse
valor. Tal comportamento colocou o mundo em alerta, inclusive o Brasil, que desde 2016 executa
uma política de preços de paridade de importação (PPI) para combustíveis e viu os preços da
gasolina, do diesel e do gás natural dispararem. 
O problema mais complexo, todavia, foi observado na Europa e, neste caso, é possível
compreender o papel que exercem as estruturas de mercado sobre os preços e, por
consequência, sobre o comportamento dos consumidores. A Rússia, além de segunda maior
produtora de petróleo fora da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), atrás
dos EUA, fornece cerca de 40% do gás natural da Europa, essencial à indústria da União Europeia,
além de decisiva para calefação em uma região de invernos rigorosos. Adicionalmente, a
principal passagem do gás natural para o restante do continente �ca exatamente na Ucrânia, o
que reforça a pressão russa por manter sua in�uência sobre aquele país. 
O poder de mercado exercido pelos russos, todavia, torna boa parte dos países mais ricos do
mundo reféns de uma matéria-prima decisiva para a indústria e geração de energia. Países com
esse tipo de recurso, em geral, tendem a privilegiar estruturas oligopolistas ou até as
monopolistas, com forte controle exercido pelo Estado. Quando o assunto é energia, di�cilmente
haverá livre mercado de empresas privadas, pois todos os países exercem alguma in�uência
sobre a política energética, vital para sua sobrevivência. 
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
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O mesmo comportamento em relação ao petróleo pode ser visto na Opep desde sua formação
nos anos 1960. Reunindo os maiores produtores de petróleo do mundo, a organização exerce
pressões altistas ou baixistas nos preços a partir dos seus interesses internos ou geopolíticos.
Comandada em boa medida por países do Oriente Médio, tornaram-se opositores das políticas
externas dos EUA e da União Europeia e utilizam o combustível a seu favor. 
O Brasil, por exemplo, fundou a Petrobras em 1954, e até 1997 detinha monopólio completo
sobre extração de petróleo e re�no de combustíveis. Desde então outras empresas puderam
entrar e concorrer, mas o domínio da maior empresa brasileira ainda a coloca como destaque,
comandando a maior fatia da produção e tornando-se peça central em disputas políticas ao
longo das décadas. Alguns estudiosos argumentam que o caminho ideal seria a privatização,
mas isso poderia colocar em xeque a soberania energética do país e, por essa razão, aindaque
por meio de maior concorrência, países ricos e desenvolvidos não deixam sob controle exclusivo
do mercado a produção de distribuição de bens tão essenciais.  
A título de exemplo, diante do imenso con�ito na Europa, a Alemanha decidiu em 2022 estatizar
sua maior importadora de gás natural, a Uniper, que sozinha fornece 40% do abastecimento do
país (CNN, 2022).  
Por �m, cabe destacar que as diferentes estruturas de mercado produzem efeitos diversos sobre
os consumidores que, por sua vez, passam a atuar de acordo com elas. No caso da livre
concorrência, o melhor dos mundos para os consumidores, as opções são diversas e sempre
serão encontrados produtos/serviços de qualidade a preços atrativos. Na outra ponta, no caso
de monopólios, os consumidores �cam sem muitas opções, sendo obrigados a recorrer ao papel
regulatório do Estado para garantir produtos/serviços de qualidade.
Videoaula: Introdução à microeconomia
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No vídeo serão apresentadas as principais estruturas de mercado no qual operam as �rmas, bem
como algumas de suas principais hipóteses de funcionamento. Embora a livre concorrência faça
parte dos livros-texto na área de economia, o mundo real funciona de maneira mais complexa e
contraditória, fazendo do oligopólio o caso mais geral, ainda que alguns casos de monopólios
sejam possíveis. Por �m, é possível fazer uma conexão entre essas estruturas apresentadas na
aula e casos reais observados no dia a dia. 
Saiba mais
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Para aprofundamento, veja os capítulos 8 e 9 em: 
 Economia.  
A exposição grá�ca e numérica desse livro contribui para a �xação do conteúdo. 
Para compreender as estruturas de mercado na prática é preciso estar atento aos principais
fatos econômicos trazidos pela imprensa especializadas. Entre as diversas possibilidades, Valor
Econômico e CNN Brasil são importantes fontes. 
No que diz respeito aos comportamentos oligopolistas, é importante analisar alguns setores em
particular, como:  
Petróleo (essa fonte está originalmente em língua inglesa, mas se preferir utilize a opção
de tradução automática do seu navegador).  
Minério de ferro.  
Setor automobilístico. 
Referências
https://login.vitalsource.com/?redirect_uri=https%3A%2F%2Fintegrada.minhabiblioteca.com.br%2Freader%2Fbooks%2F9788580551051%2Fpageid%2F0&brand=integrada.minhabiblioteca.com.br
https://valor.globo.com/
https://valor.globo.com/
https://www.cnnbrasil.com.br/
https://www.opec.org/opec_web/en/
https://ibram.org.br/
https://anfavea.com.br/site/
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
KAPPELER, I.; GOODWIN, A.; THOMPSON, M. Alemanha estatiza sua maior importadora de gás
em meio à crise energética. CNN Brasil, 22 set. 2022. Disponível em:
https://www.cnnbrasil.com.br/business/alemanha-estatiza-sua-maior-importadora-de-gas-em-
meio-a-crise-energetica/. Acesso em: 20 out. 2022. 
GREMAUD, A. P.; PINHO, D. B.; VASCONCELLOS, M. A. S. D. Manual de economia: equipe de
professores da USP. São Paulo: Saraiva, 2017.  
SAMUELSON, P. A.; NORDHAUS, W. D. Economia. Porto Alegre: AMGH, 2012. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580551051/pageid/0. Acesso em:
17 out. 2022. 
TROSTER, R. L. Estruturas de Mercado. In: GREMAUD, A. P.; PINHO, D. B.; VASCONCELLOS, M. A.
S. D. Manual de economia: equipe de professores da USP. São Paulo: Saraiva, 2017.  
VARIAN, H. Microeconomia – Uma Abordagem Moderna. São Paulo: GEN Atlas, 2015. E-book.
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595155107. Acesso em:
7 out. 2022. 
VASCONCELLOS, M. A. S. D.; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 6. ed. São Paulo: Saraiva,
2019. 
Aula 4
Fundamentos da matemática �nanceira
https://www.cnnbrasil.com.br/business/alemanha-estatiza-sua-maior-importadora-de-gas-em-meio-a-crise-energetica/
https://www.cnnbrasil.com.br/business/alemanha-estatiza-sua-maior-importadora-de-gas-em-meio-a-crise-energetica/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580551051/pageid/0
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595155107
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Introdução
A teoria da �rma vista nas aulas anteriores explica, do ponto de vista teórico, como funcionam
suas decisões acerca de custos e produção. A gestão prática destas empresas, todavia, depende
de uma gestão �nanceira adequada, em que o �uxo de caixa e as despesas �nanceiras têm
importância decisiva. A antecipação de recebimento e postergação de despesas contribuem
para melhorar o caixa das empresas, ampliando sua capacidade de investimento. Isso, todavia,
depende da utilização e�ciente do crédito, portanto, da taxa de juros. O sistema bancário cumpre
tarefa decisiva ao reunir aqueles que precisam de crédito para investir e consumir e aqueles que
possuem recursos sobrando; dessa forma, a taxa de juros expressa também a relação entre
oferta e demanda por crédito.
Fluxo de Caixa
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
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Nas economias de mercado, sua principal unidade produtiva – as empresas – atuam de modos
variados a depender do seu ramo. A estrutura de custos e o mercado em que operam
in�uenciam seu modo de ação, como demonstrado anteriormente. Cabe, neste momento,
aprofundar alguns conceitos importantes que afetam diretamente o comportamento das
empresas e suas decisões de curto, médio e longo prazos. Entre estes, destacamos o �uxo de
caixa que, segundo Neto (2017, p. 141),
“representa uma série de pagamentos ou de recebimentos que se estima ocorrer em
determinado intervalo de tempo.” 
É comum que as empresas tenham que lidar com pagamentos ao longo do tempo, como
aluguéis, folha de pagamento, fornecedores, empréstimos etc.; concomitantemente, elas
também precisam administrar recebimentos diversos ao longo do tempo, sendo necessária a
gestão correta e e�ciente desses recursos, sob pena de impactar negativamente seus
resultados. Em linhas gerais, 
Os �uxos de caixa podem ser veri�cados das mais variadas formas e tipos em
termos de períodos de ocorrência (postecipados, antecipados ou diferidos), de
periodicidade (períodos iguais entre si ou diferentes), de duração (limitados ou
indeferidos) e de valores (constantes ou variáveis). (NETO, 2017, p. 141) 
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
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Os termos dos �uxos de caixas são representados por PMT, PV, FV, i e n, e cada um deles
representa uma variável registrada pelo �uxo de caixa (pessoal ou empresarial). Segue o
signi�cado desses termos: 
PMT: pagamentos de mesmo valor (recorrentes). 
PV: valor presente. 
FV: valor futuro. 
n: número de períodos. 
i: taxa de juros. 
De acordo com Neto (2017), a fórmula do valor presente de um �uxo de caixa uniforme é dada
por: PV = PMT x FPV (i, n). A seguir, o autor apresenta o seguinte exemplo:  
Determinado bem é vendido em 7 pagamentos mensais, iguais e consecutivos de $
4.000,00. Para uma taxa de juros de 2,6% a.m., até que preço compensa adquirir o
aparelho à vista?  
Solução: 
PMT = $ 4.000,00  
PV = ? 
i = 2,6% a.m.  
n = 7   
PV = PMT x FPV (i, n)
PV = 4.000 x 6,325294 = $25.301,18 (NETO, 2017, p. 145) 
 
Deve-se destacar, todavia, que o termo FPV se refere ao número de períodos descontada a taxa
em cada um deles, ou seja: 1 – (1+i)^-n / i. No caso do exemplo, o número de períodos é 7,
portanto, a expressão se traduz em: 1 – (1,026)^-7 / 0,026 = 6,325294. 
O mesmo raciocínio pode ser aplicado para levar os valores para o futuro e, portanto, calcular o
desconto de pagamentos a taxas de juros pré-�xadas. Nesse caso, a formulação genérica para o
valor futuro é dada por: FV = PMT x FFV (i, n). De acordo com o exemplo de Neto (2017, p. 148):  
Calcular o montante acumulado ao �nal do 7º mês de uma sequência de 7 depósitos
mensais e sucessivos, no valor de $ 800,00 cada, numa contade poupança que
remunera a uma taxa de juros de 2,1% a.m.  
Solução:  
O valor futuro pode ser calculado pela soma do montante de cada depósito, isto é: 
FV = 800,00 + 800,00 (1,021) + 800,00 (1,021)^2 + 800,00 (1,021)^3 + … + 800,00
(1,021)^6 
FV = $ 5.965,41 
Aplicando-se a fórmula-padrão de apuração do valor futuro, tem-se, de forma
abreviada, o mesmo resultado: 
FV = 800 x (1 + i)^n -1 / i 
FV = 800 x (1,021)^7 -1 / 0,021 
FV = 800 x 7,456763 = $ 5.965,41  
https://gestaoclick.com.br/fluxo-de-caixa
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Outra variável importante para compreender o funcionamento dos �uxos �nanceiros das
empresas é a taxa de juros, instrumento balizador das decisões de alocação de portfólio dos
agentes econômicos. A �xação da taxa de juros da economia está relacionada à demanda por
moeda e por crédito, afetando, inclusive, as decisões dos empresários quanto à realização de
novos investimentos produtivos. Além disso, a taxa de juros básica da economia, no caso do
Brasil, a Selic, estabelecida pelo Banco Central, relaciona-se com a meta de in�ação que este
deve perseguir anualmente. Assim, o nível de preços guarda uma íntima relação com a taxa de
juros, ou seja,  
As taxas de juros nominais constituem um pagamento expresso em percentagem
mensal, trimestral, anual etc., que um tomador de empréstimos faz ao emprestador
em troca do uso de determinada quantia de dinheiro. Se não houver in�ação no
período, a taxa de juros nominal será igual à taxa de juros real desse mesmo período
de tempo. (VASCONCELLOS; GARCIA, 2019, p. 204)  
Portanto, o �uxo de caixa das empresas deve levar em consideração a mudança dos seus
compromissos ao longo do tempo, os quais são in�uenciados por variáveis com potencial de
alterá-los. As Figuras 1 e 2 exempli�cam a distribuição do �uxo no tempo:
Figura 1 | Exemplo de �uxo de caixa padrão. Fonte: Neto (2017, p. 143).
Figura 2 | Fluxo de caixa detalhado. Fonte: Neto (2017, p. 143).
Taxas e juros, juros (simples e compostos)
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PARA ENGENHEIROS
As taxas de juros têm um papel fundamental nas economias de mercado e devem ser
consideradas, em primeiro lugar, a partir da sua relação com o dinheiro e, portanto, com o nível
de preços. Como a in�ação tem poder de corroer o valor do dinheiro, as taxas de juros reais
medem o retorno sobre os investimentos do ponto de vista de seu valor real, ou seja,
descontadas as oscilações puramente derivadas dos preços. Já a taxa nominal representa o
montante pago em relação ao montante emprestado; não havendo in�ação no período, a taxa
nominal será igual a taxa real.  
