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Heliozoários são esféricos e podem ou não ser dotados de estruturas esqueléticas. Eles se 
diferenciam dos radiolários por não apresentarem cápsula esférica central. Algumas espécies 
vivem no fundo de lagos de água doce ou sobre a vegetação submersa, capturando ativamente 
alimento por fagocitose, realizada por seus pseudópodes afilados. (Fig. 4.21)
Pseudópodes 
filamentosos 
(axópodes)
Partícula 
capturada
Vacúolo 
digestório
Núcleo
Vacúolo 
contrátil
Filo Foraminifera (foraminíferos)
O filo Foraminifera (do latim foramen, buraco, furo) reúne os foraminíferos, protozoários dotados 
de uma carapaça externa constituída de carbonato de cálcio, quitina ou mesmo de fragmentos calcá-
rios ou silicosos selecionados da areia pelo protozoário. A carapaça apresenta numerosas perfurações, 
através das quais se projetam pseudópodes finos e delicados, utilizados na captura de alimento.
A maioria dos foraminíferos vive no mar; muitas espécies flutuam, constituindo parte importan-
te do plâncton, enquanto outras vivem sobre algas e animais ou rastejam no fundo. Foraminíferos 
foram muito abundantes nos mares do passado e suas carapaças formaram extensos depósitos 
no fundo dos oceanos, que originaram as rochas sedimentares calcárias, denominadas vasas. 
As grandes pirâmides do Egito, por exemplo, foram construídas com rochas calcárias compostas 
por carapaças dos foraminíferos do gênero Nummulites, hoje extintos, mas muito comuns nos 
mares há 100 milhões de anos.
A presença de determinados foraminíferos está re-
lacionada a rochas sedimentares que contêm petróleo. 
Por isso, encontrar certos tipos de carapaça de foraminí-
feros durante as perfurações de prospecção petrolífera 
indica para os geólogos a possibilidade de existência de 
petróleo na região. (Fig. 4.22)
Figura 4.21 Representantes do filo Actinopoda. A ilustração mostra um heliozoário, em que o esqueleto 
interno é recoberto por uma fina camada de citoplasma. Note os pseudópodes filamentosos (axópodes) 
capturando alimento. (Imagem sem escala, cores-fantasia.) A. Micrografia do heliozoário de água doce 
Acanthocystis turfacea, ao microscópio óptico (aumento . 5003). B. Micrografia do radiolário Acanthomera 
sp., que faz parte do plâncton marinho, ao microscópio eletrônico de varredura (aumento . 4003).
A
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Figura 4.22 Micrografia do foraminífero 
Elphidium crispum, ao microscópio 
eletrônico de varredura, colorizada 
artificialmente (aumento . 903).
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Filo Apicomplexa (apicomplexos ou esporozoários)
O filo Apicomplexa reúne os apicomplexos, protozoários parasitas, destituídos de estru-
turas locomotoras e dotados, em algum estágio do ciclo de vida, de uma estrutura celular 
proeminente, o complexo apical (daí o nome do grupo). Estudos têm mostrado que o complexo 
apical desempenha papel importante na penetração desses protozoários parasitas nas células 
hospedeiras. O termo Sporozoa, antigamente utilizado para designar o filo, refere-se ao fato 
de que muitos representantes do grupo possuem ciclos de vida com estágios em que ocorre a 
formação de esporos.
Algumas espécies de apicomplexos causam doenças em aves e mamíferos, inclusive na es-
pécie humana, e também em invertebrados, como insetos e minhocas. Dependendo da espécie, 
o protozoário habita diferentes locais do corpo do hospedeiro, tais como o interior de células 
de diversos órgãos, o sangue ou cavidades do corpo. Entre os representantes mais conhecidos 
dos apicomplexos estão os do gênero Plasmodium, causadores da malária, o Toxoplasma gondii, 
causador da toxoplasmose, e o Pneumocystis carinii, causador de uma forma de pneumonia que 
ataca pessoas com deficiência do sistema imunitário. (Fig. 4.23)
Filo Zoomastigophora (flagelados)
O filo Zoomastigophora (do grego zoon, animal, mastix, chicote, e phoros, portador), também 
conhecido por Flagellata, compreende os flagelados, protozoários que se locomovem por meio 
de estruturas filamentosas em forma de chicote, os flagelos. Geralmente as espécies possuem 
um ou dois flagelos, porém algumas podem apresentar dezenas deles.
Classificar os protozoários pela presença ou não de flagelo não é um bom critério para re-
fletir o parentesco evolutivo do grupo. Provavelmente, o flagelo surgiu de forma independente 
em diversos grupos de organismos e não constitui uma apomorfia que define um grupo monofi-
lético. Em palavras mais simples, o flagelo não é uma novidade evolutiva exclusiva desse grupo 
de protozoários, ocorrendo também em organismos classificados como algas (euglenoides e 
dinoflagelados). Por isso, alguns sistemas modernos de classificação distribuem os protozoários 
flagelados em diferentes filos e mesmo em reinos diferentes.
