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Seção 8.5
Hormônios vegetais
O desenvolvimento das plantas em suas diversas manifestações — cres-
cimento, resposta a estímulos, floração etc. — é regulado por hormônios 
vegetais, ou fitormônios (do grego horman, colocar em movimento). Estes 
são substâncias orgânicas produzidas em determinadas regiões da planta 
e que migram para locais onde exercem seus efeitos. Fitormônios atuam 
em pequenas quantidades sobre células específicas, denominadas células-
-alvo do hormônio.
Há cinco grupos principais de hormônios vegetais, responsáveis pelo 
controle da divisão celular, do crescimento celular e da diferenciação das 
células. Esses grupos são: auxinas, giberelinas, citocininas, ácido abscísi-
co e etileno. Além desses, outros fitormônios estão sendo identificados 
pelos pesquisadores. Entre as descobertas mais recentes destacam-se os 
brassinolídeos, o ácido salicílico, os jasmonatos e a sistemina. (Tab. 8.3)
 Tabela 8.3 Principais hormônios vegetais
Hormônio Principais funções Local de produção Transporte
Auxina
Estimula o alongamento 
celular; atua no fototropismo, 
no geotropismo, na 
dominância apical e no 
desenvolvimento dos frutos.
Meristemas do caule, 
primórdios foliares, 
folhas jovens, frutos e 
sementes.
Células do floema.
Giberelina
Promove a germinação 
de sementes e o 
desenvolvimento de 
brotos; estimula o 
alongamento do caule e 
das folhas, a floração e o 
desenvolvimento de frutos.
Meristemas, frutos 
e semen tes.
Provavelmente 
através do xilema.
Citocinina
Estimula as divisões celulares 
e o desenvolvimento 
das gemas; participa da 
diferenciação dos tecidos e 
retarda o envelhecimento dos 
órgãos.
Desconhecido; 
acredita-se que um 
dos locais de sua 
produção seja a 
extremidade 
das raízes.
Desconhecido; 
acredita-se que seja 
atra vés do xilema.
Ácido 
abscísico
Inibe o crescimento; 
promove a dormência de 
gemas e de sementes; 
induz o envelhecimento de 
folhas, flores e frutos; induz o 
fechamento dos estômatos.
Folhas, coifa e caule.
Provavelmente 
atra vés dos vasos 
condu tores de seiva.
Etileno
Amadurecimento de frutos; 
atua na abscisão das folhas.
Diversas partes da 
planta.
Difusão através dos 
espaços entre as 
células.
1 Auxinas
As auxinas foram as primeiras substâncias identificadas como fi-
tormônios; elas controlam diversas atividades nas plantas, tais como o 
desenvolvimento das gemas laterais, os tropismos, o desenvolvimento 
de frutos etc. 
Objetivo❱❱❱❱
Caracterizar hormônio CCCCCCC
vegetal e identificar 
os principais grupos 
de hormônio — auxinas, 
giberelinas, citocininas, 
ácido abscísico 
e etileno —, 
associando-os às suas 
funções na planta.
Termos e conceitos❱❱❱❱
hormônio vegetal•	
auxina•	
dominância apical•	
abscisão•	
giberelina•	
citocinina•	
ácido abscísico•	
etileno•	
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Figura 8.20 Folhas de violeta-africana, cujos pecíolos foram 
mergulhados em água pura (à esquerda) e em uma solução de auxina 
sintética (à direita), que estimula o desenvolvimento de raízes.
A principal auxina natural é o ácido indolacético, conhecido pela sigla AIA. Há substâncias 
artificiais que simulam os efeitos do AIA, sendo por isso chamadas de auxinas sintéticas. A mais 
conhecida delas é o ácido 2,4-diclorofenoxiacético, em geral identificado pela sigla 2,4-D. Essa 
substância é tóxica para plantas eudicotiledôneas, mas não para monocotiledôneas, sendo por 
isso utilizada como herbicida no controle de ervas daninhas em campos de cultivo de cereais, 
como trigo, cevada etc. O modo de ação do 2,4-D como herbicida ainda não é bem conhecido. 
O agente laranja, um produto desfolhante utilizado como 
arma química pelas tropas norte-americanas na guerra do 
Vietnã, é uma mistura de ésteres butíricos do 2,4-D e do ácido 
2,4,5-triclorofenoxiacético (2,4,5-T), outra auxina sintética. 
O agente laranja contém um contaminante do 2,4,5-T, a dioxi-
na 2,3,7,8-TCDD, que é tóxica para animais e pessoas. Além de 
ser provavelmente cancerígena, a dioxina causa lesão severa da 
pele da cabeça e da porção superior do corpo. Por esse motivo, 
a produção do 2,4,5-T foi proibida nos Estados Unidos.