A relação entre a taxa nominal de juros, a taxa real e a inflação é dada pela
equação de Fisher: (1 + i) = (1 + r) (1 + π), em que:  
i = taxa de juros nominal;  
r = taxa real de juros;  
e π = taxa de inflação esperada. (VASCONCELLOS; GARCIA, 2019, p. 205) 
Em termos algébricos é possível colocar os termos em função da taxa real: (1+ r) = (1+i) / (1+π)
ou, ao simpli�car os termos: r = (1+i) / (1+π) – 1. 
A taxa de juros real é importante para de�nição das expectativas dos agentes econômicos com
relação ao futuro, e por esta razão utiliza-se expectativa de in�ação, pois, embora seja quase
certo que esta ocorrerá no futuro (pode não ocorrer também), não se sabe qual será seu
comportamento e, por isso, os agentes fazem suas projeções.  
Além disso, outros dois conceitos são fundamentais para compreender o papel da taxa de juros
e seus efeitos sobre o �uxo de caixa – isto é, os juros simples e os juros compostos. No primeiro
caso, apenas o capital principal (inicial) rende juros
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
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“os juros de cada período que não são pagos periodicamente não são somados ao
capital para o cálculo dos juros nos períodos subsequentes” (PUCCINI, 2022, p. 13).
Já no que diz respeito ao regime de juros compostos, segundo o autor  
No regime de juros compostos, os juros de cada período que não forem pagos no
final do período são somados ao capital e passam a fazer parte da base de
cálculo dos juros para os períodos subsequentes. Nesse caso, as parcelas de juros
que não forem pagas são automaticamente capitalizadas e passam a render juros
nos próximos períodos. 
Importante ressaltar que, nesse regime, a capitalização ou não de juros só existe 
quando os juros do período não são integralmente pagos, pois havendo o 
pagamento integral deles no fim do período correspondente, não existe a 
possibilidade fática de serem capitalizados. (PUCCINI, 2022, p. 13)  
Os juros compostos de cada período são sempre calculados sobre o saldo devedor no início dos
respectivos períodos, incluindo os juros vencidos e não pagos. Os sistemas de juros simples ou
compostos nos ajudam a entender como podem ser antecipadas as dívidas, ou o que
conceitualmente se chamou de amortização, isto é, um processo de redução/extinção de uma
dívida por meio de pagamentos periódicos. Em resumo, 
Os sistemas de amortização são desenvolvidos basicamente para operações de
empréstimos e �nanciamentos de longo prazo, envolvendo desembolsos periódicos
do principal e encargos �nanceiros. Existem diversas maneiras de se amortizar uma
dívida, devendo as condições de cada operação estarem estabelecidas em contrato
�rmado entre o credor (mutuante) e o devedor (mutuário). (NETO, 2017, p. 233)  
Em síntese, a compreensão dos regimes de juros e amortizações compreendem importantes
ferramentas de gestão �nanceira/orçamentária das empresas, com impactos decisivos sobre o
�uxo de caixa das empresas.
Amortização
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As taxas de juros têm papel decisivo na alocação de portfólio, como demonstrado anteriormente.
Entre estas, sem dúvida, a taxa Selic, taxa básica de juros de�nida pelo Comitê de Política
Monetária (COPOM) do Banco Central, é um importante guia para os agentes econômicos,
principalmente do mercado �nanceiro. Deve-se destacar, todavia, que, embora a taxa Selic seja
uma referência importante, não é esta a taxa de juros tomada por consumidores e �rmas para
realização de suas compras e investimentos.  
Cabe ainda mencionar que, a depender do momento econômico, as taxas de juros podem estar
em alta ou em queda. Como exemplo de alta nessas taxas, destacamos o ano de 2022. Segundo
matéria publicada no Portal R7 (TAXA…, 2022, [s. p.]),
“a taxa de juros média geral cobrada para os consumidores no Brasil subiu 0,03 ponto
percentual em setembro [de 2022] e atingiu o patamar de 6,93% ao mês, o equivalente
a 123,46% ao ano”, de acordo com dados da ANEFAC ( Associação Nacional de
Executivos de Finanças). 
No que se refere às empresas, a média anual saltou de 59,92% a.a. em agosto de 2022 para
60,47% em setembro do mesmo ano (TAXA…, 2022). Isso signi�ca que, para cada R$ 1.000
investidos pelos empresários, R$ 600,47 representam custos de capital; no caso dos
consumidores, a situação é ainda mais difícil, pois o pagamento de juros em uma compra
parcelada representa o valor maior que o do próprio bem, o que contribuiu para o encarecimento
dos preços �nais. 
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Um dos grandes desa�os enfrentados pela economia brasileira ao longo de décadas tem sido o
custo do crédito, o que para os especialistas em �nanças representa um importante entrave ao
crescimento de longo prazo. Entre as razões que ajudam a explicar o custo do crédito estão a
inadimplência elevada, especialmente em momentos de crise, mas, principalmente, o grau de
concentração bancária no país. Segundo matéria do jornal Folha de São Paulo de agosto de
2022: 
Dos R$ 132 bilhões de lucro líquido registrado no sistema bancário em 2021, 78%
�caram com os cinco maiores bancos do país – Itaú, Bradesco, Santander, Caixa
Econômica Federal e Banco do Brasil. Segundo dados enviados pelo Banco Central a
pedido da Folha, as cinco instituições tiveram, juntas, lucro líquido de R$ 103,5 bilhões
no ano passado [2021]. (GARCIA, 2022, [s. p.])  
Em geral, o spreadbancário, ou seja, o diferencial entre o que o sistema bancário paga aos
emprestadores para captar seus recursos e cobra dos seus tomadores (empresas e famílias) é o
principal elemento do lucro do setor. A concentração bancária, sem dúvida, pressiona os spreads
para cima, fazendo com que poucos bancos se bene�ciem desta estrutura. Mas é preciso
destacar que o endividamento excessivo dos agentes econômicos que amplia a inadimplência é
outro importante fator, pois faz os emprestadores (bancos) serem mais cautelosos e elevarem
suas taxas para minimizar os riscos.  
Em linhas gerais, são diversas as razões que explicam o comportamento das taxas de juros, mas
o consenso em torno delas é o papel decisivo que cumprem nas decisões dos investidores que,
por sua vez, afetam consumidores por meio de mais ou menos emprego e renda para consumo.
Videoaula: Fundamentos da matemática �nanceira
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No vídeo será possível ver resumidas algumas da ideias-chave acerca do �uxo de caixa das
empresas, bem como do papel e das principais de�nições sobre taxas de juros. Estas, por sua
vez, são explicadas por diferentes conceitos e podem afetar positiva ou negativamente o �uxo de
caixa de algumas empresas como determinar o crescimento agregado da economia a longo
prazo. 
Saiba mais
https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/itau/
https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/bradesco/
https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/santander/
https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/banco-do-brasil/
https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/banco-central/#10
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Simule um �nanciamento na ferramenta desenvolvida pelo Banco Central. 
Consulte os dados atualizados de taxas de juros das diferentes modalidade no Brasil no
Portal Anefac. 
Acesse material complementar desenvolvido pelo SEBRAE sobre como lidar com o �uxo de
caixa das empresas. 
Referências
https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/exibirFormFinanciamentoPrestacoesFixas.do?method=exibirFormFinanciamentoPrestacoesFixas
https://www.anefac.org/
https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/fluxo-de-caixa-o-que-e-e-como-implantar,b29e438af1c92410VgnVCM100000b272010aRCRD
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GARCIA, N. Cinco maiores bancos concentram 78% dos lucros do sistema bancário em 2021.
Folha de São Paulo, 22 ago. 2022. Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/08/cinco-maiores-bancos-concentram-78-dos-
lucros-do-sistema-bancario-em-2021.shtml. Acesso em: 24 out. 2022. 
NETO, A. A. Matemática Financeira. Edição Universitária. São Paulo: Grupo GEN, 2017. E-book.
ISBN 9788597013139. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597013139/. Acesso em: 22 out. 2022. 
PUCCINI, A. de L. Matemática �nanceira. São Paulo: Saraiva, 2022. E-book. ISBN
9786587958064. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786587958064/. Acesso em: 24 out. 2022. 
TAXA de juros ao consumidor sobe ao maior nível em quatro anos. R7, Economia, 10 out. 2022.
Disponível em: https://noticias.r7.com/economia/taxa-de-juros-ao-consumidor-sobe-ao-maior-
nivel-em-quatro-anos-10102022. Acesso em: 24 out. 2022. 
VASCONCELLOS, M. A. S. D.; GARCIA, M. E. Fundamentos de economia. 6. ed. São Paulo: Saraiva,
2019. 
Aula 5
Revisão da unidade
História e teoria econômica
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/08/cinco-maiores-bancos-concentram-78-dos-lucros-do-sistema-bancario-em-2021.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/08/cinco-maiores-bancos-concentram-78-dos-lucros-do-sistema-bancario-em-2021.shtml
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597013139/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786587958064/
https://noticias.r7.com/economia/taxa-de-juros-ao-consumidor-sobe-ao-maior-nivel-em-quatro-anos-10102022
https://noticias.r7.com/economia/taxa-de-juros-ao-consumidor-sobe-ao-maior-nivel-em-quatro-anos-10102022
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A ciência econômica surgiu e ganhou status cientí�co em paralelo à formação do sistema
capitalista. Embora não o primeiro a discutir o tema, Adam Smith foi o principal organizador de
ideias já há muito tempo conhecidas no continente europeu acerca do funcionamento do
mercado como modo de produção. A desorganização do método de produção feudal, dominante
no velho continente há aproximadamente dez séculos, entrou em crise, tendo como elemento-
chave a ascensão do comércio. O desenvolvimento dessa nova economia recon�gurou a
economia mundial, dando o substrato para Smith, mas também para muitos outros autores da
Economia Política Clássica ao longo do século XIX (SAES; SAES, 2013). 
Ao ampliarem-se as relações mercantis, principalmente no que diz respeito à divisão do trabalho
e ao assalariamento da força de trabalho, observou-se o amplo crescimento da produtividade e o
surgimento da indústria por meio de manufaturas na Inglaterra. A divisão de classes entre
burguesia e proletariado se intensi�cou, produzindo-se o que a literatura chamou de “luta de
classes” como motor da história (MARX, 1998). Sindicatos, partidos e agremiações da classe
operária também deram sua contribuição teórica à economia, sintetizando no �lósofo alemão
Karl Marx sua principal formulação. 
Com o estabelecimento do capitalismo industrial ao redor do mundo, especialmente nas nações
recém-uni�cadas (Alemanha e Itália), novas teorias passaram a dar diferentes explicações para o
funcionamento da economia. Nesse sentido, a disputa passou a girar em torno da teoria do valor-
trabalho – presente em Smith, David Ricardo e Marx – e valor-utilidade, princípio �losó�co
descrito por Jeremy Bentham ainda no século XVIII, mas que passou a ser utilizado na ciência
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econômica a partir da chamada “revolução marginalista”, liderada por William S. Jevons, Carl
Menger e Léon Walras a partir de 1870. Essas ideias, todavia, deram a base de formulação da
microeconomia neoclássica, dominante ao longo de todo o século XX e com grande in�uência
nos dias atuais (HUNT, 1981). 
O livre mercado como expressão da alocação e�ciente dos fatores de produção ganhou
destaque com a microeconomia, que, por sua vez, se tornou a principal versão da teoria
econômica. Preços, oferta, demanda, custos, agentes econômicos, �rmas, etc. são termos que
passaram a ser incorporados por esses autores e formalizados por meio de grá�cos e equações.
Ao contrário dos economistas políticos do século XIX, a nova microeconomia adota a
perspectiva do individualismo metodológico e o cálculo da utilidade marginal como referência
para a compreensão da ação dos indivíduos.  
Pautada em modelos apriorísticos, por vezes abstratos e profundamente matematizados, a
microeconomia neoclássica constituiu modelos analíticos apoiados em hipóteses, as quais
seriam, a partir de então, testadas empiricamente. Consumidores racionais buscam, portanto, a
maximização do bem-estar por meio do consumo, assim como as �rmas o fazem, mas com o
objetivo de maximizar o lucro. Essas relações, contudo, explicam, para a microeconomia, como
agem consumidores e empresários numa sociedade na qual não há sujeitos coletivos (classes
sociais), mas indivíduos racionais, calculistas e utilitaristas. 
A partir dessas noções de como funcionam as �rmas capitalistas, sua gestão �nanceira e seus
compromissos passam a ser de fundamental importância não somente para a própria solvência,
mas também para o funcionamento da economia como um todo. Assim, a compreensão do �uxo
de caixa como elemento-chave para lidar com compromissos e o papel das taxas de juros e seus
impactos nas decisões de investimento são de extrema relevância. O �uxo de caixa lida com
pagamentos no tempo e, para que a �rma atinja seu objetivo de maximização do lucro,postergar
pagamentos e adiantar recebimentos é parte da gestão e�ciente do caixa. Já as taxas de juros
representam os custos em que as empresas incorrem para se �nanciar, e seu uso adequado é
importante para a sustentabilidade da organização em longo prazo (ASSAF NETO, 2017).
Videoaula: Revisão da unidade
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No vídeo a seguir serão apresentados os conceitos mais importantes analisados nas quatro
aulas desta unidade de aprendizagem. Partindo da história do pensamento econômico e suas
principais formulações, constrói-se o raciocínio básico para compreender as origens da
microeconomia. A partir disso, ideias-chave como oferta, demanda, equilíbrio, agentes
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econômicos e comportamento racional são alguns dos elementos trazidos para compreender o
funcionamento do sistema capitalista. Por �m, deve-se destacar o papel central da gestão
orçamentária e �nanceira das �rmas a partir dos conceitos de �uxo de caixa e das diferentes
modalidades de taxas de juros. 