Flagelados podem viver no meio aquático, no mar e em água doce. Alguns têm vida livre, uti-
lizando os flagelos para nadar e capturar alimentos por fagocitose; outros são sésseis, vivem 
fixados a um substrato e com o movimento do flagelo criam correntes líquidas, que atraem 
partículas de alimento. Entre os flagelados livre-natantes encontrados em água doce podem-se 
citar os gêneros Bodo e Streblomastix; entre os sésseis, destacam-se os coanoflagelados dos 
gêneros Monosiga e Codosiga. Estes últimos apresentam em torno do flagelo uma espécie de 
funil que auxilia a captura de alimento.
Figura 4.23 Representantes do filo Apicomplexa (esporozoários). A. Micrografia de hemácia 
humana infectada pelo protozoário Plasmodium falciparum, causador de um tipo de malária 
humana, ao microscópio eletrônico de transmissão, colorizada artificialmente (aumento . 7.2003). 
B. Micrografia de corte de célula infectada por Toxoplasma gondii, causador da toxoplasmose 
(microscópio eletrônico de transmissão, colorizada artificialmente). Os protozoários são as formas 
alongadas e mais escuras que podem ser vistas no centro da micrografia (aumento . 6.2003).
A B
Plasmódios
Hemácia 
infectada
Toxoplasmas
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Diversas espécies de flagelados são parasitas e causam doenças em animais e seres humanos. 
Entre os flagelados parasitas humanos destacam-se: Trypanosoma cruzi, causador da doença de 
Chagas; Leishmania brasiliensis, causador da leishmaniose tegumentar; e Trichomonas vaginalis, 
causador de inflamações e corrimentos vaginais.
Certos flagelados, como os do gênero Trichonympha, vivem no tubo digestório de ba-
ratas e cupins em uma relação de troca de benefícios (mutualismo) com esses animais. 
Os protozoários encontram abrigo e alimento no tubo digestório dos insetos, que, por seu 
lado, se beneficiam com as substâncias úteis derivadas da digestão da celulose realizada 
pelos microrganismos. (Fig. 4.24)
Figura 4.24 Micrografias de representantes do filo Zoomastigophora. A. Trichonympha sp., flagelado que 
vive no intestino dos cupins, auxiliando-os na digestão da madeira (aumento . 3103). B. Peranema sp., 
flagelado de água doce em que a base do flagelo é rígida (aumento . 3203).
Filo Ciliophora (ciliados)
O filo Ciliophora (do latim cilium, cílio, e do grego fóros, portador), ou Ciliata, compreende os 
ciliados, protozoários dotados de estruturas locomotoras filamentosas geralmente mais curtas 
e mais numerosas que os flagelos, os cílios. Ciliados têm mais de um núcleo por célula, um deles 
maior, o macronúcleo, e um ou mais núcleos menores, os micronúcleos.A maioria dos ciliados tem vida livre. Entre as pouquíssimas espécies parasitas destaca-se 
Balantidium coli, que parasita o intestino do porco e pode, eventualmente, contaminar a espécie hu-
mana, provocando a infecção intestinal conhecida como balantidiose. Certos ciliados vivem no tubo 
digestório de animais ruminantes, como bois, carneiros, cabras, girafas etc., auxiliando a digestão 
da matéria vegetal e servindo, eles próprios, de alimento para seus hospedeiros. Os ciliados atuais 
ilustram o alto grau de complexidade que um organismo unicelular pode alcançar. (Fig. 4.25)
Para ilustrar as características de um ciliado, escolhemos os paramécios (gênero Paramecium), 
que vivem em lagos e charcos de água doce. A espécie Paramecium caudatum é uma célula longa 
e achatada, que lembra a forma de uma sola de sapato e mede entre 150 e 300 mm de compri-
mento. A célula apresenta-se totalmente recoberta por cílios, cujos batimentos coordenados 
permitem uma natação eficiente.
Em posição mais ou menos central no citoplasma há um macronúcleo e um micronúcleo. 
O macronúcleo controla, por meio da expressão de seus genes, as funções vegetativas do orga-
nismo, tais como a nutrição, o metabolismo em geral, a regeneração etc. O micronúcleo, por sua 
vez, participa dos processos sexuais do protozoário.
Na superfície da célula, o paramécio tem uma depressão, o sulco oral, que se estende da 
extremidade anterior até a região mediana, onde se aprofunda e forma o citóstoma (do grego 
kytos, célula, e stoma, boca). O citóstoma abre-se para um canal interno da célula, a citofaringe, 
no interior da qual há um tufo de cílios. O turbilhonamento da água provocado pelos cílios arrasta 
o alimento — composto por bactérias, pequenas algas, leveduras etc. — até o fundo da citofaringe, 
onde o alimento é envolvido por membrana formando fagossomos, que passam a circular pelo 
citoplasma. Ao se fundir com lisossomos, os fagossomos originam o vacúolo digestório. Depois 
da digestão, o vacúolo com resíduos alimentares, então chamado de vacúolo residual, é eliminado 
por uma região específica da célula, o citoprocto ou citopígeo.

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