Outra auxina sintética é o ácido naftalenoacético, utiliza-
do para induzir a formação de raízes adventícias em ramos, 
o que facilita a propagação vegetativa de árvores por meio 
da estaquia, além de evitar a queda precoce de frutos, em 
plantas de interesse comercial. (Fig. 8.20)
A descoberta das auxinas
Uma das primeiras evidências da existência de substâncias reguladoras do crescimento 
em plantas foi obtida por Charles Darwin e por seu filho Francis, em 1881. Eles estudaram a 
tendência que plantas jovens têm de curvar-se em direção a uma fonte lateral de luz, com-
portamento denominado fototropismo positivo. Em suas experiências, Charles e Francis 
cobriram a extremidade (coleóptilo) de plantinhas de aveia e de alpiste com papel à prova de 
luz, verificando que elas deixavam de curvar-se quando iluminadas lateralmente e continua-
vam a crescer eretas. O mesmo resultado foi obtido quando eles removeram os ápices dos 
coleóptilos; as plantas deixaram de se curvar em direção a uma fonte de luz lateral. Os Darwin 
concluíram que a extremidade dos coleóptilos percebe a posição da fonte de luz e leva o caule 
a curvar-se em direção a ela. (Fig. 8.21)
Figura 8.21 Representação esquemática do experimento de Charles Darwin e de seu filho 
Francis com plantas de aveia. (Imagens sem escala, cores-fantasia.)
Fonte de luz
Coleóptilo
Controle
Ápice 
removido
Ápice 
recoberto Base 
recoberta
Al
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ga
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en
to
 c
el
ul
ar
Luz
Luz
B
Ápice removido
e aplicado sobre
bloco de ágar
Bloco de ágar com auxina
estimula o crescimento
do caule
Controles
Bloco de
ágar sem
auxina
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Em 1926, o botânico holandês Frits Warmolt Went (1903-1990) confirmou que a remoção 
da ponta do coleóptilo de aveia fazia cessar o crescimento do caule; entretanto, a sua re-
colocação sobre a extremidade decapitada restaurava o crescimento. A conclusão foi que 
a extremidade do coleóptilo é fonte de alguma substância que promove o crescimento das 
células mais abaixo.
Went imaginou que, se a extremidade cortada do coleóptilo fosse colocada sobre um peque-
no bloco de gelatina, a substância por ele produzida poderia difundir-se para ela e ser isolada e 
caracterizada. Went cortou pontas de coleóptilos de aveia e deixou-as por algum tempo sobre 
blocos de gelatina. Em seguida, removeu as pontas dos blocos de gelatina e colocou-os sobre 
as plantas decapitadas, verificando que o crescimento era retomado, como se o próprio ápice 
do coleóptilo tivesse sido recolocado.
Quando o bloco de gelatina tratado era colocado assimetricamente sobre o caule cortado, 
este crescia curvando-se na direção oposta ao lado em que havia gelatina, mesmo no escuro. 
Esse experimento foi a primeira demonstração da existência de um hormônio capaz de promover 
o crescimento em plantas. Went deu a ele o nome de auxina (do grego auxein, crescer) e concluiu 
que o fototropismo nas plantas jovens de aveia é causado pela influência da luz sobre esse hor-
mônio. Hoje, sabemos que a auxina desloca-se da face iluminada para a não iluminada, o que faz 
as células desse lado se alongaremmais que na face iluminada. Isso leva o caule a se dobrar em 
direção à fonte de luz. (Fig. 8.22)
Figura 8.22 Representação do experimento de Went com coleóptilos de aveia. No detalhe A, a ponta do coleóptilo de 
aveia é cortada e colocada sobre um bloco de ágar; (a) e (b) representam os controles experimentais; (c), a planta 
cresce ereta quando o bloco de ágar com o hormônio é colocado sobre toda a área do caule decapitado; (d) e (e), 
a planta cresce em direção oposta ao lado em que o bloco de ágar com hormônio foi colocado sobre o caule. No 
detalhe B, representação do dobramento do caule devido ao deslocamento da auxina para o lado não iluminado, o 
que estimula maior alongamento celular que no lado oposto. (Imagens sem escala, cores-fantasia.)
Efeitos da auxina no desenvolvimento
As auxinas são produzidas na extremidade dos coleóptilos de gramíneas e nas pontas dos 
caules das plantas. Sua produção ocorre também em meristemas, em folhas jovens, frutos e 
sementes. A partir dos locais de síntese, as auxinas deslocam-se ativamente, isto é, com gasto 
de energia, pelas células parenquimáticas presentes no floema e ao redor dos tecidos conduto-
res. Esse transporte independe da gravidade e é unipolar, ou seja, as auxinas deslocam-se dos 
meristemas em direção à base de folhas, do caule e da ponta das raízes.

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