Estudo de caso
A economia está presente no dia a dia de todos, mesmo que de forma indireta ou imperceptível.
O preço dos alimentos, do combustível, a cotação do dólar ou as contas que não fecham no �m
do mês, tudo isso tem relação com a economia. Diante disso, em períodos eleitorais, por
exemplo, os candidatos tentam demonstrar seus feitos, principalmente na economia,
destrinchando números e mais números sobre crescimento, emprego e in�ação. De outro lado,
seus concorrentes buscam minimizar seus feitos, a�rmando que nem todos os resultados foram
tão positivos como dizem. É dessa maneira, portanto, que ganha relevância o conhecimento
sobre assuntos econômicos, principalmente no que diz respeito à compreensão sobre dados e
estatísticas. 
A microeconomia, por exemplo, lida com aspectos individuais, ou micro, como seu próprio nome
sugere. Ou seja, trata das pequenas partes, tais como os consumidores e suas escolhas, as
decisões de produção das �rmas, até análises setoriais, que avaliam especi�camente como cada
setor da economia funciona de modo isolado, elementos que, muitas vezes, enxergamos apenas
como dados agregados às capas de jornais. 
As �rmas em particular, ou as empresas, como são mais conhecidas, são as principais unidades
produtivas e, por causa disso, sua principal meta é a maximização do lucro. Para tanto, é preciso
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lidar com questões complexas ao longo do tempo. Suas despesas rivalizam com seus custos e a
e�ciência produtiva depende de boa gestão �nanceira e orçamentária, de modo que a taxa de
lucro se eleve e os custos sejam sempre reduzidos. 
Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você trabalhe para uma empresa com sobra
de caixa e, portanto, precise dar um destino adequado e e�ciente a esse dinheiro. Nesse caso, há
um trade-off nas decisões a serem tomadas, elemento sempre presente nas decisões de caráter
econômico. 
Suponha as seguintes trajetórias de juros e in�ação na economia brasileira para fundamentar
suas decisões: 
Figura 1 | Taxa referencial Selic (% a.a.). Fonte: adaptada de Banco Central do Brasil ([s. d., s. p.]).
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Figura 2 | In�ação – IPCA: acúmulo em 12 meses (%). Fonte: adaptada de IBGE ([s. d., s. p.]).
Portanto, admitindo-se que você é o gestor responsável pela tomada de decisão no que diz
respeito à alocação de portfólio e que o negócio no qual está inserida sua �rma tem perspectiva
de retorno nominal de 8% a.a., qual a decisão mais pertinente a ser tomada na conjuntura
apresentada? 
Re�ita
A compreensão dos investimentos feitos pelas �rmas é de fundamental importância para o
entendimento da dinâmica econômica geral e agregada. Você já se perguntou quais são os
motivos que levam o empresário a mobilizar recursos milionários e até bilionários em
empreendimentos sem que seja possível ter certeza do seu retorno? Ou seja, todo investimento
embute um risco, pois só se realiza no futuro, um período incontrolável, por mais so�sticada que
seja a ciência utilizada. Os investimentos produtivos são responsáveis pela geração de emprego
dos trabalhadores, o que se transforma em mais renda e mais consumo, aspectos necessários
para que as �rmas escoem sua produção e voltem a investir novamente. 
O movimento da economia, portanto, é circular e depende de decisões individuais que se apoiam
em dados e informações disponíveis. Quando a coletividade investe e consome, a economia
cresce. O contrário também é verdadeiro, pois a queda do consumo e do investimento, na maior
parte das vezes, é a principal explicação para as crises econômicas.
Videoaula: Resolução do estudo de caso
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A decisão sobre novos investimentos envolve uma multiplicidade de fatores que precisam ser
avaliados previamente, pois boa parte das escolhas é irreversível. A �rma, ao optar por ampliar
seus investimentos, leva em consideração a expectativa de retorno que, por sua vez, rivaliza com
as taxas de juros. Nesse contexto, cabe uma diferenciação conceitual importante: investimentos
referem-se à ampliação do estoque de capital da economia e, por consequência, ao aumento da
produção. Já os produtos �nanceiros e sua rentabilidade dizem respeito às aplicações
�nanceiras. Ou seja, trata-se apenas e tão somente de investimentos, quando a �rma os
transforma em capital físico. 
Dentre os precursores da teoria econômica a destacar o papel dos investimentos como motor do
funcionamento do capitalismo, o economista britânico John Maynard Keynes argumentou, em
primeiro lugar, que o funcionamento da economia se explica pela demanda. Ou seja, as crises
econômicas ou o crescimento de longo prazo têm como motor a demanda dos agentes
econômicos, tanto �rmas como consumidores e o próprio governo. 
Em segundo lugar, as oscilações da atividade econômica se dão em torno do aumento ou da
redução dos investimentos produtivos. Movidos por expectativas futuras, os empresários usam
seu animal spirit (KEYNES, 1983) e se arriscam promovendo gastos na economia sem certeza de
retorno. Portanto, além do trade-off, os investimentos enfrentam o risco se simplesmente não se
concretizarem no futuro.  
Adicionalmente, o autor a�rma que o investimento produtivo rivaliza com a taxa de juros, pois,
caso a taxa seja excessivamente elevada, os agentes econômicos, em especial as �rmas, terão
preferência por manter seus recursos aplicados sob remuneração. Ao não circular o capital, os
investimentos produtivos cessam e o desemprego se eleva. 
De volta ao problema proposto, deve-se levar em consideração que a decisão individual da �rma
com sobra de caixa é um re�exo do seu desejo individual de maximização do lucro. No entanto, é
preciso ressaltar que não se trata de certo ou errado, mas de uma complexa teia de decisões que
leva a escolhas que podem ser todas positivas ou negativas, ainda que umas mais que as
outras.  
No cenário descrito pelo problema, o retorno esperado �rmado em torno de 8% a.a. em termos
líquidos pode ser uma opção pertinente, tendo em vista uma in�ação acumulada em 12 meses
de 6,47%.  
No entanto, para re�nar a escolha e decidir de maneira mais assertiva, diante do conhecimento
da taxa de juros básica da economia e sua trajetória crescente nos últimos meses, é possível
calcular o retorno de um título qualquer indexado à taxa Selic. Por exemplo: 
Taxa de juros nominal (i) = 13,75% 
In�ação (π) = 6,47% 
Taxa de juros real (r) = ? 
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r = (1+i) / (1+π) – 1 
r = (1+0,1375) / (1+0,0647)– 1  
r = 1,1375 / 1,0647 – 1 
r = 0,06837 x 100 
r = 6,83%  
Portanto, o retorno do investimento �nanceiro proporciona um retorno real de 6,83%, ou seja,
retorno acima da in�ação. O investimento produtivo, por sua vez, retornará uma taxa nominal de
8%, isto é, ainda sem descontar a in�ação. A partir desses dados, também é possível calcular o
retorno real do investimento produtivo, assim:  
Taxa de retorno nominal (i) = 8,0% 
In�ação (π) = 6,47% 
Taxa de juros real (r) = ? 
r = (1+i) / (1+π) – 1 
r = (1+0,08) / (1+0,0647) – 1  
r = 1,08 / 1,0647 – 1 
r = 0,01437 x 100 
r = 1,44%  
Logo, a taxa real de retorno sobre o investimento produtivo será de 1,44%. 
Em resumo, �ca clara a vantagem da aplicação �nanceira sobre o risco da atividade produtiva,
mas essa é apenas uma perspectiva de análise, pois as razões que levariam a empresa a ampliar
sua estrutura podem estar ligadas não apenas à maximização do lucro, mas, por exemplo, à
ampliação da capacidade a longo prazo, com a intenção de atingir taxas de retorno superiores.  
Resumo visual
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PARA ENGENHEIROS
A teoria econômica é composta de diferentes perspectivas, mas aquela que usamos no dia a dia
supõe um mercado e�ciente na alocação de fatores de produção, com agentes econômicos
(�rmas e famílias) produzindo e redistribuindo a produção em �uxo contínuo. As decisões dos
agentes se baseiam em racionalidade calculista e escolhas diante de suas restrições
orçamentárias. Diante desse fato, as �rmas, principais unidades produtivas, precisam lidar com
decisões sobre custos de produção e alocação e�ciente de investimentos, partindo de uma
gestão �nanceira coerente com seus objetivos. 
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PARA ENGENHEIROS
Figura 3 | Elementos da economia. Fonte: elaborada pelo autor.
Referências
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
ASSAF NETO, A. Matemática �nanceira: edição universitária. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2017. E-
book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597013139/.
Acesso em: 22 out. 2022. 
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Taxas de juros básicas – Histórico. Banco Central do Brasil, [s. d.].
Disponível em: https://www.bcb.gov.br/controlein�acao/historicotaxasjuros. Acesso em: 11 nov.
2022. 
HUNT, E. K. História do pensamento econômico. Rio de Janeiro: Campus, 1981. 
IBGE. IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo: Séries históricas. Tabela
completa de séries históricas. IBGE, [s. d.]. Disponível em:
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-
precosconsumidor-amplo.html?edicao=20932&t=series-historicas. Acesso em: 11 nov. 2022. 
KEYNES, J. M. A teoria geral do emprego, do juro e do dinheiro. São Paulo: Abril Cultural, 1983. 
MARX, K. O manifesto do partido comunista. São Paulo: Paz e Terra, 1998. 
OLIVEIRA, R. de.; GENNARI, A. M. História do pensamento econômico. 2. ed. São Paulo: Saraiva
Educação, 2019. 
SAES, F. A. M.; SAES, A. M. História econômica geral. São Paulo: Saraiva, 2013.
,
Unidade 4
Conceitos e Análises sobre a Macroeconomia
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597013139/
https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/historicotaxasjuros
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precosconsumidor-amplo.html?edicao=20932&t=series-historicas
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precosconsumidor-amplo.html?edicao=20932&t=series-historicas
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PARA ENGENHEIROS
Aula 1
Introdução à macroeconomia
Introdução
Olá, estudante! Nesta aula você compreenderá os princípios fundamentais a respeito do governo
e das políticas macroeconômicas. Assim, os conceitos de políticas públicas serão importantes
ao longo de toda a aula. Além disso, você aprenderá como os governos analisam os cenários e
utilizam ferramentas macroeconômicas para alcançarem o desenvolvimento econômico. 
Ao �nal da aula você será capaz de identi�car a importância dos mercados internos e externos e
desenvolver raciocínio crítico acerca da criação de blocos econômicos entre os países. 
Complementando o conteúdo apresentando, consulte, sempre que possível, os materiais
adicionais indicados nas referências. 
Vamos lá?  
Fundamentos básicos, parâmetros e objetivos da política macroeconômica
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PARA ENGENHEIROS
Você já pensou em como a macroeconomia é importante para nosso cotidiano, tanto no
ambiente pro�ssional quanto pessoal? A macroeconomia está presente nas decisões das
empresas ao realizarem novos investimentos, nas decisões dos consumidores ao ampliarem ou
reduzirem seu padrão de consumo, nas decisões dos trabalhadores ao buscarem novas
oportunidades no mercado, ou mesmo nas decisões do governo ao alterar a taxa de juros da
economia. 
Segundo Vasconcellos (2015), a macroeconomia é o ramo da teoria econômica que trata da
evolução da economia como um todo, analisando a determinação e o comportamento dos
grandes agregados, como renda e produto nacionais, investimento, poupança e consumo
agregados, nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda e taxas de juros,
balanço de pagamentos e taxa de câmbio. 
Na macroeconomia podemos estudar cada um dos agentes econômicos de maneira individual,
ou nos aprofundarmos na interação entre esses agentes. Neste primeiro momento, vamos nos
atentar para o governo, suas funções, aplicações em políticas públicas, atuação diante dos
mercados interno e externo e a análise para formação de blocos econômicos. 
Acerca do conceito de governo e suas funções, Dias (2013) a�rma que o governo é o sujeito
principal da ação política, podendo ser de�nido como o conjunto de órgãos estáveis com a
função de atualizar, coordenar, instrumentar e orientar a ação política que se expressa como �ns
do Estado e que se desenvolve no exercício de suas funções básicas: executiva, legislativa e
jurídica. 
Os governos dos países se valem de diversas ferramentas para o atingimento de suas metas
macroeconômicas, como crescimento da produção e do emprego, estabilidade de preços,
distribuição de renda e equilíbrio externo. Dentre essas ferramentas, a principal é composta
pelas políticas públicas. 
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Silva et al. (2018) sintetizam a política pública como o campo do conhecimento que busca, ao
mesmo tempo, colocar o governo em ação e/ou analisar essa ação (variável independente) e,
quando necessário, propor mudanças no rumo ou curso dessas ações (variável dependente). Ou
seja, para os autores, as políticas públicas são medidas e/ou ações formuladas pelo Estado – e
executadas pelos governos – a �m de garantir o bem-estar da população e/ou os direitos
fundamentais, em geral, previstos nas Constituições Federais. 
A política macroeconômica, por sua vez, é um tipo de política pública que envolve a atuação do
governo sobre a capacidade produtiva (produção agregada) e despesas planejadas (demanda
agregada), com o objetivo de permitir à economia operar a pleno emprego, com baixas taxas de
in�ação e distribuição justa de renda. Os principais instrumentos da política macroeconômica
são: política �scal, política monetária, política cambial e comercial, e política de rendas –
controle de preços e salários (VASCONCELLOS, 2015). 
Como você pode perceber, as políticas macroeconômicas in�uenciam tanto os mercados
internos e externos quanto, em alguns casos, conjuntos de países integrados em blocos
econômicos. Podemos de�nir os mercados interno e externo como compostos, respectivamente,
pelos agentes de um determinado país e pela interação entre agentes de países distintos. Já os
blocos econômicos, segundo Fernandes (2013), constituem-se como uma das formas possíveis
de integração econômica entre os países, formando um mercado regional comum fazendo uso
de facilidades tarifárias entre os membros. 
Os conceitos de macroeconomia, mesmo sendo desconhecidos pela grande maioria dos
cidadãos,estão presentes no dia a dia dos indivíduos e na coletividade. Compreender o conceito
de governo, suas funções e a aplicação de políticas públicas é importante para entendermos, por
exemplo, as principais fontes de desenvolvimento socioeconômico de um país. 
Função do governo e políticas
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Conhecendo os principais conceitos associados ao governo e à política macroeconômica, vamos
aprofundar nossos conhecimentos nesses temas respondendo, primeiramente, à seguinte
pergunta: como o governo utiliza as políticas macroeconômicas para atingir seus objetivos de
curto e de longo prazos? 
Você já deve ter percebido pelos noticiários que o governo geralmente intervém (em maior ou
menor intensidade) nas variáveis macroeconômicas, visando objetivos para com a nação. O
governo pode, por exemplo, gastar mais com saúde e educação, reduzir tributos de uma linha
especí�ca de produtos, aumentar a emissão de moeda na economia, reduzir a taxa de juros,
comprar moedas estrangeiras para in�uenciar a taxa de câmbio, aumentar as transferências de
renda para as classes sociais mais desfavorecidas etc. 
De maneira geral, é fundamental que entendamos que as políticas públicas devem ser utilizadas
pelos governos com objetivos claros e sob medidas responsáveis. Riani (2016) a�rma que a
atuação do governo só é justi�cada a partir do momento que suas atividades melhoram a
qualidade de vida da população por meio das ofertas de serviços públicos básicos decentes,
como saúde, educação, transporte, segurança, habitação etc., e mesmo pela atuação do governo
em atividades produtivas que propiciem melhores salários e oportunidades de acesso ao
consumo de produtos essenciais à população em quantidade e qualidade compatíveis com o
nível mínimo de sobrevivência da sociedade. 
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É por intermédio dos instrumentos de políticas macroeconômicas que resultados como esses
são possibilitados em uma nação. Vasconcellos (2015) aprofunda a interpretação acerca das
políticas macroeconômicas adequando-as a suas funcionalidades na economia da seguinte
forma: 
Política �scal: instrumento de que o governo dispõe para a arrecadação de tributos (política
tributária) e controle de suas despesas (política de gastos). Pode ter como objetivo
redução da in�ação (com a diminuição de gastos ou aumento dos tributos), elevação do
crescimento e emprego (com o estímulo à demanda agregada) ou melhor distribuição de
renda. 
Política monetária: instrumento que re�ete a atuação do governo sobre a quantidade de
moeda, de crédito e das taxas de juros. Pode ter como objetivo redução da in�ação (com a
redução do estoque de moeda) ou elevação do crescimento econômico (com o aumento da
base monetária). 
Política cambial e comercial: instrumentos que atuam nas variáveis relacionadas ao setor
externo da economia. A política cambial refere-se ao controle do governo sobre a taxa de
câmbio, enquanto a comercial diz respeito aos instrumentos de incentivo às exportações
e/ou estímulo/desestímulo às importações. 
Política de rendas: re�ete, principalmente, controles sobre preços e salários, fazendo com
que os agentes econômicos sejam limitados, em resposta a in�uências econômicas
normais do mercado.  
Como é possível perceber, os instrumentos de política monetária exercem impacto tanto para o
mercado interno quanto para o setor externo da economia. Por intermédio das políticas cambiais
e comerciais, por exemplo, países distintos são capazes de adequar o nível de comércio
internacional e, no longo prazo, podem surgir vantagens em maiores integrações econômicas
entre esses países.  
Os blocos econômicos representam justamente esse tipo de integração. Em maior ou menor
intensidade, países podem se unir e ampliar seus mercados, alinhar suas políticas econômicas e
contribuir para o crescimento de forma mútua. Fernandes (2013) traz no Quadro 1 as principais
fases de integração possível aos blocos econômicos. 
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Quadro 1 | As fases/etapas de integração econômic a. Fonte: adaptado de Fernandes ( 2013, p. 54).
Assim, de acordo com o Quadro 1 e com o contexto apresentado, é possível concluir que quanto
maior a intensidade da integração econômica, maiores as possibilidades para interação e
benefícios mútuos da aplicação de políticas econômicas (�scais, monetárias, cambiais e de
rendas) entre os países.
Mercados
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Uma vez que já entendemos os conceitos e interpretações a respeito da atuação governamental
pela adoção de políticas públicas e macroeconômicas para os setores interno e externo, vamos
re�etir de maneira aplicada acerca desses conceitos, veri�cando como eles afetam nosso
cotidiano pessoal e pro�ssional. 
É importante que você entenda que o ambiente macroeconômico afeta de maneira prática todos
os agentes, principalmente em suas tomadas de decisão. Perceba pelas notícias jornalísticas e
pelo comportamento dos agentes econômicos que um ambiente de in�ação alta, câmbio
elevado, baixo crescimento, alta tributação, altas taxas de juros e baixa efetividade nos gastos do
governo, por exemplo, causam incertezas à grande parte da sociedade e afetam a percepção da
população acerca de um determinado governo. A necessidade de políticas públicas e�cientes
�ca bastante evidente em ambientes como esses. 
Por sua vez, momentos em que o país apresenta crescimento sustentável, desenvolvimento
econômico, educação, saúde e distribuição de renda adequados, trazem consigo expectativas
positivas por parte dos consumidores, investidores, empresas, famílias e do próprio governo.
Essas expectativas contribuem positivamente para a manutenção desse ciclo de
desenvolvimento por um tempo maior e re�etem o sucesso de aplicação de políticas
macroeconômicas adequadas. 
Esses tipos de oscilação cíclica são comuns a todos os países, mas a economia contemporânea
do Brasil se destaca nesse contexto, necessitando de políticas com mais efetividade para
resolução dos problemas estruturais. Segundo Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. (2016), a
economia brasileira não tem uma trajetória estável de crescimento econômico, e a in�ação
continua a ser um problema central a ser combatido pelos governos. 
Mas como o governo pode entender as necessidades da população e trabalhar políticas
econômicas de maneira a promover o crescimento e desenvolvimento econômico? A resposta
para essa questão está justamente no fato de que o governo precisa estar atento às relações
entre todos os agentes econômicos, mensurando os comportamentos da oferta e demanda
agregadas e transmitindo sinais de incentivo para os mercados interno e externo. 
Com relação ao mercado externo, é possível identi�car que diversos países, de forma aplicada,
utilizam ferramentas de integração econômica para se bene�ciarem do dinamismo promovido
pelo comércio internacional. Com esse dinamismo, as políticas macroeconômicas podem ter
seus resultados potencializados, dependendo do nível de integração. Dentre os casos mais
relevantes de integração em blocos econômicos estão a Zona do Euro e o Mercosul.  
Segundo Samuelson e Nordhaus (2009), o movimento para organização da Zona do Euro
começou em 1957 com um acordo de comércio livre, no qual a Europa Ocidental eliminou
gradualmente todas as barreiras ao comércio de bens, serviços e �nanças. O passo �nal na
integração econômica foi a adoção de uma moeda comum. Isso não só impulsionou o
estreitamento dos laços econômicos como resolveu o problema de moedas instáveis. Ainda
segundo os autores, a criação do euro eliminou também os movimentos intraeuropeus da taxa
de câmbio e levou a uma convergência das taxas de juros e das taxas de in�ação entre os países
europeus. 
No caso da aplicação da estratégia de integração do Mercosul, também surgiram benefícios e
di�culdades para o Brasil. O Mercosul une, como membros efetivos, Brasil, Argentina, Paraguai e
Uruguai, visando ser um mercado comum, masque enfrenta di�culdades em se tornar uma união
aduaneira de fato. Segundo Gremaud, Vasconcellos e Toneto Jr. (2016), a dinamização trazida
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pelo bloco econômico nos anos 1990 chegou a representar cerca de 20% do total das
exportações brasileiras, que se estabilizaram em torno de 10% a partir de 2000. 
Dessa forma, é possível concluir que a aplicação de políticas públicas e macroeconômicas
e�cientes é importante não apenas para os agentes econômicos de um país, mas, dependendo
do nível de integração, para diversos outros países do mundo.
Videoaula: Introdução à macroeconomia
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Você verá neste vídeo a apresentação do conceito de macroeconomia, bem como de políticas
públicas e políticas macroeconômicas. Entenderemos como as políticas afetam a economia de
um país, impactando mercado interno, externo e eventuais relações de integração econômica
existentes. Aproveite o vídeo para consolidar o conhecimento adquirido ao longo da aula e não
deixe de acessar o conteúdo adicional indicado no boxe Saiba mais.
Saiba mais
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Você sabia que o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) é uma fundação pública
federal vinculada ao Ministério da Economia? 
Ao acessar o portal do Ipeadata é possível identi�car o comportamento das principais variáveis
macroeconômicas e entender mais a respeito das políticas econômicas do governo atual e dos
governos passados. 
O Ipeadata reúne informações econômicas relevantes de diversos outros institutos e fundações,
de forma a manter um catálogo de dados organizados por temas – sociais, macroeconômico e
regional – e facilitar o trabalho do pesquisador brasileiro. 
Acesse o site do Ipeadata e conheça mais a respeito desse tema.
Referências
http://www.ipeadata.gov.br/
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DIAS, R. Ciência Política. 2. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2013. E-book. ISBN 9788522476725.
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522476725/. Acesso em:
13 out. 2022. 
FERNANDES, J. P. T. Elementos de Economia Política Internacional. Coimbra (PT): Grupo
Almedina, 2013. E-book. ISBN 9789724051154. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9789724051154/. Acesso em: 13 out. 2022. 
GREMAUD, A. P.; VASCONCELLOS, M. A. S. D.; TONETO JR., R. Economia Brasileira
Contemporânea. 8. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2016. E-book. ISBN 9788597010206. Disponível
em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597010206/. Acesso em: 13 out.
2022. 
RIANI, F. Economia do Setor Público - Uma Abordagem Introdutória. 6. ed. São Paulo: Grupo GEN,
2016. E-book. ISBN 9788521632320. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521632320/. Acesso em: 21 out. 2022. 
SAMUELSON, P. A.; NORDHAUS, W. D. Economia. Porto Alegre: Grupo A, 2009. E-book. ISBN
9788580551051. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551051/. Acesso em: 13 out. 2022. 
SILVA, F. P. M.; SILVA, D. F.; ABEL, H.; SILVA, F. P.; RODRIGUES, V. M.; AZEVEDO, V. L. S.; RECH, A. R.;
LIMA, A. S. Economia política. Porto Alegre: Grupo A, 2018. E-book. ISBN 9788595026254.
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595026254/. Acesso em:
13 out. 2022. 
VASCONCELLOS, M. A. S. D. Economia: Micro e Macro. São Paulo: Grupo GEN, 2015. E-book.
ISBN 9788597003505. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597003505/. Acesso em: 13 out. 2022. 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788522476725/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9789724051154/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597010206/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788521632320/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551051/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595026254/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597003505/
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VIOTTI, P. R.; KAUPPI, M. V. International Relations Theory. Realism, Pluralism, Globalism. Nova
Iorque: Maxwell MacMillan International Editions, 1990.
Aula 2
Agentes, estrutura e parâmetros da macroeconomia
Introdução
Olá, estudante! Nesta aula você compreenderá os princípios fundamentais dos setores e agentes
da economia. Para isso, o conceito de �uxo circular da renda será importante durante toda a
aula. Além disso, você aprenderá como duas variáveis econômicas são analisadas dentro de um
contexto de crescimento de qualquer país: o Produto Interno Bruto (PIB) e a in�ação. 
Ao �nal da aula você será capaz de identi�car a importância dos agentes econômicos e re�etir
de maneira crítica acerca da condução macroeconômica do país, principalmente a geração de
riquezas e o controle in�acionário. 
Complementando o conteúdo apresentando, consulte, sempre que possível, os materiais
adicionais indicados nas referências.  
Vamos lá?
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Setores (externos e públicos)
Como consumidor, você já deve ter percebido que os produtos e serviços costumam ter seus
preços aumentados ao longo do tempo. Você também deve ter visto nos noticiários reportagens
acerca da produção do país. Independentemente do momento econômico que estamos vivendo,
esses dois tipos de fenômenos sempre afetam, de maneira explícita ou implícita, todos os
agentes e setores da economia. 
De uma maneira geral, dentro da economia existem diversos tipos de agentes e setores
econômicos participando de um �uxo, denominado �uxo circular da renda. A Figura 1 ilustra o
�uxo circular de renda para uma economia com quatro setores. 
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Figura 1 | Fluxo circular de renda para uma economia com quatro setores. Fonte: Vasconcellos (2015, p. 225).
Como é possível perceber, na economia existe uma interdependência entre os agentes
econômicos pertencentes ao setor das famílias, das empresas, da formação de capital, do
governo (setor público) e do resto do mundo (setor externo ou estrangeiro). Assaf Neto (2020) e
Vasconcellos (2015) nos auxiliam no entendimento dessa interligação entre os setores,
de�nindo-os da seguinte forma:  
Setor de empresas ou agentes produtivos: desempenham a função de produzir e oferecer
bens e serviços à população por meio da transformação e intermediação dos fatores de
produção. 
Setor de famílias ou população: para quem são oferecidos os bens e serviços produzidos.
São também proprietários dos fatores de produção (trabalho, capital e terra). 
Setor de formação de capital ou investidores: é composto por agentes que efetivam gastos
em bens que representam aumento da capacidade produtiva da economia, isto é, da
capacidade de gerar rendas futuras. 
Setor de governo: atua na regulação dos demais setores, com o objetivo de eliminar as
chamadas distorções alocativas (isto é, na alocação de recursos) e distributivas, e de
promover a melhoria do padrão de vida da coletividade. 
Setor externo: é composto pelos demais países e agentes econômicos estrangeiros que
podem efetivar transações econômicas (exportação, importação, investimentos etc.) com
o país analisado.  
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Entendido que os setores e agentes econômicos interagem entre si, é momento de pensarmos
em dois dos fenômenos econômicos mais relevantes na macroeconomia: o nível de produção e
a in�ação. 
O nível de produção de um país geralmente é medido pelo indicador conhecido como Produto
Interno Bruto (PIB). De acordo com Krugman e Wells (2015), podemos de�nir o PIB como o valor
total de todos os bens e serviços �nais produzidos na economia durante um determinado
período, geralmente um ano. Uma maneira de calcular o PIB é pela soma do valortotal da
produção das empresas no que se refere a bens e serviços �nais. Outra maneira é analisando o
gasto total dos bens e serviços �nais. Como o PIB é igual ao valor total dos bens e serviços �nais
produzidos na economia, também deve ser igual ao �uxo de fundos recebidos por empresas das
vendas de bens e serviços no mercado. Países que têm maiores PIBs são países com economias
maiores e com signi�cativa relevância dentro do cenário internacional. 
Por outro lado, quando um país apresenta alto crescimento do PIB, pode existir também uma
pressão econômica para aumento do nível de preços, e é a partir daí que surge o conceito de
in�ação. A in�ação é de�nida como o aumento generalizado e persistente do nível de preços de
uma economia. Segundo Samuelson e Nordhaus (2009), calculamos a in�ação recorrendo a
índices de preços – médias ponderadas dos preços de milhares de produtos individuais. A
de�ação, por sua vez, é de�nida como uma redução geral do nível de preços da economia. 
A importância do cálculo e da análise da in�ação ou de�ação se dá uma vez que elevadas taxas
de in�ação geram instabilidade econômica, ou seja, acarretam distorções acerca da distribuição
de renda, das expectativas empresariais, do mercado de capitais e das contas externas.
Portanto, é desejável que os países apresentem taxas de in�ação controladas para que cresçam
com estabilidade econômica, gerando renda e crescimento econômico de maneira consistente,
com equilíbrio nos mais diversos mercados. 
In�ação
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Como já entendemos de que maneira se dá a interligação dos agentes e setores econômicos,
bem como o fato de que essa interação pode proporcionar aumento ou redução dos indicadores
de produção (como o PIB) e dos indicadores de nível de preços (in�ação), é momento de nos
aprofundarmos mais em como se dão esses impactos. 
Primeiramente, é importante que entendamos mais a respeito do papel fundamental das famílias
e das empresas na geração do produto na economia e, portanto, na geração de renda. A renda é
gerada na economia justamente pelo fato de existir um �uxo monetário ocorrendo entre os
setores econômicos. Ou seja, as �rmas recebem das famílias pela venda de bens e serviços
produtivos; as �rmas remuneram as famílias; as famílias compram das �rmas, fazendo com que
o produto gere renda, que gera consumo, que gera produto, que gera renda novamente, e assim
sucessivamente.  
Os investidores e o governo também são capazes de contribuir macroeconomicamente para a
geração de renda. Os investidores captam recursos e aplicam esses recursos no setor produtivo
para que gerem mais renda em períodos futuros. O governo também gera mais renda por meio
de seus gastos ao criar empregos e oportunidades pela oportunidade em obras, por exemplo, de
infraestrutura. 
A contribuição dos agentes do setor externo para a geração de renda também se dá pelos
componentes do comércio internacional e de investimentos externos. Ao comprar um produto
produzido nacionalmente, os habitantes de outros países estão injetando renda em nosso
sistema macroeconômico, assim como o fazem quando acreditam em nosso potencial de
crescimento e aportam capital para investimentos produtivos. 
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Todo esse processo envolvendo os setores econômicos contribui para o indicador de PIB. De
uma maneira geral, o PIB pode ser justamente interpretado a partir da D emanda Agregada (DA)
do país que, segundo Vasconcellos (2015), é composta pelas variáveis que acabamos de
analisar, conforme a equação a seguir. 
DA = C + I + G + X – M 
Onde: 
C = Demanda de bens de consumo pelas famílias 
I = Demanda de investimentos pelas empresas 
G = Demanda do Governo 
X = Exportações  
M = Importações  
Cabe ressaltar que o processo de geração de renda e produto na economia traz consigo um �uxo
econômico real (produtos e serviços) mas também um �uxo monetário, a�nal, todas as
mercadorias, serviços e fatores de produção têm um preço a eles associados. Quando
compramos algo no mercado, pagamos um preço por isso. Quando a empresa contrata um
funcionário, paga o preço pela mão de obra (salário e re�exos). Quando o investidor faz uma
captação de recursos produtivos, paga o preço por esses recursos (juros). 
A estabilidade econômica necessita que tanto o lado real quanto o lado monetário da economia
estejam interagindo de maneira harmônica, sem graves distorções. Caso haja algum impacto
signi�cativo nessa relação, os setores econômicos serão pressionados a aumentar seus preços,
seja por receio do futuro ou para recompor perdas do passado. Isso, por sua vez, afeta o nível de
preços e a in�ação ou de�ação. 
A in�ação e de�ação, segundo Krugman e Wells (2015), são mensuradas pela evolução de
indicadores de preços como o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), IPC
(Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), os
quais quanti�cam os custos de uma cesta de bens e serviços de mercado em relação ao custo
desse conjunto em determinado ano base.
Produto interno bruto (PIB)
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Uma vez que nos aprofundamos na relação entre os setores econômicos e a geração de
impactos no lado real e monetário do �uxo circular da renda, vamos aplicar esses
conhecimentos de maneira prática, desenvolvendo um raciocínio crítico acerca da evolução
dessas variáveis em um país. 
Vamos começar observando a evolução do PIB ao redor do mundo. A Figura 2 ilustra o
crescimento do PIB comparado entre alguns países entre os anos de 1990 e 2020. 
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Figura 2 | Evolução acumulada do PIB per capita entre 1990 e 2020. Fonte: adaptada de Roser ([s. d. , s. p.]).
Como é possível perceber pela Figura 2, alguns países do mundo apresentam trajetórias de
evolução distintas de seus indicadores de PIB per capita, ou seja, PIB por habitante. Toda a
trajetória de evolução depende dos objetivos de cada país e da estrutura que estes apresentam
para ter crescimentos acelerados ou estáveis do PIB. 
Repare, por exemplo, como a evolução do PIB per capita chinês, indiano e sul-coreano se deram
de maneira mais acelerada que os demais países analisados. A conjuntura econômica desses
países, re�etindo o nível de interação entre os setores macroeconômicos, contribuiu para que os
investimentos produtivos fossem absorvidos pelo mercado, ampliando a produção e a e�ciência
das empresas, o poder de compra das famílias, a viabilidade �nanceira de novos investimentos e
a absorção de dinamismo econômico do setor externo para criação de novos mercados. 
De maneira aplicada, podemos entender que o crescimento econômico traz consigo,
normalmente, instabilidades que provocam variações nos preços da economia. Fazendo uma
analogia, para que andemos é natural que demos um passo de cada vez e isso,
consequentemente, exige breves desequilíbrios para podermos manter a trajetória planejada.  
Na economia, esses breves desequilíbrios são sentidos na volatilidade dos preços. A Figura 3
ilustra a volatilidade do índice de preços de alguns países do mundo, focando, principalmente, o
preço dos alimentos. 
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Figura 3 | Indicadores de volatilidade dos preços domésticos de alimentos. Fonte: adaptada de Our World in Data ([s. d., s. p.]).
Como é possível perceber pela Figura 3, os preços nas economias pelo mundo não se mantêm
perfeitamente constantes ao longo do tempo. Em maior ou menor intensidade, existem
variações de preço que re�etem a evolução da in�ação nos países. Repare que a in�ação de
preços dos alimentos, por exemplo, na Coreia do Sul e na China, são destaques nos indicadores
de volatilidade. Ou seja, o processo de crescimento desses países afetou diretamente os preços
na economia. 
No entanto, ainda pela Figura 3 é possível notar que a evolução do índice de preços não se
mantém acelerada por muito tempo nas economias destacadas. Isso se dá pelo fatode que é
função do governo identi�car esse problema macroeconômico e propor soluções. Dentre as
possibilidades de solução para a in�ação estão a elevação das taxas de juros, a redução de
tributos, a interferência direta no câmbio e em preços da economia. Cada uma dessas medidas
traz consigo consequências futuras para o país, por isso, é importante que os governos estejam
atentos para aplicar o melhor método de redução da in�ação vigente.  
Logo, concluímos que em todas as economias o crescimento do PIB é necessário e desejável,
mas esse crescimento é inviabilizado se não houver harmonia entre os setores
macroeconômicos e correto gerenciamento da evolução do nível de preços, ou seja, da in�ação.  
Videoaula: Agentes, estrutura e parâmetros da macroeconomia
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Você verá neste vídeo a apresentação dos setores e agentes macroeconômicos, bem como de
PIB, in�ação e de�ação.  
Entenderemos como as interações entre os setores afetam a economia de um país, impactando
o crescimento econômico, a in�ação e eventuais padrões de de�ação existentes.  
Aproveite o vídeo para consolidar o conhecimento adquirido ao longo da aula e não deixe de
acessar o conteúdo adicional indicado na seção Saiba mais.  
Saiba mais
Você sabia que existem bancos de dados interessantes para analisarmos o crescimento
econômico de maneira comparativa entre os países? 
O site Our World in Data (na tradução, “Nosso Mundo em Dados”) conta com dados relativos a
diversas áreas de estudo e, entre eles, um dado de crescimento econômico dos países. O Gross
Domestic Product (equivalente ao Produto Interno Bruto) é uma das medidas disponíveis para
análise do crescimento econômico. 
(O site indicado está originalmente em língua inglesa, mas se preferir utilize a opção de tradução
automática do seu navegador.) 
https://ourworldindata.org/
https://ourworldindata.org/
https://ourworldindata.org/
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Referências
ASSAF NETO, A. Estruturas e Análise de Balanços – Um Enfoque Econômico-�nanceiro. São
Paulo: Grupo GEN, 2020. E-book. ISBN 9788597024852. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597024852/. Acesso em: 17 out. 2022. 
FERNANDES, J. P. T. Elementos de Economia Política Internacional. Coimbra (PT): Grupo
Almedina, 2013. E-book. ISBN 9789724051154. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9789724051154/. Acesso em: 13 out. 2022. 
KRUGMAN, P.; WELLS, R. Macroeconomia. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. E-book. ISBN
9788595153530. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595153530/. Acesso em: 13 out. 2022. 
OUR WORLD IN DATA. Domestic food price volatility index, 2000 to 2004. Our World in Data, [s.
d.]. Disponível em: https://ourworldindata.org/grapher/domestic-food-price-volatility-index /.
Acesso em: 14 out. 2022. 
ROSER, M. Economic Growth. Our World in Data, [s. d.]. Disponível em:
https://ourworldindata.org/economic-growth /. Acesso em: 14 out. 2022. 
SAMUELSON, P. A.; NORDHAUS, W. D. Economia. Porto Alegre: Grupo A, 2009. E-book. ISBN
9788580551051. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551051/. Acesso em: 13 out. 2022. 
VASCONCELLOS, M. A. S. D. Economia: Micro e Macro. São Paulo: Grupo GEN, 2015. E-book.
ISBN 9788597003505. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597003505/. Acesso em: 13 out. 2022.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597024852/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9789724051154/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595153530/
https://ourworldindata.org/grapher/domestic-food-price-volatility-index%E2%80%8B%E2%80%8B%E2%80%8B%E2%80%8B/
https://ourworldindata.org/grapher/domestic-food-price-volatility-index%E2%80%8B%E2%80%8B%E2%80%8B%E2%80%8B/
https://ourworldindata.org/economic-growth%E2%80%8B%E2%80%8B%E2%80%8B%E2%80%8B/
https://ourworldindata.org/economic-growth%E2%80%8B%E2%80%8B%E2%80%8B%E2%80%8B/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551051/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597003505/
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Aula 3
Balança comercial
Introdução
Olá, estudante! Nesta etapa de aprendizagem, você compreenderá os princípios fundamentais
sobre a balança comercial e a relação econômica entre um país e o setor externo. Para tanto, o
conceito de comércio internacional será importante. Além disso, você aprenderá como as
importações e exportações afetam as contas nacionais e a geração de produto e renda de um
país. 
Ao �nal da aula, você também será capaz de identi�car as características e a importância das
taxas de câmbio na balança comercial, assim como estará apto para re�etir de maneira crítica
sobre possibilidades de regulação dessa variável no cenário macroeconômico. 
Complementando o conteúdo apresentado, consulte, sempre que possível, os materiais
adicionais indicados nas Referências. 
Vamos lá?  
Balança comercial
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Você já deve ter observado, nos shoppings e supermercados, produtos que são originalmente
fabricados em outros países do mundo. Podemos encontrar um chocolate belga, um vinho
chileno, um queijo suíço e até celulares norte-americanos ou produtos eletrônicos chineses.
Independentemente da origem, o que podemos notar nesses produtos é que todos eles só estão
sendo comercializados em nosso país pelo fato de existir uma relação comercial entre o Brasil e
as demais nações. 
Vamos, primeiro, entender que a relação internacional entre nosso país e o restante do mundo é
medida por alterações na denominada conta de balanço de pagamentos. Essa conta, segundo
Samuelson e Nordhaus (2009), proporciona uma demonstração sistemática de todas as
transações econômicas entre um país e o resto do mundo. Os principais componentes são a
conta corrente e a conta �nanceira, como mostra o Quadro 1, a seguir. 
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Quadro 1 | Elementos básicos do balanço de pagamentos. Fonte: adaptado de Samuelson e Nordhaus (2009, p. 482).
Como é possível perceber pelo Quadro 1, o primeiro dos componentes que medem as transações
internacionais de um país é chamado de balança comercial. Podemos entender a balança
comercial como o registro de todos os valores econômicos transacionados com os outros
países por meio da exportação e a importação de produtos. 
Mas quais são as de�nições das variáveis macroeconômicas de exportação e importação? 
De maneira geral, a exportação pode ser de�nida como o ato de venda, no mercado externo, de
produtos, bens e serviços produzidos nacionalmente. Por sua vez, a importação ocorre quando
um país compra produtos, bens e serviços de outros. 
Quando há a exportação, o país exportador se bene�cia com essa comercialização pelos ganhos
de produtividade (em função dos aumentos escalares de produção), de competitividade (dada a
necessidade de adequação dos produtos aos padrões internacionais) e de rentabilidade para as
empresas nacionais. 
Por sua vez, as importações costumam re�etir a falta de condições para a produção nacional
dos produtos e serviços importados. Essa limitação é normal a todos os países, uma vez que é
impossível que se consiga produzir nacionalmente todos os tipos de produtos demandados pela
população. No entanto, deve-se considerar que se o país precisa importar produtos e serviços de
maior valor agregado, isso pode representar um fator de atenção a essa variável
macroeconômica. 
Para que as exportações e importações entre países aconteçam, é necessário que todas as
transações sejam feitas na mesma unidade monetária. A partir desse contexto, surge o conceito
de taxa de câmbio. De acordo com Krugman e Wells (2015),as transações internacionais
requerem um mercado em que as moedas possam ser trocadas umas pelas outras. Esse
mercado é denominado mercado de câmbio e determina as taxas de troca, ou seja, os preços
pelos quais as moedas são comercializadas. Por exemplo, quando uma empresa brasileira
compra insumos tecnológicos dos Estados Unidos, ela precisa vender Reais e comprar Dólares
para efetivar a negociação. Já quando uma empresa estrangeira quer comprar produtos do
Brasil, é ela quem precisará comprar Reais e vender sua moeda corrente. 
As transações cambiais de compra e venda de moeda são realizadas no Brasil apenas pela
mediação de agentes (empresas �nanceiras) autorizados pelo Banco Central para tais
operações. 
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Portanto, podemos concluir que os conceitos de balança comercial, exportação, importação e
taxa de câmbio são fundamentais para aprendermos mais sobre como o comércio internacional
impacta a macroeconomia de um país. 
Importação e exportação
Agora que já estudamos os conceitos de balança comercial, exportação, importação e taxa de
câmbio, vamos interpretar essas variáveis, investigando as relações existentes entre elas. 
Você já deve ter percebido o quanto a balança comercial é afetada pelas variações das taxas de
câmbio entre os países. De acordo com Mankiw (2021), as exportações e importações de um
país dependem (dentre outras variáveis) dos preços externos em Dólares, dos preços internos
em Reais e da taxa de câmbio nominal (Reais por Dólar). 
Na macroeconomia, podemos entender que quando a taxa de câmbio aumenta, existe a
denominada desvalorização cambial. Ou seja, são necessários mais Reais para a compra de um
único Dólar. Isso quer dizer que a desvalorização cambial incentiva as exportações e
desincentiva as importações, contribuindo para a existência de uma balança comercial com
saldo positivo (superávit). 
Por outro lado, quando a taxa de câmbio diminui, existe uma valorização cambial. Ou seja, são
necessários menos Reais para que se compre um Dólar no mercado de câmbio. O impacto disso
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
é que a valorização cambial incentiva as importações de um país e desincentiva as exportações,
resultando num efeito negativo na balança comercial (dé�cit). 
Mas, a�nal, como a taxa de câmbio é afetada a ponto de sofrer valorizações e desvalorizações
ao longo do tempo? Quem regula o mercado cambial? 
De maneira geral, os países podem adotar diferentes posturas quanto ao modo como tratam o
mercado cambial, o que afeta a regulação desse mercado, o grau de interferência do Banco
Central e a participação dos agentes econômicos. A esse modo de de�nição do câmbio dá-se o
nome de regime cambial. Segundo Vasconcellos (2015), os regimes cambiais mais comuns são: 
Regime de câmbio �xo: o Banco Central �xa antecipadamente a taxa de câmbio e se
compromete a comprar divisas à taxa �xada. Se a taxa for �xada num valor mais elevado,
dizemos que houve uma desvalorização cambial; caso contrário, teremos uma valorização
cambial. 
Regime de câmbio �utuante ou �exível: a taxa de câmbio varia de acordo com a demanda e
a oferta de divisas. Ou seja, o que se ajusta é a taxa de câmbio, e o Banco Central não tem
o compromisso de comprar divisas no mercado. Se a taxa de câmbio sobe, tem-se uma
depreciação cambial, ocorrendo uma apreciação cambial no caso inverso. 
Regimes intermediários: é o caso da chamada �utuação suja (câmbio �utuante, mas
passível de intervenções do Banco Central) ou das bandas cambiais (câmbio �utuante em
determinadas faixas intervalares).  
De acordo com o regime cambial adotado pelo país, portanto, a taxa de câmbio pode sofrer
maior ou menor in�uência advinda dos agentes do mercado ou do próprio Banco Central. Tais
variações resultam em impactos nos dé�cits ou superávits da balança comercial. 
Outra variável importante para a análise da balança comercial é a própria pauta de exportações e
importações. Quando um país possui uma pauta de exportação baseada principalmente em bens
primários (de baixo valor agregado) e uma pauta de importação de produtos tecnológicos (de
alto valor agregado), isso faz com que esse país �que mais suscetível ao cenário de preços e
taxas de câmbio internacionais, precisando manter um alto patamar de exportações para
garantir superávits na balança comercial. 
Por outro lado, países desenvolvidos que possuem uma pauta de exportação baseada em
produtos industrializados e tecnológicos conseguem absorver mais facilmente o dinamismo
econômico gerado por esse tipo de transação, o que, consequentemente, pode contribuir no
saldo positivo da balança comercial. 
Portanto, é possível concluir que na macroeconomia todos os conceitos trabalhados ao longo
desta aula constituem importantes interações entre si, apresentando-se como variáveis
fundamentais dentro do processo de desenvolvimento de um país.
Taxas de câmbio
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PARA ENGENHEIROS
Uma vez que aprendemos como as variáveis estudadas possuem relações de impacto entre si,
vamos aplicar tais conhecimentos de maneira prática, aprendendo sobre o caso brasileiro dentro
do cenário internacional. 
Como você acha que é a pauta de exportação e importação brasileira? Será que o Brasil é mais
intensivo na produção de bens primários ou bens industrializados e tecnológicos? Que tipos de
impacto podem ser observados na balança comercial brasileira? E como é de�nida a taxa de
câmbio brasileira ao longo dos anos? 
Primeiro, é importante entender que o Brasil apresenta, ao longo de sua trajetória de crescimento,
uma pauta de exportações baseada principalmente em produtos primários, ou seja, produtos
com um baixo nível de industrialização e baixo valor agregado. A Figura 1, a seguir, ilustra a pauta
de exportações brasileira no ano de 2021. 
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Figura 1 | Pauta de exportações brasileiras em 2021. Fonte: Comex Stat ([2022, s. p.]).
Como é possível identi�car pela Figura 1, os produtos mais exportados no Brasil no período
investigado foram minério de ferro, soja, óleos brutos, açúcares e melaços. Embora trate de um
período especí�co, a pauta de exportações brasileiras tem perpetuado esse mesmo
comportamento ao longo de várias décadas. Produtos mais intensivos em capital e tecnologia
não possuem grande representatividade dentre os produtos exportados pelo país. 
Acerca da pauta de importações brasileiras, por sua vez, percebe-se um comportamento distinto
em relação às exportações. A Figura 2, a seguir, mostra a distribuição dos produtos dentre os
importados pelo Brasil. 
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Figura 2 | Pauta de importações brasileiras em 2021. Fonte: Comex Stat ([2022, s. p.]).
Observando o comportamento da pauta de importações, é possível perceber que o Brasil importa
majoritariamente produtos associados à indústria de transformação. Dentre os produtos mais
importados estão adubos e fertilizantes, óleos já industrializados e outros produtos já
transformados (principalmente para abastecimento da agroindústria, da indústria farmacêutica e
automobilística). 
Dessa forma, é possível entender que o Brasil depende e importa bens de capital e tecnológicos
que não possuem produção nacional, ao passo que exporta matérias-primas para outros países,
como China, Estados Unidos e Argentina. 
Quando olhamos para o saldo gerado na balança comercial brasileira, é possível inferir, de
maneira aplicada, que o país consegue atingir superávit nessa conta nacional, apesar de fatores
de instabilidade econômica. A Figura 3, a seguir, ilustra a evolução do saldo da balança comercial
entre os anos de 1995 até 2021. 
Figura 3 | Evolução do saldo em balança comercial (em milhões de Dólares). Fonte: Ipeadata ([2022, s. p.]).
Observe, pela Figura 3, que o Brasil gerou de modo frequente, no período investigado, saldos
positivos na balança comercial, indicando que os valores exportados foram superiores aos
valores importados. Essa informaçãopode ser interpretada de maneira vantajosa, apontando
ganhos de renda pelo processo de exportações líquidas, mas também de maneira crítica, pois
evidencia que o Brasil ainda é muito dependente de fatores externos, como o preço dos produtos
primários. 
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Por �m, observemos o comportamento da taxa de câmbio no Brasil. No caso brasileiro, aplica-se
um regime de câmbio intermediário, para o qual o mercado regula independentemente sua taxa
praticada. No entanto, podem existir intervenções pontuais do Banco Central comprando ou
vendendo câmbio para poder minimizar efeitos adversos e especulativos de curto prazo. 
A Figura 4, a seguir, ilustra a evolução da taxa de câmbio comercial entre os anos de 2000 e
2021.
Figura 4 | Taxa de câmbio comercial (R$ / US$). Fonte: Ipeadata ([2022, s. p.]).
A taxa de câmbio, dentro do período analisado, apresentou tendência de elevação, atingindo o
seu maior valor no ano de 2021. Isso signi�ca que a moeda nacional tem sido depreciada em
relação à moeda internacional, o que favorece as exportações e desfavorece importações. 
Assim, é possível concluir que todos os conceitos abordados ao longo desta aula interagem
entre si e trazem consigo resultados práticos, que podem ser evidenciados a cada um de nós por
intermédio de dados, notícias de revistas ou jornais, assim como podem impactar o setor
produtivo brasileiro.  
Videoaula: Balança comercial
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Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no
aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet.
Você verá, no vídeo a seguir, a apresentação do conceito de balança comercial, bem como de
taxa de câmbio. Entenderemos como as interações entre um país e o setor externo afetam a
economia, com impacto sobre as exportações e importações. Aproveite o material para
consolidar o conhecimento adquirido ao longo da aula e não deixe de acessar o conteúdo
adicional indicado na seção Saiba mais.
Saiba mais
Você sabia que é possível criar consultas detalhadas das exportações e importações brasileiras
com as diversas variáveis da base de dados estatísticos? Acessando o Comex Stat, você
identi�ca todos os componentes das pautas de importação e exportação brasileiras e consegue
mensurar impactos no balanço de pagamentos.  
Referências
http://comexstat.mdic.gov.br/pt/home
http://comexstat.mdic.gov.br/pt/home
http://comexstat.mdic.gov.br/pt/home
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
COMEX STAT. Dados do comércio exterior brasileiro. [2022]. Disponível em:  
http://comexstat.mdic.gov.br/pt/comex-vis. Acesso em: 13 out. 2022. 
COMEX STAT. Página inicial. [s. d.]. Disponível em: http://comexstat.mdic.gov.br/pt/home.
Acesso em: 13 out. 2022. 
FERNANDES, J. P. T. Elementos de economia política internacional. Coimbra, Portugal: Almedina,
2013. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9789724051154/. Acesso em: 13 out. 2022. 
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA – Ipeadata. Dados macroeconômicos e
regionais. [2022]. Disponível em: http://www.ipeadata.gov.br. Acesso em: 13 out. 2022. 
KRUGMAN, P.; WELLS, R. Macroeconomia. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. E-book. Disponível
em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595153530/. Acesso em: 13 out.
2022. 
MANKIW, N. G. Macroeconomia. São Paulo: Grupo GEN, 2021. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597027594/. Acesso em: 13 out. 2022. 
SAMUELSON, P. A.; NORDHAUS, W. D. Economia. Porto Alegre: Grupo A, 2009. E-book. Disponível
em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551051/. Acesso em: 13 out.
2022. 
VASCONCELLOS, M. A. S. de. Economia: micro e macro. 6. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2015. E-
book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597003505/.
Acesso em: 13 out. 2022
http://comexstat.mdic.gov.br/pt/comex-vis
http://comexstat.mdic.gov.br/pt/home
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9789724051154/
http://www.ipeadata.gov.br/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595153530/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597027594/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551051/
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Aula 4
Fatores econômicos: produção e gestão
Introdução
Olá, estudante! Seja bem-vindo a mais uma aula de Administração e Economia para Engenheiros.
Nesta etapa de aprendizagem, você compreenderá os princípios fundamentais sobre as políticas
monetária e �scal, bem como sobre o processo in�acionário, com foco direcionado aos
aumentos dos preços dos fatores de produção. Além dos conceitos e características associados
a esses temas, você aprenderá como as variáveis econômicas em questão são analisadas
dentro de um contexto de crescimento do país. 
Ao �nal da aula, você será capaz de identi�car os componentes das políticas e da produção
nacional, além de estar apto para re�etir de maneira crítica sobre a in�uência desses fatores
macroeconômicos nas organizações. 
Complementando o conteúdo apresentado, consulte, sempre que possível, os materiais
adicionais indicados nas Referências.  
Vamos lá?  
Política monetária
Disciplina
ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Você já deve ter notado que um dos maiores problemas das economias contemporâneas é a
in�ação. A in�ação é de�nida como o aumento generalizado e persistente do nível de preços da
economia. Quanto maior a in�ação, maiores são as volatilidades dos preços, fato que pode
causar instabilidade econômica. 
Mas, a�nal, como surge o processo in�acionário e como ele interfere nos setores e agentes
econômicos? Qual o papel dos fatores de produção dentro dos processos in�acionários? 
De acordo com o Sampaio (2022), diversas podem ser as fontes que desencadeiam o processo
in�acionário, o que faz com que existem vários tipos de processos in�acionários, dentre os quais
podemos citar: 
In�ação inercial: os preços são reajustados com base nas expectativas adaptativas do
mercado. 
In�ação de demanda: a pressão de aumento na demanda da economia eleva os preços. 
In�ação de oferta: a pressão de redução na oferta da economia eleva os preços. 
In�ação estrutural: problemas na estrutura produtiva elevam os preços.  
Dentre outras causas, podemos entender que o processo in�acionário está bastante associado a
questões produtivas da economia, derivadas do problema da escassez. A Figura 1,
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
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compartilhada por Vasconcellos (2015), ilustra a escassez num caso genérico em que certo país
deve fazer uma escolha acerca do que produzir, gerando uma curva de possibilidades de
produção. 
Figura 1 | Curva de possibilidades de produção. Fonte: Vasconcellos (2015, p. 10).
De forma geral, hipoteticamente, no exemplo apresentado, um país poderia produzir apenas uma
determinada quantidade de manteiga, de canhões ou uma combinação entre esses dois
produtos que fosse interessante para atender às necessidades da maioria da população, dada a
produtividade dos fatores de produção. 
Segundo Krugman e Wells (2015) e Vasconcellos (2015), os fatores de produção são quaisquer
coisas que podem ser usadas para produzir outras coisas. As listas de fatores de produção da
economia geralmente abrangem: 
Terra (área). 
Trabalho ou mão de obra (o tempo dos trabalhadores). 
Insumos (matérias-primas). 
Capital (maquinaria, construção e outros ativos produtivos fabricados pelo homem).  
Capital humano (conquistas educacionais e habilidades dos trabalhadores).  
Cada fator de produção possui um preço na economia, e cada preço deve ter estabilidade para
que não contribua com um processo in�acionário. Dentre os preços dos fatores estão os preços
dos insumos, as taxas de aluguel (remuneração da terra), os salários(remuneração do trabalho),
os juros e lucros (remuneração do capital). 
Os preços dos fatores de produção geralmente estão associados à sua produtividade
(capacidade de gerar produto a partir de determinada quantidade de fatores). Por exemplo,
imagine uma empresa que possui insumos com produtividade de dez unidades monetárias, mas
tem custo de 15 unidades. Logo, a empresa pode precisar repassar essa de�ciência produtiva
nos preços de seus produtos, o que pode contribuir para o processo in�acionário. 
E o que acontece se os agentes econômicos não receberam incentivos o su�ciente para utilizar
os fatores de produção em prol do crescimento econômico do país? Nesse caso, torna-se
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
necessária a aplicação de uma política macroeconômica, dentre outras possibilidades, com
aplicações �scais ou monetárias. 
De maneira geral, a política �scal é o instrumento de que o governo dispõe para a arrecadação de
tributos (política tributária) e controle de suas despesas (política de gastos). Por sua vez, a
política monetária é um instrumento que re�ete a atuação do governo sobre a quantidade de
moeda, de crédito e das taxas de juros. Ambos os tipos de política trazem consigo efeitos
positivos e pontos de atenção para as economias nacionais. 
Portanto, podemos concluir que as variações nos preços dos fatores de produção podem re�etir
questões produtivas da economia e manifestar alto impacto no processo in�acionário de um
país. A partir das políticas �scais e monetárias, o governo deve não somente tentar conciliar
objetivos de crescimento, mas também interferir em processos in�acionários danosos à
estabilidade econômica. 
Política �scal
Agora que já sabemos o que é processo in�acionário, conhecemos a importância dos fatores de
produção e assimilamos a de�nição de política �scal e monetária, vamos investigar a relação
entre essas variáveis macroeconômicas e aprofundar nosso entendimento sobre cada uma
delas. 
Disciplina
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PARA ENGENHEIROS
Vamos começar pensando na seguinte questão: quais os possíveis impactos na economia
gerados pelo fato de os agentes econômicos usarem mais ou menos fatores de produção
durante o processo produtivo? 
O acréscimo de fatores de produção no processo produtivo foi ilustrado por Krugman e Wells
(2015) a partir do exemplo de uma fazenda que adicionava trabalhadores e mensurava seu
impacto na produção de trigo, como mostra a Figura 2.
Figura 2 | Exemplo de função de produção. Fonte: Krugman e Wells (2015, p. 271).
O exemplo da Figura 2 representa um fenômeno associado a todos os fatores de produção
existentes na economia. Esse fenômeno é denominado Lei dos Rendimentos Marginais
Decrescentes e postula que quando há uma ampliação na quantidade de fatores de produção,
mantendo a quantidade de todos os outros fatores �xos, o produto tende a aumentar, mas sob
taxas decrescentes. 
É possível interpretar que a adição de fatores de produção faz com que a produção total se
aproxime de um limite e, por causa desse limite, ganhos de produtividade só podem existir a
partir de maiores investimentos em outros fatores de produção. 
Em relação ao processo in�acionário, podemos entender, ainda, que quando a produtividade dos
fatores de produção começa a diminuir, a remuneração dos fatores também precisaria
acompanhar esse indicador. Se isso não acontece na economia, o custo incremental dos fatores
de produção não acompanha sua capacidade de geração de receita, o que pode contribuir para o
processo in�acionário. A alternativa à redução da remuneração dos fatores é o progresso
tecnológico, que permitiria a expansão da capacidade de oferta das empresas.  
E como a política �scal e a política monetária podem auxiliar no processo de crescimento da
produção nacional e na estabilização do processo in�acionário? 
Ambas as políticas possuem duas formas de serem aplicadas no contexto macroeconômico:
expansionista e contracionista. As políticas expansionistas têm como objetivo o aumento do
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produto nacional, mas podem trazer consigo consequências, como a elevação da in�ação e/ou
da taxa de juros. As políticas contracionistas buscam controlar as consequências de uma
economia aquecida, como a alta da in�ação ou um baixo nível de poupança. 
Quando um país aplica uma política monetária expansionista, decide adicionar moeda na
economia, reduzindo as taxas de juros, comprando títulos, ou seja, incentivando o crescimento
econômico por entender que problemas como a in�ação ou o descontrole orçamentário não
representam uma ameaça à estabilidade econômica. 
Quando o governo de um país decide gastar mais, reduzir tributos ou incentivar o investimento,
está trabalhando com uma política �scal expansionista. Nesse cenário, o país incentiva o
crescimento econômico, mas também pressiona o aumento das taxas de juros. 
Dessa forma, podemos concluir que o uso dos fatores de produção é importante para elevar a
produção total de uma organização e de um país, porém existe um limite de produção que pode
ser identi�cado pelo cálculo da produtividade. Para auxiliar no incentivo à expansão desse limite
e do crescimento econômico, o setor público pode se utilizar de políticas �scais e monetárias
expansionistas, mas deve se atentar para os efeitos adversos dessas ações. Já no caso de o
processo in�acionário estar aquecido, políticas contracionistas podem contribuir para a
estabilidade econômica. 
Processo in�acionário
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Agora que já estudamos sobre os fatores de produção, seus impactos no processo in�acionário
e sobre as políticas �scal e monetária, vamos entender mais detalhes sobre aspectos aplicados
e associados a essas variáveis. 
Antes de tudo, vamos identi�car o comportamento da produtividade dos fatores para alguns
países selecionados e entender o que pode ter ocorrido ao longo da história econômica dessas
nações por meio da Figura 3, a seguir. 
Figura 3 | Produtividade total dos fatores. Fonte: adaptada de Our World in Data ([s. d., s. p]).
Perceba, pela imagem anterior, que no início da década de 1950 a produtividade total dos fatores
apresentava bastante discrepância entre cada um dos países analisados, mas que houve uma
tendência de convergência para o mesmo nível dos países que já possuíam uma produtividade
alinhada com a média mundial. 
Especi�camente no caso brasileiro, um dos indicadores mais utilizados para o cálculo da
produtividade do fator trabalho é o indicador de produtividade por hora trabalhada, como aponta
a Figura 4. 
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 4 | Produtividade por horas trabalhadas em R$ de 2019. Fonte: IBRE – FGV ([s. d.b, s. p.]).
De acordo com a Figura 4, o Brasil não teve, no período analisado, uma evolução signi�cativa na
produtividade dos setores de serviços e indústria. O setor agropecuário, por sua vez, apresentou
um ganho relevante de produtividade no período. 
O processo in�acionário e os impactos da produtividade nesse processo podem ser estudados a
partir de indicadores como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em suas
diversas categorias, como ilustra a Figura 5. 
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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA
PARA ENGENHEIROS
Figura 5 | Evolução do IPCA. Fonte: adaptada de Banco Central do Brasil ([s. d], [s. p.]).
Perceba que entre os anos 2000 e 2021, a in�ação exibe particularidades distintas em cada
setor. Isso signi�ca que alguns setores (como alimentação e bebidas) têm maiores pressões de
demanda, de oferta ou de produtividade, que fazem com que seus preços oscilem mais do que
os demais. 
E como pode ser entendida a relação de políticas macroeconômicas �scais e monetárias no
Brasil? 
Um dos meios mais utilizados para analisar os efeitos de políticas �scais e monetárias é o
modelo IS-LM-BP. As funções IS-LM-BP moldam os equilíbrios no mercado real da economia
(medidos pelo nível de investimento (I) e poupança (S)), no mercado monetário (medidos pelademanda (L) e oferta (M) de moeda) e no Balanço de Pagamentos (BP) (GUIMARÃES, 2020). A
Figura 6, a seguir, ilustra uma aplicação do modelo IS-LM-BP para uma política �scal
expansionista. 
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Figura 6 | Política �scal expansionista no modelo IS-LM-BP. Fonte: Froyen (2012, p. 370).
Na Figura 6, podemos veri�car as variáveis de taxas de juros da economia (r), produto da
economia (Y), gastos do governo (G) e equilíbrios macroeconômicos (E). Observe que, nesse
caso, uma política �scal expansionista, representada por um aumento dos gastos do governo
(que passa de G0 para G1), não apenas faz com que a curva IS e o produto da economia se
elevem, mas também que as taxas de juros aumentem. Macroeconomistas e analistas setoriais
utilizam os indicadores de mercado aplicados a esse modelo para entender os momentos
vivenciados pela economia brasileira ao longo de cada um dos governos. Governos que utilizam
o instrumento de política �scal expansionista com maior intensidade tendem a ter elevações em
seu produto, porém correm o risco de entrar em desequilíbrio com mais facilidade. 
Por �m, na Figura 7, o mesmo modelo pode ser analisado para entender uma política monetária
expansionista.
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Figura 7 | Política monetária expansionista no modelo IS-LM-BP. Fonte: Froyen (2012, p. 369).
É possível perceber, pela imagem anterior, que uma elevação na emissão de moeda na economia
(que passa de M0 para M1) também faz com que o produto aumente de Y0 para Y1, mas traz
consigo reduções nas taxas de juros (r) e outros tipos de desequilíbrios, caso seja utilizada sem
os critérios adequados. 
Portanto, é possível concluir que as políticas macroeconômicas são capazes de incentivar o
produto e a produtividade nacionais. A elevação da produtividade é importante para o
crescimento do país e, para que se desenvolva, depende da utilização correta dos fatores de
produção disponíveis. 
Videoaula: Fatores econômicos: produção e gestão
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Você terá acesso, no vídeo a seguir, a uma apresentação dos conceitos e aplicações de processo
in�acionário e fatores de produção, bem como das políticas �scal e monetária. Entenderemos
como as interações entre essas variáveis podem ser medidas e analisadas. Aproveite o material
para consolidar o conhecimento adquirido ao longo desta aula e não deixe de acessar o
conteúdo adicional indicado na seção Saiba mais.
Saiba mais
O Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) foi criado em 1951 e tem por missão pesquisar, analisar,
produzir e disseminar estatísticas macroeconômicas e pesquisas econômicas aplicadas. No site
do Ibre, você encontra um amplo conjunto de indicadores em formato de séries temporais que
pode ser utilizado em suas análises.  
https://ibre.fgv.br/observatorio-produtividade/temas/categorias/pt-anual
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Referências
BANCO CENTRAL DO BRASIL. SGS – Sistema Gerenciador de Séries Temporais – v2.1 
Módulo público. Banco Central do Brasil, [s. d.]. Disponível em:
https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consultarvalores/telaCvsSelecionarSeries.paint. Acesso em: 14
nov. 2022. 
FROYEN, R. T. Macroeconomia: teorias e aplicações. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. Disponível
em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788502175235/. Acesso em: 13 out.
2022. 
GUIMARÃES, E. P. Fundamentos da macroeconomia. Coimbra, Portugal: Almedina, 2020. E-book.
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788562937385/. Acesso em:
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IBRE – FGV. Indicadores. Observatório da Produtividade Regis Bonelli, [s. d.]a. Disponível em:
https://ibre.fgv.br/observatorio-produtividade/temas/categorias/pt-anual. Acesso em: 13 out.
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IBRE – FGV. Indicador Setorial de Produtividade do Trabalho – Anual (desde 1995). Observatório
da Produtividade Regis Bonelli, Rio de Janeiro, [s. d.]b. Disponível em: 
https://ibre.fgv.br/observatorio-produtividade/temas/indicador-setorial-de-produtividade-do-
trabalho-anual-desde-1995. Acesso em: 13 out. 2022. 
KRUGMAN, P.; WELLS, R. Microeconomia. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. E-book. Disponível
em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595155992/. Acesso em: 13 out.
2022. 
MANKIW, N. G. Macroeconomia. São Paulo: Grupo GEN, 2021. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597027594/. Acesso em: 13 out. 2022. 
https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consultarvalores/telaCvsSelecionarSeries.paint
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788502175235/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788562937385/
https://ibre.fgv.br/observatorio-produtividade/temas/categorias/pt-anual
https://ibre.fgv.br/observatorio-produtividade/temas/indicador-setorial-de-produtividade-do-trabalho-anual-desde-1995
https://ibre.fgv.br/observatorio-produtividade/temas/indicador-setorial-de-produtividade-do-trabalho-anual-desde-1995
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597027594/
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OUR WORLD IN DATA. Total factor productivity, 1954 to 2019. Our World in Data, [s. d]. Disponível
em: https://ourworldindata.org/grapher/tfp-at-constant-national-prices-20111?
time=earliest..2019&country=PER~KOR~CHL~ESP~GBR~TWN~USA~CHN~IND~BRA. Acesso
em: 13 out. 2022. 
SAMPAIO, L. Macroeconomia. (Coleção Esquematizado®). São Paulo: Saraiva, 2022. E-book.
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786553623194/. Acesso em:
11 nov. 2022. 
SAMUELSON, P. A.; NORDHAUS, W. D. Economia. Porto Alegre: Grupo A, 2009. E-book. Disponível
em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551051/. Acesso em: 13 out.
2022. 
VASCONCELLOS, M. A. S. D. Economia: micro e macro. São Paulo: Grupo GEN, 2015. E-book.
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597003505/. Acesso em:
13 out. 2022. 
Aula 5
Revisão da unidade
Conceitos e análises sobre a macroeconomia
https://ourworldindata.org/grapher/tfp-at-constant-national-prices-20111?time=earliest..2019&country=PER~KOR~CHL~ESP~GBR~TWN~USA~CHN~IND~BRA
https://ourworldindata.org/grapher/tfp-at-constant-national-prices-20111?time=earliest..2019&country=PER~KOR~CHL~ESP~GBR~TWN~USA~CHN~IND~BRA
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786553623194/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551051/
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Olá, estudante! Nesta aula de revisão, vamos relembrar alguns dos principais conceitos
estudados na unidade Conceitos e análises sobre a macroeconomia, a �m de que você esteja
preparado para trabalhar com um estudo de caso que será aplicado mais à frente. 
Nesta etapa de aprendizagem, entendemos que a macroeconomia pode ser interpretada como o
estudo das variáveis econômicas de forma agregada, como renda e produto nacionais,
investimento, poupança e consumo agregados, nível geral de preços, emprego e desemprego,
estoque de moeda e taxas de juros, balanço de pagamentos e taxa de câmbio (VASCONCELLOS,
2015). 
Aprendemos que dentro da economia existem diversos tipos de agentes e setores econômicos
que se relacionam macroeconomicamente, como as famílias, as empresas, o governo e o setor
externo.  
Direcionando o foco de nossa análise ao estudo do governo, aprendemos que ele é o sujeito
principal da ação política, podendo ser de�nido como o conjunto de órgãos estáveis com a
função de atualizar, coordenar, instrumentar e orientar a ação política que se expressa como �ns
do Estado e que sedesenvolve no exercício de suas funções básicas: executiva, legislativa e
jurídica. 
Dentre os modos de atuação do governo, demos prioridade ao estudo das políticas
macroeconômicas, que afetam o mercado interno e externo, como a política �scal (instrumento
de que o governo dispõe para a arrecadação de tributos e controle de suas despesas) e a política
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monetária (instrumento que re�ete a atuação do governo sobre a quantidade de moeda, crédito e
taxas de juros). 
Compreendemos que o nível de produção de um país geralmente é medido pelo indicador
conhecido como Produto Interno Bruto (PIB), o qual representa o valor total de todos os bens e
serviços �nais produzidos na economia durante um determinado período, geralmente um ano. O
PIB é composto pela produção de um país e pelos preços dos produtos e serviços. Logo, a 
produtividade dos fatores de produção e a evolução dos índices de preços (in�ação ou de�ação)
também podem afetar essa variável. 
Além disso, analisamos o relacionamento do país com o setor externo, entendendo que na
balança comercial estão dispostos os registros de todos os valores econômicos transacionados
com os outros países pela exportação e importação de produtos. O comércio de um país é
afetado pelas taxas de câmbio, ou seja, pelos preços sob os quais as moedas são
comercializadas, e o país pode adotar regimes de câmbio �xo, �utuante ou intermediário. 
De maneira geral, portanto, assimilamos algumas das principais variáveis macroeconômicas que
você precisa conhecer para realizar uma análise sobre o país, sobre algum setor de interesse ou
sobre a conjuntura econômica internacional.  
Videoaula: Revisão da unidade
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No vídeo a seguir você revisará os principais conceitos macroeconômicos que auxiliam no
entendimento das relações entre os agentes econômicos, bem como sua relevância para a
análise da balança comercial do país. Você também aprenderá sobre a importância da
con�guração macroeconômica (nacional e internacional) de um país em momentos nos quais se
faz necessária a aplicação de políticas econômicas �scais, monetárias ou cambiais. 
Estudo de caso
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Vamos agora analisar um estudo de caso baseado em fatos, o qual re�ete fenômenos ocorridos
em alguns momentos críticos da economia brasileira. O objetivo é nos prepararmos e treinarmos
nossas análises econômicas para futuros cenários nos quais esses eventos possam acontecer
novamente. 
Então, imagine que você seja gerente de planejamento estratégico e trabalhe com projetos de
engenharia numa empresa multinacional. Como responsável pela área estratégica, além dos
conhecimentos em engenharia, é necessário que você também possua uma forte base
econômica e �nanceira, a �m de que possa tomar as melhores decisões para a empresa. 
A instituição na qual você atua está planejando novos investimentos no Brasil e no mundo, mas
está indecisa sobre quanto de capital deve aportar em cada um dos países. Caso muito capital
seja aportado num país com grandes riscos, a empresa pode ter prejuízos signi�cativos, e é seu
dever analisar as situações em que os países se encontram.  
Pesquisando por fatos e notícias sobre o Brasil para a elaboração de um relatório estratégico,
você se deparou com a seguinte situação:  
O país está com um crescimento abaixo da média mundial. 
A in�ação está se elevando no país. 
As empresas estão com baixa produtividade e di�culdade nas vendas. 
O país não vem recebendo investimentos externos e está com dé�cit na balança
comercial. 
A moeda do país está desvalorizada. 
As políticas econômicas utilizadas pelo governo não estão resultando em aumentos
signi�cativos de renda.  
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Além da necessidade de analisar o contexto econômico brasileiro, você também precisa avaliar o
cenário internacional. Ao fazer uma busca por dados, você percebeu que o mundo passa por um
contexto de guerra entre dois países do oriente, fato que tem impacto direto sobre outros países
nos quais a empresa pretendia investir.  
Algumas das questões a que seu relatório deve responder são:  
Como uma guerra afeta a relação econômica internacional entre os países? 
Como enfrentar os problemas macroeconômicos causados pela guerra?  
Por �m, você se dá conta de que o Brasil está em ano eleitoral e ouviu os principais candidatos
mencionarem as alterações que seus respectivos governos trarão em relação à condução das
políticas macroeconômicas, com foco voltado para mudanças nas taxas de câmbio e PIB do
país. Logo, a seguinte pergunta também deve ser respondida em seu relatório:  
Como alterações na balança comercial, na in�ação e nas políticas macroeconômicas
podem impactar o crescimento econômico do país?  
Sua tarefa é, portanto, entender como se dão as relações macroeconômicas entre os agentes
especi�cados e re�etir sobre as formas mais adequadas de trabalhar seu relatório, para garantir
o melhor planejamento da empresa. A exigência dos sócios da organização é alta, portanto, você
deve atender às expectativas desses agentes, desenvolvendo análises relevantes e com
qualidade na abordagem macroeconômica das variáveis. 
Re�ita
Você perceberá, em suas análises, que nem sempre existe uma resposta fácil para questões
econômicas. Todas as vezes que uma variável econômica se altera, alguém pode achar bené�co,
enquanto outros agentes econômicos podem ser prejudicados. 
Por isso, a economia depende bastante de outras áreas de estudo, como as Ciências Políticas,
as Relações Internacionais, o Direito, a Geogra�a, a História, etc. 
Outras questões que podem ser pertinentes para a re�exão da atividade proposta são: 
Será que existe mais de uma forma de interpretar os impactos macroeconômicos entre as
variáveis? 
Uma taxa de câmbio depreciada é algo bom ou ruim? É possível atribuir juízo de valor
generalizado para esse tipo de variável? 
Como os governos decidem quais políticas macroeconômicas serão aplicadas em
determinado período? 
O que é mais importante: controlar a in�ação ou aumentar o PIB de um país? 
Quais são as vantagens de se estar economicamente integrado a outros países? 
Uma única pessoa pode contribuir para mudanças macroeconômicas signi�cativas dentro
de um país
Videoaula: Resolução do estudo de caso
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Obviamente, existem in�nitas possibilidades para que seu relatório estratégico seja desenvolvido
com qualidade, mas você pode associar os fatos macroeconômicos e conduzir seu texto de
forma que ele atenda às expectativas dos sócios da empresa. 
Utilizando o conceito de Produto Interno Bruto (PIB), você pode quanti�car as taxas de
crescimento do momento em questão, tanto do Brasil quanto dos outros países do mundo.
Assim, você pode identi�car comportamentos e tendências de crescimento, para direcionar de
maneira mais e�ciente os investimentos da empresa. 
Também é possível utilizar os conceitos de PIB e in�ação para inferir que o aumento signi�cativo
dos preços da economia pode estar interferindo na redução das vendas por parte das empresas,
fato que, consequentemente, pode estar freando o crescimento do país. Além disso, você pode
usar o conceito de produtividade para analisar como as empresas estão explorando os fatores
de produção para a geração de produto e renda na economia, bem como o impacto da
produtividade no processo in�acionário. 
Em seu relatório também pode constar uma análise de quais são os setores dos mercados
interno e externo mais relevantes para a economia brasileira. Nesse sentido,seria interessante
traçar cenários para cada um desses setores. Como o Brasil está com uma taxa de câmbio
desvalorizada, mas não está conseguindo aproveitar o momento para gerar superávit na balança
comercial, você pode usar esses conceitos para comprovar a real situação do país, com base em
dados atualizados. 
Em relação às políticas macroeconômicas, você pode trabalhar os conceitos de política �scal e
monetária, tentando identi�car como os governos do Brasil e dos demais países têm utilizado
essas ferramentas para controlar a in�ação e gerar renda para os agentes econômicos. Lembre-
se, ainda, de que as exportações líquidas podem gerar renda para o país, de modo que podem
ser levadas em consideração durante sua pesquisa. Além disso, também é importante a análise
do regime de câmbio adotado pelo país. 
Re�etindo especi�camente sobre a guerra, a partir dos conceitos de blocos econômicos e
integração econômica, você pode entender como cada país (ou conjunto de países) se
comportará diante desse fator adverso. No caso de blocos econômicos como a zona do euro, é
interessante entender como o bloco todo pode ser afetado pelas restrições causadas em
períodos de guerra. Cabe ressaltar também que países menos integrados podem ser ainda mais
afetados nesses momentos. 
Por último, abordando o ano eleitoral, seu relatório pode descrever possíveis cenários para o
caso de vitória de cada um dos candidatos ao cargo de presidência. Você pode re�etir como
cada candidato trata da questão do crescimento econômico, priorizando (ou não) a integração
com outros países, bem como propondo políticas �scais e monetárias aderentes à necessidade
brasileira.
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Resumo visual
Fonte: elaborado pelo autor.
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Referências
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2013. E-book. Disponível em:
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FROYEN, R. T. Macroeconomia: teorias e aplicações. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. Disponível
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KRUGMAN, P.; WELLS, R. Microeconomia. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. E-book. Disponível
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VASCONCELLOS, M. A. S. de. Economia: micro e macro. 6. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2015. E-
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https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551051/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597003505/

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